(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "A Batalha de Ourique e a Historia de Portugal de A. Herculano; contraposição critico-historica"

Google 



This is a digital copy of a book that was prcscrvod for gcncrations on library shclvcs bcforc it was carcfully scannod by Google as part of a projcct 

to make the world's books discoverablc online. 

It has survived long enough for the copyright to expire and the book to enter the public domain. A public domain book is one that was never subject 

to copyright or whose legal copyright term has expired. Whether a book is in the public domain may vary country to country. Public domain books 

are our gateways to the past, representing a wealth of history, cultuie and knowledge that's often difficult to discover. 

Marks, notations and other maiginalia present in the original volume will appear in this file - a reminder of this book's long journcy from the 

publisher to a library and finally to you. 

Usage guidelines 

Google is proud to partner with libraries to digitize public domain materiais and make them widely accessible. Public domain books belong to the 
public and we are merely their custodians. Nevertheless, this work is expensive, so in order to keep providing this resource, we have taken steps to 
prcvcnt abuse by commercial parties, including placing lechnical restrictions on automated querying. 
We also ask that you: 

+ Make non-commercial use of the files We designed Google Book Search for use by individuais, and we request that you use these files for 
personal, non-commercial purposes. 

+ Refrainfivm automated querying Do nol send automated queries of any sort to Google's system: If you are conducting research on machinc 
translation, optical character recognition or other áreas where access to a laige amount of text is helpful, please contact us. We encouragc the 
use of public domain materiais for these purposes and may be able to help. 

+ Maintain attributionTht GoogXt "watermark" you see on each file is essential for informingpcoplcabout this projcct and hclping them find 
additional materiais through Google Book Search. Please do not remove it. 

+ Keep it legal Whatever your use, remember that you are lesponsible for ensuring that what you are doing is legal. Do not assume that just 
because we believe a book is in the public domain for users in the United States, that the work is also in the public domain for users in other 
countiies. Whether a book is still in copyright varies from country to country, and we can'l offer guidance on whether any specific use of 
any specific book is allowed. Please do not assume that a book's appearance in Google Book Search mcans it can bc used in any manner 
anywhere in the world. Copyright infringement liabili^ can be quite severe. 

About Google Book Search 

Googlc's mission is to organize the world's information and to make it univcrsally accessible and uscful. Google Book Search hclps rcadcrs 
discover the world's books while hclping authors and publishers rcach ncw audicnccs. You can search through the full icxi of this book on the web 

at |http: //books. google .com/l 



Google 



Esta é uma cópia digital de um livro que foi preservado por gerações em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado 

pelo Google, como parte de um projeto que visa disponibilizar livros do mundo todo na Internet. 

O livro sobreviveu tempo suficiente para que os direitos autorais expirassem e ele se tornasse então parte do domínio público. Um livro 

de domínio público é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condição de domínio 

público de um livro pode variar de país para país. Os livros de domínio público são as nossas portas de acesso ao passado e representam 

uma grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente difíceis de serem descobertos. 

As marcas, observações e outras notas nas margens do volume original aparecerão neste arquivo um reflexo da longa jornada pela qual 

o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até você. 



Diretrizes de uso 

O Google se orgulha de realizar parcerias com bibliotecas para digitalizar materiais de domínio púbUco e torná-los amplamente acessíveis. 
Os livros de domínio público pertencem ao público, e nós meramente os preservamos. No entanto, esse trabalho é dispendioso; sendo 
assim, para continuar a oferecer este recurso, formulamos algumas etapas visando evitar o abuso por partes comerciais, incluindo o 
estabelecimento de restrições técnicas nas consultas automatizadas. 
Pedimos que você: 

• Faça somente uso não comercial dos arquivos. 

A Pesquisa de Livros do Google foi projetada p;ira o uso individuíil, e nós solicitamos que você use estes arquivos para fins 
pessoais e não comerciais. 

• Evite consultas automatizadas. 

Não envie consultas automatizadas de qualquer espécie ao sistema do Google. Se você estiver realizando pesquisas sobre tradução 
automática, reconhecimento ótico de caracteres ou outras áreas para as quEus o acesso a uma grande quantidade de texto for útil, 
entre em contato conosco. Incentivamos o uso de materiais de domínio público para esses fins e talvez possamos ajudar. 

• Mantenha a atribuição. 

A "marca dágua" que você vê em cada um dos arquivos 6 essencial para informar aa pessoas sobre este projoto c ajudá-las a 
encontrar outros materiais através da Pesquisa de Livros do Google. Não a remova. 

• Mantenha os padrões legais. 

Independentemente do que você usar, tenha em mente que é responsável por garantir que o que está fazendo esteja dentro da lei. 
Não presuma que, só porque acreditamos que um livro é de domínio público para os usuários dos Estados Unidos, a obra será de 
domínio público para usuários de outros países. A condição dos direitos autorais de um livro varia de país para pais, e nós não 
podemos oferecer orientação sobre a permissão ou não de determinado uso de um livro em específico. Lembramos que o fato de 
o livro aparecer na Pesquisa de Livros do Google não significa que ele pode ser usado de qualquer maneira em qualquer lugar do 
mundo. As consequências pela violação de direitos autorais podem ser graves. 

Sobre a Pesquisa de Livros do Google 

A missão do Google é organizar as informações de todo o mundo c torná-las úteis e acessíveis. A Pesquisa de Livros do Google ajuda 
os leitores a descobrir livros do mundo todo ao m esmo tempo em que ajuda os autores e editores a alcançar novos públicos. Você pode 
pesquisar o texto integral deste livro na web, em |http : //books . google . com/| 




coTnmãtfOHtçJin cniTico-uivroaiCA. 

(OGRA UIVtDlUA UM XttIS TARTCS) 
ATITIIOB 




A BATilLM DE OURIQUE | 

KA g 

CO :VTHAP0MIÇA0 miTK^tt-IMIITOBICA. 

(UilIlA DIVIDIDA HK HKIS rARTICS) 

AVTnoit 




•r • 

A BATALHA DE OCRIQH 



A. nsHcciiAiíro. 

(obra dividida bm seis partes) 

AUTHOR 

Recreio 



^mtmmMMm, vabtiu 



VcffilM odiam parit. 
Tbb« 



iiiíi»< 



Roa dvt CapellUtas n.^ €<• 



V ■ 



DP 
5'70 



» -. - . 






V. f 



VMVXjVnwo. 



Cc^uando o roroancismo, que em tudo hoje tnelte a su^ 
colherada^ e melterá, se a deixarem, a mSo, e braççi 
até o cotovelo; quando, digo, este trunfo, que em to* 
dos os naipes quer ter entrada, e com elles fazer jogoj 
quando, repito, esta Içaria potestade, que . na sciencii^ 
(não faltando já no mais) quer ter o sceptro, e nella^ 
sem alguma excepçSo nem estorvo, dictar a lei, e&f9.r 
tunda e pedantesca, apregoa e berra sahir á í uz publicii 
com algum engendrado producto do seu esbrazeado^ ç» 
vesuviano cérebro, com que blasona reconstruir, ou dar 
nova. vida, vigor e acção a algum ramo, ou qqerque. 
seja, da que, segundo os termos da sua tecbnplogia^ sa 
chama /ojfi/, decrépita e rnaraimada litteratura; ó bem 
claro a todo o ente deste mundo pensador, que cònbe» 
cer a mania, a phantasiadora veia (ou antes capciosa 
maoi vertia) que a tal deàfoiúRtadora utopia nSo é, nem 
costuma ser mais que a quinta essência do absurdo e do 
maU xemptitado c «m|H>leirado desvario* 

1 m 



-^4 — 

Por mais que o romancismo, alta, e enfaluadamen* 
te despolai e sotraacão se cancei e mate a toda a gente 
o bicho do ouvido com a inculca da sua Obra-typo^ já 
pela novidade da matéria, já pela lucidez do methodo, 
já em fim pelos ademanes do estilo; e isto quer singu- 
lar, quer promiscuamente indiciado; baldados são os 
brados arcbisonantes da impostura e fanfarrice pregoeira* 
•— Se por algum tempo a mascara retém o caio e posti- 
ço verniz, com que o phantasma se arrebica e adestra, 
não tarda em seguida o tajismaltcoescalpello da boa 
e inflexível critica e sa philosophia, que lhe venha nas 
piugadas golpear a mantilha, e pòr ao pino do sol irra- 
diante da demonstração as mazellas do embuçado es- 
pectro. 

Logo que aquelles dois agentes, procuradores fieis, 
ç fiscaes da nua e crua verdade chamam ao tríl)unal 
da imparcial e judiciosa analyse o protcnio admiran^ 
dOf bem depressa o convencem de que o seu pecúlio, o 
seu lastro scientifico tem tanta solidez como o nunca 
\isto fundo do fabuloso tonel das filhas de Danáo. — 
I4ão é preciso até levar muito longe aspesquizas para se 
dar com aninharia soberanamente ridicula, e sobre mo« 
do extravagante, que se inculca por mimo especioso de 
reqtiintnda Minerva. -^ Logo as mais daá vezes no pri- 
meiro límkiar, no portal da romântica maranha, que 
aspira ás honras do principado na republica das lettras, 
le sente e entrevê não sei que peirexfl mal saboroso de 
naiíseante embofía innovadora, que espontaneamente le- 
va ainda o mais narcótico investigador a exclamar de 
prothpto: O'* curas lioininum ! Quantum ctt %nrd>us ina^ 
n^/^—> Falíamos ou antes alludimos a e^se Roroancismo 
im«prúdente e néscio, que transpondo seus nattiraes li- 
inites, pretende fazer largas conquistas em territórios 
onde não pôde vingar.*— Não desiste com ludo da inten- 
tada ennipreza. Julga que a sua missão se estende tam- 
bém a prescrever a norma vigente a^ outros rarnos das 
bellas e amenas lettras.— Levanta pois o grito, o pendão 
de guerra. B* preciso destruir para depois dominar ; é 
óseu programma !... Com este intuito o ponto de assai* 
to, de conquista para que a negregada vertigem roman* 
iica com maia avidez deita, o eoívicza "O i'&«iltaote) « 



desdenhoso olho; o alvo para onde com Maibr ferocídn- 
jde e crueza aeesta os tiros das suas caronadas, é e tem 
sido para o variado, e aprazível campo da malfadada 
historia 1...^ Ahi o rolnancismo retouça e devanea mats 
«sturdio e turbulento que gozo' ou podengo, quando bríh* 
cn, divagando á rédea solta, no vasto e terraplenado eira- 
da!... Alli faz sede e guarida predilecta para as tuas in- 
ctirsi^es, e façonhudas tropelias*. Alli em fim levanta a 
atalaia mofina d^onde a esmo, e mais ainda adrede dab- 
deja contra aquella os bárbaro» golpes da feros lança da 
Mia superlativa insolenciai^-» Nos dominios com preíe* 
rencia da historia^ efige, . para melhor dizer, o palco, o 
circo ostentoso^ aonde dá expansão sotemne ás orgias da 
mais suprema e refinada insânia* J?k tuinma cst tnso* 

mo(l)! . - . . 

O génio excêntrico e desvatfado do romancísmo, 
dado e a^ezado ao.munda ideal do fingimento, è todo 
^Ue ficção estreme, em tudoaqvillo do raxindo dos fa- 
ctos em que se melte, e forjft iformn/hâr, outra cousa 
não deixa ver senSo ^pturá*e simplesiriente a si mesmo, 
e como elle na feaUdade é^ e devidamente o reputam ! 
-*- Fantasioso^! e pseudo^ptí mista por essência e acci- 
dentes, )ulga e .avalia. n ideologia histórica dos outros es- 
criptores por aquilo -que aereamente nutre, e agita em 
êou ôco, e vertiginoso cérebro !.•• Esta é a lente, o pris* 
ma favorito por ond^ constantemente di&visa e encara at 
verdades, ainda as mais bem recebidas, que a histioria 
em suas paginas trarismitte, e confirma.*-^ llm cérebro 
pois, um eraneo deste.jaez e polpa, iraaginanda-se estó^ 
fado, e ornanienlado^com todos os precakos e admini- 
culos calhegoricos para 'sere se dizer, sem parelha, nem 
parecença, senão um Pai, pelo- menos um Aeiítaurador, 
um .Fa£*ftint/e, e até mesmo um Oráculo com toda fi 
fumarada de quem aspira ao galarimi do iwpra itimtntitn 
em historia; que não fará elje, ou antes • disparatara, 
quando laqçar mfiò á obra, que almeja f por i^iassalfaap, 
e delia fizer boa pi^zaT I-magínará n seu beli prazer, sa- 
bor, ^e gei to lifueludo^ ou fMirl0 daquelles grandes suo- 
cessosy que. a* liistoria' mesmo. ainda por geral consenso 

••.■■'■".. • ; '•; ,. 

(1) vHon SatjKi^i* v*J81, , . u. - 



•léih juTgadH: dignos do cu Dho de uma incóirlefitavel rear 
lídade, forátn urdidos, nrcbitectados, e alfaiatadot pelos 
lii«ioriadores, que ps narram com as mesmas fímbrias de 
liberdade e desenfado^ como sao batidas e calcadas na 
bigorna do seu cáustico bestunto as extravagâncias dos 
protagonistas de qualquer dos seus mifOfnonas/tcQs ror 
inAnces, ou mesmo outros! osmM urdidos tramas, edesv 
M^oxabídos desdéns de alguma presumida^ <s divinizada 
delambida. 

Nestes termos iodo e qualquer successo, pois, de 
Índole gigantesca, de caracter prodigioso e heróico, que 
tem o mio fado de passar pela tal desdenhosa fieira ror 
manesca, sáe, e^pparece logo n^um nbrir e fechar de 
-olhos horrendamente depreciado com ocarimbq matador 
de groisetro falsidade^ fabula^ conto de velhos^ e quando 
mal se peo^a até de çm&tM/^. 

v Isto que escrevemos nfio sSo sonhos e caraminholas 

-d^ feliricftante, é a me«ma verdade pura, e descarnada, 

leiq^ue ^ròmo tat tanto e de sobejo se retrata e exemplífw 

,çiií'na nf amada fli^iúna de Portugal, • nos bem cooher 

ctdoa Opúsculo», que respectivamente a illustram, dV»T 

se^Author, cujo nome já Aca dado aiume, e exarado 

no frontispício deste êscrípto.ii.y.O cruel e antbropopha^ 

go Sa lar no. n£o devorava com mais gann e sedenta tyv 

^Tânnía os tenros, e recemnascidos A^hos^ do que elle de«> 

.finfaa, e anaiquila os prodígios de padrão indelevelmen»» 

.lé históricos da stiâ nativa terra» ««—^ Parece que o seu 

frenético pi-urfto, n sua desesperada' comichão é dar so? 

Jemnes, e mordazes vaiai, e com ellas fatal garrote i\ 

tudo o que s8o e sempre foram glorias pátrias de carar 

cter mài»que ordiqarió.-^AindA nSo é tuttot 

Jncuicá elle, e tem de facto e de direito a t^tstorifi 

primordial do heróico pair português, cpnio um insulso 

^panorama de trivialidades, de acontecimentos caracte- 

^riuieamente •corriqueiros; dando coojunctamenté azo pa-? 

^Tn crer que jps ^anhiis de quilate jlhistre, praticadas 

^jpelps- nossos avoengos, devem por indeclinável systemii 

«não achar no archtvo da posteridade pereane etriunfon- 

rle memoria ;. porém sim despresivel c ignominioso jazi*' 

go! — Que digo eu?... Devem, a julgarmos pela esti* 

maliva do frafteado^ ser impiogidasi^ ^ votadas ao ulti* 



*-7 — 

mó dod extermiiiiof biUoricos !..» Itta é, quer dísêfi ou 
equivale a serem declaradas^ e iascriptas para iempre^ e 
ao som da faorrJ«oi|a tuba do sarcasmo»- no rol das mais 
toscas, e grosseiras patraniiaSy das mais bedíoiklas exMg^ 
geraçAe?^- e faarbfiraes mfen4ir;as ! 

. , Entro esses ifeitos que sofíVèram cruel malaiii^ oa 
fua decapitaaie guilhotina anti-bistorlea é a famosisstr 
toa e nunca àssis- adauruda batallia; de Ourique l««. Fai« 
laínos dia façaniia «em allusão alguma a influencia de 
êobreaaUiral theocracia... Esta batalha olliada semprt 
no mundo histórico em todas ás épochas» como proioty4> 
po do valor e denodo português, e ao mesmo tempo com- 
ino documento grandioso da providencia 4o>Peoft dos 
Exércitos, que, mesmo veado, só as cousas á lui da hu^ 
mana piíilosophia» tão especialmente protegia os esfòr^ 
<^ados ^uerrendores, que contra- o musulmanismo comf 
batiam no. campo da gloria; esta batalha sim^ que pela 
ventura do ^uccesso .s# lornára i^mii^entemente memorai 
\el,. é pelo^autfaor úm Historia de Portugal levada ao 
cadafalso do mais anti-.nacionál desprezo com a repu^ 
gnante e depreciada denominação áe fostado^ cúrreria^ 
JcmacUi^ [à)>Q9à' o quer que é que outro tanto vale, oú 
m^eooe iíiiidu^vTW Equina tal, lâo desmedida, e tâo arrq* 
jada jf\juria feira á bi^loria do paiz, á heroicidade, ao 
timbre aaciooai^ que nós vãmos^ sem mais dilatado pie* 
nmbulo «^igoFosamei^ie viudÍ4;ar. 

Racá este 4ão justo e di^oo fim, dividiremos .está 
Obra em aeis Partes. ^ Na primeira Parte (aa qual em 
própria endf^quada occa64iSoconjunctajiienta.se vai m«^ 
traiKla a posse. constante. e pncifica, em que «em pre estt^ 
i^eiaí o Ciero português,' de propalar na Tribuina Sagra** 
da o ifeitorglofiqsoi de. .Ourique^ iiioda ifaeocraiic^i mente 
eonttmplado;; a que tíovAmetlle' confirma a. injustiça 
4itro2 coih que of invectivara o .Escf iptor do^rr £u e « 
Clero) foremos «reá qUe a bataUia. de Ourique (tanto 
Quanto -só, naturalmente faltando;, vale, «: significa a 
Idéa de ura :dos maioi^ '4r iftais glor1i>faos feitoe belUoo») 
tem irrecusavelmente todo o. fuodamenU> histórico para 
ser considerada .como uAi bramo de heroísmo ,ihi loaM 






fíi) 'Wa. í^9ú^. Umi IA PH* 3^1 328, 3^ e 4^p 



— 8~ 

inconti^itavel veracidade ; como vttà mòmm^nto clássico 
de, jiròvado valor f que deve figurat, como sempre, com 
característica p^randeza, e elevado apreço iios Aniiaes 
iHusLres das fagaohas portugue2as* 

Na segunda Parte .e nas quatro que se .« seguirem ^ 
chamaremos ao tribunal da erudição e-da critica pelo 
jolzo competente da analyse, para discutir^ e avaliar^ 
como. devido íôr^ as próprias, e formaes palavras do Au* 
llk>r.da História de Portugal, que contiverem asserçôei 
pôr qualquer fórmá tendentes .a desconceitiiar e depri«^ 
mir. tão distincta e abalizada proeza. -^^-^ Nestas cinco 
Fartes miudamente se verão confutados todos os ele*» 
mentos já heterogéneos, já incoocludentes, já erróneos, 
falsosy cont radie tórios e mesmo absurdos, ^ue o cscrU 
fitor da Historia' de Portugal, a geito seu, empregara, 
para> reduzir ao despreso e vilipendio uma ]3ataJha, que 
a. Nação Portugueza, com universal e unanime assenso 
tantados sábios do páiz^ como estrangéiroty reconheceu 
e.leve seinp^ pelo primeiro dos' Monumentos mais illus^ 
Ires darsua gloriosa heroicidade^ ^ 

, .. C(jm esta Publicação outrosím se dá cabal e triun** 
fante resposta á atroz e audacíssima paisquinàda, com 
que .o Author da decantada Hniorta de Portugal, repoU 
ticaxio lio asqueroso palanquim da sua flagrante phiíau* 
eia, bem visivelmente dardeja pezados é magoantes in^ 
suhos contra oEscripior das duas apologias em favor do 
Clero, a Jusia Demffronia, e Stnecra Dcfcta da Ferdo'* 
dec taoprimèíro dos quaes. folhetos s6 res^ndeu comum 
infornáe^ e insulsissi mo tropel de nauseativas chulices; 
mettendo quanto ao segundo perfeitamente a viola no 
•arco.-^Transcrevieremos o provocador documento; Vem 
elle a pa^nas VII da Advertência, que proemía' o Tomo 
4/* da \0ti/oria de Pov^ttigaL E* o seguinte ;» Como 
9 -apreciará ella (a- posteridade) o estado actual da scien^ 
99 cia histórica nesta l^iaiz quando fria e placídámeritó 
» examinar o theor das aggressSes de <)tíe se tornou al- 
» ^vo* o Buctor da ffÍ9Íorw de Poringotf'^ Estas aggres* 
» «Se»' foram uma tentação demasiado forte para queni 
iK.«stava affeito ás luctas da imprensa* Como bomem 
» que é o auctor teve a fraqueza de repellir essas ng^ 
" gressões^^ e de reiardar assim a coulíniiação io sea 



« -trabalho. Devia guardar silencio em qua^ito homens 
99 'Competentes não entrassem nadíscússSo; devia tolerar 
9» que a malevotcncia^ confrangida na tua uicapaeidáde^ 
99 e$correga»ie da borda dos pulpUoSy roiítie veloi charco» 
ff das rtins, te revoheue no Rxo aeèumulaao ao timiar 
99 dot proi/t&ii/ps maU tnfi^tos^ e q%ie trepando ao alto 
m do* práhs lhe etparrmhaae 09 veãtido» com to^n a» o«^ 
19 qitero$hdadet obtorvàdoê ne$ta úngular magem. O tem* 
;9 po e o progresso dos estudos históricos completariam ^ 
99 pelo profundo esquecimento de tanta» vergonha»^ a 
99 justiça que desde logo os ^píritot de§assomt>radosy ot 
99 homens instruídos fizeram tanto ao auctòr como aos 
J9 »eu» aniagon%»ta». Para isso basta va, de feito, possuir 
m eerfa somma de idéas gerae^, e amor á verdade e ho* 
^ nestidade litlerarias, e o habito de obsertar e compa* 
M rar. O» adwrMarho» do mictor motiravam-te too inAo- 
<i9 bei»^ que não podiam tlludhr nem per pouco» momeniOÊ 
9t 08 Metligente» e imparctae». Assim» eite commetteo 
» Um duplicado erio (cumpre confessal-o aqui) malb»» 
19 ratando o lempo, e dando ? ulto^ cousas, que, const* 
99 deradas á luz historie:) 3 Ííti€j1iria'eram insignificiin* 
9» tisslmas. 99 -r- Querem um<;artel.icoro mais adubos de 
iespeciaría estimulante para arrastar ao oampo da polé» 
mica ainda o ésfoíco maí4 alheio da c^ommum BeDSÍbil{« 
dade?.^j. Niem tan(o era preciso !... (1) 

(1) Com esta Ot>ra . to<!«%Ut n."^ pirliflsnieaVe fremot èfimào à 
|u|« aonde oio i^ lar/^^mente se rónfírmain ât idéat^ne tobre a Ba* 
talha de Ourique expendémo* em o« nossos dois ipiiepcionadot Opus» 
irulos, nifs tam.tieni an/«|jrticamente se rcfntam «quellas qoe rm op* 
]>osi<;2o Jàiern esrriptas na pqr mau de am motitp anH^portufutza 
Historia de l^prtjQgal ; foÍA esta Obra dlj^p, quaetquer que sfjapn at 
jirat, qiiíe a)f uns traçps de penna mais rarreg^adot proda^am po ipsof- 
frido pundppor do «ntaepii^ista intjvleraòte (traços que d^ba|dc^he« 
faoi ap aiednme larrifsli^o lío" qufe.se.acbam compaf^inando p X\tAi^ 
transrripto) declaraipol-o eip ^pm e alto som, nao pretendeófiot dn* 
afiiir as forcai nbj.^c]is «(e al^pm Í>rul«» seWagem, que pretenda dpri* 
idir cop tendas Httiérarp^s a ppder e á' i^er/cé de nioquete, aiorra^oe, 
bastio, ef^oqãe oo punK^I. Ò lioinein de Leilras nio é nm U ataío^ 
Aiene^ne* Ijroqnep pi| Tiipipamba, qíie epi spp» «lesforcps deixe prp» 
dominar é instinció brntiil d» irracional ferocid'ade. Kterno oppro* 
lírio e degradacio ao tresloucado que li^aelles pnonstros se pretenda 
assimilhar!... O homem' da~sriencia"^~(rhòmem dã cívilisã<i;Sb nio pó* 
d«*perteacer ao4 sertaHos emb^uteridot dp «jllpsicmo ad bae^èim^ 
sepi IP coaititttir réo da oltinui d«s viléiss. Õ filho, o coltor daici«a* 



ria nSo l«» outra dtlexa nuiíf* 9 ae licita Ihi) teja, qoc a meinMi 
•rienria. R* ló ella qne lhe pôde dar a victoria no campo hoiiro»o 
líat lides da inteltigenria. A forqa do tabio e%tá na rej^iSo do ««pirí- 
to, e nio cm a regiSo doi mii«cnlof« No muniento em que o sat>io 
4roi'ou aa coatrtfTeriia a arçio do e»pirito, pela ac<;ao do punlio, neM 
•e meiíno momento deixou da ser )Oque era na republica. da« leltra», 
e passou a ler lo|;ar entre as íionlas dos Cafres malfuzcjos e bulben» 
W. — A penna é a unira arma defensiva a oíten si va do escriptur py 
Iklico; e so-a única qne elle deve emprej^ar. — • Recorrer Á violearia 
iHtoial para faier prevalecer a sua opinião contra a do seu adversa» 
rio, que com as arinas «ó de uma indeclinável argumentaqSo o acos«> 
ka, é commetter o mai« enormo ai tentado contra si próprio, cuntra 
a sua repiita<;Sò a honra. R* nm suicídio por elle ^ticado em seu 
paesttjiis», merecedor d«i mais aviltante e horrendo epitaphio. Kqueni 
iMidérá continuar a|ionrar com o epilheto de sábio aquelle que estu- 
belece em arbitro descienria a^alentia, a broieiã do mais Utrieí A» 
èasa pòdeJiSinais a for^a- material sobstitoir a iutellecinalf Mas para 

3ae é esáa digaassio? Por ventura o Anihor da Historia d^Portu^^al 
, esconh^cerá estes prin^ipioi de universal philosophia! dnlgamol-t» 
até repassado deites. 

k^vomtndo á vista da lács princípios que nSo podemos deixar 
áe. lamentar o atteotado, qse o Aoihor da Historia de Portugal cuin^ 
ipaltcjra, «Mivjaudo um emistarío lí cAsa do erudito Escriptor do Com^ 
meniarío Critico sobre a ^idvericnda jlo 4,^ Volume dà Historia de 
J^oriúgal eic. para que este se retractasse de ter tas expressSés, d« 
qua tiaha usado no sen Opusrul». K que outra conm é seoiu attenr 
tado^a mísiSo dejvm individuo da parte do JJiiãtoriaUor ao domicilio 
d«, CofmfHffit€uior,j^ãrm^ aucíoritate qua/ungor^ o faser retractar, sul» 
^Bia dè ficar intímiido para um*du«llo, e em caso de recusa, haver- 
se-par sbjeito talvet á eventualidade do ponbal áo sicaiio. oa, ^uaiw 
dlíf imã^s nio.fosse;! de levab- uma tunda opifiara de iamtiada«< ou pel« 
menos um asperges do: mil luraidas chicotadas com a enf^ulidela com* 
junclamente, segunda ^^/*/a expressão^ do atúrrague? Q.ue tal éa 
estratégia sultanica parapropaljtr o erro!... Será porém este terrorisv 
ino 4e nova a monstruosa espécie argumento de sciencia? IC*.só \}f^9 
dc^ignorancia', de barbaridade, de vilissima balxçsa! 

P attentado porém redobra de volume, se %é olha ao dia emqiia 
Idra commettido. Í*õi no dfa 16 de Novembro e»i que teve togar o cri- 
minoso excesso, segundo publicara o próprio emissário (I). K que dia 
foSéstef Foi o dia seguinte áo da infausta morte Am Rainha f.«. â,iiaut> 
Qo toda' Lisboa em pejo sé licbava entrégtie ao lucto e a frisleta, t«ir 
dos (estavam cheios de sf ntf>nento e aniarj^ura, é que entSo oAuthor 
dfi Historia de rortugãl fr^ta de propdr' retrActa<;Ses e desafios !.., 
â^iieiíi o lia da acreditar f... K qiiem .e èssê' honiem qoè btaialia d» 
alta cftlliiaiÇ&o, a cultora Utteraria, qué assim profana os dias lacri- 
mosos dé fucto niiivenalf Di^amol-o: B*' píquetlcf^ que ppr motivos 
esjpeciaes de grátIdSo e ^td de convédiencla deveria réligioiMii^eòta 
acatar ps. motoelitos de pnMica tristesa.,; R?. aquelle (pròh'pndor!) 
que receba n j^ jiiuiíidia|io do bolsinho dó It^i, Esposo' da Atigast^a 



i «111 m i ■ 



. (f)' Veja^e oiacti^ i^retpondencia, no Partogaef da Ht de fi^* 
^amliiu dir 10^3. ■' " ■ 



f^alleeida, submerj^tdo na maii profiinda mifgaa...» Ei»tii drcnixiitaft- 
cia é acima de toda a amplifica«;So ! 

llif»e porém que o Com meu tador atacara a moral do R«criptor 
Hisl«>riro. Demm que assim fosse. \cã9í9 iHn ataque á moral d«>»for* 
rm-»e rom juiP pr«M!.edimepio ailieiu d^e toda a moral ? Com nm pro* 
redimento, que, além de atlentatorio dai leis, e ordem publica, po* 
idería ter graviuinias conseqneurias; que tinias recahiriam sobre o 
primeiro motor delias? Mesmo nao era a brutal desforra muito maior 
/que a soppo»ta injuria? — Se a injuria foi feita com mnrmM da|>ennaf 
m penna é que a deveria pu^iir. Negiir o ^sirjrlplor, quem ^uer que 
fór, que os ^í^h^ da peofia sej^in de cãM suAIriencia para rebater 
qualquer iiijuri.a« é bjumiihar^se, c deprimir-se rom robardia a si 
próprio. Porém aonde está especificamente a injuria? Em dj^er que 
p historiador mentira !... O historiador porém queíxaudo*«e áesiM ex* 
prcs^^ao como injuria, iiijuria*!<e a si próprio. Queixa-se de uma ex* 
presiiSo que é toda sua. Nía audacíssimo folheto co^ o titulo «r- Eu 
^ o Clero 'T' se acha virulentamente atirada ás Coces de pim |*rel#do, 
dij^no do mai(»r respeito p<ir lettraj» e |r|rtudes, qual erii I). Fr. Ma* 
poel do Cenáculo, (escripla chi^tofaoiente com lettras malnscula«) a 
expressiío: K* mentira (])! 

Glunntjo aomais queao Author do CommentarioCriticjO te assaco» 
(2) nào ficava outrosim desinepilido com a tentatiya violenta: exre» 
pio se o historiador quer restaurar para depionatrjRjçio da sua jcíom* 
fcía a barbaridade de uma das pro»^s Judiciaet {jwácia JUti^ por aK 
fcunha] da idade media, o duello !... 

Depois de ludo isto resta por fim saber se o Aptbor da Historia 
de Porlugn^l roptlnoará a dar ainda exemplos de querer embutir, á 
laia de telote do alcorão, no esopliago do publico a dro(;a fementida, 
de turliante no tjonti^o, e cimitarra em punho para espichar a todo 
e qualquer p0rpo (3) (coimo clle com furor leonino epilhéta) que a 
nao quixer enf;olir....6e aspira em fim ás honras deBacbá, on Manda* 
|rim da Historia de Portugal.... Cremo» porém que fi b|IU viperina do 
historiador acalmando o cachSo, o deixará cahir em si, (B arrepen* 
der-se ! — Se romtndo outra acontecer (o que nio esperamos) os^iirr* 
pot terSo a scieocia necessária para rebater o sabichao, e a valentia 
pr/ecisa para Invocar a acii;So djs lei ronlra o »^gtt*tfir» 



-Tí-V 



(1) A pajc. 14 do Folheto citado. 

{2) Vej^*se o aritgo — Cprrtsponàencia^ no Portuguex de 18 de 
Novembro de 11163. 

(3) Rste revoltantíssimo epilhetn dá elle n» aathor do Cbmnien* 
farto Critico^ em um arantel da sua lavra |Hiblicadii em a iSa^So do 
l.«> da Be^.emhto do 1059. 



•J .. ..■ 

•l f 

• < • » 



•, i 









— 13 



V^uando um facto, facçSo, ou feilo passa como moeda 
corrente, e de bem asslgnalndò cunho por séculos em â 
bUtoría de qualquer paíz : quando ellc é respeitado e 
tenerado pelo mais solemne e constante voto dos que 
devén\ conhecer o que seja boa e severa critica ; quando 
outrosím Ioda a torrente de escriptores tanto liactonaes 
como estrangeiros saúdam e acatam as cans da sua in- 
contestabilidade com invariável accordo; quando na ver- 
dade se apresentam estes tSo conspícuos, e tão bem de« 
senhadôs caracteres, que em tão larga escala provam, e 
sustentara a veracidade do successo ; que espirito tio for-»' 
1rent«nte innovador ha ou pôde haver que o negue, de- 
prima, ou achincalhei que para logo não mereça pelo 
Absurdo, e pedaniesco altentado, o mais despregado, è 
profundo riso democritícòf 

Um pois dos feitos, dòs acontecimentos mais glo* 
riosos da historia nacional, que pelo^ mencionados títu- 
los fica sobranceiro aos tiros do decantado antagonismo, 
que por moda ou toleima se artufa e empina contra tu- 
do bque é maravilhoso; é por certo á memoraVel ba^ 
talha dada aos Mouros por D. Afíonso Héniiqués n^ 
Campo de Ourique. —» Mas nâd é só ponto incontrover- 
so na historia de Portugal a existchcia da Batalha de 
Ourfque ; porém igualmente o é quanto ao que di< res- 
))eito á idéa, que a mesma historia nos dá da sua real 
cxceliencia. Ella sim Oos testifica ser aquella façanha 
em todo o rigor da palavra uma verdadeira e caracierís* 
tícarmente grande Batalha. Vamos ás provas; Formam. 



— 14-- 

ellos um argumento de verdadeirai e íneluctavel prca- 
cripçao contra qualquer innovação audaz. 

Se nSo são, nem jamais foram joguete de uma fan- 
tasia estólida e burlesca os fundamentos em que no A- 
reopago da scicncía se estriba o que se chama certeza 
bistoftca; forçoso é que todo e quulquer individuo, que 
nao haja perdido a tramontana do senso commum, te- 
nha e reconheça como indubitável nSo só a existência 
do facto heróico da Batalha de Ourique, mas também 
o caracter da sua prodigiosa^ e heróica magnitude. 

O primeiro e radical fundamento, que é logo para 
desazar, e reduzir ao estado de automático espasmo a 
romã ncí^ma petulante^ que tSo janizara e acintosamente 
intenta riscar das paginas ai rida dá mais authentíca, e 
verídica historia toda e qualquer idéa de successio que a 
»€U animo revel, e poltrão affígure de superior esfera^ 
é, quiinto ao ponto de que tratamos, aquillo que se acha 
escripto e lè em um Códice de eunbo monumental que 
o primeiro continuador da Monarquia Lusilaoa />< /V^ 
jíntonio Brandão publicou^ como primeiro Appendica 
da 3.^ Parte da mesma Mnnarquta Lusitana, debaixo 
do tiiulo ^de «p- Chronica Gothortim — ; e depois d VUe 
deu á lui o erudito Augustiniano Hespanbol />• Hcn» 
tiqiíc FlortSj no tomo 14.^ da JS»pana Sagrada^ Appen*- 
dix lâ.^, com 41 denominação, sern duvida mais exaeta^ 
de --- Chronteon Limianum. -^ Que refere pois esta Chro» 
94ÍCO1 ou CAronscor», que não sirva para logo reduzir ao 
mais vergonhoso e hermético silencio a todo e quaíquer 
tagarela da camaradagem innovadora, que ousar .redu« 
zir ao aviltamento um feito illustre, tão authentieado no 
Historia do paii t Eit-aqoi as palavras genuínas do mo^ 
numeotal documento: jEra 1177 ocíam Cákndat jín^ 
gu$i% in FaiwítcUt Sancíi Jacobi Apo9loh atmo Regra 
$ui undeámo^ tdem Rcx Donnug Alfon»u$ magnum bdf 
lumcommmi cum Rege Sarraecnorwn nominc Evmar^ 
in /p€0, qui vocatur yí'»í%c* Em linguagem quer dizer: 
t Na era de 1177 (1) aos oito dias antes das Calendas 
>» de Agosto (ao# S5 de Julho} ua festividade de SZa 
9 Tbi^go Apostolo, em o undécimo anuo do seu réinfar^ 

i (1). Brè de CeMr, que «orreifonde âo asno de Chrisl» díe 113^ 



n ão'^ o ipefttno Rei O. AfTon^o truvoíl (Unta g^cíndôJba:'^ 
sy talha <om a Rei dos Sarracenos por Dome Isn^ar, no» 
n logar que se chama Aulic » (]}• Quem jamais duvi«^ 
dou que o lubslaoUyo bellum significa batalha (f) e o 
adjectivo magnum a qualificação de grande J Ningue^n ; 
a nâo ser algum pensaate eminentemente estrambótico, 
que testudamente aflfecte; campar pela mais rí$ivel e es<> 
palmada ignorância ! O texto pois citado d(i Chronica 
dos godos é a todas asiii^es terminaaiissimo contra todo 
9 qualquer sciolo» ou mordaz pedante, que a seu bel^ 
prazer ouse desmenlir, e .menòs*preaar o primeiro do^^ 
feitos mais heróicos da historia de Portugal, 

Mas que força (Insistainos), que valor histórico le* 
fá para fazer fé o produzido etranscrípto documento £ 
Teiá porventura o mesmo ou equivalente valor que me- 
recem as fantasiadas asserções <le um inistiforio paIavro« 
%Oy que se alcunha Qironica^pocma (titulo á^ irrecoaci^ 
liavel nigromancia), /encía ou o quer que %fí}a.do.pretFz 
bylero godjQ chamado pela fórma^ e paradigma de arii^ 
maaha inculcante Eurico o PrabyUfof Dessa &n<fa, sin^ 
ou perlenga romanlica que, logo por entrada, em uai 
prelimirfar aranzei, que nSo merecera de seu.Aulhoir as 
bonra« da desigpaçSo, desabafo nas roais falsas, ímpias, 
e escandalosas aaserçoes contra o celibato doCIíero? TAe« 
na verdade quaes só poderiam ser proferidas pela bòcca^ 
Uo mais decidido éeo, ou orgSo do proletário protestan^ 



1» 



(1) Òari^Qê, 
* \t) A tòn^enfc fios eiCtl|»tofet que dSo etie nome ao Ufn^tré feito 
btllkoilé Ourique, not esAveílce qnte o termo l»tino èèiiunt de que 
n^ a iqeiMrioipMida Cbropice, >j4 de?e Mr.trudutido em porthgiiet per 
la palavra — hatolkUm A ptopoiiltlrauicre veremos o que dí» D* 
Frádriscõ 4e S. Luii nó» •jrnonimói^flH Língua Pòrtngueia, tòmó f.^^ 
«rt. CCCLXII, |»ág. IIM: «t Batldhíà «u)ip3e ac^So geral, oik quad 
n> geral, em qúe pôde haver àin u«, mais ceaflktòf,; Aa acções paHir 
»> cul^r^ cliamem*fe mai» prepriameote ^omAaítff«. ref&níros.^xk^» 
n àuèi ele. Auíih diiemot a hataiha do Cãn^póde Oisrioúe« h hotà» 
ff ika do Selado, de Aljubarrota, de Montes-Clarof, de Botsaco etc. 
«V e nio chamamos batalhas a muitos e frequentes eombatet^ de que 
nlM HMn^Se-a nopsa HisUir i*. milUar. n CtuA 4|rá^ AiithDr fia Hii* 
teria de PMriugal á vista de jniso que um dos, «sais i,osignes pbflolo* 
tm deftfi aefttlo ferniava da fisçeaha militar, de Oaviqueí Cimtar a 
^aUoodia é s6 o anico e airo^e partido, qw^: lhe r^%{ . . 






— 16 — 

titinô, que tanto ataca e^te ponto de disciplina da Ígfe# 
ja Catholica Roinana (l)f 

Não foi moldado, nem batido na bigorna do Ro^ 
manctsmo o Documento que produzimos. £* de outra 
laia a sua natureza, e eonsisteneia. -^ 8endo assim, co* 
mo realmente elle é; quem poderá negiir a fé a um úo^ 
cumento histórico de cunho rndisputavelmente funda- 
mental, que desde séculos tem merecido a constante ire* 
oeraçâo dacrilicã?—^ Ouçamos a propósito ao grande 0« 
raloriano Pereira de Figueiredo : » Nâo se pôde fixar ao* 
I» certo o tempo preciso em qcre íbi escripta esta ChrcK 
f> nica. Mas o allegar seu A uthor, quando falia da to-' 
» mada de Coimbra por Almansor, com o que ouvira 
s» a muitos velhos: (stcu^ ú multu êcnibut auditnmu8)f 
n o apontar o tempo dos successot com tal indivídua* 
I» çik>, que de ordinário nao só nota o dia^ mez e auno^ 
f> mas também que dia era da semana, e que hora do 
I» di>a ou dá nfoite S e finalmente não passar do Keinada 
9 d*lít-Rei D^ Afíbnrso Henriques, cujo valor e acções 
IS omplificn, e ainda exaggera com um affecto tão par- 
S9 ticnlár^ que afaz parecer apaixonado. Esta» e outras 
f> circumstancias nos determinam a ter esta Chronica 
» por obra de A uthor, que alcançou os tempos do dito 
9 Kei| ou pelo menos foi múi vísinho delles,— 'Neste 
s9 mesmo conceito (continua o referido Oratoriaao) a li* 
f) veram os nossos dois famosos Antiquário» do século 
n XVI André de Rezende, e Gaspar Barreiros. Dos 
n quaes o primeiro no Livro IV De jénítquttatibus Lu* 
f» titanuB pag. 816 cita esta Chronica com o nome de 
f» antígoi Annatt que iinba em seu poder: (C/it mes vp» 
f» ieret annakê habeni :) e delia, tirou varias circurnstaiw' 
ff cias da batalha do Campo d*Qurique: como o ter si* 
n do morto nella um sobrilího do Rei Ismar, por nqine 
19 Homar Atagór, que era neto do Rei Í1sí}u O seguo^ 
n do logo no principio da sua Corografia, allega com a 
99 mesma Chronica^ como citada já pelo mesmo Rezen* 



(1) T2» revoltastes enuncta^det aiiái etcitarsm o génio relifima 
e illifttrado 4e om det noitoi mait iosígnet poetas o litteratos alrW 
énfaiitenieote refolaUai. Veja*se Revifta Untfcrssl LblKMicasei la* 
ma 4.^ Anão de 1844 — 1846, pag. 31I5 



h dé na outra sua Obra 'das Aiitíguiclaáes d^Evòrai pa^f 
Tf rá mostrar, que enl temtx» antigos áè chkniaVaPác- 
99 èa a cidade de Beja. Hto basta pata esta Chrdnit^ se 
9^ deter irepaigr obra d^Uma veneranda e múi estirada 
^ anciánidade i^ como dejpôrs de Ré:í<ende e de Barreiros 
ff a reputou tátnbèni^Bfandãò (!)• fi 

'- Se porém ò ròníancismo sceptico, e acintoso naòquer 
aiiida cantar a palinodia; convidál-o-hemos outròsim a 
fixar òs olhos sobre outro testemunho altamente comfir- 
cbátivo do vçrdâdèírò e genuíno apreço, qUe se deve fa- 
iei da Batalha de Ourique. A ChroHtcii Conltnbricense^ 
ou o que é o me8moò^2.bro da Nóa dt Sáhta Cfú% de Coimr 
bráf é o" poeurnentò^ ou MobUmerito' historial, a que 
nos reportamos. Ou^ã(ii-se as siías próprias e sem contesta* 
Çãd originaes plalavras: tj In JSrã MCLXXVIT, mense 
^> Julií, die Sancti Jacobi in loco quí dicitiir Ouric, 7it 
99 inaghàfmt inter ChMsíiátíoS ètMaUros, praèside itege 
fi Ildefonso. Porlugalensi et ex parte I^gabor um Rege 
99 Sifiare, qui victus fúgftm petiit. » Bm vulgar quer 
dizer: » Na éra (S) de ll?*^, em o mez de Jfulhoj dia 
99 deSan-Thiago, nològar, que se chama Ourique, hou* 
f9 vít uina gratídc Me entre ChristSos e Mouros, sendo 
99 Com mandante JEl-Rei D. AfTpnso de Portugal, e dâ 
99 parte dos pagaíòs (3) o Rei Ismar,.qúe vencido deílou 
99 a fugir. 99 Esta lenda tão singela e sinceramente ter- 
minante (e como tal pfofèrida pelá bôcca da vèrdáSe) 
victoriosámente ri e zomba dà romanesca, e empávesã* 
da audácia, que pretende de uma só palhetada reduíir 
ás dimensões do mais baixo e caturra acontecimento, b. 
primeiro' dos mais altos e gigantescos feitos da Hislona 
de Portuga). £* ella mais um testemunho authenticò^ 
que yejti , embotar òs gumes da aguçada picareta, do fe« 
xoz cácAáhélo anti^^hís^pricp. — Mas que gráõ de força 4 
táléntiá .'terá tarDocúbento aos olhos dà mais ièverá 
critiéa pára rèpriniír á túúh bravateíra e fanfarrbnicá ín^' 

(1) Memorias da Academia Rtal daaScienciat deLisiMa, tom.IXf 
Ditserta^io 19.*, pag. 303 e 304. 

(2) De Ceiar, copno já adverlimof ; anno ._ 1 189 de Çhritte» 

(3) Ot Btrrlplórés da idade medifi designavam iambeiii os Maho* 
inetanos pelo termo — Ragaui. Vej. Da Çatige^ Gíossariam ad Scrl* 
ptores Medi« et Infimãe Lattohiítiti edítio noTái tom. 5. 



credulidade? Ou esfa CbKoniea le tenha por original em 
tod^ti a9 suas partes^ como,^ segundo Pei eira de, (''igueí* 
rédo, a tivera o erudito Thealino p.;Jo«é Barbc^sa^ iv/a 
é por, uma. Obra que tudo o que trqifin e$çrtpto por yfu* 
íhorei co€Íqneq$ dostúcçfisêo» quê referic:^n (1) : ou .neoi ia* 
dás as coutas que esta Chfonica mencionO; sejam apon« 
iíjtô^i pçr^ Autbores do mesmo tempo^ em que ellas euc- 
cedíarn (seodo obra se n2o de mais, pelo. menos de dois 
I^uíbòres) ; e por coosequeocia^ dado que seja original 
ou coetânea a respeito de alguns successos, nSooé a res^ 
peito Âê todóy^ çoi:|^rmâ.conliã o mesmo Barbosa. sut« 
tenta o grande DratOè^ánò naja çMada DissertaÇfão Aca- 
démica (S) : ou ella enl f^ni seja copui de varvat copiai 6 
ide t^arios Çhrorncont^ como asseverara Flores (3) ; apeaíar 
de tudo isto nenhuiti destes tSo valentes e profundos cri- 
ticos, tíem áigúm outro loradellesi concebeu jamais a 
mesquinha e disparatada idáa de, a despeito de tão .po<' 
sitívá é explicita mençSo histórica, malbaratar, e redu- 
àiir áo aviltamento o grande feito da batalha de Ouri- 
cme.-«-E'^eriam ellçs menos tllustrados e eruditos nnscou- 
sãs pátrias que ò sarcástico e mofador pedantismo do dia 
õu domamcnio^ c^\xQ é presilha do mesmo m.etaH Seriam 
inferiores em talento, e estudos a esse peti-metrisma de 
iitteiatura fofa, que affigurando-se escarfanchado no fal- 
so pincaro da scienciá, com mais arreganho que D. Qui« 
chote de Ia Mancha mpnlado no seu rocinonte,. arroja 
lançadas de mortal desprezo a tudo quanto ha de pro* 
digioso, e heróico na historia nàciobal? Quem. tal affir<« 
mando^ simi^hante absurdo proferisse, levantaria em des« 
honra sua o mais torpe e hediondo obèliscp no cocuchéo 
aa Ignorância. 

' . Embora a primeira parte dá Chronicado Livro do 
TTôá, a qual trata dos sticcèssos do tempo de O. AÃonso 
fienrictues até princípios de D. AifTonso IV,. nSó mère^ 
tàiita' fé como ^segunda parte delia, que é redigidia :em 
lingtiagem portugueza: nSo se possa sim dizer que os 
successos nella conteúdos lenham sido escriptos por Au- 






(I) M^.^aÀc&d; Tcnn. 9.^ DÚiert. XIX § I. 

Iit) No Tomo indirado, etc!. p«|t. 305, 
3> -If a- BspaHa Sagrada, iQiii, )0|,p«|^ 000. 



Ibo^ contemporâneo^ e s6 quando muito que 'foram' 
críptos depois do anno de I3S69 ^ ^^ últimos da segun* 
da parte em 1406} o que tudo mui bem ajuíza o crili'; 
co^ e eruditíssimo Oraloriáno Pereira de Figueiíredo (1)« 
Embora^ dígo^ tudo isto assim seja, o jsabio português 
todavia de - nome immortal iio país das lett/as^ nunca 
dlsse^ nem sequer .indiciou 9 que a autboridade da CArc^* 
mea Conimbricenu sobre a grandeza da tmtallia de Ou« 
tique nftò fofsse de um cunho altamente confirmativo* 
Pelo contrario a idéa^ que de t8o consprcua Acção dei« 
xou exarada em todos os seus escriptos, quando delia 
fallou, bem mostra quanto o seu pensar era de accordo 
com a lenda hiâtorica do mencionado Documento. £que 
critico ha ver ia, ainda do mais aguçado, e aíilado nariz^ 
òu^ conforme á litterai expressão do chistoso Horácio, 
de assoada venta, cmunctcenariê (€), que4eixasse de re« 
putar como a mais solemne confirmação de qualquec 
successo o testemunho posterior de oátro escripto, digno 
de respeito, íque tão perfeita e absolutamente coincidisse 
com a lettra ou sentir de certo designado Documento de 
primordial fé histórica? Tal coincidência, ou antes iden* 
tificação histórica se dá porém entre o Livro da Nòa, e 
a Chronica dos Godos no facto de que tratamos. A sua 
confrontação o evidenceia. — Mas porque se não ba de 
mesmo ter a Chroníca Conimbricense como um monu« 
mento documental de primordial autboridade humana f 
Mão poderia ella ser escripta sem que seu author, o\i 
authores, da outra tivessem noticia T Quem o poderá du« 
iridar?-*- Demos, que a primeira parte do Livro da Nòa, 
que in volve o feito grandioso de que falíamos, não fosse 
escripto senão depois do anno de 13S6; que admira que 
yma tradição sempre constante e incorrupta áóerca da 
grande façanha bellica de Ourique se fosse conservando 
e transmittindo de pais a filhos por espaço de lôO etanV 
tos annos; que é a distancia de tempo que decorre desde 
aquella épocha gloriosa até o período em que. «e presuf 
me ter sido escripto no L^vro da Nte o memorável suç« 
cesso?— CoQceda^se por ultimo que a. lenda da CAroni^ 



(1) N« in<l irada DiMerU^Sa» 

<«^ i- 1. Sirtjf . 4i« n e. • 

Se 



— 20 — 

en Conimbricense seja aié copfa ou reprodttcçâo àa Chrohi 
nica Goihon^m ; isto mesmo prova que â creo^ histo^ 
rica da famosa acção militar. do Campo de Ourique em 
nada ti alia decrescido da reputação, è valia em que eri» 
tída desde a primeira vee que íôta transmíitida por es<« 
crjpto áposteridfide. Por ta nío este segundo testemunha 
documental^ qualquer que seja a balança critica em qué 
deva ser pÍB2ado, evidentemente faz ver que â maravilha 
de Ourique não era dacasta, antes eslava miii longe de 
ser do numero, e jaez daquellas patranhasi que com o 
andar dusr dias se destroem e desvanetem ; pelo contra^ 
rio, t)ue eratima verdade histórica^ qué com o volver do 
tempo nada tivera perdido da sua justa dimensão e gran^^^ 
deza no» Fastos da pátria. 

. ^ Sepoin o famoso prodígio militar de -Ourique foi 
não só logo juntamente apreciado, como tão solidamtin*^ 
te sè:deprehende, nos aunáes da historia, no próprio 
quartel do século XII, em que acontecera; mas tam^ 
beoi, em quasi ígcial periodo do século XIV, por on«^ 
tro Documento de fé ainda não contrastada; que moti-^ 
"VOS, oú fundamentos haveria para que a critica^ e aphi-.» 
losophíada historia do^ posteriores séculos Ihé não. desse 
o leu unanime e explicito assetiso ? Nenhuns houve, nem 
alguém lho» achara, quer intrínsecos, quer extrinsecos^ 
por onde recusasse dar no soberanamente protentoso, e 
tão illustre feito da historia de Portugal aquelle apreço 
e valor, em que tão geralnfiente era reputado. R quão 
manifestamente não estão sim o^ séculos subsequentes 
em cerrada columna, e por uma só e indíscrepantc vos^ 
sustentando a verdade histórica do grande acontecimento 
^ Mn ira todo e qualquer pyrrhonismo saltimbanco, contra 
fúdo o íero enlono de qualquer polichinellaxlitterario, 
^ife<com cynica arrogância corameltesse o risível desva* 
tíd de o querer chaco tear ? 

O Qomè e authoridade de tantos eruditos, tão illus^ 
tfes e respeitáveis, não cede da verdade o terreno aòs inU 
niigos dòsfeitos grandiosos da primeira épocha dá nação ; 
»nt(*s^ cottio que dando entre si as mãos, vão suecessiva* 
mente formando outras tantas testudes, e assestados arie« 
tes contra a animosidade pedantesca de todo e qualquer 
historiolo tacaubo^ e impudente, que, «caon^;. um. ^aps^vp» 



— 21 — 

nailo verlioso jálcio', jul^a deilai' por term nmn dfts prin** 
cipae« <:o)uinnas do édificío imibortal da Historia nado 
nal. — ' Haslêam aquelles^ erâditos tio campo da tci^ticía 
dos pátrios acon teci méiitóè o pendão triunfante do sé a 
tesloihunho; e o seu di£er simples, claro^ e frisatite é 
eiti si mesmo acòndemnaçio, o ahalhema solemne d^es^ 
sa anti-nacioaal mania dá nrtfquinagem escrevi nhadei- 
ra, que tão audazmente iem procurado dar gaítrote no 
cadafalso da mofa, e \iIipendio, á heroicidade de um dos 
mais hntigos e brilhantes fei-ios portuguezes. Appareçam 
pois já em scenn para darem apoio á verdade esses gran- 
des luminares dos séculos da nossa boa lítteratura. São 
elles os legítimos vingadores das primitivas glorias pa* 
irias; da memoria d'csses brâzôes^de valor e esforço por- 
tuguês na terra nalal, contra o mais sáfaro e lascarim aif- 
tàgonismo d^aquelle, que com éinistra evándalica penna 
os pretende stigmattzar com o carimbo de inacreditáveis! 
-^ Seja o primeiro escriptor, e que capitanéa tão aíTa^ 
mada pbalange o bem conhecido Chròhisía de D. Aflbn- 
so Henriques, Duarte Galvão. Escrevia elie pelos fin& 
do XV e princípios do XVI século. E eis- aqui a sua 
narrativa acerca da prodigiosa façanha do Campo de Ou* 
Tique : » Tanto que El-Rey Ismar ouve nova (das grart- 
de$ cavalgadas e muitos eencimenios contra os Mouros al- 
cançados por D. AfTonso /ínrtquci) n mandou requerer to- 
99 da ha mourama dos lugares, e outras partes do redor, 
19 mandando seus alvitres, que elles entre si hão por ho- 
f» mens de santa vida, que fossem pregar e requerer da 
99 parte de iVlafamed«*, que ha corressem á terra que es- 
99 tava em ponto de se perder, pelo qual ouve EI*Re]r 
99 Ismar muito «m sua ajuda de Mouros daquem, « da- 
99 lem maar, e optras gentes barbaras, que era infinda 
f) ha muittdâo delles em tanta desigualdade dos Chrís- 
>9 Iãos, que se à por certo, serem pouco menos de cento 
^ para hum, entre hos quaes vieram quatro Reys ou- 
99 tros, cujos nomes nom achamos escritos, e víeraÔ com 
99 estas gentes molheres vezadas ha peleyjar como has 
99 Amazonas, ho que foy sabido, e provado depois pelos 
99 mortos, que acharam no campo 99 (1). Quem não es- 

(I) Chrooíca clel*Rej D«Affonso Henrigties, Cap. XIII* 



tifer iateiramenle cerceoy detn rapndoy ou escalvado da 
todo no que psycologka mente se cbama príocipío agen^ 
te d^ humanai intellígencia) ha de intuitivamente reco» 
nhecer e acreditar que aquella nmltidçío infinda da bU 
charia mourisca^ que £I-Rei (smar por aquella forma 
juntara e amaljoniára para se vingar dosdesiurbios^ qiia 
lhe causara o priqcipe que o guerreava, nSo era ppr^ 
simplesmente lhe vir fa?er algazarra barbaresca, e desr 
entoada, ou apresentar ostentação scenica e fanfarroàiça 
do seu grande poderio. Toda a boa e commum critica 
tem avaliado, e avaliará sempre a grandeza de qualquer 
combate pelo arreganho das circumstancias caracteristir 
camente bellícoss^s, qiie o precedera, e acompanham { 
e particularmente pela força numeripa dos combatentes. 
£ste principio de critica ninguém dirá que nSo ieoba 
logar a respeito da Batalha de Ourique. O numero dos 
inimigos era (ai, que, como refere o Cbronísta:.» Ho« 
f» Çhriâtâof que eram com o Principc, vendo ha grande 
» inulítdâo do$ J!Houro$ sem eonio, começaram a poer 
99 duvida em se aver de dar batalha p«»Ia muy grande 
» desigualança, que avia délles ahos Mouros (1). 

Q testeinunho dePuarte Oalviío ganha nova força, 
quando se adverte que aChroníca que ellc escreveu nâo 
99 é outra cousa mais do que uina compilação da outra, 
79 que olguns cem an nos antes em tempo d*El-Rei D, 
r Puarte tinha composto Fernão Lopes, Chronista-Alór 
99 do mesmo Rei, e Guarda*M<íír da T:one úoTotnho.» 
W o grande João de garros quem nol-o assegura, assev 
\erando outrosím que o que Duarte CalvSo fc^ áCbro- 
pica antiga, foi apurar asu^ lingoagem ; o que tambeni 
atlerita o famoso ^ntíqiiario André ^e Rezende (^). 

Outro fundamento, q|ie torna admirável e prodi* 
gío«o qualquer feito d^armas é O contraste, que ofierece 
um pequeno numero de combatentes, vencendo um ei^er* 
ciio desproporcionalmente muito maior* Esta circum« 
slancia soberanamente se verifica na Batalha de Guri* 
que. Pi|E o mesmo Chronista : 9 P^rtio ho Príncipe sua 



(1) Na Obra ritada, rap. XIV. 

(2) Vej Klo|;ios dos Reis de Porlii|;»l por Pereira de Fisneirc» 
do, pag. 2t)3, B»%, VUI» 



— 23-^ 

19 genlé eth <}uatro eces, na primeira meteo trezentos de 
f» ca^àlloy e Ires mil homens de pée, e na reguarda fé% 
7i outra az étn que hiam outtòs tre>.entos de cavallo, e 
^ três mil de pée, huma das azes fez de duzentos dé cíh 
19 vallo) e dois mil de pée, oatra nz fez de outros tan« 
n toS) -qâe eram por todos det oiil búmehs de pée, eihil 
9) de cavalla (1). n —^ Quem deixará de qualificar da 
grandiosa unfia peleja, em-que um tão pequeno nubníièrò 
é o vencedor contra lima ínHltxdâo infinda^ que ficader*» 
rotada ? Em todos os tempos e em tx>dos os pafzes do 
universo esta extraordinária circumstancia ifaz'>realçar á 
acçSo guerreira do vencedor nas paginas da Historia comi 
o cunho característico da heroicidade. 
- A outra ^^ircilifnstancia pela qual a peleja campal 
de Ourique merece sem questSo o nome technico e qua- 
lificativo de — Batalha t^ 4 o tempo que ella renhida- 
mente, e sem interrupção durou. " Foi esta bataliiá (re- 
fere o mencionado Chronista) tam bravamente peléjrjaday 
» que durou atée oras domeyo dia, sem tomar fim, sen- 
9> do o dia tam quente e tanto póo naquelle tempo^ qué 
99 cada uma destas cousas com pouqua mais afronta hos 
99 deiera cansar, {^n Hum combate tão acirrado qué 
devia durar para mais de sete horas consecutivas (pois 
começara devÍ€ q\ie hoSol êahto (3) ou arraicnxi (4), não 
era para se avaliar como se fora qualquer evento de usiiat 
estratégia, e muito menos para ser indicado por algum 
termo, «ynonimo de romântica, e theatral caricatura, qué 
denegrisse, e. burlasse a façanha illustre. — Porém oán« 
ti-nacionai pyrrbonismo histórico, travesso eresingão da 
gemma, talvez ainda se não cale.... £ que fará então 
elle? Ha de por ventura soccorrer-se á impossibilidade 
do successo, deduzindo a sua nullidade do mui pequeno 
numero que triunfara no combate. Não ha de fazer for- 
tuna com a maravilha do subterfúgio!... Não ha de sem 
duvida sequer ganhar alviçaras pelo mérito da inven- 

(1) Cap. XVf. 

(2) Cap. XVII. 

(3) Duarle GaUSo, Cbrooica de D. AffuiUO Heuriqnes« cap. 16/>. 
folli. Ít2. 

(4) Cbristovlío Rodrigncs Acenheiro, Chronica dos Reis de Por- 
tas^lf r«p, 3,<>| pag. 23. 



ç3o].»» A ohjecçSo é l^o font^smogoricai como velha • 
sedíça no terreno da desdenhosa opposíçSo amí-l)j$lorica« 
Foi o in.esipp Chronisla puarte Qalvgo quf m já retor* 
quiu^^os palrpnof (jella: » Nom se e»paote oiogueroy 
(di; pUe) nem duvide do que em cima escrevo dagran» 
» de2a deste vencimento, como jaa vi espantar alguns 
y? por mo asd ouvirem ; quando Plutarco, e pulrot Au- 
» tbores greguoi e assi Tito Livío com outros Lati no9| 
» concordando affirmaõ, eduem ha. vitoria da batalha 
^ que Lpculo Lentu)p Capitão de Roma ouve em Aú^ 
»; contra F4-Rí!y,Tigrame8, ser a maior que o Sol aun^* 
y» qua vio; sendo hos Romaos onze mil de pée, ha>f6ra 
" ha gente de cavallo, e hos imíguos duzentos e viate 
" mil de peleyja; a^endo-o Ipguo com gente tão cobar- 
" da e prestes para fogir, que sobre morrerem delles cem 
" mii no desbarato dos Romãos semente einquo morre* 
P rfiQ, e feridos nom passaraS de cento, donde se es* 
» çreve, que hos Romãps ouveraS vergonha, e se riraS 
9? de si mesmos por tomarem armas para tam vil gente^ 
^ da, qual segundo. affirma Tito Lívio erao os vencedo<r 
n res quasi ha vigésima parte; ho que em muy mayor 
n gráo e desigualança se deve estimar, e dizer desta viV 
n jtoría del-Rey D. AflTonso assi pelo muito mais nume? 
» ro de imiguo9, e menos dos Christãos, como pela va- 
n lentia, e animosidade, e seita contraria dos infiéis ; e 
n àlem desso vezados às mesmas guerras nossas ehamut-> 
9» tas vitorias ávidas contra nós, com que se tinhaô fey* 
Ni to vencedores da Christandade, e senhoreado ho mun« 
n do; nem des ho tempo de LucuIIo Lentullo para cà^ 
9> nom acho vitoria, dessas mais assinadas, que foraõ; 
99 porque desta del-Rey D. Aflbnso se devia julgar, nem 
99 dizer menos do que dice» (1). Eís-aqui como o Cbro- 
nista defende, e faz realçar, usando de um argumento 
de concludente exemplo, a façanha maravilhosa de Uu<» 
rique; e isto em tempo, em que, segundo a parla mor-, 
daz dos modernos Oráculos da vigente sciencia, os his- 
toriadores não eram mais que cegas efoisái ioupáraê 
que escreviam debaixo da machinal ebruta influencia do 
fni/t7grii7no/... £ seria o destroço de Tigranes causado 

r 

(1) Cap. 17 da já citada Chronica, 



por tSo pouca geate algum estofo de fabrica romântica^ 
com que !^. crédula e pastnenta aniiguídade emaranhasse 
os seus crespoSi e ImiíUos pergaminhos? Quem se desca« 
blsse com tal e^lSo sesquipedal pescoço teria que contra* 
rjar o sentimei^U) opposto de jcritícçft da primeira phma^ 
c já do tempo, em que o carupciío das velhas e corço- 
yadas patranhas, que.exam entuíbo da antiga historia, 
tivera sido bem e grandeinenteji^eudido.t^^Te^os pxesen- 
tes oa nomes de Millot,^ Macquer, e l^acombe. Jamais^ 
dÍ2 rCêie A. propósito da batalha de Lucullo, ^s Romainu 
ne s^éioient encorfi irouvéã e«i bataille rangée aiçec ái pcu de^ 
vfionde^ cúntrc un *% grand nombrfi 4c Èroupci,, {jL) 0% ou-* 
Aros .est^o oo mesxno .accordo. 

Que djf&culdade porém lia, se q.uizermos lyiesmo 
resoIve,r porouira guisa oprobleofiHi, de recorrer ao prin- 
cipio, ou agente sobrenatural dos cíTej^os mairavjlhosos? 
Ri/i-se-jia, com estulto desdém, daíiSrmula de solução o 
arrogante e en tonado r^icúmafismOy que aada quer ad« 
miliir acima do humanai bestAinto! Ria*se jnuito «embo* 
ca; que a. critica e a mais luminosa phjjosopfaia de lo- 
dos os séculos ha de iriiefraga^relniente detonar cc»nir« 
uxua audscia L&o tyrannica e despre^ivíel, como ignoran- 
te e absurda. — r Que monstruosidade pois oSo é no tri- 
bunal do bom e fino senso o pretender atrellar o «ysTe- 
tn^ governamental da Providencia ao jugo férreo de um 
fatalismo tâo iníquo e fátuo, que nâo consente que o 
Movei Supremo do univer&o se dé a conhecer aos ho- 
mens por meio de sucocssos de extraordinário enSocom- 
mum exemplo? P<Sde acaso oP»riimo racionalisiador^ 
por mais utopista que se queira inculcar em suas extra- 
vagantes concepções, marcar regras, pôr peias ao livie 
eKer,cicio de uma exoellencia, de um attributo doSupre-* 
BIO £nte, tao profundamente invadeavel ao espirito hu- 
«aaoo, ja se considere em seu poder, e essência, já em 
9eus eíTeitos, e variados fenómenos í A acçSo reguladora 
do Motor soberanamente providente é superior a todos 
os cálculos e bumanaes bypotheses e arbítrios! — Ne- 
gar por tanto um facto grandioso, reconhecido como tal 
desde a origem^ ou pouco menos de qualquer nação, e; 

(1) Abré^é cbroDoIo^iqiie de PHbtoire Ancieiítte etc , pa§. 455^ 



^26 — 

sempre 8\Kientádd pelas mafores notabilidades da- srieiH 
ciai só porqftie nSo quadra aò mesquinho, e marasmenio- 
peosar do gárrulo innòvador, qúe ousa dirigir o gyrc» da 
diviiia Provideocia pela vrellà da sua mal gradada erli«^ 
plica) fé tocar o cumulo da inaís caropaouda e suplna 
irriofio!.,. E^iqtie?... NSo se encontram nas naç^e% anti^ 
gas e modernas escriptorei ainda os de maior crítica, que 
não tem duvidado attribuir innumeraveissuccessos hino- 
ricos á protecção, e influencia singular do Poder Omni^ 
potente ? Negal-o seria o mesmo que fechar ol olhot pa^ 
Ta não ver o brilho fulgente da mais clara luz. — A phí« 
lo^ophía do historiador nSo pdde por certo deixar de s«>r 
muitas vezes transcendente, e elevar-se por in«tiocio » 
convicção, é algumas vezes até por impulso enihusfasti- 
co, á vista da maravilha do successo, a reconhecer a su^r 
premacia da Causa, que ò fez com inesperado espanto 
existir.-^ A philosophia do historiador não pôde ser im pia) 
nem declarar*se a bandeiras despregadas antagoorniti pir- 
racenta do maravilhoso, sem provocar amai^ju^ta, e me- 
recida indignado de todo o mundo verdadeiramente il^ 
lustrado.—- Mas para que é recorrermos ao elemento da 
sobrenaturalidade? A questão pelo lado por onde a en^ 
caramos, é do terreno da méis commum e natural dia- 
léctica. DeBculpe*se pois a digressão. 

Vejamos agora o conceito, qiie merece no areópago 
da critica o Chronista lM6r do Reino, Duarte Galvão. --« 
Deixando de avaliar o mérito do homem publico pelaè 
importantes embaixadas, de que fora encarregado pelos 
Beis D. João II e D. Manoel; diremos somente que, 
quanto ás qualidades pessoaes, que authorizam a moral 
e a litteratura do escríplor, encontraremos um Rui de 
Pina, um Damião de Góes, um Duarte Nunes de Leão, 
um Pinto Ribeiro, e outros, que assas as testificam, e 
affiançam. — - Porém na sua Chronica, me opporaoj é 
que se deve fazer a anatomia critica. £ quem ha que o 
duvide ? E* nella pois que eu especialmente encaro é te* 
nho posto amíra«-— Ventíla-se e é ponto controverso : Se 
a Chronica de D. AíTonso Henriques é obra original de 
Duarte Galvão, oo apenas refundição da Chronica do 
mesmo Rei por Fernão Lopes. João de Barros e André 
de Resende^ como já advertimoa^ concedem só que Di^ii- 



^27 — 

4«.Galv8o aparara a llagoa^m Antiga do que já achara 
^eacripio. Seja porém original ou recopilado de outra 
untíquiiMina, como quei Mariz^ esta quesiflo nlo vem 
para o caso. T'i'ata-&e de processar o que elle publicara 
i!omo prod«ic4o da 4ua lavra. E deveremos nós estar por 
tudo o que elle escreveu, ou Ua{iscr«ve«i oa mencionada 
GhroDica? E»tarAos bem longe dessa omnimoda delibe- 
rado.* Sabemos que Duarte. Galvão, ou por si ou por 
outros aquém seguira^ algumas vezes paiialiou. Lá está 
o Doutor D. Fref Ântooio Brandão^ que depois lhe ca* 
faiu á perna, e por signal que ao tomo 3.^ da Monar* 
chia Lusitana lhe fez menos mal o catatáoi Fél-o sioi 
tanto á fei^o, que o Theatino D. José Barbosa (quei 
accusando a negligencia .com que Galvio «e houvera na 
com posi;ç|lio da Chronica de D. AflTohso, chegara a dizer 
qué lhe poreáa que não fc% exame algum para o que ha* 
]DÍa de ejícrever) nSo teve duvida para á vista sotíretudo 
ide uma lai correcção doCistercíense retirar o seu escru* 
pulo, e dar assenso para que adita Chronica no primei- 
ro quarto do século passado, sahisse á luz publica (l). 
Teve escorregadelas e qual é o historiador profano, ain- 
da da maior polpa, que as nio tenha tidof «^ Porém 
entre os liipsos históricos que a critica assacara contra 
Galvão, entra por rentura a auerçSo do facto, de que 
tratamos? Ninguém ainda o dissera, nem podia dizer. 
Logo a batalha de Ourique é dos facios escolhidos, e 
apurados, que se lêem na Obra doChronista.-tT-.Mas será 
pecessarío para confirmar um facto tão clássico na his- 
toria de Portugal ir arregimeniaado toda a cohorte de 
Escripiores^ que o authorizam^ transcrevendo as suas 
próprias passagens? Será preciso constituir um Baazar 
de notória e corriqueira erudiçiJo para sustentar em toda 
a sua grandeza uma verdade publica, que permanece 
desde séculos no remanso pacifico do Archivo das faça* 
nhãs mais incontestáveis; contra qualquer bandorrilhay 
Du bandoleiro histórico, que a venha contrariar ou avil« 
tantemente deprimir? Jifiq é necessário.... Responderão 
todas as ilIustraçSes pátrias conlra essa ferocidade otto- 

(1) VeJ«-te a Cenrara de D. José Barbosa « qae prtcade a Chro* 
aica 4c D. Afloaso Henriques por JDuarto GaWao. 



— 28 — 

manícai que com anti-oacional alfange iotenla decapi* 
tar as primeLrasy e sempre tão celebradas glorias dn he- 
roicidade portugueza.-^AquíHo que sempre foitidoe ba- 
lido por verdadeiro e certo no conceito de todos os cri» 
ticos nâo pôde ser destruído pelo nunca ouvido pensar 
de algum^ que se ufana de querer passar por entonado 
díscolo, por iipostatn presumpçoso da historia do paii! 
O riso e o mais formal desprezo pela etlra?agancía é a 
Bverecida retribuição!... 

Todavia nâo será ocioso, nem tão pouco inútil, pa* 
ra servir de monumento apologético contra o mais abjé-i 
Gto, e anti- nacional sceptícismo, o mencionar os princi^ 
pães nome», e logares dos di» ti netos Autbores que asse- 
veram, e iestificam a façanha prodigiosa do Campo de 
Ourique. 

Siga pois ímmediatamente a Duarte Galvão o Ba« 
eharel Cbristovão Rodrigues Azinheiro. Este segundo 
Chronista de D. A ffonso Henriques ( falíamos d^aquel- 
lés, cujos escriptos existem ) na Chronica, que escreveu 
do referido Monarcha em 1535, trinta annos depois d*a-p 
quèlla que escrevera Duarte Galvão, novamente coufiiv 
ma a grandeza do famoso. combate. QUem a consúltair 
ha de achar que é até um perfeito resumo da outra do 
Galvão (1). tr- Azinheiro nãa era um adulador do primei-* 
ro Monarcha, que por veneração ás suas cinzas quizesso 
engrandecer com pincel romanesco ^^ suas façanhas. Pe* 
lo contrario até afêa a memoria do Fundador da Mo« 
narchia com/ a celebre historieta do Bispo negro e mais 
adjuntos; patranha, que Brandão valentemente refuta 
(^); seguindo igual exemplo um Critico dos nossos dias 
(3). hto prova que Azinheiro não teria duvida decollo-» 
car em. menos escala a Façanha de Ourique, se para isso 

(t) Vejaie Cap. 2 » c 3.0 

(2) Mooarch. Luiit, toin.^.<^ Liv. 9.^ Cap. 18.® 

(3) Veja-te Paqoratna, vol. 3.<>, pag;. 331. — B^ bem de nolpr 
que o Author da Historia de Portugal, quando coUaborador do Pa« 
Borama, ateste reviver taes tontot tU velhas^ antiga efnpdernanieotè 
ronfutados, para lhe servir de tópico acerto arantel Ròmautico-. A 
Composição Romanceira ou aranieleira, de que faUamos, tem o anti* 
frakiro titulo -.- O Ckronisia — Fiver e crer de outro tewpo, — 8« 
houvéssemos de entrar na analyse deste filho estreme dà niac^Hia 
fantasiai ^ perguntariamos 1.^ Se um sércQ aponloado de patranluis^ 



tivesse achado ulgum fundatnenlò. Nâò a còllócoti poH* 
£ ési« proceder não podia ser sénSó filho da mais pura 
e sincera convicção. Q^ie admira? Já antes dos^ois ci* 
tados Chronistaá^) outro que florecera no reinado de i>. 
Âífonso V^ deixou grave lesternunho da importanctâ ú^ 
batalha de Ourique» Foi elle <3cHnes Eeanes de Azura- 
ra, na 3.^ parte da Chronicâ de O. JoSo I., cãp^ 10.^ 
'^ liespotia do$ Letradoi»-*^ 

Neste mesmo século XVI a critica e a phiIo9Qf>hia 
dá historia não deixou de conhecer qual era oseu deveV 
para com asciencia. £§tè dever não julgou ella que ha« 
\ia de consistir em compaginar uma fárragem ou trapá- 
gem hedionda deanathemas contra todo o género de fei- 
tos prodigiosos acontecidos no solo pátrio, a qUe puzessé 



tSo fór« meinuo até dás raias do warosimiU está no caso de cònt«r mar 
teria, que mereça ter por desi|;na<;ãQ, sentia, ou inculca, o pome de 
ChromstaX 2.^ Se um amalgama de disparates tao incrível, como al- 
tamente indecoroso para o Rei, para o Pontífice, para o seu deliSga* 
do, e em j;eral para n Clero,. se pode chamar sem fla{;rante Injuria 
dos nossos avós o — f^tver e crer de outro tempot 3.^ Se as fabulas 
• historietas dá crença plebéa, e nao antes as tendências piedomi* 
nantet da gente cutta« qae timbram cada século, sao norma sèfcura 
para «e ajuitar , do viver t crer de qualquer naçio? . A^ affirmativa 
inepta responderíamos um redundo % e arcbisonaule : Nao pode 
ter admissível uma tao descomedida liberdade romanlica?... E im* 
mediatamente faríamos appárecer no tablado analvtico- o esqueleto 
da peçaV despido de todo o seu mal postiço scenario. Aqtti porém 
prevaleça o dito de Horácio: Nan erat ki§ iocwl,,, . 

Todavia nSo podemos deixar a^orade notar o crassissimo erro 
histórico em que cahira o Autbor do Chronista, £^ elle o dar pdr 
terceiro marÚ» de D. Tarcja, maí de D. Aflfonso Henriques, o 
conde de Trãstamara. £ísí<«qi|.i as s^as palavras: X^. Tareja tu€k^mãe 
ainda Jazia preza^ de%de que elle a vencera e ao teu terceiro mari* 
do^ o Conde de TVtsjfamara.-Veja-sé Panóranià, Voh 3.^ pagl.d06. 
A— Ora ninguém hoje em dia, ainda que de mediana crítica seja, 
çuiará dizer, nem ainda em povcllafepri^r^palmen to' quando .seu 
Author capricha de nao alterar o esiencial da historia) que D, T^* 
rbja tivesse paksaiio a terceiras núpcias! Corrija poU o Upso ó m^ 
finji^do ChrifAita.'"^ Porém que? Ha dè retoi^quír qtife, em «eoaft^ 
Mteuder histórico, a viuva do. Conde P.. Hençique rasárà seg.nydfi 
vex com D. Bermudo Peres; e depois, sendo este ainda vivo, rom 
D. Fernando, Conde de Transtamara, que, apesar de ser seu írroio« 
violentamente lhe tirara a mulher. Ora quem físer rnviver em tem- 
pos dè tio assl^nalada illostriíçSo pàtran1ías'tÍocas<*ad'af , le não- tem 
o sinistro e encapotado fim de deprimir o caracter da personagem \' àk 
mostras pelo menos da mais laiiiudv, e ténrlM' simplefe* 1 f Vej. D. 

José Barbosa Cat. das A? de P/t pofT* ^^r^^l^* ' ' ' 



»^ 



— 30 — 

oapocrypho letreiro de -— Historia de Portugal. -^ PeiH 
tar mui diverso foi oiea. Foi o d« reformar erros e cor- 
rigir inexactidões, e nfto o de negar, e dealririr verdadet 
reconhecidas^ e com óptimo direito conaígnadas enw. mo' 
numentoft de perenoal lembrança. Precisavam de refor- 
mar a*Cbrooicas dos Reis de Portugal. Este pensamea- 
lo occorreu, e realizou Duarte Nunes de Leão, JEntre 
os factos, ou narrativas porém que elle omittia, rejeitou 
ou modífícou, acaso entrará, a maravilhosa Batalba àt 
Ourique? Pronunciou elle algum anathemai ou peb 
menos remoqueouo que os Chrofffstas deixaram escriptc 
sobre aquelle objecto? Bem pelo contrario. Duarte .Nlh 
nea de Leão coníírmára quasi pelas mesmas palavras^ e 
sem omítiir circomsKancia alguma aquillo mesmo qusí 
tinham escripto Duarte Galvão e Christovao Rodrigues 
de Azinheiro. Este simples periodo é bastante para for- 
mar idéa do conceito que Nuues de LeSo fazia dá Ba» 
talha de Ourique : » Esta victoria foi uma dat granda 

V que houve nomundo^ porque nSo se achará, que tam 
I» poucos fossem buscar taro grande numero d« imigosi 
19 para lhes dar batalha campal, sendo os Mouros^ a 

V que se deu gente sem número^ mui fera e bellicoaâ^ 
» costumados ás armas e muitas vietorias, que bouve- 

V ram nao s6mente da mór parte de Hespanha, que 
99 ainda tinham usurpada, mas de muita parte da AJVk» 
3» ca, Ásia e Europa, de que se haviam feito senhores 
9» desdo tempo de seu falso Profeta Mafamede (1). » Es- 
tas palavras são terminantrssimas; e bem capazes de £s- 
zer tapar a boca a qualquer grazioa sceptko que á grão- 
deza daquelle feito se opponhi^. — E seria necessário, sem 
il^hir do âmbito do XVI século, continuar afazer ainda 
mais alarde de erudição para melhor reconhecer uma 
verdade tão corrente na historia do paiz? Se o fosse, eu 
continuaria a apresentar eni campo aautbqridadé deúqs 
!Pedra de Alaria^ (2); e antes delle a de André de Re- 
lende (3) e a de seu contemporâneo illustre^ PâmiSo de 



(IV Chro^uca d'&I^Ilet D. Affbnío HenriqueSf fsl. 34, edi{. 4i 

Í2) Di«l«go:2 o, pa|;. 44 e secuintet. 
3) Ur. 4.0 de AlMiqoUatibHt Imtiltftiias. 



I 






Goei^(l). Citaria em poIidUúpao latim otes(emi;iQho do 
grande Bispo de Silvei, jeronymo* Ozorjo (Ç)^ a. que 
i^ocresceniaria na rnesma Hpgua p do erydilisUmo pro» 
fe99or upiversitario Fr. Heiiot Pipto (3). Invocaria em 
npujo de soi^reseleçte asdeleiioftas^.è altíftonaplçi Musap 
de um Luiz deCamoes^lé) de,um.A4itonio Ferfek:^, {p) 
de um Sá de Miracida (6); e ali ;0 primaz da prama* 
titgrapiiia portugrueia correria pelo palco f&ra como uni 
furioso para dar a competente iuodaoosceplicon^rdac 
da proeza de Ourique; vergalhan^o^o a preceito com a 
intitulada Tragico-Cpmedii^ r^ Triunfo do Inferw^-. r-* 
Quem porém duvidou jamais: da unanimidade dos £s« 
çiiptores nacionaes do XVl leculo em asseverar e con* 
firmar por diíTerentes maneiras o succeuo prodígigso do 
Campo de Ourique. NSò se encoritraium só quedeixiLt* 
se de reconhecer a grandeza do feito^ que. o Documento 
co&ianeo affirmára. fisteDocumento, cooap todos sabem ^ 
e novamente repito^ é a Chronica denominada Gothica* 
i> Bsta Chronica (confirma em outra Obra o mui çrítii* 
Cp e erudito Oratoriano Pereira de Figueiredo) ,9» traz 
^evidentes signaes de que foi escripta no inesmo século 
9> XI l em que floreceu £l-Ueí. D, Aflbnso Henrique^i^ 
99 A&Mm porque na £ra de 102G que é o anno deChris* 
n to de 1064 diz que o que refere da deserção, e reedi-^ 
9) fiçaçao de Coimbra em tempo de Almanzor,^ fou* 
» bera de muitos velhos d^aquelle tempo: Jtcu^ amuUu 
y> seníbns àiidiviTnui : como porque refere com ex-tr^Q^a^ 
99 da miudeza, e exacçSo, nãp só os annos,: e mezçs dos 
» suçce^sos^ mas também os dias dos mezes, e os dias 
99 das semanas, e ainda as hpras: como,fínalmjçnie por- 
9) que não passa dos ulliâípa annos do me^mo Ãei D« 
99 Àffoiíso. Pelo que eu naquelles pontos, ecq.que esta 
99 Chronica não tiyer contra, si o unanime confuso dais 
19, outras antigas, nenhuma duiida terei em a seguir^ 

. . . • , 

(1) Tb OUsipooU BescHplione, ^ * 

. (2) ,De Rebnt fiminaiiNelis^ Ub.S., piifr-81 daédl^So déCoimKra. 
. (3) .Na.EpittoUi Djedicatoria, que precede úê Comai^Urioi §•!»• 
EieóoíeU dirie;ida a El Rei D. ScImis^Iíq. 
f4) iCaiil, 5/> E»t. 44. 

No Epitáfio a Bl-Rej D. AífiMito Heariquei. 

Na 1> Egioga, IniiiuhdB '^ fki^ki dé Mmâef9. Btt. 7.« 



(6) 



— 32 — 

» como fez Kezende, e como de(>pít de Rèzentle, íei 
if Brandfio. » (1) E«te yoIo motítaJo de uma natabfli« 
dade de tanto vulto oa repifbliVa daslettras, é um iiífle* 
xivel,, e possante maçarodéíro, qtiedeveesmechat a trorn* 
lia állira de toda e qfttalquèr târalhão de fanfarroriied 
lltterátttra, que a èsmo^ é Adrede cbacolea.e baraftistA 
conlra ^má tnirversal e bem fundamental ereti^* histo^ 
rica. 

Betiraría porém a crflica Kistorrcà dib numero da^ 
•uat asserções aquette celebrado feito, nos séculos suV 
sequentes f Appareceria acaso qeHcs aFgnm paleografia 
de c&rregadà, e testada vheira, qu^e tom vesga e envie- 
sada olhadura dipIcmaticio-perg-tíimnAeira, ínfezâsae ere» 
âazfsse- a xxm rdeal espectro aquella tão beoi naácfd^ %_ 
ftlfiheDtad^a filha da-historiaT A crítica íllustrada da bfs^ 
toria 'nfSo retrogradou, antes foi em progresso no XVII 
e XVíII século. £ se não se descuidou' de depurar n(y 
eadmfao da phiiosophía e do bom senso aquelfas tendasy 
e narrativas, que conspurcavam o campo da historia % 
á grandeza do fanroso soccesso de Ourfque nada dími« 
nuiu, nem rebaixou no conceito dos que bem podia nk 
avalial*a/ 

O primeiro escríptor de reputaçSo inconrestaver, 
qne se pódc pòr á frente dós qtie nò século XVTI tive* 
rám na mesma cathcgoria, em que geralmente foi tida 
nos séculos precedentes a victoría de Ourique, foi oun* 
decimo Cbronista mór de Portugal (fallo dos que vem 
apurados no Catalogo, quedelles fez Fr* Manuel déFi^ 
gueiredo) o Doutdr Fr. António Brandão* Este Císler- 
ciensé; a quem, todos, antigos e modernos, tributam 
respeito, e louvor pela judiciosa e apurada crítica com 
que escrevera ; é pois o proprfo que confirma e corrobo* 
ra com òseu ponderoso testemunho a grandiosa idéa,i que 
os escriptores, que o antecederam, formaram domara* 
vilhoso feito do Campo de Ourique. Os seus profundo» 
conhecimentos em historia, e assiduas investigaçSes pa« 
leograScas estiveram tão longe de o de8\iar do^éeolpo 
Gommum do geral conceito, em que tòdòs os qiie Alé 
eniao tinham tratado de tal maravilha çonvergiam^ que 

V,;- •■ . •■ 

(1) BtogiM d«t Aeit de PorítiS;<l, ffòta 2>. 



--.33 — 

pelo contrario o levaram a ser um dos «eus mais sínce- 
roS) ecoD vencidos assev^radores. Quem disto se quizer 
assegurar, abra, e leia o Capitulo 3.^ do Livro 10.^ da 
3.^ Parte da Monarcbia Lusitana. Abt dis elle a folhaé 
IM, n^ Esta he á celebradisslma vitoria, que chamamos 
19 dó Campo de Ourhjue, famosa entre as que venera 
V a antiguidade, pella desfgoaldade do numero dá gen- 
19 le, pertinácia dos Mouros, e duraçSo de tempo; e no 
» felice auspicio do Reyno de Portugal muy notável, i» 
Quem continuar a lâr ha de achar que BrandSo está per- 
feitamente de acordo com o Chronista de D. Affònsúi 
Henriques (Duarte Galvfto); cujas ponderaçSes ebi fa* 
vor do objecto elle adduz a pôllo* 

Ne«ie século se acham deste mesmo sentimento his« 
torico Manoel de Faria e Souta, e Manoel Severim de 
Faria. Âquélle na Buropa Porlugueza, tomo 11, Part», 
1, cap. 3.^ n.^ C6 ctc. Este nas Noi\iAa$ de Portugal 
Discurs. 3.^ § 6. Accrescentemos também a elles o eru- 
ditíssimo Anionio de Souza de Macedo, que na sua Obra 
Lusitânia Literata claramente mostra seguir o que es-^ 
crevêra André de Rezende, e mesmo Duarte Galvão (!)• 
Outrosim está de accordo com a eommum opinião An* 
tonio de Vasconcellos nas. suas elegantes e bem latinas; 
j4nacephqkò$csy %d cstj ^Summd Capita jíctorum Regum 
LusitanicB. Diz este pois em resultado da Batalha de 
Ourique: Haud dubium quin hçecFictòna ovnrúbut qua^ 
rumcumquc gentiurn ccUbratimmii comparando 9 ^t ni^I/i 
iceuttda tniea/ur (9). Muito mais ainda esmeradamente 
se explico^, o erudito Oratoriano, e nada menos qife a 
P.. Manôél, Bernardes (que é um dós primeiros clasiiiçòft 
da lingúa) ; 4:ujo testemunho^ mesmo como historiador^ 
não é para na questão presente esquecer (3), 

.. ' : i •: .' .•' • • ■■ 

,*::•• .- - . 1 •• . 

(l) Ijiltlhiiéia' tJberila Prooemiiini 1I« fMS* 106. -^ V^ate Iam* 
beiA àWkMa^miftn o metniia lí.AnUmio de MtÊtêdo fêmJwámiHté 
d» Hépé Mdio Atío 9 Mmtío Pèderoto D. Affim»¥ Vi. 



m "Na ciVadà Obra, pag. 16. 
(3) ~ 



Dtf qiie dit este intigné Oratoriano a respeito da inaraTHhaí 
de Oorique tramcre^eréaiõ* o tesumle : n I>e terem ^nco ot Reya 
M vencidos I teve occatiio o erro de MariaBna Chrottittà defletpè* 
t% Ilha, e atgii tf t outros Histortadores estrangeiros^ que mppOem (maa 
n nio |»ro¥ad) ser esta sfgnlfica^^io das nostas €tninas. Póréin outra 
it he muito mais alta edecorosoi eqoe p6de meller hífèjà atod0i\4|s 

3 



Nesle meuno ^culo, da que. falíamos nâo deixaram 
^e haver Poetas^ que fizesaem echoar do alto do Purnát 
90 a mesma importante verdade, que.a.hístoria tâp tijuor 
(antemente nutria em aeu ^regaçp. . Podemos contar en 
|al numero o Aulhor da Phcetklus da ítts\tania oit 4e^ 
çlamação do Scrcninimo Jtiy dd Portugal D. João IF, 
Aponta elle a Ourique como testemunho deum.doigrjQO* 
de^ \)Tazòes bellico^ de D. Afíbnso Henriques : 

p Di^am Lisboai Santaréoi e Ouriquç 

p Ciuantas Lybias cabeças coroadas 

9 VjUi a, seus pés o successpr dç Henrique ; 

f> Com heróicas grándexiis debulladas. (1) , . 

-.-• ;.. .. . . • . •, ■ '..■....... 

^ .,N.ãp *!e :esqueceu^ig4ialmente de. celebrar este pro< 
dígiq em suas M usas Francisco Hodrigues Lobo, Qitem 
ièt Q .Qindesti^bre de Portugal^ Canto Xllll fist^ 36 

• ' . . . = >•' •• ■ ^ . • : 

ff tKii$i^ l^eMf :RscadOB .Ha Chxhi»n^t^e, fiigvífirftã at/riorp máotm 
9i,yeis e prcriopmimat Chagas do Rey dos Rejs, com que venceo $ 
yi^inorte, resgatoii 6 raundo, e destriihío o reino duperrado. B «m3í 
9«! pontos, ou^arruelias^ querSo-distrilittidas de cinVo em rinro p«M 
nr.e!|Ciidete§ (captando. 9e:oi do meio- duas .vetes) representaÔ os trii|^{ 
n ta dinheiros, pQr que o Seuhor foj veniljdo. Consta expressamea* 
n \e do juramento authentiro do mesmo Hey D. AO'ons>õ, que té rô|i' 
9* servoa no archi^to do real Mosteiro^ de Alroba<;a ? até que Fiti|^ 
f> pe II estando, em posse destn coroa, o , mandou buscar, e d-epou* 
f» lar no Escurial, ficando no» copia autheaticada C(»tn/«quaJ. rpncuorf 
M dad os liòssos ÍCscriptores e também inuitus dos Kstrangeiros, é» 
9> qúé llfarvdd'Cita até niiinero 29; adrertin^do que al||^iins deMét èi* 
9t'creTerai> antet.de: Ae desc49brir o dito original t dortde se moitia 
»9.si^.i«to^.Uadi^ão antiga e, confiante, como dit Faria. N^m lift^pcri 
9% que f a ter caso da aulhoridade de Marianna« a qufil be ponca nai 
»if coUtàs tocantes a Portugal: e assim cumo deu hum erro, dixeBdài 
n que a orla dos râstellot^ qne cerra O ésrudi»; a 'p4t 4C|- lie^ 4I, 8aa« 
9* cho II, nao se^do senão D. AffontOf.JIJ^iie-H^go deu outrot 9/1% 
n disendo, que o campo do escudo he aiul, nao sèndo senão branco} 
n que muito que cahisse tarahem em terceiro erro, ditendo, quo « 
f» cii|C0 etcjudoi significas os riiKO,9«J<'l4«iU:ra*^<v«pcid9«%>DlíU *'£f^* 
99 ficando sen?iu.as cinco Chagas de Christo yeiicedorat|?t(.Nqv|l Fi** 
99 rê»tã etc. Tam.,l.P ^itulo VW* pag..3â|. -^ Vi^ate. tf!inl>e|^<.p«gi 
333 e 350.) — Aqui agora adverti remoi a certo Palcographo anjonyinoi 
^lf^ pretendeu • com tanio adot>o dar-^ps qMÍnán, .por-termot enao* 
eÍMi|# na ^^ Ju^a XUif^ronta — f|ue O; ijiploma do Jatameiito df 
0., Áfftnto H^nnqaet, qyie e^xistia em Portpj;al, era copi# ; qu« • 
ifiierf^ .la»l>ero ^gr^ande JBIscriptor cikaéo K*'0 QHtroUlii de qo* 
Iroi Escr^piwes, comO|«4e wer^essç a peua^ lho fai-jamoi ver S«m« ' 



. » •' » 



-3g — 

' Há de sértl difíiculdade reconhecer o que asseveramos. —« 

* Em excellentes versos latinos deixou^com memorada tam* 
^ bem a façanha do Campo de Ourique o Bispo de Tar« 
' ga, D. Fr. Thomé de Fatia. Ailudímos ao que elle a 
J tal respeito deixoií escrlplo no livro 4.** do seu poema — 

Lusiades.^^ E* de notar que aigUns dos indicados escripto* 
' res composeram suas obras sob o domínio do governo in-* 
truso dos Filippes») e alguns até lhes dedicaram seus es^ 
triplos. Ora se a façanha gloriosti do Campo de Ourique 
fosâe alguma patranha^ maranhão, oii tret|i de invenção 
fradéfícá\ mal poderia ella ser pespegada como cealida* 
dc histórica nas (xKfaechas de Monarchas, que^tianca 
olharam Com l)ons olhos para á independência de Por-' 
tugal; maiormente invólvendo similhanle narrativa a 
' recordação do primeiro e fundamental cimento delia. — 

* Que admira porém q[ue os nossos escrípCOres contiduas» 
^ sem a propalar sem receio de contestação um feito da 

primitiva historia pátria? Os' A ulhorés Hespanhoes, òu 

" qxie tomaram o seu partido, são os próprios quedesaffron- 

^ tadamenle o affirmam. Falle por todos o Coripheii dos 

y defensores dos pretendidos direitos dos Filippet á Gorôa' 

" de Portugal, o celebre flaniéngo D. João Cãramuel no 

^ seii PiU/ippu» J*rticfèns. Explicando elle o que queria %i^ 

g gnifícar o nuiinero dos escudos nas Armas Portuguezas/ 

B diz ossiih : r> Hic illám cekberrimam vtcioriam expriniit^ 

' » qunm in Chinqúio Campo obtinuit Afonsus, úbi cect« 

» dtí quinqúe Reges {!). 9> -** Temos outrosim aEstetan 

^ de Garíbayj que éHespanhol castiço; e, peh> mais que 

lhe di2' respeito como escriptor, O. Nrcòláo António, enif 

a Biblioiheca Hispana, é quem noUo affiança. £is-aqui 

o que elle diz. acabando de historiar a batalha de que 

Iraiàoiosr f> Está fuie la memoráblc y taniá bataHaqtàe 

19 llám£uii de ptirtç^é, ihuv celebr&da eh lá nacion Por* 

^'.tuguezá} còyá principal .gloria se deve a. los fidalgos 

» y eá|cttderos y gentes, habitantes en las tierras de A- 

^''àuénteio, y de éntré Doero. y Mino, pordue no solo: 

99 las getAljenliçjo, y.Algafveestavanq.H poder de, infier. 
«'les^ na»ftUtt m:ucha parte de A<|ueat«jo {t)^ n Bvai 



'i 



(t) Na citada Obni'-^. Oecasiè SêHkendí '^ m titula -* Btttnmtf 
iMtilikblraoi.' '- 
(ít) Compendio Historial , tom. 4.0, lir.MfCap. X. ' 

3 m 



— 36 — 

nenhuma outra porte falia elle do prodígio liellioo de, 
Campo de Ourique, que não eêleja de accordo com o 
modo commum, como tem sido encarado, quanto asm 
grandeza e impottancíai por todos os escriptores. ->^ Al- 
guém mais iMxlertaqnos apontar da visinha e rival naçlp^ 
que sem attribuir o successo a uma causa theocralicSi 
não deixou por isso de lhe conservar o mesmo caracteri 
e cunho defeito grandioso, que sempre tivera; apreseo* 
tando-o no prelo revestido mesmo de alguma outra p^ 
culiar circumstancia, que bem o confirma (!)• ' 

Aqui talvez, como por episodio, perguntará a cih 
riosidpde de alguém : Em que século entraria nodomioto 
do púlpito oprodigio de Ourique? Se resolvermos opeo- 
saroeoto pelos quatro primeiros séculos da Monarcbii 
nâo encontraremos vestígio algum documental que oafrj 
firme, nem que o negue. Isto porém não tolhe òpodeh 
se plausívelmente conjecturar que o prodígio dé Guri* 
que fora um dos tópicos especiaes com que os prégiwio* 
res d^aquelles tempps excitariam os brios militares dos 
guerreiros nncíonaes. — ^ No 15.^ e 16.^ século é verdaMlíl 
que a Oratória Sagrada ainda não nos ofiferece exeinpb 
da propalagâo d^aquella maravilha. Todavia temos, m\ 
principio quasi do Id.^secqlp, o testemunho dos ConA»» 
sores d^Kl-Rei D. João 1, o Doutor Fr. Vasco Perelrs 
da Ordem dos Pregadores, e o Mestre Fr. João Xira, À| 
Ordem dos Menores, que, na Consulta, que por ordem 
do mesmo Monarcha lhes fizeram sobre se era doservigol 
de Deus a conquista da cidade de. Ceuta, faliam da fa«| 
QQnba gloriosa de Ourique (C). Ora. se elles apootaraa 

(1) Marlann»^ qas é dor flanllei^o d*«qaeUes ^ué wãà altrfliéto • 
tliU«K*^ « rn(,Huba de Uu#iqne, nlo teve duvida, speiar d^iaaff* ds 
<;oDfehsar a sua grandeta. Amíir.o indiram as eipressdet: m Bata hê 
n aquella batállá tab celebrada con raión por'lot biitcN-iadores Bar* 
91 taf^oetet, de lai mas nfeiiloratifet que se vieroh ea àq^èlIa '•rai 
n defepnes de la qoal en brere el poder j fuenas de Partagal ae^aa* 
9* mentaroa en grande nanera. n (.Historia de Rspaiia,, L. X, caab 
XVIIf toro. 4.^ paç. 115) —A* vista deste e ontrat leitemunlicii tii 
^sitivus de Bscriptofes tSo insoipeitos; quanto se nio^déiré avvef* 
jronhar o historiador poriògoei de tSo aviltanleiiiente deprfanlrwai 
tal proeta ! Ctuem assim procede offende impudentemente m vardads 
histórica e o natural instincto da nacionalidade 2 

(2) Vej. Cbronira d^EI-Rej D. JoSo !• d.« Parte (por 
Eanes d^Aiuraira} cap» 10* 



— 37 — 

■ • . 

i ao Bei Aquetie adínf ratei successo para b persuadir « 

m titná Obra, que segundo o seu pensar theologico etá do 

1 serviço de Deus ; que dífficuldadé teriam elles de ò men^ 
|i cfonarem do púlpito abaixo ao povo para cooseguireni 
h o mesmo fim ! Por certo que nenhuma. TSo pouco pçs- 
k soa.de critério poderá asseverar que o nSo fizessem. 

i No 16.^ século Frei Heitor Pinto na Dedicatória 

^ . dos seus Commentarios sobre Ezequiel, se nao teve du- 
vida dé abonar a maravilha daApparição; porque a Íia- 
c . via de ter de A çfííançar do alto da tribuna sagrada? O 
, mesmo diremos dò grande Doutor D. Martinho Aspi* 

2 cuelta Navarro (Cónego regular de 8. Agostinho), um 
I dcs lustres da Universidade de Coimbra no tempo de 
^ El- Rei D. JoSo lil, que no Commentarío do Capitulo 
I Novít. de Judiem assevera o Apparecimento de Chrfstô 
, oD. Afibnso Henriques. — * No século 17.^ temos porém 
I testemunhos indubitáveis de que a maravilha da Appa* 
y riç3o era annunciada nos templos sagrados pelos Orado* 
^ res Evangélicos, sem que elles por isso merecessem de 
. alguém, que conslç, o ferreta de crédulos propagadores 

ãe hiiioí^i da carouchinha oo de algum outro ultrajante 
1 6pitlielMbh.»Quando não tivéssemos outros testemunhos; 
j- bastaria para exemplo o Padre António Vieira' em vá* 
^ rios dos seus Sermões (1). Havemos porém ainda de fa« 
j zer rhençao de alguns mais, para que senão cuide, que 
', otal usoera obra só de um Jctuila ! São elles entreoutros 
Fr. JoSo de S. Bernardino da Ordem de S. Francisco 
('3), o P. M. Fr. Joaar de Deus da mesma Ordem ; de 

(1) Vejii-ie: Tom. 2.^, Sermão de Santo Aniotdo^ pa^. 136.— 
Tom. 3.^ Sermão pelo bom suecetão dat armas de Portugal contra 
as dellotlanda^ pag. 470. — Tom. 11.® SermSo doiBont annof« p«^« 
406.— Tom. 13.® Paiavra de Deos Desempenhada^ Sermamde Àeçam 
I de Graças peto nascimento do Principe D. João etr. $. l.^f 2.^, tt.^ 
10.® — Paiavra do Pregador empenhada^ e defendida ele. logo no 
ihema ; e(. !.<*, S\9^ 7.^« B.^i 12.<^ Todoí eftes togares de Vieira (e 
por ventura 'oatros, quearguém rom mais pachorra poderá dcicobrir) 
mostram de sobejo qiiSo familiar lhe era chamar, para argomento, ao 
campo da tribuna Oratória a. marariíha da ApparIçSo. 

. (2) Vej . Sermão da Immacutada Conceição da Mãi de Deos^ guc 

fe% em o Capelta Reat^ assistindo em elia a primeira vez S. jlf . oito 

^as depois de sua acciamação^ Tfue/oi feita em Saòbado^ primeiro 

dia ele Detembro doanno de 1640 etc. $. 9. — A Btbliotheca Lusitana 

abona grandemente a capacidade litteraria e moral deste Rcligiosn* 



quem outrosim a Bíblíoibieca Lusitana cqm taoto ^pn^ 
ço ífalla (1) : 9 Doutor P. francíspo da Trindade, LeOf 
te deTbeologia nopoi{6gio de S. Agostinho cjeÇoqiegoy 
Regrantes (S), P P. M. Pr. António da Lux^ Helígioio 
da Ordem de 6. Bento, e Lente na IJnívefsiclade dff 
Coimbra (3), o P. JManoel da Silva, da Companhia dn 
Jesus (4)9 o Bispo de Angola, D. Fr. Joseph de OIí* 
\eíra, dos Eremita» de S. Agostinho (õ); 9 o Arcebispo 
f]e Cranganor, D. Diogo da A anunciação Justiniano (0)^ 
f— Qi|erem aipdfi malsf Pois ^nepciongrei t^mV>^rn p&r 
ra coroar a enumeração, o nome do M. R..P. D. Aos 
tpnio Ardizope Spinola, Doutor pa Sagrada Theologiaí 
fique, entre outras qualificagôes, se dí^tingMe por Ifrr sie 
do o Fundador dp9 Conventos dç N* Senhora da PhAtiê 
Providencia da cidade de Lisboa^ e da cidade de Goq^ 
aonde repetidas yeze^ repovo^ da Çi^dçir^ ^van^eliça | 



— » V^a-ie ttmHem Sermam/tUo pelo menno na Igreja MetroppBi 
tana em o segundo Ufondngo do Adoento^ nono dia de Dezemòro A 
J«40, £tc, ^. 27, ' 

(t) áermão qtêe pregou na Soiemne Proeitsam^ gue.fet o Mem* 
fendo Qukido f Ca^fnarft de Coifnbra á Rainha Santa^ car#rf <c»f éí 
graçat peila gloriosa resiauraçam de Evora% ept o outro eka da aui 
eUapa ^\c, ^ pag. 3, 4, 16, segiimlp a ediçSp de Cpimbrfi de 1G72. 

(2) Serfnão prfgado no Jleíd Mosteiro df Santa Cru» de Coitnhr§ 
etc. em acção de graças a Úeos por dar a este Reyno o «neicltiitwi 
Mey D. João jf^; em ^^ de pepemhro de 1610; foi. 4 v» foi. a, eSJ 
▼.— 13 ▼. e fpl, 16. , 

' (3) Sfrmam offerfçuh à Seref^isshna JRagn^ft Senhora fiossa Hf 
Maria Francisca JsaheJ de Saboya eite. prtgado na Capelh fia I7fiii> 
versidade^ na celebridade^ em gue deu graças a Úeos peilo fiaselnten? 
to feliz da Princeza Sephora nossa XI. Isabel épi 21 Ja^ro de 1669f 
IVa pag. 23-r-3l— 33 — 38. 

, (4) S^lva €\»f^€Íonâforiaj Primeira Parte Pfínçguriça^ tp^nm 9fi 
'^ Serjnao em acçofn de graças etc. naoccasião da gloriosa vietoriof 
fUç o fxerçUo Português etc* alcançou epi Moptet Claros do exerck 
to JE^aphol aps 17 de Junho i fia .Igreja íta Companhia de Jesuã nm 
Cidade tio Porto^ finsiso de 1665. Kcn p |i.^ 13, pa|;. 474. 

(5) Sermões Parios ^fte pregou etc» Seganda Parte, tpm...?.® --• 
Sermão pregado em o Préstito que a insigne Universidade de Cpti»* 
bra fez à Igreja da Rainha Santfs fsa^el em acção dç graças peío^ 
nascimento dò Pritiçipe possç Sephor, JÍnpo 1699. Em ps p.P* Q, ti^ 
c putrof. 

(6) TV-opheo Evangélico etc. Parte 4.*« tom. 4.^ «r Sermam ét. 
Christo CruçificadOn pregado na Igreja de Sfiwla ^usta de Ctnmkrti 
na tarde do prifneyro dia de ^aneyro do unno dç 16(M> etCm Ift^ pag* 

94y a«^49« . 



ifi tMtmariif da iiHMivilhá de Ourique (I) ; e o do»B(lpo áé 

L< Mavtyrla, D^ Fr. Clirisitovaiâ} de Almeida, daOrdet» doé 

iC| Eremitas de S. Agostinho, que enerceo, segundo a Bf^ 

^íc blioiheca Lusitana^ oLògar de Provisor do Arcebispa- 

s d(> :de Lishda'* em o« tempo dos Arcebispos D. Aaloníò de 

M Mendonça, e D^Luis de Souza (3). -^Baslai de digressão: 

C O s<H?u]o 18.^ nio dééli^ou da crença hiHorlca em 

4s que tinham estado os séculos precedentcb sobre á gran« 

O deza do feito rniUtar do Campo de Ourique. A criticai 

^- c a philosophia^ que neHè século marchavam pelo cam- 

A po das leilras com sobejo desempenò, e já com mani- 

gt festa tendência para desmoronar o edifício das velhas 

r I crenças históricas ; não ousou sim ter em menos cabo, e 

■■ aviltado preço aquelle maravilhoso acontecimento. Pelo 

r« contrario aillustração profunda e sensata do passadose^ 

a iTulo tanto nâo deu mau olhado á maravilha de Ourique^ 
ronsiderada unicamente como obra do humano esforço { 
que até mesmo propugnou e triunfantemente defendeu 

pp» a sua sobrenaiuralidade. A sciencia, e a erudição des- 

•< te século nio se fiejou de admittir, e conservar ó facto 

^ maravilhoso com todos òs admÍ0ÍciiloS| com que lho iU 



t (1) Vej. Cordel Triplicado de Amor a Chrisio Jesu Saeramen* 

Ir fado^ cie. No livro 1.® de iiinaCoJler4;So, que tein |M>r tiliilo— P!»r« 

tugal reaiituido na decima sexta geraçam de seiu Heys natàraes^ prol» 
:f tnettida por Peos ao Saneio e hwieto Rey /l. j^onso Henriqueta 

fi empar ada do^ Ceo cot)i prodígios e milagres: epilogo .de Uwvores do 

1 mui atío^ e poderoso Rey e Sen hornossoj)» João Jrerpostos cmgua» 
K fro Strmoens ete. IWiisamof» citar pa;;in«8. •* Opporio talvet porém 
I flf Archi Arklarrhos («e é que- o sabeni); que .a ritada obra tem a 
r pecha de ser proliibida pela Meia Ceii«oría.. Tenha embora o livro 

este labéo; e mesmo com ratão adita Ueal lleta por muitos e indis* 
prutaveis motivos o coudénnnasse a' pena da soppressSo ; como l>em sé 
f deixa irer pelo seu edital de 6 de Mar^o de 1776. Que te icgue det» 
se fracasso f Por ventura a Meta Censória condemv^u o livro por sen 
A utbor propalar do púlpito a maravilha de Ourique? Nio pc»r cer* 
ià K nem sequer vestigio algum seencontrn no edital contados pre- 
gadores, ouseus ^ermfies- impressot, que trouxesaem á collaqSo a tio 
prodigiosa maravilha. Pelo contrario approvára e deiíárf correr ell^ 
muitas peças de Oratória Sagrada, que mencionavam, ou pela maia 
manifesta forma a>ludiam tbeorfaticaAicnte ao prodígio. Duvidal-o' 
seria ettigmatiár-se a si próprio ( o pyrrhoaico que tal fiaesse) ccmi 
o, ferrete da roais crassa e Imtecoda ignorância. 

(2) Vej. Sermoens vários ete* tom* .^-^f Part, 3.^ — Sermão de S,^ 
^sé pregado em a Capella Real no cfta, etoi quefàiAa ttnnot o Se» 
l»A«r Af^ ^H. João' iK efe ghrêoia memoria. Logo uo $ l.<^ 



vera Iràotmittido a veneranda antiguidade., Conaervoít-o 
pa Q^eftiDa oatbpgoriai em que o tinham coUocado oa jet 
culos pi^cedentei. 

Foi pa verdade no. século 18«^ aápocha, era queei 
estudos hÍ3toricos tiveram maior impulso e iocremiNilo 
em Portugal. Basta leinbrarmo^nos da instituição dá 
Academia da Historia, pelo Monarcha de ímmortâl re- 
cordação D. João V, para reconhecermos a evidencia dt 
pma tal asserção. Este estabelecimento litterario <|ue co- 
meçara ater existência em 1720, reuniu em seu greiaie 
ludo quanto em Portugal havia de grande na âcieocia 
histórica, e disciplinas accessorias. Os cincoenta mem« 
bros porém quecompuieram tão respeitável Associaç&Oi 
eaquf^lles que os coadjuvaram em seus trabalhos^ jamais 
poderam dcscubrir fundamento algum para que ae, hoo* 
vesse de deprimir, éter em menos conta o grandioso »«€« 
cesso nacional. —r Por todos elles é assas que falle o em* 
diUssimo Tbeatíno D. António Caetano de Souia. Bi» 
te escriptor de bem merecido renome não só sustentou. a 
facto heróico de Ourique como humanamente obrado{ 
mas até o inculcou com aquellas circumstancias iheo» 
cralícas, com que os precedentes historiadores implicíia^ 
ou ei(plicilaroente o transmiltiram. E como o fez elle! 
Appíouse por ventura só nos cabedaesp ainda que mui 
jsolJdos e profundos da sua judiciosa e apurada critica! 
Não fez ii^to só. Agglomerou e produziu em seu apoio 
um séquito numeroso deescriptores assim nacionaes^ co» 
mp estrangeiros, que coincidiam no mesmo pensameiív 
to. Quem Jèr oAgiologio Lusitano no Commentario aó 
dia @5 de Julho ha de achar que Souza coroou a sua 
obra invQcando o testemunho de cincoenta ou mais et* 
criptores nacionaes; de quarenta e sete ou mais estran- 
geiros, seqdp vinte destes hespanhoes. Se pois tantas peií- 
nas illustradas de diversos paizes^ que aquelle sábio oo* 
ticiouy e reuniu em trabalhoso elenco, reconhecerani 
peta maior parte aquelle acontecimento, como eflfeito pro- 
digioso de.uma causa transcendente, e todos elles unanw 
memenle a sua magnitude; como é possível que otseus 
tpane§ não bradem com tos terrível e medonha contra o 
audaz (que não acreditarão por certo ser portuguei) que 
figurando*se (pelo menos em caricato romance) ,empa« 



— 41 — 

i blbar o «ceptro do tuIlaoUroo' fiitso-&is<orioo em Portugal| 

[ com o mais rUtvel e grutetco-—qfuero«— posso— -c moti-» 

cio*-* atira para o báratbro hedioodo das ninharias, esse 

monumento immort^i 'do esforço heróico dosvalenteá 

{ soldados do graade Affooso He&riques no Campo de 

Ourique f Otí ! Atravez de que prisma depreciador e 

t mesquinho enxergastes v4s a maravilha beliica das lios* 

tes Lttsiiauat ti*aqueUe memora«'el logar, que vos trans-» 

loraou a cérebro a ponto de nãoc verdes nella mais, oú 

t pouco míenosy que uma mascarada iheaCral f Com vosoo fat* 

i loy ó«iipeiinbador furibundo deum« verdade tSo conhò* 

i cida por talK.. Que não acreditásseis na iafluencia theo^ 

[ cratica, que as historiai commcimmente reconhecem em 

Ião realçado prodígio, 'não admira. £^ uma pia crença, 

não é objecto de dogma ! Que refuseis porém com inaul- 

iunte menoscabo reconhecer agraildeza do sucees^o olha* 

I do mesmo simplesmente comoobra humana; éumaaber- 

! cação ião heterogénea, e exótica, que se confunde com 

a mais rematada extravagância!... 
I Mas não é só o mencionado escriptor com a cohor* 

I te que o escuda q^ie estigmatiza com. o «eu testemunho 
I o intolerável arrojo. Outros ha neste século que segui- 
I ram o seu exemplo. Contamos entre estes o Author do 
I jípparaiui Hutortcus impresso em Roma em 17f8, Jo- 
té Pinto Pereira, no Primeiro jírgumento (1). A este 
escriptor unimos o P. João Baptista de Castro no IP 
volume do Mappa de Portugal, cap. 6*^^. 17 e 18; e 
Damião António de Lemos oa/^ula da Nohre%a Lusi/o* 
na. Tom. 6.^ pag. fOO ele., e na /i^is/oria gera/ dcPor^ 
iugal^ tomo 1.^, na prefação, etomo 3.^ pag. %l etc« — 
Ambos estes escriptores, e todos o» outros queélles apon* 
tam em defesa da sua opinião; & bem de vér que sus- 
tentando todos a theocracia do successo, assas e de so- 
bejo conjunctamente confessam a excellencia dã marcial 
maravilha, que nella mesmo historicamente faltando se 
encerra. Aqui porém talvez roncará o pynhonismo bis- 

(I) Eite Escriptor a pag. St traMcréTe «m francês a$ próprias pa* 
^ lnvraa d# OlSveiro de Marca, qoe depdem em favor da Apparit;!»^ 
' Al laet palavras vem em iimas Memorios delle, que Pereira de Fi- 
gueiredo declarou oa 1.* Parte dos Novos Testemunhos nSo ter eu* 
cvAirado nas mais copiosii li? rarias deita Corte. 



— 42 — 

VórícOy qóe está sempre de picnrela alçada para deitar 
\K}t terra todas as heroicidades :dQS nossos. maiores, que 
lauto ornamentam os primeiroi tempos da Alonarchbu 
KoncÀrá, digo^ e com mofador desdém objectar4:.Que 
os mencionados escriplorès, e-cftiaesquer outros do sea 
srquico eram unsr chapados peticegos/.e: fosseis noatifa* 
gos^ que enlorpeciatn debaixo dopezo enorme- d<> ema raf 
abado labyrínto das caihegorías do r cáustico e aedíço 
Aristóteles : Que a sua criíica Hottentotica, eTopjnai»* 
bica de taL^orte lhes tivera aÂK}toado ot olhos da intek 
l^encia com as obseurantissimas caUiractas das formas 
mais que secantes dosynthetico £scoIasllci»mo, que nem 
sequer poderá m lobrigar tim magro p rsgaselado refleto 
desBe fulgoroso e repolhudo planeta, que pomposamenia 
é chamado— * Moderna lUustraçâo ! -- Que em 6m o 
que elles escreveram fora cegamente dictado pela boca 
da ignoranciai da superstição, do Monacbismo, do Je« 
^itismo, e, para tudo se dizer, do mais estúpido e in^ 
tolerante núlagtts^no!... Tudo isto e o mais, que é es^ 
cusádo dar a lume, vozeará, pornao dizer escouceará es* 
sa fúria romanceira, que tSo tresloucadamente se acha 
empenhada em elevar á calhegoría denovella ou paiaron 
ia o primeiro ornamento dos feitos portuguezes. — C<m 
mo |)oderá porém alguém arrostar contra uma asserçio 
fão compacta de Authores tanto nacionaes, como e^tcan* 
geiros, sem. para logo fazer vér o baixo relevo, õburles-i 
eo:morle-cõr da sua audaciosa e pedantesca caturrice t 
li* por ventura crivei que tantos escriptores públicos pei 
la mnior parte de reconhecido e l>em fundado credito ef 
de mitis a mais, de naçcSes diversas se conspirassem entre 
hi pnrn dar vantajoso vulto áquillo, que na realidade n2o 
íbsse mais do que uma pura ninharia, uma illusão? £s^ 
tariam elles fallados e mancommunados para^ sem qn€ 
nem para çue, impingirem pela guela das. presentes e 
futuras gentes, como um grande facto realizado, aquiUa 
que nao era mais que uma tremenda, e rematada can 
rambola? Quem quizer fazer passar, a seu bcUprazer, 
como moeda corrente, este monstruoso fenómeno, tnlep- 
ta por certo fazer despejada mente um louco insulto ao^. 
senso commum ! . . ^ 

Porém eu quero levar o resmungão, o ari 



m poriiirgiijia^^ .quei reiTRga das amigas glorias pátrias, que % 

^ faistofia .coiisíjg;^^^ <e perpetua, a esse >p«r iodo lumiooso^ 

m que. cbarol^ou e .ÍJiaDÍ4if pam-isemp/e eom dèepreso do 

^ caiDpo da^ sciencia a t&Q f>.araÍ2^da ai^^ore do despoticQ 

K ArislQtelismo: A es&e tempo de iUuslraçâo graodiosa^ 

1 em qu4B aa velhas e decrépitas, abstrac^^s da áyattiesef 

que as x:alfaegoflas da escola sjrJIogíslira com embiocada 

^rrciice emaotilhavam, foram subâtiiuldas pelas indivi? 

dualidades da aaalyse : A e^ser dias; de luz fulguraatef 

ique raiaram em Portugal p^la- restauração daa Lettras^ 

e que puzeram ooandar da lua, e a toque de caixa o 

tàosysiematicamenie odiado^ e blasfemado JesniiUmo coiá 

Ioda a mais emalolada faiíota, a que deram oaome dio 

pbgcuranitimoj fanatismo, iartufitmo^ enSo sei que maili 

ismo, que anda no: peitoril da apupada: Quero. em fim 

provocar oPyrrhoni»mo histórico ■« auti-lradicional (què 

é o Kantioaismo em pellote) para essa épocba, em quQ 

a illustração apparecêra em campo com. as vestes- triuQ<* 

^aes de uma critica toda fundida pelos moldes da maia 

fina e apurada philosophia. ^ qual fora o «pensar desset 

Corypfaeus da nova e desfanatisada Siciencia, acerca da 

feito de Ourique? Julgaram por ventura elles que a 

prirneíra façanha clássica d^^s Poriufi^uezet jcoolra a bar» 

I baiidade musulmana fora algum sonho :de ímaginaçfikik 

^ extravagante, alguma rolelay ou patranha do enxurro 

. popular, algum conto, oa narrativa de tx;/Ão monge ; aU 

guma historieta de Aia crédula, e palreira fiara adorme* 

cer crianças? Ah! Quiio longe estiveram os. homens. da 

sciencia naquella épocba de gloria litteraria de profcríi; 

tão repugnantes, absurdos ! 

Na verdade quem não sabe que mesmo logo nober« 
ço e mantilhas desta épocha se devisam escriptores de 
reputação incontestável, que apoiam a existência egran* 
detadàBatplhn de Ourique, ainda theocraticamentecon* 
siderada? Foi um delles (saibamrno 09 escrevinhadores)' 
Q sábio. Oratoriano Francisco José Freire, na sua Obra^ 
talvez de não muitos conhecida, -— Aícthodo breve f c/â« 

çtl^ para e$iudar a historia Portugne%á{l). Todos assá% 

. . . . 

(1) .A pag. 6» no Blpgio àe D* AffoDto Henriques dii : Desharom, 
iou Q s€H kfaçfí nçt tjcncraiM^ cam^s de Oui<gn€ J0*9^ ^^^. 



reconhecem que fallò de Cândido Lusitano; etcriptofi 
a quem, segundo o juízo de um sábio nacional clot nos- 
sos dias, deve amoÃsma riiteratura o %cn prineipk> ectm^ 
ft«feitcta. (1)—- E em que apreço e subida valia te nlo 
deve ter o testemunho d Visa Corporação tão benemérita 
da religião e das leitras, que fora a primeira, e a qte 
mais afíncadamentè em Portugal desmoronara at aliai 
muialhas do prepotente, e audacioso Peripaio,* para em 
tuas ruínas lançar as mais escolhidas sementes da arv<^ 
re do progresso das luzes Européas? £ negnrJhe e«la 
gloria seria um documento da mais intolerável ingrati- 
dik>!...« A Congregação do Oratório pois noCompendio 
àe Historia Portugueza, por ella ordenado para uso da 
Escola de instrucção primaria na Real Casa de Nossa 
Senhora das Necessidades, debaixo do titulo de -— Vida 
dos Heis de Portugal—- não teve duvida de transmittir 
aos seus alumnos o mesmo caracter theocratico, que as 
antigas Chronicas tiveram dado á maravilha do Campol 

de Ourique ($) Não está porém ainda aqui tudo. A 

apparição de Christo a D. AÂonso Henriques foi trnsla^ 
dada ao campo da discussão, e nelle achou denodados | 
Apologistas. 

Dois homens em verdade nppareceram nessa grande' 
épocha de cultura scientifica, dois protentos, digo, de 
sabedoria, e da mais acrisolada erudição e critica, a 
quem tanto devera a luminosa regeneração, que houve» 
ram as Icttras no reinado do immortal Monarcha D, Jo^ 
té I : dois varões sim de gigantescos e sólidos estudos, e 
porelles sobremaneira respeitados dentro efóra do país; 
dois sábios de uma Cbfera extraordinária, e que tão lon» 
ge estavam de cortejar o influxo multiforme da supef^ 



rio^ onde teve aqueila t^arição de Chritto erueifieado^ fue é m 
§naii êubUm* gUiria^ e a maior Jirmeaa desta JlfonarcAia.. 

(1) Vej. — Memoria lobre o eftal>ele€Íinento da Arcádia de lit* 
V>a por Fraacitco Manoel Trijcoio d^Aragio Morato. ( Mem, da A/» 
^ad. R dat Scienrias, tom. 6.^ parte t.* pag. 62). 

(2) Na Vida de Et-Rei D. Aflbnío Henriquet aclia-ce o leguintot 
•i Paiioa depóít a Alemtcje, e ooi campoi de Ourique derr«»tou"a 
r» El-Rei Ismario c ouirot quatro, que o acompanbaTam. Antes ás 
n batalha vio a Chritto Senhor nosio crucificado, qne lhe deu •• Ar* 
9^ mas, de que niam otReit de Portugal; e tegurando-o da victorlSf 
f> lhe' ordeneè se lÉiUtalaste Rei, como fet ao dia segnSote. n - 



— 48 — 

ttiçSo e de tudo quanto se pretendia inqulcar pelo ter« 
^ mo jciuiiinno^ que antes a peito descoberto o comba^ 
' tiam : quem pois ignora, que foram elles próprios que 
' tomaram sobre si não só sUstentar ú grandeza do feito 
' dtf Ourique» mas até a realidade do seu caracter tlieo>* 
' cratico? Todo o mundo ainda o de medíocre illustração 
^ mui bem o sabe. Foi o primeiro destes sábios o grande 
^ Oratoriano António Pereira de Figueiredo. Não foi §6 
' uma vejs que este phenomeno de erudição c que nÍA<« 
' guem jamais notou ser de espirito credukirOj mostrou Of 
^ seus sentimentos tanto sobre a grandeza^ como simulta- 
^ neamen te sobre a theocracia da maravilha de Ourique» 
' Tâo convencido estava elle da vel-acidade do aconleci** 

mento! — Não se contentou elle só com o que dissera 
' a tal respeito em o Cómp^ndw dai Epochat^ c Suecettoi^ 
' mais illwitres da Hi$Íoria geral (1). Não julgou baslante^ 
' o que deixara escripio nos Elogios dos Reis de Portugal 
* em Latim e Portuguez ($)• Quíz ainda alargar mais af 
1 velas da sua vasta e profunda erudição e penetrante cri* 

tica em apoio da crença nacional sobre uma víctoria, 
1 da.qual, como elle próprio diz, Portíj^al dedwt^ oè te^tá 
^ principaet BrazÔci. Tal foi o que elle magi§1raiment^ 

desempenhou no Opúsculo — Novo$ Testemunho» da ftis^ 
■ lagrosa appúriçâo de Chrtsio a ElRá D.. Affon$o Hen^ 
i ríques. Ahi recopilou todos quantos fundamentos se pò« 

deriam produzir em deféza da tradição da maravilha; o 
^ que confirmou coni exemplos parallelos« Foi^pof ventu- 
t ra este sábio contrariado do que sustentara em sua Dh* 

sertação .por algufkl geaio intêlljgénte, queJneluctaveU 

mente o rebatesse? Ninguém houve que. '.a tal se arrò« 

jasse.* Houve pelo contrario quem ibe fizesse elogio (3). 
O segundo escriptor memorável^ de quem falíamos^ 



(1) A pst^itfés 264, 2 .« imiireiíSo; ■ 

'2) A-fiaglAat 15 e i^tiiiiUfi e beilÉ niilm «m »Nftta V|If. 

3) Neite sentido pôde Ter-te t Memoria sobre os CètRces J^oiuc- 
seripios^ e Cartório do Reai Monteiro de Akoba^a^ que vem mo ton 
mo 5.^ das Memortât dê Litleralara Port«gii«t*'da Attfdeima RM 



1 



da$ Scienciat* -^ Thekaidu Fortuguetn^ toauí llv ptvK* 111 e fégiihi^ 
tet; afora outros. <— O A«thor da Theba^da l^rtupuwé^ qtie ttSo 
só elogia, porém, em tndoaegoeaVereira, «ttevertf que ovMà«tt* 
•criptot do aniigo cartório da Serra d^Oisa aotliorisafii per wmé nall^ 
f aidade a verdade do prod^ da Oariquot (Tedia J^^ pa|^. llfi). 



^46 — 

é o grande Bispo de Beja» DiFr. Maooel de GcmacuIoV 
Esta vasta capacidade li iteraria teve acaso alguma du- 
vida em sustentaria- verdade da Batalha de Ourique nãa 
v6 em todo o seu caracter de grandeza^ mas até de so^ 
brenatural prodígio? De nenhunma sorte; Se/a autiientí- 
CO testemunho o q ire esc re veta sobre a matéria étn stitf 
tão rica eencyclopedíca Obra^ a qi^e dtío otrtufto :' Cíà^ 
dadoà Lititrarioti Nella não sófas menção a mais hoo*' 
rosa do Opúsculo de Pereira sobre a Appariçfto, mâtf 
até:Gopía pelai mesmas palavras doOratoriano^uast ti»^ 
do o seu conteúdo. Nfto disse tudo. Nâo %6 fez sua tí 
doutrina e expressões doAuthor àos Novfos Testemunhos^ 
porém reforçou aquelia com oatros I>ocumentos del>oni 
cunho, que acompnnhot» de valentes e jiidiciosasreAs* 
xões.— •Escreveriam de má fé, ou por. ironia Pereíray If 
Cenáculo? SSo esciíplores acima de toda a excepção pa-' 
ra tal ehormidade se Ities poder imputar. — ^Quem «vanH 
casse símilbante arrojo, personalizaria em si mesmo c^ 
cumulo da audácia (I). 

A esles dois primorosos sábios podemos ajuntar oif^ 
iro tia mesma épocha de talento e erudição indgne, « 
que com elles bem pôde hombrear em mérito. Teve p<dv 
este comoamainsignificanciai uma illusão fantastnago' 
i^icáaAcçSó de Ourique? NSò; por certo. £lie a qua- 
lificou de — Batalha memorúvch Èis-aiqui as suas e^^pret- 
tôes: Regts postca titulo insigniètís feiAt (Alphonsus) afty' 
no 1139, in quem incidit n memorabite Orichiense pfoí?^ 
lium. J9 O sábio.' a que no» referimos é o grande refor* 
mador, ou antes creador de Direito Pátrio, PascoalJo^ 
U>dc Mello. E nSo se pejou elle de transcrever na siri 
obraa inscripçib coinpostn por Atidré de Rezende, aoir« 
de te fax meiíçSo.enlre outras, da circumstaocia da Ap« 
parição de Christo a D. AíTonso (3). Assim transmílliu 
elle á estudiosa mocidade, eultpra dos l)opA estudos ju* 
ridícos^ s^m coarctada^ aem remoque, que desse * inoli« 

* . > .■ .•\ 1 • - - t : ♦■>. "'."■• •■.•.. ' 

: . . ■ «.■.•;:.- .- ■ \ . .'•■■■■' ' ' '■ ■ ' ' •' 

>{1) • Sai 'O aotM ÒpMCiila «^ Justa Detaffroni& em tUfetà do Cie* 
r» -i^ que pqblUuiiiijnii. eoi o anuo de 1860, e cuja edi^So te coDsmnitf 
com etpaoiese repiijNU(«vai]MÍt rebalemet tioetiorme conceito proferf^ 
ilo polo.Autlior,.^ -I- Ktt e o Clero— contra' a iUibedá coiidacto-dv' 
Uo reapeitaTeif .eroditjuft. . 
(2)riibt«;JurU€iriU«-|49stt«iiit^3ry BOtii. • / i '.: 



— 4fl — 

vo a inferir a aua discordância da geral opinião hislorTr 
ca,\aníes çom expressão de goslo^ (juvai)) aqudla ião 
afamada proeza. 

Se porém, o immortal corifeo da nova Escola .dé di-% 
reito pátrio em Portugal nãoduvidou perpetuar .em «eut 
«scríptos a. crença nacional do bellico prodígio de Ouri-9 
que, dando^lhe o epitheto de batalha memorável ; xíixírc^ 
universitário houve. ainda, no f^m do 13.^ século,, que 
na presença de todo o Carpo Académico não duvidoa 
pela mantsira mais explíclia de se exprimir, , de te iiios-« 
Irar o mais desembocado seguidor d^aquella maravilbaf 
mesmo com todos os admiriicnl^ da ^ua geralmente. a** 
creditada tbeocracia. O ieote .Gaihedratíco» que assímú 
se comportara, não foi nenhum rançoso po£Í/imsía, que 
n gralhada^ j[b/Ãe/meira ouse^.ap.upf^r. de. nxiope^ .ç çoroba 
intellígencía. ÉVde.Jiima caUiegoria^ de uma ordem de^ 
estudos, que estãofórã do domínio e' influencia da au<^' 
thoridade.'— E* a expressão franca eMndependenle de' um[ 
des5^^»;-:;;ííio'rcís de ,um 4os ramos diç^cUocifli^ aonde.ió. 
predomina aobser vação ê à arialyse \ ^*^0 philosophoj de- 
quem fatiamos é d ihsfgnfe'é áfámádo LeriJfe :déXhími- 
ca é M ineralògia ---- '77^pm«. /ioári^úei. Sobrai* Ni^g]xéia] 
dirá que este calhedraiico era estúpido, crédulo ou fana-» 
tico. Pois um homem desie^, q^è mènhulh sensato rtíaW 
chará cçm. ^ nptá de inepú>^ é o própria que,, quasi na' 
fim do século passado, em^Júma reunião plena daGofpo' 
Universitário, não teve a menof dUvida,' anftès mdstrpii' 
dai maneira maíf positiva. çexplidta^jqií^ptQ^ 
dealmente ;ConveQeido^ náo.digo já' da grandeia real da 
combate» de Ourique^ porém niesmo até das' sobrif^nâtu- 
ifíes cíticumstánclas,' quê dànleV^derátn .C(i^'i99^ .pot'.- 4 
esse. .dia em que o Ptisstmo e È^Í^\Qmmnu> lãff^io fera. 
recreado naquelle logar^com aA'pwir\^âo doSi^^ 
inundo^ prpWi€/^<niiò-/Ae q,fcii:(órui çonító pV òaii;60bi j 
pbamá a es||e;dl^^ Hígo,. um Jdià-icekberAmo er^daaeira^ 
tntniefautiwnnoieijfie comoiai se torfM dignimrn(f\Ie 
tíndat' ná eitrná íti€mór\d Has Portúsucícs, O eícHiâo 
e/n que se lêem estaS:.e.oulr(^.e;ipressoes^,que assas quà?^ 
lificam a indubitável persuasão^ • que. eltè «nutria soMre» 
existência do tírodigío; tem bor tiluTÓ: 'Oràitò j^èâáe^' 



— 48 — 

NataRiia coram frcquenii jícadcmia G)/tinbrt€tt»f , êolei 
fàpro Congratulotíonc eekbranturj Auciore Thoma íi 
dríguôiio Sobralio^ ChemuB ac Metallurgke^ %n eadem At 
denúa^ PubUeo Profesiore. Habita cHe XXf^III. Mc 
til Jti/iiy ann%m%lleúrn% %epi%ng€nteAm% nonagttxml q%á 
liy veípcre. O le»temuDbo de um S»biO| «uperior a t 
da a influeocia de cegas preoceilpaçdes (quaolo se póc 
presumir de um ^bii cultor de scfencias taes, coa 
aquellas que elle professava); e além disto prononctai 
na presença de uma Corporação tSo emineatentente i 
histrada, falia iocontestavelmeotc mais alto que todo 
qualquer remoque insulso da antí-naeional fábrica ( 
ionof açao histórica, que miseramenle se lhe oppoaha (1 

(1) Para <|be te potsa faier cabaf conceito datiiléas <!fo Orador 
cadeasico, tr»B«cre«ereinòf tcxtóalnsèaté at toas palavras : n Ci 
» multa, eaqiM prseelara, »ihi, Hóde potin(aifim exordiendom éa 
99 in ancipiíi haerenti «e te ofierreat^ ac veluti certatim primo, n 
f% dlo, extremoque telebi-anda oraCionit foco, inentíi oculit obver 
9» roBtur, Sia|;QlarÍ9, Suprenai Pfumínb, et^w LusiCanom Imp^rli 
99 boDevoleAti^ monumeiíta ; ;ad ttkhtrrimum ilbim, oa verefm 
9» fisfimioit, yiitaif^ ipfeirco in mUrna Irnsitanorum mentoria ver 
9» túr^ prefçcto ãtgmsnmum «Rirm, aMimnmi meum quasi invitum 
9» pi tàodeiti afvimradVerti-; quó PHsthmU ae KeRffiotwimus Atpk 
9» sfM«. Sanei\snma% Setum permnm^er eoUaiquentUn at vietoriam 
ff.fimrharis iJH<ío reppriandam pottiçentU^ HumMfd §€furis Servm 
9» rii Spècie recreatut, mirejue ttinãe ad praiiandum inflatnnuUi 

91 sir^eimin OrieiAenii MrmjhnuUunenia^Jecií, Ac primam quidi 
99 fMh\ T^n^liir ante pculoi PUmíim Imperotork* pro Religlone | 
99 tiuttuénda^ ac propuj^nanda, q[aam pro expu^oandít, dltioníq 
99 toae tuper addeòdtsui^ibiis, ac locie bella' gerentit ímagò. Àp| 
19 vet QiaxiitfiM illio», âè vare €lirÍ3ftla«af arder aiiimi, quo BaH 
91 rorumcopiat pvofligaaa^ SaracenOf humioep Çlwittiaiio Domioi j 
99 foDiot fund.ituft debillaraV Ismarii Socieromone |K>te9tíain, vlr< 
99 qiie perfrlngere Tir Pftishnot tníiitefiátor. Vídèor áií6i vidfei 
9» hÍDC I|»perotorem rell||k>ne pVoíclarom, pietate comp>cauin, si D 
99 nat «xtytfo mUHum suerum Jttfutero, IHettio c«r#« fi6t oauiSa aml 
99 promissof ae vehtt ttipufato^ fretwtm auxilio ; de perfidít illii, 
99 Darbarít hominibot, tui ipáiút* ulpofè quia. Religiòníi hostib 
99'victoriam anbetantem : illinc nrnarímoã^ wr p^ope Htnumèraê^ 
99. Sarhttr.^rum intiruetas «cirs, MtgenHhií» dU$omtfUê €Uunatrií 
n pentrepenies^' eruentitm adeo^ periinax^ ae dhdumnm, *nt4fr 
n ptixRum eammiiierên ut vet efut nune metmnitte animus pèrm 
99rjf4eal^ Qaantavrroexoltátíone, prôfuftifone-gaitdiU affecCirm ft 
9* se lasperatorem lleligíqsiitimum credendam^ qbi militiaKi -toi 
99 Chrittu maxime de.vovebat, poslquam . animadyeitit Barbaror 
9^ Cobortes, una cum.ducibui luis, detperatis ji^iii rebui, terge < 
ft diMéf Auribus adbu^ re«oiiàre tidentar oostrlsf willtuiii perla 



-.49 — 

t^orém quet... NSo seria dífficultoso trazer a lume 
outros testemunhos dos mesmos seotímea.tosi achados em 
diversa profiiisão philosophíca (1)^ da magistratura (9)^ 
tia medicina (3). . . ^ • 

A1ongue-se^ dilate*se todavia ainda mais o circulo 
da aoaljse antes de sahír das avenidas deste século. la- 
Testigue-sé) putentêe-se qual fora o pensamento dos O- 
radores sagrados acerca do prodígio de Ourique^ que el- 
les do alto do púlpito tão desafifrontadamente enuncia- 
ram^ sem que algum pretenso flLbícbão histórico ousasse 
abrir a boca para infamemente os apodar comia pecha 
ultrajante de propagadores de fabulaiy contos de velhas^ 

de cmbusiet^ V èjamos Mas ah! quem. não vê que 

de toda a parte stm estão puliulando indeléveis exem- 
plos, que etidenoâaiíi a posse paciíifca, legitima e indis- 
putável^ em que sempre estivera o ministério do púlpi- 
to de (quando as circumstancias o motivam) usar em 
seus discursos, como de um elemento de eipeeial per» 
suasão, d^aquella nacional crença? 

■ *. 

n «ifriaè ítíé ioréi, qiiibui A)phonsj(» t. LnsiUriik Re/ti, VUa siliitil 
i9 cuiii 'vfclotNk prfm^UDciabfttor. O ftene furtuiiatittimunif et mi oul- 
99 liim aliud fuerit in Orbe cotnparándum Imperium ! Cui prima 
99 sui» Telut manibui Nuinen .£terntfiií fundamenta ponit. O felix 
99 nimiiim, nimiumque beatum inlsltani» Kegnnm, cujui natalem 
99' ipfyin adeo inii;;nèin Hliuà, per qtiem Re^èt tui imperabtfnt, prae* 
^-téolia reddiditt O |^rodi)(iujn maltit rerte nomioibiis sÍAuulare! 
Asiiih ò indicado Catiiedratico. a paginai 6| 6 e 7 4* mencionadift 

' (1) Yej. ^ Còrdeaea Sentiitientai. espottot ptfr eccaiiSo do Pelia 
Nascimento do SereaÍMÍnao PrÍMCtpeda Beira em ítí do pretente 
fliar^ de 1796, pelo Doutor Beato José de Sdota.Farinlia. .Na.pa» 
gina 17, . ' : . 

• (i) Vej. «** Hjirtno |(ratolatorio.e deprecante péla gravidei, e fe- 
-lit «ttcccaso da Sereni«di|iia- Princesa doJIraiil noua Sen bora. . Pelo 
Doutor Joié António de Sá, em nome de Comarca 4e BIOBCorvQ. 
1Íú'^f;. H e ia* -^ O metmo Antbor na Oréção Congroêulaiaria por 
occaiíio de aer elevado à Alta IHgnUUuie dt Palriarcha de lÁtboa 
o Exeelkniittím» e iÍevercf<«iiftimo Sr, Joté FraneUeú de Mendon» 
'f a. Ná paç. 20. 

(3)r Ve). -«-Orofae geneikíiaea^ fue.é Rainha FUU^tima Iíi9t$0 
Senhora D, Mmriu.I^ nM eccaiÚa d^s §éu$ feUaes anmoê efferece 
'Maneei de Màrae» Seare»^ Mitdkce da danara de <S« Ma^eUode Fim 
'dtHâsiiaa etc» Na pagina 7 e 8. B^ Impressa em 1777* '— O .nii;ijnM> 
Author na — - Ora^S» Panei^^im á Rainba . Fidelíssima, .^ossa Se- 
nhora D. Maria 1, na occatiiu tfl«M «etti felitei Mmes etc»t il^pre^e 
em 1780, Na pag. 8.« .j, - 

4 



— 60 — 

Bastará comludo para «egura fiança do que pro 
rimos, tfio somente mencioDar os nomes d^aquelles P 
gajoresi tanto do Clero regular, como secular, cuj 
Discursos examinámos. Cital-os nâo é fazer alard« 
erudição aljarrabina^ como pcxlerá vozear a pseudo-ci 
tica pfocacidade. £^ justa e devidamente desenterrai- 
da sepultura do prolongado esquecimento (em que 
maior, parle delles, tão somente peia decadência do m 
f|»osto Uratorioj jazem) para figurar nd campo da demon 
Iraçâo, como sUstentacAlos inconcussot de um facto 
direito innegavel. 

Nao me ba de pois , entre outros deixar ficar sei 
prova o Pregador Geral Fr. ^nlúmo do Espiriio Som 
jândradcy ReligiosoFranciscanoda.Proviacia.de Porli 
gal (1): o P. M. Provincial da Ordem de Nw S. <l 
Carmo, Fr. Joté de Sousa (3) : o Bispo de Patara^ í 
Fr, Joví deJega Marias da Ordem dos Prégadore*, Pr 
^idçnte da Relação Rcclesiastica, e Chanceller do Aro 
bispado de £vora (3) : o Augustiniano de nSo vulgf 
cunho, Fr. Manoel de Gouvèaj irmão dos dois fandòst 



JurispoQsultQs portugueses do mesmo appellidõ (4): 
Lente de Theologia Fr. Joú Manoel da Cjncáção^ i 



i 



' it} Vejk Sirmatns Ptmeifyrieosi e Moraes ete, 2^'* tomo, Sanui 
IV\ img . eO. A Bit»liotl)eca Liitt«tfiia« tom. ].«>, pag. 262« fuMmèm 
^So detio i^régador só com m designo^io de. fr, ^nioni» do .JSi|ririi 

iSan/o, declarando qoe utára do «ppeUido Andrade no Sermio cili 
áo^^^impreMO em separado em lO^dS. A mear iodada CUillec^io deÃi 
inS«s (em 4|iiatro Toleme») iiSo vou indicada na Biblioilieca %jeuAk 
na. %Não-«dmira;- pois fora pabllcada moitoi jinnot depois:«lé leri 
do dado á lut o primeiro tomo da Bibliotlieca Lusitana. 

(2) Serm^en» Faney^ritot ête,^ toaio 2i^^ defde paginas 60 míé S* 
A fiibliottiec* Lusitana,^ iomo 2«^, peg.iH)tf fiM-honroM mea^ift ds 
te Reli|^tOf»k 

(3) Senàbens qtie pré^&u c/c. Pfimeira Parte no^aAiienle ianprta 
e emondada, Sermuo Vltl, -pág. 157. A Bii^tiolbeca. i«nkit«on ni 
fatia dfetta ed^So; nem''pddia; vittò etta.ser feita annoè depoM 'ile 
la. Faltando do pregador dis: n Foi dos grandes Oradores Kirpag 
i* 'tiros' ^dokeu tempo, de eiijos discorfos -volidos -fofaei tli«aitrBS < 
«9 mais attthoritados púlpitos. » Tom. 3.®« pag. ã64« ' 

(4J Se r tuo e nsTariou « Di»eurs9ê Predicaatisr Pokiieag^ J^aMWt 

'H<9i^ Meraet ete, Primctni Parte, pag..6l8 e 6lO.'.ReftnH«ft# ài 

«èi<ao« 'publicada em 1746. A Bibliotlieca LuaitaDa^foi omisaa-^ai 

ln'dfiar% Iurnlca porém a Oeutéa por- Airm «/os ccIr^rtiQráMbrasJ 

vangeiicos do seu tempo. Tom. 3.^^ pag. 2S1. -« 



Tercrlrft Oiúeía dal^niteticia (1): o Carmeíitfi deu&l- 
çof Fr. ^jTiocH) de S. CaelanOi Confessor da Stinhoia 
D. Maria 1» e pot ella nomeado Arcubi^pa de TheiBa<- 
looica (2) : o Mestre em Arte^ c JBucharel em Cunones, 
Joteph Antónia Sarre (3) : a Doutor Manoel de Oliveira 
/Vrreira, (4) cujo lalealOf eerudiçSo taoto louva, e.abo- 
ou a Biblíolhecu Lu^iiana {b); a bem conhecidu escií- 
pior Fr. /Vartcítco de Jcãut Alaria Sarmento {6)' o Au- 
susliaiano Fr, Manoel de Figueiredo (7): o Doutor Fi- 
Rppe de Oãveira, Clérigo secular (8}! o DomiDicaoo Fr. 
aianoet da Silvara^ Doutor na iSagrada Theologia pela 
Universidade de Coimbiu (9): o mui douto Theaiino, 
D. Thomen Caetano de Bem [10) : o Uppotiior ás Cadeí- 
rai de Tlieología oaUaiversidade de Coimbra, ^r. Ciic> 



Braçiu ptla GUriota AetUmuiíSo do Stratmifno Stn/ior O. Jomi 
/f, tié. «ni Tirlai paiina*. falia lambein dcité Fresador ■ BJbliv 
llirra Luiitana. ^ 

(O, f ifc na talttat^uima feita, fue «m obte^tAo <b ÚúrmtSo Smutít^ ■ 
tímo <fe JtiMi prIoftRx SairbHcttto <£> 1'i-tncv'c X. Scnior tf ttlêi 
hrouna Heal Caprlla da Btmpo^a lié. Vejani-ie pa|. A « (il. 

(3) tia Sirmàa Gralulalaria frigaOo na Paroauia de JVm>« Ba- ■ 
MJwrd da Cdncnfãs da Praj/a da Cidadt da Bahia pelat mttlkormi 
da muita Alto, Vodrrast, Stt; t StnÂor U. Jaiepk Í. eíè, Vej. p»- 
f loai S, 6. e 7. 

(4) Seriaio Panegírico áa teVn Nairlmealo do BM«dÍMÍai« tã"- 
abor n. Jmcpb. PFÍiici|ie da Iteira, ttc. fg. 3, 30, SB. 

(Cl) No tum. 3.", pBg. 31T e tei;uin(ei. O citado Sernsio ata *ew 
iDdkMlo na Bibliotbeca Ludlauf, tu}a terceira tolunts M IsitpreiM 
dei unfi anivi. 

IS) Strmião Orattibrimia tta loitmtmnma A^íãò d' GrOçat 

ptla mitajraia p/ttermifSQ d" prteiviiiiinui vida d!'É!t^firy H, Joti 
I. ttc. aa peinilllaia pagina. 

^y H^ éerml» «m Ac^ãv A« Oraqat |>c)o felii Ratrlmenlo do Se- 
Mnledna Priacipa da Beira ele, pag. 9, ^ 3, A BiMiuihec» L«>i< 
íaãa • lacnlra ftmo Orador que mtrtetra aniaerial appltHo». NIo 
' ijBtBCioaa o cilado Seraiioí era poii inaii antig^, 

Ãl ScriaAci Panetjrico», Hlilarícai s FoBeraei e(>. ^ Barnlo ' 
3.". p«<l IIÒ. 

(9} atruitt Pottkmitin ri»., lom. 4.° -7^ Ofa^âo tratalaluria toa- 
surada a Cfarlito Jeani pela melliBra dó SerèBÍiiimo Senhor lafaai- 
ta da Portugal, D- A«ilaain. Na pag. 43« e (rioiatèi. 

(lOf âmoda eta aeçàr ét frofoi fõ A&itiitifa ttt. palà lalIfEroNi 
mferra^o da jpraciotiialniB Vida de Saa Mateatada, sendo «HiUlak 
49 MF UM aif ai^AM ■• MMlfl da 9 da Sitlcinbro. el^'l^i^ ^. Ji atei 



— 82 — 

lano de Sampaio (1): o Lente Jubilado em Thcologin, 
e Doutor |>elns Universidades de Coimbra c Evora^ da 
Ordem dos Eremitas de S. Paulo, Fr, Joaquim de San* 
ta jinna (2) : o Franciscano Fr, António da% Chagas (3): 
o Clérigo Presbítero formado em Cânone*, Joseph de 
j4ndrade e Moroe$ (4) : Fr. João de Coimbra^ filho da 
Provincia da Soledade (5): o P. Al. Ff. António dô 
Santa Marut (6): o Doutor Franázco Xavier do F^aUt 
(7): e se esta farragcm de erudição nâo é mars que de 
sobejo para reduzir ao mais sepulcbral silencio a igncH 
rancia' atrevida, inscrcva^se no mesmo catalogo o nòme 
doillustre Sócio da Academia da Historia, D.Joaé Bar^ 
bosa (8) : o do Franciscano Fr. Manoel da Eptphania^ 
author do f^erdadéiro Methodo de pregar^ que tanta bu- 
lha causara (9) : o do Oratoriauo e Sócio da Arcádia de 



(f) ' SerfièXo no feiix Naseimenío do PHneipe da Srira ete. prêi;a* 
flo no Real Mottefro de $• Bernardo de Portalegre etc. Na pag. llt 
Me 29. 

(2) Oração Çratulatoría na Acçam de graças ete. peío conheci* 
do miliigre^ com qiie Deòt Ses hor nosso na noité de* 3 de Setembro 
de' 1750 prcfervoír a vida do Aií^ostUitino e Fidelmíino Réy H; #*i 
«eph 1. etc. ele. Nai pag. 11, 12, 14, 15, I«, 17, f8« .19, 20^ 22^ 2^ 
24, 26; 26. 

(3) Serrhoens Gratulatorios t Aseètiâos, qué étn Acçaxh deGr^m 
pelafeUt melhoria do muito Alio é muito Poderoso Key DV m^osepk 
Jpréf/oti etc. No priíneircr Sermão qQe téfti por titulo r— ^«rict»^ <Ai 
jÇrannia^ pag. 3, 4, 5, 6, 7, a, e 9. 

(4) Sermatn Gratulatoi'io pela felicíssima e {j^sejadít saude ete, 
d*ElRey X>. João V etc, recitado nâ Igreja Matria dá Vllla do 
CariuQ dat Mina» do Oiifo etc. Na pa^. 3. ^'''' 

(5) '■ Sermão cm ar^So de graça» peloti Aà^uslítdmo» e Heaèi Dei* 
poMorio» dos Sereui»simot Seoboret l>. Joiepb, Príncipe do l|fràsll^ € 
a Senhora D. ^Maria Auua Tictoria etc. Na pag; 9, 10^ e oAtra». ' 

(6) Serni3ò de Sauto António etc. pregado tfá Igreji de Stfiltcr 
K»ievíSo de Alfarua ele. Na pag. G. . - . ^ ' ' 

(7) Sermão qve na Acção de Graças peU feliz ííaiéimento d» Se* 
retiissiiTio Pt^nçtwe du JBcira ete, pregou ua Ué de Evorá ele, N* 
pa»ina 6. 

(») íSermão em Aôção de Gtaças peta melhorta de Sda Magesti^ 
etc, 'Na pagina ti ávíi >) Com partivular cuidado se fez (De^vc) i^^.»,* 
)f dador d<) Im]>erio Purluguei, quando apparecep. ao 'Príncipe '"Ó* 
n Aflon»o ÈnriqUes uo Campo de Ourique uá vesperada^uella Im- 
>i tállia, que do logar lomou"© nome..w * , -• • ^ • ?a 

(9) K»ta Obra publicada eili 1762,' e que nSo ;^oúro cpVcotrera 
para a re»tauVa<;So da eloquência sagrada,' foi pedra dè*escródal0 "pa- 
ra varias summidade» eruditas, idolalrlis cio' ih áo gosto sen^ènllita. 
UiAa deltas f( i o Abbade I^Idgo Barbosa* ÃtachádO| còinò bém sè-'cel- 



Lisboav o Padre Manoel de Macedo Pereira- de f^ascoiV' 
celloi {l}j^ e em fim o do outro Sócio da Aoadi^mia da 
HUloria^ e depois das Seiencías de LUboa, o erudito e 
eloquenfe Eremita Augu^línianp, Pregador da Real. Ca- 
pei la da BempoMa, Fr. Joaquim Forjai (:{) ; aoft quaes 
se podo accresccntar o nome do a&^s afamado Orador 

llçe 4« ioii centora ao 2*heatro da Eiòqueneia de F^-aneitifo de Pi^ 
K^a. ««-O IhiI «leihodUtii puréni, uSo o6iUote a «oatomitt rritira^ que 
l^sçra a Vieira» ^luteaa e a outros ila naesma escola^ pâo Ihct laiK^oii 
lenii ro$to coivio defeito u.teretn fallado ou allMdído mais ou menos 
«xplíritametttc na tríban^ iCvati^fSetira á' máravillta^da AppariçSo. 
Vieira* • maia alicuns luSu escapariam de levar mais este filvat, s«; o 
Çrl4ico Hs»j|^ .o Jttl£a»>e. Feio rpurtrario éelle o próprio qye nSo de» 
vidou na Orofoo Punehre na morte do Sefihor Rey X). João ,V^ a 
paj^lnai ^, evrlamar com manifesta alInsSo a uma das* promessas du 
Deos de Ourique: w .poderoso 8e«lior, este Bejrno be vessso; vós o 
»f eseoikêsies para p.o$fp TfnperjUf. n 

(\) Qrofdes Sacras^' Um%o 1.^: Orarão pe|a ronser^açã^ cia mni^o 
Aftire m^ijto roderusaftainha f^idellssiiha N: Senhora. ' A paginas 
6 lé-se : » Sem que corramos o véo a fe|;redos recônditos, nos «abe- 
>* mos. Senhores, que Jesu Chrislo fundara entre os Portugueies o 
ss.sfu Aeiim« paffa qiH^os nnssos Priocip^s etc.»9 
> (2) \9iik39^i ^'Qragâo^eaiiudatoria peio Faufjistiífto nfíUiifnento 
giaSer^nitiima.Princma .dm BeifOn JDu M^rim Therezmeic» Na pa« 
ISina sexU^^.i escreveu eUe:^*» Òa mesmn sorte í qne em Jacob) cu 
■n iTejoem ^(ff^aso oulra ^^niUa escolhida pela boca ^o Senhor ne 
«> fainosji,«ppari^Sode C«s/rorcril<v para firmar. sobre ella o seu Sm» 
w periu.: prodígio, que. á vista da-mais apuradà.indaga<;ao diploma* 
9> tica, e dos mullJpNcadcN», e Jrref«ajaivc)s testemnohosda Historia, 
f^ só pód^ recusas o despresivel -incrédulo á Prpvideucia Í)ivii»a, que 
!?..elle igoorac f^oí^in te tit i» teítUn^ tuo hapenw» unki 9takUire.n 
^qft^l wbscreve.e Orador ja seRuiiitp n<>ta:.n A igiMiraaria, ou o es» 
^ quecimento dos antigos testemunho^ fi^tflMim tempo pfasar ao c^ 
*?. lelire.Cbr^niála ;da.Cister por si^pposto descobridor de um segre- 
*v dot lepeltado .uia. «91 Uiu idade* Mais .apiirada .indaga<;io diploma* 
^ tica nof Bos»oa diiis.*';ieMI ire|lM*>dQ esU verdade a bufua demonstra* 
*^ çao histórica. — ' Oliverio da Marca, citado por Abrahao Ortelio 
n no ^o TUeatrunn QrJ^a Vfsco Fernandea de Lucena, Km baixa* 
'' dior do.S^hor Itei-.D. Joio II, na sua Orarão ao Papa looocen* 
») cio VIU* Fr.:, joiio de Xira, e O; Doutor Fr. Vasco Pereita, na 
>* Consulto.. ao Senhor Rei D. . JoSÓ I, o Barhpre) Atinbelro, no 
^ CompekKiio daa nov^sCbronícar, André de Reiefide, nas. suas an* 
•*.4iS«ldadet da,|Uosit«iMa, Frè Simio Coelho, on Chronica do Car* 
M«n«,Fn H«i4«riP4nto na Dedicatória dos seus* Conimeutf rios s<r- 
»*• bre.EaeqiiieU, o grande Bispo Oiorio n^i.Hwro H d^ ^^à,^ Mm»»»* 
sr ttsi«/is«'Í)oarta. -éalvio ni| Cbronica do Senhor. Rei D/ Affonso 
n Heariqoea«,.na'Co*meBt*rios de Aflfuuto q Sábio díe CastjeUa nu 
'•^Cpp.élft, SimÊÊÚetiti IAUiU»m€^ ^x Mn. (hdUiàm JMHft/^. 4po$'' 
n.!^C«:«^ffM y^»4U 'IIíK<MII«. X3^«. 4DaQ.,Rodjrigfi^ de Sá,, ei-udit^ 
M Escriptor do século XV na sua Historia Liv. Uly.Cap* X|^o Uf^; 



— 54-^ 

jFr. Franátco do Coração de Jctui Clooti f^amcUer (!)• 
E quem poderá duvidar que e^ta mesma tbeocracía ifi 
jdéas se ouvira ao nu nciar neste século nos pulpilo^BUÍ 
do Oriente, sem que tenha constado que alguém a cri* 
minasse i3^e ffílmla ou (smbuúeí A quem negasse a exifr 
fencia do facto oratório retorquiríamos coro ei^emplos dn 

cunho irrefr^gavel (S) 

Vamos agora finalmente a ver^ ou iinlet pesquisar 
•e a miiravilha marcial do Ç^ropp de Ourique merecera 
no ftpculo 19.^ ter a triste sorte de ser banídat' como éli« 
tidade espúria, dos ArcJhivos da flistorio, e votada àq 
esquepífníento, como digna de ser posta no rol das maii 
in^ipidas e nárcolicnê (f^traubas, pejio çorpinum dos Es* 
criploies* Porém, que digo?.., Vejaoio^ antes se bpi^vâ 
quem nesl^ século, npezar do cauterico reiI^xo de suas 
tâo espivitadas, e depuradas luzes; quem sim não leve 
duvida de pousar y^r ^ iraqsipiíUr lUesOf n$p digo já ^ 



• i 



9* taphio, qae no anbo d« 1415 •• ladroo por ordem do 8eiitH»r"Bc| 
*t Dv Manoel lobre o Tpmulo do Sénhorllei B; Affonto H^nrSqiiCf 
*t no Hpàl Itfofteird^ de Saota Crps de CpinftilPpr^ e oottot ihftnitSi 
99 dorunientof, que pferederSo muitos teenlot a P^. Remordo ds 
V* Bríto^ e qtie if podem veir no dputo Bi^o de B«ja« eVudito PtN 
^ drf Pereira de Figueiredo, $alrip a yrrdade de nm la^o;. qtie-it 
«9 o Pyrrhinkí^pnf» deffp terolo qpi< pòrein duvida. v> Amíib eM-r«fi# 
o sábio Àrademirp, e pré[[;adpr iesl|;ne effi ll^99« enno ein ffae rait 
tou a meii^i^^jidli Òra^Sp ; re^opilando rpm asf «s escruplUos a exarf 
^So aquellès rnesinps testemunhos que ji os dpii {grandes liofneaf 
{ renamlov ^' Pereira ) tiuliam allespdp. VeJam'S« tpmtiefii ..^ ^ 3f 
4 ti êâèaràéão 0rftfuittt9ria. 

(1) ^rmão . . . .pretfodo np Beai Çàpella de Qtteht» em AefÊ^ dt 
Oraçáspeiofelix Ifaseimento do Prineipt dm Beira etf, Np paf. 3. 
— Esf e Serifiio achil^se np tpmp 4*^ das suas Oraç9e$ Sagrpdiu^ \m^ 
pressas em 1^94. 

(^) Ye^ix^h-ação Panefyriea reeiiad» nm Féttm deu S mgfv mdÊ A 
Chatfmi de ChrUtp^ que se relelMt>u na l|^rej« da Ribef ra detta rida" 
de de Goa em ar^ip de era^ps pela milaeroip %9dp-de ft. If .' Fidelii* 
si ma o Senlior D. José I etr., por Fr. Jpsé de %, Iliof;o, R«ltgipc« 
Obserraute dp Prpvinria de 8. Tfaomé, lipitor dp Tliepl»sip p«r, 
pn)f. ^%, ^ Oração gue nm toimnf acfõo de-grmçms iHémimdm mâ 
Santa TsirefH Oathedrai da Cidade do nomf de Dfoe de Mékeém «M 
CMna^ pplq -Cal^ído da me^má Igrejp na ocrasiZo dos despotprioa di 
Senhor D. Jttiio, Infante de Portugal^ com a $ephorp D.^ Carleti 
Joaquina, e dp Senhor D Gabriel, Ipíante d« Hespanha, rmm 1 
Senhora D. Marianna Viftoria, fplfsBta de Portop^; Pêlo F. it< 
Fr. Anfopfo àm PariftcpcSp, Lentp Jubíladp da Sa^ia Tbvolègia 



/ 



~&J5 — 

^ «m sua. grandeza meramente histórica^ mas ainda mes- 
\ mo iheocratica,. franca e lealmenle^ coroo ella tinha vin- 
do dcade remotas eras, a Caçanha de Ourique. Ah! que» 
a audácia roman/ko-ún/^Aii/orica mal poderá dardejar* 
snas nauseantes e sutrinas pecuiohas contra os seguido- 
res dé tnl Appariçâo nos dias presentes, sem ultrajar o 
testemunho de homens indubiiavelmente respeitáveis, 
que neste mesmo secuJo. a julgaram, sem alguma coar- 
ctada^, nem me nos- precí adora cota, digna de publica 
menção, como «e fora moed^. , porreniQ* -^ Com eff4fito 
logo no pfineipio deste seculp açha-se que um Professor 
publico bem conhecido pelos seus escriptos e pela sua 
capacidade litteraria nSo se dedignou de propagar em 
iogar oppòriuno aquella a voenga tradição pátria, O 
Professor de quem falíamos éném mais nem menos que 
Jeranymo Soar^ Barbosa, Foi elle em JÔ05 ericarrega-^ 
do pelo Prim-íp<$ itegenle^ de formular, urn Compendio 
de Historia. Portuguesa para uso das Aulas pubUcas; o 
como fa liou eUeda Batalha de. Qurique, que não fosse 
quasi copiando pt^las mesmas palavras aquillo mesmo 
que Pereira de Fjgueiredp tivera. escrípto nos Clogjos, 
doslMs^e Portugal ?. Para veriAcai! o que .asseverAmo». 
não «preciso maisí que 1^ o que ae encontra escripto no- 
teu £^/0f9M$ /«usUoftcB./ftstaricB, .relativo. ao memorável 
anno de .1139. O emerilo professor de Rhetorica e Poe- 
sica (a cujo magistério andava então reunido o ensino 
da historia) é um voto de assas valor para fazer remet* 
ter ao mais vergonhoso silencio a esses espectros de lit* 
teratura sabugi^nta, que com tanto despejo ladram con«» 
tra os amantes^ ^e defensores d^^aquella tradição pátria. 
*-^ Ainda mais; O ^utbor do Catalogo das obras, im- 
pressas e manuscriptos de Anionxo Pereira de Ftguáredo^ 
publicado 119 princípio deste século, não teve duvida de 
qualificf^f de refi(utík$ mxAtp júd%áóza$ e erúditai áqilel-. 
las giie fiifçrà ,ióhre oiNovoi Tesienmnhop da mílhgróui 
jippartçâo de Ch^ièto a D^ jéffonêo Henriquet o grande 
Bispbde Bçja, D. Fr. Manoel do etítiaculò;'cOftfessati* 
do ouirQsiqfi que delles fia^era inençãó itíuIÍo hohot\fica 
em os seus Cuidados Littàrarios. Õ. Escri|Mor que assim 
avaliam aquellas* reflexAet é bom coi^traste para sê op« 
pòr ás bravatas^ que vociferara contra' o Ithrnôrt^ Ce« 



— 56 — 

naculo ó Author do Eu e o ClerOy por defender a pfa e 
nacional crença daquella tradição. Perguntarão agora 
quem é o Author, que assim elogia as reflexões do mui 
sábio e erudito Prelado? Pois saiba todo o mundo, que 
é nem mais nem menos que o a todos os respeitos con* 
spicuo litterato, Franci$oo Manoel Trtgo%o de Aragão 

Morato{l) 

Busqiie-se porém neste seculó um homem superior 
a toda a excepção tanto pela grandesa do seu taleato, 
como extraordinária vastidão, e sciencía em diSbrentes 
ramos de lítteratura, e historiar um homem de umQ cri* 
tíca superior a toda a suspeita de credulidade ; allameiH 
te justiceiro, e não -poucas vezes mordai em seus julgav 
mentos scientífícos: busque»se, digo, um génio fóra d# 
commum bít6]a, e inaccessivel pela sua ilUistrada- 6 
transcendente phílosopbra aos «embales do fanatisnrH)} 
seja em fim um portento intellectual de tão exiraoirdi* 
nario calibre, quem venha constituir com o seu positivo 
c' explicito testemunho, contra èssf^ pelim«trada pedap* 
tesca, que tão impudente, qomo ignorantemente iavest 
tf' conlra os respeitadore$ das primitivas tradiçSes bidtor 
ricas dó' paÍ2:;^uem venha sim erigir como em indeleo 
vel padrão o seu tão terminante sentimento acerca da 
mariavilha do-Oampo 'de Ourique. O escriptor de q^e 
falíamos é 6 bem conhecido, e por tantos titiilos afíiama- 
do, P. José yígóBtinho de Macedo. Em o poemfi o Qrienn 
te, eis- aqui como elle se explica : ' 

99 Desce o Senhor dos Geos, e se amostrava 
» A Affbnso Rei primeiro; elle o conforta, 
97 E qual ao filho de Isai chamava, 

• ■ • • ■ 

(I) Vejam te ApontamenUs para o se^ JEiogio HistariçÊf^ pflq 
Conde de Lavradio, pag 34. — O mesmo couipícuo IJtlerato nq 
Klogío Hitforico do Arcebispo O. Fr. Manoel do Cenáculo nSo te* 
Ye «lurida em dar o epitheto de — Jmmortal '^ á intitulada Obra 
— ' Cuidados Lilterarioft — r a çt$aiy roíno o paDe|:yritta fnlga, .|»«r H 
tp atiestará ejn toffp o tempo a iabedorian e o gosto dehçadp de sefi 
Author em todo o género dê estuÁts, Por rèrto ^ue o ter' trfttado 
nella o Arcebispo tão magistralmente de defender a maravilha da 
Appart^So, nio fí|i nifitivo bastante para que o sabiõ Académico oio 
designasse assim aoueUa Qbra ! Vej. Vemor. da Academ., tomo 4.^, 
Parle l;«, p»g. XC. ' *,. . 



— 87 — 

9 A* grão peleja sanguinosa o exhorta : 

» Gnlâo fortalecido aos seus bradava :' 

*9 Para o tiiunfo um Deos nos abre a porta) 

9 He clle o nosso escudo, a nossa gloria, 

'^ Nosso o triunfo l^e já, possa A vjctoria. 

9 N9o vós asçusie multidão tamanha, 

9 D9 insano orgulho, e do furor arnní;ii]la ; 

9 Cubra poten.te exercito a campanha, 

> Mais do que a viâta alcança dilatado^ 

> NSçí he lai gente para nós ejilratihâ, 

9. iVlosire-se embora barbara^ indoinâqâ ; , 
9 Se he numerosa, e forte a turba imp^a 

> 'Coip menos braços Ged|*ão vencia. {}) » 

■ Quem deixará de ver nestas duas estancias do Por- 
a a mais perfeita e completa repròducçâb do que refe- 
«m as antigas Ch/ônicas acerca da maravilha da Baia* 
hn de Ourique; que elle á imitagSo de Camões ( ape« 
^r da 'rivalidade que contra este 9stentou)tâo manifes- 
^meote perpetua? — - 0'r,a o Author do Orie(.ole na se- 
cunda edição do seu Poema, publicada em 18^7, (que 
hextí se pôde chamar, ajlleiitas aftmtiitissima« alterações^ 
liiasjl gpfi trabalho qovo,) epi nada mudpu de opiáiHò á 
^«peilo d^aquelle prodígio. Jís variantes pelo jcontrarío 
|tie te observam relativamente ás duas estaneias tran* 
criptas, novamente coiifirmaiii a constância no inesmci 
Pensamento. ,*: 

Pare*se todavia aqui, econheça^se qual fora ocofi» 
íeito que neste século manifestara òClero portqguez na 
ribuna Oratória acerca ^maravilha de Purique«--r» Dei* 
Bou por ventura elie de afai fazer transmiKír a larres* 
^e!|o a idéa de grandeza thedcratica, que os seus maio- 
e» sempre, lhe allígaram? Nunca. Em prova produzi- 
innaos um cardume de exemplos, se a extensão da Obra 

> permittisse. Todavia liSo deixaremos de asseverar que 
Sa Oradores Evangélicos patentearam a sua ppiniSo èm 
fiavor da pia crença (e isto sem que:aJgum tagarela pe« 
Lulante os inculpassç de igooraiites e fanáticos) não cm 

(r) Canto X, Est. 4r e 40^ 



— 56 — 

naculo ò Author do Eu e o Clero, por defender a pfa e 
nacional crença daquella tradição. Perguntarão agora 
quem é o Author, que assim elogia as reflexões do mui 
sábio e erudito Prelado? Pois saiba todo o mundo, que 
é nem mais nem menos que o a todos os respeitos con* 
spicuo lítterato, FrancUoo Manoel Trtgo%o de AragSfí 

Moraio{\) 

Busqiie-se porém neste seculó um homem superior 
a toda a excepção ta n lo pela grandesa do seu talento, 
como extraordinária TaslidãO| e sciencia em diíferentei 
ramos de lítteratura, e historiar um homem de uma f^ri* 
tica superior a toda a suspeita de credulidade ; allanieiH 
te justiceiro, e nâo- poucas vezes mordai em seusjulga^ 
mentos scientífícos: busque-se, digo, um génio 46ra d# 
commum bitola, e inaccessivel pela sua ilUislrada-6 
transcendente phílosopbra aos -embales do fanatismo i 
seja em fim um portento intellectuul de tSo exiraoirdiv 
nario calibre, qurem venha oonstituir com o seu poBÍlivo 
c' explicito testemunho, contra è^sa petiiA«trada pedaa» 
tesca, que tfio impudente, qomo ignorantemente ínrvesi 
tf' contra os respeitadore$ das primitivas trádiçSes hidtor 
ricas do' pai^; <^uem venha sim erigir como em inclel«> 
vel padrão o seu tâo terminante sentimento acerca 4Ía 
marairilha doOampó' de Ourique. O esctiptor de qve 
falíamos é o bem conh^ecido, e por tantos títiilos aííama* 
do, P^José Agostinho de Macedo. Em Opoemfi o Qricnn 
te, eis- aqui como elle çé explica : 

rf Desce o Senhor dos Ceos, e se amostrava 
» A Affbnso Rei primeiro; elle o conforta, 
99 E qual ao fíilio de Isai chamava, 

(t) Vejam te Apantamenlos para o se^ JEiogió HistQfiçÊf^ ppín 
Conde de Lavradio, pag 34. •— O mesmo conipíruo I^tlerato hq 
Klogío Histórico do Arcebispo O. Fr. Manoel do Cçnarolo nXo 16* 
ve durida em dar o epitheto de — .immortal «^ á intitulada Obra 
— >. Cuidados Lilteraríos — r a qual^ fomo o paDe|:jritta }iilga,./>ar »( 
sp atiestará efn toflo o tempo a tqbedoria^ e o gosto deUeado tte seff 
Author em todo o género dê estuãos, Pop* rèt to ^ue o ter tratado 
nella o Arcebispo tão magistralmenta de defender a maravilha da 
Appart^So, nSo Uii niptivp bastante para que q sabid Académico oio 
designasse assim aauet{a Qbr^ ! Vej. 4Iemor. da Academ., tomo 4.^, 
Parte 1.", pag. XC, *.- • 



— 87 — 

99 A* grão peleja sanguinosa o exhorta : 

m Enlâo fortalecido aos seus bradava :' 

99 Para o tiíunfo um Deos nos abre a porta} 

99 He elle o nosso escudo, a nossa gloria, 

^ Nosso o triunfo l^e já, possa A viçtoría. 

t>9_ N9o vós assuste multidão tamanha, 

99 D9 insano orgulho, e do furor ariiçu^da; 

i9 Cubra potenAe exercito a campanha, . 

■9 Mais do que a vista alcança dilatado^ < ' 

■u N3q he lai gente para nós eítratibâ, 

V. Moslre-se embora barbara^ indomaqá ; .. 

KF Se he numerosa, e forte a turba imp^a 

■9 Cjoip menos braços Ged^ão vencia. '(i|) » 

. Quem deixará de ver nestas duas. estancias do Porf- 
ia a mais perfeita e compltsta reprõducçáb do que refe- 
rem as antigas Cfirónicas acerca da maravilha da Ba(a* 
Ihn de Ourique; que elle á ímitagSo de Camões ( ape« 
|ar da:*rivalidade que contra eae'9steíitou)tâo manífés'- 
Lameote perpetua? — Or.à o Aúthor do OrÍ€í.p|e na se- 
cunda edição do seu Poema, publicada em 18S7, (que 
be^n se^^póde chamar, ajlleri tas aft mtjitissima« alieraçôi»^ 
:}liasi gpfi Çrabalho qovo.) eoi nada mudpu de opiâiSó/á 
e^^epeilo d^aquelle prodígio, ^s variantes pelo jcontra rio 
3tie te observam relativamente ás duas estaneias tran* 
Ijçrípjtas, opvamente coiifirmaâi a constância' no ttiesmci 
pensamento*. . - ,,: /''.:• 

Pare*se todavia aqui, econheça^se qual fora o cofi» 
seito qiie nesle século manifestara o Clero portqguez na 
tribuna Oratória acerca da maravilha deOurique*-^ Dei* 
«ou por ventura elie de ahi fazer transmiti ir a talres* 
^efto a idéa de grarideza thisdcratica, que os seus maio- 
^e» sempre, lhe alligaram ? Nunca. Em prova produzi- 
-jnnaos um cardume de exemplos, se a extensão da Obra 
i permittisse. Todavia liSo deixaremos de asseverar que 
>s Oradores Evangélicos pateptearapn.à sua ppiníSo êm 
Ravor da pia crença (e isto sem que;aJgum tagareU pe* 
.alante oâ inculpassç de ignorantes *e fanattcod^ não cm 

(t) Canto X, Est, 4r e 40. : -' 






— 56 — 

narulo o Author do Eu e o ClerOy por defender a pia e 
nacional crença daquella tradição. Perguntarão agora 
quem é o Author, que assim elogia as reflexões do mui 
sábio e erudito Prelado? Pois saiba todo o mundo, que 
é nem mais nem menos que o a todos os respeitos con* 
spícuo li t terá to, Franciioo Manoel Irtgo^o de Aragão 

Moraio (1) 

Busque-se porém neste seculò um homem superior 
a Ioda a excepção tanto pela grandesa do seu talento, 
como extraordinária Taslidão, e sciencia em differente» 
ramos de litteratura, e historiar um homem de uma pri*' 
tica superior a toda a suspeita de credulidade; ahamen«y 
te justiceiro, e nâo''poucas vezes mordai em seus julgo-r 
mentos scien ti fícos : buisque-se, digo, um génio fora di| 
commum bít6]a, e inaccessivel pela sua illuslrada e 
transcendente philosopbia aos -embales do fanatismos 
seja em fim um portento intellectuul de tão extraordi*» 
nario calibre, quem venha oonstituir com o seu positivo 
c' explicito testemunho, contra èi^si^ petiift«lrâda pedan- 
tesca, que tão impudeiite, qotno ignorantemente inves«» 
tf^'t!onlfa os respeitadores das primitivas tradições histor 
ricas do' paiz ; <)uem venha sim erigir como em indelc* 
vél padrão d seu tão terminante sentimento acerca da 
mariftirilha do Oampo de Ourique. O escriptor de q^e 
falíamos é o bem conhecido, e por tantos títulos affama- 
do, P.José Agóitinho de Macedo. Em Opoemfi o Qrienr' 
te^ eis- aqui como elle se explica ; 

99 Desce o Senhor dos Geos, e se amostrava 
99 A Afíbnso Rei primeiro; elie o conforta, 
97 E qual ao filho de Isai chamava, 

(1), Vejam te Apontamentot para o seu JEUogio Histariçãf^ pplq 
Conde de Lavradio, pag 34. — O mesmo conipiruo Lítierato bq 
Klogío HUforico do Arcebispo O. Fr. Manoel do Cenáculo nXo te- 
ve durida em dar o epitheto de — immortal •— á intitulada OI>ra 
— ' Cuidados Lilterarioft — r a çuaiy romo o pane|:jrit1a |nl|;a, p^r ti 
s^ attestará efn ioffo o tempo a sabedoria^ e o gosto delicado de lefft 
Author em todo o genérò dê esttutos. Por rerto que o ter tratado 
nella o Arcebispo tSo ma|;istralmente de defender a maravilha da 
Appart^So, nio fqi nffitivq bastante para que o sábio Académico nio 
desi|;naMe assim aquelU Obra ! Ve). Vemor. da Academ., tomo 4.^, 
Parle l.«, pag. XC. ' ^ ^^ 



— 87 — 

99 A* griSo peleja sanguinosa o exhorta : 

» Enlâo fortalecido aos seus bradava:' 

99 Para o triunfo um Deos nos abre a porta) 

9> He elle o nosso escudo, a nossa gloria, 

y? Nosso o triunfo l^e já, possa A vjuctoria. 

99 N9o vós assuste multidão tamanha, 
» D9 insano orgulho, e do furor ariiçu^da;, 
» Cubra potenile exercito a campanha, . . 
99 Mais do que a vista alcança dilatado^ > 
» N3Ò he lai gente para nós eílrati.hâ, ' 
19 Mosire-se embora barbara^ indomacía; .^ 
V Se he numerosa, e forte a turba imp^a 
h Coip menos braços Ged|*ão veQcia.'(i|) » 

. Quem deixará de ver nestas duas. estancias do Por- 
ia a mais perfeita e completa repròdueçâb do que refe- 
rem as antigas Cfirònicas acerca da maravilha da Baia* 
lha de Ourique; que elle á imitagSo de Camões ( ape- 
^QT da 'rivalidade que contra &iie çstentou) tâo manifés'- 
lamebte perpetua? — 0'r.à p Aúthor do Oric^ple na fé« 
gunda edição do seu Poema, publicada em 1837, (que 
be^ se pôde chamar, ajlleti tas asmtiitissima«alierAç(S^^ 
quasí gpfi Çiuibalho povo,) eitri nada mudpu de opiáiSõ;a 
respeito d^aquelle prodígio. aÂs varianXes pelo jcontra rio 
qúe te observam relativamente ás duas estaneias tran* 
«icripjtas, oovameate cònfirmaâi a constância' âpjnesmci 
pensamento.. . ,.; 

Parece todavia aqui,' e conheça^se qual fora o cofi» 
ceíto que neste século manifestara p Clero portqgueí na 
tribuna Oratória acerca da maravilha deOurique«4* Uei« 
xou por ventura elle de ahi fazer transmklir a tal 'res- 
peito a idéa de grarideza thisdcratíca, que os seus inaio- 
ret «empre. llie allígaram? Nunca. J^m prova proílu^i- 
ríamos um cardume de exemplos, se a extensão da Obra 
o permittisse. Todavia não deíx^aremos de asseverar que 
os Oradores Evangélicos patentçarani.' à stia opinião çm. 
javor da pia crença (e isto sem que.aJgum tagareU pe* 
tulante os inculpassç de igooraiites 'e fanáticos) não cm 



*l' { . ^ . •-• 



(í) Canto X, Est. 4r e 40^ 



— 58 — 

alguma villa ou aldéa; porém sim nas Ciiludes maii 
illustradas do Pau. AUudò^ corno é bem do vêr a Lu- 
Ixia ()}, Coimbra (9) e Porto (3). Que digo? Fizeram 

(1) Para i|ne o que ficá dito nSo se cirriiintrreTa tSo tómente 9m 
espa(;o« ila absIrarqSo, romo é u»aii<;a du romaiirismo ; daremos peln 
menof doi» exemplos. O impresso, em que um delU* *^ acha lem por 
titulo: (h-ação^ que pelofeHx e nora restauração He Pprtttgai rtei* 
tou Fr, Fitíppe pereira Pato Torrezao^ Pregador tio Príncipe /?#• 
gente ete. etc. na Igrefa' do Real Convento do Carmo de JÁthoa* fia 
pagina 46 em orna fíej^nmXt apqsirophe que fat o Orador :• Deda M- 
se pois o seguinte : >« A|as nSo he este j« aquelle Reiíio, que Vós pre 
n mettestes ao Maenániino Affonso, qiie fundáveis particularitieott 
99 para Vós na sua Pessoa; e na de seus Kuccessores« affían4;aiKlo ne 
99 Campo de Ouriq.^e rom a vossa palavra, e penhorando voa pofrel- 
99 la o Estandarte* em que elle mesmo mandou esculpir qs sa^^radei 
99 signaes da nossa Iledemp<;So?'»9 IVa pagina' 50,' referindo iè a os- 
tros pr«»digios, escreve: 99 Sim, todos estes prodigio«, rom que o O- 
99 milipolente ampHra,-« defende a< sua emnèo^ ;r a ^na-' Lei,' nem par- 
92 tem de oulfo Deos, nem sSo mais «utl»entiros,..e yerjarados ^% 
99 bisioria rom argumentos mais poderosos e irresútíveis, do que'i 
99 App^rfçSo de «fesu Cfirislo éopriitieiro tíei' 'desta liVóoark*h ia, <!«■: 
99 do>lheas snas Chagas por brAiio.-d^ Armas, romo sigual da sua l'r«> 
n teç^So; ungnraBdo-lbó qufç espraiaria sempre sobre este Uefno. m 
99 tuas vi&las de. oiisericordia, e presãginudo-l^e a celebre Vicloria 
99 ífo Canijpo de Ourique, que'abrio os alircrres^á (^indaqSo e «stíilie- 
9»^ l«ciineiilô doUeino depeitusal. 99 O author daOra^o erin: ém 
CJaO^trees uponladospelc^^feu ti^enlo e e^tufiof.^— Figura no. se^nn, 
áo exemplo o nome do jponlor Fr. José Maria de Santa jénna No» 
ronha^ que morreu sendo BisfH* de Bragança, m'u{ r'éspeitbchv'|^ 
letlrat- e virtiides. No Sermão HUtoHto de Jtçao de Graçái^pek 
restotòeleeinymto de Sva M^grstade D Joiio ,Vh por elle prégndA 
na Igreja Patriftrib'1 em 1fl23, ^ paginas \2 se lé o seguinte: *? Ço« 
99 efTeito aquellà mesma poder<>sa e invencível mSò, qiie anlmòÚ m 
99 Senhor Éei Dom Affonso Henriques a combater enm dóie nAlItMil* 
9t dados hu^meiLerrito de cenv níl Mjoiírof: nos Campos de Ouriqoei 
«9 e lhe deu a vtctoria etc. 99 . . . ... 

(2) Haja vista ac^: Sermão de Acção de Graças pele fell' rètUv* 
mçSo d« Portugal, recitado lArCathedral de Coimbra pel*' D^»»*«' 
Fr, Vicente da Soledade etr. (que morreu yendo Arcebispo úmjhr 
bis ) aos 25 de Setembro de 1808. Logo no primeiro paragrafo t^ ea- 
contra. entre outras, estas expressdes: 99 E a quem. Senhor, irSàcl» 
99 ie (o povo de Coimbra ^ a render este publico, e mageitoae Vviff 
n a qaem- renderia as graçasupela felii Restaora<;2e deste IleUmet» 
99 não a Vós, debaixo de cujas aM** a cnja sombra elle nasceu^ e pa^ 
99 ra logo tSo prodigiosamente se dilatiou, e com rojas sagradas vai- 
99- nas, Ofe lignaes da i|oftsa Redempçío, que Ibe destes como legavé 
n penkor-da vossa: protéc^, e al«o favor, logo em .seu berço 4õWf' 
99 loo, subjugou bárbaros Mouros, e triunfa sempre de qiiacjM|Mf 
99 Injustos invasores? Vosso pois pela sua origem, vosso pelos niesaset 
99 vossos Rutandarles, de que elle exclusivamente usa, e que heroUi 
ff e felitmente tinha arvorado em lod«,it parte. do.iniuido.€Olilk«<Stt 



—89 — 

também soar n sjoa yiot propnl^clora dos mesmos fenli« 
m«oloft no outro hemUferio (!).•«•« Mas eu torno aimi# 
os^t», yejs i Capital <Ja Mooarcliia. K quem se poderá 



m etr. w» O iou^tro «templo é áo D.oafAr Fr. F«triclo Ha Silva, Len^ 

fje da faculdade de Theologia, «|ue fallercu, cumo todo» Mbéin, sen* 

ido Cardeal Patriarcha. N9 Orarão Evanj^elica recitada na Real Ca* 

[ pella da UiuT«i>sidadê em 14 dje Abril de IA17 cU. ^ 2.^ do Exor- 

^ dlo acbain^iie eilas exprestõe»: m Q,uja4ado confteiápli» que o Fílbto do 

.«» meilAto Déos peadepVe dya CrÀi, nSo }d eomo tkrono de i^nonnt* 

^ 9f. «ia, «laa «omQ tbrotiõ de |;lorÍA| a cvjot^ pé» vein bumilbar-te oi 

•S9 Príncipes e os Reis« proipelten ao grande Afibnsn qae na tua pet* 

•9 soa, e na de sua de«cejndéacia' Ciindãva para si um império. Isto ét 

'» M O mais aiQádp do Uniirerso ele. n Vejase também o } 3.^ e 4.^ dá 

^ ^.^ Pafte do Discurso. 

^ (3) Damot efln prova: « QraqjCo Gratnlatoria pela Pa< de Portii* 

^ «9 gal (Qoipn Heipanba e Fran<;a redlada 00 Convento* dat RelifsicMaa 

2 jik dè Santa Clar^ da Cidade do Porto pelo Doutor FruneiUo de O* 

»> tipHrjet PprâOf tlpposilor lís Cadeim/ da Faculdade cia Tbeolo^la 

J^ « na Uni.rersidade ^.Coimbra etc, «« Impresso em ltttl2. A pagina* 

~ 4 lé-se : t9 Ctuem ( v^s Ha a l^ai) senio «quelle Senbor Omnipotente 

^ M quo firmando nâ Regia, Augiuta, e «empfe esdarecldia Prole do 

^'^ M fn^ido Affims04 e swa jçente btun Império para si : Imperinm ^nii* 

ti ^ '^^' '^'^^ '^^ P^^ Escttiljo, Ppvi»ii« Timbre e.Ar^as a» «uat mesmas 

1^ M Cba{^s| M Vejam le também paginas a, 12, ^ 26. -^ A este •€• 

m iíresceiítaremos : f» aêrmio pipégadu na Ig^reja de fianto Kloy dó Por* 

9» to por <occasi&a das Preres qiM» se fiíeramr pela felit rest«Mni^3o ám 

r r IVctiOi^ elc.i^ ipor Oabri^ dós Sai^tos fieti^, Con.dgo Semlar da Coii^ 

f* grégf i(Ío fb> Evangelista^ e l^e^ile de Filosophia« pa|. 6,m K^ ini* 

^ présso isó anno delSli;, sendo pregado èm lâ08.-^ *« Sermaà de^Ac*^ 

. ^'CSlo de' Grfe<;as pelas triunfos das Armas Fartogoeusetc^i prégadn 

M na Igrejii de N. Senhora da Vistoria da Cida.de do Pdrto w {à 14 

I de Novembro de 1613) pe|o ^esmo Orfhâáfr^ aendo entSo Lenti; em 

Theologia; na'paglna8. 
^ (1) Chamamos i memória ; n Ofa^ofiiiíebre reHtada na IgMJn 

» Ha Cr/iK da CorUB do Rio de Janeiro, nas Exèqorias d^ Sdibura 
n D. Alaria I etc.« por Fr Francisco' de 8. Carloi« Pregador Régio 
99 etC; n paj(.. 21. OT- «9 Ora^io em Acção de Qracaii pela Acriámaçio 
f« e exaltaqiò ao throno djb I^. JoBo VI^ em a igreja Matrit de S. 
#• Pedro do Rio Graitdc ilo Sol etc, pelo y. José Redrig;ues Mà- 
v> Ibeiro Trapcnso Sooto Maior, no dia 29 de Marqo de 1.8111$ ^pes« 
11. -!P Ò beio da^Sé 4(t 0raga, e depoif l>rior Uór de C br isto. D, 
Jtntonio Cariai t^trUM drr MMbmfa o* Oraçliò GM^Iatorm, re» 
(titadaini Capella Roal do Rio de Jmieiro, yor occnsiiio dá festi.vlda» 
ide pelos Desposorios do Senbor D. Pedro de Alcântara com a Se- 
nhora D. Maria lieopoldina, a papna» 12, nÍo teve duvida de escrc* 
«èr que 9».\MteiideBdo Benlgn*' aen Bra^ Omnipotente sobre esl4 
9 Reino, quevAn^ ai^isdiaii, o Senhor, aot continnóa at soas bea» 
i» qSos etc. n Todotf claramenle vêem aonde «itd a alIusSo á Appari* 
^ ^o. *• O Benedictino: Fr. 'Francisco' de Paula de Santa Gertrudea 
Maj(na do áSrrmdo em mesnort « dia JRautiiukn» d!«^ em ftie S. Am 
MUai deitmharcau tutta eidmde fia BakiOf recitado no a«tl|;o Cot* 



— 60 — 

esquecer que fòra mesmo cm Li&hoa que o mnior Ora* 
dor português dos tempos modernos, e um dos mniorei 
da Europa, se pronunciara liiio positivamente no meio 
de um numerosíssimo Auditório pela theocracia da ma- 
ravilha de Ourique? R quf^ntas. vezc^s elle o nao fíie- 
ral... Nâo faltariam testemunhas sim auriculares, ainda 
existentes, qne^ se preciso fosse, nao duvidariam confir* 
inãl-^.... Eu fuliaria comtudo ao qiie deve $i. raaSo^ c 
a. justiça á defensa do.act uai. Clero, .Âao descaradamente 
ultrajado por ter ^projmgado no púlpito aquelle mesmo 
pensamento,, e reprodgzido a iii es míssi ma ídéã thèòcratí* 
ca; «e deixasse de. transcrever as formpes palavras qye 
o grande sábio c eloquentissimo Orador traiísmírtíra i 
j[TÒs(eridade em duas das suas publicações sifgi^adas. Fi- 
acra 'elle^^^em. uma delias um bem. deduxida é fallàdo pa«. 
rallelo énire aNagâo fíebrea e n NaçêQ Poii'tvgíte%n. >fj 
trtit qúé sè encòntfam estas terrriinnotef^ expresisÇes y » O 
» povo de Isjae} foi chanoadu povo de Deus: o poífà 
» Porlug^uez fei chamado e designado Império para je« 
f) su Cbrrstò,'conforrihc nós com tanta piedade /"^ adi^ 
99. ditámos. 9? — Para, supremo chçfç, ^ conductpjt ^d^* '^(li 
9f povo, Deus escolhe, e enche de fortaleza j- e de vírm- 
ff de a Jo§ué;'Deus escolhe, e fírma até com miluffi^ès^ 
» \ para Mojriarcha dos Portuguczes Affonso Hehrii^esi 
99 J,osi^é d<^lara guerra aos bárbaros da Fales tíríar, .Ai* 
99 fonrso flènríques aos da Lusitânia; A^ voz do Josué 
99 'se suspende o sol no tn elo da sua carreira ; ás oraçAes^ 
99 « supplicaiK^^de ARonso, Henriques lhe mostra, a iace 
.99 o Divino Sol de justiça, que é Jesu Christa ''oosso 
99 Dei^i. 99 1—99 O povo Hebreu se estabelece na Palês- 
99 tina em forma de Naçaõ fixa e independei>te depois 
99 que Josué passa o Jordão: o povo Porluguez se esta* 
99 belece em NaçSo independente, e levanta o seii go* 
99 verno Monarcbico, depois que ÁfTonso Henriquêt,.paA* 
99 sa o Tejo, e vai nas dilatadas campinas de Ourique 

■ . . . • . ■ . 

hígio dot Jesuítas d* ie^\m..qtt€ relebrou o illaitfe 'Senado em tSde 
Janeiro de 1816 etc, «paginaf 10 imío teve dirrida da eirrevdr: 
•V fjembrado das mag^Híras protnesmt feitas no Canapò de O ii tiif e 
r* âo grande AfIbnMi, o Nóstõ Deos jilmais permittiré qué^o-4iciio 
9« fturce«flor d^aqnelle Roipiedoid c»ia na» cruéis mios dViecT^^ 
9» Taiino* M ' ■•>*■•..■ '• ,; " •' ■ ■ - ..". ' .. i ■»--'•... ■■" 



— 61 — 

^ confundir no pó, e nò sangue os exércitos coilígadol 
99 de cinro JVloharchaal Sarracenos. O brazSo de Israel^ 
99 o escudo dé suas armas é a Arca da AUíança ; o brti- 
99 zâo das arthas, e do cfscudo Porlu^fies são as mesmas 
» Chagas do 'ttedemfjior do Mundo (1). » 

Nao foi*s6 eíie o untco iestémunho, que o Orador 
déixòu escriplo, dós sèds sentimentos thebcráticos sobre 
n itiaVaviiha dè Ourique, pronunciados- do alto da tri'^ 
bunn' sagrada no meio do mais nuhieroso e lú^Jdo côn« 
cufsoV Lêa-se também : Sermão àn Apjãó de graças pc^ 
lo fc(t% Regresso deSna Mageslúde^ pregado na Rèat Càr 
$a de Santo /António na FésútMade ordenada péki ExJ^ 
'Scfuido da Camará y a 33 de Julho dè 1821 ele. Tendo 
a paginas 7, da segunda edição, qualificado a esta JVio^ 
narchía de sobrenaturalmente fadada; a paginas 14 es- 
trèVe o seguinte: 99 E poderia a soberba dé um homem 
19 (Btionaparte) prevalecer contra ás promessas de um 
>>Deus? A perpetuidade tinha sido pròmettida ao pri- 
W meito AíTonsòJ e as promessas de um Deus são tão 
)» infalliveís em seu cumprimento, como é enii sua eter- 
i9 nidadé a Divina Essência, n Na pagina 34 não duví* 
dou asseverar qúè—*- este Ileino foi eserá- sertipre. heran- 
ça sua, teferindoVse ao Senhor Deus das ^ílxerciitys- 

O talento, o génio extraordinário, cuja authorlUa- 
tle chamámos a coifaçao, é a olhos tistps, um voto' de 
indisputável qualifícação parai^òhdeainar á mâjs pri> 
funda e vergonhosa mudez a ignorância insensata, qúé 
lãb iníqua e insolentemente increpára o Clero da suá 
nação. *^ 

Erttrémos agora em uma épochn, em que nppárecel, 
ef se deixa ver um novo cosroorátna de idéa*^ em aitóà 
épocha, eín que a livre publicação do pensaniento éè 
fndcfarha -e áuthcfti2a por lei; em tima épocha em fim^ 



v^ 



.(1) 'í Vcja^ie ; n SeráiSo dle Préc«s p«la bom tdrretfo d«f hmsIís 
9,«rinA^ c^tra. at do 'rvraiiiH> Bon«|iMrie, 119 terrfiira invAsSo neS- 
9% te reibO) présffd.c^ oii Ig^rejn^de J^. Sen|ior« dos Mártires,.» 211 de 
n Âf^óiXn a^i^lte, nh'llot1raaá"dà sotèinn*e Procissão de |>cniteBri«« 
»9 que fet a exemplar Irmandade de N. Senhora de Jesus. Por Joié 
n j^gostUiòo dfi Macedo, n Nat.pa^i^as 19, 20 e 22 da se|;iiAda f^di* 
cio 1 imtnvena ^em LiSboà Ha Tjjfúgrãúá AóifabdUnâ, 10l4| te tU" 
íontttfi^tf «ff p9f5Ágeus que' àcabáihos^^ae copiai*. 



— 62 — 

em que bem longe de se adular a auperiLiçSo q faaatta^ 
mo, anles debaixo desta ifto desprezível e odiosa baiv- 
dej^fa, muitas vezes te atacavam obj>t?ctos veneraados! 
£* nesta épocba que eu perguntarei em maí alia yoi^ 
Se a maravilha do Campo de Ourique cabírft em. total 
esquecimento e desprezo? 2^ alguém se lembro.u sé dei* 
la para a carimbar com o negro lubéo de •— fabul», dt 
impostuj^? Ah! £* nesta mesma épocba que eu vejo 
delia continuar a fazer- se solem ne meo^gao nos leaiploi 
sagrados com uma lingoagem de indubtfafvel resrpeitOf e 
pia crença.' ^* Nio produzirei para exempto Orador ak 
gum^ que ft naineante maledicência dos sciolos áo dia 
possa apupar com a usual pasquinada de —« Cl^ifiy 
ignorante e fanalíco. -^ Hei de tiral-os do beijinho, da 
nata d^aquelle», que tSo roanifesfa^ e affiacadomentie st 
desposaram eom a causa da proclamada liberdade. Cie' 
rígos de.taes princípios mal poderio ser íid&t por su^p» 
toê de igrtoranciaf e fanatismo aos oli)os ainda do niiir 
Hcirrado antagonista do prodígio de Ourique . • . . Aqueb 
le que passamos a citar por certo que nSo poderá, stf 
notado de similbanie peclKi. Eis aqui pois o que tfk 
discorrera era pleno Audilorio da maravilha de Õurh 
que : JPiga-u embora^ que a celebre apparigâa^ ç pramçi' 
sa de JeiUi ÇhriHo ao grande Affonzo noi vakoê et^tmm 
de Ourtqne.€ urnQ das maquina» potiiíeai que algunê Im^ 
perante» tem fato jí^ar cqinfelh ea;UOf asnm e&mêa íVíh 
fita e Mahomety que eu não reeenrct perguntar^ gtici/ i ã 
^naquina^ que levantou o pequena Portugal ao grandi 
ponto de repreBentaçâo^ que d%ífr%tctou entre ot NaçAe^ € 
que. em toao» os iempot^ com bem Itgetras alteragfieê^ 
conservou contra seus mimigo» todos! Sf^uma v^f auoik' 
ira pôde at)enlura de Portugal dar-se aojogo.pqíkíieadoí 
cautas. ^cundariaSf ha todavia lances em que partisc q^ 
òu se renovam aos Porlítguezes as expressões^ que se (ft- 
%em feitas por Jesus ChrUto ao grande jéffomo : io> Con^ 
i> fide^ nonsolum hoccertamen vinces, sed omn«t alio». 
Confia que eu te fará vencedor nente^ e nos outros tcomèo* 
iesi ou que etc, (1). Este mesmo Orador préíganUo fim 

(if l^«^'s2o at •«prèM5ci do Relífcioso Arfabfdo fV« Mia^fmêi 'ê^ 
OmcHfSQ jirçeá ne ScÍiiiSq ãt SI f^eáto de'A1c«atá|r«| pi^, H • 



— 63^ 

ÍStt em umti Fe&ta de AogSo de graças, iifilgrejfi.de 
S. João da Praçai pelo acabaoieato da Coa^iiti^íç|lo, 
não duvidou pronunciar entre outras couf^as: qiieoiPorr 
iugtK9iÇ8 nâo podiaúi nfgar q retuUmenfo da9 s^a$ graça$ 
ao Deus de ÀffoníO Henriques^ áqueUe Deuê q^^ mepgo 
erigira Poriugal^ qwe- o Um pnmdcnip coi^trvodo^ que 
o tem engraráecido tnvdigo etc. (1). Assjoi. aUudla ellç 
áquella maravilha i^^ocratícai sem raçeió algu|ii de ter 
xtccusado.de ignoi^anfc ou fanfitico ^ como hoje petulao- 
lemeote «lio arguidos a^uelles OradoreS| que reprpdu^ 
lem a mesma crença. 

Ainda .produzii;eí, o. testemunho de outro Orador 
contemporâneo, que. emanada cede ao precedentç en^ 
dedicação á causa constitucional, eoutrosim: iX)r certç 
longe está, de ^er avaliado por Clérigo ignorante ^ fana- 
tice. Copiarei pois as palavras que elle pronunciara no 
meio de um luzidissimQ Auditório em. i|m dos tetnplos 
mais centraes desta Capital» ^ Parece-me, Senhores (diz 
J9 elle), ver renovada no dia SA. de Ag;o&ip e np dia 1^ 
99 de Setembro de i830 a brilhante scèna de Ourique^ 
p Parece-.me que a Protecção do Çeu foi mais vjsivel, 
f> mais decedida nestes dias para os Portuguezes que 
99 nunca ! — Em Ourique eu me reprcisénto nossos maio- 
19 res curvados até á terra escutar promessas vantajosas^ 
r que devem veríficar*se na sqa posteridade ; no Por;Ío 
^ e em Lisboa eu vejo os Portuguezes sentindo o ím^ 
» pulso Superior, escutando a voz do seu -Deusi qué 
9 lhes jfalla ao coração, que promette .protegelK)^, e quê 
99 os faz gostar logo as delicias da Liberdade que lhes 
99 dá. Direi ainda mais que em Ourique Deus promet- 
79 tia ^ nossos Pais a gloria biilhante destes dias ventu- 
j9 rosas, porque ^ntre tantas !,^ tão estjrondosa^ i;{f;torlas 

3U Foí^ pr^sáo etfe Serní^o èm 1$20, e dcípotf inipresV>>m LUbqa 
Ba ImpreMio. lioiandifMia letn laSti com !ii*en^ii''dii. ComniissSo ifè 
jCensurií. ,^ mencipiiii4o Bè^íj^Spiô /era â«MÍi còabiccidoV pelai fu«gi 
.4,4ui4rinaf jíibcraAt* . ' " : ' 

m(Í) Na iNie.^íar it* é 1it«1o: > Sermjio liiie' oa so^eiune' ArçSõ^de 
Gra^i |>elo Acatiaine^o ^a Òootlitbi^ao, reiidUã a Deòs ^iiliqí|!|Mi^ 
t^llt. na Friçgúeiia ÍJe, S. JpSo òtk ^raca pelo^ Porttottiéféi rootli- 
l^i^oa^^ «la.iDCfina^i^irocliía^ prézoa fi Mànotl da Ç^nè4^Sa Af^ 
«ea em lO de.NoiTéinbffO de tá^fXubya; \^. ftuà píreilâ dá 1^ 



^64 — 

99 que oft Portlrgúesel alcaaçàrSo em todas as épocav^ 
7> nenhuma tem similhança, nem pôde cora parar-te com 
7) avicloría destes dias. — JVlah abaixo: n Aquella Bd- 
» ca Sagrada fallou no Sinray, no Tabor, no Calvário^ 
» em Ourique etc, (1). » , 

Ora se em uma époclia de liberdade e independenr« 
cia de pensamento, em umá épocha em que á \\xt Ao 
pbarol da illustra^a se via ir desapparecendo o niptr» 
stictoso ob$curanitzmo\ asshn a Oratória Sagrada desaf- 
fronladamente renovava a tradfçSo tbeocralíea tocante a 
uma façanha, coetânea com a rundaçãk) da Monarchia^ 
sem que mereces^ censU'ra alguma ávídetfa^ntanada phí- 
losophta do9 intcHígenles-; conny se poderá tolerar sem 
náusea e siiperfrno desprezo que; depois de uma tão rei^ 
peitosa veneiação prestada áquella pm erenç£v em rétoi- 
pos deidéas tão democráticas; agora em- tempos de um 
regime de caracter murlo mais monarcbico, o mais ian 
solíto e disparatado peda:ntismo Menfaa insultar os Minis- 
tros Evangélicos, que no pulpíto^ tem fallado, ou allu^ 
dido á maravilha sobrenatural d« Ourique? 

Não é porém sá no domínio do púlpito, que veinot 
em nossos dias^ apreciar a maravilha grandiosa de OiirK 
que com todo» os seus extraordinários adjunetos. Ha 
também da Classe secular quem* em seus escriptor te^ 
nha defendido o prodígia com todo o typo, com que a 
tradição o tem transmittido. Folgamos de mencionar co^ 
mo taes António Lúcio Magessi Tavares (^), José Dio- 
go da Fonseca Pereira (3)^ o Dr. António feHciaoo^de 

■ ■ ■: «1/ • •...-■... . ' •: 

» . • • 

(i) Astiin na pa£;ina 14 do — Sermão^ que no dia 4 dé Julliil de 
1822, aiiéíverfario do Regretsc^de Sua Mágestade o Senhor I)i* JoÍ» 
VI e leu livre Juramento at Baiet da ConstituiqSo Política da Mo. 
narcbia Portugueia, pregou na Freguesia da Encarna^So desta Ci- 
dade de Lisboa, na brilhante fetta, que^r tSo faustos molívt»tf fite^ 
yam os Directores e Associados Cordititucionaes da Pra<;a d«t doai 
Igrejas, Marcos Piàto Soares' Vai Plreto, Freire da Ordetti Mi- 
litar de S. Thiago da. Kspada e Prior na Igreja Matríi de S. Ijov- 
r^Aço da Villa de Albos-Vedros, Na Typografía Rollandlana: 18». 

.pi) Vejani te: Demonstrãi^ao Histórica e ÍDocumentadà da Appc- 
rM^So.de ChVisto nos Campos de Ourique, contra a opinião dto Sr. 
Alexandre Herculano^ ^ fio\^ Insiiítencia pehi conservarão e oiHf- 
dade da tradl^Sò d*Our1que em resposta ao l£u'e õ Clero etc. 

(3) Veja-se o Primeiro Tomo da Historia dt Portugal pmr Ak^ 



— 66 — 

Castilho (1)| M. M. da Silva Bruscby (<), o mui lido, 
e ;)olidissifDO escriptor Marquez de Lavradio (3) e Anal- 
meoteo Aulhor de um iio% Livrinhos d^oirOy publicados 
debaixo dos auspicios do Dr. António Feliciano deCas- 
trilho^ que tem por titulo a — j4 Batalha do Campo dct 
Ourique» — » O talento conspícuo^ por conselho esob apro^ 
tecçâo do qual se publicam este e outros Opúsculos, n&ò 
teve pois duvida alguma em julgai a maravilha da Ap- 
parjçâo como. um dos objectos, que desviam entrar em o 
numero das leituras uicis^ que se deviatn propagar por 
iodo o reino (4), Este voto é a todos os respeitos de mui 
alta qualificação contra ò incrédulo menospreciador da 
mais gloriosa e mais geralmente recebida tradição pátria* 
Porém o desvario anti-hístoríco-nacional não bara- 
fusta e arremétte só contra SL theocfacia do facto prodi- 
gioso de Ourique. Não se contenta tão somente de vo- 
ciferar tão audaciosa, como desasisadanleríte contra os 
Oradores sagrados, que em seus discursos o tem referido. 
Ainda vai mais áVante com o pendão do desatino e san- 
dice. Insiste e bate o pé com um quero porque quero^ 
em tom insolente ^altivíssimo, para que, mesmo olhado 
aquelle feito como entidade histórica de cathegoria pu- 
ramente humana^ seja riscado com ignominia, e perpe- 
tua execração^ dos Fastos Lusitanos; òu pelo menos, 
seja nelles tido como uilia ninharia^ uma velháda^ uma 
caturrice de era afíbnsinba, que ha séculos, indevidamen- 
te qualificada por Magnum Bellunif está entulhando e 
estropiando as paginas dei veracíssima historia !..«• Porém 
que? Ha por ventura algum escriptor, dos fins do sécu- 
lo passado^ ou já deste secuío, da polpa e estofa desses 



iandirt Jatreutano, eonsuterddo em relttçSo do âúraihehto de éPAf" 
^/imfo J^irnrifaMesi pelo mencioDado Author. 

(l) Nós eloqaéntitsimos Q.aadrot Historicot. . 

y^) Teja-se: Abnanak Portuàúeã paxá ÍQÁH $ob a direcção de 
Mm Mm 4t S. Mrusckjfy pag. 9o, dò artigo: Commemoraçoes Pa* 
trias^'25 de Jutho^ JBátalhà do Úanipo de OuriqíU. Este tacceuo 
Tem abi narrado com todat at circiimttanriafl theocraticas. 

(3) £m um Art^o sea, que leihot tm o Jornal a — NaçSo -^' de 
6 de Deiembro de 1853, referiodo-ie à Batalha de Ourique, dí^se: 
ft Pacto memorando^ apeiar dat forças hercúleas que o tem pertcil- 
t* didó De|;ar. n 

(4J Veja-sé a Adrertendu do mencionado Opasculo. 

b 



— 66 — 

mesmos, que mais se arrufam contra o iostrumento doeu* 
meutal da maravilha da Apparíção, que tenha contes* 
tado a grandeza histórica da Batalha de Ourique? Nem 
um só. Haja vista á maneira como se exprimiram os 
dois Académicos^ pakograficqmente antagonistas d^aquel* 
Ia theocracia^ Fr. Joaquim de Santo Agostinho ())| 
João Pedro Ribeiro (S); e ainda mesmo António de Al- 
meida, que por todas as fõrmAs barafusta pontra a theo^ 
cracia do prodigio (3). Nem uma só expressão 'sôharafll 
elles que deprimisse o grande valor, em que geralinepte 
fora avaliada tão campai, e sanguinolenta Peleja. -^*Epst 
audácia de monstruoso calibre pascida, não duvidàmoi 
dizel-o, da mais crassa e indesculpável ignorância, e Afí 
mesmo tempo acintoso desprezo pelas façanhas heroicai 



(1) Veja se p tomo 6P dai Memorias de Lítleraltira Porlngoeiíi 
pai;. 356, nota (b). 

(2) Digo também que este Académico fdra %ò paleografxcttmenfe 
inimigo da Apparição; porquanto o que élle nSo admil^te é sò a a«« 
théntiridDde do Juramento' de D. Aífonso Henriques, désrobertp ppt 
Alcobaça, ou de outro que tal como este. Mas por elle não ter má; 
mittido este -Jurainento ou outro equivalente como prova d^aqaellã 
transcendente maravilha, segue-se que elle inteiramente a tiegviief 
Ninguém tal ha de, nem deve pronunciar. Também o Actid«ttiiro 
Wr* Joaqtdmde Santa ^sf^iutm liiQ 4iSo admitte aquetle 'Docunteote, 
nem cousa que o valha; e cooitado sustenta cordealmepte peto lado 
da tradição o prodigio subrenatural de Ourique. — IC^ de notar que 
nToao Pedro Ribeiro nniratiienle se referira e'ehi tudo.aoqt^e íéxpo» 
será antes Fr Joaquim de Santo Agosri^iho sobre o tai Juramtenla, 
sem declarar que rejcfitavaa sua opinião favorável áquella niilagrosa 
Apparii^ao, sustentada .pçlp indicado fuiidamentp na inesnia 'Blè'ihp* 
ria. (Tcja se o Ipgar citado eiri a nota |>recèdent'e).'«^'0'hSo adái(tr 

-tir um funilamentp n8p ó pois refusar todos. Temos por tanto qi|e 
o Paleógrafo nao é o antagonista da Appari<;ao, que vulgarmente sf 
pretende ifirulcar. (Vej. Observardes de Diplomática Portugaeiay 
Ot>serva|;Sp X, art. 5.9, pag. 141 e 142). 7- Fosse pprém qual fosse 
a sua ópiiiião sobre a maravilha do Apparecfméttto de Christo^ è 
inquestipnavel que eljedera ia Ac^ap béllica de 'Otirlque, féni' tirar 
nem pdr^ p nome de Maiaihf*. Persúádo^è^ dh^èU^nij^ 'kesàe Ju' 
lho do ánnol là9 eBàtatha de P^irlque tòtnoU o Senliàr^J), J^éw» 
Henrip(ff'ot^úÍp df Rei, (Dièsert. pbrpnplóg., pissért.-sIVf.pa* 
ginas 64).^ 

(3) »» lÊNerdadç bístprlca qup se yépêeu B'lBáiáthd'dú ÇtíMpotk 
»9 OÚrtffKf a 25 de Julho do anho de 1139. n tyéu't>uiiab' elle O; no- 
me de iBataiha á Ac^ao de Ourique? Leve m'iiis'esfe plpárót^ o'^Ek* 
criptor, que tanto na Historia de Portugal, como etti ia6ti^fl'^^Ôbti« 
raqdes, a depreciou com jinguagem tão caturra! (yeJaTii-fe'Méiti« Ha ' 
Acad., tom. W, parte 1.", pag. 75 )r 



— 67 — 

dos nossos maiores ; estava como que reservada para oc* 
cupar o logar de fúnebre e sepulchral eplgramma na 
ominosa Historia, que só por anti-fraze se pôde chamar 
de Portugal. — Tantum {proh dolor!) d^encramus à 
tnqjoríbut nosíris! (1) 

Nas seguintes Partes desta nossa Obra confutare* 
mos as genuínas e lexluaes palavras do Author do into- 
lerável, e extravagante antagonismo, tão affincadamen- 
le sustentado nas paginas daquella Hutaria contra a fa- 
çanha immortal do Campo de Ourique: no que fare- 
mos outrosim especial serviço á verdade tão miseravel- 
mente desmentida^ e á gloria nacional eminentemente 
ultrajada. 



(1) Tit. Li?. JAb, 22, ícap. 14, 



riM DA. PKlMEini PARTE. 



/-.■■•A 



i BATALHA DE ODBIQII 



A. HfiRCVlLAIVO. 

(obra DIVIDI1>A em seis PAkTBS) 

AUTHOR 



Í(K«linVl>.% VAlÉTB. 



Veritas odiam paril. 
Tsu. 



BA «ini*ooHAipaaA »k cu m* HASimii. 

Rua dot CapettltUn n.® 62. 

18S4. 



R3 P 












.... * 



íT^ 






ii^wJll 



: .. . ' ' ' t • V I ; , ■ . 



>•••.'■> ■ 



.> .• 



PREIiVIlIO. 



i ■• ' ■ ' 
. t 



ii 



oUuihhgetn, JUiiiD^a foi sempre telha eâelsomoos* 
tado puritano ; quandp a matéria é d^aquellas que val« 
alguma beifi merecida pena; uão s6 o fater apparecer^ 
como me}bor contem^ no palco da fãrolemica iodo opre^i 
ciso, e calbe^orÍGo apanágio de aproches a pró da opí« 
iiiao C]Ue se argila j mas tafnbem o levantar o.papiley e 
moslrar em natural esqueleto e-tem colorido, nem bríi^ 
fiidura as áuthentícas e fortnaes pctkngta ou arengai ci» 
antagonista, que a contrária, para $erero sem rebuço cooh 
batidas* «^ O primeiro etindispensavel trabalho e aílaii 
colloea^ «iar>ranja cn luminosa guarida todos qs mate* 
riaes-^ cimentos que podenv positi?a, edirectainente dar 
firmeiaa e solidei ás anerções^ què apologcticamente se 
etidnctam.^t^M^Q segundo toma jobre si bátet- e-dar eaça 
etn detalhe n iodar at proferidas e estam pada« cooèepçO^ 
do Adrersario, que por fal«a^, ou iocoacludentÇB does* 
Iam e repugnaài.^tiHAquelle processo devendo iprodozir 
uma bem c^nscrípla e ^arregimentada legião : dedeioeiH 
tos de uma índole iabOntestaT«It»eote comprpvfitiva^ 

1 « 



DP 
S70 

Vi A, 



;ijí)í!íí!(» M tmm k 



i. 



à:éà::!'^'^k<^^ ã^õi Ai:^:á'«^i:i.v 



. 4 •». 



t%'r^':í.:i^ív:t-i^- «: 



.• "HW^ ii ■■***«•'*"•?'•' '*'*"^'^í- '•'^i' >i«^«^*< í :• '- -'• 



■'nT... 4 .. •• •• í •-• *.'>!■ ' ' 



■ » ■ 



'; f . 






■.•> ^*Jf .-l ..-■'. ••» >.>*. 



■fc 



" I 












'. . .• 



' I ' 1 






« • 



ipntssjDmo. 



ii 



C.. . . . . .. ,. ■ : : -• -f . ■• • • 

oUuihhgétn, JUián^a foi sempre telha e áe' Isom oos« 
tado puritano; quandp a matéria é d^aquelias .que val« 
alguma bem merecida pena; não só o ffiiter apparecer^ 
como melhor contem^ no palco da polemica iodo opre^i 
ciso, e calbe^orico apanágio de aproches a pró da opi- 
nião que se argila j' mas tafnbem o levantar o.papney e 
mostrar em natural esqueleto e sem colorido, nem brii^ 
aidura as áutbentícas e formaes petlengc» ou arengai d» 
antagonista, que a contrária, para $erero sem irebwgo cooh 
batidas* "^ O primeiro étindispensavel trabalho eaflaii 
colloca^ «^ arranja cn luminosa guarida todos^ qs mate^ 
riaes-c cimentos que podem positiva, edirectainente dar 
firmeiaa e solidei ás asserções^ que apologcticaoiente se 
enunciam. '•^««Q segundo toma sobre si bátet- e-dar eaça 
etn detalhe n iodar at proferidas e estam pada« cooéepçlkt 
do Adversário, que por faUaS, ou iocoacludent^ docsi 
Iam e repugnaài. «^tnAquelIe proceÍMO devendo i produzir 
uma bem c^nscripla e arregimentada legião de demeiH 
tos de uma indok iaocínlestaT^Itneote comprpvfitiva^ 



nro que fórma^ no campo bellíco de qualquer litteraría 
ou scifiitifica controvérsia^ o principal e ornais solido, e 
macisso do exercito de' operações.— *- O outro arbítrio, 
reunindo uma forte e compacta phalange, armada depro» 
jeclís arguitivos, para manobrar debaixo de ordenanças 
de certa táctica, e estratégia secundaria no espectáculo-' 
so circo da esgrimidora dialéctica, ou arle crítica; sem 
reparo, nem exdruxelaria se pôde ter, ou reputar co^ 
mo arremedo ou oQueraue é,.ím,e tem alguns delinea* 
mentos de corpo de*'ref!^TÃ.^--i?(>*8yslerna do primeiro 
methodo guerrea e torna insustentável a doutrina, ou 
cousa que como tal se apregoa, do Campt^ao adverso, 
pelos principios inconcussos, que contra ella formal, e 
eminentemente se erigem, e constituem. O plano dc^be* 
gundo methodo oppugna e faz baquear o mal cimenta* 
do edifício do contendor, desmoronando com grossa me- 
tralha, e bem calculada ballislica uma a fima as peças 
que toscamente oconfiguram. — Noprimeiro sentido es» 
crevemos a primeira parte da Obra — /l Batalha deOtir 
rxqxie c a Historia de Portugal de y/. Uerctilano, — No 
segundo sentido redigiremos a segunda parte e as maii 
que se seguirem do mesmo Escrípto. — Chamar por laoto 
apt. tramite» rigorosos da analjse,- para iqffftoravelnneQtl 
a4.'ZAir4Íf^t0tti:s»8dérçQes; :m>ah,: ou-«iíeou{t pseudôHbíslílrl^ 
çiij»')(eíillr<?;a3!qâaes 'jse Qsiira tini t:hisiK]i-.e lani&adonerû 
geo^rnpbiao);; ,Q«a!illfiçSes/laD. itete^o^fteaa, (xodMrfcbttiat 
d^jignbráik^ift « n{Uu4;ína!^o^ que:^. cncun^frim-iC^m^vm 

Jintoràe^.idf^ \Piifhtgi»i*^.: (pa^luUi^ntLosy ^fw^fumáis^idíffti 
fròtvf^^ttfdiânjenienvUeriiYfffâjj còm ?qu^ ;»djaUtrdêaiipiiôt 
UmÍQáçiiNi^«nip*^i^oec>i>par,;a opidãos dami0palevíp»l^í£M 
^rtde^pptínt^f; do -«pnct^ib) tiibido^i.mn^ui^^gefalRliMé 
fòi.-sfimpre.^ido .'>é ihfii^ifia^-initmUndo! <Jbftmr:uditosii«ttlo 
ttAsienaes^ >coma.e6trnog9Íf€!s,r't^ •F^'L'0?gl0rÍQSQrrAltt rQofH 
que^;; éft.Jáxela peculiai!, qu0^:emt.d«feztif)tlflJiAO «Itoil»^ 
da{:verdbd« iiiitorífia) -temos vm .ytita.eQrájò6atn«»ferdei>> 
cf6penharoi>esia : e outras^ pactès iíJo gjfláda /ti«biíiifa4bffM» 
lAo6vaç3e» lLÍe;uma exarl>itaocia iã^ UetcqB^iecidar ^nli ti^ 
IpÃof da |hisl6driay lprQfe^tdi^ f(}(>nlrfvMHn .tierttjram de aSú 
i^disf^Abt&^vtshfã^i* eealimtr t»erieci<lav)^erâot(X)ii'Cusligar» 
das pofnJmiq3-el}ommére€Ídoi.?Jáii?g(ttcv' ; v y: í,í, «.; 






-• • # 



' % \ ■ • • - •> ...... '•■-•»■•■■*> 

/ 

■•;• r>'. ) 'f '' ' ' ^ ' '• ■ *n.' • • 1«:= i » : »\^V' r ' :. "i '■ '■-. ''■'■■ 



.•■i.i«:il'-.' -ít. .: t-jí-.i^ji 



-. « 



« « 






«; 



P<|i4M^'bMÍss« fiipuzesAet iivfoque da.caUa para. fora 
do Si«a3tp8giiint9u^priii (m:Qf.!e icnncdr /igaJat tudo quaplp 

i^íDmúlQ 4»^Q4^fi^^fip voinnUá.ao:v41ipecMlÍQ.(«r sarças^» 
it¥>>a pi<i:€^:9^M xreAça 4^ niirac(^lQ9a<Appiuiç£k> 40^4^ 
G* A9> prl.iinreif<^. íVIa^arciui' gofluguie;5j oi{).do& Ppriiugue^ 
2é4;.>4^ra hIo ^qbuaifQpdaiconstiravjfik Na (Vi9rdadei,ir«oef> 
gando. eIIç,4aioactoiiat opinião idefeadída.^ siielentada 
p^las :iio|AbilidadÍÊft da icjtfQcia mais cot^tpkuafs do pau^ 
tf 0Qn9laLiilçipçnteavív.<ida n^M.mâis, públicos, monum^r 
to^, narfreote^téjde &^berbo•v,le aUeroso» V)AÍxeis (1.)-; 
preferira, onte^.^io que parecèy senão. :gam ha r emborns, 
pelo.mianot fa«er humildpÀaa^umbaia áo «qcfilbo protes« 
lanle QUtcoUéftqua cvalhui que iudo^deaadacfi e e«0oar 

1 

(i) 'tpbm rerpr^a{5^i pòsStivat rtn W^ràlvilKa ^fe^Òdriquè, cóltoirii- 
Hai eati^tuM ílr9M|<se^m'^Mlò «ulrar os í<laf'es'^tíffil[M'il9uJa'efclf1llli- 
W «Via»; PH ;0i4|a^f .fmlMir^i|<^« .^è^jtu^rrff. /Damff:.«ni<pi?iirfri f^Wf^ 
Prjf^f9y}*,T'\nhn.efiB na pr<ia iima.ficariL^I^^Mer/cwofpm p «»- 
cn4o tlai àrmat poriueoétas embraqado, em forno dat qiiaes sé nih: 
Inhoc signo vinees, roh in te et in seniine tvo imperittfii mihi jí«- 
bilire. Verificamos o facto aioda em 23 de Novembro de 1^61, a« 
^b<^»45Mfhj4>fH^^ ffo i|ài|iif» |¥^*'MiB^iítv*v4pie4«toí*r<i|oJeve lo- 

^^«i^ao^iijine, 4B^itiit,|9<M»!«c^aM^ 40'SflMHfWr ^9v H[I»^ r(.4Mp.?^..<l^ 

•«.«qilca^t^.fiMeai^fCllçiAi^) ^^^r^tipi^ealo piiiflo.^inj ,vnt:?- r... -v* .,\,. 

n A L>'9Ía offerece não Tulj^ar festejo, n «x^wínj 



jura quanto se lhe antolha com vÍ8o$ de nppartção (1)! 
— -Qu9 porém o cQntpicuQ escriptor concubrssse no alio 
píncaro da sua desqommuna) imaginação, cfisesse saber 
ao universo lusitano pelos bicos rebeliões de sua furir 
bunda penna, que a Patalha porlcnlpsa de Ourique, 
dada e ganhada pelos Portuguezes aos Mauritanos, não 
é aos plbos da illqstragão, em grandeza e yalor, aquillo 
que upanitTiernente todos os escriptores naçionaet e es- 
tranhos tem, pm modernos e antigos tempos, declarado 
ser; tal monstruosidade é ler o arrojo de arvorar em 
programma desciencia aquillo, qpe n^o é mais que um 
mero transtorno e :|berrag3o cerebral coiitrf^ tudo quam 
to prescrevem, e legislam em todps os paízes as llegfas 
da mais-fíito e apurada crítica em objectos de histofui( 
^^E^ uni alto dispnrM^ pretender que a fantasiaxia^opiir 
Aiflo de Min s6 individuo lenha n^ais pezo ki^quíkite' nu 
blilaiiça da credibilidade, que o voto «naniiM ecofistaiH 
tf» df^ínaunteraveís Escriptores, (tujòS' assertos sobr«^-rn||^ 
neira i^l^^^nid^s ineluctayelmeote condetlinam e e»tir 
^matisaní & fa^arihudp d^sy^río^ rr B*lc arrojo, por cert 
to, iilho nedío e taludo de uma filáucia, e egoísmo HIt 
teratio tle marca a mais tudesca oalaryajada;^ éa todas 
«18 It^zéê do'tium«ro d^aquellei?, que npU) podem ^ppidri^ 
icer no yasto çam)>o da publicidade sem provoeareni a 
liiais «spontanea e ribombahie paleada Ítt- Intentar por 
flcínte e rexa velha iiemolir do alto gráo, è cathegõría^ 
em que fempre, historicamente fatiando, fora tida em 
todo p unitefso a idéa, p pensamento pFedominanl6'á* 
cerca da grandeza verdadeira e real da Batalha de Ou* 
riqiie; ^ esfotçar-se por levar um dps mais . (ç^roio^lfte- 
mente iaofarrpnicos projector ao. mai» ridícula áoê bê» 
trnmbotfcQs impossíveis ! E' radicalmente irâmtQroatr ou 
antes vilipendiar' 2),sidéás^ dá^çoitsas^ e 'ps tôi:aíl>iilp«9 .^W^ 



>-.^ . V 



f 



(I) if On -M Ifiité danf Ht» étfiáen tieclMi de wJcMcfr^ tttmúié 4m 
n «rlifirè de l*esprit hamutii toutet M révéUtíoNliet toatèt le»«f» 
99 plirifiom qoe deu airiei cliréliert»€t peavoient m^o\r:n'9ymité Bltf' 
iàriqúe et D&gmatifue' tvr iet jipparUitm eie, Vàt M. PMèé Lè^ 
gUt iMresnoy,^ tora. 1.9^ p«R.Y6.'— Mr. Len^lét e» «lua ii»IÍ«'M 
foçar citado, derlara por aotliores de tàl tentativa â Jmriem» (Apo- 
lo|(ia em favor dà RiBrorma ) e a quasl todos ot pretendUtot Rt^Êf 



lio )MHÍ|iivae fciíaomnento dl expriíBian). rrMai qu« 

podem, e. yakm no eiliimo, da Kkafiia,. nciíptor^f (í<; 
UfPA peam tio m^iquiitbfi, f am>atfili|I. ^ilei.ta'o'f^i:f 
v-elmepio do numero, t)'aqijfilloiioiío«,,^gaí(eqi, i}ife Um* 
Í>rAm « cap(iahaB^,,.c«iQO m&q glorÍ{?!>Q pAfii..witWi: ^ al" 
rAçar do renomear. è^.v^of; ao deidéra^ c nierioacabQ 
(Bfin) 4Mlf«cauia, pçdíiiiif^er) nquellej sábios, que m«r 
l^rjfQ>faouv«raii||^Qa> tnaierjat, <]ae elles ião inepta, e 
^UicameDla jirofavaii^. A^ qvicqunm jicemnl niti iner 
^aret,4arpef«(l)i. Um.-fwtolorpe e iDrelii deelc: ilTipoi- 
faaia;prf4Ído «»(So,»4i)t4{i:o« ueclios do Aullior da HU' 
iQTJa de Portugal,, qufiicncfp 4^,gua<ula nvanS9d& coitr 
ífA a Batalha de 0^fiqu«^ como «eraoiQ*: pá discussão^ 
emque TaaiQ»«aUar. . 

.'' Q Amhor, da.HiftoTMitIflPoriMgnl, infleiiivel.i)5>fe(' 
tudo eiaipe»hci'dfl-.depf!jnir a id^ft de gi^aièzn, ^eva qu« 
SHmpte fâraaida a Batalha daOuHijiio ;, fpro^ou o glriu» 
Ri^bcEco. jdtiao, ,de,apre&/i:imir .«m. tua..Obi«,j:oRi, inu,- 
dioia nnieciptfif^^jy.ffoino deçad,eatf por aivellv lea)po% 
a litun^go da.iqipiigo ^erraceqo np, Veaio»»]^ IÍHponí- 
c«. Coçtegui^ ppiéiii ellc cpFD ial «itralegia o s^u f&tt> 
tmiotointeni^?. Da Depluigi» corur. 

iCom libetdnde. romariçeicRt ;ç~M« nenhuma MTle.lOr* 
Iflravel na republica hiilnricaalitfaslQM.eUç A cqllsçKo 
a liittoricta, ou tião texi^ue mpocif^rfiaranislada da re- 
volitção politica 6re^iotfl (excitadn eqi IMnrrocos pelp 
berebérc JU^hadi} o^ufi (^mui aaal/ar âentro de pouco Ícin- 
p^com a djfncutiajavtiwterne. (^),. Que íii^,,poréin «oca- 
so^ PO) deifiuono do.fucceuo lietoit»^, que oi ^imátodeif 
ot^ (/oiiarioii q,u«, r^oub^iam. por fun^fiáot da i.ua tei- 
ta n Mofujmmeii-fii-Mqhadif aailniwni ái .çriítai, e a fi- ~ 
iiAl,lef,aMein,;^b^Uo.,no teniuirio Ãlarroq^inp, aoi ^í- 
moTQ^firvíW^, teçootiecúni , por-Kill^/a.^A rf}iíie/>^n- 
7a*cA/[^,„qfi^ ffivdpu a ctdadç ■« ífflPTio i^ Çíapo*^*?* 
(3)< -Que.fot iim ao catp.Aue tçl .bçrri^fÇfi^JiM^urUçB.ou 
arab«tF4. f iiiv«n» «n.xeeiro peloi ^(«ó^tuff^Ua fi«it«l|ut (la 



(1) PhwlT. l;. ifi Rpllog. 

(3) Hiitoria d« Porlnjal, T^m. J,», J^^S.o^.pM. AI9. 

(3) Préfit lie 1'HiHiHr^ da Miijáu >£e;: paf; Vr. iW UicMh, 



~8 — 

Ourique, elaitída tlèix>ís| no inencionado ti^rrUorio Attw 
Cana, para d*(ihj«t!' poder conciqír qUe'é falsa e errada 
òidéa, quê fora è'dèfntro dopaiciemprè sé fiièta' daJRiT 
portaiiciá d^aquéHcf' gratidis^irho Feito bellfco? '*N«dà{ 
êmiheotétnente nada. 'Dirá lodo e qualquer críliço^qúe 
flectir na fmfhenródi^lhneia^ efin que frcam a'9 Áiiilfrf 
dadas premfnbi tle tSo abistrráa e fndedutivel iUtfÇãd, 
•^Nirilruetn^ ftidda dos n^aiòre^ espadachins contra tu- 
do aqulllò cfue appáfecé nó panorama da hiilorla cbiA 
iéz e'fVéionomítt'de ej^traòrdínario^ «is letnbroiffior cér* 
lò já chàis- de esquadrinhar, e U^ser pi|rà o meÉ-càdo 'dá 
argumentnçSo, umcimenío tSo inéónsiétènte, e halofe, 
B fím de d^tUrf^hr, e depi^rmii* o Fei4o taiaravilhosò ild 
Campo de Ourique. A |Ke8crip<^âp htésmo póís peruM- 
Yiéhle contará ia abortiva cíiiiiier^ de^âò^péça, e áeVodia 
lembrança' ^ria mais que de Sobejo ^ra a violar áoCKuh 
rivari do rhais completo e 91 )}<Hi)ÍQe -desprego | se aitids 
nllo hõuie.sse matéria nova para o corpo de xlelíeto, «fu« 
triunfat)tffri^èrtte ácotideniTiã é anathemsifóa.' ' •' = 

'^■" QWal séria ná verdade á esçórn^ á ^spia, ou poitfai^ 
lete, á que^Ae inirímarín, ou com que sé Susteria aqurf^ 
Ia concepção de tgp alto e eísgalgado rortiancísmo?^0 
cjAvatlò-priimeiro de frisa, com qiiê oescriptor da {(isto? 
ria dê' Portugal se pretende pôr acoberto, é a passttf^ni 
qúe Tachfffi (ez da Andaluzia parh oMa^hreb, levando 
^ttopas para arodir a seu Pni, que §e viagraveipénte aco? 
^ado por Abd-t^i-mumen, discípulo de JMaha<ir, ^/a #0^ 
nHòt de grande pnrifí das proviíicías do império, o que 
•parefià p6r em emititnte rutná adffnaistia lQmiunen$e{í). 
> Passòii, dizelle, Taçhfln logo o mar, levando coa»« 
n sigo i^ád.r das tropas n)'(noravides, que traxtam'^%opea4 
)»' dds os tnirsulmnr^os andaluzes, e defendiam as At)iiÍei* 
n ras cpntV 0$ Christâos, angmeiitandò, além d^tilô^ o 
ff seu Ittzído exercito com quatro milauxinar^^nioiíi» 
ff rábes, t^orriétis ma^òs e válentei J^ '(í). ^í-» Aqufj *coAio 
Insepafavd preliminar, í.® r-^N^^aremosqtie Taòhfin ao 
receber ordem de$m pQe[Í) passasse logo o mar. — Condc^ 



m Ilist^dePóttii]^. tom. 1.0, i^a^. 821. ' 

(2) Hht. (te Porta g. tom, 1.0, paj;, 321. 

(3) Hitt. de Porto^. ibidem, supra. 



ij, •.■■:' 



— 9— 

ou Mvda^^M^Iès por ellf^/^xpressaméfite dí^ qiie'«1te 
tef rttifáfâ dásí margens^ de H^anrba,* cedendo áéi 64^ 
Innciat rdit^radas de Aly'^' Taofifij eéâaM úum mimúeik 
ráiéréi d^Aíy^ geftti thigni. dès fyoet^9 espagnoh (1). 
Ora queiif sè faoufè: de retirar de um lo^f qiiotqifer á 
força de m$tanúun repetidas^ é ei/ideMissimo ififé^nS^-se 
rélfrou /og^ ou infinlediaUineole deilê. «-^ A téoí' d^to 
o Ibgnr da Ohrònlda dò imperador D. AiTonsó^ cfiade 
pela AuttiOr e^ tiotii^ nãó-àpresenlâ e!ipi^««Xo'a%uin& 
Cjtie denote 'p¥oânptldâo^MepresleKa Ha rctí riida- ieTachfin 

mare^ eié,'^)f''Ki fog^ pô^ten^e que- á-Yormi|;-ifc "«le iií* 
Iroduziu e<lm nUffti de'aii-aii}ait cNi -^tf ngiiliar- itittU^ áó 
que parece,: ^nm crrcum^tauciasi^a '^xar/a* o intentai 
não pódé* de modo» plgum ler logar, têgundo-o propifo 
iestemiiního doè Authorè^, queohisioríographo eft» ear« 
rebar^há em^eii tfpoio/^r^ Melfcor seria que' o«in8o men- 
cionasset A-maoqtiice ni3k> seHa r talvési 48ò faertdnente 
descobertiàí.i.vS'*^!)! remos que nfla se p6de provar com 
as palavras de* Gcrílcfe^ q^í^ rta m^sma^noia o Author no 
referido 'lògnr eka, que' Tmirhfin legara coimsrgo aflêr 
dar- frepQB '/4lmtírat\ã(o$. Oonde pois lâo somente èscre* 
^rn que Ta^lifkl Unha p^9>5ado 4 Africa^ leira'ndo 'em 
«oa Qúmpanhià lá fi&t de la eahútkria delos Alinomiri* 
des; como (conirasi) transcreve wa indicada neta' o pro* 
prio Hisloriador: poriupuez. — Ninguém em verdade 
sustentará que -^^J/^r da eatHillarki *-^ seja s^ynonimo de 
"^flârdn^iroptít.'^ Murro 'meikoT -lhe iria aoiiobodor 
histórico se em togar de ciiér^o tèxto^do Cjónde efm hes^ 
paraholy' cim^seaíntes kl -paráfrase ÀleMr.MiirlèSj^ qtie se 
eTCfvinye v^*^ emmentínt avee ini ití»'miAltewn'Soldats*-^{3)l 
Sé-cN^nsiruiu-^poiiéln' •0'fexjik> bei»pantiol jjiélft'' parafimse ; 
pftrfi qiM'àdyheriMi'o^origínâly qué prodokiUy «Mn tão ia* 
audito metbodo de traducçSo, assas alheio da fidelidade 
histórica? 3.^ Porque razão deu &fl6r das tropas olmo-' 
tàtúckÉ, qrfe ç5btoèl|y, teyi|fíf Ja^cfilSi) ( em o lextó liespar 

' (1) Htitóiice de laDóftãttlloii éts Anhés e» B»iHi|^e etc;, Mbi. 

Ó) Hiit. de Poftaj; , ton^. 1.®, pfç. 321, em « re«pertfv» iHit«« 
^' (3) fitst; de b PMniffàlloii tf^ ^rábiis cA ISm^n^e el«.| fom.-)^.^ 
pag. 361, ■ ■ '. ■ •• = ■ : . • ^:í • •:...' 



oliol .de (hndejhi^.ih la ç^tboU€ria)-íidcQ0fBtí\tíBq3ló â» 
íuntidúi easipr.âto? Qu^ f«iti<ièinf^lo€ 4>UiQrÍGps teve para 
IIh) DJQHJaf a liy|}eTbolioa.,<fMaIi6€açSo7 A. reapofila deve 
Sff rurioêai.^.. Talvez res|::^Dda que^na pair, da roman- 
ciHROorintism^&i^jai^or da$ iropat^. que 4i%ex lu%ido exer* 
0»/ai .Aiii<ia.af^iai.nio|;;ueni Ihebad^ tokrar a f^nfarror 
nadn- de-€VnUva ; pois que.«Ua é equivalente a uronb^ 
6ii(do.con.6|)J6UQ. Aionde^siá tAài a idrnlidadeyde idéat?v.4« 
4A -Pprque m^tleu | -e encaixou o» quairo mii.mouira' 
l€»i qUe TactifiD levou cpmugo p^ra Marrocos^ nocadoc 
das-ifo^ aurniiarcBi quando o- iextobespaphol de Qm^ 
de^ copifldp j^m, a já appntada. OiOta feio cserípior >da 
His)ori<h d€t'Pofittgalí p^ra sua salvaguarda) tal nonnç 
^li«»;na0 dá:^l)|?.M A.ntf^s ix>m. elle a sua paráfrase poi 
Marlèt (claramente refere que os iqnalra- mii cavfMtmn 
W0$fírab€s,.óompilinham iuc^- guarda:. Quairt tnitíc eawU* 
/ter» ^fníkit^'fibeaí d^ni il <tt(ití; compOac kx gardp . (3)« - < ; 
:.rr>.DNrU«da todavia já a tarefa de:eainiuçar toda a fó* 
rVkla li^ inexaçiidôe», .que pejam, tslitravancanha pastfh 
gom.>ropiada .da UUioría jde pQft.ugal, ^vamos ap a\su^ 
«r. aoMgo. da que^taoi. -r- .Qm9 prova, que Tachfin 'se. Aur 
seata^se- da |>enÍDs4jla bi«tpaníoa para Marrocos com Ja 
hitiorkèday e p^(o ifOi$o eâcrípto? nâo menos romantivor 
da por(g)0 de: tr^paf .Prova acaso que a Mourisma» que 
í)GoU(na'Península9'nao iMniia^ mais ou menos reunídaf 
fOrmar'Ui» corpo. deavuUado. exercito par^ se defOnder.; 
einborii cgm bpm ou máo successo; quando fosse «ggre* 
didaf Nunca. A Jlla^ão .natural e lógica d^aquelld suo 
cesso é sóf q^ne a. C^rça sarracena fK-ára mais •diminuta 
Boterritofip h^panhoi; eounca que esta ficajMc^ eomMa* 
do de não se poder ;f(^|ii9ar. em um CjO^rpo de exerciio iMiit 
OU misnoA fotte^ par^^quando mais, não fosse^^ye.iptacltfr 
€or^iosameBt0<ku«teiiiar4 -^. Tudo o^e.4^(é f6^ dnMa 

-• :v-i'." ; ■ -r '.: ..,./, . •■ : ■ '■" .:'..-,:i . " • ;•.'.•■ 

(1) . ÇifruU #tU tS^ «9n)f^t« no o;'if;inaK hespnohpl :. Y f«v Jn^^V^O 
llcvò quatro ínif cliristltfnos dé AiidaTofi«* mui cfieittroft cn' |jit'arni«t. 
( Na Hint. de Portu|r>4 tora. 1.®, paj;. 3b21, rm « nota; onde se rita 
p.lUrte 8."v« cais ^ do;r«ft?riUo ^»rriptt»r.}. — Çopi«m«i«:f heyp«« 
nliol evm os meiínoi erros orthographicoc, com que ve^n Iraifiscript^ 

em:«.l»4»tll-t... ...■ r. r •. .-■ ',•.-... . ■ ., . .: í"r ■ . 

•(2) HUtqira^e U:>DoinÍMl;Mm lU* Aralics €»i Espagpç.ftic^ Tooif 
a.«| pag. 361. — Conde, Parle 3.» cap. 36. 



— !t — 

íJIiiçSo .é mriA tònjéctura merain«ote:gracioati. B pio é 
com .iSooerea ÀijadiBphorn deducgSo iqv^e te aúhteltir áfi»* 

mado 4..>* Para o^ hU toriographo ■■ Por Uigu^t con^gtik õ 
BdU in<mo8fk/edador ÍQt^nito:(Íe querer <]iafer.fi»Ç«9Mo9 uma 
apoucadla idia do^texericilo Mauritano^ oom.quétnvteba,^ 
tet^à D^ Aflbasoiflem ique» no Canlf» de OqriqliB^ tre^ 
duziiid(M>:.á. mteiquiBlia, e «álidVa miniatura- de uma 
gii/efiíliiaij(qual> talvez a do ceIel)rado Cacfiépú%f on-: Rfi* 
fMçliidú) erapreciú) qm a, sua ^rda^jè ce£boácÍMid9..tAr 
piencia^peleogrftpbica deáferroMiasse de«lgiiimaJoj»a d^ 
velhoA e carcoflstdok pergaminhof da media iilade algum 
U«09ttiifipioy otf aútographoiftem f5éco^ nem: pèche^ quô 
apresentaiae^aoftolhos do^ iaoredulo^ 'em oumcfico deâa«« 
lhe, um mappa vôridjeo de todai a fiMiçar- milhar, que 
Tçíthfin >(oú STe^ve^ iromo escreirem 41^ nòliat Giiraijii-* 
i:aft) :dci»^ni pa«a sutlentaculo da Peointula. — «- Eai 
quaoK> o sy^lemalteo^ e tesiuda roingoador.das glória^ 
e br^ifiesiipMriè» -nao apreietolar na areada ditacasfão 
um: lalrouqiiejaifdo documento, e fulcro liiétorico, creia, 
que tudo quáèto aran^elar sobre a matéria, ha die levar 
sem embarp>. «b>t embargos o indelével caVimbo domais 
magro,. e esgaselado idealismo ronHaneseo. ^^ Uma ver» 
dade fundamentalmente estabelecida, ou cousa que pas* 
se como tal, daqualquer naturesa qtie^ella «^ja, nãó só 
mao se desiroe,. mas nem sequer se abala,- ném commo* 
ve do pliútho, em que o assenso dos Jiomens íIlusjLradoe 
a coUocára j quando tSo somente é baitda pelo vaivém 
inepto, e impotente de uma audaciosa iinaginaçSo. £r* 
pieciso .a acção de elementos; pgeilHfos. reaes^ que ope* 
re sobre ou contra ella para a desmoronar. Quero assim 
O não pratica, ignora, ou transgride de caso pensado um 
dos devere» da mais^rigorésa.dialeétiea. • •- '^ -^ 

,^"À^ vista, d^éj^í^jn}!^^^^^^^ 
poderá tolerar «r páiuiMem>f}íi^ vem «m seguida na ain«< 
t^pétrrâika^^hfstoria •dv Pòrimair^i A^ partida destas fòr-' 

» ^fÍ8;,,atíK?ií>ao^^^ jitàsaV^^vlpííAliíàsi 

-» abriu, camin&a ao ioga da ^revolta»» qW lavrava nos 
"' ánlmcto , e excitou ' a- audácia dos Cbristãos, qué fra^ 
y^ ci('i(ii^$teúh^fL poãiíW rareadas fileiras do« 

" lamtunitas^ oWfgados a prevemrem-se coqUa as Jen* 



— 11 — 

» tÀtivis do9 próprios sarracenos de Hespanlta "(l}*^ 
Qiiein''iâa vé qcreiíttlo isto é ctinfaà.do.xme^rno pau! 
Quê» tudb 9&0 suppoBi^^ de igual'>frocta,' « jnez t -^ Qué 
banef^ *<|«e fultífm^faikoricos lei'* ò escríplòi' para asse* 
«ertír^: Que ^eÍ4i:^)irrtH)a ^^aq^ieUnt t4<>pai Aimraiii ékà^ 
guamceidús ai pvaç^nifhUÊulàiams/^^Qiie a^iiudaciaf db« 
Chr^tãoi ftúca r€á$tenáa'pOíb€t^ç€har:hatratéadíàJUá^ 
ras ^das lamiufíítasf N^enhnma. t<èvá;^ nffaitameiíie Hi-*a 
diiÀemos. U^ poitf mais um trote ouigalbpQideifiilgiftda 
ii»ag{«ai28oti.«.-. Que digoT...» E% faillando «etn'^fiMiiii^ 
phoray Àu«n: tTansiòrno. jda verdade !.*.J. Siqi ;" éi um d(l| 
prapirosiescrfptores^ ide que. se flcive/aif atuns vez^ o Aa* 
Itiqr (ki'H(í»toria de>Portugalf 'oomo de {nvorilo bordioí 
ei^'*sea 'fWGda aerpil^a- etagei]a^i>que »iki%ce-dadi>s |Ml- 
tt^os pará^ coivçliilr »~.a9sèrf ões con4jrnflas.i Qtiçarnuá pqii 
o-já^^ÂtÀdcF^CunKJfl, spgmido' a^dacçApfdb M'«)de-Miii^ 
lèst 9 -DcMrante eito t«rotK>{faH& já dactempo ém(<yòê 
l^difm sxiachuTa';em: Africa câom <t%it^ln%hio-exercito)m 
ifhgiveftà cÓDtànuaYa nas -Contei ra». dee^a^ellff e Aíra^ 
9» í-gAivOs ' M útfulmànost^ ainda que 'di vidiqios ehire'- -si 
5i/»pi»r'úit«ressÚ8Me oie«mo ;por algumiia.)>dtííefen^as tiai 
» 'Opiniões oreligtosas^; não: eram peyFTÍs6o iniraíftc^ifneiKH 
19. irreconiiliavRÍs-dosCfarisiaos.* 'NacT^houve toiíavja^^utt* 
n cessoabgôfRimpQrtah té ^«.porque .dn^slid aparte «wOhtàl- 
i> : lâo» estavaoi muicoiipouco de iatiíHigencia^:e twto m 
9» neduKÍu de unfia e Giitra/parte'.a/K:ecfferi^. n;t):«pait léU 
n tmiga^ a ruiiia de algumas»; al^ièas^ %á rtqnrtféa- et^ero* 
sPLiiBada de algumas (itikçaa^^e sobre tudo á dBvasUaçfio 
k 'dos .campos^ q ue as- Retidas - atra vessn^ra-m: recIpt^Ma* 
19 mente ean suas mawhas- (€)• ^^ ii>ést a -positiva eaermir 



l 

^rt$ de 



ft) Hist. de Portiig,;f]^Qtti.:l.VM«^f ?f^4:P*i- 2!t^*"i.'- «j> -'■' 



^ m. , Pefft^n/ çejftt^f^ da^^turrx, cptAinuait f.Hf Uifrçntyrt 
là Càiíltté' et Araçèn: 'I^s jSíusulAímii^''qítòíque (HtUi^ enh*e 



ehrétien^ .11 rCy eut vourtani aàteune agair.e únpfrjtqnff* '4>twef ftpr 
déUU^eM Iktekrifíént ttirieni fofk' pcú-^tiffteÓtgfneei "iti^úiri se 
f^ékiièiií' de part ét dl'kiíutré^"'â dèi Còui^-hes dant-^iê^pBfyÉ rt tw tfãé i ^ 'ã 
Í9. nume, «£e gúelfutá MUm^et^^^à ^^prise tt Á^lm Kfp^'^. ^fcx^ y^wr 
places et $w' toul ^ /adpvojtatwfi/kei canufo^n^Sy^jue. iéi fHÊrtútr^ 
' — '-''^* "t^cfpràquemtnt daw lètirs itmrc^ei. .('HiitoTéé ãeU JDomi* 
)^rubff ètc; Tom. ;2:Vp«S- ^1 «i^^}- ' '•-'^ -m 



Persate^ rc 
D^tioD de» 



— 4S — 

de coniprelie^e^aq^^tà pavie 'doí fiÀ^o (1^11*%' 1<iifMféA 

úb ymeêm<s^'€Joíulc'^ 'úv€^4^'ip^P^ dâ 'i^iMliriuitâ! paru 
jtfarròce». «^ BHli poist nriiíitierliiièfitè' d<^mtfntH'.;i« 4iá^rat't^ 
vb «kOiiiistoríadòr' Pertug)ii^. '^*'Na'ver(fadtí^<)ic5(>(iio''ft^ 

qUe^ítfrgotido^ o M«roriiidor.«IVirnJi^4](iSi: ficaram «%^)^^ 
tnutuhiMnatf ctètnú corb táfrnodi^teásêendítÈ), 'qiié>otChS^ 
íâwg^jjodiamaaohar naM^^rurtadaé iflláf^m^^$ 4kinPít^ãwl 
oopioriDe o JTifeMt>oU(iAibèm:oo6í'Unpin^ sâa^iiaiVsf» 

xUul "X oppo^rjgS^y é ^vidéfltB^ eirrjeoecfêitiuvdl. •»• -^ < 
• > ^tRorétn «âa é Káeèiua refreign^uêúh^ sipiis^íh 6 
Amhor áa'fííidméa é»domíhaçãa'doi'^abei( d(for'j^t^ 
ros vmélewpanhaíiíf^Hngni. -Tf^^crevanids^ ainda- aiaUí 
•ft<>'>in^eTaâo^'>Af%in!iuvuti'tiii (eito ^i^pai^cúo^ ^é#'pfjif^ 
««'^«fpcs^òiileGteradca'} ctru^fUitoral qu^^^Ue foltaft^/Còn'» 
n fitai iG9èMúwnB Qf TVND^às,^ i]ti«va m<»ce«9Ídiad0''O'-|ltth& 
» obrigado a eíià)>r«gar. H»olra*toi !Chrkl8ifH;w'>>fit>i»^^eie 
frrnarcbimtropR«l da-bamia d*ll«nIújaii^e«dtt'Jai}fr^'; po- 
^'«Témf.iiihflídfis ^<]â^dB'VÍddéb<tendo^be ^tafoiarad^do^ ^^^ 
#7. ko!dtir.0iBiF(DÍto^ ei|iiiMáãof'ie <iii)adnlquívirj foi if^aVol^ 
#31 wiubKper forças *sàp0rííar0fiy^> lotalmenCéitMtrtriâáv -^ 
«'«'Oi ItDpcrasdor^i:de»Éfiiimado/ písf 'eaet/á^^d^ 
f». par» Toledo>;:jS)i!ndo..mi0hnO' obrígttdor aci^ai|diánàiMO 
«imaicoi-fits-iSaria^iqiie Az#iifií!»ii^lci»tàrl>par ^Uxftt^ViffrA 
^ .dmsèò:;iier*'ràat t4iof>iis\/.V'(^l)v:^i^ ^víilíft 

destes a€ootéclfnéntds\/{qpiie p€írteÁcemi a^MOitiò itot|]i9^ 
qoe < se «jitrei^ 4t escre^vr^ e • offereffer«staiiipadt> «o(! Whoi 
ííi-n [•-:..::. .L dà::.*^ .ur -l vn:. !!•;•'>; íwí.:?.! .Í-íu^líP ^^%^^' 

(1) IJ*emperenr Alphonte avtrit/ait la paix avee les prinees con^ 

ftderès^ il etait naturti qu*ii iournâi contre les Maures le» armes 

fue. A» née^sUéi^a^vitetiiáírttMt ^^^élop^i^'*tfèMr9'Ui^hreÉêtHs. 

9»vhi€mU!í^iiaiÊé^ tép0^^^mt'^0t^^p4^^tt>^jénrpÁàéÍè ««Utfw 

mera f^lèitiriÍJM'méWié4òJt^4Pmii^i^ 

/j^isftit/aiiXiJ^r. éUé ^hO^ dtítiHofi^^iê-líeállrm^s? t(^mM>|re^^4« 
J^vmioalion des Árabes ctc. Tom. 2,**, p»g. 562). •.'•' ■* ' ' 



de todo ornando^ que pulâ pãriida de Tachjin -para M«r« 
focas. ith&i^vn deiguorneàdat. a$ praga» muiulmanoãi^^ 
qjQe aérarcadaifilártíB do$ lamiunita$ appottiweni fr€ware* 
ikUencia á audQcia dos ChruiãotT Quem, a despeito do 
clftBior hittorico, sioiilbaote ardimeato commetttBr^ tu 
oSo obtiver a imiulgente escusa de cras«o ignoraote^ 
mal podefé escapai da CrUrajante nota de hUtoriador de 
má fá com. intuito de despreciar, de aviltar os beroi»^ 
mos pai rios ! — NSo sao porém s^ este« os artigos de 
cootçsiftçâo contra o metííOfteatmdor dàf maraVllhraftiiio* 
Dumentaes do paix. Ainda temos mars pecufio de ebK 
mentos de poiitiva contrariedacte. £* o que vamoi a 
trasladar do mesmo eiiado evcripCor : » No anoo legirio' 
» te |lld9{ an>no da Batalha de Ourique) foi (o impe^ 
» rador O. Attowo ) atacar Oreja^ etffa gpSMrhíffãOf fOt 
n ittQt frcguenteê âacnriôetj imuítata a» vmnfrnngaê dá 
» Toledo.;, e depois de tím bloqueio aisás longo se atie* 
s9 nlioreou delia. -^ Diz-ie que durante e^te cerco of 
» Waãs de Sevilha^ de Cordoha e de f^aknça^ tendo tô» 
»\ unido 9ua$ fúrça» e querendo opcrúr umà %$til dvúerêâa^ 
9 eahyam tobre afortaleia dCJí%éca^ aonde se achaira 
«Berengaria^mulher do Imperador (i). 

Quafito esta narrativa nSo está perfeitamente eav 
desaccòrdo com as fantasiadas iltações, que dera -como 
resultados reaes o.Autbor da Historia de Portugal! Io** 
dispuiavelmente mostra a sua insubsistência. -»-. Na -vef( 
dade como sèp^e asseverar com absoluta generaHdade^ 
que â4pr(if lis munUmana» jUaratri dtíguamedda». pe\u 
ausência de Tach^n^ quando a historia mánifestamvnte 
affirma que a guarmfáa de Oreja eom frtqnenieB «atear» 
tíkài\n»uUaúa as fÃsinhanças de Toledo! *--* Coma te^p^ 
de affirmar que os iamiuniíâs /irnsa^m asfiielraà'H»rea^ 
daSf quando historicamente se sabe (além do mais) que 



(1) L'^année námanU^ U ai(a imvestir Oréfa^ doma imjfmr^dãOÊtf 

2rêê «n òioeut atiã» lofUf% U »*en rtnêU mature. «—^ Ol» êitfÊÊèm jMav 
Ml cc st#^e, iwãrnatis de SepWe^ dt Cordame H dê Fàienátú^. eyanf 
rnmK UurtfvrM d » 9 uim ni opérer ufu utik di»9rnim^ f» fkorimwâ 
ffwr h/writreue d^jivtemn «ti $e trouvait JBértnfêre^ fntmm d€ Pem* 
peréUfT^ { HiilDiíe áp ia Demioation det Arabet cie. Tpm. a.^ pMr. 



— 19 — 

clloa nSo. aó suslentftrom o títsás, longa xercer 
inat^dttraDlè. este > reuniram fotí^at ipatflj «lablir 
Quem, faz cotf^tàhy dwMtàgôcSf-laiaqut^.tíiMiniidcm^rffíh 
guenUãj .e pela fãm» •qué. a :hÍ8tofía')ttssá»>fMliedií|^«0'*b 
reJata^.pobaemduTÍila que ealáimoito lang« JeHmecé» 
cer aqoella falaa pinUM:a do;páífi^el de airophia, 'qvià o 
historiador píutuguez Unaginárov'^ ^ > < .••^' .' ' 

Ainda mais: .Q bísloriadér porttiguea íaroiBOii eii| 
seu apoio a authoridade. de Conde j e que irtimefida es« 
toftegadéla' dão ferrou elle nro qué dbsí^ra opbiétòri^ido? 
bctpaotM^? fitcreireulesle quc-"*^ «a ítôr da cavaUaría 
» dos Almiaravidet que fCach fia Je vara ;eiii sua. compai' 
9 jbbia parada Aííicéj fit^ahoicmól falia tOL^Hesf^anha 
V para fiéudir:-4s<révohaè «e pertttébaçõé»^ que pela «ua 
». attse«M:iafrir|isé'éxctiarafni9{2). Acaso dileádi^ 'Con^ 
db a notável faUa^ique-fi^eta oa Hespa^Mli: áquelia irò^ 
p«9 q^eTachfint^IÓTára, comsígo, do oiefisio mbdoy eína 
mesma accepçâo^ em qiie a eoteodearo^e^cripl^oFpôrtu'-* 
guezi Ningnem.Jádiáis o pcklerá íestiAoaii. -Bsía^èiHitra^ 
riò ó,histQiiador òtl compilador ^e^ftaaboly assuma tiil . 
iateUigèacía oQocebes|e,:se?ia desmèiiltidQc^p«tc»s>profM'tot 
factos^ que ellef^efiiiraFÍos logar^s, ou Mt^de MfiiJè» pot 
elle, *cò8ioJá vimo9:(S), fefeté. 0|»r<^rio Gmckyie pe» 
lo.^meaps x^ seu para^sefedor^ é pois qdem fáá' ?ei>jqtfe 
o hbioriaíilor . .porioguez torcera cbni-iiicompati^^fc- vib» 
leocia as suas palavras i/ u; . .-.■ if ;- ^ .; ') ^. ■ » 
..L'.. .Poréiú aioda quando •còníaqiiella:nolcfoe<;/<3fia;for^ 
onalmenta, se ' provasse '{o^xfUf^ já 'âça oòntesiadoy a Uak 
queca^dai fot^ lamltiãitaáinoWriioriaandaluzv d^iiii 
não se jxKlertaliraF-arguiiiOftio pardUèlo^ que <em: rigor 
colhesse^ par» se Aiér v«r o aumero dlmioulo de tropki^ 

' (i)' Th*6 (élFéÍBCÍpelá Africa IléVÁ^cíçífèn WcompâníátklíQr '^ 
la eiHbatleriá ãjâ íéà alftidrsirifles, qtie hf »> notatíe^jfútta fiarii Im re» 
irueltas y turbaciones que en Espana le tuscitaron en lu ausência : 
j assi misroo llev6 coatro mil mancebos Christianos de Andalu- 
cia mny diestros ett lai^ jirma|.^llisC09Í9. 4ei U UfminaM^mi <i« loa 

d9 <Mrd)<^iipliÍ»),em a n^t^.iU HUla<ia r <ir JP«li(«i8fi>lt. i^m», IA ^ 
^(^ ,{faf^paMa(eaAqp%^c«m t«iMi^rÂp|M4^jPbr4h>: i&ifríi-ef^^ 



— 16 — 

tnusulmanat^ <)ue compunha o excjrcito ioimigo ema 
Btt talha dd Campo da Ouírique. Era precuodeicer; a 
oulroft. arg«imenrtoft maíft positivos e directo» que aatát.tf 
demonttràtfteaitf Nâa ba poróm um.FÓ^ aiite^ o.eomra» 
rios «-* Vamos t)roftegoihdo dik indecIrQaYel derfQdta:qiie 
o leva a evidenciar. Nella chamaremos^ como sempre, 
conjuDiamente ao Areophp^o da analjse as mesaiisslmat 
palavras do anti-mieional bistorJador. ; / 

Todavia antes de eotrarmos nesta* tatefo substaiH 
ciai, é forçoso que deitemos primeiro a luneta' crtcioa 
sobre cerios.combros e corcóvas: hístorioas, que fiqaiM 
nas aoeas, retaguarda ou recosto da esplanada. ' 

» A entrada (diz o Historiador ))drtuguez q'o fim 
I»' do uma nota) de.AfTonso VIL até OiGtiadalqutvir, e 
». a divisão do seu. exercito em partidas provam, além 
li d^lfiiby claraÉK^nte a ausência* de Tacbfin e da cavi^ 
» lari^ almoravide (1). s» Este período vem Ioga. em 
ooufirmaçao dt*pois do aiinotodor ter declarado que a 
Gbrooica do Imperador Aflbnso VII pu«era a^par^àA^ 
cie 2licA/!is(,pa/a Marrocos) em 1138; masque elle A« 
rara -a-dií&fíie 11^7 (que com preferencia adopta oa 
historia ) ãa rdá^ão d^ Conde. «^ Que successos sio es^ 
«es, -que firóvatift clarankente que ú anscnáa ãc Tachfiá e 
da €QiwiUaf^a ahnoratide acúniecera em 1137, que* ne- 
obuoi historiador aioda caracterizou' com tal força,* sem 
poder? Como é que essas provas «iciras ; e da oatúresa 
d^aquellosque convencem pelo^eíTeitos oú resultados ; nlo 
fizeram mudar de opcníaoy oao digo já ao author-mi 
aúthores da Cbronica de ^D. Affonso Vil, mlis -ifea 
ainda, ao insigne Historiador João /de Ferreras, que sim 
p8e a mencionada ausência em IL38, e apenas- que o 
Imperador O. Affonso levantou o cerco de Coria (t)? 
Se as provas indicadas pelo escri pior portugqez tivessem 
a clareza^ qiie elle lhes buppSe, por certo qUe Fèrceras 

.. '. .■ ' ..'■.;■ .:.• > ■ ■• • ^. ■■ • ■ • • ■. . . ■ . 

'fl) HUl. de Pért. Tiimv Íí^íIÂw. 9.^^ p«g.'3n. , 
' fí) Ou n*é\ii |>Mlevé lè.ftiéfie áe Cof-is, 'i^úè lé RuIl^lixeSa eiá« 
mèiia à Mároc tout lés iontt^tielifl Mflttsrsbeft de tes DomàÍDet «a 'Br 
pÉisBe,- pour te teNi#'dVúx dam tá sfaérre qo*i1 '#roit Urec iet Ah 
mohadet, à caui« de t^ezpérience que Ton avoít de leur velear* 
(t|{<tol»e'6èoenite il^lb|Mziie« traduite de r.Bipapiol de 0eea de 
Fcrrerat etc. par Mr. d^Kermillj^V tOiA. ^•% W- ^^)- ' 






--17 — 

fiSo leria n menor duvid/i de pôr a partida de Tachrm 
cm 1137. Sé o não fez, de crer é que sua crílica pers- 
Ipicaz tal clareza não achasse. 

Deixando porém de recorrer a Aulhores, os quaes^ 
|iola díver&a opinião qUe seguem, assas mostram que a 
ósserção do Kscriptor portuguez não tem inabalável fun« 
(lamento; perguQÍarei outrosim porque ha de a entrada 
de /^ffonso f^lt áté o Guadaiquivir^ e a divisão do seu 
txcrcMo ertiparihdasj provar claramente aausenáa deTach* 
jin e da capullnrta dos Almoravidesf Por certo que ©his- 
toriador vnsimvmo não ha de poder apontar um só do- 
cumento histórico, «.que prove que as manobras ou ope« 
f-ações do exercito de AfTonso VII, fossem o resultado da 
partida deTachfiâ para Marrocos!... E não se podendo 
provar a necessidade deste resultado como proveniente 
d^aqUella causa; porque se ha de privar a Aflbnso VII 
do poder de operar com o seu exercito por aquella fór« 
ma, mesmo estando o Tachfin ainda em Hespanha? 
Tanto esta hypothese é não só factivel, mas até prová- 
vel (e dihíi mesmo preferível), que Ferreras, dando á 
partida de Tachfin depois do cerco de Coria (l), visível* 
mente reconhece queelle se achava em Hespaníia, quan» 
do teve logar aquella entrada e dwhâo do exercito de 
D. AfTonso. -^ Por tanto as operações militares deste 
Imperador só poderiam ter, quando muito, por causal 
conjecluravel a ausência de Tachfin e da cavaUaria aU^ 
moravidej se se podesse jxresumir pòr alguma forma da 
respectii^a historia que o Monarcha Hespanhol estivera 
á espera da retirada do seu adversário, para levar a ef- 
feito o seu plano hostil contra os Mouros. A historia 
porém só nos oReréce positivos dados para asseverar que 
o Imperador só esperava fazer a paz com os Principes 
Christãos, que contra elle se tinham confederado, para 
logo pôr em acção as referidas manobras contra 6s Mu* 
sulmanos; o que teve logar já noanrío de 1138 (S). D*a« 
qui se conclue sem custo, que,' além de ser falsa, como já 
se fez ver, a decantada fraqueza da força dos lamturiiA 



(1) Veja-sc II paMJijçeiii de Ferreras já citada a pag;. ]€, nota. . 

(2) Marlés. tom. 2.0fIUt. de la DoiniaatioD det Aral>es<^tr. pa^. 
d62. «-^ Ksta authoridade vem por loteara a paginas H desta P»rte. 



— 18 — 

tas; igualmente é fruslrada emprcza o prrtcndiifr es 

belecer sem questão, e como cousa corrente, a de«ígi 

çâo do anno, em que se verificou a ausência de Ta< 

fiii com as iropas que o acompanharam ; que se fanta 

como caus£i influente J^iqut^iias operações. -—> B^ m 

um motivo que faz caducar o insustentável e inaud 

pretexto, que o Aulhor da Historia de Portugal sonh 

para depreciar o grande e maravilhoso Feito de va 

dos nossos maiores, conio tal sempre havido e avalia 

nos Annaes das NBÇoes!...» Passemos agora ao texto 

historia: y> Neste estado de cousas, Atlonso VII, fei 

9; a paz com o infante de Portugal, preparou-se pa 

99 invadit o território n^usulmano (l). 99 -~* Que esta 

de cousas é esse? Nao é aquelleque o Historiador pt 

tugue2 concebeu em sua lâo produclrlz fantasia? E\ 

Q desmentimos porém com as passagens transcrípia? 

JHiitona da Dominação d<>5 4rabc^na fJespanha ele. ( Pa 

13, 13, 14, nas notas). Desmentil-o-^hiamos tambctn, 

fosse necessário, com o testemunho de Fcrreras. — K q 

divjerso quadro nos apresenta este escriptor hes))atili 

quando nos dá a paz celebrada entre os dois contendore 

Lobrigam->e acaço alguns* pertos ou longes de /raça r 

8ufeT(icia nas fileiras dos lamluniias^ que \hv.s grangêc 

alcuriha de rareadas? Tudo ao contrario. A incursi 

dos JVl abometanos nas terras de Portugal^ e não o s< 

estado de decadência, fora até a causal que moveu e 

pecialmente a D. AíTonso Henrique a arranjar a p: 

com o Imperador. (2). — De accordo com estas, vcrid 

casc idéas históricas, eem opposição á falsidade coro q\ 

q historiador porluguez, para deprimir o graqdioso fe 

to de Ourique, pretende de antemão representar ei 

potável abatimento as forças do poder fnauritpno; V 

mo^ igualmeate um affamado escriptor de nossos dia 

que menciona entre as causas, que decidiram a D. A 

fonso yil o ajustar e concluir uma Iregoa com o Infai 

ie P.opftugue%9 os tncursôe$^ e o progresso dos Sarracem 

nas frorUtiras meridtonaes de Casiella c Leão. O escript< 



(1) Úi&tur. de Purt.u^. tono. 1.^ pag. 321. 
' (2J tiUt. Geucr. d^l£sp»gne. Tom. 3.^ |>8|;, 402, 



— 19 — 

a que nos referimos é o Doutor Henrique Scheffer (1). 
trelas ciladas expressões se vê claramente qufio diverso 
era o atado de cousas^ em que se achavam os Mouros^ 
d^aquelle com que nos quer emballar, ou embair o his- 
toriador português ! -»-• A defem do zeu pait, em que 
por occasiSo da tregoa ne occupou D. Affonao Henriques 
contra os Sarracenos, é tamfoem outra prova manífestís- 
sima contra & fantasia doexcentrico historiador (S). O es- 
tado de enfraquecimento, em que elle representa as for- 
ças Mauritanas, nao condiz por certo com a tal defeza 
preventiva ! -«- Preparoti^se para invadir o território mu** 
$utinano,-^ Se se entende^ conforme tòa, de um modo 
relativo, e na mera Iiypotbese d^o Imperador D. Affon- 
so não andar em guerra com os Mouros durante a des- 
avença com o Infante de Portugal; esta intelligencia 
é insustentável. Temos de facto terminante prova. *— ^ 
Foi pois no mesmo anno, e pouco mais ou menos pelo 
mesmo tempo, em que o Infante,, ou Principe de Por* 
tugal estava em campanha, á testa de suas tropas, para 
fazer frente ao Imperador, (e quem, que fôr lido nas 
historias do reino visinho, o não satief) que tivera logar 
a devastadora e mortífera irrupção ou invasão do Con- 
de D. Rodrigo Fernández, governador de Toledo nas 
terras dos Mahometanos, que se estendeu até Serpa; 
aonde elles lhe fizeram opposíçSo (repare-se bem) com 
numerosas tropas (3). — Se porém, como tem ioda a 

(1) Na itua HUlorÍM de. Porliígal, pag. 76. — Citeinot por in- 
tegra o paragrafo tegoinle dá tradur<;So portugoeia , que* ó a qúé 
temos á mào: » Entretanto, as invasZes^ e o progresso dos SarrO' 
99 cenos nut fronteiras meridionaes de Castella e JLeão^ e os proje« 
99 rtos que SC meditam e preparam em Aragão reclamavam da par- 
99 te de I). Alplionso Ra^mòiidef a mais circumspecta atten4;3o: eU 
99 le, para bem artidir oudé sua presencia era mais altamente refda- 
99 mada, e porque nenhumas vantagens lhe resultavam da continua* 
n <;So dii gfnerra com' Portugal, le decide a ajustar e concluir uma 
99 tre^oa com o Infante Purtugnei. D. Alfonso Henriques »oube 
99 betn aproveitar esta suspensão para ir logo occupar^se da defeza 
99 do seu paiz sobre um outro, ponto. 99 

(2) Vej. a passagem transcVipta em a nota precedente, no ultimo pe» 
riodo.— Léa-stf também a pag. 77 da citada HistoriadoDr. âtcAir^er. 

(S) Pendant que' le Prinre de Portugal étoit en Campagne á la 
téle de ses Troupes, pour faire face á TRmpereur Don Alfonte etc* 
A prés dans ce méme tems, le Comte Don Kodeiicf Férnandei, gou* 
leraeur de Toléde, At une irruplion sor les Terres dei Maliomé- 

2 * 



— 20 — 

probabilidade, usou do termo preparou- $c com intuilo 
tamsómenle de querer indicar o muis decidido e omni* 
modo aprestiimento da parte do Imperador para exclu** 
sivamente invadir oíei^rilorio mnsiUmano ; lemos cahido 
e ff*%tatalado o hisloríograplio na mais flagrante contra- 
dicçâo! Como poderá na verdade elle combinar a idéa 
do preparo para a invasão da parle do Monarcha hespa- 
nhol, tomada em a sua mais provável e positiva Rece- 
pção, com a /raça resutenáaj que a audácia dos (fhr%$^ 
iãoH podia achar na» rareadas fileiras dos lamtunUas{l)l 
Prcparar-se para combater fileiras de Mouros rareadas 
DO tom e alturas, em que aiv representa o Historiador 
porlugucz ; é mais próprio de um D. Quicl>ote, que de 
um iVIonarcha, que peia sua bravura merecera a aoto- 
Domasia de Batalhador l.,. Os Crilicos hespanhoes, por 
certo que, maravilhados do falso e revoltante cheque da<« 
do pelo escriptor porluguez na gloria de um dos eeut 
mais conspicuos Monarchas guerrein>s, mal poderão dei* 
xxàf de nelle reconhecer mais um elemento campanudo- 
para elevar ao galarim a sua Historial.. . Continuemo» 
porém ainda a transcrever e u analyzar : 

99 posto que orei de Navarra continuasse a susten* 
» tar a guerra contra o monarcha leonez, este fasla-a 
99 alli pelos seus capitães, e livre das inquietações que 
99 Ibe davam osportu<;;ue7es |>elo lado da Galiiza, avan- 
99 Qou na primavera de 11.13 até ás margens do Gua- 
99 dalquivir {^), 99 — E' por ventura verdade que o Rò 
de Navarra continuasse ainda a sustentar a guerra €:(m- 
tra Q lãortarcha lôone% (D* ÂíFonso VII) quando eêlc- 



tans avec lei Troupes dcs Frontiércs» Suírani le court de Ia Gua» 
cjiiine, il tHccaf^ea et détruisit toiítcs let Placei qu^ít truuva fuv ia 
uiarcKe, et il enleva, beaucoiip depersonnei et de tieitiatix. 11 pé» 
nctra aicisi jtisqu^à Serpa, ou íes A]cajdei Mahotnétaiii se pretaol«* 
rent á tui avec de noinbreii»es Troupes. Q,uoi,qu^inférieur en noa* 
l»re, 11 lei atlendit de pied ferine,' leur livra bataille, les.tailla en 
piéces, et retonriia n TolcJe avec vou Armée victorieaie et. enricliia 
des depouitles des KuiuMnii. — * Assim Ferreras, referindo le á Chro* 
Dica do Imperador U. AfTon^o. .( Híitoire Geuerale d^fispagne, tom* 
3.® pag. 403 e 404). -» O» sacccsios referidos tiveram lugar no anuo 
de 1157. . - 

(1) Historia de Portugal, tom. 1.^ pa;;. 32U 

(2) Hist. de Portng. loim 1.^ pag. 321. 



— 21 — 

fivre das inquietações, que lhe davam os j)orlíigíU%€s pelo 
lado da G alivia^ avançov» na primavera cíe 1138 aU ài 
margens do Guadalquivir t E^onles de crer que soja fal- 
so! Abro a Historia Geral cTHespanha de João de Fer* 
reras ; e no ultimo período do paragrafo, em que men- 
ciona o que parece lerem feito os generaes enviados pe* 
lo Imperador D. Affonso á fronteira de Navarra, acho 
já realizada, conforme crê o historiador, a reconciliação; 
dos dois contendores, figurando alH já esta reconcilia- 
ção como derradeiro acontecimento do anno de 1137. 
Kis-aqui as suas palavras; 99 Au reste a juger par la 
99 suite do i*Histoire, íi y a tout lieu de croire quMl se 
j» fil quelque orrangement entre Flímpereur et le Hoi 
» Don Garcíe (1). » Ainda é mais terminante, e posi- 
tiva a paRsagerii de Mr. de Marlès. Kste sem hesitação 
affirma ter o Imperador D. AíVonso feito já a paz com 
03 príncipes contra eile confederados, quando tivera lo- 
gar a tal avançada, ou invasão até ás margens do Gua- 
dalquivir ou além d'ellas : » LVmpereur Alphonse avait 
» fait la paix avec \v% princes conféderés; ii élait natu- 
99 rei qu^il tournât contrc les M aures les armes que la 
5? necessite Tavail conlraint d^employer contre les chré- 
» tiens. » (S) Este historiador colloca já este aconleci- 
mettto no anno de 1138. — Agora perguntarei ao hábil 
e impagável transtornndor da Historia dos dois paizes 
em que documento, ou monumento histórico encontrou 
eile, que a mencionada avançada até ao Guadalquivir 
se indicasse, vagamente fullando, ser na primavera^ Creio 
que foi algum ensejo de calculo romântico, que Iheaco- 
diu e deu movimento aos bicos da pfnna !... Se eile 
pensa porém que para innovar a frase, ou arrebicar o 
periodo seja licito inserir, como por ensanrlin, no corpo 
da historia alguma variedade de circum*iuncia de tem- 
po, ou de logar, de cunho, nSo digo já falso, mas ainda 
mesmo de caracter meramente de iliaçâo (nâo obstan- 
te a expressão ou narrativa dos documentos, ed^aquelles 
que primeiro os deviam ter esquadrinhado) com todo o 



(1) Tom. 3.0 pap, 405. 

(2) Histoire de la Domiualion des Arabesbtc, toni.:?.^ pflg.362. 
• Veja se a uota que vem a pag. 13, 



— 22 — 

apparalo clouçanía de verdadeira ; persuada-sc que pr< 
fundamente desconhece a natureza do terreno, que bl 
sona cultivar ! A mencionada expedição, segundo a Chr< 
nica de D. Affonso Vil, teve logar no mez de Mai< 
Acaso julga o historiador Portuguez que seria tâo c 
mais exactOy escrevendo indetermit)adamente que fôi 
na primavera f Ninguém lai pódc, nem deve dizer. — < 
historiador nao só falta á verdade quando escreve o qi: 
dSo é; mas também quando generaliza, ou mais o 
menos restringe aquillo que os documentos expressi 
mente asseveram! (V. Chron. Adef. L. S. n.^ 60). 

9f Deste ponto, » continua a flhtorta^ n divíclín(i 
9» o exercito em corpos volantes, mandou'>os a devastj 
» e saquear os districtos de Jaen, Baeza, Ubeda e Ai 
y> dujar, queimando os logares abertos, e destruindo ( 
fy campos e arvoredos (1). » Quero precisamente diss< 
ou por onde constou ao Escriptor portuguez que o Ifi 
perador D. Aífonso VII escolhesse para ponio milit; 
donde mandara o seu exercito saquear as terras, acab 
das de mencionar, as unargcnt do Guadalquivir? Ei 
que Mappa, em que detalhe, em quts roteiro milít] 
encontrou elle designado uma similhante localidade pi 
ra um tal fim? £m que pergaminho achou garabulhaii 
em fim o fundamento em que se estribou, e fez solenM 
fincapé para, desciencia certa, vir a lume com atai de 
coberta estrategico-topogrnphica ? Será por ventura a 
guma versão textual e litteral de algum nunca visto d 
ploma? Ou apenas mera iHação, ou ampliação histor 
ca, por não dizer romântica? — Pos historiadores hespi 
nhoes ha quem tamsómenie nos refira que o Imperado 
formando um numeroso exercito das tropas, que pôc 
reunir do reino de Leão, e Castella, marchara para Ai 
daluzia, afim de empregar suas armas contra os inim 
gos do nome Christâo (9). Será o mesmo poréai ma 
char para a Andaluzia que marchar para as margens c 
Guadalquivir? Será por ventura synonimo, e identii 
o tomar as margens do rio pelo nome indistinctamen 



(1) Hiit. de Portug. tom. l.o pa|;. 321 e 322. 

(2) Ferrerat, Hist. €i«ner, d^Espagne, tooit 3.* pag. 406« 



— 23 — 

da província, que elle banha, ou divide? Nunca* Â par- 
te nâo pode, por figura, aqui (nem em qualquer nairatí-^ 
va histórica) substituir o todo! — Não indicou porém o 
citado Historiador da nação visínha tal ou equivalente 
ponto na Andaluzia, donde o Imperador fez marchar o 
«eu exercito para o referido eífeito. E* esta uma verda- 
de que não tem oppo9Íção. Unicamente noticiara que a 
pilhagem nas quatro terras nomeadas se realizara, tendo 
chegado ou entrado o exercito imperial em Andaluzia 
(J). E chegar ou entrar em Andaluzia será logo chegar, 
ou entrar nas margens do Guadalquivir? Nâo creio qué 
haja alguém tão bnldo em cooiíeci mentos geographicos, 
que admitta a inépcia da affirmativa ! Todo o mundo 
pnbe que ha muitos pontos na Andaluzia assas disttmtes 
das margens do Guadalquivir* Um delles éaquelle que 
visínha com o Porto de JVIuradal (S), por onde se pre- 
sume até ter entrado na Andaluzia o exercito do Impe- 
rador (3). Por tanto se é certo que o exercito do Impe- 
rador começara as hostilidades contra os Mouros logo 
que entrara em Andaluzia, e este ponto da tal entrada 
pudera ficar distante das margens doGuadalquivir ; por- 
que se ha de admittir, sem fundamento algum provável^ 
que o ponto de partida para asoperaç^es d^aquelle exer- 
cito só se realizara depois da sua avançada até ás mar* 
<^ens do mencionado rio? Entenderá o historiador por- 
(tiguez que os ^uiHclos das terras invadidas são a mes- 
míssima cousa, que as margens doGuadalquivir? Quan- 
do elle podesse formal, e rigorosamente sustentar a sy- 
njnimia, ou identidade territorial, nunca poderia fazer 
^er que os taes distncios eram pontos de partida donde 
e nâo para onde^ como manifesta a historia (4)| o exer- 



(1) Felreras, , no lojrflr citado em a nota prcferleirt^, 

(2) Muradal ò ti Piterto de MuradaU transito y f^asta^e de ias 
tnontanaà de Sierra Morena^ por donde se entra ile Castilia ia Nue» 
vá en Andàlucia^ azia las fronterat de Portugal. -7 Ac^ ántigubs 
ilttmavan á esse pmrage Satíus Castulonensis^ por estar hnmtdtato a 
mia ciudad antigua fúe dician Castvion^ que oy es una aldea^ lia» 
moda Casfona, {Moreri^ trailurqao he«panhola). 

(3) Ferrcras, 110 logar já indicado etr. 

(4) Poremos agora por extenso o texto da Historia de Ferre- 
ras, qoe abrange as três ultimas rilaçdes « qoe delia fixemos: 
99 J/empereur, quí ne souhaituit rien taut que dVmpluier ^ei Ar- ' 



— 24 — 

cito do Imperador devia ser mandado fazer hoâlilidades. 
— O Aulhor portuguez porlnnlo, que aliás reconh(H*«*u 
em sua historia, com a opinião recebida, u termo defi- 
nitivo do movimento do exereito (no que mo^itra nSo 
constituir em um só e mesmo local a simu1t<>niedade 
dos dois pontos); para que se havia de (\diantar em ín^ 
digitar o tal ponto de partida, que a historia deixou fit 
car no barathro do silencio? Em uma historia, que tan'! 
to se preza de vergar debaixo do pezo de Inmino^^dtH 
cnmentosf é um labéo n|io pouco reyohaate o saraiian^ 
dear fora do âmbito prescripto delle!» ! -* Ei^-aqui as rer 
flexões, ou objecções, que^algum Crítico mes^no loler^in^^ 
te, queconfroptar a narrativa bistprica do Ksçriplor por«i 
tuguez com a do historiador hei&panbol sobre o ponto em 
questão, poderá sem muita difficuld^de fazer figurar dq 
campo da censura. 

A taes, ou equivalentes rep^iifos mais e merioa eat 
Aleirados para guerrear o designado ponto de pnrtida\ 
que responderá o seu primeiro historiador, qtio o dérii 
á luz? K^ bem de ver qual de\a ser oçaruartello dcqu0 



% _ 

99 met.covire Ics Rixneinis du IVo.in ClirétíeM* orcfonna au Comlfi 
9' Don Rodcric Feriiandei, AlcMyde de Toléde' et »ii Cointe l$«» 
»« Koderrc Martíiiet* qtii avoit le gouveruenient de Léon, de pré» 
>* parer tontc* Icitrs Traupe». II se rendil ensuite ea periniine «vec 
» celies de CaiitUl^i ^ l^eon, oii le Coi^te Uan |toi(erk M^rlioe^ 
n arríva aussi peii de teins aprés aver Irs siennes. Aíant ariisí fvirmé 
»i une Armée nombrense, il marrha vers rAndalt>ns'e ; el y étant 
» entre, a ce qiii paruit, par le l*ort de Muradal. il condineiiça k 
n noettre au pillage le^ envU<>V* d^Aixdujar, de Byeza., d^Ubeda t\ 
*» Jaen, dans le^quels il mit aux ícrs beancoup d^lufidéllet, enle- 
n va toute sorte de bestíaax, et íit une rírhe bnlin. Vn Cerp« ile 
n Troupes £»tremaduroises »^étaut détarhé de TArmée, sant l« per- 
99 mission de FEinpereur, passa la Riviére, el íit une prise cootide- 
y» rabie; maiix «nrprit par la nuit, il fut oblif^é de rester de Tautre 
99 cóté de la Riviére, en «tleudant le jpur* Vert le oiUieu de ia 
99 Duit, W i^éleva une furieuse tempele, et il plut tant, que la Bi« 
99 viére étant gross^e considerablement, le l^ndeinain matin elle ne 
99 te trouva plut guéable. |^e« Miiboinétant avertis de Pembarras ou 
99 étoíent let Cbrélient, te dispo»erept 4 let attaquer «ar les neef 
99 heurs du matin. En vain les Kttréunadurois demaaderent du «e* 
*« court à Pfêmpereur et â tes Généraux, ilt n^eurent d^autre ré- 
»* ponse, sinon qu^il étoit impossible de lenr en douner, d cante de 
99 la rrue det eaux de la Riviére. Ainsi ils furent toat égorgét par 
*9 lei lufidéllet á la vu de PArmée de TEmpereur etc. (Hist. Ge* 
ner* etc. tom. X^ pa(. 406 e 407). 



— 25 — 

haja de lançar mSo pnra desboroar o t<ibique ou taípul 
contra elle levantado. Deice át cntaciimbas dós cabou* 
cos paleographicos, e que fará elle d^ahi desembestar, 
que nâo seja já, e ha muilo, do domínio de |oda agen* 
te? G*com o velho, e crespo pergaminho daChronica de 
D. Affonso VII com que elle se me figura vem atracado, 
e ajoujado para fazer fogo contra a bateria. Debalde 
todavia ^appi içará elle a vella míxta á eF(K)lt*ta para fa- 
'//Hf riebentar o canhão. Em que logar da Chronica de 
D. Affonso VII se acha escrlplo que as margens do 
Ciuadalquivir fossem o ponto de partida, d^onde o Im- 
perador, dividindo o seu exercito em corpos í)olante$j o 
mandara fazer saques e devastações nas mencionadas ter« 
r<i)s ? £m nenhuma parte; responderá to<lo aquelle que 
a ler. .EVverdade que a Chronica Affonsinha refere que 
o Monarcha se viera acampar junto do rio Guadtilqui- 
vir : el abiens castramelalus esljtucta flumen quod dicUur 
Guadalquivir, Mas aonde está aqui otalponio dedivísão, 
e partida das suas tropas para aquella expedição? Nem 
aqui, nem em parle alguma se lobriga algum vestígio 
do affirmado ponto! — Em que escaninho, em que pa- 
riideiro invisível foi pois o seu faro paleografico dar com 
a incogniial De que furna obscura é io^permeavel iez 
desabroxar o misterioso ponio encoberto? Para que é 
miiis? O lai ponto j que ninguém, a nao ser o historia- 
dor original^ fez ainda dar á estréá, ou debute, mesmo 
no mercado ou feira da ladra da historia mais extrava- 
gante, e depreciada, veio nu em pêlo á nascença, do 
cachão, oii fervedouro das illaçues românticas, de que 
tanU) s^ pavonéa a tal inimiiavel historia! — - Na verda- 
de, acaso porque o Imperador se veio acampar perto ou 
nas margens do Guadalquivir, segue-se logo, e de um 
modo intergi versa vel, que d^ahi.fôra o ponto de partida 
para a mencionada excursão? Para se sustentar a affir- 
mativa, era primeiramente necessário fazer*se ver que de 
nenhum outro ponto ella podia ter sido feita, mesmo 
chemin fatsant^ antes d^aquelle Real acampamento. Esta 
demonstração porém seria impossível!.... 

Mas nâo é só esta descoberta que fez o histariogra- 
pho Lusitano na tactícn, que seguiu ÂfTonso VII. Re- 
ferc-nos também que dividira o exercito em corpos volan-t. 



—.26 — 

/es.— De que Archiro, oU Tombo hhlorico desentrfi* 
nhnría elle esta marcial 'evolução, que escapou ao pa» 
leografico microscópio dos escriplores da nação visinha? 
De que cacifo, ou cafua desenterrou, e transferiu para 
oolhodosol, o engelhado diploma, que documentalnnen* 
te affiançou^ o plano de guerra offensiva, que houve em 
pratica aquelle Imperador? Não nos descobriu o segre* 
do; nem tão pouco, estamos ccrtissimos, o ha de poder 
descobrir! Os historiadores hespanhoes (e por elles da- 
mos o conspicup testemunho d^aquelle, que por vezes 
temos allegado) lamsómente deixaram lançado nas pa- 
ginas de seus escriptos, salva a redacção: Que O. y^f" 
fonso lendo formado um numero$o exercito marchara «o- 
bre Andahmaj e havemlo ahi entrado começara a uneiter 
a iaco a$ viúnhanças de Andnjar^ JBaezOj Ubeda^ e Jaen 
(1). Ora se os fiscriptores da nação vtsinba (que me- 
lhor devem entender nas suas cousas, que o escriptor 
|K>rtuguez nas delles, pois como reza o provérbio: IVlais 
vé o tolo no seu, que o avisado no alheio) tamsómenle 
se reduziram á noticia do facto, sem menção alguma 
sobre o methodo estratégico das hostilidades; para que 
ha de o historiador poriugucz fazer manobrar a seu -gei* 
to o exercito do Imperador, dimdmdo-o em corpos wh 
lante$I Acaso não pôde qualquer exercito fazer devas* 
tacões, saques, e pilhagens sem se dividir em corpoM oo* 
larUe%? Negal-o, seria miseravelmente desconhecer a 
antiga e moderna historia das devastações. Para que 
havia pois o historiador t>ortuguez dispor de um exerci- 
to no campo de Marte com mais facilidade, que urn ra«r 
paz brincão dispõe de um baralho de cartas, fazendo 
delias gato e çapato, para representar o seu ideal bel* 
lico ? 

Porém que bulha, que catrapo% é esse, que de sú- 
bito se me figura estar já fazendo matinada aos ouvidos 
docensor? Não se assustem !... K^o Author da Historia 
de Portugal, que correndo á desfdada, mais ligeiro que 



(1) JFciíreras, no togar que lia poiifo ntumoi. — Nau deimente 
delle o testeinuuho de Mr. dé Marlès: — [k envoya des Iroiipet dii 
rOté d^Aiidujar et Jaen. (Histoire de la Dominalion des Arabet etc. 
toin^2.<> pag. 362 }• 



— 27 — 

o Niso do Mantuano, ahi vem furioso coroo um pala- 
<]ÍQO com a ChroDÍca de D. Affonso VIT, servindo-Ihe 
de montante, na mâo, para aparar e repellir os gol|)e9y 
com que o molesta o bastíHo inexorável da lurzidora cri- 
tica ! — Alto lá l Lhe brada lodavia esta do seu inexpu- 
gnável reducto, apenas antolha e reconhece o espectro: 
99 £m que logar da Chronica vivem e iregelam essas 
f» taes entidades, denominadas — corpos volanles^ com 
» que uma tâo lata, e indefinida generosidade folga, e 
9» ha por bem mímosear, por via da sua, a historia do 
» paiz visinho?» Nem 6ít9: / li' toda a resposta do improvi- 
sador generoso i cahindo, dito é feito, em uma modorra 
tâo profunda, qual muitas vezes lhe terá causado amono- 
lona pesquisa dos —^Papeis 'inúteis!... Com ef feito (dei- 
xando- nos de pnaís galhofa /o//ieiino-roman/lca, que de-. 
ve ir aquém toca) abra-se para demonstrativo desenga- 
no a Chronica de D. AtTonso VII; e que ha, ou nella 
«e encontra, que tenha alguma devisa, cimeira, ou vU 
seira de corpos volantes f Qualquer que ler, e investigar 
n Chronica ha de sem muito aíían achar que toda, e a 
ti nica qualificação, com que sSo designadas as tropa», 
que o Imperador empregara na devastação e saque das 
mencionadas terras, é tudo quanto soam as palavra&-*— 
Cohories prcedatoriw -^-^^ iftie, porsignal, eram em grande 
numero -^ multw!'^ Perguntarei agora ao hístoriogra- 
pho portuguez (que naturalmente $e ha de tet na conta 
de alto latinista ) em que Lexicon antigo ou moderno, 
nacional ou estrangeiro, achou elle que os termos -«-* co- 
hortes prcedaioruB — se podiam indicar com perfeita exa- 
ctidão pela expressão — corpos volantes? — Quando elle 
pois nós fizer ver, edè um modo que faça metter a vio- 
la no tacco aos Arístarcbos mais inflexíveis e turrantes, 
a que entendera o Chronista por cahortes prcedatoruB^ e 
que taes cohortes nenhuma outra cousa litteral, e cara* 
cteristícamente podem significar senão corpos volantes ; 
quando elle sim nos resolver este problema, e isto por 
uma fórmula, que nenhuma eiva nem seiva tenha de ro- 
mântica, então rendidos e convencidos largaremos a pa-« 
Iheta ! — E* todavia de saber que corpo^ ou campo vo* 
lante díz*se em latim expedita manus, e não cohórs proi" 
datorla. Cohortes prasdatorice traduziremos: terços^ ou 



— 28 — 

eompanhiâi (1) de saqueadores ou pilhantesi vulgo — 
guerrilhas, 

E^ verdade, nao duTÍdaremos de advertir, que M. 
de Marlè9, na sua Húlorta da Dominação dos Ariibtt^ 
dá a quaIi5caçâo e desi^çna pela expressão de uma doM 
sxias d%m%6ts aquella porção de tropas do Imperador, que 
sofTrera o fatal desastre de Guadalquivir (S). -— Que se 
segue porém d^ihif Acaso simplesmente a qualificaçSo 
de divhôes é fundamento de cunho, e molde necessário 
para logo se concluir: Tudo o que são divisões são cof^ 
po$ volantes? Ninguém ainda o mais hospede, e estran^ 
geiro in re militarij ba de poder sustentar tâo agiganta* 
do absurdo. -^ Se porém podem haver divisões^ que não 
sejam corpos volantes^ e sim corpos pezados, e de iageon 
te e vasta mole; porque motivo havia de conceber o 
historiographo português que as divisões do exercito de 
D. AíTonso deviam ser qualificadas de corpos 7X>lonieSf 
para como tal o escrever? Nesta hypothese, para faser 
passar a sua descommunal nomenclatura, eia-lhe preci-. 
so mostrar que as divisões do exercito do Imperador tdbk 
podiam ser outra cousa, senão corpo« volantes. Em qual* 
quer das bypotheses porém epor qualquer das férmat o 
escriptor fica sempre colhido, por nâo dizer, tolhido!..^ 
Mas para que é preciso tanto apparato de argumenta-. 
ç3o? A Chronica de D. AfTonso VII nao falia de dim» 
são alguma que o Imperador fiiessc no seu exercito. Dei 
pois de mencionar o logar do acampamento delle, tam» 
somente refere que muitas guerrilhas, ou o quer quo é 
que melhor designa eohorlcs prcedatortce^ andaram por 
muitos dias longe d^ahi correndo c roubando ioda a ter* 
ra ou districto de Jaen, Baeza, Ubeda, e Andujar, e 
de muitas outras cidades: Onlrjametatus esl juxt^ fi^yt 
fncn, quod dicitur Guadalquivir : et multcc cohorUz pra^ 
dataria: ambulaverunl per dies muitos à longe^ et prcedtJh. 

(1) A palavra latina — Çohors — • na ti{;nirira<;ao in^ístitirlan^en- 
te de — companhia r— aclia*se em Pereira de FigneiredOf ^hUeçcao 
dai Palavrat Famiiiares ete. Cap. 20« Francisco Pômey pofrém, do 
Indiculo Univer$ai% n.^ Iii3, restringe-a só a Companhia de eavàitat: 

(2) II enwkiy» det troiipet dti còté d^Andujar et de Jaen, mais 
une fie se* divisions rétant keparé dn gros de rarmce etc. Veja-se a 
nwta, a paf • 13« 



— 29 — 

verunt iotam ierram Jahem et Baeta et Ubtda^ et An* 
dugar, et multaram aitarum civilatum. {\) /ioTkúe se lóbrí* 
ga ou enxerga «aqui neste testemunho altamente .(loco* 
mental algum vestígio, que sequer inculque o impera- 
dor dividindo oseu exercito em corpos volantes f C* bem 
de colHgír que uma tal concepção é de matriz genuina* 
mente romaniica f.... — Porém outro debique já nos cfs* 
tá puxando pelos bicos da penna. E qual é eile ! 

Observaremos ou irosim, e observará também qual- 
quer outro que souber aguçar o escalpello ou cutello 
analytico, que o historiador portuguez nSo indicou na 
sua iran<(cripia pa<(sagem as terras, que oexercito deAf- 
fonso VII invadira nos JVIouros, pela mesma ordem, co« 
mo se acham mencionadas nas Historias de Hespanha. 
Ferrcras pcdo menos escreve: les environs cf /éndnfar^ 
de Bae%a^ d'^ Ubcda et Jaen, O nosso cscrifXor tradus r 
os dhtricto^ de Jaen^ Bae%a^ Ubeda^ e AruUtjar» Coma 
é i^lof Pretenderia o nosso escríptor com a referida 
transferencia emendar aquelle, e talvez outros escripto- 
res? 8e tal fim teve na mente, devia fundamentar de 
um modo conveniente a sua correcçaa; alias nao pode- 
rá ser tolerável a sua innovante animosidade. E na ver- 
dade, como se pôde tolerai que, ntropelando-se os prin- 
cípios mais luminosos da boa e invariável critica, um 
escriptor estranho venha dar quináo (embora insignifí* 
cante) a outros de qualquer naçSo, e de bem grangea- 
da fama e estima, em matéria que lhes é própria, sem 
que juâtifique, e bazée a causal da sua variante! Faltar 
ift esle essencial requisitou indesculpavclmente provocar 
o desconceito!... — Se porém o historiador portuguez 
nâo operou aquella alteração' com espirito de querer cor- 
rigir, e lamtiómente de dar disfarce ao plagiftio, julgan- 
do por objecto de tnditferença a transposição; este pen- 
samento é manifestamente precário, e precisa igualmen- 
te de apoio para ser admissivel. Qual será |>ois este? 
Dirá talvez que a situação do Historiador não lhe im^ 
põe o dever de curar de taes e tão tacanhas Anínuden-^ 
cias, de archileclar ninharias i- Dar-se-hão porém sempr^ 
salvas as verdades históricas, transtornando a posição 

(1) Vej. Flores, tom. JSt, pag. 370, ( 60 d« citada €%roiiíca. 



— so- 
das palafras, porque ellas se enunciam? Nao^ por o 
to. Se a ordem material dos vocabuU>a está simultam 
mente ligada com a ordem cbronologíca dos succesM 
ou mesmo com a disposição geographica dos logares, < 
que elles tiveram, ou deviam ir naturalmente ten 
realidade ; a verdade histórica não apparece na soe 
typograpbica com ioda a gaikardia do seu bello luM 
Segundo estes princípios de icf contestável exarção cri 
co^historicn não é o mesmo, por exemplo, fallando <i 
conquistas de D. AfTousa Henriques, dizer, por e&ta < 
dem, qiie conquistara — Palmella^ Almada, Cmtra 
LUboa^ ou por esta — - Luboa, Pahnella, Almada^ G 
ira* £m qualquer das enumerações ha uma verdade c 
jectiva; poi» que em cada uma delias cada um dos i 
mes denota a realidade de uma conquista. A segun 
enumeração porém é que rigorosamente encerra a V( 
dade histoiica; por quanto éesta tal enumeração, qu( 
conforme com a chronología dos successos; e a histoi 
que a atropela manqueja de um dos seus principaes b 
does ! ««- Todos sabem que a conquista de Lisboa prei 
deu á das outras mencionadas terras, embora estas, < 
mo testifica o Livro de Noa, fossem conquistadas 
mesmo mei e anno, que a capital, ou em diversos tei 
pQS e aiinos, como refere a Chromea Gathorum*"^ B 
guntarei além dMsto: Não teria aquclla enumeração 
Fcrreras um motivo geograpbico, quando não fosse iai 
i>em chronologico, paraseconsi^rvar intacta |x>rqualqi 
hístoriograplio copista, e não ser alterada f Por sem ci 
vida. Qualquer que pegar cm um mappa geograplii 
de Hcspanha (seja mesmo o de Lopoz para folfatnbi 
e se puzer a examinar a situação das terras bespanho! 
comprebendidas na enumeração, que fiiera o historiai 
portuguezy ha de achar nella uma monstruosidade g< 
graptílca^ difficil de se conciliar com o plano de im 
são, qualquer que elle fosse, que devera seguir o I 
per^dor para incommodar os Mouros. Faz-nos coocel 
que D. Afbnso Vil começara o seu plano de devas 
ção, e pilhagem contra ós Mouros por aquelle poi 
por onde devia ter acabado. Na verdade, descendo e 
de Casiclla a Nova pelo lado de Serra Morena, o poi 
mal^ próximo das terras mencionadas era jindvjavy 



— 31 — 

ond« eálendendo a linha de devastugão alé Bae%aj e 
«Palii a Ubedoy deveria terminar o circulo ou gyro das 
suas operações^ em Jaen, A serie pois das terras que sc« 
guiu Ferreras inculca e expue a naturalidade geogra«> 
pbica de um plano militar. A ordem que compaginou 
o historiador porluguez, pelo contrario, apresenta-nos um 
transtorno, uma incompatibilidade geographica, qual* 
quor que seja osyslema hostilizador, que regule as ope* 
rações do exercito. Suppôe em summa que o Imperador 
mandava fazer devastações e saques de pólo a pólo; dei^^ 
xando os logares mats próximos para ir primeiro aos 
mais remotos; saltando (o que não calvería sequer na 
cabida do mais tonto, c reles cabo dV^squadra) de sul 
a norte, de poente a nascente. Tudo isto porém des- 
mente a enumeração, mais visivelmente histórica, do a^ 
creditado escríptor hespanhol. — Quanto melhor não era 
que o escriptor português se não tivesse mettido (e sem 
mister algum para a Histoiia de Portugal.) com tão 
daninha foice na seara alheia!.... Ter-se*hia talves 
poupado á censura e irrisão dos críticos da nação Mnii* 
trofe, justamente comminada contra qualquer romanti* 
CO Iranbtornador da sua constituída historia ! : 

Como assim!... Acaso o historiador português não 
seguiu, a respeito das mencionadas terras, a jnr)ei»ma..en^? 
meraçao, que seguira a- Chroniça de D. Affonso VIlIS 
Que importa! Por elle ter seguido, ou preferido ^Hi. o rf- 
dem nominal da Cbronica não se pôde d^ahi. concluir^ 
que a enumeração de ±errerasj que delia discorda,-nSo 
tenha maior exacção histórica. O escriptor beapanbpl 
(aliás respeitador daÇhronica) cremos que. delia, se não 
affastaria^ se aisso o nãp decidisse motivo grave.-— t$e- 
ja corno for; o que é certo é que a tal enutneração.df^s 
referidas terras, conforme á nai-ratíva da Cbronica de 
D. Affonso Vll^ que o historiador portuguez seguira^ 
está ainda para akançar as honras da rigorosa unantmi» 
dade !.... Este Incidente faz ver que nem sempre tudo.o 
que em historia se suppSe invariável^ na realidade o é! 
-«- Não se pense, todavia que, só Ferreras se afastara d^ 
enaueração da Cbronica^ *l,Vtnos a Mr. .de CAenser, que 
fizera o meso^o nasua Ohra -^ Recherches historiqtussuf 
lei Maures et histaire de Vempíre de Maroc. Taes são as 



—.32 — 

eoas palavras: — x? II marcha (Tempereur Don Aífon-* 
99 se) du còié de l^Andalousie avec une puíssanlc ar« 
99 mée et ravagea lesenviroas d^Andusar, Baeza, Ube» 
99 da et Jaen. » Tom. S.^ pag. 41. 

Porém oromancismo nSo se contentou sá neste pcM 
riodo de fazer dançar os boleros ao exercito de D. Af- 
foDso VII ; levou ainda mais adiante a verdura do seu 
pictoresco idealismo. — Historía-nos qcre a devaãtaçSh) € 
aaque dos distríctos das indicadas terras se fevara a eU 
feito pelas tropas do Monarcha Cbristâo, queimando oi 
logaret abertOB e destruindo oi campos e arvoredos, «— > Enr 
que armazém^ em que bazar de paleogrnficos dòcuflfeen* 
fosy achou o escriptor diploma a1j;um coevo e sem'%aU 
da, que textualmente Ihctransmittí&se tâo especiae« cín 
cumstancias? Seria porventura na ríquissrma Bibliothei' 
ca do£sGurial onde encontraria o tal engelhado e cnrc(W 
Toido pergamtnhoj que o infatigável espirito de investiga- 
çKo bispa oiea hão pôde descobrir f Nâo foi por certo( 
nem penso que o Author portuguez se ai^rogne a alM 
presumpçâo de uma símilhante descoberta T.... Ficarc 
mos todavia sem redarguiçSo, nem troco f Não o acre- 
ditamos. Ha de vir outra vez com a peça de espalhufanv 
dá Chroftica de D. Aflbnso Vil para lhe servir de bar* 
bacSa, ou falsabraga. Que diz porém aquella respeitá- 
vel Cbroarca, que não sirva de confirmar o romrancisimT 
do escriptor histórico T Na parte em que elte a p6de cha- 
mar a pèlo ofterece ella as seguintes palavras: 1.^ et 
nÚÊCruní ignem in omnthus viiFts. O historiador porto- 
guez escreveu : queimando os legares abertos. Fará al« 
guem jamais no universo orna similhante traducçEcy 
que não mereça ainda do mais xué escolar uma estre- 
pitosa pateada? A palavra latina Mia nunca, nem ain- 
da na idade media, significou logar aberto, ^P et omnes 
arbores feeerunt incidi : et omms locus quemcwnque ft^ 
dés eorum calcawrunt^ vastatus rem^nstt. O nosso escri- 
ptor assentou que tudo isto se poderia reduzir 'ás expres- 
sões em linguagem : e destruindo os campos c arvoredos,. 
Por ventura traduzirá alguém a expressão omnis lòcui 
pela simples e isolada palavra—- campos?,,». Qiiando é 
que o vocábulo loçus significou campo? Nunca. — - Pd- 
de outrosím a frase — incicti omnes arbores vcrler-se ri- 



— 33 — 

gorosamcitie em poduguez deítruir arvoredoi^ Todo p 
mundo que tiver duas dedadas de latim lhe ha de cer- 
tumenie abanar ab orelhas ! A Cbronica indica especial^ 
e reslrictivamente o modo da destruição ; o que não se 
faz tradu;sindo o verbo incidi pelo. termo .portuguez — 
(ijeâtr^ir.^^ Que é genérico! — Além d^'»lo em que vo- 
cabulário 4cbou o nosso ícaduclor que -— oinncs arbarés 
significatn — arvoredos? Ém nenhuiPf Ibo podemos af- 
iiançar. — Todos sabem que arvoredo quer significar alof 
f7ie^a,^ou bo^qve d^arvorcs (!}. Ora será o mçsoio c2ei<« 
iruirurvarodpi^ qu^ destruir. /o^f osaruoriSf ,âe qualque.r 
aiatufeza qújQ ellas.sejam, como refere^ a. Cbronica T Por 
certo qiiie opao 4^-. P6de ^àr-^e^rVgres de 'muitas, espe^ 
cies em uca paiz^^^e nSo.darrse drporoZos^ ft tomarmos a 
palarrá no sentido. .em que costu^na ser. tomada. £m 
fioi omnls arbor.j(^iodo o género de arvores)^ não é o que 
se exprime pelo termo arvoredo^ bosque, ou selva de ar- 
vores,. Jogs^r que se distingue pela bastídão^ ou multi- 
plicidade delias; o que, se. entende, pelo menos ordina- 
tiameptc,. quando se falia em particular de arvores sil- 
vestres. EsU intelligencia é ate a jurídica (S). — Ora o 
documeato origijpa} não íáz excepção, nem distincgão 
de arvoras (ovnn^f aròôres)*. Pelo qiie debalde, sé expri- 
ine a generalidadeLpojr , u rn ler mo, que vulgarmente, sé 
D^o sempre,, se festringe ao qu^ é .espécie. 

Ainda n^s: .0 .^|(,tq.da.,Chrònica de D. AfTpnsò 
Vil argue o esc|;ip,Lor. portuguez, se hâo^de Talso^ pelp 
menos de iriepto» ço^ipiladoí bistorico. %ílm ; qual é o 
compiia^pr, bajbil,, que omi.tfindo quasí todas as cirçunt- 
.stapciç^â^principai;s do original pu mesmo umá boa parte 
das secaudarias^ fif respeito' d*aqiiellas qtie aproveita, as 
faz figurar ^em seu esc ri ptp, como se nãò boúvessem at)« 
sol u ta mentq outras? S6 o n^énos exacto. Kís-aquí a propó- 
sito o que relata a Cbronica: £^^ miserimt ignemin.omhi* 
buê f^U^Sj quascumijue inveniebant :.et Si/nagogqs eorum 
deitru^erunty et/ibroa legit, Mahométi ^çombuserunt igne^ 
omnes. mri Doctí^es ^(^^gU^ guicumque invànti ^nt^ glu" 



(1) Moraes, otc. 

(2) Vej. Pereira « Soata no MUòo^q de um Diccfonario Jurídico 
ct€« Ari. — Arooredo, — 

■ •■ • 3 



— 34 — 

dlo tructdail »unt : » vincas, et olitetai et âculneas, 
ff omne^ arbores feceríint incidi : et omnis locus que 
cumqiie vedes eorum calcavetimtf vastahn remantU ( 
Pelo texto trasladado torna-se vi»ivcl que o historíaci 
portugueis nfto só fez pouco^ ou quasi nenhum caso <j 
transcriptas circunistanclas^ que menciona a Cbronic 
porém qtie nSo foi exacto nò eiitítico resumo^ que í 
abstractamente deltas prodtiíira ! 

Paiài qúebavia pois o hisloriographo de se ihetl 
á forjar pâi-ticularidadés da sua lavra? 8im, da tua 1 
vra; por quàhto, òlêtú dò mais, os historiadores da b 
igãò visinhà', qtie ssiibanrios, nenhumas circumslanci 
táes referéoi. Fefirerás oologar já citado faltando a pi 
po$itó db exercito de D. Affotíso^ díi s6 o seguiat< 
99 ircdMn^ença à mettre au pillage les entirons d*A 
>> dujar, de ^áeza, d^Ubéda et de Jaen, dans Icãq^ 
» ilinit áuxfera tiatícoúp d^InfidelkÈ, eriléva toute tín 
9>'âç béàttauXf él fit úti titíhe buim.yj (^) Começou a p 
asâí)ue os arrabaldíes deAndujar, Baéza, Ubeda e Jaei 
nó& quàcs fe% c(^livo$ inuiiài Infiéis j roubou toda a csjf: 
cié ãô animaeéy e feií iifn rico aeíípcjjo. Em qUe 86 par 
cem estes dètàlbès ciom ò queimar /ògfarek abertoí e di 
trair campos ^ e arvótedos^ aue dos quer embutir o no 
sb Escríptor? Em nada/ dnsoltltamebte. Antes conCé 
matéria, se nSo 'côntr£{díct<>rfa', e encontrada ao qike c 
le referira'^ pelo menos muito diversa ; embora o hesp 
niiòl sèâproveitâsse da mt^snia Chronica. — Máftauièsc 
pòr Icfrnio ao tiroteio, fuzilaretnos ainda de ílàrico^sob 
a linguagem. Lê-se no lal período: Màhdou-úsádèvú 
iar e saquear os àisírictòs. A prefxjsi^o a antes 'dò inl 
nito deváslár cheira que trescala à gallícismo ! Diríafn< 
tambeni sàqútar e devaitafy e não ince versa. £sta gr 
dação ém eácalâ ascendente é à mais natural. 

Queimando os lagares abertos^ e destrumãò o$ ean 
pos é arvoredos. ^^ Que logares abertos (perguntemos aíi 
da) são esses, que os taes imaginados corpos volanies I 
zeram victimas do seu fogo? Que campos c orvored 
foram os que elles destruíram ? Quem pronuncia ua 

(1) Flores, KspâRa Sagrada, tom. 21. pag;. 310. 

(2) Hiit. Gener. d^£»pagne, tom. 3.^ pag. 406r, 



— 35 — 

synthese (ao cathegorica em desbarmooia com o que re- 
fere a hiftloría, deve estar munido com o apoio daana* 
lyae para exuberantemente a fundamentar. Estamos po« 
rém assa» certos que o escríptor da historia de Portugal 
feètá mui longe de poder vir quebrar canas neste lerre* 
noi— < Se porém elle tamsõmeiíte quisera romanti%ar a 
seu i>el»praeer e por sua conta e risco sobre a matéria 
( bem persuadido que ninguém commetteria oexççrando 
llogicio de assaltar o idolatrado akaçar dasua historia ! ) 
talvez teria feito melhor em dizer: de%iruindo os Usares 
abertoi (que é expressão de Vieira), passando o gerun* 
dioj ou partícipio queimando para fazer o seu compe^enr 
te eíTeiio nos arvoredos^ e ainda nos campos i uma veas 
que círcumstancias hiuoricamente incompati veia. não se 
oppozessem ( como se oppuèm ) ao verosímil da tal fantar 
siada queimada !•...— Ainda assim eU nSo pffianço qu^ 
não haja algum critico de insoíTrída e agastada catadur 
ra, que em Diogenico tom se ponha a resmungar: Para 
que havia este homem de vir fallar em fogores aberipip 
e deixar no fundo do tinteiro os logares fechadoftj ou 
por outra, fortificados? Não era porventura iSq ouQipr 
da mais interessante historiar*nos o que tiveram feito P9 
decantados corpos voianteg, que tanta, djabrura .praj^|ç{^ 
ram, a ess^outros logares, que ( nSo obstante a inculc^ 
da rare7ã das filaras dos landunitas!) pelp s^u estado, dp 
defeza devia4a(i ter maisklente de coelho? --- £!u todavia 
fa^ bom barato destas e outras que taes^ ainda que ijor 
dispensáveis exigências, qiie pai^ecemi mas n2o slk), ft- 
lhas tamsómentè de rabugice, e rigidez ^e tempera : A- 
Tistorchica !.... Temos matéria de polp^ fnpis. a>achm- 
cha, em q.ue cumpre ensaiar os tfios do crítico escalpelo. 
Vamos pois a ella* 

7) JVfarchaado (D. Afibnso VII) nesse mesmo a t^ 
99 no contra Coria, apezar de fazer grandes. estragos nas 
y> cercanias^ nSo a pôde tomar, e retirou*se a Salamaii* 
-79 ca; mas no anno seguinte preparou-se para a conquista 
99 do famoso castello de Aurélia (Cazorla). Era este umii 
99 das príncipaes fortalezas mouriscas das fronteiras dfi 
j9 Toledo, e terrível padrasto contra os ChristSos (1). 9» 

(1} Hiit. de Pertufal^ tom. 1.^ pa^. 322. 

3 * 



— 36 — 

Setn franjai oem ccrcílho algum deexordio^ ou ac 
teloquio, que por iiiuiil Imsui se pôde escusar, iremos j 
pouco a pouco desmoronando a trnnscripta palavroi 
congéslSo, para em retalho fazermos ver ao microscopi 
du tinalysa tudo quanlo Lem de fòfu e de balofa! 

yi Marchando ( D^ Aífonso Vli) oesse mesmo âo 
^"ho contra Coria,' t^pezar de fazer grandes estragos 0« 
>» ceroúrnías, não upòde lomar, e retírou-se a Salamao 
» ca. ^■^'-^ Quem ler e^^te diminuto trecho, e ao mesiui 
tempo um dos membros do período, ba de fícar na sin 
cera mente que D. Aflbnso Vli, 9iiarchando contra Cu 
fia, tivera concebido o plano de a poder tomar, fa%en 
do-^llie tanuómen te graricícs eêlr/igo$ ansucu cercunias.— 
Verdadeirumente isto, e neakuma outra cousa, quer U 
zer denotar aquelle mal cabido e encaixado adverbio— 
^pexar — (que algum puritano San-Luísisia, subsiituí^ 
ria, pondo*ô no-undur da rua, pelas expressões -— • nâa 
obiláriiC -^ com çu€in/(> et cSBlera 1 ) qne ulli, com o maii 
que lhe pertence e diz fês|Yeilo, \eio interceptar o pea- 
sameuto dominante; -«^ fi< porém \erdade que o Mo* 
iltircha Hespanhol) o JSíUalliador. por antonomásia^ .con< 
ét*beu o irrisório projecto de st^ a&senhcH-ear de Coriti 
"valendo^se tnêrattienleV como de meio próximo^ confor- 
me -sé -incaica,' da estratégia de fa2»èr grandea- tãtragot 
nits cercanias ou \Í8Ínhanças desla cidade? E- fulsissí- 
mò. Quem ler a hisloiia de 'Hes|Mmha evideatements 
ha dèrtònliecer que uquelles esírogo» nem foram o udh 
ICO Aém o meio próximo e ímmediato, de querAilba*u 
VII se sér\ira para conseguir o seu projectado ia leotOb 
Ha de sein hesitação admiilir que os mencionàdot es- 
tragos, apenas podem e devem ser considerados como 
mo um meio indirecto, e remoto d^uquella^ pi^leadida 
tomtida; sendo o apertadíssimo cc-rco que D. Affonio 
pòz aCoria, com o emprego dos vários aproxes e-maehi- 
nas de guerra para o ataque, o meio verdadeiramente 
próximo e dirécio. U'ma rápida leitura de Ferrerat coo- 
vencerá profundamente o que acabamos de -proaunciar 
em revendícaçao da verdade histórica, que taoto se des- 
figura. 99 II fil prendre (diz elle, ou Mr. tl-Hermilly 
traduzíndo-o) 99 les devants à quelquos Partis pour sac- 
f> cager toute la Contrée, fuire £H*laves tous .les lofi- 



— 37 — 

» delles.qiriU pourroicnt altropèr, el enlevQr lei bes- 
79 iiaux. Lqs GénérduK de ces DétacbjefneBts-.a^acquíl- 
?9. terenl de leur coáimíftsioa et ft^avapcertínl méme jus* 
r^ qu'à In vue :de Va .Villc, — ^ L^Empe/^ur cependanl 
n mil lé «iège ilevani Coria, ei.8''étani fait reaforcer de 
3» toutes les Troupes do: rÉsireçrtadure eX,A^XJk^x%^ íl 
9» ferma si biea loiíles le« avenu«s, que rien ne. pogvoit 
f9 «nifer das la Place, ní en soriiré Comiii^^ la Ville 
n étok ex(reaiement foriifíée, les Genéraux de.rEm- 
Vi pereur .&rent construire quelques Tour^ de bois plus 
ti élevé^sqiielesmuratlles, elempU/iereni pourbaUreen 
»9 bréche toutes les machinès ilont on se servoil alors. ^ 
(1) «Tf- O -s- apezar -rr-. por tanto ido IlUtoriador portu^» 
guez deveria ãÍTeriar ioda<) as mais referidas drcumatan* 
cias, e nSo dei caíras em silenck) cotiiinaoi festa oíTeiisa 
da verdade. A omissão. della& faz figurar coroo causa 
proximamente efAcienJe. aquillo que o nSo. é. E^ mais 
um gilvaz que pregou na :febtoria da nação visínha o 
inírepiiá^ escrji|Mor'i«.^ 

Porém a.^qpria asserção principal -^ «áo a pôde 
tomar-^é íguaimeiíte insustentável, por aSo dizer iaba. 
Para se poder proferir €!om segurança, e icerteza aqjuelle 
enunciado, era precisa que positivamente sepiovaste:que 
a Monarjcha leonez D. Afíbnso V\l tivera empregado 
de um árioUp^ re^bnhècidamante infructifero, tanto os 
primeiros como os segundos meios de bostilízaçâk) con- 
tra a cidade de Coria. Quando porém se possa conceder 
e,;admHMi^ naesrnp, stira, difcuf^Sn 9 iasu.ffiçíençiay e in* 
efíVeacU 'dos primeiras mei(w.thoslís.(of grandtk ÕÀrogOi 
waicercnrilok) quer é¥h aijsif'acto,qiièr em concreto; es- 
ta. mesjDoa*^ oii eqi.uv^lènljB corfcltijiaò ;çe n^q P^^t pem 
deve deduzir a respeim daqualidiuie dosiSi>.^ii,fulos. meios. 
Elles eram- de sua natCrreznBSsásf>odeT<)i>f)j|;'^f>a alcan- 
çar doseq çro^jff gp. 0Ín se^Uyp^jrèsnl^ito. fíipgtt^ífíi ain- 
da pois sus(enU>u qujê. um «errado. íassedio^éi^slé» èffe- 
ctuado por um'numems<n^^ex^rHl«,>'e ?Mná* d^'sto appia« 
dòr pelo grapde rt^^eiB^á ;|r^^)le|!t!)èmà 
guerra» ç ouUoa inxenipi .e::procçOÒ^;>s|rAtWgi|ÇQSr j^^^ 
rimo-nos á^t^itadai passa ^e«fi' de*^ Ferrcra^k). iUteqtiadJs: pa- 



.•r ■ ' 'i-^ 






— 38 — 

ra baler em brecha, dSo sejam valentes recursos pnra 
poder tomar qualquer praça. -* De feito porénri Goi 
nSo foi tomada. Que segue d^abi l Por ventura» porq 
o nio fora, deve>so jámiais concluir que o n^o podia cc 
taes disposições ser! Nunca. A Contraria cooclusSo 
deveria ser admissível» se os referidos meios de ataq 
tivessem tido o seu devido desenvolvimento» H&o o 
veratn : ficaram^ como disem» em embrião, qu pou 
menoê. Como se p6de pois concluir que D. Afonso n 
pôdte tomar Coria ? Qqem por timiihante syllogisiícfi 
regula, arrogasse o direito nifo reconhecido de elfivftr 
cathegoria de realidade aquiUo que apenas está na mi 
•a dos imagináveis ! Por n$o «e ler dado p fado c|a t 
roada de Coria nSo se segue que ella nSo podess^ l 
sido levada a effeito. Porque iiâo hoiive effeiío» nc 
por isso se deve negar a potencia da causa. -?- Estas i 
flexões de uma Iheoria indestructivel nÍ[o ^QContram i 
historia sujeita cousa alguina qMe f^s conlradiga» aoi 
que as confirme. No primeiro dia, em que oomeçaru 
Bs operações ou ensaio delias contra a praça (1), \iin ti 
desastroso de seta, disparado (ía parte do inimigo, q 
era acossado de uma cfi^s Torres, t^iido ferido morti 
mente o general dos Chrislâos, veio ^r umo daa prí 
cipaes eausa^ que fez suspender o ataque. O JVfonarc 
desgostoso pela morte do Conde D. Kodrigo Martinc 
it) e outrosim vendo ^s grupdei mo^esti^s e nfce^siUfií 

(I) «I Un dia qqèrieiidiAff «IWertIr el Kr^períidòr eu ú cata, < 
»> jd ordenado i tos Generalet haiUsefi la Chuiad etc. n A tradnci 
franceapi da Ferrerat, da que pps teinoft s^vidç, exprime. 9 |oj(ar 
original liMpanhol, qua aMá aai ital^cp des|a inoda : de foniifi 
tes tnrtfoUx du tiége. O tradaclor, ao que parére, erradainentà ci 
fundia o verbo haipanhol kaHr^ bater, cdtei o verbo francês àai 
gàiúCàr, : Fãammoê etta advertência para far vir ^tcorr^clifo nc 
ponto i paiMCeoi, qae adiapte traatcreveremot. 
" (2) M Vn fonr que TEmpêreiír éloit allé prendfe 1e t>laltir d( 
«« chaiás; aiabt laiMé ordra à lek Générauí^ de cpnliiiucr le» trnvi 
n.dtt ttéfe, .1^ Çoipie D* lUidaric Marlinei mont« «or «tpe de 
>VToart avec plnsieuri Std44|t« d^élite, pqur ioqoiéter les Aaslef 
•* Ce tirava Otficier fui á^peine aií haot, qne le fer d^me flécbe 
** cochfée dn nnr, iiatsa avec viidence par let jaloatles de In Te 
*' y laítia lon bois, pertQa lei armes da Comte Don Roderic, et a*< 
** fonça daiis son col. Se tenlant blesté, il arracha aoiti-tòt le 
** avec ta maio ; mais il 9ortit de la bles&ure une ti grande qoanl 
** de langf ^oe let Chirargitftlt| nl les Mé<l«cins ne purent jau 



— 39 — 

que «e padeciam no 8ÍilO| (I) fez enlSo levantar o cerro. 
Sendo pois larnsón^enie isio ludo quanto a historia af- 
firma coino causal ; conno se poderá asseverar que o Mo? 
narcha Hespanhol n3ó fòqoárá Çorià, n^^ssnr de fa%er 
grandes cúragok nas cercanias (i*ircuaijilaniCÍA que nin- 
guem se Icmbroude trazer para ocaso! }| qú^ndqi 'nSo 
Qbslaoie d niiorle do seu grande general c Qi/^fs adjun- 
tos { não ha motivo conhéiçido para se attiTtiidr xjiie elle 
oSo coQsegJuiria o «eu fim se insistisse em ^tacar aqut^l- 
ía.cidfidf? Nenhuns dados ba pór tanto ínlfeclín^vels 
para s^ e cathegoricarpente «e concluir a negatíl^i^ Â res- 
peito do mencionado personageni j ^ — Nao pôde tomáf' 
(Joria, Nenhuip escriujtor enúaciou i^jod.a uma tal e tão 
infundada con^queoci^a. Cada, um côotis^ta-js^ cpifi his- 
toriar os factos^ dêi.^andç se de iptroineUer bo 4oji9)in!o 
da conjec lurai ímpossibíljdaçie^ 

A^ora accrefceq (/aremos, que ha quei^ diga que o 
motivo |V)r.q<^e p. Lj^ffoií&o ;|v^.a.n<}onára ò cerco de Co- 
fia» fora P desgosto q,^^ Ib^ ^at^s^ra b rçvéz, que soíTrera 
uma dassM^s ^^yisõe^ Qo\GuadáÍquivír ; fazendo siinul- 
ianea a devastarão dos djslricltos de Andujar e outras 
terras com o sitio d^aquelia cidade^ e oao tamsómenlé 
nesse inesmo annó^ como escrèveM o hisiofiador poi;tu- 
guez. (i) -^ O Qjk.eQcjoQAdo desgosto todafíá hSo é ain- 

ai» éò arretei* le eõurs: aintf im lu| ofa pramjpkemíBat set urinei,. et 
99 un le porta A ia Tente, dan« laquelle, au tk»ieU ce«clia|it, il r^i-' 
19 Uit ton ame ÀDíeii,.anrié» »>tre dU|¥>sé jktmpn^lf en parrait Chré- 
•a tieií. Toute l^Armée fui très-tojnchée de sa inaort, parrequMi ctoit 
99 un Setgneòr de la premtérè distinctlo» et inn excelleut Officíen 
99 Ao touY de la chatse, PKmpereur aiai^t appriii jui mort^ témoi^sna 
n romlMea iféloít teiMÍble 4 taper^e d'uai h. granel Hqmme, et den- 
» na tuiif t^ çmpl^f 4. Dou Oiorio «ou frere poiír lé consoler. 9* 
( Hutoíre Crenet*. d*Rspagne, tom. 3.^ pjsigi «OH. ) 

(I) 99 Y viendo loa grandei ttolcittiiu,' y nere^blailet^ - «loe ae pa- 
«» dlecia» f o ,«1 titiet ,1^ Uv^níL^í y :f^ «i^iyto p«^ tu fgf»V« à J^aJamafi* 
•9 ca. 99 Auim Ferreras iio orif^ínal, tom. ]S.'^ pa^. 3u3. — O tradu- 
rtor franrei verte: «» Rebuté (PEiapereur) enfin de tout ce que Ton 
99 toufifroit dana le Mêge« U d^campa, et retourna á Salamanque avec 
•• f on Atjmi^'. & ( H^iííiíVe Çjetí^ tora . 3.® pepc. 408. ) ■ ' » ^ 
' (2) 99 C7ii« de fT^t d3yi!if<>'ffráV*.élant: veparée d(i'gf«Mi de l^Brmée^ et 
V afa«t pds^é teÇruadal^uíVIK éll^ !\il-'dnVet«t^ée^par dct forrei 
99 sapiéríeurcs, èt t'õ|fHTêment (fétr4i?te;'iclé (brte«''pluíeíi; lirbiténieDrt 
99 toaib«ei, avaient tellemènt eiiile larivieré, qa^Wn*avail putiiitra* 
99 verter, de sorte que de lã rireòppòsée Usthrcdienif vlrentin^ssÁcrer 



_40 — 

da fundamento assas apodíctico para se poder pronun* 
ciar que o referido Monprch^ *^ não pôde tomar Cbm, 
£"* somente m^u uipa opinião^ que não está de accordo 
coni aquella que espnerilhoUj^ ou romaòlizou ò Hulhor 
da Historia de Portqgal ! 

Deixando porém o campo da contestação, e dando 
de bom grado mesmo que D. Affonso VIÍ nSo poder<| 
tomar Coria, porque (apetar dcfaxer grandes estragoi 
nas cercanias) nSo li vera forças para fazer render* os teus 
defensores ; qiie se pôde e deve d*ahi colher que oSo se» 
ja contradíctorio com àquillo que pretende fazer acret 
ditar a lodo o omndo o Historiador portuguez? Sír|| 
como se p6ãe coinkinar aresktencia desta Cidade atem 
tativa de D. A^^^^^^.^o ^H. ^o^n o desguarnecimento dai 
praças musntmanasj e fracq rçsUtencta das. fileiras rtirah 
das dos lamtur^ita^^ conforme ellè nos preleride faser ea- 
golir na sua fantígerada fiistorÍQ, a fim de estabelecer 
precedentes contra a grandeza da Batalha de Ouríqueí 
(1) Ha com tudo ainda outro incidente histórico, év 
que o anti-patrioiico escriptor á mais fortemente a|ft9 
nhado! . 

f> Más no anqo seguinte prèparõu-se para a roa* 
jy quista do famosp castetlo de Au rei ra (Cazorla). Br9 
99 este uifna das princípaes fortalezas mouriscas das tron* 
» tetras de Toledo, c terrível padrasto ronlra os Chris« 
9> táos (â). n /-^ Poderá acaso díier-se e publicnr-se poc 
escripto^ sem offender o tnolindre da fide) idade históri- 
ca : Que D. Afíbnso \ 11 se pvepaxqn pata a coyii^iièt/a 
do mencionado ca^tello no scgtúnié onnot N3q por cf r- 
to. Responderá todo aquelle< que preferir uma oarraçSa 
autborizáda e positiva áquella que nSo é mais que pu- 
ramente da regí$ío. imaginaria* Nenhum liistorfa.dór, èér*^ 
to^ se exprimiu por similhante maneiraé NSo. referem 
elles que ò Monarcb^ cf^telhano se preparou no anno 10- 



n leart compaf^noni Mni pouToir let defenáre. d^empeirieòr ilcf^n" 
n r^gé fiar cct arcident, retournâ à Tol^«; iifui meme •hi^ d*am 
f* handanner U. néfft dt Caria^ .qn*ilfmiaitfaire par ime autr* «B- 
n «»«on de tet troupei, 99 ( Histoire de la Dominatinn des Árabes ei 
áe» Manres cn fCipaf^ne et Portnfçal etr. tom. 2.® pag. .362)» 

(1) Hi»t. de Portvi;. Tom. 1.® pag. 321. 

(2) Híit. de Portu^. Tom. 1.^ pag, 322. 



^41 — 

gnirUc (de IÍ39 ) pArá ííqviélln conqnUia ; étioi thul ex« 
pressa mente qtse fSra neste atitiò tm^tr, (l)^ púcotisa 
equivaiente, o/amoio cáUdh. Qilemfiâo vé |K>i^in que 
é cousa .mui divetsA ir inixiHr^ oa conquistar, do qiiepre^ 
parafuse para a conqu^sícif^Invetilr é sim ir mais edfan^ 
te, que preparar-sê para a c^oiVqtiistA. E*'já p5f em aç* 
^3ò e faTef uso dos meios, leom que o hostilízador se 
prcparon para iev^r A efféiio a /conquista. Óá-se neces-» 
iariameoie entre os dois {(cios a drfierençA qúeha etitre 
c meio e 6 fina. Quem InVade òu iniesie começa já a 
conquistar, nICõ se pirppara p^ra aconquista!' A expres* 
sâo por tanto do f»scrij)4or 'porriJig^ueis -- prcjpa?*0tts6 para 
a conqttigla — não pôde ser jánrinSs tiibstíiuida pela dos 
escriptoresque affihnnm --•/dilntfjps/ir -<^ semfdfer visi- 
tei moça na rigidez da rérdádehfstortcj^ !...'• 

Preparouràe pbra a eonqUí$ta ! Ê^rque, me oppo* 
rSo, iiÍo*fiavía o Monarcha batáfhador prephrar-se pára 
ella? Otna de dua?, responderei .eu; QM a preparação 
por conimum e tritial h9o meHicía^ser indicada ^ como 
ojcto riòtaVel, devendo anter «ér óTniitjda,'e deiítada á 
intêlli^ctfeia do ii^ítor, conforriie praticaracn òs, historia- 
doresr da rraçSo visrnhh';- Ou* tv^' fora dó conimum j^ 
prenlye de circunriistntic^ias niemòraVm. Nb* primeiro' ca- 
so^ o escfipfór português dando ^ultb á unta entidade^ 
jque out ros hivf .p/ia^ore» dé mtifor merilò despreíârlifm, 
além de Introdnzir na hrstòrfa sém -fundaniento uma c^« 
pccie^nóiva^ que eHft'dcsèòn!iecia,^iarece ler qlièrido 
imitar o ridiculo de certo Crcpcno Cdlpurninno^ que nã 
des(c;fpçao da-gb^fM 'ehttè 'òs !PárÍH^$ e Romanos còi» 
méÇi>'u fogo pdá mi<^údipncia dóf :'|^ii^^eiros'ittov1lné 
ilct9 peípjadnres,^'segUQdxy rêfe)r^ 'Lúcia hò(f): Nb* segundo 
caso pediremos ao nosso ItitiòVadòr feiétòricò paín- que 
nos ebumèré qtiaf^s f<mitÁ essas ciréumstancfat memorá- 
veis, que deráíxi 1ó^^ a<i'elruncif^d4;tSo absoltitò e dis- 
tinclo: Prepat^u-u^pqirà à c&ntfvíittà!..;. Em vío as ha 
de procurar ! O cscHptor.jpiròtotypiò devera; ler^|íreéétit6 
o preceito doihesnio Lucikqot iíftò/ái^lA^^W^t<^ me- 

(1) llHtoire de la Domlnation des Árabes etc.no Iq^ar adiante 
fitado, paj;. 42 e 43. 

(2) Na Arte HistonVa. 



— 42 — 

Uior é não truncional-^i na historia (1). Nesle numero 
contarei eu, eloUa agente aquellai que, aléai de fuleú 
ou inúteis, se não podem provar! — Concedaoios toda* 
via que o Mpnarcha se preparçu para aconquuta j qual» 
quer que seja a idéa que se pretenda ligar a tal prepa- 
ração. Que se segue d^ahi 7 Ha de forçosamenie coo- 
cluiir-se que o escríptor portuguez cahíra em nova coih 
tradicçSo. Pois a$Jilàrat rareada$ dos lamtumiaSf que 
deviam defender nquelle caslello, exigiam algum pre- 
parativo para ser batidas, e anniquiladas!... O escríptor 
por cerlQ que se esquecera do que já tinha escriplo!... 

A critica vai agora fazer autopsia cm objecto da 
maior e mais graúdo vulto. E* no lurido e nojento ca* 
daver de uma intolerável patranha, aonde vai irabalhar 
o seu amollado, e.affiado escal|)elo. 

Escreve o Auifaor da hisioria de Portugal (que nio 
pouco mexericou, e. etcoldrinhou na de Hespanha!)f 
que o ponto ou alvo da conquista, para a qual «e pr^ 
rou, D. Affpnso VII, fora q f arnoso casieHo de /éurclia^ |ior 
ouiro nome Caloria. --^ Se/á verdadeira e exacta a met- 
cionada asserção? E* uma enorme, e trememlissima fak 
ftid(|uie ! E^ uma crassissima ecbapadissima ignoracicÍA|M« 
Vamos leval-o á cimeira da evidencia ! 

Não ha sequer um único historiador hespanhol que 
affirme que oCastello em questão, aue em latim se dix 
Aurctia^ se chame em vulgar Caxorfa» Todos unanime* 
pienie asseveram que o caslello da çqnquísta de que se 
trata era Oreja. Ouçamos a Firxcrasy. não peto .ia|er<? 
jnedio ou transumpto de uma traducçSo, mas siai doi 
próprios lermos da linguagem cm que escrevera. » Oesf* 
» contente, dijs elle, el Emperador de qge el afto pre* 
99 cedente no huviessen tenido sus. jornadas el logro que 
V deseaba, procuro este aSo.satí&faccr su deseo con la 
^ toma de el rastillp deOreja, à el. Oriente de ToledOf 
99 que teniaii los JVIahometanos summamente |ietcecha* 
f> do, y de donde bacían graves danos cn sus domínios» 
(S)- » L^année suivante,. diz IVIr. de iViarl.ès, il fiUa in- 
'> vestir Oreja, dont la garnUon, par ses excursions fré- 



(1) Na Arte Histórica.' 

(2) Historia de Espana. Parte Gtuíaln, paz. 3Ò4. 



— 43 — 

9f quenlesy insullaii les environi de TuIeJe; et, apre» 
» un blocus assez long, il t^én rendi t mailre. t» {1} A* 
vista desles tettemunhot, e outros muitos que omiti!* 
mos^ de um peso tão ÍDquestÍQftidl%eIy que potttivamep* 
te asseveram que o Castello que D« AfTon^o Vil iava« 
dirá no anjgu) de 1139 (anno seguinte 4 lUa retirada do 
rerco de Cor.ia para Salamanca ) fora Orefa ; quem nftu 
lia die rir, ecom gargalhada deribombo^ ao ver (estam* 
pado em a indicada pagina de uma Obra, que seu Au* 
Ihor quer idolairem como o Nan*plui*uUra da Hutoria 
de Porlvjgal ! } que o lai famoso castello, que antigamente 
iinha o nome de ^ureRa^ ahi se dá aconbecei; pelo no» 
me moderno de Cnworfaf Deixando todavia de eontem« 
piar a enormidade do lapso pelo lado do feissimo con« 
torno, que apresenta no campo do ridículo; que lasti*^ 
.roa não é que o escriptor, que se arroga o galéro e ca* 
ducéo de .^rfibetyfò em historia, tão patngonicamente se 
estalalasse em ponio liao corrente e incontroverso !••• 

Vamos porém imparcialmente pesquisar se Aurc^ 
íkij eGf^orla é uma e mesmíssima cousa que Or^Oj pa* 
ra ver se pôde ser admitsivel, ou pelo menos de alguma 
maneira tolerarei >aquell9 inaudita substituição em vul- 
gar. N|o, .e indísputavelmenle nSo; dijB e dirá sempre 
ludo quanto sobre aquest&o se acha escripto ! Passemos 
u fazei* o conhecer. 

Abro o — Nouveau Difitumnaire UnwevHcl de la 
Geographhs Modcme par F. D. j^ynes ; e o que diz elle 
fim o artigo Cazorla^Diz por vent)iifa,x)ue Q^orla era 
jlureikal Está bem }ong^ efórad^issow ÔuigaRU)» as^suas 
próprias e for mães palavras, que dfirrios veitidas em lin- 
guagem: » Cazorla, yilla de Bespanha»^ antigamente 
79 cidade episcopal, na Atidalusia^ sobre aè ruinas de 
99 Ça%iuÍ09 Q$o longe da 'margeei) méridipifal dò Quar 
99 dalqqivir, a SQ léguas a lesta ide CprdpVà, lâ nbrdes- 
99 te de Jaen (S)« n Vemos pois qiie, segundo este geo- 



{!> Hia«h>e de la-0oinflb«tiòii àwt Avaliei; cte< Mm^ tfi pag. 

(2) 9) Cúítorla^ boarg a^Rapa^iie^ ««trefõlt tHI« é^iicapal) (áans 
99 l*ABdaliMifie,-sar l«s minet de Cailvlo, aon IoÍb de la ri ?e and* 
n rid. du GuadalfiuiTir^ d '30 li. K. deCòrdoae^ 1& N. B. de Jaes-M 
fiir. d'Aliville sitea tatnbcin mCmtiuh nnJBeHem oa Aadalatia; nie 
declara porém que nomi; moderno lhe corresponda. A Jalgarmog pe- 



— 44 — 

graphO) que tem muito volo n» maturí;!, Cazorla é a 
antiga Coittflò e nXo AurtRa^ como noa pretende cathe- 
goricAmentfi fa^ep-cmbutir oAiHhor da Hisloría dePor^ 
tugal!'-^^ Vejamos dgd£k se Orya é o mesmo que Aih 
relis. Havemos de adiar Au ihòresy qoeaffirmam lalnSo 
é, ném para lá \t..ú Ouçamos ao mesmo Aynè» oa ci- 
tada obra. 'Pela -palavra' Oreja manda ver Orgaex, e 
exprime-se da seguinte maneira : f Orgaez, -jíltea OÍeeh 
s> dumy villa de Tlespanha fia^Cus^c^ a Nona^ com un 
ff rastello sobre um ribeiro que desemlKKa no Tejo, a 
9f 7 léguas ao-sul de Tcdedo^ 90 ao sul de Madrid. » 
{l)i -— Mas para que -é traiier no circo da discussão ei* 
te, e outros 'Au thores,- que poderíamos- nllegar em coih 
trnposiçSo ao que avançara- o Historiador Português! 
Que imporia' que a ánliga v^ure/ia seja ou nSo a mo* 
derna Gifcor/a/ (S) Que Or^a soja ou nao também iJh 
drcnda ém latim pelo nome áe Jlureliaf (II) Nada d^i** 
to fere ca pi tal mente o ponfo. 'A questão não é de ao* 
menclatura de geographín'tintiga em relação com a mch 
derna. Dtíixemo-nos de embrenhar nesse espinhos)» m»* 
tagafty aonde a cada passo sobre o mesmo objecta sb 
taiilas Qs cai:)eças, quantas as sentenças* Nâo é este o 
estado indeclinável da questão. Tratasse especiàlmenle 

lo ponto ;;i*ograp1i!ro, que lhe deu no mappa, parere todavia ler 

CaMrle».- (^Grcofcr. A nrienr tom* l'<*)« . . ; f 

(1) » Or|;aei« Aitea Okmdwjiís Imnrg d^E^paf^ne dai^» la Cat|ilfe* 
99 Nouyelle,' avcc un cháteau, siiVúii ^vi«seau qiii'se jettéduafle 
f* Tagé^kTW, S< ée-Totéile; 20 9. de> Madrid, n IVAniille lel^ 
tamtMm que Urgaet em aianti^a AUea do$ IMenc^t. |QeQ^*«.A|h 
çien. tom. 1.9). Alinana P^^cÁp^ dislingue Oreja de Orgof^. (ÍPÍ<^ 
Geogrãftco. Estatístico dé Etnaná j'lPortaga1). 

(2) Vej* se Mvrtiiiieve, nictioD. Geogr. art. jâurefia^ Ckfttkh 
Cattulo e Solaria. — Baiidniiid:'iie«rt.— JureHu^ CflMl«Ali'M<^ 
ria.— Po)rar^a.DO.JM«j; i^^stvs, aue 9nda no fín^ do Dirc^qAtria 
íúntanico Latino na 4vilavra Aurélia ái9 significar Camarim 9\k Òr- 
Haent,'i^ Bnf jclop.'-Géoj^fièa' Abe. e Vòsgien, S.* èdi^io^ art 

Cttstuio, ■'••■.: '■.■"•' 

(3) Veja se Morerí, traduiido em bespanbol, art. Oreja^ Ctacai 
ler e confrontar os artigos indirados nesta e em a n<»ta antecedeate^ 
hk de evidentemente^ &a#'e«!nliccendò «''Variedade de cpíiil«|ei^ qaa 
lia tobre i^id.seja.o antiâo-neme por que deva ser Uesigaada a mo- 
derna Cnsaráov H«!de firar: roavfnrido que aio á para scaaieveraf 
de um modo pdsillTor.qaeifi)]ae>w4Cii^eA^rr. O mesmq disenuM«a respei- 
to de on(ro< nomes modetnos,--corrtfS|H)ndenles a vários ar-ilgos índir 
cados, •■-..■ 



— 48 — 

de saber, se Caxorh é a ineòma oouia que iO»*^'tt^ Qual 
deftrá ser a resposta? U má /edónda/òu omôtmoda: iM»r 
gatita. Níoguem p&ãe^ oem^dáné jániáijy proferir>A 
existência de ama ideMidade aimilbafite*' iProifefiL-m »e» 
riu deixar registrado nos annaes da-.ígooraocíat ar toait 
tremenda estataladéla em matérias, que iiâo'.ad«i(tli;iii 
escusa. Na verdade, como (xidem aqueHe» doíi' nomeè 
indicar a mesmíssima entidade 4 iquando<cada.U4Íi^à^« 
les denota Sua terra mui outra^. skuáda. ení^ 'diCfeceot^ 
proviticia de Hespanha T.- Orga é situada no Ca&ljélla a 
!N ova, : Ca^orlãj ou Caçaria na • A ndaluzia ; 'do que^>nin^ 
guem duvida. Orase aHistoiiador.pbrtugáe« euiendf^^ 
que Auttlia significava Ca%(3írk^'^ e, ácanck) esta Qm^fKo* 
\incia diversa d*aqueUa,-iem qit& sei adia «Orf/àfer por 
tal tão OQtra xiella ; 8ogué-«e qi&e elle, ineluciay«4mente 
trahiu em um gravissimo -erro geti^àkphtòo, trasladaudo 
-para um logar uma oonquiâta,- c|u^ o» ^historiadoce^t sfsm 
discrepância^ reconhecem . ter dida realizada em outro 
tn li ik) diverso logar IwV* ' . * '• i - ' ' i-'/. 

- Qui£ •emendai Vos iiiudiíadores liespanhoe^^: vpciler 
r-araovos apaixonados i* Ai gargalluida- redi^braria; com esr 
trepitosa moVimeoio:doir<afo iii^dal^ sè iima coarctada 
Hâo feia e- disparatada sãbisMÍ áiUiiC'^.. iett:i'apo|icíL'£íiih 
tforham acribeticb im i/ios^^' Perguntàlpiaái riCòm^ inofadqjr 
desdekn ao <)orrector da-sua^l^stopiãioa critieo^ da.OfiígSo 
«omarcã. EqueliMsrespaaãería eile f< Havia ^d^rconfessar 
o^^UKM-me arrojo,í;que'ttVefa'0«iineUifio emf.ir .estropiar 
a bistoria alheia i:Ni&m .outra: eòusa^xKleria^eije {aeeif, 
<]ue Uie fiioasse inlah aSrosal-^ fiim,;'à^eiróhmd;adf). do 
erro é a t^odas' asilu^esr: mhaifostã, ^« ;Msiní rêcbrio^que 
illuda.' São ás próprias ipatswas dorcacripior son '%Sv>o>U 
que o accttsam^?«.irEeiBÍssivelmente'tQ condemnamr. São 
ellas: ^'«fira ette'(^/amoio.vcas/cl/o c^ jíw^Ra ( Cuzor- 
n la}) «ma cla»prillcipa€ft'fortaleeásIhuu^iscas;dasf^on- 
» teiras de Toledo e terrível padrasto contra os Chris- 
»? iãos f> (1). Prescindindo de questionar, se Cazorla ti- 
nha ou nSòcásTeltoV é.se ésté fiiiérèièrá^oepfflieto de/a- 
moso ; perguntarei ap l^istpriador portúgM^ eqíi \que,,e»« 
eriptorcampanudoj^ 'OisaifnffrabitfO' achou eílei^ue -Ca- 

(1) nUttfia de Portugal, Íum.L9faS^ã2^.rr • 



— 46 — 

%arla ficoête nag fronUlrai de Toledo j e fosse Icrtivel ptí- 
drasio amira os Chriatãosf Fica por vealura Co^oi^fa ow 
fronteiras de Toledo? Nunca ainda ninguém tal dis9è« 
ra, nem era possíiel enunciar tão desçam Uudo ubturdò^ 
a nfio ser o nono prolotypo escriptor!..; Temoa nqui á 
mio, para nos tirar das duvidas, um dos geogrâpto 
hespanhoes de conspícua reputação e valia ;.e que n» 
dit elle no artigo — Ca%orlaf  situação que lhe dá o 
Author hespanhol cabal e completamente faz cof^becer 
a todo o mundo o absurdo monstruoso e iodesculpatetf 
em que se despenhara o historiador dn nossa terra ! Ott- 
çarool-o: ^Cazorlo, Villa ecclesíasiíca de HeapanhSf 
n provincia de Jaen, cabeça do partido do «eu -nomet 
n arcebispado de Toledo. — Fica nas fraldas de daii 
99 serras, na margem do rio Vega, que ti atravessa, e 
n desagua no Guadalquivir. — Dista da capital dex le< 
i9 guas e um quarto, seis a leste de fiaeza, duas dansf 
9» eente do rio Guadalquivir, e treze de Guadíx 9 (1)« 
A* vista da indicada posição geographica, que dá s Qh 
terlaj na citada Obra, o Doutor D. Stbaúlâo de ÊÊt 
iiano^ quem se atreverá a sustentar que Casorla fíca asi 
fronteiras de Toledo^r Quem quieer ou souber faser ia* 
parcial justiça ha de fiara logo fazer lançjur no-ienAoé* 
gnificativo Ja fatalissima éstonteaçâo tim bent «egiu» 
«stendido, e carregado traço! — - Toledo como todos-ssr 
bem, e o testifica o nsiesmo Mtúano^ é cingida de tpdoí 
os IadoS| menos pelo septentrional, pelo rio Tejo (!)• 
Sendo pois esta asua situação geographica, como é. posp 
sivel que Qzzorla, que está a duas legoas da oaseonts 
do Guadalquivir, e é cortada pelo rioiVega^ que nelb 
desagua, esteja nas froaleiras de Toledo? — Bu <|ueil 
porém fazer ver a repugnantissima escabrosidade do fi^ 
ro da nova situação geographica de Cosor/a aos raios dl 
própria luz visual. PeÇo a todos aquelles que se tem m 



(1) M Cjitorla« V. E. de Espaiia, província de Jacu, eal>e«ii de p•^ 
n tido de tn nomhre, ariobitpado de Toledo. — Kftá á ia falda dt 
»* dot lierras, á orillai dei rio Vega qae la atravieta y deia^va ca si 
n Guadalquivir.-— Dista 10 le||;uas f quarto de lacaplUl^ 6 a B«df 
n Baeic, 2 dei nacimiento dei rio Guadalquivir — 7 13 de Gaadii/* 
(Minano, Dict. Geogr. art. Caiorla). 

(2) No Diccionario-Geografi€o>EitatibtÍ€o, art. Ihieth, 



— 47-^ 

' • ' . 

mnta de amigos de verificar a verdade, e u&O nao da es« 
tofa automática d^aquelles, que leiga e càpuchametíté 
juram nas palavras de alguma faufarronal imposturai 
peço sim que, tirados de cuidados e affans, procurem^ 
e syndiquem qualquer dos mappãs geographreòs déHes- 
panha, aonde se aclia designada a Aial cabida e ebiiaf'- 
xada Cá%orla; què meçami sequer ao nriiénoS i^ehiKrtoU 
la visual dos dois espéculãiltes olKos a iiíimensa distancia, 
tr)Ue vai da localidade de CchsDr/á áò ponto ^eo^raphicò 
dii sltuaçSo de Toledo; e munidos com um tal test^mu^í» 
nho de' physica certeza, dect(^am se pôde jamais ser ad^» 
misiivel em paÍ2 algum do iiaivcr^o o Sobremaneira in^ 
qualiÃcnvél absurdo dé sifuftr it<!|ue11a villa ,nas Ardntèi^ 
ras de Toledo^ Todos ^ iirha, è--sem discrepáficía de uni 
sipíce, se hao dê esconjurar ao verem qtiè, em utíi ^ecu^ 
lo de luzes detSo alta perfectibilidade, qual se apregoa 
b século- 19.^, liouvessè um historfadòr portuguezj que^ 
imagini(ndo-se thaumatutgo, cbm os bicos da sua sluânh 
tHdsa pentía, sem sé. embatacaif com ãquiUo qiié fizera 
a naiureia, atirasse de tepeÚio ébiA'a'vHla de Gisò^to 
|kira iisftxmí^rai de Tokáo ! Pòr 'certo ^lie dles hão tlb 
tícar repassados de superftno pasmo ao contempli^r qiiè 
oescríptor celebèrrimo, icòm umrasgò dcfpetipa, otisasse 
'fazer àma cbusa, que o Auíhor dá. ttaítureza não fizera 
cbm a stiá Omnipotência!.:.; 

Sé porétti houver algum vi^rífictidor niais ctirioso", 
-qW não se èòntente s5'com o ajuizar da mtilèriá' p^lo 
luttie do olho^ e vier a medida^ de compasso, ha dè 
ácha> áem^tnulfocutto^ que Cbscirfti dista de Toledo pk- 
rá ínor-nãfõèsre o melhor de 45 léguas pafá mah dafs 
còmmuns de Hespanha^ afferidas pelo petipé de 40 ao 
^ráo (1). Por tanto como é tclefaVel êm pfesertçá des-^ 
ta dêmohffràçSo geògraphica (fora o mais de toutrãpe- 
xo), que historiador álgum haja de impuneiúentls esca- 
ra r em o papel para ser lido dos presentes e vindouros 
— que Gttor/a tem a sua siluaçSônás/ron^eiftís dà To* 
ledo?.,. 

Tudo por conseguinte o que acabamos.de expor in« 
eluctavelmente confifiúa, é iioVaméiíte^ ivièlent^ qUç o 



< é 



{]) Mappe Geographiqiie do Sr. Jaafier. 



— 48-. 

lai ca&lello que AffoDso VII iovadira, e tomara^ fòrft« 
castello de Òreja^ comp sempre coin a mais ubiolúM 
solidariedade affírmára toda a classe híilorica, ejQ&o ode 
Cazarlúj conforme com revoItaDliâsima ignorância eKre- 
^inháru em sua hi&loria o Aulhor portugucií. — * » Qrejt 
I» (Vtlla Ordinária) eská síiuada sobre a margeai do 
n Tejoy em um elevado penhasco, dividida a sira pe- 
7» quena povoação em duas porções por um grande ba^ 
39 ranço. Teve no tempo anlfgo um caslello, situado so 
91 bre um elevado rochedo, e cortado em toda a aua ci^ 
» cumfcrencia. Dista de Ocaõa uma Itiguq;, uma de 
79 Âranjuez, e outra de Colmenar de Oreja » (1). Eiu 
frituaçfto^ que a geographia bespanhola dá á villa c* 
questão, piW fora. de to^a a duvida a verdade htsLorica. 
JÈ* a verdade esta — que o castello qqe o Monarchab» 
panhol atacou foi inctifntesta-velmeKHe a de Orefa. l)W 
lando pois esta obra dtf cinco a sele léguas bespanholtt 
de Toledo, não admira que a» excursões, que ot Mo» 
ro$ reunidos nessa fortaleza faziajn sobre o districtod^fr 
quella cidade, desse motivo a que D« A Afonso VI| aif 
vadtsse, e deUa se assettbofeasse,^ como geralcntíoiis • 
bistoría. 

]finaimente terá havido quem tenha confiHKVdo^c 
aõ contrario, dilTç((jngado Or^a de.Or^a^, vilía, tituadp 
em uma planicíe, distante 5 léguas (^) ao sul de ,Tolfl' 
do* Substituir poréu» Ça%orla ^m tlaeq.ou.ADdalMsiai 
qualquer das duas mencionadas viítas, situadas emCpif 
tella a Novu a quasi igual distancia e em d^eçf^U> asiái 
diversa (cojn parai iyamente áquella yi.lla) de TTololo; 
ó uma dcgiainpadc(a liislorica, um estrt^bismo geographi- 
co ih tao. volumoso ale^jLo, que bem se páde e deva lei 
por um fenómeno de cunho arcbi-original ,04 soporifsrs 
Aàtmosphera das humanas aberraç(^es!... pQrâai que! Se 
uenhum escriptor ainda proferiu, nem jera de esperar qm 
proferisse, que Oreja apezar de muito .mais proxiauí cif 
. ts^va situada na% fronteiras de Toledo (3); como quero 



Vej. Mi5«D0. JDír. Geoer. etr. art. Oreja, 
,,, Vej«.se Minano, Dic. Creoc^r. «te. Art. Orfat. 
(3) Na ftastagem da Hhtoria de Portugal, copuda a pag, 4& dd* 
ta 2.a Parte. 



I» 



— 49 — 

oo«so excepcional historiador que a sua AurcTta^ ^ulgò, 
segundo ellc, Cawrhj que tSo longe lhe fica, lhe \e- 
jdba fazer o seu vis a mif Se elle soubera (como devia 
saber) o que lodo o mundo entende pela palavra — 
/tonteira — ; por certo que se não havia de despenhar 
mais neste tâo lamentável e atrophíco somnambulís- 
mo!... VJ porém já tempo de passarmos a outro varejo* 
» Começou o cerco em abril, e prolonçou-se por 
» todo o estio com repetidos comlnites dós sitiadores e 
ff defensão desesperada dos cercados 99 (1). Que é isto ! 
Temos também aqui bródio romanesco? Temos fora de 
í toda a duvida; nem é esla só a caldivana que se acha 
aqui e alli na decantada historia de Portugal. — Não 
r te contentou ella sÔ (circumscrcvamo-nos á matéria sub<* 
. jecta) de nos embutir o horrendo qui pro quo da trans- 
formação inaudita e impossível de Oreja em o binominoj 
h horrendamente monstruoso, de /ínreãa om Catorla^ mas 
l até levou ainda a pavonada a prolongar o cerco da tal ima« 
i ginada Aurélia por todo oe$tto! -^ Ora quem informou 
4 ao historiador pátrio de que ocerco de Oreja (não direi 
L Auretia^ significando Ca%orla^ porque é rematada par-> 
\oice ! ) se prolongara,^ conta redonda esem mais fracção 
^ para mais ou para menos, por todo o estio í Produza, e 
( atire para o campo da publicidade com esse cartapacío 
i pu engelhado pergaminho, aonde se acha exarado para 
í perpetuo desengano dos incrédulos, calculo tão justo e 
[ prefixo!.... E não é isto o que convém ao historiador, e 
[ à historia, que tanto se pavonêa de Documental! Isto 
i é; nem outra alguma consequência se pôde, ou deve 
deduzir das tão notórias e blasonadas premissas do es« 
criptor da sublimada Obra-prima ! Mas aonde, em que 
\ cacifo se poderá encontrar o tal canhenho, que tão rente 
e cerceo calculo transmittira aos vindouros? Ainda que 
. o improvisador histórico basculhasse toda a bicharia dos 
t JMss. das grandiosas Bibliothecas de Hespanha, e pas* 
ft sasse pelos olhos um a um sem lhe escapar gnrabnlha ; 
havia de ficar em jejum naturalíssimo acerca do objecio 
ide que se trata!.., — Mas para que é convidarmos o 
illudido escriptor a pesquizas inúteis? Temos a historia 

(1) Historia àe Portajal, tom. 1.^ pag. 322* 

4 



— 80-. 

Uc um bom inveêtígndor do reino visinho, que nos refe^ 
re cousa não pouco diversa d^aquelln, que elle not quer 
'fi)zer Acreditar. Cor)la pois o historiador hespanhol (I) 
que » tendo o cerco de Orya ( /Inrelia ou Ca%orla te* 
f^undo a ignorantíssima geograpbiu do hisloriailor poN 
tu^ruez ! ) » começado em Abril, esta praça »e rendera « 
AÍfonso VII em 31 de Outubro, yf Ora se não coattá 
da historiai que desde que a' referida praça, ou castelb 
fora cercado até o dia em que se entregara, Uvéite tid« 
interrupção o assedio, que lhe pozcram ; porque te Ih 
de sem apoio narrar ao certo, e em tom absoluto, ífÊ^ 
aquelle cerro %e prolongara por todo o estio T Acaso toife 
o mez de Outubro, e parte ainda do mez de Setembro 
pertencerão ao estio? Não |)or certo; e só ao Outoio^ 
como de todos é sabido. Sendo isto assim, não pôde kt* 
'\er exactidão histórica quando se escreve que o meiícb* 
nado cerco rét^véê se prolongara por todo oestio^ teido> 
se elle laml>em estendido até não pequena parte itoOl* 
tono, por não dizer quasí metade. — IV verdade que tf 
Alouro» demandaram aoMonarcha Cbristâo, e este Hm 
acceitou o armislicio ou tregoas por espaço de um iimI| 
o qual precedera ao rendimento do casteilo. Suspeoib 
porém de hostilidades, não é suspensão de cerco, «-^'hí 
onde consta pois que o Monarcha, desde, e duraota eiii 
tem|K> das tregoas, levantasse o sitio, e não exhtiMejé 
este, quando a celebrada Aurélia ( falsamente arvoradi 
em C(ri%or/a /) se lhe entregou? Por parte alguína ; e.iM 
sequer uma s6 palavra seencontra por onde sepotta ooa* 
jecturar vestígio da retirada do exercito sitiante. Voi 
leve e commum idéa da táctica mesmo mais corriqnalfl 
torna incrível similhante manobra. A posse outroiitt 
que o Imperador em continente no dia 31 de OutatTO 
tomara de Oreja, fazendo arvorar na mais alta torra tf 
seus estandartes, durante que os Bispos e maft Bccb* 
siasticos, que o acompanhavam, entoavam o 7b /Jlewi 
em acção de graças: o não licenciar o seu exercito, natt 
partir para Toledo senão depois de fazer reparar odH" 
tello, efortificalo com uma valente guarniQ&o dearmift 

(t) Ferreros, HistpSre Cen. d^Rspa^nef tom. 3.* pa;, 40t e-lt!.! 



— SI — 

, e vívenPK ; (F) sSocircumstancías nolavçis, que coo firmam 

^ que o cerco nâo se tivera iihanJonado no intervalio do 

armtstiVio. -^ Concedido todavia que tal retirada ti vessQ 

fildo real logo no começo d^uquellas tregoas; ainda nes« 

. ta hypothese (queé meramente graciosa) o cerco esten* 

; dendo^ie por todo o Setembro, náo se prolongou »6 por 

I lodo o estio, mas sim abrangeu alguns dias do Outono, 

. Nestes termos da hypolhese então, a historia tamsómen- 

te seria fiel, se mencionasse que o tal cerco se tivera 

^ prolongado alé princípios do Outono. — O lústoríador, 

que sabe cumprir com o dever primordial da exactidão^ 

. que a todo o custo lhe incumbe, nSo alarga nem estrei* 

^ ta um ápice dos limites chronologicos, dentro dos quaes 

^ os successos se realísaram. A geographia e a chronolo- 

L^ gia sâo os dois olhos da historia, como sabe e confessa 

^ toda a líiteratura, ainda a mais baixa e plebéa* O es* 

f^iptor, que caminha pelos vastos domínios delia sem a 

I luz indispensável d^aquelles dois luzeiros, está ao caso 

de lhe ser ápplicavel o mote vulgar : 
' iSots djgo que nâo vejo^ 

Dou pancada que aU^* 

Decida agora quem quizer se sSo ou nSo sSo desta 

cnthegoría as pancadas ou lambadas, com que o nosso 

escripior tem desancado a historia; que eu passo já a 

atacar outro reducto. — : £* elle a maneira ou forma 

por que se prolongou o cerco de Oreja ( Aurélia ou C<i- 

%orla^ na nomenclatura da ignorância ! } por todo o estio. 

Curioso seria saber o que militarmente se passara. 

r durante o prolongamento do cerco de Aurélia, vulgo, 

Oreja. O hii»toríador portuguez não quiz deixar este va« 

\ cuo nosAnnaes das bellicas curiosidades. Talvez lhe es* 

trabuchasse nas cerebraes abobadas o proloquío do Pe- 

j ri pato: N altura horrel vacuum! Toca pois a encbeKo, 

e de Tnodo^ que fique de cogulo ! Como fez pois elle a 

maravilha? Invocou o nume, que preside ao idealismo 

patranheiro, «fiado na sua divinal e ind efectivei pjo- 

^ tecção escreveu e deu á luz: Que o prolongamento do 

cerco se passara em repetidos combates €(os sitiadorcs e 



(]} Ferrerai, Iliftoire Gen. d^Eipagae, to0. 3.^ pa^. 412. . 

4« 



— S2 — 

deftn&âo desetpcrada dos cercados (1). Em tini ronnHfrf 
mais bem ou m»! alinhavado, mais bem ou mal círif' 
do ou arremendadOj teriam um pane sem exame a» oteiK 
cionadas asserções. £^ pois o inrircumscriplo ídéal paíf 
do verosímil uma espécie de boqueirão, ou despejatorí^ 
sem limite, aomle o ensejo das vagas impudentes d« 
descQcabreslada imaginação atira com todas asi^uas chi« 
mericas excresrencias, por nao dizer sandices. No teirc' 
vto porém da biàlorin, aonde n verdade deve apparerer 
pura e limpa, sem mazela de joio, oti Irevo que a de» 
turpe, o caso, como óizevnf é oulrol E^ preciso que o 
historiador não acarrete e arraste para o prelo com íih 
tuito de vender, como realidade acontecida, aq»iU^qiif 
nâo é outra cousa mais que farfalhada de fabrrr» romt' 
nesca! £^ indispensável que tudo quanto conccl)e eeauff' 
cia tenha solldo' fulcro^ em que se apoie, se aâo quitei 
Hcar burlado aos olhos à» fmm jiHta e drpurada erílici* 
Kâta ínconiroverlída doutrina* eabe e quadra lâo afip^ 
sitivamentc ao escriptor original, qu^e erfa a historia^ tr 
briudo-lhe o cabouco para lançur-lhe otv erigír-lhe oi 
alicerces (e pennas desta polpa sâo de e^itremrHla rart» 
dade ) ; como a escriptores de secundaria estofa, qcivey com 
quanto se inculquem porcrcadores c inventore» d«»9eiêiK 
cia, mais nâo sâo que architectos de Obras feila»! E 
l^ora sejam desta laia, e coslaneira (que muilo rM 
lliam o universo litterarío); sejam sim extremei plagia 
rios, e copistas charlatães do que é já sédiço pelos lí* 
vros; hiiitriões em fim históricos, que venham fuier o 
seu insulsissimo papel no tablado scenico da mau des» 
pregada, e audaciosa ímf)ostura ! Venha quem quer quê 
seja d^essa turba gárrula de pantographos saltiaibanom^ 
saUcbões pichelíngues, armar á mui sincera Índole dm 
crédulos leitores com o empavonado pendão da ifto bla* 
sonada novidade; porém saibam e reponham em sua ai« 
iix e espalmada mente que se acaso conseguem alguma 
vez fazer passar por alto o contrabando, lá vem a fatad 
occasiâo, em que a vigilante policia litteraria dá crim o 
embrulho, e írremissivelmenle lho toma por perdido^ 

(1) Ntt pasfla;;eni da Uiitoria de Portugal, transcripta m pae. O 
deita' segunda Parte. 



— 83 — 

por falta de guia, óu formal documento que authentl- 
que o despacho ! Nestas ciroumstai>cias se acham — ot 
rtpettdoM cotnbatcã do$ itlladorcs^ e dcfeniâo de$eiperada 
dos eercadm da idealizada játkrclm. Todos esses combate* 
repelido* dou êUiadores^ c defensão desesperada dos cerca* 
dos^ de que nos falia a oraculina historia de Portugal^ 
tiesappafec«m « se dissipam^ como o fantasmagórico so- 
nho^ logo qu« se abre a historia do reino iitnitrofe, e se 
vè que ella nenhuma destas particularidades nos refere; 
«não eram ellas para ficarem no fundo do tinteiro! fil- 
ia pois «micnmente nos cerlitíca que a táctica, que se- 
guira D. Aflbnso VII na tomada de Oreja^ não consis- 
tira ein ataques repelidos; mas tnmsómente em lhe a* 
pertar cada vez mais o cerco, prohibindo os sitiados de 
todo o género de mantimentos, e até de agoa, a fim d« 
os fazer render. N es t« estado de desalento em que o int- 
oiigo se achava, fot então que o Monarcha Catholico 
abriu bfecha na praça; e bastou isto para os Musulma- 
fios^ julgandose |>erdidos, pedirem armistício. Ora se 
«stes successos são puramente aquelles, e não outros^ 
•que a historia refere (l); como se ha de dar credito aos 
taes repeHdoã combales e defensão de^speradaj que onos* 
'«o «scríptor desenterrou das catacumbas da sua luxurian* 
te imaginado! Nenhum credito se pôde, nem deve dar 
4\ um similhante esbarrunto, e escantilhão imaginário! 
Fazenda de tal género não é pois admittída a despacho^ 
e deve ficar retida na aduana das histofiaes tomadius^ 
como género desencaminhado! — Quem tiver a curiosi- 
dade e boa feição de confrontar as expressões do escri- 
ptor porluguez com a narração do já por vezes apontado 
historiador hespanhol, ha de mesmo achar que ellas es- 
tão em uma incompatifel opposiç&o. Na verdade a nar- 
ração de um cerco, que s« prolonga sem menção algu- 
ma de repetidos combates dos sittadoresj e defensão dese»^ 
perada dos cercados, é cousa muito- diversa, e avessa d*a- 
quella narração, em que se affirma ler-ne dado estas cir- 
cumst anciãs! — Rque defensão desesperada dos cercados 
é essa que tão trípodínamente se affirma? Quem ler que 
^/t, governador de Oreja^ logo que viu que o exercito 

(1) Ferrerat, tom. 3.^ pf. 409 • 41]i • 



~S4 — 

sitiador tiverft aborto brecha no cntlello, t ralara de pe- 
dir tregooft, ha de ficar convencido da fahidade da tal 
de$eiperada dcfen$âo (1) ! Uma cUfcmâo dcBCfperada oSa 
costiima pedir suspensão de arma» logo ao abrir da bref 
cha de um castello. Ao contrario, umii tenaz resisteo* 
cia dppoít da alM*rlgra da brecha^ é que poderia mere* 
cer o nome de defensão de^euperada, -rsi- Além d^iaO| • 
mesma prompta e generosa acceílaçao das tregoas dl 
parte do Imperador prova de sobejo que nenhuma do* 
fen$õo desesperada tivera havido do lado doinimigo, que 
tivesse indisposto e irritado seu animo. Uma concessio 
tão cheia de condições vantajosas ao inimigo, (f) mos* 
tra na verdade que não podia ser o desfecho de rcpdkiai 
combates, sustentados e repellidos pelos sitiados com d» 
esperada defensão. -?— Diremos antes com maÍ9 provaH 
conjectura que o ífppecAdor, para evitar o extremo de 
alguma defensão desesperada da parte dos sitiados, vioi 
sem dif Acuidade ao accordo de lhos acceitar a pedids 
suspensão d*armas. <-?• Vamos porém já a outra esfregs! 
n Propozeram, em fim, estes um armislicio pan 
n enviarem mensageiros á Africa, prometlendo que^ it 
n o emir ou os generaes almoravides da Hespanha ca 
ly não soccorressem dentro de uqi tíPfz, se darifiis^ %f^^ 
ff tido» (3) — O campanudo Author da historia de Po^ 
tugal depois de pòr em scena marcial os sitiadas de O* 
reja, (que, para vergonha da scíencía geograpliica, elb 
quer que sejH yfureliQ^ na significação c|e CQXor/a !) ocmí 
todo o arreganho, e furor de uma defensão dese&p€raÍA\ 
não sei por que súbita metastase, fora de toda á eitpei 
ctação, faz a desconchavada surpreza de, sem inliervil* 
lo, nem intermédio plausível, atirar, como de tramlx)* 
Ihão, com elles de novo para fâra do bastidor,, oom o 
fim de fazerem o papel de proponentes de um armiiti* 
cio! — Como é isto?. Que metamorphoie inesperada s 
improvável é esta? Pois esses guerreiros, que ha pouco 
se batiam contra os siiiadores com desesperada defenÊÍO^ 
agora apparecem transformados em uns faofarroQÍoQi 

(1) Ferreras, tom. 3.® p«jf. 411. 

(2) Ferreras, do logar •nieriormente citado* 

(3) Hiitor. d« Port. tom. 1.^ |Mf, 32J{. 



5 a 



pollroes, que, depois de tantas bravuras, vem propdr ar- 
mistício aosseui contendores f Em um Melo-Drama tal* 
Mez o contraste não fica«se sem levar alguma poruinha, 
ou remoque critico ; quanto mai« em uma archi-normal 
híàtoríii! ., Mas nâo é verdade que o« sitiados propoic^ 
rain ao Imperador um armi$ttciof E* tão \erdade, co- 
mo atUfensâo daèspérada dt*lles ! Náo é %erdade ; falle*^ 
mos directamente. Nào propozeram ^ pediram; o que é 
cou^a muito diversa, por nâo dizer opposta. O /íTij veo- 
do-se perdido, diz o historiador hespanhol, pediu tre* 
gi>as, pacteando, que se dentro de um mez nâo fosse 
ftoccorrido, entregaria o castel lo (1). E pedir será por 
ventura sínonymo de proporá Nunca. Dirá todo aquel- 
le que conhecer a língua portugueza, e a sua principal 
matriz a língua latina. Demais o verbo pedir está maít 
de accordo com o — concede nobiê ele. da Chronica de 
D. Affonso Vir, que propor. 

Para enviarem men$ageiro$ â Africa, Que é isto ?••• 
Temos synalepha histórica?... Pois o« cercados pediram 
( e nâo se diga p9'opo%€ram ) a* tregoas só com o fim de 
enviarem tiiensageiroê á yífriea^ como visível, e lilteraí- 
mente se deprehende do enunciado transcriplo !... ^kSo 
ha tal. Pediram-nas com o fim assas expresso de os en« 
\'íarem também aos mais correligionários sem distincçâo 
de lo^ar, conforme se exprime a Chronica de D. Affon- 
so VII: Concede noòis jtp^/tnm nniu$ mensis, ut miíUi-' 
mus nuntioê iíerum tran* maré Regi nostro TeÁufihú él 
In omnem ferram Âgarenortim (2). O que Fnrrerai en- 
tendeu dever le restringir a Andaluzia c Marrocos: — 
» AU ... despacho à el Andaluria, y Marruecos aviso 
?> de lo que le passaba (3). » Em um pensamento po- 
rém composto omíttir uma parte, que tem igual direito 
aser mencionada, e com a falta da qual elle fica alta- 
mente coxo e desestrado, é a olhos vistos faltar ao que 



(f) P^ienth-tt JLRpertUdo pedio tre^unt, p^rtwfrnHo^ çue sldett» 
iro He ttn met no era soccorrido^ que ení*rf/aria el castUío, Ferre- 
r«>, Hi«l. cie Espann, lom. 6.® p»g. .306, n <* 4 — A authoridade do 
Híntoriador hespanlioi «wái rebate a inrundada idca do Hbtoriogra* 
pho |>ortu]^uet. 

{2) No paragraf» 69. 

(3) No lugar ja citado^ n.^ 4. 



— 66 — 

ftoherftnnmenle exige a ex acção hisforicn^ «-* Quetn al^m 
d^íslo ler com nllenção o período da historia de Porto* 
gal, que fica copiado, ha de achar que a refericlit omii^ 
lâo faz que se coUija que os cercados espera ttttfk toft* 
corro dos generoet j4lmoravide$ da Hapanha^ tem qttl 
pura este fífeito os tivessem avisado do apuro em que 
estavam. E na verdade do tal período fó se -conriue que 
ellcs euviaram com este aviso mcntagciro» à Af'r\ca^ e 
não ixo% gencraei jilmoravidc» da Hevpanha. Is lo porém 
é manifestamente çoptrario ao que n« in^ior ^pfiplUvdc 
testifii a a hiàtoria ! 

Enviaram menfogciroê á yéfrica! Será por veolurti 
insistiremos ainda, exacto este modo de historiar! Tal 
não dírf^mo^ que o seja. Foi por acaso á Africa, generi* 
ca e ab<>tractamente fallando, que foram enviados h 
quellcs mc'nsa<(eiio8, como inculca a expressjJLo? NÍo 
foi restrktamente a Marrocos, aonde se achava o Toch* 
fin? Foi. E será de mais apurada fidelidade historiei 
tomar o todo pela parte, o abstracto pe]o concreto^ o 
mai« genérico pelo menos genérico, que fatiar tem fi" 
gura! Nâo sabemos que taessynedoches sejum licílai m 
hi^toríudor. Pelo contrario ninguém deixa de conbcref 
que o uso delias faz soíTrer ao planeta luminoso da bif 
tnria alguns digitos de eclipse ! Na verdade quando o 
plagiário ou o rapsodísta, para armar á novídado» cha- 
ma ao campo da abstracção, ou generalidade aquell« 
pontos geographicos, que a historia designadamente di 
n conhecer e inculca como ibeatro individual dos acOD» 
tecímeoios que refere; esta longe de instruir e eaclare* 
cer, como lhe cumpre, precipita aquelle que a lé no 
barathro da vacillante e nebulosa ambiguidade. 

Ainda temos porém algum rabisco ou antes labrQs« 
ca, que nâo deve ficar por vindimar ! Aoqde está pois el- 
la ? Ealá na expressão -«— generaet Almoravidct da Ha^ 
panha, — Que generaet j^lmoramde» da Hespanha fio 
esses que figuram na hypoihese de os cerciidot nSo se- 
rem por elles soccorridos ? Encontrou por ventura o es* 
cripior portuguez esta denominação em algum docu- 
mento histórico! Em nenhum por certo. A historia aio 
dá uma similhante d(*nominnçâo áquelles chefei, ou ca* 
bcças que im|>eravam em Hespanha, a quem ot cerca- 



— 87 — 

(ios de Oreja maiidaratn pedir loccorrò. Dá-Íhet tim o 
nome de Reis (Rt*ges), nome com que mai§ de uma 
líez sao designados na Chronica de D. AlTonso VII (])• 
Nao é poU uma manqueira Imperdoável ò dar o nome 
de generaes áquelles a quein a historia «6 faz conhecer 
com liliilo de Reis? Todo o mundo o ha de indisputa* 
velmente affirmar. Tahez enlejiderá eile que a palavra 
Regei se deve traduzir por Z^ticci, geoefáesf Sé oenlen« 
deu contra a com m um e recebida hermefieutica ; qual 
foi o seu fundamento? Nenhum por certo teve para se 
desviar da ordinária e trilhada viela. ^ — n Foi desde o 
90 principio do século 11.^ que o reino de Córdova (oii 
9i jcaTifado tegwndo outros) se vi^i det»niembrado pela 
» ambjçao de uma multidão deÀnhores, que á sombra 
99 das desordens, usurparam o titulo de Rá$^ Toledo^ 
ff Valença, Saraguça, Sevilha, Orihuéla^ qua«i todat 
9» as grandes cidades, tiveram reli independentes. At 
19 províncias se mudaram e^ reinos » (S). A* vista des» 
les successòs tão demonstrativos, mencionados em sua 
hisioria pelo judiciosisslmo Abbade Millot, como pode- 
rá ter logar aquelle titulo de— generoes.^ J^oi mais uma 
carónada da su.a excêntrica imaginação romântica com 
pontaria de recochete dada na fidelidade histórica, para 
adr.ed^c; deprjeciar as forças dos Agarenos na {le^anha, 
lá para o fim, que todos sabem ! . — Continuemos poréoi 
a derrota. 

9» Concedeu o Imperador. as tréguas pedidas: par* 
9» tiram os ^lensageiros : mas o soccorro não veiu, an« 
f» les o trjste de&engji^na dê qUe ^ra necessário render* 
99 se 99 (3). Como é Is^o? As tregoas foram propoêtnsf 
Ou íofam pe/diàa$ ? Em que ficámos f... 6e acloiá dis- 
sestes qu« foram propostas (ou, o que é ò mesmo, que 
os cercados propoxeram um armistício )i porque dizeis 

(1| No- mçMno logM* da Cbronf ra, Já rStado. 

(2] M 0^« le rommeuremetit du onti^me tiécle, le rAramttcf ilè 
f9 Cordoue fui demembré par Pambilion d^uoe fonie de teiíçii^ur» 
rf qui, à ia faveiir de* troubles, u»urperent le tilre de róis. Tol^de, 
19 Valenre, SaragOMe, SévUle« Orilméla,. nreaque toote» lei gran» 
p det ifiUes< eureui de» rei» indépeudan». Lea próvinre» te.chan^d- 
tt reni en rojaiimet. n (Millot, Blémeiítt d^Hwt^re Qcncrale tom. 
6J^ pa^r. 219 e 220.) ^ 

(3) Hiitor. de Portugal, tomo 1.^ ctc. 



— 58 — 

«gora que as tregoat foram paRdat t Recorrereis á ancbora 
dasynoniiniaf Niovosadmittlmos o íneplo subterfúgio! 

Partiram o» mcmagàroê ! Quem ler este modo de 
exprimir genérico ha de peasar taUex qqe os cercados 
fizeram partir algum cardume de mensageiros para le- 
var a noticia do seu estado de apuro. Ha de |>orém en« 
ganar-se. A historia de Ferreras em hespanhol tamsó- 
mente escreve que n Ali fizera aviso a Andaluzia^ e 
r Marrocos do que se passava » (1). O seu traductnri 
Mr. d^Hermilly, restringe o caso a dois expre^so^*, um 
a Andaluiia^ e outro a Marrocos (2). Ora seguindo^ 
como commenlario ao original de Ferrera% as fmluvras 
do traductor, como poderá o historiador portuguer^ que 
restringe só a tal mepsagem á j4frtca (como já se fes 
ver) escrever sem censura —* parHrcim os mcrisc^etroff 
E* elle quem a si próprio arma os cambapé», e se dei* 
xa emmaranhar em taes engri mancos !•— Ha de soccor* 
rer*se á Chronica de Affonso VII. A questão terá «ntlo 
toda com o traductor de Ferreras, que é quem forneoeil 
o elemento da objecção ! 

Mas vamos já pôr termo á impertinente e adiapho* 
ra digressão do historiador portuguez, com inépcia fila- 
da a gancho para despeitar a grandeza do Feito d^arroas 
de Ourique. Vamos sim concluir com o repugnante e 
incommodaticío sacrifício, que temos feito, deatranscre^ 
ver, para finalmente lhe rendermos as devidas honras 
do bo.ta*fóra ! 

n Andavam por tal modo ( historia elle ) revoltas 
f9 as cousas do Mnghreb, e, apezar da reputaçfto e es- 
9f forço militar deTachfin, e das excellentes tropas que 
99 legara da península, a sorte mostra va-se tSo adversa 
99 aos lamtunitas que o auxilio pedido era impossivel. 
99 Tachfin, desbaratado em successivas batalhas^ mal 
9f podia amparar o throno vacillante de seu pae, thro- 
» no a que s6 devia subir para ficar sepultado nas rui* 
i9 nas delle. Aurélia entregòu-se, por tanto (outubro 



(1) Vrja-«e o loj^nr qneji( flra r!ta<fo a pajr. 56, 

(2) Ali Hifliit «{gbé 1e Traité el li% 



, -, „ -^ - - ,- livre les ola;;ef, «fép^rha mi R^. 

pré% en Andaloiisie, et an aotre à Maror, pour àriertir le Rol loa 
Maitre de re qui se pauoit c^tc* (Tom. 3,? pag. 411}. 



— B9 — 

» 1139) e as di^monstraçSeft de jubila nSo lá do exerci^ 
ff lo, ma» também da capital, provam qual era a im<» 
ff portancía d^aquella conquiftta » (!)• -^ Nunca Aurer 
hn {Caxorla^ legundo a novinima descoberla do noiío 
erudito escriptor !) se viu ião garrida e ariebicada com 
ânntas flammulas e galhardetes de apregoada im.portan« 
cia na republica lypographíca, como nas paginas (iecan» 
l,adas du normal historia de Portugal!... Mas é nes^a 
importância imaginaria, cómica ecaiícata, que esiá ala* 
pardada a miniatura mais expressiva, e provocadora do 
ridículo! Na verdade quem jamais, em todo o variado 
e vasto domtnio da historia, sonhou, ideou, disse, ou 
xleu a entender que a tomada ou entrega de Aurélia 

ÍPrgOf por impossivel commiitada era Ca%orla!) pelo 
mperador D. ASbnso .Vlf, Uei de Castella e de Leão 
«ra, não digo já argumento, mas nem sequer remoto 
jsimulacro delle, para provar que os lamlnntUiif ou, por 
outra, os Sarracenos^ na Península hispânica ficaram, por 
cumulo tle um tal ^^jàr^ sem poder sequer, como áh o 
chistoso vulgo, com uma gata pelo rabo? E por conse* 
qtiencia irrefragavel quando çahiram no langarás de se 
Apresentar no campo de Ourique^ para debellar D. Af- 
foQso Henriques, não eram mais <pm numero e valor que 
Vva Jbatido .de janistroques farrapôes, quaes por exem* 
plolia quarenta e tantos annos, ainda mal, os vimos, com 
o carimbo de exercito protector, entrarem pelas ruas 
desta capital, coxos e estropeados, sob o commando de 
ti m go//o, harpia rapinadie, que ao passo, que nos ia 
deixando sem chavo para comprar uma pada, não ces* 
sava denosembahir com fafarfarUe promessa do um no^ 
vo Camões!.... Quem jamais sim foi desencantar um 
t&o paradoxal e deslocado fundamento histórico para de- 
duzir disparate ou pelo menos o seu (equivalente, de tan- 
ta e tão inqualificável dimensão gibosa, e caquetica? 
Basta unicamente olhar para a. originalidade da lem- 
brança para desde Ipgo reconhecer que ella fica, peto 
próprio pezo do absurdo^ altamente abysmada no porão 



(1) Histor. de Portugal, tom. 1.^ |m^. Mt. 



— 60 — 

itnmenso do arcbi-profundo pélago do zero! — Para a» 
quillo que imagínariamenle se pretende concluir ser 
\erd(ide, ou pelo menos ter algum viso ou Iraço dellai 
era preciso, pelo menos, que se provasse que toda a flôr^ 
o mimo, o principal das forças lamtunttai se achava no 
ca<iello'de Oreja, e que estas, depois da tomada d^aquel* 
la fortaleza, de tal modo, e por guisa tal ftcaram ame* 
drontadas, enfraquecidas, e apoucadas, que os lamtu^ 
nítas nunca mais puderam na Península, quer iovadir, 
quer fazer frente aos Christãos em campo de batalha* 
Isto porém é tâo falso, quanto desmentido pela historia 
peninsular dosannos proximamente subsequentes áquel* 
la conquista ou antes entrega. — Entre outros suceei* 
so<«, ella nos faz sciente daquella audaz irrupção^ que 
com grandes forças, logo em desforra da derrota, qut 
tinham recebido no anno precedente na Batalha de Ou* 
rique, fizeram sobre Portugal os Mahometanos lioiitro^ 
phes no anno de 1140, insultando o castello de Leiriai 
que tomaram, e demoliram (1). No anno da 1141* en- 
contraremos a incursão feita no reino de Toledo^ • to* 
mada do castello de jMora pelas forças reunidas de A« 
ben-Azuel, e Aben-Cela; o primeiro Alcayde de Cór- 
dova, o segundo de Sevilha ($). Em 1143 Ier*te-ha a 
sanguinolenta batalha junto aos Pofoi de j4lgodor^ sni- 
tentada por Farax-Adalí, Alcayde de Calatrav^^ co»> 
tra Munio Alonso, e Martin Fernandez, que nfto tira- 
ram a melhor do feroz Mahometano (3). Porén^ que 
digo! Quem nSo sabe que mesmo durante o cerco de 
Aurélia (no anno de 1139) os Mouros do partido de 
Tiuhfin formaram um exercito de trinta mil homeos, 
fora vivandciros e outras gentes, para fazerem levanler 
o assedio? (4) A* %ista deste facto, e dos ootros mea- 
cionados feitos bellíros praticados logo nos teitipos^ nos 
annos ím mediatos á Bnialha de Ourique, pela Mouris- 
ma dominadora das Hei^panhas; como se pôde desai^ 
frontadumente dar a entender que as fileiras da força 



(1) Ferreraf, nistoir. c<»n. d^Rspagne^ tom. 3.^ pá;. 416»>Br«M«> 
dao, Mon;ir<h Ltit L. 10, rap. 9. 

(2) Kerreras um Obra rilacla «te., tom. 3.^ pag. 417 e 418« 
'** Ft^rrerai, (om 3.® pag 424 e 42fi, 

Ferrerai, tom. 3.* pag, 410. 



(3) 
W 



—et 

dot lamtulúiaif que concorreram ao campo d^aquell^ 
I memorável Combate, offerecíam o espectáculo do — ap* 
^ parati rari -— do cisne mantuano; e todos elles tremeu* 
^ do de susto e medo como varas verdes ? Qu.em recorre % 
desvarios de um tal e equivalente lote para deprimir n 
I façanha grandiosa dos Portugueses e de seu primeírq 
' Alonarchn ao Campo de Ourique, chegando até ao Ue^ 
netico destempero de a qualificar com o nome de bulha 
(1); não s6 renega dos sentimentos communs de nacior 
«alidade, que palpitam no coração de todos os uaturae) 
de qualquer pais ; mas até contradiz, e menoscaba os ele- 
mentos mais tríviaes da arte de raciocinar!.... JVIas dei* 
xando para outra occastão o descarregar sobre oattenta- 
do horrendo, com toda a merecida rigidez, e inflexíbili? 
dade, o já por vezes alçado azurrague critico; vamos a- 
gorn |)or um pouco ti rotear o copiado texio. 

No primeiro periodo da transcripta salsada, figuram 
como de cataplasma vesicatória, as causas do Maghrcb 
por tal modo revoUat^ que (de concomitância com asor^^ 
i€ qne ião adversa se mostrava aos lamtunUas ) ape%ar da 
repuiaçâo e esforço milliar de TachfiHj e das excelknieê. 
tropas que levara da pcn%ns:iilQy faziam que o awcMio pe^ 
dido para sustentar Aurélia, fosse imposstveL •— Que 
lem a impossibilidade de enviar os pedidos soccorros % 
Aurélia por causa das cousas revoltas do Maghreb, e da 
mais que se fisga, abalroa, e atraca, com a Batalha d<| 
Ourique; para d^ahi se deduzir argumento contra asuçi 
verdadeira e real grandeza? Acaso encontrou o parado- 
xal escriptor da alcunhada historia, de Portugal escripto 
e narrado em alguma membrana ou canhenho oraculíno 
de garabulhas e gorgoiins cufficos^ relíquia veneranda da 
algum dos sectários de iMafoma, que habitasse as Hc8« 
panhaS| o fatal e inexorável accordam que — se Aure« 

(I) Astim se exprime o Aolhor da Historia de Portagal no Jor» 
uai — A Semaoa — n ^ 10, faltando da Batalha de Ourique. Uma li. 
milhante qnaliaca(;5o, que é em si mesma um insulto, um escanda* 
lo leso-Narional e Real (omittindo outros termos depreríadores do 
Jfeito f;loríoso, qne se encontram em diversos opúsculos da mesma 
penna) assas ronfirma que nÍo havemos sido exai^Ketados quanto a«» 
l^ráu de aviltamento, a que temos feito ver que o bistoriugrapbo por- 
fujpiec se empenha reduiir o primeiro moavineiito de heroicidade, 
que ornamenta os Annaet da Monarcbía. 



— 62 — 

lia fone conquislada peli^t CbrinlSon, por falta dé IIm 
t>8o prestarem o pedido soccorro, ellot Mubometanos Mí- 
riam em ca«tigo obrigados a apparerer nesse mesmo aa- 
no em Campo de Ourique com tropas iSo mÍDg(»adaê| 
de fileiras iâo rareadas^ que para logo, traosidiH de pa- 
nico, não fizessem mais que dar ás trancas, á primeira 
trom betada do exercito furibundo do grande AfTontof 
Só nesta hypolhese, que não sem custo conseguiria ea» 
trar ( prescindindo já do an.achronismo que aleija, co» 
mo depois mostraremos) pela jumentat guela de algum 
basbaque, zumlmieiro do SancarrSo do Profeta ; 6 qiM 
se poderia admíttir alguma influencia fatídica ( alou* 
ranicamente faltando) da perda d^aquelle casteilo ao 
Combate de Ourique, relativamente áperlendida pequi* 
ce e pequenice ou caturrice da força mahometaoa !..«• 
Porém se nem esta, nem qualquer outra h3r|>othese dt 
jaez fatalista pôde ter logar ; |k>ís que as mesmas nii-^ 
hometanas historias incontestavelmente as desmenteait 
mencionando factos que provam que as fileiras dcM Sar» 
tacenos não se achavam rareadas no combate de Oorl» 
que (l); como é que taes e quejandas romançadas cb 
Historiador portuguez ha de acreditar o homeai venia* 
deiramente instruído e sensato? — Mas que favas eoo* 
fadas eram essas, que, dada a desastrosa impossibílida* 
de de defender Aurélia, tão forçosa e irrevogavelments 
haviam de brotar a brusca entremezada de os inimigos ap* 
parecerem em Campo de Ourique em tão diminuto oq« 
mero, e com caras qua^i tão marasmadas eescanif radas, 
como se tivessem jejuado em todo o rigor o ramadah! 
Como assim ! Pois acaso porque a bicharia Mourisca 
perdeu uma praça, ou casteilo por falta de soccorro (le- 
vando de mais a mais o governador delia comsigo para 
Calatrava toda a guarnição fora o mais. Conforma um 
dos artigos da capitulação (€) ; o que outrosim prova, 
que aquella |>erda não podia tornar rareadas aa fikirat 
doslamtunitas)i pôde lirar-se a necessária conclus&ò, que 



(I) Veja-te-* JErome UUtarieo etc. S9br€ ci Bctínlfta dm Olirif «t 
etc. por A. C. P, pgf, 14. 

< (2) Chrf>n. <te U. Affimso Vil. Flores EfpaSa Sagrai" toai. 21 
jpag. 379 o.^' 70. 



— 68-. 

o« outroii goTernadorf»^, òu Alcaydeny Refi ou- régutot 
ila9 iana« lerrns da Hespahha Sarracena fícatsem pura 
lo^o iiihit>uii>9 il« poder<*in ainda apresentar eni cam|iÒ 
um <*xf rcito fí>rmal e numeroso, pura «e baterem com ok 
feus iidiefSHficis? A historia altesta por difTerentet ^ezet 
o iMntrarío (1). Na verdade^ disse, ou dirá por ventura 
jamais alguém que a perda d^aquella praça- trouxera ' 
c*(>m<*igò a ruína das forças mahometaoas; e a ponto da 
ficarem tâo definhadas e alcacbinadas, que nunca roaís 
p(HJeram levantar o colo para com valente, e numerosa 
forqa pelejar! Ninguém que tenha a cabeça em seu de* 
vido e natural togar ha de pronunciar umtâo julofo, ^a« 
pp7unhado absurdo histórico. M ui to menos houve jámati 
fi)^ut*m que tivesse angariado, e filado símilhnnte suc^ 
cTsso (a perda de Aurélia, Oreja e não Cátorla!) para 
tifgar com a\iliamento a grandeza do Combate ou Bar 
taihu de Ourique? 

i) segundo periodo é igualmente- uma miséria! *-^ 
Que tem com a posslbilidade-t^ real existência da Bata^ 
lha de Ourique^ conforme a mais critica historia geral-^ 
menio nol-a apresenta —o mal poder o Taehfin desbara*' 
tado em iuccemi>au batalhai tuUentar o ihrono vacillanlc 
de nen poe? Eru f)or ventura condição ab^ioluta e indis^ 
pensa vel para existir e realizar-se nquelle grande com^ 
t)ate que Taehfin estivesse dominando na Península, a 
nào se achasse por então no Maghreb, deibaratado efà 
sncce»s'ivaii balalhatf Quem tal jámaii nem sequer so<^ 
nhára? Não havia mais chefe algum ou alguns na Pe^ 
nínsuln Hispânica, que podetsem, e soubessem reunir^ 
e debaixo do seu commando adestrar tropas para uma 
peleja campal? Não teriam etles as forças necessárias 
para tal empreza? Debalde o historiador português ha 
de fMxier resolver estes problemas em seu favor, contra 
aqtiillo que testifica a historia, como já exemplifica* 
mo* (I). » 

•Vias que ihrono é etMt^ a qiic Taehfin $6 devia $ubir 
paraficat upultado nas risinas delkf Pois as cousas do 



(t) Vrjmn-fte m exemplo» }â apoatades a pt;* ^ desta 2«* Parte* 
(2) Vej. p»^. 60 desta 2.* Parte* 



— 64 — 

Maghrch fichaTnixh-fe de tal modo recoUaif quando le 
entregou Oreja ( jíureha^ íMo éf (M%orla na Geograpbía 
doDOftSo inerrnvel historiador i) para símílhanle prognoi* 
tico se poder tão enfalicameoto adiantar f Não. Pronoa* 
ciarool^o, contra a aiteierada falsidade, com toda a 6f 
meia^ e segurança histórica. Sim^ a historia oot certi* 
fica^ que, sendo tomada Oreja na anno de 11^9, depois 
de sete mezes de assedio, durante este mesmo tempo Ta- 
çhfin, que enião se achava em Marrocos, tendo noti^ 
cia do apuro em que se achava aquelle castello, pront- 
plamenit Iht enviara um grande comboi de mvercê^ t um 
bom carpo de tropai de reforço (1). Em |Kesença desta 
facto, ornais terminante e incontesftavel, de fHrospera fo^ 
tuna, como poderá alguém inculcar as eousaã revoAoi 
do Maghrtb, com aqucHa face com que as quer roopli^ 
gir o Autbor da Ht»toria de Portugal? Como outrosim 
a não ser profeta (qualidade que ninguém reconhecerá 
DO historiador português ! ) augurar com tanta firmesa da 
futura desgraçai do Taehfin? É* por tanto de cunho di 
alta incompatibilidade tanto o prematuro prognostico^ 
como odíier-se como seu fundamento, que a« coutas do 
iMaghreb (que segundo uns significa a parle sepientrio* 
nal, e segundo outros a occidenlal de Marrocos) se •• 
rhavam naquelle lempo revoltas por tal e tão exagge» 
^ado modo. — - Quando porém um «uccesaa tio clara* 
mente opposto combate e destroe a falsidade ; a palino- 
dia é um dever f — A inda no anno de 1 14^ ( tesnpo em 
que as cou$aê do Moghreb se achavam indubítavelmeott 
muito mais revoltai) se acha escripto que TacbAn por 
occnsião de fazer governador general dos seus estados 
em Hespanha a Àben Gamúj lhe enviara de Marrocos 
uma ãomma conúderavel ptira faxcr tropai em tadoã Of 
HUi Citado» (1). — A grande revolução deMarrocos^ na 
faltando mais reslrictamente de Mnghreb, que o Histo- 
riador português com intolerável anachronismo aproxi- 

(1) H fl «nfoyA promptement nn (çrnnd rfmvoi de irivres« et ■« 
tf bon rorpt <|p trfMtfM*t tlvrenfort. (Histoire liniversHIe eir. Iradat- 
M t^ de tV^nj^loifl d*une torielé de fien% de letlreu, tom. 14 de I^Htf 
V* loire IVfoJerne, uaã. 231, Secliou 6*). f9 = Chrooic« dm Affooso 

vii, f e«. * 

(2) Ferrerat, tom. 3/ pag. 423. 



— 68 — 

fhúy %é nBo piSe, áo anno de 1139, só teve lofrar, como 
referem os historiadores, pelos a n nos de 1146. » /ébd^ 
n clmameny chefe dos jíhnohadetj que havia algum tem^ 
h po estava em guerra com um descendente de Tathfinf 
7> foi inais feli2 em 1146 do que o tinha sido nos annòt 
99 precedentes. Depois de muitos combates entre os dois 
99 exercitoè^ que nada de decisivo tiveram, a víctoria se 
99 declarou em fim por >^6d-f /-mom^ri ; e Tachfin, força- 
99 do afugir^ se refugiou em um cástello na raia de seus 
99 estados n (1). Cure por tanto o escriptor ignorante, 
ou inadvertido com o baUamo cicatrizador da devida 
retractarão a estocada, qtie pregou na historia arábico* 
hispana, com o reprehensivel fim de fazer murchar uma 
das mais belias florei dos Anriaes das glorias pátrias!... O 
remate^ fecho, ou xlesfecho do paragrafo é digno das 
premissas, que o precedem. -^ jliirtRa tnlfegou-tc por 
ianio. Que vem ao caso que Aurélia (significando Orç/a 
e não Ca%orla^ como tão ineplaroente se entendera ! ) se 
entregasse? Por ventura com essa entrega esteve jamais 
identificada a exinanição, ou aniquilamento das forçat 
dos Mâhometanos! Nunca eidriptor nem escrevinhador 
algum pronunciou um paradoxo de tfto agigantada ma* 
gnilude! —^ Porém que digo! Houve jamais alguém^ 
que tenha tido apenas alguma leitura da historia hispa^ 
tío^arabica do século IC.^, que OUfasse, nem sequer por 
burla, pronunciar que a entrega d^aquelle castello trou* 
xera para os Sarracenos Uma perda de caracter irrepa^ 
ravcl; uma perda d^aquellas, que deixa os vencidos na 
impossibilidade de futuro reunirem forças numerosas pa- 
ra se baterem em uma batalha campal? A singularissi* 
ma incapacidade intellectuâl, que assim julgasse, tora« 
ria o extremo da mais tnsulsa, e cascuda estupidez !..• 
Tanto na verdade o estado contemporâneo dos JVf auri* 
ta nos na Hespanha, como os factos posteriores e de pro* 
3iimos periodo«, seguramente convencem ainda o mait 
peticego de discernimento, que folhear a respectiva bis^ 
toria(é), deque otaoexaggerado revez nio passou daef# 

(1) RecberrbM HMoriqnn tiir les Maoret et Hitloíre ^r I^RaipC* 
re «1e Hlaror, par M. de Cheuier, tom. 2.**, pag. 66. — Fei^icraa, 
liitt. Gen. d^Rfpa](De« tom 3.^ pa|(. 435. ■ ., ■ .^ 

W Vcj. pag.^e 64 deiUl» Parte. 



-•66 — 

cftia commum doi ordinariot dezarei !- A coiiclii«>3o por 
tanto, que se preleode firar da mencionada enircga, to« 
ca, «lém de falsa, uma das meta<( do alio ridículo! 

19 E as demonstrações de jubilo {eonelue) não 96 da 
» exercito, mas também da capital, provam qual etã 
n a importância d^aquella conqoista. ff Não entrarei na 
questSo le é ou nSo lógico e critico o avaliar a impor* 
tancia da entrega de qualquer castello, praça, ou cida- 
de pela appnrente phydíonomia das dtmon»traçÔc» dtjw 
Vdo. A historia também nos mostra fantasmagoriatdes* 
te género de louçania para tapa-olbo fllusorio' de gran- 
des efataes derrotas bellicas. Pi buze, em todo o caso, dci 
julgador da tal tmpor/ancin tem próximo parentesco con 
a dialéctica d^aquelles que tom sLboafcíçcUi de julgaria 
da grandeza da banda musical pelo sobresaliente e«trer 
pito da batedura do ím(>ertinente zabumba ! -r^ Porád 
que demonilraçôcs dejíibih da parle da excrciio fonoi 
essas, que denim tanto no goto ao nosso escripior para 
fazer valer tão sobremaneira aqitelhi importnneuít U 
que a historia só nos diz a este re»()eito é: ».Que oIon 
» perador logo que tomou posse do castello de Or«ja 
p fizera arvorar sobre a mais alta torre os seus estaodaM 
» tes, durante que os I3i«pos e mais eeclesíasticos, qua 
» o acompanhavam, entoaram ou caniaram o 71b Dmm 
» em acção de graças (1). n Vè-se pois que toda» a§ (U* 
tnonêtraçÔci dcjíibiio da parte do exercito apenas ae ie« 
duzem ao puro. e circqmscripto acto de içar uma» haa* 
deirus, otj cousa que o valha, rm torre mais emineote do 
castello de O reja, no come nos que se entoava^ ou caiH 
tava o referido hymno. Ora e^tá demonstração de jubi« 
lo, não passando, como é evidente, da classe daa maia 
ordinárias e.triviaes em casos de similhanle naluMia^ 
está bem longe de se poder altegar como argumento, 
que valor especial tenha, para reputar em grande e tubi* 
do apreço a entrega do castello de Orejji^ A* vista d*ís« 
to Q Historiador portuguez ao passo que cuidou, como 
proverbialmente dizem, ir buscar lã, veio tosquiado ! 

Mas aonde estão essas demonstraçôei de jubilo dã 
€OpUalf que também se engalarami e engaigalharam na 

(1) Fcrrersf, Hisl. Gcn. d^Espaiae^ Un|í« 3«® psg. 4J2p 



— 67 — 

bateria para fazêr fogo de vista com intuito de vender 
árredula sinceridade a postiça mercadoria? Aonde estio 
pilas?... Saiba todo o mundo que laei dcmonitraçôe» de 
filbito não houve em Toledo^ que conste terem tido des« 
pacho algum na alfandega histórica, por occasião d^a- 
quella cnlregti! — Pois como é i^to? Clamará com horr 
riiin, e(ie<»a^naJa celeuma toda aan/i-/am/ clientela di| 
idolatrada Ais/oftri, que cahira na estólida foíice de ju^ 
rar ria<i palavras do seu homem I.... Eu lho digo: As de* 
monstraçôe» de jubilo^ que tiveram logar na capital, nlp. 
te prova que fo»sf^m por orcasião da noticia, da entrega 
do caHtello de Oreja. £ por isso nâo se pôde dí^er qu^ 
a iinporlancta dti conquUla desse motivo a ellas. Tive* 
tam sim logar poroecasião da entrada do Imperador eni 
Toledo (dias talvez não poucos depois da tal acquisl* 
çào) ; tendo já, depois de tomar varias providencias para 
ii^segurar a conquista, licenciado o exercito. Consistiraoi 
ellas em uma recepção solemne e pomposa feita pela 
capital ao Monarcha. A- historia não nos diz que fòr^ 
por cau^a da entrega do Oreja, que tivera logar este sir 
gnal de dedicação civica, e, n^aquelle tempo, de vatr 
sallagom para com o Soberano. (1) Para que se ha de 
pois de ir apontar como conhecida uma causa t)ue o nSo 
é, nem como tal jamais fora indicada? Tira«se pela fiei* 
ra dadeducção, responderão os apaniguados, escravos dp 
Jpse dixit 1 Que dados porém tem o escríptor para poder 
affirmar que otVIonarcha não teria aquella recepção ap^ 
parutosa, senão tivesse ganhado aquella conquista? Ne- 
nhuns. — Prescinda-se na verdade da vinda do Monar* 
cha para Toledo; eque folguedos, que festejos se encon^ 
iram na capital por occasião da noticia da entrega dç 
Oreja? Nenn um bó sequer nos indica a historia. 

Mas para que é progredir na contestação? Conce-» 
damos, |V)r todo <i preço, que na realidade aquellas dc^ 
mon^traçÔ€9 d^ jutnlo na capital tivessem por objecto pri* 
inarío o festejar a entrega docastello de Oreja; figuran^ 
d<i o Imperador nella^i, como Pilatos no Credo ! Que 
demonstrações dcjvhilo da capital foram essa»,, de cunho 
fora do ordinário, que possam servir de fundamento pHf 

(1) Vej. Ferreras na citada Hirteria, tom. 3.® ff^. 4|2. 



— es — 

ra moftlrar que a entrc^ga de Oreja ( jíureRa^ qvee cofff 
inaudito absurdo quer o prototyfK) liutorindor seja Ca* 
torla!) ou fintes capitulação, fòra um fracasso de tSa 
fatal tcrribilídade, que nunca mais deixou levantar ca- 
beça áshumtlbadas eabatidas meias-luas? 8e assim fos- 
se, é bem de ler que a festança não havia tarnsómeaie 
de ficar redusida á mesquinha economia de uma, em- 
l)ora pomposa, recepção feita ao Monarcha !.... Não em 
natural, e seria até repugnante, que uma vaotagem 
marcial, que punha ou virava os lamtnntfa^ de pernas 
para o ar, conforme o dizer do vulgo, a ponto de onth 
ca mais se poderem pòr em pé, fosse talvez n|>ei»a§ çe* 
lebrada por algumas horas defilgança! U m surcesso tÍ9 
transcendente era motivo mais que juslo e de sobf^jo ps> 
ra uma expansão de alegria mais intensa,^ e duradoõr» 
A historia porém desen'gana a todo o m'undo qiro « ktf 
Bin^a que seja o da mais espalmada, e esguia inleili* 
gencin, que a entrega do castelio de Oreja nâk> Irouxenr 
comsigo mais que uma tmporíancia loca) e relativa. A 
cambaleante dialéctica portanto, que se funda no prii* 
cipio romântico das demonsiraçôes dejubih^ caduca -pof 
mais uma mazella! 

Deixariamos aqui já, de bom ou máa gratio^ d«pro« 
gredir no censório varejo. Alas qa« ha de serf....« Quão- 
do, já cançados da tarefa, |)ara resfolgar, estavamcH puí 
um vai não vai a cerrar e pôr de parte o romântico • 
epigrammatico volume da Historia de Portugal ( âiitn 
magftum de inepcias históricas); cisque não stsi qiM 
machinal e fortuito impulsp^ nos fez empregar a- ví«i« M 
dtaçSo de alguns aulhore», que na orla, oa^ mafgeoi 
austral da pagina, aonde termin* o paragrafe» analysa* 
do, se encontram aposentadas. •-» Para alg»en» que ir* 
nha a vulgar bonomia de passar por estet nicho* ou ca* 
xulos de trivial erudição, como gato por brazas, ou cão 
por vinha vindimada, o embrulho ficaria sen» rfsceher m 
homenagens de uma esmiuçada revista !..•• Quem sóa 
todavia andar no cambio especulativo da analyse, e teoi 
repetido, e velho conhecimento das viellas e azinhaga*, 
por onde muitas vezes inesperadamente se faz tranzítac 
o foragido contrabando; este tal anda sem cessar crom 
tentoi e olho á mira ou sempre á íerla, para nau 6car| 



— 69 — 

%em o peniar, ijnplinemente engaiopado!,.. Quantas 
vezes o charlatanismo lítterarío alardéii com um turbi- 
lhão de authorídades que nada provam, e até mesmo 
provam o contrario? Quantas vetes se refugia sob a tu- 
tela de escriptores^ que «e pòr um lado parecem patro^ 
cinal^; por outro lado subminísiram matéria para se 
lhe fa«er a mais grave e indispensável censura? Ensinar 
dos e escarmentados por uma e mais vexes exemplifica* 
da experiência, com razão entrámos em espontânea du- 
vida e prudente suspeita se a letra dixià com a careta, 
quando démo# com os olhos na guarida cathegorica das 
acorrilhadãs citações. Recusámos dar assenso cego; e 
Desse momento de cautelosa reflexão nos veio logo da 
assalto á memoria osic vakai ut tu farina c$^ g%usjace$! 
Neste embate de incerteza se ha ou não logrnção, se ha 
ou não embofia, decidimos a contenda pelo axiomático 
bordão do vulgo — f^er c a^er^ como S. Tliomé! bem 
mais divagação vamos áquilló que altamente importa^ 
Um e o primeiro dos Documentos, e Monumentos 
que o Author da Historia de Portugal alugou ou ape- 
Dou para fazer crer (além de outras asserçôes^) a fantar 
siada importância da entrega de j4ure^j é a Chroníca 
de D. AHbnso Vlf. Vem transcripta esta Chroníca no 
tomo SI da Espana Sagrada, (obra esta escripta, como 
todos sabem, por Florez) a pag. 3S0 e seguintes. Cita 
(o Aulbor da Historia de Portugal) desta Chronica os 
capítulos (e eu direi números) 60 a 63 e 67 a 78 do 
J^ivro 8.^ Em qual, e aonde porém destes logares se 
encontra cousa alguma, que inculque , a impor/ancia 
d^aquella conquista no gráo e cathegoria f m que a prer 
lende inculcar o historiador portuguez? Aonde é que è9 
indica na mencionada Chronica que a entrega de Auré- 
lia trouxera comsigo uma calamidade tão furibunda so- 
bre as forças lamtunítas, que as deixasse em uina omni* 
moda, e irreparável derrota? Que período, que frase, 
que termo, sequer, 'nella se acha escripto, que dé a co- 
nhecer ao menos um longcf, um vislumbre de que a en- 
trega de Aurélia cortári^ radicalmente a esperança aos 
JMuuros da Península de poderem apresentar em Oamfx» 
de Ourique ou em qiialquer outra parte, em tempos 
•uccesií vãmente próximos ou mais remotos^ algun;!^ for* 



— 70-- 

Çft numerosa pnra «e baterem com os Chri»t8ot? Em 
nenhuma parte da mencionada Chronica se acho rattr» 
ou «ombra de uma tal, nem parecida asserção; procl^p 
tnará todo o mundo que a ler, e examinar. Quem aot- 
lyzar pois o n.^ ou cap. 71 du Chronica de D. Afloóto 
VII ha de completamente desenganar-se de que tcxla g 
imporfancfOf que teve a entrega de ^^tirc/to, fora, por este 
successo, dar fim no vexorncy csrandimma gtttfrro, qng fli 
Mouroê faziam no dUtricto ac Toledo j e etn ioda o Ek 
iremadura. K é visivelmente ne^te, e nao em outro te» 
tido que a Chronica lhe dá a denominação de grmA 
vtc/oria (1). — A Chronica do Imperador p, Afroa«o 
seria além dMsto altamente contradictoria se lomatiei 
importância da entrega de Aurélia na elevação e Bj^refO 
superlativamente romântico, em que a estima ohitlorin 
dor portuguez. C^ pois ella própria qiie, depois da «B* 
trega de Aurélia, nos menciona por vezes as tropas fnottr 
riscas batendo-se em grande numero em campo de balft 
lha com as tropas do Imperador; como se|orna evideals 
a lodo aquelle que a]er(S). Falsa» econtrodictorianseals 
|>or tanto se invoca o testemunho dei^m Documento pi| 
fazer existir uma impor/ancia, que, segundo esle má 
Documento, não é possível dar^se, nem conceber-so! 
Vamos ao segundo bordão, a que o nosso bisto 
dor arrima, com toda a mais sarrabulhada de asserçStS| 
a por elle tão guindada, e engrimpada iv(ipoTÍan«Aa da 
entrega de Aurélia. E* elle : Documeniog em il/otsrfaM 
\AnnaU$ Giterctensef, tomo 1.^, paginas 40€. ^t*. Qai 
documentos «ão esses, que se dizem achar exarados M 
trilada Obra, em o tomo e indicadas paginas? Nem udl 
tó sequer aht se acha transcripto, ou apontado, qpe coar 

(1) JSi avernan etf opprohHum* et maximum heOum% fu»d €NÍ 
Jaetum in terra Toieti^ et in tota JBlxtrematura, — Faeia cj# iwifipi 
Victor ia. 

(V) Inteiram^^Dte de aroHo com o (|iie asseverámos (por nSo-M* 
xcrmos <ie parrículariínr exemplo) está a passassem que sele naChffir 
nica de D AfToiíto VII n ^ 7tí, que é a se|;ninte: Porro aeieã Mm> 
h'tarúm et Ajartnorum. ereeti* ttás regaRòus vexUHÊ vefterarwf, d 
instiuxerttnt aciei mmgna$ ft foi titiimoi eonira ociet CfcHifi—a 
rttm, {Evfk Fio es, Rup^na Sagrada, tom 21 pa<. 384 ). •*• O lofar 
transrripto tem referencia ao anno dell43| quatro annoa de|i^ds 
Batalha de Ourique. 



— 71 — 

tenha apenni algum indicio ile te»lifirAç3o em abono de 
alguma das circum«tancías a respeito de Aurélia, que se 
referem no paragrafo do escriptor português, que fica 
analyzado; muito menos que dêem ap<»io, ou façam^ 
quando muito, allusi^es átâo inculcada imporlanáa! — ^ 
Pois é possível que no citado logar dos /lnnac$ Cider^ 
citn$e$ nada, absolutamente nada, se encontre, que sir«* 
va de coni provar alguma particularidade sobre a causa 
do cerco, duração, definitiva entrega de Aurélia, e bem 
iissim das demonstraçSei de jubilo^ que se lhe seguiram? 
Nada acerca d*aqueMa superlativa importância^ que ò 
historiador portuguez arvorou em parapeito para d^ahi 
extorquir, como legitima, e necessária consequência, a 
fatal e extrema prostração, defínhamento e marasmo das 
tropas mouriscas na occasião, em que tivera logar o Ba* 
talha de Ourique? Não é s6 possível um lâo profundo, 
c sepulcbral silencio. E' um facto de evidencia intuiti- 
va para todo aquelle que ler os apontados Annaes!— - 
Corra-se e recorra-se a olho nu (e se assim não bastar, 
empoleirem-se no píncaro ou cucuruto do esbelto narrs 
umas cangalhas microscópicas, que façam cada letra do 
tamanho de um bugalho !) ;corra*se sim e recorra^^se de 
cat)o a rabo, de lez a lez com avista quer natural, quer 
reforçada e melhorada com amais apurada lente de au^ 
gmeotar, tioda a indigitada pagina. Decomponham-na^ 
«smiucem-nâ syllaba por syllaba, letira por lettra, terá 
que nada por mínimo que seja escape ao faro da maii 
escrupulosa pesqui;!a ; qual ha de ser o resultado, ou 
antes o desengano indubitável de tão aíTanoso exame f 
Um zero; ou tudo quanto a todos os respeitos se pôde ex* 
prfmir pela palavra essencialmente negativa, e que em 
todas as línguas e idiomas significa a carência, e ausen« 
cki de tudo quanto ha de positivo c real !... Nada.*., 
fim ; nada.... é só e unicamente tudo' quanto se colhe do 
perdido trabalho da analytica leitura! — E' porém por 
esta forma etheor que o historiador láo n^ucepiívcl eopi*^ 
nioso pretende, escanchado no alcantilado coruchêo do 
blasonado mérito da sua obra, subir até aos astros ; úc 
Wur ad antraf Qae tal é o opfo!.. Que tal a nova es* 
pecie de corríóia !... Mas que çurriada!-.. Que vaiai... 
Que apu|)ttda tfto desf^í(a| e solem oe pregada á eiuiuca 



•—72-^ 

e capacha fé d*aquell«t que assignam de cruz e BbuU 
xam a rabfça a ludo quanio escrevinha e garatuja o 
homemzarrSo - da sciencia hUiorica, trunfo inaugurado 
do dia, que tão aer<?a, falsa, e impudentemente apft^ 
drinha aquillo, que com tanto entono e pytbagorica ar- 
rogância proferira ! --^ Quem á vísla de»tei e que tan 
inesperados monos se ha de poder fiar e dormir atomoQ 
•oito recostado sobre a veracidade de símilbaniet hUlo* 
riographos !..,. 

O terreiro fiador, que apparece em scena para rai« 
tentar as já transcriptas asserções, que fizeram o objecto 
da autopsia nnalvtica ó: Documento» em CbAnemir€% 
Hhtorta de Segovuij paginas 184. ttt Que documentos 
•ao esses f T^*mos outra burla, outra pulha tSo atrevida 
como revoltante para illudír, para imp&r áquellet I^M 
engolem tudo quanto se acha escripto em leltra redon* 
da ! — • Nem um »6 documento (ouça-se ! ) se lè na ci- 
tada pagina, por onde se possa colligir cousa alguma 
nem da muita, nem da pequena importância d^aqnelk 
tanquutQ. Todo o mundo que a examinar ha de afihu 
esta incontestável \erdade!-r- Em nome delia eu pfO« 
testo e voto aodef^prexo^ e á execração publica tio aM* 
wosa e horrenda falsidade em matéria de citagSeo I Sio 
dois os Documentos que alli se encontram ) a o primei» 
ro delles apenas com prebende estas succiotas palavraiy 
remate de um Instrumento que confirma as Doaçfioi^ 
que D. Ailbn^o VII tinha feito áCathedral de Segoviat 
íacta carta in SecoiÀa iecundo Katíd. DecêbrU^ qmÔiOi 
Jmperator redibat ab obgidtone j4urelt4tj quã cepertU. Bt^ 
M.(^.LXXf^IL -^ O segundo documento •e acba cdi 
parte lançado na citada pngina. Este (deixada a maia 
lenda, que nada vem para o caso) tamsómente testifioft 
que Aurélia eseu povo fora libertado do poder doa Moa* 
ros pelo Imperador D. Aííonso, filho do Conda Raj* 
mundo: ab Imperatore jédefonso Baymundi Cotmiiêjiàop 
JMattris ertpitur. Disse que ^eacha emparte natitada fMh 
^irui ; por quanto esta ultima asserção do Documento 
lé*sc já transcripta a paginas 125. — Pois é acreditável 
que na pngina citada pelo historiador português nada 
venha, nem se descubra escripto, que designe, ou e^lx>c« 
algum rasto, pista, ou pingada, por onde %e lobrigue • 



—73 — 

•nxerfifue o estado fracalhSo, a de desalento mofino, a 
que ficaram reduiidnt at tropas dos sectários de fif afo* 
ma, ^ra d*abi se deduiir o corollarío iodeclinavf*! da 
Mtporiancia da entrega, ou antes capitulaçSo de Auré- 
lia ?••• Quem quiíer ficar livre de toda a duvida e es« 
crupulo abfa e corra pelos olhos a indicada pogína com 
o mais que Ibe pertence, e em breves audiências ficará 
no goso do mais perfeito e completo desengano de que 
o Âutbor da Historia de Segóvia nada escrevera, nem 
transcrevera acerca de Aurélia, que patrocine as roman* 
tícas iilac&;s do escriptor da Historia de Portugal ! 

Porem a fatalidade dohistoriographo ainda vai mais 
longe. Sim, quem deixará de ver que é o próprio Col« 
menares que dá lursidela no mesmo individuo, que sa 
acolheu ao seu patrocinio? Dá-lba sem duvida, e d*a* 
quellas, que, como dÍ2 o expressivo e eloquente vulgOy 
são de p6r a cara a uma banda ! •— Na verdade, com 
que cara, carSo, ou carantonba ba de ficar o erudito e 
sapiente bístoiiador, quando, depois de nos ter vendido 
^uretuM por Cor^or/ei, lhe apresentarem ao alcance doa 
dois globos, ou espberas oculares, em bem grada, e nu^ 
trida lettra de imprensa, a auiboridade de Colmenareêf 
que dando um dos mais tremendos quináos, que se po» 
deram dar a qualquer escriptor campanudo, Ibe ias sa-^ 
ber que Aurélia é Orga e náo Cataria f,.. Tal é pois o 
que o escriptor hespanhol nos ensina quando na pagina 
1^5, columna 1.^ da mencionada Obra, terminando um 
período, d is: iiendo cterio que f\u Oreja antigua jlnrc* 
/tn.— O nosso escriptor foi pois o próprio penitente qua 
fòra buscar o flagello para receber o látego ! 

A caronada todavia dos faUeles ainda nSo eessoa 
de ecchoar!... Que miséria, que calamidade nSo é pa« 
ra um escriptor publico, c ainda mais, quando em brios 
egentilexas descíencia cré que topéta com obicttrnio da 
Lua; que miséria, que calamidade, direi, n2o é, o ser 
ião redonda e formalmente por vezes apanhado em la* 
psos, que tanto eompromettem o credito a a estima lit* 
teraría d^nquelle que aflanoso outrosim aspira ás rendi* 
das homenagens, e rasgados cortejos da sociedade mais 
conspicua dosintelligentes?... Na verdade que maior pe* 
cfaa, que mazela oaais asquerosa se pôde assacar ao qua 



— 74 — 

ttlardâii) e. bravatêa de historiador «om tacha, ou por 
outra sem manqueira, do que a indiscrição, ou não wi 
o que lhe chame, de ruthegoricameute imbutir por pa- 
tronos dai suas opiniões, e doutrinas, Authore«, que na* 
da dizem seu ou alheio, que directa ou indí recta iii«9Dt< 
as pareça sustentar? Defeito de uma hirva tâo torpe e 
medonha é do cunho d^aquelles que carimbam o eieri- 
ptor com o ignominioso ferrete do mais subido deKre* 
dito ! -^ Infelizmente lemos mais um exemplo detia «•• 
tofa e jaez ! — Um tamisem pois dos espeques e popla- 
letes, a que o escrípior portuguez encosta e reclloa o 
enorme pezo das multiformes asserções do narcótico pa« 
ragrafo, que assas criticamente esquartejamos, é o que 
•e enuncia e encerra na citação: E na È$pana Sagrada 
Tom. 38, pag. 143. Em que logar, parle, canto, ou rt» 
canto da mencionada pagina se acham acoitados, ou ala- 
pardados esses documentos para que- remelte os leilorai 
o Author da citação? Km parte alguma, nem recinto 
que descobrir se possa. Responderá, ou antes vociferará 
tilo surprehendido, como indignado e zangado, lodo i« 
quelle que por mera curiosidade, ou por desconRaoçi, 
aliás bem fundada, tiver chegado a ir á fonte limpii 
para se tirar de duvidas. Será isto que proferimos ill«^ 
são, ou sonho? Appello para o testemunho ainda do 
mais rampante e parcial leitor, do mais idolatra adnl- 
rador que o vá verificar. Ha de achar quer queira, quer 
não queira, sem a mínima deficiência de um %6 apíce, 
toda ancha e desbrugada, a verdade do que asseirera- 
mos!... Nem ao menos um vislumbre o mais remoto e 
arrastado ahi se encontra, que tenha alguma visagenii 
ou arremedo de documento grande ou pequeno, que 
possa servir para authenticar uma %6 das pnrticularida- 
de«, que atravancam e entulham aquelle tão já por nft 
mimoscado, e lirindado parrafo! — Corra qualquer cu- 
rioso por vezes mil, com lodos os registos e Gt>ntra*re* 
gistos da altenção, todo o contexto da pagina inculca- 
da : desosse, rilhe, e rumine desde o mais composto até o 
mais fimples dos elementos do discurso: bata e reliata 
na bigorna da officina das mais requintadas, e alambi- 
cadas epi( héas tudo quanto lílteralmente se lè, e se da- 
yiiúA alli cscripto e lypografadu: embora tudo amoco* 



— 75 — 

gu«, malhe e toroe n malhar, com martellada decjrctn»» 
pPf a finura do Schotísta mais subtil, e ca^illoso ; de^ 
balde se aífadígará o maU analylícò rs<)uadrinhAdnr ptx^ 
ra conseguir a descoberta de um impossível ]..• Amol« 
gue, machuque, achate, espalme, comprima, e^míuce^ 
polvoríze em fim, além cio mais que quiíer ou tout>er 
fazer qualquer espertalhão iosigne em dar á manivella 
cia arte hermenêutica, Ioda quanta é a citada pagina, 
pela face e perspectiva do sentido natural óu figurado; 
nenhuma outra cousa ha de encontrar mais que a re* 
pulsa, e negativa de um penedo mudo e quedo, que a 
lodo o investigador está em silencio dizendo : Nemo dal 
qxiod non habet / (I) Ora eis-aqui tudo quanto é, e veio 
n dar essa congestão e mioleira de documentos, que, it 
ju1gar>sa pelos tramites e paradigma ordinário, que diV 
lingue o escriptor íllustrado e sisudo do charlatão teme^ 
rario e ignorante, parecia que devera achar-se clara edií^ 
fusamente^stadeada no Ioga r referido da Obra de Flòrez ; 
para, com poder e força írresÍ!»tivel, nos pôr na mem*na 
do olho da evidencia a importância da eonqntita de Au^ 
relia ! -— Parecia, torno a dizer, que ahi se acharia ag^ 
glomerada, e arregimentada em columna cerrada uma 
saraivada de documentos, qual a qual- mais azado, e 
adargado, para nos delinear com todos os contorno^; 
perfis afeições promfnente», o eclipse e- delíquio total 
das luas Mahometanas por causa da tâo inculcada mw 
iregd de Aurélia, e levar*nos a deduzir por consequen^ 
(cia necessnrin o estado mnrasmalico, poltrão e cadaverí* 
CO, em que jazia a Mourismn pelo tempo da Bataihaf 
de Ourique i... Parecia... sim parecia.... Nem Outra 
cousa pedia a sciencia, e Imm senso d^aquelle que fos* 
te digno do nome de historiador!... Que tosca porém 
pão foi a pulha !.»• 

Ainda lemos outro fiador do famigerado paragrafei 

. . • . I. . • ' ■ . ■ . . ••.• ' 

(1). O Aotfaor fia liittoria <lc Portnt^al leria feito melhor (por »io 
diíer o que devia) te em loj;ar de andai ritio Flore» pela« ultra ro* 
ni.iotiras re^iõeii cio uadà« o 'tive«!iè na realidade folheado eiii o to- 
mo 21v pa^;. 317 da Espana Sagrada, Ahiarharia que ekté Rsrrf- 
ptor entendera que jiurelia era a moderna Orefa^ .e nÍo! Caamtlm^ 
como o biftlo|ria<|or portu|;.uei lio faltamenle etrreveia* ■'''i^^OHui vs 
fdirmae» pala%rat do K§rriptor beipaubol: n Aurélia, hojr Or«/a jua* 
to á Colmenaf de Orejn. » 



— 76 — 

E^etle o Arabista Hespanhol D. José Conde na fjutorím 
da Dominação do$ jéraba an Heipanha^ pnrle 3.^, cap. 
36. •— Que é isto? £stará acaso aqui occulia, e encan* 
tadn alguma mina de documentos de polpa genuína; 
algum Potosi ou California de diplomáticos insirumen- 
toSf de uma paleografia sem caruncho, avaria, nem pe« 
fro, por otíde desmereçam no anómalo conceito do» A* 
lislarcbos resmungões, e niquentos; que cortem o nó 
gordio em favor do escriplor que a elles se soccorreu? 
Piada disto é, nem cousa que se lhe simelhe. Ah! Nem 
sequer talvex com verdade poderemos diaer : CarborUm 
pro ihetauro invenhnuB!... Quando esperávamos deparar 
com uipa artilharia documental de grosso ciilibfe, âcbá- 
fDos as clavinas de Ambroúo carregadai de farelloj ou, se 
é possível, ainda meno»! A analyxe mostrará que não 
emiitimos românticas exaggerações. Com eíTeito; que 
le encontra, ou devisa no capitulo citado da HUioria 
da Dominação dos Árabes em Hespanha^ que, nfto digo 
já contenha alguma prova, mas nem ainda allusfto.aal* 
guma circumstanoia referida no analysado paragrafo da 
Historia de PortugaH Nada, absolutamente nada.; rés* 
pondera constantemente todo aquelle que o lér, e nSo 
quízer fechar os olhos álui da mais patente, e reconhe» 
cida verdade. — Fulla-se por ventura nelle de Aurélia, 
e de alguma, ou algumas particularidades acontecidas 
durante o cerco, nu mesmo logo depois dellef Nem uma 
palavra única* Que digo?..* Nero sombra delia! Basta 
ler o titulo do Capitulo para com anticipação conhecer 
que seria até um aborto, uma monstruosidade histórica, 
se de tal objecto álli se tratasse* E* pois elle : Guerra 
en Africa enire AlmorafAdes y Almohades. Muerte deê* 
gradada de Aly. 

Acaso faltará elle de successos cónieinporaneos, e 
que lhe digam respeito próxima, ou remotamente ? Uma 
negativa omnimoda e perpetua é toda a conclusSo, que 
a leitura do capitulo dó £«criptor hespanhol lia de tam« 
somente fnzcr deduzir ! — Pois nem sequer ao menos sè 
ppderá encontrar em todo o conteúdo do capitulo algum 
laivo, traço, ou rasquicio, por onde se possa ajuizar de 
algurha sorte da tmporfânctci da conqmsta de Aurehat 
Cousa alguma desie género, nem estofa, nem qi^ coai 



<ímmBmfm;imfi 




— 77 — 

tal lenha parentesco, é etcutadá e inulil abi Ir proca^ 
rar ! Que figurai pois está fazefldó oo usual paradeiro da 
erudição a' remissão ao apontado capítulo ? Nenhum» 
òutrà roais que a de urn isambapé armado aos l«^itor«s 
incaulosy que adormeceon ao suave, e insidioso som dor 
Màgitier duM ! 

A coarctada e resurça u6tca que resta ao historia* 
dor pOrtuguez é dizer: Dos factos adversos succedidot 
ao Tachfin em Africai que se acham escríptos no capi^ 
tulo em questão, se faz conhecer que as forças dos Al* 
inoravides fora da Península hispânica estavam em mi* 
•ero estado para poderem vir acudir a Aurélia; — Quf» 
«lisparate! Que inépcia tão roliça e rechonchuda! gri* 
fará, por um espontâneo impulso, todo aquelle, ainda 
o menos instruído, que tiver passado pelos olhos o refe«^ 
rido capitulo !... Como é possível que os factos mencffo<« 
nudos no capitulo citado, que aconteceram pelos nnnos 
tlé 1144 e parte de 1145 (como marginalmente indica 
o mesmo capitulo), tivessem alguma influencia na im« 
|K)ssibilidad^ de os Almoravides ou lamlunitas soccorref 
Aurélia por falta de forças, quando ella desde 31 dq 
Outuhro de 1139, como fica dito, se achava entregue, e 
em |)oder do Monarcha Cliriátão f Acaso os siiccessos fu* 
turos podernm jamais influir nos passados? Nunca. Co- 
mo poderiam por tanto os deiaitres de TachAo, acoute* 
eidos em Africa, cinco ou pnra mari de cinco annos de* 
pois da entrega de Aurélia, concorrer de maneira algu* 
ma para a perda delia? O Author da historia de Por* 
tugai, chamando em apoio da sua opinião acontecimen- 
tos nnachronicos, inaugurou eto principio dialéctico umii 
entidade repugnante; o que 6 absurdo dos absurdos!..* 

Porém o absurdo ainda não esiá collocado em toda 
A sua publicidade e nudez. Peço aqui particular alten^ 
ção. Quero em poucas palavras desmascarar a atroz e 
audaz falsidade, com que se pretende redurir nodespre* 
IO e perpetuo menoscabo o primeiro^ e um dos mais íl^. 
lustres feitos da Monàrchía Portugueza. — ^ O Authes 
da historia de Portugal, conforme temos visto, a fim* de 
reduzir á mofa c ao vilipendio a Batalha de Ourique, 
entre os pretextos de que lançou ro$q para fazer acredi* 
taf a fraqueza e mingoa das forças mahometiiaai n^a^ 



quelle Combate foi a entrega docastello de Aurélia nèw^ 
•e mesmo anno. Ora quem nio. \ê que tendo tido loga^ 
a Batiullia de Ourique antes da entrega de Aurélia, es- 
ta entrega nada podia influir n^aquella Batalha? Cooi 
eíTeito a Batalba. de Ourique foi, segundo de. todos ó 
sabido, a 35 de Julho de \13% e a errtrega de AureRaf 
ou Orcja (e nSo Cknarla!) teve Ioga r em 31 de Outu- 
bro do me-smo anno (!)!••• Km presença destas datas io* 
con testa tpi»j é evidentis$imo que aquella BalUlba prece-< 
dera á entrega de Aurélia mais alguma cotrsa de Ires 
mezes !».. Sendo isto assim, coir^Dr me na realidade é, úe 
que modo sepóde admittiri como quer o historiador por- 
luguez^ que a entrega de Aurélia sirva de fulcro^ e pre*« 
missa para barafustar contra a grandeza da Batalha de 
Ourique, atlenta a fraqueza das forças lamlunitas, quef 
d^uquejla mesma entrega se procura deduzir f—^ Na 
dialéctica do historiador portuguez vemos que as coUse-- 
quencias precedem as pre;missasj o que é transtorno di- 
gno da mais estrepitosa corrimaça !... Dar factos futuros 
por eausa seja efficiente, seja occasional de successos 
pasmado», é s^llogistica que ninguém ainda admittíu ! 
— E quererá o Aulhor da historia de Portugal (que 
nem que o matem sequer ha de acreditar na grandeza 
da maravilha militar de Ourique, ainda humanamente 
considerada; e também nada importa que elie o arre« 
dite ou nâol), que tenhamos a volcanica moela deaves^ 
truz,, ou pelo menos o comprido, e elástico colo de. a^ 
dem, ou de marreco, para engulír, e esmoer o intragá- 
vel systema de attribuir eíTeitos a falsas, nuUas, e im« 
possíveis causas? Nunca tal ha de ver, nem conseguir 
deninguem que abominar o audacioso desvario! 

De tudo quanto neste Opusculo temos expcisto, ana- 
lyzado, discutido, e provaKlo^ fica evidentíssimo, que 
lodos quanios toj>tcos círcumstanciaes o Author dahisto^ 
ria de Portugal acarretou^ e promíscua mente amalga- 
mou, quer da historia hi«paniea, quer da arábica, para 
as paginas da sua, eminentemente transtornadora Hts** 
loría ( embeleco lilterariO| que juUa e devidamente cha- 

(1) n (Ali) réinti Or«fa aox Chretifftit le 3t d^Ortobre, «inti 
que Véá ta etéil coavenfu. (FerteMs, l^un. 3V pag. 411 ctc.) 



— 79 — 

inámof ao tribunal de uma severa e imparcial cemura); 
em oada molestam, nem doestam o merecido cooreito 
e %alía em que (falio só aos olhos da natural phíloso* 
phia da Historia) sempre fora tido em todos os seculoi 
e por todos os escriptores, quer nacionaes^ quer estran« 
geiros o Feilo altamente heróico de Ourique. — Neste 
pleito visível, e incontestavelmente ficou vencido o ag^ 
gressor do primeiro Brazâo e Monumento Clássico do 
pais. — Os erros, e lapsos de uma enormidade indet* 
culpável, tanto no material, como no formal da scien- 
cia histórica, que ficam á exposição do publico illustra- 
do assas o testemunham. — O que resta da questão pen^ 
dente será objecto da terceira Parte^ e das mais que se 
seguirem. 



PIM DA SXQUIIDA PAHTB. 



1 



A BATALHA DE OURIQUE 



A. HEERCIJIiAlirO. 

€J0;VTRA1^0SIÇAO <^BlTl€0»HÍSf OBlCA« 

(obra dividida em seis partes) 

AUTHOR 
«SACKIMA. rAMTB. 



Veritas mliam parít. 
Tbb. 



HA Vn€l«BAPHIA DB «• n. BIJUBVIll** 

Run dot Capellutat n.^ <(2. 

1854. 



D P 


S70 


R3 a. 

'v. i' 



PRl!IiVl»IO# 



jíV.índa que ttíuiío embora (eohamoi atacadO| destrui* 
do, e aniquilado lodo esse pbaotasmagoríco cataclysmo 
de circumslanciai, parle anachraaicas, parte heteroge* 
oeas, vaIendo*se das quaes o Author da Hútorla de Por» 
iugal sofistica e paralogisiicamaote pretendia escarnecer^ 
e apupar a Batalha de Ourique, atirando com este tão 
grande e avultado feito para o mais baixo fundo do po- 
rSo de um marasmo sem exemplo; nflo julgámos com 
tudo que devíamos dar já por finda e conclusa a inten* 
lada tarefa.— Não bast^ só combater e demolir a pa- 
lissada. £* necessário transportarmo-nos ao centro do 
acampamentO| e d^abí desalojar completamente o ini* 
migo. 

Na segunda Parte escavámos, e destruímos os ócot 
e calcinados materiaes, que compunham a mal archite« 
ctada mina, que de longe a audácia innovadora, em re* 
bendita ao primeiro brazSo monumental da historia do 
paíz, arteiramente tivera conduzido para contra elle fa* 
2er explosão.— N^ella expozemos, no candelabro lumj* 

1 « 



^4_ 

noso da evidencia, pnra serem devida e imparcíalmenf^ 
contemplados pelo mundo intelligenle, as falsidades, e 
absurdas asseverações, que alastram todo o impresso es- 
\n\qOy em que se elevam a um aéreo, e até impossível 
galciim de apreço, adjuntos inteiramente alheios, e nié 
oppostos ao fim para que firam colhidos, e enfeixados 
pela penna romântica do angaríador. 

lima trampolina, uma artimanha anti«critíco*na<' 
cional, nunca vista, nem sequer esperada no terreno Xy-' 
pographico do pafz, julgou e teve de si para si que ga*« 
nharia as honras da ovação no templo da seíencin, se 
para derrubar a fé histórica com»a'grada em lo(fos oslem^ 
pos á grandeza e importância da Àcçâo heróica .do Ca n»- 
po de Ourique, recoiresse á hútoriu coeva 60 reino \f* 
sinho, não se esquecendo entre tanto de dar seu^ repel^ 
Iões na historia marroqwna ! — A empreza tockvia aíént 
de z;ambra, e cambara em scra mesma originalidade, fui 
cm seu desenvolvimento um typo empíematlea de mui 
asquerosa ignorância. A empada soporifera^ ou narcoti* 
ca congestão das fantasiadas coincidências, que a esmo 
se preparou e adubou para apear da cathegoria em que 
sempie estivera ogloriosp feito d^armas, que deu origem 
á independência nacional; que outro pai ivel de extrava*- 
'gancias nos apresenta, que nâo seja o esboceto de um 
miserando — • ncc pa nec capuiT E^^ta monstruosidade to- 
da e tanta quanta ella é com todos os seus admínículo', 
e appendiculos, quer inherentes, quer adherente», já a 
fizemos do dominio da publicidade. — Falta-nos atnrda 
revendicar a verdade hiftoríca de outros nâo menos bal- 
dos, ineptos e inconsequentes assaltos, com que é ataca- 
do pelo Auihor da historia de Portugal o mcrito e valÍ9 
real da Batalha grandiosa, dessa Batalha, repetirei, que 
produzira no universo politico mais um novo reino; es- 
ta Monarchía, sim, que sempre reconhecera na façanha 
prodigiosa de Ourique um dos timbrei mais abrilhanta* 
dores e immarcessiveis da sua gloria. 

Neste espírito e sentimento de commum nacionali* 
dade, e com a mesma energia com que desfizemos e 
pulverizámos toda a imaginada farragem de círcumstan- 
cias, que como causas influentes, falsa, e acintosamente 
te fizerom preceder áquelle feito illustre, para de longe ^ 



— 8 — 

o deprimir, e indírectarnente o reduzir á nullidadc ; 
com a nii^áma etiergiu, digo, e maior nindu, %e possiivel 
fòr, arremctterémos, c furemos baquear em terra com 
«ssa jangada indigt^sta, carunchosa, e mal segura de as* 
sorgôos, com que, nâo já de flanco, porém de fronte e 
directamente, uma nunca vista, nem em verdade jamais 
fantaziada animosidade, quiz impunemente votar ao 
mais injusto e escandaloso menoscabo, esse acontecimen- 
to marcial eminentemente primoroso, que signala, e es- 
malta com lettras de ouro o logar mais dístincto da pri- 
meira pagina dbf Annacs da iUonarchia portugueza. 

Pelejaremos outra vez braço a braço, ou, segundo 
disseram os quinhentistas, arca por arca, contra as es- 
Uanhas asserções d^essa monstruosidade jamais escripta, 
nem impressa, que aberrando du senda da mais esclnre- 
cidiQ verdade, viera, nâo digo já dar garrote ignominio- 
so ás circumstancias Iheocralicas, com que a geralmente 
recebida, e outrosim attestadu tradição revestira u ma- 
ravilha de Ourique; porém até quizera fazer desappare- 
cer e de todo aniquilar a própria crença histórica da 
grandeza do prodígio, da bravura inherente á façanha, 
ifiie constantemente se tem aviventado (e aviventará 
afie^ar do arrojo) no animo de lodos aquelles que pre- 
2am defender, e conservar illesa a alta valia de um mo* 
pumenlo tâo egrégio da gloria nacional. 

^ Nao mudamos de esiillo. Nem motivo novo algum 
havia, que desculpasse a inconstância. •— Se alguma vez 
meschimos o dt<curso com algui^i termo ou fraze do uso 
popular, fizemol-o no simples intuito de pôr promiscua- 
roenlè em acção os elementos da língua d%iquene9, que 
embora estejam fora* do circulo dos cultores dassciencias, 
nâo o estão a respeito dos enthusíastas pela grande e 
.importantíssima verdade histórica, que desde a infância 
oralmente, pelo menos, se lhes transmitle. — E" justa 
pois a deferência, tal como é e tem ddo feita, pela lín- 
l^uagem do povo (embora contra ella se encresfie o Au- 
Ibor da Historia de Portugal) em defeza de uma causa, 
que é tâo sua, como d^iquelles que pertencem ao mun^ 
do da ilIustração« — Basta Ue preludiar. 



— 6 — 



xNSo será cousa nova, nem producto de ousadia te se 
affirmar e escrever que a Iiistoría» ou antes o historiador 
por ella, nSo poucas veies se vale da arma apparatosa 
do gaiantcio para melhor vender e transmíttfr a (JrPgOf 
ou empurrar p panai. A namoradeira mais ladina, diz 
um escríptor de altamente livre pensar, jamais armou 
tantos laços á fé dos seus amantet, comp fiprescntam os 
historiadores á credulidade de seus Ifi^itores. n La coquet* 
n te Ia plus rusée ne tendit jamais autant de pieges à 
» la bonne foi de ses amans, qu^en présentent le% His* 
9» toriens à la crédulité de leprs Lecteurs » (1). Com o 
postiço verniz, com o sediictor elixir dp um assedado pa- 
lavreado, se procura muitas vezes fyzer passar a fanta* 
siada patranha, como se fòra facto acontecido, e de in* 
negavel existência t|o universo das realidades. Contra- 
diz-se e menoscabasse a verdade,, rpphecida como tal, 
angariandorse fosfórico^, e insubsistentes fundamentos 
para illudir. Com esta crustula de vistosa louçanía, ou, 
para melhor dizer, com esta insidiosa trampolipa, a fal- 
ta opinião, o prro, o absurdo se vende e circula Tezes 
•em conta, como moeda corrente e de crtnho legal, no 
mundo histórico. Pe certo que os leitores acalentados e 
adormecidos com ópio de tal quilate e pharmacopáa, 
sem darem pela cordn, vao, segundo a expressSo pro« 
merbial do povo, comendo gato por lebre ! Neste ou equi- 
valente caso são elles tristes victímas do tcsludo capri- 

(1) L^Etpril da Marquit d^Argeni ctc. tom. 2^ pag* 20 c 21. 



cho dos historiadoref, que looge de ot ensinar, e pôr ao 
mait próximo alcance dos factos, transmittindo-ot como 
elleê em si sSo, encampam-lhes, como se foram taes, ot 
•entimenlos que os dividem sobre pontos da primeira e«» 
êencia histórica. » Ih sont les tristes victimes de Toppo- 
9) sition des Historiens; ils n^out point appris les faits, 
99 mais les difTárens sentimens quMI y a sur les poínls 
99 les plus es&eocieis de rhistoire ^ (!)• v 

Que imporia porém que o historiador seja ferrenho 
e casmurro em sua ou suas opiniões; que Rrroado e re- 
lezado nos apparenlemente dourados estribos dos pala- 
fifôe% não queira descer da burra? Que repimpado nella 
apregoe e designe com o aranzeleiro, e ínculcante rotu* 
lo de superfinas inTestigaçSes e descobertas históricas o 
que não são mais que extravagantes e escandecidas esti- 
lhas, por n8o dizer calcinados motrecos vomitados pela 
cratera de uma imaginação romantico-volcanica ? Todos 
estes e quejandos peccadilhos e peccadaços litteraríos, 
mais tarde, mait cedo, vem, como dizem, pagar o pa- 
táo. «Sertiif, ocius dani pccmis/— Na verdade, lá vem 
um ou outro, fora da roda dos comparças, que embirra 
com a emboçada ^patarata, com a arrebicada marosca, 
que, qual outra rapoza da fabula, veio impunemente oc- 
cupar o immerecido lognr de mulher de Júpiter. Cha- 
ma então a intrusa, a usurpadora com todos os seus ata- 
vios e emprestados adereços ao tribunal de uma severa^ 
ê imparcial critica, e ahi ( convencendo*a, em solemne 
processo, do seu imperdoável ílagicio) para logo (corri- 
da, como sim fíc&ra a contrafeita comborça no concilio 
dos Numes) sem mais apparato que aqueíle que pôde e 
deve inspirar a mais justa indignação; com desprezo a 
faz repellir e espancar do alto throno da eminente esti- 
ma, em que a vertigem irinovadora Ião audaz, como 
ignorantemente a tivera enthronízado. 

Para se sentir tão espontâneo, e natural efíeito, na- 
jda mais necessário é que dirigir o estillete dn anal^^se a 
dois únicos pólos, ou pontos substanciaes — Priractpioi e 
fjorueqíuncw». — Despregue- se, descoza-se toda a laby* 
linlhica barafunda do estofo ou tela palavrcira* Ande* 

(1) L^Efprít du Marquit d^Argent «te, no togar já citado* 



-.8 — 

M^lhe na rola, na pista dos fundamento» que serTenn de 
enroslo á caramiolíóln ; no alcance da libação ou rela- 
çfto que tem as tiradas deducçÕes com as bates que lhes 
servem de apoio; e, com a rapidez com que sóe obrar 
o motor eléctrico^ toda a armadilha, a plataforma para 
fascinar, de um salto mortal dará a ossada ! — Com et^ 
te methodo, e debaixo deste luminoso systema já des^ 
ftámos e fizemos baquear todos os esteios primários, em 
que o Author da Histpria de Portugal fundara o seu re^ 
nhido e assanhado assalto contra a Batalha de Ourique. 
Agora, sem nos afíasiar do mesmo premeditado rumo, fa<p 
remos apparecer na maior luz pos>ivel a torpe morphea 
das miserandas consequências, que delles, ou por causa 
deites se arvoraram em dogmas históricos* E te durante 
esta marcha analytica alguma cousa accidental oppnre* 
cer, que nao deva ficar sem o justo, e devido reparo^ 
irá levando de caminho o seu próprio, e adequado tiro» 
leio.. — Entremos na matéria. 

Pariiculartsámos este» succestog (contináa en^ novo 
paragrafo o Author da Historia de Portugal) em oppa^ 
rcncm estranhos ánosna hhtona^ porque nareoliàade têem 
com e/la iniima connexâo (1). Kstá lançada á luva. Va*T 
mos á esgrima. — Parece incrível que em um século,. 
caracieriiitieamenie documental, similhanlc epicherema 
SP concebesse, proferisse, e escrevesse!... £* falsa na ver- 
dade tanto a proposição como a sua causal. — 0« gnc^ 
centos parHcuIari»ados^ ou antes recopilados da historia 
de Hespanba e oulrosim da Mauritânia pelo Author da 
Historia de Portugal, nâo sâo em appar encha ^ porém real 
e inteiramente estranhos á nosm hhtoria. Tal é a con* 
Iraposta asserção, que ha de pronunciar logo todo aquel* 
le que entrar na discussão com as devidas habilitações* 
«— Nâo ha um único escriplor, quer nacional, quer es- 
trangeiro, que pronunciasse que aquelles successos da 
historia de Hespanha e conjunctamente de Maghreb ti- 
vessem alguma, quanto mais intima conneçcão comahit* 
loria de Portugal, Não ha um só de tantos escriptores, 
sim, que por alguma forma os tenha elevado ácathego* 
ria de lemas, ou postulados^ para, como de principies 

(1) Hlitoria de Portugal, tom. 1.® pas* 322. 



^9 — 

«flatuidofl, tirar alguma consequenciVconlra a BalaUia 
lie Ourique, ou mesmo a respeito de algum òuiro facto, 
histórico relativo ao nosso paíz. O historiographo iddo* 
irador ha de pois forçosamente ficar só no campo do al>* 
surdo com a sua enxertia, com o seu tao mal cabido al« 
fyuque histórico. -— Nâo é aqui porém que está a mola 
real da argumentação. — ' Que successos são esses que na 
rtaRdade lêem Intimo ^corwexâo com a nosià htslorÍ€i t Ne- 
nhuma de qualidade a1g4jma tem aqucUes que o Autbor 
inoculou em causa effícíente para tornar em burla a Ba- 
talha de Oujrique. E quem ousará duvidar que caracte- 
ristícamenie sejam taes, isto é, de uma Inia íieiefogenea 
oi successos que elle incijlca com taiwia conhcxâo com 
ti liistoria de Portuga) f 

Para levar á «vidência a verdade da enunciação ne- 
fj^ativa não é i^ecessario mais que correr pelos oltu>« a 
mal embutida «matizada tirada {digressão inopporiu- 
nissima) em que o Author da Historia de Portiigal^ 
tomando nm pouco de longe a icrte dos aconfcàmentonf 
examina a seu geilo, e feição o atado poãltco do% /<rri- 
torioê muiulmanoi da PemniulOf Rgodoi pela conquhta 
almoravtde á iorte da /Ifrica septentrional (1). '— A fim 
de fazer conhecer a matéria a todo e qualquer julgador 
pelaimmediata acção dos raios visuaes, escrupulosamen- 
te trasladaremos as mesmíssimas palavras, que compagl- 
nam o trecho da historia de Portugal, em que se ex* 
põem os taes pariicularisados snccc$$os. 

» Aly-Ibn-Iussu (A bui Hassan) continuava a rei- 
» nar tanto no Andaluz como no Maghreb; mas a re- 
99 voluçâo política e religiosa, que devia acabar dentro 
9» de pouco tempo com a dynastia lamtunense, tinha 
» principiado e tomava cada vez maior incremento, ha- 
» via perto de vinte annos. Um berebére de iJluslre as- 
» cendencia, Abu-Abdal!ah-Mobammed-lbn-Tamurt ^ 
99 tendo estudado a theologia musulmana com o celebre 
» £l<Ghazuly de Bagdad, convencido da superioridade 
99 da própria scieneio, resolveu fundar uma nova seita 
99 no occidenle. Perseguido, nào tardou á cobrar repu- 
99 taçâoj e por consequência a ter sectários. Foi dos pri- 

(1) Iliitoría de Portusal, tom. \.^ pag. 319. 



— 10 — 

» meirot um mancebo, berebére como elle, por nome 
» Abd-el-mumen, que Abu-Alxlallah escolheu para dit* 
n cipulo querido, eseu ajudador oaquella músSo que te 

9 allríbuíra. Depois de correr varias cidudeft do Magh- 
ji reb, o novo reformador veio a Marrocos, onde coroe* 

^» çou a pregar contra os costumes e erradas opioiõee dot 
» almoravides. Contentaram*se estes \de o expulsar da 
j» capital, como um seductor do vulgo; mas elle foi et» 
■9 tabelecer a sua morada n^um cemitério vísinho, aon« 
» de concorriam a ouvir-lhe as praticas os seus devotos, 
» praticas nas quaes, como é fácil de antever, n2o |xhi« 
p pava os almoravides » (1). Ora quem poderá encao« 
Irar, quem, digo, que não esteja inteiramente mente- 
capto e varrido de toda a luz, e arção do discernimeo* 
to, em toda esta fielmente copiada passagem, algum pe^ 
riodo, enunciado, frase, ou termo, que em qualquer 
sentido que se queira tomar, denote ou indique algum 
ponto de relação com a historia de Portugal? Nem um 
s6 vislumbre próximo, ou remoto, linha recta, ou »• 
gueiague, alguém jamais ha de achar da tal imaginada 
trelaçfto, iniima conncxãoj ou ponto de contacto ! — Pe* 

10 contrario todo o mundo racional ha de com justiça 
vociferar que o trecho transcriplo é o mais audacioso e 
disparatado encabeçamento da historia de Marrocos na 
historia de Portugal. £* alli que elle tem o seu natural 
e inamovível jazigo; sem que jamais historiador algum 
nacional ou estrangeiro ousasse naturalital-o ou perfi» 
}tial-o nas paginas da historia de Portugal. Uma historia 
portugueza com costella marroquina é por certo mons» 
Iruoftidade de hediondez intolerável ! 

Porém acaso o começo da tal revolução do berebére^ 
que depois teve o cognome, ou o quer que é, de Maluh- 
diy foi no reinado de Aly-Ibn-Iussuf, como refere a 
mencionada passagem ? Não o concedemos. Foi no rei* 
nado de Taxefm*Ben-Aly, como já o asseverara o eru« 
dito escriplor do Exame Histórico (9). — Na Monar* 
chia Lusitana acho eu que em IIOC frovemava o império 
da j4friea e Espanha Joseph Abcn Taxefin Jtcy doê Air 



(I) Historia de rorlusal, tom. 1.® pas. 319. 
(%) Pag. 8 $. 4.0 



— 11— 

moravtdci (1). Este foi o primeiro Rei de Marrocos (da 
Dyuasiia dot Almoravídes) que veio a Hespanha em 
éoccorro dot Mahometanos hetpaahoefy ou antes de D. 
Afifbnso VI, que com elles te linha allindo, oo anno de 
1097, tegundo Ferrerat, e morrera em 1110, conforme 
metmo historiador (S). E* bem de ver que por esta 
icompulaçSo, se não coincidindo, pelo menos prendendo 
quasi «om o fim do reinado de Jot^ph Aben Taa-efin^ et- 
«a épochà que o Historiographo portuguei expressamen- 
te dewgnoM para o princípio da tal reoohição politica e 
reRgiom {perto de tknte otitios antes da morte dobeiebe* 
te^ acontecida em 1130); é bem de ver, digo, queain« 
da á vi&ta destes dados caduca de no\o a sua asserçSo 
bistoríca. Para taUar-se da entallaçâo era preciso pro- 
var. 1.^ Que jily*lbn^l%u$nf succedera a Joteph Âben 
yhxefin. 2.^ Que a revolução do IVlahadi já existira per» 
Í0 de vànie anno» durante o reinado de /1fy^Ihn*Iun%tf. 
Nem uma, nem outra cousa ha de porém poder fazer o 
liitloriador Lu%o^ Marroquino l... 

Conljnuémot |K)rém ainda a ver (se bem que nSo 
com indifiTerença ) a ver, sim, arabvLor e mnrroquxnnar 
a hísloiia do paiz. Eis*»qui o texto: — - t) Neste tempo 
99 (1120) tomou elle (falia do berebére, que àeu ori- 
gem á dynastia dot Almohades) n o nome de. Mahadí, 
7> que, segundo a tradição árabe, era um chefe podero- 
r 80, que no fim dos séculos devia vir ao mundo recoo- 
it duiir os homens aos verdadeiros caminhos do islamis* 
y> mo. Seguiam*no já muitos ; e o emir pensou seria- 
9 mente cm acabar com este perigoso profeta. Sabi»n* 
•9 do-o a tempo^ o Mabadi fugiu para Tynmal, na pro* 
99 vincía de Sus, onde se fez acclamar iman, ou tummo 
^ pontífice, e proseguíndo entre os rudes montanheses a 
n missão queemprcbendéra, em breve augmeniou onu- 
9> mero dos seus sectários a ponto de se faier temido. 
>» Denominou*os almuhades ( eKmuahhedin ) ou unita- 
9» rios ; porque um dos objectos a que mais se dedicava 
99 era a provar a unidade de Deus, e, tanto que piyda 
V ajuntar vinte mil homens capazes de pegar em armat| 



(1) LWro 8.®, rap. 20. 

(2) Tom. 3.0 fMg. U\^ e 313. 



— 12-. 

ff recorreu ao systema de conversão muçulmano -— a 
n guerra. Desde IISS nié 1130, em que o Mabadi fal- 
99 leceu, os almuhades augmentanim em poder e em 
99 numero com -repetidas victorias contra os almoravidct. 
99 Por morte do profeta, Abd^el-mumen, que entre os 
99 seus primeiros discípulos fora o que ellc sempre dis* 
99 tinguirn, soube obter para si a dignidade de iman, e 
99 continuando com prospera fortuna a combater os seus 
99 adversários, vendo-^e já obedecido n^uma grande par* 
99 te do Mnghreb, declarou-se eniír-el-mumiuin, ou ka* 
99 lifa, titulo que nenhum dos emires lamtuncnses, ape«> 
99 2ar de dominarem na Africa e na Hespanha, ousara 
99 tomar para si » (1). Viu alguém jamais, ou espera 
\er uma encampação mais escancarada e solemne da 
historia Maghrebina, ou por outra, da costa occidonlal 
da Barbaria sem tir-te nem gunr-te para a nossa hislo* 
ria 7 Nunca. Nem a historia de Portugal, por mais ma* 
lacueca e empiematica, que a modernice a queira affi* 
gurar, nunca soíTreu um ataque epiléptico de simílban* 
te, nem equivalente magnitude. — Porém que? Igno- 
rará o historiographo portuguez que a mania de entu* 
Ihar a historia com contos da Mauittania }á mbrecêra 
na antiguidade ajusta censura do critico Luciano? Poít; 
taiba que lha fez muito bem a não sei que intromettido 
escrevinhador de historia, que com supína inépcia veio 
á balha com a narcótica historieta do Mouro Mausacas 
($). Evque duvida pôde haver de que oMahadi faz bem 
o papel de Mausacas na historia de Portugal? 

Se o escrlptor portuguez se nSo tivesse metlido a 
importador de historietas barbarcscas para um terreno 
tâo diverso, e al'heio, não teria, além da mais inconve- 
niente, e repugnante extravagância, não teria, digo, ca«> 
hido também em outros descuido?, tâo usuaes áquellcs 
que se mettem em seara alheia!— Um delles foi o 
dar-nos o termo émir-el^mumimn como synonimo de ka^ 
lifa ! Haja vista á redarguição que lhe fizera o erudito 
e critico arabista portuguez (3). £m apoio deste acha* 



(1) Historia áe PorliisDl, tom. 1.® pag. 320. 

(2) Na Arte Hi^torka. 

(3) Eiaroe Histórico etc. pag. II e 22. 



— ía- 
mos a respeito do Emir a seguinte explícagSo: »> Tf* 
9^ tre que Ibs Mahotnétans donnent à tous ceux quMs 
» ciroyent de la race de iMahomet. Ce lilre cst fort res- 
I» pecté de cesf>euples, et donne droil de porter le tur* 
7f ban Terd. Emir, joint à quelque aulre terme, devieot 
99 un nom d^Office pnrmí les Turcs. 11 signííie Com" 
y> tnandant " (!)• Prescindindo porém da enorme, e a- 
borliva transplantação barburesca para o terreno da nos* 
sa historia) acaso a anómala monslruosídado, olhada 
em si mesma^ deverá ficar tllesa de levar alguma belis- 
cadura '-crítica no próprio âmago do seu conteúdo f Nâo 
o acreditamos. A pôllo observamos pois: 1.^ Que nem 
oa, historia do árabe Assaleh traduzida por Moura, nem 
na historia de Conde, ambas ciladas pelo Auihor, se en- 
contra Mahadi designado pelo nome sesquipedal, e que 
oâo é para qualquer guéla portugueza proít^rir sem íícar 
estrompada: Abu-AbdaUah-Mahammcd-lbn-Tamurt. 2.® 
Que é faUo que o mencionado impostor tomasse o nome 
Ue Mahadi no anno de 1120, como refere o nosso histo» 
riador. Debaixo do anno de 1116, escreve o historiador 
ji^udeh, segundo a versão de Moura, o seguinte: 9 Co- 
f> mo Mahadi era o primeiro do seu século na arte de 
t» failar, e nas sciencias de fé ; e conservava de memo- 
n ria os preceitos do profeta ; e era dotado de eloquen* 
»» cia, princtpioH a divulgar entre os povos ^ que elle era 
» o Príncipe Mahadi, annunciado e esperado oo(ím dos 
9> séculos ele. » (-2). li* no referido anno de lllfí que 
Conde também assevera que Abdalah se dera o titulo 
de Mahadi (3), Vê-se por tanto o historiador portuguei 
desmentido pelos mesmos Authòres, que em a nota cita 
A «eu favor. 3.^ Que não é exacto histórica o diaer: 
Que etíe logo que pôde ajuntar mnte mil homent capazeê 
de pegar em armas recorreu ao sysieima da conversão mu- 
sulmana — a guerra» Assaleh diz : » NSo tendo cessado 
99 as tríbus, e turbas de se lhe virem apresentar, e com* 
99 primeniar até se achar cwn mais de vinte mil Almu^ 

(I) Manae] T^ex^ae oa [Kctionimire portatif das mots frao^oit, 
dimi la M|;iicacalion b^«sí pas farailiere A toot le monde. 

(2\ Hittoria dos Soberanos Maboroetanos etc, cap. 43, pag. laft* 
(3) Historia de ta Dominacion de lot Aralies co £spa8«« Toai. 
2.^^ Cap. :?6, pag. Í14. 



— 14 — 

» hadct das tribus de Mossaroeda etc» (1). Tendo et^^ 
9 Ibido uin exerúto dt valorotot Almukades ele. n (^). O 
historiador portugaet está pois de encontro, e fielo me* 
nos de esguelha ao que refere o escriptor arábico* O 
Portuguet determina precisamente o numero sem HKii^^ 
nem menoi, o Arábico indica-o indeterminadamecrte pa- 
ra mais. E note-se que esta é a mesmíssima opinião de 
Ch. Komey na Historia de Hespanha (3). — * Conde 
igualmente argue com* o seu* testemunho a asserçfto do 
hisloríador porturguez. Eis-aqut as suas palavras > f> Asi 
9 fué que llevavn trás si de la tribu Masamuda* ma% Jê 
» velnic tnU hombrct^ y de esto* escogió para las armas 
if Ae% núl vaticnlct n (4). Vinte nvíi homens que o hi%^ 
toriador |>ortuguez âeu aa e»ercito de iVlahadí para des 
mil que lhe dá o historiador htfspanhol cooténf díffcrei»- 
ça para menos de grande calibre ! 

Vamos em íim a concluir a copia da deslocada^ e 
arrepanhada passagem da historia barbaresca, que sem 
despacho, passaporte, nem guia viera intrusamenle ihh 
turalisar-se nas paginas da chamada, ou* petor menos in* 
cttlcad» como nornal^ historia de Portugal : » Ho meia 
99 destes ncooteei mentos chegou o anno de 1137. A Te» 
n mim, seu irmão, Aly suKbstituira no governo de £íe»- 
ff panha o próprio filho esuccessor, Tachfin. Era oprin- 
n cípe sarraceno activo e valente : sustentarva com es« 
9» forço a guerra nas fronteiras chrisl>ans, e continha eom 
9 energia os rousulmanos d^Andalvz, mal soífridos de» 
sí baisio do jugo nlmoravide. Porém esse espirito da in* 
ff depeodenera do» indígenas, em grande parte de raça 
99 árabe, e inimigos dos lamtunítas berebéres, qur, não 
99 contentes de os dominarem, osopprimiam, começou 
91 a mostrar*se claramente apenas foram sabidos na Pe- 
99 ninsula os triumfos dos almuhades, e que a potencia 
99 almoravide começava a declinar. Osdistrictos deHue- 



!i 



I) Na Hiitoria citada doi Satieranot Mahometanof, pa$. 194. 
Í2) Ibid. pag, 194. 

(3) Mobadi, dont le parti le groMitsait totit 1e« joart, ent bien- 
f ^t fout ses ordret une armée de plut He vingt tnUle kommei^ qui 
■^eii(;a)^^rent à coinl>atre pour lui jttti|a^A ta mori coatre let Mora» 
bitt. (Toro. 6,», pa(r, 13 e 14. ) 

(4) Tom. :^.^ Cap. 26, pa|;. Z2i. 



— 15 — 

» !• € Alarcon tttbleTaraiii-ftey e a cidade de Cueaca ou* 
n tou retistir a Tacbfin, que YÍera tocegar aquellet ai* 
9 Yorotot. Eotrada á força, ot teut habitantes focam 
pattadot á espada. No meio destes syxnptomas tanto 
n de recear, o priocipe sarraceno recebeu ordem de seu 
9 pae para passar ao Maghreb. Os exércitos do emir 
n eram destroçados em quasi todos os recontros com ot 
a» sequaiet de Abd*el*muroen, já senhor de grande par* 
n te da« proviacias do império, com o que a ruiaa da 
n dinastia lamtunense parecia eminente » (1). Tudo 
isto, além do roais deste paragrafo, que aqui omittímos 
( pois que já ficou Iranscripto e analyxado na segunda 
parte da aoisa Obra (2)) que lado, ou costado tem, ou 
denota ter por onde se dé a conhecer estar em alguma 
fttMiftce ou gráo de cognaçSo, òu affínidade com a hísto* 
lia portuguesa? — Por mais que qualquer notabilidade 
do progresso intellectual, que não tenha peco, nem eiva 
Bo miolo, agatanhe, amarrote, e escorche tudo quanto 
ha de regras, e contra-regras nos dominios do pais da 
Iftermeneutica, ou fora delia ; debalde conseguirá haver 
em resultado a plausível descoberta de nlgum líço, ou* 
fio por onde prenda, ou se agarre o lago de alguma sor* 
te de parentesco, ou de qualquer outra relaçiLo. 

Dennos porém ( por uma concessão puramente de 
Irpparato argumentativo) que a historieta do Mahadl e 
o mais que Ibe dix respeito, tivesse alguma relação com 
a historia de Portugal. £ra por ventura esta para logo 
se qualificar de ccmncxão trUtma com elia, como se ex- 
primira o nosso historiador? Nunca. Se o historiador 
português reparasse, como devia, na força da significa* 
ção da palavra adjectiva — in/ima, nSo abusaria tSo 
enormemente delia, para conspurcar a sua historia com 
Biais um erro de vulto tSo crescido. — - Se o escríplor 
portuçuex pois, antes de lançar ao papel siroilbante qua» 
lificativo, examinasse primeiro qualquer dos nossos Dio- 
cionaristas, ou, por todos elles, os Synonimos por D« 
Francisco de 8« Luix ; havia de reconhecer que a tal ii»* 
timidocfe nSo passava de um parto de imaginaçSo alta- 



i 



l) Historia dte Porloprtf totfi. J.« fêg, SltO o MV 
^) A paf . a a 11 «U. 



— 16 — 

menle romaniica. Acharia que a palavra intima denofo/ 
•egundo o judicioso pensar daquelle grande litterato, o- 
poDlo ioirinseco, oir omit profundo^ e entranhado ent 
que uma cousa eslá em cooiacio com oulra. Conhec^eríar 
o. bisioríador pouco advertido que se interno sigoiAca o 
que é ou e»tá de dentro; interior o que é ou e^tá maír 
de denlro; snftmo exprime o que é ou está muito mais 
deoiro. — • Assim veria q^ue n» ordem moral as aíTecçdes' 
que nascem oii partem do finido docoraçâo, ou do mais* 
recôndito da cM^pirito humano sâo caracterizadas com a- 
qualificação de intima»: que na ordem phystica as cou- 
sas maieríaes tem igualmente seus Íntimos, Uma casa^* 
por exemplo, lem seui iníhnús; e entre estes conta o' 
Aulhor dos Synonímos o% retrete»! — Em resultado de 
tudo o expendido, como se poderá senrh notória fulsidadis' 
asseverar que jBt mencionada passagem da historia barba*- 
resca esteja em cx>nnexâo tão apertada, e estricta com a* 
hisloría die Portugal, como se viera do' fundo do seu co- 
ração, ou domais recôndito do seu espirito? Quem mes^ 
mo ha de suslentar que pos^a ter nella um logar escuro* 
e internado, como o rctrdc no edifício? Ninguém por 
cerlo que conheça e avalie a força phílologica do termo 
— « ttiltmo (1). Para agora porém fazer ver com maior 
evidencia a futilidade monstruosa' d ^aquel la intrusão his« 
torica» e ao mesmo tempo a sofiâtica giboM' e achavas* 
cada, c»m que subrepticíAmcnte com tão mal postiça er 
deslavada o5r se pretende reduzir á caturrice a grandeza 
da Batalha de Ourique; investigaremos 1.^ Se a revo^ 
luçSopo&ltca ere£|gtosa do .Maghreb urdida, e ateada por 
Mahadi vigorou na épocha preci«a em que o historiador 
porluguex a puzera, e anichara ? £.^ Se, quando vigorasse 
oadila épocha, poderia influir alguma cousa para tornar 
crivei o imaginado mingoamento d^aqiHille tão glorioso* 
Feilo! 

Quanto á primeira questão é na verdade ponto in- 
controverso que o tal jífy-Ibn-Iussuf não só nada tivera 
que fazer com o famoso Mahadij porém nem sequer lhe 
era possível imaginar que viria a ter. £ como não ha 

(1) Vfj EumiSo tobre «Igniis SynonjniM da Linfna Porlogeeia, 
por 0. Fraaciíco de S* Lau, lona. 1.^, artigo CXCV* 



~17 — 

de ter assim ; se o tal yíly^lbn-luuuf (por outra luitof^ 
filho de Taxefin) por appellido Abu^lacub nasceu em o 
aono 400 da Hégira, 1006 da era deChristo, e falleceu 
no anno MO da mesma Hégira, anno de Christo 1106; 
tendo-se Mahadi declarado contra os Almora vides no 
anoo 515 da Hégira, 1121 da era de Christo? A^ vista 
desta chronologia Aca evidente que Mahadi só se pro- 
nunciara inimigo da dynastia lamtunense 15 annos de» 
pois da morte deiussuf. — Sendo isto assim (o que nin- 
guém ousará negar) que historiador poderá dar ao prélo^ 
em tom de dogma, sem notável sinete de ignorância, que 
a revolução pofiliea c re/igiota, (/tie dexàa acabar dentro 
de pouco tempo com a dynaitia iamtunente nSo só tinha 
prtnápiQdo^ mas até tomatía cada ve% maior incremento^ 
no espaço de perto de mnte anno$^ do reinado do men- 
cionado /tissu/(l)? Para que o escriptor português se 
poiesse ao alcance da matéria não era preciso deitar gran^ 
de livraria abaixo. Bastaria que examinasse e lesse com 
a t tenção a por elle citada HUtoria dot Soberanot Maho* 
mctanon por Attakh (S), para não vir conspurcar a histo- 
ria com mais um falsete. —^ Poderia também consultar 
aCasiri; e nelle encontraria, em logar de Aly-Ibn-Ius- 
8uf, loêcph Ben*Tachefinj o primeiro dos Almoravides 
que reinou em Hespanha, e a ella veio pela primeira 
Ye2 em 1086 de Christo e 479 da Hégira, morrendo em 
600 da mesma era (3).— -Em que reinado pois aconte- 
ceu o começo da revolução politica^ e rehgiosa de Maha^ 
d%T Folhêe o escriptor Portuguez a mesma Historia doa 
Soberanos Mahometanos porAssaleh, eha de achar que 
foi no tempo de jíly-Ben^Taxefin acclamado em 1106; e 
que este, e não o tal lusgufj foi que tomou o appellido 
de^6u*a/-Aassan(4).— ' Sequizer ainda pesquizar mais o 
caso ha de descubrir que o anno de 515 da Hégira e' 
llSl da era de Christo^ em que Mahadi declarara guer* 
ra aos Almoravides, fora aquelle mesmo, em que re- 
gressara Aly pela segunda vez da Hespanha para aMau- 

(1) Veja-ie a paiiagem da Hiitoria de Portugal já Iranicripift a 
paginat 9 e 10. 

(2) Cap. 36 a 42, pag. 149 a 185. 

(a) Bibliotheca Arabico^Hhpaàa, tom. 2.^ ptf , fie ele. 
(4) Cap. 40, pãg. 173, 



— 18—. 

ritania, deixando naquella sobejas proTas do poder l^ni'*. 
tuníta (1). Ha de finalmente achar que tendo jíly faU 
lectdo no anno 537 da Ilegira, Wik de Cbristo, e su* 
bido então ao thropo seu filho Taxcfin-Ben^Afyf fôra, 
pela morte desastrosa deste, acontecida no anpo da He*. 
gira 539, e deCbristo 1145, que terminara a guerra que 
Alahadi e seus sectários atearam contra a sua dynostfa}. 
ficando então de todo victonosa a dynastia dos y//muAa« 
de» {t)p — Se outra yes quizer consultar Casiri (3); ha 
de achar mais um escriptof com voto na matéria em 
apoio do que asseverámos. •— Se alguém, ou elle quizer. 
ainda mais troco^ pôde folhear a obra de Mr. Chénier 
"f^ Rtchcrche$ HisUn-vjtie» sur ki Maures et Huióírc de 
Vempirc de Maroc (4); e ha de achar que, pelo que diz 
este escriptor, a revolução deMahudí teve log^r no rei- 
nado de Braliem^ filho de ^/i, e não no governo de 4^/i*. 
Jbn^Iussuff como na historia de Portugal seaffirmára. — » 
Vtnalmente para coroar a obra, diremos que ha quem si- 
ga que a revolução de .Mahadí (ou Almohadi) não só 
corneçára no reinado do, filho de Ali-Al^Ahrahamf .a. 
quein lambem dão o appellido de Brahcm^ mat.aié. 
que ella acontecera vinte e cinco anãos já passados d*», 
seu reinado (5). R por esta occasião notamos qise ha 
quem diga que a guerra do Mahadi não terminara neste, 
reinado; porém de seu filho i!(aaa ou hhcA (6). — - Neste 
sentido não esqjueça de lembrar ao Historiographo por« 
iqguez que Mr. d^Herbelot dá a. destruição da. dynastia. 
dos Almoraviíles pelos Almohades no anno da Hégira 
580^ l\t6 de Chrislo; sendo o ultimo dVlIa bhak ou 
liQoc^ irqíião de AU e filho de Josef, segundo se acha 
estampado n^ B\hl%oiheca Oneníalj artigo — Morobeihah.: 
T-Ahi nota o Uríentalista ser esta a chronologia dotesr- 
•rlptores Afstbes^ embora os historiadores bespanboes.et- 



.1? 



\\ At»aleb, Cap. 40, pag. 181, Cap. 42, pag. 186. 
[2} AiMileb, Cap. 40, paj^. 182. — Càp. 41, pag. 184. 
Bibliotheca Arábico- HUpana, tom. 2.^, pag. 216 ele* 
Tom, 3.®, pag. 269 etr. 

(5) Histoire Univertelle etc. d^une Sociélé de Gent de Lettrei, 
tom. 26« pai;. 163. 

(6) Hi«ioirc Univertelle ele. , . tom. 26, pa^. 155. •— Cardonne, 
Histoire de TAfríque et de TEspagne, tom. 2.<>, pag. 262 e 263. 



— 19 — 

tandam a duraçSo da dyoastia dot Almoravidet até o 
anoo da Hégira M9 e MO. — Com esta ião robusta e 
assestac^a anilharia de frUantet tettemanhoi^ que por di« 
irersas ipaoeíras estSo em oppoiiçSo ao que nnevera o 
historiador portuguex^ fica a todas as luxes er ídente que a 
plataforma que se armou tão ineptamente^ deslocada da 
historia barbaresca, contra a façanha de Ourique, man- 
queja^ e fica assas derrocada mesmo pelo lado do espe* 
que da coincidência chronologíca, em que se apoiava* 
Manquejará de todo se adoptarmos a opinião do erudito 
Arabista portuguex. DcscobrIu-»nos elle^ e authenticou*. 
not por meio de documentos arábicos, até então desço*, 
nhecidos do publico neste paiz, que a prelenção do ceie*, 
bre El^Mohdy (vulgo Mabadi) só começara no reinado, 
de TaxcfinrècnrAly (opinião que preferimos áquellat 
que ficam já apontadas ), que succedera a Aly-Ben- 
Taxefin ; e que outrosim ella tomara maior tncrt^ 
mento no meio do reinado do 4.^ imperador da dynastia. 
dos morabithinsy que foi Ibrahim^Ben^Taxefini nada 
tendo por conseguinte com a batalha do Uurique, que 
foi no reinado de Abf-^Bcn^Taxcfinj para esta-ser depre- 
ciada pela causal da distracção ou desfalque dat forçai 
muiulmanai da Pcniniuloj motivado pela revolução re* 
ligiosa e politica do chefe dos Ahnuhadei (1). 

Quanto á segunda questão : Demos que a revolta 
do Mahadi coincidisse com aépocha da Batalha de Ou* 
Tique. Acaso esta coincidência traria inherente comsigck 
a drcumstancia de faxer diminuir a grandexa do feito 
glorioso do Campo de Ourique, por causa da forçosa re-, 
tirada, ou transporte das tropas musulmana^ da Penín- 
sula hispânica para os dominios Mauritanos, conforme* 
escrevera o Author da Historia de Portugal (C) ; a fim. 
de acudirem áquella revolta? De nenhuma sorte. Res» 
pondem de mãos dadas contra a mais nojenta e anti*na-». 
cional innovação, a dialéctica e a historia. Sim ; para 
te poder formar argumento que fulcro tenha, tirado do 
enfraquecimento das forças musulmanas na Península^ 

!l) Kxaroe Histórico ele. §. 4.® 
2) Tom. l.^« pa|(. 3:^1. — Rtte lo^r já ficoa Ifanicripta na 8c» 
i;Mnd« PiirU dttta Obr«| « pag. 6. 

s « 



-20-' 

contra a famosa Batalha de Ourique, era nSo só neces- 
sário demonstrar sem replica a grandeza innumera da 
gente, que pelo tempo d^aquella Batalha os Mouros lí- 
vessem retirado da Península hispânica para o Magb* 
reb; mas também sobremodo índÍ8|>ensavel o fazer eví« 
dente a todo o< mundo, qi^e a partida, ou remogáo de 
tnes forças deixaram os lieis, llegulos ou Governadores 
mauritanos nas Hespanhas em tal estailo, que aâo po* 
deriam precisamente por essa épocha, já fosse de per sr, 
já coliectí vãmente, reunir grande copia de tropas para 
darem um campal e renhido combate. Nem uma, nem 
outra cousa porém é demonstrável, por mais que parafusem 
os romanthanies, e ponham todo oaíBin, a fim de á en- 
caixar em algum ponto do circulo da [xolxibiUdade ; ao- 
tes a contraria. — Que tropas, que forças militares sâo 
essas que o Tuchefin transportara comsígo da Península 
hispânica, que pela deficiência, e desalento que a sua 
ausência produzira, tiveram a prodigiosa fatalidade de fa- 
zer que os musulmanos no (3ampo de Ourique oSkre>- 
cessem contra o exercito de D. Aílbnso o caricato espe- 
ctáculo de um bando ridículo de uns poucos de bonifra* 
tes, e manicacas; como para menospreciar aquelle glo- 
rioso feito dos Portuguezes se intenta inculcar? Seriam 
por ventura aquellas trans)K>rtadas forças de um vulto 
tal que só numericamente designadas bastariam por si 
mesmas para que n*um simples emprego dos raios vi- 
tuaes se ficasse conhecendo, que a tal sangria marcial 
de necenidade pela índole e grandeza delia havia de 
causar mortal delíquio no podorio musulmano da Hes- 
panha f Folbêem-se as historias ; e ellas vtrâo desmenltr 
solemne e formalmente a garrulice innovadora. — Conâ 
efleito em que logar falia a Hnlorta dos Soberanoi Ma- 
komeianos^ etcripta em árabe por Abn-Mohammed^ e tra- 
duzida por Moura, da retirada de um exercito musul- 
mano da Hespanha em companhia de Taxefin, para a 
Africa, que deixasse em o nadir do marasmo e prostra- 
gâo o resto das forças que ficaram na Península? Emi 
parte alguma. Hís-aqui as suas palavras: » No anno 
fy ô3t (1137) passou o Príncipe Taxefin da Hespanha 
n para a Mauritânia, depois de ter combatido, e toma- 
99 do de assalto a cidade de 8egovía> levando comsigQ 



— 21 — 

yi teis mil cuptiros » (1). Haverá poU alfruem tSo rom* 
bo e taodeu de iDlelligencia, que á vista de iSo claro 
testemunho ainda insista na realidade da decadência das 
forças mahometanas na Península pela ida de Taxeíin 
para a Africa ; a fim de deprimir a estimativa, em que 
sempre fora lida a Batalha de Ourique? Ha de concluir 
forçosamente o conliíirio, logo que der com os olhos na 
caravana dos teis tnt/ capivooi^ que Taxefin, por amor 
das duvidas, foi levando comsigo para o solo africano, 
quando se retirou de Hespanha. E na verdade quem po» 
dera affirmar, sem dar ao publico a mais exuberante 
prova de falta de miolo, que, por aquella medida do 
Taxeíin, ficauem dcsguamecidat na Península ai praçat 
«ntfSfi/moftat, e rareadat at filárai dot lamtwútatT {V) 

Vejamos agora o que diz outro documento, que lon- 
ge de ser rejeitado pelo historiador português, é para el* 
]e também trunfo. Falíamos da Cbronica de D. AfTonso 
VII. Uefere pois ella o que se segue: » Post hsBc au- 
7» tem Rei Texufinuá abiít trans maré in Civitatem, 
T que dicitur Marrocos in domuro patris sui Regis Ha- 
79 li, et transi ulit secum muitos Cbristíanos, quos vo* 
99 canl MmarabeSj quí hnbitabant ab annis anttquis in 
79 trrra Agarenorum : et item tulit secum omnes captí- 
79 vos, quos invenit in omnem terram, qu» erat sub do- 
7f mínio ejus, et posuit eos in urbibus, et in Castellis 
^ cum cffiíeris Christianís à facie illarum gentium, quos 
79 vocant Muzmoioij qui debellabant omnem terram 
99 Muabilarum (3). 99 Dn passagem que se acaba fiel- 
mente de transcrever claramente se conhece que toda a 
gente, que comsígo trouxera o Taxefm da Península 
hispânica,. quando viera para Marrocos, se reduz 1.^: 
yj mmtoê C/rrtt^oos, que cltamatn Muzarabei, que habt* 
iovatn desde antigos annos na terra dos jêgarenos. C.^ A 
iodos os capltvoSf que achou por ioda a terra^ que estava 
debaixo do seu dominto^ os quaes elJe pô% nas cidades c 
Casiellos com os máú Chrtstâos do partido d'*aqutllas gen^ 



(1) Ciip. 41, fiajT. 182. 

(2) Hitt. de Portugal, tom. 1.®, pa{;. 321. 

(3) No $ C4 da Clironira de D. Afifonso VII. — Vem no tom. 21 
da Kfpana Sagrada, por Florei, pag. 373. 



— 22 — 

Í€9f que chamam M uzmotos, que debellávam toda á ler- 
ra do$ Moabtlau Ora difçam-Qie agora os imparciaes 
eotendedoies se esta comitiva de dois tfto diversoií e des- 
tacados matizes (Christãos Muxarabeê e ChristSos Jtfuv 
fnoioi) que comsigo transportara para a Mauritânia o 
celebre Taxefio, pôde ter jamais, nem ainda em roman- 
ce, quanto mais em uma historia, que se tem pelo efi» 
snr da exactidão, a qualificação úeflár da» tropos abno^ 
ravídcif que iratiam iopeadot ot musulmemoã andahixcê e 
defendiam atfronié>ra% contra OiChrutâoif (1) Minguem 
por certo ainda aninhou, nem empoleirou nas abobadas 
cerebrinas asuperfína extravagância decompaginar uma 
Jl6r de tropai de elementos tão heterogéneos, e repugnan* 
les. — - Ouirosim quem ha de seriamente proferir, e na* 
turalixar em os dominios typographicos que a exporta- 
ção para fora da Península da tal e quejanda gente per 
lo Taxefin, reduzira as forças lamtunitas, que ficaram 
em Hespanha, á impossibilidade de se poderem' reunir 
em numero grandioso para combaterem no Campo da 
Ourique? Pelo contrario não é preciso reflectir muito 
para conhecer que a medida posta em pratica por Ta- 
xefin, longe de diminuir as forças lamtunitas Ha Pèoiav 
sula, indirectamente as augmentára. Note-se que a ^n- 
te, que elle comsigo levara para Marrocos, não era ial 
que pela sua nacionalidade, e communbão religiosa, lhe 
devesse merecer plemi confiança, se a deixasse etn Hes- 
panha. Eram elles, parle Chriitâos Mutarabeg; e nlo 
era de esperar que estes, se ficassem na Península, com« 
bateriam nas fileiras musulmanas com muita segurança 
e firmeza contra os seus correligionários, os Chri^tâoi in* 
dependente* ; mas antes que se encorporariam, logo que 
pudessem, com a tropa delles : parte eram prisioneiros 
dos exércitos d^aquelles combatentes, que militavam de^ 
baixo das bandeiras de Reis Cbristãos ; e a respeito des- 
tes ainda era mais perigoso deixal*os ficar em Hespa<> 
nha. — Um escriptor já citado confirma aquitlo que dis- 
semos a respeito dos Musarabes. ^^Tachefín Ben-Ali, re- 
» fere elle, fei passar comsigo a Marrocos uma parte dos 
^ Musarabes, que estavam em seus dominios de Hespa» 

(1) Hift. dff Fortvsalf tom. ],S paf. ^1. 



—23 — 

99 nha^ tanto porque hama suspeitai da %ua fidttxdaâéj 
J9 como porque o Rei de Marrocos tirava deites bom 
n f>artido nas gnerrat, que a inconstância de seus vassal* 
y> los entretinha em seus estados (1). » Tirados por tan- 
to iaes elementos, que, longe de ajudar, necessariamen- 
te haviam de estorvar, e entorpecer a acção das forças 
tnabometanas nos domínios da He$panha ; fica evideo^ 
tissimo que ellas, pela polílica preventiva de Tachefin» 
tornando-se mais desafirontadas d^aquelles estorvos, ofto 
tó nada perderam do vigor em que se achavam, mas até 
Binda mais se consolidaram nelle. O argumento pois do 
iiistofiographo portuguez é caracteristicamente contra- 
producente ! 

Falta^^nos a authoridade de Conde. Que conterá 
porém ella que possa servir de alguma escapula ao in« 
flovador? Nada. Transcrevamos as suas palavras: yy Pá- 
19 s6 como digimos el Príncipe á Africa llevando en su 
» compaíiía la flor de Ia caballeria de los Almoravtdes, 
n que hiso notable falta para las revueltas y turbacio- 
f9 nes que en Espana se suscítaton con su ausência: y 
9> asimismo llevó cuatro mil mancebos Cristíanos de 
» Andalubia, muy diestros en las armas, que serviran 
99 en la eaballeria de su guardiã ($). » Está perfeitamen- 
te de accordo o texto da Huioria da Dominação do» A-^ 
rabci e do$ Mouros em Hetpanha^ redigida por M,r. de 
IVIarlès, segundo a traducção do árabe em hespanhol 
feita por D. José Conde, cujo é o logar que deixamos 
copiado? NSo está. Eil-o aqui: » Taxfín se fut éloigné 
99 desfivages espagnols emmenant avec lui ses» meilleurs 
99 soldats et quatro mille cavalíers muzarabrs, dont il 
^ avait composé sa garde (3). n Aquelle dÍ2 (}ue Taxe- 
fin levara comsigo a flor dá cavallaria dot Almoravida: 
Este indiâtinctaniente 0$ seut melhorei ioldado». Aquelle 

' (1) Tattcfin Ben-Ali fit paiier avec liii A M»rot ane partia da 
Muiaraliet qui étoieiít dona •«• damainet é^íSwftgne^ autani parra 
9u'on tutpectoit leur fidalilé que parca qua la Boi da Mwoc en ti* 
roít uo bon parti dant les |;uerref« qae PincuiittaDca A^ aat fttjett 
entreteiioit dâns te« Rtatá. ( Itecherchef HIttoriqaet tur lei Maurei 
etc. Par Al. de Cliénier, tom. 2.^ paj^. 41). 

(2) Hi«ioria de la Domioicion de lof Araties en EtpaiSa ctc. tom. 
2.®Cap. 36, pai;. 286. 

(3) Tom. 2.^ pag. 361. 



— 2-4 — 

* 

accrescenta que a levada flor da cavaUaria dot Almorom 
vtdçi fizera notável falta para at revoltai e turbaçôcê que 
pela iua ausência te iUicUaram em Betpanha. Este, nem 
sequer uma %ò palavra Ufxi^ por onde se conheça que 
alludíra áquelle resultado. «— Qual delles terá raz8of 
I4fto a tem por certo o escriptpr hespanhol, cuja p^ssav 
gem citara o historiador portuguei em a nota da 8U# 
Historia. Estamos antes pela omissão de Mr. de Mar^ 
lèi. NSo foi a falta de gente, que comsigo transportara 
o Taxefin para a Africa, que dera motivo á decadência 
da dynastia lamtunense na Hespanha. Tal affirmar se? 
ria amais risivel caricatura* A sua decadência data des» 
de a impossibilidade em que os puzera a guerra com os 
Almubades na Mauritânia, de,soccorrer os seus domí- 
nios em Hespanha. 99 No anno 519 ( 1124) principiou a 
» decahir a dynastia lamtunense, e a apparecer a sua 
f> fraqueza : e como os seus Soberanos se tinham occu* 
f> pado em combater Mahadi, « os Almohades, teus 
» proselytos, que se tinham levantado contra elles noc 
ff montes Atlânticos, não poderam mais auxiliar o paia 
" da Hespanha, cujos estados enfraqueceram, por terem 
y> sido confiados aos seus próprios recursos. » Assim se 
exprime o historiador ^íahs Abu-Mohammed j4%uikh{})^ 
£ quanto nao é preferível esta authoridade áquella em 
qiie sem o devido exame se fundara o historiador portu* 
guezf Todos sabem qge este historiador árabe fora uma 
das fontes, aonde Copde fOra beber. A preferencia do 
original ao compilador é geralmente reconhecida, quan^ 
do ene manqueja. — Do que fica exposto se coUíge que 
tanto o principio, como a enorme conclusão, quedelle se 
pretendia deduzir, vçm a terra pela deficiência dos mes^ 
mos esteios, em que blazonavam estar apoiados* 

Para fazer coqbecer porém mais radicalmente a faU 
sídade com que o neoier\%mo histórico lança mão da 
exaggerada /raçticsa dos Mouros na Peninsula hispâni- 
ca, a fim de deprimir a grandeza da Batalha de Ouri- 
que ; daremos ainda uma idéa do seu estado de força 
militar, av^li^ida pelos vários successos de armas, que 

(1) Historia dos Solieranos Mahometliaoi et(.i Irp^niida pof 
Moura, Cap. 42, pa^. 106. 



— 25 — 

tiveram logar na Hespanha, desde o anno de IIf4, eiki 
q4je começara a decadência do império dos lamtiiniias 
pa Península até o de 1139, em que teve logar a Bata* 
lha de Ourique. — No decurso pois de quinze annot 
que •ymptomas se deixam historicamente ver, por onde 
se possa collígír que as forças dos lamtunitas em Hes» 
panba se achavam em o mais marasmalico dofinhamen* 
to,*quandp compareceram no Campo de Ourique! Ne- 
nhuns^ dirá lodo o mundo que analyiar a matéria. A* 
Ibram-se os livros históricos, folhêem-se dentro do men- 
cionado período. Ha de se achar que logo no anno de , 
11S4 9 4 vista da conducta que os CbrislSos Moiarabet 
99 tinbatn tido com o Rey D. AETonso (conducta aliàt 
louvável, pois que se reduzia a implorar a sua protec^ 
S2o) n os JMahometanos lançaram mSo da maior parle 
f> dos Cbristftos, que tinham ficado entre elles, e os iw 
99 zeram passar a Marrocos, onde se tinham já tirado dei* 
n les grandes serviços » (1). Este despotismo cheio de 
crueldade e vingança, debalde se poderá attribuír a ato- 
nia ou fraqueza da parte dos Mahometanos. Temos po- 
rém factos mais positivos. 

No anno de 11S5 » os generaes dos Almoravidet 
99 em Hespanha, resolvendo^se vingar dos males^ue D« 
99 Affonso, Kei de AragSo, lhes tinha feito, invadiram 
99 seus estados com um poderoso exercito e puzeram tu«- 
99 do a fogo e a sangue. O Rei achou-se em tal aperto 
99 que para reprimir a audácia dos JMahometanos foi pre^ 
99 ciso enviar a França a fim de pedir soccorros aos Se» 
99 nhores limitrophes, obrigando-se por juramento a con- 
99 ceder-lhes terras e dignidades em seus dominios para 
99 recompensar o seu valor 99 (fi). Quem toma a inicia- 

(1) A !• Tâe de l« comloite qoe les Chrélient MoiaralMi «voient 
teuue avec le Roi Don Aironie, les Mahomélaiis te taMirenl de la 
plâpart de« Cbrétiens, qui étoieut reités parnii enx, et let firept 
paiter k Maroc, od Pon cn avoit déja tire de sraodt tervioea. ( Fecw 
reras, Hhtoire Generale d^Eapagne, tom. 3., pagr 361 e 362). 

(2) Let Généraox dei Almoravidet eo Etpasne, réMdot da ia 
Tenger dei inanx que ce Moiyarclie Icnr avoit faitt« fopdireat tar 
•et Etats aver uoe paiwanle Armée, et mirent tout á reu et dtaai^. 
Au brait de leurs hostilltét, le Bpi enroia en Prance detaaader dea 
tecours aux Begneurt limilrophet, tVngageant par termeat* k lear 
accorder des Terret et det Disaitét dant tei propres Dooiaiaca paac 



— 26 — 

tiva Je uma inva^So9 que obriga ò seu adversário, para 
te defender, a buscar soccorro em paiz estrangeiro, pre- 
ta eminentemente, que, longe de inculcar definhamea^*- 
to em suas forças, lhe é nellas superior* 

No nnno de 1186, a IB de Agosto, » se empenhou 
y> entre Moutos e Christãos, nas montanhas do reino de 
» Valença, um dos roais sanguinolentos e renhidos com- 
9» combates, que durou a maior parle do dia » (1). O 
General ^ihamtn trouxe em soccorro de ^mor^cr, Go» 
irernador de Valença, um bovn corpo de txenAio na oc- 
i^asião em* que D. Affonso se achava internado nas mon- 
tanhas com suas tropas para aprisionar aos Mouros seu» 
rebanhos, jlmorga^ ífazendo juncçâo com Alhamin^ mar- 
charam ambos contra £1-Rei D. AÍTonso, que elles si- 
tiaram nestes logares escarpados, e o houveram em tio 
estreito cerco durante Ires dias, que se imaginaram ler 
os Christãos no matadoiro. Foi tão grande o perigo, em 
que se achou D. AfTonso, tanto pelo numero dos íMa- 
faometanos, que o cercavam, como por causa do logar 
onde elle se achava, que julgotr que sem o soccorro do 
ceo não se poderia tirar d^aquella penosa situação. Nes- 
ta conformidade ordenou a todas as suas tropas que se 
dispuzesserti pela penitencia, pelo jejum e pela ora^o, 
a attrahir sobre suas armas a Benção do Deos'dos Exér- 
citos,- a fim de poderem abrir uma passagem á ponta da 
espada pelo meio dos Infiéis, pois que era esta a única 
resursa que lhes restava (S). Acaso denota o menciona- 



récompenier Icnr valeur. (Ferreras, FIí»luire Generais d^£tpa(oe« 
tum. 3.^ pajE^. 364), 

(1) 11 «e livra no rombat drs plus sanglaotf et det plu« opioiâ- 
tret, qui dura la ineilleure partie du jour. ( Ferreras, Hitt. Gener. 
d^Rspaiine*. tom. 3. pag. 369). 

(2) \a General Alhamin amena an hon Corpt d^Armée á too •«•• 
^oiirt,' dans le terops que le Roi IJon Aironse «''étoit engagé dans let 
Montagnes avec ton monde poor enlever aax Mahometans leurt 
troupeaui. Amcirga sViant joint á lui, ilt marrberent toui deux 
conlre le Boi Don Alivuse, qu^ili astiégerent dans res lleux e%€mr^ 
péi, et qiiUli liurent si bien enferme pcudant trois jours, qu^ilt 
s*ima{;ÍBe«eHt avoir les Cbrétiens dans laTiierie. Don Alfonse, cou- 
naissant tante la grandeur du peril oú il étolt, tant 4 la vúe du 
iiombre det Mahometans, qui IVnTirounoient, qo^ii canse du lieu 
od li se trotatoit, comprit qa'*il ne lui falloit rien moins que le se« 
court dtt Clel| pour !• lirer iPaii mauvais pai \ c^est pour qodi, if 



— 27— 

do facto alfum vislumbre de decadência nas forças \am^ 
itiDÍtas da Hespanha? O contrario dirá todo o mundo 
que o ler. Nole-se agora que o referido successo te\e lo« 
gnr já em tempo em que a guerra de M abadr se achava 
altamente ateada na parte septeotrional da Africa ; nó 
tinno mesmo, a seguirmos a opinião de Mr. d* Herbclot^ 
em que fora destruída pelos Almohadct a dynastia doii 
Almoravides (l). 

Neste mesmo anno, durante pois que D. AfiTonso 
te achava em Valença, os Mahomelanos de Lerida è 
Tortosa, aproveitando-se da sua ausência, fizeram uma 
incufsio OPi conAns de seus Estados, aonde elles com* 
metleram algumas hostilidades.- Combateu-os, é verda- 
de o Conde de Barcelona D. Ramon ; |ioréflli a perda 
foi igual de parte a parte (f). — - Foi no anno de llf6 
(ô€0 da hégira) que Taxefín, nomeado por seu Pai 
Governador de toda a Hespanha, para onde partira cotn 
ónco md homem de eavaliana^ tendo mandado convocar 
Oi tropa» do pnH, com cilas $ah%u afater hoMiidadc» pa- 
ra a» parta de Tokdo^ aonde tomou por aualto um doe 
iteui caiteUoêj e pd% cm perturbação a iua comarca (3). — -> 
Da mesma historia consta que o principe Taxefín neste 
mencionado anno derrotara ot Chriêtãos em Fahaneêta* 
bab, fatendo nelki uma terrtvel mortandade e exp9êgnára 
trinta castello$ no pat% ocádentaij do que deu parte a uu 
pai (4). SerSo pois estes acontecimentos provas de esta» 
rem rarcadai na Peninsuhi hispânica as jf/etros das tro- 
pas mahometanas? Quem o affirmar pronuncia sem du- 



nr^tonna à tontet •«• troapes de te dispoier par la penilence, po«r 
l« jeAne, et par la pri^re, â attirer tnr lenrt Armet ia Bétféiliction 
da Dieu «let Ariuées, à fin de |>oaToir t^ooTrir noa paita^e à la 
pointe de Pépée aa milíeii des Infidellet, paitqne ç*éMt la «eult 
reMourre qoi rettoit. (Ferrera», Hbt. Gener. d*Bipasiie« tom. 3. 
paj;. 369 ). 

(1) Bibliotb. Orlent. art. Morakeiknk. 

(2) Pendaat qne ce Prince ét<iit dant hi Valeore, h» Maliomé« 
lans de Lerida et da TortoM, profitant d« soo éloii^iienieMt , fireiíl 
uoe incar^ion sor lei CobAds de »et Btatt« od ilt coMmft^iit qiiél* 
qaei boitilités» Don Raymood, Conte do Barcolotte les comtiatlt 
pwee perto égalo do part et d*atilre. ( FofrcffM, Hist. Geaer. d^Kt«^ 
pof^ne, 4om. 3. pag. 370). 

(3) Attaleb otc. , Cap. 40, pag. ÍB9m 
(#) Atialeh ele. | Cap, 40, pa|. 181?. 



— 28 — 

vido contra si próprio a mais fulminante criminaçSo de 
rematada inépcia. Todo o homem sensato ha de porém 
concluir de taes factos contra a mais audas inno>ação! 
Mas se percorrermos ainda mais a historia , ha* 
vemos de achar que no anno de llâO os Mahomeíanot 
de Lerida, Torio$a t Valença fi%erQm tombem uma tfictir- 
sõo fios confim do% £ttado$ do Rei de Aragão. Subiram" 
Ihei ao encontro Z>. Estevão^ Bupo de Hvesca^ e D. Giit- 
tâoy Visconde dcBéarne com as tropas qne Unham; maf 
ambos ellci morreram na acção (I). — Folheémo» mais ; e 
acharemos escripto (comprehende-se no anno de llâl) 
que — Da mesma sorle que as incursões dosChrisiâos tm 
as terras dos Mahometanos eram continuas j ignahnenit 
eram frequentes as dos Mahometanos nos domínios .Cbrtc- 
lâos (S). ^- Continuem os curiosos a empregar a aeçSo 
do apparelho ocular na leitura da mesma pagina. Hflo 
de ahi encontrar logo em seguimento a terrível embos- 
cada que nos subUrl)]os de Toledo armaram contra oi 
Chrisiãos nrste mesmo anno o atrevido Farax^ Alcaide 
de Calatrava, e os Alcaydes de 8anto Estevão^ e de O- 
leja ou Aurélia (mas não Ca%orlal)^ que aquelle lí- 
nham leunido suas tropas* Foi n^aquelJa emboscada que 
fora morto o Governador do disiricto D. Guterres Hei^ 
megildes com a maior parte da sua gente, e ficou pri* 
sioneiro Nuno Aífonso, Alcayde de Mora. — Hão de igual* 
mente achar que JD. Rodrigo Gon%ale%y os dois Alcay- 
des d^Escalona, JD, Domingos Alvares e ./)• Diogo Al^ 
vares^ seu irmão, ebem.assim o Alcayde de Ita D. Fer* 
nando Fernandes^ que pretenderam reprimir a audácia 
dos Mahometanos, foram todos porelles derrotados; sen* 
do grande acarnagem no exercito Chrislão (3).— Ago» 

(1) he% Miihométanii cte Léridf, de Tortiffe et de Valente, firenl 
«ne incursion sur les Confins de ke» Klats. Pon Rlienne, Rvéqoe 
de Huesra, et Don Gatten, Viromte de Béarn, inarrfcerent â leur 
Kenronlre avee lesTronpci qu^iU avnient, et leur livrerent bataille; 
mais ils pérírent toai deux dam l^action. (Ferrerat, HUt. Gener* 
d^Rspagne* tom. 3, pa|:. 379). 

(2) De méme que lei incursiont dei Chrélieni sur lei Terrei des 
Blalioniétani étoient continuelle», de méme cellei dei Blaboinétani 
^toient frequentes dans lei Bomainei dei ChrétIeDS. (Ferreras, liiii. 

^Gener. d^Kipa|;ne, tom. 3. pa^. 8(11 }• 

(3) Farax, AIrajde ou Goaverneur de Col«tr«T«| et let Alcaides 



ra note-se que foi nestes entremente^ qoe Taxcfin Bm 
f/aãj filho do Rei de Marrocos, chegou da Africa coiii 
ura grande numero de Almoruvídes; prelendenda log^ 
de caminho com as tropas dos Alcaydes Ahen-Azutl^ de 
Córdova, e Ahen-Zcta^ de Sevilha, e outros da Amlala<« 
zia, levar aeííeíle o plano de cahír sobre o reino deTcV* 
ledo, a fim de arraiar a maior parte das cidades com a 
Capital (1). *- Foi neste mesmo anno que El Rey de 
£adnjo% por nome /^ibuccnan convocando nctlc tempo o 
vfuiyor exercito que podc^ fe% entrada peitas terra* dá Bei* 
rn, e destruindo algíiai povoações dos Chrtstâos menos for-' 
tificadas^ chegou a por cerco á vilfa de Trancoso (€). 

Percorramos o anno de 1132. Havemos de lèr que 
Taxefin Benhaii viera com todas as suas tropas atacar os 
districtos de Toledo, e que assaltando á meia noite o 
castello de Azcca o tomara e demolira. Não é só isto. 
O governador, depois de ter perdido perto de trezentos 
homens, ficou prisioneiro com muitos outros, que com 
elle foram enviados a Marrocos. Não parou aqui. 7Vi« 
xefin atacou depois Borgas^ aonde muitos Christâos per- 
deram a vida. D^ahi marchou contra o castello de S. 
Servando, e o tomou depois de ler morto cincoenta ho- 
mens (3)«— Tio pouco é para esquecer que foi neste 

4e Saint Etieone et Orcja oa Aarelia aiaat réani leun Treapes« 
«utrerent de niiit dam la Baniieue de Telede. — Don Gatierre 

Heriné|;ildei , Conumandant du Paii donna daus Tembutca-^ 

de.... maii accablé par la maltitude« il périt avec la meilleure 
parlie de lon monde. Nnne Alfonse, AIrayde de Mora, fut fait prí- 
swoDier. — Doo Koderic Gonçalei .... Domiuique Alvarex et Doa 
Diégae Alvares toa frere, tou» deux Alcajdet d^R&calona et Fer- 
uand Femandex, Alcajde d*Ita, te mirent en devoir de répriíner 
leur audace •• ... llt ( let Mabométaiit ) lei defírent .... avec teule 

•on monde de torte que poar rette foit ilt repandirent beati- 

coiip de sanj; Chrétien. ( Ferreras, HUt. Genér. d^Btpagne, tom. 3; 
pa«;. 381 e 3412). 

(1) Snr ret entrefaitet, Taxefin Benbali, ftU du Roi de Maroc^ 
arriva d^Afiríque avec un grand nembre d^Alinoravidet. II dann» 
ordre auttí-tdt aux Alcaydet AbenAxuel de Cordoe, Aben-Zeta de 
Sévilte et d^aoiret d'AnHaloutie de preparer lenrt Treopet.. • . i 
dettein de fondre tor le Roiaume de Toléde, poiK* en rater la pl<)l* 
part det Viilet avec laCapitalle. ( Ferrerat, Iliti.Gener.d^Kftpague, 
tom. 3. pag. 3a2 ). 

(2) Monarcfola Lutitana, tom. 3.9 LU. 9.® Cap. 21, folb. 100 r. 

(3) Ta>^n Benhali t^avanqa dan» le foltinage de Toléde «ffc 
tnuiei sei'truupetf et le preteuta d.evant le Chateaa ci*Aseca; Aiaai 



— 30 — 

laetmo anno que Ornar Alcaydc de SamlluMf eonooeanda 
lodoi o» govemadorci de Andalwúa com iodai of tropa% 
4o ieu governo^ viera ao encontro eh conde D. Rodrigo c 
com elte travara huma acção ianguinolentoj cuja torte f<n 
incerta por algum tempo (1). Mais é ainda pata lembrar 
a iremenda carnagem que TaxeAn^ reunindo numerosat 
tropas contra o conde D. Rodrigo» depois da derrota de 
Omar, fizera nas forças dosSalamanquezes» que Unham 
ido invadir os estados dos Mahometanos (C). 

No anno de 1133 acharemos gravado na historia o 
facto da reunião de um numeroso exercito, queTasefin 
aggregára de todas as parles com o fim de conquistar. 
Toledo (3). ', — Foi neste mesmo anno que Taxefin ata* 
cou a Gmlara Mahmud; tomando-a de assalto (4)»—* 
Passemos ao anno de 1134. E que apresenta elle , que 
positivamente nao continue a desmentir a falsíssima as* 
serçfto do Author da Historia de Portugal? Havemos 
de achar acontecida neste anno a fatalíssima víctoria de 
Aben-Gama contra os ChristSos. Noentremenies que D. 
Aflbnso Rei de Aragão estata para tomar posse da pra- 
ça de Fraga, rejeitando as proposições dos sitiados^ a 
historia refere que zÊben-Gamaj governador de Valença, 
ao mesmo tem|K> que fizera levantar numerosas tropas 
tanto em seus estados, como em M ureia e Andalucia, 
dera igualmente parte aTazefin, que se achava em Mar* 
roços, a fim de lhe enviar algum soccorro. Taxefin lhe 
enviou dez mil homens, que juntos ás tropas de Sevilha, 
Córdova e Granada, se foram incorporar no exercito de 
Ahen-Gama. O combate foi do» maia iangmnokntos ; e 
ainda que os Chrittâoi jkeram prodigiot de valor , o que 



donné dant le militii de Iji nait on assant i cetie Plare. . « • il em* 
porta et|adémolit. Le Ooufernenr fiit fait prisonoier avec plutienrt, 
autret, apr^ avoir perdii prét de troit cens hommec, et fut envoié 
d Maroc, de méme qne toos ceux qui rarent prii avec lui. Rnraite' 
Taxefin attaqua Bargas, od ptosieon Chrétient perdirent la víe. 
Dc-U il travanca jtttqQ^ao Cliateaa deSaint Servand etie prii aprda 
j avoír taé cinquante hommet, ( Hht, Gener* d^Espagne, Iam. 3* 
paf. 386). 

(1) Hiit. Gener. d^Rtpagne, tom. 3. pa|;. 3A6. 

(2) Hitt. Geoer. d^Rtpa|;ne, tom. 3. ^m^, 386 e 387. 
J8) Ferrerat, Hiit* Gener. d'£*pagne, tom. 3. paç- 387» 
\é) AtMdeliy Gf p. 40, paf . 182. 



— 31 — 

lomott aignm tempo a tsiciaria daèidosa ; por fim. opprin 
mído» pela muUiaâOj foram iniciramenie derroladot (l)« 
£ste memora fcl^ e la&timoso acontecimento quanto por 
si meimo não está proclamaoilo que mfiUvra$ dot /cimitf» 
nUoM oáo estafam rareados^ como escrevera o historio* 
grapho português ! 

No aono de 530 da Hegyra e 1 135 de Christo der* 
rotoii Taxefín em FahaããC-Aíia multidão de Chrislâoi^ 
doi quae$ feneceram muiíog (2). Neste mesmo anno acha*, 
mos escripto em nossas cbronícas que uma das rasoes por 
que D. Aflknso Henriques (então Infante) mandou fun- 
dar o Castello de Leiria» foi para reprimir a fúria dos. 
Al ouros (3).— Ignora alguém que tenha noticia da^ 
nossas historias que foi no anno de 1136 que o Mouro, 
Eujunj viera pôr cerco a Coimbra com um numerosissi- 
mo exercito (4)?-— Foi neste mesmo anno que Taxerin. 
advertido dos grandes males» que o Conde D. Rodrigo, 
tinha feito sofTrer a seus vassallos» convocou todos os seus 
Alcaydes; reunindo um forte corpo de cavalleria e tn« 
fanteria com outras tropas» que tinha traiido da Africa 
paraoatacar í5).'-Fot neste anno queTaxefin tomou de 
assalto a cidade deCarquio ou Carpio» na qual nãofícou. 
pessoa alguma com vida (6). — y> Em Hespanbà (histo-i 
ria o moderníssimo Cb. Itomejr) » continuava o princi- 
99 pe Tascbfin suas expedições contra os Cbristãos com. 
99 grande vantagem. No anno 530 (1136) houve còm 
99 elles bua sanguinolenta batalha em Fohot Alyya ;. 
99 em que os derrotou» e venceu com horrivel mortanda-^ 
99 de 99 (7). 

No anno de 1137 veremos os Mahometanos das pitr* 
tes de Sevilha» e da Estremadura entrarem nos R^t^ado^ 
do Príncipe de Portugal D. AfTonso Henriques cum um 

* • 

11) Ferrerat, IlUt. Gcaer, d^Rtpagne, tom. 3. pag. 3M e 390« 
2) AMaleli« C«p. 40, pag. 182. 

Moaarcbia Latitana, tom. 3.^ Cap. 25, fwtli. lOG. 

EurojM Portugueia, tom. 2.® pag. 39. 

Ferrerm, Hbt. Geuer. d^Rspagoe, tom. 3, pag . 400« 

(6) Atialeli, Cap. 100, pa^. 1K2. 

(7) Ro Btpagoe lePrinceTaschfin contintiall setexpeditians €on« 
tre tet Cbrétient avec iin grand mccds. Rn 630 (1136) il ent avec' 
eax nao tanglanta bãtaille á Fohot h\yy\ il les d«ilt et !•• vai«-| 
^últ aTCC »»• horriblo carnage. (Hitt.d*ElpagQef tom, 6.® pag.Sftj.' 



— 32— 

poderoso exercito, tomarem de assalto ocastello deTho- 
mar, e demolírem-no; passando toda aguarnigio ao fio 
da espada. — Veremos 06 Alcaydes mahometaoos faze- 
fem frente com numerogai tropas a D. Rodrigo, Gover- 
nador de' Toledo, que na sua incursão conftra 09 Mabo- 
metanos penetrara até Serpa (l). E dão foi neste me^ 
tno anno que Taxefin combatera j e tomara de aaaUo a 
cidade de SegotAa^ levando comstgo para Marrocos wcm 
mU captvcotT Sem duvida (9). — Segundo a narrativa 
de Romey foi n^esse mesmo anno que o Principe Taxe-* 
fin correu o território deHuele e Alarcon; tendo toma- 
do de assalto a cidade de Cuenca, que lhe tinha resis* 
lido ; cajos habitantes sem excepção passara' ao 60 da 
espada (3). 

Temos o anno de 1138. Acaso ha algum successo 
de caracter extraordinário, que convença a alguém de 
que as forças dos Mahometanos ficaram por elle inhabi- 
litadas de comparecer em grande numero no anno se- 
guinte em ocombate de Ourique? Quem tal affirmasse 
ficaria com toda a razão exposto á irrisão publica e per- 
manente dos que cultivam a historia. Aponte o Innova** 
dor histórico, se é capas, esse successo tão estupendo, e 
memorável, que forçosaniente havia deproduxir aquella 
inhabilídade. Ha de necessariamente ficar mudo \ Rir- 
se-ha todo o mundo se alguém affirmar que fora o re- 
vex ( único evento desastroso de que ha memoria na his- 
toria de Hespanha contra os Mouros neste anno ) que 



(f) FerrerM« Hiit. Gener. d^Bspagne, toro. 3. p«g, 403 e 404. 

ít\ AtMieh, Cap. 40, pag. 1R2. 

(3) En 63t (1137) le prince Taschfin coiirnt le pajt de Huebte et 
AUreon* 1^ cite de Cueoca ayant resiste, il Ia prít d^iissaat et eoi 
pana les babitans au fil de Pépée tans épargner personne. (Hiit. 
d*Btpagoe« tom. 6. paç. 35). — O Historiador Português escreveu : 
«t Os districtoi de Huete e Alarcon sublevaram-se, e a cidade de 
•» Cnenca ousmi resistir a Tachfin, que viera suregar sqoelles alvo* 
f» rotos. Ratrada lí força« os ièui babitantes roram passados á espa* 
f» da. n (Hist. de Portug. tom. 1.^ pag. 320 e 321).— Gtuat dos 
dois historiadores será mais exacto? Ku vejo que o citado author da 
historia de Hespaaha refere que Cttenea fora tomada de atsaUo^ ao 
mesmo tempo que o bistoriador português menciona que fora entrar 
dm à força. Será nma^ e a mesma cousa ? Nio podemos admittir sj- 
nonimias, qae ninguém ainda rétonheteu ! Haja vista aos Phitolo* 
gos! 



• « • • 



— 33 — 

•ofirera uma porção deiropa, que guarnecia Coria, que 
cahira em uma emboscada (l)!*.« 

Somos chegados ao aooo de 1139. Que acontecia 
tneoto phenomenal foi esse que com a vehemencia e ra- 
pidez do raio reduziu a um perfeito capiít mortuum to- 
do o exercito mahometaoo, a ponto de ser antes uma 
irrisão, que uma realidade de combatentes noCampo de 
Ourique? Ouçam: Foi a tomada de Oreja que falsa* 
mente o Escriptor portuguez chamou Oxiorla!... E ha* 
i^erá quem não despeje uma rincbavelhada de estrondo? 
Já assas e de sobejo fizemos ver a inépcia^ o disparate^ 
a caturrice da lembrança (!B) ! 

Continuemos a transcrever as fanfarronadas do fan- 
tasioso historiador para de caminho lhes irmos applican* 
do o indispensável e proRcuo correctivo* — ^ Entrados 
» na épocha da batalha de Ourique e constrangidos pe» 
» lo ás vezes bem triste dever da sinceridade a reduzir 
19 ás dimensões verdadeiras um facto, que á tradição de 
f> séculos aprouve cercar de fabulas não menos absurdas 
i> que brilhantes, cumpria-dos dar a conhecer a situa- 
is ção d^esses homens, que nos campos do Alemtejo vU 
» nham combater com os duros cavalleiros de ASbnso 
» Henriques (3). n Como é isto? £^ acaso argumento 
de úncerídadc o ir angariar á historia de paiz estranho, 
e adestrar a seu modo successos que nada directa, nem 
indirectamente tem com o objecto; para deprimir o pri- 
meiro dos factos mais insignes da historia do seu paiz? 
Mas que digo?... E* por ventura mínimo indicio, vis- 
lumbre sequer de únctrtdadc o tirar illaçSes de taes suc- 
cessos (alíàs já viciados em sua mesma exposição ! ) } il« 
laçSes, digo, que nem próxima nem remotamente nel- 
les se contém, a fim de incutir menoscabo por um pro« 
digio militar, que todos os historiadores tanto nacionue& 
«x>mo estrangeiros sempre tiveram em grande valia ? Se 
não lhe quizerem dar a qualificação caracteristica de 
— má fé --^ chamem-lhe pelo menos ptesumpçosa igno- 

M| FerrerM, tom. 5. pajr. 40r. 

{st) Veja-»e o que • profHMÍta deiíámot eMripto cm a Segunda 
Parte detta Obra ; desde pag. 40 até 54 etc. 
(3) Hist. de Portug. tom. \,^ pag. 22^ e Ztò. 

3 



— 34 — 

rancia!... •— Aioda é mais. E^ um imulto feito a lodo» 
os hUtoríadores !... Na verdade se elle se julga conitran" 
gido do dever da sincertdadc para votar ao vilipendio um 
facto que todos os outros (presciodicklo já de circum* 
stancias theocraticas ) tiveram sempre em singular apre- 
ço ; segue-se que os mais historiadores foram levados do 
impulso do vicio opposto para asseverarem o contrario. 
Ora existindo entre nós o estudo da historia ha três pa- 
rfi quatro seculo6| e sendo os seus cultores de sentimen- 
tos contrários aos sentimentos do actual historiador por- 
tugueS| é bem para concluir, segundo os seus principios, 
que só elle é o único outhor únecro^ que tem escripto a 
historia de Portugal; sendo todos os outros uns itnpos/a- 
fct e Irn/xiceiros. Que tal é a per tenção!... E* a mais 
audaciosa e çjaricata que neste género tem existido, no 
jiniverso da philaucia!.- E comque ignomioia.de tan- 
ta gente, a quem o presumpçoso oSo era capas de che- 
gar, não direi já aos calcanhares, porém nem sequer ás 
palmilhas!... 

Porém que (ltm€nstfes fyerdadároê s3o essas , a que 
elle periçndera redwAr o facto de Ourique l Acaso en- 
tenderá o innovador histórico por dimcnêôt% vcrdíideiraã 
çssa caravana de successos, que elle a seu sabor foi em-^ 
palmar á historia hispana-marroqmnay para com ella, 
como bateria de grosso calibre, desmoronar e destruir a 
grandeza da Batalha do Campo de Ourique? Ninguém 
jamais asseverará que acontecimentos transplantados da 
historia de paiz estranho, que nenhuma influencia nem 
directa, nem indirectamente tiveram na existência ou 
pão existência de um facto, fossem invocados no jury 
da critica com o caracter de (hmensôci verdadeira» para 
avaliar ^ natureza doesse mesmo facto. Um tal compas- 
so crilijco. seria em si mesmo a maior e mais pronuncia- 
da irrisão,! -^ Os factos que podem servir deverdadcura^ 
dimemôes a qualquer facto em questão são tamsóm^nte 
aquelWá que com elle tem estreita e positiva ligação; 
que entre si são connexos como a causa com o effeito. 
A incompatibilidade de um facto não se demonstra sem 
fazer vcr de uma maneira incontestável a impossibilida- 
de ou contradicção da sua existência com a simultanei- 
dade dos outros factos. Esta demonstrarão porém não 



— 35 — 

pôde ser obra doeste deteofreado rofnancismOf que arvo- 
ra em campaoudoi priocipiot destacados factos, que n^ 
Dbuma incoinpatíbilídade eocerram contra a grandeia 
do acontecimento, que se intenta combater. — B mesmo 
quem poderá admittir que depois de tantos engenhos de 
profunda erudição e scíencia ( em presença dos quaes o 
noviásimo historiador nem sequer ousaria arrojar o esca* 
bello de aprendís ) , depois sim de tantos talentos da 
mais elevada |X)lpa litteraria não se terem feito cargo 
de tal e quejanda incompatibilidade; agora só elle ti- 
vesse o exclusivo privilegio de descQl>rir a tal decantada 
incógnita? Até oargumento de prescripçio o fustiga !••• 
Agora perguntarei : Que iracSçâo de êcculos foi essa 
ofie aprouve cercar defabuiai não menoi abturda» qíêc 
írilhmteê ofacío de Ourique? — - Acaso pretender*se-ha 
com similhaote generalidade anniquilar a grandeza de 
uma façanha, que a historia tanto nacional, como es» 
trangeira sempre reconhecera? Nunca se poderá conse- 
guir intento tão profundamente absurdo ! — A asserção 
do hiiioríador porém não deve ficar sem ter chamada ao 
tribunal da analyse. — Que tradição de »ecuh$ ( nova- 
mente perguntarei) foi essa que c^rauve carear defabu' 
lai não menos abiurdai que brilhanU» aquelle facto ? Foi 
por ventura uma tradição popular nascida da ignorân- 
cia e do erro, que tal aprouve; ou antes uma tradição 
toda filha da illustração e da realidade do facto^ e suas 
circumstancias? Foi a primeira, responderá por certo o 
historiographo. Porém que provas dará elle da affirma- 
tiva? Não poderá dar alguma. — Será a segunda? Se 
é esta, não é crivei que uma tradição de um tal cara- 
cter cercasse de fabulas não menos cAsurdas qu6 brilhan^ 
ies o facto de Ourique. Nesta hypothese aquillo que o 
innovador chama /oòuJos, por certo que o não são* — « 
São admissíveis ambas as hypotheses, replicará o anta- 
gonista da acção theocratica na Batalha de Ourique. 
Ooocedemos ; e isto é já bastante para inutilísar a as- 
serção do adversário. Porém se amba^ as hjpotheses são 
admissíveis, qual delias o será mais? A segunda, diter 
mol*o com toda aaffouteia. Na verdade, quando se ob* 
serva que os homens de talento mais conspícuo de uma 
nação reconhecem' de^de séculos como verdadeiras ascir- 

3« 



— 36 — 

cum&tancias de um facto, embora s6 transmittidas áhif* 
toría ( visto que para o antagonista nada valem doeu* 
mentos de veneração avoenga ! ) pelo canal dalradiçSo; 
<por sem duvida que este signal é assas característico dct 
que ella não é do numero das fabolas populares. Se po* 
réro o historiador português tiver (o que estamos longe 
de suppòr) que tudo quanto vem da Iradíção é fabulo- 
to; creia que o seu pensamento, além de falso e extra- 
vagante em historia, é até heterodoxo. 

Ainda todavia (deixando o mais que é nvatínada 
de bumbo romântico e não sem falsete (1)) no paragra* 
fo da transcripta passagem alguma cousa ha que não 
pôde ficar sem ser contestada : » O armistício, tão fa- 
19 qílmente concedido por ASbnso VII aos esforçado» 
» defensores d^Aurelia, prova que o verdadeiro estado 
Tf dos negócios úa Africa era por elle bem conhecido* 
» A sua appareate generosidade, que alias fora uíBi grau* 



(1) o tr«cko que omittimos^ e que pvectd« ao qae vamili a ca- 
piar é o leguinte. » Efa orna laita agoniiante debaixo dcM golpet da 
»9 sua i«lii e vigorosa riTal ; era a eitreUa da djnastía lamlaBeaiè 
>9 que le ecKpsavà; era nm pofo, conqiriítador rerente^ qae lenliã 
t» a|;iUr-te4be em roda sedento da Tingant^a o povo sobfpgadot • 
n qual virlualmeala conspirava com pt teus próprios e aatigot .ad« 
n versaríof, os chrUtSos, para a mina daquelles, que se podiam cha- 
^ mar inimigos d*uos e d*ontros; inimigos dos sarracenos ftespa» 
f* nboes por tjranaia politica; dos christitos por ódios de crenqa a 
9* por emularão de conquista. » Q.oem haverá qae p«issa diter qae 
um tal imbróglio de palavrosa obscuridade seja próprio da simplici- 
dade e clareia, que demanda o èsttílo histórico? Ninguém que sal» 
ba o que as cousas sXo e devem ser. P^rém que teita é essa a§0m^ 
umnte^ que por tantos anãos tSo terríveis estragos ainda íai nas tropas 
dos CbristSos, como Já fisemus ver pelos factos, que apontámos? Pô- 
de acaso ter o nome de aganiXiafUe quem dá tSo sobejos sigaáet de 
vida? B tio de sobejo, que até destroe, e tira agoerridameater a ▼!• 
da aos oatros? Nâo por certo* A palavra ^aniumie involve parta»- 
to falsete histórico ! 

A{iora perguntaremos o que quer significar a expressSo : cofsç»»- 
rar tfirtuntinenien que no trecho yem appropriado ao povo ntk^tfoiU 
sedento de 9%ngançmX Conspirar ós elmra%^ ét eteonéUku ate. é liar 
guagein c|ue tudo o mundo entende* Cotiapirar porém vtr tua lm mi e^ 
e frase fiiigmatica qne precisa de commento. Esperamos por elle!..» 
Perguntaremos Igualmente: Como é qne a om y^yo tuifu§adú te* 
detUo tU vimgança pôde quadrar bem a Idéa da eon^rar airftMiA- 
uuniel l£\ott não ajoujo romântico ?... Ctnanto ao qualificativa ««4- 
jugado^ corre parelhas, e pelo metmo motif 0| na área da veracidai* 
^^e,' com o termo agonUatUe ?... 



-37 — 

79 de erro, eslribavii-se, por certo, da certeza que tinha 
r da inutilidade àella para os sitiado» (1). » — Queoi 
disse, ou porque via dos humanos conhecimentos alcan- 
çou o historiographp que a causal do armisttcio iâo fa^ 
cilmenLe concedido por AíToiíso VII aos esforçados de^ 
fensores de Aurélia (que é Orefa e nâo Caxorloy como 
tSo estonteadamente se asseverara ! ) fóra o bom conheci- 
mento que elle tiiíha do estado dos negócios na Africa? 
Tirou por ventura o escripior esta e&peciosa asseveração 
de documento algum escripto^ ou da tradiçSo constaa^ 
tef Um sileacso afflictiTo e torturante ha de ser a sua 
vnica e precisa resposta***. £m que outro fundamento 
))ois histórico estribou a mencionada asserção? Em ne^ 
nlium ; ha de responder por elle a nua é cr«a verdade. 
E^ apenjis uma rematada e arrebicada conjectura!... 
Como é porém que, sem oflTender a boa crítica, se pôde 
pronunciar em tom dogmático e ca4hegorigo, como se 
fosse um facto provado, aquillo que oSo passa de uma 
pura deducç&o gratuita sem algum fundamento ?-p-Nes- 
t« mesmíssimo caso está a apparerUc generondadc que se 
assaca ao Imperador. Viveu o historiador com elle, son« 
dou de perlo o seu animo, para com tanta segurança 
ajuizar das suas intenções? Assim parece ter feito quem 
tâo desem pecada mente afíirma que elle se e$trU)ava por 
certo na certeza que tinha da inutilidade delia para o» si- 
tiados ! — Pojém para que ha de vir o transtornador 
histórico, com secante repíza, á soena com a tomada ou 
o quer que é de Aurélia^ como prova e contra- prova do 
estado de decadência e marasmo de forças em que se 
achavam as tropas mauritanas nas Hespanbas ua occa- 
siao do combate de Ourique; se este combate foi reaIi-« 
zado havia três mezes e alguns dias antes d^aquella to- 
mada, e dois mezes e mais antes do aronistícío (3) que 
a precedeu ? — Se acaso elle dissesse que a Batalha do 
Ourique tinha sido a cajusa d*aquella tomada, e mesmo 
decadíencia dos Almoravides, ainda talvez teria descul- 
pa ; porém escrever, o contrario é «lar existência ao efiei- 

(1) Hist. de Portai^, tom. 1.® pa{^. 323. 

W Vej. Ferreras, Histoire Gen. d^Etpazot, ton. Z.^ par. 411, 
e 412. 



— ág- 
io aoles da causa ; o que é o pináculo da mafor misé* 
ria dialéctica!.*. £* na verdade antes conjecturarei que 
o grande refez, que os Mouros sofTreram em Ourique 
concorresse para mais depressa pedirem o armistício, e 
depois se entregarem os eiforçado$ defemores de Aurttia 
(qualificação que por certo não quadra com o estado de 
desaaimação, em que o Historiador retrata os laoiítu- 
idcnses ! ) ; e nio que a entrega dessa praça fosse uma da« 
causas do desalento, e deficiência de forças dos TA usul- 
manos na Batalha de Ourique. O Historiador dM pois 
a um effeito uma causa, que não existia ! Uma ontolo» 
gia porém desta viseira e catadura é allamente român- 
tica, e profundamente falsa ! 

A* vista do que mais de uma vez (1) fica ditctltlda 
e provado acerca da perfeita nullidade do armistício, e 
iomada de Aurélia para o fim, a que se prop6< o histo- 
riador porluguez; quem haverá que tenha bojo para 
ainda aguentar a nojenta tautologia, que adiante «e lê 
em outro paragrafo, em que o historiographo pretende 
ainda embutir o cerco de Aurélia como indicio oÂdevUe 
daimpoienàa do império hmtunensef » Era-o (diz elle) 
n agora também o cerco de Aurélia, praça militar im« 
«I portantissima para que os Sarracenos houvessem de 
» consentir em que estivesse posta impunemente em a* 
39 pertado sitio, se lhes fosse potsivel soccorrel-a (C)* 9 
Esta forma e theoria discursiva é que ó evidentemente a 
inais estrambótica e impotetUe que se conhece. Quem 
jamais se lembrou de arvorar em indicio evidente da sDi- 
potenci0í de um império o não ter podido soccorrer, oit 
acudir ao cerco de uma sua praça f Acaso mesmo os 
grandes e robustos impérios tem o privilegio exclusivo 
de nada perderem no jogo ancipite da guerra i Dé ne- 
nhuma sorte. A historia do mundo 4 verdade que nos 
mostra successos de typo anómalo^ que alguma vet tem 
decidido da sorte dos impérios Foi porém jámai» repu- 
tada nesta cathegoria a perda á^Auretin? Nunca. — £^ 
além d*isto falsíssimo suppôr que não Ihet fdra ponioet 
(aos Sarracenos) soccorrel-a. De feito os Almoravides 

(1) Veja se a Segonila Parle detta Obra, pag, 40 ele. etc* 

(2) Hist. de Portuz* tom. 1.^ pag. 324. 



— 39 — 

inquestionavelmente a toccorrcram. O hi^toriailor que 
<*onfutamo9 adulterou pois o facto para o ageitar ao seu 
intento e mira!*.. Vamos a fazel-o ter. » Na verdade, 
diz o hislocíador português, 99 Ibn-Ganyah, walide Va- 
99 lencia, com outros cabos principaes das forças almo- 
ff ravides do Andaluz, tinham feito uma demonstração 
y> coúlra Toledo com o intuito de divertirem para a ca-- 
» pitai a a t tenção do imperador, mas nem por isso este 
99 abrira mão da empreza em que eslava empenhado, e 
99 os genernes almoravides ha«iam-se retirado sem tira- 
99 rem proveito algum da sua tentativa (1). 99 Assim se 
expressa o nosso escriptor; citando (na respectiva nota) 
em seli apoio a Chroniea de D. j1ffon$o f^Uf livro S.% 
capitulo 68. — Acaso está porém o conteúdo do logar 
citado da Cfaronica de D. Afibnso VII com a narrativa 
do Historiador portuguez? Não por certo. O Chronista 
de D. AfTonso VII menciona como preliminar a rese- 
nha das forças reunidas dos Almoravides para soccorrer 
a Aurélia. O Historiador portuguez omitte esta circum- 
stancia principal, e faz apparecer em trajes mais some- 
nos a demomtraçâo dot metmoi jUmoraxàdci contra To- 
ledoj a qual longe de ser o seu único, e immediato firo, 
como o indicado documento assas evidencia, foi apenas 
um meio estratégico, embora infructuoso, para, cha- 
mando alli as tropas inimigas, descercar Anrtha, «- A- 
lém d^sto o historiador portuguez inculca owali de Va* 
lencia como o principal na demontiragão contra Toledo, 
quando a Chroniea põe o seu nome depois de j4%uetf 
Rei de Córdova, e de ytbenceta^ Rei de Sevilha. Se por 
compendiar lhe era licito occultar os nomes dos outroi 
caboi prinàpaet; por certo que o nome do primeiro não 
devia soíTrer esta occultação para ser substituído pelo 
nome de Ibn^Ganiah, ou de Jíben^Gama^ como traz a 
Chroniea, que abi se designa em ultimo logar. 99 Et 
99 Rex Anuel Cordubes et jíbcn^eta Rex SibiUiss et jí^ 
99 bengama Prínceps militlsB Valentie, hoc audito, con- 
99 tristati sunt et roultum turbatí sunt: et convocave* 
99 runt ceteros Reges et Príncipes et Duces et totam mi-» 
^ litiam, et omnes pedítes, qui erant ín insulís maris : 

(S) Hist. de Portos. ^oi°- ^-^ P«5- ^^<* 



— 40 — 

9f etvcDit illis inauxilium aliuiexercitus magnus Moa« 
» bilarum et ArabuiDi quos misit eU llex Texufínus de 
» Marrocos: et coojunctaB sunt illís máxima turbe pe- 
f> ditumi qui dicunlur Azrcuti, qui scquebantur ina- 
9> gnas turbas Camellorum oneratorum farioa et de o- 
9> mnibus escis, quaa mandí possunt ; et erat numerus 
f9 milítum, fere trlgínla millía peditum et ballistario- 
9> rum oon erat numerus (]). » — Além do mais, é 
para notar que esta narração positivamente está desmen- 
tindo a fraqueza em que o historiador portuguez tem 
pintado as forças dos Almoravides na proximidade de ter 
logar a Batalha de Uurique (3) ; e bem assim a estu- 
penda obrepçao coni queomitlir^ u pia principal circum- 
stancía com o fim de persuadir, que ()& Africa não tive- 
rn vindo soccorro algum aos cerca(Ios em Aurdka^ ou 
Oreja» -r- Que todas as tropps mencionadas n^Chrooica 
de P. A0bnso viessem em soccorro de Qreja, díil*o ex* 
pressamcnte Ferreras (3) e todos ot escriptoret bespa-r 
phoes; sem que jamais alguém se lembrasse de fiseugoe? 
Xowjtctar no paciente papel com physionomia de menor 
vuUo aquella tamanha força, que tinha ido fazer umg 
demonstração contra Tpkdp. -r Seja porém o que fõr ; o 
acudir ao cerco de Qreja é Q caus^ primitiva e real que. 

(1) Na BipaBa Sagrada, tcrni. 2U P«i:« 376« § 68. 

(2) O toccorro de que trata a paMa^^em transcrípta «la Cbronica 
de D. Afl^nso VII, enviado para acudir a Oreja, teve lo|;ar, lei^oa- 
dp a rhronologia da mesma Cbronica, no anno de 1139; aonu cm 
€]|ie iironterera a Batalha de Oorique. — Comparereodo já na Ba- 
tallfa de Onriqqe (rcaliudii m^tei ppte$ da entrega de Oreja) com 
ai outrai d« Peninsula, at forcai qiie Tarhiin tlnba mandadp de 
Marroro* para locrorrer Oreja ( Anrelia); opinião que nao é i6 mi» 
nba, porem lim de Ferreras ( Historia de Espafia« tom* V pa|f. ail7 ; 
desfnentidQ fira que of Sarracenos para cariarem o pçsso f»fs CIHf 
iêot te sertfissetH tmieimtcft/r dmtfòrçat^ ^we partindo pm-m m Afri^ 
M, Mes deixara Taeí^^, (Hist. de Portnç, tom. 1.® pa{^.' 8f5). — 
])ado porém que taes forcas nio comparecessem na BataJba de Ott* 
riqne; romo poderá o esrríptor da Historia de Tortui^ai conciliar art 
cousas rrroUas tio Matfhrek (Hist. de Porto|:. tom. 1.® jpaç. 324 )« 
que elle tSo dcsfavoruvelmrnle pinta para os lamtuoitas, com o va- 
lente soccorro que o próprio Tacbfín, sen ultimo d^nasta, Ibea tn* 
viára de Marrocos ?••. B^ oulra coatradicçio manifesta!... 

(3) » Partiripd Ali el estado cn que se ballalia, a Atuel. Alcaide 
n de Córdoba, à Abenceta de Sevilla. j Abenj^ama de Val^pcia, 
•« IMra que le sorrorricssen etc. n ( lli>t. de E^paSa, tom- 5,^ paf . 
304). *^ 



— 41 — 

fez mover aquella tSo graode machioa ; o que a referi* 
da CbroDÍca claramente deoolou pela expressSo •— mt* 
dito hoe. — Aqui advertiremos que lendo o biatoiiogra- 
pho portu^uez asseverado do período precedente a tm- 
pombi^dade de os Sarracenos soccorrerem Aurélia; no 
periodo seguinte confessando a tal dtnnonsíraçâúj que fi« 
2eram osgenercui almoravideê contra To/edo com o in/«»- 
io de dtisertirem para a capiial a aitcnçâo do Imperador 
( a fim de o obrigar a abrir mão da empre%a em qnc c** 
lava empenhado) visivelmente reconhece a realidade do 
prestado soccorro. — £* mais orna taluda contradícçio^ 
que deve ir reboUndo para o elenchol... 

A confessada denumstraçâo prova outrosim nSo ter 
exacto que os Sarraeenoê houveêêem de eonêentir em que 
( Aurélia } etiweiu posta impunemente em apertado carco^ 
como o Author da Historia de Portugal n^aquelle mes» 
mo período assevera. — Mal se poderá conciliar a im- 
punidade absoluta (pois assim se inculca) do apertado 
cerco com aquella tio estratégica demonstração doê Sar-^ 
racenot!... (Vej. Hist. de Portug. tom. 1.% pag. 3€4). 

Tornando agora outra vez a Abengarnoj que oHii-* 
toriador portuguez (apaixonado arMtador, por nio di- 
zer afifectado amador de termos do moderno molde ara* 
/>ico) denomina Ibn-Ganyah^ a Chronica de D» Aflfon* 
so Vil mostra até que elle nao entrava no numero, e 
muito menos ia á frente dos Alcaides, que tinham ido 
£azer a tal demonúração ( vocábulo mais próprio para 
figurar em uma terminologia de tbeoremas, que para o 
logar em que o encaixaram) eofiUra Toledo ^ o que nova- 
mente picúlao escríptor.-* É^ neste, e nSo n^outro sentido, 
que vamos ouvir aCbronica, que continua: 9 £t moten- 
» tes caslra deCorduba, coeperuntqne venire ^ler regiam 
9> viam, quseduciiToletumy etpervenerunt adputeosde 
^ Julgador j et ibi castrametali suni : ei potuotifil inri- 
fy dias majsnaSf et ocaittaSf ei cum cts jío^ngamam f^O:^ 
1» kntuB Regem cum ipta mifilto, et praceperunt eis, ei 
99 dixerunt: Si Impera tor occurreret nobís obviam ad 
99 bellum, vos ex adverso ascendite in castris et omnes 
f> viros bellatores occidíte in ore gl|idíi et succendite 
99 castra flammís et muníte Castelhim militibus et pe- 
99 ditibus, et armís^ et omnibus cscii| quss mandi pos- 



— Í2 — 

t 

y^ Bunt, et apud nos sunt in camellis nostrís et aqua. 9 
(1) Ora se Àbetigaina ou Iba-C$anyah ficou cominan- 
dando a emboscada junto aos poços de Algodor (que 
parecem^ segundo Ferrtra$^ (S) estarem n3k> longe de 
OcaBa e Yepes); como se pede sem transtornar a hiá- 
toria collocal-o á testa dos cofros que foram faier a inti- 
tulada demon9Íraçáo (o qual termo, repetirei, 6 neoto- 
tiifno intolerável na Accèpigão histórica, e que bem lon- 
ge está de achar apoio em nossos clássicos ) contra Tole- 
do? Certo que é arrojo esti^anhavel pôr a frente da tal 
demomiraçâo (famos com a dicçio delle) um almora* 
\ide, que a Cbroníca de D. Affbnso VII colloeou em 
uma emboscada; citando de mais a roais o historiador 
português em seu abono a mesma Chronica ? f» Deinde 
«r uquiminl vos (são expressões da Chronica) ubl scietis 
m nos esse : nos autem ibimus in Tokíum^ et ibi expe- 
9 ctabimus Imperatorem ad bellum (3)« 99 Será jíbenh 
gamãj ou por outra o seu Ibn-Ganyak^ que devia se- 
guir os outros, o protagonista da tal marcha para Tole- 
do? Do lexio copiado seoi duvida que ninguém o pode- 
rá colligir, antes o contrario. 

Agora concluirei ainda quanto ao ioceorro que o 
Historiador portuguez nega ou nSo tem por postivcl que 
losse dado a Oreja^ ou Aureha : Que não so os Almo- 
ravides a soccorrerairi, porém que este auxilio fez pôr 
em cuidado a AfTonso VII, apenas os espias lhe parti- 
ciparam o que se passava. E^ prova o tel-os ouvido em 
conselho d^Èstado para ver o que havia de praticar ; re- 
cebendo outrosím como ditAno o comtlho de não levan- 
tar o cerco para tr contra Oi Sarracenos, » Venerunt au« 
19 tem exploratores Impenlloris ad eum in castra, et 
V narráverunt ei eonsilia, éi facta Sarracenorum io con* 
» spectu oitiniuRi tnagúatorum suorum, et Principum 
» et Dueum : et consilio divibo accepto ne abirent con- 
% tra Sarracenos in pugiilihfl, sed ut castris expectarent 
79 eo9, Caslellum perdi (4). » — Desminta agora, te é 



(1) Na Rfipan* Saprada, tom. 21, pag, 376, $ 68« 

!2) Hiftoria «le Kspana, tom. 6.^ pag. 305. 

3) Na Eapafia Sagrada, tom, 21, psg. 376, § 68. 

(4) Na Bipana Sagrada, tom. 21, pag. 376. 



— 4S — 

4*apaf, o escríptor histórico a Chroníca que iZo mal io* 

vocára em seu apoio! DebaMe o tentará 

Se dSo parecera já dar tunda em homem morto, é 
levor a zursídela á nimiedade, havíamos ainda de per- 
guntar ao esbelto historiador original, e exigir por amor 
á íUustraçSo, nos declarasse que motivo o levou de mo- 
tu próprio, e sciencia certa a dar á decantada jiureRa 
o cathegorico e superlativo epitheto de — praça miRlar 
imporiantttúmaj (!) conforme em algures escrevera? A 
Chronica de D. ÂfTonso Vil, que elle apontara em seu 
abono, certissimamente, como todo o mundo confeuará, 
não dá a Aurd\a simílhante qualificação. Aonde pois 
iria oEscriptor epithetico encontrar, ou desencantar ^ti- 
r€/ta, collocada em tão sublime escala! Seria acaso em 
algum historiador liespanhol, ou que escrevesse a histo- 
ria de Hespanha como Marwnna^ Ferreroi^ Romey e 
outros? Em algum geographo como d*AnviIIe, Agnès, 
Mi&ano? Em nenhum destes, nem em algum outro es- 
críptor ha de achar proferida aquella estrepitosa hyper- 
bo)e; por não lhe chamar bravata imaginaria! Para que 
ha de pois o nosso historiador metter*se a elevar á gra- 
duação de praça milttar iiriporiantinima um local, que 
em parte alguma figura com simílhante arrebique? £*' 
expòr-se cada vez mais ao pino do ridiculo!... £ aonde' 
fica o gallicismo •^— praça militar impartantiaima para 
que Oê Sarraceno» houvessem de contentir em que eitwe$9ô 
potia impunemente em apertado 9%í\o (€)? Não deve ficar 
no rol por certo do esquecimento. O Historiador deve- 
ria pois saber que este é um dos gallicismos, de abuio 
de frasei e modos de fallar que notara D. Fr. Francisco 
de S. Luiz no seu respectivo Glossário (3). Deveria an- 
tes escrever — praça militar de tão grande importância 
que não era de esperar que os Sarracenos etc. Ou tam- 
bém : Praça militar, que por ser importantíssima, não 
era para julgar ou para acreditar que os Sarracenos etc. 
— Não é só este porém o rombo que faz na linguagem 
clássica a modellar historia de Portugal ! Quantos delles !.*• 



(1) Hift. ãe Portos, etc. psf;. S24. 

(2) Hitt. de Portuc. tom. 1.^ fãg, 324» 

(3j A r«g« 1^. 



~4* — 

Ainda teremos mais jí%iret%a? Aioda apf^arece no- 
Tamente em scena para levar a competente pateada! Ho 
paragrafo seguinte da Historia de Portugal, na clausu- 
la de um período, Tè*se ainda novamente invocado o 
nume tutelar de romântica imaginnçBo, que o Autbor 
d^aquella Historia engendrou para dar quebranto e in« 
goio á Batalha de Uurique, $> A inva&So (diz ainda el« 
le) 99 de Afibnso Henriques parecia combinada, e por 
99 ventura o era, com o commettimento de Aurdia pe- 
» lo imperador (1). » Km que documealo, ou monu- 
mento autographo ou apogrupho encontrou, leu, ou bis- 
pou, o historiador portuguez tc^rmo ou expressSo alguma 
por onde sepodes^e colligir algum simples visluflobre de 
uma tal e quejanda parecença? £m que Annaes, Gbro- 
nica, ou Cbronicon acharia elle transmittída á posteri- 
dade sequer algum viso de similhante comblvnaçâot Em 
parte alguma, nem em esciíptor algum antigo,, ou mo- 
derno, nacional, ou e&t rangei ro uma tal e tão anormal 
lembrança se ha de encontrar! Em que se fundara pois 
a tão original mencionada combinação? Na mais arbi- 
traria, ficticia e romântica phantasia! Pois um dado de 
mera origem phantastica pôde jamais servir de algum 
fundamento histórico? Nunca. — Agora, prescindindo 
de fundamentos históricos, perguntarei aoAuthor daes- 
peciosissima imaginação, em que princípio de táctica, 
ou estratégia se fundara para julgar ter havido combi- 
nação entre os dois guerreiros, a fim de que, em quanto 
um commettia ^nrefia, o outro invadisse o Akmi^o? Aoa* 
de está o ponto de conveniência commum, que devia fa- 
zer produzir a conjecturada combmnçâot Temos que o 
escríptor da historia de Portugal ha de dar o problema 
por indissolúvel I — O que nâo é porém problema, e 
sim verdade incontroversa, é que ninguém ainda disse- 
ra que a simultaneidade do- cerco de Oreja diminuísse 
cm alguma cousa a grandeza do successo do feito belli- 
co de Ourique !. A extravagância d^aqueUa imaginaria 
cçmbí nação tem por tanto o cuoho da mais exótica ori- 
ginalidade ! — JPorém demos mesmo por possível c pro- 
vável a tal conjectura. Não prova a referida supposta 

(1) Ilist. de Portug. toní. t.^pog 325. 



— *8 — 

combinação enire oi dois Príncipes ChristSos combaten* 
tes antes valentia nas forças dos almorávides^ do que fra- 
queza ? O historiador é ferido com as suas próprias ar» 
mas !••• Um inimigo que dá que fazer a dois guerreiros 
insignes, simultaneameoie combinados, está bem longe 
de se ter em o desprezo, em que o historiador inculca 
as suas rareadas fUetras (!)• 

Temos até agoru percorrido a periferia, para assind 
dijíer, do ponto principal da questão; e nesta longa derro- 
ta ássás tem sido patentes, e postas ao olho da evidencia 
as ulceras hediondas, que tem deturpado oijrpo dafaistoí- 
ria. Factos visivelmente faUíficados, proclamados como 
princípios históricos de natureza axiomática; conjecturas 
lie mero jaez romântico, arvoradas, ou antes embutidasi 
como verídicas deducçôes d^aquelles, sâo as mazellas de 
aspecto horrendo, que temos exposto aos olhos da huma* 
na inlellígencia com a mais ingénua imparcialidade* — « 
Quizeramos já entrar no centro, no âmago mais Intimo 
da discussão. Desejaríamos ir a elle via recta. £^ com 
tudo forçoso que torçamos ainda o caminho. 

Que ha de ser i Se logo chemin faisanty sem exa- 
me, nem posquiza se lobriga e topeía com um empeci^ 
lho, que a critica, por mais peticega e morcega qtte 
queira ser, não pôde deixar de tomar a tarefa de analy« 
sar. £* nada menos do que a frontára de Santarém ai& 
Luboa pela mordem dkráta do Tejo encaixada no Algar- 
ve !... Diz polsollistoriador : «Em vez de se encaminhar 
{ falia de D. AlTonso Henriques ) y> para aquella parle 
99 do Al-Gharb, que se dilatava desde a fronteira de 
79 Santarém até Lisboa pela margem direita doTejoètc. 
(t). Que é isto t Temos a fron/eirn de Santarém até Lit- 
boa pela margem direUa da Tejo transplantada para o 
Algarve? Perguntará todo e qualquer leitor, -que depa- 
rar coma aunca ouvida geographica esquipaçSo. £*uma 
arabice tirada da GeograpMa de Edriúj traduzida poc 
Jaubertf -da qual logo mais adiante se acha eínbuiidià 
uma longa aranzelada (3). isto porém é um veidadeiío 



(1) HUt. de Portuga tom. 1.® pag. 327« 

(2) Hiftt. de Portu». pag. Z2é. 

(3) Vcj. Ilist. de Purtug. toro. 1.^ pag. 325 ele. 



— 46 — 

soro morboso iotroduxido no corpo hislorico! Na verda- 
de; a que propoeilo Tem aquelladimeosSo arábica f Trás 
por ventura á hUtoria do paiz roais alguma claridade ? Nfto 
por cerlo ; antes confusão^ que de lodo o historiador evi- 
taria, se fallasse pelo theor e forma mais commum da 
geographia do paiz. £sta era tem questão a preferível. 
— Além d^isto ainda nenhum historiador em circum* 
stancías taes se lembrou de lançar a tenaz e filante gan- 
chorra a similhante elemento assas heterogéneo. — Se« 
rá pelo principio de ostentar erudíçâa selecta» e mui re* 
condita, que possa ser tolerável aquella inoculada, e 
embutida protuberância f Tal ninguém dirá, ninguém 
aueverará ; pois que ó já velha e relha nos nostoe escri^ 

Clores históricos, e nos geographos a dimensão que oz Ara* 
es davam ao seu AIgharb. » Os Árabes, diz um l)om 
moderno escriptor, » estendiam esta denomina^^ ás ler- 
99 ras da Hespanha occidental e meridional desde oPro^ 
9 raontorio Sacro até Almeria, e ás terras fronteiras de 
9 Aflita desde a boca do estreito de Gibraltar al6 Tre- 
n mecero, as quaes appellidavam reino de Benamcanmf 
jPtc. (1). Fallou porém este, ou algum outro escriptor, 
da tal dimensão arábica que não fosse tratando especial* 
mente acerca do Algarve? Não por certo* A que pro- 
pósito vem pois o nosso historiador, quando intenta fal< 
lar-nos da expedição rnUUar de Ourique, pespegar-nos 
.em corpo e alma pela prâa com a maçada da Oeogn^ 

Íbia de jBIrtfs sobre o Algarve t A nenhum propósito^ 
Ia de responder o critico ainda mais gelado, e oaiooti- 
Go^ que bem souber conhecer que taes enxalmos não 
condizem com as leis da historia. 

Porém já é tempo e mais que tempo de deixar de 
dar caça aos desmazeles de mero caracter (se 6 que oé) 
accidental. £ doestes, e d^outros de parentesco mui che- 
gado, assas abunda a cada pagina o tal matagal histo- 
€o-romantico que se pavonéa com o titulo de Historia 
de Portugal do nosso famigerado escriptor l Deiaenio» 



(I) Coroçrafim ou MrmoHa Et&númiea^ EttatRttica db RHno df 
Algarve^ por Joio Baptista d« Silva Ixtpei, pag. 6* — * Vc}a>M tam* 
bem ãhetUmario Geo^t^o da P. Laii CardoMF^ im psiavra -• Al* 
gsrve. 



— 47 — 

nos já sim de tirotear o inimigo de flanco, ou d^etgua* 
lha ; e vamos a trote e m|ircbe»aiarohe alacalo de ireo* 
te na cacicata guarida, em que imperiosamente se a^ 
coita. 

Era bem de ver e presumir, que tendo o Autbor da 
heterogénea e systematícamente incrédula Historia de 
Portugal dado^ como dizeqa, por páos c por pcdroi^ e 
feito mais espalbafato que o Êaccho de CamSet, para 
banir e extirpar da alta cathegoria de grandeza, em que 
todas as historias do mundo tiveram coUocado o feito 
heróico dos Portuguezes em Campo de Ourique; e bem 
assim (vergonha oh! das vergonhas, que qSo coubera 
jamais nos âmbitos da mordam e depressora língua de 
algum francbinote, figadal inimigo da nossa gloria marr 
ciai ! ) e bem assim, digo, para que fosse privada até de 
gozar da singela e isolada estimativa de uma ordinária 
Batalhai era, bem diC ver, repito» ecolligir, que a faça- 
nha immortal, despegada do terdadeiro caracter de con- 
sideração, em que a sçiencia critica e analytica dos fa- 
ctos (pondo de parte circumstancias theocraticas ) cons* 
lantemenie a collocára ; ha^ia de figurar na depressora 
e monstruosa historia de Portugal, representada por uma 
nomenclatura de ultraje e ins.uUo ! Venha a publico o 
corpo de delicio. 

n A audaz empreza do.principe do9 portuguezes fò- 
79 ra, como elle ipesmo aoÍ-o asiegura, um verdadeiro 
79 foiêado^ isto é, uma dessas entradaji que todos os.an- 
99 noi se renovavam pelas fronteiras dos sarracenos, e 
79 para as quaes eram obrigados, pelas, suas cartas de 
79 jforal, oscavalleiros villSes de diversos concelhoa (!)• » 
— - Em desafifonla da historia, pátria, peço aqui aatten- 
ção do unívecso inlelltgeate* ««« £' por ventura verdade 
que o Principe dos portuguezes (O. Affooso Henriques) 
dera á auda% emprcm de Qurique o npme de /assnçb, 
como affirma o recente e actual historiador português! 
£^ falsíssimo.... Respondemos altamente eofn iodos o« 
registros dos órgãos da loqueta. •*- Em que doQUOieaiQ 
se estribara o historiador para assim qualificar a Batalha 
de Ourique, que oiaguem aatcs dellà acbára. Ufiin iífo- 

(1) Hiit. de Porta^, tom. K* J^g* ^9* 



— *8 — 

ra produzido para similbante intento! Cita olBlaeidíirio 
deritetbo^ tom. Sí.^, pag. 473, verb. F6ro morto. Aoo« 
de porém se encontra no artí«:o correspondente ao indt« 
cado titulo que D. AíTonso Henriques dera á Batalha 
do Campo de Ourique a qualificação áefoisadof £m 
parte alguma* Venlia a publico e razo o citado artigo. 
Eil-o aqui : » Fero morto. Casal de Foro morto we cha- 
9 mava aquelle, que estará amortizado, livre^, e isento 
9 de qualquer foro, ou pensSo, o qual verdadeiramente 
9 havia morrido, e espirado para o Directo Sen iior ia, 
9 ou por DoaçSo, ou coÉnpra ou por outro qualquer Ti- 
m tulo. No de 1139 e no mez de Julho, D. ARbnso 
9 Henriques, intitulando-se infantt^ e indo de cami- 
9 nho para o Fotsado de Ladéra^ doou, e juntamente 
9 vendeu a Monio Guimarii hum Casal em Travanse* 
9 la, termo de Satanan, o diz assim t Et acctpii %n pre* 
9 tio de te uno caballo bono^ et uno manto. Habeat tu 
9 ipsa Caiak firrmJter^ et ornnu poUer\tQ$ tuã aforo «lor- 
9 /a, iisçue ffs temporibui imcuhrum... Facta Carta Do* 
9 naliofút et f^endttioniê in meme Juíiu B. J. C.t. 
9 XXf^lL Doe. de Vizeu. 9 -^ Quem se não ha* de 
encher de pasmo, zanga e indignação profunda ao cooh 
siderar a sem ceremonia, ou ante» desearameoto hn- 
mundo com que se produz, em prova de uma coma tal, 
um Documento, que, examinado elle, nem vislumbre, 
nem sombra sequer encerra d^aqurllo que com etle se 
pretendia authorizar ! — ^ Aonde é que no traoscripto ar- 
tigo se encontra vestígio algum por onde se possa pro^ 
«umir que D. Affonso Henriques dera á atidas emprcta 
de Ourique o nome de /ossada/ Em parte alguma; ha 
de necessariamente coofessal-o toda e qualquer humaaa 
intelligencia, por mais curta e acanhada que possa ser. 
O historiador pois que similhante audácia, absurdo, e 
ignorância escrevera miserrimamente se illudira e enga- 
nara !••.. 

Porém acaso jamais teve, -ou poderá ler a audctk 
emproM do prmápe doi Portugueses em Campo de Ou- 
rique a denominação de Fotíado de LadéraT Nunca. 
E*o mesmo erudito Flucidartita^ invocado pelo Author 
da Historia de Portugal, quem o vem sem replica zur- 
zir. Ouça todo o mundo: 9 No mez de Julho de 1139, 



^49 — 

i^ caminhando para o Fotia4o de Ladera^ kz D. A (Too* 
h to Henriques, íntítulando-se ainda Infante^ huma 
if Doação, que se p6de ver. V. JPoro MortOf e V. Foê* 
» mão. Nas Inquiriçoens Reaes se fax menção de huma 
» terra chamada Ladeya, ou Ladeia não longe da iót 
i9 do Zêzere. Ou digamos que a Làdtya era o Rabaçal^ 
» por onde a estrada se encaminhava para Alémlejo ; 
» pois Qo L. 1. d^ElRei D. Ãffonso III. a f. 6. na T« 
i> do T. , se acha a Doação que elle fez ás Donat da 
» Cellas a par da ponte de Cçàmbra^ ( para que ellas o 
y» eocommeadassem a Deos) de toda a Decima, e de 
yy todo o Direito Real, que Elle, e seus Successores ti- 
f» nham, ou podessem ter na Herdade das mesmas Do* 
^ nas, no sitio da Ladej/Of qtue vocaiut BábayuaL Es-* 
i9 crita pelo seu Capellão, Eleito de Vizeu a 10 de Out. 
^ de 1SÕ4. Como quer que seja, pareça fora da questão 
i9 que o Priocipe D. Affonso se hia chegando para o 
y> Campo de Ourique, onde naquelle mez, e anno lan- 
y> çou os fundamentos sólidos á Monarchia Lusitana, n 
(1). — Quem ha, e- haverá, que, ao ler o iranscriplQ 
artigo, poisa divisar, ou descortinar laivo, viso, ou ras- 
quicio de identidade^ ou synonimia entre o Fouado de 
Ladéra e a Batalha de Ourique? Ninguém por certo, 
antes o contrario* Sim ; ha de evidentemente conhecer 
ser uma cousa tão diversa, quanto é physica e geogra* 
phicaménte diversa — Ladéra e Campo d* Ourique*. — 
Ha de sem a minima hesitação confessar ser uma cousa 
tão outra, quanto são diversos, e incapazes de teremi 
uma só e idêntica entidade dois differentes successos a** 
cootecidos em dois dístinctos tempos, e logares. — A« 
penas se pôde, e deve concluir que o Foizado de Ladi^ 
ra tivera logar, quando já D. Aflbnso Henriques ia de 
marcha para o Campo de Ourique. E* pois o Fonado 
de Ladéra um facto que indubitavelmente precedera á 
gloriosa acção, que houvera logar no mencionado Cam- 
po; verificado mesmo em tempo, em qne debalde se 
poderia ainda prever que ella seria uma realidade. — 
Está por tanto muito longe sim de se poder tomar, ou 
confundir o Fanado de Ladéra com a Batalha do Ou- 

(t) Viterbo^ a» paiavrii Ladéra* 

4 



rique, — - S^cdilo isto nssim^ como nfa verdade é, noxsh 
infante se torna iatoleravel^ que alguém fundado em te*- 
lèmunKo fahámente aíiegadò venha asseverar que o pró- 
prio D. Affonèo Henriques dera á (ruda% empre%a dos 
Pòrtúgueies no Gan\go Je Ourique o depreciado e mes^ 
qdinhò nome de - — Fo$Èado! Nunca tal dissera aquellè 
jyionfaréhá, ou asit^urárai nem ha Documento algum 
^>or onde sw mostre que afquellé feito heróico tivesse o 
liome dè Fóisádo,--^ Vergonha ao Historiador, que tSo 
inepta^ e deslámpadamentè procura' denegrir a grande- 
ta do pritòeirò brasão da gloria da pnlria!..t Registre- 
Ke còni exécráçSo procedimento tSo inqualificável!..; 
Pçrém qué ha de ser?... Eu tejo o Historiador portu- 
gvkiz t^láilãicar, por nilo dizer afocínhar na expHcaçãk» 
tk> qUe siEfja «-^ verdadeiro fo9»ado. j> Verdadeiro fossado, 
disse è}lej 99 é uma* dessas entradas que todos oè annois 
^ éé renòVâtam pelas fronftéfrás dos sarracenoar, e pára 
97 as qtràes erarfl obti^adõs, pelas suas cartas de foral, 
99 os èavalitnros villõeé dos diversos concelhos^ (1). B* 
esta ptítótn a defiriição vaga e tâó obscura como ô~defi« 
nido^ quâ o Elucidário de Viterbo, invocado pelo hís^ 
loiiador^ ilá' dbque seja «^/oi i oefo / Não porcertd. Ou- 
çamoi-ò quántò é necessário' ao nos^o caso : 99 Consistia 
99 ò Fáiêddó èm ftabir com tnSò poderosa, e arrtiada, a 
99 talai*, ou èolber as novidades,' e fructos, qué os int- 
íf migos havíaS ligricuUadò, Para este ftm apoderados 
99 do e0tftif(x>, sé entfinèbètráfvàS ligeiramente em vallos, 
9^ ditfoSêòs^ cotitéRdo-setini<zamente(ré^Xfrè-se6em) riade- 
9« téúii^Úi e gúárdanfdò ás costas aos que se occuphvaô 
V nu eartmtçáb doá friictos; e forragens. E neste sentido 
^ é,''qte bòfiMtaíiltébfiènlè seácba esta palavra em os õos- 
ff ÈÒk aoti(;o9 Docti mentos, dedilifida tálvèx deJ^btrim^- 
'99 ^^/' que f^ára coftl w Lohgobardos significava ^'âih- 
^ (lò' cUttivhdòj è cWèlb dé fiástos è renovos. Compiíhlm- 
9^''fe/eét^ Fàé^údé naS s6 de Cávalleiroè, Esctideiròit^ e 
99 tVoí^ l^gUlat ;' fhns tarílbem de PéSeíi, aldèanos, e 
99 gètít4 íiè laVd^fa [ynfa bblhòrcm, è conduzirem á pre- 
^' za^' òfá tdhitidiã^ Os mesmos Prínt^ipeè, è Bispos tiaC 
'99^ 'tidHàS -per iièzár ÒacUariith-se ileitas BtpòUiQué^/que 

(1) Ilift. de Portu^. Ill» logar knitéHbrmèttti; cltlitld. ' ' 



**8Í — 

repenlíaamenie e quasi de improviso se fazia5; tnaé 
59 sempre naquelles mezes em que os pães estavai^ em 
99 ferraS^ quando naã fosse maduros 9» (!)• Esta mesmit 
explicação reproduziu mais resumidamente o erudito 
Advogado Joaquim Joié Caetano Perora t Sowa na sua 
estimável Obra Esboço de um Dicionário Juridico ($)« 

Quem confrontar as mencionadas explicações do 
que seja Fomado facilmente conhecerá que fora inexa« 
cta e deficiente aquella que lhe dera o Historiador por-^ 
tuguez. Disse inexacta^ e deficiente^ por quanto nfto há 
uma só das expedições militares dos primeiros século» 
da Monarchia^ que se conheça tenha sido indicada pelas 
Chronicas antigas com o nome característico de entrada^ 
quaesquer que sejam os adminículos, que se lhe procv^ 
re ajuntar (3). — >^ Note-se outrosim que qualificando ò 
historiador o termo Fouado por uma deséas entradas^ 
que todoi 0$ annoi ie renovavam pelasfrontetras dos Sarra^ 
cenos, não declarou o essencial da tal entrada annual ; 
o que é outra deficiência ou lacuna na explicação im« 
perdoável! -^ O historiador na verdade apresentou oá 
explicação doque era Fossado uma perfeita enirada sem 
sabida !••• £* uma definição aonde figura só o género^ 
ficando no tinteiro a dtfferença!... (4) E* mais uma io^ 
novação de grosso calibre anti«díalectico!... 

Talvez o historiador appareça no palco da discussão 



(1) V«ja-ie o BTocidario na palavra fostada» 

{2) Veja-te aki a palavra t^n$ado, 

(3) Manoel Severim de Faria en at Ifúiieimi de Pértmgui^ tmni 
1.^, Pífcurio II whre a Ordtm da MiUeia ctc. ^ 9.^ ÍMa fmrr^ dtt 
CasteUa^ pag, 112, escreveu : n Pelo que mais te fes etta gqerra en^ 
f% tre anlMM oi Béjaot por entradas, e etitre'presas, qoe por Bafa» 
» Iha«. n l^a dittlac^io cfarameate fes ver oae tio coMas nal dl* 
vertat — £Í%trada» e BaiaUuUn — Ora collocando o lliftoriador 
Portuguex ofottado em o nomero das eniradat^ tegoe-fe qoe aqoei* 
te termo de modo algam pôde ter tjnonimo de Batalha,*^ 8e porém 
a fa<;anha bellicota do Campo de Ourique teve logo em docomeato 
coetâneo a qualifira^iio de Baiaiha^ e etta com • epitliolio de fran* 
de^ cathegoria, que sempre tem couiervado | quo noaftrootidada 



da maior anomalia n2o é o detignal-a com o n o me dmféêimdêí 

(4) No género — irrupçSo oa etUrmda — incluio Viterbo o ler«« 
— Cavalgada -* • nesta espécie o teraao '^fúitad^m Ddhilrie 4dlé 
porém estes dois lermos como te fossem sjiMMiimosT ffÍo, •«> O bis* 
toriograpbo* com tudo, com a tal geoeralidadci confandiade âsldéas^ 
estaluiu o C0Dlrario?»«.« 

4is 



— 52 — 

com algUma furibuoda coarctada! Qual será èlla? Ha 
de provavelmente vociferar que já tivera antertormeate 
declarado que afim príacipal e dístinctivo de taes expc'" 
diçôei era o talar a campoê do inimigo. Com effeito na 
pagina 324 e 825 acha-ae eicrípto: 99 A audácia da em- 
9> preza (de Ourique ), os estragos inevitáveis nestes fos- 
7> sadosy expedições cujo íím principal era o talar os 
» campos do inimigo etc. 99 O Historiador porém Dova« 
mente é codilhado. Póde-se acaso pronunciar de um 
modo simples e absoluto^ que o^m principal^ e qualifi- 
cativo dos /ossacíòs era o talar os campos do inimigor 
Munca. E^ outra vez o Elucidário de Viterbo quem o 
vem zurzir. 79 Consistia, diz elle, o Fossado em tahir 
» com mão poderosa e armada, a talar, ou a colher a$ 
» novidades e fructos, çue os ininúgos hamaÔ agriendla^ 
7> do n (1). Por este modo de exprimir fica evidente que 
o fim principal dos fossados se preenchia indistiocfaméD* 
te de uma das duas maneiras indieadas, e nSo de uma 
8&, conforme escreveu o historiador portuguez. «^ Ou- 
trosim o Esboço de um Dicáonano Jurídico de Pereira 
e Sousa traz escripto: n Consistia o Fossado em tahtr 
y> com mão armada a talar e colher as novidades, que 
» os inimigos havião agricultado n [t). Se adoptatseniof 
esta variante, (que é também a de Moraes no Diccio- 
nario) o historiador ficaria igualmente apanhado pela 
conjuncção copulativa, como acolá oé pela disjunctiva! 
Porém (prescindindo de ulterior discussão) quem 
ha que duvide que a definigão, ou explicação do que 
sejft '^fossado — dada em seu Glossário pelo eruditís- 
simo Du Cange, vai em dois séculos, evidentemenld es- 
tá mostrando que a Batalha deQurique, e mesmo qual- 
quer outra, de modo algum pôde ser olhada, nem ha- 
irida por fossado f {^) 



(1) No logar acima rit«<lo. 

I2) Na pala?ra — Fotsado* ' - ^ 

(3) Foêsmium^ BxercUut, fen poliut Caitra vallo« et/tãit cir« 
cvoúlucta. Qbuain príiDuin enim exercitas hostiom terras iagredi* 
ior, fouis eortim castra tnoniantar, m Fotsadú^ Rxercito^ o« aates 
ffi Arraiaes cercados de trincheiras, e fiissos. Logo pois que o exercito 
99 eatra ean terra de inimif^os fortifica seus arraiaes com fossos* » 
Aonde se encontra aqui vestígio algoni, de qne/9iiad9 designe idén 



— 63-- 

Agora faremos ver que o hiitortador tncompárávH 
da nossa terra, qunliíkaDdo d^ifosiado o feito de Ouri- 
que; «fftá esi flagrante contradicçSo comsigo mesmo.—* 
Para fazer ver esta pecha imperdoável cm dialéctica, 6 
altamente monstruosa no pais da ontologia intuitiva; 
basta confrontar a nomenclatura com que eile fas appa- 
recer nos lates da historia o feito memorável do Campo 
de Ourique. Nâo é pois necessário muito exame, para 
logo ser patente a lodo aquelle que souber ler, e mes« 
mo soletrar, que o Historiador, depois de por vezes dar 
áquella façanha o nome de Batalha y (1) terminara por 
lhe chamar -*- fossado. — Se porém o Historiador en- 
tendera que a maravilha bellica de Ourique era um vet" 
daáeiro foisadOf nSo é por ventura manifesta contradic- 
çâo chamar*lhe — Batalha f Acaso julgará o Historia- 
dor que batalha e fosiado são uma e a mesma cousa? 
Nâo por certo : c o contendo mesmo já trasladado da 
sua Historia claramente o distingue. Se pois não quer 
que a Batalha de Ourique tenha at honras e categoria 
de Batalha^ para que lhe chama uma cousa que ellè 
está bf^m longe de crer e querer que seja? Este procedi- 
mento é d^aquelles que não podem deixar de ter a bem 
merecida tacha de reconhecidamente contradíctorio!... 

O Historiador todavia ainda offerece á acção da 
analyze elementos que mais caracterizam a sua contra* 
dicção. Venham sem mais preambulo ajuízo as suas 
próprias palavras, n Já em maio deste anno de 1139 se 
» feziam os preparativos de uma expedição militar, e 
» os homens d^armas corriam a «juntar-ie ás sua* ban* 

de Bittúihat Antes é predifpotSqSo pare a etltar. Ha de responder 
ainda o mais hospede ém planos estratégicos. 

J)u Cange rita entre outros Documentos a Carta de Foral dada 




III concedida aos moradores de Cernancellie« na qa^l a pelafra/»!» 
sadum se entende, conforme tradosia Brandão — abertura dê/oi» 
SOS, — R* ezlrahida da Monarcbia Lusitana, toro. 4» foi* 21Í, 

Estes e Tarios outros Documentos, qne o ernditlsslm» Anthor 
do Glossário aggiomeron nio só neste, mas em todos os mais artiffi, 
em qne explica o terme — > Fofsa^srm — > Bnét^ e de soliejo conftr* 
inam t^ue Futado nio pôde Jimals ser sjmonimo de Batallia I 
(1) Hist. de Portog. tom. l^f poff. Z22 • 92U, 



— 52 — 

com algUma furibuoda coarctada! Qutíl será èlla? Ha 
de provavelmente vociferar que já tivera antertorineate 
declarado que õ fim príacipal e dístínctívo de taes expc^ 
diçâôi era o talar a campoê do inimigo. Com effeito oa 
pagina 3S4 e 825 acha-ae eicripto: 99 A audácia da em- 
9> preza (de Ourique), os estragos inevitáveis nresles fos- 
7> sadosy expedições cujo íím principal era o lalar os 
» campos do inimigo etc. 99 O Historiador porém Dova« 
mente é codilhado. Póde-se acaso pronunciaf de um 
modo simples e absoluto, que o fim principalf e qualifi- 
cativo dos /ossacíòs era o talar os campos do inimigor 
Munca. E^ outra vez o Elucidário de Viterbo quem o 
vem zurzir. 99 Consistia, diz elle, o Fotsado em tahir 
99 com mão poderosa e armada, a talar^ ou a colher a$ 
9> novidades e fractos^ çue os inimigos haniaõ agriaUior' 
» do f} (l). Por este modo de exprimir fica evidente que 
o fim principal dos fossados se preenchia indistiacf«iliéD« 
te de uma das duas maneiras tndieadas, e nSo de uma 
só, conforme escreveu o historiador portuguez. «^ Ou- 
trosim o Esboço de um Diccionario Jurídico de Pereira 
e Sousa traz escripto : 99 Consistia o Fossado em sahtr 
99 com mão armada a talar e colher as novidades, que 
99 os inimigos havião agricultado 99 (li). Se adoptatsamof 
esta variante, (que é também a de Moraes no Diccio- 
nario) o historiador ficaria igualmente apanhado pela 
conjuncção copulativa, como acolá oé pela dísjunctiva! 
Porém (prescindindo de ulterior discussão) quem 
ha que duvide que a definigão, ou explicação do que 
^jft '^fossado — dada em seu Glossário pelo eruditU- 
simo £íu CangCf vai em dois séculos, evidentemente es- 
tá mostrando que a Batalha deQurique, e mesmo qual- 
quer outra, de mocío algum pôde ser olhada, nem ha- 
irida por fossado f {'^) 



(1) No logar acima rita<lo. 

bi) Na pala?ra — Fotsoflom 

(3) f<MS9ium^ Exerckut, lan polius Caitra vallo« et/ttit cir« 
cvmducta. Qbtiain primuin enim exercitas hottiom terras iagre^i^ 
ior, fossiseorum castra moniantar. n iS^yjsml», RxercitOf o« aates 
ffi Arraiaes cercados de trincheiras, e fiNsos. Logo pois que o exercito 
99 eatra een terra de inimif^os fortifica seus arraiaes com fossos. » 
Aonde le encontra aqui voti|;io algum, de qne/»tMad9 designe idén 



— B3 — 

Agora faremos ver que o historiador incomparável 
ila nossa terra, qunlifícàDdo defosiodo o feito de Ouri- 
que; está em flagrante contradicçSo comsigo mesmo.—* 
Para fazer ver esta pecha imperdoável cm dialéctica, e 
altamente monstruosa no pais da ontologia intuitiva ; 
basta confrontar a nomenclatura com que elle faz appa- 
recer nos lates da historia o feito memorável do Campo 
de Ourique. Nâo é pois necessário multo exame, para 
logo ser patente a todo aquelle que souber ler, e mes« 
mo soletrar, que o Historiador, depois de por vezes dar 
áquella façanha o nome de Batalha ^ (1) terminara por 
lhe chamar -*- fossado. — Se porém o Historiador en- 
tendera qtie a maravilha bellica de Ourique era um ver- 
dadeiro /oMocfo, nSo é por ventura manifesta contradic* 
ção chamar-lhe — Baialha? Acaso julgará o Historia- 
dor que batalha e fosiado são uma e a mesma cousa? 
Nâo por certo : c o conteúdo mesmo já trasladado da 
sua Historia claramente o distingue. Se pois não quer 
que a Batalha de Ourique tenha at honras e categoria 
de BatalhOf para que lhe chama uma cousa que elle 
está bf^m longe de crer e querer que seja t £ste procedi- 
mento é d^aquelles que nâo podem deixar de ter a bem 
merecida tacha de reconhecidamente conlradictorio!... 

O Historiador todavia ainda offerece á acção da 
analyze elementos que mais caracterizam a sua contra- 
dicçâo. Venham sem mais preambulo ajuízo as suas 
próprias palavras, n Já em maio deste anno de 1139 se 
» faziam os preparativos de uma expedição militar, e 
» os homens d^armas corriam a ajuntar-se ás suas ban« 

de Bittúlhat Antet é prediípotlqao para a etitar. Ha de responder 
ainda o mais hospede ém planos estratégicos. 

Du Cange rita entre outros Documentos a Carta de Foral dada 
pelo Conde D. Henrique li cidade de Coimbra, em que llie permitte 
dar só a quinta parte da preka do fottado. B^cdpiàda do toitao 4 (•li^ 
3) da m^nmrgMa JLmitaum^ pag.20lT«— Tráa outra de D. Amnso 
III concedida aos moradores de Cernancelhe« na qu^l a pala?ra^f- 
sadum se entende, ronifbrme tradusiu Brandão — abertura dtfos" 
SOM, — R* eztrahida da Monarcliia Lusitana, tom. 4, foi. 212. 

Estes e rarios outros 0ocumenlos, que o ernditissimo Author 
do Glossário aggiomeron nSo só neste, mas em todos os mais artigos, 
em que explica o termo — • Fouatvm — assas, e de sobejo confir- 
mam qoe Fosiado nSo pode jamais ser sjmonimo de Batalha ! 
(1) Hist. de Portug. tom. 1^, pog. 322 e 320. 



» deirai. Enirndo o mez de juliio o 0H4*rcito porfuguez 
n marchou para o meío-día *» (I)* Quem. jáinuia acredi* 
lou, e muiio ipeoos díftsey ou escreveu, q4i« uma txpe^ 
diçâo mtlUarf caraclerízada áe foãiado enigme piepara- 
tivos para cima de dois mezes (S)? £m qutt monumeo* 
to oudocumeDlo se acham testificados taes pieparatÍTos í 
J^m ueohum sem duvida. Nem as expedições militares 
que aonualmenie se faziam com aquella denominação 
Ifostado)^ continham motivo extraordinário paratSo sin- 
gular, e especificamente se escrever que o» homenê cTar^ 
mat cornam a ajuniar-ic as smis bandeira» ; muito me* 
nos durante o mencionado período de mais de doit me» 
zes, como indubitavelmente se faz entender. Além d*iir 
to, nos foísados não só entraram os homem cTarmaMf 
inas também aldeanoê e gente da laêoura para colherem c 
condu^iran a prc%a{'ò). l^o fouado porém do nosso bitto* 
rindor somente apparecem o$ homens d* armas que corr 
rtam a ajunlar^sc ás bandeiras de D. Âfíbnso Searií- 
quês!..* Que diremos mais?... O Fossado do Hisloría*' 
dor comprebende força, que elle julgou devia merecer o 
pome de -^ exercito portuguez» — > Ha porém algum 
Fostado nos documentos antigos, cuja força nellet seja 
designada pela qualificação de exereiío portvgue^t Nem 
vm só. lia de responder ainda o Archeologo maitfare» 
jador ! Os Fossadof n^o eram outra cousa mais do que 
expedições militares particularmente arranjadas todos os 
annos pelas Villas para talar, ou saquear as colhettai 
dos Sarracenos, como bem se collige dos respectivos For* 
taes. A força militar por tanto, por maior que fosse, 
com que ellas operavam estas excursões ou correrias, 
não podia por forma alguma ter a denominação de esety 
cUo poriug%ie%. Esta denominação ( alias tó applicavel a 
Mtnii força muito maior), é bem dever, só deveria com- 
petir4be, se ella constasse de indivíduos de todas ou 
de grande parte das terras da nação. Extraio poriugue% 
é uma idéa -latamente determinativa, que nito pôde ser 

IVí Hiit. de Portug. tom. ífin VH- ^M- 

(2) CoinprcJiendeinat o perÚMio que v#i detd» 16 de Maio (qa« 
é a dita do Documento, a que lo atém o bittoriador porlogooi^ qoo 
adianto fo tranKreTe) até 26 de Julho, dia da Jftatalha de Ootique. 

(3) Elucidurlo» po Ipgar Jd iraascripto. 



— 55 — 

coDimuiaila por outra Uém mailo meoos nigoíficaliiJu 
AÍDcla mais : U Novador hUloriro |»afa coofirmaf qué 
os prqxuralivoê da tal ejepedigâo mifilur ( a Batalha dt 
Ourique, queelle degrada paia ooumero dcmfouadp»!) 
começaram em maio de 1139, rita a Doação de um eo- 
vnlleiro ao motíciro dt Pendurada^ em da 14 de 18 de 
Maio do mencionado anuo; documento, que tirpy das 
Di:iáerlaçOes de João Pedro ttibeúo (I). 8âo as paíai ras 
do Documento: — £t n obitro tn exerdiu rcgis. — m E 
'' se eu morrer no exercito do rei. » Eu não eoLro oa 
questão se este documento por ter a data de 18 de Maio 
de 1139, é pfova, de que «6 desde a citada époclia, com 
exclusão de outra anterior, se faaiam preparaliios para 
aquella expedição, na fraie do nosso historiador, /osso» 
<fo, e não Batalha de Ourique! Só sutteotarei que o 
documento allegado não prora que a projectada expedi- 
ção militar fosse foisado^ porém antes uma empresa 
muito mais gigantesca. Na verdade poderá alguém, pof 
mais estortegi^delat, e belliscões quo leime .dar em tudo 
quanto ha de regras de hermenêutica, pertuadir»se que 
nas expressões — si obiero in cjcenÀiu regis — se ache 
escriplo e estampado um putissimo e estremissimo fosêOr 
do? 8e tal persuasão podesse caber eip cerfbro algum 
iiumano, por certo que o seu estado pbrenologico seria 
muito para recear!.... Se pois a expressão tn aeere%turc' 
gu oão significa do foisadoj e sim tio exerdio do jR.á\ é 
bem de vex que as duas cousas sãç objectos mt^i diver- 
sos. Porém se eaa^ciio e fossado não são, roíno .é ioper 
gavel, a apesma cousa; porque se ha àfi i)hcj ei^ure^ix* 
ou implicitamente, que quem se ^Ihia no eoitrçiio ^q 
Reiy se alista no seu fouadoJ A íilenjtiGcação 4^ laes 
jUéas é na verdade qma monstruosidade! A i^l^ .<tU exer- 
cito é, a oíhqs vjsfos, de ipdole m^uito diversa, e.fk..bratt- 
ge em .^i&tpria m^aior extep^liç .qi^e p ^de /o^sa^ /.m. A- 
]ém d^.i.sLò .não ha .inetpqria de gqe algpip ii^p^an^e 
preparasse ura exercito, qual ,mesfpo .(^ra g^e .D. Ãfloi^sp 
Henriques, (de onze, ou doze mil homens, ou mais ain- 
da (@) ), com o fim principal e premeditado de fazer um 

. (1) Tom. 3.,Par.t. 1. fi^g, IIC, nP ?6)|, . 

{t) M«Due| de Faria y S0.01M s(>l^e .^^te namero « trftt mil Ao* 
mens. ( tíumpa J^ort. Tom. ^.^, pag. iO). 



— 86-^ 

fonado, ->- O exercito de D. Afipnso Henríquei era o 
maif numeroso que nté entSo a ChrUtandade tinha pos- 
to em campo nesta Província (1). Este superlativo lOi^ 
lalmente repugna com a ídéa de fo$mdo. •-' Creio tam- 
bém que o Cavalleíro (cujo nome não passou á posteri- 
dade com o mais do pergaminho) pão se daria ao affaa 
de fazer doaçSo cauta mortU ao mosteiro da Pendoradai 
se o exeráto dç R^ se dirigisse a um mero e succíntp 
fottado* 

Agora pergutarei ao historiador em que monumen^ 
to ou documento encontrou escripto que o exercito por* 
iugue% marchasse para o mtho-dta^ entrado omei de Ju- 
lho t Entrado o me% de Julho quer dizer — começado ou 
principiado o mez de Julho. £ quem lhe disse que a re? 
ferida marcha tivesse logar logo no principio, ou prin- 
cípios, começo ou entrada do dito mez^ e nSo em o 
meado delle? O seu indigitado calculo éim verdade 
&ereo!... Não ha um s6 dps nossos Chronistas, nem His- 
toriadores, que delle fizesse ipenção, e o seguiste. O 
nosso historiador apoia a sua chronologia na DoaçSo, 
que o Infante D. Afibnso Henriques fizera, no mei de 
Julho, a Monto Guimari%, quando ia de caminho para 
o fosiado de Ladera ( guando ibamui tn iUo fonado de 
Juadera (S)); porém quem Jamais colligiu destas pala-p 
vras que ò exeráio poriugue% marchasse para o m^io-dia 
na entrada de Julho de 1139 f Nem a letra, nem o seiH 
tido delia, por mais voltas que se lhes queiram dar, indi? 
cam símilhante jllação ! A data do documento mostra 
tamsómente que fora feito em Julho, sem designar o 
determinado e preciso dia. Sendo isto assim, é evidente 
que não se p6de affírmar positivamente que ell^ fosse 
feito na entrada de Julho* -— Ora sendo certo que nfio 
hlBt fundamento algum para se asseverar esta positivii e 
terminante data da existência do documento; como se 
poderá dar e ter por averiguada a data de um successo 
que çom aque}la se pretende identificar ? Se p funda* 

(1) n Los naeitrof qne eran loloi treie mil (ti bfen el major pa- 
n mero que avia producido hasta entooces la ChritUandad eu esta 
n Provinda)* n (Faria, Europa Portugueia, tom. 2.®, pag, 40). 

(2) Vej. Viterbo na palarra F»stado^ pag. 477, cot. 1.* 



^87 — 

monto, ou premissa é f ncerta, lambem a corisequeiíciâ'^ 
que se deduz, ha de necessaríãmenlè ter a mesma pe» 
cha de incerlesa; ensina, e ensinará sempre toda «dia* 
lectica do universo. Crassa ignorância é pois contradiz 
zcr, quando se discorre, os seus diclamet!... 

Ainda porém nio ficnro aqui os elementos, que de- 
monstram a contradicçSo. Confessa o antagonista do fei* 
to grandioso de Ourique que — a audácia da anprc%a^ 
e Oê estragos inemtaveis de iaet fossados,.*, demam causar 
aos Sarracenos profundo susto, (1) Quem ha de díser 
que a idéa de profundo susto quadre ou se áeva. appro^ 
priar aum mero/ossacío/ Ninguém sem duvida. Ha de 
pelo contrario julgar que se pretende dar a uma causa 
vm effeito muito maior do que elia é« -^— O historiador 
confessando além d^isto as consequências do profundo 
susto dos Sarracenos^ novamente reconhece, sem o pen* 
sar, que ellas mal podem convir a um fossado* Haja 
vista á collígaçfto, ou conspiraçSo, que òs chefes muniA- 
manos f pelo menos os do AlemtejOj feunindo-se entre si, 
fizeram para atalhar a invasão do terrivei Ibn-Brrik {9), 
Este era o nome^ segundo também escrete o nosso mes- 
mo historiador, com que os Sarracenos designavam o ii* 
lho do conde Henrique (3). 

Mesmo todavia na pequena passagem da ^itloria 
de Poriugalj que fica transcripta, temos duas cousas, 
que nSo podem ficar sem levar seu coque crítico ! — E* 
a primeira a expressão •— pelo menos os do Alemiefo — 
referida como restricção ou excepçfto aos chefes musul* 
monos, que se uniram para atalhar a invasão do ierrivel 
Jbn^ErriL Quem deste modo se exprime dá por mais 
certo e seguro que os chefes musulmanos do jíkmlejo 
iriessem atalhar a invasão do terrivei Ibn-Brrik^ do que 
os demais chefes, que para o mesmo fim combina- 
damente com elles se reuniram. E* porém esta excepção 
ou distiocçSo historicamente justa e admissivel f De ne* 
nhuma sorte. O documento sim em que te fundam os 
historiadores falia com igual certeza tanto de uns, como 

/1) I?itt. de PortDç. tom. l^^ pafi;. 324 e Vt$. 
W Hitt. de Portu{(. tom. 1.® pag. 5Z7. 
(^) Hitt. de Portog. tom. l.^* peg. 326. 



-^68 — 

(le outrus chefes dus oiutulinauo*, que ,:U<.-ra«n alulhar 
oquella invaÂâo\ O docvinienlo a que nos refeximot é a 
iyhroDÍca (ias Ciodovi cujo logar os kíslorÍMdoruft lodos 
tem reprpdusídQ sem roais correcção ou innovaçâo. «-> A 
passagt^m que adiante, além d'i:)to, vai transcríptada His- 
foria die Portugal de Henrujfie Scheffcr (por nfio fallar 
9qu) de ouiros (1)) assas ju^N fica o que asseveramos. 

E^ a segunda a expxessiâo — alalhar a invQêâo do 
terrível Jbn-'£rr'ik, Que é isto? Temos agora ofouado 
convertido indistinclamentey e sem reslricgao, eai inca* 
$âOy ou acaso sâo synonimos? Se são synonimos; como 
é que para atalhar um mero fossado se íncommoda tan- 
ta gente da parle do inimigo? Exigimos a ^luçSo do 
problema. — » Se não são sy.nonimos temos o historiador 
portuguez dando já outro nome ao Feito de Ourique, 
que sigAÍAca cousa de uma natureza astás diversa^ e 
por certo de um caracter bellico muito maift amplo e 
genérico do que aqyelle que indica o termo — foutidol 

Á^ %ii>ta do que temo» discutido é mais qu« evide»* 
te que o nome de fossado^ por qualquer forma q«e se 
considere, com que p historiador portuguez preleBde desr 
figurar, e incutir desprezo peia famosa Batalha «la Ou* 
lique é a corcova, o aleijão da mais assalvajadu jnoos- 
Iruostdade, que se tem :^istò doestar a historia de Por* 
tugal. £' um pasquim, um epilaphio que por si t&de* 
ve provocar de todo o mundo crítico o mais proiiiincía- 
do desprezo pela Obra, que o acoita e alverga em suas 
Bauseabundas paginas !.... Que portuguez haverá illus* 
trado e não illuslrado que não -seja deste tão justp a pa> 
tríotico sentimento?..... 

Agora antes de sair de lodo do âmago da anaTyie; 
desejaria que o historiador, por despcfdida, nos indicasse 
em que authentico pergaminho se estril)Ou para .e«cre ver 
que O iertão da provinda ( do Alemtejo), que alravesná* 
Ea P. Aflbnso Henriques, quando ia no seu tctTivelfoih 
sado^ ou eorrena (que :paraelle são, afora ojimais^ sinó- 
nimos da Batalha d<j{ Ourique) ainda alé esse tempo 



(1) Na Parte Gtoarta ^eiXã Obra os apontarenM; nevumcAle 
c^nfirmaada a matéria. 



— 59— 

DUBca lioba sido decoMiodo da» arma% í^r\úãa% (1) ' E 
bem afeim quaet <u motira» que D. jÊffomo JJamqucê 
dava de ãc ibngir contra &be»T (f). £»Us circurnslaB* 
cia» de oríjEioal ootidade nSo apfiarrreiíi em hísioria at» 
guma de Portogal. Piecíiaai poU de cfmíír mação ou* 
«heotíca para merecerem at honras da credibilidade, timo 
juramos in verba magtslrt! — N2o me eipliquei com 
Ioda a ezacçio. A circomstaacía qve — D. Aflbofo 
Henriquea dai>a mosiras de te dÈrigir eonlra SilteM — i 
e pelo meoos parece, formalmeole desmentida por Duar- 
te Galvioy o qual assevera que— 9 bo Priocipe D.AC» 
99 fooio Aoriques.... ouve (em Coimbra) conselho com 
99 hos seus de faier guerra nas terras de Alemtejo, espe-i 
ff cialmenle na Comarca de Campo Domiquei» (â). Es* 
ia restrícta e positiva resolugfe mal se compadece com 
laes e lio alheias moslnif /••.. 

Porém qual será a raxSo especialíssima ; porque o 
alcunhado, ou mascarado fouado de%ía caucar aos Al* 
mora vides aquelle profundo nutoT Ouçam; que a ro» 
mancada é de se alugar palanques : n E^ porque a in- 
99 vasão de Afibnso Henriques parecia combinada, epor 
99 ventura o era, com o commettimento de Aurélia pe» 
9> lo imperador 99 (4). Ora o que vale ou valeu jamais 
em historia, quer antiga, quer modercxa» quer geral, 
quer es|)ecial| uma conjectura tão eélreme elão depura- 
da; uma conjectura, digo, tal, e tamaiiha, que, para 
que nioguem, ainda de lettras as mais gordas, a <lei« 
^asse de cortejar com a costumada barretada de despre- 
iOf sabe a publico com os dois bein conipicuos batedoii> 
res — parecia, e por ventura t -^ Todo o mundo sabe 
que não é lançando no papel, por mais superfíno que 
seja, fantasiados ca%tellos, coocepçfies de vento, que se 
adquire, ou se pôde aspirar á veracidade hifttoricn ! Pe« 
lo cotairario é com essas e taes visagens, que o historia-» 
dor se desacredita, e se torna digno, que o accusem de 
innegavel inépcia. Todo o historiador que avança uma 



(1) Hiit. de Portiis* tom. l.®, pag. 324. 

(2) Hist. de Portag. tom. !.<>, pa|;. 324» 

(3) Chronica de 1>. AfTonto Henriques, cap. 12, pSf* 16. 

(4) Hist. de Portog. toro. 1.^ paf. 325. 



coDJeçlura é indispensável -que notei on que possa alie- 
gar algum fundamento, embora de precária fé, a que 
te encoste. — JMas que fundamento teria o bístoriador pn» 
ra formar aquelie tâo espúrio e abortivo ente de raziof 
Por ventura intrínseco? Qtie razão ou motivo haf, como 
taly que mostre a nec«*s9Ídade da combinaçSo de duas 
acções bellicas tão disparatadas, e acontecidas em tSo 
distantes partes? Conceda*se porém a conjecturada com- 
binação. Como é que com ella se pôde conciKar a idéa 
úe fossado^ Inteiramente se destróe. Porém que digo? 
Como era possível que a invoião (ou o quer que é que 
o historiador português tem por synonimo de foiModo!) 
de D. Aflbnso Henriques causasse aos Almoravides, com- 
binadamente com o commetttmtnto de ^urettaj um siisio 
profundo i quando a Batalha de Ourique tivera sido da- 
da em 85 de Julho de 1139, continuando Aurélia a re» 
sistir a D. ASbnso Vil alé 31 de Outubro do mencio- 
nado anno, em que se rendera por capitulação? Por 
certo que não foi o profundo $uito da tal -romântica 6om« 
binação, quem a fez render ! — Será todavia o eseriptor 
capaz de historicamente nos demonstrar que o cofnmeiii- 
menío de JfureRa era já para os Mouros um motivo de 
profundo tusto na épocha da Batalha de Ourique, ou 
nas suas proximidades; eque elles ao contrario nSo con- 
cebessem antes a litongeira esperança de vencer os ag- 
gressores ? — • Será o historiador mesmo capaz de fas^sr 
ver que ainvaião de Affonwo Henrique» devia causar^lhes 
profundo susto, enão antes indiignaçâo^ c desejo profundo 
de destruir o seu adversário? — Teria algum fundamento 
extrínseco aquella conjectura? A lembrança é tSo crés» 
pa, e avessa que não se ha dô encontrar um s6 escriptor 
que a tenha apoiado, por não dizer, imaginado f.... Pe- 
lo contrario os nossos bons esicriptores desmentem sole* 
mnemente o historiador, que tomou á sua conta encher 
de patranhas a historia do paiz.— Aquelie dos antigos qiie 
para exemplo citamos é nada menos que o insigne Var- 

rão portuguez £* sim Lúcio André de Rezende, que 

expressamente, longe de representar a Ismario em pro-- 
fundo susto pela invasSo de D. AfTonso Henriques^ nÍo 
teve duvida de exarar em suas Antiguidades: » Que 
9> elle confiado em suas forças não mo&lrou receio em vir 



— 61 — 

X fazer frente a D. ASboto, vagaroso se bem qtie enl 
» suas marchas, porém com animo profundamente cheio 
7> de eslimuloê de tAngança. Hís confísus, íq Alfoasun 
^ properabaty leolís itineríbus, sed animo ad mndvstaan 
» concUatu%%'moy>(\.)» Será isto pois susio prq/ViiKÍo f llit^ 
que o Historiographo iaaovador uma circumstaocia de 
lavra merameote romanescai que tfto profundameote 6 
pulverizada porauthorídades como a de Rezende.— Po* 
rém que digo eu? Nâo é só a aulhoridade dos antigos 
e de polpa tal, como a que fica cilada. E* lambem o 
lestemunho do moderno historiador estrangeiro, o Dou« 
lor Henrique Scheffer^ que eni nada é suspeito (antet 
creio que para alguns digno de alto apreço) que lhe 
vem pespegar a falsidade da conjectura na lx>chechal 
£is-aqui as suas palavras, foliando da marcha dos Mou-< 
ros para cortarem o passo a D. Affoaso Henriqueta 
y> Os Sarracenos se adiantaram cheios de confiança em á 
y> superioridade de suas forças, e a celebravam entoando 
f> alegre» efeêlivaé» cançóeg ^'(fi)» Diga-me o historio- 
grapbo se por. ventura estes tfio opposto^ affectos deno-» 
tam nos Sarracenos sequer algum leve, nSo digo já pro» 

fundo tu»toí Não ha de tugir, nem mugir! 

Vamos agora á outra idealizada razão do decanta-^ 
do •— profundo iusto, v Por outra parle, diz elle, mal 
99 podiam, á vista do que temos narrado, os Governa- 
99 dores almoray ides destes districtos esperar soccorro das' 
99 províncias mais orientaes de Andaluz, e a marcha ra- 
99 pida de Ibn-Errik (nome coih que o filho do Conde 
99 Henrique era designado pelos sarracenos) difficilmen* 
99 te consentiria delongas para. invocar alheio auxilio, 
99 ainda quando houvesse probabilidade de obiel-o » (3). 
Quem deixará de ver no bem e fielmente transcripto 
trecho «scrípta e imprensada a mais fina, e adubada 
frangipana, ou poUpourri de gosto^ e sainete romanti* 
ço? Que cUêtrieioê são essqs pois, eufo» Crovemadore$ ai* 
moravides á vista do que fiarróra o nosso historiador^ 
mal poderiam esperar soccorro doê proinnáas mais orieri* 

rf • • . . . 

(1) De Antiquitatí5nt Lunitaniie, lib. 4, p«?. 267. 



(1) He Antiqmtaiiunt Luiiitaniie, lib. 4, p 

(2) Traduc^ão Porlng.^ tom. 1.^, p«|;. 88* 

(3) Hist. de Purtqf . tom. 1.^ ^^ ^^* 



^63 — 

iaa doAndalu%; lendo por cooseguínte esta fallft de es- 
perança mais uma causal de profiíndo $ti$to para o ini- 
migo musulmano? Ha de novamenle ficar^ coma yuI* 
garmente dizem, embdiocachj ou pelo meoot detapon^ 
igdo! £u não vejo, nem alguém jamais viu, nem ha de 
irer, nem corlligir da historia que os Sarracenos^ que se 
dispunham dar mate á invasão de D. Affonso Henri- 
ques, estivessem transidos, ou quer que é, de «titio pro* 
fundo por causa dos Grovernadoret de uns dislrictos^ que 
o historiador (apeiar da obscuridade) não »e dignou de- 
clarar, mal poderem operar $oecorro das prot^ncsat maUi 
orientaes do j4ndalu%! Bem pelo contrario, quando ó 
historiador mesmo chegasse a demonstrar que os tae» 
governadores malpoderiam esperar a mencionado «occorró 
(o que elle jamais poderá fazer, pois que uma asserçSo, 
romanlka dagemma, nunca obteve em tempo algum as 
honras de qualquer commum theorema); de mrodo a(* 
gum d^ahí seria possivel deduzir como legitima conclur^ 
sfto o profundo susto dos Sarracenos, que vieram dispu- 
tar o passo a D. Affonso Henriques. Sim, não se pode* 
ria de sorte alguma deduzir o imaginado porisma do 
profundo susto ^ por quanto a historia, como já fizemos 
ver (1), assas consigna em suas paginas o arreganho mi- 
litar com que a mourisma se apresentou no Campo de 
Ourique a D. Affonso Henriques. 

Porém a mira, a pontaria é outra. Ella vai diri- 
gida a atacar com bala de recocbete a Batalha de Ou<« 
rique (que é a pedra de escândalo do historiador que 
por acinte a bnratéa ! ) não já pclolado do profundh inà^ 
iodos Sarracenos; porám com muita especialidade pelo 
que respeita ao pequeno e mesquinho numero de com* 
batentes, que a elle se affigura, e quer acrediténiy Vie- 
ram ás mãos com D. Affonso Henriques n^àquèlla fa- 
mosa, e sempre memorável Jcção. — * Que treta» que 
entrega pois se urde para armar á iliusão? Vão-se ata«^ 
car os recursos duende taes forçai poderiam ser tiradas. 
Tem porém algum fundamento esta táctica? Nenhum» 
£* apenas mais uma caricatura romântica, que vem de- 
turpar o caracter scientifico do historiador !.*• Diz elle que : 

(1) Na pagina 60 e 61 datta Terceira Parts. 



— 63 — 

yy Os goTeroadorei AlmoraTÍdet dettet distrielm mal pc^ 
" derinm esperar socoorrò das províncias inaii orieoiaet 
99 de Andaluz yy (1). Em que pergaminho mait liso qvé 
um seltm, ou com mait gelhas que uma serpe octoge- 
nária, encontrou oinnovador histórico que <m ^OMnuufa* 
res Almoravídcs dos taes districtos, que vMMfÉi disputar 
de mâo armada com D. Affon^o Henriques no Campo 
de Ourique, ínal púdenam esperar d*aquellas provinclas 
o mencionado soceorrof Ha dé ficar, como diz o meia* 
phorisante vulgo, com a cara a uma banda^ logo que 
uma critica de olfatoanalytico lhe exigir o documento 
comprobativo da original asseveração! — Porém quan- 
to nâo á para admirar, se^fto para estfanhar^ que ocla^ 
mador antonomaslico dos doeumenios a cada passo este- 
ja fantasiando, e proferindo suppostos de polpa inaudi*^ 
ta, para destruir uma verdade histórica Sohre maneira 
documentada f Causa tédio e indigrfa^io snperfína naí 
lâo itiloleravel procedimento!.,. — Agora mostraremos 
ao èscriptor de taes e tão insubststeiltes bravatas a futi<* 
lídade, com que etle estatalou na Stia Obrâá supradita 
hypothese. n A^ nova (ouça«se) doesta á|^gressSo (de 
99 D. AfTonso Henriques) Wati Ismar, i^ne todas as 
99 tropas, que elle tinha conduzido comsigo da Africa é 
f) todos os guerreiros dós territórios de Sevilha , Bada^^ 
99 joz, £lvas^ Évora, Beja, e de todas as pragas fortifí^ 
9 cadas até Santarém, armada ntimerosa, etn a qual 
99 se encontravam mulheres sob os hábitos e costumes de 
99 homens^ è sob as armaduras de guerreiros ; eomo sé 
99 conheceu mais tarde, quando sé descobriram^ e en** 
99 contraram muitas doestas etttt'e os mortos 99 ({). As^ 
sim falia cotti a torrente dos esdrífitòres 6 já citado Dr. 
Htnnqfu Schefftr^ (fue além de estlratlgéiroi, é de mais 
a thais protestante, e por isso de- todo, ná iliâteria, in*^ 
êuipátúl Arguniento agora. È^visivel ^uie» Wáli Ismar^ 
entre outras terras d^otide tirara Mkkiérrò p«ta átacAr D; 
Affonso Henriques^ não se eiqueicèu dé «iòntertàplar Se« 

• « 

(1) Híst. «le Portog. tom. 1.^ pn;;. 32). 

(2) Hist. de Porlii^. etc. jiag. 1*7 e U».— K* copU da vertSo em 
portugaet (cuja citrrecçSo de liogini^èm íi3o ^nhiiçàtíiòsy f)èitã |tor 
J« L« D* de Mendonça. 



-^S4 — 

^ilha, eapilal deAndaluz, como o era aDligameoie. Otò 
todo o mundo, que tiver dois dedos de geograpbia'9 deve 
saber qae Sevilha fica situada nas partes occhteoUtet d» 
Andaluzia^ Sendo isto assim ^ á facto bistoríco qiM Is- 
mar tirara soccorro destas partes. Pergunto agora : Por 
somente conatar da historia que Ismar trouxera ou levara 
comsígò soccorro de Sevilha sKuada naquellas partes oc- 
cidentaesy pôde acaso concluir-se a conjectura de que 
mal o vodka aperar dat parleM mau oncntaes dà . Anda- 
lu%! Uma talconcíusibo negativa, de mera possibilidadey 
estaria inteiramente fora das prepiissad. £ na verdade 
quem dirá que por uma cousa não constar da historia se 
deve concluir queella não poderá aconteicerf— Por laB-* 
lo se do paiz dos factos aberramos para o mundo das 
coDjecturas, como faz o historiographo^ quecombateiBOs^ 
tao Gonjecturavel é que Ismar e os mais chefes maurita- 
nos mal podessem esperar soccorro das prot^íftcioi. iisats 
orsenlaes de Andalw,, como a asserção contraria. Quero 
por outra dizer ; tão possível é que nos soccorros do Se- 
vilha viessem soccorros simultaneamenie da^s duAs parte^ 
(províncias mais oriaUat»^ e occideotaes)*, coma sintple»- 
mente de uma só delias. — A meiaphysíca dat bísloria 
não permitte oaffirmar-se o contrario de umacousai que 
não consta, quando não ha documento positivo» em que 
se funde. Com todoojuizo D. António Brandão nSo bielra 
distíncção alguma dos Mouros Andaluzes, que vieram 
no exercito de Ismar (l).-r-Em iumma: Se a historia 
não affirma que os governadores Alraoravides mal po- 
diam esperar toccorro das taes províncias mais ors^isiact ; 
como se pôde sem fiilsídade nsseveral-o? — André de 
Ilezeode, e outros com tudo numeram, entro os comba- 
tentes que vieram com Ismarto a Campo d^Ouíique, 
indistínctamenle os Mouros de toda a Hespanha ulte- 
rior — ex lota ulteríore (iispauia {V). Ora á ianegavel 
que na Hespanha Ulterior se comprebende boa parte das 
províncias orientaes do território hesfianbcrf, e mesmo 
alguma das mais ortentaes. A authoridade de Rezende 
está pois dando quináo ao innovador histórico !... 

(1) Monarchia Lusitana, tom. 3.® LW« X. cap. 1/ 

(2) Anti^. Liv. 4.0 pag. 287,^ tom. 1.» 



— es — 

Totem que se me afíígara?..* Pare€aí-ine prese^atlr 
que a razão que o hitloriador allega para os goTernado* 
rc» almora? ides mal poderem etperar soccorro das pramn^ 
cias mau orienlae$ de Andaluz, é a devastação e saqife 
que solfreram da parte de D. Affooso VII oê diiírtcíog 
de Jaen^ Ba€%a, Ubeda e j^ndujúr (1), que ficam tiiua- 
dos iMM paftes mais orieotates de Aodalua. Este imagi-» 
Dado fumlameoto ainda lorna porém mais atrevida a 
conjectura. -^^Que priacipio, que base a^sihentiea da<^ 
râo ao escdptor^ que recorrer aosubterfugio^ taet devas- 
tações para sem resaUa poder consignar á posteridade 
em sua historia (o que ninguém aliás ainda fisera), que 
os mencionados governadores mal podiam, ou poderiam 
esperar aquelle soccorro f Nenhum; ha de responder ia^ 
do aquelle que com alguma lucerna critica examinar a 
matéria i... E na verdade, como poderá o historiador 
documentalmente fazer ver que aquelles districtos ficas* 
sem em tal estado que mal te podetie etperar delles ml* 
gum soGOorrof En§ núln magnui ApoUoL.. Responderá 
todo e qualquer analjrsta! -— Além^dUsto por onde con« 
stou ao historiador (que tanto se empenha por definhar 
e marasmar o numero dos combatentes da parte contra- 
ria,, a fim de avHtar a Batalha de Ourique ! ), que, ain« 
da quando dot refefr idos districtos mais onentae% mal po- 
dessem vir alguns soccorro8 aos governadores almoravi* 
det, aaoutras terras do resto dó oriente de Andaluz ( pois 
que é visível entrarem só na excepção favorita a$ pro^ 
vfVictos mais oAeníau delle) ficassem inteiramente inhi^ 
tidas de os poderem dar, ou taes que houvessem de es* 
pecialmenie conlribuinpara a numerosa totalidade! A* 
caso desenterrou elle do sepulchro dos archivos públicos 
algum pergaminho qúejkeue ao sea Mento t Produza-o^ 
se quer queoacreditemos !•«• E* porém debalde adiligea^ 
cia.e.aSaD, que empregar para o descobrir l ^^ Qiieve^ 
rá elle em fim que o -acreditemos com pylhagorio* svfe^ 
missão tanMÓmeo te pòr ser om do9 fiUloê ãe$ía époeha 
aos quaes a Promdeneia alumtou cóm tun raio da inteU 
íigcnda éiernaf confortne elle logo na Adverteocía dá 



(1) Ilitt. lie Portos. ISii; li^fti 3MÍ. 



•t 



— 66 — 

Hútoria de Portugal tão aochámente &I-ardêa (i)f Não 
pretucnímos que Q escrípior \euba f^reteogôcst a querer 
6fcar alQrdoado com q fiiatt geral e «slfepitasa garga*- 
Ihada ! 

Potréofr (Mitedamos me^mo em ioda a exieMio qiHí 
aqueUet aoêcorros andalwbò»àlricntatã, ofto.iívcrttm^0ttgfo«« 
ftildo.al fileiras. dbs Moiitos na Baialba de Oariqoe; te* 
gueHtê.acnio^que por ímo.o exercito. do« Saaraoeaòs dei^ 
xál-A ide ter jÂlameaíie oomeroto^ comos áf&f inaaa liiuo^ 
ri#doteS' oníigôi è mòdetaot rNiinca* Rara' >ter lagar a 
ob^ção era j<ieceifiar4o que o historiograpbo com, pvuya* 
tQrpiiaaa-tei &2csse vér que uaicam^nte coniaqueHttrtoc<» 
«Qffo é que o exercito Uos Sarraceno* ae poderia Cornar 
iadubilavelmen^ aumero60, e bâo pelos outros loceor^ 
rpai ou foflgaS| qulepoâítivameole menciona ahútoriaqBe 
veanicalschar de varins partes. Tal tentativa é pdrétn to* 
teirameiíle irrbalúâvel. . Fica por taoio *por todas «• ISiw 
nlas destk^uida a conjecturada negativa da lavrando kit* 
tortudor i —^ Mb» aioda quando éUe ( oiàpUficarei o«f ro» 
sim •) podette faser ver que as forçai^ ^qtieos ígovemaio* 
f^ÀitAora vides mal poderiam etperar das províonias 
9iiatf;Ofimiaes ão Andabi^y eraoti m «nicas «qo»- ttwim&* 
«Qéfite deveriam- elevar a exierciío sarraoeno ãina* grande 
uumtoro.; ootno coaseguicca dãpoi«'loMstoriador-«vapKiar 
que., naoioòstaote sedarama tal 'CaraBierls^Uo^ laquel'* 
las :fxirt6s.ínftò puderam dè modo algum prestar moccgrfú 
parara enprecii, q«e «o» chefes aswuliaaaas' prc§eot9» 
vate r Por iaiito a demonitr^gftò d^aquella iâo 4ingmiest 
«on/rt^ura, qaafido fosse possível, leraría o bistoriaAv 
a/odtfaibdecUtiavai^.tt cooseoativa questSo. fbilfiaiwr* 
diqúcl.i.. •.: . . .; . .,. • 

, , . Agofà taAnos redasir á mei^cída antqailAi9^st''Qte» 
4fiacãÉpan4kUi'Mvoltdadey por outra, frioleira^ .tfoa^rsA 
a > Hie|)lai»ehte ^i miigí nada, para^ ooati ouando aí oda - > a 
ateesquinharia lorça dos Mauritanos, elevar ao «abo 4o 
desprezo a Balaèiia dè- Oaríqwe. &* a aegaçaparaJaMr 
^\úi ao logro- a>credala cegueira dosquejuiam nas pa* 
Mwras do am..Oraculo : » a* marcba rápida 'de lèa^rrik 
» ( nome com que o filho do Conde Henrique era desi- 

(1) Hist. de Portog, tMI« U^^n* ^UU. 



fi gnado pelos sarracenos) que difíícilmeQle coasenliria 
99 delongas para invocar alheio auxilio, ainda quandp 
Si houvesse probabilidades de obtel-o y> (1). Que é istof 
Que novidade é esta na historia? £sculem!..« Tenios |i 
marcha rápida de D. Aflbnso Henriques ( Ibn^Errik ) co- 
mo um dos motivos angariados^ para (em razão da suji 
tix\i\áfiz.d%fficilmcnic conuníir delongai a fito dos Sarra* 
cenos Í7U90cnfcm atMÀdo alhào) necçssarja e^roncludeole;* 
mente se. inferir, por mi^is uma causal k priori^ a pegue- 
nhez do exercito inimigo em Campo. de Ourique!... p^ 
porém estapilula para logo, e^em custo, seengulir, ain* 
da pela mais desmesui;ada e espB^gsA guela, sem quç 
venha acompanhada, e apoiada, ou antes embrulhada 
em algum documento sem tortulho nem verruga, que 
A doure, e torne escorregavel 7 Por forma alguma. I^ 
de vociferar com toda a força do polmSo, todo e quali^ 
quer que seja o leitor de tempera nacional, ainda o d^ 
roais reles edespreziveJl turba!.,.* Onde irá o historiado^ 
da inaudita novidade descortinar o fulcro, o esteio clor 
cumental, em que encoste todo o grande pezo da suá 
original asaerção? Ha de ficar outra vez com d6r nefri- 
tica, sem achar emplasto nem cataplasma emoliente^ 
que lhe m.itigue a refrega!... £ na verdade será elle pfipa^ 
Jc chronoiogica, e histórica inente nos fazer o fiel e mi- 
nucioso itinerário, que levou D.Áfíon^o Henriques des- 
de o ponto de partida, d^onde marchara, até dár o comr 
bate em Campo de Ourique? Está, bem livre de apre- 
sentar este documental fenómeno na campo da historia! 
Pois sem apresentar authentico documento, que reze dqji 
dias, peto.meKK>s, que gastara í). Affonso Henriques na 
sua cxpedigâo; ningnem que leaha lume no olho ha dê 
cahir na endromina de acreditar na tal marcha rop(2(z 
da lbn-Err\í (D. Affonso Henriques), que a romântica 
forja do escríptor ideara, e produzira! — Porém não fi« 
quemos ainda aqui. A historia em nada dá apoio á 
imaginada marcha rápida, Fallando desta marcha, eis- 
aqut o que refere o grande cistercieose D. Pr. António 
Brandão na Monarchia Lusitana : » Peitas as prepara- 
» QÕes necessárias partío o exercito CbcistSo da Cidi^de 

(1) Hist« de Portos, tom. U^ pag. S26. 

5 m 



— 68 — 

>9 de CoímbrAy aonde se ajuntaram ry (I). Pela hittoriâ 
é pois evidente que o ponto de partida do exercito 
christão, com mandado por D. Affonso Henriques^ fora 
Coimbra, aonde pois se reunira. — Em que mez, e em 
que dia começara a sua marcha de Coimbra o exercito 
Chrístâo? Inteiramente se ignora. Ora sem este dado 
essencialissimo; como se poderá capitular áe rápida a 
marcha de D. A Afonso Flenriques? De nenhuota sorte. 
fiL historia pois com o seu profundo silencio einlá neste, 
eem similhanles casos perfeitamente condemnando tcxia 
aquella ilInçSo, que se haja de fundar em bases, que 
ella não subministra. Uma delias é a illaçSo do fanta- 
sioso historiogrnpho !... 

Porém que digo eu? A historia offerece dados pn- 
táj como incontroversamente mais provados, tirar a il* 
ibçSo opposta. Na verdade, se é certo, como refere a 
Vhronica de D. Affonso Henriques, escripta por i>uar« 
te Galvão, que o referido Monarcha se demorara só a/- 
guns dias cm Coimbra (S), aonde se fizeram a$ prepara* 
çôes necessárias para a guerra, e estas preparaçâet já em 
Maio de 1139 se faziam, como o Historiador que refu- 
tamos confessa, fundado na Doação do CavalleirO| fei- 
ta ao Mosteiro de Pendorada (3); é bem para acreditar 
que aquella marcha está bem longe de ser qualificada 
com o epítheto de rápida. Certamente, se é provável 
que o Cavatleiro, que fez a Doação ao Mo»te{ro de 
Pendorada, com data de 18 de Maio de 1139, nSo se 
devia demorar em se ir reunir ágcnic que o Rei ajunta* 
ra cm Coimbra^ eeste %6 esteve nesta cidade algnntAas 
antes de par/ir, é claro, que ; mesmo abatidos etset oA 

funs diasy tomados pelo mais alto calculo; ainda attim, 
ca assas longo espaço de tempo até S5 de Julhoj em 
t]ue se dera a Batalha de Ourique, para com probabi- 



í 



1) Tom. ».o fultiv 117. 

{2) » Depoi* qae h» Príncipe D. Affoaso Aiiríquei t^rnon de ga- 
99 ahar Lejrria e Torres novas, esteve em Gntnbra ulguns dias^ e.... 
99 ouve conselho com hos seus de raieV guerra nas terras de Alente* 
M jo,"espécialmeute na Comarqua de Campo Douriqne. B tanto qoe 
99 juntou e teve sua gente prestes^ partio de Coimbra* n ( Cep. 12| 
16). 
Hist* de Portug. tom. 1/ pag, 3^4, 



''^) 



— 6» — 

lidade se conjecturar uma bem vagarosa, e não rapkda 
marcha (1). 

Alén d'*ísto, olhando para a marcha em si me^ma^ 
ha circurnslancias históricas, que eaiinentemente mos- 
tram que 4*lla nâo podia ser rajAda. A historia sim nos 
informa que D. Affonso Henriques não poupara á de« 
vasLaçao e ao saque d^aquellas terras dos Alguros por 
onde ia transitando, até chegar ao premeditado ponto 
do Alemtejo. Eralhe Indispensável assim praticar, tan- 
to para sustenliir, e enriquecer o seu exercito com a pi- 
lhagem, como para enfraquecer as forças do inimigo. 
Esta estratégia porém mal se compadece com a marcha 
rápida^ que se pretende inculcar!... Poderiamos igual- 
mente accrescentar, como rémora, ou contrapelo contra 
a fantasiada rajnde% da mesma marcha^ a morte de Egas 
Moniz, acontecida, segundo alguns, n poucas Jornada$ no 
Campo Dottrujue (S), e as honras fúnebres (3) prestadas 
pelo JVIonarcha aos restos mortaes do seu bom Aio, que 
nâo podiam realizar-se por via de regra sem suspender 
por algum dia, ou dias, a marcha; salvo se se quer fu- 
zer andar o exercito de D. Affonso Henriques de caU 
axts destemperadas !,,M 

Alas para que é tanto irem argumentativo? Temos 



(1) Já fiieniM ver que a Hoai^no ( al1efr«<la pelo tiistorioKrapbo ) 
«1e D. Affonso Henríquet feita a Monio Giiimam, roín data de Jtf 
llio de 1139« nSo prova que o exercito portuf^ties marckane para o 
Meio dia na entr-ada deste mez, conforme «e «ffirma na Historia de 
Portugal, (Tomo 1.^ pag. 324) — A{;ora diremos, a propósito, que 
ainda qnando a doa«;ao o provasse, nnnca de tal doramento se pode- 
ria roncluir qne «qnelle txerrito partira de Coimlira no menciona» 
dn mei.-^ O documento só nos mostra que o Rei Já se achava em 
marcha (indo para ofottado de Ladera) quando foi feito ; sem nos 
indicar os dlas^.qne.Ja tinha de jornada, ou por ventura estado em 
algnroa terra depois de fMrtir á testa do sen exército de Coimbm* 
A nossa opinião contra a rápida nwrcka é por tanto (sem que o do* 
cumento lhe sirva de estorvo) a única sustentaveit 

(2) Corotúea d^fUrey J9. Aff»n%o AnHques^ por Duarte Galvão. 
rap. 12. 

(<() Coronyfua dos Reis de Portugal por Chrisiowío Modrigret 
Acenheiro, tom. 5.^ do<! inéditos da Araclemia, pag. 21. Sal>emos to» 
davia que António Brandão e a torrente dos esrriptores dep«»is dei* 
le sej^uem que Rgas Monii ainda se achara na Batalha de Ourique^ 
e vivera alguns annos depois delln. Fira pois a ohjec(;ao por conta e 
risco d^uquelle» dois citados Cbroni»tus, 



— 70 — 

peloi mesmos princípios do historiador, a quem a Pr(h 
vidência illuminou (são expressões deite) com um raio 
da inldlisenda eterna, refutada a idéa original da tnar^' 
cha rápida! Sim, o historiador admille e segue que o 
exercito portugue% marchot^ para o mino-dia na entrada 
de julho (l). Ora sendo isto assim, segue^se que a mar* 
cha até Ourique devia necessariamente durar vinte e 
lantás dias. Pislribuindo agora pois estes vinte e tantos 
dias por setenta e quatro léguas, pouco mais ou menos, 
(que é a distancia que vai de Coimbra a Campo de 
Ourique) fica evidentíssimo que a marcha do exército 
de D. Afibnso Henriques até o indicado termo está mui 
longe de se poder designar com a qualificaQSo de ra^ 
jAda. 

Agora faremos ver que afnda admittida a falsa by^ 
pothese da marcha rápida de Ibn-Errik, que nós conher 
cemos pelo nome de D. Afibnso Henriques ; ainda as- 
sim, Ismario tivera tempo de sobejo para invocar aua^ 
alheio a fim de engrossar o seu exercito. B quem se 
atrever^ ^ pôr em duvida esta asserção? Ninguém que 
tiver lido as historias; uma vez que não queira vender 
como se foram meras realidades o que não é maít que 
pútrida e mefítica iguaria romântica! -r- As historias 
pois nos referem que Ismario, longe de ignorar a tenta- 
tiva de D. Afibnso Henriques, tivera. ao contrario sido 
prevenido com a noticia dos preparativos da guerra qiie 
se lhe pertendia fazer, como depois o fora com a da sua 
execução. Eis-aqui o que historia o cisterciense D. Fr, 
António Brandão na Monarchia Lusitana : » Tinham 
J9 chegado as nova» da preparação deita guerra ^ t depois 
9> da execução delia a Ismario, Rey poderoso dos Arfh 
99 bes, o qual cuidadoso do perigo que o àmeaç^Tàj a- 
» juntara um numeroso ei^ercito de Mouros Andaluies 
99 e Africanos, em o qual avia mais quatro Reys^ e tão 
" grande multidão de soldados^ que autores graves che^ 
99 gão seu numero a quatrocentos mil combatentes» (t)» 
— Ora se I«mario leve novas da preparação da guerra, 
que lhe pretendia fa^er P. Afibnso tienriqueSi e por 

(1) Hi»f. «te Porf. tom. í.^ pe*. 324. 

(2) Tpni. 30 L. X rap. !.«> foi. Iir. 



— 7< — 

18IO cuidadoso do perigo que o ^tnetkqsíxa^ ajuniáraum 
numeroso exercilo^ em cujo complexo expre&iamenle se 
com prebendem Agouros j^fricanoêj cpm que veio {»z*if 
frenie ao exercito Chri»tâo; como se pôde asseverar qiw? 
o chefe sarraceno; em ra^âo da morcha rápida , áe Ibo*- 
Errik diffiálmenU consentir delonguei p3b poderá tnvor 
cor QuatlioQlheu)? Acaso o% Aíourçs ^friçanosy pclom^ 
nos, não deveram ser ijdos. mi çlasso: dct Qi^U> aHieiQJl 
Todo o muodo ha de, e deve entender por ippcorrp^o^ 
aua:H%o alheio todo ^quelle auxiIiO| que viera depaizdjr 
\ei%à d^aquelle em, que se praficaa giierta^ & neslft 
sentido que o historiador, qqe qllude. especialmente i 
pâo possibilidade dos Almoravidcs obterem soccorro du 
Africa, tpma: a palavra, alheio, como evidenlemfínte se 
coUige do cooteúdo da sua Obra; (l)^nan[| elle se alrcr 
verá a nega l-o. Temos portanto o historiador positiva- 
mente desmentido!.... Certarnente; se elle imagina a 
marcha rqpvpla de D. AíTonso Henriques como causal 
de Ismario nãp poder invocar atixítio alháo^ e de facto 
a historia, faz menção deste auxilio (como já vimo8r,.<s 
continuaremos a ver), é claro que aquella supposi^a 
marcha rápida o não embaraçou <ú o tnxjocary como jnr 
ci]4ca o escriptor, que refutamos. 

Porém a causal dasupposta marcha raptda ainda se 
destroe por outro fundamento dedusido da mesma faisior 
ria. £^ certo, segundo esta, que hmario tivera novai da 
preparação da guerra, que lhe movia D. Aífooso Hen«> 
rjques (S). K^ certo também que esta preparação, ou 
preparativo» desta expedição, segundo mesmo o novel 
historiador, ;a $e fo%iam em maio de 1139 (3)^ Conhe^ 
cendo pois Ismario o% preparativos^ que se faziam eonijra 
elle, eachando se começados estes já em mato de 1139; 
por veotujra não teria 'elle tempo de sobejo pa/a invoair 
auxilio alheio até Sôi de Julho, em que se dera o com* 
bate em Campo de Quriqiie ; embora tombem a «iinr* 
cha de lbn^£rrikfQsãerapidat'^ Seguoda o Documento já 



(1) Hist. de PorI tom. 1.» pa^:. Z'iô. 

(2) Moiinrrh Lii^t. tjuin. 3 ^ L. \, rap. !.<>. 

(3) llht. de Port. tom. 1.» pag. 3:?4. 



— 72 — 

citado (1) de uma DoaçSo feita por um Cavalleiro ao Moi« 
teiro de Pendorada coQ»ta que nqueiles preparaiwo$ do 
príncipe ChristSo contra os Sarracenos já se faziam em 
18 do referido mez. Ora nao sendo impossível, antes 
provável que já por esse temfK) o soubesse Ismario; te- 
've este por conseguinte mais de dois mezes para prepa* 
rar*se. *— E nSo teria elle tempo bastante para invocar 
auxilio alháOf mandando^o vir mesmo da Africa? Nin* 
guem o ba de contradizer. — Note-se que no armistício, 
que os Sarracenos cercados em Aurélia (annode*1139) pro* 
pozeram a D. Aflbnso VII, pediram tamsóment« o es- 
paço de um mez para enmarem mensagáros até metmo 
á Africa eoutras partes, afim de d^ahi conduzirem too» 
corros; sujeilando-se a renderem-se dentro do tnetino 
período, se nfto fossem soccorrídos, como na realidade 
nao foram. O próprio historiador portuguez faz mençlo 
do facto em sua Obra ; nâo o pôde pois n^^gar (^}. San« 
do isto assim como é que se pôde negar a Ismarlo tem- 
po mais que sufficíente para conduzir sorcorro alheio até 
da Africa (nao obstante a marcha rápida de Tbn^Errik^ 
que em these se concede ), quando aquelles seus corre* 
ligionarios se contentaram, para Igual efleito, unica- 
mente com um mez? O argumento expendido é d*a- 
quelies que nas Escolas se chamam à/or/ia»*i. A tnar- 
cha rápida por tanto de D. Afonso Henriques, quando 
ella fosse uma realidade, considerada como impedimen* 
to dirimente para estorvar que os Sarracenos conseguis* 
sem arranjar auanlio alheio^ é de uma nullidade em bis« 
toria altamente insanável!... 

Com eífeito a historia nada disse de uma tal mar* 
cha rápida^ e muito menos que ella servisse de estorvo 

Íara invocar aiuúlio alháo ; pelo contrario representa t 
smarío prevenido e disposto a atacar o seu adversário, 
caso o |X)desse encontrar em algum logar desapercebido 
e incauto. ^ Ille namque Rex Sarracenorum cognita 
» %írtute etaudacia Kegis DomniAlfonsi etvidens eum 
» frequenler intrare in terram Sarracenorum et deproe- 
» dati, nimiumque obterere eam regíonem, voluit si 

(1) V. Diísert. Chronol. Tom. .3 » Parte 1.» pug. 116 ele, 

(2) Hisl. de Portug. lom. l.« ptg. 322. 



jí facere possU ut eutn iocaulum ei imparatuin alicuUi 
99 ínveoirel, ul ctim eo gereiet bellom» (1). £*a Chro^ 
nica dúi Ghdog^ a qual com mais raxfto chamam Chro* 
nhca Luniana^ que assim se exprime. -:- E* de advertif 
ttioda que oa hjr pothese da marcha rápida é for^joso con* 
cluir que D. Âfionso Henriques preleuderia com ella 
surprebeoder a Ismario. A historia porém bem aocpotrario 
fiada absolutamente fallaudo d^aquella imagioaria tnar» 
cha rafÀcUíf tamsómeote reveste a Ismario com o cara» 
cter de wwrprchtndedor. Por tanto a tal decantada mar» 
cha rajnda^ como elemento ou embeleco indisputável* 
tnente heterogéneo, e intruso^ deve para sempre ir caU 
curriaodo, e sem demora, das avenidas da Historia de Por* 
iugal, aonde falsa e ignorantemente a encaixaram !<•• • 
Passaremos agora em continente a discutir^ como 
«m legar próprio : Se os Sarracenos invocaram e tíve^ 
Tam, ou não, auxilto oiAeio, quando se bateram em 
Campo de Ourique ? — O aulhor da Historia de Portugal 
insistindo em sua tenax e systematica negativa condue ; 
n Assim era necessário que (os Almoravides que vieram 
bater*se em Campo de Ourique ) » em si próprios bus» 
99 cassem recursos para cortarem o passo aos christSos» 
f> servindo-se unicamente das forças que, partindo para 
9f a Africa, lhes deixara Tach&n n (3). fi* porém ferr 
dade que os Sarracenos buscassem rectirsos cm Apro* 
prioB para cortarem o pano ao$ c&rts/oos, temiicb-se is» 
nicamcnle das forças que lhes deixara Tachfen qíumdo 
partiu para a jlfrica? EV falsissimo. Vamos a eviden* 
4:ial-o contra a íosultante e acintosa pequice do author 
da Historia de Poitugal, que por todas as vias e formas 
procura diminuir o numero dos combatentes no exercito 
dos Sarracenos para deprimir a grandexa da Batalha de 
Ourique, £* a Historia, qual sim sempre foi olhada pelos 
jntellígentes delia, que mui solemnemente falia, e se 
pronuncia contra toda essa fantasmagoria romanticai 
que tem a impudência e arrojo de vir desmentir a vera« 
cidade demonstrada dos&ctos, arvòrando*se com faifao» 



(1) Acha %e no \.^ Appeadice da 3 * Parte da MonartHa LuA* 
tana, 

{2} Híst. de Portng tom. 1.® pag. 326. 



te orgulho, etti udioo e excluBÍia entidade liifttorica» — - 
E^ o erudUissimo André de BcLcndc^ que vetn á frente 
xttnKir o fahificador, o Irffnstornador histórico. > liiquie- 
i» lado, di% elle, Jsmtrio, Rei de grande parle dá* Afri« 
9» ca, e da Andaluxia, com tal noticia (das l»rai^uras 
n de D. Afiorno Henrttfoee;}^ dònvocadoi oUtras^quáiro 
)9 Keíêy reunio um tSo. grande numero :de tfopat tf|Blo 
9> da Africa, como de tcãa a Hespailha tillerior, que o 
9} sen exército passava de quatrocentos mil;lioBieoft. » 
» Quarecommotus Ismaiius, magnsB partis /Lfric#^ Ber 
y> ticseque Rex, contocatís quatuor aliis Regtbus, Iam 
9> ex Africa, quam ex tola iilteriore Hispânia, tantas 
» congregatit copias, ut millia quadringenta eierciiiis 
9 superarei n (l).: — Siga-se agora* o grande Oratoria- 
no Pereira de Figuisiredo, que, de saber é, em teus E- 
logios dos Reis de Portugal, vetes houve em que ee ex* 
primiu pe]as mesmíssimas palavras do latiníssimo £0» 
%€nãt. Úiz eile: 99 Anno igilur MCXXXiX Isnaríus 
99 potenlíssimus Sarracenorum Rex, immenso ex Africa 
n et ulteriori Hispânia collecto exercitu, adjuaeiitque 
9 síbí quatuor alik R^gibus fn Alphonsum properabal 
1^ sperans circumdusum tanta multitudine facile oppri- 
n mi pone. 9» Em linguagem : » No anno pois do 1139 
» Ismar poteatissimo Rei da Mouramn, tendo-se oon* 
9 federado com onlfos quatro da mesma Seita^ ajtnllou 
n um exercito immenso recrutado parte dns ProTioeias 
I» d* Africa, parte da Hespanha ulterior : e eom elle 
9 marchava contra o Príncipe D. Affonso, na esperança 
9 de que cercado elle por Iodas as parles de uma lama^ 
» nha multidão, facilmente seria opprimido, edesfèttoii 
(9) A estes testemunhos accrescenle^se aquillo qu» em 
nosfios dias, reprodutindo^ o que refere a Chrontca dns 
Godt)s, escrevera o Doutor Éeyirufvic Sckeffeak ira Histo- 
ria de Portugal : n A* nora doesta nggresftâo Wáli Js- 
p mar, rcune todas as tropas, que elle tinha coadaiide 
n com«igo> da Africa, e tndot os guerreiros dos territo- 
li lios de Sevilha, Badajpt, Elvas, Évora, Beja e de 



(1) Liv. 4. pcp 267, tom. I. 

(2) Klog. pag. li e 15. . . 



—78 — 

» todas as praças fortificadas «té Santarém etc. » (!)• 
Ora se pelos passos^ ou como hoje úlÉeim^ trechos. 4fW 
íicam fielmente cc^iados e conferidos ' com as originaes 
respectivos, forçosamenlé se pateiitéa' q^e ô' exercito de 
Ismario não só se compunha de tropas de Mouros exis* 
tentes em «Hespanha, mas também em Africa, que elle 
recruiaroy reuntrú, e conmgò â^úJú ífi^ojerài como s6 
f)oderá com verdade àssevei^r que os Sarracenos para 
cortar* o patio aos Chrtifoot, enl t^Ampo de Ourique^ 
untcamenlcie serram dm forfàSj çtie, pai^ifiáe para ã 
í^fricúj lhe% úáxàra TackfinT Vot vcniUra nío" é^rtsivel 
e mais que visível, segundo o fadio liiminoso da Msto 
ria, que o chefe dos Sarracenos apresentara èm comba* 
te contra D. Affonsò Henrique» mà is forças que «q«fet^ 
las, que lhe deixara Tackfinj quando 'pi^tíra pára a A* 
#ríca 1 Quem o poderá duvidar, por inaís tenafi e cabe* 
igudo que seja, ou affecte ser contra a lut irresístrirel dst 
verdade?.... Por certo que as forças, que Ismario rtcirur 
iáray reunira^ e trouxera comágo das provindas da A- 
frica, não poderio de modo algum entrar em o numero 
d^aauelias que Táchfin lhe deixara na Península, quan* 
do oella se retirara. Temos por tanto qtie os Sarracenos 
se serviram na mencionada Batalha dé sorcorro alheio 
ou de fora das terras da Hespanhar; o que o decantado 
ilistoriographo com antha e cAthegorica ignorância, pe- 
lo menos, viera negar. — Esta asi^efção hinorica, que 
sustentámos contra tão falso ediisparòiado absurdo, é a 
mesma que se acha pronunciada pela boca do ihàts an- 
tigo Chronista de D. A ffonaò Henriques nbstes termlMS 
•) Pelo qual ouve £lrey IsmiEir muita (gente^ éià siia 
« ajuda de Mouros d^aquem, e d^álém mar c outras 
» gentes barbarás » (f). Por sem d^tMáqúe pessoa al- 
guma ha de admítlir em as abobadas de seir beétunto, 
por mais baixas e achatadas que ellas sim se imagi- 
nem, que os Mouro» (Talem mar, que ouve Rlrey Is- 
mnr em sua ajuda ^ prescindtiído. já d^s <^^f*ns genfes 
barbaras^ se possam ou devam incluir no rol d^aquelles 



(1) Piig. «7efl8. 

(2) Duarte GatvSo ctc. Cap. 13. paç* ^^^ 



N 



— Tff — 

comlHitenles que TâchBo deixara ficari quando se leli- 
rou, na Peninsula !..• 

Porém a hiitoria^ le aiDda mais se analjsa, mab 
ainda mostra em ponto mais elevado e eminente a cu» 
pula, ocorucbeo daigaononcia doestropiador/rcmeficto.r. 
Gomo assim? Escutem; que o caso merece l>em ubíi — 
favcte linguiê ! Sim ; a historia nos ensina que Tachfin 
já depois de se retirar da Hespanba, enviara de Marro- 
cos, para soccorrer Oreja (Aurélia), aos Sarracenos, 
•em fallar no tão provido comboy de todo o fenero de 
viveres, um grande exercito de Al oabitas e Aralies. £* 
a Cbroníca. de D. Affonso VII, que o refere por estas 
expressões i s» Et vcait illís in auxilium atius exercitus 
n magnus Moabitarum, et Arabum, quosmisit eis Res 
» T-exu(iaus de Marrocos » (1). -— Isto mesmo quasi 
lepete a Historia Universal por uma Sociedade de Lit* 
teratos: » Ceux-cí (les Alcaydes de Cordoue ei de Se- 
» ville) donbereat aussitòt avis au Roi Taxefin de ce 
» qui se passoít: il envoya promptemeni un grand con* 
fí voí de vivres, etun hon corps de troUpes de renforl.» 
(€). Deste facto incontestável evidentemente se dedu- 
xem dois corolários, que completamenter contrastam a 
falsidade do bistoriogiapbo antagonista. 1.^ Que os Sar- 
racenos da Peninsula com aquella poderosa ajuda, irece* 
bida tempo antes do combate de Ourique (8), ficaram 
muito mais fortes e valentes para se baterem no caoBpo 
do que estavam, quando Tarhfin partira de Hetpanha. 
S.^ Que não é de maneira alguma acreditável qoe os 
Sarracenos, tendo ásua disposição um soccorro tfto con« 
iideravel, viessem, prescindindo delle, cwiar opagêoaoi 
Chriêtâos, servindo-êe unicamente das forçai que lhe dá- 
seara Tachfin^ quando par lira para a Africa. 

Ouça-se agora a rerreras na Historia de Heipanba 



(1) Vej. Etpana Sagrada, tom. 21, pag. 376, ^ 68. 

(2) Tom. 28, Hht. d^Espagne etc. pag. 231. 

(3) O rerr# ée Oreja ( Aurélia ) tove rome<;o no mes de Abril de 
J139; tendo bem para acreditar que oiorcorro, que Tachfin lhe en* 
tiara de Marrocos, se realíiara nSo muito depoiv; e por roii»ef;uin- 
te rom maoife»fa anticipai^no á Batalha de Ourique. O conteúdo da 
rhronica de D Affbtiso VII assát encamiuba a este pentar* ( Cbro* 
iiira de D. AíTuudu VII ( 67 e 6U). 



— 77 — 

em confirmação dé^ttido oque aMeTérámoa: » Cl Príni 
9) cipe dePortugnl Oon A lomo' Enriques, d^seando por 
^9 su parte cpntribuir con stt» armiis à la exptiUkMi de 
» los Aiabomeiiiiios, y dílaiacioade Ia Fe, junto m 
»^eQte para hacer una entrada «n Io» tierra« comarca^ 
99 nas do ellos. Co» etita notícia los Alcaide» de Badai» 
9> jo2, Elvas, Evorn, Beja, y otras partes, junlaron to* 
» da su gente, haciendo tomar las armas à todos. Jun- 
99 taronse con Ysmar ( que crecmos havia venido de 
99 iVIarruecos con la gente que havia embiado el Key 
99 Texeíín, para el socorro de Oreja ), para hacer frente 
99 à el Príncipe Oon Alonso, que ve havia entrado muy 
99 dentro de el Alentejo, talando, y saqueando todo el 
99 pais 99 (I). — Ouça»se também o que escreveram os 
Aulhores da Historia Universal, traduzida do inglez 
para a lingua francesa por uma Sociedade de Littera* 
tos : 99 Les progrès des Chretiens en Portugal étant par- 
99 vénus aux oreilles dWbn AU Texefin, Roi de Ma- 
99 roc, il chargea Ismar, ou Ismael, son Lieutenant en 
99 £spagne, d^assembler toutes les^forces des Provinces 
99 meridionales, et de contraindre les Chretiens de re- 
99 passer le Douro. Ismar ordonna aux Alcaydes de Ba* 
9 dajoz, d^Elvas, d^ Évora, et de Beja d^assembler les 
99 Troupes de leurs gouvernemens, el le$ ayani réikn%c$ 
99 aux Troupes venues <V Afrique^ il forma une ttès aom* 
99 breuse Armée 99 (Vj. 

A* vista destas e outras authoridades, que aqui po- 
deríamos trasladar, é por ventura tolerável, que era 
nossos dias appareça um hisioriador, que, com o fim de 
todas as maneiras menospreciar a grandiosa Batalha de 
Ourique, de»peitosa, e mui ousadamente escrevesse que 
os Sarracenos para cortar o passo aos Ckrisiâos se servi* 
ram unicamente das forças^ qiiie lhes deirÁra Tachfin^ 
quando partira para a Africa T Se n£o se adiasse esccí- 
pto tão alentado destempero em mui legíveis caraciereA 
typographicos para eterna aíTronta de seu Autbor; iodo 
o mundo julgaria ser um archi*extra vagante sonho 1-^ 



(^1 



(1) Tom. 5.0 pag. a07, n. 0. 

Tom. 29. Ilist. de Purtug. pv^* ^^1< 



— 78 



SxtermiDe^sc ppú dosdomioiot augustos dabUloria, de- 
Imixo da mais eslrepilosa esusteniada calcaobadá^ e até 
mesnây se quiíereni, com Irovejanles arpejos de apupo, 
iSo tremenda e alcantilada bnlcoriiada I.... CSdrra-se po- 
réflujá aqui opasoo^e dè^^epor findo oacto^para pat* 
tarmOs á QoarlarParle da nossa já delineada Obra. 



- .* • i:,.M:: 



. t 



>• ■ ■ .M 



1- ■ •■ .1 



• i • I ) ' 



' ■ » 



. I . 



FIX DA. TEBCKIRA PARTE. 



' ' • ' * • 



• • « 



< • 






«I 



^ ) 



t ã 



i i 



4 i I » 



A BATALHA DE OHIQH 



BB 

A. HfiRCIJSiJLiVO. 

(obra dividida em seis fartes) 

AUTHOR 



«VABTA PAKTS. 



YeriUt odluao parit. 
Tbb. 



■••^^ 



Rum dot C«pellittu n.^ 62. 

1899> 






DP 



•■»; ^ 



PRC:iiVDIO« 



jnLssáft temos já levado a eífeilo uma longa rota^ ou 
derrota aoalytica. *-* Assas temos deixado exposto ao 
soalho da evideacia com todos os andrajos, que aembo» 
nicavam, essa recua audax de absurdos einepcias de alto 
e esgalgado eólio, com que ocalhegorico Author daHis» 
toría de Portugal, emboldriou os Pastos gloriosos do seu 
paiz, levado da mira e risivel íotcnto de dar mortal xa* 
que ao primeiro feito monumental da nação portugue* 
za.— Não tem sido pequena a laboriosa, e impertinen* 
te tarefa, A matéria está porém bem longe de se dar 
por esgotada. Temos, é verdade, destruido, e concul- 
cado aos pés, no estádio da argumentação, já não pou- 
cos espinhos, que a enfatuada e orgulhosa innovação ti- 
vera transplantado do hórrido matagal da ignorância, e 
illusão para suíTocar e reduzir ao ultimo definhamento 
uma das mais lindas e viçosas flores, que a erudição e 
a critica de todos os tempos, tem com todo o mimo, e 
primor agricultado no campo histórico deste paiz. Ha 
ainda todavia cardos t abrolhos de tópt e grenha irri^ap 

1 • 



^Ç4~ 

te ofgulho, eth .umioft e exclusiva enlidade liíslorica, -^ 
E* oertidtlisdimo André dt Re^tnde^ <}ub vet» á frcnle 
t>áH\t o fàhlfieador^ o Iranitornador bislorieo. ^ Inquie- 
* lado, dfe elle,-Ifmârio, R«i de grande parte déA£ri« 
ff ca, d da Andaluzia, com ial notícia i( das iiraVurat 
^ ide D. Afíomo Henri<|oei$)^ dònvocado^ otÀrosiqaáiro 
i9 KéH, reunio u«n tSo. grande numero :de ifopat Iqnio 
» da Africa,' comode toda< a Hespatlha 'tillevior, que.o 
n sen exército paisava de <)uatfôcentot milchiòmen». » 
5b^ Qxia re«ommolus Ismarius, >tnagns partis ^fricièj Ber 
n lic»que Rex, con^ocatis qualuc^ aliis Kegibus, tam 
9^ ex Africa, quam ex tol»>iulterior4! Hi^paniia, laniat 
»congre^aTÍt- copias, ut 'inillia. quaddngenta exeroiiiit 
9 «uperaret » (1);-^ Siga^e agora- o grande Oratoria- 
Ao' Pereira de Figueiredo, que^> de. saber é, em seus E- 
logtos dos Beis 4de Portugal, vetes houve em <|ue se ex* 
jírtmiu pelas mesmíssimas páiavras do latiníssimo Me^ 
têndê. Diz eile: w Anno igitur MCXXXIX Isnaríus 
i9 poteniíssimus Sarracenorum Kex, immenso ex Africa 
n el ulterior! HisjMiniá colledo exercitu^ adjtifielisique 
^ sibf quatuor alik Riegibus fn Alphonsum properabat 
m »perans circumdusumaiuirta mulliludine faciie oppri<- 
n mi ponê^ s» Em linguagem : f> No anno poià de 11S9 
» ismar poieatissimo Rei dá Mourama^ tendo-se oon- 
s» federado com outim quatro da mesma Seita^ ajuritou 
n ntn exercito, immenso' recrutado parte das Proviucias 
I» d* Africa, parte da Hespanha ulterior: e com elle 
» marchava contra o Pri«cipe>D. Affonso, na • esperança 
» de que cefcado elle por Iodas- as partes de uma tamcip- 
»■ nba multidSoj facilmeqte sorià opprimído, edesfeitoJ» 
{1t) A estes testemunhos arcaescente-ise aquillo qu« osb 
nosftos diai, 'reproduzittc)o<{ o que refere a Chronica dos 
(iodos, escrevera q Doutor Á^urtçtfe Sckeffa^ na HisK> 
fia de Portugal i n A^ nova doesta aggres»So Wáli Js- 
p mar, reuive todas as tropas, que elle tinha cooduiido 
» com^igo* da Africa^ e tndos os guerreiros dos terrilo- 
-» rios de Sevilha^ Badajpe, Elvas, Évora, Beja a de 



(1) Liv. 4. po|r 267, lom. I. 



(2) Klog. p*ig. li e \5.^, 



o ' ! ■ ' ■••• .-i 



—78 — 

99 todas as praças fortificadas até Santarém He* f> (!)• 
Ora se pelos passos, ou como hoje diielii^ Irecbw. 4fÊm 
Acam fielmente copiados e conferidos ' eom- ds erigi naes 
respectivos, forçosamente se patenléa qae ô exercito de 
Ismario não só se compunha de tropas de Mouros exii* 
lentes em JHespanha, mas também em Africa, qtie elte 
rccnúatQ^ reufára^ e comtijgo éTalá ircuaxrai como s6 
fxxierá com verdade ássevertir que os Sarracenos pam 
éDoríar* o pasio ao» ChrittSoij eih Campo de Ourique^ 
untcftfnenlc' se ietmrarH âtn forfà»^ çue, foflhtàe fora ^ 
l/éfrica^ lhes detoâra Tad^f Por tenltorá nlo" é^vlsifel 
e mais que ifislvel, segundo o fadió lilmittoso da llfsto» 
ria, que o chefe dos Sarraèenos apresèntíira èm comba;* 
te contra D. Affonso Henrique» méis forças que aq«et^ 
las, que lhe deixara Taekjhj quando partira para a A* 
frica? Quem o poderá dufidar, por mais temes e cabe- 
çudo que seja, ou affecte ser contra a lui irresistirel dm , 
verdade f.... Por certo que as forças, que Ismario recHt* 
tára^ reunira^ e trouxera conuUgo das provindas da A* 
írica, não poderSo de modo algum entrar em o numero 
d^aoiiellas que Tachfrn lhe deixara na Peninsula, quan- 
do oella se relírara. Temos por tanto qiie os Sarraceéos 
se serviram na mencionada Batalha dè soccorro alheio 
ou de fora das terras da Hespftnhaf^ o que o decantada 
Historiographo com aoeha e cáYhegorica ignorância, pe- 
lo menos, viera negar* — - Esta â^efçSo hiaorica, que 
sustentámos contra tão falso edispérÀiado absurdo, é a 
mesma que se acha pronunciada pela boca do miiís an- 
tigo Cbronista de D. AfTonso Henriques nfcstes termlHt 

i> Pelo qual ouve Elreylsmar muita ■(g*''**^ ^■'* ■''• 
^ ajuda de Mouros d^aquem, é d^além mar «outras 
» gentes barbaras » (í). Por sem d^tfdá qiie pessoa al- 
guma ha de admittir em as abobadas de sevt beètunto, 
por mais baixas e achatadas que ellas sim se imagi- 
nem, que os Mouros d*alem wnr, que ouve Klrey Is- 
mnr em sua ajuda, prescindindo Já das outras gentes 
barbaras, se possam ou devam incluir no rol 4*aquelles 



(t) Piíg. «Tens. 

(2) Duarte Galvio ctc. Cap. 13. paç* 17. 



\ 



— 7» — 

comlmienles que TíichAo deixara ficar, quando ^é felK 
tau, na Península l... 

Porém a historia, le ainda mais se analyza, mais 
ainda mostra em ppnlo mais elevado e eminente a cú- 
pula, ocorucbfH> daignoroncia do eslropiador /remendo. r. 
Gomo assim? Escutem; que o caso merece bem um -^ 
favcte Itngun! Sim; a historia nos ensina que Tachfin 
já depois de te retirar da Hespanha, enviara de Marro» 
cos, para soccorrer Ori^ja (Aurélia), aos Sarracenos, 
•em fallar no tao provido comboy de todo o \genefo de 
víveres, um grande exercito de Afoabitas e Aralies. £* 
a Chronica. de D. Affonso VII, que o refere por estas 
ea^pressôes : » Et vcait iilis ín auxilium alius exercitut 
n magnus Ailoabitarum^ et Arabum, quosmísit eis Rex 
i9;Xexufinus de Marrocos » (1). — . Isto mesmo quasi 
yepete a Historia Universal por uma Sociedade de Lit« 
|«ratos: 99 Ceux-cí (les Alcaydes de Cordoue ei de Se- 
» ville) donberent aussitòl avis au Roi Taxeiín de ce 
99 quí se passoit : il envoya promptemenl un grand con* 
n voí de vivres, etun lK>n corps de troUpes de renfort«i» 
(€)• Deste facto incontestável evidentemente se dedu- 
jMim dois corolários, que completamenter contrastam a 
falsidade do hiatoriogiapbo antagonista. 1.^ Que osSar* 
racenos da Península com aquella poderosa ajuda, rece* 
bida tempo antes do combate de Ourique (3), ficaram 
multo mais fortes e valentes para se baterem no campo 
do que estavam, quando Tachfin partira de Hespanha. 
%.^ Que nSo é de maneira alguma acreditável que os 
Sarracenos, tendo á sua disposição um soccorro tfto coo* 
iideravel, viessem, prescindindo delle, cwtar opaaoaoi 
jChriêtâos^ ãervindo-ãe unicamente daiforçtn que lhe cíei- 
seàra Tachfin^ quando partira para a Africa, 

Ouça-se agora a Ferreras na Historia de Hespanha 



it) VeJ. Rtpan^ Sagrada, tom. 21, pag. 376, ^ 68. 

(2) Tom. 28, HUt. d^Espagne ele. pag. 231. 

(3) O rere» êe Oreja ( Aurélia ) teve rome<;o no met de Abril jte 
]139; sendo bem para acreditar que osorrorro, que Tachfin lhe en- 
viara de Marrocos, se realiiira nSo muito depoiit; e por conseguiu- 
te rom manifesta anticipaçno á Batalha de Ourique. O conteúdo dn 
rhrunica de D Affonso VII assas encaminha a este pensar. ( Cbro* 
nlra de D. AATun^u VII ( 67 e.6<&). . 



rm oooftrmaçZo de todo oque as8ef«rimos : » BI Prin^ 
9 cipe de Portugal Don Aloiiso Enriquei, deteaudo por 
n su parte ccNitribuir con sus armas à ia expul«iou da 
m los AJaiionieiattos, j dilaiaciou de la Fe, jualò Ml 
» l^ate para hacer uoa ea Irada eu las t terras couiarea* 
99 oas de eftlos. Goa esla noticia los Alcaides de Bada» 
99 jo2. Eivas, Évora, B«*ja, y otras partes, juoiaron to* 
99 da su geole, hacieodo tomar las armas à lodos. Jua- 
» taronse con Ysmar ( que crecmot tiavía veniJo de 
9 iVIarruecos con la gente que havia embiado el liey 
99 Texeíía, para el socorro de Oreja ), para hacer frente 
99 k e\ Príncipe Oon Alonso, que se havia entrado muy 
99 dentro de el Alentejo, talando, y saqueando todo el 
» pais 99 (1). — Ouça»se também o que escreveram os 
Authores da Historia Universal, traduiida do inglei 
para a lingua francesa por uma Sociedade de Littera* 
tos: 99 Les progrès des Chretiens en Portugal étant par« 
» vénus aux oreilles dWbn Ali Texefia, Koi de Ma« 
99 roc, il chargea Ismar, ou Ismael, son Lieutenaal en 
99 Espagne, d^assembler toutes lesforces des Provinces 
99 meridíonales, et de contraindre les Chretiens de re- 
99 passer le Douro. Ismar ordonna aux Alcaydes de Bê* 
9 dajoz, d^Elvas, d' Évora, et de Beja d^assembler les 
99 Troupes de leurs gouvernemens, et les ayant riameê 
99 aux Troupes venues d* Afrique^ il forma une tlès aom« 
V breuse Armée 99 {t). 

A* vista destas e outras authoridados, que aqui po- 
deríamos trasladar, é por ventura tolerável, que em 
nossos dias appareça um historiador, que, com o fim de 
todas as maneiras menospreciar a grandiosa Batalha de 
Ourique, de»peitosa, e mui ousadamente escrevesse que 
os Sarracenos para cortar o passo aos Chrisiãos se serei* 
ram unicamente das forças, que lhes deioiâra Tachfiis^ 
quando partira para a Africa T Se nXo se acfaaMe esccl« 
pio tão alentado destempero em mui legíveis caracteres 
typographicos para eterna aíTronta de seu Auibor; todo 
o mundo julgaria ser um arcbi*extra vagante sonho l—* 



(2) 



(1) Tom. 5.0 Mg. a07, n. 0. 

Tom. 29. Jlist. de Purtug. pv^. Z2l 



— 78 — 

SxtermiDe^sc ppú dosdotníoiot augustos dabUtoria^ de- 
Imixo da mais eslrepilosa fSLSUsteQiada calcaobadá, e até 
ndesnOy se quíiereniyCQin Iroifejanles arpejos de apupo, 
iSo tremenda e alcantilada balcoriíada I.... Còrra-se po 
rén já aqui opaanoy e dè^efwr fiado o> acto, para pas* 
laraiOs áQoaria /Parle da nossa ^ já delineada Obra. 

-..I ;■•■»•:;.?».;'■ f''*' '•■:')• J - ^ *H . ' ." .- " . • 

■ ^ ! - "•.■■■•.■. .:■ ■ . 1. ■ . ;í: . • ■ .' : 1 .'\ ■ . ■ • '■' 

V •• ! ■ * . >.. • • • Í.\ i i.i >....'.}■.. i . : . ■ : ' ' 



-ti'. : ■ . . I 



t ■ 



* I 



FIX DA. TEBCKIRA PARTE. 

* • f ' - ■ * ■ • . . ' .- ■ " ^ . l . • * . ^ • fc * / í ■ * .* ' 



f 



• • • • . . 

• . • - t» • . r - » i i ' , • 



f . 



I 






I 



í . 



; •» < 



•. 1.. • • 






1 

I i . • »\. 



: • t 



1 1 



f 



i 



i I 



A BATALHA BE mm 



& mssMKUtii. 8)1 9«unttâ:& 



BB 



(obra dividida Oá 9£l% TAMTt^) 

AL^mOft 



KA n 



A BATALHA DE OHIQH 



BB 
COBÍTJRAFOSIÇAO €R1TI€<I-1IMVMII€A« 

(obra dividida em seis fartes). 

AUTHOR 



^VJLBTJL PABTK* 



YeriUf odluni parit. 
Tbu. 



mêm 



ÍKA TYPOGRJLPHIA. DB «• »• HAmTXRÍ»* 

Rua doi Capellutai n.^ 62. 

18S9. 



DP 
570 



í»*" 



PREi^vmo. 



jAussás temos já levado a eíTeilo uma longa rota, ou 
derrota aoalytica. -^ Assas temos deixado exposto ao 
soalho da evideacía com todos os andrajos, que aembo» 
nicavam, essa recua audaz de absurdos einepcias de alto 
e esgalgado eólio, com que o^athegorico Author daHis* 
toría de Portugal, emboldriou os Pastos gloriosos do seu 
paiz, levado da mira e risivel intento de dar mortal xa** 
que ao primeiro feito monumental da nação portugue* 
za.— Não tem sido pequena a laboriosa, e impertinen* 
te tarefa. A matéria está porém bem longe de se dar 
por esgotada. Temos, é verdade, destruído, e concuU 
cado aos pés, no estádio da argumentação, já não pou* 
cos espíahos, que a enfatuada e orgulhosa innovação ti- 
vera transplantado do hórrido matagal da ignorância, e 
illusão para sufíocar e reduzir ao ultimo definhamento 
uma das mais lindas e viçosas flores, que a erudição e 
a critica de lodos os tempos, tem com todo o mimo, e 
primor agricultado ao campo histórico dçste paiz. Ha 
oinda todavia cardos e abrolhos de tope e grenha irrlsap 

1 • 



da, e pungente, que é mister roçar com fouce de fio, ei*ór« 
te decepante, que os reduza a estilhas; inutilize, e des- 
trua inteiramente todo o seu apparefȒe vigor. Falto me- 
laphoricamente, como todos entendem, para indicar o 
gráo dcnuUidade, edespiezo, a que a inépcia delmíxo do 
pezo da prensa hydrauHca de uma inílexive) dlaleclíci^ 
deve ficar reduzida. De tantas bardanas e azevinho» 
heterogéneos e de pinta medonha (erros intoleráveis e 
horripilantes em histofía!) abunda e sobrepuja a famosa 
Historia de Portugal; que delia bem se pôde dizer com 
toda a accommodaticia applicaçâo odíio do Mantuimo: 
Uno avuho non deficit alter l.,,. 

Porém que admira que profira solemnes e treroea- 
dos desconchavos em historia, quem ainda ba pooeo (aU 
ludimos ao tempo em que escrevíamos ) em utn arliga 
biographico, com material ignorância e fartt>m hetero- 
doxo, romantizára que certa notabilidade politica /4$ra 
um verbOf uma idéa feita carne, r> Mousinho fut iib ver- 
99 be, une idée faite chair ! " (1) Isto ainda é mais áo 
que representar, na continuação do mesmo artigo, o 
Avô da actual Imperante, (2) D. João VI, debaixo da 
humiliar»te e aviltadora caricatura de um gastronooio 
çynico^ jarreta, e banazóla, que' ferrara no bamiulllOy 
sem garfo, nem faca, esó como tdlber natural das unhas, 
c dentes, as gordas gallinhas, que os seus compadres, 
os lapooios dos arrabaldes da cidade lhe vendiam por 
alta^ preço (3). Esta satyra é lanlo mais intolerável e 
odiosa, quanto lançada rK> papel por um individuo, que 
deve o seu domicilio, posição e subsistência á lical mu* 
nificencia !... 

Porém nâo percamos d^e vista aquellas horrenda- 
inente memorandas expressões: Moúánho fcfi um verba^ 
uma idéa feita carne L,. Sé ellas em si oão são uma fth- 

. (1) Vej. — O Progresso Industrial N.<> 1. Sabbado It de Detém* 
bro de lUâ2« — Varietés — Portra^i .et Caracttret — Moutinho de 
SUveira, 

(?) Ainda era vtva a Senhora D. Maria 11 quando isto escrevía- 
mos." 

(3) Vej.— O Progresso Industrial N.® 4 — Portraits et Cara^ 
éteres etc. Aqui também se dá o nome áe fórmula sacramental ao 
tratamento de Senhor dado em signal de respeito aos 'Reis já falleci« 
dps. Ciiie áireTÍda achiacalhaçip, ou antes pMfaaa^io !•••.• 



— s — 

liiiilade a mais desmarcada , vma in<>pcia nascida da 
mais traaslornada, e extravagante fantasia; que outra 
cousa podfím significar, senào um insulto o mais fulmi- 
nante contra a crença dogmática da thcología orthodo- 
xa? Quem jamais disse^ ou fe lembrara de dizer que 
um ente da racional espécie^ formado da corrompida 
massa de Ad&o^ /6ra ^nn verbo; que não merecesse pa- 
ra logo levar em resposta de todu a fé catholica o mais 
univer&iilf compacto, e unanime — anaihcma útf Vtr^ 
bo, quando por esta palavra se designa uma pessoa, 6 
só por ci^ellencia o Filho de Deos, Dcos EUe mesmo, 
da mesma substancia que o Eterno Pai. Este é o dogma 
sacrosaniQ, que a Heligiâo, que professamos nos ensina: 
nem permitte x]ue aquelle nonrve seja dado a algum ou- 
tro ser* — A^ vista dMslo como se |>ó4e pois pronun- 
ciar ; como SC pôde escrever sem heterodoxia manifesta, 
que Mousinho ou qualquer crulro homem, ainda reco- 
nhecido por um génio do maior alcance, fora um rcr- 
ho^ Acaso o homem, filhx) do peccado, pôde ser fiiho 
de Deos, Deos clle mesmo? Nunca; conclama e con- 
clamará sempje toda a Chri<*tâ orthodoxía contra o mais 
ahsono, e nefando disparate !..^. O Filho de Deos é um 
só e por essência impeccavel. E' Deos, e não podem ha- 
ver mais Deoses. 7*- Se o f^trho por tanto é Deos ; só a 
iílle é que compete ta.l denominação, enâo aos homens, 
que nâo podem ler natureza nem consubstancialidade 
ilívina^ como o Filho de Deos. A expressão pois do Ar- 
tiguista trescala, com horror dos verdadeiros fieis, ao 
mais revoltante e blasphemo Arianismo. Este porém foi 
condemnado^ e ajiathematizado solem nemente no Con- 
cilio EcoBíienico de Nicéa, convocado em o quarto sé- 
culo. 

V\na idéa feita carne!... Quem jamais, nao direi 
no universo da sciencia, porém sim da mais rematada 
e ultra-deliiante estultícia, proferiu uma tão extrava- 
gante asserção 7... Que quererá significar este inqualifi- 
cável absurdo, este requinte do ilestempero? Por ven- 
tura poderá dí^er-se dequalquer homem que é uma idéa 
feita carne^ ou incarnada^ Este enigma, esta adivinha- 
ção extravagante, pela obscuridade da mais tenebrosa 
noite que encerra, é pelo menos um pasquim, um lu- 



-6 — 

dibrio, feito por acinte á razão humana, que, por maié 
que parafuze e tre^eiteie, ha de ficar no mais perfeito 
e natural jejum ! Todo o mundo sabe que Mousinho da 
Stluetra era e devia ser um animal, como todos os da 
sua espécie^ dotado com mais ou menos doze de racio« 
nalidade; «mitlír porém e perpetuar no papel que o tal 
Animal racional fora unta idéa feita carnCy é deixar por 
uma eternidade todo o beijinho, o elixir das mais agu*? 
das, e transcendentes intellectualidades em intérmina- 
Tel tortura; sem saber, nem poder atinar com o que 
seja, ou poss^ ser acjuella ôca, e anómala palavragem^ 
pulha conspícua de sons vasios de sentido; verdadeira 
tiigromancia , e bugiaria indecifrável!... N^ verdadie 
quem será o Édipo que tenha a habilidade de explicar 
o que seja uma idéa feita carpe? Nada é, nem outra 
cousa pôde ser, dirá èlle, senpío uma chapiíulissima par- 
\oice ! 

Se porém a ejE pressão — uma idéa feita çat^ne — é 
A explicação (que é o que parece) do que seja^erto. 
vocábulo (que na significação de Pessoa é só applicavel 
ao Unigénito do Altíssimo) temos outra ye; o Arianif- 
XBO em scena ! O yerbo não é uma idéa, qtie existisse 
na mente do Eterno para um dia se fazer carne, ou to? 
mar a forma humana, passando do nada para p mundo 
das creaturas. E' uma realidade eitístente de per si des^ 
de toda a eternidade, como Pessoa divina que é da me$? 
ma substancia e essência, que as outras duas Pessoas, 
as quaes todas indiyisivelmente constituem p Mysteríp 
de um Deos Uno e Trino. O Verbo é tanto Deos an- 
tes, como depois dese faxer carne. Ora Deos pão é um{^ 
idéa, pois seria um accidente, é essencialiçsimamente 
uma substancia que incarnou ou se fezcarne.— E^ igual 
a identidade de substancia em todas e em cada uma das 
Divinas Pessoas. E^ indivisível, p inalienável. Anathe- 
ma pois á heresia do Platonismo Ariano, e depois á 
Protest^ntada Sociniana (!)! — JJasta já de catequese, 
que, se pela s^a importância nlHo merecesie desculpa, 



(1) V. Scbram, Cafnpefídimn Theotogi^^ toou. !• P^Ç* ^^* Schol. 
8. 



talvei algom critico de nariz revollo nos repeliria o di- 
to de Horácio : — Nan anã lás locu» ! Como quer que 
seja Tamot já a entrar na trilha d*oode iocideotemente 
nos tiobamos desviado. — Vamos sim a continuar a se- 
rie e sirooltanea confataçSo dos desconcbaTOs, e desTa> 
riosy por nSo lhe chamar heresias históricas. 



— 8 



Oe dissermos e sustentarmos que a tal e tao by^arboli- 
cameolc inculcada Historia de Portugaty a qual pelos 
paradoxos, absurdos, e sesquípedaes destampatórios, que 
nella se acoitam, e como laparos na loisa se alapardam 
para ver se podem escapar ao faro persentido doaaaljrs* 
ta, que com elles arrosta e barafusta; se dissermos, re* 
pito, que a tal e quejanda Historia de Portugal é a pre* 
ciosa rtdieula gralha do Apologo de Fedro, que enfatua* 
da esuberba, para ímpôr o que nâo era, nem podia ser, 
se arrebicou com as postiças pennas do pnvSo; estamos 
persuadidos que não haverá Magriço algum lítterario, 
que queira vir ao campo da polemica enristar lanças 
para defender como producção campanuda o que aos 
olhos de uma critica inflexivel c justa nâo é outra cou* 
sa mais que uma congestão de disparates!... 

Porém se por um caso raro e excepcional apparecer 
algum enihmiasla, que intente tomar sobre si o despique 
ou desforço em favor do réo de leza-hisloría ; saiba que, 
além do que já fica allegado e provado, temos ainda 
matéria nova e de grave pezo, que ofTerecer em contra^ 
posição no tribunal supremo da judi<;íosa e critica im-* 
parcialidade ! Vamos a ella. 

O Author da Historia de Portugal ferrenho e acir- 
rado em seu, se bem que baldado, desígnio, continua 
ainda a deprimir o numero dos combatentes Sarracenos 
na Batalha de Ourique. E de que modo? Ouçamol-o: 
^ Ou dominassem estes régulos, ou estivesse ainda o 



» paiz sujeito aos governadores ahi postos pelo impera- 
f> dor de Alarrocos, o que sabemos é que os chefes mu- 
» sulmanos, pelo menos os do Alemtejo, se uniram pa- 
9> ra atalhar ainvasão do terrível IbnÉrrik " (l). Quem 
poderá jamais tolerar, ou ouvir de sangue frio e lempe* 
ramento stoíco atranscripta asserção: n O que sabemos 
79 é que os ebefes mHsuImanos, pelo menos os do Alem« 
99 tejo, se uniram para atalhar a invasão do terrível 
99 Ibn-Errik? f» Por ventura não se sabe mais noticia 
alguma de algum outro dos chefes muçulmanos que 
compareceram no Campo de Ourique, para, com inau«- 
dita ignorância e revoltante audácia, se affirmar que 
f€lo menos os do AkmUjo se uniram para atalhar a in- 
fxisâo do terrível Ibn^Errú! Acaso a união dos chefes 
musulmanos doAlemtejo, para atalhar aquella invasão, 
é unicamente a noticia que tinha seguro fundamento na 
historia ; e que por isso, como por excepção, se deva 
incluir n^ salvaguarda de um pelomenosf Nunca; a 
não se querer inepta e insipíenlemente sustentar, uma 
falsidade histórica. Sim, quem não sabe que á multidão 
infinita de Sarracenos que Ismar tinha trazido comsigo 
de além mar se reunira também a dos Sarracenos de 
aquém mar, em cujo numero figuram os dos confins de 
Sevilha e Badajoz primeiro que os do Alemtejo? IV a 
Chromca dos Godos que oaffirma, e contesta intergíver« 
savelmente a falsidade do intruso pelo menos do Histo- 
riador Portugucz. £íft-aqui o seu texto: » £smar Rex 
99 Sarracenus congregata infinita mulliludine Sarrace- 
99 norum transmarinorum quos sccum adduxerat, et co* 
99^ rum qui morabant cítra maré à termino Sibillís^, et 
9 deBadalioz, et de Elvas, eldeElbora, et de Begia, et 
.99 de omnibus castellís usque Santarém venerunt ei ob» 
99 viam, ut pugnaret cum eo, confidens in muUiiudine 
99 virtutis suas, et sui exercitus etc. (1Í). Em linguagem 
quer dizer: » Ismar Rei Sarraceno reunida uma multi* 
99 dão infinita de Sarracenos de além mar e d^aquelles 
99 que habitavam d^aquem mar dos conQns de Sevilha, 

(l| Hisl. de Porlnu. tom. 1.^ piig. 327. 

(2) No AppeDdíx da 3.^ Parte da Munarcbia Lusitana — JSicri* 
piura Prím^ra^ folha 273 v. 



^ 10 — 

ff Badojoz, Elvas, Erora, Beja, e de todos os catlellos 
9» até Santarém, que lhe TÍeram ao encontro, para pele« 
ff jar com elle, confiando na multidão da «na força, e 
59 do seu exercito etc. y> A^vista de tal e tao tenerando 
testemunho, de um tão grande pezo e valor documeo^ 
tal, ninguém <!leíxará certamente de reconhecer a falsi* 
dade com que o historiador antagonista para diminuir a 
força dos adversários de Iba-Krrik (aliás D. AfTonso 
Henriques ; que é linguagc^m que todos entendera ! ) sim 
•e entinciou, omittindo parte da verdade histórica, que 
tanto o incommodava, pela Tefalsada ingerência ou tn* 
sersão d^aquelle tâo mal embutido — peh menos. A his* 
toria, direi eu (e comigo todo o mundo, cujo amor da 
verdade nao tiver de todo sido exlíncto) a historia sim 
nos fac^ saber ^que os Sarracenos que se reuniram para 
atalhar a invasão do terrível Ibn-Errik foram instrumen- 
tal, e positivamente aquelles que nos attesta o mencio- 
nado documento, c nao pelo tnenos aquelles que o escri- 
ptor novíssimo consigna nas paginas da sua tão errada 
liistoria ! 

Ouça- se porém ainda a Faria e Sousa na Europa 
Portugueza : yy Los Reyes Moros que el Príncipe (D* 
Aflbnso Henriques) » hallò en los campos de Orique, 
« abríendo los montes, y valles com mas de 600 mil 
V hombres eran el de Silves, el de Merida, el de Se- 
9 villa, el de Badajoz, Alatbar de Lisboa, Benafut de 
9 Alg^zira, y otros Principes y Senores, siendo princi«- 
jf pales dellos los primcros quatro, y superior a todos Is- 
T mar, de que resulto contarse por cinco los vencidos 
99 en esta ocasíon, siendo ellos muchos mèa v (1). O 
original iranscripto ainda mais explicitamente desmente 
a asserção do modernissimo (a todos os respeitos) histo- 
riographo portuguez. — A Faria copiou exactamente, 
quanto aos Reis que vieram á Batalha de Ourique, na 
sua Historia Geral de Portugal, Al. de la Clede (f!); 
e depois deste já em nossos dias, na sua Historia Geral 
do mesmo Reino (3), M. le M> de Fortia d^Orban 



(1) Tom. 2.0 pag, 46. 
W Tom. «.« pas. S8 etc. 
(3) Tom. 3.0 pag. 77 olc. 



— 11 — 

etc. — Corrija pois o iiiDOTador romântico a sua estra^ 
nha^ e intolerável asserção! 

A phílaucia innovadora porém continua ; e quando 
ngo mente, embrulha ; se bem que algumas veaes fai u* 
ma e outra oousa ! Venha pois mais : 19 Este ( D. Affon- 
ho Ilenriques ), diz o historiador em seguida yy achava- 
09 se já nos campos, que se dilatavam ao sul de Beja^ 
99 quando os walis e alkaids das praças do Algbarb 
9> marcharaoi ao seu encontro 9» (I). Como é isto? Ain« 
da no período antecedente os chefes musulmanos, que se 
tiniram para atalhar a xnvaiâo de Ibn-Ennk^ erafn pelo 
$neno» o%do Alemtejo^ e agora no período seguinte sâo os 
psalU e alkaide das praças do Algjiarb que marcharam aO 
pnconlro do mesmo referido Ibn^Errikf Que é isto? Que 
pnelamorpbose, que metastasis; ou antes que cataclis- 
mo, por não (ji^icr, algaravia otí vasconçada é esta? Ou 
os vvalis e alkaids do AIgharb (nomes que lambem si- 
gnificam governadores) são uma e a mesma cousa que 
os governadores do Alemtejo; ou designam entidade! 
diversas. A primeira das asserções ninguém dirá ser àd* 
|[DÍssivel. Não é pois cousa idêntica ser governador do 
Alemtejo, ou do Algnrvc, como reconhece e ajuíza ain- 
4a a mais obtusa racionalidade. £^ de necessidade por 
tanto que se dê e exista %6 como verdadeira a segun- 
da asserç^io dadisjunctiva. Neste caso temos ibrçosamen- 
le achado, e cabido em contradícção o historiador por- 
luguez.T — Sim, se os governadores do Algarve são difTe^ 
rentes dos governadores do Alemtejo, segue-se que não 
foram %ò os governadores do Alemtejo (como hn pouco 
asseverou o historiador) que vieram atalhar a invasão^ 
pu sahir qo encontro do Príncipe Chtistão; foram tam«- 
bem os governadores do Algarve. A quem não salta aos 
olhos que existe iacoherencia ? — Todavia ha de op- 
pôr talvez o iiicrepndo e codilbado escriptor alguma ré* 
plica. £ qual será ella? Eu tomei, dirá, o AIgharb na 
mesma extensão geographíca em que a tomaram os Ára- 
bes; e nella vem também incluído o Alemtejo. V-enha 
inuito embora. £* porém justo e conforme ás leis da me- 
lhor critica que um historiador, qualquer que elle sejn^ 

(IJ llist. de Portug. tom. l.« pag. 327. 



— 12 — 

n&rro um feito glorioso ou nâo glorioso da sua naçSo^ 
ri*gulando-se pela geographía de um iiulhor de paiz es* 
iranbo, que nenhum escriptor nacional, nem e&trangei* 
rp em taes casos admUtíraf Nâo por certo, e antes é 
um charlatanismo reprehensível, que ptoduz na historia 
pYofunda obscuridade. Díz-so, e na verdade assim é, 
que a geographía é um dos olhos da historia; mas uma 
historia com aqxuWoulro olho geographico deve por for- 
ça ficar muito vesga, ou zanaga ! £ por certo ^quera 
ha de poiler fazer uso de um olho affectado de tal tor« 
ção, de uma tão feroz ophtalmia? — Porém admittin- 
do mesmo por momcotoa a decantada geographía ara- 
besca (e bem de arabescos abunda toda a chamada His- 
toria de Portugal ! ) ; ainda assim, o historiador deu 
uma íadesculpavel cabeçada histórica. — Perguntare- 
mos ao conspícuo transtornador da historia nacional se 
Jsmario, commandante em chefe dos Sarracenos em 
Campo de Ourique, era walk^ ou alkaid de algij,ma dat 
praças ào^Igharbí Ha de ficar na triste atlitude de urii 
lK>quiseco sem saber, nem poder dar resposta que favora* 
vel lhe seja ! Escusa de esquadrinhar e sacudir da poei- 
ra toda a pilha das garabulhas paieographicas. Tudo 
quanto achar ha de convencel-o de que imaginou e eir 
creieu uma indesculpável necedade ! Sim, Ismaríoatin* 
ca foi Walí> nem Alkaid de alguma da» praças do AI- 
gharb, e sim Kei de uma grande parte da Africa, e An- 
daluzia. £^ o grande Antiquário, André de Hezende 
quem o refere ; hmarms magnos partis jéfrteos^ Beiiccs* 
que Rcx (1). Além deste, e outros, o grande Oratória* 
no Pereira de Figueiredo diz ser Ismar um poUntnsimo 
Jici da Mourama ; versão do seu latim : hvnarius po^ 
ieniisstmus Sarracenorum Recç (S). Esta qunlifkraçSo, 
q^e lambem é a da Chromca Golhorum^ está formal- 
mente desmentindo a asserção do bíslorindor, que res- 
tringira os chefeis que marcharam contra D. AfTonso 
Henriques só aos waln c alkaids das praças do Algharb^ 
ainda tomado este pela demarcação mourisca, que elle 
transcreveu na sua Historia de Portugal^ exlrahida da 

(l) Liv. 4. x^fi. 267. 

1^) Elog. (lof Reis de Pturlug. pag. 14 e \S» 



— 13 — 

Geographia de JBdnstf segundo a vcrsSo de Jaubert (4), 
'»— Além d^ísto a historia faz mençSo eotre os Reis aci 
Príncipes Sarracenos dos principaes, que dirigiram oxt 
deram a acção em Campo de Ourique, de um chefe 
que era de Sevilha (^). fim qual porém das três provín- 
cias, em que o inoovador dividira^ segundo a menciona* 
da Geographia árabe, o Algharb {antt» do% Chrulâoi se 
começarem a apoderar do» territórios além do TejOj e ao 
sul de Leiria (3)) em qual, repelirei, das três província* 
da tal Geographia do Algharb, que elle transplantou 
para as paginas da sua Obra se encontra e lé a palavra 
Sevilha^ Em «enhuma delias. Não ha de poder ne« 
gal-o. Na verdade a negativa em caso tal é d^iquellas 
asserções, que pela sua evidente falsidade não admitlem 
algum subterfúgio! Basta correr e examinar com os 
olhos o que elle próprio deixara escripto para se conhe- 
cer que Sevilha não ficara pertencendo ao seu descrípto 
Al^Gharb (4). Por certo que nas terras da Ileíipanha, 
que se mencionam na S.^ província, e nas outras em 
que 96 divide o Jíl-Gharb mourisco, não apparece netti 
sombra de Sevilha. 

D^aqui concluímos, argumentando pelos próprio» 
princípios do historiador, que, não pertencendo Sevilha 
ao seu arábico Al-Gharb, e havendo entre os chefes que 
com mandavam a força armada no Campo de Ourique 
um Príncipe, Rei, ou Governador, (\VaU,ou AIkaid, in« 
do paesmo com a nomenclatura delle) de Sevilha, in- 
dubitavelmente, afora os uxilis cxdkaids daspraças do Al" 
G/uirò,. houve mais algum que não era delies, que mar» 
cbára ao€ncOHlro de D. /íffonso Henriques; Aquella res- 
triciiira e excepcional enunciação hisiorica é por tanto 
Bobre modo inexacta ! 

Se em fim o historiador entendeu pela palavra — 
Al-Gharb— aquellas terras d'aquem e d*além mar em 
Africa, que os Mouros oulrosim comprehendiam debai- 
xo doeste nome; temos então que o numero dos Wali« 

(1) V. Híftt. de Portiij;. tom. 1.* pag. 32õ e 926. 

(2) Veja-ie o lugar ja citado de Faria ; • mcfino o da Cbronic» 
dof Godos. 

(3) Hitt. de Portag. tom. 1,^ pag. 925. 

{4) Hisl. de Porto;, tom. U^ pa;. U$ t Z2ê^ 



* 



— 14 — 

e AIkaids de ta li las terras devendo ser assas grande, 
grande deveria ser o numero das tropas^ que com elles 
bavíam de vir; grandeza, que elle longe de admittir^ 
procura por todas as formas, contra o consenso d*aquel« 
les que bem tem merecido das sciencias, definhar em 
sua historia. — Esta ultima accepçSo pois mesmo quan*^ 
do em these fosse admissível (oque não concedemos em 
bypothese, attenta a explicação que se fizera do que fos- 
se Ai-Gharb) novamente constituiria o historiograpbo 
em contradicção comsigo mesmo. — Mais : Tendo elle 
já dito acima que os chefes mu9tilmano$j que ie uniram 
para atalhar a tnvaaão do terrtvel Ibn^JSrrik eram peh 
menos os do Alem tejo; este pe/o menos ficaria ainda mais 
solemnemente destruído, e declarado insubsistente, se 
por ventura se admittisse em tal vocábulo ( AUGharb) 
uma muito mais lata accepçSo geographica. Maior ra- 
8ao, e de nova força, tornaria incompatível a restrjcçio 
referida ! 

Agora perguntaremos ao historiador que tanto ft>- 
tnaniixa, em que documental pergaminho descobriu elle 
escripto, que o logar em que se achava Ibn-Crxik ( D« 
AflTonso Henriques), quando os taes watts e alkaxdã das 
praças do Al-Gharb marcharam ao seu encontro^ fosse 
precisamente nos campos que se dilatam ao sul de Bgaí 
Ha de outra vez ficar em tortura; e ficará sempre quo 
a. seu alvedrio fixar posições militares! Eu nSo decido 
a questão. Digo porém, e não rc/ceio ser desmentido, 
que os campos que se comprehendem na antiga Comar- 
ca d^Ouríque não se dilatam só ao sul de Beja. Sendo 
isto assim qual ha de ser a razão por que os taes camposy 
em que se achava D. AfTonso Henriques, quando os 
Mouros marcharam ao seu encontro, se hão de ficar de« 
signando ao sul da referida cidade? — - Mesmo quando 
todo o território, que se denomina Campo dPOurUfue se 
dilatasse só ao sul de Beja, que certeza tem o historia- 
dor, de que o exercito rhauritano não marchasse ao en« 
encontro do seu terrível adversário antes d^elle se achar 
nos taes campos, precisamente designados? A duvida, 
ou problema ha de subsistir em quanto não apparecer 
documento ou testemunho authentico, que decida a 
questão. O historiograpbo que o apresente, se quer que 



^15 — 

acreditemos a novidade, ou innovaçSo topographíca ! — 
Da híftloria só coDsla o logar do eacoiitro entre os.doít 
cuxercítos, e não o local fi^erfixo em que D. AíTunso Hen« 
riques se achava, quando o exercito sarraceno marchou 
ap seu encontro.. Note-se a dífleren^a. 

Continuemos a copiar outras mais formaes palavras 
do Historiographò. v N^uma das eminências, por meio 
» das quaes o solo se vae fnaendo mais agro e ondeado 
99 desde as planuras de Bé^a até se converter nas aspe«- 
fy ras serranias de Ãlonchique, estava assentado o logar, 
P ou castello denominado pelos Árabes Orik. Foi nes- 
p tas immediaçôes que Sarracenos e ChristSos se encoo* 
" iraram » (1). Nao disputaremos se o logar, ou castel* 
lo de Ourique estava em uma das eminência»^ por meio 
das quacê o solo u vae fa%endo imiis agro c ondeado de** 
de as planuras de Beja até se conserter nas a^ras serra» 
nias de Monchique* Todavia não podemos deixar de no*- 
iar que ovalavriado com que vemos collocar Ourique 
em. uma oas iaes cnúnencias^ por meio das quaes o soh 
$e vaefcnxndo mc{is agro e ondcddo desde as planuras dã 
£ya até se converter^ ou metamorphosear nas áspera» 
serram^ de ilfoncAtçuc, traja mais á moda de romance, 
que de descripçjío geographica! — Este eslillo porém 
•o passo que dá pasto á imaginação que deleita, sepulta 
em inedia o entendimento, que a historia assas deveria 
illustrar ! Esta apomalia se dá sempre que o escriptor 
preza mais de ser romântico que histórico !.•• Um gco« 
grapho português, que sahia o que dizia, e não impro« 
irisava á laia de romancista, diz de Ourique o seguinte: 
V Está assentada a Villa de Ourique na extremidade 
» Meridional da Pirovincia do Alemtejo, entre a Villade 
» Mertola ao Levante, e Vílla*Nova de mil fontes ao 
9 Poente* O seu sitio, sem que o terreno pareça muy 
y> levantado,, fica bastantemente superior ao campa de^ 
p te nomi», no qual ganhou El*Rey D* AíTonso Henri* 
99 ques aquella famosa batalha aos Mouros em fõ de 
99 Julho de 1139 com que segurou o titulo de Rey dé 
p Portugal, que pouco antes lhe baviSo dado as suas 



(1) HisU de PeriBg. ttM, U^ |Mig* ^^^ 



— 16 — 

9 Tropas y» (1). Outros mais aulhores topographos pcy- 
derlamos citar, que, em occorrencía igual^ Dâo^faHam 
d*aquellas laes emtnenciair, nem que em alguma delias 
(sem dizer qual ! ) esteja assentado ou em pé ologar ou 
castelloy e depois Villa d^Ouríque. A tal ionovação^ in- 
determinando, foi pois para peior!... 

• Agora mal deixaremos passar, sem lhe oppòr a de?í- 
da contestação, a asseveração quediz : vf Foi nestas imme* 
ff diações (do logar ou castello denominado pelos Ara-* 
bes Orik ) » que os Sarracenos e ChristSos se encontra* 
9» ram. » A historia não diz qne foi nas tmmediaçôei do 
b^ar ou cQitello de Ourique que os Sarracenos e Chris- 
tãos 9e encontraram. Ouça-se a Monarchia Lusitana. 
9 Tiveram vista, diz ella^ os exércitos em um logar 
99 abaixo de Castro Verde, o qual hoje se chama Cabe- 
n ça de Reis, junto dos dous pequenos rios Cobres e 
9} Terges 99 ($). A^ vista desta authoridade como dire* 
mos que aquelle encontro fora nas immediações do lo- 
gar ou castello de Ourique, e não afttes^ e restrictámen- 
te nas immedktçôes da Villa de Castro Verde? £^ evi- 
dentissiino que o termo immediuçiki não pôde deixar de 
ter logar no segundo caso. 1» Como ^ leg. £• de la vil- 
» la (de Castro Verde) entre los rios Corbes y Terges 
» eu unos cerros adonde hay una capilla, se mueUra el 
19 sitio donde se diò la famosa batalla de Ourique, ea 
99 Sd de Júlio de 1139, por el rèy Don Affonso l.^coa* 
19 tra los moros » (3). Por este testemunho se deixa ver 
que a Batalha de Ourique tivera logar meia légua a 

(I) Víd. Oeof^raphia Histórica, por D. Ltút Caetano de Lima, 
Iam. 2.^ pa^. 263 e 254. 



(«> Tom. 3.« L. X. foi. 117 ▼. 

(3) 



MíSano «— DiccioDario Geografico-EttadUtico de Espafia y 
Portugal na palavra Castro Verde, — Neste artigo refere também 
itf inano que as paredes da Parochia (que dii ser de mui boa fabrica) 
•e arham revestidas de ntulejos, que em vários quadiros representaoÉ 
ot prínripaes passos da Batalha de Ourique. 

Em ampliac^So copiaremos o trecho de uma Cartii, que nm ba« 
bitanie de Castro Verde enviara ( uesle anno de 11164) a um seu 
correspondente de Lisboa. Refere ella a propósito: r> Os temploa 
f« desta Villa sao decorados com bellos quadros a óleo, e em anilejOf 
ti que representam os arraíaes de D. Aflbnso, a AppariçSo, a Bata* 
vt lha, as Ovaçdes do triumpho, a Acciamaqão do Monarcha pelo 
fi exercito, e o Juramento dado em Coimbrãs • o SdllO| ou Brasio 



— 17 — 

étte da Villa de Castro-Verde. Islo confirma a tmmeciia* 
çâo que suslentamc». •— Note-se mais : A Villa de Cas«> 
tro-Verde dista da Villa de Ourique duas leguat a nor« 
deste (1). Segundo pois taes demarcações é para concluir 
que o logar aonde fôra a Batalha contra Ismario devia 
distar da Villa de Ourique pelo menos duas léguas e 
meia. Estatuída esta baze ; como é que &e pôde com 
irerdade escrever que aquella Batalha fora nas itnmedta^ 
çÔci do logínr ou Catiello de Ourique; sendo sem contro- 
vérsia outro o logar, ou Villa, em cujas immedía^Ses 
ella fôra realizada? ^Singuem ainda similhante cousa 
escreveu ) a não ser o nosso ongxnahsstmo historiador ! — * 
Todos os historiadores sim nossos e alheios unanimemen* 
te affirmam que a mencionada Batalha foi em Campo 
d* Ourique; denominação que indica uma Comarca, que 
comprehende vários logares, e VíUas. Tem pois o cogno- 
me de Ouriçtie, não por aquella Batalha ser restricta* 
mente dada nas ifnmâliaçôci ( gallicismo que D. jFVan* 
cisco de S. Lui% não julga necessário adoptar-se em nos* 
sa lingua, visto termos o vocábulo t^t&inAan^^as etc. ) do 
logar^ ou Caziello de Ourique; porém sim por ter sido 
etíeiluada no campo ou território da Comarca de Ouri- 
que. Confirma o exposto o insigne erudito Pereira dt 
JBiguáredo. Keferindo-se ao logar da Batalha de Ouri« 
que dissera elle : y* Sobre o que é de notar, como no« 
» tou Rezende, que esta Batalha tomou o nome deOu* 
f> rique, como da Villa mais notável d^aquella Comar- 
n ca ou Território, ainda que o sitio preciso da Batalha 



99 d^armat da Comarca repreienta D. Affunio de Joelhos « Jeiut 
9» Cbristo cracifícado appa#ecendo-lbé. •-• Pena é (termloa ella) quo 
99 nina^ bella Pjrramide mandada erigir no reinado da Senhora D« 
99 Maria I nesta Villa esteja por terra, quando este monumento^ 
99 que é de todoí os monumentos aquelle que melhor podia attestar 
99 a gloria e o brio Português, deveria ser o mais bem conservado, it 
O escriptor da Carta é mais um digno respeitador das antieai 
tradições j[>atrias, que deve ser inscripto em o catalogo d*aqueliet 
que acreditam na AppariçSo* Díf poi» na mesma Carta i 99 Nao bSo 
99 de ser de certo os filhos de Castro Verde que h2o de deixar do 
99 acreditar o facto da Appari<;2o, ainda que nSo sda por outra can* 
99 sa que por ser o Bratao dos Castrenses ; pois foi aqui que se dís 
99 ella teve logar, e o Campo da Batalha na dlitaacia de trei quar* 
99 tos de legoa. 99 
(1) Miaano no artigo citadot 

8 



— 18 — 

f) foi abaixo da Villa de CaMro Vuide n^um valle que 
99 fica entre os dois riachos Cobres e Ttr^tís, que a pc>u- 
99 ca distancia confundidos já huhfi no outro se mettein 
» e sepultam no Ciuadíaoa » (1). No mestno sentido 
escreveu o grande Bispo de Beja U. Fr. Manuel doCe« 
oaculo, que pessoalnnenle observou e estudou estes Ioga* 
res,^ sitos em sua Diocese, (â). Oulro escriptor mais 
moderno dí^^e que Ismael indo em procura de D. Heo* 
ríque para atacai o^ o encontrou noê (Mmpoi iTOuriqíte. 
(3). Não disse elle nas vnmcdUiÇÔts do lagar ou caslcUo 
denominado pfjos avaba Orik, U^ta situação, iouiadu em 
rifor geograpbico, é de certo falsa. Por tanto a palavra 
immeaiaçôes nem geographica, nem hisloricamcate pódif 
ser consen(ida no logar em que foi coilocada. 

Porém quef Nu Chronica Golhorinn lé-se : In lo* 
CO qui dicilnr Aullc. No Chronicon Con\mbriccn»6 : In 
loco qm diciiur Oaric. No Clirorúcon Lamcccme: In 
loco qui diciÍMv One. Favorecerão estas authoridailet ai* 
guma cousa a opinião das falsas, e aerías immedtaçôtêt 
rJada; antes lhe fazem maior carga. Na verdade quan* 
do aquçUe in loco rigorosamente se entendesse do logar 
ou ci^stollo de Ouriqqei e não do Campo de Ourique; 
ft referida expressado não podecta jamais ser traduiida 
peto termo immediaçÔc$, Na bypothese da interpretação 
rigorista significaria então que aqueila famosa Batalha 
se tçria dado no mesmo logar, ou castellu de Ourique, 
absurdo, que ainda ninguém proferiu. "-* Pelo contrario 
todo^ oi escriptotes (que bem deviam entender os diie* 
res citados) unanimemente declaram ter sido dado o 
mencionado combate em Campo de Ourique (ponto ee- 
nerico) e nuncl» no logar , castello ou immedioçóci deile 
^pontô espçcificç); q^e é diverso d^aqueíle que unauU 
çi^áiejQle sedesigoa. — Atém (acorescentaremos) de An* 
toDÍo Brandão na Monarchka LuútÇLnOf cuja fiiJtborid^-. 
de já deix^npos. trapscripta, lemos a André deFteaende : 
In Agro xgMuv Orichunú^ paulo infra Ca%irum vMdc 
oppvium^ non proeul à confluente Coorii et lirgiifluvio* 



Mem. (Ia Acad. tojn. 9.® Díif#rtAçSo 19.^ pag. 306, 
VcJ. Cuidados Litterarioi, pa;. 3^3 etc. 
Casado Giraldcs, Geogr. vol. 1«^ pag, |03 • 104. 



— iO — 

fum^ in wminmm eonspêdwm vemUnie» outra p(mmerunt 
(1). Esta mesma lopograpbía confirma elle oo sea poe- 
meto latino — Fincenlhu LecUa^ ei Alariyr. — Na O- 
raçio que Vasco Fernandes de Lucena, Embaixador de 
D. João Ily recitou em Roma em pleno Consistório no 
anno de 14^, aclia-se escripto : Et runus apud Aun^ 
quuH eanupas apud eutn locum^ quem nune capúa Regam 
mJgmã appellaij exignOj et parca manu emn qwánque po^ 
tenihámu Rf^ãnu vtctor eeriavU, O que Pereira de Fi^ 
guciredo traduiiu : 9 Outra rei no Campo d^Ourique^ 
7f onde agora chamam Cabeças do» Reii^ com hum pe- 
» queno exercito venceo cinco poderosíssimos Reis Mou- 
f» rot 9 ($)• Este mesmo sábio nos Elogios dos Reis de 
Portugal copiou a topographia de Reiende (3). Duarte 
Nunes igualmente escrefeu que o principe D. Aflbnso 
buscando os Mouros para o combate 9 yeiu a um logar 
9 do Campo deOurique, que chamam Cabeça deRej^ 
» junto ávilla de Castro rerde, e alli se ajuntaram am- 
9 bos os arraiaes (4). 9 E* quanto basta. 

Agora advertiremos que a citação-^ Moura^ f^ettig. 
da Ling^ Arab. p. 171 — (5) apontada para provar que o 
logar, ou castello, em cujas immedíaçôes falsamente se 
asseverara tivera havido o tal encontro^ (a Batalha de 
Ourique), era denominado pelos Árabes Orikj não pro- 
va que os Árabes já áquelle tempo, como bem se infere 
do modo de exprimir do Historiador, lhe dessem tal de- 
nominaçSo. Basta ler o artigo dos taes f^estigiot da Língua 
Arábica para se ficar convencido do que asseveramos. 
Eil-o-aqui: Ourique — Orique, He nome de Lugar* Vtlr 
la oêúm chamada no Bispado de Befa. Càrdoíú. Este 
modo de fuliar do Btymologísta nem mostra que Ouri- 
que já tivera eita denominação antes do famoso comba- 
ta, nem que tams6raentê a tivera depois delle. Nenhu- 
ma das duas referencias se p6de com preferencia colligir 
do artigo exposto. Este artigo ( pondo de parle a boa ou 

(1) Antiq. Lib. 4. pajt* ^^* 

(2) Vcj. Novos Tetteiftiaiiliot da MilagroM App«ri(;2o ele* p«ç« 
U e 15. 

(3) Pst^. 14 e Í5. 

(I) CbroDÍca d^El-ltey D. Affbnto Heoriqaet, fui. 28, 
(é) Hi»l. de Portu^;. loui. l.« pag. 32r« cil. 2.» 



— 20 — 

má elymologia, que é questão lá para Arabfstas (l)) lam- 
sómente testifica o facto sem relação preferível a algum 
dos dois tempos. 

Continuemos porém já a desfiar, e a pòr cnrv sole- 
mne patenteaçâo o resto da pilha de ínepcías, de aéreas 
romançadas, que deturpam e empesgam a Historia de 
Portugal!... Copiemos: 

99 Apezar de que o antigo esforço, e o irresistível 
n enthusiasmô dos lamlunitas, corrompidos pelas ríque- 
9) zas e pelo luxo, fructo das passadas conquistas, tinha 
s» grandemente esmorecido, ellcs recorreram n uma das 
9> guerreiras usanças dos seus antepassados do AAaghreb 
99 para preencherem as fileiras, ou. rareadas |>ela partida 
99 de Tacbfin, ou porque as guarniçOes dos castelk» da- 
99 quelle tempo, ainda completas, craoi: mui pouco niH 
99 mero$as (2) yy Que tão falsa e tão desenxabida earaga- 
tòa palavrosa!... Em que original, transumpto, ou cou- 
sa que o yalba, adubado com lodos os temperos e per» 
Tcxís dá veneranda aulhenlicidade, que a sua aílanosa e 
esbaforida solicitude pelxi primeira vez fizesse descncar- 
cerar de alguma catacumba, ou pocilga paleographica, 
lêu, e se certificou oescripfcor histórico que, referíndo-se 
á épocha da Batalha de Ourique, se noticiasse que—- o 
antigo ciforço c irremtivel cnthusiaimo do% lamiuniiai^ 
corrompidos pçlas riquezas^ e pelo luxOj fructo das pai^ 
sadas conquistas^ tinham grandancnte esmorecido T Ha de 
ficar outra vez nadando, e, como perdido naufrago no 
"vaslo Oceano,, sem poder ver, nem alcançar terra! Nem 
sequer rasio^ nem piugada alguma de tal paradoxo ha 
de lobrigar; por mais que farege toda a lurida manti»- 
sa do mais raro e inaís bem provido TQml>o, ou Jazigo 
paleographico {..« j^oréni que digo eu! FJ* falso, é fal- 
síssimo que por occa^ião da Batalha de Ourique o (mti^ 
go esforço e irresistií^ enthusiasmô do» hmíiinilas estives-' 
se grandemente esmorecido, fiquem sim poderá, ou se atre- 
verá a duvidar de tal ; não digo já anegal-o? Ninguém 
que souber respeitar o que dizem a fluz as historias; e 
só aquelle que por acintoso sy&lema o quizer desprezar. 

(t) Vej. Exame Histórico etc. por A. C. P. pag, 12 e 13* 
(2) Hisl. de Porluff. tom. 1.® pag. 3;87, 



— 21 — 

Abratii-se cilas; e para logo o innovador ficará com- 
plolamente desmentido. — Comecemos pela Chronica 
dos Godos* E que nos diz ella, que denote que o anti- 
go esforço^ e irresistível enthusiasmo dos lamtumlas estava 
grandemente esmorecido^ na époclm do combale de Ou* 
rique? Ao contrario ella nos representa aismario npre« 
scntando-se no campo docombate como um homem ant- 
mado de confiança^ natural efleito dá multidão da sua 
força em especial, e do seu eocercito em geral; » confi- 
99 Jens in multítudioe viriutis suas, el suí exercitus (1). p 
Estas expressões redondo, e frisaniemente comprehen- 
dem a mais perfeita negativa do toda a idéa de esmo- 
recimenlo. — Neste mesmo sentido, em que se exprime 
n Cbrofii«a dos Godos se expressa, e de um mòdò mais 
explícito, ogrande Antiquário André de Rezende: »Hit 
99 confisus, in Alpfaonsum properabat, lentis ilineribus, 
99 sed animo ad víndictam concitatissimo. v 99 Confnado 
99 ecp suas forças I«roario marchava contra D. AtTonso, 
99 com vagarosas marchas, (esperando sem duvida en» 
grossar cada vez mais e mais o se»! exercito, como expli- 
ca o Elucidário de Viterbo (^2)); » mas com animo pos- 
» suido do maior furor para tomar vingança. » Acaso 
um chefe militar, que vem abrazado em cólera para se 
\ingar dos seus adversários, e que de mai^ a roais con- 
fia na multidão da sua /orja, e do seu exercitOy é o ty- 
po de homem esmorecido? Nunca. Estará acaso o es- 
morecimenfo nos que compSem o seu exercito? Tam- 
bém por certo que não. Ouçamos a este respeito o que 
escreve o mesmo Antiquário: » Tnnumerabilís ille Bar- 
99 barornm exercítus, tam díssonis clamoribus, iam ter- 
» ribili fragore perstrepebat, utcoelum ruere, terra quas- 
99 sari Iremoribus viderenLur (3). Aqijelle innumeravel 
99 exercito de bárbaros, feito n'uraa desentoada grila,''era 
99 tal o estrondo que fazia, que parecia cahir o ceo e 
99 tremer a terra. »^ Assim tradiiz Pereira de Figueiredo 
este logar de Rezende nos Elogios dos Reis de Portugal 



(1) Na iMonarrhía Lazit. tom. 3.0 fui. 2<r3, y, 

(2) Wo KUiridario, tom. 2.° pa». TT. 

(3) Antiq. Luiit. Lib. 4, pog, 270. 



P Ql 



— 22 — ^ 

(1). Quem dirá pois que esta algazarra de tSo superla* 
livo estrépito denote esmorecimento da parte dos Sarra- 
cenos no campo da Batalha de Ourique? Ninguém por 
certo que tenha as faculdades intellectuaes em sua nor- 
inal funcção! — Escute-se ainda o que diz mais a pro- 
pósito o erudito Antiquário: yf Commissum praelium 
99 est, sanguinolentum, pertinax, díuturnum^ à prima 
9 díei hora usque ad meridiem (S), Deu-se a Batalha^ 

Iue foi sanguinolenta, pertinaz^ e de muita dura, 
es do principio da manhã até o meio dia. v R* tra- 
ducçao do mesmo eruditíssimo Pereira de Figueiredo* 
(3) um exercito, que além de innumeravel sustenta 
uma Batalha sanguinolenfaf perltnaZf e de mutía atirai 
quem será o bmrdo ainda o mais obtuzo que o classifi- 
que de esfprço grandemente esmorecido! Ninguém por 
cerlOy i>r- Esta doutrina histórica que sustentamos, é a 
xnesma que o famigerado hístoriographo, o Dr. Henrique 
ScheSer, emjltiu em sua Historia de Portugal. » Os 
» Sarracenos, diz elle, se adiantaram cheio$ de confiança 
y> em a superioridade de suas forças e a celebravan^ cn- 
» toando alegres e festivas canções (4). 99 Não está elle 
pois de accordo com aquillo que disseram antes os cita- 
dos escriptores; e por conseguinte Incontestavelmente 
desn^entindo a falsidade, com que o innovador repre- 
senta grandemente e&morecidos o antigo esforço^ e irresu^ 
iivel enthusiatmo dot lamtumlai pelo tempo do combate 
^e Ourique? Não é possível recusar a affirmativa. — O 
innovador pelo contrario, se fosse sincero, deveria con- 
fessar que, se houve etmoreçimentOf e não pequeno, foi 
da parte dos Christãos 4 vista de um tão prodigioso nu» 
inero de adversários. Recearam pois até entrar em com- 
bale; e o seu receio, ou antes medo (aliás prudente e 
bem fundado) leria prevalecido, se a falia ou exhorta-» 
Ções de D. Aifonso Henriques, segundo mencionam os 
nossos Chronístas, os ngo tivesse animado, e resolvido 
(ô). 



(2) 



P«g. 19. 
, í-ib. 4. paç. uno. 

(3) Elog. dos ReU. de Portog. pn§n 19 20. 

(4) Tom, 1.0 pag. aa. 

(^) Vej. Daarte Galv2o na Cbronlca de D< Afisnio Henriques 



— 23 — 

Porém o neologísta hí&torico é quem, sem o pensar 
por ccrlo, dá a si próprio íneví lavei xaque-mãte. 8ím ; 
escreve, e publica elle em alio e bom lom que — » A- 
99 pezar de que o nnlígo esforço, e ò irresíslível enihu- 
39 síasroo dos lamtunilas corrompidos ()á por motivos 
que elle a seu sabor fimlasiou!) » tinha grandemente 
99 esmorecido, ellcs recorreram a uma das gucrréirns 
99 usaoças dos seus antepassados dó Maghreb para pre- 
99 encherem as fileiras, ou rareadas pela partida de Tach- 
99 fin, ou porque as guarnições dos castéllos d^aquellé 
19 tempo, ainda completas, eram mui pouco numero- 
sas. » — Agora perguntarei: Que uma óas guerreirái 
uiãnça» foi essa a que os LamiunUaa recorreram para ot 
fins què o novelleiro escriptor historiou? Elle o declaVa 
DO seguinte período por esta fórmtt e maneira : 99 At 
99 mulheres almoravides, Vestindo asarma^, vieram pe- 
99 lejsfr ao lado de seus maridos e irmSos em defeza da 
99 terra, que as irhbus de Lamtuna olhavarn como uma 
99 nova pátria depois da conquista do Andaliiz (I). ^ 
Como é isto? Será porvenlurft pirova, documento de U- 
ma nnçao ne achar grandemente esmorecida^ o apresentar 
no campo do combate, segundo umò das guerreira^ uiàn'^ 
gas dos seus antepassados^ mulheres vestindo a^ armas ad 
fado de seus maridos e irmãos em ãefe%à dii terra qué 
olhavam como uma nova pátria^ Ninguém pór certo hff 
de achar neste facto de hcroismo mulheril, altánílento 
patriótico, principio algum, nem apparetíte sequer, para 
deduzir uma tâo absona affirmativa. Antes hutá' pelo 
contrario todo o mundo ha de, e deve assim argxrmén- 
tar avista delle: Se as mulheres' doà LamtíMíàÉ (e no- 
le-se que este nome n^o %*em nas Cbronit^as ; è sfih Sa^r- 
racenoêJ) sem perderem uma das guérrtíràs nstínéas dbsj 
seus maiores ou antepassados, nsMm dSo uih teslWmunhô^ 
tâo altamente pronuircfado do seu ahinòo' e deérsão ètti 
defensão da sub nova pátria, no cartipo dè Marte tiò &- 
do de seus maridos e irmãos; qUahto mafóV e prbfunda- 
ZDGDte mais expressivo não deveria ser ahi o valor e de- 

Acenlieiro na Cbroníca (To* Rds de PoAii^t — l!^|i,al^é'Nillíb (Ío 
Leão na Chronira d^RIRei Ú. Alffoirio AeiiHl^a^f dcf. 
(t) Uist. de Pottttif. t0itt« h^ pUg. 329, 






^ 



*»c 



— 24 — 

nodo destes, enlbusiasmados, e metlidos em brios com 
tao eslimulanle exemplo? As historias de todos os pai- 
zes; e mesmo particularmente do nosso, nos convencem 
de que, quando o valor das mulheres de quaesquer po« 
Tos heroicamente se distingue ; o denodo, e bravura dos 
homens nunca lhe tem sido inferior. — Lá se encontram 
em tempos das conquistas do Oriente, no segundo cer- 
co de Diu pelos Turcos e £l*Ileí de Cambaya, donzel* 
las destemidas, trajando de homens com as armas na: 
mão, batendo esforçadamente os Mouros (1). Eeste pro- 
dígio de valor feminil, longe de arguir esmorecimenio 
da parte dos soldados de D. João de Castro; quem dei- 
xará de o reconhecer como argumento para d'*ahi dedu- 
zir qual deveria ser a bravura dellcs^ á vista de tSo pre- 
ponderante estimulo? 

Agora perguntaremos aohistoriographo: Quem lhe 
revelou, ou quem lhe imbutiu que a causa de os Lam- 
tunitas recorrerem áquclla guerreira uiança foi para 
preencher as fileiras ou rareadas pela partida de Tachfifif 
ou porque asguarniçôes dos castellos d^aquelle tempo ain* 
da completas erain mui pouco numerosas ? Quanto ás ^ 
láras rareadas pela partida de Tachfin^ já fizemos vêr 
que as fileiras dos lamtunitas tinham até engrossado 
mais depois da partida de Tachfin, pelas tropas que da 
Africa elle tivera enviado para a Hespanha ($). Além 
d^ísto se aquella prática das mulheres sarracenas era as- 
sas commum e ordinária; sendo, conforme se exprime o 
novo historiographo, uma àl^^ guerreiras usanças dos seus 
antepassados; como podorá jamais ella ser inculcada por 
uma consequência evidente e necessária da tal e que- 
janda rareação. — Ainda mais: Por que via documen- 
tal, ou não documental soubera o Author da Historia 
de Portugal, dado mesmo que as fileiras rareadas dos 
léCímtynitas fosse um facto; soubera, digo, que o nu- 
mero das sarracenas guerreadoras era tal, que ofTerecera 
aos chefes Musulmanos um recurso para acudir ao des- 



(1) n Taes houve, qne vestindo armat, fiíeram aos inímigoi rof 
n to, correndo da agulha á lança, do estrado á muralha. f« ( Vida 
de D. JòSo de Castro, Liv. 2.» n.® 56.) 

(2) Yej. • 3.* Parte deita Obra, pa^. 73 e tegaintef,. . 



— 25 — 

falque de suas fileiras f A Historia, ou Chrontca dot 
Godos, que é Documento de todo o respeito, falia inde* 
lermioadameote, sem designado de numero. E Brandão 
quetraduiiu nalingua vulgar, da latina, a passagem res« 
pecliva da Chroi^ca nao teve duvida de reduzir aquelle 
numero apenas a algumoi mulheres (1) A* vista deste 
ião grave e sensato testemunho fica sendo aquelle fanta- 
siado recurso cios Lamiumlas a mais perfeita e pronun- 
€ÍAda caricatura, que se pôde imaginar !••• — Quanto 
á segunda parte da disjunctiva; d*onde lhe constou que. 
as guarni^es dos castellos d^aquelle tempo, ainda com- 
pletas, eram mu% pouco numerosas f Não ha de apontar 
author algum que tal diga» £^ outra refinada romanci- 
ce!... Porém demos de barato que assim fosse; séria 
isto motivo bastante para os Sarracenos se resolverem a 
fidmitlir mulheres em suas fileiras f Quando assim se 
<lésse; esta causal não pôde ser admisbivei, logo que se 
declara ser aquella admissão — uma dns guerreiras usan^ 
ças dos antepassados do Maghreb. — Na verdade se era 
usança vinda já dos antepassados do JVlaghreb, não se 
pôde reputar como successo extraordinário, que provies- 
se, como de causa effíciente, e nem mesmo occasional^ 
de algum dos dois motivos da disjunctiva. 

Vamos agora a uma nota que o historiographo em- 
prega para sustentar a segunda parte da celebrada dis- 
junctiva. Diz ella: v Para se fazer idéa do limitado 
99 numero de soldados, que guarneciam qualquer cas^ 
99 tello naquelle tempo, observe-se que Mertola, o mais 
» forte de iodo o jíl-Gharb^ foi surprehendido por se- 
99 tenta homens do partido de Ibn-Kasi. Conde, P. 3* 
» C. 34 99 (2). E^ lato, que se transcreve, algum funda- 
mento que pezo tenha na balança histórica ou apenas 
mera frioleira? £* sim mera e espuada frioleira !••.. 
Quem jamais no universo lógico concluiu em matérias 
de natureza accidental, com lorça de legitimidade irre- 



(1) n Nesta batalha, traduz eUe^ entraram algamaf mulberet 
n iDooriscat, e pelejaram mo modo dat antigas Amatona», e foram 
99 conhecidas depois de mortas, n i Monarcbia Lasit. L, X. Cap. 3»^ 
foi. J6C). 

{2) Uist. de Portvf . tom. 1*^ pag. 3)27, not, 3«* 



— 26 — 

cusuvel, do singuliir pnm o uoirerfial? Ningucm por 
ceito que tenhn meia poHegadn de conheci men los di»« 
letiicos. Quando »e provasse por lanlo evidentemente 
que um castelio linha pequena guarnição, nâo se. ^e* 
guia d^ahi que os outros castellos esúvessem no mesmo 
paralldo!' — Além d^islo que regra ba cm táctica ou 
esjrategín militar que mande concluir que '— todo ocas* 
iello que {òr surprchendído |)or setenta homens é stgnal 
evidente que continha em si uma guarniçw pouco nu* 
merosQ? Nenhuma. Ha de responder até o paisano mais 
imbelle o pastrana!... E na verdade não ha centenares 
de exemplos, na historia, de um numero pequeno de tro- 
pas «urprehendcr a outro incomparavelmente muito 
Mnaior? Certo que ha. O bom êxito de uma surpresa 
nâo depende pela ma for parte tanto da força numérica, 
qiianto do aggregado, muitas vezes imprevisto, das cir- 
cumstancías, que secundam a estratégia. Nestes termos 
o NovadcK histórico nâo poderá jamais provar, por mais 
q^iò 90 esfal/r, qué um castello bem guarnecido rSo pos- 
sa ser por forma alguma surprehendido pela íbrçu^ de 
setenta homens. A sua asserção é por tanto infundnda e 
aetiea! *-^ Finalmente por uiii castello ter a cathegoria 
de — - o mais forte -^ segue^se logo que deve ter uma 
guarnição numerosa? Nego. A sun fortaleza pode-)he 
vir já da situação em que se arha coUocado, já dos 
meios que a arte tenha empr(*gado para o tornar inex« 
pugfiavel. Nestas circumMancias bem pôde até ornais 
íor4^ caslrllo snr defendido com unría bem pequena 
gufirniçâo. Toda esta argumeniaç&o está irresistivel- 
mente reduzindo ao tbíIov de ttfiia inépcia a transcripia 
Nota! 

Agora advertifcí que ú siirpreza de Mertola flSo 
Í5ra levada a pleno eflei lo, como falsamente se coilíge 
da nota do hisioríographo, só ptla força de setenta hO" 
itiens. Foram só ãetehta homens os que começaram o ac- 
commettimento. Porém nSo o levaram ao ultimo, e 
completo resuHado sem vir em seu soccorro^ como estava 
ooneertadoy a grcnt^ de.Jabttra e Xelbe, li- o méêmo in- 
vociído Cond^ cjiíetw o tesiiífca'. Ou§fttholo: » Virtb en 
» ayíidii deAben' Coíáí còihõesíabá concertado, la gen- 
» te de Jaburm.y S^jdHbe^ acoudUIada por Miihfimftd 



— 27 — 

» ben Oinar bcn Almondar Abul Wnlid etc. » (1). 
Deste mesmo accordo (e mais ^explicito em circumelan* 
cias) ebtá Mr. de Marlèt: n Aben Cosai se chargea de 
» rentrepríse (de sVmparer du cbáteau de Merlola)*- 
j) II se cacha de nuil avec toixanit^dxx h<nnmc$ deter- 
f9 mines dans les faubourgs de la place; k reste de ta 
yy irotipe^ coroposée des soldats d^Evora et de Silves, a<« 
99 iendatt dans Icb env%ron$j prête á accourir au signal 
99 convenu. Au point du jour, au moment oii Too ou* 
99 Trait les portes, il attaqua la garde. Ia massacra, et 
99 se rendit maitre de la fortercsse f9 (9). £sta maneira 
de historiar assas está mostrando que nSo foram só os 
sxtenia homens que realizaram a mencionada empresa, 
conforme subrepticíamente se inculca. — £ste facto da 
surpreza de Meriola teve logar em o anno de 1144. Es- 
ta data faz ver que ainda quando fosse verdade históri- 
ca de caracter incontestável o estado de definhamento, 
em que se achava a guarnição de Meriola, quando foi 
surprehendida ; este successo nada poderia influir naBa*^ 
talha de Ourique, que tivera logar em 1139, cinco an* 
nos antes de intervallo. ^— A nota por tanto envolvendo 
um anachronísmo manifesto é, por mais este motivo, 
altamente inepta e inconcludente ! 

A mania porém depressora contra o valor e gran- 
deza, em que sempre fora tida a Batalha de Ourique^ 
ainda continua em seus devaneios e felestrfas. Vamos n 
apresental-os aos olhos do publico illustrado, acompa- 
nhados conjunctamente da competente corrimaça criti* 
co-hislorica. Ouçamos novamente o historiador : » A' 
y> excepção d''esta, as circumstancias da batalha de Ou- 
f> rique ignoram^se inteiramente. As Chronicas christãs 
99 coevas, ou quasi coevas, que a mencionam, fazem-no 
» em bem curtas palavras, enos diversos escripfores ara- 
99 bes, que nos transmítttram a historia de Hespanba 
f neste período, não se encontra o miniitio vestfgfo de 
» um facto, que pouco devia avultar no meio dos gra* 
" ves acontecimentos, que então passavam na scéna po« 



(1) Conde, Parle 3.", Cap. 34, pa^. 275. 

(2) Hiitoíre de Ia Domittatioa déè Arabcft etc; tdlit. 2fi psg. 368, 



\ 



— 28-. 

» liiícn, lanlo na Península, como na Africa » (1). Que 
éi&to? Pois a única das circumslancias da Batalha de 
Ourique, de que se tem noticia é só a do faclo da» mU"' 
Iheres almoravidcs, que vestindo arrriasy vieram pelejar ao 
Itído de seus maridos e irmãos; ignorando-se Iodas as- 
mais circtnnsl anciãs intetramenie ^ Que prova addus o 
bistoriographo desta tão absona e caricata asserção f Ne- 
nhuma; nem é possível adduzil-a !... E^ por ventura 
verdade que as chromcas chrislans coevas^ ou qiiast coe" 
vas^ por fazerem menção da Batalha de Chvrique em bem 
curtas palavras f não façam menção de nenhuma outra 
circumslancia mais que a referida f IV falsíssimo!... A- 
bra-se e examine-se a Cbronica dos Godos coeva, ou- 
quasi coeva da Batalha de Ourique; e que circurnstan*'- 
€Ía« nos refere ella no artigo consa^grado a tão glorioso 
ftuccesso? Não era preciso referir tantas para completa- 
mente desmentir o antagonista da grandeza da Batalha' 
de Ourique. Nelle pois se acha designado o anno, o 
dia do mez em que tivera logar nquella grande guerra^ 
sem esquecer o tempo do reinado do Príncipe CbristSa. 
". — Fai-se menção igualmente dos dois Cheíes belligc- 
rantcs, e do logar em que tivera realidade a lide. — 
Vêse delia que Jsmarío conhecia o valor, e audácia de 
D. Afíonso, e que fora em razão dos frequentes estra- 
gos, que este causava nas terras dos Sarracenos, que el- 
)e se resolvera sahír a campo para , caso o podesse fnzer 
cncontrando-o desacautelado, bater^se com elle. -— Que- 
rem lambem saber quando foi que Ismario reputou ser 
occasião opportuna para o ataque que projectava? F/ a 
mesma Chronica que nol-o aponta. Foi quando El Dei 
D' Affonso se achava com o seu exercito no coração da 
terra dos Sarracenos. Então Ismario reunindo infinita 
multidão de Sarracenos d^além mar que tinha trazido 
comsigo, e d^aquem mar dos confins de Sevilha, Bada- 
joz, Elvas, Évora e Beja, e de todos os castelios até' 
Santarém, lhe veio ao encontro, para lhe apresentar ba- 
talha, confiado na multidão da sua força e do seu exer- 
cito. Querem ainda mais circumstancias? Pois logo de- 
pois da memoria do valor dos Sarracenas, que deram a 



(1) Híst. de Portiig. tom. 1.^ pag. l^. 



X 



— 29 — 

vicia pelejando á maneira das Amazonas no campo dé 
JVlarle, hão de achar ainda um par de circumstanciasy 
que nâo são pnra ficarem submergidas nas agoas do rio 
Lelbes ! — liâo de ainda achar a posição que tomara 
D. Affonso nVsse combate com aquelles que o acbmpa^ 
nhavam : o aperlado cerco cm qne se \iram : <]uantd 
tempo durara, e a heróica bravura com que dellese li- 
vr^iram. Hâo de aht ver It^sUficada a escarmentarão que 
tomara Ismarto do vnlor dos Christãod, que destruindo- 
lhe por diíTerentes formas a multidão do seu exercito, 
tomou o partido de dar ás trancaS| ficando-lhe prisionei* 
ro um sobrinho; além de innumernveis indivíduos do 
seu partido, que patinharam no coníticto. — Todas es- 
tas circumstancias, e ainda mais explicitamente exara- 
das nuChronica; quem não vô que estão completamen- 
te e!«cnechando a inaudita arrogância do transtornador 
h4«toríco, que, á excepção da heroicidade das Sarrace- 
nas, nenhuma outra ciruumstancia da Batalha de Ou- 
rique encontrara nas CAromcas chrisiâs coevas ou quaú 
coeaas ? 

Para que tudo fique posto ainda mais, como di- 
zem, em pratos limpos, (e não é lingoagcm de ptosVi* 
bulo!) copiaremos a integra do parrafo da Chronica: 
r iEra 1177. Oclavo Calendas Augusii in Festivitaté 
99 Sancii Jacobí Apostoli, anno liegni sui undécimo, 
^ idem Uex Donnus Alfonsus magnum belium commi<^ 
99 sii cum Uege Sarracenotum, nomine Esmar, in loco, 
99 qui vocatur Aulíc. Ule namque Kex Sarracenorum, 
99 cognita viriule, et audácia Regís Donni Alfonsi, et 
99 videns cum frequenterintfare in lerram Sarracenorum, 
9». et deprasdari, nímiumque attererc suam regionem, 
99 Yoluit si facere posset, ut eum iocautum, et impara- 
99 tum alicubi Inveairel, ut cum eo gcreret belium. 
99 Quadam itaque vice cum Uex D. Alfonsus cum suo 
99 exerciíu intraret per terram Sarracenorum, et esset in 
99 corde terrae eorum, £smar Rex Sarracenus congroga- 
99 ta infinita multitudíne Sarracenorum transmarínorum 
99 quos secum adduxerat, et eorum qui morabnnt citra 
99 mure à termino Sibilliae, et de Badalioz^ et de Elvas, 
99 et de Elborn, et de Begta, çt de omníbus castellii. 
» usque Santarém; venít ei obviam, ut pugnaret cutn. 



— 30 — 

19 eO| Gonfidens ia mitltiludíoa fírlutis sase, et sai eiíef-> 
yi ciius, quia erat copíosus, ia taotum quod mulíeres 
ji ibi aíTuerunt Amazooíco rilu belIigeraDtes, sicul exH 
9 lua postea probavít ineis, qu» ibi occiss iDveDtae fue- 
99 runty licet Rex D. Alfonsus essct cum paucís suqh 
99 rum, el essel ia quodaoi promuotorio fixis teoloriis, 
p ex omní parte obsessas : et circumvallalus csl à Sar- 
9 raceois à mane usque ad vesperam, cam.velleDi ir- 
j> ruropete, et iavadere castra Cbrisliaoorum. Electi 
99 milites irrueruot ia eos fortiter pugoaales cum eis, 
j> expulsos extra castra occideruot et diviseruoi eos: 
j> quod cum vidisset Rex Esmar, sciltcet virtutes Cbris- 
99 tiaaorum, et quod parati eraot magis viocere, aul 
99 morí, quam fugere; fugít ípse, et omaes qui cum ep 
99 eraot, omoísque ilia multitudo Pagaaorum partim 
99 occísione, partim fuga oeeisa est, et dispersa. Rex 
99 etiam Etmar illorum superatus per fugam evasit, com- 
99 prebenso ibi quodam suo comsuprioo, et oepote Re« 
99 gis Hali oomiae Homar Atagor ; et íoterfectís ex 
» parte sua viris iooumeris. Et síc D. Alfoasus divioa 
99 se protegeate gratia magaum de íoimícis obtinuit tri- 
j> upaphum, et ex illo tempore forlitudo, et audácia 
99 Sarraceaorum vable iafirmata est 99 (1). Quem pois á 
vista desta iategra pôde tolerar que se escreva e impri- 
ma que a única circumstaocia que seeacoatra nasChro* 
Dicas Cbristis acerca da Batalha de Ourique seja a bra- 
vura das mulheres sarraceoasT O descooceito e desprezo 
por tSo eoorme falsidade é sem duvida a justa retribui* 
çâo, que de todos deve merecer o tal arrojo ! — O sá- 
bio Bispo de Beja, depois Arcebispo d'£vora, D. Fr. 
JUíantàel do Ccnactklo^ com razão pois recoohece que oa 
passagem copiada da Chroaica dos Godos $c vêem clara-- 
mcíHc tminuadoi a$ àreumiiaruMê da vtctoria de Ourt*' 
que (<). — Um voto de tão guindada, e ponderosa qua-' 
Uficaçfto é por si mesmo mais que de sobejo para redu« 
zir a mortal sileocio o gárrulo mais desenfreado em ia* 
novações históricas ! 



(1) Acha-te no tom. 3.® dallonarcbia Latitiuia* — Appendix : # 
na Bflpaila Sagrada, tom. 14.® 

(2) Cttidadoí l^itterarios, pax* ^VS. 



— 31 — 

Agora oulròsim cumpre por ullimo observar ^vít 
o Híâioríographo anchamente dísie no plural — * Chro* 
num chnstans coetxiSj ou qnaú coevat *— qu« tantsômen* 
i€ fizeram meoçâa, como circumstancía unka do Com- 
bale de Oufíque, da façanha varonil e amasonica das 
Sarracenas!... Que Chronxec^ chrUtan porém ha cocwi ou 
qnasi coeva^ que além^ da Chronica dos Godos, meneio* 
ne o referido successo? íitm uma só mais sequer ellt^ 
ha de poder apontar; e por isso o seu romântico plural 
nao é mais que uma chapadíssima e desarcada falsida- 
de ! Pelo contrario ellas nada absolutamente faliam do 
tal heroísmo bellico das Sarracenas (o qual alguém ul- 
timamente ap|)aréceu, que o teve por h)^perbole (i}| opi- 

(1) o erodito Autbor de SUame HUterico é deita, talvei iin|;a^ 
lar, opiniaa, como se pórie verifimi', lendo o ^ 5.^ do sen Folbel»^ 
Fiiiitla-se elJe em que o estrataj^ema usado pelos i|iu»u(mauot ló ii« 
verá uma vex lo;;ar, e fui quando ot Arube* da proviucia.de Hemiar 
•e bateram com o inimigo, que ot quecia impedir de pa»sar para o 
iuteriur da Africa. Isto porém mío prova ser hyperbele o que pofilt- 
vãmente assevera a Chruníça dos Godos. Aote4 uàe se podee^e pro« 
var a byperbole delia, uein alguém até hoje Iba tendo achade, ç 
mais tfm documento qne confirma o uso estratégico dos Sarracenos. 
Além d'isto Canri na Bibliotbeca A rábico- Hispana (pag. 21», cot. 
1,*^ tora. 2.*, Nota) falia do tal estratagema dós Almoravides, ou 
Lamtuuitas como de uma cousa usual. Demos ps suas palavras >*« Al« 
M merabidse, qued nemen Latine sáuat CoftftxderaH ^ Lawlnoitie 
99 etiam vocitaniur á desertis fjamtunae, sen Lemtsc, i|t balifit ta*(| 
M Afrieanus adpag. 246^ nec non Molalemun á peiaiafacie% qn^p*; 
99 pe qn» cum focminis beHicostssimíTfta velati pugnare in bqitei ia« 
99 lebant. 99 Ninguém dirá (|ue o fllasiré arabUta (Caiiri] s^ pof 
um tmico lacto se servisse da prafavVa gen^rice toiebant, 

<àuanto ás expressões ama«oniro rl/ii ae motlo pugnaruni^ d2(» 
«ede^rem tomar (nem algaem jamais attçmou ) tSp metapbjiic^Joea». 
te, qne por elJas se deva enteftcier ane |is Sarracenas^ de que te tm» 
ta, eram em ttido e por tudo aa imtigas Amaiunai. Baila que te pa«. 
tenda que o eram metaphoricamente lallando no valor e firmeza da 
combater; sentido por certo em qne é maif. obvio tomar aquella fx*. 
pressio. Mesmo áqnelies qne insistirem na fbrqa da etjmologi* mai^ 
commum, nio será fácil provar que todas as Amasonas tivessem o 
-costume de se -privarem do peito direito; prin<')palmente tendo os 
modernos dado este nome de Amasonas ás na<;des, ou ra^as de mu* 
Iheres guerreiras, que se tem descoberto depois das antigas. As me- 
lhores tropas do Imperador de Moiiomotapa* dis-te ter de mulheres^ 
que habitam nas visiubani;as do Nilo (1). i£stas com tudO| apeiar de 



(1) Noel, Dicliounaire de la Fable, tom. l.®« pag , 79. •»• Porém 



— 32 — 

niZo que dSo adoptamos }, e só das circumstaiicías do 
tempo, e logar, em que se dera o combate, e bem at^ 
sim dós nomes dos Chefes combatentes. — Para eviden- 
ciar o que proferimos nSo é preciso mais que ler tanto 
o que refere o Chromcon Lamecemc ( Vej. Dissert. (Mito 
nolog. tom. 4.° Part. 1. pag. 174); como o respectivo 
conteúdo do Chronicon CòmmbnccruCj ou Livro de Noa 
de Santa Cruz de Coimbra. (Vej. Provas Genealog. tom. 
1. pag. 37ô). Ume outro CbronicoD transcrevera tam- 
bém o Author que refutamos em a nota XVI da «ua 
Historia. 

Ainda todavia o neotorismo anti^bistorico não cessa 
de ver se pódc amolgur e achatar a grandeza da Bata- 
lha de Ourique. Lança mão de um argumento, que, 
ainda quando tivesse realidade, por %eT negativo^ nunca 
poderia destruir a validade dos documentos positivor^ 
que tão claramente testificam a grandeza d^aqirelle a 
todos os respeitos glorioso feito. Que argumento é poit 
elle ? £* o silencio dos escriptores árabes. » Nos diver* 
9» SOS escriptores árabes, diz etfe, que nos transmittircins 
» a historia de Hespanha neste periodoy não se eDCOD<^ 
» tra o mínimo vestigio de um tal faeto f> {%). E* po« 



contadas no nomero da» Amaionat^ nlo contta qne •€ prifaMO» d» 
peito direito. — O nosM» Duarte Nanei de Leio n» fé de ApAiaao A- 
lexandrino, historiador fireso, conta qae nat guerrat entre Houi^not f 
e Hes|»anhoes« as moliíeres portnguetas armadas acompanhavam m 
seus maridot nas guerras, e pelejavam tio animosamente como eUet;- 
nonra voltando costas ao Inimigo, querendo vencer ou morrer. (!)• 
Creio que ninguém se lembrará de sustentar que estas Amaionas se 
tivessem- privado do peito dirello. — As Amagona» dií America, sar* 
eondo lemos, differem das Asiáticas no conservarem o peko direito^ 
Vej. IHctionnaU-e poriattf des Feumut eélèbret^ no art. — Am m m 
nes. — Eneychped^ Jfc<AodBf «e, Geograpine Andenne^ tom . l.V 
art. -» Aauizone$, •*» í^m li^io dos Indicados artigos assas se poderá 
colligir quaes tenham sido os sentimentos dos escriptores acerca dnt^ 
Amaionas. CLuaesquer porém que elles sejam é claro que na4« ha. 
que embarace a intelligencia que demos ao Ipgar da Chron&ca dos 
Godos. 



Fr. João dos Santos, na Chronica Oriental, nega que no Reino do 
MonomoUpa haja iaes tmtikerei. (Part. 1.*, foi. 62, v.) 

(1) Uescrip^io de Portugal, foi. 150 v. e 15K 

(2) Hist. de Portng. tom. 1.® pag. Z28. 



— sa- 
rem isto verdade ? £' falBÍssimo. Temos positivos e gra« 
^es testemunhos nos escríptores árabes, que confirmam 
tanto a grandeza do combate, como dodestroço dos Sar- 
racenos. O habil Aulhor do Exame Histórico sobre a 
batalha do Campo de Ourique levou esta asserção á evi- 
dencia; fazendo este serviço á historia nacional contra 
» innovaçâo freneticamente depressora. O primeiro dos 
«scriptores arabe^^, que elle aponta, é Hamed-el- Nalnlf 
embaixador do Imperador de Marrocos a Filippe III 
<)e Hespanha. Este Marroquino de muilo saber e pru^ 
dencia, no Itinerário^ feito com a maior critica e purexa 
<ie linguagem^ que escreveu na sua volta (em o qual^ 
^além da descripçâx) do que viu^ e admirou na Península y 
introduzira todos os feitos prindpaes dos Musulmanos 
desde a invasão de Tarilc até á Batalha de Alcácer Qui* 
bir) nâo teve duvida, quandochegou á épocha do facto de 
Ourique, de terminantemente asseverar, indicando como 
causa do engrandecimento e conquistas da Andaluzia^ 
^ o ter PEnrik derrotado os Musulmanos; não persis- 
^ tindo estes depois dMsso no paiz, senão quando obra* 
9» vam pacificamente; e que por isso ficaram os Cbrís- 
9> lâos neste paiz senhores de suas terras, e de suas ri« 
99 quezas » (1). Este testemunho tão insuspeito, que at- 
tribue á derrota, que os Musulmanos soífreram da parte 
de Enrik, resultados de tão grave valia, assas mostra a 
importância em que os- próprios adversários tiveram a 
Batalha de Ourique. 

O segundo escriptor árabe que desmente a asserção 
negativa do novel historiador portuguez, é, segundo o 
mesmo erudito Autbor do Exame Histórico, Abd«AIí« 
him, o qual na sua Historia, Cap. 33, a pag. 10, diz^ 
reduzido á nossa linguagem, o seguinte : 99 £ neste anno 
99 533 (1139), desbaratou o general Taxefm as multi- 
7> does dos christãos no campo de Attibbat; e iez pere- 
79 cer delles um numero extraordinário; e levou de seus 
y> prisioneiros seis mil captivos: em consequência do 
99 que partiu para Marrocos, e á sua chegada lhe saiu 
7> ao encontro seu pae, o imperador dos musulmanoi^ 

(1) Vej. Exame HiitoricQ etc. $• 16.® enota tlc. , sonda §• acbs 
o re»pectivtf «rabet 

a 



— 34 — 

99 que ficou em profundo desgosto, e cheio de grande 
99 susto y> (l). E^ bem de ver que o historiador maurita- 
no dera por esta narração aos seus a vicloria; Porém 
que importa? Uma vez que se prove que o campo dt 
játlibat seja o mesmo que campo de Ourique, e idêntico 
o combate, forçosamente se ha de concluir da narrativa 
do escriptor árabe a grandeza da Batalha^ que o histo 
riographo portuguez, antagonista delia, absolutamente 
deprime. — O terceiro escriptor árabe é ÍVIuhammed- 
Ben-Abi, que na sua Historia, Cap. S8, pag. 5^ se« 
gundo o Author do Exame HhtoricOj excepto em dois 
vocábulos, se exprime pelas mesmas palavras do prece- 
dente (@). — Quanto a estes dois historiadores, arabei 
arrogarem a victoria para os seus compatriotas; como se 
pôde ella compadecer com o profundo desgosto^ c grath 
de susto que delia proviera ao Imperador de Marrocos 
Aly-Ben-Taxefin, conforme os seus rnesmos histortculons 
affa*mam? (3) Nucvca foram estes oseíTeítos de qualquer 
-victoria, antes de acontecimento bem contrario. Demos 
porém que haja alguém que seja tão pyrrhonico, que 
jiao se resolva a acreditar que as duas ultimas auibori- 
dades dos escriptores musulmanos ( visto differirem em 
ponto essencial das Chronicas christâs ) alguma cousa 
tem com a Batalha de Ourique. Aiuda assim subsiste 
a primeira authoridade do citado escriptor árabe, que 
não tem visos de tergiversavel ; e é quanto basta para 
desmentir a omnimoda asserção: Que nosdii>ersos esm* 
ptores árabes que nos transmiUiram a Historia de Hespa- 
nha não se encontra o mínimo vestígio de tal facto, a fa- 
çanha grandiosa de Ourique. «— Supponbamos porém 
mesmo, que nenhum testemunho em favor da existên- 
cia, ou grandeza da Batalha de Ourique, extrahido de 
•author sarraceno, que terminantemente o demonstrasse, 
tivesse visto ainda a luz publica nos prelos do nosso 
paiz ; estava por ventura o inqualificável historiador por- 
tuguez habilitado com todos os dados de scíencia certa, 

(1) No ^. U>.o, pag. 21 e 22, e em • nota ele., qae contém o ori- 
ginal árabe. 

(2) Exame Histórico $. 18«®, p»g« 24 e nots etc, f qae Iraaicreff 
f original em arabo. 

(3i No Exame Histórico ttCt , pag, Zi, 



— 3B — 

e necessária para^ com entono oraculioo^ dar como por 
caso julgado em ultima iaslaneia : Que nos diversos et*^ 
cripiorcs árabes não se encontra o tninimo vestígio do fa- 
do de Ourique?..» Quem são esses diversos escriptores 
árabes que eilti leu, aoode uâo se encontra o tmnvmo 
vestígio do fuclo de Ourique? Aponle-os se quer que o 
acredilemos.... Mas para que é exigir impossíveis de 
um escre vedor, que nem sequer tem o minimo vestígio 
de sciencia na lingua arábica? E poderá sem esteio- 
dispensável conhecimento pronunciar elle uma similhaa- 
te bravata? Nunca; que nâo faça rir o estóico mais 
merencório L.. Se os examinou pelas traducções, quaes 
sâo eilas ? Ha de ficar no mesmo, senão peior embara- 
ço. A fanfarronada sim ha de continuar a apparecer 
sem véo, que a disfarce, e lhe dê còr que valia tenha. 
— D^aquellas traducgôes de authores árabes que pode- 
rá apontar, que nenhuma menção fizessem da Batalha 
de Ourique,' uma sim vemos que o historiographo tal- 
vez se ufanará de lembrar, e vem a ser a Historia do$ 
Soberanos Mahometanos etc. composta por Abu^ Moldam» 
tned Assaleh^ traduzida por Fr* José de Santo António 
Moura. Não seria todavia novidade alguma se viesse ao 
mercado com a indigitação da tal omissão histórica. Já 
o referido traductor o tinha declarado em uma nota aó 
Cap. 40 da indicada versão. Teve porém o traductor 
por isso em menos a Batalha de Ourique? Tal ninguém 
ha de com verdade pronunciar. £is-aquí a sua nota : 
9> No reinado deste Príncipe (Taxefín) em Ô34 (1139) 
» aconteceu a gloriosa batallia de Ourique, de que o 
» Author ( Assaleb) pão íai menção, ou porque foi mui« 
99 to desgraçada para os seus, ou porque só entraram 
» nella alguns régulos de Hespanha, o que é mais pro* 
79 vavel, especialmente por se achar já então occupado 
99 Aly nas guerras entre os Almuhades. » Ainda quando 
se admitta como Qiais provável a causal da omissão, 
que aponta o traductor, quem ha de d^ahi deduzir qua 
a Batalha de Ourique não mereça a todos os respeitos 
o epitheto de gloriosa^ Note-se que é o próprio Author 
ila original e não bazeada probabilioridade quem lhe 
chama g/ortosa»— Concedamos todavia que fossem só al- 
guns regU(fo$ de Hespanha^ qiie entrassem n^aquella m»» 

5 ♦ 



— 36 — 

moravel lucta; segue-se porventura d^ahi que elles nao 
apie»eotaisem no campo da batalha um exercito nume- 
roâissimo, e nelle se aào batessem porfiosa^ e renhida- 
mente; merecendo este F^eito beJIíco, a todas as luzes, 
o epilheio de grande^ Ninguém tal consequência pode- 
rá affirmar, que para Iqgo não seja desmentido por tu- 
do quanto a historia unanimemente tem escrípto. Assas 
já o lemos evidenciado (1). — Quem porém ler os tes- 
temunhos dos escripiores árabes, que ultimamente dera 
á luis o Author do Exame Histórico^ ha de com todo o 
fundamenta concluir que a causa d^aquella omissão fora 
antes o ser aquella Batalha mui desgraçada e fatal para 
os Mouros. Tâo pouco, segundo faz ver o mesma Au- 
Ibor do Exame HUionco^ não é verdade que a guerra 
contra os Almuhades tivesse occnpadó ^h/ \ pois que tal 
guerra ainda não existia; nem que este por causa delia 
ficasse inhibido de enviar soccorros á Península , como 
eíTeciívamente enviou, e nella se achavam, quando teve 
logar a Batalha de Ourique; conforme já azemos ver* 
(!2). Segundo os Authores árabes, que cita o escrlplor 
do Exame BistortcOy Taxefin achou-se até na Batalha 
de campo de Ouiique ; a ser este o mesmo Campo que 
o Campo de jítiibat (3). — Todavia para que é tanta 
metralhada em matéria meramente accidentalf '— - Ha 
até quem diga que a Histaria de jíuakh é um manu- 
tcrípto errado, ttupeiiOy e mal traduzido. E* o Author 
da Confirmação do Exame Histórico sobre a Batalha de 
Ourique quem o assevera (4). A elte nos reportamos,—^ 
^em a tal asserção cabe senão áquelle que analitica- 
mente, e com todoft os descoolos. a puder demonstrar* 

<ô). 

» 

ti) Na Primeira Parle deita Obra. 

(2) Veja-se a Terceira Parte deita Obra^ pag. 7Í e le^^niofei. — 
JPóde lervir para omeimo iotento apasiagem tranicrípta nesta Gtaar<« 
ta Parte, pae. 37. 

(3) Vej. 6. 16.0 

W Vej. 4§. 9.0 e 12.® 

(6) Como typo analítico (afora ftatrot motiTOs de apreso) nlo p«* 
deroof aqui deixar de recommendar a leitura do Opusralo — ^ Comi' 
ínentario CrUico sobre a Atherteneia do é,o volume da Historia de 
Portugal de A, Herculano e Carta annexa de Pasguai de Gagan* 

foê — coiD£osiç8o do netmo arabista porto^aet, Antvnio Caetane 



— 87 — 

Agora mostraremos, que nao obstaofe o supposto 
silencio (já desmeniido) dos Rscríptores árabes sobre a 
Biitalha de Ourique, outros Escríplores tem havido (e 
por serem estran^çeiros assas sem suspeita) que tratando 
de mnlerías históricas concernentes aos Árabes, nHo ti- 
veram a miníma duvida de ahi, em logar opportuno, 
fazerem menção, sem quebra nem míngua, da valia que 
sempre houvera aos olhos da mais illustrada critica, a 
façanha do Campo de Ourique. — Seja o primeiro M r. 
de Chenicr na sua Obra — Rechcrche% fíiitor%qne$ tt*r 
Ics MaiircB et V Hisloirc dt rEmpire de Maroc. No to- 
mo ^Pj pag. 43 diz poíi o seguinte: 79 Don Alphonse- 
5> Henriques, Comte de Portugal, qui après les divi- 
v sions qu^'I y eut entre les Çhretiens en Eupagne dana 
99 les années precedentes, avoíl cimente la bonne ínteU 
» ligence avec TEmpereur Don ^Iphonte^ se dísposa, 
99 en 1139, à attaquer les jMahométans voisíns de ses 
99 Etats : les Alcnides de Badajoz^ Elvas^ Évora et au- 
9> três lieux, unirent leurs forces à celles que Teisefn 
» avoit envoyées á^/4frtque pour secourir Oreja et mar- 
» cher contre le Pr ince Don Alphonu^Henriqna qui 
y> raiageoit déjà le pays appellé Alentejo^ il «toít prés 
9> iV Ourique^ à peu de distance de Ia Guadiana^ quand 
^ ils arrivèrent prés de son camp qui éloit sur une hau- 
99 teur. Les Mahométans Tattaquèrenl avec la plus 
" grande árdeur; mais ayant éié constanment repous- 
" sés, ils oe pureot le forcer dans ses relranchetinens; 
99 les Portugaís, en étant enfin sortis, fundirent sur les 
T ennemis avec tant d^'mpetuosité qu^iis iesculbníèrent 
99 cL les mirent en fuite, après en avoir massacre ua 
^ grand nombre. Les Portugaís viclorieux renlrèrent 
» dans leur camp et proclamèrenl Roi de Porhigal le 
» Prince Don Alphomo-Henriqucg (l), qui mériloit cet 

Pereirii.,Nelle o erndito eicrlptor, refntanHo da um modo triunfaa» 
te, tanto u conteúdo da tem par Advertência, coroo da orÍRlnaIÍMÍ- 
ina Carta, maf^istralmente coiífimia, c di inconcatsa «olidei à dou- 
trina histórica e critica, que not dois folbetoi, por nós citados, tive* 

ra ei pendido. 

(I) » Ce Prince vainqnit, daos cclte bataille, ciaq Róis ou Ge- 
í» nerauz Mabometaas, et c*eit k celtc círcunstanre qn^on attribue 
^ les rinq ecos qu^il mit dant PécauoD de ses arnies. it ( IC* nota d^ 
Ílr« Cbenier)* 



^38 — 

99 auguftte titre autant par sa naissance et ses belle& 
99 qualités que par la victoire éclalante quMl venoit de 
99 remporter; ce double evenement date de 95 Juillet 

9» 1139. 99 

Seja o segundo Mr, de Marlès. JEsle na Obra — ' 
JHntoire de la Domination des Árabes et dei Maures en 
JEspagne et en Portugal^ tomo $.**, pag. 363 e 364, re- 
fere o que vamos a transcrever : 19 Ce fut ters cette mê- 
99 me époque (1139) qu\41phonse-Enriquez, comle de 
59 Portugal, voulant tirer parti de Tarmée qu'il avait 
» d^abord destínée contre TEmpereur Alpbonse, résolut 
i9 de la faíre servir à étendre ses domaines dans TAI- 
99 garbe. Les vralis de Badajoz, de Beja, d^Evora, d'El- 
í> vas et de Lisbonne, s^unirent pour lui resisler. Ck)m- 
99 ptant même sur le nombre de leurs troupes, ils allè- 
» reot Tattaquer dans son camp, situe sur les hautears 
19 d'Ouríque, enlre la Guadiana et la rivière de Ca- 
99 drao; et ils épuisèrent end^'nutiles assauts la vigueur 
99 de leurs soldats. Quand les Portugais s^aperçurenC 
99 que Tardeur des Almoravides s^étoit ralentic, ils sor- 
99 tirent de leurs retranchemens, et fondirent sur eux 
i99 avec la plus grande impetuosilé. Les Musulmans, 
» renversés par ce choc terrible, se rompirent de toulet 
99 parts, et les Portugais rcdoublant d'eflForts acheverent 
99 de les mettre en déroute, après en avoir tué un grand 
» Dombre. Ils rentrèrent dans leur camp aux cris de vi- 
» ctoire, et dans ce moment d^exaltation et d'enihou- 
•99 siasme, ils donnerent par acciamátion à leur prioee 
39 le titre de roi n (I). EiVaqui como estes Aulhores €»• 
trangeiros, apezar de nenhuma menção delia indicarem 
achar em documentos árabes, faliam da Batalha de Ou- 
rique, Acceite d^elles esta lição tao profícua o Historio» 
grapho portuguez, que tSo excêntrico se mostra ás leis 
da verdadeira e apurada critica ! 

À' vista do que fica exposto, discutido e demons- 
trado; quem poderá aturar que se escreva em uma hi** 
toria chamada de Portugal que — o facto de Ourique 



(1) M On dit que re fot â cette occasion qo'il mít cínq écut dant 
99 ses armoiret en mémoire des rinq wiili» qo^il aroil Taincut dani 
I» cette journée. >« ( B^ nota de Mr. de Marles]« 



— 39 — 

cm um fado que pouco devia avultar fio meio do$ graves 
aconlecunenton^ que então se passavam na sccna politica^ 
tanto na Península como na yífrka? (1). Que escriptor 
politico, que historiador, que critico, quer nacional, 
quer estrangeiro, julgou em tempo algum símilhantemen- 
te, ou cousa que com tal se pareça, da Batalha de Ou- 
rique? Nem sequer em um só, a nao ser no próprio es- 
criptor que refutamos, se ha de encontrar um tão falso, 
e iniquo pensar; dizemolo sem medo de sermos des- 
mentidos.... £na\erdade poderá jamais concebcr-se que 
uma fintalha, que dá em resultado a creaçâo de um 
povo independente, a fundação de um reino, e de uma 
dynastia que o deve governar ; que estabeleee uma no- 
va vassallagem pela acclamação de um primeiro IMo- 
narcha; poderá sim jamais conceber-se que um facto de 
similhante magnitude, e natureza não avulte grande- 
mente na scena politica do mundo, sejam quaes forem 
os graves acontecimentos^ que no mesmo período tenham 
lido logar em qualquer outra parte? Ninguém com ver« 
dade o ha de poder imaginar ! — Não é por ventura um 
successo de tal, e tão pouco vulgar espécie um grave a- 
contecimento para poder hombrear, ou avultar a par de 
outros igualmente graves? Um acontecimento porém 
como a gloriosa Batalha do Campo de Ourique não é 
t6 grave^ é gravíssimo; razão porque devia avultar com 
especial volume e grandeza entre ou no meio dos mes- 
mos suceessos mais graves, que então sepassavam na sce^ 
na poãtica tanto na Peninsula como na africa, £* assim 
que deve pensar, e pensou sempre todo aquelle que co- 
nhece as leis da severidade dialéctica.— Ouça-se agora a 
pôUo o conceito que faz da Batalha de Ourique oChro- 
nista M6r do Reino D. Fr. António Brandão: » Esta 
99 é a celebradissima vicloria que chamamos do Campo 
99 de Ourique, famosa entre as que venera a antiguida- 
99 de, pella desigoaklade do numero da gente, pertina- 
99 cia dos Mouros, e duração de tempo; e no felice 
99 auspicio do Reyno de Portugal muy notável 99 (2). Es- 
te tem sido o conceito invariável de todos os nossos Cbro- 



(1) Vcj. Hist. de Pertaç. tom. 1.® paç. 3;S8. 
Í2) Mooarcbia Lusitana, tom. 3.^ foi. 1Z2» 



— 40 — 

nislas e Historiadores. — Eu quero porém que òlcftleinu* 
nho de uma Sociedade de sábios estranígeiros venha con* 
fundir o anli-nacional historiador portuguez. Eis as suai 
palavras: r> Celte glorieuse vícloíre, qui fut certainer 
J9 ment le fondemeot de la Monarchie Portuguaise, fut 
f) remportée le Sõ de Juillet; et l'on en a depuis touf 
99 jours célebre ranníversaire, pour perpétuer la me- 
9 moire de Ia protection signalée que la Provideoce 
99 avoit accordée à TArmée Chretíenne » (1). £ quem 
jamais dentre os próprios estrangeiros deixou de reco- 
nhecer na victoria gloriosa do Campo de Ourique o/»»^ 
damento da Monarchia Portugue%a? E sendo esta vir 
ctoria certamente o fundamento de uma Monarchia, < 
mui/ notável no felice auspicio do Reyno de Portugal^ de- 
irería ella então avultar pouco na icena politica via Pcm^ 
sula? Nunca tal e quejanda affirmação se ouviu !••• 

Terminemos em iím a analyse do ja assas remexi* 
do, e tundado paragrafo. £' uma contradícçSo que-va* 
xnos a notar, »? Sabemos só, d%% elle^ que AfTonso Heií- 
» riques desbaratou os sarracenos, cujo chefe denomina* 
^ do nas cbronicas portuguesas o rei Ismar, Sroare on 
99 Ex amare, còrrupgão de Omar (€) ou de Ismael, a 
79 custo salvou a vida com a fuga. O campo ficou alas- 
99 trado de mortos, entre os quaes se acharam os cada- 
99 veres de muitas das mulheres, que alli tinham vindo, 
99 e que haviam perecido combatendo como as antigas 
99 amazonas » (3). E* visível e mais que visivel p>or es- 
ta narração; que o Historiador cujo logar copiámos re- 
conhece agora que, além da circumstancia da heroici- 
dade militar das Sarracenas, ha outras círcumstancias 
( taes como o desbarate dos Sarracenps por D. Aflboso 
Hean(jues, e a fiiga de Jsmar para salvar avida)^ asquaes 
como aquella igualmente sSo sabidas. Como é ítto? A- 
caso nao se lembra já o Author da Historia de Portugal 
que no princípio do paragrafo escrevera: » A' excepção 
99 desta (o denodo bellíco das mulheres almoravides) as 

(1) ITistoire Univer^plle e\c, t^nilaite de Tanglait d^ane Socíété 
de CPi|« de lei Ires, tom. 29, pag. 322. 

(2) K«ia rornipçao i^So lha arliou o Author da Confirmação d» 
Mzame Histórico^ pãg. 13. 

(3) HiU. de Portug. lom. 1.^ pag. 326. 



— 41 — 

99 circumsiancias da Batalha de Ourique ignoraniose in<« 
99 leiramenlef 99 (1). — As asserções ultimas, ua verda^ 
de, do paragrafo, subordinadas ao termo iobemos estão 
em manifesta opposição com a primeira asserção deste 
mesmo paragrafo — tgnot^am^sc inteiramente l Passemos 
agora já a outro ramal do grande panai histórico» 

Foi ganhada esta batalha {^e Ourique ) que tão me« 
moravel se tornou com o correr dos tempos^ a 25 de Ju* 
lho de 1139 (@). E^ o primeiro periodo do parrafo im- 
mediato ao que fica transcripto, que está em scena! — 
Profere-se, e isto por uma d^aquellas proposições, que 
em nomenclatura grammatical chamam — incidentes ex" 
plicativaSf que a Batalha de Ourique se tornara tão me^ 
moravel com o correr dos tempos. Que quer isto dizer ? 
Que o tornar-se tão memorável a Batalha de Ourique 
procedeu do correr dos tempos. Temos outro arrepelâo 
para deprimir aquella grandiosa façanha!.... Tira, ou 
deduz porém a Batalha de Ourique o epitheto de tão 
memorável do correr dos tempos^ ou tornasse ella por si 
mesma digna delle? A solução deste problema de apre- 
ciação e estimativa histórica está pela affirmativa da se* 
gunda parte da interrogação. Não ha por certo um s6 
escriptor, assim nacional, como estrangeiro, que tenha 
tratado da Batalha de Ourique, cujas palavra», testífi* 
cando a sua grandeza e vulto entre os factos do mundo 
histórico, não estejam simultaneamente reconhecendo 
que ella é, por força da sua mesma Índole, tão memo* 
raveL A leitura das passagens extrahidas dos Kscripto* 
res, que temos citado acerca da Batalha de Ourique (e 
citaremos ainda) nesta Contraposição criltco-historica^ 
bastarão para sobeja prova. £ não é por ventura logo 
memorável em si mesma, e não pelo correr dos iemp(f»f 
uma Batalha em que .um pequeno e mui desproporcio* 
nado numero de combatentes destroe uma força incom- 
paruvelmente maior f Uma Batalha que dera o ser po* 
liiico de nação aos vencedores, que tão denodadamente 
sacudiram o jugo sarraceno? tJm feito desta cathegoria 
é sempre essencial, e intrinsecamente sobre maneira me* 



(1) Ilift. de Portng. tom. I.0 p«f, 32A. 

(2) Hiit. de PortU|^. tom. XO p«£, 318, 



— 42 — 

mOTXívely 8cm precisar do correr dos tempos para graiH 
gear uma tal qualificação. Porém que digo?.,. Docu- 
mentos, se nao coetâneos^ pelo menos de idade mui proxí^ 
ma lhe deram (á Batalha de Ourique) o nome úegrandcj 
Magnum bellum (1), Lis magna (S). Se esta Batalha 
pois foi logo, em seu berço ou pouco depois, historica- 
mente tida e havida por grande ; é bem de ver, que na 
•ua mesma natui ai grandeza, sem precisar do correr doà 
tempos^ hoiiTe todos os precisos elementos para se tornar 
ião memorável. 

Porém o que coroa, e p8e culminante remate á 
ignorância, òu á má fé, ou a uma e outra cousa, é o 
que immediatamente se segue: n Nao consta, porém^ 
99 to certo quaes fossem as consequências delia yy (3). 
Que, depois demais de sete séculos de existência de um 
acontecimento tão celebre pelo que era em si mesmo, 
como pelos immediatos, c successivos resultados, que 
delle, como de primaria causa e orij^em necessária meiH* 
te se deduziram, viesse um ttnpromaefo historiador apre- 
sentar aos olhos do publico, escripto em lettra redotída^ 
que — não consla ao certo qnaes fossem as consegnemcHas^ 
da batalha de Ourique ; — é uma heresia histórica de 
um lote e dimensão tal, que sobe acima de todo eqaal* 
quer anathema que contra ella dardeje a sciencia ; por 
mais estrepitoso e fulminante que elle seja! — Que um 
Iroquez, um Tapuia, um Tupinamba, ou qualquer ou- 
tro bipede da racional selvática e^ecie, taboa raza em 
matérias de historia de Portugal e de outros paizes ci- 
irilízados do universo, viesse á luz publica côtti tal re- 
quinte de absurdo, pensando que proferia pela boca fora 
um bocadinho d^^ouro ; este pobre homem , ou pobre 
duende teria desculpa, e mereceria até compaixão de 
tão crassa e lanzuda estupidez!... Porém que um genk^ 
um oráculo de litteratura tao idolatrado, um tt/po sem 
segundo em matérias históricas dos nossos /efisses anti-fos-- 
seis dias; uma penna que a todos, mais que o cypr^este 
(se bem que é arvore de máu agouro!) entre os flexi- 



(1) Clironica Gothoriim. 

{2) Clironiron CoaimbrlceDM. 

(3) Hisk. de Portug. iofli. U^ p«g. 228. 



— 43 — 

\dâ irimes, pretende e quer sòbresahír, &e fizesse réo de 
um absurdo de tão agigantadas dimensSes, é fenómeno 
que ha de parecer a todo o mundo incrível enxérgar-se 
na atmoAphera dos humanos desvarios ! -— Na verdade, 
quem ha que tenha alguns laivos, ou tintura da bisto* 
ria de Porlugal, que ignore as comeqvenciai certíssimas 
e mui sabidas de toda a gente, que provieram da Ba- 
talha gloriosa do Campo de* Ourique? Quem nSo sabe, 
ou pelo menos não deve saber, que da víctoria de Ou- 
rique dedu% Portugal, como se exprime o grande Ora- 
toriano Pereira de Figueiredo, os seus principaes Bra* 
%ôc%?... (1). O testemunho de uma illustração tão cons* 
picua seria bastante para dar o merecido garrote áquel* 
la falsa e audacíssima asserção do historiador português! 
— Eu quero porém ainda mais zurzir a iropudenciaj 
com que se ousa desdenhar da verdade conhecida e ha** 
vida por tal. Foi uma consequência immediata da Ba-» 
talha gloriosa de Ourique — o grande abatimento, em que 
depois ficou a valentia e audácia dos Sarracenos. — E' 
um Documento de mui grave pezo que o testifica pot 
estas expressões : Et ex illo tempore fortitudo et audácia 
Sorracenorum valde infirmaia est, O Documento a que 
nos referimos é sem tirar, nem pôr a Chronica dos Go- 
dos (2), — E* de notar que entre os próprios escriptores 
árabes (eisto altamente confirma a veracidade da Chro- 
nica dos Godos ) ha quem falle neste mesmo sentido : 
99 £ dizem alguns dos sábios precedentes sobre o gover- 
99 no da Andaluzia, que ^lla muito se engrandeceu: e 
99 na verdade conquistou com boa posse muitos dos lo- 
99 gares os mais notáveis : e foi isto depois que PEnrilc 
99 derrotou os musulmanos: não persistiram estes depois 
99 dMsso no paiz, senão quando obravam pacificamente; 
99 e por iwo ficaram os christãos neste paiz senhores de 
99 suas terras, e de suas riquezas. 99 Assim se expressa 
Hamed-el-Nabil no seu ItinerartOf conforme traduziu o 
erudito Author do Exame Histórico (3). 

Foram também consequemAas indubitáveis da Bata- 



(1) Elogios dos Reis de Portneal, pag. 15* 

(2) Veja-ie o fim do artigo deliam que fica copiado a pog. 29 etc« 

(3) A pag. 20, 5. 15.« 



— 44 — 

lha de Ourique cííq nlluviao de conquistas, que o gran-^ 
de Monarcha D. AfTonto HeDríqU'es fôra fíMeodo ao» 
Aloufoi DO território lusitano occupado pelos barba-' 
TOS : A conquista de SaDlarcm, de Li&boa, Palmellaf 
Almada e Cintta : de Leiria, Torres Nova§, Óbidos^ 
Alenquer c outras» tDuitas Terras entre o Mondego e o 
T(j(>9 ^^^ quaes dentro em poucos arinos elle se asse- 
nhoreara, batendo e expulsando os invasores. — Aceres^ 
cenle-se ainda a estas a conquista do Alemt(>jo. — - N&o 
íallo das importantes consequências tanto politicas^ co* 
mo religiosas, que nos aponta a historia, que sem con- 
iroversia, são eííeitos provenientes d^aquelle grande e 
treroico Feito. — E' na verdade bem para admirar, ou 
antes para censurar, que tendo sempre todos os cscripto* 
res nacionnes e estrangeiros reconhecido e confirmado 
«m suas Obras a existência indubitável das cotueqtten^ 
ctas da Batalha de Ourique, só o decantado hisloriador- 
iypo da presente épocha a viesse pôr em duvida ! Tanto 
é o furor que o domina contra tudo o que tem relação 
com a grandiosa façanha de Ourique ! — Fallánios de £s» 
tríplores estrangeiros, e a propósito aqui temos um fran- 
cez dos nossos dias, que na sua Obra — Précu de rJSi«- 
ioire du Moyen j4gc — > nâo teve duvida de dar a sub» 
mis^âo du Beira e da Estremadura como consequenáa 
da Batalha de Ourique. La soumission du Beira et de 
r Estremadura avaii été la suife de la bataille d^^OuriqWm 
O Author desta asserção é M. des Michch^ Reitor da 
Universidade d^Aix, antigo Professor de Historia nos 
CoIIegios Reaes de Henrique IV e de Bourbon, a pag. 
1^45 da cilada Obra. 

Porém a esirambotice caricata ainda tem o seu ar- 
rebiquei £il-o-aqui : » A mais provável, continua elle, 
99 é a das devastações ordinárias ne^^tas correrias, quan« 
jí do eram bem sucredidas yy (1). Que é isto? Pois a 
Acção do Campo de Ourique, que devia durar para mais 
de sete horas renhidas, como todos sabem (S),p6dejámai% 



(1) Hist. de PortuíT. tom. \.^ p«ff. 328. ^ , % 

(2) »» Commisiiiim praelium est saoguiooiftntan, pertinav* diiitnr* 
yy num* â prima díei hora ii«qiie ad meridíem. rt (De Antiquilatí* 
but Lusit. JLíb. 4. etc). Asmui André de Reiend^ com todos ot es* 



— 45 — 

9er contada no numero das correriaêf Nunca; a nSo te 
transiomarem toda» as idéas geral e constantemente re- 
cebidas. — O Historiador porém novamente se contra- 
disse; por quanto no período anteriormente citado e 
traoscrípto (1) já lhe dera o nome de Batalha! Ora se 
a Batalha de Ourique nao pôde sem contradícção sef 
classificada como correria ; como quer o historiador ti* 
rar como maU provável uma consequência d^aquillo que 
ella nao é? — E que? NSo é a cotreria em si mesmA 
uma deoaslaçâo ordinária? — Porém deixemo-nos de 
metaphysicas... Que fundamentos históricos (pergunta- 
remos ante^) teve o escríptor da Historia de Portugal 
para concluir aquella probabilior idade em favor daapon* 
lada consequência f Ha de forçosamente ficar de todo 
embaraçado. A doutamente porém lhe dizemos, que ne* 
nhuns fundamentos teve!.... O Historiographo portanto 
arvorou em probabilíorídade aquíllo que não era mais 
que pura e diáfana fantasia!... E é assim que se alar« 
dêa de escrever uma historia altamente documental f Ao 
contrario é assim que a historia se romanliza^ ou antes 
se deanacionalha!,.. Não ha pois um só vestígio de taes 
devastações, mencionado nas historias, praticadas em se- 
guida á victoria de Ourique por D. AÁboso Henriques* 
£, quando se pertende desmentir isto, não se desmente 
com uma probabilíorídade meramente imaginada !*4« D. 
AíTonso Henriques depois da gloriosa Batalha de Ourí* 
que ratirou-se com os despojos, e prisioneiros para Coim- 
bra; e nao consta que nesta retirada fizesse alguma de- 
-vaslaçâo (S). Nem mesmo tinha logar símilhante pro- 
4:ediment09 visto tornar-u^ com9 consta, a iuai terras. 

Mas a veia romântica ainda se nSo estancou. Con- 
tinua ainda a gotejar ! Depois do tal memorando petio- 
do, em que com manifesta falsidade, como j4 fizemos 



criptoref. — Segundo o calculo da Tabeliã Astronómica o natciniett» 
to do Sol no dia 25 de Julho (dia da Batalha de Ourique) é em o 
tiosfo paii at 4 hnrat e 51 minutot Isto prova (|ue ó bem fundada « 
duração que demos ao referido combate* 
(!) Na pa|;. 64 desta Q.uarta Parte. 

(2) Duarte Gal?ao« Cbronica de D. Affonso Henriqttef, pag. 25. 

(3) MooarcbiA LotiU 3.» Parte, lolba 122, v. 



W.46 — 

ver (1), o escriptor histórico assaca que o próprio D. AflTonsa 
Ueariques dera o nome áefoBsado á sua atída% cmpre^a^ 
vem logo após a seguinte passagem: » As circumstaa- 
9» cias peculiares que neste (fossado) concorreram, sen- 
»» do o primeiro tentado pelos portugueses além do Te- 
y) joy e conduzido pelo próprio infante no sertão do AU 
9 Gharb, aonde nunca, ou raro, os chrisiâos haviam 
y) chegado, contribuíram, acaso, para que a tradição 
99 engrandecesse pouco a pouco o successo, a ponto de o 
9» tornar maravilhoso até o absurdo » (S). Eue discurso 
é de uma frivolidade e inépcia tão alheia e absona ao 
bom senso histórico, quanto destituído de toda a som* 
bra de força para menosprezar a Batalha de Ourique, 
como tanto se pretende. £* uma lembrança originalissi« 
ma de um calibre o mais aéreo, e insubsistente. — ' Que 
c\rcum%tanciQ9 peculiares são essas que concorreram nesse 
foliado (a Batalha de Ourique segundo a tão aviltante 
e inaudita nomenclatura do novo historiograpfao) parft 
que a tradição engrandecesse pouco a pouco o successo a 
ponto de o tornar mQrávilhoso até o absurdo f Não basta 
só dizel-o; é prectiio comprobativamente verir?cal-o. — 
Como é outrosim que essas circumstancias contribútraai 
para que a tradição pouco apouco produzisse o indicado 
engrandecimento, conK> seu inherente eíTeítof Quem in- 
culca uma cousa com um determinado e qualificativo 
modo de obrar, é preciso que faça ver os fundamentos 
d^essa definitiva determinação. — - C na verdade é tubre 
modo curioso saber-se, porque motivo as taes circtim- 
stanàas obraram antes wuco apouco do que dé repente^ 
ou de pancada. Esta diSerença tão nova exige Decessa* 
riamente uma razão favorita, um esteio, um sustentá- 
culo, que o historiador deve apontar, se quizer que de- 
vidamente o acreditemos. — £m que épocha em fim 
era o successo só meramente maramlhoso^ e quando che- 
gou elle a sêl-o até o absurdo? A todos estes quesitos 
se acha obrigado a cabalmente satisfazer quem quer que 
íôr que fallar de um modo tão categoricamente desusa- 
do ! -^ Mas para que é apertar tanto com o adversário,. 

(1) Veja-se a Parte Terceira, pag. VT e leguiatett 
\Z) Hist, de Portag. tom» l»o pag. 3;?8 e ^Xè. 






— 47 — 

quando elle próprio já indicara o fundamento da tal eft4 
puría e mal cabida asserção. Qual é poi* elle? Ouçam 
V>dos os críticos c não críticos, apaixonados^ e nao apaí« 
xonados : £^ um puro, e isolado acaiOj que, como to- 
dos sabem, é. o synonimo de lalve% ou por ventura^ uni- 
camente apparece em sccna !... E* porém um timplet 
acasOj que por si mesmo está indicando a incerteza d^a* 
quíllo que se affírma^ fundamento ou baze alguma his- 
tórica, que como tal «e |K)ssa produzir? Nunca» Tal ex- 
pressão denota apenas hypotbese, e jamais realidade. As 
hypothe&es porém não conciliam credito á historia, antes 
tiram-no. — Agora direi que o historiador com simi- 
Ihante conjectura commetteu um crassíssímo e indesCuU 
pavel lapso de ignorância. Sim, quem ha que. tenha ai- 
gum laivo da historia do paiz, que nao saiba que a tra^* 
dição nao foi pouco a pouco que foi engrandecendo o 
successo da Batalha de Ourique? Foi pelo contrario o 
successo mesmo que, logo em sua origem ou pouco me- 
nos, foi havido por grande^ sem precisar da tradição pa* 
ra pouco apouco se engrandecer. Que dizem delia os do- 
cumentos quasí contemporâneos, ou, quando mais não 
«eja, do mesmo século? A Chronica dos Godos e o Livro 
4le Noa de Santa Cruz de Coimbra dao-lhe o nome de 
— Grande, Lis magna^ magnum beUum^ como já vimos* 
Ora se a Batalha de Ourique documentalmente appa- 
receu grande no século ou mesmo na épocha em que ti* 
"vera logar ; não precisava da tradição para pouco a pou'» 
^p se engrandecer. — Disse na épocha em que tivera lo^ 
gar a Batalha de Ourique; por quanto o historiographo 
tem a Chronica dos Godos por um monumento coevo cofn 
as tempos que memora (1)« 

Ainda todavia o antagonista não deu .fim á desan- 
ca contra o prodigio heróico de Ourique. Continua o 
chorrilho: 7> A inclinação aos encarecimentos chega a 
» elevar o numero dos vencidos a quatrocentos mil 
99 sarracenos^ e a fazer intervir na tentativa o próprio 
» Deus fy (S). Que prova dá o historiador de que o nu- 
mero dos vencidos elevado a quatrocentos mil, fôra ef<* 



(1) Hiit. d€ Portog. tom. !.<>, nota 16.* 
12) m%U de P^rtu^. tosa. UO fg, 92% 



— 48 — 

feito de incr%naçâo aos encarecimentos f Dará por ventu-' 
ra alguma prova histórica e documental? Aonde poréni 
encontrou elle título algum autographo, ou apographo^ 
que ineluctavelmente evidenciasse que aqueile numero 
era eíTeíto de inclinação aos cncarecimenlos ? Em parte 
alguma ; ha de necessariamente ouvrr pela voz unanimer 
de lodo o mundo. 8e pois o escriptor nâo pôde provar, 
e confirmar aquíllo que avança, para que o ha de pro^ 
Dunciar como certo? Imaginou, como dizem, lá com 
os seus botões ( e olhe qué nâo é linguagem de má no* 
ia ! ) que o tal numero éra encarecido ; e é isto bastante 
para se dar por certo aquelte encarecimento? Não é |>or 
meros actos de consciência psycologíca, que se decidem 
os facto» históricos, e se estabelece a enístencia, ou não 
existência de successo», ou fenómenos, que tem o seu 
âmbito fora d^ella. £' sim pelo testemunho externo dos 
que veridicamente a testificam. Se este nâo existe, mal 
se pôde avançar qualquer asserção em abono ou desabo- 
no de um facto, ou aUribuir um eífeito qualquer a uma 
designada causa. O escriptor (aquém tuda quanto é da 
Batalha de Ourique cheira a patranha de era Afibnsí- 
oha) faz-lhe espanto, por não dizer medo, a bicharia 
musulmana, que veio contra o vencedor de Ourique! 
Julgou pois que nas paginas da sua extremamente ver^ 
dadora historia não podia caber tão grande e estupenda 
mole. Procurou então meio de a despenhar e siibmer« 
gír no aby&mo do insigniãcante nada. Julgou elle de si 
para si que o numero era indubitavelmente romanltca, 
e como a inclinação de tudo votar ao encarecimento ó 
o seu caracter predominante, para ahi atirou com aquei- 
le avultado, e por elle não recebido calculo. Esta dia- 
léctica porém está muito longe de ser de um historia* 
dor qualquer; pois que este ^6 deve levar-se d^aquillo 
que tem justo e seguro fundamento. 

Na verdade porque o numero dos vencidos é exces* 
sivamente grande; deve-se logo concluir que proviera de 
inclinação aos encarecimentos? Não por certo; aliás de-' 
cahiriam docredico, que sempre tem lido, varias das ba- 
talhas da historia antiga, e mesmo até da moderna, 
^ào é bastante proferir — houve encarecimento — é ne- 
cessário demoastral-o« Ora quando nomes respeUavtâ» 



— 49 — 

escrevem, e admillem factos, ou circumstaocíat, que 
passam da esfera ordinária dos usuaes successos, nâu é 
com um simples dizer — houve encarecimento — que se 
deita abaíso a fé que merecem. Para destruir o que el- 
Ics referem é necessário duas cousas, ou mostrar que el* 
les não tinham fundamentos para asseverar aquillo que 
escreveram, ou que aquelles fundamentos que tiveram 
nao eram sólidos, e convincentes. Nada dMsto fizera o 
historiador, que combatemos, logo deve ficar ille«o nas 
paginas da historia aquillo que escreveram os dois dos 
mais antigos Chronistas portugueses, Duarte Galvão, e 
Christovâo Rodrigues Azinheiro, e depois delles A. de 
Rezende, Nunes de Leão, D. Fr. António Brandão, Ma- 
noel de Faria e Souza, e outros muitos autbores em to« 
das as épochas (1). Pôde bem ser que elles enunciassem 
uma íllusão, uma falsidade. E* preciso porém analiti- 
camente fazel-o ver. Sem esta operação critica e de* 
monstrativa deve subsistir como admissível aquillo que 
elles escreveram. A propósito diz Mr« la Clede: Todo 

(1) NSo qaeremofl com itto diter qae ot mencionadoí escríptofct 
eit^am de accordo relativamente ao numero dot combatente! dot 
doít exércitos. — Pelo contrario ba n^itto Tariantet. Duarte Galvio 
refere que da parte dot Mourot a multidão era in/tnda^ barendo«te 
por certo terem ponco menos de cento para um Chrittao: tendo ot 
Portugaeiet apenat oníe mil. (Cbron, deD. Affonio Henriqueta pag» 
17e2tí{). — Cbrittofio Rodrigues Atinbeiro tei;ue, a ette respeito, n 
metma opinião, e tó di?ertifica em dar cem Mouros para cada Cbri* 
slao. (Cbronic. etc. pag. 21, e23). — Duarte Nunes de Leio etti intei- 
ramente de accordo com o precedente. ( Cbron. etr. foi. 27 r. e 28 
▼.) D. António Brandão fai oníe, ou secundo aUfuns^ done mii ho* 
wnens aot Portuguezet^ e quatrocentos núi aot Sarracenos^ seteando 
authores graves; dando por tradição recebida de que eram quati 
cem Mouros para um Cbrittio. (Monarch. Lutit. ton« 3.^ foi. IIT). 
Manoel de Paria e Souta dá ao exercito dot Sarracenot cinco Reit« 
(alem de quinse régulos) com oitenta mil bomens cada um, e treie 
mil homens aos Portogneies. (Burop. Fort. tom. 2.® pag. 40).— No 
meio desta Tariedade com todo de opiniões uma ccrteia se colllge^ 
e vem a ser : Q.ue todos estes escripiores estio de accordo em que o 
numero do exercito Sarraceno era IncoroparaTelmente multo maior 
<|ue o do Chrittio. Nem outra couta se deve, ou pôde colligir sen* 
aatamente á vista dos taes mencionados cálculos. — B^ de not«r qu« 
ninguém ainda nos séculos seguintes tivesse combetido eita concluo 
a2o, aolct confirmado-a. Nesta cUne, omittindo outros, nÍo pode* 
mo» deixar de mencionar os dois grandes sábios, D. JFV*. Manoet da 
Cenáculo ( V. Cuidados Litterarios pag. 389 ),e António Pereira de 
Figueiredo. (V. Blogiot dos Reis d« Portugal, pag, IS ate,)* 

4 



— 80 — 

o exercito (falia dos Mouros) montava a mais de ireien^ 
tos rml homenftj numero incrivelj se não fosse at testado 
portados os historiadores deste pai%. 99 Toule Tarmée moo» 
f> (oit à plus de trois cens mil homines, nombre íncroin* 
f> ble, sMl n^étoit atlesté par tons len bistoríens de ce 
V pais (l)*" Aqui temos um historiador estrangeiro, de 
bem conhecido nome, que, *á vista do que attestam lo- 
dos os historiadores do nosso puiz, não julga encareci» 
Tnenlo o mencionado numero do exercito Sarraceno. Res- 
peita o que referem os historiadores portuguezes,... Ena 
verdade ou elles tirassem o numero grandioso dos sarra- 
cenos de antigos documentos, ou tão sómenie referissem 
aquillo que houveram por tradição, em ambos 09 ca- 
809 tem direito á nossa credibilidade; em quanto se lhes 
não mostrar com fundamentos históricos o contrario. — ' 
Subsiste por tanto em todo o seu vigor contra o antago- 
nista a geral approvação dos anthores^ os quaes escrecen* 
do da Victoria de Ourique confessam ser grandíssimo o 
exercito dos Mouros e mui limitado o nmrtero do» Porlu' 
gtte%es ($). Sirvo-me das palavras de um dos nossos mais 
insignes historiadores. 

Aioda leva mais a barra adiante o historip^rapho 
innovador. Avança lambem que a inclinação aat enca* 
reçimentos fizera iritervir na tentativa o próprio Deos* 
Quem disse, ou por onde fundamentalmente constou ao 
ort^nalissimo escriptor histórico^ que o fazer iníérzikr o 
próprio. Qeus fora eíTeito da inclinação aos enearecvnen* 
tosf Por mais que volva e revolva toda a archeologia 
histórica não ha de achar rastro, sequer, que o favore- 
ça. Para que pois escreveu cathegoricamente uma cousa, 
que não poderá provar? — « Analysaria elle o facto 'para 
desta analyse tirar a conclusão que da inclinação ao en^ 
catecimento proviera ofa%er»se intervir: ha tentativa ó pro^ 
pfio Deos? Por certo que não. Quem analysar o facto 
glorioso de Ourique, ou como o seu adversário falsamen- 
te lhe chania por menoscabo, a tentativa^ ba de pelo 
contrario reconhecerp por força de convicção e não por 
inclinação aos encarecim,entos^ que naquella façanha de- 

(1) Hist; Gen. de Port. tom. 2.^ pag. (?9. 

(2) Munarchia LuiiUns, Psrte 3.^ folha 117 ▼. 



— 81 — 

vta baver intervençSo divioa. E oa verdade quem fiSo 
ha de reconhecer uma iotervenção sobrenatural, e divi- 
na na victoria de um exercito tão pequeno sobre outro 
incomparavelmente muito maior, c por muitas outras 
circurnstancfas altamente temível ? — Houve um sábio de 
grande renome, que nos fins do- século passado miuda« 
mente as expendeu para mais evidenciar o extraordiná- 
rio da Acção (1) !...• 

Demos porém já que o exercito dos Mouros naò fos« 
se de trezentos, nem quatrocentos mil homens, mas quô 
fosse de trinta, ou quarenta mil, e o dos Porlugtiezes d& 
onze a treze mil, segundo dizem; não é porventura Mta 
prodigio, fora de tudo quanto se podia esperar das forças 
humanas , o desbarato de um tão grande exercito pôr a- 
quelie que lhe era tão inferior em força? Se os pheno- 
menos acima da ordem commum physica, e moralmen* 
le constituída se não avaliam por estes parallelos, por 
qne outros se poderão avaliar? Em todos os successos 
desta natureza, a philosophía, ainda mesmo do Chamado 
Deista, que reconheça a providencia do Arbitro Omni- 
potente sobre o universo, não deixa de confessar a ma- 
nifesta e especial influencia de sua mão poderosíssima. 
£ porque causas ordinárias se poderão explicar successot 
tão caracteristicamente extraordinários? Por nenhumas; 
aliás oeíTeíto seria maior do que a pretendida causa. O-^ 
ra que óbice prohíbe ao historiador, uma vez que não 
seja de typo atheu, recorrer a intervenção da Divinda- 
de, quando vê queosuccesso é d^aquelles que se elevam 
acima do calculo do poder humano? Ha no mundo tan- 
to physico, como moral algumas vezes successos, fenó- 
menos tão fora da orbita commum, que para o historia-* 
dor, ou pbilosopho lhe assignar uma causa é preciso re« 
montar-se áorigem suprema de todas ellas, e exclamisr: 
Digitns Dá e$t fúc! Este pensar não é resultado de tn* 
clinaçâa a enecurecímenioi^ é efTeito de uma convicção 
eminentemente dialéctica, ú que o levla por si mesma a 
grandeza do acontecimento. E* còm razão para cortar 
tiies nós que é preciso fazer intervir o próprio Deon: 



(1) Vej. Cuidados Lillerariefy p«;. 3Tf é leguintéi. 

4« 



— 84 — 

p sa 9» (l). £ quem duvidou jamais que o fosse f Acaio 
o testemunho dos Chronistas antigos, e ainda dos histo- 
riadores modernos, nâo é bastante para se acreditar que 
a batalha de Ourique fora a pedra angular da Manar' 
chia 'pori'ugU€%a ? Acaso valerá menos o seu parecer que 
o desdém do novíssimo historiador português ? Nunca. 
Aquella unanimidade é pois bastante para o rebater !(t) 
^- E^innegavel além d^ísto que p Batalha de Ourique 
tem em si mesma um valor intrinseco acredor d^aquel- 
la qualificação. Entre os historiadores modernoft, que 
por similhante modo ajuizam da Batalha de Ooriquff 
cumpre nao menos comprehender os estrangeiros. Aqoi 
tenho eu, para que nao fique odito sem prova, Nítm.Aitt 
qutíil^ Membro do Instituto. Nacional de 'Paris. Dif 
elle : La fondalton du royaumc du Portvgal date de cd 
évcnemenf memorable (3). • — Que admira porém que iSo 
devidamente avalie a Batalha de Ourique em tempoi 
modernos um escriptor francez, quando ha mais de doii 
séculos^ e ainda mais expressivamente, pronunciara j& 
o mesmp juizp um dos mais conspícuos historiadores dt ' 
naçSo yisinha, e nossa antiga rival. £^ elle Jimts (k 
Marianna. Qualifica pois este ^scríptor (que ninguém 
dirá ter apadrinhado os poriuguezes) aBatalha doCam? 
po d^Ouríque por uma dai mais memorav^i. que bc ti? 
ram n^aqv^lla era, depois da qxial em breve o poder c 
forças de Portugal se augmentaram sobre mqnfira (4). 
Algum historiador mais da mesma nação appareceriá 
em publico, se necessário fosse, em defeza da verdade 
inçon testa v<sl que sustentamos. £^ porém escusado. 

n. Alli, prosegue o fústoriographo pçriugtustf ot sol? 
» dados, qo delírio de tão espantosa víçtoria, de que 
99 haviaoi sido instrumentos e víciímas cinco rei$ mou* 
97 ros, e oseiercitos sarracenos d^ Africa, e de Hespanhfi 
» acclamaram monarcha o moço principe^ que os coa- 



(t) Hist. de Portugf. piif^. 329. 

(2) Conforme a esta uDanimidade eitá o testemunho da hittoris 
tiniversal, ( Hiitoire UoiTerselle, etc.) transcripto a pag. 40 detU 
parte. 

(3) Prérif de PHUtoiM UniverseUe, tom. V.^ p»g* HM. 

(4) Historia de KspaSa, L, Xv Cap. XVII do tom. 4.0 psf • 115. 



•• ti 

o5 



r (luzira ao iriumpho» (l). Que conlradicç^es tSo mani* 
festas e palpáveis nâo saltam aos olhos do analysador 
que tiver a curiosidade de comparar esle período com 
aquíllo que anteriormeDle o aulhor da Historia de Por- 
tugal escrevera para deprimir a Batalha de Guriqtie? 
Chama-lhe agora t^idoria efpantosa^ e tao espantos^) 
sim, tâo espantosa, que produziu nos soldados o delírio 
(enthusiasmp forte e espontâneo) deacclamarem monarcha 
o moço pnndpCf que os tinha condwúdo ao triumpho !,»• 
Ainda porém no período antecedente {ivaliára elle a fa- 
çanha de Ourique, como um facto, que pouco devia a- 
vultar no meio dos graves acontecimentos^ que então se 
passavam na spena politica, tanto na Pentnsula^ como na 
j4fricaL.. (g) Que é isto? Uma victoria tâo esparUosOj 
que dá em resultado tao grande successo, é por ventura 
um factOy que pouco devia avultar no meio do que se 
passava na scena politica, nâo digo já na /éfrica, mas 
até mesmo na Pentnsulat Ou não é victorm espantosa^ 
ou se o é, nâo está n^iquelle caso de pouco, antes de 
muitíssimo, poder avultar na scena politica dos povos ci- 
vilizados. 

Que mais temos? Em outro paragrafo mais remo- 
to confessa elie, ou antes assevera, que os Sarracenos da. 
Península de necessidade deviam buscar recursos em, si 
próprios servindo-se para cortar o passo aos christâos, por oc- 
casíâo daBatalha de Ourique, unicamente , das forças, que 
partindo para a africa lhes deií^ára, Tachfin (3). Agora 
neste paragrafo, que analyzamos, vem historiar á face 
de todo o i^niverso que o quizer ler, que lia espantosa 
mctoiia foram viclimas do destroço, além dos cíncQ reis 
mouros, os exércitos sarracenos d'^/ricfl ede Hespanha* 
Ora se D. AtTonso Henriques venceu no Campo- d'Ou- 
rique nâo s6 o exercito dos Sarracenos de Hespantia, 
mas também o de Africa ; como é que se pôde concluir 
que os Sarracenos dè Hespãnha estavam s6 entregues 
aos próprios recursos ^ isto é, aos desta terra? Ou oexer»- 
cíto da Africa já se achasse na Península, quando del- 



(1) Hist. de Portug. tom. 1.® pag. 320. 
(2} Hisl. de Portug. tum. í,^ pag. 32». 
(3) Hift. de Portug. tom. U^ |pag. 32á. ' 



— se- 
la partiu Tachfin, ou viesse para ella ijepois da partida 
delle para Marrocos; em qualquer dos casos nao èe po- 
derá affirmar que os Sarracenos da Península fanisó- 
mente buscassem recursos em si próprios. Ao coDtrarío 
pelas próprias palavras do nosso hlstoriographo se está 
vendo que os Sarracenos peninsulares tiveram além do 
seu exercito na Batalha de Ourique^ um exercito da A- 
frica(l). — Masque digo? Como é que um cpmbateapé 
quèdo^ e, como vulgarmente dizem, á barba teza, entra 
tâo innegavelmente formaes exércitos, a ponto de pro- 
duzir a favor de um d^elles uma victoria espantosOj p^ 
de ter o nome de correria ou fossado^ como já vimof| 
lhe chama o historiador portuguez? (t) Taes nomes difc- 
dos á Batalha de Ourique sâo a mais completa contra- 
dicção, por não lhe chamar irrisão, ao que fundamental 
e positivamente depSe a historia ; c por isso dignos de 
tudo quanto é desprezo! — Ainda mais: Como é que 
o hlstoriographo, por mais subtil que se inculque, pôde 
conciliar a idéa de fileiras rareadas (3) da parte dos Sar- 
racenos na Batalha de Ourique, confessando na sua his- 
toria ao mesmo tempo que elles apresentaram em com* 
bate nada menos que dois exércitos, um da Hespanbay 
outro d^Africa? Certo; se nao sao l>astantes dois cxer^ 
eitos para tornarem compactas as fileiras dós combaten- 
tes, caricatamente se lhes dá tal qualificação, -^ Se o 
mui singular historiador porém, qualificando de iãp es- 
ppniosa rnctoria o Feito de Otirique, no que expSe, \nh 
Tez ironicamente, repete tamsémente aquillo que con- 
tam os chronistas antigos j ç ainda os hisloriadí^e» fnúdenr 

nos^ esta mesma narrativa | em ppppsta unanimidade 

• 

(1) Lembramof também aqui qufí q liiflorirp d^prer|ador« iniiif 
adiftntf, (etquéridopor certo do que anteriormente atyeverára) de* 
Tê i'|n tora de trienrpjf certa, e até rpm um pelo ftiffi^ para maior 
•e^ur»ii<;a, tò os rbefes mutulmanot do Aleintrjo, fem ^Igun» oiitrqf 
qne se IhoM unissem, sabidos a r amjío para atalhar a invatao do ter* 
rivel Ibn Rrrik, por outra, D. Affbnso Henriqtief (!)• E' mait Ofi- 
tr^ rootraclirtiSo, rqpa qi^e nfii brinda! 

(?) Veja P*>rle Terceira desta Obra,* pag. 96 e seguintes* 

(3) Uíst. de Portug tpm !.<> pag, 321. 



(1) Hitt. de Portttg. tonii Ifi pag. 327. 



— 87 — 

contra o Aulhor da Híttoria de Portugal, indubitável- 
mente está outrosim conderonando at extravagantes in* 
novações, que elle dera á luz para deprimir o Feito 
grandioso de Oiirique. 

K* todavia bem para notar que o acintoso menos* 
preciador da Batalha de Ourique, sem o saber, ou sem 
o pensar, deixasse escapar no par rafo que temos analy- 
•sndo expressões que até a exaggeram. Sim, assevera el* 
le alli terem sido victimai em tão tspantota vtctona cin* 
4:0 reis mouros. Em que documento, ou instrumento his- 
tórico achou elle que os cinco Reis moiros vencidos em 
Campo d^Ourique por D. Afíbnso Henriques fossem 
<]ualiricados com o nome .de victimai f Em nenhum de 
certo o achou, nem o ha de achar. E poderá, ou deve- 
rá «ter o «ame de víctima aquelle que foge a toda a bri* 
da para escapar ao ferro do vencedor f Diremos antes 
que escapou de o ser. Ora todos sabem que Ismario e 
4odos os que estavam com elle, vendo o caso mal para- 
do, para não serem vtclimatj tomaram, como dizem, ai 
de mlla DtogOj ou por outra, deram ás trancas: Fi^t 
âpse, el omnes qu% cum eo eraní (1). Fugiu não só Isma- 
rio, mas também os Beis que com elle se achavam, con- 
forme explica André de Rezende: Fugtt ipte (Ismario), 
et una Reges^ qui cum eo erant (9). -^— £ quem jamais 
deu onoBve de mctimos aos que escapam ao inimigo fu- 
gindo, e nao só, e precisamente aos que ficam mortos 
no campo da Batalha? Ficlima por tanto em relação a 
um combate, ou victoria espantosa^ ou nâo eipaniosúy é 
só aquelie que nejia perdeu a vida, e não aquelle que 
a salva pela fuga. E na verdade aonde está aqui o sa- 
crifício essencialmente inherente á idéa devictimaf E* 
porven-tufa fugindo que se sacrifica ávida em defeza da 
pátria? O tal novo typo de victimoB é sem duvida de 
um caiacter, e vestidura caricata !••• A Batalha de Ou- 
rique nao precisa delias para ter, como sempre teve, a 
ciiihe^cria di* grande!... 

Agora perfruntareí (e nao é v3 curiosidade) se è 
ceiío que D. Affonso Henriques^ quando dera a Bata« 

(1] Na Chronlra Gothorum, 

I2) De Aotiq. Lttfitao. Ltb. 4. pff, ZKK 



— 68 — 

Jha de* Ourique, >Rondc o acclamaram Monarcha^ esiuva 
ainda no ca^o de te Ibe poder dur a qualificação de mO' 
ço príncipe j que Ibe apropria o Historiador poriuguez no 
trecbo já copiado? (1). Diríamos que nSo. E pois até 
.podemos ter, estribados em bom apoio, ipor erro bisto- 
fico ú tal característica. D. Afíonso Henriques tinha 
.quarenta e cinco annos de idade^ quando se achou n^a* 
.qu<?l]a gIorío£^a empreza. F/ isto o que refere o Chro- 
nista Chri»tovão jFlodrigues Acenheiro na Cbronica dos 
Hei» de Portugal, Cap. 3.° pag. 24 (2). O período da 
■mocidade, ou idade de moço só se com prebende desde 
14 ale S4aS5 annos, como facllm»'nte se poderá saber por 
qualquer Diccionarío, que nao fòr mesquinho de esipli* 
.cações. Ora quarenta e cinco annos já é idado muita 
afastada d^aquelle computo. AJocidade de 45 annon é lá 
para a primeira idade do mundo! D. Áffonso Henri- 
ques. nao era porém contemfX)raneo de Isaac !.,•• 

Porém demos que o computo de Acenheiro possa 

«er rejeitado, visto n matéria ser controversa. Acaso lai 

rejeiçâp é argumento algum, nem apparente, paia que 

o historiograpbo enuncie como certo que a D^ Afíonso 

.Henriques compotia n^aquelle tempo a qualificaçio de 

.7720^0 prindpe? De nçnhuma maneira. Antes é muitis- 

;SÍmo para e&tranliar que qualquer escriptor inculque em 

suas obras com caracter de cetteza aquillo que não .paa- 

.sade ponto controverso (3). 

(1) A pBpiias 64. 

W Vej. u 3.<> voL dos Inéditos da Historia Portugutta^ pnbli* 
cados peU Academia Real das Scienrias. 

(3) A questão sobre os annos que tinha D. Aflbnso HeDrlqaes, 
quando comniandon a fsrande, e gloriosa AcqSo de Campo dMlàri- 
.q.ue, naKQ ^9^ inrerleza que lia a respeito do anno do seu natrimen* 
to. Pereira de Fij;ueiredo meuriona seis opiniões diflereiítes. I>e to* 
i>ns porém aquella que lhe merece mais fe é a que poe o nascimento 
«le D. Aflfbnso Henriques no anno de 1094. Esta opiniSo foi a mes- 
ma queseguju Marias Brito e Marianna, j^uiadns pela Chronica de 
Duarte Galvão, como o referido erudito nota (])• Ora vé-se que A* 
cenbeiro também estava em idêntica opinião, (que é a que tem mait 
vo^a) quando historiou ser' de 46 annos aquelle príncipe, ao tempo 
á^aqaella famosa Batalha. -^ Ha todavia quem rooderuameute tenha 



(I) Vid. Klosios doi liei» do Partagal, nota 2^ 



— 89 — 

Conlínuemoa a trasladar: n Algumas porém da» 
T memorias, ou coevas, ou mais próximas, conteotam* 
yi se de exaggerar q numero dos inimigos, omíliindo as 
97 outras particularidades, que o tempo foi accrescentan- 
99 do ao successo» (!)• Que xntmorw são e$$as caevai jou 
mais proxlmai^ que cabíram em tal assi^verada exaggDr 
ração? Indique individualmente . os seus nomes; .por 
quanto generalidades são farçfias românticas, que roe- 
nhum pezo fazem na balança da credil>ílidade histórica.! 
*— Transcreva os logares em que se dá, e existe a exag- 
geração de que aq.uellas memorias são accueadas. Não 
basta porém só isto. £^ preciso que com testemunhos de 
maior força elle apoie, e evidencêe a arguida exaggera- 
.ção. £m quanto o antagonista histórico nâo satisfizer a 
icsles requisitos, a sua asserção é uma pura e fantasiada 
abstracção sem algum signaculo de realidade. •— O His* 
toriador porém apresenta um aranzel da sua lavra, que 
elle pretende embutir como fundamentos inconcussos do 
queaffirmára. £il-o aqui todo inteiro: 9» Dizemos exag- 
9y gerar, porque o limitado das forças nlmoravides, que 
?r guarneciam a Hespanha musiilmana, segundo se vô 
99 do que anteriormente narrámos, e a rapidez da lava* 
9> são, feita em quipze, ou vinte dias, não consentiam 
99 virem a Ourique tropas das províncias mais remotas, 
79 ainda suppondo a existência dessas tropas, o que< o 
99 abandono d^Aurelia bastaria para nos constranger* a 
99 não acreditar 99 (2). Já fizemos ver, é posilivameule 

pretendido rejeitar a expendida opinIXo sobre o nascimento de D* 
Affonio Henriques. O Arademico António d^ Almeida pretende pro« 
▼ar que fâra do anno de 1106 por diante (1); e mais jirovaTelroente 
em 1109. (2). B' etta a opinião do notio liittorio|rrapho ? N2o. Bl|e 
segue a opiniXo originalíssima; que nascera em 1111 (3). Por e«ta 
computado devia D. Affonso Henriqvrs ter na épi»cha da Batalhla 
de Ourique apenas 28 annos. Reporem preferirei esta opinião áquel* 
la que lhe dá 46 annos n^aqnclle tempo, a qual se fondn no com« 
mum dos historiadores? Tal ninguém na de diíer ! 

(1) Hist. de Portug. toro. 1^ pag. 329. 

(2j Hist. de Porlug. tom. l.o pag. 329. 



(1) Mem. da Acad. tom. íí,^ Parte 1 *i pag. OO. 

(2) Mem. da Acad. tom. 12^ Parte 1.* psft 148. 

(3) Hist. de Portn^. NéU H.» ^ 



— 156 — 

demonstrámos que tudo quanto acarretara o historíogra* 
pho para fazer acreditar o imitado doB forçai almoravh^ 
dt$ na Hevpanha musulmana^ nSo era mais que produ- 
cto de mera e romântica faoiasia. Na verdade que vale 
tudo quanto se angariar para provar o limitado das for* 
ças ai mora vicies naHespanha musulmana, uma vei que 
ie nio chegue a mostrar o numero certo, que definití- 
fftmenle asconstituia? Sem ter esta baze de certeza em 
"vão se pretenderá concluir que aquellas forças eram lí* 
miradas. Ora o Historiador de novo c tão original gotto 
esteve, e está muito longe de poder apresentar ò roeu- 
«rionado calculo, ou dado definitivo das forças musttlma- 
nas na Hespanha. Sendo isto assim, como épo6sivél tx>iii 
certeza histórica caracterizal-as de limitadas? Todo o 
inundo, ainda de mediana esfera, ha de reconhecer a 
jmposMbil idade. O Historiador por tanto, que comba- 
temos, tirou uma consequência de principios que nâo 
pôde, nem podia jamais estabelecer. — Nâo é todavia 
com paralogismos doesta natureza, que se destroe o 'que 
asseveram as antigas Memorias sobre a grandeza do exer- 
cito dos musulmanoB na Batalha de Ourique. Ponha» 
tnoB que ellas fossem exaggeradas ; é por ventara coíh 
•uppostos gratuitos, e sem baze solida, que se destroe a 
sua exaggeraçâo? Nunca. £stes argumentos de iatergt* 
veifavel dialéctica corroboram aquillo mesmo que já éx« 
pendf^mos e discutimos sobre a matéria. — Ouça-ie ago- 
ra, em apoio do ponto restriclo, que temos sustentado^ 
o parecer de um historiador estrangeiro, de reconhecida 
^<^g^9^ que não é suspeito: » Segundo ôs antigos Do* 
9» cumentos o exercito ■ sarraceno era muito numeroêOl e 
9f o de D. Affonso Henriques, ao contrario, inuUo tfi^ 
99 minuto: esta notável diíferença épor ú nusma bem a« 
'» credttaael em razão da extensa população da Hespa* 
fí oha Árabe, augmentada continuamente pelos enxames 
9> de Africanos que em repelidas caravanas vioham ca<-> 
y> da \ez mais povouKa, comparada com o pequeno es- 
» lado de Portugal, mal povoado, e minguado em ex* 
79 tremo por siias alongadas lulas com Castella f> (!)• 



(1) HUt. de Portug por Henriqne Scheffer, pag**^ «'^ 



«6t — 

IStídeDtemeDte eate dizer está ém diametral opposíçSo 
ás acintosas idéas do antí-nacícmal hiHoríographo ! 

O segundo fantasmagórico fundamento é «r rapiden 
da invasãoj fsUa em qmme ots mnU diai. — Que prín* 
cipios de certeza tem o fiscriptor para asseverar que a 
invasão fora feita dentro de quime ou vinte dias? Ne« 
nhuns. £* apenas uma graciqsa, e precária conjectura. 
Uma conjectura póJe porém enunciar-se como razão, e 
princípio demonstrado para deduzir qualquer verdade! 
Nunca. Ora não se podendo verificar o período dentro 
do qual fora feita a tal embutida invaiâoj íica igual* 
menie duvidosa a sua rapidez. — Disse ser uma gracio* 
BGj c precária conjectura; ,por quanto o Historiador es» 
tabelece o começo da invasão no mez de Julho^ funda- 
do em uma Doação de D. Affonso Henriques, que tem 
a data deste mez. Menciona porém acaso esta Doação 
o dia designado do mez, em qu^ fora feita? Não (1). 
Sendo isto assim, quem não vé que é puramente gra- 
tuito marcar o período 'da invasão dentro de qrviítie ou 
vinte diatT Porque hão de ser precisamente esses dias, e 
não hão de ser mais alguns? Porque se ha de marcar o 
período da pretendida invatâo dentro de 15 ou SO dias, 
e não estender-se até $5, dia da data em que se dera a 
Batalha? Não ha razão alguma para preferir antes uma 
do que outra opinião. Temos por tanto que o calculo 
do período da invasão é uma hypothese, que pôde ser 
desmentida por outra tão admissível como ella. — De- 
mos porém que a tal chamada invasão fosse ao certo 
comprehendida no período de quime ou vinte dias; que 
provas dá o Historiador, de que então não podessem vira 
Qurique tropas musulmanas das províncias mais rematai 
da Península hispânica f Nenhumas. £ quem disse ao 
antagonista histórico que as taes tropas das provindas 
mais remotas ainda não se achavam unidas ás outras an-> 
tes do mencionado período? Ninguém; antes pos Au- 
thores se encontram elementos para colligir o contrario* 
Na verdade elles nos testificam acharem-se em Campo 
de Ourique tropas de regiões mais longínquas^ que ai 

(1) Vej«-t« o que fic«a IraoKripte iiaTercfira Piwte deita Obra» 



— 62-- 

taes promn<ia$ mais remotai. E se não consta o período 
denlro do qual todas as forças foram reunidas; porque 
razão se ha, de elle marcar para as tropas d^aqueliàs pro- 
vincias mau remoia%? E quer elle que acreditemos a» 
suas nomdadc$ só fiados na sua palavra f Se o quer, per- 
feitamente se engana. O pythagorismo já não é para a- 
século de boje !..• 

• Mais : Que províncias são essas mais remotas d^oiv» 
de não bastavam qwnfíx ou vinlc dias para virem as tro-- 
pa» a Ourique? Especifique os seus nomes. Calcule at 
distancias em que estão de Ourique. Verifique por uma 
demonstração mathenrmtica, que aquellas tropas aâo po- 
diam em lâõ pouco tempo veocer a longitude. Sem es- 
tas operações o seu enunciado é um mero romance que 
nenhum credito histórico merece. — Quando porém mes* 
mo se podesse provar tal asserção; acaso poderia o Et-- 
criplor moàtrar-nos que os Sarracenos não poderiam for- 
mar um grande exercito valendo-se unicamente das tro* 
pas das provincias, que lhes ficavam próximas f AssegUr- 
ramo»»lhe que não o poderia fazer ver. E como poderia 
o Historiador fazer tal demoiHtração sem saber qual era 
a força numérica década uma das províncias próximas f 
-^ Houve AuthoreS| e de mais a mais estrangeiros, que' 
escreveram que Ismario, Logar-Tenente do Rei de Mar« 
FOCOS em Hespanha, reunira por ordem doeste todai at 
forças das províncias meridionaes. Bstes escriptores toda- 
via nâo negam por isso que Ismario tivesse já reunida 
mais forças de ou iras regiões^ ou províncias mais distttD- 
tes, e muito menos que o exercito sarraceno por aqiieU 
la infundada razão fosse menos numeroso (1). 

Concluamos: O abandono d'*Aurtlia bailaria para 
noi constranger a nâo acreditar que taes tropas não exit^ 
tiam» que podessem vir das provindos mais remota» pa- 
ra a Batalha d^Ourique. — - Se em historia ha algakba 
pecha, manqueira, õu desmancho que rígoiosamehte se 
deva marcar com o rotulo indelével de miséria^ é sem 

(1) Let progrés des Chretiens en Portuiçal étant (Mirveam aux 
oreUles d^^Abu Ali Texefío Roi de Maror, il chargea Ismar, oa Is* 
mael, «on Lieutenant en Etpagne, d^atsembler toutes let forces det 
Proviac«t méridiouales. (Hittoira Unirèrselle etc» tom. 29, pa(» 

321}. 






— sa- 
cia vida, quando te vê e observa que o historiador, ou 
que de tal tem alias fumaças, acarreta ' para a sua his- 
toria, a fim de piovar um imaginado successo, uma 
causa, que ainda independentemente de ser considerada 
como tal em si própria, não o p6de ser mesmo chrooo- 
logicamente fallando. lima tJas causas doesta estofa » 
jaez, e por tal digna de uma censura inexorável, é O' 
iibandono (alias capitulação) da praça de Aurélia (que 
o Hisloriographo, como já vimos, com crassíssima igno^ 
rancia fundira, ou antes enxertara em Caxorla )Uazido 
a reboque para confirmar que as tropas muçulmanas não 
poiiiam vir das promncias mais remota» para combate- 
rem em campo de Ourique, e assim engrossarem oexer-' 
ciio inimigo. — Sim; em que ontologia por mais bar- 
baresoa,. e tupínambica que se imagine, se poderá eo-^ 
contrar dogmatizado que oefíeito possa alguma ve2 pre- 
ceder á causa, um facto posterior ser causa do anterior.' 
í^ào é possivel admittir-se este extravagante e medonho 
transtorno na ordem natural, e inalterável das idéas. 
Pois esta monstruosidade de assei vajado calibre é a qué 
se pespega na bochecha dos leitores, quando sem que 
nem, para que se faz apparecer no palco histórico o aban- 
dono de Aurélia para p fim que se intenta. Não se du- 
vide.... Como poderia o abandono de Aurélia pelos Sar- 
racenos influir na diminuição das forças do exercito mou* 
risco em Ourique; se quando aconteceu a Batalha de 
Ourique, ainda ninguém podia prever que aquella praça 
havia de ser abandonada pelos Mauritanos? Temos por 
tanto, segundo a lógica do Historiador portuguez, um ofTai^ 
to produzido antes de existir a sua causa!... Certo que a 
quéíla de ^ure/ia teve logar em 31 de Outubro, tendo já 
antes acontecido em S5 de Julho a Batalha de Ourique, 
como já fizemos ver (1). >y Poucos mezes antes, di% nm 
escrtptor moderno ^ » da importante tomada de Oreja, 
79 tinham os Mouros experimentado no Alemtejo um 
» dezar bem grande. » Pe%i de móis avani rimportante 
prise d^ Oreja, les Maureu avoient epronvé dans C Alentya 
fsn malheur bien grand ("2). Vá mais de reforço compul- 

(1) Na Segunda Parte desta Obra, pag. 77 e 78. « 

(2) Lacepede — Hiit. Gcacmle, pb^ii^uei et civile» tom» â.*, 
pag. 16S». 



• . 



-.64 — 

Borío esta aulborklade , que leodo a favor da precedeo* 
cia da Batalba de Ourique á tomada de Oreja ( Murcha 
que por vezes se inculcou por Ca%orla)\ nao meDoí a- 
poia a grandeaa do tão afamado Feito. £lla não é de 
parle suspeita !.•.. 

A* vista do que fica exposto, e do mais que já ao 
mesmo respeito íka discutido n^outra parte; quem ha 
de poder tolerar que um auacbronismo tio corcovado^ 
fosúl e polirão veoha outra vez figurar de campaBuda 
causal para efftcien temeu te iufluir u^um successo, que 
já antes, sem i>ada ter com aqueiroutro, tivera existida? O 
Historiador por esta forma deu a existência primeiro aa 
eíTeito que ácausa; prodígio, que nem a Divindade p6* 
de fazer !... Temos concluido a Qiiorla ParU da proje- 
ctada Obra; reservando*noâ na Quinta e Sexta Parle 
chamar ao campo daanalyze a Nota da famigerada jERs^ 
tona dt Portugalf relativa á Batalba de Ourique» 



7IM DA QVARTA FARTE. 






A BATALHA DE OlliQlIE 



A. HERCIJIiAlVO. 

■ 

€o::vTBAPonf lo cJaiiUca-ttisTOBiCA» 

(obra dividida bm sfiis partes) 

AUtHOtt 

*9ÚÍ I 



flVtWTA PAifcTtt. 



T ■■ lU ^iiá 



Veritas ndinin parit. 



> ! » • ■ f II . ■ ■ I I 



VA. TnO«KAPlIlA 1»K O. SI* MAttTIKS. 

Run dos CnpellisUs n.^ C2. 

185S« 



r ' 



DP 

b'70 





















> í» >■-.-■.■■■■ Tí .•■■>'*■. -. ;. t 'J*:-.:'v*'''>'.í i v^i i'> »'. ^ 



.*• . . ..í: 



■ V 1 . . « 



.Oí. ; 



■ -> 



. •-... 



.^ 






/• 



^ • 



■.- ** 



; . ■• » .■ , ■ . » ■-..■. • ■ ' . , '. , M . J ; ', ■ I . . ■. . C\:} : . • » 

» ',"%■■■■. .j'** 

.'...'.. '. - ' ' :• v^ : -í . ■ ■ • :.'..: 

:;.,;;»^ixtMí(i..':;.;::r,.* 

\' .-.■.■.; i ,' • • • : • ■ ■'■■ . ,<•••■»:■• 

■i . ■■■..• , ' • • í . ' ' 4 . • 

■• •■ • .- m; ■ ' *. f i^r " '■*■ • ■ ■' ■•■ '■ >•>■•• 






4 



• •• 









'-'...•■■ ^ ;,' -.. •. -,.1 .-. ^ .■ «^r. • . ■.-.;;,:•?.;. 

X alve» pareça' luxo^^^è eséttiadà^):>W>Hx!dfli(Íi6 ò cbiiti^^ 
8inda com a^ásár' já loo^a é -estirada tarêfrã; 'T|Âveif 'se 
t«oha « jul^ifue^pbr ntéfò apjãlat^Âio é luperíluidáde ocioèá 
a prcA)dga^âoí Oâ > progresso de^tna^liRalyflõ,: gue*j'il8tá' è 
iHfipaFcíalm^tiia tom tòrzidó, è i^add^^aé ruk^^éfos al{á« 
mente extra fagftmev, fabáV^è iadihahfeàlé Mt?òduikla^ 
M Hisiotiade' Póftugáíf pntà úffWictír et\sãutit àcíé «è)ti^ 
frt09 âo maíroíTenstvó ridicètò- a^ranáldstí 3âftalhá dé 
Ourique. TiH«B>a«iiiaf<pirfé$a^ e ò'teiibéK'bòriib:tálji íiSo 
digo já>'o:lRmreto de ^^rdfuãtlos estudo*- -ftá^iéi^tf Ldot 
íactoB-, ponédlí tnoèttii» tedo e 4uiâl<)iier ^iie posuia tipeUM 
ra7o»rel<>iti«it«e^<y) n^ Historia do pa^« 'Tettlio Ineiínify 
que éstet na râaliãb<}efft«ih!b o pefaMrâo<'E <}<teiA. d^leá 
pôde íiuiidar qub irfldd^prééfNó-^Tjftiide eopí«*'dé cotide^, 
cimentos híitofrcos-^ptt^li deicbbrir' os ehrtjtfentofr hétéro^^ 
gefoeos- e de c{traoter «tfpurioi* è ^andcÁ^ 'ique estio *eons- 
purcando, e deturjpiaaido- o vénMdbírò vélor do primeiro 
Feiloclatoico dos Annaet ^{plòriòsós da pátria ?<Fára>etf^ 
tes leitores..tiem tanto^ òu-^ikdtt' em j^rediío. TeAi^dbi 

1 * 



^ m '. W 






1 



*-â 'Vi i'--'- '■ If *■;' •' 



DP 



i; . ■■_, .■• 



*■, r .■ ■»• jt 'o/ 












*; j.>? >;.c:.í;*íiaH <-«■ 



^ ..^^ 



V -.. vi-! ?í - .• ' yí '. • "*.. V i «* ^ . : 3 < ^.*> ^ 5 í ■ A •'> *"' *» 



» , •■ * . .■■.'*. ,\ ' . . A *- * 



« .Vi 



.01. i" : 



■'-» - ; ■ ■ ■'••t 



■ < -*'■.'*, 



..- - -í . ■/ ^-v 









w w '■; *' 



■ fc c '. ' ■• %•■'•.' *'*•'■ 



í ?v ' 'O! •- ■»Í'T 



I 



• • • ■ 1 



>. 






• •'•.. 



i^ltiÉiiJittxé* 






i 



I 



. .ti- t 



;»v 



è 



... ■ » • . . r. * • í . . I • .• . 

.• j ..-..■ i • ■ j * > . • . ^ ■ - ' ■ 

r 
■ . j , • ' . •: :■. .■ • . .'■•■; ■ . :■.-:■ ••- • li 

: ■ . í«^*<'íí:' ' =■ :i. '. í.- ••■ ./«^ •• • '■• ■'■• •■•■»'' • ■■^ 

alve» pareça' luxo;" è «sétiiadà^pfbKxidéicnf <> cbiiiiétíftí 
8inda com 'a^ái^já loDga é^estiráda tnrèfd; 'TjDÁveif 'se 
t«oha « jul^iftte^pbr níéfò apjãlarÀio e luperíluidáde ocíoM 
a prc^Dga^âof oa ^ progresso de^HÍtha^liãalyso/ ^Ue' j'tistá''è 
ntnpaFCTalm^tiia tl^m t^rzidó^ è^t^adc^<^ás tubci^e^ al{h« 
mente extra fagftiitev, -fabáV^è Íadihaifii^>6 fbií^uikla^ 
na Hislorifêdo Púflugeti pntà úffwictír et^ãutit à(k «è^ 
frt09 âo maiiocrenstvó ridicâlò-a^ranáldstí 3âftalhA' dé 
Ourique. TâH^i^aSsinf 'ptfrétfa^ e'ò'teãbéK-eòriib:tálj( hSo 
digo já"o:tornreto de ^^rdfutídos estudou -ôá^iei^cí idos 
íactosv ponédli tnosttid tedo e ^uati^iíer ^iie possua tijiebM 
ra7d»rel"iii4it«eçS<y> né Historia do pafe* Tettlia lne«dib 
que éstet na réali(lb<}etftséh<i o pèfa%árâo;'E <}<teiA' d^le« 
pódeiiuijdar qub i^d é-prértsó-^ratide eop<«''dé conde*, 
cimentok liístoffcos-^ptiKli descobrir' os ehrtjtfenios^ hetéit>«;^ 
gefoeos-e <le c^traoter *#purioi- ô sandeÁ^ que estio "cons^ 
purcando, e deturpaiido; o VénMdbfrd valor do primeiro 
Feilo cl«s«ic0 dois AiHiaes {(loriòsosda páitieLtiPartteé^ 
tes leitores nem tanlo^ õu-^ikdli' ertt predso. T</ii>«db| 

1 e 



em 81 próprios cabedacs Mifficientei paradescorlínar e te* 
pellír o erro, a sandice embuçada. 

Ha com tudo supcrficíalidades iotellectuaet, qiienSo 
estSo no caso delles. Sarcophagos ambulantes de igno-> 
rancía, e presumpçâo revoltante, a sua nata, a mioleira 
favorita de constante leiturai é só e exclusivamente toda 
quanta mixordía de requinte ideal, e palavroso sabe á 
luz publica, que denominam com o carimbo de roman- 
ce. Romance, romfl^n^^e jpn{|(i\^r/:^ance, é o pasto quo* 
tidiano da sua estrilr|^^lr' e «^òtifadiTintelligencia. Sem 
nada discutirem, nem verificarem, (nem peiímelres são 
para tanto ! ) tudo com soflreguidâo devoram, e engolem, 
uma vei que lhes seja propinadtx por algum dos seus 0« 
raculos ou Campeões novelleiros. —«Votados por uma fá 
cega e estúpida ao ídolo, que os fascina, não ha absur* 
do, nem destempero, que venha rebolindo para o prelo 
dos bicos da afíamada pennn, que nao applaudam, e 
cortejem com azumbaia da mais profunda servidão. Tu- 
do quanto sahe pois de tanta, e tal officina, tem para os 
da confraternidade parcial o cunho de inviolável, por 
não dizer sacramental^ palavrinha da romântica parahi" 
lince!.,. E que ha de então acontecer com tão safara iiip* 

|lf)(fj^)^, P X^orjpheçs %(?pff)qi^4<> cq^m tatlo. O.pe^a dèsja 
],Qcb9ÇÍ/o;sciei^r>pa. 4^^:i|j,fãa sMlgíiri Oíhmífama e.dSdif 
if^Sy^ )!f^Fr^\r^\t^m y<5.%^e,; m^ioaló^iriiiofiaii^e cuooa 
i|n| s«^Ms^fsscripl9^;qKe^ i|eai,:Oibi ,i^aÂf .^ioda^^ii tt4i .bu- 
cefaÍoX^..^MeU^';se B. espreve/ ;4,l\i%torlii| «jfn^fiúl<)^ esAê 
^^.9*'^^^^ ^^ i^M^MM^P^i^-^í^ dp9ÂQÍoe;i«Uisii:o. a 
iMA!^ Pi,crmi,yejtiisiiipf^j^Í^ %^rÀ Í99^ginaitá.íd^âdisatbmo 
r0mfiritl<}Qr. «í^baíM^ prpc^f í|k ^ fíar ex í sifsriRÍa^ i «rireididad« 
«QMÍÍ|o<|Aii|:OM9Ç^ atf^vç j^.a,r.^rfir...ein^ qu^ iiuní^ 

^ah}éim^i%:^cqt^í(^!Sirsí ^ ^e , çiié Uedu^í^ fiQftsiaqtimQlfit de 
WWqpí^í^t íí®«*M íh*^ í*^^?^ íqr mnl^ q4^>r;^illijaimlejmenie 
^j^y^ eof|iitÍham:í;-r^ Nada d'istft cp^íjií«ip«lu|jorficl»* 
Ud|4e, rpég^ corpo un9i]^,tuupeiri|,^.^;t{lp.:Uiciipajr. de vjer 
a IjJ« vlivisclencla €p.mq ^quelle quejí.Ql^paticí i}«Íofmiil 
o^iiialnsiiiOé: Ppjnin^dá i)o>espirj4^^d;im»io4al pftfoía> 
Ud^Ue^ :ie obsQ^açãa-.BQlenta| iif^ -enxerga lio^seii nef 
to^f^^ti^ n^ :seja. um. 4UjiJp. 4^ prluBAf-ps^ra ^ suà^.^decref- 
tada. 4poib«ji^iit !^ -e Eara^ figSKinQf'^ deil^^ ndolik: JLudã é 
fúiàSQiipóííSi Ibçs fazQf,rofpp»ery...Q dar^m terra sooiíi ã ca^ 



tarncta, que lhes produi a eipessfli e negrenta obscuri- 
OuJe, que os oppríme. E* preciso por iBDto que não lhes 
deixemos, nem espeque a que se escorem} oem umbral 
a que se arrimem. 

Até aqui temos dirigido os tiros da critica e da ana- 
lyse ao alvo do estreme e fielmente trasladado texto da 
famigerada Historia de Portugal i no tocante ao que bra- 
veJQ e pinoteia ella contra a grandeza da Batalha de 
Ourique ! r— Ficaria porém sem soíTrer a justa, e devida 
autopsia a estiraUal MJ^jf^yurilMOliz respeito? Nâo 
julgámos que sobre ella deviamos ficar em total, eomni- 
modo silencio.-— Ha em nNoia asserções assas intolera* 
veis, e que, se ficassem sem a correctiva animadversao 
conveniente, poderiam ainda servir depegadilba, de pre- 
texto especioso para os subservientes apaixonados da re- 
batida innovaçao, ou monstruosidade histórica, projecta- 
rem um aresto em favor doescriptor delinquente. — Nao 
lhes havemos de dar. azo, de deixar motivo para ainda 
recorrerem a esse subterfúgio. -^V amos já a verifical-o nas 
seguintes.Oòstfy^a^dei, de -earaotef v(;onsp«(l6orifif ^ah^e.tk 
cotit ra a Noia) Xf^J^i a qual tem por úm* t:oMlrfii)mar : {mB% 
baldadameate ! ) ^qiáiílo. ai«smo >qu'&' seu lAtit^r^ co^d 
HislorJadoj}, deiíC^ravesbriplélnoi Corpo da;Obr«^ a ]|^ff^« 
8B9. IniiLttWie a Noià*^^^ Salalha^de ()uriqv» L^i . *^ ^<\\ 

. i\ , . . I f''.i: . ■ •> í-.ííí n^i'~ 'Ãdt f) í.Í»M^ «iOlt í . a.i.in 

'\r 1 ..!, :♦'::,;: -.1/ ,w.:-i'- í. -/..p ."L .my^rí-.^jj • -^ .;--*::íí 






V J 



^e 



' ■• . ^ • . ■■■- ■■• :- i\ O-, \ -> M ■ / ; ?; • ' . 

• ;•. ■; . ' ': ■ } '^■^■' ■ :,>•'•':': ■■•■' \ •:'-'•. ^^ /. •" 

. •• ii • ■'.; : •♦., : 

• L 

-_••! ..••:.*•■ *■■ .1.» ,.,•• X • \. k 

' ' • . i . ■ ) • I ; j . ' ■ t • ' • • . ■ <■ • .■ • I 

.... ,'*•» \\ -;;.{, . .' ••• »-'•. •.»■••./:. '» . J '' 1 » - .-.■;•:* . • 'ií 

..'..■;:,;,:..;•■ ., .»•;'•',•• « .•: .- ./•'-./.•■. Í • - •;''-.,' ■ '' ' "' 

-..,•: : ■ :i' ;i •••-.■•■'» ií .' * -c ; • !•:: ;'.•.•■)'■'. -íi.-.-- ■ ; íi:. 

• f : i ■ - .- . ■; 1 í . ■ ; 1 ■■>■,'■ r ./. - ^ :-""■. . ■ - ' ■ , /^ * - • • ; ■ ■ - 

• f •' ' . . ^f...»!'^ -; ■. f' .'ili-*!?;' .•■ ' " ■ . •■'.■;•?.■••'■ .. ■.**• ■ 
^A ..;;.>'-4. •;•>.,.,..• : : - • ;• >.= ■• '•"■■fiíií- ' .il 

»«r. objeclo.de repAro é o próprio litjdl6 4aMioYa*«^'£a7 
fp//ia ç^^Ouriçtitfá Çppia assim ?'Nik>i ia F^itQfgloflãòscf 
^ Óurique^-na* fraze 'doiHitfDriogrBphéj-- apebar uiiii^ 
Jòmaçlai uma.fprremfB^' v^xn^Of^ãdQ^Í-' {}) AfSÍ|n}%te bxf^ri«F 
ine felje qo corpo da sua flistpriíi. Como é ppif qpe se 
esquecera do que antecedentemente ^scfpveu f Acaso a 
palavra — Batalha "^éiytioífiimo de alguma i^aspalavraç 
que ficam piençionadas ? Que o não é| faberp lodo o 
inundo. Temos pois o escriptor histórico çahidp em ma- 
nifesta çonlradícçao. E quem deixará de a desçpbrir cm 
a mesfna Nolaí Nella sim se desi^pa aquella illustre 
façanha primeiro com a qualificagSp de Batalha^ e der 
pois de jornada de ()^rtqu^!^.» (9) 6e a AcçSo bellica 
porém úe Duriqpe niip deve tef o nome de Batalha, çn- 
%&o risque-se também (Jeste puinero ft Batalha de Alju? 
Varrota, Valverde, Montijo, Linhas d^Elvas, Amei- 
xial, Alontês Clafosi e putras muiias, em que abun- 
dam as nossas historias, piga-çe que todc$ os escriptores 

(1) Hitt. de Portng. tom. I. pag. 324 e 329 etc. 
(j^j Nfita XYI, pag. 402 e 486. 



hi$torico9, « nSò hiMóricosi qu^e ihe» deram tal* Mme, 
soberanamenle. %ee$\Uvram no puRlafio da ignorância; 
irfsto que iã' l«(;&ob A grandiosa de UUfique te dere áè^ 
nominaf iãmióménta eorreria, ^'omutfú, ^^iiadò, * e por 
fim, para mtiior: àtspfetoj i^HiOf como o meMho 'bfilo* 
riador lhe «hakfiára n^oUfrologBr!...j(l) Mas ninguém, 
que saiba fazerl a devida est-lmMÇfio dai cotiiat, sii^iífian* 
te absurdo ha' de ima^oaf, emenotainda^proTerir. Tam* 
sónreniè ha ' da ri^i' eveàroecer, - e^TOlat ^ ao mais * pronun* 
ciado.^c u ifi verbal' : despriezd' /áquéllat dénomiõaçèes, tSo 
fnlsns, (íoino mésquinhus e- abj^ctar*^- que >o innòvador 
histórico pretende^ ealrafágántemenile awaciir para redtiL 
i\r ao ultimo deiJcredilo a^^Balálha de Ourique. •— Hn 
de,- quem quer que fòr O pprtuguet -que ai ouvir, igual-^ 
menlé marcát-as'eom-x]ínegfo derreie da maior emaitin* 
jusio, e^rnioleraietantfiracionalidiide. -^ Ha* de execrar 

H monsiruoéjdadio'- liorroÂdai qi^e intentara deturpar ^ 
pfimeiró>lVI'onUMentO'dafgloria itacioaul!... ' / 

r V \ . . . ■ I . t •' 

:■■•,..' ■ ■ * » . • •■ * . • . . » I r I » ? - . • . • . ■ • . • * ■ 

Uqna Nota iítteraria^ òu- tcientifica, qualquer que 
ella soja, tem por força da' sua meéfivaWaturesa^ o^frm 
especial de amplificar, illustrar, ou confirmar armafe^ 
ria, que se tem tratado no i^orpo-deqitatquer Obra. Es* 
te é o ako, o ponto^perfi^xo, a ique ^U» pouco^waié^ om 
fnenot ae deve dirigir. Sts àl>eira tkste tritwitlv e mirv, 
que lhe i própria^ «a-iVo/a é inepta e aiheiado objecto. 
Se porém i* lia -contém- eMmehtòs, :que pSem em: contrii» 
dicçto o eirriptór coms>*gb'' mesmoi^ toca <o ex tremor 'dfa 
extra»ngan«ia.| ir d^l^bsuxdo« S^ndoíiitb afi\|m^> qOem tstò 
lia dei^l^timffpt^<paHiifiii:li6 ivac que\» hislori«dorponu;> 
guez en»«Notaféô^eti»imiot,.^odJniii|pro«ai dOM^ 
roentaet contm .aiquiliò mefoio\.qile r^en' foa ObráV êut^ 
lentiVa caiii o. fim de* aviltar aifoçaithá^de. Ourique fnVv 
Quiiera.ell<^, a tedo^bfAmaòj.lHtdipfrtuadir ^Qê aquellè 
feito, longe de merecer ser designado e conhecido com 

(I) No Jornal — A Semaua — n.® 10. > ; í /.V 7. .♦;> 



o nome de ^ato/Aot ipefifif fç.,p(Mler{4 diinou\ífi^i fornir 

Porém quf^nlQ.;Q;ÍJpnoii4id(H« hiMr^icQ|. cerlo^ pâo. d«v^:fit 
çar corrido de tQrv>.apr«ften,iad^ i»rp a iÍVo<a| i^w anal^uiT 
]i\p^'docjtii9«ntost racor^hécidk'6 i|iQK^U4% prppriO| í]p g^aii.'* 
i}éf pplpi^i e yalin,' qye nSg. 4^. J^eiiiftcam r. qw«i aquelU i/fa* 
çHMb» /òra j-enl, .e pc^itÍK%nijBntfl:pt|ia^oM/A9>^> porém 
aié uma Baralha digna do- epíiHeio:i|l6>. Gfia»i(íe«.«<fa,Q 
prifP^Úcp d,«6|c« doiciiineolQ« Á-^ii/bro^ycQn:Çonitnbfic€ni^ 
Ofli ppc oMlfjE^:OtLivr<i;(la<IÍoa vd«t Skiiita C/uirdeCoim? 
\i\f^^, que; o anofiia4<ic^ânda ♦)?# rm'ÇoiJ«af Pro,Ví..di| 
£íi^(. Ci<^i)<*aU^,ME>lP« jli |>iigifd;7^;>f aielhoftai«da:f?mFkt-! 
r(*«, Ki^p. .^(igr, toin, 99» .fBg. ;.33aw^N<o dáip etu 
docjumçfítq.a qpalifWa^OMdí^ ^ícandíc a0}^<Hn^kfi «n^ Ba? 
ifllha d(R. Qi^çíquef Qmkq ô^|pod«r4' diiiidsof..!*..?! Ai piit 

63Q:^^e mna.€)aro2o Mftl,que-.ti8o: poKl^in .admiilk >tergbr 
%ersalidade çlgi^ina* Pra ja prÍQV^ira pirite dòTGbrxMivkNi 
Ckmiínbrxccnst, ou Livfo de t^oa de Santa Çru2« confes* 
sa sim o próprio histoiiograpbo, em razlp da úngcleM 

do dher c dfi /erm|i|pr^0>))i^^499^f#^9? depoit daBa- 
tidha de Ourique) se det?e svppôr atnda escripla no seçfi-r 
Io 1$. (1). A^ vista deste documento como podem pois 
l«f',logaf:;a8 ^deppaíitoafSe»'futeU. e>dflgradatBlfW|jXÍue a 
jin^p^yisaote Jiiisioiiadvrijâí^iixi €^foú$pgm ^áiB^tf lha d^ 

* i0Qtfo I>Q«qi»èjilo^<.q«uet> |iã.c]ooIidadepdQ;«pn($|^t 
prodpoefitf^^ 'e«já àVgiHn^do: aqui1k> queffO ^11^^ 
MÍpíor ettabelecem ^in*«ua'bis(òriaÍ!i^GHitra«'fiiiâaJba -d^ 
Oui^que^ :é>0 trecho Xj^ueidle irarf«cfeirararei|i « ^rheMnf|i 
J^olay^tjifado. dki Vida .du:8^(fTlicoltiiiífim|Byd .Boll^nd: 
lAcLaSap^t. Februarit"^ «onírjS.P.^^díç. 'éetVenexa).- £tl-o 
«l^vi;: Jm cpnipo' Ouikbr.qntnqktAjr^miypogtni/Oi^^evm' ivrr 
ník%n€ra tortit» barbara mnlMiidàtmiWtrfMgawái.i4ímf uí 
e^m oi9mín<^ p^^YÍaret(, coiufcAta<t;c2^aiiri^h/v' sceiíafiMra 
^ièit/iir/ò dmno^tae 'ÉiiJaiMfMhiÂcmv»^ lOti/Hteét^iíia-sQt 
^mni(<if (fid) /Mifsb.perAtòehift^ivk/ofe €O0nL ii). Nfoart 
f4 por i^iNjium- a t}uaíiik?açfio?df Botatha ^gíandíoia a* 

(1) Vota XVI, paff. 488. 

Í2) WqU XVI, JHig. 48»*> ■• t ■• - -•■•/• .i: .•'^/. - ; í- .1 t^?- 



q.neUa-emqiiecineo reis flioiími) que contiiifiumero' mui» 
itdão dcgmi€.iinham fànd»- atacar ^D.'0/^^ ikmf^qtêeê^ 
fioaram iSirroladoê f N iãglwiii * ò poderá duvidsr. Pott é 
iifo menBiif^ teip^ tí^ati^^pp^pAr^ «oíqtteeyidviilfmeaie let* 
tíficito aUegado texio« f^iAfpni «dverlireimt-qtiey teti^ 
do ohiftioriBdar inciricadovm 9mii:Obrii(M>iifbrthe é seu 
coaftlaDte co§tiiine:), €oiDO«iiii'efirelto -de incHoaçio -aoà 
fmcartján^jBuioif < o'fmèr iraleroir ifa ímlciliiNi \ dà- beialfca 
conlra o» Moufo» jrm.^CaiDpa é^^OuriqjU.tf ) hptaptto £kò$ 
{l)\ o le»lcmuDlio.doÍDgar:;iia Vfdá d^ 8. \lheòtoniO| 
qoe proftioAaaMDié cii|)iáhf08ytaiir)ripalidade; eftá-tofiAr>> 
Inando queièoo^era i|ftiJoteriiriHigfto,i<qiftdndo dii-: oii«i^ 
Ro aUn')fqcta loíbmo )oo>2^%^o6i^fM(írodnto.^^AdveriÍ^ 
reinp» outrcaim . qiie- ii* paiticiila^^i^^sto)^ q«e'0 anõoiade^ 
Iraz no togar ciiiado, 'HÍíd secDi*iia;tra no l^kM» dÒ8'Bol«- 
landiitasw Devèpoii o hiatorifigrRpho-éliaiinaUa^ «*ota0 
/eDaanolia^.fHirjgffioraabía oudttcnidô iciMôd'ii«ido. £sl»'è 
0ulrò« lÀplosy-ciindacque de pcquciiolòle nlhedo« em ti^ 
(Com-ludO' cm 'UmaiHiMoria^* qu# •6^'iifirei«iila= no campo 
da JUlierallini-iitoai^ oicnfoèitr df» nnormal^ ec«RÍMira ine* 
jLomvel:de»|ludo^Y)fiSo 6<o='|ftdra te diWargátemv^-^ Quaif- 
lo iio Vjalor.doi^DocumcDto já 0Í f^oprio liittoitador : ^ue 
lho r^cooliece^. j#\f^Mkr ^>5.: JAttotofiidf dit dle, rtors» 
;>la fio ffictklo.XIÍ^ ^poftptt <hmíth6rfMa do Stmío^tmnQ 
fiti pe^sofl . caiJèí^iuein tile éUmBa t¥atúv^ ^ um dòètnofínt* 
menioi €(xm-máu.e€ri€tíà.cofêÍ€inpàran€mdú iuicéim{9)j^ 
O Hj«loriackir<por4ói>n4k> deNotrdc^ff^oiilMsoer que 
esta autlioridade;iocoii^É90tliiN^a)orieU iVmlli?ratéI':fystema 
àt depriíkíjr. nr ^rapdèm chbp«ktobàte d<9 0«»*^u«.- Q«a 
coarctada ^ poUde^ paraípc-Hfrar^dofncommedof Pro^ 
QUrop«at«nttflr alcÍFc«ia«inn<ia> 4o^t\tití3 Ueh vencidot 
^Uk Compp.de)A)i^íqiie«^vj0brií «erãbiefe^ dit élie^ quea 
palafmnQ. tfi appi^da ^arlord&ci-ocfot «Ahotiif/a» cArit/ôir)fy 
dgntfiaa f^^orofoiwnicdMIrv «otk^ 

honradoê com ata grandxoui designação (3). A coarctada 
D.ao pôde. ser -mais q^%wt^\p\l Qi|f||n j^9^^ap.Hc«slociV 



i.it ,ÍM .*i.l Í-»í; . 



j > . .1 



(1) Hist. da Foirtaf. iQou K^tMiá. asi. / f: ^ > 

(3) Nota XYI, paf . 481. 



~fO — 
ôí^y c€onjuiielQme/He;A;iin>lAdpr^.<que lapala^ra fci^ o^ 

iãoê 9Íg7Hfic^rigòroê0mfníc lAttkl' Em 4)4ie oAriispcnio m^ 
ciiou eMe^ ie9fe;#i^rÍKno (dtttsigoificaçâof; «pplicathi «oi 
taes ní«lt)<e99:-4e»<)ve le.fojam^aiHliorci os ebioBiàias^ ohrisv 
tâosi D<3<c)maraii>*no)pc«?YitiUiira ealet? Nio\por èerteí^ 
|C7QinO: )l6^0 pois elia^bhlodfMlof :«ote(^d«r tqwe a accqtçia^ 
q^l}'^ c|}foiiÍ8tas ^hfiftlSorMiietajm -á:f>ajlavfa>rci^.«c|)p/íaiv 
iía Aoâ cHKC^ .Cpr<^;|»heoi idíDsonraiéli • lig^m^ j>iecita,- «'riv 
goipsapi.^iitQ ipAe/ls / NSonaaiidaiti Jtcasflc atuegieatf éahrN 
xneBeutj^a^qMe ai palavras, ^Díbfljfun de toflnuriKi^fe^ 
lio^.^^ufal «v.obKÍ«>, e|[n.4)uei todos : as Tosluanani' tomaff 
£e*ftifi).i|>nui regra. 4e h«MiifAeilfica..uni«erfal,'qi|e^^'bit* 
loriador assas p^slra ^jjescoabecer !:^^: Por tnixlote aqael* 
li^ic ÇhroBÍjMas deooistíoafaiii' iícis aq^ieUes''|Áteii(antei 
#f(\l>es^ que fera m- v^^poídot em Campo- de-Oèriqiiíí»^<iAõ 
htk molivio^Igum,. mç^ «cquer ;pkiusirei^rqiia»tbninalt 
Mgorosoy pnra^ Daieader.^ue o nao «rám. **t< Além-dMsto 
4odo«« o^.hjiioriadofea e dSq. bl&loriadores 'iVcr«a<dé§ nas 
ai^ligiiidadcs di> paii ^t que, {aliaram da Batolba de:Oil* 
jHqu6> (.que,;poM :)^fam f« iHta^amr m«imo 'Oquéllii^^m» 
níMas.) indif^arf^m; .qs.ftriactpaes Comiii^dndiínieil lAoiiroa^ 
qu^ aUilco/nparj^Cie^^Hií," piHo.hdrmo Jieii^'^9^^àiOí>ch^eá, 
^Apa8Q'^f)14Hide/ÍAin\eH6s>tVpa) lAquelJcs* CfiroÉaittlas^f NÍo 
âal)auam 4^oos:téiiilTÔi.«ifn: André» de ttesfndej^l)^-iiMn D. 
Ffv Am9BÍo Biftpdào:(i3)^>,Um. M.abQel.idm4*ma«Sofi«* 
:l0.(3)i|vjiim. Nuarsr; d0>te£d..(4<Vj:epiiUM 'Rtaii^dtf bem 
^ualifit^açlo ittomef. Vw^ UnkiSi «Uci imdwiaih <^ ttfer rl- 
gi9r65oina»^;%nt/c<i{^r;..C&e/e» pclfr.fialiivra^Jbii;*'^ Se 
amprégiirHM>4^ a^<alt«oç9o ni3s Anft^d9 fWMadorsiftíalò^^fKK» 
dienfiQf'- dar. f^ prova^<|)or:nâo: foliar i d» outroiy. o ^ran^ 
de Urx)lQrinao, ^J^èir.a de.JF^umfidOfiXfatiÂom^ò^' nli& 
fe«e;.dãvida.<ltt désjgi^ <iftM[!)abott>piili^ dot exorbito 
Sarraceno ampla^^»'ai)SQtiilam^ol« ^o» o<:^lm<)ie ^\-iíeii 
^è). ^ Qoanip. aos r^oÂrf t^AlkiAdi KappwFiUSçretfímulkíi 

Moii. JLaiit. 14?. 10, rol. 117 v. 

(3) Kurop. Port. tom. 2,^ pa|c. 40 e 46. 

(4) Chroiiira de D. AfljaMP.^l^Ki|af»4^foHik?affJ 9'- '^tt- 

(5) FJog. dos Re» del>ort. pag. \5 e ^S^ieC^wp^tfdCo^ifvtf^-EjiDces, 



-ii) 



p€}%e»,hontodcÊ eonk.a grandioia denign&ção de /iett, cnn^ 
forme o.I)k>tjOgrapbQ.^ai8evei:a; não òxfl'cf«yílacnot tém 
jque oQfliftcodAiza.eXieiiipíoSy c emniimefo: toT que posia 
reaU2Ar:j»'eKpr«a6|io aáreihial .f^vi(a$ ve%e9 ! ^-^^ Demtm 
metano porém' jqiie ..os 7fúfi«<e^^/itSatcb tenhom' udo^ibit)* 
ioi ve%€$ bonradot «om aiijlesignagfto de jRds; :áio|go por 
vei^uxaípara .concljuir qn/c ot cini» i2er«^ que comparcaoei 
raj9(( 41a ^alalhaí tle Ourique^ eram £PxiVb icm.à4lkaide-'m 
aã^ posiiiyatneplie JUià^ Nâò/;;'«eiiii..dxivida>í»** 4jutifi<ta 
pf^-ém. ainda\ir),Q»mo -o hnaoiadorliíslorico^podiíéise ficer 
y^ quçf^rWi^ ^' ^liiQÍd$^mniia8 «a^ lívcriim udò af]^ 
pcHid^dod . ^leb ; d^abi :nSo>i^,^iHÍ6''^qiie'^Ks CibnTinaii^ 
daDÍea aroChtife d^s^Sarraoeiklisy-que ae adiáfèni^fiiiBii» 
jlallia .devUuriqu^^t^Uireèsem JK>'-TÍ|forotiO'ra&o>4e ««roni 
4^i^'gnidçii.' M^a£« 9^.^lh^dafi% nào aiu^s jfibÂ/»^ Pára iè 
admUti/ ^0:'€onii'ai:tD' era |5i^c{io uma prova etpecíal^è 
qu9 •o^t^Ofia,da^^%Qdáy tueioi . |)óde dar. ^r^Comodainoi^ 
atnda'0iaJa9*j(s€|D qMfiifMMr maii^dfiijtlaiyio^ a ,«yfionimía^ 
PM'^qM>V<l)eofcÍA4ieA i6rmo«);qAi».ot<€Íaco Ckijkê éarracenoa 
pio^^um :CQqcrelá)m«iiie;i fimi;^ .l^maòmente = i/ut$ cm 
fib^tr^Or.Póde; jd?ahi. 4VNr-.^niara'^oiK4uir-ie a1gu*m# 
couiH c^lrra a<f raudeca daoBaialba de Ouriqo^, qw^h 
hi%toriographo'* iflniotrpsejLeod.e^&cabrunhar ? IJadai' fibsoí- 
l^tai^eBie .oiNdav, Nipiguem : qué. jbeiibai o )C€rebro"rio sea 
eitado Dprmal^ Jui «dé^^mUlirt.que a. graiulazA .déumA 
^talba ttrnba p^FioôadfçâG^^feiucMil^o.fer.-^roiiimaiidAda 
por cbç|ef^Tqua{iej^m^ rig<ffoiameote iiM*.^ -Sei €#lé para» 
idoxo^de jKiBS^^il^apdilo^Ae^^jaedasUláitef* tèriamot èntSo que 
muitas, .Balalbar-tda a»iigji^t,e.:mGdjer^jR hiaioriaj^ que 
s^^Dpr^Q.irijdispulefeimeDie foram tidos ehavidas porgraa*» 
àfífkrià^Í'%n^fi»miTiÍQr4^L'iery po^/ falia de Uma. tinvHhaole 
GOodiigSo.rrr. Assim^.aiiid» quandlo íbsie .denotostradoque 
PS .^i^is^maiidaiBtes» da^fa . miiuriuús^ araon^ f/<«/ts e^;^' 
/^didt^^ail^ijBfiís f.duÉlki 'pio te podama^^eoàcluir-qu» eL* 
lei» bKo |ippai:eaessem Cfeni£«ak»po«lde «Ouriqpe, com grati^ 
fdiftsiu^ irúieero de^iorfQSy^fiilietpcMlai » balerem^iâ r^nbi^ 
damente com : o jniieti^^to quedei' de^pèir si 'é ^iMftttan^ 
para tornar memorável singularmente aquellà £fi(tnlba« 
Se ainda continuarmos a assestar a lenie perspicaz 
da critica sobre o mesmo terreno; l^veino^^)^ ffcbi^r qpe 
o bistoriador não cessou de oíTcreoffi» ékfqf 9tos^^i)úetÍbe 



~t2 — 

e»lSo,cin.|>erffnla.oppo^çSoi *^ Qfi«nAi'«iUi4a què^tn^dcr 
c3l0 iie«tia J^fWorincsforçado-fSP^ qibbloipòÚ^ipffirá Irir- 
oiir .in«igiiíS€nole'0 nuniera dev^ciiinteitéiiM "Itfrra^encM^y 
que *ir leram com as afinaé; na fnío disputar 'c%i i^iifApo 
ilci Oi>rH)u«.'60fn D. Afíbn9o>H«Wiquéi^i'havia dtfexa-- 
tar cfjauma-JVA/ci. un lexto^docinnvnia^, qué clàta-c 
lUúralmeJite .eslá conlravindo «Mal tvspeflo o hMô'r!a« 
do^ liiitagODÍ8tõ>?> B^ tcdavia Hqn Ut\o iniiagafiil ! >Â pá^ 
•agem daCbrMicadosGodo»^ pòrelfe copiada^ Conforma 
a.ira» BrandSo^ na AAonarrhm Lutilaaa>^ Parl« •3;*tEfn- 
-IP9 Cáp. 3f iriílificao qiie^acnbanios 'd«'«fiàiiclar«''Kil-a 
aqui: Mm MCLXXFHjuh%o\ntn$e dk^ i^M^ Jitòofnfuík 
mètaría .A//on$i. regts :flc Eunar vege 9àrrácm6rum ■•4fi^n*' 
numa^QÍilí prope txemtuj .in heo quiA<!Íitvr,HuRc éié* 
(!)• 'Ora podiírá algiieÉii! aff^niar<^iia gàiilíiànd<>Dv><AI^ 
jfoosQ Hi^ariques viclofía'do Reldos IBarrkiceBoèy fk^Nr nó* 
inc Ismaf io) ^e do teu eitèrcito, q i>ei^yá fy tMÍi mwàt fm er av èí^' 
|ião. alcançara. Mtm grande e assjgnalada^^riainfitiò? A 
«egaliva eslava só daslinatla para ^ ter prôpâladir (iipIdttit- 
gWarifMnto loulbor.da Hlftlfab^ía^^dc PorCuaalh;;v«Qiféáa 
í»fn^U;disse^i^^u .escravati no wnversoiliifMàrtbo^ qaé^dè-^ 
àfellar Jum.nuinerósQièi«rc{loi(e ainda inllít-^NiffÉililft^ 
«tcrav^i) foissê -nih. Jeito ^dcpoQvam€)lita e<vii|arT^8e'ei^ 
âiauekv^anleciroumitancia :aão4M>t|HÍNi coArideré^éhlMltf* 
le^ta fâçaoba^enlão kx^ar aiigrandèa vIclòrlAi^-èm-qiKr 
elU;fl0..teaft.dado,sfiò apenas tiiiia: te r)a1 j^ A ãàifcisií* 
licidodff >qiró Um. o ciladoidoeaipiPnto^íopropw^^f^rHH 
ÚQT a li^íficaidafAi Çbreínicaiidos^Godòs^^ii^^lfeiéi^nlfd^ 
f» pomo ;'0a* nossos èsciiptor^s .icein «^aeulade^^^^um^md^ 
9t!.nnmenio próximo aios itm)pQê^^utiWém0m^*maêi4nt 
iTfooèf^aiCom eHes:j9 (2).' Ora um monéniêDlcv oiyidoaa-' 
mento d^Me «áracter*, <|i>e refere •que^^^vaa^etlíi^vdiítBMfr-' 
râcenos.erá 91101» tfmunHr(mel'.{wnmlmmbbiA^j^ri^ 
áiu) n&ú eêià axnfeeran^emenle vèktátenda^^tôt^niS^^^âo 
hifloriador, quetão affriocadameaie rpnitendfi rãdiíii^ ao 
m&ist A depreciado e. mêequiahQ'>qiMtimo aqoelj^ 4i^t 
Sktm^dti^s^HJa. Oibislòi^iadoF 'pcirtlaíitlKy-dcii «rmaf-^conira 

"(O 'N6ttxVi;-w:tó.- ^"' "' ■■ ' •=• '"^" " •■■■'''■'•■ """ ' ' 



'tô 






OlM;et*in»^S# S«* 



' '■.• -«11 •• <••«> 

;í ,. ■ ' ■.■ -■'.♦ ■....* ■ -■ ■ i • 



O obJQCtOy Oiihèma tinta Of>s€riM3|^â<y fem n ser A 
conlinuaç&O: do fces^lo da iàó originai Nxíia^ <!fa^ pn^sa- 
mes a transcrevera i^ PaT«ce-«ibs^ que- se nato -tehfl répÂ^ 
«9 íradO| c/chUo se deivera: lerifeicof .cm que ih pfÁ^a|^*iÀ 
>x ciladas lextuálmenle por Brandão no cbrfjo do ^t^iiíU 
#>. yfo. diSereai,profuQdamenú dia Iniegra^dosta Cbtohí<^ 
Vi. €(i, .publkfida no Appendíce. da 3.* paf te da Monar^ 
Yt chia»'-^osmudo o sincero- e cfitico cistetciètysff ttSo èè 
n e^i^o^u^ de apontar o escolho':* y^Uetrémplarqoe 
99 va^ aqui kppressa^ diielilvfoi dlb m^strb''Amiré de 
f9 Resende..* Ôulro mais .brevir,' cujas ptíla \^rar4i^ p^r ei^ 
f>. sa mc$ma c^ivisaaMego mais vezes, se tir-ótí d^%lcò'bà^ 
9 çaede-SaptoCftitde-.Coimbra. i)9 Qné quhe O hisiò^ 
9> riador «lUer i^aapkrasê:: {xir essa mctma cauta fi^àtét' 
p. to que não erA::pafa> iacer mais resumida a ttin' narra* 
p livQy.fUe que' es(á a<cnde pkiMO iiíser indo ao' corpo dti 
» historia; * iJociiaientos ínértrds'* «éguídois dè Ver^ôéV ' eih 
fi vulgar, O que evidentemente MUelf as ^^xpreiS^Ws %V» 
n gniíicam )&). ^Ue davfr.«init;fé'aeit exettrplíH:e«'d^San* 
T> ia.CrAi2.>e;djAlcobagA-eòaforines:enlfi>--4i (t); v 'y ' 
, Começi^ado a:QlMe«^xá^ão lo|;o^'peld ^ttlãeké perlou 
do\ dp ti-.ifsUdadp ^tMÊk-.^ÚH e#ltspoidtii<jYoÍ^' èòiifm[toi^ 
cfíoy que se.|^ .hjslpriaifor ^f niffiíea 'fmPtbe^'fke'9^HÍi» 
t€iní ufkofracfq^ como M^€Í€9êi;n<<cr'^ò\''^ém^ t]t^ d^Mfcm- 
gcns âifftifa^itailmívMfdj^n^ ttmp&^4lò teu 

toda a gciiia» .^ue 9^/òcaiie^'baydcpartf0ef'OtciMitMÍi^o !*.. 
£ .na,%«^4ad« qu^rai^NifO 4>ef8fr.>tâp>gif«c|dadai^Md ábsuu^ 
so,.qÃie d^jLfMe. úa»íí^ MAiy4^^pojnuo^té devera, fMi^ 
qjualqufir ■dqf.lejlosef^^QHf.dsw^MBriikore»^ que^hMicssMk 
e»iudaí)o^.pi| V^tiiMQ>idAJ^ifttoiíia£tlo,|MiieíirNíngtiem: pot 
certo ha de.admiLtir/jfOf^o r0plir#r^i^sa IftctUfácif e im^ 
pecvip, íqije fòri^rP^^PtsO; atruvesstj^jfnítti* de dois.'«ec|itdi 
para iinic^tQânie. ^r leaUdadiMlfr ii/^b ciíPamcàkdknUiA' 

(1) Noln XVI, paj. 483. » jt.» ,IVX •í-'" f, 



Ulligendia do affamado hriftforiadory qiie re/utamov í..é 0^ 
tal '^pareoe'no9'^'pp\9^^&\éaiée,íi^éQ e%em fundamca- 
tO} é p09Ítivamerrte injurioso a todat esísas cofyspicofai» ivh 
telHgencim de profunda erudição e tcíeacia^ que antetf 
do moderno blilorícHior- leu» tratador da <ifi a leria /-^Po- 
rém d»iido o imaginador do "eiíbtico^ «r Orig^al ^poréedi^ 
elemenlos tm a sua NoU por onde te bem- colKge -que 
BrandSa fiaera aso^ tanlâ da exemrplar daí Glvronleaí doi" 
Giodos de Arrdré de Heseiftle^ cornro do éitemplar d^AI* 
cobaga e Bania Crui de Uuimbra, o qual por ter tilair 
breve ^allega nnm t&btf^ porque raiSo te ploderâ òu* déiré* 
xá dizer que aquelle idoutUerorK) GhtereíeuMÍ ilSo ^^pa* 
rasae aadiOereuça^que bor entre umy e. outro exenVplar ;* 
e oSo o «contraria? £^ crivei acaio q^ie BràtidSô('i^etei|{aã^ 
se a te.>to?.d^aquei^ Oironfioa pirra o AppenéRêe 'dâ'3.'^ 
JParte da* Monorrcbia Lusitanai^scot qoe o* ld»4e'é cotejas- 
se com O! lexiQ^^^aqueilas òú-trafs duair^ €k>lí1iéeetra élle 
que oiexanpliJtr de Alcobaça e Santa €!nii*tto Dófmbra. 
era vM%9ikr§víe^ coQftoelle própria confessa,' qile <y^ An^ 
dfé de jiesen^^.seniF conèecer aa meánuytteHipa a èua 
profunda -àifftrençal Níngueni .t)ue letttm erliiiítt' la) l»âr 
ile dizer^.neoi acreditar l;..v/'i-. - x,*ii,>y »•" 
«(,^.;^ ÇoiKedam^s lQd;»yia;(por fcnposMs^l^ qàfé^^tâ) ^(S)Mr(y 
nlnguejn fizes^. Que seaegue dess^^facra fhefattieMe u^gtf- 
iiyp r J?or ]i(enu>ra por eauia.dAevsvòtiiisàBãki^flI^etfrhlr ár Ghfrq- 
iu«%.d(M«<iadçfs.^nf(mim lio eisem^ptar ãie'AwM*d6^ Re- 
4ei^dfes«Qda j^ieiiVM auibentba: f Bliâ jM^^cèVkl'; l$6f tjuan^ 
ip il^4ua fttttiie(afcic^diide o&a )be^vearv^<dõ similMillé' fon* 
;,e. (4ue vem fases |>6írfl1BLba^tlg»di9««»lMécil^ 
v^ífm^ liqu<út«l^oiii»|Sftttco>^ jrares&^iiM^^^uVMWibHio na* 
da paira aquést»»^ jeté^àrgulr ibtcitoi«V«t^eè<itn^f^ 

< Ck)ii|JAueinos.:.i9f Conltifdbuoiíímw 
n. Iisrciease: bftOfMi«sqàece<i^de «ponCér^-ò^ «scJidUvò' (4}. -» 
Qi^e escolho á esse,^ q^e BrandSo isflkNe éÊífÁèàtià êè apon- 
tar IH^ de:si>para 8i pergmtar todaòVmitídOy-ò^e náò 
fòr peco em bíltoria, madae quédd^^á >Má* dotalfatfi- 
tasiado eicolhOf on |>enedoi!.... Sef á (ilor 'veií l^ra*^ ^ijT^S'* 
f^fifa profunda dá integra^ qUe ietn 4i éaíèmpbii^^lifi^ Chro- 
ntca de Hesende, áo eoceníplar de Satíta Grui ãit de AI- 



(1) Nota XVI, psf . 403. 



'• : <: 



à ''/ 



cobaça? Acbou porém jamais -alguvm anHá diflCeccoiga 
jtílg-ixm tiçolha^ :0«i:-cousa. ;c|ue<iiiefeí^a>'q<ie totecc sequer 
equivaJedie nome ?. Tal. oAoconsl»^ mim é poMivel^dar* 
se nosamlntos ioteUèctiifteB «mílbaote eaCidadel-— Mat 
venham já a: pubUcò as palavra» da.JSrandflo': O esseni* 
piar que fat aqui impttBBó foi domaitc ytndri de 72e«tfRr 
de...: (hUtú moM breve^cnfat palavtoiy por. ena meÊuna 
caíuta-ailegp nmh vAe^iettromxí^^lGobaga e de Sinta 
Cru% de &nm(^a (1). Aonde 0slá aqui o^eèlho^ que a 
>\uUio( da. Nota assevera qaeo tiitcd^o- c-ertlico Cuter^ 
'jcun^e nâo se etqueoeAi de apaniarí Em que iefrmoy.em 
q^ fraseada passagem « tPMsGriptã se encontra^ ou por 
dpde se p&de sequer, xroih*gii& qtie firandSo aio se eaqué^ 
cera de ap(m4ar..:Q tal iacvtlcAii^e«élhof* Ma^que^ ía^ 
dígiie-a.1«..^;' Ha de ficar .uecessaxiaoieBié: «errído^ -quanf 
d.Q.acricica U)eL..e;(%ir «umaidemonstraçãol.u Nâo.é^pos- 
iiye} dai*a, .•(mas palavÁift de Brandâo': iacuicam um 
%6 visjitimbtre' ^p (Zo: ca&htgoricamente apriegoado apontoy 
mento!.... B^* apenas um sonho do ^nlaáíais^^ annofa*- 
dofy que faz rir !••• 

Agora vejamos aintelligencia, que o Annotador dá 
ás palavras de Braftdâi^^ 91901^ i;i)(MkUle ou anies exoti" 
cidade^ para se alugar pãlanquesh 9» Que quiz o histo* 
99 riador diser na phrase : par esM metma causa f Decer* 
P' toique iMk>.0l« fHya.faief mamreffli|«ida/áysua barra* 
^Mive^ ell&que está afotfdftjpafsoriumalniloiQo co^rpo<la 
9f- bisioriar^dopumefitoi-íiolejnM- seguidos. "de «é«§es.*!em 
'^.^I^UPM'^ .p^qiUB ^elridenlemtJQtetf accpielJaiTi e«prèts8es:sU 
'99r gnJL^ijAflat! é^ . ique da var>mai» ié «ak^s «xiam^ilaf te .'de Sja n«- 
» ta Cruz -,Q .d.^A jcobaga .cobfer paca ' entre iil{i).'» V6dh 
por -vurniura iadicte^s^ Aa;}Cftdif9Mp'v,da'*littcralur»,' e dia 
critica exeakplO algulti 4e uiíiaThermeneutica knais -ialv 
A9ii 4b!M)H-da..iai«iQlcfaTelí}'Níb>^.o pensamos.;-^ E^ pois 
/v<Mrdade qua As^pAlâvrasout^ftpfeiBSes^. que Acam" copia» 
4a;s^ 4o..smoeiBO;«.crilkorGislereiè«^ evidente^ 

t7ien/<qite^UedÍMa mtáàfi aoieàsfsmpbveBTiá Santa G^m 
it d' Alcobaça t. £* faltislimo* H« 4a retpqndef ^ todoaquel*- 
lé que vnimipIesineQte af lâr.; fiVponím o próprio firaU*- 

(1) Nota XVI, pa;. 488. 

(2) MoU XVI, iN4(. 489. 






dão<|úém inelactovolriíeDlecsiá déamen lindo *â ài^títa^ 
tail^ « inallmissível mterpreluçâo do A^onotAllor. Na^er« 
dade^ qual é a c«inn porque' firaiid&oprefefíu ftiverlr 'oa 
<x>rpo dá-^Hil bbtoria^.ò^èiieixyplifr' ide* Alcobaça' -6 Siitita 
Gn»:do Corihbra^áo e.t«inpl»rd0 Mestre Andié de Re^ 
tend^e? F<n «ein áusida- pór\nijvttále -Mcr mau'bnife. At 
toas palavrat lermlimme e emievtifiÁortleo e^xpfihieni'; 
» Otitrò maU 'brÍ!iVe,'VÍui elfe^^cirpDí^ palatra» 'pc^r essa 
m mesma causa ai higo tftair^tese^^ sé^iroudd Alcobaça è 
» l$anta:«Gruf de.Goinibfa(4) tr.àftmwe '-^for^aM^níM 
cosuo-^iiUeral e éxc]«iivai|ieDte ttfto |HSde ter Mtra rê^ 
ferencia senSoá qualidade ' «to ser mau breoé ov re^sirml^ 
do^ p txempiar^. çue sé ítiroir cif Alcobaça \e Sanita^ Crui 'de 
Goimbroi Biiéta eaièmier' Imtra^Mrédònda* to o 

iiiler|»reiàn '— » Dar pmimuMf jooia rníterl U ^ncia i nqilMlJo* 
oavelmmtíe .diserpa dNiqveUftqtve i^âfra, -1^' ttnicbmecite 
e»prifn€irii as^palawrat de qualquer fisoriptof, é iiAi coo* 
Irát^eoso hediondo da mais ind|séuipa<v«l ignovoncHi) pbr 
não^diser matieiai*... ;;'.;.:'; - - >'!.•. ..^ ..... 

■ 

- : £sta ObservaífloMwrsw t^^lMi^ve^ ijcbeni»' •éftye^íarf 
alsef{aes <quelpm««iov «r>*ttidbbidar«!^ 0>fiiíiii(ipfot 'de* 
». Aetèode Ibi» ^^séiir duvidai >lNiVeh)(d(rw^raplfM(*««^^ 
i»'posferiormeiÃi^^n4odhMi0i^tai?éir0y «iHs^ ^r>i4^tfcf nr. 
it? N6si subsds^mittor • iiitâ[i«inmt0 '^b(r vc»^^^ Bl^viiiãi» 
ra)k >i»'^A4^«^^é« «neoatviMP|T«>.tte Jt^JiAtiPà^itdor vy^iH^ai é 
j99cumMtos.j9araíca(he(0um»iomte2^ 4uu'<^ «x^mi^ 
)ilàr'Aa::Cbroiuoai idos fiodM de áindré dà( Merende* /i^ 

Aumo9fsipor. àky mos j^orioijgftiemíS-iQtMnn-^aneferá é-^ev 
islbeléce uma eatiiicittçfo tfuáfeq|Q«i^> com ^ «>quattfrca{ib 
«N. 9itm émiéa •«» é predso^^ ter \ fanéa m«àtoà: fMHki^ « 
iiicpiitimersosi''que'fi sèiteiiftonMiiiCcbãiò ^édi')tMei^%e' ha 
de dar xorediío a uma- cobaia iM mod<)$«que'4|r-fiqQQ'6efii 

(I) Mon. Luiit. tom. 3.0 folh. 271. i Lí^j l V v. - 
P) NoU XVI, pag, 483, 



-^i7 — 

ãnmdaí Se o «uthor da dovhsícdji e enormlsiima Hiêtó^ 
ria de Port%$gal quer pois que o acreditemos em matéria 
láo deacommuaali devera apreseolar em toda a sua lil« 
ridez of fulcro»! em que elle «e ettribava. Aoodè etlSó 
porém ellesf Em parte alguma ot ba de poder achar; 
proQUQcíamoLo aftotttamente ! laoovaçSes portanto leia 
arrimo, que as espeque^ nflo merecem seuflo de«preiow 
-^ Aonde está o tal descoberto en/et/e eparapkrascf Nio 
basta fó diiel-o^ é preciso demonstlnUo ! — £ quando 
positivamente se mostrasse que existia aquelle en/in/e 6 
paraphrasef porque motivo se ha de asseverar que fora 
posterior e nio coevo com o mencionado exemplar!-^ 
Provado mesmo que fossse, ou devesse ser poUcrior; eitt 
que data tivera elie tido logar? Porque razSo se ha de 
asseverar que nflo fora Rezende o Author do enféUe o 
paraphrasc^ e sim abstractamente alguemj qqe se nio 
sabe quem éf A todos estes quesitos é obrigado a res- 
ponder todo aquelle^ que como o Author da extravagan- 
te Nota, vier com tío gfatuitas e especiosas evasivas pa- 
ra menoscabar o credito do exemplar da ChfOiilca dos 
tiodos do uso de Rezende, -^-^ Qttem' porém aio vó que 
aquelle tio estrambótico conceito á soobra de pura o 
extreme fantasia ? Basta reflectir que nem Re%ettíde^ neoi 
Brandão j nem Faria^ nem outros muitos escríptofeâ 
qued^aquelle exemplar tem usado^ (citando^o muitas ve^ 
zes em suâs Obras, e outrosim reconhecendo o seu devt* 
do valor e aulhenticidade) nunca lhe notaram similhan^^ 
te pecha; para fazer cahir em desprezo a alentada pa^ 
tranha do --» alguém que o eftfeitára e parafrauára. 

Pelo contrario o £xemplàr da Chronicá doi Oodot 
de Rezende figura ainda cpm mais voga no Orbe eriticof 
como documento de comprovação histórica^ do qoe o 
Exemplar de Santa Cruz de Coimbra ed^ Alcobaça. Ott« 
ça*se a Pereira de Figuáredó^ ao Oratoríano profunda^ 
mente erudito^ que nio é d^aquellét, que sio fáceis enx 
confundir o actessorio com o pribcipali o en/tft/ado e pok 
rafraseado de qualquer escriplo com aquillo que é dè 
sua genuina e primitita origem, e feitura. Falia' elba 
pois da tal Chronicá sem alguma restricçio ou barbíca^* 
cho, que áquelle se assemeUie, e no4 seguintes termos : 
ff Entre tanio esta Chronicá GotUca trás evidentes si- 



(fi^SHfh/^PNr^u^JilB^í ílX» AffoBÍEHfe{Iienfi^jmV«..-. .APeh> 
Í?sÍÍ^y^^'Jrfí.f^f^iM >OMiiaDUne<idon40fjBOi((ia^-ottihii]5 Rnúgas^ 

,9/.tra 'f^^d^^pruniil^. do. jDfs»«9PrMAaii«l8cr4ptof que .{trá- de 

^^«queji^ipi^.utttn /iÍQd(V il€«oobpAir nem .descobrirá, l)- 'iiie<- 
yiçe^^ \Sín\A.^^%úvík^ i\íi fffivdil.os U^s coiiu) uquellei* qtMS 
$c%|iV'\P^9iaio9ka40.9/. Ta^Sie.ifto dífilocbi» ^Uenç^Wiiâo 
|i{9fe%9rÍ9;4fqgMlA^AIanHsprJ|>ii>. %<eí Qãa íosíns iaconfjestA^: 
-v^jjn^n^f^tiF^c^lièculo.ftç^^ tDAiíl^ du«f.ah pol|)a ; 

se|0^,«f,ii4i^i>efníf fim. nsK>/olliaMm> i^.enteodeisQiA .^er 
ledò.ifUeitde .^racief *.ett^po;9çi^j%6ieiii&<orígin^I, e' já* 

•3if;. éi^gOÉ* <>f^«ô;d«Sí|fi^ ttm .Uiwí^ dfc €Jslr«piKifea- »!«> é 
a H^P9vídi),f,e ;grticU)íqai1MliK)!n(\d4^:) ^sNói»^ kuif#cr«veiiios 
(^4Bl^raniQWe;,ia(^ voto iUe «BraoviACti ^ Qmti.%oio:éTmo 
^s^^fMo /oifí«l:d«í ^orgutfifríK |«ífoModo,:r.e ,qtialqaer 

S^fá. Rpr. Y^ P iwa. qu^ Wi cteveti Air * t^ufé *ào9 'wcmpktre» 

pli^r if]vifi f foiu dp ,Me9fr<Ã#dr6iidÍ!a Husse^de^icpoaò affirf- 
ma 0|e«j^ipi9r, sd^ NiiMiiv^jJUia.^if^ismin^o» «emo já fise^- 
l»fífcWí'íí2te# proplí^.PfàiyiWfyfle 'Brandão. (á)*. flor el- 
\»>)AÍq% <9iX$ qMq^iiiai|piíd^#q)iie)to profer«iilcUb«fòra/Uoi^ 
^o^nt^ « ^ffí^idfâke <<i^,Aonli^ttd9 dó euecmplar dot doía 
llSoitQirjPtfii' rn .@<pdq!i4Mia$jiitíi9^.QQt|[lo<*pálfe xi> AuUior da 
lí.W<*ípr<>omifiiaír wtU ^MbWO/^ràsKA dáxendia cuoho oari* 

d|ú» pãío.4U$.^i)^iivÍámm>i4^««QiAqui»i »^Ue aa Ihe^Asera 
4M0r9s4«^gU0-»)9(qu9k^'ia»9Qtftil9r fiofpUiji- oJiMiúaaieine 
ttttftcffivieu. a Utoi: :*l?c>(o,,7Qi^icof|i(|le&ftin^aleiiéiaU»ía, c 



desliza da iua hvpoihese. &nio>^'iesta cObt?ftd!<^ft0, òtl 
4xni9a que .O" viaJbáy imo d^)iqttellM^>ãletfienik)S''dfe^*òdciisid4 

Dal.|)rovocaçâa,i a. qutf;.a jcri^Sa >iv$0-p6Je-rb8Ísii(r?; Setfl 
duvida qu« o 2:1 <U. Aindira^tfontmrffc^âo ^ iorbar ttfVtff 
flagrante /se sq adrertir^^fi.qvijo )âittorí#ijfhlfiíh(>(éiii''iUá 
Obra ( Historia^ de Portugal ! > otp ló al^fíiafe vêVtft 
a^iá a stia opinião imaiHbdrldad^ido^kffhfi^ 
oiça dos tirodoi de André d% Rettoad^;^ ^fn «até 'furéfer^ 
Q seu tcstédumUo ao ánbiMjp/of ote^mta Ofurdéf^Goiiii^ 
bra « . Akoi^açaV i> J^m^^p^ovii^tlpêthinio^sa^tSo^ teridioi 'ns^ 
sei-ção oonrpletra bn^ta^l«r'nÍVò/d<'pfffiidirft^*do Totiio 1.^ 
Uy. tP da Historia dí Porru^V'ytt)G;^ 40«; áòtide se 
acha eftcfipte ajefui«Ket 9^ N4o^'Ou«atffÒsy é^eiar dMt^ 
^ soy. rèjditar ò tucceé«b^(fet<erewséiotf fcrílò^da^iòii^àda dé 
livora porGiralçJo Sêm^Vdr']| 5^; põrqiíe^rifestá t^artè ^ 
h exemplar da Chrontôã^ao» GhdoífJfite pél^flA9eéii a^Rè^ 
m %endei concorda subslancíalmenle conn os de Alcobaça 
* e de Sanla Cruz, cujo texto seffuid Brandão. » Já 
em a Nola príméú% d^^içtflMtKiitwftitado da Historia 
de Portugal, pag. 333, tratando do nofiie do logar, di- 
to Jogo do JBufurdiOj ou Boforda ; depois de transcre- 
9e$ eimí . afioio as palutmé dit*Ct»Kiíti{c2l- &tk Oèôài íánfor* 
me-òexefníilaMisaddf^xA^BfictráSlQ!^ para''Yibia l^onftrma^ 

fmfifrme. poitéMar /* JM^^ittvPTO-* Kpp. 1 aâibéffll Vt9.i^ 
Jàov-a iiot<iíi3c^/'^a'f a J. -401/^^**^/! nfíiô-iBè'|>ôí^ èstft Wlrtna«* 
PreftòrUnBk^^úaà^a oA CoMi^e/h ^td^èftfiiW' âé ftàMídél 
poinihcMOs pareceietfíedi»m éryb-títt '^óópvkd^l&vn^^tíi tkiWiò 
de j4ÍÀhsç(hJ^N&(i nffpkrece pbf^^rtttíra', Uíb A86r'{io6'.òi^ 
4roí logfwts,' pelo mèttos ^rie*»,í crteliírtódol^^flaíififcèta- 
iáente damlo:iHai$ fi m éeÊÁApttir <fó A ViídVé dé ft^^tííã^é 
ddqite.»<i ;de Alc(jbfií<|^ r?ae«P.ÍhiVietev"rÉ»iiflféf <iòúíí 

pletattif Qte qstar dé Wtíoiff^ 'àtt^^^fti^nlôi' 4iife propaí^ 
lára).quaad<» prs[MiuMU>a''qtí^ éllé^ynftscr^in^iei iffll^imifénré 




qtwácí de;«efe##fr !«bí»Ç^pòAWW ní^àto. • ■ ' T^^í 
i.iíAgd^mpoT deâiíèd1tfa'í|M?fgôhÍáltei#ôf;.te WstbHoír^i 
plio — qual seja a razSo por que o exemplar da Chroni** 
ca dos GodQi^:djG»ql||(l<jitrasTÁT)dr^ de rReauiôd co- 

pular uma parafrate dos exemplflinás da nl^ttia' Cbròoi^ 



— 40 — 

ca, perlencenies ft Sania Cruz e Alcobaça^ e nAo hSo 
de ^r estes um retlimo ou epilome d^aquella? Esp^rA* 
^os pela solução do problema, que ha de ter curiosa !... 
Não é preciso.»^.» Temos ha*muiio a solução explicita áo 
problema coo ira o hifloriogffaphoy dada por* Author sii* 
perior a toda a excepção. A^lal respeito escreveu pois' o 
graade sabedor das antiguidades palrÍQ«, Penara de .Fu 
guáredo]; p Uma cousa é « cfarooíca goibíòa, que do 
»i Manuscripto de Resende publicou Brandão; outra 
9> .cousa é este seu SummarM^ ou Compendio, tyjoe Exem* 
n. piarei o meêmo Bnmdâo adoerie^ que te acham em Al^ 
sf cdÍHiÇQ 6 em Sania[ Cru%: de Coimbra (.1). « A* vista 
deste voto de homem^^tão eompetetue, -quem se ha de atre- 
ver a qualificar depara/rate posterior áq-uellet doU cxem^* 
piarei o Manuscripto de Resende? E^ pelo contrario es- 
te Al aóusçriplo o original iint^xior«. 

' * ■ * 



»". . 1 



^ O thema d^sta observação versa sobre esteà:dois pe* 
riodos: n ,fja copia de Resende ha arligos, que desídi* 
zem completameale da f&rma «empre resumida e ra- 
n pida 'por.que se lançavam áqupUas series de apoota* 
19 mejDiof, chamadas C^oistconi. Esta. fãrma á constan- 
9 tp não i6 em toda aPeninsulat mas em toda a £ura» 
39 pa^. como so p&ie vêr nas,CoUecç8es de Martenc, Ache- 
J9 rjTy M uratorí etc« .e aiqda melhor, na mais perfeita de 
» todas eisas çolleoç^s^o^ Monumenta Hutorks Ger^ 
y> mampat ífe Pertn (9). » Que importa que a copia de 
Reaande tenha alguns artigos em qiie 9 desdiga comple- 
9 tameqte.da forma sempre resumida e rápida por que 
i»'se lançavam aquellas series de apontamentos chama- 
» das ÇhronieomT E'* por ventura essa differença argu- 
inento bastante para descer da etUma e conceito, em 
que sempre foi (ida entre os criticas aqaella copia! Nun- 
ca litterato algum se lembrou de tai^ e tão romanesca 

•■ ■ - ■ ■ • "^ . ■ . • 

(1) Elog. dos Reis déPoftt».^ Nota ia,a^^SM« 

(2) noX9t7i.yif fft^.ABÒ. 



—ai — 

p^gndilba paro menoscabar onoradha' gwarlinente |>rf«l«« 
do áqtiella cópia 4laifiefende«r>^ Bitlo é bMlanle ^ra 
te voiar ao dis^preio Uk> fttiilittiina n!aliana.I~Qaa€« 
ftfto fx>rérn ess6f .arligo«;ila oapia.de^RègeQdé^ que defdi* 
tenk compielámeaie da /<(t^iiui> sempre re»mmda c rápida 
dos cèauiàdm CÁrofttooni? ApoateHM, <e -coofion(«-of« 
Sem .C9la operaçlo nflo; /acreditamos em- generalidades 
yag(»;ou íana^s cajilormjD sdtfxpfáme o nebtorisnio. Mas 
que crítica de ik)vo cuabo ^e estofa é etsa^ que eslabela- 
ce uma bilAln x>ii ctaveíra impreterível aos*àrligos xla 
Çopia d^i> Rezeadif^ -áflVrifldo-os pelo resumo e raptdes 
dos Arit^i dos CAcomjctas/ Porventura os artigos- dos 
CArontconr tem marcadpi tiumero>de termos, frases, ê pe- 
ríodos, além dosquaes elles^ nSo podem, nem devem pas* 
sar? Ninguém ainda o disse,, cse^dífsesse proferia uma 
bem cunhada e rebatida parvoíce f Ha successos, que 
pelo caracter nn|ural;da sua ^randeea pedem uma lenda 
muito mais externa .quO as doisucccssos menos importan- 
tes» Dir-se-ba poiseer aquella /findo, ou-emen/a muito maior 
que a doe factm secundários, e ifienoe illustres ; ser /m- 
da ou ementa sim imprópria diurna Cbronica ou^ CAròni» 
con? Munca! Kod^m boveriar%Of^ oulendasy' as quaes, 
em rasSo das circumslaneias. ^notáveis, que lhes raspei» 
tnm, e que de necessidade se devemenumerar,' se tornem 
muílo major^i^ do que aquellas de oieros factos, que as 
não tcm>; e nem por isso se devem reputar ofibasivõs^é 
«'ilhçiosda roptde% (irefumOf com que^ secundo o bisto» 
rio^raplio, costumam- ser langadas^ nos Ghronicons. As 
idéns. de resuma e fopkí^ sitf) tankómente velativa» ao 
objrcio, e jamais se devem tomar em nl>strncto, e d*un| 
modo absoluto. Póile dquajquef .narrativa,. nSa obstante 
ser, maiPiialmente faltando, muito- mofS longa <]Ue ou- 
tra, se se referir precisamente ao ãbjei^fò^ fièr cpnÍid|E(r.a- 
da, por certo, como as«ás reiumtda i^ltàpidá».Xif^yíÍB[^ 
por tanto uma forma rciwmda e ànidã^ um^tyi^ iifiál- 
teravel, e materialmente fixo para *;òs «rf||igfi^ dós CAiio* 
fúconif é urn absurdo sobremaneira H^yel. , . * > 

Agora, levando estas reflexdeif'''ao;Gampo. daíexem* 
plíficaçSo, havemos defaxer vér cÒiitraòAuthor. da His- 
toria de Portugal que as lendas o]U^(írfíjgfok,^dos iÇbròpi- 
coQs nSo teem todos a mesma fórmá % sistema rvyumiio 



C:^<;9ri(/Q>Me.'ft^i0lit(iiV;in»nncfiok)hflTr^ 8ái^ 

l^tH^fò -(']]itr.Qlí^ãit?a9miquè:acUitiiábue*ajScVepo Suíf>icío 

«Qf( SebftÁl^anii^^d) ttiimitf moo Con^imleUftnu^) (10). «^ 

9Íigua9:fM:tfgoa do<^oiiiwn de.jiítkire^Pad^iiÉ O^*)) 'O 
intiUarinda)iiigji]<ns ^Çkrenicon MK^náciii Siieoèu >(lS)j 

C/^>-!PY^^ponb4Koo4iobfiíclarentíft(44)U-^ »Porém eu^quen^aiii-^ 
dtt,fe4uio^ar. a apal)^fobfroril^(i«v<09ari4gds»'man;^x:*' 
l^tt^^d^ tihroati^ d(W:43od(Myt$egucidb ôf^ectem^^ dtf 

f9i|fiO!i8y,qM<^ arabáfnos*âedinr.;ExhrifcíiMndo pòiê^^^ 

de:::BfaWião^\.F)aiie8i..U»nitcrevéraii06 t»fno''I4^ tha ãEíjMH 
iki^iiStvgracífiiy aobainofiíqiie Q-orii|^(»«orreipoiid6iiie «4 4ff(i 
Ue 904f QQmpreheoUé âôjliâbaè^iouir^rtfiisotiejatflio^^íii^ 
(la.j^vMui- gvc^m; .Q oorreçpDiiidetKe iaoaWh de 114Í,*37'; 
«^0'^fiQja^ U83!f M' regra»i'e^rto' cte tn«ia : -ac^bc^ffo 
d^: JÍ77(qa&^cQio»pciiide>iaQHiflb6Íde CJHriHo^* >ldO)v 
fwn' qpe.«eir«tafdarBaU)llnJld0Oirriqiul'^>30 !-w»dè ^1478, 
^âfifttgr»»'^' inmarf- -B(y!deM80,(44 regrdi^ tem inédida« ; 

0acoali«m;doú muitoiÍR!iQft)(!btVtf5o^dd qiíe-aqiléllâ qutí| 









1«« ipuii^i n>AÍ« d^.duplo dp eYHèfuSf^idJaqiiplU quevi^ 

. , J|g.\ dttfa^v.çi^ir <qu^4ogaK ctm <s«puitt»t)ttO^.GlAlrimtp0i^ 

^9 por.^^ií^^ iH)|{iiPinu^ltfj9*fthlF^paBâ<jSagraila9 se acto 
lii^^if:ri|^^9iiP< Ç^r(^n?i;aa . it& .San^/ltfH); £ <^^«n> pôde cK^m 

mi Tllf^pfef^Ahg^li^J ^sieja t^o .raip.;doi«r sido escri^K) 
r<:;8^miii^ç^:rpf9i^9ne^af ^iegu«i3i. poricerto que o exar 
n)inpr..oQuni!pr0h<H)dk ^ollei fó. |>arfíufo9; ^-quc-^ ^^cciipan 
qj^si ÍQ^|)AgH>a4 dQifprnviilo ff» '4i?y.éfniquú\émQTÍçX% 
|i.c;ilii^a>i}r4 ^e ./^fbrâs^/^Saireiíltifcícxnoft a > regras ou.ft li^ 
dAmi^ 08 l^,f)a/;raf9tâ^. iH*teiiQmQ^* quc^ abri^ngern 9Só> p«ra 
jiaM. 'li^ i).9;er^..qfie afls|«e. arligo :ise;ircbÍaia aiasladadaf 
d^U^^ Ça.i;ias>\4Q -Iftaim J,oâ(0>:ik iÚ.. Afíboso ; o €^|ie proxa 
q/,ifyOs ,ÇhcQpiçipai:ifOao^erKi/vari^i*<:kbH|;adoB Aiffeiein riSo 
rç^tm^Ç^rr^iyoJÁdori qiie nâg p0de«leai)ai^iuir*'|k»r. eilv 
i^M) ã|§uní)H|< ^(Q«^«i documcaijEÍrsi M- Ofatecviíréi '^msi^.i 
QfSf^ $6 .esia^.duai^, (falias ob«Hí:lg4Mnp«aaior.*nUmerOi d^tUr 
nhãs yqçueo àrUgQ d0:O^^^Wa^Qft)Gacb^^.;aènd6'Seiiál 
dfi fj^iuajha :di]^-P^iiqv<^. ?4qiL|ella# ãibnaagem%48 regrai 
bumf.wídÂdíMíf lí fiiM<?» 6éin#ikifr*â6.*!-.Q .párrafo Jíí.Swdf* 
0)e;sflrt> Çhroj^ff i>o;\de^aiBpú(>>..r/(M»lré èOiMobaái. -n-^D 
fl/ii£l?'i Qi:<ic^m»& ri[/l^é #9íaÍ8^ç0nQiWj>iqua ^<)k,iniuiQÍoimdo»; 
lodavítt comprehQp(}dJ tir^f» pa^agr^lfo^inQUie' p^f^zfiiH .7<^ 
}inU^f^^(^,ufi^gík''rr'Míminíkn» JJ^rr^-é • nàíihr ^qu^/ q pre- 
çedqi)t«i9.e:tiiç. ipdíc^^o.- Gproprfh«nd€! p9Ís:83 linhas! em 
ir^f |>í^egrafpv.'f^))iJ<í3^:t> pi*'WekQ dtísj^ 'pàjtragcafpt^diekél 

pn(wralb««.i;>f^fic>e< 4K) lidtKii;»:^ 130 • ar UgoOi;dbnius d 
7Q,<,1)>Í ^. .4(* ^í^ri-M fi'.»jr,..hn. o •■"»•'> ^ ♦.? : «^^ í . ^"^'- ? 

doro.JPsmiif^ ÕP),..f^bareqíM)á qtiM: lfig;|9 «ío prio^iro arUgo 
rr- fftracliuM ir- 6fp|?«^gftra„jBem!r^*iHb©rcr oil«eí parugrlifosv 
qua-cx^cjupani .c^i^ç^c^^ji^guiai ;oiJvieiiii^^4aa, oUfidftlOblAidfe 

(2) Na Espana SHgr|MÍf|^^^::«.?,sf|i5,^m#»f»aíi..vHin i^> 



fhmi ftt quaet reduzidas á Unhai chegam actmá de 
l?^^ coDivndo 4el]at s6 o primeiro parrafo 40.*— O te« 
gúodonrirgo Om^antknuM abrange doÍ9 paragrafot; que 
fniem 85 linhai» comprehendendo o legundo paragrafo 
74) oif teais de duas bem aproveitadas paginas. -—O ar- 
tigo Leo ifdtiritfiii com prebende 13 paginas, e estas ari* 
ma de 385 linhas, que fazem um todo de él paragrafou 
de vários tamanhos. «««Omíttlmos- outros artijgros deste 
ChroniéoD, qv^e se bem. mais pequenos- provariam com«- 
tudo ao noèfto intento. «—Abro o Chronhcàn dei Monge 
SíUme (1), e que logo encontro? Uma introducçSo ou 
eoiísa que o volha, que comprehende nada menos que 
sele parogFaf«>s !..«' Como é istb? Um Ghronicon com 
sua iotròducçQo7....\R' verdade,- E |K>r este exeiiiplo dep- 
ile (ícar sabendo o Author da Noia que a forma rnptdb 
e restimu&i, a que elle, de sua fantasia^ sujeita osChro^ 
nicobs, nio étãl quo não possa admítiir um igual admlof^ 
cuto. Ag4>ra reduzindo a linhas a tal introducçSo achare- 
«K>s4)ue'ella compreliende umas boas 140 regras ; sen* 
do o t.® piaragrafo de 34, o 4.^ de 96. ^-r O artigo At* 
d^ami^f^l genúi et imita é de 5 paraftrafos, qiie eom- 
prehendem LIO regras; w. O artigo IrUiem ftagUkt^ tí Ro- 
dwhci teiii 4 parágrafos com 9€ linhas. •— U artigo Pe^ 
lag^HÈ A»i? abrange 5 paragrafes em 116 linhas. B^ omít*^ 
tind6oi|tros artigos pouéo mais ou mienòs destas dimen- 
iiSes^ ^reí em íím^men^o do artigo Femanãat l Ca9íel* 
kti Efite' abrange nada menos que 3f parágrafos --em 18 
^áginas^que comprehendem 644 libhas, 

' Agora íblbearemos o Ckromoon Gátúmbrteente (9); 
Acbffmos pois que oartigoioorrespoodente ao annò 1199 
4:òn^prt*bendei ff rpgrds:* O correspondente a 1333, 98': 
O r^rresporidénte á 1370, 69 : O correspondente a 1371, 
i4^: O corre«pondente*a: 1979^, 30: O correspondente a 
!)373, 95: O correspondente a 1386, 54. — E^ para 
-notau que, contendo o Cftrvmicoit CJbisim^ricense artigos 
«nuito maiores' do que aquelle, em que a Ohronica dos 
jGòdos,.^8egundo'0 exemplar de Rezende, refere a Eíata* 
lha de 'Ourique ^ «em por issoelle seja reputado e quo» 

(1) Na EtptBa Safj^áaa ,' ttom. 17« péf. 'iRV; 
(4) Ma Ifitpaiia B^lalia^, fém: n^ pég. 39Qf 



— as— 

lificado como paráfrase pelo Autbor da Historia da Por» 
tugal ; coDÍorme o mesmo escripior reputa o qualíAra a* 
quella Cfarooica ! Mililava ainda maior raclo.... Chamei 
especialmente a attençSo sobre oCtromeoft Omtmòriceii» 
u por ser este um dos Documentos favoritos do historio» 
grapho. -^ O Chronicon de CardeAa (1) conta' um arti« 
go de €9 linhas (maior que alguns daChrpnica dot Oo* 
dos), que éo que corresponde áera de César» ISCf, nio 
obstante serem os outros artigos muito mais pequenos (C). 
Ora se pelo quê conseguimos palpafelmente fa* 



Í1) Na Bsptna Sai^rtila , toai. 33, pij^* 370. 
2) Nio parece fpra de propiitito a<|4ii dledararaMS qoe a maior 
parte doi CAronicimt^ qae« eai oppoii^io á anet^iè do hlttoriador 
português, trouxemof árollaq2o« nio tio iDdtfVSpmitct d domo liittoria. 
Pereira de Figueiredo fes doa Ckramieémã Mtfwrêt u»a roflee^o, a 
que deu o titulo de: n Vetera Clironíra Hi«pa»ÍK AIÍBora« in «aone 
n'Corpu« redacta ad ftdem eroditionit Fioirefian», raraate Anlo» 
w nio Pereria Figaeredio, Re|tÍ0 Corin Cen^rie Dccemvlro Ordi« 
f% nario Reglnieque FideiisiimB ab Rpialalia Latinit. n R«ie emdito 
é poia o próprio que coaCMca aa Prefa^b» da referida ol»f a que oe 
Chronicoaty por elle redutidos a una Corpo, ronso qoe enrerram 
uu* rertofl fundauenlos da noaM Historia Antigas ti Nbw-alia ig|» 
n tor d BBo JHiapanlae Monnmentii expectent, vel noitri, vel cs- 
n Icri, quana broviora Cbronica, l>reYÍoreM|ne Annalea, qtt« «tiH- 
}> fU0 Hutwitt nottrm wetuti fimd&menia qnaedana babentor. n 

Afura relaríonareiBoa cfaronokif irameDteoflCforonicoBi,ie AoMiea^ 
que Pereira de Fifoeiredo iorlaia na referida Cellcrçio. 

O Cbffonjro^ de Idado ( Idatii Rpitcopi Cbronicon ). B* do 6P 
aecalo. ( Em Florei « Espana Sagrada , tona. 4.^ pag. 346 )• 

O Cbronlcon de Joio Biclarense. ( Cbronicon Joannif Bielared- 
aii). £* do tecolo 6® (Flórea «te, tom. 6.® pag. 8V5). Kato etnrl- 
ptor é natnrai de 8antareni. 

Isidoro Hispalense, Historia doa Godoa, Vândalos o Soeroé» 
(Bivi Isâdori Hitpaleniia Kpiscopi Historia de Regiboa Gotbomia« 
Vajadalorom et BâiefAriun )• (Flórea eic. tom. 6.^ pag. 474). BI* do 
aecnlo 7.» . 

Jnliio Bispo de Toledo, R* do mesmo scrnlo. Rscreven — His» 
torta do Rei Wamba. (História Excelle«tiuíml Wambsa Regia). 
(Plotaa etc. tom. 4* l^gJ 634).- ' 

. O.Cbronieon dos ReH WtOgodea, do An^bor Anonjmo. (Cbr*. 
«ira Reguro Ituigolbomm). JC^ do princípio do 8.« aecnlo. (Flórea 

etc. tom. a.®, pag. 172). .,..„.. 

O Cbroniron de Isidoro Pacenae. (Isidori Pacenaia RplM-opi 
CbeoakoB ) R* do mesmo secalo 3 ^ (Flórea «te. 4om. %»^ peg. 374% 

O CAreis^coia AiheUUnte on JMÃeNCfise. (Cbroniooa AlboMca. 
ae, llamado tambien EmUianense) R* de aulbur incerto^ e pertMNi 
c# ao século 9.9 ( Rm Flórea etcjon. 13, pag. 4J7). 

O Cbronicon de Sebaitiie SaimaUctaie. (aebaiIlMil 



— Í8 — 

o Cbronicfln xie Pela);io O^eteote. ( Pcla^ii Ovetensis Rpiscopi 
Chroniroii Rcguin Lej^ionensiuin ). -— O do I^longe Silense. ( Mona» 
chi Silensis CliruDÍrun ). -— A Chronira do Imperador Aflbnso VII« 
(Chrouira Adfonsi Im^Cali^tb )rV-..T4d4>ft e»fa» Cln««(«olir«ia# do 

Iam,; ;{^if>«|t- «t30«)»iia * .-,* :-.iMi»flr.. .-.■j , -v>r,.^ .'-"J •• í- omi^ 

.V . ' > ;. P . IfAywMMMH jtoiíTMf BftniH . 4 Slorei «tf . toill ;• ^84* ya^. S0#. } ' '. y 
. • ;>^ { Oft^iif e«' ÇuiniftWléàset. t ( :A iioiflleti CAt#|thi1eHsH'); -^ Ò CiurO» 

4filU9«(P%dMc)4rKlore«.elci tooi. 2^ffm|^a^»^t«r.>^>* OClirtif^)^ 
i|u» <j^f|ili^i»rM«i^ HfiKtaii. llii^aMWuet^FraWvlti«^-( PllbmMd |mi# 
Jflpr^ s^gvndoi-ttfn, M»itd«r4uanfV«M]«i^ d»l*'MaHliQ»«| Tem nd 

j>»gKW#rTr.K^iB>fca.«'»uUt^»i>ia* qMi i d awtfc^i##Chroftl»by^ 

S3o do.«c9q«adt44k^to>€hNi)ianDtCterriÍMl«M«c»J*|<Hitflllil9^'!44^C^ 




^creira de Figueiredo limiton-se laiwiÓAilNlfe-J» lM^*''«ftt« Oâ^ 

•9 ego iii ea ifeguiiie degcns, iibi hariiin inerrioin gostiis e^^ftd^i^KM 
jf-IJbHttdA .«i^U Misvra :iaÊKínmMV«^BM(kB^^%'rom€m*\Íi.t9Mtd^áãre 

A referida Cul1ec<;no« que Pcr4ilMÍ-«(l«*Í{ig\i«iredo «XlfrMkMlii^ 
«fwilpotobatvir i1b< llrm«a* mèAmíftVátmÂ' a^iVB^cPf^rontpttt^' |ifei4i ià im- 
imeMÍííi em iVH^-' B^énl»:4iM;Ai|lMáiCriptò<iif d»<BibM«tl&ça' 4;pllctt<^- 
mia. ■■*>'*'• -5 ; . *• í^ «íí^* '' • 

: i ' . lAéasffíp9fe>:«fbe-*>bUl; eafirtvil^el fMNiiBiii^ntO' 4« 4^'A^ tacs 

C»tlferc<y€#»^tfoi|yafttUi'i»l^»r*éBéV»*^t<»<itti^'ft<fc 
^ardb.dl«^. Af«cf caiiialB^aii.il»t»MMAidt<id« 4 j|iai>«aV. /^'AtWhÃ^à ^ q ue 
«rlúiikrietao.ivni? om^WclioàdUlo Umw Obr0> ilfltfc0t«Mfei^'-)«4tiMlQft^* 
neste género, la^lieiMllá^paMUiMiAivMiydc M^;biii^^Mki'*dQ'«c^ 



fQè 4a Chrooica Jo6Goilo.s tcgiindo o exemplar áuAn^ 
úré de {{ezendc; roadofé cntttmoy que ellei contém ar» 
tigoa incomparayçlmente muito mnii longos e dííTuso!?,' 
que os maii compridos e estensos da dita Chronira ; co- 
mo se podc^rá admíitify mw omaíi retollante absurdo, a 
inaudita illaçâo que o Aonotador assaca contra o Ms,^ 
que ei^ pretenda cjciíairadomente dfprecíurf Na wt^ 
dade, se^iia Copia da Çhrorãca doê^GodoM^ de que u^ára 
Rezeqdf[|^.«s c/c/t^iTt artigos^ que desditem cvmpietamente 
da fórm.a si^çniprc m«t4m,t(/í| €. rápida par que se tançavant 
aquellas.serj^^ .dff a%seniiiínenio$^ ' chamoflai^ . Chrontcai ; 
quaalo inaifli:>^r>;desmjL*ntf>m da tal fornia ietnpre reiu- 
viid(i e rápida osauigos :incomparaTe)m«h<e maiores dos 
Qutrqs Obroc^íoon^ .<^e acaMmoé derríndrcâp? Porém se 
taes artigos^ doA meacípnados Chroniconáj Dão obstante 
a sua aA^Iia^Ja^ei^ilen^ao^mao deram motivo a nue Cri- 
tico algMOi x>s riípulii$%e^d4sdh€r€m dafórma rápida c rr- 
mmida^ q.u^.'- cad^aoteriza qs Cfaroniconi, e muito menos 
para os carimil^r «om a:ioaudíta(akuDha de.prtfo/rntes; 
por q^Xtí\ii{\rga d^^çgha s(i jia âedar essa pécba no exemr 
piar de A odre d^Úccende^^-Por tanto se a exleiisao d^a- 
quelles artigos /i^a^é motivo* para se duvidar do seu con- 
toudo, ^muitiof mejvis o deve ser a.fespeito da Copia ou 
exemplar à a CbrOnica- .dos. Godos de André de Itêzende. 
A^ yl^ia dos éxetnplos dos diversos Cbronicoos, qae 
allegámos ; cumose pôde oulrosim dizer, em um tom ab- 
sol^tQie .caiMegQi:iro^..que os aflifçoa do exemplar 'da Cbro- 
DÍca dos podos de. -André de Rezende* não concordam 
coífk, a f^ma, constante, iló$ CHroificons usada nâo tó em 
toda. a Penififuhi m9ís ^^ ^^^ ^ Europa? Embora' o 
amiolador cí4é em gloibo em. «eu fator as Gollecçc^es de 
M^rUn^^ i ^^hery ^ J^ratori y e. o mais i)ue elle lá in- 
b^> o qiic é certo é qtie a nossa analyze dos CAironironi 
compi^taor^^le. de pÕè. contra aquella' asseTçâp genérica, 
T^ItttivA ájfiSriDa jc&rontflC^rapbs ilaftlaet CollecçAes meii^ 
cio^aaidas; .iJS quaiUa> estas jiSnda :Uilveai) nâo ^lésnientí^ 
ri^m^ se /assem pauàdas^pttla.fiesria: da ana1yze!...é Não 
as anAlyalámos «por aikfnSo lerinoa .prescnies. Nem era 
pCflcisQi.á^^fisla.do qu&iQcadisc|ilido.::Qs. exemplos que 
apontámos mostram assas que o Annotador andou de 
c6r quando fallou cm fótma comíanic^ , ptUk ^uftl pio- 



tendefi modelar oi Chroniamê^ nSo $6 an ioda a /^nin^ 
nalOf moi cm ioda a Eurcpal E Teria elle otChronioont 
de toda a Península e de ioda a iSuropa para eilábeleccr 
com conhecinienlo de cauta a lai bitola? Se os tivesse 
lido não ot teria por certo rkrdiizido a um %6 e coostante 
fac-êimUe!... 

Agora exigiremoir xJo Aunolador que noi indigite» 
lim por vktfif qua«*« »8o emes artigos da copia d^/Andrji 
de Ré%cíid€^ que daditem completamente da firma'4èmprè 
resumida e rápida por. que %e latinavam aquelh» series de 
apofitawenloi^ chamadoi Chrmíícone T Aguardaremos nso* 
lução do problema ;• que ha da ser bem difftcultosa !... 

Todavia eUc eoniinúa ainda com os seusi originaet 
destemperes! Ouçnmol-o: jletkm dando ttainalmenle ae 
fontci para a fáitoria da batalha de Ourique^ aprovHtâ* 
mo$ o artigo da Chroniea- do$ Godou %n9er\do na narrati* 
ra de JJrandéOf despre%ando á leHura do tòAce de Re* 
%cnde^ evidente paraphrate de mão mm moderna (1). Es« 
ia clausula, ou fecho do parajrraío tem tanto de burles» 
ca» comp dè mnnifestamente falsa. E na irerdade qtiem 
játnais houve que se.inculcasse \íO\ textítal dador dasibn* 
tes para a historia da Batalha de Ourique, que despre- 
gasse de contar no numero dessas fontet o Msí= ou -Códi- 
ce de Bt^zende^ de q«e se tem t ralado f Nem uhi 's6 e»- 
criptor «e ha déenconirár, quecom^similbantefánfartona* 
da coDJunctamente pronunciaste um tão agigantado ab- 
surdo! Pois ignora alguém que além de André de Re<- 
aende (eeste %oto IniMaria^ para refuti^r s6 té per ú a 
romântica ousadia doAulhor da Nota>^ VAieramestima- 
^o especial d'aquel)e Códice o«r»e«ma>Antònío Bran- 
Mo^ QUâiojnlgou digno de-ser iéipresK> (e pdr'e]lé foi 
dadp. a luz pela primeira vct ), e mseridp ne^ Appendice 
da 3.^ Parte da iMonarchía Lusitana» 'lentre os' Docu-^ 
mentosi que- comprovam^ a 'sua Historia? Duvidatá al- 
guém que mesmo ftotes dèlie fuera estima- do referido 
Códice Manoel Sererim de Faria : que o gromdé 11leà<« 
tino O. António dê Sousa no século passado o tap\kta 
como Documento capital- de fé histórica ^no L^^Tomo 
da4 Pro%as da Hístoiia genealógica da Gaia RenU Qua 



(1) NeUJKVI, pa^4tt. 



^' t 



o. mesmo depois prnlícára FlorUf e para o ínetsio fim; 
reimprímindo-a no Appeadice do tomo 14^ da Espaoa 
Singrada? iJe pois tfstet e outros etcriptoiet desta polpft 
oSo meaoscabafam aquelie Códice, antes o tiveram etit 
reconhecido, apreço; quanto nSo é desprezível^ e carica* 
to o sentir de um modernissímó eacriptor^ que tâo dia* 
roetral) e obsolutamente dissente de taet e tflo valiosos 
votos f 

Qual porém será o molivO| a cavtal de um lio til* 
cedido deipre%o pelo Ms. de Rezende f.B*) responde tU 
]e, por ser evidente poraphrate de mão mtm moderna. 
Que miséria das misérias !•••• O Aonotador nâo sabe por 
certo o que significa a palavra evidente!.*.. Se o soube- 
ra sem duvida que nSo havia de usar tfio detconchava* 
damente de um tal termo! Pois eu lho explico: Ecir- 
dente charna-se a iudo aqui lio que não só é certo, mat 
até se oíTerece ,ao nosso enteoiU mento em um tal gráo 
de luz, que o pue . fora de toda a hesitaçSo. Le íernU 
emdetice thgmfie unt eerittude h dairc et n mankfeête por 
elle-mêrncy que reitprit nc petU e*y rtfuwer. E* Címdillac 
que assim se exprime, e desta definição, e do mais que 
u acompanha se aproveitou a Rncyclòpedia.Methodicã. 
Se pois se conhece coro uma certeza tXo clara • tSo ma- 
nifesta, qual é a que produz a luz da evidencia, que a- 
quelie Ms. da Chfonica dos Godos do uso de Rezeride^ 
é uma pãrapíraêe de mão moU moderna ; como é crível quó 
no espaço de mais de SOO anãos, cm que este Ms. iem sido 
revolvido, e examinado por tantos eruditos demtocheiay 
um tão quejando e tSo saliente aleijão nfto fosse desco^ 
berto? £* de pasmar que aquella evidencia só estivesse 
reservada, depois de. séculos, para sélr exclusivo apana» 
gio do £scriptor da Historia de Portugal do meado do 
século 19.^!. ««. Não é porém crível, nem admissivèl, 
que tantos oinamentos de litteiatura, versados nos eM ti- 
dos das antiguidades pátrias,^ estivessem á uma todos 
joom os olhos encataracrtados para não seotrir a força do 
clarão da evidente paraphrcue^ que os deslumbrava!...» 
£sle argumento de prescripção é bastante para de toklo 
desmoronar uma aféi mação, que pela primeira vez sò 
estira no papel sem algum fundamento ! — Ninguém 
todavia que tenha voto na mate-la jámait dUm: que a 



}eilurii:^.:C!odic« cje- Revende 4e drfilHí dêspfé«ar")«yr"#tfy' 
ffiAdcfHe ppiraphraie demâ^ nuúgmddetna. 7%tifei fó! séHrv*- 
pT< res|>i»Hiiciai|, e* havida tromo tim^Goci^mefnlo dè^gfrtttH 
i|e>f4:^n4Be' oi ^nossos £ior»|ítoêti« iNârc^^nwv^mmo^^ edt^:. 
80liftéreA9yi:e'Sem fttodcimenlny^iíDrnd^^R^fttô^ ã-fiinfh^' 
ronicii,:díiil!Bcii|ti TQmaolieai O g^unde^OríttorhlHorPèrôt- 
r^tdeiFvgtoêireíiki^' qite tâ»'donh^eddri cra^'dn lihtòriàí 
palría, lestíficn que a Chromca chamada dos GoãdÉ en* 
i^ ilSrandâ<h\t iÉêrbosti pa9sa tpor uma dá» mdUf-àhtígai 
€^. doámáíi jídedlgnaÉ dttté Ikino^lí). ^Omeini&^^m í:rU 
tÍ€0>e%ctfuábQ* Of»lonaiw> ni.Dliserthçâo* 19*® adbre ni 
JSpocOH da ; Batalha d^Oifrique elc*^ iio^'!*^^"» queira- 
U dsi^anUgtndadei.e authoridàd^ da Cnroiúca chàmaêa 
doi Godoêyjde que %ê90u' Anãté*d€ Re^eadct daonífú do 
lÀpro dar^oa de JSanta Crui de G)imbra ("depois íie'e!S 
pôr o^ f undaimlntor em que npòia' o^iseif juiz<>^ cèaéfue t 
99 £»l8ui a outras círeumalancíat nos determinaram' h lér 
«r, e^a X^hroAÍca pdr obra 'd^Authôr, qUe akançòii ot 
^Jeinppi;<(t&. dito R«i (>Dv Aflfòiiao Hetirkjue») ou pe!o 
0'meQO^'íbÍ RH»! j«i«íriJio deUes>«(2). N *ester tnesmo con-» 
y. cei|Q,(rGoti'tkiu<i:-Períiua):.««ilívcFanri os no«so4 dòU fti^ 
p aio^.JknUqu*ri09'do' século *XV1 André- de Rezende^ 
a»,fi Qi^]wi^£ari^W:y'(S). Orafreço^oin 6m'eM quH fí^ 
il$s-49Í6.grAfKle»4iodn««islmo8l^«r]inFi l^r «a referida ChVdi 
pÂcf^>' f^ olit«otifii{«dMbr íà PêrcÂrÀ? v^ Isto' boUa/^xirn 
j^, es)jKi.^Fònic»:^d«4r«h>nipuiar d^iiwib v^tferoiídn emut 
Í^L e*IW«da. tocitt«idafle ;• çemoi depòfi^' de Re^nd^ e úc 
a? Cfar ítdíros^, a ^utou «BrafUiftoi 9» (4)0 t8è poisr èst« era 
pjuiiK>:favofi^V è.dbi subido ^41 preço* erii ' qtie iestj^s l&o 
4UUoctos liiitsrolot. iífiáéam'í'o:'ájodfeA '<lã Chro^ícit âoi 
Qpdps. da Hiõ .«te Aezeadf/,«ebi'J<q^tf Ihè ailMssèrnr iTiari. 

^^irn^algumà: .por ,bndb dbvésièi dèfnti^^èéer;\quai)to 
nSo:,é.par4 iitdigtuic, quef.iá^tiiKft àú verdict 36 tàó iU 
lusUadfts suniiDtdad^i^ -iLÍessé umvèr-ti^fiVdso inifòiãdor 
blutpricoy a;seiibeirpr4iser.e eóm- d^^ht[)a^ve»tadá^ hinta<*> 
Ala,,:€ondemaar^o/despre^o o^W^Mwi d^h^ue^kr^ 6iii^M<» 

.'.1 •;; ,. •;• ,: ;- •./^■'J^ ;.-.'\:ir Vl.J-- • *>»' ''"■ ■ 

do anão fimiqnainisceuD. Af|k>nti>Jf*nHqâÍN f^tlí ^ 

13)^ meio. da^cad. loip^ 0.?P»R'.3O4, . . , . . .1 . 



—dl — 

rancia !...« .bJk«»«if;-i: 

i«bA«P% í)ara-r.pa»hi . 4^ QúNNouvb4f,ii)>iirgu3l Aremos 

T4t?i,^ftfg5íBà..*â<> ipuréit^. 9 d«*<írflUiWtttfeuqupt»í^»i prea- 
nuncia l.**!*^^ - i ! ::•-•. iT.i 1 1. r*"i"rrí'4m n »»=•>» t»lf í.l*!'' • 

ca Uo3^(^p40« Up ^^9^ikMleiJB^^^^ieMMo'f(^/f!Íl« jánlelhi 
ser vi(^/^, ,&. cpm pcef<f(«nçÍ9) |larA.4lltWilt'tf .«eriòr laclc» 
trav^^ na H.^oÍj4 . d^ .l^^rlt^ixkttííoínor ií «Ak««ioi tierí 

mao. mai^ .mac^emo. Aos;aiiig^Aliv.r«tfmcWrCbrailioa^fqttè 
nâo ch^gaiv ^equ^.f .f^ MW^^ll^jil; :e'riiHldâ::emínQnea:>^ 
a$jind^..a ii(irratí)ra.y \fí<á<^.*o^ti|il|0.V9^ nuAoff^ dú% iittkaoffi 
A m^li iMiccmtu.pK}isi«iíl.|yvUvÁ9l^\ttdar,fior tein, di^ví^Mt 
befn fL(;,.|ia ^e,d49 a iH}rjio|4'|iafA.^ckflr^ «vilal^dueçirdulft 
par^phrasev^;vPai:/OAÍP <1«/^ di6^<3q««(«']tfi|>nlifaToa3áda^tM* 

n.a ^e mesquíaha>fii^.'U..>n^iMilft Wfo«op 

ou alguep[v,por?eíle^,:f<|^/i^liak) AabUoOi (f4»quef»^4!zer.oti 

livrar^Q. U)x«íq|^QC^, ,nâp' tqf|t^(4vixidaj<lejledabr tf f» 
lay.r^. pàrap/irQ^ ^qr.^jffiocií fif^^ ^<^:/r«07(imia^u. •; .f*i»nS« 

RÍ^f •4a^<ílHopi^ftdftSt,ieiíçd9»i^í^ ;Açd*é»tio»!Re«endB^-»te 

jiqf4e8, B. nãO(,o,,AiMb^^<i9^Lf^hçtfe^^id«9r20ixl:fP« efeem^ 
piares de Alcobaça e Sanla Cruz); como é possível que 
o exemplar mais antigo seja coabíderado como paraphra" 

'.'I èl.-ii» .Vííi >;v. 
(1) Vej. pag, ip 4e4U^.« Pftrt^;}: *;-": ai.U Vi. r^i .:«:. • 



~8â~ 

ie d6 oulM>t exemplffr^ry iqfiie conhecidametite fSainirílf 
moderoot (1)? A lembrança da jmropArase eocerra por 
tanto o RtaU desconchaTauo absurdo !••.. Mai pMiemot 
adiante. 

' 19 E ainda asilm 061 tfoDsIderflmos á authoridade 
» da Cbroaiea dos Oodos cooio inferior á (Jlw^niea La* 
I» mecenie pof<|i>e| posto ambai si^jani do teciib Xf fy 
I» a relaçio d^aqaella é por certo posterior, nesta parte^ 
79. aos successos que narra: as pala vra% /fine eof/tfrrfe torra* 
if <ffiormit^ qm abi se lêem ^ orSo deixam a meoor du- 
9> ¥ida de que a memoria da batalha foi escripta dèpors 
fda conquista do Alentejo, quando já Ourique não 
f9 era o tataçêcp éa iepra dot Sarraama»; ao passo que 
J» o ârèigo do Cbroiiieon Lamecense pede ter sido lan* 
r fado melhs por occasifto do aòocrtecimentó. Por via de 
n -regra era assim que se iam redtgfttdo aquellat como 
a^:emeotas bislorica» « (C). Quem diria que a Cbroníca 
dos Godos do uso mais especfat <W Brandão, que ò A»* 
Dotador trouxe naé pelminbasy bavia agora de levar nes* 
te parrafo^a suafèslortegadéla? O facfo do menosprezo 
é pavém- Terdadeiro ! Eilé sim reputa a authoridade da 
Cbrattka dos Godos* iopfarlòr i do Chrorneon Lamcctnse^ 
porque, dit rlle, á relação^ d^nqfk^lla i por cet^to poèterior^ 
9U9êa parte f aos motessas, 9ue fiorra« Ora já tirank irlná 
íriokua mais descabcHadaf t\>is houver jamais ' no uni* 
\ersa rékifâ» tAfitma^ jà de Annaes, já de História, já 
de Cbronícasy que^nló fosse por eeri& pmlerk^ àot mc^ 
coses que narrmf Acaso o A analista, o Historiador, ou 
Cbronistft, nâoeserera depois <Ie teriricados os aconteci- 
•meotos} Seni duvida; anAo ser profeta, dom que s6 sç 
concede aòs>«scriptores4ig{ographicos. -^ Se odo isto assim ^ 
é evideatiatimo q«e nlopâe haver rehçêo algurara bis* 
lorica de qualquer naln reza que fôr, que oBo seja pos- 
ferior ooi %ucee$»Oê qme mtrra. Assim a qualidade de pot- 
tetior ooi Êueceuoi que namxé tão^ applicavel á Chroioi* 
ca -dos Godos, como ae CArontcen Lkmecenwe. PÓdè o 

Autbor ser aoterior aostnccestot què narra, porém imn* 

■ _ , I 

I ■ • • 

-. • . ■ ,>■■»■." 

(t) Vi^. Vtrwm de Fisoeiredo, aot CÂo^. dot Reii de Portof. 
p«S. 296, nota 1JS.« 
(2) HUt. d« Farlvg. NoU XVI paj^. 483 e m. 



-. sa- 
ca R rcíaçào delles. Esta (bnsoiamente Iro de ler poiais 
no^é A mesma oataral dérfiniçio da palavra itiecesfo av^ 
sim o indica. K* impossivel pois ialrinseco qae arda* 
çâo de uma cousa acontecida nSo seja posterior a ella. 
A rasão por tanto de ser poêterlor oof sutcettoi que úar^ 
ra^ para se ler êm menos a Chronica dós Godos que o 
Chrontcón Lamccense^ 6 uma chapadissima inépcia. 

Porém a questão é ainda outra. O Anuotador in- 
tenta provar que i^ as: palavras fiiitc tof ierras tarraecnoh 
^ tnm^ que uht se lêem, nSo deixam a menor duvidft 
i» de que a memoria da batalha foi escripla depois d& 
n) conquista do Âlemlejo, qUando já Ourique nSo era ò 
7> coração da terra dos Sarracenos ; ao passo que o arti^ 
99 go do Chronicon Lamecense pôde tet sido lançado 
» nelle por occiísião do acontecimento. » Todo este ali*» 
Ílhavo palavroso não encerra mais que Um rematado 
desconchavo lógico* Vamos por partes. Supponiiamot 
que aquellas palavras i» Ihisc cor iemoc' iarraàenorum ^ 
» que se lêem na Chronica dos Oodosi nfto deixem a 
" menor duvida de que a memoria da batalha foi escrí* 
yy pia depois da conquista do Aleintejo, quando já Ou- 
f> ríque não era o' coração da terra dos Sarracenos; » 
quaes são as palavras documentaes^ que o Annotador a* 
ponta do CAronicon Lamecense^ para provar que o seu ar» 
tigo pôde ter sido lançado nelle por occasifio do aconte» 
cimento? Nedhirnlas. Nem efa elle^ dcm algUem pôr 
«lle^ capas de as apresentar. Pelo contraHo (digámot-ò 
em alto e bom som ) as palavras dó ártlgò úo Chfonióon 
Lamecenu tanto provam que ú artigo podéra ter sido 
lonçodo por occasião do acontecimento^ tomo muito de- 
pois delle. Para prova irrefrogável desta asserção basta 
transcrever o artigo; de que se trata. Bil-o aqui : /» Ia 
99 loco qtiidiciturOric fuít pneli um inter páganos etchri- 
n stiaaos, preside Ilclefònso portugátense ex uoa parte 
n et rege paganoràm Examare ex ' âlterOf qui ibidem 
f9 mortem fugiendò....^ sitio evasit in die S. Jacobi apos« 
^ toli mensè julii: Era MCLXXVII n (1). Em vulgar 
quer dizer : i» No logar^ que se chama Ourique^ hou- 
^ ve um combate ejçitre pagão^(osM.ouros) eÇhristSos^ 

(1) J. P. tt. Dlfiert. Chronolof. tom. 4.^ Part. 1.* pae« 174. 

8 



— 84 — 

» tendo commftndante de uma parle D. Afíbospde Por- 
99 tugal) e de oulra parte £»mar rei dospagãos, queahí 
99 roeimp, para fugir á morte.... abandonou o titio no 
» dia de S. Tbiago Apostolo no me2 de ju4bo. Era de 
9» 1177. p Ora diga«nne todo e qualquer ter da eipecie 
buroana, que tenba algum bcttunto crAicoj te acha no 
todo da« Irantcriptat palavras, ou em alguma dellat de 
per ti 9 algum ratio, rasquícío, ou cffluvio, por onde 
te potta cotligir que o tal artigo /$ra lançado no Chro» 

ny^on por occaúâo do acorUechrteniOj ^ nSo tempos depois 
dMle? Todo o mundo pensador, ainda aquelíe de me- 
diana intelligencia, e mesmo de curto alcance, ba de 
concluir que a lenda do artigo transcripto tanto prova 
que elle fora lançado por occasiSo do acontecimento, co- 
mo tempo depois d^jBlle.—* Tendo pois lanio valor dia- 
léctico, attimuma, como outra illação, fica perfeitamen- 
te sem força exclusiva aquillo, que tamsómenle oAnno* 
tador pretendia tuttentai:. Iremot porém já a outros pon- 
tos, que terão o objecto da 



€Ntocr¥açao O»^ 

. . . , ■ ' 

Agora pastareinot a observar ou antes a examinar 
te por ventura d^aquellat palavrat da Chronica dot Go^ 
dot — tunc çor Urres iStirraceitorum— «se pôde. concluir 
que etia fora posteripr áo Cbronlcon Lamecense? A es- 
te problema desde já respondemos — que dencnhuma 9or» 
U. Pi^ra tnelhor evidenciar esle enuniciado. compulsório 
icopiaremot . o logar, da^Çl^onfca: » Era MCLXXVH 
» Júlio men^e die di.ví Jacobi fuit victoria Alfonti regit 
99 de.Etmar rege Sarracenoruin et ,innumerabili prope 
» exercilu, in Iogq, .quí dicilur Aulic, tunc cor terr® 
99 Sarracenorum quo pe.rrexit rex Alfon&ut (1)-^ Bm 
Vulgar tigntfiça: » Na era de mil excepto e letenta^ e 
99 sete (S) no mez de julbo^ em dia de S, Tbiago, foi a 



(1) Mon. Laiit. Pari. 3." Lif: Í0.^ Cap. 3. 

(2) Esta era de Hespanlia corresponde ao anno de Christo de 
1139. 



— 38 — 

9> victoria que alcançou liURei D- AffiiotA de Etmar^ 
f> liei do& Sarraceaot e do teu quasi ioaunueraTel exetw 
» ciioj oo logar que te chama Ourique, que então era 
99 o coração ata torra dou Sarraeenot (ou aotet, como ira» 
n dui Braodào^^o qual então fioaoa no nuko da terra 
» dot Mouro*) até onde alcançou fil-Rei D. Aflboto. »«-• 
Concedamos que a phrase *— çue eniâo era o coração da 
Urra dot Sarracenoi — seja argumeato fiara se affirmar 
que este artigo da Cbroníca fora escriplo depois da con- 
quista do Alemtejo^ quando já Ourique não era o cora* 
çâo da terra dot Sarraceno» ; por f entura póde-te d^ahi 
concluir que elle foi escripto posteriormente ao artigo 
do Chronicon Lamecease? Nunca. Para tal se poder af- 
firmar era necessário que se mostrasse de um modo in«^ 
eiuctavel que o artigo do Chronicon de Lamego tivera 
precedido ao da Cbroníca dos Godos. Isto porém debaU 
de se pretendeu fazer. O Annotador cootentou^se ape- 
nas de tirar esta conclusão, tendo por base o conteúdo 
da Cbroníca Lamecense. Quem examinar todavia esta 
conteúdo ha de achar que elle também pôde servir de 
fundamento para tirar a deducção contraria. Quero di« 
ler: Aquelle artigo doChronicon Lamecense tanto offe- 
rece matéria para se julgar que fora escripto por occa* 
siao do acontecimento^ como muito depois. Tanto fun* 
damento dá para se tirar a primeira, como a segunda 
conclusão* 

Concedamos mesmo porém que havia todo o fun- 
damento para se conjecturar que o Chronicon Lamecemc 
fora escripto por occaúão do aeonteàmentOf t a Cbroníca 
dos Godos depois ; seria por venrura esta prioridade s^. 
de per si motivo critico para ser tido em mais o Chro- 
nicon. Laniecense do que a dita Chronicaí Nego. Qt 
dotes do historiador, como todos sabepn, sSo a capacida- 
de, ou talento para historiar, a sciencia do facto e a. 
probidade. -i- Ora por um faistoríi^dor, de qualquer ca- 
thegoria que seja, ser o primeiro que narra um.suoceASo; 
segue-se logo que elle deva exceder a todot os que vie- 
rem depois d^elle nos referidos dotes? Não por certo. 
Pôde muito bem umoutro^ apexar de não gosar da condi- 
ção casual da prioridade, exceder ao que o antecedeu em 
todos os indicados dotei, que caracterizam o bistoriador. 

3« 



--^36 — 

(1).-*^ Quando poíi se demonstre que q CJhronicen Lam^ccn' 
SC lenlia a prioridade, oao se segue d^uhi quea suaautho- 
pidade deva ser lida em maisi sem se.pruvar que os do* 
les históricos da Chronica dos Godos ilie s&o inferion^s ; 
eousa que o Aniiotador não fez, w^m poderá fuzer. — 
Além disto a circumstancia-^^/f&nc cor térrcp Sarracena' 
ram — quando, prove que este artigo da Chronicii fot»e 
feito depois da- Batalha de Ouriquei nSo se segue que 
nSo foise feito pouco depois d Vila, e por csoriptor con- 
temporâneo, no que pôde correr parelhas com oChroni* 
CQU Lamecense^que a olhos vistos nadn encerriiy por on- 
de se possa conjecturar sqr anterior. — ^iVlas prtrifundemot 
a questão. Será por ventura ò Chromcon Lameceme m»\$ 
antigo que a Chronica dos Godps? Não ha razSo, om 
que se funde tal asserção pelo; lado affirmatif o. O 'A -n- 
notador collocatanto o Chronicon Lalnecense como a 
Chronica <los Godos no século H.^ E* porém verdade 
que o Chronicoú Lamecense. é dó «cculo 1€.^? Nfto ha 
fundamento algum em que^e estrfbe a asserção affirma- 
tíva; antes é mats paia conjecturar ou anies aflseveraí' t 
contrario. Ouçamos - o que drt o erudito Diplomata J. 
P. Ribeiro (Dissert, tom. 4.^ pag. 174) em a notii que 
▼em no fim do Chronícon. Lamecense: n Bsté CHfòriri- 
9» con, dt% clUj acha-^le escrípto em L<2ttra Práuceza nà 
9>:primeira folha :d6 um Martyrologio antigo- da Sé de 
19 Lamego, e se diz cotnpilado de outro mais aritigo no 
n^rino de 126f por Mimim GotiÇalves, Tal>ellião pu- 
9» blico, é correcto pelo Cónego, o Mestre Aí ires, ácus- 
s» ta de D. AtTotiso Paes, Defio, que foi da mesma Sé » 
A^ vista do que' se afArma nesla liota fiea evidente que 
o Gbonicon Lamecenfeè Yifto é original, porérii eompila* 
^^ authentíca de outro Ma'r tyrologlb mãit antigo^ fei* 
ta^iio anno de 136)i. Temos pois^ que a bompilaçSo que 
oonstilue o Chronkon Lam^emé^ que existe e fica iran* 
scripta não é do século l^i^, porém do meado e para 
mais do século 13.^, como está mostrando a data 1^6$. 
Sendo isto assim fica indubitável que, se o éscriptor da 
Nota da História de Portugáli quando «fallou do Chro^ 
nicún LatmcerUCy sé referiu á medícíonadd compilação {e 

(t) VeJ. Meth. ponretttdEeri^nfist. parLcfoglet^ tom. l.^pag. 65, 



— 3t- 

tiSo pâde hav^r molivo pnrn julgar coòsa diferén); pro* 
nunciou um bem alonlndo, e rechonchudo erro em n 
coHocar no século 19.^. -— Se porém (vá uma concefsio 
romanlica !) quando fíillou cm Chronicon Lameceme^ ce 
referiu ao tal Martyrologio máii aiiligò, do qual otrari« 
sumpto, que existe fora compilado; donde fundameninl* 
mente 0o«ibe o Annotador que aquelle original era do 
fPGUlo 19.^? Dê ninguém; nem o ritado Diplomata o 
testifica em sua nota. Ooríjecturou-o ncjisò alguém ? U- 
ma conjectura porém gratuita nSo tem pezo algum na 
balança da éfltica (I). Se fiois tiSo cotísta que o'origi- 



(1), O Aonotudor dissera, em a pagina 482 da Nota XVI, que tem 
siJu, e roniiiiúa «icr o objecto das Observat^des : Viterbo tU0^ oori* 
yinal (do Chroiiícou Lainereti^e ) anteríor um iecttio. As jpalnYrai 
de Viterbo iiío ai seguiotesl ÍS te ao €h'iffutai. donde esia Vopia se 
iiroit^ der»»o§ ao menot 100 4U idmde He. R* bem de ver .qae este 
modo de faltar é inteiramefite b|rpotlietir4>«i e 4le calculo meramente 
arbitrário — Agora «dV(*rUremos que Viterbo n2o diste exactamente 
4|ne o tal Originat era anterior um secuh^' como cscrereu o' Aotbor 
dff Nota, porém oetroriim ncrretceàton -ao menot^ o^ue dettroe acer* 
teia, e redoiidesa .do calculo* 

Mm9 q4ui'ct «3o Wís raiòes qtie o Notographo fantasiov para faier 
valec o ««ppMt;»» de Viterbo? EiliMaqúi^ lerminatido o ultimo 
pamgrafu do cilada pagina: n A palavra OHc^ escrlpta segundo m 
99 mais porá pronuncia nrabe, a síngeicta verdndeiramenle de chro- 
49 nicoir tom qiie está esrripta, é o iérn^nar em 1169, da^ a esta 
n 4>pi«íSo do aUtbor do Rlortdariò uni tal gráo de tirobabílidad^, 
«9 qiie loro as raias da ce^^tesa. «» Ora qnem Jamais Qqsoa affirmir 
•qòe caracteres tSú commnn» e gencriros possam erangoar áo referido 
Õriginfat a p('etendijEla antèriorUlade cm tal gnw de prohabttidaãie^ 
ifuett^ue as raiai da d^rtezàt Allega ao sen Intento; á. palavra 
OHe eírripta segnndoa mais pnra pronuncia árabe; e quem iiaò ha 
de rii' qtiandoBouber qu6 quem as|^m'dó?matiia soWc a órtho^raiia 
e prosódia da língua árabe, é u^ qiialilícãiíissimo leigo, e idiota 
nella? D^onde soube étié qtie o tefmo 0/'tc,'â«sim esfripto denotava 
a fááirmera prõnunda arabe^t Rm que èsrofá se ][ii\^Ílitou pára fat- 
iar da pnr^eM 'di0 proniltacia dá lingita aralíica èm''iim tora tão ma* 
gristraTf Kntré tanto séé Siidiclo do Cbròniron Lamecense ^er do sé- 
culo li.o o f screTcfr — i Oilc ^ ; então itiremos que nlo \è deste lé- 
culò o Chrònicott' Conltiibrtcenfe porque trat — Otirtè -7, < iSem * 
Chronica dos Godos^ que escreven jiuile; o que o Autbòr da'No(a 
nSo ptide admittir sem rontradlcqio manifesta. Além d^isto.ie Orie 
está cscripto scgunio a malé pnra pronuncia arabe« porque . efcreveu 
antes na Historia Orià, cõnio denomínã^2o árabe? — O certo é que 
Moofa utn Vettifiot da MÀngoa Arábica em Porittffai designou a 
pahnriia «Trabe pelo 'termo— OHçur, eniio Orle. Gtuanto jiproiníncia 
de Orique^ o erudito Author do Exame Hisiqriçg lndicn»a cotnp dovcn • 
doprononciar-ie — ^/{^iin (pitg. 12 ^ 8.^], — àuau.to á ratão lirada 



— 38 — 

nal do Chronicon Lameceose íòra do século 10.^; por- 
que ha de o Anuotador encaixal-o nVtse iixulo? NSo 
6 Uto um deftempero risível? Jí' tem duvida. Tjlo cop« 
jecturavel é que o original seja do século IS.^, como do 
mesmo século, em que foi feita acopia« S^e porém todos 
os prinçipios da bo^ prilica mandam só fater obra por 
aquillo que existe, e nSo poraquillo que pôde ser (aem 
o pode ter é base dip illaçSb logicfi ^dpnísri^H), é outro» 
ftim manifesto que o Chro^úcon Lam^cem^^ qu« ezitle (o 
unico por onde se pôde e deve ajuiaar) é ainda, pelo la- 
do da prioridade de existência, muito mais infeiior á 
Chronicfi dos Godos conforme o exemplar de Reiendr, 
e mesmo ^inda o do usp de Brandão (1); o que é dia- 
metralmente oppostoáquillo queo Annotador aereamen** 
te asseverara. 

» Ppr via de regra {termina ellc o paragrafo) era 
» assim que se iam riedígindo aquellas, como ementas 
19 históricas (8). » Em que arte chronico-grnphica achou 
.o Annptadpf que ppr via de rfgra as emenlat hisior4ca9 
dos Cbronippps eram lançadas, ou antes redígida§ nelles 
por occasiâo do (iconiecimenio ^ Temos outra fantasia rn. 
mantical... S^ fal quiser «ustentar hfi de ^r 4^spienii- 

da sinçeleMft em qne f slá fsêrríptó ç Chronifon Lamfcentf^ f M« raiSq 
é tSo cpmmiim a todos ot Cbrpoicoof, quo é futilidade apoutiíl a co- 
inp ppfilefidò inotiTo de Torqa e vulor especial a respeito deile.. Rste 
fliracter inflita a|^ epn Chrpnirons in*ís antigos,, taes romo o. de Ida- 
''W% Se^e^p tSolpiclo, e de 8aotp Isidoro. — A rasSo da Cjlpronjra 
liampçélise terminar em 1169 pSe o cpinulp á fptilidadè. Ppis acasp 
por ama obra histórica terminar a serie dos factps em uma d€si|Ena« 
da ^iKicfia, sègne-se logp qiie se» Awtlior era dessa épocba? A affir* 
inaliTe leria p ina|s assalfajadp ab^snrdo T Tpdo pniuBdp sabe qne. ha 
fnnumpraYelsescriptores qne trfitaram dp pbjectòs bistorirot seenlo$ 
posteriores f^píM, A d^ta portanto, tpnque termiui^ qualquer Chro- 
fiicop nSp fpl jamais sij^pal característico da cputemporaneidáde de 
qu^ifi p escroT^ta. — Agora pcrgunlaremps ao Aátbor da HotJi« de 
pndé spobe que o Cbròniçon I^amecénse termina ein 1169? OjCbro- 
nicon de certo ji^Xp o dis^será loubo romântico? Cúinp tal- o §credi- 

íamos! ... i u* 

(1) fiíesla Chropica, qôe é Summario, ou Compepdip. dp.jRiLeni* 
piar de ]^esepde, como Já advertimos^ alguma cousa ha qnèif t ro> 

'Ahecer quê leu Aúfhòr a éfcreVia depois do aonp de I^IS; o qup 
CDpfirma ser^posterior ao referido Exemplar, de qne uioujo çrudilo 
Antibuarip. Vej. Elpg. ^pi ^eis d^ Portug. pf^r P, de ^Vv«ic|)do, 
Npt. 12, pag. »6. V 

(2) Nota XVI, p«g. 484. 



— 39 — 

ilo a cado passo nSo só pelos outros Chronicons, que te- 
mos já apontado; mas a lé espacialmente pelo próprio 
Chronicon Lameceme. Sim, ao abrir o Chrontcon Lame^ 
centc ha de logo encontrar que as primeiras ementas hu» 
toricai não fórum lançadas poroccasiao dosacontecimeo* 
los, antes tratam cilas de succes^i muitos séculos ante« 
riores. Tae& ^ao o nascimento de.Cbrjsto oa era de 38 — 
a DegolaçSo de S. João Baptísia na era de 68 — a de 
S. Thíago Apostolo na era de Cl ; e outros mais facto* 
por onde começa. — Mas que digo! Nâo ha sequer um e^ 
facto mencionado no Chronicon Lamecense^ que seja de 
data contemporânea^ O ultimo facto pois, abi meneio- 
nado debaixo de dala, é da era de. JSQ7; sendo aquelle 
compilado em lf6S (1). Como ppis, avista deste tao ter- 
minante exemplo, ha de o A anotador poder sustentar 
que aquellas ementas históricas eram, por via de regra^ 
lançadas nos Chxonícoqs por oçcasião do acontecimento? 
Que um escriptor que se reputa cnthronixado no piná- 
culo da litteratura, qual Éójo no sólio da montanha 
exercendo altiva governança sobre a ventosa grey^ pro- 
nuncie e escreva tal. via dé regra para formar Cbrpnicons^ 
é a miséria das misérias !...., Talvez recalcitre, oppondo 
que no original do Chronicon, (que ninguém. ainda des- 
cobriu ! ) d onde o existente fora compilado^ emesQio n6 
contexto deste, se acham mencionados também :SUCcessot 
contemporâneos.; sendo i^ito bastante para se verificar a 
tal ria deregra! Naò suppomos todavia que elle intente^ 
nem se lembre de vir a publico com tão insubsistente 
coarctada.... Seria o mesmo que prJ^iender que á critica 
lhe adfnittisse como realidade áquillp, que nSp é tnah 
que uma íícçao mcramenie. gratuita, uma^via deregra 
manifestamente contradíctada ; prctençfto^ quei seria ou- 
tra miséria das rpiserias !...• 



^, 1 ■ 



(1) Já advertinMw ^e Viterbo tnppbséra ter o Original do Ckro* 
niçon Jjámectnte coptemiKiraneD pelo menos do amu» de 1 102. Ago- 
ra reparamos que coatendo a Compilaçlío &ctoi já acontecidoí no te« 
culo legointe, oi quaes, fegando^a lijpotlieie de Viterbo, adoptada 
pelo Author da Nota, aquelle Original já nSo podia airanqar, mal 
deve ter lo^ar a indicada suppoii<;So, tafro je se der a Compilarão 
por iuterpollada ; o qnt se niío prova. ' ' 



40 — 



OlMierraçfto 9.* 

Vé*se que o historiador português ainda nao <les* 
cança para lerar a eííeito o seu premedílado projecto de 
deslustrar^ e redutír ao ultimo eittndo de avillámenio á 
Batalha de Ourique. Que fará pois elle maisf Vai glôs-» 
•ar, a seu inodO| a Chronica dos Godos de Aúdré de 
Keseride, que é o seu jpopío,'^ para ver se assim p6de fti« 
ser alguma brecha, e dar na sepultura com aquelle glo* 
rioso e immortal fei^o. Poréoi como se engana? E* eile 
que primeiro ha dé ver ficar sepultada debaixo das rui* 
nas do seu mal architectàdo e construído edificio histo« 
ilco á tua audaciosa intentona, do que ver aquella fn* 
çanba deixar de gosar da posse, em que está, da brm me- 
recida, e justa immortalidade..«*- Continuemos ajulgal*o 
pelas suas próprias expressfies. 

'- » Se' descermos a examinar criticamente n qiirraçSo 
» do códice de Resende, delle mesmo se tirarão as pro« 
» vas contra o subido valor que se lhe tem dado. NSo 
s^trans^revènlòs ná integra aquelle artigo; porque n&o 
9» lhe aitdbuimos grande iiriportancia á vista do que fi- 
f> ca adtéHido » (1). A poiica^ og njto s^ander impor lart" 
eut, qiié iri^rece ao Annotador o Códice de Rezende, é 
tint parádpxo de calibre tal^ que só pod^Sra cm^inat da 
HÍais^rai^ e càscud^ Ignorância ! Os testemunhos, que 
iidarp apontados dé Vrfrdes de tao abalizadi^ erUdtçfio eni 
f^vóF^odito CcKli<ie'(9), liSó podem deixar detonstituír 
na m(H^ batxdv "é deplorável posiçSo, na republica d^llct- 
xíbiiy 9 escriplor ^6 ^ropicriplo parrnfo f,.., 

n C\KMtvA6ii èoviínúa^ só ps passagens que em nos- 
» so entender, o condemnam. A pHnnèirá '(Ã)u$ii que of^ 
9> ferece uma difficuldade talvez insolúvel, édízer-se-nos 
99 ahi : »> que ,o rei Esmar, tendo congregado infinita 
99 muItidâoJhASarçaçenos africanos que trouxera comsi- 
9»^ go, e dos*!» áquem mar, dos districtos de S^iiha, 
19 Bailajoi^^' JSlvas,' Évora e Beja^ e de todos os caòtellos 

(1) Nota XVI» p»e.'4M/ 

f2) Yejt le o qae cteixámos éicrl^fo fl pag. 30 etc. deita Parte. 



— *1 — 

99 xité Santarém snliíra &ò enconiro d^Aflbnto Heori- 
>» quet. » Comecemos {óbfecta elle ) fiof nos rerordarmot 
99 de que ainda nos princípios do mez de julho o princi- 
99 pe português não tinha sahido dos seus dominios, on- 
9» de então fatia mercês (Elucid. verb. Ladera)^ e que 
" a 85 se deu a batalha» Assim é necessário que em tO 
99 dias, pouco mais ou menos, oexercfto chrixtão passas* 
f» se o Tejo; que fismar soubesse dd invasão; que dás- 
99 se ordem ás tropas almorAfides e andaluzes, pára 
99 marcharem de tão diversos potitos ; que essa infinita 
9f multidão marchasse de feito, se reunisse e viesse en« 
99 contrar os portuguézes em Ourique. £* duro de crer ; 
99 mas sigamos amante (!)• 9 Que raMo/ts, que tniokira 
é esta palavrosa de nova espécie, que aqui apparece !•••• 
Viu-se acaso jamais no campo do discurso escalracho al- 
gum maisimpenineole e inerte*?... Não; semJuvfâai E* 
de laia e estofa lai esta qu^'andh glossa, que« ainda na 
bòcca domais desmascarado, e profundo inimigo das glo- 
rias portuguesas, excitaria a indignarão e o riso!... Va- 
mos porém a dar^lhe a conipetente retribuição. 

Na verdade apresenta e desenrola o Anihor da No- 
ta, logo naiesiada da sua decantada glosca, uma rhamn» 
da difficuldade, que ello não sabe se é ou não é indhio-' 
luvelt-^ Por outro dizer, apresenta uma difficuldade, fi- 
cando lá para si com outra, similhanle. Melhor ainda: 
Forja lá a seu iabòr líba difficuldade, ficando com a 
ignorância de lião saber com certòzá^ cóm que nome ella 
deva ser carimbo4a !;.;.' Mas quoih prop&e uma âifficut" 
dadCf que não sabe se é ou nio induêolúvelj pouco lon- 
ge está de ignorar se n diffáildúde^ qfiepropÇe, é ou não 
é difficuldade!... Aquclic porém que contrapfte qualquer 
objecção, indicando no mesmo tempo que ignora a âua 
natureza, mostra logo qUe não sabe oí valor aella; oque 
é o mesmo que objectat* sem saber o que objecta ! Mos 
vamos ao ponto. 

Foi por ventura jamais para algum erudito ou nãO 
erudito thema de objecção ou difficuldade ialve% iriso/tf- 
velf ou dissoluvel 99 o dtzer-te-nos naCbronica dos Godos 
99 que o rei Esmar, tendo congregado infinita multidão 

'■■■ ' 

(l) líotul^Vl, psg. 484. 



-^42 — 

19 de sarracenos nfriranos quç. trouxera comsígOi e dos 
f> de áquem mar^ dos dislrictos de Sevilha, Badajoz, 
99 Eiva», £vpra, c Beja, e de todos os castellos até San- 
9 tarem, sahíra oo encontro d^A^^Tonso Henriques f » A 
nSo ser o novíssimo Auihor da Historia de Portugal, 
n8o se encontrará um só ^scríptor nacional, . ou ettran* 
geiro, que tSo monstruoso absurdo pronunciasse. para de« 
primir o subido valor, que sempre se dera ao Códice de 
Uezende. Foi pelo coottano eiita lenda histórica lida e 
bavida em lodos, os tempos por indubitavelmente &de» 
digoa. 

. Que i^otivos porém. teria o innovador histórico para 
contestar uma veidade conhecida por tal? Motivos de 
iima futilidade, e ninharia tão revoltante que nausêam 
a todo ocfitico que inoparcialmente of analyzar! Vamos 
a^elles: p Comecemos, argumenta tUc^ por. nos recor*. 
», darmos (]) de qpe ainda nos principios do, mez de Ju* 
I? lho Q príncipe por^ugucz nao tinha sabido, dos seus 
V dominiof, onde então fazia mercês ( Blucid. verb, La- 
7» dera) e qu^ a ^5 se deu a batalha* Assim é necessa* 
yy rio que em ^90 dias, pouco mais ou menos, ,q exercito 
f) chrístao pairasse o Tejo. » Aqui perguntaremos no 
Annotador qíial é çsse ponto dos domínios do Prinçipe 
D. Affbnso, no qual estando este nne prjncípioi de juíhoy 
não podesse a<;har se dtnXixí de, 20 d%q% pouco maU ouinc-» 
noi no Campo, d^ Ourique f Ha de ficar como as sombras 
que Eneas \)ra^ me parece, nos.Klysíos, que. no abrir a 
bõcca desfallê.oíam sem .poder articular piilayra!**^ Pois 
eu lhe asseguro que.aindã qt^pndo.D.. A flbnso Henriques 
estivesse no poi^ to j;](i.ais distante do reino de Portugal a 
Çãmpo d*.C>uriq\je^'a)nd^ considerado na exteqsão que 
este reino hoje tem. (qúajiio mais em relação. á extensão 
que então tinha) ello poderia, mesmo seni muita fadiga^ 
chegar dentro de fiO dias pouco mais ou meno^ ao logar 
da oatalha. Chamo a testemunhas todos, os geographos 
do paiz, lodos os entendedorc^s da corometria pátria. — Ora 
D> A Sonso Henriques não yeio (ja mais remota distaii*- 
cia do reino para o Campo.d^Ourique. Veio.d^ Coím- 

(1) Em boa grammatica deveria diíer ^^por n^i reeordar, Yej* 
Soares Barl^sa, Gram. Pbilosophica, psg^ ^3t .. i • 



— 43 — 

bra, que poderá distar de Ourique obrA de pouco móis 
de 50 léguas gcomelricas, medidat pelo petipiê de tO ao 
gráo; operação que fizemos servindo-nos do Mappa de 
Portugal, que se acha no 1«? tomo da Geografia Histo» 
rica de D. Luiz Caetano de Lima. De Coimbra dirigiu* 
se a Saqtarémy onde passou o Tejo, até Campo d^Ouri* 
que (1). Ura de Coimbra a Campo d^OiKJque, vÍo pe* 
|a pohta^ seguodo nos ínfixmam^ 74 léguas, que em mar* 
cbas ordinárias se podem andar em 14 dias pouco mais 
ou meo^s.-— Mas D. Aífonso Henriques já nos princípios 
de julbo se achava em Ladera^ o que confessa o Annor 
iador citando, como já vimos, o Elucidário, na palavra 
r-^ léodera, Aonde fica porém Ladèra? Ouçamos o que 
diz Viterbo na palavra — Ladtral n Nas inquirições 
n Reaes se faz mençáo de huma lerrn chamada Ladera^ 
19 ou Ladeia^ nSo longo da foz do. Zezete. Ou digamos 
» que a Ladeya era p Rabaçalj por onde a estrada se 
n encaminhava para o Alemtejo; pois no Liv. 1. d*£I* 
f) li^y D. Affonso 111, a íol. 6 na T. do T. se acha « 
f» Doação que elle fet ás Donas de Cellas a par da poti^ 
99 te de .Coimbra ( pnrii que ellas o eocommendassem a 
» Pt^os) <]e toda a dçcíma, e de todo o Direito Real, 
n que Élie e leus Surcessores tinhão, ou podessem ter 
#9 na Herdade das mesmas Doimis, no sitio da Ladeya 
n qucB vocalur BQbauiL fiscripta pelo seu Capellão, E^ 
19 leito, de Vízeu a 10 de Outubro.de IQôá. » Ora se 
pão ha duvida de tomar JLadera^ aonde nos princípios 



(1) Na Chroníra dos líeif de Porlu|;«l rai., fe(U.no tempo de Af- 
fonso IV, o qne se roohece pela linn^oagem e forma de letra, romo 
laiiil>etn porque ]à a %ida de AlFonio V é de oufrá mio, te arba o 
seguinte, copiado de uni mt. do .Cartório da Camará de Rvora; Hf 
Santarém patsou o Tejo ata o Campo de íhtrique onde achou a Et" 
Rey Itmar^ que a essa Satom era ll«y du Estremadura com cinco 
Reytquc o nvnham buscar saientio o §râo dmno que lkefa9àa em ta 
trrra e entrou com eiiet em batalha no hgar. qu£. se chffma Crattc 
verde e venceos e matou e prendco a mor por^ deUes mas ante que 
tntrassem na batalha o$ seuslo a^áffàp por fif^. parque nono Senhor 
Deos lhe apareceo e assy lhe disse. c d^sde eniop ic chamou llcy de 
Portugal, e depois que os JReys foram vencida JÈURey D% J^ony^ de 
Portugal por meptoria do qual aconteciittenio que lhe ifeoi dera 
trouve por armas cinco escudos oor aquelles cinto Reyi e pouoê cm 
Cruz por m^Vtbrançà 4^ Crup ae nosso Jcsu Christ9 tm que lhe ap* 
parecera. ( Cuidados ÍAttermiút^ pifi. 368. ) 



^44 — 

de Julbo de 1139 se achava D. AfTonso Hcniiqiies, com 
o nome de Ladeya^ oii Ladeia^ e f*sta não e%\ÁJonge da 
fcsí do Zexcre: Se Ladeya ero, |M)r outra, o Rabaçal^ 
por unde a eitrada le encaminhava para o Atemtojo; 
qiiaAio se não torna mais àcceditavcl contra o Annota* 
c|or'a estada dentro de $0 dias pouco mais, ou m<?no9| 
do r4;ferido M^xnarchn, aSd de Julbo, no Campo de Ou- 
lique, para sustentar còrpbaie contra os Sarracenos f 

Na U<>ographia de Lima, tom. '2.% no JMappa da 
Província da Beira^ vem "situado /íciò^^áí, n q^t/ô Ie~ 
guns.e meia .{1) ao sul d&Còimbra ( segundo a ni^diçSo 
íeita pelo petrpé) }. Aáindp em linha recta com n Ynar- 
gem do ZczerB na distancia de pouco menos de sei*^ le» 
^uns. iMoreri.dâ tíabaçal por um logar de Poftug^al na 
^S»treix«idura sobre os confins da Província dn Beira- no 
nornordeslc deLciría,' dWde dista umas der légua r (9) ; 
oque não desdiz muilp da situação indicada. Além dMsto, 
^ônforine ndHreite Viterbo (palavra Ladera png, 76)\ dat 
margens diretf ai dó l^ejo até Ourique não ficam máitqut 
Mimas Z3.leguag Àinliniia rectal Ora figurando nés (ò que 
de.ccrto é hypotbcse, «ein /avor, admissível) á loi do 
Zevei-e (cujo*- rio já antes da. lia talha de Ourique erlQ*no 
circulo dos domínios porluguoses- (3)) como u ih âoípon^ 
ios cQtn muns fkn mar^^á ditcílas 'doi Tejo ; feltros^ quo 
nebandõ-sc D- .AílTonsp il<*nriqije8- no jffn&rif a/ nós prin- 
cípios do Jniha, logar nnf drstáneiá marginal do*3ic<ere 
pouco menos ou de quasf seíà legoas àe poente n nascen- 
te, e 13 l<*gpns pouco mais ou monos até á margom dí« 
rcila do IVjo o /criproca coqflumci.a dos dois òot, çpn- 
Inndò ífÒ.YiOrlé-a sulí'aWcrtflis.íçrfa a perrõrríér o esp^^co 
de,' pouco. ipaM oq, .m^nof^ , 4o legoas ate (Hiegar a vJu^ 
fique, dentro de vmU dias-vàuto mau oumtnot (4). Quti 

(1) JÊMiean situa ltftlNi);aíl « ires léguas de Coimbra, o f\;rftf* 
f ai Sacro* Prnfftnú^i\un\TO. • , , 

(2) Tia iradnt^Òo hc%fítínho\B^ uri, Rãbaçaf, , 
' JS) VHerbo« 1Cliiri«l'.')f>al. XaiUcra, p»|: 76. ' 

^ (4} Tirattclo «dist^^ttirriA de iiòHe n* sul da inaVii;em dft^ita do 
ff OBde^d até á margem direi(tf"^ò: Tejo pà càtifíúemUn^^» foji do 
r^aere, n>nformc o petí^ db Mappa VléPortògàVde LPins, àrbáiiiòs 
a medida de 20'a 22 Ié'gità8;'i|ue)uiitaii rir 33 dá ip a r^enh direita du 
T^je até OHriqtfe^^ftiPiifuHdii o rak-utà de V^te^bò, pèrrazem apeáas o 
numero de 53 a 55 légua» délotcil dlítanria eãtre 09d'óls extremus.^ 



— 45 — 

ha aqui pois nesta marcha que pareça iocrivcl f Nada; 
p«la palavra nada.*., nada..* por mais eiaggerados qua 
sejo^ os cálculos! A difíículdade por tan4o que OiÃn- 
DOl ador ga/e//tou é uma puerilidade com ' todo» *09 atidra- 
JQS da inépcia ! » Como quer que «fija , isanelue FtterbOj 
fy parece fóra de questão^ qui; o Príncipe O. Affõnso se 
9» ia chegando (rejfere-se ao roez de Julho d» 11.^9) po» 
9? rn o Campo de Ourique» cinde n-aquelle mes e anno 
''lançou os fundamentos soHdos á Monarchra Lusitana 
9 (l). » Tal é o que parece fóra de queslfto ti esie eru<' 
diio eâCfiptor^ e hom conheci*dor da matéria; enl&), co- 
mo objecção contra n Ei^italha de Ourique, que D. AP- 
fonso Henriques ainda nos princípios de Julho do men- 
cionado anno se achava, ou ántés n^o tinha- tnhrdo dot 
»eu9 dotrúnios^ onde então faúa mercêt ! 

Mas em que documento acbotí o escriptor da Nota 
que D« Aífonso Henriques precisamente em prtndinor efe 
Julho ainda nâà imha tahido doi seus dommiosT Não há 
de apontar um só. O Opcumcnto de Viterbb tem só a 
data de Julho sem declarar o dia':(^). Ora nSo dectai'àn- 
do esto o dia, como pôde ó Annotailor concluir quer O. 
Affonao Henriques ainda nos princípios de Jiilhe não tÍ-> 
nha »ahido dos seus domíniòs>f (3) --^ Todavia nós* tid- 
mitlimos*ii)e a hypothese, a saber; Que o príncipe p6i^ 
tuguez. ainda; nos princípios de Julho não tivera sabido 
dos seus domínios. — Esta hypothè&e é- contra ò próprio 
A anotador !...•« Na verdade já de proxiiho lhe fixemos 
ver, segundo élla mesma, que D. AfTonso Henriqiies po- 
dia estar ainda em seus estados ou domínfos nos prinâ- 
pias de Julhoj e achar-se sem maravilha em Gantpo de 



» '. 



D*Anville sitM « Campa d^Oarlc|«e'49 legu«s «íém do Tejo. (ÊtJiti 
Forme» eo Kiarope, pag. lS6}.-^Aittdo mait: K Cliro»lca dot Relt 
do Portugal, cuja paitagem já fica traaicripta dos Cuí^n^^t MM" 
tetarioi^ reféro que D. AlTOnso HenrSquet de Santarém passou o Te- 
jo até o Campo de OuH^uo, «^ Ora calculando 9b leguai de Coim* 
iNra a Santarém, o 33 até 40 de Santarém «Campo d^Unriqne, temof 
só 53 a CO léguas, que D. Affbnso Henriqnes devU percorrer em tO 
dias pouco mais ou menos, €lue admira pois qae p seu exercito fites* 
•emárcfias de 3 léguas por dia !.. Mas siga sé qualquer outro, calculo !... 

Íl) Rlitcid. pêU JLadera^ pag» f'^. 
2) . O Documento, que se aponta acha-se jd copiado na 3.* Par- 
le desta Obra, a pag. 48. 
(3) Veja-ic a 3,* Paflè desta Obra^ pag. 48 etc. 



— 46 — 

Ourique a fiõ do meuno mez; mediando^ segundo o 
calculo do excêntrico Aoaotadofi t>ouco maii' ou menot 
o espaço de 90 diat em túa marcha. 

ContioucmoB porém ainda no meimo terreno t jit^ 
lim é necessariOf reflecte o lAnnolador, que em ftO c&if| 
wuco mais ou menoi^ o txcnàto chrutâo pasêaêse o Tefo, 
Eftia concluiSo além de já ficar refulada nat toai pre- 
missa*, é de menos intcosfio qae ellas. Sím^ o Annola* 
dor fundou a sua chamada diffieuldàde talve% imolwoel 
em estar O. Affonso Henriques em seus domínios ainda 
nos princípios de Julho, e a Batalha de Ourique ser a 
fõ do referida mez^ intervàIÍ0| segundo o Author da 
Nota, de SO <Ras pouco mais ou meno»- Agora apparece 
como fulcro da diffieuldàde talvez insoluvely a necessida- 
de de o exercito christão em €0 dias pouco mais òo me- 
nos passar o Tejo. Pergunto agora : Qual é maior dif- 
fieuldàde otransp6r*se D. Affonso Henriques de Um Igual 
ponto dos Seus estados com 6 seu exercito a Campo de 
Ourique, dentro de vinie diat jxxueo mais ou metios, ou 
o passar só o Tejo dentro .d*aquelle mesmo espaço àe 
t^mpo? Todo o munda ba de asseverar que esta diffi- 
culdade, que se deduz como conclusão, nao restringe ou 
aperta tanto como a primeira, que lhe serve de funda- 
mento. «— Demais, é por lentura á mesma cousa passar 
^ mesmo ponto commum o Tejo, que transportar^se a 
Campo d^Ouriquef. Quem tal dissesse, enunciaria uma 
éstulticia! Na verdade nio se pôde concluir da d^fficul' 
dade de transportar-se com o exercito a Campo d^Ourí- 
que dentro de 90 dsai pouco mai$ ou menoi^ a nèceuida* 
de do mesmo exercito passar o Tejo dentro do mesmo 
périodo. Poderia existir (falíamos em tbese) aquella 
tuppoiiti iRfflculdade sem deduzir- se delia esta subsequen- 
te nci^sidode ; como a todos é evidente. Nem a primei- 
ra tem nada com a segunda í — ^ Porém em que bestun* 
to jamais se encaixou a dialéctica de fozer depender a 
veracidade da Batalha de Ourique da necessidade de D. 
Affonso Henriques paàsat com o seu exercito o Tejo, 
dentro de ^ínte dias. pouco mais ou menos? Ninguém 
ainda alvergou nas abobadas intellectuaes uma droga 
tZo exótica!.... Pois o exercito christSo (cingimo-nos ao 
ligor litietal) era tSo nupneroso que kvasse tantos dias 



47 — 

a passar o Tejo?.,.. Nem o exercito duXerxet lhe ganha* 
VA !.••• Mas o exercito de O. Affonso Henriques era, se- 
gundo consta, de li2 a 13 mjl homens; e um exercito 
d^tiàles passaj^a muito bem á voaiade o Tejo em um^ dia 
de verão!.... ' 



Observação #•* 



Progridamos aiuda .com aamilyse das cônclutftes do 
Annolador, qqe sÂo dignas de eternas luminárias I Dix 
mais pois : Qíaç era necessário que Esmar (dentro de vin- 
te dias pouco mais qu menos) soubesse da invasão (i) (^ 
note-se que já nilo é/ossaio/). -— De que fundamento 
histórico ou de que cousa, que com lai se pareça, deduz o 
Annotador que era necessário que Eèmar soubesse daiitva* 
táo dentro de SO dias pouco mais ou menos? Nflo*ha de 
achar u/n só documento plau^iyel, que assígnale um tal 
periodo. Se pois. não ha documento algum que- prove a 
necessidade de Esmar saber da chamada invasão dentro 
de vinte dicu pouco mais ou menos ; para^ que ha de o 
Author da Nota asseverar.. uma cousa, que nSb tem al<* 
gum fundamento? Não é por ventura ridiculo este pro« 
cedimento especialmente em um escriptor, que se apre» 
gòa tão docHincntophilo f C^ se^n duvidarT-^ Mas porqut 
não havja Esmar de sál^çr da invasão antes delia se ve^ 
rificar! Que motivo lho .jBstorvava ? Acaso uma goesra 
ou invasão não se costuma^ ou, não se p6de tabér, sento 
quando elía se começa a facer? A afficmativa seria um 
tremendo absurdo, Póde-se de ordinário por ventura oe* 
cultar lodos os preparativos, os movimentos bellicof 
de qualquer naçao, de modo tal, que nfto cheguem aos 
ouvidos dos adver^rlos antes de os conhecerem pelos tU 
feitos? Não são, se.jnão todos, .ao ouioot pela maior 
parte, factos públicos^ que logo correm e giram por lo» 
da a parte? Não ha espiões que os explorem da parte 
do aggredido? Não ha inimigos do affgressor, ouo os 
delatem! £ quantas outras maneiras ha de serem sabidos f 

. (J) Nota XVI, p«x. ÍM. 



— 48 — 

Porém ó a própria leira t}o Códice da Chrofiicfa dâ» 
Godos, de ctya narração elle pretende tirar prabúê 
dconira o mbldo valor que $e lhe te^n dado^ que ort:onfuta. 
SinOy do seu pioprio conteúdo claramente ee dédúfs <)M 
o Rei dos Sarracenos já de muito antes se acbava prtf* 
venido para fazer guerra a D. AtTonso Henriques; mos- 
trando bem que nâo era ef feito de o saber ha SÓ dtaê^ 
pouco mais ou menoe: nAW» namqile Rex Sarracenorum 
» cognita virtute, et audácia Regís Dooni Alfonsi, et 
99 videns eum frequenter intrare in terram Sarraceno* 
99 rum et depredari, Dimiumque atterere suam régio- 
» nem, Yoluíl si facere posaet ui eum incautum et im- 
» paratum alicubi inveniret^ ut cum eo gereret bel- 
99 lum J9 (l).' Petgunto agora, e perguntará todor o munr- 
do que «ouber enlemler o texto da Chroinica: Havérra 
§ó 90 diaa pouco mah ou mcnoã que Bsmar saberia ou 
teria conhecimento da valor e audácia d^^ElRet D. AÍ* 
K>! Haveria s6 90 dias, pouco mais ou menos, que ellè 
via que o Príncipe Christão eutraVa frequentemente em 
terra dos Sarracenos, e' saqueava e infesfava os setn do^ 
tninios, pnraf caso o apanhasse desprevenido, o haver de 
guerrear? Ninguém arnda se lembrou de similhante, des- 
faria. A Chronica referida claramente dá aent^nder que 
araiva delsmario contra D. Aflfonso não era obra prove*» 
«iente de saber da tal cognominada^ ou antes alcunhada 
Mwofâa no ir^tervalla de fO dias pouco mais òU menos: 
pofém iim resultado de outras invasáeij depràdagôc»^ t- 
eúragoêtmdemaiua^ que anteriormente otínram inquie- 
tado. Basta rcOçctir nas pakivrasr ^ Videns eum fre« 
19 quenter talrare io terram Sarracenorum^ et depradari 
99 nimium^ue afeterere suam regiotiém 99 ^*- para se dar 
por burlesca a tal romântica $ciençia tia invasão^ n que 
por calculo' arithnvetièa se quer obrigar Esmàr ! — * Nes« 
te mesmo sentido, em que falia a Chrotiíca dos Godos^ 
falia André de Retendo, que nfnrguem dtrvidará ser dei* 
la óptimo interprete. Paliando de D. AfTonio Henriques^ 
escreve elle: » Ubf pcraetatem licurt, bella gessit qiiam* 
99 plurima, urbes multas expugnavit, Sarracenorum po- 

(1) No Appendice dii 8.<i Parte da Monarchiâ Lusitana, foi. 273. 



— 49 — 

9» troliam fregit. Qua re commoliM Ismnrius etc; » (1). 
Em poMugucz qui^r dizer: 9 Logo que teve idade, aiH 
Jí dou em inaumeraveíi guerras, conquistou muitas cU 
f> dades, humilhou o poder dos Sarracenos. Pelo<)ue es* 
» limulado Ismario elo. » li* bem de ver que o motivo 
por que Ismarío se excitou a fazer guerra a D. Aííonso 
Henriques nSo foi por- aqueJla . imaginiida, e aprazada- 
mente calculada scicncia da appeilidada mvasâo ^ foi por 
motivos reconhecidamente anteriores. — E porque não 
havia de \ir aos ouvidos de Ismario mesmo, a preparação 
da guerra, antes da sua ex-ecuçâo? Sem duvida lhe veio; 
se dermos credito ao que refere D. Fr, António Brandão 
na Monarchia Lu^iítaoa, Liv. X, Cap. 1.^, que assim 
&e expressa : » Tinham chegado as novas da preparação 
f9 desta guerra, e despois da execusao delia a Ismario, 
>} Key poderoso dos Árabes, o qual cuidadoso do perigo 
n que o ameaçada, ajuntara um numeroso exercito de 
» Mouros Andaluzes «Africanos etc. >> Por tanto Isma» 
lio, segundo, este crítico e sensato historiador, não só te- 
\Q novas, ou soube da guerra, que se alcunha inversão, 
mas também da preparação delia. — r E porque não ha- 
%ia elle de estar já prevenido para repellir a denomina* 
da invasão, quando esta leve logar? Nem uma só ra« 
iSiO, nern documento ha de poder produzir oAnnotador^ 
que torne provável oque fantasia. Pelocontrario aChro^ 
nica de ylçcnhàro manifestamente inculca a Ismarió já 
preparado com muito grande força antes do Príncipe 
Christâo partir de Coimbra, aonde^reunira toda a sua 
gente para passar ao Alemtejo. Eis aqui. as suas pala» 
vras : i? E porém soube (D. Aííonso Henriques) que 
f> ElRey Ismar JVIouro Iiouve tantas gentes d*ajuda, 
y> que pêra cada. hum Çhristão eram sem Mouros, epar* 
» tyo o Primcipe de Coy.mbr.'i (2). w fce pois até o pro* 
prio D. Afíonso Henriques saUii^ da immensu gente que 
Jsmarío tinha antes de elíe paflif de Coimbra; que. des- 
propósito D&o é o suppôr a necessidade do Rei Ismaeli* 
ta saber só da invasão dentro do circumscripto prazo de 
vinic dia» pouco ma\% ou menos! A. lógica do caso em 

(1) De Antiqait. Laslt. Liv. 4. pa|r. 267. 

(2) In«ditot d« Acad. etc. tom. 6 ^ p«(. 21* 

4 



^K0_ 

quesiSo manda %6 concluir que o Rei Mouro eilava (2q 
ftcíentc da invasão, quo se }he preparava, que antes de 
ella rebentar já se achava assas prevef)ido par.a Itae resii^ 
ijr. Passeoips porém já adiante^ 

Continua o Annolador com a fantasiada necfssidav 
f]e ; exigindo que dentro do tal período fatídico dos vin- 
te dias pouco ma>is ou menoi — - ítmario desse ardem ás 
tropas almorovides e çkndahnes para marcharem de ião 
diversos pontos (1). 8e pelo que temos feito ver, não le- 
vados de voos da fantasia, porém sim firmados cm graves 
aulhoridades, podia muito bem Ismario saber e. estar 
prevenido pom sobeja anticipação contra a invasão, que 
se Jhe projectava; que precisão, ou necessidade tinha el- 
le de fazer marchar as suas tropas dentro d^aquelle es* 
tipulado período? Que precisão ha de o apresentar no 
palco histórico tâo preguiçoso c negligente, que deixas<*- 
se tanto aíían para aquelle designado e círciímscripto 
tempo? — Porém quando se 'podesse demonstrar que o 
tal perioilo, verdadeiro nariz de cera, nao era uma des* 
grenhada fantasia, porém sim uma indubitável realida- 
de; que provas apresenta p escrípíor da Nota, qtíe pos- 
sam 'fazer ver que -aquellu maccha nao erá Tealizatcl 
dentro d'elleí Acaso evidenciou (oú mesmo écdpaz dei 
o faaer evidenciar) que a. diversidade dos poT^tòs locaès 
em questão era tal, que forçosamente toro a vam impôs-, 
sivel aquelle movimento rhiiítardé Isrnariò? Em quan- 
to não fizer ver inlergíversavelmcnte a impossibilidade ; a 
historia fnndada no Documento^ que^e intenta pela prí» 
ineira vez menoticabar (a Chronica Qoíhorurn segundo o» 
exemplar de André de Rezende) ha de rir-se, e dar bas- 
ta cachínnda á custa do sen miserável írTipúgniidor ! K 
nâo sabe o Aulhor da Nota qiie, quando sé conlrpvcrie, 
não é sufficiente proníunciar tfe papb cheio que a these 
estabelecida é impossivel ; mas sim que é indispensável 



(1) NqI« XVI, íag. 4W. 










tflln, como to tln^Joi 
tUffiaiUa sDilcipsç&a, 
Ju inrroxa tio* tiiulc 
Annotatlnr (>it'Kf«»is 
.luuiiloniM. Uctcm'» 
la tnwiliío iln O. A f- 
O lignnl, e icf»Ír cu- 
[UCi em JíiPMt» poti- 
i á pfínu-if» *oí oior- 
nlgumiv jindo «iieU»- 
Mo. li" Ulo n tjun OU 
iwai: » VuJuil (Itx 
t puia iticBuiiim n 
cum «■" E»"r«n'l t>el- 
Rj>s I). Alfontut 
iam S«rt»rrniirum, 
>M IllK Hurraranu*, 
.icrtntirum inininni- 
I inttom (J"' «>■"•- 
u, Pt .)« l1n'liilÍDi, 
llpi;ln, »l iJ« umni- 
runl (i) nlMiam, ut 
nÚtl» tl<-»l<i uitirnli- 
aa nwui loilii, ii*ni 
ioauitl o o»ifimgfi- 
)iii* iPTmii>.ioi« iln 
[l<i liu ui« »6quf, 
Rhfitin, qufl o Áo- 
■f, Ifolin <lpÍHn-l<i 
{O iln menti 



— 82 — 

escriplorrs estrangeiros, (e por isso .não au^peitos), que 
pU\pamente deslroem. a façanhudU' hypothese áo^ vlnlc 
dias pouco mcm ou menos. É' pp^jmeiío Mc. de la Cle- 
de que assim historia; »Ilmeditoil (Umar ou Ismael) 
» depuu long-tems la ruir)c d'Alfor>*o,. el il crul qu'ii 
9} ne falloil plus dilTcrer de tnetlrc un ternie à s»4 con- 
??,quê(es, de. peur que dt^venaol phi^^ puissanl íl na Je 
V III ,succotT)l)er. },ui-mêa)e sous les elTorU de ses armes. 
99 11 le craignoíl avec rnisoo. Alfonse dcpuí< peu avoii 
99 passe le Tage avec Telite de ses IroAjpes K fail une 
99 incursíon dnns les terres de ce Barbare. i&qiar assem- 
9» bla dpnc ses sujets, Irur ordonna à toul^ de prendre 
r les nrmes, les distribua eri. %ingt coi^p^ diíTérens, donl 
» il donna le roínmandement à vingl petit$. Róis .ses 
99 Vassaux^ à la' têle desqui^Js i} se mil lui-mème.it (t). 
8e pois Ismario ou Ismacd meditava havia longo Umpo 
a ruina de D. Aííonso, e julgou para isso oec^asião op- 
por.tuna o ter elle passado o Tejo; para que se .ha úa 
suppôr que Ismael tinha neressidade de fazer todo aquet- 
le espalhafato, que o Annola<]or rofnan/ka, restriclamen* 
le em ^Q dias pouco mais ou menos! 

A outra aulhoridade é nada menos que o testemu- 
nho de uma Sociedade de homens de Lcttr.as. Escrevem 
pois elles: 9? Les progrès des Qhreliens en Portugal étanl 
9» parvenus aux oreillos d^Abu Ali Texefin, Roi de Ma- 
99. roc, il chargea Ismar, ou Ismael, soa Lieuteaitnl en 
99 Espagne, d'assembler toutes lt?s forces des Provinces 
99 méridionales, e de contraíndre les Chretíens de repas* 
99 ser le Douro. Ismar ordonna au\ Alcaydes de Bada- 
99 joz, d^Elvas, d'Kvora, et de Bi Ja, doassem bjer les 
99 Troupes de leurs Gouveruemens, et. les ayant r^uníes 
99 aiix Troupes venúe« d'Afrique, il forraa une Irés noni« 
99 breuse Armée » (â). Todas estas circumstancias pro- 
vam exuberantemente a predisposição, em que estavam 
os Sarraceno* de rebater a D. AíTouso Henriques, mu- 
ni ndo-sé, náo por saberem em especial da ial invasão^ 
porém em geral, dos progressos dos Christ aos cm Portugal ^ 



Íl) Flitt. de Poctiie. tom, 2. paf . 83. 
2) Hht. Uni 



iverselle etc. tradiiíte de l^anglaii d^one Société da 
Gens de Lettres, tom. 29, pag. 321. 



— 83 — 

denumerosissímaB forças, para tomarem a iniciativa do 
combate. Este preparo de guerra, foito, como se dedui 
do texto traascrípto, com tíxJa a íoderinida anticipaçâo, 
repugna %isivelmeQle ao periodo de tarraxa dos vknlc 
dias pouco mau oti menos^ que o Anootador prescreve 
l>ara o% movimentos militares dos Mauritanos. Devemos 
entender que a nova da ap(>ellidada invasão de D. Af- 
fonso Henriques nâo fei senão dar o signnt, c servir co-- 
mo de aviso para reunir a força, que em diversos pon«- 
los Uioario já tiniia preparado para á primeira vox mar- 
cb^ir contra o inimigo, a ver se cm alguma parte oachu- 
vn desacauteiado, e bater se com elle. E* isto o que diz 
a Chronica dos Godos ^>ore*tas palavras: » Voluil (ilt-x 
iSarracenorum) n si facere posset tit eum incautum el 
r imparatum aiicubi inveniret, ut cum eo gereret beU 
9i luin. Quadam itaque \\ce cum Rex O. Alfonsus 
>j cum suo çxercjtu iiHrar<M per_ ferram Sarracenorum, 
>9 el es^el in corde terras eorum,Esmar linx Surracenu«, 
yy congregata ínfioila multítude Sairacenor^im tran»mH* 
f> rínorum, quos secum adduxerat, et eorUm qui mora- 
ti bant cítra maré à .termino i^ibillí^, el de- Badolioz^ 
» el de Elvas, et de Eibora, el de Brgia, et de omai- 
99 bus caslelJis usque Santarém veneruni ei obviam, ut 
yy pugnarei cum eo ele, » (1). No sentido desta nairníi- 
va, e muitas vezes copíando-a toda, ou quast toda, tem 
sim biàtoriado lodos os escriplores oacionaes e estrnn<;ei» 
ros :• consenso este, quo e a prova mai^ terminante da 
auihenticidade da dita Chronica, Nãio ba um só que, 
debaixo do frívolo e esloiidiàsimo pretexto, que ò An*> 
notador forjou, nem de outro qualquer,^ tenha deixado 
de dar fé ao que refere o copiado artigo da mencionada 
Chronica. Entre elles contamos o Dr. Henrique Schef- 
fer, moderníssimo escriptor, que assim se exprime em 
af)oio do que asseveramos: » A* nova desta aggre&s&o 
(de D. AíToBso Henriques) >» Walí l^mar, reúne todas 
99 as tropas, que elle tinha conduzido comsigo da Afrf- 
99 ca, e todos os guerreiros dos territórios de Sevilha, 
99 Badajoz, Elvas, Évora, Beja, e de todas as praças 

(1) Na Eipana Sagrada, tom. li.®, pag. 410. 



-^54 — 

» fortíAcadns de Snnftnrem ele. i> (1). E nâo poderia es^ 
tar Ismario prevenido para facer esta reunião ha muita 
maia de vinte dia« ? Sem duvida. ^-^ O próprio hhitoriador 
que refutamos confessa que já em maio de 11«^ s^/<7* 
%iam prtpamUtot da parte de D. Affonso pnra uma ex-^ 
pediçio miÃlor, que eite nSo ha de nc^gar ter sitio a de 
Ourique (C). Que embaraço pois ha |)ara que Ismnrío^ 
« mesmo o Rei de Marrocos, desde earse temf>a se prevê* 
nistem contra o ma^ que lhes estava immínenrtef Ne- 
nhum por certo. O impugnador tem por tanto em sua 
historia elementos, que refutam asu^ gratuita, e ínfun* 
dada hypothese^ 

Agora cumpre advertir que o historiador anftagonis-^ 
ta, (que nSo teve dutída em sua historia de fazer cncon- 
ir€tr nas tmmedlaçâcs do togar ou cástello deno^mnado pC" 
fot Arabez Orík os doi$ exerdtng^ o Sarracena e ChrniâOi 
(3) e de frxar comosuccesio indubitável aquo]lecomb-ate 
mo mesmo dia em que o traz a Chronrica dcvs Godos ) ; nra 
qualidade de Annotador jvlgou dejTofs como problema, 
iaivet \ndi%iohBõel^ o mesmo facto, pondo em duvida que 
filie podesse ter sido realisado em vinle dias pouco meti» 
ou menoiy segundfy o seu calculo. Nâo é isto uma ma- 
nifesta contradicçSo! Porquê motivo narrou ^elle como 
certo um facto qúedepois, avista do que. profere, irisivel- 
mente torna problemático f -— Disse ^-^ torna problema- 
Isco — * por quamo quem dâ acontecido um facto qual- 
quer n^um determinado dia, e depois põe em duvida se 
poderia ser feito dentro de tim período designado ale 
esse dia ; chronologícamente, pelo menos, poer em duvida 
o mesmo suceisssO| que antes dera realizado rr* um pre- 
ciso tempo. Devia o* Notograpbo em verdade ser mai<t 
Goherente ! 

Perguntaremos em fim porque rviz^o o escriptnr, 
que analisamos, na Historia de Portugal deu por f et la 
a inoosáo de O. Affon%o Henriques em quinze ou vinte 
diot; (4) e em a Nota marcara a passagem do Tejo pc^ 



1) HUt. de Partas, tom !.<> pai;. «7 e HH. 

2) Hitl. d« Porlus* tom. 1.® pag. 324. 

3) HUU de Portog. tom. 1^ fiag. 327. 

4) Hist. de Portos, tom; l.^^ p»s« ^^' 



]o eãrercilo chrittâOy (além de todos os moTimenlot do 
l^imar até se encontrar com os porivguc%e$ em Ouiiçue) 
xJeniro do período de $0 dias pouco mais ou moios? Co« 
mo é que a invasão de D. ARboso HenriqueS| ou a pat- 
sagem do Tejo pelo exercito christSo, alli ha de ser fei- 
ta em quinze ou vinte dias perfixos; e aqui se inculca 
como obra que tivc^ra logar em vinte dias pouco mais 
ou menos ^ Porque se ha de restringir na Historia um 
período, que em a Nota te faculta ampliar? Alli oio 
pôde passar de vinte dias^ aqui pôde passar ou nfto pas« 
sar dellcs ? Porque seria oyínnotador mais generoso que 
o Historiadora Esperamos pela resposta 

E^ duro de crer^ termina o Author da Nota; mas 
sigamos âvani.te{\), — K duro de crer^ retorquiremos nós, 
que houvesse um escriptor, que cm Historia aventasse 
tantos e tao apezunhados disparates, t — £* duroy édurissi- 
mo que uma penna, que tanto blasona de documental^ 
venbu com futilidades insulsas faxer arruido contra um 
Documento coevo de uma façanha, cuja grandexa aia« 
da ninguém, nem dentro, nem fora do paix negara. 

Mas sigamos avante.-^ Adoptaremos esta expressSo 
do adversário como conselho, continuando a faier a de« 
vida autopsia analytica sobre a Nota em questSo, pelo 
meihodo das Observações^ como novamente passaremos 
a verificar na Sexta Parte da Contraposição QrU%eo-J3%s* 
torica. 



FIM DA QUINTA PARTB. 



(1) Hi>t. de Purtug. Nota XYI^ pag. 484. 



Vi 



I ' 



A BATJILHA DE OVRiQH 



A. HfiRCIJIiAIirO. 

COIÍTBAPOSIÇAO CBITICO-HISTOBICA* 

(obra dividida em seis partbs) 

AUTHOR 



MKlLTIk PAHTfi. 



VeriUs odium parit. 
Teu. 



Run dcM CapcUittat n.^ 62. 

1856. 



DP 
31 



■'». '":> 



v\6? 



t .' 



«-Í 



PREIilJDIO. 



l<^unn(]o planiz^ámos, esboçámosi ou ideámos a Analy* 
Bt;, a que demos o titulo de : Contraposição Cntteo^Hiê* 
torica : Quando, por outra, concebemos o pensametitó 
( classifiquem-no como quiserem) de fazer do domioiõ 
do prelo uma Obra, que, desprezadas todas as mal en« 
tendidas contemplações e cortejos, com que a Litlera* 
tura 6cá e xacôça imperiosamente exige ser idolatrada^ 
não menos minuciosa, que franca e sustentadamente re^ 
batesse o maior dos attentados, e insultos, que jamais se 
commettôra contra a Historia deste Ueino: Quando em 
íím no recinto da região intellectual riscámos, e dispo* 
zemos as primeiras linhas do esboço da empresa, t>enE 
longe estávamos de pensar que a tarefa iria tão longe. 
•--Todavia tendo o empenho apostado, e acintoso de ob« 
K*urecer, e deprimir o primeiro Feito clássico, précotii* 
zador da futura independência, e gloria de Portugal; é 
sim aquelle mesmo que adquiriu aoPrincipe, que aelle 
presidira, maior renome, e celebridade: tendo, digo^ 
aquelle audacioso empenho acarretado e posto em ai- 
qAoeda^ no prostíbulo da innòvação, toda a qualidade de 
fraodulagem sophismatica^ a fim de produaíp • ÍAleoU* 

1 • 



\ 



— 4 — 

da illúsSo; foi forçoso ir-lhe na pista, e desencantoal-o 
de iodas as lousas; em fim baníi o e proscrevei o de la- 
do e qualquer escondríjo. — E na verdade quem se pro- 
poria adebellar um tal aborto, uma moosiruosidade tâo 
altamente antí-hístorica, e desnacíonal, que deixasse ao 
menoscabador altivo ainda algum pretexto, aloruma es- 
capula, para, como dizem, por ainda pé em algum ra^ 
lamo verde? Era um facto, que, pelo menoscabo e tc- 
quinlado aviltamervio^ R^qpep^oir^^iilhor da Historia <ie 
Portugal o linha reduzido, afl*ectava nada menos do que 
o credito e honra nacional. 

Foi D. AíTonso Henriques um guen^eiro hábil e fe- 
Ihf epilhelos com que, entre oulros, o condecora até a 
própria Enciclopédia (!)• Ora se a Batalha de Ourique 
se reputasse um brinquedo, uma bulhay uma ninharia 
bellica; que descrédito, que deshonra nâo seria para a 
líaçâo Portugueza o tel-a constantemente avaliado e re- 
conhecido pelo mais subido, e primoroso monumento do 
valor e singular denodo d^aquellc hábil e feli% guerrei* 
TO? Como sim laes epithetos lhe poderiam ser apropri«K- 
do^7;Se,esteji poirém não Ao uma burla, anles iim^ ver* 
da^te reconhecida e -apregoada dentro e fora do paiz ; ie« 
pios,i%<iieaqueUã Batalha ní][o era uma pequenez, aotes 
vmar^griiqdeza, quç. avulta no lemplo indeslruçiivel da 
men^çrip^ ^. 

.,. ; iPensoii oJpno^Sador biMorícQ, qub podefia aliívo e 
^ubf^rbo: br^idar impunenç^eale a l^dos os escrípio|Fe4^ que 
de§de( a époçlia ou (>u4M époch.a da existência. .<do Suc« 
c^sip oloram .qualificando, degrnncié.: Vós: sois' .ua» meu^ 
/|etcap|ois, uns idiotas, un^ toupeiras,: quie |>rafundiroHrar 
tC! atolados .nas treva» eipessas;. do obscuranii^mt^ nâo 
prestes, nofp. chega«tea a ver. a.tiiz,. o clarão -ôaionie* 
jlinte da yer4adQÍr^ hisioria. Bti^.scki poi» cn(r« o% fiUnèi 
d^ita époçha^ aos çtio^s, o Prowdencia allíkmiou çom -um 
r(áo da intçíligçfiçia e/ema (3), o gepio.. singular^ denií- 
nado para ser o facho,, q fogaréa ardente, q lumíno^f»^ 
que ba de^e^vir de^pennanenlo pbarol no^dominio* bift« 



<' 



í> .K. . . ':'..■ . ■•: •• .1 



> . . • . . I •, 



Íl) ÉncTcTopédie .Mctliodique, Itlstoire, ionicl. pag;. 290. 
2) Sito ii«rattót><lelfe na" Adf ertéiichi dó Primeiro Tomada 



i 



tortos»; anle quem, de x^on^amitaocia cbifiot AiHlioret 
d<»« a«itígv>s e ventjrandos Códice»* doe umefitUM^ hão dú 
$^f tidos como itieptoií, e fosteit Igtíoraoies os BrítOfy.ol 
Brandires, os [Farias, o^ Niio«s de Leão^:'Of Soiisat, or 
Cenáculos, 06 Pereiras ide Figueiredo^ e outTOr^ue laM, 
que nâo interrompida^menfe tem ^ollocado^ em elevada 
cailv*goria a Bat^ilhn de Oufiqne; ApresènUir-iii«-hei oa 
cam)>o.da luruivaçao arvorando o peodâo de guerra teoi 
Qirnriel contfa esse porfk>so^ci/t8ma/'le«do por divita^ 
Eu<à Hutoriaí.,., 

■ '■*■ N ao é esta pmsof^pefa *de lavra mera, e puramea^ 
te rdmanticai Qae tal equojatída fôra a altivesa do teut 
bistofiographico ponsa^menlo, a^sés e de sobejo o deu a 
conbt^er a saaha- c^3«n que o antagonista se atirou aot 
Oradores Sagrados • de nossos dias^- que no púlpito fize- 
ram mençau da Façanha gloriosa do Campo de Ouri- 
que, conforme os mooumeatos^ e Iradição constante^ 
que scculo para século foram seguindo todos os tabío» 
de primeira plana em differentes ramos de Liiteratúra«r 
— Deu o sim exuberantemetite d conhecer na rancorosa 
c assanhada publirn^o*^ .£fs- e o Clero!,,,» 

File poréoy fiãa qurr^ tiâo tolera qtie a Acç&o gran-i 
díosa de Ourique seja- olhada oSo sócomo prcKiigfo d<> 
Ceo, mas nem âíndo' como prodígio da terra. — Quer 
mesmo neste sentido, nesta mesma -accepção, reduzil-a 
a um sonho d^di^Iírantos, a iVá)'aphanta«ia cavalleires- 
rn^ a uma QuicholBi^a !.••. R é crivei- que houTeste uma. 
penna fKirtuguexa que te ed^péohassé em i^eduair a ffto 
depreciada degradação um Suceesso, de. cuja grandeza 
ainda ninguém, fosse nacional, fosse estrangeiro, duv{« 
dáraf Cusia a'açredítal*o!..». porém (deplorável eném-J 
pio!) scripla manent !.,,, Deplorável exemplo, dlgo| 
pois que é para lamentar que> qualquer escriptor pátrio 
lenhaobôjo depegar napenna para ircontra tudo oqoa 
a critica e a historia tivera ensiaado, a Am de reduzir £ y 

ultima humiliaçSoj e mesquinho conceito uma Batalha^ / 

que, sem tiada perder com o andar dos tempos, mansa / 

e pacificamente occupára o logar conspicao de primeiro 
ílorâo nos aonaes da Monarcbía Portuguesa. — • O pri- 
meiro Feito illustre e memorável por tanto* que abre 
as paginas heróicas da Historia de Portugal, é ooexpret- 



-6~ 

to lenlir da mais eslraoba, e intolerável depravação til- 
leraria. uma pura minúcia^ uma illusao decantada!.... 
Segundo ette tSo aviltante e Iranstornador joízo:; que 
papel de cavalheiros da triste figura não representam em 
Qampo de Ourique o primeiro Monarcha dos Porlugue- 
aesy e os. famosos e esforçados guerreiros que com elle 
pelejavam !.«.. Um Feito incontestavelmente grande fi- 
ca reduiído ás dimensões de uma inaniçâo, de lirna chi* 
meni^ de uma /an/urrta romanesiea^ digna de figurar en- 
tre a^ patranhas du Historia de Carlos Ma|;nO !..• Aquel- 
la relevante façanha qUe fora não iaterrompidamente 
um titulo de justa edevida gloria adquirida para oFun* 
dador da Monarchía esua posteridade;, aquelle denoda- 
do, empenho^ que fora para os Irmãos d*af mas do Aei^ 
que em chefe oscommandava^ aorigem^ o brazãa trans* 
cendente, da tão esclarecida nobreza, que legaram aos 
seus lindouFo»; constituindo*a a porção mais distipcta 
da Ariiitorracia Poriugueza; é em sí novisãima Hittoria 
de Portugalj com espanto de todas as gentes, reputAda 
pc^r um acontecimento incapas. de constituir gráo algum 
de di»iincção na escala das cathegorías genealógicas !.••• 
Que peripécia tão repugnante jamais se vira na Ilisloria 
à^ Portugal ! •.. O escriptor da Historia do paii, qua 
i^futamos, representa nella o caracter de um aatagoais* 
la iníquo e obstinado contara o primeiro brazão glorioso 
do ^alor portuguez !••.. E^ fenómeno porém desoonheci<« 
do Q a<har-se um historiador domestico revestido deaiii* 
mo Ião hostil contra o Monumento primário da gloria 
nacional!.... Quando houve^e de ser lactado de algum 
dpfeito^ vtílialhe melhor o sel-o pelo lado do amor da 
pátria, que pi^Io caraeter de injusto defuessor dos f«ítos 
grandiosos d Vila!... • - * 

De V9f;ia. pois a<|ue]la' peripécia, ou. . antes catastro- 
pba histórica, correr enUe os presentes e tíndouros sem 
çlgiim correctivo, que a rebatesse, e completamente a 
pulverizasse? Não por certo. Heclamavao o brio nacio* 
^al, jEt gravidade da aíTronta. Nesta Sexta Parte dare* 
mos âm á tareia. 



i ; 



I I • ' 



A. tactiVa, a e^lcategí» de, lá para fiDs, &ier por mU 
i?ar, e aiiuír os alicerces, em que le íonda qualquer 
ierdi).de, s^Ja dogmática, seja histórica, é «aoejo já Mio 
antigo e sedíço entre os coripheos, e adeptos do Scepti* 
cismo, que a oínguem hoje é licito ignoral-o. 

Agglomeram, e amalgamam no corpo textual tudo 
quanto lhes vem esóbe á região do craneo; é, depois dm 
dei xarem.esla talada oo proscénio da publicidade^ para 
debique de qualquer analysta (que mesmo a olho nú^ 
e mais ainda se usafe- de lente microscópica, a mirar ! ), 
a empanada informe tanto na matéria como na forma 
(segundo a não ainda proscripta technologia do Stagy^ 
ríta ) , a qual, com toda a ancha e bochechuda enfatua^ 
çâoappelIídamznProducQão modelhzzi outrosiminUa- 
tam em Noia etpeâal vnrigar, ou antes apupar com 
toda a. artilharia dos desdéns^ e pbantasias absurdas to- 
dos aquelles Documentos de qatureza inconcussa, que oi 
arguem, e convencem de interglversavel conlradicçfto. 
— No caracter, e sentido de Ânnotador já temos \isto 
que o Áuthor da Historia de Portugal cada vet mais se 
depreciou, quando se declarou inimigo da Chronica dot 
Godos; d^aquella que é segundo o Exemplar de qua 
vsára André de tíezende; Ená depreciação porém coa* 
tinúa, como passamos a fazer ver. 



t*í 



A BATAIM DE ODRiQll 



co^ítbaposiçao cbitico-histobica* 

(obra dividida em seis partbs) 

AUTHOR 



MKJLTIk.VAnTWU 



VeriUs odium parit. 
Teu. 



I ■ mi 



m 

Run dcM CapcUittat n.^ 62. 

1856. 



5 70 



r .' 



- 4 



PREIilJDIO. 



l<^unn(]o planízámof, esboçámof^ ou ideámof a Aoftijr* 
9e, a que demos o titulo de : Coniraponção Critieo-Hiê» 
tartca : Quando, por outra, coocebemot o peofamanio 
( classífiquem-no como quiserem ) de fazer do domioio 
do prelo uma Obra, que, desprezadas todas as mal eu* 
tendidas contemplações e cortejos, com qua a Littera* 
tura 6cá e xacôça imperiosamente axfge ser idolatrada^ 
não menos minuciosa^ que franca e sustentadamenta re* 
batesse o maror dos attentados, e insultos, qua jamais sa 
commettôra contra a Historia deste Heíno: Quando em 
fim no recinto da regifto intellectual riscámos, e dispo* 
zemos as primeiras Unhas do esÍx>ço da empresa, baia 
longe estávamos de pensar que a tarefa iria tSo longa. 
•—Todavia tendo o empenho apostado, e acintoso da olv 
tcurecer, e deprimir o priróeiro Feito clássico, pracodi* 
zador da futura independência, e gloria do Portugal ; a 
mn aquelle mesmo que adquiriu aoPrincípei que aella 
presidira, maior renome, e celebridade: tendo, digo^ 
aquelle audacioso empenho acarretado a posto em al- 
Qioeda^ no prostíbulo da innovajâo, toda a qualidade da 
frandulagem lophismatica^ a fim da prodtuir • ialeala* 

1 a 



\ 



— 4 — 

da illúsSo; foi forçoso ir-Ihe na pista, e desencantoal-o 
de iodas as lousas; em fim baníi o e proscrevei o de lo- 
do e qualquer escoiidrijo. — E na verdade quem se pro- 
poria adebellar um tal aborto, uma moosiruosidade tâo 
altamente antí-hístoríca, e desnacional, que deixasse ao 
menoscabador altivo ainda algum pretexto, aloruma es- 
capula, para, como dizem, por ainda pé em algum ra^ 
lamo verde? Era um facto, que, pelo menoscabo e tc- 
quinlado aviltamenifj^^qpe/a^^iilbor da Historia de 
Portugal o linha reduzido, afl*ectava nada menos do que 
o credito e honra nacional. 

Foi D. AíTonso Henriques um guerreiro habll e fe- 
2i%, epilhelos com que, entre outros, o condecora até a 
própria Enciclopédia (!)• Ora se a Batalha de Ourique 
se reputasse um brinquedo, uma bulhay uma ninharia 
bellíca; que descrédito, que deshonra nâo seria para a 
líaçâo Portugueza o tel-a constantemente avaliado e re- 
conhecido pelo mais subido, e primoroso monumento do 
valor e singular denodo d^aquellc habil e feli% guerreU 
TO? Como sim laes epíthctos lhe poderiam ser aproprjiir 
doft? Sc .estes porém não são uma burla, antes 4itn9 v«r* 
da^ reconhecida e -apregoada dentro efóra do paiz ; ie« 
pios,^<iieac|(ueUa Batalha naoera uma pequenez, antes 
nnnartgititidezay quç. avulta no templo, indeslruçiivel da 

men^orip.. r. • 

..; :Pen^u o. ipno^SaUor histórico» que poderia altivo e 
$ubf;rbo: bridar impunein^eale a Udos os escriptoires^ que 
desde^ a épodia ou quasi époch.a da existência. í<do Suc« 
c^sio oforam qualíficaado. á^granâc: Vósrsois'. ua» meu^ 
/leicaplQs» UQs idiotas, uns toupeiras, quf9 |>rafu:nda1lH^ar 
tç! atolados .nas trevas espessas «do ol>9CuraniLsmQ«, nâo 
]^esle8y nom. chegastes a ver. a; tf»z,. o clarão -ôam^me* 
jjiivt^ da yer^adeir^ hisiofia. Éu.scki \\o\^ enl,re os fiU^tá 
d^tiia épochc^^ aos qua^s. o Prowdencia aUíkmiou çom-wrt 
r(áo da iniçUigôncia e/ema (3), o geniQ. singular» di^ii- 
nado para ser o facho,, o fog^réa ardente, q lumino^'»^ 
que ba de^e^vir deipermanento pbarol no^dominio* hitk^ 



r. 1 



Íl) ÉncTcTopédie .Mctliodique, Itistoire, tom. 1. pag:. 290, 
2) 8ÉÓ iHifat^ã»><lelfe na" Advertétíchi do Primeiro Tomada 



torloe»; anle quem, de x^on^amitaocia cbifi ot AiHlioret 
do« antigos >e v«iit5fan(Jo$ Codiceê* documeiitii€9^ hão do 
H^f tidos comoiitieptojk, e fosteit Ignora o ies os BrítOf^.oi 
Brandires, os [Farias, oi Niioes dé Leão^>'os Soiisas, or 
Cenáculos, -os Pereiras de Figueiredo^ e outros ^ue laesy 
quft nâo int4*rrompidn'menfe tem collocado^env elevada 
caib«*goria a Bat^ilha de Oufique. Apresènlar-iii«>hei oa 
eanifio.da iunovação arvorando o peodâo de guerra tenir 
c^rarlel 'ConUa esse porítoso^^TctVtsma^^leodo por divisa C 
Ew<à Hutoria!.,,, 

'•■i N ao é esta prosof^pefa^de invra mera, e puramea-* 
le romântica. Qoe (aí equejarida fôra a ai ti vexa do seut 
bist^osiographico ponsamento, a^sés e de sotx^jò o deu a 
(onbevèr a sanha- oom que o antagonista se atirou aot 
Oradores Sagrados • de nossos dias^ que no púlpito fize- 
ram mençâii da Façanha gloriosa do Campo de Ouri- 
que,- conforme os mooumeatos^ e Iradição constante^ 
que século para século foram seguindo todos os'fabioft 
de primeira plana em diíferentes ramos de Litteratàra^ 
— Deu o Mm exuberantemente d conhecer na raiKorosa 
e assanhada put^Hra^o^-^ .£W- é o CJkro!,,.» 

'File poréoy não ourf» tifio tolera que a AcçSo gtan^ 
dipsa de Ourique seja' olhada oSo só como prodígio dòr 
Ceo, mais nem ainda» como prodígio da terras — Quer 
mesmo, neste sentido, nesta me^ma accepção, redusil-á 
a uth sonho de di^Iirantor, a iVáiaphantasia cQvalleires- 
rn^ a uma QuiobolB«fa !..v. R é crivei- que houveste uma. 
penna f)ortugQe«a que te ed^f^nhassé em i-eduiir a tSo 
depreciada degradação um- Successo, de. cuja grandeta 
ainda ininguetn, fosse nacional, fosse estrangeiro, àtxvi^ 
dáraf Cusia a'açfedital*o!..«. porém (deplorável axém^ 
pio!) icrtpla manent !..,, Deplorável : exemplo, digo| 
pois que é pata lamentar que q^utflquer escriptor pátrio 
lenha (o bojo de pegar- na penna 'para ir contra tudo oqua 
a crítica e a historia tivera ensinado, a fim de reduzir 4 
ultima humiliaçSoj je mesquinho conceito uma Batalha, 
que, sem nada perder com o nndar dos tempos, mansa 
e pacificamente occupára o logar conspictio de primeira 
ílorâo nos annaes da Monarchia Portuguesa. -^ O pri- 
rneíro Feito illustre e memorável por tanto, que abra 
as paginas heróicas da Historia de Portugal, é noexpret^ 



-6~ 

to lenlir da mais eilraoha, e intolerável depravação til- 
leraria uma pura minúcia^ uma íllusao decantada!.... 
Segundo este tSo aviltante e iranstornador juízo.; que 
papel de cavalheiros da triste figura não representam em 
Campo de Ourique o primeiro Monarcha dos Porlugue- 
aeSf e os famosos e esforçados guerreiros que com elle 
pelejavam !.«.. Um Feito incontestavelmente grande fi- 
ca reduiido ás dimensões de uma ifianiçâo, de lima chi« 
meni^ de uma/nn/urrta romanesca» digna de figurar en- 
tre a^ patranhas du Historia de Carlos Ma|;no!... Aquel- 
la relevante façanha qUe fora não iaterrompidamente 
um titulo de justa edevida gloria adquirida para oFun* 
dador da Monarchía e sua posteridade;, aquelle denoda- 
do empenho» que fora para os Irmãos dVumas do Rei» 
que em chefe oscommandava» a origem» o brazãa t/ans* 
cendente, da tão esclarecida nobreza» -que legaram aos 
seus vindouros; coiistituindo*a a porção mais dísiipcta 
da Ariiitorracia PorCugueza; é em a noinsjtma Hutoria 
de Portugal^ com espanto de todas as gentes» reputAda 
pc^r um acontecimento incapas deconsliluir gráo algum 
de di»iíncção na escala das caibegorias genealógicas !•••• 
Que peripécia tão repugnante jamais se vira na Historia 
àé Portugal! ... O escriptor da Historia do paii» qua 
lefutamos» representa oella o caracter de um aatagoais^ 
la iníquo e ol>stinado contara o primeiro brazão glorioso 
do valor portuguez !••.. E^ fenómeno porém desconheci^* 
do Q achar^se um historiador domestico revestido deani* 
mo Ião b<i>stil contra o Monumento primário da gloria 
nacional!.... Quando bouve^e de ser laxado de alg4im 
di'feitO| vtílialhe melhor o sel-o pelo lado do amor da 
pátria» que peÍ9 caraeter de injusto depreuor dos feitos 
grandiosos d Vijla!.... ^ . 

De vcr.la. pois aqueJIa peripécia, ou. .antes catastro- 
pba histórica» correr entre os presentes e tindouros sem 
algum correctivo, que a rebatesse, e completamente a 
puhtrizasse? Não por certo. Hnclamavao o brio nacio* 
i^al, a gravidade da aíTronta. Nesta Sexta Parte dare» 
mos fim á tareia. 



■ • • ■» 

l4 



I ; • 



I I •• 



A- lactiVai a eftUotegía de^ lá para fids^ faier por mU 
lyur, e aliuír os alieerces^ em que se fonda qualquer 
verdD.de, seja dogmática, seja histórica^ é manejo já tífú 
antigo e sedíço entre os coripheos, e adeptos do Scepti* 
crismo, que a ninguém hoje é licito ignoral*o. - 

Ãgglomeraroy e amalgamam no corpo textual tudo 
quanto lhes vem esóbe á região docraneo; è, depois d% 
deixarem, eslatalada no proscénio da publicidade^ para 
debique de qualquer analysta (que mesmo a olho nú^ 
e mais ainda se usafe* de lente micrbscopiea, a mirar ! )^ 
a empanada inform« tanto na matéria como ná forma 
(segundo â não ainda proscripta techoologia do Stágy^ 
nta),..a qual, com toda a ancha e bochechuda enfatua^ 
Sâoappellidam ZDProdueçfio tnodelhzz; outrosim inten- 
tam em Noia etpcáal varejar ^ ou antes apupar com 
toda a. artilharia dos.desdensf e phantasias absurdas to- 
dos aquclles Documentos de qatureza inconcussa, que os 
argyem, e convencem de íntergsférsavei contradicçfU». 
— - No caracter, e sentido de Annoiador já temos %isto 
que o Author.da Historia .de Portugal cada vex mais se 
depreciou, quundo se declarou inimigo da Chroníca dot 
Godos; d^aquella que é segundo o Exemplar de que 
troara André de ítezende; Eúá depreciação porém cga» 
tinúa^ como passamos a faxer ver. 



-^8 — 
ObseriraçSo t.^ 

E* objecto ou iheroa desta observação o trecho se*, 
guinte : n Como tinham vindo esias tropas d^Africa, se 
n Tachefin havia dois annos levara para lá as melho- 
n res da Hespanha, a fim de salvar o império das mãos 
n dos almuhadesy e desde en^o s6 experimentaram j&* 
» vezes, e por consequência diminuição de forças ? i» (1)« 
Que discurso é este? £^ uma prolepsis infundada e gra- 
tuita!,... £ é com arguições deste jaez, que se dc^troe 
aquiilo que asseveraram Documentos históricos dignos 
de todo o credito, e que delle sempre gozaram? Nin- 
guém ha que símilhante affirmativa ouse proferir. £^ a 
Cbronica dos Godos um Documento havido e reconhe*' 
eido geralmente pelos criticos de primeira classe tanto 
nacionaes, como estrangeiros por um Instrumento digno 
e merecedor de todo o credito e estima ? Sem duvida 
atnguem* ainda dlélie-desdenhouj nem jáoílais' o afbdou 
«;!iiêb4er o notissim^Historiador Pórtuguez. -^ Já acf^ 
êia £ze|nos ver oiivalíòso coiieeUo em qúè era tido pelm 
erudilos.âqueiHe venerando, documento (9). Be pois elle 
affirma que .na Batatba d'Qur.ique se Mharam tróf5iis 
•ferraceoat vindas da Afrieirj; (eisio m^mo tem fiepetí^ 
do Historiadores Ae reconhéoido/icoilceíto;' é betn 'd^ tlér 
l^ue: um teétendunho^^lelal «athegoria nfiô póde^ditiiihuir 
deiaprbçQ. por<)ualq»iei; arguição sem fyrovaí^^e i»ó iíilha 
^è uni/dRdero ftceptkisno acintosos A osserçâci de urri do«v 
cu^niento ofto scí^destroe ^lominiá "Sfinrpli^s e desctírnád^a 
conjectura» Pelo con4)rarJoie«ta<:é ()ue não pede subsistir 
4)iiaodo odufcumento a ídestroe^^***-^ B*' uni «Documento 
-aadaiCD^noaque coeÃa fit'£^R«f 'Di^Aífonso Ifen'ríqo<^, 
<|ue refere: oijacto;i«onao .pôde fiois p que este- affirma 
ã^r eúlrAquecido tam^ómente pela sitnplc^ declamação 
de um ioROvador hutorico^ que depois úvi mais de s^ip 
te.cuIos..Ihe: tem suscitar phantftsiadas duvidas? K^ a to- 
das as luzes évidènie que o Auihor do Documento tinha 
4nais lazao para sabçc oque refere^ do que o innovador 

;;(!) .WolaX,|V,,p»g. 4a4, .:r 

,(fi Na Parte auínta deita 01>i«, piip. Vr%X^ e 30.--V<ja-s? t^nir 
lièM^Q t)ne ftca tràtf^j^tb á |»ae.'l(l e 17 ;à« Primeira Farte de^a 



para duvidar do que elle affirma. A^iièllê narrador qué 
««lá maU próximo da facto (quando por outro lado nSó 
consta de suspeita alguma contra òi dotes que a^ffiànçaiit 
a sua ciedíbilidade) tem incomparavelmente muito m6(l 
(elementos para ser acreditado, do que qualquer escriptbV 
di^lanlissímo do tempo do suecesso, que sem prova al^ 
guma o v«m contraiíar. Que digo? Um simrlhantv còò* 
«radictor nâò s6 n&o merece cfredíto. algum^ mas é tile 
físireK' O Auihor da jHUtòrtá de Pottugal não poderá 
duvidar que a Chronica dos Uodo^i segundo o Manti-* 
•crípto de André de Resende, seja còn temporonea do 
primei rolMonarcha; pois que elle próprio faz o Resuttiò 
ou Summarío delia (que o bístoriograpbo, como já vi^ 
oios, falsamente reputa ser ó autographo) coeva dos temr 
pos <jue memora {}), ■ • 

Porém o risível afnda se torna mais patentfr qtian« 
<lo se reflecte^ na -numerosa e compacta cohorle de escri«* 
ptores, que apoiam a Chronica dos Godos na dita cii^ 
cumsiancia, contra a qual se barafusta. 8âo deste nu* 
mero Duarte Galvão, na Chronica d'EI-Rei D. AffoMO 
Henriques, Cap. 1?.°, ^Aod<* dé "Ri^^nde, De Antíq. 
Lusit. 1. 4. pag. S67. António Brandão, Monarcb. Lu* 
sitann^ 'liv. X, cap. 1.^; e, ò que émai^, Duarte Nu- 
nes de. Lelo^ que, reformando aé Chron iças dos Re!» d<B 
Portugal,: náo assentou que a mencionada circumstancia 
da Chrouicâidos Godos devia levar' emenda, ant^' á 
conservou na Chronica de D. Affbnío Henriques (fofi 
fi7 v, ) qtiando disse i Polo que oúvè tanta gente deÁfoii/* 
roi de aqijkenh ede alem do már^ como de outrai geniek 
barbara» elo. Ainda á maiis O vermos que em no9^o« diat 
a Academjcò António d^Âhneida^ que aponióU varitíi 
erros; em Duaite Nwie», '**8ò notasse como tal a aiser* 
q&o que delle;)ftca lran<(Cripta. Esle critico severo, «âo 
obrante •nolar-como erro o Juramento de- D; AflWnsò 
H^nríques^ reconhece todavia como uma vcfdade hitiú^ 
rica a batalha de Ourique^ sem que appareçannf por ^Ué 
rx?putadas por faldas uma só dãf^drciímstancíaiy* de que 
faz menção a Chronica dos Godos (S). Pelo contrariO| 

. ^(1) Wota.XVI, p*«. 483^ 
W Vej. Mcmuriai da Ac«d. dis Bdcnciti, Tom. U^ Part* It*^ 

pag 76, í . ■ .«. 



— 10 — 

fatiando d^ello^^ elle a julga com Pereira de Figueiredo 
de uma veneranda e mui e$tirâtia onciantdade^ e merece* 
dora. de preferencia n^aquelles faeto$ em que ic não mani^ 
f estar opposição deúdtaa de outra* Chronícas antigas^ ou 
J)ocumentot autí^raphoi (1). — Estará por. ventura nes- 
te caso a objecção do ioDovador bUioricof Terá o que 
elle oppõe authorid^de de alguma Chromca ofUiga ou (k^ 
Documento autographoj .que o patrocíae? Tal cousa bU 
firmativamente imi^gínar, oHo digo }á profeiir, seria o 
mais carícaioy.e irrisório tresvario! 

Fioalmente a Cbtonica dos Godos, louge de dimí-p 
liuír no credito a respeito d^aquillp que refere,, ainda 
mui recentemente grangeou novo ap<Mo. FallaoKM dos 
leslemunbos que dos historiadores Árabes produzira o 
digno Auihor do Exame Histórico^ pelos quaet secon^ 
fuipid. nao só que o iniperador ^iy-Ben-Toxcfo^ em cu- 
jo reinado fora a Batalha de Ourique, nâo s6 nâo ú^ 
yp.rAQbiiacnlo algum, para enviar por esse (empo consi- 
deraveis forças á Pe pi. nsuia,, porém que effeclivamerUe aã 
fnviára {%). ■...-,.■■ * . 

Observação 9»* 

O objecto desta observação recáe nestes lermos : 
99 Por que nâo se encontra o menor vestígio desta vinda 
ff nos historiadores árabes (d)í » Esta interpellaçâo, que 
Piem logo em seguida i^o texto acima copiado, conforme 
fi!B forgi^es palavras do Annolador, tornou se em uma 
increpaçâo verdadeiramente caricata, depois do que já 
|9Ç ver. o erudito, A ulbor do Exame Histórica^ que aca- 
lmámos de citar 1 -<^ De mais; como poderia esse escri* 
ptor,.que nenhum conhecimento tem da lingua árabe, 
ífazer de motu próprio, esciencla certa similbante incre- 
paçâo sem se expC^x a ficar completamente e com irrisão 
desmentido? Foi na verdade aquillo mesmo que acon« 
lec^til ao ial tiotographo, ignorante d^aquella lingua. 
Para se faser tao catliegorica arguição era preciso que o 
^licriptor conhecesse cabalmente a lingua dos Arabe»^ e 

(1) Memorias da Acãi. tom. XI. part. 1.°, f>a|;. 60. 

(2) Kxame Histórico efe. sobre a Batailia d'OarÍ9Qt| por A. €• 

<3; i>au XV J, pag. 4fi4. 



— 11 — 

t|veM#$ lido.t<Hlos os historiadoreci delles, quehouvestem 
d« fullar do fado. K^te conhecimento, e leitura porém 
njLo çabi^, nem era possível admiti ir-86 em um idiota 
tia roa^tería^ Aquella iisserçâo increpatoriíi por tanto oâb 
é mais que uma inepta funfarronuda ! K que inépcia 
tnaii bochechuda e pançuda p6de haver, do que a ctsk» 
\)Qfia de qualquer se inculcar e fazer valer por compe* 
lente JuÍ9 de uma matéria, para ajuizar da qual oeohu* 
çias babiliiaçSes. possue !«... 



ObseriraçSo 8 



a 



n Porque d8o se dirigiu , coniiníaj Esmar contra 
» AfTonçoVII, para descercar Aurélia, Yiegocio sem com* 
» parnçâo roais importante do querepellir uma correria^ 
» quando a retirada dos chrístâos, nieltidos no centro do 
9 território inimigo, não podia tardar? Porque seres* 
99 poodeu aos defensores d^Aureiia nesta mesma conjun* 
99 ctura, que não havia forças para enviara soccorrel-osf 
(1). »Hade serdiffícultoso encontrar umapenoa, que no 
ij3tuito de menospreciar um documento sempre tido, é 
bayído em, todos os tempos por digno de fé, tenha oom^ 
paginado um grupo de inepcías tão desarcado e giboso t 
C que outra cousa é, e vale o ajoujo sofistico dos dois 
especiosos T^orçtiéi/ —- Se a autbenticidade de qualquer 
documeolo histórico podesse ser enfraquecida com ttmt* 
Ihantes argumentaç&ís, ou antes pretextos, nenhuma 
T«rdade histórica se poderia solidamente estabelecer ; a 
p sccpticismo a cada passo cantaria a victoria. Porém 
quem n2o sabe. que documentos só se destroem com do» 
cpro^ntos, e não.cpfo phantasiados jporçués, ^ue á mais 
pequena analyse de todo desapparecem f Na verdade a 
queiufto não 0:^ Se £smar se devia dirigir antes contra 
jíffonuo f^ífipara detcercar /iureiía^ do que vir atacar 
a D, AíTonso Henriques; o que elle annolador chama 
rcpeltir uma correria. Não se trata de examinar qual 
lhe era ou não: era mais importante, A quentão é: Sa 
£smar veio eflecti vãmente atacar a D. Aííonso Henri? 
quês; e não: Se convinha ou não convinha que o víet« 

1 

(1) K^ XVI, p«g. áM. 



— 11— 

•«'ftlacar.-^B ^601 ha de decidir a contestflçfiof HSo de 
ger (M documentos que o tesiíficaiiíl, ou n Oépeclosá e 
inconcludeiilechiVona das phantastna^orlcas oonvenien- 
cíasí Todo o mundci sabe q«re a-iii^loria é «ónlenKi nr- 
chivo d^aquilio que aconti^réra, e nâo ^''aquillo que po^ 
éuL ou devia ter acontecido. 8e exÍ!>te documento fkle- 
éigno que Alenunck», e auihoriaá' o facto, tudo o mais 
q.iii« cotilra/eHe «e phantasia necessariamenie cahe pot 
lerra. £* o documento histoNco que unicamente -^a a 
existência positiva da verdade, e faz cair as bypotheses. 
Estas na presença 4eUe para logo ricám insiibsístfntesy 
e não ao contrario. — Á historia não questiona sobre a 
C(»n«enieoeta 'dos factos; porei» tam semente) sòb^e a sua 
exUtiencia. O historiador examina os futvidméiitds, ^em 
Qúese bazêa. a existência' dellei^j e veílíieada' a âutben^ 
Ufíidade d''aquclleft fundamentos, é por i^Hff 'que'-se de« 
eíde; « MO pdr 'priócípios de con^uencfiayMhòs lídlntôk 
da sua arbitraria lavra. O hlsloriador que tomaf por ba- 
Iefr4ba fiUtthiâtoria os.aáreos porçu^s^ que Jmagi^aa, ttiò é 
bístor.ta^iof^é romancista l — Ora ée: acvhlea de tôidotvO^ 
tempos assiiB aaeional como eslfa&geira, tem reputado t>o^ 
yiirfidico' o faclb que:.a Chrontcn dos tíodus'»ns8evera;;'a!' 
que)|>r$>positu, 'Q.<^ intento vem o perguiviiifr ò' iifMd- 
fiador c Porquê não te dirigiu Estnar^ contra jéffún&oVIt 
para- dcfcertar l^úretta^ ài^ocio àém comparr^âo máíí iM^ 
poriarúcf Demos que isto ihe fosse mar« conveniente,' e 
■rMunto mnís impor/an/^,' segue se. por isso que elle 'd A* 
sessei; e pof isso a&o seja verdade oqfue affirmá a Chra« 
nica dos Godos? Nunca. Para se poder tirar uma tal 
consequência era preciso recocrer a algum documento, 
que tài fundamentafse^ fora dM^o tttdo, quanto se alfir*» 
■ia ooaira,.^ v2o e inept<^. 

xj..- Agora, sem: sahir mesmo dot âmbitos dás ideadas 
Qcmveniencias,; perguntarei ao A nnriíador: Porque hhvia 
de. ser negòáo ^cm comparação inaU importante o dirigir^ 
àe Jfimor contra Affqnto l^íl para deícercar Aurélia (que 
é Oreja e nâo Q2%or/a,<!omo- errada mente já escrevera o 
liistoriador^ enó^jior vezes já advertimos !) dd que o 
repeilir aqpiMo.que o Annntadõr qaalificá, como eorre^ 
fia de D. AíTonso Henriques? Que fundamento oulro- 
sim histórico houve elle para tão deBeovpenadameote es* 



— 13^ 

çrçYçp c[.ii€ -^ a rcLiroda doi Clirut&otj mellldo» no ccÉí^ 
iro ÍÍQ íerrilorio inimigo^ não podia tardara Ptodu^m^ 
se é capas, documeoto auihentico, que o authoricel,.. 
Ha de folhear sem colher fruclo.!... Quaato ao segundo 
porquij que consiste nn r4*sposla ni^gutíva, que d^ram ot 
JMouroÀ d^áquem e d^ilóm mar aos ckferuopei de /iure*^ 
lifff que imploravam o seu soccorro; este molUo aiéra 
clt; inepto e insub^istcnle em these (pois náo é de uma 
consequência necesãu fia que, por nâo haver na.me^ma 
conjuoctura forças para enviar a un«y nâo houvesse for« 
ças. pura enyiar a. outros), é na hypothese, de que ^ 
traia altamente falso, e sofistico. ^- O Annotador in- 
tulcn a neg-ativa de um modo absoluto, e como jie.nun*- 
ca os Mouros de um e outro continente tivessem dado 
soccorro. aos defensores de /Aurélia ^ isto porém é presen« 
lar a verdade com ditíerente face do que elia é; o que 
degrada o historiador. A historia pois nos refer^ que^ 
tanto os Mouros da Penin»uia, como da Africa, já li- 
nham dado auxilio nos defensores de Aurélia, quando^ 
{)ela segunda vez que lho pediram, lho negaram. II no^ 
tc«se que esla^oegatíva só poderia ter logar dentro do 
mez de Uutubro; ao f>asso que a Batalha de Ourique 
já tinha sido hqb Aq^ de Julho ! Isto prova que uma lai 
recusa nada podara irifluir sobre o grandipfo Feito (1). 

:Mai quç dif&ciildade ha sim em acredílar que es« 
tas mesmas^ tropas transmarinas enviadas em soccorro de 
l/Ê^rdia viessem eai: companhia de Esmar, e que nâo aê 
lendo, est^s empregado em descercar /iurclia^ fee reunis^* 
•êro depois a ellé para combaterem contra D. Aflbnso* 
^enriques? iPois assim o julga o Historiador Hespanhol 
D.» \íuan ^erreroê nesia^ palavras: 99. Juntaron-se coot 
» .Ysmpiç (qtiç creemoft havia venidp de Marruecos) <(o« 
99 la geple que hfivia embiado el Rey Taxefio, para el 
f9 soccorro de Orcja, pata haccr irenle à el Príncipe 'Dou* 
» AloosOf qpe. te havia entrado oi.uy dentro de el Alen« 
r tejo, jl^oc|0;y taquefindo todo e| pais. ( Iiisl< de Es^. 
paí^, tom... >-*;f.,Paii...5.% pag. a07.),-r-. Na iqrreiíte 
lambem dós Historiadores que apoiam a Chroníca dot 



(1) Leii;f9,p lofitr.de F^rrerat Irantcrifita no p«rr»fS» sCf ahilef 
e os mais loftfiips. 4I91 ipesoip (ItttvriíKipr oyoBtadac a Ft^iets i^ - 



— 14- 

Oodô9, quíinto ás forças mauritanas enviadas da Africa, 
qtie reunindo-se ái forças da Península com bateram em 
Cam|X> d^Ourique, se devem sem duvida contar os il- 
lufttrados Aulborcs de uma Obra histórica assas figan* 
tesca, e de mui reconhecida valia, já por nós citada. 
Narram pois elles: y> hmar ordonna aux Alcajrdes de 
A Badajoz, d^filvas, d^Cvora et de Beja d^assembler les 
» Troupes de leurs Gouvernemens, et leè ayant reuníes 
59 aux Troupci venues <VAfr\qnt^ íi forma une tres-nom- 
19 breuse Armée<>» (Hist. Universelle d^une Socíeté de 
6ens de Lettres, tom. €9^, pag. 391). » Ismar ordenou 
yy aos Alcaides úe Badajoz, Elvas, Évora è Beja que 
9> ajuntassem as Tropas de seus governos, e tendo-as re- 
9 unido ás TVopas vmdci da Africa^ formou um mui 
j» numeroso exercito* 99 ' — E^tcs e outros terminantes de« 
poimentos que sem discrepância se encontram nos éscrí- 
ptoreS| nssás vindicam o que refere a Chronica dos Go* 
dos, contra a ridicula innovaçSo sofística, ineptamente 
pretextada sob aanachronica negativa do soccorro a^fu* 
rcRa* 

Além d^isto tendo sido a Batalha d^Ourique mais 
de três meses antes da capítulaçêlo, ou entrega' de Au« 
relia; pôde mui bem dar-se a vinda de Esmar com iro* 
pas de além>mar para a Hespanha notn aquella negati* 
fúi ou recusa de auxilio, a qual é indubitável que só 
poderia ter logar, como consta da mesma historia (!), 
durante o mez de trégoos antes da praça se render; isto 
é, por iodo o Outubro de 1139; por quanto ella se en« 
4fegou em o ultimo do mencioiiado mex (8). 
• ' A* vista do que fíca inler^iversavelmeote mostrada^ 
é de uma ignorância alentada o período qué serve de 
jéchante ao defcaniado parrafo: » Nâo invejamos [con^ 
Jlueelk) r> a quem quizer salvar esta passagem o tra- 
» bálho de annullar a historia dos successos contempo- 
n raneos da Hespanha e da Africa, no meio dos quaes 
» B djnastia da zanetense Abd-el-mumen veio a sub* 
» stiiuír^ no supremo poder entre os musulmaiãos^ a áú 



Ferrêvat, Hiitorf« de Ripaffa, tom. 6.^, |Mr|r. SOS, 
Ferrem, Hifleria de JSipaiiâ, tom, ê%^^ peg* ^^ 



— 16-- 

19 IfHntunFÍta Tachfin (1). » Pelo contrario (refpottde^ 
OBOi o6á) ninguém ha de iQvejar ao innovador bi§torico 
o pecdido, o baldado trabalho de pretender anoullar a 
paisagem da Chronica dos Godos, recorrendo á conjiin* 
cltff« dos succe»sos contemporâneos da Historia de Hes- 
panha.c da Africa^ que ninguém ainda achou estarem* 
lhe Tm opposiçâo ; o que é ^visivelmente um i|rgumenl<> 
de imtisputafel prescripçSo» Tão pouco o deprecíaéor 
acintoso .da Batalha de Ourique prova alguma produziu^' 
que. de lai mereça o nome, para córaf os ião aéreos tòot 
da sua pbaalasial 

Oltaerra^o 4»* 

' Aipd» é todavia mais bolorento, e carunchoso otre«. 
cbo discursivo, que se envolve- e emaniilba na seguinte 
veibiagen: » Di%^nos mais esta narrativa extraordina» 
ff ria{.99<que tendo aquella infinita multidão de sarra^^ 
f> ceiíot -cercado Al%>nso Henriques em um outeiro, no 
9 qual eitava acampado com um punhado de gente 
9» (cum paucis suorum ) quiseram os infiéis romper a 
«» arraial; mas que sabindo contra elles a^moã tropas 
» eseoMidas ^electi milites) os passaram á espada de poU 
»-d6 oé repellirem; t}ae vendo isto o Rei Gsmar, e co« 
» nheceado q^e os Christãos estavam resolvidos atrium* 
» phat e á morrerem antes do que fugirem, fugiu elle 
» com os seus, e não honve mais que matar e dispersai' 
9 a multidSo dos infiéis. Tinha Esmar razão de assim a 
n fazer, «qualquer por mais esforçado que fosse, fugi* 
» ria do met mo -modo. São poucos os christãoè ; ianu<* 
9. meraveis os soldados sarracenos. Acommettem o caiti^ 
9 po; mandam os portuguezes alguns cavalléiros a re* 
9 ceba4ot« Tal era a conta em que tinham aquelle geor^ 
9 lio^ que oera quizeram sahir todos ao rebate. Os ca^ 
9» valletroB escolhidos repellem osaggressores, e passam« 
9 no§ á espada. A* Vista de tão inaudito -e incrível et^ 
9 pèctaculo queih 2 que não fugiria f n (f). Esta tiradi|ií 
é tão ioripidai quaMo alta e profutidámeote alheia dé 

(í| Nutft XVI, MK. 434. 

{2) PteU Xy 1, pag, 4114, • 4«fi,( , > 



—16 — 

tddo «quolquer biVloríedor, aioda dattiaPs ctnt»^- '0.mio» 
p4).if}^t*lUg<-ocía. -^ E ira verdade que hiitoriador ba q«M 
íervhA alguma dedada^ ou tialadela de cri liça, que in» 
tenle Qffafncer om €on(rapoiiçio ao que .assevera umda^ 
cumpnto bovidor sempre em respeilo por todos os coho* 
tef ma». conspícuos da ^ieocía bísèocicn, íoleiQtiíy dfgo^ 
adrede^ofiÇ^recer em roatrapOftíçSo uma actoinçaUMiçãO| 
^dijmolf^jo 4 laia, de riso saidooíco? Umproceélmèoto 
^>^!tk^ J<^2 é em si mesmo .a yotaçfto mais prooafiousda 
«^i^tM^xo^t; da parle d^aquelle que o tem, ao puibiicoy e 
itoiver^al desprezo. Vamos porém a rogac o matagal, bra^ 
Tk> com a afiada foice dá analyse. 

Dá o nome, <)i^ao|<fk %^íh»4j|»(9i^o de actraardina' 
rio á narrativii da Chrooica dos godos. Dêmos que a se- 
ja«r .Que 'Sjt ,%^gJ^ d'ubi ! Acaso um<i tmrratívay qàé. con* 
ieD,b(|.quaÍqu«r .(aclp fora cjo coRvmumi e qiie pòí issb 
m^F^Qi^ .o epithe^tp.de.ear/raoTfítnaWa ; . uia ^devesa ms ihe*' 
xecerá Sjsr acredíu^ia^ Al&umar aiiegatjva seria timab» 
«urdo de. O7H'gf0;/....<>N.a<> sg admirem qoft óéxpuessao Her- 
çulanea.(l} l.M. $c*ria aiá n'*,unaa região, binais ^elevada de 
priucipip&^ uma:j'mperdoav«(l impíedadâ !...t^Tambçm 
é jC^fYiordinariOy é,cxtrqQrdÀtpamfimaf,qAXQ entra iiiósTap» 
parecf&s^o. nos. i^ofsot dias; uip bisC<HÍadôff« qun.li!^.^íssei ar 
aA4râ^sMiA4^^l9.VK negar. á,i(ico.,dp 9ou pai%, a laceido 
mundq jinterrosa graa<jle2fi.dQ qmfi.Batalbii^ que.» iftiait 
apiira^^ jOTÍUça Qsaim. naciooai.içomo estrangeira nnàpiv 
^[^ipíi.eplf; tivera reconhecidç co^o ta^-.e com tudo aÍD« 
gUi^n(K'4^s^.prf|^qt^Sy nem TÍndourot se ha de{ mvever; a 
xtpj^-qltf .T— .Q.sfer e^/racfrdmarH^y. repare -se^ nfto é^ qIoh 
U^Vp^algunT^/pa^fi^se.não dar íá>.um.a vez.que.o succéssa 
tQflb^ .ft^dam^to,. .em que se opoi> i :-^ Oy^ea^rjaoriiUna^ 
frtp é t^p.pf^jve^n como aquillq.q.ge ó^commum e.ordioa^ 
rÍ99.qiif|q^Q,âe estribai em t^^us que alundá^enMaflSi.viSe 
pQÍ3^ba d9f;umealos ailtfienticosy que atiestam o^extraor-r 
diaajjpid^ Batalha de Ourique; porque oao sê ha /de 
dar credito rá nt^ttíúva extraordinária de utn d^^esses i4o- 
çuodií^^tps.! A glossa açbínoalbadota, com qMe:^>preleii** 
de dimiQuic o seu valor, é iipeiias um eleaitDkt<Dfc.d0.ma-) 
ximo ridículo!... 

(I) No — Ea • o Clero •« pafielp. .: .; //: -, vi 



t^orémoannolador nSosóselorna rísifcíl pelaáchin^ 
Calhaçào íobuÍm, mas aíoda muilo mais por nâo saber 
tradusir a Chronica que deprime. Sim a Chronica diz a 
/Siecti miliUi irrtierunt %n cot ctc. e o no^o memorável 
noio^rapho tradux o — elecli milites —- algumat tropat 
€*eúlhÀda»* Será Isto o que quer dizer a Chronica í Nâo' 
por certo. A Chronica exprimiu-se por uma proposição 
universal^ ou de caracter indefinido, e o traductor trás* 
ladou o seu pensamento por uma proposição particular* 
Ura todo o mundo que tiver alguma lavagem de scien- 
cia, ou arte lógica ha de forçosamente reconhecer quô 
uma proposição universal nunca pôde ser substituída por 
uma proposição particular. £^ bem de vêr pois que tra^ 
du2Ír ^Igwmat trapat escolhidasy nao é o mesmo que dl« 
xer a$ tropfju encolhidas indefinida e universalmente, go« 
mo exprime o latim da Chronica — electi núliUi. Eia 
taes casos soía diater-se ao habilidoso Iradudor nas aoti« 
gas eaii^olas : iuòjice manum ferulas ! Lille porém não tra* 
duziu o qtie era, e só o que a seu geito imaginou deve«> 
fia serl... 

Já antes deveríamos ter aolaJoquc^ se o antagonista 
nSo vertera mal a mesma Chronica quando dera D* Af« 
íonso Henriques acampado em um outeiro com umpunha^ 
do degcnte ; eUe acampamento, ou o quer que é, de que faL» 
la a ChrioiMoa dos Godos, tem transferencia mui própria 
para oexcircitp dos Mouros^ como sim entendera o insigne 
çhfonísta U. Fr. António Brandão^ dizendo: Ocnupovk o 
Jfkfanle Donh AffoaviO hum recosto mais leoantado qu^ a 
outra terra^ c o exercito dos Mouros se alojou nos loga^ 
re$ visif^ios^ enchendo grande espaço daquelleã campos (1)« 

A^s^vera o A anotador oulrosi, como narração da 
Chronica^ que as taes algtmias tropas escolhidas (electi 
I9ili(es). piMsarans os infiéis á espada depois do os repelií- 
cem. Óual é porém a expressão da Chronica que signí* 
fique TrHpasKcir á, espadai Ha deôcar de boca aberta sem 
labe/i aem poder responder !... As palavras da Chroni^ 
ca G oHèiçr um ^ò i Expulsos extra castra ocdderunt ; e 
•ignitVcará o verbo úceidere lilteralmenle passar á espa*^ 
da? Tal ninguém difá! Quem examinar os Dicciona* 

(I) MMMMh. hoAU-Ur. í»f.M, 117, r. 

t 



— i8 — 

rhtds ha de .tAms6ai«nle achaf qiie o 'verbo occído %\gr\U 
fica^.pura e sínip1e6inente«*— matar — sem declarar, o hio* 
do; e nunca passar á espada^ qwe é matar comt traia de* 
tigniidu forma, ou especialidade de instrumento. E«ta 
por certo que se «ao exprime pelo verbo occido, Auso* 
DÍo Pòpma úúr èua primorosa obra De Diffcrentiié verbo* 
rum lamsómentedíz : Ocetdercob ccedcjn diciutn cjil;->— Pa* 
ra a Clironíca compreliender aquelie dizer era precita 
que se exprimiise pola fraze ocoki^tone oecideruní '^ (\^ 
ó.de-Cicero; ou nd inierhecumem ceáJderuni^ queó dd 
Li víor-c-* Quando porém algáem pode«s«e eneonlrar om 
algum cartapQcio queoccuierc%\gm(tcaí inalar com ftrro; 
que cerlesa tem- o iraductor de- que >esse' ferro ba de sef 
9í. espada e. nâo a lançay etc. para thxs dar a referida pre« 
íctrer^cBa? O A nnotador^fior: tanto especificou o que a Chto^ 
wica nâo espécifíca; poroutra, dou como obra daObro^^ 
Bica o qjue nfio era senão da sua fantasia» . - ' 

•! : Contínua eni seguida, asseverando: Que tendo nio 
» Rèi &mnry e ccmfieccndo que os Chrisisâoê estqmm re^ 
solvidos alriumphar e a morrerem antes doqtècfugiraneia 
Que é isioque viu o Rei £smar? Foi fK)r veatura o se» 
reito os; Inh&s, passados ú espada depois de.repehMos f N2a 
pn^r .certo; por quantojaChrooida i|ao refere n^est^logat 
qUè :oa • M ouros, jmscm -passados á ^spada^ /•>•• Que viu 
]sòi«? Viu 'na>mn>rÀbça da Alourisnia (queria Cbromca 
d2q declara filara ^precisamente feHii á-e»pada ! ) o valor 
dos Chriàiâos,- que estavam, dispostos antéí -á vencer hhi 
fHorrer do q ue 'fugi r : Quod cttm viderèl, Rex JEstnar sei- 
heçi virhitts Çhrtsttanoruiirif ei '- qnàd parais eraiit íHaglW 
lÀTicere, aui. mòíi qnàim fugere^ etc..-<- A^orflper|f untarei : 
A: que tatif» da Chronica.corresponde o jyartí^fpio éonhe^ 
ééndo^ Abanbvm^.faa deiwsponder todo oifnalystá^ cen* 
fturiaiido «a p^rissologica. strperflu idade. — -^ Perguntarei oi»* 
trosi ; se é clássico appiarecero verbo ora tK) infinito inde- 
clinável, ora no declinavel d*esla maneira : resolvidos a 
irxumpharj e a /niorret-èm antes do que /ugir^m.^ Todo^í 
os que entenderem, .alguma cousa da lingua materiMiy 
hào de concordar qtte é indispensável que se faça correc- 
ção nos dois infiniioadeclroateis, pinlssando-os para o pa- 
Tac))'gma indeclinável ; dtzendo-se morrer em logar de 
morrerem^ fugir em. logar do/ngircan» Fará ii2o parecer 



;^ 



— lo- 
que a censura é arbitraria^ veja^se o que a este respeito 
ensina a Grammatíca Philosophíca duiiogua Portugue- 
za de JJ Soares Barbosa (1). 

- Ainda outrosim notamos o gallíeismo do pronome 
cUe depois do verbo /ugiu. £m boa aoalyse acliariumos 
a proposição: Vendo isto o Rei E$mar íúglii cllt com 
os seus. ÉVbem de vér que existindo na oração o seu 
verdadeiro suj«ito o Rei Esmar^ o pronome el/e só «erve 
de mero empache ; eempachesd^esles, que a iin^ua fran« 
cexa admitlCi em a nossa merecem ser obliterados !«.é 

ObseriraçSo A«* 

Finalmente ohistoríographo, eauthor da iVo^n apre* 
senta a Cbronica^ contra a qual tSo ineptamente se en- 
furece, narrando que, depois que Esmar fugiu com os 
seus, nio houve mai$ que matar e diêper^ar a multidáoí 
dos tnfiá». -Com tal nem equivalente exaggeraçâo porém 
dIo se exprime a Chrcmica dos Godos. Élla bem peid 
contrario luccínta 6 singelamente refere que depois d*a« 
quella fugida toda a tal multidão de infieitf parte fora 
morta no calor da camagem, parte íòta morta na fugida^ 
e parte dispersa : Ommsqtte tila mullUikdo Paganorunt 
partimi oóútmone parttm fuga oectàa ett et diêpersa* 

• De^is de taes e tão conspicuas estropiaçôes, que a 
famo90 'Notographoj a seu bel-praser, fez na Cbrdtiicar 
dos Godos, vem ironicamente elie próprio depois diiset*^' 
DOS que -^ Tvnha £smar ra%âo de assim o fa%erj e quv 
qualquer por mais etforçado que fone fugiria do meimcf 
modo, A qtie propósito vem aqui este desfeehò, por nfte^ 
dar«]he o nofbe^ que beni nterece, de extravagante ilés*^ 
conchavo f T4d'éa pergutita que todo o critico, |>or mâftf 
mediano de es)>hek'a que seja, hadeespontanea einvòlúrr* 
tariamenie soltar' pela i>âca fora, quando lêr á trânsôri-^ 
pta assergKo ! •— E* porém itma ironia, uma irrisSo cheíti 
da maior audacídadé, e que nunca veiu á cabeça' do mais 
campanudo inimigo, e depressor das façanhas pátria* I 
— Mas que ignorância, que estrabismo sesquipedal não 
pulitíá n^eUa? Pertende elle negar ott untes actunca^ 



(1) P«g« na. (• 6.^ etc. 



t-. 



2m 



— 20 — 

Ihar a verdade da* Batalha. de Ottrfque : Por terem ptm-^ 
cos 09 ehrhtâos e tnnwmeravcn os soldados sarracenos, fi* 
acaso porém motivo de ÍDcredibilidade o ficar a.vicloria 
prio lado do menor numero, quando um documento nu« 
ihenticoy que aempro livera em lodos o$ lem)K>9 oassea* 
8Q de lodos os crilicos, tanto nacionaes como estrangei- 
ros, assim oafíírmaf Nao oé, nem o poderá jamais ser} 
proclamarão todos os priocipios da^ciencia^ Um motivo 
tal de incredibilidade faria riscar das paginas da biato* 
ria iriumpbos assignalados, nos^quaes é forçoso reconhe- 
cer a heroicidade dos combatentes, nttenta a pequenex 
das forças, que os ganhara. G qii em < ignora que nas duas 
grandes historias do antigo mundo, a Grega, e a Roma- 
na, se encontram exemplQS de Batalhas m^nioravets, de 
que aioguem devida,: em que um n^niero de coatemio- 
les ÍAcomparavelmente muito mais diminuiu' dastruii>a e 
pozera emfuga aparte adversia, atodos<rosre8f>eicoft mui- 
K> mais poderosa ? Ninguém ignora hayef iguaet enena"' 
pios nas nações modernas.-— A historia d«L todos ostemt 
pos noB.enMtu, edá documentos de façanhas beilicosua^ 
^1X1 que p grande., numero cedera á estratégia, ou %ialor 
(}ps, poucos, Teqíi me&mp havido oçeasiSes em qu^ um 
c^riQ.lerrot panatco^ i;ujo efTeitQ.«6 se explica pelo» fac- 
etos, tem leviídoQ desalento^. ai, confusão, :(9. a desordem, 
^ por.fi.m a perda .dia .yicioría a gfandes exercil^os, que 
i|. seu, lassar ficaram vpqcidos por unoa foiça comparaii- 
lamenlí^ bem pequena de qombatentel, que 9obre««iUes 
ij(Qnodadiamenie«^arregaram^.TT-No j(»igo da guerra, a for« 
^Ufia,- como, .por.il m díreito< inalienável, ^arro^a a si o 
W^P^.qiUÍnb$^. MaaÁxnam porían qvmi Jure,. 9iuf Fo^iw- 
naj^bi,o^ndicai'i djzia oora49r {loqiano, fallaodo na f>ff^r 
«ença di3 um díos maiores gewrae^ do m^^o (1). Nó« 
i9caQbç<Í®!Ínçi e<B toes .sucçessp» o arbítrio supremo da 
Provideiicia, queassim o di^p3e,.para hiimiihar a^sobi^r.- 
Va dps grandes, |x>dQres armados: E negamos ao. mesnK» 
tempot! o. extravagante principio^- que calcula ar certeza 
da vjiçtoria ^ó .pela superioridade dast forças, 

, uíçommeitem (amplifica elle) o campo } mandam os 
port\igu€Si6s^ .alguns cavaÚeiros a rjM06e/*O9y -«* £^ MsOp -6 

(I) Oratio pro Marcello. 3,. -, -. v; ^^^n 



fillsistimo que aCfaronica dosGodoB refírn que os portu* 
guetet taiaoiiafsem nigunt cQvalk\ro9 a receÍH*l-os : EUcti 
milUe9 imierunt in en$, O electi miãUs porém nunca si-» 
goificou aignff eavaifeirot. A vanguarda do exercito dto 
Dm Aift)DM> HmFÍqiiPs constava, segundo os nossos (^bro* 
oíslas, de tr€s mil infanics^ c treientos gfnefts eteolhidos 
(1). Foram e«tei os que foram receber os iníieís, e não 
aígun^ cavaUeiros. ^^ A conclusão que o annôtador lira 
d^nquella manobra militar é sem duvida pueril e risível: 
Tal era a conla^ diz elle, em gne Unham fique He fetitio^ 
que nem qui%€ram sahir iodos no rebate. Km que princi- 
pio «e foodou o escriplor da Nota para tirar uma làò 
exótica deducçâo? Será acaso no que antes acabara de 
escrever? Se foi em tal, a conclusão é tâo falsa, como 
a premissa. Porém -escreveu járhais algurm, ou preferiu 
que o fazerem os Porlu^uezes avançar contra o inimigo 
at tropas escolhidas {/odias, como Uxio aquelle que sou- 
ber traduzir a Cbronica o deve entender, e nâo sómen* 
ie €i/gtiina#)- era signal de que tinham em menos conta 
aquelle geotio? Nunca» Antes todoe os nossos bistoria^ 
dores fèconhecem ler sido nâo resultado de menos pre* 
ço porlsmario, porém uma estratégia militar tâo apro« 
posito; que a ella todos os intelligentes nâo duvidam 
attribuir de telhai abmoro a grande vicloria de Ourique,; 
9» Al andou el Key D. Aífonso dar sinal de acometer^ 
n quando wio oft .inimígoi> em. distancia acomodada, e 
» invocando o-Apo«to]ò Santiago derâo os nossos comi 
f» tanto Ímpeto oos Mouros, que logo em os primeiros 
^ encootrot se começou a conhecer a superioridade da 
» geote Portugueza* O Alferes ( i areia Mendea por or* 
39 dem d*el:Rey rompeo pella vanguarda dosconlrarios, 
f> e arvorou o estandarte Ueal nomeio delles. Foi o in« 
» ienti> desU Principe,- para ^t«€ seguindo os. de sua al(h 
».'que erâOiforiissímo» soldados^ a bandeira^ desordeinasr 
ff sem . o esquadrio conlrurio^- coausassem no priweipio ter» 
» ror aos tnimigoêl respondeo oeffeitò ao pensamento (€)• 
Kste trecho Uanscripto daMooarchia Lusitana «nás con* 
5iii9a o mrno djiscuriio. . 



(1) lUaarrh. liutif Ijv. IO, enp.fi^ ' 

(2) Hon^rcb. Lmit. Liv. 10, cap. ^.« 



Além d^isto os portugueses eslivemin iSo Iqnge ile 
tf*r em menoscabo as forças dos adversários, que pelo 
contrario as temeram muilo. «Quando os Christãos vi- 
p ram iam immensa muUídam dos Alouros, e a de8« 
» igoaldade que havia de si a ellei) duvidaram de dar 
p batalha, e tiveraõ receyo.de »e perderem, e disseiam 
if ao Princepe, que visse o perigo em que se mettiat 
99 que parecia mais lemeridade, que valentia, pelejarem 
f} tam poucos contra tantos, e arriscatem .aibonra e ««3^ 
p nborio de Portugal ao perigo de huma só liora, para 
7» tentar a Deos^fy (!)• Este dizer (que é de iodos os 
Cbroi^iMas) assas desmente a asserção do origifiiiQlis$tmQ 
historiador !•••• . 

ObseinpaçSa S^^ 



,.« • ••'^ 



Recahe esta observação sobre 'aelausula doparagro* 
)>ho, que é como segue: » A'^ vista de tão- 4naudito é 
99 incrível especlacuk> (termina èZ/s) quem ó que' não 
j» fugiria ? f> £sta interrogação sarcástica eticerra o ata>* 
que mais revoltante contra o sentimento geral de todos 
€)% hi»loriadoreA,' que fundados no testemunho nSo só da 
Chronica dos Godos, mas ainda dè outros Documentos 
de indisputável au.thenticidade, tem reconhecido como 
facto histórico real e verdadeiro a fugida, de Ismarío ou 
«Esmar do Campo de Ourique, para evitar a triste sorte, 
que o. esperava, de vencido, ^^ R com éfíeito quem pódn 
duvidar que, além da Chromca dos Oodo9j testificam o 
auccBsso o Chronicon Latneeensej - quando - dif , faltando 
4e Ismar: n Qui ibidem moriem fugiendo.;.. sítio eva*' 
» sil? » O Chrõnuson Corámbriceniej que á* propósito ro* 
lerec » .Qui víctus /ugam petiílf 9» Ora á vista de um 
acontecimento iSo manifestamente provado, <]uera pode* 
fá jamais tolerar o desasisado entono, de quem quer que 
«rjá, que o' vem metter a bulha?— Fugiu ou não fugiu 
JSssifitxdoGampode Ourique? Que fugi.u é facto indu* 
Ut&vel;- pois o testificam os' mencionados Documentos, 
a que todos (sem exceptuar o próprio Annotador, quan* 

(1) Duarte Nunes de LeSo» Cbronica de D. Affeãse Henriqueté 

foi. 2a, V:, ;. ^ 



— 23 — 

lo àos dois últimos ) dão fé. Se poÍ9 E<«mar fugiu,^ que 
motivo teve elle? Não poderia ser oulco senão UvV(iI<*n« 
lia do bruço portuguez, que o oppríroia* E aonde esiia- 
va e se desenvolvia^ esta valeniia? No maior Bum^^rofl 
Não; pois ainguem ainda chegou ao desvario de fazer 
o exercito portuguez em Campod^Ourique mais nume* 
roao^ oem igual á força mauríiann, sua adversaria. Te<« 
Bios.:por tanio que a força menor destruíra a maior, fa^ 
sendo p6r em: fuga p seu general. — Sendo istonssímt 
como na realidade é, o Author da Historia de Portugal 
carbku aosiolboi.do mundo critico na mais grave censu* 
ra^ .quando pretendeu regatear €obre e^ veracidade da vi* 
etoria de. Ourique^ «occorrendo-se no pequeno numero 
de combatentes da parte dos Portugueses. 

Demos agora G0pia do que a propósito escreveu uvfi 
erudito Author nacional, que o novíssimo bistoriographo 
também, cita, e. que varias vezes sim dá em ieslemunho 
e.apoio. do aeu' pensar : » Mas deixemos este ímpio ( dá 
elleesle nome ao que nega a Apparição de Chrísto a 
D. A floBsa Henriques. Tanto não diremos r^ós !... ) 39 na 
» tua obstinada malícia :, não faltemos ao Cfari^iâo : fui* 
» lemoi «inicamente ao homem. Sim: a multidão dos 
9 Sarracdnoi- era bem capaz de riscar da terra dos vi« 
» venles:cínco ou seis mil homens, a não serem Poriui- 
» gueses. Que? Não diz Vigecio de fícMiliiort, que 
99 a multidão desordenada não caminha para a viclo- 
9> ria, mas sim para a vtciimafSe hoje mesmo, a 
fy depois de tantas reformas da Milícia Turca, e Afil* 
^ cana^ ainda :a Disciplina Militar se acha distante d^a* 
7> qiiellas paites^; que seria n^aquellc tempo de barbar 
». rídade lanta>9;«quando só uma multidão, grf^garia, a 
9 das^op^rtada €busm:a fm^jà toda asuaconífihnçn ? Não 
l>'.sabiam, os Portugueres com quem se haviam f* Não 
í9 pelejavam pelos «eus fogos, e Altares f Se a idéa mes* 
f> mO'^e.uroa Religião fdlsa>iem produzido em díM«*.tso8 
» tem{)08 asaombrobibs prodigiofi de valor:. A Religjão 
» verdadeif 89: que ardia no coração do Príncipe,, e do» 
p Va$$aUat, q^e raios de valenlía.não. faria disparar «o* 
s> bra.>08i9aqua«es de Maloma, e deslruídorei da Heli^ 
s» gito Aa;g«istja de-eeus Paísf... E ainda se impugna- 
^.fá^ll 3r«nda*k.iKdida. dA Batalha deOuriq^a^ com o.ruL-^ 



—24 — 

» nofto fundamento do limitado numero da' fluente Por- 
» tugueza f... ff Aisim argumenta o Author áo Eluetda'^ 
-rio dtn Palavras^ Termos, e Frases, que em Portugal ati^ 
UgamtnU se usaram ele. na palavra LaderOm 

Agora terminarei recommendando ao Historiogra^ 
pho da Notn^ que %i&to. nâo admUiir notória que alcan* 
cada seja por numero inçomparatH»lmervte man peque-* 
nò de combatente», horre ou risque da hÍ8t<>ria da-õre- 
cio a Batalha de Maratlionoi na qual Alcibiadetrom** 
pletamente derrotou o exercito de Darioy nâo obstante- 
ter este onze vezes maior que as forças* dos A theníeiísés. 
£stes eram pois apenas dez mil homens, e os de «Dário 
cento e óez mil. — E ignorará elle ter «ido tfó estante 
o ardil de Tbemistocles para completamente niatograr 
a tentativa das forças collossaes de Xerxes contra à Gré- 
cia?— -Porém que! Deixará elle de encontrar entre os 
seus Mouros, ou, o que é o mesmo, na historia Mou- 
risca (que é um dos matadores com que: o an( i^-nacional 
historiográplio pretende fazer vaza contra os fax; to» mH it 
authenticos dos Annaes do paíz ! ) deirará élle, <digo^ de 
encontrar batalhas, ou cousa que o valha, em qiie o>me«» 
nor numero tenha levado a superioridade ao fiHiíorf Fo* 
}hêe mesma liistorih, ou a rapsódia de Dv JoséCóno 
de, tantas vezes por elle cilada^ e ha de achar indubi« 
Uivelmcnte á affírmativa^ > . . .» . 

ObserTaçSo V#^ ^ 

Afnda porém o Authcf da memorável iVo/a nSo 
ccsfou de pôr pechas á Chtotiiea dos Godos, jqucí ^outros 
com muila razêío chamam lAmtana: Owy3ítn6% tí^ €\\ie se 
^gue : 99 Díz-nos por fim a^^arralíva d^aqvellá^ não jâ 
f» extraordinária, mas sim milagrosa vicloria, què ah4 
» ficou prisioneiro um certo Ornar Atador, sobrinho. do* 
9> rei Esmar, e neto do rei Aly. Vemos, poií, que Es- 
s» mar era fiiho do imperador de Marrocos, e pof con- 
» sequencia irmSo de Tachfin, vindo Ornar Atagor a 
yi ser ou ftH>o ou «obrinho df»ste principe; Similliariles 
f> prrsonagpn* deviam ser conhecidos na historia dos 8a r- 
Sí Tacfnos, e K«m«r um dos msiís ilhistfes enudilhos lam- 
9» tiinitas. Bttsquemvse^ porém, estes nom^r na historia 



— 2S — 

9 dot arabet, que delies não te encontrará o memMr vet» 
9 tígfo. Pelo contrario tabemos, que os chefes principaet 
9 dos almoratides de Hespaaba, dopois da partida de 
» Tachfín para Africa, eram Aly-ben-Abu»Bekr, tio do 
9» príncipe laintuiiense, Abu-Zakaria-lbn-Oanjah e Oi<^ 
y> man-ben-Adbay unicot de que se acha feita meneio 
y> nos historiadores da Hespanha árabe. (Conde, P. 3. 
79 c. 36.) 9— De todo este mal alinhavado aranzel ma^ 
nífettamente se vè que o antbor da Noia intenta menos* 
cabar a ié^ que tem merecido em todos os tempos a 
Chronica dos Godos, argumentando que os nomes de 
Ksmar,^ Ornar At»gor, neto do H<*í Aly, de que elle 
falia, nâo tem o merior v€$iigio na hútoria dos Sarrace* 
nos. Quf*m é porém este proienlo de sciencía na língua^ 
e lítteratura arábica, que tâo ancho e repimpado assim 
falia ?..•» Mas que digo eu? £* apenas algum mediocre 
sabedor de taes estudos, que assim tâo magistral, e ca- 
thegorícamebte se exprime? Nem isso. A sua alta e es« 
palmada ignorância sobre taes matérias assas foi patente 
a todo o mundo, quando pela imprensa qualificou de 
garabulkagj gorgoiin$, engaçoê de paisas (1), e não s(*i 
mais que, os caracteres árabes, em que no Exame Hn» 
iorkca %inham escríplas as passagens oríginaes dos autbo- 
res mauritanos, que opuseram em furor!.*. Ora um es- 
crfptor; ou escrevinhador histórico, que nada pesca da 
lingua árabe, que credito deve merecer quando pronun- 
cia aquella asserção? Nenhum por certo, e só um sor- 
riso o mais significativo de desprezo pela fanfnrronada ! 
«— E na verdade qu)?m poderá sustentar que a asserção^ 
a saber: Que os-nomes de Esmar e Omar Atagor não 
tem o menor vtêligto na historia das Sarracenosj enuncia- 
da por um ignorante de tal polpa da língua aratie, te» 
nha mais vah^ do que aquillo que affirma a Chronica 
dos GodoM^ e depois delia um JReiende^ um y^ntonio 
Jírandâoj e ouifM muitos? Ninguém por certo. •-— D<f* 
moS' todavia que fmse verdadeiro o silencio dos historia- 
dor«>s. árabes. E*por veniura essencial para um fiicto ser 
verdadeiro que os adversários o refiram ? Ninguém tal 
ha de diaer; Se slmiihante doutrina se admiltisse teria- 

(Ij li» J*rMá -^ A SemaMi — m.^ •, etc 



^2«~ 

mo% de ver iiilrodiisi4Q o iranslorno nuiis iibiunia nu 
bistoria dft todos oi povot^ JMultos facto» havido» em to» 
dos ot tempoft por .verdadeiro» padaria m. a 'Ser pontos em 
duvi«iià. Teríamos um scoptíoismo de nova espec^j^,. quet 
»erÍ!a o propfio verdugo do ^u in^oipr! —ri A,omÍMâk> 
da parle dosHUtoriadores da naçSa.YjBnçida^ ainda quan- 
do a menção do iiiccesso^vieiíei* propósito, não ó ar^u* 
me^to» que rigorosamente colèa. Sabe-le quanto' póJe 
influícy «í rjàa realidAde ioflu^ o aiiior> da paifía :iia àcif 
cuU^^iSo de arootecimealoiSy.que desdourftm x) paíi. «a* 
|^l..^-r*< Um documento authentíco em fim nunca }iAd€ 
s^r enfruqueçldo ppr falia da x:oo fissão da.par4e a^dveirsa^ 
%ue.]he oppocm ; antes qfum caia consente^ como dis o 
pipluquío! . 1 . ' 

. Oliftcrvaçao ».* .: 



I 

I j 



*-«■.• 



Conliaúa o tneansavel gemo notographico rom* a.sua 
4iWcaatB<ia »3rlk)gUiica do tirar Ulaçôes potUiv^as de fun- 
damenlps meramente negativos; que é o mesmo «|ue 
querer lírar do que é nada uma cousa que tenha^^aalKi 
dade. — Por outra, nao desiste de arvorar* em argnrneo-r 
to real oque n&o émais que pura phanlasmapforiaf còn-* 
4ra a q.UAl zoínba a aulhenlicidade dm «Documentos. 
Si'jn; refere, como cousa mencionada na> btsloría dos 
Árabes, os nofnes do$ Principies Chefcê do$ aimoravides^ 

?iu ficaram reitiando na JJcspanba depoh-da paritda de 
^achfinpara a jéfnea (ID-f queremto d^ahi òoBcJuír, que 
pão »e acèaodo Csmar^ óu Isipario menclonadci entre 
fBlles, i tal. personagem aSa existira» «^-^ Perg^untaremos 
4H)mQrpireUmnAr«ó^pão dialéctico das omiêsée» : Que kis^ 
iQr%çdor€9í da Hcspemha arabc são esses, com que alar- 
dôa^q^ue ião avaros .«enftosiraram em mcòcionaro no* 
Ave de Ismarip de mistura, ou concpmitancm com o» 
oiUros-cbefes . que relacionam l Todo esse pezo enorme 
i^bàtio^iadiorci da HciponhãÂrabcj com que parecia que* 
rer-nos aUecjiolar^ não é mais, nem meqó» que o só, uni* 
€.0, e lod<^ i II teiro.J9k José Coritb, que Runea foi escriptor 
aral>Q, <&sí6mente uai compilador de J^^inu^crip^òs, e Mo 

(1) N« paitagem trttwcriprà « p«gÍMtt.2íl:e>2^ 4«iia Part«» 



— 27-^ 

moriai árabes^ de que compagioou a Hutoria de la don 
mriacion de I09 Arahes en Espana, Ora. póde>nos o Aur* 
thor da Nota ceriiâi^ar qae a omissão, que allega para 
arguineoio, seja aotes dos Mss., que do seu compilador { 
Não por certo; porquanto onotographo nada entende de 
matérias árabes; antes barbaramente zomba d^ellas !..•• 
Se pois o author da nota não podia faser tal exame poc 
f^lta de. ftcicncia, como quer que o aci editemos em uma 
asserção, em que eljle é inteirameale hospede ?-*QuaQ« 
dQ ^muíto o escriptor da Nota só poderia dar por certo a 
omissão dpcompilador, e nunca a do^Mss., «Memorias^ 
de que D» José Conde se servira. Da omissão do compi* 
]ador porém não se p6de concluir para a omissão dosOrí^ 
ginaes^ A intentada illação portanto do antagonista acer* 
rimo da. grandeza do combate de Ourique, se não é so^ 
fitma, é pelo menos porn/ogiuno / . 

.Forép .concedamos que os Historiadores da Hespa^ 
rJía ora&ê 080 façam menção de taes personagens; que 
se segue d^libif Acaso esses, historiadores eram os únicos 
(Uir^aes, donJe taes noticias se poderiam saber? Ninguém 
tal ha de afârmar. Podiam-no saber os Au-tbores díis 
historias ChrisiSs da boca dos fnesmos Alouros, òu de 
unia : tradição veridica entre os mesmos Chrisiãos. fi 
qiiem.póde duvidar. que o author ou authores da Chro^ 
nica dos (Jiodos estavam n^esse caso? Sabe-se que ella é 
coeva coro a Batalha de Ourique, como admitte oescri* 
pior éfk. Nota ; fajEendo*a, índistínctamente, eoeoa do9 
tçmp09f que. memora (1). E que cousa mais natural do 
que ficar na memoria dos vencedores o nome do Chefi^ 
vencido parap Dsaodar. á historia? Querer portanto que 
o nome de £sna^r, ou Ismario seja tido por entidade ro* 
BOantica, depois de tantos historiadores nacionaes e es* 
U&nbps o lerem reconhecido por uma realidade histórica 
já "vindà . de séculos, é provocar o mais pronunciado, è 
ina}6t;bem merecido ridículo. -^^caso todos os críticos «e 
epgajBaram ^e. af&rmaram uma cousa sem fundamen^t 
Njnguem 'tal ha de dieer; e soque cahíra em manifes^ 
1^ <:ensura ai)iielle^ que por espertalhão viera inícrepar de 
ejpgana. tantas 41 lãò dístincta» inlelligencias. -*^ Ainda é 

(I) ítala XVI, pag. 483. 



— 28 — 

mÁis fdrffcâtò noUr aexhtencia d^ uma omissSò sém Xét 
dfldo«i'p&rH o poder fnzér...*. 

"Porém nt^^mcí n aiiihoridode de D. Jotê Qmde lè- 
You «eu e«lortegâo! -— Condt não aprefsenta aquelles no« 
in<*«9 coi^o •« fos»em dosChefes prÍDcípàed dos Almòra- 
vidés, que eram ou ficaram na Hespanha depois da par- 
tiila deTncUfin para Africa. -^ Cofieí« menciòiia es^eà no* 
mes como dos firincipaet caudilhos àiiYiorávIdes de Hèi* 
f>aniia, « quem TaçJifrn e^fevêra por occasiâo da tua 
exalinçôo ao throno: ostmifiTiiõ és^H6f<5 á los prthetpaki 
çaudilloÈ jélmoravtdes de EtpoUa yíbu Zacúria Yákyt 
j4ben Ganw^ á Oíman hen Aéha^y á sú ixo jílyhe^ Ab% 
SelAr^ quehirgfí ie enviaron viís cartns de pàralúèn He; 
(1). — U^aqiii i6 te pôde e de^e tnfenV qhe os Cbefei 
principaesdosalmÒMi^ldeB, que ]5[OYernavam tia Hespanha 
quando Tachfin subiu ao throno eríiin òs que se acabam 
de indicar; e hao que eram estes os chefes' prlnèi pães 
dos ai mor ivv ides de H<ispanha .depois da p>arlida âeTach* 
íin> para a. Africa. Para se^|x>der tirar indeclína^èlnlen* 
te e^ta Mláçâo era necessário que ãkundc constate; <}iie 
esle<: caudilhos «rnm os mesmo^qiie ficaram governando 
em Hespanha, quando Tachfín d^ella seausenl&ra) equu 
ifem mudiitnfa aiguma individual, causada pela morte 
ou por qualquer outro motivo^ coutinoaram' a goVek^nar 
má á eMahaçâo de Tachíín .,ao (hronò por faUecimento 
de seu Pai. 

' Não se podendo por lanto' tirar u-ma' tal coodusSo ; 
nâo sepóde sust«entar quelsmario nílo íígurassii em tem« 
po jà]gum no numero'dos chefes prineipaes dosalmoravi* 
dcs depois da partida de TacHÀn- para á Africa, s6 por* 
que nâo. ^em i^indicadoí entre .aqúellesy a quem* Tachfín 
eicrevéra quando nisumiu o podicir real' segundo a ordem 
da isueces^fto. Tinha já decorrido sete anuos depois' qué 
:Tacbfin tivera deixado He»panha partindo pára a Afri<< 
ca; eidurante -este espaço de lempo muito bem podia 
Icmario já ler germinado seus dias, nâo frgurando já ea« 
Ue.òs-pciricipaje» 'Chefes dos Almorovides^ èm Hespanha^ 
qkiando Tathfm :iheá escrevera. E»ta conjesclura' pâde e 
áeAe inebino «onciltár/-^e com a omissão de D^José 6on- 

(1) Parle 3.« pag. ZSfí. . ^ 



— 29 — 

de ; nem esta pôde servir de obstáculo posittiro á exkleAciâ 
de ismario) que um doeu meo lo de reconhecida auiheoií* 
cidade (qualé aChronícadosC^odoâ) claramente ie:»iifica« 
TacbfiQ etcreteu em 1144; o Feito d^Ourique foi em llâ9« 
Ma§ para que é andarmos divagando no mundo da$ 
conjecturas? Porventura nâo declarou ao historíogTapho 
o erudito arabista (que lhe deu a devida tosa por asse- 
verar que oi historiadores árabes nada disseram da Ba- 
talha de Ourique) oâo declarou a cUe, digo, que se nâo 
fosse alheio do seu propoàito, ou intento provaria eotre 
outras cousas, que osgeneraes mauritanos, que concofre- 
ram áquella batalha, foram os cinco seguintes : Taxefia^ 
£cn-jí4lty filho do imperador; Ornar ^ primo do impera- 
dor; /tmae/^ Ismar ^ e Ibralúm? (1). Ninguém que sou* 
ber lér português o poderá duvidar. Paliaram pois, ou 
riSo fallaram os escriptores árabes e da Hespanha arab^ 
de Omar^ e Ismar^ ou hmarlo? Huja vista ao Exanu 
fíuior%co^ cujoauthor éjuíz competente na matéria con- 
tra a ignorância atrevida !••.. 



ObsePTaçSo O 



a 



• 1 ■ • 

Â.Vvista do que temos expendido, e discutido,, quem 

(e isto sem perder a tramontana analytica da Observa- 
ção) poderá tolerar que de um modo, e tom increpnatç 
te escreva : n Que firmeza, poÍ9, se póJe fazer n*uma nar* 
» ragáo, que nos conta successos humanamente íoipossi- 
f> veÍ9, e quen^elJes faz figurar indivíduos, cuja exiilen* 
9 cia ó. desconhecida dosescrlptores, que tinham obrigar 
9» çâo de conservar a memoria d^elies^ se realmente honi- 
» vestem, existido? ^(8). Não será facjl apresentar um 
elemento mais azadoy qem mais bem adjectivado par/i 
upa iQlhnÈcàachinum!... £ por certo em que paiz» aour 
de se saiba o que é dialéctica e.bom senso critico, se din 
rá que dío merece firm£%a. uma narmivoa^ em que se 
coniao^,. ou que nos conla sitccetios humanamcrUc impoã^ 
#iv^«/. RVacaso a qualidade de serem os tuccaiOMhumar 
nomcnU }impomvci$ motivo algum para te não acreditar 
■ . .-i \ . • •■ • • •. • • I 

(1) > BxMie HUtorico e««« pag. S6 § SOt 

(2) Kgu XVI p«í, 4fiâ, 



— 3<X— ' 

a ena narrativa, ou nella se nio fazer firmnaf Quem 
pronunciar a affirmatíva profere um rematado absurdo ; 
enuncia um attcmiado contra a crença universal de to- 
das as nações. £m' todas ellas se acha sim admittida' à 
crença de $tíccesso8 humanamente imposúveiê. Em toilas 
éUas ise acha reconhecido o principio da sobrènaturalidá« 
de em suas historias. —^ K quem pôde duvidar que o Ar* 
biiro Supremo dos Impcyriós -ostenta i^ugésioso o seu po« 
der manifestando á face das geotes de iodas às regiões, 
quando lhe apraí, êuccessos humanamente imposúveifif 
Esta persuasão é de todo o homem, que não éj nem in- 
culca ser atheo ! 

Sendo isto assim \ quem pôde de sangue frio buvir d 
horrenda interrogação que diz : Que firmexa te pódcfà"^^ 
%er n^uma narração^ que no» eOnta $ucce9$(y$ hnmanamen" 
te iniposiiveisf Eu protesto aqui ^ em nome da sã phílo- 
sophia universal, que respeita um Deos, admirável eni' 
todo o universo pela nvamfestnçâo de {Abtos prodígios, 
de tantos successos ím possíveis,' humanamente faltan- 
do!... Protesto, digo, contra símilhante illusão, por não 
lhe chamar impiedade !..••. Nâlo Sr pi5de fazer ^rmes&a em 
timn narração f que conta successos humanamente impôs* 
nveu!^,. Quer isto dizer: Que tudo quanto íòrnarração 
de successo» humanamente Í7iipomc«ts, que venha nas his- 
tórias não merece credito, ou o que é o mesmo, não de» 
Temos em tal ter ,/£rm<;%a / Quer isto dizer^ repitt»: Que 
tudo indistincta«i4^nte quanto ha de -prodigioso tifas his- 
torias, deve d^ellas ser banido, como patranha t caram- 
bola para em bahir papalvos!.... Temos por tafcilo iqfue 
segiindo a theòlógia do Authòr, exarada em a' sua me- 
MJõramda Nota, nãò se deve fazer fírme^à efn esèripturã 
lilgUma que comporte successos hitmanathente impossi^ 
veli;^isto porém é proclamar o erro dos incrédulos coú- 
ti^ a existência do qiie é miraculoso ! .. 

Quer o Annotador sim que os feitos, as héróicída- 
des acima da possibilidade das forças humanas, qu<è 
mencionam as historias, fi//o, e malOy ( pois que não dts^ 
ttngue) sejam hav^idais por falsas echímericasl Ene firta^ 
ciplo é porém além de irreligioso, destituído de toda a« 
quelia sã e ajustada dialéctica ;.que deve dirigir apefina 
úo historiador. -—Na verdade; podemi ou não podem 



— 31 — 

exiiitir pit^ígios acima das forças hutnaaasf Qdem da* 
\i(lar íiVsttf" possibilidade comtnette o mais atidas e hor* 
rendo attentado contra a Divindade. Quereria qtte Deos^ 
Arbitro Omni|>otente do mundo, não podesse fazer nada 
mais do quer podem as forças humanas. Riegularía pot 
conseguinte a omnipotência divina pelo limitado, e met« 
quinho podet* dos homens. Que tremenda blasphemia! 
— KxtMem na realidade no Uni verso factos que excedem 
a< forças humamts; nngaKos seria arrostar contra os mais 
poderosos fundamenLiQs que podem comprovar a authen- 
ticídade de um acontecimento sobre acommum esphera* 
«—Como poderá subsistir com' aquella absurda, e ímpia 
doutrina a verdade incontestável das narrações dos pro- 
dígios acima das forças haimanas^ que nos attesiam òs li* 
vro^ divinos? Como subsistir a fé constante que oCiírís^ 
liaui>mo.eom tanla segurança, e Armeza presta aos tiMS 
ccssoê hnmauamenlc impossíveis (quaes sSo os milagres)^ 
que, dos seus berocs de santidade, a Santa Igreja pelo seu 
<'hefe tâo escrupulosamente authorizaf — Os factos eo;* 
iraordinarioB (diga-se aííoiiamente) merecem tanto credí«- 
lo, como ds úrdinariosj uma ves que tenham fundamcn* 
tos, em que radical, e solidamente se estribem* Esta re- 
gra de ctiiíca não é tergi versa vel, e da arbitraria estima 
du bi<«toriador« E^ de uma essência inalterável. 

Ha mesmo «uccessos nos Annaes da» gentes, que 
não e»tâo em proporçSo com as circumstancias, que te 
apontara como motivos efíícienief d^eiles. Apparece um 
eíTet to, um resultado em disproporção edesbarmonfa com 
a pequenex da causa instrumental. NÍo obstante o adonfe» 
cimento, que não estava na alçada da espectação, aem do 
calculo, foi umaitèalidade. Chame^se^lhe embora «â^/raor* 
e^sisririo. Acaso o ler esta qualidade lorna-o menos acro^ 
ditavcl; quando ilocumentos de grande valia o afíitfit* 
ça^À) 7 Porque t> successo é ctiraordinaríOf'êegait'9e logb 
que ó inairreditavel? Ninguém tal poderá dleer.^-Que 
paçftoiha que de mistura com os acontecimentos ordina» 
rios, não mencione e autheotiquo em suas Hiitoriaf os 
successos extraofdíoarfos^ de que «Ha fora espectadora^ 
e osteaha como seus BrastWsf Uma Historia, qoa coo* 
tra o commum e bem fundado con«enso os repellisse, a 
ainda mais ot acbíocalbaMe; «dmilUttdo ademiM» p«- 



-^82 — 

{^OAi ^aqflillo que unicamente coubesse na esfera corfi' 
míim e ordinaTÍa dos acoolecimenlos ; uma Historia^ ài* 
go, (lesta teinpera^ que apresentasse o monstruoso pheno* 
meno de insensatamente excluir o seu paix do circulo da 
protecção especial da Providencia, as^ás manifestada pelo 
extraordinário» e maravilhoso dos Feitos, cuja realidade 
a critica e a sciencia histórica de todos os tempos tivera 
Teconbecido; seria o mais tremendo, e gigantesco akíjftol 



a 



ObserlraçSo tO# 

Vamos agora a assestar o óculo da annlyse sobre 
outfos pontoi»^ que não devem ficar sem particular pesqur- 
za. E^. objecto d^ella o tbema que passiimos verbal men« 
te a copiar : » llestam-no», \ioUf di% clk^ os ctnco oia* 
» numeqtos que acima tranicrevcmos, conro unícai prcr* 
n vas do facto. O Chronicon Lamecense e a Inquiri- 
I» çâo de Braga apenas nos asseguram, que elle não é 
» uma ficção (l). Continua o escriptor Aíí memoranda 
Nota na tacanha empresa de incutir discrcdito a todos 
os Documentos, que afíiançam a grandeza da batalha de 
Ourique. E com que puerilidade, e insubsistência?.,.^. 
]Naoi será difficultoso fazcl*o conhecer. — E^ acaso ver- 
dade que o Qiromcon Lamecense e a Inquirição de Bra* 
ga %6 oisegiuram que a Batalha de Ourique vioa é uma 
ficção^ £^ falso. Í3asta lôr as palavras. do CAronicon La^' 
%ncccn%t para logo desmentir o escriptor, que tão bojudo 
disparate proferiu ! Sim as palavras do texto do C/ironi- 
con Lamectmc não %& asseguram qnt o facto de Ourique 
nâo á. uma ficção; porém manifestamente teslíiicam a 
sua grandeaa.- Affírma pois o referido Chronicon nâo s6 
qjue em p logar chamado Ourique houvera um combate entre 
Movaros e Christâot^ êcndo commandante de uma parte 
JElRá J}. jéffomo de Portugal, e da outra lamar jBei 
dos MuBubnanoi i porém que este para eseapar á morte 
se vira obrigado a pôr-se em fugida: 99 In loco qui dici*. 
9> tur Oric fuít prs&lium inter Paganos et Cbrístiaiiosy 
p preside Rege Ildefonso Portugalense ex una parte, et 
p Reffè Paganorum Examare ex alteraj qui ibidem oaor- 

(1) Wtla X.VI, pag. 406, . 



— 33 — 

99 tem fugieDiIo..,. evasitir (1). Ora poderá jãm«iii al« 
guem, que leoha algum ra«quiciode racional instincto, 
cunsciencíofa mente pronunciar que uma lenda ou narra« 
ti«u, quea^sim lâo positivamente se exprime, apenat at^ 
gcgure que o facto não foi uma ficgâo f Nãopor certo.^-^R 
quem jámaià duvidou que um combale, em que ijm dos 
Chefes^ para evitar a morte, se vale, como de único re« 
curso, do meio deses|Yerado da fugida, tenha o caracter 
de um combale grande e decisivo? Todo o mundo ha 
de responder por uma âó boca : Que ninguém o póJe, 
nem deve duvidar. — E asseverara em tempo algum pes- 
soa alguma que o Chroràcon^ que refere tal circumsian- 
cía apenas, assegura que o facto não ê uma ficção f K^ta 
asseveração tão falsa, como opposta fi todos os principio» 
da mais trivial e corriqueira dialéctica, da mai^ accessi- 
\el hermenêutica^ só poderia ser apanágio de um cere* 
bro entulhado ou atulhado de concepções ou aberrações 
romanescas ! -*- Por tanto o Chronicon Lamtcense apon* 
tando aquella lâo transcendente circumstancia nâo^ s6 
testificou a existência da Batalha de Ourique, mas até 
a sua positiva grandeza. — O próprio dizer terminante 
do CAronióm, olhado mesmo no seu lodo, está desmentin- 
do, com irresistivel valentia, a falsidade, 4]ue avançara o 
inflovador histórico ; quando escrevera que o Chronicon 
apenas nos assegurara que o Facto de Ourique não era 
uma ficção. •— Bm que termo, em que phrase resumbra 
sequer o Chromcon Lameceme algum vestígio da indica- 
da a^segurarifa f A ponteio o progenitor de tão insoliísi 
lembrança!.... Ha de ficar immerso nas ondas de iam 
mortal silencio! 

ObservaçSo 11«* 

Que diremos da Inquirição de Braga? --^ Acaso crf- 
$€gura*nos ella apenas que n Batalha de Ourique não é 
wna ficção? Não;, sem duvida. Âssegura-nos mais al- 
guma cousa. Assegura-nos positivamente a existência da 
Batalha de Ourique, e não apenas que não era umaftà" 
gâo. Assegura-nos intergiversavelmente uma reoltdade^ 

(1) ã, P. R. Diiiert. Chronol. Tom. 4.o paf . 174, 

3 



— 3» — 

e de tal ordem e calhegòría, que a Teslemunha, que oa 
Inquirição regulava por aquella. Batalha a^ua idade, se- 
gura devia estar que pela sua importância ninguém ha* 
veria que ignorasse o Feito, li na verdade, argumentan» 
do por parallelo) se alguém di«ser que tinha SO annos 
no tempo da Batalha de j4ustcrlii%^ MarengOj ou ff^O' 
ierho^ etc, entenderá por ventura qualquer que estiver 
em aeu normal juizo, que o individuo, que assim se ex* 
prime^ quisera apenas assegurar que laes batalhas nâo 
foram um^^i^ao. ^ Ninguém, por certo, similhante des* 
tempero ba de pronunciar. Antes todo o mundo ficará 
convencido de que o indivíduo se referira a taes Feitos, 
por serem sobremodo dignos, pelo que foram de gran- 
des em si mesmos, da memoria de todos aquelle^ com 
quem se falia ou em cuja presença se contesta. — E por 
que se hadeaffirmar o contrario, quando seafionta como 
épocba de referencia a Batalha de Uurique? E* bem de 
vêr que nenhum fundamento se pôde allegar que justifi- 
que tão avesso procedimento* 

Agora passaremos a copiar o Icig-ar do Elucidário 
de Viterbo, apontado pelo Notographo^ que vem a pro- 
pósito: » Em oArchivo da Mitra Brachar. Gav. da Pri- 
99 matia. Ma%«. 1. N.^8. se conserva uma dilatadíssima 
n e Original Inquirição de Testemunhas, judicialmente 
n inquiridas sobre vários artigos, que provavam termi* 
9} nantemente a Primazia de Braga contra as tentativas 
y) de Toledo. Muitas doestas testemunhas passavam de 
9) 100 annos, outras tinham pouco menos, equasi todas 
» condecoradas : depozeram todas a favor da Igreja de 
f> Braga. Entre estas é notável Garcia Liufreiz de Ja- 
19 raz, que disse se lembrava ser de SO annos, Tcmporc 
99 Bclh de Atirich. Era então Arcebispo D. Estevão, que 
9) poucos mezes havia tomara posse d^aquella Mitra, por 
99 morte de D. Pedro, seu antecessor, que morreu no ca* 
99 minbo de Roma, indo buscar o Palio. Tinha então 
99 Garcia Liufreiz largos 100 annos, segundo o Depoi* 
99 mento de D.Godinho, Deão de Braga, que foi o 1.^ 
99 que alli depôz com juramento: E seria crivei que um 
99 sojeito doestes annos, e perante uma Assembléa tão 
99 venerável, e conspicua, tomasse por Epocha dos seus 
» annos a Batalha de Uurique, como cousa publica e 



— 35 — 

9> sabida de todos, e não fosse impugoado de algum, 
y> se todos não etiiivessein persuadidon, e certos d^aquel* 
» la verdade?.. £ quantos Documentos doestes se perde- 
f9 riam pelo decurso do tempo roaz, e gastador ?•• £ 
99 quantos iriam para a Torre de Símancas em Castella 
X» DO tempo dos Filíppes; constando por uma Certidão 
99 da Torre do Tombo, que então se levaram d^aquelle 
99 Keai Archivo nove cofres ou caixões de Livros e Pa- 
99 peís da maior estimação por antigos, raros e precio» 
99 SOS?.. 19 (1). Da passagem transcripta assas se infere 
que Viterbo estava bem longe de entender que o depoi- 
mento d^aquella Inquirição apenas asnegurassc que a Ba* 
talha de Ourique não era uma ficção /.... 

Agora notaremos que a expressão a Inquirição de 
Braga é inteiramente vaga, e como tal exposta aadmit* 
tir diversos sentidos. O annotador pois para evitar equí- 
vocos devia reslringil-a escrevendo: A Inquirição relaii' 
va áprima%ia do ^arcebispado de Braga (S)*-*" Ainda aqui 
não é tudo. Desejamos saber qual o motivo porque ten- 
do o Historiographo primeiro escripto e estatalado em a 
Nota que : 99 A inquirição citada por Viterbo serve ape- 
99 nas para corroborar o facto {'ò) 99 depois proferira que: 
99 A inquirição de Braga apenas nos asseguro, que elie 
79 (o facto de Ourique) não e wna ficção í 99 (4). Indicará 
acaso esta phraseologia uma só e a mesma cousa? Quero 
dizer : Será o mesmo sermr apenas para corroborar o fa^ 
ctOj que apenas assegurar que elle não é uma ficção ? Se- 
rá isto synonimia, ou involverá antilogia? Êntretenha- 
se o Annotador, ou quem quizer por elle, comeste quod» 
líbeio^ que nós passamos já a outro ponto de observação. 

Olifi^riraçao 19** 

• - 

Escrevinha ainda mais o annotador : 99 O Chronicon 
99 Conimbricense chama á batalha de Ourique lis magna 
99 e ã Chronica dos Godos, nos exemplares de Alcobaça 



(1) Blodd. Tom. 2.^ pãg, 80. 

(2) Vej. ViteriM, tom. 2.0 jp«g. (M). 

(3) N« pag. 483. 

(4) JNapag. 406. 

s « 



— 36 — 

7> e Santa Cruz diz que o exercito Sarraceno era prope 
f) innumerabiU. Esta gradação parece-nos indicar u or- 
79 dem em que as três memorias foram escriptas : 1.^ a 
99 Lamecense : S.^ a Conimbricense: 3.^ a dos Godos 
n (1). y> Vejamos agora as coarctadas com que o anno- 
tador pretende aviltar a valentia, com que os dois iran- 
scriptos logares ou expressões dos dois referidos Chroni- 
côas lestifjcam a grandeza da Batalha de Ourique. P0>* 
de jamais haver cousa mais inconcludente e inepta? Nâo 
por certo. » As palavras {glossa ellé) Ih magrui do livro 
99 da Noa terão tanto valor n^este caso, como applicadas 
n a não sabemos que recontro obscuro de Ckrúgio^ meneio- 
n nado também n^este livro (Chronicon III ad aer. 1163) 
» com a qualificação de lis magna (^). » Porque razão, per- 
guntaremos nós, e perguntará todo o mundo, que tiver 
meia dedada de critica, as palavras lu magna do livro 
de Nôa, referidas á Batalha de Ourique hào de ter (se- 
gundo a sua estimativa!) tanto valor, como as mesmas 
palavras, usadas pela mencionada Chroníca, quando faK 
la da batalha de Cerúgio? Que fundamentos teve o cíe- 
nodado historiador para, lá a seu bol-p^azer, lhes dar 
igual valor? Aponte-os, mencione-os, indique-os um a 
um, se é capaz.... Qual capaz nem meio capaz !... Ha 
de ficar qual outro volatim que no melhor das volteadti- 
ras perdeu a maromba !.... E na verdade pôde haver nos 
âmbitos da extravagância do pensar humano^ uma arle- 
quinada, um salto mortal mais fora da commum bító* 
la, como é o pertender, por meio de uma fórmula con* 
jectural, que toma por idéa media um facto, aprf»sen- 
tadp em scena no caracter áe recontro obscuro^ que o pro* 
prío conjector ou conjecturador confessa, que não ^abc 
ou ignora o que seja ; o pretender, digo, por uma tal 
e tão incógnita fórmula destruir uma verdade historieta 
tão positivamente constituída e sustentada em todos os 
séculos, sem alguma diminuição na cathegoria, em que 
obvia elitterahnente é tida no mencionado Documento? 
Aonde é que se encuntrou jamais o admittir-se por idéa 
media um principio desconhecido, parad^aht se tirar uma 

(1) Not. XVI, pafi. 48/5. 

(2) Nota XVI, piig. 405 e 486. 



• 



— 37 — 

cohclusSo contra uma verdade tSo manifestamente co- 
nhecida! Uma similhante argumentação é o $npra sum» 
mum doe>carneo contra uma das primarias e mais vene- 
randas leis da Arle SylIop:isiica : é uma ignorância a 
mais lan2uda !.. Nao se pode argumentar com o que é 
desconhecido contra aquillo que é conhecido; gritará em 
todos os tempos todo aquelle que detestar similhantci 
abonos intellecluaes ! 

Concedamos porém a extravagância de comparar a 
Batalha de Ourique com a Batalha de Cereigto. Quo 
fundamento teve o nnnotatior para dar á acçSo de 6e« 
leigio, que oChronicon Conimbricense noticia por estaf 
palavras -^99 Hra MCLiXIIf facta fuit lis magna inter 
T) Christianos et Sarracenos in loco qui dicitur Cercígio» 
para a dar, sim, por um reamlro obscvrOy enão por uma 
Jide, ou combale, qne merecesse o nome degrandCj con- 
forme o qualificou o Chronicon ? Ha de ficar outra ver 
n nadar sem vêr terra, aonde possa aportar. O CVtrontcon 
Conimbricense chama grande á Batalha deCereigio — li» 
magna, — E que provas allegn o annotador para dei* 
mentir o Chronicon ? Nenhumas, nem é possivel dal-ai !.. 
Como se atreve pois o annotador a estortegar tSo aeren^ 
e despoticamente uma lenda, que ninguém ainda contes- 
tou; a interpretal-a de um modo que ninguém aindii 
interpretou? Nao é isto representar no theatro da litte* 
ratura, da critica e da historia o papel mais huilesco e 
caricato, que se p6de imaginar? i^. quem nSo ha de rir, 
e aié profiindamrnle escarnecer, quando ler e bem ad- 
"^eriir : Que o annotador de motu próprio e poder abso- 
luto traduzira as expressões — In magna ^^Ao Chronicon 
Conimbricense — p^laphrase rcrrmiro obicnro^ pnrnd^nhl 
igualmente de molu próprio e poder absoluto tirar a in- 
audita e inc«)n$»equentiftsima conclusão: Que as expres- 
sões lis magna^ de que se serve o mesmo Chronicon em 
outro logar para indicar a grandeza da Bntalh» de Ou- 
rique, estavam no mesmo caso? A traducçfto de-«-/i« 
magna — tf recontro ot>fcuro n 6 d^aquellai necedadef| 
d^aquellas extravagâncias, que levadas ao tribunal do 
grammatical Tyròcínio, mal poderiam escapar da ma(« 
ríspida e severa animadversSo censória ! 

Continuemos porém aouvil-o: ^Quanto ái 6xpr«s- 



— 38 — 

99 %^e% tnnumerabtU propè exarctiu da Chroníca dos Gó* 
n dos ainda a« achamos pouco exaggeradas á vista dos 
99 encarf?címento8 que, por via de regra, se lêem nas 
99 chroDfcas d^aquelle lempo, (nnio ai^abes como chris- 
99 tàe, ••m que os inimigos «empre sao em numero inR- 
99 niio ou innumeraveis, phrases de que esla mesma nos 
99 dá um exemplo dizendo, que as iropas com que Aly 
99 ci»rrou Coimbra em 1117 eram innumeraveis como as 
99 nrêas do mar, e que 8Ó Deus podia saber o numero 
99 dVllas (1). 99 Que «aisada de galhardos é esta! Que 
irracional e«trambotíce! Acaso foi jamais principio ou 
fundamento critico para affrontar a existência d*um fei- 
to biFflIico, o affirmar-se que o exercito da parte adversa 
era innumeravel ? Aonde é que encontrou o annotador 
uma similhante re^raf Porventura estará qualquer his- 
toriador inhibido de indicar a grandeza de um exercito, 
cujo numero por excessivo, não era fácil ser contado por 
aquelles que lhe faziam frente; estará inhibido, repito, 
de em casos taes servir-se da expressão quaú infíumera' 
tíelf ou simplesmente innumeravel^ Quem tal paradoxo, 
abf^urdo tal, pronunciar, assas tem caracterísado a sua 
axaroada lítteratura !•.«. Se pois nao ha motivo algum 
para que o historiador deixe de usar em taes casos d^a- 
quella expressão; nem critico algum ainda a julgou 
por característica de falsidade; porque razão se ha de 
dar por falso o objecto a que ella se refere, e dirige? 
fi^ expressão cxaggerada, diz-se. Aonde é que está a 
exaggeraçao? A palavra innumeravel^ como todos sabem, 
pôde ber tomada em dois sentidos; no sentido absoluto, 
ou metaphysico, e no sentido moral, ou relativo. No 
sentido absoluto ou metaphysico nao admiite termo ou 
limite algum nem real nem ideal; no sentido relativo 
ou moral tem indubitavelmente um termo ou limite; 
e$te porém impraticável ou mui diffícultoso de se inves- 
tigar. K! neste ultimo sentido que faliam os historiado- 
res; e quem jamais ousou aceusal-os por esse motivo de 
exaggerados? Ninguém ignora que é neste único senti** 
do, que se deve tomar a tal expressão; ecom ella exprw 
mem elles uma justa relaçSo. Quem pois exprime uma 

(1) Nota XVI, p«s. 486. 



~39~ 

ju9ta relaqioy e que todos reconhecem, nSo pôde ser ac- 
cu^ado de exn^gerador» — E quem jamais deu este no- 
me aos hísioriadores por assim se exprimirem ? Ninguém. 
K o annolador que seguiu rumo contrario, é que é um 
bem descascado exa^gerador !.... £ quantas vezes não 
terá o escripior da Nota usado na sua romaneica Histo* 
ria de Portugal dolermo — innumeravel ^-^E ha deque* 
rer que então acreditemos que nâo ha exaggeraçSo?.,.* 
Pelos seus contraproducentes priucipíos oAnnotador for- 
çosamente deve ser tido por um mui chapado paralogis* 
ta!.... 

Porém que dizemos?.... Havemos de mostrar pai* 
paveis exemplos, em que ucxoggetaçâo se desculpou até 
a favor dos escriptores aiabes. (B quem deixará de reco- 
nhecer iqueo Author na sua lao inculcada imparcial ^tt- 
toria de Porivgal faz mais as partes dos Árabes, que dos 
Portugueses, cujos feitos 'escreve !....) Não só se descul* 
pou a exaggcraçâoj mas até se serviu d^ella, como dè 
fundamento, para sustentar a grandeza do successo ! — - 
Faltando pois da batalha di* Zalaka, discorre a propósi- 
to elle : p Ainda dando algum dff^con lo á exaggeraçSo 
7> ordinária dos antigos historiadores árabes e christâosy 
99 o6 quaes unanimes affirmam que só Deus poderia coo« 
99 tar o numero dos musulmanos, e que ns tropas do rei 
99 de I^eâo e Cnstella subiam a oitenta mil cavalleirot e 
99 duzentos mil peões, é todavia certo que alli se encon- 
99 travam todas as forças das duas raças que disputavam 
99 o solo da Hespanha, ajudados uma pelos guerreiros 
99 frankos, e a outra pelos ai mora vides conquistadores 
99 da Mauritânia (1). 99 — Qual sciá a razflo porque a 



(1) Hiitor. de Portugal, na Introdoc^, pa/ç, 180. — K/ b«m da 
notar que em uma dai ra^ai, qne, no referido trecho, »« dl»» dlipiH 
tarem o tolo da Hetpaoha, liicain com prebend Idos vlilvefmeote os 
Chri»tao«. -h- E' porém próprio, e de canho claftiro o qo«Hflcaf os 
Cbriítiof com o nome de raçat Nio fe ha de poder aponlff um só 
exemplo, que tal authoriíe. — E' até InJurioilMima •imltbf nto spt» 
plfcaçSo ! « R«^ii, faltando em i^eraçSei, le toma lempro em mé pff 
n te. ler raça ( lem mais nada) vale o mesmo, que Ur raça 4e 
n Mouro, ou Judeo. n Assim so «ipliçi Bíuttau no mcncloasde 
termo, n Ce root (raça) , en parlant dei bommet, ne •• prend Kaéro 
99 qu'eo mauvaiie pari. w ( Nouveau MHetionnalre Poriugaii'Fran^ 
çait ttc. par J. Jt Roquett). 



— 38 — 

99 %^e% innumerabtle propè exerctiu da Chronica dos Go* 
ff dos ainda a« achamos pouco exaggeradas á vista dõs 
79 encarf?oímento« que, por via de regra, se lêem nas 
ff chroDÍcas d^aquelle lempo, tnnio ai^abes como chris*- 
ff tàe, f*m que os inimigos «empre sao em numero ínR- 
y nito ou innumeraveis, pbrases de que esla mesma nos 
ff dá um exemplo dizendo, que as tropas com que Aly 
f9 coram Coimbra em 1117 eram innumeraveis como as 
9» nrêas do mar, e que 8Ó Deus podia saber o numero 
9» dVllas (1). n Que «alsada de galhardos é esla f Que 
irracional estrambotíce? Acaso foi jamais principio ou 
fundamento critico para affrontar a existência d*um fei- 
to bellico, o affirmar-se que o exercito da parte adversa 
era innumeraveis Aonde é que encontrou o annotador 
uma similhante re^ra? Porventura estará qualquer his- 
toriador inhibído de indicar a grandeza de um exercito, 
cujo numero por excessivo, não era fácil ser contado por 
aquelles que lhe faziam frente; estará inhibido, repilo, 
de em casos taes servir-se da expresi^âo qua/t innumero' 
re/, ou simplesmente innumeravel? Quem tal paradoxo, 
ab^^urdo tal, pronunciar, assas tem caraclerísado a sua 
axaroada litteratura !•... Se pois nao ha motivo algum 
para que o historiador deixe de usar em taes casos d^a- 
quella expressão^ nem critico algum ainda a julgou 
por característica de falsidade; porque razão se ha de 
dar por falso o objecto a que ella se refere, e dirige? 
£^ expressão cxaggerada, diz-se. Aonde á que está a 
exaggeraçao? A palavra innumeravel^ como todos sal>em, 
pôde ser tomada em dois sentidos; no sentido absoluto, 
ou meiaphysico, e no sentido moral, ou relativo. No 
sentido absoluto ou metaphysico nao admiite termo ou 
limite algum nem real nem ideal; no sentido relativo 
ou moral tem indubitavelmente um termo ou limite; 
e$te porém impraticável ou mui diffícultoso de se inves- 
tigar. K! neste ultimo sentido que faliam os historiado- 
res; e quem jamais ousou aceusal-os por esse motivo de 
exaggerados? Ninguém ignora que é neste único senti- 
do, que se deve tomar a tal expressão; ecom ella exprn 
mem elles uma justa relaç3o« Quem pois exprime uma 

(1) Nota XVI, p«s, 486. 



~39~ 

ju9ta reloçSo^ e que todog reconhecem, nSo pôde ser ac- 
cu^ado de exnjifgerador» — E quem jamais deu este no« 
me aof historiadores por assim se exprimirem ? Ninguém. 
B o annotador que seguiu rumo contrario, é que é um 
bem descascado exa^a;erador !.... £ quantas vezes não 
terá o escripior da Nola usado na sua romanaca Histo- 
ria de Portugal dolermo — innumeravel f-^E ha deque« 
rer que então acreditemos que nâo ha exaggeraçSo?..., 
Pelos seus contraproducentes principios o Annotador for- 
çosamente deve ser tido por um mui chapado paralogis* 
ta!,... 

Porém ^que dizemos?.... IJavemos de mostrar pai* 
paveis exemplos, em que uexaggeraçSo se desculpou até 
a favor dos escriptores aiabes. (B quem deixará de reco« 
nbecer t|ueo Author na sua lao inculcada imparcial ^i- 
toria de Portugal faz mais as partes dos Arai>es, que dos 
Portuguezes, cujos feitos 'escreve !....) Não só se descul- 
pou a cxaggcraçâoj mas até se serviu d^ella, como dè 
fundamento, para sustentar a grandeza do successo ! — • 
Fallando pois da batalha dc> Zalaka, discorre a proposi* 
to eWe: n Ainda dando algum dfsconto á exaggeraçSo 
» ordinária dos antigos historiadores árabes e christaos, 
99 06 quaes unanimes affirmam que só Deus poderia con«' 
99 tar o numero dos musulmanos, e que as tropas do rei 
99 de Leão e Cnstella subiam a oitenta mil cavalleíros e' 
99 duzentos mil peões, é todavia certo que alli se encon- 
99 travam todas as forças das duas raças que disputavam 
99 o solo da Hespanha, ajudados uma pelos guerreiros 
99 frankos, e a outra pelos ai mora vides conquistadores 
99 da Mauritânia (1). 99 — Qual seiá a razão porque a 



(1) Hiitor. de Portugal, na IntrodocçSo, pa|;« 180. — K' bem de 
notar que em uma dai rà^as, qne, no referiao trecho, se díi, diipn« 
tarem o tolo da Hevpaoha, fitam -cempreheiídidos visivelmente ot 
ChrUtaos. .v> K* porém próprio, e de cnnbo clatsiro o qualificar oa 
Cbristaof com o nome de raçat Nio se ba de poder apontar um ló 
exemplo, que tal autboriíe. — E^ até injuriotitsima similbante ap- 
plica^So ! n Ra^a, fallando em j^eraçdes, se toma sempre em mà par- 
99 te. Ter raça ( sem mais nada) vale o mesmo, que ter ra^a d« 
99 Mouro, ou Judeo. n Assim se eipliçi Wuttau no mencionado 
termo, n Ce mot (raça) , en parinnt des bommcs, ne se prend jsoére 
99 qu^eo mauvaise part. 99 ( ífouveau Dieiionnawe PortugaifFranF- 
çait €tc, par J. J* Roquete)» 



— 40 — 

cxaggeraçâo dos antigos hislortadores árabes cchrislâos ba 
de tiqui merecer afgutn desconto^ e nâo Im de merecer 
depoU a mesma graça, quando se trata da Batalha de 
Ourique? A 4:onlrudirçào ou antes a parcialidade é a 
mate sensível e palpável! — - Mais adiante escreve elle 
tobre o mesmo objecto : n Se acreditassemo«i os escriplo* 
99 res árabes, a perda dos cbrisiãos teria sido ímmensa. 
ff Segundo um d\'l]c*s, Jussuf fazendo decepar a cabeça 
99 dos mortos (costume trivialissimo enlre os árabes) ea* 
99 viou ciocoeota mil ásdifTerentes capitães dos emirados 
99 de Andaluz, e quarenta mil para serem distribuídas 
99 pelas cidades marítimas de Barberia, como documen** 
99 to da víctoria. De todo o exercito dos nazarenos, di- 
99 zem elles^ apenas escapou AfTonso com cem homens» 
99 Símilhantes encarecimentos, juntos á confissão dos an- 
99 tigos Chronícons sobre o grande estrago ôos christSos^ 
99 provam que esta foi uma das mais terríveis batalhas, 
99 que se peleijaram em Hespanha (1). » Quem nào vô 
que os taes encarecimentos são aqui apontados, como ra^ 
2âo concomitante^ para provar que a haiallia de Zatoka 
foi uma das mais ierrwús que sepeleyaram, na Htspanha T 
K por<)ue motivo simklkanUs encareeimenlos {%e nâo me- 
nores) nao hao de ter igual valor, quando se trata da 
Batalha de Ourique? A contradicção ó a todas as luzes 
manifestai 

Falia de encarecimentos! E que outra cousa é, se^ 
não encarecimento, o qualificar de immensa a supposta 
perda que.iíeriâfTS osChrWâos? — Taopoiico uma talqua* 
lifiraçaor— immensa — quadra com aquillo que determi<9 
nadamente referem os historiadores; se vale o numero 
indicado nas duas transcriptas passagens!... 

Na pog. 155 da Introducçâo da Historia de Porhir- 
gal lé-se : » A nova dos i^fnmros aprestos dos sarrace* 
99 nos derramou o susto entre os chrislãos. » Immensoz 
aprestos!.,^ Será ou nSo será expressão exaggeradaf.....^ 
Todos á uma o hão de affírmar ! -— £ quantas doestas 

exaggeraçôes se nao poderiam ainda registrar? Ecoai 

tudo isto quer o nosso proiotypo historiador que acreditemos 
em staa Obra, como em voz de índefectirel Oráculo ! 

(1) Hiit. de Portug. na IntrodacçSo, p«{. 192. 



— 41 — 

Agoraadverlíremòt que o qualificativo immenio pro* 
priamente se diz da cousa que não tem medida, ou tem 
vastíssima exteosão. Só por figura é que se applica a 
cousa excessiva. Assim dizemos immentos bens^ immcMat 
rtque%a9f ele. Em linguagem própria parece se deve di- 
zer innwneravtis bens, tnnumeraveis riquezas etc. (!)• 

Ouirosim observaremos que o facto do cerco deCoim- 
bra, de que falia a Chronica dos Godos nao fora noan- 
DO de 1117 (embora seja esta a era de Christo que lhe 
corresponde) conforme traz a Noia ; porém no anno de 
1155 (era de César) segundo a mesma Chronica. ^ra 
1155. Jtex Sarracenontm Hal% Ibcnjuceph venicnt de w/- 
ira more cum multo cxercitu (Asec^t Co/im6nam, adjun^ 
cto úmul et omnt exerctiu, qui erat circa mare^ qvorum^ 
numerus erat innumeraòi/ts sicut arena martiy lo/i Deo 
ianium ec^nUus erat» 

Em fim era para desejar que o Annotador nosindi- 
casse, uma por uma, quaes as Chronicas dos Árabes, 
que por via deregra fazem sempre infinita ou tnnumeravet 
a multidão dos inimigos ; copiando*nos textualmente os 
taes togares ! — Quanto ás Chronicas Christâs poderia* 
mos apontar exemplos, em que (desmentindo o tal por 
via de regra) nao se diz que o numero dos inimigos era 
infinito. 

» Isto que dizemos, conclua o annotador^ da phrase 
99 da Chronica dos Godos é applicavel inteiramente á 
Tf vidadeS. Theolonio(3). »r — Tudo, redarguiremos nós, 
o que deixámos expendido contra o annotador a favor da 
logar da Chronica dos Godos, é o mesmo, sem tirar, 
nem pòr, que, se fora necessário, reproduziríamos emde« 
íeza da passagem da vida de S. Theotonio; quanto ao 
ella designar a grandeza do exercito dos cinco ReisMou^ 
TOS, que batalharam em Cumpo de Uurique, e n^ella 
ficaram vencidos, pela expressão— multidão innumera- 
\el — (cum innumera multitudine) (3). — Vamos agora 
á outra observação. ,'i 



(1) Vej. Beflexlíes tofire p LÍD{;iia Porluf oesa, escriptu porFraa^ 
citco José Fr«ire etc. Parte Primeira, pag. 126. 

(2) Nota XVI, pajr. 4A6. 

p) Vej. Nota XVJ, pag. 402. 



— 42 — 
Obseriraçfio 18** 

Ouçamos ngora oAnnotndor sim em outro parrafo. 
yy Advirla-se, dí% ellc^ em uliimo logar, q,ue em nenhum 
» historiador portó» conhecido, querarabe, quer Chris- 
» tao, dVquelle trmpo, ou dos immcdiatamenté proxi- 
n mos, se acha mencionado o successo de Ourique, sem 
» exceptuar o próprio Rodrigo de Toledo, que na sua 
n historia das cousas de Hespanha, dedicou um rnpitu* 
* lo especial (L. 7 c. 6) ái batalhas insignes do jRei de 
» Portugal^ jíffonso (1)» — Continua a mcsron lacU^a 
de argumentar sedíça e revoltante. Quem nSo pode, diz 
o ditado, trapaceai... E na verdade toda a bagagem, ou 
farragem pseudo-argumentativa, que o Annotador acar- 
retou para o campo da polemica contra a façanha de 
Ourique, nâo é mais que uma desenxabida e mal ali- 
nhavada trapaça. No decurso do seu lao extravagante, 
como infundado sceplicismo contra um fac40, cuja exis- 
tência egrande^sa ninguém ainda combateu; nâo encon- 
trando argumento positivo, a que se atenha; vai acastel- 
lar-se na sophistira e phosphorica guarida dos argumén^ 
tos negativos. Hste sulterfugio porém denota a mais in^ 
qualificável ignorância dialéctica!.... Qu«m nao sabe 
sim que um argumento negativo nada é ao pé de unk 
argumento positivo?.... Que imporia pois que nenhum 
historiador quer arabc quer christao d'aquelle tempo, ou 
dos immedíatamento próximos ao grandioso successo de 
Ourique, dos conhecidos pelo annotador, nao faça men- 
ção dVlle? E* acaso condição essencial, para que o fa- 
cto de Ourique seja verdadeiro, o dever ser contado por 
todos o» historiadores Árabes e Christâos, que o Ai>nota« 
dor conhecesse? Nâo; sem du%ída. Do silencio dos his- 
toriadores árabes, que o annotador conhece, nao se pode 
inferir que os outros, que elle nao conhece nao falias* 
sem do memorável successo. Ena verdade não faliam po- 
sitivamente da Batalha de Ourique o» historiadores ára- 
bes, de que faz menção o Aurhor do Exame HksioncoT 
E conhecia-os por ventura o annotador? Mas que ad- 
mira ; se o annotador é perfeitamente hospede, superla- 

(2) Nota XVI, pag. 486. 



— 43 — 

tivam^nte iJiota na lingua árabe !••«« Como nssim?.... 
x>Iâo falia ^lle u cada pa<(so em historiadores árabes^ co- 
mo se f5ra algum Golio^ Herbelotyou Saa/, algum Sou^ 
Mú^ Moura^ 041 Rcbtllof Assim é; porém todo este es» 
palhafato nao passa de um ostentoso charlatanismo! £* 
bem de vér por tanto o credito que merece um tal escri* 
ptor, quando á bocca cheia nos vem sophismar com o 
filencio dos historiadores árabes j9or tllt conhecidos L,., 

Quanto ao silencio dos historiadores ChristSos do9 tem^ 
pos da Batalha de (hirique, ou tmmtdiaiamenie próximos ; 
quem nâo vê que o annotador é desmentido pelos próprios 
testemunhos, que elle refere em a Nota, a saber : pelo ChrO" 
ntcon LamecennCj Conimbricense, Chronica dos Godos, P^ida 
de S. Theotonio, e Inquirição sobre a questão da prima- 
zia enire Braga e Toledo? £ quererá elle que estes cin* 
CO testemunhos positivos percam a sua força só pelo seu 
imaginado argumento negativo? Debalde se afadigará 
o Dovador ! Useu e«forço s6 lhe ha de produzir Irrisão!... 

Quanto ao silencio que guardou Rodrigo de Tole- 
do na sua Obra — De rebus Hispanue; — quem jamais 
se lembrou de similhante argumento negativo para pôr 
em duvida a existência, e grandeza da Batalha de Ou- 
rique? Ninguém. Nem era possível caber em cabeça de 
homem de critica um tão excêntrico desencaixe. £* ver» 
dade que o mencionado escriptor dedicou, como diz a 
annotador, um capitulo âs batalhas insignes do Rei de 
Portngal, Affonso. Que se segue d^ahí? Que devia fazer 
menção no tal capitulo da Batalha de Ourique. Não fez 
menção de tal. Que se infere do seu silencio? Que o 
historiador faltou ás leis da historia; e nunca que o fa- 
cto nâo fosse verdadeiro; pois que assas o testificam mo^ 
numentos de cunho positivo, eauthentico. £ que admi- 
ra que um £scriptor Hespanhol omittísse de propósito 
um facto, que trouxe comsigo a emancipação de Portu- 
gal do domínio da Hespanba? Um facto, que (se bem 
nenhum escriptor hespanhol ainda desmentiu) não era 
d^aquelles que os £scriptores da Nação visinha com mais 
gosto mencionariam em suas Obras. 

Porém que ? Não é o próprio annotador que confes- 
sa que um argumento negativo nada prova? Sem duvi- 
da. £is-aqui as suas palavras: n E* um argumento ne« 



— 44 — 

» gattvOj que nada prova contra a realidade do acontecia 
» menlo atteslado por escriptores nactortacs e coevos (l). 99 
Isto segue*8e ao que miiis aríma so tianscreveu. Que é 
iftlo? Nao é o próprio annoindor, que a si mesmo 9e re- 
dargue! Porceilo queé. Sim ; ronf^wa que oargumen» 
to neíran>o nada prova contra a realidade do úcontciAmen* 
io attestado por csrriptoret nacionac» e coevos, — Ma» co- 
mo é que em nenhum huioriador porelle conhecido, «juer 
arabe^ quer chrifitâoj d'*aqurMe tempo oit rfot immcdiata'' 
mente próximos, se acha mencionado osuccesso de Ofiriqne ^ 
segundo o Notojrrapho escrevera no principio do paragra- 
fo que analisamos ; e a»ora *e assevera n reaíidade do 
aconicjctmcnto attestado por escriptores nacionaes e coevos T 
Vê-se pelo menos que no secundo trecho reconhece a al- 
testaçâo da realidade úoacont€crme7i.lo de Ourique pores^ 
criptores nacionaes e coevos, quenepaem o primeiro! Fstá 
por conseguinte oAulhor dn Noia em manifesta contra- 
dicçao com os seus princípios, com o« seus argumentos h.. 
Porém elle nâo fica aqui. Dá uma coarctada. E 
qual é ella? Fstá nestas 'palavras, que immcdiatamente 
se seguem ao logar que acabámos de copiar zi mas que 
nos parece mostrar quanto ainda na primeira metade do 
século XIII elk estava longe de fater o ruido e ter q iwi- 
portancia, que «wi eras posteriores se lhe attribuiu {V). rr 
Parece-lhe que se o argumento negativo nada prova con- 
tra a realidade do acontecimento, comtudo mostra quan- 
to ainda na primeira metade do século XI II elle esla- 
va longe de fazer onádo, e ter n importância que depois 
tivera.— OAulhor da fnsulsa e fnconsequentissima No* 
ta nada aproveita, nem consegue com a coarctada, an- 
tes visivelmente mostra que esfá fora da questão. Que 
vem sim para o caso que o succefso de Ourique na pri- 
meira metade do século XIII estivesse longe de fazer o 
ruido, e ter a importância que d f pois tivera, ou se lhe 
attrihuíraf Que tem a veracidade do successo, c d^ sua 
grandeza com o rwirfo, c importância, que em eras poste-- 
riores depois tivera f Acaso o valor e apre^jo do successo, 
considerado em si mesmo, nao é cousa muito diversa do 

(t) Noin XVI, pafr. 48(5. 
(i) Nota XVI, pn^. 486. 



— *5 — 

ruidoy e imporlanciay que peIo4 Icmpos adiante pôde o 
mesmo successo adquirir? K^ sem questão. O que é da 
<>â»encia nada tem com os modos accídentaes. (I). — A- 
]ém d^isto o Annolador pela fiua maneira d« fa|iar dá 
margem a colligir, que nâo olntante eile affírmar que 
na primeira metade do século 13.^ o successo de Ouri* 
que estivera mui longe de fazer o ruído c ler a impor" 
iancui^ que nas cran posteriores se IheatiribuiUj nem por 
isso nega que otul successo antes doesse tempo fizesse já 
algum ruklo e tivesse alguma impor/rmda: lUaçâo, que, 
mui podendo deixar de ser admissível, é manifestamen* 
le opposta á thesf*, que elle tem sustentado contra o va» 
lor e subida estima, que todos tem dado áquelle grande 
feito bellico: aesse monumento de gloria, ao qual o seu 
iintagonista nâo se pejara de aviltar, dando*lhe até por 
desprezo e chacota o nome de — òu/Zm/ {^)» 

Dêmos porém que o successo de Ourique ainda na 
primeira metade do século XIII nâo fizesse aquelle rui* 
do^ nem tivesse aquella imporiancia que nas eras poúc* 
riores se lhe atlribxúu. Acaso é condição essencial, para 
um successo ser grande, oaliribmr^se-lhe logo no seu nas* 
cimento toda a importância que possa ter; ou o fazer um 
ruidK) igual ao das eras posteriores? Se esta condição fos- 
se essencial para qualquer successo ser grande e impor- 
lanle; então não haveria successo algum, ou pelo me- 
nos seria mui raro aquelle successo, que como tal podes* 
se ser qualificado. Qual é o successo, que apenas nado 
ou existido faz logo todo o ruido possivel, e chega de 
salto ao auge d ^aquella importância que sus eras posterio' 
res lhe soem attribuir? Falíamos do ruido^ e importan» 
cia extrinseca, que é aquella d^ que manifestamente íaU 
la o annotador. Este rutdo o\i arruido e importância ex- 
terna ou de caracter puramente accidentaí, procede só 
da grandeza da fama, que o acontecimento, de século pa* 
ra século vai ganhando; e mais ainda da penna dos his- 
toriadores, que nem sempre os tem havido no tempo, em 
que tiveram logar muitos dos grandes successos. Como 
queria pois o annolador que o successo de Ourique, acon- 

(I) Vrja-ie a Quarta Parte ilcsta Obro, p«g. 41, 42 c 47, 
{2} ISo Jornal — A Semana, N.« 10. 



— 46 — 

tecido em um século de barbaridade e ignorância, em 
que a historia a|)enas le esboçava em singelos e rtsumi* 
dos ChroniconSy fizesse o mesmo ruido e tivesse a me«»ma 
importandaj que depois nas eras poslaiores lhe deram 
os historiadores clássicos da nação? Não era pos^ive). To- 
davia é uma prova incontestável da grandeza da tiata- 
Iha de Ourique o vêr que todos osescríptores, que d VI* 
la em todos os séculos tem fallado, em nada tem detra- 
hido o mérito, e aexcellcncia intrínseca do famoso feito. 
Não é uma ficção, que o andar dos tempos destruísse. 
Commenta çlekt cUei. £^ axioma do Orador Romano (l). 

Fez porém a Façanha de Ourique todo aquelie rui^ 
dOj e teve toda aquella imporlancta^ que p«)dería ter lo* 
go no seu século^ conforme se achava eniâo o estado da 
litteratura histórica. D'ella pois failou, caracterizando u 
sua grandeza a Chronica dos Godos (iíxemplar de An« 
dré de Uezende), que segundo o illustre Orutoriano Pe- 
reira de Figueiredo, traz evidentes signaes de que foi 
escripta no mesmo século XI 1 em que floreceu BI Uei 
D* ÂfToDso Henriques (^) ; t>em como depois o Summa* 
rio, ou Compendio da mesma Chronica, que é escripto 
já DO XIII secuk); segundo a mesmo Pereira de Figuei* 
redo, depois do anno de 1<^(2 (^). Já acima adveitimos 
que o escríptor da Nota fizera este Summario (que é o 
Exemplar d^Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra) aprvo 
dot tempos que memora (4)« Indo com este erro, que se 
iticulca como verdade, temos n^aquelle Summario um 
Testemunho contemporâneo da Batalha de Ourique, que 
até pela simples forma como está concebido «ssás denota 
a grande importância de um tal feito. — - H* um argu* 
mento ad hominem^ que tem aqui todo o logar, embora 
não seja necessário ! 

£^ também do século l^r^ o Chronieon Lameccme^ 
o Chronieon ConimbricenH^ e a P^ida de S, Theotonio^ 
todos Documentos que cada um por sua maneira tef^tifw 
cam a grandeza do successo. — E^ coeva com a Batalha 
de Ourique a testemunha do depoimento, que figura oa 

(1) De TiãU Deor. 1. 2. cap. 2» 

Í2) Elog. dot Reii de Portug. Nota Z.« 

(3) Klog. dm Reis etc. Nota 12.« 

(4) JVota XVI, pag. 483. 



— 47 — 

Jnqninçâo sobre a questão de primazia entre Braga e 
Toledo. — Quem não vô oulrosi ou não sabe, que os ci« 
tados documenlos do século J$.^ serviram de base solida 
e fuadamentai ac> ruidOf e importância^ que depois lí ve- 
ra nas €ras postcrioreit o acontecimenlo de Ourique ? 

Observação 14.* 

Vamos ao ultimo objecto de obi^ervaçao. Cís-aqui o 
seu ihema : '? Diiculír todas a^ fabulas, que so prendem 
99 á jornada de Ourique fora processo infinito. A da ap-' 
9f pariç^âo de Cbristo ao princlpe antes da batalha estri* 
9> ba^se em um documento tâo mal forjado, que o me- 
» nos inslruido alumno de DipJomaticu o rejeitará como 
r falso ao primeiro aspecto (o que facilmente poderá 
í9 qualquer verificar no Archivo Nacional, onde hoje se 
97 acha)." (1) Perguntaremos que numero de fabulas é esse 
tão estupendo, e tremendo, que se prendera á jornada 
de Ourique, a discussão de todas as quaes seria um pro^ 
cesso infinito t Acaso poderá sustentar-se um tâo exagge- 
r^do, e aéreo enunciado, sem se fazer vôr que o numero 
d'aquellas fabulas é tão grande e variado, que, para cha- 
mal-as todas á discussão, seria preciso encher algum vo- 
lumoso elaiifolio livro ou pelo menos uníi bem pançudo 
cartapacio? Quem disser o contrario desconhece perfeita* 
mente o que quer significar a expressão — processo infi* 
nito, E poderá fazer vêr o annotador a tal inaugurada 
infinidadet Nunca; por mais que romantize! — Para 
que ha de pois o historiador e Author da Nota, que aspi- 
ra ás honras de prototypo, avançar exaggerações, que 
não pôde demonstrar ? E^ esta a circumspecçãp com que 
deve escrever qualquer historiador ou Annotador, ainda 
o mais reles ; quanto mais aqueile que se tem em tão 
guindada polpa/ Quem. assim historia e aonotiza dá 
mais um adeos ao credito, que os intellígentes, alheios 
a parcialidades, n^elle deviam ter ou lhe deviam pres- 
tar!*... Vamos porém á especialidade. 

Afíirma o Annotador que a fabula da Appartçao de 
Chruto a D. Affomo Henriques funda-se ena um doeu- 

(1) Nota XVI, p«g. 486. 



— 46 — 

tecido em um século de barbaridade e ignorância, em 
que a historia a|)ena8 se esboçava em singelos e rcsintii* 
dos Chronicansy fizesse o mesmo ruído elivesse a me«»ma 
Importancta^ que depois nas eras posla'%ore8 lhe deram 
os hisloríadores clássicos da nação? Não era possivi*). To« 
davia é uma prova inconiesiavel da grandeza da tiata- 
Iha de Ourique o vêr que todos osescríptores, que d Vi- 
la em todos os séculos tem fallado, em nada tem detra- 
hido o merítOy e aexcellcncia intrínseca do famoso feito. 
Não é uma ficção, que o andar dos tempos destruísse. 
Commenia (ji^kt d^. £^ axioma do Orador Romano (l). 

Fez porém a Façanha de Ourique todo aquelle rui* 
dOj e teve toda aquella imporlancta^ que pi)deria ter lo* 
go no seu século, conforme se achava eniâo o estado da 
lilteratura histórica. D'ella pois fallou, caracterizando u 
sua grandeza a Chronica dos Godos (lixem piar de An« 
dré de Uezende), que segundo o illustre Oruloriano Pe- 
reira de Figueiredo, traz evidentes signaes de que foi 
escrípta no mesmo século Xil em que floreceu El Uei 
D. ÂfToDso Henriques (^) ; bem como depois o Summa* 
rio, ou Qympendío da mesma Chronica, que é escripto 
já DoXlII secuk»; segundo omesmo Pereira de Figuei* 
redo, depois do anno de 1^(2 (^). Já acima adveitimos 
que o escríptor da Nota fizera este Summario (que é o 
Exemplar d^Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra) ciptoo 
dot tempos que memora {4)^ Indo com este erro, que se 
iuculca como verdade, temos n^aquelle Summario um 
Testemunho contemporâneo da Batalha de Ourique, que 
até pela simples forma como está concebido «ssás denota 
a grande importância de um tal feito. — - H* um argu* 
mento ad hcmúnem,^ que tem aqui todo o logar, embora 
não seja necessário 1 

£^ também do século l^r^ o Chronicon Lameceme^ 
o Chronicon Conimbricemey e a f^ida de S. Theotonio^ 
todos Documentos que cada um por sua maneira te^tífi*. 
cam a grandeza do successo. — E^ coeva com a Batalha 
de Ourique a testemunha dodepoimento^ que figura oa 



(1) De Nat* Deor. í, 2. cap. 2* 

2) Elog. dos Reíi de Portug. Nota 2.* 

3) Klog. dm Reis etc. KqU 12.« 
(4) JVota XVI, paf. 483. 



! 



— 47 — 

Jnquinçâo sobre a questão de primazia entre Braga e 
Toledo. — Quem não vô oulrosí ou não sabe, que os ci« 
lados documentos do século J$.^ serviram de base solida 
e fundamental ao ruidOf eimportancia^ que depois tive- 
ra nas trai posUriora o acontecimento de Ourique ? 

Observação 14.* 

Vamos ao ultimo objecto de observação. Eis-aquio 
seu thema : '? Di^culir todas a« fabulas, que se prendem 
» á jornada de Ourique fora processo infinito. A da ap-' 
fi pariç^âo de Chrísto ao príncipe antes da batalha esiri* 
9> ba-se em um documento tâo mal forjado, que o me- 
9> nos instruído alumno de Diplomática o rejeitará como 
r falso ao primeiro aspecto (o que facilmente poderá 
39 qualquer verificar no Archivo Nacional, onde hoje se 
n acha)." (1) Perguntaremos que numero de fabulas é esse 
tâo estupendo, e tremendo, que se prendera á jornada 
de Ourique^ a ducu$$âo de toda% as quaes %eria um pra^ 
cesso infinito f Acaso poderá sustentar-se um tâo exagge* 
r^do, e aéreo enunciado, sem se fazer vôr que o numero 
d'aquellas fabulas é tâo grande e variado, que, para cha- 
mal-as todas á discussão, seria preciso encher algum vo- 
lumoso elatifolio livro ou pelo menos uníi bem pançudo 
cartapacio? Quem disser o contrario desconhece perfeita* 
mente o que quer significar a expressão — processo infi* 
nito. E poderá fazer vêr o annotador a tal inaugurada 
infinidadet Nunca; por mais que romantize! — Para 
que ha de pois o historiador e Author daNola, que aspi- 
ra ás honras de prototypo, avançar exaggeraçoes, que 
não pôde demonstrar? E^ esta a circumspecçãp com que 
deve escrever qualquer historiador ou Annotador, ainda 
o mais reles ; quanto mais aqueile que se tem em tão 
guindada polpa.^ Quem. assim historia e annotiza dá 
mais um adeos ao credito, que os intelligentes, alheias 
a parcialidades, n^elle deviam ter ou lhe deviam pres- 
tar !•••• Vamos porém á especialidade. 

Afíirma o Annotador que a fabula da Appar\ç3o de 
Chruto a D* Jffon^ Bcnriques funda-se em um doeu- 

(1) Nota XVI, ^g. 486. 



— 46 — 

tecido em um teculo de barbaridade e ignorância, em 
que a historia afienat te esboçsiva em singelos e rcNinni* 
dot Chronicom^ fizesse o roesoM) nado e tivesse a me^ma 
imporlanàaj que depois nas era» potleriores lhe deram 
Of historiadores clássicos danaçào? Não era possível. To* 
davia é uma prova incontesiavei da grandeza da Bata- 
lha de Ourique o vér que todos os escri piores, que d VI* 
la em todos os séculos lem faltado, em nad.i lem detra- 
hido o mérito, e aexcellcncia intrínseca do famoso ffiio. 
INão é uma ficção, que o andar dos tempos deãtruíase. 
Comvncrúa dckt dici» E* axioma do Orador Romano (l). 

Fez porém a Façanha de Ourique todo aquelle rui-" 
dOf e teve toda nqueíla imporlanciay que pi)deria ter l<». 
go no seu século, conforme se achava eniâo o estado da 
lítteratura hísioríea. UVlia pois fnilou, earneterizando a 
sua grandeza a Chronica dos Godos ( (exemplar de An* 
dré de Uezende), que segundo o illuslre Orutoriano Pe- 
reira de Figueiredo, traz evidenlei signaes de que foi 
escripta no mesmo século XI 1 em que floreceu El Uei 
D* ÂtToQSO Henriques {í) ; bem como depois o Summa* 
rio, ou Compendio da mesma Chronica, que é escripto 
já noXlII século; segundo omesmo Pereira de Figuei* 
redo, depois do anno de 1^12 (^)« Já acima advettimos 
que o escríptor da Nota fizera este Summnrio (que é o 
Exemplar d^Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra) apevo 
dot tempo» çue memora (4)^ indo com este erro, que se 
inculca como verdade, temos n^aquelle Summario um 
Testemunho contemporâneo da Batalha deOuriquo, que 
ató pela simples forma como está concebido «ssáâ dt*nota 
a grande importância de um tal feito. — H* um argu* 
mento ad hominem^ que tem aqui todo o logar, embora 
não teja necessário 1 

£^ lambem do século If r^ o Ckronieon Lameccnie^ 
o Chronicon Contmòrtcense, e a Plda de S. Tkeotonio^ 
todos Documentos que cada um por sua maneira testitU 
cam a grandeza do successo. — E^ coeva com a Batalha 
de Ourique a testemunha dodepoimentO| que figura oa 



(1) De Nat* Deor. I. 2. ciip. 2» 

2) RIog. dofl Reis de Portag. Nota 2.* 

3) Klo|(. dot Reifl etc. Nota 12.* 
(4) Nota XVI, |ia(. 485. 



t 



— 47 — 

Jnqniriçâo sobre a questão de primazia entre Braga e 
Toledo. — Quem não vé oulrosi ou não sabe, que os ci- 
tados documentos do século ,1$.^ serviram de base solida 
c fundamentai ao ruidOf e importância^ que depois tive* 
ra nas trás postcrioreit o acontecimento de Ourique f 

ObserTaçao 14.* 

Vamos ao ultimo objecto de observação. Eís-aquio 
seu Ihema : » Discutir todas a«i fabulas, que se prendem 
99 á jofnada de Ourique fora processo infuiilo. Ã da ap-^ 
99 pariç^âo de Cbrísio ao princLpe antes da batalha estrt* 
9> ba-se em um documento tão mal forjado, que o me^ 
99 nos instruído alumno de Diplomática o rejeitará como 
99 falso ao primeiro aspecto (o que facilmente poderá 
99 qualquer verificar no Archivo Nacional, onde hoje se 
99 acha). 99(1) Perguntaremos que numero de fabulas é esse 
tão estupendo, e tremendo, que se prendera á jornada 
de Ourique, a discussão de todas as quaes seria um pro^ 
cesso infinito f Acaso poderá sustentar-se um tão exagge- 
rado, e aéreo enunciado, sem se fazer vêr que o numero 
d^aquellas fabulas é tão grande e variado, que, para cha- 
mal-as todas á discussão, seria preciso encher algum to* 
lumoso elatifolio livro ou pelo menos \xm l>em pangudo 
cartapacio? Quem disser o contrario desconhece perfeita* 
mente o que quer significar a expressão — processo tra/í- 
nito. £ poderá fazer vèr o annotador a Lai inaugurada 
infinidadet Nunca; por mais que romantize ! — Para 
que ha de pois ohistoriador e Author daNoia, que aspi- 
ra ás honras de prototypo, avançar exaggerações, que 
não pôde demonstrar ? E^ esta a circumspecçãp com que 
deve escrever qualquer historiador ou Annotador, ainda 
o mais reles ; quanto mais aquelle que se tem em tão 
guindada polpa .^ Quem assim historia e annotiza dá 
mais um adeos ao credito, que os intellígentes, alheios 
a parcialidades, n^elle deviam ter ou lhe deviam pres- 
tar !.... Vamos porém á especialidade. 

Affirma o Annotador que a fabula da Appar\çâo de 
Chruto a D. Affonu} Henriques funda-se em um docU" 

(1) Nota XVI, pag. 486. 



— 48 — 

mento ião mal forjado^ que o menot tnstnitdo alumno de 
Diplomática o regulará como falia* Como é isto? Pois 
nào conheceram essa falsidade tantos homens de primei- 
ra ordem em erudiçSo e critica, nos séculos precedentes, 
e agora qualquer alumno Tnenos inslruido de Diplomaiu 
ca é bastante para a conhecer? Porque ha de ter agora 
essa habilidade o alumno menos instruído em Diplomati- 
coj que não tiveram então homens tao instruídos n^ella? 
Acaso o alumno menos instruído em Diplomática terá ho- 
je mais recursos para conhecer a falsidade do Juramento 
de D. AíTonso Henriques, do que tiveram outr^ota tan- 
tos homens sábios e eruditos para reconhecer a sua 
ouibenticídade ? D m alumno de Diplomática o menos ins- 
iruido ao pé de um Brito, um Brandão, um Pereira, 
um Cenáculo e outros muitos, é uma burla, uma conf»- 
pleta irrisão!.... Um Cenacuto sim... £ quem ignora 
que foi o grande Bif^po de Beja, D. Fr. Manufel do Ce- 
náculo, que no reinado d^Cl-Hei D. José promoveu o 
«siudo da Diplomática, fazendo com que no Real Ar- 
chivo se estabelecesse em 177Õ uma cadeira dePaleogra* 
phia (1)? K um homem doestes não seria mais capaz de 
julgar do Documento em questão,^ do que o taF nlu^mnor 
menos instruidacm Diplomática f Não será mais valente 
o voto de tão grande homem, do que o do alumno me- 
yios instruído na sciencia ou arte de avaliar os antigos 
Diplomas? S6 a mais boiecuda ignorância, ou^ a maft 
depravada e nauseante antipathia é que poderá asseve- 
rar o contrario !... ' 

Temos a Diplomática innovadora contra a torren- 
te diplomática dos séculos precedentes, que reconheces 
por authentico o Juramento de D. AíTonso Henriques; 
e qual dos votos se deve preferir ? Ha de rejeitar-se o 
\oto dos primeiros, porque eram menos sábios e erudi- 
tos na matéria? Não o concedemos, nem o devemos ad- 
mittir, sem detim modo analytico nos mostrarem o con- 
trario. — Dá-se sim por apocrypho, e fingido um instru- 
mento, que os antigos e modernos eruditos, afnda neste 
século, tiveram por genuíno; ora prescindindo mesmo 
do parallelo entre os dois pensares ; não será bastaave 

(]) Vid. Sissert. Cbronol. de J. P. RílMiro, Diiiert. X, pa^ 13. 



— U) — 

esla dívergenria, siulrniniiA ie jm.<. ,t,\tti: .í^Ia IVr iu% 
icíeaciaa lia v^tiha .VIonarrhia, <i {yie: iiruiA. i/i i^ri-zfn-iiit 
tul>srre\em 9Pguido/c*s <*on4oif:uo4, i^ira -«in4iiiiiir ir/ia 
opioiào fuadamc?nlaiÍA.' N'ins;upnn } fKMl^r;^ kKr;;ir — u-.-,. 
do iilo assim :^ como ^e jotíprh l«)r j «orne i«r *i/»iU*t •«• 
que tantos hiimpni ift^^rifnna -•»m :cnh<tr.fAt^riirt i«- ■..•!. 
fa liferam por vpruacie .' Siu» t r^ii? i :ar;*«:«'r i#, :..<r 
le chama fahuía!.... 

Aláfla d'íito como se iimipra '.iminlrir l<r .'!!.•« i;i ifi^i 
aconleci mento, qup um lo4 Piniitui-* nn** .ilii^n.i ...«.^ 
que tem lido o Orbe ^l»tiholiro i^rmiinu. 'iu** ««-.-.i/ >• 
pcjrRâse em uma (iat lemiaik lo Br«*viMnrj iiitm:nif, w •« 
IO Benedicto X [ V era nomfsm >•< lu^r- iinii;i. ini' .tirn-rM 
le cooaideraiio como labio, r>Àn lííço ;•* «'orn/i ' .fM-^.- ^i« 
premo da Santa Igreja, pon^eniute 'fii«r ,«> mlJif .k**- !«r^ 
baixo daaua auihoriílaUe una lahnta. nn 4ii#v-»*si/< ;jíí.>m« 
tiadoy ou àem fundamento -k^iim jHo ir^t^^ruté \ê- «':.i4fU/itf- 
proTavely como objecto Je ;jiíi -rí-nr^ ' i ifir«f#.ii -• #-.: • 
o maior insulto á sciencia, % \nnru, lo i^rí-írr !*• ím> .•-► 
neraada SummíiJade. 

9 Parece, coniimift^ íia yerilml^r rrt'i/'i«íiiv#-J ju*- íub 
» grosseira faUidail^ iervií^e !*r i^íiifni#ío i Im* . !'-.#. .-4 
» graves (l), » (J que ;>aror!«f .m •>/*-!■» v«rl • iii«' .i/«<«« " ««t 
um historiador porluguesc jue l^^fl#r '* !'#'«*• l*? jr»*^»-,^ i 
fahã\dadc á pia cren<ja 'la A'#r)'i'ioá<» 1«? \'tv.%iii § ,â i.- 
foDso Henriques! — Que ';niKn'ler4 '>:0fi'i/iffir/l'./ »*»* ^*il 
ndadc grassara * Por cer»í) qiur lâo •wl*?';» '*nií-#i'i'-. ■»♦- 
nâo ama falsidade 1^0 rdam^a^í^t^H «? irirM<iii'i.t. iii.t 
qualquer ainda o mai^ niio9;t, '; «o^^l ^^' .f^^i* i«'{i.<ir 
de a conhecer. Ora «e isto la^im '?> 'lem .'/*'i*f i'-í>.«r !#• 
ser, olhada a forcja doeniOieio, i^'/iie-ie 'iii't íhíio- *!*.- 
teolos de erodiqâo e lalentí-yi ji(ij4tr«;4, ^»J'í .í'Iiííii»i« ««m, 
e sustentaram a veracida']e 'lo fífct-Oj «irsim «•»« .**Iíi;#i«i«-ií 
c materialidade, nindn, parri peior, .Kíiritf 'l** ir.«*.i< •*.- 
nado superlativo. Quem toda»':a itrviiniftntr .iii^nfío. ii/ 
perbole t2o repugnante f/''i'í proferir vrm :»- f*-{#»Miiii, •* 
insultar a si próprio* ... Qsinn^ío 'í [Kifiin lU'- •i«iii / */- 
«kicuí^ grossÃrti <.ieu niHutnjjto a dUcu^^oKi ^/"'lív* ' I .il iin" 
titbese é uma cbimeru. Q«jçm ha quo f/írrim fUât^t^MéU^ 

(1) NoU XVI, p«f. «M. 



— BÕ — 

grat^ei sõf^re tal objecto, tomiando-a como assumpto dVI-* 
lais; a hâo sèrum menlrécapto? E seriam mentecaptos 
os profundos eruditos, qúe díâculiram oassumpio da Ap* 
pariçâo de Ciiristo ao primeiro Mooarcha de Pòilugar? 
Uaonolador é que está em cotitradicçâo grosseira contra 
todo o bom 'seh^o!....* 

Ouçámól-o ainda mais : ff Quení, todavia, desejar' 
9f conhecer a iniposluia doesse documento famoso, ton» 
99 suite a Melhoria de Fr. Joaquith de Santo Agostinho 
ff (Mem. de kitter. daAcad. Tom. ô pag.'335), ás Dis- 
» sertaçôes Chroiiologfca* (Tom. 1 Díss. ^.* png, 60 e 
» segg. e T. 3 pagi 1 ri. ^ 187) e às Memória* da Aca- 
» demia (T. 12 P. 1 pàfe. 75 e s^gg.) (1). » Qúe-é is- 
to? Pofs^Fr. Joaquim de Santo Agostinho nSóadmítto 
a Appáriçâóy porque neg^áqtie' o Díj^lòma do Juramf>n- 
tu »í»]a verdiideiro? 'E* falso... Antes pelo contrário ellt! 
déclnni que tonge de impugnar a verdade' da /ippartçao 
de J. C. úd Grande e Pio 'Monarcha D. Affonso H'cnr%- 
qticíj se tinha encarregado de a defender mátst de urna ve% 
(2). Diz mais; Que lendo iodos osfundúmenlot pira os- 
'severtír com 'summà probabUidiíde ou certeza qiíe o tal ZH- 
'ploma era opocr^p/iOj ou apogfapho; comtudo julga ha- 
ver todús as pròtás para aj^rmár ecmmxiitá probálnhdd' 
'efe qué existiii Documento ; e pára àffirmàr com í:erlúia 
^ne expiam 'Tradições, e em coniequcntia ó JFhclo (3). 

•Qué direi dO êruditO Author^as Z>}tjí6r/a;^b ÇÍírà' 
nòIogicasT [Hei de dixei* o mesmo;' vistp-que aresfieitb 
do Dipldma do J-urnmento de D.' Affotiso Henriques 5n- 
idi^stinctamerrCe se 'reporta ao qu^-sbUre a matéria escre- 
vera Fr; Joaquim de' Siaífito Agoslínho, e áo Hlucidario 
d« Viterbo (4). Já expozemos o sentrr.doprimeim sob^ 
« A pfSárfçSoé* Vejamos ngora o que e^cievè Viferlxí. 
\9-Nâo AíZtJicnrfo, diz elle, /ogò em-}4lcobaça/iimilhãnie 
n Juramenlo em tempío de Brito, mlli sé formal isoú de« 
79 pois com aa Notas insanáveis de falsidade^ nãó em 



(!). N«la XVI, pag 4n6. . 

(2) M. ílé Litt. tom. ô '* pAg. 336. Nota (b). 

(3l ..Mó metinu lu^nr urabailu d é citar. 

(4) Observações Históricas e CHticas para fertrírem de Metnorias 
ao tystema de Diplomática Portugueza ttc , pag. 14.1 e 142; e bem 
•Mim DisserU Cbrunol, tom. 3." P. 1,»^ pag^.^W, éiii a Nota. 



— 51 — 

» quanto à jtppariçâo de CkrulOj de que não duvidâmoi ; 
» mas sim em qusinto á I<*giiimiíladc Jo lotlrurnenlOf a 
9 que nào subscretemo», etc. » (l). Em oulru \Uktitf iif* 
firmando que o Pergaminho de Alcobaça te nflo ó ri/>/;« 
crjfphOf oao pa»a de apographo^ declara que u^n i\u^x 
dizer 91»^ não houveste o talJurumm/o ($)•—- Maí«a«Jían-* 
te: » Nâo foi logo a Eporha da Batalha de Ourique o 
» reíultudf) de uma Tradíçàu devota e inleretuidn ; {^^u 
n ainda no teculo XIII se náo tinham rr>niro»crilfJoy 
» nem a Apparição, « Promesfat deJetua Chruio, iif?fii 
S9 as Pretensoenf mal aHom bradai e peior turrrJidM* t\t» 
» Cabtella. Etfcreveo te unicamente o que prxiia inurfi* 
s» iar os vindouros com a notícia de um AvXínU'i:.nirnm 
99 to tão memoratel, e bonrofo: AcontecimeniOf q'i«9 
» até os Emulos da gloria Porlugurza te não êtitr%étnf9 
» a negar até o presente dia; negando só, que ah Imí- 
9» xasse aot olhos do nosso Príncipe o I<eí da filona^ 
9» Immortal e Invisível. Bem sabemos nó* as marK|iiri' 
» rás de Gaspar Alvares Lousada (3); porém a Tr/idi* 
a» ção de todos os lugares, de todas as Pessoas ; e <le Ut* 
» dos os tempos' não poderá indemnisa-lo de qualquer 
» nota de menos verdadeiro? (4)» ff Mas para qu^ t^io 
estes logares acabados de copiar; seelle (o Authordo Klu* 
cidario) já ante» tivera eseripto: n O ímpugnark^r d» 
9 Batalha deUuriqoe não tem respeito algum áTradiçilfr 
9 e amais auctorizada e constante; de que ofknkftr (to» 
» Msuráíot c Dador doêJmpenfH f(À o m/umo que ajrfm* 
9 recendo ao ghriOÉO Chefe da Real (Jota Poftuf(ue%o^ fte 
9 caraaearatheai$^urou awieioria: ete« ^(5)f-^QiiAn« 
do porém se admitia qoe oeruditíssímo Aufhor da* M«« 
uerioçôee Ckromoiogícaá negasse por todas as í6rmas a tfH" 
lidade da jíppariçâo; fica sempre indubitável que Mltt 
qualificara a Batalha de Oari/^ue com os epiíhei/^ itrtt 
de — G/orkisa ofa Celebre (6), I<o testificai cooira o me* 



(1) Wímdè. fh Cm^ f#g« ^^« 

S) MMmOJL f«l. Lmtíer^ < p€%, f% nMê. 

ibera hmAtwmm^ tafld. Jt.^, ^#g 3:21> «t«, 
(4) KiflciJ. M fÊM, Í^Êámrm^ fm%. ^. 
15) Klecid. Ml. L«ter«, ^«jr. ta. 
(•) DiHfft, CfeMMl* IMS. »,* #sf« lír# 

4« 



s 



~8â— 

hnsrabadòr da grande façanha, o devido conceito, em quâ 
èlle, olhado meramente còmofaéto de caracter humana- 
mente histórico, tivera a Batalha de Onríque. • 

' Resta-nos vêr o que dizem ás' Mehiorías dá Acade^ 
mia no logar qu^* fica apontado pelo Annotador. IV o 
Académico entorno de Almeida que âhi figura. E o ^Ue 
faz elle? Este critico passando além do fito do que sé 
propunha (que era mostrar os Erros HistoricoChronolo- 
gicos de Fr. Bernardo de Brito tia Chroníca de Cister) 
não só barafusta corirtra o Diploma do Juramento, que 
Brito desencantoara;' mas até incre^pa.se inexorável con- 
tra o argunáénlo da Trãdiçaíò, que os dois precedentes 
escriptores (Fr. Joaquim do Santo Agostinho, e Fr! Jo- 
sé de Santa Rdza de Viterbo) admitlem coího lt*^giiímo 
fundamento de pia crettça da Appançâo. — Depois de 
menciohar quea^ phoíiàfí que nddmiram Antúmò dt Sou-* 
%a de Macedo, e D. Antomo Vadano de SonkL '9obr€ èsU 
objeètò^ não sobem áUm do principio do 16.*^ seèúlo^ e at 
dè Ahlomo Pereira dé 'Figueiredo lãé o anno de 141(5, 
ou um século anterior áqnclfe a que chegaram ot iohredi' 
iô8 /^níAori^s ^ assim disco rsa : » A força poré/n doeste 
» argumento só conTirnià a Verdade da antiguidade da 
» tradicçâcv e ^ò 'a verdade do facto, porque aquellá 
r pôde falhar, oli 'sei alterada pela diuturnidade' de Ires 
■» seculosy pela négii^ehciíit de (B'?é^ memoria dos factos^; 
V e' peta ptopensSb iiõ mairãyifhqso, que domtnáia oi 
5f PortugUeíes d^aqufella épocha\(l). »'— Que matitsira, 
que fórmá é está lâõ vesga', trávèsBa e avessa de díscòr- 
rer? Com tal pánácéã de sôfbmas òó arites de fneptias 
nâp haveria tradicçSo 'que verdadeira fpssW, *é que algu- 
ma cousa provasse!..;.- Não se duvide..... '-—Qual íerá 
porém a raiSo porque ò argumento, que cori firma a ver- 
dade da antiguidade dh tradição, não- ha de ao mesmo 
tempo confirmar a verdade do facto qu^ elIiT transmita 
te? Acaso a antiguidade da tradição não mostra muitas 
vezes a verdade do facto que é Qbjecto d'ellaí Não ha 
doutrinas mesmo dogmáticas (da? que são outros tantos 
faetm) cuja vfpíaJe se demonstra peila indif^utayel e re- 
conhecida aniigiiiilade da tradição?. Ninguém q' pôde 

i ■ • . • • • : 

(1) Memorias da Academia clc. Tom. i;?. P. 1>, pa^. 83. 



— 83 — 

du\ii]ar. Aquelln asserção pois sobre ou contra a força 
do argumenlo da tradição em tbcse não é exacta; pó* 
de até ser heterodoxa ! 

Vejamos agora os fundamentos do tal Académico, 
considerada a tradição nahypothese, de que se traía. E* 
porque aqxicUa (a tradição), arirezòa elle, pôde falha r^ 
ou per alterada: 1.^ P^ela diuturnidade de três séculos, 
f.^ Pela negligencia de sefuzer memoria dos factos. 3.^ 
Pela propensão ao maravilhoso, que dominava os Por- 
tuguezcft d^iquella épocha. — Quem não vê que todo o 
arrezoado é de um caracter altamente conjectural, eque 
.não passa de um puro, e gracioso p6dc serf Um pódc 
ter porém em dialéctica é uma generalidade reconheci- 
damente desprezível! Não basta que a cousa esteja na 
massa dos possiíeis, é preciso que pertença ao niundo 
.das realidades^ para ser fulcro de alguma baseada con- 
jclusão* O argumeato por tanto da tradição, sustentado 
alias por. aquelles mesmos, que negam a veracidade do 
Instrumento da AppariçãO| não sedestroe com tão {Ilu- 
sórias fantasmagorias. 

, Apezar comtudo de um lai e tão pronunciado acir-> 
ranieelo dVsle Author contra a Apparição, elle nãodes- 
.ce á acintosa animosidade de aviltar, como o annotador 
ftzera, a grande^ta da Façanha de Ourique. Pelo contra- 
ria elle a qualifica de mctoria memorável: ião dtfficU na 
^ua jexectiçâOj que te Qitnbue a soccorro divino ^ divina se 
jirotcgentc gratia (1). £m outra parle exprime-se desta 
maoeira.: " A batalha do Qimpo d^Ouriqiie não é me* 
99 qos celebre dó que as de Clavijo e das Navat de TolO" 
99 sa pela multidão de bárbaros que n^elia concorreram, 
99 e pelodestroço queelles soíTreram (8). » Registre mais 
o annotador no seu mcinornndum estes dois lembretes!... 

Ainda ,não cessa todavia ao Annotador a mania de 
barafustar coqtia tudo o que cheira a Batalha de Ouri- 
que. Sabe que nas Cortes de Lamego se faz menção da 
Batalha de Ourique, e que todos os que se acharam n*a- 
quella grande lide foram reconhecidos por nobres : Om* 
nei illi quifucmnt in lide m^gna de Campo Dauriquio 

■ « 

(1) Mem. da Acftd. l^om. 12, P. 1.«, pa^;. &'>. 

(2) BMm. da Acad. Tom. 12. P. 1.*, pa^. 96. 



--64 — 

fin/ tanquam nobik$; que ha de fazer? Salia a pvV, e a 
alastrar depethas, c sobre^pecbas ao pobre Diploma, que 
ó a víctima, e, quer queiram, quer não queiram os seu« 
-advogados, lá vai reboliudo sem appellagâo, nem aggra* 
TO para o elencho dos parfó* forjados haoffitina dos/afr 
sarios!.,. Porém concedamos que o Diploma, de que se 
tralá^ seja devidamente incluído no -tal elencho, como 
á finca pretende O Exame Critico ám Corta de Lamego 
y>or António do Carmo P^elho de Barbosa ; acaso p6de is- 
so influir alguma cousa relativamente á existência, e 
grandeza da Batalha de Ourique? Nada tibsolutamente. 
A exiHencia, e grandeza da Batalha de Ourique tem 
Documentos em seu favor acima de toda a excepção, 
Tomo temos feiíò vêr. A lembrança pois de acarretar a 
fuisidade do Diploma das Cortes de Lamego 'para fazer 
brei^ha na Batalha de Ourique, é de umaexotiddade das 
'mais àbiurdãs! Porérti que digo? O Antiolador oRereceu 
'Matéria contra si próprio. Confessa que deide o 17.® ««• 
hélo a» Actas das Cortes de Lameg^o contidas no tal Di- 
ploma passaram a ser consideradas como le\s fundamen^ 
lhes do nosso pai%. Bem^ Pois se em uma doestas leis se 
aohà dedgnada a Batalha de Ourique com a qualifíca- 
'^Xo t\e grande (in Vide magna de Campa Dàuriffuio)^ se- 
guv-se quee^te antigo epitheto dado a um ttil fcilabei- 
iicoíio, lotigè de ser negado ou regeitadô, foi publica^ e 
solemnemenie confirmado pela posteridade, desde o 17.? 
^cíiloi Aésirrt por um npvo motivo fica redarguida a in- 
tentona úo Anrtotador, que tilo desaforadamente insistiu 
em-rtHluzir a Batalha de Ouriqtje á aviltante idéa de 
íninimarnm nitnima!..., Clamnrãto poréní contra o bár- 
baro tísâa4sit)io commettído contra o primeiro Brazâo da 
^ fitaria N-acibnál tanto a descendência dos lieis, como as 
Jinhagens'^os vnssallòfi, qué da grandeza do Feito heróico 
tiram a origem, os títulos Hlustres da sua alta nobreza. 

Coticíusâo» 



*i" 



Do que tembs escripto no decurso desta Obra evi- 
dentemente se está collígindo: Que assas fica revendica- 
da, contra uma lao falsa, e inaudita innovação. históri- 
ca, a verdadeira <:oxi«ideraçSo calbegoricai em :(fue sem* 



— 58 — 

pre fora havida e reputada lanio noi Annaes do p^íi» 
como fora d^elle a Batalha de Ourique. — Prezamo-noi, 
com eite espíoboso trabalho, de ter feito um serviço á 
historia pátria; deter rendido homenagem jnsla e since- 
ra a uma recordação tão gloriosa para a Nação e Mo- 
narchia Portugucza: ao tymbre sim e lustre principal 
do seu protentoso berço; o qual de um modo tao laca- 
Qho, e cheio da mais crassa ignorância, se pretendia avil- 
tar! : — Foi um attenlado de cunho inaudito, que era 
indispensável rebater com vigor e energia. Pui um in- 
tuito, um escândalo em desabono do primeiro Monu- 
mento immortal dp valor porluguez, que não deveria fi- 
car impune,! Um livro ou anies.um monstro de tal es- 
pécie, que ião ancha, e desaforadamente desacata a ver- 
dade histórica, tão compacta e unanimemente reconbes 
cidapor nacionaes e estranhos, é um líbello de infâmia 
altamente digno de ter lançado ás chammas pela mão 
do algoia O ministério publico devia estender mesmo a 
•ua alçada contra taes pasquinadas, que se capôam com 
o oomc de Historia de Portugal. 

Quanto ao successo theocratico da AppQrição, que 
accidentalmcnte discutimos; se bem que seja controver* 
so, tenha, ou não tenha documento coevo e authentico 
que o assegure; acha-se elle sem duvida escriplo, e men- 
cionado èm.a Historia do paiz, compaginado por Au- 
thores, que%iveram ainda muitos annos do século lõ.^; 
lempo, em que o Diploma do Juramento não era ain- 
da conhecido..— Seria invenção dos historiadores? (1). 
Não basta só asseveral-o, é preciso inconcussamente pro- 
yal-o. Que pede logo a critica f Que se acredite que el* 
les tiveram algum fundamento, em quanto se não mos- 
trar o contrario. Que qualidade de fundamento? Fun- 
damento leve? E^ preciso mostrar-se. primeiro a levian- 
dade doescriptor. Em quanto se não mostrar, pedeigual- 
ipexite a critica que se presumia que quem escreve tive- 
ra algum fundamento grave, ou pelo menos plausível 
para tal escrever. Qual seria esse fundamento a que se 
ativeram os escriptores da maravilha ? Podia ser o de al- 



(1) Kerorímo^AM a Doarte Galvão, e a Christov&o Rodrisaes 
AsieMiP. 



— Kô — 

gum Diploma auihenlico, que porventura depois seper*- 
Uérar, óo o da tradição constante, que linha pa«»ado de 
paik a iítbos. Tudo isto é, dirão, também conjectural. 
Seja. Porém é esta a utitca, e devida opiniSo que sede«" 
ye lor^de qualquer escríptor, quando nioha provas posi* 
tívas que a contradigam. Isto basta paraconsliluir oqu« 
te chama probabilidade intrínseca do facto. — Quanto á 
probabilidade extrínseca; nâoserá fácil apontar facto ai* 
gum histórico dentro dopaiz, que tenha tido tantos cam- 
peões mais insignes em iitteralura^ que tomassem a sua 
defeza. — Estariam estes homens todos tãoilludidos, que 
tiâo conhecessem, que estavam servindo de ludibrio e 
escarneo á todo o mundo, sustentando uma fabula, uma 
patranha, que nenhum fundamento histórico linha f U- 
fna illusâò de tal magnitude é que todos os julgadores 
imparciaes hão dê ter por uma refinada' fabula ! Quan- 
do uma inculcada, ou affigurada fabula tein sustenta- 
culos de tão elevada illustraçSo, que propugnam pela 
tua real existência, ve, em hyppihese, oé, âeixa para 
logo por tal fundamento dè o iser. E^ antet o elemen- 
ib, ou themá de uma opinfSo histórica. — E coni que 
ôuúU phjrsiònomia appareceofi no campo dà polemica ás 
matérias controversas, ou de caracter opinativo f 

£^ na verdade ínnegavel que a piá crença da yippa^ 
f4^'âo obteve e conserva o ikiãior gráo de probabilidade 
extrihseca ; e ganha poi-este lado á mais co6npleta\jcto« 
ifa' sobre os seus fintagonistas. £^ úmfa opinião nacional 
a mais pronunciada possivel. . Assítn o publicam os es- 
criptos d'é todo ò género de sabias. — E' pois só a ques- 
tão; se a maravilíía tem ou não probabilidade emana* 
da de boa, é irrefragavel origtim f Sustentam a torren* 
te dos. sábios que a tem^ fundados tanta no Documento' 
C|(ue a. fracção innovádora r(>J^i ta; coD()o tanâbem na tra« 
dição immemóriál sempre toantida èm toda a Nação. 
Este segundo futidamenfo é admittido ainda por aquel* 
les, que negam a authentícidáde do Diploma do Jura* 
itíento. Com taés precedentes é lúariífesto, e desabrido 
insulto, feilo a uma das mais antigas, e venerandas cren-i 
ças pátrias, o dar-lhe o atrevidíssimo nome de fabula. 

A terdade é que de todos^ os historiadores modernos, 
que teem tido a mania de julgar da existencial* e reall- 



— B7 — 

dade doifactOf^ mediodo-oi uníca e excIuMvameote pelo 
compa§so e esquadria do tão inculcado /íociotMi&mo, por 
outra JiTan/ismo; nenhum dMles ainda se pronunciou de 
um modo tio intolerante e hoitil contra a pertuailo de 
um «6 objecto theocratíco, que fosse de commum e uni* 
versai nacionalidade. 

Nenhum dos^ que lem negado a theocracia dai cir« 
curnstandas, outfosim pôr isso se conspirara contra a 
grandexn real e comprovada do successo^ de que ellat 
eram meramente accessorios. -^ Haja vista, para nÍo fi* 
car sem exemplo, a Ch. Romey quando faz menção da 
Batalha dasNavas deTolosa; nãoobstante nãoser favo* 
favel áscircumsinncias que a dívinisam (1) (S).— Gran- 
eis aconteevrnenlo (lhe chama elle, quando termina a nar* 
rativa)99para perpetuar a memoria do qual se ordenou 
i»que todososannos, a 16 de Julho, se celebrasse nftlgre- 
9Ja de Toledo uma festa, aquesedeu o nome deTriunn* 
9 pho de Santa Cruz, festa que se estendeu depois a to« 
i^das^as Igrejas de Castella, e Leão (3). n 

O Author da Historia de Portugal quis porém com 
o seu imcomparavet prototj/po aspirar ás honras de — -tn-" 
irouoabU!..., 

A* vista do que fica patente, e demonstrado have-* 
rá ainda alguém que se atreva a ataviar o Author da 
extravagante Hulona de Portugal com os epithetot de: 
'Profunatnimo Rtterato, — Historiador vattinimo — Con» 
fummado Antiquário — e iublime em tudo que iahe da 
9ua penna, àmbora te hajam arrojado a pretender conteê^ 
1ar4ho alguma» Rnguaf malcdicaê^ ele. etc, (4) í Ainda 



(t) Entre ot labiot de rtrookecúla criticn* que todevU «ttiferaas 
pela theocracia dette grande Feito, rootaimM a Pertira d« tf^^ueirê» 
do^ DO Opaiculo Noifoi Tettemunhat da Mila^rúta Afipúrifao €tc* , 
pa^. 40. — Veja-M taml^ein o CtmpendU dmi ÍCp0cm ele* pef . 991 • 

(2) Histoire d^Ktpesoe, Tom. L^n pag . 284 e segointet. 

(3) M Poor perpetuer la memoire ae re grand ét éneaie»t, il íot 
f» ordoDDé que tom let aof, le 15 Joíllet ou celelireroit dam Tég life 
9> de Toledo soe léle« d laqoelfo oo dooM lo oom do Trlomplio de 
^ de la Crois, léte, qoi iVtl élendoo dopoít d toeUt lot dglitot de 
» Castille el Leoo. » ( Híitoire d^E«pagne« tom. e, pag. 286). 

(4) Bm • Jfmçã0 de 12 do Agosto de 1854 \ m CorrospoÍMUacia 



^{18 — 

debaixo do. invólucro de anonymo torDa-se inloleravel 
Ião desenvolta e pulrida adulag&o!.*.. . 

Quaíllo 4i doutrinas históricas^ que «ustonlámos ^na 
Conirapoiiçião Crtíic(h HiêtoncOf todas ellas estão de;acor- 
do com os mais luminosos artí^s^ que jam dos i Ilustres 
Membros da academia Real da Hitioria .Portvgu€%a an- 
tigamente estabelecera como regcas jjivAriaveis, quesys- 
tematícamente s$ deviam adoptar nosescxiptoa históricos. 
São elles: 1.^ » Não faaer caso algum de argumentos 
n, puramente negativos. » S.^ ^ Nao dar credito algum 
p na Historia a A ulbor moderno contra o antigo, senão 
» quando provar o seu dito com instrumento mais anti- 
«t.g09^ que o Áuthor authentico, sincero^ e seqo vício, e 
», maiflt antigo que o Author impugnado. » 3.^ » NSo 
9» dar credito, a Authores, que levemente crêem tudo, e 
^Mn^ito menos aas^que temer^ariamente negam tudo. n 
4«P« n :Não dar credito a Author preocciípado da invejo, 
^.ou da emulação, v Estes artigos, correspondem ao 3.^, 
7.% 9.^ e 10.^ dos doza priocipíos, ou máximas, .que ó 
If. D.*iMatíCH!,l íOaeiano, de Sousa promette seguir em seu 
jystema histórico. (Vej.oTom. l.^d^ Collecçâo.doiDú* 
cumentoM etc. da Academia Real da Hislorià PortugumM 
etc. nnbo det 17S1 ; Conferencia de 9 de Outubro). 
I i.Quanto ao princípio da sobrenaturalidade atiribui- 
dai.pe]o4ihiftoriadores nalguns factos de caracter mara- 
.vilhoso, ^de que farem menjção em «eus £scriptos; eno? 
Aeadameate osnos&os quanto ás circumstancias theocra* 
.titca» da Batalha de Ourique; deveria o Author da ano* 
mala Historia de Portugal ter presente oqu« deixása es» 
crípto em uma erudita Memoria certo sábio e mui criti* 
CO Académico francez no primeiro* quartel doseculo pas- 
sado. £^ elie Mr. Fréret^ que muito longe está de me* 
tecer |i' pec^á .de pertencer ôo corrilho do /ossi/ismo: 
V^pbnpsi^hl^ moderna, áX% e//e, ao mesmo tempo qu^ 
»viem esclar^ido e aperfeiçoado os espiritou, . tem-os 
yf, todavia tornado algumas vezes muito dogcnatícos e 
v-, fni^Uo^decísivos. Debaixo do preteitto de não se ren- 
•i>. derem: senão. á evidencia, julgaram poder negar aexis* 
'n- lencía de tbdás as cousas^ qite lhes custassem a conce* 
n ber, sem fazer íèHéxio que nãò deliam negar, senão 
99 aquelles factos^ cuia imposúbuidade eevidenícm^ntc dcr 



— 59 — 

n montíradaj isto é, que invohem eotitradicção. Atém 
n de que, não ha somente diflTerentes gráo« ile certeia 
9 e probabilidade, mat ha lambem divertos género* de 
9 evidencia. A Moral, a Historia, a Critica e a Physi* 
n ca tem uma evidencia sua, como a Metophyiica e a% 
f9 Mathemalíras; e seria injustiça exigir em quiilquer 
f9 destas sciencías uma evidencia^ de outro género qua 
19 aquella que lhe é próprio. O partido mais prudentt«| 
n quando a verdade, ou faUídade de um facto, que mula 
n tem deimpossivel em si mesmo, nSoeitá evíd^nlemen» 
n te demonstrada; o partido mais prudente, digo, seria o 
99 de contenlar-se com o pòr em duvida, sem absoluta* 
» mente o negar; mas asuspen»So, e a duvida tenfi sem* 
n pre sido escrSo sempre um estado liolenio |>araocum« 
» mumidos homens, mesmo philosophos. n 

» A mesma indolência dVspirito, que leva o vul* 
» go a acreditar factos os mais extraordinários èem pro« 
» vas stiffícientes, produas um e(Teito inteiramente <*tm» 
» trarto nos philosophos. Tomam elles o partido de na* 
n gar factos os mais provadon, quando acham tilgunk 
» custo em os conceber, e islo para se pouparem no tra* 
» balho de uma diicusiSo, e exame fatigante. I{^ outro* 
n sim por uma consequência da mesma disposlçito d%ts- 
» pirito que elles afTectom fazer tilo pouco caso doeslu- 
I» do dos factos e da erudiçfto; achom «lies muito ínnis 
n commodo o desprezal-a que trabalhar |)or ndqulrll Np 
jff e sé contentam com fundamentar este despreto em a pou» 
ji ca certeza, que acompanha entos conhevimentosi sem 
« pensar que os objectos da maior parte de suns InvestU 
y gaçSes philosophfcas de nenhuma sorte sKo stisreptf* 
p veis da evidencia mathematica^ e n&o dar&o Jilauili 
» logar senio a conjecturas mais ou menos pro«avel«| 
» dò.mesmo género que as da Critica e da lílntotlni a 
P. para as quaes não é preciso uma sagacidade maior, 
s» que para aquellan que servem para esclarecer a Anti* 
n (fuidade. Além d^'stO| elles deveriam fnier r«'nexl()| 
» que por interesse mesmo da Physlcn, e tahei ainda 
.» dá Metaphysica, con%iri'a aos philosophos n instruU 
» rem^se em muitos dos factos referidos pelos Aalig^H, a 
» opiniões que elles tem seguido, ih liomcn» em lodos 
p ai lompos quasi que teem tido Igual furça deeipiíliui 



— 60 — 

I» nSo Ifiem elles differído senão na maneira de aempre- 
if gar; e se p nosso século lem adquirido um melhodo 
».< desconhecido da Antiguidade, como /> prelendeun ai* 
«^ g[Utls^. nós não devemos llsonjear-nos de ler dado por 
99 isso umá exieiisSo4e lanta magnitude a nosso espíri* 
4» to^ que chegasse a ponie de dever absolutamente des- 
fr presar oi conhecimentos cceâexoes d^aqiielles que nos 
p tem pieccdido (1). » 



(1) M La philosophie inoderoe, en méme temsqu^clle a érlairé 
V9 ét perfectionné les ctpritt, les a Déanmolnt rendu quelquefois trop 
n .dOgmaliquet et trop décisifi; s«>iis pretexte de ne se rendre qu'*à 
V r^yidence, ils ont cru pouvoir nicr Pexlsteiice de toules les choset . . 
»> qu^ils avoient peiae a ronrevoir, saiu faire reflexion qu^ils ne de- 
n^vtaiènX nier que les íaits dont rimposslbilité est évideommcut de* 
n moDtróe, cVst á-dire, qui inapliqitent contradiction. D*allJeii rt« , 
n il.y a i^po seulemeot différejié dej^ré» de cert ilude et de probabili- 




»« plus sage^ lorsque la verité ou la f^usselé d^un falt qui n^a rien 
'»»'d'iroposyible en lui-mème, n^est pas évidemment demontrér, le 
n pfarti le plus sa^é, dii jé, iíeroit dese ronleoter de le revoquer en 
n do»te sans.le nier absolunent^ mais la snspensioa et le donte ont 
n toujours été et seront toujours. iin ^M>^ violent pour le.commun 
n des homiúes, méme Phílosoplies. 

r» Lb méme páresse d^esprit qui porte le irnlgaire á rròire let 
n fails les plus extràordineires saiis preuves suffísantes, prodnfit un 
n.effet toot contraire^ani les Pbilosopbes ; ils prennent le parti de 
f* nier les faili les niieux prouvéês, lorsqu^iís oot quelqtie peine á 
f^ les roucevoir, et cela pour s^épargner la peiue d^une discussion et 
«'d^utt examenfatigant. C^est encore par òne suite de la tnéme dtt- 
.59 position d*esprit qu^ih aflecient>de feire si peu de cas de Pétuée 
91 des faits et de Perudilion.; ils trouvent bien plus commode de U 
99 mépriser que de travailler à Piícquirir, et ils se contententde fott- 
"99 d é^ ce méprís sor le peit de rertitude qui arrompàpie ees rbdnofs* 
^ !sances, saus penser que les ebjects de la plúpart de leurs recher* 
,99 rbes pbilosophiques ne sont nullemeot. snscepttbtes de Pévídence 
99 inathematiquc, et ne donnerout Jamais lieu qu^á des ronjeclures 
99 plus ou moins probables,' du même gcnre que celles de la Critlqoe 
9» et. de PHisloire, et pour lesquelles II ne faut pas ube plus |>raode 
» sagacité que pour celles qui serveut á éclaircir PAntiquité» D^aíU 
9\ leurs, ils devroient fsire reflexion que pour Pinterét nnéme de la 
» Phjsiqoe, et peót étre encore de la Métapbysique, il impbrlerott 
»* t»ux Pbilosopbes d^étre iostruits de bien des fáitt rapportés p»r let 
9> Ancicns, et des opinions qo^ils ont suifíet. Les hommes ont «n à 
** peu prés autant d^esprit dans tons les teras, ils n^out différé que 
99 par la manière de Pemployer; et si notre siécle áacquis une mé- 
** ifaode inconnne a PAnliquitéi comine le préteadent qoelques^iintf 



— 6! — 

Lançou por tenlura Mr. Prértt cm ro»lo aoi Anií^ 
gos Historiadores o refcrírom ctrlot prodigíoi, como e«^ 
iando persuadido^ Aão somente da sua verdade, mat ain^ 
da da sua ligação com os acontecimentos htstorfcos, è 
isso porque elles os misturam ordinariamente unt com oi 
outros? (1). Bem pelo contrario elle os desculpa, n E* 
» facil, reflecte Mr. Prérety responder aesfa crítica. Prf* 
99 meitnmente quatido fosse verdade que todos esses Ilis* 
jy toriadores tivessem olhado os prodígios por tal mrxlo, 
u eu nâo sei se esta cenuura é bem fundada. A crrfnçn 
>9 dos prodígios, o da adivtnhaçXo conjectural fazia uma 
99 parte da religifio entre os antigos, e não se deve tnfu* 
» peroT nm Hutoriador pornâo ter atacado em $ua9 obrai 
9> a$ iradtçóet reíigtosas da iociedade, no meio da qual 
y> etie t%tà\ t pfira a qtioi tscret^e ; além de que e«te pro* 
99 ceder iiâo é sempre uma prova d^elle estar assas pcr« 
» suadído d^aqullio que escreve (^). i9 

Nâo muito de))ois confirma Mr, Fréret estas stint 
idéas, ou antes as repete, n Os (historíadares) maiii sen* 
99 satos ($âo expressões d^elíe) not} tecm dito quanto bas« 
ff> ta para nos ensinar que elles nJKo faiíam o papel da 
ff estúpidos no que respeita á crença popular ; mas quan* 
ff do elles o não tivessem assim feito, e houvessem íii^ 
19 ser convencidos de se terem deixado levar dMIa, euí 
nâo sei, repètil-o-hci aioda^ se* cUes* deveriam içr 'di« 

fi nout tie deVbiii pai nòtM flatcr d^avuir. doniié par la nne étenitue 
9« assei grande á notre esprit, poiír qn^il doive abioUimentinéprisêr 
n let roímoissaocet et les reaexioiís de cenx qiii nout ont prérédés* 
( Mcinoires de Litterature de PAradeinie Itojal det lutcriptíont et 
Belles Lellres, tom. 4 ^— Reflexiona sur les prodiges rapportés daut 
Ict Anriens, par Mr, Fréret, pag. 435 etc. 

(1) n C)n reproche aax ancicns liistoríens qu^ils rapportenl ret 
»» prodiges coinme étant persuades uon seuleinent de leur veritc, 
9* mais encore de leur liaiiion avec les évÁnemens historiqucs, et cela 
«« parre qu^iisles joignent ordinairement eukenible. » (Mem. de Lit- 
terature ele. tora 4 *^ pag. iV\), 

(2) n II est facile de répi>n<lre á celle critique. Premièrement, 
99 quaud il seroit vrai que tous ccs llistoriens eusscnt regardé let 
n prodiges de cette faqon, je ne s(;ais si cVst un reproche bieo fondé. 
ft La croyance aux prodiges et à la divinatiou conjecturale, faisoit 
n une partie de la religion chei les Anciens, et Pod ne doit pas bla- 
" Dier un Historien pour n*avnir point attaqué dans ses ouvrages let 
«> traditions religieuses de la societé au milieu de l^aquelle il est, et 
V poar Uquelle |l écrit^ d^ailleor» ce n^est pas toujonrs une preo^re 



— 62 — 

n. gnos de censura por se pòrpm do lado da religião dò 
f» seu paizy e terem crido com o resto' de seus concída-» 
9 dâos, que certos phenomenos raros eéspautosos podiain 
I» ser ftignal íla vontade divina (!}• " 
, /- Estas judiciosissimas reflexões do celebre Académi- 
co francefy que nada tem de crçduloj nem de snper«ti- 
ciofio, assas. e de sobejo estão pulvertsando o audacioso e 
anli*naciona)H<^mpenho, que oAuthor novíssimo da/fi«« 
iorux de Portugal tanto tem mostrado em reduiir ao ul- 
iimo vilipendio as tradições theocraticas da sua Nação. 
Jlecommendamos também em apoio das theortas de 
caracter fundamental, que temos sustentado com a nos* 
sa Contrapoiíçâo Critico- Hittoricaj sí Memoria do mesmo 
iVlr. Fréret que tem por titulo: Reflexiona stir rétudc 
dt9 ancicnnes hisloireSf eisur le dégré de cerliltidc defeur$ 

Íreuves. (Memolies de Litteralure etc. de TAcadémie 
Luyale des Inscriptipns et Belles.Lettres, tom. 8.^ pag. 
146 e seguintes). 



9 qu^il en 1011 bien penuadé. f> ( Mem. de Litteivk^are ele* tom. i.^* 
paj;. 433). 

(1) 99 hP9 plus sensés nooi en ont dit asses peur ncNit apprendre 
f» qu^ils n^étoieni pas leidupetde lacrojance populaire; maif i|«aiid 
n «Is ae rauroient pai fait et quUb lerotent contaÍBCiia 4e ê^j étre 
sf> livrei* Je ne s^ai», poiír le répéter encore, t^iU teroient fort l>IAr 
V* mablét d^àvoir été de la religtón de leur pa jt, et d^avoir cru avec 
n le reste de leurs concitojens, que certains pbénomenes raret et 
s» etonnani pouvoient étre le signe de la volottté dei Dicttx. f (Meoa. 
à» lÁXX. etc, paf, 434 e 435). 



FIM JOA SEXTA B ULTIMA PARTE. 









— 63 — 

COKKGCÇSCS^ ^ ABDITABIBlVTOt» 

PRIMEIUA PARTE. 

Pag, 11 — nota (<) — Veja-se o arítgo -^ lâa-ie — Veju- 
te o artigo. 

Pag. 17 — comfirmativo — lèa-se— «confírinalivo. 

Pag. 32 — bem fuoilameatal— •lèu-se-— bem fundamen- 
tada. 

Pag. 37 — mencionarem — lèa-se — mencionar. 

Pag. 46 — creador de Direito Pátrio — lôa-se—-creador 
da Sciencíade etc. 

Pag. 64 — deftfantaMada — lèa-ae «— deifanati^aJa» 

Pag. 67 — anli*fraze — lêa-ke — antífraae, 

SEGUNDA PAUTE. 

Pngr 37 — das — léa*se -r- dam. 

Pag. 38 — Que segue d^ahi ? — lâa-ie — Que le leguo 

etc. 
Pag. 59 — 08 vimos.. •• entrarem — lêa-ae — o« vimoi««** 

entrar etc. 
Pag. 67 — hadepbiâ de ir — lêa-íe— ^hn de pcdt vir <Slc. 
Pag. 71 — do esbelto.... — Iôa*íc — do csbellO| o^i trom* 

budo ele. 
Pagjfc 74 — esquartejamos — iôa-se — eiqunrtpjumdf. 
Pag. 75 — Pol vorize — léa-se — pulverize. 
Pag. 77 — aoccorrcr — lôa^se — soccorrerrm. 

TERCEIRA PARTE. 

Pag. 14 — nornal — lòa^sc — normal. 

Pag. 33— -escapula — lôa-se — eicapúln. / 

^ag«43 — Agnès — lôa-se-r- Aynèi. 

Pag. 61 r- diz elle — lôa-se — (ii% cllc, 

Pag. 77 — Abn ele. — lôa-sc — Abu Ali Toxcfm, 

QUARTA PARTE. 

Pag. 18. — Ao logar de Pereira, que termina — e sepul- 
tam no Guadiana, -—deve ncereictniarMe ótegufn* 



— 64 — 

te d% OMtra. Obra Ug^oieamo eriídílo: — - if- A Villa 
99 de Ourique será sempre memorável nos^Annaes 
79 dePorlugal, pela famosa victoria que noseo cam- 
99 po alcançou de sínco Heis Mouros no dia 25 de 
99 Julho do-anno 1139 o no^so Invicto Prinicipe D. 
99 Âfíbnso Henriques, a quem anles da Batalha ap^ 
99 pareceo visivelmente Qhristò crucificado no ar, 't 
79 com a promessa da victoria lhe deo o Titulo de 
99 Rei, e com este Titulo as suas cinco Chagas por 
99 Brasão d^ Armas. 99 .( Luiitania Saera^ lom. t.^9 
» Parte 4.*', folh. 80a). 

Pag. 3S — neotorismo — lêa-se — neoterismo. 

Pag. ibkletn— >é pois «Itef — léase— <>é poiaesseí 

Pag. ôO — pais. — lêa-ise -^ país* 

N. B. — Na pagina 51, linha 9.^ etc, aonde se diz: 
99 Demos porém já que>o exercita dos Mouros oSo 
9» fosse de trezentos, nem de quatrocentos mil ho- 
99 mens, masquefosse de trinta ou qiiar6i>tan»il (I). 

(í) Depoi»dejá impreMa e pnbirrada a €tuarta Parle da nona' 
Obra, encontrámos A u>tbf>r bistorica, e professor de nomeada, qu« 
dá apoio ao nosso ralcolo. O escríptor a oue afludimos é o bem ro^ 
nbecido professor de Geograpbia, Chronologia e Historia no'Ljcea 
de Coimbra, Joãà Atttonio de S^usa M}otia, No Omipenãío de His- 
toria para uio das Eschoias^ vol 2.®, pag. 81, escreve pois o seguia* 
te acerca da Batalha de Ouríqae : n Nada de interessante soccedeã 
f» até ao anno de 1139. N^este anno, Jsmario 00 Ismael^ o mais po- 
fi derosa rei do» sarracenos, com mais quatroireia- mouros^ formon nm 
t» exercito, de mais de quarenta mil homens^ e com elle veio acom» 
»> metter o Soberano de i^ortugal. O grande numero' dos sarracenos 
t> não amedrontou 6 diminuto exercito portuçuét, que, para romi»*- 
9» ter com roais ardor, acdamou em rei de Portugal o conde D. Af« 
n fonso Henriques. Deu*se a batalha; e fai tio crueuta, que até aH 
99 aguas do Guadiana ficaram tinctns de sangue, em grande espaço» 
n A batalha é conhecida pelo nome áe batalha do Campo d*Ouriqmet 
n A perda dos sarraceno» foi:grande,* cbegaram a perder cinco estaii* 
n dartes. n Esta passagem do escriptor jqftodernissimo igualmente ser- 
▼• de Contraposiçio ás idéas de menosprezo, com que o Author da 
Historia de Portugal amesqtiinha, e vilipendia o Feito glorioso d# 
Ourique* 

Pag. ô7 — ( Ismario) — leía*se — ( Ismaiius ). 

QUINTA PARTE. 
Pag. 10— -carttapasio— -lêa-8e.-*^cartapaçio. - • 



— 65 — 

Pag. It -« A pasfagem da ChroQica dos Godo« — ac« 
cretcente-fie — (referi mo-nos ao exomplat dr 8«inia 
Crui, e Alcobaça^ que é aquello quo o Aniioiadur 
affiaoça). 

Pag. 14 — da íntegra — léa-se — na integra. 

Pag. 15 — Marque-a, indígile-a — lèa-fcc — Marquo-O| 
indigile-o. 

Pag. 19 — mas até prefere -^lâa-se —-mas até dá exem* 
pio de preferir etc. 

Pag. S3 — é mais conciso que o mencionado •» lâu-sn -^ 
é muito mais conciso que o artigo aciínu mcticíoria* 
do ctc. 

Pag. 96 — nSosócomprehendem igual numero dcfllnliiu 
— léa-se — não s6 compreheudcm artigos do igual 
numero de linhas etc. 

J6kíem— *aos maiores artigos •— lôa-se — ao dos maiores 
etc. 

Pag. S8— do Annotador que nos indigito — lâii-se — do 
Annotador (outra vei o repelimos) quo nos iit«*. 

Pag. 31— Taes assserç^es são poróm — lÂu-su— Tuos as- 
serções são oulrosim ctc. 

Ridem — com preferencia — 16a-so — o alguma vt*i eoiti 
preferencia etc. 

Pag. 33 — que ahi se lêem — 16a-so — quo ahi (na(7hro- 
nica dos Godos, segundo o exemplar seu muis fa- 
vorito) se lêem etc. 

Pag. 34 — Era de 1177 — accresccnte-so — (113U da Kra 
de Chrísto). 

Jlndem — Observação 6.^ — lêa^se — OI>sorvaçSo A.*. 

Pag. 35 — até onde alcançou ele. — lâa-«o - aló undo 
avançou ele* 

Pag. 37— para julgar — lêa-se— para sc« julgar c«ti*. 

Pag. 38 {cm a ruHa) — do cerlo o nAo dls, tori olo. - • 
lêa-se — de cerio o nSo dls. Hor4 t^tc. 

i&kíein— Como tal o acreditamos — láa-«o — ^Somo tal 
o não acreditamos!.... E* a «ra d^Hespunhu li<)7| 
ultima apontada peloCiíronicon, roduxida á Era do 
Cbrislo, que oAulhor da Nota quix quo adlviulias- 
temos !... 

Pag. 50 — lornavam — - léa*se -* tornava «t«« 



o- 



i ' » ■ . 



i 



• 1 



i . 



. . i , 



. . I • ■ 



•■\ 



'i*; '• 






f\Llll DE OIRIOII 

DB 

ÕWTB.lP«*IIC.lO rMIT>4.'e.M|llTOnlt.'.t. 

(obra DIVIDIDA' km SKIN PAHTIifl] 
A^THOR 



».<■ <|g r<tr<-£Ul Je BjUo n." I?. Ç£- 



S»«®»»8í5«»®8»»«íi»8«í?S5«»9 




P") i^ia puMicat^áo ha de constar de seis I 

ILtelúg corres^ioiideiitcs ás i»eis Parlei^ em 
ti dividida a Obra. 

Parte custa aos Sre. Assi- 
. UO réiá. 



Esta Se\<n 

giwuites 



Venda avul 



100 réis. 



As assignaturas, c venda avulsa tem lo- 
gar nas Lojas jsçguintes : 



Vilsboft> — Livraria doSr, J. Paulo Mai^ 

[ tiiis J^ivado, Rua Augusta N." 8. — Livjforín 
do Sr. Cândido José Bravo, Uua do Ouro N.** 
212, — e Livraria do Sr. João Baptista daSi^ 
va oMeflo, Calçada dos Paulistas N.^^âS ei^i, 
defronte do Correio Geral. 



Port«. — Livraria do Sr. Manoel Cou- 
linlio il'Oltveira, Kuii dos Caldeireiros N." 18 
o l'J. 



Draii^. — Livríiria do Sr. Domingos Jo- 
mf^ só Vieira da Cruz, Uua do Souto. 
^^ 

Ctfimbm. — Livraria do Sr. Josó di 
Musquila, Rua das Cov.is. 



Vianiia ilo fnMtello. — Livraria 
André Joaquim Pereira. 



J 



í»»SS?ÍSíSR8g888®S?MWí®®9^«'' 



m