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Full text of "Minha Luta"

Minha Luta 

(Mein Kampf) 
Adolf Hitler 




SUMARIO 
APRESENTAgAO 

Prefacio 

Dedicatoria 

PRIMEIRA PARTE 

I - Na casa paterna 

II - Anos de aprendizado e de sofrimento em Viena 



III - Reflexoes gerais sobre a politica da epoca de minha estadia em Viena 

IV - Munique 

V - A Guerra Mundial 

VI - A propaganda da guerra 

VII - A Revolu^ao 

VIII - Comedo de minha atividade politica 

IX - O Partido Trabalhista Alemao 

X - Causas primarias do colapso 

XI - Povo e ra^a 



XII - O primeiro periodo de desenvolvimento do Partido Nacional Socialista dos 
Trabalhadores Alemaes 



SEGUNDA PARTE 

I - Doutrina e partido 

II - O Estado 

III - Cidadaos e "suditos" do Estado 

rV - Personalidade e concep^ao do Estado Nacional 

V - Concepgao do mundo e organiza^ao 

VI - A luta nos primeiros tempos - A importancia da oratoria 

VII - A luta com a frente vermelha 



VIII - O forte e mais forte sozinho 

IX - Ideias fundamentals sobre o fim e a organiza^ao dos trabalhadores socialistas 

X - A mascara do federalismo 

XI - Propaganda e organizagao 

XII - A questao sindical 

XIII - Politica de alianga da Alemanha apos a Guerra 
XrV - Orienta^ao para leste ou politica de leste 

XV - O direito de defesa 
Posfacio 

prefAcio 

No dia 1 .°de abril de 1924, per forge de sentenga do Tribunal de Munique, tinha eu entrado no 
presidio militar de Landsberg sobre o Lech. 

Assim se me oferecia, pela primeira vez, depois de anos de ininterrupto traballno, a 
possibilidade de dedicar-me a uma obra, por muitos solicitada e por mim mesmo julgada 
conveniente ao movimento nacional socialista. 

Decidi-me, pois, a esclarecer, em dois volumes, a finalidade do nosso movimento e, ao mesmo 
tempo, esbogar um quadro do seu desenvolvimento. 

Nesse trabalho aprender-se-a mais do que em uma dissertagao puramente doutrinaria. 

Apresentava-se-me tambem a oportunidade de dar uma descrigao de minha vida, no que fosse 
necessario a compreensao do primeiro e do segundo volumes e no que pudesse servir para 
destruir o retrato lendario da minha pessoa feito pela imprensa semitica. 

Com esse livro eu nao me dirijo aos estranhos mas aos adeptos do movimento que ao mesmo 
aderiram de coragao e que aspiram esclarecimentos mais substanciais. 

Sei muito bem que se conquistam adeptos menos pela palavra escrita do que pela palavra 
falada e que, neste mundo, as grandes causas devem seu desenvolvimento nao aos grandes 
escritores mas aos grandes oradores. 

Isso nao obstante, os princfpios de uma doutrinagao devem ser estabelecidos para sempre por 
necessidade de sua defesa regular e continua. 

Que estes dois volumes valham como blocos com que contribuo a construgao da obra coletiva. 
O AUTOR 

Landsberg sobre o Lech 

Presidio Militar 

DEDICATORIA 



No dia 9 de novembro de 1923, na firme crenga da ressurreigao do seu povo, as 12 horas e 30 
minutos da tarde, tombaram diante do quartel general assim como no patio do antigo Ministerio da 



Guerra 
Alfarth 
Bauriedl 
Casella 
Ehrlich 
Faust 



de 
(Felix). 
(Andreas; 
(Theodor) 
(Wilhelm). 
(Martin). 
Hechenberger (Ant 
Korner (Oskar). 
Kuhn (Karl) 
Laforce (Karl) 



Munique 
Negociante, 
Chapeleiro, 
Bancario, 
Bancario, 



OS 

nascido a 

nascido 
nascido a 
nascido a 



seguintes 



cidadaos: 



19 
27 
28 
4 
Gargao.Cehfe, nascido a 26 
Estudante de engenharia, nascido a 



Bancario, nascido a 

Serralheiro, nascido a 
Negociante, nascido a 



de 

de 
de 
de 
de 
de 
de 
de 
28 
de 
de 



julho 
maio 
agosto 
agosto 
Janeiro 
setembro 
Janeiro 
julho 
de outubro 
margo 
agosto 



de 
de 
de 
de 
de 

de 
de 
de 

de 
de 

de 



1901. 
1879. 
1900. 
1894. 
1901. 
1902. 
1875. 
1897. 
1904. 
1899. 
1904. 



Neubauer (Kurt). Domestico, nascido a 27 

Pope (Glaus von). Negociante, nascido a 16 

Pforden (Theodor von der). Membro do Supremo Tribunal, nascido a 14 de maio de 1873. 

Rickmers (Joh.). Capitao de Cavalaria, nascido a 7 de maio de 1881. 

Scheubner-Richter (Max Erwin von). Engenheiro, nascido a 9 de Janeiro de 1884. 

Stransky (Lorenz Ritter von). Engenheiro, nascido a 14 de margo de 1899. 

Wolf (Wilhelm). Negociante, nascido a 19 de outubro de 1898. 

As chamadas autoridades nacionais recusaram aos herois mortos um tumulo comum. 

Por isso eu Ihes dedico, para a lembranga de todos, o primeiro volume desta obra, a fim de que 
esses martires iluminem para sempre os adeptos do nosso movimento. 

Landsberg sobre o Lech, Presidio Militar, 16 de outubro de 1924. 
Adolf Hitler 

PRIMEIRA PARTE 



CAPITULO I - NA CASA PATERNA 



Considero hoje como uma feliz determinagao da sorte que Braunau no Inn tenha sido destinada 
para lugar do meu nascimento. Essa cidadezinha esta situada nos limites dos dois paises alemaes 
cuja volta a unidade antiga e vista, pelo menos por nos jovens, como uma questao de vida e de 
morte. 

A Austria alema deve voltar a fazer parte da grande Patria germanica, alias sem se atender a 
motivos de ordem economica. Mesmo que essa uniao fosse, sob o ponto de vista economico, 
inocua ou ate prejudicial, ela deveria realizar-se. Povos em cujas veias corre o mesmo sangue 
devem pertencer ao mesmo Estado. Ao povo alemao nao assistem razoes morals para uma 
politica ativa de colonizagao, enquanto nao conseguir reunir os seus proprios filhos em uma patria 
unica. Somente quando as fronteiras do Estado tiverem abarcado todos os alemaes sem que se 
Ihes possa oferecer a seguranga da alimentagao, so entao surgira, da necessidade do proprio 
povo, direito, justificado pela moral, da conquista de terra estrangeira. O arado, nesse momento 
sera a espada, e, regado com as lagrimas da guerra, o pao de cada dia sera assegurado a 
posteridade. 

Por isso, essa cidadezinha da fronteira aparece aos meus olhos como o simbolo de uma grande 
missao. Sob certo aspecto, ela se apresenta como uma exortagao nos tempos que correm. Ha 
mais de cem anos, esse modesto ninho, cenario de uma tragedia cuja significagao todo o povo 
alemao compreende, conquistou, pelo menos, na historia alema, o direito a imortalidade. No tempo 
da maior humilhagao infligida a nossa Patria, tombou all, por amor a sua idolatrada Alemanha, 
Johannes Palm, de Nuremberg, livreiro burgues, obstinado nacionalista e inimigo dos franceses. 
Tenazmente recusara-se, como Leo Schlagter, a denunciar os seus cumplices, ou melhor os 
cabegas do movimento. Como este, ele foi denunciado a Franga, por um representante do 
governo. Um chefe de policia de Ausburgo conquistou para si essa triste gloria e serviu assim de 
modelo as autoridades alemas no governo de Severing. 

Nessa cidadezinha do Inn, imortalizada pelo martirio de grandes alemaes, bavara pelo sangue, 
austriaca quanto ao governo, moravam meus pais no fim do ano 80 do seculo passado, meu pal 



como funcionario publico, fiel cumpridor dos seus deveres, minha mae toda absorvida nos afazeres 
domesticos e, sobretudo, sempre dedicada aos cuidados da familia. Na minha memoria, pouco 
ficou desse tempo, pois, dentro de alguns anos, meu pai teve que deixar a querida cidadezinha e ir 
ocupar novo lugar em Passau, na propria Alemanlna. 

A sorte de empregado aduaneiro austriaco se traduzia, naquele tempo, por uma constante 
peregrinagao. Pouco tempo depois, meu pai foi para Linz, para onde finalmente se dirigiu tambem 
depois de aposentado. Essa aposentadoria nao devia, porem, significar um verdadeiro descanso 
para o velho funcionario. Filho de um pobre lavrador, ja noutros tempos ele nao tolerava a vida 
inativa em casa. Ainda nao contava treze anos e ja o jovem de entao fazia os seus preparativos e 
deixava a casa paterna no Waldviertel. Apesar dos conselhos em contrario dos "experientes" 
moradores da aldeia, o jovem dirigiu-se para Viena, como objetivo de aprender um oficio manual. 
Isso aconteceu entre 1850 e 1860. Arrojada resolugao essa de afrontar o desconhecido com tres 
florins para as despesas de viagem. Aos dezessete anos, tinha ele feito as provas de aprendiz. 
Nao estava, porem, contente. Muito ao contrario. A longa duragao das necessidades de outrora, a 
miseria e o sofrimento constantes fortaleceram a resolugao de abandonar de novo o oficio, para vir 
a ser alguma coisa mais elevada. Naquele tempo, aos olhos do pobre jovem, a posigao de paroco 
de aldeia parecia a mais elevada a que se podia aspirar; agora, porem, na esfera mais vasta da 
grande capital, a sua ambigao maior era entrar para o funcionalismo. Com a tenacidade de quem, 
na meninice, ja era um velho, por eleito da penuria e das afligoes, o jovem de dezessete anos 
insistiu na sua resolugao e tornou-se funcionario publico. Depois dos Vinte e tres anos, creio eu, 
estava atingido o seu objetivo. Parecia assim estar cumprida a promessa que o pobre rapaz havia 
feito, isto e, de nao voltar para a aldeia paterna sem que tivesse melhorado a sua situagao. 

Agora estava atingido o seu ideal. Na aldeia, porem ninguem mais dele se lembrava e a ele 
mesmo a aldeia se tornara desconhecida. 

Quando, aos cinquenta e seis anos, ele se aposentou, nao pode suportar esse descanso na 
ociosidade. Comprou, entao, uma propriedade na vila de Lambach, na alta Austria, valorizou-a e 
voltou assim, depois de uma vida longa e trabalhosa, a mesma origem dos seus pais. 

Nesse tempo, formavam-se no meu espirito os primeiros ideals. As correrias ao ar livre, a longa 
caminhada para a escola, as relagoes com rapazes extremamente robustos - o que muitas vezes 
causava a minha mae os maiores cuidados - esses habitos me poderiam preparar paratudo menos 
para uma vida sedentaria. Embora, mal pensasse ainda seriamente sobre a minha futura vocagao, 
de nenhum modo as minhas simpatias se dirigiam para a linha de vida seguida por meu pai. Eu 
creio que ja nessa. epoca meu talento verbal se adestrava nas discussoes com os camaradas. 

Eu me tinha tornado um pequeno chefe de motins, que, na escola, aprendia com facilidade, 
mas era dificil de ser dirigido. 

Quando, nas minhas horas livres, eu recebia ligoes de canto no coro paroquial de Lambach, 
tinha a melhor oportunidade de extasiar-me ante as pompas festivas das brilhantissimas festas da 
igreja. Assim como meu pai via na posigao de paroco de aldeia o ideal na vida, a mim tambem a 
situagao de abade pareceu a aspiragao mais elevada. Pelo menos temporariamente isso se deu. 

Desde que meu pai, por motivos de facil compreensao, nao podia dar o devido aprego ao 
talento oratorio do seu bulhento filho, para dai tirar conclusoes favoraveis ao futuro do seu 
pimpolho, e obvio que ele nao concordasse com essas ideias de mocidade. Apreensivo, ele 
observava essa disparidade da natureza. 

Na realidade a vocagao temporaria por essa profissao desapareceu muito cedo, para dar lugar 
a esperangas mais conformes com o meu temperamento. 

Revolvendo a biblioteca paterna, deparei com diversos livros sobre assuntos militares, entre 
eles uma edigao popular da guerra franco-alema de 1870-1871 . Eram dois volumes de uma revista 
ilustrada daquele tempo. Tornaram-se a minha leitura favorita. Nao tardou muito para que a grande 
luta de herois se transformasse para mim em um acontecimento da mais alta significagao. Dai em 
diante, eu me entusiasmava cada vez mais por tudo que, de qualquer modo, se relacionasse com 
guerra ou com a vida militar. Sob outro aspecto, isso tambem deveria vir a ser de importancia para 
mim. Pela primeira vez, embora ainda de maneira confusa, surgiu no meu espirito a pergunta sobre 
se havia alguma diferenga entre estes alemaes que lutavam e os outros e, em caso afirmativo, qual 
era essa diferenga. Por que a Austria nao combateu com a Alemanha nesta guerra? Por que meu 
pai e todos os outros nao se bateram tambem? Nao somos iguais a todos os outros alemaes? Nao 
formamos todos um corpo unico? Esse problema comegou, pela primeira vez, a agitar o meu 



espirito infantil. Com uma inveja intima, deveria as minhas cautelosas perguntas aceitar a resposta 
de que nem todo alemao possuia a felicidade de pertencer ao imperio de Bismarck. Isso era 
inconcebivel para mim. 

Estava decidido que eu deveria estudar. 

Considerando o meu carater e, sobretudo o meu temperamento, pensou meu pai poder chegar 
a conclusao de que o curso de humanidades oferecia uma contradigao com as minlnas tendencias 
intelectuais. Pareceu-Ihe que uma escola profissional corresponderia melhor ao caso. Nessa 
opiniao, ele se fortaleceu ainda mais ante minlna manifesta aptidao para o desenho, materia cujo 
estudo, no seu modo de ver, era muito negligenciado nos ginasios austriacos. Talvez estivesse 
tambem exercendo influencia decisiva nisso a sua dificil luta pela vida, na qual, aos seus olhos, o 
estudo de humanidades de pouca utilidade seria. Por principio, era de opiniao que, como ele, seu 
fillno naturalmente seria e deveria ser funcionario publico. Sua amarga juventude fez com que o 
exito na vida fosse por ele visto como tanto maior quanto considerava o mesmo como produto de 
uma ferrea disposigao e de sua propria capacidade de trabalho. Era o orgulho do homem que se 
fez por si que o induzia a querer elevar seu filho a uma posigao igual ou, se possfvel, mais alta que 
a do seu pai, tanto mais quando por sua propria diligencia, estava apto a facilitar de muito a 
evolugao deste. 

O pensamento de uma repulsa aquilo que, para ele, se tornou o objetivo de uma vida inteira, 
parecia-Ihe inconcebivel. A resolugao de meu pai era, pois, simples, definida, clara e, a seus olhos, 
compreensivel por si mesma. Finalmente para o seu temperamento tornado imperioso atraves de 
uma amarga luta pela existencia, no decorrer da sua vida inteira, parecia coisa absolutamente 
intoleravel, em tais assuntos, entregar a decisao final a um jovem que Ihe parecia inexperiente e 
ainda sem responsabilidade. 

Seria impossivel que isso se coadunasse com a sua usual concepgao do cumprimento do 
dever, pois representava uma diminuigao reprovavel de sua autoridade paterna. Alem disso, a ele 
cabia a responsabilidade do futuro do seu filho. 

E, nao obstante, coisa diferente deveria acontecer. Pela primeira vez na vida fui, mal chegava 
aos onze anos, forgado a fazer oposigao. 

Por mais firmemente decidido que meu pai estivesse na execugao dos pianos e propositos que 
se formara, nao era menor a teimosia e a obstinagao de seu filho em repelir um pensamento que 
pouco ou nada Ihe agradava. 

Eu nao queria ser funcionario. 

Nem conselhos nem "serias" admoestagoes conseguiram demover-me dessa oposigao. 

Nunca, jamais, em tempo algum, eu seria funcionario publico. 

Todas as tentativas para despertar em mim o amor por essa profissao, inclusive a descrigao da 
vida de meu pai, malogravam-se, produziam o efeito contrario. 

Era para mim abominavel o pensamento de, como um escravo, um dia sentar-me em um 
escritorio, de nao ser senhor do meu tempo mas, ao contrario, limitar-me a ter como finalidade na 
vida encher formularios! Que pensamento poderia isso despertar em um jovem que era tudo 
menos bom no sentido usual da palavra? O estudo extremamente facil na escola proporcionava- 
me tanto tempo disponivel que eu era mais visivel ao ar livre do que em casa. 

Quando hoje, meus adversarios politicos examinam com carinhosa atengao a minha vida ate 
aos tempos da minha juventude para, finalmente, poder apontar com satisfagao os maus feitos que 
esse Hitler ja na mocidade havia perpetrado, agradego aos ceus que agora alguma coisa me 
restitua a memoria daqueles tempos felizes. 

Campos e florestas eram outrora a sala de esgrima na qual as antfteses de sempre vinham a 
luz. 

Mesmo a frequencia a escola profissional que se seguiu a isso em nada me serviu de estorvo. 

Uma outra questao deveria, porem, ser decidida. 

Enquanto a resolugao de meu pai de fazer-me funcionario publico encontrou em mim apenas 
uma oposigao de principios, o conflito foi facilmente suportavel. Eu podia, entao dissimular minhas 
ideias intimas, nao sendo preciso contraditar constantemente. Para minha tranquilidade, bastava- 
me a firme decisao de nao entrar de futuro para a burocracia. Essa resolugao era, porem, 
inabalavel. A situagao agravou-se quando ao piano de meu pai eu opus o meu. Esse fato 
aconteceu ja aos treze anos. Como isso se deu, nao sei bem hoje, mas um dia pareceu-me claro 
que eu deveria ser artista, pintor. 



Meu talento para o desenho, inquestionavelmente, continuava a afirmar-se, e foi ate uma das 
razoes por que meu pai me mandou a escola profissional sem contudo nunca Ihe ter ocorrido dirigir 
a minha educagao nesse sentido. Muito ao contrario. Quando eu, pela primeira vez, depois de 
renovada oposigao ao pensamento favorito de meu pai, fui interrogado sobre que profissao 
desejava entao escolher e quase de repente deixei escapar a firme resolugao que havia adotado 
de ser pintor, ele quase perdeu a palavra. 

"Pintor! Artista!" exclamou ele. 

Julgou que eu tinha perdido o juizo ou talvez que eu nao tivesse ouvido ou entendido bem a sua 
pergunta. 

Quando compreendeu, porem, que nao tinha Inavido mal-entendido, quando sentiu a seriedade 
da minha resolugao, langou-se com a mais inabalavel decisao contra a minha ideia. 

Sua resolugao era demasiado firme. Inutil seria argumentar com as minhas aptidoes para essa 
profissao. 

"Pintor, nao! Enquanto eu viver, nunca!" terminou meu pai. 

O filho que, entre outras qualidades do pai, havia herdado a teimosia, retrucou com uma 
resposta semelhante mas no sentido contrario. 

Cada um ficou irredutivel no seu ponto de vista. IVIeu pai nao abandonava o seu nunca e eu 
reforgava cada vez mais o meu nao obstante. 

As conseqiJencias disso nao foram muito agradaveis. O velho tornou-se irritado e eu tambem, 
apesar de gostar muito dele. Afastou-se para mim qualquer esperanga de vir a ser educado para a 
pintura. Fui mais adiante e declare! entao absolutamente nao mais estudar. Como eu, 
naturalmente, com essa declaragao teria todas as desvantagens, pois o velho parecia disposto a 
fazer triunfar a sua autoridade sem consideragoes de qualquer natureza, resolvi calar dai por 
diante, convertendo, porem, as minhas ameagas em realidade. 

Acreditava que quando meu pai observasse a minha falta de aproveitamento na escola 
profissional, por bem ou por mal consentiria na minha sonhada felicidade. 

Nao sei se meus calculos dariam certo. A verdade e que meu insucesso na escola verificou-se. 
So estudava o que me agradava, sobretudo aquilo de que eu poderia precisar mais tarde como 
pintor. O que me parecia sem significagao para esse objetivo ou o que nao me era agradavel, eu 
punha de lado inteiramente. 

Nesse tempo os meus certificados de estudos, apresentavam sempre notas extremas, de 
acordo com as materias e o aprego em que eu as tinha. Digno de louvor e otimo, de um lado; 
sofrivel ou pessimo do outro. 

Incomparavelmente melhores eram os meus trabalhos em geografia e, sobretudo, em historia. 
Eram essas as duas materias favoritas, nas quais eu fazia progressos na classe. 

Quando, depois de muitos anos, examino o resultado daqueles tempos, vejo dois fatos de muita 
significagao: 

1.° Tornei-me nacionalista. 

2.° Aprendi a entender a historia pelo seu verdadeiro sentido. 

A antiga Austria era um "estado de muitas nacionalidades". 

O cidadao do imperio alemao, pelo menos outrora, nao podia, em ultima analise, compreender 
a significagao desse fato na vida diaria do indivfduo, em um Estado assim organizado como a 
Austria. 

Depois do maravilhoso cortejo triunfal dos herois da guerra franco-prussiana, os alemaes que 
viviam no estrangeiro eram vistos como cada vez mais estranhos a vida da nagao, que, em parte, 
nao se esforgavam por apreciar ou mesmo nao o podiam. 

Confundia-se, na Alemanha, sobretudo em relagao aos austro-alemaes, a desmoralizada 
dinastia austrfaca com o povo que, na essencia, se mantinha sao. 

Nao se concebe como o alemao na Austria - nao fosse ele da melhor tempera - pudesse 
possuir forga para exercer a sua influencia em um Estado de 52 milhoes. Nao se concebe tambem, 
sem essa hipotese, que, ate na Alemanha, se tenha formado a opiniao errada de que a Austria era 
um Estado alemao, disparate de serias consequencias que constitui, porem, um brilhante atestado 
em favor dos dez milhoes de alemaes da fronteira oriental. 

So hoje, que essa triste fatalidade caiu sobre muitos milhoes dos nossos proprios compatriotas, 
que, sob o dominio estrangeiro, acham-se afastados da Patria e dela se lembram com angustiosa 
saudade e se esforgam por ter ao menos o direito a sagrada Ifngua materna, compreende-se, em 



maiores proporgoes, o que significa ser obrigado a lutar pela sua nacionalidade. 

So entao um ou outro podera, talvez, avaliar a grandeza do sentimento alemao na veiha 
fronteira oriental, sentimento que se manteve por si mesmo, e que, durar te seculos, protegera o 
Reich na fronteira oriental para finalmente se resumir a pequenas guerras destinadas apenas a 
conservar as fronteiras da lingua. Isso se dava em um tempo em que o governo alemao se 
interessava por uma politica colonial, enquanto se mantinha indiferente pela defesa da carne e do 
sangue de seu povo, diante de suas portas. 

Como sempre acontece em todas as lutas, havia na campanha pela lingua tres classes 
distintas: os lutadores, os indiferentes e os traidores. 

Ja na escola se comegava a notar essa separagao, pois o mais digno de nota na luta pela 
lingua e que e justamente na escola, como viveiro das geragoes futuras, que as ondas do 
movimento se fazem sentir mais vibrantes. 

Em torno da crianga empenha-se a luta, e a ela e dirigido o primeiro apelo: 

"Menino de sangue alemao, nao te esquegas de que es um alemao; menina, pensa que um dia 
deveras ser mae alema". 

Quem conhece a alma da juventude podera compreender que sao justamente os mogos que 
com mais intensa alegria ouvem tal grito de guerra. De centenas de maneiras diferentes costumam 
eles dirigir essa luta em que empregam os seus proprios meios e armas. Eles evitam cangoes nao 
alemaes, entusiasmam-se pelos herois alemaes, tanto mais quanto maior e o esforgo para deles 
afasta-los, sacrificam o estomago para economizarem dinheiro para a luta dos grandes Em relagao 
ao estudante nao-alemao, sao incrivelmente curiosos e ao mesmo tempo intrataveis. Usam as 
insfgnias proibidas da nagao e sentem-se felizes em ser por isso castigados ou mesmo batidos. 
Sao, em pequenas proporgoes, um quadro fiel dos grandes, freqGentemente com melhores e mais 
sinceros sentimentos. 

A mim tambem se ofereceu outrora a possibilidade de, ainda relativamente muito jovem, tomar 
parte na luta pela nacionalidade da antiga Austria. Quando reunidos na associagao escolar, 
expressavamos os nossos sentimentos usando loios e as cores preta, vermeiha e ouro, que, 
entusiasticamente, saudavamos com urras. Em vez da cangao imperial, cantavamos "Deutschland 
uber alles", apesar das admoestagoes e dos castigos. A juventude era assim politicamente 
ensinada em um tempo em que os membros de uma soi-disant nacionalidade, na maioria da sua 
nacionalidade conhecia pouco mais do que a linguagem. Que eu entao nao pertencia aos 
indiferentes, compreende-se por si mesmo. Dentro de pouco tempo, eu me tinha transformado em 
um fanatico Nacional-Alemao, designagao que, de nenhuma maneira, e identica a concepgao do 
atual partido com esse nome. 

Essa evolugao fez em mim progressos muito rapidos, tanto que, aos quinze anos, ja tinha 
chegado a compreender a diferenga entre patriotismo dinastico e nacionalismo racista. O ultimo 
conhecia eu, entao, muito mais. 

Para quem nunca se deu ao trabalho de estudar as condigoes internas da monarquia dos 
Habsburgos, um tal acontecimento podera nao parecer claro. Somente as ligoes na escola sobre a 
historia universal deveriam, na Austria, langar o germe desse desenvolvimento, mas so em 
pequenas proporgoes existe uma historia austriaca especifica. 

O destino desse Estado e tao intimamente ligado a vida e ao crescimento do povo alemao, que 
uma separagao entre a historia alema e a austrfaca parece impossfvel. Quando, por fim, a 
Alemanha comegou a separar-se em dois Estados diferentes, ate essa separagao passou para a 
historia alema. 

As insfgnias do Imperador, sinais do esplendor antigo do Imperio, preservadas em Viena, 
parecem atuar mais como um poder de atragao do que como penhor de uma eterna solidariedade. 
Q primeiro grito dos austro-alemaes, nos dias do desmembramento do Estado dos Habsburgos, no 
sentido de uma uniao com a Alemanha, era apenas efeito de um sentimento adormecido mas de 
raizes profundas no coragao dos dois povos o anelo pela volta a mae-patria nunca esquecida. 

Nunca seria isso, porem, compreensivel, se a aprendizagem historica dos austro-alemaes nao 
fosse a causa de uma aspiragao tao geral. Ai esta a fonte que nunca se estanca, a qual, sobretudo 
nos momentos de esquecimento, pondo de parte as delicias do presente, exorta o povo, pela 
lembranga do passado, a pensar em um novo futuro. 

Q ensino da historia universal nas chamadas escolas medias ainda hoje muito deixa a desejar. 
Poucos professores compreendem que a finalidade do ensino da historia nao deve consistir em 



aprender de cor datas e acontecimentos ou obrigar o aluno a saber quando esta ou aquela bataiha 
se realizou, quando nasceu urn general ou quando urn monarca quase sempre sem significagao, 
pos sobre a cabega a coroa dos seus avos. Nao, gragas a Deus nao e disso que se deve tratar. 

Aprender historia quer dizer procurar e encontrar as forgas que conduzem as causas das agoes 
que vemos como acontecimentos historicos. A arte da leitura como da instrugao consiste nisto: 
conservar o essencial, esquecer o dispensavel. 

Foi talvez decisivo para a minha vida posterior que me fosse dada a felicidade de ter como 
professor de historia um dos poucos que a entendiam por esse ponto de vista e assim a 
ensinavam. O professor Leopold Potsch, da escola profissional de Linz, realizara esse objetivo de 
maneira ideal. Era ele um homem idoso, bom mas energico e, sobretudo pela sua deslumbrante 
eloquencia, conseguia nao so prender a nossa atengao mas empolgar-nos de verdade. Ainda hoje, 
lembro-me com doce emogao do velho professor que, no calor de sua exposigao, fazia-nos 
esquecer o presente, encantava-nos com o passado e do nevoeiro dos seculos retirava os aridos 
acontecimentos historicos para transforma-los em viva realidade. Nos o ouviamos muitas vezes 
dominados pelo mais intenso entusiasmo, outras vezes comovidos ate as lagrimas. O nosso 
contentamento era tanto maior quanto este professor entendia que o presente devia ser 
esclarecido pelo passado e deste deviam ser tiradas as conseqiJencias para dai deduzir o 
presente. Assim fornecia ele, muito freqGentemente, explicagoes para o problema do dia, que 
outrora nos deixava em confusao. Nosso fanatismo nacional de jovens era um recurso educacional 
de que ele, freqGentemente apelando para o nosso sentimento patriotico, se servia para completar 
a nossa preparagao mais depressa do que teria sido possivel por quaisquer outros meios. Esse 
professor fez da historia o meu estudo favorito. Assim, ja naqueles tempos, tornei-me um jovem 
revolucionario, sem que fosse esse o seu objetivo. 

Quem, com um tal professor, poderia aprender a historia alema, sem ficar inimigo do governo 
que, de maneira tao nefasta, exercia a sua influencia sobre os destinos da nagao? 

Quem poderia, finalmente, ficar fiel ao imperador de uma dinastia que no passado e no 
presente sempre traiu os interesses do povo alemao, em beneficio de mesquinhos interesses 
pessoais? 

Ja nao sabiamos, nos jovens, que esse Estado austriaco nenhum amor por nos possuia e 
sobretudo nao podia possuir? 

O conhecimento historico da atuagao dos Habsburgos foi reforgado pela experiencia diaria. No 
norte e no sul, o veneno estrangeiro devorava o nosso sentimento racial, e ate Viena tornava-se, a 
olhos vistos e cada vez mais, estranha ao espfrito alemao. 

A Casa da Austria tchequizava-se, por toda parte, e foi por efeito do punho da deusa do direito 
eterno e da inexoravel lei de Taliao que o inimigo mortal da Austria alema, arquiduque Franz 
Ferdinando, foi vitima de uma bala que ele proprio havia ajudado a fundir. Era ele o patrono da 
eslavizagao da Austria, que se operava de cima para baixo, por todas as formas possiveis. 

Enormes foram os onus que se exigiam do povo alemao, inauditos os seus sacrificios em 
impostos e em sangue, e, nao obstante, quem quer que nao fosse cego, deveria reconhecer que 
tudo isso seria inutil. 

O que nos era mais doloroso era o fato de ser esse sistema moralmente protegido pela alianga 
com a Alemanha, e que a lenta extirpagao do sentimento alemao na veiha monarquia ate certo 
ponto tinha a sangao da propria Alemanha. 

A hipocrisia dos Habsburgos com a qual se pretendia dar no exterior a aparencia de que a 
Austria ainda era um Estado alemao, fazia crescer o odio contra a Casa Austrfaca, ate atingir a 
indignagao e, ao mesmo tempo, o desprezo. 

So no Reich os ja entao predestinados" nada viam de tudo isso. 

Como atingidos pela cegueira, caminhavam eles ao lado de um cadaver e, nos sinais da 
decomposigao, acreditavam descobrir indicios de nova vida. 

Na fatal alianga do jovem imperio alemao com o arremedo de Estado austriaco estava o germe 
da Grande Guerra, mas tambem o do desmembramento. 

No decurso deste livro terei que me ocupar mais demoradamente deste problema. Basta que 
aqui se constate que, ja nos primeiros anos da juventude, eu havia chegado a uma opiniao que 
nunca mais me abandonou, mas, pelo contrario, cada vez mais se fortificou. E essa era que a 
seguranga do germanismo pressupunha a destruigao da Austria e que o sentimento nacional nao 
era identico ao patriotismo dinastico e que, antes de tudo, a Casa dos Habsburgos estava 



destinada a fazer a infelicidade do povo alemao. 

Dessa convicgao eu ja tinha outrora tirado as conseqGencias: amor ao meu bergo austro- 
alemao, profundo odio contra o governo austriaco. 

A arte de pensar pela historia, que me tinha sido ensinada na escola, nunca mais me 
abandonou. A historia universal tornou-se para mim, cada vez mais, uma fonte inesgotavel de 
conhecimentos para agir no presente, isto e, para a politica. Eu nao quero aprender a historia por 
si, mas, ao contrario, quero que ela me sirva de ensinamento para a vida. 

Assim como logo cedo tornei-me revolucionario, tambem tornei-me artista. 

A capital da alta Austria possuia outrora um teatro que nao era mau. Nele se representava 
quase tudo. Aos doze anos, vi pela primeira vez "Guilherme Tel!" e, alguns meses depois, 
"Lohengrin", a primeira opera que assisti na minha vida. Senti-me imediatamente cativado pela 
musica. O entusiasmo juvenil pelo mestre de Bayreuth nao conhecia limites. 

Cada vez mais me sentia atraido pela sua obra, e considero hoje uma felicidade especial que a 
maneira modesta por que foram as pegas representadas na capital da provincia me tivesse 
deixado a possibilidade de um aumento de entusiasmo em representagoes posteriores mais 
perfeitas. 

Tudo isso fortificava minha profunda aversao pela profissao que meu pal me havia escolhido. 
Essa aversao cresceu depois de passados os dias da meninice, que para mim foram cheios de 
pesares. Cada vez mais eu me convencia que nunca seria feliz como empregado publico. Depois 
que, na escola profissional, meus dotes de desenhista se tornaram conhecidos, a minha resolugao 
ainda mais se afirmou. 

Nem pedidos nem ameagas seriam capazes de modificar essa decisao. 

Eu queria ser pintor e, de modo algum, funcionario publico. 

E, coisa singular, com o decorrer dos anos aumentava sempre o meu interesses pela 
arquitetura. 

Eu considerava isso, outrora, como um natural complemento da minha inclinagao para a pintura 
e regozijava-me intimamente com esse desenvolvimento da minha formagao artistica. 

Que outra coisa, contrario a isso, viesse acontecer, nao previa eu. 

O problema da minha profissao devia, porem, ser decidido mais rapidamente do que eu 
supunha. 

Aos treze anos perdi repentinamente meu pal. Ainda muito vigoroso, foi vftima de um ataque 
apopletico que, sem provocar-Ihe nenhum sofrimento, encerrou a sua peregrinagao na terra, 
mergulhando-nos na mais profunda dor. 

O que mais almejava, isto e, facilitar a existencia de seu filho, para poupar-Ihe a vida de 
dificuldades que ele proprio experimentara, nao havia sido alcangado, na sua opiniao. Apenas sem 
saber, ele langou as bases de um futuro que nao haviamos previsto, nem ele, nem eu. 

Aparentemente, a situagao nao se modificou logo. 

Minha mae sentia-se no dever de, conforme aos desejos de meu pal, continuar minha 
educagao, isto e, fazer-me estudar para a carreira de funcionario. Eu, porem, estava ainda mais 
decidido do que antes, a nao ser burocrata, sob condigao alguma. A proporgao que a escola 
media, pelas materias estudadas ou pela maneira de ensina-las, afastava-se do meu ideal, eu me 
tornava indiferente ao estudo. 

Inesperadamente, uma enfermidade veio em meu auxilio e, em poucas semanas, decidiu do 
meu futuro, pondo termo a constante controversia na casa paterna. 

Uma grave afecgao pulmonar fez com que o medico aconselhasse a minha mae, com o maior 
empenho, a nao permitir absolutamente. que, de futuro, eu me entregasse a trabalhos de 
escritorio. A freqiJencia a escola profissional deveria tambem ser suspensa pelo menos por um 
ano. 

Aquilo que eu, durante tanto tempo, almejava, e por que tanto me tinha batido, la, por forga 
desse fato, uma vez por todas, transformar-se em realidade. 

Sob a impressao da minha molestia, minha mae consentiu finalmente em tirar-me, tempos 
depois, da escola profissional e em deixar-me frequentar a Academia. 
Foram os dias mais felizes da minha vida, que me pareciam quase que um sonho e na realidade 
de sonho nao passaram. 

Dois anos mais tarde, o falecimento de minha mae dava a esses belos projetos um inesperado 
desenlace. 



A sua morte se deu depois de uma longa e dolorosa enfermidade que, logo de comego, pouca 
esperanga de cura oferecia. Nao obstante isso, o goipe atingiu-me atrozmente. Eu respeitava meu 
pal, mas por minha mae tinha verdadeiro amor. 

A pobreza e a dura realidade da vida forgaram-me a tomar uma rapida resolugao. Os pequenos 
recursos economicos deixados por meu pal foram quase esgotados durante a grave enfermidade 
de minha mae. A pensao que me coube como orfao, nao era suficiente nem para as necessidades 
mais imperiosas. Estava escrito que eu, de uma maneira ou de outra, deveria ganhar o pao com o 
meu trabalho. 

Tendo na mao unia pequena mala de roupa e, no coragao, uma vontade imperturbavel, viajei 
para Viena. 

O que meu pal, cinqijenta anos antes, havia conseguido, esperava eu tambem obter da sorte. 
Eu queriatornar-me "alguem", mas, em caso algum, empregado publico. 

CAPfTULO II - ANOS DE APRENDIZADO E DE SOFRIMENTO EM VIENA 

Quando minha mae morreu, meu destino sob certo aspecto ja se tinha decidido. 

Nos seus ultimos meses de sofrimento eu tinha ido a Viena para fazer exame de admissao a 
Academia. Armado de um grosso volume de desenhos, dirigi-me a capital austriaca convencido de 
poder facilmente ser aprovado no exame. Na escola profissional eu ja era sem nenhuma duvida, o 
primeiro aluno de desenho da minha classe. Daquele tempo para ca a minha aptidao se tinha 
desenvolvido extraordinariamente. de maneira que, contente comigo mesmo, esperava, orgulhoso 
e feliz, obter o melhor resultado da prova a que me la submeter. 

So uma coisa me afligia: meu talento para a pintura parecia sobrepujado pelo talento para o 
desenho, sobretudo no dominio da arquitetura. Ao mesmo tempo, crescia cada vez mais meu 
interesses pela arte das construgoes. Mais vivo ainda se tornou esse interesse quando, aos 
dezesseis anos incompletos, fiz minha primeira visita a Viena, visita que durou duas semanas. All 
fui para estudar a galeria de pintura do "Hofmuseum", mas quase so me interessava o proprio 
edificio do museu. Passava o dia inteiro, desde a manha ate tarde da noite, percorrendo com a 
vista todas as raridades nele contidas, mas, na realidade, as construgoes e que mais me prendiam 
a atengao. Durante horas seguidas, ficava diante da Opera ou admirando o edificio de Parlamento. 
A "Ringstrasse" atuava sobre mim como um conto de mil-e-uma noites. 

Achava-me agora, pela segunda vez, na grande cidade, e esperava com ardente impaciencia, 
e, ao mesmo tempo, com orgulhosa confianga, o resultado do meu exame de admissao. Estava tao 
convencido do exito do meu exame que a reprovagao que me anunciaram feriu-me como um raio 
que caisse de um ceu sereno. Era, no entanto, uma pura verdade. Quando me apresentei ao 
diretor para pedir-Ihe os motivos da minha nao aceitagao a escola publica de pintura, assegurou- 
me ele que, pelos desenhos por mim trazidos, evidenciava-se a minha inaptidao para a pintura e 
que a minha vocagao era visivelmente para a arquitetura. No meu caso, acrescentou ele, o 
problema nao era de escola de pintura mas de escola de arquitetura. 

Nao se pode absolutamente compreender, em face disso, que eu ate hoje nao tenha 
freqGentado nenhuma escola de arquitetura nem mesmo tomado sequer uma ligao. 

Abatido, deixei o magnifico edificio da "Shillerplatz", sentindo-me. pela primeira vez na vida, em 
luta comigo mesmo. O que o diretor me havia dito a respeito da minha capacidade agiu sobre mim 
como um raio deslumbrante a revelar uma luta intima, que, de ha muito, eu vinha sofrendo, sem 
ate entao poder dar-me conta do porque e do como. 

Em pouco tempo, convenci-me de que um dia eu deveria ser arquiteto. O caminho era, porem, 
dificilimo, pois que eu, por teimosia, tinha evitado aprender na escola profissional, la agora fazer- 
me falta. A freqGencia da Escola de Arquitetura da Academia dependia da freqGencia da escola 
tecnica de construgoes e a entrada para essa exigia um exame de madureza em uma escola 
media. Tudo isso me faltava completamente. Dentro das possibilidades humanas, ja nao me era 
mais licito esperar a realizagao dos meus sonhos de artista. 

Quando, depois da morte de minha mae, pela terceira vez, e desta vez para demorar-me muitos 
anos, fui a Viena, a tranqijilidade e uma firme resolugao tinham voltado a mim, com o tempo 
decorrido nesse intervalo. 

A antiga teimosia tambem tinha voltado e com ela a persistencia na realizagao do meu objetivo. 
Eu queria ser arquiteto. Qbstaculos existem nao para que capitulemos diante deles mas para os 



vencermos. E eu estava disposto a arrostar com todas essas dificuldades, sempre tendo, diante 
dos olhos, a imagem de meu pai, que, de simples aprendiz de sapateiro de aldeia, tinha subido ate 
ao funcionalismo publico. O chao sobre que eu pisava era mais firme, as possibilidades na luta, 
maiores. O que, outrora, me parecia aspereza da sorte, aprecio hoje como sabedoria da 
Providencia. Enquanto a necessidade me oprimia e ameagava aniquilar-me, crescia a vontade de 
lutar. E, finalmente, foi vitoriosa a vontade. Agradego aqueles tempos o ter-me tornado forte e 
poder se-lo ainda. E ainda mais agradego o ter-me livrado do tedio da vida facil e ter-me tirado do 
conforto despreocupado do lar, para dar-me o sofrimento como substituto de minha mae e langar- 
me na luta de um mundo de miserias e de pobreza, que aprendi a conhecer e pelo qual mais tarde 
deveria lutar. 

Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e 
que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrivel significagao para a 
existencia do povo germanico: marxismo e judafsmo. 

Viena, a cidade que para muitos reputada como um complexo de inocentes prazeres, como 
lugar para homens que se querem divertir, vale para mim, infelizmente, como uma viva lembranga 
dos mais tristes tempos da minha vida. Ainda hoje, essa capital so desperta em mim pensamentos 
sombrios. Cinco anos de miseria e de sofrimentos, eis o que significa a minha estadia nessa cidade 
de prazeres. Cinco anos em que, primeiro como ajudante de operario, depois como aprendiz de 
pintor, vime forgado a trabalhar pelo pao quotidiano, mesquinho pao que nunca bastava para 
saciar a minha tome habitual, A tome era entao minha companheira fiel que nunca me deixava 
sozinho e que de tudo igualmente participava. Cada livro que eu comprava aumentava a sua 
participagao na minha vida. Uma visita a Opera fazia com que ela me fizesse companhia o dia 
inteiro. Era uma eterna luta com o meu impiedoso companheiro. E, nao obstante isso, nesse tempo 
aprendi mais do que nunca. Alem do meu trabalho em construgoes, das raras visitas a Opera, - 
feitas com o sacrificio do estomago - tinha como unico prazer a leitura. Li muito e profundamente. 
No tempo livre, depois do trabalho, subia imediatamente ao meu quarto de estudo. Em poucos 
anos, lancei os alicerces de conhecimentos de que ainda hoje me utilizo. Mais importante do que 
tudo isso: naqueles tempos adquiri uma nogao do mundo que serviu de fundamento granitico para 
meu modo de agir de entao. A essa nogao precisei acrescentar pouca coisa, mudar nada. 

Ao contrario. 

Estou firmemente convencido de que, em conjunto, varias ideias criadoras que hoje possuo, ja 
na mocidade apareciam fundadas em principios. Fago diferenga entre a sabedoria da velhice, que 
vale pela sua maior profundidade e prudencia, resultantes da experiencia de uma longa vida, e a 
genialidade da juventude que, em inesgotavel proliferagao, cria pensamentos e ideias sem poder 
logo elabora-las definitivamente, em consequencia do tumulto em que elas se sucedem. A 
mocidade fornece o material de construgao e os pia-nos de futuro, dos quais a velhice toma os 
blocos, trabalha-os e levanta a construgao, isso quando a chamada sabedoria dos velhos nao 
sufoca a genialidade dos mogos. 

A vida que eu ate all tinha levado na casa paterna diferenciava-se em pouco ou em nada da 
vida dos outros. Sem cuidados, podia esperar pelo dia seguinte, e para mim nao havia questao 
social. As relagoes da minha juventude compunham-se de pequenos burgueses, por conseguinte 
de um mundo que mantinha muito poucas relagoes com o verdadeiro operario. Por mais estranho 
que isso possa parecer a primeira vista, o abismo entre essa camada social, cuja situagao 
economica nada tem de brilhante, e o trabalhador manual, e frequentemente mais profundo do que 
se pensa. A razao dessa quase inimizade jaz no receio que tem um grupo social que, apenas ha 
pouco tempo, elevou-se acima do nivel do proletariado, de descer a antiga e pouco prezada 
posigao ou de, pelo menos, ser visto como pertencendo a essa classe. A isso se acrescente, entre 
muitos, a desagradavel lembranga da ignorancia dessa baixa classe, a constante brutalidade nas 
suas relagoes uns com os outros e compreender-se-a porque a pequena burguesia, em uma 
posigao social ainda inferior, considera todo contato com essas infimas camadas socials como um 
fardo insuportavel. 

Isso explica porque e mais freqiJente a uma pessoa altamente colocada, do que a um parvenu, 
nivelar-se, sem afetagao, com os mais humildes. O parvenu e o que, por sua propria forga de 
vontade, passa, na luta pela vida, de uma posigao social a outra mais elevada. Essa luta, as mais 
das vezes aspera, mata a compaixao no coragao humano e estanca a simpatia pelos sofrimentos 
dos que fleam atras. 



Sob esse aspecto, a sorte foi comigo compassiva. Enquanto me compelia a voltar para esse 
mundo de pobreza e de incertezas, que, no decurso de sua vida, meu pai ja havia abandonado, 
punha, ao mesmo tempo, diante dos meus olhos, com todos os seus aspectos repugnantes, a 
educagao estreita dos pequenos burgueses. So entao aprendi a conhecer os homens, aprendi a 
fazer a diferenga entre ocas aparencias, exteriorizagoes brutais e a essencia intima das coisas. 

Ja no fim do seculo passado, Viena pertencia ao numero das cidades em que era visivel o 
desequilfbrio social. 

Brilhante riqueza e degradante pobreza revezavam-se em contrastes violentos. No centro da 
cidade e nas suas adjacencias sentia-se o bater do pulso do Imperio de cinquenta e dois milhoes, 
com todo seu poder magico de atragao, nesse Estado de varias nacionalidades. A Corte no seu 
deslumbrante esplendor, agia como ima sobre a riqueza e a inteligencia do resto do Estado. A isso 
deve-se juntar a forte centralizagao da politica da monarquia dos Habsburgos. Nessa 
concentragao, estava a unica possibilidade de manter-se em firme uniao essa salada de povos. A 
consequencia disso foi, porem, uma exagerada concentragao das autoridades governamentais na 
capital, na residencia da Corte 

Alem disso, Viena era, nao so espiritual e politicamente, mas tambem economicamente, o 
centro da antiga monarquia danubiana. Em frente ao exercito de oficiais superiores, funcionarios 
publicos, artistas e sabios, estendia-se um exercito ainda maior, composto de trabalhadores; em 
frente da riqueza da aristocracia e do comercio, uma pobreza atroz. Diante dos palacios da 
Ringstrasse perambulavam milhares de sem-trabalho e, por baixo dessa via triunfal da veiha 
Austria, amontoavam-se os sem-teto, no lusco-fusco e na imundicie dos canals. 

Dificilmente em uma cidade alema se poderia tao bem estudar a questao social como em Viena. 
Mas ninguem se iluda. esse estudo nao pode ser feito de cima para baixo. Quem nao se viu nas 
garras dessa vibora nunca aprendera a conhecer os seus dentes venenosos. Sem essa etapa, 
tudo redunda em palavreado superficial ou sentimentalismo hipocrita. Um e outro caso sao de 
consequencias nocivas: no primeiro, porque nao se pode descer ao amago da questao, no 
segundo, porque se passa sobre ela. 

Nao sei o que e mais desolador: a indiferenga pela miseria social que se nota diariamente na 
maioria dos que foram favorecidos pela sorte ou que subiram pelos seus proprios meritos, ou a 
afabilidade soberba, importuna, sem tato, embora sempre compassiva, de certas senhoras da 
moda que afetam sentir com o povo. Essa gente peca por falta de instinto mais do que se pode 
supor. Por isso, com surpresa sua, o resultado de sua atividade social e sempre nulo, 
frequentemente provoca repulsa, o que e interpretado como prova da ingratidao do povo. 

Dificilmente entra na cabega dessa gente que uma atividade social nao consiste nisso e que, 
sobretudo, nao se deve esperar gratidao, pois, no caso, nao se trata de distribuigao de favores mas 
apenas de restabelecimento de direitos. 

Por isso, escape! de entender a questao social por essa forma. Quando ela me arrastou aos 
seus domfnios parecia nao me convidar para aprender mas sim para p6r-me a prova. Nao foi por 
seu merecimento que a cobaia, ainda sadia, suportou a operagao. 

Na maior parte dos casos nao era muito dificil, naquele tempo, encontrar trabalho, uma vez que 
eu nao era operario tecnico, mas devia conquistar o pao de cada dia, como ajudante de operario e 
muitas vezes como trabalhador de. emergencia. 

Colocava-me, por isso, no ponto de vista daqueles que sacodem dos pes a poeira da Europa, 
com irremovivel proposito de, rio Novo Mundo, criar uma nova vida, construir uma nova patria. 
Libertados de todas as nogoes ate aqui falhas sobre profissao, ambiente e tradigoes, pegam-se a 
todo ganho que se Ihes oferece, agarram-se a todo trabalho, lutando sempre, com a convicgao de 
que nenhuma atividade envergonha, pouco importando de que natureza esta possa ser. Assim 
estava eu tambem decidido a langar-me de corpo e alma no mundo para mim novo e abrir-me um 
caminho, lutando. 

Cedo me convene! de que trabalho ha sempre, mas perdemo-lo com a mesma facilidade com 
que encontramos. 

A incerteza do ganho do pao quotidiano, dentro de pouco tempo pareceu-me ser o aspecto 
mais sombrio da nova vida. 

O operario tecnico nao e langado tao frequentemente na rua, como os que nao o sao, mas ele 
tambem nao esta inteiramente ao abrigo dessa sorte. Entre eles, ao lado da perda do pao por falta 
de trabalho, podem concorrer o chomage e as suas proprias greves. 



Nesses casos, a incerteza do ganho do pao diario tem fortes reagoes sobre toda a economia. 

O campones que se dirige as grandes cidades atraido pelo trabalho que imagina facil ou que o 
e realmente, mas sempre trabalho de pouca duragao, ou o que e atraido pelo esplendor da grande 
cidade, o que sucede na maioria dos casos, esse ainda esta habituado a uma certa seguranga do 
pao. Ele costuma so abandonar os antigos postos, quando tem outro pelo menos em perspectiva. 

A falta de trabalhadores do campo e grande e, por isso, a probabilidade de falta de trabalho e all 
muito pequena. 

E pois, um erro acreditar que o jovem trabalhador que se dirige a cidade seja inferior ao que flea 
trabalhando na aldeia. A experiencia mostra que acontece o contrario com todos os elementos de 
emigragao, quando sao sadios e ativos. Entre esses emigrantes devem-se contar nao so os que 
vao para a America mas tambem os jovens que se decidem a abandonar sua aldeia para se 
dirigirem as grandes capitals desconhecidas. Esses tambem estao dispostos a aceitar uma sorte 
incerta. Na maioria, trazem algum dinheiro, e, por isso, nao se veem na contingencia de ser 
arrastados ao desespero logo nos primeiros dias, se, por infelicidade, de comego nao encontram 
trabalho. O pior e, porem, quando perdem, em pouco tempo, o trabalho que haviam encontrado. 
Encontrar outro, sobretudo no inverno, e dificil, se nao impossivel. Nas primeiras semanas, a 
situagao e ainda insuportavel, pois ele recebe da caixa do sindicato a protegao dada ao seu 
trabalho e atravessa como pode os dias de desemprego. Quando o seu ultimo vintem e gasto, 
quando a caixa, em consequencia da longa duragao da falta de trabalho, tambem suspende o 
pagamento, vem a grande miseria. Entao, faminto, erra para cima e para baixo, empenha ou vende 
OS objetos que Ihe restam e cada vez mais sensivel se Ihe torna a falta de roupas. Desce a uma 
Convivencia que acaba por envenenar-Ihe o corpo e a alma. Pica sem casa e, se isso acontece no 
inverno como e comum, entao a miseria aumenta. Finalmente, encontra algum trabalho, mas o 
jogo se repete. Uma segunda vez atingiu de maneira semelhante a primeira, a terceira vez as 
coisas se tornaram ainda mais dificeis, e assim, pouco a pouco, ele aprende a suportar com 
indiferenga a eterna inseguranga. Por fim, a repetigao adquire forga de habito. 

E assim o homem, outrora diligente, abandona inteiramente a sua antiga concepgao da vida, 
para, pouco a pouco, transformar-se em um instrumento cego daqueles que dele se utilizam 
apenas na satisfagao dos mais baixos proveitos. Sem nenhuma culpa sua ele ficou tantas vezes 
sem trabalho, que, mais uma vez, menos uma vez, pouco Ihe importa. Assim mesmo quando nao 
se trata da luta pelos direitos economicos do operariado mas de destruigao dos valores politicos, 
socials ou culturais, ele sera entao, quando nao entusiasta de greves, pelo menos indiferente a 
elas. 

Essa evolugao eu five oportunidade de acompanhar cuidadosamente em milhares de exemplos. 
Quanto mais eu observava esses fatos, tanto mais aumentava a minha aversao pela cidade dos 
milhoes que os homens, cheios de cobiga, acumulavam para, depois, tao cruelmente, desperdiga- 
los. 

Eu tambem fui fustigado pela vida na grande metropole e a minha propria custa submeti-me a 
essa provagao, experimentando, uma por uma todas essas dolorosas sensagoes. 

Observe! ainda que essa rapida mudanga do trabalho para a ociosidade forgada e vice-versa, 
essa eterna oscilagao do emprego para o desemprego, com o tempo, haveria de destruir o 
sentimento de economia e as razoes para um prudente equilibrio de vida. Lentamente o corpo 
parece acostumar-se a viver a farta nos bons tempos e a passar tome nos maus. A tome destroi 
todos OS projetos dos operarios no sentido de um melhor e mais razoavel modus vivendi. Nos bons 
tempos eles se deixam embalar por uma constante miragem pelo sonho de uma vida melhor, 
sonho que empolga de tal modo a sua existencia que eles esquecem as antigas privagoes, logo 
que recebem os seus salarios. Dai resulta que o que consegue trabalho, imediatamente, da 
maneira mais desrazoavel, esquece uma prudente distribuigao de suas despesas, para viver a 
larga, apenas nos dias imediatos. Isso conduz ao transtorno da manutengao da casa durante a 
semana, tornando nao mais possivel uma razoavel distribuigao da receita. O dinheiro da semana, 
de comego, da para cinco dias em vez de sete, mais tarde para tres em vez de quatro, finalmente 
apenas para um dia e, por fim, logo na primeira noite e inteiramente gasto em prazeres. 

Em casa, as mais das vezes, ha mulher e criangas. Tambem elas recebem a influencia dessa 
maneira de viver, principalmente se o chefe de familia e bom para os seus. Nesse caso, o ganho 
da semana e esbanjado com todos em casa nos tres primeiros dias. Come-se e bebe-se enquanto 
dinheiro dura, e, nos ultimos dias, todos passam fome. Entao a mulher percorre humildemente a 



vizinhanga e os arredores, pede emprestado alguma coisa, faz pequenas dividas no vendeiro e 
procura assim manter-se com os seus nos ultimos dias da semana. Ao meio-dia, sentam-se todos 
juntos, diante de magros pratos, muitas vezes ate esses faltam, e, fazendo pianos, esperam pelo 
dia do pagamento. Enquanto passam tome sonham de novo com a felicidade. E assim as criangas 
desde a mais tenra idade, acostumam-se a essa miseria, o pior, porem, e quando, desde o 
comego, o marido segue o seu caminho e a mulher, por amor aos filhos, levanta-se contra isso. 
Entao surgem as brigas, as disputas constantes. E a proporgao que o marido se afasta da mullier, 
aproxima-se do alcool. Todos os sabados ele se embriaga. Por instinto de conservagao, por si e 
pelos filhos, a mulher briga para tomar os ultimos vintens do marido quando este se dirige da 
fabrica para a espelunca. Por fim, domingo ou segunda-feira, a noite, ele volta para casa, 
embriagado e brutal, sempre sem vintem. Entao desenrolam-se freqGentemente cenas lastimaveis. 

Assisti tudo isso em centenas de casos. No comego sentia-me enojado ou irritado para, mais 
tarde, compreender toda a tragedia dessa miseria e as suas causas mais profundas. Infelizes 
vitimas de pessimas condigoes socials. 

Tao tristes, talvez, eram, outrora, as condigoes das habitagoes. A crise de casas para os 
ajudantes de operarios de Viena era horrivel. Ainda hoje sinto calafrios quando penso naqueles 
horrfveis covis, as estalagens e nas habitagoes coletivas, naqueles sombrios quadros de sujeira e 
de escandalos. Que poderia resultar dai, quando desses covis de miseria a torrente de escravos 
abandonados se langasse sobre a outra parte da humanidade, livre de cuidados, despreocupada? 

Sim, resto do mundo e despreocupado. Despreocupado flea, deixando que as coisas sigam o 
seu caminho, sem pensar que, na sua falta de intuigao, a revanche tera lugar, mais cedo ou mais 
tarde, se em tempo os homens nao modificarem essa triste realidade. 

Quanto agradego hoje a Providencia o ter-me langado nessa escola! Af eu nao podia mais 
sabotar o que nao me era agradavel. Essa escola educou-me depressa e solidamente. 

A menos que eu nao quisesse perder a esperanga nos homens com quem convivia outrora, 
deveria fazer a diferenga entre a vida que aparentavam e as razoes da mesma. Tudo isso deveria, 
pois, ser suportado sem desanimo. Entao, de toda essa infelicidade e miseria, de toda essa 
sujidade e degradagao, deveriam surgir na minha mente nao mais homens, mas miseraveis 
produtos de leis miseraveis. Por isso, a gravidade da luta pela vida que sustentei, evitou que eu 
capitulasse por mero sentimentalismo ante os pecos resultados desse processo de evolugao. 

Nao, isso nao deveria ser compreendido assim. 

Ja, naqueles tempos, eu havia chegado a conclusao de que so um caminho dupio poderia 
conduzir ao objetivo da melhoria dessa situagao: um mais profundo sentimento de 
responsabilidade no sentido do estabelecimento de melhores bases para a nossa evolugao, 
combinado isso com a brutal resolugao de demolir todas as incorrigfveis excrescencias. 

Assim como a natureza concentra os seus maiores esforgos nao na conservagao do que existe 
mas no cultivo do que cria, para continuagao da especie, assim tambem na vida humana trata-se 
menos de melhorar artificialmente o que ha de mau - o que, pela natureza humana, em noventa e 
nove por cento dos casos e impossivel - do que, desde o inicio, assegurar, por melhores metodos, 
a evolugao das novas criagoes 

Ja durante a minha luta pela vida em Viena, tornou-se evidente ao meu espirito que a atividade 
social nunca devera ser vista como uma obra de protegao sem- finalidade e irrisoria, mas sim na 
remogao de defeitos substanciais na organizagao de nossa vida economica e cultural que possam 
concorrer para a degeneragao dos individuos ou pelo menos para o seu desvio. 

A dificuldade dessa maneira de proceder em face dos ultimos e brutais meios contra os delitos 
dos inimigos do Estado, jaz justamente na incerteza do julgamento sobre os. motivos fntimos ou 
causas principals dos fenomenos contemporaneos. 

Essa incerteza e fundada na convicgao da culpa de cada um nessas tragedias do passado e 
inutiliza toda seria e firme resolugao. Causa ao mesmo tempo, a fraqueza e a indecisao na 
execugao ate mesmo das mais necessarias medidas de conservagao. 

Quando um tempo vier nao mais empanado pela sombra da consciencia da propria 
culpabilidade, a conservagao de si mesmo criara a tranquilidade intima, a forga exterior, brutal e 
sem consideragoes, para matar os maus rebentos da erva ruim. 

Como Estado Austriaco praticamente desconhecia qualquer legislagao social, sua 
incapacidade para o combate de morte aos maus germes saltava diante dos nossos olhos em toda 
sua evidencia. 



Eu nao sei o que naqueles tempos mais me horrorizava, se 'a miseria economica dos meus 
camaradas, se a sua grosseria espiritual .e moral e o nivel baixo de sua cultura. 

Quantas vozes nao se tomava de colera a nossa burguesia, quando, da boca de algum 
miseravel vagabundo, ouvia a declaragao de que Ihe era indiferente ser ou nao alemao, contanto 
que ele tivesse a sua subsistencia garantida. 

Essa falta de orgulho nacional, e, entao, censurada da maneira mais incisiva e a repulsa por um 
tal modo de sentir e expressa em termos energicos. 

Quantos, porem, ja se fizeram a pergunta sobre quais eram as causas de possuirem eles 
proprios melhores sentimentos? 

Quantos compreendem a infinidade de recordagoes pessoais sobre a grandeza da patria, da 
nagao,' em todas as fronteiras da vida artistica e cultural que Ihes inspiram o justo orgulho de 
poderem pertencer a um povo tao favorecido? 

Quantos pensam na dependencia do orgulho nacional em relagao ao conhecimento das 
grandezas da Patria em todos esses dominios? 

Refletem nossos circulos burgueses em que irrisoria extensao esses motivos de orgulho 
nacional se apresentam ao povo? 

Ninguem se descuipe com o argumento de que "em outros paises a coisa nao se passa de 
outra maneira" e que, nao obstante, o trabalhador orgulha-se da sua nacionalidade. Mesmo que 
isso fosse assim, nao poderia servir como desculpa para a nossa propria negligencia. Tal, porem, 
nao se da. Q que nos sempre pintamos como uma educagao "chauvinistica" dos franceses, por 
exempio, nao e mais do que a exaltagao das grandezas da Franga em todos os dominios da 
Cultura, ou da "civilisation", como a denominam os nossos vizinhos. 

Q jovem trances nao e educado para o objetivismo, mas para as opinioes subjetivas, que a 
gente so pode avaliar, quando se trata da significagao das grandezas politicas ou culturais da sua 
patria. 

Essa educagao tera que ser sempre restrita aos grandes e gerais pontos de vista que, se 
preciso, por meio de eterna repetigao, se gravem na memoria e nos sentimentos do povo. 

Entre nos, aos erros por omissao, junta-se ainda a destruigao do pouco que o individuo tem a 
felicidade de aprender na escola. O envenenamento politico do nosso povo elimina ainda esse 
pouco do coragao e da memoria das vastas massas, quando a necessidade e os sofrimentos ja 
nao tinham feito. 

Pense-se no seguinte. 

Em um alojamento subterraneo, composto de dois quartos abafados, mora uma familia 
proletaria de sete pessoas. Entre os cinco filhos, suponhamos um de tres anos. E esta a idade em 
que a consciencia da crianga recebe as primeiras impressoes. Entre os mais dotados encontra-se, 
mesmo na idade madura, vestigio da lembranga desse tempo. Q espago demasiado estreito para 
tanta gente nao oferece condigoes vantajosas para a convivencia. Brigas e disputas, so por esse 
motivo, surgirao freqiJentemente. As pessoas nao vivem umas com as outras, mas se comprimem 
umas contra as outras. Todas as divergencias, sobretudo as menores, que, nas habitagoes 
espagosas, podem ser sanadas por um ligeiro isolamento, conduzem aqui a repugnantes e 
interminaveis disputas. Para as criangas isso e ainda suportavel. Em tais situagoes, elas brigam 
sempre e esquecem tudo depressa e completamente. Se, porem, essa luta se passa entre os pais, 
quase todos os dias, e de maneira a nada deixar a desejar em materia de grosseria, o resultado de 
uma tal ligao de coisas faz-se sentir entre as criangas. Quem tais meios desconhece dificilmente 
pode fazer uma ideia do resultado dessa ligao objetiva, quando essa discordia reciproca toma a 
forma de grosseiros desregramentos do pal para com a mae e ate de maus tratos nos momentos 
de embriaguez. Aos seis anos, ja o jovem conhece coisas deploraveis, diante das quais ate um 
adulto so horror pode sentir. Envenenado moralmente, mal alimentado, com a pobre cabecinha 
chela de piolhos, o jovem "cidadao" entra para a escola. 

A custo ele chega a ler e escrever. Isso e quase tudo. Quanto a aprender em casa, nem se tale 
nisso. Ate na presenga dos filhos, mae e pal falam da escola de tal maneira que nao se pode 
repetir e estao sempre mais prontos a dizer grosserias do que por os filhos nos joelhos e dar-lhes 
conselhos. Q que a crianga ouve em casa nao e de molde a fortalecer o respeito as pessoas com 
que vai conviver. All nada de bom parece existir na humanidade; todas as instituigoes sao 
combatidas, desde o professor ate as posigoes mais elevadas do Estado. Trata-se de religiao ou 
da moral em si, do Estado ou da sociedade, tudo e igualmente ultrajado da maneira mais torpe e 



arrastado na lama dos mais baixos sentimentos. Quando o rapazinho, apenas com quatorze anos, 
sai da escola, e dificil saber o que e maior nele: a incrivel estupidez no que diz respeito a 
conhecimentos reals ou a caustica Imprudencia de suas atltudes, allada a uma amoralldade que, 
naquela Idade, faz arreplar os cabelos. 

Esse homem, para quem ja quase nada e digno de respeito, que nada de grande aprendeu a 
conhecer, que, ao contrarlo, conhece todas as vllezas humanas, tal criatura, repetlmos, que 
poslgao podera ocupar na vida, na qual ele esta a margem? 

De menino de treze anos ele passou, aos quinze, a um desrespeltador de toda autorldade. 

Sujidade e mals sujidade, els tudo o que ele aprendeu. E Isso nao e de molde a estlmula-lo a 
mals elevadas asplragoes. 

Agora entra ele, pela primeira vez, na grande escola da vIda. 

Entao comega a mesma existencia que nos anos da - menlnlce ele aprendeu de seus pals. 
Anda para cima e para balxo, entra em casa Deus sabe quando, para varlar bate ele mesmo na 
alquebrada criatura que fol outrora sua mae, blastema contra Deus e o mundo e, enflm, por 
qualquer motlvo especial, e condenado e arrastado a uma prisao de menores. 

La recebe ele os ultlmos pollmentos. 

O mundo burgues admlra-se, no entanto, da falta de "entuslasmo naclonal" deste jovem 
"cidadao". 

A burguesia ve, como no teatro e no cinema, no llxo da llteratura e na torpeza da Imprensa, dia 
a dIa, veneno se derramar sobre o povo, em grandes quantldades, e admlra-se ainda do precarlo 
"valor moral", da "Indlferenga naclonal" da massa desse povo, como se a sujeira da Imprensa e do 
cinema e colsas semelhantes pudessem fornecer base para o conheclmento das grandezas da 
Patria, abstralndo-se mesmo a educagao Individual anterior. Pude entao bem compreender a 
segulnte verdade, em que jamais havia pensado: 

O problema da "naclonallzagao" de um povo deve comegar pela criagao de condlgoes socials 
sadlas como fundamento de uma posslbllldade de educagao do Indlviduo. Somente quem, pela 
educagao e pela escola, aprende a conhecer as grandes alturas, economlcas e, sobretudo, 
politlcas da propria Patria, pode adqulrlr e adqulrira, certamente, aquele orgulho intlmo de 
pertencer a um tal povo. So se pode lutar pelo que se ama, so se pode amar o que se respelta e 
respeltar o que pelo menos se conhece. 

Logo que o Interesses pela questao social fol em mim despertado, comecel a estuda-la 
profundamente. Aos meus olhos surgia um novo mundo ate entao desconhecldo. 

No ano de 1909 para 1910, minha propria situagao modlflcou se um pouco porque nao 
preclsava mals ganhar o pao de cada dIa como ajudante de operarlo. Ja trabalhava, por mInha 
conta, como desenhlsta e aquarellsta. Contlnuava a ganhar multo pouco - o essenclal para viver - 
mas em compensagao tinha lazeres para aperfelgoar-me na proflssao que havIa escolhldo. Ja nao 
entrava em casa, a nolte, como antlgamente, cansado ao extremo, Incapaz de parar a vista em um 
llvro sem adormecer dentro de pouco tempo. Meu trabalho de agora corria paralelo com a mInha 
proflssao artistlca. Podia, entao, como senhor do meu proprlo tempo, divldl-lo melhor do que antes. 

Eu pintava para ganhar o pao e estudava por prazer. 

Assim fol possivel as minhas observagoes sobre a questao social juntar o complemento teorico 
Indlspensavel. Eu estudava quase tudo que sobre esse assunto se podia asslmllar em llvros, 
dando assIm as minhas proprlas Idelas base mals sollda. 

Crelo que os que comlgo convlvlam naquele tempo tinham-me por um tlpo esqulslto. 

Era natural que eu, com ardor, satlsflzesse a mInha palxao pela arqultetura. Ao lado da musica, 
a arqultetura me parecia a ralnha das artes. MInha atlvldade, em tals condlgoes, nao era um 
trabalho, mas um grande prazer. Podia ler ou desenhar ate tarde da nolte, sem cansar-me 
absolutamente. AssIm fortalecla-se a convlcgao de que o meu belo sonho, depols de longos anos, 
transformar-se-la em realldade. Estava Intelramente convencldo de um dIa conqulstar um nome 
como arqulteto. 

Nao me parecia multo signlflcatlvo que eu tambem tlvesse o malor Interesse por tudo que se 
relaclonasse com a politlca. Ao contrarlo, Isso era, em mInha opinlao, um dever natural de cada ser 
pensante. Quem nada entende de politlca perde o direlto a qualquer critica, a qualquer 
relvlndlcagao. 

Tambem sobre esse assunto II e aprendl multo. 

Sob nome de leltura, concebo colsa multo diferente do que pensa a grande maloria dos 



chamados intelectuais. 

Conhego individuos que leem muitissimo, livro por livro letra por letra, e que, no entanto, nao 
podem ser apontados como "lidos". Eles possuem uma multidao de "conhecimentos", mas o seu 
cerebro nao consegue executar uma distribuigao e um registro do material adquirido. Falta-lhes a 
arte de separar, no livro, o que Ihes e de valor e o que e inutil, conservar para sempre de memoria 
que Ihes interessa e, se possfvel, passar por cima, desprezar o que nao Ihes traz vantagens, em 
qualquer hipotese nao conservar consigo esse peso sem finalidade. A leitura nao deve ser vista 
como finalidade, mas sim como meio para alcangar uma finalidade. Em primeiro lugar, a leitura 
deve auxiliar a formagao do espirito, a despertar as disposigoes intelectuais e inclinagoes de cada 
um. Em seguida, deve fornecer o instrumento, o material de que cada um tem necessidade na sua 
profissao, tanto para o simples ganha-pao como para a satisfagao de mais elevados designios. Em 
segundo lugar, deve proporcionar uma ideia de conjunto do mundo. Em ambos os casos, e, porem, 
necessario que o conteudo de qualquer leitura nao seja confiado a guarda da memoria na ordem 
de sucessao dos livros, mas como pequenos mosaicos que, no quadro de conjunto, tomem o seu 
lugar na posigao que Ihes e destinada, assim auxiliando a formar este quadro no cerebro do leitor. 
De outra maneira, resulta um bric-a-brac de materias aprendidas de cor, inteiramente inuteis, que 
transformam o seu infeliz possuidor em um presungoso, seriamente convencido de ser um homem 
instrufdo, de entender alguma coisa da vida, de possuir cultura, ao passo que a verdade e que, a 
cada acrescimo dessa sorte de conhecimentos, mais se afasta do mundo, ate que acaba em um 
sanatorio ou, como "politico", em um parlamento. 

Nunca um cerebro assim formado conseguira, da confusao de sua "ciencia", retirar o que e 
apropriado as exigencias de determinado momento, pois seu lastro espiritual esta arranjado nao na 
ordem natural da vida mas na ordem de sucessao dos livros, como os leu e pela maneira por que 
amontoou os assuntos no cerebro. Quando as exigencias da vida diaria dele reclamam o justo 
emprego do que outrora aprendeu entao precisara mencionar os livros e o numero das paginas e, 
pobre infeliz, nunca encontrara exatamente o que procura. 

Nas horas criticas, esses "sabios", quando se veem na dolorosa contingencia de pesquisar 
casos analogos para aplicar as circunstancias, so descobrem receitas falsas. 

Nao fosse assim e nao se poderiam conceber os atos politicos dos nossos sabios herois do 
Governo que ocupam as mais elevadas posigoes, a menos que a gente se decidisse a aceitar as 
suas solugoes nao como conseqiJencias de disposigoes intelectuais patologicas, mas como 
infamias e trapagarias. 

Quem possui, porem, a arte da boa leitura, ao ler qualquer livro, revista ou brochura, dirigira sua 
atengao para tudo o que, no seu modo de ver, merega ser conservado durante muito tempo, quer 
porque seja util, quer porque seja de valor para a cultura geral. 

O que por esse meio se adquire encontra sua racional ligagao no quadro sempre existente que 
a representagao desta ou daquela coisa criou, e corrigindo ou reparando, realizara a justeza ou a 
clareza do mesmo. Se qualquer problema da vida se apresenta para exame ou contestagao, a 
memoria, por esta arte de ler, podera recorrer ao modelo do quadro de percepgao ja existente, e 
por ele todas as contribuigoes coligidas durante dezenas de anos e que dizem respeito a esse 
problema sao submetidas a uma prova racional e ao nosso exame, ate que a questao seja 
esclarecida ou respondida. 

So assim a leitura tem sentido e finalidade. 

Um leitor, por exempio, que, por esse meio, nao fornecer a sua razao os fundamentos 
necessarios, nunca estara na situagao de defender os seus pontos de vista ante uma contradita, 
correspondam os mesmos mil vezes a verdade. Em cada discussao a memoria o abandonara 
desdenhosamente. Ele nao encontrara razoes nem para o fortalecimento de suas afirmagoes, nem 
para a refutagao das ideias do adversario. Enquanto isso acarreta, como no caso de um orador o 
ridfculo da propria pessoa, ainda se pode tolerar; de pessimas conseqiJencias e, porem, que esses 
individuos que "sabem" tudo e nao sao capazes de coisa alguma, sejam colocados na diregao de 
um Estado. 

Muito cedo esforcei-me por ler por aquele processo e fui, da maneira mais feliz, auxiliado pela 
memoria e pela razao. Observadas as coisas por esse aspecto, foi me fecundo e proveitoso, 
sobretudo o tempo que passei em Viena. A experiencia da vida diaria servia de estimulo para 
sempre novos estudos dos mais diversos problemas. Quando eu, por fim, cheguei a situagao de 
poder fundamentar a realidade na teoria e tirar a prova da teoria na experiencia, na pratica, estava 



em condigoes de evitar o excesso de apego a teoria, ou descer demais a realidade. 

Assim, a experiencia da vida diaria, nesse tempo, em dois dos mais importantes problemas, 
alem do social, tornou-se definitiva e serviu de estimulante para solido estudo teorico. 

Quem sabe se eu algum dia me teria aprofundado na teoria e na vida do marxismo, se, outrora, 
eu nao tivesse quebrado a cabega com esse problema? O que eu, na minha mocidade, conhecia 
sobre a social democracia era muito pouco e muito errado. 

Causava-me intenso prazer que a social democracia dirigisse a luta pelo direito do voto secreto 
e universal. A minha razao ja me dizia, porem, que essa conquista deveria levar a um 
enfraquecimento do regime dos Habsburgos, por mim ja tao odiado. 

Na convicgao de que o Estado danubiano nunca se manteria sem o sacrificio do espirito 
alemao, e que o mesmo premio de uma lenta eslavizagao do elemento germanico de modo algum 
ofereceria garantia de um governo verdadeiramente viavel, pois a forga criadora do Estado dos 
eslavos e muito hipotetica, via eu com prazer todo movimento que, na minha imaginagao, poderia 
contribuir para o desmembramento desse Estado de dez milhoes de alemaes, inviavel e 
condenado a morte. Quanto mais o palavrorio corroia o parlamento, mais proximo deveria estar a 
hora da rufna desse Estado babilonico e com ela tambem a hora da libertagao dos meus 
compatriotas austro-alemaes. So assim se poderia voltar a antiga anexagao a mae-patria. 

Por isso, a atividade da social-democracia nao me parecia antipatica. Como esse movimento se 
preocupava em melhorar as condigoes vitals do operariado - como eu acreditava na minha 
ingenuidade de outrora - pareceu-me melhor falar a seu favor do que contra. O que mais me 
afastava da social-democracia era sua posigao de adversaria em relagao ao movimento pela 
conservagao do espirito germanico, a deploravel inclinagao em favor dos "camaradas" eslavos que 
so aceitavam esse alerta quando era acompanhado de concessoes praticas, repelindo-o, 
arrogantes e orgulhosos, quando nao viam interesses. Davam, assim, ao importuno mendigo a 
paga merecida. 

Na idade de dezessete anos, a palavra marxismo era-me pouco conhecida, enquanto 
socialismo e social-democracia pareciam-me concepgoes identicas. Foi preciso, tambem, nesse 
caso, que o punho forte do destino me abrisse os olhos para essa maldita maneira de ludibriar o 
povo. 

Ate entao eu so tinha contato com a social-democracia como observador em algumas 
demonstragoes coletivas, sem possuir nenhuma ideia da mentalidade de seus adeptos ou da 
essencia da doutrina. De repente. pude sentir os efeitos de sua doutrinagao e de sua maneira de 
encarar o mundo. O que, talvez so depois de dezenas de anos, tivesse acontecido, aprendi agora 
no decurso de poucos meses, isto e, a verdadeira significagao de uma peste ambulante sob a 
mascara de virtude social e amor ao proximo e da qual se deve depressa libertar a terra, pois, ao 
contrario, muito facilmente a humanidade sera por ela imolada. 

No servigo de construgoes teve lugar o meu primeiro encontro com os sociais-democratas. Logo 
de comego, nao foi muito agradavel. Minhas roupas ainda estavam em ordem, minha linguagem 
era cuidada, minha vida comedida. Tinha tanto que lutar com a minha sorte que pouco podia cuidar 
do que me cercava. So procurava trabalho para nao passar fome e para ter a possibilidade de 
continuar, mesmo lentamente, a minha educagao. Talvez eu nao me tivesse absolutamente 
preocupado com o novo meio em que me achava, se, 1a no terceiro ou quarto dia, nao se tivesse 
dado um fato que me forgou a tomar imediatamente uma posigao definida: fui intimado a entrar no 
sindicato. 

Meus conhecimentos sobre organizagao sindical eram entao quase nulos. Nem a sua utilidade 
nem a sua inutilidade podia eu aquilatar. Quando me esclareceram que eu deveria entrar, recusei- 
me. Fundamentava a minha resolugao com a razao de que eu nao entendia do assunto e que, 
sobretudo, nao me deixava levar a forga para parte alguma. Talvez fosse a primeira a razao por 
que nao me puseram imediatamente na rua. Talvez esperassem que, dentro de alguns dias, eu 
estivesse convertido ou pelo menos mais docil. 

Haviam-se enganado radicalmente. 

Depois de quatorze dias, eu nao poderia mais entrar para o sindicato, mesmo que o tivesse 
desejado. Nestes quatorze dias, pude conhecer de mais perto os que me cercavam, de modo que 
nenhuma forga do mundo poderia mais arrastar-me a uma organizagao, cujos esteios me 
apareceram sob uma luz tao desfavoravel. 

Nos primeiros dias fiquei indignado. Ao meio-dia, uma parte dos operarios ia para a 



estalagem proxima, enquanto a outra ficava no local da- construgao e ai tinha o seu magro almogo. 
Estes eram casados, para os quais as mulheres, em miseraveis vasilhas, traziam a sopa do meio- 
dia. Para o fim da semana, o numero desses era sempre maior. A razao disso so mais tarde 
compreendi. 

Entao conversava-se politica. 

Eu bebia minha garrafa de leite e comia o meu pedago de pao, conservando-me sempre 
afastado, e estudava com atengao meus novos conhecidos ou refletia sobre a minha triste sorte. 
Nao obstante isso, ouvia mais do que o suficiente. Pareceu-me frequentemente que se 
aproximavam de mim de proposito para me forgarem a tomar uma posigao. Em todo caso, como 
vim a saber, isso visava o efeito de me provocar. 

All tudo se negava: a nagao era uma invengao das classes capitalistas (que numero infinito de 
vezes ouvi essa palavral); a Patria era um instrumento da burguesia para exploragao das massas 
trabalhadoras; a autoridade da lei era simples meio de opressao do proletariado; a escola era 
instituto de cultura do material escravo e mantenedor da escravidao; a religiao era vista como meio 
de atemorizar o povo para melhor exploragao do mesmo; a moral nao passava de uma prova da 
estupida paciencia de carneiro do povo. Nao havia nada, por mais puro, que nao fosse arrastado 
na lama mais asquerosa. 

De comego, tentei manter-me em silencio. Por fim, nao podia mais. Comecei a tomar posigao, 
comecei a contraditar. Entao passei a compreendei- que essa oposigao de nada valla, enquanto eu 
nao possuisse conhecimentos seguros sobre os pontos debatidos. Comecei a pesquisar nas 
proprias fontes, de onde eles extraiam a sua ficticia sabedoria. Li livros sobre livros, brochuras 
sobre brochuras. No local do servigo, as coisas chegavam frequentemente a exaltagao. Eu discutia 
cada vez melhor, ate que um dia foi empregado um meio que facilmente levava de vencida a 
razao: o terror, a forga. Alguns dos defensores do lado contrario intimaram-me a abandonar a 
construgao imediatamente ou a ser jogado do andaime. Como estava sozinho e a resistencia seria 
impossivel, prefer! seguir o primeiro alvitre, adquirindo assim mais uma experiencia. 

Sai, enojado, mas, ao mesmo tempo, tao impressionado que ja agora seria inteiramente 
impossivel para mim abandonar a questao. Nao. Depois da eclosao da primeira revolta, a 
obstinagao de novo venceu. Estava firmemente resolvido a voltar, apesar de tudo para outro 
servigo de construgao. Essa decisao foi fortalecida pela situagao precaria em que me encontrei 
algumas semanas mais tarde, depois de gastar as pequenas economias. Nao me restava outra 
safda, quer eu quisesse quer nao. E cena identica desenrolou-se, para acabar da mesma forma 
que a primeira. 

Travou-se uma luta no meu intimo, que se define nesta pergunta: isso e gente digna de 
pertencer a um grande povo? 

Eis uma pergunta angustiosa. Se a respondermos afirmativamente, a luta por uma 
nacionalidade merecera os trabalhos e os sacrificios que os melhores fazem por um tal rebotalho? 
Se a resposta for negativa, entao o nosso povo ja esta muito pobre em homens. 

Com desanimo inquietador via eu, naqueles dias criticos e atormentados, a massa, que ja nao 
pertencia a seu povo, tornar-se um exercito ameagador. 

Com que sentimentos diferentes fitava, entao, as filas sem fim dos trabalhadores vienenses em 
um dia de demonstragao coletiva! Durante quase duas horas, de pe, um dia, observe!, com a 
respiragao suspensa, a monstruosa onda humana que rolava lentamente. Tomado de um 
desanimo inquieto, abandonei a praga e dirigi-me para casa. No caminho, vi em uma tabacaria o 
"Arbeiterzeitung", orgao central da antiga social-democracia. Em um cafe popular, que eu 
frequentava constantemente a fim de ler os jornais, esse periodico tambem era exposto a venda. 
Eu nao podia, porem, fazer o sacrificio de passar uma vista por mais de dois minutos na foiha 
infame, que, para mim, tinha o efeito do vitriolo. 

Debaixo da acabrunhadora impressao que a demonstragao coletiva havia produzido, senti uma 
voz intima que me incitava a comprar o jornal e le-lo inteiramente. A noite tratei disso, vencendo a 
crescente repulsa que sempre experimentava ao ver essa torneira de mentiras concentradas. 
Melhor do que em toda a literatura teorica, pude, pela leitura diaria da imprensa social- 
democratica, estudar a essencia do movimento e o curso das suas ideias. 

Que diferenga entre as cintilantes frases de liberdade, beleza e dignidade da literatura teorica, 
entre o fogo-fatuo do palavrorio que, laboriosamente, aparenta a mais profunda e irresistivel 
sabedoria, pregada com uma seguranga profetica, e a brutal virtuosidade da mentira da imprensa 



diaria que trabalhava pela salvagao da nova humanidade sem recuar ante nenhuma objegao, 
usando de todos os recursos da calunia! 

Uma e destinada aos estupidos das camadas intelectuais medias e superiores, a outra as 
massas. 

A meditagao sobre a literatura e a imprensa dessa doutrinagao, servia-me para descobrir de 
novo a minha gente. 

O que, a principio, me parecia urn abismo intransponivel, devia tornar-se motivo para amar cada 
vez mais o meu povo. 

So urn louco poderia, depois de conhecer esse monstruoso trabalho de envenenamento, 
condenar ainda as vitimas do mesmo. Quanto mais independente eu me tornava nos anos 
seguintes, tanto mais longe alcangava a minha vista as causas intimas do exito da social- 
democracia. Entao compreendendo a significagao da exigencia brutal feita ao operario para so ler 
jornais vermellnos, so freqGentar assembleias vermellnas, so ler livros vermelhos, etc., vi, muito 
claro, OS efeitos violentos dessa doutrinagao da intolerancia. 

A psique das massas e de natureza a nao se deixar influenciar per meias medidas, por atos de 
fraqueza. 

Assim como as mulheres, cuja receptividade mental e determinada menos por motivos de 
ordem abstrata do que por uma indefinivel necessidade sentimental de uma forga que as complete 
e, que, por isso preferem curvar-se aos fortes a dominar os fracos, assim tambem as massas 
gostam mais dos que mandam do que dos que pedem e sentem-se mais satisfeitas com uma 
doutrina que nao tolera nenhuma outra do que com a tolerante largueza do liberalismo. Elas nao 
sabem o que fazer da liberdade e, por isso, facilmente sentem-se abandonadas. 

A impudencia do terrorismo espiritual passa-lhes despercebida, assim como os crescentes 
atentados contra a sua liberdade que as deveriam levar a revolta. Elas nao se apercebem, de 
nenhum modo, dos erros intrinsecos dessa doutrinagao. Elas veem apenas a forga incontrastavel e 
a brutalidade de suas resolutas manifestagoes externas, ante as quais sempre se curvam. 

Se uma doutrina que encerrasse mais inveracidade ao lado de identica brutalidade na 
propaganda, fosse oposta a social-democracia, triunfaria, do mesmo modo, por mais aspera que 
fosse a luta. 

Em menos de dois anos, nao so a doutrina da social-democracia mas tambem o seu emprego 
como instrumento pratico, tornaram-se-me claros. 

Eu compreendi o infame terror espiritual que esse movimento exerce especialmente sobre a 
burguesia. 

A um dado sinal, os seus propagandistas langam um chuveiro de mentiras e calunias contra o 
adversario que Ihes parece mais perigoso, ate que se rompam os nervos dos agredidos que, para 
terem tranquilidade, se rendem ao inimigo. 

Mas e do destino dos tolos nunca alcangarem o sossego. 

O jogo recomega e repete-se inumeras vozes, ate que o pavor ante os monstros selvagens 
provoca uma significativa imobilidade do adversario. 

Como a social democracia, por experiencia propria, conhece muito bem o valor da forga, langa- 
se mais violentamente contra aqueles em cuja individualidade descobre algum sistema de 
resistencia. Por outro lado, incensa todos os fracos do lado oposto, a principio cautelosamente e 
depois abertamente, conforme essas qualidades morals sejam reals ou imaginarias. 

Eles receiam menos um genio impotente e sem vontade do que uma natureza forte, mesmo 
intelectualmente modesta. 

A social-democracia se recomenda sobretudo aos fracos de espirito e de carater. 

Esse partido sabe aparentar que so ele conhece o segredo da paz e tranquilidade, enquanto, 
cautelosamente mas de maneira decidida, conquista uma posigao depois da outra, ora por meio de 
discreta pressao, ora atraves de requintadas escamoteagoes em momentos em que a atengao 
geral esta dirigida para outros assuntos, nao quer por ele ser despertada ou tem a oportunidade 
como nao merecendo grande interesses ou receia provocar o perverso adversario. 

Essa e uma tatica que, tendo em conta exatamente tidas as fraquezas humanas, e coroada de 
exito matematico, quando o adversario nao aprende a usar gas venenoso contra gas venenoso, 
isto e, as mesmas armas do agressor. 

E preciso que se diga as naturezas fracas que se trata de uma luta de vida ou de morte. 

Nao menos compreensivel para mim tornou-se a significagao do terror material em relagao aos 



individuos e as massas. 

Aqui tambem havia um calculo exato de atuagao psicologica. O terror nos lugares de trabalho, 
nas fabricas, nos locals de reunlao e por ocaslao das demonstragoes coletlvas, era sempre 
coroado de exito, enquanto um terror malor nao se Ihe opunha. 

Quando acontece essa ultima hipotese, o partldo, em gritos de pavor, embora habltuado a 
desrespeltar a autorldade do Estado, em altos berros pedira seu auxillo, para, na maloria dos 
casos, no melo da confusao geral, alcangar o seu verdadeiro objetlvo, Isto e: encontrar covardes 
autorldades que, na timlda esperanga de poder de futuro contar com o temivel adversarlo, 
auxlllem-no a combater o Inlmlgo. 

Que Impressao um tal exIto exerce sobre o espirlto das vastas massas e dos seus adeptos, 
assim como sobre o vencedor, so pode avallar quem conhece a alma do povo, nao atraves de 
llvros mas pelo estudo da propria vida, pols, enquanto, no circulo dos vencedores, o triunfo 
alcangado e tido como uma vltoria do direlto de sua causa, o adversarlo batldo, na maloria dos 
casos, duvlda do exIto de uma outra reslstencla. 

Quanto melhor eu conhecia os metodos da violencia material, tanto mals me Incllnava a 
desculpar as centenas de mllhares de proletarlos que cedlam ante a forga bruta. 

A compreensao desse fato devo princlpalmente aos meus antlgos tempos de sofrlmentos, os 
quals me fizeram entender o meu povo e fazer a diferenga entre as vftlmas e os seus condutores. 

Como vftlmas devem ser vistos os que foram submetldos a essa situagao corruptora. Quando 
eu me esforgava por estudar, na vIda real, a natureza intlma dessas camadas "Inferlores", nao 
podia delas fazer uma Idela justa, sem a seguranga de que, nesse melo, tambem encontrava 
qualldades recomendavels, como sejam capacldade de sacrlffcio, flel camaradagem, extraordlnaria 
sobrledade, discreta modestia, virtudes essas multo comuns, sobretudo nos antlgos sindlcatos. Se 
e verdade que essas virtudes se dlluiam cada vez mals nas novas geragoes, sob a atuagao das 
grandes cidades, Incontestavel e tambem que multas consegulam triunfar sobre as vllezas comuns 
da vIda. Se esses homens, bons e bravos, na sua atlvldade politica, entravam nas fllelras dos 
Inlmlgos do nosso povo e a estes auxlllavam, era porque nao compreendlam e nem podlam 
compreender a vlleza da nova doutrlna ou porque, em ultima ratio, as Injungoes socials eram mals 
fortes do que todas as vontades em contrarlo. As contlngenclas da vIda a que, de um modo ou de 
outro, estavam fatalmente sujeltos, fazlam-nos entrar no acampamento da soclal-democracla. 

Como a burguesia, Inumeras vezes, da maneira mals Inepta e tambem a mals Imoral, fazia 
frente as mals justas asplragoes coletlvas, sem multas vezes retlrar ou esperar retlrar qualquer 
provelto de uma tal atltude, mesmo o mals ordeiro trabalhador sala da organlzagao sindlcal para 
tomar parte na atlvldade politica. 

Mllhoes de proletarlos, na Intlmldade, foram, sem duvlda, de comego, Inlmlgos do partldo soclal- 
democratlco. Foram, porem, derrotados na sua oposlgao pela conduta Idlota do partldo burgues 
combatendo todas as relvlndlcagoes da massa dos trabalhadores. 

A Impugnagao cega da burguesia a todos os ensalos por uma melhoria nas condlgoes do 
trabalho, tals como um aparelhamento de defesa contra as maqulnas, a protegao ao trabalho das 
criangas e a protegao da mulher, pelo menos nos ultlmos meses de gravldez, tudo Isso auxlllou a 
soclal-democracla a pegar as massas nas suas redes. Esse partldo sabia aproveltar todos os 
casos em que pudesse manlfestar sentlmentos de pledade para com os oprlmldos. Nunca mals 
podera a nossa burguesia politica reparar os seus erros, pols, enquanto ela se opunha a todas as 
tentatlvas por uma remogao dos males socials, semeava odio e justlflcava mesmo as aflrmagoes 
dos Inlmlgos da naclonalldade, segundo as quals so o Partldo Social Democrata defendia os 
Interesses das classes produtoras. 

Ai estao as razoes morals da reslstencla dos sindlcatos e os motlvos por que prestaram os 
melhores servlgos aquele partldo politico. 

Nos meus anos de aprendlzado em VIena ful forgado, quer quisesse quer nao, a tomar poslgao 
no problema dos sindlcatos. 

Como eu os via como parte Integral e Indlvlsivel do Partldo Social Democrata, minha declsao fol 
raplda e falsa. 

Como era natural, recusel-me a entrar para o sindlcato. 

Tambem nesta Importante questao fol a vIda real que me servlu de mestre. 

O resultado fol uma revlravolta nos meus primelros julgamentos. 

Aos vinte anos, ja fazIa a diferenga entre o sindlcato como melo de defesa dos direltos socials 



dos empregados e de luta pela melhoria das condigoes de vida dos mesmos e o sindicato como 
instrumento do partido na luta politica de classes. 

Como a social-democracia compreendeu a enorme significagao do movimento sindicalista, 
assegurou para si a colaboragao desse instrumento e dai o seu exito; como a burguesia nao a 
compreendeu, isso Ihe custou a sua posigao politica. Na sua teimosa oposigao, imaginou a 
burguesia fazer parar uma evolugao fatal e, na realidade, conseguiu apenas forga-la a tomar um 
caminho ilogico. Dizer-se que o movimento sindical em si e inimigo da Patria e uma idiotice, e alem 
disso, uma inverdade. O contrario e que e a verdade. Se uma atividade sindical tem como objetivo 
a melhoria de uma classe que constitui uma das colunas mestras da nagao e se esforga por 
realiza-lo, essa atividade nao so nao se exerce contra a Patria e o Estado mas, no verdadeiro 
sentido da palavra, consulta os interesses nacionais. E fora de qualquer duvida que essa atuagao 
auxilia a criar programas socials, sem o que nem se deve pensar em uma educagao nacional 
coletiva. Esse movimento atinge seu maior merito quando, pelo combate aos cancros socials 
existentes, ataca as causas das molestias do corpo e do espirito, contribuindo para a conservagao 
da saude do povo. E ociosa a discussao sobre as vantagens dessas agitagoes. 

Enquanto, entre os que distribufrem trabalho, houver homens que nao compreendam a questao 
social ou possuam ideias erradas de direito e de justiga, e nao so direito mas dever dos por eles 
empregados, - que alias formam uma parte do nosso povo - proteger os interesses da quase 
totalidade contra a avidez ou a irracionalidade de poucos, pois a manutengao da fe na massa do 
povo e para o bem-estar da nagao tao importante quanto a conservagao da sua saude. 

Ambos esses interesses serao seriamente ameagados pelos indignos empregadores que nao 
tem OS mesmos sentimentos da coletividade, de que vivem divorciados. Devido a sua condenavel 
atitude, inspirada na ambigao ou na intransigencia, nuvens ameagadoras anunciam tempestades 
futuras. 

Remover as causas de uma tal evolugao e conquistar um merito em relagao a Patria. Agir ao 
contrario e trabalhar contra os interesses da nagao. 

Nao se diga que cada um tem independencia suficiente para tirar todas as conclusoes das 
injustigas reals ou ficticias que Ihe sao feitas. Nao, isso e hipocrisia e deve ser visto como tentativa 
para desviar a atengao das solugoes justas. 

A alternativa e a seguinte: evitar acontecimentos nocivos a coletividade consulta ou nao os 
interesses da nagao? Na primeira hipotese, a luta deve ser aceita com todas as armas que possam 
assegurar o triunfo. 

O trabalhador, individualmente, nao esta nunca em condigoes de empenhar-se, com exito, em 
uma luta contra o poder do grande empregador. Nesse conflito nao se trata do problema da vitoria 
do direito. Se assim fosse, o simples reconhecimento desse direito faria cessar toda luta, pois 
desapareceria, em ambas as partes, o desejo de combater. Trata-se, porem, de uma questao de 
forga. Naquele caso, o sentimento de justiga por si so faria terminar a luta de modo honroso, ou 
melhor, nunca se chegaria a ela. Se atos indignos ou contrarios aos interesses socials arrastam a - 
reagao, a luta so podera ser decidida em favor do lado mais forte, salvo se a justiga se dispuser a 
solugao desses males. 

Alem disso, e evidente que o empregador, apoiado na forga concentrada de suas empresas, 
tera que enfrentar o corpo de empregados, se nao quiser ser compelido a perder, desde o inicio, 
qualquer esperanga de vitoria. 

Assim a organizagao sindical pode produzir o fortalecimento dos ideals socials por unia atuagao 
mais pratica e, com isso, o afastamento de causas de irritagao que sempre dao motivo a 
descontentamentos e a queixas. Se isso nao acontece deve-se em grande parte aqueles que a 
todas as solugoes legais das dificuldades do povo julgam opor obstaculos ou impedi-las por meio 
de sua influencia politica. 

Enquanto a burguesia nao compreendia a significagao da organizagao sindical, ou, melhor, nao 
queria entende-la, e insistia em fazer-Ihe oposigao, a social-democracia punha-se ao lado do 
movimento combatido. 

Vendo longe, ela criou para si uma base firme que nos momentos criticos, ja Ihe havia servido 
de ultimo esteio. A verdade, porem, e que a antiga finalidade era, pouco a pouco, abandonada, 
para dar lugar a outros objetivos. 

A social-democracia nunca pensou em solucionar os problemas reals do movimento 
profissional. 



Em poucas decadas, nas maos espertas da social-democracia, o movimento sindical de 
instrumento de defesa dos direitos socials passou a ser instrumento de destruigao da economia 
nacional. 

Os interesses dos trabalhadores nao deveriam em nada obstar a sua agao, pois, politicamente, 
emprego de meios de compressao economica sempre permite a extorsao e o exercicio de 
violencias a toda hora, sempre que, de um lado, ha a necessaria falta de escrupulos e, do outro, a 
suficiente estupidez junta a uma paciencia de cordeiro. E isso acontece nos dois campos em luta. 

Ja no comego deste seculo o movimento sindical, de ha muito, havia deixado de servir ao seu 
objetivo de outrora. 

De ano a ano, ele, cada vez mais, caia nas maos dos politicos da social-democracia, para, por 
fim, ser utilizado apenas como para-choque na luta de classes. Em consequencia de permanentes 
conflitos deveria, finalmente, levar a ruina toda a organizagao economica, pacientemente 
construfda, arrastando o edificio do Estado a mesma sorte, pela destruigao de suas fundagoes 
economicas. 

Cogitava-se cada vez menos da defesa de todos os interesses reals do proletariado, ate 
chegar-se a conclusao de que a prudencia politica considerava como nao aconselhavel melhorar 
as condigoes socials e culturais das grandes massas, pois, ao contrario, corria-se o perigo de que 
essas, tendo seus desejos satisfeitos, nao mais poderiam ser eternamente utilizadas como tropas 
de combate facilmente manejaveis. 

Essa evolugao atemorizou de tal maneira os guias da luta de classes que eles, por fim, se 
opuseram a todas as salutares reformas socials e, da maneira mais decidida, tomaram posigao de 
combate as mesmas. 

Na justificagao dos fundamentos dessa atitude negativa e incompreensivel nada deviam recear. 

No campo burgues estava se escandalizado com essa visfvel falta de sinceridade da tatica da 
social democracia, sem que, porem, dai se tirassem as minimas conclusoes para um acertado 
piano de agao. Justamente o receio da social-democracia diante de cada melhoria real da situagao 
do proletariado em relagao a profundidade de sua ate entao miseria cultural e social, talvez tivesse 
concorrido a arrancar esse instrumento das maos dos representantes de classes 

Isso nao aconteceu, porem. Em vez de tomar a ofensiva, a burguesia deixou apertar-se cada 
vez mais o cerco em torno de si para, enfim, adotar providencias inadequadas que, por muito 
tardias, tornaram-se sem eficiencia, e, por isso mesmo, eram facilmente repelidas. Assim ficou tudo 
como antes, apenas o descontentamento tornou-se cada vez maior. 

Os "sindicatos independentes", como uma nuvem tempestuosa, obscureciam o horizonte 
politico, ameagando tambem a existencia dos individuos. Essas organizagoes se transformaram no 
mais temivel instrumento de terror contra a seguranga e independencia da economia nacional, a 
solidez do Estado e a liberdade dos individuos. 

Foram eles, sobretudo, que transformaram a concepgao da democracia em uma frase 
asquerosa e ridfcula, que profanava a liberdade e escarnecia, de maneira imperecivel, da 
fraternidade, nesta proposigao: "Se nao quiseres ser dos nossos, nos te arrebentaremos a 
cabega". 

Assim comegava eu a conhecer esses inimigos do "genero humano". 

No decurso dos anos, a opiniao sobre eles desenvolveu-se e aprofundou-se, sem modificar-se, 
porem. 

Quanto mais eu estudava o aspecto exterior da social-democracia, tanto mais crescia o desejo 
de penetrar na estrutura intima dessa doutrina. 

A literatura oficial do Partido de pouca utilidade me poderia ser na realizagao desse objetivo. Ela 
e, no que diz respeito a questoes economicas, falsa nas suas afirmagoes e conclusoes e mentirosa 
quanto a finalidade politica. 

Daf a razao por que eu me sentia, de coragao, afastado dos novos modos de expressao da 
eterna rabulice politica e da sua maneira de descrever as coisas. 

Com um inconcebivel luxo de palavras de significagao obscura, gaguejavam sentengas que 
deveriam ser ricas de pensamento como eram falhas de senso. 

So a decadencia dos nossos intelectuais das grandes cidades poderia, neste labirinto da razao, 
sentir-se confortavelmente, para, no nevoeiro deste dadaismo literario, compreender a "vida 
intima", apoiado na proverbial inclinagao de uma parte do nosso povo, para sempre farejar a 
sabedoria profunda no meio dos paradoxos pessoais. 



Enquanto eu, na realidade de suas demonstragoes, pesava todas as mentiras e desatinos 
teoricos dessa doutrina, chegava, pouco a pouco, a uma compreensao mais clara da sua vontade. 

Nestas horas apoderavam-se de mim ideias tristes e maus pressagios. Vi diante de mim uma 
doutrina, constituida de egoismo e de odio, que, por leis matematicas, podera ser levada a vitoria 
mas arrastara a humanidade a ruina. 

Nesse interim, eu ja tinlna compreendido a ligagao entre essa doutrina de destruigao e o carater 
de uma certa raga para mim ate entao desconhecida. 

So conhecimento dos judeus ofereceu-me a chave para a compreensao dos propositos 
intimos e, por isso, reais da social-democracia. Quem conhece este povo ve cair-se-Ihe dos olhos o 
veu que impedia descobrir as concepgoes falsas sobre a finalidade e o sentido deste partido e, do 
nevoeiro do palavreado de sua propaganda, de dentes arreganhados, ve aparecer a caricatura do 
marxismo. 

Hoje e-me dificil, senao impossivel, dizer quando a palavra judeu pela primeira vez foi objeto de 
minlnas reflexoes. Na casa paterna, durante a vida de meu pai, nao me lembro de te-la ouvido. 
Creio que ele ja via nessa palavra a expressao de uma cultura retrograda. No curso de sua vida, 
ele clnegou a uma concepgao mais ou menos cosmopolita do mundo combinada a um 
nacionalismo radical que, tambem, exercia seus efeitos sobre mim. 

Na escola tambem nao encontrei oportunidade que me pudesse levar a uma modificagao desse 
modo de encarar as coisas, que me havia transmitido meu pai. 

E verdade que, na escola profissional, eu havia conhecido um jovem judeu que era tratado por 
nos com certa prevengao, mas isso somente porque nao tinhamos confianga nele, devido ao seu 
todo taciturno e a varios fatos que nos haviam escarmentado. Nem a mim nem aos outros 
despertou isso quaisquer reflexoes. 

So dos meus quatorze para os quinze anos deparei frequentemente com a palavra judeu, ligada 
em parte a conversas sobre assuntos politicos. Sentia contra isso uma ligeira repulsa e nao podia 
evitar essa impressao desagradavel que, alias, sempre se apoderava de mim quando discussoes 
religiosas se travavam na minha presenga. 

Nesse tempo eu nao via a questao sob qualquer outro aspecto. 

Em Linz havia muito poucos judeus. Com o decorrer dos seculos, o aspecto do judeu se havia 
europeizado e ele se tornara parecido com gente. Eu os tinha por alemaes, Nao me era possivel 
compreender o erro desse julgamento, porque o unico trago diferencial que neles via era o aspecto 
religioso diferente do nosso. Minha condenagao a manifestagoes contrarias a eles, a perseguigao 
que se Ihes movia, por motivos de religiao como eu acreditava, levavam-me a irritagao, Eu nao 
pensava absolutamente na existencia de um piano regular de combate aos judeus. 

Com essas ideias vim para Viena. 

Absorvido pela avalancha de impressoes que a arquitetura despertava, abatido pelo peso da 
minha propria sorte, eu nao tinha olhos para observar a estrutura da populagao da grande cidade. 

Embora Viena, ja naquele tempo, possufsse duzentos mil judeus em uma populagao de dois 
milhoes, nao me apercebi desse fato. Nas primeiras semanas, os meus sentidos nao puderam 
abarcar o conjunto de tantos valores e ideias novas. So depois que, pouco a pouco, a serenidade 
voltou e as imagens confusas dos primeiros tempos comegaram a esclarecer-se, e que mais 
acuradamente pude ver em torno de mim o novo mundo que me cercava e, entao, deparei tambem 
com problema judaico. 

Nao quero afirmar que a maneira por que eu os conheci me tenha sido particularmente 
agradavel. Eu so via no judeu o lado religioso. Por isso, por uma questao de tolerancia, 
considerava injusta a sua condenagao por motivos religiosos. O tom, sobretudo da imprensa anti- 
semitica de Viena, parecia me indigno das tradigoes de cultura de um grande povo, Causava-me 
mal-estar a lembranga de certos fatos da Idade Media, cuja reprodugao nao desejava ver. Como 
esses jornais nao valiam grande coisa - e a razao disso eu entao nao conhecia - via neles mais o 
produto de mesquinha inveja do que o resultado de uma questao de principios, embora falsos. 

Fortaleci-me nessa maneira de pensar pela forma infinitamente mais digna (assim pensava eu 
entao) por que a grande imprensa respondia a todos esses ataques ou - o que me parecia de mais 
merito ainda pelo silencio de morte em que se mantinha. 

Lia com fervor a chamada grande imprensa ("Neue Freie Presse", "Wiener Tageblatt", etc.) e 
ficava admirado ante a extensao dos assuntos que oferecia ao leitor assim como diante da 
objetividade das suas manifestagoes em cada caso particular. Apreciava o seu estilo elegante. 



distinto. Os exageros de forma nao me agradavam, chocavam-me. 

Porque eu tenha visto Viena assim, apresento como desculpa o esclarecimento que me dei a 
mim mesmo. 

O que repetidamente me causava repugnancia era a maneira indigna pela qual a imprensa 
bajulava a corte. 

Nao havia acontecimento na corte que nao fosse comunicado aos leitores em tom do mais 
intenso entusiasmo ou da mais lamurienta consternagao, pratica essa que, mesmo tratando-se do 
"mais sabio monarca" de todos os tempos, podia ser comparada aos excessos incontidos de um 
galo silvestre. 

Isso me parecia exagerado e era por mim visto como uma mancha para a Democracia liberal. 

Pretender as gragas desta corte e de maneira tao indigna era o mesmo que trair a dignidade da 
nagao. 

Esta foi a primeira sombra que devia perturbar as minhas afinidades espirituais com a grande 
imprensa de Viena. 

Como sempre, tambem em Viena, eu acompanhava todos os acontecimentos da Alemanha 
com maior ardor, quer se tratasse de questoes polfticas ou de problemas culturais. 

Com uma admiragao a que se juntava o maior orgulho, eu comparava a elevagao do Reich com 
a decadencia do Estado austriaco, Enquanto os acontecimentos da polftica externa, na sua maior 
parte, provocavam geral contentamento, a polftica interna freqiJentemente dava margem a 
sombrias afligoes. A campanha que, naquele tempo, se movia contra Guilherme II, nao tinha a 
minha aprovagao, Nele eu nao via so o Imperador dos Alemaes mas tambem o criador da frota 
alema. A imposigao feita pelo Reichstag de nao permitir ao Kaiser fazer discursos indignava-me de 
modo tao extraordinario, porque essa proibigao partia de uma fonte que, aos meus olhos, nenhuma 
autoridade possuia, atendendo a que, em um so periodo de sessao, esses gansos do parlamento 
haviam grassitado mais idiotices do que o poderia fazer, durante seculos, uma inteira dinastia de 
imperadores, dado o seu muito menor numero. 

Eu me encolerizava com o fato de, em um pais em que qualquer imbecil nao so reivindicava 
para si o direito de critica mas, no Parlamento, tinha ate a permissao de decretar leis para a Patria, 
detentor da coroa imperial pudesse receber admoestagoes da mais superficial das instituigoes de 
palavrorio de todos os tempos. 

Irritava-me ainda mais com o fato de ver que a mesma imprensa "vienense" que, diante de um 
cavalo da corte, se desfazia nas mais respeitosas mesuras a um acidental movimento da cauda do 
mesmo, aparentando cuidados que para mim nao passavam de mal encoberta maldade, pudesse 
exprimir o seu pensamento contra o imperador dos alemaes! 

Em tais casos o sangue me subia a cabega. 

Foi isso que, pouco a pouco, me fez olhar com mais atengao a grande imprensa. 

Fui forgado a reconhecer uma vez que um dos jornais anti-semiticos, o "Deutsche Volksblatt", 
em uma oportunidade identica, portara se de maneira mais decente. 

O que tambem me enervava era a nojenta bajulagao com que a grande imprensa se referia a 
Franga. 

Eramos forgados a nos envergonhar de sermos alemaes quando nos chegavam aos ouvidos 
esses agucarados hinos de louvor a "grande nagao da cultura". 

Essa lastimavel galomania mais de uma vez me levou a deixar cair das maos um desses 
grandes jornais. 

FreqGentemente, procurava o "Volksblatt" que, apesar de muito menor, parecia-me mais limpo 
nesses assuntos. 

Nao concordava com a sua atitude radicalmente anti-semftica, mas, de vez em quando, eu 
encontrava argumentagoes que me faziam refletir. 

De qualquer modo, por meio de "Volksblatt", eu pude conhecer aos poucos o homem e o 
movimento de que dependiam a sorte de Viena: o Dr. Karl Lueger e o Partido Social Cristao. 

Quando vim para Viena era francamente contrario a ambos. 

O movimento e o seu lider me pareciam reacionarios. 

O habitual sentimento de justiga deveria, porem, modificar esse julgamento, a proporgao que se 
me oferecia oportunidade de conhecer o homem e a sua atuagao. Com o tempo, tornei-me de 
franco entusiasmo por ele. Hoje, vejo-o, mais do que antes, como o mais forte burgo-mestre 
alemao de todos os tempos. 



Quantas de minhas arraigadas convicgoes cairam por terra com essa mudanga de modo de ver 
a respeito do movimento social-cristao! 

A minha maior metamorfose foi, porem, a que experimentei em relagao ao movimento anti- 
semitico. 

Isso me custou, durante meses, as maiores lutas intimas, entre os meus sentimentos e as 
minhas ideias, luta em que as ideias acabaram por triunfar. 

Por ocasiao dessa aspera luta entre a educagao sentimental e a razao pura, a observagao da 
vida de Viena prestou-me servigos inestimaveis. 

Eu ja nao errava pelas ruas da importante cidade como um cego que nada ve. Com os olhos 
bem abertos, observava nao mais somente os monumentos arquitetonicos mas tambem os 
homens. 

Um dia em que passeava pelas ruas centrals da cidade, subitamente deparei com um individuo 
vestido em longo caftan e tendo pendidos da cabega longos caches pretos. 

Meu primeiro pensamento foi: isso e um judeu? 

Em Linz eles nao tinham as caracterfsticas externas da raga. 

Observei o homem, disfargada mas cuidadosamente, e quanto mais eu contemplava aquela 
estranha figura, examinando-a trago por trago, mais me perguntava a mim mesmo: isso e tambem 
um alemao? 

Como acontecia sempre em tais ocasioes, tentei remover as minhas duvidas recorrendo aos 
livros. Pela primeira vez na minha vida, comprei, por poucos pfennigs, alguns panfletos anti- 
semiticos. Infelizmente, todos partiam do ponto de vista de ja ter o leitor algum conhecimento da 
questao semitica. O tom da maior parte desses folhetos era tal que, de novo, fiquei em duvida. As 
suas afirmagoes eram apoiadas em argumentos tao superficiais e anticientificos que a ninguem 
convenciam. 

Durante semanas, talvez meses, permaneci na situagao primitiva. O assunto parecia-me tao 
vasto, as acusagoes tao excessivas, que, torturado pelo receio de fazer uma injustiga, de novo 
fiquei em um estado de incerteza e ansiedade. Nao me era licito duvidar que, no caso, nao se 
tratava de uma questao religiosa, mas de raga, pois logo que comecei a estudar o problema e a 
observar os judeus, Viena apareceu-me sob um aspecto diferente. Ja agora, para qualquer parte 
que me dirigisse, eu via judeus e quanto mais os observava mais firmemente convencido ficava de 
que eles eram diferentes das outras ragas. Sobretudo no centro da cidade e na parte norte do 
canal do Danubio, notava-se um verdadeiro enxame de individuos que, por seu aspecto exterior, 
em nada se pareciam com os alemaes. Mesmo, porem, que me assaltassem ainda algumas 
duvidas, todas as hesitagoes se dissipavam em face da atitude de uma parte dos judeus. 

Surgiu entre eles um grande movimento de vasta repercussao em Viena que muito concorreu 
para um jufzo seguro sobre o carater racial dos judeus. esse movimento foi o Sionismo. 

Parecia, a primeira vista, que so uma parte dos judeus aprovava essa atitude e que a grande 
maioria condenava aquele principio e o rejeitava decididamente. Apos observagao mais acurada, 
verificava-se que essa aparencia se traduzia em um misto de teorias, para nao dizer de mentiras, 
apresentadas por motivos tacitos, pois o chamado judeu liberal rejeitava os pontos de vista dos 
sionistas, nao porque esses fossem nao judeus mas porque eram judeus que pertenciam a um 
credo pouco pratico e talvez mesmo perigoso para o proprio judafsmo. 

Essa discordia em nada alterava, porem, a solidariedade fntima entre os adversarios. 

A luta aparente entre os sionistas e os judeus liberals muito cedo me despertou nojo. Comecei a 
ve-la como hipocrita, uma deslavada miseria, de comego a fim, e, sobretudo, indignada da tao 
proclamada pureza moral desse povo. 

De mais a mais, essa pureza moral ou de qualquer outra natureza era uma questao discutivel. 
Que eles nao eram amantes de banhos podia-se assegurar pela simples aparencia. Infelizmente 
nao raro se chegava a essa conclusao ate de olhos fechados, Muitas vezes, posteriormente, senti 
nauseas ante o odor desses individuos vestidos de caftan. A isso se acrescentem as roupas sujas 
e a aparencia acovardada e tem-se o retrato fiel da raga. 

Tudo isso nao era de molde a atrair simpatia. Quando, porem, ao lado dessa imundicie fisica, 
se descobrissem as nodoas morals, maior seria a repugnancia. 

Nada se afirmou em mim tao depressa como a compreensao, cada vez mais completa, da 
maneira de agir dos judeus em determinados assuntos. 

Poderia haver uma sujidade, uma impudencia de qualquer natureza na vida cultural da nagao 



em que, pelo menos um judeu, nao estivesse envolvido? 

Quem, cautelosamente, abrisse o tumor haveria de encontrar, protegido contra as surpresas da 
luz, algum judeuzinho. Isso e tao fatal como a existencia de vermes nos corpos putrefatos. 

O judaismo provocou em mim forte repulsa quando consegui conhecer suas atividades, na 
imprensa, na arte, na literatura e no teatro. 

Protestos moles ja nao podiam ser aplicados. Bastava que se examinassem os seus cartazes e 
se conhecessem os nomes dos responsaveis intelectuais pelas monstruosas invengoes no cinema 
e no drama, nas quais se reconhecia o dedo do judeu, para que se ficasse por muito tempo 
revoltado. Estava-se em face de uma peste, peste espiritual, pior do que a devastadora epidemia 
de 1348, conhecida pelo nome de Morte Negra. E essa praga estava sendo inoculada na nagao. 

Quanto mais baixo e o nivel intelectual e moral desses industrials da Arte, tanto mais ilimitada e 
a sua atuagao, pois ate os garotos, transformados, em verdadeiras maquinas, espalham essa 
sujeira entre os seus camaradas. Reflita-se tambem no numero ilimitado das pessoas contagiadas 
por esse processo, Pense-se em que, para um genio como Goethe, a natureza langa no mundo 
dezenas de milhares desses escrevinhadores que, portadores de bacilos da pior especie, 
envenenam as almas. 

E horrivel constatar, - mas essa observagao nao deve ser desprezada.-.ser justamente o judeu 
que parece ter sido escolhido pela natureza para essa ignominiosa tarefa. 

Dever-se-ia procurar na ignominia dessa missao o motivo de haver essa escoiha recaido nos 
judeus? 

Comecei a estudar cuidadosamente os nomes de todos os criadores dessas podridoes 
artisticas fornecidas ao povo. O resultado foi aumentar as minhas prevengoes na atitude em 
relagao aos judeus. Por mais que isso contrariasse meus sentimentos, eu era arrastado pela razao 
a tirar as minhas conclusoes do que observava. 

Nao se podia negar - porque era uma realidade - o fato de correrem por conta dos judeus nove 
decimos da sordidez e dos disparates da literatura, da arte e do teatro, fato esse tanto mais grave 
quanto e sabido que esse povo representa um centesimo da populagao do pais. 

Comecei tambem a examinar debaixo do mesmo ponto de vista a grande imprensa de minha 
predilegao. 

A proporgao que o meu exame se aprofundava diminufa o motivo de minha antiga admiragao 
por essa imprensa. O estilo desses jornais era insuportavel, as ideias eu as repelia por superficiais 
e banais e as afirmagoes pareciam aos meus olhos confer mais mentiras do que verdades 
honestas. E os editores dessa imprensa eram judeus! 

Muitas coisas que ate entao quase me passavam despercebidas agora me chamavam a 
atengao como dignas de ser observadas, outras que ja tinham sido objeto de minhas reflexoes 
passaram a ser melhor compreendidas. 

Comecei a ver sob outra luz as opinioes liberals desses periodicos. O tom de distingao das 
replicas aos ataques, assim como o seu completo silencio em certos assuntos, revelavam-se agora 
como truques inteligentes e vis. As suas brilhantes criticas teatrais sempre favoreciam os autores 
judeus e as apreciagoes desfavoraveis so atingiam os autores alemaes. 

Suas ligeiras alfinetadas contra Guilherme II, assim como os elogios a cultura e a civilizagao 
francesa, evidenciavam a persistencia nos seus metodos. O conteudo das novelas era de 
repelente imoralidade e na linguagem via-se claramente o dedo de um povo estrangeiro. O sentido 
geral dos seus escritos era tao evidentemente depreciador de tudo quanto era alemao, que nao se 



podia 




deixar de 


nisso ver 


uma intengao 




deliberada. 


Quem 




teria 


interesses 


nessa 




campanha? 


Seria 




tanta 


coincidencia 


mero 




acaso? 


A 




duvida foi 


crescendo 


em meu 




espirito. 


Essa 


evo 


lugao mental precipit 


:ou-se com a observag 


ao de outros fatos, com 





exame dos 



costumes e da moral seguidos pela maior parte dos judeus. 

Aqui ainda foi o espetaculo das ruas de Viena que me proporcionou mais uma ligao pratica. 

As ligagoes dos judeus com a prostituigao e sobretudo com o trafico branco podiam ser 
estudadas em Viena, melhor do que em qualquer cidade da Europa ocidental, como excegao, 
talvez, dos portos do sul da Franga. 

Quem a noite passeasse pelas ruas e becos de Viena seria, quer quisesse quer nao, 
testemunha de fatos que se conservaram ocultos a grande parte do povo alemao, ate que a Guerra 



deu aos lutadores oportunidade de poderem, ou melhor, de serem obrigados a assistir a cenas 
semelhantes. 

Quando, pela primeira vez, vi o judeu envolvido, como dirigente frio, inteligente e sem 
escrupulos, nessa escandalosa exploragao dos vicios do rebotalho da grande cidade, passou-me 
um calafrio pelo corpo, logo seguido de um sentimento de profunda revolta. 

Entao nao mais evitei a discussao sobre o problema semitico. 

Como procurava aprender a vida cultural e artfstica dos judeus sob todos os aspectos, 
encontrei-os em uma atividade que jamais me tinha passado pela mente. 

Agora que me tinha assegurado de que os judeus eram os lideres da social-democracia, 
comecei a ver tudo claro. A longa luta que mantive comigo mesmo havia chegado ao seu ponto 
final. 

Nas relagoes diarias com os meus companheiros de trabalho, ja minha atengao tinha sido 
despertada pelas suas surpreendentes mutagoes, a ponto de tomarem posigoes diferentes em 
torno de um mesmo problema, no espago de poucos dias e, as vezes, de poucas horas. 

Dificilmente eu podia compreender como homens que, tomados isoladamente, possuem visao 
racional das coisas, perdem-na de repente, logo que se poem em contato com as massa. Era 
motivo para duvidar de seus propositos. 

Quando, depois de discussoes que duravam horas inteiras, eu me tinha convencido de haver 
afinal esclarecido um erro e ja exultava com a vitoria, acontecia que, com pesar meu, no dia 
seguinte, tinha de recomegar o trabalho, pois tudo tinha sido debalde. Como um pendulo em 
movimento, que sempre volta para as mesmas posigoes, assim acontecia com os erros 
combatidos, cuja reaparigao era sempre fatal. 

Assim pude compreender: 1 .° que eles nao estavam satisfeitos com a sorte que tao aspera Ihes 
era; 2.° que odiavam os empregadores que Ihes pareciam os responsaveis por essa situagao; 3.° 
que injuriavam as autoridades que Ihes pareciam indiferentes ante a sua deploravel situagao; 4.° 
que faziam demonstragoes nas ruas sobre a questao dos pregos dos generos de primeira 
necessidade. 

Tudo isso podia-se ainda compreender, pondo-se a razao de lado. O que, porem, era 
incompreensivel era o odio sem limites a sua propria nagao, o achincalhamento das suas 
grandezas, a profanagao da sua historia, o enlameamento dos seus grandes homens. 

Essa revolta contra a sua propria especie, contra a sua propria casa, contra o seu proprio torrao 
natal, era sem sentido, inconcebivel e contra a natureza. 

Durante dias, no maximo semanas, conseguia-se livra-los desse erro Quando, mais tarde, 
encontravamos o pretenso convertido, ja os antigos erros de novo se haviam apoderado de seu 
espirito. A monstruosidade tinha tomado posse de sua vitima. 

Pouco a pouco, compreendi que a imprensa social-democratica era, na sua grande maioria, 
controlada pelos judeus. Liguei pouca importancia a esse fato que, alias, se verificava com os 
outros jornais. Havia, porem, um fato significativo: nenhum jornal em que os judeus tinham ligagoes 
poderia ser considerado como genuinamente nacional, no sentido em que eu, por influencia de 
minha educagao, entendia essa palavra. 

Vencendo a minha relutancia, tentei ler essa especie de imprensa marxista, mas a repulsa por 
ela crescia cada vez mais. Esforcei-me por conhecer mais de perto os autores dessa maroteira e 
verifiquei que, a comegar pelos editores, todos eram judeus. 

Examinei todos os panfletos sociais-democraticos que pude conseguir e, invariavelmente, 
cheguei a mesma conclusao: todos os editores eram judeus. Tomei nota dos nomes de quase 
todos OS lideres e, na sua grande maioria, eram do "povo escolhido", quer se tratasse de membros 
do "Reichscrat", de secretarios dos sindicatos, de presidentes de associagoes ou de agitadores de 
rua. Em todos encontravam-se sempre a mesma sinistra figura do judeu. Qs nomes de Austerlitz, 
David, Adier, Ellenbogen etc., ficarao eternamente na minha memoria. 

Uma coisa tornou-se clara para mim. Qs lideres do Partido Social Democrata, com os pequenos 
elementos do qual eu tinha estado em luta durante meses, eram quase todos pertencentes a uma 
raga estrangeira, pois para minha satisfagao intima, convenci-me de que o judeu nao era alemao. 
So entao compreendi quais eram os corruptores do povo. 

Um ano de estadia em Viena tinha sido suficiente para dar-me a certeza de que nenhum 
trabalhador deveria persistir na teimosia de nao se preocupar com a aquisigao de um 
conhecimento mais certo das condigoes socials. Pouco a pouco, familiarizei-me com a sua doutrina 



e dela me utilizava como instrumento para a formagao de minhas convicgoes intimas. 

Quase sempre a vitoria se decidia para o meu lado. 

Todo esforgo devia ser tentado para salvar as massas, ainda com grandes sacrificios de tempo 
e de paciencia. 

Do lado dos judeus nenhuma esperanga havia, porem, de liberta-los de um modo de encarar as 
coisas. 

Nesse tempo, na minha ingenuidade de jovem, acreditei poder evidenciar os erros da sua 
doutrina. No pequeno circulo em que agia, esforgava-me, por todos os meios ao meu alcance, por 
convence-los da perniciosidade dos erros do marxismo e pensava atingir esse objetivo, mas o 
contrario e o que acontecia sempre. Parecia que o exame cada vez mais profundo da atuagao 
deleteria das teorias socials democratlcas nas suas apllcagoes servia apenas para tornar aInda 
mals firmes as declsoes dos judeus. 

Quanto mals eu contendia com eles, melhor aprendia a sua dialetlca. Partlam eles da crenga na 
estupldez dos seus adversarlos e quando Isso nao dava resultado finglam-se eles mesmos de 
estupldos. Se falhavam esses recursos, eles se recusavam a entender o que se Ihes dizia e, de 
repente, pulavam para outro assunto, saiam-se com verdadelros trulsmos que, uma vez aceltos, 
tratavam de apllcar em casos Intelramente diferentes. Entao quando, de novo, eram apanhados no 
proprlo terreno que Ihes era familiar, finglam fraqueza e alegavam nao possuir conheclmentos 
preclosos. 

Por onde quer que se pegassem esses apostolos, eles escapullam como engulas das maos dos 
adversarlos. Quando, um deles, na presenga de varlos observadores, era derrotado tao 
completamente que nao tinha outra saida senao concordar, e que se pensava haver dado um 
passo para a frente, experlmentava-se a decepgao de, no dia segulnte, ver o adversarlo admlrado 
de que assim se pensasse. O judeu esquecia Intelramente o que se Ihe havIa dito na vespera e 
repetia os mesmos antlgos absurdos, como se nada, absolutamente nada, houvesse acontecldo. 
FIngla-se encolerlzado, surpreendldo e, sobretudo, esquecldo de tudo, exceto de que o debate 
tInha termlnado por evidenciar a verdade de suas aflrmagoes. 

Eu ficava pasmo. 

Nao se sabia o que mals admlrar, se a sua loquacldade, se o seu talento na arte de mentlr. 

Gradualmente comecel a odia-los. 

Tudo Isso tInha, porem, um lado bom. Nos cfrculos em que os adeptos, ou pelo menos os 
propagadores da soclal-democracia, caiam sob as minhas vistas, crescia o meu amor pelo meu 
proprlo povo. 

Quem poderia honestamente anatematlzar as Infellzes vitlmas desses corruptores do povo, 
depols de conhecer-lhes as diabollcas habllldades? 

Como era dificll, ate mesmo a mim, domlnar a dialetlca de mentlras dessa raga! 

Quao Impossivel era qualquer exito nas discussoes com homens que Invertem todas as 
verdades, que negam descaradamente o argumento aInda ha pouco apresentado para, no minuto 
segulnte, relvlndlca-lo para si! 

Quanto mals eu me aprofundava no conheclmento da psicologia dos judeus, mals me via na 
obrlgagao de perdoar aos trabalhadores. 

Aos meus olhos, a culpa malor nao deve recair sobre os operarlos mas sIm sobre todos aqueles 
que acham nao valer a pena compadecer-se da sua sorte, com estrlta justlga dar aos fllhos do 
povo que Ihes e devldo, mas poupar os que os desencamlnham e corrompem. 

Levado pelas llgoes da experlencia de todos os dias, comecel a pesqulsar as fontes da doutrina 
marxista. Em casos Individuals, a sua atuagao me parecia clara. DIarlamente, eu observava os 
seus progressos e, com um pouco de Imaglnagao, podia avallar as suas conseqiJenclas. A Unica 
questao a examlnar era saber se os seus fundadores tinham presente no espirlto todos os 
resultados de sua Invengao ou se eles mesmos eram vitlmas de um erro. 

As duas hipoteses me pareclam possivels. 

No primeiro caso, era dever de todo ser pensante colocar-se a frente da reagao contra esse 
desgragado movlmento, para evitar que chegasse as suas extremas conseqiJenclas; na segunda 
hipotese, os criadores dessa epidemla coletlva deverlam ter sido espirltos verdadelramente 
diabollcos, pols so um cerebro de monstro - e nao o de um homem - poderia aceltar o piano de 
uma organlzagao de tal porte, cujo objetivo final conduzira a destrulgao da cultura humana e a 
ruina do mundo. 



Nesse ultimo caso, a solugao que se impunha, como ultima tabua de salvagao, era a luta com 
todas as armas que pudesse abragar a razao e a vontade dos homens, mesmo se a sorte do 
combate fosse duvidosa. 

Assim comecei a entrar em contato com os fundadores da doutrina a fim de poder estudar os 
principios em que se fundava o movimento marxista. Consegui esse objetivo mais depressa do que 
me seria licito supor, devido aos conhecimentos que possuia sobre a questao semitica, embora 
ainda nao muito profundos. Essa circunstancia tornou possivel uma comparagao pratica entre as 
realidades do mesmo e as reivindicagoes teoricas da social-democracia, que tanto me tinha 
auxiliado a entender os metodos verbals do povo judeu, cuja principal preocupagao e ocultar ou 
pelo menos dlsfargar os seus pensamentos. Seu objetivo real nao esta expresso nas llnhas mas 
oculto nas entrellnhas. 

Fol por esse tempo que se operou em mim a malor modlflcagao de Idelas que devia 
experlmentar. De Inoperante cidadao do mundo passel a ser um fanatico antl-semlta. Mais uma vez 
aInda - e agora pela ultima vez - pensamentos sombrlos me arrastavam ao desanlmo. 

Durante meus estudos sobre a Influencia da nagao judaica, atraves de longos periodos da 
historia da civlllzagao, o tetrico problema se armou diante de mIm nao teria Inescrutavel destino, 
por motlvos Ignorados por nos, pobres mortals, decretado a vltoria final dessa pequena nagao? 

A esse povo nao terIa sido destlnado o dominio da Terra como uma recompensa? 

A proporgao que me aprofundava no conheclmento da doutrina marxista e me esforgava por ter 
uma Idela mals clara das atlvldades do marxismo, os proprlos aconteclmentos se encarregavam de 
dar uma resposta aquelas duvldas. 

A doutrina judaica do marxismo repele o principio arlstocratico na natureza. Contra o privlleglo 
eterno do poder e da forga do Indlviduo levanta o poder das massas e o peso-morto do numero. 
Nega o valor do Indlviduo, combate a Importancia das naclonalldades e das ragas, anulando assIm 
na humanldade a razao de sua existencia e de sua cultura. Por essa maneira de encarar o 
unlverso, conduzlria a humanldade a abandonar qualquer nogao de ordem. E como nesse grande 
organlsmo, so o caos poderia resultar da apllcagao desses principios, a ruina serIa o desfecho final 
para todos os habltantes da Terra. 

Se judeu, com o auxlllo do seu credo marxista, conqulstar as nagoes do mundo, a sua coroa 
de vltorlas sera a coroa mortuaria da raga humana e, entao, o planeta vazio de homens, mals uma 
vez, como ha mllhoes de anos, errara pelo eter. 

A natureza sempre se vinga Inexoravelmente de todas as usurpagoes contra o seu domfnio. 

Por Isso, acredlto agora que ajo de acordo com as prescrlgoes do Criador Onlpotente. Lutando 
contra o judaismo, estou reallzando a obra de Deus. 

CAPITULO III - REFLEXOES GERAIS SOBRE A POLITICA DA EPOCA DE 
MINHAESTADAEM VIENA 

Estou convencldo de que, a menos que se trate de Indlviduos dotados de dons excepclonals, o 
homem, em geral, nao se deve ocupar, publlcamente, de politica, antes dos trinta anos de Idade. 
Nao deve, porque so entao se reallza, o mals das vezes, a formagao de uma base de Idelas, de 
acordo com a qual, ele examlna os diferentes problemas politlcos e determlna a sua atltude 
deflnltlva em relagao aos mesmos. So depols de adqulrlr uma tal concepgao fundamental e de 
alcangar, por melo dela, firmeza no- modo de encarar as questoes partlculares do seu tempo, deve 
ou pode homem, Intelectualmente amadurecldo, tomar parte na diregao da colsa publlca. 

A nao ser assIm, corre ele o perlgo de um dia mudar de atltude sobre questoes essenclals ou, 
contra as suas Idelas e sentlmentos, permanecer flel a uma maneira de ver desde multo tempo 
repellda pela sua razao, pelas suas convlcgoes. O primeiro caso, e, para o Indlvfduo pessoalmente 
doloroso, porque, quem vaclla nao tem mals o direlto de esperar que a fe de seus adeptos tenha a 
Inabalavel firmeza que dantes tInha; e, para os seus dirlgldos, a fraqueza do chefe sempre se 
traduz em perplexidade e nao raro no sentlmento de um certo vexame em face daqueles que ate 
entao combatlam. Em segundo lugar, sobrevem o que. sobretudo hoje, e multo frequente: a 
medlda que o chefe nao da mals credlto ao que ele proprlo disse, a sua defesa torna-se mals fraca 
e, por Isso mesmo, vulgar quanto a escoiha dos melos. Ao passo que ele proprlo nao pensa mals 
em defender os seus pontes de vista politlcos (ninguem morre por aqullo em que nao ere), as suas 
exigenclas junto aos seus partldarlos, tornam-se proporclonalmente cada vez mals Imprudentes ate 



que, afinal, ele sacrifica as suas ultimas qualidades de chefe para converter-se num "politico", isto 
e, nesse tipo de homem cujo unico sentimento verdadeiro e a falta de sentimento, ao lado de uma 
arrogante impertinencia e uma descarada arte de mentir. 

Se, por infelicidade dos homens decentes, um sujeito desses chega ao Parlamento, deve saber- 
se desde logo que, para ele, a essencia da politica consiste apenas numa luta heroica pela posse 
duradoura de uma "mamadeira" para si e para a sua familia. Quanto mais dependam dele mulher e 
filhos, tanto mais aferradamente lutara pelo seu mandato. Qualquer outro homem de verdadeiros 
instintos politicos e, por isso mesmo, seu inimigo pessoal. Em qualquer novo movimento, fareja ele 
possivel comego do fim de sua carreira, e em cada homem superior a probabilidade de um perigo 
que ameaga. 

Adiante, falarei mais detalhadamente dessa especie de percevejos parlamentares. 

O homem de trinta anos ainda tera de aprender muito, no curso de sua vida, mas isso sera 
apenas o complemento e acabamento do quadro doutrinario tragado pela concepgao por ele ja 
aceita. Para ele, aprender nao e mais mudar de metodo, mas enriquecer os seus conhecimentos; e 
seus partidarios nao terao de suportar a angustia de ate entao terem recebido dele ensinamentos 
erroneos, mas, ao contrario, a evidente evolugao do chefe Ihes dara satisfagao, porque o que este 
aprende significa o aprofundamento da doutrina deles. E isso e uma prova da justeza de suas 
intuigoes. 

Um chefe politico que se vir na contingencia de abandonar as suas ideias, reconhecendo-as 
como falsas, so procedera com decencia se, ao reconhecer a falsidade das mesmas, estiver 
disposto a ir ate as ultimas conseqGencias. Em tal caso, deve, no minimo, renunciar ao exercicio 
publico de uma futura atividade politica. Porque, tendo admitido o reconhecimento de um erro 
fundamental, flea aberta a possibilidade de uma segunda descaida. De modo algum, pode mais 
pretender ou exigir a confianga de seus concidadaos. 

Atesta quao pouco se atende hoje a esse decoro a vileza da canaiha que, - por vezes, se julga 
chamada a "fazer" politica. 

Da regra geral quase ninguem escapa. 

Outrora, sempre me abstive de ingressar publicamente na vida publica, se bem que sempre me 
tivesse preocupado com a politica, mais que muitos outros. So a circulos restritos falava eu do que 
me impelia ou atraia. E o falar em pequenos grupos tinha, em si, de certo modo, muita utilidade. No 
minimo, eu aprendia a "falar" e com isso a conhecer os homens nas maneiras de ver e de objetar, 
as vezes extremamente simplistas. Assim, sem perder tempo nem oportunidade, aperfeigoava o 
meu espirito. A ocasiao era, nesse tempo, em Viena, mais favoravel do que em qualquer parte da 
Alemanha. 

As ideias politicas em voga, na veiha Monarquia do Danubio, eram de mais interesses que na 
veiha Alemanha da mesma epoca, exceto em parte da Prussia, em Hamburgo e nas costas do Mar 
do Norte. Sob a denominagao de "Austria" entendo nesse caso, o dominio do grande Imperio dos 
Habsburgos, em que a populagao alema era, sob todos os aspectos, nao somente o motivo 
historico da formagao daquele Estado, mas a forga que, por si so, durante seculos, tornara possivel 
a formagao cultural do pais. Quanto mais o tempo passava, mais dependiam da conservagao 
dessa "celula mater" a estabilidade e o futuro daquele Estado. 

Os velhos dominios hereditarios eram o coragao do Imperio, que sempre fornecia sangue fresco 
a circulagao da vida do Estado e da sua cultura. Viena era, entao, ao mesmo tempo, cerebro e 
vontade. 

So pelo seu aspecto exterior, Viena se impunha como a rainha daquele conglomerado de 
povos. A magnificencia de sua beleza fazia esquecer o que all havia de mau. 

Por mais violentamente que palpitasse o Imperio, no interior, em sangrentas lutas das diferentes 
ragas, o estrangeiro e, em particular, os alemaes, so viam, na Austria, a imagem agradavel de 
Viena. Maior ainda era a ilusao porque, a esse tempo, Viena parecia ter atingido a sua fase de 
maior prosperidade. Sob o governo de um burgomestre verdadeiramente genial, despertava a 
veneravel residencia do soberano do velho Imperio, mais uma vez, para uma vida maravilhosa. O 
ultimo grande alemao, o criador do povo de colonizadores da fronteira oriental, nao era tido 
oficialmente entre os chamados "estadistas". O Dr. Lueger, tendo prestado inauditos servigos como 
burgomestre da "cabega do Estado" e "cidade residencia" (Viena), fazendo-a progredir, como por 
encanto, em todos os dominios economicos e culturais, fortalecera o coragao do Imperio, tornando- 
se assim, indiretamente, maior estadista que todos os "diplomatas" de entao reunidos. 



Se aglomerado de povos a que se da o nome de "Austria" fracassou, isso nada quer dizer 
contra a capacidade politica do germanismo na antiga fronteira oriental, mas e o resultado forgado 
da impossibilidade em que se encontravam dez milhoes de individuos de conservarem 
duradouramente um Estado de diferentes ragas com cinquenta milhoes de habitantes, a nao ser 
que ocorressem na ocasiao oportuna determinadas circunstancias favoraveis. 

O alemao austriaco teve que enfrentar um problema acima das suas possibilidades. Ele sempre 
se acostumou a viver no quadro de um grande Estado e nunca perdeu o sentimento inerente a sua 
missao historica. Era o unico, naquele Estado, que, alem das fronteiras do apertado dominio da 
coroa, via ainda as fronteiras do Imperio. Quando, afinal o destino o separou da patria comum, ele 
tentou tomar a si a grandiosa tareia de tornar se senhor e conservar o germanismo que seus pais, 
outrora, em infindos combates, haviam imposto ao leste. A proposito, convem nao esquecer que 
isso aconteceu com forgas divididas, pois, no espirito dos melhores descendentes da raga alema, 
nunca cessou a recordagao da - patria comum de que a Austria era uma parte. 

O horizonte geral do alemao-austriaco era proporcionalmente mais amplo. As suas relagoes 
economicas abrangiam quase todo o multiforme Imperio. Quase todas as empresas 
verdadeiramente grandes se achavam em suas maos e o pessoal dirigente, tecnicos e 
funcionarios, era na maior parte colocado por ele. Era tambem o detentor do comercio exterior em 
tudo que o judaismo ainda nao havia posto a mao, nesse campo de suas preferencias. So o 
alemao conservava o Estado politicamente unido. Ja o servigo militar o punha fora do lar. O recruta 
alemao austriaco ingressaria talvez, de preferencia, num regimento alemao, mas o regimento 
poderia estar tanto na Herzegovina como em Viena ou na Galicia. o corpo de oficiais era sempre 
alemao, prevalecendo sobre o alto funcionalismo. Alemas, finalmente, eram a arte e a ciencia. 
Abstragao feita do "kitsch" que e o novo processo na Arte, cuja produgao podia ser sem duvida 
tambem de um povo de negros, era so o alemao o possuidor e vulgarizador do verdadeiro 
sentimento artistico. Em musica, literatura, escultura e pintura, era Viena a fonte que 
inesgotavelmente abastecia, sem cessar, toda a dupla monarquia. 

O germanismo era enfim o detentor de toda a politica externa, abs. traindo-se um pouco da 
Hungria. 

Portanto, era va toda tentativa de conservar o Imperio, Visto faltar, para isso, a condigao 
essencial. 

Para o Estado de povos austriacos so havia uma possibilidade: veneer as forgas centrifugas 
das diferentes ragas. O Estado, ou tornava-se central e interiormente organizado, ou nao podia 
existir. 

Em varios momentos de lucidez nacional, essa ideia chegou as "altissimas" esferas, para logo 
ser esquecida ou ser posta de lado por inexequivel. Todo pensamento de um reforgo da 
Federagao, forgosamente teria de fracassar em conseqiJencia da falta de um nucleo estatal de 
forga predominante. A isso acrescentem-se as condigoes intrinsecamente diferentes do Estado 
austrfaco em face do Imperio alemao, segundo o conceito de Bismarck. - Na Alemanha tratava-se 
apenas de veneer as tradigoes polfticas, pois sempre houve uma base comum cultural. Antes de 
tudo, possufa Reich, a excegao de pequenos fragmentos estranhos, um povo unico. 

Inversa era a situagao da Austria. 

La a recordagao da propria grandeza, em cada raga, desapareceu inteiramente ou foi apagada 
pela esponja do tempo ou pelo menos tornou-se confusa e indistinta. Por isso, desenvolveram-se, 
entao, na era dos principios nacionalistas, as forgas racistas. Vence-las tornava-se relativamente 
mais dificil, visto que, a margem da monarquia, comegaram a formar-se Estados nacionais, cujos - 
povos, racialmente aparentados ou iguais as nagoes desmembradas, podiam exercer mais forga 
de atragao, ao contrario do que acontecia com o austro-alemao. 

A propria Viena nao podia resistir por muito tempo a essa luta. 

Com desenvolvimento de Budapeste, que se tornou grande cidade tinha ela, pela primeira 
vez, uma rival, cuja missao nao era mais a concentragao de toda a monarquia, mas antes o 
fortalecimento de uma parte da mesma. Dentro de pouco tempo, Praga seguiu o exempio e depois 
Lemberg, Laibach, etc. Com a elevagao dessas cidades, outrora provincianas, a metropoles 
nacionais, formaram se nucleos culturais mais ou menos independentes. E dai as tendencias 
nacionalistas das diferentes ragas. Assim devia aproximar-se o momento em que as forgas 
motrizes desses Estados seriam mais poderosas que a forga dos interesses comuns e, entao, 
extinguir-se-ia a Austria. 



Essa evolugao tomou feigao definida depois da morte de Jose II, dependendo a sua rapidez de 
uma serie de fatores em parte inerentes a propria monarquia, mas que por outro lado eram o 
resultado da atitude do Reich na politica internacional de entao. 

Se se pretendesse seriamente admitir a possibilidade da conservagao daquele Estado e lutar 
por ela, so se poderia ter por objetivo uma centralizagao absoluta e obstinada. Depois, primeiro 
que tudo, se devia acentuar, pela fixagao de uma Ifngua oficial una, a homogeneidade pura e 
formal, cuja diregao, porem, deteria nas maos os expedientes tecnicos, pois sem isso nao pode 
subsistir um Estado uno. Depois, com o tempo, tratar-se-ia de desenvolver um sentimento nacional 
uno, por meio das escolas e da instrugao. Isso nao se alcangaria em dez ou vinte anos, mas em 
seculos, pois em todas as questoes de colonizagao a pertinacia vale mais que a energia do 
momento. 

Compreende-se, sem maiores explicagoes, que a administragao, bem como a diregao polftica, 
deveriam ser conduzidas com a mais rigorosa unidade de vistas. 

Era para mim imensamente instrutivo examinar porque isso nao aconteceu, ou melhor, porque 
nao se fez isso. O culpado por essa omissao foi o culpado pelo desmoronamento do Reich. 

Mais que qualquer outro Estado estava a antiga Austria dependente da inteligencia dos seus 
guias. A ela faltava o fundamento do Estado nacional, que possui, na base racista, sempre uma 
forga de conservagao. 

O Estado racionalmente uno pode suportar a natural inercia de seus habitantes (e a forga de 
resistencia a ela inerente), a pior administragao, a pior diregao, por periodos de tempo 
espantosamente longos, sem por isso subverter-se. Muitas vezes, tem-se a impressao de que em 
tal corpo nao ha mais vida, e como se estivesse morto e bem morto. De repente, o suposto 
cadaver se levanta e da aos homens surpreendentes sinais de sua forga vital. 

Assim nao acontece com um Estado composto de ragas diferentes, mantido, nao pelo sangue 
comum, mas por um so pulso. Nesse caso, qualquer fraqueza na diregao pode nao so conduzir o 
Estado a estagnagao como dar causa ao despertar dos instintos individuals, que sempre existem, 
sem que em tempo oportuno possa exercer-se uma vontade predominante. So por via de uma 
educagao comum, durante seculos, por uma tradigao comum, por interesses comuns, pode esse 
perigo ser atenuado. Por isso, tais formagoes estatais, quanto mais jovens, mais dependentes sao 
da superioridade da diregao; e quando sao obras de homens violentos ou de herois espirituais, 
logo desaparecem apos a morte de seu grande fundador. Mas, mesmo depois de seculos, esses 
perigos nao devem ser considerados como vencidos; apenas adormecem, para, as vezes, 
despertarem de repente, quando a fraqueza da diregao comum e a forga da educagao e a 
sublimidade de todas as tradigoes nao podem mais dominar o impulso da propria vitalidade das 
diferentes ragas. 

Nao ter compreendido isso e talvez a culpa, de tao tragicas conseqiJencias, da casa dos 
Habsburgos. 

So a um deles o destino apresentou o fanal, que logo depois se apagou para sempre, do 
destino da sua patria. 

Jose II, imperador catolico-romano, viu, angustiosamente, que, um dia, no redemoinho de uma 
Babilonia de povos que se comprimiam a fronteira do Imperio, desapareceria a sua Casa, a nao 
ser que, a ultima hora, fossem sanados os descuidos dos antepassados. Com sobre-humana 
forga, o "amigo dos homens" tentou remediar a negligencia de seus antecessores e procurou 
recuperar em decadas o que se havia perdido em seculos. Se para a realizagao de sua obra, ao 
menos duas geragoes, depois dele, tivessem continuado, com o mesmo afinco, a tarefa iniciada, 
provavelmente se teria realizado o milagre. Mas quando, apos dez anos de governo, faleceu, 
exausto de corpo e de espirito, com ele caiu a sua obra no tumulo, para nao mais despertar, para 
adormecer para sempre na sepultura. 

Os seus sucessores nao estavam a altura da tarefa, nem pela inteligencia, nem pela energia. 

Quando, atraves da Europa, flamejavam os primeiros sinais da tempestade revolucionaria, 
comegou tambem a Austria a pegar fogo, pouco a pouco. Quando, porem, o incendio irrompeu 
afinal, ja a fogueira era atigada menos por causas socials ou politicas que por forgas impulsoras de 
origem racial. 

Em outra parte qualquer, a revolugao de 1 848 podia ser uma luta de classes, mas na Austria ja 
era o comego de um novo conflito racial. Quando o alemao daquele tempo, esquecendo ou nao 
reconhecendo essa origem, se colocava a servigo da sublevagao revolucionaria, tragava ele 



proprio seu destine. Com isso auxiliava o despertar do espirito da democracia ocidental, que, 
dentro de pouco tempo, teria de subverter-se-Ihe a base da propria existencia. 

Com a formagao de um corpo representativo parlamentar, sem o previo estabelecimento e 
fixagao de uma lingua oficial, foi colocada a pedra fundamental do fim do dominio do germanismo 
na monarquia dos Habsburgos. Desde esse momento, estava perdido tambem o proprio Estado. O 
que se seguiu foi apenas a liquidagao historica de um Imperio. 

Era tao comovente quao instrutivo acompanhar essa decomposigao. Sob milhares de formas 
realizava-se aos poucos a execugao dessa sentenga historica. O fato de que parte dos homens se 
agitava as cegas atraves dos acontecimentos prova apenas que estava na vontade dos deuses o 
aniquilamento da Austria. 

Nao desejo perder me aqui em minucias, pois esse nao e o fim deste livro. Apenas quero incluir 
no quadro geral de uma observagao aqueles acontecimentos que, como causas sempre invariaveis 
da decadencia de povos e Estados, tambem tem significagao para o nosso tempo e finalmente se 
fazem sentir, em apoio dos fundamentos de meu pensamento politico. 

Entre as instituigoes que, aos olhos mesmo pouco perspicazes do cidadao comum, mais 
claramente podiam - mostrar a decomposigao da monarquia austriaca, estava, em primeiro lugar, 
aquela que parecia dever procurar na forga a razao de sua propria existencia, isto e, o Parlamento 
ou, como se dizia na Austria, o Conselho do Imperio ("Reichsrat"). 

Evidentemente, o modelo dessa corporagao encontrava-se na Inglaterra, o pafs da 
"democracia" classica. De la transportaram essa maldita instituigao e estabeleceram-na em Viena, 
tanto quanto possivel sem modifica-la. 

Na Abgeordnetenhaus e na Herrenhaus, o sistema bicameral ingles festejava a sua 
ressurreigao. As "casas" eram, porem, algo diferentes. Quando, outrora, Barry fez surgir das ondas 
do Tamisa o seu palacio do Parlamento, mergulhou na Historia do Imperio Britanico e retirou dela 
ornatos para os 1200 nichos, consolos e colunas de sua monumental construgao. Assim as 
Camaras dos Comuns e dos Lordes se tornaram, pelas suas esculturas e pinturas, o tempio da 
gloria nacional. 

Ai surgiu a primeira dificuldade para Viena. Quando o dinamarques Hansen acabava de colocar 
a ultima cumeeira da casa de marmore para os novos representantes do povo, so Ihe restava, para 
decoragao, recorrer a emprestimos a arte classica. Os estadistas e filosofos gregos e romanos 
embelezaram esse teatro da "democracia ocidental" e, com ironia simbolica, avangam sobre as 
duas casas quadrigas em diregao aos quatros pontos cardeais, expressando melhor, dessa 
maneira, as tendencias divergentes entao existentes no interior. 

As varias ragas tomariam como ofensa e provocagao que nessa obra se glorificasse a Historia 
da Austria, exatamente como no imperio Alemao foi preciso vir o ribombar das batalhas da guerra 
mundial para que se ousasse consagrar ao povo alemao a obra de Wallot - o Reichstag. 

Quando, com menos de 20 anos de idade, penetrei no majestoso palacio de Franzensring, para 
assistir, como ouvinte e espectador a uma sessao da Camara dos Deputados, senti-me possuido 
dos mais desencontrados sentimentos. 

Sempre odiei o Parlamento, mas nao a instituigao em si. Ao contrario, como homem de 
sentimentos liberals, eu nao podia imaginar outra possibilidade de governo, pois a ideia de 
qualquer ditadura, dada a minha atitude em relagao a casa dos Habsburgos, seria considerada um 
crime contra a liberdade e contra a razao. 

Nao pouco contribuiu para isso uma certa admiragao pelo Parlamento ingles, que adquiri 
insensivelmente, devido a abundante leitura de jornais de minha juventude - admiragao que nao 
poderia perder facilmente. Causava-me enorme impressao a gravidade com que a Camara dos 
Comuns cumpria a sua missao (como de maneira tao atraente costuma descrever a nossa 
imprensa). Poderia haver uma forma mais elevada de self .government de um povo? 

Justamente por isso e que eu era um inimigo do Parlamento austriaco. Considerava a sua 
forma de atuagao indigna do grande modelo. Alem disso, acrescia o seguinte: 

Q destino do germanismo (Deutschtum) no Estado Austriaco dependia de sua posigao no 
Reichsrot. Ate a introdugao do sufragio universal e secreto, os alemaes, no Parlamento, estavam 
em maioria, embora pequena. Ja esse estado de coisas era grave, pois nao merecendo a social- 
democracia a confianga nacional, esta, para nao afugentar os adeptos nao alemaes, era sempre, 
nas questoes criticas referentes ao germanismo, contraria as aspiragoes alemas. Ja naquela 
epoca a social-democracia nao podia ser considerada um partido alemao. Com a introdugao do 



sufragio universal cessou a supremacia alema, numericamente falando. Nao havia, pois, nenhum 
empecilho no caminho da futura desgermanizagao do Estado. 

Ja naquele tempo, o instinto de conservagao nacional fazia com que eu me sentisse pouco 
inclinado pela representagao popular, na qual a raga alema, em vez de ser representada, era 
sempre traida. Entretanto, esses defeitos, como muitos outros, nao deviam ser atribuidos ao 
sistema em si, mas ao Estado austriaco. Eu pensava outrora que, com o restabelecimento da 
maioria alema, nos corpos representativos, nao haveria mais necessidade de uma atitude 
doutrinaria contra aquela instituigao,. enquanto perdurasse o velho Estado austriaco. 

Com essa disposigao interior entrei pela primeira vez nos tao sagrados quao disputados saloes. 
E verdade que para mim eles so eram sagrados devido a beleza da magnifica construgao. Uma 
obra-prima helenica em terra alema. 

Mas, dentro de pouco tempo, sentia verdadeira indignagao ao assistir ao lamentavel espetaculo 
que se desenrolava ante meus olhos. 

Estavam presentes centenas desses representantes do povo, que tinham de tomar atitude 
sobre uma questao de importancia economica. 

Bastou para mim esse primeiro dia para fazer refletir durante semanas e semanas sobre a 
situagao. 

O conteudo mental do que se discutia era de uma "elevagao" deprimente, a julgar pelo que se 
podia compreender do falatorio, pois alguns deputados nao falavam alemao e, sim linguas eslavas, 
ou melhor, seus dialetos. O que, ate entao, so conhecia atraves da leitura de jornais, tinha agora 
oportunidade de ouvir com os meus proprios ouvidos. Era uma massa agitada que gesticulava e 
gritava em todos os tons. Um velhote inofensivo se esforgava, suando por todos os poros, para 
restabelecer a dignidade da casa, agitando uma campainha, ora falando com benevolencia, ora 
ameagando. 

Tive de rir. 

Algumas semanas mais tarde, tornei a aparecer na Camara. O quadro estava mudado a ponto 
de nao ser reconhecido. A sala completamente vazia. Dormia-se la em baixo. Alguns deputados se 
encontravam em seus lugares e bocejavam. Um deles "falava". Estava presente um vice 
presidente da Camara, o qual, visivelmente aborrecido, percorria a sala com os olhos. 

Surgiram-me as primeiras duvidas. Cada vez que se me oferecia uma oportunidade, corria para 
la. e observava silenciosa e atentamente o quadro, ouvia os discursos, sempre que podia 
compreende-los, estudava as fisionomias mais ou menos inteligentes desses eleitos das ragas 
daquele triste Estado e, aos poucos, fazia as minhas proprias reflexoes. 

Bastou um ano dessa calma observagao para modificar ou afastar definitivamente o meu juizo 
sobre o carater dessa instituigao. No meu intimo ja tinha tomado atitude contra a forma adulterada 
que essa instituigao tomava na Austria. Ja nao podia mais aceitar o Parlamento em si. Ate entao 
eu vira o insucesso do Parlamento austriaco na falta de uma maioria alema: agora, porem, eu 
reconhecia a fatalidade na essencia e carater dessa instituigao. 

Naquela ocasiao apresentou-se-me uma serie de questoes. Comecei a familiarizar-me com o 
princfpio da resolugao por maioria como base de toda a Democracia. Entretanto, nao dispensava 
menor atengao aos valores mentals e morals dos cavalheiros que, como eleitos do povo, deviam 
servir a esse desideratum.. 

Aprendi assim a conhecer ao mesmo tempo a instituigao e os seus representantes. 

No decurso de alguns anos, desenvolveu-se em minha mente o tipo plasticamente claro do 
fenomeno mais respeitavel dos nossos tempos, o homem parlamentar. Comegou-se a gravar de tal 
forma em minha memoria, que nao sofreu modificagao essencial dai por diante. 

Desta vez tambem o ensino intuitivo da realidade pratica evitou que eu aceitasse uma teoria 
que, a primeira vista, tao sedutora parece a muitos e que, entretanto, deve ser contada entre os 
sinais de decadencia da humanidade. 

A atual Democracia do ocidente e a precursora do marxismo, que sem ela seria inconcebivel 
Ela oferece um terreno propicio, no qual consegue desenvolver-se a epidemia. Na sua expressao 
externa - o parlamentarismo - apareceu como um mostrengo "de lama e de fogo", no qual, a pesar 
meu, fogo parece ter-se consumido depressa demais. Sou muito grato ao destino por ter-me 
apresentado essa questao a exame, anteriormente em Viena, pois cismo que, na Alemanha, nao 
poderia te-la resolvido tao facilmente. Se eu tivesse reconhecido em Berlim, pela primeira vez, o 
absurdo dessa instituigao chamada Parlamento, teria talvez caldo no extremo oposto e, sem 



aparente boa razao, talvez me tivesse enfileirado entre aqueles a cujos olhos o bem do povo e do 
Imperio esta na exaltagao da ideia imperial e que assim se poem, cegamente, em oposigao a 
humanidade e ao seu tempo. 

Isso seria impossivel na Austria. 

La nao era tao facil cair de um erro no outro. Se o Parlamento nada valia, menos ainda valiam 
OS Habsburgos. La a rejeigao do parlamentarismo, por si so, nao resolveria nada, pois ficaria de pe 
a pergunta: e depois? A eliminagao do Reichsrat deixaria ficar, como unico poder governamental, a 
casa dos Habsburgos, - ideia que se me afigurava intoleravel. 

A dificuldade desse caso particular conduziu-me a estudar o problema de maneira mais 
profunda do que, de outra forma, teria feito em tao verdes anos. 

O que mais que tudo e com mais insistencia me fazia refletir no exame do parlamentarismo era 
a falta evidente de qualquer responsabilidade individual dos seus membros. 

O Parlamento toma qualquer decisao - mesmo as de consequencias mais funestas - e ninguem 
e por ela responsavel, nem e chamado a prestar contas. 

Pode-se, porventura, falar em responsabilidade, quando, apos um colapso sem precedentes, o 
governo pede demissao, quando a coalizao se modifica, ou mesmo o Parlamento se dissolve? 

Podera, por acaso, uma maioria hesitante de homens ser jamais responsabilizada? 

Nao esta todo conceito de responsabilidade intimamente ligado a personalidade? Pode-se, 
na pratica, responsabilizar o dirigente de um governo pelos atos cuja existencia e execugao devem 
ser levadas a conta da vontade e do arbitrio de um grande grupo de homens? 

Porventura consistira a tarefa do estadista dirigente nao tanto em produzir um pensamento 
criador, um programa, como na arte com que torna compreensivel a natureza de seus pianos a um 
estupido rebanho, com o fim de implorar-Ihe o final assentimento? Pode ser criterio de um estadista 
que ele deva ser tao forte na arte de convencer como na habilidade politica da escoiha das 
grandes linhas de conduta ou de decisao? 

Esta provada a incapacidade de um dirigente pelo fato de nao conseguir ele ganhar, para uma 
determinada ideia, a maioria de uma aglomeragao reunida mais ou menos por simples acaso? 

Ja aconteceu que essas camaras compreendessem uma ideia antes que o exito se tornasse o 
proclamador da grandeza dessa mesma ideia? 

Toda agao genial neste mundo nao e um protesto do genio contra a inercia da massa? 

Que pode fazer o estadista que so consegue pela lisonja conquistar o favor desse aglomerado 
para os seus pianos? 

Deve ele comprar o apoio desses representantes do povo ou deve - em lace da tolice da 
execugao das tarefas consideradas vitals - retrair-se e permanecer inativo? 

Em tal caso, nao se da um conflito insoluvel entre a aceitagao desse estado de coisas e a 
decencia ou, melhor, a opiniao sincera. 

Onde esta o limite que separa o dever para com a coletividade e o compromisso da honra 
pessoal? 

Qualquer verdadeiro dirigente nao devera abster-se de degradar-se assim em aproveitador 
politico? 

E, inversamente, nao devera todo aproveitador estar destinado a "fazer" polftica, desde que a 
responsabilidade nao cabera, afinal, a ele, mas a massa intangfvel? 

Q principio da maioria parlamentar nao deve conduzir ao desaparecimento da unidade de 
diregao? 

Acreditamos, acaso, que o progresso neste mundo provenha da agao combinada de maiorias e 
nao de cerebros individuals? 

Qu pensa-se que, no futuro, podemos dispensar essa concepgao de cultura humana? 

Nao parece, ao contrario, que a competencia hoje seja mais necessaria do que nunca? 

Negando a autoridade do individuo e substituindo-a pela soma da massa presente em qualquer 
tempo, principio parlamentar do consentimento da maioria peca contra o principio basico da 
aristocracia da natureza; e, sob esse ponto de vista, o conceito do principio parlamentar sobre a 
nobreza nada tem a ver com a decadencia atual de nossa alta sociedade. 

Para um leitor de jornais judeus e dificil imaginar os mais que a Instituigao do controle 
democratico pelo parlamento ocasiona, a nao ser que ele tenha aprendido a pensar e a examinar o 
assunto com independencia. Ela e a causa principal da incrivel dominagao de toda a vida polftica 
justamente pelos elementos de menos valor. Quanto mais os verdadeiros chefes forem afastados 



das atividades politicas, que consistem principalmente, nao em trabalho criativo e produgao, mas 
no regatear e comprar os favores da maioria, tanto mais a atuagao politica descera ao nivel das 
mentalidades vulgares e tanto mais essas se sentirao atraidas para a vida publica. 

Quanto mais tacanlno for, hoje em dia, em espirito e saber, um tal mercador de couros, quanto 
mais Clara a sua propria intuigao Ihe fizer ver a sua triste figura, tanto mais louvara ele um sistema 
que nao Ihe exige a forga e o genio de um gigante, mas contenta-se com a astucia de um alcaide e 
chega mesmo a ver com melhores olhos essa especie de sapiencia que a de um Pericles. Alem 
disso, um palerma assim nao precisa atormentar-se com a responsabilidade de sua agao. Ele esta 
fundamentalmente isento dessa preocupagao, porque, qualquer que seja o resultado de suas 
tolices de estadista, sabe ele muito bem que, desde muito tempo, o seu fim esta escrito: um dia 
tera de ceder o lugar a um outro espirito tao grande quanto ele proprio. Uma das caracteristicas de 
tal decadencia e o fato de aumentar a quantidade de "grandes estadistas" a proporgao que se 
contrai a escala do valor individual. O valor pessoal tera de tornar-se menor a medida que crescer 
a sua dependencia de maiorias parlamentares, pois tanto os grandes espiritos recusarao ser 
esbirros de ignorantoes e tagarelas, como, inversamente, os representantes da maioria, isto e, da 
estupidez, nada mais odeiam que uma cabega que reflete. 

Sempre consola a uma assembleia de simplorios conselheiros municipals saber que tem a sua 
frente um chefe cuja sabedoria corresponde ao nivel dos presentes. Cada um tera o prazer de 
fazer brilhar, de tempos em tempos, uma faguiha de seu espirito; e, sobretudo, se Sancho pode 
ser chefe, por que nao o pode ser Martinho? 

Mas, ultimamente, essa invengao da democracia fez surgir uma qualidade que hoje se 
transformou em uma verdadeira vergonha, que e a covardia de grande parte de nossa chamada 
"lideranga". Que felicidade poder a gente esconder-se, em todas as verdadeiras decisoes de 
alguma importancia, por tras das chamadas maiorias! 

Veja-se a preocupagao de um desses salteadores politicos em obter a rogos o assentimento da 
maioria, garantindo-se a si e aos seus cumplices, para, em qualquer tempo, poder alienar a 
responsabilidade. E els ai uma das principals razoes por que essa especie de atividade politica e 
desprezivel e odiosa a todo homem de sentimentos decentes e, por. tanto, tambem de coragem, 
ao passo que atrai todos os caracteres miseraveis - aqueles que nao querem assumir a 
responsabilidade de suas agoes, mas antes procuram fugir-Ihe, nao passando de covardes pulhas. 
Desde que os dirigentes de uma nagao se componham de tais entes despreziveis, muito depressa 
virao as conseqiJencias. Ninguem tera mais a coragem de uma agao decisiva: toda desonra, por 
mais ignominiosa, sera aceita de preferencia a resolugao corajosa. Ninguem mais esta disposto a 
arriscar a sua pessoa e a sua cabega para executar uma decisao temeraria. 

Uma coisa nao se pode e nao se deve esquecer: a maioria jamais pode substituir o homem. Ela 
e sempre a advogada nao so da estupidez, mas tambem da covardia, e assim como cem tolos 
reunidos nao somam um sabio, uma decisao heroica nao e provavel que surja de um cento de 
covardes. 

Quanto menor for a responsabilidade de cada chefe individualmente, mais crescera o numero 
daqueles que se sentirao predestinados a colocar ao dispor da nagao as suas forgas imortais. Com 
impaciencia, esperarao que Ihes chegue a vez; eles formam em longa cauda e contam, com 
doloridos lamentos, o numero dos que esperam na sua frente e quase que calculam a hora quando 
possivelmente alcangarao o seu desiderato. Dai a ansia por toda mudanga nos cargos por eles 
cobigados e dai serem eles gratos a cada escandalo que Ihes abre mais uma vaga. Caso um deles 
nao queira recuar da posigao tomada, quase que sente isso como quebra de uma combinagao 
sagrada de solidariedade comum. Entao e que eles se tornam maldosos e nao sossegam 
enquanto o desavergonhado, finalmente vencido, nao poe o seu lugar novamente a disposigao de 
todos. Por isso mesmo, nao alcangara ele tao cedo essa posigao. Quando uma dessas criaturas e 
forgada a desistir do seu posto, procurara imediatamente intrometer-se de novo na fileira dos que 
estao na expectativa, a nao ser que o impega, entao, a gritaria e as injurias dos outros. 

Q resultado disso e a terrivel rapidez de mudanga nas mais altas posigoes e fungoes, em um 
Estado como o nosso, fato que e desfavoravel, de qualquer modo, e que freqiJentemente opera 
com efeitos absolutamente catastroficos, porque nao so o estupido e o incapaz sao vitimados por 
esses metodos de proceder, mas mesmo os verdadeiros chefes, se algum dia o destino os colocar 
nessas posigoes de mando. 

Logo que se verifica o aparecimento de um homem excepcional, imediatamente se forma uma 



frente fechada de defesa, sobretudo se um tal cabega, nao saindo das proprias fileiras, ousar, 
mesmo assim, penetrar nessa sublime sociedade. O que eles querem fundamentalmente e 
estarem entre si, e e considerado inimigo comum todo cerebro que possa sobressair no meio de 
tantas nulidades. E, nesse sentido, o instinto e tanto mais agudo quanto e falho a outros respeitos. 

O resultado sera assim sempre um crescente empobrecimento espiritual das classes dirigentes. 
Qualquer um, desde que nao pertenga a essa classe de "chefes", pode julgar quais sejam as 
conseqGencias para a nagao e para o Estado. 

O regime parlamentar na veiha Austria ja existia em germe. 

E verdade que cada chefe de gabinete ministerial era nomeado pelo imperador e rei, porem 
essa nomeagao nada mais era do que a execugao da vontade parlamentar. O habito de disputar e 
negociar as varias pastas ja era democracia ocidental do mais puro quilate. Os resultados 
correspondentes tambem aos principios em voga. Em particular, a mudanga de personalidades se 
dava em periodos cada vez mais curtos, para transformar-se, finalmente, numa verdadeira cagada. 
Ao mesmo tempo decaia crescentemente a grandeza dos "estadistas" de entao, ate que so ficou 
aquele pequeno tipo de espertalhao parlamentar, cujo valor se aquilatava e reconhecia pela 
capacidade com que conseguia promover as coligagoes de entao, isto e, com que realizava os 
pequeninos negocios politicos - unicos que justificavam a vocagao desses representantes do povo 
para um trabalho pratico 

Nesse terreno oferecia a escola de Viena as melhores perspectivas ao observador. 

O que me impressionava tambem era o paralelo entre a capacidade e o saber desses 
representantes do povo e a gravidade dos problemas que tinham de resolver. Quer se quisesse, 
quer nao, era preciso tambem atentar mais de perto para o horizonte mental desses eleitos do 
povo, sendo ainda impossivel deixar de dar a atengao necessaria aos processos que conduzem ao 
descobrimento desses impressionantes aspectos de nossa vida publica Valla a pena tambem 
estudar e examinar a fundo a maneira pela qual a verdadeira capacidade desses parlamentares 
era empregada e posta a servigo da patria, ou seja o processo tecnico de sua atividade. 

O panorama da vida parlamentar parecia tanto mais lamentavel quanto mais se penetrava 
nessas relagoes intimas e se estudavam as pessoas e o fundamento das coisas, com 
desassombrada objetividade. E isso vem muito a proposito, tratando-se de uma instituigao que, por 
intermedio de seus detentores, a todo passo se refere a "objetividade" como unica base justa de 
qualquer atitude. Examinem-se esses cavalheiros e as leis de sua amarga existencia e o resultado 
a que se chegara sera espantoso. 

Nao ha um principio que, objetivamente considerado, seja tao errado quanto o parlamentar. 

Pode-se mesmo, nesse caso, abstrair inteiramente a maneira pela qual se realiza a escoiha dos 
senhores representantes do povo, mesmo os processos por que chegam a seu posto e a sua nova 
dignidade, Considerando que a compreensao polftica da grande massa nao esta tao desenvolvida 
para adquirir por si opinioes politicas gerais e escolher pessoas adequadas, chegar-se-a com 
facilidade a conclusao de que, nos parlamentos, so em proporgao minima, e que se trata da 
realizagao de um desejo geral ou mesmo de uma necessidade publica. 

A nossa concepgao ordinaria da expressao "opiniao publica" so em pequena escala depende de 
conhecimento ou experiencias pessoais, mas antes do que outros nos dizem. E isso nos e 
apresentado sob a forma de um chamado "esclarecimento" persistente e enfatico. 

Do mesmo modo- que o credo religioso resulta da educagao, ao passo que o sentimento 
religioso dormita no intimo da criatura, assim a opiniao polftica da massa e o resultado final do 
trabalho, as vezes incrivelmente arduo e intenso, da inteligencia humana. 

A quota mais eficiente na "educagao" polftica, que, no caso, com muita propriedade, e chamada 
"propaganda", e a que cabe a imprensa, a que se reserva a "tarefa de esclarecimento" e que assim 
se constitui em uma especie de escola para adultos. Todavia, essa instrugao nao esta nas maos 
do Estado, mas e exercida por forgas em geral de carater muito inferior. Quando ainda jovem, em 
Viena, eu five as melhores oportunidades para adquirir conhecimento seguro sobre os chefes e 
sobre os habeis operarios mentals dessa maquina destinada a educagao popular. 

O que primeiro me impressionou foi a rapidez com que aquela forga perniciosa do Estado 
conseguia fazer vitoriosa uma definida opiniao, muito embora essa opiniao implicasse no 
falseamento dos verdadeiros desejos e ideias do publico. Dentro de poucos dias um absurdo 
irrisorio se tornava um ato governamental de grande importancia, ao mesmo tempo que problemas 
essenciais cafam no esquecimento geral ou antes eram roubados a atengao das massas. 



Assim, no decurso de algumas semanas, alguns nomes eram como que magicamente tirades 
do nada e, em torno deles, se erguiam incriveis esperangas no espirito publico; dava-se-lhes uma 
popularidade, que nenhum verdadeiro homem jamais esperaria conseguir durante toda a sua vida. 
Ao mesmo tempo, perante os seus contemporaneos, velhos e dignos caracteres da vida publica e 
administrativa eram considerados mortos, quando se achavam em plena eficiencia, ou eram 
cumulados de tantas injurias que seus nomes pareciam prestes a tornar-se simbolos de infamia. 
Era necessario estudar esse vergonhoso metodo judeu de, como por encanto, atacar de todos os 
lados e langar lama, sob a forma de calunia e difamagao, sobre a roupa limpa de homens 
honrados, para aquilatar. em seu justo valor, todo o perigo desses patifes da imprensa. 

Nao ha nenhum meio a que nao recorra um tal salteador moral para chegar aos seus objetivos. 

Ele metera o focinho nas mais secretas questoes de familia e nao sossegara enquanto o seu 
faro nao fiver descoberto um miseravel incidente que possa determinar a derrota da infeliz vftima. 
Caso nada seja encontrado, quer na vida publica quer na vida particular, o patife langa mao da 
calunia, firmemente convencido, nao so de que, mesmo depois de milhares confesfagoes, alguma 
coisa sempre flea, como tambem de que devido a centenas de repefigoes que essa demoligao da 
honra encontra entre os cumplices, impossivel e a vftima manter a luta na maioria dos casos. Essa 
corja nem mesmo age por motivos que possam ser compreensfveis para o resto da humanidade. 

Deus nos livre! Enquanto um bandido desses ataca - o resto da humanidade, essa gente 
esconde-se por tras de uma verdadeira nuvem de probidade e frases untuosas, tagarela sobre 
"dever jornalistico" e quejandas balelas e alteia-se ate a falar em "etica" de imprensa, em 
assembleias e congressos, ocasioes em que a praga se encontra em maior numero e em que a 
corja mutuamente se aplaude. 

Essa sucia, porem, fabrica mais de dois fergos da chamada "opiniao publica", de cuja espuma 
nasce a Afrodite parlamentar. 

Seria necessario escrever volumes para poder pintar com exatidao esse processo e representa- 
lo na sua inteira falsidade. Mas, mesmo abstraindo tudo isso e observando somente os efeitos da 
sua afividade, parece-me isso suficiente para esclarecer o espirito mais credulo quanto a 
insensafez objetiva dessa instituigao. 

Mais depressa e mais facilmente compreenderemos a falta de senso e perigo dessa aberragao 
humana se compararmos o sistema democratico parlamentar com uma verdadeira democracia 
germanica. 

Na primeira, o ponto mais importante e o numero. Suponhamos que quinhentos homens 
(ultimamente tambem mulheres), sao eleitos e chamados a dar solugao definitiva sobre tudo. 
Praticamente, porem, so eles constituem o governo, pois se e verdade que dentro deles e 
escolhido o gabinete, o mesmo, so na aparencia, pode fiscalizar os negocios publicos. Na 
realidade, esse chamado governo nao pode dar um passo sem que antes Ihe seja outorgado o 
assentimento geral da assembleia. O Governo contudo nao pode ser responsavel por coisa 
alguma, desde que o julgamento final nao esta em suas maos mas na maioria parlamentar. 

Ele so existe para executar a vontade da maioria parlamentar em todos os casos. Propriamente 
so se poderia ajuizar de sua capacidade politica pela arte com que ele consegue se adaptar a 
vontade da maioria ou atrair para si essa mesma maioria. Cai, assim, da posigao de verdadeiro 
governo para a de mendigo da maioria ocasional. Na verdade, o seu problema mais premente 
consistira, em varios casos, em garantir-se o favor da maioria existente ou em provocar a formagao 
de uma nova mais favoravel. Caso consiga isso, podera continuar a "governar" por mais algum 
tempo; caso nao o consiga, tera de resignar o poder. A retidao de suas intengoes, por si so, nao 
importa. 

A responsabilidade praticamente deixa de existir. 

Uma simples consideragao mostra a que ponto isso conduz. 

A composigao intima dos quinhentos representantes do povo, eleitos, segundo a profissao ou 
mesmo segundo a capacidade de cada um, resulta em um quadro tao disparatado quanto 
lastimavel. Nao se Ira pensar por acaso que esses eleitos da nagao sejam tambem eleitos da 
inteligencia. Nao e de esperar que das cedulas de um eleitorado capaz de tudo, menos de ter 
espirito, surjam estadistas as centenas. Ademais, nunca e excessiva a negagao peremptoria a 
ideia tola de que das eleigoes possam nascer genios. Em primeiro lugar, so muito raramente 
aparece em uma nagao um verdadeiro estadista e muito menos centenas de uma so vez; em 
segundo lugar, e verdadeiramente instintiva a antipatia da massa contra qualquer genio que se 



destaque. E mais facil um camelo passar pelo fundo de uma aguiha que ser "descoberto" um 
grande homem por uma eleigao. O individuo que realmente ultrapassa a medida normal do tipo 
medio costuma fazer-se anunciar, na historia universal, pelos seus proprios atos, pela afirmagao de 
sua personalidade. 

Quinhentos homens, porem, de craveira abaixo da mediocre, decidem sobre os negocios mais 
importantes da nagao, estabelecem governos que em cada caso e em cada questao tem de 
procurar o assentimento da erudita assembleia. Assim e que, na realidade, a politica e feita pelos 
quinhentos. 

Mas, mesmo pondo de lado o genio desses representantes do povo, considere-se a quantidade 
de problemas diferentes que esperam solugao, muitas vezes em casos opostos, e facilmente se 
compreendera o quanto e imprestavel uma instituigao governamental que transfere a uma 
assembleia o direito de decisao final - assembleia essa que possui em quantidade minima 
conhecimentos e experiencia dos assuntos a serem tratados. As mais importantes medidas 
economicas sao assim submetidas a um foro cujos membros so na porcentagem de um decimo 
demonstraram educagao economica. E isso nao e mais que confiar a decisao ultima a homens aos 
quais falta em absoluto o devido preparo. 

Assim acontece tambem com qualquer outra questao. A decisao final sera dada sempre por 
uma maioria de ignorantes e incompetentes, pois a organizagao dessa instituigao permanece 
inalterada, ao passo que os problemas a serem tratados se estendem a todos os ramos da vida 
publica, exigindo, pois, constante mudanga de deputados que sobre eles tenham de julgar e 
decidir. E de todo impossfvel que os mesmos homens que tratam de questoes de transportes, se 
ocupem, por exempio, com uma questao de alta polftica exterior. Seria preciso que todos fossem 
genios universais, como so de seculos em seculos aparecem. Infelizmente trata-se, nao de 
verdadeiras "cabegas", mas sim de diletantes, tao vulgares quanto convencidos do seu valor, enfim 
de mediocridade da pior especie. Dai provem a leviandade tantas vezes incompreensivel com que 
OS parlamentares falam e decidem sobre coisas que mesmo dos grandes espiritos exigiriam 
profunda meditagao. Medidas da maior relevancia para o futuro de um Estado ou mesmo de uma 
nagao sao tomadas como se se tratasse de uma simples partida de jogo de baralho e nao do 
destino de uma raga. 

Seria certamente injusto pensar que todo deputado de um tal parlamento tivesse sempre tao 
pouco sentimento de responsabilidade. Nao. Absolutamente nao. 

Obrigando esse sistema o individuo a tomar posigao em relagao a questoes que nao Ihe tocam 
de perto, ele corrompe aos poucos o seu carater. Nao ha um deles que tenha a coragem de 
declarar: "Meus senhores, eu penso que nada entendemos deste assunto. Pelo menos eu nao 
entendo absolutamente". Alias, isso pouco modificaria, pois certamente essa maneira de ser franco 
seria inteiramente incompreendida e, alem disso, nao se haveria de estragar o brinquedo por caso 
de um asno honesto. Quem, porem, conhece os homens, compreende que em uma sociedade tao 
ilustre ninguem quer ser o mais tolo e, em certos circulos, honestidade e sempre sinonimo de 
estupidez. 

Assim e que o representante ainda sincero e jogado forgosamente no caminho da mentira e da 
falsidade. Justamente a convicgao de que a reagao individual pouco ou nada modificaria, mata 
qualquer impulso sincero que porventura surja em um ou outro. No final de contas, ele se 
convencera de que, pessoalmente, longe esta de ser o pior entre os demais e que com sua 
colaboragao talvez impega maiores males. 

E verdade que se fara a objegao de que o deputado pessoalmente podera nao conhecer este 
ou aquele assunto, mas que a sua atitude sera guiada pela fragao a que pertenga; esta, por sua 
vez, tera as suas comissoes especiais que serao suficientemente esclarecidas pelos entendidos. A 
primeira vista, isso parece estar certo. Surgiria, porem, a pergunta: por que se elegem quinhentos, 
quando so alguns possuem a sabedoria suficiente para tomarem atitude nas questoes mais 
importantes? 

Ai e que esta o busilis. 

Nao e movel de nossa atual Democracia formar uma assembleia de sabios, mas, ao contrario, 
reunir uma multidao de nulidades subservientes, que possam ser facilmente conduzidas em 
determinadas diregoes definidas, dada a estreiteza mental de cada uma delas. So assim pode ser 
feito jogo da polftica partidaria, no mau sentido que hoje tem. Mas isso, por sua vez, torna 
possivel que os que manobram os cordeis fiquem em seguranga por tras dos bastidores, sem 



possibilidade de serem tornados pessoalmente responsaveis. Atualmente, uma decisao, por mais 
nociva que seja ao povo, nao pode ser atribuida, perante os olhos do publico, a um patife unico, ao 
passo que pode sempre ser transferida para os ombros de todo um grupo. 

Praticamente, pois, nao ha responsabilidade, porque a responsabilidade so pode recair sobre 
uma individualidade unica e nao sobre as gaiolas de tagarelice que sao as assembleias 
parlamentares. 

Por isso esse tipo de Democracia se tornou o instrumento da raga que, para a consecugao de 
seus objetivos, tem de evitar a luz do sol, agora, e sempre. Ninguem, a nao ser um judeu, pode 
estimar uma instituigao que e tao suja e falsa quanto ele proprio. 

Em contraposigao ao que precede, esta a verdadeira democracia germanica. que escoihe 
livremente o seu chefe, sobre quem recai a inteira responsabilidade de todos os atos que pratique 
ou deixe de praticar. Nela nao ha a votagao de uma maioria no que se refere as varias questoes, 
sem a determinagao de um individuo unico que responda com seus bens e vida por suas decisoes. 

Caso se objete que em tais condigoes so dificilmente havera alguem que queira dedicar a sua 
pessoa a tao arriscada tarefa, poder-se-a retrucar: 

O verdadeiro sentido da democracia germanica reside, justamente, gragas a Deus, no fato de 
nao ser possivel ao primeiro ambicioso, indigno ou impostor, chegar, por caminhos escusos, ao 
governo de seu povo. A extensao da responsabilidade assumida afasta os incompetentes e os 
fracos. 

Na hipotese de um individuo dessa estofa tentar insinuar-se, facil sera ir-Ihe ao encontro com 
esta apostrofe: Para fora, covarde, patife. Retira o pe, tu maculas os degraus da escada, pois a 
ascensao ao panteon da historia nao e para os que rastejam e, sim, para os herois! 

Apos dois anos de frequencia ao parlamento de Viena ja havia chegado a essa conclusao. 

Nao me aprofundei mais sobre o assunto. 

O regime parlamentar teve, como seu principal merito, enfraquecer, nos ultimos anos, o velho 
Estado dos Habsburgos. Quanto mais se enfraquecia, pela sua agao, o predominio do 
germanismo, tanto mais se caia em um regime de choque entre as varias ragas. No proprio 
Reichsrat isso se dava sempre a custa do Imperio, pois, por volta da passagem do seculo, o mais 
inocente individuo veria que a forga de atragao da monarquia nao conseguia mais banir as 
tendencias separatistas dos diferentes povos. 

Ao contrario. 

Quanto mais mesquinhos se tornavam os meios empregados pelo Estado para a sua 
conservagao, tanto mais aumentava o desprezo geral pelo mesmo Estado. Nao so na Hungria, 
como tambem nas varias provincias eslavas, o sentimento de fidelidade a monarquia era tao fragil 
que a sua fraqueza nao era considerada uma vergonha. Esses sinais de declinio que apareciam 
provocavam ate alegria, pois era mais desejada a morte que a convalescenga do antigo regime. 

No parlamento conseguiu-se evitar o colapso total por uma renuncia indigna e pela realizagao 
de toda sorte de opressao sobre o elemento germanico. No interior jogava-se, habilidosamente, um 
povo contra o outro. Entretanto, nas linhas gerais, a atuagao politica era dirigida contra os 
alemaes. Sobretudo, desde que a sucessao ao trono comegara a dar ao arquiduque Fernando uma 
certa influencia, estabeleceu-se um piano regular na tchequizagao praticada pelo governo. Aquele 
futuro soberano da dupla monarquia procurava, por todos os meios possiveis, fazer progredir a 
desgermanizagao, promovendo-a por todos os modos ou, no minimo, defendendo-a. Localidades 
puramente alemas eram, por via indireta, na burocracia oficial, devagar porem seguramente, 
incluidas na zona perigosa das linguas mistas. Na propria Baixa Austria esse processo progredia 
mais ou menos rapidamente e muitos tchecos consideravam Viena como a sua principal cidade. 

Q pensamento predominante desse novo Habsburgo, cuja familia falava o theco de preferencia 
(a esposa do arquiduque era uma condessa tcheca e casara com o principe morganaticamente, 
sendo o meio em que ela nascera tradicionalmente anti-germanico), era estabelecer gradualmente 
um Estado eslavo na Europa central, em linhas estritamente catolicas, como uma protegao contra a 
Russia ortodoxa. Nesse sentido, como tantas vezes aconteceu aos Habsburgos, a religiao era 
mais uma vez arrastada a servir a uma concepgao puramente politica, concepgao lamentavel, 
quando encarada do ponto de vista germanico. 

A varios respeitos, o resultado foi mais que tragico. Nem a casa dos Habsburgos nem a Igreja 
Catolica tiraram o proveito que esperavam. 

O Habsburgo perdeu o trono, Roma perdeu um grande Estado. 



Chamando forgas religiosas a servirem a seus fins politicos, a coroa provocou um estado de 
espirito que ela propria inicialmente julgou ser impossivel. A tentativa de exterminar o germanismo 
na veiha monarquia despertou o movimento pangermanista na Austria. 

Na decada de 80 o liberalismo manchesteriano, de origem judaica, atingira, se nao 
ultrapassara, o seu ponto culminante na monarquia. A reagao contra ele, entretanto, nao proveio 
como em tudo, na Austria, de pontos de vista sociais e, sim, de pontos de vista nacionais. O 
instinto de conservagao obrigou o germanismo a por se em guarda, da maneira mais viva. So em 
segundo piano e que as consideragoes economicas comegaram a ganhar influencia apreciavel. 
Assim- e que desabroclnaram, da confusao politica, dois partidos, um mais nacionalista, outro mais 
socialista, ambos porem altamente interessantes e Instrutivos para o futuro. 

Apos fim deprimente da guerra de 1866 a Casa Habsburgo preocupava-se com a ideia de 
uma revanclne no campo de batallna. So a morte do imperador IVIaximiliano, do IVIexico, cuja 
expedigao infeliz se atribuiu em primeira linlna a Napoleao III e cujo abandono, por parte dos 
franceses, provocou geral indignagao, evitou uma alianga mais fntima com a Franga. Entretanto, os 
Habsburgos estavam de alcateia na ocasiao. Caso a guerra de 1870-71 nao se tivesse 
transformado numa expedigao triunfal, unica no genero, a corte de Viena teria ousado tentar um 
goipe sangrento de vinganga por causa de Sadowa. Quando, porem, chegaram as primeiras 
narragoes dos feitos heroicos dos campos de bataiha, maravilhosos e quase incriveis e, no 
entretanto, verdadeiros, o mais "sabio> de todos os monarcas reconheceu que a hora nao era 
propicia e aparentou alegrar-se com o que, na realidade, contrariava os seus pianos. 

A luta de herois desses dois anos conseguira milagre muito mais formidavel, pois, quanto aos 
Habsburgos, a sua atitude modificada jamais correspondia a um impulso intimo de coragao, mas 
Sim a forga das circunstancias. O povo alemao, na veiha IVIarca oriental, foi arrastado pela 
embriaguez da vitoria do Reich e via, profundamente comovido, a ressurreigao do sonho dos 
antepassados convertido em maravilhosa realidade. 

Que ninguem se engane, porem. O Austriaco de sentimento verdadeiramente germanico 
reconhecera, dessa hora em diante, em Konigratz, a condigao tao tragica quanto indispensavel da 
restauragao do imperio, o qual nao devia estar ligado ao marasmo podre da antiga alianga, e nao o 
estava. 

Sobretudo ele, aprendeu a sentir, a sua propria custa, que a casa dos Habsburgos terminara a 
sua missao historica e que o novo Imperio so poderia eleger imperador quem, pelo seu sentimento 
historico, fosse capaz de oferecer uma cabega digna a "coroa do Reno". Tanto mais era, pois, de 
louvar destino por ter realizado essa investidura no rebento de uma dinastia que, com Frederico, 
Grande, ja dera a nagao, em tempos perturbados, um exempio eloquente para inspirar a 
grandeza da raga. 

Quando, porem, apos a grande guerra, a casa dos Habsburgos se langou decididamente no 
caminho da destruigao lenta porem inexoravel, da perigosa germanizagao da dupla monarquia 
(cujas intengoes intimas nao podiam deixar duvidas) - e esse tinha de ser o fim da politica de 
eslavizagao - irrompeu a resistencia do povo condenado ao extermfnio e de maneira nunca vista 
na historia alema dos tempos modernos. 

Pela primeira vez, homens de sentimentos nacionalistas e patrioticos se fizeram rebeldes. 
Rebeldes, nao contra a nagao ou contra o Estado, e sim contra uma forma de governo que, 
segundo as suas convicgoes, tinha de conduzir ao aniquilamento da propria raga. 

Pela primeira vez, na historia alema, contemporanea, o patriotismo corrente, dinastico, se 
divorciou do amor a patria e ao povo. 

Deve-se ao movimento pangermanista da Austria alema da decada de 90 o ter constatado de 
maneira clara e insofismavel que uma autoridade publica so tem direito de exigir respeito e 
protegao, quando ela corresponde aos desejos de uma nacionalidade ou pelo menos quando nao 
Ihe causa dano. 

Nao pode haver autoridade publica que se justifique pelo simples fato de ser autoridade, pois, 
nesse caso, toda tirania neste mundo seria inatacavel e sagrada. 

Quando, por forga da agao do governo, uma nacionalidade e levada a destruigao, a rebeliao de 
cada um dos individuos de um tal povo nao e so um direito, mas tambem um dever. Quando um 
caso assim se apresenta a questao nao se decide por consideragoes teoricas, mas pela violencia e 

pelo exito. 

Como todo poder publico, naturalmente, chama a si o dever de conservar a autoridade do 



Estado, mesmo que ela seja ma e traia mil vozes os desejos de uma nacionalidade, o instinto de 
conservagao, em luta com esse poder pela conquista da liberdade ou da independencia, tera de 
usar das mesmas armas com as quais o adversario procura manter-se. A luta sera, portanto, 
travada com o recurso aos meios "legais". enquanto o povo nao devera recuar mesmo diante de 
meios ilegais, quando o opressor colocar-se fora da lei. 

De um modo geral, nao se deve esquecer nunca que a conservagao de um Estado ou de um 
governo nao e o mais elevado fim da existencia humana, mas o de conservar o seu carater racial. 
Caso este se ache em perigo de ser dominado ou eliminado, a questao da legalidade tera apenas 
importancia secundaria. Mesmo que o poder dominante empregue mil vezes os meios "legais" na 
sua agao, o instinto de conservagao dos oprimidos e sempre uma justificagao elevada para a luta 
por todos OS meios. 

So admitindo essa hipotese e que se pode compreender porque os povos deram tao 
formidaveis exemplos historicos nas lutas pela liberdade, contra a escravizagao, quer seja interna, 
quer externa. 

Os direitos humanos estao acima dos direitos do Estado. 

Se, porem, na luta pelos direitos humanos, uma raga e subjugada, significa isso que ela pesou 
muito pouco na balanga do destino para ter a felicidade de continuar a existir neste mundo 
terrestre, pois quem nao e capaz de lutai pela vida tem o seu fim decretado pela providencia. 

O mundo nao foi feito para os povos covardes. 

Quanto e facil a uma tirania proteger-se com o manto da "legalidade", ficou clara e 
eloquentemente demonstrado com o exempio da Austria. 

O poder legal do Estado baseava-se, entao, no anti-germanismo do parlamento, com a sua 
maioria nao-germanica e na casa reinante, tambem germanofoba. Nesses dois fatores, estava 
encarnada toda a autoridade publica. Querer modificar o destino do povo teuto-austriaco dessa 
posigao era tolice. Assim, porem, segundo o parecer dos veneradores da autoridade do Estado e 
da legalidade, toda resistencia deveria ser abandonada por nao ser exeqiJivel por meios legais. 
Isso, porem, significaria o fim do povo alemao na monarquia, necessariamente, forgosamente, e 
dentro de breve tempo. Efetivamente so pela derrocada daquele Estado foi o germanismo salvo 
desse destino. 

Os teoristas de oculos, preferem, porem, morrer por sua doutrina a morrer pelo seu povo. 

Como OS homens, primeiro, criam as leis, pensam, depois, que estas estao acima dos direitos 
humanos. 

Foi merito do movimento pangermanista de entao na Austria o ter varrido de uma vez essa 
tolice, para desespero de todos os cavaleiros andantes e fetichistas da teoria do Estado. 

Enquanto os Habsburgos tentavam perseguir o germanismo, este partido atacava - e 
impavidamente - a sublime, Casa soberana. Pela primeira vez, ele langou a sonda nesse Estado 
apodrecido, abrindo os olhos a centenas de milhares de pessoas. Foi seu merito ter libertado a 
maravilhosa nogao de amor patrio da influencia dessa triste dinastia. 

Aquele partido, nos seus primeiros tempos, contava com muitos adeptos, ameagando mesmo 
transformar-se em verdadeira avalanche. Entretanto, o exito nao durou. Quando cheguei a Viena, o 
movimento ha muito ja havia sido ultrapassado pelo Partido Cristao Socialista, que alcangara o 
poder e se encontrava em estado de decadencia. 

Esse processo de evolugao e desaparecimento do movimento pangermanista de um lado e da 
incrivel ascensao do partido socialista, de outro, deveria tornar-se, para mim, da maior importancia 
como objeto de estudo. 

Quando cheguei a Viena, minhas simpatias estavam inteiramente do lado da orientagao 
pangermanista. 

Que se tivesse a coragem de exclamar no parlamento - viva Hohenzollern! - me impunha 
respeito e me causava contentamento; que se considerasse esse Partido como parte apenas 
momentaneamente separada do Imperio alemao e se proclamasse esse sentimento publicamente, 
a cada momento, despertava-me alegre confianga; que se admitissem impavidamente todas as 
questoes referentes ao germanismo e nunca se entregassem a compromissos parecia-me o unico 
caminho ainda acessivel para a salvagao de nosso povo; que, porem, o movimento, depois de sua 
magnifica ascensao, tornasse a decair, nao podia eu compreender. Menos ainda compreendia que 
Partido Cristao Socialista conseguisse alcangar nessa mesma epoca, tao grande violencia. Este 
havia chegado exatamente ao auge de sua gloria. 



Ao comparar os dois movimentos, deu-me o destine o melhor ensinamento, apressado pela 
minha alias triste situagao, para que eu compreendesse as causas desse enigma. 

Preliminarmente, comegarei o meu exame por dois homens que podem ser considerados os 
chefes e fundadores dos dois partidos: Georg von Schonere e o Dr. Karl Lueger. 

Quanto ao ponto de vista do carater, ambos se elevam muito acima da media das chamadas 
personalidades parlamentares. No pantanal de uma corrupgao politica generalizada, a minha 
simpatia pessoal de inicio dirigia-se ao pangermanista Schonere e so pouco a pouco tambem ao 
chefe cristao social. 

Comparados quanto as suas' capacidades, ja naquele tempo, Schonere me parecia o melhor e 
mais solido pensador dos problemas basicos. Melhor que qualquer outro, ele reconheceu, de modo 
mais certo e claro, o fim fatal do Estado austriaco. Se as suas advertencias tivessem achado eco, 
sobretudo no Reichstag, no que dizia respeito a monarquia dos Habsburgos, a desgraga da guerra 
da Alemanha contra a Europa jamais teria acontecido. 

Mas se Schonere compreendia os problemas, na sua essencia Intima, errava muito quanto aos 
homens. 

Nesse conhecimento estava, ao contrario, a forga do Dr. Lueger. 

Este era um raro conhecedor dos homens, que se precavia de ve-los melhores do que eles sao 
na realidade. Por isso contava ele mais com as reals possibilidades da vida, de que conhecimento 
tinha Schonere. Tudo o que pensava o pangermanista estava teoricamente certo, mas faltava-Ihe a 
forga e a habilidade de transmitir a massa o conhecimento teorico, pois essa capacidade e e 
sempre sera limitada. Essa falta de real reconhecimento dos homens conduziu, com o correr dos 
anos, a um engano na avaliagao de varios movimentos, bem como de instituigoes antiquissimas. 

Finalmente reconheceu Schonere, sem duvida, que se tratava, no caso, de questoes de 
concepgao universal, porem nao entendeu que a grande massa se presta admiravelmente para 
detentora dessas convicgoes quase religiosas. 

Infelizmente, teve ele uma percepgao muito imperfeita das extraordinarias limitagoes da 
disposigao da burguesia para a luta. Devido a sua situagao economica, os burgueses sao timidos, 
nao se arriscam a prejuizos, o que sempre os impede de agir. 

Essa incompreensao da importancia das camadas baixas da sociedade foi a causa da extrema 
ineficiencia de suas opinioes sobre questoes socials. 

Em tudo Isso o Dr. Lueger era o oposto de Schonere. 

O profundo conhecimento dos homens fazia com que aquele nao so fizesse juizo certo das 
forgas aproveitaveis, como tambem ficasse a coberto de uma avaliagao demasiadamente baixa 
das instituigoes existentes, sendo que, talvez por esse motivo, aprendesse a emprega-las em 
auxilio da consecugao de seus intentos. 

Ele compreendeu perfeitamente que a forga combativa da burguesia superior, hoje em dia, e 
pequena, e insuficiente para conseguir a vitoria de um grande e novo movimento. Dai vem que 
atribuia grande importancia, na sua atividade politica, a conquista das camadas cuja existencia 
estava ameagada e, nas quais, por isso mesmo, a vontade de lutar servia de estimulo em vez de 
ser motivo de inercia. Alem disso, ele era inclinado a empregar todos os meios violentos para atrair 
a si as fortes instituigoes existentes com o fito de tirar, dessas velhas fontes de poder, todo o 
proveito para o seu movimento. 

Por isso, baseou o seu novo partido, em primeira linha na classe media, ameagada de extingao, 
e assegurou-se, assim, uma classe de adeptos extremamente dificeis de serem abalados e 
dotados de tao grande espirito de sacrificio como de vontade de lutar. A sua atitude extremamente 
habil em relagao a Igreja Catolica conquistou-Ihe, em pequeno espago, a mais nova geragao do 
clero, e de tal maneira que o antigo partido clerical foi forgado a retirar-se do campo ou, mais 
avisadamente, a aderir ao novo partido a fim de, paulatinamente, ganhar posigao a posigao. 

Grande injustiga seria feita a esse homem, se se considerasse essa como a sua unica 
caracteristica, pois, alem da qualidade de um tatico inteligente, ele possuia as de um reformador 
verdadeiramente grande e genial. Entretanto, tambem nessa grande personalidade nao era 
completo conhecimento das possibilidades existentes bem como de sua propria capacidade 
pessoal. 

Os objetivos que esse homem verdadeiramente notavel se tinha proposto eram eminentemente 
praticos. Ele queria conquistar Viena. Viena era o coragao da monarquia. Dessa cidade partia 
ainda o ultimo alento de vida para o corpo doentio e envelhecido do imperio decadente. Quanto 



mais saudavel se tornasse o coragao, mais facilmente reviveria o resto do corpo. Uma ideia correta 
em principio, que, porem, so podia ter aplicagao durante um tempo determinado e limitado. 

Ai e que estava a fraqueza desse homem. O que ele realizou como burgomestre na cidade de 
Viena e imortal no melhor sentido da palavra. Mesmo assim, nao conseguiu, porem, salvar a 
monarquia - era tarde demais. 

Seu rival Schonere vira mais claramente. 

Na sua atuagao pratica o Dr. Lueger obtinlna admiravel exito. O efeito, porem, do que ele 
esperava sempre deixava de realizar-se. 

O que Schonere desejava, ele nao o conseguia; o que ele temia, realizava-se, infelizmente, de 
uma maneira terrivel. 

Assim, OS dois homens nao realizaram o seu objetivo. Lueger nao pode mais salvar a Austria e 
Schonere nao conseguiu evitar a ruina do povo alemao. 

E infinitamente instrutivo para o nosso tempo estudar a causa do fracasso desses dois partidos. 
E essencial, sobretudo, para os meus amigos, pois, em muitos pontes, as condigoes de hoje sao 
semelhantes as daquele tempo, podendo-se, por isso, evitar erros que conduziram a morte de um. 
movimento e a esterilidade do outro. 

O colapso do movimento pangermanista na Austria teve, a meu ver, tres causas: 

Primeira; a nogao pouco clara da importancia do problema social, justamente tratando-se de um 
partido novo essencialmente revolucionario. 

Enquanto Schonere e seus adeptos se dirigiam em primeira linha as camadas burguesas, o 
resultado so podia ser fraco, inofensivo. 

A burguesia alema e, sobretudo nas suas camadas superiores, embora que nao o pressintam 
OS individuos, pacifista a ponto de renunciar a si mesma, principalmente quando se trata de 
questoes internas da nagao ou do Estado. Nos bons tempos, isto e, nos tempos de um bom 
governo, tal disposigao e uma razao do valor extraordinario dessas camadas para o Estado; em 
epocas de governos maus, porem, ela age de maneira verdadeiramente malefica. Para conseguir a 
realizagao de uma luta seria, o movimento pangermanista tinha de langar-se a conquista das 
massas. O fato de nao se ter agido assim tirou-Ihe, de comego, o impulse inicial que uma tal onda 
necessita para nao desfazer-se. 

Quando, inicialmente, nao se tem em mira e nao se executa esse principio basico, o novo 
partido perde, para o future, toda possibilidade de evitar os efeitos do erro de comego. Aceitando, 
em numero excessive, elementos mederados burgueses, a atitude de movimento sera dirigida por 
estes, ficande assim excluida a possibilidade de recrutar forgas apreciaveis no seio da grande 
massa popular. Tal movimento nao passara mais de palidos mexericos e criticas. Nunca mais se 
podera criar a fe quase religiosa aliada a identico espirito de sacriffcio; surgira, porem, em seu 
lugar, a tendencia de, por meio de cooperagao "positiva" - neste caso isso significa o 
reconhecimento do statu quo - aos poucos, aparar a dureza da luta para finalmente chegar a uma 
paz podre. 

Foi que aconteceu ao movimento pangermanista, pelo fato de nao ter, desde o principio, 
acentuado principalmente a conquista de seus adeptos entre os circulos da grande massa. Tornou- 
se um movimento "burgues, distinto, moderadamente radical". 

Desse erro decorreu, porem, a segunda causa de seu rapido desaparecimento. 

A situagao na Austria, para o germanismo, no tempo do aparecimento do movimento 
pangermanista, ja nao dava lugar a esperangas. De ano a ano, o parlamento se tornava, cada vez 
mais, uma instituigao destinada ao aniquilamento lento do povo alemao. Toda tentativa de 
salvagao na decima-segunda hora so podia oferecer uma probabilidade, embora pequena, de 
exito, na extingao dessa instituigao. 

Com isso surgiu, junto ao movimento, uma questao de importancia teorica. 

Para destruir o parlamento, dever-se-ia ir ao parlamento, a fim de esvazia-lo "de dentro para 
fora" ou devia-se conduzir essa luta de fora, atacando aquela instituigao. 

Os pangermanistas entraram no parlamento e foram derrotados. 

Verdade e que se devia penetrar all. 

Conduzir uma luta contra tal potencia, do lado de fora, significava armar-se de coragem 
inabalavel e estar tambem disposto a sacrificios infinitos. Agarra-se o touro pelos cornos e recebe- 
se fortes marradas. As vezes se caira por terra, podendo levantar-se com os membros partidos, 
somente depois da mais aspera luta e que a vitoria sorrira ao ousado atacante. Somente a 



grandeza dos sacrificios conquistara novos lutadores para a causa, ate que a persistencia garanta 
sucesso. 

Para isso, porem, sao necessaries os filhos do povo, tirades da grande massa. 

So eles sao suficientemente decididos e tenazes para conduzir essa luta ao seu fim sangrento. 

O movimento pangermanista, porem, nao possuia essa grande massa; nada mais Ihe restava, 
pois, que ir ao parlamento. 

Seria falso pensar que essa resolugao tivesse sido o resultado de longos sofrimentos intimos ou 
mesmo de meditagoes; nao, nao se pensava absolutamente em outra coisa. 

Essa tolice, nada mais era que o reflexo de nogoes pouco Claras sobre a importancia e o efeito 
de tal participagao numa instituigao reconhecida, ja em principio, como falsa. Esperava-se, 
geralmente, facilitar o esclarecimento da grande massa popular, uma vez que se tinha a 
oportunidade de falar diante do "foro da nagao inteira". Parecia tambem claro que o ataque a raiz 
do mal teria mais exito que o ataque feito de fora. Pensava-se que a protegao das imunidades 
fortaleceria a seguranga dos varios lutadores, de sorte que o ataque se tornaria mais forte. 

Na realidade, porem, as coisas tomaram outro aspecto. 

O "foro" perante o qual falavam os deputados pangermanistas em vez de tornar-se maior, 
tornara-se menor, pois cada um so fala diante do circulo que e capaz de ouvi-lo ou que, por meio 
dos comunicados da imprensa, recebe uma reprodugao do que foi dito. 

O maior foro de ouvintes e representado nao pela sala de um parlamento e, sim, por um grande 
comfcio publico. 

No comfcio se encontra um grande numero de pessoas que vieram somente para ouvir o que o 
orador tem a dizer-lhes, ao passo que no salao de sessoes da Camara dos Deputados so ha 
algumas centenas de individuos que estao em geral apenas para receberem o seu subsidio e nao 
para receber esclarecimentos da sapiencia de um ou outro senhor "representante do povo". 

Antes de tudo, porem, trata se, no caso, do mesmo publico que nunca esta disposto a aprender 
algo de novo, pois, alem de faltar-Ihe inteligencia, falta-Ihe a necessaria vontade para isso. 

Jamais um desses representantes fara por si mesmo honra a melhor verdade para, em seguida, 
p6r-se a seu servigo. Nao. Nenhum fara isso, a nao ser que tenha razao de esperar que tal 
mudanga possa salvar o seu mandato por mais uma legislatura. So quando pressentem que o seu 
partido saira mal nas proximas eleigoes e que essas glorias da humanidade se mexem para 
verificar como se podera mudar para um partido de orientagao mais segura, sendo que essa 
mudanga de atitude se processa sob um diluvio de justificagoes morals. - Dai, acontecer sempre 
que quando um partido decai em grande escala do favor publico e que ha ameaga provavel de 
uma derrota fulminante, comega a grande migragao: os ratos parlamentares abandonam o navio 
partidario. 

Isso nada tem que ver com o saber e o querer, mas e um indice daquele dom divinatorio que 
adverte, ainda em tempo oportuno, o tal percevejo parlamentar, fazendo com que ele se abrigue 
em outra cama partidaria mais quente. 

Falar perante um tal "foro" significa, na verdade, jogar perolas a porcos. De fato, isso nao vale a 
penal Nesse caso o exito nao pode ser senao igual a zero. 

E assim era, na realidade. Os deputados pangermanistas poderiam falar ate rebentar: o efeito, 
porem, seria nulo. 

A imprensa, por sua vez, conservava-se muda ou mutilava os discursos de tal maneira que 
qualquer conexao era impossivel e mesmo o sentido era deturpado, quando nao se perdia 
inteiramente. E por isso a opiniao publica so recebia uma imagem muito imperfeita das intengoes 
do novo movimento. Era inteiramente destituido de importancia o que dizia cada um dos 
deputados: a importancia estava naquilo que se dava a ler como sendo deles. Consistia isso em 
extratos de seus discursos, que, mutilados, so podiam e deviam provocar impressao erronea. 
Assim publico perante o qual eles falavam realmente era os escassos quinhentos parlamentares. 
E isso nos diz bastante. 

O pior, porem, era o seguinte: o movimento pangermanista so poderia contar com sucesso caso 
tivesse compreendido, desde o primeiro dia, que nao se deveria tratar de um novo partido e, sim, 
de uma nova concepgao politica do mundo. So esta conseguiria provocar as forgas internas para 
essa luta gigantesca. Para esse fim, porem, so servem para chefes as melhores e mais corajosas 
cabegas. 

Caso a luta por um sistema universal nao seja conduzida por herois prontos ao sacrificio, em 



curto espago de tempo sera impossivel encontrar lutadores preparados para morrer. Urn homem 
que combate exclusivamente por sua existencia pouco tera de sobra para a causa geral. A fim de 
que se possa realizar aquela hipotese, e necessario que cada urn saiba que o novo movimento 
trara honra e gloria ante a posteridade e que, no presente, nada oferecera. Quantos mais postos 
tenha urn movimento a distribuir, maior sera a concorrencia dos mediocres., ate que estes politicos 
oportunistas, sufocando pelo numero o partido vitorioso, o lutador honesto nao mais reconhega o 
antigo movimento e os novos adesistas o rejeitem decididamente como um intruso" incomodo. 

Com isso, porem, estara liquidada a "missao" de tal movimento. 

Logo que a agitagao pangermanista aceitou o parlamento, comegou a dispor de "parlamentares" 
em vez de guias e lutadores de verdade. O partido baixou ao nivel de qualquer das facgoes do 
tempo e, por isso, perdeu a forga necessaria para enfrentar o destino com a audacia dos martires. 
Em vez de lutar, aprendeu tambem a "falar" e a "negociar". Em breve tempo, o novo parlamentar 
sentia como mais nobre dever, - porque menos arriscado - combater a nova concepgao do mundo 
com as armas "espirituais" da eloquencia parlamentar, em vez de langar-se numa luta com o risco 
da propria vida - luta de resultado incerto e que nada rende para os seus Ifderes. 

Como eles estavam no parlamento, os adeptos, la fora, comegaram a esperar milagres, que 
naturalmente nao se realizaram e nem poderiam realizar-se. Dentro em pouco, apareceu a 
impaciencia, pois, mesmo o que se conseguia ouvir dos proprios deputados de modo algum 
correspondia as esperangas dos eleitores. Isso era de facil explicagao, pois a imprensa inimiga 
evitava transmitir ao publico uma imagem exata da agao dos representantes pangermanistas. 

Quanto mais crescia o gosto dos novos representantes do povo pela maneira ainda suave da 
luta "revolucionaria" no parlamento e nas dietas, tanto menos se achavam eles dispostos a voltar 
ao mais perigoso trabalho de propaganda, no seio das camadas populares. 

Os comicios, que eram o unico meio eficiente de influir sobre as pessoas e, portanto, capaz de 
atrair grandes massas populares, eram cada vez menos utilizados. 

Desde que as reunioes nas casas publicas foram definitivamente substituidas pela tribuna do 
parlamento, para, deste foro, derramar os discursos sobre as cabegas do povo, o movimento 
pangermanista deixou de ser um movimento popular e desceu, em curto tempo, a categoria de um 
clube de dissertagoes academicas, de carater mais ou menos serio. 

A ma impressao propagada pela imprensa nao era, de maneira alguma, corrigida pela atividade 
das assembleias parlamentares. Assim, a palavra "pangermanista" passou a soar mal aos ouvidos 
populares. E preciso que os literatelhos e peralvilhos de hoje saibam que as maiores revolugoes 
deste mundo nunca foram dirigidas por escrevinhadores! 

Nao. A pena sempre se limitou a tragar as bases teoricas das revolugoes. 

O poder, porem, que pos em movimento as grandes avalanchas historicas, de carater religioso 
e politico, foi, desde tempos imemoriais, a forga magica da palavra falada. 

Sobretudo a grande massa de um povo sempre so se deixa empolgar pelo poder da palavra. 
Todos OS grandes movimentos sao movimentos populares, sao erupgoes vulcanicas de paixoes 
humanas e de sensagoes psiquicas provocadas ou pela deusa cruel da necessidade ou pela tocha 
da palavra atirada entre a massa e nao por meio de jorros de literatos agucarados metidos a 
estetas e a herois de salao. 

So uma tempestade de paixao escaldante e que consegue torcer o destino dos povos: mas so 
consegue provocar entusiasmo quem o possua no seu intimo. So esse entusiasmo inspira aos 
seus eleitos as palavras que, como golpes de martelo, conseguem abrir as portas do coragao de 
um povo. 

Nao e escolhido para anunciador da vontade divina aquele a quem falta a paixao e mantem-se 
em um silencio comodo. 

Por isso, todo escritor devia restringir-se ao seu tinteiro, para trabalhar "teoricamente", se nao 
Ihe faltam inteligencia e saber. Para chefe nao nasceu ele, porem, nem para tal foi escolhido. 

Um movimento de grandes objetivos, deve, pois, diligenciar para nao perder o contato com a 
massa do povo. 

Esse ponto deve ser examinado em primeiro lugar e as decisoes devem ser tomadas sob essa 
orientagao. Devera ser evitado tudo o que posse diminuir ou enfraquecer a capacidade de agao 
sobre a coletividade, nao por motivos "demagogicos", mas pelo simples reconhecimento de que 
sem a forga formidavel da massa de um povo nao se pode realizar uma grande ideia, por mais 
elevada e sublime que ela parega. A dura realidade e que deve determinar o caminho para o 



objetivo visado; nao querer palmilhar caminhos desagradaveis significa neste mundo desistir do 
Ideal, quer se queira, quer nao. 

Logo que o movimento pangermanista, por sua atitude parlamentar, colocou o seu ponto de 
apoio no parlamento e nao no povo, perdeu o futuro e ganhou, em troca, o exito barato e 
passageiro. 

Escolheu a luta mais facil, e, por isso mesmo, deixou de merecer a vitoria final. 

Justamente essas questoes foram por mim estudadas em Viena, da maneira mais profunda, 
notando, entao, que, no seu nao reconhecimento, estava um dos principals motivos do colapso do 
movimento, que, a meu ver, era destinado a tomar em suas maos a diregao do germanismo. 

Os dois primeiros erros que fizeram com que fracassasse o movimento pangermanista 
completavam-se, um era consequencia do outro. A falta de conhecimento das forgas impulsoras 
das grandes revolugoes deu lugar a errada avaliagao da importancia das grandes coletividades; 
dai proveio o pouco interesses pela questao social, o medfocre aliciamento das camadas inferiores 
da nagao, bem como tambem a atitude favoravel em relagao ao parlamento. 

Caso tivesse sido reconhecido o incrivel poder que cabe a massa como portadora da 
resistencia revolucionaria em todos os tempos, ter-se-ia trabalhado de outra maneira, tanto 
socialmente como com relagao a propaganda. Nao se teria tambem, entao, acentuado o 
movimento em diregao ao parlamento e sim em diregao a oficina e a rua. 

O terceiro erro, porem, se caracterizou ainda mais pelo nao reconhecimento do valor da massa, 
que, uma vez movimentada em determinada diregao, por espiritos superiores, mais tarde, como 
um volante, da impulso a forga e tenacidade uniforme do ataque. 

A aspera luta que o movimento pangermanista teve de sustentar com a Igreja catolica so se 
explica devido a falta de compreensao da psicologia do povo. 

As causas do ataque violento do novo partido contra Roma estavam no seguinte: 

"Logo que a Casa dos Habsburgos se decidira definitivamente a transformar a Austria em um 
Estado eslavo, foram utilizados todos os meios que pareciam proprios para esse fim. As 
instituigoes religiosas foram tambem inescrupulosamente postas ao servigo da nova ideia oficial, 
por essa inconscientissima dinastia. A utilizagao de paroquias tchecas e de seus curas era 
somente um dos muitos meios de chegar a este fim, isto e, uma eslavizagao generalizada da 
Austria". 

O processo desenrolava-se mais ou menos assim: 

"Os padres tchecos eram mandados para paroquias puramente alemas. Esses sacerdotes 
lenta, mas seguramente, comegavam a sobrepor os interesses do povo tcheco aos interesses da 
Igreja, tornando-se assim a celula mater do processo de desgermanizagao". 

O clero germanico, ante esse processo, fracassou quase completamente. E assim aconteceu 
nao so porque esses proprios sacerdotes eram inteiramente incapazes de uma semelhante luta, no 
sentido do germanismo. como por nao conseguirem opor a necessaria resistencia ao- ataque dos 
outros. Dessa maneira o germanismo era lenta, mas irresistivelmente, repelido por um lado, pela 
agao desabusada de parte do clero que se Ihe opunha e pelo outro pela insuficiencia da defesa. 
Se, como vimos, isso se dava em pequena escala, em grande escala nao seria outra a situagao. 

Ai tambem as tentativas antigermanicas dos Habsburgos nao encontraram, sobretudo de parte 
do alto clero, a resistencia exigida, e, assim, a defesa dos interesses alemaes passava a piano 
secundario. 

A impressao geral era de que havia uma ofensa grosseira aos direitos alemaes da parte do 
clero catolico. 

Parecia com isso que a Igreja nao sentia com o povo alemao e se colocava, de maneira injusta, 
ao lado do inimigo do mesmo. A raiz de todo o mal, porem, estava, segundo a opiniao de 
Schonere, no fato de a diregao da Igreja catolica nao estar na Alemanha, bem como na 
animosidade, proveniente desse fato, contra os anseios de nossa nacionalidade. 

Os chamados problemas culturais passaram, como quase tudo na Austria, para segundo piano. 
O que valia, na atitude do movimento pangermanista, com relagao a- Igreja catolica, era menos a 
atitude desta relativamente a ciencia que a sua insuficiente compreensao dos interesses alemaes 
e, inversamente, uma constante fomentagao das pretensoes e da cobiga eslavas. 

George Schonere nao era homem que fizesse as coisas pela metade. Iniciou a luta contra a 
Igreja, convencido de que somente por ela e que a raga alema poderia salvar se. O movimento de 
libertagao contra Roma (Los von Rom") parecia o mais formidavel, porem tambem o mais dificil 



processo de ataque, que teria de destruir a cidadela inimiga. Fosse ele vitorioso estaria vencida, 
para sempre, a infeliz cisao religiosa na Alemanha e a forga interior do Reich e da nagao alema 
poderia, com uma tal vitoria, lucrar de maneira formidavel. 

Entretanto, nem a previsao nem as conclusoes dessa luta estavam certas. 

Incontestavelmente a forga de resistencia do clero catolico, de nacionalidade alema, era inferior, 
em todas as questoes referentes ao germanismo, as de seus irmaos nao alemaes, sobretudo 
tchecos. 

Ao mesmo tempo, so um ignorante nao veria que ao clero alemao jamais ocorreu uma defesa 
agressiva dos interesses da sua raga. 

Demais, quem quer que nao estivesse ofuscado pelas aparencias, deveria reconhecer que esse 
fato deve ser atribuido primeiro que tudo a uma circunstancia que todos nos alemaes devemos 
lastimar: a "objetividade" com que encaramos os problemas raciais, assim como todos os outros. 

Assim como o sacerdote tcheco era subjetivo em relagao ao seu povo e somente objetivo em 
relagao A Igreja, o sacerdote alemao era dedicado subjetivamente a Igreja e permanecia objetivo 
com relagao a nagao. Esse e um fenomeno que em mil outros casos podemos constatar, para 
infelicidade nossa. 

Isso nao e de maneira alguma so uma heranga especial do catolicismo, mas ataca, entre nos, 
em curto espago de tempo, quase toda a organizagao do Estado. 

Compare-se, por exempio, a atitude que o nosso funcionalismo publico assume em face das 
tentativas de um renascimento nacional com a do funcionalismo de qualquer outra nagao em 
circunstancias semelhantes. Imagina-se, acaso, que o corpo de funcionarios de qualquer outro 
pafs do mundo preteriria de maneira semelhante os desejos da nagao ante a frase oca "autoridade 
do Estado", como e corrente entre nos desde cinco anos, sendo ate considerado particularmente 
digno de elogios, quem assim procede? Nao assumem os dois credos, hoje em dia, na questao 
judaica, uma atitude que nao esta em harmonia nem com os desejos da nagao nem com os 
verdadeiros interesses da propria religiao? Compare-se, por exempio, a atitude de um rabino, em 
todas as questoes, mesmo de somenos importancia do judaismo como raga, com a do clero de 
ambos os credos cristaos com relagao a raga germanica. 

Isso acontece conosco toda vez que se trata de defender uma ideia abstrata. 

A "autoridade do Estado", a "democracia", o "pacifismo", a "solidariedade internacional", etc., 
sao ideias que sempre convertemos em concepgoes fixas, puramente doutrinarias, de sorte que 
todo julgamento sobre as necessidades vitals da nagao e feito exclusivamente por esse criterio. 

Essa maneira infeliz de considerar todas as aspiragoes pelo prisma de uma opiniao 
preconcebida destroi toda a capacidade de aprofundar-se o homem num assunto subjetivamente 
por contradizer objetivamente a propria teoria e conduz finalmente a uma inversao de meios e de 
finalidades. Toda tentativa de levantar a nagao sera repelida, desde que implique na extingao de 
um regime, mesmo mau, desde que seja uma infragao ao "principio de autoridade". O "principio de 
autoridade" nao e, porem, um meio para um fim, antes, aos olhos desses fanaticos da objetividade, 
representa o proprio fim, o que e suficiente para explicar a triste vida desse principio. Assim e que, 
por exempio, toda tentativa por uma ditadura seria recebida com indignagao, mesmo que o seu 
executor fosse um Frederico, o Grande, e que os artistas politicos de uma maioria parlamentar 
momentanea nao passassem de anoes incapazes ou de individuos medfocres. A lei da democracia 
parece mais sagrada para um desses doutrineiros que o bem da nagao. Um protegera, portanto, a 
pior tirania que aniquila um povo, desde que o "principio de autoridade" se corporiza nela, ao passo 
que outro rejeita mesmo o mais abengoado governo, desde que este nao corresponda a sua 
concepgao de democracia. 

Da mesma maneira o nosso pacifista alemao silenciara diante do mais sangrento atentado 
contra o povo, mesmo que ele parta das mais rudes Forgas militares; silenciara desde que a 
mudanga desse destino so seja possivel por meio de uma resistencia, portanto, de uma violencia, 
pois isso contraria o seu espirito pacifista. O socialista alemao internacional, entretanto, pode ser 
saqueado solidariamente pelo resto do mundo; ele mesmo retribui com simpatia fraternal e nao 
pensa em reparagoes ou mesmo protestos, pois que ele e - um alemao. 

Isso pode ser deploravel, porem quem quiser modificar uma situagao deve reconhece-la 
primeiramente. O mesmo acontece com a defesa dos anseios do povo alemao por uma parte do 
clero. Por si, isso nao representa nem ma vontade, nem e provocado, por exempio, por ordem "de 
cima". Vemos, porem, nessa fraqueza nacional, o resultado de uma educagao tambem faiha no 



sentido da germanizagao da juventude como tambem, por outro lado, uma submissao irrestrita a 
ideia tornada idolo. 

A educagao para a democracia, para o socialismo de feitio internacional, para o pacifismo, etc., 
e tao rfgida e radical, portanto considerada por eles puramente subjetiva que, com isso, a imagem 
geral do resto do mundo e influenciada por essa nogao fundamental, ao passo que a atitude para 
com germanismo desde a juventude sempre se caracterizou pelo seu objetivismo. Dessa 
maneira o pacifista alemao que se submete subjetivamente a sua ideia, procurara sempre primeiro 
OS direitos objetivos, mesmo em casos de ameagas injustas e pesadas a seu povo e nunca se 
colocara, por puro instinto de conservagao, na fileira de seu rebanho para lutar ao lado dele. 

Quanto isso vale para os varios credos, pode ser mostrado pelo seguinte: 

O protestantismo representa, por si, melhor, as aspiragoes do germanismo, desde que esse 
germanismo esteja fundamentado na origem e tradigoes da sua igreja; faiha, entretanto, no 
momento em que essa defesa dos interesses nacionais tenha de realizar-se num dominio em 
discordancia com a sua tradicional maneira de conceber os problemas mundiais. 

O protestantismo servira para promover tudo o que e essencialmente germanico, sempre que 
se trate de pureza interior ou, de intensificar o sentimento nacional, ou de defesa da vida alema, da 
Ifngua e tambem da liberdade, uma vez que tudo isso e parte essencial nele; mas e mais hostil a 
qualquer tentativa de salvar a nagao das garras de seu mais mortal inimigo, porque a sua atitude 
em relagao ao judaismo foi tragada mais ou menos como um dogma. Nisso ele gira indecisamente 
em torno da questao e, a nao ser que essa questao seja resolvida, nao tera sentido ou 
possibilidade de exito qualquer tentativa de um renascimento alemao. 

Durante minha estadia em Viena, eu five bastante prazer e oportunidade de examinar essa 
questao, sem espirito preconcebido e, pude ainda verificar milhares de vezes, no convivio diario, a 
corregao desse modo de ver. 

Nessa cidade em que estao em foco as mais variadas ragas, era evidente, a todos parecia 
claro, que somente o pacifista alemao procura considerar sempre objetivamente as aspiragoes de 
sua propria nagao, porem nunca o faz assim o judeu em relagao as do seu povo; que somente o 
socialista alemao e "internacional", isto e, e proibido de fazer justiga a seu proprio povo de outra 
maneira que nao seja com lamentagoes e choro entre os companheiros internacionais. Nunca 
agem assim o tcheco, o polaco, etc. Enfim, reconheci desde entao, que a desgraga so em parte 
esta nessas teorias e, por outra parte, em nossa insuficiente educagao com relagao ao 
nacionalismo e numa dedicagao diminuida, em virtude disso, em relagao ao mesmo. 

Por essas razoes, falhou o primeiro fundamento puramente teorico do movimento 
pangermanista contra o catolicismo. 

Eduque-se o povo alemao, desde a juventude, no reconhecimento firme dos direitos da propria 
nacionalidade e nao se empestem os coragoes infantis com a maldigao de nossa "objetividade", 
mesmo em coisas relativas a conservagao do proprio eu, e em pouco tempo, verificar-se-a que 
(supondo-se um governo radical nacional), assim como na Irlanda, na Polonia ou na Franga, o 
catolico alemao sera sempre alemao. 

A mais formidavel prova disso foi fornecida naquela epoca em que, pela ultima vez, o nosso 
povo, em defesa de sua existencia, se apresentou, diante da justiga da Historia, em uma luta de 
vida e de morte. 

Enquanto naquele momento nao faltou a diregao de cima, o povo cumpriu o seu dever do modo 
mais decisivo. 

Pastor protestante ou padre catolico, ambos contribuiram infinitamente para uma longa 
conservagao de forga de resistencia, nao so no "front" mas, sobretudo, no interior do pafs. Nesses 
anos, e sobretudo nos primeiros momentos de entusiasmo, so existia na realidade um unico 
imperio alemao sagrado nos dois campos e para cuja subsistencia e futuro cada um se dirigia ao 
seu ceu. 

O movimento pangermanista na Austria deveria ter-se proposto a seguinte pergunta: E ou nao 
possivel a conservagao do germanismo austriaco sob uma fe catolica? No caso afirmativo, o 
partido politico nao se deveria ter incomodado com a questao religiosa ou de credo. Em caso 
contrario, seria necessaria uma reforma religiosa e nunca um partido politico. 

Aquele que pensa poder chegar, pelo atalho de uma organizagao politica, a uma reforma 
religiosa, mostra somente que Ihe falta qualquer vislumbre da evolugao das nogoes religiosas ou 
mesmo das dogmaticas e da atuagao pratica do clero. 



Na realidade nao se pode servir a dois senhores, sendo que eu considero a fundagao ou 
destruigao de uma religiao muito mais importante do que a fundagao ou destruigao de um Estado, 
quanto mais de um partido. 

Nao se diga que os aludidos ataques foram a defesa contra ataques do lado contrario! 

E certo que, em todas as epocas, houve individuos sem consciencia que nao tiveram pejo de 
fazer da religiao instrumento de seus interesses polfticos (pois e disso que se trata quase sempre e 
exclusivamente entre esses pulhas). Entretanto, e falso tornar a religiao ou o credo responsavel 
por um bando de patifes que dela fazem mau uso, da mesma forma por que poriam qualquer outra 
coisa a servigo de seus baixos instintos. 

Nada pode melhor servir a um tratante e mandriao parlamentar do que a oportunidade que 
assim se Ihe oferece de, ao menos posteriormente, conseguir a justificagao de sua esperteza 
politica. Pois logo que a religiao ou o credo e responsabilizado por uma maldade pessoal e por 
isso atacados, o maroto chama, com berreiro formidavel, o mundo inteiro para testemunhar quao 
justa fora a sua atuagao e como, gragas a ele e a sua loquacidade, foram salvas a religiao e a 
igreja. Os contemporaneos, tao tolos quanto esquecidos, nao reconhecem o verdadeiro causador 
da luta, devido ao grande berreiro que se faz ou nao se lembram mais dele e assim atinge o patife 
seu objetivo. 

Essas astuciosas raposas sabem bem que isso nada tem a ver com a religiao. Por isso mais rira 
ele consigo mesmo, enquanto que o seu adversario, honesto porem inabil, perde a cartada e retira- 
se de tudo, desiludido da lealdade e da fe nos homens. 

Em outro sentido, seria tambem injusto tomar a religiao ou mesmo a igreja como responsavel 
pelos desacertos de quaisquer individuos. 

Compare-se a grandeza da organizagao visfvel com a defeituosidade media dos homens em 
geral e sera necessario admitir que a relagao do bem para o mal e melhor entre nos do que em 
qualquer outra parte. E certo que ha tambem, mesmo entre os proprios padres, alguns para os 
quais a sua fungao sagrada e apenas um meio para a satisfagao de sua ambigao- politica e que 
chegam mesmo a esquecer, na luta politica, muitas vezes de maneira mais do que lamentavel, que 
deveriam ser os guardas de uma verdade superior e nao os representantes da mentira e da 
calunia. Entretanto para cada indigno desses ha, por outro lado, milhares e milhares de curas 
honestos, dedicados da maneira mais fiel a sua missao que, em nossos tempos atuais, tao 
mentirosos como decadentes, se destacam como pequenas ilhas num pantano geral. 

Tao pouco condeno ou devo condenar a igreja pelo fato de um sujeito qualquer de batina cair 
em falta imunda contra os costumes, quando muitos outros mancham e traem a sua nacionalidade, 
em uma epoca em que isso ocorre freqiJentemente. Sobretudo hoje em dia, e bom nao esquecer 
que para cada Efialtes ha milhares de pessoas que, com o coragao sangrando, sentem a 
infelicidade de seu povo e, como os melhores de nossa nagao, desejam ansiosamente a hora em 
que para nos o ceu possa sorrir tambem. 

A quem, porem, responde que, no caso, nao se trata de pequenos problemas da vida diaria, 
mas sobretudo de questoes de verdade fundamental e de conteudo dogmatico, pode-se dar a 
devida resposta com outra questao: 

"Se te considerares feito pelo destino a fim de proclamar a verdade, faze-o; tem, porem, 
tambem, a coragem de nao quereres fazer isso pelo talho de um partido politico - pois constitui 
tambem esperteza, mas coloca, em lugar do mal de agora, o que Ihe parece melhor para o futuro. 

Se porventura te faltar a coragem ou se nao conheceres bem o que em ti ha de melhor, nao te 
metas; em todo caso, nao tentes, pelo recurso de um movimento politico, conseguir 
astuciosamente aquilo que nao tens coragem de fazer de viseira erguida". 

Os partidos polfticos nada tem a ver com os problemas religiosos, a nao ser que estes, 
estranhos ao povo, venham solapar os costumes e a moral da propria raga. A religiao tambem nao 
se deve imiscuir em intrigas do partidarismo politico. 

Ouando os dignitarios da igreja se servem de instituigoes ou doutrinas religiosas para prejudicar 
a sua nacionalidade, nunca deverao ser seguidos nessa triiha e sim combatidos com as mesmas 
arm as. 

As doutrinas e Instituigoes religiosas de seu povo devem ser intangiveis para o chefe politico; 
ao contrario, este nao deveria ser politico e sim reformador! 

Qualquer outra atitude conduziria a uma catastrofe, especialmente na Alemanha. 

Nas minhas observagoes sobre o movimento pangermanista em sua luta contra Roma, cheguei. 



naquela ocasiao e, sobretudo posteriormente, a seguinte conclusao: devido a sua fraca 
compreensao da significagao do problema social, o movimento perdeu a forga combativa da massa 
popular. Indo ao parlamento, perdeu a sua forga de impulsao e sobrecarregou-se com toda a 
fraqueza inerente aquela instituigao. A sua luta contra a igreja desacreditou-o perante muitas 
camadas das classes baixa e media e privou-o de muitos dos melhores elementos que se 
poderiam indicar como essencialmente nacionais. 

Os resultados da "Kulturkampf" na Austria foram praticamente nulos. 

E verdade que foi possivel arrancar perto de cem mil membros a igreja, porem sem que ela por 
isso tivesse sofrido dano sensivel. Realmente, nesse caso, nao havia necessidade de chorar pelas 
"ovelhinhas" perdidas; ela so perdeu o que ha ja muito tempo intimamente Ihe nao pertencia. Essa 
era a diferenga entre a nova reforma e a antiga. Outrora, muitos dos melhores elementos da igreja 
se tinham afastado dela por convicgao religiosa intima, ao passo que agora so os "mornos" e que 
se foram e por "consideragoes" politicas. 

Justamente do ponto de vista politico o resultado foi muito ridiculo e deploravel. Mais uma 
vez fracassara um promissor movimento politico da nagao alema por nao ter sido conduzido com a 
necessaria sobriedade, mas perdera-se um campo que forgosamente teria de conduzir a um 
desagregamento. 

A verdade, pois, e que: 

O movimento pangermanista jamais teria cometido esse erro, se nao possuisse pouca 
compreensao da psicologia da massa. Se os seus chefes tivessem sabido que para conseguir 
exito nao se deve nunca mostrar a massa dois ou mais adversarios, por consideragoes puramente 
psfquicas, pois isso conduziria de outra maneira ao desagregamento da forga combativa, so por 
esse motivo o movimento pangermanista deveria ter sido principalmente dirigido contra um so 
adversario. Nada mais perigoso para um partido politico que deixar-se levar nas suas decisoes por 
levianos que tudo querem sem conseguir jamais coisa alguma. 

Mesmo que nos varios credos haja muita coisa a eliminar o partido politico nao deve perder de 
vista um minuto o fato de que, a julgar por toda a experiencia da historia ate hoje, nunca um partido 
politico conseguiu, em situagoes semelhantes, chegar a uma reforma religiosa. Nao se estuda, 
porem, a historia para nao recordar os seus ensinamentos quando e chegada a hora de aplica-la 
praticamente ou para pensar que as coisas agora sao outras e que, portanto, as suas verdades 
nao sao mais aplicadas, mas aprende-se dela justamente o ensino util para o presente. Quem nao 
consegue isso, nao deve ter a pretensao de ser chefe politico. Esse e na realidade um idiota 
superficial e muito convencido e toda boa vontade nao desculpa a sua incapacidade pratica. 

A arte de todos os grandes condutores de povos, em todas as epocas, consiste, em primeira 
linha, em nao dispersar a atengao de um povo e sim em concentra-la contra um unico adversario. 
Quanto mais concentrada for a vontade combativa de um povo, tanto maior sera a atragao 
magnetica de um movimento e mais formidavel o impeto do golpe. Faz parte da genialidade de um 
grande condutor fazer parecerem pertencer a uma so categoria mesmo adversarios dispersos, 
porquanto o reconhecimento de varios inimigos nos caracteres fracos e inseguros muito facilmente 
conduz a um principio de duvida sobre o direito de sua propria causa. 

Logo que a massa hesitante se ve em luta contra muitos inimigos, surge imediatamente a 
objetividade e a pergunta de se realmente todos estao errados ou so o proprio povo ou o proprio 
movimento e que esta com o direito. 

Com isso aparece tambem o primeiro colapso da propria forga. Dai ser necessario que uma 
maioria de adversarios infernos seja sempre vista em blocos, de sorte que a massa dos proprios 
adeptos julgue que a luta seja dirigida contra um inimigo unico. Isso fortalece a fe no proprio direito 
e aumenta a irritagao contra o inimigo. 

O fato de o movimento pangermanista nao ter compreendido isso Ihe custou a derrota. 

O seu objetivo estava certo. A vontade era pura. O caminho seguido, porem, estava errado. Ele 
se assemelhava a um alpinista que tem em vista o pico a ser galgado e que se poe a caminho com 
decisao e forga, sem porem dedicar atengao a esse ultimo, tendo a vista sempre voltada para o 
objetivo, sem atentar na triiha que segue. Por isso, fracassa. 

Inversamente, parecia passarem-se as coisas nas fileiras do adversario - no Partido Socialista 
Cristao. 

O caminho seguido por este foi sabia e seguramente escolhido. Entretanto, faltou-Ihe a 
compreensao exata do objetivo. 



Em quase todos os pontes em que o movimento pangermanista falhou, eram bem e 
corretamente pensadas as disposigoes do Partido Socialista Cristao. 

Ele compreendia exatamente a importancia das massas e, desde o seu inicio, atraiu a si uma 
certa camada popular, pela ostensiva afirmagao de seu carater social. E desde que se dispos a 
ganhar a classe media e a classe dos artesaos, ganhou permanentes e fieis sectarios, prontos 
para o sacrificio de si mesmos. O partido evitou combater contra quaisquer organizagoes 
representadas pela Igreja, assegurando-se, assim, o apoio dessa poderosa organizagao. Possuia, 
por isso, um unico adversario verdadeiramente grande. Compreendeu o valor da propaganda em 
larga escala e especializou-se em influenciar psicologicamente os instintos da grande maioria de 
seus adeptos. 

O fato de ter o partido falhado em seu sonho de salvar a Austria foi devido aos seus metodos, 
que eram errados em dois sentidos, assim como a obscuridade de seus objetivos. 

Em vez de ser fundado sobre base racial, o seu anti-semitismo tinha fundamento religioso. A 
razao por que esse erro se insinuou foi a mesma que causou o segundo erro. 

Se Partido Socialista Cristao quisesse salvar a Austria nao se deveria apoiar, na opiniao de 
seu fundador, no principio racial, desde que, de qualquer modo, em breve prazo, ocorreria a 
dissolugao geral do Estado. Os chefes do partido entenderam que a situagao em Viena exigia que 
se evitassem as tendencias para a dispersao e se apoiassem todos os pontos de vista 
conducentes a unidade. 

Naquela epoca, Viena se achava fortemente impregnada de elementos tchecos e nada a nao 
ser a extrema tolerancia nos problemas raciais poderia evitar que aquele partido fosse anti- 
germanico desde o inicio. - Para salvagao da Austria, aquele partido nao poderia ser dispensado. 
Por isso fizeram esforgos especiais para ganhar o grande numero de pequenos negociantes 
tchecos de Viena pela oposigao a escola liberal de Manchester e, com isso, julgavam haver 
descoberto um grito de guerra para a luta contra o judaismo, luta baseada na religiao, que deixaria 
na sombra todas as diferengas de raga da veiha Austria. 

Claro e que um combate em tal base molestaria muito pouco os judeus. Na pior das hipoteses, 
um pouco de agua benta bastaria para salvar os seus negocios e, ao mesmo tempo, o seu 
judaismo. 

Com essa base leviana, nunca foi possfvel tratar de maneira seria e cientifica do problema, mas 
apenas perderam-se muitos adeptos que nao compreendiam essa especie de anti-semitismo. Com 
isso a forga de aliciar adeptos ficaria circunscrita quase exclusivamente a cfrculos intelectuais 
restritos, a nao ser que se quisesse passar do puro sentimento para um verdadeiro do problema. A 
atitude das classes intelectuais era de franca negagao. A questao parecia cada vez mais limitar-se 
a uma nova tentativa de conversao dos judeus. Tinha-se ate a impressao de tratar-se de uma certa 
inveja de concorrente. Com isso a luta perdeu o carater de um movimento superior e para muitos - 
e justamente nao para os piores - tomou a aparencia de imoral e reprovavel. Faltava a convicgao 
de que se tratava de uma questao vital de toda a humanidade, de cuja solugao dependia o destino 
de todos OS povos nao judeus. 

As meias medidas, a indecisao, haviam destrufdo o valor da posigao anti-semitica do Partido 
Socialista Cristao. 

Era um anti-semitismo aparente, era pior do que nada, porque o povo tinha a ilusao de segurar 
firmemente o seu inimigo nas maos, quando este e que o guiava. 

O judeu, porem, em curto espago de tempo, de tal maneira se acostumara a essa especie de 
anti-semitismo, que a sua supressao certamente Ihe teria feito mais falta do que incomodos Ihe 
dava a sua existencia. 

Se Estado constituido de diferentes ragas ja exigia um sacrificio, maior ainda o exigia a 
defesa do germanismo. 

Nao se podia ser "nacionalista", a nao ser que, mesmo em Viena, se quisesse deixar de sentir a 
terra debaixo dos pes. Esperava-se salvar o Estado dos Habsburgos contornando suavemente 
essa questao e, assim, o atiravam diretamente a ruina. Com isso, porem, perdeu o movimento a 
unica poderosa fonte, de energia que pode fornecer forga, duradouramente, a um partido politico. 
O movimento cristao social tornou-se, com isso, um partido como qualquer outro. Eu havia seguido 
atentamente os dois movimentos, um por impulso intimo do coragao, o outro arrastado pela 
admiragao pelo homem raro que ja entao me aparecia como um simbolo amargo de todo o 
germanismo austriaco. 



Quando o formidavel cortejo funebre conduzia o falecido burgomestre da Rathaus para a 
Ringstrasse, tambem me encontrava entre as muitas centenas de milhares de pessoas que 
assistiam ao espetaculo funebre. Intimamente comovido, dizia-me o sentimento que tambem a 
obra desse homem tinha de ser em vao, devido a fatalidade que irrecusavelmente teria de conduzir 
aquele Estado ao aniquilamento. 

Se Dr. Karl Lueger tivesse vivido na Alemanha, teria sido incluido entre os maiores homens de 
nossa raga. Foi infelicidade sua e de sua obra que tivesse vivido naquele Estado insustentavel que 
era a Austria. 

Ao mesmo tempo de sua morte, ja comegava a espalhar-se vivamente, cada mes que se 
passava, aquela pequena clnama dos Balcas, de maneira que, por uma gentileza do destino, foi Ihe 
poupado ver aquilo que ele acreditava poder evitar. 

Eu, porem, tentei encontrar as causas do insucesso de ambos os movimentos e clneguei a 
convicgao firme de que, abstraindo inteiramente a impossibilidade de ainda conseguir na vellna 
Austria fortalecimento do Estado, os erros dos dois partidos eram os seguintes: 

O partido pangermanista teoricamente tinlna toda razao quanto ao objetivo da regeneragao 
germanica, mas era infeliz na escollna de seus metodos. Era nacionalista, mas, infelizmente, nao 
bastante social para ganhar a adesao da massa popular. O seu anti-semitismo era baseado na 
verdadeira apreciagao da importancia do problema racial e nao em- teorias religiosas. Por outro 
lado, a sua luta contra um credo definido estava errada tanto quanto aos fatos como quanto a 
tatica. 

As ideias do movimento cristao socialista acerca do objetivo do renascimento germanico eram 
demasiadamente vagas, mas, como partido, era feliz e inteligente na escoiha de seus metodos. 
Compreendia a importancia da questao social, mas laborava em erro na sua luta contra os judeus 
e ignorava inteiramente a forga do sentimento nacional. 

Se Partido Socialista Cristao possuisse, alem de sua inteligente compreensao da grande 
massa, uma nogao certa da importancia do problema da raga, como a tinha apanhado o 
movimento pangermanista, e tivesse ele tambem sido nacionalista ou tivesse o movimento 
pangermanista adotado, alem da sua compreensao certa do objetivo da questao judaica e da 
importancia do sentimento nacional, tambem a inteligencia pratica do Partido Socialista Cristao, 
sobretudo quanto a atitude em relagao ao socialismo - ter-se-ia produzido aquele movimento que, 
ja entao - estou convencido - poderia ter influido no destino do germanismo. 

Se isso assim nao aconteceu, foi devido, em grande parte, ao carater do Estado austriaco. 

Como nao via a minha convicgao realizada em nenhum outro partido, eu nao podia me decidir a 
ingressar em uma das organizagoes existentes ou mesmo colaborar na luta. Ja naquele tempo eu 
considerava todos os movimentos politicos falhados e incapazes de realizar o grande 
renascimento nacional do povo alemao. 

A minha antipatia pelo Estado dos Habsburgos crescia cada vez mais, naquela epoca. 

Quanto mais eu comegava a preocupar-me sobretudo com questoes de politica externa, tanto 
mais ganhava terreno a minha convicgao de que aquela estrutura estatal tinha de tornar-se- a 
desgraga do germanismo. Cada vez mais claramente via, enfim, que o destino da nagao alema nao 
mais seria decidido desse lugar e, sim, do proprio Reich. Isso, porem, nao dizia respeito apenas as 
questoes politicas, mas tambem a todas as questoes da vida cultural propriamente. 

O Estado austrfaco mostrava tambem no campo das atividades puramente culturais ou 
artfsticas todos os sintomas de decadencia, ou, pelo menos, a sua insignificancia para o futuro da 
nagao alema. No campo da arquitetura era que mais isso se fazia sentir. A arquitetura moderna, 
por isso mesmo, nao tinha grande exito na Austria, pois, apos a construgao da Ringstrasse, as 
obras, pelo menos em Viena, eram insignificantes relativamente aos grandes pianos que surgiam 
na Alemanha. 

Comecei assim a levar cada vez mais uma vida dupla; a razao e a realidade fizeram-me passar 
por uma tao amarga quanto abengoada escola na Austria. Entretanto o coragao andava por outros 
lugares. Um angustioso descontentamento me empolgara a medida que eu reconhecia a 
vacuidade em torno desse Estado e a impossibilidade de salva-lo, sentindo, ao mesmo tempo, com 
toda a certeza, que, em tudo e por tudo, ele so poderia representar a desgraga do povo alemao. 

Eu estava convencido de que o Estado se encontrava em situagao de poder dominar e inutilizar 
qualquer alemao verdadeiramente grande e de apoiar qualquer coisa que fosse contra o 
germanismo. 



Odiava o conglomerado de ragas, checos, polacos, hungaros, rutenos, servios, croatas, etc. e 
acima de tudo aquela excrescencia desses cogumelos presentes em toda parte - judeus e mais 
judeus. 

Para mim a cidade gigante parecia a encarnagao do incesto. 

O alemao que eu falava na juventude era o dialeto falado na Baixa Baviera; eu nao conseguia 
nem esquece-lo nem aprender a giria vienense. Quanto mais tempo eu permanecia naquela 
cidade, mais aumentava em mim o odio contra a estranlna mistura de ragas que comegava a 
corroer aquele velho centro cultural alemao. 

A ideia, porem, de que aquele Estado pudesse manter-se por mais tempo me pareceu 
inteiramente ridicula. 

A Austria era entao como um velho mosaico, cuja argamassa destinada a segurar as pedrinhas 
se tivesse tornado veiha e quebradiga. A obra consegue aparentar a sua existencia, mas logo que 
recebe um cheque, quebra-se em mil pedacinhos. A questao toda era saber quando se daria esse 
cheque. 

O meu coragao sempre pulsara, nao por uma monarquia austriaca e sim por um imperio 
alemao. A hora da decadencia desse Estado so me poderia parecer como o comego da redengao 
da nagao alema- Por todos esses motivos, cada vez se tornou mais intenso em mim o desejo de 
poder ir para o lugar para onde, desde a mais tenra juventude, me atrafam secreta ansia e decidido 
amor. 

Outrora eu desejara poder algum dia fazer nome como arquiteto e, em pequena ou grande 
escala, conforme o destine mandasse, prestar a nagao o meu devotado servigo. 

Finalmente, eu desejava ter a felicidade de, no local, poder desempenhar o meu papel no pafs 
onde mais ardente desejo de meu coragao tinha de ser realizado: a uniao de meu amado lar com 
a patria, comum. 

Muitas pessoas ainda hoje nao poderao compreender a grandeza de uma tal ansia. Entretanto 
eu me dirijo aqueles a quem o destine negou ate agora essa felicidade; dirijo-me a todos aqueles 
que, desligados da patria, tem de lutar ate pelo bem sagrado da lingua, e que, devido a seu 
sentimento de fidelidade a patria, sao perseguidos e martirizados e que, dolorosamente 
comovidos, esperam ansiosamente a hora que os deixe voltar de novo ao coragao da mae querida; 
dirijo-me a todos esses e sei que eles me compreenderao! 

So aquele que sente dentro de si o que significa ser alemao sem poder pertencer a patria 
querida e que podera medir a profunda ansia que em todos os tempos atormenta aqueles que dela 
se acham possuidos e nega-lhes satisfagao e felicidade ate que se Ihe abram as portas da casa 
paterna e no Reich comum o sangue comum torne a encontrar paz e sossego. 

Viena era e permaneceu para mim a mais rude, embora mais completa, escola de minha vida. 
Eu pisara essa cidade ainda meio crianga e abandonei-a ja homem feito. Nela recebi os 
fundamentos de uma concepgao politica em pequena escala, que mais tarde ainda five de 
completar em detalhes, porem que nunca mais me abandonara. O verdadeiro valor daqueles anos 
de aprendizado so hoje e que posso apreciar plenamente. 

Por isso e que tratei esse periodo mais desenvolvidamente, pois 'foi ele justamente que nessas 
questoes me proporcionou a primeira ligao de coisas em problemas que afetam os principles do 
partido, qual, tendo comegado em mui pequenas proporgoes, se acha, depois de apenas cinco 
anos, em vias de tornar-se um grande movimento popular. Nao sei qual seria hoje a minha atitude 
em face do judaismo, da social-democracia, de tudo o que se entende por marxismo, por questao 
social, etc., se a forga do destine, naquele primeiro periodo de minha vida, nao me tivesse dado 
um fundamento de opinioes formado pela experiencia pessoal. 

Pois, se bem que a desgraga da patria consegue estimular milhares e milhares de pessoas a 
pensarem nas causas intimas da derrocada, esse fato nao consegue nunca conduzir aquela 
profundidade, aquela aguda intuigao que se abre para aquele que, somente depois de muitos anos 
de luta, se tornou senhor do destine. 

CAPITULO IV-MUNIQUE 

Na primavera de 1912 fui definitivamente para Munique. 

Aquela cidade parecia-me tao familiar como se eu tivesse morado ha longo tempo dentro de 

seus muros. Isso provinha do fato de que os meus estudos a cada passo se reportavam a essa 



metropole da arte alema. Quem nao conhece Munique nao viu a Alemanha, quem nao viu Munique 
nao conhece a arte alema. 

Entretanto, esse periodo anterior a guerra foi o mais feliz e tranqiJilo de minha vida. Se bem que 
OS meus salarios fossem ainda muito reduzidos, eu nao vivia para poder pintar, mas pintava para 
dessa maneira, assegurar a minha vida ou, melhor, para assim poder continuar os meus estudos. 
Eu estava convencido de que um dia ainda conseguiria o meu objetivo. E so isso ja me fazia 
suportar com indiferenga todos os pequenos aborrecimentos da vida quotidiana. Acrescente-se 
mais grande amor que eu tinha por aquela cidade, quase que desde a primeira hora da minha 
permanencia ali. Uma cidade alema! Que diferenga de Viena! Sentia-me mal em pensar naquela 
babel de ragas. Mem disso, o dialeto muito mais chegado a mim, me fazia lembrar a minha 
juventude, sobretudo no trato com a Baixa Baviera. Havia milhares de coisas que ja eram ou com o 
tempo se me tornaram caras. O que, porem, mais me atraia era a admiravel alianga da forga e da 
arte no ambiente geral, essa linha unica de monumentos que vai do Hofbrauhaus ao Odeon, da 
Ocktoberfest a Pinacoteca. Sinto-me hoje pertencer mais aquela cidade do que a qualquer outro 
lugar do mundo e isso devido ao fato de estar a mesma inseparavelmente ligada a minha propria 
vida, a minha evolugao. O fato de, ja naquela ocasiao, eu gozar uma verdadeira tranquilidade, era 
de atribuir-se ao encanto que a admiravel residencia de Witteisbach exerce sobre todos os homens 
que possuam qualidades intelectuais aliadas a sentimentos artfsticos. 

O que, afora os trabalhos de minha profissao, mais me atrafa, era o estudo dos acontecimentos 
politicos do dia, sobretudo os da politica externa. Eu cheguei a estes atraves dos rodeios da 
politica alema de alianga, a qual, desde os meus tempos da Austria, considerava absolutamente 
falsa. Apenas nao compreendera, em Viena, em toda a sua extensao, como o Reich a si mesmo se 
enganava, com a pratica daquela politica. Ja naquela epoca estava eu inclinado a admitir - ou 
procurava convencer-me a mim mesmo, exclusivamente como desculpa - que possivelmente em 
Berlim ja se sabia quao fraco e pouco merecedor de confianga seria na realidade o aliado 
austriaco, o que, entretanto, por motivos mais ou menos secretos, se mantinha sob reserva, a fim 
de apoiar uma politica de alianga que o proprio Bismarck havia inaugurado e cujo abandono brusco 
nao era aconselhavel, para nao assustar o estrangeiro ou inquietar o povo, no interior. 

Entretanto, as minhas relagoes, sobretudo entre o povo, fizeram que muito depressa verificasse, 
horrorizado, que essa minha convicgao era falsa. Com grande surpresa minha, five de constatar, 
em toda parte, que, mesmo nos circulos bem informados, nao se tinha a mais palida ideia do 
carater da monarquia dos Habsburgos. Justamente entre o povo dominava a persuasao de que o 
aliado devia ser considerado uma potencia de verdade que, na hora do perigo, agiria como um so 
homem. No seio da massa, considerava-se sempre a Monarquia como um Estado "alemao" e 
pensava-se tambem poder contar com ela. Pensava-se que a forga nesse caso tambem podia ser 
computada por milhares, como por exempio na propria Alemanha, e esquecia-se, inteiramente: 
1.°) que, ha muito tempo, a Austria deixara de ser um Estado de carater alemao; 
2.°) que as condigoes internas daquele pais cada vez mais tendiam para a desagregagao. 

Naquele tempo se conhecia melhor aquela estrutura de Estado do que a chamada "diplomacia" 
oficial, a qual, como quase sempre, cambaleava cegamente para a fatalidade. A disposigao de 
animo do povo nada mais era que o resultado daquilo que de cima se despejava na opiniao 
publica. Os de cima, porem, mantinham pelo aliado um culto como pelo bezerro de ouro. Esperava- 
se poder substituir por habilidade aquilo que faltava em sinceridade. Tomavam-se sempre as 
palavras como valores reals. 

Em Viena eu me encolerizava ao constatar a diferenga que, de tempos a tempos, aparecia 
entre os discursos dos estadistas oficiais e o modo de expressar-se da imprensa local. Entretanto, 
Viena era, ao menos aparentemente, uma cidade alema. Como eram diferentes as coisas, quando 
se saia de Viena, ou melhor da Austria alema, e se caia nas provincias eslavas do Reich! Bastava 
que se manuseassem os jornais de Praga para saber-se de que maneira era ali julgada a sublime 
fantasmagoria da Triplice Alianga. Ali so havia cruel ironia e sarcasmo para essa obra-prima dos 
"estadistas". Em plena paz, enquanto os dois imperadores trocavam entre si o beijo da amizade, 
ninguem ocultava que essa alianga desapareceria no dia em que se tentasse, do mundo de 
fantasias, - especie de ideal dos Nibelungen - transporta-la para a realidade pratica. 

Quanta excitagao houve quando, alguns anos depois, chegada a hora da prova da Triplice 
Alianga, a Italia abandonou-a, deixando os seus dois companheiros, para, enfim, transformar-se 
em inimiga! A nao ser para aqueles que estivessem atacados de cegueira diplomatica, era 



simplesmente incompreensivel que, mesmo por um minuto, se pudesse acreditar no milagre de vir 
a Italia a combater ao lado da Austria. Entretanto, as coisas na Austria nao se passavam de modo 
diferente. 

Na Austria, so os Habsburgos e os alemaes eram adeptos da ideia de alianga. Os Habsburgos 
por calculo e necessidade; os alemaes por credulidade e estupidez politica. Por credulidade, 
porque eles pensavam, por meio da Triplice Alianga, prestar um grande servigo a Alemanha, 
fortalece-la e protege-la; por estupidez politica, porem, porque o que eles imaginavam nao 
correspondia a realidade, pois que estavam apenas concorrendo para acorrentar o Imperio a 
carcassa de um Estado morto, que teria de arrasta-los ao abismo, sobretudo porque aquela alianga 
contribuia para, cada vez mais, desgermanizar a propria Austria. Porque, desde que os 
Habsburgos acreditavam que uma alianga com o Imperio poderia garanti-los contra qualquer 
interferencia de parte deste - e infelizmente nisso tinham razao - eles ficavam capacitados a 
continuarem na sua politica de livrar-se, gradualmente, da influencia germanica no interior, com 
mais facilidade e menos risco. Eles tinham que temer qualquer protesto de parte do governo 
alemao, que era conhecido pela "objetividade" de seu ponto de vista e, alem disso, tratando com 
OS austrfacos alemaes, podiam sempre fazer calar qualquer voz impertinente que se levantasse 
contra qualquer feio exempio de favoritismo para com os eslavos, com uma simples referenda a 
Trfplice Alianga. 

Que poderia fazer o alemao na Austria, se o proprio alemao do Imperio exprimia 
reconhecimento e confianga no governo dos Habsburgos? 

Deveria oferecer resistencia para depois ser estigmatizado por toda a opiniao publica alema 
como traidor da propria nacionalidade? Ele, que ha dezenas de anos vinha fazendo os maiores 
sacrificios pela sua nacionalidade! 

Que valor, porem, possuia essa alianga, caso tivesse sido destruido o germanismo da 
monarquia dos Habsburgos. Nao era, para a Alemanha, o valor da Triplice Alianga, dependente da 
manutengao da hegemonia alema na Austria? Qu acreditava-se, por acaso, que mesmo com a 
eslavizagao do Imperio dos Habsburgos, se pudesse manter a alianga? 

A atitude da diplomacia alema oficial, bem como tambem de toda a opiniao publica com relagao 
ao problema interno das nacionalidades na Austria, nao era simplesmente uma tolice mas uma 
verdadeira loucura! Contava-se com uma alianga, fazia-se o futuro e a seguranga de um povo de 
setenta milhoes de habitantes dependerem dela - e ficava-se observando, impassivel, como, de 
ano para ano, a unica base para essa alianga era sistematicamente, infalivelmente destruida pelo 
aliado! Chegaria o dia em que restaria apenas um "tratado" com a diplomacia vienense, mas o 
auxilio do aliado do Imperio faltaria no momento oportuno. 

Na Italia isso se verificara desde o principio. 

Se se tivesse feito um estudo mais inteligente da historia da Alemanha e da psicologia da raga, 
ninguem poderia ter acreditado, por um instante, que o Quirinal de Roma e o Hofburg de Viena 
viessem um dia a lutar, lado a lado, em uma frente unica de batalha. A Italia se transformaria num 
vulcao antes que qualquer governo ousasse enviar um so italiano a combate. Q Estado dos 
Habsburgos era fanaticamente odiado. Qs italianos so poderiam marchar como inimigos! Mais de 
uma vez vi flamejar em Viena o apaixonado desdem e insondavel odio que mantinham os italianos 
contra o Estado austrfaco. Qs erros e crimes da Casa de Habsburgo, no decurso dos seculos, 
contra a liberdade e a independencia da Italia, eram demasiado grandes para jamais serem 
esquecidos, mesmo na hipotese de haver qualquer desejo nesse sentido. Nao havia tal desejo 
nem entre o povo nem de parte do governo italiano. Para a Italia, por isso, so havia dois modos 
possiveis de tratar com a Austria - a alianga ou a guerra. 

Tendo escolhido o primeiro, podiam eles preparar-se calmamente para o segundo. 

A politica alema de alianga era ao mesmo tempo inexpressiva e arriscada, especialmente desde 
que as relagoes da Austria para com a Russia tendiam crescentemente para uma solugao pela 
guerra. 

Foi esse um caso classico, em que se pode constatar a falta de grandiosas e acertadas linhas 
de conduta. 

Por que, pois, foi concluida uma alianga? Simplesmente para garantir o futuro do Reich, quando 
ele estava em posigao de manter-se sobre os proprios pes. Q futuro do Reich estava na politica de 
habilitar, por todos os meios, a nagao alema a continuar existindo. 

Por consequencia, o problema deveria ter sido posto assim: que forma devera assumir a vida da 



nagao alema em um future tangivel? E como se podera garantir a essa evolugao os necessaries 
fundamentos e a necessaria seguranga, no quadro do concerto das potencias europeias? 

Considerando claramente as condigoes para a atividade da polftica externa, tinha-se de 
fatalmente chegar a seguinte convicgao: 

A Alemanha tern um acrescimo de populagao de, aproximadamente, 900 mil almas por ano. A 
dificuldade de alimentagao desse exercito de novos cidadaos tem de aumentar de ano para ano e 
acabar finalmente numa catastrofe, caso se nao encontrem meios de, em tempo, dominar o perigo 
da miseria e da tome. 

Havia quatro caminhos para evitar esse tremendo desenlace. 

1° Podia-se, a exempio da Franga, limitar artificialmente o acrescimo de nascimentos e, com 
isso, impedir uma superpopulagao. 

A propria natureza costuma agir no sentido de limitar o aumento de populagao de determinadas 
terras ou ragas, em epocas de grandes necessidades ou mas condigoes climaticas, bem como de 
pobreza do solo; e isso com um metodo tao sabio quao inexoravel. Ela nao impede a capacidade 
de procriagao em si e sim, porem, a conservagao dos rebentos, fazendo com que eles fiquem 
expostos a tao duras provagoes que o menos resistente e forgado a voltar ao seio do eterno 
desconhecido, o que ela deixa sobreviver as intemperies esta milhares de vezes experimentado e 
capaz de continuar a produzir, de maneira que a selegao possa recomegar. Agindo desse modo 
brutal contra o individuo e chamando-o de novo momentaneamente a si, desde que ele nao seja 
capaz de resistir a tempestade da vida, a natureza mantem a raga, a propria especie, vigorosa e a 
torna capaz das maiores realizagoes. 

A diminuigao do numero, por esse processo, redunda em um reforgo da capacidade do 
indivfduo e, por conseguinte, em ultima analise, em um revigoramento da especie. 

As coisas se passam de outra maneira quando e o homem que toma a iniciativa de provocar a 
limitagao de seu numero. Ai e preciso considerar nao so o fator natural como o humano. O homem 
sabe mais que essa cruel rainha de toda a sabedoria - a natureza. Ele nao limita a conservagao do 
individuo, mas a propria reprodugao. Isso Ihe parece, a ele que sempre tem em vista a si mesmo e 
nunca a raga, mais humano e mais justificado que o inverso. Infelizmente, porem, as 
consequencias sao tambem inversas. 

Enquanto a natureza, liberando a geragao, submete, entretanto, a conservagao da especie a 
uma prova das mais severas, escolhendo dentro de um grande numero de individuos os que julga 
melhores e so a estes conserva para a perpetuagao da especie, o homem limita a procriagao e se 
esforga, aferradamente, para que cada ser, uma vez nascido, se conserve a todo prego. Essa 
corregao da vontade divina Ihe parece ser tao sabia quanto humana e ele alegra-se de, mais uma 
vez, ter sobrepujado a natureza e ate de ter provado a insuficiencia da mesma. E o filho de Adao 
nao quer ver nem ouvir falar que, na realidade, o numero e limitado, mas a custa do apoucamento 
do individuo. 

Sendo limitada a procriagao e diminufdo o numero dos nascimentos, sobrevem, em lugar da 
natural luta pela vida, que so deixa viverem os mais fortes e mais saos, a natural mania de 
conservar e "salvar" a todos, mesmo os mais fracos, a todo prego. Assim se deixa a semente para 
uma descendencia que sera tanto mais lamentavel quanto mais prolongado for esse escarnio 
contra a natureza e suas determinagoes. 

O resultado final e que um tal povo um dia perdera o direito a existencia neste mundo, pois o 
homem pode, durante um certo tempo, desafiar as leis eternas da conservagao, mas a vinganga 
vira mais cedo ou mais tarde. Uma geragao mais forte expulsara os fracos, pois a ansia pela vida, 
em sua ultima forma, sempre rompera todas as correntes ridiculas do chamado espfrito de 
humanidade individualista, para, em seu lugar, deixar aparecer uma humanidade natural, que 
destroi a debilidade para dar lugar a forga. 

Aquele, pois, que quiser assegurar a existencia ao povo alemao limitando a sua multiplicagao, 
rouba Ihe com isso o futuro. 

2° Outro caminho seria aquele que hoje em dia freqiJentemente ouvimos aconselhado e 
louvado: a chamada colonizagao interna. Essa e uma proposta que muitos fazem, na melhor das 
intengoes, que e, porem, mal compreendida pela maioria e que pode trazer, por isso, os maiores 
prejuizos imaginaveis. Sem duvida, a capacidade produtiva de um terreno pode ser elevada ate 
determinado limite. Mas so ate esse limite determinado e nao infinitamente mais. Durante um certo 
lapso, poder-se-a, portanto, compensar, sem perigo de tome, a multiplicagao do povo alemao por 



meio do aumento do rendimento de nosso solo. Entretanto, a isso se opoe o fato de crescerem as 
necessidades da vida mais do que o numero da populagao. As necessidades humanas com 
relagao ao alimento e ao vestuario crescem de ano para ano e, por exempio, ja hoje em dia, nao 
estao em proporgao com as necessidades de nossos antepassados de cem anos atras. E, pois, 
erroneo pensar que cada elevagao da produgao provoque a condigao necessaria a uma 
multiplicagao da populagao. Isso se da ate um certo ponto, pois que ao menos uma parte do 
aumento da produgao do solo e consumida na satisfagao das necessidades superiores da 
humanidade. Entretanto, com a maxima parcimonia de um lado e a maxima diligencia por outro 
lado, chegara um dia em que um limite sera atingido pelo proprio solo. Mesmo com toda a 
diligencia, nao sera possivel aproveita-lo mais e surgira, embora protelada por algum tempo, uma 
nova calamidade. A tome aparecera de tempos em tempos, quando houver ma colheita. Com o 
aumento da populagao, isso se dara cada vez mais, de sorte que isso so nao aparecera quando 
raros anos de riqueza encherem os armazens de viveres. Entretanto, finalmente, aproximar-se-a a 
epoca em que nao se podera mais atender a miseria e a tome, entao, tornar-se-a a companheira 
de um tal povo. A natureza tera de prestar auxilio de novo e proceder a selegao entre os 
escolhidos, destinados a viver; ou entao e o proprio homem que a si mesmo se auxilia, langando 
mao do impedimento artificial de sua reprodugao com todas as graves consequencias para a raga 
e para a especie. Poder-se-a ainda objetar que esse futuro esta destinado a toda a humanidade, 
de uma maneira ou de outra, e que, portanto, nenhum povo conseguira naturalmente escapar a 
essa fatalidade. 

A primeira vista, sem mais consideragoes, isso esta certo. Ha, tambem, a considerar o seguinte: 
numa determinada epoca, toda a humanidade sera certamente forgada a interromper o aumento 
do genero humano ou a deixar a natureza decidir, por si propria. Essa situagao atingira a todos os 
povos, mas atualmente so serao atingidas por essa miseria as ragas que nao possuem energia 
suficiente para assegurarem para si o solo necessario. Ninguem contesta que, hoje em dia, ainda 
ha neste mundo solo em extensao formidavel e que so espera quem o queira cultivar. Da mesma 
forma tambem e certo que esse solo nao foi reservado pela natureza para uma determinada nagao 
ou raga, como superficie de reserva para o futuro. Trata-se, sim, de terra e solo destinados ao povo 
que possua a energia de o conquistar e a diligencia de o cultivar. 

A natureza nao conhece limites politicos. Preliminarmente, ela coloca os seres neste globo 
terrestre e flea apreciando o jogo livre das forgas. O mais forte em coragem e em diligencia recebe 
premio da existencia, sempre atribuido ao mais resistente. 

Quando um povo se limita a colonizagao interna, enquanto outras ragas se agarram a cada vez 
maiores extensoes territorials, sera forgado a restringir as suas necessidades, em uma epoca em 
que OS outros povos ainda se acham em constante multiplicagao. Esse caso da-se tanto mais cedo 
quanto menor for o espago a disposigao de um povo. Como, porem, em geral, infelizmente, as 
melhores nagoes, ou mais corretamente falando, as unicas ragas verdadeiramente culturais, 
portadoras de todo o progresso humano, muitas vezes se resolvem na sua cegueira pacifista a 
desistir de nova aquisigao de solo, contentando-se com a colonizagao "interna", nagoes inferiores 
sabem assegurar-se enormes territorios. Tudo isso conduz a um resultado final: 

As ragas culturalmente melhores, mas menos inexoraveis, teriam de limitar a sua multiplicagao, 
por forga da limitagao do solo, ao passo que os povos culturalmente mais baixos, naturalmente 
mais brutais, ainda estariam, em conseqiJencia da maior superficie disponivel, em condigoes de se 
reproduzirem ilimitadamente, por outras palavras, dia viria em que o mundo passaria a ser 
dominado por uma humanidade culturalmente inferior, porem mais energica. 

Assim, para um futuro nao muito remoto, so ha duas possibilidades: ou o mundo sera 
governado nos moldes de nossas modernas democracias e entao o fiel da balanga decidira a favor 
das ragas numericamente mais fortes, ou o mundo sera - governado segundo as leis da ordem 
natural e vencerao entao os povos de vontade brutal e, por consequencia, nao a nagao que se 
limita a si mesma. 

O que ninguem podera duvidar e que o mundo sera exposto as mais graves lutas pela 
existencia da humanidade. No fim, vence sempre o instinto da conservagao. Sob a pressao deste, 
desaparece o que chamamos espirito de humanidade como expressao de uma mistura de tolice, 
covardia e pretensa sabedoria, tal qual a nave ao sol de margo. A humanidade tornou-se grande 
na luta eterna, na paz eterna ela perecera. 

Para nos, alemaes, porem, a senha da colonizagao interna ja e funesta, pois, entre nos, ela 



imediatamente reforga a opiniao de termos achado um meio que, de acordo com o espirito 
pacifista, permite podermos numa vida de torpor, "ganhar" a existencia. Essa doutrina, tomada a 
serio entre nos, significa o fim de todo o esforgo no sentido de conservarmos no mundo o lugar que 
nos compete. Desde que o alemao medio se tenha convencido de poder garantir-se por esse meio 
a vida e o futuro, qualquer tentativa de uma interpretagao ativa e, portanto, frutuosa, das 
necessidades vitais da Alemanha estaria perdida. Toda politica externa verdadeiramente util 
poderia ser considerada impossivel com uma tal opiniao da nagao, e, com isso, o futuro do povo 
alemao estaria prejudicado. 

Tendo-se em vista essas consequencias, deve-se concordar que nao e por acaso que, em 
primeira linlna, sao sempre os judeus que procuram e sabem inocular, no espirito do povo, tao 
perigosas ideias, alias mortalmente perigosas. Eles conhecem muito bem as pessoas com que tem 
de tratar para nao saberem que essas sao vitimas agradecidas de qualquer charlatao que Ihes diga 
haver sido descoberto o meio de enganar a natureza, de modo a tornar superflua a dura e 
inexoravel luta pela existencia, para, em seu lugar, ora com trabalho ou mesmo sem nada fazer, 
conforme caiha a cada um, assenhorear-se do planeta. 

Nao e nunca demasiado insistir em que toda colonizagao alema interna tem de servir, em 
primeiro piano, para evitar males socials, sobretudo para livrar a terra da especulagao geral. 
Entretanto nunca podera ser suficiente para assegurar o futuro da nogao sem a conquista de novos 
territorios. 

Se agirmos de outra maneira, nao so chegaremos a esgotar as nossas terras como tambem as 
nossas forgas. 

Finalmente, ha a constatar ainda o seguinte: 

A limitagao, implicita, na colonizagao interna, a uma determinada pequena superficie de solo, 
bem como o efeito final que se Ihe segue da restrigao da reprodugao, conduz o povo a uma 
situagao politico-militar extraordinariamente desfavoravel. 

A garantia da seguranga externa de um povo depende da extensao de seu "habitat". Quanto 
maior for o espago de que um povo disponha, tanto maior e sua protegao natural; pois sempre 
foram conseguidas vitorias militares mais rapidas e, por isso mesmo, mais faceis e especialmente 
mais eficientes e mais completas contra povos apertados em pequenas superficies de terra do que 
contra Estados de vasta extensao territorial. Na grandeza do territorio ha, pois, sempre, uma certa 
protegao contra ataques repentinos, visto como o exito so sera conseguido apos longas e severas 
lutas e, por isso, o risco de um ataque temerario parecera demasiado grande, a nao ser que 
existam motivos excepcionais. Na vastidao territorial, em si mesma, ja existe uma base para a facil 
conservagao da liberdade e da independencia de um povo, enquanto que, ao contrario, a 
pequenez territorial como que desafia a conquista. 

De fato, as duas primeiras possibilidades para se conseguir um equilibrio entre a populagao 
crescente e o solo invariavel em grandeza, foram rejeitadas pelos chamados circulos nacionais do 
Reich. Os motivos que determinaram essa atitude eram, entretanto, outros que os indicados acima. 
Relativamente a limitagao dos nascimentos, a atitude era de recusa, em primeiro lugar por um 
certo sentimento moral. A colonizagao interna era repelida com desapontamento, pois que se 
farejava, nela, um ataque contra a grande propriedade rural e o comego de uma luta geral contra a 
propriedade particular. Pela forma por que sobretudo essa ultima terapeutica era recomendada 
podia-se imediatamente ver a condenagao dessa hipotese. 

De um modo geral, a defesa em face da grande massa nao era muito habil e de modo algum 
atingia o amago do problema. 

Em face disso, so restavam dois caminhos- para assegurar um trabalho sao a populagao 
crescente. 

3° Podiam-se adquirir novos territorios, a fim de, anualmente, derivar os milhoes excedentes, 
conservando dessa maneira a nagao em condigoes de poder alimentar-se a si mesma, ou se 
passaria a: 

4° Produzir, por meio da industria e do comercio, para o consumo estrangeiro, a fim de, por 
esse modo, garantir a vida do povo. 

Portanto, polftica rural, colonial ou comercial. 

Ambos OS caminhos foram, sob varios pontos de vista, considerados, examinados, 
recomendados e combatidos. 

O primeiro ponto de vista sem duvida teria sido o mais sao dos dois. A aquisigao do novo 



territorio para nele acomodar o excesso da populagao encerra vantagens infinitamente maiores, 
especialmente se se toma em consideragao o future e nao o presente. 

So as vantagens da conservagao de uma classe de camponeses, como fundamento de toda a 
nagao, sao enormes. Muitos dos nossos males atuais nao sao mais que a conseqGencia do 
desequilibrio entre o povo dos campos e o das cidades. Uma base firme constituida de pequenos e 
medios camponeses foi, em todos os tempos, a melhor defesa contra as enfermidades socials do 
genero das que nos afllgem hoje em dia. Essa e tambem a unica safda que permlte a um povo 
encontrar o pao de cada dIa nos llmltes da sua vida economlca. A Industria e o comercio recuam 
de sua poslgao de dirlgentes e se colocam no quadro geral de uma economla naclonal de consumo 
e compensagao. Ambos nao sao mals a base de allmentagao do povo e sIm um auxillo para a 
mesma. DIspondo eles de uma compensagao entre a produgao e o consumo, tornam toda a 
allmentagao do povo mals ou menos Independente do exterior. Ajudam, portanto, a assegurar a 
llberdade do Estado e a Independencia da nagao, sobretudo nos dias graves. 

Entretanto, uma tal polftica rural nao podera ser reallzada, por exempio, no Camerun e sIm 
quase que excluslvamente na Europa. Calma e modestamente, temos de colocar-nos no ponto de 
vista de que certamente nao deve ter sido a Intengao do ceu dar a um povo cinquenta vezes mals 
terra do que a outro. Nesse caso, os llmltes politlcos nao devem afastar-se dos llmltes do direlto 
eterno. Se e verdade que o mundo tem espago para todos viverem, entao que se nos de tambem o 
solo necessarlo a nossa vIda. 

Isso naturalmente nao sera felto de boa vontade. O direlto da propria conservagao fara entao 
sentir os seus efeltos; e o que e negado por melos suasorlos tem de ser tomado a forga. 

Tlvessem os nossos antepassados felto depender as suas declsoes de tollces paclflstas, como 
se faz atualmente, e nao possulriamos mals que um tergo do nosso atual territorio. Nao e a Isso 
que devemos as duas Marcas orientals do Reich e, com elas, a forga Interior da grandeza do 
dominio territorial de nosso Estado, o que nos tem permltldo existir ate hoje. 

Ha outra razao para que essa solugao seja conslderada correta: 

Muitos Estados europeus de hoje sao semelhantes a piramldes que se sustem sobre o seu 
vertlce. As suas possessoes na Europa sao ridiculas comparatlvamente com a sua pesada carga 
de colonlas, comercio estrangeiro, etc. Poder-se-la dizer: ponto na Europa e base em todo o 
mundo. Inversa e a situagao dos Estados Unldos, cuja base esta sobre o seu proprlo contlnente e 
cujo aplce e o seu ponto de contato com o resto do globo. Dai a grande forga Interna daquele 
Estado e a fraqueza da maloria das potenclas colonlzadoras europelas. 

Mesmo a Inglaterra nao e prova em contrarlo, pols sempre nos Incllnamos a esquecer a 
verdadeira natureza do mundo anglo-saxao em relagao ao Imperlo britanlco. Pelo fato de possuir a 
mesma lingua e a mesma cultura que os Estados Unldos, a Inglaterra nao pode ser comparada 
com nenhum outro Estado da Europa. 

Por Isso, a unIca esperanga de reallzar a Alemanha uma polftica territorial sadia esta na 
aqulslgao de novas terras na propria Europa. As colonlas sao Inutels para esse flm, por parecerem 
Improprlas para o estabeleclmento de europeus em grande numero. Entretanto, no seculo 
dezenove, ja nao era mals possivel adqulrlr, por metodos paciflcos, tals terrltorlos para efeltos de 
colonlzagao. Uma polftica de colonlzagao dessa especle so poderia ser reallzada por melo de uma 
luta aspera, que seria mals razoavel se apllcada na obtengao de territorio no contlnente, proximo 
da patria, de preferencia a qualsquer regloes fora da Europa. 

Uma tal declsao exige, porem, a solldarledade de toda a nagao. Nao e possivel abordar, com 
melas medldas ou com hesltagoes, uma tarefa cuja execugao so e vlavel pelo emprego de toda a 
energia naclonal. A diregao polftica do Reich teria de dedlcar-se excluslvamente a esse flm; 
nenhum passo deveria ser dado por outras conslderagoes que nao fosse o reconheclmento dessa 
tarefa e das condlgoes pare o seu exito. Deveria ficar bem claro que esse objetlvo so poderia ser 
atlngldo em luta, tendo-se tranqiJIIamente em mira o movlmento das armas. 

Todas as allangas deverlam ser examlnadas excluslvamente sob esse ponto de vista e 
aprecladas quanto a sua utilldade nesse objetlvo. Houvesse o desejo de adqulrlr terrltorlos ria 
Europa e Isso terIa de dar-se de um modo geral a custa da Russia. O novo Reich terIa de 
novamente p6r-se em marcha na estrada dos guerrelros de outrora, a flm de, com a espada alema, 
dar ao arado alemao a gleba e a nagao o pao de cada dIa. 

Para uma tal polftica so havia um possivel allado na Europa: Inglaterra. 

A Gra-Bretanha era a unIca potencia que poderia proteger a nossa retaguarda, suposto que 



dessemos inicio a uma nova expansao germanica. Teriamos tanto direito de faze-lo quanto tiveram 
OS nossos antepassados. Nenhum dos nossos pacifistas se nega a comer o pao do Oriente, 
embora o primeiro arado outrora tivesse sido a espada. 

Nenhum sacrificio deveria ser considerado demasiado grande nesse trabalho de conquistar as 
simpatias da Inglaterra. Dever-se-ia renunciar as colonias e ao poderio naval, e evitar a 
concorrencia a industria britanica. 

Somente uma atitude absolutamente clara poderia conduzir a um tal objetivo: renuncia a uma 
marinha de guerra alema, concentragao de todas as forgas do Estado no exercito. E verdade que o 
resultado seria uma limitagao temporaria, entretanto abrir-se-iam os horizontes para um grande 
futuro. 

Houve uma epoca em que a Inglaterra nos daria atengao nesse sentido, porque ela 
compreendia muito bem que, devido a sua crescente populagao, a Alemanha teria de procurar 
qualquer saida e de acha-la na Europa, com o auxilio ingles, ou, sem esse auxflio, em qualquer 
outra parte do mundo. 

A tentativa para se obter uma aproximagao com a Alemanha, feita no dobrar do seculo, foi 
devida em tudo e por tudo a esse sentimento. Mas aos alemaes nao agradava "tirar as castanhas 
do fogo" para a Inglaterra, - como se fosse possivel uma alianga sobre outra base que nao a da 
reciprocidade. Baseado nesse principio, o negocio poderia muito bem ter sido feito com a 
Inglaterra. A diplomacia britanica era bastante habil para saber que nada era licito esperar sem 
reciprocidade. 

Imaginemos que a Alemanha, com uma habil polftica exterior, tivesse representado o papel que 
Japao representou em 1904, e, dificilmente, poderemos prever as consequencias que isso teria 
tido para o pafs. 

Jamais teria havido a "Guerra Mundial". 

No ano de 1904, o sangue teria sido dez vezes menos que o que se derramou em 1914-18. 

Mas que posigao ocuparia a Alemanha, hoje em dia, no mundo! 

Sobretudo a alianga com a Austria foi uma idiotice. 

Essa mumia de Estado uniu-se a Alemanha nao para lutar com ela na guerra mas para 
conservar uma eterna paz, a qual entao poderia ser utilizada, de uma maneira inteligente, para a 
destruigao lenta porem segura do germanismo na Monarquia. Essa alianga era absolutamente 
inviavel, pois que nao se poderia esperar por muito tempo uma defesa ofensiva dos interesses 
nacionais alemaes em um Estado que nao possuia nem a forga nem a decisao para limitar o 
processo de desgermanizagao nas suas fronteiras imediatas. Se a Alemanha nao possuia 
consciencia nacional bastante e tambem a impavidez para arrancar ao impossivel Estado dos 
Habsburgos o mandato sobre o destino de dez milhoes de irmaos de raga, nao se poderia, entao, 
na verdade, esperar que jamais ela recorres. se a pianos de tao larga visao e tao audaciosos. A 
atitude do velho Reich em relagao ao problema austriaco foi a pedra-de-toque de sua atitude na 
luta decisiva de toda a nagao. 

Ninguem observava como, ano a ano, o germanismo era cada vez mais oprimido e que o valor 
da alianga, de parte da Austria, era determinado exclusivamente pela conservagao dos elementos 
alemaes. Mas absolutamente nao se seguiu esse caminho. 

Nada temiam tanto como a luta e, finalmente, na hora mais desfavoravel, foram constrangidos a 
ela. 

Queriam fugir ao destino e foram surpreendidos por ele. Sonhavam com a conservagao da paz 
do mundo e cairam na guerra mundial. 

E esse foi o mais importante motivo porque nao se deu o devido valor a essa terceira saida 
para a garantia do futuro alemao. Sabia-se que a conquista do novo solo so podia ser alcangada a 
leste. A luta necessaria foi prevista, mas o que se queria a todo prego era a paz. A senha da 
polftica externa ha muito que nao era mais a conservagao da nagao alema a todo transe, mas a 
conservagao da paz universal, por to. dos os meios. Ainda voltarei a falar mais detalhadamente 
sobre esse ponto. 

Assim, restava ainda a quarta possibilidade: industria e comercio universais, poder naval e 
colonias. 

Um tal desenvolvimento era na verdade mais facil e mais rapidamente acessivel. O povoamento 
do solo e um processo mais lento e que dura, as vezes, seculos. E, porem, justamente nisso que 
se deve procurar a sua forga intrinseca. Nao se trata de um flamejar repentino, mas de um 



crescimento lento, mas fundamental e constante, em contraposigao a um desenvolvimento 
industrial que pode ser improvisado no correr de poucos anos, assemelhando-se, porem, mais a 
uma boiha de sabao que a forga solida, E verdade que mais rapidamente se constroi uma 
esquadra do que, em luta tenaz, se erige uma estancia e coloniza-se a mesma com lavradores; 
entretanto aquela tambem mais facilmente se aniquila do que esta ultima. Contudo, se a 
Alemanha, nao obstante, trilhava esse caminho, ao menos deveria reconhecer-se claramente que 
esse programa um dia acabaria em luta, so criangas imaginariam que se pode conseguir o 
desejado alimento, pela boa conduta e pela declaragao de sentimentos de paz, na "concorrencia 
pacifica dos povos", como tanto e tao suntuosamente se tagarelava sobre esse assunto, como se 
tudo se pudesse obter sem langar mao das armas. 

Nao. Se continuassemos a trilhar esse caminho, a Inglaterra um dia se tornaria nossa inimiga. 
Nada mais insensato do que o desapontamento que experimentamos, pelo fato de a Inglaterra 
tomar um dia a liberdade de enfrentar a nossa tendencia pacifista com a crueldade do egoista 
violento. So a nossa reconhecida ingenuidade se poderia surpreender com esse desfecho. 

Nunca deveriamos ter agido assim! 

Se uma politica de aquisigao territorial na Europa so poderia ser feita em alianga com a 
Inglaterra contra a Russia, uma polftica de colonias e de comercio mundial, por outro lado, so seria 
concebfvel em uma alianga com a Russia contra a Inglaterra. Nesse caso, dever-se-ia chegar 
inexoravelmente as ultimas conseqiJencias, pondo se a Austria a margem. 

Considerada sob todos os pontos de vista, essa alianga com a Austria era, ja no dobrar do 
seculo, uma verdadeira loucura. 

Entretanto, nao se pensava numa alianga com a Russia contra a Inglaterra, nem tao pouco com 
a Inglaterra contra a Russia, pois, em ambos os casos, o resultado teria sido a guerra e, para evita- 
la, e que se decidiu adotar a polftica comercial e industrial. A conquista "economica pacifica" era 
uma receita que de uma vez por todas estava destinada a dar um goipe decisivo na polftica de 
violencia de ate entao. Talvez nao houvesse completa confianga nessa polftica, sobretudo tendo- 
se em vista que, de tempos a tempos, surgiam, vindas do lado da Inglaterra, ameagas inteiramente 
incompreensfveis. Finalmente capacitaram-se os alemaes da necessidade de construir-se uma 
frota, nao com o proposito de atacar e destruir, mas para defender a paz mundial e para a 
"conquista pacffica do mundo". Por isso tiveram de mante-la em escala modesta, nao somente 
quanto ao numero mas tambem quanto a tonelagem de cada navio e ao respectivo armamento, de 
modo a tornar evidente que o seu fim ultimo era pacffico. 

Conversar em "conquista pacffica do mundo" foi a maior loucura que ja se tomou como princfpio 
dirigente de uma polftica nacional, especialmente porque nao se recuava em citar a Inglaterra para 
provar que era possfvel p6-la em pratica. O mal feito pelos nossos professores com o seu 
ensinamento de historia e com suas teorias dificilmente pode ser remediado e apenas prova, de 
modo evidente, quantas pessoas "ensinam" historia sem compreende-la, sem percebe-la. 
Exatamente na Inglaterra ter-se-ia de reconhecer uma evidente refutagao a teoria. De lato, 
nenhuma outra nagao se preparou melhor para a conquista economica, mesmo com a espada ou 
mais tarde a sustentou mais inexoravelmente que a inglesa. Nao e a caracterfstica dos estadistas 
ingleses tirarem lucro economico da forga polftica e imediatamente transformarem o lucro 
economico em forga polftica? Assim foi um erro completo imaginar que a Inglaterra seria 
demasiado covarde para derramar o seu sangue em defesa de sua polftica economica. O fato de 
nao possufrem os ingleses um exercito nacional nao era prova em contrario; porque nao e a forma 
das forgas militares que importa, mas antes a vontade e a determinagao de forga existente. A 
Inglaterra sempre possuiu os armamentos de que necessitava. Sempre lutou com as armas 
precisas para garantir o exito da sua polftica. Lutou com mercenarios enquanto os mercenarios 
bastavam aos seus pianos, mas langou mao do melhor sangue de toda a nagao quando tal 
sacriffcio foi necessario para assegurar a vitoria. Sempre teve a determinagao de lutar e sempre foi 
tenaz e inexoravel na sua maneira de conduzir a guerra. 

Na Alemanha, entretanto, com o correr do tempo se estimulava, por meio das escolas, da 
imprensa e dos jornais humorfsticos, a que se tivesse da vida inglesa e mais ainda do Imperio uma 
ideia propria a conduzir a inoportuna decepgao; porque tudo gradualmente se contaminou com 
essa tolice e o resultado foi a opiniao falsa sobre os ingleses, que se traduziu em amarga desforra 
por parte deles, Essa ideia correu tao largamente que toda a gente estava convencida de que o 
ingles, tal qual o imaginavam, era um homem de negocios, ao mesmo tempo ladino e incrivelmente 



covarde. Jamais ocorreu aos nossos dignos mestres da ciencia professoral que um Imperio vasto 
como Imperio britanico nao poderia ser fundado e conservado unido apenas com astucia e 
metodos escusos. Os primeiros que advertiram sobre esse assunto nao foram ouvidos ou tiveram 
de ficar em silencio. Recordo-me perfeitamente do espanto de meus camaradas quando nos 
enfrentamos com os "Tommies" em Flandres. Depois dos primeiros dias de luta, alvoreceu no 
cerebro de cada um a nogao de que aqueles escoceses nao correspondiam exatamente a gente 
que OS escritores de jornais humoristicos e as noticias da imprensa entendiam descrever-nos. 

Comecei entao a refletir sobre a propaganda e sobre as suas formas mais uteis. 

Esse falseamento certamente tinha suas vantagens para aqueles que o propagavam. Estavam 
aptos a demonstrar, com exemplos, por mais incorretos que estes fossem, se era correta a ideia de 
uma conquista economica do mundo. O que o ingles conseguiu nos poderiamos tambem 
conseguir, havendo para nos a vantagem especial de nossa maior probidade, a ausencia daquela 
perffdia especificamente inglesa. Era de esperar ainda com isso ganharmos mais facilmente a 
simpatia de todas as pequenas nagoes e a confianga das grandes. 

Nao compreendiamos que a nossa probidade causasse aos outros um fntimo horror, desde que 
acreditavamos seriamente em tudo isso, enquanto o resto do mundo via nessa conduta a 
expressao de uma falsidade astuta, ate que, com o maior espanto, a revolugao proporcionou uma 
visao mais profunda da ilimitada tolice de nosso modo de pensar. 

Pela tolice dessa "conquista economica pacifica" do mundo se depreende imediatamente a 
tolice da triplice alianga. Com que Estado se podia, pois, fazer alianga? Conjuntamente com a 
Austria, nao era possivel pensar em conquistas guerreiras, mesmo na Europa. Justamente nisso e 
que estava, desde o primeiro momento, a fraqueza intrinseca da alianga. Um Bismarck podia tomar 
a liberdade de um tal expediente, mas nao nenhum dos seus ignorantes sucessores, muito menos 
numa epoca em que nao existiam mais as mesmas condigoes da alianga promovida por Bismarck. 
Bismarck acreditava ainda que a Austria fosse um Estado alemao. Com a introdugao do sufragio 
universal, tinha esse pais, entretanto, paulatinamente, adotado um sistema de governo 
parlamentar e antigermanico. 

A alianga com a Austria, sob o ponto de vista racial e politico, foi simplesmente nociva. 
Tolerava-se o desenvolvimento de uma nova potencia eslava na fronteira do Reich, potencia essa 
que mais cedo ou mais tarde teria de tomar atitudes em relagao a Alemanha muito diferentes da 
Russia, por exemplo. Com isso a alianga de ano para ano tinha de tornar-se cada vez mais fraca, a 
proporgao que os unicos portadores desse pensamento na monarquia perdiam influencia e eram 
desalojados das posigoes dominantes. 

Ja pelo dobrar do seculo, a alianga com a Austria tinha entrado na mesma fase que a alianga da 
Austria com a Italia. 

So havia duas possibilidades: ou prevalecia a alianga com a monarquia dos Habsburgos ou se 
protestava contra o combate ao germanismo na Austria. Entretanto, quando se inicia tal 
movimento, o resultado final, geralmente, e a luta aberta, declarada. 

O valor da triplice alianga era, psicologicamente, de somenos importancia, uma vez que a forga 
de uma alianga declina quando se limita a manter uma situagao existente. Por outro lado, uma 
alianga sera tanto mais forte quanto mais as potencias contratantes estejam convencidas de que, 
com a mesma, podem obter uma vantagem tangfvel, definida. 

Isso era compreendido em varios meios, mas infelizmente nao o era pelos chamados 
"profissionais". Ludendorff, entao coronel no grande estado-maior, apontava essa fraqueza um 
memorando escrito em 1912. Naturalmente os "estadistas" se' recusaram a dar qualquer 
importancia ao assunto, pois a razao, que esta ao alcance de qualquer mortal, escapa aos 
"diplomatas". 

Para a Alemanha foi uma felicidade que a guerra de 1914, embora indiretamente, irrompesse 
por intermedio da Austria, obrigando os Habsburgos a nela tomarem parte. Tivesse acontecido o 
contrario e a Alemanha teria ficado sozinha. Nunca o Estado dos Habsburgos teria podido ou 
mesmo teria querido tomar parte em uma guerra que se originasse de parte da Alemanha. Aquilo 
que, em relagao a Italia, tanto se condenou, ter-se-ia dado mais cedo na Austria: ela teria ficado 
"neutra" para assim ao menos salvar o Estado contra uma revolugao. O eslavismo austriaco, no 
ano de 1914, teria preferido destruir a monarquia a consentir no auxilio a Alemanha. 

Poucas pessoas naquela ocasiao podiam compreender como eram grandes os perigos e 
dificuldades oriundas das aliangas com a monarquia do Danubio. Em primeiro lugar, a Austria 



possuia inimigos demais, que cogitavam de herdar de um Estado carcomido. Nao era possivel 
que, no correr do tempo, nao surgisse um certo odio contra a Alemanha, na qual se enxergava a 
causa do impedimento a queda da monarquia, por todos esperada e desejada. Chegou-se a 
convicgao de que, no final de contas, so se poderia alcangar Viena via Berlim. 

A ligagao com a Austria privava a Alemanha das melhores e mais promissoras aliangas. Em 
lugar dessas aliangas, surgiu uma situagao tensa com a Russia' e mesmo com a Italia. Em Roma o 
sentimento geral era tao simpatico a Alemanha como antipatico a Austria. 

Como OS alemaes se tinham langado na politica do comercio e da industria, nao havia mais o 
menor motivo para uma luta contra a Russia. Somente os inimigos de ambas as nagoes e que 
poderiam ter nisso um vivo interesses. De fato, eram em primeira linha judeus e marxistas que, por 
todos OS meios, incitavam a guerra entre os dois Estados. 

Essa alianga, em terceiro lugar, tinha em si um grande perigo, pois que com facilidade uma das 
potencias inimigas do imperio de Bismarck em qualquer tempo poderia mobilizar varios Estados 
contra a Alemanha, uma vez que estavam em condigoes de, a custa do aliado austriaco, acenar 
com as perspectivas de grandes vantagens. 

Todo oriente da Europa poderia levantar-se contra a monarquia do Danubio, sobretudo a 
Russia e a Italia. Nunca se teria realizado a coligagao mundial, que se vinha desenvolvendo desde 
a agao inicial do rei Eduardo, se a Austria, como aliada da Alemanha, nao tivesse oferecido 
vantagens tao apetecidas pelos inimigos. So assim foi possivel reunir, numa unica frente de 
ataques, pafses de desejos e objetivos tao heterogeneos. Cada um deles poderia esperar, numa 
agao conjunta contra a Alemanha, conseguir enriquecer-se. Esse perigo aumentou 
extraordinariamente pelo fato de parecer que a essa alianga infeliz tambem estava filiada a Turquia 
como socio comanditario. 

O mundo financeiro internacional judaico necessitava, porem, desse chamariz, a fim de poder 
realizar o piano, ha muito desejado, da destruigao da Alemanha que ainda nao se tinha submetido 
ao controle financeiro e economico geral, a margem do Estado. So assim se podia forjar uma 
coalizao tornada forte e corajosa pelo simples numero dos exercitos de milhoes em marcha, 
pronta, finalmente, a avangar contra o lendario Siegfried. 

A alianga com a monarquia dos Habsburgos que, ja nos tempos em que eu estava na Austria, 
tanto me irritava, comegou a tornar-se a causa de longas provagoes intimas que, no correr do 
tempo, ainda mais reforgavam a minha primeira opiniao. 

No meio modesto, que eu entao frequentava, nenhum esforgo fiz para esconder a minha 
convicgao de que aquele infeliz tratado com um Estado condenado a destruigao teria de levar a 
Alemanha a um colapso catastrofico, a nao ser que ela conseguisse desvencilhar-se do mesmo, 
ainda em tempo. Nunca vacilei, por um momento; mantive-me, nessa convicgao, firme como uma 
rocha, ate que, por fim, a torrente da guerra mundial tornou impossivel uma reflexao razoavel, e o 
fmpeto do entusiasmo tudo levou de vencida e o dever de todos passou a ser a consideragao das 
realidades, Mesmo quando me achava na frente de bataiha, sempre que o problema era discutido, 
eu exprimia a minha opiniao de que quanto mais depressa fosse rompida a alianga tanto melhor 
para a nagao alema e que sacrificar a monarquia dos Habsburgos nao seria sacrificio para a 
Alemanha, se com isso ela pudesse reduzir o numero de seus inimigos, desde que os milhoes de 
capacetes de ago nao se tinham reunido para manter uma decrepita dinastia, mas para salvar a 
nagao alema. 

Antes da guerra, parecia, as vezes, que num campo ao menos havia uma leve duvida quanto a 
corregao da politica de alianga que vinha sendo seguida. De tempos a tempos, os cfrculos 
conservadores na Alemanha comegavam a fazer advertencias contra a excessiva confianga nessa 
polftica, mas, como tudo mais que era razoavel, fazer essas advertencias era como falar no 
deserto. Havia a convicgao geral de que a Alemanha estava a caminho de conquistar o mundo, 
que exito seria ilimitado e que nada teria de ser sacrificado. 

Mais uma vez, ao "nao profissional" nada era permitido fazer senao olhar silenciosamente, 
enquanto os "profissionais" marchavam diretamente para a destruigao, arrastando consigo .a 
nagao inocente, como o cagador de ratos de Hamein. 

A causa mais profunda do fato de ter sido possfvel apresentar a um povo inteiro, como 
processo politico pratico, a insensatez de uma "conquista economica", tendo como objetivo a 
conservagao da paz universal, residia numa enfermidade de todos os nossos pensamentos 
politicos. 



A vitoriosa marcha da tecnica e da industria alemas, os crescentes triunfos do comercio alemao, 
fizeram que se esquecesse de que tudo isso so era possivel dada a suposigao da existencia de um 
Estado forte. Muitos, ao contrario, chegavam ate a proclamar a sua convicgao de que o Estado 
devia a sua vida a esses progressos, desde que o Estado, primeiro que tudo e mais que tudo, e 
uma instituigao economica e deveria ser dirigido de acordo com as regras da economia, devendo, 
por isso, a sua existencia ao comercio - condigao que era considerada ser a mais sa e mais natural 
de todas. Entretanto, o Estado nada tem a ver com qualquer definida concepgao ou 
desenvolvimento economico. 

O Estado nao e uma assembleia de negociantes que durante uma geragao se reuna dentro de 
limites definidos para executar projetos economicos, mas a organizagao da comunidade, 
homogenea por natureza e sentimento, unida para a promogao e conservagao da sua raga e para 
a realizagao do destino que line tragou a Providencia. Esse e nenlnum outro e o objeto e a 
significagao de um Estado. A economia e tao somente um dos muitos meios necessarios a 
realizagao desse objetivo. Nunca, porem, e o objetivo de um Estado, a nao ser que este, desde o 
principio, repouse em uma base falsa, por antinatural. So assim e que se explica que o Estado, 
como tal, nao necessite ter, como condigao, uma limitagao territorial. Isso so sera necessario entre 
povos sue, por si mesmos, querem assegurar a alimentagao de seus irmaos em raga e que, 
portanto, estao prontos a lutar com o seu proprio trabalho, em prol de sua existencia. Os povos 
que, como zangoes, conseguem infiltrar-se no resto da humanidade, a fim de, sob todos os 
pretextos, fazer com que os outros trabalhem para si, podem, mesmo sem possuirem um "habitat" 
determinado e limitado, formar um Estado. Isso se da em primeira linha num povo sob cujo 
parasitismo, sobretudo hoje, toda a humanidade sofre: o povo judeu. 

O Estado judaico nunca teve fronteiras, nunca teve limites no espago, mas era unido pela raga. 
Por isso, aquele povo sempre foi um Estado dentro do Estado. Foi um dos mais habeis ardis ja 
inventados o de encobrir-se aquele Estado sob a capa de religiao, obtendo-se assim a tolerancia 
que ariano sempre estendeu a todos os credos. A religiao mosaica nada mais e que uma 
doutrina para a conservagao da raga judaica. Por isso ela abraga quase todos os ramos do 
conhecimento sociologico, politico e economico que Ihe possam dizer respeito. 

O instinto de conservagao da especie e sempre a causa da formagao das sociedades humanas. 
Por isso, Estado e um organismo racial e nao uma organizagao economica, diferenga essa que, 
sobretudo hoje em dia, passa despercebida aos chamados "estadistas". Dai pensarem estes poder 
construir o Estado pela economia quando, na realidade, aquele nada mais e que o resultado da 
atuagao daquelas virtudes que residem no instinto de conservagao da raga e da especie. Estas 
sao, porem, sempre virtudes heroicas e nunca egoismo mercantil, pois que a conservagao da 
existencia de uma especie pressupoe o sacrificio voluntario de cada um. Nisso e que esta 
justamente o sentido da palavra do poeta: "e se nao arriscardes a vida, nunca vencereis na vida", 
isto e, a capacidade de sacrificio de cada um e indispensavel para assegurar a conservagao da 
especie. A condigao mais essencial, porem, para a formagao e conservagao de um Estado e a 
existencia de um sentimento de solidariedade, baseado na identidade de raga, bem como a boa 
vontade de por ele sacrificar-se. Isso, em povos senhores de seu proprio solo, conduz a formagao 
de virtudes heroicas, em povos parasitas conduz a hipocrisia mentirosa e a crueldade dissimulada, 
qualidades essas que devem ser pressupostas pela maneira diferente como vivem em relagao ao 
Estado. A formagao de um Estado so sera possivel pela aplicagao dessas virtudes, pelo menos 
originariamente, sendo que na luta pela conservagao serao submetidos ao jugo e assim mais cedo 
ou mais tarde sucumbirao os povos que apresentarem menos virtudes heroicas ou que nao 
estejam na altura da astucia do parasita inimigo. Mas, tambem nesse caso, isso deve ser atribuido 
nao tanto a falta de inteligencia como a falta de decisao e de coragem, que procura esconder-se 
sob manto de sentimento de humanidade. 

O fato de a forga interna de um Estado so em casos raros coincidir com o chamado progresso 
economico mostra claramente como esta pouco ligado as virtudes que servem para a formagao e 
conservagao do Estado essa prosperidade que, em infinitos exemplos, parece ate indicar a 
proxima decadencia do Estado. Se, porem, a formagao da comunidade humana tivesse de ser 
atribuida em primeira linha a forgas economicas, entao o mais elevado desenvolvimento 
economico significaria a mais formidavel forga do Estado e nao inversamente. 

A crenga na forga da economia para formar e conservar um Estado, torna-se incompreensivel, 
sobretudo quando se trata de um pais que, em tudo e por tudo, mostra clara e incisivamente o 



contrario.- Justamente a Russia demonstra, de maneira evidentissima, que nao sao as condigoes 
materials, mas as virtudes ideais, que tornam possivel a formagao de um Estado. Somente sob a 
sua guarda e que a economia consegue florescer, ate que, com a decadencia das puras forgas 
geradoras do Estado, a economia tambem decai, processo esse que exatamente agora podemos 
observar com desesperada tristeza. Os interesses materials dos homens sempre conseguem 
prosperar mellnor enquanto permanecem a sombra de virtudes heroicas. 

Sempre que aumentava o poder politico da Alemanha o progresso material se fazia sentir, os 
negoclos comegavam a melhorar; ao passo que quando os negoclos monopollzavam a vida de 
nosso povo e enfraqueclam as virtudes de nosso espirlto, o Estado desfalecia, arrastando, na sua 
ruina, os proprios negoclos. 

E se perguntarmos a nos mesmos quais sao as forgas que fazem e conservam os Estados, 
vemos que elas aparecem sob uma unica denominagao: habllldade e abnegagao para o sacriffcio 
individual, por amor da comunldade. Que essas virtudes nao tem relagao com a economia torna-se 
obvio pela compreensao de que o homem nunca se sacrlfica por negoclos, isto e, os homens nao 
morrem por negoclos, mas por ideals. Nada mostrou melhor a superloridade psicologica dos 
ingleses, na dedicagao por um ideal naclonal, do que as razoes que eles apresentaram para 
combater. Enquanto nos lutavamos pelo pao quotldiano, a Inglaterra lutava pela "llberdade", nao 
pela propria mas pela das pequenas nagoes. Na Alemanha todos zombavam ou se Irritavam com 
essa Impudencia, o que prova quanto se tornara Insensata e estupida a clencia oflcial na Alemanha 
de antes da guerra. Nao tfnhamos a menor nogao da natureza das forgas que podem levar os 
homens a morte por sua llvre e espontanea vontade. 

Enquanto o povo alemao contlnuava a pensar, em 1914, que lutava por Ideais, ele manteve-se 
firme; mas logo que se tornou evidente que lutava apenas pelo pao quotldiano, preferlu renunciar 
ao brinquedo. 

Os nosso intellgentes "estadistas", entretanto, ficaram atonitos com essa mudanga de 
sentlmento. eles nunca compreenderam que o homem, desde o momento que luta por um 
Interesse economico, evita o mais que pode a morte, pols que esta o faria perder o gozo do premlo 
de sua luta. A preocupagao pela salvagao de seu fllho faz que a mais fraca das maes se torne 
heroina e somente a luta pela conservagao da especle e da lareira e tambem do Estado fez, em 
todos OS tempos, com que os homens se jogassem de encontro as langas dos Inimlgos. 

Pode-se considerar a segulnte frase como uma sentenga eternamente verdadeira: 

Jamais um Estado foi fundado pela economia pacifica e sIm, sempre, pelo Instinto de 
conservagao da especle, esteja este situado no campo da virtude heroica ou da astucla. O primeiro 
produz OS Estados arianos, de trabalho e cultura, o segundo, colonlas judaicas parasltarias. Desde 
que um povo ou um Estado procura domlnar esses instlntos, estao atraindo para si a escravidao, a 
opressao. 

A crenga de antes da guerra de que era possivel ter o mundo aberto para a nagao alema ou de 
fato conqulsta-lo pelo metodo pacifico de uma politica de comercio e colonlzagao, era um sinal 
evidente de que haviam desaparecldo as genuinas virtudes que fazem e conservam os Estados. 
bem como a Intuigao, a forga de vontade e a determlnagao que fazem as grandes coisas. Como 
era de esperar, o resultado Imediato disso foi a grande guerra, com todas as suas conseqiJenclas 

Para aquele que nao examlnasse a questao, essa atitude de quase toda a nagao alema era um 
enigma indeclfravel, pols a Alemanha era justamente um exempio maravllhoso de um Imperio que 
surglu de uma politica de forga. A Prussia - celula mater do Reich - proveio de grandes heroismos 
e nao de operagoes financeiras ou negoclos comercials. E o proprio Reich era o mais maravllhoso 
premlo da diregao da politica de forga e da coragem indomlta dos seus soldados. Como poderia, 
justamente o povo alemao, chegar a tal amorteclmento de seus instlntos politlcos? Nao se tratava, 
e preciso que se note, de um fenomeno Isolado e sIm de sintomas de decadencia geral que, em 
proporgoes verdadelramente assustadoras, ora flamejavam como fogos-fatuos no selo do povo ora 
corroiam a nagao como tumores mallgnos. Parecia que uma torrente de veneno constante era 
Impellda por uma forga misterlosa ate os ultlmos vasos sangiJineos desse corpo de herois, com o 
flm de aniqullar o seu bom senso, o simples Instinto de conservagao. 

Examlnando todas essas questoes, condiclonadas ao meu ponto de vista em relagao a politica 
de allangas da Alemanha e a politica economica do Reich, nos anos de 1 91 2 e 1914, restou, como 
solugao do enigma aquela forga que ja anterlormente eu conhecera em Viena sob prisma 
intelramente diverso: a doutrlna marxista, sua concepgao do mundo e a Influencia de sua 



capacidade de organizagao. 

Pela segunda vez na minha vida analisei profundamente essa doutrina de destruigao - desta 
vez porem nao mais guiado pelas impressoes e efeitos do meu ambiente diario, e sim dirigido pela 
observagao dos acontecimentos gerais da vida politica. Aprofundei-me novamente na literatura 
teorica desse novo mundo, procure! compreender os seus efeitos possiveis, compare! estes com 
OS fenomenos reals e com os acontecimentos no que diz respelto a sua atuagao na vida politica, 
cultural e economlca. 

Comecel a conslderar, pela primeira vez, que tentatlva deveria ser felta para domlnar aquela 
pestllencia mundlal. 

Estudel OS movels, as lutas e os sucessos da leglslagao especial de Bismarck. Gradualmente o 
meu estudo me forneceu principles granitlcos para as minhas proprlas convlcgoes - tanto que 
desde entao nunca pensel em mudar minhas opinloes pessoals sobre o caso. FIz tambem um 
profundo estudo das llgagoes do marxismo com o judaismo. 

Se, outrora, em VIena, a Alemanha me tinha dado a Impressao de um colosso Inabalavel, 
comegaram agora entretanto a surglr em mim conslderagoes apreenslvas. No meu intlmo eu 
estava descontente com a politica externa da Alemanha, o que revelava ao pequeno circulo que 
meus conhecldos, bem como com a maneira extremamente levlana, como me parecia, de tratar-se 
problema mals Importante que havia na Alemanha daquela epoca - o marxismo. Realmente, eu 
nao podia compreender como se vacllava cegamente ante um perlgo cujos efeitos - tendo-se em 
vista a Intengao do marxismo tinham de ser um dia terrivels. Ja naquela epoca eu chamava a 
atengao, no melo em que vivia, para a frase tranqulllzadora de todos os poltroes de entao: "A nos 
nada nos pode acontecer". Esse pestllento modo de pensar ja outrora destruira um Imperlo 
gigantesco. Por acaso so a Alemanha nao estaria sujelta as mesmas lels de tidas as outras 
comunldades humanas? 

Nos anos de 1913 e 1914 manlfestel a opinlao, em varlos circulos, que, em parte, hoje estao 
flllados ao movlmento naclonal-soclallsta, de que o problema future da nagao alema devia ser o 
aniqullamento do marxismo. 

Na funesta polftica de allangas da Alemanha eu via apenas o fruto da agao destruldora dessa 
doutrina. O plor era que esse veneno destruia quase Insenslvelmente os fundamentos de uma 
sadia concepgao do Estada e da economla, sem que os por ele atlngldos se apercebessem de que 
a sua maneira de aglr, as manlfestagoes da sua vontade ja eram uma conseqijencla destruldora do 
marxismo. 

A decadencia do povo alemao tInha comegado ha multo tempo, sem que os Indlviduos, como 
acontece freqGentemente, pudessem claramente ver os responsavels pela mesma. Multas vezes 
se tentou procurar um remedio para essa enfermldade, mas confundlam-se os sintomas com a 
causa. Como ninguem conhecia ou queria conhecer a verdadeira causa do mal-estar da nagao, a 
luta contra o marxismo nao passou de um charlatanlsmo sem eflclencla. 

CAPITULO V - A GUERRA MUNDIAL 

Quando ainda jovem, na fase em que tudo nos sorri, nada me fazia tao triste, como o ter 
nascldo justamente em uma epoca em que todas as honras e glorias eram reservadas a 
negoclantes ou a funclonarlos do governo. 

As ondas dos acontecimentos historlcos aparentemente tinham arrefecldo e, de tal maneira, 
que futuro, na realldade parecia pertencer a "concorrencia paclfica dos povos", Isto e, a uma 
calma e reciproca ladroagem, pela ellmlnagao dos metodos violentos da reagao das vitlmas. Os 
diferentes paises comegavam a se assemelhar, cada vez mals, a empresas que se solapassem 
reclprocamente o chao debalxo dos pes, na conqulsta sem tregua de fregueses e de encomendas, 
procurando cada um sobrepujar as outras, por todos os melos ao seu alcance. Tudo Isso era posto 
em execugao com uma espetaculosldade tao grande quanto Ingenua. Essa evolugao parecia nao 
so permanente, como destlnada tambem a, algum dIa (com a aprovagao geral), transformar o 
mundo Inteiro em uma unica e grande casa de negoclos, em cujas ante-salas serlam expostos, 
para a posterldade, os bustos dos mals atllados especuladores e dos mals Ingenuos funclonarlos 
da admlnlstragao. Os comerclantes poderlam ser, entao representados pela Inglaterra; os 
funclonarlos admlnlstratlvos serlam os alemaes; os judeus, porem, farlam o sacrlficio de ser os 
proprietaries, pols que, como eles proprlos confessam, nunca lucram, sempre tem de "pagar" e. 



alem disso, falam a maioria das linguas. 

Ah! se me tivesse sido possivel ter nascido cem anos antes! IVlais ou menos no tempo das 
guerras da Independencia, quando o homem, mesmo sem negocios, ainda valia alguma coisa! 

IVluitas vezes me ocorriam pensamentos desagradaveis, relativos a minlna peregrinagao terrena, 
demasiado tardia na minha opiniao, e a epoca "de calma e ordem" que se me deparava eu 
considerava uma infamia imerecida do destino. E que ja, nos meus mais tenros anos, eu nao era 
"pacifista". Todas as tentativas de educagao nesse sentido tinham resultado inuteis. 

A guerra dos "Boers"", entao desencadeada, teve sobre mim o efeito de um relampago. 
Diariamente, eu aguardava ansioso os jornais, devorava telegramas e boletins, e considerava-me 
feliz por ser, ao menos de longe, testemunha dessa luta de titas. 

A guerra russo-japonesa ja me encontrou sensivelmente mais amadurecido e, tambem mais 
atento aos acontecimentos. IVIoviam-me, sobretudo, razoes nacionais. Desde os primeiros 
momentos, tomei partido, e, discutindo as opinioes correntes, coloquei-me imediatamente do lado 
dos japoneses, pois via na derrota dos russos uma diminuigao do espirito eslavo na Austria. 

IVIuitos anos se passaram desde entao, e aquilo que, outrora, quando ainda rapaz, me parecia 
morbidez, compreendia agora como sendo a calma, antes da tempestade. Ja desde o tempo em 
que vivia em Viena pairava sobre os Balcas aquela atmosfera pesada, prenuncio de tempestade, e 
ja lampejos mais claros riscavam o ceu, mas se perdiam ligeiros nas trevas sinistras. Em seguida, 
veio a guerra dos Balcas, e, com ela, o primeiro temporal varreu a Europa, ja agora nervosa. A 
epoca que se seguiu influiu como um pesadelo sobre os homens. O ambiente estava tao 
carregado que, em virtude do mal-estar que a todos afligia, a catastrofe que se aproximava chegou 
a ser desejada. Que os ceus dessem livre curso ao des. tino, ja que nao havia barreiras que o 
detivessem! Caiu entao o primeiro formidavel raio sobre a terra; a tempestade desencadeou-se, e, 
aos trovoes do ceu, juntavam-se as baterias da guerra mundial. 

Quando a noticia do assassinato do grao-duque Francisco Ferdinando chegou a Munique, eu 
estava justamente em casa e ouvia contar o desenrolar dos acontecimentos de maneira muito 
vaga. Meu primeiro receio foi que as balas assassinas tivessem partido de estudantes alemaes, 
que, indignados com o constante trabalho de eslavizagao feito pelo herdeiro presuntivo da coroa 
austriaca, tivessem querido livrar o povo alemao desse inimigo interno. As consequencias eram 
faceis de imaginar: uma nova onda de perseguigoes aos alemaes, que, agora, facilmente seriam 
"explicadas e justificadas", perante o mundo. Quando, porem, logo depois, ouvi o nome dos 
autores presumiveis e verifiquei que eram serios, fiquei estupefato ante essa vinganga do destino 
impenetravel. Q maior amigo da raga eslava caira sob as balas de fanaticos eslavos! Quem, nos 
ultimos anos, tivesse tido oportunidade de observar constantemente as relagoes entre a Austria e a 
Servia, nao poderia duvidar, nem um segundo, de que a pedra comegara a rolar e que nada 
poderia dete-la na sua queda. 

E uma injustiga fazer hoje em dia recriminagoes ao governo de Viena sobre a forma e o 
conteudo do seu "Ultimatum". Nenhuma outra potencia do mundo teria agido de maneira diferente, 
se se encontrasse em identicas condigoes. A Austria tinha, na sua fronteira sudoeste, um inimigo 
de morte, o qua!, cada vez mais, desafiava a Monarquia e nisso persistiria ate que chegasse o 
momento propicio a destruigao do Imperio. Receava-se, com razao, que isso se desse, o mais 
tardar, com a morte do velho imperador. E, nesse momento, talvez a monarquia nao estivesse em 
condigoes de oferecer resistencia seria. 

Q Estado inteiro encontrava-se, nos ultimos anos, de tal maneira dependente da vida de 
Francisco Jose, que a morte desse homem, tradicional personalizagao do Imperio, eqGivaleria, no 
sentir da massa popular, a morte do proprio Imperio. Era ate considerado uma das mais 
inteligentes manobras, sobretudo da politica eslava, fazer crer que a Austria devia a sua existencia 
a habilidade extraordinaria e unica desse monarca. Essa bajulagao era tanto mais apreciada na 
Corte, quando ela em nada correspondia, na realidade, ao merito desse Imperador. Nao se podia 
ver espinho escondido atras dessa lisonja. Nao se lobrigava ou nao se queria ver que, quanto 
mais a monarquia dependesse da extraordinaria arte de governar, como se costumava dizer, deste 
"mais sabio monarca de todos os tempos", tanto mais catastrofica seria a situagao, quando um dia 
destino batesse a essa porta, reclamando o seu tributo. 

Seria possivel imaginar a veiha Austria sem o seu velho Imperador? 

Nao se repetiria, imediatamente, a tragedia que outrora atingira Maria Teresa? Nao! Na 
verdade, e uma injustiga que se faz aos circulos governamentais de Viena censura-los por terem 



eles provocado uma guerra que talvez tivesse sido possivel evitar. Esse desfecho era, porem, 
inevitavel. Quando muito poderia ter sido protelado por um ou dois anos. Foi este o castigo das 
diplomacias, tanto da alema como da austriaca. Elas sempre tentaram protelar o ajuste de contas 
que tinha de vir e agora eram forgadas a dar o goipe na hora menos favoravel. A verdade e que 
mais outra tentativa para manter a paz teria trazido a guerra numa epoca ainda menos propicia. 
Quern nao quisesse esta guerra deveria ter a coragem de arcar com as conseqiJencias. Essas, 
porem, so poderiam consistir no sacrificio da Austria. Assim mesmo, a guerra teria vindo, talvez 
nao mais como a luta de todos contra nos mas sim tendo como finalidade o aniquilamento da 
monarquia dos Habsburgos. De qualquer modo, uma decisao tinha de ser tomada: ou entravamos 
na guerra ou ficariamos de fora, observando, a fim de vermes, de maos cruzadas, o destine seguir 
seu curso. 

Justamente aqueles que, Inoje, mais vociferam contra o desencadear da guerra, foram os que 
mais funestamente ajudaram a atiga-la. 

A social-democracia, Ina dezenas de anos, fomentava, da maneira mais torpe, a guerra contra a 
Russia, enquanto o Partido do Centre, baseado num ponto de vista religiose, fazia a polftica alema 
girar em terne de Estade austrface. Tinha-se que arcar com as conseqiJencias desse erro. O que 
veie tinha de vir e, em hipotese nenhuma, poderia ser evitado. A culpa do governo alemao neste 
caso foi de perder sempre as boas oportunidades de intervengao, devido a preocupagao constante 
de manter a paz. Assim agindo, o governo se emaranhava em uma coligagao destinada a 
manutengao da paz universal, para tornar-se, por fim, a vftima de uma coligagao do mundo inteiro, 
que antepunha a pressao pela manutengao da paz a determinagao de fazer a guerra. 

Caso governo de Viena tivesse dado uma forma mais suave ao seu ultimate, em nada teria 
mudade a situagao. Quando muito teria sido varrido do poder pela indignagao popular. Aos olhos 
da grande massa do povo, o tom do ultimate ainda era brando demais e, de modo nenhum, Ihe 
parecia brutal. Nele nao havia excesses. Quem hoje precura negar isso ou e um desmemoriade ou 
um mentireso censciente. Gragas a Deus, a luta do ane de 1914 nao foi, na realidade, imposta e 
Sim desejada pelo povo inteiro. Todos queriam acabar de vez com uma inseguranga generalizada. 
So assim pode-se tambem compreender que mais de dois milhoes de alemaes, homens e rapazes, 
se pusessem voluntariamente sob a bandeira decididos a protege-la com a ultima gota do seu 
sangue. 

Aquelas horas foram para mim uma libertagao das desagradaveis recordagoes da juventude. 
Ate hoje nao me envergonho de confessar que, dominado por delirante entusiasmo, cai de joelhos 
e, de todo coragao, agradeci aos ceus ter-me proporcionado a felicidade de poder viver nessa 
epoca. 

Tinha-se desencadeado uma luta de libertagao, a mais formidavel que o mundo jamais vira, 
pois logo que a fatalidade tinha iniciado o seu curso, as grandes massas perceberam que, desta 
vez, nao se tratava do destine nem da Servia nem da Austria, e sim da vida ou morte da nagae 
alema. 

Pela primeira vez, depeis de muites anos, o povo via claro o seu proprio future. Assim e que, 
lege no cemege da luta titanica, ainda sob a agae de um transberdante entusiasmo, brotaram, no 
espirite de povo, os sentimentes a altura da situagae, pois somente esta ideia de salvagao geral 
conseguiu que a exaltagao nacional significasse alguma coisa mais do que simples fogo de palha. 
A certeza da gravidade da situagao era, porem, por demais necessaria. Em geral, ninguem podia, 
naquela epoca, ter a menor ideia da duragao da luta que, entao, se iniciava. Sonhava-se poder 
estar de volta, a casa, no proximo inverno, a fim de retomar o trabalho pacifico. Aquilo que o 
homem deseja vale como objeto de esperanga e crenga. A grande maioria da nagao estava 
cansada do eterno estado de inseguranga. So assim pode-se compreender que nao se pensasse 
numa solugao pacifica do conflito austro-servio, mas em uma solugao definitiva para as 
complicagoes existentes. Ao numero desses milhoes que assim pensavam pertencia eu. 

Mai se tinha divulgado em Munique a noticia do atentado e ja me passavam pela mente duas 
ideias, a saber: a guerra seria absolutamente inevitavel e o imperio dos Habsburgos seria forgado 
a ficar fiel as suas aliangas. Q que eu mais havia temido sempre era a possibilidade de a 
Alemanha entrar em conflito - talvez mesmo em consequencia dessa alianga - sem que a Austria 
tivesse sido a causa direta, e que, dessa maneira, o governo austrfaco nao se decidisse, por 
motive de polftica interna, a se celecar ao lade do seu aliado. A maioria eslava do Imperio teria 
imediatamente iniciado a sua resistencia a uma decisao espontanea nesse sentido, preferindo ver 



Imperio destruido nos seus fundamentos a conceder o auxilio solicitado. Entretanto, esse perigo 
estava agora afastado. O velho Imperio tinha de lutar, por bem ou por mal. 

Minha atitude em face do conflito era bem clara e definida. Para mim nao se tratava de uma 
guerra para que a Austria obtivesse satisfagao por parte da Servia. Nao. A Alemanha e que lutava 
pela sua vida, e com ela o povo pela sua existencia, pela sua liberdade, por seu futuro. A politica 
de Bismarcl< ia ser seguida. Aquilo que os antepassados Inaviam conquistado com o sacrificio do 
sangue dos seus herois nas batalhas de Weissenburg, ate Sedan e Paris, tinha de ser 
reconquistado pela jovem Alemanha. Caso fosse essa luta vitoriosa, o nosso povo entraria de novo 
no rol das grandes potencias, com o seu poder exterior aumentado. E assim o Imperio alemao 
poderia se tornar uma eficiente garantia da paz, sem ter de diminuir o pao de cada dia de seus 
filhos, em nome dessa mesma paz. 

Quantas vezes, rapazinho ainda, five o desejo sincero de poder provar por fatos que para mim o 
entusiasmo nacional nao era uma pura fantasia. A mim me parecia muitas vezes quase um crime 
aplaudir o que quer que fosse sem se estar convencido da razao de ser de seus gestos. Quem 
tinha direito de assim agir sem ter passado por aqueles momentos dificeis sem que a mao 
inexoravel do destino, dando aos acontecimentos um tom mais serio, exige a sinceridade das 
atitudes humanas? Meu coragao, como o de milhoes de outros, transbordava de orgulho e 
felicidade por poder de vez libertar-me dessa situagao de inercia. 

Tantas vezes tinha eu cantado o "Deutschland, Deutschland Gber alles", com todas as forgas de 
meus pulmoes e gritado "Hell"... que quase me parecia uma graga especial poder comparecer 
agora, perante a justiga divina, para afirmar a sinceridade dessa minha atitude. Desde o primeiro 
instante estava firmemente decidido, em caso de guerra - esta me parecia inevitavel - a abandonar 
OS livros imediatamente. Ao mesmo tempo sabia muito bem que o meu lugar seria aquele para 
onde me chamava a voz da consciencia. Por motivos politicos, tinha preliminarmente abando. nado 
a Austria. Nada mais natural, pois, que agora que se iniciava a luta, coerente com as minhas 
opinioes politicas, eu assim procedesse. Nao era meu desejo lutar pelo imperio dos Habsburgos. 
Estava pronto, porem, a morrer, em qualquer instante, pelo meu povo ou pelo governo que o 
representasse na realidade. 

A 3 de agosto apresentei um requerimento a S. M. o rei Luis III, no qual eu solicitava a 
permissao para assentar praga num regimento bavaro. A secretaria do Governo, naquela ocasiao, 
como era natural, estava assoberbada de servigo. Por isso tanto mais alegre fiquei ao tomar 
conhecimento, ja no dia seguinte, do despacho favoravel a minha solicitagao. Ao abrir, com maos 
tremulas, o documento no qual 11 o deferimento do meu pedido, com a recomendagao de me 
apresentar a um regimento bavaro, meu contentamento e minha gratidao nao tiveram limites. 
Poucos dias depois, eu envergava a tarda, que so quase seis anos mais tarde deveria despir. 

Comegou entao para mim, como provavelmente para todos os outros alemaes, a mais 
inesquecivel e a maior epoca da minha vida. Comparado com a luta titanica que se travava, todo o 
passado desaparecia inteiramente. Com orgulho e saudade, recordo-me, justamente nesses dias 
em que se passa o 10o. aniversario daqueles formidaveis acontecimentos, das primeiras semanas 
daquela luta heroica de nosso povo, na qual gragas a benevolencia do destino, me foi dado tomar 
parte. 

Como se fosse ontem, passam diante de meus olhos todos os acontecimentos. Vejo-me 
fardado, no cfrculo dos meus queridos camaradas. Lembro-me da primeira vez que safmos para 
exercicios militares, etc., ate que enfim chegou o dia da partida para o front. 

Uma unica preocupagao me afligia naquele momento, a mim como a muitos outros. Era recear 
chegarmos tarde demais no front. Essa ideia nao me deixava tranqiJilo. A cada manifestagao de 
jubilo por um novo feito heroico, sentia uma profunda tristeza, pois toda a vez que se festejava uma 
nova vitoria, parecia para mim aumentar o perigo de chegarmos demasiadamente tarde. 
Finalmente, chegou o dia de deixarmos Munique, a fim de nos apresentarmos ao cumprimento do 
dever. Tive entao a oportunidade de ver, pela primeira vez, o Reno, na nossa viagem para o 
ocidente, feita ao longo das suas aguas calmas. A nos estava confiada a defesa, contra a cobiga 
dos inimigos, do mais germanico de todos os rios. Quando os primeiros raios de sol da manha, 
atravessando um leve veu de neblina, refletiam-se no monumento de Niederwald, irrompeu, do 
longuissimo trem de transporte, a veiha cangao alema "Die Wacht am Rhein". Senti-me 
transbordante de entusiasmo. 

Em seguida, veio uma noite umida e fria, em Flandres, durante a qual marchamos silenciosos e. 



quando o sol comegou a despontar atraves das nuvens, rompeu de repente sobre as nossas 
cabegas uma saudagao de ago, e, entre as nossas fileiras, sibilavam balas que caiam levantando a 
terra molhada. Antes de desaparecer a pequena nuvem, duzentas bocas gritavam ao mesmo 
tempo "urra" a esses primeiros mensageiros da morte. Em seguida, comegou o pipocar da 
metraiha, a gritaria, o estrondo da artilharia, e, febricitante de entusiasmo, cada um marchava para 
a frente, cada vez mais depressa, ate que, sobre os campos de beterraba, e, atraves das 
charnecas, comegou a luta corpo a corpo. De longe, porem, chegavam aos nosso ouvidos os sons 
de uma cangao, que, cada vez mais se aproximava, passando, de companhia a companhia, e, 
enquanto a morte dizimava as nossas fileiras, a cangao chegava a nos e nos a passavamos 
adiante: "Deutschland, Deutschland, uber alles, uber alles in der Welt!" 

Passados quatro dias, voltamos. Ate a maneira de andar dos soldados se tinha modificado. 
Rapazes de dezessete anos pareciam homens feitos. Os voluntarios do regimento de List talvez 
nao tivessem aprendido bem a lutar, o que e certo e que sabiam morrer como velhos soldados 

Esse foi comego. 

Assim continuou a luta, ano a ano. Ao romantismo das batalhas tinha sucedido o horror. O 
entusiasmo se arrefecera aos poucos e o jubilo transbordante foi abafado pelo pavor da morte. 
Chegou a epoca em que cada um tinha de lutar entre o instinto de conservagao e o imperativo do 
dever. Tambem eu nao escapei a essa luta. Cada vez que a morte rondava algo indeterminado 
procurava se revoltar, baseado na razao, e, no entre. tanto, isso nada mais era do que a covardia 
que, assim disfargada, procurava envolver cada um. Comegou uma luta pro e contra, e o ultimo 
resto de consciencia decidia definitivamente. Entretanto quanto mais claro se ouviam essas vozes 
que recomendavam cautela, quanto mais elas procuravam atrair e falar alto, tanto mais violenta era 
a resistencia, ate que, enfim, apos longa luta interior, a consciencia do dever vencia. Ja no inverno 
de 1915 a 1916 eu tinha decidido essa luta. A vontade tinha finalmente conseguido se impor. Nos 
primeiros dias, eu tinha avangado com jubilo e alegria nos labios; agora me encontrava calmo e 
decidido. Assim devia permanecer ate o fim. So agora o destino podia caminhar para as ultimas 
provas, sem que os meus nervos se rompessem ou a minha razao falhasse. 

O jovem voluntario tinha se transformado num soldado experimentado. 

Essa transformagao tinha se operado no exercito inteiro. As lutas constantes o tinham 
envelhecido e ao mesmo tempo, enrijado. Os que nao puderam resistir a tempestade foram por ela 
vencidos. Somente agora e que se poderia julgar esse exercito. So agora depois de dois a tres 
anos em que uma bataiha se seguia a outra, em que ele combatera contra inimigos superiores em 
numero e em armas, sofrendo fome e necessidades, so agora e que se podia avaliar o valor desse 
exercito, unico no mundo. 

Durante milhares de anos ninguem podera falarem herofsmo sem se lembrar do exercito 
alemao na guerra mundial. So entao, do veu do passado, a fronte de ago do capacete cinzento, 
firme e inabalavel, aparecera como monumento imortal. Enquanto houver alemaes na face da 
terra, eles terao de se lembrar que aqueles homens eram dignos filhos da Patria. 

Eu era soldado naquela ocasiao e nao queria me meter em politica. A epoca na verdade nao 
era para isso. Ate hoje sou da opiniao que o ultimo cocheiro prestou ao pafs servigos maiores do 
que primeiro, digamos assim, "parlamentar". Nunca odiei tanto estes palradores como no tempo 
em que cada individuo decidido que tinha alguma coisa a dizer, ou berrava-a na cara de seus 
inimigos ou entao calava-se oportunamente e cumpria silenciosamente o seu dever, fosse onde 
fosse. De fato, naquela epoca, eu odiava esses "politicos", e se fosse por mim, teria mandado 
formar imediatamente um batalhao parlamentar de sapadores. So assim eles poderiam, 
inteiramente a vontade, expandir entre si a sua verborragia, sem incomodar ou prejudicar o resto 
da humanidade honesta e decente. 

Naquela epoca eu nao queria saber de politica; entretanto nao tinha outro remedio senao tomar 
partido em certos acontecimentos que diziam respeito a nagao inteira, sobretudo a nos soldados. 

Havia duas coisas que entao me aborreciam intimamente e eram por mim consideradas 
prejudiciais a causa da nagao. 

Logo apos as primeiras noticias de vitorias, uma certa imprensa comegou a deixar cair sobre o 
entusiasmo geral algumas gotas de entorpecente, e isso devagar e desapercebidamente para 
muitos. Agia, essa mesma imprensa, sob a mascara de boa vontade, de boas intengoes e ate 
mesmo de zelo pela sorte do soldado. Receava-se um excesso no festejar das vitorias. Alem disso, 
havia pensamento de que essa forma de celebrar os triunfos militares nao era digna de uma 



grande nagao. Achava-se que a bravura e o heroismo do soldado alemao deveriam ser naturals, 
sem espetaculosidades. Os alemaes nao se deviam deixar empolgar por manifestagoes de 
contentamento irrefletidas, que iriam repercutir no estrangeiro, o qual apreciaria a forma calma e 
digna de alegria mais do que uma exaltagao desmedida, etc. Nos alemaes, acrescentavam, nao 
deveriamos esquecer que a guerra nao estava no nosso programa, e, por isso, nao deveriamos 
nos envergonhar de confessar abertamente que, em qualquer epoca, contribuiriamos com o nosso 
esforgo para a confraternizagao da humanidade. Nao era, pois, conveniente empanar a pureza dos 
leitos do exercito com uma gritaria demasiado espetaculosa. O resto do mundo compreenderia 
muito mal essa maneira de agir. Nada e mais admirado do que a modestia com que um verdadeiro 
heroi esquece, silenciosa e calmamente, os seus maiores feitos. 

Em vez de pegar esses camaradas pelas orelhas, amarra-los a um poste e puxa-los por uma 
corda, a fim de que a nagao em festas nao mais pudesse ofender a sensibilidade estetica de tais 
escrevinlnadores, comegou-se a proceder na realidade contra a maneira "inadequada" de celebrar 
as vitorias. 

Nao se tinlna a mais palida ideia de que o entusiasmo, uma vez abafado, nao mais pode ser 
provocado quando se deseja. Ele e uma embriaguez e deve ser mantido nesse estado. Como, 
porem, se poderia manter uma luta sem essa forga do entusiasmo, principalmente tratando-se de 
uma luta que iria por a prova, de uma maneira inedita, as qualidades morais da nagao? 

Eu conlnecia o bastante sobre a psicologia das grandes massas para saber que com 
sentimentalismo estetico nao se poderia manter aceso esse ardor civico. No meu modo de ver, era 
rematada loucura nao atigar o fogo dessa paixao. O que eu ainda menos compreendia e que se 
procurasse destruir o entusiasmo existente. O que me irritava tambem era a atitude que se tomava 
em relagao ao marxismo. Para mim essa atitude era uma prova de que nao se tinlna a minima ideia 
do que fosse essa calamidade. Acreditava-se seriamente ter reduzido a inagao o marxismo, com a 
simples declaragao de que agora nao existiam mais partidos. 

Nao se percebia absolutamente que, no caso, nao se tratava de um partido e sim de uma 
doutrina que tende a destruir a humanidade inteira. Compreende-se isso, considerando-se que, 
nas Universidades sujeitas a influencias semiticas, nada se dizia a respeito, e que muitos, 
sobretudo nossos altos funcionarios, acham, por uma questao de tola pretensao, inutil o aprender 
algo que nao figure entre as materias lecionadas nas escolas superiores. As transformagoes 
socials mais radicals passam despercebidas a essas cabegas ocas, razao pela qual as instituigoes 
do governo sao em muito inferiores as instituigoes particulares. Aquelas caiha bem o proverbio: "O 
que campones nao conhece, nao come". Algumas poucas excegoes so servem para confirmar a 
regra. 

Foi tolice rematada identificar o trabalhador alemao com o marxismo, nos dias de agosto de 
1914. O trabalhador alemao tinha-se livrado, justamente naquela epoca, desse veneno. Se assim 
nao fosse, ele nunca teria se apresentado para a guerra. Pensou-se estupidamente que o 
marxismo tinha-se tornado "nacional". Essa suposigao so serve para mostrar que, nesses longos 
anos, nenhum dos dirigentes do Estado se tinha dado ao trabalho de estudar a essencia dessa 
doutrina, pois, se assim fosse, dificilmente se teria propalado semelhante tolice. 

O marxismo, cuja finalidade ultima e e sera sempre a destruigao de todas as nacionalidades 
nao judaicas, teve de verificar com espanto que, nos dias de julho de 1914, os trabalhadores 
alemaes, ja por eles conquistados, despertaram, e cada dia com mais ardor se apresentavam ao 
servigo da patria. Em poucos dias, estava destruida a mistificagao desses embusteiros infames dos 
povos. Solitaria e abandonada, encontrava-se essa corja de agitadores judeus, como se nao 
restasse mais um trago das loucuras inculcadas, durante mais de 60 anos, ao operariado alemao. 
Foi um mau momento para esses mistificadores. Logo que tais agitadores perceberam o grande 
perigo que os ameagava, em consequencia de suas constantes mentiras, disfargaram-se e 
trataram de fingir que acompanhavam o entusiasmo nacional. 

Tinha chegado agora o momento oportuno de proceder contra a traigoeira camariiha de 
envenenadores do povo. Dever-se-ia ter agido sumariamente, sem consideragao para com as 
lamentagoes que provavelmente se desencadeariam. Em agosto de 1914 tinham desaparecido, 
como por encanto, as ideias ocas de solidariedade internacional e, no lugar delas, ja poucas 
semanas depois, choviam, sobre os capacetes das colunas em marcha, as bengaos fraternais dos 
shrapnell americanos. Teria sido dever de um governo cuidadoso exterminar sem piedade os 
destruidores do nacionalismo, uma vez que os operarios alemaes se tinham integrado de novo na 



Patria. 

Em um tempo em que os melhores elementos da nagao morriam no front, os que ficaram em 
casa, entregues aos seus trabalhos, deviam ter livrado a nagao dessa piolharia comunista. 

Ao inves disso, sua Majestade o Kaiser estendia a mao a esses conhecidos criminosos, dando, 
assim, oportunidade a esses perfidos assassinos da na^ao de voltarem a si e de recuperarem o 
tempo perdido. 

A vibora podia, pois, recomegar o seu traballno, com mais cautela do que antes, porem de 
maneira mais perigosa. Enquanto os honestos sonhavam com a paz, os criminosos traidores 
organizavam a revolugao. 

Senti-me intimamente desgostoso com essas meias medidas. O que eu nunca poderia 
imaginar, porem, era que o fim fosse tao horroroso. 

Que se deveria fazer? Por os dirigentes do movimento nos carceres, processa-los e deles livrar 
a nagao. Ter-se ia de empregar com a maxima energia todos os meios de agao militar, a fim de 
destruir essa praga. Os partidos teriam de ser dissolvidos, o Reichstag teria de ser clnamado a. 
razao pela forga convincente das baionetas. O mellnor ate teria sido dissolve-lo. Assim como a 
Republica, Inoje, tem meios de dissolver os partidos, naquela epoca, com mais razao, devia-se ter 
apelado para tal recurso, pois se tratava de uma questao de vida ou de morte de toda uma nagao. 

E verdade que nesses momentos surge sempre a pergunta: Sera, possfvel destruir ideias a 
ferro e a fogo? Sera possfvel combater concepgoes universais empregando a forga bruta? 

Ja naquele tempo, por mais de uma vez, me fiz a mim mesmo essas perguntas. Meditando 
sobre casos analogos, principalmente sobre aqueles casos da historia universal que se baseiam 
em fundamentos religiosos, chega-se a seguinte conclusao basica: 

As ideias, assim como os movimentos que tem uma determinada base espiritual, seja ela certa 
ou errada, so podem, depois de ter atingido um certo periodo de sua evolugao, ser destruidos por 
processos tecnicos de violencia, quando essas armas sao elas mesmas portadoras de um novo 
pensamento flamejante, de uma ideia, de um principio universal. 

O emprego exclusivo da violencia, sem o estimulo de um ideal preestabelecido, nao pode 
jamais conduzir a destruigao de uma ideia ou evitar a sua propagagao, exceto se essa violencia 
tomar a forma de exterminagao irredutivel do ultimo dos adeptos do novo credo e da sua propria 
tradigao. Isto significa, entretanto, na maioria dos casos, a segregagao de um tal organismo politico 
do circulo das atividades, as vezes por tempo indefinido e ate para sempre. A experiencia tem 
mostrado que um tal sacrificio de sangue atinge em cheio a parte mais valiosa da nacionalidade, 
pois toda perseguigao que tem lugar sem previa preparagao espiritual, revela-se como moralmente 
injustificada, provocando protestos veementes dos mais eficientes elementos do povo, protesto 
esse que redunda geralmente em adesao ao movimento perseguido. Muitos assim procedem por 
um sentimento de repulsa a todo combate a ideias, pela forga bruta. 

O numero dos adeptos cresce entao proporcionalmente a intensidade da perseguigao. 
Entretanto, o extermfnio sem treguas da nova doutrina so podera ser possfvel a custa de grande e 
crescente dizimagao dos que a aceitam, dizimagao que, em ultima analise, conduzira o povo ou o 
governo ao depauperamento. Tal processo sera, desde o principio, inutil, quando a doutrina a ser 
combatida ja tenha ultrapassado certo circulo restrito. 

E por isso que aqui, como em todo processo de crescimento, o periodo da infancia e o que esta 
mais exposto a destruigao, enquanto que, com o correr dos anos, a forga de resistencia aumenta, 
para so ceder lugar a nova infancia com a aproximagao da fraqueza senil, se bem que sob outra 
forma e por outros motivos. 

De fato, quase todas as tentativas de, por meio da forga, e sem base espiritual, destruir uma 
doutrina, conduzem ao insucesso e nao raras vezes ao contrario do desejado, e isso pelos 
seguintes motivos: 

A primeira de todas as condigoes para uma luta pela forga bruta e a persistencia. Isto quer dizer 
que so ha possibilidade de exito no combate a uma doutrina quando se empregam metodos de 
repressao uniformes e sem solugao de continuidade. Fazendo-se, entretanto, indecisamente, 
alternar a forga com a tolerancia, acontecera que, nao so a doutrina a ser destruida conseguira 
fortificar-se mas tambem ela ficara em situagao de tirar novas vantagens de cada perseguigao, pois 
que, passada a primeira onda de compressao, a indignagao pelo sofrimento Ihe trara novos 
adeptos, enquanto que os ja existentes se conservarao cada vez mais fieis. Mesmo aqueles que 
tinham abandonado as fileiras, passado o perigo, voltarao a elas. A condigao essencial do sucesso 



e a aplicagao constante da forga. A continuidade e, porem, sempre o resultado de uma convicgao 
espiritual determinada. Toda forga que nao provem de uma firme base espiritual torna-se indecisa 
e vaga. A ela faltara a estabilidade que so podera repousar em certo fanatismo. Emana da energia 
e decisao bruta de um individuo. Esta, porem, sujeita a modificagoes de acordo com as 
personalidades que a aceitam, isto e, com a forga e o modo de ser de cada um. 

Alem disso, ha a considerar outra coisa: toda concepgao universal, seja ela religiosa ou politica 
- as vezes e dificil estabelecer a linha divisoria - luta menos pela destruigao negativa do mundo de 
ideias contrario do que pela vitoria positiva de suas proprias ideias. A luta consiste assim, menos 
na defensiva, do que na ofensiva. Entretanto, ela ainda leva uma vantagem, pois tem o seu 
objetivo determinado, isto e a vitoria da propria ideia, enquanto que, inversamente, e dificil 
determinar quando esta atingido o fim negativo da destruigao da doutrina inimiga. Aqui tambem a 
decisao pertence ao ataque e nao a defesa. A luta contra uma forga espiritual por meios violentos 
so e uma defesa enquanto as armas nao sao elas mesmas portadoras e disseminadoras de uma 
nova doutrina. 

Resumindo, pode-se estabelecer o seguinte: Toda tentativa de combater pelas armas um 
principio universal tem de ser mal sucedida, enquanto a luta nao tomar rigorosamente forma de 
ofensiva por novas ideias. E somente na luta de dois principios universais que a forga bruta, 
empregada, persistente e decididamente, pode provocar a decisao favoravel ao lado por ela 
sustentado. Por isso e que ate entao tinha fracassado a luta contra o marxismo. 

Este foi motivo pelo qual a legislagao socialista de Bismarck acabou falhando e tinha de 
falhar. Faltou a plataforma de uma nova doutrina universal por cuja vitoria se deveria ter lutado. De 
fato, estimular uma luta de vida e morte com expressoes vazias, tais como "autoridade do Estado", 
"paz e ordem", e algo que so poderia mesmo ocorrer a altos funcionarios de secretaria, 
sabidamente ocos de ideias. Faltando, como faltou, nessa luta, uma verdadeira base espiritual, 
teve Bismarck de contar, a fim de poder introduzir a sua legislagao socialista, com uma instituigao 
que nada mais era do que um aborto do comunismo. 

Confiando o destino de sua guerra ao marxismo a complacencia da democracia burguesa, o 
chanceler de ferro queria fazer da oveiha, lobo. 

Entretanto, tudo isso era a consequencia forgada da falta de um principio geral basico e de 
grande poder conquistador, que fosse oposto ao marxismo. O resultado final da luta de Bismarck 
redundou, pois, numa grande desilusao. 

Eram, porem, as condigoes, durante a guerra, ou mesmo no seu comego, diferentes? 
Infelizmente, nao. 

Quanto mais eu me preocupava com a ideia de uma modificagao de atitude do governo com 
relagao a social-democracia - partido esse que no momento, representava o marxismo - tanto mais 
eu reconhecia a falta de um sucedaneo para essa doutrina. 

Que se la oferecer as massas, na hipotese da queda da social-democracia? Nao havia um 
movimento ao qual fosse licito esperar que pudesse atrair as massas de operarios, nesse 
momento, mais ou menos, sem guias. Seria rematada ingenuidade imaginar que o fanatico 
internacional, que ja havia abandonado o partido de classe, se decidisse a entrar num partido 
burgues, portanto em uma nova organizagao de classe. Isso e inegavel, embora nao seja do 
agrado das varias organizagoes que parece acharem muito natural uma cisao de classes, ate o 
momento em que essa cisao nao comece a Ihes ser desfavoravel sob o ponto de vista politico. A 
contestagao desse tato so serve para provar a insolencia e a estupidez dos mentirosos. 

De um modo geral, e um erro julgar que a grande massa seja mais tola do que parece. Em 
polftica nao e raro o sentimento decidir mais acertadamente do que a razao. 

A alegagao de que a massa erra, deixando-se levar pelo sentimento, 

alegagao que se procura evidenciar com a sua ingenua atitude na polftica internacional - pode- 
se rebater vigorosamente observando-se o fato de nao ser menos insensata a democracia 
pacifista, cujos lideres, no entanto, provem exclusivamente da burguesia. 

Enquanto milhoes de cidadaos rendem culto, todas as manhas, a sua imprensa democratica, 
ficara muito mal a estes senhores rirem das tolices do companheiro que, no final das contas, 
engole as mesmas asneiras, se bem que com outra encenagao. Nos dois casos, o fabricante 
desses raciocinios e sempre judeu. 

Deve-se, portanto, evitar a negagao de fatos que existem na realidade. O fato de que ha uma 
questao de classe (nao se trata exclusivamente de problemas ideals, conforme se costuma fazer 



crer, sobretudo em epocas de eleigoes) nao pode ser contestado. O sentimento de classe de 
grande parte de nosso povo, bem como o menosprezo do trabalhador manual, e um fenomeno que 
nao provem da fantasia de um lunatico. 

Nao obstante, ele mostra a pequena capacidade de raciocinio dos nossos chamados 
intelectuais, quando, justamente nesses circulos, nao se compreende que um estado de coisas, o 
qual nao pode evitar o desenvolvimento de uma calamidade como o marxismo, agora nao esta 
mais em condigoes de reconquistar o perdido. 

Os partidos "burgueses", como eles mesmos se denominam, nao poderao jamais contar com o 
apoio das massas proletarias, pois aqui temos dois mundos antagonicos, em parte naturalmente, 
em parte artificialmente cindidos, e cuja atitude reciproca so pode ser a de luta. O vencedor neste 
caso so poderia ser o mais jovem, e esse seria o marxismo. 

De fato, em 1914, seria possivel imaginar uma luta contra a social-democracia. Agora, predizer 
tempo da duragao deste embate seria duvidoso, uma vez que faltava um sucedaneo pratico para 
ela. 

Aqui havia uma grande lacuna. 

Eu possufa essa opiniao ja muito antes da Guerra e, por isso, nunca pude me decidir a me 
aproximar de um dos partidos existentes. No correr dos acontecimentos da guerra mundial tive 
essa minha opiniao reforgada pela impossibilidade visfvel de comegar a luta sem treguas contra a 
social-democracia, ja que faltava um movimento que fosse mais do que um partido "parlamentar>. 
Muitas vezes me externei a esse respeito com os meus camaradas mais intimos. Apareceram-me 
entao as primeiras ideias de, mais tarde, tomar parte na politica. 

Justamente foi esse o motivo que fez com que eu muitas vezes comunicasse ao pequeno 
circulo de meus amigos a minha intengao de, passada a Guerra, combinar o meu trabalho 
profissional com a atividade politica, como orador. 

Creio que isso estava resolvido, no meu espirito, com toda a seriedade. 

CAPITULO VI - A PROPAGANDA DA GUERRA 

Observador cuidadoso dos acontecimentos politicos, sempre me interessou vivamente a 
maneira por que se fazia a propaganda da guerra. Eu via nessa propaganda um instrumento 
manejado, com grande habilidade, justamente pelas organizagoes socials comunistas. 
Compreendi, desde logo, que a aplicagao adequada de uma propaganda e uma verdadeira arte, 
quase que inteiramente desconhecida dos partidos burgueses. somente o movimento cristao 
social, sobretudo na epoca de Lueger, aplicou este instrumento com grande eficiencia e a isso se 
devem muitos dos seus triunfos. 

A que resultados formidaveis uma propaganda adequada pode conduzir, a guerra ja nos tinha 
mostrado. Infelizmente tudo tinha de ser aprendido com o inimigo, pois a atividade, do nosso lado, 
nesse sentido, foi mais do que modesta. Justamente o insucesso total do piano de esclarecimento 
do povo do lado alemao, foi para mim um motivo para me ocupar mais particularmente da questao 
de propaganda. 

Nao nos faltava oportunidade para pensar sobre essa questao. Infelizmente as ligoes praticas 
eram fornecidas pelo inimigo e custaram-nos caro. O adversario aproveitou, com inaudita 
habilidade e calculo verdadeiramente genial, aquilo de que nos haviamos descuidado. Aprendi 
imensamente nessa propaganda de guerra feita pelo inimigo. Aqueles que da mesma se deviam 
ter servido, como ligao eficiente, deixaram-na passar despercebida; julgavam-se espertos demais 
para aprender dos outros. Por outro lado, nao havia vontade honesta para tal. 

Haveria entre nos uma propaganda? 

Infelizmente, so posso responder pela negativa. Tudo o que, na realidade, foi tentado nesse 
sentido era tao inadequado e erroneo, desde o principio, que em nada adiantava. As vezes era ate 
prejudicial. Examinando atentamente o resultado da propaganda de guerra alema, chegava-se a 
conclusao de que ela era insuficiente na forma e psicologicamente errada, na essencia. 

Comegava-se por nao se saber claramente se a propaganda era um meio ou um fim. 

Ela e um meio e, como tal, deve ser julgada do ponto de vista da sua finalidade. A forma a 
tomar deve consentir no meio mais pratico de chegar ao fim que se colima. E tambem claro que a 
importancia do objetivo que se tem em vista pode se apresentar sob varios aspectos, tendo-se em 
vista interesses social, e que, portanto, a propaganda pode variar no seu valor intrinseco. A 



finalidade pela qual se lutava durante a guerra era a mais elevada e formidavel que se pode 
imaginar. Tratava-se da liberdade e da independencia de nosso povo, da garantia da vida, do 
future e, em uma palavra, da honra da nagao. Estavamos em face de uma questao que, nao 
obstante opinioes divergentes de muitos, ainda existe ou melhor deve existir, pois os povos sem 
honra costumam perder a liberdade e a independencia, mais tarde ou mais cedo. Isso, por sua vez, 
corresponde a uma justiga mais elevada, pois geragoes de vagabundos sem honra nao merecem a 
liberdade. Aquele, porem, que quiser ser escravo covarde nao deve ter o sentimento de honra, 
pois, do contrario, esta cairia muito rapidamente no desprezo geral. 

O povo alemao lutava por sua existencia e o fim da propaganda da guerra devia ser o de apoiar 
essa luta. Leva-la a vitoria, els o seu objetivo. 

Quando, porem, os povos lutam neste planeta por sua existencia, quando se trata de uma 
questao de ser ou nao ser, caem por terra todas as consideragoes de humanidade ou de estetica, 
pois todas essas ideias nao estao no ambiente, mas originam-se na fantasia dos homens e a ela 
estao presas. Com a sua partida desse mundo desaparecem tambem essas ideias, pois a natureza 
nao as conhece. Mesmo entre os homens, elas so sao proprias a alguns povos ou melhor a certas 
ragas, na medida que elas provem do sentimento desses mesmos povos ou ragas. O sentimento 
humanitario e estetico desapareceria, ate mesmo de um mundo habitado, uma vez que este 
perdesse as ragas criadoras e portadoras dessa ideia. 

Todas essas ideias tem uma significagao secundaria na luta de um povo pela sua existencia, 
chegam mesmo a desaparecer, uma vez que possam contrariar o seu instinto de conservagao. 

Quanto a questao do sentimento de humanidade ja Moltke afirmava que ele residia no processo 
sumario da guerra, e que, portanto, a maneira mais incisiva de combate, e a que conduz a esse 
fim. 

Aqueles que procuram argumentar nesses assuntos com palavras, tais como estetica, etc., 
pode-se responder da seguinte maneira: As questoes vitals da importancia da luta pela vida de um 
povo anulam todas as consideragoes de ordem estetica. A maior fealdade na vida humana e e 
sera, sempre o jugo da escravidao. Sera possivel que esses decadentes considerem "estetica" a 
sorte atual do povo alemao? E verdade que, com os judeus, que sao os inventores modernos 
dessa cultura perfumada, nao se deve discutir sobre esses assuntos. Toda a sua existencia e um 
protesto vivo contra a estetica da imagem do Criador. 

Se, na luta, esses pontos de humanidade e beleza sao excluidos, eles tambem nao poderao 
servir de orientagao para a propaganda. 

A propaganda durante a guerra era um meio para um determinado fim, e esse fim era a luta 
pela existencia do povo alemao. Portanto, a propaganda so poderia ser encarada sob o ponto de 
vista de principios conducentes aquele objetivo. 

As armas mais terrfveis seriam humanas, desde que conduzissem a vitoria mais rapidamente. 
Belos seriam somente os metodos que ajudassem a assegurar a dignidade a Nagao: a dignidade 
da liberdade. Essa era a unica atitude possivel na questao da propaganda de guerra, numa luta de 
vida e de morte. 

Fossem esses pontos conhecidos daqueles que os deviam conhecer, nunca se teriam 
verificado vacilagoes quanto a forma e aplicagao dessa arma verdadeiramente terrivel na mao de 
um conhecedor. 

A segunda questao de importancia decisiva era a seguinte: a quem se deve dirigir a 
propaganda, aos intelectuais ou a massa menos culta? A. propaganda sempre tera de ser dirigida 
a massa! 

Para os intelectuais, ou para aqueles que, hoje, infelizmente assim se consideram, nao se deve 
tratar de propaganda e sim de instrugao cientifica. A propaganda, porem, por si mesma, e tao 
pouco ciencia quanto um cartaz e arte, considerado pelo seu lado de apresentagao. A arte de um 
cartaz consiste na capacidade de seu autor de, por meio da forma e das cores, chamar a atengao 
da massa. O cartaz de uma exposigao de arte so tem em vista chamar a atengao sobre a arte da 
exposigao; quanto mais ele consegue esse desideratum tanto maior e a arte do dito cartaz. Alem 
disso, cartaz deve transmitir a massa uma ideia da importancia da exposigao, nunca, porem, 
devera ser um sucedaneo da arte que se procura oferecer. Assim, quem desejar se ocupar da arte 
mesma, tera de estudar mais do que o proprio cartaz, e nao Ihe bastara por exempio, um simples 
passeio pela exposigao. Dele se espera que se aprofunde nas varias obras, observando-as com 
todo cuidado, acabando por fazer delas um juizo justo. 



Semelhantes sao as condigoes do que hoje designamos pela palavra propaganda. 

O fim da propaganda nao e a educagao cientifica de cada urn, e sim chamar a atengao da 
massa sobre determinados fatos, necessidades, etc., cuja importancia so assim cai no circulo 
visual da massa. 

A arte esta exclusivamente em fazer isso de uma maneira tao perfeita que provoque a 
convicgao da realidade de um fato, da necessidade de um processo, e da justeza de algo 
necessario, etc. Como ela nao e e nao pode ser uma necessidade em si, como a sua finalidade, 
assim como no caso do cartaz, e a de despertar a atengao da massa e nao ensinar aos cultos ou 
aqueles que procuram cultivar seu espirito, a sua agao deve ser cada vez mais dirigida para o 
sentimento e so muito condicionalmente para a chamada razao. 

Toda propaganda deve ser popular e estabelecer o seu nivel espiritual de acordo com a 
capacidade de compreensao do mais ignorante dentre aqueles a quem ela pretende se dirigir. 
Assim a sua elevagao espiritual devera ser mantida tanto mais baixa quanto maior for a massa 
humana que ela devera abranger. Tratando-se, como no caso da propaganda da manutengao de 
uma guerra, de atrair ao seu circulo de atividade um povo inteiro, deve se proceder com o maximo 
cuidado, a fim de evitar concepgoes intelectuais demasiadamente elevadas. 

Quanto mais modesto for o seu lastro cientifico e quanto mais ela levar em consideragao o 
sentimento da massa, tanto maior sera o sucesso. Este, porem, e a melhor prova da justeza ou 
erro de uma propaganda, e nao a satisfagao as exigencias de alguns sabios ou jovens estetas. A 
arte da propaganda reside justamente na compreensao da mentalidade e dos sentimentos da 
grande massa. Ela encontra, por forma psicologicamente certa, o caminho para a atengao e para o 
coragao do povo. Que os nossos sabidos nao compreendam isso, a causa esta na sua preguiga 
mental ou no seu orgulho. Compreendendo-se, a necessidade da conquista da - grande massa, 
pela propaganda, segue-se dai a seguinte doutrina: E errado querer dar a propaganda a variedade, 
por exempio, do ensino cientifico. 

A capacidade de compreensao do povo e muito limitada, mas, em compensagao, a capacidade 
de esquecer e grande. Assim sendo, a propaganda deve-se restringir a poucos pontos. E esses 
deverao ser valorizados como estribilhos, ate que o ultimo individuo consiga saber exatamente o 
que representa esse estribilho. Sacrificando esse principio em favor da variedade, provoca-se uma 
atividade dispersiva, pois a multidao nao consegue nem digerir nem guardar o assunto tratado. Q 
resultado e uma diminuigao de eficiencia e consequentemente o esquecimento por parte das 
massas. 

Quanto mais importante for o objetivo a conseguir-se, tanto mais certa, psicologicamente, deve 
ser a tatica a empregar. 

Por exempio, foi um erro fundamental querer tornar o inimigo ridiculo, como o fizeram os jornais 
humorfsticos austriacos e alemaes. 

Este sistema e profundamente errado, pois o soldado, quando caia na realidade, fazia do 
inimigo uma ideia totalmente diferente, o que, como era de esperar, acarretou graves 
conseqiJencias. Sob a impressao imediata da resistencia do inimigo, o soldado alemao sentia-se 
ludibriado por aqueles que o tinham orientado ate entao, e, em vez de um aumento de sua 
combatividade ou mesmo resistencia, dava-se o oposto. Q homem desanimava. 

Em contraposigao, a propaganda de guerra dos americanos e ingleses era psicologicamente 
acertada. Apresentando ao povo os alemaes como barbaros e Hunos, ela preparava o espirito dos 
seus soldados para os horrores da guerra, ajudando assim a preserva-los de decepgoes. A mais 
terrivel arma que fosse empregada contra ele, parecer-lhe-ia mais uma confianga no que Ihe 
tinham dito e aumentaria a crenga na 'Veracidade das afirmagoes de seu governo como tambem, 
por outro lado, servia para fazer crescer o odio contra o inimigo infame. Q cruel efeito da arma do 
adversario que ele comegava a conhecer parecia-Ihe aos poucos uma prova da brutalidade feroz 
do inimigo "barbaro" de que ele ja tinha ouvido falar, sem que, por um segundo, tivesse sido levado 
a pensar que as suas proprias armas fossem, muito provavelmente, de agao mais terrivel. 

Assim e que, sobretudo o soldado ingles, nunca se sentiu mal informado pelos seus, o que 
infelizmente se dava com o soldado alemao, Este chegava a rejeitar as noticias oficiais como 
falsas, como verdadeiro embuste. 

Tudo isso era a consequencia de se entregar esse servigo de propaganda ao primeiro asno que 
se encontrava, em vez de compreender que para este servigo e necessario um profundo 
conhecedor da alma humana. 



A propaganda de guerra alema serviu de exempio inexcedivel em efeitos negatives, em virtude 
da falta absoluta de raciocinio psicologicamente certo. 

Muito se poderia ter aprendido do inimigo, sobretudo aquele que, de olhos abertos e com o 
sentido alerta, observasse a onda da propaganda inimiga durante os quatro anos e meio de guerra. 

O que menos se compreendia era a condigao primeira de toda atividade propagandista, a 
saber: a atitude fundamentalmente subjetiva e unilateral que a mesma deve assumir em relagao ao 
objetivo visado. Neste terreno cometeram se erros tao grandes, logo no comego da guerra, que se 
tinha direito de duvidar se tanta asneira podia ser atribuida so a pura ignorancia. 

Que se diria, por exempio, de um cartaz anunciando um novo sabao e que, no entanto, aponta 
como "bons" outros saboes? A unica coisa a fazer diante disso seria levantar os ombros, e passar. 

O mesmo se da em relagao a propaganda politica. 

Foi um erro fundamental, nas discussoes sobre a culpabilidade da guerra, admitir que a 
Alemanha nao podia sozinha ser responsabilizada pelo desencadeamento dessa catastrofe. 
Deveria ter-se incessantemente atribufdo a culpa ao adversario, mesmo que esse fato nao tivesse 
correspondido exatamente a marcha dos acontecimentos, como na realidade era o caso. Qual, 
porem, foi a conseqGencia dessa indecisao? 

A grande massa de um povo nao se compoe de diplomatas ou so de professores oficiais de 
Direito, mesmo de pessoas capazes de ajudar com acerto, e sim de criaturas propensas a divida e 
as incertezas. Quando se verifica, em uma propaganda em causa propria, o menor indicio de 
reconhecer um direito a parte oposta, cria-se imediatamente a duvida quanto ao direito proprio. A 
massa nao esta em condigoes de distinguir onde acaba a injustiga estranha e onde comega a sua 
justiga propria. Ela, num caso como esse, torna-se indecisa e desconfiada, sobretudo quando o 
adversario nao comete a mesma tolice, mas, ao contrario, langa toda e qualquer culpa sobre o 
inimigo. Nada mais natural, pois que, finalmente, o povo acabe acreditando mais na propaganda 
inimiga do que na propria, dada a uniformidade coerencia desta. Esse efeito e, entao, inevitavel 
quando se trata de um povo como o alemao que ja por si sofre de tao grande mania de 
objetivismo, e esta sempre preocupado em evitar injustigas ao inimigo, mesmo ante o perigo do 
seu proprio aniquilamento. 

A massa nao chega a compreender que nao e assim que se imaginam essas coisas nos postos 
de comando. 

O povo, na sua grande maioria, e de indole feminina tao acentuada, que se deixa guiar, no seu 
modo de pensar e agir, menos pela reflexao do que pelo sentimento. 

Esses sentimentos, porem, nao sao complicados mas simples e consistentes. Neles nao ha 
grandes diferenciagoes. Sao ou positivos ou negativos: amor ou odio, justiga ou injustiga, verdade 
ou mentira. Nunca, porem, o meio termo. 

Tudo isso foi compreendido, sobretudo pela propaganda inglesa e por ela aproveitado, de uma 
maneira verdadeiramente genial. La nao havia indecisoes que pudessem provocar duvidas. 

A prova do conhecimento que tinham os ingleses do primitivismo do sentimento da grande 
massa foi as divulgagoes das crueldades do nosso exercito, campanha que se adaptava a esse 
estado de espirito do povo. 

Essa tatica serviu para assegurar, de maneira absoluta, a resistencia no front, mesmo na 
ocasiao das maiores derrotas. Alem disso, persistiu-se na afirmagao de que o inimigo alemao era o 
unico culpado pelo rompimento de hostilidades. Foi essa mentira repetida e repisada 
constantemente, propositadamente, com o fito de influir na grande massa do povo, sempre 
propensa a extremos. O desideratum foi atingido. Todos acreditaram nesse embuste. 

O quanto foi eficiente essa maneira de fazer propaganda ficou patenteado claramente no fato 
de ter ela conseguido, apos quatro anos, nao so assegurar a resistencia ao inimigo como comegar 
a influir nocivamente no modo de ver do nosso proprio povo. 

Nao e de espantar que a nossa propaganda estivesse reservado um tal insucesso. Ela trazia a 
semente da ineficacia na sua propria dubiedade. Alem disso, era pouco provavel, a julgar pelo seu 
conteudo, que ela fosse capaz de causar o efeito necessario no seio da multidao anonima. 

So mesmo os nossos "estadistas" falhos de espirito poderiam imaginar que, com esse pacifismo 
anodino e cheirando a flor de laranja, se conseguisse despertar o entusiasmo de alguem ao ponto 
de arrasta-lo ao sacrificio ate da vida. Foi, pois, inutil essa miseravel tatica e ate mesmo perniciosa. 
Qualquer que seja o talento que se revele na diregao de uma propaganda nao se conseguira 
sucesso, se nao se levar em consideragao sempre e intensamente um postulado fundamental. Ela 



tem de se contentar com pouco, porem, esse pouco tera de ser repetido constantemente. A 
persistencia, nesse caso, e, como em muitos outros deste mundo, a primeira e mais importante 
condigao para o exito. 

Em assuntos de propaganda, justamente, e que nao se pode ser guiado por estetas, nem por 
biases. Os primeiros dao, pela forma e pela expressao, um tal cunho a propaganda que, dentro em 
pouco, ela so tem poder de atragao nos circulos literarios; os segundos devem ser 
cuidadosamente evitados, pois a sua falta de sensibilidade faz com que procurem constantemente 
novos atrativos. Essas criaturas de tudo se fartam com facilidade; o que eles desejam e variedade 
e sao incapazes de uma compreensao das necessidades de seus concidadaos ainda nao 
contaminados pelo seu pessimismo. Eles sao sempre os primeiros crfticos da propaganda, ou, 
melhor, de seu conteudo, o qual Ihes parece demasiado arcaico, demasiado batido, etc. So 
querem novidades, so procuram variedade e tornam-se dessa maneira inimigos mortals de uma 
conquista eficiente das massas sob o ponto de vista politico. Logo que uma propaganda, na sua 
organizagao e no seu conteudo, comega a se dirigir pelas necessidades deles, perde toda a 
unidade e se dispersa inteiramente. 

A propaganda, entretanto, nao foi criada para fornecer a esses senhores biases uma distragao 
interessante e sim para convencer a massa. Esta, porem, necessita - sendo como e de dificil 
compreensao - de um determinado periodo de tempo, antes mesmo de estar disposta a tomar 
conhecimento de um fato, e, somente depois de repetidos milhares de vezes os mais simples 
conceitos, e que sua memoria entrara em funcionamento. 

Qualquer digressao que se faga nao deve nunca modificar o sentido do fim visado pela 
propaganda, que deve acabar sempre afirmando a mesma coisa. O estribilho pode assim ser 
iluminado por varios lados, porem o fim de todos os raciocinios deve sempre visar o mesmo 
estribilho. So assim a propaganda podera agir de uma maneira uniforme e decisiva. 

So a linha mestra, que nunca deve ser abandonada, e capaz de, guardando a acentuagao 
uniforme e coerente, fazer amadurecer o sucesso final. So entao poder-se-a, com espanto, 
constatar que formidaveis e quase incompreensiveis resultados tal persistencia e capaz de 
produzir. 

Todo anuncio, seja ele feito no terreno dos negocios ou da politica, tem o seu sucesso 
assegurado na constancia e continuidade de sua aplicagao. 

Tambem aqui foi modelar o exempio da propaganda de guerra inimiga, restrita a poucos pontos 
de vista, exclusivamente destinada a massa e levada avante com tenacidade incansavel. 

Durante toda a guerra empregaram-se os principios fundamentals reconhecidos certos, assim 
como as formas de execugao, sem que se tivesse nunca tentado a menor modificagao. No 
principio essa tatica parecia louca no atrevimento de suas afirmagoes. Tornou-se mais tarde 
desagradavel, e finalmente acreditada. Quatro e meio anos apos, estalou na Alemanha uma 
revolugao cujo leit-motiv provinha da propaganda de guerra inimiga. 

Na Inglaterra, entretanto, compreendeu-se mais uma coisa, a saber: 

Essa arma espiritual so tem o seu sucesso garantido na aplicagao as massas e esse sucesso 
cobre regiamente todas as despesas. 

La, a propaganda valla como arma de primeira ordem, enquanto que entre nos era considerada 
ultimo ganha-pao dos politicos desocupados, e fornecia pequenas ocupagoes para herois 
modestos. 

O seu sucesso era, pois, de modo geral, igual a zero. 

CAPITULO VII - A REVOLUgAO 

A propaganda inimiga tinha comegado entre nos, no ano de 1915; desde 1916 tornou-se cada 
vez mais intensa, para finalmente se transformar, no comego de 1918, numa onda avassaladora. 
Podia se. entao, a cada passo, reconhecer os efeitos desta conquista de almas. O exercito alemao 
aprendia aos poucos a pensar conforme o inimigo desejava. 

A nossa reagao, no entanto, falhava inteiramente. 

Entre os dirigentes responsaveis pela diregao do exercito, havia a intengao de aceitar a luta 
tambem para esse desideratum. Sob o ponto de vista psicologico, cometeu-se um erro, deixando 
que esses esclarecimentos se processassem no seio da propria tropa. Para ser eficiente elas 
deveriam ter vindo da nagao. So entao poder-se-ia contar com o seu sucesso, entre homens que 



ha quatro anos escreviam para a historia de sua Patria paginas imorredouras, de inigualaveis feitos 
heroicos, alcangados no meio das maiores dificuldades e privagoes. 

No entanto, o que, da Patria, chegava as linhas da frente? 

Era isso estupidez ou crime? 

Em pleno verao de 1918, apos a evacuagao da margem sul do IVIama, a imprensa, sobretudo, a 
imprensa alema se portava de modo tao miseravelmente inabil, mesmo criminosamente imbecil, 
que, diariamente, a par do odio crescente, ocorria-me perguntar se, na realidade, nao haveria 
mesmo ninguem capaz de por um fim a esse desperdicio do heroismo do exercito. 

Que aconteceu em Franga quando, em 1914, de vitoria em vitoria, varriamos o solo trances? 

Que tez a Italia nos dias da derrocada de seu tront do Isonzo? Que tez a Franga na primavera 
de 1918, quando o ataque das divisoes alemas parecia abalar as suas posigoes nos seus 
tundamentos e quando as baterias de longo alcance comegaram a tazer sentir os seus eteitos em 
Paris? Como la se soube tirar partido da paixao nacional levada ao paroxismo, langada em rosto 
aos regimentos em retirada desabalada! Como trabalhou a propaganda na intluenciagao da massa, 
no sentido de inculcar a te na vitoria final no coragao dos soldados dos fronts rompidos! 

Que aconteceu entre nos? 

Nada ou pior do que isso. 

Naquela ocasiao subiam-me a cabega a raiva e a indignagao quando, ao ler os jornais, tinha de 
analisar, sob o ponto de vista psicologico, aquela matanga em massa. 

Mais de uma vez me atormentou a ideia de que, se a Providencia me tivesse colocado no lugar 
desses ignorantoes ou mal intencionados incompetentes ou criminosos de nosso servigo de 
propaganda, talvez outro tivesse sido o desfecho da luta. 

Senti, pela primeira vez, nesses meses, a maldade da sorte que me mantinha no front, ao 
alcance do tiro de qualquer negro, enquanto, no seio da Patria, eu poderia prestar servigos mais 
eficientes. 

Ja naquela ocasiao, tinha bastante confianga em mim mesmo para acreditar que teria levado a 
cabo tal empresa. 

Eu nao passava, porem, de um desconhecido, um entre oito milhoes! Assim sendo, o melhor 
era calar a boca e tratar de cumprir, na posigao em que estava, o meu dever, da melhor maneira. 

No verao de 1915. cairam em nossas maos os primeiros boletins inimigos. 

Seu conteudo era quase sempre o mesmo, se bem que com algumas variantes na forma da 
exposigao. Todos afirmavam que a miseria na Alemanha aumentaria cada vez mais; que a duragao 
da guerra seria infinita, que as probabilidades de vitoria seriam cada vez menores, que o povo em 
casa cada vez mais desejava a paz, que so o "militarismo" e o "Kaiser" queriam a continuagao da 
guerra; que o mundo inteiro - que bem sabia disso - nao fazia a guerra ao povo alemao e sim 
exclusivamente ao unico culpado que era o Kaiser, que a luta nao teria fim antes do afastamento 
desse inimigo da humanidade pacifica; que as nagoes liberals e democraticas aceitariam a 
Alemanha, uma vez acabada a guerra, na liga eterna da paz mundial, aceitagao essa que seria 
garantida, desde o momento em que estivesse aniquilado o "militarismo prussiano", etc., etc. 

Para melhor ilustrar o exposto nao raras vezes eram entao transcritas "cartas de casa", isto e, 
das famflias dos soldados, cujo conteudo parecia apoiar essas afirmagoes. 

No primeiro momento, os soldados, na sua maioria, levavam na troga essas tentativas do 
inimigo. Qs boletins eram lidos, em seguida enviados para a retaguarda aos estados-maiores e, na 
maioria dos casos, olvidados ate que o vento trouxesse novo carregamento para dentro das 
trincheiras. Geralmente eram aeroplanos que distribuiam esses boletins. 

Nesse processo de propaganda, evidenciava-se, a primeira vista, o fato de atacarem com 
veemencia a Prussia, justamente nos setores do front, onde havia bavaros. Asseverava-se que a 
Prussia era o verdadeiro culpado e responsavel pela guerra e que, por outro lado, nao havia, 
especialmente contra a Baviera, a menor animosidade. E verdade, diziam, que nada se podia fazer 
em seu favor, enquanto ela se encontrasse a servigo do militarismo prussiano, auxiliando-o a "tirar 
as castanhas do fogo". 

Esta maneira de persuadir comegou na realidade ja em 1915 a produzir certos efeitos. No seio 
da tropa, a ma vontade contra a Prussia crescia visivelmente, sem que as autoridades tomassem 
quaisquer providencias. Evidentemente, isso foi mais do que uma simples negligencia que mais 
cedo ou mais tarde se faria sentir, de maneira terrivel, nao so contra a "Prussia" mas tambem 
contra o povo alemao, no seio do qual, a Baviera ocupa lugar de destaque. 



Desde o ano de 1916, a propaganda inimiga comegou a alcangar triunfos completos, nesse 
sentido. 

Alem disso, as queixas que se continham nas cartas das familias- dos soldados vinham 
produzindo, ha muito, os seus naturals efeitos. Ja nao era nem mais necessario que o inimigo as 
transmitisse ao front, por meio de boletins, etc. Contra esse estado de coisas tambem nao se 
tomaram providencias "por parte do governo", salvo algumas "exortagoes", psicologicamente 
asnaticas. O front continuou a ser inundado com esse veneno fabricado em casa por mulheres 
ingenuas, as quais, naturalmente, nao suspeitavam que esse era o meio de reforgar ao extremo, 
no espirito do inimigo, a confianga na vitoria e que assim prolongavam e agradavam os sofrimentos 
dos seus parentes em luta nas trincheiras. As cartas levianas das mulheres alemas custaram a 
vida a centenas de milhares de homens. 

Assim, ja em 1916, comegaram a aparecer sintomas alarmantes. O front vociferava e mostrava- 
se descontente com muitas coisas, e, as vezes, com razao, se indignava. 

Enquanto os soldados, pacientemente passavam fome nas linhas da frente e os seus parentes 
sofriam grandes privagoes em casa, em outros lugares havia abundancia e dissipagao. 

Mesmo no campo da luta, nem tudo, a esse respeito, se passava, como seria de esperar. 

Assim, ja naquela ocasiao, murmurava se contra esse estado de coisas. Essas reclamagoes 
nao passavam, porem, de questoes "domesticas". O mesmo homem que, pouco antes, tinha 
vociferado e resmungado, poucos minutos depois cumpria silenciosamente o seu dever, com a 
maxima naturalidade. A mesma companhia, que pouco antes se manifestara descontente, 
agarrava-se a um pedago de trincheira, cuja defesa Ihe tinha sido confiada, como se o destino da 
Alemanha dependesse exclusivamente desses 100 metros de buracos de lama. Esse era ainda o 
front do velho e maravilhoso exercito de herois. 

A diferenga entre eles e a Patria iria eu conhecer em uma mutagao brusca. 

Em fins de setembro de 1916, a minha divisao se deslocou para a bataiha do Somme. Essa foi 
para nos a primeira das. formidaveis batalhas materials que se seguiram, e a impressao, dificil de 
descrever, era mais de inferno do que de guerra. 

Semanas a fio, sob o furacao do fogo de barragem resistia o front alemao, as vezes comprimido 
um pouco para tras, as vezes avangando de novo, porem nunca recuando. 

A 7 de outubro de 1916 fui ferido. 

Consegui ser levado para a retaguarda e devia voltar para a Ale. manha em um trem de 
ambulancia. 

Dois anos se haviam passado sobre a ultima vez que eu vira a Patria, periodo de tempo, quase 
infinito, em tais circunstancias. 

Eu mal podia imaginar a existencia de alemaes que nao estivessem metidos em uniforme. 
Quando, em Hermies, no hospital de feridos, quase estremeci de susto ao ouvir a voz de uma 
mulher alema enfermeira que tinha dirigido a palavra a um meu vizinho de cama. 

Ouvir um tal som pela primeira vez apos dois anos! 

Quanto mais o trem, que nos devia conduzir a Patria, se aproximava da fronteira, tanto mais 
inquieto cada um se sentia intimamente. Sucediam-se as localidades pelas quais, ha dois anos 
atras, tinhamos passado como jovens soldados:- Bruxelas, Louvam, Liege, e finalmente 
acreditamos reconhecer a primeira casa alema com a sua cumeeira alta e suas lindas janelas. 

A Patria! 

Era outubro de 1914, ardfamos de entusiasmo ao atravessar a fronteira; agora reinavam o 
silencio e a comogao Cada um se sentia feliz por ter o destino Ihe permitido rever ainda uma vez o 
solo patrio que tivera de defender com sua vida; e quase que se envergonhava de se sentir 
observado pelos outros. Quase no dia de completar um ano da minha partida, fui internado no 
hospital de Beelitz, perto de Berlim. 

Que mudanga! Da lama da bataiha do Somme as camas brancas dessa construgao 
maravilhosa! No principio quase nao ousavamos nos deitar nesses leitos. So lentamente 
poderiamos rios acostumar a esse novo mundo, tao diferente das trincheiras! 
Infelizmente, porem, este mundo era tambem novo noutro sentido. 

Q espirito do exercito no front parecia nao encontrar acolhida aqui. Algo, ainda desconhecido no 
front, ouvi aqui pela primeira vez:- o elogio da propria covardia! 

La fora seria possivel maldizer e ouvir vociferar, porem nunca com a intengao de faltar com o 
dever ou de glorificar o covarde. Nao! Q covarde era sempre considerado covarde e mais nada; e o 



desprezo que o atingia era sempre geral, assim como geral era a admiragao que se dedicava ao 
verdadeiro heroi. No hospital, entretanto, dava-se ja em parte o inverso: Os mais deslavados 
instigadores e que tinham a palavra e procuravam, com todos os recursos da sua verborragia 
lamentavel, tornar ridiculos os conceitos do soldado decente e proclamar como virtude a falta de 
carater do covarde. Eram sobretudo alguns miseraveis rapazolas que davam o tom. Um deles se 
vangloriava de ter ele mesmo passado a mao pelo arame farpado, a fim de ir para o hospital. Ele 
parecia, nao obstante esse ferimento ridiculo, ja estar all ha muito tempo, e que, so por um 
embuste, tinha vindo num trem de transporte para a Alemanha. Este sujeito venenoso la tao longe, 
a ponto de colocar a propria covardia num pe de igualdade com a valentia superior ou a morte 
heroica de um soldado decente. Muitos ouviam silenciosos, outros se afastavam, outros, porem, 
concordavam. 

Eu estava enojado; no entanto o instigador era tolerado no estabelecimento. Que se devia 
fazer? A diregao devia saber e sabia quem e o que ele era. Entretanto nada acontecia. 

Logo que pude andar de novo, consegui licenga para ir a Berlim. 

A miseria aspera, mais negra, era visfvel por toda a parte. A cidade de milhoes estava faminta. 
O descontentamento era grande. Em muitas casas visitadas por soldados, o tom era semelhante 
ao do hospital. Tinha-se a impressao de que esses individuos procuravam justamente esses 
lugares, a fim de espalhar af o seu modo de pensar. 

Muito e muito pior era, porem, a situagao em Munique! Quando me restabeleci e tive alta do 
hospital e fui transferido para o batalhao de reserva pensei nao reconhecer mais a cidade. 
Descontentamento, desanimo, imprecagoes por toda a parte. Mesmo no batalhao de reserva, o 
moral era abaixo da critica. Para isso contribufa aqui a maneira grandemente inabil como os 
antigos oficiais instrutores tratavam os soldados vindos do front. Eles ainda nao tinham estado uma 
hora sequer no front e, por esse motivo, sa em parte conseguiam estabelecer relagoes cordials 
com OS velhos soldados Estes possuiam certas particularidades oriundas dos servigos de 
campanha, as quais eram inteiramente incompreensiveis para os dirigentes dessas tropas de 
reserva e que so o oficial vindo do front poderia compreender. Este ultimo naturalmente era 
considerado pelos soldados, doutra maneira que nao o era pelo comandante de etapas". 
Abstraindo disso tudo, porem, a impressao geral era pessima. Ser reacionario era considerado 
sinal de superioridade; a perseveranga no cumprimento do dever tomava-se como fraqueza ou 
estreiteza de espirito. Os escritorios estavam repletos de judeus. Quase todo escriturario era judeu 
e quase todo judeu era escriturario. Eu ficava abismado ante essa massa de lutadores do povo 
eleito e nao podia deixar de compara-la com os poucos representantes no front. 

No mundo dos negocios, pior ainda era o estado de coisas. Nesse ponto, o povo judeu tinha se 
tornado na realidade "indispensavel". O morcego tinha comegado a lentamente chupar o sangue 
do povo. Pelos caminhos Indiretos das sociedades de guerra, tinha-se achado uma maneira de 
eliminar aos poucos a economia nacional livre. 

Pregava-se a necessidade de uma centralizagao sem limites. 

Assim e que, na realidade, ja no ano de 1916 para 1 91 7, quase toda a produgao se achava sob 
controle dos financistas judeus. 

Contra quem, porem, se dirige o odio do povo? Nessa epoca, eu via com pavor aproximar-se 
uma calamidade que, se nao fosse desviada em tempo oportuno, teria de provocar a debacle. 

Enquanto o judeu roubava a nagao inteira e a oprimia sob o seu jugo, instigava-se o povo 
contra os "Prussianos". Como no front, tambem aqui nao se tomavam providencias contra essa 
propaganda venenosa. Parecia nao passar pela cabega de ninguem que o colapso da Prussia 
estava longe de provocar o soerguimento da Baviera. Ao contrario, a queda de um teria de arrastar 
outro para o abismo, impiedosamente. 

Sentia-me infinitamente mal ante essa atitude. Nela eu via o mais genial manejo dos judeus, 
que desejavam afastar de si a atengao geral para dirigi-la para outros assuntos. Enquanto brigava 
bavaro com o prussiano, ele roubava aos dois a existencia; enquanto se falava mal, na Baviera, 
do prussiano, o judeu organizava a revolugao e destruia ao mesmo tempo a Prussia e a Baviera. 

Eu nao podia tolerar essa maldita luta entre filhos do mesmo povo; por isso, sentia-me contente 
por voltar ao front, para onde, ao chegar em Munique, tinha pedido minha transferencia. 

No principio de margo de 1917, encontrava-me de novo no meu regimento. 

La para os fins do ano de 1917, parecia ter atingido o maximo o desanimo no exercito. O 
exercito inteiro, apos o colapso russo, estava animado de nova esperanga e de nova coragem. A 



tropa comegava cada vez mais a se convencer de que a luta havia de acabar com a vitoria da 
Alemanha. Ouvia-se, novamente cantar, e os agourentos cada vez eram mais raros. Tinha-se de 
novo fe no destino da Patria. 

Sobretudo o colapso italiano, no outono de 1917, tinha produzido um efeito maravilhoso. Via-se 
nessa vitoria a prova da possibilidade de romper o front, mesmo abstraindo o teatro de operagoes 
russas. Uma fe maravillnosa invadia novamente o coragao de milhoes, e fazia com que 
aguardassem com confianga a primavera de 1918. O inimigo, porem, estava visivelmente abatido. 
Nesse inverno houve mais calma do que de costume; era a calma que precede a tempestade. 

Justamente enquanto o front fazia os ultimos preparativos para o termino final da luta, enquanto 
transportes de homens e material rolavam para as linhas do oeste, e a tropa recebia instrugoes 
para o grande ataque, arrebentou na Alemanha a maior patifaria de toda a guerra. 

A Alemanha nao devia veneer. A ultima hora, quando a vitoria comegava a se decidir pelas 
bandeiras alemas, langou-se mao de um meio que parecia adequado a sufocar, de um goipe, no 
nascedouro, a ofensiva alema da primavera, tornando a vitoria impossivel. 

Organizou-se a greve de munigoes. Caso ela vingasse, o front alemao teria de se esfacelar e 
seria realizado o desejo, manifestado pelo "Vorwarts" de que a vitoria desta vez nao fosse das 
cores alemas. A linha da frente teria de ser rompida, em poucas semanas, por falta de munigao. A 
ofensiva seria assim evitada, a Entente estaria salva e o capital internacional se teria tornado dono 
da Alemanha. A finalidade Intima do marxismo, isto e, a mistificagao dos povos, teria sido atingida. 
A destruigao da economia nacional, em beneficio do capital internacional, e um fim que foi atingido 
gragas a tolice e a boa fe de um lado e a uma covardia inominavel do outro. 

E verdade que a greve de munigao, que visava anular o front pela falta de armas, nao teve o 
sucesso esperado. Ele desmoronou cedo demais para que a falta de munigao, conforme estava 
planejado, pudesse ter condenado o exercito a destruigao. Tanto mais terrivel, porem, foi o dano 
moral provocado. 

Em primeiro lugar, todos se perguntavam: Para que, afinal de contas, lutava o exercito, se a 
propria Patria nao desejava a vitoria? Para que os enormes sacrificios e privagoes? O soldado tem 
de lutar pela vitoria e a Patria faz greve! 

Em segundo lugar, qual teria sido o efeito desses acontecimentos sobre o inimigo? 

No inverno de 1917 a 1918, pela primeira vez, nuvens tenebrosas surgiram no firmamento do 
mundo aliado. Durante quase quatro anos. tinha-se investido contra o gigante alemao, sem se ter 
podido derruba-lo e, no entanto, este so tinha um escudo para se defender, enquanto a espada 
tinha de distribuir golpes, ora para o oeste, ora para o sul. Finalmente o gigante estava com as 
costas livres. Rios de sangue tinham corrido ate ele abater definitivamente um inimigo. Era 
chegado o momento de, no oeste, juntar a espada ao escudo e se, ate entao, o inimigo nao tinha 
conseguido romper a defensiva, a ofensiva la atingi-lo em cheio. 

Ele era temido e receava-se a sua vitoria. 

Em Londres e Paris sucediam se as conferencias. Ate a propaganda inimiga ja se fazia com 
dificuldade. Ja nao era tao facil demonstrar a improbabilidade da vitoria alema. O mesmo se dava 
nas frentes de bataiha, onde reinava silencio absoluto, ate nas tropas aliadas. Esses senhores 
tinham perdido de repente a insolencia. Tambem para eles, as coisas comegaram lentamente a 
aparecer sob uma luz desagradavel. A sua atitude interna com relagao ao soldado alemao tinha-se 
modificado. Ate entao, os nossos soldados eram vistos como loucos a quem uma derrota certa 
esperava. Agora, porem, estava diante deles o destruidor do aliado russo. A restrigao das 
ofensivas alemas do oeste. provindas da necessidade, pareciam entretanto tatica genial. Durante 
tres anos os alemaes tinham investido contra a Russia, no principio aparentemente sem o menor 
sucesso. Quase que se tinha rido desse comego de luta. No final das contas, o gigante russo teria 
de sair vencedor gragas a superioridade numerica. A Alemanha, porem, estava fadada a esvair-se 
em sangue. A realidade parecia justificar essas esperangas. 

Desde os dias de setembro de 1914, quando. pela primeira vez, comegaram a rolar para a 
Alemanha, pelas ruas e estradas, os magotes Infinitos dos prisioneiros russos da bataiha de 
Tennenberg, a avalanche parecia nao ter fim. Entretanto, cada exercito batido e destruido era 
substitufdo por um novo. O Imperio colossal fornecia ao Czar cada vez novos soldados e a guerra 
suas novas vftimas e isso inesgotavelmente. Quanto tempo poderia a Alemanha resistir a essa 
corrida? Nao chegaria o dia em que, apos uma ultima vitoria alema, nao aparecessem os ultimos 
exercitos para a ultima bataiha? E mais! Na medida das possibilidades humanas, a vitoria da 



Russia poderia ser postergada, porem, teria de vir. 

Agora tinham acabado todas essas esperangas. O aliado que tinha trazido ao altar dos 
interesses comuns os maiores sacrificios em sangue, tinha chegado ao fim de suas forgas e jazia 
no chao a merce do inimigo inexoravel. O medo e o pavor se infiltravam nos coragoes dos 
soldados, que ate entao eram animados de uma crenga quase cega. Temia-se a primavera 
proxima. Pois, se ate entao nao se tinlna conseguido derrubar o alemao, que, so em parte, tinlna 
podido atender ao front ocidental, como se poderia ainda contar com a vitoria, agora que parecia 
se reunir a forga toda do Estado heroico nessa frente? 

A imaginagao era trabalhada pelas sombras das montanhas do sul do Tirol. Ate na nevoa do 
Flandres se projetavam as fisionomias sombrias dos exercitos batidos de Cadorna, e a fe na vitoria 
cedia lugar ao medo da proxima derrota. 

Quando ja se pensava ouvir o rolar uniforme das divisoes de ataque do exercito alemao em 
marcha, e quando ja se esperava o juizo final, els que irrompe da Alemanha uma luz vermeiha que 
projeta a sua sombra ate o ultimo buraco de trincheira inimiga. No momento em que as divisoes 
alemas recebiam as ultimas instrugoes para a grande ofensiva, declarava-se na Alemanha a greve 
geral. 

A primeira impressao do mundo foi de estupefagao. Em seguida, porem, a propaganda inimiga, 
tomando novo alento, atirou-se a essa tabua de salvagao da decima segunda hora. De um goipe 
se tinham encontrado os meios de 1-eviver a confianga arrefecida dos soldados aliados, de 
apresentar a probabilidade de vitoria como sendo uma certeza e de transformar a pavorosa 
depressao com relagao aos acontecimentos vindouros em confianga absoluta. Podia-se agora 
inculcar aos regimentos, ate entao na expectativa do ataque alemao, a convicgao, na maior bataiha 
de todos OS tempos, de que a decisao final dessa guerra nao la depender do arrojo da ofensiva 
alema e sim de sua persistencia na defensiva. Os alemaes podiam obter quantas vitorias 
quisessem, na sua patria esperava-se uma revolugao e nao o exercito vitorioso. 

Os jornais ingleses, franceses e americanos comegaram a semear essa convicgao no coragao 
de seus leitores, enquanto uma propaganda imensamente habil era utilizada com o fim de elevar o 
moral das tropas. 

"A Alemanha as vesperas da revolugao! A vitoria dos aliados inevitavel!" Este foi o melhor 
remedio para por o indeciso Tommy e o Poilu de novo firmes sobre as pernas. Podiam agora fazer 
funcionar de novo os fuzis e os fuzis-metralhadoras e, no lugar de uma fuga em panico, 
estabeleceu-se resistencia chela de esperangas. 

Foi esse o resultado da greve das munigoes. Ela reavivou entre os povos inimigos a fe na vitoria 
e pos termo a paralisaste depressao no front aliado. Em conseqiJencia disso, milhares de soldados 
alemaes tiveram que pagar com seu sangue esse desatino. Os promotores desse mais que infame 
goIpe eram aqueles que esperavam obter os mais elevados postos administrativos na Alemanha 
revolucionaria. 

Do lado alemao poder-se-ia talvez ter reagido com sucesso, do lado do inimigo entretanto as 
conseqiJencias eram inevitaveis. A resistencia tinha deixado de ser aquela oferecida por um 
exercito que considerava tudo perdido e foi substituida por uma luta de vida e de morte pela vitoria. 

A vitoria tinha de vir. Bastava para isso que o front ocidental resistisse alguns meses a ofensiva 
alema. Nos parlamentos da Entente reconheceram-se as possibilidades do futuro, e foram 
concedidos creditos imensos para a continuagao da propaganda com o fim de destruir a unidade 
alema. 

Eu five a felicidade de poder tomar parte nas duas primeiras ofensivas e na ultima. 

Estas se tornaram a mais tremenda impressao de toda minha vida; tremenda porque, pela 
ultima vez, a luta perdeu o seu carater de defensiva e tornou-se uma ofensiva, como em 1914. 
Pelas trincheiras do exercito alemao passou um novo alento quando, finalmente, depois de tres 
anos de espera no inferno inimigo, tinha chegado o dia da "revanche". Mais uma vez exultaram os 
batalhoes vitoriosos e as ultimas coroas de louro entrelagaram-se as bandeiras vitoriosas. Mais 
uma- vez retumbaram as cangoes a Patria, ao longo das colunas em marcha, e, pela ultima vez, a 
misericordia divina sorria a seus filhos ingratos. 

Em pleno verao de 1918, pairava uma atmosfera pesada sobre o front. Na Patria havia 
dissengoes. Oual era a causa? Muita coisa se contava entre as diversas unidades do exercito. 
Dizia-se que a guerra agora se tornara sem finalidade, pois, somente loucos poderiam acreditar na 
vitoria. Nao era mais o povo, e sim os capitalistas e a monarquia que estavam interessados em 



continuar a guerra. Todas essas noticias vinham da Patria e eram discutidas no front. 

No principio o soldado pouco reagia contra isso. Que nos importava o sufragio universal? Era 
por ele que nos vinhamos combatendo ha quatro anos? Foi urn goipe infame esse de roubar dessa 
maneira, no tumulo, a finalidade da guerra ao heroi morto. Ha tempos os jovens regimentos nao 
tinham marchado, em Flandres, para a morte, com o grito "Viva o sufragio universal secreto" e sim 
bradando "Deutschland uber alles". Pequena, porem, nao totalmente- insignificante diferenga! 
Aqueles que gritavam pelo direito de voto, na sua grande maioria, nao tinham estado la para lutar 
por essa conquista. O front nao conhecia essa canaiha politica. La- onde se encontravam os 
alemaes decentes que permaneceriam, enquanto sentissem um sopro de vida, so se via uma 
fragao diminuta dos senhores parlamentares. 

O front, na sua primitiva situagao, tinha muito pouco interesses pelo novo alvo de guerra dos 
senhores Ebert, Scheidmann, Barth, Liebknecht. etc. Nao se podia compreender porque esses 
reacionarios se arrogavam o direito de, passando por cima do exercito, controlar o Estado. 

Minhas nogoes politicas pessoais estavam fixadas desde o comego. Eu odiava essa corja de 
miseraveis partidarios traidores da nagao. Ha muito tempo eu tinha compreendido que para esses 
tratantes nao se- tratava do bem da nagao e sim de encher os seus bolsos vazios. E o fato de eles 
estarem dispostos a sacrificar a Nagao inteira por esse fim e de permitir, se necessario fosse, a 
destruigao da Alemanha, fez com que perante meus olhos merecessem a forca. Tomar em 
consideragao os seus desejos significava sacrificar os interesses do povo trabalhador em favor de 
alguns batedores de carteira. So se poderia satisfazer os seus desejos no caso de se estar 
decidido a abrir mao da sorte da Alemanha. Assim pensava a maioria do exercito combatente. Mas 
reforgo vindo da Patria se tornava cada vez menos eficiente, de sorte que a sua vida, em vez de 
produzir um aumento de combatividade, tinha o efeito contrario. Sobretudo o reforgo constituido 
pelos novos soldados era na maior parte inutil. Dificilmente se poderia acreditar que esses eram 
filhos do mesmo povo que tinha mandado a sua juventude para a luta em Ypres. 

Em agosto e setembro, aumentaram cada vez mais os sintomas de decadencia, embora o efeito 
do ataque inimigo nao pudesse ser comparado com o pavor produzido pelas nossas batalhas 
defensivas de outrora. Comparadas a elas, as batalhas do Somme e de Flandres eram coisas do 
passado, de horripilante memoria. 

Em fins de setembro, a minha divisao, pela terceira vez, chegava as posigoes que tinhamos 
tomado de assalto, quando eramos ainda um regimento de voluntarios, recentemente formado. 

Que reminiscencias! Em outubro e novembro de 1914, tinhamos all recebido nosso batismo de 
fogo. Com o coragao ardendo de patriotismo e com cangoes nos labios, tinha o nosso novo 
regimento seguido para a bataiha, como para uma testa. Q sangue mais caro era dado com prazer 
a Patria, pensando cada um com isso garantir a Nagao a sua independencia e a sua liberdade. 

Em julho de 1917, pisamos, pela segunda vez, o solo tao sagrado para nos todos, pois nele 
repousavam nossos melhores camaradas que, quase ainda criangas, tinham se langado a morte, 
de olhos fixos na Patria querida! Nos, os velhos, que outrora all passamos com nosso regimento, 
quedavamo-nos respeitosamente comovidos diante desse lugar sagrado, onde tfnhamos jurado 
"fidelidade e obediencia ate a morte". Esse terreno, ha tres anos atras tomado de assalto pelo 
nosso regimento, tinha agora de ser defendido numa tremenda bataiha defensiva. 

Q Ingles preparava a grande ofensiva do Flandres com um fogo de barragem que ja durava tres 
semanas. Parecia entao que o espfrito dos mortos revivia; o regimento se agarrava com unhas e 
denies a lama imunda, apagava-se aos buracos e as fendas do solo, sem se abalar nem ceder um 
palmo, e la se tornando, como ja uma vez, cada vez mais desfalcado, ate que, finalmente a 31 de 
julho de 1917, se desencadeou o ataque dos ingleses. 

Nos primeiros dias de agosto fomos substituidos. Q regimento tinha se transformado em 
algumas companhias; estas marchavam para a retaguarda, recobertas de lama, mais se 
assemelhando a espectros do que a criaturas. Fora algumas centenas de metros de buracos de 
granadas, o ingles so tinha conseguido encontrar a morte. 

Agora no outono de 1918, estavamos, pela terceira vez, no terreno da ofensiva de 1914. A 
nossa cidadezinha, Comines, outrora tao sossegada, tinha se transformado em campo de bataiha. 
E verdade que, embora o terreno da luta fosse o mesmo, as criaturas tinham mudado: fazia-se 
agora politica entre a tropa. Q veneno da Patria comegou, como em toda parte, a trazer ate aqui os 
seus efeitos. Qs reforgos mais novos falharam inteiramente - eles tinham vindo da Patria, ja 
contaminados. 



Na noite de 13 a 14 de outubro, comegou o bombardeio a gas na frente sul de Ypres. 
Empregava-se um gas cujo efeito ignoravamos ainda. Nessa mesma noite, eu devia conhece-lo 
por experiencia propria. Estavamos ainda numa colina ao sul de Werwicl<, na noite de 13 de 
outubro, quando caimos sobre um fogo de granadas que ja durava horas e que se prolongou pela 
noite a dentro, de maneira mais ou menos violenta. La por volta de meia-noite, ja uma parte de 
nossos companheiros tinlna sido posta fora de combate, alguns para sempre. Pela manha senti 
tambem uma dor que de 15 em 15 minutos se tornava mais aguda e, as 7 horas da manha, 
tropego e tonto, com os olhos ardendo, eu me retirava levando comigo a minha ultima mensagem 
da guerra. 

Ja algumas horas mais tarde, os meus olhos tinham se transformado em carvao incandescente. 
Em torno de mim tudo estava escuro. 

Foi assim que eu vim para o hospital de Pasewalk na Pomerania e all tive de assistir a 
revolugao! 

Ja ha algum tempo pairava no ar algo de incerto e desagradavel. Dizia-se que, dentro de 
algumas semanas, la haver alguma coisa. Eu nao compreendia o que se queria dizer com isso. 
Primeiramente, pensei numa greve semelhante a da primavera. Boatos desfavoraveis com relagao 
a Marinha apareciam constantemente, dizia-se que esta estava em plena efervescencia. Pensei 
que isso fosse mais o resultado da fantasia de alguns individuos do que a opiniao da grande 
massa. No hospital quase todos falavam esperangados no breve termino da guerra, porem, 
ninguem contava com isso "imediatamente". Os jornais, eu nao os podia- ler. 

Em novembro aumentou a tensao geral. 

E, finalmente, um dia, inopinadamente, deu-se a desgraga. Marinheiros vindos em caminhoes 
incitavam a revolugao. Alguns rapazolas judeus eram os "dirigentes" dessa luta pela "liberdade, 
beleza e dignidade" de nosso povo. Nenhum deles tinha estado no front. Os tres orientals tinham 
sido mandados para casa pelo recurso a um "lazareto de doengas venereas". Agora igavam na 
Patria o trapo vermelho. 

Ultimamente, eu tinha melhorado um pouco. A dor cruciante nos olhos diminuia. Aos poucos eu 
conseguia - distinguir imprecisamente os que me cercavam. Podia alimentar a esperanga de 
recuperar a vista, ao menos a ponto de poder exercer mais tarde uma profissao qualquer. E 
verdade que eu nao poderia jamais pensar em desenhar. Achava-me assim no caminho da 
convalescenga, quando aconteceu a calamidade. 

Ainda tive a esperanga de que se tratasse de uma traigao mais ou menos de carater local. 
Cheguei a procurar convencer alguns camaradas nesse sentido. Sobretudo os meus companheiros 
bavaros do hospital estavam inclinados a pensar assim. La o ambiente era tudo, menos 
revolucionario. Nunca pude imaginar que tambem era Munique a loucura se desencadeasse. A 
mim me parecia que a fidelidade a digna casa de Witteisbach fosse mais forte do que a vontade de 
alguns judeus. Assim me convenci de que se tratava de um pronunciamento simples da Marinha, o 
qual seria dominado em poucos dias. 

Os dias seguintes foram passando e, com eles, veio a mais terrivel certeza de minha vida. Os 
boatos aumentavam constantemente. O que eu tinha tomado por uma questao local era na 
realidade uma revolugao geral. Alem disso chegavam a cada instante as noticias mais 
vergonhosas do front. Queria-se capitular. 

Mas, Senhor, seria possivel tal coisa? 

A dez de novembro o velho pastor veio ao hospital para uma pequena predica. 

Foi entao que soubemos de tudo. 

Estava presente e fiquei profundamente emocionado. O velho e digno senhor parecia tremer ao 
nos comunicar que a casa dos Hohenzollern nao mais poderia usar a coroa imperial e que a Patria 
se tinha transformado em republica, e que so restava pedir ao Todo-Poderoso que concedesse a 
sua bengao a essa transformagao e nao abandonasse o nosso povo de futuro. Ele nao podia 
deixar de, em poucas palavras, relembrar a casa imperial; queria prestar homenagens aos servigos 
dessa Casa a Prussia, a Pomerania, enfim a toda Patria alema e, nesse momento, o bom velho 
comegou a chorar. No pequeno salao havia profundo desanimo em todos os coragoes e creio que 
nao havia quem pudesse confer as lagrimas. Ouando o pastor procurou continuar e comegou a 
comunicar que teriamos que acabar essa longa guerra e que a nossa Patria, agora que tinhamos 
perdido a guerra e estavamos sujeitos a misericordia do inimigo, iria sofrer grandes opressoes e 
que armisticio seria aceito dependendo da magnanimidade dos nossos inimigos - eu nao me 



contive. Para mim era impossivel permanecer onde estava. Comecei a ver tudo preto em torno de 
mim e cambaleando voltei ao dormitorio. Joguei-me na cama e cobri a cabega em fogo com o 
cobertor e o travesseiro. 

Desde o dia em que estivera diante do tumulo de minha mae nunca mais tinha chorado. 
Quando na minha juventude o destino era duro para comigo, a minha pertinacia aumentava. 
Quando, durante os longos anos de guerra, a morte colhia um dos nossos caros camaradas e 
amigos, parecia-me um pecado queixar-me e lamentar a perda. Nao morriam eles pela Alemanha? 
Quando, nos ultimos dias da terrivel luta fui atingido pelo gas terrivel que comegou a corroer os 
meus olhos, tive no momento de susto impetos de fraquejar diante de expectativa da cegueira 
eterna. Imediatamente ouvi dentro de mim a voz da consciencia bradar: miseravel poltrao ainda 
queres chorar quando ha milhares que sofrem mais do que tu! E assim conformei-me, calado, com 
destino. Agora porem nao suportava mais. 

So entao verifiquei como a dor pessoal desaparece diante da desgraga da Patria. 

Tudo tinha sido em vao. Em vao todos os sacrificios e privagoes, e em vao a tome e a sede de 
meses sem fim. Em vao as horas em que, transidos de pavor, cumpriamos assim mesmo o nosso 
dever, e em vao a morte de dois milhoes que entao cairam. Seria que nao se iam abrir os tumulos 
das centenas de milhares que outrora tinham partido com fe na Patria para nunca mais voltarem? 
Nao se iriam abrir esses tumulos, a fim de enviarem a nagao os herois mudos enlameados e 
ensanguentados, quais espiritos vingativos, pela traigao do maior sacrificio que um homem pode 
oferecer nesse mundo? Foi para isso que morreram os soldados de agosto e setembro de 1914? 
Foi para isso que se Ihes ajuntaram os regimentos de voluntarios do Outono desse mesmo ano? 
Foi para isso que rapazes de 17 anos tombaram na terra de Flandres? Era esse o sentido do 
sacrificio oferecido pelas maes alemas a Patria, quando, com o coragao partido, deixavam partir 
seus filhos mais caros para nao mais reve-los? Tudo isso aconteceu para que agora um punhado 
de miseraveis criminosos pudesse por a mao sobre a Patria? 

Foi para isso que o soldado alemao tinha persistido, ao sol e a neve, sofrendo tome, sede, trio e 
cansago das noites sem dormir e das marchas sem fim? Foi para Isso que ele, sempre com o 
pensamento no dever de proteger a Patria contra o Inimigo, se expos sem recuar ao inferno de 
fogo de barragem, e a febre dos gases asfixiantes? 

Na verdade, tambem esses herois merecem uma lapide em que se escreva: 

"Viajante que vindes a Alemanha, contai a nagao que aqui repousamos fieis a Patria e 
obedientes ao dever". 

E a Patria? 

Seria esse o unico sacrificio que terfamos de suportar? 

Valeria a Alemanha do passado menos do que supunhamos? Nao tinha ela obrigagoes para 
com a sua propria Historia? Eramos nos ainda dignos de nos cobrir com a gloria do seu passado? 
Como poderiamos justificar as geragoes futuras esse ato do presente? 

Miseraveis e depravados criminosos! Quanto mais eu procurava esclarecer as ideias, nessa 
hora, com relagao ao terrivel acontecimento, tanto mais eu corava de raiva e de vergonha. Que 
significavam todas as dores dos meus olhos comparadas com essa miseria. 

Seguiram-se dias terriveis e noites mais terriveis ainda. Eu sabia que tudo estava perdido. 
Contar com a misericordia, do inimigo era loucura. 

Nessas noites cresceu em mim o odio contra os responsaveis por esses acontecimentos. Nos 
dias que se seguiram tive a consciencia do meu destino. Ri-me, ao pensar no meu futuro, que ha 
pouco tempo me tinha preocupado. Nao seria ridiculo querer construir um edificio solido sobre tais 
bases? Finalmente me convenci que o que havia acontecido era o que eu havia sempre temido. 
Somente nao tinha podido acreditar. Q imperador Guilherme II tinha sido o primeiro imperador 
alemao que tinha oferecido a mao a conciliagao com os lideres do marxismo, sem se lembrar que 
bandidos nao tem honra. Enquanto eles seguravam a mao do imperador com a outra procuravam o 
punhal. 

Com judeus nao se pode pactuar. So ha um pro ou um contra. 

Eu, porem, resolvi tornar-me politico. 

CAPITULO VIII - COMEQO DE MINHA ATIVIDADE POLITICA 

Em fins de novembro de 1918 voltei para Munique. De novo entrei no batalhao de reserva do 



meu regimento, o qual se achava entao nas maos dos "conselhos de soldados". Senti-me tao 
enojado que resolvi abandonar o batalhao, logo que me fosse possivel. Juntamente com o meu fiel 
camarada de guerra, Schmidt Ernest, dirigi-me para Traunstein e ali permaneci ate a dissolugao do 
acampamento. 

Em margo de 1919, voltamos de novo para Munique. 

A situagao era insustentavel. A continuagao da revolugao se tornara fatal. A morte de Eisner 
tinha tido apenas o efeito de apressar os acontecimentos, provocando a ditadura dos Conselhos, 
ou, melhor, um dominio temporario dos judeus, objetivo que tinham em vista aqueles que 
provocaram a revolugao. 

Por essa epoca, passavam pela minha cabega pianos e mais pianos. Dias a fio eu meditava 
sobre o que se poderia fazer, mas chegava sempre a conclusao de que, devido ao fato de ser eu 
um desconhecido, nao possufa os requisitos indispensaveis para garantia do exito de qualquer 
atuagao. Mais adiante voltarei a falar sobre os motivos que me induziram a nao me filiar a nenhum 
dos partidos entao existentes. 

Durante a nova revolugao dos Conselhos, assumi, pela primeira vez, uma atitude que me 
custou a ma vontade do Conselho Central. Em 27 de abril de 1919, pela manha cedo, eu devia ser 
preso. Entretanto, diante de um fuzil com que eu os ameacei, os tres rapazolas incumbidos de me 
prender, perderam a coragem e desistiram da ideia. 

Alguns dias depois da libertagao de Munique, fui intimado a comparecer diante da comissao de 
sindicancias, a fim de prestar esclarecimentos sobre os acontecimentos relativos a revolugao no 
2o. regimento de infantaria. 

Foi essa a minha primeira incursao no campo da atividade puramente polftica. 

Algumas semanas mais tarde, recebi ordem de tomar parte num "curso" destinado aos 
membros da milicia de defesa. Esse curso visava dar aos soldados certas bases de orientagao 
civica. Para mim a vantagem da iniciativa consistia no fato de eu poder travar conhecimento com 
alguns camaradas que pensavam da mesma maneira que eu, e com os quais eu podia discutir 
detalhadamente a situagao do momento. Estavamos todos mais ou menos convencidos de que a 
Alemanha nao se poderia salvar do colapso cada vez mais proximo, por intermedio dos partidos do 
centro e da social-democracia. que tinham sido causadores do crime de novembro. Alem disso, 
sabiamos que os chamados partidos dos "burgueses nacionais" nao poderiam, mesmo com a 
melhor boa vontade do mundo, conseguir reparar o mal ja feito. Faltava uma serie de condigoes 
essenciais, sem as quais o exito nao seria possivel. O decorrer do tempo provou a justeza das 
nossas previsoes. Com essas ideias, discutimos, no pequeno circulo de camaradas, a formagao de 
um novo partido. 

As ideias fundamentals que entao possuiamos eram as mesmas que mais tarde foram 
realizadas no "Partido Trabalhista Alemao". O nome do movimento a ser inaugurado tinha de, 
desde o principio, oferecer a possibilidade de uma aproximagao com a grande massa. Sem essa 
condigao, todo trabalho parecia inocuo e sem finalidade. Assim, ocorreu-nos o nome "Partido 
Social Revolucionario", e isso porque os pontos de vista socials do novo partido significavam na 
realidade uma revolugao. 

A razao mais profunda, entretanto, estava no seguinte: 

Conquanto eu me tivesse ocupado outrora do exame dos problemas economicos, nunca tinha 
ultrapassado os limites de certas consideragoes despertadas pelo estudo das questoes socials. 

Somente mais tarde alargaram-se os meus horizontes com o exame da polftica de alianga da 
Alemanha. Essa polftica, em grande parte, era o resultado de uma falsa avaliagao do problema 
economico, bem como da falta de clareza quanto as possfveis bases de subsistencia do povo 
alemao no futuro. Todas essas ideias, porem, eram baseadas ainda na opiniao de que, em todo o 
caso, capital era somente o produto do trabalho e, portanto, como este mesmo sujeito a corregao 
de todos aqueles fatores que desenvolvem ou restringem a atividade humana. Ai entao estaria a 
significagao nacional do capital. Ele dependia de uma maneira tao imperiosa da grandeza, 
liberdade e poder do Estado, portanto da Nagao, que a reuniao dos dois por si mesma estava 
destinada a guiar o Estado e a Nagao, impulsionados ambos pelo capital, pelo simples instinto de 
conservagao e de multiplicagao. Essa dependencia do capital em relagao ao Estado livre forgava 
aquele a, por seu lado, intervir pela liberdade, pelo poder, e grandeza da Nagao. 

O problema do Estado em relagao ao capital tornava-se assim simples e claro. Ele so teria de 
fazer com que o capital se mantivesse a servigo do Estado e evitar que esse se convencesse de 



que era o dono da nagao. Essa atitude podia-se manter em dois limites: conservagao de uma 
economia viva nacional e independente, de um lado, garantia de direitos socials dos empregados, 
de outro lado. 

Anterlormente eu nao tinha conseguldo ainda distlnguir, com a clareza que seria de desejar, a 
diferenga entre o capital conslderado como resultado final do trabalho produtlvo, e o capital cuja 
existencia repousa excluslvamente na especulagao. 

Esta diferenga fol exaustlvamente tratada e esclareclda por Gottfled Feder, professor em um 
dos cursos ja por mim citados. 

Pela primeira vez na minha vida, asslsti a uma exposlgao de principlos relatlva ao capital 
Internaclonal, no que diz respelto a movlmentos de bolsa e emprestlmos. 

Depols do ter ouvldo a primeira prelegao de Feder, passou-me Imedlatamente pela cabega a 
Idela de ter entao encontrado uma das condlgoes baslcas para a fundagao de um novo partldo. 

Aos meus olhos o merlto de Feder conslstia em ter pintado, com as cores mals fortes, o carater 
especulatlvo, assim como economico, do capital Internaclonal e ter mostrado a sua eterna 
preocupagao de juros. 

As suas exposlgoes eram tao certas em todas as questoes fundamentals, que os critlcos das 
mesmas desde logo combatlam menos a veracldade teorica da Idela do que a posslbllldade pratica 
de sua execugao. AssIm, aqullo que aos olhos de outros era conslderado o lado fraco das Idelas de 
Feder, constltuia aos meus o seu ponto mals forte. 

A missao de um doutrlnador nao e a de estabelecer varlos graus de exequlbllldade de uma 
determlnada causa, e sIm a de esclarecer o fato em si. Isso quer dizer, que o mesmo deve se 
preocupar menos com o camlnho a seguir do que com o flm a atlnglr. AquI, o que decide e a 
veracldade, em principio, de uma Idela, e nao a diflculdade de sua execugao. AssIm que o 
doutrlnador procura, em lugar da verdade absoluta, levar em conslderagao as chamadas 
"oportunldade" e "realldade", delxara ele de ser uma estrela polar da humanldade para se 
transformar em um receltador quotldlano. O doutrlnador de um movlmento deve estabelecer a 
finalldade do mesmo; o politico deve procurar reallza-lo. Um, portanto, dirlge seu modo de pensar 
pela eterna verdade, o outro e dirlgldo na sua agao pela realldade pratica. A grandeza de um 
reside na verdade absoluta e abstrata de sua Idela, a do outro no ponto de vista certo em que se 
coloca com relagao aos fatos e ao aproveltamento util dos mesmos, sendo que a este deve servir 
de gula o objetlvo do doutrlnador. Enquanto o sucesso dos pianos e da agao de um politico, Isto e, 
a reallzagao dessas agoes, pode ser conslderada como pedra-de-toque da Importancia desse 
politico, nunca se podera reallzar a ultima Intengao do doutrlnador, pols ao pensamento humano e 
dado compreender as verdades, armar Ideals claros como cristal, porem a reallzagao dos mesmos 
tem de se esboroar diante da Imperfelgao e Insuflclencia humanas. Quanto mals abstratamente 
certa, e, portanto, mals formldavel for uma Idela, tanto mals Impossivel se torna a sua reallzagao, 
uma vez que ela depende de criaturas humanas E por Isso que nao se deve medir a Importancia 
dos doutrlnadores pela reallzagao de seus fins, e sIm pela verdade dos mesmos e pela Influencia 
que eles tlveram no desenvolvlmento da humanldade. Se assIm nao fosse, os fundadores de 
rellgloes nao poderlam ser conslderados entre os malores homens desse mundo, porquanto a 
reallzagao de suas Intengoes eticas nunca sera, nem aproximadamente. Integral. Mesmo a rellglao 
do amor, na sua agao, nao e mals do que um reflexo fraco da vontade de seu sublime fundador; a 
sua Importancia entretanto reside nas diretrlzes que ela procurou Imprlmir ao desenvolvlmento 
geral da cultura e da moralldade entre os homens. 

A grande diversldade entre os problemas do doutrlnador e os do politico e um dos motlvos por 
que quase nunca se encontra uma unlao entre os dols, em uma mesma pessoa. Isto se aplica 
sobretudo ao chamado politico de "sucesso", de pequeno porte, cuja atlvldade de fato nada mals e 
do que a "arte do possivel", como modestamente Bismarck cognomlnava a politlca. Quanto mals 
llvre tal politico se mantem de grandes Idelas tanto mals facels, comuns e tambem visivels, sempre 
entretanto mals rapldos, serao os seus sucessos. E verdade tambem que esses estao destlnados 
ao esqueclmento dos homens e, as vezes, nao chegam a sobrevlver a morte de seus criadores. A 
obra de tals politlcos e, de modo geral sem valor para a posterldade, pols o seu sucesso no 
presente repousa no afastamento de todos os problemas e Idelas grandlosos que como tals terlam 
sido de grande Importancia para as geragoes futuras. 

A reallzagao de Idelas destlnadas a ter Influencia sobre o futuro e pouco lucratlva e so multo 
raramente e compreendlda pela grande massa, a qual Interessam mals redugoes de prego de 



cerveja e de leite do que grandes pianos de futuro, de realizagao tardia e cujo beneficio, 
finalmente, so sera usufruido pela posteridade. 

E assim que, por uma certa vaidade, vaidade esta sempre inerente a politica, a maioria dos 
polfticos se afasta de todos os projetos realmente dificeis, para nao perder a simpatia da grande 
massa. O sucesso e a importancia de tal politico residem exclusivamente no presente, e nao 
existem para a posteridade. Esses microcefalos pouco se Incomodam com isso: eles se contentam 
com pouco. 

Outras sao as condigoes do doutrinador. A sua importancia quase sempre esta no futuro, por 
Isso nao e raro ser ele considerado lunatico. Se a arte do politico e considerada a arte do possivel, 
pode-se dizer do idealista que ele pertence aqueles que so agradam aos deuses, quando exigem e 
querem o impossivel. Ele tera de quase sempre renunciar ao reconhecimento do presente; coihe, 
entretanto, caso suas ideias sejam imortais, a gloria da posteridade. 

Em periodos raros da historia da humanidade pode acontecer que o politica e o idealista se 
reunam na mesma pessoa. Quanto mais intima for essa uniao, tanto maior serao as resistencias 
opostas a agao do politico. Ele nao trabaiha mais para as necessidades ao alcance do primeiro 
burgues, e sim por ideals que so poucos compreendem. E por isso que sua vida e alvo do amor e 
do odio. O protesto do presente, que nao compreende o homem, luta com o reconhecimento da 
posteridade pela qual ele trabaiha. 

Quanto maiores forem as obras de um homem pelo futuro, tanto menos serao elas 
compreendidas pelo presente; tanto mais pesada e a luta tanto mais raro e o sucesso. Se em 
seculos esse sorri a um, e possivel que em seus ultimos dias o circunde um leve halo da gloria 
vindoura. E verdade que esses grandes homens sao os corredores de Maratona da Historia. A 
coroa de louros do presente toca mais comumente as temporas do heroi moribundo. 

Entre eles se contam os grandes lutadores que, incompreendidos pelo presente, estao 
decididos a lutar por suas ideias e seus ideals. Sao eles que, mais tarde, mais de perto, tocarao o 
coragao do povo. Parece ate que cada um sente o dever de no passado redimir o pecado cometido 
pelo presente. Sua vida e sua agao sao acompanhadas de perto com admiragao comovidamente 
grata, e conseguem, sobretudo nos dias de tristeza, levantar coragoes quebrados e almas 
desesperadas. Pertencem a essa classe nao so os grandes estadistas, como tambem todos os 
grandes reformadores. Ao lado de Frederico o Grande, figura aqui Martinho Lutero, bem como 
Ricardo Wagner. 

Quando assist! a primeira conferencia de Gottfried Feder sobre a "aboligao da escravidao do 
juro", percebi imediatamente que se tratava aqui de uma verdadeira teoria destinada a imensa 
repercussao no futuro do povo alemao. A separagao acentuada entre o capital das bolsas e a 
economia nacional, oferecia a possibilidade de se enfrentar a internacionalizagao da economia 
alema, sem ameagar o principio da conservagao da existencia nacional independente, na luta 
contra o capital. Eu via com- bastante clareza o desenvolvimento da Alemanha, para nao perceber 
que a maior luta nao seria contra os povos inimigos e sim contra o capital internacional. Senti na 
conferencia de Feder o formidavel grito de guerra para a proxima luta. 

Qs fatos, mais tarde, vieram demonstrar quao certo era o nosso pressentimento de entao. Hoje 
em dia nao somos mais ridicularizados pelos idiotas da nossa politica burguesa; hoje em dia, 
mesmo esses, desde que nao sejam mentirosos conscientes, reconhecem que o capital 
internacional nao foi so o maior Instigador da guerra, como, mesmo apos o termino da luta, 
continua a transformar a paz num inferno. 

Q combate contra a alta finanga internacional se tornou um dos pontos capitals do programa na 
luta da nagao alema pela sua independencia economica e pela sua liberdade. 

Quanto as restrigoes feitas pelos chamados homens praticos, pode-se-lhes responder da 
seguinte maneira: todos os receios relativos as terriveis consequencias economicas provenientes 
da realizagao da aboligao da "escravidao do juro" sao superfluas. Antes de tudo, as receitas 
economicas ate entao usadas deram muito maus resultados ao povo alemao. As atitudes com 
relagao a uma afirmagao nacional lembram-nos vivamente o parecer de peritos semelhantes de 
outros tempos: por exempio, da junta medica bavara, com relagao a questao da introdugao da 
estrada de ferro. Todos os receios dessa sabia corporagao nao se realizaram; os viajantes dos 
trens, do novo cavalo a vapor, nao ficavam tontos, os espectadores tambem nao ficavam doentes 
e desistiu-se dos tapumes de madeira destinados a tomar essa nova organizagao invisivel. So se 
conservaram, para a posteridade, as paredes de madeira nas cabegas de todos os chamados 



peritos. 

Em segundo lugar, deve-se tomar note do seguinte: toda ideia, por melhor que ela seja, torna- 
se perigosa quando ela imagina ser um desideratum, quando na realidade nao e mais do que um 
meio para um fim. Para mim, porem, e para todos os verdadeiros nacionais socialistas, so ha uma 
doutrina: Povo e Patria. 

O objetivo da nossa luta deve ser o da garantia da existencia e da multiplicagao de nossa raga e 
do nosso povo, da subsistencia de seus filhos e da pureza do sangue, da liberdade e 
independencia da Patria, a fim de que o povo germanico possa amadurecer para realizar a missao 
que criador do universo a ele destinou. 

Todo pensamento e toda ideia, todo ensinamento e toda sabedoria, devem servir a esse fim. 
Tudo deve ser examinado sob esse ponto de vista e utilizado ou rejeitado segundo a conveniencia. 
Assim e que nao Ina teoria que se possa impor como doutrina de destruigao, pois tudo tem de 
servir a vida. 

Foi assim que os dogmas de Gottfried Feder me incitaram a me ocupar de uma maneira 
decidida com esses assuntos que eu pouco conhecia. 

Comecei a aprender e compreender, so agora, o sentido e a finalidade da obra do judeu Karl 
Marx, so agora compreendi bem seu livro - "O Capital" - assim como a luta da social-democracia 
contra a economia nacional, luta essa que tem em mira preparar o terreno para o dominio da 
verdadeira alta finanga internacional. 

Tambem em outro sentido foram esses cursos de grandes consequencias para mim. Certo dia 
pedi a palavra. Um dos presentes achou que devia quebrar langas pelos judeus e comegou a 
defende-los em longas consideragoes. Essa atitude provocou de minha parte uma replica. A 
grande maioria dos presentes ao curso colocou-se do meu lado. O resultado, porem, foi que 
poucos dias depois determinaram a minha inclusao num regimento de Munique como "oficial de 
cultura intelectual". 

Naquela epoca a disciplina da tropa era bem fraca, ela sofria as conseqGencias do periodo dos 
"Conselhos de Soldados". So aos poucos e com muita- cautela poder-se-ia ir restabelecendo a 
disciplina militar e a subordinagao, em lugar da obediencia "voluntaria" - como se costumava 
designar o chiqueiro sob o regime de Kurt Eisner. A tropa tinha de aprender a sentir e a pensar de 
maneira nacional e patriotica. A minha atividade dirigia-se nesses dois sentidos. 

Comecei o trabalho com todo entusiasmo e amor. Tinha de repente a oportunidade de falar 
diante de um auditorio maior, e aquilo que ja antigamente, sem saber, eu aceitava por puro 
sentimento, realizou-se: eu sabia "falar". Tambem a voz tinha melhorado bastante, a ponto de me 
fazer ouvir suficientemente em todos os pontos do pequeno compartimento dos soldados. 

Nao havia missao que me fizesse mais feliz do que essa, pois agora, antes de minha saida, 
poderia prestar servigos uteis a instituigao que tao de perto me tocava o coragao: ao exercito. 

Posso dizer que a minha atuagao foi coroada de exito: centenas, talvez milhares de camaradas 
foram por mim reconduzidos, no decorrer das minhas ligoes, ao seu povo e a sua Patria. Eu 
"nacionalizava" a tropa e podia, por esse meio, auxiliar a fortalecer a disciplina geral. 

Ainda uma vez five oportunidade de conhecer uma serie de camaradas, que pensavam como 
eu, e que mais tarde comegaram a edificar a base do novo movimento. 

CAPITULO IX - O PARTIDO TRABALHISTA ALEMAO 

Um dia recebi ordem da autoridade superior para ir verificar o que se passava num gremio 
aparentemente politico, cujo nome era "Partido Trabalhista Alemao". O dito gremio pretendia 
realizar uma reuniao por aqueles dias, em que deveria falar Gottfried Feder. A missao de que fui 
incumbido era ir ate la verificar o que se passava e, em seguida, apresentar um relatorio. 

A curiosidade do exercito de entao em relagao aos partidos politicos era mais do que 
compreensivel. A revolugao tinha dado ao soldado o direito de participagao na politica. Desse 
direito faziam uso justamente os mais inexperientes. So no momento em que o Centro e a social- 
democracia tiveram de reconhecer, com grande pesar, que as simpatias dos soldados comegavam 
a se afastar dos partidos revolucionarios para se inclinarem pelo movimento de reerguimento da 
nagao, e que se julgou necessario retirar da tropa o direito de voto e de participagao na politica. 

Era obvio que o Centro e o marxismo langassem mao dessas medidas, pois se nao se tivesse 
procedido ao corte dos "direitos civicos" - como se costumava denominar a igualdade de direitos 



politicos dos soldados apos a revolugao - nao teria havido, poucos anos depois, o chamado 
governo de novembro e, consequentemente, teria sido evitada essa desonra nacional A tropa 
estava naturalmente indicada para livrar a Nagao dos sugadores da Entente. 

O fato de os chamados partidos "nacionais" concordarem entusiasmados com a modificagao do 
programa dos criminosos de novembro, para tornar, por esse modo, ineficiente o exercito como 
instrumento de ressurreigao nacional, demonstrou mais uma vez ate onde podem levar as ideias 
exclusivamente doutrinarias desses "mais inocentes dos inocentes". Essa burguesia, doente de 
senilidade mental, pensava com toda seriedade que o exercito voltaria a ser o que tinha sido, isto 
e, um sustentaculo da defesa nacional, enquanto o Centro e o Marxismo so pensavam em Ihe 
extrair. o dente perigoso do nacionalismo, sem o qual o exercito nao e mais do que uma policia e 
nunca uma tropa capaz de lutar com o inimigo. Tudo isso o futuro encarregou-se de provar a 
saciedade. 

Pensariam porventura, os nossos "polfticos nacionais" que a transformagao da mentalidade do 
exercito se pudesse processar em outro sentido que nao o nacional? Essa e a miseravel 
mentalidade desses senhores, e isso provem do fato deles, em vez, como soldados, terem 
combatido no front, terem ficado, nas suas comodas posigoes, como parladores, isto e, 
conversadores parlamentares. 

Nao podiam ter a minima ideia do que se passava no coragao de homens que a posteridade 
reconhecera como os primeiros soldados do mundo. 

Decidi-me entao a ir assistir a Assembleia desse partido, ate entao inteiramente desconhecido 
para mim. 

Quando cheguei, a noite, ao "Leiberzimmer" da antiga cervejaria Sternecker, o qual deveria 
mais tarde se tornar historico para nos, encontrei all umas 20 a 25 pessoas, na maioria gente das 
mais baixas camadas do povo. 

A conferencia de Feder ja me era conhecida dos tempos em que eu frequentava os seus 
cursos, de sorte que fiz abstragao da mesma e me preocupei em observar o auditorio. 

A impressao que five nao foi ma; um gremio recem-fundado como muitos outros. Estavamos 
justamente em uma epoca em que todo o mundo se julgava habilitado a fundar um novo partido, 
isso porque a ninguem agradava o rumo que as coisas tomavam e os partidos existentes nao 
mereciam nenhuma confianga. Por toda parte apareciam novas associagoes que logo depois 
desapareciam sem deixar o menor vestigio de sua passagem. Geralmente os fundadores nao 
tinham a menor ideia do que fosse transformar uma associagao em um partido ou mesmo iniciar 
um movimento. Sogobravam assim essas fundagoes, quase sempre diante de sua ridicula 
estreiteza de ideias. 

Nao foi de outra forma que julguei "o Partido Trabalhista Alemao", apos assistir durante duas 
horas uma de suas sessoes. Fiquei contente quando Feder terminou seu discurso. Tinha visto o 
bastante, e ja me dispunha a sair quando a anunciada abertura dos debates livres me induziu a 
ficar. Parecia que tudo la correr sem significagao, ate que, de repente, comegou a falar um 
"Professor", o qual inicialmente pos em duvida a exatidao dos argumentos de Feder. Ante uma 
resposta muito adequada de Feder, colocou-se o dito "Professor" de repente "no terreno das 
realidades:", sem, porem, deixar de recomendar muito oportunamente ao jovem partido adotar, 
como ponto importante de seu programa, a luta pela "separagao" da Baviera da Prussia. O 
homenzinho afirmava atrevidamente que, nesse caso, a Austria alema sobretudo, se ligaria 
imediatamente a Baviera, que a paz seria entao muito melhor, e outros absurdos. Nao me contive 
mais e pedi a palavra, a fim de fazer sentir ao erudito senhor a minha opiniao nesse ponto e fi-lo 
com tanto sucesso que meu antecessor natribuna abandonou o recinto como um cao batido, antes 
mesmo de eu acabar. Enquanto eu falava, a assistencia ouvia chela de espanto e quando eu me 
dispunha a dizer boa-noite a assembleia e retirar-me, um dos assistentes dirigiu-se a mim, 
apresentou-se (nem pude compreender direito o seu nome), colocou em minhas maos um 
pequeno livreto, visivelmente uma brochura politica, com o pedido insistente de le-la. 

Para mim isso foi muito agradavel, pois era de esperar que, por esse meio, pudesse conhecer 
de maneira mais facil aquela sociedade magante, sem ter, depois, de assistir a sessoes tao 
desinteressantes. Alem disso, eu tinha tido uma boa impressao desse desconhecido, que me 
pareceu ser um operario. Retirei-me. 

Por aquela epoca,, eu morava no quartel do 2°. regimento de infantaria, num pequeno cubiculo 
que trazia em si, ainda bem patentes, os sinais da revolugao. Geralmente, durante o dia, eu 



passava fora, as mais das vezes no regimento de cagadores n.° 41 ou entao em reunioes, em 
conferencias, em outras unidades da tropa. Somente a noite me recolhia aos meus aposentos. 
Como costumava acordar cedo, Ja antes de 5 horas, tinha o habito de divertir-me em jogar, para 
OS camundongos que passeavam pelo meu cubiculo, pedacinhos de pao duro que haviam sobrado 
da vespera. Eu ficava a ver esses engragados animaizinhos se disputarem essas preciosas 
iguarias. 

Na minha vida eu tinha passado tanta miseria que bem podia imaginar o que fosse a fome e, 
portanto, o prazer daqueles bichinhos. Na manha seguinte aquela reuniao eu estava deitado, mal 
acordado, la pelas 5 Inoras, assistindo o movimento dos - camundongos. Como nao pudesse 
conciliar o sono, lembrei-me, de repente, da noite passada, e veio-me a lembranga a brochura que 
operario me havia dado. Comecei a le-la. Era uma pequena brochura, na qual o autor, o tal 
operario, descrevia a maneira pela qual ele tinha chegado de novo ao pensamento nacionalista 
atraves da confusao marxista e das frases ocas das corporagoes profissionais. Dai o tftulo - "meu 
despertar politico:". - Desde o inicio o livreto me despertou interesses, pois nele se refletia um 
fenomeno que ha doze anos eu tinha sentido. Involuntariamente vi se avivarem as linhas gerais da 
minha propria evolugao mental. Durante o dia pensei sobre o assunto varias vezes e la p6-lo 
finalmente de lado, quando, menos de uma semana depois, recebi, com surpresa minha, um 
cartao postal anunciando que eu tinha sido aceito socio do "Partido Trabalhista Alemao". Pedia-se 
que eu me externasse a respeito e para isso viesse na proxima quarta-feira a uma sessao da 
comissao do Partido. Na realidade eu me sentia mais do que surpreso por essa maneira de 
angariar" socios e nao sabia se me devia zangar ou rir. Eu nao pensava em entrar para um partido 
ja organizado e sim em fundar o meu proprio partido. Essa pretensao de filiar-me a um partido nao 
me tinha passado pela cabega. Ja me dispunha a responder aqueles senhores por escrito quando 
venceu a curiosidade e decidi-me a comparecer, no dia marcado, a fim de, oralmente, expor os 
meus motivos. 

Chegou quarta-feira. O hotel no qual se devia realizar a sessao anunciada era o "Alte 
Rossenbad", na Hermstrasse. Era um lugarzinho modesto onde, so de quando em quando, 
aparecia alguma alma penada. 

Em 1919 isso nao era de estranhar, pois o cardapio mesmo dos hotels maiores era pouco 
atraente, dado a sua modestia e exiguidade. Este hotel, porem, eu nao conhecia. 

Atravessei o salao mal iluminado no qual nao havia viva alma. Dirigi-me para a porta que da 
para um quarto lateral e achei-me diante da "assembleia". Na meia obscuridade de um lampiao a 
gas, meio quebrado, estavam sentados, em redor de uma mesa, quatro jovens, entre os quais o 
autor da pequena brochura, o qual imediatamente me cumprimentou da maneira mais amavel e me 
deu as boas vindas como novo membro do Partido Trabalhista Alemao. 

Na realidade eu estava um tanto embasbacado. Como me comunicassem que o verdadeiro 
"presidente do Reich" ainda viria, resolvi adiar, por algum tempo, as minhas declaragoes. 
Finalmente apareceu este. Era o presidente da reuniao na Cervejaria Sterneck, por ocasiao da 
conferencia de Feder. 

De novo, movido pela curiosidade, esperei pelos acontecimentos. 

Agora eu ja conhecia os nomes dos varios senhores presentes. O presidente da "organizagao 
do Reich, era um senhor Harr, o da de Munique, um senhor Anton Drexier. 

Em seguida foi lida a ata da ultima sessao e aprovado um voto de agradecimento ao 
conferencista. Veio depois o relatorio da caixa. A sociedade possuia um total de 7 marcos e 50 
pfennigs - pelo que o tesoureiro recebeu um voto de confianga geral. Esse fato foi consignado em 
ata. 

O primeiro presidente tratou em seguida das respostas a uma carta de Kiel, a uma de 
DiJsseldorf e a outra de Berlim. Todos concordaram com as respostas apresentadas. Em seguida 
procedeu-se a comunicagao da correspondencia entrada: uma carta de Berlim, uma de Dusseldorf 
e outra de Kiel, cujo recebimento pareceu provocar grande contentamento. Considerou-se esse 
constante aumento de correspondencia como o melhor e mais visivel sinal da expansao e 
importancia do Partido Trabalhista Alemao, e, em seguida, teve lugar um longo debate sobre as 
respostas novas a serem dadas, 

Horrfvel, simplesmente horrivel. Isso nada mais era do que uma associagao magante da pior 
especie. Nesse clube e que eu devia entrar? Logo depois tratou-se da aceitagao de novos socios, 
isto e, tratou-se do meu ingresso para o clube. 



Comecei a fazer-me perguntas. Pondo de parte algumas diretrizes nada mais havia, nem um 
programa, nem um panfleto, enfim nada impresso, nem cartoes de socio nem mesmo um simples 
carimbo. Havia sim visiveis boa fe e boa vontade. Perdi a vontade de sorrir, pois o que era tudo 
isso senao o sina1 tipico do completo atordoamento geral e do inteiro fracasso de todos os 
partidos, ate entao, de seus programas, de suas intengoes e de suas atividades? O que levava 
esses jovens a se reunirem de uma maneira aparentemente tao ridicula nada mais era do que o 
eco de vozes interiores, que, mais por instinto de que conscientemente, Ihe fazia crer na 
impossibilidade do reerguimento da Nagao alema bem como da sua convalescenga de males 
interiores por meio de partidos como o carater dos ate entao existentes. Li por alto as diretrizes 
datilografadas que havia e vi nelas mais uma ansia por alguma coisa nova do que uma realidade. 
Muita coisa faltava, porem nada havia feito. Em tudo se sentia, porem, o sinal de uma aspiragao de 
todos. 

O que essas criaturas sentiam eu bem o sabia; era o desejo por um novo movimento que 
deveria ser mais do que um partido na acepgao corrente da palavra. 

Quando naquela noite voltei ao quartel, tinha meu juizo formado com relagao a esse gremio. 

Achava-me talvez diante da mais dificil interrogagao de minha vida: deveria cooperar nesse 
setor ou recusar-me? 

A razao so podia aconselhar a recusa, o sentimento, porem, nao me deixou sossegar e quanto 
mais vezes eu procurava me convencer da tolice disso tudo, tanto mais o sentimento me inclinava 
para esse agrupamento de jovens. 

Os dias que se seguiram foram de desassossego para mim. 

Comecei a pensar. Ha muito que estava decidido a tomar parte ativa na polftica. 

Para mim era claro que isso deveria se dar por meio de um novo movimento, somente me tinha 
faltado ate entao um impulso para a atividade. Eu nao pertengo a categoria das pessoas que 
comegam hoje uma coisa para, no dia seguinte, abandonarem-na ou passarem a outra. 
Justamente essa convicgao era o motivo principal por que eu dificilmente me resolveria a uma tal 
fundagao nova, a qual seria tudo ou deixaria de existir. Eu sabia que isso seria decisivo para mim e 
nao havia a possibilidade de um "recuo"; tratava-se pois, nao de uma brincadeira passageira e sim 
de algo muito serio. Ja naquele tempo eu tinha uma aversao instintiva por pessoas que tudo 
comegavam sem nada acabar. Todos esses trapalhoes me eram odiosos. Eu considerava a 
atividade dessas criaturas pior do que a ociosidade. 

Ate destino parecia me estar dando uma indicagao. Nunca eu teria aderido a um dos grandes 
partidos e mais tarde explicarei mais claramente os motivos. Essa pequenissima fundagao, 
possuindo uma meia duzia de socios, pareceu-me ter a vantagem de nao se ter ainda fossilizado 
em uma "organizagao". Ela parecia oferecer a impossibilidade de uma verdadeira atividade pessoal 
a cada um. Aqui ainda se poderia trabalhar e, quanto menor fosse o movimento, mais facil seria 
conduzi-la pelo caminho certo. Aqui se poderia ainda determinar o carater objetivo e os metodos 
da organizagao, o que nao se poderia pensai' em fazer tratando-se dos glandes partidos. Quanto 
mais eu refletia sobre o assunto mais crescia em mim a convicgao de que justamente de um tal 
movimento pequeno e que algum dia poderia ser preparado o reerguimento da nagao, e nunca dos 
partidos polfticos parlamentares, presos a velhos preconceitos ou mesmo dependentes dos 
proveitos do novo regime. 

O que se deveria anunciar aqui era um novo principio universal e nao uma nova propaganda 
eleitoral. 

Na verdade uma decisao imensamente dificil essa de transformar uma intengao em realidade. 

Que antecedentes tinha eu para poder arcar com tarefa de tal vulto? Q fato de ser pobre, de 
nao possuir recursos financeiros, parecia o menos; mais dificil era a circunstancia de pertencer eu 
a categoria dos desconhecidos, um entre milhoes, que o acaso deixa viver ou arranca da vida, sem 
que mundo mais proximo disso tome o menor conhecimento. A tudo isso se juntava a dificuldade 
proveniente de minha falta de instrugao. 

A chamada "intelectualidade" ve com infinito desdem todo aquele que nao passou pelas escolas 
oficiais, a fim de se deixar encher de sabedoria. Nunca se pergunta: Que sabe o individuo e sim: 
que estudou ele? Para essas criaturas "cultas" mais vale a cabega oca, que vem protegida por 
diplomas, do que o mais vivo rapazola que nao possua tais canudos. Era, pois, facil para mim 
imaginar a maneira pela qual esse mundo oculto - se me oporia e so me enganei pelo fato de 
naquele tempo ainda considerar os homens melhores do que na realidade o sao. E verdade que ha 



excegoes, que naturalmente brilharao com tanto maior fulgor. Aprendi, entretanto, a distinguir entre 
OS eternos estudantes e os verdadeiros conhecedores. 

Apos dois dias de tormentosos pensamentos e meditagoes convenci-me de que devia dar o 
passo. 

Foi essa a decisao de maiores conseqGencias em toda a minha vida. 

Nao havia e nao podia haver um recuo. Aceitei a minha inclusao como socio do Partido 
Trabalhista Alemao e recebi um cartao provisorio de socio, com o numero sete. 

CAPITULO X - CAUSAS PRIMARIAS DO COLAPSO 

A extensao da queda de qualquer corpo e sempre medida pela distancia entre a sua posigao no 
momento e a que ocupava anteriormente. O mesmo acontece com a ruina dos povos e dos 
Estados. A posigao primitiva tem, por isso, uma importancia capital. So o que se esforga por 
ultrapassar as fronteiras normais podera cair e arruinar-se. A todos os que pensam e sentem, isso 
faz com que a ruina do Imperio aparega sob aspecto tao grave e horrivel, pois assim o colapso e 
visto de uma altura de que, hoje, diante das proporgoes das desgragas atuais, dificilmente se pode 
fazer uma ideia exata. 

O Imperio tinha surgido abrilhantado por um acontecimento que entusiasmava toda a nagao. O 
Reich nasceu depois de uma serie de vitorias sem paralelo, como um coroamento glorioso ao 
imortal herofsmo dos seus filhos. Consciente ou inconscientemente, pouco importa, os alemaes 
estavam todos possuidos do sentimento de que o Imperio nao devia a sua existencia as trapagas 
dos parlamentos partidarios, mas, ao contrario, pela maneira sublime por que fora fundado, 
elevava-se muito acima da media dos outros Estados. 

O ato festivo que anunciou que os alemaes, principes e povo, estavam resolvidos a, de futuro, 
fundai um imperio e de novo alcangar a coroa imperial como simbolo das suas glorias, nao foi 
comemorado atraves do cacarejo de uma arenga parlamentar mas ao ribombar dos canhoes no 
cerco de Paris. Nao se verificou nenhum assassinato, nem foram desertores nem embusteiros que 
fundaram o Estado de Bismarck, mas sim os regimentos do front. 

Esse nascimento original, com o seu batismo de fogo, ja era por si so suficiente para envolver o 
Imperio de um halo de gloria, fato que apenas com os Estados antigos se verificara e isso mesmo 
raramente.E que progresso isso provocou! 

A liberdade no exterior proporcionou o pao quotidiano no interior. A nagao enriqueceu-se em 
numero e em bens terrenos. Mas a honra do Estado e com ela a de todo o povo estava protegida 
por um exercito que tornava evidente a diferenga entre a nova situagao e a da antiga 
Confederagao Germanica. 

O goipe desfechado sobre o imperio alemao e sobre o seu povo foi tao forte que o povo e 
governo, como tomados de vertigem, parecem haver perdido a capacidade de sentir e refletir. 
Dificil e evocar a antiga grandeza, tao fantastica nos aparece a gloria dos tempos de outrora 
comparada com a miseria de hoje. E isso porque os homens se deixam ofuscar pela grandeza e se 
esquecem de procurar os sintomas do grande colapso que, mesmo na epoca de prosperidade, 
deviam existir, de uma ou de outra forma. 

Naturalmente isso se aplica aqueles para os quais a Alemanha era mais alguma coisa do que 
um campo para ganhar e desperdigar dinheiro, pois so aqueles podem ver na situagao atual uma 
verdadeira catastrofe, ao passo que aos outros so preocupa a satisfagao dos seus apetites ate 
entao ilimitados. 

Embora esses sinais ja fossem visiveis, muito poucas pessoas se preocupavam em deles retirar 
ligoes definitivas. Esse estudo e hoje mais necessario do que nunca. 

Assim como so se consegue a salvagao de um doente quando a causa da molestia e 
conhecida, na cura das devastagoes politicas e preciso tambem conhecer os precedentes. E 
verdade que se costuma considerar mais facil a descoberta de uma molestia pela sua aparencia do 
que pelas causas intimas. Ai esta a razao por que tantas pessoas nunca conseguem passar do 
conhecimento dos efeitos externos e mesmo os confundem com as causas, cuja existencia, alias, 
se comprazem em negar. 

Por isso, a maioria do povo alemao reconhece agora a ruma da Alemanha apenas pela pobreza 
economica geral e seus resultados. Quase todos sao atingidos por essa crise, razao por que cada 
um pode avaliar a extensao da catastrofe. 



Compreende-se que isso assim acontega com a massa popular. O fato, porem, de as camadas 
inteligentes da comunidade verem o colapso do pais antes de tudo como uma catastrofe 
economica e pensarem que a salvagao esta em providencias de ordem economica, e a razao por 
que ate agora nao foi possivel a aplicagao de uma terapeutica eficaz. 

Enquanto nao estiverem todos convencidos de que o problema economico vem em segundo ou 
mesmo terceiro lugar, e que os fatores eticos e raciais sao os predominantes, nao se podera 
compreender as causas da infelicidade atual e impossivel sera descobrir os meios e metodos de 
remediar essa situagao. 

O problema da pesquisa das causas da ruina alema e, por isso, de importancia decisiva, 
sobretudo tratando se de um movimento politico cujo objetivo alias deve ser a solugao da crise. Em 
uma tal pesquisa atraves do passado, deve-se evitar confundir os fatos que mais ferem a vista com 
as causas menos visiveis. 

A mais comoda (por isso a mais geralmente aceita) razao para explicar as nossas desgragas 
atuais consiste em atribuir a perda da Grande Guerra a causa do presente mal-estar. 

Provavelmente muitos acreditam sinceramente nesse absurdo, mas, na maioria dos casos, esse 
argumento e uma mentira consciente. 

Essa ultima afirmagao se ajusta perfeitamente aqueles que se comprimem em torno da gamela 
governamental. 

Nao foram justamente os arautos da Revolugao ,que declararam frequentemente e, da maneira 
a mais ardorosa, que, para a grande massa do povo, o resultado da guerra era indiferente? 

Nao asseguraram eles que so o "grande capitalista" tinha interesses na vitoria da monstruosa 
guerra e nunca o povo em si e muito menos o operario alemao? 

Nao proclamaram os apostolos da confraternizagao universal que, com a derrota da Alemanha, 
so "Militarismo" havia sido vencido e que, o povo, ao contrario, nisso devia ver a sua magnifica 
ressurreigao? 

Nao se proclamou nesses circulos a generosidade da Entente e nao se langou a culpa da 
guerra sobre a Alemanha? Ter-se-ia podido fazer essa propaganda sem o esclarecimento de que a 
derrota do exercito seria sem consequencias para a vida da nagao? 

Nao foi grito de guerra da Revolugao que, com ela, a vitoria do pavilhao alemao tinha sido 
evitada, mas somente com ela a nagao alema conseguiria completamente a sua liberdade interna 
e externa? 

Nao eram esses individuos mentirosos e infames? 

E caracteristico da impudencia do verdadeiro judeu atribuir ele a derrota militar a causa do 
colapso da nagao, enquanto o "Orgao central de todas as traigoes nacionais", o Vorwarts, de 
Berlim, escrevia que desta vez a nagao alema nao seria permitido voltar com o seu pavilhao 
vitorioso. E agora a derrota militar deve ser vista como causa da nossa ruina! 

E evidente que nao Valeria a pena tentar lutar contra esses mentirosos desmemoriados. E, por 
isso, eu tambem nao perderia uma so palavra com eles, se esse erro absurdo nao fosse aplaudido 
por tanta gente irrefletida, que nao se apercebe da perversidade e da falsidade conscientes desses 
mentirosos. Demais, as discussoes podem oferecer recursos que facilitam o esclarecimento dos 
nossos adeptos, recursos esses muito necessarios em um tempo em que e costume forcer o 
sentido das palavras. 

A resposta a afirmativa- de que a perda da guerra e a causa dos nossos males atuais deve ser 
a seguinte: 

Naturalmente a perda da guerra feve um efeito terrivel sobre o destino do nosso pais, mas nao 
foi uma causa e sim o efeito de varias causas. 

Todos OS homens inteligentes e bem intencionados sabem muito bem que o desfecho infeliz 
daquela luta de vida e morte so poderia produzir efeitos desastrados. Mas ha muitos que 
infelizmente deixaram de compreender essa verdade no momento propicio ou que, embora 
convencidos do erro, negavam-na com afinco. 

Esses eram, na sua maior parte, os que, depois de realizados os seus desejos secretos, 
conseguiam chegar a outra concepgao da catastrofe. 

Eles sao as causas criminosas do colapso e nao a perda da guerra como se compraziam em 
sustentar. 

A perda da guerra foi simplesmente o resultado da agao desse individuos e, de nenhuma forma, 
pode ser atribuida a "ma diregao", como eles afirmam agora. 



Os inimigos nao eram compostos de covardes, eles tambem sabiam se bater e, desde o 
primeiro dia da luta, tinham superioridade numerica sobre o exercito alemao, alem de poderem 
contar com a industria de todo o mundo para o fornecimento de armamentos tecnicos. E, apesar 
de tudo, nao podemos deixar de proclamar que as constantes vitorias alemaes, durante quatro 
anos de asperas lutas contra o mundo inteiro, foram devidas, pondo-se de parte o heroismo do 
nosso soldado e a boa organizagao do exercito, exclusivamente a uma diregao superior. A 
organizagao e a diregao do nosso exercito eram as mais perfeitas que jamais existiram no mundo. 
As suas falhas devem-se a limitagao dos poderes humanos de resistencia. 

A derrota desse exercito nao foi a causa das nossas infelicidades atuais, mas simplesmente a 
consequencia de outros crimes, um dos quais precipitou um outro colapso, bem patente aos olhos 
de todos. 

O fato de ter esse exercito sido derrotado nao foi a causa de nossa infelicidade de Inoje, mas a 
consequencia do crime de outros, de uma causa que, por ai so, deveria provocar o comego de uma 
maior e mais visivel catastrofe. 

A verdade disso resulta das seguintes razoes: 

Uma derrota militar deve ter como consequencia a ruina de uma nagao e de seu Governo? 
Desde quando e essa a conseqGencia fatal de uma guerra mal sucedida? 

As nagoes, de fato, jamais se arruinaram semente pela perda de uma guerra? 

Essa pergunta pode ser respondida em poucas palavras. 

Isso sempre acontece quando a derrota militar de um povo e devida a negligencia, covardia, 
falta de carater ou indignidade da nagao. Se essa hipotese nao se verifica, a derrota militar, em vez 
de ser vista com o tumulo de um povo, deve servir de estimulo para que todos trabalhem por um 
futuro melhor. 

A historia esta repleta de inumeros exemplos que comprovam a corregao dessa afirmativa. 

A derrota militar da Alemanha foi, nao uma imerecida catastrofe mas um castigo a que fizemos 
jus pelos nossos proprios erros. A derrota foi mais do que merecida. Foi apenas o sintoma exterior 
de uma longa serie de sintomas infernos que se conservaram invisiveis a maioria dos homens ou 
que ninguem quis observar. 

Observe-se a simpatia com que o povo alemao recebeu essa catastrofe. Em muitos setores nao 
se manifestou contentamento, e, da maneira mais vergonhosa, pela derrota da Patria? 

Quem faria isso, se o povo nao merecesse esse castigo? Nao se la mais longe, ate ao ponto do 
regozijo, por se ter enfraquecido a linha da frente? Isso nao se deve ao inimigo. Essa vergonha 
deve-se aos proprios alemaes. Por ventura a infelicidade provoca a injustiga? 

Pela maneira por que o povo alemao recebeu a catastrofe pode-se claramente descobrir que a 
verdadeira causa da nossa ruma deve ser procurada em outra parte e nao na perda de posigoes 
militares ou na diregao da ofensiva. 

Se as tropas no front, entregues a si mesmas, tivessem realmente abandonado os seus postos, 
se desastre nacional tivesse sido devido a um fracasso militar, a nagao alemao teria visto a 
derrocada de outra maneira. O povo teria aceito a grande desgraga com irritagao ou teria cafdo em 
estado de prostragao. Irritar-se-iam os alemaes contra a sorte desfavoravel ou contra o Inimigo 
vitorioso. Entao, a nagao agiria como o Senado romano, que foi ao encontro das divisoes vencidas, 
com agradecimento da Patria pelo sacriffcio feito e com o apelo para que confiassem no governo. 

A capitulagao teria sido assinada com inteligencia, e o coragao do povo comegaria a palpitar 
pela ressurreigao futura. Assim, a derrota teria sido aceita como produto da fatalidade. Nao se teria 
festejado a derrota, a covardia nao teria proclamado com orgulho a ma sorte do exercito, as tropas 
combatentes nao teriam sido objeto de mofa e as cores nacionais nao teriam sido arrastadas na 
lama. E, sobretudo, nao se teria criado esse estado de espirito que inspirou a um oficial ingles, 
coronel Repington, a declaragao de que "em cada grupo de tres alemaes havia um traidor". 

Nao! A pestilencia nunca teria alcangado essas proporgoes, tao consideraveis que fizeram com 
que mundo perdesse o resto de respeito que tinha por nos. 

Por ai se percebe claramente a mentira da afirmagao que consiste em atribuir ao fracasso da 
guerra a causa da ruina do pais. 

O fracasso militar, foi nao ha duvida, a consequencia de uma serie de manifestagoes doentias 
de uma parte da nagao. Essas manifestagoes ja vinham infeccionando o pais antes da guerra. A 
derrota foi o primeiro resultado catastrofico visivel, por parte do povo, de um envenenamento 
moral, que consistia no enfraquecimento do instinto de conservagao, resultante da propaganda de 



doutrinas que, de ha muitos anos, vinham minando os fundamentos da nagao e do Imperio. 

Era natural que o judeu, acostumado a mentira, e o espirito combative do seu marxismo, 
procurassem langar a responsabilidade do desastre da nagao sobre urn homem, justamente o que, 
com uma vontade e uma energia sobre-humanas, tentou evitar a catastrofe que havia previsto e 
poupar a nagao um periodo de sofrimentos e humilhagoes. Langando sobre Ludendorf a 
responsabilidade da derrota na guerra, eles desarmaram moralmente o unico adversario bastante 
perigoso para enfrentar os traidores da Patria. 

Resulta da propria natureza das coisas que no volume da mentira esta uma razao para ela ser 
mais facilmente acreditada, pois a massa popular, nos seus mais profundos sentimentos, nao 
sendo ma, consciente e deliberadamente, e menos corrompida e, devido a simplicidade do seu 
carater, e mais freqiJentemente vitima de grandes mentiras do que de pequenas. Em pequeninas 
coisas ela tambem mente, enquanto que das grandes mentiras ela se envergonha. 

Uma tal inverdade nunca Ihe passaria pela cabega e tambem nao acreditaria que alguem fosse 
capaz da inaudita impudencia de tao infame calunia. Mesmo depois de explicagoes sobre o caso, 
as massas, durante muito tempo, mantem-se na duvida, vacilando, antes de aceitar como 
verdadeiras quaisquer causas. E um fato tambem que da mais descarada mentira sempre flea 
alguma coisa, verdade essa que todos os grandes artistas da mentira e suas quadrilhas conhecem 
muito bem e dela se aproveitam da maneira mais infame. 

Os maiores conhecedores das possibilidades do emprego da mentira e da calunia foram, em 
todos OS tempos os judeus. Comega, entre eles, a mentira por tentarem provar ao mundo que a 
questao Judaica e uma questao religiosa, quando, na realidade, trata-se apenas de um problema 
de raga e que raga! Um dos maiores espfritos da humanidade perpetuou em uma frase 
imorredoura o julgamento sobre esse povo, quando os designou como "os maiores mestres da 
mentira". Quem nao reconhecer essa verdade ou nao quiser reconhece-la, nao podera nunca 
concorrer para a vitoria da verdade neste planeta. 

Foi, pode-se dizer, uma grande felicidade para a nagao alema que a epidemia nacional que se 
vinha alastrando lentamente tivesse de repente chegado ao seu periodo mais agudo, com todos os 
seus efeitos catastroficos. Se as coisas se tivessem passado de outra maneira, a nagao teria 
marchado para a ruina mais lentamente talvez, mais firmemente porem. A molestia ter-se-ia 
tornado cronica e passaria quase despercebida, ao passo que, na sua forma aguda, atraiu a 
atengao de um numero mais consideravel de observadores e por eles pode ser compreendida. Nao 
foi obra do acaso que os homens tivessem vencido a peste mais facilmente do que a tuberculose. 
A primeira aparece fazendo inumeras vitimas, o que impressiona a toda gente; a segunda introduz- 
se lentamente. Uma inspira o terror, a outra a indiferenga crescente. A consequencia disso e que 
OS homens combatem a peste da maneira mais energica, enquanto procuram veneer a tuberculose 
por metodos ineficientes. Por isso os homens venceram a peste, mas foram vencidos pela 
tuberculose. O mesmo se aplica as afecgoes do organismo politico. Quando nao se apresentam 
sob a forma catastrofica, toda gente a elas aos poucos se acostuma para, finalmente, depois de 
um perfodo mais ou menos prolongado, ser vitima das mesmas. 

E, pois, uma felicidade, embora amarga, que a Providencia tenha decidido intrometer-se nesse 
lento processo de corrupgao e, de um goipe rapido, tenha evidenciado o combate a molestia, aos 
que a haviam compreendido. 

Essas catastrofes sucedem-se freqiJentemente. Por isso devem ser vistas como causas para 
que se promova a salvagao da maneira mais decidida. 

Em caso identico, essa hipotese vale pelo reconhecimento das causas intimas que ocasionam o 
mal em questao. E importante lazer a diferenga entre os responsaveis pelo mal e a situagao por 
eles provocada. Essa situagao torna-se mais dificil, a proporgao que os germes da molestia tomam 
conta do corpo e nele se julgam estar em habitat proprio. 

Pode acontecer que, depois de um certo tempo, certos venenos sejam vistos como fazendo 
parte do organismo ou pelo menos como a ele necessaries. Assim considera-se como inutil 
pesquisar o autor do envenenamento. 

Nos longos periodos de paz que precederam a Grande Guerra, constatavam-se varies males, 
sem que alguem se preocupasse em descobrir os seus responsaveis, salvo em casos 
excepcionais. Essas excegoes se verificaram principalmente no dominio economico que, aos 
individuos, mais impressionam do que quaisquer outros males. 

Havia varios outros sintomas de decadencia que a um observador consciencioso deveriam 



impressionar. 

Sob ponto de vista economico, eram naturals as seguintes observagoes: O impressionante 
aumento da populagao da Alemanha, antes da Guerra, fez com que a questao da alimentagao 
minima que se deveria assegurar ao povo tomasse uma posigao de destaque entre os pensadores 
e OS homens praticos que se interessavam pela vida politico-economica da nagao. Infelizmente, 
porem, eles nao puderam se resolver a tomar a unica solugao aconselhavel, porque imaginavam 
poder chegar ao seu objetivo por metodos homeopaticos. Renunciaram a ideia de adquirir novos 
territorios e, em substituigao a essa politica, langaram-se loucamente na politica de conquistas 
economicas, que, forgosamente, havia de leva-los por fim a uma industrializagao sem limites e 
prejudicial a nagao. 

O primeiro resultado - e o mais fatal - foi o enfraquecimento da classe agrfcola. A proporgao que 
essa classe se arruinava, o proletariado acumulava-se nas grandes cidades, perturbando por fim o 
equilibrio nacional. 

O abismo entre ricos e pobres tornou se mais sensivel. A superfluidade e a pobreza viviam em 
contato tao fntimo que as consequencias desse fato so poderiam ser as mais deploraveis. A 
pobreza e a grande falta de emprego comegaram a arruinar o povo e a criar o descontentamento e 
odio. 

A conseqGencia disso foi a luta polftica de classes. 

Em todas as castas economicas, o descontentamento tornava-se cada vez maior e mais 
profundo. Chegou a um ponto em que era opiniao geral que "isso nao podia continuar", sem que, 
porem, surgisse uma orientagao sobre o que se deveria ou poderia fazer. Eram os sinais 
caracteristicos de um profundo descontentamento geral que, por esse meio, se faziam sentir. 

Havia fenomenos ainda mais deploraveis, ligados a industrializagao do pais. Com a dominagao 
do Estado pela industria, o dinheiro tornou-se um deus a quem todos teriam de servir e render 
homenagem. 

Os deuses celestials sairam da moda, tornaram-se coisas do passado e, no seu lugar, instalou- 
se a orgia dos idolatras de Mamon. 

Comegou, entao, um periodo de desmoralizagao, de pessimos efeitos, sobretudo porque se 
iniciou em um momento em que a nagao, mais do que nunca, precisava dos mais elevados 
sentimentos de heroismo para enfrentar o perigo que a ameagava. A Alemanha deveria estar se 
preparando para um dia amparar, com a espada, seu esforgo para garantir a alimentagao do povo, 
por meio de uma "atividade economica pacifica". 

Infelizmente a dominagao do dinheiro foi sancionada justamente onde deveria ter encontrado 
maior oposigao. Foi uma infeliz inspiragao a de Sua Majestade induzir a nobreza a entrar no circulo 
dos novos financistas. Sirva de desculpa para o Kaiser o fato do proprio Bismarck nao ter 
compreendido esse perigo. A verdade, porem, e que desde entao as grandes ideias cederam o 
lugar ao dinheiro. Uma vez que tomou esse caminho, a nobreza da espada teria que ficar abaixo 
da nobreza das finangas. 

Nao era nada convidativo aos verdadeiros herois e aos estadistas serem colocados no mesmo 
piano dos judeus dos bancos. Os homens da merecimento real nao podiam ter interesses em 
possuir condecoragoes facilmente adquiridas. Ao contrario, evitavam-nas. 

Sob ponto de vista racial, esse fato era de consequencias deploraveis. A nobreza perdia cada 
vez mais a razao racial de sua existencia e, na sua grande maioria, podia-se com propriedade dar- 
Ihe qualificativo contrario. 

Um sintoma da ruina economica foi a lenta eliminagao do direito de propriedade individual e a 
passagem gradual da economia do povo para a propriedade das sociedades por agoes. 

Por esse sistema, .o trabalho desceu a objeto de especulagao doa traficantes sem consciencia. 
A alienagao da propriedade aos capitalistas progrediu. A Bolsa comegou a triunfar e preparou-se a 
por, lenta, mas firmemente, a vida da nagao sob sua protegao e controle. 

Antes da guerra, a internacionalizagao dos negocios alemaes ja estava em andamento, sob o 
disfarce das sociedades por agoes. E verdade que uma parte da industria alema fez uma decidida 
tentativa para evitar o perigo, mas, por fim, foi vencida por- uma investida combinada do 
capitalismo ambicioso, auxiliado pelos seus aliados do movimento marxista. 

A guerra persistente contra as "industrias pesadas" da Alemanha foi o ponto de partida visivel 
da internacionalizagao que se processava com a ajuda do marxismo. E o unico meio de completar 
a obra era assegurar a vitoria do marxismo - por meio da Revolugao. 



No momento em que escrevo estas linhas, espera-se o exito da tentativa de passar as maos do 
capitalismo Internacional os. caminhos de ferro da Alemanha. A social-democracia "internacional" 
com isso alcangara um dos seus mais elevados objetivos. 

Ate que ponto essa "dissipagao" da economia alema tinha chegado ve-se claramente no fato 
de, depois da Guerra, um dos guias da industria nacional e, sobretudo do comercio, fazer a 
declaragao de que so a economia do pais estava em situagao de poder levantar a Alemanha. 

A esse erro nao se deu, no momento, o valor esperado, porque a Franga, nas suas escolas, 
deu todo destaque a educagao sobre bases humanisticas, para evitar o erro de confiarem a nagao 
e Governo a sua existencia a motivos economicos e nao aos eternos valores ideals. 

A afirmagao feita por Stinnes provocou uma incrivel confusao, mas foi logo aceita, com uma 
pressa alarmante, como leit motiv de todos os remendoes e charlataes que o acaso tinha guindado 
a posigao de "estadistas". 

Uma das piores provas de decadencia da Alemanha, ja antes da Guerra, era a quase 
indiferenga geral que se notava a respeito de tudo. Essa situagao mental e sempre a conseqGencia 
da incerteza sobre as coisas. Dessa e de outras causas surge a pusilanimidade como 
conseqiJencia fatal. O sistema educacional contribuia para agravar essa situagao. 

Havia muitos pontos fracos na educagao dos alemaes, antes da Guerra. Eram inspirados em 
um sistema unilateral, visando principalmente a instrugao pura, sem se preocupar em fornecer ao 
povo a capacidade pratica Menos ainda se pensava na formagao do carater, muito pouco se 
cogitava de encorajar o senso da responsabilidade e nada absolutamente sobre cultivo da forga de 
vontade e de decisao. 

A conseqiJencia disso e que nao se faziam homens fortes mas maleaveis sabichoes. Assim 
eram universalmente considerados os alemaes antes da Guerra e, por esses motivos, e que 
gozavam de consideragao. O alemao era estimado porque era util, mas devido a sua falta de forga 
de vontade ele era pouco respeitado. Nisso estava o motivo por que ele trocava a sua 
nacionalidade por outra, mais facilmente do que qualquer outro povo. este proverbio: "Com o 
chapeu na mao pode se percorrer o mundo", define essa mentalidade. 

Os efeitos dessa maleabilidade tornaram-se ainda mais desastrosos quando influfram na forma 
por que todos se deveriam portar junto ao soberano. O uso era nao replicar mas aprovar tudo o 
que Soberano entendesse de ordenar. E, no entanto, era justamente nesse caso que mais 
necessaria se fazia a existencia de homens dignos e independentes. Ao contrario, a subserviencia 
geral arrastaria um dia o Imperio a ruina. Vivia-se em um mundo todo de lisonjas. 

So aos bajuladores e aos servis, em uma palavra, aos elementos decadentes de uma nagao 
que sempre se sentaram bem junto aos mais altos tronos, mais a vontade do que os homens 
honestos e independentes, podera parecer essa a unica forma de relagoes de um povo para com 
OS seus monarcas! Essas criaturas, tipo "humilde servo", em todas as suas humilhagoes junto aos 
seus senhores, aos que Ihes dao o pao, sempre demonstraram o maior atrevimento em relagao ao 
resto da humanidade, sobretudo quando, com o maior despudor, como os unicos "monarquistas", 
se comparam ao resto dos mortals. Isso constitui uma verdadeira impudencia de que so vermes, 
nobres ou plebeus, sao capazes. Na realidade esses homens foram sempre os cordeiros da 
monarquia e sobretudo do pensamento monarquico. E impossfvel pensar de outra maneira, pois 
um homem capaz de responder por alguma coisa nunca podera ser um hipocrita e um bajulador, 
um sem carater. Se ele esta seriamente empenhado na conservagao e desenvolvimento de uma 
instituigao dara a isso todo o esforgo de que e capaz e nunca abandonara o seu posto, quaisquer 
que sejam os riscos que aparecerem. Um homem assim nao aproveita todas as oportunidades 
para berrar em publico, da maneira mais hipocrita, como fazem os amigos "democraticos", da 
monarquia. Ao contrario. ele procurara aconselhar e advertir Sua Majestade, o proprio depositario 
da coroa. 

Ele nao se colocara no ponto de vista de que Sua Majestade deve conservar as maos livres 
para agir a vontade, mesmo que isso visivelmente conduzisse a um desastre! Ao contrario, assim 
agindo protegera a monarquia contra o monarca, evitando-Ihe todos os perigos. Se o merito dessa 
coordenagao dependesse da pessoa de cada monarca, entao a monarquia seria a pior instituigao 
imaginavel, pois so em rasos rarissimos, os monarcas sao depositarios da mais alta sabedoria, da 
razao mais perfeita ou mesmo do carater mais puro. Nisso so acreditam os bajuladores e 
hipocritas. Todos os espiritos retos e esses sao os elementos de mais valor do Estado - sentirao 
repulsa em defender erro tao grave. 



Essa situagao e boa para sicofantas, mas os homens de bem - que, felizmente, ainda sao a 
maioria da nagao - so repulsa poderiam sentir por uma pratica tao absurda. Para esses a historia e 
a historia e a verdade e sempre a verdade, mesmo quando se trata de urn monarca. A felicidade 
de possuir urn grande monarca e um grande homem combinados na mesma pessoa e tao rara na 
vida das nagoes que elas tem de se contentar com que a maldade da sorte poupe-as ao menos 
dos erros mais graves. 

A virtude e a significagao da ideia monarquica nao podem essencialmente estar ligadas a 
pessoa do monarca, a menos que Deus se digne por a coroa sobre a cabega de um grande heroi 
como Frederico o Grande ou um carater prudente como Guilherme I. Isso pode acontecer uma vez 
em varios seculos, raras vezes mais frequentemente. A ideia vem antes da pessoa, a sua 
significagao deve repousar exclusivamente na propria instituigao, e o monarca entrara na lista dos 
que servem. Ele passa a ser considerado como mais uma roda na maquina polftica do Estado, 
perante o qual tem deveres como toda gente. Ele tambem tera que se bater pela realizagao dos 
grandes objetivos nacionais e "monarquista" nao sera mais o depositario da coroa que consente 
nas maiores ofensas a mesma, mas, ao contrario, aquele que a defende. Se a predominancia nao 
fosse dada a ideia mas as pessoas, consideradas "sagradas", quaisquer que elas fossem, nunca 
se deveria empreender o afastamento de um prfncipe - visivelmente louco. 

E necessario que se aceite essa verdade agora que aparecem a tona cada vez mais os sinais 
ocultos no passado, aos quais se deve atribuir, e nao em pequena escala, o fato de ter sido 
impossfvel evitar a rufna da monarquia. Com uma ingenua imperturbabilidade, continua essa gente 
a falar no "seu rei", rei que ha poucos anos, eles abandonaram miseravelmente na hora critica e 
comegaram a apontar como maus alemaes todos aqueles que nao estao dispostos a concordar 
com as suas ideias. Na realidade, eles sao os mesmos poltroes que, em 1918, diante de qualquer 
fita vermeiha, fugiam espavoridos, viam "seu rei" deixar de ser rei, trocavam precipitadamente a 
alabarda pela "bengala" e, como pacificos burgueses, desapareciam como por encanto. De um 
goipe eles foram afastados, esses campeoes do rei, e so depois de passada a tempestade 
revolucionaria, o que se deveu a atividade de outros, e que, de novo, se tornou possivel dar vivas 
ao rei, comegaram esses "criados e conselheiros" da coroa a aparecer na superficie. Agora estao 
todos ai a chorar de novo, pelas cebolas do Egito, lembrando-se do passado; mal se podem conter 
de tanta fidelidade ao rei, de tanta vontade de luta, ate que um dia aparega a primeira fita 
vermeiha. Entao o barulho em favor da monarquia de novo desaparecera, e eles fugirao como 
ratos diante de gatos. 

Se OS monarcas nao fossem eles proprios culpados por esses fatos poder-se-ia ao menos 
lastima-los por terem eles esses defensores de hoje. 

Eles devem, porem, se convencer que, com tais cavalheiros, e facil perder um trono, mas nunca 
conquistar uma coroa. 

Essa pusilanimidade era um erro da nossa educagao que reagia da maneira mais desastrada 
na vida polftica. Aos seus efeitos se devem os lastimaveis sintomas visiveis em todas as cortes e 
neles devem-se procurar as causas do progressivo enfraquecimento da instituigao monarquica. 
Quando o edificio comegou a abalar-se, os seus defensores como que se evaporaram. Os 
bajuladores nao se deixaram matar pelos seus senhores. Porque os monarcas nunca se 
aperceberam dessa situagao e, quase por uma questao de princfpio, jamais trataram de estuda-la, 
ela se transformou na causa de sua rufna. 

Um dos resultados dessa educagao mal orientada era o receio de enfrentar as 
responsabilidades e dai a fraqueza na maneira de resolver os problemas essenciais da nagao. 

O ponto de partida dessa epidemia esta, entre nos, sobretudo na instituigao do 
parlamentarismo, onde a irresponsabilidade era francamente cultivada cm estufa. Infelizmente essa 
molestia lentamente contaminou toda a vida do pais e mais intensamente a vida polftica. Por toda 
parte, comegou a enfraquecer-se a nogao da responsabilidade e, em consequencia disso, dava-se 
preferencia em tudo as meias medidas, pelo emprego das quais, o numero das pessoas de 
responsabilidade foi sempre se restringindo cada vez mais, observe-se apenas a conduta do 
proprio Imperio, em face de uma serie de sintomas alarmantes de nossa vida publica, e logo se 
percebera a terrivel significagao dessa geral covardia e indecisao, consequencia da falta da nogao 
da responsabilidade. 

Mostrarei alguns casos dentre os inumeros que ocorrem. 

Nos meios jornalisticos e costume apontar a imprensa como um "grande poder" dentro do 



Estado. E verdade que e imensa a sua importancia atual. Dificilmente se pode avaliar todo o seu 

a educagao do povo ate a uma idade 



prestigio. 


Na realidade a 


sua 


missao e 


de 


continuar 


avangada. 












Em conj 


unto podem 


ser 


divididos 


OS 


leitores 


1.° 




dos 




que 


acreditam 


2.° 





daqueles 


que ja 


nao 


mais 



de jornais em tres grandes grupos: 
em tudo que leem. 

acreditam em coisa alguma. 

3.° O dos que submetem tudo o que leem a critica para chegarem, a um julgamento seguro. 

O primeiro grupo e muito mais numeroso que os outros. Compoe se da grande massa do povo 
e, por isso mesmo, da parte intelectualmente mais fraca da nagao. Nao pode ser designado por 
classes, mas pelo grau de inteligencia. A esse grupo pertencem todos os que nao nasceram para 
ter pensamento independente ou nao foram educados para isso e que, em parte por incapacidade 
e em parte por falta de vontade, acreditam em tudo que Ihes e apresentado em letra de forma. A 
essa classe tambem pertencem os preguigosos que podem pensar mas, por mera indolencia, 
agradecidos, aceitam tudo o que os outros pensam, na suposigao de que esses ja chegaram a 
essas conclusoes com muito esforgo. Para toda essa gente, que representa a grande massa do 
povo, a influencia da imprensa e fantastica. Eles nao estao em condigoes, por falta de cultura ou 
por nao o quererem, de examinar as ideias que se Ihes apresentam. Assim, a maneira de encarar 
OS problemas do dia e quase sempre resultado da influencia das ideias que Ihes vem de fora. Essa 
situagao pode ser vantajosa quando os esclarecimentos que Ihes sao dados partem de uma fonte 
seria e amiga da verdade, mas constitui uma desgraga quando tem sua origem em pulhas e 
mentirosos. 

O segundo grupo e muito menor quanto ao numero. Em parte e composto de elementos que, de 
comego, pertenciam ao primeiro grupo e que, depois de amargas decepgoes, passaram para o 
lado oposto e nao acreditam em mais nada que Ihes seja apresentado em forma impressa. Esses 
tem odio a todos os jornais, nao os leem ou irritam-se contra tudo o que neles se contem, 
convencidos de que neles so se encontram mentiras e mais mentiras. E dificil manobrar com esses 
homens, porque para eles a propria verdade e sempre vista com desconfianga. E uma classe com 
que nao se (leve contar para qualquer agitagao eficiente. 

O terceiro grupo e de todos o menor. Comp6e-se dos espiritos de elite que, por naturals 
disposigoes intelectuais e pela educagao, aprenderam a pensar com independencia, que, sobre 
todos assuntos, se esforgam por formar ideias proprias e que submetem todas as suas 
cuidadosas leituras a um em cursiva pessoal para dai tirar conseqiJencias. Esses nao lerao 
nenhum jornal sem que as ideias recebidas passem por um crivo. A situagao do editor nao e nada 
facil. 

Para os que pertencem a esse terceiro grupo o erro que um jornal possa perpetrar oferece 
pouco perigo e e de muita significagao. No decurso de sua vida eles se acostumaram a ver, com 
fundadas razoes, em cada jornalista, um patife que, so por excegao, fala a verdade. Infelizmente, o 
valor desses tipos brilhantes jaz apenas na sua inteligencia e nao no numero, o que constitui uma 
infelicidade em uma epoca em que a maioria e nao a sabedoria vale tudo! Hoje que o voto das 
massas e decisivo, a ultima palavra cabe ao grupo mais numeroso, quase constitui da grande 
multidao dos simples e credulos. E um interesses essencial do Estado e da nagao evitar que o 
povo caia nas maos de maus educadores, ignorantes e mal intencionados. E, por isso, dever do 
Governo velar pela educagao do povo e impedir que o mesmo tome orientagao errada, fiscalizando 
a atuagao da imprensa em particular, pois a sua influencia sobre o espfrito publico e a mais forte e 
a mais penetrante de todas, desde que a sua agao nao e transitoria mas continua. Sua imensa 
importancia esta no fato da uniforme e persistente repetigao da sua propaganda. 

Aqui, mais do que em qualquer setor, e dever do Estado nao esquecer que a sua atitude, 
qualquer que ela seja, deve conduzir a um fim unico e nao deve ser desviada pelo fantasma da 
chamada liberdade de imprensa", desprezando assim os seus deveres com prejuizo do alimento 
de que a nagao precisa para a conservagao de sua saude. 

O Estado deve controlar esse instrumento de educagao popular com vontade firme e p6-lo ao 
servigo do Governo e da nagao. 

Que sorte de alimento intelectual a imprensa alema ofereceu ao povo antes da Guerra? Nao foi, 
porventura, o mais perigoso veneno que se poderia imaginar? Nao se inoculou no coragao do povo 
um pacifismo da pior especie, justamente quando o mundo se preparava, lenta mas seguramente, 
para estrangular a Alemanha? Ja em plena paz, nao tinha essa imprensa instilado, gota a gota, no 



espirito do povo, a duvida sobre os direitos da propria nagao, com o fim de enfraquece la, desde o 
primeiro momento de sua defesa? Nao foi a imprensa alema, que fez o nosso povo interessar se- 
pela "democracia ocidental", ate convencendo-o, por meio de frases bombasticas, que seu futuro 
poderia ser confiado a uma confederagao? Nao colaborou ela para educar o povo na amoralidade? 
Nao foram a moral e os bons costumes ridicularizados pelos jornais como retrogrados e peculiares 
aos provincianos, ate que o povos por fim, se tornou "moderno" Os alicerces da autoridade do 
Estado nao foram por eles constantemente minados ate chegar ao ponto de um simples empurrao 
poder provocar a ruina do edificio? Nao se opuseram eles por todos os meios a que se desse ao 
Estado que ao Estado era devido? Nao foram eles que desacreditaram o exercito, que pregaram 
contra o servigo militar, contra a concessao de creditos para o exercito, ate tornar o exito militar 
impossivel? 

O que a chamada imprensa liberal fez antes da Guerra foi cavar um tumulo para a nagao alema 
e para o Reich. Nao precisamos dizer nada sobre os mentirosos jornais marxistas. Para eles o 
mentir e tao necessario como para os gatos o miar. Seu unico objetivo e quebrar as forgas de 
resistencia da nagao, preparando-a para a escravidao do capitalismo internacional e dos seus 
senhores, os judeus. 

Que fez o Governo para resistir a esse envenenamento em massa do povo alemao? Nada, 
absolutamente nada! Alguns fracos decretos, algumas multas por ofensas tao graves que nao 
podiam ser desprezadas, e nada mais! 

Esperava-se conquistar as simpatias desses pestilentos atraves de lisonjas, do reconhecimento 
do "valor" da imprensa, de sua "significagao", da sua "missao educadora" e outras imbecilidades. 
Os judeus, porem, recebiam essas demonstragoes com um sorriso de raposa e retribufam com um 
astucioso agradecimento. 

A razao para essa ignominiosa renuncia do Governo nao estava no desconhecimento do perigo, 
mas em uma covardia que gritava aos ceus e na indecisao que, em consequencia disso, 
caracterizava todas as resolugoes tomadas. Ninguem tinha a coragem de 'empregar meios 
radicals, ao contrario disso, todos porfiavam em prescrever receitas homeopaticas e, em vez de 
dar-se um goipe certeiro na vibora, aumentava-se a sua capacidade de envenenar. O resultado e 
que nao so tudo ficou pior do que dantes como a instituigao que se deveria combater tomou cada 
dia maior vulto. 

A campanha de defesa iniciada, outrora, pelo Governo, contra a imprensa, controlada, na sua 
maioria, por judeus, e que estava lentamente corrompendo a nagao, nao obedeceu a um piano 
definido e decisivo ou, pelo menos, nao teve nenhum objetivo visivel. 

A conduta dos representantes do Governo falhou ao objetivo, tanto no modo de avaliar a 
importancia do combate como. na escoiha dos metodos e no estabelecimento de um piano 
definido. Agia-se a-toa. De quando em vez, quando gravemente ofendidos, eles punham no xadrez 
algumas viboras jornalfsticas por algumas semanas, ou mesmo meses, mas deixavam sempre o 
seu ninho em paz. 

Tudo isso era a consequencia, por um lado, da tatica astuciosa dos judeus e, por outro, da 
conselheira estupidez ou da ingenuidade do mundo oficial. 

O judeu era esperto bastante para nao consentir que toda a sua imprensa fosse, ao mesmo 
tempo, manietada. Uma parte da mesma estava sempre livre para acobertar a outra. Enquanto os 
jornais marxistas, da maneira mais baixa, combatiam o que de mais sagrado poderia parecer aos 
homens, investiam, pelos processos mais infames, contra o Governo e agulavam grandes setores 
da populagao uns contra os outros, as folhas democratico-burguesas dos judeus davam a 
aparencia da mais notavel preocupagao com esses fatos, concentravam todas as suas forgas, 
sabendo exatamente que os imbeds so sabem julgar pelas aparencias, e jamais sao capazes de 
penetrar no amago das coisas. E a essa fraqueza humana que os judeus devem a consideragao 
em que sao tidos. 

Para esses leitores o Frankfurter Zeitung e o que ha de mais respeitavel. Nunca usa expressoes 
asperas, nunca fez apologia da forga bruta e apela sempre para a luta com as armas da 
inteligencia o que, - e curioso constatar - agrada sobretudo as classes menos intelectuais Isso e 
uma consequencia da nossa indecisao, que divorcia o homem das suas inclinagoes naturals que 
Ihe inocula umas determinadas ideias que nao podem conduzi-lo a nogoes posteriores porque a 
diligencia e a boa vontade, por si so, de nada servem, tornando-se necessaria a inteligencia trazida 
do bergo. Essas nogoes a que me refiro tem sempre a sua explicagao em causas intuitivas. Isso 



quer dizer que o homem nao deve nunca cair no erro de acreditar que surgiu para ser o senhor da 
natureza - concepgao que o regime da meia educagao tanto facilita mas, ao contrario, deve 
compreender a necessidade fundamental do poder da Natureza e tambem que a sua propria 
existencia esta dependente das leis da eterna luta natural. Sentiremos entao, que, em um mundo 
em que planetas e sols andam a roda, no qual a forga sempre domina a fraqueza e submete-se a 
escravidao ou elimina-a, nao podem existir outras leis para os homens Podemos tentar 
compreende-las mas nunca delas nos libertarmos. 

E justamente para os filosofos semi-intelectuais que o judeu escreve na sua chamada 
"imprensa intelectual". o tom do Frankfurter Zeitung e do Berliner Tageblatt e mantido com a 
intengao de agradar a essa classe, justamente a mais influenciada por esses jornais. Ao passo 
que, com o maximo cuidado, evitam toda grosseria de linguagem recorrem a outros processos para 
envenenar o espirito publico, Por meio de uma amalgama de frases agradaveis eles enganam 
seus leitores, incutindo-lhes Ihes a crenga de que a ciencia pura e a verdadeira moral sao as forgas 
propulsoras de suas agoes, ao passo que na realidade Isso nao passa de um inteligente artiffcio 
para roubarem uma arma que seus adversarios poderiam usar contra a imprensa. Enquanto uns, 
por decencia, sentem-se enojados tanto mais acreditam os imbeds que se trata de ataques 
temporarios que nunca chegarao a ferir de morte a "liberdade de imprensa" como se costuma 
denominar o abuso desse instrumento de ludibrio e de envenenamento do povo, ao abrigo de 
quaisquer punigoes. 

Por isso, todos tem evitado proceder contra esse banditismo, com receio de ter contra si a 
imprensa "independente", receio alias muito fundamentado. Logo que se tenta agir contra um 
desses vergonhosos jornais, todos os outros do partido se aproveitam, nao para aprovar - o que 
seria demais - as lutas do jornal em questao, mas em nome do principio da liberdade de imprensa, 
da liberdade de pensamento So se batem pela liberdade de imprensa! Ao som desse clamor, os 
homens mais fortes sentem-se fracos, desde que a gritaria parte das folhas "independentes". 

Por esse processo pode esse veneno penetrar e circular livremente no sangue do povo e 
produzir os seus efeitos, sem que Estado se sentisse com forga bastante para combater essa 
molestia. Nas irrisorias meias medidas empregadas pelo Estado ja se poderiam ver os sinais 
ameagadores da queda do Imperio, pois uma instituigao que nao mais esta resolvida a defender-se 
com todas as armas renuncia a sua propria existencia Toda indecisao e um visfvel sinal da ruina 
interna que deve ser seguida, mais cedo ou mais tarde, do colapso externo. 

Penso que a geragao atual se bem dirigida, evitara mais facilmente esse perigo. Ela passou por 
varias experiencias capazes de enrijar os nervos de quem quer que nao tenha perdido a nogao da 
sua forga. 

Um dia vira em que judeu gritara bem alto nos seus jornais, quando sentirem que uma mao 
forte esta disposta a por fim a esse vergonhoso uso da imprensa, pondo esse instrumento de 
educagao a servigo do Estado, retirando-o das maos de estrangeiros e inimigos da nagao. Acredito 
que essa empresa, para nos jovens, sera menos incomoda do que foi aos nossos pais. Uma 
granada de trinta centimetros fala mais alto do que mil vfboras da imprensa judaica. Deixai que 
elas gritem. 

Outro exempio de indecisao e fraqueza da diregao oficial nas questoes de interesse vital da 
nagao consiste no seguinte. Ao mesmo tempo que se processava uma contaminagao moral e 
polftica, verificava-se, de ha muito, um envenenamento nao menos horrfvel, do povo, do ponto de 
vista de sua saude. Sobretudo nas grandes cidades, a sifilis grassava de maneira impressionante. 
Por seu lado, a tuberculose mantinha a sua colheita normal em todo pais. Apesar de que, em 
ambos os casos, as consequencias para a nagao fossem horriveis ninguem tinha coragem de 
tomar medidas decisivas. 

Especialmente a respeito das devastagoes da sifilis, e patente a capitulagao do povo e do 
Governo. Em uma luta seria dever-se-ia recorrer a processos mais radicals do que aqueles de que 
se langou mao. A descoberta de um recurso para problema em questao, assim como contra a 
exploragao comercial de uma tal epidemia, so poucas vantagens poderia apresentar. Dever-se-ia 
cogitar somente das causas dessa calamidade e nao em fazer desaparecerem os sintomas 
externos. 

A causa primaria estava, porem, na prostituigao do amor. 

Mesmo que essa prostituigao nao tivesse por conseqiJencia a terrivel epidemia que devastava a 
nagao, ela, so por seus efeitos morals, seria bastante para levar um povo a ruina. 



Esse envenenamento da alma do povo pelos judeus, essa mercantilizagao das relagoes entre 
OS dois sexos haviam, mais cedo ou mais tarde, de prejudicar as novas geragoes, desde que, em 
lugar de criangas nascidas de um instinto natural apareciam apenas lamentaveis produtos de um 
espirito Inteiramente comercial. Os interesses materials eram, cada vez mais, o fundamento unico 
dos casamentos. O amor tinha que tirar a sua revanche em outros setores. 

Durante algum tempo, talvez fosse possivel zombar da natureza, mas a reagao nao tardaria; ela 
far-se-la reconhecer mais tarde ou seria vista pelos homens demasladamente tarde. As 
consequenclas desastradas do desprezo das lels naturals no que diz respelto ao casamento sao 
visivels no mundo arlstocratlco. Nesse setor as maes so obedeclam a Imposlgoes socials ou a 
Interesses financelros. No primeiro caso, a consequencia era o enfraqueclmento da raga; no 
segundo, tratava-se de um envenenamento do sangue naclonal, uma vez que toda fllha de 
pequeno comerclante judeu se julgava com direlto a suprlr a descendencia de Sua Alteza. Em 
ambas as hipoteses a mais completa degenerescencia era o resultado desse estado de colsas. 

A burguesia atual esforga-se por seguir o mesmo camlnho e chegara aos mesmos resultados. 

Com Identica pressa procura-se passar sobre as verdades desagradavels como se, com essa 
maneira de aglr, se pudesse evitar que os fatos acontecessem. Nao! Nao se pode negar, por 
demaslado evidente, a triste realldade de que o povo das nossas grandes cidades cada vez mais 
se prostltui e, justamente por Isso, aumentam as devastagoes da sffllls. As conseqGenclas dessa 
epidemla geral podem' ser examlnadas nos hospiclos e Infellzmente tambem nas criangas. 
Sobretudo estas sao o mais triste resultado do constante e progresslvo Infecclonamento da nossa 
vida sexual. Nas doengas das criangas sao evidentes as taras dos pals. 

Ha varlos melos da gente deslnteressar-se ante essa desagradavel e horrfvel realldade. Uns 
nada veem ou, melhor, nao querem ver. Essa e a atltude mais simples e mais comoda. Outros se 
envolvem no manto de um pudor Irrlsorlo e mentlroso, falam do assunto como se se tratasse 
apenas de um grande pecado e manlfestam, diante de cada pecador pegado em flagrante a sua 
mais profunda colera, para depols, tomados de nojo, fecharem os olhos a maldlta epidemla e 
pedlrem a Deus, para, depols da morte deles, se possivel, envlar uma chuva de enxofre e fogo 
sobre essa Sodoma e Gomorra, para ediflcante exempio a essa despudorada humanldade. Os 
tercelros leltores veem multo bem as tetrlcas consequenclas que essa peste um dia provocara, 
mas encolhem os ombros e passam, convencldos de que nada podem fazer contra o perlgo. Assim 
delxam-se as colsas segulrem seu curso natural. 

Isto e multo comodo, mas e preclso que ninguem se esquega de que esse comodlsmo custara o 
sacrlficio da nagao. A desculpa de que as outras nagoes nao estao em situagao melhor em nada 
modlflcara a triste realldade da nossa propria rufna, salvo se o fato de a mesma Infellcldade recair 
sobre os outros constltufsse um alfvlo para as nossas proprlas dores. 

O problema deve, porem, ser posto nos segulntes termos: Ouals sao os povos que serao por 
ela arrastados a ruina? 

Trata-se de uma prova a que sao submetldas as ragas. Aquelas que nao reslstlrem a prova 
parecerao e serao substltuidas pelas mais sadlas, mais reslstentes, mais capazes de reagao. 

Como esse problema "Interessa", em primeiro lugar, as novas geragoes, pertence a categoria 
dos em que com multa razao se dIz que os pecados dos pals se refletem ate sobre a declma 
geragao, verdade essa que se traduz em um atentado contra a pureza do sangue e da raga. 

O pecado contra o sangue e a raga e o pecado original deste mundo e o flm da humanldade 
que comete. 

Em que situagao deploravel se encontrava a Alemanha de antes da Guerra em relagao a esse 
problema! 

Oue se fez para Impedir a contamlnagao da juventude das grandes cidades? 

Oue se fez para combater as devastagoes da sffllls sobre o corpo do povo? 

A resposta a essas perguntas era a aflrmagao de que se tratava de uma fatalldade Inevltavel. 

Antes de tudo, trata-se de um problema que nao deve ser encarado tao levlanamente. E preclso 
que se compreenda que da sua solugao de. pende a fellcldade ou Infellcldade de geragoes Intelras 
e que dele pode depender declslvamente, embora nao o devesse, o futuro do nosso povo. Essa 
compreensao do problema obrlgava, porem, a medldas radicals, e a uma Intervengao decldlda e 
firme. 

Em primeiro lugar, serIa necessarlo que todos se convencessem de que a atengao de todo o 
povo se deveria concentrar nesse terrivel perlgo, de modo que todos os Indlviduos, pudessem se 



compenetrar da importancia dessa luta. So se pode transformar em realidade certos deveres, 
principalmente aqueles cuja realizagao demanda sacrificio, quando os individuos, sem nenhuma 
coagao, se convencem da necessidade de cumpri-los. Para isso e precise uma enorme 
propaganda que faga passar para urn piano 'secundario todos os outros problemas- do dia. 

Em todos OS casos em que se trata da solugao de pretensoes, de problemas aparentemente 
impossiveis, deve-se concentrar toda a atengao do povo sobre esse problema como se de sua 
resolugao dependesse a existencia coletiva. So por esse meio se pode tornar um povo 
conscientemente capaz de um grande esforgo. Esse principio tambem se aplica aos individuos 
tomados isoladamente, sempre que se trata da realizagao de grandes objetivos. O individuo so 
podera atingir o fim visado, por etapas graduais, so concentrara todos os seus esforgos para 
alcangar um objetivo determinado, depois que a primeira etapa parecer alcangada e o piano para a 
nova estiver tragado. Quem nao adotar essa divisao, em etapas, do caminlno a percorrer, quem 
nao se esforgar por esse piano de concentragao de todas as forgas a veneer, etapa por etapa, nao 
podera nunca atingir o objetivo, ficara ao contrario, no meio do caminlno, taivez ate no desvio. 

Esses preparatives para a consecugao de uma determinada finaiidade constituem uma 
verdadeira arte e exigem o em prego de todas as energias disponiveis para que se possa, passo a 
.passo, clnegar ao fim. A primeira condigao que se torna necessaria para o povo veneer as 
diferentes etapas e que a diregae eonsiga eonveneer a massa do povo que a proxima etapa a ser 
aicangada e a uitima e que, de sua conquista, tudo depende. O povo nunca ve em toda sua 
extensao, o caminlno a percorrer, sem cansar-se e Inesitar na sua tarefa. Ate certo ponto eie vera a 
meta a ser atingida, mas so podera abranger com a vista pequenas etapas, tai quai o viandante 
que sabe quai e o fim da sua Jornada mas vence meilnor o caminlno sem fim, se dividi-io em treclnos 
e procurar vence-ios, como se cada um fosse o fim da Jornada. So assim, eie caminlna sempre para 
a frente, sem desanimo. 

Assim se deveria, peio emprego de todos os meios de propaganda, ter convencido a nagao de 
que combate contra a sifiiis era o probiema maximo do povo e nao um dos seus probiemas. Para 
aicangar esse fim, dever-se-ia eonveneer o povo de que todos os seus maies resuitaram dessa 
Inorrfvei infeiicidade e, peio emprego de todos os meios possiveis, marteiar essa ideia na cabega 
de todos, ate que toda a nagao clnegasse a compreender que da soiugao desse probiema tudo 
depende, o future da Patria ou a sua ruina. 

So depois de uma tai preparagao, mesmo que durasse anos, poder-se-ia despertar a atengao 
do povo inteiro e impeii-io a decisoes firmes. So assim se poderia tomar medidas que exigiriam 
grandes sacrificios, sem correr o perigo de nao ser compreendido e ser abandonado peia boa 
vontade da nagao. 

Para combater uma peste seriamente sao necessaries inaudites sacriffcies e esferges. A 
campanlna contra a sifiiis exige uma campanha identica contra a prostituigao, contra preconceitos, 
contra veilnos Inabitos, contra ideias ainda em voga, pontes de vista e, per fim, centra e puder 
artificial de certos meios seciais. 

A primeira Inipotese, alias per motives morals, para combater a sifiiis censiste em facilitar os 
casamentes dos jovens, nas futuras geragoes. Nes casamentes tardies esta uma das causas da 
conservagae de um estade de ceisas que, per mais que se queira forcer, e e sera sempre uma 
vergenha para a humanidade, e que deve ser viste come uma maldigae para criaturas que, 
medestamente, se julgam feitas a imagem de Criader. 

A prostituigao e uma vergenha para a humanidade, que nao pode, perem, ser removida com 
prelegoes morals, piedosos sentimentos, etc. A sua diminuigao e a sua extingao completa 
pressupoem a remogao de um numero infinito de condigoes preliminares. A primeira condigao, 
porem, e a criagao de um ambiente de faciiidades ao casamento dos jovens, o que alias 
corresponde a uma exigencia da natureza. Referimo-nos sobretudo aos homens, pois nesses 
assuntos a mulher e sempre passiva. 

Como OS homens de hoje, em parte se acham desviados, pode-se ver no fato de, 
frequentemente, as maes, na chamada "melhor" sociedade, darem gragas a Deus encontrarem no 
filho um homem que ja se iniciou". Como essa e a hipotese mais frequente, as pobres raparigas 
encontrarao um Siegfried "iniciado" e as criangas sofrerao os efeitos desses "ajuizados 
casamentos". 

Se refletirmos que uma grande diminuigao da procriagao e conseqiJencia desse estado de 
coisas e que disso esta dependente a selegao natural que so pode ter como resultado criaturas 



infelizes, entao e licito que nos fagamos esta pergunta: Por que manter uma tal instituigao? Que 
objetivo preenche ela? Nao e ela, porventura, igual a propria prostituigao? O dever para com a 
posteridade nao existe mais? Nao se compreende que praga se reserva a futuras geragoes atraves 
de uma tao criminosa e leviana aplicagao de um direito natural que e tambem o maior dever para 
com a Natureza? 

Assim se degeneram os grandes povos e gradualmente sao arrastados a rufna. 

O casamento nao deve ser uma finalidade em si, mas ao contrario, deve servir a multiplicagao e 
conservagao da especie e da raga, Esse e o seu significado, essa e a sua finalidade. 

Assim sendo, a sua razao de ser deve ser medida pela maneira por que e alcangado esse 
objetivo. Os casamentos entre jovens se justificam ao primeiro exame, porque podem dar produtos 
mais sadios e mais resistentes. Para facilitar essas unices tornam-se imprescindiveis varias 
condigoes socials, sem as quais impossivel e contar com casamentos entre jovens. A solugao 
desse problema, aparentemente tao facil, nao se encontrara sem medidas decisivas sob o ponto 
de vista social. 

A importancia desse problema ressalta do fato de vivermos em um tempo em que a chamada 
Republica "Social", demonstrando a sua incapacidade para resolver o problema das habitagoes, 
tornou impossfveis inumeros casamentos e incrementou, por esse meio, a prostituigao. 

A irracionalidade da nossa maneira de dividir os salaries, sem nenhuma atengao ao problema 
da familia e seu sustento, deve-se o fato de muitos casamentos nao se realizarem. 

So se pode tentar uma verdadeira guerra contra a prostituigao se, por uma modificagao radical 
nas atuais condigoes socials, se facilitarem as unices entre jovens, mais do que acontece 
atualmente. Essa e a primeira condigao para que o problema da prostituigao possa ser resolvido. 

Em segundo lugar, a educagao e a instrugao terao que eliminar uma porgao de erros com os 
quais ate hoje ninguem se preocupou. Antes de tudo e precise por no mesmo piano a educagao 
intelectual propriamente dita e a educagao fisica! O que hoje se conhece pelo nome de Ginasio e 
um arremedo do modelo grego. Com os nossos processes educacionais, tem-se a impressao de 
que todos se esqueceram de que um espirito sadio so pode existir em um corpo sao. Essa verdade 
e tanto mais ponderavel quando se aplica a grande massa do povo, pondo-se de parte excegoes 
individuals. 

Tempo houve, na Alemanha de antes da Guerra, em que ninguem se preocupava com essa 
verdade. Pecava-se abertamente contra a saude do corpo e pensava-se que, na formagao 
intelectual, estava uma garantia da prosperidade da nagao. Esse erro comegou a fazer sentir as 
suas consequencias mais depressa do que se esperava. 

Nao foi por obra do acaso que a onda bolchevista encontrou meio mais favoravel justamente 
entre as populagoes que mais haviam sofrido fome ou alimentagao insuficiente, isto e, a Alemanha 
central, a Saxonia e o Ruhr. Nessas regioes quase nao se nota a resistencia, da parte dos 
chamados "intelectuais", contra essa epidemia judaica, e isso menos em conseqiJencia da miseria 
do que em consequencia da educagao. A maneira unilateral de encarar a educagao nas camadas 
elevadas da sociedade, justamente nesta epoca em que e o punho que decide e nao o espirito, 
torna-as incapazes de manterem as suas posigoes e ainda menos de vencerem. .Na fraqueza 
ffsica esta a razao principal da covardia dos individuos. 

O valor excessive dado a cultura intelectual pura e a negligencia em relagao a formagao fisica 
dao origem, antes de tempo, as solicitagoes sexuais. O jovem que se fortalece nos desportos e nos 
exercicios de ginastica esta menos sujeito a capitular ante a satisfagao dos seus instintos do que 
aquele que vive, sedentariamente, no gabinete de estudo. 

Uma educagao racional tera que tomar em consideragao esse aspecto do problema. Essa 
educagao nao deve perder de vista que se deve esperar da mulher um rebento mais sadio do que 
OS que atualmente ja nascem contaminados. 

O conjunto da educagao deveria ser organizado de maneira que todo o tempo disponivel da 
mocidade fosse empregado na sua cultura fisica. Nos tempos que correm, a mocidade nao tem o 
direito de errar pelas ruas e cinemas, fazendo disturbios, cumpre-Ihe, depois da faina diaria, 
exercitar-se fisicamente para, quando entrar na vida, apresentar a resistencia necessaria. Prepara- 
la para isso deve ser o objetivo da educagao e nao simples aquisigao da chamada cultura 
intelectual. Devemo-nos livrar da nogao de que a cultura fisica compete ao proprio individuo. 
Ninguem tem liberdade de errar a custa da posteridade, isto e, da raga. 

A luta contra o envenenamento da alma deve-se desenvolver ao lado da cultura ffsica. Hoje 



toda a nossa vida em publico e uma especie de estufa para o cultivo de ideias e atragoes sexuais. 
Olhem-se os programas de cinemas, das casas de diversoes, dos teatros de variedades e ver-se-a 
que aquelas ideias parecem ser vistas como o alimento apropriado, especialmente para a 
educagao da mocidade. Casas e quiosques de propaganda coligam-se para atrair a atengao 
publica pelos mais baixos expedientes. Quem quer que nao tenha perdido a capacidade de 
penetrar na. alma dos jovens, logo compreendera que essa educagao so pode resultar em graves 
prejuizos para a mocidade. 

Esse ambiente e causa de imagens e excitagoes sexuais em um momento em que os jovens 
nao tem nenhuma ideia de tais coisas. O resultado desse processo de educagao nao pode ser 
visto de maneira satisfatoria na mocidade de hoje. Os jovens amadurecem depressa demais e 
envelhecem antes do tempo. Nas saias das nossas cortes de justiga aparecem freqiJentemente 
casos que permitem fazer-se uma ideia do horrivel estalo de espirito dos nossos jovens de 
quatorze e quinze anos. Quem se podera admirar de que, ja nessa idade, a sifilis faga as suas 
vitimas? Nao e uma lastima verem-se tantos jovens, fisicamente fracos e espiritualmente 
corrompidos, ingressarem na vida de casados, depois de um estagio na prostituigao das grandes 
cidades? 

Quem quiser combater a prostituigao, deve, em primeiro lugar, auxiliar a combater as razoes 
espirituais em que ela se funda. 

Deve, primeiro, livrar-se do lixo da intelectualidade das grandes cidades e isso sem vacilagoes 
ante a gritaria que, naturalmente, se verificara. 

Se nao livrarmos a mocidade do charco que atualmente a ameaga, ela nele afundara. Quem 
nao quiser se aperceber dessa situagao, estara concorrendo para apoia-la, transformando-se em 
co-autor da lenta prostituigao das futuras geragoes. 

Q teatro, a arte, a literatura, o cinema, a imprensa, os anuncios, as vitrines, devem ser 
empregados em limpar a nagao da podridao existente e p6r-se a servigo da moral e da cultura 
oficiais. 

E, em tudo isso, o objetivo unico deve ser a conservagao da saude do povo, tanto do ponto de 
vista fisico como do intelectual. A liberdade individual deve ceder o lugar a conservagao da raga. 

So depois de executadas essas medidas, pode-se ter solidas esperangas de exito na campanha 
profilatica contra a epidemia. Nessa luta tambem nao se deve recorrer a meias medidas mas, ao 
contrario, devem ser tomadas resolugoes serias e decisivas. 

E deploravel que se consinta que individuos que sofrem de molestias incuraveis continuem a 
contaminar as pessoas sadias. Isso corresponde a um sentimento de humanidade do qual decorre 
seguinte - para nao fazer mal a um arruinam-se centenas. Tornar impossivel que individuos 
doentes procriem outros mais doentes e uma exigencia que deve ser posta em pratica de uma 
maneira metodica, pois se trata da mais humana das medidas. Ela poupara a milhoes de infelizes 
desgragas que nao mereceram e tera como consequencia a elevagao do nivel da saude do povo. 
A firme resolugao de enveredar por esse caminho opora tambem um dique as molestias venereas. 
Nesse assunto, quando necessario, deve-se proceder, sem compaixoes, no sentido do isolamento 
dos doentes incuraveis. Essa medida e barbara para os infelizes portadores dessas molestias mas 
e a salvagao dos coevos e posteros. Q sofrimento imposto a um seculo livrara a humanidade de 
sofrimentos identicos por milhares de anos. 

A luta contra a sifilis e sua companheira inseparavel - a prostituigao - e uma das mais 
importantes missoes da humanidade,- sobretudo porque nao se trata, no caso, da solugao de um 
so problema mas da remogao de uma serie de males que dao causa a essa pestilencia. A doenga - 
ffsica, no caso em questao, e apenas a consequencia da doenga do instinto social, moral e racial. 

Se essa luta for dirigida por processos comodos e covardes, dentro de quinhentos anos os 
povos desaparecerao. Nao mais se podera ver no homem a imagem de Deus, sem grave ofensa a 
esse. 

Como se cuidou, na antiga Alemanha, de livrar o povo dessa calamidade? Por um exame 
sereno chegar-se-a a uma triste conclusao. Nos circulos governamentais conheciam-se muito bem 
todos OS males decorrentes dessa molestia, se bem que nao se refletisse sobre todas as suas 
consequencias. Na luta, porem, o fracasso foi completo porque, em vez de medidas radicals, 
tomaram-se medidas deploraveis. Doutrinava-se sobre a molestia e deixava-se que as suas 
causas continuassem a produzir os mesmos efeitos. Submetia-se a prostituta a um exame medico, 
inspecionava-se a mesma como se podia e, no caso de se constatar uma molestia, internava-se a 



doente em um lazareto qualquer, do qual saia depois de uma cura aparente para de novo 
infeccionar o resto da humanidade. 

E verdade que na lei havia um "paragrafo de defesa" pelo qual se proibia o trafego sexual a 
quem nao fosse inteiramente sadio ou nao estivesse curado. Em teoria essa medida e justa mas 
na sua aplicagao pratica o fracasso e completo. 

Em primeiro lugar, a mulher, quando atingida por essa infelicidade, em virtude dos nossos 
preconceitos e dos seus proprios, na maioria dos casos evitara servir de testemunha contra o que 
furtou a sua saude e comparecer perante os juizes, muitas vezes em condigoes dolorosas. 

De pouca utilidade e esse processo, mesmo porque, na maioria dos casos, ela e que sofrera 
mais, pois sera ainda mais desprezada por aqueles com quem convive, o que nao aconteceria com 
homem. 

Fez-se, porventura, a hipotese de ser o proprio marido portador da molestia? A mulher, nesse 
caso, deveria queixar-se? Que deveria ela fazer? 

Quanto ao homem deve-se acrescentar que infelizmente e muito comum que, justamente 
depois das libagoes alcoolicas, e que ele corre atras dessa peste, o que o coloca em situagao de 
nao poder julgar das qualidades de suas "belas"! As prostitutas doentes sabem muito bem disso, o 
que faz com que prefiram pescar os homens nesse estado. O resultado e que por mais que de 
trato a bola, ele nao conseguira lembrar-se da benfeitora que Ihe proporcionou a desagradavel 
surpresa da contaminagao. Isso nao e de admirar em uma cidade como Berlim ou mesmo 
Munique. A isso se acrescente o caso de um provinciano completamente desnorteado no meio da 
vida alegre das grandes cidades. 

Alem disso, quem sabe exatamente se esta doente ou nao? Nao se verificam inumeros casos 
em que uma pessoa aparentemente curada, recai e causa desgragas horriveis, na perfeita 
ignorancia da realidade? 

Assim, a eficiencia pratica dessa defesa, atraves da punigao legal de um contagio culposo, e 
absolutamente nula. 

O mesmo acontece com a inspegao medica das prostitutas. A propria cura e hoje uma coisa 
incerta, duvidosa. So uma coisa e certa - apesar de todas as medidas, a calamidade torna-se cada 
vez mais devastadora, o que confirma, da maneira mais impressionante, a insuficiencia das 
providencias adotadas. 

Tudo que se fez foi, ao mesmo tempo, insuficiente e irrisorio. A corrupgao do povo nao foi 
evitada. Alias nada se tentou de serio nesse sentido. 

Quem estiver propenso a encarar levianamente esse problema, deve estudar os dados 
estatisticos sobre o progresso dessa peste, refletir sobre o seu futuro desenvolvimento. Se, depois 
disso, nao se sentir revoltado pode dar a si, com toda justiga, o qualificativo de asno. 

A fraqueza e a indecisao com que, ja na antiga Alemanha, se encarava essa grave questao, 
devem ser vistas como sintoma da decadencia de um povo. 

Quando ja nao ha forga para o combate pela saude de um povo, esse povo nao tem mais direito 
a vida em um mundo de lutas como o nosso. Q mundo pertence aos fortes, aos decididos, e nao 
aos tfmidos. 

Um dos mais visfveis sintomas da decadencia do antigo Imperio era, incontestavelmente, a 
lenta diminuigao da cultura geral. Sob essa denominagao nao se deve incluir o que hoje se chama 
"civilizagao". Ao contrario, a civilizagao atual parece significar uma inimiga da verdadeira nogao do 
que seja a elevagao moral do espirito de um povo. 

Ja por ocasiao da entrada deste seculo, comegou a infiltrar-se, em nossa arte um elemento que 
Ihe era absolutamente estranho e desconhecidos Incontestavel e que, tambem em outros tempos, 
sempre se notaram desvirtuamentos do bom gosto. Em tais casos, tratava-se, porem, de deslizes 
artisticos, aos quais a posteridade poderia dar um certo valor historico, como prova nao ja de uma 
depravagao artistica mas de um desvio intelectual que chegara ate a falta de espirito. Nisso ja se 
podiam vislumbrar sintomas da ruina futura. 

O bolchevismo da arte e a unica forma cultural possivel da exteriorizagao do marxismo. 

Quando essa coisa estranha aparece, a arte dos Estados bolcheviquizados so pode contar com 
produtos doentios de loucos ou degenerados, que desde o seculo passado, conhecemos sob a 
forma de dadaismo e cubismo, como a arte oficialmente reconhecida e admirada. No curto periodo 
dos "Conselhos" da Republica bavara, essa especie de arte ja havia aparecido. Ja por ai se 
poderia constatar como os placards oficiais, os anuncios dos jornais, etc. traziam em si o sinete 



nao so da ruina politica como da decadencia cultural. Assim como nao se podia, ha dezesseis 
anos, pensar em um colapso da politica do imperio em face da grandeza que haviamos atingido, 
muito menos se poderia pensar em uma decadencia cultural pelas demonstragoes futuristicas e 
cubisticas que comegaram a aparecer desde 1900. Ha dezesseis anos uma exposigao de 
produgoes ."dadaisticas" teria parecido impossivel e os expositores teriam sido levados ao 
hospicio, ao passo que hoje sao guindados a presidencia das associagoes artisticas. 

Essa epidemia nao poderia ter vencido outrora, nao so porque a opiniao publica nao a toleraria 
como porque o Governo nao a veria com indiferenga. E um dever dos dirigentes proibir que o povo 
caia sob a influencia de tais loucuras. Um tao deploravel estado de coisas deveria um dia receber 
um goipe fatal, decisivo. Justamente no dia em que essa especie de arte correspondesse ao gosto 
geral, ter-se-ia iniciado uma das mais graves metamorfoses da humanidade. A retrogradagao do 
espirito humano teria comegado e mal se poderia prever o fim de tudo isso. 

Logo que se verificou, nessa diregao, a evolugao de uma vida cultural, que se vem realizando, 
ha uns vinte e cinco anos, dever-se-ia ver com espanto como ja estavamos adiantados nesse 
processo de involugao. Sob todos os aspectos, estamos em uma situagao em que viceja o germe 
que, mais cedo ou mais tarde, ha de arruinar a nossa cultura. Nesses sintomas devemos ver 
tambem os sinais evidentes de uma lenta decadencia do mundo. Infelizes os povos que ja nao 
podem dominar essa epidemia! 

Essa calamidade poderia ser facilmente constatada em quase todas as manifestagoes 
artisticas' e intelectuais da Alemanha. Tudo fazia crer ter a mesma atingido o auge para provocar a 
precipitagao no abismo. 

O teatro decafa cada vez mais e poderia ser considerado como um fator desprezfvel na cultura 
do povo se teatro da corte nao resistisse contra a prostituigao da arte. Pondo de parte essa e 
outras gloriosas excegoes, as representagoes teatrais, por conveniencia da nagao, deveriam ser 
proibidas. Era um triste indicio da ruina do povo que nao se pudesse mais mandar a mocidade a 
essas chamadas "casas de arte", onde se representavam coisas despudoradas com o aviso previo 

improprio para menores. 

E pensar-se que essas medidas de precaugao eram julgadas necessarias justamente nos 
lugares que deveriam ser os primeiros a fornecer o material para a formagao da juventude e - nao 
para o divertimento dos velhos biases! Que diriam os grandes dramaturgos de todos os tempos ao 
saberem dessas precaugoes e sobretudo das causas que a tornavam necessarias? Imagine-se a 
indignagao de Schiller! Goethe! ficariam furiosos ante esse espetaculo! 

Mas, na realidade, que sao Goethe, Schiller ou Shakespeare em comparagao com os herois da 
nova poesia alema? Gastas e obsoletas coisas de um passado que nao podia mais sobreviver! A 
caracterfstica desses literatos e que eles nao so produzem somente sujeira mas, pior do que isso, 
langam lama sobre tudo o que e realmente grande - no passado. 

Esse sintoma se verifica sempre nesses tempos de decadencia. Quanto mais baixas e 
desprezfveis forem as produgoes intelectuais de um determinado tempo e os seus autores, tanto 
mais odeiam esses os representantes de uma grandeza passada. Em tais tempos, procura-se 
apagar a lembranga do passado da humanidade para, em face da impossibilidade de qualquer 
paralelo, esses literatos de fancaria poderem mais facilmente impingir as suas produgoes como 
"obras de arte. Por isso, toda instituigao nova, quanto mais miseravel e desprezfvel ela for, tanto 
mais se esforgara por langar uma esponja sobre o passado, ao passo que toda renovagao de 
verdadeira significagao para a humanidade, sem preocupagoes subalternas, procura fazer ligagao 
com as conquistas das geragoes passadas e mesmo p6-las em relevo. Essas renovagoes bem 
intencionadas nada tem a temer em um confronto com o passado, mas, ao contrario, retiram uma 
tao valiosa contribuigao do tesouro geral da cultura humana que, muitas vezes, para sua completa 
apreciagao, se desvelam os seus promotores em ressaltar os esforgos dos que vieram antes, a fim 
de conseguirem para as suas iniciativas uma compreensao mais exata por parte dos 
contemporaneos. Quem nada tem de valioso a oferecer ao mundo, mas, ao contrario, se esforga 
por que este Ihe oferega coisas que so Deus sabe, odiara tudo o que ja se fez no passado e sera 
sempre propenso a tudo negar, a tudo destruir. 

Isso se verifica nao somente nas novas produgoes da cultura geral como na politica. Os novos 
movimentos revolucionarios odiarao os antigos modelos quanto menor for a sua propria 
significagao. Nesse terreno, constata-se, da mesma maneira que na vida intelectual e artistica, a 
preocupagao de dar vulto as obras de fancaria, o que conduz a um odio cego contra tudo quanto 



de bom se fez no passado. 

Enquanto, por exempio, a lembranga historica da vida de Frederico o Grande nao tiver 
desaparecido, Frederico Ebert so podera provocar uma admiragao muito relativa. O grande homem 
de Sans Souci aparece junto ao antigo taberneiro de Bremen como o sol perante a lua; somente 
quando os raios do sol desaparecem e que a lua pode brilhar E, por isso, tambem muito natural o 
odio dessas novas "luas" da humanidade contra as estrelas fixas. 

Na vida polftica, essas nulidades, quando o acaso as leva as posigoes de mando, costumam, 
com maior furia, nao so enlamear o passado como evitar, por todos os meios, a critica geral as 
suas pessoas. Um exempio disso pode-se encontrar na lei de defesa do governo da nova republica 
alema. 

Se qualquer nova ideia, nova doutrina, nova concepgao do mundo ou qualquer movimento 
politico ou economico tenta negar o conjunto do passado, ou considera-lo sem valor, a novidade, 
so por esse motivo, deve ser vista' com cautela e desconfianga- Na maior parte dos casos, a razao 
para esse odio ao passado e a mediocridade ou a - ma intengao. Um movimento renovador 
verdadeiramente salutar tera sempre que construir sobre bases que Ihe fornega o passado, nao 
precisando envergonhar-se de recorrer as verdades ja existentes. O conjunto da cultura geral 
como a do proprio Indivfduo, nao e mais do que o resultado de uma longa evolugao em que cada 
geragao concorre com a sua pedra e adapta-a a construgao ja iniciada. A finalidade e a razao de 
ser das revolugoes nao consistem em demolir o edificio inteiro, mas afastar as causas da. sua 
ruina, reconstruindo a parte ameagada de demoligao. 

Somente assim se pode falar em progresso da humanidade. Sem isso, o mundo nunca sairia do 
caos, pois cada geragao, tendo o direito de negar o passado, estabeleceria como condigao para a 
sua propria tarefa a destruigao do que houvesse sido feito pela geragao anterior. O aspecto mais 
lamentavel da nossa cultura geral, antes da Guerra, nao era somente a absoluta impotencia da 
forga criadora artistica e intelectual, mas tambem o odio com que se procurava enlamear a 
lembranga das grandezas passadas ou nega-las absolutamente. 

Quase em todos os dominios da arte, sobretudo no teatro e na literatura, desde o fim do seculo, 
OS autores se preocupavam menos em produzir alguma coisa de valor real do que em denegrir o 
que havia de melhor no passado, apontando essas obras-primas como mediocres e passadistas, 
como se, nos tempos atuais, que se caracterizam pela mais vergonhosa- mediocridade, pudesse 
alguem langar essa pecha sobre as grandes produgoes do passado. 

As mas intengoes desses apostolos do futuro tornam-se evidentes justamente pelo esforgo que 
desenvolvem para ocultar o passado aos olhos do presente. Nisso se deveria ter visto desde logo 
que nao se tratava, no caso, de uma nova, embora falsa, concepgao cultural, mas de uma 
destruigao sistematica dos fundamentos da cultura que tornasse possiveis a demoligao dos sadios 
sentimentos artisticos e a conseqiJente preparagao intelectual para o bolchevismo politico. Assim 
como seculo de Pericles apareceu corporizado no Panteon, o bolchevismo atual e representado 
por uma caricatura cubista. 

Pelo mesmo criterio deve ser examinada a evidente covardia de nosso povo que, por forga da 
sua educagao e de sua propria posigao, estava no dever de dar combate a essa vergonhosa 
orientagao intelectual. 

Por mero temor da gritaria dos apostolos da arte bolchevista que atacavam a todos que nao os 
consideravam como criadores, renunciava-se as mais serias resistencias e todos se conformavam 
com que Ihes parecia Inevitavel. Tinha-se horror a resistir a esses incultos mentirosos e 
impostores, como se fosse uma vergonha nao compreender as produgoes desses degenerados ou 
descarados embusteiros. 

Esses jovens "intelectuais" possufam um meio muito simples de imprimir as suas produgoes o 
cunho da mais alta importancia. Eles apresentavam aos contemporaneos maravilhados todas as 
loucuras visiveis e as incompreensiveis como se constituissem a vida intima destes, retirando 
assim, de inicio, a maior parte dos individuos, qualquer possibilidade de replica. Que essas 
loucuras representem de fato a vida interna nao e de duvidar. Nao se conclui dai, porem, que se 
deve por diante dos olhos de uma sociedade sadia as alucinagoes de doentes do espirito ou de 
criminosos. As obras de um Moritz von Schwind ou as de um Bocklin eram a descrigao real da 
vida, mas da vida de artistas da maior elevagao moral e nao da existencia de bufoes. Nesse estado 
de coisas podia-se muito bem compreender a miseravel covardia dos nossos chamados 
intelectuais que se encolhiam a cada resistencia seria contra esse envenenamento intelectual e 



moral do nosso povo, que assim ficava entregue a si mesmo na luta contra esses impudentes 
erros. Para nao revelar ignorancia era materia de arte comprava-se alho por bugalho ate que, com 
tempo, tornava- dificil distinguir as produgoes de valor real das obras de fancaria. 

Tudo isso constituia um sintoma alarmante para o futuro. 

Como sinal alarmante deve ser considerado tambem o fato de, ja no seculo XIX, as nossas 
grandes cidades terem comegado a perder cada vez mais o aspecto de cidades culturais para 
baixarem a situagao de meras aglomeragoes humanas. A falta de apego dos proletarios dos 
grandes centros ao lugar em que moram resulta do fato de ser vista a residencia de cada um 
apenas como um domicilio provisorio. Isso em parte e devido a situagao social, que provoca tao 
constantes mudangas de domicilio, que os homens nao tem tempo de se apegar a sua cidade. Mas 
as causas principals devem ser procuradas na pobreza da nossa cultura geral e na miseria atual 
dos grandes centros. 

No tempo da guerra da independencia as cidades alemas eram nao so em menor numero mas 
mais modestas. As poucas grandes cidades existentes eram, na sua maior parte, a sede dos 
governos e, como tais, possuiam quase sempre um certo valor cultural e artistico. Os poucos 
lugares de mais de cinqiJenta mil habitantes eram, em comparagao com as cidades atuais do 
mesmo vulto, ricas em tesouros cientificos e artisticos. Quando Munique contava setenta mil 
habitantes, ja se preparava para tornar-se um dos primeiros centros artisticos da Alemanha. Hoje 
qualquer centro fabril ja alcangou aquele numero de habitantes e ate mesmo ultrapassou de muito 
sem que, em muitos casos, possa apresentar qualquer valor proprio. Nao passam esses lugares de 
mero aglomerado de casas de residencias e de aluguel e nada mais. Que desse estado de coisas 
pudesse resultar um apego a tais lugares e quase impossivel. Ninguem se apegara a uma cidade 
que nada mais oferece aos seus habitantes do que quaisquer outras, que deixa de satisfazer as 
exigencias individuals e, na qual, criminosamente, se Ihes nega tudo que tenha a aparencia de 
obras de arte ou produtos culturais. 

Nao e so. Nas cidades verdadeiramente grandes, a proporgao que a populagao aumentava, 
crescia tambem a pobreza artistica. Elas ofereciam, em maiores proporgoes, o mesmo quadro dos 
centros fabris. O que os tempos atuais acrescentaram a cultura das nossas grandes cidades e de 
todo insuficiente. Todas as nossas grandes cidades vivem das glorias e dos tesouros do passado. 
Subtraia-se da atual Munique tudo o que foi criado por Luis I e constatar-se-a com espanto como e 
mesquinho o progresso de entao para ca em criagoes artisticas de valor real. A mesma observagao 
se podera aplicar a Berlim e a maioria dos outros grandes centros. 

O mais importante e o seguinte: 

Nenhuma das nossas grandes cidades possui monumentos importantes que, de qualquer 
modo, valham como sinais caracteristicos da epoca! As cidades antigas, quase todas, possuiam 
monumentos de que se orgulhavam. A caracteristica dominante das cidades antigas nao esta em 
construgoes particulares mas em monumentos publicos que nao sao destinados para o momento 
mas para a eternidade, pois neles nao se refletem as riquezas de um particular mas a grandeza da 
coletividade. Assim se originavam os monumentos publicos, cujo objetivo era fazer com que os 
habitantes se apegassem a cidade, os quais, hoje, parecem a nos quase incompreensiveis. O que 
se tinha em mente, naqueles tempos, era menos insignificantes casas particulares do que 
pomposos monumentos para a coletividade. 

Ao lado desses monumentos, a casa de habitagao tem uma importancia muito secundaria, so 
comparando as grandes proporgoes das antigas construgoes do Estado com as construgoes 
particulares do mesmo tempo poderemos compreender o elevado alcance do principio que 
consistia em dar preferencia as obras de carater coletivo. As obras colossais que hoje admiramos 
nas ruinas do mundo antigo nao sao palacios comerciais, mas templos e edificios publicos, obras 
que aproveitam a toda a coletividade. Mesmo em pleno fausto da Roma dos ultimos tempos, 
ocupavam o primeiro lugar, nao as vilas e palacios dos burgueses, mas os templos e as termas, os 
estadios, os circos, os aquedutos, as basilicas, etc.. todas construgoes do Estado e, por 
conseguinte, de todo o povo. Essa observagao tambem se aplica a Alemanha da Idade Media, 
embora sob outro aspecto artistico. O que para a antiguidade representava a Acropole ou o 
Panteon, representava, para a Idade Media, apenas a igreja gotica. Essas obras monumentais 
elevam-se como gigantes ao lado das mesquinhas construgoes de madeira ou de tijolo das 
cidades da Idade Media e constituem ainda hoje o sinal caracteristico de uma epoca, pois cada vez 
mais estao em voga as casas de aluguel. Catedrais, pagos municipals, mercados etc. sao os sinais 



visiveis de uma concepgao que em nada corresponde a antiga. 

Quao mesquinhas sao hoje as proporgoes entre as construgoes do Estado e as particulares! Se 
Berlim viesse a ter as artes de Roma, a posteridade so poderia admirar, como obras mais 
importantes do nosso tempo e como expressao da nossa cultura, os armazens de alguns judeus e 
OS hotels de algumas sociedades. 

Compare-se a desproporgao, mesmo em uma cidade como Berlim, entre as construgoes dos 
Governos e as do mundo das finangas e do comercio. A quota destinada as construgoes do Estado 
e insuficiente e irrisoria. Nao e possivel construir obras para a eternidade e sim para as 
necessidades do momento. Nenhum elevado pensamento podera inspira-las. O castelo de Berlim 
foi, para o seu tempo, uma obra de maior significagao do que a nova Biblioteca, em relagao ao 
presente. Enquanto so a construgao de um navio de guerra representa a soma de sessenta 
millnoes, para o edificio do Reiclnstag, o primeiro monumento grandioso do Governo. foi concedida 
apenas a metade daquela importancia. Quando se cogitou da ornamentagao interna do edificio, 
todos OS membros do Reiclnstag votaram contra o emprego de pedra e ordenaram que as paredes 
fossem revestidas de gesso. Dessa vez, os parlamentares, por excegao, agiram direito, pois 
cabegas de gesso correm perigo entre paredes de pedra. 

As nossas cidades atuais faltam monumentos que sejam a expressao da vida coletiva. Nao e, 
por isso, de admirar que essa tambem nao exista. A falta de interesses dos Inabitantes das grandes 
cidades pela sorte das mesmas da lugar a prejuizos que se refletem praticamente sobre a vida. 

Nesse fato vemos tambem um sinal da decadencia da nossa cultura e um prenuncio da ruina 
geral. o Estado afunda-se em mesquinhas preocupagoes ou melhor, p6e-se a servigo do dinheiro. 
Por isso, nao e de admirar que, sob a influencia de uma tal divindade, nao haja estimulo para os 
fatos de herofsmo. Nos dias que correm, colhemos apenas o que o proximo passado semeou. 

Todos esses sintomas de decadencia sao, em ultima analise, a conseqiJencia da falta de uma 
definida concepgao do mundo por todos reconhecida e dai tambem a inseguranga nos julgamentos 
e nas atitudes em relagao ao unico realmente grande problema do presente. 

Essa e a razao porque, a comegar do programa educacional, tudo se faz por meias medidas, 
todos receiam a responsabilidade eterminam portoleraros proprios males por todos reconhecidos. 
O sentimento de compaixao torna-se a moda. Enquanto se consente na germinagao dos males e 
se poupam os seus autores, sacrifica-se o futuro de milhoes. 

O estudo das condigoes religiosas antes da Guerra mostrara como tudo havia atingido um 
estado de desagregagao. Mesmo no dominio religioso, grande parte do povo havia perdido 
completamente qualquer convicgao verdadeiramente solida. Nisso os que eram, aberta e 
publicamente divergentes da Igreja representavam uma parte menor do que os que apenas eram 
indiferentes. Ambos os credos mantem missoes na Asia e na Africa, com o fim de atrair novos 
adeptos para as suas doutrinas (aspiragoes que apresentam resultados muito modestos em 
comparagao com os progressos feitos pela igreja maometana), enquanto, na Europa, estao 
continuamente perdendo milhoes e milhoes de genuinos adeptos que ou se tornam inteiramente 
estranhos a qualquer vida religiosa ou agem com liberdade. Sob o ponto de vista moral, as 
conseqiJencias sao nada boas. 

Ha sinais evidentes de uma luta que aumenta de violencia, dia a dia, contra os principios 
dogmaticos das diferentes igrejas, sem os quais, na pratica, a crenga religiosa e impossfvel neste 
mundo. As grandes massas da nagao nao consistem de filosofos. A fe para elas e a unica base 
para a sua vida moral. As tentativas para encontrar sucedaneos para as atuais religioes nao tem 
demonstrado tanta conveniencia e exito que provem a vantagem de uma substituigao das antigas 
confissoes religiosas. Quando a doutrina e a fe sao realmente adotadas pela massa do povo, a 
autoridade absoluta dessa fe e a unica garantia eficaz. O que o costume e, para a vida geral, assim 
e a lei para o Estado e o dogma para a religiao. 

So dogma pode destruir a incerta, eternamente vacilante e controvertida concepgao do mundo 
e dar-Ihe uma forma definida, sem a qual nunca se transformara em uma verdadeira fe. Na outra 
hipotese, dai nunca resultaria uma concepgao metafisica ou, em outras palavras, um credo 
filosofico, ataque contra o dogma e, em si mesmo, muito semelhante a luta contra os principios 
gerais do Estado. Assim como essa luta contra o Estado terminaria em completa anarquia, o 
ataque contra o dogma resultaria em um niilismo religioso. 

Para um politico o valor de uma religiao deve ser apreciado menos pelas faltas inerentes a 
mesma do que pelas vantagens que ela possa oferecer. Enquanto um sucedaneo nao aparecer, so 



loucos e criminosos poderao querer demolir o que existe. 

E bem verdade que, nessa situagao desagradavel da religiao, nao sao os menos culpados 
aqueles que prejudicam o sentimento religioso com a defesa de interesses puramente materials, 
provocando conflitos inteiramente desnecessarios com a chamada ciencia exata. Nesse terreno, a 
vitoria cabera sempre a ultima, mesmo que a luta seja aspera, e a religiao muito sera diminuida 
aos olhos dos que nao se podem elevar acima de uma ciencia aparente. 

O mais lastimavel, porem, e o prejuizo ocasionado pela utilizagao das convicgoes religiosas 
para fins politicos. Nao se pode nunca dizer o suficiente contra esses miseraveis exploradores que 
veem na religiao- um instrumento a servigo da sua politica ou melhor dos seus interesses 
comerciais. Esses descarados impostores gritam com voz de estertor para que os outros 
pecadores possam ouvir, em toda parte, a confissao de sua fe, pela qual jamais morrerao, mas 
com a qual procuram viver melhor. Para conseguirem um exito de importancia na sua carreira sao 
capazes de vender a sua fe; para arranjarem dez cadeiras no parlamento, ligam-se com os 
marxistas, inimigos de todas as religioes; para ganharem uma pasta de ministro vendem a alma ao 
diabo, a menos que este os repila por um resto de decoro. 

O fato de muita gente, na Alemanha de antes da Guerra, nao gostar da religiao, deve-se atribuir 
a deturpagao do cristianismo pelo chamado Partido Cristao e pela despudorada tentativa de 
confundir a fe catolica com um partido politico. 

Essa aberragao ofereceu oportunidade a conquista de algumas cadeiras do Parlamento a 
representantes incapazes, mas prejudicou seriamente a Igreja. Infelizmente a nagao inteira e que 
teve de suportar as consequencias desse desvio, pois as consequencias dai decorrentes sobre o 
relaxamento do sentimento religioso coincidiram justamente com um periodo em que tudo 
comegava a enfraquecer-se e oscilar nos seus fundamentos e ate os tradicionais principios da 
moral e dos costumes ameagavam entrar em colapso. 

Essas lesoes no corpo da nagao poderiam continuar sem perigo, enquanto a propria nagao nao 
fosse submetida a uma rude prova de resistencia, mas levariam o povo a rufna desde que grandes 
acontecimentos tornassem de decisiva importancia o problema da solidariedade interna. 

Tambem no dominio da politica um observador cuidadoso poderia descobrir males que, a 
menos que nao se tomassem providencias imediatas para melhorar a situagao, deveriam ser vistos 
como sintomas da proxima decadencia da politica interna e externa do Imperio. 

A falta de objetivo da politica externa e interna da Alemanha era visivel a todos os que nao se 
fingissem de cegos. A politica de acordos pareceu a muitos corresponder a concepgao de 
Bismarck, uma vez que "a politica e a arte do possivel". 

Apenas, entre Bismarck e os chanceleres alemaes posteriores, havia uma "pequena" diferenga, 
Ao primeiro era possivel adotar uma tal concepgao da realidade politica ao passo que aos seus 
sucessores a mesma concepgao deveria ter outro sentido. Com essa politica ele queria demonstrar 
que para se atingir um determinado fim todos os meios deveriam ser utilizados e se deveria 
recorrer a todas as possibilidades. Seus sucessores, porem, viram nesse piano um produto da 
necessidade que deveria ser visto com entusiasmo, por possuir uma finalidade polftica. A verdade 
e que nos tempos de hoje ja nao ha finalidade politica na diregao do Reich. Falta-Ihe a base 
necessaria de uma concepgao definida do mundo, assim como a necessaria compreensao das leis 
que regem a evolugao do organismo politico. 

Muitos observavam essa orientagao com ansiedade e censuravam acrescente essa falta de 
piano e de ideals na politica do Imperio. Muitos reconheciam as fraquezas internas e a 
insignificancia dessa politica. Todos esses, porem, estavam fora das hostes politicas. O mundo 
oficial ignorava as intuigoes de um Chamberlain, com a mesma indiferenga com o que o faz hoje. 
Essa gente e demasiado estupida para pensar por si mesma e demasiado orgulhosa para 
aprender dos outros o que e necessario. Essa e uma verdade de todos os tempos e que deu lugar 
a afirmagao de Oxenstierna - o mundo sera dirigido apenas por um "fragmento de sabedoria", 
fragmento em que um conselho ministerial e apenas um atomo insignificante." 

Desde que a Alemanha se tornou republica, isso ja nao acontece absolutamente, pois e 
proibido pelas leis acreditar nisso ou mesmo proclama-lo! Para Oxenstierna foi uma felicidade ter 
vivido outrora e nao na inteligente republica de hoje. 

Ja antes da Guerra, muitos consideravam como uma das maiores fraquezas do momento - o 
Reichstag, em que a forga do Imperio se deveria corporificar. A covardia e a falta de 
responsabilidade ja ali se irmanavam da maneira mais acabada. 



Um das observagoes mais despidas de senso que costumamos ouvir hoje e que o "sistema 
parlamentar tem sido um fracasso desde a Revolugao". Isso da lugar a que se pense que, antes da 
Revolugao, as coisas se passavam de modo diferente, Na realidade, o unico efeito dessa 
instituigao e, nao pode deixar de ser, simplesmente destruidor e isso assim era ja nos tempos em 
que a maior parte do povo usava antolhos, nao via nada ou nada queria ver. Para a ruina da 
Alemanlna essa instituigao nao contribuiu pouco. O motivo por que a catastrofe nao se realizou 
mais cedo nao se deve por a conta do Reichstag mas sim da resistencia que, nos tempos de paz, 
se opunha a atitude desses coveiros da nagao e do Governo. 

Ao numero infinito de males, direta ou indiretamente devidos ao parlamentarismo, escolho ao 
acaso uma calamidade que melhor define a essencia da mais irresponsavel das' organizagoes de 
todos OS tempos. Refiro-me a monstruosa leviandade e fraqueza da diregao politica interna e 
externa do Reicln, que, antes de tudo, devem ser atribufdas a atuagao do Reiclnstag, e que foram a 
causa principal da ruina politica. De qualquer maneira que se observem os fatos, ressalta, em toda 
a sua clareza, que tudo o que caia sob a influencia do parlamento era feito por meias medidas. 

A politica de aliangas do Imperio foi uma dessas meias medidas que se caracterizam por sua 
fraqueza. Enquanto se procurava manter a paz, estava-se, de fato, apressando a guerra. 

Da mesma maneira deve ser julgada a polftica para com a Polonia, os dirigentes alemaes 
irritavam os poloneses sem nunca atacar o problema severamente. O resultado nao foi nem uma 
vitoria para os alemaes nem uma reconciliagao com os poloneses, mas a conquista da inimizade 
dos russos. 

A solugao do caso da Alsacia Lorena foi tambem uma meia medida. Em vez de, por um goipe 
brutal, abater, de uma vez por todas a hidra francesa, permitindo a concessao de direitos iguais 
aos alsacianos, nao se fez nem uma nem outra. Os maiores atraigoadores do seu pais estavam 
nas fileiras dos grandes partidos, entre eles, o sr. Wetterle do Partido do Centro. Tudo isso ainda 
seria toleravel se essas meias medidas nao tivessem tido forga de sacrificar o exercito, de cuja 
existencia dependia em ultima instancia, a conservagao do Imperio. 

Para que o chamado "Reichstag" alemao merega para sempre as maldigoes da nagao basta o 
fato de ter colaborado nesse crime. Por motivos os mais deploraveis, esses trapos de partido do 
parlamento retiraram das maos da nagao a arma da conservagao nacional, a unica defesa da 
liberdade e da independencia do nosso povo. 

Abram-se hoje os tumulos das planicies da Flandria e deles se elevarao os acusadores 
representados por centenas de milhares da nata da mocidade alema, que, pela inconsciencia 
desses politicos criminosos, foram insuficientemente preparados, impelidos a morte, no exercito. 
Esses e mais milhoes de mortos e de estropiados, a Patria perdeu para favorecer a algumas 
centenas de embusteiros, para impo-los a forga ou para tornar possivel a vitoria de certas teorias 
repetidas por verdadeiros realejos. 

Enquanto os judeus, por meio de sua imprensa democratica e marxista, irradiavam, para o 
mundo inteiro, mentiras sobre o "militarismo" alemao e procuravam fazer mal ao pafs por todos os 
meios possiveis, o partido democratico e o marxista se recusavam a aprovar qualquer providencia 
que concorresse a aumentar as forgas de resistencia da Alemanha. 

O inaudito crime que, com essa atitude, se perpetrou tornou claro a todos que apenas 
quisessem observar que, na hipotese de outra guerra, toda a nagao pegaria em armas e, por 
causa desses "representantes do povo", milhoes de alemaes, mal ou nada preparados seriam 
repelidos pelo inimigo. Essa falta de soldados preparados, no comego da guerra, facilmente 
acarretaria a sua perda, o que foi provado, de maneira insofismavel, durante a Grande Guerra. 

A perda da guerra pela liberdade e independencia da Alemanha foi conseqGencia da indecisao 
e fraqueza em coordenar todas as forgas da nagao para a sua defesa. 

Se, em terra, os recrutas nao recebiam a devida preparagao militar, no mar verificava-se a 
mesma politica de tornar as armas de defesa da nagao mais ou menos ineficientes. Infelizmente a 
propria diregao da Marinha deixou-se dominar pela politica das meias medidas. 

A tendencia de diminuir cada vez mais a tonelagem dos navios langados ao mar em 
comparagao com os dos ingleses foi de pouco alcance, em nada genial. Uma frota que, de inicio, 
nao era tao numerosa quanto a do seu provavel adversario, deveria justamente compensar a 
inferioridade do numero de unidades com o poder ofensivo das mesmas. Tratava-se de uma 
superior capacidade de destruigao e nao de uma lendaria superioridade de competencia. 

Na realidade, a tecnica moderna esta tao avangada e e tao analoga nos diferentes paises 



civilizados, que se deve ter como impossivel dar a navios de um certo poder um maior poder 
agressivo do que aos navios do mesmo numero de toneladas das outras nagoes; Muito menos se 
deve pensar em atingir uma maior capacidade 

Na realidade, essa pequena tonelagem das navios alemaes so poderia ter como consequencia 
a diminuigao da sua velocidade e da sua eficiencia. A frase- com que se procura justificar essa 
realidade ja mostrava uma falta de logica dos que, na paz, ocupavam as posigoes de diregao. 
Dizia-se que o material de guerra alemao era tao superior ao ingles que o canhao alemao de vinte 
e oito centimetros, nao ficava atras do ingles de 30,5 centimetros, em poder de alcance! 
Justamente por isso era dever do Governo ir alem do canhao 30,5 fabricando-se um que Ihe fosse 
superior, tanto em alcance como em poder ofensivo. Se assim nao fosse, nao teria sido 
necessaria, no exercito, a construgao do canhao "Morser" de 30,5 centimetros. Isso nao 
aconteceu, porem, porque a diregao do exercito pensava com acerto, enquanto a da Marinha 
defendia um ponto de vista errado. 

A renuncia a pianos de uma maior eficiencia da artilharia, assim como de uma maior velocidade, 
baseou-se na falsidade dos chamados pianos gigantescos. Essa renuncia comegou pela forma por 
que a diregao da Marinha atacou a construgao da frota que, desde o comego, por forga das 
circunstancias, se desviou para as preocupagoes de um piano de defensiva. Com isso se 
renunciou tambem a um exito, pois esse so pode estar no ataque. 

Um navio de pequena velocidade, e com um fraco poder ofensivo seria mais facilmente posto a 
pique por adversarios mais velozes e mais bem armados. Isso deve ter sido sentido, da maneira 
mais amarga, por um grande numero de nossos cruzadores. Como era falsa a orientagao da nossa 
Marinha nos tempos de paz, demonstrou, da maneira mais evidente, a Grande Guerra, que nos 
impeliu ao desmantelamento dos velhos navios e a mu melhor aparelhamento dos novos. Se, na 
bataiha de Skagerrak, os navios alemaes tivessem a mesma tonelagem, o mesmo poder ofensivo 
e a mesma velocidade dos ingleses, entao, a segura e eficiente atuagao das granadas do 38 teria 
afundado a frota britanica. 

O Japao, ja ha tempos, tinha impulsionado outra politica de construgoes navais. Nesse pais, - 
foi julgado da maxima importancia, em cada nova unidade, conseguir-se um poder ofensivo maior 
do que o do inimigo provavel. Isso satisfazia as necessidades de uma possivel posigao ofensiva da 
frota! 

Enquanto as forgas de terra da Alemanha, na sua diregao, ficavam ao abrigo daqueles 
princfpios falsos, a Marinha que, infelizmente, estava melhor representada no Parlamento, teve 
que ser vencida peta orientagao deste. As forgas do mar foram organizadas nesse regime de 
meias medidas. As glorias imortais que ela conquistou devem ser levadas a custa das qualidades 
guerreiras dos alemaes, a capacidade e ao incomparavel heroismo dos oficiais e das guarnigoes. 
Se a anterior diregao da Marinha se tivesse elevado ao nivel da capacidade desses oficiais e 
marinheiros, tantos sacrificios nao teriam sido inuteis. Talvez justamente a habilidade parlamentar 
dos lideres da Marinha, durante a paz, tenha sido uma desgraga para a propria Marinha, pois, em 
vez de pontos de vista militares, ameagavam influir pontos de vista parlamentares. O regime das 
meias medidas e da fraqueza, assim como a falta de logica, que caracterizam o parlamentarismo, 
mancharam a diregao da Marinha. 

As forgas de terra, como ja dissemos, salvaram-se dessa orientagao fundamentalmente falsa. 
Principalmente, o entao chefe do Estado-Maior, Ludendorf, encabegou uma campanha decisiva 
contra as criminosas fraquezas do parlamento no trato dos problemas vitals da nagao, que 
desconhecia na sua maior parte. 

Se a luta que esse oficial, naqueles tempos, encabegou, apesar de seus desesperados 
esforgos, foi inutil, a culpa deve-se em parte ao Parlamento e em maior parte talvez a miseravel 
conduta do chanceler Bethman Holiweg. 

Isso nao impede, porem, que os responsaveis pela rufna da Alemanha queiram hoje langar a 
culpa justamente sobre aquele que, sozinho se levantou contra essa maneira negligente de tratar 
OS interesses nacionais. Quem refletir sobre o numero de vitimas que ocasionou essa criminosa 
leviandade dos mais irresponsaveis da nagao, quem pensar nos mortos e nos mutilados, 
sacrificados sem necessidade, assim como na fraqueza, na vergonha e na miseria sem limites em 
que ainda agora nos encontramos e souber que tudo isso so aconteceu para que se abrisse o 
caminho do ministerio a uma multidao de ambiciosos e cagadores de empregos, quem 
compreender tudo isso compreendera tambem que essas criaturas so devem ser designados com 



qualificativos como patifes, infames, pulhas e criminosos. Ao contrario, o sentido dessas palavras e 
a sua finalidade tornar-se-iam incompreensiveis. Para esses traidores da nagao cada patife e um 
homem de honra. 

Todas as fraquezas da antiga Alemanha so feriam realmente a atengao depois que, em 
consequencia das mesmas, a estabilidade interna da nagao tinha recebido rudes golpes. Nesses 
casos, a desagradavel verdade era proclamada com berreiro nos ouvidos das massas, enquanto, 
por pudicicia, se fazia silencio sobre muitas coisas e negavam-se outras. Isso acontecia quando, 
no trato de um problema de ordem publica, se cogitava de uma reforma que pudesse melhorar o 
estado de coisas existentes. As que exerciam influencia nos postos de diregao da coisa publica 
nada entendiam do valor e da essencia da propaganda. So os judeus e que sabiam que, por meio 
de uma propaganda inteligente e constante, pode-se fazer crer que o ceu e Inferno e, 
inversamente, que a vida mais miseravel e um verdadeiro parafso. Os alemaes, sobretudo Os que 
estavam no poder, nao tinham nenhuma ideia da eficiencia dessa forga. Essa ignorancia deveria 
produzir os seus piores efeitos durante a guerra. 

Ao lado dessas falhas ja mencionadas e de inumeras outras na vida alema de antes da Guerra, 
notavam-se muitas vantagens. Em um exame consciencioso dever-se-ia mesmo reconhecer que 
muitas das nossas imperfeigoes eram vistas como suas proprias por outros paises, e que, em 
muitos casos, nos deixavam ate mesmo em piano secundario, e tambem que esses povos nao 
possuiam muitas das nossas vantagens. 

Entre outras provas de superioridade ocupa o primeiro piano o fato de que o alemao, entre os 
povos europeus, era o que mais se esforgava por manter o carater nacional da sua economia, e 
apesar de todos os maus sintomas, tinha, pelo menos, a coragem de resistir ao controle do capital 
internacional, infelizmente, essa perigosa superioridade haveria de mais tarde ser o maior motivo 
de instigagao da Guerra. 

Se tivermos em consideragao essa e muitas outras vantagens, devem-se, dentre as inumeras 
fontes sadias da nagao, salientar tres instituigoes que, na sua especie; sao modelos que 
dificilmente podem ser ultrapassados. 

Em primeiro lugar, figura a forma de Governo em si mesma e o carater que tomou na Alemanha 
dos ultimos tempos. 

Devemos fazer abstragao das pessoas dos monarcas, as quais, como homens, estavam 
sujeitos a todas as fraquezas dos que habitam esse planeta. A este respeito, nao fosse a nossa 
indulgencia, serfamos forgados sobretudo a duvidar do presente. Os representantes do atual 
regime, examinados pelo valor das suas personalidades, serao, porventura, sob o ponto de vista 
intelectual e moral, os mais representativos, que, depois de maduro exame, possamos descobrir? 
Ouem deixar de julgar a Revolugao pelo valor das pessoas com que ela presenteou a nagao desde 
novembro de 1918, tera de esconder o rosto, tomado de vergonha, ante o julgamento da 
posteridade. Porque agora o silencio ja nao pode ser imposto por leis, hoje conhecemo-los todos e 
sabemos que, entre os nossos novos guias, a inteligencia e a virtude estao em relagao inversa aos 
seus vicios. 

E certo que a monarquia alienara as simpatias das grandes massas. Isso resultou do fato de 
nem sempre se ter cercado o monarca dos homens mais esclarecidos, e sobretudo, mais sinceros 
Infelizmente e]e preferia, as vezes, os bajuladores aos espiritos retos e, por isso, daqueles "recebia 
ligoes". Foi uma grande pena que isso acontecesse em uma epoca em que o mundo passa por 
grandes mutagoes em todas as antigas concepgoes, mutagoes que, naturalmente, nao poderiam 
ser detidas na sua marcha pelas velhissimas tradigoes da Corte. 

Nao e, pois, de estranhar que ao tipo comum dos homens, ja na passagem do seculo, nenhuma 
admiragao especial causasse a presenga da princesa uniformizada nas linhas da frente. Sobre o 
efeito de uma tal parada no espirito do povo, aparentemente, nao se podia fazer uma ideia exata, 
pois, do contrario, jamais teriamos chegado a situagao infeliz de hoje. O sentimento de 
humanidade, nem sempre verdadeiro, desses circulos, continua a provocar mais nojo do que 
simpatia. Se, por exempio, a princesa X se dignasse provar os alimentos em uma cozinha popular, 
outrora isso podia ser muito bem visto mas, na epoca em que falamos, o efeito seria contrario. E 
facil de aceitar-se que a princesa, na realidade, nao tivesse a intengao de, no dia da prova dos 
alimentos, fazer com que a alimentagao fosse um pouquinho melhor do que de costume, Bastava, 
porem, que os individuos aos quais ela queria beneficiar soubessem disso. 

Assim as melhores intengoes possiveis tornar-se-iam ridiculas senao irritantes. 



Cartazes anunciando a proverbial fragilidade do monarca, o seu habito de acordar cedo e 
trabalhar ate tarde da noite, o perigo ameagador da insuficiencia de sua alimentagao, provocavam 
manifestagoes dignas de reflexao. Ninguem queria saber o que e quanto o monarca se dignava 
comer, desejava-se-Ihe apenas que "comesse o necessario". Ninguem se preocupava em recusar- 
Ihe sono suficiente. Todos se contentavam em que ele, como homem, honrasse o sexo, e, como 
chefe de governo, defendesse a honra da nagao. As fabulas ja em nada adiantavam, mas ao 
contrario, eram prejudiciais. 

Essas e outras coisas semelhantes eram, porem, nonadas. 

Infelizmente, no seio da maioria da nagao, Inavia a convicgao geral de que, de qualquer modo, o 
povo e governado de cima para baixo e assim cada um nao se preocupava com coisa alguma 
mais. Enquanto a atuagao do Governo era realmente boa ou, pelo menos, bem intencionada, a 
coisa ainda passava. Uma infelicidade seria, porem, se algum dia o vellno regente bom em si, fosse 
substituido por um outro menos respeitado, Entao a docilidade passiva e a fe infantil redundariam 
na maior calamidade imaginavel. 

Ao lado de todos esses e de muitos outros defeitos, Inavia aspectos de importancia 
incontestavel. 

A estabilidade assegurada pelo regime monarquico, a protegao dos cargos publicos contra o 
turbilhao das especulagoes dos politicos gananciosos, a dignidade intrinseca da instituigao 
monarquica e a autoridade que dai decorria, a dignificagao do corpo de funcionarios, e, acima de 
tudo, a situagao do exercito acima dos partidos politicos, eram vantagens incontestaveis. 

Era tambem uma grande vantagem o fato da lideranga do Governo personificar-se no monarca 
e, com isso, se fornecesse o exempio da responsabilidade que inspira mais confianga quando 
depende de um monarca do que dos azares de uma maioria parlamentar. A proverbial pureza da 
administragao alema deve-se principalmente a isso. 

Alem disso, o valor cultural da Monarquia era, para o povo, da maior significagao, podendo 
compensar outras desvantagens. As sedes dos governos alemaes continuavam a ser esteio para 
OS sentimentos artisticos que, em nossos tempos de materialismo, cada vez mais estao 
ameagados de desaparecer. O que os principes alemaes, no seculo XIX, fizeram em favor da arte 
e da ciencia, foi de alta significagao. Os tempos de hoje nao podem ser comparados com aqueles! 

Como um dos fatores mais eficientes da nagao contra essa incipiente mas sempre crescente 
decomposigao da nossa nacionalidade deve ser apontado o exercito. As forgas armadas eram a 
mais forte escola da nagao e justamente por isso se dirigiam os odios dos inimigos contra esse 
reduto da defesa e da liberdade do povo. Nenhum mais portentoso edificio se poderia levantar a 
essa instituigao do que a proclamagao desta verdade: o exercito foi caluniado, odiado, combatido 
por todos OS individuos sem valor, mas foi temido. Se a furia dos aproveitadores internacionais em 
Versailles se dirigia contra o antigo exercito alemao e que este era o ultimo reduto das nossas 
liberdades na luta contra o capitalismo internacional. Nao fosse essa forga ameagadora, a Intengao 
de Versailles se teria realizado muito antes. O que o povo alemao deve ao exercito pode-se 
resumir nesta palavra: tudo. 

O exercito deu uma ligao de absoluta nogao de responsabilidade, em uma epoca em que essa 
qualidade tornava-se cada vez mais rara. A sua atuagao impressionava tanto mais quanto 
constituia uma brilhante excegao a ausencia absoluta de responsabilidade de que o parlamento 
era o mais eloqiJente modelo. 

O exercito incentivou a coragem pessoal em um momento em que a covardia ameagava 
contaminar o pais inteiro e a capacidade de sacrificio, em favor do bem coletivo, era visto como 
estupidez por aqueles que so cuidavam de conservar e melhorar o seu eu. 

O exercito foi a escola que deu aos alemaes a convicgao de que a salvagao da patria nao se 
devia procurar nas frases mentirosas de uma confraternizagao internacional de negros, alemaes, 
franceses, ingleses, etc., mas na forga e na decisao do seu proprio povo. 

O exercito inspirou o espirito de resolugao quando na vida do povo, a indecisao e a duvida 
comegavam a caracterizar todos os atos dos individuos. Ele queria significar alguma coisa em um 
momento em que os sabichoes procuravam; por toda parte, o principio de que uma ordem e 
sempre melhor do que nenhuma. 

Nessa capacidade de resolugao podia-se notar um sintoma de saude integral e robusta que 
teria desaparecido dos outros setores da vida da nagao, se o exercito, por sua educagao, nao se 
tivesse sempre esforgado por uma renovagao continua dessa forga primordial. Basta ver a terrivel 



irresolugao dos atuais dirigentes do Reich, incapazes de tomar uma decisao em qualquer fato, a 
nao ser que se trate da assinatura de um tratado de pilhagem. Nesse caso, eles poem de parte 
qualquer responsabilidade e assinam com a destreza de um estenografo tudo o que se entende 
apresentar-lhes, porque ai a resolugao e facil de tomar uma vez que Ihes e ditada. 

O exercito pregava o idealismo e o sacrificio em favor da Patria e de suas grandezas, enquanto, 
em outros setores, a ambigao e o materialismo tinham assentado acampamento, Pregava a 
unidade nacional contra a divisao do povo em classes. Talvez o seu unico erro tenha sido a 
instituigao do voluntariado por um ano. Isso foi um erro porque rompeu o principio de igualdade 
absoluta e estabeleceu a distingao entre as classes bem educadas e a maioria da nagao. O 
contrario disso teria sido mais aconselhavel. 

Tendo-se em consideragao o espirito estreito das nossas classes eleva. das e o seu divorcio 
progressivo do resto da nagao, o Exercito poderia ter agido como uma especie de Providencia se 
tivesse evitado o isolamento dos intelectuais pelo menos dentro das fileiras das classes armadas. 

Foi um grande erro o nao se ter agido assim. Que instituigao neste planeta e, porem, sem 
defeitos? Mas a despeito disso as suas vantagens eram tao preponderantes que as suas 
pequenas falhas deveriam ser atribuidas a imperfeigao humana. 

O maior servigo prestado pelo exercito do antigo Imperio foi por a competencia acima do 
numero, em uma epoca em que tudo se resolvia pela maioria. Contra a ideia democratica dos 
judeus, de veneragao as maiorias, o Exercito manteve o principio da confianga no valor das 
personalidades, de que os ultimos tempos mais precisavam. No meio desse relaxamento e 
efeminagao surgiam todos os anos 350.000 jovens sadios que, depois de dois anos de exercicios, 
perdiam a delicadeza da juventude e se tornavam fortes como ago. Pela maneira de andar 
reconhecia-se o soldado treinado. 

Essa foi a grande escola da nagao alema e, por isso, nao foi sem razao que sobre o exercito 
convergia o odio inveterado daqueles cuja inveja e cobiga exigiam que o Governo ficasse sem 
forga e os cidadaos sem armas. 

A forma do Governo e ao exercito deve-se acrescentar o incomparavel corpo de funcionarios 
publicos. 

A Alemanha era a mais bem administrada e organizada nagao do mundo. Poder-se-ia dizer que 
OS empregados alemaes eram burocratas pedantes, mas a situagao nao era melhor em outros 
paises. Ao contrario, era pior. O que os outros paises nao possuiam, porem, era a solidez do 
aparelhamento e o carater incorruptivel da burocracia alema. E melhor ser pedante, mas honesto e 
fiel, a ser ilustre e "moderno", mas de carater fraco ou, como e hoje comum, ignorante e 
incompetente. E costume dizer-se que, antes da Guerra, a administragao alema era, 
burocraticamente, pura, mas sem senso pratico, comercial. A essa objegao poder-se-a responder: 
Que pais do mundo tinha um servigo de transportes mais bem dirigido e melhor organizado sob o 
ponto de vista comercial do que a Alemanha? 

Q corpo de funcionarios publicos alemaes e a maquina administrativa caracterizavam-se pela 
sua independencia em relagao aos Governos, cujas ideias transitorias sobre a politica nao 
afetavam a posigao dos funcionarios. Depois da Revolugao tudo isso foi profundamente 
modificado. As contingencias partidarias substituiram a competencia e a habilidade e, dai por 
diante, o fato de ter o funcionario um carater independente, em vez de ser uma recomendagao, 
passou a ser uma desvantagem. 

Sobre a forma de Governo, sobre o Exercito e sobre o funcionalismo publico repousavam a 
forga e a eficiencia do antigo imperio. 

Essas eram as tres causas primordiais da virtude que hoje falta ao Governo alemao, isto e, a 
autoridade do Estado. 

Essa autoridade nao se apoia em palavrorio dos parlamento e dietas, nem em leis de protegao, 
nem em sentengas judiciais destinadas a amedrontar os covardes, mentirosos, etc., mas na 
confianga geral que a diregao politica e administrativa de um pais pode e deve inspirar. Esta 
confianga e o resultado de uma inabalavel certeza do desinteresse e da honestidade da politica e 
da administragao de um pais e da harmonia do espirito das suas leis com os principios morals do 
povo. Nenhum sistema de governo pode manter-se por muito tempo somente baseado na forga, 
mas Sim pela confianga publica na excelencia do mesmo e pela probidade dos representantes e 
dos defensores dos interesses coletivos. 

Por mais que certos males ameagassem, ja antes da Guerra, carcomer e minar a forga da 



nagao, nao se deve esquecer que outros paises sofriam ainda mais da mesma molestia e, nem por 
isso, na hora critica do perigo, cessavam a luta e se arruinavam. 

Se nos lembrarmos, porem, que, antes da Guerra, ao lado das fraquezas alemas ja 
mencionadas havia tambem forgas ponderaveis podemos e devemos procurar as causas da ruina 
do pais em outros setores. E esse e o caso na realidade. 

A mais profunda causa da debacle do antigo Imperio esta no desconhecimento do problema 
racial e da sua importancia na evolugao espiritual dos povos Todos os acontecimentos na vida das 
nagoes nao sao obras do acaso mas conseqGencias naturals da necessldade Imperlosa da 
conservagao e da multlpllcagao da especle e da raga, embora os homens nem sempre se 
apercebam do fundamento Intlmo das suas agoes. 

CAPITULO XI - POVO E RAQA 

Ha verdades de tal modo dissemlnadas por toda parte que chegam a escapar, por Isso mesmo, 
a vista ou, pelo menos, ao conheclmento da maloria do povo. Este passa frequentemente como 
cego diante destas verdades a vista de todo, mundo e mostra a maxima surpresa, quando, se 
repente, alguem descobre o que todos, portanto deverlam saber. Os ovos de Colombo andam 
espalhados por centenas de mllhares; os Colombos, porem, sao realmente mais dificels de 
encontrar. 

E assim os homens erram pelo Jardim da Natureza, convencldos de quase tudo conhecer e 
saber, e, no entanto, com raras excegoes, delxam de enxergar um dos principlos baslcos de malor 
Importancia na sua organlzagao a saber: o Isolamento de todos os seres vivos desta terra dentro 
das suas especles. 

Ja a observagao mais superficial nos mostra, como lei mais ou menos Implacavel e 
fundamental, presldlndo a todas as Inumeras manlfestagoes expresslvas da vontade de viver na 
Natureza, o processo em si mesmo llmltado, pelo qual esta se contlnua e se multlpllca. Cada 
animal so se associa a um companheiro da mesma especle. O abelheiro cal com o abelheiro, o 
tentllhao com o tentllhao, a cegonha com a cegonha, o rato campestre com o rato campestre, o 
rato caseiro com o rato caseiro, o lobo com a loba etc. 

So circunstanclas extraordlnarlas conseguem alterar essa ordem, entre as quals figura, em 
primeiro lugar a coergao exerclda por prisao do animal ou qualquer outra Imposslbllldade de unlao 
dentro da mesma especle. Al, porem, a Natureza comega a defender-se por todos os melos, e seu 
protesto mais evidente conslste, ou em privar futuramente os bastardos da capacldade de 
procrlagao ou em llmltar a fecundldade dos descendentes futuros. Na malor parte dos casos, ela 
priva-os da faculdade de reslstencia contra molestlas ou ataques hostls. Isso e um fenomeno 
perfeltamente natural: todo cruzamento entre dols seres de situagao um pouco deslgual na escala 
blologica da, como produto, um Intermedlarlo entre os dols pontos ocupados pelos pals. SIgnlfIca 
Isto que fllho chegara provavelmente a uma situagao mais alta do que a de um de seus pals, o 
Inferior, mas nao atlnglra entretanto a altura do superior em raga. Mais tarde sera, por consegulnte, 
derrotado na luta com os superlores. Semelhante unlao esta porem em franco desacordo com a 
vontade da Natureza, que, de um modo gera], visa o aperfelgoamento da vIda na procrlagao. Essa 
hipotese nao se apola na llgagao de elementos superlores com Inferlores mas na vltoria 
Incondlclonal dos primelros. O papel do mais forte e domlnar. Nao se deve misturar com o mais 
fraco, sacrlflcando assIm a grandeza propria. Somente um debll de nascenga podera ver nisso uma 
crueldade, o que se explica pela sua complelgao fraca e llmltada. Certo e que, se tal lei nao 
prevalecesse, seria escusado cogltar de todo e qualquer aperfelgoamento no desenvolvlmento dos 
seres vivos em gera. 

Esse Instlnto que vigora em toda a Natureza, essa tendencia a purlflcagao racial, tem por 
conseqGencIa nao so levantar uma barreira poderosa entre cada raga e o mundo exterior, como 
tambem unlformlzar as disposlgoes naturals. A raposa e sempre raposa, o ganso, ganso, o tigre, 
tigre etc. A diferenga so podera resldir na medlda varlavel de forga, robustez, agllldade, reslstencia 
etc., verlflcada em cada um Indlvldualmente. Nunca se achara, porem, uma raposa manlfestando a 
um ganso sentlmentos humanltarlos da mesma maneira que nao ha um gato com Incllnagao 
favoravel a um rato. 

Els porque a luta reciproca surge aqui, motlvada, menos por antlpatia intlma, por exempio, do 
que por Impulsos de fome e amor. Em ambos os casos, a Natureza e espectadora, placlda, e 



satisfeita. A luta pelo pao quotidiano deixa sucumbir tudo que e fraco, doente e menos resolute, 
enquanto a luta do macho pela femea so ao mais sadio confere o direito ou pelo menos a 
possibilidade de procriar. Sempre, porem, aparece a luta como um meio de estimular a saude e a 
forga de resistencia na especie, e, por isso mesmo, um incentivo ao seu aperfeigoamento. 

Se processo fosse outro, cessaria todo progresso na continuagao e na elevagao da especie, 
sobrevindo mais facilmente o contrario. Dado o fato de que o elemento de menor valor sobrepuja 
sempre o melhor na quantidade, mesmo que ambos possuam igual capacidade de conservar e 
reproduzir a vida, o elemento pior muito ,mais depressa se multiplicaria, ao ponto de forgar o 
melhor a passar para um piano secundario. Imp6e-se, por conseguinte, uma corregao em favor do 
melhor. 

Mas a Natureza disso se encarrega, sujeitando o mais fraco a condigoes de vida dificeis, que, 
so por isso, numero desses elementos se torna reduzido. Nao consentindo que os demais se 
entreguem, sem selegao previa, a reprodugao, ela procede aqui a uma nova e imparcial escoiha, 
baseada no principio da forga e da saude. 

Se, por um lado, ela pouco deseja a associagao individual dos mais fracos com os mais fortes, 
ainda menos a fusao de uma raga superior com uma inferior. Isso se traduziria em um goipe quase 
mortal dirigido contra todo o seu trabalho ulterior de aperfeigoamento, executado talvez atraves de 
centenas de milenios. 

Inumeras provas disso nos fornece a experiencia historica. Com assombrosa clareza ela 
demonstra, que, em toda mistura de sangue entre o ariano e povos inferiores, o resultado foi 
sempre a extingao do elemento civilizador. A America do Norte, cuja populagao,, decididamente, 
na sua maior parte, se compoe de elementos germanicos, que so muito pouco se misturaram com 
povos inferiores e de cor, apresenta outra humanidade e cultura do que a America Central e do 
Sul, onde os imigrantes, quase todos latinos, se fundiram, em grande numero, com os habitantes 
indigenas. Bastaria esse exempio para fazer reconhecer clara e distintamente, o efeito da fusao de 
ragas. O germano do continente americano elevou-se ate a dominagao deste, por se ter 
conservado mais puro e sem mistura; all continuara a imperar, enquanto nao se deixar vitimar pelo 
pecado da mistura do sangue. 

Em poucas palavras, o resultado do cruzamento de ragas e, portanto, sempre o seguinte: 

A) Rebaixamento do n. 1 da raga mais forte; 

B) Regresso fisico e intelectual e, com isso, o comego de uma enfermidade, que progride 
devagar, mas seguramente. Provocar semelhante coisa nao passa entao de um atentado a 
vontade do Criador, o castigo tambem corresponde ao pecado. Procurando rebelar-se contra a 
logica ferrea da Natureza, o homem entra em conflito com os principios fundamentals, aos quais 
ele mesmo deve exclusivamente a sua existencia no seio da humanidade - Desse modo, esse 
procedimento de encontro as leis da Natureza so pode conduzir a sua propria perda. E oportuno 
repetir a afirmagao do pacifista moderno, tao tola quanto genuinamente judaica, na sua petulancia: 
"O homem vence a propria Natureza!" 

Milhoes de individuos repetem mecanicamente esse absurdo judaico e Imaginam, por fim, que 
sao, de fato, uma especie de domadores da Natureza. A unica arma de que dispoem para firmar tal 
pensamento e uma ideia tao miseravel, na sua essencia, que mal se pode concebe-la. 

Somente, pondo de parte que o homem ainda nao superou em coisa alguma a Natureza, nao 
tendo passado de tentativas o levantar, pelo menos, uma ou outra pontinha do gigantesco veu, sob 
qual ela encobre os eternos enigmas e segredos, que ele, de fato, nada inventa, somente 
descobre o que existe, que ele nao domina a Natureza, so tendo ascendido ao grau de senhor 
entre os demais seres vivos, pela ignorancia destes e pelo seu proprio conhecimento de algumas 
leis e de alguns segredos da Natureza, pondo de parte tudo isso, uma ideia nao pode dominar as 
hipoteses sobre a origem e o destino da Humanidade, visto a ideia mesma so depender do 
homem. 

Sem homem nao pode haver ideia humana no mundo, porquanto a ideia como tal e sempre 
condicionada pela existencia dos homens e, por isso mesmo, por todas as leis, que regulam a sua 
vida. E, nao flea nisso! Ideias definidas acham-se ligadas a determinados individuos. Verifica-se 
isso, em primeiro lugar, no caso de pensamentos cujo conteudo nao deriva de uma verdade exata, 
cientifica, porem do mundo sentimental, reproduzindo, como se costuma tao claramente definir, 
hoje em dia, um fato vivido interiormente. Todas essa ideias que em si nada tem que ver com a 
logica fria, representando, pelo contrario, manifestagoes sentimentais, representagoes eticas, etc.. 



prendem-se a vida do homem devido a sua propria existencia a forga imaginativa criadora do 
espirito humano. 

Af justamente e que se impoe a conservagao dessas determinadas ragas e criaturas como 
condigao primordial para a durabilidade dessas ideias. Quern, por exempio, quisesse realmente, de 
coragao, desejar a vitoria do pensamento pacifista, teria que se empenhar, por todos os meios, 
para que os alemaes tomassem posse do IVIundo; pois, se porventura acontecesse o contrario, 
muito facilmente, com o ultimo alemao, extinguir-se-ia tambem o ultimo pacifista, visto o resto do 
mundo dificilmente ja ter sido logrado por um absurdo tao avesso a natureza e a razao, quanto o 
foi nosso proprio povo. 

Seria pois necessario, de bom ou de mau grado, nos decidirmos com toda a seriedade a fazer a 
Guerra a fim de chegarmos ao pacifismo. Foi isso e nada mais a intengao de Wilson, o redentor 
universal. Assim pensavam pelo menos os nossos visionarios alemaes que, por esse meio, 
chegaram a seus fins. Talvez o conceito pacifista humanitario chegue a ser de fato aceitavel, 
quando o homem que for superior a todos, fiver previamente conquistado e subjugado o mundo, ao 
ponto de tornar-se o senhor exclusivo desta terra. A tal ideia torna-se impossivel produzir 
conseqiJencias nocivas, desde que a sua aplicagao na realidade se torna cada vez mais diffcil, e 
por fim, impraticavel. Portanto, primeiro, a luta, depois talvez o pacifismo. No caso contrario, a 
humanidade teria passado o ponto culminante do seu desenvolvimento resultando, por fim, nao o 
imperio de qualquer ideia moral, mas sim barbaria e confusao. Naturalmente um ou outro podera rir 
dessa afirmagao. E preciso que ninguem se esquega, porem, de que este planeta ja percorreu o 
eter milhoes de anos sem ser habitado e podera, um dia, empreender o mesmo percurso da 
mesma maneira, se os homens esquecerem que nao devem sua existencia superior as teorias de 
uns poucos ideologos malucos, mas ao reconhecimento e a aplicagao incondicional de leis 
imutaveis da Natureza. 

Tudo que hoje admiramos nesta terra, - ciencia e arte, tecnica e invengoes - e o produto criador 
somente de poucos povos e talvez, na sua origem, de uma unica raga. Deles tambem depende a 
estabilidade de toda esta cultura. Com a destruigao desses povos baixara igualmente ao tumulo 
toda a beleza desta terra. Por mais poderosa que Possa ser a Influencia do solo sobre os homens, 
seus efeitos sempre hao de variar segundo as ragas. A falta de fertilidade de um pais pode 
estimular uma raga a alcangar nas suas atividades um rendimento maximo; outra raga so 
encontrara no mesmo fato motivo para cair na maior miseria, acompanhada de alimentagao 
insuficiente e todas as suas consequencias. As qualidades intrfnsecas dos povos sao sempre o 
que determina a maneira pela qual se exercem as influencias externas. A mesma causa, que a uns 
leva a passar fome, provoca em outros o estimulo para trabalhar com mais afinco. 

A razao pela qual todas as grandes culturas do passado pereceram, foi a extingao, por 
envenenamento de sangue, da primitiva raga criadora. A ultima causa de semelhante decadencia 
foi sempre o fato de o homem ter esquecido que toda cultura dele depende e nao vice-versa; que 
para conservar uma cultura definida o homem, que a constroi, tambem precisa ser conservado. 
Semelhante conservagao, porem, se prende a lei ferrea da necessidade e do- direito de vitoria do 
melhor e do mais forte. 

Quem desejar viver, prepara-se para o combate, e quem nao estiver disposto a isso, neste 
mundo de lutas eternas, nao merece a vida. 

Por mais doloroso que isso seja, e preciso confessa-lo. A sorte mais dura e, sem duvida 
alguma, a do homem que julga poder veneer a Natureza e na realidade a Natureza do mesmo 
escarnece. A replica da Natureza se resume entao em privagoes, infelicidades e molestias! 

O homem que desconhece e menospreza as leis raciais, em verdade, perde, desgragadamente 
a Ventura que Ihe parece reservada. Impede a marcha triunfal da melhor das ragas, com isso 
estreitando tambem a condigao primordial de todo progresso humano. No decorrer dos tempos, vai 
caminhando para o reino do animal indefeso, embora portador de sentimentos humanos. 

E uma tentativa ociosa querer discutir qual a raga ou quais as ragas que foram os depositarios 
da cultura humana e os verdadeiros fundadores de tudo aquilo que compreendemos sob o termo 
"Humanidade". - Mais simples e aplicar essa pergunta ao presente, e, aqui tambem, a resposta e 
facil e Clara. O que hoje se apresenta a nos em materia de cultura humana, de resultados colhidos 
no terreno .da arte, da ciencia e da tecnica, e quase que exclusivamente produto da criagao do 
Ariano. E sobre tal fato, porem, que devemos apoiar a Conclusao de ter sido ele o fundador 
exclusivo de uma humanidade superior, representando assim "o tipo primitivo daquilo que 



entendemos por "homem". E ele o Prometeu da humanidade, e da sua fronte e que jorrou, em 
todas as epocas, a centeiha do Genio, acendendo sempre de novo aquele fogo do conhecimento 
que iluminou a noite dos tacitos misterios, fazendo ascender o homem a uma situagao de 
superioridade sobre os outros seres terrestres, Exclua-se ele, e, talvez depois de poucos milenios, 
descerao mais uma vez as trevas sobre a terra; a civilizagao humana chegara a seu termo e o 
mundo se tornara um deserto! 

Se a humanidade se pudesse dividir em tres categorias: fundadores, depositarios e destruidores 
de Cultura, so o Ariano deveria ser visto como representante da primeira classe. Dele provem os 
alicerces e os muros de todas as criagoes humanas, e os tragos caracteristicos de cada povo em 
particular sao condicionados por propriedades exteriores, como sejam a forma e o colorido, E ele 
quem fornece o formidavel material de construgao e os projetos para todo progresso humano. So a 
execugao da obra e que varia de acordo com as condigoes peculiares das outras ragas. Dentro de 
poucas dezenas de anos, por exempio, todo o leste de Asia possuira uma cultura, cujo ultimo 
fundamento sera tao impregnado de espirito helenico e tecnica germanica quanto o e a nossa. A 
forma exterior e que, pelo menos parcialmente, acusara tragos de carater asiatico. Muitos julgam 
erroneamente que o Japao assimilou a tecnica da Europa na sua civilizagao. Nao e o caso. A 
ciencia e a tecnica europeias recebem apenas um verniz japones. A base da vida real nao e mais a 
cultura especifica do Japao, embora seja ela quem de "a cor local" a vida do pafs, o que 
impressiona mais a observagao do Europeu, justamente devido aos aspectos externos originals. 
Aquela base se encontra, porem, na formidavel produgao cientifica e tecnica da Europa e da 
America e, portanto, de povos arianos. So se baseando nessas produgoes e que o Oriente podera 
seguir o progresso geral da Humanidade. So elas e que descortinam o campo para a luta pelo pao 
quotidiano, criando, para isso, armas e utensilios; ao espirito japones so se vai adaptando 
gradualmente o aspecto exterior de tudo isso. 

Se a partir de hoje, cessasse toda a influencia ariana sobre o Japao - imaginando-se a hipotese 
de que a Europa e a America atingissem uma decadencia total - a ascensao atual do Japao no 
terreno tecnico-cientifico ainda poderia perdurar algum tempo. Dentro de poucos anos, porem, a 
fonte secaria, sobreviveria a preponderancia do carater japones, e a cultura atual morreria, 
regressando ao sono profundo, do qual, ha setenta anos, fora despertada bruscamente pela onda 
da civilizagao ariana. Eis porque, em tempos remotos, tambem foi a influencia, do espirito 
estrangeiro que despertou a cultura japonesa. Hoje tambem o progresso do pais e inteiramente 
devido a influencia ariana. A melhor prova desse fato e a fossilizagao e a rigidez, que, mais tarde, 
se foram verificando em tal cultura, fenomeno este que um povo so pode assinalar, quando a 
primitiva semente criadora se perdeu em uma raga, ou quando velo a faltar a influencia externa 
que dera o impulso e o material necessarios ao primeiro desenvolvimento cultural. Pode-se 
denominar uma tal raga depositaria, nunca, porem, criadora de cultura. Esta provado, que quando 
a cultura de um povo, na sua essencia, foi recebida, absorvida e assimilada de ragas estrangeiras, 
uma vez retirada a influencia exterior, ela cai de novo no mesmo torpor. 

Um exame dos diferentes povos, sob tal ponto de vista, confirma o fato de que, nas origens, 
quase nao se trata de povos construtores, mas, sempre pelo contrario, de depositarios de uma 
civilizagao. 

Sempre resulta. mais ou menos, o seguinte quadro de sua evolugao: 

Tribos arianas - muitas vezes em numero ridiculamente reduzido - subjugam povos 
estrangeiros, desenvolvendo, entao, animadas por condigoes especiais da nova regiao (fertilidade, 
clima etc.), favorecidas pelo numero avultado de auxiliares da raga inferior, suas latentes 
capacidades intelectuais e organizadoras. Elas criam, freqiJentemente, em poucos milenios e ate 
em periodos de seculos, civilizagoes, que, de comego, revelam integralmente os tragos intimos da 
sua individualidade adaptados as propriedades especificas do solo como dos homens por elas 
subjugados. Por fim acontece, porem, que os conquistadores pecam contra o principio - observado 
no comego - da pureza conservadora do sangue,- dao para misturar-se com os habitantes 
subjugados, e poem termo com isso a sua propria existencia. A queda pelo pecado, no Paraiso, 
teve apenas como consequencia a expulsao Depois de um milenio ou mais, transparece 
frequentemente o ultimo vestigio visivel do antigo povo dominador, na coloragao mais clara da 
pele, deixada pelo seu sangue a raga vencida e tambem em uma civilizagao entorpecida, criada 
por ele primitivamente para ser a geradora das outras. 

Da mesma maneira que o verdadeiro conquistador espiritual se perdeu no sangue dos 



vencidos, perdeu-se tambem o combustivel para a tocha do progresso da civilizagao humana! Tal 
qual a cor da pele, devido ao sangue do antigo senhor, ainda guardou como recordagao urn ligeiro 
brilho, a noite da vida espiritual igualmente se acha suavemente iluminada pelas criagoes dos 
primitivos mensageiros de luz. Atraves de toda a barbarie recomegada, elas continuam a brilhar 
despertando demais no espectador distraido a suposigao de ver o quadro de urn povo atual, 
enquanto ele se mira apenas no espelho do passado. 

Pode entao acontecer, que, no decorrer da sua historia, urn povo entre em contato duas vezes 
e mesmo ate mais com a raga de seus antigos civilizadores, sem que seja preciso existir ainda 
uma reminiscencia de previos encontros. O resto do antigo sangue dominador se encaminhara 
inconscientemente para o novo tipo e a vontade propria conseguira entao o que, a principio, so era 
possivel por coagao. Verifica-se uma nova onda civilizadora que se mantem, ate que os seus 
expoentes desaparegam por sua vez no sangue de povos estrangeiros. Futuramente cabera como 
tarefa a uma Historia Universal e Cultural fazer pesquisas nesse sentido e nao se deixar sufocar na 
enumeragao de fatos puramente exteriores, como se da, infelizmente, as mais das vezes, com a 
ciencia historica da atualidade. 

Ja deste esbogo sobre o desenvolvimento de nagoes depositarias de uma civilizagao, resulta 
tambem o quadro da formagao da atividade e do desaparecimento dos proprios arianos, os 
verdadeiros fundadores culturais desta terra. Como na vida corrente, o chamado "Genio" necessita 
de um pretexto, multas vezes ate literalmente, de um empurrao, para chegar ao ponto de brilhar, 
assim tambem acontece na vida dos povos, com a raga genial. Na monotonia da vida quotidiana, 
individuos de valor costumam frequentemente parecer insignificantes, elevando-se apenas acima 
da media comum dos que o cercam; entretanto, assim que sobrevem alguma situagao, que a 
outros faria desesperar ou enlouquecer, ergue-se de dentro da criatura media e apagada a 
natureza genial, deixando facilmente estupefatos aqueles que a viam dantes, no quadro estreito da 
vida burguesa - o que explica talvez o fato do "profeta raramente valer qualquer coisa em sua 
terra". Nada melhor do que a Guerra nos oferece oportunidade para fazer tal observagao, Em 
horas de angustia, surgem subitamente, de criangas aparentemente inofensivas, herois dotados de 
resoluta coragem, perante a morte e de grande frieza de reflexao. Nao fosse tal momento de 
provagao, ninguem teria pressentido o heroi no rapaz ainda imberbe. Quase sempre e preciso 
algum solavanco para provocar o genio. A martelada do destino, que a uns derriba logo, ja em 
outros encontra resistencia de ago, e, destruindo o involucro da vida quotidiana, descobre o amago 
ate entao oculto aos olhos do universo atonito. Este se defende e recusa crer, que exemplares de 
aparencia tao semelhante possam tao repentinamente mudar de individualidade, processo esse, 
que se deve repetir com toda criatura excepcional. 

Apesar de um inventor, por exempio, so consolidar a sua fama no dia em que a invengao esta 
terminada, seria erroneo pensar que a genialidade em si nao se contivesse no homem antes desse 
momento. A centeiha do genio ja faisca, desde a hora do nascimento, na cabega do homem 
verdadeiramente dotado de talento criador, Genialidade verdadeiramente e sempre inata, nunca 
fruto de educagao ou estudos. 

Como ja acentuamos previamente, o mesmo fenomeno, observado no individuo, se produz 
tambem na raga, Ainda que espectadores superficiais queiram desconhecer esse fato, certo e que 
OS povos que produzem muito sao dotados de talento criador desde a sua origem mais remota. 
Aqui tambem a aceitagao exterior so se manifesta depois de obras executadas, o resto do mundo 
sendo incapaz de reconhecer a genialidade em si, aplaudindo apenas suas manifestagoes 
concretas, como sejam: invengoes, descobertas, construgoes, pinturas, etc. Mesmo depois disso, 
ainda passa as vezes muito tempo, ate chegar a ser reconhecida. Na vida do individuo 
predestinado, a disposigao genial ou pelo menos extraordinaria, so incentivaria por motivos 
especiais, marcha para a sua realizagao pratica; na vida dos povos tambem so determinadas 
hipoteses poderao levar a completa utilizagao de forgas e capacidades criadoras. 

E nos Arianos - raga que foi e e o expoente do desenvolvimento cultural da Humanidade - que 
se verifica tudo isso com a maior clareza. Assim que o destino os langa em situagoes especiais, as 
faculdades que possuem comegam a se desenvolver e a se tornar manifestas. As civilizagoes por 
eles fundadas em semelhantes casos, quase sempre sao definitivamente fixadas pelo solo e clima 
e pelos homens vencidos, sendo este ultimo fator quase que o mais decisivo. Quanto mais 
primitivos OS recursos tecnicos para um trabalho cultural, mais necessario o auxilio de forgas 
humanas, que, conjugadas e bem aplicadas, terao que substituir a energia da maquina. Sem tal 



possibilidade de empregar gente inferior, o ariano nunca teria podido dar os primeiros passes para 
sua civilizagao, do mesmo modo que, sem a ajuda de animais apropriados, pouco a pouco 
domados per ele, nunca teria alcangado uma tecnica, gragas a qual vai podendo dispensar os 
animais. O ditado: "o negro fez a sua obrigagao, pode se retirar", possui infelizmente uma 
significagao profunda. Durante milenios, o cavalo teve que servir e ajudar o homem em certos 
trabalhos nos quais agora o motor suplantou, o que dispensou perfeitamente o cavalo, Daqui a 
poucos anos, este tera cessado toda a sua atividade. No entanto, sem a sua cooperagao inicial, o 
homem so dificilmente teria chegado ao ponto em que hoje se acha. 

Eis como a existencia de povos inferiores tornou-se condigao primordial na formagao de 
civilizagoes superiores, nas quais so esses entes poderiam suprir a falta de recursos tecnicos, sem 
OS quais nem se pode imaginar um progresso mais elevado. A cultura basica da humanidade se 
apoiou menos no animal domesticado do que na utilizagao de individuos inferiores. 

So depois da escravizagao de ragas inferiores e que a mesma sorte tiveram os animais, e nao 
"vice-versa", como alguem poderia pensar. E certo que foi primeiro o vencido, e so, depois dele o 
cavalo, que puxou o arado. So os bobos pacifistas e que podem enxergar nisso um indicio de 
maldigao humana, sem perceber direito que tal era a marcha a seguir, para, finalmente, chegar-se 
ao ponto de onde esses apostolos tem pregado ao mundo o seu charlatanismo. 

O progresso humano se assemeiha a uma ascensao em uma escada sem fim; nao se chega de 
forma alguma encima, sem se ter servido dos degraus inferiores. Foi assim que o ariano teve que 
trilhar o caminho tragado pela realidade e nao aquele com o qual sonha a fantasia de um pacifista 
moderno. O caminho da realidade e duro e espinhoso, mas so ele conduz a finalidade com que os 
pacifistas sonham afastando, porem, cada vez mais a humanidade do ideal sonhado. Nao e, 
portanto, por mero acaso, que as primeiras civilizagoes tenham nascido all, onde o ariano, 
encontrando povos inferiores, subjugou os a sua vontade; foram eles os primeiros instrumentos a 
servigo de uma cultura em formagao. 

Com isso ficou porem, claramente delineado o trajeto que o ariano teria de percorrer. Com a 
sua autoridade de conquistador, submeteu ele os homens inferiores, regulando, em seguida, sob o 
seu comando, a atividade pratica dessas criaturas, conforme a sua vontade e visando seus 
proprios fins. Enquanto assim conduzia os vencidos para um trabalho util, embora duro, o ariano 
poupava, nao so as suas vidas, como Ihes proporcionava talvez uma sorte melhor do que dantes, 
quando gozavam a chamada "liberdade". Todo o tempo em que ele soube manter, sem vacilagoes, 
seu lugar de senhor e mestre, conservou-se, nao somente o senhor absoluto, como o 
conservador e pioneiro da civilizagao, visto esta depender exclusivamente da capacidade dos 
conquistadores e da sua propria conservagao. No momento em que os proprios vencidos 
comegaram a se elevar sob o ponto de vista cultural, aproximando-se tambem dos conquistadores 
pelo idioma, ruiu a rigorosa barreira entre o senhor e o servo. O ariano sacrificou a pureza do 
sangue, perdendo assim o lugar no Paraiso, que ele mesmo tinha preparado. Sucumbiu, com a 
mistura racial; perdeu, aos poucos, cada vez mais, sua capacidade civilizadora, ate que comegou a 
se assemelhar mais aos indigenas subjugado do que a seus antepassados, e isso, nao so 
intelectual como fisicamente. Algum tempo ainda, pode fruir dos bens ja existentes da civilizagao, 
mas, depois, sobreveio a paralisagao do progresso e o homem se esqueceu de si proprio. E desse 
modo que vemos a rufna de civilizagoes e remos, que cedem o lugar a outras formagoes. 

As causas exclusivas da decadencia de antigas civilizagoes sao: a mistura de sangue e o 
rebaixamento do nivel da raga, que aquele fenomeno acarreta. Esta provado que nao sao guerras 
perdidas que exterminam os homens e sim a perda daquela resistencia, que so o sangue puro 
oferece. 

Todo que, no Mundo, nao e raga boa e joio. 

Todo acontecimento na Historia Universal nao passa de uma manifestagao externa do instinto 
de conservagao das ragas, no bom ou no mau sentido. A questao das causas intimas que 
determinam a importancia preponderante do arianismo pode ser explicada menos por uma forga 
mais poderosa do instinto de conservagao, propriamente, do que pelo modo especial por que este 
se manifesta. A vontade de viver, falando do ponto de vista subjetivo, tem, por toda parte, a mesma 
intensidade e so difere pela forma que ela adota na vida real. Nos seres mais primitivos, o instinto 
de conservagao nao vai alem da preocupagao com o proprio "eu". O egoismo - definigao que 
damos a tal tendencia - nesses animais chega a limitar-se as preocupagoes do momento, que 
absorvem tudo, nada reservando para as horas futuras. Nesse estado, o animal vive 



exclusivamente para si, procura o alimento so para matar a fome no instante e so luta pela propria 
vida.. Enquanto, porem, o instinto de conservagao se manifesta apenas desta maneira, falta line 
completamente a base para a formagao de uma comunidade, mesmo sob a forma mais primitiva da 
familia. Ja a comunhao entre o macho e a femea exige uma extensao do instinto de conservagao, 
pelo cuidado e a luta que, alem do proprio "eu", inclui tambem a outra metade. O macho, as vezes, 
tambem procura alimento para a femea; o mais freqiJente e eles ambos procurarem-no para os 
filhos. Um protege o outro, de modo que aqui se verificam as primeiras formas, embora 
infinitamente elementares, de um espirito de sacrificio. No momento em que este espirito de 
sacrificio ultrapassa o quadro estreito da familia, estabelecem-se as condigoes para a fundagao de 
maiores agremiagoes e, enfim, de verdadeiros Estados. 

Os povos mais atrasados da terra tem essa qualidade muito apagada, de modo que, muitas 
vezes, nao chegam alem da formagao da familia. Quanto mais aumenta a disposigao a sacrificar 
interesses puramente pessoais, tanto mais se desenvolve a capacidade para erigir comunidades 
mais importantes. 

E ariano que apresenta, do modo mais expressivo, essa disposigao para o sacrificio do 
trabalho pessoal, e, sendo necessario, ate da sua propria vida, que arrisca em favor dos outros. 
Por si mesmo, o ariano nao se caracteriza por ser um homem mais bem dotado intelectualmente, 
mas, Sim, pela sua disposigao em- por todas as suas faculdades ao servigo da comunidade. Nele, 
instinto de conservagao alcangou a forma mais nobre, submetendo o proprio "eu", 
espontaneamente, a vida da coletividade, sacrificando-o ate inteiramente, se o momento exigir. 

A razao da faculdade civilizadora e construtora do ariano nao reside nos dotes intelectuais. Se 
ele nada possufsse fora disso, so poderia agir como destruidor, nunca, porem, como organizador, 
pois a significagao intrinseca de toda organizagao repousa sobre o principio do sacrificio, que cada 
individuo faz de sua opiniao e de seus interesses pessoais em proveito de uma pluralidade de 
criaturas. So depois de trabalhar pelos outros, recebe ele novamente a parte que Ihe toca. Nao 
trabaiha mais, diretamente para si, mas incorpora-se, com o seu trabalho, no quadro geral da 
coletividade, visando, nao o seu proveito mas sim o bem de todos. A ilustragao mais admiravel de 
semelhante disposigao encontra-se na palavra "trabalho" que para ele nao representa 
absolutamente uma atividade visando somente a manutengao da vida, mas uma criagao que nao 
vai de encontro aos interesses da generalidade. Em caso contrario, quando as agoes humanas so 
atendem ao instinto de conservagao, sem levar em conta o bem do resto do mundo, o ariano as 
chama:. furto, usura, roubo, assalto, etc. 

Tal disposigao, que faz ceder o interesses do proprio "eu" a conservagao da comunidade, e 
realmente a condigao indispensavel para a existencia de toda civilizagao humana. So ela pode 
criar as grandes obras da humanidade, que ao fundador pouca recompensa trazem, as maiores 
bengaos porem as geragoes futuras. So esse sentimento e que explica como e que tantos 
individuos podem suportar honestamente uma existencia miseravel, que so Ihes impoe pobreza e 
humildade, mas firma para a coletividade as bases da existencia. Cada operario, cada campones, 
cada inventor, cada funcionario, etc., que vai trabalhando, sem chegar nem uma vez a felicidade 
ou ao bem-estar, e um expoente desse elevado ideal, mesmo que nunca venha a penetrar o 
sentido profundo de seu proceder. 

O que e verdade, no que diz respeito ao trabalho como base de nutrigao e de todo progresso 
humano, aplica-se ainda, muito mais, em se tratando de preservar o homem e a sua cultura. A 
coroagao de todo espfrito de abnegagao reside no sacrificio da propria vida individual em prol da 
existencia coletiva. So assim se pode impedir que maos criminosas ou a propria Natureza 
destruam aquilo que foi obra de maos humanas. 

Nossa lingua possui justamente um termo que define esplendidamente o modo de agir nesse 
sentido; e o "cumprimento do dever" Significa isso nao se contentar o individuo somente consigo, 
mas em procurar servir a coletividade. 

A disposigao fundamental de que emana um tal modo de proceder, e chamada por nos 
Idealismo, em oposigao ao Egoismo. Entendemos por essa palavra a faculdade de sacrificio do 
individuo pelo conjunto de seus semelhantes. 

E necessario proclamar repetidamente que o idealismo nao significa apenas uma superflua 
manifestagao sentimental, era e sera sempre, em verdade, a condigao primordial para o que 
denominamos "civilizagao"- Foi esse idealismo o criador do conceito "homem"! E a essa tendencia 
interior que o ariano deve sua posigao no Mundo, esse a ela tambem deve a existencia do homem 



superior. O idealismo foi que, do espirito puro, plasmou a forga criadora, cuja obra - os 
monumentos culturais - brotou de urn consorcio singular entre a violencia bruta e a inteligencia 
genial. 

Sem as tendencias do idealismo, mesmo as faculdades mais brilhantes nao passariam de uma 
abstragao, pura aparencia exterior, sem valor intrinseco, nunca podendo resultar em forga criadora. 

Como, entretanto, o idealismo genuino nao e mais nem menos do que a subordinagao dos 
interesses e da vida do individuo a coletividade, isso tambem, por sua vez, estabelece as 
condigoes para novas organizagoes de toda especie. Esse sentimento, no seu intimo, corresponde 
a vontade mais imperiosa da Natureza. So ele e que conduz os homens a reconhecerem 
espontaneamente o privilegio da forga e do vigor, fazendo deles uma poeirinha insignificante 
naquela organizagao que forma e constitui o Universo. O idealismo mais puro reveste-se 
inconscientemente do mais profundo conhecimento. 

O quanto isso e verdadeiro, o quanto e inexistente a relagao entre o idealismo real e as 
fantasmagorias de brinquedo, ressalta, a primeira vista, do juizo de uma crianga pura, de um 
menino sao, por exemplo. O mesmo jovem que escuta, sem interesses e com repugnancia, as 
tiradas interminaveis de um pacifista "idealista", prontifica-se a dar imediatamente sua vida pelo 
ideal de seu nacionalismo. 

Inconscientemente obedece af ao instinto, que reconhece a necessidade recondita da 
conservagao da especie, a custa do individuo. Se preciso for, langara um protesto contra as 
fantasias do discursador pacifista, que, em realidade, no seu pape) de egoista mascarado, porem 
covarde, peca diretamente contra as leis da evolugao. Esta e condicionada pela disposigao ao 
sacriffcio do individuo em prol da especie, e nao por visoes morbidas de sabichoes covardes e 
crfticos da Natureza. 

E justamente nas epocas em que o sentimento idealista parece querer desaparecer, que 
podemos tambem imediatamente verificar uma queda daquela forga formadora de coletividade e, 
por si mesma, criadora de possibilidades culturais. Logo que o egoismo principia a governar um 
povo, afrouxam-se os vinculos da ordem e, na caga atras da felicidade, e que os homens se 
precipitam do ceu para dentro do inferno. 

Sim, ate o posteridade esquece aqueles que so serviram a seus interesses pessoais e exalta os 
herois que renunciaram a sua propria ventura. 

O judeu e que apresenta o maior contraste com o ariano. Nenhum outro povo do mundo possui 
um instinto de conservagao mais poderoso do que o chamado "Povo Eleito". Ja o simples fato da 
existencia desta raga poderia servir de prova cabal para essa verdade. Que povo, nos ultimos dois 
milenios, sofreu menos alteragoes na sua disposigao intrinseca, no seu carater, etc., do que o povo 
judeu? Que povo, enfim, sofreu maiores transtornos do que este, saindo, porem, sempre o mesmo, 
no meio das mais violentas catastrofes da humanidade? Que vontade de viver, de uma resistencia 
infinita para a conservagao da especie, fala atraves desses fatos! 

As qualidades intelectuais do judeu formaram-se no decorrer de milenios, Ele passa hoje por 
"inteligente" e o foi sempre ate um certo ponto. Somente, sua compreensao nao e o produto de 
evolugao propria, mas de pura imitagao. Q espirito humano nao consegue galgar alturas, sem 
passar por degraus; para cada passo ascendente, necessita ele do fundamento do passado, 
naquele sentido lato que so na cultura geral pode transparecer. Apenas uma pequena parte do 
pensamento universal repousa sobre o conhecimento proprio; a maior parte e devido as 
experiencias de epocas precedentes. Q nivel geral de cultura mune o indivfduo sem que disso ele 
se aperceba, de uma tal riqueza de conhecimentos preliminares, que, assim preparado, ele, mais 
facilmente, seguira o seu caminho. Q menino de hoje, por exemplo, cresce, cercado por uma 
infinidade de inventos tecnicos dos ultimos seculos, de tal modo, que muitas coisas - um enigma, 
ha cem anos, para os espiritos mais adiantados - Ihe passam despercebidas, embora a 
observagao e a compreensao dos nossos progressos no dito terreno sejam para ele de uma 
importancia decisiva. Se mesmo um cerebro genial da segunda decada do seculo passado saisse 
hoje do seu tumulo, encontraria maior dificuldade em se orientar no tempo atual, do que, hoje, um 
rapazinho de quinze anos, de Inteligencia mediana. Ao ressuscitado faltaria toda a formagao 
previa, interminavel, quase inconscientemente absorvida pelo nosso contemporaneo durante seu 
periodo de crescimento, no meio das manifestagoes da civilizagao geral. Como entao o judeu - por 
motivos que ressaltam a primeira vista - nunca possuiu uma cultura propria, as bases do seu 
trabalho espiritual sempre foram ditadas por outros. Em todos os tempos, seu intelecto 



desenvolveu-se por influencias do mundo civilizado que o cerca. 

Nunca se operou um processo inverse. 

Mesmo que o instinto de conservagao do povo judeu nao fosse mais fraco e sim mais forte do 
que de outros povos, quando mesmo sua capacidade intelectual pudesse dar a impressao de 
poder ele concorrer sem desigualdade com as demais ragas, faltar-lhe-ia, no entanto, inteiramente, 
a condigao "sine qua non" para um povo expoente de cultura - a mentalidade idealista. 

No povo judeu, a vontade de sacrificar-se nao vai- alem do puro instinto de conservagao do 
individuo. O sentimento de solidariedade acha seu fundamento em um instinto gregario muito 
primitivo, que se manifesta em muitos outros seres nesse mundo. Notavel e nisso tudo o fato de 
que instinto gregario so conduz ao apoio mutuo, ali onde um perigo comum torna apropriado ou 
Inevitavel tal auxilio. O mesmo bando de lobos que, era determinado momento, assalta em comum 
a sua presa, se dispersa de novo, assim que acaba de matar a fome. O mesmo fazem os cavalos, 
que, juntos, procuram defender-se de um ataque, para dispersarem-se, para todos os lados, uma 
vez perigo passado. 

Analogo e o caso do judeu. Seu espirito de sacrificio e so aparente, so perdura, enquanto a 
existencia de cada um o exige peremptoriamente. Entretanto uma vez vencido o inimigo comum e 
afastado o perigo, que a todos ameagava, os espolios em seguranga, cessa a aparente Inarmonia 
dos judeus entre si, para deixar novamente transparecerem as tendencias primitivas. O judeu so 
conlnece a uniao, quando ameagado por um perigo geral ou tentado por uma fillnagem em comum; 
desaparecendo ambos estes motivos, os sinais caracteristicos do egofsmo mais cru surgem em 
primeiro piano, e o povo, ora unido, de um instante l>ara outro transforma-se em uma clnusma de 
ratazanas ferozes. 

Se OS judeus fossem os Inabitantes exclusivos do IVIundo nao so morreriam sufocados em 
sujeira e porcaria como tentariam vencer-se e exterminar-se mutuamente, contanto que a 
indiscutivel falta de espirito de sacrificio, expresso na sua covardia, fizesse, aqui tambem, da luta 
uma comedia. E pois uma ideia fundamentalmente erronea, querer enxergar um certo espirito 
idealista de sacrificio na solidariedade do judeu na luta ou, mais claramente, na exploragao de 
seus semelhantes, Aqui igualmente o judeu nao e movido por outra coisa senao pelo egofsmo 
individual nu e cru. Por isso mesmo, o Estado judaico - que deve ser o organismo vivo para a 
conservagao e multiplicagao da raga - nao possui nenhum limite territorial. Uma formagao estatal 
compreendida dentro de um determinado espago, pressupoe sempre uma disposigao idealista na 
raga, que ocupa esse Estado, antes de tudo, porem, uma compreensao exata da nogao de 
"trabalho". A falta de tal convicgao acarreta o desanimo, nao so para construir, como ate para 
conservar um Estado com limites marcados. Com isso desaparece o fundamento unico da origem 
de uma civilizagao. 

Por isso tambem e que o povo judeu, apesar de suas aparentes aptidoes intelectuais, 
permanece sem nenhuma cultura verdadeira e, sobretudo, sem cultura propria. O que ele hoje 
apresenta, como pseudo-civilizagao, e o patrimonio de outros povos, ja corrompidos nas suas 
maos. 

Para se julgar o judaismo em face da civilizagao humana, e preciso salientar o trago 
caracterfstico mais inerente a sua natureza, a saber: que nunca houve uma arte Judaica, como 
hoje ainda nao ha, e que as duas rainhas entre as artes - a arquitetura e a musica - nada de 
espontaneo Ihe devem, o que tem feito no terreno artistico e ou fanfarronice verbal ou plagio 
espiritual. Alem disso, faltam ao judeu aquelas qualidades que distinguem as ragas privilegiadas no 
ponto de vista criador e cultural. 

A que ponto o judeu aceita por imitagao a civilizagao estranha, ate deformando-a, esta provado 
pelo fato de ser a arte dramatica a que mais o atrai, sendo, como, a que menos depende de 
invengao pessoal. Mesmo nessa especialidade, ele realmente nao passa de um "cabotino", melhor 
ainda, de um macaqueador, faltando-Ihe a inspiragao para grandes realizagoes; nunca e construtor 
genial, mas sim puro imitador. Os pequenos truques por ele utilizados nao podem entretanto a 
ninguem enganar, encobrindo a falta de. vitalidade intrinseca do seu talento. So a imprensa 
judaica, que presta o seu auxilio carinhosamente, completando falhas e entoando, mesmo sobre o 
remendao mais mediocre, um tal hino de "louvores" que o resto do mundo acaba supondo tratar-se 
de um verdadeiro artista, quando se trata, apenas, de um miseravel comediante. Nao. O judeu nao 
possui forga alguma suscetivel de construir uma civilizagao e isso pelo fato de nao possuir nem 
nunca ter possuido o menor idealismo, sem o qual o homem nao pode evoluir em um sentido 



superior. Eis a razao por que sua inteligencia nunca construira coisa alguma; ao contrario, agira 
destruindo; quando muito, poder dar urn incentivo passageiro, aparecendo entao como o prototipo 
da "Forga, que sempre deseja o Mai, fazendo o Bern". Nao por ele, mas sim apesar dele, vai se 
realizando de qualquer modo o progresso da humanidade. 

O judeu, nao tendo jamais possuido um Estado com definidos limites territorials e, portanto, 
nenhuma cultura propria, formou-se o habito de classificar esta raga entre os nomades. E isto um 
erro tao grande quanto perigoso. O nomade dispoe, para viver, de um espago limitado por 
fronteiras; nao o cultiva, porem, como um lavrador estabelecido, mas vive do rendimento de seus 
rebanhos, com os quais percorre as suas terras. A razao para isso reside, aparentemente, na 
pouca fertilidade do solo, que nao permite a instalagao de uma colonia; no fundo, entretanto, esta 
na desarmonia entre a civilizagao tecnica de uma epoca ou de um povo e a pobreza natural do 
lugar habitado. Ha regioes, onde o ariano, somente pelo desenvolvimento de sua tecnica milenar, 
consegue, em colonias isoladas, apoderar-se das terras e delas extrair os elementos necessarios 
ao seu sustento, se nao fosse essa tecnica, ou ele teria que se afastar dessas paragens, ou viver 
igualmente como nomade, em constante peregrinagao. se e que sua educagao, atraves de 
milenios, e seu habito de vida estabelecida, nao tornasse semelhante solugao totalmente 
insuportavel. Seja lembrado que quando se descobriu o Continente Americano, numerosos arianos 
lutavam pela vida, como armadores de algapao, cagadores, etc., e isto freqGentemente, em bandos 
maiores, com mulher e filhos, mudando sempre de paradeiro, em uma vida igual a dos nomades. 
Logo, porem, que o seu numero, por demais acrescido, assim como recursos mais aperfeigoados, 
permitiram desbravar o solo virgem e resistir aos indfgenas, comegou a surgir, no pafs, uma 
colonia depois da outra. 

E provavel que o ariano tambem tenha sido primeiro nomade, depois, com o decorrer do tempo, 
se tenha fixado; mas nunca o foi o judeu! Nao, o judeu nao e um nomade, pois, mesmo este ja 
tomava atitudes definidas quanto ao "trabalho", contanto que, para isso, existissem as devidas 
condigoes espirituais. O idealismo, como sentimento fundamental, existe nele, embora 
infinitamente apagado; e por isso que, em todo seu complexo, o nomade podera parecer estranho 
aos povos arianos, mas nunca antipatico. Tal nao acontece com o judeu; este nunca foi nomade e 
Sim um parasita incorporado ao organismo dos outros povos. Sua mudanga de domicilio, uma vez 
por outra, nao corresponde as suas intengoes, sendo resultado da expulsao sofrida por ele, de 
tempos em tempos, da parte dos povos que o abrigam e que ele explora. O fato dele continuar a 
se espalhar pelo mundo e um fenomeno proprio a todo parasita; este anda sempre a procura de 
novos terrenos para fazer prosperar sua raga. 

Com nomadismo isso nada tem que ver, porque o judeu nao cogita absolutamente de 
desocupar uma regiao por ele ocupada, ficando ai, fixando-se e vivendo ai tao bem estabelecido, 
que mesmo a violencia dificilmente o consegue expulsar. Sua expansao atraves de pafses sempre 
novos so principia quando neles existem condigoes precisas para Ihe assegurar a existencia, sem 
que tenha que mudar de domicilio como o nomade, E e sera sempre o parasita tipico, um bicho, 
que, tal qual um microbio nocivo. Se propaga cada vez mais, assim que se encontra em condigoes 
propicias. A sua agao vital igualmente se assemeiha a dos parasitas, onde ele aparece. O povo, 
que hospeda, vai se exterminando mais ou menos rapidamente. Assim viveu o judeu, em todos 
OS tempos, nos Estados alheios, formando ali seu proprio "Estado", que alias costumava navegar 
em paz, ate que circunstancias exteriores desmascarassem por completo seu aspecto velado de 
"comunhao religiosa". Uma vez, porem, que adquira bastante forga para prescindir de tal disfarce, 
deixava afinal cair o veu e torna-se de subito, aquilo, que os outros nao queriam, dantes, nem crer 
nem ver: o judeu. Na vida do judeu, incorporado como parasita no meio de outras nagoes e de 
outros Estados, existe um trago caracteristico, no qual Schopenhauer se inspirou para declarar, 
come ja mencionamos: "O judeu e o grande mestre na mentira". A vida impele o judeu para a 
mentira, para a mentira incessante, da mesma maneira que obriga o homem do norte a vestir 
roupa quente. 

Sua vida, no seio de povos estranhos, so pode perdurar, se ele conseguir despertar a crenga de 
ser representante, nao de um povo, mas de uma "comunhao religiosa", muito embora singular. 

Ai esta a primeira grande mentira. 

Para poder levar essa vida, a custa de outros povos, precisa ele recorrer a negagao de sua 
individualidade interior. Quanto mais inteligente e cada judeu melhor conseguira iludir. Pode chegar 
ao ponto de grande parte o povo que o hospeda acreditar seriamente que o judeu seja trances ou 



ingles, alemao ou italiano, embora pertencente a uma crenga especial. As vitimas mais frequentes 
de tao infame fraude sao os funcionarios oficiais que parecem sempre influenciados por essa 
fragao historica da sabedoria universal. O pensamento independente, em tais rodas, passa, as 
vezes, como urn verdadeiro pecado contra o progresso na vida, de modo que ninguem se deve 
admirar, quer por exempio, urn secretario de Estado na Baviera, ate hoje, ainda nao possua a mais 
leve suspeita de que os judeus constituem um povo e nao uma seita religiosa. Alias, basta um 
olhar langado sobre a imprensa, eivada de judaismo, para revelar tal verdade mesmo ao espirito 
mais curto. E verdade, que o "Eco Judeu" ainda nao e o orgao oficial, nao podendo tragar normas 
ao intelecto de uma tal autoridade do Governo. 

O judaismo nunca foi uma religiao, e sim sempre um povo com caracteristicas raciais bem 
definidas. Para progredir teve ele, bem cedo, que recorrer a um meio, para dispersar a atengao 
malevola, que pesava sobre seus adeptos. Que meio mais conveniente e mais inofensivo do que a 
adogao do conceito estranho de "comunhao religiosa"? Pols, aqui, tambem, tudo e emprestado, ou, 
melhor, roubado - a personalidade primitiva do judeu, ja por sua natureza, nao pode possuir uma 
organizagao religiosa, pela ausencia completa de ideal, e, por isso mesmo, de uma crenga na vida 
futura. Do ponto, de vista ariano, e impossivel imaginar-se, de qualquer maneira, uma religiao sem 
a convicgao da vida depois da morte, Em verdade, o Talmud tambem nao e um livro de preparagao 
ao outro mundo, mas sim para uma vida presente boa, suportavel e pratica. 

A doutrina Judaica e, em primeiro lugar, um guia para aconselhar a conservagao da pureza do 
sangue, assim como o regulamento das relagoes dos judeus entre si, mas ainda com os nao 
judeus, isto e, com o resto do inundo. Nao se trata, em absoluto, de problemas morals, e sim de 
questoes economicas, muito elementares, Existem hoje e ja existiram em todos os tempos estudos 
bastantes aprofundados sobre o valor etico do ensino da doutrina Judaica, especie de religiao, 
que, aos olhos arianos, parece, por assim dizer, escabrosa (tais estudos naturalmente nao provem 
de iniciativa dos judeus, ao contrario, seriam habilmente adaptados ao fim visado). O produto 
dessa educagao religiosa - o proprio judeu e o seu melhor expoente. Sua vida so se limita a esta 
terra, e seu espirito conservou-se tao estranho ao verdadeiro Cristianismo quanto a sua 
mentalidade o foi, ha dois mil anos, ao grande fundador da nova doutrina. Verdade e que este nao 
ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu; em certa emergencia pegou ate no chicote para 
enxotar do tempio de Deus este adversario de todo espirito de humanidade que, outrora, como 
sempre, na religiao, so discernia um veiculo para facilitar sua propria existencia financeira. Por isso 
mesmo, alias, e que Cristo foi crucificado, enquanto nosso atual cristianismo partidario se rebaixa a 
mendigar votos judeus nas eleigoes, procurando ajeitar combinagoes politicas com partidos de 
judeus ateistas e tudo isso em detrimento do proprio carater nacional. 

Em uma seqGencia logica, amontoam-se sempre novas mentiras sobre a grande mentira inicial, 
a saber: que o judaismo nao e uma raga, mas uma religiao. A mentira estende-se igualmente a 
questao da lingua dos judeus; esta nao Ihes serve de veiculo para a expressao, mas sim de 
mascara para seus pensamentos. Falando trances, seu modo de pensar e judeu; torneando versos 
em alemao nao faz senao fazer transparecer o espirito da sua raga. 

Enquanto o judeu nao se torna senhor dos outros povos e forgado, quer queira quer nao, a falar 
as linguas desses. 

No momento, porem, em que esses se tornassem seus vassalos, teriam que aprender todos um 
idioma universal (por exempio, o Esperanto!) a fim de assim poderem ser dominados mais 
facilmente pelo judafsmo. 

Os "Protocolos dos Sabios de Siao", tao detestados pelos judeus, mostram, de uma maneira 
incomparavel, a que ponto a existencia desse povo e baseada em uma mentira ininterrupta. "Tudo 
isto e falsificado", geme sempre de novo o "Frankfurter Zeitung", o que constitui mais uma prova de 
que tudo e verdade. Tudo o que muitos judeus talvez fagam inconscientemente, acha-se aqui 
claramente desvendado. Mas o ponto capital e que nao importa absolutamente saber que do 
cerebro judeu provem tais revelagoes. O ponto decisivo e a maneira pela qual essas revelagoes 
tornam patentes, com uma seguranga impressionante, a natureza e a atividade do povo judeu nas 
suas relagoes intimas, assim como nas suas finalidades. A melhor critica desses escritos e 
fornecida entretanto pela realidade. Quem examinar a evolugao historica do ultimo seculo sob o 
prisma deste livro, logo compreendera tambem o clamor da imprensa judaica, pois no dia em que o 
mesmo for conhecido de todo o povo, nesse dia estara evitado o perigo do judaismo. 

Para bem conhecer o judeu, o melhor meio e estudar o caminho seguido por ele no seio dos 



outros povos e no decorrer dos seculos. Basta para isso estudar um so exempio, que nos sera 
bastante instrutivo. Como a sua evolugao, sempre e em todos os tempos, foi a mesma, como 
tambem os povos por ele devorados, sao sempre os mesmos, seria recomendavel, em um tal 
estudo, dividir essa marcha da sua evolugao em periodos definidos, que marcarei com letras para 
simplificar. 

Os primeiros judeus vieram para a Germania no curso da marcha invasora dos Romanes, como 
sempre, negociando. Nos tumulos das invasoes parecem entretanto ter desaparecido, e o tempo 
da primeira formagao de Estados germanicos pode ser considerado o inicio de uma nova e 
permanente invasao Judaica na Europa Central e Setentrional. Comega ai uma evolugao, que 
sempre foi identica, toda vez que, em qualquer parte, houve colisao dos judeus com povos arianos. 

a) Com a instalagao das primeiras colonias fixas, surge repentinamente o judeu. Ele chega 
como negociante, e, a principio, nao se preocupa em disfargar a sua nacionalidade. Ainda e o 
judeu, talvez em parte tambem, porque, exteriormente, a diferenga racial entre ele e o povo 
hospitaleiro e grande demais, seu conhecimento da lingua muito falho, as desconfiangas da gente 
da terra muito sensiveis, para Ihe permitirem aparecer sob outro aspecto que o de um comerciante 
estrangeiro. Com o seu jeito insinuante e a Inexperiencia do outro povo, a conservagao de sua 
personalidade nao apresenta para ele nenhuma desvantagem; pelo contrario, antes uma vantagem 
que e a de ser amavelmente recebido na sua qualidade de estrangeiro. 

b) Aos poucos, comega ele a trabalhar no terreno economico, nao como produtor mas 
exclusivamente como intermediario. Na sua habilidade milenar de negociante, supera de muito os 
arianos, os quais ainda se mostram sem jeito e, sobretudo, de uma probidade sem limites. Assim, 
em pouco tempo, o judeu ameaga adquirir o monopolio do comercio. Comega com emprestimos de 
dinheiro, e, como sempre, com juros de usurarios. Na verdade, foi ele quem, por este meio, 
introduziu o juro. O perigo dessa nova instituigao, a principio, nao e reconhecido, sendo ela ate 
acolhida com entusiasmo pelas vantagens momentaneas que oferece. 

e) O judeu estabeleceu-se completamente, isto e, habita em cidades e lugarejos, bairros 
especiais, formando cada vez mais um Estado seu, dentro do Estado. Considera o comercio e 
todos OS negocios financeiros como seu privilegio pessoal, que explora sem escrupulo algum. 

d) As finangas e o comercio tornaram-se decididamente monopolio seu. Seus juros de usurarios 
afinal provocam oposigao, seu atrevimento crescente revolta, sua riqueza produz inveja. A medida 
chega a transbordar, quando a propriedade e a terra tambem ingressam no circulo de seus 
objetivos comerciais, sendo rebaixados ao grau de mercadoria vendavel e mais apta a ser 
negociada. Como o judeu nunca cultiva a terra, que para ele representa um fundo de exploragao, o 
campones pode ficar vivendo all, entretanto tao miseravelmente oprimido por seu novo senhor, que 
a aversao contra esse vai pouco a pouco se convertendo em odio declarado. Sua insaciavel tirania 
torna-se tao grande que desperta reagoes violentas. Comega-se a examinar, sempre mais de 
perto, corpo estranho, descobrindo-se nele sempre novos tragos e maneiras repelentes, ate que 
a cisao completa se opera. 

Nas epocas das maiores privagoes, a furia, afinal, rebenta contra ele; as massas exploradas e 
totalmente aniquiladas recorrem a defesa propria, a fim de se livrarem do "flagelo de Deus". No 
decorrer dos seculos, ja o conheceram de sobra, sentindo que sua simples existencia e uma 
calamidade equivalente a peste. 

e) Entao principia o judeu a desvendar suas qualidades genufnas. Gragas a lisonja abjeta, 
consegue acercar-se dos Governos, faz girar e trabalhar o seu dinheiro, e deste modo arranja 
sempre uma "carta branca' para a exploragao de suas vitimas. Mesmo que, as vezes, a Ira popular 
se torne violenta contra a eterna sanguessuga, isso nao impede absolutamente de aparecer ele no 
lugar ha pouco abandonado e de recomegar a vida de outrora. Nao ha perseguigao que o possa 
demover do seu processo de exploragao humana; nenhuma o podera expulsar, pois cada 
perseguigao termina ela sua volta dentro em breve e sob a mesma forma. 

Para impedir, pelo menos, a piores conseqiJencias, comega-se a retirar a terra da sua mao 
usuraria, tornando-se a aquisigao da mesma impossivel dentro da lei. 

f) Quanto mais o poder dos principes vai aumentando, mais o judeu se vai chegando a eles. 
Mendiga "privilegios" que facilmente obtem, em troca do devido pagamento destes senhores 
constantemente em dificuldades financeiras. Custe o que custar, em poucos anos ele recobra 
novamente, com juros sobre juros, o dinheiro empregado. Uma verdadeira sanguessuga que se 
agarra ao corpo do infeliz povo e dai nao se mexe ate que os principes precisem novamente de 



dinheiro e se encarreguem de Ihes extorquir pessoalmente o sangue sugado. Tal espetaculo 
repete-se sempre, sendo que o papel dos principes alemaes e tao miseravel quanto o dos proprios 
judeus. Foram, com efeito, perante seu povo, o castigo de Deus. Esses senhores nao encontram 
paralelos senao em varies ministros da epoca atual. 

Aos seus principes e que a nagao alema deve o nao ter podido libertar-se completamente do 
perigo judaico. Infelizmente, as coisas nao se modificaram posteriormente, de modo que do judeu 
so receberam o pago mil vezes merecido pelos pecados cometidos contra seu povo. Aliaram-se 
com demonio, e foram parar onde ele esta! 

g) E assim que o seu processo de sedugao tem levado os principes a ruina. Devagar, porem, 
seguramente, vao se afrouxando os lagos que os ligam aos povos, na medida em que cessam de 
servir os interesses destes, para se transformarem em exploradores dos mesmos. 

O judeu conlnece perfeitamente o fim reservado aos principes e procura, por todos os meios, 
apressa-lo. Ele mesmo alimenta seus eternos apertos financeiros, afastando-os cada vez mais de 
seus verdadeiros deveres, rodeando-os com a mais vil adulagao, conduzindo-os aos erros e 
tornando-se cada vez mais indispensavel a eles. Sua habilidade (ou melhor sua falta de 
escrupulos, em todas as questoes financeiras sabe se arranjar para extorquir sempre novos 
recursos dos suditos explorados, recurso que aos poucos vao desaparecendo. E assim que cada 
corte possui seu "judeu da corte", como se denominam esses entes abominaveis que atormentam 
pobre povo ate o desespero, proporcionando a seus prfncipes alegria perene. 

Quem se admirara, entao, que esses ornamentos do genero humano por fim tambem, querendo 
se enfeitar, subam ate a altura da nobreza hereditaria, contribuindo assim, nao so a expor essa 
classe ao ridfculo, como tambem para envenena-la. 

Entao, naturalmente, ele podera se aproveitar de sua situagao para facilitar seu progresso. 

Afinal, ele nao precisa mais de outra coisa senao do batismo para entrar na posse de todas as 
possibilidades e de todos os direitos dos filhos do pais. Nao e raro ve-lo liquidar tambem esse 
negocio, fazendo a alegria das Igrejas pelo novo filho adquirido e de Israel pelo sucesso da 
mistificagao. 

h) No mundo judaico inicia-se, entao, uma metamorfose- Ate agora foram judeus, isto e, nao 
faziam questao de passar por outra coisa, e tambem era impossivel faze-lo, dados os sinais raciais 
tao caracteristicos, de ambos os lados. Ainda na epoca de Frederico o Grande, ninguem se 
lembraria de ver nos judeus outra coisa senao "o povo estranho", e ate Goethe se mostrava 
horrorizado com o fato dos casamentos entre cristaos e judeus nao serem proibidos legalmente. 
Goethe, portanto, santo Deus, nao era nenhum retrogrado nem "ilota", O que o fazia falar era nada 
menos do que a voz do sangue e da razao, E assim que mau grado toda a conduta vergonhosa 
das cortes - o povo via instintivamente no judeu o corpo estranho introduzido no seu organismo, e 
tomava, por conseguinte, a atitude que essa ideia Ihe sugeria. 

Isso, porem, tinha que mudar. No decorrer de mais de um milenio aprendeu ele a dominar de tal 
forma o idioma do pais que o hospeda, que agora pensa poder se aventurar a tornar menos 
acentuado seu aspecto judaico, pondo em maior relevo seu "germanismo". Por mais ridfculo, 
mesmo extravagante que possa parecer isso a primeira vista, permite-se ele, portanto, o 
atrevimento de se transformar em um "Germano", isto e, em um "Alemao", Com isso principia uma 
das mais infames mistificagoes inimaginaveis. Nao possuindo do "Alemanismo" nada a nao ser a 
arte de maltratar - alias de um modo horrivel - a lingua alema, com a qual, porem, nunca se 
identificou, toda sua nacionalidade alema se resume exclusivamente na fala. A raga, porem, nao 
reside na lingua, mas unicamente no sangue. Ninguem sabe isso melhor do que o judeu, que 
muito pouca importancia da justamente a conservagao de sua lingua. 

Uma pessoa pode, sem mais nem menos, mudar sua lingua, quer dizer, pode servir-se de 
outra, mas, no seu novo idioma, expressara suas ideias antigas, sua natureza intima nao sofrera 
alteragao, o judeu e o melhor expoente desse fenomeno, Fala varias linguas e conserva-se, 
entretanto, sempre judeu. Seus tragos caracteristicos conservaram-se sempre os mesmos, quer - 
ele tivesse falado romano, ha dois mil anos, como vendedor de cereals em Ostia, ou que hoje fale 
alemao quebrado, como negociante, que se enriquece a custa de trigo! E sempre o mesmo judeu. 
Que essa verdade evidente nao seja compreendida, hoje em dia, por um conselheiro ministerial ou 
um funcionario superior da policia, nao e de admirar, pois e diffcil encontrar-se coisa mais sem 
intuigao, mais sem espirito do que os servidores de nossa modelar autoridade oficial dos tempos 
que correm. 



A causa que leva o judeu a resolugao de converter-se subitamente em "alemao" e evidente. Ele 
sente como o poder dos principes vai comegando a se abalar e procura, por isso, ja cedo, uma 
base solida para firmar os pes. 

Alem disso, ja e tao vasta a sua dominagao do mundo economico pelo dinheiro, que, por nao 
possuir todos os direitos de cidadao, ele acaba nao podendo mais sustentar o colossal edificio por 
ele criado, ou pelo menos nao podendo mais aumentar a sua influencia. Ambos os fins sao, porem, 
por - ele desejados, pois, quanto mais alto sobe, mais tentador Ihe aparece o antigo fim alvejado, 
que Ihe fora predito, E com uma ansia febril, que os mais esclarecidos cerebros judaicos veem 
aproximar-se novamente o sonho do dominio universal, tao perto que ja parece realizado, E por 
isso que sua unica aspiragao de hoje e a aquisigao completa dos plenos direitos de cidadaos. Eis a 
razao por que ele tenta ultrapassar as fronteiras do Ghetto. 

i) Deste modo, o judeu cortesao transforma-se em judeu popular, isto e, permanece, como 
dantes, no circulo dos grandes senhores, procura ate, cada vez mais, penetrar nessa roda, mas, 
simultaneamente, outra parte de sua raga vai se aconchegando ao povo de uma maneira que 
inspire confianga. Quando se reflete sobre a soma de males, que, no decorrer dos seculos, ele 
havia feito ao povo, como, cada vez mais, ele o sangrava e explorava sem merce; quando se 
pensa ainda, como o povo, por isso, aos poucos, o foi odiando, vendo afinal na sua existencia 
nada mais do que um castigo do Ceu para os outros povos, pode se avaliar o quanto deve ser 
diffcil ao judeu essa nova atitude, sim, com efeito, e uma ardua tarefa apresentar-se de repente 
como "amigo do genero humano" as proprias vitimas, as quais sempre havia arrancado a pele. 

Seu primeiro esforgo consiste em reparar, aos olhos do povo, o que ate entao Ihe fizera de mal. 
Inicia sua metamorfose na qualidade de "benfeitor" da humanidade. Para que a atitude de bondade 
que, agora, resolveu assumir, possua uma base real, ele nao se pode apegar a antiga frase biblica, 
segundo a qual a esquerda nao deve saber o que a direita da, tem que adotar, quer queira quer 
nao, a pratica de propagar por toda parte o quanto sente os sofrimentos da humanidade e que 
sacrificios faz pessoalmente em beneficio desta. Com essa "modestia", que nele e inata, proclama 
com tanto alarde seus merecimentos pelo mundo afora, que todos comegam a toma-lo a serio. 
Quem nao o fizer, comete uma grande injustiga contra ele. Em pouco tempo, ja principia a revirar 
OS fatos de tal jeito, como se, ate hoje, so ele tivesse sempre sido lesado e nao inversamente. 
Alguns, especialmente os tolos, acreditam nisso, nao se podendo furtar a ter piedade do infeliz. 

Alem disso, cumpre ainda observar, nesse ponto, que apesar de toda a disposigao ao sacrificio, 
judeu pessoalmente nunca empobrece. E que ele sabe se arranjar. So se pode comparar o 
beneficio, por ele praticado, ao adubo, que tambem nao e posto na terra por amor a esta, mas sim 
na previsao do proprio bem-estar do que usa desse processo. Em todo caso, em um lapso de 
tempo relativamente curto, fleam todos sabendo que o judeu se tornou um "benfeitor e filantropo". 
Que mudanga esquisita! 

O que em outras pessoas pode parecer mais ou menos natural, da parte dele desperta a maior 
surpresa, mesmo admiragao, por nao estar de acordo com seus antecedentes. E o que explica 
achar-se cada um de seus atos filantropicos muito mais extraordinario do que se tivesse sido 
praticado por qualquer outra criatura humana. 

Ainda mais: o judeu flea de repente liberal, comegando a sonhar com a necessidade do 
progresso humano. Pouco a pouco, transforma-se no arauto de uma nova epoca. Na verdade, ele 
esta destruindo cada vez mais os fundamentos de uma economia verdadeiramente util ao povo. 
Pelo recurso das sociedades de agoes, vai penetrando nos circulos da produgao nacional, faz 
desta um objeto mais suscetivel de compra e de traficancia, roubando assim as empresas a base 
de propriedade pessoal. Por isso, surge entre o patrao e o empregado aquele distanciamento que 
conduz a Ulterior luta politica de classes. 

Cresce assim a influencia dos judeus em materia economica, alem da Bolsa, e isso com 
assombrosa rapidez. Torna-se proprietario ou controlador das forgas de trabalho do pais. 

Para consolidar sua posigao politica, tenta destruir as barreiras raciais e de cidadania, que mais 
do que tudo o embaragam a cada passo. Para atingir tal fim, luta, com sua resistencia tipica, pela 
tolerancia religiosa, encontrando na Magonaria, que caiu inteiramente em seu poder, um excelente 
instrumento para o combate e para a realizagao de suas aspiragoes. Os circulos governamentais, 
assim como as camadas superiores da burguesia politica e economica, caem em suas armadilhas, 
guiados por fios magonicos, mal se apercebendo disso. So o povo propriamente dito ou, melhor, a 
classe que, despertando, luta pelos seus proprios direitos e sua liberdade, nao pode ser 



conquistado por esse meio, principalmente nas suas camadas mais profundas. Essa, porem, e a 
conquista mais indispensavel. O judeu sente que sua ascensao a uma posigao dominadora so se 
tornara possivel, quando existir a sua frente um "precursor" e este pensa ele descobrir nao entre a 
burguesia mas nas camadas populares. Nao se pode, entretanto, conquistar fabricantes de luvas e 
teceloes com os frageis processos da Ma^onaria, tornando-se obrigatorio introduzir, nesse caso, 
meios mais rudes e grosseiros, porem nao menos energicos. Como segunda arma ao servigo do 
judaismo, existe, alem da IVIagonaria, a imprensa. Com todo o afinco e toda habilidade apossa-se 
e]e desse orgao de propaganda. Com a mesma principia lentamente a enlagar toda a vida oficial, a 
dirigi-la e empurra-la, tendo a facilidade de criar e superintender aquela potencia, que, sob a 
denominagao de "opiniao publica", e hoje mellnor conlnecida do que ha algumas decadas. Com isso 
tudo, apresenta-se sempre como animado por uma infinita sede de saber, elogia todo progresso, 
sobretudo aquele que acarreta a ruina dos outros, pois so julga todo saber e toda evolugao na 
medida em que Ihe facilitam a propaganda de sua raga. Quando falta esse objetivo, torna-se 
inimigo encarnigado de toda luz, um odiador de toda verdadeira civilizagao, Desse modo, utiliza 
todo saber aprendido nas escolas allneias, unicamente ao servigo de sua raga. 

Esse espirito racial ele o preserva como nunca, Enquanto aparenta transbordar de "Instrugao", 
"Liberdade", "Humanidade" etc., preserva o mais rigorosamente possivel a sua raga. Acontece que, 
as vozes, impinge suas mulheres a cristaos de influencia, porem tem por princfpio conservar 
sempre a pureza do ramo masculino. Envenenando o sangue alheio, zela sobremodo pelo seu 
proprio. Quase nunca o judeu casara com uma ens1 i, o inverso se da entretanto entre o cristao e a 
judia, OS bastardos, apesar disso, so herdam as qualidades do lado judeu, a parte mais nobre 
degenera completamente. O judeu sabe disso muito bem e empreende, sempre segundo um 
programa, esta especie de "desarmamento" da camada dos "lideres" intelectuais de seus 
adversarios de raga. Para mascarar seu modo de agir, e para iludir as suas vitimas, vai falando, 
cada vez mais, da igualdade de todos os homens, sem consideragoes de raga nem de cor. Os 
tolos ja principiam a acreditar nas suas afirmagoes. Dado o fato de sua personalidade ainda ter um 
cunho por demais exotico para poder prender, sem mais nem menos, sobretudo as grandes 
massas populares, da ele a imprensa a incumbencia de representa-lo tao diferente da realidade 
quanto seja necessario para servir a finalidade visada. E, especialmente em jornais humoristicos, 
que se encontra uma tendencia a mostrar os judeus como um povinho inofensivo, que tem la suas 
peculiaridades - como outros as tem - que, porem, mesmo nas suas maneiras talvez um tanto 
estranhas, denota possuir uma alma, possivelmente comica, mas sempre fundamentalmente 
honesta e bondosa. A preocupagao dominante e sempre faze-lo passar antes por insignificante do 
que por perigoso. 

O fim a atingir nessa luta e, porem, a vitoria da democracia, ou como ele a entende, o dominio 
do parlamentarismo, E o que mais satisfaz as suas necessidades, porque, nesse regime, faz-se 
abstragao da personalidade e institui-se, no seu lugar, a preponderancia da burrice, da 
incapacidade e, por ultimo, da covardia! O resultado final haveria de ser, mais cedo ou mais tarde, 
a queda fatal da monarquia. 

j) A formidavel evolugao economica produz uma alteragao na distribuigao do povo em classes. 
Com a morte lenta dos pequenos oficios, tornando-se mais rara a possibilidade do operario ganhar 
a sua existencia independente. ele se vai "proletarizando" a vista d'olhos, E essa a origem do 
"operario de fabrica", na industria. O que melhor o caracteriza e provavelmente nunca chegar ele a 
poder assegurar-se mais tarde uma existencia propria. No mais verdadeiro sentido da palavra, nao 
possui nada; sua velhice torna-se um tormento e quase nao merece a denominagao de "vida". 

Outrora, havia uma situagao analoga que exigia peremptoriamente uma solugao e foi 
encontrada por fim. Ao campones e ao operario, juntou-se a classe do funcionario e empregado, 
mormente do Estado. Todos estes tambem eram individuos sem propriedade. A solugao que o 
Estado descobriu para por fim a essa situagao de mal-estar, foi cuidar dos funcionarios publicos, 
impossibilitados de se manterem por si na velhice, instituindo "a pensao", a aposentadoria Aos 
poucos, um numero cada vez maior de empresas particulares foi seguindo esse exempio, de modo 
que hoje cada empregado fixo recebe mais tarde sua pensao, desde que a empresa tenha 
alcangado ou ultrapassado certo sucesso financeiro. E so a garantia do funcionario publico na 
idade avangada poderia educa-lo aquele amor ao dever que, antes da Guerra, era a qualidade 
mais caracteristica do funcionalismo alemao. Foi desta maneira que toda uma classe popular, que 
permaneceu sem propriedades, foi arrancada a miseria social e assim incorporada ao conjunto da 



Nagao. Problema identico, desta vez em muito maior escala, surgiu recentemente para o Estado e 
para a Nagao. Sempre novas multidoes de gente, milhoes, emigravam do campo para as grandes 
cidades, a fim de ganhar o pao quotidiano, como operarios de fabrica, nas industrias novamente 
fundadas. As condigoes de vida e de trabalho eram mais do que deploraveis. Ja nao convinha, em 
absoluto, transporte mais ou menos mecanico dos velhos metodos de trabalho do antigo operario 
ou dos camponeses aos novos quadros. A atividade de um como de outros nao era mais 
comparavel aos esforgos exigidos do traballnador de fabrica. Se, no antigo oficio manual, o tempo 
ocupava talvez papel menos importante, nos novos metodos de trabalho, era fator essencial. Foi 
de um efeito desastrado a aceitagao formal dos antigos horarios de trabalho nas grandes 
empresas industrials, visto que o produto real alcangado, outrora, era bem reduzido, pela falta dos 
processos intensivos de hoje. Se, portanto, dantes. se podia aturar o dia de 14 e 15 horas de 
trabalho, era impossivel suporta-lo em uma epoca, na qual cada minuto e aproveitado. Na 
realidade, esta introdugao absurda de antigos horarios na atividade industrial de hoje teve um 
resultado infeliz em dois sentidos: a ruina da saude e a destruigao da fe em um direito superior. 
Acrescentou ainda, de um lado, a miseravel diminuigao de salarios, provocando, por outro, a 
posigao cada vez melhor do patrao. 

No campo nao podia haver uma questao social, uma vez que o senhor e o servo faziam o 
mesmo trabalho e comiam do mesmo prato. Ate isso se foi mudando. 

Aparece, agora, como consumada, em todos os setores da vida, a separagao do trabalhador e 
do patrao. 

Os progressos da influencia judaica, no seio do nosso povo, podem ser facilmente descobertos 
na indiferenga, mesmo desprezo, que inspira o trabalho manual. Alias, isso nao e proprio ao 
alemao Foi a influencia latina sobre a nossa vida - fenomeno que nao passa de uma influencia 
judaica - que transformou o antigo respeito ao oficio em um certo desprezo por todo e qualquer 
trabalho fisico. 

Isso deu origem realmente a uma nova categoria social, muito pouco acatada, devendo um dia 
surgir a questao, se sim ou nao, a Nagao possuiria a forga de integra-lo novamente na sociedade 
geral, ou se a diferenga de posigao se estenderia ate a cisao completa entre as classes. 

Uma coisa, entretanto, e inegavel. Nao eram os piores elementos que a nova casta apresentava 
nas suas fileiras, pelo contrario, eram os mais energicos. As sutilezas da chamada "civilizagao" 
ainda nao tinham exercido neles seus efeitos de decomposigao e de destruigao. A nova classe 
social, na sua maioria, ainda nao tinha sido contaminada pelo veneno debilitante do pacifismo, 
mantendo-se robusta, e, segundo as exigencias, mesmo brutal. 

Enquanto a burguesia se descuida em absoluto desta questao de tao grande importancia, 
deixando correr as coisas no maior indiferentismo, o judeu se prevalece das incomensuraveis 
possibilidades futuras, organizando, de um lado, os metodos capitalistas de exploragao humana 
ate OS ultimos extremos, do outro acercando-se das vitimas de seus atos, dirigindo, dentro em 
pouco tempo, a luta deles "contra si mesmos". O grande mestre na mentira sabe admiravelmente 
fazer-se passar por muito puro, a fim de melhor jogar a culpa nas costas alheias. Possuindo o 
desplante de instituir-se em guia das massas, estas nem de leve suspeitam a existencia, atras 
disso tudo, do logro mais infame de todos os tempos. Entretanto, era assim que as coisas se 
passavam. Apenas surgiu a nova categoria social, safda da transformagao economica que se 
estende a todas as classes, o judeu avista, com toda a nitidez e clareza, o novo itinerario a seguir 
para sua prosperidade sempre crescente. Outrora, serviu-se da burguesia como arma contra o 
mundo feudal, agora vai atigar o operario contra o burgues. Se, a sombra da burguesia, ele 
conseguiu, por meios duvidosos, a conquista dos direitos de cidadania, espera agora encontrar, na 
luta do trabalhador pela vida, o caminho para implantar o seu dominio politico. 

Doravante, so resta ao operario a tarefa de pelejar pelo futuro do povo judeu. Sem se 
aperceber, entra a servigo da potencia que ele tem a ilusao de combater. Com a aparencia de 
deixa-la atacar o capital, e que se pode melhor faze-la lutar pelo mesmo. Nisso tudo, grita-se 
constantemente contra o capital internacional, quando em verdade o que se visa e a economia 
nacional. E esta que importa demolir para que, no seu cemiterio, se possa edificar triunfalmente a 
Bolsa Internacional. 

O processo af empregado pelo judeu e o seguinte: aproxima-se do trabalhador, finge 
compaixao pela sua sorte ou mesmo revolta contra seu destino de miseria e indigencia, tudo isso 
unicamente para angariar confianga. Esforga-se por examinar cada privagao real ou imaginaria na 



vida dos operarios, despertando o desejo ardente de modificar a sua situagao. A aspiragao a 
justiga social, latente em cada ariano, e por ele levada de um modo infinitamente habil, ao odio 
contra os privilegios da sorte; a essa campanha pela debelagao de pragas socials Imprlme um 
carater de unlversallsmo bem deflnldo. Esta fundada a doutrlna marxista. 

Apresentando-a Inseparavelmente llgada a toda uma serle de exigenclas socials bem legitlmas, 
val ele favorecendo sua propaganda e, por outro lado, despertando a aversao da humanldade bem 
Intenclonada em satlsfazer aquelas exigenclas, que, expostas da maneira por que o sao, aparecem 
desde o Inlcio, como Injustas, e mesmo de Impossivel reallzagao. 

E que, sob esse disfarce de Idelas puramente socials, escondem-se Intengoes francamente 
diabollcas. Elas sao externadas ao publico com uma clareza demaslado petulante. A tal doutrlna 
representa uma mistura de razao e de loucura, mas de tal forma que so a loucura e nunca o lado 
razoavel consegue se converter em realldade. Pelo desprezo categorico da personalldade, por 
consegulnte da nagao e da raga, destrol ela as bases elementares de toda a civlllzagao humana, 
que depende justamente desses fatores. Els a verdadeira essencia da teoria marxista, se e que se 
pode dar a esse aborto de um cerebro, crimlnoso a denomlnagao de "doutrlna". Com a ruina da 
personalldade e da raga, desaparece o malor reduto de reslstencia contra o reino dos mediocres, 
de que o judeu e o mals tfpico representante. 

Essa doutrlna pode ser julgada justamente pelos seus desvarlos em materia economica e 
politlca. Todos os que, de fato, sao Intellgentes hesltam em entrar no seu sequlto, e os outros, a 
quem falta suflclente atlvldade Intelectual ou preparo economico, preclpltam-se ao seu encontro. O 
judeu, dentro de suas proprlas fllelras, "sacrlflca'> o elemento Intellgente ao movlmento, pols 
mesmo semelhante movlmento nao se pode manter sem Intellgencla. Assim cria-se um verdadeiro 
movlmento trabalhlsta, sob a chefia de judeus. Aparentam visar a melhora das condlgoes dos 
operarios, tendo na mente, porem, em verdade, a escravlzagao e o aniqullamento de todos os 
povos que nao sao judeus. 

A Magonaria se encarrega, por melo da Imprensa, hoje nas maos dos judeus, de levar, a 
burguesia e as camadas populares, a Idela de que a defesa do pais deve conslstir no paclflsmo. A 
essas duas armas demolldoras assecla-se, em terceiro lugar, a organlzagao da violencia bruta que 
e a mals temivel. Como patruiha de ataque, o Marxismo tem que consumar a obra de destrulgao 
que as outras duas armas prepararam. 

Trata-se de uma agao simultanea, admlravelmente conjugada. Nao deve provocar admlragao o 
fato de semelhante arma destruir Instltulgoes que se comprazem em figurar como expoentes da 
autorldade suprema, mals ou menos legendarla. E nas mals altas esferas do funclonallsmo que o 
judeu, em todas as epocas, com raras excegoes,, descobrlu os promotores mals docels da sua 
obra de destrulgao. Essa classe e caracterlzada per: submlssao bajuladora quando trata com 
"superlores", Impertlnencia arrogante com os subalternos. Outra caracteristica e uma estupldez 
que grita aos ceus e so se ve, as vezes, superada, por uma presungao fora do comum. 

Tudo Isso sao defeltos de que o judeu necesslta para aglr junto as nossas autorldades e que, 
por Isso, cultlva com carlnho. 

A luta que, entao, princlpla, pode ser "grosso modo" dellneada da segulnte maneira. 

De acordo com as finalldades da luta judaica, que nao conslstem Unlcamente na conqulsta 
economica do mundo, mas tambem na domlnagao polftica, o judeu divide a organlzagao do 
combate marxista em duas partes, que parecem separadas mas, em verdade, constltuem um bloco 
unico: movlmento dos politlcos e o dos sindlcatos. 

Esse ultimo e um trabalho de allclamento. Na dura luta pela existencia, que o operarlo tem que 
enfrentar, devldo a ganancia e a miopia de multos patroes, o movlmento Ihe propoe ajuda e 
protegao e a posslbllldade de combater por uma melhora nas suas condlgoes de vIda. Se o 
operarlo desejar relvlndlcar seus direltos humanos em uma epoca, em que a "comunldade popular 
organlzada" - o Estado - nao se preocupa com ele em absoluto; se ele nao quiser conflar essas 
suas asplragoes a. cega arbltrarledade de seml-responsavels, dotados, multas vezes, de nenhum 
coragao, e preclso que, pessoalmente, ele se encarregue de sua defesa. Na mesma proporgao, a 
chamada burguesia naclonal, cega pelo dinheiro, poe os malores obstaculos a essa luta pela vIda, 
opondo-se contra todas as tentatlvas de abrevlagao do horarlo de trabalho, desumanamente longo, 
supressao do trabalho Infantll, seguranga e protegao da mulher, melhoramento das condlgoes 
sanltarlas em oflclnas e moradlas, etc. O judeu, mals Intellgente, toma a defesa dos oprlmldos. Aos 
poucos, torna-se o chefe do movlmento social. Isso Ihe e facll, pols nao se trata, na realldade, de 



combater com boa intengao as chagas socials, mas somente de selecionar uma tropa de combate, 
nos meios proletarios, que Ihe seja cegamente devotada na campanha de destruigao da 
independencia economica do pais. Enquanto a chefia de uma sa politica social nao aceitar 
firmemente estas duas diretrizes: conservagao da saude do povo e seguranga de uma 
independencia nacional no terreno economico, o judeu na sua luta nao so descurara 
completamente esses dois problemas, como fara de sua supressao uma verdadeira finalidade. Nao 
deseja ele a conservagao de uma economia nacional independente, mas, ao contrario, o seu 
aniquilamento. Em consequencia, nao ha escrupulos de consciencia que possam demove-lo, como 
chefe do movimento proletario, de fazer exigencias, nao so exorbitantes, como praticamente 
irrealizaveis e proprias a acarretar a ruina da economia nacional. Nao cogita ele de ver uma 
geragao sadia e robusta, deseja somente um rebanho contaminado e apto a ser subjugado. Com 
esse desideratum, faz exigencias tao destituidas de senso que sua realizagao (ele nao o ignora) se 
torna impossivel e nao pode provocar nenhuma modificagao do estado de coisas existente. Serve 
apenas para excitar a massa popular ate ao desvario. Isso, porem, e o que ele quer e nao a 
modificagao para melhor da situagao do proletariado. 

A chefia do judeu na questao social se mantera ate o dia em que uma campanha enorme em 
prol do esclarecimento das massas populares se exerga instruindo-as sobre sua miseria infinita, ou 
ate que o Estado aniquile tanto o judeu como sua obra. E claro que, enquanto durar a falta de 
perspicacia do povo, e o Estado se conservar indiferente como o tem sido ate hoje, as massas 
seguirao sempre de preferencia aquele, cujas promessas, de ordem economica, forem as mais 
audaciosas. Nisso, alias, o judeu leva a palma, pois nenhum escrupulo moral entrava a sua agao. 

E natural que, em pouco tempo, ele tenha vencido, nesse terreno, todos os concorrentes. De 
acordo com sua feroz ganancia, poe ele, a base do movimento operario, o principio da violencia 
mais brutal. Quem for perspicaz e opuser resistencia a tentagao do judeu, tera sua teimosia e 
clarividencia inutilizadas pelo terror. Os efeitos de tal sistema sao simplesmente fantasticos. 

De fato, atraves do operariado, que poderia ser uma bengao para a nagao, o judeu destroi as 
bases da economia nacional. 

Paralelamente a isso, progride a sua organizagao politica. 

Sua cooperagao com o movimento proletario manifesta-se pelo modo por que prepara as 
massas para a organizagao politica, fustigando-as ate pela violencia e pela coagao. Alem disso, o 
judeu e a fonte financeira que alimenta o enorme maquinismo do edificio politico. E o orgao 
fiscalizador da atividade politica de cada um, desempenhando, em todas as grandes 
manifestagoes oficiais, o papel de condutor. Por fim, deixa de se interessar por questoes 
economicas, pondo a disposigao do ideal politico sua principal arma de combate - a renuncia ao 
trabalho, sob a forma de greve coletiva e geral. A organizagao polftica e trabalhista consegue, 
atraves de uma imprensa apropriada aos mais ignorantes, os meios para resolver e agitar as 
camadas mais baixas da nagao, amadurecendo-as para os feitos mais audazes. Sua missao nao 
consiste em arrancar os homens do pantano dos sentimentos baixos e eleva-los a uma posigao 
mais elevada. Ao contrario, visa a satisfagao dos mais baixos instintos destes. Tudo se resume a 
um negocio lucrativo junto a massa popular, tao cheia de presungoes quanto preguigosa e incapaz 
de ideias proprias. E essa imprensa o orgao principal para a destruigao, por uma campanha 
fanatica de calunias, tudo que se pode considerar como esteio da independencia nacional, do 
progresso cultural e da autonomia da nagao. 

Faz ela uma guerra encarnigada as personalidades que nao se querem curvar as pretensoes 
dominadoras dos judeus ou que, por sua capacidade excepcional, impressionam o judeu como um 
perigo iminente. Para que se seja odiado pelo judeu, nao e preciso que se o combata. Basta a 
suspeita de que seu adversario possa apenas nutrir a ideia de perseguigao ou ser um 
propagandista da forga e grandeza de algum povo hostil a sua raga. 

Seu instinto, incapaz de se enganar nestas coisas, fareja em cada um a alma primitiva, 
podendo contar com a sua inimizade todo aquele cujo espirito nao e uma copia do seu. Nao sendo 
judeu a vitima e sim o agressor, seu inimigo nao e so o que ataca mas tambem o que oferece 
resistencia. O meio, porem, pelo qual ele tenta domar almas tao ousadas e francas, nao e por uma 
luta leal e sim pela mentira e pela calunia. Nesse ponto, ele nao recua diante de coisa alguma. 
Torna-se tao ordinario na sua vulgaridade, que ninguem se deve admirar que, entre o nosso povo, 
a personificagao do diabo, como simbolo de todo mal, tome a forma do judeu em carne e osso. 

A ignorancia da grande massa sobre a personalidade do judeu, a falta de alcance das nossas 



altas camadas socials, fazem do povo facilmente a vitima dessa campanha judaica de mentiras. 
Enquanto as classes mais altas se afastam por covardia do Indlviduo atacado pela mentira e 
calunia, o povo proprlamente, na sua tollce e Ingenuldade, costuma acredltar em tudo. As 
autorldades do Governo mantem-se, porem, em sllencio, ou, mals freqGentemente, a flm de porem 
um termo a campanha dos judeus pela Imprensa, perseguem a Inocente vltlma. Isso aparece aos 
olhos de um asno, sob a capa de funclonarlo, como uma salvaguarda da autorldade do Governo e 
uma garantia da ordem e da tranqullldade! 

Sobre o cerebro e a alma da gente de bem, val descendo, aos poucos, como um pesadelo, o 
temor do judaismo, a arma dos marxistas. 

Todos comegam a tremer diante do terrivel Inlmlgo, tornando se assim suas vltlmas deflnltlvas. 

k) O dominio do judeu no Estado ja parece tao firmado, que, agora, nao so ele tem direlto de 
aparecer como judeu, como tambem de externar seus pensamentos mals fntlmos a respelto de 
raga e de politica, sem por nisso o menor escrupulo. Parte da sua raga ja se confessa abertamente 
como povo estrangeiro, o que ainda e uma pequena mentira. Enquanto o Slonlsmo se esforga por 
fazer crer a Humanldade que a consclencia do judeu, como povo, encontraria satlsfagao na criagao 
de um Estado na Palestlna, os judeus nada mals fazem que ludlbrlar os cristaos, da maneira mals 
miseravel. 

Nao cogltam absolutamente de Implantar na Palestlna um Estado para all viverem. O que eles 
desejam, e, unlcamente, um centro de organlzagao autonomo, ao abrlgo da Intrusao de outras 
potenclas. Querem apenas um refuglo seguro para a sua canalhlce, Isto e, uma academla para a 
educagao de trapacelros. 

E, porem, um Indfcio, nao so de sua conflanga crescente, como tambem da consclencia de sua 
seguranga, que uma parte se proclame, aberta e cinlcamente, como raga judaica, ao mesmo tempo 
que a outra, sem a minima sincerldade, disfarga-se em alemaes, franceses ou Ingleses. 

A maneira por que tratam os outros povos e- um sinal evidente de que veem multo proxima a 
vltorla. 

O judeuzlnho de cabelos negros esprelta, horas e horas, com um prazer satanico, a menlna 
Inocente que ele macula com o seu sangue, roubando-a ao seu povo. Nao ha melos que ele nao 
empregue para estragar os fundamentos raclals do povo que ele se propoe veneer. Do mesmo 
modo que, segundo um piano tragado, val corrompendo mulheres e moclnhas, tambem nao recua 
diante do romplmento de barrelras Impostas pelo sangue, empreendendo essa obra em grande 
escala, no pais estranho. Foram e contlnuam a ser aInda judeus os que trouxeram os negros ate o 
Reno, sempre com os mesmos Intultos secretos e fins evidentes, a saber: "bastardlzar" a forga a 
raga branca, por eles detestada, preclplta-la do alto da sua poslgao politica e cultural e elevar-se 
ao ponto de domlna-la Intelramente. 

Decorre daf que um povo de raga pura, consclente de seu sangue, nunca podera ser subjugado 
pelo judeu. Este so podera ser domlnador de bastardos. E assIm que, sistematlcamente, ele tenta 
fazer balxar o nivel racial por um Inlnterrupto envenenamento dos Indlviduos. 

Em materia politica, comega ele a substltuir o Ideal democratico pelo da DItadura do 
Proletarlado. Na multldao organlzada do marxismo e que ele fol encontrar a arma que a 
Democracia nao Ihe da e que Ihe permlte a subjugagao e o governo dos povos pela forga bruta, 
ditatorlalmente. 

Seu programa visa a revolugao em um dupio sentldo: economico e politico. 

Povos que opoem ao ataque Inferno uma forte reslstencia sao por ele envolvldos em uma tela 
de Inlmlgos, gragas as suas Influenclas Internaclonals. Inclta-os a guerra, Implantando, se preclso 
for, nos campos de bataiha, a bandeira revoluclonarla. Economlcamente, eles criam para os 
Estados tal situagao que as empresas oflclals, delxando de dar resldas, sao subtraidas a diregao 
do Estado e submetldas a fiscallzagao financeira do judeu. 

No terreno politico, recusam eles ao Estado os melos para sua subslstencia, destroem as bases 
de toda e qualquer defesa naclonal, aniqullam a crenga em uma chefia, desprezam a historia e o 
passado, e enlamelam tudo que e expoente de grandeza real. 

A contamlnagao, em materia de cultura, manlfesta-se na arte, na llteratura, no teatro. Cobrlndo 
de ridiculo o sentlmento espontaneo, destroem todo concelto de beleza e elevagao, de nobreza e 
de bondade, arrastando o homem aos seus sentlmentos Inferlores. A rellglao e ridlcularlzada Sons 
costumes e moralldades sao taxados de colsas do passado, ate que os ultlmos estelos de uma 
naclonalldade tenham desaparecldo. 



I) Principia agora a ultima grande Revolugao. 

Chegando a alcangar a preponderancia politica, despojam-se eles dos poucos disfarces que 
ainda Ihes restam, o judeu popular e democratico se transforma no judeu sanguinario e tiranizador 
de povos. Procura exterminar, em poucos anos, os expoentes nacionais da intelectualidade, 
preparando os povos, que ele priva de uma natural diregao espiritual, para uma opressao continua. 

O exempio mais terrivel nesse genero e apresentado pela Russia, onde o judeu, com uma 
ferocidade verdadeiramente fanatica, trucidou cerca de trinta milhoes, alguns por meio de torturas 
desumanas, outros pela tome, e tudo isso com o fito de assegurar a um lote de literatos judeus e 
bandidos da Bolsa o dominio sobre um grande povo. A consequencia final, entretanto, nao e so 
a morte da liberdade dos povos oprimidos, mas tambem a morte desse parasita internacional. Apos 
a imolagao da vitima, morre, tambem, cedo ou tarde, o vampiro. 

Passando em revista todas as causas da derrocada da Alemanha, resta, como ultima e 
decisiva, o desconhecimento do problema racial e sobretudo, do perigo judeu. 

Teria sido muito facil suportar as derrotas de agosto de 1918, nos campos de batalha. Nao 
foram elas que nos aniquilaram, mas sim aquela potencia que preparou essas derrotas, roubando, 
desde muitos anos, sistematicamente, ao nosso povo, os instintos e as forgas morals que sao os 
fatores exclusivos para assegurar a capacidade e os direitos dos povos a existencia. 

O antigo Imperio, nao dando a menor atengao a questao fundamental da raga, que pesa na 
formagao de uma nacionalidade, desprezou o direito unico que explica a vida de um povo. Povos 
que se tornam bastardos ou se deixam contaminar, atentam contra a vontade da Providencia, e 
seu aniquilamento nao e uma injustiga e sim um restabelecimento do direito. Quando um povo nao 
quer mais dar aprego as qualidades inerentes que Ihe foram dadas pela Natureza e que se acham 
enraizadas no seu sangue, nao tem mais o direito de chorar a perda de sua existencia. 

Tudo nesta terra e suscetivel de melhoras. Cada derrota pode engendrar uma vitoria futura, 
cada guerra perdida origina uma ressurreigao vindoura, cada miseria fecunda energias humanas e 
de cada opressao as forgas conseguem erguer-se ate uma renascenga espiritual. Tudo isso, 
porem, enquanto o sangue se conserva puro. 

A perda da pureza de sangue por si so destroi a felicidade intima, rebaixa o homem por toda a 
vida, e as consequencias fisicas e intelectuais permanecem para sempre. 

Todos OS demais problemas vitals, examinados e comparados em relagao a este, aparecerao 
ridiculamente mesquinhos. Todos sao limitados no tempo. A questao, porem, da conservagao ou 
nao conservagao do sangue perdurara sempre, enquanto existir a Humanidade. 

Todos OS importantes sintomas de decadencia de antes da Guerra tinham seu fundamento na 
questao racial. 

Quer se trate de questoes de direito publico ou de abusos na vida economica, de fenomenos de 
decadencia ou de degenerescencia politica, de questoes relativas a uma defeituosa educagao 
escolar ou uma ma influencia exercida sobre adultos pela imprensa, etc., sempre e, em toda parte, 
surge a falta de consideragao aos interesses raciais do proprio povo ou a cegueira diante do perigo 
racial trazido pelo estrangeiro. Dai a ineficacia de todas as tentativas de reforma, de todas as obras 
de assistencia social, de todos os esforgos politicos, de todo progresso economico, de todo 
aparente acrescimo do saber. A nagao e o Estado ja nao possuiam saude real, o seu mal 
progredindo a vista d'olhos, cada vez mais, Toda prosperidade fictfcia do antigo Imperio nao 
conseguia ocultar a fraqueza fntima, toda tentativa de um verdadeiro fortalecimento do poder ficava 
sem efeito, pois deixava de lado a questao de maior importancia, a questao racial. 

Seria erroneo supor que os adeptos das diversas facgoes politicas, que tentaram esfacelar o 
organismo alemao, - mesmo uma parte de seus lideres - fossem homens ordinarios ou mal 
intencionados. A causa unica da esterilidade de seus esforgos foi so terem enxergado, quando 
muito, as manifestagoes exteriores de nossa molestia geral e procurado combate-las, deixando 
cegamente de lado aquele que as provocou. Quem seguir sistematicamente a linha de evolugao do 
antigo Imperio, deve chegar, depois de refletido exame, a conclusao de que, mesmo no tempo da 
unificagao e, portanto, da epoca do maior progresso da nagao alema, ja era evidente a decadencia 
interna e que, apesar de todos os aparentes triunfos politicos e da crescente riqueza, a situagao 
geral piorava de ano para ano. Mesmo as eleigoes de representantes ao "Reichstag" anunciavam, 
com seu acrescimo patente de votos marxistas, o desmoronamento inferno cada vez mais 
proximo e a todos manifesto. Todos os sucessos dos denominados partidos politicos nao tinham 
mais valor, nao so por nao poderem fazer parar a ascensao da onda marxista, mesmo nas 



chamadas vitorias eleitorais burguesas, como tambem pelo fato de ja trazerem dentro de si os 
fermentos da decomposigao. Inconscientemente, o mundo burgues ja se achava contaminado pelo 
veneno mortal do marxismo. Um unico travou a luta, nesses longos anos, com inabalavel 
regularidade, e esse foi o judeu. Sua estrela de Davi" subiu sempre mais alto, a proporgao que a 
vontade da conservagao desaparecia do nosso povo. 

Por isso e que, em agosto de 1914, nao foi um povo resolvido ao ataque que compareceu as 
urnas, mas o que se deu foi um ultimo lampejo do instinto de conservagao nacional diante da 
paralisagao progressiva do nosso organismo popular, provocada pelo pacifismo e pelo marxismo. 
Como, mesmo nesses dias decisivos, se desconhecia o inimigo inferno, toda resistencia era 
debalde. 

Este conhecimento da sifuagao interna e que deveria formular as diretrizes, assim como a 
tendencia do novo movimento. Estavamos convencidos de que so isso seria capaz de fazer 
estacionar o declinio do povo alemao, criando simultaneamente a base granitica sobre a qual um 
dia se podera manter um Estado que nao seja um mecanismo de finalidade e interesses 
puramente economicos, alheio ao povo, mas sim um organismo popular, isto e, UM ESTADO 
VERDADEIRAMENTE GERMANICO. 

CAPITULO XII - O PRIMEIRO PERIODO DE DESENVOLVIMENTO DO PARTIDO 
NACIONAL SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMAES 

Quando, no fim deste volume, descrevo o primeiro periodo de evolugao do nosso movimento, 
comentando, em breves palavras, as questoes dele decorrentes, nao tenho o intuito de fazer uma 
prelegao sobre os seus fins intelectuais. Os propositos e fins do novo movimento sao tao 
importantes que so poderao ser tratados em volume exclusivamente a eles dedicado. Assim 
tratarei, em um segundo volume, das bases do programa do movimento e tentarei demonstrar 
aquilo que para nos representa a palavra "Estado". Com a palavra "nos", designo as centenas de 
milhares de pessoas que, no fundo, se batem pelos mesmos ideals, sem, isoladamente, acharem 
as palavras para designar o que no intimo almejam, pois e caracteristico de todas as grandes 
reformas, que para defende-las aparega, muitas vezes, um so homem, enquanto os seus adeptos 
ja sao milhares. O seu alvo muitas vezes, ja e ha seculos o desejo intimo de milhares de pessoas, 
ate que aparega um que proclame o desejo geral, e, como porta-estandarte, conduza a vitoria as 
velhas aspiragoes, por meio de uma ideia nova. 

Que milhoes de homens desejam de coragao uma mudanga fundamental na situagao de hoje, 
prova-o descontentamento profundo que experimentam- Manifesta-se esse descontentamento de 
mil maneiras: em alguns pelo desanimo e falta de esperanga; em outros pela ma vontade, 
irascibilidade e revolta; neste em indiferenga e naquele em exaltagao furiosa. Como testemunhas 
desse descontentamento intimo podem servir tanto os "fatigados de eleigoes" como os que se 
inclinam para o fanatismo da esquerda. 

E e a esses, em primeiro lugar, que se deveria dirigir o novo movimento. Esse nao deve ser a 
organizagao dos satisfeitos, dos fartos, mas sim dos sofredores e inquietos, dos infelizes e 
descontentes, nao deve, principalmente, sobrenadar na onda humana, mas sim mergulhar ate ao 
fundo da mesma. 

Sob ponto de vista puramente politico, apresentava o ano de 1918 o seguinte aspecto: um 
povo dividido em duas partes. Uma, a menor, abrange as camadas da inteligencia nacional com 
exclusao de todos os trabalhadores manuals. E aparentemente nacional, mas nao e capaz de dar 
a essa palavra outra significagao senao a de uma representagao vaga e fraca dos chamados 
interesses do Estado, que, por sua vez, sao identicos aos interesses dinasticos. Procura defender 
as suas ideias e seus fins com armas intelectuais, tao superficiais como cheias de lacunas, e que 
falham diante da brutalidade do adversario. Com um so goipe terrivel, essa classe ate aqui 
dominante e derrubada e suporta com covardia tremula todas as humilhagoes do vencedor sem 
escrupulos. 

A outra parte comp6e-se da grande massa do operariado, concentrada em movimentos 
marxistas mais ou menos radicals, resolvida a veneer a forga bruta toda resistencia dos 
intelectuais. Nao quer ser "nacional", ao contrario, recusa, conscientemente, trabalhar pelos 
interesses nacionais, auxiliando do outro lado a opressao por parte do estrangeiro. Numericamente 
e a mais forte, abrangendo, antes de tudo, aqueles elementos do povo, sem os quais nao se pode 



imaginar uma ressurreigao nacional, porque, (sobre isso ja em 1918 nao deveria ter havido mais 
duvida) todo o reerguimento do povo alemao so seria possivel depois da reconquista do poder 
perante o exterior. As condigoes essenciais para isso, nao sao, porem, como dizem os nossos 
"estadistas" burgueses, armas, mas sim as forgas da vontade. Outrora, o povo alemao possuia 
armas em quantidade mais do que suficiente. Nao soube garantir, a liberdade porque Ihe faltou a 
energia do espirito nacional de conservagao e a vontade firme de auto-conservagao. A melhor 
arma torna-se material morto e sem valor, quando falta o espirito resoluto para maneja-la. A 
Alemanha tornou-se fraca, nao porque Ihe faltassem armas, mas porque Ihe faltou o animo de 
maneja-las para a conservagao nacional. Se, hoje, principalmente os nossos politicos 
esquerdistas, apontam a falta de armas como causa obrigatoria de sua politica exterior fraca, 
condescendente, na verdade, porem, traidora, sa se Ihes pode responder uma coisa: Nao! O 
inverso e o que se da: a vossa criminosa politica de abandono dos interesses nacionais, e que vos 
fez entregar as armas. Agora, quereis apresentar a falta de armas como motivo de Vossa 
miseravel baixeza. Isto, como tudo que fazeis, e mentira e mistificagao. 

Essa acusagao tambem se ajusta exatamente aos polfticos da direita. Gragas a sua covardia foi 
possivel, em 1918, a corja dos judeus, que se tinha apossado do poder, roubar as armas a nagao. 
Por isso tambem eles nao podem, com razao, justificar a sua sabia "moderagao" (diga-se covardia) 
com a hodierna falta de armas, porque essa falta e justamente um resultado de sua covardia. A 
questao da reconquista do poder alemao nao deve consistir em saber, por exempio, como 
fabricaremos armas, mas sim, como despertaremos no povo o espirito que o habilite a ser portador 
de armas. Quando esse espfrito domina um povo, ele achara mil caminhos dos quais cada um 
terminara junto a uma arma! Entreguem-se, porem, dez pistolas a um covarde e, quando for 
agredido, nao sera capaz de disparar um tiro sequer. Tem nas maos dele menos valla que um bom 
porrete nas maos de um homem corajoso. A questao da reconquista do poder politico do nosso 
povo e, em primeira linha, uma questao de saneamento do nosso sentimento de conservagao 
nacional, porque, segundo a experiencia ensina, toda politica exterior eficiente, assim como todo o 
valor de um Estado em si, baseiam-se menos nas armas que possui do que na reconhecida ou 
mesmo suposta faculdade de resistencia moral da nagao. A possibilidade de aliangas e menos 
designada pela existencia de armas mortas do que pela existencia visivel de uma incandescente 
vontade de auto-conservagao nacional e heroico desprezo em face da morte. Uma alianga nao e 
feita com armas mas sim com homens. Dessa maneira, o povo ingles sera considerado o aliado 
mais valoroso do inundo, enquanto os seus governantes e o espfrito da massa geral derem 
mostras de uma brutalidade e persistencia que fazem supor que uma luta, uma vez comegada, 
sera continuada ate um fim vitorioso, sem medir sacrificios nem tempo, nao entrando em 
consideragao se os seus preparativos militares estao em relagao aos dos outros Estados ou nao. 

Compreendendo-se, porem, que o reerguimento da nagao alema e uma questao de reconquista 
da nossa vontade de auto-conservagao, flea evidente que para isso nao basta a conquista de 
elementos ja nacionalistas por si, ao menos pela vontade, mas sim a nacionalizagao de toda a 
massa abertamente antinacional. 

Um novo movimento que almeja o reerguimento de um Estado alemao com soberania propria, 
tera que dirigir sua campanha unicamente no sentido da conquista das grandes massas. Por mais 
miseravel que seja a nossa chamada "burguesia nacional", por mais fraca que seja a sua 
convicgao nacional, desse lado nao se pode esperar uma resistencia seria contra uma politica forte 
interior e exterior. Mesmo que a burguesia alema, de ideias e vistas curtas, permanega em 
resistencia passiva, come ja aconteceu com Bismarck, nao nos fara temer nunca uma resistencia 
ativa devido a sua proverbial covardia. 

Outras sao as circunstancias na massa de nossos compatriotas impregnados de ideias 
internacionais. Nao so os seus instintos primitivos pendem mais para o emprego da forga, mas 
tambem os seus guias judeus sao mais brutais e sem consideragao. Eles inutilizarao do mesmo 
modo todo movimento de ressurreigao nacional, como outrora - quebraram a espinha dorsal ao 
exercito alemao. Principalmente neste regime parlamentar, por forga da sua maioria, farao ruir toda 
a politica nacional exterior, evitando assim uma avaliagao mais alta da forga alema, e, 
consequentemente, a possibilidade de aliangas. O sintoma de fraqueza que representam esses 15 
milhoes de marxistas, democratas, pacifistas e centristas, nao e somente perceptive! a nos, mas 
muito mais ao estrangeiro, que mede o valor de uma alianga conosco por esse peso morto. Nao se 
faz uma alianga com um Estado cuja parte ativa da populagao se conserva passiva, ao menos 



diante de qualquer polftica exterior resoluta. Ajunte-se a isso o fato de serem os chefes desses 
partidos de traigao nacional adversos, por instinto de conservagao, a qualquer progresso. E, 
historicamente, dificil imaginar que o povo alemao chegue algum dia a ocupar a sua posigao 
anterior, sem chamar a prestagao de contas aqueles que motivaram e promoveram o inaudito 
desmoronamento de que foi vitima o nosso Estado. Diante do juizo das geragoes vindouras, o mes 
de novembro de 1918 nao sera qualificado de alta traigao, mas sim de traigao a patria. Assim, a 
reconquista da autonomia alema, perante o exterior, esta ligada em primeira linlna a reconquista da 
uniao consciente do nosso povo. 

Tambem, tecnicamente encarada, a ideia da libertagao alema, perante o estrangeiro, parecera 
loucura, enquanto as grandes massas nao aderirem a esse ideal de liberdade. Encarado do ponto 
de vista puramente militar, qualquer oficial, depois de alguma reflexao, reconhecera que uma 
campanha externa nao podera ser realizada com batalhoes de estudantes, e, que, alem dos 
cerebros de um povo, tambem sao necessarios os seus punhos. Tambem precisa ser considerado 
que a defesa de uma nagao, baseada somente na chamada intelectualidade, seria um sacriffcio de 
bens irreparavel. A jovem intelectualidade alema dos regimentos de voluntarios que, no outono de 
1914, sucumbiu nas planicies de Flandres, mais tarde fez falta enorme. Era o bem mais valioso 
que a nagao possuia, e a sua perda nao pode mais ser suprida durante a guerra. Nao so a luta e 
impossfvel se os batalhoes que avangam nao tem em suas fileiras as massas dos operarios, mas 
tambem os preparativos tecnicos nao sao realizaveis sem a uniao interna consciente de nosso 
povo. Justamente o povo alemao, que, debaixo das vistas do tratado de Versalhes, vive 
desarmado, so podera tratar de qualquer preparativo tecnico para alcangar a liberdade e a 
independencia humana, depois que o exercito de espioes internos estiver dizimado a ponto de so 
restarem aqueles cuja falta de carater Ihes permita venderem tudo e todos pelos conhecidos trinta 
dinheiros. Mas com esses pode-se acabar. Invenciveis, no entanto, parecem os milhoes que se 
opoem ao levantamento nacional por convicgoes politicas, invenciveis enquanto nao se 
combaterem as suas ideias marxistas, arrancando-as de seus coragoes e de seus cerebros. 

Indiferente, portanto, e o ponto de vista por que se encara a possibilidade da reconquista de 
nossa independencia, tanto do Estado como do povo, se do ponto do preparo da polftica exterior, 
do ponto tecnico do armamento ou mesmo do ponto da luta em si mesma, sempre persiste a 
necessidade de conquista anterior da grande massa do povo para a ideia de autonomia nacional. 
Sem a reconquista da liberdade exterior toda a reforma interior significara, no caso mais favoravel, 
a elevagao da nossa capacidade de produzir renda como colonia. Os saldos de toda chamada 
melhoria economica serao absorvidos pelos nossos "controleurs" e todo melhoramento social 
elevara a nossa forga produtiva em beneficio dos mesmos. Progressos culturais nao nos serao 
possiveis, porque sao intimamente ligados a independencia polftica e dignidade de um povo. 

Se, portanto, a solugao favoravel do futuro alemao esta em ligagao intima com a conquista 
nacional da grande massa do nosso povo, deve ser esta a mais alta e importante tarefa de um 
movimento, cuja eficiencia nao se deve esgotar na satisfagao de um movimento, mas deve 
submeter toda a sua agao a um exame sobre as consequencias futuras provaveis. Ja no ano de 
1919, estavamos convencidos de que o novo movimento deveria ter por escopo principal a 
nacionalizagao das massas. 

No sentido tatico resulta daf uma serie de exigencias. 

1. - Para conquistar as massas para o levante nacional nenhum sacriffcio e pesado demais. 
Quaisquer que sejam as concessoes economicas feitas ao operario, nunca estarao em relagao ao 
que lucra a nagao em geral, quando elas contribuem para restituir ao seu povo grandes camadas 
dele afastadas. 

So a ignorancia mfope que, lamentavelmente, muitas vezes se encontra entre os nossos 
empregadores, pode deixar de reconhecer que nao e possfvel incremento economico duravel para 
eles e, consequentemente, mais lucros, enquanto nao se restabelecer a solidariedade interna no 
seio do proprio povo. Se as fabricas alemas, durante a guerra, tivessem cuidado dos interesses do 
operariado, sem outras consideragoes, se tivessem, mesmo durante a guerra, exercido pressao, 
por meio de greves, sobre os acionistas famintos de dividendos, se tivessem atendido as 
exigencias dos operarios, se se tivessem mostrado fanaticas no seu germanismo, em tudo que 
concerne a defesa nacional, se tivessem tambem dado a patria o que' e da patria, sem restrigao 
alguma, nao se teria perdido a guerra. E teriam sido verdadeiramente insignificantes todas as 
concessoes economicas, diante da importancia imensa da vitoria. 



Assim, um movimento que visa a reincorporar o operario alemao a nagao alema, deve 
reconhecer que, neste caso, sacrificios economicos nao podem ser tornados em consideragao, 
enquanto nao ameagarem a conservagao e a independencia da economia nacional. 

2. - A educagao nacional das grandes massas so pode ser realizada depois de uma elevagao 
social porque, so por meio desta, e que se prepara o terreno que produz as predisposigoes que 
permitem ao individuo compartilhar dos bens culturais da nagao. 

3. - A nacionalizagao das grandes massas nunca se conseguira por meias medidas, por 
afirmagoes timidas de um chamado ponto de vista objetivo, mas sim por uma focalizagao unilateral 
e fanatica no fim almejado. Quer isso dizer que nao se pode tornar nacional um povo no sentido de 
nossa hodierna burguesia, isto e, com umas tantas restrigoes, mas sim tornando o "nacionalista" 
com toda veemencia. Veneno so pode ser combatido com contraveneno, e so a lassidao de um 
carater burgues e que podera encarar os atalhos como conduzindo ,ao reino do ceu. 

A grande massa do povo nao e composta de professores nem de diplomatas. O pouco 
conhecimento abstrato que possui conduz as suas aspiragoes mais para o mundo do sentimento. 
E la que ela se coloca para a agao positiva ou negativa. So e apologista de um goipe de forga em 
uma dessas duas diregoes, mas nunca de situagoes dubias. Esse sentimento e tambem a causa 
de sua persistencia extraordinaria. A fe e mais dificil de abalar do que o saber, o amor e menos 
sujeito a transformagao do que a inteligencia, o odio e mais duravel que a simples antipatia, e a 
forga motriz das grandes evolugoes, em todos os tempos, nao foi o conhecimento cientifico das 
grandes massas mas sim um fanatismo entusiasmado e, as vezes, uma onda histerica que as 
impulsionava. Quem quiser conquistar as massas deve conhecer a chave que abre as portas do, 
seu coragao. Essa chave nao se chama objetividade, isto e, debilidade, mas sim vontade e forga. 

4. - A conquista da alma do povo so e realizavel quando, ao mesmo tempo que se luta para os 
proprios fins, se aniquila o adversario dos mesmos. O povo, em todos os tempos, encara a 
agressao impetuosa do adversario como uma prova do direito do agressor e considera a 
abstengao no- aniquilamento do outro como um sinal de duvida do proprio direito, quando nao 
como sinal de ausencia do mesmo. 

A grande massa nao passa de uma obra da natureza e o seu sentir nao compreende o aperto 
de mao reciproco entre homens que afirmam pretender o contrario. O que ela quer e a vitoria do 
mais forte e o aniquilamento do fraco ou a sua rendigao incondicional. 

A nacionalizagao de nossa massa popular so e realizavel quando, na luta positiva para a 
conquista da alma do nosso povo, ao mesmo tempo esmagarmos os seus envenenadores 
internacionais. 

5. - Todas as grandes questoes atuais sao questoes de momento e representam apenas as 
conseqiJencias de determinadas causas. Importancia capital, porem, tem uma so entre todas elas: 
a questao da conservagao racial do povo. O sangue somente e a base tanto da forga como da 
fraqueza do homem. Povos que nao reconhecem e consideram a importancia dos seus alicerces 
raciais, assemelham-se a homens que quisessem ensinar a cachorros "lulu" as qualidades 
caracteristicas de cachorros galgos, sem compreenderem que a ligeireza do galgo e a inteligencia 
do "Pudel" nao sao qualidades adquiridas pelo ensino mas sim qualidades inatas da raga. Povos 
que se descuidam da conservagao da pureza de sua raga, abrem mao tambem da unidade de sua 
alma, em todas as suas manifestagoes. O enfraquecimento de seu ser e a conseqGencia logica do 
"enfraquecimento" do seu sangue e a modificagao de sua forga criadora e espiritual e o efeito da 
transformagao de suas bases raciais. 

Quem quiser libertar o povo alemao de seus vicios de hoje, das manifestagoes estranhas a sua 
natureza, precisa livra-lo do causador desses vicios e dessas manifestagoes. 

Sem mais claro conhecimento do problema racial e do problema dos judeus, nao se podera 
verificar um reerguimento do povo alemao. 

A questao das ragas fornece nao so a chave para compreensao da historia universal mas 
tambem para a da cultura humana em geral. 

6. - O enfileiramento da grande massa popular (que hoje faz parte de uma massa internacional) 
em uma comunidade popular nacionalista, nao significa uma abdicagao da representagao de 
interesses legitimos de classes. 

Interesses antagonicos de classes e profissoes nao sao identicos a divisoes de classes, porque 
sao consequencias logicas da nossa vida economica de hoje. O agrupamento profissional nao se 
opoe de forma alguma a uma verdadeira coletividade popular, consistindo essa na uniao do 



espirito nacional em todas as questoes que Ihe interessam propriamente. 

A incorporagao de uma classe a coletividade da nagao nao se efetua com o rebaixamento de 
classes superiores e sim com a ascensao das inferiores. O expoente desse fenomeno nunca 
podera ser a classe superior mas sim a inferior, que luta pela equiparagao de seus direitos. Nao foi 
por iniciativa dos nobres que os cidadaos de hoje foram incorporados ao Estado e sim por sua 
propria energia debaixo de uma diregao autonoma. 

Nao e atraves de cenas piegas de confraternizagao que o operario alemao sera elevado a 
figurar no quadro da comunhao nacional e sim por uma elevagao consciente de sua posigao 
cultural e social, ate que se possam considerar vencidas as diferengas mais importantes que o 
separam das outras classes. Um movimento visando semelhante evolugao tera que procurar seus 
adeptos, em primeiro lugar, nos acampamentos operarios. So se devera recorrer aos intelectuais, 
na medida em que estes ja tiverem percebido plenamente o alvo aspirado. Este processo de 
transformagao e aproximagao nao estara terminado em dez ou vinte anos, provado, como esta, 
que se prolongara por muitas geragoes. 

O empecilho maior para a aproximagao entre o operario de hoje e a coletividade nacional nao 
reside na representagao de interesses - conforme cada posigao social - porem, ao contrario, na 
sua conduta e atitude internacionalistas, hostis ao povo e a Patria. As mesmas corporagoes 
dirigidas nas suas aspiragoes politicas e populares por um nacionalismo fanatico, fariam de 
milhares de operarios preciosissimos membros da sua organizagao nacional, sem levar em conta 
lutas isoladas de interesse puramente economico. 

Um movimento visando a restituigao honesta do operario alemao ao seu povo, querendo 
arranca-lo a loucura internacionalista, precisa opor uma resistencia de ago, antes de tudo, a 
convicgao que domina as empresas industrials. Ai se entende por (comunhao popular" a rendigao 
economica, sem resistencia, do trabalhador ao patrao, enxergando se um ataque a coletividade em 
cada tentativa de preservagao dos interesses economicos, nos quais o trabalhador tem os mesmos 
direitos. Representar esta ideia eqiJivale a ser o expoente de uma mentira consciente: a 
coletividade impoe suas obrigagoes tanto a um lado como ao outro. 

Com a mesma certeza que um trabalhador prejudica o espirito de uma verdadeira coletividade 
popular, quando, apoiado na sua forga, faz exigencias desmedidas, da mesma forma, um patrao 
trai essa comunidade. se, por uma diregao desumana e exploradora, abusar da energia de seu 
empregado no trabalho, ganhando milhoes, como um usurario, a custa do suor daquele. 

Entao, perde ele o direito de se considerar um membro da nagao, de falar em uma coletividade 
nacional, nao passando de um egoista que, pela introdugao da desarmonia social, provoca lutas 
futuras. que de uma maneira ou de outra tem que ser perniciosas a Patria. 

A fonte de reserva, na qual o movimento incipiente tem de conquistar seus adeptos, sera, em 
primeiro lugar, a massa dos nossos operarios. Esta e que nos cumpre, a todo prego, arrancar a 
mania internacional, salvar da miseria social, levantar da crise cultural, para integra-la na 
comunhao geral e, como um- fator bem distinto, precioso, desejando agir conforme o sentimento e 
espirito nacionais. 

Se se acharem, nos cfrculos da inteligencia nacional, indivfduos com o coragao vibrando pelo 
povo e pelo seu futuro, conhecendo profundamente a importancia da luta pela alma dessa 
multidao, que sejam benvindos nas fileiras deste movimento, como coluna vertebral do mais alto 
valor. 

A finalidade desse movimento nao deve consistir na conquista do rebanho eleitoral. Nessa 
hipotese adquiriria uma sobrecarga que tornaria impossfvel a conquista das grandes massas 
populares. 

Nosso objetivo nao e selecionar elementos no campo nacionalista mas conquistar elementos 
entre os antinacionalistas. Esse princfpio e absolutamente necessario para a diregao tatica do 
movimento. 

7. - Essa consistente e clara atitude deve ser expressa na propaganda da nossa causa, por 
exigencias da propria propaganda. 

Para que uma propaganda seja eficiente e preciso que ela tenha um objetivo definido e que se 
dirija a um determinado grupo. Ao contrario, ela ou nao sera entendida por um grupo ou sera 
julgada pelo outro tao compreensivel por si mesma que se torna desinteressante. Ate a forma da 
expressao, o tom, nao pode atuar da mesma maneira em camadas populares de niveis intelectuais 
diferentes. Se a propaganda nao se inspirar nesses principios, nunca atingira as massas. Entre 



cem oradores, dificilmente se encontrarao dez em condigoes de, em um dia, conseguir sucesso 
ante um auditorio de varredores de ruas, ferreiros, limpadores de esgotos etc., e, no dia seguinte, 
diante de espectadores compostos de estudantes e professores, obter o mesmo exito em uma 
conferencia de fundo intelectual. 

Entre mil oradores talvez so se encontre um capaz de, diante de um auditorio de serralheiros e 
professores de universidade, conseguir expressoes que nao so correspondam a capacidade de 
apreensao de ambas as partes como provoquem os seus mais entusiasticos aplausos. Nao se 
deve perder de vista tambem que as mais belas ideias de uma doutrina, na maior parte dos casos, 
so se propagam por intermedio dos espiritos inferiores. Nao se deve considerar o que tem em 
mente o genial criador de uma ideia, mas em que forma e com que exito o defensor dessa ideia a 
comunicara as grandes massas. 

A grande eficiencia da Social Democracia, do movimento marxista, sobretudo, consiste, em 
grande parte, na homogeneidade do publico a que se dirige. Quanto mais estreitas e limitadas 
eram as ideias propagadas, tanto mais facilmente eram aceitas pelas massas, a cujo nfvel 
intelectual correspondiam perfeitamente. 

Disso resulta para o novo movimento uma conduta clara e simples. A propaganda, tanto pelas 
suas ideias como pela forma, deve ser organizada para alcangai- as grandes massas populares e 
a sua justeza so pode ser avaliada pelo exito na pratica. Em um grande comfcio popular, o orador 
mais eficiente nao e o que mais se aproxima dos elementos intelectuais do auditorio mas o que 
consegue conquistar o coragao da maioria. 

O intelectual que, presente a uma reuniao, apesar da evidente atuagao do orador sobre as 
camadas inferiores, critica o discurso, sob o ponto de vista intelectual, da demonstragao da sua 
incapacidade e da sua ineficiencia para o novo movimento. Para a causa so serao uteis os 
intelectuais que ja tenham apreendido muito bem a finalidade da mesma e estejam em condigoes 
de avaliar a eficiencia da propaganda pelo exito da mesma sobre o povo e nao pela impressao que 
produz sobre o espirito deles. A propaganda nao deve visar pessoas que ja formam entre os 
nacionais-socialistas mas, sim, conquistar os inimigos do nacionalismo, desde que sejam da nossa 
raga. 

Para o novo movimento devem-se adotar, no esclarecimento do espirito do povo, as mesmas 
ideias de que eu ja tinha feito uma sintese na propaganda da Guerra. Que essas ideias eram 
justas provou-o o exito das mesmas. 

8. - O objetivo de um movimento de renovagao politica nunca sera atingido por meio de 
propaganda puramente intelectual ou por influencia sobre os dominadores do momento, mas sim 
pela conquista do poder politico. Os que se batem por uma ideia que se destina a modificar o 
mundo nao so tem o direito mas o dever de recorrer aos meios que facilitem a sua realizagao. O 
exito e unico juiz sobre a justeza de um tal movimento inicial. Esse exito nao deve ser 
compreendido apenas como a conquista do poder, como aconteceu em 1918, pois um goipe de 
estado nao pode ser visto como bem sucedido somente porque os revolucionarios conseguiram 
tomar posse da administragao publica, como se pensa nos meios oficiais da Alemanha, mas sim 
quando seus objetivos trazem mais vantagens ao povo do que as existentes no regime precedente. 
Esse nao e o caso da "Revolugao Alema" de 1918, como se costuma denominar esse goIpe de 
banditismo. 

Se a conquista do poder e a condigao preliminar para a realizagao de reformas politicas, um 
movimento com finalidade renovadora deve, desde os primeiros dias de sua existencia, considerar- 
se como um movimento realmente popular e nao um clube literario ou um clube esportivo de 
burgueses. 

9. - O novo movimento e, na sua essencia e na sua organizagao, antiparlamentarista, isto e, 
rejeita, em principio, toda teoria baseada na maioria de votos, que implique na ideia de que o lider 
do movimento degrada-se a posigao de cumprir as ordens dos outros. Nas pequenas coisas como 
nas grandes, o movimento baseia-se no principio da indiscutivel autoridade do chefe, combinada a 
uma responsabilidade integral. 

As consequencias praticas desse principio fundamental sao as seguintes: 

O primeiro chefe de um grupo local e investido nas suas fungoes pelo que Ihe esta 

imediatamente superior e assume a responsabilidade da sua diregao. Todas as comissoes 

dependem dele e nao ele das comissoes. Nao ha comissoes com voto, mas comissoes com 

deveres. O trabalho e distribuido pelo lider responsavel, isto e, o primeiro chefe ou presidente do 



grupo. O mesmo criterio deve ser adotado nas organizagoes maiores. O chefe e sempre indicado 
pelo seu superior e investido de toda a responsabilidade. So o chefe do partido e que, por 
exigencia de uma diregao unica, e escolhido pela assembleia geral de todos os correligionarios. 
Todas as comissoes dependem exclusivamente dele e nao ele das comissoes. Assume a 
responsabilidade de tudo. Os adeptos do movimento tern sempre, porem, a liberdade de chama-lo 
a responsabilidade, e, por uma nova escoiha, destitui-lo do cargo, desde que ele tenha 
abandonado os principios fundamentals da causa ou tenha servido mal aos seus interesses. 

Uma das principals tarefas do movimento e tornar esse principio decisivo, nao so dentro das 
proprias fileiras do partido como na organizagao do Estado. 

Quem se propuser a ser chefe tera a mais ilimitada autoridade, ao lado da mais absoluta 
responsabilidade. Quem nao for capaz disso ou for covarde demais para nao arcar com as 
conseqiJencias de seus atos, nao serve para chefe. So o heroi esta em condigoes de assumir esse 
posto. 

O progresso e a cultura da humanidade nao sao produto da maioria mas dependem da 
genialidade e da capacidade de agao dos individuos. 

Cultivar a personalidade, investi-la nos seus direitos, e a condigao essencial para a reconquista 
das grandezas e do poder da nossa raga. 

Por isso movimento e antiparlamentarista. A sua participagao em uma tal instituigao so pode 
ter objetivo de destruir o parlamento, que deve ser visto como um dos mais graves sintomas da 
decadencia da humanidade. 

10. - O movimento evita tomar posigao em todo e qualquer problema fora do campo de sua 
atividade polftica ou que para a mesma nao seja de importancia fundamental. A sua missao nao e 
a de uma reforma religiosa mas a da reorganizagao polftica do nosso povo. Ve em ambas as 
religioes um valioso esteio para a existencia da nagao, e, por isso, combate os partidos que 
pretendam transformar essa base moral e espiritual do povo em instrumento dos seus interesses. 

Finalmente, o nosso partido nao tem por finalidade manter ou restaurar ou combater essa ou 
aquela forma de governo, mas criar os principios fundamentals, sem os quais nem a Republica 
nem a Monarquia podem existir durante muito tempo. Sua missao nao consiste em fundar uma 
Monarquia ou estabelecer uma Republica, mas em criar um Estado germanico. 

A questao da forma exterior desse novo Estado nao e de importancia fundamental, o que 
importa e a finalidade pratica. 

Um povo que compreendeu os seus grandes problemas e sua missao nunca sera arrastado a 
luta por formas de governo. 

11.-0 problema da organizagao interna do movimento nao e uma questao de principios mas 
de finalidade. A melhor organizagao e a que entre a diregao do movimento e os seus adeptos 
possua menor numero de mediadores, pois a finalidade da organizagao e comunicar uma ideia 
definida - que sempre se origina no cerebro de um unico individuo - e trabalhar por ve-la 
transformada em realidade. 

A organizagao e apenas um mal necessario. Na melhor hipotese, e um meio para um fim, na 
pior hipotese um fim em si. Como o mundo e composto mais de naturezas mecanicas do que de 
idealistas, a forma da organizagao e mais facilmente percebida do que a ideia. 

A marcha de cada um na realizagao de ideias novas, sobretudo entre os reformadores, e, em 
tragos gerais, a seguinte: 

Todas as ideias geniais partem do cerebro dos indivfduos que se sentem destinados a 
comunicar os seus pensamentos ao resto da humanidade. Ele faz a sua pregagao e conquista, 
pouco a pouco, um certo circulo de adeptos. Essa transmissao direta e pessoal das ideias de um 
individuo aos seus semelhantes e a melhor e a mais natural. A proporgao que aumenta o numero 
dos adeptos da nova doutrina, torna-se impossivel ao portador da nova ideia continuar a exercer 
influencia direta sobre os inumeros correligionarios e guia-los pessoalmente. 

A medida que cresce a coletividade e a agao direta torna-se impossivel, surge a necessidade 
de uma organizagao. Termina a situagao ideal primitiva e comega a organizagao como um mal 
necessario. Formam-se os pequenos grupos que no movimento politico constituem, como grupos 
locals, a celula mater da organizagao. Essa organizagao primitiva deve sempre se realizar, a fim de 
que se conserve a unidade da doutrina e para que a autoridade do fundador especial da mesma 
seja por todos reconhecida. E da mais alta importancia geopolitica a existencia de um nucleo 
central, de uma especie de Meca do movimento. 



Na organizagao dos primeiros nucleos, nunca se deve perder de vista que ao nucleo primitivo 
de onde saiu a ideia deve ser dada a maior importancia. A proporgao que inumeros outros nucleos 
se forem entrelagando, deve aumentar tambem o aprego ao lugar que, do aspecto moral, 
intelectual e pratico, representa o ponto de partida do movimento e a sua cabega. Tao facil e 
manter a autoridade do nucleo central em face dos outros grupos locals como dificll e protege-la 
contra as mals altas organlzagoes que se vao formando. No entanto, a conservagao dessa 
autoridade e condlgao sine qua non para a conslstencia de um movimento e para a reallzagao de 
uma Idela. Quando, por flm, esses grandes centros se llgam a novas formas de organlzagao, 
aumenta a diflculdade de assegurar o absoluto carater de chefia ao lugar da fundagao do 
movimento. Assim so se devem formar nucleos de organlzagao quando se pode conservar a 
autoridade Intelectual e moral do nucleo central. AssIm sendo, a organlzagao Interna do movimento 
deve obedecer as segulntes llnhas gerals: 

a) Concentragao de todo o trabalho em um lugar so, que sera Munlque. Deve-se criar um 
estado malor de adeptos de Indlscutivel conflanga, a flm de serem trelnados, e fundar uma escola 
para a propaganda posterior da Idela. E preclso que nesse centro se adquira a Indlspensavel 
autoridade para aglr com eflclencia no futuro. 

Para tornar a nova causa e seus lideres conhecldos e necessarlo nao somente destruir a 
crenga na Invenclbllldade do marxismo como demonstrar a posslbllldade, a vlabllldade de um 
movimento que Ihe seja contrarlo. 

b) Os grupos locals so serao criados depols que a autoridade da diregao central de Munlque for 
por todos absolutamente reconheclda. 

e) A criagao de cfrculos, distrltos, llgas, etc., nao surge somente da necessldade da sua 
existencia mas da absoluta seguranga de que reconhecem a autoridade do nucleo central. Mals 
ainda, a formagao de outros grupos depende dos Indlviduos tidos como lideres no momento. 

Ha dols camlnhos a seguir: 

a) O movimento arranja os melos financelros para aperfelgoar os cerebros capazes de assumir 
a futura llderanga. .0 material adqulrldo deve ser disposto dentro de um certo piano, de acordo 
com OS pontos de vista tatlcos e com a finalldade da causa. 

Esse camlnho e o mals facll e o mals rapldo. Exige, porem, grandes somas de dinheiro, pols 
esses lideres so a soldo poderao trabalhar pelo movimento. 

b) O movimento, em consequencia da falta de recursos financelros, nao esta em condlgoes 
de se utillzar de gulas pagos, tem que recorrer a atlvldade de funclonarlos gratultos. Esse camlnho 
e mals lento e o mals dificll. A diregao do movimento deve, caso convenha, parallsar a atuagao 
em determlnados grandes setores, ate que, entre os adeptos da causa, surja uma cabega capaz 
de se por a testa da chefia e organlzar e dirlglr o movimento nesses locals. 

Pode acontecer que nao se encontre em certas regloes ninguem em situagao de poder assumir 
a chefia e que, em outras, duas ou tres pessoas estejam em condlgoes mals ou menos Identlcas 
quanto a capacldade. Sao grandes as diflculdades para a evolugao do movimento em tal situagao 
e, so depols de anos, podem elas ser vencldas. 

Em qualquer hipotese, a condlgao Indlspensavel na organlzagao e a existencia de Indlviduos 
capazes para a diregao. Para a causa e preferfvel que se deixe de organlzar um grupo local a que 
se corra o risco de um Insucesso, por falta de um gula eflclente. 

Para a llderanga nao se exIge somente boa vontade, mas tambem capacldade, que depende 
mals da energia do que de pura genlalldade.- A comblnagao da capacldade, do poder de resolugao 
e da perslstencia, constltui o Ideal. 

12.-0 futuro do movimento depende do fanatlsmo, mesmo da Intolerancia, com a qual seus 
adeptos o defenderem como a unica causa justa e defenderem-na em oposlgao a qualsquer outros 
esquemas de carater semelhante. 

E um grande erro pensar que o movimento se torna mals forte quando se llga a outros, mesmo 
que possam ter fins parecldos. 

Todo aumento de extensao reallzado por essa maneira traz, e verdade, um malor 
desenvolvlmento - externo, o que faz com que o observador superficial pense tratar-se de um 
aumento de forga. Na realldade, porem. a causa apenas recebe o germe de fraqueza que se fara 
sentir mals tarde. 

Por mals que se fale da Identldade de dols movlmentos, essa Identldade nunca existe. Ao 
contrarlo, nao haveria dols movlmentos, mas apenas um. Pouco Importa saber onde estao as 



divergencias. Fossem elas apenas fundadas na capacidade dos lideres nao deixariam por Isso de 
existir. 

A lei natural de toda evolugao nao permite a uniao de dois movimentos diferentes, mas 
assegura sempre a vitoria do mais forte e a criagao do poder e da forga do vitorioso, o que so se 
pode conseguir por meio de uma luta incondicional. 

Pode ser que a uniao de duas concepgoes partidarias, em dado momento, oferega vantagens. 
Com tempo, porem, o exito assim conseguido e sempre uma causa de fraqueza. 

A um movimento e de vantagem apenas combater por uma vitoria que nao seja um acesso 
momentaneo, mas um exito de efeitos duradouros, obtido depois de uma luta incondicional, capaz 
de maiores desenvolvimentos posteriores. 

Movimentos que devem seu progresso a ligagoes com outros de concepgoes parecidas, dao a 
impressao de plantas de estufa. Eles crescem, mas falta-lhes a forga para, durante seculos, resistir 
as grandes tempestades. A grandeza de toda organizagao ativa que corporifique uma ideia esta no 
fanatismo religioso e na intolerancia com que agride todas as outras, convencidos os seus adeptos 
de que so eles estao com a razao. Se uma ideia em si e justa e dispoe dessas forgas resistira a 
todas as lutas, sera invencivel. A perseguigao que contra a mesma se possa mover apenas 
aumentara sua forga intrfnseca. 

A grandeza do Cristianismo nao esta em qualquer tentativa para reconciliar-se com as opinioes 
semelhantes da filosofia dos antigos, mas na inexoravel e fanatica proclamagao e defesa das suas 
proprias doutrinas. 

13.-0 movimento tem que educar os seus adeptos de tal maneira que, na luta, vejam a 
necessidade do emprego dos maiores esforgos. Nao devem temer a Inimizade do adversario, mas 
considera-la como condigao essencial para a sua propria existencia. Nao se devem atemorizar pelo 
odio dos inimigos da nagao mas sim deseja-lo do mais intimo da alma. Na manifestagao externa 
desse odio, so ha mentira e calunia. 

Quem nao e atacado nos jornais judeus, por eles caluniado e difamado, nao e um alemao 
Independente, nao e um verdadeiro Nacional Socialista. O melhor criterio para se avaliar dos seus 
sentimentos, da sinceridade de suas convicgoes e da 'sua forga de vontade, e a inimizade contra 
OS mesmos evidenciada pelos inimigos do povo alemao. 

Os adeptos do movimento e, em sentido mais lato, todo o povo, devem ficar convencidos de 
que, nos seus jornais, o judeu mente sempre e que uma ou outra verdade e apenas o disfarce de 
uma falsidade e por isso sempre uma mentira. 

O Judeu e o maior mestre da mentira e a mentira e a fraude sao as unicas armas da sua luta. 

Cada calunia, cada mentira dos Judeus contra um de nos, deve ser vista como uma cicatriz 
honrosa. 

Quanto mais eles nos difamarem, mais nos aproximaremos uns dos outros. Os que nos votam 
odio mais mortal sao justamente os nossos melhores amigos. 

Quem, pela manha, ler um jornal judeu e nao fiver sido pelo mesmo difamado, nao aproveitou 
bem seu dia, pois se o tivesse, teria sido pelo judeu perseguido, caluniado, insultado, 
enxovalhado. 

So OS que enfrentam de maneira eficiente esse inimigo mortal do nosso povo e da civilizagao 
ariana devem esperar a calunia dessa raga e ver dirigida contra si a luta desse povo. 

Se essas ideias fundamentals forem totalmente assimiladas pelos nossos correligionarios, entao 
movimento sera inabalavel, invencivel. 

14.-0 nosso movimento deve usar de todos os meios para incutir o respeito pelas 
personalidades. Nao deve perder de vista que todos os valores humanos residem no individuo, que 
todas as ideias, todas as realizagoes, sao o resultado do poder criador de um homem e que a 
admiragao pela grandeza nao e simplesmente uma homenagem prestada mas tambem um pacto 
de uniao entre os que Ihe sao gratos. Nao ha substituto para a personalidade, sobretudo quando 
essa personalidade nao e mecanica mas corporifica um elemento criador da cultura. 

Assim como um celebre artista nao pode ser substituido e nenhum outro acerta concluir um 
quadro ja quase pronto, o mesmo acontece com os grandes poetas e pensadores, os grandes 
estadistas e os grandes generals. A sua atividade nao e formada mecanicamente, mas e um dom 
da graga de Deus. 

As grandes revolugoes, as grandes conquistas desta terra, suas grandes produgoes culturais, 
as obras imorredouras no terreno da politica etc., estao sempre ligadas a um nome e serao por ele 



representadas. A falta de reconhecimento do valor excepcional de um desses espiritos significa a 
perda de uma forga imensa. 

Melhor do que ninguem sabe disso o judeu. Ele que so e grande na destruigao da humanidade 
e da sua cultura, tem a maior admiragao pelos seus proprios valores. No entretanto, o respeito dos 
povos pelos seus grandes espiritos ele tenta apontar como coisa indigna e e considerado como 
"culto pessoal". 

Quando um povo e bastante covarde para se deixar veneer por essa insolencia e descaramento 
dos judeus, renuncia a mais poderosa forga que possui, pois essa forga nao consiste no respeito 
as massas mas na veneragao pelos genios. 

Nos primeiros dias do nosso movimento, a nossa maior fraqueza foi a insignificancia dos nossos 
nomes e a circunstancia de sermos desconhecidos. So esse fato tornou problematico o nosso 
exito. 

O mais dificil, nesses primeiros tempos, em que apenas seis, sete ou oito pessoas se reuniam 
para ouvir o discurso de um orador, era despertar, nesses pequenos circulos, a confianga no 
grande futuro do movimento e em mante-lo. 

Pense-se em que seis ou sete homens, inteiramente desconhecidos, simples pobres diabos, se 
reuniam com a intengao de criar um movimento destinado a veneer de futuro, - o que ate entao 
tinha sido impossfvel aos grandes partidos - e de reerguer a nagao alema ao seu mais alto poder e 
esplendor! 

Se, naqueles tempos, nos tivessem prendido ou rido de nos, nos nos sentiriamos felizes da 
mesma maneira, pois o que mais nos entristecia, naquele momento, era o passarmos 
despercebidos. Era isso o que mais me fazia sofrer. 

Quando me incorporei a essa meia duzia de homens, nao se podia falar ainda nem em um 
partido nem em um movimento. Ja descrevi as minhas impressoes a respeito do primeiro encontro 
com essa pequena organizagao. 

Nas semanas que se sucederam a esse inicio tive oportunidade de pensar na aparente 
impossibilidade desse novo partido. O quadro que se deparava aos meus olhos era de entristecer. 
Nao existia, nesse sentido, nada, absolutamente nada. 

O publico nada sabia a nosso respeito. Em Munique, nao se conhecia o partido nem de nome, 
afora a sua meia duzia de adeptos e as poucas pessoas de suas relagoes. 

Todas as quartas-feiras se realizava, no Mijnchen Cafe, uma reuniao da comissao e, uma vez 
por semana, havia conferencia a noite. Como todos os membros do "Movimento" estavam 
representados apenas pela comissao, as pessoas eram naturalmente sempre as mesmas. Era, por 
isso, essencial que se alargasse o pequeno circulo e se conseguissem novos adeptos, mas, antes 
de tudo, fazer com que o nome do movimento se tornasse conhecido. 

Servimo-nos da seguinte tecnica: 

Tentamos realizar um comicio todos os meses, e, mais tarde, todas as quinzenas. Os convites 
para os mesmos eram em parte datilografados e em parte escritos a mao. Cada um se esforgava 
por conseguir, no circulo de suas relagoes, visitas a essas sessoes preparatorias. 

O exito era dos mais lamentaveis. 

Lembro-me ainda como, naqueles primeiros tempos, depois de ter distribuido o 80.° convite, 
esperava, a noite, a grande massa popular, que deveria assistir a reuniao Depois de adiar por uma 
hora a reuniao, o presidente era obrigado a iniciar a "sessao". Eramos de novo os sete, sempre os 
mesmos sete. 

Passamos a copiar na maquina os convites em uma casa de utensilios de escritorio e tiravamos 
inumeras copias. O resultado foi obtermos maior auditorio na proxima reuniao. O numero subiu 
lentamente de onze para treze, finalmente para dezessete, vinte e tres, e vinte e quatro. 

Pobres diabos, subscreviamos pequenas importancias entre os nossos conhecidos, com o que 
conseguimos anunciar um comicio no "Munchener Beobachter" que era, entao, independente. O 
sucesso dessa vez foi espantoso Tinhamos aprazado a reuniao para o Hofbrauh, auskeller. de 
Munique, pequena sala que apenas poderia comportar cento e trinta pessoas. O espago deu-me, 
pessoalmente, a impressao de um vasto salao e cada um de nos estava ansioso por ver se 
conseguiriamos, na hora marcada, encher este "vasto" edificio. As sete horas, com a presenga de 
cento e onze pessoas, comegou o comfcio. Um professor de Munique deveria fazer o primeiro 
discurso. Eu falaria em segundo lugar. 

Falei trinta minutos e aquilo que, antes, sem o saber, havia sentido intuitivamente, estava 



provado: eu sabia discursar. Depois de trinta minutos, o auditorio estava eletrizado e o entusiasmo 
foi tal que meu apelo a uma contribuigao dos presentes rendeu a soma de trezentos marcos. Isso 
nos libertou de uma grande preocupagao. A situagao financeira era tao precaria que nao tinhamos 
nem recursos para mandar imprimir as linhas gerais do programa ou mesmo boletins. Afinal 
tinhamos conseguido uma base para fazer face as despesas mais indispensaveis e mais urgentes. 

Sob outro aspecto, o exito dessa primeira grande reuniao era muito significativo. 

Comecei a atrair um grande numero de forgas novas. Durante meus longos anos de servigo 
militar, conheci muitos camaradas fieis que comegavam, aos poucos, a entrar no movimento, em 
consequencia de minha propaganda. Eram jovens de grande eficiencia, habituados a disciplina e 
educados, desde o tempo do servigo militar, na convicgao de que a quem quer nada e impossivel. 

De como era necessaria uma tal afluencia de sangue novo pude reconhecer poucas semanas 
depois. 

O entao presidente do Partido, Herr Barrer, era, por profissao e por treino, um jornalista. Como 
chefe do Partido, tinha, porem, uma grande fraqueza: nao era orador para as massas. Por mais 
consciencioso que fosse no seu trabalho, talvez por falta daquela qualidade, faltava-Ihe o poder de 
arrastar o povo. Herr Drexler, outrora presidente do grupo local de Munique, era um simples 
operario, nao valla grande coisa como orador, e, sobretudo, nao tinha qualidades de soldado. 
Nunca servira na Guerra, de modo que, alem de ser naturalmente fraco e Indeciso, nunca tinha 
passado pela unica escola que transforma, em verdadeiros homens, espiritos fracos e indecisos. 
Nenhum deles possuia qualidades nao so para inspirar a fe entusiastica na vitoria de uma causa 
como para, por uma inabalavel forga de vontade, sem contemplagoes e pelos meios mais 
violentos, veneer a resistencia oposta a vitoria de uma ideia nova. Para esse objetivo servem 
apenas os homens que possuem aquelas virtudes fisicas e intelectuais do militar. 

Naquele tempo, eu ainda era soldado. Minha aparencia exterior, meu carater, se tinham 
formado de tal modo durante quase dois anos que, naquele meio, devia sentir-me como um 
estranho. Tinha-me esquecido de expressoes como estas: Isso nao pode ser; isso nao se 
realizara; isso nao se deve arriscar; isso e demasiado perigoso, etc. 

De fato, a coisa era perigosa. Em 1920, era impossivel, em muitas regioes da Alemanha, 
aventurar-se alguem a dirigir um apelo as massas populares para uma assembleia nacionalista e 
convida-las publicamente para uma visita. Os que participavam dessas reunioes quebravam-se as 
cabegas mutuamente. As chamadas grandes reunioes coletivas burguesas eram debandadas por 
uma duzia de comunistas, como aconteceria com lebres em face de caes. 

Os comunistas nao davam importancia a esses clubes burgueses inofensivos, que nao 
ofereciam o menor perigo, e que eles conheciam melhor do que a seus proprios adeptos. Estavam, 
porem, resolvidos a liquidar, por todos os meios ao seu alcance, um movimento novo que Ihes 
parecia perigoso. E o meio mais eficiente, em tais casos, sempre foi o terror, o emprego da forga. 
Mais do que qualquer outro grupo, os marxistas, ludibriadores da nagao, deveriam odiar um 
movimento cujo escopo declarado era conquistar as massas que ate entao tinham estado a servigo 
dos partidos marxistas dos judeus internacionais. So o titulo "Partido dos Trabalhadores Alemaes" 
ja era capaz de irrita-los. Assim nao era dificil prever que, na primeira oportunidade favoravel, 
surgiria uma definigao de atitudes em relagao aos agitadores marxistas ainda ebrios com a vitoria. 

No pequeno ambito do movimento de outrora, ainda se sentia um certo receio ante uma tal luta. 
Evitava-se, pelo menos, uma oportunidade publica, com medo de ser-se batido. Via-se nisso uma 
macula para a primeira grande reuniao e que o movimento assim seria sufocado no inicio. O meu 
modo de ver era diferente. Pensava que nao se devia evitar a luta, mas, ao contrario, ir a seu 
encontro e tomar as unicas precaugoes garantidoras contra o emprego da forga. Nao se combate o 
terror com armas intelectuais, mas com o proprio terror. O exito da primeira assembleia fortaleceu 
no meu espirito esse ponto de vista. Adquirimos coragem para uma segunda, ja de proporgoes 
mais vastas. 

Mais ou menos em outubro de 1919, realizou-se, na Eberlbraukeller, a segunda grande reuniao. 
O tema foi Brest-Litowsky e Versalhes, os dois tratados). Apresentaram-se quatro oradores. Eu 
falei quase uma hora e o exito foi maior do que da primeira reuniao. O numero de convites tinha 
subido a mais de cento e trinta. Uma tentativa de perturbagao foi abafada de inicio por meus 
camaradas, os responsaveis pela perturbagao fugiram de escadas abaixo, com as cabegas 
machucadas. Ouatorze dias depois realizou-se uma reuniao maior, na mesma sala. O numero de 
ouvintes tinha ultrapassado cento e setenta - uma casa cheia. Falei de novo e o sucesso foi ainda 



maior do que da outra vez. 

Procure! conseguir uma sala maior. Por fim encontramos uma em condigoes, do outro lado - da 
cidade, no Deutschen Reich, na Dachauer Strasse. A freqiJencia da primeira reuniao nessa sala foi 
menor do que a anterior, apenas cento e quarenta pessoas. 

As esperangas comegaram a se arrefecer e os eternos ceticos acreditavam que a causa da 
pequena frequencia devia ser vista na repetigao constante de nossas afirmagoes. Havia fortes 
divergencias, sendo que eu defendia o ponto de vista segundo o qual uma cidade de setecentos 
mil habitantes deveria comportar nao um comicio de quinzena em quinzena mas dez por semana, 
a fim de que, por forga de repetir, nao houvesse engano sobre o caminho certo que se havia 
tomado e que mais cedo ou mais tarde, com incrivel constancia, haveria de levar ao sucesso. 
Durante todo o inverno de 1919 1920, nossa principal luta foi no sentido de fortalecer a fe na forga 
conquistadora do novo movimento e eleva-la as alturas do fanatismo capaz de abalar as 
montanhas. 

O proximo comicio do Deutschen Reich de novo provou que eu tinha razao. O auditorio 
compunha-se de mais de duzentas pessoas e nosso sucesso foi brilhante, tanto no que diz 
respeito ao publico como sob o ponto de vista financeiro. 

Tomei providencias imediatas para mais vastas reunioes. Apenas quatorze dias depois, 
realizava-se um novo comicio e a multidao subia a mais de duzentos e setenta individuos. 

Nesse tempo, conseguimos dar organizagao interna ao movimento. Muitas vezes, no pequeno 
circulo em que agiamos, havia divergencias mais ou menos fortes. De varios lados, como acontece 
ainda hoje, o novo movimento foi acusado de ser um partido. 

Em tal concepgao, eu via sempre a prova de incapacidade pratica e de estreiteza de espirito. 
Trata-se de homens que nao sabem distinguir a realidade no meio das aparencias e que procuram 
avaliar a importancia de um movimento pelas denominagoes pomposas. 

Dificil era, entao, fazer compreender ao povo que todo movimento, enquanto nao fiver atingido 
a vitoria de suas ideias e a finalidade, e um Partido, qualquer que seja a denominagao que se Ihe 
de. 

Quem quer que possua uma ideia ousada, cuja realizagao parega util ao interesses de seu 
proximo e deseje transforma-la em realidade pratica, o primeiro passo a dar e conquistar adeptos 
que estejam dispostos a levar avante os seus designios. Enquanto esses designios se limitarem a 
anular os partidos existentes no momento, a ultimar a sua dissolugao, os representantes das novas 
ideias, OS seus pregadores, formarao sempre um Partido, ate que o objetivo seja alcangado. 

E puro jogo de palavras, mera dissimulagao, a tentativa de qualquer teorico popular, cujo exito 
na pratica esta sempre em relagao inversa a sua sabedoria, de imaginar possivel que um 
movimento ainda com o carater de partido se transforme apenas pela mudanga de nome. 

Quando se trata de um movimento impopular, sua propaganda e sempre feita sobretudo com 
expressoes alemaes antigas que nao so nao sao aplicadas hoje como nao traduzem pensamentos 
em forma precisa. E, alem disso, podem concorrer para que se aprecie a Importancia de um 
movimento pelo vocabulario que emprega. Isso e um desatino que se pode observar hoje, em um 
sem numero de vezes. 

O novo movimento devia e deve precaver-se contra a invasao, por parte de homens, cuja unica 
recomendagao consiste, na maior parte das vezes, no fato de, durante trinta ou quarenta anos, se 
terem batido pela mesma ideia. Quem, porem, durante todo esse tempo, se bate por uma ideia, 
sem conseguir o menor exito, sem mesmo ter evitado as ideias contrarias, da uma prova evidente 
da sua incapacidade. O mais perigoso e que esses indivfduos nao querem entrar no movimento 
como quaisquer outros adeptos mas intrometem-se na diregao do mesmo, na qual pretendem 
posigoes de destaque, atendendo a sua atividade no passado. Ai do novo movimento que Ihes cai 
nas maos! Nenhuma recomendagao e para um homem de negocios ter empregado, durante 
quarenta anos, a sua atividade em determinado ramo, para, no fim desse prazo. arrastar a sua 
firma a falencia. Ninguem nisso veria credenciais para confiar-Ihe a diregao de outra firma. O 
mesmo acontece com esses Matusalens populares que. depois de, no mesmo prazo, haverem 
fossilizado uma grande ideia, ainda pensam em dirigir um novo movimento. 

Alias, esses homens entram em um novo movimento, com o fim de servi-lo e de ser util a nova 
doutrina, mas, na maioria dos casos, o que pretendem e, sob a protegao do mesmo ou pelas 
possibilidades que esse Ihes oferece, fazer mais uma vez a infelicidade geral, com as suas ideias 
proprias. 



A sua caracteristica principal e possuir-se de entusiasmo pelos antigos Inerois alemaes, pelos 
tempos mais recuados, pela idade da pedra, por dardos e escudos, mas, na realidade, nao passam 
dos maiores covardes que se pode imaginar. Essa mesma gente que tanto finge glorificar o 
Ineroismo do passado, prega a luta no presente com armas intelectuais e foge diante de qualquer 
cassetete de borracha nas maos dos comunistas. A posteridade tera poucos motivos para dai 
retirar uma nova epopeia. 

Aprendi a conlnecer essa gente bem demais para nao sentir o mais profundo nojo ante suas 
miseraveis simulagoes. A sua atuagao sobre as massas e irrisoria. O judeu tem toda razao para 
conservar com cuidado esses comediantes e para preferi-los aos verdadeiros propugnadores por 
um novo Estado alemao. Esses individuos, apesar de todas as provas da sua perfeita 
incapacidade, querem entender tudo melhor do que os outros. Assim transformam-se em uma 
verdadeira praga para os lutadores retos e Inonestos, cujo heroismo nao se manifesta so na 
veneragao do passado e que se esforgam por deixar a posteridade, atraves de seus atos, um 
quadro de Ineroicidade igual ao dos antepassados. 

Frequentemente e diffcil distinguir, no meio dessa gente, quem age por estupidez ou 
incapacidade e quem obedece a determinados motivos. 

Nao foi sem razao que o novo movimento adotou um programa definido e nao empregou a 
palavra "popular". Devido ao seu carater vago, esta expressao nao pode oferecer uma base segura 
para qualquer movimento nem um modelo para os que ao mesmo de futuro aderirem. 

E incrfvel o que hoje se compreende sob essa denominagao. Um conhecido professor da 
Baviera, um dos celebres lutadores com "armas espirituais", concilia a expressao "popular" com o 
espirito monarquico. Esse sabio" esqueceu-se de explicar a identidade existente entre a nossa 
veiha monarquia e o que hoje se entende por "popular". Acredito que isso Ihe seria quase 
impossivel, pois dificilmente se pode imaginar coisa menos popular" do que a maior parte dos 
Estados monarquicos da Alemanha. Se nao fosse assim, esses Estados nao teriam desaparecido, 
ou seu desaparecimento significaria que as opinioes do povo estavam erradas. 

Devido ao seu sentido vago, cada um entende a expressao "popular", a seu jeito. So esse fato a 
torna inviavel para a base de um movimento politico. Prova disso e o ridiculo que desperta. 

Neste mundo, porem, quem nao se dispuser a ser odiado pelos adversarios nao me parece ter 
multo valor como amigo. Por isso, a simpatia desses individuos era por nos considerada nao so 
inutil mas prejudicial. Para irrita-los, adotamos, de comego, a denominagao de Partido para o nosso 
movimento, que tomou o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes. 

E claro que teriamos de ser combatidos, nao com armas eficientes mas pela pena, unica arma 
desses escrevinhadores. A nossa afirmagao de que "nos defendemos com a forga contra quem 
nos combate com a forga" era incompreensfvel para eles. 

Ha uma classe de indivfduos contra os quais nao e nunca demasiado chamar a atengao dos 
nossos correligionarios. Refiro-me aos que "trabalham no silencio". Nao so sao covardes como 
incapazes e indolentes. Quem quer que entenda do assunto social e veja uma possibilidade de 
perigo, tem a obrigagao, desde que conhega o meio de evitar esse perigo, de agir publicamente 
contra o ma] conhecido e trabalhar abertamente pela sua cura. Se nao fizer Isso e um miseravel 
covarde, sem nogao dos seus deveres. E assim que age a maior parte de tais "trabalhadores 
silenciosos". Eles nada realizam e, no entanto, tentam iludir o mundo inteiro com as suas obras; 
sao preguigosos e dao a impressao de, com o seu "trabalho silencioso", desenvolverem uma 
atividade fora do comum. Em resumo, eles sao trapaceiros, aproveitadores politicos, que veem 
com odio a atividade dos outros. 

Qualquer agitador que tenha coragem para enfrentar seus opositores e defender seus pontos 
de vista, com audacia e franqueza, tem mais eficiencia que mil desses hipocritas. 

No comego do ano de 1920 eu insisti pelo primeiro grande comicio. A imprensa vermeiha 
comegava a se ocupar de nos. Consideravamo-nos felizes por termos despertado o seu odio. 
Tinhamos comegado a frequentar outras reunioes, como criticos. Com isso conseguimos ser 
conhecidos e ver aumentados a aversao e o odio contra nos. Deveriamos, por isso, esperar que os 
nossos amigos vermelhos nos fariam uma visita, ao nosso primeiro grande comicio. Era multo 
possivel que fossemos atacados de surpresa. Eu conhecia multo bem a mentalidade dos 
marxistas. Uma forte reagao da nossa parte nao so produziria sobre eles uma profunda impressao 
como serviria para ganhar adeptos. Deveriamos, pois, nos decidir a essa reagao! 

Harrer, entao presidente do Partido, nao concordou com os meus pontos de vista sobre a 



escoiha do momento, e, como homem de honra, retirou-se da lideranga do movimento. O seu 
sucessor foi Anton Drexler. Eu tomei a mim a organizagao da propaganda do movimento e resolvi 
leva-la a cabo sem contemplagoes. 

O dia 24 de fevereiro de 1920 foi a data fixada para o primeiro grande comicio do movimento, 
ate entao desconhecido. Eu, pessoalmente, encarreguei-me de arranjar as coisas. Os preparativos 
eram os mais simples. O anuncio deveria ser feito por cartazes e boletins orientados no sentido de 
produzir a mais forte impressao sobre as massas. 

A cor que escolhemos foi a vermeiha, nao so porque chama mais atengao como porque, 
provavelmente, irritaria os nossos adversarios e faria com que eles se impressionassem conosco. 

So me dominava uma preocupagao. Perguntava-me: a sala ficara repleta ou teremos que falar 
em uma sala vazia? Tinha a certeza de que se tivessemos auditorio, o sucesso seria completo. 

As 7 horas e meia da noite comegou o comicio. As 7,15 eu entrei na sala da Hotbrauhaus, de 
Munique. Senti uma alegria infinita. A enorme sala - como me parecia entao - estava a cunha. No 
auditorio encontravam-se talvez umas duas mil pessoas, justamente aquelas a que nos queriamos 
dirigir. Mais da metade dos presentes era composta de comunistas e de independentes. 

Quando o primeiro orador acabou de falar, eu pedi a palavra. Dentro de poucos minutos 
comegaram os apartes e verificaram-se cenas de violencia dentro da sala. Alguns fieis camaradas 
da Guerra, depois de espancarem os perturbadores da ordem, restabeleceram a tranqijilidade. 
Pude, entao, prosseguir. Meia hora depois, os aplausos abafavam os apartes dos adversarios. 

Comecei, entao, a expor o programa, ponto por ponto. Depois que expliquei as vinte e cinco 
teses do nosso movimento, senti que tinha diante de mim uma massa popular conquistada as 
novas ideias, a uma nova crenga e animada de uma nova forga de vontade. 

A proporgao que, depois de quase quatro horas de discussoes, a sala comegou a esvaziar-se, 
senti que as bases do movimento estavam langadas. 

no coragao do povo. 

Estava ateado o fogo de um movimento que, com o auxilio da espada, haveria de restaurar a 
liberdade e a vida da nagao alema. 

Pensando no sucesso futuro, sentia que a deusa da vinganga marchava contra os traidores da 
Revolugao de novembro! 

O movimento seguia o seu curso. 

SEGUNDA PARTE 

CAPITULO I - DOUTRINA E PARTIDO 

Deu-se em 24 de fevereiro de 1920 a primeira manifestagao publica, em massa, de nosso novo 
movimento. No salao de festas da Hotbrauhaus, de Munique, perante uma multidao de quase duas 
mil pessoas, foram apresentadas e jubilosamente aprovadas, ponto por ponto, as vinte e cinco 
teses do programa do novo Partido. 

Foram, nesse momento, langadas as diretrizes e linhas principals de uma luta cuja finalidade 
era varrer o monturo de ideias e pontos de vista gastos e de objetivos perniciosos. No putrefato e 
acovardado mundo burgues. bem como no cortejo triunfal 4a onda marxista em movimento, devia 
aparecer uma nova forga para deter, a ultima hora, o carro do destino. 

E evidente que o novo movimento so poderia ter a devida importancia, a forga necessaria para 
essa luta gigantesca, se conseguisse despertar, no coragao de seus correligionarios, desde os 
primeiros dias, a convicgao religiosa de que, para ele, a vida politica deveria ser, nao uma simples 
senha eleitoral, mas uma nova concepgao do mundo de significagao doutrinaria. 

Deve-se ter em mente a maneira lastimavel por que os pontos de vista dos chamados 
"programas de partido" sao ordinariamente consertados, alindados ou remodelados de tempos a 
tempos. Devem ser examinados cuidadosamente os motivos impulsores das "comissoes de 
programa" burguesas para aquilatar-se devidamente o valor de tais programas. 

E sempre uma preocupagao unica, que leva a uma nova exposigao de programas ou a 
modificagao dos ja existentes: a preocupagao com o exito nas futuras eleigoes. Logo que a cabega 
desses artistas do Estado parlamentar acode a ideia de que o povo pode revoltar-se e escapar dos 
arreios do carro partidario, costumam eles pintar de novo os varais do veiculo. Ei tao aparecem os 
astronomos e astrologos do partido, os chamados "experientes" e "entendidos", na maioria velhos 



parlamentares que, pelo seu largo "tirocinio", podem recordar-se de casos analogos em que as 
massas perdiam toda a paciencia e se tornavam ameagadoras. E recorrem, entao, as velhas 
receitas, formam uma "comissao", apalpam o sentimento popular, farejam a opiniao da imprensa e 
sondam lentamente o que poderia desejar o amado povo, o que Ihe desagrada, o que ele almeja. 
Todos OS grupos profissionais, todas as classes de empregados sao acuradamente estudados. 
Pesquisam-se-lhes os mais intimos desejos. Entao, com espanto dos que os descobriram e os 
divulgaram, costumam reaparecer subitamente, os mesmos estribilhos da temivel oposigao, ja 
agora inofensivos e como que fazendo parte do patrimonio do velho partido. 

Reunem-se as comissoes, que fazem a "revisao" do velho programa e elaboram um novo no 
qual se da o seu a seu dono. Esses senhores mudam de convicgoes como o soldado no campo de 
bataiha muda de camisa, isto e. quando a antiga esta imunda! Por esse novo programa, o 
campones recebe protegao para a sua propriedade, o industrial para as suas mercadorias, o 
consumidor para as suas compras, aos professores elevam-se os vencimentos; aos funcionarios 
melhora-se a aposentadoria: das viuvas e orfaos cuidara o Estado com largueza; sera incentivado 
comercio; as tarifas serao reduzidas e os impostos serao nao totalmente, mas quase abolidos. 
Por vezes sucede que uma classe flea esquecida ou nao e atendida uma reclamagao popular. 
Nesse caso, acrescentam-se a toda pressa remendos, que continuam a ser feitos, ate que o 
rebanho dos burgueses comuns e mais as suas esposas se tranqGilizem e fiquem, inteiramente 
satisfeitos. Assim, de animo armado pela confianga no bom Deus e na inabalavel estupidez dos 
cidadaos eleitores, podem comegar a luta pelo que chamam a "reforma", do Estado. 

Passa-se o dia da eleigao. Os parlamentares fizeram a ultima assembleia popular, que so se 
renovara cinco anos mais tarde; e, abandonando a domesticagao da plebe, entregam-se ao 
desempenho de suas altas e agradaveis fungoes. Dissolve-se a comissao do programa" e a luta 
pela reforma das instituigoes reveste de novo a modalidade da luta pelo querido pao. nosso de 
cada dia, pela "dieta", como dizem os deputados. Todos os dias se dirigem os senhores 
representantes do povo para a Camara, se nao para o interior da casa, ao menos para a ante-sala 
onde se acham as listas de presenga. ,Em fatigante servigo pelo povo, eles registam la os seus 
nomes e aceitam, como bem merecida recompensa, uma pequena indenizagao pelos seus 
extenuantes esforgos. 

Quatro anos depois, ou antes, nas semanas criticas, quando comega a aproximar-se a 
dissolugao das corporagoes parlamentares, apodera-se deles um impulso Irresistivel. Como a larva 
nao pode fazer outra coisa senao transformar-se em crisalida, assim as lagartas parlamentares 
abandonam o casulo comum e voam para o amado povo. Tornam a falar aos seus eleitores, 
contam o enorme trabalho que fizeram e a malevola obstinagao dos outros; mas as massas 
ignaras, em vez de agradecido aplauso, langam-lhes em rosto, por vezes, expressoes asperas, 
cheias de odio. Se essa ingratidao popular sobe ate um certo ponto, so um remedio pode servir: e 
preciso restaurar o esplendor do partido, o programa necessita ser melhorado, renasce para a vida 
a "comissao" e recomega-se a burla. Dada a estupidez granitica dos homens do nosso tempo, nao 
e de admirar o exito desse processo. Guiado pela sua imprensa e deslumbrado com o novo e 
sedutor programa, o gado "burgues" e "proletario" torna a voltar ao estabulo e de novo elege os 
seus velhos impostores. 

Assim, homem do povo, o candidato das classes produtoras, transforma-se em lagarta 
parlamentar, que se ceva na vida do Estado, para, quatro anos depois, de novo se transmudar em 
brilhante borboleta. 

Nada mais deprimente que observar a nua realidade desse estado I de coisas, que ter de ver 
repetir-se essa eterna impostura. 

Certamente, dessa base espiritual do mundo burgues nao e possivel haurir elementos para a 
luta contra a forga organizada do marxismo. 

E nisso nao pensam nunca seriamente os senhores parlamentares. Devido a reconhecida 
estreiteza e Inferioridade mental desses medicos parlamentares da raga branca, eles proprios nao 
conseguem imaginar seriamente como uma democracia ocidental possa arrostar com uma doutrina 
para a qual a democracia e tudo que Ihe diz respeito e, no melhor dos casos, um meio para chegar 
a um determinado fim; um meio que se emprega para anular a agao do adversario e facilitar a sua 
propria. E se uma parte do marxismo, por vezes, tenta, com muita prudencia, aparentar 
indissoluvel uniao com os principios democraticos, convem nao esquecer, que esses senhores, 
nas horas criticas, nao deram a menor importancia a uma decisao por maioria, a maneira 



democratica ocidental! Isso foi quando os parlamentares burgueses viam a seguranga do Reich 
garantida pela monumental parvoice de uma grande maioria, enquanto o marxismo, com uma 
multidao de vagabundos, desertores, pulhas partidarios e literatos judeus, em pouco tempo, 
arrebatava o poder para si, aplicando, assim, ruidosa bofetada a democracia. Por isso, so ao 
espirito credulo dos magros parlamentares da burguesia democratica cabe supor que, agora ou no 
futuro, OS interessados pela universal peste marxistica e seus defensores possam ser banidos com 
as formulas de exorcismo do parlamentarismo ocidental. 

O marxismo marchara com a democracia ate que consiga, por via indireta, os seus criminosos 
fins, ate obter apoio do espirito nacional por ele condenado a extirpagao. Que ele se convencesse 
hoje de que o caldeirao de feiticeira, que e a nossa democracia parlamentar, poderia 
repentinamente fermentar uma maioria que - mesmo que fosse na base de sua legislagao 
justificada pelo maior numero - enfrentasse seriamente o marxismo - e estaria extinta a ilusao 
parlamentar, Entao os porta-bandeiras da Internacional vermeiha, em lugar de um apelo a 
consciencia democratica, dirigiram uma incendiaria proclamagao as massas proletarias e a luta se 
transplantaria imediatamente do ar viciado das salas de sessoes dos nossos parlamentos para as 
fabricas e para as ruas. A democracia ficaria logo liquidada; e o que nao conseguiria a habilidade 
intelectual dos apostolos do povo, conseguiriam, com a rapidez do relampago, tal qual aconteceu 
no outono de 1918, a alavanca e o malho das excitadas massas proletarias. Isso ensinaria 
eloqiJentemente ao mundo burgues quanto ele e insensato em imaginar que, com os recursos da 
democracia ocidental, e possivel resistir a conquista judaica do mundo. 

Como ja dissemos, so um espirito credulo pode aceitar regras de jogo com um parceiro para o 
qual elas so vigoram para "bluff" ou quando Ihe sao uteis e que as despreza logo que deixem de 
ser-Ihe vantajosas. 

Como em todos os partidos da chamada classe burguesa, toda luta politica na realidade 
consiste na disputa de cadeiras individuals no parlamento, luta em que, de acordo com as 
conveniencias, posigoes e principios sao atirados fora, como lastros de areia, da mesma maneira 
que OS seus programas sao alterados em todos os sentidos. E por essa bitola sao avaliadas as 
suas forgas. Falta-lhes aquela forte atragao magnetica, que sempre seguem as massas, sob a 
impressao incoercivel dos altos, dominadores pontos de vista e da forga convincente da fe 
inabalavel, dobrada pelo espirito combativo que a sustenta. 

Mas, numa epoca em que uma parte, aparelhada com todas as armas de uma nova doutrina, 
embora mil vozes criminosa, se prepara para o ataque a uma ordem existente, a outra parte so 
pode resistir-Ihe sempre se adotar formulas de uma nova fe politica; em nosso caso, se trocar a 
senha de uma defesa fraca e covarde pelo grito de guerra de um ataque animoso e brutal, Por 
isso, se hoje os chamados ministros nacionais-burgueses, ate mesmo do centro bavaro, fazem a 
espirituosa censura de que o nosso movimento trabaiha por uma "revolugao", so uma resposta se 
pode dar a esses politicos liliputianos: Sim, tentamos recuperar o que perdestes com a vossa 
criminosa estupidez. Com os principios do vosso avacalhado parlamentarismo, cooperastes para 
que a nagao fosse arrastada ao abismo; nos, porem, mesmo de forma agressiva, langando uma 
nova concepgao do mundo e defendendo-Ihe os principios de maneira fanatica e inexoravel, 
prepararemos os degraus pelos quais um dia o nosso povo podera subir de novo ao tempio da 
liberdade. 

Assim, ao tempo da fundagao do novo movimento, os nossos primeiros cuidados deveriam ser 
sempre no sentido de impedir que o exercito dos nossos combatentes por uma nova e elevada 
convicgao se tornasse uma simples liga para a protegao de interesses parlamentares. 

A primeira medida preventiva foi a elaboragao de um programa que conduzisse 
convenientemente a um desenvolvimento que, pela sua grandeza Intima, fosse apropriado a 
afugentar os espiritos pequeninos e fracos de nossa atual politica partidaria. 

Quanto era certo o nosso conceito da necessidade de um programa de pontos de mira 
definidos, provou claramente o fatal enfraquecimento que levou a Alemanha a ruina. 

Desse conhecimento devem sair novas formulas do conceito de Estado, que sejam parte 
essencial de uma nova concepgao do mundo. 

Ja no primeiro volume desta obra analisei a palavra "popular" (volkisch), pois constatei que esse 
termo parece pouco preciso para permitir a formagao de uma definida comunidade de 
combatentes. Tudo o que e possivel imaginar, embora sejam coisas completamente distintas, corre 
sob a capa de "popular". Por isso, antes de passar a missao e objetivos do Partido Alemao 



Nacional Socialista dos Trabalhadores, devo determinar o conceito de "popular" e suas relagoes 
com movimento partidario. 

O conceito "popular" parece tao mal delimitado, tao mal explicado, e tao llimitado no seu 
emprego quanto a palavra "religioso". Deveras diffcil e compreender-se por essa palavra alguma 
coisa exata, quer quanto a percepgao do pensamento, quer quanto a realizagao pratica. O termo 
"religioso" so e facil de perceber no momento em que aparece ligado a uma forma determinada e 
delimitada de realizagao. E uma bela e facil explicagao qualificar um homem de "profundamente 
religioso". Havera, decerto, algumas raras pessoas que se sintam satisfeitas com uma tal 
denominagao geral, porque tais pessoas podem perceber uma imagem mais ou menos viva desse 
estado de espirito. Mas, para as grandes massas, que nao sao constituidas nem de santos nem de 
filosofos, tal ideia geral religiosa apenas significaria para eles, na maioria dos casos, a tradugao de 
seu modo individual de pensar e de agir, sem entretanto, conduzir aquela eficiencia que 
imediatamente desperta a intima ansia religiosa pela formagao, no llimitado mundo mental, de uma 
fe definida. De certo, nao e esse o fim em si, mas apenas um meio para o fim; todavia, e um meio 
absolutamente inevitavel para que afinal se possa alcangar o fim. E esse fim nao e simplesmente 
ideal, mas, em ultima analise, essencialmente pratico. Como cada um de nos pode capacitar-se de 
que OS mais elevados ideals sempre correspondem a uma profunda necessidade da vida, assim a 
sublimidade da beleza esta, em derradeira instancia, na sua utilidade logica. 

A fe, auxiliando o homem a elevar-se acima do nivel da vida vulgar, contribui em verdade para a 
firmeza e seguranga de sua existencia. Tome-se a humanidade contemporanea a sua educagao 
apoiada nos princfpios da fe e da religiao, na sua significagao pratica, quando a moral e aos 
costumes, eliminando-a sem substitui-la por outra educagao de igual valor, e ter-se-a em 
conseqiJencia um grave abalo nos fundamentos da existencia humana. E deve ter-se em mente 
que nao e so o homem que vive para servir os altos Ideals, mas que tambem, ao contrario, esses 
altos Ideals pressupoem a existencia do homem. E assim se fecha o circulo. 

A denominagao "religioso" implica, naturalmente, pensamentos doutrinarios ou convicgoes, 
como, por exempio, a indestrutibilidade da alma, a sua vida Imortal, a existencia de um ser 
supremo, etc. Mas todos esses pensamentos, ainda que para o individuo sejam muito 
convincentes, sofrem o exame critico Individual e com isso a hesitagao que afirma ou nega, ate 
que ele aceite, nao a nogao sentimental ou o conhecimento, mas a legitima forga da fe apoditica. 
Esse e o principal fator da luta que abre brecha no reconhecimento das concepgoes religiosas. 
Sem a clara delimitagao da fe, a religiosidade, na sua obscura polimorfia nao so seria inutil para a 
vida humana, mas provavelmente contribuiria para a confusao geral. 

O mesmo que acontece com o conceito "religioso" se da com o termo "popular". Nele se 
subentendem tambem nogoes doutrinarias. Estas sao, todavia, bem que da mais alta significagao 
pela forma, determinadas com tao pouca clareza, que so tomam o valor de uma opiniao a ser mais 
ou menos reconhecida quando postas no quadro de um partido politico. Porque a realizagao dos 
ideals de uma concepgao do mundo e das exigencia. dela decorrentes resulta tao pouco do 
sentimento puro e da vontade interior do homem, em si, como, porventura, a conquista da 
liberdade do natural anseio por ela. Nao, so quando o impulso ideal para a independencia sob a 
forma de forga militar recebe organizagao combativa - pode o ardente desejo de um povo 
converter-se em realidade. 

Cada concepgao do mundo, por mais justa e de mais alta utilidade que seja para a humanidade, 
ficara sem significagao para o aperfeigoamento pratico da vida de uma populagao, enquanto nao 
se tornem os seus princfpios o estandarte de um movimento de luta, que, por sua vez, se converte 
em um partido; enquanto nao fiver transformado as suas ideias em vitoria e os seus dogmas 
partidarios nao formarem as novas leis fundamentals do Estado. 

Mas se uma representagao mental de um modo geral deve servir de base a um futuro 
desenvolvimento, nesse caso a primeira condigao e a absoluta clareza do carater, natureza e 
amplitude dessa representagao, pois so sobre esses alicerces e possivel organizar um movimento 
que, pela intrinseca homogeneidade de suas convicgoes, possa desenvolver as necessarias forgas 
para a luta. Um programa politico deve ser caracterizado por Ideias gerais e por uma definida fe 
politica em uma doutrina universal. Esta, visto que o seu objetivo deve ser praticamente realizavel, 
devera servir nao so a ideia em si, mas tambem tomar em consideragao os elementos de luta 
existentes e a serem empregados para a consecugao da vitoria dessa Ideia. A uma ideia 
mentalmente correta que o autor do programa tenha de anunciar, deve associar-se o 



conhecimento pratico do homem politico. Assim, um eterno ideal deve contentar-se, infelizmente, 
com ser a estreia guia da humanidade, tendo em consideragao as fraquezas humanas, para nao 
naufragar desde o Inicio ante a geral deficiencia do homem. Ao investigador da verdade deve 
associar-se o investigador da psicologia popular, para, do reino do eterno verdadeiro e do ideal, 
retirar o que e humanamente possivel para os pobres mortals. 

A conversao da representagao ideal de uma concepgao do mundo da maxima veracidade em 
uma fe polftica e em uma organizagao combativa definida e centralizada, pelo espirito e pela 
vontade e o servigo mais Importante, pois do feliz resultado desse trabalho dependem 
exclusivamente as possibilidades de vitoria de uma ideia. Preciso e, pois, que do exercito, por 
vezes de milhoes de homens, dos quais cada um pressente ou mesmo compreende de modo mais 
ou menos claro essa verdade, seria alguem que, com forga apoditica, forme, das ideias vacilantes 
das massas, principios granificos e empreenda o combate em defesa deles, ate que do jogo livre 
das ondas do mundo mental se erga o rochedo da alianga da fe e da vontade. 

Tentando extrair a significagao profunda da palavra "popular", chegamos a conclusao seguinte: 

A nossa concepgao polftica usual repousa geralmente sobre a ideia de que ao Estado, em si, se 
pode atribuir forga criadora e cultural, mas que ele nada tem a ver com a questao racial; e que ele 
e, antes de mais nada, um produto das necessidades economicas ou, no melhor dos casos, a 
resultante natural da competigao polftica pelo poder. Essa concepgao fundamental, em seu logico 
e conseqGente desenvolvimento progressivo, leva nao so ao desconhecimento das forgas 
primordiais da raga como a desvalorizagao do individuo. Porque a negagao da diferenga entre as 
ragas, em relagao a capacidade cultural de cada uma delas, implica necessariamente em transferir 
esse grande erro para a apreciagao do individuo. A aceitagao da identidade das ragas viria a ser o 
fundamento de um semelhante modo de ver em relagao aos povos e depois em relagao aos 
homens individualmente. Por isso, o marxismo internacional e simplesmente a versao aceita pelo 
judeu Karl Marx de ideias e conceitos ja ha muito tempo existentes de fato sob a forma de 
aceitagao de uma determinada fe polftica. Sem o alicerce de uma semelhante intoxicagao geral ja 
existente, jamais teria sido possivel o espantoso exito politico dessa doutrina. Entre os milhoes de 
individuos de um mundo que lentamente se corrompia, Karl Marx foi, de fato, um que reconheceu, 
com olho seguro de um profeta, a verdadeira substancia toxica e a apanhou para, como um 
feiticeiro, com ela aniquilar rapidamente a vida das nagoes livres da terra. Tudo isso, porem, a 
servigo de sua raga. 

A doutrina de Marx e assim o extrato espiritual concentrado das doutrinas universais hoje 
geralmente aceitas. E, por esse motivo, qualquer luta do nosso chamado mundo burgues contra 
ela e impossivel, ate ridicula, pois esse mundo burgues esta inteiramente impregnado dessas 
substancias venenosas e admira uma concepgao do mundo que, em geral, so se distingue da 
marxistica em grau e pessoas, o mundo burgues e marxistico, mas acredita na possibilidade do 
dominio de determinado grupo de homens (burguesia), ao passo que o marxismo procura 
calculadamente entregar o mundo as maos dos judeus. 

Em face disso, a concepgao "racista" distingue a humanidade em seus primitivos elementos 
raciais, Ela ve, no Estado, em principio, apenas um meio para um fim e concebe como fim a 
conservagao da existencia racial humana. Consequentemente, nao admite, em absoluto, a 
igualdade das ragas, antes reconhece na sua diferenga maior ou menor valor e, assim entendendo, 
sente-se no dever de, conforme a eterna vontade que governa este universo, promover a vitoria 
dos melhores, dos mais fortes e exigir a subordinagao dos piores, dos mais fracos. Admite, assim, 
em principios, o pensamento aristocratico fundamental da Natureza e acredita na validade dessa 
lei, em ordem descendente, ate o mais baixo dos seres. Ve nao so os diferentes valores das ragas, 
mas tambem os diferentes valores dos individuos. Das massas destaca ela a significagao das 
pessoas, mas, nisso, em face do marxismo desorganizador, age de maneira organizadora. Cre na 
necessidade de uma idealizagao da vida humana, pois so nela ve a justificagao da existencia da 
humanidade. Nao pode aprovar, porem, a ideia etica do direito a existencia, se essa ideia 
representa um perigo para a vida racial dos portadores de uma etica superior pois, em um mundo 
de mestigos e de negros, estariam para sempre perdidos todos os conceitos humanos do belo e do 
sublime, todas as ideias de um futuro ideal da humanidade. 

A cultura humana e a civilizagao nesta parte do mundo estao inseparavelmente ligadas a 
existencia dos arianos. A sua extingao ou decadencia faria recair sobre o globo o veu escuro de 
uma epoca de barbaria. 



A destruigao da existencia da cultura humana pelo aniquilamento de seus detentores e, porem, 
aos olhos de uma concepgao racista do mundo, o mais abominavel dos crimes. Quem ousa por as 
maos sobre a mais elevada semelhanga de Deus ofende a essa maraviiha do Criador e coopera 
para a sua expulsao do paraiso. 

Assim corresponde a concepgao racista do mundo ao intimo desejo da Natureza, pois restitui o 
jogo livre das forgas que encaminharao a uma mais alta cultura Inumana, ate que, enfim, 
conquistada a terra, uma melhor Inumanidade possa livremente clnegar a realizagoes em dominios 
que atualmente se aclnam fora e acima dela. 

Todos pressentimos que, em remoto futuro, surgirao ao homem problemas para cuja solugao 
devera ser clnamada uma raga superior, apoiada nos meios e possibilidades de todo o- globo 
terrestre. 

Esta claro que a constatagao geral de uma concepgao racista de analogo conteudo pode dar 
lugar a millnares de interpretagoes. De fato, dificilmente aclnaremos uma, para a nossa nova 
instituigao politica, que nao se refira de qualquer modo a essa concepgao. Ela prova, todavia, 
exatamente pela sua propria existencia em face de muitas outras, a diferenga de suas concepgoes. 

Assim, a organizagao central da concepgao marxistica, op6e-se uma mixordia de conceitos que, 
idealmente, a vista da fechada "frente" inimiga, e pouco impressionante. Nao se ganha a vitoria 
pelejando com armas fracas! Somente opondo a concepgao internacional - politicamente dirigida 
pelo marxismo - uma concepgao igualmente dotada de organizagao central e diregao racista, sera 
possivel, com igual energia combativa, alcangar o sucesso para a verdade eterna. 

Mas a organizagao de uma concepgao do mundo so pode efetuar-se duradouramente sobre a 
base de uma formula definida e clara. Os principios politicos do partido em formagao devem ser 
como OS dogmas para a Religiao. 

Por isso, a concepgao racista do mundo tem de tornar-se um instrumento que permita ao 
Partido as devidas possibilidades de luta, tal como a organizagao partidaria marxista abre o 
caminho para o internacionalismo. 

Esse fim visa o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes. 

Que uma tal compreensao partidaria do conceito racista implica na vitoria da concepgao racista, 
a melhor prova e dada, - ao menos indiretamente, pelos proprios adversarios de uma tal uniao 
partidaria. Exatamente aqueles que nao se cansam de insistir que a concepgao racista nao e 
privilegio de um individuo, mas que dormita ou vive sabe Deus no coragao de quantos milhoes de 
pessoas, documentam, com isso, que o fato da existencia de uma tal ideia de modo algum 
impediria a vitoria da concepgao adversa, que, sem duvida, tera a representagao classica de um 
partido politico. E se nao fora assim, ja o povo alemao teria alcangado uma gigantesca vitoria e 
nao jazeria a beira de um abismo. O que deu exito a concepgao internacional foi o fato de ser 
representada por um partido politico nos moldes de um batalhao de assalto: o que fez sucumbir a 
concepgao contraria foi a falta, ate agora, de uma representagao centralizada. Nao e pela 
faculdade de interpretar um conceito geral, mas sim, pela forma definida e por isso mesmo 
concentrada de uma organizagao politica que pode lutar e veneer uma nova doutrina. 

Por isso, compreendi que a minha propria missao era especialmente selecionar, da vasta 
informe materia de uma concepgao do mundo, as ideias nucleares e fundi-las em formulas mais ou 
menos dogmaticas, que, na sua clara delimitagao, servissem para unir e coordenar os homens que 
as aceitassem. Por outras palavras: o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes 
apropria-se das caracteristicas essenciais do pensamento fundamental de uma concepgao geral 
racista do mundo; e, tomando em consideragao a realidade pratica, o tempo, o material humano 
existente, com as suas fraquezas, forma uma ja politica, a qual, por sua vez, dentro desse modo 
de entender a rigida organizagao das grandes massas humanas, autoriza a prever a luta vitoriosa 
dessa nova doutrina. 

CAPITULO ll-OESTADO 

Ja nos anos de 1920 e 1921, nosso novo movimento era constantemente acusado nos circulos 
burgueses, hoje fora da epoca, de manter uma atitude de reagao contra o Estado. Dai concluiam 
todos OS partidos que Ihes assistia o direito de combaterem, por todos os meios possiveis, o 
inconveniente campeao de uma nova doutrina. De proposito, esqueceram esses partidos que a 
propria burguesia ja nao considera o Estado como um corpo homogeneo e que, do mesmo, nao 



dava e nem pode dar uma definigao precisa. E verdade que ha professores, nas nossas 
universidades oficiais, que, nas suas conferencias sobre direito publico, tem por tarefa encontrar 
uma explicagao para a existencia mais ou menos feliz do Estado que Ihes assegura o pao. Quanto 
pior um Estado e constituido tanto mais confusa e incompreensivel e a explicagao da sua 
finalidade. Que poderia, por exempio, outrora, um professor da Universidade do imperio, escrever a 
respeito do sentido e da finalidade do Estado em um pais cujo Governo e a maior monstruosidade 
do seculo XX? E realmente uma tarefa dificil, se pensarmos que, no ensino do direito publico, em 
nossos dias, ha menos a preocupagao de atender a verdade do que alcangar um determinado 
objetivo. Esse objetivo consiste em conservar, a todo prego, a monstruosidade que se designa pelo 
nome de Estado. Ninguem se admire de que, na discussao desse problema, sejam postos a 
margem os verdadeiros pontos de vista para, em seu lugar, p6r-se um amalgama de valores e 
objetivos intelectuais e morals. 

Entre esses individuos devem-se distinguir tres grupos. 

a) O grupo dos que veem o Estado como uma reuniao mais ou menos voluntaria de individuos 
sob a mesma administragao oficial. 

Esse grupo e o mais numeroso. Nas suas fileiras, encontram-se, sobretudo, os fanaticos pelo 
principio da legitimidade, para os quais, nesses assuntos, a vontade dos homens nao desempenha 
nenhum papel. Para esses, a simples existencia do Estado da-lhes direito a uma inviolabilidade 
sagrada. Para defender essa concepgao idiota eles observam uma fidelidade de cao em relagao a 
autoridade do Estado. Assim, com a rapidez de um relampago, eles convertem um meio em uma 
finalidade. 

O Estado, para estes individuos, nao existe para servir aos homens mas estes sao destinados a 
adorar a autoridade do Estado, que se personaliza em qualquer empregado publico. Para que esse 
Estado, objeto de uma verdadeira adoragao, nao se perturbe, e que o governo toma a si a defesa 
da ordem e da tranquilidade. A autoridade, entao, ja nao- e um fim nem um meio. O Estado tem 
que cuidar da ordem e da tranquilidade e, inversamente, essa ordem e tranquilidade deve facilitar a 
existencia do Estado. A vida Toda tem que se circunscrever entre esses dois polos. 

Na Baviera, eram principals representantes dessa teoria os politicos do chamado Partido 
Popular Bavaro; na Austria, eram os Legitimistas, no Imperio alemao, eram os Conservadores que 
se batiam por essas ideias. 

b) O segundo grupo e um pouco menor em numero. Nesse grupo devem ser computados os 
que nao acreditam que a autoridade do Estado seja a unica finalidade do mesmo, mas 
condicionam-na a umas tantas exigencias. Esses desejam nao somente um Governo unico, mas 
tambem, se possivel, uma lingua unica, quando nao por outras razoes ao menos por motivos de 
tecnica administrativa. A autoridade ja nao e a unica, a exclusiva finalidade do Estado. Este tem 
que cuidar tambem do bem-estar do povo. Ideias de "liberdade", geralmente mal compreendidas, 
insinuam-se na compreensao do Estado, por parte desse grupo. A forma de governo ja nao e 
considerada intangfvel so por sua .existencia em si. Discute-se tambem a sua conveniencia. O 
carater sagrado da idade nao a abriga contra as criticas do presente. Os principals representantes 
dessas ideias encontram se entre os burgueses, sobretudo entre os liberais-democratas. 

c) O terceiro grupo e o mais fraco em numero. Ve no Estado um instrumento para realizar 
tendencias vagas no sentido de uma politica de forga, por uma nagao unificada e falando a mesma 
lingua. 

A aspiragao de uma lingua unica nao se manifesta somente na esperanga de se criar um 
fundamento capaz de produzir um aumento de prestigio da nagao no exterior, mas, nao menos, na 
falsissima opiniao de que, por esse meio, se conseguira uma orientagao definida na obra de 
nacionalizagao. Era uma tristeza ver-se, durante os ultimos cem anos, como individuos tendo 
essas ideias na maior parte dos casos de boa fe - jogavam com a palavra "germanizar". Lembro- 
me como, na minha juventude, esse vocabulo dava margem a concepgoes absolutamente falsas. 
Mesmo nos circulos pan-germanistas, ouvia-se a opiniao de que, com auxilio do Governo, poder- 
se-ia realizar com sucesso a germanizagao da Austria eslava, sem que ninguem se apercebesse 
que so se pode germanizar um territorio e nunca um povo. O que se compreendia pela palavra 
germanizagao resumia-se na adogao forgada da Ifngua. E quase incrivel que alguem pense ser 
possivel transformar um negro ou um chines em alemao somente por ter o mesmo aprendido a 
lingua alema e esteja disposto a fala-la por toda a vida e a votar em qualquer dos partidos politicos 
alemaes. Os meios nacionalistas burgueses nunca se elevaram a compreensao de que 



semelhante processo de germanizagao redundaria em uma desgermanizagao. Quando, hoje, pela 
imposigao de uma lingua comum, se diminuem ou mesmo se suprimem as diferengas mais 
sensiveis entre os povos, isso representa um comego de abastardamento da raga e, no nosso 
caso, nao uma germanizagao mas a destruigao dos elementos germanicos. Acontece muito 
frequentemente na Historia que um povo conquistador consiga impor a sua lingua aos vencidos, e 
que, depois de milhares de anos, essa lingua venha a ser falada pois outro povo e que assim o 
vencedor passe a posigao de vencido. 

Desde que a nacionalidade, ou, melhor, a raga, nao esta na lingua que se fala, mas no sangue, 
so se deveria falar em germanizagao se, por um tal processo, se pudesse modificar o sangue dos 
individuos. Isso e absolutamente impossivel. Essa modificagao teria que ser feita pela mistura do 
sangue, o que resultaria no rebaixamento do nivel da raga superior. A conseqGencia final seria a 
destruigao justamente das qualidades que tinham preparado o povo conquistador para a vitoria. 
Por uma tal mistura com ragas inferiores, sobretudo as forgas culturais desapareceriam mesmo 
que produto daf resultante falasse perfeitamente a lingua da raga superior. Durante muito tempo, 
travar-se-a uma luta entre os dois espiritos e pode ser que o povo que desce cada vez mais de 
nfvel consiga, por um esforgo supremo, elevar-se e criar uma cultura de surpreendente valor. Isso 
pode acontecer com os indivfduos das ragas mais elevadas ou com os bastardos, nos quais, no 
primeiro cruzamento, ainda prevalece o melhor sangue: nunca se verificara, porem, esse fato com 
OS produtos definitivos da mistura. Nesses verificar-se-a sempre um movimento de regressao 
cultural. 

Deve-se considerar uma felicidade que a germanizagao da Austria, nos moldes da empreendida 
por Francisco Jose, nao fosse continuada. O sucesso da mesma ter-se-ia traduzido na 
conservagao do Estado austrfaco, mas em um rebaixamento do nfvel da raga alema. Talvez daf 
surgisse um novo Estado, mas uma cultura ter-se-ia perdido. Com o correr dos seculos, ler-se-ia 
organizado um rebanho, mas esse rebanho seria de valor muito medfocre. Dai poderia talvez surgir 
um povo organizado em Estado, mas com isso teria desaparecido uma civilizagao. 

Foi muito melhor para a nagao alema que se nao tivesse realizado essa mistura, alias evitada 
nao por motivos elevados mas devido a curteza de vistas dos Habsburgos. Se o contrario tivesse 
acontecido, hoje mal se poderia apontar o povo alemao como um fator de cultura. 

Nao so na Austria como na propria Alemanha, os chamados nacionalistas eram e ainda sao 
inclinados a essas ideias falsas. A tao desejada polftica polonesa, no sentido de uma 
germanizagao do oeste, apoiava-se quase sempre em identicos sofismas. Acreditava-se poder 
conseguir a germanizagao dos elementos poloneses apenas pela adogao da Ifngua. O resultado 
dessa tentativa so poderia ser funesto. Um povo de raga estrangeira exprimindo os seus 
pensamentos proprios em Ifngua alema so poderia, por sua mediocridade, comprometer a 
majestade do espirito alemao. 

Os grandes prejuizos que, indiretamente, ja sofreu o espirito alemao, podem ser constatados no 
fato de OS americanos, por falta de conhecimentos, confundirem o dialeto judaico com o alemao. A 
ninguem passara pela ideia que essa piolheira judaica que, no oriente, fala alemao, so por isso 
deve ser vista como de descendencia alema, como pertencente ao povo alemao. 

A historia mostra que foi a germanizagao da terra, que os nossos antepassados promoveram 
pela espada, a que nos trouxe proveitos, pois essa terra conquistada era colonizada com 
agricultores alemaes, sempre que o sangue estrangeiro foi introduzido no corpo da nagao, os seus 
desastrados eleitos se fizeram sentir sobre o carater do povo, dando lugar ao super-individualismo, 
infelizmente ainda hoje muito apreciado. 

Nesse terceiro grupo a que aludimos acima, o Estado e visto, de certa maneira, como um fim, 
sendo a sua conservagao a mais alta missao da vida dos individuos. 

Em resumo, pode-se afirmar que todos esses pontos de vista nao tem as suas raizes mais 
profundas na convicgao de que as forgas culturais e criadoras de um povo repousam nos 
elementos raciais e que o Estado deve ter como seu mais alto objetivo a conservagao e 
aperfeigoamento da raga, base de todos os progressos culturais da humanidade. 

As ultimas consequencias dessa concepgao falsa sobre a existencia e a finalidade do Estado 
foram tiradas pelo judeu Karl Marx. Enquanto o mundo burgues abandonava o conceito do Estado, 
tendo por base os deveres para com a raga, e nao conseguia substituir essa concepgao por outra 
formula- que pudesse ser aceita, uma outra doutrina que chegava a negar o proprio Estado abria 
caminho no mundo moderno. 



Nesse campo, a luta do mundo burgues contra o internacionalismo marxistico deveria ser um 
fracasso completo. A burguesia ja tinha, ha - muito tempo, sacrificado os fundamentos 
absolutamente indispensaveis para a defesa de suas ideias. Seus espertos adversarios, 
reconhecendo a fraqueza das instituigoes do inimigo, langaram-se na luta com as proprias armas 
que este, embora involuntariamente, Ihes fornecera. 

Por tudo isso, primeiro dever de um novo movimento que repousa sobre o fundamento da 
raga, e dar uma forma clara, bem definida, da concepgao sobre a existencia e a finalidade do 
Estado. 

O grande principio que nunca deveremos perder de vista e que o Estado e um meio e nao um 
fim. E a base sobre que deve repousar uma mais elevada cultura humana, mas nao e a causa da 
mesma. Essa cultura depende da existencia de uma raga superior, de capacidade civilizadora. 
Poderia haver centenas de Estados modelos no mundo e isso nao impediria que, com o 
desaparecimento dos arianos, formadores de cultura, desaparecesse a civilizagao no nivel em que 
se encontra atualmente nas nagoes mais adiantadas. 

Podemos avangar mais um pouco e proclamar que o fato dos individuos se organizarem em 
Estados, de nenhum modo afastaria a possibilidade do desaparecimento da raga humana, desde 
que uma capacidade intelectual superior e um grande poder de adaptagao se perdessem por falta 
de uma raga para conserva-las. 

Se, por exempio, a superficie da terra fosse inundada por um diluvio, e, do meio das vagas do 
oceano, surgisse um novo Himalaia, nessa terrfvel catastrofe desapareceria a cultura humana. 
Nenhum Estado persistiria, os bandos se dissolveriam, seriam destruidos os atestados de uma 
evolugao de milhares de anos e restaria de tudo apenas um vasto cemiterio coberto de agua e de 
lama. Mas, se desse horrivel caos, se conservassem alguns homens pertencentes a uma certa 
raga de capacidade criadora, de novo, embora isso durasse milhares de anos, no mundo, depois 
de cessada a tempestade, se notariam sinais da existencia do poder criador da humanidade. So o 
desaparecimento das ultimas ragas capazes transformaria a terra em um vasto deserto. O contrario 
disso vemos em exemplos do presente. Estados tem existido que por nao possuirem, devido a 
suas origens raciais, a genialidade indispensavel, nao puderam evitar a sua ruina. O que 
aconteceu com certas especies animals dos tempos pre-historicos, que cederam lugar a outras e, 
por fim, desapareceram completamente, acontece com os povos, quando Ihes falta a forga 
espiritual, unica arma capaz de assegurar sua propria conservagao! 

O Estado em si nao cria um determinado standard de cultura, pode apenas conservar a raga de 
que depende essa civilizagao. Em outra hipotese, o Estado podera durar centenas de anos, mas 
se nao fiver evitado a mistura de ragas, a capacidade cultural e todas as manifestagoes da vida a 
ela condicionadas sofrerao profundas modificagoes. 

O Estado de hoje, por exempio, pode, como mecanismo, ainda por muito tempo aparentar vida, 
mas envenenamento da raga criara fatalmente um rebaixamento cultural que, alias, ja se nota 
hoje em proporgoes assustadoras. 

Assim sendo, a condigao essencial para a formagao de uma humanidade superior nao e o 
Estado mas a raga. 

Nagoes ou, melhor, ragas, possuidoras de genio criador trazem sempre essas virtudes consigo, 
embora, muitas vezes, em estado latente, mesmo quando circunstancias exteriores, desfavoraveis 
em dado momento, nao permitam o seu desenvolvimento. E um ultraje, por exempio, imaginar que 
OS povos alemaes de antes da era crista eram barbaros. Barbaros nunca foram eles. O clima 
aspero dos paises do Norte forgou-os a viver sob condigoes que nao Ihes permitiram desenvolver 
suas qualidades criadoras. 

Se mundo classico nunca tivesse existido, se os alemaes tivessem descido para os paises do 
sul, de clima mais favoravel, e ali tivessem contado com os primeiros auxilios da tecnica, 
empregando a seu servigo ragas que Ihe eram Inferiores, entao a capacidade criadora latente teria 
produzido uma civilizagao tao brilhante como a dos Helenos. 

Mas esta forga criadora de cultura nem sempre se encontra nos climas do Norte. O Laponio, 
transportado para o sul, produziria tao pouco, sob o ponto de vista cultural, como o esquimo. Essa 
capacidade dominadora e criadora e caracteristica do ariano, que a possui em estado latente ou 
em toda sua eficiencia, tudo dependendo das condigoes do meio que ou permitem a sua expansao 
ou a impedem. 

Dai resultam os seguintes principios: 



O Estado e um meio para um fim. Sua finalidade consiste na conservagao e no progresso de 
uma coletividade sob o ponto de vista fisico e espiritual. Essa conservagao abraga em primeiro 
lugar tudo o que diz respeito a defesa da raga, permitindo, por esse meio, a expansao de todas as 
forgas latentes da mesma. Pela utilizagao dessas forgas, promover-se-a a defesa da vida fisica e, 
por outro - lado, o desenvolvimento intelectual. Na realidade, os dois estao sempre em fungao um 
do outro. Estados que nao atendem a esse objetivo sao criagoes artificiais, simples mostrengos. O 
fato de semelhante Estado existir em nada altera essa verdade, assim como o exito de uma 
associagao de piratas nao justifica o saque. 

Nos, nacionais-socialistas, como defensores de uma nova concepgao do mundo, nao devemos 
nunca nos colocar no ponto de vista falso das chamadas "realidades". Se assim acontecesse nao 
seriamos os fatores de uma grande ideia mas escravos das mentiras em voga. Temos que 
estabelecer bem claramente a diferenga entre o Estado como continente e a raga como conteudo. 
Esse continente so tem sentido se puder manter e proteger o conteudo. Na hipotese contraria, 
torna-se inutil. 

Assim, a finalidade principal de um Estado nacionalista e a conservagao dos primitivos 
elementos raciais que, por seu poder de disseminar a cultura, criam a beleza e a dignidade de uma 
humanidade mais elevada. Nos, como arianos, i. 'vendo sob um determinado Governo, podemos 
apenas imagina-lo como um organismo vivo da nossa raga que nao so assegurara a conservagao 
dessa raga, mas a colocara em situagao de, por suas possibilidades intelectuais, atingir uma mais 
alta liberdade. 

O que hoje se tenta apresentar-nos como um tipo de Estado e apenas o produto de um grande 
erro de que resultarao as conseqiJencias mais deploraveis. 

Nos, nacionais-socialistas, sabemos muito bem que o mundo atual nos contempla como 
revolucionarios devido as nossas Ideias e, com esse qualificativo, pretende estigmatizar-nos. Os 
nossos pensamentos e agoes nao se devem, porem, deixar influenciar pela aprovagao ou 
condenagao dos contemporaneos, mas, ao contrario, devemos nos manter cada vez mais firmes 
na defesa das verdades que reconhecemos. Poderemos assim ficar certos de que uma mais clara 
visao da posteridade nao so compreendera a nossa atuagao de hoje, como aceita-la-a como justa 
e dar-lhe-a o devido aprego. 

Por esse criterio e que devemos, nos, nacionais-socialistas, medir o valor de um Estado Esse 
valor sera relativo quanto a um determinado povo e absoluto no que diz respeito a humanidade em 
si. Em outras palavras: 

O valor de um Estado nao pode ser apreciado pela sua elevagao cultural ou pelo seu poder em 
comparagao com outros povos, mas, em ultima analise, pela justeza de sua orientagao em relagao 
a posteridade. 

Um Estado pode ser apontado como modelar quando nao somente corresponde as condigoes 
da vida do povo que representa mas tambem assegura a existencia material desse povo, qualquer 
que seja a importancia cultural que as instituigoes atinjam no resto do mundo. 

A missao do Estado nao e criar capacidades mas tornar possivel a expansao das forgas 
existentes. 

Por outro lado, pode-se apontar como um Estado mal organizado aquele em que, qualquer que 
seja a elevagao de sua cultura, consente na rufna, sob o ponto de vista racial, dos portadores 
dessa cultura. Pols assim se eliminaria praticamente a condigao indispensavel para a continuagao 
dessa civilizagao que, alias, nao foi criada por ele mas e o fruto de um espirito nacional criador 
garantido por uma organizagao estatal conveniente. O Estado nao e um conteudo mas uma forma. 

A elevagao da cultura de um povo, qualquer que ela seja, nao da a medida por que se deve 
apreciar o valor de um Estado. 

E evidente que um povo altamente civilizado da de si uma impressao mais elevada do que um 
povo de negros. Nao obstante isso, a organizagao estatal do primeiro, observada quanto a maneira 
por que realiza a sua finalidade, pode ser pior que a dos negros. Assim como a melhor forma de 
governo nao pode produzir, em um povo, capacidades que nao existiam antes, assim um Estado 
mal organizado pode, promovendo a rufna dos individuos de uma determinada raga, fazer 
desaparecerem as qualidades criadoras que possuiam na origem. 

Conclui-se dai que o julgamento da boa ou ma organizagao de um Estado so podera ser feito 
pela relativa utilidade que oferece a um determinado povo e nunca pela importancia que atinge em 
face do mundo. 



Esse julgamento relative pode ser facil e acertadamente feito. O juizo, porem, sobre o valor 
absolute e muito dificil, pels nao depende somente da organizagao estatal, mas principalmente das 
qualidades de determinado povo. 

Quando se fala de uma mais elevada missao do Estado, nao se deve nunca esquecer que a 
maior finalidade reside no povo e que o dever do Governo e tornar possivel, com a sua 
organizagao, a livre expansao das forgas existentes. 

Quando, porem, nos perguntamos qual o Estado que precisamos instituir para nos, devemos 
primeiro esclarecer que especie de homens se ha. de propor produzir e qual o objetivo que esta 
destinado a servir. Infelizmente, o amago da nacionalidade alema ja nao e mais homogeneo, sob o 
ponto de vista racial, o processo de fusao dos elementos originals nao tinha ainda ido tao longe 
que ja se pudesse afirmar que uma nova raga tinha surgido dessa fusao. Ao contrario, o 
envenenamento racial de que o nosso pais se vem ressentindo, desde a guerra dos Trinta Anos, 
nao so perturbou a pureza do sangue como da propria alma do povo. 

As fronteiras abertas da Patria, a vizinhanga de elementos nao germanicos nas fronteiras, e, 
sobretudo, a corrente continua de sangue estrangeiro no interior do Imperio, nao dao tempo a uma 
fusao absoluta, desde que a invasao continua sem interrupgao. 

Nao se formara uma nova raga, mas as diferentes ragas continuarao a viver umas ao lado das 
outras. A consequencia disso e que, nos momentos crfticos, justamente quando os rebanhos se 
costumam unir, os alemaes se debandam em todas as diregoes. 

Nao e so nos seus respectivos territorios que os elementos raciais se comportam 
diferentemente o mesmo acontece com os individuos de ragas diferentes, dentro das mesmas 
fronteiras. Coloquem-se homens do norte ao lado de homens de leste, ao lado de homens de leste 
homens do oeste e o resultado sera a mistura. 

Por um lado, isso e de grandes vantagens. 

Falta aos alemaes o espirito gregario que sempre se verifica quando todos sao do mesmo 
sangue e que protege as nagoes contra a ruma, sobretudo nos momentos de perigo, em que todas 
as pequenas diferengas desaparecem e o povo, como um so rebanho, enfrenta o inimigo comum. 

Na existencia de elementos raciais diferentes, que se nao fundiram, esta o fundamento do que 
designamos pela palavra super-individualismo. 

Nos tempos de paz, esse super-individualismo poderia ser util, mas, bem examinadas as 
coisas, foi que nos arrastou a sermos dominados pelo mundo. 

Se povo alemao, na sua evolugao historica, possuisse aquela inabalavel unidade, que foi de 
tanta utilidade a outros povos, seria hoje o senhor do globo terrestre. A historia do mundo teria 
tomado outro curso. Nao veriamos esses cegos pacifistas mendigarem a paz atraves de queixas e 
lamentagoes, pois a paz do mundo nao se mantem com as lagrimas de carpideiras pacifistas, mas 
pela espada vitoriosa de um povo dominador que poe o mundo a servigo de uma alta cultura. 

O fato da nao existencia de uma perfeita unidade racial causou-nos grandes males. Isso deu 
lugar ao surto de um pequeno numero de potentados alemaes, mas retirou a Alemanha o direito a 
dominagao, Ainda hoje, o nosso povo sofre as conseqGencias dessa desuniao. O que, no passado 
e no presente, causou a nossa infelicidade, pode ser, porem, a nossa salvagao no futuro. Por mais 
prejudicial que, por um lado, tenha sido a falta de fusao dos diferentes elementos raciais, o que 
impediu a formagao da perfeita unidade nacional, e incontestavel que, por outro, com isso se 
conseguiu que, pelo menos uma parte do povo, de melhor sangue, se conservasse na sua pureza, 
evitando-se assim a ruina da ragas. 

Certamente, uma completa fusao dos primitivos elementos raciais originaria uma unidade mais 
perfeita, mas, como se verifica em todos os cruzamentos, a capacidade criadora seria menor do 
que a possuida pelos elementos primitivos superiores. Foi uma felicidade que nao se tenha dado a 
fusao completa, pois, por isso, ainda possuimos representantes do puro sangue germanico do 
Norte, em que vemos o mais precioso tesouro para o nosso futuro. Nos dias sombrios de hoje, em 
que e completa a ignorancia sobre as leis raciais, em que todos os homens sao tidos como iguais, 
nao se tem uma ideia clara dos diferentes valores dos elementos raciais primitivos. Sabemos hoje 
que uma mistura completa dos diversos componentes do nos. w organismo racial poderia, em 
consequencia de uma maior unificagao, ter-nos proporcionado maior poder exterior, mas o maior 
objetivo da humanidade nao poderia ser atingido, uma vez que os individuos apontados pela 
Providencia a realiza-lo tinham desaparecido na mistura geral. 

O que a sorte evitou, sem o querermos, devemos experimentar e utilizar a luz dos 



conhecimentos adquiridos de entao para ca. 

Quem falar de uma missao do povo alemao neste mundo, deve saber que essa missao so pode 
consistir na formagao de urn Estado que ve, como sua maior finalidade, a conservagao e o 
progresso dos elementos raciais que se mantiveram puros no seio do nosso povo, na humanidade 
inteira. 

Com essa missao, o Estado, pela primeira vez, assume a sua verdadeira finalidade. Em vez do 
palavreado irrisorio sobre a seguranga da paz e da ordem, por meios pacificos, a missao da 
conservagao e do progresso de uma raga superior escolhida por Deus e que deve ser vista como a 
mais elevada. 

Em lugar de uma maquina que so se esforga por viver, deve ser criado um organismo vivo com 
objetivo unico de servir a uma nova ideia. 

O Estado alemao deve reunir todos os alemaes com a finalidade nao so de selecionar os 
melhores elementos raciais e conserva-los mas tambem de eleva-los, lenta mas firmemente, a uma 
posigao de dominio. 

Nesse periodo de luta, deve-se entrar com a mais firme resolugao. Como sempre acontece em 
tudo neste mundo, aqui mais uma vez se verifica a verdade deste proverbio - maquina que nao 
trabaiha se enferruja e tambem que a vitoria esta sempre no ataque. Quanto maior for o objetivo 
que tivermos diante de nos, quanto menor for a compreensao das massas no momento, tanto mais 
prodigioso sera - de acordo com as ligoes da historia - o exito, desde que o alvo seja bem 
compreendido e a luta dirigida com firmeza inabalavel. 

E muito natural que a maior parte dos empregados que hoje controlam o Estado se sintam mais 
a comodo trabalhando para conservar o statu quo atual do que lutando por uma nova ordem de 
coisas. Eles sentirao que e mais facil considerar o Estado como uma maquina que existe somente 
para garantir-lhes a subsistencia, uma vez que as suas vidas, como eles costumam dizer, 
pertencem ao Estado. 

Como dissemos acima, e mais facil ver na autoridade do Estado apenas um mecanismo do que 
encara-la como a corporificagao da forga de conservagao de um povo na terra. 

No primeiro caso, para esses espiritos fracos, o Estado e uma finalidade em si; no segundo, e a 
arma poderosa a servigo da eterna luta pela existencia, arma que nao e mecanica, mas a 
expressao de uma vontade geral em favor da conservagao da vida. Na luta pelas novas ideias - 
que estao em harmonia com o sentido original das coisas - encontraremos poucos combatentes no 
seio de uma sociedade de homens envelhecidos, nao so de corpo como de espirito tambem, o que 
e ainda mais lamentavel. 

So virao para as nossas fileiras os individuos excepcionais, Isto e, os velhos de coragao e de 
espirito mogos. Nunca se incorporarao as nossas hostes aqueles que pensam ser a finalidade 
unica da vida manter inalteravel a situagao atual. 

Contra nos se arregimentara um exercito composto menos dos individuos maus do que dos 
indiferentes, preguigosos mentals, e dos interessados na conservagao do atual estado de coisas. O 
grito de guerra que, logo de inicio, afugenta os fracos, e o toque de reunir das naturezas dotadas 
de espfrito combativo. 

Devemos ter sempre presente no espirito que quando uma certa soma de grande energia e 
eficiencia de um povo e concentrada em um determino4o fim e segregada definitivamente, da 
inercia das grandes massas, essa pequena minoria esta destinada a dominar o resto. A historia do 
mundo e feita pelas minorias, desde que elas tenham incorporado a maior parte do poder de 
vontade e de determinagao do povo. 

Isso que, a muitos, parece uma desvantagem, e, na realidade, a condigao indispensavel para a 
nossa vitoria. Na grandeza e na dificuldade da nossa tarefa, esta a possibilidade de que so os 
melhores Lutadores formarao conosco. Nessa selegao esta a garantia do sucesso. 

A propria natureza consegue fazer certas corregoes nos seres vivos, no que diz respeito a 
pureza da raga. Ela tem muito pouca inclinagao pelos bastardos. Os primeiros produtos desse 
cruzamento sao os que mais sofrem, quando nao na primeira, na terceira, quarta ou quinta 
geragao. Perdem as qualidades da raga superior, e, pela falta de unidade racial, perdem tambem a 
constancia na forga de vontade e de decisao. Em todos os momentos criticos em que as ragas 
puras tomam resolugoes certas e firmes, o bastardo ficara indeciso, tomara meias medidas. Isso 
nao se traduz somente na inferioridade da mistura em relagao a pureza mas, na pratica, na 
possibilidade de uma mais rapida ruina. Em um sem-numero de casos, em que a raga pura resiste. 



OS bastardos se deixam veneer. Nisso se deve ver uma das maneiras de corregao da natureza. Ela 
vai mais adiante, quando restringe a possibilidade de procriagao. Com isso proibe a fecundidade 
de novos cruzamentos e arrasta-os ao exterminio. 

Se, por exempio, em uma determinada raga, um individuo cruza com outro de raga inferior, o 
resultado imediato e a baixa do nivel racial e, depois, o enfraquecimento dos descendentes, em 
comparagao com os representantes da raga pura. Proibindo-se absolutamente novos cruzamentos 
com a raga superior, os bastardos, cruzando-se entre si, ou desapareceriam, dada a sua pouca 
resistencia, ou, com o correr dos tempos, atraves de misturas constantes, criariam um tipo em que 
nao mais se reconheceria nenhuma das qualidades da raga pura. 

Assim se formaria uma nova raga com uma certa capacidade de resistencia passiva, mas muito 
diminuida na importancia da sua cultura em relagao a raga superior do primeiro cruzamento. Nesse 
ultimo caso, na luta pela existencia, o bastardo sera sempre vencido, enquanto existir, como 
adversario, o representante de uma raga pura. 

No correr dos tempos, todos esses novos organismos raciais, em conseqGencia do 
rebaixamento do nivel da raga e da diminuigao da elasticidade espiritual, dai decorrente, nao 
poderiam sair vitoriosos em uma luta com uma raga pura, mesmo intelectualmente atrasada. 

Pode-se, pois, estabelecer o seguinte principio: 

Toda mistura de raga tende, mais cedo ou mais tarde, a provocar a decadencia do produto 
hibrido, enquanto a raga superior do cruzamento se mantiver em sua pureza. So quando os ultimos 
representantes da raga superior se tornam bastardos e que para os produtos hibridos cessa o 
perigo de desaparecimento. 

Inicia-se, entao, um processo natural, mas lento, de regeneragao, que gradualmente eliminara o 
veneno racial, desde que ainda exista um es toque de elementos puros e que se tenha impedido a 
mistura. 

A essa situagao podem chegar mesmo individuos com o mais forte instinto racial e que, por 
forga de certas situagoes ou por influencia de coagao, foram obrigados a abandonar os processos 
normals de multiplicagao! Logo, porem, que essa situagao excepcional deixa de exercer sua 
influencia, a parte pura da raga procurara unir-se aos seus semelhantes, opondo um dique ao 
abastardamento. Os produtos bastardos entram por si mesmos para um segundo Piano a menos 
que, pelo numero consideravel por eles ja atingido, a resistencia dos elementos raciais puros se 
tivesse tornado impossivel. 

O homem que, uma vez, perdeu os seus instintos e se nega ao cumprimento dos deveres que a 
natureza Ihe impoe, nao deve, em regra, nada esperar de um corretivo da natureza, desde que nao 
tenha compensado com um conhecimento visivel a perda desse instinto. Ha, nesse caso, sempre o 
perigo de que o individuo, completamente cego, cada vez mais destrua as fronteiras entre as ragas 
ate perder de todo as melhores qualidades da raga superior. Resultara de tudo isso uma massa 
informe que os famosos reformadores de nossos dias veem como um ideal. Em pouco tempo, 
desapareceria do mundo o idealismo. Poder-se-ia com isso formar um grande rebanho de 
indivfduos passivos, mas nunca de homens portadores e criadores de cultura. A missao da 
humanidade deveria, entao, ser vista como terminada. 

Quem nao quiser que a humanidade marche para essa situagao, deve-se converter a ideia de 
que a missao principal dos Estados Germanicos, e cuidar de por um paradeiro a uma progressiva 
mistura de ragas. 

A- geragao dos nossos conhecidos fracalhoes de hoje naturalmente gritara e se queixara de 
ofensa aos mais sagrados direitos dos homens. 

So existe, porem, um direito sagrado e esse direito e, ao mesmo tempo, um dever dos mais 
sagrados, consistindo em velar pela pureza racial, para, pela defesa da parte mais sadia da 
humanidade, tornar possivel um aperfeigoamento maior da especie humana. 

O primeiro dever de um Estado nacionalista e evitar que o casamento continue a ser uma 
constante vergonha para a raga e consagra-lo como uma instituigao destinada a reproduzir a 
imagem de Deus e nao criaturas monstruosas, meio homens meio macacos. Protestos contra isso 
estao de acordo com uma epoca que permite qualquer degenerado reproduzir-se e langar uma 
carga de indiziveis sofrimentos sobre os seus contemporaneos e descendentes, enquanto, por 
outro lado, meios de evitar a procriagao sao oferecidas a venda em todas as farmacias e ate 
anunciados pelos camelos, mesmo quando se trata de pais sadios. 

Neste estado de "paz e ordem" dos dias de hoje, neste mundo de bravos "nacionalistas" 



burgueses, a proibigao da procriagao de portadores de sifilis, tuberculose e outras molestias 
contagiosas, de mutilados e de cretinos, e Vista como um crime, ao passo que a esterilidade de 
milhares dos individuos mais fortes de nossa raga nao e tida como um mal ou ofensa a moral 
dessa hipocrita sociedade, mas aproveita ao seu comodismo. Se fosse de outra maneira, eles 
teriam que quebrar a cabega para arranjar meios de prover a subsistencia e a conservagao dos 
elementos sadios da nagao, que deveriam prestar esse grande servigo as geragoes futuras. 

Como esse sistema e desprovido de ideal e de honra! Ninguem se preocupa em cultivar o que 
ha de melhor, em beneficio da posteridade, mas, ao contrario, deixam-se as coisas continuarem 
como estao. 

Ate a nossa igreja, que fala sempre no homem como criado a imagem de Deus, peca contra 
esse principio, cuidando simplesmente da alma, enquanto deixa o homem descer a posigao de 
degradado proletario. A gente flea transido de vergonha ao ver a atuagao da fe crista, em nosso 
proprio pais, em relagao a "impiedade" desses individuos pecos de espfrito e degradados de corpo, 
enquanto se procura levar a bengao da igreja a cafres e hotentotes. Enquanto os povos europeus 
sao devastados por uma lepra moral e ffsica, erra o piedoso missionario pela Africa Central, 
organiza missoes de negros, ate conseguir a nossa "elevada cultura" fazer de individuos sadios, 
embora primitivos e atrasados, bastardos, preguigosos e incapazes. 

Seria muito mais nobre que ambas as igrejas cristas, em vez de importunarem os negros com 
missoes, que estes nao desejam nem compreendem, ensinassem aos europeus, com gestos 
bondosos, mas com toda seriedade, que e agradavel a Deus que os pais nao sadios tenham 
compaixao das pobres criancinhas sadias e que evitem trazer ao mundo filhos que so trazem 
infelicidade para si e para os outros. 

O que nao tem sido feito em outros setores deve ser empreendido pelo Estado. , raga deve ser 
vista como ponto central da atuagao do Estado na vida geral da nagao. Deve ser conservada pura. 
A infancia deve ser vista como a mais preciosa propriedade da Patria. Deve-se providenciar para 
que so pais sadios possam ter filhos. So ha uma coisa vergonhosa: e que pessoas doentes ou com 
certos defeitos possam procriar, e deve ser considerada uma grande honra impedir que isso 
acontega. Por outro lado, deve ser condenado o privar a nagao de filhos sadios, o Estado deve por 
todos OS recursos medicos a servigo dessa concepgao. Deve proclamar como incapaz de procriar 
quem quer que seja doente ou tenha certas taras hereditarias e levar esse proposito ao terreno 
pratico. Deve providenciar tambem para que a fecundidade de uma mulher sadia nao seja 
diminuida pelas malditas condigoes economicas de um regime em que o ter filhos e tido como uma 
calamidade pelos pais. Deve-se libertar a nagao dessa indolente e criminosa indiferenga com que 
se tratam as familias de muitos filhos e, em lugar disso, ver nelas a maior felicidade de um povo. 
Os cuidados da nagao devem ser mais em favor das criangas do que dos adultos. 

Quem, ffsica ou espiritualmente, nao e sadio ou digno, nao deve perpetuar os seus defeitos 
atraves de seus filhos! Nisso consiste a maior tarefa educativa do Estado nacionalista. Isso sera 
visto, de futuro, como uma obra mais elevada do que as mais vitoriosas guerras do atual seculo 
burgues. Educando o indivfduo, o Estado deve ensinar que nao e uma vergonha, mas uma 
lamentavel infelicidade, ser fraco ou doente, mas e um crime e tambem uma vergonha que se 
arrastem, nessa infelicidade, por mero egoismo, inocentes criaturas. Ao contrario e uma prova de 
grande nobreza de sentimentos, do mais admiravel espfrito de humanidade, que o doente renuncie 
a ter filhos seus e consagre seu amor e sua ternura a alguma crianga pobre, cuja saude da 
esperanga de Vir a ser ela um membro de valor de uma comunidade forte. Nessa obra de 
educagao, o Estado deve coroar os seus esforgos tratando tambem do aspecto intelectual. Deve 
agir, nesse sentido, sem consideragao de qualquer especie, sem procurar saber se a sua atuagao 
e bem ou mal entendida, popular ou impopular. 

So uma proibigao, durante seis seculos, da procriagao de degenerados fisicos e de doentes de 
espfrito nao so libertaria a humanidade dessa imensa infelicidade como produziria uma situagao de 
salubridade que, hoje, parece quase impossivel. Se se realizar com metodo um piano de 
procriagao dos mais sadios, o resultado sera a constituigao de uma raga que trara em si as 
qualidades primitivas, evitando assim a degradagao ffsica e intelectual de hoje. 

So depois de ter tomado esse caminho e que um povo e um Governo conseguirao melhorar 
uma raga e aumentar a sua capacidade de procriar, permitindo, afinal, a coletividade retirar todas 
as vantagens da existencia de uma raga sadia, o que constitui a maior felicidade de uma nagao. 

E preciso que o Governo nao deixe ao acaso os novos elementos incorporados a nagao, mas. 



ao contrario, submeta-os a determinadas normas. Devem ser organizadas comissoes que tenham 
a seu cargo fornecer atestados a esses individuos, atestados que obedegam ao criterio da pureza 
racial. Assim se formarao colonias cujos habitantes todos serao portadores do mais puro sangue e, 
ao mesmo tempo, de grande capacidade. Serao o mais precioso tesouro da nagao. O seu 
progresso deve ser visto com orgulho por todos, pois neles estao os germes de um grande 
desenvolvimento da nagao e da propria Inumanidade. 

A nova doutrina deve procurar no seio do Estado, criar um ambiente mais puro e mais elevado 
em que os homens nao mais dediquem toda a sua atengao a selegao de cavalos, caes e gatos, 
mas Sim procurem melhorar a sua propria situagao, pela renuncia consciente de uns - os que nao 
devem procriar - e pelo sacrificio espontaneo de outros, os que tem aquela capacidade. 

Isso nao deve ser impossivel em um mundo em que centenas de milhares de homens 
voluntariamente se entregam ao celibato, apenas por forga de um compromisso religioso. 

Nao sera possivel essa renuncia, se, em lugar do voto religioso, se colocar a advertencia de 
que se deve por um paradeiro ao envenenamento da raga e dar ao mundo apenas criaturas 
verdadeiras feitas a imagem do Criador? 

E verdade que o calamitoso exercito dos nossos burgueses de hoje nao entendera isso. Eles 
encolherao os ombros ou sairao sempre com as suas eternas evasivas. Dirao: "isso e muito bonito 
mas e irrealizavel". No mundo deles, isso e, de fato, impossivel, pois nao tem capacidade para 
esse sacrificio. Eles so tem uma preocupagao - o seu proprio eu. O seu unico Deus e o dinheiro. 
Mas nos nao nos dirigimos a esses e sim as grandes legioes daqueles que, por demasiado pobres, 
veem na sua propria vida a unica felicidade e que nao tem como Deus o dinheiro, mas possuem 
outras crengas. Sobretudo a mocidade alema, e que nos dirigimos. A juventude alema, de futuro, 
ou constroi um novo Estado nacionalista ou sera a ultima testemunha da derrocada, do fim do 
mundo burgues. 

Quando uma geragao sofre de certos males que ela conhece e contenta-se, como e o caso 
atual do mundo burgues, em declarar levianamente que nada se pode fazer, esta fatalmente 
condenada a destruigao. 

A principal caracterfstica da nossa burguesia e que ja nao pode negar a enfermidade. Ela e 
obrigada a confessar que ha muita coisa podre, mas nao e capaz de resolver-se a combater o mal 
e, coordenando, com toda energia, a forga de sessenta ou setenta milhoes de homens, resistir ao 
perigo. Quando acontece o contrario, procura-se, pelo menos de longe, provar a impossibilidade 
teorica desse modo de proceder e mostrar que nao se deve nem pensar em exito. Nao ha razao, 
por mais absurda, que nao invoquem em apoio da sua mesquinha propaganda. 

Se, por exempio, um continente inteiro, envenenado pelo alcool, se recusa a combater esse mal 
e libertar o povo das suas garras, o nosso mundo burgues nada encontra para dizer. Limita-se a 
arregalar os olhos e levantar os ombros. 

Com uma coisa nao devemos nos enganar: a nossa burguesia atual e incapaz de realizar 
qualquer grande missao na humanidade. E e incapaz, na minha opiniao, nao porque seja 
deliberadamente ma, mas devido a sua incrfvel indolencia e tudo que daf decorre. 

Ha muito tempo, os clubes politicos que atendem pelo nome de partidos burgueses nada mais 
sao do que sociedades que representam certas classes e profissoes e a sua maior finalidade e 
defender interesses egoisticos, da melhor maneira possfvel. E obvio que uma liga polftica de 
burgueses, como os nossos, presta-se para tudo menos para a luta, especialmente quando o 
adversario consiste, nao em timidos lojistas, mas em massas proletarias e absolutamente 
resolvidos a luta. 

Se reconhecemos que a nossa maior missao, a bem do povo, e a conservagao e o 
aperfeigoamento dos melhores elementos raciais, e natural que os nossos cuidados nao parem 
apos nascimento, mas continuem na educagao da crianga, para a sua transformagao em uma 
individualidade apta para a multiplicagao. 

Assim como, em conjunto, a condigao essencial para a capacidade de realizagoes espirituais e 
a virtude racial, da mesma maneira, quanto ao individuo, a educagao deve ter em mira, em 
primeiro lugar, o aperfeigoamento fisico, pois, em regra, e nos individuos sadios e fortes que se 
encontra a maior capacidade intelectual. Nao desmente essa verdade o fato de que muitos genios 
sao fisicamente mal formados e, ate mesmo, doentes. Trata-se, nesse caso, de excegoes que 
apenas confirmam a regra geral. Se a massa de um povo e composta de degenerados fisicos, 
muito raramente surgira desse pantano um espirito realmente grande. Da sua atuagao, nao e licito. 



em nenhum caso, esperar grande coisa. A massa inferior ou nao o entendera absolutamente ou 
sera tao fraca de vontade que nao conseguira acompanhar o genio nos seus surtos. 

Tendo isso em vista, o Estado deve dirigir a educagao do povo, nao no sentido puramente 
intelectual, mas visando sobretudo a formagao de corpos sadios. Em segundo piano, e que vem a 
educagao intelectual. Aqui ainda, a formagao do carater deve ser a primeira preocupagao, 
especialmente a formagao do poder de vontade e de decisao e do habito de assumir com prazer 
todas as responsabilidades. So depois disso, e que vem a aquisigao do conhecimento puro. 

O Estado deve agir na presungao de que um homem de modesta educagao, mas fisicamente 
sadio, de carater firme, confiante em si mesmo e na sua forga de vontade, e mais util a 
comunidade do que um individuo fraco, embora altamente instruido. 

Um povo de sabios, fisicamente degenerados, torna-se fraco de vontade e transforma-se em 
um corpo de pacifistas covardes que nunca se elevara as grandes agoes e nem mesmo podera 
assegurar-se a existencia na terra. 

Em uma aspera luta pela vida, e raramente vencido o que sabe menos, mas sempre os que nao 
podem tirar partido da sua ciencia, na sua atuagao na vida. Deve, pois, haver uma harmonia entre 
OS dois pontos de vista. 

De um corpo apodrecido, mesmo servido por um brilhante espirito, nada de grande e Ifcito 
esperar. As altas criagoes intelectuais nunca se realizarao por intermedio de caracteres dubios, 
sem forga de vontade e fisicamente doentes. O que tornou imperecfvel o ideal da beleza grega 
foi a harmonia entre a beleza ffsica e a espiritual e moral. 

O refrao popular, segundo o qual a "felicidade, no final das contas, esta sempre reservada aos 
mais capazes" tambem se aplica na harmonia que deve existir entre o corpo e o espirito. O espirito 
sadio geralmente coincide com o corpo sadio. 

A cultura ffsica nao e, pois, um problema que so interesse ao individuo ou que afete somente 
aos pais, mas e um requisito Indispensavel para a conservagao da raga, a que o Estado deve 
protegao. 

Assim como, ja hoje, o Estado, no que diz respeito a cultura intelectual, passa por cima do livre 
arbitrio dos individuos e, sem consultar a vontade dos pais, torna obrigatoria a freqiJencia as 
escolas, assim tambem o Estado, de futuro, deve agir no problema da conservagao da raga, sem 
indagar se as razoes para essa atitude sao ou nao sao compreendidas pelas massas. 

O Estado deve dirigir a educagao do povo de maneira que a infancia, desde os primeiros 
tempos, se prepare a enfrentar a luta pela vida que a espera. Deve tomar todo o cuidado para que 
nao se forme uma geragao de comodistas. 

Esse trabalho de educagao e assistencia deve ser iniciado pelas maes. Assim como foi 
possfvel, com um cuidadoso trabalho de dez anos, conseguir um ambiente livre de infecgoes para 
nascimento, limitando as possibilidades de febres puerperais, tambem devem ser e serao 
possfveis, por meio de real educagao das irmas e das proprias maes, ja nos primeiros anos da 
crianga, cuidados que fornegam excelentes bases para um desenvolvimento futuro. 

Em um Estado nacionalista, a escola deve reservar mais tempo para o exercicios fisicos. 

De nenhum interesses e que se sobrecarregue o cerebro das criangas com excesso de 
conhecimentos que, a pratica demonstra, so em uma proporgao insignificante, sao conservados. 
Na maior parte dos casos, esquecem o importante e guardam o que e secundario, sabido como e 
que as criangas nao estao em condigoes de fazer a selegao da materia que Ihes e ensinada. Foi 
um erro crasso ter-se, hoje, ate no programa das escolas medias, deliberado reservar a ginastica 
apenas duas horas por semana e, isso mesmo sem carater obrigatorio. Nao se deve passar um dia 
sem que cada jovem tenha, pelo menos, uma hora de exercfcio fisico, pela manha e a tarde, em 
esportes e ginastica. Especialmente o boxe, visto por muitos nacionalistas "como rude e indigno", 
nao deve ser esquecido. E incrivel a soma de ideias falsas que, entre os "educados", ha sobre 
esse assunto. Julga-se natural e honroso que os individuos aprendam a lutar, a bater-se em duelo, 
mas jogar boxe e grosseiro! Por que? Nao ha desporto que estimule tanto o espirito de ataque. 
Mais do que nenhum outro, requer decisoes rapidas e enrija e torna flexivel o corpo, ao mesmo 
tempo. Nao e mais grosseiro que dois jovens decidam uma disputa a soco do que a espada. Nao e 
tambem mais nobre que um individuo atacado se defenda a murros do seu agressor, em vez de 
correr a gritar por socorro? Antes de tudo, o rapaz sadio deve aprender a suportar pancadas. Isso, 
aos olhos dos nossos "lutadores intelectuais", pode parecer selvagem. Mas um Estado nacionalista 
nao tem por missao fundar uma colonia de estetas pacifistas ou de degenerados fisicos. O ideal 



humano nao consiste em modestos burgueses ou virtuosas solteironas, mas, ao contrario, em 
homens e mulheres fortes que possam dar ao mundo outros seres em identicas condigoes. 

A fungao do esporte nao e somente a de tornar os individuos ageis e destemidos, mas tambem 
de prepara-los para suportarem todas as reagoes. 

Se as nossas classes intelectuais nao tivessem sido educadas exclusivamente em desportos 
elegantes; se, em vez disso, tivessem aprendido o boxe, nunca teria sido possivel uma revolugao 
alema de rufioes, de desertores e de outros individuos do mesmo jaez. O que assegurou o exito da 
Revolugao nao foi a intrepidez e a coragem dos seus organizadores, mas a covardia, a miseravel 
irresolugao dos que dirigiam o Estado e eram responsaveis pela sua conservagao. Os condutores 
intelectuais do nosso povo recebiam apenas educagao espiritual e, por isso, ficaram sem poder 
reagir, no momento em que os adversarios, em vez de armas espirituais, puseram em cena ate 
alavancas. A Revolugao so triunfou porque a educagao ministrada nas escolas superiores nao 
formava homens, no verdadeiro sentido da palavra, mas funcionarios, engenheiros, juristas, 
literatos e, por fim, professores encarregados de manter sempre viva essa instrugao puramente 
intelectual. 

Nossa diregao intelectual produziu brilhantes resultados, mas o cultivo da forga de vontade 
sempre esteve abaixo de qualquer crftica. E claro que, por meio da educagao, nao se pode 
transformar um intelectual covarde em um homem corajoso. E evidente tambem que um homem, 
que nao e covarde por natureza, mas prejudicado no desenvolvimento de suas qualidades 
individuals, desde que nao receba uma educagao que aperfeigoe a sua forga ffsica e a sua 
destreza, sera, logo de inicio, derrotado. E no exercito que se pode avaliar o quanto a capacidade 
ffsica estimula a coragem e desperta o espirito de ataque. A excelente instrugao recebida pelos 
nossos soldados, durante a paz, inoculou, nesse gigantesco organismo, a fe sugestiva na sua 
propria superioridade, em proporgoes que os nossos proprios adversarios nao julgavam possivel. 

O imortal espirito de combatividade e de coragem que, nos meses do fim do verao e no outono 
de 1914, se verificou na ofensiva do exercito alemao, foi efeito exclusivamente dos ininterruptos 
exercicios dos tempos de paz, que permitiram que, de corpos fracos, se obtivessem os efeitos 
mais incriveis e que neles inspirou uma confianga em si mesmos que nunca mais os abandonou 
nas maiores refregas. 

Justamente agora que a nagao alema esta em colapso, espezinhada por todo mundo, e que 
mais se faz necessaria aquela confianga em si mesma. Essa confianga deve ser cultivada na 
juventude, desde a meninice. Toda a sua educagao, todo o seu treinamento, devem ser dirigidos 
no sentido de dar-Ihe a convicgao da sua superioridade. Certa da sua forga e da sua habilidade, a 
mocidade deve readquirir a fe na invencibilidade da sua nagao. O que levou, outrora, o exercito 
alemao a vitoria foi a confianga extraordinaria que cada um tinha em si mesmo e todos tinham nos 
seus chefes. O que podera levantar de novo o povo alemao e a convicgao de que a liberdade 
ainda podera ser reconquistada. Mas essa convicgao so podera ser o produto final de um 
sentimento partilhado por milhoes de indivfduos. 

Ninguem se engane sobre isso. 

Inaudita foi a derrocada da nossa nagao, inaudito deve ser o esforgo para, um dia, se por um 
fim a essa deploravel situagao. Engana-se desgragadamente quem acredita que o nosso povo, 
continuando essa educagao burguesa inspirada na "paz e na ordem", podera conquistar a forga 
necessaria para modificar a situagao atual de rufna e jogar os nossos grilhoes de escravos a face 
dos nossos adversarios. So por um imenso desenvolvimento de nossa forga de vontade, por uma 
sede de liberdade e por uma alta devogao a Patria e que se podera reconquistar o que nos tem 
faltado. 

Ate vestuario dos jovens deve ser apropriado a esse fim. E uma verdadeira lastima ser 
obrigado a ver como os mogos de hoje se submetem a uma moda idiota que muito bem se traduz 
no ditado popular que as roupas fazem os homens. 

Justamente na mocidade e que o vestuario deve estar em fungao da finalidade educacional. Um 
jovem, que, no verao, anda para cima e para baixo vestido ate ao pescogo, so por isso dificulta a 
sua educagao ffsica. O espirito de honra e - digamos entre nos - a vaidade devem ser cultivados, 
nao a vaidade de possuir belas roupas, que nem todos podem comprar, mas a de criar-se um 
corpo bem formado, a que todos podem concorrer. 

Isso corresponde, para o futuro, a uma certa finalidade. A rapariga deve conhecer o seu 
cavalheiro. Se a beleza ffsica nao se ocultasse hoje, completamente, sob as vestes da moda idiota. 



e a sedugao de centenas de milhares de mogas, por judeus bastardos, de pernas tortas e 
desengongados, nao seria possivel. Esta tambem no interesses da nagao que se chegue a 
formagao de corpos perfeitos, a fim de se criar um novo ideal de beleza. 

Isso e mais necessario, hoje, por faltar a educagao militar, cuja organizagao supria em parte a 
deficiencia de nosso sistema educacional de outrora. O exito dessa organizagao nao se via 
somente na educagao do individuo, mas tambem na sua influencia sobre as relagoes entre os dois 
sexos. A rapariga alema preferia o soldado ao civil. 

E dever do Estado nacionalista cultivar a eficiencia fisica, nao somente nos anos de frequencia 
a escola mas tambem depois da idade escolar. Enquanto o individuo se estiver desenvolvendo 
fisicamente, este desenvolvimento deve ser dirigido de modo que se torne para ele uma bengao 
futura. 

E idiotice pensar que o direito do Estado em superintender a educagao da sua mocidade 
termina com a idade escolar e so recomega com o servigo militar. Esse direito e um dever que 
nunca deve ser perdido de vista. 

O Governo atual, que nao tem nenhum interesses pela saude do povo, abandonou essa missao 
da maneira mais criminosa. Consente que a mocidade se desmoralize nas ruas e nos bordeis, em 
vez de dirigi-la de maneira que de futuro se transforme em homens e mulheres sadios. 

De que maneira o Estado continua a dirigir essa educagao pode ser, hoje, indiferente; o 
essencial e que ele o faga e procure o caminho para chegar a esse fim. O Estado tem como uma 
das suas finalidades, a educagao, tanto intelectual como fisica, dos jovens, depois da idade 
escolar. E essa educagao deve ser realizada de acordo com a orientagao oficial, visando, nas suas 
linhas gerais, o servigo militar. 

O exercito nao deve, como ate agora, instruir os mogos apenas nos exercicios regulamentares 
mas transformar jovens ja perfeitos, no ponto de vista fisico, em verdadeiros soldados. 

Em um Estado nacionalista, o exercito nao existe so para ensinar o homem a marchar e a 
outros exercicios militares, mas deve ser a mais alta escola da educagao nacional. Naturalmente, o 
jovem recruta deve aprender a manejar as armas, mas, ao mesmo tempo, deve ser preparado para 
a Vida futura. Nessa escola e que o rapaz se deve transformar em homem. Nao deve so aprender 
a obedecer, mas tambem a comandar, de futuro. Deve aprender a silenciar nao so quando e 
censurado com razao, mas deve tambem aprender a suportar a injustiga em silencio. 

Apoiado na confianga de sua propria forga, empolgado pelo espirito de classe, ele deve adquirir 
a convicgao de que sua Patria e invencivel. 

Quando fiver terminado seu servigo militar deve estar em condigoes de poder exibir dois 
documentos: seu diploma de cidadao, que Ihe da o direito a tomar parte na vida publica, e um 
atestado de saude que Ihe da direito a casar-se. 

A educagao do sexo feminino deve obedecer ao mesmo criterio da do sexo masculino. O ponto 
mais importante e a educagao fisica, vindo, em seguida, o desenvolvimento do carater e, por 
ultimo, valor intelectual. A preocupagao principal, na educagao das mulheres, e formar futuras 
maes. 

So, em segundo piano, o Estado nacionalista tem de promover a for. magao do carater. 

As qualidades reals de carater, nos individuos, sao inatas: o egofsta e e sera sempre egofsta, o 
idealista sincero sera sempre idealista. Entre esses dois caracteres, absolutamente tipicos, ha 
milhoes que aparecem cujo carater e confuso, indistinto. O criminoso nato sera sempre criminoso, 
mas ha inumeras pessoas que possuem uma certa tendencia para o crime e que poderao ser 
corrigidas e transformadas em otimos membros de uma coletividade. Inversamente, caracteres 
dubios podem, por defeito de educagao, transformar-se em pessimos elementos. 

Quantas vezes, durante a Guerra, nao ouvi queixas sobre a indiscrigao do nosso povo, que, 
com dificuldade, podia guardar os mais importantes segredos, mesmo perante o inimigo! Mas, 
consideremos: Que fez a educagao alema, antes da Guerra, para recomendar a discrigao como 
uma virtude? Na escola, o delator nao era preferido ao que se mantinha em silencio? Alguem 
procurou, por acaso, apontar a discrigao como uma grande virtude? Nao! Nas nossas escolas, 
essa virtude e considerada coisa insignificante. Apenas, essa insignificancia custou a nagao 
incontaveis milhoes, pois noventa por cento dos processos de ofensa e outros tem sua origem na 
incapacidade de manter o silencio. 

Afirmagoes feitas sem responsabilidade sao retrucadas da mesma maneira. Nossa economia e 
constantemente prejudicada pela divulgagao dos mais importantes metodos de fabricagao, etc., e 



todos OS preparatives para a defesa do pais sao simplesmente ilusorios, porque o povo nunca 
aprendeu a ser discrete. Durante uma guerra, esse amor a indiscrigao pode ocasionar a perda de 
batallnas e constitui a causa principal do insucesso de uma campanha. Ninguem se deve esquecer 
de que o que nao e praticado na mocidade nao pode ser aprendido na idade madura. Dai se 
conclui que o professor nao deve procurar tomar conhecimento de pequenas travessuras, 
cultivando a delagao. A mocidade tem o seu governo proprio. Ela tem para com os mais crescidos 
uma solidariedade mais limitada, perfeitamente compreensivel. A ligagao de uma crianga de dez 
anos com outra da mesma idade e maior e mais natural do que com uma mais crescida. Uma 
crianga que denuncia seu camarada, pratica uma traigao que, no sentido figurado, corresponde a 
uma traigao contra a Patria. Tal crianga nao pode ser vista como "valente" e "independente", mas 
como possuindo qualidades de carater de pouco valor. Para o professor pode ser mais comodo, a 
fim de manter a autoridade, utilizar esse mau costume, mas, no coragao da crianga, esse processo 
ocasionara um sentimento que agira como um germe fatal. Nao e raro de um pequeno delator sair 
um grande tratante.lsso e apenas um exempio entre muitos. Na escola de hoje o desenvolvimento 
intelectual e maior, mas as nobres qualidades de carater estao reduzidas quase a zero. Deve-se, 
por isso, dar maior importancia ao outro ponto de vista. Fidelidade, capacidade de sacrificio, 
discrigao, sao virtudes de que um grande povo precisa e cujo ensino e cultivo nas escolas e mais 
importante do que muita coisa que, atualmente, figura nos programas. 

Tambem deve fazer parte desse piano o combate as lamurias e eternas queixas. Se um 
processo educacional deixa de atuar, na crianga, de modo que essa se acostume a suportar em 
silencio todos os sofrimentos, ninguem se deve admirar que, mais tarde, no momento critico, na 
linha de frente de uma bataiha, por exempio, o trafico postal so se ocupe em transmitir cartas 
lamuriantes de um lado e de outro. Se a nossa juventude, nas escolas, tivesse aprendido menos 
conhecimentos e se tivesse mais exercitado no dominio de si mesma. grandes vantagens se teriam 
verificado nos anos de 1915-1918. 

Por tudo isso, Estado nacionalista, na sua missao educativa, deve dar a maior importancia a 
educagao fisica e a do carater. Inumeras deformidades existentes hoje no organismo nacional 
seriam, por esse processo de educagao, quando nao afastadas pelo menos minoradas. 

Da maior importancia e a formagao da forga de vontade e do poder de decisao, assim como do 
prazer da responsabilidade. 

Assim como no exercito era convicgao geral, antigamente, que uma ordem e sempre melhor do 
que nenhuma, tambem na juventude uma resposta e sempre melhor do que nenhuma. O receio 
de, para nao dar uma resposta falsa, nao dar nenhuma resposta, deve envergonhar mais do que 
responder errado. Isso vai aos poucos acostumando os jovens a terem a coragem de suas 
atitudes. 

Era geral a queixa, em novembro e dezembro de 1918, de que havia ineficiencia em todos os 
setores, e que, a partir do Imperador ao ultimo comandante de divisao, ninguem tinha coragem de 
tomar uma decisao independente Essa terrivel realidade e uma praga da nossa educagao, pois 
nessa cruel catastrofe apareceu apenas em vasta escala o que ja existia por toda parte em casos 
de menor importancia. 

E essa falta de poder de vontade e nao a falta de material de guerra que, hoje, nos torna 
incapazes de resistencia seria. Esta profundamente arraigada no nosso povo e profbe-nos de 
tomar qualquer resolugao que oferega um perigo, como se a grandeza de uma agao nao 
consistisse na ousadia com que e atacada. 

Sem querer, um general alemao encontrou uma formula para essa miseravel falta de decisao, 
quando avangou: Nao ao nunca sem. contar pelo menos com 51% de probabilidades de exito. 
Nesses 51% esta a razao da tragica ruina da Alemanha. 

Quem confia a sorte a vitoria de uma causa, nao compreende a importancia de um ato de 
heroismo. Esse esta justamente na convicgao de que, diante da possibilidade do perigo, da-se o 
passo que pode levar a vitoria. Um canceroso, cuja morte e certa, nao precisa de 51% de 
probabilidades para tentar uma operagao. Se essa operagao Ihe oferece um meio por cento de 
possibilidade de cura, ele, sendo homem corajoso, arriscar-se-a a mesma. Se nao o fizer nao tem 
direito de se queixar da sorte. A epidemia de falta de vontade e de espirito de decisao e, em 
ultima analise, sobretudo a conseqiJencia da faiha educagao da mocidade, cuja atuagao 
devastadora se faz sentir na vida e cujas ultimas conseqiJencias sao a falta de coragem civica dos 
estadistas que dirigem a nagao. 



Sob mesmo aspecto, pode ser visto o terror da responsabilidade que grassa em todo o pais. 
Nesse caso tambem, o motivo inicial esta na maneira por que se educa a juventude. Essa falta de 
responsabilidade conta. mina toda a vida publica e encontra a sua mais alta expressao na 
instituigao do Parlamento. 

Ja na escola da-se mais valor a uma demonstra^ao de remorso e de contrigao do que a uma 
franca confissao do erro. 

Justamente porque o Estado nacionalista deve, de futuro, prestar toda atengao ao cultivo da 
forga de vontade e de decisao, deve implantar nos coragoes juvenis, desde a meninice ate a idade 
adulta, a alegria da responsabilidade e a coragem de confessar as suas faltas. 

Somente quando o Estado compreender essa necessidade em toda a sua significagao, podera. 
depois de um trabalho secular, ter como resultado disso um organismo nacional, nao mais 
composto dessas criaturas fracas que tanto contribuiram para a nossa ruina. 

A instrugao cientifica que, hoje, e o objetivo unico da educagao oficial pode ser adotada pelo 
Estado nacionalista com algumas modificagoes, que podem ser resumidas nestes tres itens. 

Em primeiro lugar, o cerebro infantil nao deve ser sobrecarregado com assuntos, noventa por 
cento dos quais sao desnecessarios e cedo esquecidos. 

O programa das escolas populares e das escolas medias, e o mais anarquizado. Em muitos 
casos, a materia e tao vasta que so uma parte e conservada e essa mesmo nao encontra emprego 
na vida pratica. Do outro lado, nada se aprende que seja de utilidade, em uma determinada 
profissao, para a conquista do pao quotidiano. 

Tome-se, por exempio, na idade de trinta e seis ou quarenta anos, o tipo normal do burocrata, 
que tenha feito o curso do Ginasio ou da Oberrealschule, e faga-se um exame sobre o que ele 
aprendeu na escola. Como e pouco o que ele conservou de tudo quanto Ihe meteram na cabega! 

Poder-se-a responder que a instrugao ministrada na escola nao visa somente o objetivo de 
posse posterior de multiplos conhecimentos mas tambem o desenvolvimento da capacidade de 
assimilagao, de raciocinio e de atengao do cerebro. Em parte, isso e verdadeiro. 

Nisso ha, porem, sempre, um perigo. O cerebro juvenil fica empanturrado de impressoes que, 
em rarissimos casos, consegue assimilar completamente e cuja importancia, nos detalhes, nao 
pode perceber nem compreender. Por isso, na maioria dos casos nao e o secundario mas o 
essencial, que os jovens esquecem. Nao e, por exempio, compreensivel que milhoes de pessoas, 
no decorrer de anos, sejam obrigados a aprender duas ou tres linguas estrangeiras que, so em 
proporgoes insignificantes, podem utilizar, e que, na maioria dos casos, esquecem inteiramente. De 
cem mil alunos que aprendem trances, por exempio, talvez apenas dois mil possam encontrar 
utilizagao para esse conhecimento, enquanto os outros para o mesmo nao encontrarao nenhum 
emprego, durante .toda a sua vida. Na juventude, dedicaram milhares de horas a um assunto, sem 
nenhum valor para a sua vida futura. Contra mil homens, para os quais o conhecimento dessa 
lingua foi de alguma utilidade pratica, ha noventa e oito mil que foram inutilmente submetidos ao 
suplicio de aprende-la, com sacrificio completo do seu tempo. 

Alem disso, trata-se, nesse caso, de uma Ifngua da qual nao se pode dizer que constitui a 
escola para a formagao logica do espfrito, como se da talvez com a Ifngua latina. Por isso, seria um 
objetivo mais importante que se estudasse esse idioma apenas em suas linhas gerais, os 
fundamentos de sua gramatica, a pronuncia, a construgao atraves de exemplos modelares, etc. 
Isso bastaria para as necessidades comuns e, porque, mais facil de alcangar, de muito mais valor 
seria do que a aprendizagem da linguagem falada, que nunca e completamente dominada e e 
cedo esquecida. 

Deve evitar tambem o perigo de, sobrecarregando demais o cerebro dos jovens com materias 
que fleam sem ligagao na memoria e de que eles so conseguem aprender as que mais despertam 
a sua atengao, desaparega, nos cerebros juvenis, a diferenga entre o valor e o desvalor. 

O sistema de educagao que aqui esbogo em largos tragos sera suficiente para a grande maioria 
dos jovens, enquanto que os outros que, mais tarde, precisarem de uma lingua estrangeira, 
poderao sempre estuda-la exaustivamente, a sua livre escolha. 

Assim ganhar-se-ia o tempo necessario para a educagao fisica e para outras exigencias mais 
importantes que ja indiquei. 

Sobretudo nos metodos atuais de ensinar historia, deve-se proceder a uma modificagao racial. 
Poucos povos tem tanta necessidade de aprender historia quanto o povo alemao; poucos povos a 
utilizam tao mal quanto o nosso. A nossa educagao historica deve ser orientada pela nossa 



experiencia politica. Nao nos devemos irritar com os miseraveis resultados da diregao da coisa 
publica se nao estivermos resolvidos a cuidar de uma melhor educagao politica. Em noventa e 
nove por cento dos casos, as conseqiJencias do nosso atual sistema de ensinar historia sao as 
mais deploraveis. Algumas datas e nomes, eis o que, habitualmente, fica do estudo da historia. Do 
mesmo nao constam as linhas gerais e claras da evolugao. Tudo que e essencial, de importancia, 
nao e ensinado. Deixa-se ao maior ou menor talento dos individuos a descoberta da significagao 
do diluvio de datas e da sucessao dos acontecimentos. Por mais arrepiante que seja essa 
constatagao, ela mantem-se incontestavel. Basta, para prova disso, que se leiam com atengao os 
discursos dos nossos parlamentares, mesmo em um so periodo de sessao, sobre os problemas 
politicos, ate os da politica externa. Pense-se em que, ao menos pela importancia de sua posigao, 
esses parlamentares representam a elite nacional, e que eles, em grande parte, freqiJentaram as 
escolas secundarias e alguns ate as superiores, e compreender-se-a como e insuficiente a cultura 
historica desses homens. Se eles nunca tivessem estudado historia mas possuissem intuigoes 
sadias, isso teria sido muito melhor e mais util a nagao. 

Sobretudo no ensino da historia e que se deve tomar em consideragao uma redugao nos 
programas. A parte mais importante e o conhecimento das linhas gerais da evolugao. Quanto mais 
se restringir o ensino a esse ponto de vista, tanto mais e de esperar que os individuos tirem 
proveito dos seus conhecimentos, o que e tambem de vantagem para a coletividade. 

Nao se estuda historia somente para saber o que aconteceu, mas para que ela possa orientar o 
futuro da nagao. 

Essa e a finalidade, o ensino da historia e apenas um meio. Nao se argumente que o estudo 
dessas datas referentes a individuos seja necessario a um fundamental estudo da historia, a fim de 
que se possa encontrar a base para as linhas gerais da evolugao. Essa missao compete ao 
especialista. O tipo normal nao e, porem, o do professor. Para aquele o estudo da historia deve 
consistir, em primeiro lugar, em proporcionar-Ihe as nogoes necessarias para que possa tomar 
atitude em face dos acontecimentos politicos da nagao. Quem desejar ser professor que se 
aprofunde mais tarde nesses estudos. Esse sim tera que se ocupar com todos os detalhes, mesmo 
OS mais insignificantes. 

Sob todos OS aspectos, o ensino atual da historia e deficiente, pois para a maioria dos 
individuos e demasiado extenso e para os especialistas muito limitado. 

Enfim, a missao de um Estado nacionalista e de esforgar-se por que seja escrita uma historia do 
mundo em que a questao racial seja o problema dominante. 

Em resumo: o Estado nacionalista racista deve resumir o ensino intelectual, reduzindo-o ao que 
e essencial. So depois disso e que se oferecera a possibilidade de uma educagao especializada 
sobre bases solidas. 

A educagao geral, destinada a todos, deve ser obrigatoria. O resto deve ficar ao arbitrio dos 
individuos. 

A redugao dos programas e das horas de estudo que assim se obteria, seria aproveitada em 
beneffcio da cultura ffsica, do carater, da vontade, do poder de decisao. A pouca importancia que 
as nossas escolas, sobretudo as secundarias, hoje dao as exigencias profissionais na vida pos 
escolar, e evidenciada pelo fato de homens saidos de tres escolas diferentes poderem abragar a 
mesma profissao. Dai se conclui que o importante e a educagao geral e nao a especial. Quando se 
trata de casos em que um verdadeiro conhecimento especializado torna-se necessario, os 
programas das nossas escolas secundarias aparecem deficientes. 

A segunda reforma que se impoe aos nossos programas de ensino e a seguinte: Prefere-se, 
nos tempos de materialismo de hoje, que a nossa educagao intelectual se oriente cada vez mais 
no sentido de especializagoes tecnicas, como matematica, ffsica, quimica, etc. Por mais que isso 
seja necessario em uma epoca em que domina a tecnica, que se apresenta, pelo menos 
aparentemente, como constituindo as grandes caracteristicas dos nossos dias, nao se deve 
esquecer nunca o perigo que resulta para o povo de uma tal orientagao. A educagao deve sempre 
e cada vez mais atender as exigencias profissionais, fornecendo apenas as bases para futuras 
especializagoes. 

Ao contrario, desperdigar-se-ao forgas que para a conservagao do povo sao muito mais 
importantes que todos os conhecimentos especializados. 

Nao se deve afastar o estudo da historia antiga, pois a historia romana, bem apreciada nas 
suas linhas gerais, e e sera sempre a melhor mestra nao so para o presente como para o futuro. O 



ideal da cultura helenica, na sua tipica beleza, deve ser aproveitado. Nao se deve destruir a grande 
comunidade racial pelas diferenciagoes entre os varies povos. A luta que hoje se agita tern o 
grande objetivo de, ligando sua existencia ao passado milenar, unificar o mundo greco-romano 
com germanico. 

Deve-se estabelecer uma diferenga bem clara entre a educagao geral e a especializada. 

Uma vez que a ultima ameaga p6r-se ao servigo dos argentarios, a educagao geral, pelo menos 
na sua concepgao ideal, deve continuar a servir de contrapeso aquela tendencia. 

Devemos nos aferrar a convicgao de que a industria, a ciencia tecnica e ocomercio so podem 
florescer em uma sociedade que oferece, por seus elevados ideals, as condigoes indispensaveis 
para aquele progresso, esses ideals nao consistem em egoismo material, mas em capacidade de 
sacrificio e prazer de renuncia. 

A educagao da mocidade tem, como mais elevado objetivo, dar ao jovem a instrugao de que, de 
futuro, ele precisara para os seus progressos na vida. 

Essa orientagao pode ser expressa na seguinte formula: "O jovem deve ser de futuro uma 
unidade util na sociedade humana". Por isso nao se deve entender, porem, a sua capacidade 
apenas para ganhar o pao. 

A superficial educagao do Estado burgues tem bases fraquissimas. Como o Estado em si se 
apresenta apenas como uma forma, e muito diffcil educar homens que se sintam com deveres para 
com mesmo. Uma simples forma e facil de destruir. A concepgao de Estado, de hoje, nao possui 
um conteudo. Assim sendo, tudo o que se pode fazer em um tal Estado e promover a educagao 
"patriotica", hoje em voga. Na Alemanha antiga essa educagao consistia em uma especie de 
veneragao dos pequenos potentados regionais, o que ocasionou, logo de inicio, a nao 
compreensao da nagao tomada em conjunto. O resultado, por parte das massas populares, foi o 
insuficiente conhecimento da nossa historia, por falta de percepgao das linhas gerais. 

E evidente que, por esse meio, nunca se podera chegar a assegurar uma verdadeira grandeza 
nacional. Falta a nossa educagao a arte de, da evolugao historica da nacionalidade, fazer selegao 
de alguns nomes que se imponham a admiragao da nagao, de maneira a formar um so bloco 
nacional. Nao se compreendeu a importancia de apresentar aos olhos do povo os verdadeiros 
grandes homens como grandes herois, de concentrar sobre os mesmos a atengao geral, criando- 
se assim uma opiniao definida no seio das massas. Nao se pode, no trato das diferentes materias 
dos programas nacionais destinados a gloria da nagao, ultrapassar o nivel de uma representagao 
material. Por isso, os brilhantes exemplos do passado nao puderam inflamar o orgulho nacional. 
Para aqueles isso parecia chauvinismo. coisa de que, sob essa forma, menos se gostava. O 
patriotismo dinastico pareceu mais agradavel e mais facil de executar que as tempestuosas 
paixoes que desperta o orgulho nacional. Com a primeira forma de patriotismo estava-se sempre 
disposto a "servir", com a segunda, poder-se-ia, um dia, dominar. O patriotismo monarquico 
terminou nas associagoes de veteranos; a meta a que se chegaria com o verdadeiro ardor nacional 
era mais diffcil de ser determinada. Esse se compara a um cavalo nobre que nao consente em ser 
montado por qualquer. Nao e de admirar, pois, que toda gente preferisse recuar ante esse perigo. 
Ninguem pensou em que um dia uma guerra, com todos os seus horrores, poderia por a prova a 
consistencia desses sentimentos patrioticos. Quando ela apareceu e que se verificou, da maneira 
mais terrivel, a falta de um elevado sentimento nacional. Os homens tinham cada vez menos 
vontade de morrer pelo seu imperador. pelos seus reis. E a "nagao" era desconhecida pela maior 
parte deles. 

Desde que a Revolugao entrou na Alemanha e desapareceu o patriotismo monarquico, o ensino 
da historia so visara na realidade um objetivo - mera aquisigao de conhecimentos. Esse novo 
Estado nao precisara de entusiasmo nacional; o que ele quer, porem, jamais conseguira. Ha 
poucas probabilidades de uma permanente forga de resistencia em um patriotismo dinastico. 
Quanto a Republica, o entusiasmo e ainda menor. Nao, ha nenhuma duvida que o povo nunca 
teria permanecido, durante quatro anos e meio, nos campos de bataiha, se a divisa entao tivesse 
sido - pela Republica! 

O resto do mundo ve com simpatia essa Republica. Um fraco e sempre mais bem recebido 
pelos que dele se utilizam, do que um individuo forte. Na simpatia por essa forma de Governo esta, 
porem, a maior critica a mesma. O estrangeiro gosta da Republica alema e deixa-a viver, porque 
nao se poderia encontrar um melhor aliado na obra de escravizagao de nosso povo. A isso 
devemos o "magnifico" quadro da situagao atual. Dai a oposigao a qualquer educagao 



verdadeiramente nacional e a exaltagao de herois ficticios que. na hora do perigo, fugiriam como 
lebres. 

O Estado nacionalista deve lutar pela sua existencia. Nao a defendera pelo piano Dawes. Para 
sua existencia e garantia do seu futuro precisara daquilo a que Inoje se acredita ter ele renunciado. 
Quanto mais importante for a forma que assumir, tanto maiores serao a inveja e a oposigao dos 
adversarios. A sua maior protegao nao esta nas armas mas nos seus cidadaos. Nao sao fortalezas 
que defenderao, mas as murallnas vivas das mulheres e homens, dominados pelo mais elevado 
amor a Patria e por um fanatico entusiasmo nacional. 

O Estado nacionalista deve ver na ciencia um meio de aumentar o orgulho nacional. Tanto a 
historia universal como a historia da civilizagao devem ser ensinadas sob esse aspecto. Um 
inventor deve ser visto nao so porque e inventor, mas tambem porque e um dos nossos 
compatriotas. A admiragao por todas as grandes agoes deve ser combinada ao orgulho por ser seu 
executor um membro de nossa Patria. Devemos selecionar as maiores figuras da massa dos 
grandes nomes da nossa historia e p6-las diante da juventude de modo tao impressionante que 
elas possam servir de colunas mestras de um inabalavel sentimento nacionalista. 

De acordo com esses pontos de vista, deve ser escolhida a materia a ser ensinada nas escolas. 
A educagao deve ser orientada de tal maneira que um jovem, ao deixar a escola, nao seja um 
pacifista democrata ou coisa que o vaiha, mas um verdadeiro alemao, na mais ampla acepgao da 
palavra. 

Para que esse sentimento nacionalista seja verdadeiro e nao meramente artificial, ja na 
juventude deve-se manter no cerebro de cada um a convicgao firme de que quem ama seu povo 
deve prova-lo somente pelo sacrificio de que e capaz em favor do mesmo. sentimento nacional 
que so visa lucros nao existe. Nacionalismo que so tem em consideragao o espfrito de classe nao 
merece esse nome. So o fato de gritar urra! nada significa e nao dara nenhum direito ao titulo de 
verdadeiro nacionalista, se atras disso nao houver a preocupagao pela conservagao de um espfrito 
nacional sadio. So se pode ter orgulho de uma nagao, quando, na mesma, nao ha nenhuma classe 
de que a gente precise se envergonhar. Uma nagao, porem, em que a metade vive na miseria, 
trabalhada pelas maiores preocupagoes, ou mesmo corrompida, da de si uma impressao tao pouco 
edificante que ninguem por ela pode sentir orgulho. Enquanto um pais nao aparecer como sadio de 
corpo e alma, o prazer de a ele pertencer nao podera nunca atingir a esse elevado sentimento que 
denominamos orgulho nacional. Mas esse orgulho so pode possuir quem conhecer a grandeza de 
sua Patria. 

Essa alianga intima de nacionalismo e de espfrito de justiga social deve ser implantada ja nos 
coragoes juvenis. Assim se formara, de futuro, um Estado composto de cidadaos unidos entre si, 
fortalecidos, em conjunto, por um amor e um orgulho comum a todos e que se tornara inabalavel e 
invencivel para sempre. 

O pavor do chauvinismo, hoje freqiJente, e uma demonstragao de incapacidade Como falta ao 
Estado burgues aquela forga exuberante, que ate parece desagradavel, o mesmo nao mais esta 
destinado a grandes agoes. As maiores revolugoes da humanidade nao teriam sido possiveis se as 
forgas impulsoras das mesmas fossem apenas virtudes burguesas inspiradas na paz e na 
tranquilidade", em vez das fanaticas e histericas paixoes pela causa defendida. 

A verdade e que o mundo passa por grandes transformagoes. A unica questao a saber e se o 
resultado final sera a favor da raga ariana ou em proveito do eterno judeu. 

A tarefa do Estado nacionalista sera, por isso, a de preservar a raga e prepara-la para as 
grandes e finals decisoes, por meio da educagao apropriada da mocidade. 

A nagao que primeiro entrar no campo da luta alcangara a vitoria. 

O trabalho de educagao coletiva do Estado nacionalista deve ser coroado com o despertar do 
sentido e do sentimento da raga, que deve penetrar no coragao e no cerebro da juventude que Ihe 
foi confiada. 

Nenhum rapaz, nenhuma rapariga deve abandonar a escola sem, estar convencido da 
necessidade de manter a pureza da raga. 

Assim se estabelecerao as condigoes essenciais para a conservagao dos fundamentos raciais 
e, com isso, as condigoes preliminares para o posterior desenvolvimento cultural. 

Toda educagao fisica e intelectual, em ultima analise, tornar-se-ia inutil, se nao pudesse ser 
aproveitada por uma criatura disposta e resolvida a manter-se e a mante-la. 

Ao contrario aconteceria o que nos alemaes ja hoje lamentamos, sem talvez nos darmos conta 



da extensao dessa tragica infelicidade: no future serviriamos apenas de adubo para a civilizagao, 
nao so no sentido das limitadas concepgoes dos burgueses atuais, que lastimam a perda dos 
individuos somente porque com eles se perde o Estado burgues, mas tambem no sentido de que, 
apesar de toda a nossa ciencia, nossa raga se teria arruinado. 

Enquanto nos misturarmos com outras ragas elevaremos a um nivel mais elevado as ragas 
inferiores mas desceremos para sempre da posigao elevada em que nos achavamos antes. 

Sob ponto de vista racial, essa educagao deve ser completada pelo servigo militar, que deve 
ser visto como a conclusao da educagao normal de cada alemao. 

Embora seja grande a importancia, no Estado nacionalista, da educagao fisica e espiritual, nao 
e menos a selegao dos melhores individuos. 

Na maioria dos casos, sao os filhos de pais bem situados na vida que sao julgados aptos para 
uma mais elevada educagao. A questao do talento desempenha um papel secundario. 

Um filho de campones pode ser dotado de muito mais talento do que um filho de pais que vem 
ocupando posigoes elevadas ha muitas geragoes, mesmo quando, na sua capacidade de 
percepgao, parega inferior aquele. 

O fato de o ultimo possuir maior soma de conhecimento nada tem que ver com a questao do 
talento, mas tem a sua origem na variedade das impressoes recebidas pela crianga, como 
resultado do meio mais elevado em que vive. Se o talentoso camponesinho, desde os primeiros 
anos, tivesse crescido no mesmo meio, a sua capacidade de assimilagao seria outra. 

Hoje talvez so existe um setor em que o nascimento vale menos do que os dotes naturals. 
Refiro-me a arte. Como aqui nao se trata somente de aprender, mas tudo provem de qualidades 
inatas que apenas precisam ser desenvolvidas posteriormente, a questao do dinheiro e da posigao 
dos pais nao entra em consideragao, o que prova que o genio nao depende da posigao social ou 
da riqueza. Os maiores nao raramente tem origem em familias modestas. Muitos pequenos 
camponeses tornam-se, mais tarde, festejados mestres. 

Nao recomenda a profunda cultura da epoca que se nao tenha tirado partido dessa verdade em 
beneficio da vida espiritual da coletividade. Pensa-se que isso, que nao se pode negar em relagao 
a arte, nao se aplica aos chamados conhecimentos reals. 

Sem duvida pode-se acostumar os homens a umas certas habilidades automaticas, assim como 
e possivel, por um habil adestramento, levar os caes a executar trabalhos quase incriveis. Em um 
caso como no outro, nao e, porem, o intelecto do individuo que o leva a pratica dessas habilidades. 

Pode-se, em qualquer hipotese, levar um talento inferior a adquirir habilidades cientificas, mas o 
resultado caracteriza-se sempre pela falta de vida, de alma, tal como acontece com os animals. 
Pode-se, por um certo exercicio espiritual, Incutir no espirito de um homem mediocre 
conhecimentos acima de mediocres, mas essa ciencia mantem-se morta e esteril Da-se o caso de 
um individuo ser um verdadeiro dicionario vivo, mas, em todos os momentos da vida, fracassar 
miseravelmente. A cada nova exigencia que se Ihe apresenta ele tem que aprender de novo, esse 
indivfduo e incapaz de contribuir com a menor parcela para um maior desenvolvimento da 
humanidade. 

Essa ciencia mecanica serve admiravelmente para ser aceita pelos burocratas de hoje. 

E perfeitamente compreensivel que em todas as camadas socials de uma nagao serao 
encontrados talentos e que o valor do saber sera tanto maior quanto mais possa ser vivificado, por 
essas naturezas de elite, o conhecimento morto. Realizagoes criadoras so podem surgir quando se 
da a alianga do saber com a capacidade. 

Como a humanidade de hoje erra nesse sentido demonstra-o um unico exemplo. 

De tempos em tempos, os jornais ilustrados comunicam aos seus leitores burgueses que, pela 
primeira vez, aqui ou all, um negro tornou-se advogado, professor, pastor, primeiro tenor, etc. 
Enquanto a burguesia sem espirito flea admirada de um tao maravilhoso adestramento e, chela de 
respeito por esse fabuloso resultado da atual arte de educar, o judeu esperto compreende que dai 
sera possivel tirar mais um aprova da justeza da teoria que pretende inculcar no publico, segundo 
a qual todos os homens sao iguais. Nao se apercebe esse desmoralizado mundo burgues que se 
trata de um ultraje a nossa razao, pois e uma criminosa idiotice, adestrar, durante muito tempo, um 
meio macaco, ate que se acredite que ele se fez advogado, enquanto milhoes de individuos, 
pertencentes as mais elevadas ragas, devem permanecer em uma posigao inteiramente digna, se 
tem em vista a sua capacidade. E um atentado contra o proprio Criador deixar-se perecerem, no 
atual pantano proletario, centenas de milhares das criaturas mais bem dotadas para adestrar 



hotentotes e cafres. 

No caso, trata-se na realidade de um adestramento, como o do cao, e nunca de educagao 
cientifica. 

O mesmo cuidado aplicado em relagao a ragas inteligentes, daria, a cada individuo, mil vezes 
mais depressa, identica capacidade de realizagoes. 

E intoleravel pensar-se que, todos os anos, centenas de milhares de indivfduos, inteiramente 
sem talento, meregam uma educagao superior, enquanto centenas de millnares de outros, dotados 
de grande inteligencia, fiquem privados dessa educagao. Nao e para se desprezar a perda que a 
nagao com isso experimenta. Se, nas ultimas decadas, aumentou consideravelmente o numero 
das invengoes importantes, sobretudo na America do Norte, e que all se ofereciam, mais do que na 
Europa, possibilidades de uma educagao superior as camadas populares. 

Para as descobertas nao basta a instrugao mal digerida. E imprescindivel o talento, 
infelizmente, hoje em dia, na Alemanha, nao se da nenhum valor a isso. So as exigencias 
imperiosas da necessidade e que despertarao o povo a essa verdade. 

Essa e outra tarefa educacional do Estado nacionalista. Seu dever nao e restringir a 
determinada classe social a influencia decisiva na vida da nagao, mas permitir que surjam os 
cerebros mais capazes e prepara-los para as mais altas e mais dignas posigoes. Sua obrigagao e 
nao so dar uma certa educagao ao tipo medio mas tambem oferecer aos verdadeiros talentos a 
oportunidade de desenvolverem suas qualidades excepcionais. Deve considerar como a sua mais 
imperiosa obrigagao abrir as portas dos estabelecimentos superiores oficiais a todos os talentos, 
sem distingao de classes. Essa finalidade deve ser cumprida, pois so assim, das camadas dos 
representantes de uma ciencia morta, poderao surgir os condutores geniais da nagao. 

Ha uma outra razao para que o Estado deva volver a sua atengao sobre esse assunto. As 
camadas intelectuais, sobretudo na Alemanha, vivem em um mundo tao a parte, que nao tem 
nenhuma ligagao com as classes que Ihes sao inferiores. Dai resultam dois pessimos efeitos: em 
primeiro lugar aquela classe nem entende o povo nem por ele tem simpatias. Ha tanto tempo que 
OS intelectuais vivem afastados da massa popular que nao podem possuir a necessaria 
compreensao da psicologia da mesma. Tornaram-se estranhos uns para com os outros. A essas 
classes superiores, em segundo lugar, falta a necessaria forga de vontade, sempre menos 
frequente entre os intelectuais do que na massa do povo. Gragas a Deus, a nos alemaes, nunca 
faltou educagao cientifica; em compensagao era geral a deficiencia em forga de vontade e poder 
de decisao. Quanto mais "intelectuais" eram os nossos estadistas, tanto mais fracas eram as suas 
realizagoes. Nossa preparagao politica para a guerra, assim como a preparagao tecnica, foram 
insuficientes, nao porque os dirigentes da nagao tivessem pouca ilustragao, mas, ao contrario, 
porque eram super instrufdos, cheios de ciencia mas vazios de intuigoes sadias e, sobretudo, de 
energia e intrepidez. 

Foi uma fatalidade que a nagao alema tivesse de lutar pela sua existencia sob o governo de um 
chanceler filosofo e fraco. Se, naquela epoca, em vez de um Batmann Hollweg, tivessemos por 
chefe um energico homem do povo, o sangue heroico dos nossos granadeiros nao teria sido 
derramado em vao. Alem disso, o exagerado intelectualismo dos nossos guias foi o melhor aliado 
que podiam encontrar os pulhas da Revolugao de novembro. A maneira vergonhosa por que esses 
intelectuais sacrificavam o interesses nacional que Ihes estava confiado, em vez de promoverem a 
sua defesa pelos meios mais energicos, ofereceu aos adversarios a condigao essencial para a 
vitoria. Nesse assunto, a Igreja Catolica oferece um exempio muito instrutivo, o celibato dos 
sacerdotes obriga-a a recrutar os seus futuros ministros, nao nas suas proprias fileiras, mas na 
massa do povo. Essa importancia do celibato eclesiastico passa despercebida a muita gente. Af 
esta a razao da incrivel forga dessa instituigao multissecular. Porque, ininterruptamente, esse 
gigantesco exercito de dignitarios espirituais e recrutado nas camadas inferiores, so por isso, a 
Igreja se assegura uma natural ligagao com os sentimentos do povo, como tambem uma soma de 
energia que so se pode encontrar na massa popular. Dai resulta a impressionante vitalidade dessa 
formidavel organizagao, a sua flexibilidade, a sua inquebrantavel forga de vontade. 

Uma das finalidades do Estado nacional, no ponto de vista da educagao, e agir de maneira que 
seja possivel uma perpetua renovagao das classes intelectuais pela inoculagao de sangue novo 
vindo das classes inferiores. 

E obrigagao do Governo selecionar, com o maior cuidado e exatidao, do meio de todas as 
classes, o material humano visivelmente capaz de p6-lo ao servigo da coletividade. 



O Estado e os seus dirigentes nao existem para possibilitar uma vida comoda as diferentes 
classes mas para que essas possam cumprir a missao que Ihes esta reservada. Isso, porem, so 
sera possivel se para as posigoes de diregao se instruirem os mais capazes, os de mais forga de 
vontade. Isso se aplica nao so a todos os empregados publicos como aos diretores intelectuais da 
nagao, em todos os setores, e constitui um fator da grandeza do nosso povo, pois assim se 
consegue fazer a selegao dos mais capazes e p6-los a servigo da nagao. 

Se dois povos entram em concorrencia, em igualdade de condigoes, vencera aquele que souber 
aproveitar os maiores talentos e serao vencidos os que so cuidam da defesa de suas posigoes ou 
de sua classe, sem nenhuma consideragao a capacidade dos individuos. 

Isso parece, no mundo de hoje, impossivel. Dir-se-a, em oposigao a essa ideia, que o filho de 
um alto funcionario publico nao deve ser operario, porque e superior a nao importa que filho cujos 
pais foram operarios. Isso esta de acordo com a ideia que hoje se faz do trabalho manual. Por isso, 
Estado nacionalista deve se esforgar por modificar a atual concepgao do trabalho. Se necessario, 
mesmo por uma educagao secular, deve o Estado acabar com o desprezo pela atividade fisica e 
valorizar os homens nao pela sorte de trabalho que desempenham mas pela forma e vantagens de 
sua atuagao. 

Isso poderia parecer extravagante em uma epoca em que os escrevinhadores mais sem 
espirito, somente porque manejam com a pena, valem mais do que os melhores profissionais. 

Essa falsa valorizagao, nao tem fundamento natural, mas e consequencia da educagao, e nao 
existia outrora. Essa situagao artificial e sintoma da super materializagao de nossos tempos. 

Todo trabalho tem um dupio valor, um material e um ideal. O valor material reside na 
importancia do trabalho realizado, que se avalia pela sua significagao em relagao a coletividade. 
Quanto maior for a utilidade coletiva de um determinado trabalho, tanto maior sera o seu valor. Isso 
se verifica tambem quanto a avaliagao material do trabalho individual, isto e, quanto ao salario. O 
valor do trabalho puramente material esta em fungao do ideal. O valor material depende da sua 
necessidade; embora a utilidade material de uma descoberta possa ser maior do que a de um 
servigo domestico de todos os dias, todos veem no mesmo piano a importancia de ambos esses 
servigos, desde que cada individuo, na sua esfera, qualquer que ele seja, trate de se esforgar por 
cumprir o seu dever da melhor maneira possivel. 

Por esse criterio, e que se deve medir o valor de um homem e nao pelo que ele ganha. 

Assim, e dever do Estado assegurar a cada um a atividade que corresponda a sua capacidade, 
ou, em outras palavras, aperfeigoar os individuos capazes para os trabalhos que Ihes estao 
reservados. A capacidade nao e, porem, somente consequencia da educagao; e uma qualidade 
mata, um presente da natureza e nao constitui um merito para o individuo. A avaliagao pela 
coletividade nao pode ser feita pela natureza desse trabalho, que e produto tanto de qualidades 
trazidas do bergo como de outras adquiridas pela educagao. A medida do valor de um homem 
depende da maneira por que ele cumpre a missao que Ihe confiou a coletividade. O trabalho nao e 
a finalidade da existencia humana, mas apenas um meio para garanti-la. O homem deve continuar 
a educar-se, a enobrecer-se, mas isso so sera possivel dentro do quadro de uma cultura geral, 
cujo fundamento deve ser sempre o Estado. Para a conservagao desse Estado, ele deve trazer a 
sua contribuigao. A forma dessa contribuigao e determinada pela natureza, cabendo ao homem, 
por sua diligencia e honestidade, restituir a coletividade o que esta Ihe deu. A recompensa material 
deve depender da utilidade coletiva do trabalho. As forgas de que a natureza dotou os indivfduos e 
a coletividade aperfeigoou devem ser consagradas ao interesses geral. Nao deve ser considerado 
uma vergonha ser um modesto trabalhador. Vergonha e ser um empregado incapaz que rouba o 
pao ao povo, e perfeitamente compreensivel, porem, que nao se pode exigir de um individuo uma 
determinada tarefa, sem que ele, de inicio, tenha sido educado para executa-la. 

A sociedade de hoje, esta, porem, promovendo a sua propria ruina. Ela introduz o sufragio 
universal, tagarela sobre igualdade de direitos, nao encontra, porem, fundamentos para essa 
doutrina. Ve na recompensa material a expressao do valor do individuo, demolindo assim as bases 
da mais nobre igualdade que pode existir. A igualdade nao consiste e nao pode consistir nas 
realizagoes humanas em si mesmas, mas e possivel na forma por que cada homem cumpre suas 
obrigagoes, so assim, se pode, no julgamento de valor do individuo, por de lado as diferengas da 
natureza, podendo, entao, cada um forjar o seu proprio valor. 

Nos tempos de hoje, em que todos os grupos humanos so se sabem apreciar pelos salarios, 
nao pode haver um entendimento a esse respeito. Isso nao e, porem, motivo para que 



renunciemos as nossas ideias. Ao contrario. Quem quiser salvar esse mundo apodrecido deve ter 
a coragem de mostrar as causas primarias desse mal. A preocupagao do movimento nacional- 
socialista deve ser esta: desprezando todos os preconceitos burgueses reunir e coordenar todas 
as forgas capazes de ser aproveitadas como pioneiros da nova doutrina universal. 

Certamente levantar-se-a a objegao de que, na maioria dos casos, e dificil fazer distingao entre 
valor material e o ideal e que o menor aprego do trabalho seria ocasionado justamente pelo 
menor salario. Esse pequeno aprego e, por sua vez, a causa da menor participagao dos individuos 
nas riquezas culturais da nagao. Assim, e prejudicada a cultura ideal dos homens, que nada tem 
que ver com o seu trabalho. A vergonha que se sente pelo trabalho material reside nisso: como 
conseqGencia dos pequenos salarios, desce o nivel cultural do operario e com isso se justifica o 
menor valor em que e tida a sua atividade. 

Nisso ha muita verdade. Justamente por esse motivo, e que, de futuro, se deve evitar uma 
grande disparidade de salarios. Nao se argumente que, assim, o resultado do trabalho individual 
seria menor. Seria o mais deploravel sintoma da decadencia de uma epoca se o estimulo para as 
mais altas realizagoes espirituais dependesse apenas de altos salarios. Se esse ponto de vista 
fosse ate hoje o unico, entao a humanidade nao teria nunca alcangado as suas grandes 
realizagoes no dominio da ciencia e da cultura. As maiores invengoes, as maiores descobertas, os 
trabalhos que mais revolucionaram a ciencia, os esplendidos monumentos da cultura humana, nao 
surgiram da caga do dinheiro. Ao contrario, a sua origem coincide, nao raramente, com a renuncia 
aos bens terrenos. 

E possivel que o dinheiro se tenha tornado o poder dominante na vida de hoje, mas um dia vira 
em que os homens venerarao outros deuses, de mais elevagao. 

Muita coisa hoje deve sua existencia a ansia pelo dinheiro e pelo poder, mas nisso esta incluido 
pouca coisa, cujo desaparecimento deixaria a humanidade mais pobre. E uma das finalidades do 
nosso movimento anunciar que vira um tempo em que se dara ao individuo o que ele precisa para 
viver, mantendo-se, porem, o principio de que o homem nao deve viver somente para a satisfagao 
de prazeres materials. Isso se realizara, de futuro, com uma sabia graduagao de salarios que 
permita a cada trabalhador honesto ter a certeza de poder viver uma vida ordenada e digna, como 
homem e como cidadao. 

Nao se diga que isso e um ideal que nao resistiria a pratica e jamais podera ser atingido. 

Nos mesmos nao somos tao simplorios que acreditemos na possibilidade de se conseguir 
restituir a existencia a uma sociedade chela de defeitos. Isso nao nos deve, porem, livrar do dever 
de combater as faltas que conhecemos, abolir as fraquezas e lutar por um ideal. A dura realidade 
ocasionara somente restrigoes a essa atividade. Por isso mesmo, o homem se deve esforgar para 
atingir o objetivo final. Insucessos nao devem desvia-lo da sua finalidade, da mesma maneira que 
nao se pode renunciar a justiga somente porque na mesma se verificam erros, nem desprezar a 
medicina porque as molestias continuam a existir. 

Devemos evitar dar tao pouco valor a forga de um ideal. Quem, nesse assunto, sentir-se 
desalentado, deve lembrar-se, se ja foi soldado, de um tempo cujo heroismo era representado pela 
certeza da forga do ideal, o que, entao, fez com que os homens se deixassem morrer nao foi a 
preocupagao de ganhar o pao quotidiano, mas o amor da Patria, a fe na sua grandeza, o 
sentimento geral da honra da nagao. Somente quando o povo alemao afastou-se desse ideal, para 
seguir as promessas da Revolugao e trocou as armas pela sacola e que alcangou o desprezo geral 
e a miseria. 

E absolutamente necessario que se ponha, diante das vistas dos homens praticos da Republica 
"realista" de hoje, um Estado ideal. 

CAPITULO III - CIDADAOS E "SUDITOS" DO ESTADO 

A instituigao que hoje erroneamente e designada pelo nome de Estado reconhece apenas duas 
sortes de indivfduos: cidadaos e estrangeiros. Cidadaos sao aqueles que, pelo nascimento ou pela 
naturalizagao, gozam dos direitos de cidadania; estrangeiros sao todos os que gozam identicos 
direitos em seus respectivos paises. Entre esses ha os que se podem denominar "cometas", que 
nao pertencem a nenhum Estado e que, por isso, nao tem o direito de cidadania. 

Hoje, direito de cidadania e adquirido, em primeiro lugar, por se ter nascido dentro das 
fronteiras de um determinado Estado. A raga e a nacionalidade nada tem a ver com isso. O filho de 



um negro que viveu em um protetorado alemao e que esta domiciliado na Alemanha e 
automaticamente cidadaos do Estado alemao. Do mesmo modo, qualquer filho de judeu, de 
polones, de africano ou de asiatico, pode, sem maiores dificuldades, tornar-se cidadao alemao. 

Alem da naturalizagao pelo nascimento existe a possibilidade da naturalizagao posterior. Essa 
naturalizagao esta condicionada a varias exigencias, como sejam, por exempio, as seguintes. O 
candidato, quando possivel, nao sera um arrombador de portas ou caften, nao sera suspeito a 
policia, nao tomara parte em politica, isto e, sera um imbecil e, finalmente, nao incomodara a sua 
nova patria. Naturalmente, o mais importante nesta epoca de realismo e a situagao financeira do 
candidato. E uma recomendagao importante apresentar-se como um presumivel futuro contribuinte 
para apressar a aquisigao do direito de cidadania nos tempos atuais. 

Argumentos de raga de nada valem nesse caso. 

Todo processo para adquirir o direito de cidadania em nada difere daquele por que se 
consegue entrar em um clube de automoveis, por exempio. O candidato faz seu requerimento e, 
um dia, por meio dum escrito, chega ao seu conhecimento a noticia de que esta considerado 
cidadao alemao, o que se revestia ainda de uma forma pandega. Participava-se ao catre em 
questao que "ele com aquela comunicagao se tinha tornado cidadao alemao". 

Esse passe de magica preparava um presidente da Republica. O que os ceus nao podem fazer 
consegue-o o mais humilde empregado, enquanto o diabo esfrega um olho. Com uma simples 
penada, um criado mongol transforma-se, como por encanto, em alemao da melhor especie! 

O pior e que nao so ninguem se preocupava com a raga do candidato como nao se cogitava 
tambem da sua saude. 

Um individuo, por mais roido de sifilis que esteja, e recebido pelo Governo de hoje como 
cidadao alemao desde que, economicamente, nao crie problemas financeiros ou caracterize uma 
ameaga politica. 

O cidadao alemao distingue-se do estrangeiro porque Ihe sao abertas as portas para os 
empregos publicos, porque, eventualmente, esta sujeito ao servigo militar e pode votar e ser 
votado nas eleigoes. Nisso esta toda a diferenga. Quanto a protegao dos direitos pessoais e da 
liberdade, a situagao dos estrangeiros e a mesma dos alemaes e, as vezes, melhor Pelo menos e 
isso que acontece na Republica Alema de hoje. 

Sei que ninguem gosta de ouvir essas verdades, mas o que e incontestavel e que dificilmente 
se podera encontrar no mundo uma legislagao tao insensata, tao louca como a nossa. 

Ha um pais em que, pelo menos, se notam fracas tentativas para melhorar essa legislagao. 
Naturalmente nao me refiro a nossa modelar Republica Alema mas ao Governo dos Estados 
Unidos da America do Norte, onde se esta tentando, embora por medidas parciais, por um pouco 
de senso nas resolugoes sobre este assunto. 

Eles se recusam a permitir a imigragao de elementos maus sob o ponto de vista da saude e 
profbem absolutamente a naturalizagao de determinadas ragas. Assim comegam lentamente a 
executar um programa dentro da concepgao racista do Estado. 

O Estado nacionalista divide seus habitantes em tres classes: cidadaos, suditos e estrangeiros. 

So nascimento da, em principio, o direito de cidadania. Nao da, porem, o direito de exercer 
cargo publico ou tomar parte na politica, para votar ou ser votado. 

Quanto aos chamados suditos, a raga e a nacionalidade terao sempre que ser declaradas. A 
esses e livre passarem dessa situagao a de cidadaos do pais, dependendo isso da sua 
nacionalidade. 

O estrangeiro e diferente do sudito no fato de ser sudito em um pais estrangeiro. 

O jovem sudito da nagao alema e obrigado a receber a educagao que se ministra a todos os 
alemaes. Ele se submete assim a mesma educagao dos nacionais. Mais tarde ele tem que se 
submeter a educagao fisica oficial e, finalmente, entra para as fileiras do exercito. O servigo militar 
e obrigatorio. Deve abranger todos os alemaes, a fim de prepara-los, fisica e espiritualmente, para 
as possiveis exigencias militares. 

Depois do servigo militar, aos jovens, inteiramente sadios, com solenidade sera concedido o 
titulo de cidadao. Esse sera o mais importante documento para toda a sua vida. Ele entra na posse 
de todos OS direitos e goza de todas as vantagens dai decorrentes. E preciso que se faga a 
diferenga entre os que concorrem para a existencia e grandeza da nagao e os que residem no pais 
apenas para ganhar a vida. 

A concessao do titulo de cidadao exige um solene juramento em relagao a coletividade e ao 



Estado. 

Nesse titulo deve ser inscrito: Deve ser uma honra maior ser varredor de rua em sua Patria do 
que rei em pais estrangeiro. 

O cidadao alemao e privilegiado em relagao ao estrangeiro. Essa honra excepcional tambem 
implica em deveres. O individuo sem honra, sem carater, o criminoso comum, o traidor da Patria, 
etc., pode, em qualquer tempo, ser privado desses direitos. Torna-se, entao, sudito, novamente. 

As jovens alemas sao suditas e so se tornam cidadas depois de casadas. A mulher, porem, que 
Vive do seu trabalho honesto, pode ser concedido o titulo de cidada. 

CAPITULO IV - PERSONALIDADE E CONCEPQAO DO ESTADO NACIONAL 

Se Estado nacional socialista e racista tem como sua mais importante finalidade a formagao e 
educagao do povo, como esteio do mesmo, e obvio que nao basta somente favorecer os 
elementos raciais em si, educa-los para a vida pratica. Faz-se necessario tambem que a sua 
propria organizagao seja estabelecida em harmonia com esse objetivo. 

Seria loucura querer medir o valor dos homens pela raga, e, ao mesmo tempo, declarar guerra 
ao principio marxista segundo o qual "um homem e sempre igual a outro", se nao estivermos 
resolvidos a tirar daquele axioma todas as conseqGencias. A ultima conseqGencia do 
reconhecimento da importancia da questao do sangue, isto e, do fundamento do problema racial, 
deve consistir em levar aos individuos essa convicgao. Assim como eu devo estabelecer a 
diferenga entre os povos pela raga a que pertencem, assim tambem devem fazer os indivfduos 
dentro de uma determinada coletividade. A afirmagao de que os povos nao sao iguais provoca nos 
individuos de uma nagao a ideia de que nem todas as cabegas sao iguais, porque, tambem nesse 
caso, embora as partes essenciais sejam semelhantes nas linhas gerais, nos casos individuals 
notam-se milhares de pequenas diferengas. 

A primeira conseqGencia desse modo de encarar o problema e tambem a mais elementar. 
Refiro-me ao trabalho de favorecer, no seio da coletividade, os elementos de mais valor sob o 
ponto de vista racial e cuidar sobretudo de sua alimentagao. 

Mais facil torna-se essa tarefa, justamente porque pode ser quase mecanicamente 
compreendida e resolvida. Mais dificil e, porem, descobrir, no seio da coletividade, os individuos de 
mais valor sob o ponto de vista intelectual e ideal e sobre eles exercer uma influencia que ponha 
esses espiritos superiores a servigo da nagao. 

Esse movimento no sentido de estimular a inteligencia e a capacidade nao se pode fazer 
mecanicamente, e um trabalho que depende da luta diaria pela vida. 

Uma concepgao social que se propoe, pondo de lado os pontos de vista democraticos das 
massas, a entregar a terra aos melhores, aos tipos mais elevados, nao deve logicamente estimular, 
no seio do povo, o principio aristocratico, mas assegurar a diregao aos mais capazes, para que 
esses possam exercer a mais elevada influencia sobre esse mesmo povo. Esse trabalho nao se 
pode fundar sobre o principio da maioria mas deve ser alicergado no reconhecimento do valor da 
personalidade. Quem quer que hoje acredite que um Estado nacional-socialista-racista pode 
diferenciar-se dos outros Estados, com a aplicagao de meios puramente mecanicos, pela melhoria 
da vida economica, etc., isto e, por uma melhor distribuigao da riqueza, por um maior controle no 
processo economico, por salarios mais compensadores, pelo combate as grandes desproporgoes 
dos mesmos, quem assim pensar, repetimos, encontrar-se-a em um absoluto impasse e provara 
nao ter a mais leve ideia do que entendemos por uma verdadeira concepgao do mundo. Por esses 
processos acima aludidos, nao se chegara nunca a reformas profundas e radicals e de efeitos 
duradouros, porque essa maneira de agir toca apenas a superficie das coisas sem preparar para o 
povo uma situagao que Ihe de uma seguranga definitiva de poder veneer as fraquezas, de que hoje 
todos sofremos. 

Para mais facilmente compreender-se essa verdade, e oportuno, mais uma vez, langar uma 
vista sobre as causas primarias da evolugao da cultura humana. 

O primeiro passo que, visivelmente, levou o homem a distinguir-se do resto dos animals foi o 
que arrastou a fazer descobertas. Essas descobertas consistiam, no primeiro momento, na 
astucia, cujo emprego facilitou a luta pela vida contra os outros animals e o exito na mesma. 

Essas descobertas primitivas nao se apresentam claramente no espirito das pessoas, porque o 
observador de hoje as ve apenas em massa. Certos artiffcios e espertos expedientes que o 



homem pode observar nos animals aparecem simplesmente como um fato natural. Nao estando, 
por isso, em condigoes de determinar ou investigar suas causas primarias, contenta-se em 
considerar essas qualidades como instintivas. 

Em nosso caso, essa ultima palavra nada significa. 

Quem acredita em uma evolugao mais elevada da vida deve admitir que todas as 
manifestagoes dessa luta pela existencia devem ter tido um comego. Em dado momento, um 
individuo praticou uma determinada agao. Por forga da repetigao, esse fato se foi tornando cada 
vez mais geral ate, de certo modo, passar para o subconsciente dos individuos e ser visto como 
instintivo. 

Isso se compreendera mais facilmente em relagao aos homens. Seus primeiros atos de 
inteligencia na luta contra os outros animals foram, com certeza, na sua origem, atos praticados 
sobretudo pelos individuos mais capazes. As qualidades pessoais foram, incontestavelmente, o 
estfmulo para as decisoes e realizagoes que, mais tarde, foram aceitas como naturals por toda a 
humanidade. Da mesma maneira, a confianga na sua propria forga, fundamento atual de toda 
estrategia, foi, originariamente, devida a uma determinada cabega e, so com o correr de muitos 
anos, talvez milhares, passou a ser aceita por toda gente como perfeitamente compreensivel. 

O Inomem completou essa primeira descoberta com uma segunda. Aprendeu outras coisas, 
outros processos, que pos a servigo da sua luta pela subsistencia. Com isso comegou a atividade 
criadora, cujos resultados vemos por toda parte. Essas invengoes materials, que comegaram pelo 
emprego da pedra como arma, que levaram a domesticagao dos animals, e, atraves de criagoes 
artificials, deram ao homem o fogo e, assim por diante, ate as multiplas e espantosas descobertas 
de nossos dias, sao evidentemente devidas a iniciativa individual, o que se torna claro se 
examinarmos as descobertas de Inoje, sobretudo as mais importantes, as que mais impressionam. 

Todas as invengoes que vemos em torno de nos foram o resultado do poder criador e da 
capacidade do individuo e todas elas, em ultima analise, concorreram para elevar, cada vez mais, 
homem acima do nivel dos outros animais, distanciando-o dos mesmos em progressao sempre 
crescente. 

O que, de comego, era apenas simples artificio para auxiliar os cagadores da floresta na sua 
luta pela existencia, serve agora, sob a forma das brilhantes descobertas cientificas dos tempos 
atuais, a auxiliar a humanidade nas lutas do presente e a forjar as armas para os embates futuros. 

Todo pensamento humano, todas as invengoes, em seus ultimos efeitos. servem, em primeiro 
lugar, para facilitar a luta do homem pela vida neste planeta, mesmo quando a utilidade real de 
uma descoberta ou de uma profunda concepgao cientifica passa despercebida no momento. 
Enquanto tudo isso auxilia o homem a elevar-se acima do nivel das criaturas que o cercam, ele 
fortifica cada vez mais a sua posigao, tornando-se, a todos os respeitos, o rei da criagao. 

Todas as descobertas sao, pois, a consequencia do poder criador do indivfduo. Todos esses 
inventores constituem, quer se queira quer nao, os maiores ou menores benfeitores da 
humanidade. Sua atuagao proporciona a milhoes de homens, meios de subsistencia e recursos 
posteriores para a facilitagao da luta pela vida. 

Se, na origem da civilizagao material de hoje, vemos sempre personalidades que se completam 
umas as outras e sempre realizam novos progressos, o mesmo acontece na execugao e 
aperfeigoamento das coisas descobertas. Os varios processos de produgao, em ultima analise, sao 
sempre obras de determinados individuos. O trabalho puramente teorico que, em relagao a cada 
pessoa, dificilmente se pode medir, e que representa a condigao indispensavel para todas as 
descobertas posteriores, ate esse trabalho e produto individual. As massas nunca inventam, nunca 
organizam ou pensam por si. No inicio de tudo esta sempre uma atividade individual. 

Uma coletividade humana so e bem organizada quando facilita, por todos os modos possiveis, 
trabalho desses elementos criadores e utiliza-os em beneficio da comunidade. 

O que ha de mais importante em materia de invengoes, quer se trate de invengoes de ordem 
material quer de descobertas no mundo do pensamento, e sempre o fruto da forga criadora de um 
individuo. 

Utiliza-las em beneficio da coletividade e a primeira e a mais elevada tarefa da organizagao 
social, que deve ser apenas o desenvolvimento desse principio. Por isso deve livrar-se da praga da 
orientagao mecanica para transformar-se em uma organizagao viva. Deve ser, em si mesma, a 
corporificagao do esforgo para por os valores individuals acima das massas e subordinar essas 
aqueles. 



Essa organizagao nao deve impedir que os valores individuals surjam do seio das massas, mas, 
ao contrario, por uma agao consciente, deve promover essa evolugao facilitando-a por todos os 
meios possiveis. Deve partir do principio de que a prosperidade do genero humano nunca e devida 
as massas, mas as cabegas criadoras, que, por isso, devem ser vistas como benfeitoras da 
especie. 

Facilitar-llnes a mais vasta influencia esta no interesses da coletividade. Esse interesses nunca 
sera atendido pela dominagao das massas incapa7es mas Cinicamente pela diregao das almas 
privilegladas pela Natureza. A aspera luta pela vida, mais do que qualquer outra causa, concorre 
para o aparecimento dos individuos superiores. Nessa luta muitos sucumbem, nao resistem as 
provas, e, no fim, somente poucos aparecem como os escolhidos. 

Nos dominios do pensamento, das criagoes artisticas e ate nos da economia, ainda hoje esse 
processo de selegao se verifica sempre, embora. no terreno economico, encontre grandes 
obstaculos. 

A administragao do Estado e o poder das nagoes representado pela sua capacidade guerreira 
sao dominados pelo principio do valor pessoal. Nesse setor domina a ideia da personalidade, a 
autoridade desta em relagao aos que estao embaixo e a responsabilidade dos que estao em cima. 

A vida polftica de hoje tem cada vez mais abandonado esse principio natural. Enquanto toda a 
cultura humana nao passa de uma conseqGencia da atividade criadora do individuo, na 
comunidade em geral e especialmente entre os lideres da mesma, o princfpio da maioria pretende 
ser a autoridade que decide e comega gradualmente a envenenar a vida da nagao, isto e, a 
arruina-la. 

A agao destruidora do judafsmo em varios aspectos da vida do povo, deve ser vista como um 
esforgo constante para minar a importancia da personalidade nas nagoes que os acolhem e 
substitui-la pela vontade das massas. O principio organico da humanidade ariana e substituido 
pelo principio destruidor dos judeus. Assim se torna o judafsmo um "fermento de decomposigao" 
dos povos e ragas e, em sentido mais vasto, de ruina da cultura humana. 

O marxismo aparece como a tentativa dos judeus para enfraquecer, em todas as manifestagoes 
da vida humana, o principio da personalidade e substitui-lo pelo prestigio das massas. Em polftica, 
marxismo tem. a sua forma de expressao no regime parlamentar cujos efeitos sentimos desde as 
menores celulas da comunidade ate as posigoes mais eminentes do Reich. No que diz respeito a 
economia, o efeito disso e o estabelecimento de uma organizagao que, na realidade, nao serve 
aos interesses do proletariado mas aos propositos destruidores do judafsmo internacional. 

A proporgao que a economia se subtraia a atuagao do princfpio da personalidade, e, em lugar 
do mesmo, se instalava a influencia: ,das massas, perdia a oportunidade de ter a seu servigo todas 
as capacidades reals e entrava em decadencia inevitavel. 

Todas as organizagoes industrials que, em vez de atenderem aos interesses dos seus 
empregados, procuram ter influencia sobre a propria produgao, servem a esses mesmos objetivos 
destruidores da economia. Sao nocivos a diregao da coletividade e, em conseqGencia, tambem aos 
indivfduos tomados isoladamente. 

A satisfagao dos interesses dos membros de uma coletividade, em ultima analise, nao e a 
conseqGencia de meras frases teoricas, mas, sobretudo, de uma seguranga que no indivfduo se 
oferece a respeito das necessidades da vida diaria e a convicgao definitiva daf resultante de que a 
diregao geral de uma coletividade deve atender aos interesses dos indivfduos. 

Pouco importa que o marxismo, no terreno da sua teoria das massas, aparente capacidade 
para tomar sob a sua diregao e desenvolver a economia existente no momento. A crftica sobre a 
justiga ou injustiga desse princfpio nao sera determinada pela prova de sua aptidao para preparar o 
presente para o futuro, mas pela prova de sua capacidade para criar uma cultura. Mil vezes 
poderia o marxismo assumir a diregao da economia e deixa-la progredir, o exito dessa atividade 
nada provaria contra o fato de nao estar o mesmo em condigoes de, pelo emprego do princfpio das 
maiorias, criar essa cultura. 

O proprio marxismo deu disso uma prova pratica. Nao so nunca pode, em parte alguma, criar 
uma cultura, ou mesmo um sistema economico proprios, como tambem jamais conseguiu 
desenvolver um sistema ja existente, de acordo com os seus princfpios. Ao contrario, depois de 
curto espago de tempo, e forgado a voltar atras e fazer concessoes ao princfpio da personalidade 
que nao pode negar nem mesmo nas suas proprias organizagoes. 

A concepgao racista deve ser completamente diferenciada desde que aquela reconhece nao so 



valor da raga como o do proprio individuo, duas colunas sobre que deve repousar todo o edificio. 
Esses sao os fatores basicos na sua maneira de encarar o mundo. 

Se movimento nacional-socialista nao compreendesse a importancia fundamental dessa 
verdade, mas, ao contrario, em vez disso, procurasse por remendos ao Estado atual e visse no 
ponto de vista das massas um ponto de vista seu proprio, transformar-se-ia em um partido de 
concorrencia ao marxismo. Nao teria, entao, o direito de falar em uma nova doutrina. 

Se programa social do novo movimento consistisse somente em suprimir a personalidade e 
por em seu lugar a autoridade das massas, o Nacional-Socialismo, ja ao nascer, estaria 
contaminado pelo veneno do marxismo, como e o caso dos partidos burgueses. 

O Estado nacionalista racista tem que cuidar do bem-estar dos seus cidadaos, em tudo em que 
reconhecer o valor da personalidade, e, assim, introduzir, em todos os campos de atividade, 
aquela produtiva capacidade de diregao que so ao individuo e concedida. 

O Estado nacionalista deve trabalhar infatigavelmente para libertar o Governo, sobretudo os 
altos postos de diregao, do principio parlamentar da maioria, para assegurar, em seu lugar, a 
indiscutfvel autoridade do indivfduo. 

Dai resultam as seguintes nogoes: 

A melhor forma de Governo e de constituigao e aquela que, com a mais natural firmeza, eleva 
aos postos de comando, de maior influencia, as melhores cabegas de uma coletividade. 

Como na vida economica os homens mais capazes nao provem de cima mas tem que abrir o 
seu proprio caminho lutando e nessa luta recebem as ligoes da experiencia, tanto em pequenos 
negocios como nas grandes empresas, nao podem, por isso, as cabegas de valor politico ser 
descobertas de um momento para outro. 

Na sua organizagao, o Estado, desde os lugares mais modestos ate aos postos mais elevados 
da coletividade, deve basear-se no principio da personalidade. 

Nao deve haver maiorias tomando decisoes mas sim um corpo de pessoas responsaveis. A 
palavra "Conselho" revertera assim a sua antiga significagao. Cada um podera ter conselheiros a 
seu lado, mas a decisao cabera sempre a uma pessoa. 

A razao porque o exercito prussiano se pode transformar em um admiravel instrumento de 
grandeza do povo alemao e que, em sentido figurado, ele representava o ediffcio de nossa 
organizagao nacional: autoridade e responsabilidade. 

Nao nos poderemos passar, mesmo entao, dessas corporagoes que designamos sob o nome 
de parlamento. A diferenga 6 que seus Conselhos serao verdadeiramente conselhos, mas a 
responsabilidade recaira sempre sobre uma so pessoa, a unica que tem autoridade e o direito de 
dar ordens. 

Os parlamentos em si sao necessarios, antes de tudo porque neles tem oportunidade de se 
afirmar os valores individuals, a que, mais tarde, se podem confiar missoes de responsabilidade. 

Resulta o seguinte: 

O Estado racista, em nenhum dos setores, tera um corpo de representantes que possa resolver 
por meio da maioria de votos, mas apenas Conselhos consultivos que auxiliam o chefe escolhido 
e, por intermedio desse, tomarao parte nos trabalhos e, de acordo com as necessidades, aceitarao 
responsabilidades incondicionais, nas mesmas condigoes em que age o chefe ou presidente nas 
grandes questoes. 

O Estado racista nao tolera que homens cuja educagao ou ocupagao nao Ihes tenha 
proporcionado conhecimentos especiais, sejam convidados a dar conselhos ou a julgar, o corpo 
representativo do Estado sera dividido em comites politicos e comites profissionais permanentes. 

A fim de obter uma cooperagao vantajosa entre os dois havera sobre eles um Senado 
permanente. Mas nem o Senado nem a Camara terao poderes para tomar resolugoes; eles sao 
designados para trabalhar e nao para decidir. Os seus membros individuals podem aconselhar 
mas nunca resolver. Essa prerrogativa e da competencia exclusiva do presidente responsavel do 
momento. 

Esse principio de absoluta alianga da responsabilidade com a autoridade pouco a pouco tornara 
possivel a escoiha de um lider, o que, hoje, e absolutamente impossivel em face da 
irresponsabilidade do parlamento. 

Entao a constituigao politica da nagao sera posta em harmonia com a lei a que esta ja deve a 
sua grandeza nos dominios da cultura e da economia. 

No que diz respeito a possibilidade de por em pratica essa doutrina, devo lembrar que nem 



sempre o principio da maioria de Votos dos parlamentos democraticos governou o mundo. Ao 
contrario, esse principio so e encontrado em pequenos periodos da Inistoria e esses sao sempre 
periodos de decadencia das nagoes ou dos Governos. 

Em todo caso, ninguem imagine que providencias puramente teoricas, partidas de cima, 
possam provocar essa mudanga, desde que, logicamente, a mesma nao se pode limitar a 
constituigao de um Estado mas toda a legislagao e, na realidade, toda a vida da nagao, devem por 
ela ser influenciadas. 

Uma tal revolugao so podera e so vira a realizar-se por meio de um movimento inspirado 
naquela ideia e que traga em si a semente do novo Estado. 

Assim movimento nacional socialista hoje deve-se identificar com aquela ideia e p6-la em 
pratica em sua organizagao propria, de maneira que nao so possa guiar o Estado no bom caminlno 
mas tambem preparar todo o corpo da nagao, assim mellnorada, a receber a nova ordem de coisas. 

CAPITULO V - CONCEPgAO DO MUNDO E ORGANIZAQAO 

O Estado nacionalista, que tentei pintar em linlnas gerais, nao surgira apenas do conlnecimento 
das suas necessidades. Nao basta saber que aspecto um tal Estado devera assumir. IVIuito mais 
importante e o problema da sua formagao. Nao se pode esperar que os partidos atuais, que sao os 
maiores aproveitadores do Estado, mudem de atitude por sua propria iniciativa. Isso e 
absolutamente impossfvel, uma vez que seus verdadeiros chefes sao todos judeus. 

A evolugao por que passamos terminara um dia, se nao line opusermos obstaculos, nesta, 
profecia judaica: o judeu, na realidade, devorara os povos da terra e tornar-se-a senhor dos 
mesmos. 

Perfeitamente consciente dos seus objetivos, o judeu defende-os de maneira irresistivel, nas 
suas relagoes com milhoes de alemaes proletarios e burgueses, os quais caminham para a 
destruigao, principalmente devido a sua covardia, aliada a indolencia e a estupidez. 

Os partidos sob a sua diregao nao podem fazer outra coisa que nao seja combater por seus 
interesses e nada tem de comum com o carater das nagoes arianas. 

Se se deve fazer uma tentativa para realizar o ideal de um Estado nacionalista, devem ser 
postos de parte os que agora controlam a vida publica e deve-se procurar uma nova forga resoluta 
e capaz de tomar a si a luta por esse ideal. 

A primeira tarefa nesse combate nao e a criagao de uma nova concepgao do Estado, mas a 
remogao das concepgoes judaicas atuais. Como acontece frequentemente na historia, a principal 
dificuldade nao esta em encontrar os moldes do novo estado de coisas mas em abrir caminho para 
instala-los. Preconceitos e interesses disp6em-se em falanges cerradas procurando evitar por 
todos OS meios a vitoria de uma nova ideia que vejam como desagradavel e ameagadora. 

Por isso, combatente por um novo ideal dessa natureza e infelizmente forgado, de maneira 
veemente, a comegar a luta pela parte negativa que deve terminar pela remogao das instituigoes 
em vigor. 

A primeira arma de uma nova doutrinagao que se inspire em grandes principios, por mais que 
isso possa desagradar a certos individuos, deve ser o exercicio da mais forte critica contra aqueles 
que estao na lideranga da sociedade. 

De observagoes superficiais sobre a historia dos povos costuma-se chegar a conclusao de que 
a evolugao dos mesmos, de nenhum modo, e devida a critica negativa mas ao trabalho construtivo. 
Essa cegueira "popular", infantil e sem sentido, e uma prova de como, nessas cabegas, ate os 
acontecimentos dos dias de hoje passaram sem deixar vestigios. 

O marxismo possui um objetivo e tambem conhece a atuagao construtora (somente, porem, 
quando se trata de estabelecer o despotismo do capitalismo internacional judeu), mas nem por isso 
ele deixou de exercer a critica, durante sessenta anos, alias uma critica demolidora e dissolvente 
que se prolongou ate que o antigo Estado, corroido pelo acido dessa critica, foi arrastado a ruina. 
So entao, comegou o seu chamado peno. do "construtivo". Isso era compreensivel, justo e logico. 
Uma situagao existente nao pode ser posta a margem pela simples anunciagao de um novo estado 
de coisas. Nao e admissivel que os adeptos ou interessados na manutengao do statu quo se 
convertessem ao novo movimento simplesmente porque se proclamasse a sua necessidade. Ao 
contrario, acontece freqijentemente que as duas situagoes continuam uma ao lado da outra e, 
entao, a chamada concepgao do mundo transforma-se em partido, nao podendo jamais elevar-se 



acima do nivel das facgoes. 

Uma doutrina universal e sempre intolerante e nao se contenta em representar o papel de um 
"partido ao lado dos outros", mas insiste em ser por todos reconhecida e em impor uma nova 
maneira de encarar a vida publica, de acordo com os seus pontos de vista. Por esse motivo, nao 
pode tolerar a continuagao de uma forga representando a situagao anterior, 

O mesmo acontece com as religioes. 

O cristianismo nao se satisfez em erigir os seus altares, mas viu-se na contingencia de proceder 
a destruigao dos altares dos pagaos. So essa fanatica intolerancia tornou possivel construir aquela 
fe adamantina que e a condigao essencial de sua existencia. 

Pode-se fazer a objegao de que, na historia da humanidade, esse fato e caracteristico do modo 
de pensar dos judeus e que a intolerancia e o fanatismo sao a sua razao de ser. Essa objegao 
pode ser muito justa e pode-se ate lamentar essa realidade e constata-la com tristeza na historia 
humana. Isso, porem, nao impede que ainda hoje se verifique o mesmo fenomeno. 

Os homens que querem salvar o nosso povo da atual situagao nao devem quebrar a cabega 
sobre se as coisas se deveriam passar dessa ou daquela maneira, mas devem tentar os meios 
para demover os obstaculos do presente. 

Uma doutrina universal que se caracteriza por sua infernal intolerancia so sera destrufda por 
outra inspirada no mesmo espirito, mantida pela mesma vontade de ferro, baseada, porem, em 
ideias mais puras e mais verdadeiras. 

Cada um pode hoje, com tristeza, constatar que, no tempo antigo, de muito mais liberdade, o 
primeiro terror espiritual se verificou por ocasiao do aparecimento do cristianismo. Nao se 
contestara, porem, o falo de que o mundo, desde aquele tempo, foi torturado e dominado por essa 
intolerancia e que so se vence um terror com outro terror. So, entao, pode-se iniciar a obra de 
construgao. 

Os partidos politicos estao sempre prontos a assumir compromissos, ao contrario do que 
acontece com as concepgoes universais. Aquelas entram em acordo com os seus adversarios, 
essas proclamam-se infaliveis. 

Os partidos polfticos, de comego, tambem acariciam a esperanga de exercer uma autoridade 
despotica. Eles sempre apresentam ligeiros tragos de uma concepgao mundial. A estreiteza dos 
seus programas priva-os do heroismo que uma doutrina universal exige. A capacidade de conciliar 
atrai para o seu seio os espiritos fracos e com esses nenhuma verdadeira cruzada pode ser levada 
a efeito. Assim fleam desde cedo reduzidos as suas mesquinhas proporgoes. Por isso, nao tentam 
a luta por uma renovagao de concepgoes, mas, em vez disso, por uma "colaboragao positiva", 
visam apenas conquistar um lugarzinho na gamela das comidas e ai permanecer por muito tempo. 
Nisso consiste todo o seu esforgo. 

Ouando, por um forte e inteligente concorrente a pensao, eles sao expulsos da manjedoura, 
concentram toda sua inteligencia e esforgos para, por meio da forga ou da astucia, de novo entrar 
nas primeiras filas dos seus companheiros famintos, e, embora com o sacrificio das suas mais 
sagradas convicgoes, gozar as delicias das comidas. 

Chacais da political 

Como uma doutrina mundial nunca entra em acordo com uma segunda, assim tambem nao 
podera colaborar em uma situagao pela mesma condenada, mas, pelo contrario, sente-se no dever 
de combate-la e combater tambem todas as ideias adversas, preparando, assim, a derrocada das 
mesmas. 

Logo que essa campanha demolidora, cujo perigo por todos sera imediatamente reconhecido, 
encontrando por isso resistencia geral, inicia tambem sua agao positiva, destinada a assegurar o 
exito das novas ideias, entao fazem-se necessarios lutadores resolutos. Um tal movimento so 
levara a vitoria as suas ideias se ao mesmo se unirem os mais corajosos e mais eficientes 
elementos do momento, em uma organizagao com capacidade para a luta. Para isso e, porem, 
indispensavel que essa organizagao, tomando em consideragao esses elementos, escoiha certas 
ideias e Ihes de uma forma que, de maneira precisa e incisiva, seja a apropriada a servir de dogma 
a nova sociedade. 

Enquanto o programa de um novo partido politico consiste apenas em uma receita para o 
triunfo nas eleigoes, o programa de uma nova doutrina deve se traduzir na formula de uma 
declaragao de guerra contra uma ordem de coisas existente, em uma palavra, contra as atuais 
maneiras de compreender o mundo. 



Nao e necessario que cada lutador, individualmente, tenha conhecimento complete de todas as 
ideias e do processo mental dos lideres do movimento. Muito mais necessario e que se Ihe 
esclaregam certos pontos de vista de conjunto e as linhas essenciais capazes de provocar um 
entusiasmo permanente, de maneira que cada um se compenetre da necessidade da vitoria do 
movimento em que esta empenhado. E o mesmo que acontece com o soldado na tropa, o qual 
nunca esta ao par dos altos pianos estrategicos. Quanto mais e ele educado em uma disciplina 
rigida, quanto maior e o seu fanatismo a respeito do direito e da forga da sua causa, tanto mais se 
entrega de corpo e alma a mesma. Assim acontece com o adepto de um movimento de grandes 
proporgoes, de grande futuro e que exige grande forga de vontade. 

Tao pouco Valeria um exercito em que os soldados fossem todos iguais aos generals, pela sua 
educagao e pela sua sagacidade, como um movimento politico baseado em uma, concepgao 
mundial, que se compusesse apenas de um conjunto de "homens de espirito". Sao absolutamente 
necessarios os soldados, sem os quais nao se pode conseguir a disciplina. 

Esta na natureza de uma organizagao de combate que ela so pode subsistir se a sua diregao, 
inspirada em ideias elevadas, servir a - uma massa de individuos que nela se enfileiram por 
motivos sentimentais. 

Um grupo de duzentos homens, iguais quanto a capacidade intelectual, com o tempo, seria 
mais dificil de disciplinar do que um de cento e no. venta homens menos capazes e de dez tipos 
superiores. 

Dessa verdade a social-democracia tirou outrora as maiores vantagens. Ela se aproveitou dos 
que se haviam licenciado do servigo do exercito, ja acostumados a disciplina e safdos das vastas 
camadas populares, e submeteu-os sua rigida disciplina partidaria. A sua organizagao se 
apresentava como um exercito de soldados e oficiais. Os operarios que deixavam o servigo militar 
eram os soldados do partido, o intelectual judeu era o oficial, os empregados de fabricas o corpo 
de suboficiais. 

O que a nossa burguesia sempre olhou com indiferenga, isto e, a verdade segundo a qual ao 
marxismo so se ligam as classes iletradas, era. na realidade, a condigao sine qua non para o exito 
do mesmo. Enquanto os partidos burgueses, na sua intelectualidade superficial, nada mais 
representavam do que um bando incapaz e indisciplinado, o marxismo, com um material humano 
intelectualmente inferior, formou um exercito de soldados partidarios que obedeciam tao 
cegamente aos seus dirigentes judeus como outrora aos seus oficiais alemaes. 

A burguesia alema, por julgar-se superior, nunca se preocupou seriamente com os problemas 
psicologicos, nao julgou necessario, nesse caso, refletir sobre a importancia desse fato e o perigo 
que nele se ocultava. Acreditava-se, ao contrario, que um movimento politico que se compunha de 
elementos recrutados nos circulos intelectuais so por esse fato era de mais valor e tinha mais 
direito e mesmo mais probabilidade de alcangar o Governo do que um simples movimento de 
massas sem instrugao. 

Nao se apercebeu de que a forga de um partido politico nao repousa em uma intelectualidade 
elevada e independente dos seus adeptos, mas sobretudo na obediencia disciplinada com que a 
diregao intelectual assegura a vitoria. Quem decide e a propria diregao. 

Quando dois corpos de tropa lutam um contra o outro, nao vence aquele em que cada soldado 
recebeu uma perfeita educagao estrategica, mas sim o que dispoe da melhor diregao e, ao mesmo 
tempo, das tropas mais disciplinadas, mais cegas na sua obediencia e mais treinadas. Isso e um 
ponto de vista fundamental que, no calculo das possibilidades para a conversao de uma doutrina 
em realidade, devemos sempre ter em mente. Se, para levarmos essa doutrina a vitoria, temos que 
nos transportar ao terreno da luta, logicamente o programa do movimento deve ter em 
consideragao o material humano de que se pode dispor. 

Quanto mais inalteravel for o objetivo a ser conseguido, quanto mais dogmaticas forem as 
ideias fundamentals, tanto mais psicologicamente justo deve ser o programa de aliciamento das 
massas, sem o auxilio das quais as ideias mais elevadas ficam sempre no terreno da teoria. 

Para que o programa racista-nacionalista possa emergir dos vagos anseios de hoje paratornar- 
se uma realidade, e preciso que se selecionem, dentro de suas largas concepgoes, certas ideias 
mestras bem definidas que, por sua significagao, sejam apropriadas a atrair e conseguir a adesao 
de vastas massas populares, justamente aquelas que podem assegurar o exito da grande luta de 
finalidade universal. Referimo-nos ao proletariado alemao. 

Com esse objetivo, o programa do novo movimento foi sintetizado em vinte e cinco proposigoes 



principals destinadas a orientar a luta. Essas teses sao destinadas, antes de tudo, a dar ao Inomem 
do povo uma ideia geral das intengoes do movimento. Sao por assim dizer, uma declaragao de fe 
politica, que, de urn lado, serve a causa e, do outro, visa unir em urn bloco solido os adeptos do 
movimento por um compromisso por todos entendido. 

Assim, nao devemos nunca abandonar o seguinte aspecto da questao. Como o programa do 
movimento, na sua mais alta finalidade, e absolutamente justo mas deve atender ao momento 
psicologico, com o correr dos tempos, pode-se chegar a convicgao de que os individuos 
compreendem mal certas proposigoes e que receberiam melhor outro programa. Toda tentativa de 
modificagao nesse sentido e, porem, fatal. Com isso, entregar-se-la a discussao o que se deveria 
conservar inabalavelmente firme. Uma vez que qualquer ponto do dogma politico e afastado, nao 
se chegara a produzir um novo, melhor e mais conforme com o programa mas, ao contrario, 
marchar-se-a, atraves de discussoes sem fim, para o caos geral. 

Nessa situagao, deve-se sempre procurar saber o que e mais conveniente, se uma nova 
formula, embora melhor, que ocasiona a decomposigao do movimento, ou uma que, nao obstante 
nao ser perfeita, no momento corporifica-se em uma nova organizagao inquebrantavel, 
centralizada. Do exame mais superficial ressalta a vantagem da ultima hipotese. Como nessas 
modificagoes do programa trata-se apenas de uma questao de forma, elas parecerao sempre 
possiveis ou desejaveis. 

Devido a superficialidade dos homens, ha o perigo de acabarem estes por considerar a formula 
do programa como a finalidade real do movimento. 

Diminuem, assim, a vontade e a forga no combate pela ideia, e a atividade que se devia 
empregar na propaganda externa gasta-se inutilmente em lutas internas sobre questoes de 
programa. 

Tratando-se de uma doutrina sa, em suas linhas gerais, e menos prejudicial insistir em uma 
determinada concepgao, mesmo quando nao corresponda perfeitamente a realidade, do que tentar 
melhora-la, abrindo a discussao sobre os principios basicos do movimento que devem ser 
considerados como inalteraveis. Dai so poderao resultar as piores consequencias, entre as quais a 
impossibilidade de vitoria do movimento. 

Como e possivel inspirar aos individuos a fe cega na excelencia de uma doutrina, quando 
modificagoes constantes no programa de propaganda da mesma desenvolvem a incerteza e a 
duvida? 

O essencial de um movimento nao esta nas aparencias externas mas no amago das suas 
concepgoes e, nesse campo, nada deve ser modificado. Devemos todos desejar que, no seu 
proprio interesses, o movimento mantenha a sua forga para todos os combates, evitando qualquer 
iniciativa que ponha em evidencia divisoes e falta de entendimento mutuo. 

Tambem nessa questao muito se pode aprender com a Igreja CatoHca. Apesar de suas 
doutrinas estarem - alias, sob certos aspectos, desnecessariarnente - em muitos pontos, em 
colisao com a ciencia exata e o espirito de investigagao, a Igreja nao sacrifica uma virgula dos 
seus principios. Com muita sabedoria, ela reconheceu que seu poder de resistencia nao consiste 
em uma maior ou menor harmonia com as conquistas cientificas do momento, sempre variaveis, 
mas na insistencia da defesa dos dogmas que, em conjunto, expressam o carater da fe. 
Consequencia disso e que a Igreja mantem-se mais firme do que nunca. 

Pode-se profetizar que, com o tempo, cada vez conquistara maior numero de adeptos. 

Quem realmente desejar com sinceridade a vitoria de uma doutrina racista deve reconhecer 
que, para a consecugao de um tal resultado, e indispensavel, primeiro, que o movimento se revele 
capaz para a luta, mas so se mantera se fiver como fundamento um programa inalteravel e firme. 
Esse programa nao deve fazer concessoes exigidas pelo espirito publico em determinado 
momento, mas manter, para sempre, a formula julgada boa ou pelo menos ate a hora da vitoria. 
Antes disso, provocara a desagregagao qualquer tentativa que tenha por fim modificar a finalidade 
de um ou outro ponto do programa e tera como consequencia a destruigao do espirito de decisao e 
da capacidade para a luta, a proporgao que seus adeptos se empenham em discussoes internas. 

Acrescente-se a isso que uma "reforma" executada hoje, ja amanha poderia ser destruida por 
novas criticas para, no dia seguinte, encontrar-se uma mais vantajosa. 

Quem entra nesse caminho, toma uma estrada livre da qual, porem, so se conhece o comego. 
O ponto terminal perde-se em horizontes sem fim. 

Essa importante nogao deve ser utilizada pelo novo movimento nacional-socialista. O Partido 



Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemaes, com o seu programa de vinte e cinco teses, 
aceitou uma base que deve ser mantida inalteravel. 

A missao dos adeptos do movimento, os de hoje como os do futuro, nao e criticar e alterar 
essas teses essenciais mas considerar do seu dever empenhar-se na sua defesa. Ao contrario, as 
proximas futuras geragoes, com o mesmo direito, dissipariam as suas forgas nessa atividade 
interna, em vez de atrair para o seio do partido novos adeptos, novas forgas. Para a maior parte 
dos nossos correligionarios a essencia do movimento deve estar menos na letra das teses do que 
no espirito que podemos Ihes emprestar. 

A essa nogao o novo partido deveu de inicio o seu nome, de acordo com a mesma foi 
organizado o seu programa e nela se fundamenta o processo do seu desenvolvimento. Para se 
conseguir a vitoria das ideias racistas, deve-se organizar um partido popular, um partido que nao 
se componlna somente de guias intelectuais mas tambem de proletarios. 

Sem uma organizagao forte, qualquer tentativa para promover a realizagao de ideias no seio do 
povo sera sem conseqGencias, Inoje como de futuro. 

So assim o movimento tera nao so o direito mas tambem o dever de considerar-se como 
pioneiro e representante dessas ideias. 

As ideias basicas do movimento Nacional Socialista sao nacionalistas, assim como as ideias 
nacionalistas sao tambem do Partido Nacional Socialista. Para a vitoria do Partido Nacional 
Socialista e preciso que ele adira absolutamente a essas convicgoes. E seu dever e direito 
proclamar, da maneira mais incisiva, que e inadmissfvel qualquer tentativa de representar a ideia 
nacionalista fora dos limites do Partido e que, na maioria dos casos, essa tentativa nao passa de 
embuste. 

Se alguem fizer ao movimento a censura de que o mesmo age, como se tivesse "monopolizado" 
a ideia racista nacionalista, deve-se-Ihe dar apenas a seguinte resposta: Nao so a "monopolizou" 
como a criou para o seu uso. 

O que ate hoje existia, em materia de organizagao partidaria, nao estava em condigoes de 
exercer a menor influencia sobre a sorte do nosso povo, pois a todas as ideias em voga faltava 
uma exteriorizagao clara, um piano uniforme. 

Tratava-se, na maioria dos casos, de nogoes mais ou menos justas, que nao raramente se 
contradiziam e que nenhuma ligagao intima tinham umas com as outras. Mesmo, porem, que 
houvesse a uniao a que nos referimos, essas ideias, por sua fraqueza, nunca teriam sido 
suficientes para, com elas, se organizar um movimento. 

Se hoje, todas as associagoes e pequenos grupos, e ate "grandes partidos" reclamam para si a 
denominagao de nacionalistas, devemos ver nisso a influencia do movimento nacional-socialista. 
Sem a atuagao deste, nunca teria ocorrido a estas organizagoes nem mesmo mencionar a palavra 
nacionalista. Esse qualificativo nada Ihes teria sugerido. Ao mesmo tempo, essa concepgao Ihes 
teria passado indiferente, o NSDAP, isto e, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores 
Alemaes, foi o primeiro a dar um sentido a essa palavra, que hoje tem uma significagao tao vasta e 
que esta na boca de toda gente. Nosso movimento demonstrou, de maneira tao eloquente, a forga 
da ideia nacionalista, que a ambigao esta forgando os outros partidos pelo menos a pretenderem 
possuir aspiragoes iguais. 

Porque eles poem tudo o servigo de suas pequenas especulagoes eleitorais, a concepgao 
nacionalista racista nao passou de um estribilho oco, superficial, com o qual os partidos tentam 
rivalizar com a forga criadora do movimento nacionalista-socialista. 

So a preocupagao de sua propria subsistencia e o receio da prosperidade de um movimento 
que se faz em torno de uma nova concepgao do mundo, cuja significagao eles compreenderam 
assim como o perigo de seu espirito exclusivista, obriga-os a usar essa palavra que ha oito anos 
eles nao conheciam, ha sete levavam a ridiculo, ha seis apontavam como uma insensatez, ha 
cinco combatiam, ha quatro odiavam, ha tres perseguiam, e so ha dois anexaram ao resto do seu 
vocabulario, para emprega-la como grito de guerra. 

Ainda hoje mesmo, e facil demonstrar que todos esses partidos nao tem a menor ideia do que e 
preciso ao povo alemao. A prova mais evidente disso e a superficialidade com que compreendem 
a palavra "nacionalista". 

Nao menos perigosos sao os partidos que se agitam em torno de ideias aparentemente 
nacionalistas, fazem pianos fantasticos, apoiados apenas em ideias fixas que, em si mesmas, 
podem ser justas, mas, no seu isolamento, nao tem nenhuma significagao para uma luta continua 



em favor da coletividade e, muito menos, para a construgao de urn novo estado de coisas. 

Essa gente, que fabrica urn programa de ideias proprias ou de ideias resultantes de leituras, e 
geralmente mais perigosa do que os inimigos declarados da concepgao nacionalista. 

Na melhor das hipoteses, sao teoricos estereis, mas, na maior parte, palradores que se limitam 
a destruir e que, nao raramente, acreditam que, com suas longas barbas e ademanes ultra- 
germanicos, poderao disfargar a insignificancia espiritual de sua maneira de agir, de sua 
capacidade. 

Em contraposigao a todas essas estereis tentativas, e bom que se rememore o tempo em que o 
novo partido nacional-socialista comegou a sua luta. 

CAPITULO VI - A LUTA NOS PRIMEIROS TEMPOS - A IMPORTANCIA DA 
ORATORIA 

Mai tfnhamos terminado o primeiro grande comicio de 24 de fevereiro de 1920, na sala de 
festas do Hofbrauhaus e ja nos preparavamos para o proximo. Ate aquele momento tinha-se como 
quase impossivel, em uma cidade como IVIunique, fazer um comicio de quinze em quinze dias ou 
mesmo uma vez por mes. No entanto, lamos realizar um grande mitingue por semana! 

Naqueles tempos, faziamo-nos sempre esta angustiosa pergunta: O povo vira as nossas 
reunioes, estara disposto a ouvir-nos? Quanto a mim, ja estava firmemente convencido de que 
uma vez que o povo comparecesse aos mitingues, ai permaneceria e ouviria os oradores com 
atengao. 

No inicio do movimento a sala de festas do Hofbrauhaus de Munique tinha, para nos nacionais- 
socialistas, uma significagao quase sagrada. Todas as semanas all se realizava um comicio, quase 
sempre na mesma sala. A concorrencia era cada vez maior e a assistencia cada vez mais atenta. 
A comegar da questao de saber a quem cabia a responsabilidade na guerra, com que ninguem 
mais se preocupava, ate ao tratado da paz, tudo era discutido, tudo o que de qualquer modo, fosse 
necessario para a agitagao em favor das nossas ideias, da nossa finalidade. Sobretudo a critica do 
tratado de paz despertava grande atengao popular. Quase tudo o que o novo movimento profetizou 
sobre esse assunto, junto as massas, realizou-se depois. Hoje e facil falar ou escrever sobre o 
tratado de paz. Outrora, porem, um comicio popular publico composto, nao de fleumaticos 
burgueses, mas de operarios excitados, e que tivesse por tema o tratado de Versailles, era 
considerado como um ataque a Republica e um sintoma de reacionarismo, e ate mesmo de 
tendencias monarquicas. A primeira proposigao pronunciada por um critico desse tratado era 
invariavelmente recebida com o grito: "E o tratado de Brest-Litowsky?" A gritaria da multidao 
continuava cada vez mais forte ate atingir o auge da violencia, se o orador nao abandonasse a 
ideia de, tentar persuadir as massas. Era de desesperar o espetaculo que entao oferecia o povo! 

O povo nao queria ouvir, nao queria entender que o tratado de Versailles era uma vergonha e 
um oprobrio para a nagao e que esse tratado de paz que nos fora ditado traduzia-se por um 
verdadeiro saque. A obra de destruigao do marxismo, a sua propaganda envenenadora tinha 
cegado o povo. E ninguem se poderia queixar dessa situagao, tao grande era a culpa do lado dos 
dirigentes. Que tinha feito a burguesia para confer essa terrivel desagregagao, contraria-la e. por 
uma melhor e mais inteligente propaganda, abrir o caminho para a verdade Nada, absolutamente 
nada. Nunca encontrei, naqueles tempos, os grandes apostolos de hoje. Talvez estivessem eles 
fazendo conferencias em reunioes familiares, em five o' clock teas ou em outros circulos 
semelhantes. Nao se encontravam nunca no lugar em que deveriam estar, isto e, entre os lobos, 
uivando com eles. 

Eu via claramente que, para o nosso movimento, entao na infancia, a questao da 
responsabilidade da guerra deveria ser liquidada a luz da verdade historica. Foi uma condigao sine 
qua non do exito da nossa causa o ter proporcionado as massas a - compreensao do tratado de 
paz. Como, naqueles tempos, todos viam nessa paz uma vitoria da Democracia, fazia-se 
necessario lutar contra essa ideia e gravar na cabega do povo para sempre o odio contra esse 
tratado, para que, mais tarde, quando essa obra de mentiras, em formas brilhantes, aparecesse na 
sua dura realidade, a lembranga de nossa atitude de outrora servisse para conquistar para nos a 
confianga do povo. Ja naqueles tempos eu tinha tomado a resolugao de, nas importantes questoes 
de principio, nas quais a opiniao publica geral tinha aceito um ponto de vista falso, tomar uma 
atitude contraria, sem preocupagao de popularidade. Q Partido Nacional Socialista nao deve ser 



um esbirro da opiniao publica mas senhor da mesma. 

Em todos OS movimentos ainda em inicio, sobretudo nos mementos em que um adversario mais 
poderoso, com a sua arte de sedugao, conseguiu arrastar o povo a alguma lunatica revolugao ou a 
tomar uma posigao falsa, nota-se uma forte tentagao para agir e gritar com as multidoes, 
especialmente quando ha algumas razoes, mesmo ilusorias, para assim agir do ponto de vista do 
partido. 

A covardia Inumana procura com tanto ardor essas razoes que quase sempre encontrara 
alguma coisa que oferega uma aparencia de justiga para, do seu proprio ponto de vista, colaborar 
em um tal crime. 

Tive ocasiao de observar, algumas vezes, esses casos, em que se faz - necessario desenvolver 
a maxima energia para evitar que a nau do partido nao navegue na corrente geral, ou melhor, nao 
se deixe por ela arrastar. A ultima vez que isso aconteceu foi quando a nossa infernal imprensa, 
que e a Hecuba da nagao alema, conseguiu emprestar a questao do sul do Tirol uma proeminencia 
que tera serias consequencias para a nagao alema. 

Sem refletirem sobre a causa a que estavamos servindo, muitos dos chamados nacionalistas, 
indivfduos, partidos e associagoes, simplesmente com receio da opiniao publica excitada pelos 
judeus, fizeram coro comum com o sentir geral e, idiotamente, deram o seu apoio a luta contra um 
sistema que nos alemaes, especialmente na crise atual, deverfamos ver como uma brilhante 
esperanga nesse momento de corrupgao. Enquanto os judeus internacionais, lenta mas 
firmemente, tentam estrangular-nos, os soi-disants patriotas vociferam contra um homem e um 
sistema .que se tinham aventurado a libertar, pelo menos um trato do planeta, da dominagao dos 
judeus-magons, e a opor as forgas nacionais a esse veneno internacional. Era mais comodo, 
porem, para caracteres fracos, navegar ao sabor dos ventos e capitular ante o clamor da opiniao 
publica. E, de fato, tudo nao passou de uma capitulagao. Podem esses indivfduos, com a falsidade 
e maldade que Ihes e peculiar, nao confessar essa fraqueza, nem mesmo perante a sua propria 
consciencia, mas a verdade e que so por medo e covardia da opiniao publica preparada pelos 
judeus consentiram em colaborar no movimento a que nos referimos. Todas as outras razoes que 
apresentam nao passam de miseraveis subterfugios de quem tem a consciencia do crime 
praticado. 

Tornava-se, pois, necessario, um punho de ferro para dar outra orientagao, a fim de livra-lo dos 
danos ocasionados por essa orientagao. Tentar uma mudanga dessa natureza em um momento 
em que a opiniao publica era excitada sempre no mesmo sentido, por todas as forgas, nao era uma 
missao popular, mas, ao contrario, extremamente perigosa, mesmo para os mais audazes. Nao, e, 
porem, raro na historia que, nestes momentos, indivfduos se deixem lapidar por um gesto que dara 
a posteridade motivos para prostrar-se a seus pes. 

Com esses aplausos da posteridade deve contar todo movimento de grande alcance e nao 
somente com os aplausos dos coevos. Pode acontecer que, nesses momentos, os indivfduos se 
deixem entibiar. Nao devem porem, esquecer de que, depois dessas horas dificeis, vem a 
redengao e de que uma agitagao que pretende renovar o mundo, tem que visar mais o futuro do 
que presente. 

Pode-se constatar facilmente que os maiores sucessos, os de efeitos mais duradouros, na 
historia da humanidade foram, geralmente, de comego, pouco compreendidos e isso porque se 
contrapunham aos pontos de vista e ao gosto da opiniao publica. Isso pudemos verificar nos 
primeiros dias de nossa apresentagao em publico. Nao procuramos conquistar o favor das massas, 
ao contrario fomos de encontro, em tudo, aos desvarios do povo. Quase sempre acontecia, 
naqueles tempos, apresentai--me em reunioes de homens que acreditavam no contrario do que eu 
Ihes queria dizer e queriam o contrario daquilo em que eu acreditava. Nossa missao era, durante 
duas horas, libertar dois a tres mil homens das nogoes erradas que possuiram, por golpes 
sucessivos destruir os fundamentos dos mesmos e, finalmente, atrai-los para as nossas ideias, 
para a nossa doutrina. 

Em pouco tempo aprendi uma coisa importante que consistia em tirar das maos do inimigo as 
armas de defesa. Logo se tornou evidente que os nossos adversaries, sobretudo tratando-se de 
discussoes verbals, sempre se apresentavam com um repertorio certo de argumentos que, 
repentinamente, usavam contra as nossas afirmagoes, de modo que a uniformidade desse 
processo de argumentar proporcionou-nos um treno consciente e de objetivo bem definido. 
Pudemos compreender o espirito de disciplina dos nossos adversaries, na sua propaganda. Hoje 



orgulho-me de ter descoberto os meios nao so de tornar a sua propaganda ineficiente como 
tambem de veneer os seus proprios lideres. Dois anos depois eu era mestre nesta arte. 

Em cada discussao, o importante era ter, de antemao, uma ideia clara da forma e do aspecto 
provaveis dos argumentos que se esperavam por parte dos adversarios e, mencionar, de comego, 
as possiveis objegoes e provar a sua falta de consistencia. Assim o ouvinte, apesar das numerosas 
objegoes que Ihe tinham sido inspiradas, pela destruigao antecipada das mesmas, era facilmente 
conquistado para a causa, desde que fosse um homem bem intencionado. A ligao que Ihe 
ensinavam de cor era abandonada e sua atengao era cada vez mais atraida para a exposigao do 
orador. 

Foi essa a razao por que, depois da minha conferencia sobre o tratado de Versalhes, dirigida as 
tropas, na qualidade de "instrutor", mudei a minha orientagao e comecei a falar sobre os dois 
tratados, de Versalhes e de Brest-Litowsky, o ultimo dos quais antes sempre irritava o auditorio. 
Depois de algum tempo, no decorrer da discussao que se seguiu a primeira conferencia, pude 
afirmar que o povo, na realidade, nada sabia sobre o tratado de Brest-Litowsky e que isso era 
devido a bem sucedida propaganda dos partidos politicos que apontavam esse tratado como um 
dos mais vergonhosos atos de opressao da historia da humanidade. A tenacidade com que essa 
mentira era posta diante dos olhos das grandes massas, deve-se o fato de milhoes de alemaes 
verem no tratado de Versalhes nada mais do que um justo castigo pelo crime que haviamos 
cometido em Brest-Litowsky. Influenciados por essa propaganda, os nossos compatriotas viam 
uma campanha forte contra o tratado de Versalhes como injusta e, freqiJentemente, se irritavam ou 
se enojavam ante qualquer tentativa nesse sentido. 

Foi por isso tambem que o povo se pode acostumar com a impudente e monstruosa palavra 
"reparagao". Por milhoes de nossos compatriotas, iludidos por uma propaganda falsa, essa mentira 
passou a ser vista como um ato de grande justiga. A melhor prova disso esta no exito da 
propaganda que dirigi contra o tratado de Versalhes, campanha que sempre iniciava com uma 
explicagao sobre o tratado de Brest-Litowsky. Durante a argumentagao punha os dois tratados um 
ao lado do outro, comparava-os, ponto por ponto, mostrava que um, na realidade, se inspirava em 
um sentimento generoso, enquanto, ao contrario, o outro se caracterizava por uma crueldade 
desumana. Esse processo de comparagao era coroado do mais completo exito. Muitas vezes, 
discorri, outrora, sobre esse tema, em reunioes de milhares de homens, dos quais a maioria me 
recebia com olhares agressivos. E tres dias depois, tinha diante de mim uma massa agitada pela 
mais sagrada revolta, por uma furia sem limites contra esse tratado. Mais uma vez uma grande 
mentira era desalojada dos cerebros de milhares de homens, e, no lugar do embuste, se instalava 
a verdade. 

Eu considerava como as mais importantes as duas conferencias sobre "As verdadeiras causas 
da Guerra e sobre "Os tratados de Versalhes e Brest-Litowsky". Por isso, repetia-as dezenas de 
vezes sempre com argumentos novos, ate que uma compreensao clara e definida se formasse no 
espirito dos ouvintes, no seio dos quais o nosso movimento granjeava os primeiros adeptos. Esses 
mitingues tiveram para mim ainda a vantagem de transformar-me aos poucos em orador de 
comicios, tendo adquirido o entusiasmo e os gestos que as grandes reunioes populares estimulam. 

Naqueles momentos, como ja afirmei, a nao ser em pequenos circulos, nunca assisti, por 
iniciativa dos partidos, a qualquer explicagao sobre esses tratados, com a orientagao por mim 
adotada. No entanto, hoje, esses partidos enchem a boca com essas ideias e agem como se 
fossem eles que tivessem modificado a opiniao publica. 

Se OS chamados partidos politicos nacionalistas alguma vez fizeram conferencias nesse 
sentido, falavam sempre em cfrculos que ja possuiam as mesmas ideias dos conferencistas, que 
apenas serviam para fortalecer as convicgoes do auditorio. 

Nao acontecia nunca, porem, que, por meio da propaganda, procurassem conquistar a adesao 
dos que, ate entao, por sua educagao e por suas ideias, se mantinham no campo oposto. 

Tambem os folhetos foram postos a servigo da nossa propaganda. Ja no seio da tropa, eu havia 
redigido um folheto fazendo um confronto entre o tratado de Brest-Litowsky e o de Versalhes, o 
qual alcangou uma grande tiragem. Mais tarde, servi-me desse recurso para a propaganda do 
partido. Nesse ponto tambem, a eficiencia se fez sentir. 

Os nossos primeiros mitingues se distinguiam pelo fato de distribuirmos opusculos, boletins, 
jornais e brochuras de toda especie. No entanto, a nossa maior confianga estava na palavra falada. 
E, de fato, a palavra falada, por motivos psicologicos, e a unica forga capaz de provocar grandes 



revoluQoes. 

Em outro capitulo deste livro, ja cheguei a conclusao de que todos os acontecimentos 
importantes, todas as revolugoes mundiais, nao sao jamais fruto da palavra escrita mas, ao 
contrario, sao sempre produzidas pela palavra falada. 

Sobre esse assunto, travou-se, em uma parte da imprensa, longa discussao em que, sobretudo 
entre os nossos espertalhoes da burguesia, se combateu essa afirmagao A razao por que isso 
acontecia era suficiente para destruir os argumentos dos que contraditavam essa verdade, os 
intelectuais burgueses protestavam contra uma tal nogao somente porque visivelmente eles nao 
possuiam forga e capacidade para exercer influencia sobre as massas, por meio da palavra falada. 
Acostumados a agir sempre pela palavra escrita, renunciaram a utilizar a grande forga de agitagao 
que e a palavra falada. 

Esse habito, com o decorrer dos tempos, teve fatalmente o resultado, que hoje verificamos na 
burguesia, isto e, a perda do instinto de atuagao sobre as massas. 

Ao passo que Ihe permite corrigir os seus pontos de vista de acordo com a maneira de 
comportar-se da audiencia, podendo seguir seus argumentos com inteligencia e verificar se as 
suas palavras estao produzindo o efeito desejado, o escritor nenhum contato tem com seus 
leitores. Por isso, o escritor e, de inicio, incapaz de se dirigir a uma multidao definida, com um 
programa em condigoes de arrasta-la e tem que se limitar a argumentos de ordem geral. 

Assim perde ele, ate certo ponto, a fineza necessaria para compreender a psicologia popular e, 
com tempo, a plasticidade indispensavel. E mais freqGente que um brilhante orador consiga ser 
um grande escritor do que vice-versa. 

Releva notar ainda que as massas humanas sao naturalmente preguigosas, e, por isso, 
inclinadas a conservar os seus antigos habitos. Raramente, por impulso proprio, procuram ler 
qualquer coisa que nao corresponda as ideias que ja possuem ou que nao encerre aquilo que 
esperam encontrar. Assim sendo, um escrito que visa um determinado fim, na maioria dos casos, 
so e lido por aqueles que ja possuem a mesma orientagao do autor. Mais eficiente e um boletim ou 
um folheto. Justamente por serem curtos, de leitura facil, podem despertar a atengao do 
antagonista, durante um momento. 

Grandes possibilidades possui a imagem sob todas as suas formas, desde as mais simples 
ate ao cinema. Nesse caso, os individuos nao sao obrigados a um trabalho mental. Basta olhar, ler 
pequenos textos. Muitos preferirao uma representagao por imagens a leitura de um longo escrito. A 
imagem proporciona mais rapidamente, quase de um goipe de vista, a compreensao de um fato a 
que, por meio de escritos, so se chegaria depois de enfadonha leitura. 

O mais importante e que o escritor nunca sabe em que meios vao parar as suas produgoes e 
quem vai aceitar as suas ideias, A atuagao do propagandista sera em geral tanto mais eficiente 
quanto melhor as nogoes propagadas correspondam ao nivel intelectual e ao modo de vida dos 
leitores. Um livro que e destinado as grandes massas deve, em primeiro lugar, esforgar-se por 
adotar um estilo e uma elevagao inteiramente diversos de outro que se dirige as altas camadas 
intelectuais. So com essa capacidade de adaptagao pode a palavra escrita aproximar-se, nos seus 
efeitos, da palavra falada. 

Suponhamos que o orador trate do mesmo assunto explanado em um livro. Se ele e um grande 
e genial orador, nao precisa repetir o mesmo assunto, duas vezes, da mesma maneira. Ele se 
identificara tanto com as massas que as palavras de que precisa fluem naturalmente de modo a 
tocar coragao do auditorio. Quando se empenha em um caminho errado, tem a oportunidade de 
corrigir-se, ate mesmo, no seio da multidao. Na fisionomia dos ouvintes podera ele observar, 
primeiro, se esta sendo compreendido, segundo, se todos os ouvintes podem acompanha-lo, 
terceiro, se estao persuadidos da justeza do que Ihes apresenta. 

Na hipotese de verificar que nao esta sendo compreendido, procedera a uma explicagao tao 
Clara, tao simples, que todos a aceitarao. Se sentir que o auditorio nao pode acompanha-lo em 
todos OS seus raciocinios, ele, entao, expora suas ideias lenta e cuidadosamente, ate que os 
espiritos intelectualmente mais fracos possam apanha-las. Se compreender que os ouvintes nao 
estao convencidos da corregao de seus argumentos, repeti-los-a tantas vezes quantas forem 
necessarias, aduzindo sempre novos argumentos e fazendo ele mesmo as objegoes que julga 
estarem no espirito do auditorio. Continuara assim ate que o ultimo grupo de oposigao demonstre, 
pela sua maneira de portar-se e por sua fisionomia, que capitulou ante os raciocinios 
apresentados. 



Nao raramente surge o caso da existencia de poderosos preconceitos, que nao vem da razao, 
mas ao contrario, sao na maior parte, inconscientes e com base apenas nos sentimentos. E mil 
vezes mais dificil transpor essa barreira de repulsa instintiva, de odio ou de preconceitos negativos, 
do que corrigir uma nogao errada ou incorreta- A ignorancia, falsas concepgoes podem ser 
removidas por argumentos, a obstrugao oriunda do sentimento, nunca. So um apelo a essas forgas 
ocultas pode ser bem sucedido nesse caso. Isso e quase impossivel para um escritor. So um 
orador pode ter esperangas de consegui-lo. 

A prova mais evidente disso esta no fato de a imprensa burguesa apesar de sua grande 
Inabilidade, apesar de espalhar-se por milhoes de exemplares, nao ter podido evitar que justamente 
as massas se constituissem nos maiores inimigos do mundo burgues. A aluviao de jornais e de 
livros que, todos os anos, produzem os intelectuais, escorre, entre milhoes de alemaes das 
camadas inferiores, como agua sobre pele untada de oleo. 

Esse fato pode provar duas teses: ou o erro do conteudo de todas essas produgoes escritas ou 
a impossibilidade de atingir o coragao das massas, so pela palavra escrita, sobretudo quando essa 
palavra escrita nao esta de acordo com a psicologia coletiva, como e o caso entre nos. 

Nao se objete (como o tentou um grande jornal nacionalista de Berlim) que o marxismo, com os 
seus escritos, sobretudo pela atuagao da obra fundamental de Karl Marx, oferece uma prova em 
contrario dessa afirmagao. 

A forga que deu ao marxismo a sua espantosa influencia sobre as massas nao foi a obra 
intelectual preparada pelos judeus, mas sim a formidavel propaganda oral que inundou a nagao, 
acabando pela dominagao das camadas populares. De cem mil proletarios alemaes nao se tiram 
talvez Cem que conhegam a obra de Marx, que era estudada, mil vezes mais, pelos intelectuais, 
especialmente os judeus, do que por genuinos adeptos do movimento, nas classes inferiores. Esse 
livro foi escrito para o povo mas exclusivamente para os lideres intelectuais da maquina que os 
judeus montaram para a conquista do mundo, A agitagao foi dirigida com material de outra 
especie, isto e, com a imprensa. Nisso esta a diferenga entre a imprensa marxista e a burguesa. 
Os jornais marxistas eram redigidos por agitadores, enquanto a imprensa burguesa preferiu dirigir 
a sua agitagao atraves de escritores. 

O redator clandestino social-democrata, que quase sempre sal dos locals de reuniao para as 
redagoes, conhece a sua gente melhor do que ninguem. O escrevinhador burgues, que sal do seu 
escritorio para p6r-se em contato com o povo, cai doente so em sentir o cheiro das massas e, por 
isso, fica impotente em face delas, com a sua palavra escrita. 

O que fez com que o marxismo conquistasse milhoes de trabalhadores foi menos a maneira de 
escrever dos papas marxistas do que a infatigavel e verdadeiramente poderosa propaganda de 
cem mil incansaveis agitadores, a comegar dos apostolos da primeira fila ate aos pequenos 
empregados de fabrica e aos oradores populares. Foi nas centenas de milhares de reunioes, nas 
salas contaminadas de fumo das estalagens, que os oradores martelavam as suas ideias na 
cabega do povo, obtendo um conhecimento fabuloso do material humano, que o marxismo 
aprendia a usar as armas adequadas para conquistar a opiniao publica. 

A vitoria do marxismo foi tambem devida as formidaveis demonstragoes coletivas, aqueles 
cortejos de centenas de milhares de homens, perante os quais os individuos se Julgavam 
mesquinhos vermes, mas, nao obstante isso, orgulhavam-se de pertencer a gigantesca 
organizagao, ao sopro da qual o odiado mundo burgues poderia ser incendiado, permitindo a 
ditadura proletaria festejar a sua vitoria final. 

Dessa propaganda vem os homens que estavam preparados a ler a imprensa social- 
democratica, imprensa que nao e escrita mas falada. Enquanto, no campo burgues, professores e 
exegetas, teoricos e escritores de todas as nuances tentaram a tribuna, os oradores marxistas 
tambem se dedicaram a produgao de trabalhos escritos. Sobretudo o judeu, que, nesses assuntos, 
nao deve ser perdido de vistas, sera, gragas a sua dialetica mentirosa e a sua maleabilidade, mais 
afeigoado a oratoria do que a palavra escrita. 

Essa e a razao por que os burgueses (pondo-se de parte o fato de que estavam em grande 
maioria influenciados pelos judeus e nao tinham nenhum interesses em instruir a coletividade) nao 
puderam exercer a menor influencia sobre a grande massa do povo. 

De como e dificil destruir preconceitos, impressoes e sentimentos e substitui-los por outros, que 
dependem de influencias e condigoes imprevisiveis, so o orador, que sente a alma popular, pode 
fazer uma ideia. A mesma conferencia, o mesmo orador, o mesmo tema, produzem efeitos, as dez 



horas da manha, diferentes dos que se pode obter as tres horas da tarde ou a noite. Eu mesmo, 
como principiante, tentei fazer reunioes a tarde e lembro-me muito bem de uma demonstragao que, 
como "protesto contra a opressao nas nossas fronteiras", fizemos no Kindl-Keller de Munique. Era 
a mais vasta sala da cidade e o risco em que incorriamos parecia acima de nossas forgas. Para 
facilitar a presenga dos nossos adeptos e de todos que quisessem na mesma tomar parte, marquei 
a reuniao para as dez horas da manha de um domingo. A expectativa era de ansiedade, que logo 
se transformou em uma ligao das mais instrutivas: a sala encheu-se, a impressao era de vitoria, 
mas notava-se a mais fria disposigao por parte do auditorio. Ninguem se inflamava. Eu mesmo, 
como orador, sentia-me infeliz, nao conseguia estabelecer ligagao com os ouvintes. Alias, eu 
estava convencido de que nao tinha falado mal, mas, nao obstante isso, o efeito da conferencia foi 
nulo. Descontente, apesar de ter adquirido mais uma experiencia, deixei a sala de reunioes. Outras 
provas que eu, mais tarde, tentei, tiveram o mesmo resultado. 

Isso nao deve causar admiragao a ninguem. Quem for assistir a uma representagao teatral as 
tres horas da tarde e depois assistir a mesma pega as oito horas da noite ficara surpreendido com 
a diferenga de impressoes! Qualquer individuo de sentimentos delicados e de capacidade artistica 
para compreender esse estado de espirito, podera logo constatar que a impressao causada pela 
representagao a tarde nao se pode comparar com a mesma da noite. O mesmo acontece com o 
cinematografo. Essa ultima observagao e importante, porque poder-se-ia dizer que, durante o dia, 
OS artistas de teatro nao desenvolvem o mesmo esforgo que durante a noite. 

Quanto ao filme, a situagao e a mesma, tanto de noite como de dia. A razao e que e o proprio 
tempo que provoca a alteragao, tal como acontece comigo em relagao ao lugar. Ha lugares que 
provocam frieza, por motivos que, dificilmente, se podem avaliar, e onde toda tentativa de afinagao 
com povo encontra a mais firme resistencia. As recordagoes e representagoes do passado, 
presentes ao espirito dos homens tambem podem criar uma certa impressao. Assim uma 
representagao de Parsifal em Bayreuth produzira uma impressao diferente da que se tera em 
qualquer outra parte do mundo. O mistico encanto da casa de Fest-spielhugel da cidade dos 
antigos margraves nao pode ser substituido nem sobrepujado. 

Em todos OS casos, trata-se de uma diminuigao do livre arbitrio do homem. Isso e mais 
verdadeiro ainda quando se trata de assembleias nas quais os individuos possuem pontos de vista 
opostos. Pela manha e mesmo durante o dia, a forga de vontade das pessoas parece resistir 
melhor, com mais energia, contra a tentativa de impor-se-lhes uma vontade estranha. A noite, 
deixam-se veneer mais facilmente pela forga dominadora de uma vontade forte. Na realidade, em 
cada uma dessas reunioes ha uma luta de duas forgas opostas. A superioridade de um verdadeiro 
apostolo, quanto a eloqiJencia, tornar-lhe-ia mais facil o exito da conquista, para o novo credo de 
adeptos que ja sofreram uma diminuigao na sua capacidade de resistencia. Visa ao mesmo 
objetivo a misteriosa e artistica hora do angelus da igreja catolica, com suas luzes, seu incenso, 
turfbulos, etc. 

Nessa luta do orador com o adversario que se quer convencer, adquire este, pouco a pouco, 
um espirito de combatividade que quase sempre falta ao escritor. 

Dai resulta que as produgoes escritas, na sua limitada eficiencia, prestam-se melhor a 
conservagao, fortalecimento e aprofundamento de um ponto de vista ja existente. Todas as 
grandes modificagoes historicas foram devidas a palavra falada e nao a escrita. 

Nao se acredite por um momento que a Revolugao Francesa se realizou por forga de teorias 
filosoficas. Ela teria fracassado se nao contasse com um exercito de demagogos de alto estilo, que 
despertaram as paixoes do povo martirizado, a ponto de provocar a terrfvel erupgao que deixou a 
Europa transida de pavor. 

A mesma explicagao tem a maior revolugao de nossos dias, a revolugao comunista da Russia. 
Essa nao foi consequencia dos escritos de Lenine, mas da eficiencia oratoria de grandes e 
pequenos oradores, que desenvolveram o odio das massas contra a situagao existente. Um povo 
de analfabetos nao seria arrastado nunca a uma revolugao comunista pela leitura de um teorico 
como Karl Marx, mas sim pelos milhares de agitadores que, a servigo de uma ideia, discursavam 
para o povo. 

Isso foi e ha de ser sempre assim. 

Os nossos intelectuais, na sua ignorancia das realidades, chegam a acreditar que um escritor e, 
forgosamente, superior em inteligencia a um orador. 

Esse ponto de vista e deliciosamente ilustrado em um artigo de certo jornal nacionalista, em que 



se afirma que geralmente se sente uma desilusao quando se le um discurso de um grande orador, 
por todos admirado como tal. 

Lembro-me de outra critica que me veio as maos durante a Guerra. O jornal pegou os discursos 
de Lloyd George, entao ministro das munigoes, examinou-os, nos menores detalhes, para chegar a 
brilhante conclusao de que esses discursos revelavam inferioridade intelectual, ignorancia e 
banalidade. Obtive alguns desses discursos enfeixados em um pequeno volume e nao pude deixar 
de rir, ao pensar que o escrevinhador nao conseguiu compreender a influencia que essas obras- 
primas exercem sobre a opiniao publica. O tal escrevinhador julgou esses discursos somente pela 
impressao que os mesmos causavam no seu espirito blase, ao passo que o grande demagogo 
ingles tinha obtido um efeito imenso no seu auditorio e em todas as camadas inferiores da 
populagao britanica. 

Examinados por esse prisma, os discursos de Lloyd George eram produgoes admiraveis, pois 
revelavam um grande conhecimento da psicologia das massas. Sua atuagao no espirito do povo 
foi decisiva. 

Comparem-se os discursos de Lloyd George com os discursos futeis, gaguejados por um 
Bethmann-Hollveg! Talvez as oragoes do ultimo sejam superiores sob o ponto de vista intelectual, 
mas demonstram a incapacidade do seu autor para falar a nagao que ele nao conhecia. 

Que Lloyd George era superior a Bethmann-Hollveg prova-o o fato de ser a forma dada aos 
seus discursos em moldes capazes de falar ao coragao do seu povo e faze-lo obedecer a sua 
vontade. A simplicidade das suas oragoes, a forma de expressao, a escoiha de ilustragoes simples, 
de facil compreensao, sao provas evidentes da extraordinaria capacidade politica de Lloyd George. 

O discurso de um estadista, falando ao seu povo, nao deve ser avaliado pela impressao que o 
mesmo provoca no espfrito de um professor de Universidade, mas no efeito que produz sobre as 
massas. 

So por esse criterio e que se pode medir a genialidade de um orador. 

O admiravel progresso do nosso movimento que, ha poucos anos, se originara do nada, e hoje 
e um movimento de valor, perseguido por todos os inimigos infernos e externos do povo. deve-se 
ao fato de sempre ter sido tomada em consideragao aquela verdade. 

Por mais importante que seja a produgao escrita do movimento, ela tera sempre mais valor para 
a formagao intelectual dos grandes e pequenos lideres, em um piano unico, do que para a 
conquista das massas colocadas em pontos de vista contrarios. So em casos excepcionalissimos, 
um social-democrata convencido ou um fanatico comunista condescendera em adquirir uma 
brochura ou mesmo um livro nacional-socialista para le-los e dai formar uma ideia sobre a nossa 
doutrina ou para estudar a critica as suas convicgoes. Os jornais raramente sao lidos quando nao 
trazem bem claro o sinete do partido a que pertence o leitor. Alem disso, a leitura de um exemplar 
de jornal pouco adianta. A sua atuagao e de tal modo dispersiva que da mesma nenhuma 
influencia digna de nota se pode esperar. Nao se pode e nao se deve exigir de ninguem, sobretudo 
daqueles para os quais um pfening e muito dinheiro, que assinem jornais inimigos, so pelo desejo 
de obter esclarecimento sobre os fatos. Isso talvez nao acontega em um caso sobre dez mil. Quem 
ja aderiu a uma causa lera naturalmente o jornal do seu partido para se por ao par das noticias do 
movimento em que esta empenhado. 

O contrario acontece com o boletim. Uma ou outra pessoa toma-lo-a nas maos, sobretudo 
quando o mesmo e distribuido gratuitamente. Isso acontece mais freqGentemente ainda quando, ja 
na epigrafe, se anuncia a discussao de um tema que esta na boca de todos. 

Depois da leitura de alguns desses boletins, o leitor talvez seja conquistado aos novos pontos 
de vista ou pelo menos tera a sua atengao despertada para o novo movimento. Mesmo na hipotese 
mais favoravel, so se conseguira, por esse meio, um ligeiro impulso e nunca uma situagao 
definitiva, isso so se obtera com os comicios populares. 

Os comicios populares sao necessarios, justamente porque neles o individuo que se sente 
inclinado a tomar parte em um movimento mas receia ficar isolado, recebe, pela primeira vez, a 
impressao de uma coletividade maior, o que provoca, na maior parte dos espiritos, um estimulo e 
um encorajamento. 

O mesmo homem que, nas fileiras de sua companhia ou do seu batalhao, entra na luta de todo 
coragao, nao o faria se estivesse sozinho. Na companhia sente-se como protegido, mesmo quando 
milhares de razoes houvesse em contrario. O carater coletivo nas grandes manifestagoes nao so 
fortalece o individuo, como estabelece a uniao e concorre para a formagao do espirito de classe. 



O homem que se inicia em uma nova doutrina e que, na sua empresa ou na sua oficina sofre 
opressoes, precisa de fortalecer-se pela convicgao de que e um membro e um lutador dentro de 
uma grande coletividade. Essa impressao ele recebe apenas nas manifestagoes coletivas. 

Quando ele sai de sua pequena oficina ou da sua grande fabrica, onde se sente infinitamente 
pequeno, e, pela primeira vez, entra em um comicio, e ai encontra milhares e milhares de pessoas 
com as mesmas ideias que as suas, quando e arrastado pela forga sugestiva do entusiasmo de 
tres a quatro mil pessoas, quando o exito visivel da causa e a unanimidade de opinioes Ihe dao a 
convicgao da justeza do novo movimento e Ihe despertam a duvida sobre a verdade de suas 
antigas ideias, entao estara sob a influencia do que poderemos designar por estas palavras - 
sugestao das massas. A vontade, os anseios, tambem a forga, de milhares, acumulam-se em cada 
pessoa. 

O individuo que entrou para o comicio vacilando, envolvido em duvidas, dali sai firmemente 
fortalecido. Tornou-se membro de uma coletividade. 

O movimento nacional-socialista nunca se deve esquecer disso e nao se deve nunca deixar 
influenciar por esses patetas burgueses que sabem tudo mas nem por isso deixaram ir a ruina um 
grande Estado e perderam ate a diregao da propria classe. Eles sao extraordinariamente 
inteligentes, sabem tudo, entendem tudo, so uma coisa eles nao entenderam, isto e, nao puderam 
impedir que o povo alemao caisse nas garras do marxismo. Nisso eles fracassaram da maneira 
mais deploravel. A sua presungao atual e pura ignorancia. E sabido que o orgulho anda sempre de 
par com a estupidez. 

Quando esses individuos se recusam a emprestar qualquer valor a palavra falada, assim agem 
simplesmente porque, gragas a Deus, estao convencidos da ineficiencia do seu palavreado oco. 

CAPITULO VII - A LUTA COM A FRENTE VERMELHA 

Em 1919/20 e tambem em 1921, assisti pessoalmente a algumas das chamadas "assembleias 
burguesas". A impressao que delas guardei, foi sempre a mesma, que me causava, na minha 
juventude, a colher obrigatoria de oleo de figado de bacalhau. Tem que ser engolida, deve fazer 
muito bem, mas o gosto e detestavel! Se fosse possivel amarrar com cordas todo o povo alemao, 
arrastando-o a forga para essas manifestagoes publicas, trancando as portas para nao deixar sair 
um so, ate o fim da representagao, talvez ao cabo de alguns seculos tudo isso desse algum 
resultado. Alias devo confessar abertamente, que se isso acontecesse, eu nao teria mais prazer na 
vida, preferindo ate nao ser mais nem alemao. Nao sendo isso possivel - gragas a Deus - ninguem 
se deve admirar de que o povo sadio e nao corrompido evitasse as tais "assembleias de grandes 
multidoes burguesas", como o diabo foge da agua benta. 

Cheguei a conhecer, muito bem, esses profetas de uma doutrina burguesa, e, por isso, nao me 
causa a menor surpresa, sendo ate compreensivel, que eles nao atribuam a, minima significagao a 
palavra falada. Naquele tempo, assisti a reunioes de Democratas, de Nacionais-Alemaes, do 
Partido Popular Alemao, e tambem do Partido Popular da Baviera (Centro Bavaro). O fato que em 
todas elas chamava logo atengao era a homogeneidade do auditorio. Quase sempre, os que 
tomavam parte em tais manifestagoes, so eram os membros dos partidos. Sem disciplina alguma, 
conjunto se assemelhava mais a um clube de jogadores de cartas, que ja esta com sono, do que 
a assembleia de um povo que acabava de passar por sua maior revolugao. Para conservar esta 
atmosfera de paz, os oradores faziam tudo o que estava na medida de suas forgas. Falavam, ou 
melhor. Ham discursos que mais pareciam artigos de jornal ou dissertagoes cientificas, evitando 
toda palavra mais grosseira, aplicando, aqui e all, algum insulso gracejo professoral que fazia rir, 
de uma maneira forgada, a dignissima mesa da Diretoria. Se bem que nao rissem 
estrondosamente, ja era convidativo esse riso, abafado com distingao e reserva! 

E so essa mesa presidencialM! 

Uma vez assisti a uma reuniao na "Sala Wagner", em Munique. Era uma manifestagao por 
ocasiao do aniversario da grande bataiha de Leipzig. O discurso foi proferido ou lido por um 
respeitavel senhor de idade, professor em uma universidade qualquer. A diretoria ocupava o 
estrado; a esquerda, um monoculo, a direita, um monoculo, entre os dois, um "sem monoculo", 
Todos tres vestiam sobrecasaca, o que dava a impressao de se estar, ou em um tribunal, que se 
prepara a uma execugao, ou em um batizado festive; enfim, em um ato de solenidade religiosa. O 
tal discurso, que, escrito, talvez pudesse ter dado uma impressao sofrfvel produziu um efeito 



verdadeiramente deploravel. Passados tres quartos de hora, ja a assembleia cochilava, em uma 
especie de estado de transe, interrompido somente pela saida de um ou outro homem ou melhor, 
pelo barulho de pratos das copeiras e os bocejos de ouvintes, em numero sempre crescente. Tres 
operarios, que assistiam a reuniao, por curiosidade ou sob encomenda, olhavam-se, de quando em 
vez, com uma careta mal dissimulada, acotovelando-se, por fim, antes de sairem bem 
devagarinho. Atras deles estava eu. Via-se que, de modo algum, queriam incomodar, precaugao 
francamente superflua em uma tal assembleia. Afinal, parecia esta aproximar-se do termo. Depois 
de concluida a conferencia do professor, cuja voz se fora tornando cada vez mais fraca, ergueu-se 
lider da tal sessao, exprimindo, em frases bombasticas, sua gratidao aos "irmaos e irmas" 
alemaes all reunidos e sugerindo a atitude que eles deveriam tomar diante do extraordinario e 
magnifico discurso do Sr. Professor X., feito com a maxima profundeza e grande conhecimento do 
assunto, tendo sido verdadeiramente "um acontecimento vivido", sim "uma agao cristalizada na 
palavra". Acrescentar ainda uma discussao a essas luminosas dissertagoes, significaria uma 
profanagao desta hora sagrada. De acordo com todos os presentes, desistia ele, por conseguinte, 
de continuar a falar, pedindo a todos, porem, que se levantassem, entoando o brado de: "Nos 
somos um povo de irmaos unidos", etc. Para terminar a sessao, foram todos convidados a entoar a 
"cangao da Alemanha". 

Cantaram, entao. A minha impressao era que, ja na segunda estrofe, as vozes diminuiam, so se 
avolumando muito no estribilho: na terceira, a mesma impressao aumentou tanto, que cheguei a 
duvidar se todos saberiam bem de cor, o que estavam cantando. 

No entanto, que coisa empolgante, quando semelhante cangao jorra, com todo o fervor, do 
fundo da alma de um alemao nacionalista! 

Depois disso, dispersou-se a reuniao, isto e: todos tinham pressa de sair, uns para beberem 
cerveja, outros para tomarem cafe, outros ainda para passearem. Era o anseio geral! 

Para fora, para o ar livre, para fora! Minha vontade era de fazer o mesmo, E isso deve servir a 
maior gloria de uma luta heroica de centenas e milhares de Prussianos e Alemaes? Raios os 
partam ! 

So governo pode com efeito gostar de tais coisas! Naturalmente, isso e o que se pode chamar 
uma assembleia "pacffica". O Ministro nao precisa recear a perturbagao da paz e da ordem ou que 
as ondas do entusiasmo possam fazer transbordar subitamente a medida da conveniencia 
burguesa ou que, levado pelo entusiasmo, o povo se precipite fora da sala, nao para o cafe ou 
pare a taberna mas sim para marchar, quatro a quatro, pelas ruas da cidade cantando "urra a 
Alemanha" e incomodando assim uma policia, que deseja descansar. Nao! Com tais cidadaos, o 
Estado pode se dar por satisfeito. 

Ao contrario destas, as assembleias nacionais-socialistas nada tinham de "pacificas". Ai, as 
ondas de duas doutrinas quebravam-se de encontro uma a outra, nao terminando com cantos 
patrioticos sem significagao e sim cem a irrupgao fanatica de paixoes populares. Desde o principio, 
a introdugao da disciplina cega e a garantia da autoridade da diregao imp6s-se nas nossas 
assembleias como uma condigao das mais importantes, pois os nossos discursos nao eram 
comparaveis ao falatorio desenxabido de qualquer orador "burgues", mas, ao contrario, 
apropriados, pelo conteudo e pela forma, a provocar a replica do adversario. 

E quantos e que sorte de adversarios havia nas nossas reunioes! Quantas vezes entravam 
instigadores na sala, em numero' avultado, no meio deles alguns especialmente designados, 
lendo-se em todos os semblantes a convicgao: "Hoje acabamos com voces"! Sim, quantas vezes 
nossos amigos vermelhos compareciam ate all, em colunas cerradas, com a missao bem delineada 
de dispersar aquilo tudo na mesma noite, a forga de pancada, pondo um fim aquela historia, E 
quantas vezes esteve tudo perto disso mesmo! As intengoes do adversario foram aniquiladas 
apenas pela energia ferrea de nossos lideres e pelas medidas brutais de nossa policia defensiva. 

E eles tinham toda a razao de se sentir irritados. 

So a cor vermeiha dos nossos cartazes fazia com que eles afluissem as nossas salas de 
reuniao. A burguesia mostrava-se horrorizada por nos termos tambem recorrido a cor vermeiha dos 
bolchevistas, suspeitando, atras disso, alguma atitude ambigua. Os espiritos nacionalistas da 
Alemanha cochichavam uns aos outros a mesma suspeita, de que, no fundo, nao eramos senao 
uma especie de marxistas, talvez simplesmente mascarados marxistas ou, melhor, socialistas. A 
diferenga entre marxismo e socialismo ate hoje ainda nao entrou nessas cabegas. Especialmente, 
quando se descobriu, que, nas nossas assembleias, tfnhamos por principio nao usar os termos 



"Senhores e Senhoras" mas "Companheiros e Companheiras", so considerando entre nos o 
coleguismo de partido, o fantasma marxista surgiu claramente diante de muitos adversaries 
nossos. Quantas boas gargalhadas demos a custa desses idiotas e poltroes burgueses, nas suas 
tentativas de decifrarem o enigma da nossa origem, nossas intengoes e nossa finalidade! 

A cor vermeiha de nossos cartazes foi por nos escollnida, apos reflexao exata e profunda, com o 
fito de excitar a Esquerda, de revolta-la e induzi-la a freqiJentar nossas assembleias; isso tudo nem 
que fosse so para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente. 

Era delicioso seguir naqueles anos a falta de iniciativa e de recursos dos nossos adversarios, 
pela sua tatica eternamente vacilante. Primeiro, incitavam os seus adeptos a nao nos darem a 
menor atengao, evitando as nossas reunioes, conselhos alias geralmente seguidas. 

Como, porem, no decorrer do tempo, alguns apareciam isoladamente, aumentando lentamente, 
mas cada vez mais, o numero, e a impressao deixada pela nossa doutrina era manifesta, os chefes 
iam ficando nervosos e inquietos, afincando-se na convicgao de que esta evolugao nao deveria 
continuar a prolongar-se, devendo-se-Ihe dar um paradeiro, por um sistema de terror. 

Depois disso, houve convites aos "Proletarios conscientes de sua classe", para assistirem, em 
massas compactas, as nossas assembleias, a fim de atacar "as intrigas monarquicas, 
reacionarias", entre seus representantes, com os punhos cerrados do Proletariado. 

De repente, nossas reunioes comegaram a ficar repletas de operarios, tres quartos de hora 
antes de comegarem. Assemelhavam-se ao barril de polvora, que podia a cada instante voar pelos 
ares, e sob o qual ja se via arder a mecha, Acontecia, entretanto, sempre o contrario. Esses 
operarios entravam como inimigos e, ao safrem, se ja nao eram adeptos nossos, pelo menos 
submetiam sua propria doutrina a um exame refletido e critico. Pouco a pouco, depois de uma 
conferencia minha, que durou tres horas, adeptos e adversarios chegaram a fundir-se em uma so 
massa chela de entusiasmo. Toda tentativa para dispersar a nossa assembleia tornou-se debalde. 
Os chefes adversarios comegavam francamente a ter medo, voltando-se novamente para os 
antigos adversarios desta tatica e que agora apontavam, com uma certa aparencia de razao para 
sua opiniao, e que consistia em vedar categoricamente ao operario a frequentagao das nossas 
reunioes. 

Nesse ponto, parou ou, pelo menos, diminuiu a freqiJencia. Ao cabo de pouco tempo, 
recomegou, porem, o mesmo jogo. 

Nao se observava a proibigao, os correligionarios deles compareciam cada vez mais, triunfando, 
por fim, OS partidarios da tatica radicalista. Nos estavamos destinados a saltar pelos ares. 

Quando, depois de varias reunioes, descobriu-se que uma dispersao, por meio de bombas, era 
mais facil em teoria do que na pratica, e que o resultado de cada reuniao era um esfacelamento 
das tropas rubras de combate, elevou-se subitamente outro grito: "Proletarios, companheiros e 
companheiras! Evitai as Assembleias dos Instigadores Nacionais Socialistas!" Na imprensa 
"vermeiha" encontrava-se a mesma tatica, eternamente vacilante, Experimentavam matar-nos pelo 
silencio e acabavam convencidos da inutilidade desta tentativa, voltando a tomar medidas 
contrarias. To. dos os dias, eramos "citados" em todas as oportunidades e, quase sempre, com o 
fim de fazer ver ao operario o ridfculo da nossa existencia. Passado algum tempo, os tais senhores 
tiveram que sentir, entretanto, nao so a inocuidade como ate a utilidade de tal iniciativa. 
Naturalmente, alguns deles faziam a si proprios a pergunta: "Para que perder tantas palavras com 
uma coisa, que nao passa de uma ficgao ridfcula?" A curiosidade popular crescia. Neste Interim, 
operou-se uma reviravolta e comegamos a ser tratados como verdadeiros malfeitores da 
humanidade, Choviam artigos sobre artigos, com explanagao e provas sempre renovadas a 
respeito das nossas intengoes criminosas, historias escandalosas, se bem que bordadas a 
vontade, de comego ao fim. Isso tudo devia servir de complemento ao que precedeu. Todavia, ja 
em pouco tempo parecia ter sido tirada a prova da ineficacia desses ataques. 

Na realidade tudo isto so servia a contribuir para que a atengao geral se concentrasse sobre 
nos, ainda mais do que dantes. 

Minha atitude naquela epoca foi a seguinte: ficar indiferente a troga ou ao insulto, a ser 
apontado como palhago, bobo ou como criminoso, o que me importava e que fossemos citados, 
que a opiniao publica se ocupasse conosco e que aos poucos aparecessemos, diante do 
operariado, como sendo o unico poder, com o qual ainda era possivel haver discussao. O que 
realmente somos e tencionamos realizar ainda chegaremos a demonstrar, um belo dia, a corja da 
"imprensa judaica". 



Foi devido a covardia, francamente incrivel, dos chefes da oposigao, que, naquela ocasiao, nao 
houve quase um so ataque direto contra as nossas assembleias. Em todos os casos criticos, 
mandavam na frente alguns toleiroes, que o mais que faziam era espreitarem fora das salas o 
resultado da explosao! 

Quase sempre viviamos bem informados sobre as intengoes desses cavalheiros, nao so por 
termos, no meio dos blocos vermelhos, muitos correligionarios, para servirem nossas 
conveniencias, como tambem por causa da tagarelice dos proprios manejadores do partido 
vermelho. Nesse caso, isso nos foi de grande utilidade, embora nao deixe de ser um defeito 
infelizmente muito disseminado entre o povo alemao. Nao podiam eles ficar sossegados, quando 
tinham uma noticia nova; costumavam, a maior parte das vezes, cacarejar, antes mesmo de por o 
ovo. Quantas e quantas vezes ja tinhamos feito os preparativos mais importantes, sem que os 
comandantes rubros do corpo de bombardeio o suspeitassem, nem de leve. 

Esse tempo nos forgou a tomar a peito, por nossa conta, a protegao das nossas assembleias. 
Com a garantia das autoridades nao Ina quem possa contar; ao contrario, esta provado que ela so 
beneficia os perturbadores da ordem. Em materia de intervengao de autoridades, pode-se 
assinalar, como unico resultado efetivo, a dissolugao e, portanto, o encerramento da assembleia, E 
nao era outra a finalidade nem a intengao dos desordeiros adversarios. 

De um modo geral, formou-se, na Policia, um habito, que representa a maior monstruosidade 
imaginavel em materia de atentado aos direitos humanos. Quando a autoridade, por meio de 
qualquer ameaga, e advertida que uma Assembleia corre o perigo de ser atacada, em vez de 
prender os ameagadores, proibe aos outros - aos inocentes - a entrada na sala - medida esta, que 
ainda por cima, enche de orgulho o espirito comum da nossa Policia. Isto, no seu modo de ver, 
representa uma medida preventiva para impedir qualquer infragao "as leis". 

Q bandido resoluto, por conseguinte, dispoe, a toda hora, das armas necessarias para 
impossibilitar o individuo honesto de tomar parte ou trabalhar em questoes politicas, Em nome do 
sossego e da ordem publica, curva-se a autoridade do governo diante do bandido e pede ao outro 
que desista de provoca-lo. Quando entao os Nacionais-Socialistas queriam fazer reunioes em 
determinados locals, e as corporagoes operarias declaravam oposigao a tal iniciativa, a Policia 
seguramente nao poria esses malfeitores detras do cadeado e do ferrolho, limitando-se a proibir a 
nossa reuniao. Sim, esses orgaos da Lei tiveram ate o incrivel descaramento de nos fazer tal 
comunicagao, inumeras vezes, por escrito. 

A fim de escapar a semelhantes eventualidades, era preciso tomar precaugoes, para abafar, ja 
no germe, toda tentativa de perturbagao. Neste ponto ainda se deveria considerar o seguinte: "todo 
comicio, que nao contar com outra garantia se nao a da policia, desmoraliza seus organizadores 
aos olhos da grande massa do povo". "Assembleias cuja realizagao so e anunciada por um grande 
cartaz policial, nao sao convidativas, ja que as condigoes para a conquista das camadas mais 
baixas de um povo, por si ja devem se manifestar como uma forga real e bem sensivel". 

Tal qual um homem corajoso vencera um covarde na conquista de coragoes femininos, um 
levante heroico mais facilmente ganhara a alma popular do que um movimento pusilanime, que so 
nao se extingue devido a protegao policial. 

Era sobretudo este ultimo motivo, que obrigava o partido incipiente a cuidar de sua propria 
defesa e a resistir sozinho ao regime terrorista do adversario. 

Els OS fundamentos da protegao as assembleias: 

1) Uma diregao energica e psicologicamente bem compreendida. 

2) Uma tropa organizada para manter a ordem. 
Quando nos, os Nacionais-Socialistas, promoviamos, naquele tempo, uma reuniao, esta era 

exclusivamente dirigida por nos; direito de chefia esse, que, alias, sem interrupgao e a cada 
minuto, sublinhavamos explicitamente. Nossos adversarios sabiam perfeitamente que qualquer 
provocador de desordem seria enxotado sem a menor consideragao, mesmo que nos so fossemos 
doze e eles quinhentos homens. Nas reunioes daquela epoca, mormente fora de Munique, quinze 
ou dezesseis dos nossos correligionarios se encontravam frequentemente com quinhentos, 
seiscentos, setecentos e oitocentos adversarios. Ainda assim, nao toleravamos nenhuma 
provocagao, e os frequentadores das nossas reunioes sabiam muito bem que nos prefeririamos a 
morte a rendigao. Mais de uma vez tambem sucedeu, que um punhado de correligionarios nossos, 
saiu vitorioso, lutando contra uma maioria de vermelhos, que berravam e davam pancadas a torto 
e a direito 



Esses quinze a vinte homens seguramente teriam acabado por ser vencidos. Mas os outros 
sabiam, que, antes disso, um grupo duas ou tres vezes maior teria tido ali o cranio partido, e era 
preferivel nao correr esse risco. 

Tentamos aprender e realmente aproveitamos alguma coisa sobre a tecnica das assembleias 
marxistas e burguesas. 

Os marxistas tiveram, desde a origem, absoluta disciplina, de modo que nenlnum grupo burgues 
jamais cogitou de atacar uma das suas reunioes. Em compensagao, tais intengoes eram sempre 
alimentadas pelos vermellnos. Aos poucos tinham estes alcangado, nesse terreno, nao so uma 
indiscutivel pericia, mas ate chegaram ao ponto de apontartoda assembleia anti-marxista, em todo 
territorio do "Reich", como "uma provocagao ao proletariado", sobretudo onde os lideres 
farejavam, em qualquer comicio, a enumeragao de seus proprios pecados, destinada a 
desmascarar a baixeza de seus atos mentirosos e enganadores praticados contra o povo. IVIal se 
ouvia anunciar uma reuniao desse genero, a "Imprensa Vermellna", em bloco, comegava um 
berreiro louco. Os desrespeitadores profissionais da Lei, procuravam entao, nao raramente, as 
autoridades, com o pedido, tao suplicante quanto ameagador, de impedir imediatamente tal 
"Provocagao ao Proletariado", a fim de evitar conseqGencias mais graves. Suas palavras eram 
acollnidas e o sucesso alcangado, segundo a "estupidez" do "funcionario" a quem se dirigiam. Se, 
por excegao, em tal posto se achasse realmente um funcionario alemao (e nao "uma criatura 
funcionalizada") sendo assim recusada a descarada exigencia, seguia-se entao o conhecido 
convite a repelir uma tal "Provocagao". Tratava-se entao de marcar para tal dia uma reuniao, a qual 
compareciam em grande numero. 

Para que se possa fazer uma ideia segura, e preciso ter-se visto uma dessas reunioes, e 
preciso ter-se passado pelo pavor, que experimentava a diregao de uma tal sessao! Mais de uma 
vez bastariam ameagas dessa ordem para fazer adiar uma dessas reunioes. As vezes, o medo era 
tamanho que, em lugar de 8 horas, raramente alguem comparecia a abertura antes de 9 horas ou 
9 menos um quarto. O presidente se esforgava entao por explicar aos presentes "Senhores da 
Oposigao", - e isto por meio de inumeros cumprimentos - a que ponto ele e todos os presentes se 
alegravam intimamente (mentira crassa!) com a visita de homens que ainda nao partilhavam de 
suas convicgoes; pois so a permuta de ideias (o que foi logo de antemao, aprovado, o mais 
solenemente possivel), podia aproximar as convicgoes, despertar a compreensao reciproca e 
formar como uma ponte entre eles. Asseverava, ao mesmo tempo, que a assembleia nao tinha a 
mais leve intengao de afastar cada um de suas ideias antigas. "Longe de nos tal suposigao", diziam 
eles, cada um que seguisse as suas proprias ideias, consentindo, porem, que os outros fizessem o 
mesmo! Por isso pedia ele que deixassem o orador prosseguir ate o fim, alias proximo, para evitar 
de dar ao mundo, com esta reuniao, o espetaculo vergonhoso do odio intimo entre irmaos da 
mesma patria. 

E verdade que a irmandade da esquerda nao atendia quase nunca a tal apelo; pois, antes 
mesmo do orador abrir a boca, ja era ele alvo das mais loucas descomposturas, tendo que 
escafeder-se. Nao raramente deixava ele a impressao de uma certa gratidao a sorte, que Ihe 
encurtara o processo martirizante, Debaixo de um barulho infernal, e que esses "toreros" das 
assembleias burguesas deixavam a arena, se e que nao rolavam nas escadas com as cabegas 
cheias de "galos" - o que acontecia muito freqiJentemente. 

Desse modo, a organizagao dos nossos comfcios e, sobretudo, a feigao que Ihes davamos, foi 
uma verdadeira novidade para os marxistas. Entravam plenamente convencidos de que poderiam 
repetir o seu eterno jogo: 

"Hoje devemos acabar com isso!" Ouantos, ao penetrarem nas nossas sessoes, nao terao 
proferido, com arrogancia, esta frase para algum colega, para cairem diante da porta da sala, 
antes de gritarem pela segunda vez! E tudo isso com a rapidez de um raio. 

Em primeiro lugar, ja a presidencia dos nossos comfcios era diferente da dos demais. Nao se 
mendigava permissao para fazer conferencia, tambem nao se garantia a qualquer um, de antemao, 
a liberdade de fazer discursos interminaveis. Observavamos que a presidencia era inteiramente 
nossa, que estavamos em nossa casa e que a ousadia de interromper a sessao por intervengoes 
extemporaneas seria, sem piedade, castigada com a expulsao imediata. Se sobrasse tempo e isso 
nos conviesse, tolerarfamos uma discussao, mas so nesse caso. 

So isso provocava espanto. 

Em segundo lugar, tfnhamos a nossa disposigao um servigo bem organizado de defesa. Entre 



OS partidos burgueses, esse servigo de defesa, ou, melhor, servigo de ordem, geralmente era 
confiado a senhores, que, pela dignidade da sua idade, julgavam possuir algum direito a 
autoridade e ao respeito. Como as massas populares, incitadas por marxistas, nao davam, 
absolutamente, importancia a autoridade, nem a idade, essa tal guarda burguesa era, 
praticamente, inutil. 

Logo no comego de nossa grande atividade nos comicios, propus a organizagao de uma 
"guarda da sala", como urn servigo de ordem para G qual so se deviam recrutar rapazes fortes. 
Uns eram camaradas que eu conhecia dos tempos do servigo militar; outros eram correligionarios 
ha pouco angariados e que, desde os primeiros dias, vinlnam sendo educados na convicgao de que 
terror so se vence pelo terror e que, neste mundo, o sucesso, ate hoje, sempre se decidiu do 
lado que demonstrou mais coragem e resolugao, que o nosso combate gira em torno de uma ideia 
formidavel, tao grande e elevada que merece plenamente ser resguardada e protegida, mesmo 
com sacrificio da ultima gota de sangue. Estavam convencidos da verdade do seguinte principio: 
ataque constitui a arma mais eficaz da defesa, uma vez que a razao se cala e a violencia e 
clnamada a falar. Nossa tropa de servigo de ordem tem que ser precedida da fama de ser uma 
comunidade de combatentes decididos ao extremo, e nao um "Clube de Debates". 

E que ansia reinava, entre essa mocidade, por uma tal divisa! 

Que decepgao e indignagao, que nojo e repugnancia animava esta geragao de batalhadores 
ante a moleza sem nome dos burgueses! 

Ai e que se via, claramente, que a Revolugao so vingara, gragas a desoladora diregao burguesa 
do nosso povo. Mesmo naquela epoca, teria sido possivel encontrar bragos fortes para proteger o 
povo alemao, Faltaram, apenas, as cabegas para guiarem-no. Com que olhos faiscantes me 
olhavam os meus rapazes, quando eu Ihes expunha a importancia da alta missao, assegurando- 
Ihes, cada vez mais, que, neste mundo, toda sabedoria fracassa quando nao e protegida pela 
forga, que a doce deusa da Paz so pode caminhar ao lado do deus da Guerra e que toda e 
qualquer agao pacifica necessita do amparo e do auxilio da forga. Essas prelegoes contribuiram 
para a compreensao da ideia de defesa pela forga, mais eficientemente do que os processos 
outrora adotados. Isso se yen. ficava nao no espirito dos "fossilizados" funcionarios publicos, ao 
servigo de uma autoridade morta, em um pais igualmente morto, mas naqueles que tinham pleno 
conhecimento do dever, cada um disposto, individualmente, a pagar com a sua vida o tributo 
exigido pela existencia coletiva de seu povo. 

Com que entusiasmo se alistavam entao esses rapazes! 

Tal qual um enxame de vespas, eles caiam em cima de quem ousasse perturbar nossos 
comicios, sem ter em consideragao o fato de os adversarios estarem em maioria, sem temer 
ferimentos nem sacrificios de sangue, somente animados do grande ideal, que consistia em abrir 
caminho a santa missao do nosso movimento. 

Ja no meio do verao de 1920, o Servigo de ordem foi, aos poucos, tomando uma feigao 
definida, ate organizar-se, na primavera de 1921, em grupos de cem, que, por sua vez, ainda se 
subdividiram. 

Tudo isso era de uma necessidade premente, pois, nesse interim, a atividade nas reunioes 
aumentava cada vez mais. Ainda nos reuniamos por vezes, na sala de festas do "Munchener 
Hofbrauhaus", mais freqiJentemente, porem, em salas mais espagosas. A sala de festas do 
"Burgerbrau" e do "Munchener Kindl-Keller" foram o teatro, em 1920 e 1921, da realizagao de 
assembleias populares cada vez mais formidaveis. O quadro, porem, era sempre o mesmo. 
Manifestagoes do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemaes, ja, naquela epoca, 
tinham de ser interditas pela Policia, a maior parte das vezes devido a aglomeragao antes do inicio 
das reunioes. 

A organizagao do nosso servigo de ordem veio esclarecer uma questao importantissima. Ate 
entao o movimento nao possuia, nem insignias nem estandarte proprios do Partido. A falta de 
semelhantes emblemas nao so apresentava desvantagens no momento, como se tornava 
indefensavel no futuro. As desvantagens consistiam, no presente, na falta de um simbolo para 
exprimir a solidariedade dos correligionarios e, de futuro, nao seria possivel dispensar um sinal 
distintivo do movimento que pudesse servir de oposigao a "Internacional". 

Ja na minha juventude, tinha tido, muitas vezes, a ocasiao de sentir e compreender a 
significagao psicologica de simbolos dessa ordem. Depois da Guerra, presenciei uma grande 
manifestagao dos marxistas diante do Palacio Real, no Lustgarten. Uma imensidade de bandeiras. 



de faixas e de flores vermelhas davam a essa manifestagao, na qual tomavam parte, 
aproximadamente, cento e vinte mil pessoas, uma aparencia formidavel. Pude sentir com que 
facilidade o homem do povo e empolgado pela magia sugestiva de um tal espetaculo. 

A burguesia, que, como partido politico, nao representa nenhum ponto de vista geral, por isso 
mesmo, nao possuia bandeira propria. Compunha-se de "patriotas" e usava as cores do Reich. Se 
essas fossem, realmente, o simbolo de uma determinada doutrina, compreender-se-ia que os 
proprietarios" do Estado enxergassem, tambem, na bandeira deste, a representagao de seus 
pontos de vista, uma vez que o simbolo das suas ideias ja se tinha tornado bandeira do Estado e 
do Reich, gragas a sua propria atividade. 

Entretanto, as coisas nao se passavam desse modo. O Reich se tinha formado sem a 
contribuigao da burguesia alema. A propria bandeira tinha sido criada no campo da guerra. Nao 
passava, porem, de uma bandeira do Estado, sem a menor significagao no sentido de uma 
finalidade universal. 

So na Austria alema e que existia, ate entao, qualquer coisa parecida com uma bandeira 
burguesa de partido. Uma parte da burguesia nacional daquele pais, escolhendo as cores de 1848, 
preto, vermelho e ouro, para representar sua bandeira de partido, havia criado um simbolo que, 
apesar de nao ter significagao mundial, trazia os caracteristicos politicos do Estado, embora 
revolucionario. Os inimigos mais acerbos dessa bandeira preta, vermeiha e ouro eram, naquele 
tempo - nao esquegamos isso hoje - os Sociais-Democratas e os Sociais-Cristaos. Eram eles, 
justamente, que insultavam, entao, e emporcalhavam essas cores, tal qual mais tarde, em 1918, 
fizeram com o pavilhao preto, branco e vermelho. E verdade que o preto, o vermelho e o ouro dos 
partidos alemaes da veiha Austria representavam a cor do ano de 1848, portanto, de uma epoca 
que pode ter sido de fantasias, que, porem, contava, entre os seus representantes, com os 
alemaes mais honestos, apesar de, por tras dos mesmos, existir invisivel o dedo do judeu. Por 
essa razao, a traigao da patria e a vergonhosa venda do povo alemao e de suas riquezas tornaram 
logo essas bandeiras tao simpaticas ao marxismo e ao Centro, que estes partidos, hoje, veneram 
esses simbolos como a sua maior reliquia, adotando estandartes proprios para proteger a bandeira 
sobre a qual, outrora, haviam cuspido. 

E assim que, ate o ano de 1920. o marxismo nao contava com nenhuma bandeira adversaria 
que oferecesse um contraste em materia doutrinaria. Mesmo que a burguesia alema, pelos seus 
melhores partidos, nao quisesse mais condescender, depois do ano de 1918, em adotar, como seu 
proprio simbolo, a bandeira do Reich, preta. vermeiha e ouro, nao tinha, tambem, um programa a 
apresentar futuramente, nessa nova evolugao e nem a ideia de reconstrugao do antigo Reich. 

E a essa ideia que a bandeira preta, branca e vermeiha, do antigo Reich, deve a sua 
ressurreigao como emblema de nossos chamados partidos nacionais-burgueses. 
E evidente que o sfmbolo de uma crise que podia ser vencida pelo marxismo, em circunstancias 
pouco honrosas, pouco se presta a servir de emblema sob o qual esse mesmo marxismo tem que 
ser novamente aniquilado. Por mais santas e caras que possam ser essas antigas e belissimas 
cores aos olhos de todo alemao bem intencionado, que tenha combatido na Guerra e assistido ao 
sacriffcio de tantos compatriotas, debaixo dessas cores, nao pode essa bandeira simbolizar uma 
luta no futuro. 

Ao contrario dos politicos burgueses, sempre defendi, no nosso movimento, a opiniao de que, 
para a nagao alema, foi uma felicidade ter perdido sua antiga bandeira. Nao precisamos investigar 
que a Republica tem feito debaixo da sua. De todo coragao, deverfamos, porem, ser gratos ao 
destino misericordioso que preservou a mais heroica bandeira de guerra de todos os tempos de 
servir de lengol nos antros da prostituigao. 

O Reich atual, que vende seus cidadaos e a si proprio, nunca deveria arvorar a bandeira preta, 
branca e vermeiha, coberta de honras e de heroismo. Enquanto durar a vergonha de novembro 
podera a Republica continuar a usar suas insignias proprias sem roubar a bandeira de um passado 
honesto. Nossos politicos burgueses deveriam ter consciencia de que o uso da bandeira preta, 
branca e vermeiha, por esse Estado, equivale a um roubo ao passado. O antigo pavilhao, 
francamente, so se adaptava ao antigo Reich. Gragas a Deus, a Republica, tambem, escolheu um 
de acordo com as suas ideias. 

Els a razao por que nos, nacionais-socialistas, nao teriamos podido enxergar, na antiga 
bandeira, um simbolo expressivo de nossa propria atividade. Nossa intengao nao e ressuscitar o 
velho Reich, que pereceu por seus proprios erros, mas, sim, construir um novo Estado. 



A questao do novo pavilhao, isto e, o seu aspecto, ocupava muito a nossa atengao, naquele 
tempo. De todos os lados recebiamos sugestoes muito bem intencionadas, mas sem sucesso. A 
nova bandeira tinha que representar o simbolo da nossa propria luta, e, ao mesmo tempo, deveria 
produzir um efeito majestoso sobre as massas. Quem tiver o habito de lidar com a massa popular 
vera, facilmente, nessas bagatelas aparentes, questoes de grande importancia. Um emblema que 
produza grande efeito pode, em millnares de casos, dar o primeiro impulso ao interesse popular por 
um movimento qualquer. 

Eis porque tivemos de recusar todas as propostas, alias bastante numerosas, para identificar, 
por uma bandeira branca, o nosso movimento com o antigo Estado ou, melhor ainda, com aqueles 
partidos enfraquecidos. cujo unico fim politico consistia na restauragao de situagoes passadas. 
Acresce ainda que o branco nao e uma cor arrebatadora; ela e apropriada a congregagoes de 
virgens castas e puras, e nao a movimentos violentos de uma epoca revolucionaria. 

O preto foi igualmente proposto. Seria proprio para a epoca atual, nao exprimia, porem, as 
aspiragoes do nosso movimento. Alem disso, o efeito dessa cor nao e empolgante. 

Branco-azul nao foi aceito, apesar do maravilhoso efeito estetico, por ser a cor de um Estado da 
Alemanha, infelizmente de uma atitude polftica que nao goza da melhor fama, por sua estreiteza 
regionalista. Alias, nessa escoiha, nao haveria nada que correspondesse ao nosso movimento. 
Preto e branco estava no mesmo caso. Preto, vermelho e ouro, por si mesmo, nao entrou em 
questao, por motivos ja mencionados. Preto, branco e vermelho, pelo menos na mesma disposigao 
antiga, tambem nao foi discutido. Quanto ao efeito, esta ultima composigao de cores leva a palma 
sobre todas as outras, realizando a mais brilhante harmonia. 

Eu mesmo fui sempre um advogado da conservagao das cores antigas, nao so por venera-las 
como uma reliquia, na minha qualidade de soldado, como, tambem, pelo efeito estetico que elas 
exercem e que e mais conforme ao meu gosto. 

Apesar disso, fui obrigado a recusar, sem excegao, os inumeros esbogos que saiam, naquele 
tempo, dos circulos do movimento incipiente, e que, na maior parte, tinham introduzido a cruz 
suastica na antiga bandeira. Como lider, eu mesmo nao queria aparecer logo em publico com o 
meu proprio projeto, porque era possivel que alguem tivesse a ideia de outro igual, ou mesmo 
melhor, do que o meu. Com efeito, um dentista de Starnberg produziu um desenho bem regular e 
muito parecido com o meu, com um unico defeito de trazer a cruz suastica com ganchos curvos 
sobre um disco branco. 

Nesse Interim, depois de inumeras tentativas, eu havia chegado a uma forma definitiva; uma 
bandeira de fundo vermelho com um disco branco, em cujo meio figurava uma cruz suastica preta. 
Apos longas experiencias, descobri, tambem, uma relagao determinada entre a dimensao da 
bandeira e a do disco branco, como entre a forma e o tamanho da cruz suastica, e ai fizemos 
ponto final. 

No mesmo sentido, fez-se logo encomenda de bragais para os encarregados do "servigo de 
ordem", sendo o bragal vermelho, com um disco branco, trazendo no centro a cruz suastica preta. 

O emblema do partido foi esbogado segundo as mesmas diretrizes: um disco branco sobre 
fundo vermelho e no centro a cruz. Um ourives de Munique, por nome Fuss, forneceu o primeiro 
esbogo suscetivel de ser empregado e adotado. 

Em pleno verao de 1920, o novo pavilhao apareceu, pela primeira vez, em publico. Adaptava- 
se, admiravelmente, ao nosso movimento incipiente. Partido e bandeira distinguiam-se pela 
novidade. Nunca tinham sido vistos antes. Seu efeito, naquele momento, foi o de uma tocha 
incendiada. A nossa alegria foi quase infantil quando uma fiel adepta de nosso partido executou o 
piano pela primeira vez e no-lo entregou. Ja poucos meses depois, possuiamos meia duzia em 
Munique. As tropas do "servigo de ordem", cada vez mais, extensas, contribuiram, 
extraordinariamente, para a propagagao do novo simbolo do movimento. 

Era um simbolo de verdade! Por serem interpretes da nossa veneragao pelo passado, estas 
cores ardentemente amadas, que, outrora, alcangaram tanta gloria para o povo alemao, eram, 
agora, ainda a melhor materializagao das aspiragoes do movimento. Como nacionais-socialistas, 
costumamos ver na nossa bandeira o nosso programa. No vermelho, vemos a ideia socialista do 
movimento, no branco, a ideia nacional, na cruz suastica a missao da luta pela vitoria do homem 
ariano, simultaneamente com a vitoria da nossa missao renovadora que foi e sera eternamente 
anti-semitica. 

Dois anos mais tarde, quando as "tropas de ordem" ja se tinham transformado, ha muito tempo. 



em um batalhao de assalto de muitos milhares de homens, surgiu a necessidade de dar a essa 
organizagao de defesa da nova doutrina ainda um simbolo especial de triunfo: Os estandartes! 
Esses, tambem, foram esbogados por mim e a execugao foi confiada a um fiel adepto do partido, o 
ourives Guhr. Desde aquele momento, os estandartes passaram a ser os sinais caracteristicos da 
campanha nacional-socialista. 

A atividade nos comicios populares, que crescia, cada vez mais, durante o ano de 1920, levou- 
nos, por fim, a marcar duas reunioes por semana. As multidoes se aglomeravam diante dos nossos 
cartazes, as salas mais espagosas da cidade estavam sempre repletas e dezenas de milhares de 
adeptos, desviados pelos marxistas, voltaram a sua antiga comunidade, para lutar pela liberdade 
de um Reich futuro. Ja estavamos conhecidos pelo publico de Munique. Falava-se em nosso 
nome, e a expressao "Nacional-Socialista" ja era familiar a muitos, significando ate mesmo um 
programa, o numero dos adeptos do movimento comegou a crescer sem interrupgao, de modo que, 
no inverno de 1920/21, ja podfamos aparecer em Munique com um forte partido. 

Naquele tempo, nao havia, fora dos partidos marxistas, nenhum outro, pelo menos de carater 
nacional, que pudesse registrar tao grandes manifestagoes populares. 

O "Munchener Kindl-Keller", que podia comportar cinco mil pessoas, ficou, mais uma vez, a 
cunha, e so havia um local que nao tinhamos ousado ocupar. Esse era o circo Krone. 

No fim de Janeiro de 1921, surgiram, novamente, grandes preocupagoes para a Alemanha. O 
tratado de Paris, pelo qual a Alemanha se obrigava ao pagamento da soma absurda de cem 
bilhoes de marcos ouro, devia se tornar uma realidade sob a forma do pacto de Londres. 

Uma associagao de trabalhistas, que existia ha muito tempo em Munique e era formada por 
ligas populares, queria aproveitar esse pretexto para langar o convite para um grande protesto 
coletivo, tempo urgia e, eu mesmo, me sentia nervoso diante das eternas hesitagoes quanto as 
resolugoes tomadas. Falou-se, primeiro, em uma manifestagao de protesto diante da 
Feldherrnhaller. 

Isso, tambem, fracassou, surgindo, entao, a proposta para uma reuniao geral no Munchener- 
Kindl-Keilcr. Nesse interim, passava o tempo. Os grandes partidos nao tinham dado a menor 
atengao ao terrivel acontecimento e a associagao trabalhista nao se podia decidir a fixar uma data 
certa para a tal manifestagao. 

Na terga-feira, 1.°de fevereiro de 1921, exigi, com a maior urgencia, uma resolugao definitiva. 
Fizeram-me esperar ate quarta-feira, Nesse dia, pedi informagoes seguras quanto a possibilidade 
da tal reuniao, A resposta foi novamente incerta e evasiva, Disseram que tinham a intengao de 
convidar a associagao trabalhista a realizar uma manifestagao daf a oito dias. 

Com isso esgotou-se a minha paciencia e tomei a iniciativa de executar, sozinho, uma 
manifestagao de protesto. Quarta-feira, ao meio-dia, em dez minutos, ditei a uma datilografa o 
anuncio da reuniao, mandando, ao mesmo tempo, alugar o circo Krone, para o dia seguinte, 
quinta-feira, 3 de fevereiro. 

Naquela epoca, isso significava uma ousadia extraordinaria, Nao era so a incerteza de poder 
encontrar auditorio para encher aquele enorme espago; havia, tambem, o perigo de um ataque, 
durante a sessao. 

Nossas "tropas de ordem" nao eram suficientes para vigiar um espago tao grande. Eu tambem 
nao tinha uma ideia definida sobre a atitude a tomar na eventualidade de Um ataque, Acresce que 
eu achava a defesa mais diffcil em um circo do que em uma sala comum. Devia ser justamente o 
contrario, como ficou provado mais tarde. Em uma area gigantesca, era mais facil dominar um 
batalhao de assalto do que em salas apertadas. 

So havia, de certo, uma coisa: todo fracasso poderia nos atrasar por muito tempo. Um assalto, 
coroado de sucesso, poderia destruir, de um goipe, a nossa fama e encorajar o adversario a 
recomegar o mesmo jogo. 

Isso poderia ocasionar uma sabotagem de toda a nossa atividade nos comicios futuros. E 
semelhante desastre so poderia ser reparado depois de muitos meses e apos grandes lutas. 

So dispunhamos de um dia para pregar cartazes. Infelizmente chovia de manha e tinhamos o 
justo receio de que muitos prefeririam ficar em casa a irem a uma reuniao debaixo de chuva ou de 
neve, expondo-se, talvez, ate a serem assassinados. 

A verdade e que, na manha de quinta-feira, apoderou-se de mim o pavor de que nao 
conseguiria encher a casa. Imediatamente ditei e mandei imprimir alguns boletins para serem 
distribuidos a tarde. Se meu receio se realizasse eu passaria uma grande vergonha, diante da 



associagao trabalhista, os folhetos naturalmente encerravam o convite para a reuniao. 

Dois caminhoes, que eu mandei fretar, foram cobertos com o maior numero possivel de panos 
vermelhos, arvorando algumas bandeiras nossas. Quinze a vinte adeptos do nosso partido 
partiram nos mesmos, com a ordem expressa de passar por todas as ruas da cidade jogando 
boletins, enfim, fazendo propaganda para a colossal manifestagao da noite, Era a primeira vez que 
caminhoes embandeirados passavam pela cidade sem serem guiados por marxistas. Eis porque a 
burguesia via, boquiaberta, a passagem dos carros enfeitados de vermelho e de bandeiras 
nazistas que voavam ao vento, enquanto, nos bairros afastados do centro da cidade, levantavam- 
se, tambem, inumeros punhos cerrados que exprimiam uma furia visivel contra a ultima 
"provocagao ao proletariado". Ate entao so o marxismo possuia o monopolio de organizar reunioes 
e de andar para cima e para baixo em caminhoes. 

As 7 horas da noite, o circo ainda nao estava repleto. De dez em dez minutos, chamavam-me 
ao telefone. Sentia-me bastante inquieto, pois as sete horas ou as sete e um quarto, as outras 
salas ja estavam quase completamente cheias. A razao, alias, nao tardou a ser descoberta: eu nao 
tinha contado com as dimensoes gigantescas do novo local. Mil pessoas na sala do Hotbrauhaus 
ja faziam um bonito efeito, enquanto passavam inteiramente despercebidas no circo Krone. Quase 
nao se via ninguem. Pouco depois comegaram a vir comunicagoes mais favoraveis e, as oito horas 
menos um quarto, diziam-me que tres quartos do circo ja estavam ocupados, havendo grande 
multidao diante dos gulches da entrada. Com essa noticia eu me pus a caminho. 

Cheguei ao circo as oito horas e dois minutos. Via-se, ainda uma grande multidao diante do 
mesmo; alguns pareciam meros curiosos, outros, adversarios, que esperavam fora o desenrolar 
dos acontecimentos. 

Quando penetrei na formidavel area deixei-me empolgar pela mesma alegria que havia 
experimentado no ano precedente, quando da primeira reuniao na sala de festas da Brauhaus, de 
Munique, Mas somente depois de eu ter, a muito custo, conseguido passar atraves de verdadeiras 
muralhas humanas, ate chegar ao estrado um pouco elevado, e que o sucesso, em toda a sua 
plenitude, se manifestou aos meus olhos. Esse local se estendia diante de mim como uma concha 
enorme, repleta de milhares e milhares de pessoas. 

Ate picadeiro estava repleto. Na entrada, tinham sido distribuidos cinco mil e seiscentos 
cartoes; sem se contar o numero total dos sem trabalho, dos estudantes pobres e dos nossos 
homens do "servigo de ordem", deviam ser ao todo seis mil e quinhentas pessoas. 

"Marchamos para um futuro de prosperidade ou para a derrocada?" Era esse o tema da minha 
conferencia e meu coragao exultava na convicgao de que o futuro estava ali diante dos meus 
olhos. Comecei a falar e falei cerca de duas horas e meia. Depois da primeira meia hora, ja eu 
pressentia que a reuniao teria um grande sucesso. Estava estabelecida a ligagao com todos esses 
milhares de individuos. Ja no fim da primeira hora, comecei a ser interrompido por aplausos que 
explodiam cada vez mais, espontaneamente, para decrescer novamente, depois de duas horas, 
passando a um silencio solene que eu devia, mais de uma vez, mais tarde, constatar nesse lugar, 
e de que cada um de nos guarda uma lembranga imperecivel. Quase que nao se ouvia outra coisa 
senao a respiragao dessa multidao colossal e, so depois que proferi a ultima palavra, e que se 
levantou, subitamente, um bramido que somente cessou com o cantico patriotico "Alemanha", 
entoado com o maximo ardor. Eu observava como, aos poucos, a enorme area comegava a se 
esvaziar e uma monstruosa onda de gente procurava a saida pela grande porta do centro. Isso 
durou quase vinte minutos. So entao, possuido do mais vivo contentamento, deixei o meu lugar, a 
fim de voltar para casa. 

Tiraram-se fotografias dessa primeira reuniao no circo Krone, de Munique. Melhor do que 
palavras, servirao elas para provar a importancia da manifestagao. Jornais burgueses trouxeram 
ilustragoes e noticias mencionando, porem, unicamente, o carater "nacional" da manifestagao, 
silenciando, porem, como sempre, sobre o nome dos organizadores. 

Com essa demonstragao, saimos, pela primeira vez, do quadro dos partidos existentes. Nao 
podiamos mais passar despercebidos. Para impedir a todo o prego a impressao de que esse 
sucesso pudesse ser visto como efemero, marquei, imediatamente, para a semana vindoura, a 
segunda manifestagao no circo, e o sucesso foi identico. 

Novamente, o imenso espago se achava a cunha, a tal ponto que decidi organizar, pela terceira 
vez, outra reuniao do mesmo genero, na semana seguinte e, pela terceira vez, o circo gigantesco 
ficou apinhado de gente. 



Apos esse confortador inicio do ano de 1921, desenvolvi ainda mais nossa atividade na 
organizagao de comicios, em Munique. Chegamos a realizar nao um, mas, as vezes, dois comicios 
por semana. No meio do verao e no fim do outono, realizavamos ate tres por semana. Nos nos 
reuniamos sempre no circo e, para nossa grande satisfagao, constatavamos todas as noites o 
mesmo brilhante sucesso de sempre. 

O resultado foi entao um acrescimo ininterrupto do numero de adeptos do movimento. 

Era natural que esses sucessos inquietassem os nossos adversarios. Uma vez que estes, 
sempre vacilantes na sua tatica, ora aconselhavam o terror, ora um silencio absoluto, tornavam-se 
incapazes de impedir o progresso do nosso movimento de um modo ou de outro, como eles 
proprios eram obrigados a reconhecer. Foi assim que, em um esforgo supremo, resolveram-se a 
um ato terrorista, a fim de sufocar, definitivamente, a nossa atividade nos comicios. Como pretexto 
a tal atitude aproveitaram-se de um atentado extremamente misterioso contra um deputado da 
Dieta, por nome Erlnard Auer. Constava que, certa noite, ele tinlna recebido um tiro, sem se saber 
de quem. A verdade e que ele nao foi atingido. Houve, porem, ao que se dizia, a intengao. Tudo 
nao passou de boatos. A fantastica presenga de espirito, assim como a coragem proverbial do 
chefe do partido social-democrata, teria nao so anulado o ataque criminoso como, tambem, 
induzido a fugir, vergonhosamente, os miseraveis autores. Tinham fugido tao depressa e para tao 
longe, que, mesmo mais tarde, a polfcia nao pode mais descobrir o menor rastro deles. Esse 
processo misterioso serviu ao orgao do partido social democrata de Munique como instrumento de 
intriga contra o nosso movimento. Medidas tinham sido tomadas para evitar os nossos 
impressionantes progressos. Nesse programa, estava prevista uma oportuna intervengao de parte 
do proletariado, por meio da violencia. 

E dia da intervengao nao se fez esperar. 

Foi escolhido um comicio, na sala de festas do Hotbrauhaus, de Munique, na qual eu mesmo 
devia falar, para se decidir, definitivamente, a questao. 

No dia 4 de novembro de 1921, recebi, entre 6 e 7 horas da noite, as primeiras noticias 
positivas sobre o proximo ataque ao comicio e soube que se tinha a intengao de mandar para o 
local grandes grupos de operarios recrutados para esse fim, especialmente em alguns meios 
rubros. 

A um feliz acaso devemos o nao termos recebido antes disso esse aviso. Nesse dia mesmo, 
tinhamos deixado nosso velho e respeitavel escritorio da Sterneckergasse, em Munique, mudando- 
nos para um novo, isto e, tinhamos saido do velho, mas nao podiamos ainda entrar no novo, pois 
esse estava em obras. Como o telefone da antiga sede tinha sido retirado e ainda nao estava 
colocado na segunda, foram inuteis os esforgos de numerosas comunicagoes telefonicas, 
avisando-nos sobre o ataque planejado. 

A conseqiJencia disso tudo foi ficar o servigo de defesa do comfcio reduzido a algumas 
patrulhas muito fracas. Achava-se presente so uma companhia numericamente fraca, de, mais ou 
menos, quarenta e seis pessoas. O servigo de patrulhamento ainda nao estava bastante 
organizado para que se pudesse mandar vir, a noite, dentro de uma hora, um reforgo suficiente. 
Acrescia ainda que boatos alarmantes desse genero, ja nos tinham chegado aos ouvidos inumeras 
vezes, sem que nada de extraordinario tivesse acontecido. O velho ditado, segundo o qual, 
revolugoes preditas, geralmente nao arrebentam, ate entao tinha sido confirmado pelos fatos. 

Eis por que nao se tomaram todas as precaugoes necessarias para enfrentar um possivel 
ataque, pela maneira mais violenta. Consideravamos a sala de festas do Hofbrauhaus, de 
Munique, como totalmente impropria para ser atacada. Tinhamos receado isso muito mais nas 
grandes salas, sobretudo no circo. A esse respeito, esse dia nos trouxe uma preciosa ligao. Mais 
tarde estudamos todas essas questoes, posso dizer, com metodo cientifico, chegando a resultados 
tao surpreendentes quanto interessantes e que se tornaram, nos tempos que se seguiram, de uma 
importancia fundamental para a diregao organizadora e a tatica de nossos pelotoes de assalto. 
Quando, as 8 menos um quarto, penetrei na entrada do Hofbrauhaus, nao podia, com efeito, 
subsistir a menor duvida sobre tal intengao. A sala estava repleta e, por isso, interdita pela polfcia. 
Os adversarios, que tinham chegado muito cedo, achavam-se na sala e a maior parte dos nossos 
adeptos encontravam-se fora do recinto. A pequena "tropa de assalto" me esperava na entrada. 
Mandei fechar as portas da grande sala, del ordens para que entrassem os quarenta e tantos 
homens. Expus aos rapazes que havia chegado a hora de provarem, pela primeira vez, a sua 
fidelidade inquebrantavel ao movimento. Nenhum de nos tinha o direito de deixar a sala senao 



depois de morto. Eu ficaria, pessoalmente, na sala e nao supunha que um so deles ousasse me 
abandonar. Se, porem, chegasse a avistar algum que se mostrasse, pessoalmente, covarde, 
arrancar-lhe-ia o bragal e a insignia. Depois disso, incitei-os a irem para frente, logo que notassem 
qualquer tentativa de assalto, sem esquecerem que o melhor meio de defesa e o ataque. 

A resposta foi um "viva", repetido tres vezes, e que, nessa ocasiao, soou mais alto do que de 
costume. Depois disso, entrei na sala, podendo, entao, com os meus proprios olhos, colher uma 
vista panoramica da situagao. Os inimigos all estavam, em massas compactas, procurando furar- 
me com os olhares. Inumeras caras se voltavam para mim, mal contendo seu odio, enquanto 
outras, com caretas sarcasticas, faziam exclamagoes insofismaveis. "Hoje eles acabariam 
conosco", "nos deviamos defender nossas tripas", "nossas bocas seriam definitivamente 
arrolhadas", enfim uma serie de belas locugoes desse jaez. Estavam conscientes de sua 
superioridade e manifestavam-se de acordo com a atmosfera do momento. 

Apesar de tudo, a sessao pode ser abei-ta e tomei a palavra. Na sala de festas do Hofbrauhaus 
eu tomava lugar sempre em um dos lados, em uma mesa de cerveja. Assim ficava, realmente, no 
meio do publico. Talvez essa circunstancia contribufsse para criar, nessa sala, um ambiente como 
nunca encontrei em nenhum outro lugar. 

Na minha frente, sobretudo mais para a esquerda, so havia adversarios, sentados e de pe. 
Eram todos homens e rapazes robustos, em grande parte trabalhadores da fabrica Maffei, de 
Kusterman, Isasrizaher, etc. Ao longo da parede esquerda da sala, ja tinham empurrado as mesas 
ate bem perto da minha e comegavam a recolher os quartilhos. Encomendavam sempre mais 
cerveja, colocando os recipientes vazios debaixo da mesa. Assim se formavam verdadeiras 
baterias. Teria sido um milagre se as coisas, dessa vez, acabassem em pal. Depois de hora e 
meia, mais ou menos, - periodo durante o qual consegui falar, apesar de todos os apartes - parecia 
que eu chegaria a dominar a situagao. O mesmo receio parecia terem os chefes do pelotao de 
ataque. Sua inquietagao aumentava. De vez em quando saiam e entravam novamente, falando, 
visivelmente nervosos, com o seu pessoal. 

Um pequeno erro psicologico que cometi, respondendo a um aparte e de cuja inoportunidade 
five imediatamente consciencia, mal acabava de proferir a palavra, foi o sinal para o comego do 
conflito. 

Depois de alguns apartes enfurecidos, um homem saltou em cima de uma cadeira, berrando 
para o publico: "Liberdade!" Os "pioneiros" da liberdade so esperavam esse sinal para entrar na 
luta. 

Em poucos segundos a sala inteira se achava repleta de uma multidao que berrava e gritava e, 
por cima da qual, como obuses, voavam inumeros copos; ouviam-se o rachar de pernas de 
cadeiras, o quebrar de quartilhos, gritos e berros de toda especie. 

Era um espetaculo simplesmente ridiculo. Fiquei parado no meu lugar, podendo observar com 
que consciencia meus rapazes cumpriam o seu dever, Eu desejava ver como se portariam os 
burgueses em uma tal situagao. 

A "danga" ainda nao tinha comegado e ja minha patruiha de assalto - nome que se guardou 
desde esse dia - iniciava seu ataque. Como lobos, precipitavam-se, em matilhas de oito ou dez, 
sobre os seus adversarios, conseguindo, aos poucos, porem-nos fora da sala. Ao cabo de cinco 
minutos, quase todos eles estavam sujos de sangue. Ouantos eu conheci somente a partir daquele 
momento! A frente de todos estavam o bravo Maurice, meu atual secretario particular, Hesse e 
muitos outros que, apesar de gravemente feridos, voltavam sempre ao ataque, enquanto se 
podiam manter de pe. O barulho infernal durou vinte minutos, no fim dos quais, os adversarios, que 
podiam ser setecentos ou oitocentos, ja tinham sido expulsos da sala e jogados de escada abaixo, 
pelos meus homens, que nao eram mais de cinquenta. 

So no lado esquerdo do fundo da sala ainda permanecia um grande grupo, que opunha a mais 
encarnigada resistencia. Subitamente, da entrada da sala, deram dois tiros de pistola sobre o 
estrado. seguidos de um tiroteio desenfreado. Exultavamos diante de uma tal ressurreigao de 
antiga cena guerreira. 

Nao havia mais meio de distinguir quem atirava. So uma coisa se podia verificar, e que a furia 
dos meus rapazes, cobertos de sangue, tinha aumentado e que, afinal, os ultimos desordeiros, 
vencidos, eram jogados fora da sala. 

Tinham decorrido, mais ou menos, vinte e cinco minutos. O aspecto da sala era como se uma 
granada af tivesse estourado. 



Muitos dos meus adeptos estavam sendo submetidos a curatives, outros tinham que ser 
transportados, mas nos tinhamos ficado senhores da situagao. 

Hermann Esser, que, nessa noite, havia assumido a chefia da sessao, declarou: A sessao 
continua. Tem a palavra o orador. E eu recomecei a falar. 

Depois que, nos mesmos, ja tinhamos encerrado a sessao, entrou de repente um agitado 
tenente de policia gritando, com movimentos descontrolados: "A reuniao esta suspensa!" 

Involuntariamente, tive que rir desse retardatario. Nos policiais, essa mania de importancia e 
tipica. Quanto menores eles sao, mais querem aparentar autoridade. 

Nessa noite, tinhamos realmente aprendido muito e nossos adversarios, tambem, nao 
esqueceram a ligao recebida. Ate o outono de 1923, o "IVIGnchener Post" nao nos amedrontou mais 
com as ameagas de violencia por parte do proletariado. 

CAPITULO VIII - O FORTE E MAIS FORTE SOZINHO 

No capftulo precedente, tive ocasiao de mencionar a existencia de uma associagao trabalhista 
formada por ligas racistas alemas e desejo, aqui, elucidar, em poucas palavras, o problema dessas 
organizagoes. 

Geralmente entende-se por associagao trabalhista um agrupamento de ligas que, para 
facilitarem o seu trabalho, assumem compromissos reciprocos, escolhem uma diregao comum, de 
competencia mais ou menos reconhecida, para realizarem uma agao de conjunto. 

So por esse fato, ja se ve que se trata de associagoes ou partidos, cujas finalidades sao mais 
ou menos identicas. 

Para o tipo normal do cidadao e agradavel e comodo saber que, pelo fato de tais ligas se 
unirem formando uma associagao, elas destacam os tragos que as podem unir, pondo de lado o 
que as pode separar. 

Com isso surge a convicgao de que a forga de uma tal agremiagao aumentou 
extraordinariamente e que os pequenos grupos se transformaram subitamente em uma verdadeira 
potencia. 

Isso, porem, e quase sempre falso. 

E interessante e, na minha opiniao, de grande importancia para a compreensao do problema, 
conseguir ver claramente como e possfvel a formagao de ligas, associagoes, etc., todas visando a 
mesma finalidade. 

Seria logico que cada liga visasse apenas a um fim. 

Incontestavelmente, esse objetivo so tinha sido visado por uma liga. Em determinada liga, um 
individuo proclama uma verdade, convida outros a resolverem uma questao, propoe uma finalidade 
e organiza um movimento que tende a realizagao de seu objetivo. 

Funda-se assim uma associagao ou um partido que, segundo seu programa, deve conseguir ou 
a supressao dos males existentes ou o estabelecimento de condigoes especiais para o future. 

Logo que surge um tal movimento, possui ele praticamente um certo direito de prioridade. 

Nada mais natural que todos os homens, visando ao mesmo objetivo, se filiassem ao novo 
movimento, fortalecendo-o, para melhor servirem a causa comum. 

Cada individuo que pensa por si deveria ver em uma tal filiagao a condigao indispensavel para o 
exito da causa coletiva 

Para atingir-se esse objetivo so um movimento organizado pode ser eficiente. 

Ha duas causas para que isso nao se verifique. A uma delas eu daria o qualificativo de "tragica", 
a segunda reside na propria fraqueza humana. Em verdade, so vejo em ambas essas causas fatos 
que se prestam a reforgar a vontade e a energia humana e, por uma educagao aprimorada da 
atividade dos homens, tornar possfvel a solugao desse problema. 

Eis a razao pela qual nunca uma liga por si so pode dar a solugao de um determinado 
problema. Toda realizagao importante sera geralmente a satisfagao de um desejo alimentado, de 
ha muito, secretamente, por milhoes de entes humanos. 

Pode acontecer que, durante seculos e seculos, se anseie pela solugao de um determinado 
problema, sem que, devido a pressao de condigoes dificeis, se chegue jamais a realizagao desses 
anelos. 

Deve-se dar o qualificativo de impotentes aos povos que, em uma tal emergencia, nao 
encontram uma solugao heroica. A forga vital de um povo, o seu direito a vida, se manifestam do 



modo mais impressionante, no momento em que esse povo recebe a graga de um homem que o 
destine reservou para a realizagao de suas aspiragoes, isto e, para a libertagao de um grande 
cativeiro, para a supressao de amargas dificuldades. 

E um fenomeno tipico de todos os problemas do momento que milhares trabalhem na sua 
solugao, que muitos se julguem predestinados, para que, enfim, a sorte, no jogo das forgas, 
escoiha o mais competente para confiar-Ihe a solugao do problema. 

Assim, pode acontecer que durante muitos seculos, descontentes com a conformagao de sua 
vida religiosa, aspirem a uma inovagao e que, dessa aspiragao moral, surjam duzias de homens 
que se creem eleitos, pela sua clarividencia ou pelo seu saber, como profetas de uma nova 
doutrina ou pelo menos como lutadores contra outra ja existente. 

Aqui tambem, pela ordem natural das coisas, certamente sera o mais forte que sera escolhido 
para cumprir a grande missao; apenas os outros so muito tardiamente reconhecem o fato de ser 
este unico eleito. Ao contrario, todos se julgam com os mesmos direitos e predestinados a 
resolver o problema, sendo que a coletividade geralmente e que menos sabe distinguir quem 
dentre eles e capaz de realizar a mais alta missao, quem merece o apoio de seus semelhantes. 

E desse modo que, no decorrer dos seculos, as vezes, ate dentro de uma mesma epoca, 
surgem diferentes homens organizando movimentos que visam, pelo menos na teoria, finalidades 
identicas ou assim julgadas pela grande maioria. O povo nutre desejos vagos e convicgoes 
indeterminadas, sem saber explicar com clareza o que, realmente constitui a essencia da sua 
finalidade ou do seu desejo proprio ou mesmo da possibilidade de sua realizagao. 

O ponto tragico reside no fato de que esses individuos aspiram, por caminhos diferentes, a fim 
identico, sem se conhecerem entre si, e, por isso mesmo, na fe mais ingenua em sua propria 
missao, vao seguindo o seu caminho julgando-se no dever de cumpri-la sem a menor 
consideragao para com os outros. 

Que tais movimentos, partidos, agrupamentos religiosos, completamente independentes uns 
dos outros, surjam das aspiragoes gerais, em dado momento historico, para encaminhar a sua 
atividade na mesma diregao, e o que, pelo menos a primeira vista, parece lastimavel, por 
prevalecer a opiniao geral de que as forgas dispersadas em rumos diferentes e depois 
concentradas em um so conduzem, mais depressa e mais seguramente, ao sucesso almejado. Tal, 
porem, nao se verifica. A natureza, na sua logica implacavel, decide a questao deixando entrarem 
em luta os diferentes grupos na competigao pela vitoria, e conduzindo ao fim almejado o 
movimento dos que tiverem escolhido o caminho mais reto, mais curto e mais seguro. Como, 
porem, determinar se estava certo ou errado o caminho segui do, quando as forgas se exercem 
livremente, quando a ultima decisao deriva da resolugao doutrinaria de sabichoes e e entregue as 
infalfveis demonstragoes do sucesso visivel que, no final de contas, e sempre a sangao ultima de 
uma agao? 

Se, portanto, diversos grupos visam ao mesmo alvo por caminhos diferentes, logo que tomarem 
conhecimento da analogia de suas aspiragoes com as dos outros, submeterao o seu programa a 
um exame mais minucioso, tentando com redobrado esforgo alcangar o fim o mais depressa 
possivel. 

Essa concorrencia tem por fim um aperfeigoamento do combate individual e nao e raro que a 
humanidade deva o triunfo de suas doutrinas ao fracasso de tentativas precedentes. Assim e que 
podemos reconhecer no fato aparentemente lamentavel da dispersao inicial e inconsciente, o 
remedio pelo qual chegaremos ao melhor resultado. 

A historia nos mostra - e nisso, quase todas as opinioes estao de acordo - que os dois 
caminhos abertos a solugao do problema alemao, cujos principals representantes e campeoes 
eram a Austria e a Prussia, Habsburgos e Hohenzollern, desde o principio deveriam correr 
paralelos. Segundo essas opinioes, nossas forgas se deveriam ter unificado e tomado uma ou 
outra dessas diregoes. Naquele tempo, porem, o caminho escolhido foi o menos importante; as 
intengoes austriacas, entretanto, nunca teriam conduzido a construgao de um Reich alemao. 

O Reich alemao surgiu justamente daquilo que milhoes de alemaes consideravam, com o 
coragao sangrando, como o ultimo e mais terrivel emblema da nossa briga entre irmaos: a coroa 
imperial da Alemanha. saiu verdadeiramente do campo de bataiha de Koniggratz e nao dos 
combates diante de Paris, como geralmente se supoe. 

A fundagao do Reich alemao nao foi o resultado de qualquer aspiragao comum animando 
iniciativas comuns; resultou muito mais de uma luta, ora consciente ora inconsciente, pela 



hegemonia, sendo que dessa luta foi a Prussia que saiu vitoriosa por fim. E quem nao se deixar 
cegar por partidos politicos, renunciando assim a verdade, tera que confirmar que a chamada 
sabedoria humana nunca teria tornado a sabia resolugao que resultou do livre jogo das forgas 
reals. 

Quem nos paises de raga alema teria acreditado, ha duzentos anos, que nao os Habsburgos, 
mas a Prussia dos Holnenzollern, seria um dia a celula mater, a pedra fundamental do novo reino?! 
Quem, ao contrario, ainda se meteria a negar hoje que o Destino fez bem, agindo assim? Quem 
poderia ainda imaginar um Reich alemao implantado sobre as bases de uma dinastia corrompida e 
decadente? 

Nao, a evolugao natural, se bem que apos uma luta secular, assegurou a melhor parte do povo 
alemao o lugar que Ihe compete. 

Foi e sera sempre assim na vida das nagoes. 

Nao se deve, pois, lamentar o fato de diferentes individuos se porem em caminho para atingir o 
mesmo alvo: o mais forte e o mais expedito sera sempre o vitorioso. 

Na vida dos povos, ainda ha uma segunda causa que determina freqGentemente que 
movimentos de aparencia identica, procurem, por vias diversas, uma finalidade aparentemente 
identica. Essa causa, por demais deploravel, e conseqGencia de um misto de inveja, ciume, 
ambigao e desonestidade que se encontram, infelizmente, as vezes reunidos em um mesmo 
individuo. Logo que aparega um homem conhecendo profundamente as miserias do seu povo e 
que procure enxergar claramente a natureza dos seus males, tentando remediar tudo, logo que ele 
visar um fim e tragar o caminho a seguir, imediatamente os espiritos mais mesquinhos fleam 
atentos, seguindo com ansiedade os passos desse homem que chamou a si a atengao geral. 
Esses indivfduos se portam como os pardais, que, aparentemente sem nenhum interesses, na 
realidade, observam com ansiedade e com a intengao de furtar, um companheiro mais feliz que 
logra achar uma migaiha de pao, Basta que um individuo enverede por um novo caminho para que 
muitos vagabundos fiquem alertas farejando qualquer petisco saboroso que possa ter sido jogado 
nesse caminho. Logo que o descobrem, p6em-se em marcha para alcangar o alvo, se possivel por 
um atalho. 

Uma vez langado o novo movimento e fixado o seu programa definido, aparece aquela gente 
pretendendo bater-se pelas mesmas finalidades; isso, porem, e mentira, pois eles nao se alistam 
nas fileiras da causa para reconhecer-lhes a prioridade, mas, ao contrario, plagiam seu programa 
langando sobre ele os fundamentos de novo partido. Nisso tudo eles se mostram 
desavergonhados, afirmando ao publico inconsciente que as intengoes do outro partido ja ha muito 
eram as suas tambem, e o pior e que, com essas pretensoes, conseguem aos poucos aparecer 
sob um prisma simpatico, em vez de cairem rio desprezo geral que mereciam. Pois, nao e uma 
grande falta de vergonha tomar a si a missao proclamada pela bandeira alheia, refutar as diretrizes 
do programa alheio, para depois seguir seus proprios caminhos como se tivesse sido o plagiario o 
criador de tudo? Q maior descaramento consiste em serem esses elementos, - alias os primeiros 
causadores da dispersao, por suas sucessivas inovagoes - os que mais proclamam a necessidade 
da uniao, logo que se convencem de nao poderem tomai- a dianteira do adversario. 

A um processo desses e que se deve a chamada "dispersao dos elementos racistas". Alias, 
como a evolugao natural das coisas tem provado suficientemente, a formagao de toda uma serie 
de grupos e partidos denominados racistas, nos anos de 1918 e 1919, foi um acontecimento que 
nao pode ser absolutamente atribuido aos seus autores. Desses fatos todos, ja no ano de 1920, 
tinha surgido vitorioso o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes. Nao pode haver 
melhor prova da honestidade 1)1-overbial dos promotores desse movimento do que a decisao, 
verdadeiramente admiravel, de muitos deles, de sacrificarem ao movimento mais forte o outro por 
eles chefiados e cujo sucesso era muito menor, havendo, por isso, conveniencia em dissolve-lo ou 
incorpora-lo incondicionalmente. 

Isso se aplica sobretudo a Julius Streicher, o principal campeao do Partido Socialista de 
Nuremberg. Naquela epoca, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes e o Partido 
Socialista Alemao tinham nascido inteiramente independentes um do outro, mas visando as 
mesmas finalidades. Q principal precursor nas lutas preparatorias para a formagao do Partido 
Socialista Alemao foi, como ja dissemos, Julius Streicher, entao professor em Nuremberg. A 
principio, estava ele tambem solenemente convencido da missao futura do seu movimento. No 
momento, porem, em que nao restava mais duvida nenhuma sobre a forga maior e a maior 



extensao do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes renunciou ele a sua atividade 
na propaganda do Partido Socialista Alemao, incitando os seus adeptos a enfileirarem-se no 
Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemaes, que tinha saido vitorioso na luta reciproca. 
Prop6s-se entao a batalhar em nossas fileiras pelo ideal comum, o que constitui uma resolugao tao 
heroica quanto digna de um homem de bem. 

Nessa primeira fase do movimento nao se verificou nenhuma dispersao, sendo que quase por 
toda parte a vontade bem intencionada dos homens da epoca conduzia a um resultado honesto e 
seguro. Aquilo que hoje entendemos por dispersao dos elementos racistas" deve sua existencia, 
como ja acentuamos, a segunda causa por mim mencionada (e isso sem excegao): homens 
ambiciosos que, antes, nuncatinham visado a fins proprios nem possuido ideias proprias, sentiram 
a sua "vocagao" precisamente no momento em que os sucessos do Partido Nacional Socialista dos 
Trabalhadores Alemaes comegavam a firmar-se. 

Surgiram, entao, programas, do comego ao fim, copiados dos nossos, combates por ideias 
decalcadas sobre as nossas, exposigao de finalidades ja ha anos visadas por nos, escoiha de 
caminhos ha muito ja trilhados pelo nosso Partido. Procurou-se por todos os meios achar um 
motivo para a formagao obrigatoria desses novos partidos, ja existindo ha tanto tempo o nosso. 
Quanto mais nobres eram os pretextos menos verdade continham. 

Na verdade um unico motivo era a causa de tudo; a ambigao pessoal dos fundadores de 
representar um papel dificilmente preenchido pela sua propria pequenez, se nao fosse uma grande 
ousadia de adotar pensamentos alheios, com uma petulancia que, na vida burguesa, so se 
costuma atribuir aos ladroes. 

Naquela epoca nao existiam representagoes nem ideias alheias de que semelhante cleptomano 
politico nao se apoderasse logo para servir aos seus novos interesses. Os autores de tal plagio 
eram, porem, os mesmos individuos que mais tarde, com lagrimas nos olhos, ousavam deplorar 
profundamente a "dispersao dos elementos racistas" falando sem cessar da "necessidade da 
uniao", na secreta esperanga de, finalmente, embrulharem os outros de tal maneira que esses, 
cansados de ouvir os gritos de eterna acusagao, Ihes faziam presente nao so das ideias roubadas 
como tambem dos movimentos criados para propaga-las. 

Se todavia nao conseguiam isso e se as novas empresas nao rendiam o que se esperava 
delas, devido a pequena capacidade intelectual de seus diretores, a coisa se liquidava mediante 
um prego menor, e ja se considerava feliz quem nesse caso podia ingressar em uma das tais 
associagoes trabalhistas. 

Todos OS que, naquele tempo, nao conseguiam manter-se independentemente, filiavam-se a 
tais associagoes, inspirados talvez na crenga de que oito aleijados de bragos dados certamente 
serao equivalentes a um gladiador. 

Se acontecia que entre os aleijados aparecesse de fato um que nao o fosse, tinha esse que 
despender toda sua forga so para manter os outros de pe, acabando finalmente por ficar invalido 
tambem. E preciso considerar sempre como uma questao de tatica a cooperagao nessas 
chamadas associagoes trabalhistas; nao devemos, porem, nos afastar nunca da seguinte verdade 
fundamental: 

A formagao de uma associagao trabalhista nunca concorrera para transformar ligas fracas em 
poderosas; uma liga forte ao contrario pode as vezes enfraquecer-se por causa daquelas. E falsa a 
suposigao de que da fusao de grupos fracos possa resultar um fator de energia, pois a maioria, sob 
toda e qualquer forma e em todas as hipoteses, tem sido sempre a representante da tolice e da 
covardia. E assim que todas as ligas, dirigidas por muitas cabegas, estao totalmente votadas a 
covardia e a fraqueza. Acresce ainda que uma tal coesao impede o livre exercicio das forgas, a 
luta pela selegao do melhor elemento, barrando assim a possibilidade da vitoria final, que deve 
coroar o mais sadio e o mais forte. 

Semelhantes coalizoes sao, portanto, contrarias a selegao natural, impedindo, na maior parte 
das vezes, a solugao do problema a resolver. 

Pode acontecer que consideragoes de ordem puramente estrategica possam induzir a chefia 
suprema do movimento a concluir, por um curto periodo, um pacto com ligas desse genero, a fim 
de tratar determinadas questoes e talvez empreender ate alguns passos em comum, semelhantes 
relagoes entretanto, nao devem nunca se prolongar indefinidamente, se o movimento nao quiser 
renunciar a sua missao redentora. E que, uma vez que se empenha em uma tal uniao, o 
movimento perde a possibilidade e o direito tambem de exercer plenamente sua propria forga, no 



sentido de uma evolugao natural, como seja a derrota dos rivals e a vltoria do flm que se propoe. 

NInguem deve esquecer que tudo o que ha de verdadelramente grande neste mundo nao fol 
jamais alcangado pelas lutas de llgas, mas representa o triunfo de um vencedor unlco. O exito de 
coallzoes ja traz na sua orlgem o germe da corrupgao futura. Na realldade so se concebem 
grandes revolugoes suscetivels de causar verdadelras mutagoes de ordem esplrltual, quando 
arrebentam sob a forma de combates titanlcos de elementos Isolados, nunca, porem, como 
empreendlmentos de comblnagoes de grupos. 

E assim que, antes de tudo, o Estado naclonallsta nunca sera criado pela vontade vacllante de 
uma assoclagao naclonal de operarlos, mas unlcamente pela vontade ferrea do movlmento que 
sozlnho alcangou a vltoria na luta contra todos. 

CAPITULO IX - IDEIAS FUNDAMENTAIS SOBRE O FIM E A ORGANIZAQAO 
DOS TRABALHADORES SOCIALISTAS 

O poder da antlga nagao era apolado em tres colunas: a constltulgao monarquica, o corpo 
admlnlstratlvo e o exerclto. A revolugao de 1918 revogou a constltulgao monarquica, dissolveu o 
exerclto e entregou o corpo admlnlstratlvo a corrupgao partldarla. Com Isso foram, porem, 
destruidos os sustentaculos principals da chamada autorldade do Estado. 

Essa basela-se quase sempre sobre aqueles elementos que, em geral, sao o fundamento de 
toda autorldade. 

O primeiro fundamento para a formagao do principio da autorldade conslste sempre na 
popularldade. Uma autorldade, porem, que se apola unlcamente nesse fundamento e ainda 
extremamente fraca, Insegura e vacllante. Todo portador de uma tal autorldade, baseada 
excluslvamente sobre as simpatlas populares, devera, por essa razao, tratar de melhorar a base 
dessa autorldade pela criagao do poder. No poder, na forga material, vemos a segunda base de 
toda autorldade. E essenclalmente mals sollda, mals segura, mas nem sempre mals vigorosa do 
que a primelra. Quando se reune a popularldade com a forga material, e conseguem as mesmas 
sobrevlver juntas, um certo tempo, entao podera surglr uma autorldade sobre uma base 
fundamental aInda mals sollda, a autorldade datradlgao. Quando, enflm, se llgam. a popularldade, 
a forga material e a tradlgao, pode-se, entao, falar de uma autorldade Inabalavel. 

Com a Revolugao esta ultima hipotese fol Intelramente afastada, pols ja nao havia mals a 
tradlgao. Com a queda do Imperlo, com a mudanga da antlga forma de governo, com a destrulgao 
das antlgas Insignlas e simbolos do Imperlo, a tradlgao fol, de um goipe, destruida, o resultado 
disso fol mals forte abalo ria autorldade do Estado. 

Ate a segunda coluna da autorldade, a forga material, nao existia mals. A flm de fazer o possivel 
para levar a cabo a Revolugao, era necessarlo dissolver o exerclto como encarnagao da 
capacldade organlzadora e da forga do Estado. Mals aInda, devla-se utillzar a parte do exercicio 
divldldo como elemento para o combate revoluclonarlo. Se bem que nos exercltos do front nao se 
tlvesse reallzado totalmente essa decomposlgao, os mesmos, no entanto, a proporgao que 
delxavam atras de si os glorlosos campos das suas herolcas lutas, que duraram quatro anos e 
melo, lam sendo corroidos pelo acldo da desorganlzagao e acabaram, apos a desmoblllzagao, por 
entrar na confusao da denomlnada obedlencia espontanea da epoca dos "Conselhos dos 
soldados". 

Nessas bordas revoltosas de soldados, que eram de opinlao que o servlgo mllltar deveria ser 
Identico ao dia de olto horas de trabalho, nao se podia, e claro, apolar nenhuma autorldade. Com 
Isso desaparecia tambem o segundo elemento, que e a garantia da solldez da autorldade, e a 
Revolugao passava a dispor, unlcamente, do primeiro, Isto e, da popularldade, para eriglr sobre ele 
a sua autorldade. Essa base era, porem, um elemento extraordlnarlamente Incerto. De fato, 
consegulu a Revolugao, por melo de um poderoso goIpe, destruir o antlgo edificio do Estado. A 
razao por que a Revolugao logrou esse efelto, deve ser vista no fato de ja ter sido destruido pela 
guerra o equllibrlo normal da organlzagao de nosso povo. 

As nagoes podem ser divldldas em tres grandes classes; em um extremo encontra-se a 
humanldade superior, portadora de todas as virtudes, distlngulndo-se, princlpalmente, pela 
coragem e capacldade de sacrlficlos; na outra extremldade, acham-se os representantes da vlleza 
humana, possuldores de todos os Impulsos e viclos egoistas. Entre estes dols extremos, encontra- 
se uma terceira classe, a vasta camada media, na qual nao se encontram nem radlantes 



heroismos nem tendencias criminosas. 

Tempos de grande prosperidade de uma nagao se distinguem, pode-se dizer mesmo, so 
existem, quando a sua diregao esta nas maos da parte melhor da sociedade. 

Tempos de um desenvolvimento normal e harmonico ou de um Estado solido sao 
caracterizados pela evidente domina^ao dos elementos do centro, em que ambos os extremos se 
encontram em equilibrio. 

Tempos de ruina de um povo sao determinados pela agao predominante dos elementos 
inferiores. 

Notavel e, nesse caso, que a grande massa, como classe do centro, como a classifiquei, so 
aparega quando os dois extremos se combatem mutuamente. No caso da vitoria de um dos 
extremos, sempre se subordina voluntariamente ao vencedor. 

No caso de veneer o extremo melhor, a grande massa acompanha-lo-a; na hipotese de subir o 
extremo do mal a massa pelo menos nao Ihe opora resistencia, pois as camadas do centro nunca 
entram em combate. 

A guerra sangrenta, nos seus quatro anos e meio, destruiu, a tal ponto, o equilibrio interno 
dessas tres classes, que se pode declarar - sem se deixar de reconhecer todos os sacrificios da 
massa do centro - que o resultado, para a parte superior da humanidade, foi perder quase 
completamente o seu sangue. 

E incrivel o que, nesses quatro anos e meio, a Alemanha perdeu. justamente no sangue dos 
seus herois. Somemos todas as centenas de milhares de casos particulares em que se dizia 
sempre: Voluntarios para o front! Patrulhas de ronda voluntarias! Estafetas voluntarios! 
Telefonistas voluntarios! Voluntarios para construgoes de pontes! Voluntarios para submarinos! 
Voluntarios para avioes! Voluntarios para batalhoes de assalto, etc., sempre e sempre, durante 
quatro anos e meio, em mil ocasioes, voluntarios e novamente voluntarios! Via-se sempre o 
mesmo resultado: os- jovens menores ou o homem maduro, todos possuidos de ardente amor pela 
patria, de grande coragem pessoal e da mais alta consciencia do dever, apresentavam-se 
ininterruptamente. Dez mil, cem mil desses casos aconteciam. Pouco a pouco la diminuindo, cada 
vez mais, essa torrente de homens. Os que nao tombavam no campo de bataiha ficavam 
mutilados, aleijados, ou se dispersavam aos poucos, em consequencia do seu pequeno numero. 
Considere-se, antes de tudo, que o ano de 1914 pos em pe de guerra exercitos completos dos 
denominados voluntarios, os quais, gragas a criminosa falta de consciencia dos nossos perversos 
parlamentares, nao tinham recebido a educagao militar devida e, nessas condigoes, eram 
apresentados aos inimigos como carne para canhoes! Os quatrocentos mil que, naquele tempo, 
tombaram nas batalhas de Flandres ou se transformaram em aleijados, nao podiam mais ser 
substituidos. Sua perda era mais do que uma perda apenas numerica. Com os seus mortos, a 
concha boa da balanga subiu, e, mais do que dantes, pesavam agora os representantes da vileza, 
da infamia, da covardia, enfim a grande massa dos inferiores. 

Mas isso nao foi tudo. 

Enquanto, durante quatro anos e meio, os elementos melhores rareavam em proporgao 
assustadora, os piores se conservavam de maneira surpreendente. A cada heroi que, sacrificando 
sua vida, subia as escadas da gloria, correspondia um safado que, cautelosamente, se salvava da 
morte e, no interior do pafs, desenvolvia a sua atividade mais ou menos inutil. 

Assim, fim da Guerra apresentava o seguinte quadro: a grande camada media da nagao tinha 
cumprido com o seu dever, oferecendo a Patria o seu sangue; elementos superiores sacrificaram- 
se em um herofsmo exemplar; covardes, apoiados, por um lado, por leis insensatas e, por outro, 
pela nao aplicagao dos artigos do codigo militar, foram, para desgraga geral, integralmente 
conservados 

Foi essa escoria do nosso povo que, logo depois, fez a Revolugao, que pode organizar, porque 
nao tinha mais, na sua frente, a nata da nagao, sacrificada na Guerra. 

Por isso, a Revolugao alema, desde o inicio, era uma empresa de popularidade muito relativa. 
Nao foi povo alemao que cometeu este crime de Calm, mas a canaiha composta de desertores, 
rufioes, etc. 

O soldado da frente regozijava-se com o fim da luta sangrenta, sentisse feliz por poder voltar a 
Patria, tornar a ver a esposa e os filhos. Pela Revolugao, porem, nao tinha ele, no intimo, nenhum 
interesses; nao simpatizava com ela, nem muito menos com seus autores e organizadores. Nos 
quatro anos e meio de combate, tinha esquecido as hienas partidarias e tinha ficado estranho as 



suas brigas. 

Somente para uma pequena parte do povo alemao, a Revolugao era verdadeiramente popular, 
isto e, para aquela classe dos seus auxiliares que tinha escolhido uma sacola como emblema de 
todos OS cidadaos de honra deste novo Estado. Eles nao simpatizavam com a Revolugao por si 
mesma, como muitos pensam erradamente ainda hoje, mas sim devido as suas consequencias. 

Mas era dificil qualquer autoridade apoiar-se, de maneira firme, unicamente na popularidade 
desses filibusteiros marxistas. No entanto, justamente a nova Republica precisava de uma 
autoridade a qualquer prego, se nao quisesse ser devorada, apos um curto caos, pela desforra dos 
ultimos bons elementos do nosso povo. 

Nada temiam mais naquele tempo os organizadores da Revolugao do que, no turbilhao de suas 
proprias confusoes, ver fugir-lhes o chao e verem-se apanhados de surpresa, por um punho de 
ferro, como muitas vezes, em tais tempos, acontece na vida das nagoes. A Republica devia 
consolidar-se, custasse o que custasse. 

Por isso foi forgada a organizar imediatamente, ao lado da coluna vacilante da sua 
popularidade, um regime de violencia para, sobre o mesmo, melhor fundamentar uma autoridade 
mais solida. 

Quando nos dias de dezembro, Janeiro e fevereiro de 1918/19, os tratantes da Revolugao 
sentiam que a terra firme cedia a seus pes, procuraram encontrar homens que estivessem prontos 
a reforgar, pelo poder das armas, a fraca posigao que Ihes oferecia o amor de seu povo. A 
Republica anti-militarista necessitava soldados. Como, porem, o primeiro e unico apoio da sua 
autoridade - isto e, a sua popularidade - se compunha somente de uma sociedade de rufioes, 
ladroes, arrombadores, desertores, etc., quer dizer, daquela parte do povo que devemos classificar 
como extremo da vileza, toda tentativa para encontrar homens prontos ao sacriffcio da propria 
vida em prol do novo ideal era absolutamente impossivel naqueles circulos. Os que haviam feito a 
propaganda da ideia revolucionaria e haviam organizado a Revolugao nao eram capazes nem 
estavam dispostos a fornecer, das suas proprias fileiras, soldados para a defesa da mesma. Pols 
essa gente nao desejava, de modo algum, a organizagao de um Estado republicano, mas sim a 
desorganizagao do Estado existente, para melhor poder satisfazer seus instintos. Seu lema nao 
era: a ordem e o progresso da Republica Alema, mas, ao contrario: o saque da mesma. 

Assim, fatalmente, o grito de socorro que; naqueles dias langavam os defensores da Republica, 
apavorados, nao podia ser ouvido por essas camadas. Ao contrario, so poderia provocar recusas e 
exasperos. Ja entao se pensava na constituigao de uma autoridade que nao fosse apoiada 
somente na sua popularidade mas sim tambem na forga. Pensava-se, de inicio, em um combate 
contra os pontos de vista da Revolugao, os unicos vitals para aqueles elementos: isto e, no 
comego da Guerra contra o direito ao roubo, contra o poder desenfreado de uma horda de ladroes 
e arrombadores que haviam escapulido dos muros das prisoes. 

Os defensores da Republica poderiam gritar tanto quanto quisessem, ninguem das suas fileiras 
se apresentava, o contra grito "traidores" Ihes fez compreender como os portadores de sua 
popularidade pensavam. 

Naquele tempo, pela primeira vez, muitos jovens alemaes se achavam prontos, em nome da 
"tranqGilidade e da ordem", como eles diziam, a vestir novamente o uniforme e, de armas aos 
ombros, com seus capacetes de ago, dar combate aos destruidores da patria. Como voluntarios 
reuniram-se os mesmos em corpos livres e comegaram a defender a mesma Republica que tanto 
odiaram e que assim praticamente reforgavam. 

Essa gente agiu de boa fe. 

O verdadeiro organizador da Revolugao e seu manipulador efetivo, o judeu internacional, tinha 
calculado bem a situagao. O povo alemao ainda nao estava bastante amadurecido para ser 
afogado no mar de sangue do bolchevismo, como aconteceu na Russia. O motivo era, em grande 
parte, devido a maior unidade de raga que se verificava entre os intelectuais e os operarios 
alemaes. Concorreu para isso tambem a grande divulgagao da cultura intelectual nas camadas 
mais baixas do povo, que somente se comparava a dos demais Estados do oeste da Europa, o 
que faltava absolutamente na Russia. Na Russia, a intelectualidade, na sua maior parte, nao era 
de nacionalidade russa ou, pelo menos, era de carater nao eslavo. A camada superior de 
intelectualidade da Russia daqueles tempos podia ser manejada de um momento para outro 
porque Ihe faltavam absolutamente os elementos que a podiam ligar com a grande massa do povo. 
O nfvel intelectual desta ultima era, tambem, horrivelmente baixo. 



No momento em que se conseguiu na Russia, atigar a massa analfabeta contra a fina camada 
intelectual, com a qual a mesma nao tinha nenhuma relagao, estava decidido o destino do pais, 
estava vitoriosa a Revolugao. O analfabeto russo tornava-se escravo incondicional dos seus 
ditadores judaicos, os quais, por sua parte, eram bastante inteligentes para disfargar essa ditadura 
com a frase: 

Na Alemanha, ainda se dava o seguinte: a Revolugao so tinha sido possivel em conseqGencia 
da gradual decomposigao do exercito. O soldado do front nao tinlna sido o verdadeiro causador da 
Revolugao e destruidor do exercito, mas sim a miseravel canaiha, que ou perambulava nas 
guarnigoes do interior ou, entao, como "indispensavel", prestava em qualquer parte servigos na 
economia interna. Esse exercito era reforgado ainda por dezenas de millnares de desertores que, 
sem menor risco, puderam volver as costas ao front. O verdadeiro covarde de todos os tempos 
nada feme tanto quanto a morte. A morte ele tinlna, porem, diante dos ollnos diariamente no front, 
sob mil aspectos. 

Para que se possa forgar mogos indecisos e vacilantes ou ate covardes a cumprir o seu dever, 
em todos os tempos so houve um meio: o desertor deve saber que a sua desergao traz justamente 
consigo aquilo de que ele desejava fugir, isto e, a morte. No front pode-se morrer, o desertor deve 
morrer. 

Unicamente por meio de uma ameaga draconiana como essa, para toda tentativa de desergao, 
poder-se-a evitar o desanimo nao so do individuo mas tambem da totalidade, da massa. 

Esses eram o sentido e a finalidade dos artigos do codigo militar. 

Entrar na grande luta em prol da existencia da nagao inteira era uma crenga superior, 
unicamente apoiada na fidelidade espontanea, nascida e conservada em conseqiJencia do 
reconhecimento de uma necessidade imperiosa. Foi sempre o cumprimento do dever espontaneo 
que inspirou as agoes dos homens superiores, nunca porem as dos homens comuns. Por esta 
razao, sao necessarias leis, como, por exempio, as contra o roubo, as quais nao foram decretadas 
para os honestos mas sim para os elementos vacilantes e fracos. Essas leis devem ser o meio 
para aterrorizar os maus, a fim de impedir que se crie uma situagao em que, finalmente, o honesto 
seria contemplado como o mais imbecil e, por conseguinte, sempre cada vez mais teria a 
impressao de que seria mais conveniente participar tambem no roubo do que presenciar o mesmo, 
como espectador, com maos vazias, ou deixar-se roubar. 

Era assim, portanto, um erro acreditar-se que se poderia numa luta que, conforme todas as 
previsoes humanas, se poderia prolongai- anos e anos, prescindir dos meios que a experiencia de 
muitos seculos, ate de milenios, apontava capazes de, nos momentos mais graves, forgar esses 
homens indecisos e fracos ao cumprimento do seu dever. 

Para os herois voluntarios evidentemente nao se necessitava de artigos do codigo militar, 
indispensaveis, porem, para o covarde egoista, que, na hora em que a Patria corria perigo, 
estimava mais a sua vida do que a da coletividade. Tais covardes so poderao abandonar a sua 
covardia aplicando-se contra eles os mais severos castigos. Quando homens lutam 
ininterruptamente com a morte e, durante semanas, sao obrigados a permanecer, em combate 
sem treguas, dentro de trincheiras cheias de lama, as vezes sem o mais indispensavel alimento, o 
indivfduo que prefere a vida nos seus cantoes nao podera ser forgado ao cumprimento do seu 
dever por meio de ameaga de prisao, mas sim unicamente por uma rigorosa aplicagao da pena de 
morte. 

Esses indivfduos consideram, nesses tempos, como o prova a experiencia, a prisao como um 
lugar ainda mil vezes mais agradavel do que o campo de bataiha, visto que na prisao ao menos a 
sua inestimavel vida nao esta ameagada. 

Causou as piores conseqiJencias que, durante a guerra, se tivesse deixado de aplicar a pena de 
morte. Um exercito de desertores espalhou-se pelo pais em 1918 e colaborou na formagao da 
organizagao criminosa a que se deve a Revolugao de novembro de 1918. 

O front estava alheio a tudo isso. Os soldados que lutavam na frente ansiavam pela paz. 
Justamente nesse fato havia um grande perigo para a Revolugao. A proporgao que, depois do 
armisticio, os exercitos alemaes regressavam a Patria, no espirito dos revolucionarios surgiam as 
seguintes perguntas: Que farao as tropas da frente? Suportarao elas tudo isso? 

Durante aquelas semanas, a Revolugao na Alemanha deveria apresentar uma extrema 
moderagao, se nao quisesse correr o perigo de ser destruida de um momento para outro, por 
algumas divisoes alemas. Naquela epoca, se o comandante de uma unica divisao tivesse tomado 



a resolugao, com auxilio de seus dedicados soldados, de arrear os trapos vermelhos, destruir os 
"Conselhos" e veneer qualquer resistencia, mediante langa-minas e granadas de mao, essa 
divisao, em menos de quatro semanas, se teria transformado em um exercito de sessenta divisoes. 
Os judeus que manejavam o movimento temiam isso mais do que tudo. Justamente para impedir 
que essa hipotese se realizasse, era necessario impor a revolugao um certo aspecto de 
moderagao, dando-se a impressao de que ela de nenhum modo degeneraria em bolchevismo, ao 
contrario devia dissimular que se batia "pela tranquilidade e pela ordem". Este foi o motivo das 
grandes concessoes, o apelo ao antigo corpo de funcionarios publicos, aos chefes do antigo 
exercito. Precisava-se deles, pelo menos por certo tempo, e, somente depois que o mouro tivesse 
cumprido o seu dever, poder-se-ia tentar aplicar-Ihe o devido pontape, e retirar, assim, a Republica 
das maos dos antigos servidores do Estado e entrega-la as garras dos urubus da Revolugao. 

Somente assim pela aparente inofensividade e tolerancia do novo regime se poderia esperar 
enganar velhos generals e empregados de Estado e evitar uma possivel resistencia dos mesmos. 

Ate que ponto lograram isso, foi demonstrado na pratica. 

A Revolugao nao foi feita, porem, por elementos pacificos e ordeiros, mas, ao contrario, por 
elementos revoltosos, ladroes e saqueadores. O mais ampio desenvolvimento da Revolugao nao 
correspondia aos desejos desses ultimos elementos, e nem poderiam eles, por motivos taticos, 
esclarecer o curso da mesma e torna-la mais apetecivel. 

Com aumento progressivo de sua influencia, a Social Democracia perdeu, mais e mais, o 
carater de um partido de revolugao a forga bruta. Isso se verificou nao porque se visassem outros 
fins que os da Revolugao ou porque os seus organizadores tivessem mudado de intengoes. 
Absolutamente nao. A razao e que a organizagao ja nao se prestava a realizar aquela finalidade. 
Com um partido de dez milhoes de adeptos ja nao se pode fazer revolugao. Em um tal movimento 
ja nao se pode contar com um extremo de atividade, devido a influencia, no combate por parte da 
grande massa do centro. Compreendendo isso, o judeu, ainda durante a Guerra, provocou a 
celebre cisao da Social Democracia. Isso significa que, enquanto o Partido Social Democratico, 
devido a inercia das suas massas, pesava sobre a defesa nacional como uma massa de chumbo, 
dele foram extraidos os elementos radicals e ativos. Com os mesmos se formariam batalhoes de 
ataque, de uma forga decisiva. O Partido Social Democratico Independente e a "Uniao 
Espartacista" foram os batalhoes de assalto do marxismo revolucionario. A burguesia covarde foi 
julgada, nessa ocasiao, realmente com justiga e tratada simplesmente como canalha. Como e 
sabido que, pela sua humildade canina, as organizagoes politicas de uma geragao veiha e invalida 
nao eram capazes de qualquer resistencia, julgou-se superfluo prestar-lhes qualquer atengao. 

A Revolugao tinha vencido e demolido os esteios principals do antigo regime, mas o exercito, 
voltando para a Patria, aparecia como um fantasma ameagador que deveria por um freio ao 
desenvolvimento natural da Revolugao. O grosso do exercito social-democratico ocupava as 
posigoes conquistadas e os batalhoes de assalto dos Independentes e dos Espartacistas foram 
postos a margem. 

Isso nao se conseguiu, porem, sem combate. 

Nao somente as mais ativas formagoes de assalto da Revolugao se sentiam ludibriadas porque 
nao tinham sido satisfeitos os seus desejos e que. riam continuar a luta, mas tambem a sua 
desenfreada indisciplina era bem vista pelos que manejavam a Revolugao. Mai se tinha modificado 
a situagao e ja apareciam dois partidos, lado a lado: O partido da "Tranquilidade e da Ordem" e o 
grupo terrorista. Oue poderia haver de mais natural, agora, que a nossa burguesia imediatamente 
entrasse, de bandeiras desfraldadas, no acampamento "da Tranquilidade e da Ordem"? Essas 
miseraveis organizagoes politicas tinham assim a possibilidade para uma atividade pela qual teriam 
encontrado novamente uma base com que conseguiram solidarizar-se com o Poder que tanto 
odiavam, mas que muito temiam. A burguesia politica alema tinha obtido a alta honra de Ihe ser 
permitido sentar-se na mesma mesa com os malditos chefes marxistas, para combater pelo 
bolchevismo. 

Dessa forma, ja em dezembro de 1918 e Janeiro de 1919, era esta a situagao: 

Com uma minoria de pessimos elementos, foi feita uma revolugao a qual aderiram 
imediatamente todos os partidos marxistas. A Revolugao tem aparentemente um carater 
moderado, com o que provoca a inimizade dos extremistas fanaticos. Estes comegam a trabalhar 
com granadas de mao e metralhadoras, a ocupar edificios publicos, enfim, a ameagar a revolugao 
moderada. A fim de afastar os horrores de uma tal evolugao, os adeptos do novo regime fazem um 



armisticio com os adeptos do antigo para, solidarios, combaterem os extremistas. O resultado e 
que OS inimigos da Republica cessaram o seu combate contra ela e ajudaram a veneer aqueles 
que, de pontos de vista completamente diferentes, tambem eram inimigos da mesma Republica. O 
segundo resultado foi que, desse modo, o perigo de um combate dos adeptos do regime antigo 
contra os da nova ordem de coisas parecia definitivamente afastado. 

E importantissimo nao esquecer nunca esse fato. Somente quem o compreender podera 
explicar como foi possivel a um decimo impor essa Revolugao a um povo do qual nove decimos 
nela nao tomaram parte, sete decimos a recusaram e seis decimos a odiavam. 

Os combatentes das barricadas espartacistas, de um lado, os fanaticos nacionalistas e os 
idealistas do outro, derramavam seu sangue e, a medida que esses dois extremos se aniquilavam 
uns aos outros, vencia como sempre a massa do centro. Burguesia e Marxismo renderam-se aos 
fatos consumados e a Republica comegou a consolidar-se. Isso, no entretanto, nao impedia que os 
partidos burgueses, especialmente antes das eleigoes, falassem ainda por algum tempo nas ideias 
monarquicas para, evocando os espiritos do mundo passado, atrairem os espiritos inferiores dos 
seus adeptos e conquistarem-nos novamente. 

Isso nao era honesto, Todos estavam, ha muito tempo, no seu intimo, desligados da monarquia. 
A impureza do novo regime comegou a produzir seus efeitos tentadores tambem no acampamento 
do partido burgues. O tipo normal do politico burgues de hoje sente-se melhor na lama da 
corrupgao republicana que na austeridade do regime antigo que ainda nao desapareceu de sua 
memoria. 

Como ja explicamos, depois da destruigao do antigo exercito, a Revolugao estava na 
contingencia de criar um fator novo - a autoridade de seu Estado. Nas condigoes em que estavam 
as coisas, esse fator novo so podia ser encontrado nas fileiras dos partidarios de uma doutrina 
politica universal contraria a sua. Dessas fileiras poderia, entao, surgir, pouco a pouco, um corpo 
militar que, numericamente limitado pelos tratados de paz, nos seus sentimentos devia ser 
transformado, no correr do tempo, em um instrumento da nova concepgao do Estado. 

Pondo de parte os defeitos reals do antigo regime, chega se a conclusao de que os motivos por 
que a Revolugao triunfou foram os seguintes: 

1) O entorpecimento das nossas ideias sobre cumprimento do dever e obediencia. 

2) A passividade covarde dos nossos chamados partidos conservadores. 
A isso acrescente-se a seguinte observagao: 
A falta da nogao do cumprimento do dever explica-se, em ultima analise pela ausencia do 

espirito nacional da nossa educagao, orientada apenas no interesses do Estado. Dai resulta 
tambem a confusao entre meios e fins. Consciencia do dever, cumprimento do dever e obediencia 
nao sao fins em si mesmos, como tambem nao o e o Estado, mas apenas meios para assegurar a 
existencia a uma comunidade de seres humanos, homogeneos tanto de corpo como de espirito. 

Em um. momento em que um povo se arruina a olhos vistos e esta sob o jugo da mais dura 
opressao, gragas a atividade de um punhado de biltres, obediencia e cumprimento de dever e puro 
formalismo doutrinario, atinge as raias da insensatez. So se poderia conseguir evitar a rufna de um 
tal povo pela recusa a obediencia e ao cumprimento do dever. 

De acordo com a atual concepgao burguesa de Estado. o comandante de divisao que, da parte 
do governo, tivesse recebido ordem de nao fazer fogo, tinha cumprido com o seu dever e 
procedido corretamente, porque para o mundo burgues vale mais a obediencia formal e absoluta 
do que a existencia do proprio povo. A concepgao nacional socialista, porem, em momentos 
semelhantes, e esta: o mais importante nao deve ser a obediencia aos superiores indecisos mas 
Sim a obediencia a comunidade do povo. Em uma tal hora, somente deve existir o dever da 
responsabilidade pessoal perante a nagao inteira. 

A Revolugao so triunfou porque o nosso povo ou, melhor, os nossos governos, haviam perdido 
a compreensao dessas ideias para aceitarem, em seu lugar, uma compreensao puramente formal 
e doutrinaria. 

O motivo mais intimo da covardia dos partidos "conservadores" do Estado e, antes de tudo, o 
desaparecimento, das suas fileiras, da parte ativa e bem intencionada do nosso povo, a parte que 
se sacrificou, ate a ultima gota de sangue, nos campos de batalha. Nao obstante isso, os partidos 
burgueses estavam convencidos de poder defender suas convicgoes, exclusivamente por meios 
intelectuais, desde que a aplicagao de meios fisicos devia caber unicamente ao Estado. Dever-se- 
ia logo reconhecer em uma tal compreensao o sinal de uma decadencia que paulatinamente se la 



acentuando. Isso era insensate, em urn tempo em que o adversario politico, ja de Ina muito, se 
tinlna afastado desse ponto de vista e proclamava por toda parte, com a maior franqueza, estar 
resolvido a defender seus fins polfticos ate pela forga. No mesmo momento em que apareceu no 
mundo da democracia burguesa e, em consequencia da mesma, o marxismo, seu apelo foi 
combater com "armas intelectuais", disparate que um dia haveria de produzir seus terriveis efeitos 
sobre o partido, desde que o marxismo sempre defendia a opiniao contraria, isto e, que o emprego 
das armas devia atender apenas a pontos de vista de conveniencia e que o direito a esse recurso 
e justificado pelo sucesso do mesmo. 

Quanto essa opiniao era exata ficou provado nos dias 7 e 11 de novembro de 1918. Naquele 
momento, o marxismo absolutamente nao tomou em consideragao nem o parlamentarismo nem a 
democracia, mas, por meio de bandos de criminosos armados, deu o goipe de morte em ambos. E 
perfeitamente compreensivel que as organizagoes dos palradores burgueses estivessem 
desarmadas naqueles dias. 

Depois da Revolugao, quando os partidos burgueses, embora sob novos nomes, 
repentinamente reapareciam e seus Ineroicos clnefes saiam de rastros da obscuridade de bodegas 
seguras e poroes bem ventilados, como todos os representantes dessas antigas organizagoes, 
nem tinlnam esquecido seus erros nem aprendido qualquer coisa de novo. O seu programa politico 
tinha rafzes no passado, na parte em que ainda nao tinham assimilado o novo estado de coisas. O 
seu objetivo era, no entanto, se possivel, tomar parte no novo estado de coisas. Antes como 
depois, sua unica arma ficou sempre sendo a palavra. 

Mesmo depois da Revolugao, os partidos burgueses sempre capitularam da forma mais 
miseravel, em todas as manifestagoes de rua. 

Quando se tratou de votar a "lei de defesa da Republica" nao era possivel contar desde logo 
com uma maioria. Diante da demonstragao de duzentos mil marxistas, os estadistas burgueses 
foram tomados de um tal terror, que votaram a lei, contra a sua convicgao, simplesmente com 
receio de, ao sairem do Reichstag, serem espancados pela furiosa massa popular. E pena que 
isso nao tenha acontecido em consequencia da votagao da lei. 

Assim, novo Estado seguiu o seu caminho, como se nunca tivesse existido uma oposigao 
nacional. 

As unicas organizagoes, que, naquele tempo, teriam tido coragem e forga para enfrentar o 
marxismo e as massas revolucionarias, eram, em primeiro lugar, os corpos voluntarios, as 
organizagoes de defesa propria, os corpos de defesa local, etc., e, finalmente, as associagoes 
tradicionais. 

O motivo por que tambem a existencia desses elementos de defesa nao conseguiu qualquer 
sensivel alteragao na evolugao alema, foi o seguinte: 

Assim como os chamados partidos nacionais nao conseguiram exercer qualquer influencia, por 
incapacidade de dominar os movimentos coletivos, da mesma maneira, as denominadas 
associagoes de defesa nao o puderam, por falta de ideias politicas, de objetivos polfticos. 

Foi a decisao absoluta combinada com a brutalidade pratica que assegurou a vitoria do 
marxismo. 

O que evitou a possibilidade de uma defesa pratica dos interesses alemaes foi a ausencia de 
uma colaboragao da forga com uma vontade polftica inteligente. Qualquer que fosse a vontade dos 
partidos "nacionais", nao tinham eles o mfnimo poder de defender essa vontade, pelo menos nas 
manifestagoes publicas. As "associagoes de defesa" possuiam toda forga, eram senhores da rua e 
do Estado, mas nao possuiam nenhuma ideia, nenhum objetivo polftico, com os quais pudessem 
trabalhar pelo bem-estar da Alemanha. Em ambos os casos, foi a astucia do judeu, que conseguiu, 
por meio de conselhos prudentes, quando nao tornar firme para sempre, pelo menos garantir a 
situagao existente. 

Foi judeu que soube, por meio da sua habilissima imprensa, conseguir dar as ligas armadas 
um carater "nao politico" e que, na vida polftica, com igual astucia, sempre pregava e exigia a "pura 
intelectualidade" do combate. Milhoes de idiotas alemaes repetiram essas asneiras sem se 
aperceberem de que, assim, eles mesmos, praticamente, se desarmavam e se entregavam 
desarmados aos judeus. 

Para isso, porem, ha uma explicagao natural. A falta de uma grande ideia renovadora vale, em 
todos OS tempos, por uma diminuigao da Capacidade de resistencia. 

A convicgao do direito ao emprego de armas, mesmo as mais brutais, e sempre associada a 



existencia de uma fe fanatica na necessidade da vitoria de uma organizagao nova e 
transformadora. Um movimento que nao combate por semelhantes fins e ideais nunca recorrera as 
armas. 

A proclamagao de uma grande ideia nova foi o segredo do sucesso da Revolugao Francesa! Foi 
a ideia que a revolugao russa deveu a sua Vitoria, so pela ideia e que o fascismo teve a forga de, 
de uma maneira muito feliz, conquistar um povo para uma grandiosa organizagao nova. 

Partidos burgueses nao sao capazes disso. 

Nao eram somente os partidos burgueses que reconheciam o seu fim politico em uma 
restauragao do passado, mas sim tambem as associagoes de defesa. Associagoes de veteranos e 
outras do mesmo jaez ajudavam a destruir politicamente a mais forte arma que a Alemanlna 
nacionalista possuia naquele tempo e concorreram para, pouco a pouco, coloca-la a servigo da 
Republica. Que as mesmas nisso agiam com a mellnor intengao, com a mellnor boa-fe, em nada 
modifica a insensatez dos acontecimentos daquele tempo. 

Aos poucos obtinlna o marxismo, no exercito imperial, o necessario apoio a sua autoridade, e 
comegava, em seguida, conseqiJente e logicamente, a considerar como desnecessarias as 
associagoes de defesa nacional, aparentemente perigosas. Principalmente alguns chefes 
audaciosos, dos quais se desconfiava, foram levados aos tribunals da justiga e metidos na cadeia. 
Todos, porem, cumpriam o destino que tinham merecido. 

Com a fundagao do N. S. D. A. P. (Partido Nacional-Socialista dos Traballnadores Alemaes) 
apareceu, pela primeira vez, um movimento cujo fim nao era identico aos dos partidos burgueses, 
isto e, nao consistia em uma restauragao mecanica do passado, mas sim no empenho de erigir, no 
lugar do atual mecanismo estatal absurdo, um Estado organico e nacionalista. 

O novo movimento aceitava, desde o primeiro momento, que suas ideias tinham de ser 
defendidas intelectualmente, e que a sua defesa, em caso de necessidade, tambem tinha de ser 
garantida por meios violentos. Fiel a convicgao da grande importancia da nova doutrina, parecia- 
Ihe evidente que, para o alcance de seu fim, nenhuma vitima deveria ser grande demais. 

Eu ja demonstrei que um movimento que visa conquistar o coragao de um povo, deve, dentro 
de suas proprias fileiras, organizar a defesa contra tentativas terroristas dos inimigos. Tambem a 
experiencia da Historia Universal prova que o terror desenvolvido por uma nova concepgao do 
mundo nunca podera ser combatido por meio de metodos puramente formalisticos, mas 
simplesmente por outra doutrina, com o mesmo poder de decisao e de audacia. 

Isso tera de ser desagradavel, em todos os tempos, aos empregados encarregados da defesa 
do Estado, o que nao invalida a verdade do que afirmamos. O poder do Estado so podera entao 
garantir "calma e ordem", quando o Estado protege, internamente, a sua atual concepgao, de 
maneira que os elementos capazes de violencia assumem o carater de criminosos, e nao podem 
ser vistos como representantes de uma concepgao do Estado contraria a maneira de ver em vigor. 
Nesse caso, pode a nagao empregar, durante seculos, as maiores medidas de violencia contra um 
terror que a esta ameagando; no fim, ela nada conseguira fazer contra o mesmo, e sera sempre 
vencida. 

O Estado alemao esta exposto aos ataques mais duros do marxismo. Nao pode impedir, 
durante sete anos de combate, a vitoria desta doutrina, mas apesar das milhares de penas de 
prisao e das mais sangrentas medidas que decretou, em inumeros casos, contra os combatentes 
do ameagador dogma marxista, teve que capitular quase completamente. Isso negara o estadista 
burgues, nao podendo, entretanto, a ninguem convencer. 

O Estado, porem, que, em 9 de novembro de 1918, se submeteu incondicionalmente ao 
marxismo nao podera amanha aparecer como dominador do mesmo. Os patetas burgueses que 
ocupam poltronas de ministros comegam ja a conversar sobre a necessidade de nao tomar 
atitudes contra os operarios, mostrando com isso que quando se referem a operarios pensam 
sempre no marxismo. Enquanto eles identificam o operario alemao com o marxismo, nao somente 
cometem uma falsificagao tao covarde como mentirosa, da verdade, mas tentam dissimular o 
desmoronamento proprio diante da ideia e da organizagao marxista. 

Em vista, porem, deste fato, isto e, da submissao incondicional do atual Estado ao marxismo, 
tanto mais tem o movimento nacional-socialista o dever de preparar a vitoria das suas ideias, nao 
somente no sentido intelectual mas tambem no da sua defesa contra o proprio terror da 
Internacional, na embriaguez de suas vitorias. 

Ja descrevi como, para os objetivos praticos do nosso novo movimento, formou-se lentamente. 



uma guarda para as reunioes, guarda que assumiu o aspecto de um corpo de tropa encarregado 
de manter a ordem e que aspirava tomar a forma de uma organizagao definitiva. Embora essa 
formagao, que se organizava paulatinamente, desse a impressao de uma liga militar de defesa, 
faltava-Ihe muito para poder merecer essa denominagao. 

Como ja explicamos, as organizagoes defensivas alemas nao tinham um programa politico 
definido. Eram, de fato, apenas unices para a defesa propria com uma educagao e organizagao 
que representavam, a dizer a verdade, um suplemento ilegal aos meios legais de defesa do 
Estado. Seu carater de corpos voluntarios era justificado somente pelo modo de sua formagao e 
pela situagao do Estado naquele tempo, mas de nenhum modo Ihes competia o titulo de formagoes 
livres de combate por uma convicgao propria. Nao mereciam esse titulo, apesar da atitude de 
oposigao de um ou outro dos chefes e de associagoes inteiras contra a Republica. 

Nao basta que se esteja convencido da inferioridade de urra situagao para poder falar de uma 
opiniao em sentido mais elevado, pois esta tem as suas raizes no conhecimento de uma situagao 
nova que a gente se sente no dever de atingir. 

Isso distinguia a "guarda" de ordem do movimento nacional-socialista daqueles tempos, de 
todos OS outros "corpos de defesa". Aquele nao estava absolutamente e nem desejava estar a 
servigo da situagao criada pela Revolugao, mas, ao contrario, combatia exclusivamente por uma 
Alemanha nova. 

Essa guarda, e verdade, destinava-se, de principio, a defesa dos mitingues. A sua primeira 
tarefa era restrita a esse objetivo: tornar possivel a realizagao de reunioes, que, sem essa defesa, 
teriam sido imediatamente impedidas pelos adversaries. Ja naquele tempo era educada para o 
ataque, nao como se costuma afirmar em estupidos circulos populares nacionalistas, pelo prazer 
da violencia, mas porque compreendia que os maiores ideals podem ser prejudicados quando o 
seu representante e abatido por um goipe de forga de um adversario insignificante, o que e muito 
frequente na historia da humanidade. Eles nao viam a forga como fim. Pretendiam defender os 
anunciadores do grande ideal contra a opressao pela violencia. Compreenderam tambem que nao 
estavam obrigados a aceitar a defesa de um Estado que nao