Distante das propostas de fidelidade às raízes, propagadas por DJ´s e representantes do atual fenômeno mpb / drum n bass, o projeto Fetalcohol funciona em seu novo cd como um sampler defeituoso, registrando em sua memória digital lapsos e conflitos binários de alguns representantes da bossa nova instrumental. São gerados loops tropicais, assimilados pela cultura noise e processados com camadas ambient de ruído. Em seguida, os samples são editados de forma cirúrgica, onde são retirados as principais veias e referências brasileiras e demais órgãos, subtituídos então por motores / osciladores geradores de frequência. A proposta não é destruir, o organismo não deve encerrar a operação regurgitando sua essência devido a uma febre acústica dos trópicos. A proposta é manter o caráter noise / ambient associado ao instrumental da bossa nova, mesmo que de forma espectral e hipnótica, tão áspera e distante da harmonia idealizada pela velha escolha da mpb. Fetalcohol é Carlos Morevi, que desenvolve este projeto concebido inicialmente em 1996 como extensão de pesquisas em vídeografia e fotografia, abordando a utilização direta do ruído em toda a sua extensão, desde as variantes do ruído branco até microfonia, feedback e geradores de ondas diversos. Carlos Morevi também é membro dos Gengivas Negras e membro-fundador do netlabel Container Inc, um selo virtual que distribui albuns de bandas brasileiras do gênero industrial/noise/post-industrial.