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Full text of "Actas das Sessões da Academia Real das Sciencas de Lisboa, Volumes 1-3"

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ACTAS 



DAS 

SESSÕES 

DA 

fkCMnmiaMA reíul das sciEiwcaAS 

DB 

LISBOA« 
TOMOI. 



fV 

^ç^ 




LISBOA 

2(A TnoSAÁVlX DA MBSXA AqAIXEiaj:4 

1849» 



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L ^oo ^1^4.í^ 



Uc^MXARDCOLLEeE LIBRAIIY 

rOL-M OF SAHTA EULÁLIA 
COLLÍCTION 



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Na Aasemblea d'Effectivos de S2 de Fevereiro do corren- 
fe anno determinou a Academia Real das Sciencias de Lis- 
boa que se publicassem , por integra ou por extracto , segundo 
as circunstancias o exigissem , as Actas das suas Sessões , apre- 
sentaiido para este fim o Secretario perpetuo um prograroma 
que seria discutido na primeira Sessão Litteraria , o que effe- 
ctivamente teve lugar na Sessão Litteraria de %S do referido 
jaez • em que foi approvado o programma. 

A primeira Sessa» Académica , celebrada depois desta de- 
terminação de que deva publicar-se a Acta, foi a de 14 de 
Março . e por isao principia nella a coliecçio das Actas Aca- 
démicas. Lisboa %5 de Julho de 1849. 



Joaquim José da Costa de Macedo t 
Secretario perpetuo da Academisu 



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ACTAS 



fiAS 

SESSÕES 

DA 

LISBOA. 
1849. — N.** l 



SÉSSJO LÍTTERJRIÃ DE U DE MARÇO. 



Presidio o Sfír. José Cordeiro feio. 

. CoocorrêrUo á Sewâo o Secf^taiio perpehio Joaqníiit 
José da Co»ta do Macodot e.os Sibr/ AntoÉRo Dini^ 
do Couto Valente , Joio d& Cwha Neves t Carvalha 
Portugal, José Literato Freire de Canraího^ Francisca 
Pedro Celestino Soares, Francisco I^naeio dos Santos 
Qii2, Fortimato José Barreiros, António Lopes da Costa 
e Alneúk , Igoaaio Antomo da Fonseca^ Benevides , tti-» 
rio d'£schwcge) Marino Miguel Ftauziní, Fi^ncisco Ke* 
Tomo L Í 



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creio, Agostinho Albano da SKlveira Pinto, e FranctfCQ 
Elias Rodrigues da' Silveira, Socíos Kfleclivos ; Autonio 
Albino da Fonseca Benevides , e Mallheus Valente do 
Couto Binizy Substitutos d*Eirectivos ; Joaquim da Hocha 
Hazarem , e Carlos Bonnet , Correspondentes. 

O Sfir. Duque de Palmolla , Vice-Presidenle , parti* 
eipou que, por se achar incomnK>dado, nHo podia assis» 
tir & Sessdo* 



COIlRESPOXEtxaA. 

Leo o Secretario 

1.^ Uma Portaria éo Mini^terb do Rcírq , rcmet-» 
tepdo 03 Estatutos da Sociedade a^ricoLi do Dístricto 
d'Evora, para a Academia cmittir sobre elles o seu pa« 
recer. Forfto os Estatutos entregues ao SOr. Director da 
Classe de Spieocias Naturaes para a Classe dar a su» 
opiniB<K 

2.^ Vm oiBcio do Conselheiro Director Geral do The* 
souro Publico , pedindo , para objecto de seniço » um 
exemplar do Roteiro GeraK A^aeolou-se ^e se lhe maiH 
dasse. 

3.^ ^ma carta do nosso Sócio o Sllr. Vandelli , re* 
si^te no Aio Sé Janeiro » remettendo dous fesdea** 
los das Rantas fV ovas dò ^a9il descriptas pelo Stlr. 
Dr. Fratfci^o Freire Metnio, LeMe de Botifeiea da 
Escola de Medicitta Ao llie de Janeira. Estes fe^icuTo» 
contém a descríptUo dò Taptnhoan , e áa Cafiirófa , de 

e o A. formoQ géneros tfiovds , dando ae 1.^ o ndme 
e Silfia doa Arsenaes , • à St* o nome de VJbrocáipo 
Jasttgidto; 



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tfOâkt^ o ShT. VclhdelH para GfrmpoiâliMe dft Ati4 
deiiôlia o SDr. Dr. Francisco Freire Alemão, asdifti eomo 
iambeifi o Siln Christiano Beocdícfo Otiom, liente da 
Academia da Marinha ^ que já (^fferecep á academia "Real 
das Scietfcias de Liíe^bcá por intenrencÃo do Bctso Goo^ 
«ócio, hum -^^ Juízo Critico fohrií o Compendio íe Çeo^ 
mttria do Stif. Marquei de pi^fíkagm , ^dopíéio pela 
Academia da MariÁa do Rio de Itímeítp. Assentou-^w^ 
que SC trataria deiAc o)bí?cto fia ptoxilkia SessSo d'Èflk^ 
ctivof) , apres^faúdiHSc Deflá os ras^icules agora emia^ 
dos pelo Sfir. Dt/ Aleraio, e Mtro que afitecedeMemeoK 
te mandos ; e o Juixò Crítica do Sfir^ Off oni. 

4.'' Vtm carta do Sfir. TaáM tatragueta ^ datadci - 
de Rooda na Andafuíia, ftfAiDdo ao Seerelario Hie coin^ 
ftuaicasBe o juiixr da Acadè<lí)ia telativo a uma Merdoriaf 
^e elle lhe tioha offerecido fobré a qtieftto das qaan^ 
tidades ima^imrias, proposta em uât dos ProgtalliAiaf 
da Academia. Parlítijpoe o Seeretarío qfte já jbç my 
pood^ra^ 



COMMVNlCAÇÔfó^ 

Le9 01 Sôf . Bmriíef uiii ar%o i6 ffalioMl de Pmri áer 
Í9 de Fevereiro iiltiftiOi notieíotfdo mie o Coreniel Rtiasiy 
KatdtAit eneamijpdo de eipforâcoes mifierátogicaís no 
jBterior éa Africa féo ^ gorérAo , e que dirigio por 
maito fempo a lana de téafas mttaS na Sibéria , ctn 
coàlrira na margMi direita do Saritát, a nm dia de ca^ 
iòAo èfí GasMÉ t Aoifas colKna^ graiíides de arêas au^ 
nfera»f H Ciiwéáò lÉvtt atf ArMa râakoa desta operara 
çth> a fjMà dé ceB lé rtm 6mtò áiais cfeorò da ifue as dn 
?èetk. i.0rBitf 9 «áai^ UAgé ft» seai» bílayectes, e^ 

1 ♦ 



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minòa o Coronel Km-cIusLi as inafç:ens do Ranla , do 
Dys , do Gucka , do Benisch-Angol , e do Gamanil ; 
descobrio tamlr^m nellaa maior ou menor e&lemio de 
ar£a auriiera ; e propunha««e a mandar f ir da Rossia 
operaríof próprio» ptra empreheukt trabalhos en grão* 
àèf com o fím de aproveilar o oaro. 

O SSr. Boteet Tei farias reilexSes siofare a probabilidade 
de encerrarem igiiaei tbesouroa as Prmincias Portugue* 
zaí' da Africa Occidciilal e OríenUil , e sobre as vanla*^ 
t;eD8 que o Governo tiraria de mandar exploradas » pa- 
ca 08 descobrir* 

Apresentando o Secretario perpetuo os Relatórios do 
que se passou nas Sessões da Academia das Seiencias de 
Pariz (Comprei rtnim des Stanee» de VÁcadémie dn 
Sciences) notoa que , no N/ 26 (26 de Dezembro de 
1848) vinbio umas observações de Mr. Cardan sobre a 
Xegeta^lk) da nogueira commum (J\ig^M$ regia)^ que of- 
ferecé phenomenos mui curiosos , de que apontaria uni- 
ramente o que julgava mais singular. l)iz Mr. Cardan— 
a Enxertando n*um ramo superior da espécie de noguei- 
«ra que rebenta em Junho, outra espécie que chama 
fi Lalande , e que rebenta em Maio , no fim de seis 'a 
« oito annos o ramo proveniente do enxerto Lalande re* 
m bentará em Maio ; como. os da sua espécie , e os ra- 
u mos do cavallo rebentarão um mei depois. ^Corao é 
« que no troneo ha seiva para o ramo parasita » quando 
« nâo a ha ainda para os outros ramcs ? Como é que » 
«( estando o ramo enxertado por cima dos outros ramos » 
<( a seiva sobe durante um mez inteiro desd'as raizes até 
<c ao ramo parasita , e não deixa nos ramos inferiores 
<í porção nenhuma que possa (azer rebentar um pimpo- 
Q lho? Se o ramo parasita fosse o inferior, poderia juU 
agar-se que, estando. mais em l^ixo, foria jilli parar 



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(5) 

« primeiro a seiva •; porém nSo he este o caso » ainda 
ff que sf^ja o mais alto de todos » scmm'e rebentará um 
«mez antes dos outros. )i O Secretario perpetuo acres^ 
cpntoQ — O que acabo de referir me coÍDÍirma na opi- 
nião de que as causas phisiologicas dos efieitos das en- 
xertias nas plantas ndo sfio ainda bem conhecidas, e 
parece-me mít um -assumpto digno de se propor para 
premio. 

Depois de fazerem alguns Sócios breves reOexSes so^ 
bre este objecto « continuou o Secretario perpetuo cha- 
mando a attençllo da Asscmbléa sobre o anuuncio de 
iima Nota dirigida á Academia das Sciencias de Pariz 
por Ur. Delcros , relativa á cholera « doença que julga 
occasionada por animalusculos que volteBo no ar » e nos 
quaes vê também a c^usa da moléstia a que sBo sujeitas 
as batatas (1) , e lembrou que esta idéa afto era nova , 
nuis que tinha sido abandonada. 

Que tem sido opiniSlo já produzida depender a cholera 
de ura estado particular da atmosphera (2) , o que elle 
também suppunba. Que bem sabia que a analyse do ar 
atmospherico , e mesmo do das enfermarias dos cholerí- 
cos , nada mais tinha mostrado afora os elementos co- 
nhecidos de que se compõe o ar . mas que isto só pro- 
vava a insufficiencia da analyse , isto é , quç a Cfaymica 
não tem meios, para ch^ar a conhecer os contentos que, 

■ ■ ' ! ■ ' !••....■■■ I . 

Cl ) Comptea rendos hebJomaHaires das séatices de TAca* 
démi«'des Sciences de Paris, N. S, IS de Janeiro de Hi9. 

{f ) Qoe l« choléia se développe, come une epidemia ; qu' 
íl dépend d'uo tot partienlier de Fatmosplière. sans le quel il 
ue m dévfloppa poiot, etqui cesse dès qiM cet ètat é$ Tatoitis* 
pb^ n'a pios lieu. Notices ãur hChoUrá en Ruiêie^ publiitA 
par U Mmittirc de rintéricur. redi^éu par U Dr. Markus^ 
Prisident du Cohselt de Medicine. St. Petersbourg 134?, peiU 
in^. , p.l59. 



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(6) 

pátt»\ ou accasionariiieiite , exi&tom no ar ; 9\gam iai 
^aei 4o , até agora ^ imppnderai^is » ma» cujoa e&itos 
le leoteau 

, Qi^e , se a cliolara existia w atmpfphmi . oào adiava 
ia^KMi?el que íom produzida por aoimalnsculos dúse^ 
imoadol pof (rfla ; e nlo podando duvidar<««e de ipie t 
saliva I o mueç , a ouriua » o vinagro , o muítús outra 
íiquidos » 6 até a agua mais pura , abu|id|o em mui va« 
riadas mpcáfit de aniniaes microseopicofi impere^reis á 
visti^ f nio era destranbar que houvesse aceideotabaeiíte 
na atnoMpbera \sopia de atpimaliiS€i|kis de semelhante na- 
turesa ; que sendo, por qifaiquer motive, venenosos , im^ 
pirados €ontíntieme(4e , possfto causar moléstias , e mo^ 
[estias gravissimas ; e sendo a oonsísteneia destes aai-» 
inaes teouissime t us elementos da sem ccmiposício esca-i 
jAo i an^Iyse; ai^da eoni niaior raz^o do que muitas 
outras matérias orgjBiqicaSf 

Qua eo^ qaa^ á moléstia das batatas, vH» se estaih 
1^0 até Sgora 4« «cordo sobro a sua c»í{;em, tambeoi se 
incli4avi| a que residisse na almosphora, podendo conse- 
ipienteménte ser (Nrodu^a, pomo a cholera, poi* animar 
lusculos» espalhados na niesme ainaosphera, sem com tiH 
do negar^ que outras causas ^ e insectos de oiitra natui» 
i^esa, dan)pi6quem à% batatfis , como a SpMix airopas, 
luna variedade 4^ qual fpi rem^iaida á Academia psto 
$ilr« António Germano Barreto d0 Piíia , da Rebaldeira , 
com à nota do es^^ago causado por ella ttas batata$ , e 
IKom à amostra dp ^lano ata^^do pelo (nsecta » sendo j^ 
conhecida » ha muito, a doença dp batatas, votívada 
peh SíphifííÀ Biíff^ ; porém nto pàk vaaiísdaÃi fee ap^ 
pareceo iia Rebaldeira, k)bre o qae fep a Aondeon pri>* 
feàet 9k ultQrígres observações, 
. Que inoito concorria para acreditar que a inotosti^ 
4a| J^la^al {nrocediá iâ áta)oápherá á persiMilo ^ qnft 



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(t) 

filUta Je que a doença das larugeíras tiidlA. « 
orótem, fuadaude-se nos m^tívos segoiíite&í 

Quando se ^rraucão as laraagBÍrês acotmnettidftB d# 
mal» aciião-se as siias raízes podres e distUlando um H«- 
quido summaincnte fétido « e nem se ^ieon|l:a yestigy 
dl<^m de bicho que prejudicasse as raues ^ nesfi a tf^ra 
por onde eitos se espalhao dilTere em ewsa a^ijn^a^ de 
todo o outro terreno adjacente ; o que si^çíta a idd^ -de 
d5o provir a doença das larangciras origúiarí|iment& 4!V 
raizes , nem da terra cm que se desenvolvem ; . e tanto 
é isto assim que as novas arvores^ plantadas iio,mesm0 
sitio de que se arrancarão as que morrerão » pros^Sô 
bem. Daqui parece colligirHie que o mal se eo^Bunica 
ás ardores pelas folhas. 

As folhas sdo , como lodos sabem » ot ergios prioci*^ 
pacs da nutrição das plantas* Na$ plantas lenhirsaa, s 
parte infericNr das fuihas alisorve o$ Onidos leduiUos a 
vapw , e os gases diffimdidos pela |itmC6|riiera jyreeisoa 
pr.ra a vegetação ; e pela parte superior se expeUei» os 
iltiidos inúteis c nclla estão os orgtlos da transpiírafao ; e 
(]ue o parencbymio segrega do ar o çarboae. qe^âssatio 
psra a uutrí4;)o* 

Ova se a atmosptiera centifer substanciA daleteriafl^ 
por ufoa parto <» va,sos ab^orvenles das> folbaa {ovário á 
planta t p^oç ^Qnqes. da 9civa dj^cndoAte» txík lugar de 
filímeoto, um principio mor)i»K> ; « pw outrç parte, 
destruído pouco a pouco o parenchymio , e o tecido cel- 
lolav, eoma se flMstya das laltias das laratigéir&s nas di-* 
versas fases da sua m^cstia » n&of ^ afasoive o rarbone, 
estra^o^se ca «^g$os da respirpi^o, os smocv^^ ou inu^ 
teis ou nocivos á nutriçSo das plantas, não ife e^pplfem.; 
t por consequência refluem para as raizes» donde sé se-- 
^e a gangrena , a que acompanha o liquido de cheiro 
infecto f e a morte da planta. Porém que ^ n&o obslantO 



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(8) 

fitai conslderacSes » tudo o que tinha ponderado • rcta« 
tivameute á moléstia das larangeiras, era nma hj-pothe- 
•e , que admíttia » mai que um estudo mais profundo da 
matéria» tendo por base expericocias bem dirigidas, po* 
deria confirmar ou desvanecer, 

£ toneluio disendo: 

Nlo 6 de admirar que a doença das batatas e das 
krangetras provenha da atmosphera , quando fbctos mie 
te repetem , para assim diter , todoâ os dias diante dos 
nonos olhos , provio com que rapidez as iivfluenoías at"> 
mospherícas facem padecer » e até morrer as plantas. 
Frequentemente uma ou muitas arvores , seguindo uma 
direeçio detaminada , secção ou fido como crestadas , 
estando intactas as que lhes sfto oontif^uas, Os lavrado» 
TOS ea(p|io9o este phenomeuo attríbuindoH» a uma corda 
de ar oiAo que passou pelas plantas , e assim é. O ven« 
to trat, do sitio oodo elle etiste^ uma corrente d'ar vi« 
ciado que produi aquelles effeitos , que ás vepes só se 
opreientto d'um lado da arvore « ficando o reato livre » 
porque a corrente do ar só alcançou , na sua passagem , 
aquella porfio da arvore. E obsenrei » mais d*uma vei , 
nos oiifaes • uma zona de oliveiras , mais ou menos fair-> 
ga , aegiiiiido a piesma direcçlo , sem produsir uma s6 
azeitona » estando eanr^gadas delias as olivdraí no meio 
das quaea se achava a sona improductiva i sendo aliás 
idcnticas as condifSes do terrenOt 

Estas refle&Ses provocárSo uma disrussio em que to<» 
inàrao parte os Sftr.'* Franiini , Bonnet e outros; e pnr 
per já tarde Bio leo o Secretario perpetuo uma Memo» 
ria fv^ (ra»a« 



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(•) 



DONATIVOS. 

Jornal de Pharm&Gia e Sciencias accessorías » de que 
é Redactor o SAr. José Tedeschi. --^ 1.* serie» 2.^ aoDOt 
Março de 1849. «—4.^ um Numero. -~ Oflereddo pelo 
^Ir. Tedeschi, 

Descripçío das duas Plantas -^Sí/vf a dos Arsenaes, e 
Miroçarpo foiUgiato, Duas folhas com uma estampa ea« 
da uma » offerecidas pelo Sfir. Fraucisoo Freire Alemlo, 
Ê contíaaaçfto ádS-^Novas Planíoi do Brasil — tpievai 
pfaUicando no Rio de Janeiro* • 

Comptes rendns hebdomadaires de T Academia dcs Seien- 
ces (hutítuto Nacional ds França), N.* 26. do Tomo 27. 
Idem — N.""!» 2, e 3 do Tomo 28. — 4.'' grande» 
4 Numeros. 

Verhandelhigen der eerste Klassa van |iet Koainklijk 
«-» Nederlandsehe Institnut -« Memorias do tusíiiuto dos 
Paizes Baixos'^ 3.' serie» Tomo 1.% Parte \^ -^ Ams^ 
tardam. 1848. --4^* 1 vol. 

Ilj^kchrift voor de Wis-en Natmirkuidige Wetens- 

diappeB. — An9ol iloi Scieneias PhUosopkieas e Hatu* 

roiSt pMicado pela i.' CtasH do InstiUtio Asai dos Pai-^ 

s€t Baixos^^ V Tomo, 4/ Psrte.-* 2.''Tomo» 1.* e 

2.* Parte. 

nrogranpma certaminis Ptoetici| ab bstítnto Regi4rBeI« 
£;ico Propoâtí Amio 184& 



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(10) 



JS8EMBLEJ DEFFECTirOS DE «1 DE MJRÇO. 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de CarvaUio. 

CQDConrêrftô á Scss&o e Secretario perpelno Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Sfir/ António niniz do 
Couto Yalcnlo, Joio da Cunha Neves o Carvalho Por- 
tuga], Francisco Pedro Celestino Soares, Francisco Frei^ 
re de Conalho , Fraucíscá Recreio » Auioiíio Lopes da 
Cesta e Almerda* Fortunato Josc Sarreiros, Marino Mi« 
guel FVanziní, Ap:ostinl)p Albauo da Silveira Pinto» c Fraui- 
cisco Ifnucio dcs Santos Crus, Sócios Eílbctivo»; Antó- 
nio AIbiii'> da Fonseca Benevides , e Mattbeus Valente do 
Conto Dínii ^ Substitutos dXRectivo^ 

O Sftr. Vice Secretario, Francisco Elias Rodrigues da 
Çtlreira, participou ^U£ nia fiodia assistir á Sessdo, .por 
ipcooimodo do saúdo , o fez a^ suas veies o Sfir. Fran- 
çiaco ][2nacií> dos Sanlos Cmz. 



CORHESPOXBENaA- 

Leo o Secretario uma Portaria , expedida pela Secre-» 
tprit 4'Gllado das^ Nogtíbios. èo Reina» em 16 do cor- 
rente t participando & Âcadeinía fue^ S. M. delerind/» k 
CoiMoIta que a Academia levou á sua Augusta Presen-* 
ca, €m 22 de Fevereiro ultimo, tinha dispensado o Ba-> 
diarel Francisco Tbomaz da Silveira Franco» Vogal Fis^ 
cal do Conselho de Saúde , daquello âeniço por lempo 



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(U) 

èe seis mezes , a fim de se apptkar , ^anto lhe per«> 
miltem as suas poucas forçai physieas» á classificaçto do 
Museu Nacional , a eargo da Academia^ 

Tendo a Secretaria ^"Kttado dos I^egocios do Beiod 
reineitido & Academia o^ Estatutos dai $>ciedades agrí-« 
colas de Portalegre , Saitfareiii , Viseu e Évora , para 
dar sobre ellei o ieii parecer « iflcufiihio a Acadénia o 
«xame destes estfitutos 6í Classe de Scieiícias Naturaes , 
Éoe nomeoa para esse fim uma Comhiissao, composta 
dos Shr/ Agoísftiidio Albano da Silveira Pinto, Igna^ 
cia António da Fonseca Benevídei » é Francisco Ignacto 
dos Santos Cruz. O SAr. AgostiidiOL Albano » Relator da 
Çommissio , Íeo o resultado dos trabalhos por ella ÍSqÍy 
tos, já approvado pela Classe, e que também o fiai pela 
Academia, detemunando-ie gue se enviasse ao HinistfH 
rio competente* 

Tritando^sé do modo por que se havilo de puUicv 
aas Actas as observações meteorológicas do Siir, Fraa^ 
'kini , rcsolteo-se , adoptando a opiniSo do SAr. Franeiseo 
Pedro Celestino Soares : Que ai observações dos «éèiaa 
correntes, desd'o principio do anno, se imprimissem Hat 
Actas de cada met « o as dos vinte e seis aooois aUe^ 
ríorcs se publicaiiem sas Memofiaa da Aaadtfgaia , í^ni 
mando um só corpo. 

Sendo mais de nove horaa e^-meia da noite nio p6de 
a Aisembléa occupar-se do objecto de qne trata a carta 
do Sãr. Vandelli, Hda tèa. SesOo da 14 4e Marco, e que 
íishà ficado reienrado Inra se diieutír tàák Scssio. 



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(") 



SESSJO LITTERJRIJ DE «8 DE MARÇO. 



Pinesidio o Sfir. Joié Cordeiro Feio. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joaquim 
Jm6 da Costa de Macedo « e os Sôr/; António Diniz 
do Conto Valente , Joio da Cunha Nevea e Carvalho 
Portugal , Francisco Freire de Carvalho « José Liberato 
Freire de Carvalho , Francisco Peiko Cdestíno Soares « 
Francisco i{<;nado dos Santos Cmz , Francisco Recreio , 
António Lopes da Costa e Almada, Fortnnalo Joaé Bar- 
reiros» I{;nacio António da Fonseca Benevides, Marino 
Mignel Franzini , A<;ostinlio Albano da Silveira Pinto t e 
Francisco Elias Rodrigues da Sibcira, Sócios Effectívos ; 
António Albino da Fonseca Benevides , e MatUieus Va-> 
lente do Conto Diniz , Substitutos d^Efiectivos: Carlos 
6 Joaquim das Neves Franoo, Sócios Correspon- 



O Slir. Duque de Palmella , Vice Presidente , parti« 
aípnn que oio Jhe era poasivel assistir & Sessão* 



CORRESPONDÊNCIA. 

Leo o Secretorío 

1.* Uma PQrtaría, expedida pelo Ministério do Re{* 
nOt em 23 do corrento, remcttendo os Estatutos da So« 
cicidade Agrícola de Faro, para sobre dles emittir \ 



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( 13 ) 

Acadeirtia o seu parecer. ForOo os Estatutos entrègbes 
ao Sur. Director da Classe das Sciencias Naturae» , pa- 
ra a Cla<«e dar a sua opinião. 

2.'' Parte de duas cartas qae lhe escrcveo de Ma- 
nich o Sfir. Marquez de Resende , participando-4he ter 
alcançado licença de S. M. ElRei de Bariera para ae 
ropiarem quatro Mappas Mss. da Europa , Alrica , Aaia 
e America , que existiilo no Ministério da Guerra « fen» 
tcs em ISll pelo Hespanhol Fenisilla, natural de Maior- 
ca. Diz o Sfir. Marquez que nestes Mappas vem marca-: 
dts 08 descobríraentos feitos pelas diversas Nações Ea- 
ropeas , acompanhados de inscripçôes latinas, fm que 83 
indicâo.as datas dos mesmos descobrimentos, e $ua$mais 
notáveis- circunstancias, e pergunta se a Academia quer 
que se mandem copiar. Assentou-se que se lhe respoo*- 
de9êe que o vator dos MafMpas sé podia coiiheca*-se de- 
tidamente confrontando as mscripções que nelles se tem- 
com o que se encontra nos escriptores que tratarão do» 
defM^oltfimentos, para ver senos ddo algumas noticias :^pie 
nelles faltem ; e por isso se rogava a S. Ex/ qu^B^Be 
ter a bondade de mandar copiar as inscripçOes , em tu- 
do o que pertencesse á costa d'Afriea , alew do Eslmlo' 
de Gibraltar , 6s costas da Ásia , e ás Ilhas do Oceano, 
descobertas pdos Portuguezes , pava , á vista delias , se 
deliberar se convinha mandar-«e tirar o fac iimiU àoé^ 
referidos Mappas. 

S."" Uma carta do Sfir. Visconde de Santarém, ofte- 
recendo i Academia um exemplar do sai — Ensaio so-^ 
bre a Historia da Cosmographia ^ e da Cartographia a» 
idade media. — 

4.'' Um offieio do STir. Director do Thesouro Pnblieo^ 
DcMningos Ajitonio Barbosa Turres , agradecendo o «-r 
«mplat do Roteiro do Sfir. António Lopes da Costa 6 
Alfli9dft.9 qpe se lhe mandou. 



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' M Vifta taltâ 4o SAr. Antdnio Caetano Pisféfiif 
aftrectodo uma collecçlo de Cartas Arabi», para ter^ 
Tirem de cootinuaçlo aos Docuim^ntoa Arábicos , puUi- 
eados pela Academia* Eita collec^So compiebende as re- 
lattes enlre as Cortes de Portugal e Marrocos , desde 
Beioado da Senhora D. Maria l até agora , é eserttfta 
«M Árabe « com a traducc^o Português feio frente , e 
dmde-se em três series. 

Al/ consta das cartas qoe slo dirigidas ao Gorer&o 
Portugnec. 

A S/ contem ts dué tratlo de negócios cmnmuns a 
4inarentes cortes^ 

B tia 3.* joétio^se as (|ue , peta diversidade de as- 
sumptas sobre qM vonio , nao podem formar srstemas 
separados. 

O Sflr. AntMio Caetano Pereita remetteo , como es- 
pécimen da ma collecção « sete cartas em Árabe e Per* 
tngnet « de ((no sé led a príiAeíra « dirigida pelo Impe- 
Mêlr de Maitoeoi Holey Sulaiman á Senhora D. Maria I^ 

IKa « caria; 

é Em nome de Deos Clemente, a Miserieordiooor Mo 
há Mça , ntm j^odtr , sento em Deoa Ixédso , t Ma-^ 



«So lerfo dò fteu oenhor, em quem está cònfivdo, e 
i qtem Mca^kmienià 6s Mm negoolaa Mnley Siíleiman, 
Iny^dor doa Crentes • filho de Maharoêde Benr AbdaU 
Ml, BCÉ Eèmail: A'llmto Alta, e mais Respeitada dos 
SbIteMiDM B. Maiía Ratáha de Ptirttigal, doé AigarrM, 
BtasH, e doa 'mais (Mfhes dei átes Bomimoa* A pájr seja 
sobre qaem segue o caminho recto. Damo9-?oa parte , 
qté algaiSí dias há , éô* éhegén «ma earla do Consof 
Trtio seihFé MáÉSA de Pãfttes , dando^wM j^érté da Hm 
AegMfr â tosísa Plefieáça , der sé vèa tMr àpiieseAtador ,* 
do aentimento | que concebttle p* ler tmo síé^ mi^ 



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(18) 

VQ^^s; &em sigilai d« polàvnift de conâototao, como prés-* 
creve a amizade herdada de noMm aotepais^oâ» e bap- 
morna estável entre n6&^ e vós* Sabei, que isso não pixH 
cedco de falta das nossas rcfctas intenções , nem de falta 
de respeito â Vossa Pessoa, mas sim das muitas occu- 
paçues, que nos tem cercado de^e que eIRei Muley 
Eliaztd passou a outra vida , e por causa dos tumultos , 
que tem acontecido entre os povos deste pai2 : e também 
por segurarmos o Reino dc nossos antepassados, que 
krdamos. • 

. « Agora porém deitamos tudo , dtstrahífido nossa at-^^ 
tenção dos negócios , a que estamòis obrigados em tem- 
pos taes , para tos eK^evermos esfa Carta , ^ segurdr^ 
vos da pureza das nossas intenções para comvcsco, e f|ae 
a aitai2ade, e o distincto lt%ar , dè tfSè gózdei junto de 
DÓS , lâe tem limite , ctrjft dnr^fçâò , e eontinnaçfto nlo 
cortario os pft^ai&sos 4oS dias, e das noites, mas antes 
a augmentarSo. E na véfdade a n^sa vrontade 6 , qte k 
amiiade , e amor , que íM deixàrto os MÊêòi ^ raieces* 
seres, continue, e A3o acabé, e pct isiso an^iciemos 
esta nossa Carla <i ttuito9 dos ntgocíos da maior impor- 
tância , para tos mostrar tnoS a noUa IMfzáde , e dbaer- 
>anein a res|)0ito do que bèrdaoâM de oMbs pais , pois 
pmBanecm^ etmiwtQ na pax , bannoina „ e complcfl& 
abservattda ^ one se alhava etRibelèciâô cem neii f^ 
eimAo, e mmé jMii. tm fim fieii Aii intidligenciá » 
qae o neli pai é TMib, que os itèSítíÊ portos eMo «bet» 
tos para M toasas embarâiçdès , a fve é nôtao coi^^jW» 
está pat«M« para reçeèetf tudo quanto vMperteBeo. Cd»4 
semi^tvt Mm «iti^ao, t saúde, a Daoi irM dé nmãf 
ya eotf^telÉ. P« eícrita a S do fem do Safar do 
ff97 dã flétírk.» 

(GMcsjpMáe a tS d« $«tMlbia de 17M.) 



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(16) 

ForSo todas ts cartas entregues ao SSr. Diroetar ^a 
Classe de Sciendas Moraes e l^llas-Lcttras. 



«lENORIAS UDAS. 



Cw^defofõ^s ácerea do Projetío sabre a defensa do por- 
to de Luboa , piMicúdo hú Jorna 2.'' FarU 1/ du 2/ 
Serie d0n Memorias da Academia Eeàl das ScietKias 

. de LMoa. Pelo SBr. Fortunato José Barreiros. 

No uUino volume das Memoria» desta Academia que 
viu a luz publica , deu o nosso Coosocio « o Silr. Conse- 
lheiro Francisco Pedro Celestino Soares» um projecto so- 
bre a defensa do porto de Lisboa» que, segundo os seus 
cálculos t exige a despesa de quatrocentos contos de réis 
para se poder lavar a effeito. Consiste elle, como sabeis, 
na conslrucção de uma Torre, com uma bateria iaCerior 
casamatada » e outra superior descdlierta , estabelecida a 
meio rio , entre a Torre de S. Vicente de Belém , e a 
Torre de S. Sebastílo de Caparica, para que o fogo com- 
binado destes com o daqueíia , e três <»tiens de corren- 
tes de ferro , sustentedas por bóias impermeáveis , e pe* 
Ias quilhas de barcos ou cascos de navios velhos « coHo- 
< «adas a montonte da nova Torre, nko só possam suspen- 

der o andamento de qualquer Esquadra inimiga , mas 
também servir de escudo protector á Esquadra nacionaU 
que em tol caso tomaria posiçlo ao nascente das três IÍp 
nhas de correntes de ferro, a fim de cooperar com o sen 
fogo para a mesma defensa. Os outros pormenere» deste 
projecto^ álem de serem por v6s coidiecidos , tomam-se 



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(17) 

Mpii desnecessários para o meu fim , e por isso dispen* 
lar-me-bei de os mencionar. 

1L indiibitaYel que os meios lembrados pelo Sfir. Con» 
tettiáro Celestino, embora devam offerecer (com especia'* 
lidade a construcçio da Tone) grandíssima difficuldade» 
e enorme despeza , para .as circumstancías actuaes do 
Tbesouro publico , tomariam Summamente árdua a en^ 
trada de qualquer Esquadra inimiga no ancoradouro de 
Lisboa : esses meios seriam talvei o melbor complemento» 
que se poderia dar aos que ja tem de derensa o nosso 
porto ; mas nJko se segue que» sem elles, seja impossivel 
esta defensa , como aifirma o nosso Consócio no começo 
da sua Memoria , que passo a transcrever. 

« Lisboa {áit o Sàr. Celestino) nSo se pôde pôr a co« 
m berto de um ataque maritimo vigoroso » com as forti-- 
« GcaçSes que actualmente existem « tanto na foz , como 
« ao longo das duas margens do Tejo , até á Torre de 
« Belém e de S. Sebastião de Caparica. Por melhor que 
« estas margens se guameçatta , e se sirvam as baterias 
« nelias coastruidas, qualquer Esquadra (apesar de gros-* 
« sa avaria) pôde vir situar-se defronte de Lisboa, e dar 
«a lei aos seus habitantes: 6 por tanto indispensável 
c oppôr um obstáculo poderoso, que interrompa a passa- 
a gcm alem das Torres de Belém e de S. Sebastião ; ob« 
« staculo que o inimigo nSo possa destruir à custa dos 
<K maiíM^s sacrificios. » 

Esta asserção do nosso Consócio ^ vé-se que foi feita 
aioda debaixo da viva impressão , que no seu coração 
patriótico, causou a entrada do Almirante Roussin noTéjo^ 
em 11 de Julho de 1831 1 triumfando do grande nu- 
mero de tiros, que, contra a sua Esquadra, dispararam 
todas AS baterias das fíHrtalezas da barra e das duas mar^ 
gens do rio ; mas ha nella exageração , e não pôde dei-* 
xar de produzir grande desalento nos habitantes de Lis- 
JoJáo t 2 



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(18) 

èoa« qiic a viram coDfirmada ha tio poocos annos. Trao'' 
quilisar pois o animo destes habitantes , e mostrar que 
sem a projectada Yorr? • só com os metos ^e actual- 
mente possuímos, podemos defender elBeamiente o nosso 
porto, contra a aggresste ma» figorosa de qualquer Es- 
quadra estrangeira , tal é o objecto que me proponho 
neste escriplo , e que sobmetto á vossa beoevola atten« 
fSo. 

. Dividirei o meu assumpto em três partes : na primei'* 
ra explicarei as principacs causas, a que Toi devida a in- 
efficacia do fo^o das nossas baierías, contra a Esquadra 
do Almirante Koussin ; na segunda exporei as vantagens 
da nova arma, com a qual contem principalmente guar- 
necer as mesmas baterias, e na terceira rarei as consi^ 
derações que vierem a propósito , rehittvns â defensa do 
porto de Lisboa ^ e tendentes ao supra<*indicado fim. 



!.• PARTB. 

Quando o Almirante Roussin forçou a barra de Lis^ 
boa, em 1831, as baterias das fortaleias da foz do Tejo» 
e as que guarnecem as duas margens doste rio até Be* 
lem e Caparica, estavam armadas com peças, com obu« 
zes e com morteiros. 

As peças , ou seja disparando eom bala fria , on com 
bala vermelha , quando acertam os seus tiros no costada 
dos navios, e vão animadas de sufficiente velocidade, 
fezem ordinariamente nesse costado um rombo cjUndrí-- 
CO , de diâmetro egual ao da bala , o qual somente se 
toma perigoso, existindo na proximidade da linha de flu^ 
^uaçtto ; porque a agoa p^ria aatrar por elle e iimua^ 



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(19) 

dar o ttàvlo , nâo stc lhe acudindo Imincdiatanicntc , co^ 
mo está em uso , com tacos dé madeira , conveniente^ 
mente afeiçoados para tapar o romlx) , que se levam ja 
promptos para esse effeito* O iiicendio do mesmo costa-* 
do, promovido pelo contacto da bala vermelha cem a 
madeira , quando aquella fica cravada nesta , nem sem- 
pre tem logar, como d prova a experiência ; porque pa-^ 
ra isso, é necessária a existência de uma corrente de ar, 
que com o seu oxigénio conserve a preciso gráo de tenrn 
peratura da bala , e alimente a combustão da madeira ; 
e quando com effeito existe essa corrente de ar , o in«* 
ccndio só se manifesta sensivelmente uma ou mais horas 
depms , jsto 6 , passado mais tempo do qne seria neces« 
sarío, para transpor com vento fresco a distancia da bar- 
ra até ao ancoradouro de Lisboa* Vé-se pois , que os 
tiros de bala, disparados contra os navios, de per si só, 
quando nSo tomarem communicantes muitos rombos, 
feitos em logar perigoso, simultânea du seguidamente 
(o que raríssimas vezes terá logar) , ou tíio acertarem 
nos mastros, n3k> produzirSo nos mesmos navios avaria 
tão considerável , que os impeça de continuarem a na-« 
vegar ; e por conseguinte , que os tiros desta espécie , 
feitos 'pelas nossas baterias, na occasiflo a que acima ai- 
hidimos , pouco podiam contrariar o seguimento da Es- 
quadra Firanceza, favorecida; como o foi, pelo vento 
mais propicio. 

Os tiros de obuz seriam muito efficazes contra as em^ 
barcaçOes inimigas, se nelles nSo houvesse grande in- 
fórteza , a ponto de que talvez nem um único se em« 
pregasse. Esta incerteza nos obuzes curtos , únicos que 
tínhamos entSo , procedeu de dois motivos , um que lhes 
era particular , e o outro eommum a todas as bocas de 
fcgo : o primeiro motivo consiste em que O pequeno com-* 
jáoMãa 4o obuz, apffKftimando entre si os pontos dire^ 



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(20) 

ctores la pontaria , torna muitíssimo inihicnte qaalqMf 
erro, que se commetla ao Taiè-Ia, e que nâo pôde dei*- 
xar de haver muitas vezes , pertendeudo disparar com 
celeridade contra alvos móveis ; e o segundo tem origem 
na grandeza do vento do projéctil , ou differença entre o 
diâmetro deste e o da alma do obuz , que era nesse 
tempo, e é ainda hoje entre nós* muito considerável ; de 
que resulta partir o mesmo projéctil qoasi sempre por 
uma direcç&o divergente da do eixo » que é a presnp- 
posta nas regras de pontaria* Mas quando, a despeito de 
tacs causas , ou por uma casual compensação entre el* 
las , as granadas acertassem no costado dos navios , a 
pequena grossura que se*lbes di , para se dividirem cm 
grande numero de estilhaços , e a fragilidade do ferro 
coado, as quebraria no choque contra o mesmo costado» 
por pouco considerável, que fesse a velocidade com que 
o percutissem , e por consequência de nenhum effeito se 
tomariam ent2k>. As que caíssem porém, e rebentassem 
no convez dos navios , essas produziriam grande estraga 
na guarnição, e nos objectos que alcançassem ; mas a in- 
dicada incerteza de taes tiros, preserva em grande par^ 
te contra siroilhante acontecimento. 
. O tiro dos morteiros, ja bastantemente incerto con- 
tra alvos fixos , pelos motivos que apontei , tratando dos 
obuzes , mas ainda muito mais do que o destes , nSo s6 
pelo menor comprimento proporcional de alma que é for-* 
coso dar-lhes, e pelo maior vaito que tem os seus pro- 
jecteis , como também pda iraparfeição dos meios em- 
pregados na pontaria deste género de bocas de fogo, de 
pouca efficacia poderia ser contra os navios , attenta a 
raridade de acertar nelles. Se n&o fòra porém tal rari- 
dade , era este de certo o meio mais poderoso que con- 
viria empregar; porque muitos factos, expendidos noCa- 
jiitulo 23*'' da obra de que brevemente falarei» mostram^ 



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. ( 21 ) 

que basta o acerto de uma só boroba, para metter um 
Uà\io a pkrae. 

AjuBtaiido ás causas de desacerto dos tiros, que deixo 
apontadas , as que provém da forma irregular , que to« 
dos os projecteis, por mais perfeitos que teuham sido na 
sua origem , adquirem pela oxidaç&o , estando expostos » 
mo se usa entre nós , sem alcuma pintura , á int^*- 
iríe da atmosfera, assim como dos choques de uns con- 
es outros , quando se empilham , transportam , ctc , 
ihecer-se-ha a razão, porque havendo^e disparado tau- 
poucos acertaram nos navios, e pequena avaria cau** 
nellcs. 
^^^ pois explicado , segundo me parece , o motivo 
p^^ue a Esquadra Franceza p6de arrostar impupemen* 
te, em 1831, o fop:o das baterias, que defendem o porto 
de Lisboa , e vir fundear defronte da Cidade , dictando 
dalíi a lei ao Governo de entBo ; e seria para recear 
e^ial resultado de nova ap^^essSo futura , dada a cir-- 
cumstancia favorável de vento prospero, se aquellas ba- 
terias continuassem a estar armadas, unicamente com os 
Imitados géneros de bocas de fogo, como provavelmentQ 
^ppoz o noBso illustre Consócio. 




2.' PABTR 

Mas boje de certo nSo succederia o mesmo. Possuh 
mos ja ha annos grande numero de armas de uma nova 
espécie, de tdo terrivel effeito contra os navios, que ne- 
nhuma Esquadra , por mais temerário que fosse o seu 
Commandante , poderia arrostar os effeitos delias , sení 
fionrer o maior risco: quero falar dos canhOes-obuzes^ 



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(22) 

• 

oa novofi obuzes de costa e de matinha, a que os Fraiw 
cezes chamam támbem canons^Paixhans , do nome do 
General da AililheríaFranceia, que os inventou em 1817, 
e deu a conhecer ao publico em 1822, na importante 
obra a que ha pouco alludi, intitulada Nouvelle fora 
fnaritinie; porque foi sua primeira ideia, empregala a 
bordo dos navios Franceses , para pôr termo « prepon- 
derância marilima da Inglaterra. 

Estas novas armas, que s&o verdadeiramente unff obu- 
ses compridos , com os quaes , ja talvez todas oê Poten* 
cias marítimas tem armadas as suas baterias de costa , 
disparam a ricochete contra os navios, com granadas de 
grossura suiBcienle , para que nllo sejam quebradas no 
choque , indo íixas a laCo de páo , & maneira do que se 
usa na artilheria de campanha , e sendo lançadas cora 
carga de pólvora equivalente a um sexto do peso do pro- 
jéctil descarregado, a qual pôde augmentar-se até um 
quinto do peso do mesmo projéctil , havendo de atirar 
para grande distancia* Sào montados em reparos de pe-* 
ça de grosso calibre ; e as granadas , alem da carga do 
pólvora necessária para as fazer rebentar , levam no seu 
vSo interior, uma certa quantidade de rocha de fogo^ ou 
cotos incendiários, como vulgarmente lhe chamamos, pa- 
ra oue espalhados, no acto da explosSo do projéctil, in- 
cendeiem todos os objéttos Cotnbustivcis', que em tâo 
grande copia ha sempre nos navios, e mais ainda na oc- 
casito de combate. D&-se apenas as granadas o vento 
que é indispensável para o serviço, afim de tornar mais 
certos os tiros;* de modu que, se o projéctil se Crava no 
c<^tado de um navio, quando rebenta, faz-lhe um rom« 
bo tio grande e irregular , que nfto é possivel tapalo de 
prompto, e se este rombo fica próximo da Unha de flu-^ 
ctuaçào , o navio corre imminentissimo risco de ir a pi-* 
^ue \ noas se em razào da sua maior velocidade , o p»^ 



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(23) 

]c6in atravessa o mesmo costado , nesse caso vai rebeiH 
lar dentro da embarcarão, espalhando o inceadio' e • 
morte de roda de si. 

O calibre de oito polegadas é o que está geralmente 
adoptado para a defensa de costa , por ser o maior do 
que , sem meios extraordinários e morosos , se pôde fa-» 
ler uso ncslc serviço: ha porem calibres maiores e me* 
nores, empregados hoje a bordo de quasi todos os navios 
de guerra estrangeiros , e em alguns dos nossos. 

Os canhões^-obuzcs nHo se adoptaram, sem que a sua 
utilidade fosse verificada, por experiências bem dirigida» 
e concludentes. Das que se fizeram em França, no anno 
<le 182f-, perante duas Commissd^es especiaes, apresen- 
tarei os seguintes resultados, traduzidos fielmente da cir« 
curastanciada noticia , que delias dá e General Paixhan» 
(entào Tenente Coronel) na sua outra obra, intitulada Ex^ 
périences faites par la fnarine frwnçam $ur une arme 
-nouvellcy que se acha impressa ha muitos annos ; adver- 
tindo, que o canhão*obuz de 80, de que se fala nesta 
obra , e que foi o submettido ás experiências , é o do 
oito polegadas, denominando-o o seu auctor de 80, por 
ser este o peso. em libras Franceias, que teria o proje^ 
ctil se fosse macisso, 

1.* Série de experiências, paginas 9. 
«A principal duvida que havia versava sobre o alcance, 
ff o qual resultou de tal grandeza , que não s6 os proje- 
* eteís ocos, do peso de 5S libras (que eram as granadas 
« de 8 polegadas , pesando 58 arráteis e Vj alcançaram 
« tanto como as balas dos maiores calibres , mas achou- 
«se também, que com a pequena carga de 10 libras 
tf (10 arráteis e |) de pólvora, uma bala macissa do pc^ 
«80 de 80 libras (8ã^arratas e 3) foi lançada á distao-»» 
«cia de 1930 toezas (1710 braças Pivtuguezas) facta 
«este mi verdade extraordinário* 



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(24) 

<t?ara julgar depois o effeito das granadas disparadas 
c deste modo , traiisportou-se a boca de fogo para um 
a pontuo, que ficava 300 toczas (266 braças] distante 
«de uma náo detinha, na qual se haviam tomaao as con- 
« venientes precauc&es. Diçpararam-se dose tiros do ca« 
«nhlo-obttz contra esta náo, e apesar da distancia, nem 
« um só errou o alvo. 

« Os efTeitos produzidos foram enérgicos : o primeiro 
«projéctil despedaçou 150 pés quadrados (327 palmos 
« quadrados) de madeiramento , e espalhou um fumo in- 
« supportavei ; outro quebron um avultado pedaço do 
« mastro grande , e arrojou diante de si uma peça de 
«ferragem do peso de 130 libras (138 arráteis e §); 
«outro deslocou uma curva do peso de dois quintaes 
«(213 arráteis e 7; e derrubou depois com os seus e&< 
«tilhaços roais de quarenta simulacros de artilheiros; 
« outro fez um rombo irreparável no costado da náo ; etc. 
«Taes forUo os effeitos do canhSo-obuz de 80 (8 polé-* 
« gadas) ; ajuize-«8e quaes poderia produzir o do calibra 
«de 150 (10 polegadas}! 

Paginas 11 — Diz a 1/ »Cdmmis8lo : 
« Esta arma é terrivcl , sem ofiEarecer mais difficuldades 
« do quo as peças ordinárias. Será de incalculável utili<« 
« dade nas baterias do costa , nas barcas canhoneiras , 
«nas baterias iluctuantes, e nos barcos a vapor. 

Paginas 13 — >2/ Série de experiências, 
Q Novas experiências a que se procedeu perante a 2.^ 
«Commissão, deram o mesmo resultado que as primei-* 
« ras , e nào só o eiFeito das granadas de 80 (8 pole-^ 
«gadas) foi, sem comparaçto alguma, superior ao das ba-* 
«las ocas (lançadas por peças do calibre 36), mas mui^ 
«to alem da proporção que se podia prever, 

. Paginas i4-^L6«<se no processo verbal: 
cACoaunissio inspeccionou por si mesma o estrago piiH 



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(28) 

«rdigioso que as granadas produziram Com taes 

«projecteis é indubitaTel , que racilmenie se poderia in« 

ffcendíar um uayio É tio terrível p eSéito del« 

« les, que bastaria que um ou dois rebentassem em uma 
a bateria , para compromelter a defensa do navio » con^ 

a tra o qual se empregassem Produzem nas par^ 

« tes príncipaes de madeira das embarcaçSes um estrago 
« tal , que effectuando-se na linba de fluctuacSo, as ex« 
«poria a irem a pique. 

« A náo t contra a qual se disparou , estava húmida » 
«rdeshabitada e vasia ; o que fará em um navio armado, 
«alcatroado, cheio de gente e de objectos! Tudo entSo 
« offerecerá alimento á explosSo e ao fogo : a pólvora , 
« circulando por toda a parte , tornará de um para ou« 
« tro momento imminente o incêndio geral ; o que effe^ 
« ctivameote teria tido logar na referida náo , se proxi-^ 
«mo a ella n&o existissem todos os meios necessaríosl 
«para lhe acudir, sem embargo de haverem os tiros si-« 
«do feitos eom grandes intervallos, e de irem alguna 
«dos projecteis deíq)ravidos de cdtos incendiários. 

Paginas 16. 
ff A CommisÉSo reconheceu unanimemente , que esta ar«« 
ff ma será de maravilhoso eCfeito nas baterias de costa, 
« e que nenhum navio , por maior que seja a sua força , 
«situado á distancia de 300 a 600 toezas (266 a 532 
«braças) poderia su8ten(ar«-se contra uma tal bateria. i^ 



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(«9) 



3/ PAETB. 

Os resultados conteúdos nos excerptos que acabo de 
transcrever, juntos á plena approvação, que a Academia 
das Scienci&s de Pariz deu a esta innovaçuo, pela qual 
o seu auctor foi admittido ao grémio daquella Corpora- 
çio distincla ; a subsequente adopção, e emprego geral 
dos cauhões-morteíros a dos canbdcs-obuzes , tanto |»ara 
o armamento dos navios (o que torna boje muito mais 
temiveis » e p<ff isso menos frequentes as acções navaes) 
como também para a defensa de costa em todas , ou 
quasi todas as outras nações, deixa claramente vér, que 
|IK)ssuindo nós (como pôde verificar, quem se dirigir aos 
depósitos de bocas de fogo do Arsenal do Exercito, e 
do Forte de S. Paulo) grande numero destas armas, tao 
poderosas contra os navios , nada obsta a que armemos 
com ellas, as baterias que protegem o porto de Lisboa , 
bestando talvez dois ou Ires canhôes-obuzes em cada b'a-* 
teria , para defender eílicatmentc tí mesmo porto , con- 
tra o ataque mais violento de qualquer Esquadra, que 
éuzasse, como em i831 , forcar a nossa barra; sendo 
^m de crer , que neidmm Chefe se resolv^ia a conn- 
metter então similhante acto de temeridade, ja pelo ris- 
co que correria , ja pela responsabilidade que tomarist 
sobre si , tendo toda a probabilidade de máo êxito. 

E com efTeito , ou os navios entrassem pela barra do 
Norte, ou pela barra do Sul, necessariamente passariam 
a menos de 500 braças de distancia das Torres que de- 
fendem essas barras , e atirando-se contra elles a rico- 
chete y de modo tal , que a máxima ordenada das cur^ 



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n 



(27) 

Tfls snccessivas nSo excedesse a altura dó casco dos tnes^ 
mos navios , tendo aitcnçlio ,_ no dirigir a pontaria , á 
velocidade com que elles caminhassem » como poderiará 
fiubtrair-se, ja não direi ao acerto* de todos os projecteis» 
mas, peio menos, ao da terça parte dos que contra elles 
se disparassem, a razdo de um por boca de fogo em ca-- 
da minuto ? E se escapassem do^ tiros daquéllas Torres » 
lograriam egual fortuna, quando passassem defronte e m 
alcance das outras baterias , com especialidade das do 
Bom Sacccsso e de S. SebastilKo de Caparica ? É de pre- 
sumir que nSio, principalmente se considerarmos o gran- 
de numero de bocas de fogo , que simultaneamente po- 
dem estar em acção nas mesmas baterias. 

Se o emprego que fazemos de alguns dos supramen- 
cionados canhdes-obuzes , abordo dos nossos navios de 
pierra, não nos deixasse dísponiveis, para as baterias dé 
costa , tantos , quantos conviesse ao seu armamento , as- 
sentaríamos, na bateria do Bom Successo, os que temos 
do calibre de 150 (10 polegadas) e distribuindo os ou- 
tros pelas demais baterias , ou pelas principaes delias » 
substituiriannos os que faltassem, com as caronadas de 
calibre 58 (que podem ser consideradas como obuzes 
compridos) , e com as peças dos calibres 42 Inglez , e 
36 Portugu<;z , de que possuimos grande numero , tlis-^ 
parando lod^s a ricochete, com granadas mais grossas áó 
que as actuaes, que para esse efleito conviria fabricar 
de pn^MSÍto; fabricação esta, que não levaria rouitd 
tempo , graças aos melhoramentos introduzidos hoje nd 
oifkina das fundições do Arsenal do Exercito, e nas fa^ 
bricas de ferro de particulares, que existem em Lisboa ; 
não nos faltando metal para esses projecteis , porque há 
PO mesmo Arsenal muitas bocas de fogo iucapazes, des«* 
tinadas á refandiçAo. 

O eStàto explosivo e i&cenâiario dos projecteis dcos]^ 



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( 28) 

kocados pelas caronadas e pelas peças, em razio <Io 
oiCDor diâmetro destes projecteis , e por conseguinte da 
0ienor quantidade de pólvora e de cdtos incendiários, 
^ue podera receber no seu vfto interior » é , e nJko pôde 
deixar de ser, inferior ao dos granadas de 8, e de 10 
polegadas; mas não se segue por isso, que nio baste 
esse effeito, para produur, nos naiios, accidentes tão fu^ 
Destos , como causariam os nais grossos projecteis. Os 
numerosos Cactos, dcscríptos pelo General Paixhans, na 
5ua ja referida ot)ra , NoiívelU force maritime , Ca^ntalo 
23.% B.^' 21, 29, 33, 34, 33, 41, 45, 49, 60, 53, 
54, 57, 61, €2 e 63, o confirmam de um modo taoca- 
thegorico, que o emprego destas ultimas bocas de fogo, 
lançando granadas do respectivo calibro, nlio poderia 
deixar de ser julgado sofficiente, para a eilicaz defensa 
do nosso porto , quando mesmo nllo tivéssemos , como 
eflectivaniente temos , para addicciouar*Ihe , a poderosa 
cooperação dos canbòes-obuzes de que acima falámos. 

A' vista do expendido, o que é que nos falta pois, 
para organizar completamente a defensa do porto de Lis^ 
boa , contra uma aggressão \ígorosa ? Fabricar os pro« 
jecteis ocos , necessários para o abastecimento das bocas 
de jogo, com que devem ser armadas as respectivas ba* 
terias, e proseguir na construeçdo dos reparos de costa 
de que carecem muitas dessas bocas de fogo , como ja 
se fez para a importante bateria dos Apóstolos da Torre 
de S. Julião da Barra , visto que esses reparos tomam 
mais prompta a execuçSo das pontarias, e permittem fa« 
lêias por um mais vasto sector de tiro. 

A despeza que demanda a preparação destes meios, 
ilem de incomparavelmente menor , do que a exigida 
pelo projecto do nosso Consócio , para a nova Torro , e 
para as três linhas de conrentes de ferro, não pôde ser, 
como esta , reputada extraordinária ; por quanto, ha tf« 



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(29) 

Ie€tí?ainentè necessidade. de fabricar projecteis òcos^ fNH 
ra substituir 08 que estão arruinados , e os que foltam 
ao conveniente fornecimento dos. dbuzes e morteiros, 
empregados no serviço de costa , e oeste caso dar-se- 
hia apenas uma transferencia de despeia ; a que requer 
a coDstnicçHo dos novos reparos , essa também deveria 
fazer-se^ porque assim o exige a natureza do serviço de 
costa , qualquer que seja a quaKdade de botas de fog« 
que nelle se empregue ; e finalmente a de que carecem 
os parapeitos das baterias, para a comenienie appUcaçSo 
desses reparos, está em egualdade de circumstancias , e 
Dâo é mais, do que a contimiaçao do que ja foi prinei* 
piada na referida Torre de S. Julião da Barra. N5o des- 
continuar pois os trabalhos começados , destinando an- 
liiialmente para elles uma quantia certa , adaptada ás 
circumstancias do Thesouro , e a|iroveitar o que temos , 
do modo que deixo indicado ; tal me parece ser- o úni- 
co expediente, hoje exequivel entre n6s, e porventura o 
sufficiente para chegarmos, com o tempo, ao mesmo fim, 
que se propunha o Sfir. Conselheiro Celestino, talvez sem 
mais demora» e de certo sem a enorme despesa, (^ ne- 
cessariamente daria a realisação do seu projecto, o qual 
coostítoe uma das obras hydraulicas mais dilficeis que 
se poderiam intentar, sendo impossivel prever as sommas 
que custaria. 

Não concluirei estas considerações sem ponderar, que 
afora as baterias permanentes, destinadas para a defisnsa 
do porto de Lisboa até is Torres de Belem e de S. Se- 
bastião de Caparica , o Governo de Sua Magestade não 
deixaria por certo de mandar construir outras provisó- 
rias, tanto alem, como áquem das mesmas Torres, com 
especialidade na Trafaria , em S. José de Ribamar , no 
Largo do Convento de S. Jeronymo , no Cães de Belem 
os Francezes tiveram uma em 1807) , na Jun- 



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(30) 

ipieira » no Cacs do Sodré » e na Praça do Commercío f 
M quaes , guarnecidas com os mesmos géneros de bocas 
de iogOf e lançando a expressada espécie de projecteis, 
combinando o seu fogo, particularmente as ultimas, com 
o dos Fortes de Almada e de Cacilhas, e com o dos 
pavios armados da nossa Esquadra, facilmente consegui- 
riam metter a pique as poucas embarcações , que che- 
gassem a entrar no ancoradouro de Lisboa. 

Tenho concluido o meu assumpto , restandonne o pe- 
sar de n5o poder conformar-me com a opiniUo do nosso 
illustrc collega , em cujo animo Yi.sivelmente ressumbra 
ainda a magoa de que, como bom Portuguez, o possuio 
a aiTrcnta sofrida pelo brio nacional no anno de 1831. 
Felizmente os progressos qne a Artilheria tem feito des- 
de aquelle iempo , e dos quaes nos podemos apropriar , 
do mesmo modo que o tem praticado as outras Potencias, 
desvanecendo quaesquer apreensões que existam , dão- 
Bos hoje a segurança, de que tal alTrouta nHo hade re« 
petir--se ; porque possuimos os meios materiaes necessá- 
rios para repellila , e temos bastante coragem , intelli- 
gencia, e decidida vontade, de manter a independência 
e a honra desta bella pátria, que á custa de ninito pre« 
cioso sangue uos legaram os nossos gloriosos antepassa* 
4o8. 



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(3i) 



MEMORIAS APRESENTADAS, 



O SOr. Francisco Pedro Celestino Soares apresentou , 
já reconâderadas , as suas Breres refleaõès á cerca das 
tantagew que se podem obter da tenalha em frente da 
cortina , aa« tinha Udo na SessSo de 28 de Fe? ereiro^ 
ultimo. 



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(32) 



DONATIVOS- 

Jornal ia Sociedade Pharmaceuliça Luãi^ma. — N.^ 
13, 14 e 15 do Tomo S.^-S."" 3 Números. 

Essai sur VHitíoire de Ia Cosmographie ei de laCar^ 
íographief pendaiU te moyerirage , etc. Pelo Sflr. Visconde 
de Santarém. — Tomo 1.^— 8.*— Parii 1849. 

CompUi retidus hibdomadairti des iémices de rAca^ 
iénúe de$ Sàenees flustiiuto Nacional de França). — N."^ 
4t 5 e 6 do Tomo 28.''— -4 * grande 3 Números. 

ilémoires de VAeadémie Impiriale dei Sciences de 
SaifU^^PéíerAourg. — VI*' série. — Sciences Mathéma^ 
tiques, Physiqaes etNatureiles — Tome huitième. — Se- 
conde Partie. Sciences Naturelles. — Tome sixième — 
!'• et 2** Livraisons. 

Jdem. —*Première Partie: Sciences Hathématiques et 
Physiqaes. —Tome qnatríème. — 4** et 5** Li^Taiaons. 

Idem. —Tome cínquième. — ^ l'* et 2"' Livraisons. 

/(f em.— Sciences Politiques, Histotre, Philologie. — ^ 
Tome septième. — 4"* et B"* UTraismis^ 

liem. — Idem. — 6"* livraison. 



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( 


53^ 




Diário da$ oòsefvaçíttg mtteoroloaicai f cilas em Lisboa no me» 
de Março de 1849 na altvta de 39 braças [Sd metros] solre 


nicel do Tejo. 


N 


Temp. 
Exter. 


Baxoaietro 


£ 


Ventos do- 












1 


minantes , 
e sua for- 
ça 


Estado da Atmos- 
pbera 


• 
.S 






T 


Q 


s 


o» 


m 
«0 








1 


4f 


62 


768,6 


767.0 


••NO-NO» 


Claro e nuvens — 
Coberto. 


t 


4S 


6S 


68.4 


67.0 


NE— NE^ 


Claro. 


S 


47 


64 


66.0 


6S.0 


E— NE 


Claro. 


4 


48 


66 


64,6 


«4.! 


NE— E* 


Claro e nuvens. 


1 


48 


66 


66,6 


65,7 


•NE— B 


Claro. 


« 


47 


70 


67.6 


6Í.7I 


#E— V- 


Claro e nuvens pou- 
















co deusas— A p- 
















parencia de tro- 
















voada remota. 


7 


48 


71 


65.2 


6t,4 




ME— N 


Claro — Sol arden- 
te. 
Id. Id. 


S 


44 


68 


60,5 


69,0 




• V— 'N 


9 


44 


68 


58 5 


6S.^ 




«V— »N' 


Claro— Claro eva- 
pores, tarde mui- 
to fria earsecco. 


10 


49 


58 


56.0 


6S,i 




»N— 'N 


Claro— frio e muito 
secco. 


11 


41 


56 


66.0 


65.1 




«NE— NE 


Claro— subida rá- 
pida do baróme- 
tro. 

Claro, muito frio e 


12 


S8 


56 


68,4 


«6.0 




iNE— *N 
















secco. 


IS 


4S 


67 


64.4 


6S.0 




«N— «N 


Id. Sol ardente. 


li 


48 


72 


61.7 


59. d 




'N— N 


Id. Id. 


15 


50 


72 


£0,2 


«0.» 




NE*— N 


Id. Id. 


16 


48 


71 


65,8 


ii.6 




•B— NO. 


Id,— atraosphera 
vaporosa. — Jd. 
Nevoeiro matuti- 


17 


48 


67 


65.5 


64,7 




#B~SO 
















no.e depois daro 
















-^frio e húmido. 




xS5 


o^i 


'4 








^ 3 



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s 


RxS' S^romelio 


2 \'entos do- 




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V inioantes , 
H e sua tbr- 


fisUd# da AtRKs< 




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18 


'7? 


68 


62,,^ 


60.5 


7 •»— SO 


Começa a chuva á« 
2** da tarde. 


19 


48 


61 


61.0 


no.o 


•N»0-»NO» 


Claro • Duvens. 


20 


47 


ã$ 


56,2 


58,7 1 


7 'xNO— N 


Chuvas de fortes 
aguaceiros, muito 
frios. 


21 


i7 


67 


55^ 


58.8 


'NE— N 


Coberto e clarões. 
Claro e Duveus. 


2í2 


50 


69 


50.( 


^7.1 


T «NE— V- 


Claro enuiens.-^ 
Chuva de tarde. 


■ 23 


52 


62 


47,S 


48,3 


•0— "SO- 


Coberto e clarees 












— Claro enuvem.i 


24 


i6 


0*6 


50,e 


50.0 


♦•NE — V* Nevoeiro mmtuti-l 














no». — Coberto. 


«5 


47 


64 


49.? 


48,S 


»V— «NO* 

1 


Claro enuven».— 
Coberto e cla- 
rões, com chuvis- 


26 


40 


57 


52,4 


51,8 


NE«— N« 


co inapreciável. 
Claro.— Mui to frios 














os extremos do dia 


27 


40 


58 


53,6 


52.2 


•«NO— «O» 


Claro e nuvens.— 


28 


46 


54 


45,0 


*5,0 , 


5 1 '0»— «0» 


Frio intenso. 
Aguaceiros alter- 
nados, e ar muito 
secco e frio. 


29 


iS 


61 


^í.2 


S7,0 1 


j ,*V-»SE» 


Id. de granizo. — 
Trovoada de tar- 
de. 


80 


45 


58 


4^8 


50,1 


1 «0'— 0» 


Claro e nu vens.— 
Aguaceiro bran- 
do de tarde. 


31 


50 


59 


50,2 


^0,0 1 1 


5 *S0— 'SO* 


Chuva abundante 














todo o dia. 


' 










Quente e secco até^ 


Med. - 


45,8 


68.6 


758,5 757,2 6 


l NE-N-NO 


17-*Frioe chuvo- 
so ôrAstnilnrnPT- 



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(33) 



ÁdvertemicL O signal * precedendo afi iuiciaes âo4 
centos indica a madra^jada bopançosa. Os expoentoi 
colioeados sobre as iniciacs dos centos para expressar 
a sua fiM-ça, sígniíicSo «-^ - Vento apenas sensível — au- 
sência de expoente, vento ligeiro — 1 fresco — 2 mui- 
to fresco — 3 fresqvissimo — 4 impetuoso — r vento 
ie refegas. — A chuva é waliada €» millimetros, cor- 
respondendo a cada um 3,514 canadas de agua por bra-« 
ça quadrada. 

As observações de temperaturas s^o designadas pelo 
termómetro de Fahrenheit » e representUo as do ar li- 
vre. — O barómetro de que se faz uso representa as 
alturas do mercúrio era millimetros e seus decimoen 
do systema métrica 



RESULTADO BAS OBSCRTACÕES 1K> MEZ BE MARÇO 
BB 18i9. 

Temperaíurai. Máxima a 14 e 15, 72** — Minima 
a 12, 38® — Temperatura media das madrugadas i^fi 

— Dita ás 2 h. da tarde 6y,6 — Dita media do mcr 
54*,2 — Var. mod. diurna 1T*,8 — Máxima dita , a 
8, 14, 17— de 2i\ 

Pressão atmospl^triea reduzidas as alturas do baró- 
metro á temperatura de 6y. — Máxima altura no 1.* 
do mez 768,7 mill.— Minima a 29—737,2— Al- 
tom media 757i9 — Variaçfio dos extremos 3l*,3 m. 

— A descida do barómetro, que começou na tarde do 
áia 7, e coutíiiQoa no seguinte , annunciou a tempes- 



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(36) 

tadA do N. qne soprou a 9 e' 10, a qlial pela siua 
violeticta, e seccura, eausou notável prejnizo aos vc$;c* 
taes» já extenuados pela falta de chuvas tao prolonga- 
da, resfriando subitamente a atmoêf^era jO a 12''.--« 
Igualmente na tarde de 20 começou a baixar notável- 
fBôzite', continuando nos dias seguintes o mesmo mon^ 
iRcnto, apesar do predomínio dos ventos do l."* qua« 
drante, c de se manter o ceo claro e o ar secco ; res* 
friando novamente a temperatura de 10 a 12'', segaiiH 
do-se a 27 as benéficas chuvas, que continuaria até 
ao fim do mcz. 

Ventos (lomimntei^ contados em meios dias, e snas 
forças — \,13 (l,0)^NO.8 (0,9) — 0,7 (1,0)SO,6, 
(0,7) _ S, 1 , (0,2) — NE, U, (0,6)— E,3 (0,2) — SE,1 
(I,6j — p Variáveis ou bonanças 7— «Direcção media do 
vento dom'nante N,8^0 (0,8) --* Madrugadas bonanço^ 
sas 14— 'Meios dias ventosos 16 — ^Tempestades do N 
a 9 e 10 —Dita do SE a O, a 28 e 29. 

Adcertenciãp • — Os algarismos que seguem as letras 
ipiciaos dos ventos denotdo o numero de meios dias em 
que soprarão, e os que se lhes seguem, fechados em 
colchetes, denotUo a sua veloc^idade, representando a 
unidade (1,0) a velocidade do 12 milhas por hora, que 
corresponde ao vento tVe3Co.--«0 vento apenas sensivel é 
representado por (0.2), cujo expoente no Diário é o poni 
to. —7 O vento ligeiro , que no Diário se acha destituído 
de expoente , e tem a velocidade de 4 milhas por hora , 
6 aqui representado por (0,3), e assim dos outros , de« 
vendo noúirvse , que os expoentes de. convençfto usados 
DO Diário , qUo sSo idenltcos aos quo ei^pressSo aqui as 
velocidades , o que n^ais oircunstanciadam^nte se expli-» 
cará na exposição quo publicaremos no próximo numero 
deste Jornah 

JSétaig da Mnrnph^r^h Moios dias cIacos 20 -~ Qai» 



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(37) 

f08 e BiXTcas 14 «^Cobertos 4 ~» Cobertos e clar5es4— « 
Dtas em qae chovco 7, que produzir&o 61 miUímetros 
Da 1,27 da chuva normal deste mes , o ijue equivale a 
mais de uma quarta parte. • — Nevoeiros 2 ^ Trovoada 
M 29— 'Dias de Trio notável 9. 

Asp€€i0 dos eampoi e mUros phewmenoi. A secca qae 
predominou desde 5 de Janeiro até 17 deste mez, linh^ 
dessecado todas as plautas , principalmente as legomino- 
MS e 05 cereaes , quando felixmeiíte apparecérdo as ape- 
tecidas chuvas, as quáes repentinamente fixerio resorgirt 
como por encanto, as amortecidas searas , continuando a 
sua benéfica inlluencia a regenerar a vida vegetal que sê 
manifesta por toda a parte , e que mais alguns dias de 
continaaçSo do flagello teria feito perecer totalmente; 
fnzstrando-se assim as esperanças de alguns especulado- 
res egoístas , que já eontavSo com a total faàeucia da 
fiitura colheita. O preço do pão suhio em Lisboa mais 
6 réis por arrátel , o que para os moradores da cidade 
augmenta a siia despesa diária , neste indispensável aii-> 
mento i para mais de um conto de réis ; porém » desva- 
necidos aquelles receios , o pdo baixou ao antigo preço, 
-^Os arvoredos offerecem a melhor apparencia, prometa 
tendo abundantes fhictos , e parece o&o se terem resen-- 
tido da insólita seccura, acontecendo o mesmo &s vinhas, 
que lambem anounci&o copiosa fructificaçao. 

Cumpre uotar-se que não tendo fornecido os quatro» 
roezes do corrente inverno mais de 175 millimetros de 
chuva V ou pouco mais de n^etade da agoa normal , ne- 
cessariamente deverão resentir^-se no próximo estio todoB 
os mananciaes de aguas naturaes , as quaes deverão es- 
cacear, não sendo provável que os dois mezes da prima- 
vera posslo compensar tSo avultado deficit. 

Os frios intensos, que apparecérão a 10, 11, e 12 
deste me^y fizçrão gelar a agua em alguns sitios da cèr^ 



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(38) 

ca da Pena , na serra de Cintra ; e em Lonlé , no AW 
garre , cahf r&o fortes geadas n^aqnellas ires noites , que 
causarão notafein preiuízos aos gomos das iigiíeiras\ ap* 
pareeerido ao mesmo tempo cobertas de neve as duas 
aammidades da serra de Monchique • Foya , e Picota , o 
que raramente aeeotece, e muHo meooi qaasi ao termi* 
nar do inverno. 

Nicrologim doi seis districtos de £ii6m.— *Forfto se- 
fuKados nus três cemeteríos da cidade • do sexo mascu- 
fitto 223 cadareres maiores, e 166 menores; tolal 391. 
*-*Do sexo Temiitino 192 maiores^ e 136 menores, total 
328; total gerai 719, em eojo miraera se coreprehendem 
3S9 qnefiiikccVdo noshospitaes e outros estabelecimentos 
pvUícos , do «|iie se niTere qve o presente mei foi assas 
fanesto & conservaçio da vida , excedendo a mortalidade 
Mrmait deduitda das antecedentes obsenrações, em 160 
individuos, principalmente menores, ou ouiis de um 
^oarto da mortalidade regular. Em nossos registos só 
«ncvrotramos um caso similhante » acontecido em Março 
de fSii» no qual a mortalidade igualou a do preseirfe, 
e que , na falta de noticias positivas , que designem as 
qualidades das enfermidades dos finados , deveremos at- 
tribuir , em grande parte , éa fataes consequências das 
bexigas, febres, e apoplexias^ que tem predominado em 
eoascquencia da irregularidade e fortes saltos de tempe* 
\ p ip» ]& indicámos^ 

M. M. Frantíni. 



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ACTAS 

DAS 

SESSÕES 
ACABEWLt WMEJUL BAS SCIElIíeiAS 

DB 

USBOA. 
1849. — N." n. 



ASSEMBLEA EXTRAORDINÁRIA ITEFFECTIFOS 
DE S D' ABRIL. 



Presídio o Sur. José Cordeiro Feio. 

Concorrerão á SessSo o Secretario perpetuo Joaquim 
losé da Costa de Macedo , e os Sfir/ António Diniz do 
Couto VaFeote , JoSo da Cunha Neves e Carvalho Por- 
tiigaf, Francisco Freire de Carvalho, José Liberato 
Freire de Carvalho , Francisco Pedro Celestino Soareg , 
Francisco Ignacio dos Santos Cruz , Doutor Filippe Foi- 
^e, António JLopes da C«@ta e Almeida, Fortunato Jo- 

Tono L 4 



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(42) 

sé Barreiros , Francisco Recreio , Tfn^acio AotoRÍo da 
Fonseca Benevides, Marino Miguel Franzini, Agostiièo 
Albano da Silveira Finto , e Francisco Elias Rodr^es 
da Silveira » Sócios Effeciivos ; António Albino da Fon» 
seca Benevides, e Matlheos Valente do Couto Dioii, 
Substitutos dEÍFectivos. 



CORRESPONDÊNCIA- 



Leo o Secretario 

í.^ Uma Portaria , expedida pelo Ministério do 
Reino em 26 do corrente , mandando que a Academia 
constatasse com urgcncia qnal foi o seguimento qoe te* 
ye o convite que a Sociedade Real de Londres lhe en- 
dereçou para concorrer eom o mundo scientífico a ob- 
servar e medir as maiiifestaç&es do Magnetismo terres- 
tre. 

2.^ Ostra Portaria , expedida pelo referido Ministé- 
rio» na mesma data, ordenando que a Academia consul- 
tasse, com urgência, o que constasse, sobre os melhora- 
mentos que tem tido o Àf useu, Jardim Botânico e Livra- 
ria ora asevcaigo; e bto para satisfaier â requisição fâta 
na Sessfto da Camará dos Deputados de 21 de Março. 

Apresentou o Secretario a resposta a estas duas Por- 
tarias, que Toi approvada. As respostas da Academia se* 
rão publicadas depois de terem sido presentes i Gamara 
dos Sfir.' Deputados. Assentou-se que se fizesse no Diá- 
rio do Governo o seguinte annuncio : 

Constando á Academia Real das Sciencia^ de Lisboa 
que alguém se queixara de nHo se facilitarem aos leito- 



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(43) 

res os Livros da soa Livraria , mas tSo sdmetite o; da 
Livraria do extincto Convento de Jesus, declara que tau- 
to a Libraria de lesos, como a da Academia fórmio 
um só corpo, sem nenboma distiocç&o, e que estio 
sempre patentes ao Publico ^ nas horas e dias para isaq 
d^tinados. 



f * 



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(44) 



S£SSJO LITTERJRIJ DE t5 DE ABRIL, 



Presidio o Sflr. Daqne de Pahnella , Vice-Presídentc. 

CoDCorrérSo á Sessfto o Secretario perpetno Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Sfir.' António Diniz 
do Couto Valente , JoSo da Canha Neves e Carvalho 
Portugal , José Liberato Frende de Carvalho , Francisco 
Freire de Carvalho, Francisco Pedro Celestino Soares , 
José Cordeiro Feio , Anlonio Lopes da Costa e Almeida, 
Ignacio António da Fonseca Benevides , Francisco Re- 
creio , Fortunato José Barreiros , Marino Miguel Fran- 
zini , Agostinho Albano da Silveira Pinto , e Francisco 
Elias Rodrigues da Silveira , Sócios £ttéctivos ; António 
Albino da Fonseca Benevides, e Mattheus Valente do 
Couto Diniz, Substitutos dTffectivos; António Maria 
da Costa e Sá , Sócio Livre; Carlos Bonnet e Joaquim 
das Neves Franco, Sócios Correspondestes^ 



CORfeESPONDENQA. 

Leo o Secretario 
Um Decreto de 12 do corrente, dirigido á Acade* 
nõa, ordenando que no dia do feliz successo de Sua Ma- 
gestade, nos dous diâs snmediatos , e no dia do baptis^ 



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(45) 

mo, haja as demonstrações festivas que em casos faes 
costumão praticar-se. 



COMMUNICAÇÔES, 

Deo parte o Secretario de ter fallecido no dia 21 do 
corrente o Snr. Joaquim da Rocha Masarem, Soci# 
Correspondente da Academia. 

O Sílr. António Caetano Pereira oSereceo á Acade^ 
mia , por mão do Síin Francisco Freire de Carvalho , o 
2.** voí. da sua obra Mss. que tem por titulo — Arabi" 
corum ScrijUarwn Selecta Opera — cujo 1/ voh , que 
se acha na Imprensa Nacional para se imprimir , offe» 
rcee igualmente á Academia. Assentou-se que se procu- 
rasse haver da Imprensa Nacional o referido 1.^ voI. » 
e foi entregue o S."" ao Snr. Director da Classe de Scien- 
das Moraes e Beltas Lettras , para o fazer examinar. 

O Sfir. Bonnet leo a Portaria abaixo transcripta que 
se lhe expedio pela Secretaria d^Estado dos Negócios do 
K^tno 9 para dar principio à sua exploração Geológica, 



PORTARU, 

Sua Magestade a Rainha , Manda, pela Secretaria de 
l^ado dos Negócios do Reino , declarar ao Engenhei* 
ra Civil Carlos Bonnet , em additamento á Portaria 
d^te Ministério de 21 de Dezembro ultimo , que , em 
Q^BferBÚdade das condições seguintes , he que elle deve 



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(W) 

desempenhar a comnússSo , a que a sobredita Portaria 
ae refere : 

Fazer a deflcripçBo geológica dos terrenos , dos ma- 
tcriacs úteis para coostnicclo » das camadas para codh 
l)ustiveis , das minas metallicas , e das nascentes minfr- 
raes , acompanhada d'uma Carta geológica do paiz, 
com os cortes e perfis necessários para conhecer a es- 
tratificação das montanhas. 

Preparar colIecçOes geológicas e mineralógicas* ijue 
remetterá para o Museu da Academia Real das Scien* 
cias de Lisboa. 

Fazer a maior somma de nivelamentos barometrícos 
que lhe for possiveL 

Rectiflcar as faltas d'exaccIo que possSo notar-se na 
Carta Geográfica do Reino » ordenada pelo Conselheiro 
Marino Miguel Franzini ; corrigindo a direcção das 
montanhas, e das pequenas ribãras, e indicando as 
guas nascentes. 

CoUigir os objectos entomologicos e conchiologicos, 
que poder adquirir , sem que todavia se distraia do fim 
principal de sua commissSo. 

Mandar succeasivamente para a reierida Academia to* 
das as ooIIeccOes que fizer ; e no fim de cada três me* 
ses , ao mais tardar , vir a Lisboa para se classificarem 
e ordenarem os objeòtos colligidos , e se depositarem no 
Museu. E oorresponder-se regularmente com a mesma 
Aoademiá , a qual lhe dará as instrucçOes convenienta 
para cabal desempenho dos trabalhos de que se trata. 

Manda outro sim Sua Magestade signific4ur ao men- 
cionado Carlos Bonnet , que logo que esteja convertido 
em Lei o projecto de Decreto que para este effeito vai 
ser apresentado ao Corpo Legislativo^ se eiqpedirlo as 
competentes ordens sobre a abonaçSo do seu vencimento 
Hk^psal , e das despeioa de viagem e transportes do col* 



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- (W) 

lecçSes ; assim como sobre as praças ou iodiíiduos qae 
hão de acompanha-lo , e auxilio que dèvSo prestar-líie 
as Autoridades Civis e Militares. Paço das Necessi- 
dades em 31 de Janeiro de 1849. «= Duque de Saida*-» 
nha. =r: 

Commnmcou depois o Sfir. Bonnet o itinerário da sua 
primeira digressão , que he o seguinte^ 



ILifi»A DO Itineraeio que ha de SEGUm HA pamEDu 

VIAGEM A COMMISSÂO GeOLOGXCA« 



Setúbal 


Cercal 


Comporta 


ViJhNovadeMilFofUit 


Horta do Poito 


Odemira 


Grândola 


Odesseixas 


Melides 


Monchique 


, JTíicgo de Cactm 


Santa Clara Velha 


Bairros 


« Nora 


Ftrrtira 


Ourique 


Alfistrel 


Mmodovar 


Castro Verde 


Minguado 


Ourique 


Akoutim 


Garvão 
Os collos 


«.}-- 


Alvalade 


SL Domingos 


Beja 


Siwê 


ffmuti 



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(48) 
íf***"? "ÍRaia de He»- 



V.' N.* da Baronia 



Monte do Trigo p^^^ ^^ J^^ 



Évora 

Corval 

Portel 

Vidigueira 



Alcácer do Sal 
Setúbal 



N.B. É nas localidades acima mencionadas que a 
Commiss3o se ha dedemoror. 

Não vão aqui citadas todas as aidéas e povoaçdes por 
onde ella deve passar. 



Apresentou o Snr. Mattheus Valente do Couto Di- 
niz, para serem impressas» as Ephemerides Náuticas pa- 
ra o anno de 1831. 

O Snr. João da Cunha Neves e Carvalho Portugal 
leo uma 

Proposta para a imprefsão do antigo Cancioneiro do 
exiiíKto CoUegio dot ffobres. 

Senhores. Eu tinha escripto n outro lugar (1) = que 
o Cancioneiro do CoUegio dos Nobres fôra uni achado 
precioso, porque nos punha a par dos cophecin^entos pbi-* 
iologicos e linguisticos das demais Nações , ^ue assim 
como nós abraçârdo a Lingua Romana : r=s que o Poe^ 
ta ou Trovador Portuguez , Autor da sobredita collec-» 
çHo , ou ao menos da maior e mais principal parte dei- 
. la 9 com bom Tundamento se podia suppor do tempo de 

(1) No Panorama vol. 5/ Serie t/ pag. t78« 



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(49) 

EiRel D. Sancho. I de Portugal: mostrei peh compara- 
ção d algumas da& Trovas do Cancioneiro com outras 
poucd mais ou menos da mesma idade , Limosiuas , Ca* 
talâas , ou Aragonezas , Valencianas , e Gallegas , que a 
Arte de Trovar á maneira dos Provençaes entrou no nos* 
so paiz tâo depressa como nas Regiões em que primeiro 
se praticou este género de Litteratura , e mais cedo do 
que em todas as demais provincias de Ilespanba , ex- 
ceptuando as supra nomeadas. 

Este thesoiiro, que podemos considerar como o primei- . 
TO cimento solido e seguro da Historia Litteraria nacional, 
esteve occulto ao commum da gente Portugueza , e del- 
ia geralmente ignorado por espaço de muitos séculos : 
descobriorse na nossa idade na Bibliotheca do antigo 
Real Coliegio dos Nobres ; manuscripto mutilado no seu 
cameço t porque principia na decima-nona pagina de nu- 
meração ; circunstancia que junta á difficuldade de deci- 
frar , e dar sentido a uma forma d'escriptura , quasi in- 
teiramente desconhecida , fez com que , ninguém , mes- ^ 
mo daquelles que possuído tfto curioso , como interessan- 
te documento » se occiípassem jamais delle , como me- 
recia. Os laboriosos Académicos da Academia da Histoh 
ria Portugueza, que conseguirão com apoio Soberano do 
magnifico Rei D, JoSo V , desenterrar tanto cabedal de 
riqueza histórica , ou ígnorárSo » ou meoosprezârilo as 
Trovas do Camcioneiro » onde de certo se encerr^o alem 
do merecimento puramente Litterario , factos ou impor- 
tantes oo ao menos curiosos da Historia peninsular con- 
temporânea do 12.^ e 13/ séculos, de que t&o pouco 
sabemos. A' nossa Academia estava reservado senão o 
descobrimento deste singular manuscripto , a gloria sem 
duvida de dar-lhe valor e estimação condigna. No Dis- 
curso Académico que vem no Tom. 4.^ P. 2.* da Histo- 
na ç Memorias da Academia achámos que j& em ISlSisa 



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(50) 

« mCQinbira esta á Commisslo da Lingna Portogiieea , 
« creada no seu seio, a rehnpressao do Cancioneiro 
« de Rezende, emertfMlo nos IMgwrêê can^^etenies a$ 
« Poê$ia^ de outro tnaiê atUigo quê exiêtta manuícri'' 
m pio na Livraria do Beal CoUegio do$ Nobru. Que para 
« isso obtivera a Academia do Governo, entio destes 
« Reinos , Aviso para qae pozesse á disposiçlo da Com- 
« missUo referida este precioso documento. » =» E na ou- 
tra Sess&o Publica em 1817 no Discurso e relatório» 
costumado em taes actos , que vem á testa do vcdnme 
6/ P/ 1/ da Historia e Mem. da Academia, disse o 
seu Secretario José Bonifácio d'Andrada : = « neste an- 
« no já colhemos novos frutos do seu louvável disvelo 
« (falia da sobredita Gommissao) possuindo acabadas as 
« copias do Cancioneiro velho que existia na Livraria 
ic do Real Collegio dos Nobres , e de que jft se vos dea 
a parte em outra Sessfto Publica. » «s 

Doa balanços e vaivéns que soffireo o vasto Estabele- 
cimento da Academia , produzidos por continuas mudan- 
ças de sua ubieaçao , e pelos apuros pecuniários indis- 
pensáveis para seu costeamento , nascerão doas fatalida- 
des ; uma a de nlo se levar ao cabo o utilíssimo proje- 
cto da sua impresso , ao mesmo passo que se derão á 
lua as Cbronicas d'Asinheiro , manuscripto d acquisiçio 
eonitemporanea ; 2/ a deperder-se a copia que já havia 
do Candoo€iro na Academia , como attestára o seu Se^ 
cretario. Entretanto pwém que um azar mofino nos 
deixava assim atrazados dentro da Pátria, um nobre Es-* 
trangeiro , que havia residido por muitos annos em Lis- 
boa , e obtívwa também uma copia do velho Cancionet* 
ro, o fez imprimir eoi Paris no anno de 1823. Este 
Estrangeiro foi oMiiiistiro Diplomático Carlos Shjuart, que 
aproveitando os talentos , e conhecimentos da Língua 
Portugueza do Francês Verdier^ deu pela primeira ves k 



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(81) 

hz esta preciosidade Litteraría» Mas esta EdiçUo li^ta 
somente por curiosidade, ou reconhecimento ás attençSeS 
Portuguesas , sem instas commerciaes , alem de raríssi^ 
na , se tornou em grande parte iniútelligivel pela sua 
mesma fidelidade textual. De modo que » desprovida, co- 
mo se acln , das olsenraçSes e e^çplicaçdes couvcnieotes , 
de nenhuma sorte satisfaz ás necessidades da epocha , 
nem aos interesses philologicos , e linguisticos encerra-* 
dos no Cancioneiro, os quaes podemos reputar ainda ge- 
ralmente ignorados do Publico Litterario. A tarefa di* 
gna e honrosa desta manifestaçlio pertence naturalmente 
á nossa Academia » de quem com o Diccionario da Lio* 
gna se deve esperar o descobrimento, e qualijScaç&o clás- 
sica das fontes de que deve compor-se aquelle grande 
manancial : empeidio este que nSo só constituo uma das 
príiicipaes bases duma de suas classes , mas que lhe foi 
particttlannente recommendado pela Soberana fundadora 
a Senhora D. Maria I noAlv. de 22 de Março de 1781. 
Mas uma simples , e textual impressão do Cancionei- 
ro seria um trabalho inacabado, porque apenas poderia 
satisfazer o amor próprio, ou vaidade nacional, sem pro- 
veito algum mais do que para um pequeno numero de 
apaixonados das cousas antigas ; e estes mesmos perde-- 
riao muito tempo para decifrar apenas algumas das mui* 
tas novidades linguisticas contidas nas suas Trovas. Eu» 
Sftr.*', que fora da Pátria fui encontrar um exemplar 
da publicação Síuartf tive occasi&o e tempo de dedicar* 
roe ao estudo deste prím(M*08o documento de nossa Lit- 
teratora , e n8o me sérvio pouco o tracto e uso da Lin* 
g«a FrafBceza , que ent&o me rodeava, para entrar n'al- 
guns dos enigmas daquelle dialecto de 6S0 aonoi , já 
passados ; idioma mixto e composto , como o de todos 
os Poetas da Escola Provençal , de varias Ltngnas, 
Pcrtogneza e Gallega , Latina , Italiana e Francesa, A' 



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(52) 

força At tentativas repetidas , depois de confrontar com 
o texto do Cancioneiro os Trovadores contemporâneos , e 
cil poucos Escriptores Portugueses e Estrangeiros em vul- 
gar daqueila idade , ou a elia próximos » tenho conse- 
guido » com raríssimas excepções , dar sentido corrente 
is suas Trovas. O prazer , SHr/S que desta espécie de 
descobrimentos resulta ao estudioso, vós o podeis e sabeis 
apreciar. O Sertanejo que, depois d 'atravessar centenares 
de legoas de matas virgens no Rrasil, chega a descobrir 
o veio do metal precioso que busca ; — o Viajante que 
nas paragens longiquas atina cora o local quasi apaga- 
do das Cidades que perecérUo na voragem do tempo ; 
^— o Mathematico que chegou a resolver o intrincado 
problema , ndo tem mais direito a comprazer-se de sua 
boa fortuna do que o curioso Litterato que pâde re- 
cuar os limites da formação regular da Língua Portu- 
gueza quasi dous séculos atraz do seu supposto nascimento. 
Escusado fica , Snr.*\ ponderar aqui os auxilios e 
adminiculos com que deve aoompanhar-se uma Edição 
Académica do Cancioneiro. A contínua insersSo dos affi^ 
xos e prefixos de que o Poeta usa* com grande profu- 
são 9 em quasi todos os versos de suas cantigas por mera 
euphonia , e com os quaes torna inintelligiveis no nosso 
tempo grande numero de vocábulos , exige um signal 
local característico de prevenção ao Leitor ; e nâo menos 
o precisão as inversOes grammaticaes , as sinalephas , a- 
postrofes e syncopes lançadas a cada passo pela mesma 
razão da euphonia» e talvez da cadencia musical. As pa- 
lavras , ou antiquadas , ou estrangeiras, já estremes » já 
aportuguesadas exigem um glossário rasoado delias. Em 
fim este é o caso em que uma critica vulgar e ordiná- 
ria no commum das impressões da antiguidade, seria in- 
sufficiente : mas aqui n&o é o lugar de fazer mais diffii* 
6as observações. 



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(53) 

Proponho-vos pois, SBr/\ o complemento desta an- 
tiga obrigação Académica (1), de que o Publico vos fi- 
cará agradecido. Um dos tosms illustres Oradores , cuja 
perda o mundo Litterario tem lamentado , aqueHe mes- 
mo de que ha pouco fallei , dizia na occasiSo ja citada 
«ama Sessão Publica , ha 32 annos : =r « X Academia 
« está convencida de que nunca poderemos ter uma ver- 
« dadeira Historia Portugueza politica ou Litteraria, sem 
« novos soccorros, que só lhe podem subminístrar os 
« Diplomas e Manuscriptos , sepultados no pó das Li- 
« ararias e Cartórios ; e por isso continua a pesquisa-los 
a e a faze-los copiar. » = A Academia acolhco como uui 
dos preciosos documentos para a sua tarefa linguistica 
o mesmo Cancioneiro ; perdida a copia tirada, facilmen- 
te se ohí&rík outra da Bibliotheca Real da Ajuda , e es-; 
ta j& completa com as 1 1 folhas que andavdo desgarra- 
das f e que, da Bibliotheca d'£vora, vicrão já remetli4as 
ao Archivo daTorre do Tombo ; (2) ou, ainda mais com- 
modamente, alcançando algum dos exemplares impressos, 
de que já fallei , depois de cotejado com o Manuscripta 
que se suppôe original , a fim de fazer-se uma Edição 
digna da Academia. 

Eu ajudarei, Sílr.**, á obra com todo meu cabedal de 
muitos annos , pecúlio de pequeno valor á vista do rico 
thesouro de coiihecimentos reunidos dentro da nossa A- 
cademia , mas que nl&o servifá menos d^attestar os ve- 
hementes desejos que tenho pelo augmento e prosperida- 
de desta illustre Corporação. Entretanto, Silr.""', aceitai 
a persuasão e convicção intima em que estou de que 

(1) Veja-se o Preambulo do citado Alvará de 22 de Mar« 
çode 1781. 

(í) Aidira escreveo o Snr. Rivara no Art/ do Panorama 
Vo). 1.* Serie </ do anno de 184(, pa^. 406 = o Cancio* 
Beiro do Coile^io dos Kobres. s= 



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(W) 

eõm esta pequena e Tacil empreza, pelo «pe pertence á 
despesa peooniaría, alçaremoa , como um padrSo do leb 
e patriotismo Académico, este primeiro momuneato da 
liogua, e Litteratura nacional. 

Esta proposta ficou para ser tomada em consideracte 
na primeira Âssemblea d*£fiectivo8. 



MEMORIAS UDAS. 



SobfB O esiaio ia nafoegação das Árabes no$ têmpas pra^ 
wimôs ao hlaniismo , « noi çiie d^foU ie Ihê êegui^ 
rto ; € algiàmoê considerações sobre a inoasào dos A^ 
rabis na Hespanha. Noticia, peio Secretario perpetuo 
da Academia. 

O passo seguinte de Ibn-Khaldun dá bem a eonhe* 
cer quto atrasada estava a navegaçlo dos Árabes noa, 
^ ^ tempos próximos ao Islamismo , e nos que depob se lhe 

segalrao. 

« Quando os Mosselemanos acabirlo a conquista do 
a Egypto , o Khalifa Omar Ibnu-1-Khattab , que oa 
a commandava, escre?eo ao seu lugar Ten»te Amra 
ic Ibnu-!>l-àss , pedindo-lhe a descripçSo do mar. A rei- 
« posta de Amru foi a seguinte. <=» O mar he huma 
u grande lagoa que alguns povos imprudentes sulc&o as* 
;|| a semelhando-se a bichos em pedaços de madeira. = 

^ a O Khalifa Omar prohibio aos Mosselemanos na?egar 

cx pelo mar , de maneira que , durante a vida do Kha* 



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( 65 ) 

c Ufa; tteshum Árabe se atrevia a ir a bordo de vm 
i( Davio aem licença sua , aliás era severamente punida 
« a transgressão , como aconteceo do caso de Haria-^ 
« mak Ibn Àrfajah Al-azdi , senhor de Bajilah , que 
H teiido sido mandado com uma expediç&o contra Oman, 
« se conta que atacou este Paiz por mar , contra as 
H soas ordens expressas. Esta prohibição continuou ató 
« ao reinado de Mu'awiyah que foi o 1.^ Khalifa qu« 
H perraittio aos Mosselemanos embarcarem-se ,^ e que 
« mandou expedições marítimas contra os inimigos do 
« seu Império* Mas a causa real (da pndiibiçio) toi 
ff que , quando os Árabes começárlo as suas conquis* 
ff tas , nenhuma pratica tinhão deste elemento , e erio 
« iohabeis para a navegação, ao mesmo tempo que, pe- 
ff lo contrario, os Romanos e os Francos, pela sua qua-» 
« si continua pratica , e por serem creados no meio das 
< ondas , estavSo aptos para navegar os méhres ; e pda 
<c ibrça da experiência , e de successivas emprezas , na- 
ff turaUsavio-se mais com este elemento. 

ff Porém quando se consolidou o Império dos Árabes 
ff e crescerão as suas forças ; quando Iodas as NaçOes 
ff barbaras que nSo professavlo o Islamismo , forSo ou 
ff tributarias ou escravas dos Mosselemanos ; todos aquel- 
ff les que possuiSo alguma arte ou ramo de qualquer 
ff industria se apressavSo a communicar-lhos , e a faze- 
ff los participantes delles; e os Mosselemanos, anciosos de 
ff aproveitar o lavor dos vencidos , nSo ficário ociosos, 
ff Ao princípio soUicitavBo os serviços dos navegantes 
ff experimentados, e empregavBo pilotos estrangeiros em 
ff todos 08 seus negócios marítimos ; pouco a pouco au* 
«. gmentárao-se os seus conhecimentos ; tornárSo-se mais 
ff frequentes as suas viagens e expedições ; fizerão ver- 
ff dadeiros progressos na Sciencia da navegação, e vie« 
fL Ião a ser extremamente apaixonados das expedições na<« 



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(56) 

a raet. Pará as executarem construirão « por toda a 
a parte , navios e galés , e tendo-os esquipado com tri* 
« pulacão e petrechos » fizerSo-se nclles á vela, e subju- 
« gárão algumas das Naçtes inCeis , situadas alem das 
a agoas, principalmente as que babitão os paizes mais 
« próximos deste mar (o Mediterrâneo) , ou que vivem 
a nas suas costas « como a Syria , a Africa Oriental e 
a Occidental, e a Hespanha. No tempo dosBeni ÂgUab 
u havia já na Africa algumas frotas esquipadas por Mos- 
a selemanos. O Khalifa Abdu-I-Malek foi o primeiro 
« que deo a Hassán , filho de An-no mán , que era en- 
K tão seu Lugar Tenente na Africa , instruc( ões para 
« se apoderar do Arsenal de Tunes, para construir na- 
« víos, e para ajuntar toda a espécie de bastimentos 
<c marítimos , a fim de habilitar os Árabes para couti- 
, « nuar as suas conquistas e incursOes por mar. Com es- 
a tes navios he que foi conquistada a Sicilia por Asad 
«c filho de Al-forát , Chefe dos Eunuchos , e comman- 
a dante dos Exércitos de Ziyadá-tuUah I , filho de Ibra- 
« Iiim Ibn AlHighlab. Do mesmo modo foi tomada a 
a Ilha de Córsega , no reinado deste monarcha ; e em 
« tempo anterior Mu awiyah, filho de Khodeyj, fez uma 
« incursão maritima na Sicilia » no Khalifado de Mw'a- 

^ ' a \^'iyah Ibn Abl Sufyan. Depois as frotas da Africa 

i « própria , na dynastia dos Obeyditas , e as da Hespa- 

« nha na dos Beni Umeyyah , combatérSo umas contra 

. « as outras , e durante as dissensões civis que dividií^o 

a os Mosselemanos destes dois Paizes» empregavão-se 

] « continuamente as armadas de ambos os poderes emvi-> 

« sitar» de uma parte para a outra, os portos, as praias, 
« as angras e os outros lugares accessiveis da costa, 

1 «( com a pilhagem e a destruição. 

\ «As forças maritimas d'Hespanha , forSo , em certo 

( ia tempo , mui consideráveis. No reinado de Abdu-r-ra« 



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( sn 

« liamati An-nássir montava a perto de âOO o nume- 

« ro dos navios que compunliSo a frota real ; e os da 

« Africa própria erSo quasí um numero igual etc, (1). 

Do entejo que os Árabes tínhfio ao mar » nos tempos 

indicados , falia tnmbem , no mesmo sentido , Mr. Rei* 

naud 9 referindo-^ a outros AA. =s « Os Árabes » na 

« época do seu maior enthusiasmo guerreiro , nto trata* 

a vão de aproveitar-sc do meio que lhes offerecia O 

« mar para ir combater os inimigos da sua crença ; 

« os nómades da Arábia tiverão ^empte aversão ao 

« elemento húmido. Habituados á vida independente 

« do deserto 'assentavào que offenderião a sua liber" 

a dnde se consentissem encurralar-^se n'um frágil na«- 

« vio . . . . « Mahomet participou desta repugnância ao 

« mar; e tal é ainda o modo de pensar de muitos dos 

« seus discípulos. Os Musulmatios, moldados em ge- 

« ral pelo espirito do fatalismo , nHo podem ver sem 

«r pena o continuo movimento em que andSo certcs ho^ 

« mens para augmentar a sua fortuna , ou satisfazer a 

« sua curiosidade , chegando alguns AA. até a dizer 

« que , desde que um homem se decide a embarcar-se 

« muitas vezes , p<)de ser considerado como privado do 

« bom senso , e n3o deve, por isso mesmo , admittir-se 

K em juizo o seu testemunho » == (2) : e mais adiante 



(I) Prolegomenos ^ passo transcripto pelo Snr. Gayaiigos» 
na sua Traducçdo de Al-makkari. London 1840, T. i. » Ap» 
pendix, p. XXXIV. 

(S) «« Les Árabes à 1'époqae de leur plus grand entliousias^ 
» me gueirier n'avaient pas songé à profiter de la voie quo 
»Ieur oflirait la mer, pour aller porter la guetre ches les enne* 
nm\9 de leiír foi. De tout temps les nómades de KArabie ont 
»eu de réioignement pour réíément huroide. Habitues i la 
•vio independa nte du désert, ils croiraient faire outra^e k leur 
» liberte, s'ils coiisentaient às^enfeimer dans un frêle bátiment 

TOMO l. 5 



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f 58) 

=== « Ao principio os navios sarracenos erao tripdados» 
H cm peral , com renej^ados e aventureiros de Iodas o* 
K religiões ; porêra os^ JíiisiUnianos não tardarão em 
n tomar partíí nesta* cxpcdiçòes» , fontes inexauríveis de 
« riquezas; » = (3). 

O passo cTIbn-KhaTcfunt carece d^algamas iifiístraçoes , 
afim <le poderem determtoar-se as épocas dos facto» 
que aponta. 

i\íu'a\viyah começo» a reinar no atmo i(> da Hégira 
(660 a 6f) t de Christo) , e morreo no auw 6tt da He- 
{;ira [679 a 680 de Christo] (4) { e por tanto , já de- 
])ois do meado- do século 7.% e talvez eíluito depois , é 
que foi pcrrjiitlido aos^ Árabes embarear. 

Os Bení Aj^ilalx forão os que govemárSo a Africa » 



99- Cctte Tepugnance pwir !a mer élait partagée par Ma- 

«•honifct; et te)]'e est eTic<»r« Ik mani^ de voir de beaueoup 
wde ses disciples. Les musulmans, íaçoiuiés en géuéral à Tes- 
•f-prit de falalisme ne penvent voir san» pitié les mouvetnens 
ff continueis- que se donnent certa ins hommcs- jxwir aceroítre leur 
tffortune ou pour satisfoire leur curiosité ; et quelques dbcteurs 
fisont ailés jusqu'à dire qne d^s Tinstant qu*ua hofnme s'est 
wdécidé plusieurs feri» à se mettre en nier, il peut ôtre con^i- 
wdéré conirae étsnt piivé de son bon sens, et comine n etant 
•• ] lus recevable- à faire admettre son te mo^gnage en justice. i»== 
Mjneasions dtt Sarrazins en France etc. Paris 1856, p. 64, 
citando os seus= Brtraiis cTouieurs araòes rzlatifi aux gucr^ 
res dct Croisadcs. Paris 1&29, p. S70 e 476. 

(S) Dans Vorigine les navires sarrarins furent monte» par 
wdes renégats et des aventuriera dfe túutes les religionsi Mais 
íibientôt les musulraans prirent part à ces- expéditions , source* 
» inépuijiables de richesses. Idem, ibid, , p. 65. 

(4.) Abul-rpharaji . Historia Dynastiarum, Oroniae 167í, 
p. 123 e H4 da traducçâo latina. Conde, Historia de la Do- 
vúnacion de los Árabes en Espana , T. I. p. 15 , coocozda uí> 
^nno da moite de Mu awijahl 



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( 30 ) 

íesílé o tempo dos Khalifas Abassiflos f?í) , qnc prínçí-* 
piárao a reinnr polo meado do século 8.°, porque Mer- 
wán, ultimo Khalifa doâBeiií Umejyah, foi morto noan-« 
m) 132 da Hégira [tW a 730 de ChrUto] , numa ba-- 
talha contra as tropas de As-Seífah , chefe da dj nastia 
dos Abassidad (6). O primeiro Bení Aghlab que veio á 
Africa foi Ibrahim Ben--el Aghlab Abu Muhamad , que 
acompanhou Muharrtad Ben Alatnth el Gfizei , mí^nda-' 
do pe|o Khalifa Abu Giafar Ahnnnan^r por Amir [<io- 
vcrnad4)r] para a Africa, no anuo lii da Hégira |7G1 a 
7C2 dé Chrísto] : e o primeiro dos Bciií Aglilab que 
governou a Africa parece ter sido seu filho Ibraliim ben 
Abdala ben Ibrahím ben Aghlab Abulabas (7) ; por con-' 
sequencia já muito oa declinação do século 8.° (t que 
principiarão a haver na Africa algumas frotas es^iuipadns 
por Mosselemanos. 

O Khalifa Abdu*I-Malek foi proclamado Khalifa na 
amio 63 da Hégira [68 i a 68(S de Christo"'^ e mor- 
reo no anuo 86 da Hégira ^ que principiou em â de Ja-^ 
Djiro de 703 (8j. Hassáu tomou Carthafro [perlo daqujií 
se ediíjcoa Tunesf] depois^ da anno de 68Í — ' 683 , ef 



(5) V. Conde, I. c. v T. I., der p. SÍ^O em diante, í<end(T 
o ultimo dos Beni Aghlab — Zeyada fala, qne foi tencida ii^ima 
bit.lha, c (lesthronado por Obcidala, na auno 2^7 da Hégira 
[309 a 910 de Christo] , ibid., p. 401. 

(6) Abui-^Pharaji, 1. c.y p. \f>ò cfa tra-íucçSor latina, Cou' 
dç, J. c. T. I. , p. U*/ a 130. Al^makkarí, ira^ucçào do í-ilr. 
Gajrangos. T. II. p. 58. 

(7) Conde , 1. c. T. I. , p. 890 e 5^1 , que Tíâc me pare- 
ce muito claro na enumerc-vcào qae fa^ doj diífcrenleb Beiií 
Aghlab. 

(X) Abul-Pharaji , 1. c*, p. 117 e 128 da traducçao latw 
na Conde, 1. c. , T. 1., p. 2£ , traz a morte de Abdu-l-^MiH- 
itk no mesmo anixi. 

s * 



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(00) 

antes do anno de 698 , porque neste anno foi demítfido 
do governo da Africa (9) ; por 'lauto já muito para o fim 
do século 7.^ é que se cuidou lyi Africa no fabrico de 
navios 9 e em ajuntar aprestos para expedições marili* 
mas. 

ZiyadáiuIIah I foi Wali [Governador] de Africa m> 
amio 201 da Ilepra [816 — 817 de Christo] (10). 
No anno 204 da Hégira [819 — 820 de Chrísio] hou- 
ve uma expedição contra a Sicilia ; porém o exercita 
para a conquista de^ta Ilha por Asad , filho de Al-fo- 
rát , que raorrco nclla , partio da Africa no anno 212 
da Hégira [826 — 827 de Cliristo] (11). A incursão 
na Sicilia, no Khalifado de Mu^awiyah Ibn Abi Sufyáu, 
é a que Mr. Reinaud põe no anno de 669 (12) , e 
cabe justamente no reinado deste Soberano ^ que princi- 
piou no anno de 660 — 661 » e acabou no aono 679 
— 680 , como acima se disse. 

E as guerras entre os Obeyditas da Africa e €S Be- 
ni Umeyyah d'Hespanha » começarão já muito para o 
fim do século SJ^^ porque Abdu-r-ahm6n I , Chefe 
da Dynaslia dos Bcní Umeyyah na Hespanha, desem- 



(9) Conde, 1. c. , T. I., p. 19 e «O. O Anenymo \rabe 
extractado, peio Snr. G»jangos, na sua Traducçáo de Jl-mak- 
iarin T. ]. , p. Lv do Appendix. 

(10) Idem, ibid., T. I., p. 591. 

(U) Idem, ibid.; porém acho bastantemente confuso o 
que diz Conde a respeito dos conquistadores da Sicilia. Mr. 
Keinaud , Invasions de» Sarrazim en France etc. ♦ lembraiiio' 
se, a p. 128, de piratarias commettidas contra a Sicilia de- 
pois do anno de 809 , e de que a Sicilia foi occapada pelos 
Sarracenos depois de 816 , [p. 287 e 288] , nao contradiz, an« 
tes, de certo modo, couvem com a nanação de Ibn-KhalcLuD^ 
e de Conde. 

(12) L. c.,p, 05. 




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(61) 

Itarcoa nella no anno 138 da Hégira [75S — 756 de 
Cbristo] (13), e coiitinuárllo pelo decui-so do século 9.*, 
o que obrigou os Bení Umeyyah a mandar construir 
embarcações de guerra em todos os portos da Hespa- 
nha (14). 

Os factos produzidos por Ibn-Khaldun seguem-se, por 
consequência , n'uma ordem natural. 

1.* Depois do meado do século T,"* é que foi per- 
mittido aos Árabes embarcar. 

2.* No fim do mesmo século 7.** é que se manda- 
rão construir navios na Africa , e ajuntar aprestos para 
expedições maritimas. 

3.** Antes de 740 — 741, e por consequência antes 
do meado do século 8.^, é que se edificou o arsenal da 
Marinha em Tunes (15). 

4.'' Para o fim do século 8.^ é que principiarão a 
haver na Africa frotas esquipadas por Mosselcmanos. 

5.* No século 9.% de 819 — 820 por diante, é 
que sahirão dos portos da Africa exércitos com o desti- 
no de ir conquistar. As incursões mencionadas até esta 
época por Mr. Beinaud , feitas na França , na Serde- 
nlia, na Córsega etc. , erão, mesmo na opinião deste A. , 
piratarias , posto que algumas vezes autorisadas pelos 
Governos (16). 

6.® E os armamentos consideráveis de esquadras dos 



(15) Al-mãkkari, traducção do Snr. Gayangos, T. II., p. 
«6. Conde. 1. c. T. I., p. 147 a 168. 

(14) Conde. I. c. , T. I., p. 192. 193, 199, £8S . e 
365. Mr. Eeinaad. Innasions dcM Sarrazins en France ete.^ 
p. ItO. 

(J3) Conde , 1. c^ T. I., p. 95. Mr. Reinaud traz este fa* 
ctí> em 7S6 ,1. c, p. 68. 

(16) Mr. Reinaud. I. c. . p. 18 e 70; p. 69 e 122; p. 69, 
lâl, lt2 e lU etc. Conde, 1. c, T. 1. p. S61. 



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(62) 

Bcni Umeyyah d'nesp8nha e de seus contratÍM oi O- 
Lcyilitis d*Africa cUcgiio-se já muito ao principio do sé- 
culo lO.^ 

Mas o que nSo so roncilia bem com eMes faclrs é 
lima e\p<^jliçao contra a Sicilía , ccirimandoda jwr íla-t 
Jjib ben Abi Obeida ben Ocba ben Xafe cl Fehri , que 
partio dos portes da Africa , para onde voUou no anno 
123 da Hégira [7iO — Til de Cbristo'^, tendo Mibjr.- 
gado aqucUa lllia , de que falia Conde (17), e de (|ue 
nHo se recordrio nem Ibn-Kbaldun , nem Mr. Beinnud ; 
porque , se no tempo em que os Beni AíiMab poverná- 
rOj como Soberanos a Africa é que bavia já nella al- 
gumas frotas esquipadas por Jlosselemanos j^segundo Ibn- 
Khaldun]; e se os Bení Afíhlab nao começarão a Iit 
domínio na Africa senfio muito depois do meado doseru^o 
8.** 'secundo Conde] , como é que antes do meado desse 
século já parliSo enquadras da Alrica para conquistar 
a Sicília? Só se esfas esquadras oillo tripuladas com es- 
iran;;eíros , renegados , e aventureiros , como dizem Ibn* 
Kbaldun e Mr. Uemaud (18). Um embaraço igual te- 
remos n outra expedição que adiante referirei. 

Os Siíltòes do K}:>pto nâo derfio ao desenvolvimento 
da sua Marinha tamanho impulso como teve , na Hespa- 
nha e na Africa fronteira á Hespaiiha , a Marinha dos 
Árabes ; nem mesmo forao constantes em sustentar as 
dilifj^encias que , por algum tempo , fizerão para ter for* 
ças maritimas respeitáveis. 

Até 1261 a conservação da esquadra tinha sido cx-» 
tremamenlo des|)resada. Os Emirs ião tirar violenta- 



(17) Conde, 1. c, T. 1., p. 95. 

(18) IbnrKhaldun, no passo transcripto. Mr. Beipaudi 1. 
C p. 6d , pas^o já atra^ çit^dg^ 



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r«3) 

mcfrte as equipagens aos navios , e empregavTlo-Tias era 
Iripular as barcas e outras embarcaçôns. O SultSo que 
reinava neste tcrapo tornou a r^\)ÒT as coisas no pé era 
que €sla\i8io no resaado ãe Melik-Saleh-XeH^-eddin- 
Alub ; íez coastruir úm grande nomero de galés nos 
portos de Damictta e de Alexandria ; veio visilar o Ar- 
senal niafilirao , e eslabeleceo nelle todos os regulamen- 
tos que julgou necessários ; e tece brevemente no mar 
40 galés , «era contar «m grande numero de barcas , 
de navios de transporte e d'outras embarcardes (19), Po- 
rím se eá,e grande apparafco maritin» effectivameute se 
realisoa , nBo durou tnuito ; porque lendo-se os Francos 
assenhoreado da Ilha Arwad , defronte de Tátrabolos, era 
1302, Faziâo dalR correrias e tomavâo os navws Mosse- 
lemanos , pelo que o Visir do Eg^ pto ordcnoa que se 
esquipassem 4 galés de guerra, que acabárSio de aprom- 
plar-se era 1303, c o eupeclocuio de navios de guer- 



(19) Jusqu"à ceíte époqne (H^l) Pentretien de la fl(»tte 
avoit été , en E;ryple. extréraenient iiégligé. Les emirs enle- 
7a:eni les cquipa^eà des vaissea.\ix, les employaient gur les bar- 
qucs et autres bátiinents. Le Sultan reinít Icfi cho-tes surle pied 
oú clles étaient soiis le régne de Mefik-Sâleh-Nedjm-eddin- 
Aiiib. [\ fil construifc un gráud nombre de galères dans les 
porfs de Damieíte et d*Al«xandri«. 11 vint en persoiine visiter 
Tarsenal niaritirne et y établit les règlements, qu*il jugea né- 
cessaires. Bientôt il eut en mer plus de guaraiHe galères, saiis 
compter un grand nomlíTe de barquies, de batimento de trans- 
port et d'aufTe>5 embarcattons. Makrizi Histoire des Snltans 
Afamluks de t Rgt^te^ traducçâo de Mr. Quatrenière. T, I. , P. 
1.', p. 142 infint. 

A palavra que Mr. ôuatremère traduzío j^xgaltree é Ki- 
iah; porêm na nota 15 diz, que as galés de guerra se cha- 
tíAo Mcháni ou scàini; e as grandes, que leva vão 140 remos, 
€ também' combatentes , se chamavão rjorab ; pelo que parece 
^e íCitah crao embarcações mais pcquexUá. 



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(61) 

ra armados no Nilo era iSo extraordinário entSo , que 
se alugarão , por alto preço, os barcos daquelle rio para 
ver manobrar as gaitas (20). Se para armar quatro ga* 
lés foi necessário tanto tempo, e a sua navegaçto pe- 
lo Nilo fez tal abalo, parece-me que nSo pôde dar-se 
maior prova da raridade de semelhantes casos , e con- 
sequentemente da deca()encia da Marinha do Eg} pto , 
no principio do século 14.^ 

O que se conta da invasão dos Árabes na Hespanba 
seria o testemunho mais valioso para confirmar o que re- 
lata Ibn-Khaldun. SeTárik tivesse unicamente quatro na- 
vios para transportar o seu exercito para a Andaluzia 
l que mais segura idea se desejaria da mesquinha nave- 
gação dos Árabes nos principies do século 8,^ ? Porém 
eptendo que pôde duvidar-so muito deste facto , que 
julgo sujeito ás mesmas contradicçòes , escuridade e in- 
certezas em que labora tudo quanto respeita á passa- 
gem dos Mouros á Hespanha , e que proVdm , a meu 
ver , de se confundirem jactos diversos. Nesta confusão 
teve origem : 

Attribuirem<^se a Tárik duas entradas na Hespanha ; 
A variedade no numero das tropas commandadas por 
Tárik para invadir a Hespanha « que uns fazem mon- 
tar a 7:000 homens , outros a 12:000 , e outros a 
10:300 : 

O numero das embarcações em que se transportott 
o exercito: 

A discrepância na época do desembarque de Tárik 
na Andaluzia , e da batalha de Guadalete : étc. etc. 

Examinando á luz da critica os factos que tem re- 
lação com o meu assumpto , combinando o que solH-e 



(20) Idem, ibid., T. II. P. «.', p. 194, e 195. 



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( 6S ) 

dies dizem os AA. que no-los transmittfrSo , 6 ajustan- 
do as suas discordâncias (21), o que pôde coocluir-se é: 

Que Tárik fez só uma expedição á Hespanha , quo 
foi precedida por outra coroinandada por Tarif, e que 
a semelhança dos nomes fez attribuir ambas a Tárik : 

E que Tárik desembarcou na Andaluzia com 7:000 
homens , e sendo informado das grandes forças com que 
D. Rodrigo Rei dos Godos marchava contra elle, pe« 
dio mais tropas a Musa , que lhe mandou um reforço 
de 5:000 homens (22), sendo portanto 12:000 os Mos- 
selcmanos com que entrou na batalha de Guadalcte , e 
daqui vem darem uns AA. a T6rik um exercito de 
7:000 h<miens , e outros um de 12:000 , que sSo os 
mesmos 7:000 com que desembarcou em Gibraltar , e 
os 5:000 que depois lhe vierUo de reforço. Porém nSo 
íbrão só estas as forças que conquistarão a Hespanha , 
05 Árabes ti verão nella, além das gentes que successi vã- 
mente acudírSo a uma gazua t&o lucrativa , poderosos 
auxilios para a destruição da Monarchia Goda , o quo 
bem poderia demonstrar-se , se o lugar fosso próprio 
para isso. O S&r. Gayangos assenta , pelas razoes que 
expõe, que o desembarque de Tárik em Hespanha foi 



(21) V. Conde, I. c. , T. L. p. «7 a 52. Al-makkarí . T, 
I., p. 264 a £74; p. 517 , nota 7 , a p. 5iS , nota 7S. Abu* 
Jáfar Iba Abdi-1-hakk Al-khazrájí Alokortobi , transcripto pe« 
lo Snr. Gayangos na sua Traducçdo dJUmàkkari, T. I. , Ap« 
peojix, p. xLvi a XLviii. O Autor Anonymo da Obra =a 
Historias iradicionaes relatinas aos Chefes supremos e uabios 
Governadores = copiado pelo Snr. Gayangos na sua 7ra« 
ditcção de Al-makkarí^ T. I. , Appendix , p- Lxx e Lxxi. Mr. 
Beinand , Inoasions det Sarrassins en France etc. , p. 5. 

(£9) Al-makkari, T. I., p. S68 in fine, e p. 5£8, no- 
^4». 



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(66) 

tm 30 de AKril de 7 1 1 « e a batalha de Guadalete 
em 19 de Julho de mcMiio ajmo (23). 

Os AA. de qiie se senio Al-maikarí dizem que as 
tropas de Tárik alravessárào o Estreito era quatro navios, 
<|ue lhe Ibrl^o Imieciílus iM)r Julian, accrcscentando al- 
guns que erâo dos [?ortos do seu govenw , os uuícos da 
costa em que enlUio so consluiiÃo navios (2ij; o Mr. 
Reinaud » seguindo Ihii-Alíutliya , escri|)tor da segunda 
metade do socuio 10.'' ;25;, é da mesma o|Hiiiâo (2G); 
corotudo a mim {larere-nie que « iendo-^e confundido as 
duas invasdes de Tarif c Tárik na ilcspanha , imaginan- 
do*se ambas executadas por lYirik » daqui veio também 
dar-se ao «segundo para a passagem do seu exercito , o 
mesmo numeix) de navios em que se transiHjrtou a expe- 
dição do primeiro. 

Variào os AA. no numero da ponte que levou Tarif; 
uns querem que fossem 500 homens , 100 de cavallo , 
e 400 de pé ; outros 1;000 ; e outros perto de 3:000 : 
eoncorda-^e porôm geralmente em ter sido conduzida em 
quatro navios (27). Mas os navios que passárdo o exer- 

(25) Traducçâode Jl-makkart, T. I.. p. 5Í2, nota S4; 
625 , nota 6 1 ; e 528 » nota 72. 

(24) To accompany and giiide Tárik in this expedition 
Musa again sent l!yan, %vho provided four vessels from the 
ports undcr his command • the only places on tht coasi wàerc 
vtsseli tocre at that lime built. =s T. I. , p. 266. 

(23) /nvasions des S^trrazins em France etc. , p. 6 , nota. 

(26) Moussa, gouverneur d*Afriquc, a Tépoque ou il ea- 
•f vahit TEspagne, n'avait asa disposition que quatre navi- 
ti res, et il fallut que ces navires atiassent et revinssent plu- 
»i sieuTS fois pour transportei ]*arn)ée musulmane d'un cote du 
*» détroit de Gibraltar à l*autre, 1. c. , p. 68. Na nota 2 cita 
Ibii-Alcoulliya íl. 5Z f. 

(27) Al-makkari, T. I.. p. 265. AbuJáfar Ibn^Abdi-l- 
bakk, extracto do Sãr. Gajrangos na sua traducçâo de AU 



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(67) 

cito deTáfik forSo muitos mais; porque Conde, éofifun*»» 
dindo as duas expedições « que altríbue ambas a Tárik , 
diz que para a segunda [a verdadeira de Tárik] man-^ 
dou Musa preparar , com a maior diligencia e presteza , 
as barcas necessárias para passar um bom exercito (28)» 
consequentemente ufto podido ser só quatro estas barcas. 

O An^niymo Árabe Autor das = Historias trodi^ 
cionaes relativas aos Chefes supremos etc. , que escreveo 
DO fira do século 2.° da Hégira , conforme as informa- 
ções que lhe derSo pessoas, ou amigas, ou relacionadas com 
o povo que interveio na conquista da Hcspaiiha , diz que 
Musa estabeleceo em Tunes um Arsenal de Marinha , 
onlenou a construcçHo de 100 navios, e no anno de 
70 i mandou sabir de Tunes uma esquadra contra a 
Sicilia , commandada por seu filho Abdallah , que foi a 
primeira expedição marítima que largou das praias da 
Africa Oriental , depois de a senhorearem os Mossele- 
manos. Esta esquadra voltou a salvamento á Afirica, 
carregada de despojos (29). 

Outra expedição mandou Mása contra a Sicilia no an- 
no 86 da Hégira [703 — 706 deChrísto], e outra con- 
tra a Serdenha no anno 89 da Hégira [707 — 708 de 
Chrí&to]. É verdade que a expedição de 704 , muito 
apregoada , em que ÂIúsa tinha annunciado que havia 



makkarí T, I. , Appendix p. xlvi. Conde, 1. c, p. 27 infim 
ne, 

(2 d) M Considero Maza esta entrada [a de Tarif que attribue 
M a Tárik] como feliz presagio de la futura prosperidad de 
ff sus armas en Espafia , y con ta mayor diligencia y presteza, 
n aderzadas Ias barcas necessárias para pasar om buen exér« 
» cito, encargo su mando ai caudillo Tárik ben Zeyad etc. >• h 
C, p. 28. 

(29) Extracto do Snr. Gayangos na stta Tradttcfâo de AU' 
viMarí, T. Jw appendix, p. u, txv a i.xvii. 



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(68) 

ir, em que se embarcou toda a nobreza Árabe que es- 
tava com Musa , e que por isso se chamou a gazua dos 
nobres, só constava de 900 a 1:000 homens, e que 
tocando na expedição da Serdenha 3K)00 prisioneiros a 
cada soldado , na partilha do despojo (30) « o que isto 
prova é que, ou a expedição era bem pequena, ou que 
na conta dos prisioneiros ha grandissima exageração, o 
que é mais provável ; porém , a pesar disso , não era 
|M)SSÍvel que tendo-se apresentado a Musa , em 707 — 
708 , Abdullah Ibn AJarrab [que no mesmo anno com- 
mandou a expedição contra a Serdenha] , vindo do Eg] - 
pto com um corpo de tropas para ser empregado como 
general do mar (31) , não tivesse Musa ura numero de 
ecibarcaçSes um pouco avultado ; e por consequência não 
podia ter Musa em 7 1 1 só quatro navios para transportar 
o seu exercito para aHcspaoha. Estas expedições maríti- 
mas de Musa entrão na ordem das piratarias de que já 
falíamos. 

Uma diiliculdade offeroce o passo do Anonj^mo. Diz 
IbiwKhaklun que Abdu-1-MaIek deo ordem a Hassán , 
seu Lugar Tenente na Africa, para se apoderar do Ar- 
senal de Tunes , para construir navios et€. 

Diz o Anonymo que o Arsenal de Tunes foi mandado 
cortstruir por Musa. 

E diz Conáe que Oveidala deixou no anno de 740 — 
741 o Governo da Africa , tendo edificado em Tunes 
um Arsenal para construir e reparar as náos , facto a 
que Mr. Keinaud assigna o anno de 736 (32). 



(SO) Idem , ibid. p. Lxvii. 

(5^)) Idem. ibid. 

(Sí) " En este afio [1«5 da Hégira. 740 — 741 de Chris- 
• lio] dejó Oveidala el gobienio de Africa y se^artió à Egjm 
m pto. . . . j en Tunes edifico la Aljama y ima Daxsena paia 



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{ 69 ) 

Se Abdn-1-MaIek deo ordem a Hassáti para se apo- 
derar do Arsenal de Tunes , como é que Musa o itiao^ 
doa construir ? E se Musa o mandou construir , comi> 
é que o edificou Oveidala? 

A contradicçSo que, á primeira visla , apparece entre 
os passos de Ibn-Khaldun e do Auonymo desvauece-se 
reflectindo : 

1.^ Que n&o consta que Hassán tomasse Tunes, mas 
sim Carthago, que era a principal cidade da Africa » 
destruindo seus muros , e matando nella grande numero 
de Clu-istdos e Gregos que a defendiSo , o que obrigou 
muitos dos seus habitantes a passarem para a Scilia e 
para a Hespanba , perdendo seus bens (33) , e que por 
isso n&o era praticaiel executar em Carthago, que es- 
tava destruida , as ordens de Musa. 

2.^ Qne sendo Hassán demittido do Goremo da A-- 
irica no anno de 698 (34) , e ?indo Musa governar a 
Africa no mesmo anno (35) , foi este quem cus^río as 
ordens dadas por Abdu-1-Malek a Hassán. 

Isto mesmo apoia o que atraz fica enunciado — qne 

» construir j reparar Ias naVes. » Conde, I. c. , T. I.', p. 95« 
>lr. Reinaud , ínvasions de$ Sarrazins en trance etc« p. $B. 
(SS) M Hasan beii Naaman. . . .se dirigió contra la ciudad 
f» de Cartagena la antigua [Carthago] , ., que era la principal 
» de Africa, j la cerco y apuro tanto que ai cabo de largo sitio 
n la entro por fuerza , destniyó st» muros , mato en ella mu* 
•t chos Cristianos y Griegos que la defendian : machos de sos 
SI habitantes se pasaion a Sicília y á Espaíia , perdieodo sm 
m bienes. » ss Conde, 1. c. , T. I. , p. 19. 

(54) O A. Anonymo citado, T. I. da TraJucçâo de ^ 
maàtari, Appendix. p. LV. 

(55) Abú JkTar Ibn Abdi-Uhakk, transcrípto pelo Silr. 
Gajangos, na sua traducçio de Al-makkari. T. I. Appendix» 
p. 1. Anonymo, copiado pelo mesmo Sfir. Gayangoai , ibid. , 



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(70) 

tó no fim áa século T."" é que se mandarão construir 
uavio$ na Africa, e ajuutar aprestos para expcdiyôes ma* 
rítimas. — r 

Quanto á construccSo do Arsenal por Oveidala , 
sendo positivo , por uma parte, o testemunho do Ano- 
oymo sobre q estabelecimento do Arsenal de Tunes 
por Míisa (36) ; o por outra parte , o de Conde e de 
Mr. Ueiaaud soln-e ter sido também fabricado por Ovei- 
dala t D^o podem combinar-se estas duas opiniões [se 
ambas ibrem exactas] sendo suppondo que Oveidala ac- 
crescentou ao Arsenal já feito algumas obras , como di- 
aucs para concertar os navios , tercenas para os guar- 
dar etc. 

O mesmo Anonymo diz que =3 Musa encarregara a 
Tárik uma expedição contra Tanger e os districtos visi- 
nbos f anteriormente á sua vinda para a llespai^a , e 
que tendo Túrik tomado as cidades e castellos dos Ber- 
^rcs, escrevoo a Musa = « que achara ali sei» uavios, 
cc e que Musa lhe respondera — » Faze dili<;encia para 
« que sejSo sete , e quando tiveres completado este nu- 
« mero » leva-os para as praias do mar , e enchc^-os de 
a homens e de provisões : procurarás um homem prati- 
« 00 no calendário dos Syrios , e quando chegar o dia 
«( 21 do mez Syrio, chamado Adár, cmbarca-tc com 
« os teus homens , tendo implorado o auxilia do Om-^ 
« nipotente. Quando estiveres no mar continua a tua 
« viagem até veres diante de ti uma pequena montanha 

(56) He [Mij!?a] immediately issued onicrs for the buiU* 
ding of the dock-yard , and having hrard of ifs beinf Jimsked ^ 
hc put to sca , aíid, after satling Ucelve miles tntered it, 
From ihat m^mcni the port of Tunis becamt a place of safety 
for shipi %chcn winds blew at sea and tke fcates tctrt hiaK» 
Extracto do Snr. Gayang[os, na Traduc^áo d^ Jl-makkari , T« 
I., Appendix, p. lxvi. 



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(7í ) 

« sem vegetação , e de uma côr avermelhada, tendo dç 
m um dos seus lados umá Tonle que corre para o orícn- 
« te , e ao lado da fonte um» coiistrucçHo , com uma 
« figura em cima ^ da fórma de um touro. Primeira-' 
m mente deves faier em pedaços a figura , e depois pro- 
« curarás eiUre a tua gente um hoim^m alto, com a 
ff cabello ruivo , branco do rosto, vesgo d'um dos othos>' 
Cl e com um signal na mão ; dá a este homem o conw 
« mando da vai^arda , e eonserva-te ali , esperando' 
ic jHílas minhas^ ulteriores instrucções, — 

« DÍ£-se que , tendo Tarík recebido de Musa as or- 
« dens mencionadas , lhe rcspondeo desta maneira — ^ 
« cumpri escrupulosamente as tuas ordens ; porém rela*-' 
« tivamente ao homem que me descreveste, nenhun» 
ff outro pude achar conforme a tua descripção, excepta 
ff eu próprio. — Consequentemente Tárik poí era mar- 
ff cha a sua expedição, com í:109 homens, no me2 de 
ff Kejeb do auno 92 (37) » = e com esta gente deu 
batalha a D. Rodrigo e o desbaratou. 



(S7) « I have found here six rcssels ; and Muda answered 
>* liim , — Try to make them seven , «nd v^hen the number 
» is conip)ek;d , tak them te thc sea shore ; and fiU thcm 
» with tnen and provisions ; thou wilt then look tbr a- maa 
" acquaínted with the mMiths of the Syfidns, and when tfae 
n twenly — first day of the Syrian nionth called Adár has 
» coroe , put to «ea with thy mcn , after imploring the fe- 
» voliri of the Almyghly. When at sea , thou niust puTsue thy' 
« couTbe until thou seest before thee avmal moiintain deprivei' 
1» of vegeta non, and of a reddish hue, having on one of itá si- 
» des a fountain running towards do east , and by the side of 
» the fountaÍD a building with an idol at the top in the sha« 
w pe of a buli. Thon must first breack the idof to pieces, and 
9» then thou wilt look among thy men for a tall /nan harjng 
» red hair and a white coiupiexion , with a cast ín one of his 
ff eys and a /nole on his hand ; give that man the command of 



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(72) 

Posto que* o Anonjmo confunda risivelmente [segon* 
do parece] a expedíç&o de Tárík com a de Tanf, até 
por lhe dar só 1:700 homens com os quaes era impos^ 
sivel que elle se atrevesse a comJ)ater com o Rei dos 
Godos; com tudo este passo prova que o Anonjmo se 
persuadia de que Musa tinha mais de quatro navios para 
os seus armamentos marítimos. 

Além disto diz Âl-makkari que =ss « logo depois da 
« partida de Tárik para esta expedição [a de Hespanha] 
ff Musa se tinha occupado em mandar construir navios , 
ff de que tendo por este tempo ajuntado uma grande 
ff quantidade , mandou por elles um reforço de 5:000 
ff homens a Tárik » = (38). Ora tendo mediado menos 
de três mczes entre o desembarque das tropas de Tárík 
na Andaluzia e a batalha de Guadalete (39), e devendo o 
reforço dos 6:000 homens gastar algum temp em' se a- 
promptar , vir a Hespanha , e chegar ao sitio da bata- 
lha t é claro que devia ter partido da Afirica bastantes 



I» the van, and remaín whererer thou mayest be at the time» 
M vaiting fur further iustructions froa me . if God be plea- 
M sed. » 

M They saj thatwhen Tárik received tlie aboveorden from 
t» Miisa , he answered him thus: I have scrupulously fulfilled 
m thy orders, but respecting the man thou didst deicribe to me, 
» I can nowhere fiiid one of his description, except in roy own 
i> person — Accordingly, Tárik set eut on his expedition with 
»f seventeen hundred men in the month of Rejeb of the ycar 
9$ S^.tt Idem, ibid. , p. Lxx, 

(%S) M Musa , who since Tárik*s departure for this expedi* 
n tion had been employed in building ships, and had by this 
99 time collected a great many, sent by theni a reinforcement 
m of fivc thousand Moslems. if=a T. 1. , p,t70, 

(S9) Al-makkari, T. I., p. 6SS , nota 42. Isto mesmo se 
colhe combinando a nota S4 de p. 522 , com a nota 7d da p« 
^2a. 



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Goógie 



<73) 

dias antes de se dar a acc^o , o que reduz o tempo pa« 
ra sé construírem os navios talvez a dois mezes , ou ain- 
da a muito menos ; e por isso o que deve concluir-se do 
passo de Al-makkarí é que Musa ajuntou navios e 
mandou construir outros para actuar as suas relaçdes 
com a Hespanha , onde ficárHo^ os que Tárik tinha 
levado [porque o incêndio da esquadra de Tárik é mui 
duvidoso , como bem adverte o Sílr. Gayangos] (40) ; è 
se para passar 5:000 homens lhe foi necessário um 
grande numero de navios, nSo era possível que empre*- 
gasse só quatro para conduzir 7:000 ; e por tanto é inad*- 
missivel que o transporte das tropas de Tárik para a 
Hespanha fosse feito só em quatro navios. 

O Siir. Gayangos custa-lhe a capacitar-se de que , 
um anno depois da expedição de Tárif , nSo se tivesse 
augmentado o numero dos navios Africanos , Sendo ain- 
da quatro os que conduzirão as tropas de Tárik , e ac- 
crescenta == »< Mas é provável que os Árabes , senhores 
« do Mediterrâneo, desde Tripoli até ao estreito, e que 
« tinhão já feito repetidas incursões nas costas de Hes*- 
« panha, não podessem ajuntar mais de quatro navios, pa- 
« ra transportar um exercito de 12 , ou pelo menos de 
« 7:000 homens? Que foi feito de 270 vélas , com que 
» elles, segundo Rodrigo Toledano, [De Reb. Hispan. lib: 
« m. J, bem poucos annos antes, tinhão assolado as costas 
« deHespanha?» = (41) Todavia, apezar de tão sensato 



(40) Idem , ibi']. p. fi{6 , nota 65. 

(41) w But is it probable that the Arabs masteiB of the 
^ Mediterranean from Tripoli to tbe Straits , wbo bad aiready 
** i»ade repeated incuisions on the sbores of Spain, could not 
^ master more than four vessels to comvej #n urmj of twelve, 
» or at least seven thoosand men ? Wbat had become of tbe 
p two bundred aad scventy saii with wb^h , accordiug Rode* 

ToMa L 15 



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GooqIé 



( 71 ) 

rqiMro , não repcile de todo este facto , antc!^ se accom- 
moda a que a passagem das tropas de Tárík se fez em 
quatro navios (42). 

Sem pertender discutir o passo do Arcebispo de To- 
ledo , em que julgo muito excesso na conta das emhnr' 
cações , como é costume invariável quando se narriio 
combates entre Christãos e Mouros , avultando sempre 
nimiamente os Cbristios as forças dos Mouros , e vice- 
versa os Momt)S as forças do* Chrislílos : e sem me fa- 
zer cargo da armada de 1800 vélas que em 7t6 se (li2 
ter sabido dos portos da Syria e de Alexandria para ir 
cercar Constantinopla; de que, a seu tempo, tratarei 
(43) ; o que 6ca expendido parece-me sufliciente para 
provar : 

l."" Que os Árabes, nos tempos proximamente pos- 
teriores ao Islamismo , nem sabiào , nem lhes era per- 
roittido navegar; e que, polo decurso de séculos, é 
que se forSo habituando ao mnr , limitando ao princi- 
pio as suas navegaç(3es ao Mediterrâneo, e esteiideo- 
do-as Jepoís ao Oceano, porém tSo lentamente que, 
ainda muito depois do meado do século li.^ ]ã passa- 
das as três quartas partes do século 8.^ da Hégira , só 
chegav9o as suas viagens maritimas iquem da costa de 
Nuu (44). 

2.^ QuSo errados andSo os que sustentSo terem os 

f» ricus Toletanng [de Reb. Hupan. liò, lu.J, they had only a 
•« fevv years before ravaged the coaste of Spain?if Idem, ibid.i 
p. 620, nota «S. 

(42) Idem . ibid., p. 5?l , nota 54; e p. 52S, nota 42. 

(43) Mr. Keinaud, Invasiotis dcs Sarrazins cmFranct eVc., 
p. 6G e 12. 

(4'4) V, a «ninha — Memoria em que se perfende protar 
gue os Arahts ndxy conhecerão as Cafiarlas antes dos Portttgue- 
zcs — nas Memorias da Academia Real das Scicncias de JLis" 
boa, «.• Seiic, T. I. P. 11., p. a7. 



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(75) 







EoTopeos aprendido do6 Árabes a sciencia da Navega- 
ção» quaiido aliás forão elles quem a ensinarão aos Ara* 
bcs , o que desenvolverei n outro lugar. 

Talvez se julgue inútil demasia demorar-me tanto em 
provar que a passagem dos Árabes á Hespoiíha não po« 
dia effeituar-se só em quatro navios , e em apreciar to- 
das as mais circunstancias deste facto que analjsei; po- 
r6m assim o fiz para tomar palpáveis as contradicções 
dos Escriptores Árabes que o rercrírão , e para dar a 
conhecer a cautela com que deve proceder quem se 
proposcr a aproveita-los , no que respeita â Historia da 
Península Ibérica , que é sen^pre recheada do maravi- 
lhoso fantástico em que abundão as imaginações oríen- 
tacs , e que , por isso , carecem de ser lidos com muito 
critério. A falta desta precaução induzio Salnos respei** 
taveis , taes como o Sur. Gayangos , e Mn Beinaud , a 
adoptarem a errada opinião dos AA< Árabes que fic^ 
|ij)ooladd« 



ê 



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(76) 



DONATIVOS. 

Jornal de Pharmacia e Seiencias acre$$oria$ , âe I.'i- 
boa. = 1.* serie — 2.* anno — Abril de 1849. — 
8/ — 1 N.** — Offerecido pelo Sfir. José Tedeschi. 

Opúsculo Patológico "da Hyperemia maligna , acom- 
panhaio de cinco observações , e quatro estampas , por 
João Gregório Rodrigues , Cirurgião formado pela Es- 
cola Medico-Cirurgica de Lisboa. — Lisboa 1849. 8.' 
-— 1 vol. — Offerecido pelo Autor. 

Relatório e Contas da gerência da Junta do Credito 
Publico f no anno económico de 18l>7 a 1848. foi. — 1 
ToL 

1849 — Prcmier semestre. — Comptes rendus helh 
domadaires des Séances de VAcadimie des Sciences ^ 
[Institui National de France] — N.' 7, 8 , 9 , e 10 do 
Tomo 28. — 4." p."*— 4 N.;* 

Naiuwr Kundige Verhandelingen van de Hollandsck 
Jlfaatschappij der Wetens chappen te Haarlem. — Tw^- 
de ver zameling, 5.® deeh 1.* Stuk. — [Memorias da 
Sociedade Hollandeza das Seiencias de Harlem, Vol. V. , 
P. 1.'] — Te Ilaarlera — 1848. — 4.^ g.*** — 1 voL 

Recuei! des Actes de la Séance Publique de l*Acadi^ 
mie Impiriale des Sciences de Saint Pétersbourg^ tetm 
le 29 Decembre 1845, etc. 4.^ g.'*— 1 vol. 

Jdem — Idem — le 11 Janvier 1847. — 4.^ g.'* 
^ 1 YOL 



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(771 




Diário das obsero^âes meteorológicas feitas em Lisboa no ntez 
de Abril de 18-^9 fia altura c£; 39 braças [^fi metros] sobre 


o nifoel do Tejo, 


8 


Temp. 
Exter. 


Barómetro 


l 


Ventos do- 




o 






S 


minantes . 


Estado da - Atmos- 


•S 


, 


% 


•2 


*> 

3 


e sua foi- 


pbera 








O) 


f2 


õl 


ça 




1 


47" 


58 


751.Í 


755.0 


5 


•B — NO' Chuva serena toda a] 
















madrugada — claro 
















e nuvens — ar frio 


t 


49 


^\ 


a9.7 


61,3 




.'NO-»NO' 


Coberto. Idem. 


s 


47 


6£ 


60.2 


5S.6 




NQ— NO 


Coberto — Claro e 
nuvens. 


4 


47 


6â 


56.4 


làbfii 


4 


♦SO— 'SO 


Nevoeiro matut. no 
borisonte — Agua* 
ceiros alternados. 


§ 


30 


bM 


57.8 


57,1 




•'0'--'N0» 


Coberto denso. 


S 


54 


6í. 


66.5 


54,8 




»0— 'áO» 


Nevoeiro ivohorison* 
te — Coberto. 


7 


51 


6£ 


51.0 


51,0 


6 

• 


«0— SO' 


Cbuva deaguaceiroj 
e clarões. 


8 


49 


61 


49,5 


48.5 


6 


aO'— 0«-' 


Idem de tarde. 


9 


48 


6£ 


47.« 


47,8 


I 


«©'--íO» 


Aguaceiros mui le- 
ves, e clarões. 


10 


49 


62 


47.4 


53.0 




a©'— 0' 


Idem. 


11 


46 


6r» 


53,8 


53,â 




B— SO 


Idem. 


IS 


44 


60 


58.5 


53,1 




9N— NO» 


idem. 


u 


4$ 


61 


54.4 


54.7 




•NO— NO 


Idem« 


u 


48 


59 


5S,C 


53,2 




IO— '0* 


Coberto e aguaceiro. 


15 


48 


60 


62.5 


54,0 




• 0'-- N'0' 


Idem — Arco íris d« 
manhã. 


16 


50 


67 


54.7 


53,8 


11 


B S- 


Coberto — chuva se- 
rena e abundante. 


17 


50 


65 


54.C 


5S,6 




•NE— B 


Coberto. 


18 


51 


7C 


58.0 


50,3 




•NE— N» 


Coberto — claro e 
nuvens. 


19 


49 


66 


51.7 


53,8 




'N— N' 


Claro — ar muito sec- 














CO e frio. 



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(78) 



O 



Temp. 
Kxttr. 



Barómetro 



CO 






«o 
ti 



23 

.6 

«7 

SO 



47' 

4.1 
45 



47 
47 
51 



5$ 
50 
52 



Vied. 48,6 



bO 

60 
65 



66 

fi- 
ro 

b5 

65 

66 
71 
69 



57,6| 58.0 



59,S 
5J.6 



59.1 

58.5 
54.5 
52.5 

60,3 

62,3 
63.4 
59,3 



57.0 
56,6 



59.2 

57.5 
.'3,0 
54,2 

60,2 

62.4 
61,5 
5$,^ 



63.5 7,55,3 755,3 



Ventos do- 
minantes , 
e sua tor- 
ça 



#»N— iN« 
••V— «iNO 



••NO— >N< 
^N— ^NO* 

NO— 'NO- 

• N— 'N 
#-xN— *iNO 



Estado da Atmos* 
phera 



Claro — ar muito 
secco e frio. 

idem. 

Coberto e clarôe». 
— Claro € nu- 
vens — ar frio e 
secco. 

Claro • nuvens. — 
ar frio e secco. 

Idem. 

idem. 

Chuviscos quasi in 
apreciáveis. 

Claro e poucas nu- 
vens — Coberto 

Claro e nuvens. 

Claro. 

Claio. 



47 



N— NO— O 



Frio , regularnien' 
teehuToso, e ven- 
toso. 



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(79) 



REStLTÁBO DAS OCSERVAÇÕES DO »I£Z DE ABRIL 
DE 1849. 

Temperaturas. — Máxima a 29 — 71^^ — Minima 
a 13 e 21 — 43"* — Media das madrugadas 48**,6 
Máxima das 2h da tarde 63^,5 — Media do mez 
Ii5%4 — Variação media diária 14*,9 — Máxima di- 
ta a 28 , 2r. 

Pressões atmosphericas na temperatura de 63" Má- 
xima a 29 — 763,2 millim. — Minima a 9 — 747,3 

— Media 755,4 — Variarão dos extremos 15,9 mill. 
Venios dominantes, contados em moios dias, é sua 

força. — N,17 [I,OJ — N0,17 [0,8] —0.12, 
[1,2] — S0,5 [0,7] — S,l [0,21 — NE,2 [0,2]. Va- 
riáveis ou bonanças 6 — Direcção media do vento do- 
minante — N,45'' O [0,9] — Madrugadas bonançosas , 
designadas no Diário com o signal * precedendo a ái-^ 
recção dos ventos ', 14 — Meios dias tentosos 25 — • 
Tempestade do N , a 25,26,27. 

Estado da atmosphera. Meios dias claros 14 — Claro 
e nuvens 7 — Cobertos 10 ^^ — Dias em que choveo 8 

— Dias de chuvisco 5 e na totalidade 13 , que pro- 
duzirão 47 millim. , ou menos um decimo da chuva 
normal do mez. 

Decorreo o mez com uma temperatura fria , inreri(M' 
de três gráos á normal , regularmente chuvoso, e ven- 
toso, sentindo-se frios sensiveis em 15 dias. 

Aspecto dos campps. — As benéficas chuvas que co- 
meçarão no meado de Março, continuarão brandamen- 
te no seti regular andamento quasi toda a primeira 



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(80) 

quinzena deste maz, e por isso sendo aproreitadas pelos 
sequiosos terrenos levarão a nutriçSo, e a vida a todos 
os vegeiaes , pelo que os campos e os arvoredos ofiere- 
cem a mais bella apparencia , e denotSo prosperar co- 
lheitas em todos os fructos. 

Necrologia dos seis districtos de Lisboa. Forío sepulta- 
dos nos três cemitérios da cidade * do sexo masculino 
190 cadáveres maiores, e li9 menores; total 339. — 
Do sexo feminino 180 maiores, e 151 menores; total 
331. — Total geral 670 em cujo numero se compre- 
bciidem 371 que fallecér&o nos hospitaes e outros esta- 
belecimentos públicos , do que se deduz que o corrente 
mez , assim como o antecedente , continuon a ser insa- 
lubre para a consenação da vida , pois « mortalidade 
exccdeo á normal , deduzida dos 12 aunos antecedentes, 
em ISO individuos, ou 29 por cento, sendo mui avul- 
tada a dos menores. 

if. If. Franzini. 



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ACTAS 



DAS 

SESSÕES 

BA 

ACADCaUA RKAIi DAS SCDBMCIAS; 

USBOA. 
1849. — Jí/ ia 



SESSJO LITTERARU DE 9 I>£ Af^/O, 



^esidio o Slir. José Gcndeiro Feio. 

CoDOorrério á Sessto o Secretario perpetuo Joaqniní 
José da Gista de Macedo , e os Sfir/ António Diniz do 
Gonto Valente , Francisco Pedro Celestino Soares, Fran^ 
cisco Freire de Carralho , José Liberato Freire de Car-- 
ralho , Fk-andsco Recreioi António Lopes da Costa e Al^ 
meida» Ignacio António da Fonseca Benevides , Bfarí-^ 
lo Miguel Franzini, Agostinho Aihaoo da Silveira Pin« 

Tomo L % 



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(82) 

to, c Fortunato JoSé Barreiros, "Sócios EITedívos; Xut(h 
nio Albino da Fonseca Benevides, -ç Matthcns Valen- 
te doCoiito Diniz, Substitutos d'Efleclívos ; António Ma- 
ria da Costa e Sá , Sócio L4vrc; e Carlos Boniiet, Só- 
cio Correspondente. 

O Sftr. Vice-Secrctario, Francisco Elias Rodrigues da 
Silveira , parti cipu que não podia assistir á Sessão era 
consequência de obrigações que , em razllo do seu offi- 
cio , tem de cumprir junto a Sua Magestadc a Rainha. 



MEMORIAS UDAS. 



ElogiQ necrologíco do nosso Cansorio o Snr. Ma!^ 
theus Valente do Couto. Pelo Sur. Francisco Recreio. 
Beo-se-lhe o destino conveniente. 



DONATIVOS. 

CoUecção de Documentos relativos á Crise Ai fome 
for que passarão as Ilhas da Madeira e Porto Santo , 
no amw de 18W. — 8.* 1 vol. — Funchal 18*8. 

Apontamentos sobre a$ classes desvalidas e ListitU" 
tos de fíeneficencia. Funchal 18i7. 

Beja no anno de 18i5 , ou primeiros traços statis^ 
ticos daquella cidade. Funchal 18í7. 

Colhcçào de Documeíitos relativos ao Asylo de Mtr^ 



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(83) 

diclãade do Funchal , creado pelo Conselheiro Governa* 
dor Civil José Silvestre Ribeiro. Funchal 18i8. 

Cottecçào de Documeníos relativos á construcção da 
Ponte do Rio Secco rfa Ilha da Madeira, no amio de 
18i8. Funchal 1848. Estes quatro ultttnos ojmsculos 
fórmao um volume em 8.'' portuguez. '= Offerecido tu- 
do pelo Sí\r. José Silvestre Ribeiro. 

Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lis-' 
/foa. — 2/ Serie. — Tomo i."* — mezes de Feverei- 
ro e Março de 1849. = 8.** 2 N.*"" 

Journal Asiatique , ou Recueil de Mémoires , d^Ex^ 
traiis el de Notices relatifs à VHistoire, à la^^Phi-^ 
losophie , aux Langim et à la Llltérature des Peuples 
Orientaux. = Quartiénie série. — Tome xiii. N.** 61. 
— Janvier 1849. = 8.** 1 N.^ 

Comptes rendus hebdoinadaires des Séances de VAca-^ 
iémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. 
1849, Premler semestre. Tome xxviii. =» N.*' 11 , 
12, e 13 = 4.^ g.^' 3 N.°* 

PARA O uusro. 

Cm Saga» =sSimia Jacchus:=, offerecido pelo Siin 
António de Menezes Vasconcellos de Drummond , Minis- 
tro do Brasil. 



Ti. 



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Goõgie 



(84) 



JSSEMBLEJ DEFFECTirOS D£ U 
DE MAIO, 



Presidio o Sflr. José' Liberato Freire de Carralho. 

Concorrerão á Sessfio o Secretario perpetao Joaquim 
José da Costa de Macedo , e o^ Slir/ Anfoaio Dinis 
do Couto Valente « João da Cunha Neves e Carvalho 
Portugal , Francisco Freire de Car\alho, Francisco Pe- 
dro Celestino Soarei, Filippe Folque» Francisco Re- 
creio 9 António Lopes da Costa e Almeida » Fortunato 
José Barreiros , Marino Miguel Franzini » Barão d'Es- 
chwege, Ignacio António da Fonseca Benevides, Agos- 
tinho Albano da Silveira Pinto» c Francisco Elias Rodri- 
gues da Silveira » Sócios EíFectivos ; António Albino da 
Fonseca Benevides, e Mattheus Valente do Couto Diniz , 
Substitutos d'£ffectivo6. 



RELATÓRIOS. 

Tendo o Srur. Francisco Pedro Celestino Soares lido» 
na Sessão Litteraria de 14 de Fevo^iro ultimo, uma 
composição sua que intitulou LcaUema do Mineiro ^ e 
tendo-se nomeado Censores para cila » na forma dos 
Estatutos y lerão^ie as Censuras respectiras na SessSa 



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(85) 

do Conselho de 2 do corrente. Dois Censores forSo de 
voto qae» attendendo á grandíssima vantagem do ob- 
jecto de que se trata, se pedisse a Sua Magestade 
mandasse fabricar no Arsenal Real do Exercito uma 
lanterna, segundo o modelo do Sftr. Celestino, é que 
se sugeitasse á experiência, perante uma Commissão 
de Ofliciaes Engenheiros, de que fizesse parte o no^so 
Consócio, para conhecer se na pratica offerecería algum 
inconveniente o seu invento ; em vista do que determi- 
nou o Conselho que a Memoria do Sllr. Celestino se 
imprimisse nas Actas, e que se levasse este negocio á 
consideração da Assemblea d'Effectivos, para decidir o 
que devia fazer-se sobre a representação que os Cen- 
sores entenderão convinha dirigir-se a Sua Magestade 
relativamente a este assumpto. 

Consequentemente lançasse nesta Acta a 

LwiUema do Mineiro^ Memoria apresentada á Aca-« 
demia Real das Sciencias de Lisboa pelo seu Sócio 
effectivo, Francisco Pedro Celestino Soares. 

Nos trabalhos subterrâneos, em geral, e nos mili-« 
tares particularmente, é da maior importância o em- 
prego da luz, tanto na occasião em que taes obras se 
construem , como quando delias se perteode tirar o 
partido que a sua applicação requer. 

É claro que, nas extensas galarias, suas ramifica- 
ções , e ramaes , a falta de ar vital se torna muito 
sensivel , principalmente quando as emanaçOes terres- 
tres viciam aquelle que nellas existe ; tomando-se este 
inconveniente muito mais poderoso pelo consumo do o^ 
xigenio devido ao alimento das luzes, e substancias 
derramadas no ar restante, seja qual for aquella que 
se empregue nesse alimento. Belidor, querendo obviar 



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(86) 

t t?ies dilficuldades , propoz o uso dos fósforos aperfei- 
çoados , e o emjuego de foccos luminosos , ctijos mios 
recebidos em espelhos côncavos , e reflectidos sobre ou- 
tros planos , fossem levados aos pc ntos necessários : mas 
qualquer destes meios apresenta dilficuldades na prati- 
ca ; o primeiro por nSio fornecer luz sufficientc ; o se- 
gundo pelo embaraço causado nas galarias, e também 
jf>elo alimento desses foccos de luz, que roubam o oxigé- 
nio , e viciam o ar pelas substancias uilo consumidas , e 
que nelle se derramam. 

Alem destes iucoiiveuientes existe outro que nSo é de 
menor importância nas minas militai-es , e vem a ser o 
risco proveniente da inflamação da pólvora , quando este 
mixto se emprega no carregamento dos fornilhos, pelo 
pó impalpável que se desenvolve , e que , posto cm con- 
tacto com as luzes ,. produziria a explosfio prematura dos 
mesmoa fornilhos, com perda irremediável dos Minei- 
ros , e evidente prejuiso das operações , quer atacan- 
tes , quer defendentes. 

Do que deixámos dito conclue-se facilmente , quanto 
importa emprepar algum novo meio que remova uma 
das grandes 'difliculdades que paraliza a guerra subter- 
rânea , principalmente defensiva ; sendo esta a que mais 
sofre pelo maior desenvolvimento que é preciso dar-Ihe, 
e pela distancia em que as suas principaes operações 
tem lugar , em relaçSo aos pontos communicantes cora 
o ar livre : É pois para satisfazer a tHo importante ob- 
jecto, que imaginámos a lanterna de que pass&mos a 
dar a descrípçSo. 

Consta este aparelho de um cylindro de vidro grossd 
áa , bem claro , de 12 poUegadas de alto , e 8 de 
diâmetro , engastado nos topos em duas virolas de me- 
tal , com rosca interior 66 : da parte externa destas vi- 
f olas , Doscepi braços de axame grosso cc , em «[ue S9 



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(•87) 

entretém uma rede do mesiúo arame dd^ lar^a, e qíii^ 
tem por objecto evitar o choque de qualquer corpo ex-4 
Iranho no vidro : na virola superior deve haver um an<< 
Del, ou argola F, para se pendurar iias espaldas da: 
galaria , dando ao aparelho a situação conveniente. 

Dous circulos de metal GG , com rosca exterior , se 
adaptdo ás virolas ; o superior tem um oríficio e de duas 
poilegadas de diâmetro , guarnecido de um tubo cyliiH 
drico de quatro poilegadas de^ alto , no qual se applica 
outro exteriormente hhj recurvado, sendo esta porção 
pelo menos de dous palnnos de comprido: este tubo tem 
um rebordo t/y , que se segura por duas taramelas , oi» 
dentes zz , para evitar que se desloque por qualquer ac-^ 
cideule. Na extremidade do braço curvo, se parafusa 
um annel a qne está cozida uma mailguéira de couro » 
armada interiormente com uma espiral de arame , para 
lhe conscnar a forma cylindrica , sem lhe tirar a flexi- 
hilidade. 

Xo circulo inferior , também de metal G , se adapt» 
um candieiro de torcida cylindrica vasada L , com tu«-* 
bo de vidro Jf , para facilitar a perfeita combustão do 
azeite ; neste circulo ha um reflexo J unido ao deposita 
do azeite , e que serve para levar a luz, com mais ia-« 
tensidade , aos pontos que a exigirem. 

O ar para o alimento da luz é fornecido por outrir 
mangueira N igual á primeira, e que se adapta a ou- 
tro tubo inferior JV^ soldado pela parte debaixo, o 
que deve corresponder àquelle em que existe a torci-< 
da : o asccnso , e descenso desta , obtem-se pela rodai 
dentada X , cujo movimento se lhe transmitte pela ou^ 
tra X, e eixo que as liga. 

Concebido assim o aparelho é evidente , que dispond<» 
as mangueiras , tanto de aspiração como de respiração ,• 
«acostadas ás espaldas das. galarias , ou ramaes » e soa<4 



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(88) 

tidas por estacas m escapulas cravadas Mssas espaldas 
ês entradas e sabidas do ar se ír3o faier nos legares 
mais convenientes, n&o prejudicando aquelles em que ef« 
fectívamente se trabalha ; assim como se evitam os peri- 
gos da inflamação da pólvora , porque o aparelho nlo 
deve permittir o contacto da luz com o pó imperei 
ptivel que se eleva no ar , quando aquelle mixto se re- 
move. 



Leo o Secretario as Censuras seguintes da Memoria 
e o relatório que sobre ellas fez o Stlr. Director da 
Classe. 

Bfilatorio do Primeiro Censor ^ o Snr. Poríunato 
José Barreiros. 

A descripçlo e o desenho áí Laniema dn Mineiro ^ 
que apresentou a esta Academia o "tiosso illustre Consó- 
cio , o Sftr. Conselheiro Francisco Pedro Celestino Soa- 
res , nlo me parece offerecer em theoria algum incon- 
veniente, ficando o augmento de deÊpeu que exige» 
comparada com as de que actualmente se usa , sobeja- 
mente compensado com as vantagens que procura, é qae 
o mesmo digno Sócio euumera. Mas a experiéocit, pro* 
m real a que a razSo aconselha , que sejam iulwaetti^ 
4j05 todos os inventos , pôde unicamente decidir dó m^ 
Rcimeato pratico do actual , assim como t de quaeiípiei' 
mo^feações de que careca , para bem deseinpenhar o 
fim a que é destinado; sendo muito frequentes os casos 
em que uma ideia simples , e bem concebida na mente 
ioB inventores , se tem achado depois iireaKsavel , ou 
de difficil appIica«ao. Por estes motivos , porque o as- 
Mmpto de que se trata é de grandíssima Tantagem 



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(89) 

para os trabalhos das minas» e finalmente porque v!Sò 
parece conduzir a grande despeza » é minha opíniSo » 
que a Academia andaria com prudência neste negocio, 
fornecendo ao nosso Consócio os meios necessários , paia 
mandar construir a sobredita lanterna , ou pedindo ao 
GoTemo de Sua Hagestade , que a faça fabricar no Ar- 
lenal do Exercito , sob a direcção do seu auctor, e que 
depois de levada a efieito , se sujeite á experiência no 
aqueducto das égoas hvres » perante uma Commissão 
de OfBciaes Engenheiros , a que se ajunte o nosso Con- 
sócio; a fim de estabelecer eutUo , com pleno conheci- 
mento de causa , o gráo de utilidade e pratica desta in- 
tenção. 



Relatório do Segundo Censor , o Snr. Joaquim das 
Neves Franco. 

A idéa de obter uma corrente de ar no interior das 
minas militares pelo meio de tubos comrounicantes com 
corpos em combust&o, devida h necessidade de ser im- 
mediatamente renovada a porção daquelle fluido gasto 
em cada instante na mesma combustão , tem j& lido di^ 
versas applicações» e em o N."^ 3il do Ensaio sobire 
minas militares que havemos offerecido & nossa Acade- 
mia , e que esta se dignoa mandar imprimir» dêmos no- 
ticia da applicaçio que aquella idéa tinha tido á venti- 
lação das galerias subterrâneas: conseguintemente ne- 
ahuma duvida nos ofiSarece , quanto á parte theoríca , a 
applicaçSo que delia faz o nosso benemérito consócio » o 
SÍlr. F. P. Celestino Soares, á conservação de luz na £ati- 
lema do Mineiro^ cujo desenho nos foi remettído para so* 
jKreelle darmos anossaopiníio. Porém quanto & parte prá- 



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(90) 

tiea, além de -termos por conveniente qné previamente 
fosse submeitida à experiência , julgamos de algum pe<- 
so a consideraç«io de que existindo os logares que do- 
vào ser alumiados a diiierentes distancias do ar livre , e 
dos pontos ond.' o pó da pólvora já ndo possa die«;ar , 
parece iudispensavel que as mangueiras de couro otVerc- 
çUo diversos comprimentos, e que diflerentes vezes see^ 
tejUo mudando, acrescentando ou diminuindo, o que 
tornará bastante incommodo o uso de simiUiante apare- 
lho, tendo as ditas mangueiras de ser sostidas por es- 
tacas aicostadas ás espaldas , ou por grampos cravados 
aessos esbaldas , sem prejudicar os outros trabalhos. 



Relatório do Snr. Director da Classe , 
Jisé Cordeiro Feio. 

Os dois Censores , que examinarão a Memoria * do 
nosso Cons<xio o Sur. Francisco Pedro Celestino Soares, 
intitulada = Lanterna do Mineiro = ambos convém na 
utilidade de sua cons!ruc<;ào ; mas ambos receido de 
que possa encontrar ali^unti inconvenientes na pratica , 
principalmente por causa das mangueiras adaptadas á 
mesma lauterna ; seinlo um dos Centres de opinião ou 
que a Academia forneça os meios necessários para se 
fazerem as experiências convenientes , ou que se peca 
a Sua Magestade que Mande proceder és mesmas expc-- 
riencia» , opinião esta com que eu também me confor-« 
mo. Nenhum dos Censores falia na impressão da Me-* 
moria nem pró , nem contra : e a mim parece-me que: 
nâo haveria inconveniente em se determinar. A Acade-4 
mia resolverá o que for mais acertado. 



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(91Í 



Resoiveu a Assemblea que se representasse a Sua Ma- 
gestadc, na forma proposta pelos Sfir.* Barreiros, e Di- 
rector da Classe , sendo a representação acompanhada 
da Memoria a que se refere , e das Censuras. 

Assentou-se que se entregasse ao Snr. Director da 
Classe de- Sciencias Naturacs a descripçilo dos géneros 
novos , de plantas » remettidas do Uio de Janeiro peia 
Sur. Doutor Francisco Freire AlemSo ; e ao SAr. Dire- 
ctor da Classe de Sciencias Exactas o Juizo critico so- 
bre o compendio de Geometria^ adoptado pela Academia 
de Marinha do Rio de Janeiro. Por C. B. Ottoni. Rio 
de Janeiro 1845 — 12.®, offerecido á Academia , para 
serem examinados pelas Classes a que pertencem, a 
fim de se avaliar o merecimento litterario de seus AA« 

Discutindo-se a proposta feita pelo Snr. Jo3o da Cu- 
nha Neves e Canalho Portugal , na SessSo litteraria de 
25 d'AbriI ultimo , sobre a impress&o do Cancioneiro 
do extincto CoUegio dos Nobres , assentou*se que a 
Classe de Sciencias Moraes e Bellas Lettras nomeasse 
uma CommissUo , em que entrasse o Autor da proposta» 
para tratarem do modo de a levar a efieito , e apre- 
sentaram i Academia o seu parecer. 



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[92) 



SESSJO LITTERARIA DE 25 DE MAIO. 



Presidio o Sftr. Duqae de Palmella , Vice-Presidente. 

Concorrerão á SessSo o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Sik*.* António Diniz do 
Couto Valente , Jo3o da Cunha Neves e Carvalho Por- 
tugal , José Liberato Freire de Carvalho , Francisco 
Iguacio dos Santos Cruz, Francisco Pedro Celestino Soa- 
res» Ignacio António da Fonseca Benevides, António 
Lopes da Costa e Almeida , Fortunato José Barreiros , 
Marino Miguel Franiini , Agostinho Albano da Silveira 
Pinto, e Francisco Recreio « Sócios EfiTectivos; António 
Albino da Fonseca Benevides, e Mattheus Valente do 
Couto Diniz » Substitutos d^EfTectivos ; António Maria 
da Costa e Sá , Sócio Livre ; Carlos Bounet, Sócio Cor- 
respondente. 



COMMUNICAÇÔES. 



Participou o Secretario perpetuo que o Sífr. Bonnet 
tinha apresentado na Academia uma colIeccHo de 140 
exemplares de rochas do Algarve com o seu catalogo 4 



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(93) 

rotalos competentes ^ que já se achava collocada no Mo- 
seu. 

O Secretario perpetuo , fazendo algumas ponderaçSes 
sobre a falta de produetos naturaes do Paiz que se ob- 
serva no Museu da Academia , concluio delias a neces- 
sidade de reparar tsta fafta , para o que mui valiosos 
auxilios podia prestar o Conselho de Saúde Publica do 
Beino» recommendando aos seus Empregados que col« 
ligissem e mandassem para a Academia os objectos con- 
chiologicos , zoophitos » e plantas marítimas , que esti- 
vessem ao seu alcance; e por isso propoz que, neste 
sentido , se ofBciasse ao Conselho de Saúde publica « re-* 
mettendo-Ihe Instruccdes accommodadas a todas as intel- 
ligencias, para se regularem por ellas os seus Empre- 
gados , e leu a minuta destas InstrucçOes. 

A Academia approvou a proposta e as Instmcções, 
que abaixo se transcrevem, com um additamento do 
Sfir. Bonnet, consignado no Art.* 14. 



Breves Jnstrucçõeê nobre a maneira de colher Con^ 
chás 9 Busios , Ottriços , Esirellas , e Plantas Ma^ 
ritimas para a Collecçào dos Produetos Natiiraes de 
Portugal do Museu da Academia Real das SctetH 
cioi de Lisboa. 



1.* Debaixo do titulo de Conchas, e Busios nlo 
só se CQmpreheode toda a qualidade de Maríscos » que 
se encontrio pelas praias, e rochedos junto ao mar, 
mas toda a qualidade de caracóes , e roscas que exis^ 
tem pelof campos , vinhas , pomares ^ e jardins , bem 



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(94) 

tomo lodos aquelles animaes, que tem concha, (jae 
existem nas fontes , charco» , alagoas , e rios. 

2/ Devem escolher-se a% conchas dos ditos animaes, 
que nfto forem quebradas , nem roçadas , sendo preferí- 
veis aquellas, que ainda contiverem dentro em si o ani- 
mal , o qual deve ser tirado delias por meio de agoa a 
ferver. 

3/ As conchas , que forem compostas de mais de 
uma peça , devem vir com a sua prisão natural. 

4/ Devem trazer notado o nome , que os naturaes 
da terra lhes d^o , no caso de terem algum , bem co- 
mo o lugar em que forUo apanhadas. 

6.' O que fica dito §e applica aos ouriços e estreU 
las do mar. 

6.* As plantas marítimas, que se crido pelas praias, 
00 pelos rochedos , ou que tem as suas raixes mergu- 
lhadas na agoa do mar, devem, se for possível, ser co- 
lhidas com a flor , e o fructo ou semente , aquellas em 
que é costume dar-sc alguma destas circunstancias: 
sendo pequenas devem vir com 9 raiz , e sendo grandes 
devem cortar-se ramos do tamanho de palmo e quarta, 
pouco mais ou menos. 
^ 7.* Estas plantas devem secar-se bem á sombra, 

^ ^ mettidas cm folhas de papel pardo , entre duas taboas 

bem polidas. 

8.* Succede , que muitas delias contem naturalmen-- 
te bastante humidade , e neste caso convém tè-las por 
muito pouco tempo , um minuto , por exemplo , em a- 
^ goa a ferver , e enxuga-las depois com papel pardo. 

9.* Estando o tempo húmido , ou nHo se secando 
bem , pela forma indicada na septima instrucçao , de- 
vem ser submettidas ao calor de um forno , depois de 
SC ter cosido o pao. 
^ 10.* Depois de secas devem ser -coUocadas cm fSH 



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(05) 

pel branco, e unidas a elle por meio de pequeninas ti- 
ras de papel , cujas extremidades se untSo com gomma 
para as plantas nSo cahirem. No papòl em que estão 
unidas , se deve escrever o nome , que os naturaes da 
(erra lhes dao, caso tenhSio algum, e o sitio em que fo« 
tào colhidas. 

11.' Gada um dos papeis em que estiverem unidas 
as plantas , pela Tórma acima dita , deve ser mettido 
numa folha de papel azul de embrulhar , e todos re- 
mettidos em caixa de madeira bem unida. 

12/ Além dos productos mencionados , encontrao- 
se pelas praias , ou unidas aos rochedos , esponjas , pe- 
quenas ardores do mar , ás quaes alguns naturaes dos 
sítios, em que existem, chamllo craveiros do mar; 
bem como pedras cheias de estreitas , as quaes tam- 
bém devem -ser colhidas , com o nome , se o tiverem , 
c o do sitio , em que. se tiverem apanhado. 

13.* Finalmente, depois dos temporaes, éa me- 
lhor época para se procurarem nas praias as conchas , 
e busios dos mariscos, ouriços , e estrellas , que se crião 
no mar. 

Bem entendido, que a Academia nHo fai dístincç3o 
ttítre conchas , busios etc. bonitos , e feios , deseja ex- 
emplares de todas as qualidades de conchas e busios 
que poderem apanhar-se , ainda que muito feios pare- 
çâo, como por exemplo ostras etc. 

li.* Pede-se aos Snr.* Guardas-móres , e Físcnes 
de Saitde nos portos do mar , que recommendem aos 
pescadores que nSo deitem fora os objectos que as suas 
redes trouxerem , e que nao forem de pescaria , antes 
pelo contrario os entreguem aos Sftr.* Guardas-móres , 
e Fisi^aes. 

IS.* Todos os objectos que vierem para o Museu da 
Academia , íwrao dirigidos ao seu Secretario perpetuo o 



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(96) 

Conselhmro Joaqaim José da Costa de Macedo* e a Aca-» 
demia pagará a despesa do transporte dos mesmot ob- 
jectos , quer elles veabio por mar , quer por terra. 

ff.B. Devem vir uns poucos de exemplares de cada 
objecto, quer sejão conchas» quer sejào plautas, ou 
outros quaesquer productos acima mencionados. 



O Sfir. JoSo da Cunha Neves e Carvalho Portugal 
aonunciou que tinha entre mSos vários trabalhos sobre a 
Geographia antiga da Lusitânia, e especialmente sobre 
a situação de EnUnium , que trataria n'uma Memoria 

lue estava preparando para ser presente i Academia , 

e que deu a noticia seguinte : 



i 



De todos os ramos de nossa Historia nacional 
tçm sido menos tratado e cultivado do que o da Geo- 
graphia, e Topographia da antiga Lusitânia, respectiva ao 
território a que chamamos hoje Portugal. Na vasta col- 
lecçSo mesma das Memorias de nossa Academia, aliás 
tão rica de noticias históricas do nosso paiz , aquelle ra-* 
mo é quasi totalmente omisso ; nem eu tenlio noticia 
de mais de dous Académicos que se tenhfto oociqiado 
desta matéria, e ainda estes escrevèrto mais como An- 
tiquários do que como Geogra|Aos. Foi um delles oSar. 
José Diogo Mascarenhas Neto na sua Memoria á cerca 
4as InscrípçSes Romanas que descubrio na reedificaçia 



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(97) 

das Caldas de Vizela, sendo Provedor de GuimarScS) 
outro o Sur. D. António da Visitação u'outra Memoria 
à cerca do Deos Eiidovelico do Genlilismo , mencionado 
nas Lapides votivas , levadas de Terena para o Terreiro 
do Palácio de ViHa Viçosa. E entretanto já Escripto- 
res Portuguezes tinhão em diversos tempos tocado nesto 
assumpto ; ^30 próprio para exercitar o talento , e dili- 
gencia dos Litteratos, que n*outras Nações se tom ius- 
tituido Academias com este destino especial e privativo. 
Entre nós escrevôr&o mais ou menos da Geographía anti- 
ga Lusitana André de Rezende , e seu infeliz Commen* 
tador Diogo Mendes de Vasconcellos , — Gaspar Bar- 
reiros , — o Doutor JoSo de Barros , ^- Gaspar Esta- 
co , — Duarte Nunes de Leão , — Fr. Bernardo de 
Brito, — Manoel Scverim de Faria, -— o Contador de 
Ai^ote , e Fr. Joaquim de Santa Kosa de Viterbo em 
vários lugares do seu Elucidário, além doutros de me- 
nos consideração. Nenhum porém emprehcndco ainda 
coordenar um sistema , nem ainda formular um mappa 
geral Geographico e Topographico do nosso Território Lu- 
sitano ; de maneira que quasí nos achamos reduzidos ain- 
da ao que nos deixou Cláudio Ptolomeu ha 1:700 an- . 
nos. E aquella briosa e valente Lusitânia que tanto deo 
que fazer aos conquistadores do mundo conhecido , que 
produzio os Viriatos, os victoriosos companheiros de Ser- 
tório f os indomáveis Galaicos , disputando com as ar- 
mas na mSo sua independência e Uberdade por 200 ân- 
uos ; aquelles Povos em fim que se aquietárJo somen- 
te mais com as caricias, e lisongerias d'Augusto, do que 
com a força das Legiões Romanas , esta antiga honra- 
da Lusitânia, digo, tem ficado triste e ignominiosamente 
esquecida ás lucubraçiles da Scieocia. 

Eu bei sei, Sfir.', que muitcs dos nossos Consócios 
qoe perecôrSo, e alguns mesmo dos que me escutao, te^ 
Tono L 8 



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(98) 

rto nos seus Gabinclcs, nas collecçõos e apontamentos 
de suas ím estimações IHterarias, noticias preciosas de 
nossa Geographia antiga : mas não sei que fado máo tem 
concentrado esta parte da Litteratura geral nas meras 
curiosidades archeologicas, que se costuma mais goardarr 
do que publicar. Eu deploro este ígiiaro prejudícialissi- 
mo descuido ; e poponho-me a ir apresentando á cen- 
sura da nossa Academia alguns dos pontos a?eriguados 
da Topographia Lusitana, fruto de srmpalhia, e applic^- 
ç9o de muitos anno; sobre e!^e objecto , estudo» sempre 
interrompidos por outros cuidados , c obrigações publi** 
cas. Seruo pequeninos ramo» d unta frondosa , e vastissi- 
ma floresta ; porém dos ramos se compõe a arvore ; e 
este rebate servirá ao menos de despertar os que co»- 
serv&o occulto mais rrco eaíjedai , a fim de que o mani* 
festera ao Publico como é preceito de nossa divisa Aca-* 
demica. Assim pouco e pouco iremos juntando os ma* 
teriaes dispersos que possUo algum dia levantar regular 
e bem composto o edifício completo da nossa Geographia 
antiga , monumento que absolutamente nos falta, 

Começarw, Sar.", minha tarefe pelo ponto mais intrin- 
cado da Topographia Latiuo-Lusitana : onde estava situa- 
da a Cidade , ou o Oppidum e povoação =s Eintnium 
==? Em que tempo, e por quem foi edificada? Qual 
sUa historia? Como desappareceo do solo Losítano? Eis 
as questões que tratarei n^uma Memoria especial para 
ser apresentada á censura sempref judiciosa da nossa A- 
eademia. Aqui tocarei somente de passagem a impor- 
tância historico-topographica desta discussão, e o vago e 
incerto das opiniões desvairadas , assim de nossos Escri-^ 
ptores , como dos Geographos estrangeiro» que por uma 
immensa maioria fevárSo o pobre Emimum arrastado 
alugares invios, e afastados da Via Romana onde flore- 
ceo y [e prcsistio , atravéz das destruições dea Povos da 



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1 



( 9» ) 

Dórte] , e onde ainda hoje vive, posto que com nome em* 
pfeslado. 

!.• Ponto. A importância histórica desta PovoaçJlo 
deduz-se da serie mesma das noticias e successos consi- 
gnados — 1.** nos Escriptores Latinos que delia tratárOo, 
uoicas autoridades coevas que nos restarão de^ta parte 
dá anti^ Geographia Romana;-— 2.* nas inseri pçôes la- 
pidares ou existentes , ou perdidas e apagadas , porôm 
Iranscriptas por graves Autores que as vírâo e examina- 
lio ; — 3.° finalmente nas memorias da meia idade, Ec- 
clcsiasticas e profanas. — O primeiro Escriptor que eu 
saiba se lembrou do Eminium foi um homem tao com- 
petente por seu conhecimento local da Hespanha Romana» 
que basta nomea-lo, Plinio o Geographo ; o qual princi- 
pi«indo a descrever a Lusitânia desde os seus limites ao 
Norte, estabelecidos desde Augusto César , assim diz ==4 
Áh Durio Lusitânia incipit ; = Turduli^ Veleres, Paosuri 
fumen Vacca , Oppidum Talabrica ; Oppidum et flu-- 
mèn Eminium , Òpptda Conimbrica. = Assim vai con- 
tinuando sua enumeração de Povos , Terras e Rios até 
aos extremos limites ao Sul. Mas , chegando ao Tejo , 
>oUa para o Norte , e diz = Ab Durio Tagus CC* M. 
jHíssuum iniervenieníe Munda. == 

O Itinerário chamado d'Antonino enunciando as po- 
>oaçôes da Via principal Romana de Lisboa até Braga « 
c por conseguinte de Suf ao Norte , na razão inversa da 
de Plinio, diz = A Conimbrica ad Eminium quator mi-' 
lia fassuum — ad Talabricam decem mi lia passuum. =s 

Nenhum dos demais Autores latinos que tratarão 
ias cousas Hispânicas , e cujos escriptos chegarão até 
Dfc, (aliou do Eminium ; e até o mesmo Plinio, ha pou- 
co citado , n outro lugar de sua Geographia, descrevendo 
B (pialidade e cathegoria civil dcs Povos Lusitancs se- 
gundo as Terras a que pertencião , (kpois de mendo*- 

8 ^ 



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(100) 

nar as Cidades que gosa^ao da consideraçSa já de Co* 
lonías , já de Municípios , e de Direito do Lacio, arran- 
jando todo o resto iia classe de Povos Stipendiarios, no- 
meando muitos , se csqueceo dos de Eminium e dou- 
fros da Lusitânia, no que com muita razdo foi censurado 
por Henrique Flores : boa prova de que em obras de 
grande vulto ainda ao» melhores Escriptores escapa mui- 
ta cousa. 

Dos tempos Latinos temos mais » além das duas au* 
toridades jò lembradas , as Inscrí|)çdes Lapidares acha- 
das no próprio lugar em que esteve o antigo Eminium , 
que são muitas , e de diversas naturezas : infelizmente 
porém nenhuma delias contem* a denominaç^ do locaU 
o que deixou no mar das conjecturas nossos Antiquários» 
sem saberem a que Povoação clássica as attríbuiriâo : 
parecendo com tudo admirável que com os dados esta- 
belecidos por Plinio , e pelo Itinerário d'Antonine con- 
cordes e concludentes» posto que pt*Ia ordem inversa 
que dissemos» nuo attingissem a solução do enigma. 
Eu terei occasiSo» Sftr.% d apontar os tropeços e diffi- 
culdades que ^ (izerão recuar lodos os nossos Antiquários 
á excepção de um só; e este mesmo» atinando, dei- 
xou todavia intactas aquellas diíEcuIdades » que espero 
farei desappareccr. 

Passando dos tempos Latinos aos tempos Suevos e 
Wisigothicos , que desde o Século 5.® dominár?l^o nas 
Hespanhas, vereis, Sôr.% que se augmentão grandemen- 
te as noticias da Povoação 3nimun%. Nós não sabe- 
mos individuadamente da sorte que correo esta parte da 
Lusitânia em que a dita povoação estava situada na 
furiosa invasão dos bárbaros do Norte. De crer é que 
€S estragos e destruições causadas pelos quatro Hagel- 
los reunidos, a guerra , a peste » a fome e os animacs 
ferozes ^ que acompanharão ou seguirão a este grande 



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( lOt ) 

cataclismo da meia idade, abrangessem mais ou menos o 
nosso Einirdum. Se nós podessemos dar credito aos bem 
tecidos Romances históricos de Fr. Bernardo de Brito, 
quando escreveo desta época com uma segurança e in- 
geollidade sem igual , d5o duvidaríamos concluir que 
o Eminium fora desde a entrada dos Bárbaros victimá 
de sua ferocidade ; mas que poucos annos depois o A- 
lano Ataces ahi fundara a sede do seu império, fazendo 
reparar a Cidade , e os muros em que trabalhár^io os 
Chrisiaos caplivos , sem exceptuar o próprio Bispo Co- 
nimbricence , libertado depois pela intervençfto da Rai- 
nha Cindasunda já Christã occulta , a mesma que nas 
armas de Coimbra representa a matrona coUocada en- 
tre uma Serpe c um Ledo , para expressar a pac que 
pelo consorcio desta personagem teve lugar entre seu 
esposo o sobredito Ataces , e seu pai o Suevo Ilermeri- 
€0. Pm-ém , Snr.', outros Académicos antes de mim de- 
monstrarão que o Cbrooista Brito úesta matéria =aAi- 
Iti fabulai narraU = 

Eu mostrarei , Sfír.% que qualquer que fosse o fado 
à*Enúnium na entrada dos bárbaros , é com tudo certo 
que, convertidos ao C^tboltcismo os Suevos com seu rei 
Âríamiro^ cujo império se estendia no 6."* Século desde 
a Galliza até Lisboa , com sua Corte em Braga, appare- 
ce logo no numero das parochias attribuidas á Diocese 
de Coimbra , no primeiro Concilio Lucense em 1569 , a 
I?reja de Eminio. Ora as Actas deste Concilio são 
daquellas que os mais apurados Críticos considerão au- 
thenticas ; sendo certo com tndo que nenhum de nos-« 
SOS Escríptores soube tirar partido topographico de seme- 
lhantes Actas para o^ssumpto que tratamos. 

Nos tempos Gothicos que se seguírUo aos Suevos jB- 
cura muito mais nobremente o mysteríoso Emhúo. Logo 
90 terceiro Concilio Toletano^ celebrado no anuo de 



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(102) 

Christo 589 , cm que toda a nsçSo Wisi<:othira das 
Hesjianhaâ com spu rei Recar<*do , abjurando o Arianis- 
mo, ahraçárâo o Culto ralholico, figura o ris|K) Pcssido- 
nio Emíft^etise. E pcsto que fosse este o único Prelado 
com o titulo de Bispo d^Eminio que appareça nos Gm)- 
cílios todos anteriores c posteriores , nHo é menos certo 
que permnneceo a PovoaçDo ou como simples parochia , 
ou como local da Sede Episcopal , disfigurado já C4)m 
tudo pela mudança dos nomes. Eu terei , Sfir.*, occa- 
sião de desenvolver este ponto , que pela primeira vez é 
criticamente tratado , a pezar das tentativas inrnictuosas 
do Mestre Flores. Quanto ás Inscripçõcs e Medalhas : 

Grande na verdade devia ter sido ncs tempos Gothi* 
cos a importância d'£iiun/a, pois que dons Soberanos 
«hi cunhár9o moeda. O nosso Severim do Faria , no íim 
do Tom. â.** de suas noticias,>faz uma obsorvaçía muito 
judiciosa, e 6 que nSo se extendendo a collecçJSo das 
moedas , ainda existentes , dos Reis Wisigodos nas lies- 
panhas, a mais de 30, delias 26 forâo cunhadas na Lu- 
sitânia , a saber — em Merida •— Idanha —Évora — e 
Eminio ; c destas ultimps possuia uma de que traz o 
debuxo com a letra «= Shelmlus == Eminio Pius^ =« 
asseverando porém haver noticia certa do outra «= 7f«r- 
earedus rex = Justus ^Eminio, r=a 

Nova dilTicuIdade se levanta da qualificação dada nos-» 
tas moedas & Cidade de Eminio , comparada com a da 
simples parochia da Diocese Conimbricence que lhe attri- 
hucm todas as actas das divisões de Bispados , e da de- 
nominação de suas parochias que se encontr&o na collec- 
C3o dos Concílios da Igreja Gothica ; parecendo que ha 
implicância entre a qualificação de Cidade, onde os Reis 
çunhavSo moeda , e quasi ao mesmo tempo ccmsiderar-» 
se o pobre Eminio como uma mera parochia. Tamben^ 



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(103) 

esta espocie de oontradicção será desfeita e aplanada m 
Memoria projectada. 

Finalmente darou o Emimo ainda além dos tempos 
Goihicos , e atravessando a dominação dos Árabes desde 
o 8.** Século veio ainda figurar nos reinados Catholicos 
das Astúrias , dOvIedo , c de Le5o , ao menos até ao 
Século 10/ Eu apresentarei, Sfir/, os textos fonnaes 
da sua existência neste derradeiro periodo de sua vid^ 
btfttoríca , e a razão de seu total desepparecimento» 

i.** Ponto. Disse eu, Sfir.% que nossos £scriptorc$ 
quando quizerSo coUocar o Eminium se perderão no va* 
go e incerto d'argumentaç5es arbitrarias. Tinbão elles 
traçada , pela autoridade de Plinio em perfeita concor* 
dancia cpm o Itinerário dAntonino , uma linha fixa , e 
indestnictivel para dentro delia restabelecerem o vaga- 
bundo Eminium. Era a Via Romana do Porto a Lis- 
boa , atravessando o Vouga , e o Mondego , e passando 
por Talábrica , e Conhnbrica , quero dizer , por Cacia 
junto a Aveiro , e por Condexa Velha a duas legoas e 
meia da actual Coimbra. Sabido que era indispensável , 
para nJko contrariarem ag balizas dos dous textos Lati- 
nos, collocar forçosamente o Eminium entre aquelles 
dous pontos. E sabiSo mais pelas medidas estabelecida^ 
no Itinerário» que haviSo coUoca-Io a duas legoos e meia 
de Condexa a Velha , porque nenhuma duvida podia 
dar-se que esta era a antiga Conimbricaf entre a qual 
e o Eminium dava o Itinerário quatro mil passos. E 
finalmente sabiSo que era forçoso estar n*um ponto em 
distancia de 9 ou 10 legoas de Cacia que no mesma 
Itiaerarío se marcavSo de Eminium para Talábrica. 

Este ponto intermédio nunca foi achado senSo por 
Caspar Barreiros , mas isto mesmo sem demonstraçSK^ 
de sua these ; 4]ittingio-a único no meio da torrente de 
iodos^ os Escxiphnres , que dirigidos ou enganados por 



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(10*) 

Fr. Bernardo de Brito , e Diogo Mendes de Vasconcel- 
lo9, forSa collocar o Eminio em Afrueda; e este dis- 
parate passou dos Portiiguezes aos Estrangeiros, Geo- 
graphos, e uão Geographos, que ás cegas abracáiãoaquei- 
la failace opinillo. Eu explicarei tainhem , Sllr/, a cau- 
sa deste erro , do qual querendo alguns fugir por sua 
manifesta implicância com aquelles textos, se for^o a 
divagar á ventura tratanto de descobrir outros pontos 
em distancia mais aproximada da medida proposta. l)'a- 
qui proveio que uns levárJo o Eminio a Montemor Ve- 
lho , outros a Macinhate sobre o Vouga , emendando 
um erro com outros erres ; e verificando-se nelles a sen- 
tença conceituosa do Velho Horácio = 

In vilium ducit culpce fuga si carel Arte. 

E com tudo desculpados devem ser todos » porque 
desprovidos d'outros adminiculus que n&o fossem os dos 
Autores classicx)s , e nao havendo seguido para assim di- 
zer a pista do fugitivo motamorphoseado Eminio nas 
dispersas passa^^ens de nossa Historia da meia idade, 
tanto Ecclesiastíca como secular, fallou-lhes naturalmen- 
te a chave do enigma que só podi&o achar na confron-^ 
taç5o de todas as noticias. Eu presumo , Sftr.*, ter en- 
contrado e apanhado esta chave , como espero vereis e 
julgareis á vista da dita Memoria que brevemente espe- 
ro apreseníar-vos. E para nno vos ter em suspensão 
por mais tempo, annunciarei desde já que o Eminium 
foi onde está hoje a actual Coimbra ; a qual trazendo 
de Condexa a Velha , onde florecêra com o nome in- 
dígena Conimbriga , e Latino Contmbrica, a importân- 
cia da sua Sede Episcopal, restaurada nos tempos Go-^ 
thicos, foi pouco c pouco apagando os vestígios e as tra- 
dições clássicas do seu novo local. 

Entfio, Sflr.*, quando ouvirdes ler a promettida Me-« 
moria será oecasiio opportuna de reflectir sobre o ioh 



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^ ( 105 ) 

probo trabalho, e indefesso estodo indispensável para des- 
emmaranbar de sua obscuridade uma grande parte de 
nessa Topographia autign ; e com quanto reconhecimento 
SC devem receber, não meus fracos ensaios, mas as lenn 
brancas desses homens incansáveis que por uma espécie 
<lc sympathica dedicação se entre^Ho a sulcar este mar 
tenebroso. Eu uSo acho exagerada a expressão enérgi- 
ca dum dos maiores mestres no assumpto, o famoso 
Freinsbemius, quando comparou a uma nova creaç&o, oa 
restauração monumental , o descobrimento e collocação 
d*uma Cidade ou povoação apagada d*outras eras , cha*- 
mando-lbes = Oppida restUuta. = 

Nestes nossos tempos tratão-se estes estudos com uma 
espécie de desdém , d dcspeitosa compaixão ; porque o 
goso próximo e positivo do sensualismo moderno nao di 
tempo para estas investigações mais áridas, e muito 
roais profundas do que as fáceis leviandades LUlerarioi 
da época , como lhes chamou o Sfir. João Pedro Ribei- 
ro n'uma de suas Dissertações. Ainda bem* que a nossa 
Academia , acastelada na sabedoria de seus Estatutos e 
mais leis de sua instituição , mcnospresa todas essas /e- 
viat^ades , e só abre seu recinto sisudo , e mesurado , 
posto que patente a toda a vastíssima extensão do sa- 
ber, a todos os trabalhos úteis de sua divisa. 

E com eíFeito , Sfir.*, que além do interesse Littera- 
rio ; o de fixar um ])onto certo , e indubitável da nossa 
Historia Lusitana aue até agora andava incerto , e va- 
gabundo no meio a opiniões encontradas , figura-se-me 
ser um lance de louvável patriotismo o de fazer resus- 
citar d'entre as sombras do olvido, eatravéz dasdestruiT 
ções do tempo , aquellas^venerandas memorias de nossos 
antigos Lusitanos que tão honradamente defenderão suas 
moradas » mas das quaes is vezes nem mesmo yesti^ios 
testuoy etiàm periere rulnmp 



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( 106 ) 



BIEMORIAS LIDAS. 



Breve Notícia Bíographica do antigo Socío Corresponderia 
te da Academia , I). António da Visitação Freire de 
Carvaitio^ Cónego Regalar de Santo Agostinho. Pelo 
Sfir. José Li borato Freire de Canalho. 



Se foi sempre louvável costume de todas as Acade- 
mias Tazerem mençdo honrosa de Sócios que se tor- 
narão conspícuos por seus talentos , sciencias e littera* 
tura, não me deve hoje estranhar a nossa Academia quo 
eu lambem lhe dA uma breve noticia biographica do 
am seu antigo Sócio , que por seus escriptos procurou 
vão desmerecer o distincto titulo de Académico , que 
delia havia recebido. Os illustres Sócios, a quem hoje 
tenho a honra de me dirigir , não levarão por tanto a 
mal , que lhes peça algum tempo de aiteução , que uuo 
será longo , não só pelo que acabo de dijter , poròm pe- 
las relações intimas, que me ligão à memoria deste nos- 
so antigo Sócio. 

D. António da Visitação Freire de Carvalho nasceo 
nas visinhanças de Coimbra em 30 de Julho do anoQ 
1769. 

Foi educado na companhia de seus pais, que para eU 
le e seus irmãos consenúrão por muitos aunos em su^ 
casa um mestre particular. 

Aos treze para os quatorze annos de idade jã elle es-ii 
tava prompto nas primeiras lettras , e latinidade ; e co^ 



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< 107 ) 

mo succcdessc ^ir nesse tempo a Coimbra um contrapap 
rente da raítiilia , o qual era Cónego Regular de Sant^ 
Aí^ostinlio , e o tratasse , inspircu<-Ihe o d^jo de igual-^ 
mente seguir o estado religioso. 

Nessa época aos filhos de certas familias nao se Ihe^ 
apresentjivao na carreira da vida outros destinos qu? 
nào fossem seguir a Universidade de Coimbra , o Estada 
Alilitar f Ecclesiastico , ou Religioso. Elle escolheo o ul- 
timo. 

Mes como nHo tivesse ainda a idade competente dof 
quinze annos, occupou-se neste meio tempo em tomar 
algumas lições de Rhetorica e Relias Lettras, 

Nessa época os Cónegos Regulares occupavlio o Con^ 
vento de Mafra , e como lá era morador o mesmo Co* 
nego que o tinha convidado » foi ali que tomou o habi'^ 
to, e professou. 

N aquelle Convento havia cntSo um CoIIegio para G^ 
lhos de pessoas nobres , á imitação do de Lisboa , den- 
tro do qual babitav^o os alumnos , e nelle se ensinavSo 
todas as disciplinas da instrucçifo secundaria. Os Cone-» 
gos moços também ali rccebião esta primeira instruc- 
i^o^ como preliminar das Sciencias Ecclosiasticas. Os 
Professores erSo todos Cónegos do mesmo Convento. 

O nosso Sócio seguio todos estes estudos , e logo nel-- 
les se distinguio por maneira que foi escolhido para de«r 
Cci^der conclusões publicas de Rhetorica , Poesia , e Rel-r 
l^s Lettras ; acto solemne » para o qual er&o convidadas 
pouitas pessoas da maior graduação de Lisboa ; e acto » 
que 4e ordinário se fazia quando a Rainha a Senhora 
p. M^ria I ali ia passar algum tempo » como sempr# 
costumava. 

^'a^elle mesmo tempo havia em Mafra excellentes 
csludoa , a os seus Professores forSo sempre homens d^ 
^Pftp merecimento. Entre elles peco licença para fazer 



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( i08 ) 

nençUo de outro Sócio Correspondente desta nossa Aca- 
demia , o Cónego D. Joaquim d*Assumpçao Vellio, Pro- 
fessor de Physica geral e experimental , e do qual sei , 
que nas Memorias da Academia ha algumas obscnaçôes 
meteorológicas. Foi este Cónego Professor distincto, e 
talvez um dos primeiros que fez em Lisboa curiosas ex- 
periências sobre a electricidade , e seu efleito nos pheno- 
menos dos raios ; fazendo rèr praticamente á Rainha a 
utilidade dos cenductores , o^^que com cfíeito conseguio , 
porque foi elle quem promoveo e dirigio os que se po- 
zerSo no palácio de Mafra, e ainda hoje lá existem. Pa- 
ra estas , e outras experiências havia também ali um 
muito curioso gabinete de physica , e uma , talvez , das 
melhores maquinas eléctricas, que entUo houvesse em 
Portugal , maquina de cilindro , e grande força. 

Mas deixando este pequeno episodio de que peço des- 
culpa , vou continuar com o que unicamente diz respeito 
ao nosso Sócio. 

Como em Mafra nio houvessem os estudos superiores 
das Sciencias Ecclesiasticas , e só os houvesse em Coim- 
bra , no Collegio chamado da Sapiência , pertencente aos 
Cónegos Regulares , foi o nosso Sócio com os seus com- 
panheiros para Coimbra. Nestes estudos se distinguio el- 
le como nos de Mafra , de maneira que também ali foi 
escolhido para defender conclusões publicas. Porém a es- 
te tempo jâ elle nSio tinha só os estudos adquiridos nas 
eulas, tinha outros muitos adquiridos pelo seu génio an- 
cioso de instrucçdo , e pelo muito talento de que a na- 
tureza o havia dotado. Possuia já vastos e extensos co-> 
nheeimenlos sobre a litteratura em geral, Geographia, e 
Historia. 

Foi tão distincto o seu merecimento nos estudos que 
então tratava, que no fim delles o escolherão para na 
classe dos Professores entrar na carreira do magistério; 



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( 109) 

Para isso porém se realizar a Enal se exigia ainda m 
fim de um anrio uma nova prova , um acto publico , de- 
pois do qual o Candidato era julgado nHo só pelos seus 
mestres , mas por todos os ProCe^^sores antigos y que se 
achavâo jubilados. 

Nessa época havia também em Theologia opiniões di- 
versas; aquillo, que se chamava Ultramontanismo , e 
que particularmente se designava pela defeza da ínfalli- 
bilidade absoluta dos Papas , e suas consequências » não 
era geralmente adoptado em as novas escolas. Era com 
tudo essa a opinião dos velhos Professores , que oihavão 
as novas doutrinas como erróneas , ou pelo menos teme- 
rárias. É , por tanto , bem natural que a estas se in- 
clinasse o nosso Sócio » assim como já se inclinavão os 
novos Professores; e esta circunstancia fez que contra 
elle se começasse logo a tecer uma surda intriga para 
que não fosse a effeito a sua primeira nomeação. As- 
sim aconteceo. Chegado o ultimo julgamento » para o 
qual forâo convidados quantos velhos Professores ainda se 
podiao ter em pé , foi-lhe elle contrario , como estava 
preparado , e como' muito se desejava ; e por conse- 
quência não se verificou a escolha , que delle auterior* 
mente se havia feito para o magistério. 

Os que o regeitárão achúr&o-lhe demasiada scien^^ia 
para o ensino que elles só querião dar aos novos alum- 
nos , que tinhão para educar. 

Com escândalo de alguns dos seus mestres , dos coih 
discipulos , e mais individuos , que lhe conhecido o dis- 
tincto merecimento, spCfreo elle este desar que, em vex 
de lhe fazer perder o conceito que já tinha, muito mais 
lho augmentou , porque em pouco tempo teve a mereci- 
da recompensa. 

Com a sabida dos Cónegos Regulares de Mafra para 
3* Vicente de Fora \ierao todos os Professores que Ia 



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(110) 

eftávao, porque o Collegio ali acabou. EstabelectrSo-fe 
porém logo neste ultimo Convento Escolas publicas por 
oi^em do Governo ; c nellas continuarão a exercer o 
mègisterio os mesmos Professores qne o tinb&o exercido 
no Collegio de Mafra. 

Para a primeira vacatura que bonve fui elle logo cha- 
mado, e se lhe deo a Cadeira de Historia e Ceogra- 
phia. A este tempo ja cheio de avultados conhecimentos 
dUo só nestas matérias , porém na littoratura em geral , 
desempenhou este emprego com todo o proveito e admi- 
ração dos seus discípulos , e até das pessoas estranhas 
qtíe por curiosidade o vinhOo oiivir ; porque , como dis- 
se', as aulas efSo publicas. 

Esta circunstancia o começou logo a fazer conhecido; 
e o seu nome se repctio com respeito e admiração, 
muito mais porque certa gente do mundo uão podia crer 
que dentro de um claustro podcssem haver homens de 
tatnanho merecimento. 

Para se espalhar a sua reputação litteraría concor- 
reò ainda outra circunstancia. O Convento de S. Vicente 
de Fura tinha naquclla época uma bella e copiosa livra- 
ria que constantemente se enriquecia com todos os no- 
vos livros estrangeiros que se ião publicando. E a re- 
putação desta livraria era tal em consequência do9 es- 
trangeiros que a visitavão , que até Napoleão na invado 
de Junot ordenou ao bem conhecido Sábio Francez Ge(H 
fròi de Saint-IIilairc , que a examinasse , e delia tiras- 
se os livros ou manuscriptos que julgasse de interesse. 

Por honra porém de te Sábio , que eu tratei por cau- 
sa desta comniissão , devo declarar , que elle se houve 
neste negocio com toda a generosidade e cortesia de 
sábio e cavalheiro ; e que a final na retirada do exer- 
cito Francez uào quiz levar nada do pouco que tinha es-* 
CÓ\hiá(h 



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(111) 

Para seu libliothccario foi noninado o nosso Socío ; 
e como ali concorressem muitos curiosos tanto nacionaes 
fOíDO estrangeiros , porque olla estava sempre a^xirta pa- 
ra o publico , daqui procedeo o espalhar-se mais o sea 
wme, e que muitas pessoas , até das altas jofarchias, 
desejassem pessoalmente conhece-Io» 

Entre estas ultimas quem mais teve desejos dçf o tra- 
tar foi o Cfeador e Presidente desta nossa Academia» O 
Duque de Lafôes , D. Jolio de Bragança , a quem ea 
também devi a honra de ser chamado para ella por Car- 
ta de 21 de Novembro do anno 1804. 

Tratando-o com effeito de mais perto, e avaliando a 
saa aptidão litteraria, te\e-Ihe particular affeiçdo; e pa- 
ra mostrar quanto o estimava e respeitava , sem nenhu- 
ma prova publica, apresentada na Aci^demia, o boo- 
rou com a Carta de Sócio Correspondente , passada em 
31 de Março de 1798. 

O oosso Sócio nSio desmentio o conceito que delle se 
faiía , nem a Academia teie que arrependcr-se de o ba^- 
ver associado aos seus trabalhos , porque em poucp tem- 
po mostrou o que valia , e os cabedaes que tinha para 
pagar a divida cm que a sua nomeação de Sócio o tinha 
ccnstituido. 

A primeira Memoria que apresentou , e lòo foi — • 
Ao6re a divindade que os Lmiianos cotúiecérão debaixo 
da denominação de Endovelico. 

Seguirâo-se-lhe outras com os titules seguintes : — 
Sabre a utilidade de applicar as manufacturas das nos- 
sas maierias primeiras aos progressos da agricultura. 

Da condição domestica e politica da classe indigerUe 
M$ primeiros Séculos díi monarchia. 

Sobre a Jusiiça dos motivos que teve ElRei D. João 
11 para regeitar o$ projectos de navegação de Christo^ 
fio Colomb. 



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(112) 

E a final a Tida de Fr. Bernardo de Brito, (jne a 
Academia mandou imprimir como prologo da nova edi- 
çio da Monarquia Lusitana. 

Quando se occupava destes trabalhos teve delle co- 
nhecimento o então Ministro da Marinha D. Rodrigo de 
Sousa Coutinho , que depois teve o titulo de Conde de 
Linhares , o qual , como igualmente soubesse avaliar as 
suas luzes e talentos , o convidou para Sócio da Socie- 
dade Real Marítima de Lisboa. Nesta Sociedade Ito elle 
também uma curiosa Memoria, em que — se niasírào a$ 
vantagenã do estudo da geographta náutica nas Rtaes 
jaulas da Marinha e o plano do seu ensino. 

Os autographos de todos estes escriptos , inclusa esta 
Memoria , lida na Sociedade Real Maritima , já eu en- 
treguei á Academia , mas nenhum deites até agora tem 
sido impresso , á excepçlio da primeira Memoria so- 
bre o deos Endovelico^ publicada nas Memorias da Aca- 
demia , Tomo 1.* Parte 1.* da 2.'. Serie, pag. 81; e 
da Vida de Fr. Bernardo de Brito. 

Se me fosse permittido expressar um desejo, muito 
estimaria, que as memorias que falUlo para imprimir, 
ainda podessem ter lugar nos futuros volumes das nossas 
Memorias Académicas. E .com especialidade a que versa 
sobre a regeiçfio dos oflcrecimentos de Colomb , porque 
nós vinga de sermos taxados naquella época ou de pre- 
sumpcosos ou de ignorantes : sendo certo , que o bom 
resultado de uma empresa nem sempre justifica os meios 
que para ella se empregarão. 

Além dos Escriptos Académicos, que acabo de no- 
mear , teve a parte principal , porque a corrígio, na mi- 
nha traducç9o da Arte de pensar de Condillac , que eu 
traduzi , estando ambos no Collegio de Coimbra pelos 
annos de 1790 ; e cuja ediçOo julgo se extinguio. 

Estando ambos j& em Lisboa | dirigio elle também 



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tn pefMPlí». Iotdi} defeomo, que imh&A ámUsJic 

Finalmcnite » a rogos do Duqae de LiCBés » eiem^M 
uma Memoria importante , qoe lhe entregou ^ sobre a$ 
T(U(íúgens que fodiama$ Hp&Pât de eeguir v púHido dê 
hglúUfta 9 comparemdoHu eom a$ quê ji íinkamoe re^ 
cebidê em ea$oê análogos. Era isto no tempo em que mi 
Corte se dbpatava que [jarfidè jftveriamos tomar uas 
dissençSes de Inglaterra , e de parte da Europa com a 
França. Mas, como não deixasse copia delia , perdeo-8e« 

Em qnnio portm se ooei^Afaèm madilar èki «fcos 
trabalhos Utteraríçe, príncipalmeBle relAtÊras- á» eokisat 
antigas do nosso país , pcvque para iaú fama toiòi oar 
dias apontamentos t uma tmrmt epleteiliade« uái ty- 
fo • o atacou d« répeole » ^ t$A daM ou sml dias o ie^: 
TOQ á sepultura ,na flor da idade » porqiie iMda <tf9oiii<4b 
Bha trinta e cinco aones complilos. HotMo a ê ètf 
Harco de 180*. . 

Alguém liouve dos mesmos^ que erto-senscompadM**' 
ros do Cl^urtra, que se r^^jaii oom a iua morte/ 
porque lhe invejiia - os taleitos; o neme , e a eftinMN' 
(30 pnbUci que tinha adouirído; ponUn todos os Aif 
amigos ItoMitteto pof^uodamette a sia perda, e a». 
suas saudadM^ ihrto sinceras* 

Um dos MWoa maitras PodaSr oomo imiamisodory 
Bocage, qvm muito ,o jUnha tratado « e o sabia bam a^* 
Tsliar , chorou a sua morte em um Soneto > que tndi 
nnpresso, e dia assim em ind dts teroalos: ' ; 

« As artes, as soiikicies enlutadas, 
« Aa deliciai d'Ontam0, e seus amofes^ 
a Depois que o flrSo luudo^ estio caladas. 

. Porâm se a» tmdidffi de todos os jsvs Miigos , # es* 
TOMO I. 9 



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ilKrhlil fnrfln imníiidnirninniirr siiionrár, «eitapw mf 
podem cmmpktar com. a§H{M Mtttio a^pMfMPqtieiíiMi^ 



> »• ■ \k h 



SONATiVOSw 



L^ Será — 21'' Adm ~ Mm t8i»L » V 1 fethe- 
tiu QflntaiéD f>ckflkiSlr. Jmk Ti|de8clií. 
- i4 'úSboImi^i JfMv»;» MiHMb tomffoprtAtmimiire. Ife- 
MiQa atcnpti . por Joi» Vkieote« ttirtí» ; «• eonâograda 
é^WoflD iMugiMBi Hio ée Janeira Í9WI — 8í:^ 1 
wi éfforecifa pelot MiNM Aí«m^ 

Abhandlungtn der Kúniglicken Akaãêime dar- Wif^ 
mmilmfim nJUrUrn ^ A^ ém Mkte^ Í%W. [Me- 
1001^: da Acodoni A^l éhs Sciotieiasi^^áo Berlin no* 

Beruht' úèár dè^JBur Bêkmwmatilmng g$^igne9tn Fff- 
hmÊdhM^ d^r JúSaigL Pmii$: Ak^dmlêiurWiêmM' 
ehafien zu Berlin. [ Analysa dOft trrfMlho» da Aca« 
dmía R«al das^Sotenctas ák BartUi d^Btínadoo |Nitii se 
pHMíetrcm] -^ 2:'' seHMM de 184T — em S. ««le^ 
taa^dc Si"" 

jtlem —i."" OMmstrfe de M48w^aití9 Iblhetoa àeS^ 

Pcogramina da Academia Real das ScieDcias de Berlin. 
Questio quam AtwUmm» RêgilÊê SèkfUiarum Borussi^ 

coe Classiê Fhgèica H MtÉ^enMk^ ienamini lílf era» 

rio tn.A. MPcocLt jMPoponlI. 

Tromulgata d. vi. h; idl. a MDCCcxLVin. 
-<âplRt clainsvpl^itca- ^ -«iMhaaíÉlica^ Acaderiuae 



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Seieotnniâ Béroliifènsis^iilaocurBta «lisqtiiaifio efctompá'!» 
niío fimctmm.bK jrtotutiiutúM 01* muiwtMrofnstiUiatQr* 
EK^endí ridentur fructus qui magnas difiSertítitiái ivntre-l 
que statii>osteii3liré^toiil./Tfifiip loco analysis diemica 
MctiMiiD» et 'qimtem ex< eftdMi planta dMumtoiíiiD tam 
matanvoíii qtiain» imntóltininiin pèrfieiatar. Tqm hi^ui^ 
ratar, ín cpibusnam Tmetli» partíiM» smgtala* ea qo«|i 
repeHà suai ewtecita flierttil*i nee -no» quas mutatiimei^ 
]urrtes «oiidaa^ niecique dam matiiresoili fruotua suJMe^ 
ri|it Tandem obMPmtkKiaa phyáalo^cae adiuas^dab 
suftt , ut ÍDde perspiciatur , quam viiri calor , loidcn, ban 
níãitás « deToliatio , réieeti0 coiHícia annnbris aut éxci- 
sones JígDÍ cavdkia aut ramODim m fnietuB. maturatiiM 
nem hbbiieriíit Sperat dasais^ ci*ii|tetitOPeiii ih» negk^ 
cturam , quae anteôpauai^ bae. de. re ÍBiiotnâroni^ 

Tractatus huius argumentí Âcademiae attte diém ii 
Hlarlít MSGÒCLÍ trwatiBttaidt iynt LiBgiift tití licet la-» 
tina 4 gallfea , geém&nica» Frooti coipMMnfaitiéms aymlkM 
lum iaacribaidum est addtta achedula dbaigoat» , veodeiA 
spoboh. kisliiitfta , qaae inclusiuãi ceolíiieai nonen au<H 
toris. 

Braemium centttm duaatoium aiireoniin adindicabítur 
nense laHe eíusdem ánai ta «eatreiítu. Âcademiae púUí^ 
ca Letbttitiaiio^ 1 . .« . . ^ 

Kâni^ich^Preussiscún Akademie der Wissenschafimfnr 
das Jahr 1831 etc. — [O mesmo Programma em Ale- 
mão] ; am SJ^ de papel , cada um. 

r8i9 — Comples renius hebdomadaires des Seances 
de VAcademie des Sciences [lostituto Naciooal de fran- 
ça]. — Premier semestre. Tome xxvui. — N-*** lie 
15. — 4.^ g.'* 2 N.*" 

Jmirmd Ásioliqm , ou RecueU de Mémoires , dex^ 
traUs et de Noíices rtlaíifs à lUisioire , à la Pialosú" 

9 * 



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f "« ) 

]A£r, anap Zmyueâ ti à la UUiramnB iê$ fe^ifbi 0^ 
rtemaux eic Quaitrièm êárk^ Tome. tnii «^ N."" 6áL 
Ferríer <84A. — 8/ 

£lmeo deUe principM Opm Setetut^e tíTAbõi^ 
Franeeteo Zant«deêeU. Vemua 1849. — 8.^ l.idhete. 

Dèlla prodiíMiiim é'ímúgim otlemUa daUa ipnijemim 
ifcniama de^i oêtUi m^etattiei êoUopoUi mi du fn»- 
pentímra^ e di um çuorio $iato iêlla fnuUrta, idCae. 
Prcf. Frmt. Zaniede9dU. [Estnrtta dbl lairicoio ¥iii. 
dei T. III. delia Raccoite fiaíeo-chiimeo italiaiia» 1848]. 
Meia foUia. de papel. 

IMV inlTuenza dette Varianam di prewam iMt m- 
dicãsskm TenmmitrkkL Mtmoria dd O». Prof. Fram. 
ZmHêdemhi. — [Eatratta dal fasdoolo ti. dei S. m. 
delia Racoolte fiaiàMhiiiiica itabaiia , Veneáa 1848] 
8.^ 1 folheta. 

Dei ftwommu ébUriti ielIã maeehma di ArwuUrmg, e 
dMe emm loto amgnatê dai Fisiei. Memnrim dd Coo. 
Prof. Fraae. Zaaêedetcki. — [EatratU dal farafiele vhi. 
dei T. m. delia Raeeolta fiáco-cbiimcip iUliami , Veae^ 
lia , 1848] 4."" g.^ 1 folheto. Offerecidoa pelo Autor. 

NoU sur un momimm iiftièmê dê 7¥MgrapAtV deetri' 



rhãê â VAcadimU itoynfa dê Twri»^ h 17 Dkm- 
1848. Imprimeríe Royale, Turin, 15 Mara 1849. 
^8."" 1 folheto de8 paginas. Pto le PmL J. D. Botto. 



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(IIT) 



SESSJQ LITTERARIJMB SO DE MJIO^ 



Presidio o SBr. José LíWato Freire de Carvalho. 

CoDcorrèrXo á SeMlo o Secretario perpetuo Joaquim 
José da.Corta Am MaeedQ» ^ 00 9ff.^ kf^km» Dinis d» 
Couto Valente , Francisco Pedro Celestino Soares, Fran« 
cisco Ignacio dos Santos Cruz , Jofio da Cunha Neves o 
Carvailo.Partapl^»< Anlèrfo-Lopes dàtCsIta le^^JfaflMa , 
Fraoeisto Fremido Garvaihli, BorMionto. lasérSiriiimB» 
ignacio á0UkÍ0 da Ffanseéa 9^l»m\Atíh^^9l^^ 
m da Silveira Pinto, e K»lNnso<rlUm«i*t*8^ 
divos; AnlQBHo Athmi d» Fosima.JRenevíÃe», /0>B|«t^ 
(heus Valente do Coiitn JDÍM(» âufaitít^ilef dmfwlivQii 



CORRESPONDÊNCIA. 



LM0'6eii«ltfd " ' 
1/ Uma PMarin' expedida, peta Seeretaría d'Esta<^ 
do doa Negodés èm RemOi .renetteudo á 4Mdemia ^ 
psfa ae»- conheeiÉienlo.:^ .eSSeilM devidos,: a eopia da 
pecreto peb qual o Engenheiro Civil Cariou Bônoet é 
incumbido do exame e exploraç&o geológica e minerakH 



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ftl8) 

pcà ins províncias iò continente do Reino, na eonfor* 
midade das In^rucções .quo fagem parte do mesmo De- 
creto; e communicando outrosim á Academia que os 
indivíduos nomeados pelo Governo para acompanharem , 
e auxilíaVem na^sM Cobilnisao aquèlte JEiígentaeiro, sio 
o Doutor em Philosophia Joaquim JuIio Pereira de Car- 
valho , e o Segundo Tenente de Artilharia José Maria 
da Ponte e Horta. 



%Nft4o'da1teèMfldrtiMlc«Ma èo.tanfwtpeh Gar- 
iok èà fiei ék M ^ Abcfl' fraaiftno^iMnMlo: Hei por 
fcem eÉriir^qja»» o B t ji ifli l lé li gCifíl iCaNoa'itei*t>^ n,^ 
piorai^ geologÍM istfliMniaffíta do *Bdnov da^^eadeon^ 
tio Al mavdr SMbn dt^áifdeiMalèâ bavoMiatrioQB qM 
Vie Ur poUrifii, % jdà iwllflcstfio )doft enoa iiyue por 
ventura se encontrarem na Carta geográfica , ordenada 
pelo Conselheiro Marino M i gnel Franiini ; e bem assim 
da Collecçao doa objectos entomoiogicos e conchiologi- 
cos que poder adauirir , sem que todavia se distraia do 
fim principal da liiâ commitlko: tiuia.>na conformidade 
das instrucções , que baixSo com este Decreto » e delle 
fazem parte ; assignadas pelo Presidente do Conaelbo de 
Ministros, Ministro e Secretario d^flilHla^MttriU^ioa 
do 'fiehia. O mesmo Mioialm -^ SKt ajirt) -é-Atado^as- 
«ifn o teiiiia cntemfiduatfaca ^exdciilhr. Pafo dte Kècesp» 
iidades em 2 "de ' Maio-ide i84i9. «a aaidha.^ s« i>«fBt 
ileSaldonha, « i 



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(m) 



ãêsíruesikã ^qm $e réfêre q Decr0ío datado > 
. . dô hoje. í 



AlnM t L* 



.. -> 1.. .^ 

O Engenheiro Ciyi) Carlos Bminet, ineambido do et« 
ame oa expioraçfto g e o l ó gi c a e mineralógica das pn>* 
vincias do continente do Reino , terá a seu cargo as o* 
brigaçdes seguintes: 

1/ Fazer a descriK&oogMkgíca doa terrenos, dos 
materíaes úteis para coiistnicçSo , das camadas de com- 
insiivois « ndaá láiitf -«etallicatf.^-tfM^liaMBteaiHÍl^ 
raes; acampsuhawio « dasorí^çiotd'iinM'£kiton^kologiet 
do Paiz ^ om es eortits f e fAsíOa Modlsarío» >pikrfl!trf 
»€ooiieeêrré*os!ttSi8jtÊ^ .1 J • p o 

t . %^ -JPoepai^ar oolkeçiesrglHriogicÉSfièfnMrsM^i^^ 

3/ Fazer .»aimmor;aomivt lÁiuit ' 
tricôs , que lhe for possível. 

4/ Rectificar os e rro s o u fa lta d*exacçto * que por 
Yentora se encontrarem na Carta geografrfiica do Reino » 
ordenada pelo Conselheiro Marino Miguel Franzini , a- 
juntando-lhe a direc^B ^iiDlBMtanhas e a das peque« 
0as ribeiras , e indicando as suas nascentes. 

^/ iCMlíiir 4s abfKto^ 
MS, ^^nefMder ^i«rtr»^ièra. qaetodam teidísliii^ 



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(m) 

6** ApreseaUr io Governo , pelo Mftusterío dot Ne« 
gocioft do Reino , es deKiípçOes , cartas e rectificações 
que houver executado ; e bem assim a exposiçSo , por 
semestres , das difiiculdades que se lhe oSerecerem no 
desempenho- doB seus trabalhos* do modo mais fefcil do 
remove-los . do serriço que esti feito , e do tempo que 
poderá consumin-se em ultima-lo* 

7/ Kemetter succesátameote para a Academia Real 
das Sciencias de Lisboa * pek> modo que julgar mais 
ooQveoieiite e económico , todas as collec(9es que li- 
aer ; devendo vir a eái Cantai no fim de cada trimes<> 
tre para se classificarem e ordenarem os objectos ooUi» 
gidos 9 e se depositarem no Museu. 



» • , i * 

' Fará eakal 4«empenho dos tnbattMM dê'qne se tra«« 
ia , á EDgèAèísn.Carlos BommI se coimpmdeié regu« 
lanMáB.can nAsadenín Keal dtfs Scienote de Lisboa, 
a ^1 • logo fÉi tenhio aido re«rtvidas pelo Governo as 
eoaanKn ^M-eHa finr sobre a materb, iri* dando ao 
ifiln XqgprfMÔo |0 instvuotaca necessariast * 



■ ' * m 



* Ha» ái ^erdena do E nw i èeií o Carloa Bomiet os OU 

jBaÍMa niiittfeat Au individnoa qnt iôfem deágnaéoa pe« 
Jo Goreroo para o auvliareni na f^imntisao geob^o» « 



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( Mi ) 

mineralógica ; e ierá da sua eonpetettcia iofonitar» [pda 
Mioisterío do Reino, adair o iKmi ou mèo serviço que 
dies prestarem , assim como processar a Mha da grátis 
ficacio ou veocimento, que lhes ftr arbitrado. 



ASTIGO 4/ 



As autoridades lllivis e IGlitares darSo ao Engnhei- 
ro Carlos Bonuçt todo o auxilio de que elle haja de ca« 
tecer para lerar a efi^to 09 trabalhos a seu cargo; e 
^sra este fim se lhes expedSrÍLo ás conTemeutes ordens 
pelos Mioislerios respectivos. 



àRTlPO 



Em remuneraçto' dõS trabalhos mencionados nos arti* 
go8 antecedentes , se abonarko ao Engenheiro Civil Car<* 
los BòDoei IM/OOO rs. por mes; e, alem disto, par* 
despesas de mgem , e transixNie das coHecçOes , uma 
lomnia ífpt nSo exceda, a. 100^000 rs. , taíqbem .por 
mei. 

Todas estas despesas, assim eomo as das gratificaçOei 
su veDcimentos de que trata o artigo 3.% serSo satis^ 
feitas mensabnente pelo BGnisterío dos Negócios dfi 
jaeina. '^ 



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{m) 



■ M..*» í. . 








! '* 




ARTIGO '6-° 


'•' 



Ficko por este modo explicadas e ampliadas^ as ins* 
fnicções que em Porturía d&.3^1 de Janeiro do^corren* 
te anno forão dadas acerca deste objecto ao Engenheiro 
Carlos Boimet. Paro das Necessidades em â de Maio 
de Adii% :== Duy^ue de SaldeoluL s*^ . 

^stá conforme. SecrclarÍA d'£stado doa Negócios dp 
Beíiio èm 23 de Maio (Je 1849. :==» Joaquim José Fcrr 
reira Tinto da Fonseca Telles, ^t» 



2.* Outra Portaria expedida ^pela sobredita Secreta* 
ria » referindo que , lio dia"*? 1 do corrente , se havia 
de cantar Te Deum na Santa Sé Patriarchal , pelo (eliz 
restabelecimento da import^nfi^j^a^ saúde de jSu^ «^pla- 
gestade a Kainha , ^ que a MesmjBi Ai^usta Senhora 
tinha resolvido assistir, o .qúc '^^rticipaira á Ao&der 
teia /para concorrer áquélle áclp. .' , \ 

^.* "Uma tarta do^íflr, FoKunato ^Jose Barreiros of- 
ferecendo, em nome d(f Pirefçâo dia ÇevtsU) .MilUar', 
os. cinco números já Impressos ílo seu periódico. * ^ ^ 

l^Tandou-se agradecer esto. oBerla , tC^ie ^;ai mencíoiu^ 
lU na lista dos ^donativos. * 



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(t«3) 

V Gm 'e(6cb do Çoosettio àe Saade BaUíca 4^ 
f^Mf em resposta 90 que se lhe lii^ dirígi4o em 28 
do ccHTente , partidpaiida que gostosatnente satisbria ao 
que a AcadaDima Ibe tiidia pedidt « i^c^nuneodaiido aoá 
setB Dei^jadoa » e As differefites £rtaQ9e$ de Saúde dos 
pfnrlaa do aiar , que colligissem para o Museu Nacional 
a.car^ da Academia os diflérentes productos naturaes» 
e próprios do Paiz de que tratavão ás InstruccOcs transa 
mittklas ao mencionado jConselho de Saúde. 

Assentou-se que se agradecesse ao Conselho o interes- 
se que mostrava no augmento do Museu , o que era 
prova do seu zelo peto progresso das Sciencias Natu- 
raes ; e mandárão-se imprimir as Instrucções para se lhe 
enviarem. 

S/ Uma carta doSfir. Joaé Silvestre Ribeiro, agra-* 
deçendo á Academia a aceitação da afferta que lhe fize* 
ra dç «IgiHis opúsculos, de que se faz roengão na Acta 
de 9 do correute ; e olTerecendo um volume.em que ea« 
tavfto colUgidos alguns escriptos relativos á sua adminis- 
tra$io MS Districtos rde Angra Ao Heroisn^ ç ^ja> e 
soGre aasomptos litterarios. 

O Siir. Agostinho Albano e o Secretario perpetuo ppnor 
jNnerte qu« oa Opúsculos do Sfir* José.Silves^e Riheir 
10 fossem entregues 6 Classe de Scieqcias Moraes e Bel« 
Jas Lettras , pára os examinar ; e asuoi se decidio. , 



GOUHUNICAÇÕES. 

O Sdt. Francisco Freire de Carvalho ofifereceo A Aca^ 
Scania daparte do Sflr. Manoel António Ferreira Tava^f 



( 



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( í« ) 

res, um neifipler dM sAis -* tifièê^dePUtèiiphtal — 
Assentmi*^ c(ué «e eutregateeni á CIoM «^peetivay 
para o» etanfiiiai^. 

AssfDfoà*fe 4»^' 1^ Classe tfé Sdenciál Eiaeta# exa- 
minasse o TrafiTdo ^e Agrimeosura ârf Sllr. EstevSoC»* 
hral 9 e desse o seu parecer sobre os melhoraiBmiM de 
qtie era susceptível para se proceder à sua rehnjprasao. 



HEJ^OBIAS UDAS. 



Sofnre o p&nto ã'onãe se e$palh^9ò pela Ásia as 
doutrinas reliffiosas do paganismo. . Nota pelo ; ' 
Secretario perpetuo da Atademia. 

fi factor aTeríguado que =r « Em' tiempos Miníotissí^ 
« mos Nações primitivas, ligadas péla id^Mfdlide da 
'« língua 9 ttverSo origem no parz dévado da Ásia ^bd- 
« traí , e que os Iranios e os índios fòrM antigamente 
fr onitlos , antes da sua transmigraçto para o Iran, e 
• part a índia (4>. » s» ^ ^ • • ^ 

O paiz elevado da Ásia central, habitado outr'ora pe- 
los Iranios e pelos Indior, 'era' segundo Ritter, a parte 



(I) 6o mnch , at least, rnay be conmdered as establithod : 
...,lliat íq the earliest times primitive natioDs. related b/ 
JaDÇtiai^e^ to eat*h uther, had their origin in tbecomnion ale- 
vatej (ountrj of central Ásia, and tliat ibe Iramalis an4 Ii>- 
Vaor \fere once nnited , before their mi{[ration into Irão and 



jitizedby G oogle 



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dtenira, e ft<tf(^s|m«(g^^J^.jBi|i^^ 

um ffawttadet H(Mil jd«otíi90|ic;jf^^ =:^ os, 

« montes chanMfi^i p^M4lri^ooft^a^iybUf:'Iq^^ 

« a |iarte oocidistitai, da^íimManbas celisftq; 4os Chino ;> 

<f eifiie éraii deftas rooBianlws, (Bd«(qiie jirendiaii^^som. 

ff a.Hímálaya é que Mf levão os textos mais. ^otigps. 

« e fluÂB «ulbeotMot do^Zeod-^Avesta (3jr j». =93 /.^ . 

Sairanquistii d»; s^l da h^% por po^oa «índos do 
Norte ha vestígios Ms lendas nytíioiogfcaa dos índios. . 
Refere a historia de TrJçatJcu , quâ oecup^ muitos capi- , 
tidos io piimeiro livro do jR^SAAyana, que css.ccrE^rfe, 
« Kei elXchatriva» descendente da liidia solar da la^. 
ff miiia d^Ikehvacu, intentando subir corporalo^ente ao 
< ceo f por -meio dum saorificio pariiciilar » Vaçichta » 
€ sacodote.da dmilia, recuson. ajuda-lo. O Rei, epca-. 
f minfaaodo-w ywnr o sal, dirigio^se com f^ mesmo -fim» 
« aos filbos 011 dÍKÍpiik)§ do R|si^;pDrãp .eUes^indi-- 

■ ■ ■ • If I ■ ■■»! H> < fc I I l i' I H 1 1 ' 

índias Daòisié». T. I. • no ^cellanlé DJws^iM pieli«iÍAar dok 
Sor. Troyer, jd. lwv , ín^««, e |.xxvi. 

(€) Mr. Charles Ritter considere, en géaéra! i eonune le 
lerveai^ de lâ cufture iptenectoelle des Hit>dag, 'fcMrtgionséW 
vées de cette partie de l*Asie ^íii '<^tiipreDd le Thibét, le Ba-*» 
tan , le Xacheniir » et Ur Kafeiistaa • Dú yorhalU. emiíopa€Íê*. 
•ker' Fplker€f€9çkí€httf^^ Seita 10. citado por Mr. Troj/er« 
iádjaíiorQngini^ tíiêtoire dti Róis Ju Kachmir. Pari^iS-iO, 
T. I. , p. XXI da prefação. 

(S) M La hante montagne n sera l^lroans des anciéDfi , ou' 
d'i]iie manière pios préciae, la paitie oocid entale det Moola«9 
gncs oéleates dev Cbinois. Ccft, je n'en dottte pas, au pied de. 
ces hautev mentagasa, et Ue.ceJIea qui se rattachect à rHimi* 
I^JSL . que noua lamenent les textes les pius aociefis et les plui 

authentiques da Zend-Avesfa ce que ies A^ièns de la' 

Bactriane ont appel^ •• la haute meniagne m né "petit étfe ; 
iiaos les anciens textea^ TElboure medique. Çommentairc «tur 
FYopia. Paria ISS^^ T. I., p. clxxxv. 



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€ gftaáos 46 qoê oresbtttte ii'qiií pariMtSo 4esiMdi-^ 
r da pela mi chefe accrefioeDtttlo á t^lia uma ud^ 
^ diclo , <{M o tramfbmioii «'iiiii U^hmliúm [homem d» 
«! maia haixa claaR]. Neata hamiUaiç»» neoifao a S}^^^ 
« nitra, que tendo piedade deife, ))elo poder destat 
« ceremooia^; o elevou ao Geor porèai o dees kdra 
«r não con^entio alli o hnporot e o pracipiiM de lá opm 
« a cabeça para baixo. Qaando cahio gritou vfm lha 
«^ acodissetn; Viçvaniitra eiifkM>, e Hfi-lo parar na sua 
« queda. Este Rtchi , offeodido ^o tratamento (pie se 
fí tinha feito ao seu protegido , <a«oo no sul cansleUâ-^ 
r (Oes novas t e anteaçoo ea âcosea^ de fai^ prevateceo 
« o beniispherio austral sobre o boreal. Oa deoaea ate« 
«i^inorisadofl procar6rlo recondUar-se^ com elle; e por 
<r* uma convenção conclaida entre os- do» partidos ficou 
a Tnçankv suspendido eatre o Geo e a! tenra , com a 
<r cabeça para baixo, sendo élla mesmo um aateriano; 
f( e as comtellaçaes cníades porVtçvamitn de?ilo tam-» 
«• bem dur«r tanta quanta durasaem oa mundos , mas. 
H fóra do caminho do aol. Mr. de Schagel lança um 
« raio . de lut sobre esta tenda : segundo a sua opinião « 
% os índios brahmanicos, cncamuibándo-se do norte pa- 
« ra o sni , descobririo novas constelUções no hemis- 
ir pherio austral ; juntárlo-mis á sua mjthobgia* O (m 
cr uma ficç3to atrevida , attriboirSo a Ma ereaçlo r Viç-* 
« varoilra. Agasfya é igualmente , ao mesmo tempo « o. 
fit nome da estreita austral de Canppo, e d*um Richi que 
« civilisoH o sul da India^ Assim adquirimos conjunta^ 
«r mente .a noçllo de dois factos históricos-: a conquista 
« do sul da índia* por povos vindos do norte , e o co* 
« nhecimento que elles tinhSo dascousteUdi^y emtem-^ 
« pos mui remotos (4). » »= 

^ - - - . ... ^ 

(4) Je oequitterai pas ce siyet sana avoir rap^elé l*histoiré^ 



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'k HiMàrià HA^ três BBiná»"%^ bdtra afllègoiia "do 
iMn&0'fafito. ■ '■ 

áp Triçamkm^ ,^ui..ri»i^it plujÂevi^ctepirrtâ.da prcmiftr tím^ 

vacu« d^ ladignte solaire, ne.voulut ríeu.moin;( qúen^uit^y 
cõrporeflement au ciei, par lé ngioyea d'un ^crifice paryçuliér. 
Vi^icbta , píêtre^dè la faiílflfè, rifusa' <fe i^aider. Ce rói , alíaiit ' 
ym IflfQdi à*adiCBMi xi«D6 teicnèrnto. Vit-ali^é&jjB ou discipfeB éu^ 
Bichi; maisfceiíx ei, c^4rrftiMÀT^cc,qu;ii.|ie«iistiift d»i)sjime}' 
demande rejettéeiparjeuf jnajtre, ioi|;nii)çnt pu^raftis u&A-iiifi*«. 
lédiction qiii le cfiângea en un ichandala [hoinme de la plus^ 
hsLs>e classej. Bans cètté bumiliatiòn ; ii em recours à .Viçvá- 
mítm , qtti etit pifíSde l^i , * et , pai le pòavoirde ces cérémo- ' 
Diea» Teieva aaciei; -nkb li, ie idifa iDdn; ne ttoffiit pàs^- 
Uiopos et le^«cit)itahd'ep.haW b» t4l*.la pfei^iir^..|:i|'foi|i.. 
luiQt» U cria 4u sejcoun^ Viçvamitra Tentendit et Tarr^ta.daiis, 
sa chute, te fl^cfai, ofieosé lui même par le traiten^ent Qa*avj^it 
essmjé^n pròtégé. créa' datas le sud de .nouveiles comtena^oos, 
et menaça iWdievxde f»m préval#ir< 1 -bimi^phèfe^aMstrai kir' 
la.hoiíiatC^i9rf» , ffht^fh^. útmí9fi4ihní9Íii,9e,iÍGmé^ sMc 
lui • et , d'apris une conventiou conclue entre les deux partig « 
Twyiukn r es t a «nyadu - entr» Je>«i«I «t la- lertt ^ la tél e ea ■ 
bas,. lui mérae uo astérbme, et les co.nvteilatioos ctéés.pjir 
Viçramitra de^atent aussi durer autant que les ^londes, oaia, 
Irors du chendu du soleil. M. de Schegel jette un trait de la«* 
nière dans cette legende: selon lui, les Indiens brabisaniques/, 
en ft^avançant du nord aa sud, aperçurent de t)ouveltes cqus«, 
tellations dans rfaémisphète austral; ils les jòignirent à' leur 
n jTtbòlogie , el, par une fiction hardie, eu attribuerent la créa* 
tion à Yiç^amitra. jfgasiya, parejllement, est en paêitie temps 
1^ oôm ' de rétoife-ihistrate de C^nopus et d'un Richi qui civi«, 
Ifisa le sad de f*Inde. C'e>-t ainsi que nous acquerons a la fois 
r*aperçu de deux faits faristprí<)ties : Ia conquéte du sud de Tln- 
de par des peupfes venant du nord , . et la connoissance que' 
ceux-d avaient des constellations dans des teinps très-reculés. 
JIr. Tiojer , anal jse do Rámáyúna\ poema Indiano di Falmi*^ 
«...., pnbHcatq per Gasp, Gorresio. Vol. I. Parigi , 184S/ 
Bo Journal Jsiatí^e, quatriime série , T. II. , N."* 8 , p. €53 
a tM. Quanto i opfnillo de Mr.Mé Schegel , citji ZeiUchrífi 
Jm- àie-JSrmãtdei^MorgenlándésiH.^^i -Band-, 'Seite ST?.- - 



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(MS) 

^ «r O primeiro ki Pmm^Rmm » od « Vra» wb o 
« machado. » A tradiclo attríboe-»Ihe a formafto da et»» 
ff ta do Malabar. £m pé aobre o promontório de Dilly, 
ff daapadio frechaa pan o aiil, até osde aliai cahirio, 
r o mar retímHae do pait de Kerala , qoe limpou dai 
a aerpeutes para estabelecer nelle cokmoa viodos do dot- 
a« te. O aegmido Rama foi Bamm^Tchmira,^ o heroe do 
«tr Râmáyana , qm ae Kgoii com oa pavoa aeivagam do 
ff aol da índia para a conquista da liba ée Ceytoo. O 
ff* ték^eeíro Rama , oa Rama-^BaíadBtã , tem um tubre- 
ff nome que exprime tudo o qne noa importa saber da 
ff! sua historia , qne vem a ser Lamg^tíãf^DImêdja « o 
ff qoe tem nma charma por eatandarte. » bio besta 
ff para reconhecer neale eonto três grandes acontecímeo- 
ff' tos: t.* a arrotéa e povoacko da coita do Malabar; 
ff 2/ a ej^tensto dum domínio do norte par<l o sul; 
ff 3.^ a ifitEoducçto da agricultora (5).. » as 

t Abandonando o campo da fantasia em ipm podilo co- 



. (5) Considérons, d^ajirés ce que je vieus á*exfoaa, Vhia^ 
foire des tiois Bamas. qai k sniivireot. Le preqaier fut Paratu» 
Aamà ou « Rama avec Ia hache. n La tradition lui atíríbae la 
fôrmation de la cate roalabare. Debout sur le promontoire de 
Oillj , il décocha des úhchest rers le sud « et juaqu' ou ella 
tombirent , )a mer se retira du pays de Kerala , qu*il purgea 
des serpeots , V^^^J éiabltr des coIodk du Nord. * . Le second 
Bama fut Rama-Tchandrat le héroii du Bâmáyaua. II s*aU 
iia aYec les peaples sauva^es dú sud dePIode pour laconquète 
de ile de Cejian. Le troisiime Bama , ou Aama-Boladevn , 
m un sumom qui exprime tout re qu'il nous importe de bavoir 
de sou histoire: c'e^ Langala-Dkwadja. « celui qui a un4 
charrue pour étendard. » Çe)a sufBt pour recoDooítre daos ce 
fécit trois grands évenemeDts: 1.* )e defrichement et la popa-, 
latiou de la cote malabare; 2.* rextensioQ d'uoç domioatioa 
du nord ao sud; S/ l^introdjãction de Tagricul^re. Mr. Troyer, 
ànaljse d» Rdinãytna^ no Jêurnal Jiiaiifie. citado, p« t4S. 



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(iier^se oiltafas recordaçSes sobro este assumpto , prtf^iK 
2irei alguDS fundamentos históricos em que se esteie. 

« A grande fanoíiKa dos Paildus de^ícende de Paiidea/ 
« filha de Vyáâa< O nome e domínio de Paiidua en^' 
a contrÍD-se, a pariír da rai£ do Hiínál&ya até ao sul ds 
« índia , oitde Hattâ , a Raiiriía de Kamate de que fa^ 
« mençãa o Râdjataratigifil ^ era proTafeiíneifte da raçai 
« dos Pandus (6)# » =» 

Debaixo do noíite de ífnxl , qlre depois He applicod 
mais exclusiiramente k Pérsia , eomptehendiSo'^ Naçõe9 
que os antigos chamárSo Ariana» ; e o nome antigo d« 
ItKiia Aryávarta [7) , e o de Arya , titulo especial ' do^ 
Brahmanes (ST) , provSo que eÚes perfenciio ás Naçõe» 
Arianas / de que se separarão paí*a vireín estabeíecer-se 
na India« Estas Nações Arianas divídkào^se, n uma épo^ 
ca remotissinia , em dois grandes ramo9 , nia dos quae» 

(S) La grande íamifle déi Pandús* roôme [Voyez : Tocf i 
hnjpaotana ^ F* ^0 descend de Fandea, fi41e da Vyâsa. Lee 
tkom et ia domination de Fandua se trmivent à partii^ du pie i* 
de THinialâya ju.sqQ'au sud de Tlnde . OÚ Rattâ , la reine du 
Karoate^ iioniiDée datisr te Râdjataranginí [liif. rv. , si. 152] « 
é!6't proba bf«menf de ki race des Fandos. jVk. Trayer. His'* 
loire du Kach^mir ^ T. II., p. 526, nota 4. 

(7) Le aiot drjra dont ia prémière voyeller eat lotigiie , qai 
figure dans Tancien roi» de l'>nde Jryâtarta, Mr. HurnôUf/ 
Commentmfe suf VYaçna , T. >. , p. fcxxvrri. 

(3) dr^y titre spécial des Brahmanes, et par suite du pajy 
^Q*iU j^abitent [áryáwirta}. Idem, ibid. p; 461, nota, col^ 
I.*. Em ifiiDiicnto drya sígniíka home^tué. nohilis { c o comer 
próprio da Índia c Ahfcí-á^atia ^ que qrter dizer, o paiz dos^ 
Arjas, Segui>J<7 á deíkiiçao deMamu [€apit. IK, estancia S2| 
Arja*âvarfa é a região sitoiuds^ entre os moivtes Vindftya e' 
a5 mQDtsinhas cobertas de neve [Hiniava] ,« desd«r o oceano^ 
«ieotal até 90 oceano o^id^tah m £íI' snnscrit <Aya signiíi^ 
• ktmtttuê t noòlitâ, L'Iode proprement dite est nommé ^^^rfa-^ 
9 áxxtrta^ c'e3t-à-direy le pays dcsAr^as^ S#k>n la définitioB d# 

Xoiio L to 



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( fsor) 

fiooa na Aría baclríana » e o outro veio e$tabetecer-sé 
aa Aría brahmínica (9). 

Um do» factos que attesUo mais evideatemente ,a in- 
tima imiBo dos dous ramos da grande família que se 
esteodeo* muitos aecuVos autos da domi era , desde o 
Ganges até ao Euphrates , é , nem contradição, ter uma 
das divindades mais Tenerada» da índia dado o seu mk 
me Djem9chid ao roonarcha roais celebre da tradição 
yersiana» fundador da antiga sociedade de que Zoroa«* 
tre passa por ter efieituado a reforma ^ e o prímeu-o so- 
lieraoo da dynastia ario-persíaDa (10). 



« Manou [Cbap. JI. , Ycrset £t] Arya-ávarta e^i ia contrée «• 
*r tuée entre te« nionts Vindliya et le» niontagnes ueigées |Hi- 
*• mavat] 9 depuis rocéan oriental jii.squ*à Tu éan occiJentat. 
99 Scblegel , Rijlwon» tur fáiud€ d€B langue» cuiatiquit^ 
*t Bonn 18SC, p. 70, nota. 

* (d) Si nabdTUiadiêta peut pasiser pour antér<enr au aan^rrit 
IfáhhánidickÈka , le rapprocbement d« ce^i deux teimes do^t 
Atre regardé ooinme fourois^Bt une des preoves \es plui expli* 
cites de la baate anttquifé des créneinents qui ont séparé ^cs 
yeuples ariena en deiix ^miuiets branrbea, Tune qui est vesXé^ 
dana l'Ar:e bactrienoe, Pautre qui e»t aNée «'établir dans T 
Arie bvaKnunique. Mr. Buniouf , Commtntaire sur CVttçna T. 
I. , p. 5^8. 

Cet Pichdadiens fameux, ai célebre» dana les Iraditions per- 
•annca, aont le» ancètrea canamans des Arieii» de la Bactriaue et 
des Ariena de Tiode. idem» ibid. , p^ 6(9. V. taoibem toda 
^a pagina. 

Sobre a aitoa^a geogiaphica de diversas Nações Arianas, 
distinctaa umas de outras, debaixo dos nomes de .Jrta, Jria- 
«ta, e Jrianot V. Mr. E. J^cquet, — Examen critique de V 
ouvrage intitule: Dit aUpersieken Keilinêchrften «on Pertc- 
jpolÍM etc. . voD Dr. Chr. lAa;ieo. Journal Jsiatiqu€ , /// Série 
T. V., p. 5úí . nota. 

(10) On doti à Mr. Bopp le pricieox npprochement dti 
» Fivagukáo xeod » et da F%wM99án sauvcrit , nooiin. de Tí- 
m matpot. Oo sait que VÍTasvat et une des formes du solei! , et 



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(13!) 

O Império ãa Pérsia , assim denominado de qn) pa!y 
que se comprehendia entre as Nações Iraoias , jbraogeq 
na sua fasta extensSo todas as mesmas Nações , teudg 
por isso também q nome de Iran ; dominou antigamen** 
te a Ásia ; foi o mais antigo do mundo (M)» e a vh 
venda originaria de muitas Nações , actualmente estabe<« 
lecidas em regi9es distantes , opiniSo confirmada pelas 
luzes recentemente adquiridas sobre a antiga historia dai 
Pérsia (12). £ Sir William Jones acredita que .só n 
« Pérsia , e nenhum outro paiz > mandou colónias para. 
n todos os reinos da Ásia , e que as três raças f Judeos^ 
« Árabes , e Tártaros] transmif];rárSo do Iran ; que era 
i( o seu paiz coimnum » verdadeiro centro da população ^ 
< conhecimentoê , línguas , e artes que , em vez de v/a- 
« jorem só para a parler do occidente , como caprichosa^ 

i ' r 

I» qa'il est le pére de Yama. Et de méme. dans les livres de 
» Zoroastre. rivaguháo Cbt le père de Yima, dont le nom, 
» joint à Tiâdjectif kàchaéta [brillant] , a fait celui de Pjcm$<f 
n cUd ^ le monarque le plus célebre de la traditioa persaiioe, 
9 et le fondateur de Tamíenne société, dont Zoroa^itre pas!!^ 
» poar avoir aocompli la reforme. II est vans contreJit fort cu« 
» rieux de voir une dess divinités indieunes les plus veneres i 
n doiioer soo nom aa premiei souverain de Ia djna^tie ario* 
n per^unoe; c'eht nn de» faits qui attestent le plus évidemment 
r» rintime anion des deux branche» de Ia graude famille qui 
» s'e8t étendue, bien des 8:èclet<, avant notre ère, de puis ie 
» Gange jii9qu'à TEuphrate»»* Mr« Burnouf £'/tic/ff sur la lan^ 
^, et êur leg icrtes sends , no Journal Jsiaíique, Quqw 
íriime serie. Tom. IV., N.* «0. Décembre 18i4, p. 475. 

(11) Dabistán, T. I., DiscujitK) preliminar, p. Lii, Lxxiv; 
e cvii 

(IS) The light recently acqtiíred upon the ancient liistory 
ofPeráia, refleit rather favorably upon that par t of «ir WiU 
liam Jooe9'8 opinion . thal thi» counlry, in its wide extent^ 
vas once che original seat of manjr natons now setlled in á\^? 
Usii resioos. Oabistán^ T. 1. DÍM:ur:>o prelim. , p. lxxv. 

10 * 



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( 132) 

<r menie se tem mpposto^ ou para a parte do oriente ^ 
u como se poderia affinnar coni igual razão, se espalha- 
a ràú^ em todas as direcções , por todas as regiões da 
H tmimio, em que a raça Hindu fez assento, debaixo de 
<t varias denomnações (IS). » £ como este Império 
comprehcndia diilercntes Nações que TallaTao três prin- 
cipaes liiiguns, o Zefid, o Pehki , e o Parsí (ti)» bl- 
lando^se o Zenl , antes ia era Christa , parlicularmeií- 
te nos paizes situados ao occidente do mar Caspíu , com 
especialidade nu Geórgia , no Iran próprio , e no Âzer- 
bijan [o norte da Me^ra] (lõ), Mr. Buroouf, coin a 
sua costumada sagacidade , demonstrou pela aoalyse do9 
nomes de Sc^iana r HyrcaDÍa , Arachosia , e de ootro» 

(IS) He [sir William Jones. Works, voí. in. , pp. Ill e 
ISA] furtlier states « tbat nu countj^ but Feisia seems íikéiy to 
have sent forth colonies to ali the kingdonis of Asía , aod that 
fhe three nices [Indians, AralK), Tartars] migrated from Iran, 
as from tbeir common country , « fhe true centre of poputa* 
M tjon , of knowledge , of fanguages , and of art» ; wich , ii»» 
M tead of travelling westward onF/, a» it as ben fancifullj 
» supposied, or eastward^ as miqbt with eqnal reason have been 
9» assiertedt were expanded m aH directions to ali the regions 
»f of the world , in which the Hindu nce bad settfed under 
M variuus denominations. » Daltãián, T, I. , Discurso prelim. , 
p. CTri. A opinião de que no centro da Ásia teve origem o 
género hnmano, e que de Tá se espa7boa a civilisação, é ad- 
ijnitttda nâo s6 pelos A A. até agora citadois, mas também por 
}fr. Eichhoff! ParalMe dts íangwes ih VEuropt et de Vinde, 
Paris 18S6, apotando-^^e lui autoridade de Colebrooke, Wii* 
kiiis, Wil^ion, Humbait, Grímm, Bopp, e Mérian. 

C 1 4) This empire [o da Pérsia] comprÍ!«d m vts vast extent 
diíferent nations, speakin^ thjee principal languages, theZand, 
Pehlvi, and Paisi. fJaòisUln^ T. I., Discurso preíim. p. tti, 

(t/i) Zand. . . .was spoken, before the Christian era, parti- 
cularly in tfíe countries situated to the west ot the Caspian sea » 
naroelj in Geórgia, Iran proper, and Azerbijan [the noitheni 
IdeJia]. Dabiitán^ T. I. , p. n^ , nata. 



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( 133) 

pontos geographicos , que taes jdeaomiDacdes só podem 
ser interpretadas pelo Zeiid , liogua dos povos Aríaoos » 
e que tanto estes paizes como a Draiigiaoa , a Mareia- 
na, os Ariacae , os Antarianit os Arkirnspi^ e os Arw- 
moei de Plinio , erfio provijQcias do antigo Império da 
Pmiâ ou Iran {Í6)- 

Seguudo Ibn-Khaidun os Orientaes estavSo persua- 
didos de que as Scieocias tínbdo passado dos Persas pa- 
ra os Gregos, Diz elle : « As sciencias iatellectuaes , que 
«r são natúraes ao homem , . . . . u3o pertencem exclusi- 
« vãmente a nenhuma Naç&o . . , . e estas são as scien- 
r cias a que se dá o nome de philosophia , e de saie- 
« dorta .... Nenhum povo se entregou mais ao seu es- 
« tudo do que as duas grandes naçSes » os Penas e os 
t Gregos . • . , Estas sciencias forão muito estimadas pe- 
c íos Persas ; e diz*se ató que passarão dos Persas pa- 
« ra os Gregos , quando Alexandre , tendo vencido, Da«- 
c rio , e tendo^o feito morrer » se apoderou dos seus es«- 
c tados , e se asscidioreou dos livros dos Persas , e de 
« seus trabalhos scienlificos (17), » DescoJ)re-se neste 
passo a tradição antiquíssima de terem vindo as Scien« 



(16) Commentairt sur rYaçna d* p.. xcTi a cxi. 

(17) Les aciencei intellectuelles, qiii ^nt natiirelles à V 

ttomme . n*appartienn^nt à aucune nation exclusive-nenC 

...»c« sont ces sciences a\ucquelles ont donne le nom tle phi* 
lotepàie et de sagesse, , . , Aucun peuple ne s*e§t plus livre à 
Itor étude que le» deux grandes nations, les Perses «t Jes Grecs 
• • . . Ces sciences furent fort en honneur parmi les Perses ; e| 
I'on dlt m^aie qii*e|]es passèrent des Perses aiu Grecs, lorsqu* 
Al«ttndiB , ayaut vaincu Darius et Tayant fait moiirir, s*en>«> 
pan de ses états , et devint maitre des livres des Perses et de 
1^ tiavaux scíentifiques. ProUgomemoê históricos, passo trans* 
<^pto por Mt. Silvestre de Sacy na Rákaion de VEgypU poti 
MrMUaif. Paris 1810, p. S41 , citaijido Hadji-Kb^l&. 



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( Í3t ) 

dás da Penía pura a Grécia , porém ofTuscada pdos 8« 
Dachroaíandoa e fabulas , que perseguem ordinariamente 
t« feitos d*Alexandre referidoá pelos Orientaes (18): por- 
t]ue asScienciaa de que falia Ilvi*Khaldun erko cultivadas 
^los Gregos muito antes de Alexandre emprehender a 
conquista da Pérsia , como c sabido» 
' Nos Escrtptores Persianos conserva<*6e a memoria da 
-grandeza e supremacia do Império da Pérsia , e de ter 
tielle origem o género humano. 

O Zend-Avesta dit que es Províncias do Iran sHo 
«O, 100. 1:000, 10:000, innumeraveis (19). E o Au- 
(U ior do Modjemel al^Teivarikh^ que escrcveo a sua obra 

-no anno de 1:126 da era ChrisiS (20), è que p.nra a 
"Compor se sérvio de muitos livros antigos , cujos Auto- 
res tinhfto colligido de outros ainda inais velhos o que 
escrevérto (21) « diz; sss « Que o Iran está no meio do 
« mundo , e se estende desde o meio do rio Balk , dos 
« margens do Djihun , até o Adcrbedjan , a Arménia , 
« até Kadesilh , o 'Eupliratcs , o mar da Arábia , 
<t compfehendendo ornar da Pérsia, oMekran até oKa« 
M bui ioclusive , o Tokharestan , e o Tabarestan (22) ; 



Cl«) V. p. 40. 44etc. 

(19) Les Provincesf de Tlran, qui'sont au nombra de 5A« 
dfl 100, de 1:000. de 10:000 mille. qni sont sans noa.bre. T« 
II.. XV, Caidé, p, I7S. 

(to) Notice de Vouerage pertan qu{ a pour tiire : Moud* 
jemel-attawarikh m Sommaire dtê kisíoire^ «t par Mr. Quatre« 
jnère. Journal Asíatiqu^jll. Séria, T. VIL. p. «♦•• ExtraitM 
du MoJjemtl al^Ttwarnh, relatifo à Vkutoire de la Permc^ 
traduitê par Mr. Julev Mobl. Jcwnal Jtiaiique, III. Série» 
T. XI. , p. ISC. 

. (<l) V. 86 obras citadas na nota pMcedêntei T. VI t. , p* 
t50a £51, c T. XI.. p. U5. 

in) fJrao, «{uiM au tbilieu du Mc^dei dh raUteuir di^ 



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(135) 

V qiié é O ponto em que vero reunir-se os soberanos 
« de diH^rentes paices ; que forma a quarta parte dò 
« mando habitável ; que fci o berço do género humano^ 
« e depois o assento dos Keis do quarto clima ; e que 
« entre as outras porções do globo , taes como a China, 
« a lodia , o paiz dos Zendjcs , o dos Arabea, doa 6re- 
M gús, e dos Turcos, ao meio dia, ao norte, e ao occi«- 
« dente , nenhund paiz é comparável ao Iran (23). » 

Da grandeza desmedida do Império dos Persas , e da 
diifusào das gentes Arianas peta Ásia apparecem rastoS 
DOS escriptores Gregos. Heródoto diz-nos : 

Oue havia muitas raças de Persas , uns agricultores, 
butros nómades , de que nomea os Pasargadas , os Ma- 



Modjemel e! tavarikh [foi. 514 rectÀJ . est depuis 1e milieu du 
fleuve de Ijatkh , des bords du Ojihoun, jusqu*à rAderbedj;in, 
PArmenie, jusqu*à Kadasih, TEupUrate, la mer d'Arabie, 
et la mer de Perse [comprit] le Mekran , jusques et romprif 
KabouK le TokharesUn et le Tabarestan. Zend-Jvesta , T. 
li . p, 409, nota [Ij. 

É claro que o Zend-Aresta 9& quer dizer que o Iran tinha 
uma grandUífinia extensão, e tanto este passo, como o do Aii^ 
tor do tíodjemel aU Tewarilk te referem a diversas épocas da 
existência do Iiiípcrio da Pérsia. 

($3) Les événeoients du règne des ro\s de Perse sont let 
leuU que je me sois proposé de raconter tout au long , attendu 
^ue ce pays.^st situe au milieu de Tunivers, qu*ii est le point 
ou viennent se reunir les souverains de differentes contrées, 
^u*il forme un quart du monde habitable , qu*i i a été le ber* 
ceau du genre humain , et ensuite le siége des roís du qnatrié* 
tae climat ; que parmi les autres portions du globe , teljes que 
la Chino, linde. le pais dev Zendjes, celuí des Árabes, des 
Crecs et des Turca, au midí« au nord, à Torient, et à Tocci* 
éeúi aueun pays n*est comparable à Tlran. Noiice de touvra^ 
$€.,, Moudjemel-atlawaríkh , «< Sommaire des hisioiresn par 
M. Oaatieffiire, JoutnalJsiatique Hl. Série, T. VIL, p« 
«51 



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( Í36 )^ 

f aphio^ « os Masplos , os Pnnthialeos , os Deronsios * os 
Ocrmauios , os Daos » os Mardos , o* Dropicos » e os Sa- 
garcios (24): 

Que os Persas assentarão que a Aaia e as Nações 
barbaras que nella habituo lhes pertcncião , e aos Reis 
que em qualquer tempo occupassero o throno da Per« 
fiia (2*>)t £ que o^ Medos erSo uma Nação Ária* 
pa (26). 

Mas 08 Rei^ da Pérsia da Dinastia dos Acbmenides, 
desie DarÍQ Hystaspes até Artaxerxes Ocbus, Icvávao 



j9Vrí*/» n»^«^á^i iiV* «çi^Tfti. i» ««rir* nm\ ' A^gisif^f vilau M 

JÔ5, )>. 15d ()o T. 1, dsL ed, de Scbwcjghaeuier. Argeiítorati 
et Parhiií 1816, 

OsTi^aarioi [G^ermani] slo osK«^fuír»oi [CarfnaRÍ] 6egtin<!o 
Jlstevão Ji^zantino [V, o Tom. 5* da citada ed. de Heródoto, 
p. ISi, nota 14]; e talvez ft>sse melhor li(^*ao K«(/aÚ4o»; por* 
^ue a Carmaniii é reconhecida pelos antigos ter pertencido, 
em certas épocas, á Pérsia [V. Çellgrio Nofitiae Oroit antiqut, 
T. I. , p. 6í)7 e seguinte, Lipiàe 17S1 e 17Si] ; e a peraiu- 
taçâo do K em O é mui íkcil , principalmente se a pronun-» 
cia do K for um pouco guttural. 

O SÚT. TroycT, po Piscur^o preljminar do Dabistán , T, 
I. , p. lii. , cit^ este pqsso de Heródoto = k We are informed 
» by Herodoíiis that there were diíferent races of Persae. of 
whom he enumerates eiçven >i :=z; porém eu só acho dez ra-> 
ças , no lugar ^f^ontado. 

(25) t1)» yl^ ^Affinf uai' T^ lroiyf9»r« iB»i4f fiá^Pa^^ •IxMVtroA 
Of Ili^aa» l>. í. , cap. 4.^, p. 8 do T. I. da citada ed. 

riiw 'Aalvif Vfíffaf rop^oy^i luvru^ i(9«i Uí^xi, xai rov alã 

jSariXf^orrof. L. IX, cap. 116, p. 294 do T. IV da ed. citada, 

(^Q) MaXmTO [oi Mt,ht] ^ «rix«» w^; wÁnài9 ''A^^i.^ l|t 

Vil. , cap. 6;í , p. 2sji 4© T, l\l. ú^ citada çd, 



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(.137) 

flipda mais looge as suas pertençSes ; porque , segundo 
consta das inscrípçOcs que existem do seu tempo , íoti« 
ta!av8o-se Reis dos Reis , Reis das Naf5es , Reis dos 
Povos, Reis de todos os Paizes habitados. Reis do 
Moado; e Dário Hystaspes e seu filho Xerxes, tomavao 
além disso o titulo de — * msterUaculos deste grande 
mundo -** (27). Fazendo Qario Hystaspes uma longa 
enumeração dos Paires que dominava , comprebendia 
Delia os povos , desde a índia inclusive até á Arábia , 
Egypto , Grécia, Scy thía ctc. (28) ; e tal era a impor^ 
tancia que dava á sua origem Ariana que se gloriuva 
de ser filho de Hystaspes , o Achmenio , Persa e filho 
de Persa, Ariano, e de geraç&o Ariana (29). 

A colonisaçfto, ou a conquista do sul da Índia por po- 
vos vindos do norte , do centro da Ásia , é a causa de 
se reconhecerem nas Religiões da Pérsia, e da índia, se-» 
melhanças, e ainda cm mais d*um ponto, coincidências^ 
[sendo até as praticas do culto das mais antigas crenças 
da Pérsia evidentemente as mesmas de que usão os Hin- 
dus] que nSiO parecem ser tomadas umas de outras pelo 
decurso do tempo , mas inseridas na sua origem nas res- 
pectivas instituições. Isto explica-se principdmenta pelo 
facto hoje geralmente admittido pelos sábios que • em 
tempos remotissimos , ejistio nas regiOes commuos da 
Ásia central a unifto de todas as Nações Arianas, em 



(87) The supporter also of this great world. V. a Memo* 
ria do Snr. Major Rawlinson — The Persian cunèlform io»» 
oriprioD at Behistun decypherej and transia ted — Journal of 
the Royal Jsiatic Socicty, Vol. X, P. III. p. «71 a S4i. 

(€3) Idem, ibid. , de p. 198 a p. 294. 

f?9) Tbe son of Histaspee, the Achaemenlan , a Persian, 
[and] the son of a Persian , ap Àfiap , 4nd of Arian desceiu. 
idem, ibid. p. £92, 



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( 138 ) 

CUJO numero às contdo os Persas e os índios (30)-. E 
éendo a Asta central , como jà fica dito « o foco da po- 
rtilação e da civilisaçSo, ndo só da Ásia, roas d*uma 
pande parte do Mundo , daqui vem a identidade de al« 
ptmas crenças psyehoiogicas e religiosas espalhadas pe* 
ta Ásia em todas as direcções, e que passarão de lá para 
é Grécia e para o occidertie, como já indiquei (31). 

Talvei que o illulo de semente^ origem^ dado ao 
t^aiz de jáiyana^ que é o verdad<*iro nome da terra 
Éagrada dos Ario-Persas , venhA de o considerarem co- 
mo a sfjnerUe ^ a origem do gcnero bumano, V. Mr. 
Burnouf Eludes swr la laagiiê , et sur les íexles zend$ , 
no Journal Aêlallque , Qualrihne Série , T. V. , N.* 
a3 , Avril — Mai 1813 . p. 588. 



(50) In them [nas religiões da Pérsia e da índia] we re« 
eognije leisemblances , and, in more than one polut , even 
toroiience^, wich appear not merely taken from each otber 
in the cour^e of time , but rather originaliy inwoven in th« 
respcftive institulions. This may be explained. . . chiefly by 
lhe fatft* now generally admitied among tite learned, that 
ín very reuiote times, a union of ali the Arian nations , aniong 
ivbom tbe Persians and Indiani are counted, existed ín the 
common regious of centra) Ásia. O Sitt, Troyer, no Discurso 
preliminar do Dabistán^ T. 1. , p. cxx. V. lambem a nota 
[4] de p. cxxi. 

Thest practiees [as da antiga religião da Pérsia] are evi- 
dently tbe same a:itho:se uitej among tbe Hindu devotees. J^a* 
bistán, T. 1. , p. 79 , noto. V * 

(51) Nas Memorias da Academia fteal das Sciencias d6 
Li«boa> 2.* Serie» T. I.» P. 11,^ p. 31 e seguintes. 



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( 139) 



DONATIVOS. 



kevista Militar — Tomo 1.* — Lislwa I8id. 4/ 
Cê N/" l,2,3,4e5 — de Janeiro a Maio. — Of- 
ferecida pelo Sfir. Fortunato José Barreiros» em nome da. 
Direcç&o da Revista Militar. 

Annae$ da Sociedade Promotora da Industria Nacio^ 
nd^^ se^nda Serie — N.* 51 — Tomo 5.* — Lis- 
boa 1849. 4.'' — 1 folheto. 

Prografnma para a exposição dos produetos de /d- 
duslria Nacional , que a Sociedade Profnolora tenciona 
upresenlar ao publico no corrente aimo de 1849 , e no 
local que opportunameníe será designado. — Duas^pa-- 
ginas de 4.'' 

Arsberattelse omZoologiens framsteg undet aren 18i3 
^— 1844 till Kongl. Vetenshaps^Ahademien afgifven af 
Zoologim intendentema vid Rikets naturhistoriska Uu-- 
leum [Relatório anmial do progresso da Zoologia nos 
Bonos de 1843 ^ 18441 Stocklolm 1348. ^ 8.' -^ 
i vol. 

Hem — i845 ~ 1846 — idem. 

Arsberattelse om framstegen i Kemi ock Mineralogi 
ttfgifvm denSÍ Mars 1847; af Jac. Berzelius, K. V. 
A. Secret [Relatório annual-do progresso da Chymica e 
da Mineraii^ia , por Jacob Benelius etc] Stockholmo , 
1848, ^ 8.^ 1 vol. 

iCongl VetànskUps ^^ Akaien^ienê SandHngar , fSt 



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( t*o) 

V 1816. 'Memorias da Academia Real das Sciencías 
de Stockholmo do aimo de 1846^ Stockholmo, 1848. 
— 8.* 1 vol. 

Plaicher íill K<mgL Veíenskap^-jékademiens Barnãlk^ 
gar ^ fõr ar t8i6 '^Estampas das' Memorias anteceden- 
tes] ibi. — 1 caderno com 18 estampas. 

Ofversigt af Kangl. YeUMkaps-Àkademiens fSrhan'- 
dlingar. i^Rerista dos Annaes da Academia Real das 
Scicneias de Stockboimo^ N.^' 7, 8, 9, e 10, com o 
índice de 1847 — e os N.** 1 . 2, 3.4.5,6 — 
de 18i8 -* 9 folhetos em 8.^ 

As seis ultimas obras fodlo remettidas pela Acade- 
mia Kcal das Sciencias de Stockholmo. 

Collccçào do$ Eicripías jídmimMraíivos e LUíerarios 
do lU."'' e Cx."^ Síir. Jogé SilveUrê Ribeiro eU. — 
Parte !.• e 2.* — An-ra 18W e 184i — 4.* 

CoUecçào de alguns Escripios ^dminitírativog do Go^ 
remador Cltil do Districto de Beja , o STir. José Silves^ 
tre Ribeiro y no anno de 1843. Por António Cordeiro 
Feio Júnior. — Lisboa 1843 — 4.* 

JSB. Ambas as Collecçôes fórmlo um volume; e To- 
rto oRerecidas pelo Sftr. José Silvestre Ribeiro. 

Uçdes de Philotophia , por Manoel Anionio Ferreira 
Tavares. Coimbra 18i6 e 1848 — Parte 1/ e 2/ — 
8/ «^^ 2 volumes olTerecidos pelo Autor. 



PAjaA o MUSEU. 



Sylma Brasiliana [Ave], 2 exemplares ^^Offerecidof 
peb Snr« António Ribeiro Neves Junicnr. 



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( 


íii) 




niario das obscrvaçóa mtUorologiiiaM feitas €m Lisboa no tneM 


de Mato de \B^S , [-i.* da primavera]. 


S 


Temp. 
Exter 


Barómetro 


2 


Ventos do- 






'O 






■ i 


BiÍDantes, 


Estado (ia Atmos* 






■" . 


0) 


3 


c 


i 


c 

O) 


1 


*> 


e sqa for- 
ça 


phera 


1 


5£» 


75 


758.7 


7i9,S 


• 


♦B— -SE 


Coberto — Cob.* e 
curtos clvròe». 


2 


56 


64 


48.6 


49.0 


6 


♦'SE— -SO 


Chuvas brandas al- 
ternada». 


S 


54 


64 


«.0 


47.0 


7 


•NO'— '0 


Idem. 


4 


49* 


6d 


•i6,$ 


46.5 


14 


ISO— 


Chuvas abondantes , 
e trovoada temo- 
ta ao anoitecer. 


i 


«* 


60 


47.0 


47.1 


11 


♦•NO— 


Chuva de aguaceiros 
alternados. 


6 


51 


65 


47.0 


47,S 


4 


0«— so» 


Coberto eClarfics— 
Cbura de aguacei- 
ros. 


7 


49» 


66 


5«.S 


58.5 


1 


• 0— '0 


Pequeno chuvisco de 
manhã — Caberto 
e curtos clarões; ar 
mui (tio. 


8 


55 


05 


Í7.Í 


58,5 


1 


iNO— NO» 


Coberto e pequenos 
aguaceiros — Co* 
berto e clarões id. 


9 


5S 


66 


60.S 


60,.l 


1 


#0— -s 


Coberto denso e pe-' 
queno chuvisco de 
tarde — Nevoeko 
no horisoute. 


10 


5S 


68 


69.» 


60.2 




♦•s— -so 


idem; Chuviscos ina- 
preciáveis; atrnos- 
pbera mui vaporo- 
sa , e húmida. 


11 


60 


7J 


6S.6 


64.0 




•O—NO 


Id. Cl.* e nuvens Id. 


12 


õt 


72 


64.1 


62.5 




^ N— 'N 


CJaro e nuven»alfer- 
nadas — Claro, sol 
ardente. 



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( H8) 



8 ' 


&' Ba^otn^tro 


e 


Ventos do- 




s 




c 

> 

3 


rainante$ , 
9 sua for- 
ça 


EfUdo da Atmo9^ 
phera 


ri 
c 


S 


1 


f3 


Q 


S 


r^ 




^ 
«) 


â.* 






IS 


ÔT 


68 


76<,S 761,6 




•'N— NO 


Caro e nuvens al- 
ternadas — Claro. 
Sol ardente. 


u 


5t 


69 


60,: 


60,7 




••NO— NO 


(dem. 


i6 


5S 


76 


59,7 


57,S 




B— NO 


Idem. — Claro, sol 
ardente, e appa- 
rencia detrovoa*- 
da remota. 


U 


5S 


70 


55,í 


55,5 




•'SO-'NO 


Idem. — Coberto, e 
chuvisco inapre- 
ciável, ar muito 
froiico. 


17 


5S 


68 


60,1 


CU8 




••NO— 'N 


Claro e nuvens — J 
Claro, extremo» 
do dia muito fres- 

COtf. 


18 


50 


70 


*64,4 


65,6 




•N— N 


Claro — Idem. 


19 


50 


76 


6t,C 


59.5 




N— N» 


Coberto denso— Co- 
berto e clarões— 
Sol descorado, at- 
motfpli. vaporosa. 


«0 


5t 


7£ 


5V 


58,t 




•N'— »N 


Claro e nuvens — 
Claro. 


€1 


51 


69 


60.Í 


59.6 




•N«— N» 


Claro — Idem. 


tt 


5% 


74 


6l,ó 


6!,0 




••N— N' 


Idem. 


t5 


5% 


85 

• 


60,^ 


59.0 




••NE— NO 


Idem. — Muito 
quente e secco. 


t4 


61 


85 


58/ 


57,6 




•NE— «N 


Claro Idem. 


f6 


58 


81 


57.» 


56,0 




»N— N» 


Claro e poocas no* 
vens — frescos ok 
extremos do dia. 


t€ 


56 


78 


55,': 


55,t 




N— NO» 


Idem — Atmosphe- 
ra vaporosa — Sol 












descorado e quen- 












te. 



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( U3 ) 



5, 


Temp. 


Barómetro * 


2 


Véutos do- 




2 

Q 


Exler 




a 
1 


minantes , 
e aua for- 
ça. 


Estarío da At- 
mosphera. ^ 


•O 

2 




M 






f7 


66' 


75 


756.1 


767,0 


«N— »N0' 


Claro — extrema- 


















mente fresco. 




£8 


^5 


71 


59.4 


?9.0 




»N— »N0- 


Coberto e ciaróc* 
— Coberto e 
muito fresico. 




f» 


51 


7» 


58,6 


57,6 


8 


B-yN 


Nevoeiro matati- 
















uo • e depoi9 
claro — ^Trovoa- 
daeíôftcagua- * 


















ceiro de tarde. 




SO 


56 


79 


^9,« 


«7,0 




••NE-NO 


Claro — Claiq « 
poucas nufeiH 
— SoJ ardente. 




51 


60 


»5* 


57.0 


Ô6.t 




•«ÍÍE— Ni 


Claro — Claro « 
nuvens. — Ai- 

. moçhera vapo- 
rosa eapperen-' 
cia de trovoada. 




Me^. 


55.6 


71,S 


757,17 


756.7 


55 


N—NO 

1 


Freaco c chavoso 
na primeira me- 
tade: quepte e 
secco na segun- 
da, appareceudo 
os primeiros ca- 




r^^^^ 


— 












lores a 2S. 



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(lU) 



MBCtTABO »AS OBSmVAÇdBf HO USZ WS tUIO 

PB 1849. 



Temperaturas, — Máxima 85* — Minirtia W*— Me* 
dia do mei 62'' — Dita das madrugadas SS^^.G -^ Di-' 
ta ás2h da tarde 71%9 — Variaçio media diurna i8^4 
^ Maior dita ^0^ 

^lAifa do Barmnelfò M tempefatofff de 63* «^Ma-^ 
xima 763,9 millimetroa. -^ Minima 746,3 <— Media 
7S6,6. 

Ventog ãaminantei contitfdo^ em meios dia) , e suai 
forças. — N,20 [1,0] — N0,I7 [d,8]— '0,8 [0,5] — 
S0,5 [0,6] — S,2 [0,2] — NE,5 [0,6] — SE,2 [0,2] — 
Variaveia , ou bonanças , 3 ^-» Direcçto media do vento 
dominante NSS"" O [0,8] — Madrugadas bonançosas 22 
•^ Aleioadias fentosòa 16. 

Eilaã0 da atmosphera — Bleios dias ciares l6 — ^ 
Claros e nuvens 15 — Cobertos e clarões 4 — Dia* 
em (foe chuveo 6 — Ditos de chuvisco 3 — Total 9 , 
mie produzirão 53 millimetfos , excedendo dois qaintos 
da couva normal -^— Pequenos nevoeiros matcítinos (res 
a 9 , 10 e í 1 , — * Trovoadas duas a 4 e 29, Dias de 
frio notável três , a 7 , 8 e 9 , — ' Ditos de calor nota-' 
vd sete, a 19 , 23 , 26 , 30 e 31 , sendo mais iate»' 



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(; U3 > 

900 OS de 21 e 31 do mez, nos qua^s a temperatura 
media excedeo a normal em 9 gráos*. Decprreo o mez 
firesco e chuvoso na sua primeira metade , quente e sec-* 
CO na segunda"» e em geral veutoso. 

Juízo dos dois mezes da primavera — Decorrí^rSo fres-"^ 
cos e chuvosos, mauifestando^-se oito dias de calor in- 
tenso no fim de Maio , sendo escasso de trovoadas , ten- 
do só apparecido duas; e apenas três dia^.de ventos 
tempestuosos do Norte » que pouco prejudicArão os arvo-^ 
redos» •^— A chuva cabida nos dois mezes avultou a lOft 
millimetros, ou 29 alnmdes por braça quadrada, a qual 
moi pouco excede a normal que compete á estaçSo. 

Aspecto dos campos — As benéficas chuvas que ca- 
hirSo no principio de Maio , fornecendo brandas regas 
per oito dias , aativérão , com prodigiosa força o desen- 
volvimento das arvores e searas , já felizmente promovi- 
do pelas aguas do mez antecedente, sendo com especia- 
lidade proveitosas aos milhos. — <> As arvores de fnicta 
apresratâo abundantes novidades, e com especialidade 
os olivedos e as vinhas , sendo para notar que as plan- 
tas leguminosas, que se julgárSo perdidas pela an- 
tecedente seccura , tem produzido copiosas colheitas , 
apparecendo o mercado abundantemente foruecido, e 
por módicos preços. 

Necrologia dos seis dJstrictos de Lisboa — • Forío se^ 
pultados nos trcs cemitérios da cidade , do sexo mas- 
culino 194 cadáveres maiores, e 130 menores; total 
32^i — * Do sexo feminino 169 maiores, e l2i meno- 
res ; total 293 -^ Total geral 617 em cujo numero se 
comprehendem 3i5 que fallecêrlo nos hospitajes , e ou-» 
tros estabelecimentos públicos , excedendo em 121 indi-» 
\idaos a mortalidade normal deste mez , o maii saúda* 
Toxo h 11 



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(m) 

^ em Ltfixm. O eioMo éa mortalidade anAon por 
fiBto mais mna quarta parle, do <|ae se infere que 
coBfioaa a domkMr a cansa mocftffica, que ae maoí^ 
festoa desde o principio do amm » e principahMíté- 
desde Mar{0, a qual contíaMi em aeus funestes efleí* 
los , augmientando a mortafidade espectaímeale ooe fot- 
Àores — O acresdmo aobre o nmnero notmal dediH 
aio das obsenracBea dos 12 aonos anfecedenles, fei o 
«egainte — Janeiro mais 7 por cento -^ FereRÍro 8 
•^ Marvo 30 — Abril 29 -— Maio 24 ; o qne ofece> 
ce nma progresslo ascendente de Janeiro a Março, e 
lentamente descendente em Abril e Maio. 



ft* Jfl fnMSim* 



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(fit) 




Dktrio das oòãervaçâes meteoroío^^coi feitas em Lisboa no 


msM deDeuembro dê 1848/1/ dpinverno de]Z^9] na al- 
tura de $9 braças /86 metros] sobre o nioel do Tejo. 


1 


.Temn. 
Extar. 


— w 1 

BaxonetTò 


■? 


Ventos do- 




1 






0^ 

•.§ 

s 


minantes, 
e Éam for- 
ça 

1 


Estado da Atmos" 
phtíra. 


à 




% 

s 


'1 






' 


..F*. 


« 


. 




t . j 


1 


6V 


61 


761,4 


T60,6 

1 
1 


- 


. «N— N 


Madrugada coberU. 
d depois claro — 
i Claro enuvena*- 
! Sol ardente. 


i 


M 


61 


6S.0 


,61.7 


" 


• ••lí— 'ir 


Claro e nuvens — * 
1 Coberta denso e 










! 


c 












í 
{ 


^ 




chuvisco inapire- 
' ciavel. 


S 


45 


51 


68.t 




' 


à-ÍÍE 


Plaio— Claro, ene- 
i Toeiro denso á 








• 


j 






' noitb. 


4 


47 


61 


5!f.O 


1 


J 


••SE*^«NO 


Nevoeiro denso , de 
niánh& — Coberto 








í • 








, e cbuva!. 


6 


46 


58 


' 6M 


'61.? 




••írE--NO 


(Uaro ê nuvens^— Id. 
Coberto denso; frio 


' 9 


45 


60 


61,5 


eo,« 


" 


B— B 






• 


" 


1 • 






; e húmido. 


7 

! 


4< 


6tí 


60.0 


'•9.« 


- 


B-^S 


Claro e nuvens — 
Coberto denso. 


1 8 


48 


64 


6Í,6 


««.4 




••SE— E- 


Idem — Claro. 


: 9 


4G 


61 


6S;7 


,62.8 


" 


'«NE— SE 


Chro. 


jlO 

i 


46 


6f 


64,0 


;6S.5 


.^ 


tÍE—B 

• 


Claro-— Claro e pou- 
' cas nuvens; ame- 
no cr sol ardente. 


n 


45 




6M 


'66,8 




Nd— 'NE 


Claro de madruga- 
da, c depois cober- 
to '— Cobferto e 


•- - . _. 












1 clarSes. 


H^ 


■ 


.' . - . 


L-; 


> - x 





li • 



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( <w ) 




Estado (ia AtiD«s- 
pbcra* 



Claio e nuyeiM — 
Claro. 

Nevoeiro mamiÍRo 
--Coberto emQÍtP 
bumido^-Coberto. 

Chuva cootinaadã e 
trovoada remota 
de manibâ. 

Coberto eaiuito hú- 
mido. 

Cobeno e chuva 
branda. 

Coberto — Claro— 
Pequena aoiora 
boreal ás 7*" da 
Urde. I 

Xeropei^tade de ma-j 
uhi , e chuva 
branda. 

Aguaceiíoa de pouca 
chuva , c mui 
frios. 

Claro, e muito hú- 
mido. 

Geada matutina' e 
nevoeiro no hori 
sonte — Claro, 

Nevoeiro matutino e 
muito húmido — 
Claro. 

Id.atéá8l0\ ede. 
pois claro. 



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(Udj 



1 


Temp. 
Exter. 


Barómetro 


2 


VeAtos do- 






1 


minantes , 
e iua fur« 


Estado da Atmos- 
phera. 






s 


Ji 


? 

Q 


e 
S 


1 


à 


H 

JS 


£1 


^' 


. 








o> v: I 






u 


53 


£3755,0 


755.0 14 


IS-— íá4 


Coberto — Chtiva 
















a bundante de tar- 
















de, —Noite tcin- 


tò 


51 


$5 


61,0 


61.* 




#S0^6 


pestuoKa. 
Nevoeiroi densoi de 
madrugada e d< 
tarde, maito hú- 
mido. 


S6 


59 


64 


65.8 


65,6 


S 


••SO— B 


Nevoeiro denso e 
chu r isco— Claro j 


t7 


57 


58 


•87.C 


67.0 




#'SB— V Coberto^CobertoJ 
aclarandç no âíu 
(ia tarde. 


S8 


4$ 


51 


64,4 


6S.4 




• 'NE— 'B Nevoeiro denso e 
















muito huDiido tu- 
















do dia. 


t9 


46 


48 


6B,5 


56.5 


2S •SE— V 


Idem. idem. 


$0 


♦7 


60*54,2 


54.8 




♦^S»^— S 


Aguaceiros abun- 
















dantes , tépido e 
















muito bamiiio. 


31 


50 


61 


Õ5,% 


55,0 




E^'SE 


Coberto e curto > 
clarões — Cobej- 
tu deo;>0. 


Med. 


♦7.? 


58,4 


760,7 


760.0 


77 


S,NE— N 


Temperado, regu- 
larmente trhuvò- 
so; repetidos ne- 
voeiros, húmido, 
e medianamente 








wmm^ 








ventoiío. 



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(m) 



WBKLTAW^ BAS OB8EBVAÇÕES IK> «SZ DB 

jisusauRo DE 1848. 



Temperaturas ^'^Vmsiím 6S* — Mínima 37^—- Nédia 
lio miez 63^t2 — ^ Dita das madrugadas iT*",! — Dita 
és 2b da tarde S8*,4 — VaríacSo media diurna 10^7 
Ilaxima dita 18*. 

jáUura do Baromêiro na temperatara de 63*-^ Ma* 
^ma 767,4 míilimctros -* Minimt 734,6 <^- Hedia 
760,7. 

Ventos dofninanteSf contados em meios dias, e suas For* 
ças — N.9 [0,2] — N0,4 ;0,9] — 0,1 [l,3]~SO,3 
[0,5] — S,I1 [1,5] — NE;10 [0.3] — E,5 [0,3] — 
SE,8 [0,7] — E,5 [0,3] — V. ou B.ll ~ Direcflo 
media do vento dominante N 89"* E [0,7] Madrugadas 
bonançosas 17 -~ Meios dias ventosos 13 — Tcynpes* 
tades quatro» a 14, 13, 1<^, 24, 

Estado da atmo&phera -^ Meios dias claros 18 — 
Claros e nuvens 5 <-* Cobertos 17 — Cobertos e cia- 
rOes , 6, — » Dias em que cboveo 8 , os quaes ibmacè* 
rto 77 millimetros, ou menos um decimo da chuva 
normal — ' Nevoeiros 10 «^ Dias de frio notável 9, 

Necrologia dos seis distrí<^os de liAoa ««- Forlo se« 
|ultados MS três cemitérios da cidade, do sexo mascu^ 



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^"StSV eadárèrM ftiaioras, e 137 Biéiidm: tdUit 99$ 
*«»• Ds «KO femino 181 imiores, § 136 menonst; to^ 
tal 317. «— Total gerai 710 em cujo numero le com* 
BMliaiida 36S que AiUeeerto wè beaptaes e outroa esta^ 
lelecimentoa psbEooa, exoedeiida em 88 indivíduos, ^ 
namero normal qae compete a Dnembro , deduzido do^ 
aoaoa ant^cedentea , o fve equivale a maia 14 por ceiH 
lo, apesar de ter deeonrido eale com maa tenqperatiir^ 
mada » o sem iioitama victssitudes atmoapberícea. 



JK M. Fimainlt 



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Google 













( 


152 ) 




Difírio âti9 obêcrtcíçtfa meteorológicas fetfaê cm LUhoa noJ( 


UUM iU Jatuiro de 


1849 ("2.* do ifivcmo). i 


1 

o 


.lerap. 


Baroroctzx) 




Ventos do* 
n3Ínaiii<4, 


1 

Estado da Atinou- 


UB 

.3 
Q 


é 




é 

ca 

s 

4 


i 
f 


SI 


e sua lór- 
ça. 


pheiâL 






',^^__ 


o» 


•5 








1 


50 


58 


75l,« 


748,7 




«SE»— E' 


Coberto muito ven- 
(oiio, e ar tiecco e 

frio. 


t 


56 


(l 


43.5 


•4Í,5 


17 


»S 


Chova abundante, 
\e|;ido, e Uiuito hu* 
inido. 


S 


5o «6S 


46,« 


48.0 


6 


'0*' 


Aguaceiros alterna • 
















doii — Idem. 


4 


45 


58 


48.0 


48,0 


7 


tO'— SO^ 


Idem. liem. 


b 


4? 


58 


5S.4 


55,1 




• NE-N 


Claro«-Claro e |k>u^ 
cas nuvens. 


6 


4S 


53 


55.Í 


57,0 




• NE— N 


Nevoeiro denvo ma- 
tutino, € depois 
claro e frio. 


r 


45 


56 


60,S 


60.5 




#NE— N 


Claro e nuvens. 


a 


45 


60 


6<),8 


63.8 




•N 


idem. 


9 


H 


6^ 


65,i 


64,4 


1 


#NO— NO 


Coberto, muito hú- 
mido, e leres chti- 

viiKXNl, 


10 


47 


60 


68,7 


60,7 


1 


♦0— 'NO 


Nevoeiro mui denso 
de manhi. cober- 
to, e bnados ebu* 

visoos. 


11 


46 


57 


65,0 


66.0 




#»N 


Coberto eelarõen — 
Claro e oa?ens 
— frio. 


1£ 


43 


55 


«M 


68.4 




♦'N 


Claro Idem. 


i3 


Sí^ 


57 


69,6 


6M 




B 


Id.— Alguma geada 
matutina — frio. 



Digitized by 



Google 



X 153 ) 



à 

O 
•O 

J 



14 



15 
16 

17 



18 
19 



20 
21 

2S 



24 
2^ 



€6 

«7 



Tcmp. 






Barómetro 



c 



56 771,2770,0 



40 



581 6M 



42 ô», 67,0 



C« 



•S7 



j 



S8 
40 



44 

42 

44 

45 



42 

40 



40 
4Ô 



6B 
56 



A8 



64.0 
61,1 



€6,1 



68,4 
66,2 

65,2 



6»,7 
60,4 



67.1 



Ventos do- 
minantes , 



&ta<io Ò9k Atm«* 

phera. 



58 69,2 68,S 
60 69,2 69,0 

57 •75.21 78,5 



58 
57 



56 

39 






74,4 
69.8 



66,0 
62,S 



78.4 
67.1 



64.8 
61.0 



#N 



••N— N 
B 

#-E— 'NE 



•NB 
NE— B 



Claro, « orvalho 
matsitiiM»— fri0 

Idem. 
idem. 

Nevoeiro muídcn- 
^ de manhi — 
Claro de tarde, 
trio. 

Claro. IJem. | 
Claip e nuvens*— 
Coberto. Id. 



N' Clan>. 



• •NE— N 
•NE— N* 

sjíEí 



«NE» 

NE— N 

B*SO« 



Idem. fiio. 
Idem* 

Id. frio e ar muito 
secco. 

Idem. Idem- 
14. — Claro e nu 
vem; frio. 

Id. frio^e eeeco. 

Claro e nuvens— 
Coberto demo. e 
chuviscfm inapre» 
ciavel. 



Digitized tey VjOOÇIC 



( 156 ) 

4 — Dias àe chura 5 , sendo 2 de temes ehnvisons , 
fornecendo ua totalidade 32 niillímetros de agua , ou 
«penas a terça parte da chuva normal que compete a 
esta mez — Nevoeiros 3 — Geadas 2 — Dias de frio 
notável 14. 

Atpeeto doi campo$ ê outroê fenómeno». Os cereaes 
já nascidos mostrao boa apparencia , apezar da ^ande 
seceura ; porém uma considerável porçSo de sementeiras 
nto.teve força para romper a tenacidade das terras ar- 
gilosas , pelo que se receia a sua perda — ^ As plantas 
leguminosas muito tem padecido peta fn^ode seceura l 
especialmente os fáraes » a qual egualmente tem inlluido 
sobre as pastagens que estSp infesmlas e sequiosas de 
humidade — As arvores tem antecipado o desenvolvi- 
mento dos seus gomos » o que lhes poderá ser roais no- 
civo em ra^o' dos frios e chuvas de graniso , que ordi-^ 
nariamente apparecem em Março e Abril — As nas- 
centes ainda nlo brotArSo , conservando-se mui díroiuu* 
tas e no estado* em que se achavSo no outono, o que 
ta recear grande falta de aguas nos futuros mezes. 

Na Gra-Brctanha , e canal da Mancha reioárío 
grandes tempestades pelo mMdo deste mez , sendo mui 
▼iolenta a que tevê lugar nua dias de 22 e 23. 

Necrologia do$ uU di$lricto$ dê Lisboa ^-^ForSo 
•epultados nos três cemitérios da cidade ,. do sexo mas- 
culino 244 cadáveres maiores» e 167 menores; total 
381 — Do sexo feminino 15S maiores, e 117 meno^. 
res ; total 272 — Total geral 633 , em cujo numero 
se compreheodem 378 que fallecérSo nos bospitaes , mi-* 
«ericordia e prisões. O excesso de mortalidade sobre a 
media" deduzida dos' 12 aíunos ai^tecedeotes , foi de 4( 



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(157) 

indiviíluos ^ bu de 7 por cento , ~Séfi*rp!Jfêni ester nar 
murto menos mortirero que ct de Janeiro do aimo anto« 
oedepte , do qual fallecérao 78^ iodividitos. 



Jíi. M. JFVmsím: 



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íi 


FM) 




d€ Féocrnro <b i84» , [$• do inmtrm]^ 


8 

a 


Temp. 
Exter. 


BwMiietiD 


1 


VmtM do- 




o 






minante!. 


B«tado da AtiBaa- 
pheia 


a 


• 
.S 


S 


a» 




> 


e na foi- 


1 


«• 


6S 


rec.o 


766.0 




•'N£~B 


Claro aowno ete|H- 
dOb 


t 


48 


64 


€5,0 


64.S 




«NE» 


Id. — quanta nocen* 


$ 


46 


64 


tifi 


68.7 




NE 


tro. 
Id. — ld. — Solar 
dente. 


4 


46 


•* 


66.8 


66.6 




NB— B 


Idem. Idem. Mem. 


6 


44 


64 


«8.0 


6Í.5 




Id. Id 


Idem. Idem. Idem. 


1 


44 


6: 


6M 


6S.4 




Id.— .V 


Idem. — Clafoe nu- 
vens. 


7 


4$ 


61 


66.4 


66.0 




••NE— V 


Idem. — Uem, e 
pequeno nevoeiro 
DO horisónte. 


8 


4t 


61 


66.5 


65.8 




•B— V- 


Idem. — Claro. 


9 


4€ 


6S 


67.0 


«5.7 




•NB 


Idem. -^ Idem. 


10 


44 


64 


67,6 


«5.4 




«NB— B 


Mem. Idem. 


11 


49 


62 


67,« 


65.5 




•N— «NE 


Coberto. 


It 


49 


6. 


65.» 


65,0 




NE— V 


Idem. 


IS 


46 


67 


64.1 


6t,8 




• NE— V 


Cíaro e nuvens — 
CUro^Sol arden- 
te—ar muito sec- 

CO. 


u 


45 


67 


67.3 


66.7 




'N-NB 


Claro— Idem Idem. 


16 


4» .66 


•70.2 


68,6 




•NE— 'E- 


Idem. 


16 


47 


69 


70.0 


68.4 




•NE- 


Idem. 


17 


49 


64 


«8.7 


66.5 




B— V 


Claro e ouveo*--bo* 
















ritfonte vaporoso. 



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(M) 



s 

m 
a 



Traip. 
Extfsr. 



Barómetro 



c 



ca 






f2 



amnaates. 
e sua lar* 



^ . .^.~ ...^^..^^.^ 



filtra 



I 



■i-ar, 



18 



19 



48* 



42 



6S 



61 



to 

fl 

ts 

25 



42 



49 



47 



64 
68 



72 



62 



l 

^24- ftl .67 



25 



5f 



M 



767,0 
67.0 

66,1 
^63,4 

62,1 

61,6 

6^4 

M>.6 



66,1 

65,8 
6S,4 

60,2 

69,8 

6(U 
60,0 



Itt 



B 
B 

B-.'N« 
••N— B 

JÍI£~SO 

•to— Ho 



NdvoeilQ matuti' 
no úq horiHOâtfc 
-M* Clara. 



NeroeiíD decisb 
todaainiaoliâ* 
Claio e nuvens 
-u ar himUdo c 
filo. 

Ciam. 

Idém.-f^Sol ar* 
dbntef 

iJ^m.-^-Nevtoeiío 
l|geÍT0iiU^da 
Uide. 

CUro €| nuT^éns — 

(|equ€UMi nevoei- 
ro noiborut^oie. 

iiifein.-^ChttTi9c0 

inapreciável de 
usda. 

Coberto e darSes 
•^-Otvalho no- 
oluniO,echuvÍ8« 
00 inapreoiavel. 



i t I I t 



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Google 











( 


leo) 




i 

* 
a 


Temp. 
Ezter. 


Baiometio 


1 

a. 


Veutof do- 
minantes , 
e tua for* 
ça. 


Estado da At- 
Qiosphera. 


.s 

s 


1 


1 


J 








_ flfc. _ 










U 


i6 


58 


760,8 


761.4 


'NO' 


Ciaro c nuvens— 
















muito fria 


tr 


41 


55 


64.C 


64.I 


S 


«N'0« 


A^aceirm bran- 
dos e muito iriofl 
de manha — Ar- 
co 1 ris — Claro e 
nuvens. 


te 


•87 


57 


67.8 


66.7 




B— «NO 


Claro ; ar muito 








• 








frio e secco. 


Med. 


**.9 


SS,6 


760,6 


764,6 


6 


NE— N 


Quente e desigual 
nas temperatu- 
ras extremas do 
dia, total muito 
secco, e bonan- 
çoso, t 



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(.161 ), 



BESUtTABO DAS OBSERVAÇÕES M BIEZ DE FEVEREIRO 
DE 1849 , 3."" DE INVERNO. 



Temperatura — Maxiiqa 72® — Mínima 37® — Me- 
dia do mez 53%8 — Dita das madrugadas 44®,9. — Di- 
ta ás2ti da tarde 63®,5. — Variação media diuraa 18®,6. 
— Maidma dita 24®. 

Alturas do barómetro , na temperatura de 63®. Má- 
xima 770,3 millimetros — Minima 759,6 — Media 
763,2. Gocitinuou em todo o mcz a elevada pressSo at- 
niospherica do mez aRtecedeute ^ excedeudo-o ainda em 
mais de um millimetro. 

Ventos dominantes, contados em meios dias, esua for- 
ça. N,5 [0,7] ~ N0,6 [0,8] — 0,1 [1,0] — S0,4 
[0,2] — NE,20 [0.5] — E,l [0,2] —V ou B,19. Di- 
recção do vento dominante N 19® E [0,6] — Madru- 
gadas boiíançosas 15 —^ Meios dias ventosos 6. 

Estado da aimosphera — Meios dias claros 39 — Cla- 
ros e nuvens 9 — Cobertos 4 — ^Dias de pequenas chuvas ou 
charisGOB 3, que apenas fornecerão 5 millimetros de agua, 
mi ^^ da cbuva normal deste mez. — ^Dias de frio notável 4. 

Deoorreo portanto o mez de Feverotto quasi 1 k gráo 
Atais i{uente da sua regular temperatura appareceudo 
Tomo L 12 



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grnn<1cs saltos cnlre os extremos do dia « principalmente 
a 27 e 28 em que a temperatura media baixou repeiH 
tinameute 12^ á semelhança Ho que acontece nos mozes 
do yerào. 

Pelas observaç?5cs feitas nos trcs primeiros mezes des- 
te inverno se deduz , que devendo elles fornecer no es-f 
(ado normal 250 mi lli melros ^e agua , só apparecCTào 
11 i, ou menoft de metade. 

A constante seccura experimentada desde 3 de Ja- 
neiro passado , nao é um phencmeno excepcional neste 
clima • pois que , consultando os antis[OS diários de nos^ 
s^s. observações* se encontra o anno de 1840, em que 
teve Iup:ar o n^esmo plionomeno, cahindo apenas nos qua- 
tro mexes do seu inverno ns diminutas quantidades de 19, 
1^ e 7 millimetros, as quae^ na sua totalidade equi\a-s 
lem a um quinto da cliuva normal de um inverno repur 
lar; mas devc-se notar que o precedente mofr de No-: 
vçmbro de 1839 tinha sido assas chuvoso. Também q 
de 1817 decorreo quasi seroo nos últimos dois mezca 
de inverno, os quaos apenas fornecôrrio 4 millimetros, 
mas os dois precedentes forílo regularmente chuvosos, 
dando cm total resultado , os quatro mezes , menos de 
inetade da cliuva normol. Ainda mais escasso de chuvas 
invernaes foi o aimo de 1822, cahindo nos seus três 
nltimos me2os, a diminuta quantia de 48 mi|limetn3S , 
cm vez de 202 , havendo por consequepcip , um deficit 
ii'aquelie inverno, de 126 millimetros, ou um pouco 
Tnerios de metade da chuva regular. O anno de 182| 
foi igualmente falto de a6:uas, fornecendo os seus qua-i 
trp mentes invernosos , 2^, íí , 57 e 12 millimetros, a 
que pouco excedeo á terça parte da chuva normal ; pon 
fém o outono do anuo precedente tinha sj4o bustaif^Q 



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( 165 ) 

Pelo qno fica exposto se deduz que estas seccas xã6 
tòo raras em nosso clii^a» e se repetem amiudadamerite, 
para o que muito tem coQtribuido a devastação , que ha 
muito SC exerce , nas florestas que antigamente eoroa^ 
v^o as summidades e encostas das serranias , e por isso 
grande beneficio presido os que se dedicSo & replanta^ 
^0 dos bosques naquelles sítios, e de que tSo illus- 
trado exemplo está dando Sua Magestade o Senhor D* 
Fernando , na plantaçOo da escalvada serra de Cintra > 
e DOS de&vastados outeiros da grande tapada de Mafra. 

Aspecto dos campos , e outros phenom^nôs —^ A fulta 
das chuvas aggravou o múo estado cm que «e achárSo 
as searas e pastagens no mez antecedente, continuando 
as arvore* , estimuladas pelo calor de um Sol ardente , 
a progredir no prematuro desenvolvimento da sua vege- 
tação, scodo jh visivcis as flores dos pecegueiros, olaias, 
p ontras , desde o dia 23 do mez —^ Continua a esca-» 
cez dos mananciaes de agqas, que n3o diííere da que S9 
experimenta no rigor do estio — =-. Em alguns sities do 
dislriclo do Porto , principalmente em S. Thyrso e Pa- 
redes , tem apparecido uma fatal moléstia nos casta- 
nheiros , que secçSo com a maior rapidez ; e na freguc- 
zia de Bostclo os seus moradores furão atacados de fu- 
nestas ÍT)nammaçQes de garganta que decidem .da vida 
em 21 horas. 

Necrologia dos seis dhtrictos de Lisboa — r ForSo se- 
pultados nos trcs cemitérios da cidade, do sexo mascu- 
lino 206 cadáveres maiores , e 9i menores ; total 300 
rrr^ Do scxo femÍQÍno , 169 maiores, e 88 menores; to- 
tal geral 537 , em cujo numero se comprehendem 23i 
que fallecêrsio nos liQ^pitaes , ç outros estabelecimentos 
futliççs, 



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(16*) 

Foi diminuto o excesso de 49 óbitos , comparan'» 
do-o á mortalidade media deste mez , deduzido da que 
houve nos 12 annos antecedentes , sendo tanto mais no- 
tavel por isso que tem predominado oma geral epidemia 
de sarampos e bexigas, a qual porém tem decorrido be- 
nigna V sendo ainda mais singular a avultada diminui- 
çSo da mortalidade dos menores , . comparada á do mez 
antecedente, qu^^subio a 284, nâo excedendo neste a 
182; e ainda que a diflerença de menos três dias, que 
conta o de Fevereiro , oíTereça uma apparente diminui- 
çHo de 20 individues , nâo obsthnte se avantaja sobre o 
de Janeiro em menos 82 obitds de mcniM-es, ou de uma 
terça parte. 



M* M. Franzinu 



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ACTAS 



DAS 

SESSÕES 

t»A 

ACADEHUIL WBMJL BAS SdRUdA» 

ns 
LISBOA* 

1849. — N.^ IV. 



SESSJO LITTERARIA DE U Dj? JUNHO. 



Presidio o Siír. José Liberato Freire de CarralbOé 

CooeoiTér3o á Sessão o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os S&r.* Âalonio Dioiz do 
CeaXo Valente , Fi^ancisco Ignacio dos Santos Cruz, 
Francisco Pedro Celestino Soares^, Marino Miguel Fran- 
2Íoi , Fortunato José Barreiros , Joio da Cunha Neve» e- 
Carvalho Pcx^tugal, Francisco Freire de Carvalho, Fran-« 
cisco Recreio, António Lopes da Costa e Almeida, Igua** 

loHo L 13 



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Cio António da Fonseca Benevides , Agostinho Albano 
da Silveira Pinto, e Francisco Elias Rodrigues da Silvei- 
ra , Sócios Efiectivos ; Mattheus Valente do Couto Di- 
niz , e António Albino da Fonseca Benevides , Substitu- 
tos d'Effectivos; e António Haria da Costa e S&, Só- 
cio Livre» 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Secretario 

1.^ Uma Portaria, expedida pelo Ministério ^o Rei- 
no , no 1.^ do corrente, em qoe o Ministro e Secreta- 
rio d'£stado dos Negócios Ecciesiasticos e da Justiça 
particifw a Academia que Sua Magestade Fora Senida 
encarrega-lo interinamente daquelle Bliutsterío, duraute 
o impedimento, por moléstia^ do Duque de Saldanha. 

2.^ Uma carta da Sociedade das Sciencias Medicas 
de Lisboa , convidando os Sócios da Academia para as^ 
sistirem á sua Sesslo publica , que devia ter lugar do 
dia 10 deste mez. 

O Secretario disse quç recebera a carta no dia 12, 
c que por isso nlo Coramunicára aos Sócios da Acade^ 
Siia o convite da Sociedade das Sciencias Medicas. ' 



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(167) 



COMMUNlCÂÇÔES. 



Deo parte o Secretario de ter agradecido ao Conse« 
ibo de Saúde do Reino a promptiddo com que se prés* 
tou a recommendar aos seus empregados que colligissem 
objectos d'Historia Natural para o Museu da Academia ; 
e que Ifaeremettéra 100 exemplares das Instrucções im« 
pressas para esse fim, pedindo-lhe que participasse á 
Academia os uomes das pessoas a quem o Conselho as en- 
viasse. 



RELATÓRIOS. 



O Síír. Agostinho Albano da Silveira Pinto , Director 
da Ciasse de Sciencias Naturaes , apresentou o parecer 
dos Sur/ Francisco Ignacio dos Santos Cruz , e Ignacio 
António da Fonseca Benevides , encarregados de iòrmar 
o seu juízo sobre as Lições de Pkilosophia , compostas ' 
pelo Sfir. Manoel António Ferreira Tavares , que julgío 
KT obra de merecimento » mas , entendendo que perten-^ 
ce mais propriamente á Classe de Sciencias Moraes e 
Bellas Lettras , são de opiniSo que se entregue a esta 
Classe jittra a examinar; e assim se decidio. 

1^ n 



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(ttó) 



MEMORIAS UDAS. 



ExjMiçio sohre af erperiencicu feitas em In^aterra a 
respeito de puctuavOs de gomma elástica , para ser^ 
virem de pontões militares. Nota da Sur. braiicisc(> 
Fedro Celestino Suares. 



Acaba de se publicar no = T!ie Itliulrated London 
News 9 de 31 de Março próximo passado, a paginas 
204 f coiumaa 3.*» um ariígo com a seguiuie rubrica : 

Pontões Ani^icanos para a Lídia* 

No 6m da ultima semana [Março] fez-se uma exposí* 
ç3o de quatro pontões [American Pontoou] na presença 
do Duque de WeliiugtoB , Sir Chailes Napier , e outros 
pessonagens. 

Os pontões são feitos de gmRme elástica , e por isso 
extremamente poriateis » e foFraados de três eurras , de 
i8 pés de comprimento e 4 4 de largura , no extrema 
das quaes tem uma peça de rosca a que se adapta um 
foHe , que enche cada um de ar em cinco minutos. =^ 
Mostrou a experiência , que estes pontões podem com o 
pezo da artilharia , e por isso forilo logo mandados pa* 
ra servirem na guerra da índia. 

O Coronel Sir F. Smith , do Corpo do Engenhemos , 



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{ 169 ) 

estabelecido cm Cliatam , mostrou ao Duque de Wellio* 
gton alguns deseahos para esplicar o uso destes pon** 
toes, que elle Coronel em 18i7 havia experimentado 
DO rio Medway (l). 

A* vista do que deixo transcripto ccnvera mostrar, 
que a ideia levada a efieito em Inglaterra foi por ndn 
Ipreseotada em 14 de Março de 1836, e publicada no 



(I) American Pontofins for índia, The latter end of last 
^reek an exhibition of four American pontoona. brought from 
Chatam , took phce at the back of tne oillce of the Masterw 
General of tbe OHnance, Pall-mall, — tbe Comfnander*io-CI)ief, 
the Duke of Wellington , the Marquis of Anglesey , Major- 
Genenl Sir John Burgoync . Iiis|>ector-GcDera4 of Fortibca- 
lions. General 8ít Charles J Napier, Colonel Wation, R. 
£. etc.« iVere present. These pontoons are exceedingly por- 
table, being road of Iiidi.vnibber ; each of them forms tbree 
curve": 18 feet in len^b and 4 feet 6 inches in wídth, and, 
tm bftíng required Ibr use, ihey are filled with air; the pro* 
cpss of inflation is bj bcllows screwed on at each end of 
the cmves. it taket» about five minutes to infla te them, and, 
wben inflated , they form a very buoyant bridge , and are 
well adapted to transport artillery and troops over a river. 
Caíoncl Sir F. Smith . of the Royal Engineer establishment 
at Chatham , presented some drawings of the pontoons to bis 
Grace tUa Doke of Wellington , and entered into an explana- 
tíon of the properties oftliese pontoons, and one ofthem, 
wiib ihree cylinders. was inflated , and a raft formei. Its ca- 
pability of bearing a heavy weight waa tested, The pontoon? 
^^ere ordeved to be forwarded immediatety to the seat of war 
in fndia, and the fiast índia Company intend giving an or- 
<^«r for A large supply of these pontoon^i. Sir H. Smith, who 
»ent oot as Governo r- General to the Cape in 1847, having 
«itnessed ai Chatam similar pontoons cn the river Medway, 
V29 so pleaaed wiih them that he took oat two with him ; 
*»^. in a letter received about a fortnight ago fron) that gaN 
•^nt ofBcer. he expressed bis admiration of them and tbeir U4Q« 
fénu», be havinç tried 4bem on the Great Fish River, 



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( <70 ) 

Jornal da Sociedade dos Amigos das lettras as Tomo 
J."", Junho de 1836» e depois disso no Jornal do £ier-> 
cito Porluguez. 

A única differença consiste em se empregar em odres 
de pellc de boi , quando os Ingleses se servem de vo- 
lumes de gomma elástica. O impresso que junto para 
ser examiuado pela Academia , mostra que a applica* 
çfio deste meio é portuguesa ; e que se nós , costuma- 
dos a desprezar as nossas cousas, delias nos nio seni- 
mos, nfto deixamos por isso de poasuir a capacidade 
aufficiente para imaginar composições úteis « que em 
outros paizes igualmente se imaginam » ou adoptam. 

Peço portanto i Academia d6 a esta exposi^So a pu- 
blicidade precisa , a fim de que a Europa conheça que 
neste Paiz hoje tfio esquecido , e tão pouco apreciado » 
ha muito quem trabalhe ; e que se os resultados desses 
trabalhos são pouco conhecidos , a falta provem de se 
lhes dar quasi nenhuma publicidade , ou de n&o serem 
aproveitados por aquelles a quero isso cumpria* 

Julgo necessário unir a esta publicacto a copia da 
Memoria a que me refiro ; porque sendo muito breve , 
pouco importará a sua reimpressão. 



Jtfemoria a que se refere a exposíçHo supra^ 



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(171) 



= Scicncias Militares =s Novo sysiema âe Pontões : < 

Menwria apresentada á Sociedade , por Francisco 

Pedro Celestino Soares. 



No estado actual dos conhecimentos militares , e se*- 
gundo o modo por que as operações da guerra tem lu-* 
gar, é indispensável que os exércitos sejSo acompa* 
nhados por systemas de pontões , que facilitem a passa* 
gem dos rios , ou ribeiros consideráveis : mas o enorme 
embaraço que causão os comboios , a despeza que exi-^ 
gem , assim como o importe de tantos objectos , sao 
obstáculos de primeira ordem, que convém diminuir 
quanto possivel , a firo "ãe ultimar Ivctas terríveis » que 
tanto mais sangue e sacrifícios custãOi quanto mais se 
prolongSo. 

Já o Autor da Slatica da Guerra , procurando mino^ 
rar os inconvenientes que acabamos de apontar, se lem-« 
brou de cousa similhante áquella de qiie nos occupa- 
nios , porém o seu methodo nSo nos parece livre de dif« 
ficuldades ; porque a canastra ou ossada de ferro que se 
hade vestir com uma capa de couro , é de grande vo- 
lume 9 e tem um certo pezo que sobrecarrega o syste-> 
ma : além disto , as costuras que unem as diversas pe- 
tas da capa de cada pontão , é um mal considerável 
pela facilidade com que podem permittir a passagem da 
agua (1); e sendo cada pontSo formado áe um só pa-* 

(1) Estaa luptuxas sao frequentes nas mangueiras das bom« 
Ui empregadas na extiocjão dos incêndios. 



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(172). 

rallelipipedo » roto este será preciso sabstitai«1o por oa- 
tro; o que 9 segundo nosso parecer, acontecerá amiii* 
dadas vezes , principalmente em operações precipitadas » 
«ej9o oflTensivas , ou de retirada. Attendeodo pois a todas 
estas causas nos lembrámos do seguinte meio. 

Cada ponUlo será' composto de quatro até seis odres 
de puilc de boi (2) , sendo a parte anterior ou pescoço , 
adaptada a uma peça de madeira grossa , com uma ca- 
vidade em torno , na qual a pelle seja perreitaroente li- 
gada com tiras da mesma matéria : terá também uma 
argola de ferro com torneio , que senrirá para passar a 
amarra : o orifício posterior será Techado similhantemen- 
te , e terá um tubo de metal com torneira : desta peça 
de madeira á anterior passará uma cmta de*" couro 
larga e forte, que será cosida a duas outras na altu- 
ra das pernas e das mãos: cada uma destas ultimas 
^iras terá ama fivela em que virá entrar o extremo cor- 
respondente » depois de passar pelas aberturas de uma 
vigoti , que terá nestes lugares duas peças de iSerro 
semicirculares, muito bem parafusadas, a fim de me<« 
Ihor sustentar os odres , evitando que sai&o da posição 
conveniente. 

Isto posto • é claro o modo de estabelecer a ponte« 
Com um folie de grandeza conveniente (3) se encberio 
de ar os odres pelo tubo da peça posterior , e tcndo<H)S 
assim preparados , se ligarão ás vigotas da ponte : 
depois , unindo duas destas , ou systema de vigotas e 



(<) Os Grego» transportlo o seu aieito neata qualidade do 
odres, substitui ndo-os ás pipas. 

(S) Cada trem será fornecido com um numero sufficieottt 
de iblles , segundo a ejiteos&o dada a cada ponte. 



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(Í73) 

de odres , se pararusar3o nas outras , e á medida qae a 
ponte se for formando , se lançará ao rio. - 

Mao julgamos necessário descrever as mais operafOes, 
por serem communs a estas, e ás pontes de barcas ou de 
pontdes. 

Vejamos agora a simplicidade deste systema. Se qual- 
quar odre se romper , ou tiver qualquer desastre , nada 
mais fácil do que desfivelar as tiras , o que se fax de 
cima da ponte , levantando algumas taboas » tirar o 
odre , e substitui-lo por outro , que se acabari de en- 
cher de ar logo ^oe esteja no seu lugar (4): tudo isto se 
fax sem ser preciso decompor parte da ponte, como se- 
ria necessário com os pontdes ordinários , ou com os in- 
dicados na Statica da Guerra. 

Este meio pode servir para formar jangadas , pontes 
volantes etc. A despesa de construcçâo nlo é grande» 
o transporte muito ligeiro, em comparação daquolle que 
exigem os pontSes actuaes , a manobra de lanç<ir a pon- 
te, e de a recolher, muito fácil, pois 6 claro que 
um homem , ou quando muito dous , podem desfivelar 
cada odre , despejar-Ihe o ar . e lança-lo sobre o carro. 
Assim julgamos que a nossa ideia n&o será impugnada» 
e muito principalmente antes que a pratica miistre in- 
convenientes que pela tbeoria nao temos podido desco- 
fcrir. 

Dir-se-ha destes pontdes, que lançados na presença 
do ininúgo ficHo muito sujeitos aos tiros ainda de fuzil : 
responderemos , que a substituição é muito fácil , co- 
mo acima dissemos , e que ainda no próprio lugar é 



(4) Deve haver uma porcino de mangueira cora suas peçat 
de metal . qtie parafusem no tubo dos odres e oo pipo do fol- 
ie, porque assim é tkcii introdualr-lhes o ar de çtoia da poa« 



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(m) 

è\ topar « ruptura , usando dos botSes que servem 
para o mesmo fim nos odres ordinários , e tornando a 
OMdier de ar o odre depois de vedado : pelo que as van- 
tagens Gcào ainda do uosso lado. 

NB. Os parafusos devem ser fixos nas vigotas, a 
fim de simplific9r a composição e desmancho da ponte : 
ts fêmeas terão «piadradas para se atarraxarem com 
«ma chave a bso apropriada. 

A porçSo de cada vigota será rebaixada , a fim de 
que a fêmea não augmente a altura. 

liio entramos em roais detalhes por nos parecerem 
ociosos h vista das figuras • e para não tornarmos esta 
Hemorta desnecessariamente extensa (5). 



(5) Jornal da Sociedade do» Amigo$ doã Letiroã^T. 1., 
M/ S , p. 95, col. 1.*. Nâo se copiou a estampa, que vem m»* 
te Jornal , por se jul|^ai desnecesãaiia paia o objecto de que sai 
(rata. 



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(178) 



O Secretario perpetuo observou que» segundo sat 
lembrança » as pontes feitas sobre odres er&o já conhe- 
cidas dos Romanos , e que nas obras de Justo Lipsio 
bavia uma estampa dessas pontes» o que seria fácil de 
verificar ; e effectivamente achSo-se a noticia e o dese- 
obo de pontes formadas sobre odres no Poliorçeticoa 
deste Autor (1). 

Assentour-w que a Classe respectiva examinasse o 
Happa do Curso do Douro , ofierecido pelo Silr. Forres^ 
ter. 



(l) L.* «.*. Dialogo ô.\ p. 304 a 507 do T. !•• dM 
Obras do Justo Lipsio. Antuérpia 1657. A estampa ¥€m a p. 
$07. 



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(176) 



DONATIVOS. 



Jornal de Pharmacia e Scieneiaê acceêsorias de Lís^ 
boa. — 1/ Serie — 2.'' Anno — Junho de 1849. — 
8.* 1 N.* Offirecido p?lo Sir. José Tedeschi. 

Jornal da Sociedade das Seienciwt Medicas de JLtsSoo* 
Segunda Serie — Tomo IV. — Mez d* Abril. --* Li^ 
boa Í8i9. — 8.* 1 N.* 

Vnui ou duas palavras sobre vinho do Porto , dirigi-- 
das ao Publico Britannico em geral , e com especicdida^ 
de aos particulares ; mostrando como , e porque he adul^ 
terado , e apontando alguns meios de se conhecerem cu 
adulterações. Por um residente em Portugal ha onze ao- 
nos ; José James Forrester]. — Traduzido do Inglez por 
Francisco Cramp. Porto 18 ii- — 8.M folheto. 

Viniicacào de José James Forrester contra as impu^ 
tacões a elle feitas no Parecer da Direcção da Associa-* 
fão Commercial do Porto de iõ de Março de 181-5; 
com um post^scrtptum sobre o folheto intitulado r= A 
Çuestào dos Vinhos do Douro , considerada politicamefk^ 
te, pelo Siir Bernardo de Lemos Teixeira d'Agiuilar^=s 
e um interessante Ai}pendix. — 2.' ediçSo. — Porto, 
Junho 18*5. — 8." 1 vol. 

Jíumcipalidade do Porto. Documentos relativos áe 
Uras topográficas do STar. José James Forrester sobrs o 
paiz Vinhateiro do Alto Douro e Rio Douro. ínandaf- 
dos puMicar pela £r."" Can%ara Municipal da /hq/ciq 



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(Í77) 

Ciílade do Porto, em se$sào extraordinária de 8 d'Ahríl 
de 1848. — 18i8 — 8,' 1 folheto. 

Considerações geraes sobre a constituição geológica do 
Alto Douro [demarcado conforme a Caria Topographi'- 
ca do Cavalleiro José James Forrester] , por José Pin- 
to Bebello de Canaiho etc. — Porto 1848 — S."" 1 
folheto. 

A Word ar trvo on Porí Wine I Addressed to the 
Briiish Puhlich generail^ , 6ul partictUarly to private 
gentlemen ; shetving horv , and rvhy , it is aduUerated » 
Oiuf affording some means of detetting its adulterations , 
by Joseph James Forrester etc. [É a traducçSo do fo- 
lheto português de que já se fez menção]. London 1848. 
— 8/ 1 vol. 

Considerações acerca da Carta de Lei de 21 d*^ Abril 
de 1843, e resultado que se tem colhido para o paiz 
Vinhateiro do Alto Douro , e Commercio dos Vinhos do 
Porto ; por José Jámes Forrc^teir. — Porto 1849. — 
8/ 1 folheto. 

O Douro Portuguex , e paiz odyKerHe , com tanto do 
JRiOy quanto se pode tornar navegável em Ilespanlia. 
Graude Mappa , mandado levantar pel# Siir. Forrester, 
e gravado á sua custa em Londres. 

Todas as seis obras aeíma , e o mappa que as acom- 
panha , forSio offerecidas pelo Sftr. José James Forrester: 

Discursos pronunciados na Sessão de 1848 da Canujh- 
ra dos Deputados: pelo Conselheiro José Martins da 
Cruz Jobím etc. — Rio de Janeiro 1848 — 8.^ f 
vol. 

Comptes rendtês hebdomadaires des Séances de VAca-- 
démie des Sciences etc. — 1849. — Premi er Semestre. 
[Instituto Nacional de França]. — Tomo xxviíi. N."*' 
1« e 20 , de 7 e 14 de Maio de 18i9. — 4." g.*** 2 



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(178) 



JSSEMBLEJ D^EFFECTIFOS DE 20 
DE JUNUO. 



Presidio o SOr. José Cordeiro Feio. 

CoDCorrérIo á SessSo o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Sfir." António Diniz 
do Couto Valente , Francisco Ignacio dos Santos Cruz » 
José Liberato Freire de Carvalho « Francisco Pedro Ce- 
lestiiio Soares » Francisco Freire de Carvalho , Fortunato 
José Barreiros , Francisco Recreio , António Lopes da 
Costa e Almeida » JoSo da Cunha Neves e Carvalho 
Portugal, Ignacio António da Fonseca Benevides» Ma- 
rino Mignel Fr^nzini , Agostinho Albano da Silveira 
Finto 9 e Franciaoo Elias Rodrigues da Silveira , Sócios 
Effcctivos ; António Albino da Fonseca Benevides, e Mat- 
theus Valente do Couto Diniz » Suhstitutoa d'£iIectivo6. 



CORRESPONDENCU. 



Leo o Secretario perpetuo 

1.^ Uma Portaria expedida pelo Ministério do Rel« 
Bo do theor seguinte : 



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(179) 



PORTARIA^ 



Tendo a Commissao encarregada dos trabalhos pre-* 
fNirat^o-ios do cadastro topographico jMirceliar do Reino , 
re^nresentado ao Governo a conveniência de chamar a at* 
tenção de todos os homens esclarecidos do Paiz i è com 
especialidade a dos CcMrpos Sci^ntificos, e a dos Tribu-* 
naes Judiciaes e AdminÍ8tar9|ivos» sobre se é possível or^ 
ganisar o cadastro topographico de maneira tal que se-> 
ja o verdadeiro ton^bo da (nropríedade » — úm da ti« 
tulo para provar o dominio e posse , — e forneça base 
segura ao systema hypothecario ; e sobre o processo que . 
cumpre seguir para obter aquelles 6ns, tanto no levanta-^ 
mento das plantas parcellares, como nadescripçSo dasdif- 
ferentes mutações de proprietários : Manda Sua Magesta- 
de A Rainha » pela Secretaria de Estado dos Negócios 
do Reino , que a Academia Real das Sciencias de Lis* 
boa consulte e emitta a sua opinião acerca dos meneio* 
nados pontos , a respeito dos quaes já o Coiíselheiro Mi- 
nistro e Secretario d'£stado honorário, Francisco Anto* 
nio Fernandes da Silva Ferrão , deo o parecer , que se 
acha publicado no Diário do Governo N.^ 108 , de 9 
de Maio ultimo. Paço das Necessidades em 2 de Junho 
de 1849. s=« José Marcelliuo de Sá Vargas. 



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(180) 



2.^ Outra Portaria expedida pelo mesmo Ministério, 
em 19 do corrente , em que se participa á Academia , 
ter sido nomeado o SAr. Gonde de Tbomar Presidente 
do Conselho e Ministro e Secretario d'£stado dos Ne- 
gócios do Reino. 

Para dar cumprimento á primeira destas Portarias 
Bomeou^se uma Commissio de cinco membros, composta 
dos SBr.* Marino Miguel Franiini , Joio da Cunha Ne- 
ves e Carvalho Portugal , Fortunato José Barreiros, 
Francisco Pedro Celestino Soares , e do Secretario per«- 
petuo da Academia. 

O Sflr. Franxini escusou-se da Cemmissio. 



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(181) 



SESSÃO LITTERJRIA DE 27 DE JUNHO. 



Presidio o Siir. Duque de Palmella. 

CoDCorrôrio á Sessão o Secretario perpetuo Joaquim 
Jos: da Costa de Macedo, e os Síir." António Diniz do 
Couto Yaleute, Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Fran- 
cisco Pedro Celestino Soares, Marino Miguel Franzini, 
Joào da Cunha Neves e Carvalho Portugal, Francisco 
Freire de Carvalho, Ignacio António da Fonseca Bene- 
vides, José Liberato Freire de Carvalho, José Cordeiro 
Feio, Agostinho Albano da Silveira Pinto, Francisco Re- 
creio, Fortunato José Barreiros, e Francisco Elias Ro- 
drigues da Silveira, Sócios Effectivos ; António Albino da 
Fonseca Benevides, e Mattheus Valente do Couto Diniz, 
Sobstitutos d'£0ectivos ; Francisco Thomaz da Silveira 
Franco, e António Maria da Costa e Sá, Sócios Livres. 



CORRESPONDÊNCIA. 

Leo o Secretario 
Uma carta do nosso Sócio o Sflr. Visconde de Ker-» 
ckhove, Presidente da Academia archeologica da Bélgica, 
offerecendo á Academia o ultimo trimestre do T 5.**, e os 
íois 1.®* do T. 6.** dos Annaes da Academia archeologica ; e 
^erindo-se a ter enviado os volumes antecedentes, que não 

Tomo L U 



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(f82) 

le recebérSo ; o qne se communicará ao Sur. Visconde 
de Korckhove na carta cm que s» lhe accusar e agra« 
decer a remessa que agora fez. 



COMMUNIC\ÇÕES. 

O Si1r. José Cordeiro Feio entr^oa dois exemplares 
do 2.* voK das Obras do SAr. Bispo de Viseu, D. Fraocisco 
Alexandre Lobo, offerecidos pelos Directores do Seminá- 
rio de Viseu por via do Sâr. Doutor Francisco EteoUie- 
rio. Vai mencionada esta offerta na lista dos donativos 



HBMORIAS UDAS. 



Noía acerca do emprego dos odres nas pontes militares. 
Pelo Sõr. Fortunato Jj)sé Barreiros. 

O emprego dos corpos fluctuantes, para servirem de 
esteio &s pontes militares, e facilitar ás tropas a passa- 
gem de aguas correntes ou estagnadas invadiaveis, é an- 
tiquissimo. Os nossos antepassados fizeram para este ef- 
feito uso de toneis, quando o Infante D. Fedro, Regente 
do Reino, durante a minoridade d'ElRet D. ACfonso 5/, 
atravessou o Douro para ir combater o Conde de 
Barcellosy que se rev(dt&ra aontra a sua ^toridade. 



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( Í83) 

jl ideia, e o uso dos ddres parecem remontar ainda 
roais longe, porque Xenofonle^ na Reiirada dos dez mil 
(livro 3.^j refere, que achando-se os Gregos em grande 
embaraço para transporem o rio Tigre, um delles, natu- 
ral da Ilha de Rhodes, propoz a construcção de uma pon^ 
te volante, ou mais propriamente de uma grande janga* 
da, sobre 6dres, feitos de pelles das cavalgaduras de car- 
ga que acompanhavam o Exercito, a qual jangada poderia 
transportar quatro mil homens de cada vez ; expediente 
este que, sendo approvado, não pôde todavia levar-se a 
effeito, por nSo o permittír a Cavallaria inimiga, que se 
açbava na margem opposta. De tal meio porém se ser- 
vem ainda hoje os habitantes das margens daquelle rio, 
e das do Eufrates ; e Thevenot^ que desceu em uma si« 
milhante jangada (naquelle paii chamada kelec) umas 
setenta legoas de extensão do curso do Tigre, dá no 3.*^ 
Tomo das suas viagens a descripçSo delias. Alexandre^ 
segundo o testimunho de Arriano (livro 5.^) passou o 
Hydaspe em jangadas de ôdrcs, cheios de folhas sacas de 
plantas, e depois cosidos, e fechados hermeticamente. O 
mesmo meio foi empregado por aquelle conquistador pa-* 
ra passar o Damíbio e o Gihan^ ou antigo Oxus, mandan- 
do transformar em odres as pelles que serviam de tendas 
aos seus soldados. Tito^Livio diz que uma parte da lo- 
Tanteria espanhola de Ilannibal passou o Rhodano a nado, 
ajudando-se com ôdrcs de couro cheios de ar, c segundo 
Cesar^ a InfarUeria ligeira dos PortuguezeSt e wde Espa^ 
núa, eslava acostumada a passar os rios sobre pelles, de- 
vendo entender-se, que era naturalmente soh*e odres. 
Estes exemplos parece terem inspirado a Folard o pnn 
jecto de dar a toda a Cavallaria ddres similhantes a aquel- 
les em que (Hilinariameote é transportado o vinho, os 
<iuaes, em oumero de dois, deveriam ser atados a cada 
iélla. Desíe modOf diz o mesmo Folard nos seus Com<* 

14 * 



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mentarías a Pohjbin^ Tomo 4,*, nao haveria rios, por 
mais largos e rápidos que sejam, que nào fossem atra- 
vessados facihnenle e sem risco. Segundo se lê no Tomo 
4/ da Encyclopedia methodica. Arte militar, um Capitão 
de Gendarmeria chamado Guiãofée, e depois dclle outro 
Capitfio de Artilhería Wilhiac, propuzerara, o prhneiro 
á Academia Franceza, e o segundo ao Instituto da men- 
ina nação, projííctos de pontes militares sobre odres, a- 
chando-se na citada obra a descripc^ circumsianciada de 
todos os meios, que entravam na composição da qoe foi 
proposta pelo ultimo, ficando os odres subjeitos a caixí- 
ibos ou quadros de madeira, de um modo muito pare- 
cido ao que propõe o nosso collcga. O General Tluebaúll, 
no seu Manual geral do serviço dos Estados Maiores,. as- 
severa terem construído os francezes em Portugal, no fim 
do anno de tSlO, algumas pontes votantes, nas quaes» 
por falta de barcos qoe lhes servissem de esteios, tam- 
bém empregaram odres. — E finalmente o General in- 
f^lei HoTvard Douglas, que cita a maior parte destes fac- 
tos, no seu ensaio sobre as pontes militares, vertido em 
francez, e publicado em Pariz no anno de f S2i, expõe 
na mesma obra as experiências que fez em Espanha, du- 
rante a Guerra Peninsular, para converter os coibtos de 
boi em odres, e utilisa-los como iluctuadorcs mifítares. 

O que acabo de referir mostra por tanto, que o uso 
dos odres na construcçSo das jangadas, ou seja para nel- 
las passarem immediatamente as tropas, ou para senirem 
de apoio ás pontes militares, assim voFantes como esta- 
cionarias, nâo é novo, nem em Portugal, nem nas outras 
nações, sendo-o a[Hnias a qualidade da nm teria ultima^» 
mente applicada nos Estados' Unidos da America, e em 
Inglaterra aos fluctuadores, que na verdade me parece 
preferível aos couros de boi ou de bode, até agora uti- 
lisados p«ra este fim ; justificando tal preferencia a xmm. 



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{ Í85) 

grossura que* com a gorama elástica, se pôde dar aos 
Mres, com augmento de resistência dos fluctuadores, pa- 
ra que supportcxn grandes pesos, e a egnaldade da mesma 
resistência, que nSo existe nas pelles dos animaes, por- 
que as partes delias visinbas do dorso, são sempre mais 
porosas, e por conseguinte mais fracas. 

Todavia as pontes militares, e as jangadas estabeleci- 
das sobre odres, com quanto estes sejam de fácil e rá- 
pido transporte, jamais poderão substituir as de pontões, 
de barcos, ou de cavalletes, nas passagens dos rios, exe- 
cutadas na presença do ininúgo, por isso que basta o a- 
certo de uma balia de espingarda nos fluctuadores des- 
ta espécie, para lhes vasar promptamente o ar, sendo ab- 
solutamente impossível abriga-los de tal risco. Alem dis- 
to, por maior cuidado que tenha havido na preparação 
dos odres (com especialidade os de couro) sempre se va- 
sani mais ou menos rapidamente , segundo o peso que 
os sobrecarrega e o augmento da temperatura do ar, tor- 
nando necessário a miúdo, ou pelo menos uma ou duas 
vezes por dia, a operação de os tornar a encher de ven- 
to, por msio de folies ; e fuialmenle, a leveza dos mes- 
mos ddres, que t^o vantajosa é para o seu transporte, 
dando muito pouca estabilidade ás jangadas, ou apoio das 
pontes, t£las-ha em continua oscilação, e tornará sum- 
mamente perigosa a passagem por ellas da artilheria, de 
toda a espécie de viaturas, e até da própria cavallaria. 
E provavelmente pelas razões que acabo de expender, 
que a]c;uDs abalizados escriptores militares, taes como o 
General Douglas^ o Engenheiro francez Haillot, etc. en- 
tendem que unicamente se deverá uUlisar esta espécie de 
fluctuadores na falta de outros meios para eflectuar a 
passagem ; e que o distincto General da Artilheria fran- 
ceza. Conde de Goíisendi, no seu Aide^Memoire à rusor- 
ge des offkiers d'Artillerief 5/ edição, paginas 1256, diz 



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(186) 

a respeito das pontes sobre ôdres o seguinte: Saufielêi 
employer pour une expédition prample^ faite à la derdfée, 
avec w% petit runnbrê dlioniríies, ils tw soiU bons quà 
metlre au cabinet ; cor dev^ani Vennemi^ quelqaes coups âe 
fuzil dane vo$ nutres vaus dispenseraient dupassage^ quand 
les couranls niéines vous respecteraietU. 



Jfemoría em que se mostra qtie o stjsfema estratégico dos 0- 
dres (lucUtaníes na passagem dos Rios^ quer empregadm 
de per ít , quer formando pontes^ era já usado dos Antigos. 
Pelo Sflr. Francisco Recreio. 

Annos ha se enunciou pelo prelo, e ainda mui 
recentemente ouvimos dizer que o mencionado inven- 
to se devia capitular como nova descoberta. Por certo que 
ii*este sentido escreveo uma Memoria, impressa wJomd 
dos conhecimentos úteis (1), o nosso digno Consócio oSffr. 
F. P. Cqlestino Soares, que intitulou — Now systema ãe 
Pontões ; — e a elle mesmo ouvimos na Sessão Litterarla da 
Academia de i4 do corrente mez, que, no Jornal — The 
Jllustrated London — (2) se pretendia inculcar como 
novidade o systema por clle inventado, e só pelos Ingle- 
zes agora modificado na matéria, e não na forma ; o 
que deo motivo ao Consócio querer revindicar aquella gloria 
pela publicação de uma Nota, que leo com destino de 
ser inserida nas Actas da Academia. 



(I) Tomol.% Junho de 18S6., N.* S. 
(â) News de Si de Março de lâ^9. 



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(187) 

N3o admira que ao nosso hábil Consócio escapasse a 
noticia de uma invenção que é muito antiga. Não pre- 
tendemos censural-o, antes dar-lhe toda a possivel des^ 
culpa ; se é que elle delia precisa. Ha muito anda a« 
ouella antiguidade desconhecida , por nSo dizer despresa-» 
da, de não poucos Autores, que a nSo devifio ignorar 
para a escrever. Anda esta fulta pois em escriptores que 
copiando-se, pela maior parte, uns aos outros, sem exami- 
nar a sciencia era suas fontes, vão perpetuando de uns 
pra outros erros e descuidos, que na boa fé de quem 
os lê passão por verdadeira doutrina, não o sendo na rea- 
lidade. O conceito alem d'isto habitual, que, pela maior 
parle, se consagra ao que dizem escriptores de certa or- 
dem, faz com que, á sombra da sua autoridade, des- 
cancemos sobre a verdade dos conhecimentos, que elles 
nos trasroittem ; e que só depois de terem percorrido cen- 
tenares de leitores, ainda os de apurada critica, uma 
simples casualidade venha muitas vezes descobrir que 
houve erro, ou omissão attendivel. Os escriptores censu- 
ráveis de que falíamos sao pnrticularniente os modernos 
Wccionaristas de sciencias, quer naturaes, quer positivas, 
c os Compositores de Encycbpedias, e Manuaes, com que 
a França tem inundado o Oibe Litterario. Uma prova 
especial do que acabamos de pronunciar genericamente 
é a omissão da noticia d'aquelle antigo invento em Au- 
totes^ que tratando em suas Obras da matéria era pró- 
prios e paFticulares artigos , mal a podião , ou deviãa 
coramelter. Com effeito abro o — Nouveau Dictionnaire 
dis Origines^ Jnvenlions ti Découverles, par M. M. Noelet 
CarperUierf no artigo — PoíUs FlpttatUs — e eis-aqui o que 
elle só diz dos tempos antigos : a Oa ne voit nuUe part 
lidans rbistoireque lesanciens aientconnu les pontsflot- 
» tants, tels que ceux qui sont faits de pontons, de bateaux or- 
^dioaires, de bateauí de cuir, de touneaux, quon jette 



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( 188 ) 

» siir une rivií^re el qw'on couvre de planemos, n E mais 
abaixo (com gravo erro histórico) assim se expressa : Jm- 
mien ilarcellin fait vmUion d'un pmit de cuir, dont 
lEmperenr JuUen se $ervit pour faire passer le Tgre et 
VEvphraíe à son année (l). A mesma omissào jàtiuha- 
inos achado no artigo — Ouire. 

A Ennjclopédie ou Díctiovnaire raisonné des Scfences, 
des Arl$ ei den Métiers^ publicada muilos annos antes, 
apeznr de largamente dissertar, em diversos artigos, scbre 
Pontes e Pontões, já nada lambem refere daquella an- 
tiguidade. A mesma omissão se encontra na Encyclopedia 
Methodica. E o seu Supplé)nn\i à lArt militatre, im- 
presso aunos depois, quasi nada traz. Deixo porém estias, 
e outros escriptores estrangeiros, que poderia ainda men- 
cionar, e ▼oitando-rae para os AntIqu:\rios dopaii, é for- 
çoso que note n'elles o mesmo descuido. Por todos sirva 
de exemplo André de Resende, que fallando, no Livro 1.* 
das Antiguidades, da milicia dos Lusitanos, deixou de to- 
car uma espécie tao curiosa da sua estratégia. 

Notei tombem que o mesmo silencio guardasse em nos- 
soi dias Casado Giraldes, que, noArt.*" 65 do Tomo 1.* 
da sua Geographia, mais particularisou os usos bellicosdos 
Lusitanos, 

Apezar, com ludo^ do silencio d*estes, c d*oiitrcs es^ 
criptores estrangeiros» e nacionaes, o invento militar dos 



(l) Quem examinar o cap. 6.' do livro €3, Rertm Gtsta- 
rum, de Amroiano Marcellino (edição Parisiense de Adriano 
Valesio) nào sf^m admiração verificará o grande tran^rtorno 
com que 09 Autores do Diccionario citarão o historiador Ro« 
mano. Adiante vai transcripto, nesta i^lemoria, o genuiou lugax 
de Auimiano. Este mesfno escriptor, na Vida do Imperador Ju< 
Ha no, nenhuma menção faz da ponte que nos inculcáo u6 úic* 
doiiariátas. 



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(189) 

fiactuantes de que tratamos é indisputavelmente do do« 
minio da antiguidade, e particular dos povos da Penihsulà 
Europca, a que pertencemos. NSo sSo meras conjecturas, 
tòo autoridades de escriptores, que, pelo seu valor, nSlo é 
licito contrariar. Júlio César, no Livro í^deBello civili^ 
no fim do cap. 48, expressamente conta que a tropa li- 
geira dos Lusitanos, e os armados de* adarga da Uispa- 
Dia cit^ior tinhdo toda a facilidade em passar a nado 
qualquer rio, porque era costume de todos elles ndo irem 
para o exercito sem levarem comsigo ddres. Levisartwi' 
turm LusUanis. . . celratisque citerioris Hispanim. . . trat 
proclive Iransnare flumen, quòd consutludo eotiím amnium 
€$t, ut sim tUribus ad exereilum non eatU. Tão terminan- 
te testemunho assas claramente faz vér a existência do 
estratagema ; e pela especialidade e maneira com que Cé- 
sar falia d'elle, que não era conhecido n'aquene tempo dos 
Romanos. Tito Livio, não menos expressamente, faz men- 
eio d*aqueUe mesmo uso pelos soldados da Hispânia, que 
com Haonibal pretendido passar o rio Rhodano. a Os 
9 Hispanos, diz ellif ao mesmo tempo arremessando seus 
> vestidos * sobre os odres para ficarem sem estorvo 
^ aiçum , dettando-se sobre os escudos que lhes fica- 
» vào defbaixo , passárSo o rio a nado. » Uispani , $ine 
ulla mole in uíres vestimerUis conjecíis, ipsi cetris stijp- 
positis incubantes^ flumentransnatavere. (1) N outra par- 
te o mesmo insigne Autor nos historia os mesmos Hispanos 
pagando a salvo em odres cheios de vento o rio Pó : Utjam 
Hispanos omnes inflaii iransvexerinl utres. (2). 

Este ardil em atravessar os rios nSo se acha só entre os po-* 

vos da peiiiasula Hispânica ; porém entre os Romanos, como 

i^almente em vários outros. Suetonio dá-nos um rico teste* 

. , ^ 

(1) Dec. S.*, L. «U C. £7, in usum Delphini. 
(3) Dec, SA L, 81, C. 47 inusam Delphiaú 



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(190) 

uninlio doesta astúcia na pessoa de Júlio César. É d^elle que 
Ate biograpbo affirma que, quando us rios o retardavão, os 
passava nadando» ou arrimado em odres cheios deyento, 
i^begando muitas vezes ao iogar destinado primeiro que os 
correios, que para alli tinha expedido. Si flumina morarei^ 
tur^ fiando trajiciem^ vel innixus inflatis.turibus^persc^pe 
nurUios Í0 se pnevetieril. ( 1 j Lúcio Floro iguabnente nâo se 
«squceeo de deixar à posteridade a memoria do prodígio 
lio celebre LucullOt que, para salvar a nobre cidade de Cvzw 
€0, que Mithridates ameaçava, sostido era um odre, e diri- 
gindo-lha o rumo com os pés, pôde, á vista de todos, cooio 
um monstro marinho, escapar por entre as n&os dos ini- 
migos. Per medias húslium naves utre $aspensus, et pe^ 
dibus iter adgubernanSf mdenlibus proeul^ (psasi marina 
fíMrix evaseraí. (2) — £ outro-si constante que Alexandre 
Magno (et atravessar a salvo todo o seu exercito o rio Oxo , 
•distribuindo pelos soldados um grande numero de odres 
dteios de palha , encostados sobre os quaes se trans;)or^ 
iárão para o outro lado : Uíres quam plurimcs siramen* 
tis referias dividit. His intubamUs íransnavere amnem. 
(3) D'esta mesma sorte atravessou elle o Danúbio e a 
Tanais, como advertio, no seu commentario ao citado lo* 
gar, o eruditíssimo Samuel Pitisco. 

Por tim diremos que os Árabes, denominados Ascitas, 
também conheci&o o invento dos odres fluctuantes. Sobre 
^re9 de couro de boi forma vHo ellesuraa espeèie dejan^ 
f:ada, conduzidos na qual exercião -a pirataria, comore-* 
fere Plinio (4) e o repete RobcrtoValturío, de Be MUitari{^\ 

(I) Cap. 67. 

(t) De geslig RonuiTionim, L. S.*, Cap. 5,* 
. (S) Curt. L. 7, Cap. 5.* 
(i) L. 6, cap. S4, in usum Dçlphioi. 
(5) L. 11.*, p. 318. 



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( 191 ) . 

Estes exemplas s3o bastantes para fazer ver qoe o uso 
do celebre artificio na passagem dos rios era já dos an- 
tigos, ainda quando elles tího conhecessem o systema de 
taes pontoes. Conbecér9o pon>m indubitavelmente este 
systema. Amraiano Blarcellino em um logar da vida do 
imperador Joviane, claramente conta que os architectos 
(engenheiros) que ecompanhavOo o exercito Romano con* 
tra os Persas havião promettido em uma occasião, para lhe 
facilitar a passagem do rio Tigre, fazer-lbe uma ponte 
de odres dos couros dos animaes mortos. Víribus e cw^ 
sor um aniinalium corits coagmenlare porUem archilecíi 
promittebant. (1) Zozimo porém, no Livro 3.^ cap. 49, 
(2) positivamente affirma que fora, porsimilhante manei- 
ra, que os Romanos passarão o rio Tigre, quando no tem- 
po de Joviano voltárUo da Pérsia. Itaque colligatis u/rí- 
htis, qimm ex ix$ juga quasi qao^atn confecisserU ; hin 
ipsisimecli (Tigrim) transierunt. 

Assim como pois é cousa corrente entre os investíga<- 
dores de antiguidades gregas e latinas, ser de tempos 
mui remotos, e já usado pelos gregos antes de Alexan- 
dre o invento dos odres fluctuantes na passagem dos rios 
{que enchido de vento com folies, ou de palha) gover- 
nados pelos pés dos que sobre elles se encostavHo, ou 
antes se -debruçavSo ; assim é igualmente indubitável que 
os Romanos forSo os inventores das pontes fluctuantes for- 
madas de ddres juntos, por onde passa\áo os seus eir* 
ercitos. — A estas 'pontes davSo-lhes o nome de Ascoge-^ 
fhri. oo i4seog|ep/}j^í, nome derivado de duas vozes gregas 

•ASKCS, que significa tór^ePE'*TP A, jMmte 

A ohra extractada de varias de Justo Lipsio — Rama Blus* 



(I) L. t5. Histcfríae Angostae tom. Vl>. 440. 
li) ttojaaaae iiistor. .Scriptoxca, iam S.^j^p. 73 Q« 



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( 192 ) 

l^ola— traz o modo como ellas erão feitas (1), Outra po- 
rém não igual explicação, ainda que todavia mais ex- 
tensa, sobre o objecto, dá o Autor Anonj roo que escreveo 
— De rebui Bellicts — (Obra que anda impressa cora a — 
Noliiia utraque Digniíatum cúm Orientis lum Occide^uis 
etc. — ) A estampa que tem o titulo — Ascogcfm$, — Achá- 
mos-lhe não pequena diitereuça da explicação extrahida de 
Justo Lipsio, e muito mais diflicil de se entender. 

Quero, sem embargo do que fica dito, se quizer ainda 
confirmar mais no que temos expendido nesta Memo- 
ria , pôde lôr a Siervechio no Commentario a Flávio 
VegeciOf L.® 3." Cap. 7., que reproduz as palavras, e a 
estampa do Autor incerto De rebus bellicis ; a Isaac Cau- 
sobono em a nota respectiva ao lognr de Suetonio, que 
fica citado; e na falta d 'este o logar próprio dos commentarios 
do Jesuita Portuguez Pedro de Almeida^ feitos ao mosmo 
Histórico para uso do Conde de Vimioso, que éb<;m claro. 
Igualmente reconunendamos a nota de Mailheus Radero á 
autoridade que produzimos de Quinto Curcio; a Jalio 
César, edição de Amoldo Montano cum selectts Variomm 
Cbmmen/arw, pag. 4-89, na respectiva nota. — Quem po- 
rém não quizer ter tanto trabalho bastará consultar a Saiwid 
Piiieeo^ no seu Lexicon AnliqiUlaium Rofíuuiarum^ na 
palavra Pontes^ pag. 117, e na palavra Uier. Ali en- 
contrará ainda outros Autores citados, que dão ex- 
presso apoio ao que tratámos. 

O que porém acabamos de fazer vér n*esta Memoria, 
não ol^ta, segundo o nosso pensar, a que o sjstema de 
.Pontões, ideado pelo nosso Consócio, seja de alguma sor- 
te lido por invento novo. É novo na Historia moderna 
da estratégia do paiz. É novo igualmente por ser o Consócio o 
primeiro Militar Portuguez , qitfe se lembrou traçar um 

(l) Lib. f. de oppugnatioae diuturna —* de Pontibus. 



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( 193 ) 

plano para delle se poder fazer uso. É novo era Gm pe- 
lo eráo de perfeição systematica em que excede ao dos 
Antigos. É n'este sentido, ou em qualquer dos preceden- 
tes que, segundo creio, o seu Autor o dere inculcar co- 
roo tal ; e é debaixo delles que a Academia p6de tam- 
bém reconhecer a sua novidade. — Nesta mesma. inielHgen- 
cia é pois justo que o inventor Portuguez revindique a prio- 
ridade, que pretende, a respeito d'aquelles que reproduzirão, 
embora com alguma modificação, o typo que elle projectou. 



ADDITAMENTO 

Á Memoria, que tem por objecto revindicar para a Naçdff 
Portiigueza a gloria da Invenção das Maquinas ^e- 
rostaticas, impressa na 2.' Série^ Tom í.^ Parte 1.* da 
Historia e Memorias da Academia Real das Sciencias 
de Lisboa : pelo Sâr. Francisco Freire de Carvalho. 

Na Memoria, por mim lida, primeiramente na Sessfio 
Litteraría desta Real Academia de 20 de Maio de 1840, 
e depois na Sessão Publica da mesma Real Academia de 
22 de Janeiro de 18i3, cujo objecto é revindicar para 
a Nação Portu^ueza a gloria da Invenção das Machinas Ae- 
rostaticas, fundamentei eu esta muito plausível opim'ão em 
documentos impressos e manuscriptos, delles a maior par- 
le coevos ao tempo, a que a Invenção é attribuida ; as- 
sim como na tradição constantemente consen^ada em Lis- 
boa, theatro das primeiras ascençõcs aerostalícas ; e na 
Villa, hoje Cidade de Santos, do Império do Brasil , pá- 
tria do Padre Bartholomcu Lourenço de Gusmão, autor 
do mencionado Invento. == Depois d'aquelles annos novos 
documentos tem chegado á minha mão, que mais sotída^ 



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(19*) 

mente eorroboraío, e confirmao a opmlão por mim naso-* 
bredita Memoria apresentada. 

Para destruir a força dos documeotos, produzidos em 
leu ahoDO, acrescentei eu na Reflexão 5.' que oada de- 
via aproveitar o silencio do Padre Barbosa Machado, o 
qual, dando noticia, na sua Biblioikeca Lusitana, do sá- 
bio Autor do Invento Aerostatico, nem sequer levemente 
toca em um assumpto, aliás tSo glorioso para este, e pa- 
ra toda a Nação Portugueza : assinv como não devia a- 
proveitar igualmente o silencio de outros escriptores con- 
temporâneos, ou que immediatamente se lhe seguirão 
até o anno de 1774, em que pela primeira vez, confor- 
me os documentos por mim obtidos, se fez publica pela 
Imprensa uma noticia d'aque]le famoso Invento Portuguez : 
pop quanto, alem de ser este um argumento meramente 
negativo, e por isso de pequena monta em presença dos 
positivos, subministrados por documentos authenticos ; po- 
dia muito bem ser, que o mesmo maravilhoso, extraor- 
dinário e inaudito de um Invento, por ventura reputado 
diabólico pelos homens d'aquelle século, pouco philosophi- 
cOf Gosse o que os obrigaria a occultalro, na persuasão de 
que a sua publicidade lançaria nódoa ou labéo sobre a 
Naçfto Portugueza ; o que do mais a mais se confirmava 
com a noticia, que eu da boca de pessoa sabedora de 
muitas antiguidades tinha ouvido, de que não faltira quem 
desse naquelle tempo ao Autor do Invento Aerostatico o 
nome de magico^ ou de feiticeiro ; sendo que talvez, pe- 
la mesma razão, fosse elle obrigado a fugir do ReiíK), e 
a ir acabar seus dias na indigência, em território estran- 
geiro, morrendo no Hospital de Sevilha. — Em confirma- 
ção desta minha suspeita, quanto á imputação de magi- 
co ou de feiticeiro^ dada pelos seus contemporâneos ao 
Autor Portuguez dos Aerostatos, tenho podido também 
obter documentos de grande curiosidade e poso^ os q^uaes^ 



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(195) 

assim como osnovòs, que servem de corroborar a pro* 
posição prificipal da minha Memoria^ eu vou faierpreSen^ 
tes a esta Ileal Academia ; a fim de que ella haja de dar^ 
lhes o destino, que em sua sabedoria entender oonve^ 
niente. 

Que o assumpto da mlrdia Memoria tem sido julgado 
digno das attenções do Publico illustrado, bem clarameu'* 
te o deo já a demonstrar esta mesma Real Academia» 
quando me honrou, escolhendinme para lér o meu tra«« 
balbo litterario na Sessão Publica de 22 de Janenro de 
18i3, e fazendo-o imprimir depois na 2/ Série» Tomo 
l.^ parte 1/ dâ sua Historia e Memçrias: é por islo 
que me é licito contar, que lhe não será desagradável 
tudo, qnanto agora lhe apresento de novo sobre o mesnm 
assumpto. 

Sete são os documentos novos, que vou fazer conbed*' 
dos, e (pie servem para mais confiroiafr a opinião 
sustentada na minha Memúria, de que a Invenção dos 
Aerostatos compete á Nação Portogueza — ^que os seus 
primeiros ensaios datão do principio do Século 18.^-^ 
e que elles tiverão legar em Lisboa debaixo da direcção 
do Portuguez Brasileiro, o Padre Bartboiomeu Looraaça 
de Gusmão, seu Inveutor. — Destes sete documentos o 
N."" l."* intitula-se:== Manifesto Summario para os que 
ignorlo poder-se navegar pelo elemento do ar, feito na • 
occasião, que o Doutor Bartholomeu Ij>urenço de Gus^ 
iHão pretendia sahir á luz com similhante invento. =3=s Peri- 
me este documento subministrado pelo Sôr. Joaquim He- 
liodoro da Cunha Rivara, BibKoihecario da Livrarío Pu- 
blica dTvora, e por elle copiado de um Códice manuscripto. 
da mesma, escripto em boa lettra do século de mil e sete cen- 
tos. O muito enidito Bibliothecario é de opinião, que oso-^ 
l)redito Manifesto é da penn^ do Padre Bartholomeu Louren- 
{0 de Gusmão, e por elle esoripto antes de haver feito a su^ 



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( i96) 

primeira experiência ; mas nSo assim o titulo do principio 
do Mamfe$to^ nem tão pouco uma Nota, querem no fira 
Aelle, a qual, sustentando a existência do facto, mostra 
haver sido escripta em data posterior. 

O documento N.^ 2.** é uíti Soneto satyrico contra o 
Inventor dos Aerostatos, o qual mostra ser também an- 
t6i*ior ao primeiro ensaio ; e foi copiado d outro, que se 
conhece ser d'aquelle tempo pela forma das lettras, segun- 
de me asseverou o muito louvável averiguador das anti- 
guidades pátrias, Sfir. Manoel Bernardes Lopes Fernanda, 
que mo communicou. 

O documento N.® 3.** foi por mim extrahido da Cen- 
sura, que a um bem trabalhado Sermão do Padre Bar- 
tholomeu Lourenço de Gusmão^ (por elle pregado na Fes- 
ta do Corpo de Deos de S. Nicoláo de Lisboa, e impres- 
so na mesma Cidade no anno 1721) fez o Padre Mestre 
Fr. * Manoel Guilherme , da Ordem dos Pregadores , 
Presentado na Sagrada Theologia , Consultor do San- 
to Officio, e Examinador das Três Ordens Militares. 
A data desta Censura, que anda junta ao Sermão, é de 
10 de Novembro de 1721, e nas suas ultimas palavras 
ha uma allusão manifesta á ascenção, ou ascençôes ae- 
rostaticas do Padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão. 

O documento N.® 4.® foi-me communicado pelo já men- 
cionado muito erudito Bibliothecario da rica Livraria Pu- 
blica da Cidade d'£vora, que o copiou de umaCollecç^o 
manuscripta, que se conserva na mesma Livraria, intitu- 
ladas Pecúlio in folio Tomo G.^Apontamentos historicos= 
da penna do Padre João Bautista de Castro, Autor do 
Mappa de Portugal^ onde referindo-se ao anno de 1709, 
dá noticia do Invento Acrostatico do Padre Bartholomeu 
Lourenço de Gusmão, e das mercês , que por eIRei D. 
João V lhe forão promettidas^ realizado que fosse a 
aobredito Inveoto. 



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(197) 

No documento N/ S.^ encontra-se outro testemunho 
acerca da Invenção Aerostatica Portugueza, attribuidaao 
Padre Gusmlo, no Livro intitulado = Raridade$ da Natu^ 
reza e da Arte^= composto por Pedro Norberto de Aucourt 
ePadilha, e impresso noanno de 1759, a pag. 428, § 1.^ 

Foi o documento N.^ 6.° por miro encontrado no es- 
cripto, que se lé na frente do Theairo de Manoel de Fi- 
gueiredo, Tomo 4.** debaixo do titulo seguinte: = Ao Publi- 
co presente, e ao publico futuro offerece a seguinte Memoria 
Francisco Coelho de Figueiredo, irmão do Autor do IV^ea- 
tro:^= (é a ediçSo do anoo 1804). Na passogem, por 
mim copiada, se faz expressa meiíçdo do Padre Bartholo- 
meu Lourenço, do seu Invento Aerostatico, da sua veri- 
ficação eíTectiva, e dos motejos a que ella deo motivo, e 
a alguma cousa mais (diz o. Autor do escripto), allu- 
dindo . provavelmente nestas |)ouca6 palavras á persegui- 
ção movida contra o Padre Gusmão , por ler uma ca- 
beça mais philosophica , do que a generalidade doa 
seus contemp(»*aneos Portuguezes; podendd^applicar-se-lhe 
o que de si escreveo o Poeta Ovídio : 
Ingenio perii Naso poeta meo. (Trist. Livr. IIL Eleg. 3."). 

Lé-se finalmente no documento N."" 7.° uma allusdo 
ao mesmo Invento Portuguez, obra do engenho do Padre 
Bartholomeu. Lourenço, em um verso da Ode do Poeta 
Filinto Elysio, que começa : 

!fum dia qual o d^hoje (ha vinte e oito anno$). 

E bem assim em a nota correspondente. (Obras de 
Filinto Elysio, edic. de Lisboa de 1836, em voL de 16. 
Tomo 3^ pag. 28). 

Até aqui os sete documentos novos, com que mais S0 
comprova — que a InvençBo dos Aecostatoc é Portu- 
gaeza — que foi pela primeira vez ensaiada em Lisboa* 
nos princípios do século 18.^ — e que te\'e por Autor o 
Padre Bartholomeu Lourenço de GusmSo^ natural daYil<i 
ToMoL IS 



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(198) 

la, hoje Cidade de Santos, na Provincia de S. Paulo, Im- 
pério do Brazil. 

Os documentos N.®* 8." e 9.^confinnao a suspeita, que 
aventei na minha Memoriay Reflexiio 5/, de que o Padre 
Bartholomeu fora havido por magico ou feiticeiro^ e co- 
mo tal perseguido, e obrigado a expatríar-se, fugindo para 
Ilespanha, onde falleceo u&o no Hospital de Sevilha, coôlòr- 
me na Memoria escrevi, fundado no testemunlio do Padre 
Macedo ; mas sim no Hospital da Misericórdia de Toledo, do 
dia 18 de Novembro de 1724. 

O primeiro destes dous documentos (o 8."* na ordem 
dos agora apresentados) tem por título : Additamento à Vi- 
da e Feitos do Padre Bartholomeu Lourenço de GusmSo : 
Diahrura em firnia^ em que se descobria quererem dar 
feitiços a ElRci D. Joào \\ como se vi do mesmo pa- 
pel, o qual co^o se descobria em Septejnbro de 172i.= 
Lé-se no fim deste documento o seguinte : « É esta no- 
ticia dada , e escripta pelo Vigário da Cartuxa D. Bor- 
• nardo de Santa Maria » : o qual remata a mencionada no- 
ticia com o paragrapho seguinte : a Tudo isto me contou 
na Hospedaria deste Comrento o mesmo Ministro, Jeronj- 
mo de Cetem, que, merecendo por este serviço singular um 
adiantamento de summa distinção, lhe pagárSo s6com a 
Correição de Vianna, e hoje se acha sem servir. Em 30 
de Julho de 1736». 

O seirundo documento fo 9.^ e ultimo dos novamente 
apresent3dos) é relativo á fuga de Lisboa do Padre Bar- 
tholomeu Lourenço, e foi extrahido de uma CollecçBo de 
noticias mss, para a historia deste Reino, colligídas pelo 
Doutor José Caetano d'AImeída, Beneficiado da Santa I- 
greja Patriarchal, Bibliothecario da Livraria d'EIRei D. 
José, e escriptas pelo próprio punho do Beneficiado Bi* 
bliothecario. — Nelle se lô a marcha, que seguio o Pa- 
^re Barthc^omeu por Portugal e Hespanha^ atté chegar a 



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(199) 

a Toledo, onde falleceo pouco depois, por ha^er sido as- 
saltado de uma febre maligna : £ tudo isto (accrescenta) 
consta do Diário, que desta jornada e fuga escreveo de 
Madrid a António de Basto Pereira, em 15 de Dezem- 
bro do sobredito anno de 1724, Fr. Jofto de Santa Ma- 
ria, irmdo do Voador, e seu sócio na fuga : e remata : =^ 
« Está o Voador enterrado na Igreja Parochiai de S. ivo- 
mão da dita Cidade». 

Existem estes dous últimos documentos na Livraria des- 
ta Keal Academia das Sciencias, tendo sido o primeiro 
trancrípto de um livro antigo , e acabado de ccpar em 
25 de Setembro de 1707 por Fr. Vicente Salgado, 
£x-Geral e Chronista da Congregação da 3.* Ordem : t 
fôrSo-me ambos communicados pelo digno Oflicial da Se- 
cretaria desta mesma Real Academia, o Sfir. António 
Joaquim Moreira, que me íei ver também um fac-simi- 
le da assignatura do Padre Bartholomeu Lourenço de 
Gusmão. 



DOCUMENTO 1.* 



Mamfesto summario para os que ignorão poder-se nave-^ 
gar pelo tlemente do ar, feito na occasiào qiie o Dour* 
tor Bartholomeu Lourenço de Gusmão pertendia sahir 
á luz com semelhante invento» 



Diz um Autor moderno, que entre os homens uns 
faa o entendimento nos olhos^ e outros olhos no e^teiH 
* 15* 



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( 200 ) 

dimento: os que tem o eatendimento nos olhos s9o aqueW 
les, que crém o que somente virão , ou costum&o ver : 
06 que tem os olhos no entendimento, são os que nlo 
veudq, dão credito áquillo, que se faz fisivel aos olhos 
do discurso ; e como estes penetrão as cousas pelas ideas, 
e os olhos corporaes as alcanção só pelos objectos, du- 
vidão os que carecem de discurso, somente peio descos- 
tume da vista, como cegos á claridade do uso da razão. 
Mas para que refutemos as duvidas dos especulativos, que 
fazem impossível o efieito do novo invento, lhes respoiH 
demos ás objecções, que lhes temos ouvido, sem mais rhe- 
torica no dizer do que, a que fòr suQiciente á clareza de nos 
explicarmos. 

Primeiramente não ha, nem pode dar-4e, maior razão 
para serem navegada$^as a<^as, do que são os ares; por- 
que ambos são elementos fluidos, supposto qtie não igual- 
mente corporaes, cuja ditlereuça abaixo explicaremos. 
Dão todo5 credito á navegação dos mares, só pcx^que os 
estamos vendo surcados continuamente, que se não crera 
se senão vira, por ser este um invento tão diificultoso, 
que até Salomão o admirou. = Tria suní di/peilia miAt, 
et quarlum penitus ignoro^ viam NavU in médio maris. . . 
viam Aquilo: en calo. = Assim pois como vemos uma ave 
cortar os ares, assim é possivel surcal-os qualquer artifi- 
cio feito á sua imitação, com as operações necessárias, co- 
mo V. g. a não que tem a mesma semelhança, poisiksvel- 
las lhe servem de azas, a préa de peito, o leme de cauda, 
e os homens, que a governão, de vida* Vamos á imitada, 
deixemos a imitadora. 

Três cousas pois são necessárias á ave para voar, con- 
vém a saber, azas, vida, e ar para se sustentar, de sor- 
te que, faltando um destes requisitos, ficão inúteis os 
dous ; porque azas sem vida não podem ter movimeflto, 
vida sem azas não pode ter elevação, ar sem estes dou9 



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( 201 ) 

indifidaos nSo pode ser surcado ; porém, dando-se estas 
Ires circumstancias, de azas, vida, e ar, conforme a ne- 
cessária proporção, é inrallivel o vâo,em qualquer artifi- 
cio, como o estamos vendo na ave. 

Entra agora o nosso invento com as mesmas três cir- 
cumstancias, em que infailivelmente devemos dar*lhe o vòo 
por certo. O nosso invento tem azas, tem ar, e tem vida ; 
tem azas porque lhas formamos á mesma imitação, e pro« 
porçSo das da ave ; tem ar, porque este se acha em toda 
a parte ; e tem vida nas possoas, que o hão de animar 
para o movimento. É logo iufallivel, que nao pode ser 
frustraneo este artificio, suppostos nelle os requisitos ne-- 
cessarios pra o vdo. Que se a esta fabrica se podem 
dar estas três circumstancias por factiveis, de que uio ha 
duvida ; ínfallivelmente delias se hSo de produzir as mes- 
mas operações, que temos na ave, como effeito produ-- 
zído da causa ; e ndo fazemos menção das aves, que cos- 
tamfto andar na terra, que supposto tenhão todas es- 
tas três circumstancias, ou não voSío, ou tem o vAo vio- 
lento, como a gallinha, o peru, o pato, a perdiz, etc, o 
que lhe procede de terem azas defeituosas, em quanto á 
proporção necessária ao peso do corpo. 

Ârgumentar-me-hão agora os especulativos, que estas 
duas paridades da náo , e da ave são falsas em quan- 
to ao nutso invento; porque a náo sustenta-se nas aguas, 
porque estas são mais corpóreas, e crassas ; e que a ave 
se libra, ou vAa nos ares é porque esta é de corpo ac- 
coimnodado á raridade deste elemento, que por leve não 
pode sustentar o grave ; ao que se responde : tem as aguas 
os mesmos accidentes, que tem os ares, porque assim co- 
mo as aguas sSo mais grossas quanto mais distão da ter- 
ra, assim 08 ares tem mais. . . (1) quanto estão mais dis^ 
» ■■ ■ , ■ ^ 

(1} FaIU n^ JtaL uma ou mais palavras. 



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( 202 ) 

tantes do chio. Exemplo, o mar oa rio sempre corre 
mais brando pelas extremidades das praias, do que pelo 
fuAdo do vâo : assim também o ar sempre sustenta mais 
as cousas na altura, do que junto á terra, v. g., deita- 
mos de qualquer eminente um prancha pelo ar, e ve- 
mos, que esta junto do chSo é que arrebata mais o 
precipicio : a rftzfio desta differença é pela maior, ou me- 
nor distancia que acha no curso por lhe faltar o ar, que 
costuma tomar em maior altura. 

Tem outra propriedade e é, que assim como as aguas 
mortas agitadas de qualquer movimento se fazem mais 
vivas, e vigorosas, assim também os ares estando serenos, 
impellido; de qualquer instrumento, se fazem mais tan- 
gíveis ; que o vento ndo é outra cousa mais, que um ar 
inquieto, agitado e iropellido, que de brando psssa por 
seu próprio movimento a ser furioso. Em Gm assim co- 
mo as aguas nas innundações tem violência para levarem 
pontes, e arrazarem valias, e tragarem povoaçdes, assim 
também tem impulso os ares nos terremotos para arrui- 
narem cidades, e subverterem impérios. 

Finalmente tem a agua, como o ar, t8o conforme a 
cpialidade, que ambos po<lem ter unifio mixta sem repu- 
gnância violenta, como também a agua a tem, com a ter- 
ra ; que, se assim ndo f6ra, n9o consentiríão os ares em si os 
vapores da agua, nem as humidades da terra, como qua- 
lidades repugnantes ; que estas como contrarias se úho 
podem unir conformes: o que se nSo acha no elemento do 
fogo, que com elle nao pode substituir outro qualquer 
elen>ento, sem repugnância violenta. 

Mas comtudo entre estas semelhanças tem uma diffe- 
rença ; porque as aguas silo mais solidas, e os ares sâo 
mais raros, e leves : porém, nâo obstante esta raz9ío, o 
mesmo corpo, que se acha nas aguas para a sustentaçào 
das cousas no coadeosado, se achia também nos ares na 



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( 203 ) 

extensSo. Explko-ine com este exemplo': Ooalquer le- 
nho, por pequeno que seja, se sustenta facilmente nas 
aguas ; e este mesmo se nào pode sustentar nos ai*es. A 
razão é porque este é mais leve em quanto ás aguas, e 
mais grave em quanto aos ares ; porém dando-ibe a com- 
mensuraçUo necessária, e proporcionada em quanto údis-^ 
tancia por tomar mais ar, tanto se pode sustentar nag 
aguas o peso do dito lenho, como nos ares maior peso. 

Ponhamos por exemplo uma agulho em competência 
de uma folha de papel : uma agulha é muito mais leve 
no que pesa, do que uma ou duas ou três folhas de pa-» 
pel unidas, e estamos vendo, que uma agulha nem se pó-^ 
de sustentar nas aguas sem logo ir ao fundo, nem nos 
ares sem logo vir buscar o centro ; e as três folhas de 
l^pel, pesando mais, sustentào-se nos ares com facilidade ; 
e a rnzào é , porque a agulha ainda que pesa menos, é 
de matéria solida, c grave, e as folhas de papel, ainda 
que pezem mais, s<lo de matéria leve, e então o que as 
faz descer mais leves é a extensão do corpo com que tc- 
inão mais ar para se sustentarem, ou se não vejamos, es- 
ta folha de papel, que estendida é leve, dobrada é gra- 
vo, e quanto mais se dobra, mais grave desce ; porque fica 
com menos corpo, do que lhe é necessário para se sus- 
tentar no ar. Com que é certo que a extensão do 
corpo das cousas as faz ser, para a sustentação no ar, 
ou mais graves, ou mais leves. E não fallo em quan- 
to á qualidade das cousas ; porque, o que é leve de sua 
natureza, não pôde ser juntamente grave ; mais fallo em 
quanto á virtude, que concorre para as fazer parecer leves. 

Uma porta é grave, e por virtude dos eixos move-se com 
facilidade, e parece leve, e pelo contrario um globo de 
metal, que no chão pareça leve, por facilmente se mover; 
«levado ao ar é grave, por diiBcultosamente se levantar. Tão 
gme é por si a qualidade do aço no poucoí como no 



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(204) 

nmito, porêro despedindo no mesmo tempo uma agulha, 
e uma barra da mesma matéria de muitas arrobas, sa- 
bemos que primeiro ha de chegar á terra a agulha do 
que a barra. É a razão o ar, que n8o tomou a 
4gulha, por ser menos corpo, e o ar, que tomou a bar-r 
ra, por ser maior ; donde se infere, que o corpo das cou- 
sas é que as faz sustentar no ar conforme a mensura pro- 
porcionada á susbtancia do mesmo elemento, em que se 
pertende suster. Em fim ao ímpeto do vento abala-se u- 
ma parede, porém nfio se move uma pedra ; e mais gra- 
ve é uma parede, que consiste de muitas pedras, do que 
uma pedra que não tem o peso , de uma parede. 

Temos mostrado por principies certos, e paridades in- 
falliveis, como é factivel suster-se qualquer artificio no ar, 
como se sustenta qualquer ave, dando-lhe a proporção ac- 
commodada k substancia do elemento. 

Agora resta mostrar, como pôde fazer curso sem embara- 
ço, ou desassocego ou confusão, a respeito de que os ares ulo 
tem ox>nstancia no movimento, e que esta instabilidade ba de 
servir de principio ao suroo de nossas navetas : ao que 
se responde, que o mar é o mesmo ; o mar também não 
tem constância, ora se altera, ora se abranda, e nem por is- 
so deixa de se navegar, e nHo ha maior razSo, para que 
o tempero, que uma núo tem no mar, o não tenha qual- 
quer navegaçfto no ar. A n/io no mar ou tem governo 
no leme ou tempero nas vellas : uma, e outra cousa te- 
jnos no nosso invento. Uma náo é combatida dos ventos, 
da mesma sorte que pode ser o nosso artificio, e com tu- 
do resiste-lhe, como experimentamos, ou tomando as 
vellas necessárias, ou deixando-se ir com ellas. 

Toda esta experiência achamos na ave. A ave quando 
succede voar pelo vento, ou lhe afrouxa as azas, coufor« 
me a violência, ou se deixa ir com elle, buscando^lhe o 
giro. Temos outro exemplo m^is palpável. 



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J 



( 205 ) 

Ooem havia dizer , se o não vira, que um homem se 
pôde sustentar qiiasi no ar, somente com os pés em uma 
oelgada mardma, e nella anda, corre, e dança, ó que pô- 
de Tazer, tanto era um pateo com ar sereno , como ém 
um campo com vento rijo ; porque no pendor da ponta 
da vara que contrapõe á inclinação do corpo, tem o go- 
verno para a temperança do movimento, e segurança do 
corpo. Só rae dirão que a náo acha corpo solido nas a- 
guas onde assenta o bojo, e o volantim o acha na corda, 
aonde assenta os pés, e que as nossas barquetas o n&o 
podem ter no ar, por ser um elemento raro, que suppos- 
to tenha corpo, é um corpo fluido, e leve, que uSo tem 
sabstancia sufBciente para por si suster as cousas. Aoquo 
respondo, que se a náo se pudera suster nas vellas, nUp lhe 
fora necessário o descanço nas aguas; se o volantim se 
podesse atrair na vara, nSo usara do assento da corda, o 
que nlo milita no nosso caso;, porque como nas azas ha 
de fazer o descanço, pela raziko referida, nSo lhe é ne- 
cessário assento solido, para encostar o corpo. 

Dir-me-hão também que, para tSo graude peso, hflo de 
ser necessárias muito grandes azas, e que aqui está a 
difficuldade, ou por se lhe n8o poder dar o movimento a- 
dequado ápromptidSo necessária, ou se lhe ndo poder dar 
a extensão opportuna ao peso, cuja duvida facilmente se 
desfaz, respondendo, que á quantidade se pôde igualar a 
qualidade. Explico-me; tanto .pesa um arrátel de chum* 
bo, como um arrátel de iSa, que susposto a ISa do chum-* 
bo seja diversa na qualidade, lhe vem a igualar o peso 
na quantidade. Tanto vento toma em qualquer embarca^ 
çio uma vella grande, como muitas pequenas, cujos exeoi* 
pios bastão para solução da duvida. 

Temos apontado as razões, e exemplos, que bastão pa- 
ra que a nossa fabrica etherea se possa sustentar nos a- 
ieS| e.os possa navegar com o socego semelhante ao do 



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( 206 ) 

qualquer navegação marítima. Falta-nos agora resolver a 
terceira duvida ; como poderá fazer giro certo, o que é 
fácil de decidir, e respondo, que da mesma sorte, que 
O faz o edificio marítimo com a agulha demarcar; por^ 
que a mesma virtude, que tem a pedra de cevar sobre as 
Qguns, a tem juntamente em qualquer parte, e assim 
pao necessita de prova : porque a razão por si está pa^ 
tente. Co^ tudo ndoseguro a total segurança destis navetas, 
sem correrem as mesmas tormentas que tem as embarcações 
110 mar, que assim como a uáo tem bonanças, tempestades, e 
naufrágios, assim as nossas navetas podem ter no ar os mes- 
mos accidentes. Urasovereiro, que tem as raizes entranha- 
das na terra, com o vento se despedaça ; a torre, que tem o 
seu fundamento no centro da tcrraf com o tempo se arruina. 
Resta-nos a^ora advertir um absunlo, que entendeo o 
vulgo, em se perceber, que estas barquetas haviào de cur- 
sar mais de duzentas legoas por dia, o que se não deve 
entender da sorte, com que materialmente se tomou ; se 
não daquella, com que puramente se disse. A medição 
das léguas, que pela terra demarcamos por léguas, pelo 
^r tem diíTerença, e diCferente distancia. Exemplo, de Lis- 
boa a Coimbra contão trinta e quatro léguas, pelos giros 
e circurofercncias, que fazem, por amor dos montes, que 
iião podemos atalhar, e os caminhos ásperos, que não po- 
demos vencer ; c pelo ar, como não ha estes obstáculos, sãd 
muito menos as léguas, do que fazemos por terra ; que 
ilias fdra grande absurdo este : porque a ave mais veloz, 
dando por caso que não parasse nunca , e fosse voando 
sempre, não podia vencer por dia a distancia de duzen* 
tas léguas pelo ar, assim como as medimos pela terra. 
E torno a advertir, que em quanto tenho dito, fallocom 
o vulgo, que tem o entendimento nos olhos, comonopría- 
cipio disse, e n9hp com os doutos, e discursivos, que tem 
os olhos no entendimento. O entendimento^ como potea« 



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(207) 

€ia dà afma, vê e que nlo vêm os olhes; e a vista, co- 
mo sentido corporal, vÊ somente os objectos matcriaes, 
que anticipadamente costuma var o discurso pelas espécies 
de idea, tanto que os inventos mais subtis, que até 
agora se tem descoberto, até aquelle ponto que ião fo- 
rio vistos, forão negados pelos ignorantes ; porque como 
nos objectos somente tem o discurso, só com a vista ó 
que lhe derSo credito, sendo como os espelhos, que, sem 
objectos, nSo podem ter em si representações. 

Acabo o meu discurso com esta comparação, que, pos^ 
to que pueril, é verdadeira ; são em fim os inventos tão 
incríveis para os inexpertos, e indiscursivos, como sSo as 
ligeirezas de mãos : dizemos a um destes, que lhe have- 
mos mostrar v. g. uma pelotilha, e que desta à sua vista 
lhe havemos fazer um pomo: o que vos responderá ? res- 
ponde logo, com velocidade, sem primeiro discursar, se- 
pôde, ou nfio pôde ser, que tal cousa se não pôde fazer : 
fazei»-lhe a dita farça, fica atónito o nosso leigo, e res- 
ponde-nos, que aquillo nSo pôde ser, senão por arte dia- 
bólica. Ensinais-lhe a peça, entende o segredo, e põe-se 
a sunrir, e diz, vendo tão fácil, o que d antes tinha por 
impossivel, quem tal dissera ? Assim pois esperamos, que 
se hade dizer, vendo-se surcar os ares o nosso invento, 
para confusão dos ignorantes, que o negão ; e desempe- 
nho dos sábios, que o confirmão. 

MOTA. 

Este invento o chegou a aperfeiçoar o dito Doutor Bar- 
tholomeu Lourenço de Gusmão, e dizem, que chegara a 
fazer seu vôo na Casa da Índia, ainda que pequeno, pe- 
lo que se desenganarão de não ser possivel fazer o curso, 
que promcttia o seu autor, como consta do seu manifes- 
to ; eu vi o risco delle, que era do feitio de uma grande 
passarela, e mo mostrou D. Jorge Henriques, Senhor das 
Alcáçovas, etc. — (Até aqui o mss.) 



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( 208 ) 

dNIo quero demorar-me em commnnicar a V.S/um 
achado, que fiz um destes dias, e é o Memorial ou Mor 
nifeàto do Padre Bartholomeu Lourenço de Gusmio, no qual 
prova, ou entende proyar, a possibilidade do seu invento 
aéreo, antes de feita a experieucia. Está em um Códice 
da Bibliotheca (a d*£vora) por boa lettra do meado de 
setecentos. O titulo do principio, e a Nota do fim bem 
se conhece serem enxerto de m3o alheia. Nada nos es- 
clarece o tal Mamfeito sobre a fabrica do invento; e, pa- 
ra mais ajuda, as suas argumentações physícas são verda- 
deiras razSes de cabo de esquadra: ma^, em todo o caso, 
julgo curioso qualquer documento sobre o m^smo inven- 
to, mormente depois que V. S/ sahio a campo, revindi- 
cando a prioridade da iuvenç&o portugueza. » 
$ de uma Carta, que da Cidade d'£vora me escreveo, em 
3 de Julho de 1843, o muito hábil Professor e Biblio- 
thecario da rica Bibliotheca da sobredita Cidade, Joa- 
quim Heliodoro da Cunha Rivara, enviando-me o Do- 
cumento N.^ 1. da Colleçao, que a esta Real Âcade** 
mia das Seiencias offereço. 



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(209 ) 



IK)ClJMSNTO 2.* 



A Bwrtholomeu Lourenço de (ruimSa,* 
quamdo intentou voar^ 



SONETO. 



ícaro de baeta tonsurado, 
Andarim do diáfano elemento, 
Que em Pacabote de não visto invento» 
Queres ser pensamento, e dás cuidado* 

Se ha basbaques que creiSo de contado. 
Da volátil patranha o fundamento, 
Eu tão IjBve não sou, que do teu vento 
Nem se quer fie o fumo de um telhado. 

Mas se affectas a fé do que apregoas, 
Faze essa diabrura ; que te aviso, 
£ terás mil applausos e cordas. 

Hette esse invento a donde tens o siso, 
V6 se no vento, que está nelle, vAas ; 
Que outro voar, meu Lourencinho, é riso* 



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(810) 

G>piaâo de oatro, que se conhece ser daquelle tempo, 
pela forma das leltras. 



BOGUIIENTO 3/ 



» .... Soa de parecer, que neste mesmo papel, mais que nos 
outros do mesmo Autor já impressos, desempenhou elle, e sa- 
tisfez a nossa expectação da sua rara, e quasi incrível habili- 
dade ; porque neste subio mais, que em todos, e com tão fir- 
mes elevações, que entendo se lhe devem mais ap- 
plausos que sustos , mais admirações que duvidas. » 
(Extrahido da Censura, que ao Sermão do Padre Bartho- 
lomeu Lourenço de Gusmão, (pregado na Festa do 
Corpo de Deos na freguezia de S. Nicoláo de Lisboa) 
e impresso na mesma Cidade no anno de 1721, fez 
o Padre Mestre Fr. Manoel Guilherme , da Ordem 
dos Pregadores, Presentado na Sagrada Theologta, Con- 
sultor do Santo Ollicio, e Examinador das três Ordens 
Militares. S. Domingos de Lisboa Occidental 10 de 
Novembro de 1721. 



DOCUlfBlfTO 4.* 



h Mas não percamos o tempo com estas misérias. Va-^ 
tnos ao nosso Padre Voador ; esse sim gue ttm of clho9 



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(211) 

fio entendimento. — Entre os papeis do Padre JoSo Bau- 
tista de Castro (A. doMappa de Portugal, etc. etc.,) que 
se coDservão na nessa Bibliotheca, achSo-se do Pecúlio 
in folio Tomo 6.^ Apontamentos Historícos-Chronolo- 
gicos do Século 18.®, e no logar competente se lê = 
« 1709. — Em Blarço inventou o Padre Bartholomeu Lou- 
renço de GusmSo um instrumento para andar pelo ar, 
e ElRei lhe Tez a mercê da primeira Dignidade, que va- 
gar na Collegiada de Barcellos, e de Lente de Prima de 
Mathematica na Universidade de Coimbra, com 600:000 
reis de renda, mas nada teve etfeito. » == 

» Era já escusada esta testemunha ; mas quod abundaU, 
non nocet. » 
Outro § de uma Carta do mesmo Profesâor Bibliotheca-* 

rio cTEvora, que por elle me foi escripta no i."* dé 

Agosto de 1843. 



DOCUMENTO 5.** 



Mais uma prova da subida da macbina aerostatica, in^ 
Tentada pelo Padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão. 

No Livro = Raridades da Natureza e Arte, por Pe- 
dro Norberto de Aucourt e Padilba, impresso em Lis^ 
boa noanno 1759, pag. 428, §l.* = se diz o seguinte: 

»0 Padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão trabalhou 
DO mesmo projecto, e com effeito , em uma maquina de 
jMipelllo se elevou, na presença do Senhor Rei D. Joio V. i» 



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(IH) 



MCUMSKTO 6.* 



»• — e porque énataral que Dao poderei verimpres^ 
«o, apesar dos meus bons desejos, todo aquelle Tbeatro, 
em razSo da minha idade, ióroo a cautela de avisar os 
Poetas Dramáticos, que esta Naçào tiver naquelle tem- 
po, para que elle (meu Irmio Manoel de Figueiredo) es- 
creveo, se algum quizer ver os originaes, ou aqucUes Poe- 
mas, que se não chegarem a imprimir, lhe nio succeda 
o mesmo, que aòonteceo ás Memcn-ias, e ainda ás expe- 
riências de Bartholomeu Lourenço de Gusmão, conhecido 
mais pelo voador, que pelo seu apellido, em quem no sé- 
culo passado (o de mil o setecentos) tanto motivo julgou 
a sua Naçdo para o escarnecer, e alguma causa mais; 
pais eu criança^ quanda ouvia fallar daquelle homem ar* 
ripiator-se-me o eorpo^ e arriçavãa^se^me os c<Aellos io 
inodo porque fçdlavão dtlle as gentes. Passdo sessenta 
annos, vè-se subir uma maquina aerostatica na França, 
^e fez aos primeiros camponezes, que a virão cahir, sem 
antecedência alguma, a natural estranheza, como aos Por- 
toguezes a cabida da passarola sessenta annos antes ; 
querem-se adiantar os fins úteis, e progressos, que propõe 
semelhantes conhecimentos, e quer-se fazer justiça áquel- 
les talentos, buscão-se estas memorias ; estou persuadido 
que se achou bem pouca cousa dos trabalhos daquelle 
Portuguez, que sessenta annos antes teve na sua cabeça 
taes idéas, e semelhantes, como conhecerão hoje as pes- 
soas instruidas, que já tem aquelles estudos, e conheci- 



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( 213 ) 

mentos, e muito principalmeate aquelles, que possuem o§ 

talentos, que se não aprendem. » 

(Copiado do escrípto, que se lé na frente do Theatro de 
Manoel de Figueiredo, Tomo IV, debaixo do titulo seguiu-^ 
tesAo Publico presente; e ao Publico futuro offere- 
ce a seguinte Memoria Francisco Coelbo de Figueire^ 
do =^). Edição do anoo de 1804. 



MCUMJENTO 7.° 



Vinçu o Anastácio , vingue o bom Lourenço* (í) 

Mas Ofaras deFilmto Elysio emVol. de 16. Tomo 3.% 
e na Ode, que começa : 

ífum diãf qual o de hoje (ha vinte e oito amos.) 



DOCUMENTO 8*^ 



AàãiUjmwnio á=Vidae Feitos do Padre 
Bartholameu Lourenço de Gusmão* =^ 

Diabníra em fímoa , era que se descufario quererem dai^ 
fei tiços a EiReí J). João V. , como se vé do mesmo 

(1) Bartholoxneu Lourenço por alcunha da Inquisição q 
FQíMhr. 



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(2i4) 

ppel; o qual caso se descobrio em Setembro de 

1724. 

Era Juiz de Fora d' Aldeaí»allega Jeronymo de Cetem, 
Filho do Desembargador Jofio de Cetem, aposentado na 
Relac&o do Porto. Nas visin!ianças desta Villa ha?ia uma 
quinta de certa mulher, que algumas Yezes escrevia ao 
Juiz de Fora sobre dependências do fabrico delia. Passou 
esta mulher, no mez de Setembro do referido anuo, &- 
quella Villa em companhia doutras quatro, e d'um ho* 
mem, e veudo-as o Juiz de Fora, que bem conhecia a sua 
vida folgazona, co»vidou-as a jantar em sua casa,' cum- 
primento, que acceitárSo de boa mente; e no entanto que 
a mesa se preparava, fazendo-lhe novidade aquella comi- 
tiva, quiz saber a causa da jornada. DiaserSo-lhe que a- 
quelIa menina, apostando para uom que era mais bizar- 
ra, e mais moça, estava em resolução de ser Freira, 
e passava a Setúbal a ver • convento, e se lhe nSo agra- 
dasse, passaria a Alcácer do Sal, onde havia outro em 
que se podia recolher; para o que pedirão ao Juiz de Fo- 
ra lhes mandassv mbargar três seges; e depo» de jas- 
tar se embarcarão nellas, e forão seguindo a sua derrota, 
ficando com elle de Yoltarem á mesnui Villa d'Aldeagal- 
lega, passados três, ou quatro dias. 

Não vierão, e quando o Juiz de» Fora já reparava na 
tardança, por se terem passado mais de oito dias, soube 
que estava na quinta a dita fulana, de que tinha conhe- 
cimento; buscôu-a,eperguntando-lhe pelas companheiras, 
e pela aovidade de a ver naquelie sitio, quando a sup- 
punha em outra porte : diflse que ascompanheiFas tinhUo 
passado para Lisboa pela estrada de Coina, e que ella 
por se Tião querer metter em embrulhadas, se tíiÁe apar- 
tado delias. Creaceo a curiosidade no MÍDÍstro, « foi in- 
vestigando a matéria que fora causa para m desanirem; 
até que a mulher, a muitos rogos do Jui^ pediodo v» 



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(215) 

caso muito segr^o» disse : Que aquella jornada se fazia 
p^ra coDSoltar duas celebres feiticeiras, que havia em Al- 
cácer do Sal, chamadas as Salemas, mulheres pardas, e 
o negocio todo era enfeitiçarem a ElRei para que dei- 
xasse D. Paula d'Oâivellas, permitisse, que a ami-* 
ga do Infante D. Francisco fosse ao mesmo Convento» 
aoade a não deixavão ir ; e tomasse amores com uma 
Freira, ou Secular (que nisto não estou certo), que era 
irmã d outra com quem tratava o grande Padre Bar^ 
Momeu Lourenço ; e que dizendo as mulatas que 
para esta boa obra erão necessárias algumas cousas que 
bouvessem tido com o corpo de ElRei contacto fjsico, 
voltarão as companheiras a explicar-lhe o seu interesse, 
e descobrir-lhe para os seus intentos melhor via, que po» 
deria declarar , se fosse bem acceito o seu projecto, pe- 
dindo juntamente um summo segredo , necessário á im- 
portância da matéria. 

Partio a mulher para Lisboa , e logo depois, em ou- 
tro barco, o Juiz de Fora , e como nlo tinha logo ádito 
para fallar a ElRei, e a matéria pedia toda a pressa, bus- 
cou Joio Marques Bacalháo , que tinha a entrada mais 
franca, e deo-lhe parte do negocio : ficou o homem atur- 
dido, e s^urando-se de tudo quanto o Juiz de Fora re- 
ferira, foi ae Paço, donde veio pelas onze horas da noite, 
^ achou em casa o Ministro esperando , mas já com ou- 
tras noticias ; porque no meio tempo que o Bacalháo se 
«leaiorou no Paço, iòi o Juiz de Fora; a casa da mulher 
íue descobrira ? diabrura, fingindo o não deixava des- 
^J^T cuidado de saber se poderia ter lugar o seu a- 
^l^otamento , e soube delia, que no dia antes delia partir 
^ sua quinta, tinhão passado as mulheres para Alcácer. 

Como o negocio tinha mudado de systeraa, voltou lo^o o 
^icaiháo ao Paço, e determini^ ElRei, que pelas seis ho- 
^ da manhSa do outro dia se aci^sse em casa do Car^ 



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(216) 

dial da Cofíha o Bacalháo, e o Juiz de Fora. Quando To* 
rio, mandoa-os enlrar o Cardial para a Casa doConse* 
lho Geral, onde já eatava Nono da Silva Telles, que dis- 
se ao Juix de Fora, que como eile sabia inquirir test&* 
tunhas, era o melhor director para o próprio depoimen- 
to : depoz todo o facto que tcnlio narrado, e d allt mes- 
mo foi mandado o Bacalhóo buscar a mulher que desco- 
brira o enredo, a qual contestando inteiramente com o 
Juiz de Fora , foi mandada para sua casa , que era nas 
varandas do Terreiro do Paço ; e aos dous Ministros se 
passárfio ordens pelo Santo Officio para serem pretas as 
mulheres. 

Deo também EIRei todas as ordens para que as mu- . 
Iheres se buscassem pelos referidos Ministros, até á raia da 
Cdstella, ordenando a todos os Governadores, e Justiças, 
obedecessem aos dous Mimstros, tudo por Decretos fir- 
mados do seu punho ; e mandou entre<;ar-lhcs oitenta moe- 
das, e que partissem logo em um Escaler da Ribeira, 
que estava prompto. 

Chegarão a Coina, e tirando incnicas, se passarão por 
alli três mulheres, víerUo a saber por um Commissario 
do Santo Officio, que umas mulheres tinhao alli chegado, 
porém que vinha um Clérigo na sua companhia. Passi- 
rto a Setúbal, e no caminho disse oBacalháo ao Juiz de 
F6r^^ que se o Clérigo era o Padre Bartholtmeu Lmíreth 
fo, haveria novidade grande. Derio parte do caso 
ao Juiz de Fora de Setúbal , que era o meu amigo 
Diogo Cotrim, qne já estava despachado para o Porto; 
e havemlo notícia que as mulheres passárSio já desacom- 
panhadas do Clérigo, deo ordem ao Juiz de Fora para se 
registarem os barcos que viessem d 'Alcácer, e foi aconi' 
panhando na diligencia aos dous Ministros. Chegando á 
Villa derio parte ao Juiz de Fora, também meu amigo, 
Vaterío Galvão de Quadros, e logo soaberfto, quefi^nuH 



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(217) 

Jheres estagio na terra. Prend«^râo*9e, e oliomem qaeas 
acompanhava, e também as duas 5a/enta« feiticeiras, sem 
saberem umas das outras, e assim me«ipo forão levadas 
para casa de Familiares, a quem se recommendou as não 
deixassem failar a pessoa alguma. Perguntada a principal 
do rancho pelo Clérigo companheiro, disse que era o 
Padre Bwrtliolameu Lourenço^ e. buscada se lhe a- 
chou ao peito um escritiitho conf caracteres imper- 
ceptíveis, e á outra uma chavinha de prata cm umcor- 
dio encarnado, que dizia era d'um escríptorinho que ti- 
nha em Lisboa ; mas biiscando^e o fato, achou-sç em 
uma Gondeça um cadeado em que servia a tal chave , e 
jbrindo-a com curiosidade, pelo recato com queseguar- 
dava a chavinha , preza a tiracol no forro do vestido, a-* 
charão-se dentro peitos de perdizes, e de gallinhas abo* 
canhados, bocados de marmelada meios comidos, uma 
atadura e almofadinha com sangue, quarenta moedas em 
oiro, e muito boas jóias, que serido para dèT àS Salemas, 
e no fundo d 'um alforge um caco coib esterco humano 
já seco. 

Chegário ao Santo OlBcio uma quarta feira pelo meio 
dia, e passando-se logo ordem para ser prezo o Padre 
Bartholomeu^ pelas duas horas da tarde fugio, mas 
depois foi prezo , e nSo ha muitos tempos que mor- 
ree : e mandando-se , quando elle desappareceo , fa- 
zer sequestro a sua casa , pelo Bacalháo , achou , en- 
tre os poucos trastes, que tinha, aberto sobre uma me- 
sa, 6 colado em varias partes, o AlcorSo de Mafoma (1). 



(1) Este Padre he o chamado Voador, irmio de Alexan- 
dre de Gusmão, inventor da Maquina Aerostatica , por outro 
modo do que se pratica ao presente, cuja Maquina se achará 
eaue os meus Papeis curiosoíi impressos anuo 1797. 



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(218) 

Estas inalheres forlo castigcdas pdrticolannente , e 
duas mulatas mais que vierâo d'0divellas, umadasquaes 
está servindo hoje a quem devia ter delia todo o abor- 
recimento. 

Tudo isto me contou na Hospedaria deste Convento o 
mesmo Ministro Jeronymo de Cetem, que merecendo por 
este serviço singular um adiantamento de summa distin- 
ção, lhe pagarão só eom a Correiçfio de Vianna, e hoje 
se achii sem servir. Em 30 de Julho de 1736. 

É esta notícia dada e escripta pelo Vigário da Carta- 
xa D. Bernardo de Santa Maria. 

Todos estes papeis forSo copiados d'um livro antigo es- 
cripto naquelle tempo, por isso leva algumas letiras do- 
bradas, quando são longas, e os acahei de copiar hoje 21 
de Setembro da 1797. = Fr. Vicente Salgado, ex-Geral 
e Chronista da Congregação da Terceira Ordem neste 
Convento de Nossa Senhora de Jesus de Lisboa. = Fr. 
Vicente Salgado.^ 



DOCCHETITO 9.* 



Entre uma ColIecçSo de noticias mss. para a Historid 
^este Reino, colligidas pelo Doutor losé Caetano d'Ahnei^ 
da. Beneficiado da Santa Igreja Patriarchal, e BibKothe- 
cario da Livraria d'ElRei D. José, se encontra a seguin- 
te, escripta do próprio punho do inferido Padre; a sa- 
ber :n=s 

« Copia » Em 26 de Setembro de 172i Tugio de Lisboa 
o Voador Bartliolomeu Lourenço diGumão , quetoman^ 



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(219) 

do a estrada de Loores por passos e caminhos montuo* 
80S e desconhecidos, foi a Vaílada» e passando á vista de 
Muge» seguio o caminho de Montargil e Aviz, estra- 
da de Arronches, atravessou o Rio Caia, elevando o de- 
sígnio de entrar em Madrid, por causa de um deliquio, 
<Mi accideõte que ihe sobreveio, a que se seguio uma ter- 
rível fehre maligna, foi para Toledo em cujo Hospital dá 
Misericórdia falleceo na noite de 17 para 18deNovem« 
bro do dito anno, mas ]& em 18 do dito mez na ma- 
drugada» 

iudo isto consta do Diário que desta jornada e fuga 
escreveo de Madrid, a António de Basto Pereira, em 15 
de Dezembro do dito anno , Fr. Joio de Sania Maria, 
imio do Voador^ e sócio na fuga ; e está o Voador en^ 
Urrado na Igreja Parochial de S. Rom&o da dita Ci-; 
dade. 

Está conforme os mss. donde se tirárto as duas co-^ 
pias acima (Documentos 6.^ e 7.*), os quaes existem na 
Livraria da Academia Real das Sciencias deLisbM, 13 
de Julho de 1848.— O Official da Secretaria, Anímio 
Joaquim Moreira. 

A assignatnra do Padre Barthólomeu I/jurençode Gu9^ 
Môo vem em um Livro de mss. originaes existente na 
Academia, que pertenceo a D. Luiz da Cunha* 



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( 220 ) 



DONATIVOS. 

Hlêtoire eivile et religieuse i$ la Colombe , depuls 
hs lemps les plu$ readés, juêqu'à nos jaun ; par Félix 
Bogaerts. — Anvers 1847 — 8,* 1 vol. 

Histaire du Cultê des Saints en Bêlgiquc > ermsagi 
commê Elément Social ; {wr Félix Bogaerts. •*-• Anvers 

1848. — 8.^ 1 vol. 

AtmàUt de VAcaãéme d'Árehéologie de Bdgique^ 
Tome cinquiéíne — 4."* Livraison. — Anvers 1848. 

/dem— Tome sixième — 1.'** Livraison — Anvers 1849. 

Idem =«» 2.' Livraison — Idem — 8.* 3 vol. 

Noiice sur l Origine des Arinoiries ; par M. le Pré- 
siilent de TAcademie d'Archéologie de Belgique. (Esr- 
iraite des Amudes de VAcadémie d* yírchéologie de Mgi- 
que) — Anvers 1849 — 8.** 1 folheio. = Oíferecido tudo 
peld SOr. Visconde de Kerckhove, Presidente da Acade- 
mia Archeologica da Bélgica. 

Journal Asiatique , ou Remexi de Mémoires , d*£z- 
traiis et de Nòtices relatifs à VBistoíre , à la Philoso- 
phie, aux Langues et à la Lillérature des peuples orim- 
taux etc, Quartieme série -^ Tome xiii. N.**63. — Man 

1849. — Paris — 8.^ 1 N." 

1849. — Cwnptes réhdus hebdomadaires dez Sewi^ 
ces de VAcadémie des Sciences. [Instituto Nacional de 
França.l Premier semestre, Tomo 28 — N.®* 16, 17, c 
18 — de 16, 23 e 30d*Abril de 1849 = 4.** g.^ 3 N." 

Dois exemplares do 2.^ Volume das Obras de D. 
Francisco Alexandre Lobo, Bispo de Viseu. Lisboa 1849. 
— 1 vol. 8.'' OiTerecido pelos Directores do Seminário 
de Viseu. 



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(221) 



Diário da$ ohsçrvaçôei meteorológicas feitca em Lisboa no 


me» de Junho de 1849 0-* ^<^ verão). 


8 

o 

-o 

3 


Temp. 
Exter. 


fiaro metro § 


Ventos do- 
minantes, 
e sua for- 
ça. 


EsUdo da Atmos- 
phera. 


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Coberto e Clarões — 














Idem — Sol muito 














ardente. 


2 


S5 


88 


67,8 


57,S 1( 


í ••V— S« 


Coberto e curtos cla- 
rões e muito quen* 
te — Trovoada com 
tufões do S. e chu- 
va abundante ás 
8^ urde 


S 


64 


76 


57,6 


67,1 


8 . ».£— V- 


Chuva serena e a- 
bundante — ai 
muito húmido. 


4 


62 


79 


65.6 


55,0 


1 •SE— SO 


Coberto e chuvisco»— 
Coberto e nevoeiro 
quente. 


S 


64 


77 


64.9 


64.9 


4 • NO-.'NO 


Coberto— Coberto è 








1 




chuva, muito hú- 












mido, e quente. 


5 6£ 


78 


66.1 


66,0 


1 NO— 'NO 


Chuvisco — Coberto 














e muito húmido. 


7 


60 


72 


68,7 


59.0 


• NO— *S0 


Coberto— ClaToe nu- 
vens— muito fresco. 


8 


69 


7á 


69,t 


68,0 


B— SO 


Coberto muito denso 
e chuvisco inapre- 
ciável de tarde — 
fresco. 


9 


•5( 


7á 


66,5 


64,2 


8 •SO— SO» 


Claro e nuvens — 
chuva branda de 
tarde — muito hú- 
mido « fresco, . 



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( 282) 



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Ventos do- 
minante*, 
e sua for* 

Ç*. 



55,1 
50,8 

56,6 
58.7 



#6S,5 
61,£ 



55,0 



5e,7 



57,5 



\t 






Estado da Atmos* 
phera. 



jChuva sereoa — CIa« 
IO e nuvenso— mui 
to húmido e quente. 

Coberto e chuvi»o 

— Chuva abun- 
dante, nevoeiro, a 
ar muito húmido 

«S — « O' Chuva abundante, ne- 
voeiro, e ar extre- 
mamente humiJo. 

•*N0'-' "O » Chuviícos — Chuví . 
e nevoeiro — ar 
frio. 
•N'— »N» Claro e nuvens -i 
Claro — ai frio. 

•'NO— «0'CkrT0 e nuvens - 
Aguaceiro de tarde 

— frio. 
NO— «NOí Claro e nuvens — 

N — N.* Sol entre nuvens, e 
descorado — frescos 
os extremos do dia. 
»B. Chuvas tierenas, e 
trovoada remota ao 
anoitecer — muito 

I fresco. 
Claro e nuvens 
Cbufva e trovoada 
ao SE, de tarde 
quente. 
♦•NE«— N Idem — Araençoade 
trovoada — muito 
quente. 
^ 



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'( 


223 ) 




1 


Temp. 
£xt«r 


Barómetro 


1 


Ventos do- 




o 
-o 

3 
Q 






9 


minantes , 
e sua for- 
ça. 


Estado da Atmoa« 
mosphera. ' 


8 


1 


ê 


6 








Oh 


«0 






, 


€1 


60 


81 


758,0 


757.0 




• V— NO 


Idem — Claro — 
idem ao S£. 


2S 


59 


70 


57,0 


S6,e 




• V— SO 


Coberto denso e ne- 
voeiro— Coberto e 
clarões. 


83 


62 


74 


55,8 


ÍS.ii 




• V— 


Coberto denso. — 
Claro e nuvtaos. 


S4 


5d 


79 


54.8 


54,0 




N— N» 


Claro e poucos 'Du^ 
veik»— Ciaro— ai 
fresco. 


€5 


60 


81 


55,7 


55.6 




«N— N« 


Sol descorado entre 
nuvens — atmos- 
phera vaporosas 
















muito quente. 


£6 


64 


*90 


56.5 


55.7 




••SE-N0 


Idem, calorinteoBi 
-*- Claro. 


«7 


66 


85 


57,5 


«7.1 




• V— N« 


Claro -^ Idem — : 
















noice fresca. 


t8 


58 


se 


58,1 


fi7.8 




N-NO 


Ciáro -*• firesMs oi 
extremoedodia,! 
quente no centro. 


€9 


58 


85 


58,5 


67.0 




••N— 'N- 


Claro — Idem--; 
Idem. 1 


so 


60 


88 


56,£ 


65,1 




• N«~»N» 


Cla«D --Calor to* 
lenk» no dentro, i 




' 




756.7 








fresca a noite. 


Med. 


58,Sí'6,9 


75S,S 


64 


N.NO.SO 


Muito fresco echu, 
















voso até 20 cort 
















repetidas efortei 


1 














trovoadas. Calo- 
















res intpasos no ul- 


1 


! 






timo terço do mez, 



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(22i) 



USVtTABO DAS OBSERVAÇÕES DO MEZ DE JUKHO 

DE 1849^ 1.^ DO vfiaio. 



Temperatura. — Máxima 90* — Mintma 50* — Me- 
dia eT^^-^Dita das madrugadas 58^9 — Dita ás 2.'' da 
tarde 76'',9 — Variação meàiA diária IS."" — Máxima 
dita 28.^ 

Alturas doBarametro^ na temperatura de 63* — Má- 
xima 76 1,2 mill. — Mioima 749,8 — Media 755J. . 

Ventos dominanteê^ contados em meios dias, e sua for- 
ça—N, 14 [0,7] — NO, 12 [0,6] — O, 3 [1,2] — 
SO, 11 [OJ] — S,4 [1,1] — NE, 3 [0,5] — E, \ [0,2] 
SE, 2 [0,2] — V,ou B, 10— Diracçao media do vento 
dominante N. 62'' O [0,7] — Madrugadas bonançosas 21 
— Meios dias ventosos 10. 

Estado da Atmosphera. — Meios dias claros 13 — Cla- 
ro c nuvens 8 — Coberto 10 — Coberto c clarões 3 — 
Dias de chuva ou chuviscos 13, os (juaes fomecêrfio 64 
millimetros, excedendo ao quádruplo da chuva norroai — 
Nevoeiros 6 — IVovoadas 4 — Dias de frio notável 3—^ 
Dias de calor notável 11. 

Decorreo o mez com a temperatura variável, sendo mui 
fresca, e por vezes fria, até 20 com numerosas trovoa- 
das, chuvas abundantes e granizos, que asselárSo os cam- 
pos, apparecendo repentinamente intensos caleres na alti«« 
ma terça parte do mez. 



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( 225 ) 

Fenómenos notáveis. — Foi este mez por exfrémõ ànò- 
nmlo do estado normal com que predomina em o nosso 
cKma. — Repetidas e fortes trovoadas, tufôes, chuvas a- 
bundantes e saraiva, que apparecérdo em algumas pro- 
ifincias do Reino aniquilarão as bem Tundadas esperançai 
dos agricultores, como demonstrará a seguinte breve re* 
snha destes fenómenos. 

Em 27 do precedente mez de Maio horrível trovoada 
sobre a villa da Bemposta em Trás os Montes, com abun- 
dante chuva de granizo , de que algumas pedras ti-* 
nháo o peso de 4 onças, destruindo muitaS searas, vi^ 
nhãs e arvoredos. Algumas aves perecêrSio pelas contusões 
daquellas pedras. — A 2 de Judáo, pelas S.^ da tarde, 
se condensou uma trovoada compacta ao SE de LislxMi» 
acompanhada de brilhantes e amiudadas explosOes elec* 
tricas, com titftlo de vento do mesmo rumo» o qual teve 
curta duraçSo, resolvendo-se em abundante chuva, que 
dcnm duas horas. CahirSo dois raios no lado oriental da 
cidade que' causarão pequeno prejuízo. 

As diuvas que cahirSo no dia 13, no termo de Lisboa» 
fizerSo seccar a rama dos numerosos batataes da tapada 
de Mafra, cessando a vegetação daquelles tubérculos, que 
felizmente já tinhfio adquirido avultado desenvolvimento. 

Em 18 houve apparencia de trovoada em Lisboa, que 
se resohreo em chuva por todo aquelle dia. Em Cintra 
foi t9o riolenta que produzio 47 millimetros em menos 
de três quartos de hora, e que a ter continuado com i- 
gnal intensidade produziria enormes prejuízos. — Em 19 
rqietio-^se o mesmo fenómeno nesta cidade , mas apenas ' 
se sentio a explosão de um trovão e raio, com pouca cbu- 
vm, vindo a trovoada do SE; porém a tarde do dia 21, 
de infausta recordação para uma parte do Alentejo, Bei- ; 
ra-baisa, e Província do norte, foi espantosa pela trovoa- 
da quasi geral que parece tivera ongem nas 'serras do 



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(226) 

Alfanre, a qml 4irlgi«4a-se do SSE ao NNO, devastoa 
completamente uma lona de 26 a 30 léguas de comprí* 
mente lobre 2 de largura. Ck oamfK» de Souzel, Estre- 
mo! e CasteUo branco fiorto arraaadqa peio impulso de 
torrentes de chuva» 'granizo de monstruosas dimensões, tu- 
fite de vento, e numerosos raios, auxiltando-se mutua- 
mente a agua, fogo, e pedras para tudo destruírem e re- 
volverem. A. maior parte dos arvoredos foi arrancada pe- 
la raiz, ou despedaçada e desfolhada. Olivaes inteiros, e 
montados desapparecério, havendo lavrador que perdeo 
mais de 1500 arvores em suas propriedades. A devasta- 
ç|o dos campos é incalculável, e muitos proprietários que 
eqperavão colher 200 ^ 300 moios de trigo nem um só 
grSo poderio aproveitar. O granizo era tão grosso e des- 
pedido eom tanta força que em diversos sities apparecé^ 
rio mwtas algumas reses partidas pelo dorso, asseverau- 
do-se que algumas das pedras pesavSo oito onças. Ehi 
£ptremot, no quartel dos lanceiros, foi morto um solda- 
do e dois cavallos por um raio. Em quanto tão deplorá- 
vel catástrofe desenvolvia seus estragos naquelles territó- 
rios, outra igual se verificava em alguns sitios das pro- 
vincias septentrionaes do Reino, abrangendo a marcha da 
trovoada grande superficíe de terras, deixando os campos 
juncados de fplhàs e ramos de arvores, destroçadas as 
vinhas, torcidos^ou quebrados os pinheiros, e até os mais 
robustos carvalhos. Este ta*rivel meteoro apenas foi vis- 
to em Lisboa a grande distancia ao SE, sem maoifesta- 
çlo alguma que fizesse presumir a sua prodigiosa inten- 
sidade. 

. Em 28 houve em Cintra muifirio e denso nevoeiro com 
clhnva abundante, consttvando-se em Lisboa aatmosphier^ 
dará e q ai: muito seco com ipt^nso calor. 



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(227) 

HORTAUDADB BM USBOA* 

Sexo masculino— 166 maiores — 151 menores— total 317. 
Dito feminino — 137 dito — 118 dito — dito ^55. 

Sommio —303 dito —"269 dito 572. 

incluindo 324 que fallecérão nos hospitaes e outros esta- 
belecimentos públicos, excedendo em 71 indivíduos, ou 
14 por cento, a mortalidade normal deste mez, o qual 
depois do de Maio, é o mais salubre nesta cidade, do que 
se infere que a causa morbíRca que tem predominado no 
presente anno, ainda permanece apezar de se ter atenua- 
do, e que principalmente attinge os menores da Casa da 
JUiserícordia. 



Jí. M. Ff oiutfií. 



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ACTAS 

BAS 

SESSÕES 

DA 

ACABEHUl REJlE. bas scieivcias 

DE 

LISBOA. 

1849, — N.^V* - 



SESSJO LITTERARIJ DE li DE JXILHO. 



Presidio o Siir. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joaqoím 
José da Costa de Macedo, e os Sur/' Antooio Diniz do 
Couto Valente, Francisco Ignaclo dos Santos Cruz, Fran^ 
cisco Pedro Celestino Soares, João da Cunha Neves e 
Carvalho Portugal, Francísct) Freire de Carvalho, ForiU'- 
nato José Barreiros, António Lopes da Costa e Almeida^ 
I^nacio António da Fonseca Benevides , Marino Migud 
I^aiiciíit, Agostinho Albano da Siheira Finto, e Fraíkci^ 
Toxo 1. i7 



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{*30) 

CO Recreio, Sócios EiTectivos ; Mattheus Valente do Cou- 
to Diniz, e Autonio Albino da Fonseca Benevides, Subs- 
titutos d^Eflectivos. 

O Sfir Vice-Secretarío participoa que não poderia com- 
parecer cm algumas Si^ssões, por ter de acompanhar S.S. 
M.M. a Cintra. 



COMMLNICAÇÕES. 

Leo o Secretario -perpetuo : 
O annuncio feito pela primeira Classe do Instituto Keal 
das Sciencias, Bellas Lettras e Beijas Artes dos Paizcs 
Baixos, relatiraroente ás Memorias que se lhe enviarão para 
satisfazer ás questdes propostas para premio em 1845. 

1/ Qtustào. 

DSabe^e, pelas indagações dos Astrónomos, que oCo- 
»mcta descoberto em 26 d'Agosto de 18ii, por Hr.de 
»Vico em Roma, se distingue notavelmente, pela brevi- 
)> dade do tempo que emprega na sua revolução á roda 
» do Sol. A Classe pede uma nova determinação dos ele- 
)i mentos da sua orbita elliptica, fundada em todas asob- 
x»servaçÕes dignas de confiança, feitas sobre este adtro,e 
D sobre o calculo das perturbações a que está sujeito o sou 
)i'moTÍmento. A Classe deseja uma determinação, taaexac- 
>)ta quanto opermitte o estado actual da Scieocia, dose- 
»1ementos elliptícos da orbita do Cometa para a suapro- 
» xima apparição, com uma ephemeride constmida sobre 
:» estes elementos; e deseja aUm disso (jue se decida^ sen* 



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(231) 

% do poâ^ivel i áe já se tem observado ânteifiòtmcnte ap* 
1» pari(oes do mesiiio Comera. » 

Foi premiada a Memoria de Mr. F, Brunnow, Direc- 
tor do Observatório de Bilk, junto a Dusseldorf, e pu- 
Blicou-se o seu trabalho, debaixo do titulo de^^^Jf^mo^ 
ria sobre o Cometa elliplko de YkOé 

2/ Quutàú. 

» A Classe pede que se farSo nováá írídágdçôes ^tfé 
» a origem do embrião nos vegetaes phanéroga micos, at« 
atendendo, sobre tudo, átheoria de Horkel, cdeSchlei- 
>» den, conhecida debaixo do oome de Einslulpungslheoría^ 
a Exige a Classe que aS indagações abranjdo as ordens na-* 
» turaes mais diflerentes, e exige que SejUo illustradas coni 
«rdesenlkos , feitos com miudeza , e cuja exacçâo possa 
)> comprovar-se com os mesmos vegetaes preparados que 
» acompanhem, quanto possivel fdr, a Memoria. 

Veio a concurso uma Memoria em que as indagações a- 
brangi3o, com muito zelo e cuidado, grande numero de 
plantas de tal modo illustradas por desenhos elegantes e feltoâi 
com miudeza, e por excellentes preparações microscópicas, 
due a Classe julgou dever recompensar, com a sua medalha 
a'ouro, o zelo assíduo' de observação, e a perfeição artis- 
tica que o A. mostrou nos desenhou, e nos objectos pre- 
parados para o microscópio. 

Porém cómo d A. nSo se liniíitou á simples exposição 
dos factos , e deo á sua Memoria a tendência de uma 
épicrlse a favor da theoria de Horkel e de Schleiden, co- 
nhecida debaixo do nome de Elnslulpungstheoria, a Cias-* 
se julgou nío dever dar o premio senão com areseyva ex- 
pressa de lhe permíttir o A., (^e annunciasse no programma, 
ciurn- uma prefação da Memoria, quanJo se publicasse, que 
a Gas^ lâo cmitté a ^ao* opiniSo^ nem sobre asicciíclu-^ 

17^ 



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( 232) 

tSes que o A. dedasio das «^bservaçSes, nem sobre a parw* 
te histórica e critica da Memoria. O A. * que he Mr. 
Hermaan Schacht de Jena, Consentio em submetter-se a 
estas condições, e consequentemente declarou a Ciasse, 
que conferia a medalha douro á descrip^o, e âillustra* 
çlo icoaographica e microscópica doi factos, sem pronun- 
ciar o seu juizo sobre as concIusOes que delles se dedu- 
zirio. 

2.* Os Programmas da 1." e 3/ Classes do Instituto 
Real dos Paizes^Baixos sito os seguintes: 

Pragramnm da 1/ Cla$ãe. 

Au nomreau coílcours, dont le terme fatal será le der- 
nier Aofftt de Tan 1832,eIlepropose laquestion suivante: 

» On sait que Ia réfraction astronamique dépend de la 
D loí, suivant laquelle la densité des couches subsequentes 
]» de Tatmosphère diminue á mesure qu on 8'éleve au des- 
II sus du mVeau de Ia mer, et que cette loí estelleméme 
]» essentiellement liée à labaíssement de la température 
)i avec raccroissement de Ia hauteur. Mais comme il y a oé- 
» cessairement quelque diference à cet égard entre leszAnes 
1» tempérées et Ta zòne torride, et que les tables de réfraction 
)» actuelles sont príncipalnoent fondées sur des observatious 
» faites dans notre climat tempere, la Classe demande : 

x> Une table de réfraction , uniquement basée sur un 
)»aombre suBisant dobservations exactec, faites entre les 
» tropiques, et non seulement prés de la surfaee de la 
i^terre, mais aussi, autant que possible» à dífléreuteséié* 
» yations sur les montagnes. » 

La secondequestíon, àlaqnelle la Classe attend une ré- 
ponse, afont le dernier Aoút de Tannée f 850,est lasuífante: 

»La Classe demande une description géologiifiie et 
palaeontologique du terrain crayeux de MastrichL » 



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( 233 ) 

La Ctasse odre une médaille d or de Ia valeur de trois 
cents Florins à lauteur du mémoire, qui répondra duoe 
maoiòre satisfaisante à ces questioDSy avant le terme fatal» 
indique ci-dessus. 

Les mémoires presentes au concoors pourront 6trfr é- 
crits en Ilollandais, en Français, en Latio, en Anglais 
ou en Aliemand (mais toujoura en caracteres Italíensj 
et devront étre envoyés, francs de port, au Sécrétaire per« 
petuel de Ia Première Classe. 

Tous les Savants, sans distinction, sont invités à ce con- 
cours, y compris les Associes Étrangers et les CorrespoR- 
dants, à Ia seule exception des membres eflfectifs de la Classe. 
Les mémoires, que lon enverra au coucours, devront être é- 
crits d'une autre main, que de celle dePauteur, et sans sa 
signature. Uu bíUet cacheté, portant la mème devise ou 
la méme indicatiou que le mémoire, devra contenir le nom, 
lesqualités ei le domicile de Tauteur. 

On proclamcra le mémoire, qui aura remporté le prix, 
dans la séance publique , que la Classe tiendra dans le 
courant de Tannée 1851 pour laseconde, et dans Tannée 
1S53 pour la preiíiíère question. Cette proclamation se- 
rá insérée dans les mêmes journaux nationaux ou étran- 
gers, qui auront publiè te présent programme. 

Le mémoire couronné devi^nt la propriété de la Clas- 
se : toHt usage en est interdit à lauteur sans le consen- 
tement de la Classe. 

Les piéces non couronnées, accompagnées des billets, 
dans lesquels sont contenus les noms des auteurs, seront 
rendaes aux personnes ou aux adresses indiquées, pourvu 
que cette demande soit faite sans frais pour la Classe, dans le 
courant de Pannée, à dater de la proclamation du jugement, 
et'qo'elle soit accompagnée de preuves, constatant d une 
Buaniére satisfaisante le droít de propriété. 
La restilution des mémoires a'étant pas demandée, ou 



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( 234 ) 

la dçmande qiije lon en fera n'étant paji acconjpagníe des 
preuves requiges, les billets cacbetís serònt bruhís, »an^ 
iivoir étó ouverfci, et les piíces seroiit retenues pour en 
feire rusage,quo la Classe jugera convenable. 

hà Premiòre Claase de llnstítut Royal des Pays^Bas: 

W. YROUK. 

Sécrdtairc perpéíueU 

Programma áa 3 * Geasse. 

Programma Quaestionum ab TnMituti Regii Êelgici Cios- 
$i(.Tertia Propositarum in fublico consesiu die \ m.A" 
pl^ilh A.' cidj3í:ccxmx, 

Societatis, quac colendii proferendistpe doctrinis» liU 
tcris, artibus, IN3TITUTI REGII BELGICI nomine, Amí- 
telodami coijslituU est, Classis Tertia, cui Litterarum anli- 
quarum et Historiae exterarum gentiuinac Philosophiac 
partes tributae sunt, ad quaestiones, quas proposuerat in 
Conventu pubiico anoi ci3i;>cgcxlvii , nullun) accepii 
respopsunir 

Ad novum certamen ineundum Vifbs docto^ imitat, 
bis propasitis quaestionibus : 

i.) Quid valuerunt philosophtai el religionii doc-^ 
irime, ab imlio huius saeculi inde proposUoêf in doctrí^ 
nas politicas, Quomodo effioatíia illa in tpsQ vita practicít 
politica compiciturf et qui effectw probabiUs inde pos$u0 
exspectari? 

2.j Ilistoriçe exponatur^ quas placita eirca merçaiuy 
ram in colónias et regiones^ quas in aliis orbis t$rrarum 
partibus possiderent^ secuti ftierini Europae populifpraej 
$ertim nostraíe% ; et investigetur, quid de placitis, quq^ 
hodih hac de re recepta siiU^ viieatur e;;çijtin}mdum% 



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{ 235 ) 

3.j Qtium lus temporibus perègrindtores, praécipw 
Attglif novos fomes aperuerint^ unde Asiae Minoris accu^ 
ratior eogtutio petátur^ qtiaeritur^ ut quam diligerUissime 
explicetur^ quid itUerpretatio tumprius íumrecens reper^' 
icrum in(mamentorum aliaeque investigationes conferant 
ad re$ Lyciorum et Carum illustrcmàás. 

4.j Dêlur Historia Servitii in Europa inde a Sea:to 
Saetulo ad Sextum Decimum. 
Servitii boraine intelli;j[i nunc vult Classis tuiii Servi-» 
tutem qualis fuit apud Komsrfios, tum quicunque si- 
milis status hominum fuit apud àlros populos : quo 
de argumento quae jam ab aliis sunt congesta quae- 
que forsitan latent adhuc, praesertlm in librís^Ju- ^ 
ris Scandinavici, in unuro Ilistoríae corpus compor 
nantur. 
5.) Quam novissimis temporibus nonnulli virí d:octíad 
leites et instituta Arcbipelagi Indici de industria a/iimum 
attenderint, et Lujus {cijcris mcmimenta )iteraria cn^ríi- 
00 cognosci mereantur, cum, quo melius iudicetur de Índo- 
le etmoribus populorum, illas regiones habitantium, tum, 
ut huius cognitionis luce utantur, ^ui in império Neer- 
lân^o-Indico rcbus civilibus etiudicialibus praesint, Clas- 
6is, harum le«^nm indagationem, collectionem et scruta- 
tiooem pro viribus promovere cupiens, sequentem quaes- 
tionem, in quinque membra distinctam, eruditis propoue- 
rc decrévit. 

1." QuaM acmralissime fieri pote^t, indicentur legam 
Arehipelagi Indiei collectiones, et ntanuscripta çiái-* 
btis conttneantur. 
2.^ Critica instituatur disquisilio de fontíbus^ e qui^ 

bus hae leges fluxerint. 
3.* Brevls (^feratur hãrum legam conspéctvs, trUer se 
coU<UÍ4 quae vatiis Arehipelagi patlibus própria sint, . 



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• (236) 

et jfiikio aãdito de populorum indole^ his hgibus 
expressa. 
4-^ Expomtur^ qiÀÍ$ hodieq»re hanim legam $ií ums^ 
tam in iis regianlbuê^ quae magis minutve tui ad^ 
huciurisshUfquam in iis quae império Neeriaiidico 
pareani, et quwnnam earum auetorilas raiiontfn habeat 
adjus Coranicum apud eo$ populosa qui Idamiiicam 
religionem amplexi sint 
B/ OstendcUur^ quomodo Neerlandorum legês et tn- 
ris administratio m índia Neerlandica mm totisue- 
iudinà iuris~ site damesticiSf sive llamiticis legi^ 
bus nitentis^ in concordiam redaclae sint, 
Cognitio harum legum eaniinque usus jam aliqaaDtum 
eerte pròfecit ex iis quae scripto mandarunt T. S. Kafiles 
(Asialic Researches^ Vol. XII) ; £. Dulauricr (Mémoire^ 
lAttres et Rapports^ relalifs ou cours de langue Malaife 
et Javmiaise^ et Collection de íois niaritinus, ed« Fardes- 
sus, T. VI) ; R de Filietaz Bousquet ( Nederlanditehe Jaar^ 
hoeken x>an Regísjeleerdlieid en Wetgeving^ Vol. V. Par- 
te 1) ; C. F. Winter (njdschrift voar Nederlandsch In- 
diey Ann. VI, Vol. 1 ej II); D. L. Mounier (/fr/d.,anD, 
VI, Vol 1); T. J. Willer [Ibid. , ann. VUÍ, Vol II); 
T. Roorda {Javaanscíie Wetíen,Aímt 1844) et A. Meur^ 
f^inge {Ilandboek voor het Mohammedaansche regt in d$ 
Máleisch taal, Amsterd. 1844), 

Victori in hoc certamine literário, iudicum sententiis 
declarato, praemíum dabitur numisma aureum, trecentos 
flordiios IloIIandicos valens. Si quis autem secundas a vi- 
ctore partem obtinuisse fuerit iudicatus, huíc Classis pu- 
blicandam suo ^umtu et in suisjCommeutariis scríptionem, 
addito, si consenserit, auctoris nomine, hongrifice offeret, si- 
mulquQ honoris meriti scriptum exhibebit testimoDÍuro. 

IpsíB responsiones t^ern^one Latiqo, aut Bel^cp, aut 
Franco-Gallico aut AngUco, aut deuique Germaoico, modo 



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( 237 ) 

necharacterilms Germanicis, conscribantur, et ad Scribam 
Classis ordinarium mittantur, uuUo huius aut Classis sum- 
tu, ante initium mensis Noveinbris anni cidiqcgcl. 

Certaminis eventus solemni rita declarabitur in pu- 
blico Classis Tertiae consessu anni cidioicccli. Idem ia 
omnibus publicabitur diariis, quibus et certaminis propo* 
«ti ratio fuerit prodita. 

Amstelodami d. xvii Aprilis C. A.denTES, 
A.^ CI319GCCXUX. EideinClassi ab Adis. 

As outras condições do pn^amma s^ as mesmas 
qoe as do programma da 1/ Classe. 

Programma da 3/ Classe. 

Programma Certaminis Poetici, ab Instituèo Régio BeU 
gico Propositi A."* cidi3CCCxlix. 

Societas, quae colendis, proferendisque doctrinis, lite- 
ris, artibus, Instituti Kcgii Belgici nonpie, Amstelodami 
constituta est, quum edito ab se» die xxvi Aprilis aoni 
ci3i3canLLViii, programmate, ex leg^to quondam Soda- 
li& sui, viri amplis8imi« jacobi hekrici hobufft, prae- 
mio propósito ad certamen poeticum in illum annum in- 
vitasset oranes, exteros pariter ac eives, qui Lalinae poe- 
8eo9 studio atqve exercitio teuerentur, missum ad se an- 
te Kalendas lanuarias huius anni unum modo accepit. 

Cármen beroicum, cuius argumentum : navis in mars 
deieetus. Addita est sententia : Phoebe fave : n&vus 
ingreditur tfta templa sacerdos. 

Certaminis iudiees id non eas habere dotes censueruntt 
ob qoas auetor praemio omandus videretur. 

Declarato sic initi superiore anno certaminis eventu, 
praedicta Societas, ex legato hoevfftii, praemio propo- 
hU ad certamen poeticum ib huoc annum invitat omnes, 



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{ 238 ) 

exteros pariter ao cites, qui Latinae póSseos stndio at- 
que excrcitio teoenlur. 

Gertaminis praemium erit numísma aureuin, oentum 
et vígioti floreiíos valens : dabitur autem ei, cuius ad So- 
•cietatcm missum carmeD Latinum, versiKim haud mitiiis 
quinquaginta, noa ex aliqua língua translaturo» non in 
re versaiis ad privati hominis tcmpua pertinente, oon de- 
nique vel literarum typfs vel aliquo modo vulgatum príns, a 
coustitutis ad id indicibns, tum super cetera» qoae item 
missa fuerint, eminere, tum eo hoiiore digoum cense- 
bitur. 

índices certaminis enint Instítuti sodales, Viri Claris- 

Simi, D. 1. VAN LCNXEP, M. SIGGEIXBCEK, P. HOFM AN PEBRL- 

\ KAMP. Mittuntor carmina ad Classis Praesidis eundem- 

que universí Instituti Scribnm, ante initium mensis Ia- 
niiRrii anni cioidgccl, non auctoris, sed aliena* manu des- 
cripta, addita obsignata schedula, quae auctoris numen, 
títulos, stabilemque habitandi sedem ostendat, et in fron- 
te eandem liabeat sentenlíam, qua ipsa insignita sint car- 
mina. 

Certaminis eventus solemni ritu declarabitur in publi- 
co lustituti Clnssis Praesidis consessu anni proxíme se- 

^ quentis. Idem in omnibus publicabitur diariis, quibus et 

certaminis propositi ratio fuerit prodita. 

Praemio digna habita carmina surotibus Societatis ty- 

f pis descripta in fucem edentur. 

i Cetera, si qua eruut, carmina, una cum ofasignatis 

scbedulis» aut ípsis auctoribus, aut horum procura- 
toribtis restituentur ; ita tamen, si intra annum finiti 
certaminis «am restitutíonem suo sumtu petierint certam- 
que restituendi viam indicaverínt, addito, unde de inre 
i^ndicandi constct. 

Non rogata restitutione, aut neglectis restituendi le^ 
gibuSi obsignatae achedutoe ia igaem coniicieQUiry ^ 



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(23») 

autem cormína in t^bulario Societatás aà eos^^uo» oi vh 
ium fuerit, usus asservabuntur. 

AMST£LODAMI 
die :kv]it Âprilis 
AlimCi3I3GGCXLIX. Is. Wârksinck 

Classi Praesidi et Vmverso InstiMo ab Ãctis. («) 



O SSr. Director da Classe de Sciencús Moraes e Bel- 
bal Lettras participou que a Classe tinha nomeado para 
Aleinbros da GommissSo que deve^cuidar da impressão do 
Cancioneiro do Collegio dos NoIh-os os SHrs. Jodo da Cu- 
nha Neves e Carvalho Portugal, Alexandre Herculano, e 
o Secretario perpetuo da Academia, 



MEMORUS LIDAS. 



Como e quando passarão para a Grécia asdotUrinas re- 
ligiosas da Pérsia. Nota pelo Secretario perpetuo da 
Academia* 

Mpstrei que do Paiz elevado da A^ia central, b^ita-* 
do em tempos rematisaimo& pelas Povoa Irauios, em que 



C») Os prognmroas publicio-se nas lingoas em que forSo es* 
críptos para nào poder suppôr^ ^ue p<^r4eriao.a|giU2|acoUi» oa. 



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t 



l 



( 240 ) 

s% eomprehendia também a Pérsia, 9e espal!kárão pela 
Ásia as doutrinas religiosas do Paganismo (1). 

Tinha jã indicado que algumas destas doutrinas pas- 
sarão da Pérsia para a Grécia, e para o Occidente {i). 

Indagarei agora como e quaudo se effeituou esta pas- 
s^cm. 

Julgão alguns que a religião e a philosophia dos Per- 
sas forão trazidas por Pythagoras para a sua escola italia- 
na ; e Klèuker é d opinião que forão conhecidas n& 
Europa no século 6.^ antes da era Christã, por meio do 
Archimago Hostanes que acompanhou Xerxes na sua ex- 
pedição contra a Grécia (3). 

Ainda concedendo a realidade da estada de Pytha- 
goras na Chaidea, e das suas relações com os Magos de 
Babylonia, que parece não poder sustentar-se (4), prin- 
cipalmente se elle nasceo, coroo se diz, peUs annos 580 
antes de Cbristo (5), esta época da introducção da reli- 
gião e philosophia dos Persas na Grécia referir-se-hia 
ás doutrinas que Zoroastre propagou na Penia, no rei- 
nado de Gushtasp, pelo meado do século 6.^ antes da 
era Christã (6). 

(1) Actas da Academia Real das Scieacias de Liiboa, P L, 
pa^.H4. 

(2) Memoria em que «e pertende provar que o$ Jrabes náo 
conhecerão a$ Canária» antes dos Poriu^uezet , Memorias da 
Academia Real das Sciencias de Lisboa, «.* serie, T. 1. P. «., 
pag. 58 e seguintes. 

(5) Na sua traducçio Allemi do Zend-Avesta de An- 
quetil du Ferrou, citada pelo Snr« Trojer, Dabistán, T. I» 
pag. SSS, infine, 

(4) Vide a vida de Pjtbagoras em Bracker, Hittoria cri' 
tka Philosophiae, Lipsiae 1767 etc, T. I, de pag. 989 a 
lOi^. 

(6) Biographie Universelle,- T. *«, 18Í5. pag. 5«0. 

(6) H^áe, Historia Eeligionis Feterum Fersarum, p. S9S e 



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( 2*1 ) 

Mas sendo por extremo incertas as verdadeiras opi# 
niôes de Pythagoras, não pôde segurar-se se os pontos da 
doutrina de Zoroastre, cuja crença se lhe suppõe, forão 
eSectivameote professados por elie, ou se lhe forão attri-« 
buidos por Platão, e pelos outros philosophos da esco- 
la Acadenúca ; pelos novos Pythagoricus» e pelos novos 
Platónicos que, aproveitando muito das doutrinas de Py« 
tbagoras, as adulterarão e accomodárão a seu geito, dan* 
do-nos como opinião de Pythagoras as que lhes erão pro* 
prías (7). E tanto é isto assim que mesmo a metem- 
psycose, dogoia da psychologia Zoroastrica, que se julga 
adoptado por Pythagoras, é considerada, na obra que 
anda em nome de Tímeo de Locres , como um dogma 
estrangeiro, como uma mentira introduzida para laetter 



SS4. citando a obra persiana Shdnàma-nesr. Anquetil da Per* 
lon na vida d« Zoroastre, T. J. P. S do Zcnd Jvestar^g. «S. O 
Snr. Troyer no Dafnstán, T. I. Discurso preliminar, |pag. iiv, 
e nota t, e pag.«Lxxxvi. A chronolof ia de Ferduai relativameote, a 
Gushtasp^ pr^uzida pelo Snr. Troyer no Daòiuàn, T. I. Discurso 
preliminar, pag. lxxxvi, nota I, e pag. S80, posto que comprehen* 
da a época a^gnada á vinda de Zoroastre á Pérsia, com tudo diver- 
flifjcanoa doas passos apontados; e alonga duração que Ferdu« 
5Í dá ao reinado de Gushtasp e do seu succemor Bdiamam Ar* 
jer, ou Jrdiihir diraa (Artaxerxes iongimanus) explica o Sdr. 
Troyer ( l. c. pag. i.xxxvi, nota l ) dizendo que no periodo 
fexado aei^tes dois reinados se comprehenderiao os de outros sobe- 
ranos que Ferdnsi nâo mencionou. Esta opiniio parece confir- 
mar-se pela analogia de outras omissões do mesmo género naa 
dynastias dos Ashkanidas, e dos Sasanid^s, em cujas listas oMod- 
jemel aUTcwarikh nota a falta de três Reis, pela sirailhaoça da 
seiw nomes com os de outros, (Mr. Mohl, Extraiu du Modje-- 
ntl al'Tewartkh relatifs àVHistoire de la Pene, no Jrmrnat 
Matique, Mai 1848, pag. S87). 

(7) Brucker l. c„ pag. 1039, e seguintes. Mr. Degerando, 
Eutmrt comparée det Syitèmes de Philoiophie, segunda edi* 
jio de Paria 18«« e 18ÍS. T. I, cap, 5.*, e T. 111, «ap.AL 



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í> 



(2iá) 

%ieAo ; e s^ndo o Aator àéiíá obra fythagorico, parece 
etaro que nem Pythagot-as acreditou na Dietempsycose, 
tiem eata opinilo lançou raízes nà Grécia (8j. Por tacto 
parece*me que bastariãó os motivos apontados, ainda quan- 
do ontroi Taltassem , para não ir buscar a Pythagoras ai 
introducçAo dasideas religiosas e philosophicas dos Per- 
sas na Grécia. 

Itidq)enden(eménte de n8o poderem derívar-^se de Zo- 
roastre estas idea^, nlo só por ser inadmissível a ida de 
Pythagoras á Chaldea» no tempo d aquelle zeloso sectário 
do culto de Orrouzd, mas até por ser duvidoso te*lasabra^ 
fado o creador da escola Itálica , ndo é necessário ir 
itieridiga-las ãs obras de Zoroastre òu a «lie attribuídss. 
Zorodsfre nHo foi fundador d uma nova religido, mas sim 
o reformador dos abusos que se tinhfto introiduzido na as- 
trolatria, pyrolatria, e idolatria, ramos doSabeisroo, edo 
Hezdaismo (9).== a E o autor do Dabistán confirma-nos que 
)> Zoroastre nao mudou os fundamentos da antiga reli- 
togido, onícameiíte introduzio nella o dnalisAo dos prin- 
jfcipros, bom e mâo, que nlo* existido na religtio Ma- 
»habadiana, ou t3o somente os desenvolveu peTa primei- 
» ra vez. A antiga religião Mahabadiana, posto que adul-^ 
»terada antes, e durante a vida de Zoroastre, e depois 
)»delle', parece não ter perdido nunca o aeix caracter gra^ 
i^ve &a sua solemnidade (10). » 

As doutrinas desta antiga religião da Pérsia conser- 



(ff) Brucktt, L. c, pag. 1:095. Mr. Degerando, l. c. T. í, 
pag. 445. 

(9) Iti thecotiT^ oT a,íre^, a réftjfra of astirolatry, pyrolatry, 
and idoiatry . th« branches of SabaeUm, ahd l^eedaism be- 
cáme deuirable ; and Zarduskt, or Zoroot/r^, a^pcard. O 83r. 
Troyet, DfMstãn, T, l\ DisctTso preliminar, pag. lxxzv. 

(K))-We tfrecoiifinnWibjrfbéairtbTorcfDíibiítin.tiiíl-ZdiwB^ 



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( 2*3 ) 

T9o-se no Desótir, que o Autor do DabístAn menciona 
íomo uma obra bem conhecida entre os Sipasianos, isto 
é, os que professavão a mais antiga religião da Pérsia 
(11); que o editor daqueila obra diz ser sabido que ex-» 
iste desde muitos annos, e a que se referem frequente-* 
mente os escriptores Persas, considerando-o como o livro 
divino d'uma seita particular, e que se guardou com ú 
cioso cuidado, e com o espirito iucommunicativo, que 
distiuguio particularmente as seitas do Oriente (12) ; e 
que, segundo o SAr Troyer, é uma reunião de escriptos 
reputados sagrados, obras de muitos prophetas, não to- 
das da mesma antiguidade ; porCm atgoma parte delias 
nui aniiga» como se prova até peia linguagem em que 



tre (iid Dotchange thê fandament» ttC the ancieot religion ; on- 
ly the dualisni oíthe principie», good aod bad, not exUting, ap 1 ha-- 
ve remarked io the Mahabadian religioo, wad either then íizst 
íntToduced, or only further developed. . . . 
. The aDcient Mahabadian leligion, dthongh adulterated before^ 
duriog, and after Zoroa9tre*fl life, seems to have never loHt its 
grave chaiacter, and sofemoitj. O Sâr. Trojrer, Dabiitán, 1. 1. 
Discan» preliminar, pag. ci, 

(11) The anthor of the Dabistán mentions lhe Desátir as avsrorki 
well knowB among the Sipasians, that is, the adherent!» of the 
ipost ancieot religion of Pérsia. Dabistán, T. I, Discurso pre- 
liminar, paç. XXI. Veja -se também a pag. lxxxii, in fine. 

rií) Tbiseditof (o do Desátir) says in his preface (pag. vi) 
'» The Desátir is knownto have existed for many years, and has fre- 
«quenily been referrcd to by Persian writers, though, as it wasre^ 
*>^axde<Í as:the aacre^i vohime ofa particular sect, it seein«i to. 
nhave been guarded with that jealous care and that incommu- i 
nnicative spirit, that have partícularly distinguished the reli- 
>»eiotis sects of the East = »» Mulia Firuz Bin-i-Kaus. Thf> De» 
fdtir, orsacred toritings of the ancients Persian prophcti inthc 
eriginal tonffue ; with theancient Persian vcrsion^ andcommen' 
twry of thef^fk Sãsan. Bombay 1818, citado pelo Sfir, Troyer,. 
J)aòis(4n, Xí h Discanio' preliminar, pag. xxin, c nou. 



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(2« ) 

é escripto (13), em qae se achSo as ideas funàamentaes 
da phiiosophia oriental, como ellasexistiSo, antes depas* 
sarem da Ásia para a Europa ; e donde o Dabistán tiron 
principalmente o que diz das antigas dynastias e reli- 
giões da Pérsia (14). 

A abstinência da carne, que geralmente se concorda 
ter praticado Pythagoras, a ponto de nSo querer, nem 
sequer, aproximar-se dos cosioheiros, e doa caçadores (15), 
era um aos dogmas da antiga religi&o da Pérsia, levan- 
do a seita dos Abadiemos^ e a dos Azur-HAshang^onoí a tal 
excesso de fanatismo a prohibiçdo de fazer mal aos ani- 
mais innocentes, que era permittido aos filhos matar 
os pais, e aos pais matar os filhos, por tirarem a vida a uma 
ovelha, ou a um veado ; e esta e outras seitas er3o do tempo 
de Jamish, e de Zohak, o primeiro dos quaes principion 
a reinar 3429 annos antes da vinda deChristo (16). Ja- 
mish era da dynastia deKayomers oaGilshah (17), que 

(IS) Vide o Dah%sfán,T. I. Discuno preliminar, desde pag. 
SLiv até pag., L. 

(U) Dabtttán, discurso preliminar, pag. lz, l, lxii.xxiv» 
e Lxxiv. < 

(15) Pnrphyrio, na vida de Pythagoras, publicada com Jam» 
blicho, vida de Pytha^toras. Amstelodami, 17u7, pa^. 9. 

(16) Dahután, T. I. Discurso preliminar, pai;, lxxz. aoi 
the, severíty (a das duas seitas) against those who flew inno- 
xioue animalb' was carríed to such an exres^i, that even sons 
punished their tathers with death, and fathers tbeir sons, for 
the flaughter of a bheep or an elk. ibid. , pacf. lxxxi. Vide 
também a fl. 181, e 184 do Dabiatán, T. I. Ibid.^ pap. SI, e 
nota S. 

(17) O Autor. do Modjemel aUTemarilh. diz <]ae Gibebah 
(Gilsbah) era o appellido de Kaiumors (Kajomers), que que- 
ria dizer — reys da terra — Vide Mr, Mohl Extraits Ju Mod' 
jemel aUTewariih, relatifs à VHiêtaírt dt laPerte, no J<wr- 

nal Asiati<pte^ Mai 184S. pag. 401. As datas que assino aos 
acontecimentos mencionados np texto são dos A.A. qpm citow 



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(2*5) 

principiou a reinar na Perdia no anno 3529, antes de 
Chrtsto, cuja religião Tundaniental era a me^ma que a da 
dyoastia Mahabadiana, com quem concordava ()erreitainen«- 
te, e era, pela maior parte» coororme çom a doutrina de 
Zoroastre (como já m notou) (18); *e o princípio, dura<« 
ç&o, e historia da dynas^a Mahabadiana e$conde*se nas 
trevas dos tempos antebistorícos (10) ; porém o que Gca 
apontado, relativamente á religião da dyoastia de Ma« 
liabad, parece-me que só quer dizer que os primeiros ves« 
tigios históricos da religifto da Pérsia #ao os que se «t« 
tribuem a esta dynastia. 

A esta antiquíssima religi&ò da Pérsia allude Plinio, 
debaixo do nome de religião dos Magos, suppondo-a o« 
)ra de Zoroastre, sem saber decidir-se se houve um s6 
ou mais Zoroastres, provindo, segundo o S&r. Troyer, k 
identidade daquelle nome, applicado a diversas per-» 
sonagens, de se ter tornado a denominaçSo commum dos 
sábios, prophetas, e reis que professarão e promoverão cer-» 
ta religião e phijosophia (20). Plinio referindo-se a Eu- 
doxo , e a Aristóteles , põe um antigo Zoroastre 6000 
annos antes da morte de Platlo , e segundo Herroippa 



(18) Dabistán, T. I, Diacurao preliminar, pag. Lxxvil % 
Uxix, Lxxxviir, xcTiT, e xcviii» e pag. SO. 

(19) Dafnstán, T. I.ibid. , pag. Lxxir, e Lxxin. 

(to) Iq tbe aUer iropo99ÍbíUtjr to decide upon ao many confli-» 
cting statments (sobre a pluralidade de Zoroastres), there i^ per* 
haps no better means of reconciUng them ali, ^ban concluding 
that Zoroa^ter haviog. io the course of ages, become a gene^ 
ric or appellative name for sagcs. piopbets, and kings prsfes* 
sing and promoting a certain religioii^ or philosopby, this na*' 
me could be applied to several individuais wbo appeard at dif* 
ferent times, aód in diíFerent countries of Ásia. Hence we ex^ 
plain io the various accounts.a pluralitj of Zoroasters, and »fi 
iA^núty, of sereral per^onages witb ooe Zoroaytr^» DabUtá^ 
7. 1, pag. «IS. ngia. 

Tomo L 1» 



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( 246 ) 

8:000 annos antes da }i;uerra de Troia Í21), no qnc 
igualmente concordlo Plutarclio e Diógenes I-Kiercio, se- 
guindo Hcmadoro, philosopho Platónico (22). Diógenes 
Laércio dá também Zoroastre como fundador da seita dos 
Magos, ou pelo motivo já lembrado da pluralidade dos 
Zoroastres, ou por anachronisrao, confundindo a primei- 
ra época do seu estabelecimento coma do seu ultimo re- 
formador (23). 

(fil) Sine dúbio illic orta (a Religuio dos Magos) in Per- 
side a Zoroastre, ut inter auctores convenit. Sed nnuii hic fuerit. 
ao postea et alius, iion satis constat. Ii^udoxus, qui inter ha- 
pientae scctas clari^imam, utilusiniamque eam intelligi voliiit, 
Zoroastrem hunc sex inillibns annoruni ante Platoíiis morteni 
fuisse prodidit. Sic et Aristóteles. HermippiH, qui de totapa ar- 
te diligentis^jime scripslt, et viciei centuni rniilia ver-íunni a Zo- 
xoastre condita, indtoibus quoque voltiininum ejus pos tis expia- 
iiavit, praeceptorem, a quo institutum dituret. tradidit Azom- 
cera, ipsum vero V millibus annorum Troianiim bellum fui>se. 
Hist. Nat., L. XXX, Cap. 2.*, T. 3.". pag. 454 da edição de 
Franz. 

ytyofitM vçir^tTi^v i^iifn». Plutarcho, De hidc et Osir^de, eá. 
de Reiske, T. vii, pag. 456. íle notável que Reiskc, pondo no 
texto vtrraKtrx^Xiotç (cinco mi!) lesse na tradncçâo = ^c/n nar- 
ra»/ ID5 annis antiquinrem bello Troiano c.r//íwc =, que «« con- 
»»tâo existira seiscentos annos antes da íjuerra de Troia»». Pare- 
ce que este engano vem das antigas edições de Plutarcho ; por- 
que a de Maussac, Paris 16«4, T. «.'pag. S69, traz i3D. e Da- 
lecamp o seguio, na sna edição de Piinio. Vide P li nio, no lugar 
citado na nota precedente, nota (g). % 

yiytneu irirra«Kxíx*«. Diógenes La ercio, ndas dos Philog<*phos, 
ed. de Menage, Ainstelaedami 169Í. T. I, Proemio, pag. 5. 
O Síir. Trojer já citou as autoridades de Piinio, fíutarcho, e 
Diógenes Laércio sobre este assumpto. Daàistún, T. I. pag. 21^% 
nota. 

(35) Vide as notas (80). e («2). 



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( 247 ) 

A opiniilo <ie Klcukcr é igualmente infuncfeda, porque 
a invasão da Grécia por Xerxes nuo teve lugar no sécu- 
lo 6." antes de Chri^lo, mas no 5.'' ; c porque, já inuilo an- 
tes deste successo, ha testemunhos que proyíloaiuoflliijíide 
de algumas crenças jeiigiosas, e psychologicas da Grécia 
e da Pérsia, 

A vista do que fica expendido parece inquestionável : 

i° a remotíssima antifjuidade da religião da Tcrsia, 
de que os Gr<^gos adoptarão alguns dogmas : 

2.** que uDo foi PythagiM'as quem transplantou estes 
dogmas para a Grécia. 

Resta indagar como, e quando , se iuíroduzíriio na 
Grécia as doutiinas religiosas dos Persas. 

Por três modos podia passar para aquelle paiz a par-* 
te da religião dos Persas abraçada pelos Gregos : 

1.'' Na primordial transmigração dos Povos do centra 
da Ásia p^a a Eur(^a: 

2.'' Pela communicaçiio que os Gregos tinhao com a 
Ásia, antes de fundarem alli as suas colónias : 

3."" Por meio das Colónias Gregas estabelecidas na 
Ásia menor. 

Já cxpuz 08 fundamentos da primeira hypothcse (24): 
è claro que, antes dos Povos da Grécia mandarem colc- 
nias para a Ásia menor, tinliào relações s^uidas com 
esta região, porque nâo havido, procurar estabelece-las 
em terras que nuo conheciào : e o grande numero de 
Colónias Gregas na Ásia menor é facto de que ninguém 
duvida ; consequentemente qualquer das hypotheses é ad- 
raiásivel ; mas, em qualquer delias, uíÍo pôde determmar- 
ife, nem mesmo por aproximação, quando se receberão 
na (irecia as doutrinas religiosas da Pérsia. 

Na hypothese de serem trazidas pelos povos que, do 

(S4) Vide afi'Âcta« dasSes^oei da Academia, T. I,pag. 124 
6 s^^uintesr 

18* 



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(2W) 

"«m» 4^ Aáê^ trammtgrário para a Europa, foge 6Ste 
«eiMlUríiwnCii a toilas a« tombioaçôes chronologicas : as 
emmnmfêfttê entre a Grécia e a Ásia datão de tem^ 
pau «iMdáitorfcoa : e na bypotbese de serem transmitti- 
itê p0r meio das Colooias Gregas da Ásia meoor tanf 
htm Alo pôde assioar-se-lbe tempo certo. 

A nnigraçio de gentes da Grécia para a Aaia come^ 
(oa taWei no vigésimo século anle d^ era ChrtsUla, e 
jA tio século 13«* antes da rinda de Quisto « anterior-' 
mente ao cerco de Troía , a^aeUa parte do Mondo es- 
tava cheia de Colónias Gregas» da«de ae origiooa ama 
serie de relac<es natnas» e maí eaaftinadas, entre os 
Povos da Grécia e da Fersia. par hk» da Caria, da Jo- 
nia, da Aeolia« da Bytkima, c ém «aCros paizes da A- 
sia menor. roalbaAB» de Cabaias Geenas (i3), atraves- 
sando a Lydia e as tffras ^pae ■ giéi âa eaftre estes paizes 
e a Fmal C para a A4a memt^ e* fae. mm opioiâo de 
Ur. Félix LafHi. «^Krw irm-n» Mbgaoiente o cul- 
to de MMm 5pBe a» Iktça» aa ar^iite «as Coknas 
Gre^s »•► 

«as^ far «iw èa» «a^ Oiiana» ia Jksa aacaor* e até 
Jb» «tf» dkfuta^ ««^«wa^ mk ah^ ka ■naaria nas b* 
t^ 

«alaai^VMe*^ 





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(249) 

a Geofereiícia do phíloiopho Grego com Zoroastre (28). 
£ite facto, cuja authenticidade nem contesto, nemdefen<- 
do, prova trato reciproco, continuo, e notório entre os 
Gregos e os Persas. 

Nas ideas de Homero sobre os Juizes encarrega- 
dos de julgar as acções das almas, sobre os pré- 
mios e castigos depois da morte , e sobre o elysío, e 
o inferno, apparecem as doutrinas da antiga religiào da 
Pérsia, vestidas á Grega ; e Plínio diz-nos que, em toda 
a Ulyssea, respirSo as artes dos Magos (29). Ora Ho- 
mero viveo no século 9.^ antes de Christo , e por conse^ 
quenda o systema psychologíco das penas e castigos de- 
pois da morte etc., que fazia uma parte essencial da re- 
ligião dos Gregos, deve ser muitos séculos anterior ael- 
le, seja ou não delle tudo o que anda em seu nome (30) ; 
porque um systema religioso completo n3o se inventa, des- 
envolve e propaga de repente, e isolado inteiramente de 
outras crenças precedentes: é obra de séculos, e de mui- 
tos séculos. * 

Se o nome Grego de elepbante se derivasse immedia^ 
taroente do Sanscrito, como o pertende Mr. Pictet (31), 
teríamos nelle, ainda que viesse ter à Grécia pela Phe- 
nicia, uma prova da remotíssima antiguidade das rela- 
ções entre o centro da Ásia e a Europa. 

f 28) T. 1. pag. «77 a tSO. 

(29) Maxime tamen mirum est. in bello Tioiano tanto m 
de arte ea (a dos Mago*)) tâlentiuiu fuis»ft Homero, tantumque 
«peris exeadem in Utissig erroribus, adeo ut totnm opu^j non a- 
]mnde constet. Hiit. N<íiur. L. xxx, Cap, t, pag. 456 do T. 
a.* da ed. citada. 

(50) Vida WolC ProloQomenQ inH<m€runL Halis Sasoouni, 
J795. 

(51) Ltttrê à Mr, Burnouf svr hs originet de qutlipies 
mms ViUpkamt, no Journal Aúaíique^ n.* a de ISiS, pag. 
}49, e seguintes. 



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( 2:;o ) 

A m^ítTia ií(»s(a nota <• de tal vnslidao, c tHo espinha- 
da de difiicuUhules, que seria ir.istor um grande \ohmw 
para truta-la devidamente. Kcíitrinpi-me, portanto, a to- 
car mui de leve os seus pontos mais salientes, e a apre- 
sentar em resultados gcracs o que me pftreceo mais pro- 
vável. 



DONATIVOS. 



Compfts rmdus hehdomndaires âe$ Séanre$ de VÀcã' 
ãémie des Sciences [Instituto Nacional de Franca] Pre- 
niière ítemestre — Tome 28 — N.^ 24—11 Juinl8i9. 
4.* p.'*^ ufn N.^ 

Verfiandcllngender Eerste Klassex^anhei fConinklljk-Np- 
derlandsche InsUlmit ran Wetfnsclinppen, Lelterkunde en 
grhoone Runsten te Anisterdam. Derde reehs, — Eersten 
deels titeede sluk. -^ Memorias do Instituto Real das Scien- 
cias, Bellas Lettras, e Artes dos Paizcs Baixos. — 3.* 
Scri(\ Tomo 1.", P. 2.* ura vol. 

TijiUckrift voor de Wis^en Naluurkundige Wetens- 
chappen, uitçicgecen door de eerste Klasse van het Kirnin- 
IVjk-yederlandsche Instiluut van Weíenschappen^ Letter^ 
kunde en schooiíe Kunslen ; Trvede Deel — 3.® Aflevering 
ac= Jornal dasScieucias Philosophicas e Naturaes, publi*- 
cado pela 1/ Classe do Instituto Real dos Paizes Baixos 
etc. Tomo 2.^ 3.' Parte. Amsterdam, 184» — 8.*" ura 
vcl. 

IJera — 4.*" Aflecering Idem — 4.' Parte — Idem.. 

Programme de la Première Classe de l Institui Royd 



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(251) 

âea Pais^Bas âes Sciences, Belles LcUres et Beaux Arls^ 
à Àmsterdam , annoncé dam sa ^éance publique , le Í2 
Avril 18i9. — 4 pag. 

Programma Ceríaminis Poetici, áblmlituioRcgioBeU 
gico Propósili. A.** ci3K)CCC\lix. 2 pagl 8.* — 6 ex- 
empl. 

Programnm Quaeslioímm , ab Inslituti Regii B$lgici 
Classe iertia propositarum in jiublico consessu die X m. 
Jprilís A.^ ci3i:>cccxLix. 8.*" — 4 pag. — 2 exempl. 

• Origem da Guarda Real dos Alabardeiros, hoje Ar-^ 
cheiros no Paço. — Lisboa 1849 — 4.®, um folheto.-— 
Ofíerecido pelo Sur. Abbade A. D. de Castro e Sottsa. 

PAn\ o MUSEU. 

Uma Pina Rudis de Linneo, da Costa d*Anffola (Con- 
chíologia), oíferecida pelo Secretario perpetuo da Acade- 
mia. 

Uma Arara vermelha do Brasil» Psillactis Macáo, dd 
Linneo, oíferecida pelo Síir. Manoel Joaquim Botelho. 

Dois exemplares do Solen Coarctatus, de Graelin, e dois 
ditos da Lucina EdentiUa, de Lamarck (Conchiologia), 
TÍndos da Costa de Pernambuco, oiTerecidos pelo Silr. 
José Maria Guedes. 

Uma Antilope d'Angola, ofierecida pelo Sur. Fran^ 
cisco Rodrigues Batalha. 



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(2sa) 



JSSEHBLEJ B^KFFECTirOS DB X% 
DE JULHO. 



Presidio o Sfir« José Liberatp Freire de Canrallio. 

Concorrerão á Ses8lío o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo» e os SHr.' António Diuiz do 
Couto Valente» Fortunato José Barreiros, Francisco Pe^ 
ihro Celestino Soares» JoSo da Cunha Neves e Carvalho 
J^ortiigal, Francisco Freire de Carvalho, Franciseo Be-* 
Creio, António Lope$ da Costa e Almeida, Ignacio An^ 
toiíio da Fonseca Benevides, Marino Miguel Franiini» 4*^ 
I^Unho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Ignacio 
dos Santos Cruz, Sócios Eflectivos ; Mattheus Valente do 
Couto Diniz, e António Albipo da Fonseca Benevides^ 
Substitutos dEffectiyoi, 



COMHUNICAÇÕES, 

Leo o Secretario perpetuo 
 ultima redacção do Programma seguinte, feito pe« 
la Classe de Sciancias Naturaes para o Curso elementar 
ll'Historia Natural» accommodado a todas as intelligen-» 
cíaSf Foi appfovadoí mandado publicar* 



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(253) 



TROGRJMMJ. 

Para cnmprira Disposição Legatária do P/ M.* Fr. 
Joié Mayne, que estabeleceo orna Cadeira em qae se en- 
sine a Historia dos Três Reinos da Natureza — Resol- 
▼eo a Academia Real das Scieneias de Lisboa, como 
Administradora do mesmo Legado, abrir um Curso ele- 
mentar dé Historia Natural accommodado a todas asin- 
telligencias, precedido dos princípios geraes de Physica, 
« de Cbimica indispensáveis para o conveniente aproveita- 
mento dos Ouvintes , regulando-se pelo seguinte Pro- 
grampna. 

O Curso elementar principiará no \,^ d'Outubro, e a- 
cabaré em Maio, ou Junbo do anno seguinte, expendendo 
o Professor as matérias, que nelle deve tratar, em cem 
Prelecçdes, que não durarão menos de uma hora, e que 
terio lugar três veijes por semana. 

As matérias sobre que hão de versar as Selecções, se- 
rSo distribuídas pela maneira seguinte : 

y 
1/ PAETB. 

NoçSes elementares de Physica e Chimtca — 25 Prelec- 
ções. 

Em que se devem dar ideias das propriedades dos 
Corpos, e de suas acções reciprocas ; assim quanto i sim- 
plicidade e composição dos mesmos C<»rpos ; como á sua 
aoalyse e syntbese ; e explicar elementarmente as dou- 
tnnas sobre 



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(25*) 

O Calórico, 
Luz, 

Electricidade, 
Slagnctismo, 
Prcjiagarao do9om, 
Leis ceraes do equilibrío dos corpos. 
Ditas — do seu mo\imento, 
Elementos coustituintes dos Corpos, 
Leis da sua combinnçjo, 
Suas relações, ou altinkiades, 
E sua decomposição, e anal; se. 

2." PARTB. 

Noções elementares de Geographia Physica, e de Geo-i 
logia — ÍO Prelecções. 

Em que deve dar-S(3 ideia, 
• Quanto á Geoí^raplia Pli\âica, 

Da fornia, e {^raudesa da Terra, 
Dos Continentes, e seus relevos. 
Dos Mares, e soa respectiva profundidade» 
Das Ilhas, 

Dos Volcões, e sua t!ieoria, 
Das Ke^^ioes, e Climas; 
E quanto á Geologia, 
Da theoria hoje mais recebida acerca da fortna- 
çi)o do Globo teiTCstre, e das massas homogé- 
neas que em certa ettcnsão eutrão na sua ^ni^ " 
ctura, e sâo conhecidas com o nome geral de 
Bochas, 

formando as diversas espécies de Terrenos^ iadi^ 
cados pelos Geólogos. 



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( 255 ) 



3.' PARTE. 

Mineralogia. — 13 Prelecções. 
Em que se devera dar noções elementares dos diver- 
sos Corpos mineraes que entrOo na for maçlo do Globo ; 
feias quaes se possão ter ideias sobre. 
Sua natureza, 
Composição, 
Forma 

Cristalina, ou 
Amorfa. 

4." PARTE. 

Zoologia — 2S Prelecções. 

Eni que devem dar-se resumidas noções de 

Anatomia comparada, 
para depois passar ao exame dos cinco typos geraes eil( 
que se oiTerecem os animaes que são os 

Vertebrados, 

Articulados, 

Molluscos, 

Kadiarios, ou Zòophytos, 

Heteromorphos, ou Spougíarios, 
pelos quaes são distriboidos todos os animaes eonbe^ 
eidos, segundo os diversos systemas adoptados pelos Zoo- 
logistas; e era particular por Cuvier, cuja classiCca- 
çâo merece hoje a geral preferencia : devendo* notar-so 
as alterações , ou modiflcaçõcs que tem soffrido , e dq 
que é susceptivel. 



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( 236 ) 

5/ FARTS. 

Botânica — 25 Prelecções. 

Eftta parte da Historia Natural será também tractada 
«lementarmeate, dando-se simples noções, sobre 
A Organograpiíia das plantas 
Sua Physiòtogia, 

Taxonomia, ou ClassiGcaçio. 
Quanto á Taxonomia» é indispensável dar nocfies c\m^ 
ras, sobre 

O Systema sexual de Linneu» 
e o metbodo natural de Jus&ieu, 
que classifica as plantas, segundo suas relações, e affini- 
dades, em Famílias Naturaes. 

O numero das Prelecções em que silo distribuídas as 
matérias do Curso elementar de Historia Natural» pode- 
rá ser alterado pelo Professor applicando, segundo julgar 
conveniente, maior ou menor numero de Prelecções a 
cada uma das matérias de que deve constar o roesro» 
Curso, precedendo porém approvaçio da Academia. 

O Professor vencer A por cada Prelecção uma remunera- 
çHo de 21^400 r/, em dinheiro de metal, que receberá 
quando lhe convier. Esta mesma remuneração se dará a 
um Substituto que supra as faltas do Professor, quan- 
do elle ndo poder faxer as suas Prelecções. . 



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(257) 



SBSSJO LITTERJRIA DE S5 DE JULHO. 



Premdio o Siir. Jo0é Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á SessSo o Secretario perpetuo da Aca- 
demia Joaquim José da Costa de Macedo, e o^Silr/ An- 
tonio Diniz do Couto Valente, Francisco Ignacio dos San« 
ios Cruz, Francisco Pedro Celestino Soares, Fortunato Jo- 
sé Barreiros, JoSo da Cunha Neves e Carvalho Portugal, 
Francisco Recreio, António Lopes da Costa e Almeida, 
Marino Miguel Franzini, Ignacio António da Fonseca Be- 
nevides, Agostinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco 
Elias Rodrigues da Silveira, Sócios Effectivos ; António 
Albino da Fonseca Benevides, eMattheus Valente do Cou- 
to Diniz, Substitutos d'£ffectivos ; António Maria da Cos- 
ta e Sã, Sócio Livre; e António Caetano Pereira, Sócio 
Correspondente* 

O SAr. António Caetano Pereira agradeceo & Acade«t 
mia a sua nomeação de Sócio Correspondente. 



COMMUNICAÇÕES. 

O S&r. José Barbosa Caoaes de Figueiredo Castelkn 
Branco rraietteo a inscripçio de Tibério abaixo transcri-^ 



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( 258 ) 

pia, qne existe no Pelourinho de Valença do Minho, com 
a explicação da mesma ioscripçdo. 

Uma Liscrlpçào de Tibério. 

Havendo-se-me pedido de Jladrid um fac-simile da 
Pedra Miliaria. de Tibério encontrada hoje em Valença 
do Minho, solicitei do Marechal Duque de Saldanha, quan- 
do Ministro do Reino, que o mandasse buscar, fia poi>ct^s 
dias a Aotoridadc Administrativa daquella Vilia enviou 
o requerido fac-símilc, acompanhado de uma nota, que diz 
ífsáíÀ : Inseripçõo gravada sobre uma columna cylhulri- 
ca ie granito^ de doze palmos de altOy e três de diame- 
tro^ a qual foi ha quarenta awios e^icoMrada sobre a inar^ 
gem do Minho, e desde entào se acha levatUada neslapra^ 
ça, constituindo o seu Pelourinho. lie a seguinte. 

TICLAVDIVSCAESAR 
AVG-GERMANICVS _ 
PONTIFEX MAXIMPV 
COSIU • TRIB. POTES • 
lUPP BRAGA 
XUl- 

Tibério Cláudio César Auguslo Germânico, Ponlipce Mor- 
ximo Pai da Pátria, condecorado cinco vezes com o Po^ 
der Imperial, três com q Consular ^ três com o Tribunicio. 
A Braga quarenta e duas milhas. 

Masdeu no tomo S.° da sua Historia Critica, collecçâo de 
Lapides e Medalhas, cap. 2.^ art."* 4.*^, poz esta Inscri- 
pç9o em n.^ 170, e disse, que fora achada perto do Mi- 
nho. Peifeou elle, que a nota nuraerico V def ia ser sub- 
ttituida por IV^ por quanto as outras duas Ui»correspoo«4 



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( 259 ) 

dentes <\o anno i3 da nossa era, si tcmrela^lo com IV: 
isto ê, quando Tibério esteve pela terceira vez invcstiJo 
da dignidade Consular e da Tribunicia foi quarta e nào 
quinta vez Imperador. Se estas contas vHo certas, como 
e» penso, e nào houve erro, de quem lavrou aInscripv3o, 
o 1 antes do V estava ja sumido ao. tempo, que enviártXo 
a copia a Masdcu. 

O sitio, onde derOo com a columna, perlcnceo ao ter- 
ritório dcs Grovios, Gronios, Gravios, ou Graios, segundo 
Mela, que os poz desde o Douro até perto deBajona aci- 
ma do Minho ; ca ao dos Bracaros, conforme Plinio e 
Apiano, que eslendérôo estes até ao Minho, desde o Dou- 
ro. Ainda que na margem esquerda do Minho,' a proxi- 
midade de Tui deixava este sitio n'outro tempo de-' 
pendente dessa cidade levantada sobre a margem direita ; 
e para mim é sem duvida, que a faniilia dos povoadores 
era Grovin, em presença da autoridíide de Mela. 

Asclepiades Myrliano introduzio colónias Gregas na re- 
gido de Galliza, e apezar do muito pouco credito de seus 
escriptos, adoptarão esta fabula Plinio e Silio, fosse pela 
semelhança dos iicmes, ou porque fhe derUo fé. Depois 
destes adoptarão o pensamento todcs os Historiadores 
pí'ninsularos e estrangeiros, que eu conheço, excepto Masdeu. 
As relações de Strabão e o texto dePolibio excluem ab- 
solutamente Gregos das regiões do norte de Hespanha, 
e por taes fundamentos eunSo osadmitto alem do Douro. 

Valença, onde hoje está a columna, leve carta de po- 
voação por EIReí D. Affonso 3.^ em 1 1 de Agosto da e- 
ra 1300 (anno 1262), a qual está registada no livro dos 
F«raes velhos do Real Archivo, f. 6Ív. Nesta carta de- 
claropu o Soberano, que o nome antigo dologar era Contras-^ 
lo. Pertencia á Diocese de Tui, com i terra Portugueza d'en- 
tre Mffihe e Umã ; mas guinde, desde 1 38 1 , os Prelados- 
àe Tui o Antipapa Clemente 7." se sepamu Valença em 



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(260 ) 

1392, porque Portugal então obedecia )i Booifacio 9.'; cons- 
tituio uma Administração Ecclesiastica, que com a outra 
da parte Portugueza do Bispado de Badajoz, se unio ao 
de Ceuta, e em lS12se aggregou a Braga, em troca dV 
quella parte de Badajoz, que lhe Ctea adjudicada em 1479, 
Lisboa 18 de Julho de 1849. 



O Seoretario perpetuo offereceo uma pedra sepulcral, 
com o epitaphio de Thomé Pinheiro da Veiga, acom^ 
panhada de uoia nota relativa a este objecto , em que 
diz: 

Offereço á Academia uma pedra sepulcral, com o e* 
pitaphio de Thomé Piphçíro da Veiga, que encontrei na 
cavalhariça da casa para onde me mudei na Rua da 
Quintinha N.^ 53. 

O epitaphio é o que se IA em frente, transerípto fiel- 
mente, como se acha esculpido na pedra. 

Barbosa copiou, na Bibliotheca Lusitana (I), este e- 
pitaphio, com algumas incorrecções de que a mis essen- 
cial é a época da morte de Thomé Pinheiro da VeigT, 
que poe em 29 d' Agosto de 1656, trazendo-a o epita*- 
phio em 29 de Julho do mesmo anno, o que Barbosa diz 
também, asseverando que este grande Jurisconsulto falle* 
cera deidade de 85 annos, e não de 90, oomo se lê no 
epitaphio. Se Thomé Pinheiro da Veiga nasceo em 1571, 
como refere Barbosa, é certo aue, morrendo em 1656, 
não podia ter 90 annos de idade ; comtudo parece que 
quem mandou fazer o epitaphio deveria saber a idade do 
defunto, e não admiraria que Barbosa fosse nisto menos 

■I I É I ■ ■ 

(O T. Ill, pag. 769. col. ft. 



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T*ÍASSEPWJADO 

oirrç^TffoiE-PiJVHif 

íEV-BZO^tWPlOfPIUfcVTlftD - 
OA-DACOKOA-íEMs-iDjftS CflPA* 
OWÍDOR-HAEflZENM-BM^- 
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DAB« 9oAMVOSrBWEn5l -T/Er 
HOUIA^ S:VA^ LE1!BAS4NTEI< 
RElA^EXPERIElfaA-EZEHFI 
AR-EKVIlicaOlXOV-^im^A 
CSP^bSVb COÍKBMtf H£R^ 
lEmOi^EICA^LAÈ-ENECTAriS'- 




MLEC£OEIir29BI 
VMOBt656REC3í 
SCITDRACE. 





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(261) 

exacto, quando o foi em relatar os cargos que scrvio 
Tbomé Pinheiro da Veiga* omittiodo « a pesar de se 
mencionar no cpitaphio que tinha á vista« o de Juiz das 
Capellas, em que fez os importantissimos serviços de que 
eiistem os documentos no Ârchivo da Torre do Tombo. 

Mas deixando, para quem tiver mais interesse em dis- 
cuti-la, a questão da idade de Thomé Pinheiro da Vei^a, 
o que naturalmente desafiará a curiosidade 6 saber coroo 
a sua pedra sepulcral, collocada n'uma parede na Capei- 
la de S/"* António da Só, foi parar a uma cavalhari- 
ça da Rua da Quintinha. Nenhuma explicação se- 
gura posso dar de similhante facto, mas, se me é per- 
inittido aventurar uma conjectura, parece-me que, cahindo 
pelo Terremoto a Capella de S/"" António da Sé, se ti- 
rou das suas minas a pedra de que se trata, para aca- 
bar com ella a obrigação dos suffragios de que a sua pre- 
sísteocia, repondo-se no lugar que occupava, era um teste- 
munho authentico e constante ; e talvez o sitio para onde foi 
removida, em que depois se edificarão casas, perten- 
cesse aos bens deixados pelo finado, para satisfazer aosmes^ 
mos suíTragios, ficando alli a pedra, que felizmente não 
foi mettida nos alicerces, ou encaixada em alguma pa- 
rede, como tem acontecido a muitas. 

Não seria este o único exemplo do que se tem pratí» 
cado em casos similhantes. 



Toxo l, 19« 



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(26i) 



DONATIVOS. 



Jornal de Pharmacia e Sciencias accessarías de t/f- 
6oa = 1 .* serie — 2.** anno — Jalho de 1 849 — 4.* um 
folheto. — OfTerecido pelo Sfir. José Tedeschi. 

Revista Militar, — Tomo 1.^— Lisboa 1849.— N.^ 
6 — Junho. — 4." um folheio. — pflerecido pelo Silr For- 
tunato José Barreiros, em nome da Direcção da Revista 
Militar. 

Journal Asiatiqne, m Becueil de Mthnoircs, d^Extraits 
tt ds Nolices relatifs à VHistoire, à la Philosophie^ aux 
tangfies et à la Liltérature des Peuples orientaux ^^c. = 
Qaatrième série — Tome xiii. — N." 64. — Arril — Mai 
1849.-8.^ um voí. 

Tables des Comptes rendus des Siances de VÀcadémie 
des Sciences [Instituto Nacional de França] Deuxièmese^ 
me%tre 1848 — Tome xxvii. — 4.'* g.**' — um n.* 

Comptes rendus hebdomadaires de$ Séances de lAcadé^ 
mie des Sciences [Instituto Nacional de França] 1849 — 
Premier seínestre — Tome xxviii — NV 21 — 22 — 
23—25 — 26 = 4.^ ^.^' B n."' 

Abhandlungen der Mathematisch^Physikalischen Classe 
der Koemglich Bayerischen Akademie der Wissenschaften 
— Fanjlen Bandes Zueite Abtheilung SÇc. Munchen |Me- 
morias da Classe tle Mathematica e Physioa da Aca-* 



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( 263 ) 

demia Real das Sciencia» de Munich, 2." P/*do5.*vol.] 
1848. _V g/' — um voL . 

Atmalen der Koniglichen Slernucarie bei Mutwhen^ auf^ 
offenílich Kosten heraus gegeben von Dr. J. LainatU [An- 
naes do Observatório Real de Munich pelo D.""^ J. Lai- 
nont] — 1 Band — Ikjunchen, 1848 — 8.° — um vol. 

Díe Chemie ín ihrem verhaltnisse zur Physiologie tind 
Pathologie Sfc. [A Chimica na sua relação á Physiologia 
e Pathologia], Munchen 1848—4.*' g.*** —um folheto. 

Denkrede auf Joseph Gerhard Zucarini eie. [Elogio 
de José Gerhard Zucarini.] Muuchen 1848. — 4.°g/*— , 
um folheto. 

Rede bei Eroffnung der silsung der L 6. Akademie Wis^ 
senscliafien am 2SMarz 1848, voo Dr. Cari. Fried. Phil. 
V. Martius. [Discurso na abertura da Sessão da Acade- 
mia Real das Sciencias de Munich, em 28 de Março de 
1848, pelo D.*" Carlos Frederico Filippe de Martius]. 
MuDchen 1848. um foi. em 4.*g.*'* 

Estas ultimas cinco publicações forUo remettídas pela 
Academia Real das Sciencias de Munich. 



19 « 



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(26n 

Diart0 dat ohservaç4et meUarologicai feitas em Lisboa mf 
nuB de Julho de I84íí f «/ do tfcráo). 



•T3 



Q 



Tcrop. 
Exter. 



1 
% 
8 

4 
6 
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7 
8 
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It 
13 

U 
15 



16 

17 



18 



61 

6 

65 

68 

63 

66 

64 

64 



Barómetro 



90 
89 
94 
93 
85 
85 
87 
89 



ca 
H 



755,7.756,0 
58.3' 57.5 
57,6 
58.0 
69,4 



66 8Í> 
93 



•95 



66 77 
66 77 



6» 



56,7 
57,1 
58,4 
58,0 
59,2 
57,0 
56.7 
58,0 
58.8 



58,5 
60,* 
58.€ 
57.0 
58.3 
58.5 



59.8 59,6 
59,4 58.8 



Ventos do- 
minantes, 
e stta for- 
ça. 



Estado da AtnMi- 
phera. 



78 58.3 
78 59,3 



85 



58,3 
5T,5 



59,3 



58,3 
59.0 



57,7 
57,8 



59,« 



'NE— 'N 

^N E— N 

•NE— 'N 

B— SO 

•NE— «N 

'N— NO 

•NO— O 

•NO— -SO 

•E— SO 

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B— O* 



«N— N» 
»N— N« 

"N— N« 
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«N— N' 
•NE— N 



N— N0« 



[Claro e mui calmosfl 

Idem, Idem. 

|ldem. Idem. 

Idem, Idem. 

Idem, Idem. 

Idem, Idem. 

Idem, Idem.! 

Idem» Idem. 

Idem, Idem- 

Idem, Idem. 

Ctaro e nuvens, at- 
mo6phera mui va- 
porosa, calor inten- 
so e apparencia» de 
trovoada remota. 

Claro — ar fresco. 

Coberto e clarões — 
Claro e nuvens. 

Claro e nuven:». 

Coberto de madru- 
gada, e depois cla- 
ro — extremos do 
dia frescos. 

Claro Idem. 

Clara — Sol deli- 
rado, atmosph.v a- 
poroda, é mui cal- 
moso. 

Claro — frescos os 
extremos dodia. 



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^ 


( 


265 ) 






i5 


Tcmp. 
Exter. 


Barómetro 


2 

s 
*> 


VcDtot do- 
minantes, 
e mxaL for- 
ça. 


EsUdo da Atmos> 
phera. 






d 

s 










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«5 








19 


60 


8S 


759,7 


757,8 




'N— N» 


ularoe nuvens. 


«0 


61 


76 


55,8 


56,6 




NE— ^NO 


[dem. 


21 


60 


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61,1 


60,8 




2N-«NO 


Claro. 


2S 


60 


77 


6l,S 


61,1 




N— »N0 


Idem. 


23 


59 


76«61,5| 


6ii,5 




lí^— NO 


Idem. 


24 


62 


75 


58.9 


58,0 




»S0— NÒ 


Claro — Sol descora- 
do , atmosphera 
vaporoáa. 


25 


♦57 


77 


58,S 


57.8 




N--N 


Claro. 


26 


60 


77 


59,0 


58.0 




B— N0« 


Coberto e clarões— 
Extremos frescos. 


27 


61 


77 


59,S 


59,6 




»N 


Claro. Idem. 


28 


60 


73 


60.0 


59,7 




«NO' 


Idem, Idem. 


23 


61 


78 


60,5 


60,0 




«N— NO 


Idem, Idem. 


so 


60 


86 


60,7 


59,7 




•NE— SO» 


Idem, Idem. 


SI 


60 


yo 


59,4 


58,2 




•NE— NO' 


Idem, idem. 


fded. 


62,9 


i2.9 


758.1 


58,4 




N.— NO. 


XÍui calmosa a pri- 
roeira metade e 
















regular a segunda 














^^CoropietamenJ 


, 












te seccoeregular-j 


u 










1 1 mente ventoso, | 



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( 266 ) 



Hesultabo das obseuvaçôbs do mez de julho 
DB 1849. 

Temperatura — Máxima 95* — Mínima 37" — Dita 
media das madrugadas 6ã,^9 — Dita ás 3 horas da tar* 
de 82,**9 — Dita media do mez 72,** 1 — Variação media 
diurna 20** — Máxima dita 31." 

AUnroí; do Aarot/tetro na temperatura de 63.** — Máxi- 
ma 760,7 millimetros — Mimma75i,8 — Media 737,6- 
— Conservou-se quasi estacionário todo o mez diflerindo 
õfi extremos apenas 5,9 millimetros. 

Ventos dominantes^ contados em meios dias, e sua for- 
ça.— N, 27 ri,01 —NO, 14 [0,7] — O, 2 [0,31 — 
S0,5 [0,5] — NE, 9 [0,4] — E, 2 [0,2 B, ou V, 3 — 
Direcção do vento dominante N 10,**0 [0,7] — Madruga- 
das bonançosas 12 — Meios dias ventosos 10. 

Estado da Aimosphera — Meios dias claros 48 — Claro 
c nuvens 9 — Cobertos 3 — Coberto e clarões 2. — Dias 
de calor notável 20, nos quaes se comprehendcm 15 
assas intenso. 

MORTALIDADE EM LISDOA. 

Sexo masculino— 188 maiores — 177 menores — total 365. 
Dito feminino — 110 dito —176 dito — dito 316 . 

Sommao —328 dito —"353 dito liST, 

em cujo fiumero se comprehendem 346 que fall^cerdo nos 
liospitaes, e outros estabelecimentos públicos. Ainda nes- 
te mez a mortalidade cíTectiva excedeo a normal, dedu- 
zida dos 12 annos antecedentes, em 62 individues, ou 
dez por cento, sendo muito notável a dos menores da Mi* 
Si^ricordia, que subirilo ao a\uItado numero de 201. 

Jf. Jí, Franzm. 



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(267) 



ADVERTÊNCIA. 



Os mezes de Agosto e Seiembro são feriados na Aea* 
demia ; porém tendo havido vMtivo para se fazer uma 
Sessão extraordinária d*Effectivos em Agosto^ e outra em 
Setembro t publicão^se as suas Actas. 



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(268 ) 



SESSJO EXTRàORDINJRíJ deffectifos 
DO 1.* DE JGOSTO. 



Presidio o SOr. José Liberato Freire de Carvalho» 

Concorrérilo á SessHo o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Maceflo, e os Sfir."' António Diniz do 
Couto Valente, Francisco Ig[nacio dos Santos Croz, Fran- 
cisco Pedro Celestino Soares, Fortunato José Barreiros, 
JoSo da Cunha Neves e Carvalho Portugal, António Lo- 
pes da Costa e Almeida, I(^nacio António da Fonseca Be- 
nevides, Marino Miguel Franzini, Agostinho Albano da 
Silveira Pinto, Francisco Recreio, e Francisco Elias Ro- 
drigues da Silveira, Sócios Effectivos : António Albino da 
Fonseca Benevides, e Mattbeus Valente do Couto Diniz, 
Sttbstituti)8 d'£ffectivos. 



CORRESPONDÊNCIA. 

Leo o Secretario 

Uma Portaria expedida pelo Ministério do Reino, em 17 
Ao corrente, determinando que faça a Academia subir áquelle 



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( 269 ) 

Ministério, at^ lOdoproiimo mez 4'Agosto, o orçamento 
parcial da Despeza relativa aos seus Estabelecimentos , no 
anDo económico de 1850 a 1851. Mandou^se cumprir. 
O Officio que dírigio ao Lente que tinha sido de Zoolo- 
gia o S6r. Francisco d'A8sis de Carvalho, convidando-o 
para reger a Cadeira do Curso Elementar dlntroducçdo 
á Historia Natural, e a resposta negativa do mesmo SAr» 



ApprovarSo-se as Instrucções propostas pelo Secretario 
para se darem ao Snr. Carlos Boonet, e assígnou-se a Con- 
auita a que fordo juntas. 



COUSULTA. 



SENHORA. = Não se tendo dado ao Engenheiro Car^ 
los Bonnet Instrucções especiaes, com o necessário desen- 
volvimento, para o cabal desempenho da sua Viagem Geoló- 
gica e Mineralógica; e não podendo, por outra parte, repetir- 
ae com facilidade a commissão que lhe foi encarregada, sen- 
do por isso tíecessario tirar delia todo o proveito possivel, pa- 
receo á Academia Real das Sciencias conveniente, com o in- 
tuito de satisfazer a estes dois fins, ordenar o incluso Projecto 
delnstrucções, assignado pelo Secretario perpetuo da Aca- 
demia, que tem a honra de levar á Augusta Presença de 
VossaMagestade, a íimdequejuilgando^as diguas da Sua 



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( 270 ) 
provação, possão expedir-se ao referido Enge- 

Magestadc porém Mandará o que Fôr Servi- 
isboa em 1 d' Agosto de 1849. *= José Cor- 
0. = António Diniz do Couto Valente. =3 
Pedro Celestino Soares. = José Liberato 
Carvalho. = João da Cunha Neves e Carva- 
igal. = Francisco Freire de Carvalho. = Mat* 
tite do Couto Diniz. = António Albino daFon- 
ívides. = Ignacio António da Fonseca Benevi- 
çoslinho Albano da Silveira Pinto. = Francisco 
= Joaquim José da Costa de Macedo. = Forâo 
>ôcios Eflectivo6 = Francisco Ignacio dos Santos 
Tancisco Elias Rodri{:ues da Silveira. = For- 
é Barreiros =1 e Marino Miguel Franzini. = 



to de Instmcções para o Engenheiro Carlos 
inet se dirigir por ellas^ tia ma viagem 
Geológica e Mineralógica do Reim. 



iJ^ Os exemplares das rochas devem ser li- 
;odas as stratificações* indicando por Números, 
íncia à Carta Geológica, as suas superposições res* 

.^ Quando a substancia de que for formada 
i yariar de cdr, devem vir exemplares de todai 



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(271) 

Art. 3.* Alem dos exemplares dasrochns em geral, 
no se» estado normal, deverá também remetter exempla- 
res dessas mesmas rochas, que ofTerecerem algum facto 
geológico, ou novo, ou raro. 

Art. 4.** Nas rochas calcareas conchiliferas (Calcai^ 
re eoquillier marin) deve mandar collecçôos dos objectos 
fosseis conchiologicos que nellas se encontrarem, tirados 
com todo o cuidado, de modo quevenhâo inteiros e per- 
feitos, sendo indicados separadamente, por meio de núme- 
ros, os que pertencerem a cada rocha. 

Art. 5."* Deverá notar a altura dos bancos das ro- 
chas sobre o nivel do mar. 

Art. 6." Alem dos exemplares das rochas, deve tam- 
bém remetter exemplares dos mineraes, procurando ajun- 
tar a maior quantidade que lhe for possível de cristaes 
perfeitos dos mesmos mineraes. 

Art. 7.** Nas camadas de combustíveis , alem dos 
exemplares no estado normal, deverá remetter quaesquer 
outros em que estiverem impressas figuras de plantas, e 
igualmente pedaços dos arbustos ou arvores carbonizadas, 
que nelles houver, de grandeza tal, que possa conhecer- 
se por elles os vegetaes a que pertencem. 

Art. 8.** Deverá também mandar as géodas que po- 
der colligir. 

Art. g."* Deverá remetter exemplares dos fosseis que 
descobrir nas suas viagens, quer animaes, quer vegetaes 
de qualquer qualidade que forem, incluindo nesta gene- 
ralidade todos os objectos paloontologicos, e designando 
as localidades, tanto geographicas, como geológicas em 
que os encontrar : e quando algum dos fosseis for de tal 
grandeza, que exija maior despeza para ser tirado do si- 
tio onde se achar, e para a sua conducçôo, o participa- 
rá á Academia, observando a importância sdeotifica do 



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(Í72) 

objecto, para ella consultar a Saa Magestade» o que julgar 
conveniente, e Sua Magestade Resolver. 

Abt. 10.^ Notará a possansa das minas metálicas, 
e de quaesquer outras que seja conveniente lavrar. 

Art. 1 1."^ De cada espécie de rochas, e de minoraes 
deverá mandar exemplares de grandeza tal, que possdo 
formar-se delles, pelo menos, sete collecçOes, uma maior 
para a Academia, e seis para outros destinos. 

Aht. 12.* As conchas, tanto do mar, como fluviaes 
e terrestres, devem vir completas e perreitas, sem serem 
roladas ; e quando se achar nos portos de mar, em occa* 
sido de tempestades, náo deve então doixar de procura- 
his ; porque é nessas occasiões que o mar arroja maiores 
quantidades delias ás praias ; assim como também as plan* 
tas marítimas, Zoofitos etc As Conchas de\em reniettcr- 
se em embrulhos separados, com uma indicação do sitio 
em que forSo apanhadas. 

Art. 13."* Quanto aos insectos, deverio ser enviados 
com as precauções que costumão empregar-se no trans* 
porte de similhantes aníoiaes. 

Abt. 14."* Se nas visinhanças, mais ou menos próxi- 
mas, das grandes montanhas houver alguns penedos er- 
ráticos (blocs err(Ui(pie$) ; será conveniente examinar a 
causa destes factos geológicos, tomando em consideração 
o systema expendido por Mr. Wisse (Comptes rendui heb^ 
domadairti dei Séances de l'Acadtnúe dês &íencef , N.^ 
10), 5 de Março de 1849 ; e comparando-o com os ou- 
tros systemas que se tem formado para explicar o mesino 
fenómeno. 

Art. 13."* Rccommenda-se a Mr. Bonnet, que dirija 
a sua attençáo á formação das montanhas dolomiticas, te»- 
4o em vista as observações feitas sobre este assumpto por 
Mr. Favre de Genebrai (Comptes rendus hebdotnadairtê 



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(273 ) 

átÈ Sémces de VAcadémie des Sciences) N.^ li^de 12 de 
Março de 1849. 

Àat. 16.^ Tendo sido questSo debatida entre os 
Geológicos se ha as verdadeiras Nummulitas ein terrenos de 
dilTerentes formações, e a que formaçOo pertencem ; e ten- 
do- se ultimamente observado pelos Sábios reunidos no Con- 
gresso de Veneza, que as Nummulitas nâo se achaom»*- 
roalmente na greda inferior , julgando-se por isso que 
existem n uma só formação, que é a terciária, occupando 
o lugar do terreno terciário éoceno, será conveniente 
que Mr. Bonnet verifique este facto, averiguando se no 
caso de se achar exemplo em contrario, de que já se tem 
notado dlgum, é excepcionai, e provêm de deslocação das 
camadas de que originariamente erão formados os terrenos. 

Art. 17.° Deverá examinar se ha cavernas em que 
exístUo ossadas d'animaes, e mandar exemplares dos fra- 
gmentos dessas ossadas, taes que á vista delles possão de- 
terminar-se as espécies d animaes a que pertencerão. 

Art. 18.* Ha perto de Setúbal, sahindo para o Nas- 
cente, sobreposto ás áreas soltas da colina próxima da 
Yilla, e das margens do Rio Sado, um rochedo chamado 
Pedra furada, que é notável, tanto pela sua configura- 
ção, como pela sua formação geológica, em que se ob- 
lervão tubos cylindricos e ocos etc. (Vide as Memorias 
da Academia Real das Sctenctas^ Tomo xu, Parte i, Set eti- 
ctas NaturaeSy paginas 69 e seguintes). Convém reconhe- 
cer cuidadosamente este rodiedo, e trazer exemplares de 
tudo o que nelle houver de singular, e especialmente dos 
canudos de diversas dimensões, e composição. = Joaquim 
José da Costa de Macedo, Secretario perpetuo da Àicademia. 



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Mui calmoso, e tarde fresca; 

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Estado da Atmosphera. 


Calmoso, e homido — atmo:iphera vaporosa. 

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Idem. 

Ideai. 

Idem -*- Extremos mui to frescos. 
Horizonte muito vaporoso e ar muito húmido. 
Nevoeiro ma tut. orvalho abund. e dia calmoso, 
idem e pequeno a^aceiro ao meio dia. 


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ftESULTVDO DAS OBSERVAÇÕC» DO ftft Jpf 
A4Í0ST0 DE 18i9. 



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Minimfi a ÍO 57* 

Wavimn a âr> 2(5 .... 92 
Vtiriação iikhI. diuroa ^ . 1 8,2 
Máxima a 22 27. 

Btírometro na (p/ <Kr ^^ 

Max.* altora a 1 Sf, 76 1 ,81 Variaíao 
Mínima .... a 31 S3,0 > dos cfxtremo^ 
Media . ; 57,73 8,8 mfllinw 

Adeeriewna-^A^ temperatura^ medias diários tJIoiii^ 
tadas cm números ioteiros, desprexaiido^se as (racçôes à^ 
gróo, 6 só a temperatura media geral áú met, é nofalf 
rígorofiíamciitc, ^erriodo esta decíaraçlo pata os mezes hf 

luiWu 

Ventoã domÍnante9 jb sua foVça^ 

\A 0,8 1,0 0,6—14 

N, 17 — NO, 6 — 0, 1 — SO, 20NE, S — B oti V, íí 

0.» 
— DirecçSo mcfdía 1V< 56^ O ^^ Madrugadas boBddfoaas if 
<^ Meios dias reatoso», iof 

Toxo 1. ^P 



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( 278 ) 

Estado da Atmosphera. 

Meíol díás daros 4i — Claro e nuvens 6 — Cobertos 
4 — Cobertos e clarões 6. — Dia cm que choveu l,ror- 
necendo a ténue quantia de 2 miliimetros — Nevoeiros 
matutinos 3 — Dias de calor notarei 19, sendo 13 iii* 
tensos, osquaes se manifestarão desde 11 até 16^ ede»- 
de 20 até 26 com o ar muito húmido. 

Mortalidade em Lisboa. 

Sexo masculino— 190 maiores — 181 menores — ^tof. — 371- 
Dito feminino — 172^ ditos — 169 dites — dit. — 3il. 

Sommão 362 ditos — 350 ditos — dit. — ^712, 

Incluindo 386 que fallecérâo nos hos;i^itaes, dos quaes 
220 forão menores pertencentes á Misericórdia. Se^e-se 
que a mortalidade deste mez excedeu a normal dedu-- 
zida dos annof antecedentes, em 7 por cento, confirman- 
do a re«;ra imraríavel de seromaismortifcro do anão ae»- 
ta cidade. 



Explicação para a ínteTlígenda doá sif^naes característicos 
adoptados para indicar o estado da atmosphera — A f / 
cofumna indica o estado predominante da manhã, e a 
segunda o da tarde. 



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(279) 

O Claro 

W Claro e nuvens 

Q Idem em metade da manhS ou da tarde 

© Coberto 

O Idem em metade da manhã on da tarda 

@ Coberto e clarões 

@ Idem em metade da manhã ou da tarde 

Chuva permanente 

Coberto e chuvas alternadas 

^ Chuvas de aguaceiro, alternadas com clarSes 

^ Nevoeiro 

© Claro vaporoso, ou com o Sol descorado. 

Jf. Jf. Franzinti 



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EXTRJORDJNJRTÀ D-flFFÉCTIFOS 
J)S 19 DE SETEMBRO, 



o o Sllr. José Cordeiro Fci«. 

3o á ScssSq o Secretario perpetuo Joaquim 
la de MacMlo, e o^ SAr-*' António Diniz do 
te, José Liberato Freire de Carvalho, Frafi- 
Celestino Soares, Francisco Recreio, Inácio 
Fopsec^ Benevides, Marino Miguel Franzini, 
Jbano' da Silveira Pinto, D.^' Filippe Folque, 
Elias Rodrigues da SiKeíra, Sócios Effectí- 
io Albino da Fonseca Benevides, eMattheus 
Ouio Piaiz, Sobstitutoi d^Sffisctivos. 



tOMMUMCAÇÕES, 



>u o Secretario os Requerimentos de todoé 
indi&o ser providos na Cadeira do Curso ele« 
[ntroducçto á Historia Natural, que se vai 
[idebãai seudo os preteodeotes os kaguiotcs i 



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{281 ) 

ús â&r/' D.^' Luiz Maria das Keveê e Mello 
José Vicente Barbosa da Bocage 
António Joaquim Kibeiro Gomes d'AbréU 
Franciseo António Pereira da Costa 
Guilherme José António Dias Pegado 
Manoel António Ferreira Tavares 
João de Andrade Corvo 
José Lour^i^ de Carvalho 
José Tedesehi 

Miguel de Maeodoe Brito doÓ. 
E tendo de votar««e por escrutinio secreto, sobre os qué 
devião ser providos, tanto oa propriedade, como na sub- 
stituição da Cadeira, assentou-se que o mais votado fos^ 
se proprietário, e o immediató em votos substituto. 

Passando-se á votação tiverdo o Snr. Francisco António 
Pereira da Costa ISvoti», o Snr. Guilherme José António 
Dias Pegado 1 1, o Sfir. D.*"' Luií Maria das Neves e Mello 3, 
e o Sâf. José Vicedte B.arbosa du Bocage 1 voto, consequente- 
mente ficou nomeado Lente o SHr. Francisco António Perei- 
ra da Costa, e Substituto oSHr. Guilherme José António Dias 
Pegado» Determinou^se que se lhes fizessem as competen-^ 
tes participações, convidando->os a comparecer na Acadc-« 
bia, para se combinar com elles como e quando se ha<^ 
id^ Abrir o Cutk)* 



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(285) 



BESULTADO DAS OBSERVAÇÕES DO MEZ DB 
SETEHBRO DB 1849. 



Tempertura. 

Mínima a 27. ^ 54 

Máxima a 19 81 

Variação media diurua« . • 13,3 
Máxima a 19 22 

Barómetro na tp.^ de 63^ 



!,0 Variação 
),0 > dos extrei 
>,23 16,1 miU 



Max.' altura a 13 762, 

Minima a . . 2S 46,0 V dos extremos 

Media 56,2 ) 16,1 millimetros. 



Ventos dominantes e sua força. 

1,3 0,4 0,4 0,6 1,4 0.2 1,3 

N,l — N0,5 —0,6— SO,34 — S,4 — E,l— SE,2— 

0,6 
V ou B, 7 Direcção media S, 61® O — ApparecérSo bo- 
nançosas todas as madrugadas á excepção de 4. — Meios 
dias ventosos 8. 

Estado da Atmosphera. 

Meios dias claros 6 — Claro e nuvens 18 -^Coberto 
5 — Coberto e clarões 9 — Dias era que choveu 1 1 , ior-» 
Tomo L 21 



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( 286 ) 

necendo 83 Tnil1imctros« ou mais do duplo da quantida- 
de normal, anticipnndo-se 15 dias a apparição das pri- 
meiras chuvas — Nevoeiros no horisonte 2 — Dias de ca- 
lor notável 6« 

Martaliiadê <m Ligboa. 

Sexo masAlino— 18t maiores — 135 menores — tot — 319 
Dito feminino — 157^ ditos — 138 ditos — dit.— 295 

Sommdo 341 ditos ^-273 ditos — dit— 614 

iucluindo-se 332, que fallecérSo nos hospitaes, dos quaes 
168 forSIo menores procedentes da Misericórdia, sendo 
portanto normal a mortalidade do mez, segundo as ob- 
servações dos annos antecedentes. 



M* M. Franzini^ 



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A€TAS 

DAS 

SESSÕES 

DA 

A€AD£lfI.l niEAlA DJlS SCKEKCEAS 

DB 

LISBOA. 
Í8i9. — N,*VI. 



SESSJO LITTERJRIJ D£ XO DE OUTUBRO: 



Pk^dío o Sfir. José LiBerato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á Sessfio o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo» e os SBr.** António Dinis do 
Couto Valente, JoSo da Cunha Neves e Carvalho Porto- 
gal, Franoisco Ignacjo dos Santos Cruz, Francisco Pedro 
Celestino Soares^ Ignacio António da Fonseca Benevides, 
XoMO L 22 



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( 288 ) 

Marino Miguel Franiini, Fortauato José Barreiros, Agos- 
tinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Recreio, Só- 
cios Effectivos : António Albino da Fonseca Benerídes, e 
Mattheus Valente do Couto Dinix, Substitutos dEffecti- 
Tos; António Maria da Costa e Sá, e o D.*' Bemardino 
António Gomes, Sócios Livres; António Caetano Perei- 
ra. Sócio Correspondente. 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Secretario 

I.* Uma Portaria expedida pela Secretaria d^Estado 
dos Negócios do Reino, em 8 de Setembro precedente, 
remettendo ao Secretario perpetuo da Academia a Tabel- 
iã que faz parte do Decreto de 27 de Julho ultimo, re- 
lativa á distribuição da despesa daquelle Ministério, para 
o conrente anão económico de 1849 a 1850, a fim d« 
que nos termos da mesma Tabeliã faça processar as com- 
petentes Folhas , nio se inserindo nellas qualquer verba 
que nSo esteja expressamente cumprehendida nos limites 
legaes. 

Mandou-«e cumprir. 

2.^ Outra Portaria, eipedida pelo mesno Ministério 
do Reino em li do referido mez, participando á Academia» 
para os e!Feitos delidos, que no d ia 24 seguinte sehavião 
de celebrar na Igreja de S. Vicente de Fora OflBcios fu* 
nebres pela alma de S. M. I. o Senhor Duque de Bra- 
gança aos quaes S. M. a Rainha tencionava assistir. 

S."" Outra Portaria expedida pdo Miniskerio dos Nago- 



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( 289 ) 

cios Estranjreiros no 1.^ docorrente, mandando remetter 
ao Secretario perpetuo da Academia, para os fazer presen- 
tes a esta Corporação Scientiíica, os dois primeiros volumes 
das Memorias da Sociedade Imperial d' Archeologia e Nu- 
mismática de S. Pctersbourg, oíFçrecidos por ella^á Aca- 
demia , acompanhados da copia d'uma Nota do lUinislro 
daKussia, a fim de que a Academia, inteiraudo-se do seu 
coúteudo, resolva o que julgar conveniente sobre a pro- 
|X)sta que na mesma Nota se faz. 

4.^ A Nuta do Miuistro da Rússia , a que se allude 
na Portaria supracitada , é a seguinte. 



Monsíeur le Ministre. La Socíété Irapéríale d'Arché<H 
lopie et de Numismatique de St. Pétersbourg m*ayant 
fait tenir un exemplaire des denx premiers volumes de 
ses Mémoires destines à TAcadémie Royale des Sciences 
de Ltsbonne, je in*empresse de les placer sons lesauspi- 
ces de Votre Excellence. 

£n vous priant, Monsieur le Ministre, defaire agréer 
cet envoi à TAcadémie Koyale, comme um témoignage 
du désir d'entretenir avec elle dei rclations sciehtifiques» 
je me fais un agréable devoir de vous offrir dès à pre- 
sent mes bons offices pour Téchange de Communications 
et euvois qui pourraíent s'établir entre ces deux Institu- 
tions Scientifiques. 

Veuillez agréer, Monsieur le Ministre, Tassurance renou- 
vellée demahaute cousidération. =S. Lomonosoffetc.:=: 

5.® A carta abaixo transcripta do D,"*"^ B. deKoehne, 
Secretario da Sociedade d'Archeologia e de Numismati- 
CJi de S. Petersbourgy enviando as obras publicadas pela 

22 . 



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(290) 

Sofiedade* e expríniodo o d^^ejo q«e eda tem de ert»* 
beleeer eofre^poodeacia sdenfífica com a Acadoaia. 



Sodétt dArdióologie et de Kiimísmafíiiue de St Pé- 
terebcmrR— N/ 231. — Ce H iuio 1819— A lAca- 
démte Rojaiedes Sciences à LisboDue — La Société d'Ar« 
cbéelogie et de NumísniaUqtte» confirme par Sa 3tfajéslé 
rEmpmor diHire davoír rbonncur dentrer cn corres* 
pondance avec )*Acadóinie Koyate des Scieoces de Lis- 
boDoe et me cbar<;e de pn'*seoter à rAcadèmie les bttít 
^*uméros de Mémoires qu'elle a publiés ]us«iu'à prfis^t. 
Trois de oes Nomèros forment un toluuie oo uoe anoêe ; 
oatre ces Mémoiref Ia SocicU publiera ausst des — Mo- 
oomeols — eo grand format, dont fe [attaàer Niunéro 
paraitTA dans quelques móis. 

La Sodété désrre Tirement écbanger cootre ces Mé- 
moires* les publicatíoDS de TAcademie Royale, surtout 
celles qtri cooceroent rhistoire, les aotíquités et la mi- 
mismatique, eo la priant de vouloír bten eovojer soas 
son adresse à Soo Excellence Hoosieur de Lomonoso^ 
Ministre de Sa Majésté TEmperetir auprés de Sa Hajés- 
té Trés-Fidéle, tout ce qu elle veut bieD nous destiner. 

Arec une parfaite consídératiofr j'ai rboooeur d'étre 
= De TAcadémie Koyale = Le três hambfe et três o* 
beissant senriteor =r Le D.' B. de Koehoe, Adjoinf du 
Directeur áes Musées dtt Rot, Secrétaire de h Société 
d'Archéo]ogie et de Numismatique etc = 'A TAcadémie 
Koyal des Sciences. Lisbonue» 

A Academia decidío que se agradecesse a remessa dd 



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1 



(291) 

Sociedade de Archeologia e Numismática de S. Petcrs- 
bourg, se aceitasse a sua correspondeucia, e se Iheman-* 
dastse a 2/ Serie das nossas Memorias. 



COMMUNICAÇÔES. 



O Snr. José Barbosa Canaes de Figueiredo Castello- 
Branco ofierecér) á Academia três InscripçSes, uma Portu- 
guesa da Fortaleza do Ceará» e duas Romanas» com a sua 
explicaçUo. 

Delerminoií-se que se lhe agradecessem» e que se publicas^ 
semoas Actas. 



Jnserlpção da Fortaleza da . 
Cidade do Ceará. 



O Sur. Tenente General Visconde da Lançada sendo Go-« 
vernador da Capitania do Ceará, no Estado do Brazil, en« 
tâo Colouia Portugueza» e hoje Império independente, 
mandou em 1816 levantar uma fortaleza no porto da 
Capital do seu governo, por esse tempo Villa da For* 
taleza» e agora Cidade do Ceará, e sobre ella fez gra-« 
yar a seguinte ínscripcto : 



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( 292 ) 

IKFOnifEM MO^EM MB DEBISEKE CA1IT>'A£ , 

nVNC XftCtyi MAGNAM BESPECTC LONGE PÂYBSCCTfT : 

I1IC ME SAMPAICS , SEXTO REGNAVTE JOATTIVE , 

FCXDAVIT PtLCHRAM : PAULET CCRA REFllLGBT : 

MrRiS ME iORTE5f REDDCNT C1V1LIA DONA» 

ARBllS ME FORTES FACIUNT MUNERA REGIS. 

Escarncciào de mim os navios , porque era disfor- 
me penedia ; mas agora , que sou uma grande foi^laleza » 
respeitosos os suspendo ao longe. Reinando Joào oSexlo^ 
Sampaio mandou aqui erigir-me formosa , e Paulet di5- 
relou-se em tomar-íne brilhante. Levantárào-me os riofu 
gratuitos dos cidadãos » e as armas devidas á munificên- 
cia Real me tornào forte. 

Dá noticia do Governador o Sur. Manoel I^nacio de 
Sampaio c Pina, hoje Visconde dn Lançada, e do Secre- 
tario do Governo, António José da Silva Paulet, Official de 
En^çenheiros , que levantou a carta da Capitania por um 
methodo inventado pelo SOr. Visconde, e morreu Briga- 
deiro. Finalmente nota haver sido a fortaleza construída por 
donativo dos povos , e f^amecida com umas peças de 
artilheria , que os Governadores do Reino dispensarão ao 
mesmo SHr. Vi^onde, em agradecimento dos navios, que 
enviou com mantimentos a Lisboa , quando os Fraocezes 
a cercavao. 

Com quanto o Brasil esteja separado de nós , pa- 
ffce-me dever consenar-se memoria desta inscripç3o, 
dté agora n?lo publicada ; porque importa á nossa histo- 
ria, para a qual julgo preciso ir buscar noticias a todos 
os contornos da terra : por isso a offereço aos Sábios A-> 
cademicos , como testemunho da minha considcraçio. 



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( 293 ) 



Duas inscripçõès Romanas do termo de CirUrOi 



OATRIVSM 

CALSIVEUVS 

H. S. E. 

Quaestor AEdilis Tribunus vivens sibi monumentum 
dalerius Sivertis [fecit]. Hic situs est. 

Estt em uma Uma cineraria , que serve de Tia no 
lugar do Mõrlijiho, uma legoa da villa. Foi copiada pelo 
Marechal Duque de Saldauha. 

O Sita*. Guarda Mor interino do Real Archiyo da 
Torre do Tombo, Lente da Cadeira de Diplomática, asses- 
tou 9 que a letra era Romana Ruslica » e idêntica á do 
fragmento de uma Lei Romana transcripto |K>r Mabillon 
na sua obra De Re Diplomática^ p. 3i5» e pelos Novos 
DíplomatieoSf tom. 2."* p. 539 pi. 24, 4.* espécie, n.* 4. 

Sobre sua interpretação julgo , que n&o haverá er- 
ro em dizer a Septíltura áe Sivero da Tribu Galeria 
Questor , Edil , e Tribuno , que vivendo mandou fazer 
este monumento para si. Ao menos eu nfio concluo outra 
cousa do Commentario ás Notas dos Romanos por Ser« 
tório Ursato. 



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( 29i ) 

PNAM 

PAVLLMAS 

GOMINIVSLP 

CALTANCINVS 

H. S. E. 

Pemnía maier Paula lihcníf^ mmrimfnlum animo 
iolvit. Gomínius Libripens Galerias Tancinus hie situs ed^ 

Abrio-se em lapide de 8 fuilmos de comprido e 
2 ^ de largo , que está servindo de pedestal a uma 
cruz no muro da Quinta da Madre de Deos da Ribeira 
da villa , que fund&r}o e vincularão os dous Irmlios 
Principaes Gonçdio de Sousa , e D. Diogo de Sousa. Co- 
piou-a o Sílr. Conde do Redondo , actual administrador 
cia dita Quinta. 

O mesmo Sfir. Guarda Mor jul<^u , que as nota| 
se podiSo classificar como de tempos proximamente an«^ 
teríores ao Reinado de Auj9;usto , no qual continuava em 
uso a letra Bomana Rústica. 

Pela minha parte, A vista daquelle coromentario , 
penso , que esta inscripcSo diz « StipuUura dê Gominio 
Tanclno da Tribu Galiria Comprador de Eicravos. Sua 
mài Paula de boa vontade the mandou fazer a ma cw^ 
ta este momtmtento. » 

Estas inscrípçAes oíTerecem i;rande dilRcuIdade co« 
no tfídits as do seu género: entretanto se eu entendi bera 
p Commentador, de que me sirvo, parece, que ellat di« 
zm al<;uma cousa conveniente á nossa historia do tem-* 
po do domínio da Republica Romana, 

Alguém terá escrúpulo sobre a nota Cal , que ea 
traduzi Galeria mudando o e em g; porém , fora de aer 
commum esta mudança» as palavras CaUiverus e CàlUm^ 



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( 293 ) 

einus nlo significSo eousa alguma , e isto nBo saccede a 
Cal. Sivfrus , e Cal. Tancinus. 

Á Tribu Galeria se a^igregavao Hespanhees, segun*- 
do escreveOf cora outros, Valério Chimeutellio , e o pro- 
Tilo muitos mármores da Península , e de terras estra* 
Ilhas : de mais disso Siviro e TaiKÍno são nomes conhe- 
cidos , e , particularmente Tancino da Tribu Galeria , 
nesta cidade. 

Conforme Fábio Pictor escreveo Paulo Manncio t 
que EIBei Ser\io Tullio dividira o Povo Romano em 
trinta Tribus, e Onufrio Panvinlo referio, que erâ9 
qnalra urbanas, e vinte e seis ruraes. Este ultimo collo- 
cou a Galeria em n.^ 10 ou 6/ da segunda ordem, e 
entendeo , que a denomina(lo fdra de lugar e nSio de 
faroilia , porque esta ainda nâo era conhecida. Fora des- 
tes um outro disse* alguma cousa sobre a matéria , que 
foi Carlos Sígonio: pareceo-lhe, que devia acerca da 
Tribu Galeria appetlar também para o lugar , porque , 
ignora ndo«4e a raz&o do nome , havia exemplo na Tribu 
Vijentina , da qual se sabe por Cicero , que do lugar se 
chamara. 

Na segunda inscrípçao a nota £.P. [lUripens] da 
terceira liuha , pôde significar tanto Negociante de E$* 
cravos , como liberto , e ainda Pagador do Exercito ou 
Prefeito, que assistia ao pagamefUo das Tropas. ent&>* 
feito a peso , e nBo a contagem. Talvez que a pe^a de 
Gominio Tancino podesse ser qualquer destas coiisas , na 
qualidade de cidadão adscripto a uma Tribu rul^al ; e se 
eu o inclui na classe do commercio, de boamente o da« 
Tei a entra , quando algum aresto pontivo me tire da 
incerteza. 



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( 296 ) 



MEMORIAS LIDAS. 



Leo o Secretario umu parte da AnalyH da Aguã 
mineral das Caldas da Bainha , que offereceo á Acade- 
mia o Slir. Júlio Máximo de Oliveira Pimentel ; e foi 
entregue ao Sflr. Director da Classe de ScienciaB Na^ 
Inraes para ser censurada. 



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(297) 



DONATIVOS. 



Decreto de 27 de Julho de 1849 autorizando para 
o armo económico de 1849 a 1850, nogternws dasCar-* 
ta$ de Lei de 30 de Junho, e de 9 deste mez^ a Tabeliã 
das Despesas desie Ministério no dito anno, que está junta. 

— foi. — 1 vol. — Remettido pela Secretaria d'£stado 
dos Negócios do Reino. 

Trovas e Canlarts de um Códice do XIV Século : 
cu antes , mui provavelmente « O Livro das Cantigas^ do 
Conde de Barcellos : ( com dois fac-similes ) — Madrid 
^ 1849 — 8.^—1 voK 

Memoria sobre la PeKa de Sardina en las Cos^ 
ias de Gálicia. Por D. Josef Coruide , Regidor de Ia 
Ciudad de Santiago. Madrid 1774. — 4.^—1 vol. Es- 
tas duas obras for&o offerecidas pelo Sfir. Francisco A«* 
dolfo de Varnhagen, que publicou ai/ 

Discursos politicos sobre la Legislacion y la Hísto^ 
ria dei antiguo Reino de Aragon. Por D. Javier de 
Quinto, de la Academia de la Historia. Del Juramento 
politico de los antiguos Reyes de Aragon. Madrid 1848 

— 4." g.*** — 1 vol. OÍTerecidos pelo Autor. 

Historia politica , religiosa y descriptiva de GaU- 
da, por Don Leopoldo Martinez de Padin. Tomo 1.* 

— 4.'' g/* — 1 vol. — Oflferecída pelo Autor. 

Ménoires ds la Société d* Archiologie et de Numis^ 
matique de St. Pétersbourg. Publiés par B. de Kohne-^ 
St. Pétersbourg — 1847 a 1849 — Tomo 1/ — N.^* 
t a 6— Tomo 2.* — N.** 7 e8 — 8.' g.'*— 8 folhetos. 



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( 298 } 



ASSEMBLEA EXTUjéORDIXÀÍtU D'EFFECTIFOS 
DE 10 DE OUTUBRO. 



Presidio o SCr. Jc:é Liberato Freire de Carralbo. 

Cancorrt^nlo á Sessio o Secretario perpetuo Joa- 
quim Jcsé da Costa de Macedo , e os SiV António Di- 
niz do Couto Valente , João da Cunha Nevci e Canra* 
lho Portugal , Francisco If^nacio dos Satitos Cruz , Fran- 
cisco Pedro Celestino Soares , José Cordeiro Feio , Igna- 
cio António da Fonseca .Benevides, Marino Miguel Fran- 
zini, Fortunato José Barreiros, Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto , Francisco Recreio , Sócios Fffectivos ; 
António Albino da Fonseca Benevides , e Mattheui Va« 
lente do Couto Diniz , Substitutos d'£ffecttvos. 



CORRESPONDÊNCIA, 

Leo o Secretario as Portarias seguintes; 

1/ 

Sua Magcstade , A Rainha » Manda rcmetter a ca-i 
da uma das Autoridades superiores, dependentes do 



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( 299 ) 

Ministério Ao Itcino, o incluso exemplar do Relatório 
c}Ue por esta Itcpartiçuo (óra aprc^sentado ás Cortes na 
^^.esslio Le<>islativa do anno de 1849 sobre o estado de 
execuçío das Leis administrativas : £ Ha por bem orde- 
nar o ses:uinte: 

1.' Que as mesmas Autoridades, dando cumpri- 
mento 80 Decreto de 25 de Fevereiro de 1841 , publi- 
cado no Diário do Governo N.^ 58 , façik) organisar um 
Relatório mui circumstanciado acerca das necessidades da 
«administração a seu cargo, para que esses trabalhos 
|K)S!âo servir de base ao Relatório ^eral que , pelo Mi- 
nistério do Reino , hade ser oflerecido ao ex«tme e con- 
sideração das Gamaras Legislativas na sua primeira reu- 
nião em 18S0. 

2.^ Que para a organisaçAo dos seus Rcktorios de- 
vem as Autoridades ter em vista as Consultas e. corres- 
pondência olBcial dos Corpos ccllectivos , ou dos funccio- 
narios subalternos, e bem assim as representações dos 
povos , e quaesquer informações e mappas estatisticos so- 
bre os diversos ramos de serviço , a fim de ser cabal- 
mente reconhecido o resultado da execução das Leis e 
Kegulamentos , e ser bem comprovada a existência , e o 
remédio das necessidades publicas. 

3.^ Que nos Relatórios serão propostas as medidas 
necessárias para se promoverem todos os mellioramentos 
sociaes , ou sejSo por meio de novas providencias legisla- 
tivas , ou pela reforma ou modificaç?lo da Legislação ac- 
tual ; devendo os mesmos Relatórios ser para isso iiis- 
truidos com os Projectos de propostas de Lei indíspensa*» 
veis , e com a Estatística , Orçamentos , e mais dccu- 
mtntos justiiicativos dessas providencias. 

4.^ Que os Relatórios acima mencionados de^em 
ser imperterivelmente remettidos a este Ministério , nos 
termos do citado Decreto de 23 de Fevereiro de 1841 , 



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( 300 ) 

até 30 de Norembro do corrente anuo , sem que as Ao-* 
torídadas fiquem dispensadas dos outros Relatórios que 
pela Legislação ou Regulamentos àesho ter lugar , es* 
pecialmente dos que os Delegados do Conselho superior 
de InstrucçSo Publica sSo obrigados pelo Decreto com 
força de Lei de 20 de Setembro de 1844 , e Regula- 
mento de 10 da Novembro de 1845, Artigo 37, § 
4.^9 a enviar-lhe até ao fim do mes de Setembro de ca- 
da anmi. 

O que assim se participa , pela Seoretaria d'Estado 
dos Negócios do Reino , à Academia Real das Seien- 
ciaSy para sua intelligencía e execução na parte que lhe 
toca. Paço de Mafra cm 10 de Agosto de 1840. = Con- 
de de Thomar. = 



Besolveo-se que se trataria deste negocio na pri- 
meira SessAo d'£QectÍTos. 



2.' 



Sua Magestade , A Rainha , Manda pela Secretaria 
dTstado dos Negócios do Reino , remetter á. Academia 
Real das Sciencias de Lisboa os Quisitos inclusos , para 
que baja d^informar com a maior eiíactidão e possível 
brevidade » o que se lhe oflerecer a respeito de cada um 
delles, em relação á sua Bibliotheca. Paço de Cintra em 
16 de Agosto de 1849. == Conde de Thomar. = 



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{3ffl) 



Quisitos relcaivos á Bibliotheca da Academia Real 
das Sciencias de Lisboa. 

l."" Qual é a data da sua fundação? 
2.^ Debaixo de que Regulamentos ou restricções se 
acha ella aberta ao publico? 
Quantos dias , em relação aos 365 ? 
E por quantas horas cada dia? 
Está aberta nos dias santificados , ou de noite ? 
3.* Quantos leitores, termo médio, frequentão dia- 
riamente a Bibliotheca? 
Suppondo que se exige uma licença para ser ad- 
mittido na BibKotbeca, quantas licenças por an- 
no tem sido concedidas durante ca dez últimos 
annos de 1839--- 1848? 
4/ Suppondo que a entrada na Bibliotiieca é in- 
teiramente livre y tem disto resultado alguma 
desordem ? 
5.^ Quaes sâo as sommas dispendidas annualmente 
para a conserva(;llo e augmento da Bibliothe- 
ca , e de que Tundos sahem essas despesas ? 
Qual é a quantia destinada para a compra de 
Livros ? 
6.^ Qual é o numero , graduação » e quaes aa at- 
tribuiçdes e vencimentos do Bibliothecario , 
2.* Bibliothecario etc? 
7«^ Quantos volumes impressos possue a Bibliotheca ? 
Quantas obras em brochuras tem , pouco mais 

ou menos? 
Quautos volumes mss. ? 



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(3tó) 

8lo as Irodmras eontadat sepindinisote oa im« 

meraçlo dot voiomea? 
Se assim 6 » qaal o aea numero ? 
S.* Qual é 9 pottco mais oa menos • o numero des 
velames impressos que em cedi enao se ac- 
crescenta á BiUiotl^ca ? 
9/ Os LíTTos da Biblíolheca ao emprestados pa- 
ra se lerem iòra ? 
Se o slo , debaixo de que condtcSes? 
10/ Qaal é o numero de Urros, assim empres^ 
lados , termo médio , durante os dez aunos 
acima rereridos? 
II.'' A pratica demprestar Unos tem alguma vez 
sido prejudicial ? 
Tem os livros sido pedidos , ou restituídos em 
máo estado? 
12*^ Ha Catálogos completos dos livros impressos da 
Bibliotheca ? 
Se os ha , são elles redigidos alpbabeticamen^- 
te segundo os nomes dos Autores, ou por 
ordem de matérias ? 
Estes Catálogos tem sido impressos, e quando? 
13/ A BíUiotheca tem direito a um , ou mais ex- 
emplares dos livros que se publicio no 
paiz? 
Secretaria d'Estado dos Negócios do Reino em 16 
de Agosto de 1849 s Joaquim José Ferreira Pinto da 
F<mseca Telles. 

Mandou«se cumprir. 



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{ 803) 



3.' 



Siía MageifUde « ^ Bainho i k <lpm ioi jri^èMiH 
ie'; por Consulta da Academia Béal nas Sciwcias , iê 
2i de Janeiro cíeste aimò , que o í)é^^ Wd^táeh col-» 
iigira nas Províncias deite Reino úm Ilerbario da FhH 
ra Portogueza , preparado com perfeito eonbecmfeiito da 
sciencia , e com todos os cuidados da arte , e que eHé 
uâo duvidaf a contratar a fenda desta' eolHectte púi^ eer«-^ 
to preço edeternunadas òoudiçOes ; 

, Considerando que a adquisiçSo do fiteihei4fniião Her^ 
bário ^ assim preparado « pôde concorrer mnifo páríi se 
promoverem os interesses do ensino publico , e qve pém 
a Compra delfe se acha o Govâ-no ttu(oríif^<](o pela Lei 
de 30 d' Abril de Í8Í9 : 

Ha por bem, conformando^^ eom o pafeeet da 
mesma Açadomia resolver o seguinte: 
. t.^ É autorizada tf Aeadentia Beal dáfs Scíencíatf 
para comprar o Herbario da Flora Portugncia , colligi-i' 
da pelo D.*^ Welwitscb , por preço d ura conto de réi* 
votado pela Carta de Lei de 30 d' Abril de 18 i9 , seiw 
do paprp em prestações correspondentes ás porçdes do 
Herbaríò 4 que (br entregàndo- 

2."^ Cada uma das partes ^0 TÍerbarío , á prop(yrç3<9 
que For entrc<;ae, será examinada por uma Commiss9o 
composta de Vc^aes da Academia ♦ e do Lente de Prí^ 
nia da Faculdade de Filosofia da líniversídade de Corm-^ 
^^ , José de Sà Ferreira Santos do Valle , ora resiíen* 
te em Lisboa , para se verificar o bom estado das plan^^- 

Toxo L 23 



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(804) 

tas , a exflCc9o da classificando , e a$ demais circaDstaiH 
ciaa necessárias. 

d.^ O Presidente da Conunissto acima mencionada 

tartieipará ao reTerido Lente o local e os dias em que 
ade concorrer para os eiames de que cila é encarre* 
gada. 

4.^ A Academia Keal das Sciencias mandará a este 
Ministério uma pessoa da sua confiança para receber a 

rntía de quatrocentos mil réis por conta da compra 
Herbario , devendo vir munida do competente recibo 
em que se declare que a quarta parte do dinheiro é 
em Notas do Banco de Lisboa, na conformidade da 
Lei. 

5.* Do resultado da entrega de cada uma das par- 
tes do Herbario , e do correspondente exame e paga- 
mento darA a Academia conta por este Ministério. 

E assim o manda a Mesma Augusta Senhora par- 
ticipar , pela Secretaria d^Estado dos Negócios do Rei- 
no , à Academia Real das Sciencias para soa intelligeu- 
cia e execuçllo. Paço das Necessidades era 6 dOutubro 
de 1849. as Conde de Thomar. = 



Foi nomeado para Presidente da ComroissSo orde- 
nada nesta Portaria o Sita*. Agostinho Albano da Silvei- 
ra Pinto « Director da Classe de Sciencias Naturaes , e 
para Membros delia os SHr/ Bernardino António Gomes 
e Francisco Thomaz da SiNeira Franco , que já ó erão 
da ComroissUo incumbida pela Academia do examinar o 
Herbario do Sftr. D.^' Welwitsch/ 



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( 303 j 



RELATÓRIOS. 



Bektorio Uâo pelo Snr. /).**' Bernardino Afitonio Gomes , 
sobre o Uerbario do Síir. D.'' WelwUscL 



SENHOR. a=2s Fomos Incumbidos por esta Academia 
(te eicaminar uma porção de plantas sAcas, que fazem pnr^ 
te do Herbarío da Flora Lusitana , que o D.*' Frederico 
\Velwitsch se offereceo organisar , e que a mesma A- 
cademia desejou ter nas suas cofleccScs de producios na- 
luraes do paiz. 

Comprehende esta parte doze cadernos , os qnaes 
tem para cima de mil exemplares que representdo 425 
espécies distinctas de plantas , pertencentes todas é Fio- 
n Lusitana. Abrangem quasi todos os géneros conheci- 
dos nesta Flora , pertencentes á divisão natural das Aco- 
tvledoneas vasculares, das Monocotyledoueas, e ainda al- 
gumas famílias das Dicotyledoneas. 

Percorremos todos os exemplares desta interessante 
collecçlo , confrontámos para o maior numero os cara- 
cteres específicos das plantas com os das descripçôes de 
Broterb , na sua Ffôra , e Phytographía , e cora os d ou- 
tros Livros phvtògraphicos de que pudemos dispor ; exa- 
minámos o estado dos exemplares , o que respeita á sua 
preparação e condições de conservação , á ordem j;or que 
se aciAd distribuídos e acondicionados , as indicaçOes e9^ 

23* 



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( 306 > 

criptas e que referem o oome especifico , a babif açllF 
natural das plautas « a época da sua florescência , e as^ 
obsenraçOes que alem disso o D/' Welwítsch joigoa de- 
?er addicíonar a respeito ée cada uma : isto é » tiTe- 
mos em cuidadosa atlençiOt «este esame» a parte acien» 
tifica , e a paris artística ou manual , que presidirSo á 
orgamsacSo deste trabalho ; e em virtude oe todo este 
exame podemo» verificar o s^uínte : 

Na classíficaçio das plantas foi adoptado o me- 
fhodo natural » modelado pelo ultimo estado d» Scien- 
cia, e como o Mpresentao as obras respectivas dos 
Professores^ Eodblicher , Meísoer , De Candolle, e KontlK 
Comprehende assim a Gollecçâo 29 famílias ou or- 
dens naturaes, que sSo nas Acotyledonea» vasculares, 
as RbíaocarpeaSr Ljaopodeaaeas ^ Fetos « e Equisetaceas ; 
nas Mooocolyledoneas , as (iramirieas , Cjperaceaa, Jun- 
caeeas, Blelautfaaeeas , Dioscoreacca», SmilaciaeaSt Li- 
liaceas., Irideas^, Amarjlideas » Orchideas ^ HydfDchari- 
deas, AlísmaceaSt Naiadeas, Aroideas, TbyfAaceas, 
e Palmeiras ; e nas Dicotyledooeas , as Coníferas, Cera- 
tophyleaSt Utrículaveas , Primutaceas , Ericaceas^r Plan- 
tagineas, e Flumbagineas. 

Em toda esta sccçSo do reino regelai Brotíero as-* 
signnlou e descreveo 386 espécies; a Collecçio do D.^"* 
WeKvitseh contem exemplares de 428, das quaes 100 
novas^ ou assim suppostas e não indicadas peio nosso in- 
signe Botânico Portuguez ; faltnndo-lhe também por con- 
seguinte ^8 das que são mencionadas* na Flora e Fbyti>- 
grapbia Lusitana. , 

Examinando quaes s3ò as espécies em falta, verífi^ 
ca-se serem qaasi todas de plantas próprias e- privativas 
da Provincia de Trás os Montiss, e- partis^ do Minho» 
que o D.*"' Welwitsch nSo percorreo ainda , ou do Ge*^ 
rez e Serra da Esttella, que elle peroorteo^ mas a& em 



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(307) 

iestaçlo em que n5o era possível ter exemplares no es- 
tado de desenvolvimento próprio de os tornar completou 
para um Herbario, como poderá vèr-se da enumeração 
das ditas espécies em falta , que juntamos a e^e Rela- 
tório. Algumas destas faltas porém ainda podem ser 
suppridas, e o D.*' Welwilsrh tompromctte-se a faze-lo 
por meto de supplementos, que irá jmitaiido nas seguin- 
tes remessas. 

O que mais recommenda e^ta Gdlecçlo » e que 
deve merecer a especial attençSo da Academia , silo ol 
exemplares das espécies não descHptas por Brotero , e 
qne na CollecçHo examinada sõbebi « como vimos , ao 
numero de 100. Destas espécies, uma parte, acha-sé 
perfeitamente determinada, a outra* parte estft depen- 
dente , na sua exacta determioaçBo , âHiIterior exame e 
e«tudo« Algimins das mesmas espécies , novas para a 
Flora de Brotero , for3o já indicadas por explorações an- 
teriores ás do I).*^ Welwitsch, e feitas por Linck, 
Hoifmansec^g e outros \ e outras espécies , i^^fualmente no- 
vas, sSo descoberta especial doD.^' Welwitsch; e todas 
estas espécies novils, ou sSo plantas communs ft Flora de 
Portugal e de outros paizes, ou especialissimas do nosso. 
As descobertas do D/' Welwitsch , tem sido, pela 
maior parte, ou publicadas nos Jornaes Botânicos do 
éia , ou communicadas particular mente aos primeiros 
Botânicos da Europa , e algumas delias apparecem mes- 
mo já com a sancçSo destes Professores nas publicações 
mais modernas; acompanhando esta sancçSo a homena- 
jsem por elles prestada a tdo laborioso e intelligente ex- 
plorador da Flora Portugueza. Para prova do que dize- 
mos , basta citar a Armeria Welwitschii De Candol , o 
Carex Welwitschii Boiss , as quaes espécies n5o sSo só 
reconhecidas como novas, e anteriormente ás explora- 
jCfies do D."" Welwitsch não assignaladas ainda , mas a 



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( 308 ) 

jen'>minap3o que Ibes deo De Candol e Bossíer aliestao, cem 
o seniço prestado á Sciencía, o nome de quem o prcston. 

Por esta forma vé a Academia que o D/' Wel-; 
ivitsch nfto nos dá simplesmente uma Collecclo de plan- 
tas da nossa Flora , como elia era conhecida antes das 
suas excursões, confia«-no8 demais os documentos de suas 
descobertas, devidas a laboriosas explorac&es , feitas com 
admirável perseverança durante 10 annos, em quasi to- 
das as Provincias de Portugal ^ e com especialidade nas 
da Extremadura « Alemtejo , e Algarve , que mais par- 
ticularmente tem podido explorar. 

Nío p6de percorrer-se o Herbarío do D.*' Wel- 
"vvitsch sem reconhecer facilmente o muito scientifico es- 
pirito porque está organisado. Os nomes genéricos e es* 
peciOcos sAo os das melhores e mais modernas monogra- 
phias e classificações. Acompanh5o estes nomes os ^ue 
deo Brotero 6s espécies que descreveo. Vem cuidadosa- 
inente notado para cada espécie • a época da sua flores- 
ceucia 9 o sitio , oaturexa do terreno , e mais condições 
de sua habitação. As observações que demais ajuntou a 
estas indicações o 1).^' Welwitsch sfio sempre interes- 
santes , porque são o fructo d'uma longa experiência e 
estudo espeeial da Flora 4o nosso paiz. 

Os^apemplares são geralmente escolhidos , bem s6- 
.fos^-ertíisiiosCos , no gráo de desenvolvimento próprio pa- 
ra se verific^irem seus caracteres essenciaes. Se a espé- 
cie é das susceptiveis de variar , acompaohão-na quasi 
sempre exemplares próprios para mostrar as differ^ntes 
formas por que varião , e nesta parte é mesmo particu- 
larmente rica a CoUecçao. E^tas variações de filSrma e 
desenvolvimento, acompanhadas d'indicaçOes cuidadosa- 
mente feitas sobre as condições d'babitaçll09 d&o do mo^ 
do interessante a relação , que muita vez se pód^ aSMiH 
marcar entre uma o outra circunstancia. 



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(309) 

Vê-«e pois que o Herterio . d(^ D/' Welwitsclr, 
na forma por que se nos offereee a parte exaroinada -» 
preenche os desejos da Academia de possuir a CoHeo 
çSo o mais e^itensa dexemplares da nossa Ftora ; ^ e 
que aiem ^iiso nos dá occasifio de conhecer e apreciar 
melhor todas as suas descobertas i:eiativas.á mesma 
Flora. Parace-oos piNrém que , na acquísiçSo deste ob- 
jecto e 00 modo por que a fas , a Acade mia^alo que^ 
rerá só obter os fins rereridos, mas sobre tudo .ter òci- 
casido d'estreitar as suas relações com este distincto^-e 
laborioso naturalista, e de lhe tributar por tedqs os 
modos convenientes o seu reconhecimento pelos servi- 
ços prestados á Sciencia em geral, e em especial á 
aue tem por fim fazer conhecer as producçOes naturaes 
oeste paiz. 

Senhor , ti8o é este um desses negócios em 
que a nossa boa fé , e boa vontade podem &s vezes ser 
surprehendidos , trata-se d objectos que podemos vér e 
examinar todos , e do pessoa que tem um nome entre 
os dos homens da Sciencia, e cujos trabalhos tem o apre- 
ço dos primeiros juizes na matéria (•). 

Concluiremos de tudo, que a CoUecçAo confiada 
ao nosso exame é digna de toda a cousideraçfio e a- 
preço da Academia ; que se deve diligenciar obter a 
sua continuação e termo-la o mais completa possível; 
que para isso deve ser convidado e auxiliado convenien- 
temente o D.^' Welwitsch para estender as explorações 
aos sities de Portugal ainda não percorridos por elie , 
especialmente a Provinda de Trás os Montes • parte do 

m » ■ » I— I ■» ■ -■ ■ I ■ ■ ■ ■■ I ■ ■ 

(•} O D/' Welwitfch alem das explorações botânicas fei- 
tas €01 Portugal, e em outras partei da Europa, porque he co- 
nhecido « é o autor d*ama Mono^raphia sobre Algas . pnbli* 
cada em ISSS em Vienna, com o titulo de — Syiopsis iVo«- 
êockinãrwn Juatriai 



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(aio) 

J^fgsne^ da Beira e Minho» que nlo yisitOQ: e final- 
mente , que » por meio da pn)j)r!a Academia , rom os 
recurmf de qoe pede di|por« «ou por meio do (ioTerno 
ge dejre dar ao D/' Weiwitach um doevmentQ iionroso 
do apreço que lho merecem oa seus trabalhos scientifi- 
008 , a muita dodicaçAo e lacríficio pessoal oom que é 
sabido tem sido (eitos. Lisboa 9 dOutnbro ée 1849.=» 
D/' BeroardÍDo António Gome^sr^Fraaciícp lliomaif dâ 
S^veira Franeo. 



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(311) 



Ordêiu Natvraes. 



Khyiocarpeas. . . . 

Ljcopodia.(;eas. . . 
Fefoa. ........ . 

Équisetaceas . . . . 

ÇTAminesLs 

C^rperaceas 

Juncaceajs. . . . .. 

^Jlalantbaçeatf . . . 
Liliaceas. ...... 

Iridcas... ...... 

Amarylideas . . • . 

Orchideas 

il jdrocbarideaf. . 
Sioseoreaceai^. .. 
SraHactneaa. . . • . 

Alismacaas 

Naiadeas 

Aroideas ....... 

Tbyphaccaf. . . . . 

PaUntinui ..*••• 

Cooifeni. f 

Betnlaeeas 

Jttyricaceas • •• • • 
Ceratophyleas. . . 
Utrículareaa . . . . 
7rinittlacea8 . . . . 
Brícaceas ..•••-» 
Plantagineas. 
^i^lDbagioeas. 



jy.' diu etpe- 

çics do Her- 

bário. 



l 

1 
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5 

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41 

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15 

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1 

7 

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% 

5 

S 

9 

16 

IS 

16 



ESspectfiM rnSo 

hulicfula^ na 

Flora de 

Brottro. 



n 

2 
45 

8 
6 

IS 

1 



4 
1 
7 

lOQ 



, Espécies em 

falia para 

Flora de 

Brotero. 



I 

1 

S5 



4 
4 
4 
6 



68 



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(312) 



JEmimêração das egpêciêê mo indkada$ na Flora 
e PhylograpMa de Brolero. 



CheilflDtheg suaveoletts. 

8warti. 
Cbeilantbes odora. Swafti. 
Pterta crispa. Allion. 
Pirris arguta. VahI. 
Asplenium laoceolatèm. 

Smilh. 
Aspl. o^ariámiim. Lio. 
A^pl. 8pec. 

Woodevardia radicans. Sw. 
Kephrodium thelypteru. 

Welw. 
Ncphr dilalatum. Welw. 
Nephr. spc. 
Bbyzocarpeas. 

Filularia globolifetfa. Liil. 
Eqoisetactas 
EquisetQiu elongatum, 

Bory ? 
Equia. Spc. 
GraoMoeas. 

Cr}*psiiscbslnoide8. Lano. 
Cf3&ps. aculbaU. Ait. 
Holcu» rigidus. Hochat (Fl. 

aior). 
Role. argenteus. Agartb. 
Anthoxantum gpc. 
Anthox. 9pc. 
Agrostis montana. , Laxxu 



Agr. fpe. 

Agr. ttolonifera. Lin. 

Agr. spica venti S purpúrea. 

Gaud.Hoch. 
Agr. cetácea. Curt ? 
Agr. elegaiu. Loisel. 
Agr. spec 
A^T. spec. 
Agr. spec. 

Lepturus filiformis. Trin. 
Lepturm cyliadricui. Tiia. 
Lept. spc. 
Coiyinpherus articuUta. 

Pai. 
A ira divaricata. LoiaeU 
Aira Herminii. Welw. 
Aira spec. 
Aira «pec. 

Airopâf globon. Des^ 
Avena. spec. 
Avena spec. 
Poa marítima. Hud!!i. 
Melica ramosa. Viil. 
Mei. ypec. 

Kaslería phioides. Peisoní 
Cynos^rus elegans. Des. 
Festuca alopecuru*. Schamb. 
Fest. elatior. Lin. ? 
Fedt. bulbosa. Welw. 
Feat. laoboali. Speno. 



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i 3Í3 ) 



Fest Totbbolioidcs. Kuntb. 

Fest divaíicata. Desf. ? 

Fest. spec. 

Bionaus spec. 

Brom. spec. 

Brom. spec. 

l^r.ticum rigidam. Schrad. 

Hordeum maritimum. Will. 

Pallurus nardoides. Trin. 
Cyperaceas. 

Cy perus juDciformis. Allion. 

Scirpiw tabemoiuoDtanut. 
Gmel. 

Scirp. spec. 

Scirp. spec. 

Fimbristylit dichotoma. 
Vahl. 

Fuiaena pubescens. Kooth. 

Claiiuin DiariscuiD. R. Br. 

Carex WelwiUch. Boistt. 
Juncaceas. 

Lusula gracilis. Welw. 

Lu.«i. iamprocarpus. Bhrb. 

^un<!as pygmaiiu. Thuil. 

Junc. trenageia. Ehrh. 

Junc. (lemWulcatus. Welw. 

Junc. striatutt. Scbomb. 

Junc. spec. 
Liliaceas. 

Fritilaria Wikstz. 

Scilla Bertolonia Dubj. 

JBciL Alvesiaaa. Welw. 



Of»ithogaltiin flavum. Lam. 

Allium : épec. 

AUiuni: sp«ic. 
Orcbideas. 

Epipactis latifolta. Sw. 

Ophcys )ipec. 

Seraplas strictiflora. Welw. 

OrchU longibracteata. Bi« 
von. 
Maiadeas. 

Caulinia fragilLs. Willd. 

Zostera nana. Rotb. 

Potanio/retop spec. 

Spirodeia polynbija. 
ãlchlud, 

Valis neria spiralis. Lin. 
Ericaceas. 

Eriça elata. Link. 

Er. 5pec. 

Rliododendrum ponticum* 
Lin. 
Plantagineas. 

Plantago spec« 
Plumbaginea**. 

Ar méria. Welw itscbii, 
Boiss. 

Arm. Gaditana. De Cand. 

Arm. plantaginea. Willd* 

Arro. vetutina. Welw. 

Arm. crenata. We!w. 

AriD. echioideg. Lin. 

Aim. 8Ínuata. Lio* 



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(314) 



'Especi€$ da Fiara e PJnytographia de Broíero , que 
faltào na Collecçào. 



Fetof. 

AvpleQÍQm rata muraria* 
EquÍMitaceas. 

Equisetum limoBuin. 
Gramíneas. 

AgrostÍ9 articulau. 

Agr. vinealis. 
• Agr. gigantca. 

Phalari)» ar^jindinacea. 

Holctis muílis. 
? ÀDthoxaathvoi odoratum. 

Paiiicum vi ride. 

Alopecuros prateosia. 

Alopec. ciliatus. 

pbleuai nodosum. 

Crypsis arenaria. 

Cryp. macfotachya. 

8accartiQ) cylindraceum. 

Avena montana. 

Melica |»Hai)9. 

MeL csrulea» 

Aira involucrala. 

A« liBvi?, 

A. cespitosa. 

A. glabrata. 

A. montana. 

A. precox. 

Festuca ovina. 

Trincam patens. 

Biomutf caudatos. 



Cjperaceaa. 

Scirpus triqoeter. 

8c. michilianus. 

CaTex spicata. 

Cãr, echinau. 

Car. innicea. 

Car. distana. 

Car. patula. 

Car. rufia. 
Juncaceas. 

Juncus aquarrostts. 

Junc. stschaianttua. 
Líliaceaa. 

Scilla odorata. 

Ornilbogalum luteum. 

Allium panicuUtum. 

Phalangium liliaatrum. 
Irideaa. 

Iria aambucina. 

Ir. prendo-acarus. 

Ir. transtagana. 

Crecus vernua. 

NarciflBua paeudo^-Darciaaua. 

Narc. roinor. 

Na^rc. reflexof. 

Narc. junqailla. 
Orcbideaa. 

Orchis militaria. 

Orch. sambucina. 

Orcb* macuUta» 



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(315) 

Ophfys aunta. Pbyt Lysimachia nemoraiDh 

Oirhis latifolia. Plaotagineas. 
Primtilaceas. Plaiitago lagopvs. 

Primula officinalís. 



O Silr. Bernardino António Gomes participou qne 
o Snr. Francisco Tbomay da Silveira Franco » em con- 
sequência do móo estado da sua saúde « não podia con« 
tinuar a Tazer parte da Commiss9o de que fdra com 
elle encarregado. 

Designou-se o dia de 3/ Feira » pelo meio dia , 
para se juntar no ediGcio da Academia a Commisiio de 
^e trata a 3/ Portaria. 



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(316) 



JSSEMBLEJ DrEFFECTIFOS DE 17 DB 
OUTUBRO. 



flreâdiò o SSr. lÍMé Libento Freire de CarTaOio. 

Gmcorrêrlo á Se$iSo o Secretario perpetoo Joaquim 
Jo0é da Costa de Maeeda» e os Sãr." Antooio Diniz do 
Couto Valento , Joiò da Cuoha Neves e Carvalho Por- 
tugal , José Cordeiro Feio , Francisco Pedro Celestino 
Soares, Filippe Folque« Ignacio António da Fonseca 
Benevides 9 Francisco Recreio, Fortunato José Barrei* 
ros , Marino Miguel Franzini , Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto , e Francisco Ignacio dos Santos Cruz , Só- 
cios Effectivos ; António Albino da Fonseca Benevides , 
e Mattbeus Valente do Couto Diniz , Substitutos d'Effe- 
ctivos. 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Secretario 

Uma Portaria expedida pelo Ministério do Reino 
em 19 de Setembro ultimo « com os Estatutos da So- 
ciedade agricola do dístrícto da Horta » para sobre el« 
les dar o sou parecer a Academia. 



^. 



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( 317 ) 

Eiitregãrao--se ao Sftr. Director da Classe das Scien* 
cias Nfituraes , para serem por ella examinados. 

Leo o Secretario a resposta seguinte aos quisitos a. 
oue a Portaria de 16 de Agosto próximo passado maiH 
dou responder , e foi approvada. 



Respatía aos Quisitos relaíivos á Bibliotheca ia Acade^ 

mia Iteaí das Sciencias de Lisboa « inclusos na 

Portaria de 16 d^Agosio de 1849* 



1.^ Qual é a data. da sua ftindaçSa? 

A Academia principiou a ter Livraria própria 
desde a saa instituição em 1779 , mas^só 
foi aberta ao Publico desde 23 de Outu- 
bro de 1834, em que por Decreto desta 
data se unio á Livraria do extincto Con- 
vento da Terceira Ordem da Penitencia» da 
parte da qual já a Academia tinha a ad- 
ministração. 
S.* Debaixo de que Regulamentos ou restricçOes se a-> 
cha ella aberta ao Publico ? 
Não ha restricçilo nenhuma para à introduc- 
çHo do Publico na Livraria. 
Quantos dias , em relaç&o aos 365 ? 

Nas 2.**, 5.** e sabbados de ntanhS , e nad 
4.** e 6." de tarde , para os Estudiosos. 
£ para o publico de ambos as sexos , que 



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(3f«) 

^racr ir vê-la , wm 3.** (ms de omihl ; 
i eiCÊfç^ dot diaf tpt sào feriados por 
Lei. 
E qnaBtas horas cada dia? 

Nos dias em que se abre de maald , desde 
as 9 horas alé ás 3 da tarde ; e nos dias 
em qve se afare de tarde — oo rerio des- 
da as 3 horas , e bo inreroo desde as 2 
horas « até as Ares Marias. 
Esti aherta nos dias santificadost oo de noite? 
XSo está aberta nos dias santificados, nen 
de noite. 
3/ Qoantas Leitores, termo médio, fireqoentlo dia* 
riameote a Bibliotbeca ? 
Nonca se oootiilo. 
Scippondo qoe se eiige orna licença para ser sA^ 
mitlído na Bibfiotheca, quantas licenças por an* 
no tem sido concedidas , durante os iO nltimos 
annosde 1839 ^ 1848? 
Está respondido no 2."* Qnisito. 
4/ Suppondo que a entrada na BibKotheca é inteí' 
raroente lirre , tem disso resultado alguma des- 
ordem? 
Nenhuma^ 
jS.* Quaes são as sommas dispendidas annualmente pa- 
ra a conservaçSo e auproento da Bibliotbeca , e 
de que fundos sabem essas despesas? 

Nao ba sommas certas applicadas para a Bi- 
bUotbeca, que se augmeota com os linos 
que recebe dos corpos scienlifir4)s coro quem 
SC corresponde • com os donativos doa Go« 
iremos e particulares nacíonaes e estran- 
geiros, e cora o que a Academia pode em- 
pegar dos fundos da sua dotaçilo, para es^ 



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(3i^ 

te destino , o que depende do qne recebe' 
do Governo. 
Qual é a quantia destinada para a compra de 
Livros? 
£stâ respondido no Artigo antecedente. 
6.^ Qual é o numero, graduações, e quaes gs <- ttiiliui- 
ções e vencimentos do Bibliothecario , 2.'' Bi-^ 
bliotbecarío etc. ? 

Ha só um Bibliothecario que vence utna gra- 
tificação de lOOj^OOO rs. aonuaes. Kão 
tem nenhuma graduação inhereote ao em- 
prego. As suas attribuiçnes sio as qiie cos- 
tumão ter todos os Bibliothecarios. fia 
mais um servente qtie vence 174^000 rs. 
por anno. 
T!" Quantos volumes impressos possue a Bibliotheca? 
Cincoenta mil volumes , pouco mais ou menos. 
Quantas obras em brochuras tem , pouco nuiis ou 
menos? 

Para responder a este Quisito seriSo neces- 
sários alguns mezes , em que o Bibliothe- 
cario não fizesse outra cousa ; porque as 
brochuras umas estão soltas , outras enca- 
dernadas e distribuidas diversamente , mes- 
mo sem ser por ordem de matmas. 
Quantos volumes mss. ? 

Dois mil , pouco mais ou menos. 
São as brochuras contadas separadamente , na nu- 
meração dos volumes? 

As brochuras que estão encadernadas juntas n- 
mas com outras , são contadas no numero 
dos volumes , as outras n9o^ 
Se assim 6 , qual o seu numero ? 

Está respondido» no l."" Quisito deAe ArtigOi^ 
Tomo L 24 



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(3M) 

%^ Qml i 9 pouco inaí» oa meDos , o nomero dos to* 
kinief ímoressos «pie en cada anuo se accresccD- 
ta á BibtioCheca ? 

Pelo qae se di»e no ArL 5.*, oio pode ref* 
pooder-4e a este Quisito. 
9.* Oa Livros das Bibliolhecaa são enpreatados para 
16 lerem fóra? 
UDicameote aos Sócios da Acadenía. 
Se o são, debaixo de q«e condições? 

De declararem o teaipo por que oa pedem , e 
de os reslituirem. 
10/ Qaal é o numero de Livro» assim emprestados, ter- 
mo medío » duranle os dez aanos acima refe- 
tidoa? 

Nunca se contarão» 
ÍU^ A pratica d'empreslar Livros tem aigmna vet sido 
prejudicial ? 

Desde que a Livraria é PaMíca nSo tem 
sido esta pratica prefndicial. 
Tem os U^tos sido perdidos, o« reslíluidos em 
máo estado ? 

Está respondido acima. 
12,* Ha eataloj(os completa» dos Livros impressos da 
BiUiolbeca ? 
Da Livraria que era do extincto Convento 
de Jesus — ha Catalogo» completos — 
da da Academia , qne se Ibé uqío , e dos 
que se tem recebido pofiteriormenle , ha 
os Bilhetes tirados para formar o Catalogo. 
Se os ha, sSo eHes redigidos alphabetícanienle se* 
gnndo os nome» do» aatore», oa por ordem 
de matérias? 

Os Catalogo» da Livraria do extinct» Con- 
vento ^ Jesus *~ Oq ndigído» al^^ 



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11 .u w^ -■! *-iLa'i n^i^BWBgggSBB^^H^^^^^^ff 



(321) 

l)et!camente , segundo m nomes dos an* 
tores , e por oráem de matérias. 
Estes Catálogos tem sido impressos , e quando T 
Nio se in^rimfrào. 
13.^ A Bibliotlieca tem direito a um , ou mais eiiem* 
piares dos Livros que se publicão do paiz ? 
Não tem direito. 

Lisboa 19 d*Outubro de i849« ssa Joaquim José 
da Costa de Macedo , Secretario perpetuo da Academia*^ 



O SfSr. Director da Classe das Sclencias Naturae^ 
participou que, em observância do que ordenou a Porta-' 
ria de 6 do corrente ^ comparecera o Sfir* Conselheiro 
José dê Sá Ferreira Santos do Valle, na Commissfio en- 
carregada de çxaminar o Herbarío do Snr. D.'' Woiwitsch, 
e sendo nella apresentado o Relatório feito anteceden- 
temente pelo Sfir. Bernardino António Gomes , já publí- 
cnd» na Acta da Assemblea d'Effectivos de 10 do pre- 
sente me2; foi approvado. 

Para satisfazer á Portaria de 10 d' Agosto nltimo 
nomeou a Academia uma CommissSo composta dos Sfir/ 
Directores das Classes e do Secretario perpetuo. 



24 



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(322) 



SESSJO LITTERARIÃ DE S4 D OUTUBRO. 



Presidio o Sibr. José Libento Freire de Canralho. 

Concorrèrlo á Sessto o Secretario perpetuo Joa* 
quim José da Costa de Macedo , e os Síir/ António 
Dinis do Couto Valente , JoSo da Cunha Neves e Car- 
valiio Portugal^ Francisco Ignacio dos Santos Cruz, 
Francisco Pedro Celestino Soares, José Cordeiro Feio, 
Fortunato José Barreiros, Marino Miguel Franzini, Igna- 
cio António da Fonseca Benerides, Agostinho Albano 
da Silveira Pinto, e Francisco Recreio, Sócios Effe- 
ctivos; António Albino da Fonseca Benevides, e Mat- 
theus Valente do Couto Diniz, Substitutos d'Effecti- 
vos ; e António Caetano Pereira , Sócio Correspondente. 



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m » « w^. I M il ^g^^^ 



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( 323) 



MEMORIAS LIDAS. 



Notícia biográfica de Fr. Manoel Rebello da 5i7va, 5a- 
cio Correspondente da Academia Real das Sciencias 
de Lisboa. Pelo Sfir. Antoaio Cfletaao Pereira. 



Insigni cuípiam ziro proni iumus omneg 
Invidere viço, moriuum auiem laudare 

Se é natunT a honrosa inveja is rírtodes de um varão il* 
litítre ; não o é menos o dever de consagrarmos seu nome í 
posteridade» 

Sentenças de Mimnermo em Suidoi» 



Nasceo Manoel da Comieíra Bebello (este foi sea 
primeiro nome) a 22 de Maio de 1767 na Freguezia. 
de S." Eulália da Comieira , Concelho de S/* Mar- 
tha. Arcebispado de Braga: sendo seus íllustres pro- 
genitores o Bacharel em Leis Manoel José Rebello da 
Silva, e D. Caetana de Jesus de Mattos. 

Creado em santa doutrina, e bons costumes, pas- 
sou os primeiros annos, cultivados nos estudos, que 
sua idade então soíTria : e crescendo com a idade em 
virtudes, reluzia nelle a par de seu grande engenho 
tal propensão ás cousas da Igreja , que aos quinze «q-> 



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(321) 

nos ontron para a Ordem dos Capuchos do G>nvcDto 
de S/"" Aatoaio de Valle de Piedade do Porto. 

Ciirsoii então os estudos maiores , e no espaço de 
nove annas , Fr. Manoel da Comieira Rebello deo taes 
mostras de seu extraordinário augmento em virtudes, 
e lettras, que aos \inte e quatro &nnos de idade to- 
mou ordens de Presbytero : e nomeado Pregador dà 
Ordem , Uá Io^o depois designado Mestre de Theolo^ia 
para o Convento de S. Fructuoso da mesma Ordem 
em Bra^a. 

Assim passou Fr. Manoel da Comieira quasi até 
aos vintd e sete annos no dito Convento» com largos 
créditos de Relio^ioso exemplar, e sisudo Mestre. 

Mas a Divina Providencia , que para a execução 
de seus altos desígnios, serve-^e muitas vezes de mo* 
tivos nascidos da fragilidade humana, dispôs as cousas 
por tal forma, que Fr. Manoel da Comieira se pnv 
sou para a Terceira Ordem da Penitencia no Convento 
de Nossa Senhora de Jesus em Lisboa ; onde , altera- 
do seu primeiro nome, ficovi sendo conhecido pelo de 
Fr. Manoel Rebello da Silva. 

Foi nesta Congregação da Terceira Ordem da Pe- 
nitencia, onde Fr. Manoel Rebello da Silva confirmou 
a opinião, que dellc havia, de profundo Grammatico, 
eloquente Orador, prudente Pbilosdpho, è seguro Theo- 
bgo; e havendo<-se applicado ao estudo da Lins:Q3 
Hebraica , com muito proveito ; succedeo eniío criar- 
se neste Convento de N. Senhora de Jesus a Cadeira 
Regia da Lingua Aralie em 1795 , regida por Fr. 
João de Sousa , cuja historia nos parece , pelo quô 
nella ha de interesse, nBo deverá ficar sepultada no 
esquecimento. 

Forio os primeiros discipulos desta Auh, Fr. Jo^ 



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[ 325 ) 

sè de S.^ António Moura , Fr. Manoel Rebello da 
Silva , e Fr. António de Castro. 

Porém Fr. Manoel Rebello 'da Siivt sobresahio 
tanto aos seus condiscípulos , no estudo desta Língua 
difficillimi , que pelas informações de seu Mestre Sousa » 
o Governo julgou dever manda-lo para os Estados Mar- 
roquinos a fim de ahi se aperfeiçoar na mesma Língua » 
e delia tirar toda a utilidade » e gloria , que se espera-^ 
va , no que felizmente senBo enganou. 

Em consequência de uma tal resolução embarcou 
Fr. Manoel Rebello da Silva para Tanger na Fragata 
Ulisses, commandada pelo CapitlSo de Mar e Guerra 
Luix da Moita Fèo , a 6 de Janeiro de 1797 , e cbe^ 
gando alli a 1 1 do dito mez , no seguinte fixou a sua 
residência era casa de Jorge Pedro CollaçOt Cônsul Ge« 
ral de Portugal. 

Seguiremos pois a Fr. Manoel Rebello da Silva 
neste segundo {leriodo de sua vida , que é talvez o mais 
importante , pelo muito que fez pelo interesse , e glo- 
ria de sua Pátria. 

A' força de grande , e aturado estudo , e vencidas 
as diificuldades , que sempre se encontrfto na acquisiçdo 
de um Talebe ou Mestre (o que raríssimas vezes se con- 
segue) de tal modo grangeou a fuma de sábio Arabista , 
e reputaçlío de homem de verdade , que o Imperador , e 
Ministros por vezes cuidarão em vê-lo, e tratar com 
elle de perto ; e de tudo resultou , que sua opinião era 
respeitada entre todos os Talebes ; e suas palavras fa- 
ziio tal impressão no Imperador , e seus Ministros , que 
maior lhes não faria qualquer Sura do Alcorão. 

Talvez parecerft isto , a quem lêr, exaggeraç3o , ou 
<íom intuito de ornato , ou por effeito de cega amizade ; » 
Wfls lAo é assim ; e para confirmação do que havemos 
àAo^ referiremos os tj-es factor seguintes. 



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( 32C ) 

1.* Um ChrisUo , hcmem de cdr preta, cscraro de 
certo Nobre Portu^ez , pelo máo trato , que recebia de 
seu senhor , um dia lhe fugio de casa , e arrene^^ando 
de Chrísto , e sua Lei , ae foi entregar «os Mouros e 
sua crença. 

Divulgado tão feio , e estranho caso ; ou por cod« 
sideraçdes humanas » ou por decoro á ReligiSo Christã , 
empenh(\r3p-se todos os Cônsules por libertarem o Por* 
tuguez , que em ferros gemia sua loucura : e esgotados 
todos os recursos, porém fnistradamaite , só o pdde 
salvar Fr. Manoel Kebello da Silva, que formulando 
uma replica , nella e\|)endeo com tadto saber a inter- 
pretaçio á conveniente Sora do AlcorSo, que os Juízes da 
Lei a subscreverão , e remettida ao Imperador , este or* 
deiiou immcdintamente , que o Chrístao Portuguez fosse 
posto em liberdade, e entregue ao Cônsul de Portugal. 

2.^ Succedeo por outra occasiSo , que entrasse na 
Bahia de Tanger um Cossnrio Argelino perseguido por 
algumas embarcações christSs; ocossario, ou por ne- 
cessidade, ou pela esperança de protecção encalhou na 
praia debaixo da fortaleza; e as embarcações persegui* 
doras assim mesmo o entrário , e dividirSo a preza. 

Informado o Imperador de um tal acontecimento, 
com bons fundamentos se esperava grande dissabor aos 
Coasules, e a ordem para ser decepada a cabeça aoGo- 
Temador , que entSo o era Seláuia. Reunidos pois os 
Cônsules para cuidarem o modo de evitar seu deposto , 
e o perigo imminente do Governador , vírlo , que em 
tal aparo só lhes poderia valer Fr. Manoel Rebello da 
Silva , e n2o se enganárUo ; porque inteirado elle de to- 
do o negocio , e de suas particulares circunstancias , e 
autorisado pelo Governo, escreveo em nome de todos 
os Cônsules uma carta ao Imperador com tal arte , a 
tio boas razões escrita , que o Imperador nlo só entre* 



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( 327 ) 

gon ao perpetuo esquecimentos objecto da questSo, mas 
restituindo á sua graça , e amizade o Governador , o e- 
levou depois ao cargo de seu primeiro Ministro. 

Destes dois factos existem os documentos na cor* 
respondencia Consular em massos chronologicamente nu« 
merados , e archivados na Secretaria do Consulado Por- 
tuguez' em Tapger. 

S."* O tercaro facto nfio é menos glorioso , por ser 
todo em utilidade da NaçSo Hespanhola. Teudo-se ob- 
servado grande movimento de tropas em diversas direc- 
çdes, sem que ninguém podesse descobrir o intento do 
Imperador : e Aegaiido um dia pela madrugada a Tan- 
ger no meio de geral expectação uma força considera- 
i^ei de cavailaria; sahio Fr. Manoel Rebello da Silva 
pela tarde , e foi-se a casa do Governador em ar de vi- 
sita » e ageitando a conversa , como pdde , lhe pergun- 
tou , para qu.e era tanto apparato de guerra , sem haver 
inimigo , que se soubesse ? Entflo o Governador , pedin- 
do-lhe inviolável segredo , Ibe declarou , que ordem ha- 
via chegado do Imperador » para que dalli a oito dias 
fosse passada á espada toda a guarnição de Ceuta (que 
erão Hespanhoes] pois que bem o merecião. — Comba- 
lido o coração de Fr. Manoel Rebello da Silva por dois 
affectos tão contrários , a fidelidade , que religíosataente 
de\'ia guardar no segredo pedido, e a caridade, e a- 
mor , que devia observar com os seus correligionários « 
ideou tão fino plano , que de sua boa traça resul- 
tou « que dentro em seis dias o Imperador mandasse 
evacuar as tropas , e a guarnição de Ceuta ficou sal- 
va. Os documentos, que provão a verdade do serviço, 
que acabamos de mencionar, existem na Secretaria de 
Estado dos Negócios da Marinha, e são : a nota, que o 
Ministro de Hespanha, D. Ignacio de laPessuella, diri- 
gio ao Secretario d*£stado, D. Miguel Pereira Forjaz^ 



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(328 ) 

«oire XHB mniçoê, qtie Fr. Manoel Rebello da SiUk 
lirestára á Coroa de HespaQha; e o Decreto de Sua 
Alteza Real, expedido aos Governadores do Reiuo» 
4atado do Rio de Janeiro a 28 de Janeiro de 1814, 
e outros Avisos, que se expedirfto. 

Mas se estes factos provão de sobejo o que have- 
mos estabelecido acerca das virtudes , e saber , que 
grangeârto tio particular estima, e credito a Fr. Ma- 
noel Rebello da Silva entre os Mouros, não avultão 
menos os que. passamos a referir , talvez por serem u- 
hicamente dirigidos ao interesse, e gloria Nacional. 

I)esesei8 annos de aturado estudo, e pratica nos 
Estados Barbarescos; o exacto conhecimento de suas 
leis, hábitos, e costumes; e o sempre feliz resultado 
em todos òs negócios ordinários, animário o Governo 
a depositar nas mãos de Fr. Manoel Rebello da Silva 
a soluçUo de cousas difficeis, encarregando-o de qu<7- 
tro importantíssimas Commissões , uma em Fez , duas 
em Marrocos , e a quarta em Argel ; e o feliz desem- 
penho de todas, .forSio outros tantos relevantissimos ser- 
viços, que Fr. Manoel Rebello da Silva prestou & sua 
Pátria. 

E nSo devendo, por nSo convir, narrarmos ascir- 
ciAistancias especiaes de cada uma das ditas Commis- 
sões, nos damos pôr desobrigados, declarando, <{ue 
Fr. Manoel Rebello da Silva : desfez uma grave intriga , 
i|ue hftvifio fomentado na Cdrte de Marrocos contra o 
éoverno PortugUez : animou as relações entre as duas 
Cortes , que se achâvSo interrompidas com muito pre- 
juízo nosso : obteve honrosa paz com Argel , e a vanta- 
josa remièsSo dos captivos Portugnezes: e alcançou do 
Imperador de Marrocos por segunda vez a extracção do 
trigos ) cevadas > e bois; dada esta licença fot modos,. 



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( 329 ) 

1^ com tircanslancias tão sihgulares , que chegou a pro« 
duzir ciúme em algumas Poteitcías Europeas. 

Finaliftadas assim as Cooimissões com tanto provei^ 
to , e gloria de sua Pátria ^ foi chamado Fr. Manoel 
llebelto da Silva por ordem do Governo a Lisboa part 
reger a Cadeira da Lingua Árabe , estabelecida no sem 
ni«smo Convento da Terceira Ordem da Penitencia , o 
que se veríGcou nos fins do anno de 1813, começando 
ent&ò no exercício da dita Cadeira , como proprietário » 
por haver fallecido o Mestre Jo&o de Sousa. 

Yívia entfio Fr. Manoel Bebello da Silva na doce 
esperança de uma socegada velhice; e ainda que cheio 
de padecimentos , adquiridos pelos trabalhos , compa- 
nheiros de uma prolongada ausência da Pátria , em cli- 
tna differcnte , e Religi&o opposta « com tudo pelo bem 
pago, que se dava em seus serviços, lisongciro se lhe 
represcutava o quadro do seu futuro. Uma pensão an- 
hual 9 e vitalicia de novecentos mil réis lhe havia sido 
decretada pelo serviço & Corda de Hespanha ; esta ce-^ 
deo elle logo em favor de seu irm&o, Luiz António Be- 
bello , que sempre disfructou : outra de sessenta mH 
réis pelos que havia prestado ao Governo Portuguez; 
ordenado de Interprete , e o da Cadeira : e todas as 
commodidades da vida em seu Convento , erão os titu- 
les para sua bem fundada esperança. 

Mas nlo era justo, que a sorte de Fr. Manoel Re-í 
bello da Silva marcasse uma e%cepç?lo na historia dos 
grandes homens! Em 1820 foi-lhe tirada a pensão de 
sessenta mil réis , e o ordenado de Interprete : e pela 
éxtincçDio das Ordeníi Religiosas ficou reduzido a um sim- 
ples Professor Régio , só còm o ordeuado da Cadeira , 
sem outro algum recurso , em razto de sua idade » e 
pouca saúde. 



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( 330 ) 

Estamos pois entrados no terceiro , e altimo peno» 
do de sua vida. 

Outrem que nSo fosse Fr. Manoel Rebello da Síl- 
▼a , succumbiria a tSo injusta mudança da fortuna I Por 
mais de uma vez tapou os ouvidos ás seguras pronies- 
sas de quem em seu proveito o queria roubar á Pátria ; 
mas seu coração ainda ulo estava satisfeito em a ser- 
vir. 

G>mpos uma grammatica para se aprender a Lín- 
gua Árabe ; e fez uma Coltecção de vocábulos Porta- 
gnezes de origem Árabe ; estas obras pela vastíssima 
erudição « com que forão escritas , excedem muito ás 
que já possuíamos no mesmo género. 

Ê nesta occasião, que não devemos passar em 
nlencio o constante, e pro6cuo zelo da Real Acade- 
mia das Sciencias de Lisboa na acquisição dos grandes 
homens em lettras , e virtudes , chamando ao seu gré- 
mio a Fr. Manoel Rebello da Silva , e coiifmndo-lhe 
a honra de seu Sócio Correspondente, pelo Diploma 
passado em 18 de Novembro de 1840. 

Conheceo finalmente o Governo o préstimo de Fr. 
Manoel Rebello da Silva na expedição de um negocio, 
de que viera encarregado um Mouro em 1841 , peia 
que S. M. se dignou restitui-lo ao seu antigo lugar de 
OfBcíal Iuter|)rete com o ordenado de duzentos "e qua- 
renta mil Téiê por Decreto de 11 de Novembro de 
1841 ; e agracia-lo, nomeando-o Commendador da Or- 
dem de Ctiristo, por Decreto de 29 de Janeiro de 
1842: recompensas devidas ao zelo de um Ministro 
tão justo avaliador do mérito litterarío , como é o Ex.""* 
Sur. Rodrigo da Fonseca Magalhães , que então o era , 
e por quem forão assignados os dois Decretos menciona- 
dos. 

* Em 1843 é Fr. Manoel Rebello da Silva assais 



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( 331 ) 

tado em grande força por um complexe de todos os seas 
antigos padecimentos ; a Medicina prognostica-Ihe a 
morte em poucas horas, e o desampara ; mas não o des- 
amparou a yida , que ainda lhe continuou por perto de 
quatro aniios : entrevado ,. cercado de precisOes, aban- 
donado , e pobre , reunia á sua paciência , e resignação 
a constante pratica de todas as virtudes christds : até 
que puriOcada sua vida pelo martyrio dp um tal viver » 
acommeltido de um volvo , contra quem ii9o pôde va- 
ler a arte , animado pelos soccorros da Religião , ás se7s 
horas e meia da tarde no dia IS de Março de 1849 ^ 
cerrando seus olhos ao mundo" sempre ingrato» voou seu 
espirito a essa mansão ditosa , onde Deos tem reservada 
o premio do homem justo. 



O Sfir. Francisco Ignacio dos Santos Cruz prínci-* 
pjon a ler uma — Notícia histórica da illuminaçào da 
Cidade de LiAoa , considerada em suas relações com a 
segurança ^ e com a saúde de seus habitantes. 



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(333) 



DONATIVOS. 



Uãfpoi GfTOfs do Cammereio de Pnriuged com 
pnu fOMfssÕti 9 Nações esira$igeims , dwranlê o qmia 
de 18i3. Lisboa. Na Imprensa Nacional. ^ 1849 —- 
folia Remettido pelo Chafo da Repaitiçio das Alfao- 
degitf do Theaouro PuUíco. 

Revista Militar — Tomo !/ — N.** 7 , * , f 9. 
— 8.* — 3 Nr — OBerecidospela RedacçHo. 

Jornal dePharmaeia e Meneias aecessorias, de Lis' 
loa — 1/ serie — 2/ anoo — Mezes d' Agosto* Se- 
tembro, e Outubro — 1849 — 4.* — 3 «.•• — Oflfcreci- 
cido pelo Sfir. José Tedescht. 

Jornal da Sociedade das Sçieneias Medicas — 2/ 
serie — Tomo 4/ — Maio, Jynho, e Julhq de 1849. 
— 4.® — 8 N.^* — Offerecído pela Sociedade. 

Jornal da Sociedade PharmacetUica Dmíana. — 
Tomo 8.*— N.*' 16 a 22 — 7 N.**— V — Oflfere- 
cido pela Sociedade. 

ícones Carpologicm ; or figures and deseripíions of 
fruits and seeds. P. L , Legunúnosae (Imagens carpolo^ 
pcas , 00 figuras e descrípçSes dos Tructos e sementes. 
P. I. , Leguminosas). Por Thomaz Shearman Ralph. 
London. 1849 — 4.* g.^— 1 ?ol. — Ofierecido peio Au- 
tor. 

BvtlHin de la Sociité deGéographie de Paris. Troí- 
sièmc serie — Tome nu , ix ♦ x. — 1847 , 48 , 49. — 
8.* — 3 Tol. — Ofierecido pela Sociedade. 



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( 333) 

Philosophical Transactiom of the Royal Society of 
London. For the year. 1848 (Transacções Philosophicas 
da Sociedade Real de Londres, Anno de 1848). — Par- 
tes 1/ e 2/— e 1849, Parte 1."— 4/ gr/"— 3 to- 
lumes. 

The Royal Society. 30 th November 1847 (Pes- 
soal da Sociedade em 30 de Novembro de 1847). -— 
4.* — 1 folheto. 

jdem — 30 de Novembro d# ^848 — 4-"* ~ t 
folheto. 

Proeeedingi of l/i# Moyál Society (Actâa da Socie- 
dade Real de Londres). — 1847- — N,*' 69 e 70 — 
1848. — N.^' 71 e 72 — 8."— 4 folhetts. — Offereci- 
dg peia mesma Sociedade. 

The Journal çf the Royul Geoyraphical Society of 
London (Jornal da Sociedade Real Geograpbica de Lon- 
dres). Volume the Nineteentb. 1849. — Parte 1.^ — 
S/" — 1 volume. — Offerecido pela mesma Somdada. 

PARA O MUlBir. 

Um bico de prata (Ave) , offerecido pelo S&r. hsé 
TaTares de Macedo. 



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(M») 



SESSJO LITTERJRIJ DE SI DE OUTUBRO. 



Presidio o Sflr. José Cordeiro Feio. 

GoncorrérBo á SessSo o Secretario perpetuo Jea- 
quim José da Costa de Macedo , e os Sflr/ Antouio Di- 
iMi do Couto Vaieote , João da Cunha Neves e Cana- 
Ibo Portugal , José Libcrato Freire de Carvalho , Frao- 
dsco Pedro Celestino Soares» Francisco Ignacío dos San- 
tos Cruz, Fortunato José Barreiros, Marino Miguel 
Franzini , Francisco Recreio , Agostinho Albano da Sil- 
Tein Pinto , e Francisco Elias Rodrigues da Silveira , 
Sócios Effectivos; António Albino da Fonseca Benevi- 
des , e Hattheus Yalente do Couto Diniz , Substitutos 
d'£{Eectivos ; e António Caetano Pereira » Sócio Corres- 
pondente. 

Participou o Secretario ter fallecido em 29 do 
corrente o Sâr. Francisco Thomaz da Silveira Franco» 
Sócio Livre. 



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(33$) 



MEMORIAS UDASb 

Brtves adcerUncias sobre o$ trakaMfiíos iiiul^ entre 
OB Árabes. Pelo Si^. António Caetano Pereira. 



É qnasi geral a persuacão » de que os Árabes tra« 
tio a todos por — Tu — : e por isso deverá causar 
admiração , quando se ouvir , ou lêr o conàrarío a uint 
tal opinião, que vaflM» provar aio ser tio geral ccibo 
se pensa. 

Ninguém duvida , que assim como os Árabes tem 
na sua Grammatica q pronome — Tu -~ , qkie do mes- 
mo modo tenhlo o oorrespoudeate no plural — Vós — - 
e que por iegitíma consequência grammatical tem iguaU 
mente os possessivos derivados daqueiles, isto é, oi 
pronomes — Teu — ^ Tua — Vosso — Vossa. £ com 
effeito achamos em sua Grammatica os vocábulos — Cá -— ^ 
que significa -** Tu —» : e — Cume — que significa 
— * V6s — : estes dois vocábulos tem a propriedade de 
serem affisos «— isto é * escrerem-se ligados no fim 
aos verbos» nomes, e até ás particulas; e neste caso si- 
gnifidlo — Teu — Tua — Vosso — Vossa. 

D onde se vê , que quando elles fallSo , ou escre* 
vem a mais de uma pessoa , empreglo o vocábulo -^ 
Ccune*^, e por consequência se traduairá bem, e grann 
maticalmente — Vós — Vosso -^ Vossa : assim o ve- 
mos nas Cartas , OflBeioSt Participardes, dirigidas a to- 
dos o& Cônsules collectivamente , onde encontramos or- 
dinariamlnte as seguintes expressDes — Uassal-ná fiU^ 

Tomo I. 25 



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(33ff ) 

Uíã^cwm -^ que purar e gfammaticaímettfe ffa Joit^ 
da» vem a ser — ^ Ck$gcm anos a carta de tda ^-^ que 
e» boi» Portoguei ae tradiu — « Reeebemo$' vosíta carta. 
Vejamos^ agora e ^K «Kcede , quaado efliea fiiltto, 
oa escreve» a uma tú pcaaoftr 

O» Acabes hSo eoaliecem os Tkuro^ ie GratdAs , 
Bem at e j|weab t ca ie civí4idaáe , mvcttraAis fia Idade 
Media , clle» tA emprégSo a^ frase» da pava gramma* 
tica , e nio coDrfbndem os epitbefes , q«e appficSo aos 

.heoKns » Gont os que sQe derides a Deeau 

Coioftiidei enCre elle» ae observa , que cnpregão o 
foeabttlo ^^ Vóo — Vosso — Vossa, qaM4» bNSo com 
ama sé pessoa ,. ae eata pertence a qoaljaer das três 
segumtc» ehasfl», e vem a ser — f/ quaodo se falis 
com Imperador:— ^2.* c:om «m Imame — que eorres* 
fMwfer a rnn msBo Bispo, Arcebispo» ele..— -* 3/ auan* 
4o esse individuo, arpi de que cksse ftr da Sociedade, 
4íver já feito sn peregriBaçao a Hecca, e ahi tâirer coo* 
eluido o sacrífirio deaigjnadò na Lei : e eale adquire por 
este iaclo o uso do Tsrbaole, e fem direito a qualquer 
Iralanoeuto de respeito : o que ae verílca nSo s6 no em* 
prego de certoa verbos, e bodk», nas lambeu» no de 
certas partieulas; v. gr. quando a qualquer individuo das 
ires supraditas classes se lhe responder conr a purliGuIa — 
fiím-^nlo empregaremos o vocábulo — JK-— nassim 
« voeabulo — Nahmm — * ele. 

Em quanto aea titdos ile grandefa , o vnaior qoe 
ae pôde dar ao Imperador é o de — Voasa Alteia-— 
que em Árabe Ibe CMresponde -^ A'dimai --^ e nuaca 
por modo nenhum o de — Veasa Magestade ^ que M 

- Araba lhe corresponde — Tatíé — a raiSo é , par* 
que podendo dar-se ao Imperador qualquer titulo ; aio 
é permtttído dar««4he alguns doa quatro epítbeles da 
Deoa , qufr SKo -^ Hotma -* Clemente — ArtWM 



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(33T) ' 

*-* Misericordioso — Uahidú ~*Uiitco — Taálá — ^Excelso. 

Isto é pelo que pertence ao uso dos vocábulos 
«— Vás , Vosso » Vossa -^ eirtre elles reciprocamente 
pelo q«e respeita ao seu uso oom estranhos, dire- 
mos , que «em per iM> deíxio / os que âo mais lit- 
teratos , ie irpitareRi assas expressões de civiBdade , 
fervindo-«e deitas • quando lhes Ao suhninistradas : par 
•sso Temos , <{ue tm muitas cartas nSo sé do Imperador 
de MatrocDs , dirigidas á nossa Cdrte • ou aos seus Mi- 
nistros , em vez de — Tu — Tua — empreglo ^-^ 
Vós , — \msô — ViHsa — o qw é ^ido ao cui« 
dado de Rebetto , qne o Cuia mui de propodto em 
todas as cartas, que lhes escrerie por mandado d^. 
Governo , ao- que clles fielmente corrõipoodílò : e Uà^ 
to« que tendo vtndo por Teses em suas cartas o voca*. 
bulo «"- Reina — para euprímirem o nome — Rainha 
— porque assim se lhes hatia escrito no começo da 
correspMdencia : RebHIo, eserereiído-lhes em resposte 
« próprio » e puro vacabulo — - Sultana — foi logo por. 
dles imitada 

Acerescentaremos finalmente, qae, se nas Cartas 
Árabes tradutídas por Fr. JoSo de Sonsa , impressas , e; 
publicadas pela Reat Academia das Sciencias de Iis« 
boa , vem em todas , tradusidos es vocábulos — -> Ta --* 
Teu — T«a«- por — Vós — Vos — Vosso — Vossa — . 
por isao mesmo jnlgamos uma tal traducçHo mui peifei- 
ta, pois qne a fidelidade da traduccio, mo consiste naa 
e&pressfies , mas sim nos pensamentos , como o certifica , 
Cl critico , e judicioso Horácio na soa carta aos PisOeS' 
«— Nee verbum terho curahi$ niderê fiduê ÍBUrpres. 



Q Silr. Francisco Ignacto dos Santos Cruz contiomm 
|t ler^ sua Memoria sohre a iUuminaçio de Lisboa^ 



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( 338 ) 



DONATIVOS. 



Anmaire 4e la Soâéié.deM Antíquairei ie Francef 
pour 18*9. — Paris — 8.*— 1 vol. 

Mémoires ei Di$$€rtatunii $wr Uê jánti^tés NatiiH 
nales et Etrtmgsre$, puUiéê par la Sociéti dts Araiquairu 
de Franee* — Tome neuTÍème — Nouvelle série. Pa- 
ris 1849 — S.^--^ i vol. — Estas duas obras forto o(fe- 
recidas pela Sociedade dos Antiquários de Franca. 

Compíes rendus h^thmaâaires des Séa$iee$ de VA'- 
eadémfê de$ Seiences (instituto Nacional de França). — 
|g|9 — Deuxièm senMtre — Tome 29. N."" 1,2, 
3, 4, 5,e 6 — 4.* g.**— 6 N.*» 

Mimúire sur la FêrUlitatitm de$ Landae de la 
Campine ei des Dimea. Par A. Eenem — Broxelles — 
1849. — 8.* — 1 fol. 

AnnMure de tAeaâémie Rm/ah de$ Seieneee^ des 
lettres et de$ Beatuo-Arls de Belgique. — 1849 — 8.' 

~1 TOl. 

Aeaãinde Rnyale de BeHgique — Compie renãu de$ 
Síances de la Cotmwssion Boyale d^Hieíaire , ou Recueíl 
d$ eee Bulletins. Tome 15. — N.* 1. — Broxelles. 
}848 — N.* 2 — 1848 — Tome 16 — -N.* 1 =Iih 
dice do Tomo 14. Bnixelles. 1818. 4 paginas. 

Bulletins de rAcadémie Rayale des Sciences^ des 
Letires et des Beaux^Arts de Belgique — Tome 15 — 
a,** partie. 1848. 8.* — 1 vol. — Tome 16 — l.** 
partie. 1849 — 8.* ~ 1 voL . 



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( 339 } 

Ménunres i$ YAeaãéme Roffàli des Seiefic$$ , Í€$ 
lettres et des Beaux-Ariê de Belgique — Tome 23. — 
Bnixelles 1849 — 4.^ g.'*— 1 vol. 

Mipfmments paur servir à VIKitoire d$$ Pravíncis 
de Namur^ de HainutU et de Luxembaurg etc. Bmm 
aellee 1848. — 4.* jg/*— 1 yoL — Todas estas obras 
forio remettidas pela Academia de Bruxellas. 

Aeadémie Royale de Bdgique. (Extrait da Tome 
23^ des Mémoires) — ObsenratioDS des Phénoroènes Pé- 
ríodiques. 1 folheto de 64 paginas. — 4.* g/* 

Atmales de VObserctUaire Rnyal de BruxeJUe etc. 
Tome T."" — Braxelles 1849— ^1 vol. — Estas duas obras 
forSo o&recidas por Mr. Qaetelet 

Belatorio e Cantas da Commiaao Administrativa 
da SkMa Casa da Misericórdia de LiAoa » relativas ao 
anno económica de 1848 — 1849. — fi^ -— Remettída 
pela Committio» 



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(SW) 



JS8KVBLKJ ETTRáOBmSjiRIA DKFFECTirOS 
UE Si DOUTUBRO. 



Vnúáio p Sb. kmt Cordeiro Fôql 



Coooorrírio i Seiílc o Secretario perpetvo J<mi- 
^m Jbié dê Coila de Maeedo, e ot Silr/ Aatonio 
Bimz do Cento Valente, Joio da Cunha Ne?es e Car- 
valba krlBsal. Joa^ liherato Fnice deCarralbo, Frao* 
risco Igoado dos Santos Crui, Fraoriseo Pedro. Ceies- 
tíno Soares t If^nacío Aatooío da Fonseca Benevides, 
Fcrtaiiato José Banrrires , Francisco Recreio , e Fran- 
cisco Elias Rodngves da Silveira , Sócios Eflectivos ; 
Mattbeos Valente do Couto Dinix , e Aotooio Albino da 
Fonseca Benevides » Sabstitutos de ESectivos. 

Leo o 5!ecretario a Consulta da Academia sobre 
a Lanterna do Mineiro do Sílr. Francisco Pedro Celes- 
tino Soares» que foi approvada e assignada, e 6 a 
seguinte. 



SENHOR A. =3 O Sócio Effectivo da Academia Real 
das Sciencias de Lisboa, Francisco Pedro Celestino 
Soares, apresentou á Academia uma Memoria, que tem 
por titulo — Lanterna do Mineiro — e que sobe jun^ 



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(3«) 

ta t' impressa a pag. 8S do N/ 3 das suas Actas.. Os 
Censores que examin&rUo esta Memtoia Tor&o de pare* 
cer» que attendeiido á grandíssima vantagem do cbje^ 
cto de que se traia , se pedisse a Vossa Magestade 
que mandasse fabricar no Arsenal Beal do Exercito 
uma Lantana * segundo ó medeio do aotcr» e que 
se sujeitasse á experiência perante uma Commissio óe 
Ofliciaes Engenheiros » de que fisesse parte o mesmo 
autor t para conhecer se na pratica offereceria algimi 
inconveniente o seu invento. 

A Academia Beal das Seiencias tem a honra de 
]evar é Augusta Presença de Ycsia Magestade o que 
fica expendido ) a fim de que, se Vossa Hngestade as-- 
sim o Houver por bem , se remetter ao Atinisterio da 
Guerra a rerertda Memoria, para fazer delia o uso 
que julgar opportuoo. 

Vossa Magestade porém Mandará o que for Ser^- 
vida. Lisboa 31 dOutubro de 1849. = José Cordei- 
ro Feio = António Diniz do Couto Valente, -mm JoBo 
da Cunha Neves e Carvalho Portuga}, as José Libe- 
rato Freire de Carvalho == Francisco Ignacto dos San- 
tos Cruz == Francisco Pedro Celestino. Soares «a An- 
tónio Albino da Fonseca Benevides ^= Ignacio António 
da Fonseca Benevides == Fortunato José Barreiros =* 
Marino Miguel Franziu! ==s Mattheas Valente do Cou- 
to Diniz = Francisco Becreio ==s Agostinho Albano da 
Silveira Pinto =^ Francisco Elias Rodrigues da Silveira 
c=s Joaquim José da. Costa de Macedo. 



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( 345 r 



EESVtTADO DAS OBSBRYAÇ&ES IKK XEZ D8 
OVTVBRO DB 1849. 



Temperaturas. 



Kmxfoã a 21 51'* 

Máxima a 29 78 

VariaçSo med. diurna . . 12»3 
Maxjna a 6. • . • t • . . . 21. 



[• 



Barómetro na tp.* ãe 63' 

Max.' altura a 28, 76S,S ^ Variado 

Mioima a 14 43,3 > dos extremos 

Media 58,03 22,2 millim. 

Ventos doniinaintes e ma força. 

0,3 0,8 0,6 0,7 1,& 0,5 « 0,2 

N,ll a^N0,5 »0,2«=S0,22« ,3«N£,6«E,1 
1.3 
n»S£,SBV raB,10. 
esalMrecç&o media do vento dominante S,8S» 0(0,6)* 
c» Madrugadas bonançosas 18. 
asHeioa dias ventosos, 12»^^ 
«SB Tempestade a 18. 



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I 



SM) 



aias dar» 18 — Garo eaiTw 12 — Cobertos 
e dar i o S» — Vtm f S ^ e cfaiff eo I \ , icr- 
TSailiiaHras^ a«afBBliái4eBcnBaldonm — 
, Kffwiras bnvdas 3 — Tiotwáa on a 13 — Dias de 
calor Mlaf ri 7^ 

OfcMTMpia. A teoipTafva #a9 apias da Tejo» man- 
t^e^-M coiMaIffcgte oitic §2 e 63*. repnesentantia 
exaciaiBOile a tcapcRitan «eiia nraMl «lo aimo , do 
clima àtaU cidade. — Sc gt - ac desta diserraçio ^ a 
diilercaca ,de temperatara calre aqoeBas fom e a do 
eorpo bvsaaD faí de 33* « ««do csla a nediJa , cu ío- 
tessidade da amacio qoe m fnuiaM.<tj msI» btnhos 
frescos* actoalmeiíle tio geracs« e seai dmda mi pnn 
fdloios peb reac^ qw pfoawfci oa pelle. 



MorUáidmie em I/jftoc 

Sexo inageuliDo 2 20 ■míocs — ISTwmm — tol. — 377. 
Dito iemímoo— 179 ditoa— li« ditv^ — Ji(.-^S. 

Soramio 399 ditos —303 ditos — dít— 702. 

locliúudo-se 373 qoe bllccério ws liospitaes, dos quaes 
173 ibrio menores pertencentes á Misericórdia. Escedoo 
portanto a mortalidade deste mea á normaf cm mais 1 1 
por cento » ov 48 incfivídnosL 

M.M.FnmzimJ ' 



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ACTAS 

DAS 

SESSÕES 

DA 

ACADEMIA REAE. DAS tM:;ii:ilCIA9 

DE 

LISBOA. 
1849-— N."VIL 



SESSJO LITTERJRIJ DE UDE NOVEMBRO. 



Preddio o Sfir. Joié Cordeiro Feio. 

ConoorrArto á Sessão os Sflr.*' FraDcisco Elias Ro« 
drígnes da Siiveíra Vice Secretario , António Dioix 
do Gôato Valente , Joio da Cunha Neves e Canra- 
ltM> Plortogal » Franciseo Ignacio dos Saotos Cruz , Je- 
i6 Uberato Fr«íre de Cmalho^ Fiuôseo Freire dq 

Xoxo L 27 



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(3W) 

Carvalho , Francisco Pedro Celestino Soares , Francisco 
Recreio , Ignacio Antónia da Fonseca Benevides , For- 
tunato José Barreiros » António Lopes da Costa e Al- 
meida , e Agostinho Albano da Silveira Pinto , Sócios 
Effectivos; António Albino da Fonseca Benevides, e 
Mattheus Valente do Couto Diniz , Substitutos d'Eflecti- 
▼os; c António Caetano Ptrreira, Sócio Correqioiidente, 



MEMORIAS UDAS. 



Continnoa o Snr. Santos Cruz a lér a toa Nuicia 
BUtarica' da iUuminaçào da Cidadt de liiboa^ 



B»mmo JKnorieo tobre o £síahelmmenio da Cadeira d$ 

lÀngua Árabe em Portugal. Pelo Sfir. Antónia 

Caetano Pereira. 



Nenhum espanto, nor cansft , o ^ nos refiertai eS 
histixías, assim nacionaes, como estrangeiras ^ doa mui^ 
tos Portngueies » ceieères nos diffisrentes ramos de Ut- 
tçratora ; e qoe também o forio nas linguas Grega , 
HelMtiica , e Árabe : e por nlo aer neoessario ftdbr de 
todos , s6 faremos lembrança de um D. Gastio éd FbXf 
Bispo d'Evora » tlQ fisi^ne no Árabe ^ qM nesU fioguâ. 



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( 3 W ) \ 

Mmpoz um nSo pequeno volume , dividiílo em jete par« 
tes , e cada uma , se bem que em variados objectos , ea^- 
crita com muito saber, e pureza de linguagem. 

Mas o que de certo deverá causar adrairaçio aoa 
que forem versados nas coisas de uossa Litteratura « é » 
que n&o se encontrem vestigios nem das Escolas dessa 
Língua , nem tSo pouco dos Nomes de seus Mestres, oa 
(osscm parlítulares , ou públicos : havendo comtudo mui- 
tas memorias escritas de Escolas da Lingua Grega , e 
Hebraica , e doa Mestres » que publicamente as ensina- 
rão, 

É igualmente certo » que 1<^ do começo da Mo-> 
Barcbia muitas veies os Reis de Portugal eoviárSo em- 
baixadas » e as recebiXo dos Reis da Ásia « e Airica ; e 
que para levarem a effeito seus Tratados , e ajustes 
servido-sc de Interpretes , que » salvas pequenas exce- 
pções, todos erSo Portuguezes. Pelo que se pôde con- 
jecturar, que taes Interpretes o não erSo por officio pu- 
blico , mas sim convidados , ou talvez oiTerecidos nas oc- 
easioes opportunas , olhando a paga , que os attrahia. 

Has nao espante o haver muitos Porluguezes , que 
entendessem , e faltassem o Árabe com tanta perfeiçio ; 
pois de todos é sabido o grande trato , e commercio , 
que ea Portugueies desde tempos antiquíssimos threrto 
com os diflerentes Povos da Ásia , e Africa ; jé porque 
levados captivos pelas repetidas invasOes , que os mes- 
mos Árabes fizerlo sobre esta Península , vendo-se em 
a necesaidade de aprender a sua linguagem . para flies 
ir melhor em seu captiveiro; já pelas muitas conquis- 
tas, que os Portuguezes igualmente íizerBo na^ellas 
partes do mundo , aonde levArSo gloriosamente o ríome 
P^rtngoez , e dalli trouxerSo um sem numero de voca- 
ImloB , que naturaKsàrao como seus , juntamaste com as 
preciosidades do Oriente. Asftm o cenfirmBo nosaoa His* 

27 * 



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( 350 ) 

toriadores : e por nio Tazer longas citaçS^ apontaremos 
para um FeroSo Meodes PibtOt em sua Paregrioaçâo ; 
ou para um Hierouymo de HèudoQça em sua le J^h-^* 
nada de Africa ^ae^ impressa em Lisboa no anno 1607; 
onde a paginas 123 verso, descrevendo a Cidade da 
llarrocos, diz, faliaodo dos Portuguezes == Alguns havia 
que aprendi&o Arábio e Hebraico por dSo darem lugar 
a ociosidade. «» 

Finalmente de algumas Ordens Religiosas sabemos, 
que os que delias sabi&o para as Missões , erdo alguns 
tão senhores da Lingua Árabe , que nâo só entendião o 
vulgar » mas para maiores fmtos colherem de suas pre- 
gações V também o escreviSo com pureza , o que se pro- 
va pelos cathecismos de Iteligi&o Christã as«m escritos , 
e alguns Sermões , do que tudo possuímos algumas co- 
pias. Mas se daqui podemos inferir , que nessas Ordoos 
era cultivada a Lingua Árabe ; u3o o era publicamente , 
nem á custa do Estado » mas sim era seu çstudo reser- 
vado , e só com o intuito de se obsenarem as disposi- 
ções da Bulia de Paulo V ss Felicis recordationis =» 
de 1610; e a de Clemeute XI >» Commissí nobis = 
de 1710 , que ordenário £=> Que a Lingua Arábia se 
ensinasse nos Collegios dos Regulares dé S. Francisco • 
para que os Religiosos podessem melhor cumprir o seu 
ministério nas Missões ao Oriente. = 

Um caso pois bem raro , e digno de notar-se^ deo 
origem ao estabelecimaito da Aula da Lingua Árabe em 
Portugal ; e que apesar de ser estabelecida n uma Or- 
dem Religiosa , com tudo foi desde logo ' publica , e pa- 
ra serviço do Estado , mantida á sua custa. 

Pelos annos de 1760 arribou ao porto de lisboa 
um Navio Francez , que conduzia para França dois 
Mouros , Pai 9 e Filho, com destino de se estabelecerem 
alli, ao trato commercial : . o Mouro Pai falleceo ua tor* 



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(331) 

mentosa TÍagem « e 8ó ficoa salvo o Filho ; sem que de 
QeDhnm delles saibamos os nomes » pelos quaes em suar 
Fatría fossem conhecidos pelos natm*aes. Desembarcado 
qoe foi este Mouro , logo encontrou hospedagem chrísta, 
e generosa na Excellentíssima casa dos Saldanbas, de^^^ 
pois Condes da Ega : e porque elle fallaTa perfeitamen- 
te as línguas Franceza , Italiana « e Castelhana , decla- 
rou , que era natural de Damasco « CbristSo , e Filho de 
Pais ChrístSos, convertidos ao Catholicismo pelos Bar- 
badiíAos Franceses dn Hissio alli existente » e que seu 
nome era luanno DamaifÂÍiio: e íorlo taes as mos- 
tras, que elle deo nesta Exoellentissima casa, de suas mui- 
tas virtudes, que em testemunho do muito que oestima- 
vio/lhe derlo um dos seus Appellidos, ficando dabi 
em diante conhecido pelo nome de JoSo de Sousa. 

Nomeado Gaspar de Saldanha Reitor da Uuiveni- 
dade, levou comsigo a Joio de Sousa para Coimbra com 
intento de ahi o aproveitar , conSando-lhe a Cadeira da 
Lingua Arabé, que tencionaTa estabelecer. Sabidas na 
Cdrte as virtudes , saber , e préstimo de Joio de Sousa, 
foi este convidado pelo Primeiro Ministro, Conde de 
Oeiras , para mudar sua residência para Lisboa , o que 
logo fez , graiigeando particular estima do dito Alioistfo 
pelo muito proveito , qoe delle se tirava nos negócios 
com as CArtes Africanas. 

Passados annos foi persuadido João de Sonsa a 
que entrasse na Terceira Ordem da Penitencia no Con- 
vento de N. Senhora de Jesus em Lisboa, onde bem 
]he iria , se correspondesse aos desejos do Ministro : e 
porque Jo&o de Sousa , além de muitas virtudes , tinha 
a da humildade em gráo eminente , entrou na dita Or- 
dem , onde tomou o habito de Converso , contando já 
quarenta annos de idade , e sabendo soflrivelmente a 
l-iflgua Pcnrtugueza. 



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( 354 ) 

CltramariDos , o tenha assim entendido , e faça executar 
com as ordens necessárias. Palácio de Queluz em. 5 de 
Janbo de 180i. Com a Rul^ca do Princtpe Regente 
Nosso Senhor. == ' 

Estava portanto resolvido, e assentado o único meio 
de convidar para este laborioso , e importante ramo de 
Litteratura , que era empregando , e dando prémios pe- 
cuniários acs que , applicaiido-se ao estudo desta Lin- 
gun , nelle melhores provas dessom de sua aptidão , c 
pro:íressos; mas como um tal plano fcsse apenas conhe- 
cido pelos mui poucos discípulos , que entt^o havia , e de 
que se achaviio já dois empregados , e um terceiro des- 
frutando a pensão de trinta mil réis annuaes , que era o 
Sremio estabelecido aos que er8o constantes no estudo da 
ita Lingua : julgou entSo o Governo dar a devida pu- 
blicidade ao seu plano , nSo só confirmando os prémios , 
mas declarando, que uma tal Cadeira n&o só era publi- 
ca , mas própria , e da particular inspecçHo do mesmo 
Governo pela Secretaria de Estado da Marinha : ' como 
se dedui da Portaria de 27 de Outubro de 1813, que 
é assim : 

Sendo a Cadeira da Lin<^a Arábica estabelecida 
nesse Convento de Nossa Senhora de Jesus, da imroe* 
diata Inspecção da Secretaria de Estado da Marinha , e 
devendo contimiar a conservar-se do mesmo modo: È 
• Príncipe Regente Nosso Senhor Servido , que a res- 
peito da dita Cadeira , de que V. P/* é Lente Pro- 
prietário, se obsenem daqui em diante as Disposições, 
que se conterr. nos seguintes cinco Artigos. 

1.^ Que para serem ad mi ttidos , como Discipulos 
daquella Aula , algnns dos Religiosos da Congregação 
da Terceira Ordem da Penitencia, ou alguns seculares, 
se requeira á dita Secretaria de Estado , por onde de« 



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( 33S ) 

á 

fOÍ9 de » mandar proceder áa necessárias informaçOés ; 
ae decidirá o qpe parecer conveniente. 

2.* One o tempo das liçOes da Anla seja de duas 
beras contadas desde as oito até ás dez da manhã , con->' 
icHrme o Regulamento das mais Aulas da sobredita Con« 
gregaçao. 

3.* Que no fim de cada anno lectivo áè V. P.'^ 
conta pela sobredita Secretaria de Estado do numero de 
Estudantes , que frequentarão , de suas applicaçdes , e 
da aptidSo , ou capacidade de cada um deites para as 
importantes Commissões de que poderem vir a ser etn 
carregados no futuro. 

4.* Que V. P.^^ proponha no fim também de cada 
arnio lectivo os Discípulos , que pela sua maior appli*- 
caçâo e proveito merecerem ser premiados , na intelli- 
f^cncia porém , que cessará o mesmo premio , logo que 
elles affirouxarem nos seus estudos , ou os deixarem de 
todo. 

5.® Que V. P.^* continue a gosar dos Privilégios , e 
isenções de que actualmente gosa, e sào os que se 
coocedérlo aos dois Lentes Fr. JoBo de Sousa , e Fr. 
José de S.^^ António Moura » actual Ministro Geral da 
mencionada Congregação. O que tudo participo a V. 
P.**' para que assim se execute. Deos Guarde a Y. P.^ 
Palácio do Governo em 27 de Outubro de 1813. »= D. 
Miguel Pereira Forjai. 

Passados três annos foi premiado o teroéiro dis- 
cípulo Fr. Antoiíio de Castro , que já percebia o premio 
dos trinta mil réis annuaes , com o emprego de Profes- 
sor substituto da Cadeira da Lingua Arábica por Car- 
ta Regia de S. M. ElRei D. JoBo VI datada no Bio 
de Janeiro aos 23 do mez de Outubro de 1816 , e re- 
brendada pelo Ministro Conde da Barca : como se p6de 



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( S36 ) 

Vêr M LÍ7. 10.* dos DteretúB a fl. 436 m Seeretom 
•le Estado dos Negócios da Marinha. 

Assim continuaria um tio louvável , e iroporUn- 
tíssimo ramo de Litteratora se ou a falta de constao* 
ies , e aptos discípulos « ou antes o esquecimento do 
Governo no cumprimento de suas começadas disposições » 
lAo áemvi occasiio ao abandono do estado da Lingua 
Arábica em Portugal. 

Julgue porém cada um como quizer, que como his- 
toriador , sò nos pertence referir os factos , cuja exposi^ 
çto continuamos. 

Até 1819 foi a Aula de Árabe frequentada so- 
mente por quatro Religiosos da mencionada Tercefra Or- 
dem da Penitencia ; porém sem nenhum resultado , que 
podesse asse^rar a perpetuidade deste estabelecimento. 
Assim o confirma a participação dada pelo PrufesscH* á 
Secretaria d'Eatado , em conformidade do que se achava 
disposto no Art.^ 4.*^ do Regulamento para a dila Aula. 

Decorrerão pois quasi dcs aniios, sem que houvesse 
alfruem , que frequentasse a dita Aula de Árabe. Pelo 
fim deste período concorrerão a frequentar esta Aula 
v«rios estrangeiros « attrahidos pela merecida fama , que 
tinha Fr. Manoel Rebeilo da Silva de ser o melhor A- 
rabista Europeo: e segundo a participação dada pelo 
dito Professor em data de i9 d*Agosto de 183i — í(h 
rSío , um Francez — um Belga — um Esoocez — e 
três Inglezes. 

Corrido um espesso véo sobre muitas cirGonstan- 
cias, que motivárSo a quasi total decadência desta Es- 
oc^ en| Porttts:al , diremos , que foi o grande desvelo » 
e selo feja Litteratura do Sllr. Francisco Freire de Car- 
valho « Commissarío dos Estudos nesta Cidade, que deo 
um novo impulso » e consideração á Escola da Lingua 
Ar*^ «m Luboa. Por quanto, acbando-«e os dois Pro* 



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( 35T ) 

finsortt pkiTaddi de seus ordenados , ^e deveríSo ser^ 
Ibes abonados pelo Ministério da Mairinha , cobh> o ba- 
liião ndo em sen oomeço, m pelo Hiniaterio doa £i-> 
trangeiroa , como parecia de razto , também o d3o erto 
pelo Ministério do Reino r pois se bavilo como isolados , 
e ostranbos ao ramo da kitrucçio Publica : foi entfio , 
que o dito Commiiaario doe Estudes nesta Cidade, 
representou com muito saber, e desvelo a necessida-» 
de e justiça , com que uma tal Escola devia formar 
parte da lostrucçae Publica ; sendo lego dabi em dian^' . 
te conftderada como tal , e mettidos nas respectivas fo* 
lhas , processadas no Ministério do Reino. 

E acbando-se estabelecido pelo Decreto da croá- 
cio desta Aula o ordenado de 3€0:000 r& para o' 
Proprietário» e o de 100:000 rs. para o Substituto; 
foi então , que pelo muito , e devido apreço , que o dito 
Commissario dos Estudos dava • este ramo de Liit«a«- 
tura , e a seus Professores » cuidou » cqi què os ordena- 
dos lhes fossem igualados aos demais Professores pu-, 
blicos , ficiíiido dahi em diante o Proprietário com 
4i0:000 rs. , e o Substituto com 200:000 rs. : o que se 
acha conQrmado pelos Officios de Informe, em resposta 
aos Officios da Secretaria d'Estado dos Negócios do 
Reino em data de 19 e 25 de Maio de 1836. 

Foi depois conQrmada » e augmentada esta piesma 
devida consideração pelo Decreto de 11 de Novembro 
de 18il, passado na Secretaria d'Estado dos Negócios Es- 
trangeiros, e referendado pelo Ministro o Ex."*"* Sflr. Ro- 
drigo da Fonseca Magalhães » pelo qual é Fr. Manoel 
Rebello da Silva restituido ao seu antigo lugar de In- 
terprete na dita Secretaria : e por ultimo é considerada 
a Aula de Árabe , formando parte da Instrucçlo Secun- 
daria pelo Decreto de 20 de Setembro de 1844. 

Onxe discipulos da dita Aula ae contirSo nesta 



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( 358 ) 

iiltima époba» iodos Portuguezes; porfim só ãfíi% t- 
pnoreiUrlo , segundo as uiformacões do Proiessor da di- 
ta Aula , mas em nenhum delies ainda se «iimprio o 
Art.* 4/ do Regulamento. 

A final concorreo a esta Aula um estrangeiro, súb- 
dito Brasileiro , e addido á soa Legaçfto nesta Carte. 

Três forSo os insignes Arabistas Portugueies: Fr. 
Manoel Rebello da Silva , Professor Proprietário da Ca- 
deira de Árabe: Fr. José de^S.^"" António Moura, Of&cíal 
Interprete na Secretaria d'Estado dos Negócios Estrangei- 
SOS : e Fr. António de Castro, Professor Substituto à dita Cal- 
deira : já todos três fallecèrao, e por consequência também 
morreo em Portugal a Escola da Língua Árabe, que tan- 
ta gloria , houra , e proveito causou è Nação , de qtte 
se podem vèr as provas na breve Noticia Biográfica de 
Fr. Manoel Rebello da Silva, que tivemos abonra deoffe- 
recer & Academia Real das Sciencias de Lisboa. 



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(359) 



MAPPA 



Dos Discípulos PoríuguezeSf que frequentarão a Aúlã 
de Ambe , e juizo acerca delles feio Professor , e^- 
trahido tudo de suas participações á Secretaria d'Es^ 
tado , e Conselho Superior. 



1/ Joaquim José da Costa de Macedo — muita ap^ 
tid&o. — Desístio, porque as suas muitas occu<* 
paçôes o impedião de continuar. 

2.* José Corsino — muita applicaçao. — Desistio. 

3.^ António Caetano Pereira — muita aptidão» e estu-« 
do : único reservado para o Magistério do Ára- 
be. — Completou o seu estudo em nove annos, 
e sete mexes. 

i."" Manoel Nunes Barbosa — muito estudo. — No fim 
do 3.^ annofoi para Tanger estudar o Árabe vul- 
gar« a fim de ser utilisado como Official Inter-* 
prete. 

5.* Carlos Augusto Celestino Soares — com applica- 
çSo. — No fim do 3.^ anno desistio. 

6.* Manoel José Barreto — sufiiciente estudo. — Por 
falta de vista necessária desistio. 

7.® Filippe Pinto Furtado. — Por doença desistio. 

8.' José Pedro Nunes Júnior. — Sem proveito. 

9.'' Casimiro SimOes Margiochi. 



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(362) 



ASSEMBLEJ DEFFECTTFOS DE ti DE 
XOKEMBRO. 



Preádio o Sllr. José Uberito Freire de Carvalho. 

CoDCorrftrlo á SeasSo o Secretario perpetuo Joi- 
^im Joaé da Coata de Macedo , e os Sôr.' Antooio Di- 
nis do Couto Valente « Joio da Cuuha Ne? es e Canra- 
Bio Portugal • Fraociaco Freire de Carvalho , Francisco 
Pedro Celestino Soares , Francisco Recreio, António Lo- 
lea da Costa e Almeida, Fcnianato José Barreiros, 
Ignacío Antooio da Fonseca Benevides, Marino Miguel 
Fraozini , Baito d'Eschwege, Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto, e Francisco Ignacio dos Santos Cnii, Sócios 
Effectivos; António Albino da Fonseca Benevides, e 
Mattheus Valente do Couto Diniz , Substitutos dEfle- 
ctivos. 

O Sfir. Vice-Secretario, Francisco Elias Rodrigues 
da Silveira , participou que não podia assistir i Ses- 
são de hoje. 



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(363 ) 



BELATORIOS. 



O Stír. Director da Classe de Sciencias Naturaés 
apresentou o parecer da Classe sobre os Estatutos da 
Sociedade agncola do Districto da Horta , enviados ái 
Academia com Portaria de 19 de Setembro ultimo, li- 
mitando-se o parecer a que devi&o appHcar^se a estes 
Estatutos as mesmas .considerações feitas do parecer da- 
do pela Classe, em 21 de Março deste anuo, acerca 
dos Estatutos de outras Sociedades , sendo os do Distri-- 
cto da Horta os que mais se aproximio do referido |)a-* 
recen 

A Academia approvou o parecer da Classe. 

O mesmo Silr. Director propoz, em nome da Clas- 
se, para Sócio Correspondente da Academia o Sfir. Ju-> 
lio Máximo de Oliveira Pimentel , Lente de Cbimica dn 
Escola Poljtechmca. 



Tomo h Í8 



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( 364) 



SESSJO LITTERJRIA DE U DE NOFEMBRO. 



PreÂ^ío o S3r. Jo9é Cordeiro Feio. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joa* 
qoim José da Costa de Macedo , e o» Sclr.** Anlonío 
Drnit do Ceuta Valente , Jouo da Cunha Neves • Car- 
talho Portugal , Francisco Freire de Carralho, José Li- 
berato Freire de Carralho » Francisco Pedr^ .Celestino 
doares, António Lopes da Cosia e Almeida, Igaacio 
Antordo da Fonseca Benevides, Fortunato José Barrei- 
ros, Francisco Recreio, Marmo Miguel Franziíii, Agos- 
tinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Inácio 
dos Santos Cruz , Sócios Effectivos ; António Albino da 
Fonseca Benevides , e Matlheus Valente do CosIq Di- 
tit^ Substitutos d*Eflectivos ; António Caetanç Pe* 
tçira» Sócio Correspondente. 



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( 363) 



CORRESPONDÊNCIA. 



{.GO O Secretario perpetuo a^ dttaâ Portaríâi se^^ 
gttlate3. 



1/ 



Mancld Sua Magestade , A Rainlia « comfntmícnr 
6 Academia Real da* Sciencías de Lisboa , que , em 
irírtude da coitimunicaçUo feita por este Ministério ao 
dos Negócios da Guerra se etpedio já« por aquella 
Repartição, ordem ao Inspector Geral do Arsenal do 
Exercito para qàe faça proceder no mesmo Arsenal á 
construcção da — Lanterna do Mineiro — inventada 
pelo Socíq Effisctivo da referida Academia , Francisco 
Pedro Celestino Soares; construcção que será feita nos 
termos requeridos pela Representação, que sobre este 
objecto dirijo a este Ministério a Academia Beal das 
Sciencías na data de 31 d'Otitubro ultimo* Paço da» 
Necessidades em 21 de Novembro de 1849. ^Coitdc 
df Tl)0iOi^* 



28 



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( 366 ) 



«.• 



Sua M a;;estade , A Bainha* amiuindo a uma re- 
qaiaícSo da Camâra dos Deputadc», coMiaote do íd« 
duso parecer da respectiva Comniissio dlostracçio 
Publica, para serem ouvidas as Corporações scientifi* 
cas do paiz sobre as duas representações, aqui juntas, 
em que se pede a concessSo do gráo de Bacharel for- 
mado a fafor dos Alumuos habilitados cora o curso de 
qualquer das Escotas Medico-Cirurgiccs de Lisboa e 
Porto : Ha por bem que o Conselho superior diostrac-* 
ção Publica » a Academia Beal das Sciencias , e os 
Conselhos das Escolas de Ensino superior, poBderando 
oa fondameiiltos- das referidas representações, compara- 
dos com as circurostancias especiaes de cada um dos 
Estabeleeimentos escolares , e com a» que derão logar 
á Legislaçlo applicavel a esta matéria, consultem, in- 
terpondo a respeito delias o seu parecer, a fim de po- 
derem uns e outros esclarecrmcntos servir de base ás 
deliberações dos Corpos cole^isladores. 

O que assim se participa, pela Secretaria d'Es- 
tado dos N^ocíos do Reino, á Academia Real das 
Sciencias, para sua inteUigencia e execuçfto na parte 
que lhe toca. Paço das Necessidades em 21 de No- 
vembro de 1849. = Conde de Tbomar. 

O objecto desta Portaria ficou para ser tratado em 
Assemblea dEffectivos. 



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<367) 



COMMCNICAÇÕES^ 



O Secretario pcrpetao l£o : 

Trãducçào Portugueza de duas cartas de Caio Plinio. 
Gxcilio Segundo^ dirigidas a Coi^nelio TacilOt em que 
Ihs dá noticia da explasào vulcânica do Vesúvio por 
eUe presenciada , e da qual foi uma das vielimas seo 
Tio Plinio o Naturalista. Pelo Sfir. Francisco Frei- 
re de Carvalho. 



Um dos Autores Clássicos Latinos, que na opi- 
niSo de todos os bons apreciadores da saa Lilteratura 
merece ser lido e estudado com particular attençdo , é 
sem duvida C. Piinio Ccecilio Segundo , sobrinho do fa* 
rnoso Naturalista do mesmo nome. Restannnos deste Es- 
críptor illustre dez livros de Cartas » escriptas a muitas 
e as mais eminentes pessoas do seu tempo ; e o celebre 
Panegyrico ao Imperador Trajano, a quem Plinio foi 
grandemente aceito. Todas estas Obras tem passado por 
iprande numero de cdiçSes desde a ulillissima invenção 
da Arte Typographica , e muitas delias com çrande ap- 
parato de eruditas annotações ; e tem sido igualmente 
traduzidas para as principaes Linguas da Europa , quaes 
ã Franceza, a Italiaua^ a Alemãa, a Ingleza etc. Em 



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( 368 ) 

Portuiniez a única traducçSo , que temos das Obras des- 
te Autor , é a do Panegyrico , Teita do 16.^ Século pe- 
lo Bispo de Miranda e de Leiria « D. António Pinheiro, 
que anda impressa na Collecçao, dada á luz por Bento 
José de Sousa Farinha: Das Cartas porém nâo ha tra- 
ducçdo Portugueza, que eu saiba ; com quanto sejam el- 
las muito dignas de ser entre nós conhecidas em razão 
da variedade de assumptos , de que tratam : na verdade 
a5o estas Cartas um grande subsidio para a Historia; 
por ser o governo de Yrajano , em que foram es^criptas , 
um dos periodos roais pobres em documentos históricos : 
aendo que nclias se encontram mnitas noticias de gran^ 
▼ttko, mormente acerca da vida dos Escriptores d'aquel- 
)e tempo , e do estado das Lettras em Roma. São de 
mais disto as Cartas de PKnio , juntamente com as de 
Cicero , as duas collcccdes no género epistolar mais pre- 
ciosas , no que toca ao estilo , que nos restam da Anti- 
guidade : no elegante , no agradável , no correcto do es- 
tilo das suas Cartas mostra-se Plinio simultaneamente 
grande escriptor , e hpmem de bAa e escolhida socieda- 
de ; muita embora sejam ella« inreriores ás de Cicero 
quanto á simplicidade e ingenuidade : «r Na minha opi- 
nião (dif o seu Traductor Francez, Mr. de Sacy) ha nas 
Cartas de Cicero mais ingenho , nas de Plinio mais ar- 
te : merece perdão algumas vetes o primeiro por sua ne- 
gligencia t o segundo por seu demasiado edtudo : em Ci- 
cero encontr^im'-se muitas Cartas, que talvea nllo fariam 
falta á posteridade ; ha poucas em Plinio , de que ella 
n8o possa tirar proveito : cm umas avultam os acontcci- 
toientos e a politica ; nas outras ha maior fundo de boá 
moral: um é talvea o melhor modelo de bem e^rever; 
o outro o de bera viver ; as Cartas de Cícero finalmen- 
te melhor , do que todas as historias, ensinam-nos a co« 
tímer 09 homens do seu Seeulo ^ e as mókts , que os 



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{ 36è ) 

jninhQin em acção ; as de Plínio melhor , do que lodoB 
CS ]preceitos , ensinam « homens de todos os séculos a 
bem conhecer-se e regular-se a si mesmos. » Sendo pois 
dignas de serem lidas e estudadas todas as Cartas des- 
te iHustre Escriptor ; ha comtudo entre eUaà algumas , 
que mais particularmente o merecem. £u^ tinha começan- 
do a fazer ha annos , durante a minha emigraçSo para 
o Brasil, a tradueção destas importantes Cartas, que oc- 
cu{)ações posteriores me fizeram interromper: por agora 
tenho a honra de apresentar a esta Real Academia só- 
ihente daãs déUas , a saber , a 16.* e a 20.' do Livro 
6.*, ambas escriptas ao bem conhecido Historiador Cor«- 
iielio Tácito, amigo intimo de Plinio; e espero merece- 
rão ellas^ Senhores, a vossa particular attenção peia gran- 
deza do seu assumpto , o qual nada menos é , do que< à 
descríp^o, nellas feita, da famosa primeira explosXó 
vulcânica do Vesúvio , de que nos dfto noticia as (listo^ 
rias , acontecida no anno 79 da K C. , que arruinou as 
Cidades de Pompèa , de Hirculanum , ^e de Stabios » 
€ da qual foi uma das iUnstres victimas o Naturalista 
Plioio, Tio materno e Pai adoptivo do Autor das mes- 
mas Cartas; E se o estado da minha idade decaden-' 
te , e da minha vista , que corre a apagar-se , mo 
pemiíttirem, continuarei a apresentar-vos outras, Ée 
nfio na sua totalidade, pelo menos as que no meu ei^ 
tender s(o mais dignas de serem conhecidas. 



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(870) 



Corta d$ Plinio « ComAio Tácito ; i do Livro 6."" 
a Caria 16/ 



Pedes-tnc te escreva, como foi o fim da vida de 
meu Tio ; para que com toda a verdade o poMas trans^ 
mittir á posteridade : eu to agradeço ; por ver , que ob- 
terá a sua morte uma gloria immortal , uma vez que 
aeja por ti celebrada : Pois com quanto o seu acaba* 
mento , como o de povos , como o de cidades , tenha 
de viver, para assim dizer, perenne, unido á destrui- 
ção memorável de um dos mais bellos territórios ; e pos^ 
to que tenha elle mesmo composto muitas obras («)» 
que bilo de dar-lhe um nome permanente ; á perpetiii«- 
dade da sua fama ha de também dar um grande au- 
gmento a eternidade de teus escriptos. Em verdade eu 
reputo afortunados aquelles homens, a quem ca Deoses 
por sua alta munificência concederam ou praticar acções 
dignas de serem escriptas ; ou escrever obras dignas de 
serem Ii(ias ; e reputo afortunadíssimos aos , que reuni-* 
ram em si mesmos ambos estes prestantes dotes : Em o 
numero destes últimos tem sem duvida de entrar roeu 
Tio assim pelos seus , como pelos teus Livros. Tamanha 
é pois avontadct com que cumpro o, de que me encarre- 
gas ; quanta é também a , com que te peco desempe- 

(•) Na Carta 5/ do Livro S.* dá conta Plinio das obra& 
compostaif par sea Tio. 



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(371) 

ohes o que tomaste a peito. Achavn-se em Míséno com 
o commaodo da esquadra alli estacionada : Aos líove 
dias antes das Kalendas de Setembio* e á uma hora 
depois do meio dia pouco mais ou menos , minha mUi 
veio indicar-lhe« que apparecia uma nuvem extraordi- 
nária em grandeza e Ggura. Depois de ter estado por 
algum tempo ao Sol « e de se haver lavado em agua fria 
{*) , tomara recostado um ligeiro alimento, e entretinha- 
se estudando : Pede as chinollas « e sobe a um lugar » 
donde facilmente podia observar-se aquelle prodigia 
Via-se levantar uma nuvem, (para quem de longe a 
observava , era incerto de que monte ella se elevava ; 
conheceo^se depois , que era do Vesúvio) que na simi« 
Ihança e na figura n3o podia ser melhor comparada , 
do que com a de um pinheiro; pois, remontada para 
os ares como um tronco de exteosfio desmedida , rema-> 
tava em uma como ramagem : era isto , segundo enten* 
do ; porque , sendo arremessada do interior por impulso 
de um subltaneo vento, faltando-lhe este depois, oa 
timbem vencida por seu próprio peso , se desfazia , es- 
teodendo-se para os lados, branca umas vezes, ou- 
tras vezes escura e de cores varias , segundo tinha 
levado comsigo terra ou cinzas. Que este prodigio era 
grande, e que merecia ser examinado de mais per- 
to , assim o pareceo a um homem eruditíssimo , coroo 
era meu Tio, Ordena se lhe apreste uma pequena em- 
barcação , e da«-me a faculdade de o acompanhar , se 
ass^m me apraz. Respondi , que preferia o ficar entre^ 
gue aos msus estudos ; pois até por casualidade me ha- 
via elle encarregado de certa escripta. Sahindo de casa , 

(•) Na citada Carta 5/ dá também noticia deste coftume 
de seu Tio: Cfíafe siquid otii^ jaccbat tn sole. . . Post «o- 
Í€m pleriimjiiê frigida h^baíur. . 



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(872) 

tevon eomfiigo o sen caderno àe apontameatoê. A tropa 
de Marinha de Retina , aterrada com o perigo eminen- 
te, (pois já o tinha sobre si , nem haWa para onde Tu- 
gir , excepto para as embarcações) pedta-ihe se posesse 
em salvo de tamanho risc^ : Outra foi a sua resolução ; 
e proseguio com a maior coragem np , que , lerado do 
amor do estudo , havia começado. Mandou sabir ao mar 
as quadriremcs , e embarcou em uma delias no designio 
de Íe?ar soceórros nõosó a Retina, porém aos muitos po- 
vos circumvisinhos ; (que em razão da sua amenidade 
era grande a populaçUo de todo aquelle paii). Dá-se 
pressa a partir para aquelle mesmo logar , donde os ou- 
tros fogem ; e dirige-se via recta e no rumo do perigo , 
iào despido de medo, que hia dictando, e faxendo es- 
crever todos os movimentos daquella grande calamidade, 
iodas as figuras , que ella apresentava , á proporção que 
com a vista as hia observando. Já a cinza cabia sobre 
as embarcações , tanto mais quente e mais densa, quan- 
to mais se lhe hiâo aproximando: sobre ellas cabiam 
lambem já pedras pomes , e outras negras e despedaça- 
das pelo fogo: Já começava de improviso a entuthar- 
se^-lhes o vâo , e as praias a obstruirem-se-lhes com à 
mina do monte , que sobre .ellas cabia. Incerto por um 
pouco , SC voltaria para trás , immediatamente diz aa 
|iíloto , que lhe aconselhava assim o fizesse : «« A for^ 
tuna ajuda os fortes ; navega para onde está Pompeàiw. 
s= Achava-se este em Stabios , logar dalli separado na 
meio da enseada ; por quanto o mar vai pouco a pouco 
introduzindo-se por entre aquellai ambientes e curvas 
praias. Em tal posição Pompeano, posto quenfto visaè 
o perigo próximo ainda , mas observando-o sempre , e 
vendo-o crescer , tinha ha pouco mandado já recolher 
aos navios todas as bagagens, na resolução de fugir, 
apenas cessasse de soprar o vente , ^e Ibe era coobra- 



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( 373-) 

tif»; ò ([útí^ híenào eot&o Tetçao * ibda Tiò, o havia 
condutido para altt : este abraça-o , que estava trefnen^ 
do de Aiedo, consola-o, exborta-o; e para com a suá 
própria segurança lhe minorar o temor, ordena que è 
conduzam ao banho ; e depois de se haver lavado , as^ 
setiia-se h mesa , e cèa com semblante alegre ; ou , 6 
que é igualmente grande , còm apparencia de alegria. 
Viam-se já a esse tempo em muitos logores do monto 
Vesúvio reluzir dilatadíssimas chammas e grandes incên- 
dios « cajo fulgor e claridade as trevas da noute toma-^ 
\am mais vivas: Para oppor algum remédio ao grande 
medo dos circunstantes, dizia elle ; que aquillo eram fo- 
gos alli deixados pelos camponczes , a quem o susto ha- 
^ia feito fugir á pressa dos seus lares; que eram povoa- 
ções ardendo abandonadas ao desamparo. Dito isto , re^ 
lirou*se a descançar , e dormio effectivamente com um 
sono o mais socegado ; pois , tendo os órgãos da respi- 
ração mui amplos , e em proporção á grandeza do seu 
corpo , o ouviam ressonar mui alto os , que de fora da 
porta o estavam observando. Mas jâ a área que dava 
passagem para o seu aposento , se achava tHo entulhada 
de cinza e de pedras pomes com ella misturadas , que 
Dão ^rra possível sahir do *cubiculo a quem nelle po^ 
mais tempo se demorasse. Tendo-o despertado do sono ^ 
levantou-se , e foi ter com Pompeano , e com os mais » 
que não tinh;im podido dormir. Consultaram então entre 
si 9 ste conviria permanecerem dentro das casas , se ireiA 
para iogares descobertos ; visto que os repetidos e gran- 
des tremores de terra faziam vacilar as casas, as quae», 
abalados desde os alicerces , parecia moverero-se de uns 
para' outros Iogares , ou voltarem á sua primeira posi- 
ção. Nfto obstante o receio , que havia , de serem in-^ 
commodados pela queda das feárm pAmes » ainda qué 
leves e consumidas pelo ibgo ; a comparação entre estes 



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(374) 

dons perigos fez qne preferíssem o ir novamente pan o 
ar livre ; meu Tio porém deixou-se vencer do peso das 
rasOes ; aos outros , auero os dominou » foi a força do 
medo. Para se defenderem dos corpos , que cahiam de 
cima « cobrem as cabeças com travesseiros « presos com 
toalhas. Julgou-se conveniente o avisinharem-se á praia; 
a fim de observarem de mais perto o, que poderia ten* 
tar-se sobre o mnr , o qunl ainda se achava grandemen* 
te agitado e contrario : alli tendo mandado estender no 
chio uma vela « e deitando-se sobre ella « pedío, e he« 
beo por duas vezes agua fria ; até que as charamas e 
um cheiro de enxofre « que dava annuncios da sua pro- 
ximidade fazendo fugir os mais, o excitam a fugir taiTi« 
hem : ergueo-se cffectivamente apoiado sobre dous crea* 
dos ; porém tomou immediatamente a cahir , segundo 
conjecturo , per lhe haver obstruido a respíraçSo um ar 
mais crasso , tendo-ibc fechado o orgào do peito , o qual 
era nelie fraco por natureza , e sujeito a frequentes in« 
lermitenctasw Logo que o tempo aclarou de novo (o que 
fui somente passados três dias) , foi o seu corpo encon* 
trado inteiro, illeso e col)erto com as mesmas roupas, 
que o vestiam antes da sua morte , e na disposição an- 
tes de quem dorme, do que de quem estava morto. 
Nesse meio tempo eu, e minha mãi achavanK)-nos em 
Miséno : mas isto nSo tem já nada com a historia , nem 
tu quizestè de outra cousa sor informado, senão da mor- 
te de meu Tio. Portanto aqui acabarei , somente accres- 
sentando,*que tudo, quanto tenho dito, ou foi visto por 
mim, ou o tenho contado, pelo ter ouvido em tempo, em 
que merece credito , quem o conta : escolherás por is- 
so o , que julgares mais importante ; pois ha grande dií- 
ferença entre o escrever uma Carta , ou uma Historia ; 
entre o escrever para um amigo , ou para o publico. — * 
/m A/eos. 



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( 375 ) 



Caria de Plínio a Ccrnelío Tácito : é do 
Liwo 6.^ a 20.* 



Dizes y que á vista da Carta , que » por assim mo 
pedires , te escrevi acerca da morte do meu Tio , 6cas« 
te desejando saber não só os sustos , mas também os 
perigos 9 que soffri , depois que , elle me deixou em Hi-> 
9éno (pois tendo começado a tocar este ponto, interrom- 
pi nelle a minha narração). Poêto que o meu espirito se 
horroriza com uma tal recordação , vou começar a con^ 
toi'-^ {*). Depois da sua partida, dei-me todo inteiro ao es« 
tudo (visto que para isso é que tinha ficado) : banheí-me 
depois , ceei , e Tui para a cama : Por6m o meu sono 
foi desassocegado e curto ; o tremor de terra , menos te- 
meroso , por ser frequente no paiz da Campania , que 
depois de muitos dias havia começado a sentir-se, to- 
mou naquella noute Um tal incremento , que parecia , 
nfto que tudo se movia / mas que tudo se arruina-* 
va. Minha mSi entrou no meu quarto a tempo, que 
eu já me levantava ; a fim de acordal-a , se esti. 
vesse dormindo : fomos tomar assento em um patoo 
da casa, o qual a separava do mar por um peque, 
no espaço* Não sei , se chame firmeza , se impruden. 
cia , ao que vou dizer ; pois eu coutava apenas dez. 

(•) Quamquam animus meminisse horret, . , . incipiatn ( Virg, 
Eoeid. Lib. íí, verto IS). 



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( 37C ) 

oito annos de idade : Peço a Obra de Tito Lifío , e 
começo a I6r, como se tude estivesse em grande soce^ro ; 
e a fazer delia extractos, como tioha começado a Ta- 
zer. Eísque chega um amigo de meu Tio, que de Hes- 
panha tiiiha vindo ha ppiiC9 visital-o: Veodo-me, e a 
minha mãí assentados* e a mim de mais a mais lendo , 
não poude deixar de reprehender a paciência delia , e 
a minha tranquillidade ; eu porém nem sequer levantei 
os olhos do Livro. Estávamos já na hora primeira do 
dia , e ainda a luz era incerta, e como languida : aba- 
ladas já as cafas circum-adjacentes ; posto ^e foss^ des- 
coberto o logar , onde nos achávamos ; era comtudo is- 
so estreito, e por tanto grande e certo o receio de 
sermos vicUmas das ruínas. Pareceo por fkn conveniente 
o retirarmo-nos da povoação , no qi|e (bmoi seguidos do 
povo aterrado « o qual abraçou , em vez do seu , o pa- 
recer alheio, aoto que bo meio do susto se assemeiba á 
prudência : e ao tempo , em que nos bianos retirando , 
earregou em grande multidão sobre nós, e nos ibi le- 
vando deante de si. Logo que deixámos a povoação pa- 
fámofi : BMS prodígios em grande numero « e UMiitos 
sustos vieram alli assaltarnxis ; por quanto escarres^ que 
tínhamos ordenado nos acompanhassem ; posto que col- 
locados em um planíssimo campo ,' viam-se em uma os- 
cilação continua , e nem depois de calçados com pedras, 
podiam coeservar-se firmes nos seus togares : Viamos de 
mais disto o mar sobre si mesmo rettrar-ce , como se 
(osse ÍBipeltido pelo tremor da terra ; e na verdade a 
praia achava-se muito mais dilatada , e cobertas as suai 
areias de muitos animaes marinhoa : do outro lado una 
nuvem negra e horrorosa, cortada por traços de fogo, 
vibrados em dírecçõâ differentes , apresentava aos olbo^ 
longas figuras inflammadas, similhantes a relampago$t 
porém ainda maiores. Então aquelle mesmo amlgi; , qpe 



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('377) 

ie Hespanha mra , com Tehemcncla e instanda maior 
nos diz : «(Se teu Irroio , e teu Tio ainda vive , quer 
de certo » que yo9 salveis ; e se é morto , quiz que Ibe 
so|nreTÍ?ais : Por que razão pois nilo tratais de escapar-^ 
Yos? » Ao que respondemos =s Que nunca trataríamos 
da nossa segurança, em quanta existissemos incertos» 
se eile estava , ou nio salvo. == Ouvido isto t sem mais 
se deter um só instante , evadio-se , e a 6igir tratou de 
escapar ao perigo ; e dentro de pouco tempo vimos a-« 
quella nuvem descer sobre a terra » e cobrir os mares t 
a qual cercando a ilha de Cáprea , de todo a esconde» 
aos ottios» bem como o promontório Miséno. Entio mi- 
nha mãi começou a pedir-me « a exbortar-me , e orde- 
nar-me = que fugisse de qualquer modo que fosse; vis* 
to que , como rapaz , o podia fazer : pois ella , op[«*imí- 
4a pelos annos e peb peso do seu corpo , morreria con<* 
tente, vendo queinao era a causadora da minha mor- 
te := Ao qne lhe respondi = que eu nunca trataria 
de saivar-me , uma vez que não fosse em sua compa- 
nhia : ==B E logo , travando-ihe da m&o , a obrigo 9 
apressar o passo ; e ctia , seguindo*me com diffieuldade t 
não cessa de acciísar-se de servir-me de embaraço. H 
começava a cahir sobre nós cinza , posto que ainda em 
pequeoa quantidade : ólho para traz « e vejo eminente 
uma densa escuridão , a qual nos hia seguindo á manei* 
ra de uma torrente , que se derrama sobre a teira : 
« Retii^mo-nos do caminho (tornei eu a dizer a minha 
mfti) em quanto ainda podemos vdr ; para que não econ-i 
teça, que, cahindo por terra na estrada, sejamos no 
meto das trevas esmagados peja multidão dos , que noa 
acompanham. » Mal nos tinhantos arredado do caminho « 
cerrou-se uma noute , não como aquella , em que não 
ha luar , e que está coberta de nrnens ; mas tal como , 
depois de apagada a luz , se encontra em uma casa íxh 



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tetrtmente fechada. OuYÍrieis entSo o firanto das oní' 
Iberas , os choros das creanças, os clamores dos homem, 
«os procurando a vozes os país , outros os filhos , ou- 
tros as e!«posas , e pelas vozes somente podendo reconhe- 
cer«se : Estes lamenta vfto a sua própria desgraça « aqusl- 
ks as dos seus : Havia quem , receando a morte , pe- 
disse , e[ invocasse a mesma morte : Muitos levantavam as 
m2os para o Ceo, implorando o soccorro dos Deoses; 
muitos mais , desconhecendo a existência da Divindade , 
tinham para si , que era para o Mundo aquella a eterna 
e ultimo noute : Nem faltou quem exagerasse os perí- 
|i;os verdadeiros com fingidos e mentirosos terrores : Ou- 
tros asseveravam falsamente aos, que lhes davam credito, 
que em Misèno ora tinha cahido isto, ora tinha ardi- 
do aquillo. Tomou entdo aapparecer um pequeno da- 
rdo , o qual lios anunciava nSo a t(»Tiada do dia ; mas 
que nos dava indicies, de que o fogo se vinha apn>- 
linuindo : Gmitudo o fogo nlo progredio mais ; volta- 
ram porém as trevas, e com ellas a cinza em grande 
quantidade , e de cada vez mais pesada ; ao poeto de 
que, para a sacudirmos de nós , éramos obrigados a le- 
vantar-nos ; aliás ficaríamos cobertos e sufocados debai- 
xo do seu peso. Posso gk)ríar-me , de que , no meio de 
tantos perígos, ninguém me ouvio um gemido, nem 
uma voz um pouco mais forte ; por julgar , que eu aca- 
bava juntamente com todas as cousas , e ellas todas si- 
multaneamente comigo ; triste , mas grande consolação 
para quem morre. A final tendo-se atenuado aquella es- 
curídlo , desfez-se como em fumo , ou e:» nevoeiro ; e 
appareceo immcdiatamento o dia, alumeado pelo res- 
plandor do Sol, porém amarelado, e qual costuma 
mostrar-se nos eclipses. Apresentavam-se aos nossos olhos 
ainda amedrontados todas as cousas mudadas , e cober- 
tas de grossas camadas de cinza , como costuma^ aconte-^ 



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(3M) 

cer com a neve. Teitdo Tottadò f^arâ Misèno , ê rcistatt« 
rados os corpos do modo possiYeí , passáinoB uma noute 
suspensos y e incertos optre a esperança e o medo ; era 
este porém o que ainda mais^nos dotnínaTa ; pois a ter-« ' 
ra eontíntfava a tremer « e um grande numero de fana-^ 
ticos nik> c^ssata de ludibriar-^itos com vaticínios atter-« 
radores , av^vando^os. a meiite assim as suas « como as 
alheias desgraças» kto íAo obstante , Mo nos resolve*-* 
mos a sahir àfkWi ; posto que tivéssemos estado expostos 
ao perigo, e que receássemos a sua repetiçto, sem 
que noi chegassem noticias de mèu Tio. O que nesta 
Carta leres > de certo o nflo julgarás diguo de ser escrí-* 
pto na tua Historia ; e se nem ainda, o julgares digno 
de uma Carta , a ti o imputa , pois me pediste to reki« 
lasse. -^ A Beos. 



Leò mais o SeeiMario parte da noticia da 2/ 
viagem Geológica do Silr« Bonnet ao Alemtejo » escrita 
em Francês. 



NOTICE 

Sut la fnat€h$, guivie par lá CammUâícfk GMogíqiteii 

dane ía prenUère partU de Mn seconi voyage 

dons rÂlimtéjo. 



La Commission Ke mit eo marche le 27 7.bre; el- 
k fui aisaillie. le 2S et le 39 par un temps a&eux ; le 
Tomo h 29 



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( 380 ) 

30 éfle fislta la rive i^oche du Soão depuig Alcaoer 
jiis|a*aii filiage dos Bairroa; Ic 31 elle paasa ce fleute 
au porto dit dos Caneíro», éxamÍDa rembouchore de 
diCEérens alHueos du Sado ; ce jaar là , la plaie tomba 
avec violeoce » mais matgrè ce mautais tempa la Com- 
mísMon trareraa cette vaste plaine sabionneuse (ckonie- 
ca) qui s'éteiid depois S/* Margarida do Sado jueque 
pi^èa da viUage de Figueiras et se rendit i Ferreira , 
afio de rattacher Ics travaux du secoud voyoge avec 
ccttx da premier. 

La Commission examina ensuite le versaat Siid de 
Ia- Serra de Mombeja et ae rendit à Beja en travo** 
sajit Ia plaiue qui s'étead depuis S.^ Yicloria jiisqu^à 
cette víUe. 

De Beja • elle passa h Trigaxas , et porta soo at- 
tention sur lea calcaires métamorphiques qui s'y trou- 
vent , elle visita let sources de la riwère das Figueiras, 
aitisi qu'ua plateau qui fait le partage des ean » sur )e 
qm\ est litué le village dit' Fariobo r et traverta le de- 
sert qui abouttt presqu^ à Alvito. 

La Serra d'AIvfto fui éxamtné avec soin, ainsi que 
celle du Tourão. Elle porta aussí soa attentioo sur la 
rivière Xarrama» tononta une partia de son cours» 
Ia traversa , et visita toutes les mootagnes qui s'éteii- 
dent du TonrSo aux Alcáçovas , en mesurant les princi- 
palea hauteurs qui sont « Cabeça d' Águia , TOuteim ào 
Vai de Nogueira dana la Serra do Anal » Serro de Ca- 
beça Gorda , TOuteiro da Cruz « Cabeço de Lobo , et 
la Serra de N/ S." da Esperança. 

Sur prcsque tous ces sommets, ta Commiaaion avait 
fail des stations de trían^Iation ; mais celle faite sur la 
Tour de lermitage de N/ S/' da Esperança , qui se 
trauve au sommet' de la serra» fat trfia pny^bfe à cau^* 
se( de Ia voe étcndue dont ob jouisstft ; oft se fit doaa 



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(38!) 

usSê idée éiacte du eoors du gros ruisseaa fiíiège et âé 
ftes afiluens , aiiisi que des versauts Sud de la Serra áe 
SJuote-Mor, et doa Monges* Das Alcaço\'as la Ccmmission 
traversa €ette plaine ooduléeou plateau qui va jusqu'à Ia 
Serra de ViaDoa ; elie íit plusieurs ofaservations barciné*- 
iriques sur le Xarrama et determina la peute de celtd 
riviàre. 

La Serra de Viaiilia fut examinée atteritietíselnent ^ 
malheureusemait une piuie conaidérable toinbttit4 

Le jour suttant qui était le 8 Octobre , la Cem-' 
tníssioni visiu la serra d'Alpedrera aiosi que les ccih 
treibrta , et en suivatít le rersaot Sud de ces montagnes, 
elie Ée reodit à PorteL 

Daiis ««tte Tille et les alentours ^ on fit plusieurs 
KtatioDs de tríaogulation , mesurant les bauteurs , et 
doot la prificipale est eelle dite de S^ Podro, de iaquel- 
le OD jMit d'mi taste pauorama^ 

La sefra de Portel est etevée 4 et prèa de la villo 
il 7 a iBipirtage d'eaux^ les uiies còurent surTOiíest et 
tont iciiiDer lakíbeira d'()diyelias qui se reud au Sado; 
taodis que lea autre» se dirigéiit à tKst et rout entrer 
dons la Ribeira Degébe qui se met dara la Guadiana^ 

La Gonimissioii éxamiDa les serra» àt Gíões d'AI^ 
qoe? a , traveraa la Guadiana , passa à Moura et se ren- 
dit á Barrancos, en éxatfiintfttt le» misseanx Torges^ 
Totalga, SaTaréja et MortigAo. 

Barranco^ et íes environs qui sont sur la fróiw 
tière d^£spagne (úrent úsités at^ soin« Cette paitie 
est trôs mofitagneuse et íontie un grand nottibre de 
serras, doot oa determina les bauteurs; ee sont cel* 
les, áé Aitx^fae , qui est la principais ; de Natajeiro , du 
Carrapato, dé Conca Lobo, Serra Colorada^ le Cabeça 
d^Akantariflfaa , le Pico das OuCr^ras; le Resbaloço etc# 
etCé Oo éxamiM avec soia les sourees el les afilaens dia 

29 « 



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( 383 ) 

Hfortigio , le coors du Mwiiga et de rArdilIa , dads Ia 
partie qui appartient ao Portugal. 

Dans Ia serra d'Arocbe la Commisstoíi fut assatllie 
par une forte tempète » et de laqoeHe elle éehappa avec 
beaucoup de difficultés, il eD fut de raême espassant le 
Murtiga et lArdlUa. 

De Barrancos la G>roinii9Í0D se rendit à Amarele- 
ja 9 examina les contlrefaris de la Serra d'An»ehe qui 
sont les Serras da Gata , da Botefa etc. etc* * et cooti** 
ma sur Mourio eo Yisitant et éxaminant une priae d' 
eau dite Albofeira da Estepa , le cours du Goadelira et 
àn TAlcaraxa. La Commission passa ensuite la Guadiana, 
qui ofTrait des dangers à cause de sou courant rapide, puis 
gravit la serra sur laqueiie est bâtie ia Vitle de Mon- 
saraz ; elle détemiioa la bauteur d'un grand nombre de 
])oints et fit une st&tion de tria^gulation comme elle 
en avait déja fait une à Moordo et quatre dans les Ser- 
ras de Barrancos. 

De Moosaraz elle 9e rendit à Gonra), eo pasaant 
dans un plateau couf ert de blocs granitiqoes affeetant \€$ 
forme» les plus bisarre» et reprtsentant priacipalement 
des Mauaolées, et qui mériterail le sumom de Cluanp 
des Tombeaux ; en asile elle visita Villa Nofa de Re- 
guengo, passa le Degèbe, et eumína aiosi le versant 
Nord de la Serra de Portel 

De Monte Trigo la Commissioo se rendit à Eto- 
ra, é&aminant les afQueos du Degébe ; à Évora elle iHu- 
dia avec soin les sources du Degèbe et du Xarrama , 
le premier va à la Guadiana et le second ao Sa- 
do. 

D'£vora Ia Comroisrion alia à Redondo , visitant le 
versant Sud de la Serra d'Ossa , ka aSQuena du Degé- 
be dont quelques uns sont forts. La ConuBisaioii me- 
sura barometriquement le point culminant de la Serra 



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( 38S) 

d*0s8a et de ies principoux oontrerorts , éhidia le cmifs 
des ruisseaux qiii en desceiídent , puís alia à Alandroal ; 
elle visita et examina minutieuseraent Borba , et Villa 
Viçosa aiasi que les environs de çes víilea. 

Ces villes se trouvent sur uoe cordillière separée de 
la Serra d'Ossa par une vallée dans laquelle fut dou- 
née la bataille de Montes Claros. 

Ceite o<»*diilière est remarquable, car il existe une 
nappe d'eau souterraine qui alimente les Tontaines d'Es« 
tremoz , ' Borba » VíUa Viçosa , Bencatel , Alandroal , 
etc. etc. Ce fait a atliré lattention de la Commission » 
mais elle ne peut dans cette notice 8'étendre davanta«- 
ge à ce sujet. 

De Yilla Viçosa elle se rendit à Jérumenha et à 
Elvas , en éxaminant minutieusement un grand uombre 
de ruisseaux qui desceodent desbauteurs de Villa Boim, 
et entrent dans la Guadiana. 

lei s'arréte cette notice , car quoiqu'eIle soit écrite 
à P(Nrtalègre • la Commission n ayant pas encore visite 
en entier la grande serra de ce nom, qui s'étend jusqu'à 
Arronches etc. éile ne peut dire ríen à ce sajet. 

La partie de topographie et de géographie pbj- 
sique a é\é examine avec soin , mais la Géologie , pro- 
prement dite , fut encere pius Yoímt des recbsrches de 
Ja Commifiiion. 

Sur cette partie ou ne peut, dans une notice, don- 
Der des détails ; on dirá donc seulement , que les ro« 
ches chieteuses dominent, puis viennent les roches ignées 
granitos plus ou^ moins syénítiques et des diorites; 
les calcaires sont peu ábondans et on peut en distin* 
guer au moins de deux formations. 

La Serra de Vianna est calcaire et renrerme dçs 
marbres; la cordillière, sur laquelle sont situées Estre<« 
pm, B<nrba , et yilla Viçosai est calcaire et lenfena* 



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\ 



(381) 

àm marhrcs; Eltas est suf un calcaire demi enstal* 
lia. 

II 7 a ane infíniti* de faits intóressans tur lea sour^ 
ces , Iss cours át§ riviòros , la vógétathm , la cotnposH 
tíon minéralogiqtie des mctii^ « etc, ele, , que Ton pour^ 
rait dire ; mais la Coram Usíon ne peut f'étendre daia 
|in3 notii!e » et n*a touIii qulndiquer d'une mantèrc a-r 
pro5:ímative , la marche quelle avait auWio ; cependant 
eUe doit ajouter que dan» ce second voyage elie trafoilt 
lé encore plus que dans le premier, ma^gré les fen- 
des difficultès qu'elle rencuntre è cause dn mauvaís 
tempa et des chemins quí devíemient impraticables. 

La Commíí^sion a d^ja mesure plus de 250 ban- 
tCQfS ; eite a fjiit 32 stations de triaugulation, elle apris 
\m grand nombre de dtrectíons des serras , de couches 
etc. ete. ; elle a recueilH quntre caísses d'échaiitillon$; 
et cependaot elle D*en est qu*à la moitié de sen secoikl 
▼ojage. 

Rlle espere dòne qu'ft la ftn de ce second voyage • 
elle aura termine ce qui appartient h TAlemlejo, oa 
du moins cpril lui rejtera peu de choses A voir. 

Portalèjçre 1." de Notembre de 1849, aeJLechar'» 
pé de Texamen géologique du Royauiqe» e( présídeot 
de la CommissioD, ««^ Ch« Bopnetf 



E apresentou : 

Uma Memoria do SRr. José Barbosa Canaes de R'* 
pieiredo sobre os Mordomos Mores, que ficoa para se 
Jèr em occasiSo opportuna. 

E umas ioscripçdes Romanas « oQbrecidas pelo mes^ 
fno Shr. Barbosa Canaes « com a Qua etplicaçSo* A^9^ 
tM«se ^ue ^ imprimisKiq W AçtaSt 



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( 383 ) 



Difperentes Itiscripçõis, 



Uma das mniores collccçdes de Memorias Ii»pida« 
res , senSo a mcior , que tenho encontrado , priocípai* 
mente dos tempos da Monarchia Portuguesa, é a do 
Snr. António Joaquim Moreira. Do exame, qoe eu fiz 
em muitas , confiadas por sua bondade a roeu estudo , 
vim a persuadir-ma ser conveniente a putiTicaçrio de al« 
gumas pertencentes aos séculos do dodiinio Romano. 
Por isso, sendo elle do mesmo acordo , redigi umas no- 
tas tohre parte das que tenho actualmente em meu 
poder, e ora submetto esse pequeno trabalho ao juizo 
doa Sábios Membros desta Real Academia. 

Dtoses. 

GÉNIO MVNICI TEMPLVM. 

C. CANTIVS MODESTINVS 

EX PATRIMÓNIO SVO. 

Çemo fiitmíct[pií] iemplum Caju$ C(Miu$ Modéstia 
mu$ tx pairmomo $m [ereutj. 

Em lapide de 9 palmos e ^ de oomprido , e dt 
fi e j de largo^ encoq^rada na Beira perto de Middea, 
^ r segundo dizem , veio da cidade de Nabríl , cujas 
ruínas se observio legoa e meia dali. Hia o aeguiKtes 



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• ( 386 ) 

ir Templo dedicado ao Génio deste Município, que 
mandou levantar á sua custa Caio Cancio Modestino.v 
Stko comniuns as dedicações Romanas a esta falsa di- 
Tindade: e Masdeu na sua coIleccSo poi cinco deHes« 
panha em n/' 35 , 26 , 27 , 28 , e 29 ; a primeira 
em Braga ao Genio do Mercado^ a segunda em Cordo?a 
9ú% Deosês Génios^ em Grego , e na sepultura de um 
Grego,, a terceira na mesma cidade ao Genio da Ci" 
dade Pat^ Augusta ^ oa conforme o Historiador critico 
Pax^Jídia- Augusta [B«jal , a quarta em Sevilha ao 
Gemo do MunÍ€Ípio Flávio Arvense [Alcolea na Anda- 
luzia], e a quinta em Italioa [S^ilba yelha] ao Gwo 
do Povo fiomanOf 

VICTORIAE TEMPLVM, 

C. CANTIVS MODESTINVS 

EX PATRIMÓNIO SVO, 

Viclímiae iemphtm Cajus Ccmiiu$ fKodsstitms ex 
PQlrimonio suo [erexitj. 

Em lapide de 8 palmos e f de comprido, e de 
S e I de largo « encontrada no in<^mo lugar. Refere* 
$e a um ff Tewpío dedicado 4 Vicioria^ que arigio á 
sua custa Caio Cancio Modestino » o próprio que man-i 
dou f^ier o antecedente, Estas duas fabricas pela qòS" 
lidade da lettra me parecem pouco posteriores ao rei-* 
nado de Augusto. O paganismo Romano aprendeo di 
Grécia a divinisar a Victpria, e muitos simulacros obf 
teve çlla da devoção dos senhores do mundo. Masdea 
em n.^^ 84 , e SS de soa CoIlecçSo deixou memoria 
ide duas dedicações á Deosa Victoria^ uma na cidadã 
de Málaga « outra em Espejo na Andaluria, e nós po« 
4eiQ0fi ftdficionar esta, 



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( 387 ) 

rSACRVM] NETO 

VALERIVS AVIT 
\TVRRANVS SVLPICI 
DE VIÇO BAEDORO 
GENTIS PINTON. 

[Sacruml Neto Valeriui Av{i[n%\ Aturranus Sulpiei 
[m\ dê vieo Baedcro [et] gentis Pínlon^ae stirpe o- 
riimdiB, erezitl 

N'Qina lapide encontrada em Outubro de 1815 
janto A muralha de Condeixa a velha da parte de Tes- 
te • e copiada no anno seguinte. A primeira palavra na 
primeira linha foi suprida , porque falta na copia ra se* 
guinte me indicou a que puz , e embora ella pela maior 
parte oceupe o segundo lugar, nâo me parece haver 
defeito no recurso : commummente se usava o inverso , 
mas eu tenho encontrado exemplos , que me aproveitOo, 
e um delles está no cippo , de que Masdeu copiou a ins- 
crípção n.^ 51. A primeira lettra da terceira linha é um 
jÍ , porque nSo só a parte conservada o inculca , mas 
a palavra de que faz parte. Ha nesta escriptura lettras 
inclusas , e lettras conjuntas : porém fácil é a meu ver 
ler-se <c Valério At>Í!ío Aiurrano Sulpicio da familia 
Piníoma e maiweH â^ aldeã de Bedaro fez esta dedi" 
eaçào a Neto^í^ Os Rtomanos do tempo do Império vão 
erSo menos pródigos de nomes » do que nós somos ; e se 
o devoto de Neto tinida quatro , alguns houve que usA- 
lio cinco. O Consuf Quinio Epidio Bufo Ldiano Gen- 
€Íúno^ Conde Palatino dos Imperadores Severo eCaraca* 
In , e o Tribuno Militar Marco Valério Propinquo Gn^ 
Iko Cereal » que occupou o Flaminato da Hespanha Ci- 
tenor, forto ainda mais largos, que o Lusitano, de 
qiM« voa fiiUando » e suas memorias na citada eollee- 



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( 3S8) 

fSo de Masdea n/' 467 , e 767 o prorSo. Da família 
PifUonia e da aldeã Bedoro nada sei : entretanto jul- 
go ser este Valério Avíto da mesma gente , senão o 
próprio filho de Valério Marítio « ao qnal Valeria Fns« 
cila sua mSi Tez coostruir .o sepuloro » qae se achou o 
mesmo lugar de Condeixa a velha , e , alem de outros , 
copiou Flores na Hespanha Sagrada trat 45 cap. I. Seji 
disto o que for, a presente inscrípclo, segundo minhas oon^ 
jccturas , é dos dias do Império , e nio muito posterior 
ao século l."* da nossa era ; por ella sabemos do culto 
de Neto na Lusitânia ; e nSo ha ahí pouca importân- 
cia. Esta divindade nSo apparece no catalogo dos Ure- 
gos e Komanos , por isso se tem dito ser de íuvençlo 
Hespanbola , coroo se nlo podesse pertencer aos Feni^ 
cm e Carthaginezes. A pobre Hespanha está tio livre de 
mventar simulacros , como de perpetrar outros delictos » 
de que a inveja e a ign(»*ancia lhe tem feito carga. Ne- 
to é o nome Hespanhirf dado a Marte , que qs Gregos c 
Romanos adorárfio , e que tinha um simulacro em Acci 
[Gua4íx na Granada] « segundo escreveo Macrobio no L. 
i/ das Saturn. cap. 19 («)« e outro em Irta<-Flavía 
[Padrão na Galliza] , segundo o cippo n/ 108 da col- 
lecçio de Masdeu. Talves que este Marte s^a o JSMo- 
Tf li€0 , Hereuleg Ftnkio ou Jupiíer Bello ; ao menos qi 
Gregos e os Romanos facilmente o eonfiandirilo ; 
essa questão depende de trabalho especial. 



(•) Aceitam etiam. Hispana f>«Qa. símnlacnun M^úkw 
4iis orn^tim mwma ioU(íoi)è cal$bfai|t, Nstoi^. vQCi|nU|pi» 



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( 389 ) 

Aras. 

WfP. CÃES, NERVA. I 

TRATANVS. AVG. GER. DAC. 

PONT. MAX. TRIB. POT. VII. 

JMP, UlI. COS. V. RgP. 

/mp[crator] Caei^pr] iV#rwi[e] Fíllus Trajanui Augy^ 
tus] í(rer[manicus] Do^i^us] Poiil[ifex] Max[ínms\ rn&[uni* 
tia Pol[e8tate] Septímo imp[eratoria] quarto Con^[ulari] 
qiuMo [insigois erexit] iI[eco]i|f[oítus] P[iis$imus\ 

Nq Penedo das Caldas de S.^^ António das Taipas 
tm Caldellas ^ aue eu penso ser a própria copiada por 
Argole nas antiguidades do Convento Bracarense L."* 2/ 
cap. 4.^ collocando^a pouco distante de GuimarSies no 
campo de Vessada a par do Ave , e por Masdeu na sua 
collecçlo em n.** 188, appHcando-a a GuimarUes. A li- 
çSo da presente copia , que eu tenho razões para crer 
mais exacta , differe daquellas em ter a si^la I no fim 
da primeira linha por P, que nSo vem n'outra parte « e 
acalmr com RgP , em quanto as outras terminSo em 
PP. O Antiquário Bracarense achou neste Penedo to- 
adas as feições de uma Ara Romana, eo Historiador cri- 
tico teve para si fa)tar-lhe o nome dasupposta divindade» 
a quem o Imperador a fizera dedicar. A sigla F importa, 
êomo é constante, em todos os Estudiosos da lapidaria a 
iuocassJlo : e com quanto, menos commum o fígP Recth- 
çmíui Piiâsimutf era mais próprio deste monumento, 
que o p.p. PaíêT Palriae. Pela combinação dos nume- 
im pertencentes a cada unia das dignidades de Trajano 
ÍMentw O Q»QWlo Historiador critico ser feita e§U, A$9l 



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( 800) 

depois de Outubro do anno 103 da iKMsa era. Sappoito 
Í5to , parece-me que diz « O Imperador Ce$ar Trajano 
Auguito filho de Nerva , vencedor doi Germanos e doi 
Dacioê , PoiUifice Máximo , Tribuno Militar a sétima 
tez , General do Exercito Romano a ^piaria , e Carmd 
m quinta^ mandou erigir esia Ara^ pelo que i reeonht-- 
eido píisshao. 

Festas em honra dos Deotes. 

NEPTVNALE. 

Em lapida encontrada na Igreja velha de Boba- 
delia. £ memoria de uns jogos celebrados jem hoora 
de Neptuno , que Unhão lugar no dia 20 áe Julho « o 
qual por esse facto era feriado, segundo escreveo^alêm 
de outros , Sertório Ursato. 

Sepulturas. 

D. M. S. 
MEMORÍAE. G. F. CALCHISIAK FLAM. 
PROV. LVS. II. FIL. FIISSIM. ET. MAR. L.E. 
SIDOMAE. NEPT. DVL. ET. APON. LV- 
PIANO. MAR. MERENT.FABRIC. OVA. MISER. MA- 
TER. IVN. LEONICA. KARIS. SVIS. £T SIBL 

D[ii6] Jlí[anibus] S[acnim] Memoriae G[aji] Ffiliae] 
Calehisiae F/ani[inicae] Prot)[inciae] £tM[itaniae] ubique 
/U[iae] piissini[9íe] et mar[ito] I{ucio] JE[lio] Sidomae 
nepi\\] ciuk[issin(iae] et Apon[ío] tupiano fttarjito] me* 
rtfnl[ibus] fabrie[am ei^truxit] qua[m] miser\tijaa] mater 
fAin[ia] lAomea karis ms et sibi [dícaTitj. 



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(391) 

Em um jaspe branco collocado na parede exterior da ' 
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bispo de Monte^mor . 
o Novo 9 e copiada em 1814. É dividido em três partes 
com tarjas em releva: na parte do centro está a presen- 
te ínscripção disposta ao longo : a da direita se achava já 
gasta quanto a duas linhas de escriptura , que parece 
liaver tido , e o mesmo defeito padecia na extremidade : 
na parte da esquerda tinha um prumo levantado, e duas 
linhas de escriptura, uma em cima e outra em baixo; 
dizendo a primeira E SABINAE^ c restando da inferior 
sé duas lettras ER , cuja significação me nlko é possível 
saber; mas cuido, que era complemento da superior, 
onde pozerUo Eliae Sabmoi. A dedicaçSo aos Manes es^ 
tá na |)arte de cima entre as duas linhas , que de todos . 
os quatro lados tem este cyppo. Se me ulo engano a ins- 
cripçao lé-se deste modo « Memoria consagrada aa$ 
Deoses Manes. Junia Leonica desditosa mãi fez kf^aniar 
tsie nummnenio para si $ para os seus caros filhos di^ 
gnos di ma tlema saudade^ Calchisia Flaminiea daPra- 
xineiadaljasitama filha de Caio esua filha atodososrey* 
peitos piíssima^ ao marido desta Lueio EUo, a Sidónia sua 
nela duUissima , e ao fnarido desta Apomo Lupiano. » 
Junia Leonica , que a roeu ver era do tempo do Impé- 
rio, ede respeitável ancianidade, nos deixou memoria de 
uma Sacerdotiza da mais nobre ordem na Luátania em 
Calchisia sua filha , e ainda , como ídea associada » de 
um Pontifico na pessoa de Lúcio Elb sen genro. Flores 
no tratado de Merida deo noticia de FUvía Rufina Fla<* 
minica da Lusitânia, que lhe constou de uma lapide, 
a qual Rezende tinha encontrado em Alcacere do Sal. • 
Masdeu poz em n.^ 771 e 781 mais um Flamen da 
Lusitânia destinado ao culto de Augusto em Cabeça da 
Albino, e uma Flaminiea da mesma Pruvincia Libéria 
GaUa, natural de S. Sebastilo de Leiria [Colippoj^ a. 



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( 392 ) 

qMm àí 0Mfti8et do M iinicipiD ordeBário esUtat , te- 
pílcio, e funeral. 

HODESTVS AMKATl F. C 

BEL. AN. LX. COBNINA 

CENSVLIA. AN. L. H. SS.â. 

V. T. C AVIMIVS MODE 

STINUS PATRL FiRHVS 

MODESn. UB. PATRO« 

íhd$$ttu Avirati f[i\m] Cfaius in] M[Io consmi' 
ptm aetate] an^norani] LX [et] Comina CetumUa [mor* 
tua aetaiel. aii[iiQniiii] L Afie] ^epulti] funt]. U\jà] í[itiH 
lo] C[aiusj jivimu$ Mod$uimt$ Palri^hm et] Finmu 
UadêMi lih{erUx$] Palra[iubu8 íioc moounieiiCuin ere^ 
seruntj. 

Em lapide de seis palmos de comprido e tm de 
alto , com molduras exteriores » deiitiv da» qoaet está a 
escríptara. Acha*;d encravada na esquina da parte de 
fora da Capella de S/^ António de um lugar chamado 
Aldet Nova a meia legoá di Foa do A^iar, e junto ao 
angnlo>^ que o Gueda forma com o Douro , onde dizem 
ter havido antigamente boa povoaçfto, e que restão vesti- j 
gios de uma fabrica de metaes em tempo Uomano. Os | 
rios Aguiar e Gueda nlo sSo conhecidos noa Geograpfaos, 
e serio naturalmente do numero desses « qoe na» cartas 
são inominados. Os vestigios de fatvicas de metaes não | 
sSo singulares > por isso mal posso sem informações lo^ 
cães assignar sitio. Pergontet-o a- pessoas visinbas do 
Douro , mas nHo fiqua melhor instruído. A qualidade da 
lettra desta inscripçHo recorda os dtas da guerra de O* 
sar na Lusitânia , e julgo « que se pôde passar á nossa 
linguagem deste modo <c Cai$ UodeM fiUiO 4$ Áviral9 



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{M3) 

mifrtô fki goõtra , ée 60 amnús de ídade\ e CSrnina 
Censuliu dê 50 eslào aqui sepullaãos. Fizerào está, mo- 
numeniú Caio Aúimio Modetíirto em obsequio de eeu$ 
pais , e Firmo 9 Liberto de Modesto, de seus patronos. 

. Memorias de reeokkeeimefdos a Cidades^ 

SPLENMDISSIME QYITATI 

IVUA. MODIS. TAPL 

AMINIA. 

Splendídissím[sí^fi civltati Jnlia[e] mo[numen(om] 
^e] /^mpensa] í[ua] I^iti] ^[pii] £(iberta ercxít] Amima. 

Em lapide adiada' na Igreja velha de' Bobadella. 
Cardoso Dão teve conhecimento senHi^ das dicçOes , que 
DOtâo a quem se dedicou este monumento , e só essas 
poz no seu Diccionario. Seu dizer , conforme entendo , 
é o seguinte « Anúrúa Libéria de Tito Afio fez á sua 
aata este padrão em honra da esplendtdissima Cidade 
de Ulia. » Ulia , ou Júlia , ou Colónia Júlia » é Monte- 
mor na Andaluzia. 

Memorias de reconhecimefM a Pessoas* 

IVLIAE GNE 

FLAVINAv L 

IVLIVS 

RVFVS 

PATEONAE 

D- D. 

Juliae s(e]fi[tis]* fíliae de stirpe oriunda] fVwt^ 
fia[e] jTui«]iuIitalÍ^ftaPa(raitae[sa» hoc monumeatuBi]. 



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(394) 

Em lapide encontrada na mesma Igreja. Pareoe-> 

me^ que ae pôde ler « il Mia Plauina da familia EUa 
erigio por dneretUíminwriaJulio Rufoemoiuquiode $^ 
lUirdadeé » A familia Elia natural de Itália veio a ter 
muito extensa na Hespanba: e, poato que em Roma 
nlo teve lugar ao principio entre oa Patrícioa, era na 
sua origem nobitissima. Depois de contar muitos Cônsu- 
les e Senadores foi classificada na mais elevada jerarchta 
p(M* dar ao tbrono Imperial um illustre Príncipe na pes- 
soa de Augusto Adriano. E , embora a sua collocaçto oa 
Gdade» dos Elios escreveo Livio « cum Pa(ricii$ êemper^ 
nunquam com Plebejis eomparaíi » e Sparciano fallan- 
do de sua origem disse c Vetustior a Pincentibuê , jnmíc- 
rior ab Hi^foniemibus. » 

Legaioi PubUeos. 

F. S. 
FRONY 
KIVSA 
VITVS 
AI. 

JF[edt] S[uís] Prommtu AvUus il[micui] TjA^ 
inns]. 

Em lapide encontrada um quarta de legoa de Mon« 
te-Real , duas ao norte de Laria , no sitia doe covões 
junto i raii de uma pequena collina, onde ha umn fon- 
te de agua mineral. Appareceo n'uma escavaç&o em 1807 
com algumas medalhas Romanas , s^ndo escreveo 
Flrancisco Tavares nas iutrucçôet e QnUdas iohn a- 
fuos mtneroest p^rt» ^^ ioip. 11. Não me parece • que 
contenha outra cousa sento « Froninio Aoiio itUim^ o- 



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( 393 ) 

migo dê sm$ emicidadãos mandou fazer para ellês f$t^ 
obra » que naturaimeote ierii a (oufe (m baâfao publi^ 

€0/ 



Por esta efca^itky {mftí/ripod o Secretario qtie 
Sfir. Barbosa Caúaes tinha uma grande Collecçio iff 
InscripçGes , e muitas delias inéditas » tanto de Lisboa ^ 
cooio de todo o Beino , que poderiào formar um corp^r 
cc^sideratel das In»cripçÕes de Portugal ^ nSo $6 Boma-* 
nas , mas também de outras épocas , e propoz que se 
convidasse oSRr. Barbosa Canaes a conimuníca^Ias a A-*' 
cademia , com as $uas explicações^ priofcipiaAdo pelad 
Inscripções relativas a Lisboa e seu termo* A Academia 
approYou a proposta. 

O Srir. Bodrigo Bibeíro de Soi»a Pinio offereeea 
á Academia , por mio do Si1r« Francisco Freire de Car^ 
talbo f a» duas obras mencionadas na lista dos doou^ 

ttVOSir 

Determíinou-«e qne fossem entregues ao Sfin Dite^ 
ctúr da Classe de Scieseias E^i^aetas, para serem eXAf 
minada» pela Classe^ 



JtELATORIOS. 



I.er8o-se os' pareceres dos Sílr/' Fjraucísco Frérttf 
àe Cartalho , e à# Secretario perpetro sçbre as Liç%f 

7OM0 1^ 30 



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(3K) 



ido» éem 



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(397 ) 



DONATIVOS^ 



Jí^naX da Sociçãade Àsialica de Londres. <— YoK 
II — Parte l/— Vol. 12 — Parte !,■— 8.^—2 vol. 
— Offerecido pela mesma Sociedade. 

Jornal da Sociedade Asiática de Paris. — 4/ sé« 
rie — Tomo 13."— N.* 65 — Tomo 14.^- fir 66 
e 67 — 8."— 3 vol. — Offerecido pela mesma Socie- 
dade. 

Comptes rendas hehdomadaires des Séances de VA^ 
cadémie des Sciences (Instituto Nacional de França). — 
Tomo 29 — 2."* semestre — N.^' 7.8,9,10,11, 
c 12 — 4,^ grande — 6 N.**' — Offerecido pelo mes- 
mo Instituto. 

Leíire à Mr. Paul Lacroix (Bíbliophile Jocob). 
Contenant : un curieux épisode de Thistoire des Bíblio- 
thèques publiques , avec quelques Taits nouveaux rela- 
tifs à Mr. Librí et à Todieuse pérsecution dont il est 1* 
objet — Paris 1849 — 8.*^ — 1 folheto. 

iMlres a Mr. Haíton^ Juge d*inriruclion au sujet 
de IfncroyaJjle accuscuion inienlée contre Mr. Libri 
ele. Par Mr. Paul Lacroix. — Paris 1849 — 8.^— 1 
folheto. — Estes 2 folhetos for&o offerecidos por &Ir. 
Achilles Jubinal 

Jornal da Sociedade PharmaeeuUea Lusitana. — -. 
Tomo 8.*— N.° 23 — 8.^-1 folheto. — Offerecido pe^ 
la mesma Sociedade. 

30 1 



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( 308 ) 


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( 399 ) 





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Ameno. 
Idem. 

Nevoeiro no horisonte^ 

Ameno e ar secco. 

Idem. 

Idem. 

Pequeno nevoeiro matutino no horifionte^ 

Muito tépido. 
Ar secco e fresco. 


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Ventos do- 
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(401) 



B£SUUAIK> BAS OBSERVAÇÕES DO HEZ W 
HO^EMBKO DE 1849. 



Temperaturas.^ 



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Mimma a 19 4i 

Máxima a 8 e 9 69 

Variação med. diurna . . 12,7 
Máxima a 11 18. 



Barómetro na tp.* íe 63* 

Max/ altera a 30. • 767,6^ Variação 

Miiiimá a 3 41,7 > dos extremos 

Media 59,73 26,9 millim. 

Ventos dominantes e sua força. 

0,3 (H3 0,9 0,8 1,0 0,3 0,3 

N,13=NO,12 = 0,4 = SO,4=S,l=NE,15 = E,t 

= B ou V,10. 
s= Direcção media do vento dominante N 8^0 (0,4}. 
=3 Madrugadas bonançosas 19. 
c» Meios dias ventosos 2. 



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(403) 

Eaado ãã AtfMspheraf 

Meios dias claros 29 --<- Claro enaveDs 18f~-Cobato 
2 — Dias cm q«ie choteo 7* foraeceiído 59 niilliittetro», 
ou dois terços da chuva normal do mei. — Pequenos oe- 
voeiros matutinos 2 — Dias de algum calor no meio do 
dia 6 — Dia de frio notável I» 

Mortalidade em ílAoar 

Sexo masculino^2 17 maiores-««122 menores— tot. — 339 
Dito feminino — 182 ditos — 98 ditos — dil. — 273 

Sommio 399 ditos —220 ditos — dit. — 619. 

Incluiudo^se 332 fallecídos nos hospitaes , dos quaes 
123 fofao menores procedentes da Misericórdia. £ a 
mortalidade normal do mez , que sobe a 6i 1 índivi-r 
duos. 



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Gpogle 



pO DB IS 
MKTEq^. 



ntos domi- 
ntei è sua 
força 

5 0,S 0.2 



sdCoSts Sd|K 



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M€9^ 



, Dezembro 1848 
Jsnnio lt49 
j^evereiro 



Abril 
Maw 



8«m]Mt 



Jnnbo 
Julho 
Agosto 
Septembro 



Sommas 



Outabro 



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PheoomeDOQ Notatcôi 



(lo*iverio quatro tempetUdet a U, 19 , 1( è f 4 do Sol o 80 ; e Jxíh 

voada remota a 14 
rempesude de 8£ a S a 1 , « f • 



Feropestade do N a 9 e IO, coro o «r mui aekoo.-^^Dita do O a8E de 

S8 a SO , com chuva e trovoada* 







Tempestade io N de fi5 a t7 , tem chuva e kr aeecoii 
Trovoada a 4 com chuva ; outra a fid com chuva. 







Trovoada a t com muita chuva, «— Id«m i \9 • )9 ÇOQI d^vy^t 
)dem remotas a tO, e U. 



'equena tempestade de 8E a 80 a t8 e S9 com alguma chava« 

■ — ' ' ' " ■ 1 1 1 1P I » I W II f . ii W 



mm9 m wt^mi^^^m'^m i ■ i <■■ 



tempestade de 8B a S« a 18 com alguaia cbuTa, ^ Trç* 
» chuva abundante a 18. . 



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ACTAS 

táa 
SESSÕES 

ACAUEiMA MIAI. HAS «eifealíCaAâf 

tlSBOA. 
IW9.— N/VIIÍ< 



StàSSJO LlfTÉãJRIJ DÉ ItJtfÊ ÊjmHíBtLO. 



Presidi» o SBT. Ibié Líberato Freire èt Cinriflio. 

CMtarrtrlo á SeMio « SMettrio popefeé^ ^«M*' 
qtíin loÊk de Çoiia de Maccdo< e o» SBr/' Aatoni» 
Bioit do Oato Valente, JOI0 da Cunha Mete» e Car-r 
valho Portiigd » FrancÍMo Vgtsam doe Santo Cnu ,^ 
Ftaadtco Fieire de Carvalho, Fraadsco Pe^ Celestw 

Imio^L i\ 



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[m) 

no Soara , José Cordeiro Feio , António Lopes da €«• 
ta e Almeida « Ignacio Autooio da Fonseca Benevides, 
Francisco Recreio , Fortunato José Barreiros » Agosb- 
nho Albano da Silveira Pinto , e Francisco Elias Bodri* 
pies da SiWeira, Soàos EffectÍ¥os; António Albino da 
Fonseca Benevides » e Mattheus Valente do Couto Di- 
niz, Substitutos dEffeetivft; António Caetano Pêra- 
ra , e Carlos Bonnet , Sócios Correspondentes. 



UEHORIAS UDAS. 



O Sflr. f^ntos Cm acabou de ler a sua Wtw^ 
ria qne tem por titulo -r- Natici<i8 Hittoricas da lOu' 
minaçào da Cidade de Lisboa. — Foi entregne ao Sâr. 
Director da Classe de Seiencias Naturaes. 

O flfprctark) peipetgo i?n^ 4o vmssiqq Sftr. o 
extracto da refierída Memoria para ser UD{NreS8o nas 
Actas. 



Dépms Í9 Cfarpir em «ma AivÊTÚn^ o atinofe a 
illomíoaçSo da cidade interesn, h&o s6 á segurança dos 
eidad&os « mafc ifíe hoje pôde ter u«ia notaval «ifloeD- 
eia na vida , e na saúdo dos moradores desta eapítai » 
o Attctor divide a soa Memoria em três parte* , ou três 
épocas. — Na 1/ trata deste assumpto, ^esáe o come* 
fo da Menarâbia até ao anuo de-17<(V; ihKinte ttk^ 



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(405) 

e9te imiheiíso espaço de tempo nSo hodve a Icmbrarçi 
de iiluniioar a cidade^ senSo no reinado d'£lReí D* Fc^r* 
nando I, que pcnr seu Alvará approvou as posturas, 
que a Camará de Lisboa tinha então feito para este ser-» 
viço, indica a causa , que daria Ingar a esta dctermi^ 
naçdo » e apresenta os inconvenientes e perigos , em que 
corriao os seus habitantes , em attençSo a esta Talta , á 
má constnicçSo das ruas da cidade , e á pouca policia , 
que entfio bavia ; admirando muito , que este beueíiciô 
publico éseapasse á perspicácia do grande Ministro o 
Marquez do Pombal na reedificaçSo da cidade nova ou 
haixa^ depois do terremoto de 175& , não obstante o 
celebre ^ D. Luiz da Cunhu »= ter já lembrado ao 
Principe D. José a illuminaçilo de Lisboa, em uma 
carta politica, que lhe escreveo antes de subir ao throno» 
Na segunda época da Memoria , que começa em 
1780, e finda em {83i, diz ter sido ordenada a illu- 
minaçllo de Lisboa nas InstrucçQes juntas ao Decreto de 
20 de Maio de 1780, e posta a cargo da Intendência Ge* 
ral da Policia da Cdrte e Reino, a quem fói commettida 
também a limpeza das ruas da cidade , suas calçadas » 
fontes etc. , recebendo os direitos impostos sobre as car* 
nes, vinho , azeite. etc. , para o consumo dos habitante^ 
de Lisboa f até entSo recebidos pelo Senado directa- 
mente iki Alfandega das Sete Casas , rendimentos , que 
d^s entrarão no Thesouro publico , e de lá sahia uma 
€onsi<]rnaçllo mensal para estas despezas. Apresenta toda 
a legislaçSo , que desde antigos tempos auctorisa este» 
impostos raunieipaes , assim como a sua applicaç^o ; dá 
noticia do principio e marcha da illuminaçao, do nume- 
ro de candieiros , que entio existia , da linha de de- 
marcação da cidade, dentro da qual havia essa i Ilumi- 
nação , assim como da despeza , que neste objecto fuzía 
a hteoiaBCÍa numero de seus empregados « com as 

31 * 



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( 40« ) 

competentes reflexBes sobre este serviço jiaqiiellt époa. 
em presença das noticias dadas pelos escriptores de» 
tempo. D* também noticia , por esta occasíio , da i- 
lamtna^o da cidade do Porto , ínstituidn por Decreto 
de 5 de Outubro de 1824; de qual era a soa admi- 
nistraclo » e a cargo de quem eata>a , e os impostos pi- 
ra este fim creados. 

A terceira , e ultima época , e na verdade a nus 
importante, começa desde 1834 até ao picaen te tempo, 
na qutii a iUnminacio tem sempre estado a cargo di 
Camará Hunicipal desta cidade desde aquelle anuo: ex- 
pOe o numero de candieiros » que ent2o kavía na cidt- 
de , o aqgmento annual, que nia (asendo a Camará, e 
o loca) » em que erio postos ; o numero de imipregadof 
neste ser? iço , bem como a sua despeza aonuai , qoe r^ 
guiava, por um termo mediOt na quantia de 35:463/650 
rs.; fu depois algumas reOexOes sobre este serviço, e 
expondo as diflicnidades , em que a Camará se encoo- 
trou muitaa rezes pela falta das consignações mensaes, 
dadas pelo Thesouro, apresenta por ultimo a bistorii 
da ittuminação por meio do gaz bydrogeneo carbooado. 

O Auctor refere , que a Camará Municipal tioin 
em nstas a illuminaçto da cidade por meio do gaz de- 
de 1834 , quando para este fim fez annuncios publios 
tauto nos jomaes nacionaes» como nos estrangeiros, e 
apresenta as differentes propostas, feitas i Camará des- 
de 1836 até 1846, nenhuma das qnaes conveío ao es- 
pirita patriótico, de que ella mostrava estar possaida, 
(lelas rasdes que ^pendeo , até que o Governo por De- 
creto de 3 de Maio de 1846 , e Alvará de 13 do dito 
mez e anno, deo o privilegio exclusivo ft Companhia Cot 
ta e Delry, por quinze annoa, como inventorea de do- 
\05 aparelhos para a fabricação do gaz , referindo as oi- 
to condições deste contracto: faz as competentes tét' 



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(407) 

x9es sobre «stê exclusivo, comparando a Lei tle 16 
de Janeiro de 1837 sobre os novos inventos coro os 
af^relhos^ de que a Companhia se serve para a fisi}»!- 
cacho do gax , que são os mesmos usados tanto oa In- 
glaterra , como na França , notando {N)r fim a resisten-* 
eia , que a Camará fez a este contracto n&o só pelas re- 
presentações dirigidas ao Governo , mas pelos obstáculos^ 
que oppos á Companhia ua canalisação » que começava a 
fazer nas ruas de Lisboa para assentar os tubos condu- 
ctores do gaz» do que resultou pedir a Camará a sua 
dissolução. 

O Auetor descreve a maneira por que a Companhia 
tem até hoje desempenhado as suas funcçOes , segundo 
o espirito do Decreto de 10 de Março de 1847 e Re- 
gulamento que o acompanha , no qual se entrega á 
Companhia Costa e Delry a illuminação publica , e 
particular de Lisboa, que até entSo estava commetti- 
da á Camará Municipal , do que resulta ter a Compa- 
nhia (altado ao seu contracto , por não estarem no 
tempo estipulado illuminadas a gaz muitas das ruas, 
que o devião estar segundo o contracto , não obstante 
ter a Companhia illuminado outras a seu livre arbi- 
trio. Apresenta o numero de candieiros, que hoje tem 
a Companhia , e o numero das casas particulares , a 
que já fornece o gaz para a illuminação, assim como o 
numero de bicos (que passão de 2:S00), hoje alimen- 
tados pelo gaz nesta cidade; compara a despeza feita 
com esta fÒrma de illuminação publica com a que b- 
zia a Camará anteriormente com azeite» e concluo pe- 
los cálculos t que apresenta, ser aquella muito mais 
dispendiosa ; de maneira que se a Companhia tivesse o 
mesmo numero de candieiros alimentados com gaz» 
que tinha a Camará alimentados com azeite , haveria 
um aogmento do despesa annual na illuminação a gai 



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(W8) 

ie Zi:iyyT}Jjli9(i n., ter^^^o esta (para Mmpeimr 
eianso de despeza) r»s vaniagoiis ronsideraveis de ser 
a luz muito mam brilhante, de ser por toda a noHe, 
que durn a illaminaçto , e em todaa as noites do aA- 
nOt o que a toma preferível. 

O Auctor descreve o estado actoal da (abrira da 
Companhia , e todas as operações que allí ae praticèo; 
nota o que almla Talta áqueila fabrica, para estar bem 
montadn , ccroô sSo os tectos de ferro , em algoius 
das casas, alguns muros d'isolacllo« e os para-caios. 
Apresenta os processos de distillaçSo, condensaçio , e 
depuraçftOt alii seguidos, dizendo quanto a este ulli* 
mo, que é ainda muito imperfeito e incompleto, do 
que tem resultado o raáo cheiro do gaz, que muitas 
Vezes se obsorva na ilIumínaçSo da cidade e das ca- 
sas particulares; expde as vantagens, que resultando , 
se o gaz fosse depurado , applicaudo o processo de Mr. 
Mallêt^ pelo emprego do chiororeto de maoganez, ou 
pelo sulphato de ferro, para a perfeita decomposiçlo 
e extracção dos saes ammoniaeaes, o qne só a cal 
n&o póíle fazer apresentando com a devida extensão 
este processo, e os competentes aparelhos para esta de- 
})uraçfto. 

Gonctue por fim, qw a ilIuminaçSo a gas alem ie 
ser perigosa à segurança e vida dos eidadios, em 00a- 
sequencia das explosões , e incêndios , como tem acoo* 
tecido em as outras Nações , do que refere muitos ei" 
emplos , verificados em L^ondres e Paris , dis , qne 1 
ilIuminaçSo de Lisboa, como se faz aetuahneiile, p^ 
de ser nociva á saúde publica, por conter gases, quelb^^ 
BAo insalubres, que vem juntos ao gaz hydrogeneo ; diz tam^ 
bem, que nto obstante as excellentes ptívvidencias, e^ 
tabeiecidas pelo Governo em o Decreto regalamentar 
tfoL iO de Oiitiibro ie ^S^9, fae 4 ma eopta de é* 



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(40») 

Ifth^lesidO' em Trança , e datado àt 27 de Janeira de 
1846, para obviar os perigos de vida dos habitantes « 
que repetidas veies tem acontecido nas cidades referidas ; 
com tudo ainda alo precisas para o mesmo fim algu- 
mas disposições regulamentares, e ínstrucções, como 
medidas de segurança para a iliuminaçfio particular, cu- 
jo projecto elle apresenta. — E não obstante apresentar no 
*corpo da Memoria ioda a IcgisIaçSo antiga e moderna, que 
tem relação com o seu objecto não só em attençSo aos impos- 
tos muBtcipaes para este e outros serviços puUicos, como:^ 
incsma illumioaçâo ; elle nota por iiro toda a legislação^ 
que se tem publicado relativa 4 dita iliuminaçâo, por 
meio do gaz. 

Termina em ultimo lugar o Auctor a sua Memoria, 
expondo quanto conviria , que em lugar do carvão de 
pelra , se empregassem , como matérias primas , outras 
substancias , de cuja distillaçao não resultasse ser o gaz 
hydrogeneo carbonado inquinado de matérias , que fos- 
sem nocivas á saúde dos habitaiites da cidade, o que 
se pôde conseguir com o emprego do bagaço secco das 
uvas, e das borras do vinho, cuja distillaçao dá uma 
enoraoe quantidade de gaz hydrogeneo, que apreseuta 
uma luz maravilhosa , sem estar inquinado de substan? 
cias nocivas á saúde publica , como proverão as expe- 
riências feitas ultimamente em Paris, no curso de 
Chymica da Faculdade; e quç nem tão pouco se acba- 
rião estes iocoaveoientes , se se empregasse na íUumi^ 
nação da cidade o chamado liquido mineral , usado 
^m muitos estabelecimentos públicos de Paris, e cuja 
luz (dizem) ser até mais bella» e mais suave ã vista 
do que a do gaz, e não ter nenhum dos muitos in- 
convanientet» que tem o gaz hydrogeneo, resultante 
da distillnçio do carvão de pedra ; e sobretudo ae SQ 
SSd|se á% luz eUcirica (de que o Auctqr apresenta um^ 



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(410) 

noticia) , fse é Irilbaiitissima , • Oto bella eono i ib 
6ol , de maneira , que a 500 passos Tacifitafa « leítan, 
como se espeiimentou em Paris em o mei de Apáê 
ultimo ; asse? eraodo ser lioje o meliiQr meio 
4o ilIu^iinaçikPf 



'^xo critico 9obre o extraio da fffttría da DynãMk 
dai Bem^HaftSf par JlbdaUah Mahammed^ irad»^ 
MÍdo por Mr. Alphma Rau$$eau » no Jornal Aáati* 
CO de Porii, 4/ cérie, Toma 13. M* 64, ÁtrUe 
Mvo i€ i849. Pelo SBr. ADtoob Caetano Perua, 



âOTB&TEUCIAt 



Todos os Historiadores Árabes slo eiagerades» 
quando roTorem Ibctos que lhes são Ci?ora?eis ; meotiro* 
soe DOS adversos ; e nos duvidosos , tonilo>4e enigmati* 
cos. 

Os seus copista^t com rarissimas excepcQet, aio de^ 
losop por çarapter , falsificadores por tgiioraiiçia. 



A extraordinária surpresa, que nqs eaiiaoii e no* 
?a danominacSô da (|uinta Dynastia doa Imperadores da 
M aorHania ^ fn^sdngo pertõide prorar com o exinete 



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de im ttamiserito Árabe attrilmido a-^el*Zerkeioiii<-^ 
cuja copia ?em no citado jornal , o tradotido por Mr. 
Alphonao Rousseau , noa le? ou ao escrupuloso eiame do 
mesmo texto , confrontado com a traduoclo , e com o 
juizo do mesmo Interprete. 

Lft-se no citado Jornal a pag. 271 o seguinte «^ 
» Elle (o fragmento) começa no reinado de Mohammed 
» ben Âbderramea el-Mohdi , primeiro príncipe da Dy- 
» nastía dos Almohades , e acaba no reinado do Sohto 
» Abou Omar Othman , figesimo príncipe da Djnastia 
a dos Beai-Hafas, que succedèrlo aos primeiros. » ^— 

Mostraremos pois; queuosnSo merece credito algum 
o Manuscrito Árabe , Mo só pelo seu estilo , mas pela 
falsi^çSo de nomes , e confuslo de factos : e por ul« 
timo ^^que a Dynastia , que suocedeo i dos Almejados , 
nfio foi a dos Beni-Hafas , mas sim a dos Benemerines. 
Dividiremos por tanto este pequeno Juízo Critico m 
duas partes: a 1/ será o Exame Pliiliflogico; a 2.* o 
Exame Histórico. / 



Paetb 1.* 



Sxandnemoa o texto Árabe , que começa no eita« 
do Jornal a pag^ 272 ; e na primeira liiàa se lê o se« 
gttinte: 

Ua gálaa c^êádeq naftmi ua ftátoa laúmii Ishaq. 
Tradlitio o Interprete* . . . Ei-Ouatseq abdicou volunt»- 
ríanwnte » e proeiamou sau Tio Abou lAaq. 

O Texto começa por uma partícula — «a — que 
P btaipreti nia traduaio: e fei bem, fof^^ Mum <m> 



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«alto a lUta fiiui Mnittel, qM experimenta ^oalqair b- 
terprete, omittíodopM o§ começos, oa prefações, em 
^oe todos os Historiadores Arab^ offeracem oa elemeo- 
los, que dirigem o leitor ao claro oonhecimeoto das 
mesmas obras , paraiysando-lhe uma tal Culta a devida 
critica , por menos severa , que se queira applicar. Dii 
6 luterprete — ▼oluotariameote. -— 

O texto só dii , que. . • . El-Ouatseq abdico« t 

Ido raiste um só termo , que signifique a circuoslaaúi 
Miavel de vokiotariedade : diaemos notável ; pcrqiie um 
tal acrescentamento pelo Interprete oppõe-se ao que no 
meamo texto se acha a pag. 273, líniias 12, e 13 — 
onde se diz , que. . . . Abra Ishaq o mandou prender , e 
degolar » por elle (Ouatseq) se querer sublevar contra 
^lie : e como se concilia isto com a abdicacte voiuiOa- 
ria ? Louvamos em fim a boa (6 do digno Interprete em 
ae persuadir , que naquelles povos bárbaros , onde cada 
uma das Dynastias de seus Imperantes foi uma cadâa 
de escandalosos usurpadores, houvesse algum, que vo- 
luntariamente abdicasse ! ! Continua o Interprete. . . . e 
proclamou seu Tio Abou Ishaq. 

O verbo , que o Interprete traduzio — proclainoa 
^- é o verbo concavo — Báaa — » e se acha no Texto 
escrito na 3.* conjugado , e na forma activa — Báiaa 
— onde significa — inauguratus est Imperator — isto 
é , com este verbo na 3.* conjugação e na activa expri- 
mem oa Árabes a solcmne, e puhlioa accUmatto de sens 
imperantes : e por isso na activa só o emprq^So no ptw* 
ral , e rege depois de si accusativo * e não dativo « co« 
mo se lê ne texto — LmUnii — com esta ctrcuaatan* 
cia em, dativo regido da particula — la -^ somente ae 
emprega este mesmo verbo na 3/ coujngaçãa, mas é oa 
firma passiva : e então deveria o Autor escrever assim 
»^ .. . tiawtí — :>í^a hvif bUguilá^. . « .^o^^^èse tnAupt 



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(413) 

ciria da maneira seguinte. ... Foi feita a pdUiea ; e io« 
lemne acelamação a seu Tio no Cbalifado : é amm qua 
escrevem os Sábios, e nfio como alli sé acha escrito : lo« 
go está eirada a grammatica e a traducçto nSo é.fiel. 

Na mesma pag. 272 , 4/ Kuha , se acha o segnin* 

te. . . . Galaaa mfsaiú Imímn Traduzio o Interpreta 

«— Elle abdicou foluntariamente em fav<Mr de seu Tio. -^ 
AI6m do acrescentamento do adverbio -«-^ voluntária* 
metite — uma tal traducçâo ajusta-se bem á supposta 
abdicação voluntária , e desta modo se disfarça a mani- 
festa contradicçao , que resultaria , se o Interprete lesse , 
como devia lér ; isto é — Liámii — • em vez de — 
Laúmii. — Has provado » que nunca se deo entre elles 
uma tal circunstancia , é claro , que não podia haver 
abdicaçSo em favor de ninguém : além de que nlo se 
encontra a idéa de — Favor — expressa pela partícu- 
la «— Lá — mas sim pela partícula — áld — ou pelo 
nome , que o designa. Lendo-se por tanto , como se de- 
ve lèr; isto é — UAmii ~^é traducçSo a sc^gninte. . • . • 
Elle abdicou por causa , ou wdem de seu Tio (o que 
é natural que fosse) donde se dedu^ , que ou o Autor 
errou a expresslo » ou cahio em manifesta contradicçio. 

Na pag. 273 » 2/ linha , se lé o seguinte : 
Tmqlé bftodaú umuú al^MauláHÚ^ímní-Abú Ishaq* 
Traduzio o Interprete. — Seu Tio Abou Idiaq lhe sue- 
eedeo no poder. 

Bste pamo está errado ; mal traduzido; e envolve 
cantradicçio^ A primeira palavra é o verbo -^ ualá ^- 
b que os Grammaticos Europeos chamSo—Quiescente-— 
duas veses imperfeito ; e os Árabes lhe chamio — In- 
volto separado — está na 5.' oonjugaçBo e activa , * cu«> 
ja signHkaçlo é — PnèfSsait rei-muneri — rege aecn« 
istifo: mas no texto está regendo nominativo, logo et* 
tá errada a syntaxe. Lea-se pois o verbo na fòrma pas* 



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(4U) 

fi?i , ONM 6 psrecê haver lido o Interprete : em tal et* 
io ainda existe o erro de ertbographia : por qnanlD b- 
ftodo o concurso das iettras eofemias » e a omidanca das 
TOj^ats , prescrevem as regras da gramniatica , que » 
marquem as vogaes ; e assim o praticlo os Sábios , e 
o mesmo Autor o fat dos casos , em que menos neces- 
sidade liavia. Mas sapponhamos correctos qualquer dos 
dois erros , ainda resta um terceiro^ que é faita da pro- 

Cedade , e purexa da Lingua Árabe : porque este ver- 
so exprime a nomeação de um emprego , mormente 
o Governo de uma Província ; a que corresponde exa- 
ctamente entre nós aos Prefeitos , ou Governadores nas 
Províncias , e nlo o de Successor no Império como o 
passo quer dar a entender ; e só poderia exprimir uma 
tal idêa , se no texto viesse clara a necessária circuns- 
tancia .... hUfutiláfàlí isto é, no ChaKfado « o que lá 

n&o apparece. Por ultimo concederemos um descuido no 
copista ; o que nSo podemos é salvar o Autor de uma 
conlradicçlo : porque este verbo , que o Autor empre* 
ga t em qualquer conjugaçSo , e em qualquer voe , senn 
pre , e só significa a nomeaçio de um encaixo ; e por 
ISSO ou o Sobrinho nomeasse o Tio seu successor, ou este 
fosse nomeado , oppSe-se evidentemente este facto ao da 
publica , e solemne aoclamaçlo , que se acha no prio* 
cipio do texto duas vexes enunciada. 

Esta grande falta de pureta da lingua se acha con- 
firmada a pag. 283 , onde se 16 este mesmo vettso , e 
escrito do mesmo modo, além dos erros apontados, 
com mais duas significações naui exftranhas : na linha 5.* 
— significando. — Foi encarregado (de o matar) — e 
na linha 6.* — significando -— Elle reinou (em Tunes). 
Bonde se conclue, que ou o Autor era mui ignorante 
de soa lingua , ou o Interprete nlo 6 fiel na traduz» 
çfto. 



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(418) 

A p8g. 282, linlia 12.\ le IA o saf^nte: 

ua naja ilá Tilmasana. 

Traducio o Intarjirete. — Seia filho salvou^se de Telm* 
sán. — 

Está errada a traducçio , e também errado o tes- 
to , e envolve uma evidente eoDtradicçfto. 

Está errada a traducçSo ; porque. . . . tld. . . . nlt 
aignifica — de *— significa — para. -^envolve contra- 
dicção : porque admitttndo-se a idéa , de que elle se 
salvoa de TelmsaOt oppOe-se ao que se lê na Unha 14.\ 
onde o Autcnr dit: 

Ahi (em Telrasan) tinha elle uma Irma ca^da com o 
Governador de Telmsao. . . e continua : 

Fa acranuKÚ ua rahaba bii 
que quer dizer — e em consequência disio , este (o Go« 
vemadcHr) o tratou generosamente , é se congratulou ooos 
a soa chegada. 

Também está errado o texto : porque o verbo -r 
fiajá — que significa «— Evasit — só adroitte depois 
de si a particula — min -^ que significa — - De -~ 6 
náo soffire a particula — ilá — que significa — Para. 

— Pelo que se vA claramente , que o Autor ou errou 
na particula t pondo — ilá — em lugar de — min — 
ou errou o verbo, escrevendo — naja — qué significa 

— Evasit — eih lugar de — laja — que significa — 
Confi^t ad eum. — 

Em todo o caso o Interprete errou , pocaue se 
trocou a significação da partícula para salvar a ao ver« 
bo , nao salvou a contradicçáo. Emendando pois o Au- 
tor, ou u copista t e a fraducçáo, deveria lêr-se da 
maneira s^uiute: 

ua laja .... ilá Tilmesana. 
£ entlo seria esta a sua verdadeira interpretação. 

Seu filho se refugiou em Telossao, onde o CiovQTf 



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(416) 



nador o tntra cmn generoodadet • le eongratnbo oon 
a sua chegada. 

Otttroi muitoa ema podenamoa apontar , rnaa cAo 
basUo para o nosso ioteoto: e como a belleza èo§ ta- 
guas se funda no appropriado uso de seus vocalNtloa, fa- 
remos sobre esta ctreuiistaQcia ainda esta dttma obser* 
facto. 

É Oto sé claro « mas até evidente , qne es veeahiH 
los -«- Ghalifa — Emir -^ e Sulito -^ nto tâo termos 
synonjmaa, mas cada um delles èsprtme uma id£a nrai 
^pecial; nem sio tSo pouco nomes próprios de homens; 
€ por isso , ou se tomem como taes , on se appliqoeflB 
indistioctamente , de necesádade ae cabe em granastmof 
erros. Chalila — - exprime aónenie o Imperador • que 
era, ou Uasonata ser do sangue de Mohammed. Rnir— * 
aígniâoa o Imperador independente. Sultio — exprime* 
ou o Rei , que é subordinado ao Imperador , oa é nppB* 
tado a ipialqncr Rei » ou Honarcha Cfaristto. 

É pois o qne notamos no teito; isto é , oelle r^- 
«los, tomado o vocábulo — Emir — , nmas veses como 
nome próprio , outras vetes , como titulo : Abou bbaq , 
é notado umas vezes com o titulo de Emir « e mais re^ 
xes com o de Sultio , ao passo que seus filhos recebem 
delle o de Emir. £ igualmente certo , que os Historis' 
dores Árabes «[Xprimem o Governo dos Imperadores pe- 
lo termo — « Guiláfat — Chalifado; e os doa Reis pefo 
termo — dn/af — Governo : logo é contra a proprieda- 
de » o uso que fas o Autor do texto « quando na 9/ /i- 
nha a pag. 272 emprega — gmláfití — em lugar de 
*— éulúi — visto designar Abou Ishaq com o titulo de 
Sultão. Mas nio nos deve admirar isto , quando sen Au- 
tor foi tSo idiota , que nem ao menos sabia a ordem , 
nem o nome dos meies do anno , como passamos par 
ultimo a ^bmoDStrar. 



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( «7 I 

For três modos exprimem , e numerSo os Árabes 
os mezes do anno: l."* Pelo raethodo Europeo» que 
consiste em escreverem com os seus caracteres os no- 
mes dos mezes ageítando aqaelies 'MT sdds /^':^e le lhes 
representilò! v. gr. o mez de AgDSto% 6. . .gáà^lá. . .\l 
e isto se encontra em mnritas Cartas , e Tratados com 
as Naçdes Christãs. 2.^ Peio Syrtaeot e eatio ao mez 

de Agosto Ibe .éàanOtOf e escrevem aba 3.* Pelo 

pro|m«inente Árabe, eom seus nomes particulares» e 
por uma ordem constante , e determinada : e por isso 
sempre o seu terceiro mez do anno é-— «Kafaia el-^ualc 
— o 4.** mez é — Rabia eWtani. — 

Dís o Autor ne texto a pag. 272. , 2/ Knba , que 
a acclaDMçao de Abou Ishaq fora ao m^ — Rabia el-^ 
tani^--^, que o Interpreta tradozio-'- Agosto: — e a pag« 
273 , 8.* linha , diz , que a dita acclamaçâo fora repeti*? 
da em Tunes no mez — Rabia-d-aguer — do mesmo 
anno (a) 678 da Hégira. Donde se segue ; que empre- 
gando um nome de mez , que elles nSo tem , ou que 
ignorava o nome verdadeiro do mez ^ que queria repe^ 
tir , 0ú ignorava o nome do mez , que se lhe s^uia* 
Supponhamos, que o Autor qaiz pefo adjectivo» que 
emproou — el-agoer — indicar outro mez pelo modo 
Syriaco; nesse mesmo caso errou também» porque seria 
00, . . . Txuin^el-aguer — Novembro , 

ou Canum-el-agtier — Janeiro. 

De tudo o que havemos dito se prova » que um tal 
manuscrito ou é apocryfo » ou se acha mui erradamen- 
te copiado: e por consequência temos apresentado os 
motivos por que nos não merece credito algum omanus* 
críto, cuja copia se lé uo citado Jornal Asiático. 



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Nota {my 



M oMi fcf enooatrtaoi ca toáa a 
tam por título — Cartai <«-^ oa aoto, por tal é eodnci- 
da , erta expronlo — nbU ai ifar — para esprioir 
— rahU aiÚám — loim o qna deranoa laser as se 
gattttet obsenraçSei. 1/ Qw nona pana» o aacritor a- 
caba de exprímir o met — têòH dí^^Êd — e áapois k 
quatro palavras en si^da dii — ralM tirogor — is- 
to é^-Mensa Ratai prioio; — e depoía — Bkaae Rali 
altero. — SL' Que assim oono se dimia da para U- 
tinidade no emproo de — altaro — para exprinir oní 
tal tdéa ; assim ao aMocioDado pasw se pôde appfasr o 
dito do mui judicioso Honcio — •Quandofua bónus dir« 
mitat Hamenis. 



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(419) 



IX)NâTIVOS. 



Jarwã ie Pharmaeia e Seieneieu acee$$or{ai, âe 
Liéoa ete. — 1.* Série — 2.' Anno — Detembro de 
1849. ~ 4.*— 1 N.''— Offierecido pele Sfir. José Ter 
desdú. 

Jornal da Sociedade Pharmaeeutiea tMeitana. ->« 
Tomo 6.'— N.* 24. —4." — 1 N.*— ÓBferecido pela 

Bsviíta mUtar — Tomo !.*■-- 1849 — N." 11 
—Novembro — 4.*— 1 N.'— Offisrecido pelo Síir. For- 
tunato José Baneiros , em nome da Direccto. 

ComjMt renduê M>domad<úref det Séanutê de VA'* 
eaiimie des Seieneei (Instituto Nacional de França). -^ 
Deuuèroe semestre -^ 1849 ^ Tomo 29 — N." 13, 
IS , e 16 -> 4.**^ 3 N.*'-> Offerecido pelo Instituto 
Nacional de França. 

Proeeedmgi of th» Royed Soeiety of Édmbwrgh 
(Actas da Sociedade Real d'Edimbai^). '— Vol. 2.*— 

1848 — 1849 — N." 33 e 34 -~ 8."— 2 N." 
Traniaaiakt ofthe'Itt>yal Soekty o^ Bikéur^ — 

Vol. 16 — Part 5.*— For the sessioa — 1848 —• 

1849 ~ 4." gr.-"— 1 vol. 

Dito — Vol. 19 — Part 1.* — Contakm^ tht Ma- 
hntom Magntíktd and Mèuorologied Obtenations for 
184S and 1846 (Contendo as observações Magnéticas e 
Meteorológicas dos annoi de 1845 e 1846). Edinbui^ 
— 1849 — k." g.**— 1 vol. — Oflerecido pela Socie- 
dadfrHetl d'Edidibvi^ 

Toxo I. 32 



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(42«r 



áSSEMBLEÃ ITEFFKCTIVOS DE 15 DE 
DEZEMBRO. 



Fnsidio o Sfir. José Cratleiro Feio. 

CoDcorrèrto á SenSo o Secrettrio perpetuo Jot* 
quim José da Costa de Macedo , e os SAr/ Aatooio Dh 
•is do Couto VateDte , Jodo da Cutiba Neres e Cani- 
lho Portugal , Francisco Freire de Carralho , José Li- 
Wato Freire de Canralbot Francisco Pedro Celestino 
Soares , Filippe Folque» Francisco Recreio, António Lo- 
pes da Costa e Almeida, Ignacio António da Feose- 
oa Benevides , Marino Miguel Franzini , Fortunato Jo^é 
^rreiros , Agostinho Albano da Silveira Pinto , e Fran- 
cisco Elias Kodrigues da Silveira, Sócios ESKtiros; 
António Albino da Fonseoa Benevides • e Matlheiís Va- 
lento do Couto Diniz , Substitotoa d'Efifectivoa. 

Para satb^er ao 4|ue se oràena na Cortaria ex« 

pedida peb MinístaÍQ dos Negócios do Reiíio em 21 
de Novembro ultimo, relativamente ás representa^ 
dos Alamnos das Escolas Medico-Girurgicas de Lisboa 
e Porto , nomeou-ae uma Commissio composta das Sâr / 
Directores das Classes , do Sir. Yice*Seeretario » e da 
Secretario perpetue da Academia. 

Mandou-se copiar o Man^senptQ. do Cancionetn) 
do axtincto CoUegio dos Nobres. .. 



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fbi nnanmemente ãpproTado p«ra Sócio CoiT«spon« 
dente da Academia o Sfir. Júlio Uaximo de Oliveira 
Pimentel , qae tinha sido proposto para Sócio na Sj^ 
são de 21 de. Novembro. 

O Sllr. Director da Cla^ de Sciencías Mgriiâi e 
Bellas Lettras, propoz para Sócios Gorresponde^tas os 
Sfir/' Manoel Âotonio Ferreira Tava|^ » e José Igpaâo 
Boquete. 

O Sfír. D/' Folque apresentou um Manusoripto 
Ao Sfir. Antopio Anacleto de Seara » que tem por títu- 
lo =s Tratado doi Inêtrumenioê de reflexão ^.çomprfhenr- 
dendo a fraliea daAelwnomia iViiti|íca=:e propoz qne, 
sendo approvado pela Academia, e por ella imprfsso, 
se tivesse com a Viuva do Autor & contemplaçãcf que 
a Academia entendesse. Assentou-se que se entregaise 
o Hanuscrípto ao Silr. Director da Classe respectiva, pa» 
ra o fiizer examinar. 



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(425) 



JUBSCtTàBO BAS OBSBRTAÇCeS DO HEZ ML 
l^ZEMBRO BE 1849. 



Temperatura$0^ 



Minima a 24 e 27 3V 

Maxim» a 13 65 

Variação med. diurna. • • 10,5 
Máxima dita a 27 . . . 20 



Barómetro na fjK* de 6S^ 

Max.* altura a 16. . 767,51 VariáçSo 

MÍHima a 12 50,8 > dos extremcH 

Media. 60,83 16,7 núflim. 

Ventos dominantes a sua força* 

0,6 0,7 1,1 1,1 1,3 0,7 0,3 

N,10==NO,ll=:a,3=SO,4«=S,i=NE,16 = E,a 
1,3 
= SE,1=V, ou B,li. 

c==Direcçào media do vento dominante N,i'0 (0,ír). 
= Madrugadas bonançosas 14. 
s= Meios dias ventoso^ 10. 



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Eitadõ da Aímotphirã. 

Meios dias claros 24 — Claro e nurens 4 — Cobertos 
d «—Coberto e clarBes 5 — Dias em que chores 10, 
dos quaes forão 4 de cbttviscos , Goroeceodo a dímiouti 
quantidade de 31 millimetros , ou pouco mais da terça 
parte da chur a normal — JNeroeiros 7 — Dias de iHo 
intenso 10 » sendo 4 em que appareceo gelo e geadas 
matutinas. 

FhatiomafMis noíaveii. 

Em 18 do mes cahio sohre Messiaa vma forte 
tempestade , que causou grandes desastres. No decurso 
deste mesmo mes foi açoutada a costa meridional ài 
Franca, sobre o Mediterrâneo, pur ventos tempestuosos dos 
quadrantes do Sul apparecendo ao mesmo tempo um in- 
terno rigoroso em toda a Europa , com gelos e neres 
abundantes, que interrompArSo a navegação fluvial, e 
o transito dos caminhos de ferro. — Desde 27 o ca« 
pai de Inglaterra , e mar do norte , forão agitados com 
Cortes tempestedes» que causarão grande numero densu- 
fragios. 

Mortalidade em LlAoa. 

Sexo masculino— 828 maiores — 125 menores — tot.— ^33 
Dito feminino— 18! ditos —113 ditos — dit.— 25* 

Sommão 405" ditos —243 ditos — dit— 647. 

Incluindo-^ 365 que fallecérão nos hos]»itees , dos qoaes 
153 forão menores procedentes da Misericórdia , ou ex- 
postos nos adros. O excesso da morUlidade sobre a oof' 
mal foi de 25 indivíduos. 

M.M. Franzim. 



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ACTAS 

SESSÕES 
iàÇADJÉMIA AÊAL DÁS fitCiEMOLUI 

iiSBOAt 



TOMO n« 




USfiOilí 

Xá ttMMliiFU DA MSnU ACABUIA, 



^85a 



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ACTAS 

SESSÕES 

DÁ 

ACADEMIA tíMAJL DJàS SeifilVCtAJi 

ra 
LISBO^ 

1850. — N-^I^ 



S]í»SJO LITTERJRIJ DE U JMi JJNÈÍR0Í 



Presidio o Ststé José LiWato Tteire de Canalho; 

ConcorréfSo & Sessio ' o Secretario perpetuo íoí^ 
^uim José da Costa de Macedo, e os Snr/' Antotíio 
JDiniz do Couto Valente , Joáo da Cusha Neves e Car-^ 
talho Portugal, Francisco Ignacto dos Santos Cruz, Fran^ 
cisco Pedro Celestino Soares , Filippe Folque , Ignacio 

1 « 



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MEMORUS LIDAS. 



O Sf(r. António Caetano Pereira continuou e act'^ 
bou de lér a 2/ Parte do seu Juizo Critico sobre o ex- 
tracto da Historia da Dynaslia dos Bcni^Hafs$f par 
Abddlah Mohammed^ traduzido por BIr. Alphoaio Rous*. 
feau. 



Partb 2/ 



Passemos agora aos Factos » e nomes de seus agen« 
tes , que servem de assumpto ao citado texto : e deste 
modo entramos na segunda parte, que é o exame histórico. 

Para ^ evitarmos a fastidiosa repetição dos mes- 
mos nomes dos autores, que autorisSo nossas provas» 
e que no decurso deste pequeno escrito devemos citar » 
prevenimos nossos leitores, declarando-os aqui antici- 
padamente. 

£ são 08 três manuscritos seguintes : primeiro é 
Abu-Muhammed SAlihu Ben-Abd-*Alihime -^ cujo ti- 
tulo é — Historia Genealógica doa Imperadores dos Mu* 
lulinanos. — O segundo é -«-Hubammed Ben-Abi-Mu- 
Mmmed Abdellá — cujo titule é — Historia dos Raia 



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(•) 

iã Mavitevia. -^ O teiceiro é -^ Fr. Mo de Soou, 
Árabe de Naçêo , o primeiro Mestre » e Fundador <U 
Ao!a da Lii^a Árabe em Porto^l , cujo titolo é -^ 
Bret6 Noiicia dos Soberanos , qoe gofemárte em Afri- 
ca , e %aa$ djnaitias. — r 

Adrertiroos por oitimo , que as nonas diacides se- 
rio feitas pelos tiUilos dos capitolos: porque os Histo* 
nadoros Xrabes (coro raríseimas eicapcdes) nSo costih 
mio Domerar seus capítulos « e soas paginas : de rinte e 
três manuscritos » que possoimos , apenas um se lé pa- 
ginado. 

Quando pela primeira rei passámos os olhos pek 
texto « entendemos , que era uma historia particular da- 
quelles Régulos, e pretendentes, que em diBereotes 
épochas apparecério não só em Tunes, mas também w» 
diversos estados da Mauritânia : e nessa conta a desfnre- 
aaríaroos por menos interessante A historia geral daqaelk 
fastissimo pais ; se a leitura da carta , que |Mecede o 
inesmo texto , escrita por Hr. Alphonso Rousseau a Mr» 
Reinaud , nos nto despertasse a curiosidade de inda^r 
o motifo, por que o interprete attribue i quinta djaa»* 
fia dos Imperadores dos Musulmanos a extravagante de- 
pomioaçlo de — Bení-IIafss. 

Inda que Mr. Alphonso Rousseau diga em soa ji 
citada carta , que o maouscrito abrange o periodo d« 
360 annos , com todo nio podemos applioar nossa criti- 
ca senio apenas sobre o texto, que se nos oftrece do 
citado Jornal asiático , quo somente abrange o mui cur-> 
to periodo de cioco annos , pois abre sua narraçSo em 
6T8 da hégira , e a fecha no anuo de 683, 

O ficto é o segumte» despido 4e leiu poqueoof, 
e tríviaes accessorios. 

Governava (dii o texto) em Tunes EI-^Fadhel Im 
yehíft d^Onat»?^ Qoi «|!^Meo9t«MKsr i ^ Wi «78 * 



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hégira obdicoa, e lhe succedeo Abou Ishaq Ibrahiii 
beo el-eiiiir Ai)ou Zakaria Yehia eben el-Secheikh A« 
bou Hafss ; que era seu Tio. 

No anDO seguinte Abou Isahaq mandou decapitar 
a £I-Ouatseq , e a seus filhos. Dois aimos det)0Í8 , em 
681 appareceo um pretendente, chamado — Ahmed 
ben Marzoak ben Abou Ornara que, tomando o nome de 
£l-Ouatseq , alcançou um grande partido ; este , ainda 
que feliz em alguns encontros , nos quaes mandou de- 
golar a Abou Fares , filho de Abou Ishaq , e ao mesma 
Isbaq; abandonado pelos seus partidistas succumbio aa 
forte partido de Abou-Hafss Omar , que mandou dece« 
par a cabeça ao pretendente » e ficou reinando em Tu- 
nes. 

Sfio estes os nomes , e os factos principaes » que %ê 
referem no mencionado texto. 

Confrontemos pois tudo isto com o que se acha es<« 
crito nas historias , que citámos. 

No primeiro historiador citado, no capitulo que 
tem por titulo : 

Àl^-gabru an dulaí Àmyri al-^Muslimina Ahy lusuf, 
que quer dizer : 

Noticia do governo do Imperador do# Musulmanos Aba 
lusuf — se lé o seguinte : 

O primeiro Imperador dos Musulmanos , que succedeo i 
extictcta dynastia dos Almuhades , foi Abu lusuf Jacub 
Ben Abi-Muhammed Abd-Al-Hak, qiie principiou a go^ 
yérnar em 668 da hégira , e seu governo durou vinte 
e três annos , e sete mezes : e por se ter apoderado j& 
de todos os estados barberescos , quiz estender seu do^ 
minio ás Hespaohas , para onde passou quatro vezes : 
a primeira em 674 ; a segunda em 676 ; a terceira em 
1581; a quarta em 684: deixando nos differentes esta- 
dos sm% governadores ; a no anno 678 s6 teve que da- 



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Mlor nm rebelde , que em Mainrocos se lerantoa coi* 
tra elle» ehamado — * Sofiano Nessaàde BeiHKanuD, qus 
fe intitulava — Imperador doa Árabes. Donde sevè, qat 
desde 668 até 697 da begira, nSo houve Imparador 
algum chamado — El-Ouatseq ; nem Abou lahaq Ibra^ 
him , nem pretendente , que se chamasse -^ El-Fad- 
hel ben Yehia. 

Vejamos agora o que diiem os mesmos historia^ 
dores a respeito de -^— Ei*Fadhel Ben Yehia el-Ouat« 
teq , que abdicou em Abou Ishaq. 

No historiador citado em segundo lugar, no capi*' 
tulo que tem por titulo : 

Ál'-gabru an dalat Idriz^ 
que quer dizer: 

Noticia do governo de Edrisp 
se lè o seguinte : 

Foi Abu Alia Idriz Ben Saidi Abi Abd*Allá , filho d« 
Huhammed Abd-£l-Momen. . . . e continua : 

Talacãba biUVádeq^ 
que quer dizer — r e teve por appeilido -r* o ConstaiH 
te — e continua — foi acciamado em 665 da hé- 
gira, e falleceo no anno de 667. 

Segue-rse pois, que no texto em questão, vem: 
1.* o nome falsificado: 2.* o appeilido tomado, como 
nome próprio: 3.*^ um anachrooismo ; por quanto .ba- 
vendo iallecido o Imperador com o appeilido de El- 
Ouatsoq em 66? , o texto lhe attribue uma abdica-- 
C9o, que as historias nSo referem, em 678 , isto é, 
onze annos depois de sua morte. 

Examinemos pop tanto o nome daquelle , cm quem 
o pretendido — r EIrOuatseq t^ abdicou , que , segunde 
0iz o texto , foi Abou Ishaq. 

No segundo historiador no capitulo que tem por titula \ 
^U-^obru an duUu Aimpri tí-Mmimm Qmar^ 



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(») 

^e quer diíer : 

Noticia do governo de Imperador doa Crentes — Ornar 

— se 16 o seguinte : 

Foi Imperador dos Crentes Ornar Ben-Saidi Aba Ib^a- 

him Ishaq , 6Iho do Imperador dos Crentes lusaf Ben-^ 

Abel-el-Mumen Ben-AIIi --<• e continua : 

Quniat Abu Hafs , 
que quer dizer «»-* foi conhecido com a alcunha de --« 
o Escaravelho — e contin&a , dizendo -^ e foi acclama^ 
do a 4 de Rábii 1/ do anno de 646 da hégira. 

Daqui se deduz claramente , que no texto se dá : 
1/ o nome falsificado: 2.^ é reputada como nome pró- 
prio uma alcunha : 3.* apresenta um outro aoachronis-* 
mo: porque tendo este Imperador sido acclamado em 
646 , e havendo fallecido em 664 , o texto lhe assignt 
a sua acciamaçao em 678 , isto é , quatorze annos de- 
pois de sua morte. 

Indaguemos finalmente o que diz o texto sobre o 
pretendido filho de Abou Ishaq , que se chamava Abou 
Faress Abdelazize, e que foi morto no anno 681. 

No 3.^ historiador citado, e com elle todos os 
mais , no capitulo que trata da 6/ dynastia , se 16 o se- 
guinte : 

Abu Fares Abel-el-Aziz succedeo a seu Tio Abu Zay- 
nan Muhammed , governou cinco annos , e morreo em 
Telemessan no mez de Rabii 2.* do anno 773 da hé- 
gira. 

Donde se conçlue , que ou o texto p e por conse- 
quência seu Autor, falsificou totalmente o nome do filho 
de Abu Ishaq, ou cahio em evidente anachroi^ismo : 
porque referindo todos os historiadores a morte de Aba 
Fares ao anno de 773 , o texto a refere ao anno de 
681/ isto é, noventa e dois annos antes. Accresce ain- 
4a a isto 4 nptavel- circunstancia , que o texto só o di 



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eomo um simples gotemador de provinda « e of hist»- 
viadores o cootão como duodécimo Imperador na djoas- 
tia dos Benemerines. 

Temos por tanto provado , que no pretendido ma* 
nulcrito Árabe , a historia é falsa pela confusio , e tro- 
ca dos nomes , . e pelos gravíssimos anachrooismoa , qoa 
se descobrem oos factos , que refere. 

Resta por tanto provar , que a quinta dynastía , 
que succedeo á dos Âlmohades, não foi a dos — Be- 
ni-Hafss , mas sim a dos -* Ben-Merines. 

É coisa sabida por todos os que são versados na 
Litteratura Árabe , que todas as dynastias de seus Im« 
perantes tomárfto sempre uma denominação prove- 
niente 9 ou do nome próprio de seu instituidor , ou de 
sua pátria , tribu » ou de alguma sua qualidade cara- 
eterisca. 

É por uma tal razão, que todas as Historias Ára- 
bes denomindo a primeira Dynastia Africana — a doi 
Edrezitas ; porque seu primeiro Imperante foi — Edrti 
Ben-Edriz. — A segunda — a dos Zanatas ; porque seu 
primeiro Imperante foi Zaidi Ben-Atia , natural da Pro* 
yincia de Zanata. A terceira — ' a dos Morabetins; isto 
é , ligados á religião ; porque seu primeiro Imperante , 
que foi lahia Ben Ornar , era oriundo de uma tribu dos 
Árabes, que se estabelecerão na Syria no tempo de Aba 
Bequer, e que teve um tal nome por seguirem ao prin- 
cípio a Religião ChrístS. A quarta — a dos Almuhades, 
isto é, os Unitários; porque seu primeiro Imperante, 
que foi Muhammed Ben Abdalá Mohdy (o Director), 
se tomou mui celebre , por ser o único , que se atre- 
veo a reCM^mar o Alcorão , e por sua nova doutrina , di- 
vulgada , e ensinada por setenta e cinco discípulos , ob- 
teve o domínio em Africa para si , e seus descendentea 
jpor ceujto a cincoeota a dous annos. 



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(U) 

A quinta -^ a dos Benemeriues -- porque seu prí*» 
meiro Imperante , que foi Jacub Ben Abdelmumen , era 
filho de uma tribu mui distincta entre os Árabes » cha- 
mada -^ Banu-Merína •-* como passamos a provar. 

S&o muitas , e variadas as patranhas , que se con- 
tSo de um Menina , eu Merwan , irm&o de Merwan , 
decimo Chalifa depois de Huhammed , filho de Omias, 
que passando para Gizaira » ahi se estabelecera , e fdra 
o tronco de uma tribu , que depois se dividira em difie- 
rentes povos, todos mui guerreiros. O que passa por 
certo , é que existio um povo , chamado — os Bene- 
merinos — uma das tribus Árabes , havida por mui 
distincta , e reputada por valente , e guerreira : e da 
existência deste povo nos dá a certeza Golio , que auto- 
risando-se com o Insigne Escritor Árabe «— Al-Fizrubády 
em seu — -Camus -^diz a pag, 2219 o seguinte — Ba- 
pu-Merina -^ Nomeq proprium Popuii Hir» in Meso- 
potâmia. 

Dizem mais os seus escritores , que este povo so- 
mente se occupava no exercício da caça , no ensino de 
teus cava lios, e nas incursões sobre os paizes visinhos: 
e que um grande numero destes Árabes se passava to- 
dos os annos á Mauritânia para ahi se estabelec^rem, con- 
vidados pela abuudancia , e fertilidade do paiz. Seja co- 
mo quer qne fosse , é todavia certo o que lemos em to- 
das as suas historias, e é o seguinte. 

Havia derramada por toda a Mauritânia uma tri- 
bu especial , denominada -^ Cabila Benimerina — ti« 
guerreira , e numerosa , que os diversoA Imperantes le- 
vantavlo del^ muitas tropas de pé , e ainda mais d« 
eavallo , cero o fim de assegurarem seu poder , e defen« 
derem-se dos seus adversários. 

Succedeo pois (dizem elles) que achando*ge a Haa^» 
fitaiHa ^xbaustii defi^ças militarei pelas continoadas ia« 



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cunSes aobre a Peoíiisula , e disridaites todof os eitadtt 
barberescos pelos diversos pretendentes * que aitio » 
le?antárão depois da batalba de Ahacabt varies che- 
fes da tríbu dos Beoemerines, jnlfpndo opportuna a o&- 
casião « se aproveitarão do experimentado valor de seu 
soldados, e proclamarão a Jacab Ben Abdelmuroen* • 
mais acreditado cbefe de sua tríba. Assim o diz o pn- 
meiro historiador por nós citado no capitulo que tntt 
do governo de — Âbi £l-álá Afau-Dabbus — ^ e que go- 
vernou juntamente com seu irmão -^ Edrii Beo Mo- 
bamroed — e que forão os últimos da dvnastia dos — 
Almuhades. — *No meio deste capitulo se lè o seguinte: 
Há águeri xaari dif^-'€aadH mim $anat $abaaí ua si- 
íyna êitmáiat fajhnáa aaoiágue akabáilu mm at-ardi 
íta al-muêáfdí fa^-táriu ilá Aby Dabnu ua cálú ia-ú 
qtiam taeaad an liarab ban^ maryw ua taguir m h 
cáym a^mé tara biládiná ead galabU ua amuálod 
ead naííbilá. 

Quer dizer: 
No fim do mez de Dulkiad do anno 667 reunirio-ic 
os cheres das tribus dos Árabes , e dos escravos , e fo- 
rão-se ter com Abu Dabbus , e lhe disserão — ^ por qae 
razão desistes de fazer a guerra aos Benemerínes : e es- 
moreces de lhes sair ao encontro? Por ventura não véi 
as Qosias cidades já revoltadas , e as suas riquezas já 
saqueadas 7 ... £ fecha o capitulo nanrando a «cclamaçlo 
de Jacub Ben Abdelmumeu pelos Benemerinea em 668 
da hégira. 

Temos por tanto demonstrado, que a 5.* dynastii 
dos Imperadores dos ãlusulmaiios em Africa é só coobe- 
cida pela denominação de -^ Benemerines — • não s6 
pelos seus historiadores , como pelos Europeos » que oom 
bastante conhecimento escreverão sobre as coisas de A- 
(rica : destes bastará apontar -^ Manoel d^ Faria e Sour 



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(13) 

M no seu livro intitulado — a Africa Portuguesa — oik* 
àe a pag. 3 » descreveudo o Império de Marrocos , dix 
que então reinava alli a dynastia dos *— Benimerines. — > 

Donde se deve colligir » que a denominação de — • 
Beni-^Hafss ~^ é pura ínvençSo de Mr. Alphonso Rous« 
seau sem fundamento algum, que o autorise. 

Concluiremos pois, que o manuscrito» a que se refe« 
re o citado texto , nio merece credito algum na Repu<« 
blica litteraria. 



O Sflr. Francisco Recreio leo , e entregou umai. 
'Beflexõei acerca do$ caroittres , que quálificào o veréè* 
4eiro eritieo , em r WopM á$ Sdenciut e á dvilteofio* 



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DONATIVOS, 



íiogio Neerologieo dê íll"^ e Ex.^ .Snr. MaUhnu 
TaUníê do Cauto , que em Sessão LUteraria de 9 de 
Maio de 1849 prcnuneiou na Jítademia Becd das 
Sciencias de Lisboa o Soeio da mesma Academia Fran- 
cisco Recreio. —Lisboa 1849 — 4.*" — 1 exoDplar— 
OSbrecido por seu kàXm. 

Jornal da Sociedade Pharmaeeutiea Lusiiana -^ 
Tomo 6/— N.^ 24 —Lisboa 18*8 — 8/— 1 N/— 
OfFerecido pela mesma Sociedade. 

Jomal de Pharmacia e Sciencias aceessorias , de 
lÀsboa — 1.' Série — 3.* anno — Janeiro 1850 — 
8/-— 1 N.""— Offerecido pelo SAr. José Tedeschi. 

Um Passo para a Quadratura do Circulo » por 
Henrique Martins Pereira, Tenente Coronel d'Engenbei- 
ros, na 3/ SecçHo do Exercito. —Lisboa 1849 — 8.' 
— - 2 exemplares — Offerecidos por seu Autor. 

Buttetin de la Société de Géographie. Trmsièms 
Série. — Tome xi — Paris 1849 — 8.*— Offereddo 
pela meMia Sociedade. 

Comptes rendus hMbmadaires des Séances de VA-- 
eadémie des Sciences (Instituto Nacional de França). 
— 1849 — Deuxième eemetíre — Tome 29 — N.* 
17 , 18 , 19 e 20 — 4.* g.**— 4 N-"— Offereddc 
pelo mesmo Instituto^ 

Proceedings ofthe Royál Irish Acadenujf^ Vol. 3.% 



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» a Parte 1/ e 2/ do Yol. 4.^-- Dublin 1847 a 1849 
_ 8."— 3 voL 

The TramacHans of the Roydl Msh Aeademy *— 
Tomo 22 — Parte 1.'— Dublin 1849 — 4.^ g/*~ 
1 Yol. — Estas duas obras ferio offerecidas pela solnre* 
dita Academia. 

Thê Progregs of the Deteíopment of thê Lau> of 
siomis 9 and of thi vartable mnd$ , with the praetical 
application of the mbject to Navigation. Bluêtrated by 
charti anã Wod^Cui$. By Lieut-Cplonel WíUiam Reií. 
•— London — Published by John Weale etc. — 1849. 
«~ %; g.*^*~ 1 voL ~ Oflfetecido pelo Autor. 



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(«1 



JSSEMBLÍJ DEFFECTirOS DE %% DE JJXEIRO. 



Frtndio o S8r. José Liberato Freire de Carralli». 

Coocorrério á Sento o Secretario pei^petoo Joa^ 
quim Joié da Costa de Macedo * e os SBr/ AdUniío 
Dinic do Conto Valente * Francisco Freire de Carva- 
lho « Joio da Cunha Neres e Carralho Portugal, Fran- 
cisco Ignacio doa Santos Crut, José Cordeiro Feiot 
Francisco Recreio , António Lopes da Costa e Almei- 
da, Ignacio António da Fonseca Benevides, Marino Miguel 
Franzini , Fortunato José Barreiros , Agostinho Albano 
da Silveira Pinto, e Francisco Elia» Rodrigues da Sil^ 
▼eira , Sócios Effectivos ; Mattheus Valente do Couta 
Pinix , e António Albino da Fonseca Benevide», S^itlli* 
ttttos de EflEBctivos# 



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(IT) 



CORRESPONDENQA^ 



Leo o Secretario perpetuou 

1.* Uma Portaria expedida pelo Mínígterío dofiei^ 
no, em, 14 do corrente mez , sobre o modo de pro- 
cessar as Cédulas dos ordenados. 

2.* Outra Portaria expedida pelo me^iiio Ministé- 
rio, em 19 do corrente mez, incluindo o» Estatuto^ da 
Sociedade Agrícola do Funchal, para a Academia dar 
sobre elles o seu parecer. 

Forâo entregues ao SíSr. Director da Ciasse res- 
pectiva , a fim da dita Classe emittir a i^a opiniSo. 

3.° Um Officio do SQn António Lopes da Costa a 
Almeida , Director da Escola Naval , pedindo da parte 
delia á Academia as Obras publicadas pela mesma A- 
eademia , e que faltão na Livraria da Escola* 
Decidio-M que lhe fossem entregues* 

Tendo sido propostos para Sócios Cóffespondeatei 
da Academia osSôr..** Manoel António Ferreira Tavaraj, 
c José lgna€Ío Roquete , em Assemblea d'£ffeetivos de 
19 de Dezembro ultimo , passou a votar-^se sobre a sua 
Admissão , que foi unanimemente approvada. 
Tomo 11/ 3 



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(i«V 

Fropca o Secretario perpetuo que se encarrepae 
a Classificacio do Maseu «o Sílr. Francisco Aotooio Pe- 
reira da Costa , Proressor da Cadeira de Elementos de 
Historia Natural estobeledda na Academia. 

Foi unanínHaMnte approf ada a proposta. 



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(19J 



SESSJO LITTERARIÃ DE 50 DE JANEIRO^ 



Presidio o SBr. José Liberato Freire de Carvalho. * 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joa-« 
quim José da Costa de Macedo , e os Siir/' Aotõoio 
Diniz do Couto Valente , Joãe da Cunha Neves e Car- 
valho Portugal, Francisco Freire de Carvalho, Francis^ 
cisco Pedro Celestino Soares , António Lopes da Costa e 
Almeida , Francisco Recreio , Ignacio António da Fon- 
seca Benevides, Fortunato José Barreiros, Francisco 
Ignacio dos Santos Cruz , Marino Miguel Franzini , Ba- 
rão d'£schwege , Agostinho Albano da Silveira Pinto » 
e Francisco Elias Rodrigues da Silveira , Sócios Effe- 
ctivos ; Mattheus Valente do Couto Diniz, e António Al- 
bino da Fonseca Benevides, Substitutos d'£ffectivos ; An- 
tónio Maria da Costa e Sá t Sócio Livre ; António 
Caetano Pereira , Manoel António Ferreira Tavares , o 
Carlos Bonnet, Sócios Correspondentes. 

O San Manoel António Ferreira Tavares agrade-* 
ceo & Academia a sua nomeaçio de Sócio GorrespondeB^ 

te.. 



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(M) 



MEMORIAS LIDAS. 



O Sfir, Bonnet leo umas reflexSes sobre as uni 
tiagens. 

Os Sfli^' Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Aoto- 
PO Maria da Costa e Sá, e António Caetano Peretrai sa- 
bírlo antes de acabar a Sessão. 



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(fif) 



DONATIVOS. 



Relatório da Inspecção do ArwMi do Exereilú , e 
Conta da Beceita e Despeza do Cofre no anno economia 
€0 de 1848 a 1849 — folio — 1 folheto. ^ Offere- 
eido pelo Sfir. Tenente General BarSo d^ Monte Pedral , 
Inspector do mesmo Arsenal. 

Orçamento do anno económico de 18S0 — 1851. 
— Lisboa 1849 — foi. — i vol. — Mandado pelo 
Ministério do Reino. 

Elementos d' Astronomia coordenados para uso dos 
Alumnos da Escola Polytechnica , por Filippe Folque , 
Lente proprietário da 4.* Cadeira. — Foi. max. — 2 
vol. -- 1.' o 2.' Parte. 

Curso de Mechanica Racional professado na Es* 
€oh Polytechnica , pelo Lente proprietário da 3.* Ca- 
deira, Albino Francisco de Figueiredo e Almeida—- 
1.' e 2.' Parte — foi. — 2 vol. 

Lições de Mineralogia » pelo D."*' Francisco Antó- 
nio Pereira da Costa — foi. — 1 vol. — As três ul- 
timas obras sSo lythographadas na Lytbographia da Es- 
cola Polytechnica , e forfio ofiferecidas pelo Corpo Cathe- 
dratíco da mesma Escola. 

Jornal da Sociedade Pharmaceutica Lusitana — - 
Tomo 5.** — Supplemento -r- 2.* série — Tomo 1.*^— 
N.* i ~ 8.'' — 2 N." — Ò&recido pela mesma Socie^ 



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Revitla Militar. — Tomo l.*— N.* 12 — 8/- 
i N.* — Offerccido pela Direcção da Redacção. 

Tables des CtmpUi rendus des Séancts de VAca- 
dimie des Sciences (lostituto Nacional de França) * P^^ 
fttier êemestré — 1849 — Tomo 28. 

Cifmpteê rendui hebdomadaires des Séanees de IA- 
eaiémie des Sciences (Instituto Nacional de França). 
Deuxième semestre — 1849 — N.** 21 e 22 — Tomo 
28 — 4.* g.^"— » 3 N."— Offerecido pelo mesmo ii&- 
tituta 



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|LE6Uf.TAlK> DAS OBSERVAÇÕER IH> VEZ M 
JAMPIRO DE 1850. 



TemperQturoif 

Mínima a 2,, • , 31® 

Mi<xiroa a 28 e 31,... 63 

Media ...,.,. 50 

VariaçDo med. diurna. . • HA 
Máxima a 4 ,,,... t « $0 

Barómetro na tp.^ de 63^ 

Max.' altura a 26. . 770,0 Variação 

Mínima a 14 39,4 > dos eitrcmoa 

Media . . . 61,0j 30,7 millim, 

VefUoi dominantêi e sua força^ 

0,2 0,7 1,1 0,2 1,3 0.3 03 

Jí,6 =N0,15 =:50,6=;»«:SO,l=?5S,2=f;NE,12=E,l 
0,3 
= SE,8;^V, ouB,16, 
r=: Direcção media do vento dominante NtlS^O (0,53]< 
pc= Madrugadas bonançosas 10, 
«= Meios dias ventosos 11. 
KrTem^é^dç 4o O a NO, a 14» e IS <|o meu 



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Eftaãô da AUnasphirtú 

Meios dias claros 23 — Claro e nuvens 6 — CdberM 
9 «-i^ Coberto e clarOes i**— Dias em qae choveo <l(Vy 
dos quaes forSo 3 de chuviscbs, produzindo 59 milKine» 
tros 9 ou dois terços da chuva normal ^^ Nevoeiros 8 
-^ Gelo moa noite -^ Geadas 4 — * Dias úe irio in^ 
tenso 16. 

Phenomenoi noiavei$. 

A 14 pelas 7 horas da tarde foi acommettida a 
villa de Loulé poi^ um furacHo do SE, que abateo 
grande numero oe ardores , e causou muitas avarias nos 
edificios. — i^ Os estragos deste furacão, que atravessou 
o Alcmtejo em uma estreita zuna, for&o ainda assas con- 
sideráveis em alguns campos ao Sul de Santarém , cu- 
jos arvoredos sofrerão muito destroço. Em Lisboa , nes- 
se mesmo dia e seguinte , soprou vento tempestuoso de 
ONO. 

O inverno continuou extremamente rigoroso em 
toda a Europa , ndo "escapando as suas regiões merídio- 
naes. Na Hollanda e Bélgica cahio neve abundantíssi- 
ma, desabando com o seu peso alguns ediGcios. — Em 
Florença desceo o thermometro IO'' Reaumur abaixo do 
gelo, do que nfio havia exemplo. --' No 1.^ do anno a- 
chava-se gelado o rio Arno. -<— Em Madrid o geio es« 
teve tão duro que permittío o passeio em patino com 
a mai<Nr segurança ; em Lisboa apenas desceo o thermo* 
loetro V Fahr, abaixo do gelo, e isto uma só Tes* 



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Vortalidúdê em VdfOã. 



Sexo iiiaiCQliiKH-213 maiores — 1 10 meoares — tot.— 32S 
Sito feminiiio— 218 ditos — -100 ditoi — dit.— 318 

Sonumlo IST ditdf —210 ditos — ^liL— «41. 

Ineluindo-M 305 individiioi que bUecèrto nos hospítaes, 
dos quês forto 118 menores pertencentes á Miseríconfia, 
oa expostos nos adros. Excedeo por tanto a mortaNdade 
deste mes á norma), em 29 indivíduos , peio que se de* 
jro reputar regular. 



ft. M. fhmsí». 



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ACTAS 

DAS 

SESSÕES 

BA 

ACADEHIA nWkli DAS SCIEIWCIAS 

LISBOA. 
1850. — N/ 11. 



SESSÃO LITTERJRIJ DE U Z)£ FErSREIRO^ 



PMÍdio o Silr. Joié Liberito Freire de CíitíIIio. 

Concorrèrio á Sessio 08 Sltr/* António Diiiii d0Co«« 
to Valente , Joio da Cunha Nevei e Carralho Poringai , 
Francisco Freire de Carvalho * Francisca Pedro Celeiti-* 
no Soares» Francisco Ignacio dos Santos Cnii, Jlosé 
Cordeiro Feio, Francisco Recreio, António Lope» dt 



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(30) 

Costa e Almeida , Ignacio António da Fonseca Benevi- 
des , Marino Miguel Franzini , e Francisco Elias Rodri- 
gues da Silveira , Sócios Eflectivos ; António Albino dâ 
Fonseca Benerides , e Mattbeus Valente do Couto Di- 
niz , Substitutos de Effectivos ; D/' Bernardino António 
Gomes ^ Sócio Livre ; Júlio Máximo de Oliveira Pimec- 
tel , António Caetano Pereira , e Carlos Bonnet , Soei» 
Correspondentes. 



MEMORIAS LIDAS. 



Desemohimenío da mperficie activa doê corpos parom, 
€ applicaçào á consirucçào das piUuks galvânicas. Pe- 
lo Sfir. Júlio Máximo d'Oriveira Pimentel. 



Ifa mais de meio século que um sábio Italiane 
descobrio a singular propriedade que o canHo vegetai, 
recentemente calcinado, exerce sobre os gazes, absonen- 
do-os e accommodando-os 9 em considerável proporção, 
nos seus poros : também sao já de longa data as curio- 
sas experiências que Thcodoro de Sausure fez sobre es- 
ta propriedade do carvào , e que tiverfto por objecto de- 
terminar as pix)porcôes em que os differentes gazes ería 
absonidos pela mesma es^ie de carvão , tomado em 
volume constante. 



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(3t) 

Pareceo inysteriosa ao princípio esta singular pro« 
priedade » pois dilBcilmente se podia comprebendcr , que 
uma polegada cubica de carvão de buxo podesse reco- 
Uier e accommodar nos seus poros 90 (lolegadâs cubicas 
de gaz ammoniaco , sem o decompor , nem por qualquer 
modo alterar « pois que pelo simples aquecimento, ou 
pela diminuição de pressão , o restituia inalterado. 

As observações posteriores víerão demonstrar , como 
todos sabem , Jque esta propriedade nâo era privativa do 
carvão , mas sim commum a todos os col^pos porosos , e 
dependia do estado de porosidade do corpo absorveste, 
e da natureza do gaz absorvido; mas a inalterabilidade, 
em que geralmente permanecem dentro do corpo poroso 
os gazes absorvidos , demonstrou que o facto da absor^ 
pçdo era independente de qualquer acção chymica. Sup^ 
poz-se então ser uma acção de mera superficie, uma ac- 
ção de pura adherencia entre o gaz e o corpo poroso : 
mas nem todos os espirito» ficão satisfeitos com esta ex- 
plicação , porque não se concebe á primeira vista , que 
a superficie interna dos poros tenha tão considerável ex- 
tensão, que sobre ella se possão estender quantidades 
taes de gaz , que o seu volume total seja incomparavel- 
mente maior do que o do corpo poroso. Entretanto é fa« 
cil demonstrar que o desenvolvimento das superfícies in- 
ternas dos poros ou das células , que se acbão vazias no 
interior do carvão vegetal , é prodigiosamente grande, oa 
que , por exemplo , um pedaço de carvão de buxo ou de 
oliveira , cujo volume não excede um decimetro cubico , 
apresenta no seu interior uma superíicie de muitos centena- 
res de metros quadrados. 

Uma simples demonstração geométrica tornará en* 
dente o que ao principio nos pareceria de diiScil conce* 

Fi^ruremos um volume cubico, formado por seis^Ia** 

4 * 



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(81) 

quadradas perfeHameDte delgadas, e iop|ioDhinKi 

ra é a grande» , em metros , da aresta. A superficie 
somma das faces interiores , ou exteri<wes desU ei- 
pecie de caixa será 6 a*. Sopponhamos agora que a gm- 
desa tt de cada aresta se divide en ti partes e que pdoí 
pontos da divislo se tirlo laminas também perfeitanMnte 
delgadas, parallelas ás faces do cubo. Em firtude desU 
disposição ficará a caixa » ou cubo primitivo dividido « 
tantas caixas , ou pequenos cubos, quantas forem as uni- 
dades den'. Ora sendo a aresta de cada uma destas cai- 
xas ^ será a somma da superficie das faces 6 í— j, 

e por consequência a somma da totalidade dassupei&i9 
de todas as caixas 



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Assim, se tivermos nm cubo, cuja aresta seja O" 1, 
e imaginarmos que esta se divide em 1.000 partes pi- 
n formarmos 1.000.000.000 de compartimentos cúbi- 
cos no interior do cubo primitivo, teremos as=0", le 
nssfOOO; o que fará para a totalidade da superficie 
que estes compartimentos offerecem 

5» 6 na n = 6 X (O"* 1)' X 1.000= 600 neW 
quadrados. 

Superficie prodigiosa que, reunida num pequeis 
volume , explica os efeitos de absorpçáo , sem que sqi 
necessário snppor que os corpos porosos goslo de uma b- 
Cttidade particular de condensação, como o parece tfíf^ 
car a maneira por que a maior parle dos autores «s»*! 
oife esta pr(^edade. 



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(33) 

A adherencia dos líquidos , dos Tapores , e èm gt^ 
ses és superfícies solidas é demonstrada pelas experíen« 
eias de capilaridade , pela pertinácia com que certas ma- 
térias odoríferas , como por exemplo o fumo do taiiaco p 
o cheiro da creosota , do ether etc. se fixlo sobre ot 
vestidos de ISa , sobre a seda » sobre os cabellos «to. t 
e por outros muitos Tactos análogos. Nada é mais fácil 
do que tornar sensivel a adbesào de um gaz, por exem- 
plo o ar atmospherico á superfície dos sólidos , por ex- 
emplo do vidro : adhesSo que exerce influencia notável 
sobre as experíencias pneumáticas» e que induz em 
graves erros os observadores pouco exponentes. Se fi- 
zermos ferver o mercúrio a fim de expulsar todo o ar 
que nelle existe dissolvido , e deixando-o depois resfriar 
no vácuo , o introduzirmos , por meio de um funil de 
longa cauda » n'um tubo banmietríco» bem secco e lim- 
po , até completamente o encher » se (^rarmos com to« 
do o cuidado, parecer-nos-ha que todo o ar foi expul- 
so do tubo pelo mercúrio , e que este se acha em con- 
tacto perfeito com o vidro: mas nlo é isto assim* por- 
que , se aquecermos o tubo que se acha repleto de mer- 
cúrio , nlo tardará que se manifestem » aqui e ali , bo- 
lhas de ar , que se desprendem e que até se podem re- 
colher. Este ar estava evidentemente adherente ao vidro» 
pois nSo podia provir do mercúrio , que havia sido fervi- 
do; e tanto é assim que, se, em vez de vertermos o 
mercúrio frio no tubo também frio , fizermos a mesma 
operaçto, quando ambos estejik) quentes, por novo a- 
quecimento nSo se manisfestàrlo as bolhas de ar. Assim ; 
quando julgamos guardar um gaz livre do contacto do 
ar numa campânula sobre o mercúrio, tal nlo con- 
seguimos » porque entre o mercúrio e o vidro exista 
sempre uma camada de ar , que estabelece a coounu-^ 
ikaçto com a atmospbera, e, no fia de pouco tem- 



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(34) 

po, O gatf qoe juIgnTamos fechado na campânula e i«>- 
lado do ar, será substituído , .como por endosroose, féa 
ar da atmosphera. — É este um Tacto que eu tenho, 
por vezes , observado particularmente com o bydrogenk 
Pela mesma razfio o ar acabe sempre por se introduzir 
no vabuo do barómetro em maior ou menor proporção, 
o que é fácil de reconhecer , inclinando um pouco o tu- 
bo 9 de modo que o mercúrio suba na camará baromé- 
trica ; então se observará distinctameote uma bolha de 
ar. 

Conhecemos ainda outras acçdes de superfície ignal- 
mente notáveis * que na apparcncia sâo diversas, mas 
que pertencem á mesma ordem de phenomenos e tem a 
mesma explicação. Ha sessenta annos que Lowitx , chv- 
mico Russiano, descobrio a singular propriedade que 
tem o car\'&o animal de descorar os líquidos, tinctos pelas 
matérias orgânicas, — Esta acção decolorànte do car- 
vão , bem como a sua acção desinfectante e antiputriíia 
é ainda acçáo de superfície, que se e^cerce com tanta 
mais energia , quanto maior 6 o estado de divisão em 
que se acha o corpo decotorante e absorvente, isto é, 
quanto mais extensa for a superfície activa. 

O carvão que resulta da destruição das matérias or- 
gânicas, taes como o assucar, a fécula, o sangue , a 
matéria gelatinosa dos ossos , e outras , que, antes de se- 
rem totalmente decompostas pela acção do caloric4) , sof- 
fv6rão uma espécie de fusão, pôde ser considerado co- 
mo a reunião de pequenas espheras, que se achem per- 
feitamente livres , quando a matéria está em pó , ou se- 
paradas por uma matéria extranha , como acontece com 
o phosphato de cal no carvão doa ossos. 

 somma das superficies de todas as pequenas es- 
pfaeras, que constituem um volume dado de carvão, é 
tanto maior y quanto mais considerável for o nnmero daa 



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(35) 

pequena^ espherafr que constituem o carvfio pulverulento. 
Podemos demonstrar geometricamente esta proposição, 
e assim ficará patente a razão por que é tão considerável 
a acção decolorante do carvão. Esta mesma demonstra- 
ção pôde, até um certo ponto, applicar-se á formação 
das lacas , á theoria dos mordentes , e outras operações 
de tincturaria. 

Imaginemos um cubo, e nelle inscripta uma espbera ; 
a aresta será igual ao diâmetro, e, como sabemos pela 
geometria, teremos a expressão da superficie espherica 
representada por in^, sendo r o raio, e r o numero 
abstracto 3,141592 etc. Se imaginarmos a aresta 2 r 
dividida em n partes, e que se formão compartímen-* 
tos cúbicos , da mesma maneira que os concebemos na 
demonstração anterior , podemos em cada um delles sup- 
por inscripta uma espbera ; estas espberas serão iguaes 

2r 

entre si e terão por diâmetros — . SerS por consequeu-* 

cia a expressão da superficie de cada uma delias 
2r\* « r« 



/2r\- - r» 

( h~) *, ou 4 -^ 

\2n/- n* 



E como o numero dos compartimentos cúbicos é repre- 
sentado pelas unidades den', será a totalidade da superfi-^ 
cie que estas espberas apresentão 






Se compararmos estas expressOes entre si, teremos» 
Representando por « a superficie da espbera iuscripta no 
cubo primitivo , e por 5 a somma das superfícies das 
pequenas espberas 



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(86) 
$ : S : : 4r*w ; 4nr«# 

f : 5 : : 1 : ti 

Isto é , as soperficies cstSo entre si na razSo do nomero 
das partes em que se imagina dividido o diâmetro ji 
esphera |»ímitiva , ou na razão da raiz cubica do nuIS^ 
ro dos compartimentos em que se imaginSo inscriptas as 
pequenas espberas. Donde se conclue que • quanto maior 
fftr o estado de divisão do carvão , tanto maior será o 
seu poder decolorante, o que a experiência plenamente 
eoníhina , e o que , junto a outros muitos factos , de- 
monstra que aquella ac^ão é toda de superficie , isto i 
de adherencia. 

Para tomar mais claro este raciocínio apresenta- 
rei um exemplo. 

Se suppozermos na expressão 5=4n r'w que o 

diâmetro de cada uma daspafticulasesphericasé-j^r^prvx 

da aresta do decimetro cubico ; o que equivale s sup- 
porn= 100000, e2r = 0'*,l: teremos, levando a 
aproximação de » só até á terceira casa decimal , 

S= 4 X 100000 X (O^OS)* X 3,141 

e fazencb os cálculos numéricos 

5 = 3.141 metros quadrados. 

A consideração de que uma tão grande superfície 
se p6de resimiir em tão pequeno volume suscitou-me a 
ideia da possibilidade de augmentar n'uma proporção 
considerável a corrente galvânica das pilhas para obter 
grandes efeitos caloríficos , pois que estes crescem com 
t superficie activa dos pares. 



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(37) 

Eis aqui a disposiçto que proponho , e que d3o a« 
presento de^de já auctorisada com a experiência, pela 
difficaldade que neste nosso paiz se encontra em achar 
é mSo as coisas necessárias para este género da estu- 
dos. 



AA Vaso de vidro em que o par se deve encerrar. 

ZZ Caixa annelar de zinco amalgamado toda crivada de 
arificiospara dar passagem ao liquido excitante e cheia de 
aparas , ou grenalha miúda de zinco , sobre as quaes se 
exerce a acçdo do acido sulfúrico diluido , em que esta 
caixa mergulha , offerecendo assim uma grande superli* 
cie á acçdo chymica. 

BB Vaso de barro poroso [biscoito do pó de pedra] {^ 

contendo acido azotico » no qual mergulha um feixe (P) 
decanutiihos de platina, ouumcylindro de carvão poroso e 
conductor. 

Limito-me por em quanto a apresentar á Acade- 
mia a disposição geral desta pilha tal como a concebi, | 
e logo que se me proporcionem os meios de realizar a 
minha concepção terei a honra de offerecer á sua coo- ^ 
sideração outra nota mais completa sobre o objecto. « 

O meu único fim no presente trabalho foi princi- 
palmente tomar patente , pelas considerações de pura 






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(38) 

f^eometri», a grande e extraordinária sapeifieie activa de 
que dispõe os corpos porosos » e o partido que delia se 
pôde tirar na coastnicçâo das pilhaa. 



O SHr. D.*'' Bernardino António Gomes apresen- 
tou a sua Phamwcologia geral , de que leo uma pe- 
quena parte. Esta Obra foi remettida ao Sfir. Director 
da Classe respectiva. 

O niosmo Sur. D/' Bemanlino apresentou ignal- 
mente exemplares de cinco espécies de Plantas , supple- 
meiíto ás familias naturaes da Flora Portugueza , já en- 
ireffies pelo S.lr. D.^' Welwitsch. 



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(39)* 



DONATIVOS. 



Bevista MilUar — Tomo 2/ — N.* 1 — Janei- 
ro — 8.*^ — 1 N.® — Offerecido pela Direcção do Jor- 
nal. 

Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de LiS" 
boa — 2.* série — Tomo 5.® — Os niezes d'Outubro 
e Novembro de 1849 — 8.*^— 2 N."*— Offerecido pe- 
la Sociedade. 

Joffia/ de Pharmacia , e Sciencias accessorias , de 
Lisboa — 1/ série — 3." anno — Fevereiro de 18ôO 

— 8."— 1 N.^- Offerecido pelo Sfir. José Tedeschi. 

P. S. ao Opúsculo — Um Passo para a Quadra-- 
lura do Circulo. — 8." — 2 exemplares — Offerecido 
por seu Autor o Silr. Henrique Martins Pereira. 

De VApparition et de la Disperfion des Bohémiens 
en Europe , par Paul Bataillard. Paris 1844 — 8i* 

— 1 exemplar. 

Nouvelles reeherehes sur VApparition et la Disper- 
sion des Bohémiens en Europe , par Paul Bataillard. 
Paris 1849 — 8.** — 1 exemplar — Offerecidas estas duas 
ultimas Obras por seu Autor. 

PARA o MUSEU. 

Coracina Omata [Uirá-membé , ou Pássaro gaita] 
das margens do Amazonas , macho. — Offerecido pelo 
Sãr. Conselheiro António José Maria Campelo. 



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(*•) 



SESSÃO LITTaJKlJ DE 17 DE FBFSEEIE9. 



Pkoidio o SBr. Jotf Libcrato Fraie de GirvaDitu 

Coooorrêrio á Sewio o Secretario perpelM Jbi- 
ipni Joié da CoaU de Macedo, e os Sfir/* AoIom 
Diniz do Coalo Valente , Francisco Freire de Carrafl», 
Francisco Pedro Celestino Soares , Joio da Conha Ne- 
Tes e Carvalho Portugal « Francisoo Ignacio dos Saato 
Crm, Francisco Recreio, Ignacio António da Fonsoca 
Benevides , Marino Mignd Franzini , Fortonalo Joií 
Ssrreiros, Bário de Reboredo, Agostinho Albano da 
Sílf eira Pinto , e Francisco Elias Rodrigues da Sílf eín, 
Sodos Effectivos ; Mattheus Valente do Couto Díoii , e 
António Albino da Fonseca Benevides, Substitutos dEfle- 
ctivos; António Maria da Costa e Sá» Sócio Livre; 
António Caetano Pereira , Carlos Boonet , e Jnlío Ma- 
limo d'01iveira Pinentd , Sodos Correspondentes. 



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(41) 



CORRESPONDÊNCIA, 



Leo o Secretario perpetuo um Qfficio do Conselho 
4é Escola Naval agradecendo a delicada maneira com 
que a Academia se prestou a mandar-lhe as suas obras 
que Taltavdo na Bibliotheca da Escola , cuja Lista 9b* 
eompanbott o Officio. 



C0MMUN1CAÇÕES> 



Hr. P. J. Pezerat remetteo â Academia -^Obger^ 
«of tons sur Ui Ménoires de Mr. le Doeíeur Sharpe sur la 
Géologie dei emirom de lAAcnnê [on the neighbour- 
hood ofLisbonJ/otiniíes àVAcadémiê deiScieneeê deLiP- 
leme. 

Foi entregue ao Sflr. Director da Classe de Scien- 
cias Natoraes. 

O Sflr. Daniel Augusto da Silva offereceo uma —* 
Memoria iobre a rotaçdo da$ forçai em tomo doê pan* 
lof d'app/triifão. 



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(*2) 

Mandou-9e remetter ao SDr. Director da Ciasse 
respectiva. 

O Secretario perpetuo leo o ser^uinte Prograroma 
dos Directores do Legado de Jean Moaaikhoff publica* 
db em Amsterdam. 



PROGRAMME. 



Les Directeurs da legs de fen jbatí vomnKHOFr 
ont reçu uno réponse & chacune dos deux questioos, 
proposées en 18i8; saroir à la qiiestion: 

)»des recherches Anatomiques , Physiologiques et 
» Patbologiques sur lorígine , la nature et les caractè- 
» res distinctifs des turoeiu^ benignos et malignes , avec 
» indicatioD des résultats , qui pouiTont en être déduits 
» pour Tavancement de la Thcrapie cbirurgicalc e medi- 
» cale de ces derniers. » 

un mémoire , écrit en Holiandaís , avec Tépigra» 
pbe : c( De Pathoiogische Anatomie moet niet siechts de 
.j»grondslag zijn, etc. y^ Rokitansky. n Les Directeors» 
après avoir soumis cet écrit à leur jugement , en com- 
.fiMiniqueront , plus^tard le rôsidtat au puMrc. 

Le programme démandait en second lieu : 

i»un traité Anatomique, Physiologique et Fatho- 
dlogique sur les déviations de la colonoe Tertébrale, 
.)»avec índication d'un roode de traítement base mr ce 
D trãité et approuvó par Tauteur et d*atttrui. 



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(43) 

Une seule réponse est entríe , écrite en Alle- 
mand avçc Tépigraplie: »In dem lebendeii Kíirper bes- 
y> tínit die Form des Weichen Jene des Harten , das 
D Edie das minder £dle. x> 

Deux molifs ont cxciu ce mémoire duconcours: 
i.^ TAuteur s^est servi de Caracteres Allemands» au iieu 
de Bomains , prescrits par le Programme ; 2."^ Soo oit- 
vrage est incomplet, d'aprés ie témoignage roéme de 
l'auteur. Toutefois , en prolcngeant le terme du concourg 
pour cette questíon jiisqu'au 31 Decembre 1850, les 
Directeurs désirent lui donner la faculte d'achever sou 
travai! , et de le leur renvoyer avant Tépoque susdite , 
en se servant de Técriture Uomaine. Le mémoire reste 
à la disposition dé Tauteur , qui pourra le réclamer sous 
une adresse quelconque en certiíiant son droit de pro- 
priété , par la citation de la première ou de la derniè- 
re pbrase de son travai I. 

Les Directeurs susdits , proposent , eomme nou- 
velle question, à laquelle ils attendent une réponse<a-. 
vant le 31 Decembre 1851. 

» Un méoioire scienti6qiie sur quelques points , 
I» détaillés ci-dessous , concernant la manière de traiter 
D Tétranglement des hernies , basée autant que possible 
» sur lexpérience de Tauteur : 

a. TEmploi du Chloroforme et d'autres remèdet 
internes et externes, quipruduiseBt lanesthésie ; ainsi 
que de Ja Machine pneumatique, consideres lun et VàVtr 
tre commç moyens à adopter pour ie traitement de Tin^ 
carcération. 

b. L'inc!sion souscutanée de la stticture ; et 

c. La benúotomie; sans Quvrir le sac berniaire. 
Les repouses satisfaisantes à chacune dfl^ ces 

que^liotus rempcnrteront la medaille d'or de la vajeur in^» 
trinsèque de trois cents florins de HoUande, sous li 



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(**) 

e<mdition expresie qae le§ mémoiraf » eoaroméi oa im» 
retieroiit exclusÍTemeat la propríété da legi; il fnil 
qu'iU soíent écríU distinctemeot eo caracteres Italiques, 
d'une autre maio qae celle de Fauteur, soit eo Latin, 
eo Français , eo Ailemand , oo ea Holíaodais , et qo'ib 
•oient accompagnés duo bíllet cacheté, cootenaot le 
Dom de Tauteur aiosi qae cdui du líeo de son doaud- 
le, portant pour adrene répígraphe des répooaes, et 

3u'il9 soíeot envoyés , fraocs de port » avaot la date , ci- 
esBos désigoée , au Cooaeilter d'état Hr. ojul. veolul , 
professeur à Amsterdam. 

Amiíerdamf 

4S. I. POOL, 
Jamíer 18S0. 



MEMORIAS UDAS. 



O Secretario perpetoo lèo parle da Memoria de 
Slir. Barbosa Canaes sobre os Moõrdomos do Rei. 
Foi eòtr^e ao Sfir. Director da Classe. 

O Sllr. Francisco Ignacio dos Santos Cnii lèo o 
MJogio fiêehrologieo e biografkUo do 5iir. Franáêco 
Hmm» da Silveira Frawo. 

Foi iguaiflieote eotrqiiie •• SAr. Director da Oas- 



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(45) 



DONATIVOS. 



Memoria sobre a Reforma dos Pesos e Medidas 
em Portugal^ segundo o systema Melro^Decimcd 9 por 
João Baptista da Silva Lopes. — Lisboa 1849 — 8.* 

— 1 vol. — Offerecido pelo Autor. 

Armali di Fisica deirAbbate Francesco Cav. Zan- 
tedeschi. — Padova í 849— 1850 — Fascicolo í.\ ±% 
6 3."— 8."— 3 N." 

Elenco delle principali Opere scientifiehi dell'Ab- 
bate Francesco Zantedeschi. — Venezia 1 849 — 8.® — 
1 folheto. — Offerecidas ambas as sobreditas Obras pe- 
lo seu Autor. 

Journal Asialique , ou Recueil de Mémoires, d*Ex^ 
traits et de Notices relatifs à VUisíoire^ à la Philoso^ 
phie^ aux Langues et à la Littérature des Peuples Orien^ 
taux etc. Publié par Ia Société Asiatique de Paris. 

— Parig 1849 — N."' 68 , e 69 — 8."— 2 N.**'— 
Offerecido pela Sociedade. 

Camptes rei^dus helidomadaires des Séances de VA" 
cadémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. — 
1849 — Deuxième semestre — Tomo 29 — N." 23, 
24. 25 , 26 e 27 — 4." g.'*— 5 N."— Offerecido 
pelo mesmo Instituto. 

Programme, Les Directeurs da Legs de feu Je<m 
Momikhoff etc. — 4.** — 1 exemplar — Offerecido pe- 
los ditos Directores. — Foi copiado oa Acta este Pro^ 
gramma. 

Tomo U. 6 



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(46) 



JSSEMBLEJ EXTRAORDINÁRIA D'EFFECTIFOS 
DE «7 DE FEVEREIRO. 



Presidio o S&r. Jo§é Liberato Freire de Carvalho. 

ConcorrérSo á Sessão o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo, e os Sfir/* António 
Diniz do Couto Valente , João da Cunha Neves e Car- 
valho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Frao- 
cisco Pedro Celestino Soares, Francisco Ignacio do^ 
Santos Cruz , Francisco Recreio , Fortunato José Bar- 
reiros, Agostinho Albano da Silveira Pinto, Ignacio 
António da Fonseca Benevides, Marino Miguel Franzíoi, 
e Francisco Elias Rodrigues da Silveira , Sócios Efle- 
ctivos ; Mattheiís Valente do Couto Diniz , e António 
Albino da Fonseca Benevides , Substitutos d'£ffectivos. 

Foi approvado o parecer da Commissão respectiu 
sobre o Projecto dTstatutos da Sociedade Agrícola Ma- 
deirense. Reduz-se o parecer a que estes Estatutos e«- 
tão inteiramente conrormes com a opinião eniittída pe- 
la Classe em 21 de Março de 1849 , sobre obje- 
ctos análogos , que foi adoptada pela Academia ; e por 
tanto nos termos de merecerem a approvação do Governo. 

A Classe de Sciencias Naturaes propoz para Só- 
cio Correspondente o Silr. Guilherme José António Dias 
Pegado y Lente de Physica da Escola Polytechnica. 



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Nevoeiro denso matutino. 

Nevoeiro denso' toda a manhl. 

Pequeno nevoeiro matutino, e brandos agua- 
ceiros. 

Chuviscos inapreciáveis. 

Frio e sccco. 

Nevoeiro denso de manhL 

Pequeno nevoeiro matutino. 


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(50) 



RKSrLTADO DAS OlSnVAÇÕBS BO 
FZVStLElKO BK 1830. 



Temperaturas. 



Minima a 23........ 4r 

Máxima a 17 e 25. ... 71 

Bforfia.. 55,0 

Variação mei. diurna. . . 16,2 
Haxima a 23 27 



Barómetro na tp.^ de 63* 

Blax.* altura no 1.* do mex 770,5 mill.^ VariaçJo 

Blinima a 8 60,5 > dos extremoi 

Uedia 63,1 j 9,9 míUim. 

VefUoi dominanteê e sua força , contados em 
meios dias. 

0,9 0,5 0,3 0,5 

N,8 =N0,9 =S0.2 = NE,16 = V oa B,2I. 

Ks Direcção media do vento dominante N, 8* £ (0,5]. 
ae= Madrugadas bonançosas 18. 
=3s Meios dias ventosos 2. 



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(51 ) 

Estado da Atmosphera. 

^ Meios dias claros 36 — Claro e nuvens 3 — Cobertos 
9 — Coberto e clarões 6 — Dias de ténues chu\ iscos 
2 , que apenas fornecerão 3 miilimetros de agua , equi- 
valentes a 5^ da chuva normal — Nevoeiros 9 — Dias 
de frio notável 2 — Ditos de calor notável pelo meio 
do dia 8. 

Decorreo por tanto este mez com uma temperatu- 
ra quente e superior de 3* á normal ; totalmente secco, 
e com repetidos nevoeiros. — Foi bem similhante ao 
do anno antecedente na escacez das chuvas. = Deve 
notar-se que os 3 primeiros mezes deste inverno, que no 
estado normal são constantemente os mais chuvosos do 
aiino , só fornecerão 83 millimetros de agua » quando 
em estação regular costumâo dar 250 , pelo que o ter- 
reno apenas recebeo a terça parte da sua habitual re- 
ga. Nos mesmos três mezes do anno precedente cahirão 
114 millimetros, sendo por consequência os do presen- 
te anno ainda mais seccos. 

Phenamenos notavtis. 

A província de Âlmeria, e outros sítios meridio- 
naes da Hespanha soiFrem ha mezes uma secca horrí- 
vel , que ameaça a destruição dos vegetaes ; pelo con- 
trario nos Pyreneos tem cabido copiosas chuvas « ^e os 
grandes rios da Âllemanha , Rheno e Danúbio , tem ti- 
do fortes enchentes » transbordando e alagando os cam- 
pos marginaes. — Os arrabaldes de Yienna estavão de- 
baixo dagua* 



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(62) 



Mortalidade em Liéoa. 

Sexo masculino^-l 42 maiores — SSmenorea — tot. — ^2^7 
Dito feminino — 138 ditos — 70 ditos — dit. — 208 

Sommío 280 ditos —155 ditos — dit — 435- 

Incluiiido-se 206 indivíduos que rallecérào dos hospiiaes, 
sendo 89 menores procedentes da Misericórdia , ou dos 
expostos nos adros. Foi por tanto menor de 82 indiví- 
duos « comparada ao médio regular deduzido das antece- 
dentes observações , o que indica que a constituição at- 
mospherica deste mez Toi favorável á conservação dt 
vida dos habitantes desta cidade. 



Jf. M. Franzim* 



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(53) 



SESSjO LITTERJRU DE 15 DE MJRÇO. 



Presidio o Sftn José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á SessHo o Secretario perpetuo Jòâ'» 
quim José da Costa de Macedo, e os Silr.*' António Di- 
niz do Couto Valente, JoUo da Cunha Neves e Carva- 
lho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Francisco 
Pedro Celestino Soares , Francisco Piecreio, Barão de 
Reboredo, Ignacio António da Fonseca Benevides , For- 
tunato José Barreiros, Agostinho Albano da Silveira 
Pinlo , Francisco Elias Rodrigues da Silveira , e Fran- 
cisco Ignacio dos Shutos Cruz , Sócios Eifectivos ; An-* 
tonio Albino da Fonseca Benevides , e Mattheus Valen- 
te do Couto Diniz, Substitutos d'EfíectÍYOS ; António 
Maria da Costa e Sá, Sócio Livre ; Manoel António Fer- 
reira Tavares , António Caetano Pereira , e José de 
Freitas Teixeira Spioola Castello-Branco , Sócios Cor- 
respondente^i. 



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CORRESPONDÊNCIA^ 



Leo o Secretario perpetuo 

Uma Carta do Secretario da Academia Real da 
Historia de Madrid agradecendo as Obras que a nossa 
Academia lhe mandou. 

Outra do Snr. Crillanowich , Cônsul da Áustria 
em Lisboa ^ pergunl^indo , da parte da Academia Impe- 
rial das Sciencias de Vieona d' Áustria , se a nossa Aca- 
demia quereria estabelecer relações scientificas com elU. 
Assentou-se que se Ibe respondesse, que aceitava com mui- 
to gosto a proposta da Academia de Vienna. 

Outra mui extensa do Sfir. Lourenço José Moniz , 
acompanhando uma collecçSo de peixes da Ilha da Ua- 
deira , com o seu catalogo scientifico , que offerecía á 
Academia. 

Resolveo-se que se lhe agradecesse a oflerta, e que 
o Secretario se entendesse com o SOr. Lourenço José 
Moniz, a fim de dar ao seu trabalho uma forma tal qui 
pudesse ser impresso nas Memorias da Academia. 



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(B5) 



DONATIVOS^ 



Revista Militar. — Tomo 2/— N." 2 — 4/— % 
N.** — Offerecido pela [Direcção do Jornal. 

Jornal da Sociedade das Scieneias Meditas de Lis^ 
ha. — 2.' série — Ttímo 5."* — o N** de Dezembro de 

1849 — 8.*"— 1 N.'— Offerecido pela mesma Socíe^ 
dade. 

Jornal da Sociedade Pharmaeeutica Lusitanaé -^ 
2." série — Tomo 1-*^— N-" 2 — 8."— 1 N."— Of- 
ferecido pela mesma Sociedade. 

Jornal de Pharmacia e Scienciás tíccessoriaSf dê 
Lisboa. — 1." série — S."* anuo — Março 1850— -4/ 

— 1 N.** — Offerecido pelo Sfír. José Tedescbi. 

Annales de VAcadémie d' Archiologie de Belgiquêf 
Tome sixiéroe« 4.* Li?raison. — Ánvers 1849 — 4.* 

— 1 caderno — Offerecido pela mesma Academia* 

Journal of the Royal Geographíeal Soeiety of Lon* 
don. — Tomo 19 —Parte 2.*— Londres 1849 — 8.* 

— 1 vol. — Offerecido pela mesma Sociedade. 

Comptes rendus hebaomadaires des Séances de rA-^ 
eadémie des Sciences [Instituto Nacional de França]* *-« 

1850 — Prenuer semeâtre — Tomo 30 — N.*' 1 , 2 
e 3 — 4-^ g.**— 3 N/'— Offerecidos pelo Instituto, 



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(56) 



>ABA O HUSEU. 



Uma Collecçfio de Fetos da liba da Madeira. 

Uma ColIecçHo de Peixes dos mares da Madein» 
eom o seu Cataloga. — Estas duas Collecçdes forào oT- 
ferecidas pelo Sftr. Conselheiro Lourenço José Moniz. 

Varias armas de guerra , artefactos e utensílios dos 
Cafres de Moçambique. — Offerecidos pelo Sõr. Rodri- 
go Luciano d' Abreu e Lima , Governador ^e foi íã- 
quella Província. 



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(87) 



ÉSSEMBLEJ DEFFECTirOS DE £0 DE 
MJRÇO. 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão é Sessão os Sflr.*" António Dinií do 
Couto Valente , JoSo da Cunha Neves e Carvalho Por- 
tugal » Francisco Freire de Carvalho , Francisco Pedro 
Celestino Soares , Francisco Ignacio dos Santos Cruz , 
BarAo de Reboredo, Ignacio António da Fonseca Be- 
iie\ides, Marino Miguel Franzini » Bardo d'Eschwege, 
Fortunato José Barreiros , Francisco Recreio , Agostinho 
Albano da Silveira Pinto , e Francisco Elias Rodrigues 
da Silveira , Sócios Effectivos ; António Albino da Fon- 
seca Benevides , e Mattheus Valente do Couto Diniz , 
Substitutos d'Efiectivos. 

O Sfir. D.*" Filippe Folque, que tinha sido nomea- 
do para servir de Director da Classe de Sciencias Exa- 
ctas, durante a ausência do Sur. José Cordeiro Feio, 
expoz motivos ponderosos que o impossibilitavâo de po- 
der encarregar-se desta incumbência ; em consequência 
do que foi nomeado o SUr. Marino Miguel Franzini para 
occupar interinamente o lugar de Director da Classo de 
Sciencias Exactas. 

Foi unanimemente approvado para Sócio Corres- 
[K)ndeDte da Academia , na Classe de Sciencias Natu-^ 



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(68) 

fhíAf O Sfir, Guilherme Jo6é Antoulo Dias Pegado, Lente 
de Physica da Escola Polytechnica, que tinha sido proposto 
para Sócio na Assemblea de EQectivoa de 27 de Fe%e* 
reiro ultimo. 

O SAr. Mattheus Valente do Couto Diniz, nn qn-*- 
lidade de Corrector da Typographía da Academia, pro;«*x 
que se nomeasse uma Commissão para dar o seu parí^ 
cer sobre o systema orthographico que deve adoptar-se 
u impressSo das obras da Academia. 

ResoWeo-se que a Classe de Litteratura lomasse 
(m coDsider9Ç&o este objecto» 



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Chuva serena e abundante. 

Trovoada e forte tufão de vento ás 5^ da tarde. 
Chuva serena e permanente. 
Orvalho nocturno abundante. 
Nevoeiro até ás 10** da manha. 
Sol ardente; apparencia de trovoada. 






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Aguaceiros brandos. 

Ar frio nos extremos do dia. 

idem. 

Sol descorado. 

Sol ardente; apparencia de trovoada remota. 
Aguaceiro sereno. 
TempegUde de manha. 
Pequenos aguaceiros. 


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BSStLTABO DAS OBSERVAÇÕES 1K> MK PB 
MARÇO DE 1850. 



Temperaturas. 

Mínima a S 46* 

Máxima a 13 e 14. ... 71 

Media 57,3 

Variação mcd. diurna. . . 1 5,2 
Máxima a 11 21 

Barómetro na tp.* de 63* 

Max.' altura a 1 766,2^ VariaçSo 

Miiiima a 30 47,0 y dos extremos 

Media 54,93 19,2 millim, 

Veníos dominantes e sua força. 

0,7 0,7 0,2 0,4 0,8 0,6 0,2 

N,8 = TÍ0,8 = 0,l=SO,5 = S,7 = NE,I2 = E,í 

0,8 
==SE,10 = Bou ¥,9. 
aB= Direcção media do vento dominante N, 6T*E (0,7). 
E=Madrugadas bonançosas 12. 
s= Meios dias ventosos 7. 
ssr Tempestade de SE , a 30, 



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(63) 

Estado da Atmogphira. 

Meios dias claros 12 — Claro e nuvens 8 — Coberto^ 
9 — Coberto e clarões 7 — Dias em que choveo 13, 
incluindo 3 de brandos chuviscos » fornecendo a totali- 
dade de 79 millimetros de agua , ou mais dois terços 
do que compete ao mei regular — Nevoeiro 1 — Tro- 
voada uma a 69 e de ameaços de trovoada 2 — Dias de 
frio notável 3 — - Ditos de calor nas horas próximas ao 
meridiano 4. 

Decorreo por consequência este mez mui tempera-i» 
do, excedendo em 2*^ a temperatura normal, assas 
chuvoso e pouco ventoso, desenvolvendo com as suas 
benéficas chuvas , que tanto a propósito e bem distri- 
buídas apparecérdo , a amortecida vegetação das plantas 
leguminosas , e cereaes 9 ameaçadas de total aniquila- 
mento pela fatal aeccura dos mezes antecedentes, as 
quaes mostrâo actualmente o roais viçoso desenvolvimen- 
to , e dão as mais bem fundadas esperanças de uma co- 
lheita abundantíssima , se nos dois mezes da primavera 
ndo acontecer algum insperado desastre. — Com tudo as 
chuvas que cahirfto nSo puderão compensar , ás fontes e 
mananciaes d*agua , a falta que experimentarão no cor- 
rente inverno, o qual na totalidade somente forneceo 
172 millimetros, ou o mesmo que o antecedente in- 
verno , quantidade que pouco excede a metade da chu- 
va normal dos quatro mezes que constituem a estaçfio 
iavernosa neste clima. 



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Mortalidade em Lieboa. 

Sexo masculino^ 177 maiores — 89meoore8 — ^tot. — i66 
.Dito feminiao — 136 ditos — 66 ditos — dit.— 202 

Somrnâo 313 ditos — 155 ditos — dit — i68. 

IncluiiKlo-se 223 failccidos nos hospitaes, sendo 85 me- 
neies procedentes da Misericórdia , ou dos que são ex- 
postos nos adros. — Foi por consequência menor de 91 
indivíduos, ou abateo 16 por cento sobre a mortalida- 
de normal correspondente a este mez , continoando a 
salubridade da constituição atmospheríca manifestada no 
antecedente mez, por uma idêntica diminuição na m(N'- 
laiidade ; fazendo singular contraste com a de Março do 
anno antecedente, em que a mortalidade subio a 719 
indivíduos, excedendo a normal em mais 30 por cento « 
do que se concluo que o mez que terminou foi tâo pro- 
picio á vida dos habitantes desta cidade , como benéfi- 
co para a dos vcgetaes. 



Jí. M. Franzifú. 



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(65) 



SESSJO LITTERARU DE 17 DE ABRIL. ^ 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á Sesslio o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo, e os Sí^r/' António 
Diniz do Couto Valente, JoSo da Cunha Neves «Carva- 
lho Portugal , Francisco Pedro Celestino Soares , Fran- 
cisco Ignacio dos Santos Cruz , Fortunato José Barrei- 
ros , Barão de Reboredo , Ignacio António da Fonseca 
Benevides , Marino Miguel Frai^zini , Francisco Recreio, 
Agostinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Elias 
Rodrigues da Silveira , Sócios Eilectivos ; António Albi- 
no da Fonseca Benevides , e Mattheus Valente do Couto 
Diniz 4 Substitutos dTííectivos ; António Maria da Costa 
e Sá , Sócio Livre ; António Caetano Pereira , e Júlio 
Máximo de Oliveira Pimentel , Sócios Correspondentes. 

Determinou-se que a Guia e Manual de Á^ieul^ 
íura , offerecida pelo Silr. José Maria Grande , meneio* 
nada na lista dos Donativos, se remettesse á Classe res- 
pectiva para ser examinada. 



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(60) 



MEMORIAS LIDAS. 



Nota 9obrê ã composição ehymica das aguai d$ Moira, 
no Àlfitniejo , e $eu emprego no tratamento das affec* 
ções dê bexiga. Pelo Sllr. Júlio Máximo de Olivei- 
ra Pimeotei. 



O estudo da compoiiçSo das aguas oaturaes, qtie 
se utilisSo como bebida ordinária , ou meios tberapeu- 
ticos t é do mais elevado interesse , porque se alguns 
dos prínoipios que nellas se contem são proveitosos, ou 
indifferentes , outros pelo contrario podem causar per- 
turbações desastrosas na economia, sendo até possível 
que certa substancia , n alguns casos útil , seja n'outro9 
prejudicial « couforme o estado em que se achão as fun- 
ções orgânicas dos individuos , que babem aguas idênti- 
cas. 

Acontece frequentemente fazer-se a appIicaçSo da 
mesma agua no tratamento de enfermidades mui diffe- 
rentes , sem haver conhecimento certo e seguro da sua 
composição ehymica ; pois na verdade e que até beje 
Sabemos das muitas fontes mineraes , cujas aguas se be- 
bem quotidianamente, ou de que se faz uso medicinal, 
de pouco vale , porque apenas temos noticia vaga e in^ 
certa dos resultados colhidos por alguns dos que dellai 
se tem servido : nem me consta que se tenha feito mo- 



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(67) 

ternamente coIieccBo de boas e rigorosas observações 
iobre o uso das aguas mais acreditadas. 

Nao nos honra muito este estado de cousas; e bo« 
je» que a chymica tem simplificado e aperfeiçoado tant» 
os methodos de analyse , não se pôde desculpar de mo- 
do algum esta falta , que não é possível attríbuir a ou- 
tras causas que nSo sejão incúria ou ignorância ; ambas 
bem pouco honrosas para um paiz que tem a pretensão 
de acompanhar a marcha da civilisaçSo Européa. 

O Governo que fizer emprehender o estudo das a- 
guas mineraes e potáveis do paiz , debaixo de todos es- 
tes pontos de vista , prestará , sem duvida , grande ser* 
viço á humanidade ; e a Academia, se quer de boa von- 
tade reconquistar a sua antiga ascendência e auctorida- 
de scientifica , deve promover este e outros trabalhos 
que são altamente interessantes. Oxalá que não sejão 
inteiramente perdidas estas reflexões » que me suscitou 
a analyse 9 recentemente feita por mim das aguas de 
uma fonte de Moira » que para os habitantes daquella 
villa é bebida ordinária , mas que além disso tem tal 
ou qual reputação de lithontripticas , e cujos resultado! 
venho boje apresentar á Academia. 

Pouco sei da historia medica destas aguas; igno- 
ro mesmo se ellas a tem , porque destas não dá noticia 
o D."*' Tavares no seu Tratado das aguas mineraes do 
Reino ; entretanto dois factos recentes me levarão a em- 
prehender esta analyse , e são os seguintes. 

Ha pouco mais de um mez o Sflr. Joaquim Filippe 
de Soure pedio-me que fizesse a analyse de uns cálcu- 
los urinários, que havião sido expulsos por um individuo, 
que vive na crença de que o uso da agua de Moira lhe 
auxilia a expulsão daquellas concressões, e obsta á sua 
ibrmação. Os cálculos que examinei erão constituidot 
pelo acido úrico e pouco urato de ammonia. A com- 



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(68) 

poriçlo da agua explica até certo ponto os effeitos qoe 
se lhe attribuem , porque , sendo alkalina pelo carboDa-* 
to de soda , pôde » neutralisando o acido úrico , obsUr 
ao seu deposito. 

Pouco tempo depois soube pelo Si&r. D.""' Bemar- 
dioo António Gomes » que o SAr. Duque de Paimella »• 
nesta sua ultima enfermidade » fazia uso das mesmas a- 
guas e com vantagem , ainda que a sua doença , com 
ser da be^i^ij^a , nada tinha [creio eu] de conunum com 
a formação de cálculos : pedio-me o nosso consócio , por 
essa occasiSo , um exame chymico desta agua » e para 
satisfazer aos seus desejos , e auxiliar , quanto em mim 
coubesse , a resolução de. questões tão importantes » em- 
prebendi esta aoalyse, que terminei em poucos dias. 

Não descreverei os processos que nella segui , por- 
que, em geral, não me afastei dos methodos ordíoa- 
rios : mencionarei somente em particular o methodo que 
empreguei para determinar a quantidade do carboDato 
de soda. 

A reacção alkalina , ainda que fraca , que esU a- 
gua apresenta , fez*me suspeitar a existência do carbo- 
nato de soda ; que , pelos meios ordinários conheci nâo 
existir misturado com quantidade sensível de carbonato 
de potassa : mas como entre os saes solúveis , que iicào 
na dissolução, depois de expulso o excesso de acido car- 
bónico , que traz dissolvidos os carbonatos terrosos, exi^ 
te , além do chlorureto de sódio , o sulfato e carbonato 
de soda , e o chlorureto de magnésio , não me era pos- 
sível determinar a quantidade de soda, que está no esta- 
do de carbonato , pelas simples dozagens do chloro , dos 
ácidos sulfúrico e carbónico, do sodb, e do magnosio, 
de modo que se me offerecesse uma contraprova, que sa- 
tisfizesse o meu espirito : assim entendi que era mais 
conveniente determinar todo o sódio no estado de chio* 



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(69) 

Yureto t e piroctttar por differença qual era realmente a 
€[uantidade d'aqiiellé corpo que se aôbava m estado di 
chlorureto, porque o resto devera estar no estado de 
soda 9 combinada com os ácidos sulfúrico e carbónico. 
Para o alcançar » tomei uma porçfto d'agua , privada doa 
saes que se precipitlio pela ebuUiçao » e dividí-a em duas 
porções rigorosamente iguaes; n'uma delias precipitei o 
chloro immediatamênte pelo azotato de prata, para ter 
o chloro dos chloruretos. A outra parte foi acidificada 
pelo acido chlorbydrico , para converter o carbonato á% 
soda em cblorureto de sódio; evaporada á secura» e a- 
quecido o residuo ao rubro y para expulsar todo o exces* 
so de acido cblorbydrico ; e dissolvendo-o de novo , na 
dissolução clara, e acidulada pelo acido azotico, foi pre- 
cipitado pelo azotado de prata o chloro, que representa 
não só os chloruretos existentes na agua , mas também 
o que proveio da transformação do carbonato de soda pe- 
lo acido cblorbydrico. Subtrahindo do peso do cUorurete 
de prata « achando por esta ultima experiência » o qua 
bavia sido determinado pela experiência antecedente ^ te- 
mos o peso do cblorureto de prata que d& o chloro cor- 
respondente ao sódio que na agua se acha no estado da 
carbonato. Este methodo é já conhecido e achasse dea- 
cripto nos melhores tratados de analyse. 

Segue-se o resultado da analyse da agua de Moira. 

Densidade » 1,00104 

Matérias fixas n'um litro de agua 0,^5SOO 

Paso do CO", obtido pelo jBa Cl O, 384S 



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(TO) 

Jiakríoi fixa$ qu$ u prêeipiião pda ébuUiçàf A « 
liuro d'agiêa , por êe açhanm di$9olvidas m 
€xceu9 de acido carbmUco^ 

Carbonato de cal 0,8228 

Dito de Magnesia 0,0187 

Dito de ferro 0,0290 

Alumina 0,0014 

Sílica 0,0103 0,3I1« 



Soes êoHuveis na agua ainda depois de expuho ê 
excesso de acido carbónico. 

Sulfato de soda 0,0262 

Carbonato de soda « . 0,0835 

Chtontrefo de sódio. , . . , . 0,0177 

Chiorureto de magnésio, . . 0,0317. ..... 0,1 79 f 

llateria^0i]^mca e penias. , . • « 0,0893 

t,5800 

A composição destas agoas r coniáeraffa «ib ffehçia 
Ko ses uso tberapeutieo, lera-^me a fr^t 9iggnm qaes^ 
toes em cuja resoluçfto maito interessa a medicina. 

Esta» aguas aio pritdpalmeríte atfe^nnas e magne* 
sianas. — Qual será «eUas o f ríneipia «ctiiro « ífm » 
deva attribuir a sh« efiicada no tratamento dba«ftec40 
da bexiga ? — Se o carbonato de soda pôde n'algiins ca- 
aos prevenir a formação dos colcuíos urteoa» não poderá por 
outra parte a magnesia determinar a formaçSo dos ai^ 
culos dephosphaío ammoniaeo^magnesianoT 

Depois de expulsa a ourina i se a misturarmoa cort 



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(ií) 

li áissolúçáo ^0 efaionireto de magneiio, tôdò 6 èitilnM 
biaco , que resulta da decomposiçDío da ureia , entra em 
combinação com o acido phosphorico , e forma-áe o phcjíM 
phato dobrado de ammonia e magne^iâ , que se precipita^ 
á medida que se vai formando. Pôde até por este mei« 
prevenir-<se a putrefaecSo da ourina ^ evitando a f6rma<^ 
çâo e derramamento do carbonato de ammoíiiaco % utí<^ 
lisar todo o azote destas dejecções em beneficio da a-< 
gricultura. Citarei em aÍKHio desta asserçáo as minhas 
próprias experiências^ 

Desde o dia â de Abril que giiardò uma porçM 
de ourina misturada com nma pequena quantidade de a-^ 
guas mSis das nossas marinhas , que contém abuodan-i 
cia de saes de magnesia [vide a nota tio fini] em con-^ 
tacto com o ar, num lugar do meu laboratório, em 
que todas aS circunstancias são propicias á putrebcçdo g 
e ainda até boje se conserva imputrefaeta fendesse suc-^ 
cessivameute augmentado o deposito de phosphato do- 
brado de ammonia 'e magnesia ; adquirindo apenaf o li» 
quido cór sanguinea, e cobríndo-»^ si sua superfície de 
uma vegetado crjptc^amiea. Ota se isto se passa na 
ourina depois de expulsa para fora da éconoinia , nãa 
pôde acontecer uma coisa análoga dentro do organismo f 
No Jornal de Pharmacia e Chymica de Paris , do mez 
de Fevereiro ultimo, vem mendonado uni caso do appa-^ 
recimenfo dos crystaes do pbosphato^ dobrado de ammo- 
nia e magnesia na Mrina de um individuo que havia to^ 
mado «m Ugetro purgante de magnesia calcinada. Ver- 
dade é que os caiefiIo9 do phosphato dobrado sâo raros 
e constituem apenas um decimo do total das concreções 
ourínarias conhecidas ; mas isto pafeee depender de quef 
a ourina ordinariamentof acida aos anímaes carnivorof 
difiolye os phosphaios^ 

£ataa questões , §uç apetms me atrevo a enunciai: 



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(7Í) 

M preiente nota « merecem» no mta entender • ora oê* 
me attento e profundo da parte dos homens da sciencia. 
Ê por certo á Academia a quem pertence esclarecer es- 
tas questões e promover com efficacía um estado com- 
pleto sobre as aguas mineraes do Reino , conaiderando-as 
nBo só em relaçfto á soa composição chjrmíca , mas tann 
1>em nos seus effeitos therapeuticoa. 

Nota. 

Çompotifào chymiea ia$ agwu mais da$ marínhas da 
. Áite-ltfjb — [Analyse feita em Outubro de 1849]. 

Densidade 1,218. 

Em 100 partes em peso contem 

CWonireto de sódio 20,4T 

Bromureto de sódio 0,1 i 

Sulfato de magnesia 2,98 

Chlorureto de magnésio 2,63 

26,19 



ObservaçÕeê Criticas sobre a Communieaçõo , que (em 

por íittUo — Uma Inseripçào de Tiberiê — imprií- 

. sa em as Àetas da Academia Rsal das Seiendas de 

. Lisboa , iV.* 5 , Sessão Litteraria de 2& de JuUi0 de 

, .1849. Pelo SDr. Francisco Recreio. 



Entre outras Observações nota-se : Que a Inseri- 
fiHOy que iax o objecto da referida Commooicaçaio, jk 



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(78) 

fc aeba impressa ha muito mais de um seeulo na Obra 
do P. D. Jeronymo Contador de Ârgote — De u4níí- 
quitatihus C<mt$ntus Bracaraugustcmi — Cap. 6.* pag. 
223 e 224 n."" 6 , publicada em Lisboa em 1728. — 
Que este Autor no Capitulo citado n.* 2 dá noticia à% 
ser a Pedra Afiliaria , que contém a Inscripçao de Ti- 
bério, uma das cinco Coluronas que axistido no seu tem-* 
po, pertencentes á Via Militar Romana, indicada no Iti- 
nerário de Antonino , que bia de Braga por Ponte do 
Lima para Astorga. — Observa-se não menos , que , se* 
gundo o mesmo Argote , esta Pedra Miliaria fdra a ul- 
tima das dnco Columuas daquella Via Militar que so 
acharão; sendo descoberta nas margem do Rio Minhf^ 
junto a Valença no anno de mil tetseeíúos $ oitenta. — % 
Que este Escríptor no lugar apontado n.^ 6 já fizert 
meuçèo de que a sobredita Pedra Miliaria , que fora a-^ 
ehada na margem do Rio Minho, estava também na Pra*- 
ça de Valença. •' — O que sendo assim. nHo se vé como so 
possa verificar , pelo menos quaato á estada da Colum- 
Ba Miliaria na mencionada Praça, o que se lé em a no- 
ta da Autoridade Administrativa da referida Viila , que. 
acompanhou ofac^simile da mesma Columna Miliaria, en- 
viado ao Autor da Communicaçâo em o anno passado, na 
qual se diz que a Columna que a continha fora ha qua^ 
tenta annos encontrada sobre a margem do Minho e desf- 
ie então levantada na Praça [da dita Viila] constituindo 
• MU pelourinho. — Ha pois uma differençã de 139 êjt^ 
Uê sabre a época em que foi aekada. 



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(T4) 



DONATIVOS, 



Jhmal da Sociedade Pharmaeeulka LusUma *^ 
>.• Série — Tomo 1.**— N.* 3 — 8."— 1 N/— Of^ 
ferecido pela Sociedade. 

Remsla Militar. — . Tomo 2.** — N.* 3 -^ Març^ 
^p 18.Í0 -r-^ 8.''-^ 1 N.^^^Oflbrecido pela Direcçio d» 
Jeniai. 

Requerimento e Carresponiência do Duque de Sd^ 
ikmka com o Miniilro da Guerra por occasiào de $er 
4emitUdo do oficio de Mordopw^múr da Ca$a IM- — 
Lisboa 1850 -^ 8/ 

A Corre^ondpncia do Matec%al Saldanha^ e o Jor^ 
nal a Ui. -^ Lisboa 1830 — 8.*-«^ Ofierocidoft este» 
dous Opúsculos peio Sllr. Duque de Saldanha, 

Jornal de Fharmaeia e Sciencias aceeseorioê^ d$ 
liehoa. — . 1.* Série — 3.^ anno — Abril de 1850-^ 
8.'-^ 1 N."-^ OflBsrecido pelo Sllr. José Tedeschi. 

Naufrágio da Galera Portugueza Tejo , na corren^ 
te do Golfo do México , deetripio pelo eeu próprio Cor 
mtíio B. K. C. -^ Lisboa 1850 — 8.^^ 1 voK — Of- 
Terecido pelo Sfír. Boaventura Romero Curran* 

Guia e Manual do Agricultor^ ou Elementoe de 
Agricultura. — Lisboa 183Ò — 8."-^ 2 vol. — . Offe- 
recido pelo seu Autor o Sftr. José Maria Grande. 

Annali di Física deWAbbale Francesccf Cav^ Zath- 
tedeschi. Fascicolo 4.^— Padova 1819 — 1830 — 8/ 
^^ 1 NZ-r- Offçreçido por seu AutoTt 



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n) 

Compte& renãu$ heMamadaires de$ Séances dt VA-^ 
^adéniie des Sciences [Instíloto Nacional de França]. — « 
1850 — Premier semestre — Tomo 30 — N/* 4 , 5 
e 6 — 4.** — 3 N.*' — Offerecido pelo mesmo Institu- 
to.^ 

Transactims of lhe Cambridge PhUosophical Socié^ 
ty. ~ Vol. 7.*— Partes 1.% 2/ e 3/— VoL 8."— 
Partes 1.*, 2.*, 3.% 4/ e 5/— Cambridge 1849 —V 
— 8 Partes. — Offerecido pela referida Sociedade. 

DifêULií^ ies Aêtoslals , poT V. Barezo Cano^ -^^ 
Meia folha de papel impresso em três columnas de mq 
04 lado. -*- Offerdcid^ {h$K> seu Autoir* 



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(70) 



JSSEMBLEA BTIFFECTIFOS DE t4 DE JBRIL. 



I^esidio o SBr. José Liberato Freire de Carralbe. 

Concorrêrlo á SeisSo o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo , e os SJIr/' António 
Diniz do CoHto Valente « Jofto da Cunba Neves e Car- 
Talho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Fran- 
cisco Pedro Celestino Soares, Francisco Ignacio doe 
Santos Cruz , Francisco Recreio , Bário de Reboredo , 
Ignacio António da Fonseca Benevides , Fortunato José 
Barreiros, Bardo d'£schwege, Agostinho Albano di 
Silveira Pinto , e Francisco Elias Rodrigues da SiWei- 
ra , Sócios Effectivos ; Mattheus Valente do Couto Di- 
niz , e António Albino da Fonseca Benevides » Subiti- 
tutos d'Eflectivos. 

Foi proposto pafa Sócio Correspondente da Aca-- 
demia o Sfir. José Rodrigues Coelho do Amaral ^ Len- 
te Substituto da Escola do Exercito. 



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Tempestade de madrugada. — Trevoada ás 
1(}^ da urde e a]f um granizo. 

Chuvisco quasi inapreciável. 

Muito húmido e tépido. 

Nevoeiro matutino — Sol ardente. 

Chuvisco inapreciável de tarde. 
Chuva copiosa. 


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(82) 



Mortalidade em LiAoa. 

Sexo masculino— 152 maiores — 100 menores — tot. — ÍÕl 
Dito feminipo — 122 ditos — 93 ditos — dit.— 215 

Soromao 274 ditos —193 ditos — dit— 467. 

Incluiudo-se 212 fallecidos nos hospitaes, sendo 92 me- 
nores procedentes da Misericórdia, ou dos expostos nos adbs 
das Igrejas. — Diminuio a mortalidade sobre a normal (b 
mez , em 6i3 indivíduos , ou mais de 1 1 por cento , è 

!|ue se deduz que a constituição atmospherica contíouoa 
avoravel á conservação da vida dos habitantes desta á- 
dade. Nas enfermidades próprias dá estaçSo predomina* 
rào 08 catharros « tosses pertinazes, que om geral ter« 
minis benignamente. 



]ft. M. FranxinL 



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ACTAS 

SESSÕES 

DÁ 

ACADEMIA RfiAIi DAS SCIEIVCIAII 

PB 

LISBOA* 
1850- -^ N/ m. 



SESSJO LITTERJRU DM 8 DE MJI9. 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Carvalho. 

CoQCorrério á Sessío o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Sftr/' António Diniz do 
Couto Valente , Joio da Cunha Neves e Carvalho Por-» 
tugal, Francisco Freire de Carvalho^ Francisco Pedro 
Celestino Soares, Francisco Ignacio dos Santos Ct:iUd 
Tomo VU | 



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[«6 1 

Francisco Recreio , 6arSo de Reboredo , ForUinafo José 
Barreiroa, Ignacio António da Fonseca Benevides , A- 
gostinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Eiiai 
Rodrigues da Silveira , Sócios Effoclivos ; António Albi- 
no da Fonseca Beneviííes, e MatUieus Valente do Couto 
Diniz , Substitutos d'EOectívos ; António Maria da Costs 
e Sá , Sócio Livre ; Antony) Caetano Pereira , e Carias 
Bonoet^ Sócio» Correspondentes. 



COHMUNICAÇÔES, 



llr.r Felix Canier temettfio. á Academia mn papel # 
qoe tem por titulo = Mayen de carlmnr k gaz AyÂ>- 
gène , provtnant de la déeampo$ilÍM de Veau par U fer, 
ou moym d^ fmU$ empyemMiqm.froimtef^. ian$ U 
diuillatim de la hauiíle. — Om «ma estampa. 

Foi entregue ao S&r. Director da Qasse de Scien* 
aias Naturaea^ 



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(«n 



Mesiorias licasl 



(!ontÍBaóu ò Sfir. Francisca Freira de ClarVathò t 
lér a traducçáo Português d'algiiiiia$ Cartoê dê d Plt^ 
nio Cmilio Segundo {*)i 



Trbi sáo MT GarUi, quê ágcfitf vídi itef ' a^eièita^ 
dÍM, a^ saber 2 a 6/ do Livro 3.^» dirigida a Macro ^ nt 
^tial o Autor lhe dá noticia das Obraa » que foráo com-» 
postas por aeii Tiò , Flinio o Naturalista » dieia de mait 
ã mais de mui sensats» reOeides exeitadorat do estudoi 
Na segunda , que é a 7/ do mesmo Litro 9.^, escríptat 
a- Canirtio , da-4he noticia da morte do poeta Sitio Itali^ 
CO , acompanhada também da noticia Am seus empre^ 
gos f caracter e do juiso áeerea do seu talento poético p 
recheada de mais a mais de laAimosas recordat^ sobrai 
B curte^a da vida humana, o que deve sérvir-^ios de e^ 
ttmulo para deixarmo» alguma obra, quê após o nossa 
felecimiento' loa immortalize. -^ Na terceira escriba « 
Sitra 9 e que na eoUeçUo das Cartas do Autor Occupa or 
21/ logar do Livro supramencionado, participa-lhe^or 



(») Vid: Athks óÉit SélsStilr án! Atãtdikiii;' Rial dás 
m» da Li«b9a N. 7. a pag. SO*. 



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(M) 

bfecÔMBlo dopoeU r|íji— nllrn Vakmlfaiciíl, cm 
alfroBS icrsos deste dtrígidoft ao aMano Plino , ^ tí* 
lèi ft nio cncMtram cm outro «%vb logv. 



Utrm 3/ Tivto 5/ Plime m Mi 



£ para mim coo» tommiraeote agradarei , qv 
fio attenfamente lèas os Iíttos de mca Tio ; e por isso 
<pie desejes possoil-os todos, e saber quaesriles sejam '-\ 
Farei por isso as reses de vm hdex : e direi lambem , 
qual a ordem , em que por elle ioram compostos , co- 
nbecimento este , que aos boroens estudiosos elo deiu 
de ser ignalmeote jocuodo. — No tempo, em que , nu- 
iitaodo , commandara um troço de caTaDaria , ccmpúi 
com iguaes iugeiíbo e exacçio um Livro sobre o moda, 
com que os cavaUerros devem arremessar os aeiis dar- 
dos. — Escrereo doos Livros da rida de Pomponío Se- 
gundo , por quem fora sioguiarmente amado, cooa o que 
á mem<Hria do amigo pagou uma como divida de grati* 
dio. — Vmte Livros sòhre a guerra da Germânia , nos 
quaes coUigio todos os nossos fatos bellieos com os Ger- 
manos : esta obra a começou elle admoestado por um sò- 
nbo no tempo, em que na Germânia militava; per qaafr- 



(•) Vid. Actas da Academia Beal das Sciancias de XÁ 
bM N.* 7. a HoU a pag. SIQ. 



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(8») 

f» app«recend<v*the a imagem de Draso Nen> » o qual 
dilatadissimamente vencedor da Geimania » alli falecera', 
recomendou-Ihe ãzesse delle memoria , e lhe pedio sal- 
vasse o seu nome do opprobrio do esquecimento. — Es- 
creveo mais três Livros sobre os estudos da Eloquência » 
por sua graadeza divididos em seis volumes , nos quaes 
forma , e aperfeiçoa o Orador desde a sua primeira in- 
fância. — Nos últimos atmos do governo de Nero » tem- 
po em que a escravidão tomava perigoso todo e qualquer 
género de estudos um pouco mais livres e remontados , 
escreveo oito Livros sobre a ambiguidade figurada das 
palavras. — Trinta e um Livros de Historias desde o 
ponto 9 em que as tinha deixado Aufidio Basso. — Trin- 
ta e sete Livros sobre a Historia Natural » obra exten- 
sa 9 erudita e ndo menos variada, do que a própria Na- 
tureza. Causar-te-ha admiração , como um homem occu- 
pado poude escrever tantos volumes, e delles muitos 
eom tio miúda averiguação escriptos : muito mais te ad- 
mirarás sabendo , que também se dedicara por algum 
tempo a advogar Causas ; falecendo aos cincoenta e sete 
annos da sua idade, e tendo o seu tempo occupado e im- 
pedido jà com grandes empregos , já com a amizade dos 
Príncipes: era porém homem de grande ingenho, de 
um estudo incrível, e de vigiíancia sununa. Em chegan- 
do o tempo das festas de Vulcano («), começava a tra- 
balhar desde antes de romper do dia, e sendo ainda 
muito escuro; levantando-se não para tomar auspicies, 
nas sim para estudar , a saber , no Inverno á hora s^ 
ptima , o mais tardar á oitava, as mais das vezes á sex- 



(#) ComeçaTam em Roma estas festas oo dia fiS d 'Agos- 
to, e duravam por espaço de oito dias. [Encjclop. Methodica 
s= Antiguidades =] — Catertun Augu$to circa Fakgnalia ttr» 
^êmii9 ut [diz Colomeli. Lib. LI. Cap. 49]. 



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!■ ( {MÍ8 tinha e tAno sempre á sna diqpoflicto, •• pofei 
4e qae no meio doa seus estudos ora se deixava delh 
0ccupar t ora o sacudia de si. Antes de amaidiecèr dirí- 
gia-se ao palácio do Jmperador Ve^pcsiano ; pois Unh 
i^em este fiuía uso das noutes : dalli ia exercer as iiiu^ 
ftes do seu anprego. Voltando para casa , o (foe lhe 
restava do tempo » empregava^o no estudo. Duraste i 
Mtaç^Q do Estio, muitas vetes depois da comida, [qui 
lie dia era leve e de fácil digestSo , á maneira dos anti-! 
gos] se lhe restava alguip tempo de ócio , deltava-se as 
Sol , liam«lhe um livro , sabre o qual ia faiendo amo* 
taches e extractos; pois nlo lèo jamais cousa alguma i 
que nào extractasse ; tendo sempre por costume o diíer 
p= Qii$ MO hanM lixiro 9 fof máo ^ fom • d« f^ 
moú padêsítê tir^^tê algum proveito, ^s Depois de t^ 
(Ktado ao Sol , lavava-se as mais das vezes em agua iria, 
tomava entSo algum alimento , e dormia por um pque- 
níssimo espaço. Em seguimento , como se tivesse ccne* 
(pado um uòvo«dia » entregai a<-se ao estudo até o temiM 
dac6a, durante a qual, mandava que lhe lessem um 
livro , sobre cuja leitura ia fasendo rapidamente algu- 
mas annotaçdes: Lembrorme, de que, interrompendo 
um dos seus amigos o leitor , por nfto ler lido bem, e 
mandando que tornasse a lér certa passagem , meu Tio 
Ibe perguntara =s= s« a tííúia bem tfUefèdfdo , = ao qot 
elle respondendo affirmativameote , meu Tio aceresccotá*' 
1^ ssB Por quê razão poi$ o maxidasU rêptíirl cm a 
tua ifUerrupçoQ perdemoM mais de dez lifikas. — f^ 
económico era elle do emprego do tempa! No Estio le- 
vantava-se da cêa ainda antes de anoitecer , no Invenio 
logo depois da primeira hora da noute , como se por u* 
inn lei a isso fosse compeilido : Era este o seu thedr de 
vida no meio dos trabalhos e do bolicio da Cidade. No 
letíro do campo ^ dejjM^Lva de estiidar dufante p MKpll 



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t «í ] 

áo bAiiho^ e , qvatidò digo , áo lánlio , Mo do temjpo^ 
em €|ue nelte estava mergulhado ; pois , em quanto o es- 
fregavam , e o alimpavam , sempre ouvia , ou dictava al« 
goma cousa. Fazendo jornada, como quem ia entio 
despido d'outros cuidados « somente nisto se oocupava^ 
levando a seu lado um escrevente com um livro, e o sen 
caderno de apontamentos ; e para que a aspereza do frio 
lhe nSo roubasse algum tempo ao estudo, mandava-lh« 
no Inverno, que cobrisse as mios com luvas : era por Í8« 
flo também , que , estando em Roma , andava sempre de 
cadeirinha. RecordoHíne de me haver elle reprehendidê 
uma vèi , (K)r eu ter ido a passeio i com as palavras se« 
gttintes : s» Tu podias não ter perdido eseat horas ^í= ; 
fw entender perdido todo o tempo^ que nfto era empre-^ 
gado no estudo. — Foi com esta applicaçfto que poudt 
compor tantos volumes , tendo-me deixado de mais cen- 
to e sessenta Colleções ou Commentarios sobre assum- 
ptos extrahidos de livros alheios , escriptos de ambos oa 
lados , e em miudissima Icttra , o que faz dobrar-lbe o 
numero* Contava elie , que no tempo , em que exercera 
« cargo de Procurador de César Aa Hespanhá, poderá 
ler vendido por quatrocentos mil sextercios estes Com-* 
mentarios a Lai^io Licinio ; sendo que eram nesse tem- 
po algum tanto menos em numero. — Passando agora 
pela lembrança tudo , quanto meu Tio lêo , e escrevôo , 
«caso te não pafece , que um homem tal nSo podia ter 
exercido emprego , nem occupado logar algum na pri- 
▼anca e amizade dos Príncipes? ou também, sabendo 4 
grande trabalho, que déo ao estudo, que nSo escre- 
veo, ou léo elie, quanto lhe cumpria? Pois que es- 
torvos não deviam 6ppor-lhe a^ueilas occupaçõés ! e # 
que nito poderia elle produzir com erta assiduidade en» 
estudar! Costumo por isso rir-me, quando alguém m« 
tbamt iltodioso; poí»| a còmparar*me com meu Ti«^ 



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IM perguiçMiflsiino. Qm tempo doa ea m eftado, «^ 
nto aqudle, que me deixam livre os negócios oopol£^ 
cos 9 ou os dos amigos ? Alem de que , quem lii iln 
dos que toda a ?ida se entregam ao estado das Bellas-LK- 
trás , se com elle o eompararmos , que se nlo enver- 
gòuhe de ter passado a vida como entregue sónwote 
ao sano 9 e á inércia? — Alarguei-níie oesla CarU, 
sem embai^ de haver-me proposto o escrerer unica- 
mente sAbre o que me perguntavas , isto é , qoe Li- 
TTOS tinha elle deixado escríptos: todavia confio, que 
te nlo será isto menos agradável também , do que « 
próprios seus Livros; e que poderá servir de estimulo 
i toa emula-lo t náo só para que trates de oi lfr> 
como para que escrevas alguma cousa , qoe com dki 
ae a^emelbe. — A Deus. 



lÂtro 3.* Carta 7.* Plimo a Camm. * 



Acaba de cbegar-me a noticia , de que Silio Itá- 
lico se deixara morrer de fome na sua terra junto t 
Nápoles. Foi uma infermidade a causa da sua morte: 
ibrmára-se-lhe uma chaga incurável, por cujo desgosto 
ae deo pressa a morrer com irrevogável constância, 
tendo sido até o seu ultimo dia ditoso e feliz, exce- 
pto que perdera de seus dous filhos o mais mdço, res^' 
tendo-*lhe porém o mais velho e de inaior mérito, vi- 
goroaoy e até já Consular. Asua repotac&o havia sofri* 



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(93.) 

4õ algum desar no governo de Nero ; por se acreditar » 
que fora nesse tempo denunciante espontâneo : Gozira 
porém da amizade de Vitelio sempre com prudência e 
com urbanidade. Tinha voltado glorioso do seu Prucon- 
sulado da Ásia , lavando com um ócio digno de louvor 
a mácula do seu antigo proceder. Vivéo entre os seus 
príncipaes concidadãos sem ostentaç^io de poder, e sem 
inveja : Posto que nunca deixasse o seu quarto , e mui 
raras vezes a cama , ahi mesmo o frequentavam , e hiam 
saudar , o que todavia o nfio devia elle ao seu estado 
presente de fortuna («). Passava os dias entretido em 
dotttissiinas conversações. Escrevia versos, nos quaes se 
deixava ver mais arte , do que iugenho , recitando-oi 
•algumas vezes, a fim de apalpar a opinião e o juizo dos 
seus ouvintes. Ultimamente, aconselhado pelos annos, 
retirou-se de Roma , e foi morar na Campania , d onde 
nem se quer o féz sahir a subida ao throno do novo 
Príncipe , facto digno de grande louvor assim para um 
Imperador , que o nSo levou a mal ; como para elle , 
que ousou tomar esta liberdade. — Era bomem apeti- 
toso de todo, quanto tinha apparencias de bello, até 
ao ponto de merecer por isso censura ; pois possuia mui* 
tas quintas em um só e o mesmo lugar, e em todas el-* 
hs muitos livros , muitas estatuas > muitas pinturas , as 
quaes nSo só conservava mas até lhes dedicava uma es- 
pécie de culto : Venerava mais , que todas , as que re-^ 
presentavam Virgilio, cujo dia natalicio celebrava mais 
religiosamente , do que o seu proprío , sobre tudo em 
Nápoles , cujo monumento costumava visitar , como visi- 
taria um templo. No meio desta tranquilidade passou 



(•) Non propltr pri^entem ipnug fortunam ; Jlorebat Mim 
mmicitia NerwK imper. sed propttr doctittimo» urmmu , di^- 
amA nou da edi^lo.áe Lalemand a esto lugar. 



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«iadt alem doi setenta e cinco «mes da im ide4e emà 
Qm corpo mais delicado , ^e inferme : e assim cenM 
idra o ultimo .Cônsul , feito por Nero » morreo o idtin» 
também dos « que por elle haviam sido proraondos a es- 
ta dignidade : seudo igualmente digno de ootar-te, 
^ue dos Cônsules do tempo de Nero fosse o ultimo , qm 
acabou os seus dias aquelle , que era Coosui f quaado 
Nero morreo: do que todas as vezes que me recordo, 
grande é a compaixão , que me causa a fragilidade da 
natureza humana ; pds que cousa ha tdo circunscripta t 
t2o curta , como a vida do homem , ainda a mais dib« 
tada? Acaso não parece* que Nero ainda ha poueo vivia , 
ao mesmo temp que de todos , quantos durante o seo 
governo foram Cônsules , nem um sequer já erâte 7 Mai 
porque me admiro disto ? Icmbrando-me do , que costa-- 
mava dizer Lúcio Pisão , pai d aquelle Pisão penrerássi^ 
mamente por Valério Feslo assadnado na Africa. = Qm 
u ninguém via já no Senado de todos aquelUs , a quem 
tinha pedido voloê » sendo Cônsul ? =i Tào estreitos sia 
pois os limites, dentro dos quaes esta encerrada a mai» 
longa vida de tauta multidão de homens» que ndo só me 
parecem dignas de perdão, mas antes de louvor aqoel- 
las lagrimas de um Rei : Por quanto de Xerxes se coiw 
ta, que, lançando os olhos sdbre o seu exercito immeo- 
so , chorara ao pensar , que dentro de mui curto espa* 
(O de tempo tantos milhares de indivíduos seriam vi- 
ctimas da morte. «— É por isso que sérvio, como é, 
tio fútil e caduco esse espaço do tempo da vida , qoa 
D06 é concedido, devemos estendol-o, se não com (h 
bras, [pois essas não dependem de nós] sem duvida 
com a applicação ao estuao : £ pois nos é negado 9 
ffver por muito tnmpo, deixemos depois de nós algo- 
nm eousa, que a! teste o tamtos vivido. Bei sei, que a^a 
de estímulos; comtudo a amizade que te ti-* 



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( W ) 

|Ae« me bufeHê « q«e te instigiie nà etrretm, 4^ 
sim como tu cosjtumM íqstjgar-me a mim : É bâa lem* 
pre a porfia, com que os amigos mutuamente se ex^ 
bortam ao amor da immorlaltdaie. -~ A De ui» 



XtVo 3.' Carta 21/ Plmw a Prim^ 



Ouço dixer» que é falecido Valério Marcial, a 
qne me causa grande pena: Era homem ingenhoso» 
de espirito fino e penetrante, e em cujos escriptos ha 
muito sal e Tel; mas nSo menor candura. Ao Mirar- 
86 de Roma, dei^he com que podesse fazer a sua 
jornada; obsequio por mim prestado á amizade, assim 
como aos pequenos versos, que me dedicou* Foi cos-» 
tqme antigo, o conferir honras, ou dinheiro aos, que 
em seus esoriptos haviam dado louvores ou aos homens 
particulares * ou és cidades ; costume este que , com ou« 
tros oko menoa beHos • egregioa, tem caducado em ot 
nossos tempps , mármente no actual ; pois , desde qut 
deíx&mos de prattear acedes dignas de louvor , julgámos 
também cousa inepta o ser louvados. «^ Qutrea saber» 
que pequenos versos sejam aquelles, que deram ocaa« 
siâo ao meu agradecimento? Se acaso não conservasse 
de memoria alguns d'elles , remetter-te-ia ao próprio 
volume , onde se acham escriptos : Se estes te agrada- 
rem , podes ir ao Livro procurar os mais. Falando com 
t fua Muiei i»aada*lbei que v& ter comigo a minha 



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io bairro dos Eâquilm , recomendando-lhe poria , 

fue ontrc nella com o dorido respeito: ' 

Mas , attende , slo vas , ébria , bater-lhe 

Na douta porta em horas importunas : 

A severa Minerva inteiros dias 

Elle consagra , quando ante os Juizes 

Teip de ostentar discursos , que aos d'ArpiiM 

Do Orador Cidad&o lá nos vindouros 

Secidos poderio ser comparados. 

Da noute junto ás luzes mais segura 

Na casa lhe entrarás ; essa hora é tua : 

Quando Baccho arde em fúrias , e das tosaf 

Quando impera o odor , quando af madeixas 

Humedecidas pendem , os meus versos 

Té rígidos Catões nessa hora léam. 

E nlo tenbo eu razSo para sentir uma viva dor na mor- 
te d^aquelle , de quem outrora me despedi o mais ami- 
gavelmente , e que ainda agora contemplo coroo um doa 
meus maiores amigos ? Elle deo-me , sem duvida , o 
mais » que ponde dar-me ; e muito mais me dana , st 
isso estivesse ao seu alcance: Pois que cousa maior po- 
de ser dada a nm homem , do que a gloria , o louvor 
e a immortalidade ? Mas talvez que o » que elle escre- 
veo» nfio dure eternamente ; sim, talvez que assim acon- 
teça ; elle porém escreve-o na idéa , de que viria a tar 
DBia duração perpetua. — A Deus. 



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[97) 



DONATIVOS. 



Revista Militar. —Tomo í.*— N/ 4 —Abril íê 
1850. — %.""— i N.*— Offerecído pela Direcção, d# 
Jornal. 

Jcmal da Sociedade Pharmaeeutiea Lusitana. -^ 
a.' Série — Tomo 1."— N/ 4 — 8.*— 1 N.*— Of- 
ferecido pela Sociedade. 

Jornal da Sociedade das Scieneias Medicas de.Lis^ 
loa. — 2.* Série — Tomo 6/— N.** 1 , e 2 — 8.* 
— 2 N."** — Offerecído pela Sociedade. 

O Cadastro^ e a Propriedade predial. Relatorim 
unnotado. Offerecido á Commissào geral do Cadastro^ 
por F. A. F. da S. Ferrío. — 8.^—1 Vol. 

O uso^ e o abuso da Imprensa , ou Comideraçõe$ 
êobre a proposta de Lei Regulamentar do §. 3.* da 
Artigo 145 (ia Carta Constitttcional ^ pcnr Francisco Aih 
tonio Fernandes da Silva Ferrío. — 8,* — 1 Vol. 

Observações analylicas sobre o contencioso da Ad^ 
nunistração da Fazenda Publica , regulado pelo DecretQ 
de 29 de Dezembro de 1849. Dirigidas aoEx."^ Shr. 
Ministro e Secretario d* Estado dos Negócios da Fazen- 
da , António José d' Avila , por Francisco António Fer- 
nandes da Silva Ferrão. — 8/ — 1 Vol. — Offer»- 
€idai estas ultimas três obras pelo seu Autor. 

Junta do Credito Publico. — Relatório da sua Gs^ 
rensia no anno económico de 1848 — 1849 , ê as dê 



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ixmUio ãê 1846 — 1847 — toL _ 1 Vol. _ Oí- 
férecido pela mesma Janto. 

Camptes rendu$ hebdomadairêt de$ Séanees de V 
Aeadémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. — 
1850 — Premier lemestre '— forno 30 — N.*" 7. 
8 , 9 e 10 —4/ g.^*— 4 N.^— Offcrecida pelo mes- 
mo Instituto. 

Philoeophicál Traneaiciiem of the Aoyol Sodeiy of 
London. —For the year 1849 —Pari, 2/ — 4/ g.** 
--- i Vok 

Aidreu of ihe ri^ JummêtabU the BêtI of Ro^ 
$e ele. ele. ihe Pre$iderU , readat the annivenanf Mee^ 
êmg cfth^ Reyci Soeietg, tm Firidag., NotemAer 30, 
18*9— 8.*— t Tofc 

The Royal Soeieiy. 30 th November 184» -^8.* 
•^ 1 Yol. — Ofereeida^ eit«» «Itímas tiea ofaraa pda 
Saciedade Real de Landfei^ 



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(») 



jssiMBLSJ nxrFECTiros DE U DM 

MJIO. 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Carralbt. 

CoDcorrérSo á SessSo o Secretaria |ierpetiiO' John» 
^aim José da Costa de Macedo, e os Sõr/' António 
Diniz do Couto Valente^ Jóia da Cuuha Neres e Cár* 
Yalho Portugal , Francisco Freire de Carvalbo » Fran«> 
cisco Ignacio dos Santos Cruz» BarSo de Beboredot 
franciscor Becreia» Igoaoio António Abt Eonsecir Bene« 
yides.» Marino Miguei Fjan^i, Fortunato ^é Bama^ 
xf»^ Agostinho Albano da Silveira Pinta, e Franciaof 
Elias Bodrigues. da^ Silveira , Sócios- Effectivoa^ Aot^f 
não Albino . da FQB3eça Benevides * e< Mattheus, ValeAtt 
4o. Cottto I)ÍQÍir Sttbptitutoi. cfEOecttYni. 



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(íM) 



GOARESPONDENCLL 



Lee o Secretario perpetuo 

1.* Uma Portaria expedida pelo MiniaterM do Rei* 
|K> do tbeor legointe : 



Manda Soa Magestade , A Rainha , pela Secretaria 
d'Estado dos Negócios do Reino , remetter á Academia 
Real das Sciencias de Lisboa , a inclusa conta , datada 
de 29 d'AbriI ultimo » em que o Governador Civil do 
Dtstricto do Funchal ^ dando parte . de haver começado 
a organisar naqtiella Cidade um Gabinete de fiistnría 
"INatural » pede se conceda para o mesmo Gabinete um 
exemplar dos objectos de que haja duplicado no Mih* 
seu de Lisboa ; a 6m de que a referida Academia in- 
forme por este Ministério quanto se lhe offerecer a tal 
respeito. Paço das Necessidades em li de Maio da 
;1850. = Goode de Thomar. 



Apresentou o Secretario a minuta da resposta a 
jMta Portaria, que foi approvadai» a é a qua se sagoe: 



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(101) 



SENHORA = Manda Vossa Magestade na Porta- 
ria expedida pela Secretaria de Estado dos Negocioa 
do Reino , em 1 1 do corrente , que a Academia Real 
das Sciencias de Lisboa informe o que se lhe oRerecer 
sobre uma conta do Governador Civil do Dístricto do 
Fundial , em que pede se lhe conceda , para um Gabi- 
nete d*Historia Natural» começado a estabelecer naquel*» 
la cidade , um exemplar dos objectos de que haja du- 
plicados no Museu de Lisboa. 

A Academia tem duplicados no seu Museu alguns 
objectos, pela maior parte conchiologicos « de que pôde 
dispor , e que são » para assim dizer » um fundo que to* 
dos os Museus conservSo para empregar em trocas» 
com que reciprocamente se enriquecem ; e delles pôde a 
Academia dispor com o mesmo Gm a favor do Husea 
do Funchal , sendo retribuida com productos da liba da 
Madeira , que facilmente se coUígem naquelle paiz , ain-> 
da quando não os haja duplicados no Museu do Fun^ 
chal ; conseguindo-se por este modo ao menos da Ilha 
da Madeira os productos das nossas Provincias Ultra- 
marinas, pertencentes aos diversos ramoa da Historia 
Natural que costumSo encontrar-se nos Museu», que 
faltao no de Lisboa , e que não tem sido possivel obter, 
apesar de ordens terminantes e repetidas, expedidas pa- 
ra esse fim, pela Secretaria d' Estado doa Negocies da 
Marinha e Ultramar , mas para regular estas trocas 
muito conviria que o Governador Civil do Dislricto de 
Funchal se correspondesse directamente com a Acade^ 
jnia. 

Vossa Magestade porém Mandari o que For Ser^ 
vida. 
' Tomo IL ^ 



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( 102 ) 

2/ A Carta do D.*' Frederico Welwitsch , abúx* 
transcripU : 



Remetttodo á Real Academia das Scíencias de 
Lisbea a presente porçdo do Herbarío da Flora Lusita- 
Da , de cuja coordenação estou encarr^ado ^ cumpre-me 
antes de tudo pedir a V. o favor de patentear á men- 
ina Real Academia os meus sinceros agradecimentos pe- 
la indulgente bene\olencia , com que foi recebida por 
ella a primeira secção do mesmo Herbario , que alH'aD- 
geo as MoDocotyledoneas. 

A presente CoIleccHo , que se eompoe de mais de 
800 exemplares cuidadosamente preparados , compre- 
hende as Algas aqtêoticas da Flora Portuguesa , classe, 
que — segundo a opiniBo do distincto Gryptoganioiogs 
JSlias Fries melhor designar-se pôde com a denomina- 
ção de Phyaas [Pbyceae]. 

O systema que segui na distribuição das Ordens, 
Tribus e dos Géneros , é , com poucas modificações , • 
de Endlicher , desenvolvido no 3.^ Supplemento dos Gt- 
nera planiarum 9 pag. 10 até 53. 

Achando-me porém movido a desviar-me em algm 
pontos do systema deste erudito Phytc^rapho , julguei 
conveniente elaborar uma : Disposição sysiemaíica espe- 
cial de todos os grupos e Géneros de Phyceas , que e&- 
contrei até agora no território Lusitano » a qual tenho a 
lioDra de remetter aqui junto. 

Aceitando a supra mencionada designação de P%- 
ceas , como nome da Clcuse destes Vegetaes , seni-me 
idella também > evitando dest'arte um labyrintbo de sy- 
nonymoft pouco acertados^ para a denominação das troí 



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( m > 

^faodtti OrAeni desta vastissirha Classe * tsmni cba^ 
mei Chloraphyceas as que se distinguem pela côr typica 
d um Vêfde gramíneo ; Elaeophyceoê aquellas i que ma-* 
sifestão uma cór olivacea [cdr d*azeitoDa]9 e designei 
finalmente com o nome de Rhadophyceas as que bri-* 
Ilião em còres de rosa « ou purpúrea. Os caracteres 
morpbologicos e cdrfX)Iogicos destas tre^ Ordens , que 
pouco maii ou menos coincidem com os que se achSa 
opontados no citado Supplemerito de Endlicher , exporei 
circunstanciadamente n outro lugar f em que me propo^ 
nho desenvolver igualmente a distribuição hydrographi- 
ca e thalassiograpbica das Phyceas da Flora Lusitana , 
bem como apontar as mui variantes modificações mor^ 
phologicas ♦ que os differentes grupos , géneros > e prin- 
cipalmente as espécies , offerecem , conforme as regiões 
que ellas habitao nas aguas doces , ou no Oceano. 

Para simplificar e abreviar , quanto possível , as in-« 
dicações topographicas de cada espécie , tenbo combina- 
do certos signaes thalassiographicos, pelos quaes, com 
muito mais exacçao se píde determinar os tufares — • 
as zonas — • que as differentes espécies occupâo nas su- 
periores oa inferiores regiões oceânicas* Estes signaes. 
•âo os seguintes: l.*^2.'*t±::3.*^fc^4**'^, eexplicão-es 
pelo Kbema que segue: 






A linha ag representa o declive da praia até certé 
profundidade do smut; a Uoba a(. significa a maior al^ 



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( 10* ) 

hira io mar na época da Cabeça d'agua : cd é 9 mal 
altura na mesma época , e a liiAa ínfima rf designa o 
nivel mais inferior do 1.* baixamar, depois da cabeçs 
d'agua. O lugar que occupa qualquer espécie, nest» 
diflferentes regiões ou zonas , é designado por um lero 

(0) , de maneira » que por exemplo o signal 1-^ ' deno- 
ta , que a competente espécie habita aqudla região da 
praia » que somente na occasido da cabeça d*agiia é ba- 
nhada pelo mar ; o signal ^p indica, que a correspon- 
dente espécie só se encontra n'uma região, que nunct 
iica descoberta pelo mar etc. etc. Estas designaçOes tor- 
não-se ainda mais importantes, em relação ás formas 
ou Tariedadcs das espécies, que por muitas Yexes babi- 
tão regiões difierentes, e se modificSo consideraTelmen- 
te conforme a maior ou menor profundidade das soas 
habitações. 

Querendo eu facilitar o exame das espécies miadas 
da Collecção , juntei quasi sempre aos exemplares, qoe 
representão as plantas na sua totalidade , um ou outro 
ramo destacado da planta e estendido sobre Mica , cor- 
po , que é muito mais transparente , e não absorve , «»- 
BK) o papel , o rouco , em que muitos desses vegetafs 
são enrol vidos,, tornando assim mais fácil e mais exacta 
qualquer observação microscópica. Fora disso quasi to- 
das as espécies da Collecção se achão representadas por 
3 , 4 ou mais exemplares , conforme os diversos estados 
do desenvolvimento e da fructificação. Pela somma (f» 
mostra a quarta columna da minha disposição genérica, 
V. verá , que o numero das espécies de Phyceas , ijue 
até agora tenho encontrado em Portugal, sobe a 28S, 
e acbando-se apontadas só 28 Phyceas na Flora Lusí* 
tana do Illustre D.^^ Brotero, manifesta a presente 
Collecção Pbycologica [somente deita classe dasCryptd? 



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( i«5 ) 

|;anias] um accrescimo de 257 espécies , novas para « 
Flora Lusitana , Dumero este , que se augmentará ainda 
consideravelmente , quando um dia as praias da Provín- 
cia do Minho e as costas do Algarve forem exploradas 
com as mesmas diligencias, que empreguei. na explora- 
ção da Estremadura e do Alemtejo. 

São estas as observações, que julguei dever aceres- 
centar ás mais , que se achdo apontadas já nos compe- 
tentes rótulos das espécies da presente porção do Herba- 
rio. Agora resta-me só declarar a V. que não poupei 
nem cuidados nem trabalhos , para arranjar 'esta CoIIec- 
f ão tão instructiva como me foi possivel , desejando as- 
sim facilitar o estudo de uma das mais interessantes clas- 
ses do reino vegetal , a qual actualmente forma o fru- 
ctifero campo de investigações importantissimas em res- 
peito ao gtnesis e uxuallsmo dos vegetaes. 



Deos guarde a V^ 
Xlcantara em 8 de Maio de 1850» 



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(IM) 



GEXERA PH\XE.\Kni USITAXUE 



Friétrkmã WWnUeft. 
THALLOPffnARUM CLASS. f 

fhtceáe :•> 

ORDO !• Cu>EOPKTCiAX Wdw. mspl. 

grnoD. = Zoo$permeae J. Ag. alg. medit. exclu. Sipl»* 
Dearum gener. ploríb. 
^= Zooipermeoê et Synspcrêoe DecaisD. ia'>'oQT. 
Ano. SC. nat xvii. 305. 

(•) •« Algas aquáticas, Patram e Acharíi aoctariute do- 
cti . sub nofuine comrauni « PkyceQmm m coiDprcIíeiKlunaL • 
Frifc Lícbenoçr. europ. pg. xxxu. 



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( 107 > 

Synon. =i=Con/èrvac«arNm, Nostochinearutn et UlvaceO' 

rum pars Endl. Gen. 4)lant. pag. 3 et seg. 

^= Chlorospermeae Harv. Man. of. Brit. Alg. pag. 

9. exclus. Lemaneis, Batrachospermeis et Mj- 

rionemate. 

= Confervacea$ Endl, Gen. pi. Suppl. iii. p. 10. 



Tribus 1. PaUvMlUtu Endl. Gen. pi. Suppl. in. p. 10. 
(*) Protococcus Ag 2 (•«) 



í 
2 
3 

4 
5 
6 [12 



1 
2 

[3: 

[6] 



Haematococcus Ag 
Chlorococcum Grevill 
Palmella Lyngb. . . . 
Coccochloris Spgl. . . 
Botrydina Brebis . . . 



Trib. 2. Nostachineae. Endl. 1. c. 12. 

7 [13] Noitoc Vaucb 5 

8 {14] Sphacrozyga Ag l - 



(•) Numeri intei pareDthetes [»— ] numcrif geoenim enu^ 
merationis a ciar. Endlicher in : Gcnera PlaDUruni Suppl. iii. 
exhibitae, correHpoadent. 

(»•) Njumerus specierym caiusrii gtii«rb , in Luiitani^« 
me bucuique inTentaruou 



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(108) 



Tríb. 3. Rivularieae. Endl. 1. c. 12. 
P [17] Rivdaria Roth 3 



IVib. 4. Oseitlarita» [Oscillatorínae Endl. I. e.; 13.]. 



Oscillaría Bosc 7 

Microcolein Desmaz f 

Calothríx Ag 9 

Lyngbya Ag 3 

Scytonema Ag 1 

26] Beggiatoa Trevis 1 



10 


[20 


11 


211 


12 


2Í 


13 


[23 


14 


[24 


16 


[26 



Tríb. 6. JB^oãietyeae Èodl. 1. e. 14. 
HO [27] Hydrodíctyon Rotb 1 



Tríb. 6. Zygnemeae Endl. 1. c. 14. 

17 [31] Zygnema Ag 2 

Í8 [32] SpirogTra Link .X 



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19 
20 
21 
22 



{my 



Trib. 7. Conferveae Endl. 1. c. 15. 

33"( Myxoneroa Fries I 

34] Conferta Fries 25 

37] Tiresías Bory 6 

38] Draparnaldia Bory 1 



Trib, 8. Chaetophoreae Endl. I. c. 16. 

93 [39] Chaetopbora Scfaronk 9 

Trib. 9. Caulerpeae Endl. I. c. 16. 

S4 . [42] Caulerpa Lamourx | 

Trib. 10. Ulvaceae Endl. 1. e. 18. 

Bangia Lyngb 4 

Zignoa Trevis , 5 

Diva Ag 9 

Porpfayra Ag 3 

^umma Cblorophycearum 10% 



25 1 


[55] 


26 


[67] 


27 


[58] 


S8 


69 



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(110) 



*OÍU). li. Elaiophyceab Welw. mspt 

SjncND. s= Confenacêorum nec Don Ulvacearum pan et 
Fucaceao. Eiidl. Gen. plant. pag. 4 etseg. 

e= Aplosjwreae Decaisn. I. c. 305. 

= Melanospermeae et Chloroipermeantm pars 
Harv. 1. c. 1—5 et 9—10. 

«= Phyceae fiodiicher Gen. plant. Suppl. lu. pag. 
19. 



Trib. 11. Vmcherieae Endl. Gen. 
plant. Suppi. III. p. 19. 



«9 [60 

30 [61 

31 [62 

32 [64 



Hydrogastrum Desr 1 

Vauchería Decand 8 

Bryopsis Lamoiirx 2 

Codium Stakb 2 | 



Trib. 12. Ectocarpeae Endl. 1. c. 21. 

Í3 [70] Chanlransia Fries f 

34 [71] Ectocarpus Lyngb H 



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[Hl] 



Trib. 13. Batraeho^ptrmeoi Endl. I. e. i% 

jSS [73] Batrachospermum Rolh | 

Trib. 14. Ckordarieae Endl. I. c. ÍS. 

36 [79] Cruoria Frie» 1 

37 [80] Myrionema Grevill t. 

3S [83] Leathesia Gray 1 



39 
40 



Trib. 15. Spháeelarieae Endl. 1. e. 23. 



[85' 
87 



Sphacelaria Lyngb 4 

Glado8te[Aiis Ag 2 



Trib. 16. Ditíyolea» Endl. I. e. S4. 



41 
42 
43 
44 



'881 
90' 
92 
93] 



Haliscris Targion : . . . . 1 

Dictyota L«inour 4 

Padina Adans 1 

Cutleria Grevill «. «^ 1 



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(llS) 

«5 f9K; Scjtosiphoo A^ 2 

46 [98J Asperococcos Lamourx 1 



Genui ãMae affimtaiis. 
yr [101] nildenbreiídtia Nardo % 

Tríb. IT. Laminarieae Eodl. L c. 26. 

48 [106] Laminaria Lamoarx S 

49 [108J Ualigenia Descaisn. 1 

Tríb. 18. Sporoehnoideae Endl. I. e. p. 28. 

50 [114] Desmarestia Lamourx % 

Tríb. 19. Lemaneae Endl. 1. c. 29 
pi [115] LemaneaBory 3 



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t 113 ) 



Trib. ao. (*) Lickifwae Harv. I. c. i. 
S2 [115^] Lichina Ag. . . . , t 



Trib. 21. Fucoideae Harv. 1. c. p. i. 
Fucoideae et Cystoseireae Endl. 1. c. 29. yz» 

53 [116] Focus Lin. emend. • 8 

54 [119] Himanthalia Lyngb 1 

55 [122^] Cystoseira Ag 7 

56 [122»J Sargassum Ag 2 

Summa EUeophycearum 78 



ORD. III. Rhodophtcbab. Welw. mspt. 

Spon. = Ckmfêrvacearum nec non Fucacearum pare [Fum 
cellaria] et Flarideae Endl. Geo. plant. pag^ 
5—10. 
= Choritíoêpareae. Decaisn. I. c. 305. 



(#) Ex auctoritate clariss. Grevillii et Haneyi hic inser- 
Ue. contra illustr. Fnegii gententiam, qui Urinas éíf. Bf99m* 
c*ÍM iu\ã adaumcrat. 



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l!Ul 

$viMaa.=*RkDd<upermeae Hanr. I. c. exclus. Trentcpo- 
Uia. 
= FIorídeae J. Ag. Alg. medit. 54. 
smt. Florídeae Eodl. Gen. plaot Suppl. m. 33. 



Trib. 22 CeramUae J. Ag. Alg. med. 69. 
Endl. Geo. pi. Sappl. ui. 34. 

87 ri22'<l CaUtbnnnioo Lyi^b. 14 

58 tl22'7] Griflithsia Ag 5. 

59 ri22*'] Ceramiam Adans 6 

eO [122*>j HicrocUdia GrerUl 1 



Trib. 23. Cn/pÊanemeaê J. Ag. A]g. med. med. 81. 
Endl. 1. c. 36. 



«1 [122'» 

62 [122 »< 

63 [122» 7 

64 [122» 9 

65 [122*» 

66 [122'» 

67 [122-^ 

68 [122'»» 

69 [122'»« 

70 [122»» 

71 [122*> 



Catenella Grerill f 

Peyssonellía Decaisn 1 

PbyllophiMra Grenll 3 

Cbondrus Grevill 3 

Halymenia Ag i 

Kailymeoia i. Ag 1 

Ginannia Montagn 1 

Cryptonemia J. Ag i 

Gelidium Lamourx 2 

Grateloupia Ag 2 

GiijarUoa Lamourx S. 



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rii5] 



Trib. 24. Lomtntarieat Endl. 1. c. 42. 

72 [122'»<] Lomentaria Lyngb 4 

73 [122' '] Laurencia Lamourx 4 



Trib. 26. IthodomeUae J. A§. Alg. med. 116^ 
Endl. I. c. p. 43. 

74 [122»«] Dasia Ag 8 

75 [12257] Polysiphonia Grevill 16 

76 [12259] Ajsidium Ag 1 

77 [122"] RytiphlaeaAg " 1 



Trib. 26 Corallineat Endl. 1. c. 48. 



78 
79 
80 



1227' 
1227* 
1227^ 



Corallina Tournef. 

Jania Lamoarx ^ 7 

Melobcsía Lamourx 



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81 
S2 



Trib. 27. Sphatroeoceoidetu J. Ag. Alj^. 
med. 148. Endl. 1. c. SO. 

12279] Hypnea Lamoucs fi 

'122»'J Plocark Nees J, 



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J 



<116) 

8» [122^1 Rbodomenia GrenU t 

84 [122<*J Spbaeroooccus Ag & 



Trib. 28. Deleuerieoê J. Ag. Alg. 
medit. 2S5. Endl. I. c. p. 52. 



85 

86 
87 



122* ^] Plocamium Lamourx í 

122*'] AglaophjUam Montagn 5 

12217] Delessería Lamourx 3 

Summa RbodofAycearum 100 



CoDtioent Chlorophyceae Species 107 

■' — Elaeophyceae 78 

■ Rbodophyceae — 100 



Summa Pbyceanmi omnium 285 Specia 



Em consequência de se ter recebido esta Carta 
reunio-se no dia 11 a G>romissâo incumbida d'exiTDÍ- 
nar o Herbario do Sõr. D/' Welwitsch , pela Portaria 
de 6 de Outubro ultimo. Entendeu a Commissão qae ái 
Cryptogamicas , a que pertencem as Algas entr^ues, 
corresponde a terça parte do preço do Herbario ; e qoe 
por isso devião soUicttar-se do Governo 300:000 rs. pa^ 
ra pagar toda a CoUecçio das Cryptogamicas, logo qu0 
ae tenldo rocebido as Classes que delia ainda iUtiOi { 



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C 117 ) 

que brevemefite serSo apresentadas á Aaademia: eiH 
tendeo igualmeHte «. que por coota desta terça parte se 
desse ao S!lr. D.""' Welwitsch o resto dos 400:000 rs«. 
j& recebidos , que ainda existe na Academia. 

A Academia conformou-se com o parecer da Com-* 
miss&o , determinando que nesta conformidade se offi-« 
ciasse ao Governo. 

O Sdr. Franzini, como Director da Classe de Scie»^ 
cias Exactas , propõe para Sócio Correspondente da A« 
cademia o Sõr. Daniel Augusto da Silva , Lente da Ei-t 
cola Naval. 

Foi eleito» por unanimidade de ifotos t Sócio Cor« 
respondente da. Academia o San José Rodrigues Coelho 
do Amaral » Lente da Escola do Exercito, que tinha si- 
do proposto em Assemblea d'£ffectivoi de 10 d' Abril 
ultimo. 

Foi nomeado Sócio Livre , na Classe de Scieneias 
Exactas, o Sfir. José de Freitas Teixeira Spinola Castel«? 
Branco. 



Tomo %^ i0 



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I1I8J 



SMSSJO JUTTERJRIJ DEn DE MJia 



treádía o SBr. Joié Líberato Freire de Ctfvalht. 

Gmoorrérto á Se«Ío o Secretario perpetoe Joi« 
fnni Joeé da Corta de Macedo, e oa Sâr/' Aatooit 
Dúik do Cooto Valente , Joio da Gmha Nevea e Cir- 
valho Partogal » Francisco Freire de Canralho , Forti- 
nato Joié Barreiroa , Igoacio Aniooio da Fooaeca Bei»' 
tídea, Agoatiriío Albano da Sílfeira Pinto, e Fraa- 
diao Recreio , Socioa ESsctifoa ; Mattheus Valente iê 
Conto Diois, e António Albino da Fonseca Benerides, 
finbatitntos d^EíliKtifoa ; José Bodrignes Coelbo doA- 
sMral, e Jnlio Mainno d'OiÍTeira Pimentel, Sodos Cff- 
rofNMidentea. 



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C0RRESP0NDINCIA4 



Lee o Secretario perpetuo : 

1/ Uma Carta do SQr. Pedro de AngeliSt <|iie a« 
companhava a ColUeção dê Obras e Documetitoi r«Ialt« 
vo$ á Hiêíoria das Praoinciaê do Rio da Praia , por 
elle publicada. 

Asseotou-se qae se reroettesse á Classe de ScieiH 
cias Moraes e Bellas Lettras » para dar o seu parecer 
sobre esta obra. 

2/ Uma Carta do Sor. José de Freitas Teixeira 
Spinola Castel-Branco agradecendo a sua nomeaçto de 
Sócio Livre. 

« 

3.^ Outra Carta do Vice-Secretario commumcando ^ 
que não podia assistir & Sessão por incommodo de sau-« 
de. 

O Sfir. Amaral agradeceo verbalmente & Acadeouâ 
a sua iKKneaç&o de Sócio Correspondente. 



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(IfO) 



RELATÓRIOS. 



Leo o SOr. Júlio Maxhiio d'OIÍTeíra Pímestel • 
teu pareço* sobre uma Nota do Sfir. Félix Canier , qw 
tem por titulo s= Jíoym iê earburer le gn Ayfrogèv, 
pr&fD$mmi de la âéeompotiíum dê Vêou par le ftar^ m 
mm/m âê$ Imilti empj/rntmatiqitet prodmteê iam la dih 
Itttolíoii dê lã homllê. 



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(121) 



DONATIVOS. 



Jonud dê Pharfnaeia e Scieneias accêstorias , dê 
Ltiloa. — !.• Série — 3.* anno —Maio 1850 — 8.* 
— 1 N.^ — Offerecido pelo Sfir. José Tedeschi. 

Colêceim dê Obras y Doeumentoi relative$ a la 
Historia áníigua y fnodêma dê las Provineiai dêl Rio 
de la Plaía. Ilusíradog con notai y diieriaciones » por 
Pedro de Angelis. Buenos-Aireg , Iinprenta dei Estado. 
1836 e 1837 — foi. — 6 vol. — Offerecido por sei^ 
Autor. 

Bulletín dê la Sociéíé dê Géographi^. Troisièioe 
Série — Tome 12 — Paris 1849 — 8.*— 1 Vol.— 
Offerecido pela Sociedade de Geograpbia de Paris. 

Complêi renduê hêbdomadairêi des Séancêi de TjI- 
€adémiê dê$ Sêiênees [lastituto Nacional de França]. — 
1850 — Premier semestre — Tome SO — N."' 11 , 
12,e 13 — *.•§.'• — 3N." 

PAIA O MUSIU. 

Uma Toupeira rara. — Offerecida pelo Siir. Con- 
t2e do Redondo. 

Uma Coruja. — Offerecida pelo Sik*. Cláudio Jo« 
sé Nunes. 

Um Papagaio negro do Pará. — Offerecido pdt 
Sfir. António de Meneies Vascoocellos de DrummcAi, 
Jtfiuistro .do. Império do Brasil jit Corte de Jjsboa. 



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(125) 



RfiStLTADO DAS OBSERVAÇÕES DO MEE Dl 
MAIO DE 1850. 



Ttmperaiurwk 

Mioima a 7 46^ 

Máxima a 13 78 

Media 60,7 

Variação med. di»rna. . . 17 
Máxima dita a 13 26 

Barómetro na tp.^ de 63* 

Máxima altura a 28 763,6^ Variação 

Miiiima a 22 741,4 > dos extremos 

Media. 7oS,o3 13,6 m. 

Ventoi dotninanles e $ua força. 

0,8 0,8 1,4 1,0 1,3 0,2 i,6 
N,9 = NO,15=.0,7 = SO,18 = S,6=N£,2 = SE,l 
= V ou B,5. 

c= Direcção media do vento dominante N 85^ (1,0). 
fe= Madrugadas bonançosas 13. 
ff= Meios dias ventosos 22. * 

as Tempestades três , em 6,23 , e 23 , do S0,0 %- SE, 
Tomo 11. 11 

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( ««) 



Estado da Aimosphera. 



M«ios dias claros 11 — Claro e nuvens 6 — Cobertos 
7 — Coberto e clarões 18 — Dias em que choveo tO. 
incluindo dous de brandos chuviscos , rorueceodo a l»- 
talidade de 87 niillimetroSv pelo que excedeo a chuvi 
normal em 2 J — Dias de frio notável 11 — Mem de 
calor scnsivel no meio do dia , 5. 

Decorreo este mci com a tempo^tura fria, en 
dous gráos inferior á normal » e ainda um pouco mais 
fria que a do mei antecedente : muito chuvoso no sea 
ultimo terço , e bastante ventoso. — As copiosas chu- 
vas de 21 a 23 , em parte originadas de trovoadas, 
lançarão graniso muito grosso em alguns sitios , coroo a- 
eonteceo em Cintra , mas em geral ndo c^usário pre- 
juízo ás searas , que continufto com excellente apparea- 
cia , e com especialidade os milhos , acontecendo o mes- 
mo aos arvoredos» e particularmente &s oliveiras que 
completarão a sua limpeia da ferrugem t continuando a 
prosperar os seus ramalhetes. — S^ente as arvores de 
íructa têmpora soffrérSo alguma diminuição na novidadi 
que se esperava» mas o prejuízo é insignificante em pre- 
sença da bella apparencia que offerece a verdura doi 
campos. 

Cumpre notar que o phenomeno doa meies de Maio 
chuvosos não é extraordinário e se repete em certos pe- 
ríodos. Revendo os nossos antigos Diários enconirámoi 
Ires exemplos nos annos de 1817» 22» e 38. No mei 
de Moio de 18i7 houverUo 14 dias chuvosos que foroe' 
carte 113 millimetroa de agua p cahindo de uma só ^ 



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( 1^ ) 

40 , 28 , e 20 millimetros , sendo por conseguinte mui- 
to mais chuvoso que o do anno presente. Aquellas chu- 
vas forSo acompanhadas de fortes tempestades de SO , e 
O ; com trovoadas , e mui fria temperatura. O mez de 
Maio de 1822 foi muito frio, decorrendo com uma tem- 
peratura media 5^ inferior á normal , apparecendo so- 
mente calmoso nos últimos três dias. — Foi muito chu- 
voso, contando 13 dias de chuvas que na totalidade 
fomecérSo 72 millimetros ; porém pouco ventoso. 

O mesmo mez pertencente ao anno de 1838 de^ 
correo com a temperatura normal * porém com 17 dias 
chuvosos em que cahírão 100 millimetros de agua , e 
em um daquelles dias se recolhérllo 30. Estes exemplos 
provfio que neste clima é frequente a constituiçãa chv- 
vosa nos mezes de Maio. 

Do que temos referido a respeito dos dous mçzes 
da actual primavera se conclue que as chuvas que appa- 
recérSo, somente excederão em 51 millimetros» ou em 
pouco mab de mc^de á que compete na primavera n>* 
guiar. 

Pkenomenos noíaveis. 

As tempestades de Abril e a primeira deste mez , 
causárdo grandes prejuizos nas searas da ilha de S. Mi- 
guel» especialmente na sua encosta meridional. Julg9a 
ter-se perdido as duas terças partes , sendo crestado o 
linho pela força do vento , assim como as vinhas. -^ Na 
Catilunha as chuva» deste mez produzirão grande be^Oi- 
ficio á vegetação amortecida pela continuada secca » que 
^inha reinado antecedentemente » porém na Andaluzia as 
terríveis trovoadas de saraiva causarão grandes ruinas. 
Em Valência pelo contrario as chuvas produzirão óptimos 
effeitos : porém também forlo acompanhadas de furio^ 



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N. 



(128) 

SM temporacs resultando grandes destroços no porto da 
Gráo. — Estas chuvas porém infelizmente nto passara 
«lém da península » continuando a sofTrer horrível secca 
as ilhas Baleares , a qual tem aniquilado os seus arvore- 
dos. Em Iviza os estragos s8o incalculáveis » motivando 
grande emigraçAo nos seus habitantes aos quaes vai iai- 
tando a agua potável para os usos da vida* 

Mortalidadt em LíJhhl 

Sexo masculino— 168 maipres — 100 menores — ^tot. — ^268 
Dito feminino — I3i ditos — 9% ditos — dit.— 228 

Sommdo 302 ditos —194 ditos — dit — 496- 

Em cujo numero se compreheodem 239 fallecidos 
DOS hospitaes, sendo 103 menores procedentes da Mise- 
ricórdia , ou dos que se depositão nos adros das Igrejas. 
Foi por consequência a mortalidade deste mes exacta- 
mente igual & normal , deduzida das observações dos li 
annos antecedentes , e por tanto regular; porém deve 
iiotar-se que sendo este mez o mais benigno do clima 
de Lisboa , e tendo apparecido os quatro precedentes 
mezes deste anno com' a notável diminuição sobre a mor- 
talidade normal, de S , 16 , 16, e 11 por cento, nos 
mezes de Janeiro a Abril , neste de Maio ceasoii aquel- 
la diminuiç&o , o que talvez se possa attríbuir á irregu* 
lar e (ria temperatura que nelle predominou. 



Jf. M. Frofunu, 



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ACTAS 

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S£SSÕ£S 

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ACADEin Jl rbal das scnenciAii 

LISBOA, 
Í85Q. — N,* IY4 



S£5iSJiO LITTERJRU DE If />£ JUNHQi 



Presidio o SSr. Jofté Liberato Freire de Carvalho* 

GmcorrérJIo á SessSo o Secretario perpetuo Joaquim 
José da Costa de Macedo , e os Síbr/' António Diniz do 
Goato Valente, JoSo da Cunha Neves e Carvalho Pw- 
lugal , Francisco Freire de Carvalho , Francisco Pedro 
Celestino Soares, Francisco Ignacio doik Santos Cnii| 

Tomo U, ^% 



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José Cordeiro Feio , Francisco Recreio , Barão de R^ 
boredo , Marino Miguel Fraozini , Agostinho Albano di 
Silveira Pinto , Fortunato José Barreiros , Ipiacio An- 
tónio da Fonseca Benevides , e Francisco Elias Rodri- 
gues da Silveira , Sócios Eflectivos ; António Albino da 
Fonseca Benevides , e Mattbeus Valente do Couto Di- 
niz, Substitutos d'E(rectivos ; António Caetano Pereira, 
c Guilherme José António Dias Pegado , Sócios Corres- 
pondentes. 

O Sftr. Pegado agradeceo vocalmente á Academia 
a sua nomeação de Sócio Correspondente , ao que o Se- 
cretario perpetuo respondeo convenientemente. 

Mandãruo-se imprimir as Ephemerides Naufe 
para o amiô de 1852, calculadas pelo Sfir. Matlheis 
Valente do Couto Diniz , tendo sido préWamente reni- 
tas. 

O SOr. José Cordeiro Feio offereceo ^ Academia, 
da parte do Siur. Joào Ferreira Campos , um exemplar 
das suas Lições d*Algebra elementar. 

Foi entregue ao Sfir. Director da Classe respecti- 
va , para ser examinado. 



MEMORIAS LIDAS. 



O Sfír. António Caetano Pereira principiou a ler 
a sua «= Memoria em que se prova que a inscrip^ 
*mihada em voUa da Cruz de S. Thomi ivxda êigm/ica. 



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(131) 



DONATIVOS, 



Essais de Michel de Montaigne. Nouvelle Mition.* 
Paris 1818. — 8.^—5 vol. — Offerecido pelo Sur. 
Mattheus Valente do Couto Diniz. 

Inscriptiones Regam. Ijuilanorum A. Presbytero* 
Caietano. Frascarel}io Nalione. liqlo. Domo.A^o. Pi-^ 
centium A. Secretis. Legationis. ApostoUcae Api4d^ Re-^ 
ginam. Fidelimmam Exaratae. Vlyssipone Ex Officina 
Typographica Nationali. — A. MDCCCL. — 4.°— 1 vol. 

Revista Militar. — Tomo 2.*— N.^ 5 — Maio 1850 

— 8.** — 1 N.° — Offerecido pela Redacção do Jornal. 

Jornal da Sociedade Pharmaceutica Lunlana. ^^ 
2/ Série — Tomo 1."— N.° 5 —Lisboa 1850 — 8.* 

— 1 N.* — Offerecido pela Sociedade. 

Jornal de Phamiacia e Sciencias accessorias^ de 
Lisboa. 1/ Série — 3.** anno — Junho 1850 — 8.* 

— 1 N.* — Offerecido pelo Sflr. José Tedeschi. 

Comptes rendas hebdomadaires des Séances de VA-* 
cadémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. «^ 
Tomo 30 — 1850 — 1." semestre — N.^ 14 "e 15 

— 4."* g.** — 2 N.** — Offerecido pelo mesmo Institu^ 
to. 

Memorias da Academia Real das Sciencias de 
Bsrlim. — o Vol. de 1848 a 1849 — 1 Vol. 

Actas das Sessões da Academia Real das Sciencias 
ie Berlim. Os mezes de Julho a Dezembro de 1848 1 

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( i3í ) 

U <» it Janeiro a Junho de 1849 — 12 meies, efll 
Jl Vol. de 8.* 

hidice da$ Memoriai da sobredita Academia. Ber- 
1ÍD 1848 — 8.*— 1 Vol. — EftUs ires ultimas ohns 
forfio offerecidas pela referida Academia , e os seus ti> 
|uIo6 sio todos em lingua AUeml* 



^ARA o xuase. 



Uma Garça. Offerecida pelo Sfir. Viicoiide de ^ 
liagaiih 



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(133) 



JSSEMBLEA JfEFFECTIFOS DE 19 DEJUNHO\ 



Presidio « S!ir. José Liberato Freire de CarralhOr 

ConcorrérSo á SessSo o Secretario perpetuo Joa^^ 
quim José da Costa de Macedo, e os Sflr/' António 
Diniz do Couto Valente , Francisco Ignacio dos Santos 
Cruz, Francisco Pedro Celestino Soares, Francisco Frei- 
re de Carvalho, Jofio da Cunha Neves e Carvalho Por« 
tagal, Fortunato José Barreiros, Francisco Recreio, 
Barão de Reboredo , Ignacio António da Fonseca Bene- 
vides, Agostinho Albano da Silveira Pinto, Marino 
Miguel Franzini, e Francisco Elias Rodrigues da Silvei- 
ra , Sócios Effectivos ; Hattheus Valente do Couto Di- 
niz , e António Albino da Fonseca Benevides , Subi^^ 
lutos dXffectivQS. 



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(134) 



CORRESPONDÊNCIA. 



|Leo o .Secretario perpetuo a Portaria séguiiite : 



Mioisterio do Reino. = 1/ Direcção, 1.* Repar- 
tição. =1=: Manda Sua Magestade , A Rainha , pela Se- 
cretaria de Estado dos Negócios do Reino, participar 
à Academia Real das Sciencias, em resposta á sua Con- 
ta de 16 de Maio próximo passado» sobre a troca de 
peças duplicadas do Museu de Lisboa por outras do Gt- 
Í)inete d'Historia Natural da Cidade do Funchal , que 
nesta data se dá conhecimento ao Goveruador Civil da- 
quelle districto do objecto da dita Conta , concedendo- 
se-lhe autorisação para corresponder-se a similhante 
respeito directamente com a mesma Academia. Paço das 
Necessidades em 14 de Junho de 1850 = Conde da 
Thomar. 



Forão propostos para Sócios Correspondentes da A- 
cademia o Snr. José Maria Grande , Lente de Botânica 
da Escola Polytechnica , pda Classe de Sciencias Natu- 
raes. 



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[ 135 ] 

O Sfir. Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto, Lcpte 
de Matheinatica na Universidade de Coimbra, pela Clas- 
se de Sciencias Exactas. 

Foi approvado iinanitnemenle para Sócio Correspon- 
dente , na Classe de Sciencias Exactas , o Sfir. Daniel 
Augusto da Silva, Lento de Mathematica da Escola Na- 
val, que tinha sido proposto na Assemblea de l^d« 
Maio ultimo. 

Leo o Secretario a representação que fez ao Ins- 
pector Fiscal das Obras Publicas , para o concerto do 
telhado da Livraria, e do terraço sobre o Museu. 



111.™* è Ex."" Sfir. = O telhado da Livraria da 
Academia Real das Sciencias de Lisboa carece de con- 
certo , porque chove na Sala , o que estroe nSo só os 
Livros , mas um ' dos mais bellos tectos pintados , que 
existe nos edificios de Lisboa. Se se não acudir com 
promptidão a reparar este mal , com a chegada do in- 
verno não será possivel remedia-lo, e o prejuízo que d'a- 
hi se seguirá , é incalculável. 

Em 22 d'Outubro ultimo tive a honra de partici- 
par a V. Ex.* a necessidade que havia de betumar o 
lagedo que cobre a abobada das galerias do Museu , o 
estrago que já havia augmentou com o inverno ; chove 
nas galerias , e a ruioa da abobada crescerá , se não se 
atalhar. 

Tenho a honra de levar tudo o que fica exposto ao 
conhecimento de V. Ex.* , rogando-lhe queira dar as 
providencias convenientes. = Deos guarde a Y. Ex.* Lis^ 



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(136) 

Imm 1T de Junho de 1850. ^ III."* e Ex.** Sllr. ^ 
rio da Luz , Ministro d'Estado Honorarío, Inspector Fis- 
cal das Obras Publicas do Reino. =» Joaquim José da 
Costa de Macedo, Secretario perpetuo da Academia. 



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(137) 



SESsJo litterària de s6 de junho. 



Presidio o SSr. José Liberato Freire de Carvalho. 

CoQCorrèrao á Sesslo o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo, e os Sftr.*' António Di- 
niz do Couto Valente» Francisco Ignacio dos Santos 
Cruz, Francisco Pedro Celestino Soares, Francisco Frei- 
re de Carvalho , J69o da Cunha Neves e Carvalho Por- 
tugal , Fortunato José Barreiros , BarSo de Reboredo , 
Francisco Recreio , Ignacio António da Fonseca Benevi- 
des , Agostinho Albano da Silveira Pinto , e Francis- 
co Elias Rodrigues da Silveira , Sócios Eifectivos ; An- 
tónio Albino da Fonseca Benevides , e Mattheus Valen- 
te do Couto Diniz, Substitutos dTffectivos ; António 
Maria da Costa e Sá , Sócio Livre ; e Danid Augusto 
éa Silva , Sócio Onrrespondente. 



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( «38 ) 



CORRESPONDÊNCIA^ 



Leo o Secretario perpetuo: 

Uma Carta da Sociedade Archeologica e \ih 
mismatíca de S. Petcrsburgo, agradecendo a corres- 
pondência da Academia , e remetteudo a continuação» 
das suas Memorias. 

^Outra da Sociedade Geographica da Rússia , a- 
gradecendo igualmente a correspondência da Academia, 
e remettendo as suas obras , cuja lista abaÍ3io se trans- 
creve. 

Outra do Snr. José Barbosa Canaes de Figueire- 
do Castelio Branco acompanhando um Cíppo achado em 
Soure 9 com a sua interpretação expendida n'uma Me- 
moria* 



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(139) 



HEMORIÂS LIDAS. 



O Sfir. Francisco Recreio léo uma Noía em que se pro^ 
duzetii mais testemunhos relativos á invenção aeros^ 
tatiea do P. Bartholomeu Lourenço de Gusmão. 



Na SessSo Litteraría de 27 de Junho do anno pro- 
Tám(i f léo o nosso Consócio o Sftr. Francisco Freire de 
Carvalho um Additamento á Memoria que tem por oò- 
jecto revindiear para a Nação Portugueza a gloria da 
Invenção das Maquinas Aerostaticas , por elle composta , 
e que se imprímio no Tomo 1.% 2/ Série, Parte 1/. 
das Memorias da Academia. A lição de um traba- 
lho tal» em que, com vários Documentos, o erudito Au- 
ctor novamente corrobora o que deixara estabelecido na 
6ua Memoria , naturalmente nos veio excitar a resolu- 
ção sincera de mais depressa levar ao conhecimento da 
Academia alguns outros testemunhos , que primeiro por 
casualidade , depois por impulso de curiosidade , encon- 
trámos em Auctores estrangeiros, de paiz nllo suspeito, 
sobre a questão. 

O testemunho primeiro dos que promettemos , ca« 
sualmente achámo-lo escripto em o Opúsculo Francez, 
que tem por titulo Reeherehes sur VArt de voler , de^ 
jmis la plus haute antiquité jusqu*à ce jour ; povr ser^ 
yir de supplément à la Descriptim des Expérienceit aé^ 



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(UO) 

rotíatiquêi de M. Faujas de Saint Fond. Par M. DmH 
Bourgeois. Nelle pois , a paginas 59 e seguinte , se lè o 
que , vertido em pertuguez , quer dizer : « No tempo em 
»que me occupava nestas investigações, fui informado 
» que M. de Gusmio » hábil physico tinha feito elevar ao 
)» ar 9 em 1736 (1) um cesto de vime forrado de papel. 
» Era oblongo , e de sete ou oito pés de diâmetro. Ele- 
» vou^se á altura da torre de Lisboa, que é de perto de 
» duzentos pés. O Voader foi o nome que ficarão cfaaman- 
»do a M. de Gusmão desde então em quanto viveo. Esta 
» palavra portu<:^ueza significa o que faz voar (2). Distin- 
)»guindo-se assim de seus dous irmãos, um dos quaes, 
p homem de um grande mérito , era muito estimado da 
» Rei , e trabalhava em particular com elle , ontro re- 
M lígioso do Carmo era um dos maiores pregadores do 
» seu tempo. Este facto de que não podia duvidar , vi^ 
» to o testemunho authentico de uma pessoa respeitável , 
» que o tinha presenciado , me obrigou a escrever a um 
» negociante dos mais distinctos de Lisboa. Pedi-lhe que 
» me procurasse informações as mais exactas , -e sobre 
» tudo as dos meios de que tinha feito uso. Respondeo- 
» me que eu estava bem informado , que a coisa era 
» muito verdadeira ; havendo ainda muitas pessoa»^ que 
>% delia se lembravào , se bem que mui confusamente ; 
p que tinha tido particular conhecimento de M. de Gus- 
» mSo , irmão do physico , com quem muitas vezes tinha 
» fallado d'esta anecdota , rindo-se de ella ter sido at* 
» tribuida a um sortilégio ; promettendo-me em fim fa* 
)»zer continuar, as suas pesquizas para vir ao alcance de 
» qualquer outra circunstancia. As pesquizas a este res« 
» peito forão inúteis. Este oflicioso negociaute porém me 
» enviou copia de um diverso projecto, com a de um re^ 
»querimento apresentado ao Rei de Perh^al por seu 
;»Auctor. Jnnto-o aqui porque contem algumas lim« 



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( iw ) 

> braDças sabre o uso dos aerostatos (4). )i Sendo o pas- 
so, que acabámos de traduzir extrahido de um Opus«« 
culo Francez, impresso em Paris no anno de 1784 , é 
bem de rèr que o celebre invento portuguez é já co- 
nhecido em França , pelo menos , ha sessenta e seis an- 
nos ; nao se despresando o escríptor de o noticiar ao pu- 
blico f em tempo em que cbamavão as attenções de to- 
dos os seus naciooaes os admiráveis ensaios aerostati-» 
cos dos dois Montgolfíers. Reflectindo agora no conteú- 
do do mencionado testemunho , é fóra de toda a du- 
vida que elle se funda na informação de pessoas fide- 
dignas qne presenciarão o facto; e por isso segundo 
as lei» da boa critica digno de todo o credito. As 
circunstancias do facto tornão-no diverso de qual- 
quer d aquelles apontados pelo Consócio na sua Me- 
moria. Deve por isso ser considerado , como nova 
prova. 

O outro projecto de maquina aerostatica, que com 
o requerimento do P. Bartbolomeu Lourenço de Gusmão 
enviarão de Lisboa aMr. Bourgeois, tcro-no elle por in- 
capaz de execução, por sua mesma natureza, e acha ex- 
travagante que tal projecto se attribua ao P. Bartbolo- 
meu Lourenço de Gusmão. 

Temos um segundo testemunho o qual é o que 
se lé na Obra, impressa em Lautanne em 179^* coin 
o titulo : Bibliothèque du Père de Famille , ' ou Cours 
Cotnpkí d*éducatian , par Mr. Lenteires , Professeur en 
Belhã^Letíres. Traduziremos o que elle diz a paginas 
37 do Tomo 2.'' : « Bartholomeu Gusmão , Jesuíta , 
»fez construir em Lisboa, em 1729 (4)» um aerosta- 
» to em forma de pássaro, e o fez elevar por meio d$ 
» um fogo Qcctto na presença do Bei , da Bainha , a 
:iide um grande numero de expectadores. O passart 



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(U2) 

» desgraçadameote, quando sábio» deo de encontro nV 
» ma cornija , despedaçou-se » e cahio em terra. O i&- 
Mventor propunba*se renovar sua experiência; mas o 
)» povo o tinha já denunciado á Inquisição como feiti- 
»ceiro. Salvou-se em Hespanha» e morreo eta am 
» hospital (o).» 

O outro testemunho , que passamos agora a tran^ 
crever» é muito mais circunstanciado, e minucioso acer- 
ca do Invento do P. Gusmão. Ê Mr. Bocous , que, na 
Biographie Univenelle Ancienne et Mademe ^ em o 
Artigo Gusmão [Bartbelemi] ao nosso propósito assim 
se exprime: « O P. Gusmão tinha uma imaginaçlo 
» muito viva , um espirito penetrante e próprio para os 
» deacobrimentos. Comtudo parece que não dereo seolo 
»ao acaso aquelle de que se vai fallar. Conta-se que 
» achando-se um dia á sua janella » que deitava pan 
no jardim do seu G>nvento, reparou n'um corpo 1^- 
]»ro, espberíco, e concavo [na apparencia uma casca 
]»de ovo, ou casca de limão, ou de laranja Gna] qoe 
]»se elevava, e fluctuava nos ares. Possuído da curío- 
» sidade de imitar em grande este fenómeno , vio bem 
» depressa que não poderia chegar ao seu fim senão por 
iiuma maquina, que debaixo do menor pezo possivel, 
)i apresentasse á atmosphera a maior superficie. De- 
» pois de certo numero de ensaios construio um bailo 
» de panno de linho , e a sua primeira experiência ten- 
» do sido bem succedida, quiz tornar testemunhas da se- 
ngunda os religiosos do seu Convento. Estes, homec» 
» illustrados , applaodirão a experiência do seu Confra- 
> de , e nada acharão n ella que não fosse natural. Por 
» desgraça Gusmão desejando faier conhecer uma des- 
acoberta tão espantosa em maior theatro, partio para 
» Lisboa , onde a sua fama o tinha precedido. Chegado 
01 a esta Capital , fabricou com licença de D. João V. 



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'( «« ) 

y> um balao aerostatico de uma dímensSo prodigiosa , que 
)> fez lançar na praça contigua ao Paço Real, na presen- 
» ça de Suas Magestades , e de uma multidão immensá 
» de espectadores. O próprio Gusmão tinha subido no 
» balão ; e jpor meio de um fogo acceso na machina^ que 
» estava comtudo retida por cordas » se elevou ao ar até 
»a altura da cornija da parte mais alta do palácio: des- 
» graçadamente a negligencia d'aquelles que pegarão nas 
)) cordas fez que a maquina tomasse uma dírecçSo obli- 
» qua. Tocou na cornija , aonde se rompeo e cahio , 
}) ainda que com bastante vagar , pois que d'esta ca- 
» hida não resultou mal algum a Gusmão. — O Jour-- 
j»na/ des Savan$ [Outubro de 1784] que põe esta ex-^ 
)> periencia no anno de 1720 , e diz que a macbina 
» tinha a forma de um pássaro com cauda e azas, ac- 
»crescenta que sábios francezes e inglezes, que tinbão 
^)ído a Lisboa para veriGcar o facto, tomarão infor- 
>i mações no Convento do Carmo, onde o P. Gusmão 
» tinha um Irmão, que conservava ainda alguns de 
)) seus manuscriptos sobre a maneira de construir as 
))machinas volantes. Muitas pessoas assegurarão que ti«- 
}> nhão assistido á experiência do Jesuíta , e que tinha 
» adquirido o sobrenome de voador (6). » 

As palavras transcriptas assas evidentemente fa- 
zem vér, não digo só a existência, mas até o caracter 
do invento contra a ousada fantasia do noticiador do 
nosso paiz, que no século passado, talvez julgando fa- 
zer serviço á memoria do nosso Portuguez , folgou of- 
fcrecer ao publico a sua machina com extravagante 
transtorno. È aqui de notar que os dous Auctores 
Francezes, que acabámos de citar, não só se expri- 
mem pelas mesmas palavras , quanto ao principio agente 
do invento, mas também que n'este ponto essencial es- ' 
tão perfeitamente de acordo com aquillo que refere o 



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Auctor da nota marginal , que faz parte do V Docn- 
meDto manuscripto , allegado pelo dcmiso Consócio oa sua 
Blemoria. — Se porém o P. G^rnSo não deo a conhecer 
por meio de novas experiências mais explicitamente o 
systema aerostatíco do seu invento « causa foi a Inqui- 
sição » que perseguindo-o por feiticeiro , o obrigoa a fu- 
gir, e a expatriar-se para nio ser victima do bárbaro, 
e anti-relígioso Âuto-da-Fé (7). Todavia a experieDcia 
que elle publicamente 6zera em Lisboa em 1709, co- 
mo adverte outro Escriptor Francez , parece t^ sido a 
primeira n'este género , que teve menos máo successo 
(8). 

Se pois o que dizem os Escríptores Estrangeiros, em 
favor de qualquer nagão^ que não seja a sua , tem en 
IxM critica indisputável força ; é fora de toda a duii- 
da , á vista do que fica extrahido dos Auctores France- 
ses , que ao Licenciado Bartholomeu Lourenço de Gus- 
rodo , iiKlisputavelmente se deve attribuir a gloria di 
prioridade no descobrimento das Maquinas Aerostaticat. 



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( i*5) 



Notas. 



(1) Estft data é errada; pois qae o P. Gusmão já 
a esse tempo era fallecido, havia bastantes aonos. Este 
erro todavia nada influe na verdade do facto. 

(2) É engano. SigniGca o que vôa. 

(3) « Pendant que je m'occupois de ces rechercbes , 
» je fus informe que M. de Gusman , habite physicien , 
i>avoit fait élever dans Tair, en 1736, un panier d'o- 
n sier recouvert de papier. II étoit oblong et de sept ou 
h hdi pieds de^i^mètre. U s'éleva i la hauteur de la 
2> tour de Lis))onne , qui est de 200 pieds environ. On 
» nommoit 4^puis lors M. de Gusman , pendant sa vie » 
»rOvoador: Ce mot portugais signifie, celui qui fait 
DVolerXOn le distinguoit ainsi de ses deux frères, 
>'doDt Tun, homme d'un grand mérite, étoit fort ai- 
» mé du roi et travaiiloit en particulíer avec lui ; le 
»8e€ond, religieux Carme, étoit un des plus grands 
» prédicateurs ;de son tems. Ce fait, dont je ne pou- 
»vois pas douter par le témoignage certain d'une per- 
)>8onne respectable qui y avoit été préseut, m'engagea 
od*écrire à un négociant trè»-distingué de Lisbonne. 
»Je le priai de m'en procurer les informations las 
:Dplus precises, et surtont celles des moyeus dont il 
)» avoit été fait usage. U me répondit que j'étois bien 
i> instruit , que la chose étoit três vraie , plusieurs per- 
^soones se la rappeloient encore, mais trèsH^onfusé^ 

XoJHo II. 13 



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• { 146 ) 

)»inent; íl avoit connu particulíòremcnt M. de Gtis- 
)»man, frère du physicien; íls avoient parié souvent 
i>enseinble de cette anecdocte en riant « paree qu elle 
D avoit été attribuée k un sortilège ; il me promít en- 
» (in de Taire cootínuer ses recherches poiír en obte- 
)»nir que!qu'autre circonstance. Elles ont été ioutiles à 
)ice sujet; mais ce négociant oblígeant in'a eniro^è 
» copie d'uD aatre projot, avec celle d une requéli^ 
Bprésentée au Roi de Portugal par son auteur. Je la 
» joÍDS íci , parce qu*ellc contieni quelques vues sor 
ulusage des aérostats. » 

Do Requerimento do P. Bartholomea Loiírenc» 
fallão também o Dictionnaire de VJnduUrie^ e o iVby- 
veau Dictionnaire des Originei par Noel et Carpetitier, 
na palavra Aérostat. Ambos se exprimem pelas mes* 
missimas palavras, e ambos mandão vér o Jornal — 
NaièveUes de la republique des lettres par M. la Blim- 
cherie 1785 pag. 107. — N^ achámos esia obra ea 
nenhuma das BiMiothecas publicas da Capital. 

(4) Deve lôr-se 1709. 

(5) «Bartholoraéc Gusmão t Jesuite, fit construm 
»à Lisbonne, en 1729, un aérostat, en forme doâ- 
»seau« et ie fit sélever par le mofen d'un feu alli^ 
»m^, en présence du Roi, de Ia Reine et d'un grao^ 
«nombrc de spectateurs. Loíseau, raalheureuaement , 
» en montant , se heurta contre une comiche , se dédii- 
» ra , et retomba à terre. L 'inventenr se propoaait df 
» renouveller son experieoce ; mais la peuple Tavait dé^ 
)»dénoncé á Tlnquisition comme sorcier. U se saúva ea 
» Espagne, et y mourut dans un hopital. 

Na mesma Obra pag. 41 e 42 lé-se tanfibeni o 
seguinte: « MM. Etíenne et Joseph Montgolfier eA íih 
» ventés ou renouvellés lei ballons aérostatiques » 



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( 14T ) 

y> eoifinie nous laTotis tu , déjà en 1729 (téa^Sa 1709] 
» d'un Jésuite nomnié Gusmão^ » 

Cumpre aqui advertir que oSo ha memoria algu« 
tna em Portugal » nem no Brasil , por onde conste que 
o P. Bartholomeu Lourenço de GosmSo tivera sido Je* 
suita , como o appellida o mencionado Escriptor ^ e ou- 
tro que citámo6« Cremos porém que o motivo de os Au- 
tores estrangeiros o fazerem Jesuita foi o ter-lbes cons- 
tado que elle Ozera todos os estudos com os Religiosos 
da Companhia, tanto no Brazil, como em Portugal. 
Por eerto que forão os seus Mestres em um e outro 
paíz. -^ N2o admira mesmo que elle convivesse coite- 
^ialmente com os Jesuítas, tendo nesta Ordem dous 
Irmãos 9 e um delles professo de quarto roto, como nos 
diz o Visconde de S. Leopoldo no seu folheto Da Vida 
e Feitas de Alexandre de Gusmão^ e de Bartholomeu 
Lourenço de Gusnuío pag. 94. — Sendo isto assim nSo 
se tomio inverosimeís as mais circunstancias da sua 
ifida, em relação com aquella Sociedade^ 

(6) « Le P. Gusmão avait une imagination três ?i« 
»ve, un esprit pénétrant et propre aux . découvertes. 
» Cependant il parait qu'il ne dut qu'au basard celle 
» dont on va parler. On raconte que , se trouvant un 
» jour à sa feoétre, qui donnait sur le jardin de son 
» monastère , il apperçut un corps léger , sphérique et 
» concave (apparemment une coquille d'oeuf, ou une e- 
» corce sèche de citron , ou de fine orange) qui s'éle« 
j» vait et flottait dans les airs. Curíeox dimiter en 
^grand ce phénomène, il vit bientôt qu'il ne pourrait 
» y parvenir qu'avec une machine qui , sous le moindre 
» poids possible, présentât la plus grande surface à TAt- 
y> mosphère. Après nombre d'essais, il construísit un bal- 
» loa de toile, et sa jvemière expérience ayant réussi, 
^ il YOttlut riendre témoios de ia seconde les religieux 

13 * 



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(148) 

-» de soD courent. Ceux-cí , gens eclairés applaudímit l 
)» lexpérience de leur confrère» et D'y IroaTèreot m 
1» que de naturel. Par malheur Gusmão désiraat produi- 
)» re une déconverte aussi étonuante sur un plus enú 
x^théálre, partit pour Lisbonne, ou sa renommée ravdil 
)» precede. Arrivé daos cette capiiale , il fabriqua , aiec 
)i permission de Jean 5.*, un ballon aérostatique d^une 
)>dimensíon prodi{;ieuse , qu*íl (it lancer dans Ia place 
» conligue au palais-royal , en présence de Leurs IHajey 
u lés et d'une foule immense de spectateurs. Gusmão k 
^ méme était monte avec le ballon ; et au mcyen dm 
^feu allutné dans la inaclúne ^ qui était nèanmoinire 
]» ténue par des cordcs, il s eleva eu Tair jusque à!i 
)» hauteur de la comiche du falte du palais : inalbeureiH 
ttsement la négiigence de ceux qui tenaíeut ces cords 
» 6t prendre à la macbine une direction oblique ; elk 
)i toucha la cornicbe , ou eile se rompit , et tomba , ^ 
»sez doucement cepcndant, puisque de cette chute, i! 
)) ne resulta aucun mal pour Gusmão. — Le Jotm» 
lides Sçavans [Oct. 1784] qui place cette expéneoee i 
)»ran 1720, et dit que Ia machine avait Ia forme à'& 
h oíseau avec sa queue et ses ailes , ajoute que des sr^ 
» vans français , et anglais , étant allés è Lisbonne [«ht 
x> vérifier le fait « prirent des ínformations dans le Co»- 
» vent des Carmes , oíi le P. Gusmão avait un frère . qs 
» conservait encore quelques uns des ses manusrrits n 
nla manière de construire ies machines volantes. Pb- 
»sieurs personnes assur4rent quelles avaient asi^istê i 
» la experieuce du Jésuite , ' et qu'il reçut le suroom (k 
D Voador. » 

(7j «Mais rinquisition , qui n'aimait pas Ies dout^I- 
»Ies découvertes, en murmurait hautemenU Le pbsíc^ 
p promit de nouvelles expériences , et fit espérer vris» 
j»qu*il s*éleverait sans le secours des cordes. Viwfàsi^ 



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( IW ) 

ji tion alors le traita dlmposteúr. Le P. Gusmão indi-» 
))gné, savança jusqu'à dire qu'il s'engageait de faire 
)>voler son illustrissime avec toute Tinquisition. Legrand 
)» inqiiísiteur trouvant cette raiileríe un peu déplacée^ 
wcommença à faire agir ses familiers. Lepeuple s'aineu- 
» ta , in criant au sorcier ! au magicien ! il ne deman- 
»ddi pas moins qu un auto-da-fé pour Gusmão. Ce der- 
ttnier, traduit enfin devant le saint-office,.fut jetté dans 
oun cachot et condamné à un jeône rigoureux. Lcs Jé- 
►) suites • vinrent cependant à bout de délivrer leur con- 
9 frèrc , et de le faire passer en Espagne , ou il mou- 
rut de chagrin, peu de temp après, eu 1724. Ces dé- 
>tails, consignes dans le Journal de Murcie, et divers 
»M(!*nioires du temps, ont été rappellés dans les N(h- 
>íÍ3Íe litteràrie de Cremona^ année 1784 n. 17. » 
Biographle UnnyerseUe no artigo jà citado]. 

(8) « La premiòre expérience de ce genre qui ait eu 
íqiielque succès paralt ôtrc cclle du P. Gusmão, faite 
» publiquement à Lisbonne en 1709.» [Biographie Uni- 
icpsfílle, art. Lana [que é escripto por Mr. Guillon] em 
i nota. 



Léo o Secretario perpetuo parte da Memoria do 
)ur. Canaes sobre o Cippo por clle oíTerecido. 

Entregou-se aa Sflr. Director da Classe respectiva , 
»ara ser cenwrada. 

O Sflr. Daniel Augusto da Sitva agradeceo vocal- 
aente à Academia a sua non)eaçâo de Sócio Correspon- 
lente , a que respondeo o Secretario perpetuo , expri- 
QÍndo-lhe os sentimentos da Academia a seu respeitei 



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(150) 

O Sfir. Joio da Cunha Neves e Carvalho Porta- 
gal peAio , por alguns dias , o N.^ 9 das Memorias da 
Sociedade Arcbeoiogica e Numismática de S* Petersbur* 
go. 



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(151) 



DONAtlVOS, 



Jornal da Sociedade Pharmãceulica Lusitana* — 
2/ Série — Tomo !.«_ N." 6 — Lisboa 1850 — 
8.* — 1 N.* — ' Offerecido pela mesma Sociedade. 

Comptei retidus hebdotiiadaires des Séatmes de VA^ 
cadémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. — 
1850 — 1.*^ semestre — Tomo 30 — N." 16, 17. 
18 e 19 — V g.'*— 4 N.^'— Offerecidas pelo mes- 
mo Instituto. 

Mémoires de la Sociiíé d' Archiologie et de Numis^ 
malique de St. Pelersbatirg. — Vol. 3.*"— N.^ 9 — 
St. Petersbourg 18i9 — 8.^— 1 Vol. — Offerecidas 
pela mesma Sociedade. 

Calendário Geographico do anno de 18i8 — pu- 
blicado pela Sociedade Geographica da Rússia. — 8,** 

— 1 Vol. [Em Russo]. 

Memorias da Socfedade Geographica da Russin. 

— St. Pelersburg 18*9 — Partes 1/. 2.' e 3/-. 2 
Vol. ~ 8.M Em Russo'. * 

As mesmas Memorias « em lingua AllemS. Wcí- 
mar 18i9 — 8.^— 1 Vol. 

Bolletin da Sociedade Geographica da Rússia. — 
dos annos 1848 e 1849 — - 12 N.*'— 8.* g.'* [Em 
Russo] — Todas estas quatro obras forãio oíTereci Jas pe- 
la referida Sociedade G<H)graphica. 



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(152) 



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(153) 





Estado da Atmosphera. 


Tarde fresca. 

Chuviscos inapreciáveis ; ar fresco. 

Fresco. 

Idenu 

Idem. 

Idem. 

Caloroso nas horas merid. — Sol ardente. 

Idem. Ar tépido e secco. 

Caloroso. 

Idem. 

Idem. 

Calor intenso. 


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(15S> 



EESULTADO BAS OBSERVAÇÕES DO XK Bjg 
JVSnO DE 1850. 



^ Têmperaturoê^i 

Minima ao 1.* do Mez* 5S* 

Máxima a 22 95 

Media 69,3 

Variação med. diurna. • . 18,8 
Máxima dita a 22 34 

Barómetro na tf^ de 63" 

Máxima altura a 30 760,4") Variação 

Miuima a 3 e 16 755,1 > dos extremos 

Media 757,636,3 m. 

VenUie dominantei e sua força contados em meios dias. 

•,7 0,9 0,6 0,7 0,2 0,2 0,3 

Ií,17= NO,20 =.0,4 = 30,8 = 8,1 =:NE,6 = E,l 
= V ou B,4, 

wss Direcç&o media do vento dominante N 27'!0 (0,7}. 
^7= Madrugadas bonançosas 19, 
«B Meios dias ventosos 13. 



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( ««) 



Estado da Almospliera. 



Bleios dias claros 38 — Claro cnwens 11 — G)bertes 
4 — Coberto c clarões 5 — Sómenf e no dia 9 de ma- 
druf^ada cahio um pequeno aguaceiro que fomeceo i 
millimetros de agna , apenas equivalente a um sétimo 
da escassa cbuva que costuma apparecer neste mez no 
seu estado regular. — » Houve um pequeno nevoeiro ma- 
tutino a 24 — Dias de calor notável 14 , sendo inten- 
ios 8. Decorreo por tanto este mez cora a temperatura 
assas quente , totalmente secco , e ventoso com a aRu« 
ra do barómetro quasi estacionaria. 



Phênomeno agronómico^ 



Foi-rae referido por pessoa mui respeitável que na 
fim do mez passado seccou repentinamente o grande 
castanhal de uma vasta propriedade próxima a Penafiel. 
A maior parte das suas formosas arvores se acbárSo em 
tal estado de podriddo interior que se ndo podéiâo apro- 
veitar nem para o fogo. Jà o asno passado aconteceo 
igual calamidade em outros sitios da provincia do STi- 
nho , tdo povoada de bellos arvoredos , pelo que seria <le 
fumma importância examinar com seria attençdo as cir- 
cunstancias que acompanhdo tào deplorável aconteci- 
mento , que a generalizar-se , como tem acontecido com 
as iarangeiras « ameaçaria de grandes perdas uma pro^ 
ducçHo tHo preciosa. 



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{157} 



Mortalidade em Lisboa. 

Sexo masculino — 161 maiores — 115 menores — tot. — ^273 
Dito feminino — 13o ditos —113 ditos — dit, — 248 

Sommao 296" ditos —228 ditos —dit— 52*. 

Incluindo-se 252 fallecidos nos hospitaes, sendo 112 
maiores procedentes da Misericórdia ou dos que se de- 
positão nos adros das igrejas ; do que se concluo que a 
mortalidade foi regular excedendo apenas em 23 indi- 
víduos , ou 5 centésimos » a normal deduzida das ante- 
cedentes observações. Sendo este mez um dos mais sau- 
dáveis do anno parece que a benigna constituição que 
tem actualmente reinado não sofreo notável alteração 
em seu andamento. 



if. M. Franzini^ 



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(15S) 



SESSJO LITTERARU DE 10 DE JULHO. 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Cartalho. 

ConcorrérSo & Sessio . o Secretario perpetuo Joa«» 
qutm José da Costa de Macedo, e os Sõr/* FortiH 
nato José Barreiros, Francisod Pedro Celestíoo Soares, 
João da Cunha Netes e Carralho Portugal, Igoacio 
António da Fonseca Benerides, Marino Miguel Fraozini, 
Agostinho Albano da Silveira Pmto , Francisco Recreio , 
e António Diniz d9 Couto Valente , Sócios ERéctivos ; 
Mattheus Valente do Couto Diniz , e António Albino 
da Fonseca Benerides, Substitutos d'Eflectivoa ; António 
Caetano Pereira , e Daniel Augusto da Silva » Sócios 
Correspondentes* 



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<Í59) 



MEMORIAS LIDASw 



O SQr. Antooio Caetano Pereira oontíouou a lér 
a sua Memoria sobre a inscripção achada em volta da 
Cruz de S. Thamé etc. 

O Sfir. Daniel Augusto da Silva léo parte d*uma 
segunda Memoria sobre a Roíeiçào das forças , em torne 
dos pontos d^applicação. 

Foi entregue ao Sfir. Director da Qassa« . 



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(160) 



DONATIVOS. 



BeviOa Militar. — Tomo 2.*— N/ 6 — Jiml» 
1830 — 8/— N.* 1 — Offerecido pela Direcção do 
Jomal. 

Jornal de Pharmacia e Sciendas accessorias, ie 
Liiboa. — !.• Série.— 3.* anno —Julho de 1850- 
8.*— 1 N.*— Offerecido pelo SOr. José Tedeachi. 

Camptei rendu$ hebdamadaires des Séanees de VÁ- 
cadémie de$ Sciences [Instituto Naciooal de França]. — 
1850 — Premier semestre — Tomo 30 — N.*' 20, 
e 21 — Paris 1850 — V g.^*— 2 N.^— Offereci- 
dos pelo mesmo Instituto. 

Noticia Bioqraphiea do D.""' José Francisco Va- 
lorado , offerecida á sua viuva a !ll."^ Sur/ D. Faiisti- 
na Maria Neves de Macedo, pelo D.""' José Maria Gran- 
de. — Lisboa 1850 — 8.* — 1 exemplar — Of^er^ 
eido pelo SDr. Mattbeus Valente do Couto Diniz. 

Tijdschrift voor de wis-en Naiwtr KaMge Wt- 
ien$chappen ete. 1.^ e 2.* aflevering. Derde DeeI [Jomal 
das Sciencias Philosophicas e Naturaes » publicado pela 
1.* Classe do Instituto Real dos Paizes Baixos. Tomo 
3.* 1.' e 2.' Partel — Amsterdam 1849 — 8.^ — 4 
N." [Tomo 3.^. 

Verhandelingen der EerUe Klasse van het JKcmV 
klyk-Nederlandscke hstitut van Wetensehappeny Leller- 
kunde en ichoone KunuUn te Amglerdam — Derde reeb. 
l£er$ie deel [Hemoriaa da 1.' Classe do Instituto Real 



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( 161 ) 

das Sciencias, Litteratura e Bellas Artes dos Paizef 
Baixos. 3/ Série, Tomo 1.^. — Amslerdam 1849 — 
4/ — 1 Vol. — Offerecidas estas ultimas duas Obran 
pela 1/ Classe do lostituto Real dos Países BaixQ^ 



Tomo Uí 14 



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(1«8) 



^SSEÍÍBLEA ITEFFECTIFOS DE 17 Dt 
JULHO. 



Frefidio o Slir* José Liberat» Frem de Carvalho. 

Concorrerão á SessSo o SecreCario perpetuo Joi- 
qnim José da Costa de Macedo , e os SAr/* Aoto» 
Diniz do Couto Valente , Francisco Recreio , Fnndsc) 
Pedro Celestino Soares , Marino Miguei FranuDi , Fran- 
cisco Freire de Canraiho , Joio da Couha Neves e Car- 
valho Portugal , Ignacio António da Fonseca Benevide. 
Fortunato José Barreiros , e Francisco Ignacio dos Sal- 
tos Cruz , Soctos Effectivos ; António Albino da Fo»- 
seca Benevides, e Hattheu» Valente do Couto Diou, 
Substitutos dXffectivos. 



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( 1Ô3 ] 



(:ORRESPÓxNDENClA< 



ti6o é Scicrétario pei^pétuo as Portarias seguiote^i 



Ministério âú Reltío — 1/ Dii'6!cç3o -^1/ Repaf<4 
tição. -H Reprèsentarido o Adrainisirador Geral da Imw 
preosa Nacional contra a pratica modemaniente segiri-^ 
da , por algumas Repartic^ões publicas , de mandareni 
imprimir differentes doicumentos a Typographias particu- 
lares , com grave prejuízo para â mesma Imprensa ; ib 
cumprindo ao Governo pronfover , por todos os meiot 
ao seu alcanòe , a prosperidade daquelle éstabelfcimen-^ 
to i qué é qiiasi exclusivaniente mantido pela importân- 
cia dos impressos para as Estações publicas: Afanda 
Sua Magéstade, A Rainba, pela Secretaria d'Estada 
dos Negócios do Reino , recommendar é^ Repartições , 
e Autoridades dependentes deste Ministério, o dispôs^ 
to na Circular de 3 d^ Dezembro de 1941 a similban^ 
te respeito ; a fim de que as referidas Répartic^Oe^ t ^ 
Autoridades mandetiií imprimia ali os documentos de 
que carecerem para o serviço a seu cargo. O qoe mt 
participa í Academia Real das Sciencias para sua in' 
telligepciaf e effeitos necessários. Paço das Necessida- 
des, ^m 3^ de Jui^k) de 1850. » Conde de Ibomiyr 

' 14 * 



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(164) 

A Academia reaoWeo que nada havia que ropoiH 
9er a eita Portaria , por ter Imprcnaa própria. 



Ministério do Reino es 2/ DirecçSo = 2/ Rn 
partiçlo SB Tratando presentemente o Governo de p»- 
mover a cultura dos prados artifidaes, cooi especialida- 
de a do Sanfoin , a 6m de por este modo se desenfol- 
?er a críaçlo de gados ; e convindo para isso publicar-se 
algumas instrucçOes agronómicas , icerca do niethodo, 
que se deve seguir na cultura daquellas plaotas, em 
harmonia com a constituiçUo dos terrenos dos vários dts- 
trictos do Reino , e influencias atmosphericas neiles do- 
minantes : Manda Soa Magestade , A Rainha » pela Se- 
cretaria d'Estado dos N^ocíos do Reino, qne a Acs- 
demia Real das Scíenctas de Lisboa haja , com a pos- 
sível brevidade » de formular aquellas instnicçOes « pan 
serem reraettidas aos differentes Governadores Civis. Pa- 
(o das Necessidades» em 4 de Julho de 1850. s^Co»- 
de de Thomar. 



Determinou<-se que esta Portaria ibsse entregue á 
Classe respectiva para dar a sua opioite sobre o que 
nella se ordena. 

ForXo approvados unanimemente para Sócios Cor- 
respondentes da Academia: Na Classe das Scienciaf 
Exactas, o Si&r. D/' Rodrigo Ribeiro de Sousa Pin- 
to» Lente de Matbematica na Universidade de Coíb« 



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(m) 

bra que tinha sido proposto em 19 de Jmíbo ul« 
limo. 

Na Classe de Sciencias Naturaes, o SDr. D/' Jo- 
sé Maria Grande, Lente da Escola Potytechnica, pro« 
posto na mesma data. 

Á vista das reflexSes feitas pelo Sflr. Júlio Maxi-« 
mo d'01iveira Pimentel sobre a Memoria do SSr. Ca« 
DÍer, asseutou-se que se restituisse ao seu auton 



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( «6« ) 



SBSaJO lITTERjnrA de Si DE JULHO 

4J£ 1850. 



Ihresidio o Slir, José Uberato Freire de CarTaRio, 

ConcorrèrBo á Sessto o Secretario perpetuf> Joa^ 
qoim José da Costa de Macedo, e os Sflr/* António Di* 
Dii do G>uto Valente » Francisco Pedro Celestino Soar 
res , Fortunato José Barreiros, Francisco Freire de Car- 
valho , Joio da Canha Neves e Car^^albo PcMtngal, 
Francisco Ignacio dos Santos Crui , Ignacio António da 
Fonseca Benevides , Ikfaríno Miguel Franzini , Agoslinh» 
Albano da Silveira Pinto, e Francisco Recreio, Sodo» 
Effectivos ; Mattheus Valente do Conto Diniz, e Antimio 
Albino da Fonseca Benevides, Substitutos d^Effectivos ; 
António Maria da Costa e Sá , Sócio Livre ; Antouo 
Caetano Pereira , José Maria Grande , e Daniel Ausos? 
|q da Silva , Socio^ Correspondentes. 



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( 1»7 ) 



CORBESPONDEXaA, 



Leo o Secretario perpetuo uma Carta do SBr. 
D/' Bernardino António Gomes participando á Acade-^ 
mia que em razSo de ir a Londres , e Paris , pedia 
ser substituido oa Commlssão do exame do Herbario da 
Fiora Lusitana de que era Membro, offereeendo a^ 
mesmo tempo os seus serviços á mesma Academia du«i 
rante a sua estada nas referidas Cidades, 



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(168) 



MEMORIAS LIDAS. 



O Sflr. António CaeUno Pereira , eontinooa a ]k 
i sua Memoria iobre a inscripçào achada em volía à 
Crux de S. Thamé eíe. 

O SUr. Francisco Freire de Canraliio léo a seguin- 
te tradueçào de trea Cartas de Plioio precedidas dunii 

Jdéa summaria do asmmpU> d^algun^u Carias de PUmú. 

As noTe Cartas seguintes » extrahidas dos dez Lh 
nos das escriptas a dífferentes pessoas por C. Plinio Ca- 
cilio Segundo » cuja traducçHo tenho a honra de offer^- 
cer a esta Real Academia » nSo desdiíem em mérito das 
cinco primeiras, por miro já apresentadas em Sessões 
anteriores. — Delias a primeira [é a 13/ do livro I.*: 
dá-nos a conhecer o xèlo patriótico do seu Autor por tu- 
do 9 quanto tendia a difundir » e a melhorar a instrvc- 
çio litteraria , e a educaçSo moral entre os seus cooci* 
dadfios. — Na segunda , [a 20/ do livro 7.*] bem co- 
mo a antecedente , escripta ao seu amigo intimo « Cor- 
nelio Tácito ; e bem assim na terceira , [a 23/ do li- 
vro 9/] escripta a Máximo , apparece bem manifesta a 
CixBo viva e ardente , que o estimulava no estudo das 
Jttras bellas e amenas ; e por consequência o grande 
praier » que da bdcca lhe transbordava , ao ver*se cer- 
cado da auréola de gloria , que um tal estudo lhe hiiii 



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( ÍW ) 

grangeado. — NSo menos, do que nas dnasyinteeeden^^ 
tes , a quarta , ÍS/ do livro 5.^ dirigida tamoem a Ma-< 
limo » exhalando sentimentos de dôr pela morte do il- 
lustre Ktterato C. Fanio, de nós conhecido somente por 
esta Carta de Plínio » toma a fazer patente o seu inte-« 
resse pelos estudos amenos ; e abunda em reflexões pre-« 
ciosas , que devem estiroular-nos a imital-o no seu no* 
bre empenho. — SSo mui sensatas as idèas , que nos 
subminislra a quinta Carta , [8/ do livro 5.^] dirigida 
a Capiton , sobre o modo mais adequado de escrever a 
Bistoría ; contando-nos por esta occasido curiosas parti- 
cularidades da sua vida litteraria. — QuAo proveitosos 
conselhos ndo lêmos na sexta Carta « [a 9/ do livro 
7.*] escripta a Comelio Fusco em resposta á , que este 
lhe havia dirigido, consultando-o sobre o moao, por 
que devia occupar-se do estudo no retiro do campo , de 
que estava gozando! -^^ É curiosissiroa a septima Car- 
ta , [27.* do livro 7.*] por nos revelar a tendência de 
Plinio para dar credito á existência de entes fantásti- 
cos; inteirando-nos ao mesmo tempo de que Gcnios, ain- 
da da vigorosa têmpera do Autor , são frequentes vezes 
dominados de idéas as menos sensatas , e at6 absurdas ; 
$ura é o amigo, a quem é dirigida esta Carta, homem, 
conforme nella se dá a conhecer , de eminente litteratu- 
ra entre os Romanos d aquelle século. -^ Nos mui pru- 
(jentes conselhos, dados ^ por Plinio ao seu amigo Maxi- 
Q)o, quanto ao modo, {lor que o primeiro Magistrado 
no governo de uma província , ou districto , deve regu- 
lar-sc, para dignamente desempenhar as funcçOes do seu 
emprego, ácha-se consignado um fundo de máximas mo-. 
vaes e politicas as mais sBas , e ajustadas com a boa ra-> 
zSo, que oxalá andassem sempre diante dos olhos dos 
llagistrados de todos os tempos e paizos : Constituem es- 
tes conselhos o assumpto da oitava Carta desta minha 



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(170) 

Mllec^ , [à 1Í4/ do livro 8."^. — A Mm ãnálneiita , 
f97/ do livro 10/] dírijcida ao Imperador Trajam por 
PIídío , a esse tempo Governador da provincía Romana 
da Bithynia, é a famoaa Carta acerca doa Christios, 
bem conhecida particularmente dos tbeólogos : nella ao 
passo que o Autor pede instruccl^ a Trajano sdbra o 
roodo , |ior que deve haver-se nas denunciai , dadas con- 
tra 06 Christdos » e Ibe expõe o modo do seu proceder 
anterior a tal respeito ; se encontra exarada ao mesmo 
iempo a pureza dos princípios moraes, seguidoa na pra- 
tica pelos prosélytos desta Religião Santa noa ^imeina 
,tempos da sua propagação pela Terra. 



Carias â$ C, PlMò Cogeilio Segundo, Livro 4/ 
Caria 13.' [^]. fliíúo a C. Tacita. 



Folgo « que a Roma tenhas chegado sSo € salvo, 
áté porque a tua vinda agora muito mais , do que em 
outra qualquer occasifto » era por mim desejada, — De 
poucos dias será ainda a minha demora no TosculanOt 
os quaes empregarei em concluir uma pequena obn, 
que trago entre mãos ; pois receio , que , se já próxima* 
mente ao seu íim afrouxo neste meu propósito, oon 
difficuldade a (orne a continuar. B para que esta mw 
nha pouca demora aqui nlo perjodique aos meoa àest-* 



(« ) Vide Artag da Academia Real das Scienctas de Lisboa aiu 
nodeiaid, N.*f a pag. S67. eaimo deU^O, N.^S apas.&7. 



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' ( 171 ) 

)06 , tou com 4nteeipaç9o i^edír^^té nesta Carta o me§^ 

mo , que , se presente estivera, te pediria : Mas, primei-* 

ro que tudo , dir-tef-bei as razões da minha rogativa » 

depois o em que ella consiste. -^ Quando ha pouco es* 

tive na rainha pátria («) , Coí comprimentar«-nie o fiiho » 

já ornado de pretexta , de um dos meus concidadãos. 

ti Andas estudando? h [po^guntei-lhe eu]. »= Sim «»: 

i( Oqde ? » = Em Milão. s= a £ porque não estudas a-- 

qui ? 1» Eqtão o pai [pois fôra quem veio apresentar<-me 

seu filho] me responde: = É porque não temos aqui 

Mestres.. = « Mas qual é a razão porque os não tendes ? 

pois a vós , que sois pais , muito importaria , [felizmen**- 

te outros muitos pais se achavão presentes] que vossos 

filhos aqui mais , do que em parte alguma * recebessem 

a sua iostrucção i Qual outro togar lhes seria mais a-» 

gradavel , do que a sua mesma pátria ? ou onde é que 

poderiam ser fprinad(^ mais conformemente aos dieta-» 

mes da sãa moral , do que debaixo doa olhos de seus 

pais? ou com menos despeza , do que na própria casa? 

Que qiiantia de dinheiro julgaes poderá custar o ter 

aqui Professores? E quanto será preciso accrescentar 

ao, que em outra parte estaes gastando em alugueres 

de casas, em despezas de jornadas, e em tudo quan-^ 

to ha mister despender , quem vive longe ? [pois tudot 

lá custa caro], Ora eu , não obstante não ter ainda fi-» 

lhos , em favor da nossa pátria , a qual contemplo como 

se minha filha , ou minha mãi fosse , estou prompto a 

concorrer com a terça parte das despezas , que nisto 

quizerdes empregar: e prometter-vo&^hia a totalidade 



(•) Era natural da cidade da Como na Gallia Cisalpina, 
hoje ifirítorio do Reino Lombardo- Venesiano , situada junto áa 
puias dp lago ^p m^smo nqmp^ e a cipco legoas o |n«i^ df 



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(17S) 



Mia , w ícase nlo tifcae receio, èt que esta mà^ 
dádiva cbegasMOi a cont»i|ièl-a alguns empenho», o»- 
mo Tejo aoootecer nos logares , onde oa ProfeoMres ti» 
pagos á custa do publico. Um meio ha potéai de sb- 
tar a estas escolhas ficiosas, e coosisle elfe en ai 
deiíar entregues somente aos pais; pois os» que seríaa 
taUét negligentes com o » que é alheio » serio cnidad»- 
sos sempre no emprego do, cpie é seu; e se esTorcarti 
para que nenhum , que nlo seja digno , receba o dinhei- 
ro t com que eu concArro , visto que para o mesmo ín 
concorrem com a sua quota: c — Uoi-roo portanto, 
combinae uns com os outros » o cohnae ibrças d'aam 
comigo, que nesta despeza desejo Uimar a maior parte. 
decbrandoHne qual ha de ser o meu contingente; si 
oerteia de que ido podeis faaer cousa mais proveilaa 
para fosns filhos, nem que mais agrada%el seja á nom 
fiatría: eduquem-se aqui os jovens, que aqui nascea: 
comecem logo desde a infância a tomar assenta no sa 
piz natalício, a amal-o; e oxalá que para eDe at- 
traiées Mestres de perícia tal , que venha para aqnê ^ 
tudar a Mocidade das pofoaçdes visinbas ; a fim de qat, 
assim como até agora vossos filhos iam iostnitr-ne a la- 
gares estranhos , confluam para esta Cidade os jofn 
dos logares distantes. » — Julguei a propósito diíer-ie 
miudamente, e como desde a sua origem, isto todo: 
afim de que fiques mais inteirado de qalo grato mo s^ 
ri o tomares a peito o negocio, de que te encarrec»: 
Encarr^o-te pois , e , attenta a magnitude do naesm 
negocio , te rogo , que do grande numero de home» 
instruídos, que a admíraçte do teu íngenho atráe em vot- 
ta de ti, lances os olhos sobre aquelles, que podens 
convidar para Mestres ; debaixo da condicio porém it 
que nâo obrigues para com elles a minha palavra ; qu^- 
10 todo deixar livre aos pais ; sejio estes oa , que ja^ 



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( »78 ) , 

guein, os que façam a escolha: Pela roinlia parte d 
ftie só pretendo t é empregar os meus desvellos e a 
despesa. Se houver porém algum, que tenha sobeja 
confiança no seu talento , vá muito embora ; na certeza 
de que nada mais poderá aproveitar-lhe , do que a sua 
própria conGança. -^ A Deus. 



Livro 7/ Carta 20.' Plínio a C. Tácito;. 



Li ò teu livro , a com a maior diligencia , que me 
foi possível , notei nelle tanto o , que se deve mudar » 
como o que se deve riscar ; pois assim como eu costumo 
falar sempre verdade* assim tu do mellior grado a cos« 
tumas ouvir ; nem ha quem com mais paciência aceite 
t$ correcções , do que aquelles que mais ser louvados 
merecem. Fico esperando agora me envies o meu livra 
!^om as tuas observações e reparos. O' jucundas e bellas 
reciprocidades ! . . • Qufio grande nHo é o meu deleite » 
luando me lembro de que , se aos vindouros merecer-* 
mos alguma attençSo , entre elles será falada a grande 
roDcordia , e franqueza , e amizade , com que temos li-* 
rido ! Sim , será havida por cousa rara , e digna de ser 
lotada , que dous homens , iguaes quasi na idade e nas 
iignidades» e de alguma nomeada em Litteratura/[ve« 
o*me obrigado a falar de ti com esta parcimonia • porr 
[ue tenho de falar simultaneamente de mim] assim se 
enham mutuamente ajudado nos seus estudos. Em ver- 
iade f sendo eu ainda muito m6^ , a tempo em que tii 



! 



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( in ) 

já ftorecias em reputa^ e gloria , todo o meu deseje 
era o segaif^ie t o ver «me eoliocado e contado o m 
próximo a tif embora longo fo$$e o inUrvalú^ quetuln 
0ió$ mediasH («) : Havia eni&o um grande nutoeio de 
homens de daiiaaiaio in^eiriío; porém eras tu, mais. 
que todos t [assim o permitia a similbança da ms» Da- 
tureza] que eu tomava por modelo » e que eu entendii 
devia ser imitado* É por isso que sinto o maier prszer. 
tratand<^"«e de estudos » quando vqo , quer sdmcs sírkíI- 
taneamente nomeados (««) ; e que , fallando^e de ti, oc- 
corre logo igualmente o meu nome. Verdade é, oâ4 
deixa de haver, quem nos prefira um ao oufra; poréu 
a mim nada me importa o logar^ onde a amboíjintc! 
noa collocamí pois tenho por primeiro o fogar, qneè 
mais próximo a ti. Notado deves ter também , qw m 
(estamentos, excepto m» áe aígum mais particular «ni- 
go 00880 • ambos s6mQ8 contemplados sempre conr s 
mesmos legados , e iguaes na quantia : O que tudo « 
dfríge a incflícarnios, que nos aniemos um 00 outro cei 
o maior extremo de afecto ; visto serem tantos os rà- 
culos, com oue nos ligam assim os estudos, como « 
coatumes , a fama , e até finalmente at uliimas voatofe 
4o8 bomeni;^ ***-^ A Deus. 



(•) Xofioo sed ptoximus intervaílo. [iEneid. Lib. V. to 
5íO). 

(••) Vid..a carta fegnittle nasCa ttaducçSaw 



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(m) 



Livro 9/ Carta 23/ Plínio a Máximo^ 



Tem-ine acontecido frequentei vezes, estando exer^ 
eendo as funcçdes de advogado , o ver os Centurios , de^ 
pois de se haverem conservado revestidos do ar df 
autoridade e de gravidade próprias de juttes, CQmp 
se fiMsem vencidos e forçados , kvantareip^se todo3 rer 
pentinaniente , e virem dar-oie Jouvores. — ^ Fr<X|uentcy 
vezes tenho saliido do Seoado « trai epdp comigo qma Wr 
meada tal , qual eu muito a devia dejKyar- — ' Ktmçf 
porém senti prazer maior , do que o que ha pouco me 
deo uma conversação, que tive com Corneho Tácito: 
Contou-me este, que achando^se nos derradeiros Lu-- 
dos Circenses assentado junto de outro individuo, de- 
pois de haverem falado sobre assumptos vários e eru- 
ditos , elle lhe perguntara : = És de Itália « ou de 
alguma outra provincia ? Ao que lhe respondera : « Tu bem 
me conheces, e sdo os meus escriptos os, que me fizeram teu 
conhecido.» Ent8o elle lhe tornou : = És Tácito, ouPli« 
nio ? =s N9o posso expressar^te, o quanto me é jucundo» 
que as Lettras façam os nossos nomes como mais próprios 
antes das mesmas Lettras , do que de homens ; e que 
pelos estudos cada um de nós se faça conhecido d'a-* 
)uelles, para quem era aliás desconhecido. — Outro 
:aso similhante me acontecéo ainda ha poucos dias: 
4cbava-se assentado a uma mesa juntamente comigo o 
iximio varBo Fábio Rufino ; occupava acima delle o lo* 



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[176] 

gar immediato um habitante do sea manicipío # qoe u« 
quelle dia tinha vindo pela primeira réz a Roma, ao 
qual Rufino ^ apontando para mim , disse : « Vês este!i 
accresceotando depois muitas palavras acerca dos meos 
estudos : Ao que elle respondeo =s Entdo é Plínio. = 
Em verdade te confessarei » grande é o fructo , que do 
meu trahalho recdlho : Por ventura , se Demóstenes coo 
razão se alegrava , quando uma velha de Atbenas o de- 
signava oom as palavras seguintes = Este é Demóste- 
nes ; = nBo devo eu alegrar-me com a celebridade k 
meu nome? Alégro-me sem duvida» e declaro» ft 
com isto recebo grande satisfação: nem receio o ser 
havido por jactancioso» quando bço patente o jaíio, 
que , não eu » mas sim os outros de mim formam ; mor* 
mente falando comtigo» que não tens inveja dos Ioukh 
res dados a outrem , e és zelador da minha própria gb* 
ria. — A Deus. 



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(177) 



DONATIVOS. 



Descripçaó da mortifera moléstia epidemico^spas^ 
íodica da Choíera-morbo e da spoi^adicaj coordenada 
as observações coihidas do exercido clinico Medico^ 
'irurgieo de 36 annos. Por A. Caetano do Rosário Af-- 
)nso Dantas , Medico do Hospital Militar de Nova-Goa» 
Membro do Conselho de Saúde Militar. — Nova-Goa, 
850 — 8.' — 1 exemplar. — Offerecido pelo Autor. 
Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lis^ 
oa. 2.* Série — Tomo 6.'— N.'* 3 , e 4 — 1850 

- 8.** — 2 N.*** — Oíferecido pela mesma Sociedade. 

Jornai da Sociedade PharmaceuUca Lusitana. -^ 
L' Série —Tomo 1." — N.^ 7 —Lisboa 1850 — 8.* 

- 1 N.* — OfiTerecido pela mesma Sociedade. 

Compíes rendus hebdomadaires des Séances de VA^ 
ídémie des Sciences [Instituto Nacional de França]. -^ 
850 — Premier semestre. — Tomo 30 — N.^' 22, 
3 , 24 , e 25 — 4-^ g/*— 4 N.^"— Offerecido pelo 
lesmo Instituto. 

Jaarboek van het Koninldyk-Nederlandsche Intíi-^ 
iut van Wetenschappen, Letter Kunde en schoone Kuns^ 
m , voor 1847 — 2 Vol. — 1848 — 2 Vol. — e 
849 — 2 Vol. — [Annaesdo lostitqto Real das Scieu- 
ias , Litteratura e Bellas Artes dos Paizes-Baixos, rela- 
vos aos annos de 1847, 1848, e 1849]. Amsterdam 
847 a 1849 — 8.*— 6 Vol. —Offerecido pelolnsti- 
itb Real dos Paizes Baixos. 

Tomo IL ^S. 



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(178) 



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KESULTADO DAS OBSERVAÇÕES DO MB 1>£ 
JULHO DB 1850. 



Temperaturas^ 

Minima a 9 do mez. 56* 

Máxima a 3 95 

Media 70,2 

Variação med. diurna. • • 18,5 
Máxima dita a 3 34 



Barwmtro na tp.* de 63* 

Máxima altura no 1/ do mez 762,5*1 Variação 

Miaima a 3 e 16 754,6 > dos extremos 

Media 758,03 7,9 m. 

Veníos dominanies e soa força* 

0,9 0,8 0,6 1,0 

N,24= N0,15 =1 S0,11 = NE,1 =V ou B,ll. 

e=r Direcção media do vento dominante N 33*0 (0,8). 
B= Madrugadas bonançosas 13. 
Bs= Meios dias fentosos 19. 



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(182) 

Eilado da Àtmdsphera. 

Mtio6 dias claros 34— -Claro enaveiu 18 — Cobertos 
S — Coberto e clarões 4 — Dias em que choveo 2, 
fornecendo 19 millimetros , ou quasi o quadiuplo da 
diuva normal deste mez , que sempre decorre secco, 
ainda que o volume de agua recolhida ki diminuto e a- 
penas equivalente a cinco e meio almudes por braça qua- 
drada — Dias de calor notável 8 , sendo assas into- 
ios os que apparecério no principio do mex. 

Phtnamenoê noíaceis. 

Os ventos rijos , e mui seccos que domináiio de 
24 a 29 seccário p<H* eitremo a terra , e n folhas k 
arvores; contrariando ao mesmo tempo a contínoaçia 
dos trabalhos nas eiras. A colheita dos cereaes nâo rcr- 
responde á expectativa que os mezes antecedentes bik 
esperar. 

Mortàlidaãê em UAoa. 

Sexo masculino — 166 maiores — 162 menores — tof.*-33S 
Dito feminino— 158 ditos — 144 ditos — dit,— M2 

Sommão 324 ditos —306 ditos --dit— €30 

Em cujo numero se eomprehendem 270 fallecidos 
nos hospitaes , sendo 141 menores procedentes da Mi- 
sericordia , ou dos que se depositlo nos adros das Igre- 
jas ; do que se conchie que a mortalidade foi quasi igual 
á normal , excedendo-a apenas em dous centésimos. 



JT. Jr. Fransim^ 



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ACTAS 

BAS 

SESSÕES 

DA 

ACADEMIA RBAEi DAS SCIEIVCIA9 

LISBOA. 
1850. — N.* V- 



SESSÃO LITTERARIA DE 9 DE OUTUBRO. 



Presidio o SSr. José Liberato Freire de Carvalho» 

Concorrerão á Sess&o os SíSr/' Francisco Ignado dos 
Santos Cruz, que sérvio de Secretario, António Dinix 
do Couto Valente, Francisco Pedro Celestino Soares « Jo- 
sé Cordeiro Feio» Francisco Recreio , Ignacio António da 
Fonseca Benevides, Marino Miguel Franzini , Fortunato 

Tomo U. 16 



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(184) 

José Bameiros^ Agostinho Albano da Silveira Pinto, Só- 
cios Effectivos ; Mattheus Valente do Couto Diniz , e Aih 
tonio Albino da Fonseca Benevides , Substituto» dTife- 
etivos: António Maria da Costa e Sá, Sócio Livre; 
Daniel Augusto da Silva , Sócio Ccnrespondenle ) e us»- 
tio á Sessão o Sur^ Marquei de Rezende^ 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Socio (jne serv^ de Secretario: 

1.' Uma Portaria expedida pelo Ministério do Rei' 
no, eni 2 de Septembro ultimo, determinando que a Ac2* 
demia remetta , juntamente nom o Relatório administra 
tivo 9 que annualmente lhe cumpre enviar áquelle Minis- 
tério , dous mappas conformes com os modelos inclusa! 
fia dita Portaria , iieerca dn fiíUíaCbeca da im»Bia Aca- 
demia , sendo devidamente preenchidos os respectivos &- 
teres. 

S."" Ootra Portaria expedida pelo referido Ministério» 
em i7 de Septembro do corrente «nno, participando á 
Academia, para os eíTeitos devidos, que no dia 2Í do íih 
dicado -mez se ba?illo rezar , na Igreja de 8. Vicente de 
¥àr3 , officios e orações fúnebres por alma de Sua Ha- 
géstade Imperial o Senhor Doqne de BragaBça, aos quaes 
Sua Magestade , A Rainha , tencionava assistir. 

3.^ Outra Portaria circular de mesmo Ministério, 
expedida em 20 de Septembro deste anno^ do Iheor se* 
^iate : 



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{m) 



Ministério do Reino. =^ Secretária geral. ^ífe í:^ 
Repartição. ^^ Li^ro 4.°==» N.** 3*8. ^*= Ctrcwlaf. ae^ Hérn- 
ia Sua Magêstade , A fiainha , pela Secretaria 4l'E8tadci 
los Negócios do Reino, reiuetter á Academia Real da^ 
Iciencias a inclusa Tabeliã ,. a qud ié refere o Decreto 
Ip 9 d'Âgosto ultima , da dístriÍNiic&ò da DÃpeia deste 
ílinisterio autorizada \úara o corrj^tè annq de iS&Ú a 
8o 1 , nos termòS do oiaposto Ms Cartas de Lei de 23 
e Julho dp corrente anoo ^ a fim die que EfiiÇA proceder 
os abonos respectivos i em cooforoiidade da Bieániâ Jn^ 
«Ua , e processar as compétenteti folhad » dtfyetido ficar 
a intelligèncía de que é nbsolutaménté Vedada a iosar*^ 
uo de qualquer verba tiãlo Côm{]|rebei}did{l noi limites da 
^i. Paço das Necessidades , ém 20 de Septembro dé 
850. ^ Feli:[( í er^ir« de jíagalb^; 

4.^ Outra Portaria circdiar, émotjalá do MioiMericf 
3 Reírioi, c<lni data dé 2S dé Septembro antecedente, 
rdena^dp qúe a^ R^parii^^ depeodeiitãs daqúiâle Mi- 
stério r^meit^Q 6 Camará Municipal de Li$baa uma 
ilação dos Empréga4d$ t que $endp babéis para o Cargol 
? Jurqdo9 d9 ínoípreosa , nSo es^iverom comprehéhdidos 
n aJgvoía das 0»ep^Ò« ^ ÍÀ, i^ r^« «obM ^^ 

>jCCt0; 

5."^ Oiitrá Pofiaria do dito Mit^i^tçrio^ datada de 28 
^Septenoibro, refmettendo os Estatutos daSoíeiédãde Pro->' 
otora deâ nielhPf amentos industriaés deBragança,* parai 
rem examinados coeni urgenícia. 

fi."" O Officio seguinte do Snr. BarSo da Lut , 1094 
(etor Geral da^ Obras Publicas^ 

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(186) 



Inspecção (;eral^ das Obras Publicas do Beiím 
betIH."*' e Ex."'' SHt. = Accusando a recepção do (Mr 
cio t que V. Ex/ me dirigío com data d'hontem , canip 
pre asseverar a V. Ex/, que não é falta de considera- 
ção por esse importante Estabelecimento , que metea 
embaraçado de mandar executar os concertos dos telha- 
dos, já ordenados pelo Ministério do Reino, mas tào si> 
mente a falta de meios para occorrer a todas as obraâ 
que se me determinão , mesmo com ui^encia. 

Logo pois que me seja possível estabelecer um paf 
tido d*operarioSf para dar um andamento regular á ohn 
de que se trata , eu não perderei a occasião para s 
tisfazer os justos desejos de V. Ex/ = Deos guarde 
V. Ex/ Lisboa 18 de Seplembro de 1850.= flir 
Ex."""* Sílr. Conselheiro Joaquim José da Costa de Hdtt 
do. = Barão da Luz. 

7.^ Uma Carta do Silr. Conselheiro Joaquim José Fal- 
cão, acompanhando um gato do mato, vindo d* Angola. 
que offerece para o Museu da Academia. 

8.* Outra Carta do Sôr. António Ribeiro Neve», Jn- 
nior , offerecendo para o mencionado Museu uma cor^» 
jfinda d' Angola. 



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(187) 



MEMORIAS LIDAS^ 



O Sfín Francisco Pedro Celestino Soares leo umas 
Brexies reflexões acerca da Tenalha em frente daCortinai 

lLeo»se a traducçdo de ires Cartas de Plínio seguiH 
lo, Ceita pelo Shr. Francisco Freire de Carvalho^ qu^ 
cm a ser: 



Livro S.*" Carta 6/ Plínio a Máximo^ 



Chegoo-me a noticia da morte de C. Fanio , noti- 
cia que me penetra com grande dôr ; úho só porque con-' 
agrava amizade a um homeqi 9 como elle era , polido e 
facundo ; mas também porque do seu bom juizo aprovei- 
lar-me costumava. Era por natureza dotado de ingenho 
ubtil, apurado pelo uso que deile fazia, e de uma prom- 
>tissima variedade. Afflige-me demais disto o inesperado 
le sua morte; pois morreo sem haver reformado o seu 



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( í«8 ) 

fintigo testamento, no qual se nSo lembrou das pessoai, 
que sobre todas amava, deiííandp legados aos seus niaio- 
res inimigos. IMos pode para todo isto haver ainda sofri- 
mento : o peor é, o ter elie deixado incompleta uma ofan 
sua , a mais digna de estimficSo • pois , com quanto se 
fledicas^ ao exerei€iè do fdro, esteva escrevendo tam- 
bém a historia dos, que por Nero tinliam sido mandadoi 
matar, ou enviados ao desterro , da qual tinha já coo:- 
pletado tre^ livros , escriplos com exacta diligencia , ^ 
^m estilo puro e delicado , médio çntre a' simples afl- 
versaçfto ea historia: e tanto maior desejo tinha de a-a- 
eloir m restantes f q«Mita maior ôra ò empenho, cm 
que via ler 08 trcs primeiros. Na verdade parece-ioe 
sempre cruel e imitiatiira a morte d'aquelles , que estaa 
preparando algutna cousa digna da immortaKdade ; por- 
quanto os 9 que , entregues á yoluptuosídade , vivem , f«- 
mo se para elles não houvesse dia seguinte , esse» aca- 
bam de viver no fim de ^da vm dos seus dias. Pelo cco- 
trario os, que pOem o fito na posteridade, ç alargam con 
obras a memoria da sua existência ; para esses morte iâ6 
ba , que não seja repentina ; pois vc^m sempre intenx«- 
per alguma cousa por elles principiada. — Com muita aa- 
tecipaçto presentio Caio Faiúo o mesmo, que veio a aron- 
tccer^lbe ; pois sonhou uma noute , que estava recostada 
sobre q seu leito na posição do quem estudava , iem 
diante de si , segundo costumava , a caixa dos srus pir 
peis» sonhoif depois # que tiera tfr gom eUe Neto, o 
qual, as^entando-se sobre o leito, lan^Ara mia do prv- 
métú livro , oni que eHe fisera publicas as soas Bakia' 
4es« o qual folheAra do pfincipfa até o fin»; que bnt 
9 nnisniiQ te segundo. ^ m lerceiro, e qae se hífia de- 
pois retirado.. — : Este sonho o escbeo de susto : e a is- 
terpretaçdo, que lho dAo^ foi, que d termd maicad» f^ 
^ alie 4^aLar áfi atrever eslaT^ indicado na ts^h 



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[m] 

^m que Nero findara a sua leitura ; e foi isto mesmo o, 
|iiê acoiiteceo. Ora, quando estas cousas me passam pe- 
a memoria » grande é a pena , que me causa o ver as 
nuítas TÍgiJias e trabalhos , de balde por elle emprega-^ 
los: occorre«-me também logo a idéa da minha morte ^ 
^em-me h lembrança os meus escriptos : nem duvido , 
|ue igual cogitação te encha de susto em relaçSo aos, 
|ue teos entre m^os, As^im que, em quanto gozámos da . 
ida, esforccmo-nos para que, ao vir a morte, encontr0 
ília o menor uumero de cousas, que 003 possa destruir* 
— A Deus, 



JLmo S."" Carta 8/ Plinio a CapUm. 



Aeonselbas-me, que escreva sobre Historia : rem'toi 
wtros me tem repetidas vezes aconselhado isso mesmo , 
i tal é também a minha vontade « ndo por confiar em 
[ue o farei bem ; (temeridade seria o aereditalw) , sem 
) haver antes experimentado) mas sim, e mais que tudo, 
N)r me parecer cousa mui bella o n9o consentir , que 
)ereçam aqueiles , a quem é devida a immortalidade , e 
í propagar assim com a sua própria a fama dos outros, 
ia verdade cousa ntnhuma ha , que tanto me estimule » 
i incite, como o amor e o desejo da diuturnidade i sen^ 
imento que lenho pelo mais digno do homem , daquelle 
«'incipalmente » que » não o accusando a consciência do 
:ousa alguma , encara sem receio o viver na posterída^ 
Ic; £ por is9o que de dift e de noite cogito no moda 



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(190) 

dê poder leoaiUor-me acima da Terra (*) ; (que ifto 96 
é bastante para o meu desejo) , sendo que delle muito 
acima julgo o voar vietorioão pelas hóceas dos hemm. 
Ainda que ok! ... . (««). É porém já para mim bastante 
aqnillo, que a Historia por. si só pôde promelter-ine: 
Por quanto pequena graça tem a Oratória e a Poesia, 
uma vei que nfio andem accompanhadas de eloquência 
summa ; ao mesmo tempo que a Historia , de qualquer 
modo 9 por que seja escripta , sempre deleita ; por ser» 
os homens curiosos por natureza , e se entreterem com 
toda e qualquer noticia de acontecimentos, muito embo- 
ra despida de ornatos, aindaque bagatelinhas coaversaveb, 
e ainda mesmo fabéllas sejam. Impelle-me também para 
este estudo o exemplo domestico ; por ter meu Tio e si- 
multaneamente Pai adoptivo , escripto Historias , e con 
a maior exacçdo e diligencia ; assim coroo por ter ouvi- 
do a bomens sábios , que uma das cousas mais digna de 
louvAr é o seguirmos as pizadas dos nossos antepassados, 
todas as vezes que elles nos (Hrecedéram marriíando per 
bom caminbo. — Que é pois o que me demora ? ... De- 
fendi grandes e importantes causas, e proponho^me a re- 
vèl-as ; (bem que pequena esperança tenha de que deila» 
me resulte gloria) mas só a fim de que um tio graaè^ 
trabalho meu , se lhe não accrescentar o , que lhe rsU 
de nova applicaçio , não acabe juntamente comigo : ns^ 
que 9 se poiermos o fito na posteridade , deve repotar-ie 
por nSo principiado tudo o , que não tivermos perfeita- 
mente acabado. -^^ Dir-roe-has : « Tu podes retocar as 
tuas Orações, e compor tombem a Historia ». Oxalá qae 
assim podesse ser ! Mas tanto uma , coroo outra dest» 
doas cousas é de tal roagnitude« que é já sobejo, o tra- 



(•) Vin». Georg. Lib. S. vcis. 8. 
(•#) iEoeid. Lib. d. v«is. 19^. 



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( m ) 

ter uma delias somente. Comecei a advogar no Foro aos 
dezoito annos da minha idade, e com tudo ainda hoje 
apenas só por entre sombras vejo o , que um orador de- 
ve fazer , para bem desempenhar as suas funcçdes ; Que 
seria, se tomasse sobre os hombros um novo pézo? Mui- 
tas cousas tem a Oratória e a Historia, que lhes são 
commúas ; narra , é certo , aquella ; também esta narra , 
mas por modo diíTerente : os objectos da narraçHo desta 
sfio cousas baixas, torpes e vulgares; convém áquella i 

somente quanto é extraordinário, esplendido e sublime: * 

na Historia deixam vèr-se muitas vezes os ossos, os mus- ' 

culos, os nervos; convém appareçam na Oratória, para 
assim dizer , o roliço do corpo , e as jubas : agrada 
aquella , mais que tudo , pela força , pelo azedume , pe- 
la rapidez; esta pelo desenvolvimento, peia suavidade* 
pela doçura: em summa, cada uma delias exige pala- 
vras , harmonia e construcçSo inteiramente diversas ; por 
importar muito , como diz Thucydedes , o saber-se , que * 
destes dous géneros de Litteratura deve ser considerado 
um como monumerUo , outro como combale , competindo [^ 

uma destas denominações á Historia , a outra á Orató- 
ria. — A vista do que deixo dito, nfio me resolvo a mfe- , 
turar, e a confundir cousas tão dissimilhantes , e até da ' « 

maior monta ; a fim de que , perturbado com tal confu — i 

são , nãQ faça em uma parte o , que em outra devia fa- 
zer : É por isso , (sem me desviar da linguagem , que ^ ,' 
me é própria) que peço me concedas reforma de tempo. 
Comtudo tu no emtanto pensa desde já sobre que perio- 
do histórico devo principalmente começar a escrever; Se .; 
fAr sobre os , em que os antigos tem jà escripto , prepa- ^; 
radaa temos as averiguações; é porém cousa árdua o en- è 
trar em comparação com elles : Se fôr assumpto novo e ; 
ainda não tratado, graves serão as offensas, a que me i 
exponho; e diminuto o favor ^ a que posso aspirar; por- t 



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Goolle 




e 4e«- 



T.' Com &' ^ÀM a. 




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t 198 ) 

iiavcfres lido, i fim de itielbor tó iníteiraréâ da materíà 
e do seu argumento , sobre elle também escrevas , como 
querendo entrar em competência com o autor; «que o 
(Compares com o, qne tens lido ; que cuidadosamente me^ 
dites ^ qual dos dous^ tu, ou o autor, mais apropriada* 
niente o tem tratado : Grande satisfação será a tua , se 
achares, que algumas cousas trataste melhor, do que tU 
le ; grande a tua vergonha , se elle melhor , do que tu » 
tratou cabalmente o assumpto. Convirá algumas vezes o 
fazer escolha das passagens mais conhecidas, e arrostar* 
le coro elle , para ver se nellas o vences ; certame este « 
pmbora atrevido, mas que nfio merece ser censurado» 
por ser secreto ; pois vemos a muitos , que , tendo com 
grande louvor emprehendido esta espécie de combate, 
por isso que nelle não desanimaram, legaram de venctdA 
aquelles, de quem julgavam já bastante o seguir as pi- 
zadas. Podes tambetti , depois de o haver posto em es- 
quecimento^ , tornar a tratar o mesmo assumpto, delle 
conservar muitas cousas , dar de m9o a o maior numero 
delias , accrescentar-lhe ^ e corrigir-flhe outras : trabalho 
pendso è enfadonho , porém de grande fructo por sua 
mesma dificuldade é o de acender de novo o antigo fo- 
go , e o do reassumir o quebrado e perdido ímpeto , o 
ajuntar em fim membros , como novos , a um corpo já 
acabado, sem oom tudo desmanchar o anteriormente con- 
cluído. — Sei , que presentemente o teu principal estudo 
é sdbre a arte de orai»| mas nem por isso te persuadi- 
rei , que insistas sempre nesse modo de dizer peleijador ; 
t de dijgttM modo beflicoso : Pois assim como as ferras 
le tornam mais aptas para a cultura , variando , e mu- 
dando d6 ementes r o n(Mmo acontece aos nossos rnge- 
fthos, recúllivandoisôs ora com umá, ora eom outra es-" 
pecié de Meditação. Desejo , que umas veres tomes para 
fflBttiti|)la algmfr lugar da Histotia ; outraa, qw escrçv^tf 



I 

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(19*) 

O mais accuradameDte uma Carta : por 4{oairto nos ih 
cursos oratórios tem logar muitas vezes nfto só objectos 
históricos , porém até oGCorre a uecessidade de ÍDlrodo- 
zhr nelles descrípções poéticas; e é o género epistolr 
quem nos faz contrabir um estilo conciso e puro. Conréoi 
igualmente dar folga ao espirito, Gom}iondo versos, nio 
digo 9 fazendo seguidas e longas poesias ; (o que só pode 
concluir-se no grande remanso da vida) mas ingenhosas 
e pequenas composições , que sirvam de dar uma espécie 
de conveniente distracção a outras quaesquer occupaçôet 
e cuidados. Verdade é, que a isto costuma dar-se o no- 
me de meros brincos ; mas estes brincos grangearo a& 
Diais das vezes nHo menor gloria, do que os escriptos sè« 
rios ; e por isso (porque te ufto exbortarei com venos i 
que facas versos) : I 

Assim como louvor merece a cera , | 

Quando, branda cedendo âs mdos, que a ageiUm, 

Delia, quaes desejais, resultam obcas* 

Minena casta já formando, ou Marte, 

Ou já de Chvpre a Deosa, ou já seu Filho: 

Assim como não só sagrada linfo 

O incêndio apaga, e vezes muitas serve 

Também para regar as flores, prados. 

De brandura convém igual por artea 

Assim dobrando vá, vá conduzindo 

Douta mobilidade o ingenbo humano. 

Por tal arte se exercitavam , ou deleitavam » ou vA« 
se deleitavam, e exercitavam os máximos Oradores, e 
os Varões probeminentes ; pois é cousa admirável o quan- 
to com taes pequenas obras o nosso espirito umas veies 
se forteGca , outras se recréa : Elias admittem o tratar 
de amores, de ódios, de iras, de compaixão^ de urlft- 



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( 195 ) 

nidade, de tudo emfiHi, que pode ter logar no correr da vidd« 
e ainda mesmo d aquelles assumptos, que se controvertem 
nos discursos do Fdro : Nellas se encontra a mesma uti- 
lidade, que nos mais versos; porquanto, desembaraçado» 
da necessidade do metro, folgámos então de escrever em 
prosa ; e a facilidade da comparação , que entre um e 
outro estilo se nos faz patente , nos dá muito maior gos- 
to para escrevermos. — Tenho-te dito muitas mais cou- 
sas , do que de mim exigias ; e ainda assim mesmo te- 
nho omittido uma delias ; pois te não disse o, que enten- 
do deves lér , postoque to tenha já dito , rocommendan- 
do-te o , que deves escrever : O que conv£m tenhas pre- 
sente sempre, é a cuidadosa escolha dos Autores de qual- 
quer género , que forem , lembrando-te do proloquio sa- 
bido: = Deve ler^se muito ^ mas não muitas cousas =. 
Quaes esses autores sejam , cousa é tão conhecida e fá- 
cil, que não carece de demonstração : aliás eu tenho-me 
nesta Carta estendido tão demasiadamente , que 1i«i rou- 
bado ao teu estudo o tempo , em que te tenho estado 
persuadindo o modo, por que deves estudar. Toma pois 
na mão a penna , e escreve alguma cousa ou seja sobre 
o, que te tenho indicado, ou sobre aquillo mesmo, que 
ja tinhas começado a escrever. — A Deus. 



Becebeo-se uma porção do Herbario comprado ao 
Sur. D.*^' Frederico Welwit^ch, que comprebende os Mus- 
gos. 

O Sur. Marquez de Bezende offereceo. pessoalmente 
á Academia , da parte de seus autores , diversos opúscu- 
los , que trouxe d'Alemanha ; a copia de dous manuscrí- 
ptos da Bibliotheca de Munich ^ mandada tirar por elle ; 



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(196) 

e m primeiras cineo i^om éã edUci» conplela das 
Ohm de Frederico II. Rd da PkiMía, feita fiar erdm 
do octual llooafcha daqueUe prâ , e por cAlc MiioAâ á 



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(197) 



DONATIVOS. 



Itevisla Militar. — Tomo 2.*— N.^» 7, 8 e 9 — 
Lisboa 1850 _ 8.** — 3 N.**'— Offerecido pda Direc^ 
çâo do Jorna!. 

Jornal da Sociedade das Seiencias Medicas de Lís^ 
boa. — 2.' Série.— Tomo 6.'— N.*** 5 e 6.— 8-'— 2 Nr 
— Oilerecido pela mesma Sociedade. 

Jornal da Sociedade Pharmaceuticã Lusitana. — > 
2.' serie. — Tomo i.* — N.'* 8 e 9. — 8.^— 2 N.^ — 
Oiferecido pela mesma Sociedade. 

Jornal de Pharmacia , e Scieneias accessorias , A 
Lisboa. — !.• serie — 3.* anno. — Agosto e Septembro de 
1850. — 8."— 2 N.?'— Offerecido pelo Sfir. José Te- 
deschi. 

A Razão — A Justiça. (Annotações sobre a poiliíi^ 
ca). Pelo Conselheiro António d'Oliveira Amaral Macha^ 
do. — Lisboa 1850. — 8.** — 1 exemplar. — Offerecido pe- 
lo Autor. 

Repertório cofnmentado sobre Foraes e Doaçiks Re^ 
gias. Por Francisco António Fernandes da Stlva Ferríe 
ctc— Lisboa 1848.— 8.*— Volumes !.• e 2.^— 2 
Tomos. 

Observações analyticas sobre as prinçipaes disposições 
da Novíssima Reforma da administraçào da Fazenda Pu* 
blica, estcbelecida pelo Decreto de 10 de Novembro dê 
1849 : dirigidas oe lll.'^ t Ex.^ SSt. Ministro • S^f 



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(198) 

creiario d* Estado doi Negócios da Fazenda^ António Jo- 
sé d'Avila , por Francisco António Feroandai da Silu 
Ferrdo etc. — Lisboa 1 8 i9. — 8.* — 1 exemplar. 

Analyse critica e juridica^ demonstrativa da impnh 
cedência dos argumentos com que^ íul Camará dos Sàikh 
res Deputados ^da Nação Portugueza^ foi msteftíada 4 
proposta de Lei Regulamentar do § 3.* do Artigo 1 i3.' 
da Carta Constitucional da Monarchia. CNferecida á Ci- 
mara dos Dignos Pares do Ueino , por Francisco Antó- 
nio Fernandes da Silva Ferrão etc. Lisboa 1850. — 8.^ 
— 1 exemplar. 

O Discurso do Ex."^ Sívr. Presidente do Consàh 
de Ministros proferido sobre a Questão da Imprensa , m 
Camará dos Dignos Pares em sessão de íí de Junho , 
refutado na parte que respeita á Analyse critica e jurUt" 
ca , publicada por F. A. F. da Silva Ferrão etc. Lisbc4 
1 850. — 8.* — 1 exemplar. 

Breves reflexões scòre o Projecto de Lei apresenteis 
na Camará dos Dignos Pares do Reino , pela sua Cooh 
missão especial^ com o Parecer N.^ 213 , datado de ii 
de Maio do corrente axmo. Por F. A. F. da Silva Fer- 
rão. — Lisboa 1850. — 8.* — 1 exemplar. 

Todas estas ultimas cinco obras forão offerecidaf; 
pelo seu Autor o Súr. Conselheiro Ferrão. 

Orçamento da Despeza do Ministério do Reino pa- 
ra o anno econonUco de 18S0 — 1851 , autorizado pelos 
Cartas de Lei de 23 deMho de 1850.— foi.— 1 >ol.- 
Mandado pelo referido Ministério. 

Annali di Fisica deliAbbate Francesco Cav. Zao- 
tedeschi. Fascicolo 6. Padova 1849 — 1850. — 8.*- 
1 N.° — Oflerecido pelo Autor. 

Glossaire Nautique. — Répertoire poly^lottt de ter- 
T^es de Marine anciens et modemes , par A. Jal. — P^ 
jis 1848.— 4."" grande •— 1 vol. — Qfferecido pelo Autor. 



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(199) 



rARA O MUSBU. 



Uma Corça deLoanda. — Offerecida pelo Sãr. Aim 
tomo Ribeiro Neves Júnior, 

Um Gato do mato, vindo d'Angola. — Offerecido 
pdo Súr. Conselheiro Joaquim José FalcSo. 



Tomo II. 17 



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( 200 ) 



JSSEMBLEÃ D-EFFRCTirOS DE 16 DZ 
OUTUBRO. 



Presidio o Siir. José Liberato Freire de Carralbo. 

Concorrerão á Sessão os Sâr/* Francisco Recreio, 
que sérvio de Secretario , António Diniz do Ck>uto Va- 
lente , Francisco Igoacio dos Santos Cruz, Francisco Pe- 
dro Celestino Soares , José Cordeiro Feio , Ignacio Ad- 
tonio da Fonseca Benevides, Fortunato José Barrd- 
Tos , Marino Miguel Franzini , Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto , Sócios Effectivos ; António Albino da Fon- 
seca Benevides, e Mattheus Valente do Couto Diniz, Sub- 
stitutos d'£ffectÍY08. 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Sócio , que sérvio de Secretario : 

1.** Uma Portaria, expedida pelo Ministério dos Xe^ 
gocios da Marinha e Ultramar , do theor seguinte : 



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(20i) 



Ministério da Marinha e Ultramar. a= Tondo o Go^* 
verno resolvido fazer explorar por Naturalistas as Pro* 
vÍQcias Ultramarinas , e especialmente os territ(H*ios con- 
tineutaes situados na Africa Occidental e Oriental: a^ 
sim o manda Sua Magestade , A Rainha , pela Secreta-* 
ria d*£stado dos Negócios da Marinha e Ultramari paf<^ 
ticipar á Academia Real das Sciencias de Lisboa , da 
qual espera, que como a Corporação scientifíca mais com^ 
petente , se promptiíicará a redigir as convenientes ins-* 
trucções, que em tempo competente remetterá a esta 
Secretaria dTstado; na intelligencia de que o Governo 
deseja , por meio de taes explorações , n9o só adquirir 
inteiro conhecimento dos recursos naturaes daquelles pai- 
zes, e dos melhoramentos de que são susceptiveis para a 
felicidade dos seus habitantes, e para o mais amplo des- 
envolvimento do seu commercio ; mas também prestar ao 
progresso das Sciencias naturaes aquelle concurso que se 
possa combinar com o fím primário das mesmas expio- 
raçries. Paço em 2 d'Agosto de 1850. = Visconde de 
Castellões. 



Determinou-se , que se reunissem as Classes » para 
cada uma , pela parte que lhe toca , dar cumprimento a 
esta Portaria. 

2."* Outra Portaria, expedida pelo Ministério do 
Reino , em 8 do corrente , remettendo á Academia o 
Projecto d*£statutos da Sociedade Agricola de Santarém, 
para sobre elle dar o seu parecer. 



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( 20â ) 

Foi entregue o Projecto ao Sfir.' Director di Classe 
de Sciencias Naturaes. 

A Classe de Sciencias Naturaes » por ordem do sea 
Director V o SQr. Agostinho Albano da SilTeira Pinto, 
apresentou o Parecer sobre os Estatutos da Sociedade 
Promotora dos melhoramentos industríaes do Districto de 
Bragança , acerca dos quaes tinha sido mandada ouvir a 
Academia , pela Portaria do Ministério do Reino , data- 
da de 28 de Septembro passado. 

Foi approvado o parecer, e assignoii*se a CodsqIu 
dt remessa. 



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( 203) 



SESSÃO LITTERARIA DE £S DE OUTUBRO. 



Presidio o Sftr. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrérlio á Sessão os Silr/' Francisco Ignacio dos 
Santos Cruz« que sérvio de Secretario, António Diniz do 
Couto Valente , Francisco Freire de Carvalho , Francisco 
Pedro Celestino Soares, Francisco Recreio, Barão de 
Beboredo, Ignacio António da Fonseca Benevides, For- 
tunato José Barreiros , Marino Miguel Franzini , e Agos- 
tinho Albano da Silveira Pinto , Sócios Effectivos ; An- 
tónio Albino da Fonseca Benevides , e Mattheus Valente 
do Couto Diniz, Substitutos d'Enectivos; António Maria 
da Costa e Sá, Sócio Livre ; Júlio jMaximo d'01iveira Pi- 
mentel , Daniel Augusto da Silva , e António Caetano 
Pereira , Sócios Correspondentes. 



CORRESPONDENCU; 



L.eo o Sócio cpe sérvio de Secretario: 

l."* Uma Portaria expedida pelo Ministério do R^^ 
o j em 23L do corrente i do theor seguinte : 



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(80*) 



Ministério do Beino. = 2/ Direcção. = 1/ Repar- 
tiçM. s= Tendo sido presente a Sua Magesf ade , A Rai- 
Dha, a representação de 19 do corrente mez, dirigida a 
este Ministério por parte da Academia Real das Scietn 
cias de Lisboa * e na qual era ponderada a urgente n^ 
cessidade do concerto dos telhados da Livraria da roesmi 
* Academia t e da betumiuaçSo do lajedo que cobre as 
abobadas das Galerias do Museu : Houve por bem , A 
mesma Augusta Senhora « mandar recommendar ao Ins- 
pector geral das Obras Publicas a breve execução daj 
obras de que se trata , que já anteriormente se tinhào 
mandado eflectuar. 

O que se communica á sobredita Academia, para 
seu conhecimento , e como resposta â citada representa- 
ção. Paço das Necessidades, em 22 d*Outubro de 1850. 
s= Conde de Thomar. 



2.* Uma Carta do Sflr. António Feliciano de Casti- 
lho , dirigida ao Secretario perpetuo , enviando-Ihe pan 
ser presente A Academia — um exemplar da Obra ron- 
posta pelo SlíT. Castilho com o titulo de Leitura refot- 
lifia, e pedindo o juizo da Academia sobre esta Obra. 

Foi entregue a Obra ao S&r. Director da Clase 
respectiva. 

3.^ Outra Carta do SHr. Marçal António acomfNínha»- 
do uma Memoria Analytiea sobre a resolução nkalhema" 
tica dos Problemas mais indeterminados do primeiro grài 
Merecida á Academia. 

MandoQ-se ao Sfir. Director da Classe^ 



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^ 



K 



( 205 ) 

4.** As Cartas , do Sfir. Dr. Welwitsch , abaixo traiH 
scriptas : 



Entreguei na Quarta Feira passada o resto da Sec- 
Çilo cryptogamica, comprehendo os Musgos em três Fas- 
ciculos. Correspondendo aos desejos de V. tenho a lion- 
ra de lhe remetter aqui junto una Conspecto synoptico- 
estatistico dos musgos, o qiíal mostrará a V. um acrés- 
cimo de 65 espécies para a Flora Lusitana , acbando-se 
por conseguinte o numero das espécies da Flora Lusitana 
do illustre Dr. Brotero mais que dobrado. 

Tendo d csfarte acabado com as duas Secções mo^ 
rocotyled^m^a e crfjptogamica , principiei immediatamente 
com a coordenação da 3.* Secçíio dicotyledonea , e tenho 
o particular prazer de poder jíi hoje apresentar um vo- 
luminoso caderno, que contém as Famílias AnsCisíoideas^ 
Dioseraceas^ Violáceas^ Frankeniaceas ^ Cucurbilaceas e 
MeseínbrtQrUhemeas. A entrega dos mais cadernos seguir- 
se-ha agora mais rapidamente, por já se acharem adian- 
tados alguns trabalhos preparatórios para isso. 

Achei muitos vegetaes bem raros e interessantes noft 
contornos da Lagda d'Obidos, que até agora ainda nSo tinha 
visitado nesta estacSlo , e proximamente apresentarei um 
SupplemeQto ás Algas e âsMorocotyledoneas, fructo desta 
minha ultima digressão ás Caldas da Rainha. Encontrei 
ao pé de $. Martinho umas amostras boàs de Gesso crys- 
tallísado ; no caso de ellas semrem para a collecçáo da 
Beal Academia , estão muito ás suas ordens , bem como 
alguns granados de ferro, que topei ao pé de Óbidos. =a 
Alcântara em 16 de Outubro de ISSlO.. 



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(206) 



CtfNSPccTVs STATi$nc€5 Mcscoftuji Hbebarii Floui 

Lc$lTANAe« 




EniÊmtratio fenemãnK 



AndraM Ehrh. 
Sphagnum Dílh 
Phascum L. 
G/mnostomiHii(iiichis. 

Bymenost.) 
Scbistidium BiidL 
Grimmia Ehrh. 
Cinclidolus P. B. 
Orlhotriclittm 
Weissia (BrjHiD ci^ 

rbaium ? ) 
Bicranum Hedw^ 
Ceratodon Brid. 
Tricbostomum Hedw. 
Barbula H. (c. Sjntri* 

cUa) 
Bryum Lin. Miend^ 
Mnittin Dil!. caou 
Bartramia Hedw^ 
Philonotis Brid. 
Fanaria Hedw. 
Poljtricbom Lin. 
Oiphyscium W. ei M. 
Hypnam Lin. 
Maschalanthus Scbuhy 
Leslcia He^w. 
Nftckera Hedw. 
Daltonia Hook. 
LeucodoQ Schwaeg, 



5«7 
Ôi9 
5tB 
555 

549 
54» 
550 
551 
55e 
56iO 
564 

6se 

568 
57£ 
575 
577 
580 



Spt€Íc» m 
Flora Lus> 
Brotcrai c 
numcrafa< 

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(207) 



Antitrichia Brid. 

Hookeria Sniith 

Fontinalis Lin. 

Octodiceras Brid. 

Fiasidens Hedw. 

Brjacea dobia quoad genus 

Muívi Flor. Lus.Brot. quoad genus mi- 




hi dubii. 



Summa 61 126 Spec.* 

Incrementum' Specierum Herb. Flor. Lusitanaes:: 65 Species, 



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( 208 ) 



Tendo acabado neste roonoento a coordenação du 
Famílias: Jagminea»j Oleaceas^ ÁDOcyaacecLS ^ Asclépio 
deas e GeiUianeas do herbario portuguez, tenho a hoon 
de remetter ^estcng cinco familias a W para assim pc- 
derem ser apresentadas ainda hoje á íllustre cominLssdi) 
dos Examinadores , junto com as mais famílias dicot}le- 
4oneas, que mandei na Quarto Feira passada. 

Espero que para a Quarta Feira vinda poderei maih 
dar a continunçílo dasDicotjledoiicas, pois já tenho pr<^- 
ptas duas famílias pertencentes ao fasciculo seguinte a« 
que hoje remetto. = Alcântara em 23 de Outubro <!e 
1850. 



A porçHo do Herbario entregue com esta uítírra 
Carta foi mandada submetter ao exame da Cmnniisâd 
creada pela Portaria de 6 d'Outubro de 1849. 



Nao se pude ler nenhuma Memoria, por ser new- 
«río celebrar neste mesmo dia uma Assemblea extraor- 
dinaria d*£ireclÍYos. 



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( 209 ) 



DONATIVOS. 



Jornal de Pharmacia e Sciencias accessorias^ de Lis-* 
boa. — !.• Série. — 3."* anno. — Outubro 1850. — 4.* 

— 1 N.** — Ofierecido pelo Silr. José Tedeschi. 

Leitura repentina , Meíhodo para em pomas lições 
se ensinar a ler com recreação de Mestres e Discipulos 
etc. Por A. F. de Castilho. Lisboa Í8S0. — 8.* — 1 wl. 

— Offerecido pelo Sfir. António Feliciano de Castilho. 

Programme du nouveau regime des grandes riviè^ 
res^ par Jean Gagliardi — Traduite de Vltalien. Lisbon- 
ne 1849. — 8.** — 1 exemplar. — Vindo pelo Correio. 

Mémoires de VAcadénie Impériale des Sciences de 
Saint Pétersbourg. — 6."" série. — Sciences Malhémali" 
quês , Plifsiques et Naíurelles. — Tome huitième. — Se- 
conde partie: Sciences Naturelles. — Tome sixième, S.*"*^ 
5."** et e.*^* Livraisons. — Saint-Pétersbourg. 1849.— 
4.** grande. — 2 vol. 

Mémoires presentes à VAcadémie Impériale des Scien" 
ees de St-Pétersbourg. Par divers savants « et lus dans 
ses Assimblées, Tome sixième. — 2.'"* et 3."® livraisons. 
St-Pétersbourg. 1848—1849.— 4.** grande. — 2 vol. 

— Offerecidos os sobreditos quatro volumes pela Acade- 
mia Imperial das Sciencias de S. Pétersbourg. 

Musée Botanique de M. Benjamin Delessert. Noti- 
ees tur les collections des Plantes et la Bibliothègue qui 



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( 2»0 ) 

U eamposení ; coníenmú en auíre de$ documms mr [» 
priticipaux Uerbiers d'Europe. Ei VexpoU dt% Vtxfqti 
enlrejpris daiu lintérét de la Batanique. Par A. Lasè- 
gue. Paris 18i5. — 8.^—1 fol. 

Théie pour le Doclorat en Médecine^ prémtétK 
êoutenue à la Faculte de Bíédecine de Paris. — Par Ra^nl- 
Henri Lero> dTtiolles, né à Paris, Docteur en Méd^ 
cine ele. Paris 1850. — 4.® — 1 exemplar. = Ambas k 
sobreditas obras forão offerecidas por seus aulores, e 
apresentadas pelo Sftr. I)r. Bernardino António Goroe^ 

E*sai sur VUisloire de la Cosnwgraphie et de k 
Cariographie peidant le mtjyenroge^ ei sur tes progris í 
la Géographie ele. Par le Vicorate de Saotarem. — To- 
mo 2.**— Paris 18S0. — S.**— 1 vol. — Offerecidape. 
lo seu Autor. 

Elementof do Processa eitiU por F. J. Duarte Xi- 
zaretkv Lt^Ue da Faculdade de Direito^ para uw de ím 
diãcipulos. (loimbra. 1850. — S."" -. — 1 vul. — OffereciJê 
por seu Autor. 

MRA o MCSEfJ. 

Uma Cadellff Spanear. — Offerecida peio SOr. Goi- 
sdbeiro Lourenço José Moniz. 



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(211) 



^SSEMBLEA EXTRAORDINÁRIA D' EFFECTIFOS 
DE 23 DE OUTUBRO, 



Presidio o Sur. José Liberato Freire de Carvalho. 

ConconrérSo á SessUo os Sur/' Francisco Ignacio 
dos Santos Cruz, que sérvio de Secretario» António Di- 
niz do Couto Valente, Francisco Freire de Carvalho, 
Francisco Pedro Celestino Soares, Francisco Uecreio, Ba- 
rão de Reboredó, Ignacio António da Fonseca Benevides, 
Fortunato José Barreiros, Marino Miguel Franzini, e 
Agostinho Albano da Silveira Pinto, Sócios ESectivos; 
António Albino da Fonseca Benevides , e Mattheus Va-> 
leute do Couto Diniz , Substitutos d'£ffectivos. 



O Snr. Director da Classe de Sciencias Naturaes 
leo o Parecer da Classe acerca dos Estatutos da Socie^ 
dade Agricola de Santarém, que tiabâo sido mandados 
á Academia para sobre elles dar o seu parecer , recom- 
roendando brevidade. 

Approvou-se o parecer, e assignou-se a Consulta 
de remessa para o Governo. 

O SOr. Director da Classe de Sciencias Exactas 
prqK)z , em nome da Classe , para Sócio Correspondente 
da Academia o Sfir. João Ferreira Campos, Lente da 1^* 
fiadeira da Escola Polytecbnica. 



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(212) 



SESSJO LITTERARIA DE 50 D' OUTUBRO. 



Presidio o SOr. José Liberato Freire de Carralho. 

Concorrério á Sessão os Sfír.** Francisco Elias R^ 
drigues da Silveira , Vice-Secretario , Francisco Ignacy 
dos Santos Cruz , Francisco Freire de Carvalho , Fraocl^ 
CO Pedro Celestino Soares , José Cordeiro Feio , kvtVm 
Diniz do Couto Valente y Francisco Recreio , Barão (k 
Reboredo, Fortunato José Barreiros, Ignacio Antooio h 
Fonseca Benevides , Marino Miguel Franzini , e Agosti- 
nho Albano da Silveira Pinto, Sócios Eflfectivos; Mat- 
theus Valente do Couto Diniz , e António Albino k 
Fonseca Benevides, Substitutos d'Efiectivo6 ; António Na- 
ria da Costa e Sá, Sócio Livre; Manoel António Ferra- 
ra Tavares , António Caetano Pereira , e Carlos Bonoet. 
Sócios Correspondentes. Assistio á Sessão o Sâr. Mari|uei 
de Rezende. 



MEMORIAS LIDAS. 



O Silr. António Caetano^ Pereira oontinnoa a ler % 
sua Metnoria sobre ainscripção whada em w)Ua daCnn 
de S. Thomé. 



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(213 ) 
O Síir. Marquez de Rezeude leo uma 



líemorla sobre quatro Cartas Geographicas antigas^ e ma^ 
mtscriplas em pergaminho , qut se achão no Conserva^ 
torto MUilar de 3Iappas em Munich. 

lia mais d'um anuo qne fiz constar á Academia 
Real das Sciencias de Lisboa , por entremeio do seu il^- 
lustre Secretario Perpetuo , que no Conservatório Militar 
ie Moppas em Munich existiâo quatro , mui antigos , e 
manuscriptos em pergaminho, es quaes« tanto pelas in- 
!^cri|)^ôes portuguezas e latinas dessiminadas em todos el- 
les , coroo por outras não menos interessantes indicações 
que contém, em referencia aos nossos Descobrimentos t 
Dorainics Ultramarinos , me pareceo que talvez valessem 
a pena de ser copiados por couta desta Academia. Não 
tardando ella em manifestar-me , pela mesma via , o de^ 
sejo de ver e examinar primeiro as mencionadas inscri- 
pçoes para depois tomar, com perfeito conhecimento de 
causa , uma conveniente resolução » lambem eu me ndo 
demorei em pedir á autoridade competente a licença, 
que facilmente obtive , para se poder tirar aquella copia. 
Acontecendo, porêro, qne os ditos Mappas se achassem, 
a esce tempo, em poder d'um artista que se encarregara 
de resta ura*los , e que este traballio difficil , que só em 
fins de Julho deste anno pôde concluir-se, permitisse 
apenas que eu pòdesse terminar o meu mui poucos dias 
autes de me pôr a caminho. para este Reino, só hoje me 
é possível dar conta ft Academia daquella commissdo, 
que muito folgaria de ter desempenhado bem, em seu 
serviço. 



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(2t*) 

Os Mappas de que se trata , e àoê qaaes o Profef- 
mr Hoefler deo, nos N.^' 116ell7do }omài intitu- 
lado = Gele/irte Anzeigen=f Annuneios SciefUi/ica$ ^ fi^ 
blicado pela Academia Real das Scimcias de Munich, 
uma pouco exacta e mui defficiente notícia , estão deli- 
neados em grandes folhas de pergaminho de differcotes 
dimensões, e ornados de ricas e curiosas illuminuras que, 
logo á primeira vista , mostrào ser obra romana do co- 
meço do decimo sexto século « e, por assim dizer, ader- 
no obrigado dos manuscriptos d'iroportancia destinada 
ás personagens de maior consideração, naquelles tempos. 

G)mo no fim do 1/ Mappa, que é o que cootèis 
mais e melhores illuminuras , se lêem as seguintes pala- 
vras = Salvat de Palestina en Mallorques en lãy MDXI = 
deo isto motivo a que, no catalogo (hoje impresso) è 
Conservatório , onde estas Cartas Geographicas estBo de- 
positadas f se desse aquclle individuo por autor de tr» 
daquelles Mappas, o primeiro dos quaes é muito mais 
antigo do que aquelle era ; marcando-se o sobredito «d- 
no como data da feitura delias, sem reparar que no m«&- 
mo Mappa, onde estão escriptas as palavras que citei, vêm 
Constantinopla indicada como Corte do Império Greg« 
que acabou em 1453. Fazendo eu esta observação m 
General Van den Mark, Director daquelle Estabelecimen- 
to, disse-me que, tendo visto aquelles Mappas n'um can- 
to da Bibliotheca Publica de Munich , e tendo-os recU- 
mado, como objectos que mais propriamente deverilo 
pertencer ao Conservatório das Cartas Geographicas, w 
fizera, todavia, grande caso destas senão depois qae 
o Instituto de França pedio licença para as fazer copar, 
o que tivera logar poucos mezes antes desta conversação. 
Não é menos notável que o Professor Hoefler, pondo em 
problema , que não rcsolveo , como promettéra , em (f^ 
tempo serião reaimenle feitas a$ referidas Cartas Geo^^ 



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(215) 

jflhièaà f se limitasse a mencionar a obserfaçSo vaga do 
Professor Fafel de Stuttgard, o qual, vendo aquellas Car-* 
tas , disse que lhe parecia que o autor seguira na deli^ 

neação delias um roteiro antigo , por elle publicado ha I 

pouco tempoi. Menos versado n'aquella matéria do que o j 

Professor Fafel , nio ousarei impugnar o seu , bem que 
vago , e algum tanto precipitado parecer » abalançando* 
me apenas a> dizer que as InscripçOes, sem duvida seten« 
ta annos mais recentes, do que as Cartas Geographicas que 
delias estão semeadas, forUo, a meu ver, traçadas por 

mâo portugueza , e que Salvat de Palestrina , cujo nome | 

se acha na primeira, e que provavelmente foi natural da 
Cidade do seu appeÍIido« nos subúrbios de Roma, onde 
na era , também allí marcada , floreceo a pintura d'illu- 
minação , que o nosso Francisco d'011anda de lá trouxe 

a Portugal , foi tSo somente o artista que fez os debu- i 

xos que adornSo aquelles Happas , cuja magnificência , 
bem como a designação que nelles vem exarada da Ilha 
de Maiorca , me induzem a crer que fossem offerecidos 
a Fernando V o CatMico , passando depois da sua mor- 
te para Carlos V, que , talvez , os enviasse ao famoso 
Cosmógrafo Conrado Peutinger d'Augsbourg , que muito 
ajudou este Príncipe nas suas emprezas maritimas, e cu- 
jos thesouros scientificos , e litterarios , vindo a cahir nas 
màos dos Jesuítas, onde infructuosamente jazerão por es- 
paço de mais de dous séculos , viessem , em consequência 
da abolição daquella celebre Sociedade, augmentar a col- 
lecção de raridades = Cimelien Sanunlung = annexa á 
Bibliotheca Publica de Municb , formada em grande par- 
te dos despojos opímós das duas Cidades Irmãs ^ Augs- 
burgo e Nuremberg. 

Tendo exposto as conjecturas que fiz sobre estas 
Cartas Geographicas de que fallo , e Hsongeando-me de 
que estas supposições tivessem a approvação do Doutor 
Tomo II. 18 



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(216) 

Sdiemener « e éo Bar3o Máximo de Fretbei^, Joizf» 
competentes de Iodas as questões archeologicas , passa- 
rei agora a fazer a descrípçâo de cada uoi dos quatro 
Mappas em separado* 

O 1.*, que é o mais inferessanle , e o menos toIb- 
moso , eoroprebeode toda a Europa , a parte anterior da 
Ásia , e a Africa até ao rio de Gambia. Ingiaferra , L«- 
rocia , e Irlanda , achâo-se ali apenas designadas pelos 
seus respectÍTos Escudos d armas. Na Pemnsnki Scandi- 
naria nâo se ?ém lirazues: e no desenho da Costa ^ 
Báltico notâo-se muitos c nâo pequenos erros. Ilespanha. 
França, Alemanha* Hungria, Polónia e Bohemia iinn 
das : Rússia , e Tartaria , estão pcrsonalisadas nos retra- 
tos dos Soberanos que no começo do século decimo seito 
reinaYío naqnelles Estados, e pelos respecli?os Esci»i<« 
d armas. DiHerentes bandeiras e debuxos de Cidades s^ 
«nalão Barcellooa , Avinbão , Genera , Veneza , e Itomâ. 
Varias outras bandeiras farpadas cobrem Sema no AdrÍ2« 
tico , Raguza , e Thessalonica. A ilha de Córsega \m 
indicada como domínio GenoTez , e es de Sbiorca , Sar- 
denha , e Sicília coroo possessões aragooezas. Os ArriíH 
pélagos do liar Negro e do Mar d'Ajoff escritos com a 
maior perfeição. Nem uma tó das oitenta ilhas de que o 
Mar Egeo dos antigos está lageado deixa de vir ali ír- 
díeada ; drcunstancia tanto mais» digna de notar-se, quan- 
to é certo que não se acha , pelo menos , eu ainda v^ 
tí um único Mappa moderno onde estes cardbmes de ilhas 
estejâo tão Geimente reh-atados. 

Sobre o já então grande empório de Gaiata , e por 
cima de Tana , e Sarastropoli , f ên^se como agitadas 
pelo vento, as bandeiras da famosa Republica mercaiitil 
de Génova ; e sobranceiro ao Bosforo de Tbracia, appa- 
rece ainda brilhante o Estandarte Grego Byzantioo solire 
Trebisonda, e Constantinopla. Á entrada do golfk^ de Ma^ 



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( 217 ) 

ri, Rhodcs; também ainda ChrislSl, e inimiga do {íocíçr 
)ihomano , ostenta, a bandeira dos Gavalleiros de S. Jo&d 
[e Jerusalém; A ilha de Seio está amparada da bandei-^ 
a gcnoveza ; e p Turco constírva-se iridolente na Asiá 
leiior. Sicília , Chyprci ; e outras muitas ilhas da Euro- 
a , est^ò designadas 4 nào sei bem poi*qiie , com tintai 
e differentes cores , que nao òori-espondem ás que mar- 
ão os Estados , dé que cada líma destas ilhaá erão per- 
enças naquella época. r ■ 

Na Africa víra-sé os retrato« do íreste JòSo dá 
ndia , do Rei (l*Urgaha , do Rei de Núbia ,. do Rei dd 
xuiné , e do Soldao de Babyloriía. É iiotavéí que a fi- 
;ura do penúltimo se pintasse ali tao alva como d àoà 
iuropeos. Uma bandeira verde com flammuía está sobre 
I Cabo Bojador. Duas bandeiras Portuguezas cobrem Tar- 
ra ; e Ceota. Unia bandeira Castelhana está sobre Me-*' 
illa ; outras em qué sé vé iima espécie do qiie vulgar- 
nente se chama Sino Samàp estafo sobre Argel , e Zedi- 
•ho nas Syrtes: Uma bandeira afagoneza cobre Bugia : 
\$ duplas meias luas Othomanas' cstáo por cimfa de tu- 
les , e uma só meia lua ésti junto a Capis. Tripoli es- 
á debaixo d uma bandeira aragoneza : outra bandeira; 
)ranca com franjas aziíes còbrè Colometa ; e (ima só meia 
ua sobre um ponto que ali vèm designado LuchOj que 
láo emrotitrei em Eíiccionarròf algum' Geographico. Ao' 
)cste apenas vem notadas as ilhas dos Açores , as 
lanarias , e Cabo Verde « Iodas debaixo da bandeiraí 
^ortiigueSza. Detraí àalslatidia vè-se apparecer aZc/an- 
\ia ; e t no meio de^as^ ilhas / dua^ designadas pêlos no^ 
oeí de Porlandia^ e Neomaí Ao Oeste de Islândia vêm' 
«arcado o Brasil ; (í àifnda mais ao Oeste, entre o BraE- 
il , e a ilha Terceir(i \ vém descri pta uma denominadaf 
}íaydj. Está depois a iuscripção, em que já fallei, co»^ 

i8 * 



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(218) 

tendo as seguintes palavras : Salvai de PáUstrina tnMd^ 
l&rqM9 en láy MDXI. 

Differentes notas históricas marcão o descobrimento 
da embocadura do rio Gambia em 1 446 « a união da 
Bohemía com a Polónia no reinado de Casimiro IV eo 
1437, e no de Ladislau ^m 1471: a independência de 
Trebisonda em 1461 , e a de Constantinopla em f4S3: 
a perda « que os Genovezes experimentarão da ilha de 
CafFa em 1477, e da de Seio em 1566 , por onde se ^t 
que estas ínscripçdes^orlo , como já disse , feitas poste- 
riormente ao desenho do primeiro Mappa. 

A parte deste em que se achio descriptas as co^ 
do Mar Negro, do Mediterrâneo, e do Oceano, tem sb 
valor muito mais subido. Não ha uma só ilha , un !» 
.porto, por roais pequeno que seja, um rochedo, oura 
banco de aréa , que ali não esteja exactamente marcada 
o que me Taz crer que esta Carta foi feita para use d>H 
navegantes. Seria para desejar que a grande quantiddr 
de nomes que ali se acbão escritos ao longo das rrfcri- 
das costas fossem maduramente examinados , e attenU- 
mente comparados com as datas conhecidas. 

O segundo, e para nós sobre tudo, mui íntarss»»- 
te Mappa presenta o quadro dos descobrimentos e dii 
conquistas dos Portuguezes na Costa Occidental d'Afría. 
•desde o rio de Manicoiigo até ás Malucas, achando-^e 
apontadas onde não tocarão os nossos , notando-se cm 
outros sinaes as terras onde ellesforão; indicando o$ tra- 
ços de côr verde as distancias que elles percorrerão m 
Sertão , não sendo , todavia , mui claro , se a côr asi 
marea as possessões Portuguesas, e a vermelha os Doe^ 
níos dos Turcos. 

Lè-se neste Mappa o nome de = Vasco =, eachí»- 
do*se ali apenas indicada a Costa de Bengala , o uUis» 



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. ( 219 ) 

iugar na G)sU d'Africa'que nelle vem notado é San Cch 
fuca. 

Vem marcado neste ífappa todo o Mar Vermelho , 
e parte do Pérsico. Todas as Costas , todos os bancos de 
arêa , e todos os escolhos , achão^^e igualmente ali nota- 
dos com a maior exacçSo. Os estabelecimentos dos Por- 
tiiguezes estfio indicados com as nossas bandeiras. Este 
Mappa' tem cinco pés de largo. 

O 3.^ Mappa iem também bastante importância pe- 
lo que toca â Africa e á America. Na Costa Occidental 
da índia \è^%^ = Aídilha$ de CasteUa = f marcando^se 
no Continente Americano a parte da Costa que corre 
do Cabo de Santa Maria até ao Cabo Mosquito. Vem de- 
pois um espaço em que apenas sevé notado com côr ver- 
de um pequeno território para a banda do Norte , reco- 
nbecendo-5e bem d isti neta mente a Costa da Florida» e 
atrás delia está uma inscripção que dÍE=: Terra di mini.= 
Depois d'outro espaço totalmente em branco para a ban- 
da do Norueste , tornSo a v<)r-se traços verdes , um com 
direcçlk) ao Norte , outro para a parte do Oriente , e na 
extremidade do primeiro traço , qqe fica para o Sul , le- 
se a seguinte nota = terra que foi descoberta par ber- 
tomes = dando-se , n'outra inscripçuo , a esta mesma 
terra a denominação de = Bacaluaos =. Vem depois a 
inscripção que se segue : =s= terram istam Gaspar corte 
Regalis portugalensis primo invenit et secum tulit homi- 
nes silvestres et ursos albos. In ea este máxima multi- 
tudo animalium et avium neç non et pescium , qui anno 
sequente naufragium perpessus nunquam rediit * símiliter 
et fratri ejus roicaeli anno sequente contigit=. Sobre o 
outro traço lèm-se estas palavras = do Lavrador =c=» e 
detraz desta nota está a seguinte — terram istam poctu- 
galenses viderunt atamen non intraverunt — . 

yem neste Mappa indicado o ktbmo de Panamá, q 



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( 220 ) 

Alfitn dclle , ^o lado do Occidente , vém-se naríos , e lé- 
pe uma iascriçao que diz — Mar ^ísto pelos caslelhaor^! 
: — E ao sosla jo lô-se : ^- Brasill — , e a inscrípç^o se- 
guinte: — hanc terra («ic) mapis australiorcin brasilli 
ligno quod ab ea copiose defertur Duncupatara case &< 
fmiiiiuelis portugalie regis intentam anno salutis ISt^*. 
Contingenf vero occidentalis aim suis insulis ãdjnceni- 
bus colombus Jaiuiensis auspiiio Ferdinandi et elízaln 
jCastelle regum uobis cognitum fecit anno partus >ir2:iv. 
1492. In Utreque earum virí simul et femine noo alíter 
quam qos mater peperit ire assueverunt. In eis arb^n^. 
herbe , animalia » abesque que nostris dissimiiles qiua 
(sic) solu3 Ysidorus ethvmol. libr. 14 c. 5 memorat á* 
pens €;xtra tre3 autem partes orbis quarta partes st 
trans occianum interior este ín meridie que soHs arcuR 
liobis incógnita est etç. -— . 

No Mappa da Ásia estSo marcadas, para a parte è 
Oeste varias ilhas com a nota seguinte : — ilhas de is»- 
luqua dopide vem lio crabo — . Ao norte destas ilha» e^ 
tá marcado um grande pedaço de terra e as ilhas luffr^ 
f(U e k^baliani(Â$9 bem come as do Japão, debaiioii 
liome da de Chis que não é a principal, 

A Ásia Meridional está exactamente descripta r^ 
t Costa da China (a ilha Cabe é a ultima roencionaJ: . 
^tando todo9 os dominioy Portuguezes indicados cosr : 
iiossa bandeira. Designão-se, entre estas ilhas, a de(> 
inalara , as ilhas dos Gao$ (como pertença de um esb.'i 
diverso daqu^lle a que estava annexa a ilha de Jau , 
Simbaba ; a ilha do Fogo, e Ceilam, indicada como p 
^uctora do ouro. Vem depois Malaca 9 Cosmini , Beoo 
ía , indicando-3e , em vez do Ganges , o rio Bramap^ 
f |ija corrente vem marcada do Norte ao Sul. Seguem fi- 
ra o Oeste Cochim , Calecu, Anor, as Ilhas de Gii 
Çg^ldiu, a formosa e áurea Ormuz e Babarem, U)à 



rS 



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(221) 

cobertas com bandeiras portuguezas. Â parte interior da 
Ásia, a Pérsia e a Mesopotâmia estão coDfusameDte des- 
criptas , não se distinguindo mais do que os sinaes que 
indicâo o curso dos rios, e alguns traços verdes. Vê-se 
neste Mappa a bandeira Othoraana já erguida sobre a an- 
tiga Corte do império Bysantino. Uma bandeira imperial, 
que tem no centro uma Águia em campo de ouro, está 
arvorada para a parte da Rússia , que ali vem designada 
pelo nome de — Uroda. -^ Outra bandeira imperial on- 
de se lê -r^ Alemanha — ^ está ao Norte de varias regiões 
denominadas Filape^ Poilalant^ Cujelant^ Umalant^ Siíe- 
tia , GalHa , e Noroega. Em todos os outros pontos po- 
de dizer-se que a E^^ropa está neste Mappa situada cor-^ 
respondentemente á Ásia e á Africa. 

Do lado da Africa estão as oito inscripções seguin-^ 
tesi a saber: 

Para a parte do Occidente 

1.* s=: Athlas mons major qui cum ceteris montibus 
»ibi junctis vulgariter montes claros, In quibus roaxime 
populationes et civitates et maxime belatores per valles 
islius montís. Sara (ceni) et susmanri vadunt mercatores 
3d terram Regis meli pro auro nec non ad civitatem suara 
ianctam mecham3=. 

2.* = Kex roeli dominus quoque guynee et zeneguey 
K)tens est valde propter habundanciam auri quod ibi in- 
'enitur ethiops niger et crispus cum omni populo suo et 
Dohagietaous ==, 

3.* =sc Bex organa potens et amicus christianorum 
lellaque continue gerens contra árabes vel potius alaibea 
ilvestres et contra regem nubie habundant in dactitis et 
uro ; terra que sua quasi tota est areuusa. Ethiops lúgoç 
um amni populo suo =^, 



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( 222 ) 

l».* e= Bei nnbie potens valde et male fame bn- 
quam semper qui belat ChristiaDos abassinos. Ethiops dÍ' 
ger cum omDi populo suo. ■==• 

Para a parte do Norte, e ao lado da 1.* nota está 

5/ =cr Soltan rex egipti babilónia cajrí poteotíssi- 
miis et dominus multanjm gentium et terrarum seu esi- 
pti terre sancte et civitatis lehurusalem (sobre a qusl 
tremula a bandeira de Génova) et mecbe Ârabie felicis 
deserte ac petre. — . 

Á ilharga desta, e sobre o mar vermelho lé-se a 

6.* — llic 61ii israel ex egypto sicco pede pertrai* 
sierunt maré islud rubrum dicunt quod abei aliqua lit** 
ra rubra et teropore tempestuoso maré islud efiicitur ai« 
quantulum rubrum a quo et nomeu sortitum est.— 

No meio está a 

7.' — Rex abissie potentissimus et christiamis h- 
bens sub se reges et duces cujus dominium se exteodet 
usque ad rubum ex una parle et altera usque ad protia- 
ciam magnam manicongo quam nos falso nomine yncma 
presbiterum Jeanem dimique Indie (sic). Ethiops aiger el 
crispus modicum tendens e albedinem*— . 

A ilharga da Bahia de Guiné lè-se a 

8.' — Manicongo provincia maxime qoe auspicio Ji- 
tí Regis Joanis Portugalie , fuit inventa. Cujus rex 3o- 
diens virtutes dtcti regis volens que ei cotiformari io oio- 
liibus fecit se et populum suum baptizari ciu Rei Foc' 



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( 223 )' 

tugalie demmisit máxima dona et etíam eaque ad Gdem 
pertinent ditissidm nec non sacerdotes et religiosos etc. 
hec província habet magna deserta arenosa. In quibus 
degunt per maxime serpentes. Ethióps niger cum omni 
populo suo , proximis vero annis habuit beiium cum rege 
abassie Christiano=. 

Quando eu, debaixo de uma das mais medonhas 
trovoadas que vi em Munich , copiava estas ínscripções 
no Conservatório Militar dos Mappas , n9o pude , apesar 
da granou impressão que me fazem aquelles phenomenos, 
deixar de me rir , considerando que , no Século dos Me- 
dicis f em que brilhérSo os Aldos , os Bembos ^ os Sado- 
lets » os Erasmos , o nosso Osório , e tantos outros justa- 
mente chamados Ciceronianos , houvesse um homem , tão 
desamparado das Graças Latinas , que escrevesse em la- 
tim tão macaronico. 

Tornando a tomar o fio do meu discurso, direi que 
o 4.° Mappa , que tem de três a quatro \)é% de compri- 
do , comprehende o espaço que vai do Polo Artico , ou 
antes da região ali denominada Engronelant , até á pon- 
ta meridional da Africa, e desde a Costa Oriental da Afri- 
ca até ao rio do Infante. A Leste está indicado o Sino 
Arábico : ao Oeste estão marcados alguns pontos do Bra- 
sil desde o Bio de Camanca até ao Cabo de S. Boque. 
^'ão se encontra ali a, menor indicação da índia Occiden- 
tal , salvo a America do Norte , que vem designada pelo 
nome de = terra de corte reall ac:, nome do famoso na- 
vegante Portuguez que a descobrio, marcando-se todos 
os pontos onde elle parece ter tocado desde o Cabo da 
Conceição, que fica ao Sul, até á Bahia de Santa Cyria 
(Lúcia naturalmente quiz dizer). Cabo de Santo Antomo^ 
Jtio da Rosa , Frei ímíz , Ilha eneorporada , e Baixoê 
do nuio. lambem vem descripta parte da Groenlândia, 



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[221] 

IM^rísmente dita» o Ccibo de Miram$ e Lexame^ eCuh 
do E$pirUo Soneto « e o Cobo de S. Paulo^ 

Estão também marcadas com grande eucç^o, e 
curregadas de nomes próprios, as Costas 4a Europa, Ásia, 
e Africa. Do lado d'Oeste esti esta Carta Gcographia 
traçada de maneira a poderem roarcar-se iiella os desço* 
briraaotos modernos dos Portugueses na America , e n^ 
Africa, A meu ver , este Mappa deve ter sido traçada 
autcs do celebre tratado de Tordesilhas. 

Tenho concluído a descripção dos quatl^ Slappss 
existentes no Conservat(n'io Militar de Munich ; e m 
posso deixar de exprimir neste lugar o sentimento quf 
tenho de que elles não hajdo sido ainda bem examinadi! 
per varias pessoas intellígentes na matéria, as quaes, co- 
tejando-K^s com um Atlas manuscrito sobre pergaminbo, 
que se acha no Bibliotheca da Universidade de Munich. 
e com o bello Mappa-Muodi, tambçpn n^nuscrito, e fei- 
to em 1506, que se acha na Collecçâo de raridades aa* 
nexa á Bibliotheca Publica de Munich, adiantassem cm 
perfeito conhecimento de causa mais algamas obsenaçiíe& 
ia que ficão expendidas nesta Mçmoria, 



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(225) 



pONATIVOS^ 



Tables de$ Comptes rendas des Séances de VAcaãia 
pite des Sciences (Instituto Nacipnal de França]. Deuxiè-? 
me semestre. 1849. — Tomo 29. — 4.'' grande,— 1 
yol. 

Chmptes rendus hebdomadaires des Séánces de VA-^ 
cadémie des Sciences. — 1 850. — Deuxième semestre. — 
Tomo 31.— N.*" 1, 2, 3, 4. e 5.-4.*'— 5 N.^' — 
Ofierecido pelo sobredito Instituto. 

The Journal of the Roycd AsicUic Society of Great 
Briian et Ireland. — \ol 12, Parte 2.* — London 1850. 
8.** — 1 vol. — r Offerecido pela Sociedade Real -Ciática 
|ie LoDiires. 



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(226) 


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Calor intenso. 

Idem. atmosphera vaporosa.. 

Idem. 
Calor intendo ; apparencia de trovoada. 
Idem. 

Chovisco de noite.— Extremos do dia, frescos. 

Ar muito «secco. 
Vento tempestuoso. 

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Ventos do- 
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2— Dia5csqwch0f»2. 
tiãét 9 aílinrtras.qwé mtimI à 
éeAc ws — NevcKvo 1 — Dias àt 
I fioloi» 10. 




OifCBlostCBpafaiOsosdoX* que soprârio de Id 
j 13, caasáite Bailas desgraças e avarias no Tejo, sn- 
caodo ao mesmo tempo as Mhas das arvores e daspbt- 
tas. 



MarUãiãadê em LUboa. 



Sexo masculino— 193 maiores — 181 menores — tot. — 37i 
Dito femioíoo — 181_ ditos — 151^ ditos — dit — 332 
Sommio 374 ditos —332 ditos _dít— 706 

Em cajo nmnero se compreheodem 318 fallecidM 
pos bospitaes , sendo 149 menores procedentes da Mh 



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( 231 ) 

^ericordia , ou dos que se depositSo nos adros das fgre- 
as , sendo por consequência a mortalidade ^deste mez 
]uasi igual á normal, excedendo-a porém em 6 oente-^ 
imos. 



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Calmo»). — Relampeja a noite. 
Calor intenso — apparencia de trovoada. 
Idem. 

Idem. 
Atmo^phera vaporosa , e calor intenso. 

Idem, Idem. 
Idem. 
Madrugada fretica. 
Idem. 


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Estado da Atroosphera. 


Chuva abund., e forte trovoada com alg. raios. 
^ Trovoada remoU que se desfez. 

Sol ardente. — Trovoada remota ao SE. 
Chuva abundante e serena de tarde. 

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ftSSULTAlK) BAS 0BSBRVAÇÕB8 DO MEZ DE 
SETEMBBO DB 1850. 



Tempfiraturas^ 

Mínima a 26 do mez 54^ 

Máxima a 5 e 6 92 

Media 68 J ^ 

Variação med. diurna . . 16,3 
Máxima dita a S 25 

BanmêlTo m tp.* de 63* 

* 

Máxima altura a 28 do mez TGi.S'^ VariaçSo 

Minima a 15 7S0,6 > dos extrenfoi 

Media 757,73 13,9 m. 

Ventos dominanleB e tua força. 

1,1 0,5 . 0,2 0,6 0,3 0,2 

N,18= N0,7 = 0,4 = SO,U ==NE^ =E,l 

0,2 
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B=:]}írecçSo media do vento dominante N 49*0 (0,7). 
e=B Meios dias ventosos 12* 

Eãtado da Àimo^hira^ 

Meios dias claros 34 — Claro e murens 4 — Cebertoi 
7 — Cobertos e clarões, 9 — Dias em qae choveo 3» 
fornecendo 73 miilimetros de agua , ou o duplq da chu- 
va normal deste mei: porém cahinda acctimufada em 
duas grandes porções por effeito de trovoada , e por isso 
mal distribuida no solo , extremamente seec» pelos cakn 
res do estio. — Trovoadas duas a 14 e f 5 — Duis de ca- 
lor notavd 14, contando-se 6 mui intensos^ 

Moríalidadê em lAAom. 

Sexo masculino— 191 maiores-^l 37 menores — tof. — 328 
Dito feminino — 175^ ditos — ^135^ ditos — diU — 310 

Soromfto 366 ditos —272 dites — dit. — 6%^ 

Em cujo numero se comprehendem 284 fallecide» 
nos hospitaes , sendo 119 menores procedentes da Mi- 
sericórdia , ou dos que se depositHo noa adros daa Igre- 
jas, e por tanto % mortalidade quasi igual á normal, ei« 
cedendo-a somente em quatro centésimos. 



M. M. FnuvÂm^ 



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Calor violento , e atmosphera carregada. 
Pequenos choviscos. 

Idem inapreciáveis. 
Muito tépido e húmido. 

Idem. 
Pequenos chavÍKOs. 
Chuva abundante todo o dia« 
Nevoeiro matutino. 
Calmoso, e sol ardente. 

Idem. Ideo), 
Muito fresca 




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Pequeuas chuviscos. 
Aguaceiros brandos. 
Idem. 

Aguaceiros ÍDapreciaveis. 


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Baromtín m Ip.* <Ie 63* 

Maxina alton a 28 764.4'} Variacio 

Miuima a 23 . . 748,5 > dos extremoi 

lledú. 756,53 15,9 m. 

Fentof domnmUs e tua força. 

0.7 0.6 0,6 0,2 0,2 ú,6 

K.22= NO,U = 0,2 = S0,2 =S,1 = NE,(» 
0,2 0,5 
E,3«::S£,7— VgaB^ 



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E= Directo media do vento dominante N 2*0 (0,6]^ 

— Madrugadas bonançosas 17. 

E= Meios dias ventosos 7. 

B= Breve tempestade de NNO a 21. 

Estado da Àtmosphera. 

Meios dias claros 2S — Claro e nuvens 4 — Cobertos 
10 — Cobertos e clarões , 5 — Dias em que choveo 9 , 
incluindo 3 de pequeuos chuviscos , fornecendo na tota- 
lidade a diminuta quantia de 44 millimetros, que equi- 
valem a metade da chuva regular correspondente a este 
mez — Nevoeiros 2-^ Dias de calor notável 4. 

Mortalidade em Lisboa. 

Sexo masculino— 193 maiores — 132 menores — ^tot. — 325 
Dito feminino — 195^ ditos — 136 ditos — dit.— 331 

Sommão 388 ditos ---268 ditos —dit— 656 

Em cujo numero se comprehendem 285 fallecidos 
nos hospitaes, sendo 118 menores procedentes da Mi- 
sericórdia , ou dos que se depositdo nos adros das Igre-* 
jas, pelo que a mortalidade foi quasi a normal, exceden-« 
áo^à somente em quatro centésimos. 



Jf. M. Franzini^ 



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ACTAS 

SESSÕES 

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IlCADEMIA WÍEMMa OAS SCIEIVCliUI 

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LISBOA. 
1850. — N,* n 



SESSJO LITTERJRU DE IS DE NOFEMBRO. 



Presidio o SiSr. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrèrio á Sessfto os Sftr.*' António Diniz do Coa^^ 
lo Valente , Joío da Cunha Neves e Carvalho Portugal , 
Francisco Freire de Carvalho, Francisco Ignacio dos San- 
tos Cruz , Francisco Pedro Celestino Soares , Francisco 
Recreio, Ignacio António da Fonseca Benevides, Fortunato 

Tomo II. 21 



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(244) 

José Barreirod , Marino Miguel Franzíni , Agostinho Al- 
bano da Silveira Pinto , e Francisco Elias Rodrigues (b 
Silveira , Sócios Eifectivos ; Mattheus Valente do Couto 
Diniz , e António Albino da Fonseca Benevides , Substi- 
tutos d'Efiectivos ; António Maria da Costa e Sá, Sócio 
Livre; José Maria Grande » e António Caetano Pereira, 
Sócios Correspondentes. 



MEMORIAS LIDAS, 



O Sflr. António Caetano Pereira acabou de ler i 
sua Memoria sobre almcripçào achada em voUa da Ou; 
4e S. Thomé. 



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(i»5) 



1X)NATIV0S^ 



ítevUta Miltlar. — Tomo 2.**— N,** lO.^Outu* 
ro de 1830. — Lisboa. — 8."— 1 N." — Olferecido pe*# 
Direcçào do Jornal. 

Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lis» 
m. — 2.* sérií».— Tomo t.^ — N.** 7. — Meí de Juihd 
t> 1850.-8.°— 1 N." — Offerecido.pela mesma So- 
ledade. 

Jornal da Sociedade PharmaceiAticã Lusitana. -•^ 
.«série. — Tomo l/_N.MO — 8-"— 1 N." 

Jornal de Pharmacia , e Sciencias accessorias , de 
isboa. — 1 .' série ' — 3.** anno. •— Novembro de 1850. — • 
.** — 1 N.* — ORerecido pelo Sfir. José Tedeschi. 

Noticia Biographica do D" José Francisco Valora-» 
), pelo D.*" José Maria Grande. — Lisboa 1850. --8.* 
- 1 exemplar. Offerecido por seu Autor. 

Ensaio Biographico^Critico sobre os melhores Poe^ 
is Portuguezes. Por José Maria da Gosta e Silva etc. — ' 
omo !.• — Lisboa 1850. = 8.**— 1 vol.— OÉferecià^ 
)r seu Autor. 



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(246) 



ASSEMBLEJ EXTRAORDINÁRIA D' EFFECTim 
DE 18 DE NOFEMBRO. 



iPresidio o SOr. José Liberato Freire de Carvalho. 

ConcorrèrSo á Sess&o os Sllr/' AotoDÍo Dimi è 
Couto Valente , João da Cunha Neves e Carvalho Ports- 
gal, Francisco Freire de Carvalho, Francisco Ignacio i» 
Santos Cruz, Francisco Pedro Celestino Soares, Francis} 
Recreio , Ignacio António da Fonseca Benevides , Far^ 
nato José Barreiros, Marino Miguel Franzini, k^ 
nho Albano da Silveira Pinto , e Francisco Elias Rezin- 
gues da Silveira , Sócios Effectivos ; Hattheos Vak!^ 
do Couto Diniz , e António Albino da Foi^eca Beuen- 
des, Substitutos d'£ffectivos. 



O Sflr. Director da Classe de Sciencías Naluiaei 
eomo Presidente daCommissão encarregada d'exaniÍD>r> 
Herbario da Flora Lusitana do Sur. D.**' Wdwifei 
apresentou o parecer da ConunissSo sobre os nove Fasf^ 
culos do mesmo Herbario, que conipletão a V^ 
delle , e comprehendem 23 familías pertencentes ás I^^* 
cotiledoneas , que fazem a 3/ parte. Decidio-se , q»^ ^ 
desse ao Snr. D.""' Welwitsch o restante da segunda pR»* 



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. ( 247 ) 

açSo , que lhe compete receber pela compra do referida 
lerbario. 

Foi nomeado o SQr. José Maria Grande para pre« 
ncher o lugar de Membro da Commissão encarregada do 
xame do Herbarío, vago por falecimento do Siir. Fran^ 
isco Thomaz da Silveira Franco. 



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(248) 



SESSJO LITTERARU DE f 7 DE NOFEMBRO: 



presidio o SOr. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo J* 
quim José da Costa de Macedo, e os Sfir/' João da Ca- 
nha Neves e Carvalho Portugal, Francisco Freire de C/- 
valho , Francisco Pedro Celestino Soares , Fraiicisco R- 
creio, Fortunato José Barreiros, Marino Miguel Fraw- 
ni* Ignacio António da Fonseca Benevides, Af^ost!:^"" 
Albano da Silveira Pinto , e Francisco Ignacio dos Sal- 
tos Cruz, Sócios EfFectivos; António Albino da Fon^* 
Benevides , e Mattheus Valente do Couto Diniz , Subs- 
titutos d'E0ectivo8 ; António Maria da Costa e Sá , ^'' 
cio Livre ; e António Caetano Per^im , Sócio Cma^ 
dente. 



CORRESPONDÊNCIA, 



Leo o Secretario : 

1." Uma Portaria expedida pelo Ministério ioP^ 
00 > em 25 do corrente , enviando os Estatutos da ^ 



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( 249 ) 

ciedadeAgricoTa' de Coimbra 9 para a Academia dar o %éA 
parecer a respeito delles. Foi entregue ao Sfir. Director 
da Classe de Sciencias Naturaes. 

2.*' Uma Carta do Sfir. Durai\ de Jíice , datada de 
2 d'Outubro ultimo, em que participa mandar k Aca<^ 
doniia uma obra por elle composta sobre a Physica ge« 
ral , que sujeita ao juizo da Academia. 

O Secretario declarou nDo ter ainda recebido esta 
obra. 

3.° Outra Carta do Síir. Martins pedindo á Acade- 
mia a sua opinião relativamente á sua obra sobre as Pal- 
meiras. 

Assentou-se, que o Si1r. Bernardino António Go^ 
mes iizesse um relatório sobre esta obra. 



MEMORIAS LIDAS. 



Leo o Sfír. Francisco Freire de Carvalho a traduct 
ç3o das seguintes três Cartas de Plinio Segundo : 



Livro 7.* Carta 27.' Plinio a Sura. 



O ócio , de que estamos gozando , ofierecc-nos oc- 
casido a mim de aprender,' e a ti de me ministrares en- 
sino : Desejo pois saber , se existem fantasmas , se tem 



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( tso ) 

toma figura propriamente sua , e se julgas serem ells 
alguns entes sobrenaturaes ; ou antes cousas sem reali- 
dade e imagens vãas , filhas do nosso medo. Eu acredito 
na sua existência ; primeiro que tudo , pelo que oqço 
acontecera a Curcio Rufo : No tempo , em que era ain- 
da homem apoucado e obscuro , adherlra , como simpks 
companheiro, a um Governador da Africa ; passeando ai- 
)i em certa occasião ao escurecer debaixo de um pórtico, 
appareceo-lhe a figura de uma mulher de estatura ebel- 
leza mais , do que humana , ao qual extremamente at- 
terrado disse : Ser a Africa , anunciadora de coum ft 
tvara$ : que elle voltaria para Rama , ande seria canát- 
eorado com honras : que tornaria depois para esta mem 
província com o summo império , e que aqui findaria « 
seuê dias. Tudo assim se verificou ; pois conta-se, q«f. 
tendo chegado a Carthago, ao desembarcar lhe sahín » 
encontro na praia esta mesma imagem : o certo é , qoe 
elle, tendo adoecido, agourando o futuro pelo que se ti- 
nha já passado , e das prosperidades inferindo eroinent» 
desgraças, sem que nenhum dos seus desesperasse da ra- 
ra , perdeo toda a esperança de convalescer. — Mas ido 
será mais terrível ainda, e nâo menos maravilhoso o, ^ 
vou contar*te do mesmo hkmIo, que o tenho ouvido?- 
Havia em Athenas uma casa espaçosa e de grandes coo- 
modos , porém infamada e pestifera : Delia se dizia , fp^ 
no silencio da noute se ouviam alli soar ferros ; e, se al- 
guém prestava maior attenção, ouvia a principio o estr^ 
pito de cadeias soando ao longe, e depois roais perto: 
apparecia em seguimento um espectro ou figura de m 
velho magro e esquálido , de comprida barba e cabelio 
ouriçado, com as mãos e pés cingidos das cadeias «i^ 
quaes fazia soar, batendo umas nas outras. Resultava lie 
tudo isto, que os moradores d*aquella casa passavam 
tristes 6 cruéis ooutes , por causa das vigilias ^ a ^e o 



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( 251 ) 

medo os obrigava : á vigilia seguia-se a doença, e» cres- 
cendo o medo , logo após a morte ; porquanto , ainda 
mesmo de dia nâo apparecendo o espectro, andava sem- 
pre diante dos olhos a lembrança d'aquella figura; de 
maneira que durava o medo ainda mais , do que a cau- 
sa do mesmo medo. Estava por tanto a casa deserta , 
condemnada á solidão, e toda entregue áquelle monstro : 
isto não obstante, viam-se nella aíBxados escriptos, a 
fim de que alguém , ignorando tão grande mal , quizesse 
ou compral-a , ou alugal-a. Chegou a Athenas o phiio- 
sopho Athenodoro , lèo os escriptos , e , tendo ouvido o 
preço, por lhe parecer baixo de mais, perguntou a cau- 
sa ; e depois de bem informado de tudo , sem embargo 
de taes noticias , isso mesmo mais o resolveu a alugal-a. 
Apenas começou a anoitecer , manda que .lhe façam a 
cama em um quarto da entrada da casa ; pede os pre- 
paros para escrever, e luz; e faz alojar a sua familia 
nos quartos interiores: applica depois toda a sua atten- 
ção, olhos e mão ao trabalho da escripta ; a fim de que 
não acontecesse que , tendo o espirito desoccupado , o 
medo lhe apresentasse á imaginação alguns vãos fantas- 
mas. A principio tudo era silencio, como costuma acon- 
tecer durante a noute : começou depois a ouvir tinir fer- 
ros, e a agitarem-se cadeias; elle porém não levantava 
os olhos da escripta , não depunha o ponteiro ; mas , ca- 
da véz mais animoso, fazia por não dar ouvidos áqúelles 
sons : então sente augmentar-se o estrépito , aproximar- 
se já como visinho ã porta , já ouvir-se dentro do apo- 
sento : ergue os olbos , vê , conhece a imagem , de que 
lhe haviam fallado: estava ella em pé, e acenava-lhe 
com o dedo , como chamando-o. Pelo contrario o philo- 
sopho lhe acena também com a mão , que espere um 
pouco , e continua a escrever ; ella porém fazia soar as 
cadeias perto da cabeça do, que estava escrevendo : Tor^ 



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(252) 

na entSo a olhar para ella , e vendo que o con^daTs i 
seguil-a , como da primeira véz , sem mais demora pé^ 
na luz, e segue-a. Marchava ella com passo vagaroso» 
coroo carregada de cadeias ; e tendo chegado a um pé- 
teo da casa , desvaneceo-se , e dcsappareceo aos oIIíh 
do, que a acompanhava. Logo que se vio só, apaobs 
algumas hervas e folhas, e deixou-as para signal naqupl- 
le logar : apprescntou-se no dia seguinte aos Magistra- 
dos, e a(Jvertio-lhes mandem fazer n'aqueHe sitio uraa e^- 
cavação , o que tendo sido praticado , encontram-se nVI- 
la ossos envolvidos em cadeias, restos únicos de um cor- 
po apodr(*cido e consumido pela terra , e pelo tempri. 
Juntos que foram estes ossos , e que se mandaram sí^ 
pultar em logar publico , e feitos os últimos deveres fú- 
nebres ao morto , nunca mais este infestou aquella f> 
sa. — O, que fica dito, accredito-o na fé dos, que ida 
alBrmaram : agora o seguinte posso eu affirmal-o: Tenho 
um lilxTtof nâo distituido de lettras , com o qual dormia 
na mesma cama um seu irmào mais moço : parcceo-l^, 
que via alguém assentar-se-lhe sobre o leito, chegar-ilie 
6 cab<»ra com umas tezouras , e corlar-lhe no alto dflla 
alguns calKílIos : apenas amanhecôo , acbou-se tosquiado 
em torno do vértice , e os cabellos espalhados pelo cbk 
Passado |)ouco tem|K) , outro caso srmilbante ao primeiro 
fiz , que este fosse digno de credito : Dormia ura d* 
meus jovens familiares em companhia de muitos outns 
na câmara para isso deputada : vieram pela janella (asam 
é que o conta) dous individuos vestidos de branco, lo^ 
quiaram-o estando elle deitado, e retiraram-se pelo mes- 
mo sitio, por onde tinham vindo : quando rompéo o íÍ3i 
foi elle visto tosquiado, e os cabellos em volta da rama. 
Cousa nenhuma notável se seguio a este acontanmento, 
excepto que não fui accusado de crime algum, o que de 
certo aconteceria , se a Domiciano , debaixo de cujo jm- 



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( 253 ) 

^rio taes factos tiveram logar , houvesse durado a vida 
por mais tempo : porquanto na sua carteira foi encontra- 
da uma accusaçSo, feita contra mim por Caro; podendo 
d'aqui conjecturar-se, que, por ser costume deixar cres- 
cer o cabello aos réos, a eortadura dos cabellos dos meus 
familiares foi um signal de estar eu livre de perigo. — 
Eogo-te pois., que appliques agora aqui toda a tua eru- 
dição; por ser este assumpto digno de ser muito e pro- 
fundamente considerado; nem eu sou desmerècedor de 
que me communiques o grande fundo do teu saber, mui- 
to embora também , como costumas , discutas este as- 
sumpto por todos 08 lados considerado : declara-te porém 
pelo que julgares mais forte: a fim de me nâo deixares 
suspenso e incerto, por isso que a razão, por que te con- 
pultei , foi para me tirar da duvida. — A Deus. 



Livro 8.* Carta 24.* Plinio a Máximo, 



A amizade, que te consagro, obriga-me nSo a ensi- 
Tiar-te, (pois nlio precisas de mestre) mas sim a admoes- 
tar-te , que retenhas , e pratiques o , que sabes , ou an- 
tes, que trates de o saber melhor ainda. Tem sempre 
jia tua idéa , qne foste mandado para a província da 
Achaia , que é a verdadeira e pura Grécia , na qual se 
crê tiveram a sua primeira origem a civilização, as let- 
tras , e até a própria agricultura : Que foste mandado 
para pôr em ordem o estado de cidades livres , isto é , 
para governar homens» ^verdadeiramente honsens , e em 



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(264) 

posse ie plena liberdade ; que por saas vírtiides , mei^ 
cimentos, amizades, e finalmente por suas allianças e 
religião tem conservado o direito, que pela Natureza lhes 
foi dado. Revereiícéa os deoses fundadores, e até os sob 
nomes : reverencéa a gloria antiga dessa Naçlo, e a soa 
mesma velhice, que nos homens é venerável, nas ddades 
é sagrada. Honra a sua antiguidade, as suas grandes ac- 
ções , e as mesmas fabulas. Nfto attaques em eoosa al- 
guma a quemquer que seja na sua dignidade, na sua li- 
berdade, nem ainda na sua vaidade. Tem sempre dian- 
te dos olhos , que foi essa terra, quem nos enviou o di- 
reito positivo , quem déo as suas leis não a povos ?eoci- 
dos, mas antes a quem Ih as pedio: Que vais assistir em 
Athenas, e Lacedemonia , a quem arrancar-lhe o, que 
lhes resta da sombra, e dessa pouca liberdade, cujo no- 
me ainda conserva , cousa é dura , cruel e barbara. Re- 
para nos médicos , que , comquanto nas doenças nio fa- 
çam diflerença entre homens livres e escravos, tratam 
aquelles comtudo com maior brandura, do que os escra- 
vos. Recorda-te do que tem sido cada uma das cidades; 
mas não para as desprezares por ter deixado de ser o, 
que foi outrora. Longe de ti o orgulho, e a aspereia; 
nem receies por isso o vir a ser desprezado : é por veo- 
tura objecto de desprezo aquelle, que exerce império, oa 
tem dignidade , se antes se não tem mostrado baixo e 
sórdido , e se não é o primeiro a desprezar-se a si mes- 
mo? Mal experimenta o poder a sua força por meio de 
affrontas , feitas a outrem , mal se adquire a veneraçio 
por meio de terror ; pois maior força , do que* o terror, 
tem o amor para alcançar-se o, que se pretende: por- 
quanto, logo que te retiras, cessa o temor, mas o amor 
sempre permanece; e assim como aquelle se converte 
em ódio, este converte-se em respeito. Convém por isso, 
que uma e muitas vezes (julgo dever repetir-to} tenhas 



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( 255 ) 

em lembrança o titulo do teu emprego, e que a ti mes« 
mo faças conhecer, qual e quão grande negocio seja o 
pôr em ordem o estado de cidades livres ; porquanto pa- 
ra uma cidade que cousa melhor , do que a boa ordem ; 
que cousa mais preciosa , do que a liberdade ? ao mes- 
mo tempo que cousa mais torpe , do que trocar em con- 
fusão a ordem , e em escravidão a liberdade ? Accresce 
a isto a lucta, que és obrigado a sustentar comtigo mes- 
mo : pesa sobre ti a reputação, com que voltaste dá tua 
óptima Questura na Bithyniqi: carrega sobre ti o bom 
conceito , que de ti forma o Príncipe : carrega sobre ti 
o teu Tríbunado , a Pretura , e esta mesma Logar-Te- 
nencia, que te foi dada como recompensa: £ por tudo 
isto, que mais e mais deves esforçar-te, para que não 
menos em uma provincia distante, do que na sub-urba- 
na ; não menos entre servidores , do que entre homens 
livres ; não menos designado pela sorte, do que mandado 
por deliberada escolha ; não menos ainda inexperiente e 
desconhecido , do que já experimentado e approvado , te 
mostres agora mais humano, melhor e mais perito ain- 
da , do que anteriormente parecias ; por ser aliás , como 
muitas vezes tens ouvido, e lido, muito mais feio o per- 
der, do que o não ter adquirido bôa fama. — Desejo 
acredites , como a principio te disse , que tudo , quanto 
até aqui tenho escripto , não passa de uma simples ad- 
moestafão, e não deve ser levado em conta de preceito, 
ainda que muito embora o queiras tomar também como 
tal : pois não tenho receio de que em pontos de amizade 
haja eu excedido a competente medida : nem ha perigo 
em passar a excesso, no que deve subir ao máximo. — A 
Deus. 



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( 256) 



Litro 10.** Carta 97.' Plínio ao Imperador Trajano, 



Senhor, é roeu costume constantemente seguido^ 
dírigír-*me a Vós em todos os n^ocios, sobre que se me 
oHerecem duvidas ; pois quem melhor pode encaminhar a 
minha incerteza, ou doutrinar a minha i<rn(»*ancia ? Nun- 
ca em tempo algum assisti a processos intentados contra 
Christdos ; por isso ignoro, assim qual a espécie de penas 
e nestas o gráo , com que costumam ser punidos ; como 
qual seja a forma de processo, que em taes casos se pra- 
tica. Não tem sido menor a minha hesitação « sobre se 
cumpre o fazer-se alguma differença em attenção às ida- 
d^ dos culpados ; se por ventura deve haver distincçâo 
entre os de menor idade e os adultos ; se faa perJào pa-' 
ra os arrependidos ; ou se aquellc, que muito embora te- 
nha sido Christâo , lhe não aproveita o abjurar esta re- 
ligião ; ou se é somente o nome , sem perpetraçâo de 
praticas criminosas, que nelles deve ser punido, ou quan- 
do juntamente com o nome se commettem crimes. No 
emtonto o modo, com que lenho procedido contra os, 
que me tem sido appresentados como ChristSos , é o se- 
guinte : Tenho sido eu mesmo, quem os tem interrogado 
sobre se eram , ou não Christãos : aos confessos tenbo-os 
interrogado segunda e terceira vôz , ameaçando-os com 
o supplicio : e todas as vezes que tém perseverado na soa 
afiirmativa , tenho mandado applicar-lho ; por não duvi- 
dar, que devia ser punida uma tal pertinaeia^ fosse qual« 



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( 257 ) 

(|ucr que fosse o objecto de sua confissão. Outros houve 
iscados desta mesma espécie de loucura, que reservei pa- 
ra serem enviados para Roma ; por me dizerem, que eram 
cidadãos Romanos. Occorreram depois no progresso des- 
te negocio, como costuma acontecer augmcntando-se o 
numero dos criminosos , muitas e varias espécies de inci- 
dentes: Foi-me appresentada porescripto uma.accusação 
anónima, contendo os nomes de muitos, ôs quaes negam 
ser , ou ter sido Christãos ; e vendo eu , que dictando- 
ihes a formula, elles invocaram as divindades, e que of- 
fereceram vinho e incenso á vossa Imagem, a qual para 
esse mesmo fim lhes havia feito appresentar juntamente 
com as estatuas dos deoses ; que de mais a mais amal- 
diçoaram a Christo , (acto , a que , segundo se diz , ja- 
mais podem ser obrigados os verdadeiros ChristSos) en- 
tendi nâo devia proceder contra elles , e os despedi em 
paz. Outros, cujos nomes me foram denunciados por um 
accusador , declararam primeiramente , que eram Chris- 
tâos, e o negaram depois; accrescentando, que o tinhem 
sido, mas que depois haviam deixado de o ser, delias 
uns tendo já decorrido três ânuos , outpos mais ainda , 
nenhum porém alem de vinte annos : Todos elles adora- 
ram não só a Vossa Imagem , mas as estatuas dos deo- 
ses , e amaldiçoaram a Christo : affirmavam pois , que 
toda a sua culpa , ou erro se reduzia em summa a cos- 
tumarem reunir-se em dias determinados antes de ama- 
nhecer, a entoarem todos alternadamente um hymno em 
louvor de Christo, considerado como Deus; a obriga- 
rem-se debaixo de juramento, a não praticar espécie al- 
guma de maldades, mas antes pelo contrario a não com- 
metter furtos , latrocínios , adultérios , a nâo faltar ás 
suas promessas , a não negar a entrega de um deposito , 
quando para isso fossem convocados: que depois de ha- 
jercm concluido este acto , costumavam separar-se , tor- 



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(258) 

nando a reutiir-se depois , para em cottimam fomaraii 
algum alimaitOy porém alimento innocente : todavia» que 
tinham deixado de praticar isto mesmo , depois da pu- 
blicaçdo do meu edicto , no qual , em conformidade das 
Vossas Ordens, lhes prohibíra toda a espécie de reuniões. 
Julguei por isso tanto mais necessário o mandar pòr t 
tormento duas escravas, que se dizia Ibes serviam decrea- 
das ; a fim de melhor poder inleirar-me da verdade : Nào 
pude porém descobrir em tudo isto mais , do que uma 
superstição ruim e levada a excesso. Suspendi em con- 
sequência este processo , para consultar- Vos sobre o que 
devo obrar, por me parecer negocio digno de ser con- 
sultado, mormente em attençSo ao grande numero de 
accusados : pois muitas sSo as pessoas de todas as ida- 
des , jerárchias , e de um e outro sexo , que são , e vi- 
rllo a ser accusadas disto mesmo ; por isso que o conta- 
gio de uma tal superstição se encontra derramado nâo só 
pelas cidades, mas igualmente pelas aldeias e pelos cam- 
pos , o que todavia , sou de parecer , se pode ainda fa- 
ter parar , e corrigir. Na verdade é cousa assas con^ 
tante , que tornam a ser frequentados os templos , que 
se achavam abandonados e desertos; que as solemnida- 
des religiosas , por muito tempo interrompidas , come- 
çam a ser renovadas ; e que é mui frequente a venda 
das victimas, para as quaes raríssimo era o comprador, 
que até agora apparecía. A' vista de tudo isto fácil é de 
ajuizar , 'qu8o grande quantidade de pessoas pode vir a 
emendar-se, uma vez que se lhes oSereça a opportonída* 
de do arrependimento. 

NB. A'cerca da Carta antecedente faz o erudito F. 
Schoell as observações segtíiotes : (c A authentícidade de&- 
ta Carta tem sido atacada por um dos theologos Protes- 
tantes mais celebres do 18.^ século, SemUr, qae aoCtt« 



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X 250) 

fia TertuliaM de bavel-a fabricado* Os motWoi destai 
critica Tandam-se na in?erosimílhaDca« que elle pretende 
ter notado no próprio relatório de Plimo : mas pareceo- 
nos , que , emproando taes armas , se poderiam suscitar 
duvidas sdbre a maior parte dos documentos , que nos 
restam da antiguidade.. A final esta Carta de Plinit) dêo 
occasiâo a uma legenda absurda, segundo a qual PliniOt 
tendo>-se encontrado em Creta com Tito , discípulo de S» 
Paulo, devéo a sua conversio a este Bispo , e padecéo 
depois o niartirio * («). 



(•) tíiâtoria abteviáda da Litteratura Aonianai Tom. <.'• 
í^eriodo 4.* d«sde a morto de Augosto até o reinado de Adrift« 
AO. 14 aooot dep^if de J. C. até 117.. pag. 4U* 

Tomo U. 22 



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<260) 



DONATIVOS. 



Observações Diplamaiicas sobre o falso documnÈ 
iã Aparição d* Ourique , por um Paieo^rapbo. -^ Lisboi 
1850. — S.*" — ! exemplar. — Offerecido pelo Autor. 

Relatório e Contas da Commissào administralivú à 
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa , relativas ao ss- 
lio económico de 1849 — 1850. — 4 exemplarei em W 
lio. *-^ Offerecido pela dita Coramiss9o. 

Epistola Roseelini ad P: Abaelardum. Editore I 
A. Schmeller.~4.*— 1 folheto. 
No mesmo folheto se contém : 

Veber die endung^ez (^s) spanischer und portuft- 
siscber familieennatnen (Sobre a terminação -^ez-^í^-- 
dos nomes de familias Hespanfaolas e Portagnezas;. -- 
' Offerecido pelo mesmo Autor. 

Veber Valentí Femandez AlemS und seine Sem- 
lung von Naehrichten úber die Entdeckungen und Btir 
izungen der Portugiesen in Afrika und Aiien bis :tf 
Jahna 1508.... Von Dr. Schmeller (Sobre Valentii 
Fernandes Alemam» e a sua Collecção de RelaçSes kfS'\ 
ca dos descobrimentos e possessões dos Portuguezes n\ 
Africa 9 e na Ásia» até ao anno de 1508). 4^? — i k 
Jhete. 

Veber einige altere hands chriftliche Stekarten, (k 
lesen von J. A. Scbmellei: (Sobre algumas antigas Car4 
bydrograplwai mss.). Nolicía lida. m Sessto da Acaik 



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falia tieal das Sciencias de MuDich ém 2 de héieiúlíi 
ae 1843. — 4.^—1 folheto. 

ítineris a Leoue de Rosmitàl mbili BchJtmo , as^ 
kis 1465 -^ 1467; per Germaniam^ Angliam^ Fran^ 
ciam , HispoMani , Partagalliam átque Ildiam emfecii i 
tommentarii eoaevi duo. Stuitgart. 1844-^8/^-^ i.\oli 
publícadoí pelo D.**' Schineller. 

As sobreditas ciríco obras forào Òfferecldas pelo D.^ 
Schmeller i Academia ^ por in9o do Silr« Marquez dé 
Rezende. 

Noticidé de Claiídii Visdélou Soe. Jesu Seriptis Si-^ 
nolõgicisi in Biblioihica Vaticana exíantibus ^[uoruni 
apographã Vlixihoiiae apèrvúti dictínlur. Pelo -Professor 
Neurhanrí. — 8.*" — -1 folheto — ^ Offefecido pelo Autor » 
por milo do SHr. Matt^ueà de Rezende. 

Sfjstemá Matériae Mediéae Vegetabilii BroÉiliensis: 
ComposU Caf. Frid. Phil. de Martius — Lipsia^ Í843 — •' 
8." -^ 1 vol. — Offerècido por ííeu àator, pôr mão do Sfir. 
Marquez de Rezende; 

Os exòerptos d'tím Mss; original de jeronymo Mo^ 
netario, existente ha Biblioth<^ca de Mimich, mandados 
copiar pelo Snr. Matquez de Rezende. 

E^s excerptos coínprebendeín a parte de suas via- 
gens , que diz respeito a Portugal , e uni Opúsculo , qiW 
tem fíor título — De invetUiúne Àftice maritime èt Oc^ 
udèntalis tU Genee ptr hf<Mem Jlenricum Pcrtugálie. 

São 08 excerptos escriptos ek 24 quartos áe papel 
grande. 

Unia cópia d'úfii Mss. da Bibliothéca de Miinich,* 
mandada também tirar pelo Sfir. Marquez dé Rezende; 
]iie donlèm copias de variai noticiaá dos no^s descobri-** 
mentos e navegações* parte das quaes for^o colKgidas 
lor Valentim Fernandes. ^ 4.* g.^'— 1 Vol. Mis. -^ 
DiFerecido pelo Sur. Marquet de Rezende. 



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( 262 ) 

Oiwres deFrèdéric Le Grand. Berlín. f 8i6 — 
foL — os cinco primeiros Toluoies. — Offerecidos por Soi 
Blagestade EIRei de Prússia. 

The Journal of tke Royàl Gêographical Society of 
Lonion. — Tomo 20. — Parte 1.* — Loodoo ISSO- 
.8.^ — 1 Vol. — Offerecido pela mesma Sociedade. 

Camptes retiius hebiomaiaires des Séamce$ de Ih- 
caiémie des Sciences (Instituto Nacional de França ). 1851 
— 2.^ semestre — Tomo 31. — N.^ 6. 7 . 8 e 9 - 
♦.• g.**— 4 N.**— Offerecido pelo Instituto. 

Elementos do Processo Criminal , por F. J. Doaití 
Nazareth. — 2.* Edição. — Coimbra 1860 — 8.'- 
1 YoL — Qflferecido pelo seu Autor. 



PAEA o MUSEC* 



Squalus Lygcma ^-^ Cormida , ou Martello da Coi- 
ta de Peniche. 

Motacilla Sylvia , fêmea. 



Tetráo Andalusicus * ou TourXo do Matto. 
Todos estes exemplares forão «Merecidos pdo SH. 
CoDselbeiro Lourenço José Monit. 



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( 263 ) 



SESSJO LITTERARU DE li DE DEZEMBRO^ 



Presidio o Sfir. José Liberato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á SessSo o Secretario perpetuo Joa-^ 
quim José da Costa de Macedo, e os Si&r/' António 
Diniz do Couto Valente , Jo9o da Cunha Neves e Car- 
valho Portufral , Francisco Freire de Carvalho , Francis- 
co Pedro Celestino Soares, José Cordeiro Feio , BarSo de 
Reboredo , Inácio António da Fonseca Benevides , Ma- 
rino Miguel Franzini , F(»tunato José Barreiros , Fran- 
cisco Recreio, Agostinho Albano da Silveira Pinto, e 
Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Sócios Eífectivos; 
Mattheus Valente do Couto Diniz, e António Albino 
da Fonseca Benevides , Substitutos d'Efiectivos ; José de 
Freitas Teixeira Spinola de Castello-Branco , Sócio Li- 
\Te; João Ferreira Campos, Júlio Máximo d^OIivefra 
Pimentel , e António Caetano Pereira , Sócios Corres- 
pondentes. 



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(264) 



C0BRESP0NDENCL4. 



Leo o Secretario peq3etoo : 

pcírait du Pragramme de la Sociéié BoíUmAtise iis 
Scitnees à Harlem , pour Vaimée ISaO. 



La Société i teiiu sa OSènie léano^ annueUe, k 
^)9 mai ISKO. 

La Société a reçu: 1.® Un exemplaire fl'un oum- 
ge en trois volumes du dortcur IL G. Brouí?! , profer 
leur á rUniv^tê de Heidclberg , intitule » ladex Pa- 
laeontologicu$'\ et auquel ont coopere Hr. H. B. Go^- 
PBRT t pour les plantes , el Hr. H. von Meyek , pis 
les animaux ?ertébrés fossiles. L'auteur y a joií^t up It- 
inoire manuscrít , dans leque) i) déduit de ce grand (»- 
irage plusieurs résultats , qui lui paraissent foumir me 
réponse satisfaisaote á la 6e. des questions proposéfs 
dans le programme pour 1849 et dont la repouse d^ 
vait étre envpyée avant le 1 janvier 1851 , et à ia lie 
^e celles doot la réponse était demandée dans le mèaie 
programme, avant le 1 janyier 1850. 

Les Directeurs de la Société, considérant que k 
f f avaii imi&ense et djfficile du proresseur BROKif doit ecti 



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( 265 ) 

triboer puissamment au progrès des sciences géologiques 
et paleontologiques, et que la solution des questions rap-* 
pelées ci-dessu8 * e8t devenue maintenant possible par Ia 
discussion de Timniense quantit^ de faits qui y sont en*« 
registres , a voulu donner un témoignage du grand príx 
qu^elle attache à ce travail , en adjugeant à son auteur , 
âr» H» G. Bronn, la inédaille dor. 

S."" Un Mémoire écrit en latin par un de ses mem- 
bros, Hr. MiQUEL, proresseur à TAthénée d'Amsterdam, 
ayant pour titre )>Stirpes Surinamenses selectae" avec 
uii atlas de 66 planches dessiiiées la plupart par Hr. q. 
M* R« VERHUBLL , membrc de Ia Sociétè. 

Les Directeurs de la Société on décidé que cet ín-« 
téressant travail, avec Tatlas qui raccompagne, serar 
conipris dans le nombre des mémoires publiés par la So- 
ciété. 

3.° Un onvrage imprime en allemand par le Dr. c. 
T. voN GARTNBH à Calw , dans le royaume de Wurtem- 
berg , intitule : n Yersuche uud Beobachtungen uber die 
Bastarderveugung im Pflanzenreicb." Cest , d'après son 
auteur, une édition nouvelle entièreipent refondue, et 
augmentée d un Mémoire couronné par Ia Société e» 
1837* A lenvoíde cet ouvrage était jointe une colle-* 
cttcn de plantes bybrides sèches , produites et cultivécfs 
d après la méthode indiquée dans louvrage* 

Les Directeurs de la Société ont résolu 1.^ de pia-- 
cer Touvrage et Therbier dans la bíbliothèque de ia So* 
ciété ; 2." d'offrir à Mr. von gartnbr , en témoignage 
de leur approbatioit, un etemplaire de la 2 série des 
Mémoires de la Société ; 3."" de proposer à Tasserobléé 
générale d'accepter Mr. von gartnbr comme membrd 
%tranger de la Société. 

Cette dernière proposition a été accueiUie à Tuna^ 
nioiité des voix< 



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( 266) 

4.* Un Hémoire , écrit en hollandais , sor k <{mi- 
tion: 

» Qa*est<-ce que les reebercbes des Naturalistes má 
ipprift a?ec certitade dea plantes cryptogaines , qui mfe- 
cient les organes des animaux vivants el surtout de 1' 
homme ? £n quel rapport leur développement est-41 ar^c 
celui de prodaiU maladifs ; enfin , leiír histoire aatarelle, 
kmqu'elle será bieo connue » condaira*t-elIe è une oié- 
dicatioo ratioDnelIe?" 

La Sociéié a décerné )a médaille d'or è Fauteir 
de ce Mémeire , Mr« a. cbambr , docleur en médecin 
i Groningue. 

6.* Un Mémoire écrit en Trançais et portast ríoscri- 
ption Sttivanlo : b Du PerfeeíiomemetU graduei de$ itm 
ergamiéi." 

Sur la question : » Existe-t-il un perfectioDDenat 
graduei de Tm^ganisation des étres organisés? Desorgi- 
nismes inTérieurs et plus simples des temps les plus re- 
eulés t ont-ils été remplacés à des époques pios réceoUs 
par des6tresconstruitsd'aprè8 un type plus oomposé etpto 
parTait, etpeutHMi aíBrmer queceux dest^poques intenné- 
diaires soient plus composés h mesure qu'ils s approcbent de 
notre áge? Oubien, doit-on reléguer ce perfectionnenefltt 
adopte par plusieurs Naturalistes , parmi les bjpothéses 
douteuses qui ne résistent pas h un examen rigourcux* 

» La Société demande que celui , qui répoodra i 
cette question , se borne aux Taits et s^abstiemie de ni- 
soonements bypotbétiques." 

La Société , considérant que ce mémoire ne coik 
tient que peu d'observations nouvelles, etquesoniv- 
teur ne paralt pas avoir eu connaissance de tout ceqai 
a été publié ailleurs qu*en France sur les éléments dela' 
question* a jugé que ce Mémoire ne pouyait pas (^ 
touronoé. 



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(267) 
La questioD a été retirée da concours. 

6.* Un Mémoire écrit en français , intitule : » Dês 
eaux min&ales considérées sous leursrapparís physiques.'* 

Sur la question : » La Société demande une defr* 
cription géologique des principales sourccs d'eaux chau- 
des de TEurope ; elle désire une réponse aux que^tions 
suivantes: Quelles en sont Torigine et ]a position? queK 
est le cours qu'eiles suivent ? sont-elles placées dans une 
direction relative , qui prouve qu'elles ont entre-elles uq 
rapport quelconque? 

» Les príncipes de leurs eaux font-ils connaltre Ia 
nature du sol d'oà elles découlent , et peut^n juger de 
kur profondeur par les qualités de leurs eaux, telles 
que leur température , la force avec laquelle elles mon- 
iant , leur abondance , etc. ? Quel est le rapport entre 
ces sources et les changements » auxqueis la surface du 
globe a été soumise par des soulèvements , des éboule- 
ments, des tremblements de terre, des volcans et par 
d'autres causes?" 

La Société a jugé que cette yolumineuse copnpila-' 
tion ne renferme que peu de faits » que lon ne pourrair 
pas trouver tout aussi bien décrits ailleurs que dans cet- 
te longiie énumération ou lon ne rencontre méme pas 
les observations que des savants étrangers à la France 
ent publiées sur les sources d'eaux chaudes ; que d un 
autre cAté , Tauteur ne s*est pas bomé à la question » 
mais qu'il a oomprís dans son trayatl la description des 
sources d'eaux froides » ce qui n'ayait pas été demande ; 
ces dérauts ont décidé la Société è ne pas couronner ce 
Mémoire. 

La Société a jugé à propôs de répéter la question » 
et elle demande qu'il y soit répondu avant 1^ 1 janvier 
185SI. 



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( 268 ) 

7.* Un Mémoire écrít en allemaiid , et porUnt \% 
pigrnpbe suivante : 

Hach iiher uns gehl gein íyerborgner Gimg. wiELAm 
Sur la questíon : » Comme la Comete , dccouverte 
le 26 février 1846 par Brobsbn, est une des plusr^ 
inarquables par le peu de durée de sa révolution, et 
comme son orbite na pas encore élè aoumise á un eu^ 
inen rigoureux , la Société demande une déterminatm 
aussi e]|^acte que possible de lorbite elHptique, quelki 
décrite lors de son apparition en 1846 , basée $ur tra- 
tes les bonnes observations qui ont été faites. La Sociéiá 
désire encore que les perturbations , qu^elle subira jus- 
qu'è sa prochaine apparition , aoient calculées avec ei^> 
ctitude y et qu^une épbéméride détaillée soit déduit dfs 
élóinenU de Torbitc qu'à cette époque elle décrira." 

La Société , considérant qu'un travail plus compkt 
a été déjà publié sur le sujet de Ia question mbe » 
concours » a jugé que ce Mémoire ne pouvait pas étre 
couronné. 

8.^ Un Mémoire écrít en allemand et portant répi- 
graphe suivante : 

/ may ttell say that no mun , if he take inãustry, râ- 
partiality and cauiim tcith him in his inteiti^i(»i 
of Science , ever works expcrimentally in vain. farâ- 

PAY. 

Sur Ia question : » Une des découvoies les pios I^ 
marquables de notre temps» est sans doute ceile des p 
priétés dlamagnétíquea d un grand nombre de corps. U 
Société demande que les phénomènes diamagnétiqoes 
soient déduits d 'une loi généraie» unique. Elle demande 
un Mémoire qui contienne de nouvelles recberches, bi- 
fes par soq auteur , et que de çes reohercbes comparées 
avec ee qui est déjà çoonu , il puis$fi éU^ déduit uoe ki 



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(869) 

•^ftíírale qui explique lous ces phénomènes avec justesse » 
én y comprenant la transiiion du charbon de Tétat ma-f 
gnétique à ceiui de diamagnétisme observe par Plc- 

CKER." 

La Société a décerné à !'unanimi(é des voix ia mé- 
4dille dor à cet ouvrage rcmarquable , qui répand uq 
nouvcan jour sur les phénomènes diamagnétiques. Elle a 
décerné de plus à soo auteur une gratification de ISQ 
florins. 

L'auteur du Mémoire est Mr. Plucker , professeur 
à rCniversité de Bonp , donl le noni avait été mention- 
im6 dans la question mêroe. 

La Société a jus^é à propôs de répéter les quês-» 
tíons suivantcs, et elle demande qu'il y soit répondu 

AVANT LE PREMIER JANVIER 18S2. 

1. En plusieurs endroits on a trouvé reunis dans 
les mémes conchas des fos^iles ^ que les Géologues con- 
sidèrent comme caractéristiques de formations géolo^i- 
ques bien distinctes entre-elles , et d un âge bien diffé- 
rent. Ainsi les Alpes orientales , prés de Hallslad , ont 
fourni des échantillons qui contiennent à côlé Vlin de 
Tautre des orthocératites , des ammonites et des bèlem- 
iiites ; ainsi dans les Alpes , prés de Chambéry » les 
méroes couches paraissent rcnfermer des végétaux de 
fancienno TormaticAi houillère, avec des bélcmnites et 
des fos$i|es d'upe époque plus récent , et dans ceux 
du Tyrol, prés de San Cassian, des mollusques de 
différente^ formations géologiques. 

La Société demande : 1.*^ Si cette réunion remar- 
quable a réclíemeqt beu; et 2.^ jusqu^oíi, dans ce 
(ias 9 elle pourrait rendre douteuse la déterininatioQ 
de Tâgé des terruii;s d'après les fo^ile^. 






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( aw ) 

IL L^observatíoD, faite par le profesteor Waichhei, 
qoe les eaux dè Wisbade et la matière qui s en pi^ 
cípite t contiennent de larsénic , a été suivie d un noa- 
tel examen cbimique des eaux de plusieurs sources, 
et de la découverle d arséoic dans piMsteurs de oes 
eaux , toujours cependant en quantilé minime et ordi* 
nairement accoropagnée d oxyde de fer , comine par ex- 
em|rfe à Dribourg* à WilduDgen» h Liebeostein, dasi 
las eaux de la source dite Alexis-broo [Hartz] et ré- 
cemment dans celles de Versaílles. 

La Sociélé désire que ces rechercbes soíent oqd- 
tinuées , et que surtout la présence M 1 absem» de 
Tarséuic dans les eaux des Pays-Bas et príncipaleme&t 
dans celles qui contiennent de I oxyde de fer , soit coos- 
tatée. 

III. Plusieurs appareils ont été inventes pour cbo- 
ger en un mouvement circulaire » le inouvenient de va- 
et-vient du piston des machines à vapeur. On demasde 
que Téconomie relative de travail obtenue par ces ap- 
pareils le plus en usagc, soit déduite de leur exam^i 
comparatif, et que lon calcule le maximum d'écoDomie 
que lon pourra obtenir. 

IV. Pour calculer la vitesse moyenne d'une eau qâ 
i'écoule uniformemcnt par des canaux ou des rívièns 
d'un profil assez régulier et peu variable , on se sert or- 
dinairement d*une formule de Chésy « qui a été modi- 
6ée par Coulomb « et dont les coéfficients des tennes 
ont été'déduits des observations alors connues, faites 
d abord par de Prony » et ensuite d'après un plus graal 
Dombre d observations dTvTEtwETV. 

Quoique cette formule conduise dans plasieurs cas 
4 des résultats de calcul analogues à ceux que doooe 
lobservation , elle laisse cependant è désirer relativemeat 
à sa composition et aux résultats qu'elle fournit* 



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[«71] 

D^abord , on a employé pour déterminer les coéf- 
ficients quelques obsenations ou quelques résultats d'ex- 
|)érience peu coinplets et d'une exáctitude doiiteuse , en 
sorte quon n'a pu en tirer tout le parti désírable, et 
qu'ih n'ont po être consideres et employés comme des 
bases épurées et exactes de calcul; et le nonibre des 
obsenraiions employées , qui mérítent une confiance en- 
tière , a paru trop petit pour qu'on les employát copi- 
me base unique du calcul d'une formule qui serait d'une 
fipplication générale. 

Ensuite , on a suivi , pour délerniiner ces coélB- 
cients , un calcul qui est remplacé maintenant par ud 
aatre » produisant les valeurs numériques les plus proba^- 
bles , que Ton cherche , avec la chance d approcher le 
plus possible de la réalité. Après tout cela , il n*est pas 
«ncore prouré que la formule ait réellement la forme 
<[ii'elle doit avoir , et il se pourrait que la cause du peu 
d'accord entre le calcul et Tobservatíon dutétre attríbuêe, 
fiu moíns en partie , à un terme qui manque , ou à une 
forme moins exacte , ou enfin h ce que les valeurs des 
coéfiãcients ne sont pas toujours constantes entre les díf- 
férentes limites de Télément variable. 

D*apròs toutes ces cousidérations » la Société désire* 
dans ríntèrét de la science et de ses applications , qoe 
cet intéressant problème soit de nouveau examine , pour 
qa*il en resulte une formule plus exacte , pour calculer 
la yilesse d une eao qui se meut uniformément dans ud 
canal quelconque. 

Elle demande donc un examen tout à fait nouveau 
et détaillè de ce problème , de manière que tout ce qui 
a été indique ci-dessus, comme moins certain, moins 
coroplet» et moins exact, devienne .plus certain, plus 
complet et plus exact. Et comme les Savants , qui s oc- 
ouperoat de k résolution de cette question, devront pr9* 



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(272) 

l)ai»1rinciit se lívrer à au graod hombre de r cÁetcfKi 
pratiques tout á fatt nouvelles et plus eiactes que cdki 
qui ont été faites jusqu'à préáent , la Société promet ei 
tout cas à ceUii qui obticndra ia médailte d or » en ou- 
tre un prix de 150 florins. 

V. Les Métaux se combrnent-ib cbímtqueiiieDt ? e( 
dans le cas aOirmatif , quelies sont les proporlioos ou lei 
équivatents cbimiques, qui ia trou?eiit réuois daus b 
combinaisòns des métaux les plus usités. 

On désire que ceite question soit résolue* i lairir 
d^expérieuees décisives surtout à Tégard ? 

De Vaf et du cuiére. 
De Vor et de Vargent. 
De Vargem et du cuivre. 

VI. La plupart des puits artésien» ont été Cores dav 
le but de faire monter , des grandes profondeiirs de li 
terre à sa surfaee , des eaux de bonne qaalíté et d une 
temptrature aa-dessus de ta moyemie. Dans quclques e&- 
droits eependant on les fore pour jeter dans les eadai^ 
les de ta terre des eaux áurabondantes. 

La Société dematMle si ces puits artésiens négatife 
ne pouraíent pas ser\ír á dessécher des laca ou des ma- 
rais plus ou taoim élendus ; Ce qu*il y aurait à ohsener 
en forant dans ce but des puits artésiens , et queiles se- 
faient les circonstances locales , tant géologiqáes qo'aiH 
Ires, qui rendraient probabte la réussite dáu tel puds 
absorbant ? 

VIL La Société demande une descriptíon des pois- 
sons d*eau douce d une des grandes reviòres de Jaia , de 
Boméo t ou de Sumatra , ou choix de Taoteur. 

Le Société désirerait recevoir les poisspns décrils* 
conserves dans i esprit de vin. Elle adjngerait , dans ce 
cas, noa seulement ia módaille d'or/iBais eUe accoide- 



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(273) 

tait en ontre une recompense proportionnée au mérite de 
Tenvoi. 

VIU. Le plumage ^es oiseaux diflfère de couleur se^ 
lon Táge et selon les saisons ; ces changements de cou- 
leur ne sont pas encore bien connus , et les Zoologistes 
iie sont pag tout à fait d'accord sur les lois , auxquelles 
ces changements sont soumis , ni sur la manière dont ils 
s opèrent. La Société demande une histoire exacte de ces 
changements de' couleur, faité d'après des observations 
pro}vres à Tautenr, appHquées à toute la classe des ot- 
seaux et accompagoées d un aperçu historique de ce qui 
a été é«rit jusqu'à présent sur cet objet. 

IX. De tous les Mammiréres, les Cétacés sont les 
moins connus« Malgré les recherches de F. Cvvier , de 
Gkat etd'autres9 plusieurs points de Icur organisation 
restent toujours entourés d obscurité. La Société deman- 
de une histoire naturelie de ces animaux , y compris les 
Cétacés herbivorest établie autant que possible d'après 
nature, et contenant uu résumé exact des caracteres de 
leurs familles * gerares et sousgenres , et une révision cri- 
tique des espéces de ces Mammifères, arec les détaiU 
nécessaires pour fixer les caracteres qui les distinguent 
avec autant de détails que possible sur le genre de ti- 
vre de leurs diíTérentes espèces. 

X. La Société demande une Monographie exacte des 
Amphibies [Phoea et Tríchecus Lifm*] selon Tétat actuei 
de la seience atec une synonimie complete. 

XI. Les découvertes de Savi , Rodi?í et Wagner 
ont jeté un nouveau jour sur Ia terminaison des filets 
des nerfs du mouvement ; mais la terminaison des Glets 
des nerfs de la sensibilité, ainsi que 'des filets sympatbi- 
quês , est encore douteuse. La Société demande eomment 
se terminenl les filets primitifs des nerfs de la sensibili- 
té «t des nerfs sympatfaiques. Elle désire quen méint 



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(27*) 

trmps les découvertes concernant le^ nerft da flimite» 
meot , citées ci-defssus , soient de oouveau constatées. 

XII. La glande pttuitaire n*a pas encore íait lobjcl 
d'un examen exact, microscopíque. Sa structure íotinie 
paralt sur pliisieurs points dífférer de celle des autrs 
ganglions nerveux, auxquels elle esi assimilée par b 
plupart des Auatomisies. 

La Sociélé demande ainsi un examen microscopúps 
úe cet organe et de son infundibulum , tant chei rbom- 
me que chez les animaux des difiéreutes classes • par It- 
quel la structure propre k cet organe soit mise en évt- 
dence , et qui montre les rapports ou les dífféreoces qu 
existent entre elle et la codiposition des autres ganglioai 
nerveux. 

XIII. Les Physiologisles ne sont pas d*accord sur a 
qui donne à Iceil la faculte de s'accomraoder à la div^ 
tance des objets; quelques-uns font dépeodre cette Eicul- 
té de Taction des muscles qui font mouvoír 1'oeil: dao- 
ires en cbercbent la cause dans les Glets musculaires de 
Ja zone de Zinh ; enfin , il y en a qui pensent que Ia 
deux causes agissent k la fois. La Société demande qud 
est le véritable organe qui dans Toeil accommode la vi- 
aion aux distances. La Sociélé désire qu'il soit surtoot 
examine dans les animaux , chez qui la faculte de bka 
voir k plusieurs distances doit être bien développée, coid- 
me chez les amphibies et autres qui distínguent les ob- 
jets dans leau et dans lair. 

XIV. L'établissement des subdivisions de lordiv aa* 
tureK mais très-étendu des Passereaux [Passeres lÀfm,]^ 
a été Tobjet desrecherches d'un grand nombre deZoob- 
gistes et d'Anatomistes ; mais le résultat n*en a pas été 
tout k fait satisfaisant. La Société demande donc 1/ uoe 
revue critique des recherches qui ]usqu'à présent ont élè 
publiées sur cet objet ; 2.'' une description exacte des 



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rapports tiaturels qut existent enttè toutes leis faltiílted; 
genres et sous-genres de cet ordre , basée dur la coiDpa>*. 
raison , tant de leurs organes externes que de leur strii^ 
cture anatomique. 

La Société a pfoposé cette année les questionft wxU 
rantes , et elle dematide qu'il y soit répoodu. 

AVaNT Lfi PREMÍfia JÀNVIER 1852. 

í. Gomme Ia destruction des foréts de cinchona inar« 
cfae de pair avec la rècolte de plus en pluâ considérabla 
de Técorce de cet atbre , il y a lieu de craindre que le 
précieux médicaroent qu^on en retire , ne víenne à man* 
quer un jour ; on demande si , d'après ce que lon sait 
de rhistoire naturelle de cet arbres * if j a quelque rai^ 
son d'espèrer que Icur culture puisse étre entreprise avec 
suecés dans ies colonies néerlandaises. 

II. Malgré les caracteres qui distinguent entre-elles 
les substances , dites balogènes , le chiore , Tiode , et le 
brome , on ne peut cependant méconnaltre les rapportá 
qui les lient entte-elles , de manière qu'il est permis de 
douter que réellement on puisse les compter parmi leê 
substances élémentaires , surtout puisqu'oii les trouve 
presque toujours dans la nature enseroble ou combtnées« 
La Société demande un nouvel examen figoureux 
rt experimental de ces substances , et une critique de ce 
jui a été puMié sur leur préparation , et sur leur déga- 
^ement des combinaisons cbiroiques , tant sous le point 
ie vue des moyens dont on a fait usage » que par rap- 
K)rt aux quantités, correspondantes ou non/ que Toa a 
tbtenues par ces divers procedes. 

HL Jusqu'à quel point les restes organiques d 'une 
ormation géologique quelconque peuvent-ils íaíre con- 
mltre Tensemble d^ étres erganisés, qui ont exista 

Xoiio IL 23 



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( 276 ) 

pendant uno époque délemiioóet et queHe^soBt ks rè« 
gles que lon d^it observer pour que Ton ne déduise à 
cet égard, de lensemble des observations , que de$ ré- 
sultaU incontestables ? 

IV« 11 est burs de doule , que les dunes , qui }y>r- 
dent les cdtes du rovaume des Pays Bas et de plusit-in 
autres pays, sont composé:^ cn grande pariíe de gi . jj 
de sable que le vcnt a soulevés et amoncelés siir la cote. 

Des mers et des cotes analogues à ceiles d'aujour- 
d'hui exístaient saus doute à des époques gécilo^iques 
«intéríeures , et il est possíble, que, de méine qu aiH 
jourd*hui , daus ces temps recuiés , des dunes , pareilics 
áu\ nòtres , aient été aussi forméss sur beaucoup de ca 
côlcs. 

Les Géalogues n'ont en general décrít que des coo- 
ches déposécs dans des mers ou dans des lacs d'eau doo- 
ce ; les víeux continents des temps géoL)giqdes ne pa- 
raissent avotr été réconnus , que par exception et dune 
manière douteuse, comme par exemple dans la forma- 
tioQ houíUère , dans la formatíou jurassique et ailleuiv 

Dos dunes composées de sable mouvant et déposé 
par Vaction du vent sur un terrain qui était i sec, 
n'ont pas été décrites. 

lia Société demande: Existe-t-íl parmi les difi!^ 
rents terrains géologiques» surtout parmi les tertiaires, 
4es masses qui ont été considérées k tort , comme dépo- 
sécs sous Teau , et dont la formation était analogue i 
celie de nos dunes et a été íaíte sur un terrain étoei^é^ 
De telles couches ont-elles écbappé aux rechotríifó ito 
Géolo;^es, ou u'existent-elles pas? quelle est, daos ce 
derníer cas. Ia cause de laur absence? 

V. ]L.a Société demande une description des alguém 
fossíles , éclaircie par des figures , autant qu^elles amiAt 
jugées néaessaires. 



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Vt. tt parait prouve que Ton cloit conuidèrer tes ta« 
bons , qui peuplent Ic Nord de la Scandinavie , cortiine 
les restes aun peuple jàdis répandii ddns une grande 
partie de TEurope septentrionale ; la roéme chose a été 
ijoutenue quant aux Ibériens de i'Europe méridíonale. 

La Sociéié demande une description tant des Bas- 
quês que des Lapons, éclaircte par une cranéologic coni<* 
parative qui permetie de décider avec ceriitude^ si léeU 
lemeni ti existe une véritable analogie entre ces deus 
peuples. 

VIL Quelles sont les races humaines qui babitent 
les possessions néerlandaises dans rArchipel indien? La 
Société désire une description détaillée et surtout ost6o-« 
logique de ces races, écíaircie par des figures* 

VIII* Les Zoologistes les plus distingues soutiennent 
des opioions contradictoires sur la circulatíon du sang 
chez les insectes. La Société demande que le mouvement 
ãu fluide nourricier dans cette classe d*animaut, soit 
soumis à un nouvel exaroen qui conduise k des conclu-* 
stons certaines et iodisputables. 

IX* Les observations de Leeuwenhoek , de Fontana ^ 
et de Spallanzani , d'après lesquelles quelques infusoireé 
auraient la faculte de reprendre leurs ' actions vítales» 
lor9qu'on les replonge dans Teau après avoir été cooaer-* 
vés peodant longtemps bien dessécbés, et sans qu'ils don-« 
nassent le moindre signe de vie , ont été contestées par 
eubenberg. La Société demande un examen critique áé 
ces observations et de nouveltes recherches à ce Sujet. 

X. £n quoí consiAe le mouvemeut dtt ciliaire > que 
l'on remarque à la surface de plusieurs organes des ani^x 
maux ? quelle est la véritable cause de ce mouvement ? 
et dans qiiel rapport se trouve^t-il avec les fonctions àe$ 
prganes ^ oú ce mouvement a lieu ? 

XI. L'on crpit avoir obsené çhei quelqne^ moUMH 

23 « 



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(278) 

qnes , cbes quelques annélides et chez des animaoi 
rayonnés , de:» organes visuels ; la Société demande uoe 
descriptíon exacte de cen organes dans les animauí à 
ils ont été obserfés , ainsi qu* une descriptíon de la liai- 
6011 de ces organes avec une massc nerveuse plus m 
moios centrale , éclaircie par des figures. Elle désire qu» 
Ton démontre comment au rooyen de ces jeox ces ani- 
maux peuvent apercevoir soii seulemeni la présence, soil 
encore la forme et la couleur des objets. 

XII. Les carapaces des tortues de iner« qni sont 
iroportées eo Europa des Célèbes et des ilcs voisints 
comme un article de commerce , paraisscnt apparteoir a 
des genres ou à des espèòes différentes. 

La Société * ayant le désir de les faire coimattre, 
demande une descriptíon zoologique des tortoes des men 
de TArchipel Indien Néerlandais. 

XIII. Des os d'animaux appartenant A la race bo- 
vina ont été trouvés dans plusieurs tourbières da rcvao- 
me des Pays-Bas ; Ia Société demande que ces os soleot 
compares exactemeni avec ceux qui ont été troinés eo 
d'autres pays dans des circonstances similaires , afio 
qu'on nc puisse plus douter à quelles espèces ces os oot 
appartenu. 

XIV. La Société désire que Ton recherche, site 
fougères se propagent par une véritable fécondatioo, et 
dans ce cas, comment elle 8'opère? 

XV. La Société demande une descriptíon botaoiqae 
de rtle d'Amboine. 

XVL Malgré les progrès importants de Ia mécani- 
que , les ailes , ainsi que les autres parties des moulin» 
è vent destinées à receyoir et à propager TímpubioQ '< 
la force motrice , sont h peu prés les mèmes depuis » 
moins deux siècles ; la Société demande de queJles anè- 
líoratíoDs f soit d'après des obsenratioDs et des expéríe&* 



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( 279 ) 

ces faites , soít d'après une saíne théorie , les moulíns k 
vent scraient-ils suscepiíbles ? 

XVII. Les expériences de Bontígny , de Plucker et 
d'autres savants ont mis bors de doute que Too peut 
trem|)er les doigts et raôme la main entiére , dans du 
metal , du Ter par exemple , en fusion , s'ils ont été au-> 
paravant recouveris d'un liquide , qni passe aisément i 
Tetat de vapeur ^ ou mômc sans cela , quand le doigt ou 
la main est bumecté seulement par la perspiration ; on 
désire que ce fait soit bien examine et explique dana 
tous ses détails. 

XVlil. Peu après Ia publicatíon du procede de Da- 
Gr ERRE 9 Ton a entrepris des expériences pour décider, 
si rElectricité exerçait une induence quelconque sur la 
formation des images daguerriennes ; expériences quí ce- 
pendant n ont pas conduit à des résultats définitifs. La 
^'ociété demande que Tinflucnce des Eleciricités , tant 
statiques que dyoamiques sur le développement de ces fi- 
gures « soit éclaircie par de nouvelles recbercbes. 

La Société rappelle qu'elle a proposé les anneés 
precedentes les questions suívantes pour y répondre. 

AVANT LE PREMIER JANVIER 1851. 

L Quoique la plupart des Physiciens partagent IV 
pinion que le développement d'£lectricité * produit par 
les différents appareils galvaniques , est d& aux actíoni 
Dhimiques qui ont lieu entre les dtffièrentes substances , 
formant une partie essenlielle de leur composition , ce« 
)endant le théorie de volta , suivant laquelle dans ces 
ippareils TElectricité ne serait mise en mouveíment que 
)ar le contact de deux substances de nature diíférente , 
le maoiàre que Tactioa cbtRiique ne serait que le résul* 



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[ 280 ] 

taf de cette Êlectrícité et prodaite par elle, eonipte par* 
mi ses défeospiirs des savants d'un grand mérite. 

La Société désire que tout cc qui a été presente 
en faveur de ces deux théoríes , soit examine et sounê 
à une critique sévère , afin qu'il en ressorle ou que rêfl- 
lement Tune de ces théoríes est la véritable, ouqai 
ii'existe pas encore des raisons incoutestables pour IV 
doption de Tune à l'excIusion de Tautre. 

La Société demande que dans ce demier c^s, faots 
de conclusion décisive, les doutes soient leves aut^nt 
que possible par de nouvelles recherches * propres à p 
duire , sinon une eiAière certitude , au moins uoe plis 
grande vraisemblance en ra?eur de Tune ou de laotrt 
théorie. 

n. Des «ourants électríques induits dans les fils m* 
ducteurs des téló^raphes galvaniques par des nu3«^ 
chargés d'Electricité , quí passent roéme à de grandd 
distances , troubient de terops en temps Taction régutif- 
rc de ces appareils. On demande que des obsenatio^ 
exactes soient faites sur cet objet, et que Ton «ide- 
duise les rooyens de prevenir cette action tronblanle. 

HL Quand le pôle poi^itif d*une batterie galranit|« 
pionge dans de Teau peu conductrice contenue dans na 
des compartiments d*un vase de verre » qui est par^:é 
en deux par une cloison de membrane animale [de i^ 
ste] ; et le pAle négatif dans Tautre , et que Teau ^ 
au m^roe niveau dans les deux compartiments , ellesera, 
d'aprè$ les expériences de Mr. Pohrkt , ponssée à tia* 
vers la membrane et portée à un niveau ptus élevé i^ 
celui oà pionge le pôle négatif, 

La Société demande que ce pbénomène soil exatsi- 
ré et explique, 

IV. Une des s;^bstances le plus généralement répandiK^ 
ui sãos dwte Tetu ; cependaot piu^ieiu^ d« $es propi* 



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{ 281 ) 

tés pbysiqaes n'ont pas encore été examinées avec toufo 
rexactítude d^sirabie ; il existe mame des doutes sur sa 
couleur , 6ur la propagation du son par sa masse , etc. ^ 
etc. D'après cela la Société demaode un exaikien exact 
et experimental des propriólcs physiqucs de Teau. 

V. On demande un examen exact de la nature des 
nuages et des brouillards « qiii ne laisse aucun dòute sur 
Tétat dans lequel s'y trouvent les petíts globules qui les 
composent, et qui decide surtout, si ces petites sphères sont 
pleines d*eau, ou si elies y sont à Tétat vésículairet 
Par lequel , enfin , soit décidé quelle est la force qui 
tient ces globules , soit pleins d'eau , soit remplis de va- 
peur ou d*air , separes entre-eux , et comment le fluido 
électrique reste accumulé sur la surface du nuage ou du 
brouillard , qui est forme par la réunion de ces petits 
CTps? 

Vi. Est-il possible de prouver par des observation* 
c<»rtaines et des raisònnements rigoureux, que des ro- 
ches 9 placées á une grande dístance de» volcans éteints 
ou en activit%9 aient subi des modifications dans leur 
composition par Tactíon de la chaleur; en d'autres ter- 
mes 9 le métaroòrphisme des roches en grand par la cha- 
leur peut-il être prouve ? — Peut-on dómontrer qu 3 
existe des roches raétamorphosées d'une autre maniòre, 
sans Taction du fcu , par une action moléculaire produitc 
par des forces électriques ou autres ? oii ces roches sont- 
elles situées ; et quels sont ces changements ? 

La Société ne demande pas la description de beau- 
eoiip de roches modifiées, mais elle désire que les phé- 
nomènes métamorphiques de quelques localités moins 
tonnues soient examines avec la plus grande exactitude , 
a6n qu'il ne reste point de doute sur le phénomène et 
sur Id cause qui a produit la modification de ces roches. 

yil. . Dans différents pays deTEurope^ on trouve en- 



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( 282 ) 

tre le grand terrain houiller ancien et les lignites do tff- 
rain tertiairc, plusieurs coucbes qui renfemnent de granjs 
dépôts d'une masse charbonneuse » qui aert , commc b 
bouille et les lignites , de combustiMe , et qui e$t rm- 
f\\e de reates végétaux. La Société demande que I9 Flo- 
re de quelques-unes de cea cooches cbarbonneose^ soil 
examinée avec exactitude. Elie désire que ces coucl» 
aoieut comparées , tant aux couchea qui composent Tia- 
cienne formation houillère , qu'aux lignites tertiaires, 
aurtout dana le but de pouvoir décider par cet exanm 
et cette comparaison , si les plantes qui les composeot. 
au rooíns en partte, ont péri sur les lieux roémes, 01 
ai elles ont é(é transportées d ailleurs. 

VIII. La Société demande des recbercbes iéh]]]m 
8ur Tétat de la végéiation dans la Néerlande pendant h 
lemps bistoriques anciens « ainsi que pendant ceox ([o 
les ont immódiatement precedes. 

IX. Quelle est la place, que les Éponges [Spoogiae' 
doivent occuper dans la série systématique des êtrps vi* 
Tants ? s0nt«ce des animaux ou des végétanx ? de qiidk 
maníère sont^-elles produites et multipliées ? queis soot 
I<s organes , par lesqueis les fonctions vitaies soat dlè- 
etuées ? et comment peut-on explíquer la grande quanli* 
té de silíce , dont quelques espèoea soot presque entiè* 
retnent composéps? 

X. La Société demande un exaroen exact du d^^ 
lopperoent d'une des espèces du genre Astérías; sesdi- 
verses phases devront étre examinées , décrites et de^ 
nées au micrascope à des époques convenabies. 

XI. l^ Société , supposant que le terrain roeoUe, 

3ui borde les grandes rivières dans les celonies bollao* 
aises de TAmériquc méridionale , receie des resle ia* 
portants danimaux fossiles, corome Toa en a trouvé dan) 
le voisiuage de Baenos^Ayrea çt daos d'autre$ pays (h 



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( 283 ) 

nème continente et déstrant favoíiser Ia recherche àe 
ces ossements importants , promet à celui qui lai aura 
eovojé « avant le premier janvter ISSl, des ossements 
de quelque grande et nouvelle espèce de Mamniiféret 
d'Oiseau ou de Reptile , trouvés dans une des colonies 
nécriandaises de rAméríque mérídionaley une récom-' 
pense proportionnée à Tíntérét de Tenvoi et dont la Dí- 
rection de la Société se reserve de fixer le montant. 

XII. La Société demande une Monographie des Cj-' 
eadées fossíles. 

XIII. La Société demande que VUtriculw primor^- " 
dialiê ou intemtis des cellules dans les plantes, soit 
soumis de nouveau à un examen scrupuleux« 

XIV. La Société demande une description détaillée, 
hasée sur de nouvelles recherches et expliquée par das 
figures exactesy de la structure et de Taccroissement 
des trones d'arbres dicotylédones , d'au moins dix fa^ 
miltes naturelles, cboisíes parmi celles qui di(fôrent le 
plus par la structure de cet organe, excepté cependant 
Jes Conifères et les Cycadées. — EUe désire surtout 
que Ton observe commeut ces familles naturelles sont 
caractérisées par la diíférente structure des trones. 

XV. De quelle roanière croíssent les véritables Plan-* 
tes parasites? Comment et par quels organes sont-elles 
réunies à la plante qui les nourrit et sur laquelle elles 
croissent ? Queile est Tiniluence de Tune sur l*autre , et 
jusqu'à quel pmnt . y a-t-il un méiange , une différencQ 
ou une conformité des sues dans les deux vé^étaux, ain« 
si qae des príncipe^ qui en sont separes ? 

XVL La Société demande un Catalogue descriptif 
des infusoires d'eau douce et des eaux salées , qui se 
trouvent dans les Pavs-Bas ? 

XVIL Les recbeVches * auxquelles la classe des vertf 
fle LiKJiáfi a élé so^mise dernièrement , ont beau^up 



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Gòogie 



(28») 

modifié les opinions des Naturalístes à Tégard des 01^- 
nes destines à la propagatíon de ces animaux; et k 
nombre de ceut chez lesquels on admettait autrefob 
rilermaphrodisme , a subi mamteoQni une grande diroi- 
Dutbn. 

f^ Soeiété demande an résamé critique des décoo- 
Tertes qui ont été foites coocernant les organes de la gé* 
nération parmi les Zoophyles , les Mollusques et les Ad- 
Délides de Cuvibr ; et de nouvelies recherches mtcrosf^ 
piques sur le contenu des organes de Ia gétiéralion dam 
ceux de ces animaux que Ton classe encore parmi les 
Ilermapbrodites ; enOn , base sur ces recherches , m 
examen de i opinion de Steekstrijp, qui préteod quf^ 
rilermaphrodisme ue serait plus adraissible chez aucuo 
deux. 

XVIII. La Soeiété demande une description génm« 
le du système lymphatique dans la classe de9 RepUIe!^. 

XIX. La Soeiété demande rbistojre du déveJoppe- 
ment des Enio%oa , d'après des recherches nauvelies. 

XX. La Soeiété désire que Ton fasse une analtfse 
chimtque exacto du Oatmabis saliva , en raísi^nt surtnut 
atteiitron au príncipe narcotique qn'il contient , et aiH 
qnel on prétend que le Hoí^chich des Orieiítanx esi re- 
devable de 'ses propríétés remarquables. — Elle deman- 
de si ce príncipe forme une substance particulière [Caa- 
Babine], et dans ce cas, quelle est la meilleure méth^ 
de de la préparer , et queis en sont les caracteres et les 
propríétés. 

XXI. Nonobstant les belles recherches deCHSVBEri, 
PtATBAU , OsANN » Fechnbii , DovE et autres sarants, 
qui ont répandu beaucoup de Inmière sur la théorie de 
ces images que Ton apercoit lorsquon exclut toute ciar- 
té de yaix , après les avoir fixes pendant quelques se- 
condes sur un objet luminenx , il est encore reste d€9 



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( 285 ) 

dotttes 9ur leur origine , et mèroé sur Tendroit oà clleí 
se troiivent dans le sjstème nerveux. 

La Sociétè désire que ces images soient Tobjet d'un 
nouvel examen » et que par des expéríences nouvelles oa 
établisse une théorie, exacto et autant que p^issibie com^ 
plète , de tcut ce qui concenie ce phénomène. 

XXII. 11 paratt d'après les recherdies de McRCiii- 
60N qu'il existe dans les Alpes orientales des couches 
qui , placées entre les plus jeunes des secondaires et les 
])lus anciennes des terUaires , formeraient une sorte de 
transition entre ces deux formations et indiqueraient une 
6t:ccession graduelle , sans secousses violentes de Tune à 
Tautre. Dans les environs de Maestrícht , on trouve sur 
les bords de la Meuse des couches qui sont superposées 
& Ia craie blanche ei prés dcsquelles on remarque des 
couches tertiaires. — Des Géologues de grand mérite 
ont considere cette formation de Maestricht comme com- 
posée de couches de transition entre les formations se- 
condaire et tertiaire, tandis que d'autres, non rooins 
distingues» Tont attríbuée á la Tormation crayeuse dont/ 
elle formerait les couches supérieures , soutenant que ce< 
couches sont nettement séparées des couches tertiaires 
et qu'elles ne forment que les plus recentes des couches"" 
secondaires, 

La Société désire que la forraation de Maestricht 
soit de nouveau examinée sous ce point de vue et que 
les fossiles qu'p|]e contient soient exactement compares à 
ceux de la craie blanche , sur laquelle elle repose « ainsi 
qu'à ceux des terrains tertiaires des environs , a6n que 
ce problème , si important pour la Géologie et la Gli- 
natologie de 1'ancien monde , soit décidé de manière à 
ce qu'il ne reste plus aucun dou te à cet égard. 

XXIIL La Société demande une description géolo-f 
gique des couches de Tile de Java qui contienneut de5 



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( 286 ) 

foMÍIes, éclaircie par Ia descriptíon et par les fig[tim Ji 
ces forsiles , autant qu'elle8 seront jugées nécessaires. 

XXIV. Cest surtout aux ancíens nafigateun boi- 
laiidats, que Ton doit les détaiis qui nous sòot panenui 
d*une grande es{)èce d'oiseau , qui vivait autrefois dais 
Tile Maurice et qui est maintenant entièremeDl détnii- 
te. L'hiitoíre et Tanatointe de cet oUeau ont fait M 
récemment lobjel dcs recherches de MM. Stricklai^p 
cl Melville , et de M. IIambl : les premiers ont p 
blit3 Icurs observatíons daus un magnifique ou>Tage qui a 
paru i Londres, et le second a consi<;ué son travail daa) 
loa Annales scientifiqucs de la Sociéié de St. Petery 
bourg. 

D'après lesr rrcherchcs de ce» aavants , on sait 
qn'une dcs meilleures figures du Dodo , que les Hollsn- 
dais ont uommó Dod^aars [anus en pelote] de dod p^ 
lote] et aars [anus], se voit dans le tableau de Robla5) 
Saverv 9 au Musóe de La Haye ; que quelques-uns des 
restes si rares de cet animal sont vénus de la Hollaode, 
et méme qu'un des deux fragmenta du Dodo , que la 
a retrouvé à Coppenhague parmi plusienrs vieui objets 
mis au rebut , provenait de la vente du musée qoe le 
aavnnt PAtmANUs avait aulrefois forme à Enkhuyse, 
dans la Nord-Hollande. 

II se pourrait qu'il existilt dans les Pays-Bas oo 
ailleurs des tableaux dans lesquels se trouvent des figu- 
res de cet oisenu» encore pcu connu des Naturalistes; oa 
qu'it en fí^.t fait mentíon dans des anciennes relatíoasde 
voyage oíi jus(|u'à piésent elles n'out point élé reraar- 
quées des savants ; et méme il ne serait pas tout à íaít 
impossible que quelque ancicnne collecticn recélât enco- 
re quelques fragrocnts de cet intúressant oiseau. 

La Société désire appeler sur cet objet rattenlioo 
dcB Naturalistes et surtout des savánts Néerlandais. -^ 



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(287) 

Elle décernerait, pour toute corninanication concernant 
cet oíseau, soit une meotion honorable, soit un prix quel-> 
conque y en proportion de rimportaiice de Ia commuiii-* 
catíon ; et elíe accorderait surtout voloDticrs une réconi- 
peose proportionnée à la valeur du sujet, à celai qui liii 
)!rocurerait pour ses collections quelques fragmeuts du 
Dodo. 

XXV. Suivant les recherches de CLAUSirs , Ia réfle- 
xion de la lumière dans Tatmospiíèrc , et par conséquent 
Tazur celeste , ainsi que les teintes rougeátres de Thorí- 
zon , quand le soleil 8'en approche le malin et le soir , 
ne sauraiciit êite espliquées qu'en admettant qu'elletf 
íont produites par des vapeurs vésiculaires , c'est-à-dire 
par un amas de globules , composés d*une pellicuie liin- 
pide et remplie d'air , et suspendus dans Tatmosplière. 

La Société demande que Ia prósence dans l'atmos- 
phère de cette yapeur h Tétat vésiculíiire soit démontrée 
par des expóríences directes ; et que le pbénoroène du 
passage du gaz d'eau à Tétat de vapeur d'eau , c'est-à-> 
dire d eau liquide , mais dispersée dans un grand volu- 
me d'air ou dans un espace vide tròs-étendu » soit ex- 
plique par des expériences exactes et décisives. 

Le prix ordinaire d'une rêponse satisfaisante á cha- 
cune de ces questions est une módaille d'or de la valeur 
de 150 florins, et de plus une gratífication de 150 flo- 
rins de HoUande » si la réponse en est jugée digne. II 
faut adresser les repenses, bien lisiblement écrites ea 
Hollandais , Français , Anglais , Italien , Latin , ou Al- 
leroand [en lettres italiques] et affiranchies » avec des bil- 
lets, de la manière usitée, à J. G. S« van Breda, Se<» 
crétair« perpetuei de la Société à Harlem. 



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( 288 ) 
Le Président a proclame memhres de la Sodété : 

Mr. L. voN BucH , à Berlin. 

Faradat, à Londres. 

J. Plucker, à Bonn. 

II. VON Meyer, à Francfort sur le Meia. 

II. R. GoppERT , à Breslau. 

C. F. VON Gartner , è Calw. 

H« G. Beonn , à Heídelberg. 



RELATÓRIOS. 



Leo o SDr. Director da Clasae de Scieodas Moraes 
e Bellas Lettras : 

As Censuras da Obra do Sílr. António Feficiano de 
Castilho f intitulada — Leitura Repentina -^ de que ti- 
nba ofíerecido um exemplar á Academia « pediodo-Bie o 
seu juizo sobre ella. Os Censores forâo de opinião , que 
a obra do Sfir. Castilho não pôde ter na pratica os «tôs 
resultados , que o aulor assevera. 



I 



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( 289 ) 



COMMUNICAÇÔES. 



O Snr. José Cordeiro Feio apresentou umas Me^ 
mortas sobre o Systema etifmologico ^ offerecidas á Aca- 
demia pelo Snr. Marcos Dalhunti. 

Forào entregues ao Snr. Director da Classe respe- 
ctiva. 

O Sur. Jo9o Ferreira Campos agradeceo a Acade* 
mia a sua nomeação de Sócio Correspondente, ao que o 
Secretario perpetuo respondeo convenientemente. 



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(290 ) 



DONAXn^OS* 



Janud da Sociedade Pharmateutíca ^tiràima.— 
2/ Série — Tomo !.•— N.Ml — Lisboa 1850- 
8.* — 1 N.*— Offerecído peia mesma Sociedade. 

Jonud de Pharmacia e Scieimoê accessorias, i 
Lisboa. — 1/ Série — 3."" aono — Dezembro de 1850 
-— 8.*" — 1 N.""— Offerecido pelo Siit. José TedesiitL 

Revista Militar — Tomo 2.'— N.^ tt — No- 
vembro 1850 — 8.**— 1 N.""— Oflferecido pela Direcção 
da Redacção do Jornal. 

La Legislazione ed Economia agraria dei PúrlQ- 
gailo esaminate secando le doUrine costituzionaU M 
Marchese Camillo PallayiciDÍ. — Torino 1850 — 8.' 
— 1 exemplar. — Offerecido por seu autor. 

Comptes rendas liebdomadaires des Séances ài ISt^ 
cadémie des Sciences [Instituto Nacional de Françal. -^ 
1850 — 2.* semestre — Tomo 31 — N.- 10. 11. 
e 12 — 4.* §/•— 3 N.-— Offerecido pelo Instituto. 

Naluurkandige Verhandelingen van de HoUanistk 
Maatschappy der Welenschappen te Haarlem [Memori» 
da Sociedade Hollandeza das Sciencias de Hanem. To- 
mo 5.^ Parte ±\ e Tomo 6.*J. — Te Haarlem 18i9 
_ 18S0 — 4.^ g.^*— 2 Vol. — Offerecídas pela Sch 
ciedade. 

MxtraU du Progranm$ de la SodM WlmM^ 



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( 391 > 

des Sciences á Harletn^ pmr Vannée 18S0. — • 4.* g.^ 
1 exemplar. --^ Ofierecido pela mesma Sociedade* 



PAAA o MiEííé 



Vtn Papagaio. — r* Oferecido pelo Sar« José Vento* 
ra Massa. 

Uma Motacilla « ou Rabi-ruivi. 

Quatro fosseis. 

Uma concha com um Eremita» 
Oíferecidos os sobreditos três objectos pelo Síir. Con- 
selheiro Lourenço José Moniz. 

Dous Mineraes. --^ Oflferecidos pelo Sfir. Antónia 
Joaq*]im Moreira. 

Oriolus Galbula , macho. -— Offerecido pek SSr. 
Porphyrio Joaquim de Miranda. 



ToMoIlí fii 



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(292) 



JSSEMBLEJ DEFFECTTFOS DE U DE 
DEZEMBRO. 



Fresidio o SSr. José Cordeiro Feio. 

CoDConrèrlo i Sesrio o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da G>sta de Macedo , e os Siir.*' António 
Diniz do Couto Valente , João da Cunha Neves e Car- 
alho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Francisco 
Pedro Celestino Soares » Francisco Ignacio dos Santos 
Criu , José Liberato Freire de Carvalho , Barão de Re- 
boredo, Fortunato José Barreiros, Ignacio António di 
Fonseca Benevides* Agostinho Albano da Silveira Pinto, 
e Francisco Recreio, Sócios Effectivos ; Mattheus Valeo- 
te do Couto Dinii , e António Albino da Fonseca Bene- 
vides, Substitutos d'£ffectivos. 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Secretario perpetuo a s^inte exposição doS 
senriços prestados pelo S&r. Visconde de Santarém i A-* 



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(893) 

cadeinia » e a Academia determinou que se levasse 4 
Presença de Sua Magestade. 



SENHORA. e== O Visconde de Santarém tem presta-* 
do relevantes serviços á Academia Real das Sciencias de 
Lisboa. Ás suas incessantes diligencias » e á sua incansa-* 
vel actividade , que não cessa de promover tudo o que 
pôde , por qualquer modo » aproveitar á Academia , se 
deve era grande parte , além das offertas de muitos sa* 
bios Francezes , as preciosas coUecçÕes com que os Mi- 
nistérios do Interior » da Guerra 9 da Marinha» e da Ins- 
trucção publica de França » tem enriquecido a nossa Bi- 
bltotheca » e que seria impossivel alcançar por outro 
meio , pelo seu excessivo custo. A Academia penhorada 
por tantas provas de dedicação do seu Sócio» não pôde 
agradecer-lhas de outro modo senão levando os seus ser- 
viços académicos á Augusta Presença de Vossa Magesta- 
de , que, se os julgar merecedores de premio » Se Digne 
G)nceder-Ihe aquelle que for do seu Real agrado» e que 
recahirá D'uma pessoa que tem illustrado o seu Paiz com 
obras de interesse Nacional , geralmente conhecidas e es- 
timadas. 

Academia Real das Sciencias de Lisboa 18 do 
Dezembro de 1850. = José Cordeiro Feio» António 
Diniz do G)uto Valente » João da Cunha Neves e Carva- 
lho Portugal » Francisco Freire de Carvalho » Francisco 
Pedro Celestino Soares» Francisco Ignacio dos Santos 
Cruz , Mattheus Valente do Couto Diniz » José Liberato 
Freire de Carvalho » António Albino da Foaseca Benevi- 
des» Barão de Reboredo» Fortunato José Barreiros» 
ígnacio António da Fonseca Benevides , Agostinho Alba« 



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(294) 

M Aà Silveira Pinto, Francisco Recreio, Joaqab José 
da Co^ta de Macedo, 



O Sllr. Director da Classe de Scíencias Natqraa 
apfresentOQ o parecer da Classe sobre os Estatutos da So- 
ciedade promotora agrícola do districto de Coimbra, envia- 
dos á Academia com Portaria de 2S de Novembro íúúsdo. 

A Academia approvou o parecer da Classe, 

O Snr. Director da Classe de Sciencias Naturaes 
propoE para Sócio Livre o 6Ar. Júlio Máximo de Oíh 
Teira Pimentel , e procedepdo-se á votação Ibí uDaniioe- 
mente approvado. 

O Sfír. Director da Classe de Sciencias Moraes e 
Bellas Lettras propoz para Sócio Correspondente o Sâr. 
Marquez de Resende, 

O Sílr. Mattheus Valente do Couto Diniz, apre- 
sentou, já impressas, as Ephemerides Náutica para o ajH 
00 de 1852, 

particjpoii Q Secretario perpetuo ter fallecído, em 
30 de Novembro ultimo , o Sílr. António Maria da Cos- 
ta e Sá , Sócio Livre da Academia. 



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( 298 ) 



RB8VLTAB0 DAS OBSERVAÇÕES OO MEZ VE 
MOVEMBBO DK 1850. 



Temper<uura$i 



Uinima a 30 39"" 

Máxima ai, 4, e 8. . . . 70 

Media 55,9 

Variação med. diurna . • 1 i,8 
Máxima dita a 6 .... . 20 



Barómetro na tp.^ de 63* 

Máxima altura a 2 766,0 "^ Variação 

Miuima a 27 753,2 > dos extremo» 

Media 761,93 *2",8. 

Ventos dominmíes e ma força. 

0^ 0.6 1,0 0,7 0,2 0,3 

N,13 » N0,9 = 0.( :=:: S0,6 ^ NE,9 » E,2 

0.2 
SE,1=» VouB,19. 



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\S7 METRt 



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Hinj^ — -^ 
tosw j 1 

Isuads o|ut 



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''Dezembro 1849 
Janeiro 18^ 
Fetereiro 
Março 

Somiiut 

Abril 
Maio 

Somma 



> 



Junho 
Julho 
Agosto 
Septembro 



Somitta 



T 'S ^'^-:,^-,' 



Digitizêd by VjOOÇIC 



PhénoméQOs notáveis. 



relou nas noites de 24, 25, 27. é SI, aoompadudas de gea4Ma 

mui furtes. 
Jem na noite de 2. — Oeadak a 2, 9, 4 e 9. — Tempestade df O. 

a NO. a 14 e 1^. 



eoipestade de SE. a 50 , ^ae teve pouca duração» 



empestade de S. a SO, . de pouca duração, no 1.* do mtx. 

empestade de SO. a O. , a 6. — Dita de SE. a 8. a 22 com trovoa- 
da. — Dita de O. a 2S. 



^esde 10 até 19 ventos tempestiaosos do Norte. 



'rovoadas a 14, e 15. 



^A<taHp iIa MMO a 4!I 



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^ 



( 299 ) 

s= DirecçSo media do vento dominante N TO (0,4)* 
B= Meios dias ventosos 2. 

Estado da Atmo^hera. 

Meios dias claros 41 — Claro e nuvens 5 — Cobertof 
2 — Cobertos e dardes » 4 — Dias em que choveo 4^ 
fornecendo a escassa quantidade de 28 milli metros, e- 
quívalentes a menos de um terço da chuva regular deste 
mez — Nevoeiros 5 — Dias de calor notável , um. — 
Ditos de frio sensivel 4 , os quaes apparecèrilio no fim do 
mez. 

Mortalidade em Lisboa. 

Sexo masculino— 232 maiores— «120 menores — ^tot. — 352 
Dito feminino— 24 i ditos — 104 ditos — dit.— 348 

Sommao 476 ditos -221 ditos, —dit.- 700 

Em cujo numero se comprehendem 328 fallecidos 
nos hospitaes , sendo 98 menores procedentes da Mi- 
sericórdia 9 ou dos que se deposiUIo nos adros das igre- 
jas. A mortalidade deste mez excedeo a normal em 
quinze centésimos , ou quasi um sétimo. 



M. M. Franzinu 



N.B. O diário das observaçfks meteorológicas re- 
lattvo ao mez de Dezembro publicar^se^ha em um dos 
iV.** seguintes. 

Toxoa 2S 



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ACTAS 

DAS 

SESSÕES 

DA 

ACADEMIA REAE. DAS SCIEIVCXA^ 

DB 

LISBOA. 



TOMO m. 




USBOA 

MA TTFOflaAFU SA *BSM A ACADEIOA.: 

i8õi. 



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ACTAS 

SESSÕES 

HÁ 

ACADEHIA REAE. BAS SCIENCIAS 

LISBOA. 
1851.— N.* I. 



SESSJO LITTERJRU DE 16 DE JANEIRO. 



Presidio o S&r. José Cordeiro Feio. 

Concorrerão á Sessão o Vice-Secretario perpetuo 
Francisco Elias Rodrigues da Silveira » e os Sfír.''' Antó- 
nio Diniz do Couto Valente , José Liberato Freire de 
Carvalho , Francisco Ignacio dos Santos Cruz , João da 
Cunha Neve» e Carvalho Portugal . Francisco Freire de 

i . 



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Googte^ 



(*) 

Cairalho» Francisco Pedro Celestino* Soam, Francisco 
Recreio» Barão de Reboredo, Fortunato José Barreiras, 
Ignacio António da Fonseca Benevides, Marino Hígud 
Franzini» e Agostinho Albano da Silveira Pinto, Só- 
cios Effectivos ; Mattbeos Valente do Couto Diniz, e An- 
tónio Albino da Fonseca Benevides , Substitutos dEfle- 
ctivos ; António Caetano Pereira , Sócio G>rrespoodeD- 
te. 



CORRESPONDÊNCIA^ 



Leo o Vice-Secretario : 

Um Decreto de 14 de Dezembro « em que Sm 
Hagestade ha por bem determinar os regozijos , que de- 
veriáo ter logar pelo seu feliz successo. 



MEMORIAS LIDAS. 



ApplicaçSo ao systema moderno de Fortíficaçio, 
pelo Sfír. Francisco Peidro Celestino Soares. 

Foi entregue ao Sfir. Director da Classe respecti- 
Ta. 

O SSr. António Caetano Pereira continuou , etca* 



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(5) 

bou de ler a sua Memoria em que se refuta a opinião 
dos que n^rmão^ que a batalha de Campo de Ourique foi 
uma simples jormula , ou correria ; porém dSo a entre- 
gou dizendo que necessitava fazer-lhe alguns retoques. 



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(6) 



DONATIVOS- 



Jbmal da Sociedade das Sciencias Medicas de líi- 
hoa. — 2.' Serie —Tomo 7.*^ — N. 8 — 8.* — 1 V 
— - Oflerecido pela mesma Sociedade. 

Jornal da Sociedade Pharmaceutica Lusitânia. ^V 
Serie — Tomo 1.*^— N.* 12 — 8/— 1 K.^-OÍ- 
ferectdo pela mesma Sociedade. 

Jornal de Pharmacia e Sciencias accessorias, it LV 
boa. — 1.' Serie — 4.* anno — Janeiro de 1831 - 
4.® — 1 N-* — Offerecido pelo* Sfii^ José Tedeschi. 

Revista Militar. — Tomo 2.'* — N."* Í2 — ft- 
lembro de 1850 _ 4.* — 1 N/ — Offerecido pebtt- 
recção do Jornal. 

Quadro Elementar das Relações Politicas t Diflf^ 
maticas de Portugal com as diversas Potencias do Jf«»- 
do elc. — . Paris 1850 — Tomo 6.*— 8.**— 1 Vil 
— Offerecido por seu autor o Sfir. Viscoode de Saoti- 
rem. 

Historia Sagrada do Antigo e Novo Testatnftíti, 
para instrucçào e santificação dos Fieis elc. — Tomí» 
!.• e 2.*— Paris 1830 _ 8.*— 2 vol. 

Exercícios progressivos , oraes e por escrito , «*« 

a Grcmmatica Franceza , e Arte de traduzir o iim& 

Francez em Portuguez. — Paris 1850 — 8.* — l'<í 

Grammaiica para os Portuguezes e Brasileim f» 

desejão aprender a Lingua Franceza , sem esquiceras « 



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(7) 

propriedade e o giro da sua etc. — Paris 1850 — 8/ 

— 1 vol. — Estes ultimas três obras forào offerecidas 
por seu autor o Silr. José Ignacio Koquete. 

Bulletin de la Sociité de Géographie de Paris. — * 
3èroe Série —Tomo 13—1850 — 8.^—1 Vol. — 
Offerecido pela mesma Sociedade. 

Le Bande Garibaldiáne a San Marim. RaccorUo 
storlco dei Capitano Oreste Brizi « Aretino. Ârezzo. — - 
1850 — 8."* — 1 exemplar. — Ofierecido por seu au- 
tor. 

Qumstiones^ qu€B in a. 1849 proponuntur a Socie^ 
tale Regia Danica ScietUiarum cum prmnii promisso. 

— 8.° — 1 exemplar de 3 pag. 

Censura commentationum Societati RegicB Damcm 
Scieniiarum a. 1847 ad prcemium reportandum oblata-- 
rum y et novoB qucestiones^ quas in a. 1848 proponit 5b- 
cietas cum proimii promisso. — 8.* — 1 exemplar de 
3 pag. 

Otersigt ofDer det Kgl. danske Videnskábemes Sels" 
kabs Forhandlinger og dets Medlemmers Arbeider i 
Aaret. — 1847 — Í848. 

Resumo das Actas da Sociedade Real das Sciencias 
de Dinamarca , e dos trabalhos dos seus Membros y dvr* 
rante os annos de 1847 — 1848. — Copenhague 1848 
_8.°_2 Vol. 

Det Kongelige Danske Videnskábemes Selskabs scri-' 
fíer. Femte Raekke. Naturvidenskabelig og Mathemalisk , 
ofdeling. Fõrste bind. Memorias da Sociedade Real das 
Sciencias de Dinamarca. Sciencias Naturaes e Mathema- 
ticas 1.* Vol. — Copenhague 1849 — 4.''— 1 Vol. 



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(8) 



JSSEÍÍBLEJ D^EFFECTÍFOS DE «5 DE 
JANEIRO. 



Presídio o Sfir, Jo6é Liberato Freire de Carvalha 

ConcorrérXo á Sessio o Secretario perpetoo Joa« 
quim Jotfé da Costa de Macedo , e os Sdr/' Aotonio 
Diníi do Couto Valente, Francisco Ignacio dos San- 
tos Cruz , Francisco Freire de Carvaltio , Francisco Pe* 
dro Celestino Soares , Barão de Reboredo » Ignacio An« 
tonio da Fonseca Benevides, Fortunato José Barreiros , 
Agostinho Albano da Silveira Pinto, e Francisco Recreio, 
Sócios EfFectivos ; Mattheus Valente do Couto Dinii , e 
António Albino da Fonseca Benevides » Substitutos d'£f- 
bctivoa. 



COMHUNICAÇÕ£S« 



Leo o Secretario perpetuo: 

1.** Uma Portaria expedida pelo Ministério dos Ne- 
gócios do Reino, em 14 do corrente, do theor seguinte: 



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(9) 



Ministério do Beino. e= Secretaria Geral ss 2.* 
Repartição == N. BOI = Livro 8/= Manda Sua Ma- 
gestade , A Rainha , pela Secretaria d'Estado dos Ne- 
gócios do Reino, participar á Academia Real das Scien- 
cias de Lisboa, em resposta á sua Representação de 18 
de Dezembro ultimo , que , Anduindo- aos justos desejos 
manirestados por esta illustre Associação , Houve por 
bem , por Carta Regia de 26 do mesmo mez , Fazer / 
Mercê ao Visconde de Santarém , Guarda mór do Real 
Arcbivo da Torre do Tombo , e Sócio da mesma Aca- 
demia , de o Elevar á Dignidade de Grão-Cruz da Or- 
dem de Christo. Paço das Necessidades, em 14 de Ja- 
neiro de 1851. =: Conde de Thoman 



í 



2.^ Propondo que se devia agradecer a Sua Mages- 

tade a contemplação que lhe mereceo a Representação f 

a que allude a Portaria acima transcripta — exprimio ! 

os sentimentos de gratidão da Academia por esta ma* t 

neira : " t 



SENHORA = A Academia Real das Sciencias de 
Lisboa , querendo apresentar a Vossa Magestade o tri- 
buto do seu reconhecimento pela benevolência com que 
Vossa Magestade attendeo uma representação em que a ^ 

Academia levou & Augusta Presença de Vossa Magesta- ; 

í 



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(10) 

<te 08 serviços Académicos do seu Sócio , o Visconde de 
Santarém, nSío acha termos capazes de manifestar a 
Vossa Magestade os sentimentos que a animâo. Na im- 
possibilidade d*exprimír devidamente a Vossa Magestade 
a sua respeitosa gratidão, a Academia supplica a Vossa 
SIageslade Se Digne acceitar os mais ardentes votos que 
ella fai pelas prosperidades de Vossa Uagestade» cuja 
Uagnanimidade , sempre soUicita em mostrar-se Prote- 
ttora das Sciencias « e da Academia , a honra e agracia 
nas mercês que liberaliza aos seus Sócios. 

A Augusta Pessoc de Vossa Magestade guarde 
Seos por dilatados annos. 

Academia Real das Sciencias, em 23 de Janeiro 
de 1851. — José Liberato Freire de Carvalho — An- 
tónio Diniz do Couto Valente — Francisco Ignacio dos 
Santos Cruz — Francisco Freire de Carvalho — Fran- 
cisco Pedro Celestino Soares — Mattbeus Valente do 
Couto Dinii — António Albino da Fonseca Benevides 
— BarUo de Reboredo — Ignacio António da Fonseca 
Benevides — Fortunato José Barreiros — Agostinho Al- 
bano da Silveira Pinto — Francisco Recreio — Joa- 
quim José da Costa de Macedo. 

O que foi unanimemente approvado. 



3/ O extracto da Censura pedida pelo Sllr. Casti- 
lho , sobre a sua obra « que tem por titulo -^ Leiiura 
Mepentina^ a saber: 



III.''* Sfir. =■ A Academia Real das Sciencias de 
Lisboa recebeo a obra que V. S/ teve a bondade de 



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' ' 



% 



(11) 

offerecer-lhe , intitulada — Leitura repentina — cora 
a carta de V. S/ em que pedia o juizo da Academia 
sobre a mesma obra. Para satisfazer a V. S.* fez a A- 
cademia examinar esta composiçllo; e os Sócios a quem 
foi commettido este encargo encontrarão nella um tes- 
temunho dos efficazes desejos que V. S.* tem de facilitar e 
promover o progresso da instrucção publica desd os seus 
mais simples e primários elementos ; porém notarão : ^ 

Que sendo o methodo por V, S/ adoptado e aper- j 

feiçoado para ensinar a ler o de Mr. Lemare, e não < | 

sendo geralmente seguido em França este methodo, t | 

que é ignorado fora de França, como V, S.* confessa, 
isto induz a persuadir que nSo desempenha cabalmen- 
te o que se inculca , aliás ter-se-hia vulgarisado por 
toda a Europa , como acontece em qualquer invenção , 
ou innovação scientiGca de reconhecida e geral utilida- f 

de: 

Que efiectivamente as figuras designando objectos 
cujo nome principia por cada uma das lettras do ai- [ 

phabeto , e acompanhando os signaes que representào ; 

essas lettras, forão usadas em Portugal ha séculos, des- > 

de que se imprimirão as cartilhas de João de Barros, . 

e do M/ Ignacio, e omittirão-se em todas as carti- í 

lhas por onde se aprende tanto em Portugal como nos 
outros Paizes, por se assentar que era mais fácil en- ^ 

sinar fixando a attenção dos meninos n'um signal sim- f 

pies, como é cada uma das lettrsrs do alphabeto, do 
que distrahindo-a com objectos estranhos , como são as ^ 

figuras : ^ \ 

Que lhes parecia que nas primeiras idades, quan- \ 

to menos se carrega a memoria com regras, mais \ 

promptamente se aprende, e por isso as regras em 
verso , que se lião n'outro tempo até úas artes da ^ 

liugua Grega, forão banidas do ensino: | 



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( 12) 

Que os nmneros postos por eíma das lettm pm 
ensinar a soletrar, em logar de facilitar o ajuntameo- 
to das lettras , formando syllabas , o tomio sais coift- 
plícado , obrigando os discípulos a recorrer cootioua- 
mente ás lições precedentes : 

Que , sem entrarem na analyse especial de cadi 
um dos sons das lettras , que V. S/ diz serem io^- 
dos pela natureza , e de cada um dos outros objectos de 
que trata a sua obra, o que seria mui longa tareia , mas 
de que, não obstante isso, tocão alguns pontos , lhes pa- 
rece que , pelo seu methodo não se tornaria a leitura 
mais repentina do que pelos methodos ordinários , sendo 
empregados por mestres que ajuntassem á aptidlo ne- 
cessária , amenidade de trato , e benevolência para com 
as crianças cujo primeiro esboço de educação litterana 
lhes incumbe promover, principalmente se fossem au- 
xiliados por algum meio mecânico , como lettras soltas 
feitas de cartão , ou escriptas em cartão etc. 

Que muito estimarião enganar-se neste seu juíio, 
e que o methodo proposto por V. S/ produzisse todos 
os eflfeitos que V. S/ pretende , de que resultaria maíto 
louvor e credito para seu autor, e muito aproveita- 
mento para o ensino publico. 

A Academia conformou-se com este parecer : o que 
tenho a honra de participar a V. S.*==Deos g/* aV. S.' 
Lisboa 23 de Janeiro de 1851. = 111.*'' Sãr. Antó- 
nio Feliciano de Castilho = Joaquim José da Costa do 
Macedo , Secretario perpetuo da Academia, 



Determinou-se que ae remettesse ao Sfir. CastiOiftr 



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(13) 

Assentou-se que dora em diante a Academia se 
absteria de dar o seu juizo sobre qualquer obra impres- 
sa de qualquer dos seus Sócios , ainda quando por elles 
Ibe fosse pedido. 

Procedendo-se á eIeiç9o do Snr. Marquez de Re- 
sende para Sócio Correspondente da Academia , propos- 
to na Assemblea d'Elfectivos de 18 de Dezembro, foi 
unanimemente approvado. 



H 









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( !♦) 



SESSJO LITTERJRU DE 1« DE FEVEREIRO. 



Presidio o Sftr. José Cordeiro Feio. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo, e os Sfir/' Antooío 
Diniz do Couto Valente , João da Cunha Neves e Car- 
valho Portugal 9 Francisco Freire de Carvalho , José Li- 
berato Freire de Carvalho, Francisco Pedro Celestino 
Soares, Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Francisco 
Becreio , Barão de Beboredo , Fortunato José Barreiros, 
Ignacio António da Fonseca Benevides , Agostinho Alba- 
no da Silveira Pinto , e Francisco Elias Bodrígues da 
Silveira , Sócios Effectivos ; Mattheus Valente do Couto 
Diniz , e António Albino da Fonseca Benevides , Substi- 
tutos d'Effectivos ; Manoel António Ferreira Tavares , e 
António Caetano Pereira , Sócios Correspondentes. 



COBBESPONDENCIA. 

Leo o Secretario perpetuo : 

1/ Uma Portaria expedida pelo Ministério do Beí-« 
DO DO primeiro do corrente, partídpando á Acadenúa, que 



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(15) 

por Portaria de 30 de Janeiro ultimo se ordenara ao 
Inspector geral das Obras Publicas mandasse fazer cin- 
co roezas para a collocaçdo das conchas univalvas do Mu- 
seu da Academia , na conformidade do que se pedio em 
representação de 12 de Dezembro antecedente. 

2.^ Uma Carta da Sociedade Real d'Edimburgo, 
com data do 1.^ de Julho de 1848, acompanhada do 
uma Medalha cunhada em honra de Nepier, inventor 
dos Logarithmos 9 que a Sociedade offerece á Academia 
como testemunho do respeito que lhe consagro. 
£ntregou-se a Medalha ao SHr. Thesoureiro. 

Resolveo a Academia que fossem impressos nas 
Actas 06 Programmas que nella se apresentarão , re- 
mettidos pela Academia das Sciencias do Instituto de 
Bolonha, e pela Academia Real das Sciencias de Tu- 
rim f que são os seguintes : 



Programma iélT Aecademia delle Scienze delVIstituto di 

Bolognaf fel coneorso ai premio Aldini sugVin* 

cendi per Vanno 1852. 



Avento quest' Accademia conseguito in due co« 
piose Memorie dei cb. Signor Francesco Del Giudice , 
da essa coronate di premio [la prima delle quali fu già 
pubblicata pe'suoi tipi , e 1' altra è prossima a pubbli* 
carsi], la soluzione dei due quesiti proposti nel 1842 , 



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[16] 

e nel 1845 sui roetodi generali per Ia estíoiíooe • 
incendi , e sul regolamento dei corpí dei Pompierí; cre^ 
de ora utile il cercare di rendere popolari tutte le ex^ 
gnizioDi attinenti ali' importantissimo argomento di pre- 
venire e di estinguere gl' incendi. Propone quindi íl pre* 
mio di una medaglia d' oro dei valore di ãcudi romani 
cento , assegnato dal benéfico testatore Cav. Prof. Aldi- 
ni di Boiogua , ali' autore dello scritto che colle aottooo- 
tate avvertenze e condizioni presenti, a gíudmo dellt 
siessa Âccademia , la miglior Mluzione dei tema segaeiH 
te; 

Manuale 'praíieo per gVincendi. 

II Manuale conterrà , sotto la maggbr brefità e 
chiarezza possibile , due parti : La prima » delle cautde 
pubbliche e private, colle preserizioni spêciali atte a prevenire 
gr incendi. La seconda » delle pratiche piu sicure per o- 
tinguerlí. In questa seconda parte saranoo distinti gli 
edifici pubblici e privati piíi sottoposti ai pericolo degl' 
incendi ; e secondo il loro uso , la loro forma , e la ma- 
téria di cui sono composti , dovranno esporsi le speciaií 
regole per estinguervi il fuoco, siano essi ne' luogfai, 
ove si trovano stabiliti í pompierí , o in queUi cbe ne 
mancano. Si cbiarirà quindi questa parte classando coo 
esempi ben circostanziati tanto gli uni che gli altrí edi- 
fici , prescrivendovi il modo da tenersi per V estinzíooe 
deir incêndio secondo il caso particolare, e quando sia 
fattibile, corroborando il modo proposto colla storía dd 
buon successo conseguito nei casi simili. Si concluderà 
colla indicazione delle imperfezioni che si trovaoa ao- 
cora nelle pratiche sin ora usate^ e di cosa restí a 
(arsi per emendarle. 

Le Memorie per questo Goncorso dovraBDO penv- 



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(17). 

tiire franúhé A Bologna entro il mese Ai Ottobre deli* 
anno iDÍIIeottocentociiK|uantadue con queslo preciso iii- 
dirízzo = Al Segretwrio deW Accademia delle Scietkze 
deW JsíUuto di Bologna =: uo iate termine è di ri- 
gore, e perciò non sarebbero ricevute pel Concorso le 
Memorie cbe glungessero ali' Accademia , spirato 1' ul- 
timo dl deir índicato mese. Potranno essere scHite o 
iu italiano, o in latino o in francese» L* Accademia 
richiede la maggiore esatteizá nelie citaziuni di Opere 
stampate, e la maggiore autenticità ne' documenti in 
iscritto, cbe afi[li Autori torni di menzionare a prova, 
o conforto di loro asserzioni* Ciascun concorrente do- 
vtà contraAâegnore con un' epigrafe qualsiaai la sua 
Memi^ia, ed accompagnare questa d* una scbeda sug- 
gellata, la quale raccbiuda il nome, cognome ed índiriz- 
20 di lui^ ed abbia ripetuta ali* esterno la predetta 
epigrafe. I concotfenti avranno tutta la cura di non 
farsi conoscere; poicbè quegli, cbe per qualcbe espres- 
sione delia sua Memoria , o in qualsivoglia altra ma- 
niera si facesse conoscere, verrebbe escluso dal Con- 
corso. Spirato il Sopradetto termine , e succeduto il 
gludizio delle Memorie di Concorso, secondo V análo- 
go regolamento deir Accademia, verrà aperta la sola 
scbeda delia Memoria meritevole dei Premio, edel pre- 
miato si pubblicberà tosto il nome. 

Bologna dalla Residenza deli* Istituto il dl 9 Gen- 
iiajo 1851. 

n Presidente 
Prof. Cav. Micbele Mediei. 

H Segretario 

Dott. Uorncnico Piani, 
Tomo |II, 2 



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( Í8) 



Académie R. des Science» de Turin. Classe de$ Sciemei 
Pliysiqaes et Mathémaliques. Prix fandés par Mr. It 
Onnie Pillet-Will; Membre fiou résidani de rAeaié- 
mie. Programine. 



Un seul de9 prix institnés par Moifsíetir Te Comfe 
PiLLET-WiLL, conforméroent aux Prógrainmes publfe 
par l*Acadétníe le 8 mai f 8i2 et le 23 janvier 1848, 
a été décerné , celui de Chimíe « les autres traTaax eiH 
voycs au concours n*eD ajant pas rempli (oules les coih 
ditions. 

Si , d*unc part , rAcadémk? a reconnu dans qnd- 
ques-uns de ces travanx un certain inérite , qut lui don- 
ne un espoir fondé d*une meilleure réussite, clle a, d'a6- 
tre pni^t , rédéchi que les convulsions politiques , qni ooC 
agite I'Europe pciidant ces dernières années, peufeota- 
voir détourné bien des Auteurs distingues de consâcrer 
leurs talonts à de telies compilations scientifiques ; ca 
considérations, jointes au désir de seconder les intenlloi* 
mnnifestées par le généreux Fondateur , lont déterniinée 
*à proro^er encore une fois le terme du concoars aui 
trois prix , qui rcstent à décerner , afin de donner «oi 
uns et aux autres le temps et les moyens de parvenir à 
un plus heureux résuItaL 

Pour venir en aide à ceux quí auraient déji re- 
cueilli, des matéríaux ímportants sur les sajets propcsé^» 
et pour rendre moins difficile Texécution du plan quíls 
se seraient déjà trace , rAcadémie a jugé devoir coi^' 



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[iO] 

(iaris ce dcrhier âppel . qu'ellé íalC áux ÉrráiHi ; íe# 
ici|)ales couditions du Programme precedente, mquti 
n*a apportéj daccord atcc Mr. le Çomte Pillet-» 
LL, que ies lógères modffications exigées par lès cir^ 
stanees actuéiles ; en conséquenee , rAcadénite Hojar* 
Ies Sciences de Turíii proposc áe nouveau ies condi-^ 
IS suivaiiles : ^ 

1.*" Un príx de deux rnílle cinq-^cétit francs est mis 
conòours pòur chacun àtí cés trois duvrai^és i Savoir s 

Une irftftfduction á Télude de la Phjsique ; 
Une ííltroductioo à Tétude de Ia Mécanlque i 
Une liilroductioA à Í'Éiudé dei )'AMfononiie. 

2.** Ces ouvragcs ^tirront àvoir la forme de Tratíés 
nentairfê i ils devrbrít faire connaltre « en abrégé ^ )' 
oire et la philosophie dd Ia sciénce, leè métkodes 
ies pour arriver aux connaissaríces qui en fbrment 
yet ,' et devront éri même temps sei^vir à rínslruction 

masses 4 et préparer à une ^tudé plus npprcftbndie de 

mèm(ís Sciences. 

i/' Le* concurrént^ poúrront emplojer íes príncipes 
calcul qui seront absolum^tít nécessaireâ^ pour Texpcn 
)n àcs méthodes et des résultats , sans dépasser ce-* 
dant Ies bornes des connaissances de ce gênre , que 
I sait étre assez généralement répandiies^ 
Lés otívragéâ; destines B\i éofícours derre^t être iné« 

et écriís lisiblement en lanfgue* italfenne ou françai- 
Les Auteurs M'y mettront point leur norn , mais seu- 
ent ime épigraphe ou dévise, qui será fépétée sur 
billet cacbeté 9 renfertnant leur nom et leur adresse ; 
ouvrage ii'est pas courouiié , le billet ne será pas ou- 
; et será brulé. 

Siont admis au coficoufs tes Sataiits de tous les 
» y excepté les Membres résidanls de T Académie« 

2 * 



i 



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(20) 

Le terme do concours est fixe irtréfocabiemnÈ 
31 décembre 1852, Avant lexpíratioD de ce tenae. 
maauscríb devront étre remis, cachetés et frma 
pari 9 au Secretarial de rAcadémie Royale des Sdis 
de Turín. 

La propriété des oovrages cooronnés est rsp 
aiiz Auteurs. Turio, 12 janvier 1851. 



Le Pridd€9á 

C/* ALEXAICDRE DB SALUCES. 

Lt Stcrèiin 

HTACINTHE CÃMSSL 



MEMORUS UDAS. 



Leo o Sfir. JoSo da Cunha Neves e CarraDioh' 
tugal parte das suas : Reflexões breves sobre o LàfféÊ 
do Barào de RosmUal. 



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(21) 



DONATIVOS. 



Orçamento do anno económico de 18S1 — 1852. 
.isboa 1850 — foK — 1 Vol. — Mandado pelo Hi- 
rio do Reino. 

Jornal da Sociedade Pharmaceulka Lusitana. -— * 
érie — Tomo 2."— N.* 1 — Lisboa 1851 — 8.* 

N.^ — Offerecido pela mesma Sociedade. 
Remta Militar. — N.* 1 — Janeiro 1851 — 
) 3.*— Lisboa 18^ — 4.'— 1 N.^— Offerecido 
DirecçOo do Jornal. 

Jornal de Pharmacia e Sciencias access&rias^ de Li^ 
— 1.' Série — V anno — Fevereiro de 1881 
•.* — 1 N.* — Offerecido pelo Si\r. José Tedescbi. 
Cenno sul Carbonchio e Carboncello. — 1 folha com 
coiumnas. 
// Manlconio mlla vetla dei Monle Bianco. — 1 

com 6 coiumnas — Offerecidos estes doas papeis 
Presidente Fenicia. 

Comptes renduê hebdomadaires desSéances deVAca- 
9 ies Sciences [Instituto Nacional de França]. — - 
) — Deuxième semestre — Tome 31 — N." 13» 
15, 16, 17 , 18 e 19 — V gd.*— 7 N.*'— 
ecidos pelo mesmo Instituto. 
Proceedings of the Royal Soeieíy of Edinburgh. -^ 
» 2.*— 1847 — 8."— N."* 31 , 32, 35 . 36. 37, 
39 — 8."— 7 N." 



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(22) 

TransaclinnB of lhe Jloyal Sociely of EthAwjjk^ 
Tom^ 16 — Parle 4.'— For the Session 1847-1$^ 
^ 4.«>_ 1 Vol. 

Uem — Tomo 20 r- Parte 1/— For IbeS 
BioQ 18i9 — 1850 ^ 4/-r- 1 Vol, 

Idem :sss Rfporí to General Sir Thoma$ Méh 
gall Brisbafke , Bari êlc. -t:^ Ediíibqrgh -rr V-^ 1 1 
rrr Otfcrecidns a$ sobreditas quatro obras peja SotU 
de Real dEdimburf^o. 

General rei^ll$ of th$ ob$ertaii(ms in Magattim 
JUeíeorologff 9 mad eU Makerslonn in $ro</aii<', » 
ObseriMonf of General Sir Thamas Makiangal Brii 
fff , Bart ête. Wiih detailed TMes of results /«/ 
yenrs (845 qnd 1846, -rrr Edinburgh 1850 r-i;;i 
— 1 Vol. 

Proeedingã of th Bmfol Sociely. -r* 1849 -l 
73 c 74 --.. 8.^-* i Kf' ^ 

Philosophical Transaetions of the Ri^ Sodi^ i 
London. ^ For the year 18$0 -^ Parte 1/r-i- 
1 Vol. — Offiereçidai estas duas obras pela Sfxxà 
Beal de Londres. 

Ménotrés dê la SneíAá hnpériale d^ArdMípi 
St. Pétersboiur^. — Si. Péter(bourg 1850— Siippléi* 
8.^ — • 1 N.^ 

idem — X. rVol. IV. N.* 1]. ^ St, Petenta 
1850 — 8.*— i N.*— Offerecidos estes dous^fí 
la referida Sociedade. 

Prograínma d^ll' Academia delU Seien%e MbM 
tú di Bologna pfl coneorso ai premio Âldim 9t(f i 
cêndi pcf Vanno 1852 -» 4." — 1 exemplar. -A 
ferecido peslo dito Instituto. 

Aeadémie R. des Sciencet de Turin. rr-O^^ 
^ences Phjf^fpies el Mqthámatifies -?? Prix {oviaf 



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( 2í :) 

Mr. le Comte PillehWill. Programme. — 4.**— 1 cx- ' 

emplar -^ Oíferecido pela dita Âcadeniia. i 

Abltandlungen der Kõnigliehen Akademie der ÍFiV 
senschafien zu Berlin. Aus dem Jahre 1848. — Ber- j 

liii 1850 -^ 4»'' gd/ — 1 VoL [Memoriai da Academia 
Keai das Sciencias de Berlin no anno de 1850]. 

Bericiu aber die zur Bekarmtmachung geeignelm 
Verhandlungem der Kt^igL Preuss. Akademie der Wis^ 
sen^hafien zu Berlin [Analvie dos trabalhos da Acade* * 

mia Keai das Scieocias de Berlin, destinados para se 
publicarem], -^ Julho de 1849 a Junho de 1850 —8.'' 
-'-^ 1 1 N.°' ; porque um delles comprehende os mezes 
dQ Septembro e Outubro de 18i9. — OíFereeidas as 
duas ultimas obras pela Academia Real das Sciencias 
de Berlin, 



PARA o MEDALHEIRO DA ACADEVIA. 



Uma medalha com a effigie de «Nepier , o iu?eiH 
tor dos Logaritbmos. — OSerecída pela piedade Real 
de Edimburgo, 



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(21 ) 



ASSBMBLKd DEFFECr/roS DE « DE 
FJiFEÍtEJRO. 



Presidio o Snr. José Cordeiro Feio. 

ConcorrírUo á Scssjo o Secretario perpetuo Joa- 
quim Josó da Costa de Macedo , e os SS)r/' I^díodío 
l>inii do Couto Valente , Jofio da Cunha Nercs e Car- 
valho Portu$^aI , Francisco Freire de Carvalho , José Li- 
berato Freire de Canalbo, Francisco Pedro Celestino 
Soares , Francisco Recreio , Bar^o de Reboredo , Ignacio 
António da Fonseca Benevides , Marino Miguel Franzi* 
ni, Fortunato José Barreiros, Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto. Francisco Ignacio dos Santos Cnii, e Fran- 
cisco Elias Rodrigues da Silveira, Sócios Eflertivos ; Hat- 
theuB Valente do Couto Diniz, e António AlbiBO da Fob* 
seca Benevides » Substitutos dTfTectivos. 

Besolveo-ise que os Sócios da Academia « que Ie« 
rem em alguma das suas Sessões qualquer memoria « ou 
escrípto , se entenda que a memoria , ou escripto lido S* 
ca pertencendo A Academia , coroo propriedade sua ; ex- 
cepto se a Academia lhe der licença para o ler sem es- 
ta condição. 

O Sflr. Daniel Augusto da Silva foi eleito Socio 
Livre da Academia por unanimidade de votoa. 



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(25) 

Determinou a Âcaclemia que o SSr. António Fe1i« 
ciano de Castilho fosse riscado da Lista dos seus Sócios 
Correspondentes » em consequência do que publicou uo 
N."* 5 do 2/ VoL do Periódico — ii Semana. 



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rGoogk- 



(*») 



SESSÃO LITTERJRIJ DE 26 J)E FEFEKEIRO. 



Presídio o Sfir, José Libcrato Freire de Carvalho, 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo» e os SAr/' Antooio 
])iniz do Couto Valente , Francisco Igoacio dos Santos 
Cruz , João da Cunha Neves e Carvalho Portugal, Frao- 
cisco Pedro Celestino Soares , José Cordeiro Feio, Fran- 
cisco Kecreio , Barão de Reboredo , Ignacio António da 
Fonseca Benevides , Marino Miguel Franiíni , Fortunato 
José Barreiros, Agostinho Albano da Silveira Pinto, 
Sócios Effectivos; Mattheus Valente do Couto Diniz, e 
António Albino da Fonseca Benevides , Substitutos àfS- 
fectívos ; António Caetano Pereira , Sócio Correspoodeih 
te. 

O Snr, Vicc-Secretario participou que não podia 
comparecer nesta Sessão por incoounodo de saúde, 

O Snr, Barão de Reboredo offereceo á Academia 
a sua Obra intitulada -^ Taboa Hydrographica das Ro- 
chas , Baixos , Vigias , Becifes ek. , q[ue tem sido rteth 
nhecidos nos vastos mares do globo , e se tem deiermm* 
do pela sua longitude , $ latitude geographica. 

Foi entregue ao S&r. Director da Qasse resfetíi' 

; 



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C«r) 



MEMORIAS LQ>A5, 



O Snr. JoSo da Cunha Neves e Carvalho Portu^ 
gal continuou a lér as suas — Brfve9 reflexies sobre o 
fUmrqriç 49 fíorào 4p Romiíidf 



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(28) 



DONATIVOS. 



Jfmiía MilUar N.* 2 — Femeiro 1851 — 

Tomo 3/— 4.^— 1 N/ — OOereciJo peU Direcção 
do Jornal. 

Jartiaí da Sociedatfe dan Sclencioit Medicas de Li^ 
boa. — 2.' Série — Tomo 7/— N.*' 9 e 10 — 8/ 

— 2 N.*' — Offerecidos pela mesma Sociedade.. 

Jornal dn Sociedade Pharmaceulica Lusitana. — 
2/ Série — Tomo 2.**— N • 2 — 8."— I N.*— Of- 
ferecido pela mesma Sociedade. 

Exame Histórico em que se refuta a opinião da 
Sítr. A. Herculano sobre a Batalha de Campo d'Ouri^ 
que. — Lisboa 1851 — 8.'— 1 exemplar — Offereci- 
dj pelo Sfir. António Caetano Pereira. 

Çuélques considèraiims mir VAnatomie Ckhrurgica" 
le de la région mammaire. Par J. A. Giraldes etc. — 
Paris — 4." — 1 exemplar — Oflerecido pelo Autor. 

Tables des Comptes rendus hebdomadaires ies Séan» 
tes de iAcadémie des Sciences (Instituto Nacional de 
Françal ~ Tomo 30 — Jan?ier4uin 1830 — 4.* gd.' 

— 1 exemplar. 

Qmiptes rendus — idem. — Tomo 31 — N.*' 20, 
21 e 22 — 4.^ gd.'— 3 N.*'— Offerecidos estes exem- 
plares • e o do Índice , pelo mesmo Instituto. 

Mémoires de IAcadémie Impériale des Sciences de 
Sainl-PéterOourg. — 6"* Série —Sciences Mathemati* 



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(29) 

ques, Physiques et Naturelles — Tome 7*mc — jère 
parlie — Sciences Mathémaliques et Physiques — To^ 
me Bimo — 3me Livraison — àaiut-Petcrsbourg 1849 
— 4.*gd/— 1 Vol. 

Jdm. — 4"* Livraison — 1830 — 4.* ed.* — 
1 Vol. 

Idem. — 2,** partie: Sciences Nalurelles — Tome 
gime — ^hnie et 6*0»* Livraisons — 4.* gd/ — 1 Vol. 

Idem. — 6*i"« Série — Sciences Mathematiques , 
Physiques et Naturelles — Tome 8ime — 4*» Livrai*- 
8on— 4.* gd/— 1 Vol. 

Mémoires presentes á VAcadimie Impéride des 
Sciences de Sl-Pétersbourg. Par divers savanís , et lus 
dans ses Assemblées. — Tome 6^«ne — 4"* Livraison — 
St-Pétersbourg 1849 — V gd/— 1 Vol. 

Éecueil des Aeles des Séances Publiques de VAe(i^ 
démie Imperial des Sciences de Saini-^PAersbourg ^ l«- 
mes le 28 Déeembre 1847 et le 29 Décembre 1848.— 
St-Pétersbourg 1849 — 4.* gd.^— 1 Vol. — (Mere- 
cidos os sobreditos seis últimos Volumes pela Academia 
Imperial das Sciencias de S. Petersbourg. 

Zur Geschiehle Casiiliens. — Brucksíucke ausder 
Chranik des Alonso de Paíencia Herausgegeben wn Dr. 
TFtMf /m Luducig HoUand [Das Historias Castelhanas — 
Fragmentos da Chronica de Alonso de Paleucia , publi-» 
cados pelo D.""' Wilhelm Ludwig Holland]. — Tubin-* 
gen 1850 — 4.^— 1 exemplar — Offerecido pelo Att« 
tor. 



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(30) 



SESSJO LITTÉRJRIÂ DE le DÉ iÍÂRÇâ 



tfeúâi& o Stir« Jofló Cordeiro Feio. 

CôncorrérSo á Sesséo o Secretario perpetuo Joa^ 
quiiir JO06 éà Costa áe Macedo ,• e os Silr/^ AnCdorar 
Dina do Coufo Valente , Jo2o da Canha Neve^ e Car- 
talho Portugal t Francíseò Freire de* Carvalho, José Li- 
ber^Co F^ieire de Carvafho, Francisco Ignacio dos San- 
UmCnM^ Francisco Pedro Celestino Soares, FraiibiiM^o 
Recreio , Barão de Rebo^edo , Ignacio António da Fon^ 
seca Benevides, Marim) Migael Franzini, Fortunato lo- 
aé Barreiros, Agostitrfio Albano da Silveira Pinto, e 
Francisco Elias Rodrigues da Silveira ,* Sócios eSectivos : 
António Albino da Fonset:a Benevides* e Mattheus Valen- 
te do Couto Dinis , S«lhs(itutos d*eirectívoa; Astoni» 
Caetano Pereira , Soelo' Correspotídeote»^ 



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(3i) 



CORRESPONDÊNCIA^ 



Leo o Secretario perpetuo t 

1/ Uma Carta do SiV* Rodrigo dê Souía Knlo 
acompanhando o seu Opúsculo sobre as Refracções atmo^ 
phericas , de que ofiereceo um exemplar á Academia. 

2/ Uma Carta do Secretario da Acadeniia Real 
das Sciéncias de Madrid participando a remessa das 0-> 
bras por ella publicadas. 



MEMORIAS LIDAS, 



O Sur. Francisco Recreio leo : 

j 

Uma =: Memoria histórica àa Vida e escriptos do j 

P* Joaquim de Foios. I 

Foi entregue ao Sfir. Director da Classe* 



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(32) 



DONATIVOS. 



/omol de Pharmaeia e Seieneias aeee$$oruu^ ie 
liàboa. — 1.* Série — 4.* aono —Março de 1851 — 
4,»_ 1 N.""— Offerecido pelo SOr. José Tedeschi. 

Da$ refraeções athmofphpriea». -~ Lidboa 1830 — 
8/ — ' 1 exemplar. — Offerecido por Seu autor o Sãr. 
Rodrigo Ribeiro de Sousa Pioto. 

OmpíCi renduê hebdamadaires da Sámccf de TA- 
cadémie de» Scienee$ [Instituto Nacíooal de França]. -^ 
1850 — Deuxième semestre — Tome 31 — ff."^ 23 
e 24 — 4.'' gd.*— 2 N.""'— Ofierecidos pelo mcsDo 
Instituto. 

Tran»aeti(m$ of the Royál Socieíy of Ediídmr^ 
~ Vol. 18 — Bdinbuiíjh 1848 — 4.* gá.*— - 1 Vd 
— Offerecido pela mesma Sociedade. 



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(33) 



SESSÃO LITTERáRIÀ de «6 DE MARÇO. 



Presidio o S&r. José Liberato Freiro de Carvalho. 

Concorrerão á SessSo o Secretario perpetuo Joa- 
quim José da Costa de Macedo , e os Sflr.*' António 
Diniz do Couto Valente, João da Cunha Neves e Car- 
valho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Francis* 
co Pedro Celestino Sçares * Francisco Ignacio dos Santos 
Cruz, José Cordeiro Feio, Francisco Recreio, Bar&o 
de Reboredo , Ignacio António da Fonseca Renevides » 
Marino Miguel Franzini , Fortunato José Rarreiros , A- 
goslinho Albano da Silveira Pinto; e Francisco Elias Ro- 
drigues da Silveira, Sócios ERectivos; António Albino 
da Fonseca Renevides, e Mattheus Valente do Couto 
Diniz , Substitutos d'Effectivos ; Daniel Augusto da Sil- 
va, e Júlio Máximo d'01iveira Pimentel, Sócios Livres; 
Autonio Caetano Pereira , Sócio Correspondente. 



Tomo III^ 



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(31) 



MEMORIAS LIDAS, 



O Sflr. Daniel Augusto da Sil?a Ico « e ofiereceo 
á Academia a sua Memoria. 

Foi entregue ao Sflr. Director da Classe. 

O Sflr. Júlio Máximo d'01iveira Pimentel )eo, e 
offiereceo á Academia uma Memoria , que tem fior Ulu- 
lo -^ Àmdyie ias Agoas mineraes do Gerez ; e qoe 
tornou a levar para lho (aver acrescentamentos por ke 
lembrados. 



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(36) 



DONATIVOS. 



Sociedade Promotora da Industria Nacional — 
Exposição da Industria en\ 1849. — Relatório geral 
do Jurado, fíelatorios especiaes. — Relação dos produ-^ 
ctosi —Lisboa 1850 —8.'' — i Vol. — Offerecido pe- 
la mesma Sociedade. 

Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lis- 
boa — 2.* Série — Tomo 7.**— N.^ 11 — 8.*— 1 
N.* — Offerecido pela mesma Sociedade. 

Despachos e Correspondências do Duque de Pai" 
mella , coUigidos e publicados par J. J. do$ Reis e Vas^ 
concellos. — Tomo l.""— Lisboa 1861 — 4.* g.**' — 
1 Vol. — Offerecido pelo SHr. Conselheiro José Joa- 
quim dos Reis e Vasconcellos. 

Arsbercutelse om Technologiens-framsteg^ till Kongh 
Vetenskaps^Akademien Afgifcen den 31 Mars 1842, 
1843 , 1844, 1846 e 1848. [Relatório ancual do pro- 
gresso da Tecbnologia no anno de 1842, e seguintes] — 
8.*~ 5 Vol, — Por G. E. Pasch. 

ArsberaJttelse omframetegem iKemi wvder ar 1847. 
Afgifcen till KongL VetenskapS'-Akademien af L* F. 
Stanberg [Relatório annual do progresso da Cbimica no 
anno de 1847, por L. F. Svanberg]. — 8.** — 1 Vol. 

Kongl. Vetenskaps^Akademiens Hamdlingar , for ar 
i847 — 1848 _ 8.'— 2 Vol. [Memorias da Acade- 



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(36) 

mia Beal dasSciencias deStockholmo, nos ânuos de 1817 
e 1848]. 

Ofverrigi af Kongl. Veíenikapp-Akaãenuens for hmh 
dlingar. Fanite argangen 1848 [Revista dos Annaes da 
Academia Real das Scieocias de Stockbolmo , N."" 7 a 
lOt do anno de 1848, e o Index deste Vol.]. — 8/ 
— 4 N.** 

Nagra reflexioner i anledning af Kemins studium 
och wn detma Veíehskaps stalltung i staien. Tal Halkt 
vid prcBsidii Nedlaggande uti Kongl. Velenskap^^Akadt* 
mien dm l\ April 1849; af L F. Scanberg [A^mas 
reflexdes sobre o estudo da ehimica , e sobre as relações 
que este ramo das Scieocias tem com o Estado. Discur- 
so recitado na Academia Real das Sciencias em li de 
Abril de 1849, por L. F. Svanberg. quando deixou o 
logar de Presidente da mesma Academia]. — 8/ — 1 
Vol. 

Ardferattelier om BiHaniska arbeten och IZji^a- 
ehur for aren 1843 och 1844. TUI Kongl. f^eien^ 
kaps^Akademien Afgiffia den 31 Mar& aren 1843 ocA 
1844. Af. Joh. Em. WikUrom [Relatório anntial do 
profiresso da Botânica nos anãos de 1843 e 1844 , por 
João Miguel Wikstrôm]. — 8."— 2 Vol. 

Estas seis ultimas obras for9o oSerecidas pela A^ 
cademia das Sciencias de Stockbolmo* 



N.B. Os diários das Observações Meteorológicas, 
desde Dezembro de 1850 em diante , irto em a%ui 
dos próximos números. 



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ACTAS 

PAS 

SESSÕES 

DA 

ACADEMIA REAE. DAS SCIEIVCIAS 

LISBOA. 

1851.— N.* n. 



SESSJO LITTERARIA DE 9. DE ABRIL. 



Brcsidio o Siin José Liberato Freire de Carvalho* 

ConcotT£r3o á SessSo o Secretario perpetuo Joa« 

Sim Jo9é da Costa de Macedo , e os Sflr.''' Antooio 
ni2 do Couto Valente « JoSo da Cunba Neves e Car- 
valho Portugal , Francisco Pedro Celestino Soares , Barie» 
4e Reboredo, Fortunato José Barreiros^ Marino Miguel 
Tomo IU. 4 



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<38) 

Fraozini • Ignacio António da Fonseca Benetídes , Agos- 
tinho Albano da Silveira Pinlo» e Francisco Recrao, 
Sócios EflfectÍTOs; António Albino da Fonseca Benevides , 
e Mattbeas Valente do Conto Diniz , Substitutos d'ES»- 
ctívos; Francisco AdoUb deVarnhageo, Sócio Livre; 
António Caetano Pereira , e Carlos ^Niset » Sócios Cor- 
respondentes. 



CORRESPONDÊNCIA. 



Leo o Secretario perpetuo : 

1/ Uma Carta do Sfir. Vbconde de Santarém ae- 
cusando a recepção da Copia da representação que a 
Academia dirígio a favor delle a Sua Magestade em li 
de Dezembro do anno próximo passado» [Actas N/I. des- 
te Volume pag. 9] « agradecendo i Academia o objecto di- 
queila representação. 

2.^ Um officio do Ministério dos Negócios Efltrtn- 

riros, datado de 31 de Março ultimo, acorapashaMb 
remessa de 68 Vol. enviades de França á Acadcmit 
por via do Ministro de Sua Magestade em Paris. 



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(39) 



MEMORIAS LIDAS. 



Leo o Sílr. Varohagen lim Páa StfiptMà, que 
oinpreheDde varias Notas impréssals sòbi^e ó Caticiônèi- 
o , por ellô publicado debaixo do (itult) ÚéTrimá é 
laniaris dum Códice do Século XIV. 



«• 



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(40) 



DONATIVOS. 



Miniiterio doi Negocioê do Reino. Címúm dãf- 
renda do atmo económico de 1849 a 1850, e do eir- 
eício do (umo económico de 18i8 a 18i9. — Libyi 
ítõi — folio. -^ MaiMlado pelo referido Miotôterío. 

Reviêta Militar. — N.* 8 — Março — Tonwi' 

— Lisboa 1851 — 8/— 1 N.""— Oflerecido pela ft^ 
recçto do Jornal. 

Jornal da Sociedade * Pharmaeeutiea Uukam.-' 
2.' Série — Tomo 2.* — N.* 3 — Lisboa 1851 - 
S/-*— 1 N.^ — Offerecido pela mesma Sociedade. 

Poei Scriptum ao Livro das Trovas e Canlaresti 
ttin Códice do Século XI F. — 16.* — 1 exemplar. 

Florilégio da Poesia Brasileira ele. Tudo prer4 
do de um Ensaio histórico sobre as Leltras no Brasil.- 
lisboa 1851 —Tomo 1.* e 2.*— 16."— 2 Vol- 
OSerecidos os sobreditos três exemplares pelo Sfir. Fr» 
cisco Adolfo de Vambagen. 

Manaal de las Af/uas minerales de EsipaM y p 
apoies dei exiranjero « por D. Framisco Atvarei .b» 
la. -^ Madrid y Santiago 1850 -— FoL — t Vd.- 
Offerecido por seu Autor. 

Memorias de la Real Academia de Ciências it Ib 
drid. — Tomo l."" — 3.^ Série — Ciências natunlfi 

— Tomo 1.* — 1.' Parte — Madrid 1850 — V g/ 

— 1 Vol. 



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(41) 

Remmen de las Acías de la Academia Betd dê 
Aencias de Madrid. Per D. Mariano LoretUe. — Ma- 
Irid 1818 — 18i9 — 1850 — 8.^— 3 exemplares. 

Programa de la Red Aeademia de Ciendas d$ 
Madrid para o anno de 1851. — 4.^ — 1 exemplar. —« 
)fierecida9 as três sobreditas obras pela referida Acade* 
mia. \ 

Une file Brésilietme eãébrée a Rmen en 1550, 
tu'vi d'un fragment du XVI .^ eiècle roulant $ur la 
héogorúé dei anciens peupleê du BrésU el de$ poéeies en 
amjue Tupique de Christovan PaletUe , par Fefdinanã 
uenis. — Paris 1861 — 8.'— 1 Vol. — Offerecido 
teto Autor. 

fíepart of the General Board of Health on the Eji* 
lemie Qiolera. 1848 a 1849. — London 1850 — A- 
roinpanhado de Apendix (A) e (B). — 8.** — 3 Vol. — 
Diièrecido pelo seu Autor. 



PARA O MVSm. 



Uma caixa de insectos. — Oflferecida por Hr. E« 
ioaard Kantzow , Addido á Legaçlo da Suécia. 

Um Pardal de Java. — Offerecido pelo S&r. JcAo 
Paulo Nunes. 

Um Ouriço , e uma Ave. — Offerecido pelo SiSr. 
Conselheiro Lourenço^ Josó Mooií. 

Uma Ave. — Mandada por Sua Alteia o Priocip» 
aeal. 



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(48) 



4SSEUBLEA DEFFKCTIFOS DE $0 Z)£ 
àBRIL. 



Sutiidio o Sfir. J096 libeFate Freire de Carraflx). 

G)nconrérSo á Sessio o Secretario perpetuo ]» 
^m José dâ Coita áe Macede , e os Sllr.*' Aotom 
Uinia do Couto Valente , JoSo da Cunha Neva e C111 
italho Povtufal» Francisco Freire de Carralho, ínm 
CO Pedro Celestino Soares , Francisco Ignacio dos Sa» 
tos Cruz, José Cordeiro Feio, Francisco Recreio, For* 
tunato José Barreiros , BarSo de Reboredo , Igoacio A)^ 
tooio da Fonseca Benevides , Agostinho Albano da Si!^ 
Veira Pinto , e Francisco Elias Rodrigues da Silreira* S» 
cios Effectivos; Matthetis Valente de Couto Dinii, eA& 
tonio Albino da Fonseca Benevides , Substitutos dllt 
ctivoa. 

Procedendo-ae á votaçSo doSnr. losé Marta da O 
ta e Silva , fvoposto para Soeio Correspondente na Se» 
9to de 19 de Mbjpoo ultimo » foi uimuimemeote app 
▼ado. 

Tendo sido i^nyosto pela Classe para Sócio Line 
SDr. António Caetano Pereira , procedeo-«e è ^^ 
f Ibí uflanimeinente eleito. 

O Sfir. Director da Classe de Sciencias Moraes 
Bellas Lettras , propoz para Sócio Correspondente o Sâ 
José Barbosa Caoaes de Figueiredo Castello Branco* 



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(48) 



SESSJO LJTTBRJBJA JÍS 90 J>SÁBJUli 



Presidio o S&t. José Libcrato Freire de Carvalho. 

Concorrerão á Sessão o Secretario perpetuo Joa-* 
quim José da Costa de Macedo» e os Sfir/' ÂntODÍo 
VAmz do Couto Valente , JoSo da Cunha Neres e Car- 
valho Portugal , Francisco Freire de Carvalho , Francis- 
co Pedro Celestino Soares , Francisco Ignacio dos San- 
tos Cruz , José Cordeiro Feio , Francisco Recreio » For- 
tunato José Barreiros » Bardo de Beboredo , Ignacio An- 
tónio da Fonseca Benevides , e Francisco Elias Rodri- 
gues da Silveira, Sócios Eifeclivos; Mattheos Valente 
do Couto Diniz , e António Albino da Fonseca Benevi- 
des , Substitutos d'EfTectivo8 ; Júlio Máximo de Oliveirt 
Píraentei , e Daniel Augusto da Silva » Sociot Livres. 



MEMORIAS LIDAS. 



Apresentou o Sbr. Pimeqtel a sua ÁtuUytê doê 
Jguas mineraes do Gerez » çQip os acrescentamentos que 
lhe tinha feitOi^ « «{ijtie |e(K 



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(U) . 
Foi entregue ao SOr. Director de ClasK. 

O S&r. Jo&o da Cunha Neves e Carralho Portogil 
acaboa de ler , e entregou as suas — Reflexàu bre^ 
êobre o lUnêrario do Barào de Kosmíial. 



BtflexÕes breves sobre o Itinerário do Barão de Bosni- 
tal (1) lidas em duas Sessões da Academia Red áu 
Seiencias de Lisboa no otnio de 1851 » pfloseuSo- 
eio Effeciivo João da CunAa Neves e Carudho h- 
tugoL 



Sendo próprio do nosso Instituto académico nco- 
Iber e publicar todas as noticias qne possfto esclarerer. 
ou augmentar os annaes da Historia nacional , enUfii 
que faria algum serviço extractando e traduzindo « 
vulgar o que me pareceo de maior importância e cs- 



(1) PMe Itioeraiio é comporto, na meana edição, em dm 
lingiias, Altfmla e Latina. E' desta ultima que em vulgar fr- 
zeiuos 05 extractos. Sou titulo i o seguinte : 

Itinerii 
o Leone de Rosmiial nobili BoAemo amUs 1465 — li^l f^ 
Germaniam . Ángliam , Franciam , Hispamiam , Portujoir 
liam ai que Jtalium confccíi, Ccmmeniarii coaeoi A»* 

Sttitegart 

1844. 

O Editor é Mr. J. A« Scbmeller* 



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(45 ) 

riosídade no Itinerário do Barão Ltm de Rosmitál $ 
de Blalna, Senhor de Fryenhergk, t Conde de Platen. 
irmão germano de Joanna « Rainha de Boheroia , um 
dos aulicos do Imperador Frederico ?.^ de Alemanha , 
denominado o Pacifico. 

O chamado Itinerário é mais do que um simples 
roteiro de viagem , porque comprehende as impressões e 
observações escritas dos riajantes, lançadas senSo em 
diário, ao m€)nos em ordem chronologica e successiva 
por dous Escriptores que fazi3o parte principal da comi- 
tiva do sobredito Barão de Rosmitál. Este curioso ma* 
iiuscripto ficou naturalmente no numero das alfaias no- 
biliárias da Tamilia de Rosmitál* até que um desses in- 
vestigadores de antigos annae^, tâo vulgares boje ua 
Alemanha , tirou-o da obscuridade , e de-o á luz. 

Foi um donativo estimável feito 6 nossa Acade- 
mia , porque na série da viagem desde Praga , capi- 
tal da Bohemia , até ás Hespanbas [d'onde os viajan- 
tes retrocedér&o para birem á Itália , e de lá á Syria 
e Jerusalém] se comprehende o nosso Portugal, um 
dos Paizes onde os mesmos Escriptores , como que se 
comjNraziSo e demoravSo mais, estendendo-se em des- 
crever com especial particularidade muitos dos obje- 
ctos, sobre os quaes noutras Potencias passSo de sal- 
to. Em verdade maior razão havia para que assim o 
fizessem, por quanto aqui encontravão cousas novas e 
nunca vistas , nem mesmo sonhadas , maiormente por 
aquelles Povos mediterrâneos. Era no anno de 1466 e 
reinado de D. ABbnso 5."*, o Africano. Nossos descu- 
brimentos maritimos, as conquistas e possessões dos 
Portuguozes na Costa Occidental d'Africa , e os produ- 
ctos do Commercio nas paragens, outr'ora desconheci- 
das , desde o Cabo Bojador alé quasi á Cesta da Mi- 
na, haviito já trazido a Portugal objectos novos, ca- 



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pAces de mirprebender e extasiar de admíracSo todos oi 
espíritos que nto estivessem preparados • como lenta e 
períodícameote o estavSo os Portugueses por espaço de 
trinta e três annes t já passados , desde que os avai- 
toreiros do Inrante D. Henrique irompério e atravessí- 
ito 0^ mar tenebroso. • 

Durante este periodo tinbto entrado em Portagal, 
vindos daquellas regiões , alem das producçôes i^nwa- 
daa do reino vegetal , o mirfim , o axeile e peiles de 
lobos marinhos , a cera e ooro , e mais admirável que 
tudo , os Negros de Guiné , qu^ anminciavSo à Suropt 
admirada o erro antigo da inhospitalidade da Zona Uv* 
rida. Estas novidades , e as • para aquelle tpmpo , esto- 
pendas e arrojadas viagens de nossas caravellas , já ha* 
viio f dfisde muitas apnos antes , espalhado a admíraçât 
por toda a Europa. Azurara na Cbronica de Guiné ooi 
dá testemunho deste estampido no Cap. 94 , que assim 
começa : « Spargendo*se a fam^ deste feito pelas parles 
» do mundo , ouve de chegar á eorte de EIRd de Di- 
a pamarca e de Suécia e Noruega ; e como vedei qua 
» homens nobres se entremeltem de quererem ver e sa- 
a ber semelhantes cousas, acertou-se que um gentil bo* 
a mem da Casa daquelle Priucipet cobiçoso de w 
a mundo , ouve sua licença , e veio a este regiio. E au- 
a dando por tempo em casa do Infante um dia lhe 
a veio a pedir que fizesse sua mercê de lhe armar moa 
a caravella « e. de o encaminhar como fosse á terra das 
> Negros. O Infante» eomo era ligeiro de mover a 
a qualquer cousa era que homem podeaso faier honra 
a ou accrescentamento » mandou logo armar uma cara- 
a vella , dizendo que se fosse ao Cabo Verde, a Esta 
genlilhcmem do Norte chamado VaUarte Ibi com eflfeita 
na caravella de Fcmamdafonso, poa pé em terra na 
paiz de Guiné, vk> e tratou com os Negros; m» ^ 



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( *7.) . 

5crvador tSo enlbusiasta quam ponco precavido , foi 
n'um dia lamentavelmente surprehendido e rodeado por 
uma tal multidão delles, que á força o levarão com 
mais alguns companheiro^ , e desappareceo para semr 
pre. 

• Mais abaixo se mostrará como alem das razSes ge- 
raes que podido determinar as viagens do Barão de Itos^ 
mital n'uma época em que as ídéas e os costumes erão 
pouco próprios para este género de instrucção e curiosi^ 
dade « parece certo que o brado de nossas navegações e 
descobrimentos mais poderosamente bavião preoccupado 
a imaginação , e despertado o appetite investigador des-^ 
te Príncipe , e de sua comitiva. 

Limitando os extractos e refleiSes , que aventura*^ 
mos ácérca deste interessante escripto , ao que roais 
particularmente pertence ao nosso Paiz, daremos coro 
tudo previamente uma sucçinta id£a do roteiro seguido 
pelos viajantes , desde a capital da Bohemia até á Corte 
de Portugal , e desta até ao Sanctuario de Nossa Se« 
nbora de Guadalupe na Extreraadura Il^spanbola, pe- 
la ligação que tem com a nossa Historia. 

A primeira cousa digna de observação no Itine-* 
rario é a série de passaportes, salvos-conductos , ou 
Cartafr-pateptes dos Soberanos de cada uma das loca-t 
lidadas, de que se acompanhava indefectivelmente o 
Barão de Bosmital; documentos importanjtissimos que 
coroprovãp o estadp de inconununicabilidi^de e concen-* 
tração dos Povos e das Potencias daquella idade. Ca^* 
da um dos Estados , como que. se limitava a viver dos 
seus próprios recursos e ds^ sua iatellectualidade local; 
nero a Imprensa, npenas nascente, nem o Commercio, 
nem i| Industria , nem as idéas e necessidades dessa épo- 
ca I^avi^o feito, como no tempo actual, uma espécie 
de mercado univer^t), umi QpnlriLteroid^de tai^ita ea^ 



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(48) 

tre foJtts 9S NacSes europeas; e os Governos iefoh 
dito cuidadoftamente os segredos de mb administração 
e de seus meios , tilo menos do que as Leis e os costu- 
mes dos Povos repugnavdo á communicaçdo e livre tran- 
sito dos Estrangeiros. Para a admissão destes » qoands 
de maior consideração, a fim de os isentar dos trope- 
ços , tributos e exigência» sem conto , que , como outras 
tant^is barreiras liies fechavão o accesso de paiz, de 
Conselho em Consellio , de Senhorio em Senborío , era 
necessário uma ordem soberana , que denteava momen- 
taneamente o Direito coromum nacional , e fazia calar 
os interesses das localidades. A prerogativa real era en- 
tlKo já assas forte para impor silencio aos restos do pre- 
domínio feudal , que ainda conservava divididos os Bei- 
iios em pequenos Estados , encravados dentro dos marcos 
da denominação senlioríal. No fim da Memoria jentamos 
dons destes salvos-conductos , na lingoa latina « em qne 
estAo concebidos ; todos os demais , lançados no itinerá- 
rio em mnnero de dezeseis, sdo documentos curíosissmiGs, 
que raras vezes se encontrlio nas Historias geraes ; in- 
teressantes ndo semente pela enomeraçlo minuciosa dos 
artigos de qoe libertava os viajantes , como pela pompa 
realenga e aristocrática do estylo, bem diCferente da 
pfarase trivial e plebea de nossos passaportes actoaes» 

Eis o Roteiro do Bário de Rosmital , e sua comi- 
tiva pelas datas dos satv<ft-conductes , lançados era or- 
dem successiva » segunda a chegada a cada ama das Po- 
tendas.: 

f .* Do Imperador Francisco 3.^ chamado — Pocf- 
fco — que foi casado com a Imperatriz D. Leomyr , fi- 
lha de El liei D. Duarte , a primeira Princeza portugae- 
za t que se sentou no Tbrono do Sacro Império Bomano. 
. 2/ Da Rainba Joanna de Bobemia, passado em- Pra- 
ga no dia 10 de Novembro de 1465. 



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(49) 

3.* Do Marquez de Brandebourg, Alberto/ assU 
^ado em Anspacb a 10 Dezembro do mesmo atmo. 

4.*" De Frederico , Conde Palatino do Rheno , pas- 
sado em Heidelberg a 20 do mesmo mez. 

S.^ De Roberto , Arcebispo , Príncipe , e Senhor de 
Colónia , Eleitor do Sacro Coílegio , dado em 7 de Ja- 
neiro do anno de 1466. 

6.^ De Filippe o Bom, Duque de Borgonha, Con- 
de de Flandres, casado com a Infanta D. Izabel filha de 
£iRei D. João IA o da Boa memoria, dado em Bru- 
xellas em 9 de Fevereiro do dito anno. 

7.* De Carlos de Borgonha, fílbo do antecedente 
Soberano , Conde de Cadralesia , Senhor de Betíua , pas-^ 
Sado na mesma Cídade^em 10 do referido mez. 

8.^ De Eduardo 4.°, Bei de Inglaterra , dado em 
Westminster em 26 de Fevereiro sobredito. 

9.^ De Francisco , Duque de Bretanha , passado em 
Nantes. 

10.^ De Benato, Duque de Anjou, que' se intitula- 
va Bei da Sicilia , passado em Salm , a 1 1 de Maio 
do mesmo anno de 1466. 

11.'' Pe Luiz li."" de França , dado na Fortaleza 
— Madinum — em 26 de Maio dito. 

12.^ De Carlos, Duque de Aquitania , irmão do Bei 
de França, passado em Casiriayraudi no 1.'' de Ju- 
nho. 

13.^ De Henrique 4.^ de Castella, casado com ou- 
tra Princeza de Portugal a Infanta D. Joanna, filha de 
ElBei D. Duarte , passado em Olmedo em 20 de Ju- 
lho do mesmo anno de 1466. 

14.^ De Fernando, filho do segundo Duque de Bra- 
gança , primeiro Conde de Guimarães , passado na mes- 
ma Villa, sem declaração do dia e mez» no mesmo 
anno de 1466. 



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(5Ò) 

15/ De ElRei D. Affonso 5.* de P<Mrtirgal , pu- 
Bado em Évora a 13 de Septembro do mesmo amio. 

16.^ Do Inrante D. Fernando , Duque de Beja e di 
Viseu, dado na sobredita Cidade de Évora em 17 do 
sobredito mez e anno. [Adiante se acbSo trasladados n 
sua integra estes doua últimos aalvos-cooductos]. 



AonaAS DO ITIKBBAUÓ. 



Em todo o Itinerário se encontra dominailte o es- 
pirito de cavallaría e a sentimento religioso , esteí doos 
apanágios da antiga Aristocracia. Os dous bomeos de 
lettras que acompanbavao o Príncipe de Bohemia [ouso 
assim chamar aos dous Escriptofes que compoterlo a le- 
laçOo da viagem , coroo o decIarSo no frontispicio da o- 
hra] vinbão mais por ostentação , do que por instnieçlio: 
é excepção de curtas observações sobfe algumas prúduo 
çdos agrarias do paiz , e écêrca do aspecto e formaçlo 
delle V quasi tudo o mais que Tez o objecto de seus re- 
paros e reflexSes se resolvia no que respeita iquelb 
dous princípios dominantes. Assim que, a Corte do Ra, 
e os monumentos sagrados sio quasi exchisivameote a 
matéria do seu escripto. 

Entretanto alguma cousa ba abi de éurioso é de 
uma certa importância para a Historia de Portugal con 
rererencia a um tempo, em que oa escriptos e os His« 
toriadores erio tio raros^ que aaseotamoa dar aqui tMA* 



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(51) 

cia gummaria de algnns doa faòtds e òblèrraçòes, tiradas 
do Itinerário. 

Estes pontos historiòot qoe et^eptttamòs do silen- 
cio sâo os seguintes: 

1/ A tradição obscura, posto que v^adeira no seil 
fundo 9 sobre a novidade e estampido de notoas primei- 
ras navegações , enreitadas ou disíi^uradas pelo maravi- 
lhoso , segundo o espirito e pouca ilIustraçSo da épo6a. 

2/ O assombro e admiraçto que causou à estes ht>- 
roeus do Norte , [alheios totalmente aos dcscobtíróentos 
e conquistas d*alem mar nos paizes mahometanos e sel- 
vagens da Gosta Occidental d 'Africa] a vista de tantos 
Mouros e Negros que acharão em Portugal , ora forros , 
ora escravos , tratados estes como objecto de mercancia , 
e entrando na transmiss&o de propriedade como cousas , 
e dSo pessoas ; objecto tío alheio das idéas e dos costu- 
mes dòá Povos germanos, como da Jurisprudência do 
Sacro Império Romano. 

3.* A riqueza e explendof da Corte Portuguesa de 
EIRei D. Aflbnso S."", e a opulência e grandeza das 
duas Casas, que entSo mais preponderavlo iiella , a do 
Infante D. Fernando irmUo de EIRei , e a de Bragança 
dividida entBo na Cusa Ducal do segundo Duque D. Fer-« 
liando l."", e na de séu filho D. Fernando iJ^ do nome, 
l."" Conde de GurmarSes. 

4.^ A liberalidade religiosa do mesfno ScèeraAo fot^ 
tugueí , acichendo de donativos de grandíssimo preço o 
Sanctuario de Satíta íf ária de Guadalupe étn Castella ^ 
á imítaçlo d6 ofitros qué lhe bavito feito os Reis seus 
progenitoréé, ate que abi, A\i ò Hitiélrariò, éitavflo se-> 
pultadoá, e oildè O âCtual ditd D. Affodso B.** tinha pte^ 
pairado teu jatigo. ^t^ 

Nós vamos referir M^riftâtoéiitê ò que a semèlhan^ 
ta respeito M tdbi no Itift<ffiio» raMifiôindo, «de po^ 



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(5t) 

dermos chegar com o auxilio da crítica , o que ha je 
crruaeo ou incorrecto no dito escripto. 

Quanto ao primeiro [a tradição histórica, post) 

que desfigurada, do começo de nossos descobrimento 

maritimosj preciso é advertir , que apenas entrado nas 

Hespanhas o Bardo de Rosmital com sua comitiva , k 

dírigío via recía a um dos pontos mai» principaes de sn 

visita ao Sanctuario de Santiago de Compostella, wk 

para o ver e examinar foi necessário orna oegociaçio, 

porque os Fidalgo» levantados contra Henrique i* de 

Castclla , tinhao posto cerco ao Arcebispo , que deotn 

se derendia. Dahi partio para a extremidade maritiim, 

onde [sigamos agoni o texto do Itinerário] c dM^ixká 

» Estrelia escura [ad Slellam obicuram] , sítio a (ft 

)i os naturaea chamio FinU ttrra , abí vimos mu al- 

» dea , alem da qual nada mais do que aguas do nar 

)i existe , e cujoa linátes só Deos pôde conhecer. 0> oh 

D radores . tem abi consignado nos seus aanaes , que 

,r certo Rei de Portugal mandira Tabricar três oáos, e 

)t prove-las de todo o necessário ; e em cada uma dei* 

,1 Ias poK doxe Escrivães [$criba$ duodenos] , e dppoè 

,1 de dar-lhes provisões para quatro annos Bies ordeòn, 

» que daqueBe porto [ok iUo loeo] navegassem o m 

)» bnje que podessem , e em cada uma das náos se b» 

» lançando por escrípto quanto (bssem obseramio, 1 

» que regides deserta» e desconhecidas aportassem * e 

y^ quaes casos adversos no mar experimentassem. Parti' 

yt rio €8 Argonautas ; eeomo quer que pordousanncs ii- 

]» teiros andassem sulcando os mares , a fiaal Ibrte p 

)» rar a uma regi&o de trevas tio expessas , absTet i» 

)» quaes , depois de consumirem duas semanas , topáris 

» cora uma Ilha onde aportário todas as náos. Sabioi» 

jk em terra os viajantes virio casas subterrâneas , dam 

M êiÊÒ urra extrucla$^ que ^buodavSo de. pivo e|faUi 



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( IÍ3 ) 

» em que ndo tocáVSo. Por cima das mesmas cd«as há^ 
» via pomares e vinhas , da mesma sorte [diz o llioera'' 
» rio] , que em, algumas partes das GaKas se observa. 
>i Sahindo das casas , três horas se demorarão na Ilha » 
y> consuHando eutre si o que fariâo , se dahi deverião le- 
D var alguma cou^a, ou não« Um dos navegadores le- 
y> vaniou a voz dizendo , ^ue nada tirassennr, pois era in- 
» certo o que depois lhes poderia acontecer; 

19 Embarcados de novo e tendo pouco oavejrado ^ 
» vh*do de longe grandes bogalhões de mar [ingetites 
D fluctus] Ogurando montes e rochedos, que parecia le- 
)) vantarem^se até ás nuvens. Á vista do que forâo to- 
» dos tomados de pavor tâo forte como se lhes aproxi- 
» mas^e o dia de Juizo. Então, juntas as três náos, fize- 
y> rão conselho , e conferindo entre si dizido * — já te- 
» mos visto até onde chegámc^ ; a Potencia divina está 
V manifesta , decidamos pois se bafemos de arrostar com 
» aqueHe espantoso fragor do mar , ou retroceder. Po» 
» rém um dos assistente? reflectio dizendo -*-« como se- 
» rá avaliada nossa derrota? qual relaçHo, quaes pro- 
)y digios recontaremos a ElRei , que nos enviou sómeo- 
» te para fazermos explorações ? Meu Voto pois é que 
» exploremos e vejamos que phenomeno é aquelle do 
» mar. Abraçado o alvitre , convierSo em que doas das 
» nãos fòssenii por diante ^ 'permanecendo alli a terceira : 
i> pof quanto [disserdo os das duas náos aventureiras] sees- 
» tas passados três ou quatro dias não voltassem do sor- 
*> vedouro , intendessem os da terçara que aquelles ti- 
» nháo morrido. Effectivamente esperarão não somente 
» 08 dias convencionados , porém dezeseis dias ; e como 
9 não tokassem os conapaúbeiròs j se fizerão com gran- 
» de temor e tristeza na volta de Portugal , completa- 
> dos dous amos de navegação, dirigindo-se a Lisboa 
) [Lisibana] ^ que é a sua Capital e Cidade amplissima, 
Tomo IU. S 



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(8i) 

« Entrando ncr porto lhes sahfrao ao encoDln) nn- 
tos dos seus naturaes , interrogando-os com admin- 
çSo sobre quem erào, e de que regiões proiiniMo. .V 
que respondèrio — erto daquelles qoe EIRei tiob 
mandado explorar os alares , e notar suas raridades * 
prodígios. Então lhes tornárdo os curiosos = Carb- 
ftimos amigos » também ahi estávamos <|ttando Hh 
vos despedio ; porém nós nSo vemos o» raesoras k* 
mens , nem erSo taes os que elle enviou ; vós lois ^ 
lhos cheios de cSas ; os outros erio mancebos de ai 
vinte e seis annos de idador = C na verdade parea 
cousa quasi miraculosa » que uem seus próprios pir» 
tes e amigos , que tinhão na Cidade os reconheeià» 
vinhao aquelles tao encanecidos como as arvores n t^ 
tacão do inverno cobertas de neve. O próprio Rei i 
maravilhava , que em tdo curto espaço se envelheceãc 
e exclamando dizia — Tudo quanto estes homens in- 
ferem parece verdadeiro, ou pelo menos vemsiu! 
mas quem sabe qual seria a sorte dos meus nave«» 
tes ? Talvez que alguém os sorprehendesse e Irvéiè- 
se : inquiramo-los como cumprirão estes meus maoc- 
tos. Nós lhes havíamos ordenado» que desaferras» 
da Estrella obscura [Finis terrct] ^ Tossem toosíM 
nota das Ilhas que fossem encontrando desertas. H 
successos e \'aríaçÕes dos mares ; e foi por isto f 
lhe demos trinta e seis Notários , doze para cada » 
Chamados á presença do Rei » disse-Ibes este — Aq 
gos , que foi isto l pois que tendo nós enviado c 
náos só volta uma? — Ao que responderão — I 
Clementíssimo , nós vamos contar a V. M . [Tua È 
jesíatai] tudo como foi. Nós partimos nas tresaj 
com todo o necessário , e com doze Notários em cá 
uma delias ; sulcámos os mares por cinco mezes ol 
tinuos, sem encontrar impedimento algmm, sen 



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(55) 

i> com ventos de Tciçio; e comptítSmo^ por isso háféií'^ 
y> mos andado 6,000 legoas; até que» passados Àésn 
» oito mezesí, chegámos^ 8 paragens do mar tenebro- 
'y sas e obscuras, vencida^ as quaes no espaço de dini^ 
» semanas, aportámos a uma liba de 3,000 fnil^aa 
X» em redondo. Percorfémo^la em tréi hora?, e nella 
» achánkA casas elegaínítes debaixo da terra [elegántéã 
)> €Bdét iuh térrd] riquíssimas def ouro e prata , mas 
» vasias Je gehte : delias líada tirámos. Sobre elTas ha- 
» via hortas e vinhas, amenissinfal Ent3o fizános eon- 
» seibo, Cf j^isseuJcis -^ já temos achado grandes e 
» inauditas riquezas; mas ainda outro é' nosso destino; 
D fienhuni perigo nos ha acontecido: deixemo-las, e 
2> marchemos ávan^. 

x^ Largando dalli, segunda vez no^ engolfámos íio 
» mar, cortancío a^ mesmas trevas:, até que paraftdo 
» pozemos em conselho se arirostariamos pot' diante , ou 
» retrocederiamos. Beflectio-se náo ser para retroce- 
« der , qiie rios eiíviara ElReí , e foi asserítado que au- 
» dazmente iossemos penetrando as trcfvas. £fiectiva- 
» mente as entrámos , onde andando por aígum tempo 
n navegaudo-as á tôa ^ fomos levado!^ ú mar aberto e 
» claro^ Como ahi chegámos vimod d'algumás milhas 
» em distancia altas maresias, cujos vértice^ parecido 
» subir ao Ceo , e isto com tal fragor e mugido rebom- 
n bava , (fue todos nós Còm tofvaçSo pavor consterna- 
is dos, julgávamos chagada a derradeira hora. Segun- 
X» da ve2 conferimos o que haviamos de fazer ; e por ul- 
» timo assentámos esperar três ou quatro dias pelas 
)» duas dáos, que forão explorar o mar tenebroso, e 
» como passassem deseseis dias e nSo voltassem , não 
A> ousámos marchar avante , tomados de medo ; e vol- 
» tando o rumo, demandámos Lisboa d'onde haviamos 
a partido [nd vélis retro comersis , Lisibanam, unde sol-- 



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(5€) 

II mamuB , repeiinvu]. Tal foi a narração [âiz , acabiff- 
n do este ponto , o Itinerário] , que fizerâo e deixário 
» escripta ao Rei de Portugal. » 

A travez desta tradiçíln e suaa circunstancias, quen 
n3o vè aquelle maravilhoso e phantastíco das imagina- 
ções que precederão « ou acompanharão nossos primeini 
descobrimentos marítimos ! Quem ndo percebe por en- 
tre a composição concertada desta narração, aqielte 
mesmas desculpas dos primeiros navegantes do Iniaotí 
D. Henrique, de que nos deixou interessante Diei»>- 
ría Aturara na Cbronie^i de Guiné,, quando recoaiâd 
ao aspecto do mar tenebroso, do Tervedouro das agiui 
das ondas, e escarceos erguidos nos baixos e restiagK 
do Cabo Bojador ! 

Mas será pura inrençSo a historia que acabán» 
de referir , ou será ella parodia mais ou menos desfi* 
gurada de algumri de nossas expedições descobridora* 

Pnra referir-se ás do Infante D. Henrique parere 
repugnante com a proximidade da época , porque d<v 
de o anno de 1433 , em que Gil Eannes atravessei 
aquelle Cabo, até tiiG, en» que se- contava aqnelli 
historia do Itinerário , era t$o curto espaço ,. que p 
rece nào devia ficar em silencio, ou duvidosa a soIg- 
ç9q e applicação do enigma. Seria allusiva á expeò- 
çHo das Canárias, noticia por tantos séculos esqueckii 
desde o tempo de EIRei D. Affonso 4.^ sobre que ú» 
doutamente escreveo o nosso Consócio o Silr. Macedo* 
Seria outra, ou anterior, ou posterior a ella noiolff- 
vallo de (}uast um século , que decorreo até ás do k- 
fante D. Henrique? Quem sabe! Deixamos esta theie 
ás perscrutações dos sábi