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Full text of "Almanach de lembranças Luso-Brasileiro para ..."

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f^-í-v 






TTTT 



^yieíúco de Quein^^iSeirv \ 
de Soto/nq^ord^^ífíieída 

G>imt of Santa ÔulalicL 



'Sf^ 



LUSO-BRISILEIRO. 



Les longs ouirrâges me font peur: 

Loin d'éputôer une malière, 

On n'ea doit prendre que U fleur. 

LA FO?iTAINE. 



) 
1 o 




DE 

LUSO-BRASiLEmO 

I PARA IS&ft, 

I Com 43 1 artiflOí «123 Qtamxas, 

I POK 

ALEXANDRE MAGNO DE CASTILHO. 

SAUHARB. FORMADO «■ HATIinfATIC* »BLA VimClUIOAUl 1>I COJMSEA, 
* CVTALLHRO DA ORMJf DA CORCKIUÂO, 

MiaBRO DO IMTITDTO HIKTORI<¥> M PARIS, 

DA ASSOCIAÇÃO INDUKTIIIAL POSTCINfE, 

DA SilClCUAOC DOS A.HTIQrARIOS DC FA.NTti ••NCR, 

DA DOS AXIfiOS DAS tKTRAS B ARTKS DB S. HI«i'B(., 

DA ACADBXIA SB RHODBS, 

DA SOalOAOB raoMOTORA PA ACRICFLITIIA M<Ct<ABLB|ttB, 

DO iRSTirrro atricaro db rARis, 

BTC, ITC, BTC 




LISBOA. 

MA IMPRENSA DE LUCAS EVANGELISTA. 

CALÇADA DO DUQUE N.® 35. 

1854 



Porc ^BUnè 



IIM(VAItVC0LlE6ELiBfiA.Kf 

COUKT OF SANT^ tCLM.k 

COLLECTION 

eiFT OF 
JOHN B. STETSON, Jr. 



ERRATAS DO ALMANAGH DE 1854. 

Caracol, — Onde, a pag. 273 do precedente 
Almanach, se lô que é um verme, leia-se que 
é um mollusco. — Peço perdão ao animalejo de 
o baverem os com{)ositores atirado para classe 
differente ao corrigirem as provas. O seu a seu 
dono. 

Innumeravel fonte, Lô-se isto a pag. 285, li- 
nha 10. O que eu escrevi foi : inexgotavel fonte. 
£' verdade que muitas vezes mal se lê o que es- 
crevo. 

Problema recreativo. — Não fiquei muito re- 
creado, guando ao reler o 3.*» da pag. 118, vi que 
em vez ae: e mais 5, pozeram: e mais 6, fican- 
do assim errada a solução do problema. 

ERRATA DE 1855. 

Onde, em paff. 139, se lê : Pena é que não fos- 
se ao menos Cyctope, deve ler-se : Pena é que não 
tivesse mais um olho na testa como os Cyclopes, 



Cliarada» do Almanacli de 1954. 



Pag. 35 — Satukno. 

N. B. Sahio errada a divisão das 
syllabas, que é: uma e duas, 
e não : uma e uma. 

» 68 — Amazona. 

» 129 — Noventa. 

» 154 — Palafoz. 

» 156 — Piano. 

N. B, A divisão dassyllabas de- 
ve ler-se: duas e uma, e não: 
duas e duas. 

» 191 — Rosália. 

» 202 — Paphos. 

» 210 — Chiendent. 

» 214 — Pastel. 

» 293 — Zero. 

»> 291 — Angélica. 

> 357 — GlRASOL. 

As palavras das Charadas do presente Al- 
manach serão publicadas no de 1856. 



:}lutl)or^0 nijod nomtâ ijonxio as pajgtnad 
ia ipxtsímU ^llmanarl)- 



III.»"" Ex."'" Snr.?» 

D. Antónia Gertrudes Fusícb. 
D. Maria José da Silra Oanuto. 

D. Maria Peregrina de Souza. 
D. Maria Rita Golaço Ohiáppe. 

D. Maria Rita Corrêa de Sá. 
Obioura Portuense. 



Á. Carlos Caiu to, 
A, Gonçalves Dias {Brasileiro], 



Â. J. Pereira da Silva. 

A. J. S. de Cabedo. 

Alexandre Herculano. 

Anonymo [Brasileiro). 

Anonymo (Porluguez). 

António de Serpa. 

António Feliciano de^ Castilho. 

António José Maria Campelo. 

António Lino Leão de Vasconcellos. 

António Mauricio Cabral. 

António Pereira da Cunha. 

António Pereira Zagallo. 

António líavier Rodrigues Cordeiro. 

Augusto José Gonçalves Lima. 
Bocage. 
Blut4au. 



Claudino Augusto César Garcia. 

D P. e Silva. 

Duarte de Sá Júnior. 

Filippe do Quental. 

Francisco de Paula Barbosa Nogueira. 

Francisco E. Leoni. 

Francisco Leitão Ferreira, 

Francisco Manoel Trindade. 

Francisco Raphael da Silveira Malhão. 

Inkato-Mirim {Brasileiro). 

Jacintho Ignacio de Brito Rehello. 

João d^ Aboim. 

João d^ Andrade Corvo. 

João Nunes de Brito. 

Joaquim d^ Araújo Jusarte. 

Joaquim José Ferreira Campos. 



Joaquim Joêé Pinto de Moraes. 

José Adão dos Santos Moura. 

José Carlos Cerveira Valente. 

José da Silva Mendes Leal Júnior. 

José Diogo da Cunha. 

José Maria da Silva Leal. 

José Maria do Amaral {Brasileiro). 

José P. R. de Carvalho {Brasileiro). 

Laurindo José dá Silva Rebello {Brasileiro). 

Luiz Augusto Xavier Palmeirim. 

Luiz Filippe Leile. 

Luiz Paulino Borges^ 

Magano {Brasileiro). 

M. J. B. Dias [Brasileiro). 

Miguel do Couto Guerreiro. 

Pedro Cervantes de Carvalho Figueira. 



10 



S. F, M. Estado da Veiga, 

Thomas José Pinto Serqueira (Brasileiro), 

Visconde d' Almeida Garret, 




INDECE 



DOS AnTIGOS CONTIDOS NO PRESENTE ALMANACH. 



Abelhas . . . . 

Acácia ..... 

Acido prussico . . 

Acróstico . . . . 

Adagio tarco. . . 

Adevinharovalorde 
3 cartas. . . . 

Adevinhar uma car- 
ta em 40. . . . 

Adevinhar uma pa- 
Javra entre 24. . 

Agua de CoUonia . 

Agua furtada. . 

Álbum 

Alcachofras . . . 

Alcorão monstruoso 

Alfinete que rendeu 
milhdes. . . . 

Algodão herbáceo . 

Alleluia . . . . 

Amabilidade musul- 
mana 

Ambarvaes . . . 

Amigo das letras. . 



Amigo de ar e luz . 158 

Amigos 165 

300 Amigos torrados . 348 
351 Amor africano . . 147 
340!Amor de Raspail. . 398 
258 Amor e saudade ou a 



195 



Ponte de Coruche 338 



S5] 

228 



324 
131 
177 
178 
224 
305 
261 
198 
146 

Afclieiro empertiga- 
do. .... . 354 

Argano. . . . 375 



Amuletos 
287Anneis. . 

Anniversario 

Annuncíação 

Antisthenes 
201 Apotheose. 
255 Appareiho da visão. 
280Applauso . ■. . . 
educto d'Evora. 



175Armaterrivel. 
206|Arroz denunciante . 

189 Assassinos . . . 

Astrologia. . . . 

208 Auscultação . . . 

22lAuthologia . . . 

167Autographia . . . 



247 
150 
391 
122 
280 
245 
240 



Autoridade paterna. 241 
Ave Maria. ... 196 

Ave Marias . . . 336Cabeçadi ^ 

Aviso aos janotas . 165 Cada qual sabe do 

B 

Baffdad e a Torre de 
Babei 257 

Baile 151 

Baião reflectido . . 264 

Bambuchata ... 148 

Banlios 180 

Barbeiros chins . .219 

Barcarolla. . . . 385 Carvalho 

Bastilha .... 268 

Bazar 124 

Bêbado desdentado. 130 

Bebedice nos Esta- 
dos Unidos. . . 364 

Beber 365 

Beijos 353 

Besta esfomeada. . 258 

Boa letra .... 204 

Boa nora .... 209 

Bobo 104 

Bonito dia. . . . 255Chatterton 

Bonzos 387 

Borrachinhasdemar 181 

Bossa de jogador . 157 

Botânica .... 275 

Braceletes. . . .318 

Bulia d'ouro ... 197 



le S.Gonçalo 296 

^-alsabedoseu 154 

Cadáveres. ... 357 
Café e cafeeiro . . 243 
Calculo das probabi- 
lidades . , . . 223 
Caldeirão d' Alcoba- 
ça 30§ 

Caluda 297 

Campo Elysío . . 213 
Campo estrellado . 373 
Cartuxa de Nápoles. 293 
Carvalho da Virgem. 296 
Casa enterrada . . 131 
Casa portátil . . . 236 
Caverna de Mam- 
mouth .... 310 

Cerveja 311 

Cevada e palha d' Al- 
cobaça .... 162 
Chafariz turco . . 113 
Charadas, 134, 152, 216 
242,276,287,318,371. 
380.397, 



Chuva de sapos . . 249 
Ciúmes .... 307 
Clemência de Mo- 

narcha . . . . 30Ò 
Cometa de 1853 . . 307 
Commerclo de flores 166 



Communica^es le- 

legraphicas . . 135 
Como seda cabo das 

formigas . . . L8l 
Como se dá cabo do 

gorgulho . . . J78 
Comosecvi tão pica- 
das de vespas . . 207 
Como se toma posse 

d'uma terra. . . 182 
Como um poeta paga 
as suas dividas . 
Confissão .... 240 
CvDfíssão ingénua . 352 
Conquista de Grana- 

da 285 

Constância aldei . 142 
Consuaes .... 301 
Contagio do saber . 128 
Contrabando ... 380 
Contradança . . . 171 
Corda de enforcado 217 
Côr dos olhos. . . 118 
CorpodeSantaTheo- 

dosia 233 

Correio inglez . . 256 
Criado infiel . . .152 
Cruz luminosa . . 188 
Cruzes de Serpa- . 269 
Cuidado com o chio- 

roformio ... 314 
Cultura e exporta- 
do da purgueira. 227 



Curiosidades ameri- 
canas . ... .. 200 

Cynophontes. . . 269 



Dança cavallar . . 330 
Danúbio .... 119 
Dentes limados . . 143 
Descabeçado. . .160 
Desfeita disfarçada. 191 
Desgraça .... 304 
Devocào do barquei- 
ro.* 382 

Dez asneiras em 4 pa' 

lavras . ; . . 320 
Dia (Ao} 26 de Janei- 
ro 133 

Dia aziago para oPor- 

lo 182 

Dias aziagos ... 302 
Dialogo entre o Pai 
Matneuso e a Mãi 
Cassarina ... 393 
Diamantes. . . . 394 
Dignidades, títulos, 

e postos. ... 163 
Divorcio entre o mé- 
rito e a for tu na . 398 
Dom Lucas4e Portu- 
gal .... . 324 
Dor de peito ... 374 
Dous mil vestidos^ < 15S 



Elephante. ... 127 
£logiodeLa Fontai- 

ne 1441 

Embaixador imber- 
be 145 

Emigração aliemã . 248 
Entrudo .... 153 
Éramos dous. . . 372 Fazer 
Escada Santa em Bo- 

lOa 231 

Escamas e penoas . 348 
Escravos previden- 
tes 277 

Escrúpulos ... 331 
Escudo CO meu). . 183 
Escurial .... 290 
Esmola (A) e a mão. 379 
Esperança (A) . .210 

Esposa 399 

Estandarte d'amor. 230 
Estatua da Baviera. 139 
Estimulo para valen- 
tes 

Estio 

Estrellas (As). . . 363 
Estudo da anatomia. 344 
Estufas monstruosas 183 
Estúpido .... 323 
Estyfo ..... 320 
Eu, ella, e vós . : 390 
Exposição argelioa 294 



Exposição de relí- 
quias' 266 

Extremo filial . . 801 



F 



Falladora de profis- 
são 2Í0 

Fanatismo politico . 144 
do San Beni- 
to gala .... 171 
Feiras de criados . 356 
Felicidade. . . .281 
Ferrugem das olivei- 
ras 237 

Festa das linguas . 177 
Festa de Corpus 

Ghristi .... 238 
Festa do burro . . 123 
Festa do Natal . . 396 
Filippe II e a Inqui- 
sição 342 

Fineza enigmática . 377 
Flor do céu ... 149 
Floresta de Com pie- > 
gne . . . . . 199 
Força do destino. . 355 
Frades afogados. . 383 
Frades valentes . . 339 
Fragmentos do tes- 
tamento de Pedro 
(kande. . . . 293 
Francezeseiogiexea 174 



Fractos eléctricos . %20IlluminãçSocomga2 

Foeros 148 d'agoã . . . . 

Faror gastronómico 116Iminortalidade do 



G 



Galantaria. ... 280 

jetas 234 

lolodicé deBersane 

Leite. .... 361 
jríliinho (O) da la< 

reira 386 

juano 29'2 

Giuílberme o Con- 
quistador . . . 

H 



corpo . . . .262 
Imposto (O), a Du- 
quezadeMerciae 
o curioso . . . 122 
Imposturas e cruel- 
dade de Mahomet 379 
Imprensa .... 286 
índia (Á) às portas 

da Duropa . . . 279 
Inspiração. ... 137 
Invenção do Snr. do 
Gastellinho. . . 809 



1.961 



labilidade dos dados 

habilidades por nú- 
meros. . . 150, 247 Jorge 

aemispberios de Ma- 
gdeburgo . 

Qerculanum . 

Sespanholada árabe 

Bíomem bicolor . , 

Somem jumento. . 

ffylarias .... 

Qympo do trabalho 



215 
265 
139 



239 
176 
325 



I 



''Stide <jU» mulheres. 229 



253 



Jantar salgado . .185 
Jogos cereaes . . 192 
Jorge lYe Jorge Rei 38*í 
Jornali&mo na Ingla- 
terra 164 

265 Justiça de Carlos o 

Temerário . . . 313 
Justiça inaccessivel 121 



Lago mysterioso. . 351 
Lampiões borarios. 216 
Lebre e burro . . 284 
Leitores bravios. . 133 



Lemare 

Lemurias .... 

Leopardo .... 

Ligão a vaidosos. . 

Livrossibyiliuos. . 

Lonchamps . . . 

Lord Byron . . . 

Luiz XlVe os archei- 
ros 

Lupercâes. . . . 

Lusíadas . . . . 

Lula com a morte . 

Lutecia 

Luto de Frederico de 
Prússia 

Luxo e miséria . . 

Lyra 

M 

Maio eMaia . . . 
Maio pequenino . . 

Manes 

Mar Báltico . . . 
Mar Negro e mar de 

Marmara . . . 
Martyrios da Paixão 

(Os) 

Mastro de Maio . . 
Máxima .... 
Me mellem ... . 
Memoria . .271, 
Memoria feliz. .• • 



167|Mendicidade . . . 21S 
214 Migrações dos pas- 

225 saros 12S 

287 Minha resolução. . 37S 
129 Ministro de^memo- 

186 riado 350 

197 Miséria 315 

Missionário (O) e o 
312 Philosopho. . . 216 

160 Moda 394 

336 Modas francezas. . 372 
289 Modo dedistinguir a 
375 morte real da mor- 
te apparente . .115 
381 Modo cie fisgar mal- 
303 feitores .... 229 
263 Modo de reconhecer 
alargurad'umrio 
com um chapéu . 303 
- Modo fácil para de- 
209 terminar a altura 
209 d*nm edifício . . 136 
140 Modos de bater ápor- 
211 ta em Inglaterra. 147 

Modos de comer . 328 
262 Momento de saudade 235 

Montanha a dançar. 359 
188 Montanhas lunares . 146 
209 Monte Olivete . . 222 
262 Morte ..... 357 
381 Morte de Epaminon- 

388 das 323 

S38tMorte doPadr^ Brt» 316 



Mosteiro de Janías 
de Pitões . . . 
Kaito boa noQte. . 
Mulher (A) e a rosa 
Museu da Epipbania. 

N 

Não me deixes . . 
Natércia de Gamões. 
Natnralisação. . . 
Navios monstruosos 
NemPresidenta uem 

Secretaria . . . 
Newton, Voltaire, e 

Pope 

Nova Babylonia . . 
Novo salva vidas . 



Obra prima da crea- 
cão 

Odèrta de medalhas 
âo Snr. A. F. de 
Castilho. . . . 

Opposipâo. « , . 

O que e o homem . 

Qúueé ser verídico 

Ordem de S. André. 

Orelha de papel . . 

Ouro 

Outono 



Ovos da Paschoa . 199 
962 

352 P 
334 

117 Paciência . . . . 311 
Palácio dos Tavoras. 121 
Palácio publico . . 239 

Palavra 334 

298Palilias 199 

330Pantheon .... 379 

337Pão 260 

126 Par (Um) .... 157 

Paraíso 248 

288 Paris 259 



Parodia 
368 Pátria .... 
140 Pátria (A'). . . 
196Paz(A)danoute. 

Pegas 



249 
267 
155 
395 
362 

Pégaso 356 

Peixe d'Abril. . . 184 
Penitencias no In- 
315 dostão .... 212 
Peór que morte . .115 
Peregrino .... 347 
321 Pérolas improvisa- 
377 das .... . 210 
312Pescaesalgadoare&- 

226 que 3il 

323Phy8Ícotaór ... 274 
Pinta>monoscom fu 



344 



maças 



327|Biãtos 



284 
. 191 



Fintara em vidro . 299 

Piscicultura . . . 376 

Pistola d'algibeira 
d'Isabei de Ingla- 
terra 

Plêiadas .... 

Pobre e feliz . . . 

Pobres 

Poesia pastoril . . 

Poéla(O) .... 

Pompeueosseustro- 

* phéus .... 

Porque choras? . . 

Porquinhas deS. An- 
tão 

Prazer da caça . . 

Precaução para não 
morrer afogado . 

Prece d'um Doutor 
musulmano. . . 

Prece Universal. . 

Precioso relicário . 

Prelo que vale por 30 

Premio d'eloc(^uencia 

Presente liquido. . 

Primavera (V) . . 

Prova d'agua a fer- 
ver 

Providencia . . . 

Psalmos .... 



R 



Rabecão gigante. . 268 

Kaphael e os Car^ 
292 deacs .... 161 
203 Keceita para calos 7 156 
349 Reforma (A) ... 138 
306 Refutação de criti- 

273 cas * 327 

218 Relógio deLubech. 286 

Remorsos. . . . 398 
161 Resuscitado ... 343 
259 Resplandores. . . 185 

Retrato de Petrar- 
317 cha (A um). ... 172 
145Rhétorica . • . .376 

Riqueza .... 382 
322 Rosa 317 

Rosa ou estreita. . 192 
249 Ruínas de Gápua. . 373 
345 
296 
329 
271 
117 



Quaresma. 



391 
179 
390 



Salamandra . 

Salomão . . 
176 Salsaparrilha. 

Samsão 260 

371 Santa Isabel d'Aipe- 
224 drinha .... 159 
259 Santo António . . 243 

Santo Bálsamo . . 178 

SãoBasilioeomédi- 
170 co. . . . . . 245 



São GoDçalo de Ama- 
rante. . . . . 

São João . . . . 

Saudades da infân- 
cia 

Sapateiro d'Âoste . 

Semana Santa . . 

Semeei cravos azues 

Sensitiva . . . , 

Serração da Velha . 

Seus lábios . . . 

Signos do Zodiaco . 

Silencio . . . . 

Sino da infâmia . . 

Sino esquesitó . . 

Sino milagroso . . 

Soldados russos. . 

Soledade (A) . . . 

Sortilégio. . . . 

Spleen ..... 

Sua Magestade Ca- 
thoiica .... 

Suicida 

Suspiro (Um). . 



Talisman cosaco. . 

Tartufo 

Te-Deum .... 
Temperamento . . 
Temperatura da ler- 



..n^'^- . • . . . 19^ 
119 Têmporas. ... 159 
2S2 Terremoto engraça- 
do 299 

374 Terremotos periodl- 

369 cos 355 

184 Testamento doMar- 
359 quez de Valdega- 

279 mas 335 

niThargelias. . . . ÍOS 
114Thesouro de" São 
141 Marcos . , . . Í04 
288Tigrò . . . ; . 271 
171 Tintureiros ... 331 
211 Títulos do Impera- 
319 dor da Rússia . . 130 
135 Toupeiras (As) e a 
186 Águia .... 226 
207Traduclores ... 277 
329 Três maravilhas. . 232 

Trophéu d'umlnqui- 

285 sidor 346 

317Trovas d*um drama 
162 inédito .... 366 

Tumulo 363 



U 



170 
169Ullemas 



Ultima verdade 

União 

Urna 



279 União 



2i5 
205 
322 
353 



Visitas 335 

Yolcão na Ilha de S 
Miguel . 



Volcões 
Volga . 
Voltaire. 
Votos 



Valle das Furnas. . 309 

Vaticano .... 284 

Velhice .... 367 

Verdade jornalistica 167 

Verrese Verrinas . 267 

Versos sem titulo . 347 Voz prophetica 

Vigário do Gerez, 
Mourella, e Ca- 
breira .... 384 

Vinho 382 

Virtuoso .... 377 

Visita a Jerusalém. 



25i 
181 
337 
232 
36a 
251 



Zero por quociente. 157 
189Zuyderzeu ... 304 




Ha dous milquatf oeentos e vinte e nove annos qa« 
o Rei Sérvio Tuilio institulo eniRoma aslustrações, 
Hsança, que ainda que às vezes interrompida, per- 
maoeceu todavia por muitos séculos. I>e cinco em 
cinco annos, ou segundo outros, de quatro em qua- 
tro, se effectuavão as lustraeões publicas dos ro- 
manos, chamando-se lustro o espaço comprehen- 
dido entre lustração e lustrarão. Ao encerrar de 
cada lustro fazia*se o recenseamento do povo^ pa- 
gavão-se os tributos, e fechava o Estado as suas 
contas com os cidadãos ; as cidades e o império^ 
por via de solemnes sacriíicios, se purificavão, 
implorando das divindades fados mais propícios 
para-os dias uiterioros. 
S3 



Átgumà cousa ha-dc aproveitar para si, das no- 
ticias queenthesoura, o Almanach de Lembranças; 
celebrará o seu lustro. A conjunctura ninguém di- 
rá que não vem própria : se computais o lustro por 
quatro annos, quatro são os annos que o nosso Al- 
manach preencneu ; se por cinco, com este volu- 
me em que hoje escrevemos, e que lo^o tereis nas 
mãos, se inteira o quíuto. Façamos pois a nossa re- 
senha, o nosso ajuste de contas, as nossas purifi- 
cações, os nossos votos e compromissos para o por- 
vir. 

Mil oitocentos e vinte e seis dias se achão re- 
gistados n'estes cinco volumes. Todos elles com 
alguma cousa mais que as meras indicações calen- 
daricas do estylo, e trazendo cada um para o ban- 
quete do povo, seu fructo de sciencia, sua flor de 
arte, seu aroma do espirito, sua noticia do passa- 
do ou do presente, seu conselho ou aviso, ou quan- 
do menos, seu sal e adubo para a conversação, o 
que tudo sommado representa um profuso pano- 
rama de mais de 2,000 artigos. 

Todo o livro tem um principio, um meio, e um 
fim, e é. mais ou menos imperfeitamente, uma obra 
de unicíade. A' sua concepção presidio um pensa- 
mento, e fácil se reconhece o alvo certo em quepoz 
a mira, ou cravasse ou não cravasse n'elle o tiro. 
Outra é a natureza da nossa obra, se de obra lhe 
cabe o nome ; pois com estar acabada em cada uma 
de suas fracções mínimas, nunca na totalidade o 
está, nem o pode. estar. E' como o tempo, queima* 
ginariamente fraccionamos, isendo que por ambas 
suas extremidades na sempiternidade se vai per- 

24 



der. £' tamfoem como a sciencta, que sendo essen* 
ciatraente uma, taoto se divide e sabdivide, que 
o 3abio, abaixo de Deus, só o pode ser o género 
humano no seu complexo; ou é finalmente, em 
ponto pequeno eimperfeilo, umcomoreflexo does- 
ta assombrosa e sempre cambiante variedade da 
natureza. Passeais, viajais, ou estais: ascenacir- 
fumstante, os seus promenores de decoração, a 
«ua illuminacão, os seus actores, o que fazem, o 
que dizem, o* em que se interessão, o d'onde vem, 
o para onde vão, o como chorão, o como riem, o 
como tecem e destecem as suas mutuas relações, 
tudo se desconcerta e renova de continuo, tieve- 
8ão-se e misturão-^e o acabar e o começar; é um 

I^oemade milhões de strophes,em todos os estyios, 
igadas por um fio invisivel, e parecendo descon- 
nexas, mas cuja primeira estancia o — eu canto — 
só a sabe o supremo e omnipotente poéla que o 
concebeu. Na infinidade da natureza, tãonecessa* 
rio papel representa o Oceano como o aljôfar li- 
quiao pendurado a tremer na orla da folha verde ; 
o elephante como o infusorio ; a águia como a bor- 
boleta ; a primavera como o inverno; as estrellas^ 
como o átomo ; o sol que deslumbra como os luzei- 
rinhos apenas perceptíveis, que os physicos mo- 
dernissimos têem averiguado estar perennemente 
jorrando dos dous poios de cada um dos corpos, 
assim inorgânicos como organisados : tudo o que 
é^ differe não só de tudo o mais que é, mas até de 
SI mesmo nos instantes qu^ se succedem ; e tudo 
o que é, é o que deve ser, no locar, tempo, e con- 
junctura, para onde a Providencia o lançou. O que 
!S5 



se Bos representa inenos grande ou imponderável; 
menos bomoumâu, menos bello ou feio, deve ter 
ainda, para quem o vé de cima e com todas as suas 
relações, grandeza, bondade, e formosura. Ora, sé 
á natureza nenhum pbilosopho assizado ousou ja- 
mais tachar com censuras as suas apparentes desi- 
gualdades e incongruências, se para cada um de nós 
a vida secompòe sempre, diversamente misturada, 
deannos que rodeião estações caprichosas, de esta^ 
ções que se devolvem por mezes desiguaes, de me- 
zes que se deduzem por dias dessemelhantes, de 
dias que se ílâo por horas de todas as cores, e de ho-^ 
ras que ainda se desfíão em momentos tão impro- 
phetisaveis ; se ao alvorecer de cada dia ninguém 
sabe o de que eile lhe virá cheio, nem mesmo se lhe 
vÍFá;e se na resenha mental da meia noute,antes do 
adormecer, todos descobrimos no espaço recém- 
percorrido muito successo que não preparáramos 
nem previramos, consequências de muitas cousa» 
que parecião incapazes de as produzir, eoccasiões 
para muitas derivações e desvios em nosso rumo ; 
se tudo isto é a vida, e esta mesma incerteza e mvs* 
terio é por ventura o que mais a ella nos affeiçoa ;. 
o nosso escripto, fortuito como a natureza e ossuc^ 
cessos, olhando alternativamente para todos os 
tempos e para todas as partes, e em todas desco- 
brindo e adorando o £nto sem limites — nó único 
da unidade do universo —tem n'isto mesmo, que á 
primeira vista poderia parecer o maior de todos 
os defeitos, a principal explicação da simpathia 
que no comnium dos ânimos encontrou. 
Procederettos pois d'aqui avante, no segundo 



iastro^ BO terceiro, e em quantos houvermos de 
exíslir uaobra, como desde o principio ohavemos 
feito, seja não for quealg^uma forte rasão, quenâo 
prevemos, nos obrigue a lomar outro caminho. E 
quando por morte, velhice, cançasso, ou alguma 
outra forte causa, da natureza ou da fortuna, levan- 
tássemos mão da tarefa, e de^mparassemos o qua- 
dro em que eternamente se trabalharia sem nun- 
ca o concluir, outrem, que se ponha a elle em nos- 
so logar, o continue, com a mesma desambiciosa 
soltura de traços, o mesmo pensamento de amor 
dos homens, e com mais acerto e finura de coros. 
Oxalá I.... 

Quando, em remotos dias, por dezenas e cente- 
nares, se contarem ós volumes do Almanack de 
Lembranças, toda esta collecção, e cada uma de 
suas partes, poderá ainda ser lida, assim como ca- 
da individuo folga de revistar noanimo o que pas- 
sou, e calcular pelo que passou o que poderá ain- 
da succeder-Ihe, ou assim como, nos monumentos 
e na memoria do género humano, se archiva em 
fragmentos a historia d'outras idades que produ- 
ziram a presente, e os feitos, dictos, e pensamen- 
tos da presente, que encerra o gérmen das seguin- 
tes. 

Sobre a idéa com que foi concebido, com que 
tem sido executado, e com que verisimilmente o 
continuará a ser, oAlmanach de Lembranças, iui-- 
gamos supérfluo acrescentar mais nada ao que 
já n'este e nos precedentes prólogos expozemos. 
Sem vaidade nos applaudimos da intenção, posto 
saibamos que da executo nos não podemos igual- 



mente gloriar. Doesta diremos como dos seus epi- 
grammas dizia Marcial : bom, mediocre, e maa, 
compõe meu livro; oa como dos seus dizia lho- 
maz Owen : 

Hic liber est mundus; homines mnt, Oschine, versus; 
Inventes paucoS hie, ut in orbe, banos. 

Escrevemos chãmente, porque escrevemos pa- 
ra as turbas; com brevidade e parcimonia, por- 
que nem o espaço dà para mais, nem a mais avan- 
ça o estômago dos leitores do nosso tempo, dé- 
bil para obras roassiças, e aíTeilo á tremoçaria 
dos artigos de jornaes que entretêem mais do 
que sustentão. Levamos por devisa a máxima va- 
riedade, não só por nos conformarmos com as ra- 
sdes ha pouco apontadas, mas porque temos, de- 
sejamos, e devemos ter, folheadores para as nos- 
sas paginasinhas, n'um e n'outro sexo, em todas 
as idades, e em qualquer posição e condição da 
vida social. 

Esta derradeira clausula faz também com que 
levemos sempre summo tento em evitar o que 
possa, nem por sombras, pôr em risco a innocen- 
cia ou os bons costumes ; em duvida as crenças 
respeitáveis; em desvéneraç^o a fé e praticas re- 
ligiosas; ou crear desgosto, ou augmentar azedu- 
mes, nas politicas parcialidades. £' isto o que te- 
mos feito ; e o que temos feito é o que projecta- 
mos continuar invariavelmente, por onde conta- 
mos que o favor, de anno para anno crescente, 
com que estes opúsculos vão sendo cada vez mais 



l 



acolhidos e agasalhados, poderá ainda acrescen* 
lar-se-lhes. 

£' aqui a occasião de agradecermos a todos os 
.ue por algum modo téem concorrido para a dif- 
usão^ leitura, e estudo, do A Imanach de Lembran- 
ças pelo povo. Quasi todos osEx."" eRev.""*»" 
Welados d*este Reino e libas, quasi todos os 
Ex.™«» Governadores Civis, muitos Parochos, 
muitissimos Administradores de Concelho, mui- 
tas Gamaras Municipaes, muitas pessoas dislinctas 
e influentes por terras de província, muitos Cor- 
reios Assistentes de localidades populosas; mui- 
tos professores deinstrucção primaria ; muitas fa- 
mílias urbanas e camponezas ; lêem aceitado a nos- 
sa offertade^bom animo, e têem contribuído para 
que n'ella procurem haver parte, não só os seus 
immediatos dependentes, mas ainda outros indi- 
víduos a quem se estende o seu influxo. Graças 
a (aes auxiliares, o Almanack de Lembranças ins^ 
irae os meninos de muitas escholas, desenfada 
muitos serões provincianos, entretém os dominfços 
de muitas donzellas. encurta horas a muito ancião 
solitário, e jà em alguns quartéis de tropa dá aos 
soldados, instruídos pela eschola regimental, com 
que substituir vantajosamente as conversações 
ociosas, grosseiras, e dissolutas, da tarimba.* 

Aos litteratos em geral não professamos me- 
nor gratidão. Os artigos em prosa e verso que de- 
vemos â generosidade de muitos d'eltes ornão 
como jóias as nossas folhas. 

Estes collaboradores accidentaes, espontâneos, 
e sempre bem vindos, já não são unicamente 



porlaguczes; alguns per lencem ao grande Impe* 
rio que ainda ha pouco era Portugal, e que de 
Portugal ha-de ser em todos os tempos irmão, pe- 
la communidade das ascendências^ das recorda- 
ções gloriosas^ das dynaslias, da língua, da reli- 
gião, dos nomes, dos costumes, e dos interesses. 

Já passaram felizmente os dias de mal cabidos 
ciúmes, que parecião tornar inimigas duas na- 
ções que por tantos títulos, e por todos, se devião 
amar. O brasileiro no pequeno e antigo Portu- 
gal, e o portuguez no moderno e immenso Brasil, 
respirão igualmente ares de pátria e sentem-se 
em família. Mutuamo-nos sem invejas as nossas 
litleraturas ; applaudimos fraternalmente, de um 
para o outro hemispberlo, a apparição e o brilho 
de relevantes engenhos. 

£' a este feliz sentimento de hospitalidade e 
convivência, próprio de um século despreoccupa- 
do e humanitário, que o Almanach de Lembran- 
ças deve, alem de uma collaboração que o illus- 
tra, ir-se jà também tornando livro popular por 
essas regiões, de que um Principe, a quem a his- 
toria reserva algumas das suas [)aginas mais es- 
plendidas, tem de fazer sem duvida, e cedo, uma 
das nações mais felizes e poderosas. 

Por tudo isto, o Almanach de Lembranças y desde 
o principio do seu segundo lustro, será impresso 
em duas edições ao mesmo tempo— a de Portugal 
e a do Brasil. Communs no fundo estas duas edi- 
ções, só diíTerirão nas clausulas propriamente de 
calendário, para servirem com igualdade aos in- 
teresses de ambos os paizes. 

30 



A. empreza do Almanach de Lembranças, com 
tão valentes, profundas, dilatadas, e vivazes rai* 
zes, já nada tem que recear. 

A edição do presente volume é tirada a vinte 
mil exemplares. 

Lisboa 10 d^Agosto de 1854. 

Alexandre Magno de Castilho. 



n 



N. B. — Por ser diflferenle a paginação dè 
duas edições do meu Almanach oe 1851^ fiz a 
referencias de artigos d' este, em relação, não ^ 
paginas, como nos outros, mas aos dias é 
mez. 

A. 52 0. 86, significa : Álmanach de 1852, p. 81 
A. 53 p. 58, Álmanach de 1853, p. 58 ; e as 
sim por diante. 

Os artigos são todos independentes uns dos ou 
tros ; as referencias são tão somente para que pel; 
mesma occasião se leia o que ao mesmo assumpta 
se acha mais ou menos ligado. 



CHft(»nLO€l«. 

Xtrat Ou Epoohas Oeraet. 

ra vulgar chamada do Nascimento de 

Chruto 1»58 

ela melhor Chronologia 1860 

a Creação do Mando, segundo o Texlo 

Hebreu e a Vulgata 6859 

o DiliiTio Universal 1203 

Da Coriieoclio Gregoriana . . . . . 87S 

Corres]^ondenõia ãe algumas Eras oom a Vttlgaa. 

Anno do Período luliano CS68 

— da Primeira Olyin piada .... 2631 

— da Fuudaçào deltoma, segundoVar- 

— rão 2fiB8 

— da Época de Nabonàssar. . . ,» fiBOi 

— do Principio da mojaarchia portu- 

gueza 769 

COMPUTO EGGLESIASTIGO. 

Áureo nu*mero 13 

Cyclo solar 16 

Indicção Romana 13 

Epacta XII 

Letra DomiBical G 

n 3 



TÊMPORAS. 

Fevereiro 28, e Março 2 e 3 

Maio 30, e Junho 1 e 2 

Septembro 19, 21, 22 

Dezembro 19, 21, 22 

F£STAS MOVEIS. 

Sepluagesima. . . . i de Fevereiro. 

Cinza 21 de Fevereiro. 

Paschoa 8 d' Abril. 

Ladainhas 14, 15, 16 de Maio. 

Ascensão 17 de Maio. 

Pentecostes ou Paschoa 
do Espirito Santo. . 27 de Maio. 

Trindade 3 de Junho. 

Corpo de Deus ... 7 de Junho. 
Coração de Jesus. . . 15 de Junho. 
1.» Domingo do Advento. 2 de Dezembro. 



« 



QUATRO ESTAÇÕES DO ANNO« 

Primavera.. Começa a 21 de Março. 

Estio » a 22 de Junho. 

Outono » a 23 de Septembro. 

Inverno » a 22 de Dezembro. 

v4 



ECLIPSES TOTAES DA LUA. 
(Parte VUivel em Lisboa.) 

2 de Maio, 

Prineipio do eclipse. . . 1 b. 37' 35"m. tempo médio 

Prhicipio do eclipse total. 2 h. 39' 59 » » » 

Meio do eclipse. . . . 3 h. 28* 1 7 » r> » 

Fim do eclipse total . .4h. 16'35i> x> » 

Fim do eclipse . . . . S b. 18' 59 » » » 

25 de Outubro, 
Principio do eclipse. . .Sb. 7' 5''m. tempo médio 

Principio do eclipse total. 6 b. 8' 5 » » » 

Meio do eclipse. . . . 6 h. 52*35» » » 

Fim do eclipse total. . . 7 b. 37' 5 » » » 

Fim do eclipse 8 b. 38' 5» » » 

ECLIPSES PAAGIAES DO SOL. 

(Invisíveis em Lisboa) 

A i6 de Maio e 9 de Novembro. 

DIAS DEGBAISDE GALA. 

1 de Jâoeiro, Dia d'ÂDDo Bom (Beijamão). 

Í9 d'Abril, Dia em que S. M. 1. o Sr. D. Pe- 
dro lY. Decretou e Deu a Carta Constitucional 
daMonarchíaPortugueza (Beiiamão). 

21 de Julho, Juramento da Carta Constitucío- 
uai e Nascâmento de S. M. I. a Senhora Duque- 
za de Br^^gança fBeijamão]. 

16 de Septemoro, Nascimento de S. M. F. o 
Sní. D. Pedro V. (Beijamào) 

89 de Outubro, Píascimento de S, M. F. El- 
Rei Regente (Beijamão) . 
35 



PEQVEVA GALA. 

17 de Fevereiro, Nascitneoto da Ser. Senhora 
Infanta D. Antónia. 

16 de Março, Nascimento do Serenissimo Se- 
nhor Infante D. João. 

8 d*Âbril, Domingo de Paschoa. 

30 de Maio, Dia do Nome de S. M. F. EUBei 
Regente. 

7 de Junho, Corpo de Deus. 

15 de Junho, SS. Coração de Jesus. 

4 de Julho, Nascimento da Ser. Senhora In* 
fanta D. Isabel Maria. 

10 de Jnfho, Nome de S. M. I. a Senhora Du- 
queza de Bragança. 

21 de Julho, Nascimento da Ser. Senhora In- 
fanta D. Maria Ânna. 

23 de Julho, Nascimento do Ser. Senhor In- 
fante D. Fernando. 

31 de Outubro, Nascimento do Ser. Senhor 
Infante D. Luiz Fílippe. 

4 de Novembro, Nascimento do Ser. Senhor 
Infante D. Augusto. 

1 de Dezembro, ÂccIamaçSo do Senhor D. 
Joôo IV, 

2S de Dezembro, dia de Natal. 

31 de Dezembro, dia de S. Silvestre. 

36 



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38 



Lua cheia 7 b. 
Quari. m. 1 1 
Lua nova 8 
Quarí. cr. 
Lui) cheia 
Quari. m, 

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S3lQu.ift.cr, 
Lua cbek 9 
Qíiart, m. I 
Lii;t uova 4 
Ouart. cr. to 
Lua clieia 1 



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9 

5 
3 

1 

ft 
Lua cheia 2 
Qiian. m. 7 
Liia nova 1 
OnsrL cri 4 
í^9Liiííebeia 10 



9QuafL m. 
(íiLua nova 
S4Quart.cr. 
Litti cheia 

Luâ nova 
Quart,cr. 



4r m 
37 m 

1 m 

2 m 
5 m. 

24 m 
1t r. 
57 t. 
31 t. 

9 m, 

49 m 
53 t 

Ot. 
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20 m. 
27 TU. 
2PÍ m 
37 m. 

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H t, 
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fí^ t. 
íl>U 
37 t. 



6Quart, m. O 
14 Lua nova 3 



áí Quart. cr, 7 
29JLua cheia '*> 
I 4Quar[» m, S 
-^jíâfLua nova C 
gjl^OQnait. cr. O 
< j27 Lua cheia 7 
^ 3Quarl, m. 7 
S!l ÍLua nova f O 
"S- J9,Quart. cr. O 
^|i5;Luaclicia ^ 
2'Quart,m.iO 
^ ll|Lua nova 2 
'sIlSQuart. cr. ^ 
^ fSJLua cheia 6 
_*| 1|Quarl.Tn, 4 
B ^;Lua nova O 
>;16Quart.í?r.iO 
^[23jLua cheia 7 
l|Quari.m. 1 
OjLua nova D 
tCJQnarLCf. O 
b '23iLiia cheia 10 
*=^i3l|QiiarLm,n 



Marés. 

Conhecem-se as hoi^as das marés pela idade da 
)aa, designada para todos os dias do asno pelos 
algarismos que se achão à ilharga dos dias domez. 
Procurando essa idade na tabeliã seguinte, ter 
se-hão as horas de preamar e baixamar em umdia 
qualquer. Suppon Damos que se desejão saber os^ 
preamares e baixamares de20 de Septembro ; pro-' 
carando este dia na folhinha^ acharemos que é o 
10^ da lua^ e procurando na 1.*^ columaa da ta- 
beliã o n.^ 10, acharemos na mesma tinha horison- 
tal o que desejamos. 

Qiiando na tabeliã das primeiras marés se notiu, 
marés da tarde, as marés da manha d'esse dia são. 
as segundas do dia antecedente, como acontece 
no dia 30 da lua, cujas marés da manhã são as se- 
gundas do dia 29. 

TÂBOA 

Do« Preamav^ e Baixamares no Tejo. 



t 


l.« 


1." 


2.» 


2.» 




PKEAHAK. 


BAIXAMAR. 


PKBAHAt. 


BAIXAHAR. 


h. m. 


h. m. 


h. m. 


b. m. 


1 

2 
3 
4 
5 
6 
3» 


a 1% l. 
4 6 t 

4 S4 t. 

5 48 t. 

6 30 t. 

7 18 t. 


Ô 30 t. 

10 18 t. 

11 6 t 
11 S4 t 

42 m. 

1 30 m. 


a 42 m. 

4 30 m. 

5 18 m. 

6 6m. 

6 S4m. 

7 42 m. 


9 54 01. 

10 42 m. 

11 30 m. 

18 t. 

1 6 t. 
1 54 t. 



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30 m. 


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18 m. 


3 80 t. 


9 


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3 


Sim. 


10 


6m. 


4 18 t. 


10 


10 


30 t. 


4 


42 m 


10 


84 m. 


5 6 t. 


11 


11 


18 t 


5 


30 m 


11 


42 m. 


5 S4 t. 


1« 


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6 m. 


& 


18 m. 





30 t. 


6 42 t. 


13 





Sim. 


7 


6m. 


1 


18 t 


7 30 t. 


11 


1 


iim 


7 


54 m. 


2 


6 t. 


8 18 t. 


15 


2 


30 m. 


8 


42 m 


2 


Si t. 


9 6 1. 


16 


3 


18 m. 


9 


80 m. 


8 


i2 t. 


9 S4 t. 


17 


( 


6in 


10 


18 m. 


4 


30 t. 


10 42 t 


18 


4 


Sim. 


11 


6 m. 


5 


18 t. 


11 30 t 


19 


5 


48 m. 


11 


Sim. 


6 


6 t. 


Q 18m.' 


«0 


C 


30 m. 





42 t. 


6 


Si t. 


1 6m. 


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7 


18 m. 


1 


30 t. 


7 


i2 t. 


1 54 ra. 


ft 


8. 


6 m. 


2 


18 t. 


8 


30 t. 


2 i2m. 


23 


8 


Sim. 


3 


6 t. 


9 


18 t. 


3 80 m. 


U 


a 


42ffi. 


3 


5i t. 


10 


& t. 


4 18 m. 


25 


10 


30 m. 


4 


i2 t. 


10 


5i 1 


5 6m. 


«6 


11 


18 m 


S 


80 t. 


li 


42 t. 


5 Sim. 


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6 t 


6 


18 t 





30 m. 


6 42 m. 


88 





Si t 


7 


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18 m. 


7 30m. 


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1 


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. 7 


Si t. 2 


fim. 


8 ]8m. 


80 


t 


80 t 


. 8 


42 t 


.18 


Sim 


9 6m 



TABELLA DOS INCÊNDIOS. 



TOBRES. 



)eato António. 
S.Vicente 



POSTOS DB OUÁBDÁ. 



àraça. 
Sé. 



[Conceição Nova 

S. Nicolau A... 

Soccorro 

S.José 

Pena 

Bemposta 

S.Seo. da Pedreira 

JHoDserrate 

Santa Isabel 

CooventoNovo 

Necessidades 

S. Francisco de Paula. 

Santos o Velho 

Paalistas 

Chagas 

S. Roque 

N. Senh. dos Martyres 
S. Paulo 



11 

ít Escbolas Geraes. 

13 Calçada do Monte. 

14 Loyos. 

15 Carmo. 

16 Praça da Figueira. 

17 Mouraria. 

18 Santa Martba. 

19 Freiras da Encarnação. 

20 Cabeço de Bola. 
n Largo de S. Sebastião. 

Arco das Amoreiras. 
Junto à Igreja. 
24R.deBuenos-Ayres. 
Livramento. 
Pampuiba. 
Ingiezinhas. 
Na mesma Igreja. 
Rua das Flores. 
Trav. da Queimada. 
Administração Geral. 
RibeiraNova. 



Belém |S4 Juntoá Igreja. 



MERCADOS E FEIRAS 

EM TODO O REINO BE 



Todos os Domingos, em Abreiro, Alcobaça, Al- 
modovar. Ancião, Batalha, Bragança, Caldas da 
Rainha, Casai de Loyvos, Cuba, Espinhal (franca), 
Favaios, Ferreira, Lamego, Leiria, Louriçal, Ma- 
fra, Marinha Grande, Mirandella, Monte Alegre, 
Montemor o Novo, Pombal, Portalegre, Provesen- 
de, Sabrosa, Sanfins, S. Thiago de Cacem [franca), 
Serpa, Sines, Soure (franca), Valença. 

* Eflta relaçSo é a única exacta de qnantaf por ahi 
le publícSo, pois foi feita sobre os Mappas Offlciaes qne 
por todos os Ex.™<^* Snrs. Governadores Cítís do Reino 
iBe foram remettidos, pelo que lhes tributo aqui de no- 
>ooi meus sinceros e cordeaes agradecimentos. 

Á. M. C. 



Tockis as Secundas feiras, em Âtmas de Ser- 

Êins, S dias, Alvares, 2 dias (franca), Ganavezes, 
Ivas, Murça, Pampilhosa (franca), Santo André 
de Poiares (franca), Viila Pouca d'Aguiar. 

Todas as Terças feiras, em Beja, Braga, Celo- 
rico da Beira, Coimbra (franca), Condeixa (fran- 
ca), Évora, Leiria, Penafiel, Porto, Villa Real, Vi- 
zeu. 

Todas as Quartas feiras, em Amarante, Barro- 

zelas, Miranda do Corvo (franca), Mirandelia, Por- 
talegre, Provesende, Sabrosa. 

Todas as Quintas feiras, em Barcellos, Bragan- 
ça, Castello de Vide, Gouvêa, Lebução, Malveira 
(franca), Monle Alegre, Murça, Porto, Villáflor, 
Villa Pouca d^Aguiar. 

Todas as Sextas feiras, em Gana vezes, Gondei- 
ra (franca). Porto de Moz, Vianna do Castello, Vil- 
la Real. 

Todos os Sabbados^ em Amarante, Certa, Évo- 
ra, Guimarães, Porto. 



MERCADOS E FEfRÂS 

Aos DomingoSy em Penella 

A's Segundas feirassem CasleHúbranco,Cfaslo, 
Ponte de Lima, S. Julião do Freixo. 

A"s 0ttaf ía« feims, em Amares, Santo Thyrso^ 
S. Martinho da Gandra. 

A's Sextas feiras, em Souto de Leça, Souto de 
S. Tbiago de Costeias. 

Aos Sabhados, em Lanhezes, Gandra da Feira. 



MERCADOS E FEIRAS 

No !.• Domingo de cada mez, em Azeitão, Bel- 
las (franca)^ MaBgualde, Campo Grande (franca). 
Fontes, Goilegã, Guarda, MaçSo^ Meda» Pinhel, 



Provesende, Sandomil, S. Thiago d^Armamar, 
Sendim, Sobral de Monte Agraço [franca], Touríl 
(franca). 

No 2.® Domingo, em Alemquer (franca), Alhan- 
dra, Alhos Vedros, Arcozello, Arganil, Arouca, 
Assores, Azueira, 2 d. (franca), Botulhe,Castello- 
branco, Géa, Chão do Couce, Malhado Sordo, Mon- 
ta (franca). Porto, Sacavém (franca), Sarzedas,Sa- 
meiro, Santarém, S. Pedro de Penaferrim (franca), 
S. Vicente, Sardoal, Sarzedas, Sobreira formosa, 
Souto Maior, Taboa, Trancoso, Trevões. 

No 3.^ Domingo, em Almada (franca), Ganellast 
Chamusca, Chans, Figueiró dos Vinhos, Gavião, 
Góes, Guarda, Maceira, Pinhel, Ponte de Sor, Rio 
Maior, S. João do Monte, S. Bartholomeu da Char- 
neca (franca), Torres Vedras (franca), Treixianda. 

Na Véspera no 4.** Domingo, em Armamar. 

No 4.° Domingo, em Ameixial, Amieira, Azam- 
buja (franca), Cartaxo, Carvalhaes, Castellobran- 
co, Farinha podre (franca), Freixedar, Loures 
(franca), Mealhada (franca), Mondim de Lamego, 
Nellas, Payão (franca), Santa Marinha, Trancoso, 
Villa da Rua, Viiiar Maior. 

No 5.<^ Domingo (quando o ha), em Villa No- 
va. 

No ultimo Domingo, nas Caldas da Rainha, Lou- 
rinhã (franca), Trucifal (franca). 

Na 1.* Segunda peira, em Alfaiter, Bello Mon- 
te, Lixa, Lourosa, Pedrógão, Sul, Villa Fer- 
nando. 

Na 1.' Segunda feira depois da 1.® Domingo, 
em Moimenta da Seira. 

46 



JÍA Sbgunda pbiea da 2.» semana, em Lamela. 
Na |.» Segunda feiha, no Fundão, Souto. 
Na 2.»Sbgunda pbira depois dol.oDominffodo 
mez, em Aguiar da Beira. """"fei^uo 

Na a.» Segunda feira, em Fornos. 
Na 4.* Segunda feira, em Caria. 

em nSv^''^'^ "^^^^'^ "^^ 2.oDomingo do mer, 

Q ?llrr?A.^^J^^ depois do 3.' Domingo, em 
S. Pedro do Sul, Sernancelhe, Taro«ca. 

Q^wD^irt ''"''^^^P^^^ do 4.«> Domingo, em 

Na ultima Segunda feira, ein Carapichana, De- 

veza. Oliveira de Frades, Pes^ da Reguaráata- 

„.^;^_,^-* Terça FEIRA, em Avinares, Felgueiras 
Rioledo, Torre do Terranho. ' '«agueiras, 

Na 1.' Terça feira entre 16 e 23, em Coja. 
«•X V* Q^^»'"^ FEIRA, emMiranda do Corvo (fran- 
ca), Penamacor, Pena Verde. 
r^«X !•■ Quarta FEIRA depois do dia 14, em Mi- 
ra^da do Corvo (franca), Vouzella. 

S?o rS'^'^^^^^^^*^' ®™ Alcofra, Castanheiro. 

Na 3 • Quarta feira, em Penella de Trevões. 

«a Quarta feira da 3.» semana, quando o 
mez principia em domingo, e da 4.* semana quan^ 
ao principia em outro qualquer dia, em Sabu- 



Na ULTIMA quarta feira, em Avó. 
nJf' * 9^^^^^ ™^^> ^^ Freches, Freixo deEs- 
íar Satam Pes^J^eira, Sabugal, Santa Cruz, San- 
47* * 



Na 2/ QuizfTA FsiRA, em Mosteirinho, Pampi- 
lhosa (tranca), Proen^ a Nova. 

Na 1.' Quinta feira depois do 3.<^ Boaingo do 
mez, na Figueira (Guarda). 

Na 3.* Quinta feira depois do 1.® Domingo do 
mez, em Dornellas^ Viila do Touro. 

Na 4.* Quinta feira, em Minzelia. 

Na ultima quinta feira, em Tondelia. 

Na 2.* Sexta feira, em Gastendo, Fatauircov. 

No 1.® Sabbado, em Mogadouro, Freixo deNu- 
mão, FoDtêllo. 

No Sabbado depois do 1.^ Domingo, em Lamas 
de Satam. 

No 2.<> SABBADOt.lm Barrellas. 

No 4.° Sabbado, em Barrellas, Villa Verde. 



No dia I de cada mez em Becco, Caminha, 
Guiaes, Miranda, Mogadouro, Pico de Regalados, 
Ponj^e do Mopro, Seixedo. 

Sío dia Jt, em Frei Gil, Loureiro, Povoa de Var- 
zim. 

No dia 3, em Arcos, Lebucão, Marco de Cana- 
vezes, Mirandella, Villa do Conde, Villa Nova da 
Cerveira, Villa Nova d*Ourem. 

No dia 4, em Condeixa, Monte Real, Nesprei- 
ra, Padornello, Ribeira de Pena, Rio de Moinhos. 

No dia 5 em D. Ghama« Graça de Baião, Gravei- 
los (franca), Neves. Penamaior, S.Thiago, Valença. 

No dia 0, no Calvário, Cerva, Gagor, Porio, Rir 
bações. 

4S 



N0 4ia 9, emMoQOãOj Santa Maria de S veres 
{fraoca),Tarunque|ila,VaideNogBeira,yillaRe«lãd, 

No dia 9, em Almeida, fiarca, Basto, Ca<apeUqi, 
Châas, Leiria, Mt^ocorvo, S. Gabriel, I<»nU)za, Vil- 
la Rçal. 

No dia 9, em ÃIgozo,Sotiças (franca), Melgaço» 
Oliveira do Hjspilaí, 8 d. (franca}, Paredes, Pe^b^ 
Loogá, PoToa de Lanboso, Sabrosa/ Vai Passos. 

iVo dia lO^ em Amarante, Châ, Cbão grande, 
.franca), Fonlinba, 6uia (Louriçal), . Lagoago, Pe- 
Qafiei, Santalha, Sinfães, Vimioso. 

Ne dia u, em Alijó (franca), Amarante, Mila- 
gres, S* Pedro do Sul. 

No dia 19 em Arcozello das Maias, Amarante, 
Castanheira de Pedrógão, Feira Nova, Parada» 
Pombal, Sendim, Vallença, Villa do Conde. 

No dia 19; em Anca (franca), Guimaza (franca), 
Friamunde, Marca, Píães.Portelia, Porto de Moz, 
Rebordello, Villá Verde, Vista Alegre. 

No dia 14 em Arcos, Bragança, Cami&ba, Cha- 
ves, Penafiel, S. João da Serra. 

No dia 14, em Castro Laboreiro, Loivos. Man- 
gualde, Marco de Canavezes, Mezão frio (irano^} 
Moimenta da Beira (no dia 13 sendo Domingo, e 
^ò não, no dia immedialo). Santo Amaro, Senhor 
do Bom Successo, Montemor o Velho, Padornello, 
(franca) Tojal, Villaflor. 

No dia IG, em Frei Gil (Aregoe), Porto» Santo 
Anionio da Seca, Villa Nova da Cerveira. 

No dia 19, em Alfandega da Fé, Amarante, Ar- 
neiro de S. João (franca>, Carrazedo (franca) Jus- 
tes, S. Thiago de Figueiró, Sargaça. 



No dia 19, em CastellodeMoDÍòrte^ Loureiro, 
Marrares, Nesprèira, Paderae, Pico de Regalados, 
Vallenca. 

Noiia ill,emBaslo,GhaeiDi,Fovoade Varzim. 

No dia !90, em Boticas (fraDca).Goreixas, Ermei- 
lo (franca). Monção, Seixedo, Viíla do Conde, Vi- 
nhos. . ~ 

No dia !t f /em Bragança, Celorico da Beira, Fran- 
co, Oliveirinha, Pena maior, S. Tbiago, Sozeilo. 

No dia 99, em Aldéa Nova, Barca, Santa Cruz, 
Senhora das Dores (franca). 

No dia 93, em Agua Revez (franca). Barrosa, 
Rocio, S. Sebastião de Sinfães, Vallenca, Vinhaes. 

No dia Jt4, emCravições, Lousã, íreixo deEs- 

1>ada â cinta, Melgaço, Paredes, Penafiel, Penba- 
onffa, Teixeira. 

No dia »», em Alcobaça, Arnado, Légua, Mou- 
la, Ponte da Barca, Várzea, Villa Pouca d^Aguiar. 

No dia 9a, em Chã, Izeda, Porto, Sinfâes, To- 
xa (franca), Vai de Sogueiro; Villar de Maçada. 

No dia 99, em Feirano va, Friamunde, Jou (fran- 
ca). Lama de Legoinha (franca). Milagres, Santo 
Amaro, Sargaça. 

No dia 99, em Amarante, Favaios, Monte Ale- 
gre, Santa Martha, S. Gabriel, Sozeilo. 

No dia 99, em Macedo de Cavalleiros, Pedrei- 
ros. 

No dia so, em Eiró. 

ff o uUimo do meZy em Carrazeda, Castro Labo- 
reiro, Chaves, Mezão frio (franca), Thomar. 
' Quatro dia9 antes do ultimo do mez,em Ruivães. 

80 



MERCADOS E FEIRAS ANNUAES. 

Janeiro. 

1. CásteltobraDco, 3 dias, Flor da Rosa, 2 d., 
Moita, Pesqueira. 3. A\iz^ 3 d., Mondim de Basto. 

4. Montargil, 2 d., Porcarica. 9. Ponte de Sor^ S. 
Caetano. i!e. Ulme, 3 d. i5.Aireízir3o,Gertã, Es- 
calk>8 decima, Maceira,Santo Amaro,S. Jorge.Sar- 
eina (franea)» ito. Atalaya, Cantanhede (rranca), 
Moreira de Rei, Pena Verde, Prado, 2 d., Vidiguei- 
ra, 3 d. !9!e.Torres Vedras (franca). !t4i. Cabeça Re- 
donda (franca). 9&. Constantina. Z9. Terena, 3 d. 
(franca). 

Pevereiro» 
1. Castro D»re, 3 d., Gavião, 3 dias. 2. Casa- 
branca, Évora, 2 d., Olival. 3. Arouca, Bcnedicta, 
£ga ^franca), Ferreira, Juncaes, Monte Perobolço, 

5. Braz(franca). 4. Albufeira, % d. il. Certa. 13. 
Chamusca, 3 d. !S4I. Abrantes, 3 d. !t5(l.«Z>o- 
mingo da Quaresma). Medellim. Nos fins do mez. 
Régua. 

Marco. 
9 (1." Semta feira). Flor da Rosa. 8 («.• Sab- 
bado da Quaresma), Loulé, 2 d. 4 (t.^ Domingo 
da Quaresma), Freixo. 1 1 .Torres Novas, 3 d. 1S. 
Salvaterra do Extremo. m(í,^ Domingo daQua- 
resma), Ahnodovar. 19. Aveiro, Proença a Velha, 
Sou to de Leça. 19 (Segunda feira d a ^^* semana 
de Quaresma), Cabeclio (franca). 91 . Arcos, Sei- 
xas. 9S, Aldéa Gaflega da Merceana (franca), 
Aveiro (fraHca)y Bagunte, Gertã, Figueiras Podres, 
'51 



Leiria. PatOy QuHilelia, Sor.* deCadic (Siofães). 
•& {Úomingo de Lazaro). €ovilfa9, Pavia (fran- 
cit). Porto. 30. {Ante véspera dê Domingo de Ma- 
mo^). Évora, Sd. (franca), Valença de Taboapo. 
«1. {Véspera 4i Domingo de Aam^). Sor.* da 
Ribeira* 

Alirll. 
&. Rio de Moinhos» 2 d,, S. Marcos, o. Góes, 
%(,Sexta feira de Paixão), Barro (franca)- 8 (D(^- 
mingo de Pasohoa].ETT9í, 9 0*^ Oitava da Fas- 
(^koa). Canecas (franca], Louva. lO-d*" Oitava da 
jPmcAoa). Yalle. 11. Montelavar (franca). 16 
{Domingo da Paschoela), Borba. 3 d. (franca). Fer- 
reira, idfanha aNova,Louriça), Santarém, % d. l« 
(ISossa Senhora dos PraMeres), Amoreiras (fran- 
ca), Lagarteira, Monsanto, S. Migud, Castro Ver- 
de. 119. Mourão, 3 d. (franca), it». Âicaeer do 
Sal (franca), Alter do Chão, Alvalade, Arcozello, 
Castellobranoo. 198. Viila Viçosa (franca). 

Maio. 

1. Agualva 3 d. (franca). Cabaços, Medellim, 

Olh&o. 3. Barcellos, Lamego, 8 d., Outeiro,Silves, 

e(t.® Domingo). Santa Catharina. 8. Estremoz, 

1 d. (franca), Foscóa, Villa Nova de Famalicão, 

1 d. IO. Garvão, 3 d., Porto. ift. Sanhoaae. 19 

i^9censão). Marvão, Semide (franca). !90 (3.* Do- 

mingo). Elvas. 3 d* 94. Arronches, 3 d. Z^ S. 

^hgo de Brilhe. 99 {Domingo do Egpirilo San- 

'monuras (franca), Arottca, Azueira, 3 d. 

>, FoMièllo, 3 d., Lappa, Mercês (franca), 

m(fríincii), S. Romão. 98 (t.* Oitava do 

W 



Ètífirilo 5a'9ilo).Vianna.do Âlemtejo. 99.T«Yeiid, 
3 d (franca). ^99 (2." Oitava do Espirilo Santo). 
Valonga (franca). 

3 (Domingo da SS. Trinêade), Aidêa Gallega 
da Merceana (franca), 4. Mouta Santa. Porto de 
Moz, S. Go€s. 10 it.*^ Domingo de Junho}, klmtr^ 
gem (franca), Lappa, 2 d. i ». Ákjugtrel, 3 d . i S. 
Almada, 3 d. (franca). Barauinha, Cintra (franca), 
Gandara de Serem, Granja Nova, Mertola,Monsa«- 
to« Venda do Pinheiro (franca), Vilte Real, 8 d., 
Villa Verde,Viíla Viçosa, í d. (franca), l vÇi.^ Do- 
mingo de Junho). Almargem (franca), Sobral de 
Monte Agraço (franca), is. Cabeeo de Vide: 90. 
Aimodovar, Amarante. 3 d. 194. B'raga/%d.,£¥D* 
ra, 3 d. (franca). Frieira, Guarda, Lagoa, 3 d , Lou* 
zã, Mirandelia, PeredOt Vide: 2&. S. Christovão. 
99. Cercal, Certl^ Choto,.F>lor da Rosa, 3 d., ida- 
nba a !<0Ta« Macedo de Cavsílleiros, Porto de 
Moz. Sabogal.S. Pedro de Arego8, S.Pedro de 
Penaferrim (franca), §. Pedro de SoUe8,Tôrrefi Ve- 
dras (franca). 

aallio^ 

9. Constantina. 4. Coimbra (franca), Condei- 
xa (franca), ma. Vidigueira, 3 d. ll. Arcos, Sei- 
xas. l&iB.* Domingo deJulho). Baceilas (fran-* 
ca], Conceição, Mnrgoeira (franca), SanfAnna da 
Serra. ia. Faro;,:3 d..l9. Becca. 9a. Arroda, Sd. 
(franca). Piedade, â d. (franca). 24.Bstrémoa, 
3 d. (franca). 9&, Amieira, Ericeira (francaX Juo* 
cies» Leoraii, Marialva, MedeUim, MíraiMtella, 
Santiago, Santo Ago, Setúbal (franca), Tremez. 
UB 



9#. Loures, 3 d. (franca). Minde, Sabugal. Sm* 
to de Leça. !t9. Cuba. 3 d., Figueiró dos Vinhos. 
1t9 (^Ultimo Domingo). Vermuil. . 

19. Lamego, Tavira, 3 d.» Torrão, 3 d. 4. AlaB- 
droal, 3 d. (franca), Ermidas (franca), 5. Constân- 
cia, 3 d.. Freixo de Espada â cinta, Proença a Ve- 
lha, e. Bombarral (franca), Nespreíra. 9. Beja» 
7 d. IO. Castello de Vide, Celorico da Beira, 
Leiria, Povoa de Santo Adrião (franca), Sabu- 
gal, S. Marcos, S. Lourenço, S. Thiago de Brilhe, 
hanla Suzanna no LandaU Sebadelhe, Snr.* do 
Mosteiro, 13. Moncorvo. 14. Castro Marim, 2 d. 
15. Alandroal, 3 d. (franca), Almargem (fran- 
ca), Barreiro (franca), Batalha, Caldas da Rainha, 
Campo Maior, 3 d., Castanheira,* Ceiça (franca). 
Ferreira, Fronteira, 3 d. Lappa, Monsanto, Monte 
Agraço (franca), Paço. IS. Mido, Sarzedas. IS. 
Yianna do Castello, 3 d. 19(1,^ Domingo depois 
de m-d' Agosto). Torres Vedras (franca). 19 (3.* 
Domingo d' A gosto). Castro, 3d. ^O.Alcobaça, Se- 
nhora aaSerra^ 5 d. (franca). !Sl. Penamacor. Zlà. 
ProençaaNova, 3d. ^a.Mexelhoeiragrande, td. 
Salvaterra do extremo, S. Bartholomeu da Char- 
neca, t d. (franca). ^4. Arouca, Biihó (franca), 
Canno^ 2 d., Craviçães, Casarias, Coimbra, Pe- 
nafiel, Ruivães, Villar, Serpa, 3 d., Trancoso, 
Yalladá, Villa dos Sinos. !9&. Jeromenba, 2 d. 
(franca). Piedade (franca). 9&. (Ultimo sabbado 
dMlfOslo). AldéaGallega,Ataiaya, 3d (franca).»e. 
(tUHma Domingo d' Agosto), Bellas, 3 d. (fraAca), 

^4 



Graadola, F<mUDhA, Tmcifal (franca). 9«. ÁgBaA 
BeUft», Freixedat. 99. Penamacor. lt9. Loulé, 
3 d. 81. MontargiL 

9. Certa. Z [1^ Domingo), Cintra (franca), Guiflt 
Chão de couce (Arraiai). 3. Mondim de Basto. •. 
Arganil, 8 d. (franca). 9. Mouta, 3 d. (franca),yii- 
b. tteai, 3 d. «. Âsinhoso, Belem> 3 d. <{franca no 
h^)y Barbacena, 3 d., Lagoa, % d. Lamego, Lur 
[franca), Mangualde, Montemor o Yeilio (franca). 
Moura, 3 d. Nazareth (Arraiai), Perrfies, Bio de 
Couro», S. Tfaiaffo de Cacem, Saraparto, Sobreira 
formosa, Yiila Viçosa (franca). lO. Chacím. ia 
[Segunda ftira depois de 8 de Seplemlro). Bragan- 
ça. 1l9. Santa Cila, 4 d. ia. Alcoutim, 3 d., Ode- 
mira, 3 d., Portalegre, 3 d., Yilla do Bispo, ift 
( Quinta (eira seguinte a 8 deSeptembro\.^sawrtiht ^ 
Pederneira. 14. Aiumieira de Loureiro. 16. £r- 
yedal> 3 d>, Mogadouro, Bio Maior, Santa Eufe- 
mia do Paraíso, mb iB."" Domingo). Alter do Chão, 
Celorico da Beira, ferreira, Freineda, Yiiia Nora 
de Reguengos (franca). 19. Arronches, Ponte de 
Lima, 3 d. !90. S. Bartfaolomeo de Messines, 2 d. 
Yizeu, 15 d. (Os 3 l.** franca). 91. Benavente, 
3 d., Cabeceiras de Basto, Elvas, 3 d., Fratel, Leu*. 
rinha (franca), Mertoia, Montelavar (franca), Be- 
foios, 8 d., Soure (franca), Yiila^Nova de Famali- 
cão, tá. 93 iDomingú immêdiato a ti de gep- 
tembroy Yilla Franca do Bodão (franca), «a-r-i.» 
Domingo deSepteMro).T6tendi^, d. (franca.). 94.' 
Montalvão, 8 d. 9». Aljesur^ Yeiros. 99. Ode-« 

55 



ttlm, 8 d., Onrime, f d. M. Aleraquér (fraa^»), 
Ameixial, 3 d. (fraDca), GeHaviza (franea), Coru- 
che, 3 d., Ferreira, Foscoa, OibUo^ Fenelia, Por- 
to, Rezende, Runa (franca), Souzel, 3 d. Tarouca, 
Vendas Novas de Lourosa, Yitiiirinho do Bairro. 
90. Idanha a Nova. 

1. Soajo. 4. Âreozeilos, Gastellobranco, Guar- 
da, MarvSo, Ponte de Sor, Redondo, 3 d. (frsnca), 
S. Francisco de Cari», Tavira, 3 d. * (l^ Damin- 
90 ãê Ottfttòro). AliBo^geme (franca), Entradas, 
Villa Franca, 3 d. Reguengo. %. Évora, Povo da 
6uia, t d. 9. Odivelks (franca). lO. Alcácer do 
Sal (franca), Villa Real de Santo António, fl d. 1 1 . 
Santarém, 3 d. llt. Lagos, 3 d. 14 (S.»D«mn- 

ÍêáeÕHtuhfiíi), Campo Grande, 8 d. (fraílca). is. 
iogadonro, S d. le. Ferragudo, 3 d. 19' Gerti, 
Covvellos (franca), do. Faro, 3 d. S. Pedro (Óbi- 
dos), Thomar, 3 d. !9l. Pereira (franca). %t (3.* 
Domingo d$ Outubro), Mercês (ffanea). 9tt. Mon- 
chique, 3 d. ««. Ruivães* 9H. Proença a Velha, 
Santo Antão (fmca). Sfio Simão (franca), Sardoal, 
3 d. VlliadePrades., 2d. )t8f(4.<> Domingo deOw 
tmòro). Mercês (franca). 9^ (Vitimo lfomin§9). 
FoBitaL «õ. VitfaNova d6Sant<^ André (Iranca). 
ai. Chaves, 3 d. (fiança). 

i. AlcaiaSf AloMrgein (froiMsa), Alvito, 3 d., 
Borha, 3 d. (Dranoa), CárUxo, Macio, Mangualde, 
Stiiia Quitéria (franca)^ 9. Bemio da Lagoa, 2 d.. 



5ily«0, 8 d.«.Soaio> Sobral de Ifonte Ajpraça (CraQ* 
ca;, Tentúgal, id. (franca). 41 (l.<^ Domingo 4e 
Novembro), Oeiras, (franca), Serra d'El-Rei (fran- 
ca), ft. D. Chama. •. Atouguia (franca)^ Rebaldei- 
ra (franca], Seixal(franca). 0. Estremoz,dd. (fran- 
ca)- IO. Gella, Pinhel. 1 1 . Ega (franca), Golle- 
gã, 3 d., Penafiel, 3 d., S. Martinho da Sapataria 
(franca), S.Martinho de^alreu, Villa Nova de Por- 
timão, 3 d. 11 (2.® Domingo de Novembro). Oei- 
ras Urvnca). ••: Rebcrlosa,YiKla Pacata; 99. Ama- 
rante, so. Ervedal, Freixeda, Góes, Mafra, 3 d. 
(franca)* Mezão frio, 3 d. (franca), Moroes, Pena- 
macor, Santo André de Esgueira, São Jorge> S. 
Thiago de Cacem, 2 d. (franca).. 

nezembro* 

1. Soajo. »(l.°I>omtnyo). Louriçal. «.Pinhan- 
C08. 9 (1.* Segunda feira do mes). Lamego. 
4. Santa Barbara. S. Cadaval (franca), Cascaes 
(franca), Cezimbra (franca), Pernes, 3 d.. Torre do 
Bispo, Touril Ifrandíi). lO. {^.^ Segunda feira). 
Lamego, la. Bagoeixe, Chanceiiaría, Porto de 
Moz, Trancoso, YiIIa Verde. 19^. (3." Segunda 
feira). Lamego. 19. Sarnadella (franca). 91. 
Abambres, Alcaóer dc^ Sal (fràftca),- Canha (fran- 
ca), kiaiibà ap4«va: 94 (3.* 3.* febra). Lamego, 
a 1 . Colméasv Gradil (franca). 



57 



FOLHÍNHA PORTUGUEZA 

PABA 

O ANHO DE id55 



Com a iadiõaffio de todas at printfipaes 
feitai de Lisboa. 



^.6. numero immedialo ao dia domes indica a ida- 
de da lua, e com eRe se conhecem as horas das marés, 
como atras se declara. 




SIGNO DE y^rflW !Í| AOUAtlO 



1 DE JAifEito {ÍL^) -^ Segunda. 9 CiRCUvci- 
sXo DO SiNBOR (A. 51 p, 33 e 34 e 87 de Janeiro. 
jl. S4 p. 33). Grande Gala. Beijamõ;o. Indulgen-- 
eia em varias Igrejas. Festa na Graça, Barrei'- 
ro, e SeixaL 

^DijANEito (IS.*")— Terea, Santo Isidoro, Bis- 
po Marlyr. 



^ • 8 ©«A5WW) (16.*) — Quarta. Smio Anlef», 
TapaM. Santo Aprigio, Bispo de Beja, Portuguez. 
SaDla Genoveva, V. (A. 52 p, 35). fndtklgencia na 
Madre de Deus na 1.' quarta feira de cada mez. 
Lua cheia de Dezembro ás 8 n. 28 m. damanhã. 

4 DE JANEIRO (17.«) Quinta. S. Gregório, Bispo. 
S. Tilo, discípulo de S. Paulo. Indulgência no 
Convento do Desaggravo em todas as quintas 
feiras do anno, e como a da Foreiuncula na 
Igreja das Religiosas do Sacramento na l." 5.' 
feira de tada mez. 

5 i>E JANBíBo (18.*) — Sexta. S. Simeão Esie- 
liia (A. 51, 5 deJan.). Santa Apolinaria, Virgem. 
S. Teiesphoro, Papa Martyr. Vésperas de ins- 
trumental na Sé, e ao escurecer comecão as Ma- 
tinas, também de instrumental Prihcipião as 
13 sextas feiras de S. Francisco de Paula na 
sua Igreja, com Indulgências. Começa a. Novena 
de N. Senhora da Divina Providencia. 

6 DE JANEIRO {1%.^) --Sahhado. * Dia de reis 
(^. 51, 6 de Jan. À. 53 p. 38). Indulgência no 
Loreto. Benção no Menino Deus. Grande festa 
na Sé, a que assistem SS. MM. 

7 DE JANEIRO (20.») — Domingo (!.• depois de 
i{m).NossA Senhora DE Jesus. S.Theodoro, Mon- 
ge. Permittem-seos casamentos solemnes. indul- 
gência Plenária em Santo Amaro no 1.^ Domin^ 
90 de cada mez. Festa em, Jesus. 



Justiniano, Patriarcha de Veneza. Abrem^$e os 
Tribunaes. 

9 o£ JAMíiBO (22.*)— Terça, S. Julião Manlyr. 
Festa na sua Fréguezia, em que foi abolido o 
dia santo de guarda: 

10diijan«iro {13.*)— 0ie«ría. 5. Paulo, !.• 
Bremita. S. Gonçalo de Amarante. 

3 11 DK JANEIRO flL"")-; Quinta. Santo Hy- 
gino, Papa Martyr. 

Quarto minguante de Dezembro aos S3 ni. 
depois do meio dia, 

11 BB JANEIRO (25.°)— SeíiPía. S. Satyro, Martyr. 

13 ni JANEIRO (26.'') — &abbado. S. Hilário, B. 

14 DE JANEIRO fíl,"*)— Damingo {%* depois de 
ReisJ. Santíssimo Nome de Jesus. Nossa Senhora da 
DniNA Providencia. S. Félix, Martyr. Indulgência 
em S. Domingos para os Irmãos dos PassPs no 
2.* Domingo de cada mez. Festa principal do 
Sagrado Coração de Maria no Mosteiro da En- 
carnação. 

15 i)E DB JANEIRO /^aS.V— Seounda. Santo Ama- 
ro, Abbade. Festa em Santo Amaro, na Concei- 
ção Velha, e no Convento do Desaggravo, com 
Lausperenne- 

€0 



Mm MBfB«o(M-»)— J^fca.OsSanlos Mar- 
tyresde Marrocos. S. MaroelJo, PapaMartvr. Co- 
fneeão os dias de Sania Engracia na Sé de Li$- 
boa^ para desaggravar o Santissimo Sacramen- 
to, pelo desacato na Fréguezia da. mesma San- 
ta, na noute de W para Í6 de Janeiro; ha Pro- 
ciifsão dentro da Igreja, Também se deeaggra- 
vano ConventinhofSantaClara), havendo ser- 
mão na mesma noute do desacato^ e festa com 
sermão nos três dias. 

17 DE J4NBW0 (30.«) — Quarta. Santo Antio, 
Abbade. Santa Leonilla, Martyr. 

® 18 jwf JAiíKiao(l.o) — Quinta. A Cadeira de 
S. Pedro em Roma. Santa Prisca, Virgem Martyr. 
Lma Nova de Janeiro, ás 8. h. 47 w. da manhã. 

19 M JAKBiRO (í .•) — Sexta. S. Ganuto, Rei de 
Dináunarca, Martyr (A. ^t p. 243). 

20 DE JANEIRO (3.<>) — Sabbado. S Sebastião, 
M^riyr f Jejum no PatriarchadoJ.Foi abolido o 
dia santo de guarda na sua Fréguezw» na Ilha 
de S. Miguel, e, fim Lamego^ e o dia sant4> dis- 
pensado em Braga, Pinhel e Funchal. Festa de 
mstrumenial em S. Sebastião da Pedreira, fei- 
ta pelos marcineiros, de quem o ISanto é Patro- 
no. Festa na Igreja do fíospUal de S. José. 

21 ]>« JANjBifto fl.V^ Domingo t$.» depois de 
Reis). Santa Ignez, Viri^em Martyi . 

w 



fl M jAifBiBo (5.*) — Segunda. S. Vicente Mar- 
tyr, Padroeiro de Lisboa e do Algarve ("A. Siy. 
54). Santo ÁDã^tacio. —Fetta em S. Vicet^te de 
Fora ena Sé. Festeja^e S. Sebasti&o na sua Igre- 
ja, eom instrumental. 

f3 DE JANEiiio (6.*) Terça. Os Desposorios de 
Nossa Senhora com S. José. S. Raymundo de Pe- 
naíort. Santo Ildefonso, Arcebispo de^ Toledo. 

Í4 DE JANEIRO (7.') — Quarta, N. Senhora da 
Paz. S. Timotheo, B. M.0 fi. Marcolino, D. 

(E 25 DE JANEIRO (8.°) — Quinta, Conversão do 
Apostolo S. VdiXúo —Festa e Lausperenne na sua 
Fréguexia.em que se aholio o dia santo de guarda. 
Quarto crescente de Jan. á 1 h. 48 m. da manhã. 

fft DE JANEIRO i^.")— 5ea?í«. S. Polycarpo, Bispo 
Martyr. ^anta Paula, Viuva. Festa a S, Sebastião 
na Fréguezia de S. Paulo. 

ti DE JANEIRO (lO.V — Sabbado. S. João Chry- 
fiostomo, Bispo e Doutor da Igreja. Festa a N, Se- 
nhora da Piedade em S. Pauio. 

18 DE JANEIRO (It.^) — Domingo {L^ depois de 
Jl«t». S.Cyrillo,Bi8po. A Beata Verónica, A.Tras- 
ladaeão de S. Thomaz d* Aquino. GB. Matheusde 
Agrigento, B. Festa principal do Sagrado Cora- 
f Ho de. Maria no Mosteiro da Eneamaeão» Come- 
ea a Novena das Chagas dt Ghristo. ^ 



%9dS JANXito (If .*) Sêffunda. S Francisco de 
Saíes, Bi»po. S.Pedre Thomaz, C Festa de Laut- 
perenne nas Silesias a S. Francisco de Saler. 

30 DE JANEIRO (13.^) — Terça. Santa Martinba, 
Virgem Martyr. Santa JaciníhadeHariscottr, Vir- 
gem. 

31 DE JANEIRO {IL*)— 'Quarta. S. Pedro Nolas- 
co, da Ordem do Carmo. S. Gyro, Martyr. 



SIGNO Da 9BE9 M8C1S. 



1 DE FEVEREIRO (15.^) --Quinta. Santo Ignacio, 
fiispo Martyr. Santa Brígida. O Bemaventurado 
André de Gonti (A. 51, Ide fevereiro). Jejum ex- 
cepto nos Bispados d"^ Elvas e de Vizeu. 

• f DE FEVEREIRO (16.*) -^Sexta. ®. PORiriCAçXo 

VB Nossa Senhora (A. 51, 2 de Fevereiro , A. 52p. 
ti4). Festa nos Terceiros do Carmo e na Sé. 
Lua eheia de Janeiro ás 8 h. 51 m. da manhã. 

3 BE FEVEREIRO (17.*) -~ Sahhado. S. Braz, Bispo 
Martyr. O fi. Odorico, V. Festa a S. Braz na Con- 
ceição Yelha, em Santa Luzia, e nos Martyns. 



4 DK FEVBBBiRO (IS.^) ^ (Doifitnf O da Scptua- 
aesimaj. Santo AnUré Corsiao, Bispo. S. José de 
Leonista. Coítuma aelebrar-^e na Jgrejjii das 
Commendadeiras da Encarnação uma festa com 
E^poHçãpdo SS, SacramentQêf^nk/Sia 4$ ma- 
nha e àe tarde, chamada a feêta da ArchicQn' 
fraria do SS. Coração de Marta, e com indul- 
gência Plenária paira os confrades. Começão os 
'b4>iningas da Madre de Deus. 

5 DB FEVEREIRO (10.*)— iS>À</un(ía. Santa Agueds, 
Virgem Martyr. Os Martyres do Japão, S. Pedro 
Baptista e seus Companheiros- Matinas na Igreja 
das Chagas á festa ao Orago. 

6 DE FEVEREfRo (40.®) — Terçâ,. As Chagas de 
Christo. Santa Doroihea, Virgem Martyr. OBem- 
aventurado António de Amandula. Festa e Laus- 
perenne na Igreja das Chagas e Te-Deum de tar- 
de. Festa do Snr.Jesusdos Desamparados com Ju- 
bileu para oslrmãos no Mosteiro daBn^amação. 

7 DE FEVEREIRO (21.*») — j^afío. S. Eomualdo, 
Abbade. S. Ricardo, Rei d^Inglaterra. Festa a 
Santo Urbano Martyr na Igreja das Chagas.. 

8 DE FEVEREIRO (22.°) —|?tttWo. S. João da Mal- 
ta, Fundador da Qrdem da SS. Trindade. 

9 DE FEYEREiRo (23.*) — Scxta. Sasia ApoÚo- 
nia, Virgem Martyr, Advogada contra a dor d« 
dentes. Festa e Lausperenne nas Mai^ica^. 



*!• DE FÍvmiKo (81.»)— Sibhado. Sânía Rs 



íte(tic»,V.S. Guilherme: »M(oe d'AaHl(aBia a 



11 BBFEVEUBIRO (aR>')~«»«,<1»^<l».SÍía,(tir»f,-. 

tos. A:S«m&v«star«(Ri Joaanna V«l«^. 

13 DE FEVEREIRO (27*.*) — Terca. S» «rfeffArtA fí' 

«aratí» VwWmn», V., dreMemdè S. Fraacisco. 

J^BrevBkmo «»•)•-.(?«,«•<&, S. ¥«!énttiH, 
««WH»; o» «(M»/j{r«jn«r. 

^SBOto- Ajtiomo. 06 Sambí'. Pwisiitto e, Jovíltf; 
wrtyres. J^m* eàtSm» A-#M>meK ■<«» m 

■ ®J1?J "«VEREiRO (1.0) — Sexta. S. Porphv- 

Marln, O BemaveMflRfàtfWIcofóu d<5 Lo»R<«)a*^ 

ra /n/o«ki /). Aríormí; fie»i»ena Gala. 
»» g 



18 DEFEVEUEiBO (3.*) - DominffO da Qumqta- 
qesima. S. Thcolonio, 1.* Prior de Sanla Crua de 
Coimbra. S. Simeâo, Bispo Marlyr. Indulgencta 
das 40 horas na Sé e em S. Joào Nepomuceno por 
occasião da Exposição do SS. Sacramento até a 
3.* feira depois de Completas. 

19 DE FEVKBBiEQ li*)— Se^unda^ S. GQDrado, 
Franciscano. O B. Álvaro de Córdova. 

20 DE FEVEREIRO (5.*) — Terea feifa de entrado 
(A. 51, 4 de Março, A, 53 p. 70). S. Eleutherio, 
Biçpo Martyr. 

41 DB FEVEREIRO (6.«) — Otiafía feira de Cin- 
sas (A. 51, 5 de Março, A. 52 p. 85. A. 63 p. 71). 
S. Maximiano, Bispo Marlyr. Sai>ta Angela deMi- 
ricia. Virgem, da Ordem de S. Francisco, /e/tim 
até á Paschoa, menos aos Domingas. Prohibemr-se 
as benções matrimoniaes desde este dia até a 1.° 
Domingo depois de Faschoa. Bençêío daCií^za na 
Sé. com instrumental, Sãoprohibidos os espectá- 
culos públicos n^este dia e em todas as G.*' feireis 
da Quaresma. 

22 DE FEVEREIRO (7."*) — Quiuta. S. Margarida 
de Cortona. A Cadeira de S. Pedro em Antioehia 

(£ 23 DE FEVEREIRO (8.») — Sexta, S. Pedro Da- 
miSo, Bispo. S. Lazaro, fitonge. 
Quarto crescente de Fevereiro áe 4 A. 57 f». 
da tarde. 



« Bt PKmímo (9.0) — Sttbbado. S. Malhias 
Aposiólo. S. ^f^ejíMOiBispo. Foi abolida o dia 
íanío dispensado. 

« BE FBVBRBtiM) (IO.»— DonHntfú {!.• lia Owa- 
rema). S. Cesáreo, Irnio étS. GregorioNazian- 
2680. Procissão em Santo Antão do TojaL Viila 
Franca, e Caseaes. 

M BB FBVBRBiBO (IV)— Segmda. S. Torcalo, 
Martyr, Arcebispo de Braga. • 

«7iMB PByBREiB0(ll«)-7ma. S. Leandro, 
Arcebispo de Sevilha. A Bemarentiirada Viríçerâ 
ChristiaDa. ^ 

»J« FBVBBBiBO {18*J)- j^ttafía rTempofasJ, 
S.]loiii3o« Abbade. O Benaventurado Tbomaz de 
Cora. 1^ Trasladação de Santo Agostinho. . 



SICIIO VÊ jmmtP^ ARIBS. 




1 BB MABço (14.«)— Quinta. Sanlo Adrião Mar- 
tyr. S. Rozendo Porlujjuez. A BemavcnluradaMa- 
Ujia de Nazareis, da Ordem de S. Francisco (A. 
51, 1 de Março). 



Graça. 

fíémetiBcio^ Idac^r. Santa Cmeg^ad^^. . 

4 DE MARÇO (17.®) — Domingo (2.° da Quaresma). 
S. Gas:iiqir(>. $. k^m^ Bapa Wartyjr» Pr^^00^mn 
Sacavém. 



5> DB MARÇO {\^^) ^ Seguf^íta^ &. TboephUo,^»- 
)de.Cesar -*»'•-*' ^ ^^- ^ - 

rancisco. 



Po deCesarjQ^.. O>^atq0QfiQ 4pft4,.4^0r<âej9,dAS 
• 



6( p« muco íWi») *-r. yerçav Saote QUa^Mio, 
BisRp.. Smt^i^CoUQtei VMrgiffli«Sw.Ma(»iaDO,7!Bi«i>o 
Martyr. 

7 DEMARCO (20.») — Ouaría. S.Thomazd^Àqui* 
no, Doutor da Igreja, da Ordem de S. Domingos. 
Santas Perpetua e F^ti<U4jid^Martyres. Foi abo- 
lido o dia f(^]^£o; dis^ensaioèm guro *. seus su- 
búrbios, 

8 DE MARÇO (21.®)— Otttnía. S. João de Deus [ã. 
S4,p. 102). 

9 m MAii^c^ (2M ^ iÇe^fíOr^Siapjia FifancifcaiRo- 
raana^Viuvai Sa^ta,ÇafMirf(iíi <fc Boloftjto, ViigeiD> 
da Ordem de S. Francisco. 



d9 compânUsiros^ Marty rei. Começa a iVooâia ifo 
S. José, 

9 11 DÉ HAâ&^o (H.^ — Z^ihtnoo (8.^ «fift 9i»a- 
reMitt). S. GaaiÉido^ Marlyr.Prooff«iao dêtPasiúÊ 
em OtBirúis e AíDe^r^) b dou l^eroeií^os de S^Fí^an* 
cisco na Arruda. — Faz è^ãunos S.Á, Siréiniê* 
8imA à Smhíka 1>, Januaria Mwia 

Quarto minguante de Fevereiro á 1 h. 23 m. 
' data^de. 

li DS «tit|^ (t&.^ -^ l^egrtmdm. S. Gro^ovio, l^« 
pte^ootor^Ifrcja. » 

Saitoli»^ Virgem, lAfi(nlayle>&'tok;al* S^ Rodrigo, 
ltot9fv^Séna £iifràBia,^Yirg«is. 

14 D2 MARCO (27.*) — Ottaría. Trasladaçlo de S. 

QttntosS:m. alm9e¥útH^.4jSífír9àii,:Di Theftesã 
Christina Maria, imia ^ãt S. M^<ô Heidn Niàpút 

les, 

S. Longuinhos, solgadki, Maítyri 

\ê M iii^kç(r{2d.«) -^ Vemía. S. Oynaoo, ttatiyr. 
Pmissão^éttfifasnB^^mBi^^m èlno4h9UrfOi^r^ 
FacIU amiaá o.JSÉri^isnmo S^nliot InfeoM JJti 
, hHo, Pequena Gala, 
19 



17 Bi íiktçõ (8B.*) '— Sãhbado. S. Palricio, 
Apostolo da Irlanda. Santa Gertrudes, Vir- 
gem. 

(9 18 DC MARÇO (1."^ — Domingo (4.* da Quares- 
ma). S. Gabriel, Arehanjo. S. Narciso, Arcebispo 
de Braga. O Bemaventurado Salvador da Hortt, 
da Ordem de S. Francisco^ 

Lua nova de Março áa 4ift. 9ffi« da manàã. 

19 DE MARÇO (2.^) — Segunda. S. José, Espose 
de Nossa Senhora (1. 54 p. lli) . Feeta e Lauspe- 
ftnnena sua Fréguexia, Festa na lareja do Bbs- 
pUal de S. José, em Belém, e eom Jubileu pára os 
Irmãos no Mosteiro da Encarnação, Foi abolido 
o dia; santo dispensado nas Cidades do Porto, 
Lamego^ Guarda, B^a, Casiellóbranco.Funehal, 
e Prelazia de Thomart e o dia santo de guarda 
nas outras dioceses. 

S9i»B MAR^ (2.<^— Jer^a. S. MarHnko Domien* 
se, Arcebispo de Bra^a (A. 58 p. 110). O B. Jodo 
de Parma» oa Ordem de S. Francisco. 

21 DE MARÇO (4.^') — Quarta. S. Bento, Abbade. 
Fesía no Mosteiro da Bncarnação. Principia a 
Primavera (1. 51, 21 de Março). 

n DE MARÇO (S."") •— íiuinta. S. BeivMivIo, 
Bispo. Santo £mygdio, Bispo Marlyr. Sanlo 
AmtNTOsio de Sena> da Ordem de S. Domin- 
gos. 

70 



1^ i>B HKMto (6.0) — Sexia. S. Félix e seus com? 
|>aaheiros, Martyres. Matinas na Fréguezia do 
Sacramento. 

ti M MARÇO (7.«) ^ Sabbado. Instituição do San- 
lissimo Sacramento. S. Marcos, Martyr. Santo 
Agapito, Btspò. Feàta de instrumental e Lanspe- 
refine na Préguezia do SaeramentOy tm que foi 
nbolido o dia santo de guarda. Indulgência co- 
mo a án Poreiuncula tm todus as Igrejas em gue 
tstivêr o SS. Sacramento^ ou tiverem a sua invo- 
cação, ou do Corpo de Christo. Festa no Convei^ 
to de Santa Clara. Começa o Septenario de iV. 
Snu^ das 9orts. 

15 DS KABÇO (8.^) — Domingo da pauXo ou de la- 
zaro. AlCXOXCUÇXO DE NOSSA SENHORA (Â.iíy 25 dô 

Março e i^ de ÁbriL 1.53 p^- 111). Indulgências. 
Festa e Lausperenne em S. Francisco de Paula. 
Benção no Menino Deus* Procissão dos Passos na 
Ltts em 5. Antão do Tojal. Festa de instrumen- 
tal na Fréguezia da Encarnação ede Santa Joan- 
na. São prohibidosos espectáculos (ksáe kejealé 
ã^mingo de Paschoa inclusive. 

Qiarto crescente do Março às 10 b. 
49 m. da mankft. 

t6 DB MARÇO (9.'') — Septin({(i« S. Ludgero, Bis- 
po. S. Theodoro, Bispo Martyr. S. Braulio, Bis* 
po. 

27 PB MARÇO (10.'') — Terça. S. Roberto, Bispo. 



28 1» AURSP (11 .''} — Quaria. SanÇo AlexaiHlre, 
Marlyr. 

29 DEMAiiça(12^y— j?tttnío. S. Victorino eseu» 

. «10 Di; MARÇO (13.^)— SfiíUa» As SSTE |»0IIE8 DE 

piossA SENHORA (4. 53 f, lOS). i^^^la e Zrai«Jtf>6r«f»it« 
na Ermida das Doreâ e nas Igrejas ond$ hauoe 
Septenario. F^sfaeSnr. Exposto na GuíolFú^ 
ta de imtrumefitaí em Saf^ta Ái»tofíno4a St. Feê^ 
\a em Sanl€^.Joun»a. 

31 DK MARÇO (13.®) — Sabbado. Sania Baibim^ 
\írgem. S. fieujamin, Diácono, MaFtyr. 



$mno iM>- f ir^inir rovROj 




1 BS ARRIL (19/) <— DOMKfiO »R RaKOSÍ^ &1«1,<» 

de Abril) As Chagas de Santa .Calbariâa de Seoa. 
S. Macário, fetta naSé.eom tmlrtim^n^a/. Fro- 
eissão de tarde na Madri de Deus, Campo Gran^ 
áe, LoureSf Almada. Prineipíão ai féríaê. 

• Si»Afifi(Í$.^-^^^0ii9^a.JS.FnuKrífca4e 
Pnuia. Santa Maria Efyp€í$aí.Festa e Lauspere^ 
me em S, Franeiseo át Paula. 

lua theia á í k. 9^4»; ãa iofáe^ 

Tf 



Zpií^vaUílin^T^fa. S.lltoardo.-Bispoi S. 
BeoMcUcto, ú^L Ordem de S. Fr&ncitco. S. V^ncíM- 
cà9f tBi»p!OLM«rtyr. ^ JFats 24 aHoo« S. Á. a S\í-^ 
renissima Snr.^ D. Adelaide Sepkia^ E$pQia.é(^ 
Snr. D. MimA di Broff^mg»^ 

4: OK nMVi^\t%í^^^Q9»ãírta Mra dn Tremi ^4. 

podeSeviHia.S. Zosiimo* QfioiomoiMwrljftes^ «• 

5 os Amv (I9.«) -^i^ttiía /(íirii deJíndam^a» 
[^ ieôde ú mesto Ha até «o iMeto (iia i^firutitli^. 
(A. 51, 1 de.#&n7, A. 52 p. It A. 53 f». ítô.) S. 
Vicente Ferrer, da Ordem de S. DomÍBgos. F«f- 
ta deí/nHrW^ntalitaSé. f : 

C BE ABRii (50.) — 5fWf a /Viro íÍ« Paixão (A. 51 , 
6^ lH4«áèr«, A. 5d'}». tlAr A .!» |r. 184)v$. Mar- 
eelliflUt. Martyi\ A BQmarentttrada €aihanii« 4(b 
Pallancia, 4a Ordem do 6a»&D AgoMinbo..jPjr0'- 
cissõo do Enterro na Graça, em Jesus, nos Cl^ 
fifOi F9Òfi'ê, mi$cFrímminhn$^ ê ani^iefi» ' 

7 DE ABRIL (21.*») — SaWado é^Alhluia {A. 51, 
19 d$ A hril). Santo Epifânio, Bispo MarI y r. 

8iigASBii(tt*)-^l>««it«^ de i>a«rA«a U» St, 
I» dê.AbrH,A^ ilp, It5, :!. $S ^. 116). S. Ainali- 
eio Bíf BO* F.iêèt^ de UiitwmmiiU na St. Renfãú 
Fap(U.iP€$k^no$JliMrtyre» f^enãGala.fasí^ 
annoe qu€ chegou a Lisboa S.M,£l-*R0i Megeníe» 
73 



(t 9 1ÍE AMiL^fS.*)— S^tifitfatl.* OiiMã). Tias- 
ladaçSo de Sa«ta Mónica. Foi abolido o dia Minto 
diépemado no Funchal e o de guarda na oulra$ 
diocesêi. 

Quarto minguante ás 8 h. da tarde. 

. 10 DE ABRIL (W.*) — Terfa (1* Oituva). S. Bzc- 
^uiel, Propheta* O Bemaventurado Antofiio, Mar- 
tyr, da Ordem de S. Domingos. Foi abolido o dia 

santo dispemado. 

11 Dl ABKiL (25.*) — Quarta. S. LeSo I, ^&pa. O 
Beato André do Monte Aeal, da Ordem de Sanio 
A4|0êtiAhe. 

It DE ABaiL ((6.«) - Quinta. S. Victor, M. Por- 
(ajgues. p B. Angelo de Clavasio; 

18 DE ABRIL {¥!.•) ^ Sexta, S. HermenegUdo, 
Martyr. A Bemaventurada Margarida do Castel- 
io« Virgem, da Ordem de S. Domingos. 

li Dl ABEiL m.^)^SabMlo. S. Tibnrcio e S. 
Valeriano, Martyres. S. Pedro Gonçalves Tei- 
mo. 

15 D8 ABBii (M.*) — Domínao da Paechoela {A. 
5S p^ ltl>. Santas Basitissa e Anastácia, Martyres, 
Santo Eutychio, Martyr. Feita à Snr." dae An- 
fuitiàs em S^ Franeiãco de Paula. Communhão 
doe meninos e sermão nas Frégusiias de Seiera- 
mento ê ãtagdalma. 

74 



9 1<>DB knÍLÍÍ.*)'^S€ÍMda. NOOA SÉNiOKA 

Mw i*iuzciws e DA Pena. S. Engfada, V. M. S> f ra- 
cluoso, Arceb. útBi^gz. Festa de itMlrumental 
nâ Frégíteaia da.Enearnaçdo, Festa no Mosteiro 
da £ncamaçãOfemSanta'Joanna, na Freguesia 
4a F^na, e em S, Christovão, Ftocissão de ma- 
nhd por voto; sahe da Fréguezia de Santos ptra 
a Ermida dos Prazeres. , 

JUia nova de ÂMl ás S h. f8 m. da tarde. 

17 BI ABtiL (1"^)— Terea. Santo Aaieeto^ Pa« 
pa Mariyr. Santo Elias, Monge Porlngues. 

IS BB ABitL (8.«) — 0tMir/a. S. Gnaldina, Bis* 
poeGirdeal.OBeHiaventarado André Hibemon,F. 

19 BB xsíXL (4.<>] — Quinta. Santo Hermoge* 
nes, Marlyr. O Bemaventurado Conrado lliliano,F. 

«O BB ABBiL (S.^") — Sesiíta. Santa Ignez de Mon- 
tepoUcianOy Virgem. 

51 BI A!BBlL (8.*) — » Saòftdkía. S. AnselBio, Areeb. 
áòOuki^sanssiXom.aNoi^deS.Catharina deSena. 

52 BB ABiiL (7v*) -^ Domingo do Bom Pastor 
(A. 5S p. 114). Ko«i»Aorfk>ssA Senboia, Santos Sote- 
TO e Gaio, M. Santa. Senkorinha, Yv Portugueia, 

23 toB A81IL (li.'')^Segunda. S. Jorge Martyr, 
Defensor do Reino. Festa e Lauipertnne 4m S» 
Jorge onde foi abolid/o o dia saniode guarda.: 



' ({: ti BPA^RiL {9.^-^ Tttçtí. S/Fiet d6 Signaa- 
fiii|a, Biártyr, F. Simto Honorfo, Bispo. Co^te^ 
a mwnn éé S^Lntn Cruz no Caattlto. 
Quarto cr€80€»te deAbcilèsSli. 20 nudamanhfS. 

.25 HE AiAiL (ia.0^ (?»Ãrla. S. Marcos^ fSm- 
K«H«ta. 

26 iffi Abaa (11.^) -^ ptMnhi. S. Fedro de Qates, 

Marlyr e !.• Bispo de Braga. S. Cleto e S Marcel- 
HoD, Martyres: ^rociê^o dfk sntotdet^&ia 9antà de 
guarda aíoliéo no ArcebúfMdo de Braxfú. 

17 B¥ A^iL (If .•) ^ S«B^a. 8. TertwHaocH B. S . 
IBocibio, Ârcoblspè'»deLUtift/OSettáV.éGclliTiiãdJQ- 

cobo de Bicteclo, F. Começa a Novena deN.Snr.* 
^Mes^ie: ~ • ' . t^. 

28 BR ABRIL (13 •)-5fl6ôorfo. S.. VílalV Mar- 
isftl S. Pcnéenol^ Bispo. O Beato Luisw, F.^ Bèm- 
aventurado Agostinho de Novek^ A, , 

.tor^ lia Ordem de S.Domiligoa. S. ]Iugo,Alib4ide. 

Festa nos Marlyres a Santa Maria Egypciaca 
•p9tu S^od Irmandiíâe dos Arolieitoàitxiíaràlro' 
tinio 4ê S.Joêé ma lyr^a da Kstr^llà, iAfutiv^^-- 
MrUda Curta»' CMtíUudonaL Grunãe CMa. Bm^ 
jamão. Faz 62 annos S. A. a Sereníssima Senho^ 
m D^9fy;rní Thereziv, Viufm dóSmb^r^.Pe- 
érêCarhw, ttomkdaá^íttsareomioStrmiBHmú 
Stsdíifr D. CwrlúM MsíriadêEtspwéfm. j 

76 



de Sena (4. «p. llQj V.^ S* P^eigriao, Serviíau: 
Festa ntkikPckUli^iis, . 







SíC?ro DE .^SfSBb Gfiilixis.: 



1 DE MAIO (16 o)^.jarptíi. &.FiUppe e S. Xkiak 
go. Apóstolos. S. Segismundo. Foi abolido o dia 
samoM ffnãria ná F^mmL^ e o iíêp$nm<hi ms 
ouíscas-itetc^sQs. \ • . 

U. 51,l.«iíe.JIÍMo). 

•& »&itAt« (l'7.<»)^ôt«iirl«. &.AtbaDa8i©v Bispo. 
A Bemavenlurada Mafalda, Virgem^ laftintade í<wf-! 

Lua cheia de Abril ás 3 *. 27 m. 
dtimimhãí 

3 1« ittiã(l«.») --. jOiftéato; IaWb^o da Saata> 
Craz (A. 53 p. lS4)v J!(H utmjdàSidiMsantWídii^. 
pensados abolidos pela Bulia de 1844. 

4 DE MAIO {\9^)- Sexta. Santa Mónica/ Viu- 
Ta,. adt;d9 Saatd Agoétiabo. Goitreçá aNovenU de 



K Dl MAIO (20.*) — Sahbadú. ConrerflSo át San- 
to Agostinho. S. Pio y.,Papa, da Ordem de S. Do- 
miiigos. Santo Angelo, M.^ da Ordem do Carmo. 

6 DE MAIO (li,^)-- Domingo. MATBimiDADK db Nos- 
sa Senhora. S. João ante portam latinam, S. João 
Damasceno. Festa de Nfssa Senhora do Resgate, 
na iua Ermida aos jinjos^ è do Senhor Jesus dos 
Perdões na Igreja da Magdalena. 

7 m MAIO (íí.«) —Segunda. Santo Esíanislàa, 
Fispo Martyr. Começa a Novena de S. João Ne* 
pomuceno. Festa da Coroação de espinhos de 
Nosso Senhor^ em Santa Joanna, 

8 DE MAIO (43.»)— Terça. Apparifão de S. Mi^ 
guel Archanjo. Festa na sua Igreja. Frincipiaa 
Novena da AseenêSo. 

C* M MAIO (f4.*) - Qwria. S» Gregório Ra- 
zíanzeno. Bispo. 
Quarto minguante de Abril ás % hMm.da manhã. 

10 DE MAIO (25.«) — Quinta. Santo Antonino, 
Arcebispo de Florença, da Ordem de S. Domin- 
gos. Festa ao Fatroeinio de S. José na Igreja 
das Religiosas de Santo Alberto, 

11 DE MAIO (26.») — Sexta. Santo Anastácio, M. 

12 DE MAIO (27.°) - Sabbado S. Joanua, Princesa 
de Portugal, V. {A. §3 p. 161) FMfa no seu Conv. 



IS DB MAIO (!Ç.«) — Dúmmgô. íTossa Sexhora tos 
MiATTBEs. S. Pedro Regalado, da Ordem de S. Fra»^ 
cisco. O Beato Alberto de Bergamo, da Ordem de 
S. Domingos. Festa na Fréguezia dos Martyres, 
em fuefoi aòaHdo o dia saiHo de auaréa. Frin- 
ciptã a Núvena de Samta Rita de Cássia. . 

UmuAto{fr*)--Seaunda {Ladainhas, abs- 
tinência decarne). S. Gil, da Ordem de S. DomiiH 
g)»(A. 54». 163). S. Bonifácio, Martyr. G Beato 
Francisco de Fateano, F, Festejasse Awc S. Fran • 
etsco de Faula na sua Igreja, 

15 DB MAIO (80.«) — Terça^ (LadainhiM. absU^. 
nencia de carne). S. Izidro, lavrador. O Beato 
Egydio, da Ordem de S. Francisco. 

. 9 lÔDBMAio (!.•) — Otrarto {LadainhaSr Je- 
jjifw). S. João N^muceno, Martyr. Santo Ubaído, 
Bispo. S. Simão Estok, da Ordem do Carmo. Festa 
e Lausperenne em S. João Nepomuceno. Embar* 
ca o Ctrio da Cabo. 

Lua nova de Maio á 1 h. 37 m. da manl^, 

17 DB MAIO («.•) - Quinta, i» Asonislo do Seriid^ 
{À. 51, 9S de Mato). S. Paschoal BaylSo, F. S. Pos- 
sidonio. Começa a Novena de S. Filippe Nery. 
Festa no Sacramento, em Santa Martha.e no Con- 
vento de Santa Clara. Faz-se a Mora na Igreja 
dos Martyres e no Sacramento. Festa, Lauspe- 
renne, e indulgência, na Ermida da Áscensio, 
<^s Paulistas. 



1» Mukioi^*^ -^ Stxia. ^ Venâncio, Hatlp. 
Santo Erieo> Aeide S\iQCik.€loimo^ãJfownadà 
E»pirii9 SuntQ. 

1%' DK MAIO {L'^) -- S«è&adò. Si Peiito^ Ce^estiiie, 
Papa. Sanlo fa^o^ da' Oyrdes&deS; FraDeiseo. 

f6 Ds MAio i^.^ — DonRAjfO; S. BernaréiDé de 
Sena, da Ordem de S; Traaeiáeo. Á Beata CotiMi- 
bade Riete, Virgem, daO«dein<4«S.t>oinitag05. 
PronitsSo da\Gorpo'd§ Dénsmo^SàMdor. 

21 DE MAIO (6.^) — Segunda. S. Bfanços, Mar- 

S2 DE MAIO (7.*) -- Jm<t. SaMtiÉjltta4e,6ásiiay 
Viuva. Santa Quitéria, V. M. e oito irmãs Portu- 
guezas^ (Jl. ^.fn im- ^\^ Bel^Mi Sh lití. «Is- 
poiffonti^ea: A* ft. EomiisnavViíiíiía; dh Ordem 
dâ^: FrancÍBÒo; Festa dn iv^twinmtntcrSmmã^ 
Riu dsCawiáAítmMrmíía.daí\9H»9Ínã\\ 

C2Sis:MÁiot<fi:<^-4 péarln:..Si;Be«Uiov Arce- 
bispo de Braga. S. Desiderio, Bispo Martyr. 
^lÊWt^ oreíeeniBéê^ MekUát^líríi, 2t m: ánmrie, 

24 DE MAIO ][M "-iíniiwtaé Senta MrO, Únftft. 
OB^o João do Prado. Martji^. ItaBÍada<ilo «to S^ 
Doiiitagos(A.9&f9.m>. 

ttS BB M.\io. (IM^^^^^tfto. S.Gfegorie VU/ Pa- 
pa. S Urbano, Papa, BI. . . 



M DE MAIO (ll.^") — Sabbado{Ji^'um,) S.FiUõpe 
!<iery, Fandador da Congregação do Oratprio. Fes- 
ta na Ermida da Victoria pelos Congregados de 
S. FilippeNery. 

S7DSMAI0 (12.*) — DominúO de VimEComs ou 
Pasceoa do Espirito Santo. S. João Papa, Martyt. O 
Venerayel Beda. Festa de instrumental na Sé. Sa- 
he da Fréguezia de S, Fedro em Alcântara o Ci- 
rio de Nossa SenHorà das Mercês y e volta na ter- 
çaánoute, 

^ 48 DE MAIO [ÍS.'')''Seaunda [1* Oitava], S. Ger- 
mano. Bispo (Foi um dos dias santos dispensa- 
dos aoolidos no Funchal e Prelazia de Thomar^ 
e dos dias santos de guarda abolidos nas outras 
dioceses). 

29 DEMAio (14/) --Terça (2.* Oitava), S. Máxi- 
mo, Bispo [Foi um dos iias santos dispensados 
abolidos pela Bulia de 1844). 

30 DE MAIO (IS.*») — Quarta [Têmporas, Jejum). 
S. Fernando, Rei de Casteíla. S. Felix, Papa, Mar- 
tyr . Nome de S. M, El-Rei, Simples Qala. 

• dl DE MAIO (UJ")— Quinta. Santa Petronilla, 
Virgem. O Beato Diogo Satomão, da Ordem de S. 
Domingos. Cofneea o Oitavario do Corpo de Deus 
nas Francezinhds e no Mosteiro da Encarnar 
ção. 

Lua €heiá de Maio ás 2 h. 11 m. dalarde« 
81 6 



UGM ÃÊ ^MMCMB^ cAitcnt. 



1 BB JUNHO (17.*») — Sexta (TeiAponííy JniuiíiJ. 
S. Firmo, Martyr. O BemavenUrado Jacobo de 
Strepa. Camèça n Trtzeúíkée Sunêo ÃriUmio. 

« BK juwiio (l^.^)-^Sabbado (Temporaê, ^ejum). 
S. Marcellino, Martyr. O Bemaventurado Sadôcô 
seus 48 Comp., M. matinas na Encarnação, 

3 DB JONBO (19.°) — Domingo da SANTis8m\ Tw«- 
p&oK. Santa Paula,Y*M. Saoto Ovídio, B. de Braga. 

4 DE JUNHO Í20.*>) — Segunda. S. Francisco Ca- 
raciolo. S. Quírino, Bispo Martyr. Trasladação de 
S.Pèdrô, Martyt, da Ordem de S. Domingos. Fes- 
ia naFréguexia da Encarnação dá Irmandade 
dos Cleriqos Pobres a que assiste como Juiz oSnr^ 
Cardeal Fatriarcha, 

5 DB jwííHO (21»*») — Teroã. S. Marciano, Martyf , 
S. Bonifácio» Bispo Martyr. O Beato Pacifico, F. 

6 BB JDítHO (^t.'')-^ QúuriA. S. Norberto; Bispo. * 
Santa Paulina, Virgem Martyr. Festa e Procissão 
do íSoíhpo de Dêue nos Maftyres, efesiaéaDeeaffr 
gravo pklas eeeravas Âa Irmandade do SS. Sa- 
cramento no Mosteiro da Encarnação. Começa a 
Novesuí êo Coraçio ãè Jesus. 

BS 



J 7 DB JONBO (S^.«) ^ Quinia, i^f €<«ro ok Dms. 
8. Roberto, Abbade. Pequena tíala.Froeisãão du 
Cidade. Festa nos Conventos de Santa Clara e dê 
Santa Jownna, Sã0 prohibidQs hoje os espectácu- 
los públicos. 

Quarto minguante dé Maio á» 7 h. 
11 iú, da manhã. 

8 DB JUNHO (M.<») — Sestta.S. Salustiano, da Or- 
dem do Carmo. S. Severino. Bh^à. O Beato Fran*- 
cisco de Patrícíts, Servita. Rrincipia a Novena de 
Nossa Senhova Mâi dos Momens. 

9 DK JUJíHO (23.^) — Sàòhadc, S. Primo e S* Fe- 
liciano, Martyres. Santa Meiania. 

10 DK jufíno (^.•) ^Dwningò. Santa Margarida, 
Eainha de Escócia. 

11 DE JUNHO (27.^) — Segunda, S. Bafnabé, Ãp: 

12 DB JUjíHo {28.<*) *- Terea fJejum no Fmtriàr- 
chadoJ.S. João de S Fa(çnndo. Santo Onofre. O 
Bemaventurado Guido, da Ordem de S.Francisco. 

m DE JUNUO CíO.*») ^ Quarta, j&âaato AntMio 
dè Lisboa, da Ordem de S. Francisco (A. 51 p. 260. 
A. 53 p, 191). Festa de instrumental na sua Igre- 
ja ei gnéasiisle a Cornara Muínicipai. Foi ubtíili' 
do o diá santo dispensada em firafa, Bragança^ 
Castello Branco, Elvas, Guarda, Portalegre, 
Porio, « Funohak 
U 



® 14 DK JUNHO (l •) — Quinto (Je^um,K S Bdsi- 
lioMagno, Bispo. Santo Eliseu, Propheta. Proas- 
s&o do Corpo de Deus, de tarde, na Sé de Lisboa, 
Lua nova de Junho â 1 h. 52 m. da Urde. 

15 DE JUNHO (S.*»)— 5«jrfa. SS. CoraçXo de Jesus. S.. 
Vito^M. Assistem á festa no Convento da Estreita 
SS. MM, Grã'Cruzes, e Commendadores. Festa 
nas France3inhas,no Convento de Santa Clara, e 
nas Meligiostis do SS, Sacramento a Nossa Senho- 
ra dos AMietos. Procissão de tarde em Jesus. Pe- 
quena Gala. Começa a Novenade S João Baptista , 

16 DE JUNHO (3.*») — Sahbado, S. João Francisco 
Begis. Sanlo Aureliano, Bispo. 

17 DK JUNHO (4.*») ^Domingo. Nossa Sekbora Mli 
Bos Homens. Sanla Theresa, Rainha de Leão, Por- 
tugueza. S. Manoel e Irmâas, Martyres. O Bealo 
Paulo de Arézzo. 

18 DE JUNHO (5.«) — Segunda, S. Marcos c S. 
Marcdlitto, IrmSos Martyres. A B. Osana, J. F. 

19 DB JUNHO (6.*>) — Terça. Santa Juliana de Fal- 
eoaeri, Virgem. S. Gervásio eS. Protasio, Marty- 
res. A Beata Miquelina, Virgem Franciscana. 

íOdb junho O-'') — Quarta. S. Silvério, Papa 
Martyr. S. Macário. Começa a Novenade S. Pedro. 

SI de jvmo (8.*) — Quinta, S. Luiz Gonzaga. 



3 ^S i>i! iCNBO (9.<>] — Sexta, S.- Paulino, Bispo. 
O Bealo Filippe de Placencia, da Ordem de Santo 
Agostinho. Frincipitt o Terão (A. 51 p, 200). 
Quarto crescente de Junho às 4 fa. 15 m. da tarde. 

Í3 DB JUNHO (10.«) — Sabbado f Jejum). S. Joio, 
Sacerdote. Santa £deltrudes> Rainha de Bretanha. 

24 DB JUNHO (11.^) — Domingo. Pureka de Nossa 
Sb:«hora. Nascimento de S. Joào Baptista (A. 5|j9. 
S04. A. 53 p.203). Festa emS. João daPraça, Fe- 
nha de França^ Lumiar, Almada, Alcochete^ etc, 

25 DE JUNHO rl2.«)-T- Â^ej^unda. S. Guilbermet A b. 
S.Febronia,V.M. S.Tude, advogado contra a tosse. 

26 DK JUNHO (13.') — Terça. S. JoSo cS. Paulo, 
Irmãos Martyrcs. S.Pelagio, Marlyr. 

%7 DB JUNHO (14.<^) r- Quarta. S. Ládisláu, Rei 
d^HuDgría. O Beato Ben venuto, F. 

28 DE JUNHO (15.<»)-(3ttiii/a (/í;«m;.S.LeãoII,P. 

• 29 Djs JUNHO [16.«) -^ Sexta. )£ S. Pedro é S. 
Paulo, Apóstolos (A. 53 p. 208). Festa e Lauspe- 
renne na Igreja deS. Pedra em Alcântara, nos 
InglezinhoSy Lumiar, Cintra, e Seixal. 
Lua cheia de Junho às 10 h. 37 m. da tarde. 

36 DB JUNHO (17.»)— SaHado. S. Marçal, Bisjjo. 
Festa na Graça, 
«5 




SI6!fO M ^]mR^ L*^ 



1 DE íULHO (18.*) — Domingo (A. 51 p. 240). S. 
Theodorico, Abbade. 

í DE JWtHO (!!).•) — Segunda. YisitaçXo dí Nossa 
f^KWHORA. Feslafià Igreja de S. Roqub, ciyo Ora- 
go é a Visitação, e nas Silesias. Via santo dis- 
pensiído abolido no Funchal, 

3 DB JULHO (20.*) — Terça, S. Jaciniho, Martyr. 
SaDto Heliodoro> Bispo. 

4 DE JULHO (21.°) — Quarfa. Santa Isabel, Rai- 
alia de Portugal [A, $2 ». 40, 72, 105, A. S3 p. 213, 
372). Festa na sua Freguesia ^ onde foi abiHido o 
dia santo de guarda. FazM annos a Serenissima 
Senh^a Infanta D, UaMMariai 

3 Dl JULHO (22.*) — Qtttnio. Santo Alhanazio. 
Mtriyr.O BemaventturadoMiguri dos Saatos, Ad- 
vogado contra cancros e tumores. 

3 6 DE JULHO (23 *) — Sexta, Santa Domingas, 
Vifíçem Martyr. Começa a Novena de S. Camxllo. 
Quarto minguante de JunbOâOsSl m. dep<âs 
do meio dia. 



I MímMú^i.^)^ Sabbúdo. Santa Poieiícria, 
Virgeii)- S. €iaQdio e seus Companheiros, Martr" 
roa. CMMça a Novena de N. SetUiõra io.Carnú. 

... I . 

8 DB JULHO {fS.^) — Domingo, Nossa StinioRA oo 
PA^mociNio. S. f rocopio, Martyr. O Seat».LotUjen- 
$0 de IrundQ^io, da Ordem de S- Franciacê. 

9 nn vvLBO. (^.'>] ^ Seaunda. 8. Cyrillo, Bispa 
Martyr. O Bemaventnraao S. Joio de Colónia, 
Nartyr, da Ordem de S. Domingos. O Beato Nicor 
!àu « seus Companheirosy^Martyres. 

10 DB JULHO (27.^) — ferca. S. Januário e seus 
Companfaelros, Mar tyrcs. Santa Ametia, Virgem. 
Prineipia m Novena dê Santa Justei Jfia do no- 
me de S, M. í.yãSmbora Duqueza deiragnuça. 
FeqmenaGaUt. 

II DB JULHO (f 8») — Quarta. S. Sabino. Tras- 
Jadaffto de B. Bento. 

It iHC JULHO {í»,") -^ Quinta. S: Mo Gualberlo, 
Abbad«. S. Nabor e S. Félix, Mariyres. 

I^DB JutHO (30."^ ^Ssxta. Santo ÁDacleto, Pa- 
iw M. f^M 8 ann09 a S»r. Senhêta Prineewi D. 
Leopoldina, filha de S. M. o Imperador do Br^seil: 

9^iin JULHO {l.«) '^Sabèaãó. ^. Boairenta- 
Tajliapo Cardeal, da Ordem deS* Francisco. 
Lmu nova ãeJuíhò ásSà, tt«i. da pieMà. 

n 



15 bÉJVLifo dí.^) ^ Domingo, kniê Custodio 
do Reino. S. GamillodeLeHs. Santo HeAriqae Im- 
perador. Festa na Magdalena a S. CamilhÚeLo" 
lis. Festa e Procissão no Sacramento. 

16 DE JUiHO (3.*) — Segunda. TkwwhO da Sahta 
Cruz. ^qssa Senhoiu do Gaiuio. S. Siseoando, Mar- 
tjr. O Beato Gesláu, da Ordem de S. Domingos. 
Festa a Ifossa Senhora em S. Nicoláu^^as ÂeH- 
giosas de Santo Alberto^ e no Convento da Es- 
trella. 

17 DE JULHO (4.*) — Terça. Santo Aleixo. 

. 18 DE JDLHOÍS.'*) — Quarta. Santa Marifihar Vir- 
gem Martyr. S. Frederico. Bispo. O Beato Simão 
de Lipnica, da Ordem deS. Francisco. Foi. aboli- 
doo aia santo de guarda na Fréguexia deSanta 
Marinha. 

19 DE JULHO (6.^ — Quinta. Santas ^«sta e Ru- 
fina, Martyres. S. Vicente de Paulo, Fundador da 
Ordem da Congregação da Missão e das IrtDãs da 
Caridade. Festa e lausperenne na Fréguezia de 
Santa Justa, em que foi abolido o dia santo de 
guarda. Fa$ 31 annos S. A. o PrineipeD. Luiz, 
Conde de AquHa^ Marido da Senhora JnfantM D. 
jf^nuaria. 

ao »v íCLHO (7.^) ^Sexta.Si JeronymotEaiylia- 
no. Santo £iiã$, Propheta. Santa Margarida^ Vir- 
gemHartyr. Gomega a Novena deSanfAnmt: 



Virgem. Faz li annos a Sereníssima Senhora In* 
fanta D. Maria Ánna. Pequena Gala. 

J^n tm JULHO (9.^ — Domingo. Santa Maria 
Magdatena. Festa e Láusperenne ncr sua Fregue- 
sia em gue foi abolido o dia siPnto de guarda. 
Quarto crescente de Julho ás 7 fa. 13 m. da tarde» 

tS DC JULHO <10.') — Segunda. S. ApoUinario, 
Bispo M. S. Libório, Bispo. A Beata ioanna Yanna, 
Virgem, da Ordem de S. Domingos. Faz 9 annos 
o Ser. Sr. Infante D. Fernando. Pequena Gala. 

24 DB JULHO (li.*) — Terça f Jejum). Santa Chris- 
tina. Virgem Martyr. S. Francisco Solano, F. 

%5i>« JULHO (12.*) — Quarta. S. Thiago. Apos- 
tolo. S. Christovão, Martyr. Festa e Lamperenne 
em S, Christêtfão. Festa em S. Thiago. Foi abo- 
lido o dia santo dispensado etjn Braga, Lamego, 
Vizeu, PrioradQ do Crato, e Beja^ e o dia santo 
de guarda nas outras dioceses. 

26 DE JULHO (13.^) — * Qumta. S. Symfronio. S. 
Olympio e S.. Theódulo, Martyres. Começa a No- 
vena de S. Domingos. 

27 DE JULHO (14.*»)— 5«ácía. S. Pantaleão, Medico 
e Martyr y^Petia de talião). A Beata Cunegandes, 
Virgem, oa Ordem de S. Francisco. Dia santo de 
ouarda abolida no Pçrto, , .. 



cio, Papa. 

9 19 DE JULHO (16.°) — Dofiiingo, Sant'Anna, Mãi da 
M^i vE Dsv9. Santa Manha» Virgeia. SaMoOUvo. 
Rei da Noruega, Martyr. Festa de insirumeuial 
naí Freiras de Sant'Annaê uai de Santa /pau- 
na. Feàta.e Procissão na Magdalena, Festa efn 
Bem fica. Festa em Santa Martha. Principia a 
Novena de S. Caetano. Faz 9 annos S. i « • Sete- 
nissima Princsia D. Isabel,. filha mais velha d$ 
S. M. o Imperador do BraziL 

Lua ^eia da Julho ás £>h. iim. da manhã. 

M^twtaoi^n.'^— Segunda. S. &tifíDO, Kái;- 
tyr. . . 

51 DK actao 18/) — Terça. San4# Ignaeio de 
Loyoia. Juramento da Carla Constitueionaí. Fnz 
43 awaos S* M. I. a Snr.'' dúgxiesa éê Bragança. 
Grande Gala. Beijam&o* 




licno DK iai^Rr^ TIRCd 



1 M Aooaro (W.")--Ottflrr« (A. 51, 1 éeAfòêíé), 
S. Pedro ad vincula. Og Afartyree de Gfaeliaa. 



S'k)s A«08T0 tSO.*)*^ Quiniijt, Nossa Seaborá dos 
knjoa^ Sàato Estevão, Páóa Martyr. FasíSíanMè 
5. A. a Stfr^n«««im0 £>Ânftora Infanta D, Fran^ 
McayPrineeaadeJúvnííille, 

B WB ii«òSTO (21."^) --« Seâ^dt. InveneSo de Si Es- 
tevão Prolo-Marlyr, 

C 4 »> AGOSTO (%£.^) ^ Sabbada, S. Domingos. 
Fetta em Santa Jcanna, 
Quarto minguante de iniba ás 8i far: 44 m. da tarttev 

5 DB AGOSTO (23.^} —Domingo. Nossa Senhora das 
I^TEs. F«sto do Orogro na Fríguezia doSoctorro. 

6 BE AGOSTO (24/*) — Segunda. TRASSFtGiiBftçlo me 
Cbristo. SantTago, Eremita. F^fa «a F regue zia 
do Salvador. Principia a Novena da A^iftmpção, 
Dia sanio de guarda abolido na Frégmexia d4 
Saleador e nUs Cidades de Finkeie Angra. 

7 DK AGOSTO (25.*) — Terça. S. Caelano. Santo 
Alberto, da Ordem do Garino S. Severino, Bf^r- 
tyr. O Beato Vicente d*Aqtiiia, da Ordem de S. 
Fraocisoo. Principia a Novena de S, Roquê. 

S íe agosto {^8,«) — Qnarta^ S. Cyriaco e seas 
Companheiros^ Martyres. S. Severo, Presbytero. 

f DB AGOSTO {t7/)— Quinta {Jtjumh S. fto*- 
não, Martyr. O^ Berne ventaradoJoão^ deSsIeino, 
(ia Ordem de S. Domingos. 



to 98 A«esTO (f8.') — Sexta, S. Lo^pen^o; Blàr- 
tyr. Santa Filomena, Yi^cm Martyr, Princesa. 
Peita e Lausperenne na Freguesia de S. Loufen- 
eo, em que se abolio o dia santo de guarda. 

11 DB AGOSTO (29.^) -T 5a^6a(fò. S. Ttbureio e 
Santa Suzanna, Marlyres. 

(^ 11 DB AGOSTO (!.•) — Domtn^ro.. Santa Ciara, 
Virgem, da Ordem de S. Francisco. Festa na sua 
Igreja e nas FràncezinlMS. 

Lua nova de Agosto às 6 h. 16 m. da tarde. 

13 DE AGOSTO (2.°) — Segunda. S. HypoUto c S. 
Cassiano, Martyres. Santa Helena, Virgem Martyr. 
O Beraaventurado Pedro de Moieano, F. 

14 DB AGOSTO {3.*) — Tcrca fJejUmJ. S Eusé- 
bio. Santa Athanasia, Viuva. O Bemaventurado 
Sanches, da Ordem deS. Francisco. ABemaveniu- 
rada Juliana do Busto^ da Ordem de S. Agostinho. 

13 DE AGOSTO (4 <>) ^ QtJèarta. AssumpçIo dk Nossa 
Se:fiioRA. Festa de instrumental na Sé. índulgen* 
cia em varias Igrejas. Festa nos Clérigos Pobres. 
Procissão nas Flamengas ao Calvário. Festa na 
Srmida da Assumpção, na Rua da Prata. Festa 
d$ instrumental, SS. Sacramento Exposio, ar- 
raial, e feira, emCalhariz dcBemfica. Procissão 
e arraialno Barreiro. F esta nà Peninha em Cin- 
tra. Jubileu no Arcebispado^ de Braga^ e por 8 
dias no Patriarchado. 



16bb^a6osto (5.*) ^ Çuinta/S. Roone, da Or- 
àem de S. Francisco. S. Jacintho, da Ordem de S. 
Domingos. Foi um dos dias santos dispensados 
abolidos no Funchal. Festa na Igreja da Miseri- 
córdia. 

17 DB AGOSTO (6.®) — Sexta. S. Mamede, ttartyr. 
A Bemaventuraaa Emília, Virgem, da Ordem de S. 
Domingos. Festa e Lausperenne em S. iiamede, 
onde foi abolido o dia santo dispensado. Prtnit» 
pia a Novena do Coração de Maria. 

18 DB AGOSTO (7.*) — Sabbado. Sanla Clara de 
Monte Fale», Virgem, da Ordem de Santo Agosti^ 
nho. S. Lauro, Martyr. 

19 DB AGOSTO (8/) — Domiftgo. S. ioaqulm«Pai 
de Nossa Senhora. S. Luiz, Bispo, dá Ordem de S. 
Francisco. Principia a Novena de Santo Agos- 
tinho. 

3 20 DE AGOSTO (9^) -—Segunda. S. Bernardo» 
AbBade e Doutor da Igreja. 

Quarto creâeente de Agosto á« 7A. 
57 m. da tarde. 

SI DK AGOsto (10.^— rerpa. SànialoannaFran- 
cisca, Yinva. Santo Anastácio, Martyn Santa Um- 
beliina. Irmã de S. Bernardo. 

ti Dk AGOSTO (11.*) ^ Quarta. S. "limotlteo, 
Martyr. 



fiS «R A«9niO (I2.«) -- Quinta fJefumJ. S. Fili> 
pe Jleiiteio. S. LibeiiLto e seus Gòmpaflheiros, Mar- 
tyfesi O Beata Jaoobo de Mevaoha, D. 

t4DB AGOSTO (13.®) — Sexta, S. BarthoJomeu, 
Aposloio ( A.31, 24 e^^ Agosto). Dia santo dispensa- 
do aboMo pHa Btilla /e 1844. 

»t5ia AGASTO (lá^^") ^Sabàado.8, Lu», Rei Ú4 
FraDça» 

26 DE AGOSTO (15.°)— OomififlO. Sagrado Coração 
oi^M&BU-. S.Zéphèriiiò;RM./^íío na ermida do 
Gamjié Grande e no Mosteiro da EncMrnação. 

s^27 DB AGOSTO (16.*») — Segunda. S José Cala- 
iȃSi S:;Ruffo, Bispo Mattyr. 

. Liam èk4ia*de Ajgosto aos^ 44 m. dej^it 
do meio dia. . . 

58 DK AGOSTO (17.*) —Terça, S. Agostinho, Bis- 
po e0rj4aígi»}a. 

19 DB.Áao5ro<18.*')— Quaria. Degollaiâo de S. 
João Baptista. 

IO*DB AGOSTO (19.«)~ Çuinttt, Saala fijosa de lí- 
aa, Yíirgénii da Ordem deS. Domingos. Prtnct- 
p%a a Novena de Nossa SeiUioi^a das Ntceésidaâes. 

11 m AÁ}OÉfto {5íK*).«- S^xtu: S. Raymnndo Ifôn- 
nato, Cardeal. Festa em Santa Mar t ha. 

94 




SWífO M r4íí%é kWA 



1 vs dBi>TiiitBO(§l/) — SaMai<o..SaQtoEgydi^ 
Ábbade. ^rinm^ia a Nevenu de S. Ntealáu Tè^ 
Untin0. CatMei^ ai férias (^i S^lp. 279). 

ime$BPTBiife]&o(!íl.*)--*i>omtf»^. Saalo Estê- 
vão, Rei da Biipgrià. S. Brocarck), C . . 

3^S DE^BPTÍiHBio(2a.<>) ^Segvmda. Santa Eufe- 
mia, Virgem Marlyr. Qs Beatos João de Pétrasa • 
Pedro de Saxoferrate, Martyres. 

Quarto minguanU de Àgofto á« 7 A. ' 
47 m. da mankã. 

i BIS SEPTBiiBRO (tL^) — Tercá, Santa Rosa do 
Viterbo, Virgem, F. Sajata Caíidída. 

5 mssÈrfEHBRO (t^^) ^Quarta. Santa AnU^i- 
no, Martyr, A. O Bemaventurado GentiVMartyr. 
TrásiadA^o dod Mârty te» de Lisboa. 

6 H ssPTÉKBBo <26.*) — QutiUa. Santa Libãàièv 
Y. A. OsSantos dos Cónegos Regrantes. 

7 DB 8tt>TBliBáo (f7.*) — Sextft (/s/nrn). S. lòtto, 
Martyr. S. Anaatfieio^ Mactyr. ...:::> 

95 



8 DB SEPTBHBEO (f 8.*^)— 5a6frai2o .Natitidadb i»bKos- 
saSeíihora. Santo Adrião, Martyr. Festa e Lauspê- 
renne na Ermida da Víctoria. Festa nas Neces- 
sidades, LoretOy Luz, Guia, Lind^k^ a Velha^ ete. 
Dia santo de guarda abolido pela Bulia de 1844. 

9 DB SBPTBMBBO (29.®)— Don|tn(/o. Santíssimo Noui 
ws Mabia. S. Sérgio, Papa. A Bkmaventorada Sera- 
phina, Viuva, F. Festa nas Francêiinhas, Festa a 
Nossa Senhora da Graça e a Nossa Senh0ra da 
Guia nas suas Igrejas. Festa d^ arraial na Cruji 
QtíebradA. Festa dosCereeiros a Nossa Senhora 
Franca, na Freguesia deS. Thiago. 

10 DB SBPTBVBRO (3D.^) — Scçunda. S. Nicolau 
Tolentiao, da Ordem de Santo Agostinho. 

® 11 DE SBPTBHBBO (1.^1 — Terça, Santa Theo- 
dora, Penitente. O Beato Bernardo de Offida, F. 
Lua nova de Septembro ás 10 A. 15 m. da manhã . 

12 DB SBPTBMBBO (2.<*) ^ Quarta. S. Anta, Y. M. 

IS DB SBPTBMBBO (3.«) — Quinta. S. Fitíppe^ M. 

14 DB SBPTBMBBO (4.^)^ Seata. EXALTAÇlO DA SAN- 
TA Cruz. Festa nas Francezinhas e na Igreja das 
RêUgiosas de Santo Alberto, Foi abolido o dia 
santo dispensado na Cidade de Miranda, 

15 DBSBPnMBBO (3."*] — Sãbbado. S. Doosiogos 
em Soriano. S. Nicomedes, Hartyr. 

96 



res de N<)s8a Senhora. Trasladac&o de S. Vicente, 
M. S. Coroelio, M. /'««ra em S. fficoláu, na Ermi- 
da daw Dores, e •m:SAníaêoVelho. Faz l^annúsS. 
M. oSenkw'^. Bedro Y, Grande iíala. Be^amãa. 

17 DS axpTSiiBRO (l.^y^ S^gwida, S. Fedro de 
Arbues, Mastyr. As Giuigas de S. Fraaoisco. 

18 DE SEPTEMBRO (8.°) ^ Terca. S. José deCtt- 
perlitio. S.Tliomaz de ViiláNova» Bispo. 

(f: H> TiéstPTEUWKO (d.») — Quarta {Têmporas, 
Jejum). S. Januário, Bispo Martyr. Santa Cons- 
tança, Martyr. 

Quarto úreieente de Séptembro ás%k. 
Um. da manhã. 

fO »E seH^embbõ (10.*) — Quinta [Jejum) . San- 
to Eustachíò e seus companheiros, Màrtyres. Co- 
meça a Nonna de S. ÈftgueL 

ti DE septhbbo (11. •) — Sexta ( Temporaè, Je- 
jum). S Matheus, Apostolo e Evangelisia. Santa 
líigenia, Prinçeza. 

M DE sbptevbbo (12.«) — Sabbado {Tmporaá, 
Jejum). S. Mfiorieio, Martyr. * 

23'nB BiPTBMtiRO (\^.^) — Domingo. S. Lino, Pa- 
pa Maftyi-. I^nta Teela, Virgem Martyr; Prinei- 
pia o Q.uti)no (á. 51, 23 d$ Séptembro). 

$7 . 7 



]i4jas IUsB«à«. FeHamas Mew)ê$ ^$mq%e fui úboii* 
á^ $ dúk sant0 à» gutkrda^ ^do.^ M%ua pela 
aímãde,S.M, L o.Senhorã^quf dt Branca, 

• SS QE «Bniiimo [i^^] r- ItePf^, S. Ftmnio, 
fiispo Haftyr^ Saato H^reiílaiio; SoMiKto Mtrtyr. 
O Beato Pacifico de S Severino. Começa a Nove- 
a» 'M S, Ffaikci^co de kesiz. . 
Lua cheia^tteSeplMObto Í9« b. 49 ». da maiibS. 

^ â$ &s«Q»TBifiiM» U^*')-^ Qmtikk. S. GyprianDe 
^ttla lualifio, MKá .83, i^. 290) A B. Laiza, Virgem. 

27 Dl iBVsiiiiiO (17.<') -* K^tMnldk S. Cesme e 
Damião, Martyre9w.Saiilo£lQftiario. 

M Bjs fittrvBim^ (liS*') ^ StwU. & WenoesMu, 
Daque 4e Bobeoiía. S. ^emardiíio de Veiíiso, da 
Ordem de S. Francisca» O Bemaveiiitufado Simão 
de Rochas. Fetta da Dedicação da Igreja Paro- 
ckial4oS«kQrumefU0jna^maíf^é§%eMM.<Jomeea a 
Novena ie Nom^ Senko^a 4o Jíiut»rio* 

29 DE SBPTEHBRO (19.°) — Sabbado, S. Miguel 
\ffik9iéà U (t 1». 299)-Í>40: cantado fiM^ris nèo- 
lido na Fréguezia dostAisifOs^ e 4iA sanjbo^ dit* 
pensado abolido na Fréguezia de S. MigueU Festa 
M Sc Miguel, na FriégsiesHa da Saorawunk), no 
Moe^o da-encarua^, em 9, Pauh, ^' nAFré^ 
guezia dos Anjos, de qu0 S, Miguel é fírago. 

98 



mo. Br. da Igrem? í?«í» a 5. jrfoii^/ «m Sanl^i a 
Velho. Festa efetra em Belém. Acabão as férias. 



SI6.N0 OÇ ^ÊT^ambo^ SÇORMO. 




mo,mxma, le Júlia, IrmStos llarlyjPíC» Portugue* 
zes (A. 51, 4 rff Ottí. A. 53p, 295). S. Remigio, B. 
Festa e Lausperenne na Fréguezia de Santos em 
qw fpi abolido o dia santo de guarda. 

^ C íbíOctcbio (22") -* Xerçfi^..O& Anjos da 
Guarda (A. 54, p. 297). 

Quarto mtnguante de Septembro ás 
iOÍ*Unkdatard9. 

2 db outubro (2g.*>) - fiiianía. S. Cândido, Úaxh 
tyr. S. Maximiano, Bispo. Traslad. de Santa Cíara- 

4tw 0UTI9R0 {U.^^—Jiniptfk* S. Franeiseo de 
A86«^ Festa nas Freiras deSànípa Cliara, nas de 
Santa Auna, e no Socearro. 

5 BE OBTUBBO <».") -- 'ScXtA.^ &. íP]B€ÍdO ^ WUS 

u«ipanheiros»Msurtyre0. . 
Í9 



iS 91 ÒDTtiiiO (96.^ •» Sahbaêé. S. BrtiQõ. '^o- 

7 DK OUTUBEO (27.®) — Domingo. SS. Rosário de 
Nossa Senhora. S. Marcos, Papa. O Bemaventurado 
Matheus Carrerio, da Ordem de S. Domingos. Fes- 
ta a S. Miguel em Santos oJelào. Procissão do 
Rosário nas Religiosas do Bom S'ueeesso. Festa 
nas Religiosas do SS- Sacramento, ás Necessida- 
des, no Convento de Santa Joanna, e em S, Nico- 
láuy instituida pelo Snr. Manoel Ribeiro da Silva . 

. abn óutiJBRÒ (1S8>) — Segunda. Santa Brígida; 
Vittvaf, PKiíceMi <ie Nericla. Saáta Pelagia, Peni- 
teate. * 

9 DK ouTi>Biio (Í9,«») — !«*<?«. S Dionísio, Bispo 
de Paris. Santo Andronico e Àthanasia, Martvres. 
fV)i a%!OÍido o di» santo de guarda m Funehal e 
o dispensado nos subúrbios. 

10 DE OUTUBRO (30.«) — Quàrta. S. Francisco de 
Bona, Padroeiro do Reino e Conquistas. S.Luiz 
Belírãol Pt^iHcipití ^Novena de S. Pedro d$Al- 
eoútara, 

• ® 11 BÉ dtÍTUBRd (!••) — Quinta. S. FirMiio, 

Bispo. Primeira TraiSladBCio^e Santo AgosUitho.- 

tua nova de Outubro as 2 h. ilíri. daminM. 

12 »KôUT»BRo1í.«)— S?arta.S.Oypriáao,^B!spo 
Martyr. S. Seraphino, da Ordem de S. Francisco. 



n lisiotTUBAO (3.«) --- S^lfbê$iú. S. Eduârdo,:Rei 
de IngiàtenavSi Daniel e sewCobipâDlicároítf, Mai^ 
•lyres. .'.(..' 

14 DE OUTUBKO (4.«)— Domíni/o. Nossa Senhora dos 
Bncmos* Patroctnio^ derS. José. S. CalistOy Rapa 
Mariyr. Fesiana Séé Fes^a eLautpprtúnê nai 
FreirmdoMato. Cumeetka fieira do Óumpo Gton- 
de. Faz 38 annos S. Â, o Príncipe de Jmntih- 
le. Esposo deS.Á.R.a Snr,^ Princeza D, Fran- 
mctf . 

l§Di oiTTOBRo (i^)--*SBgmda. SatitftiTltereza 
de Jesus, Virgem, da Ordem do Carmo. Festa no 
Conií^nto dtíJSêtreUa :e das Palmeiáas-naí Péhha 
ieFranpa. Começa a Novena déS^Bapha0í, • . 

16 Dl OUTUBRO (6.'») — r«fca. S. Marliniano, Mar- 
tyr^ da Qnlem deSaalo Agostinho. S. Gallo, !àb- 
bade. i 

17 DB ouTin»of7.<^—<^iãHa. Santa fled^es, 
Viava, Doqueza ide Poionia. . ?v < .: 

;j 18 DB OUTUBRO (8*) — Quinía. S. Lncas Evan- 
gelista, i 

ÇuarUí ctesointe de^vttubro ás 3ft:' 
• 'Am^dàtardeé 

19 DB OUTUBRO (9.*) --Sexta. S. Pedro de Alcân- 
tara, da OYdem de^SJVrancisôo. Euta em S.Fédro 
em Áiààntwrof, . .r '••-.:.:.. . 
101 



to n oimTBBO (M>> •— Sãhbádo. Safnta Iria, Vir- 
gem Martyr, Fortuj^oéxa. S. Jo8o Gaocio. IKa ian- 
to de guarda abolido no Áreediagado de SmUa- 
reme Prelazia de Thomar. 

91 DioriTtfiKO (ÍW\ — Bommfõ, SuntaUmilà 
e suM€oH|pank0iras, Virgens Martrfes. Fauáae 
liy690 Virgens em San4a Martha e em- Santa 
loanM. 

n DE OUTUBRO (12.<*) — Segunda. Dedicaçlo d» 
Basílica de Mafra. Santa Maria Salomé. O Beato 
<if«gorio CeHi, daOr<fém dè Santo Agostinho; 

is DK OUTUBRO (19.<») -- Terça, S> JoSoCansIrãh 
no^ da Ordem de S. Franciscb. S. Ron^^^ Bispo. 
S. João fiom^ da Ordem de S. Agostinho. 

S4 BK OUTUBRO (14.«) — (^àãttm, Sl ftoiíhael A t- 
chanjo. S. Fortunato, Ma rlyr. 

#tBrtío1nr<mRo(18«<^ -- (^tutov Santos Chris- 
pim e Ghrispiniano, Irmftoa Msrtyres. 
Lua. cheia de Outubro ás 6 h. 50 m. da manhd, 

26 DE OUTUBRO (I6.0) — Sexta. Santo Evaristo, 
Papa Mart\c. OBemav6Dtttrado>]toa:^eDtii|a dePo* 
tenza, da Ordem dâ.S. Fráneiâ^. Faz 53 annos o 
Senhor D, Miguel de Bragança. 

> 2T Dl OUTUBRO' ^.^) -^ Sáféúdo iJèium)i Os 
Martyres d^Evora. S. ElesbSo, ImpviUiiSthstoMa. 



Jttdflfis Thadfil]^ AijpoiColiM. . 

Í9 DE OUTUBRO (Í9.«) -4.v5^cfaíto<ía. Tcafilwfeu^ãô 
de Santa Isabel, Rainha de Portugal. S. Feliciano, 
Mal:l¥ffw.Sèirtafiiiaèbitt» Viigeift MiH)lyr.'A Bem- 
aventurada Bemvinda, Yijrgeiãv. dè Ordeoii de & 
Domingos /'ajs 39 annos S. M. El-Rei D. Fernan- 
do, Úrúv4i Gala^B^éiâmúa. .. 

aai>BWiwi»to(30^.)'^ref^a. & SeraqHfio^ Bispo^ 

31 M oui}OMia(2l/)--.etlarto ^râm): &Qwint 
tino, Martyr. 1'az 17 auno* o Sereníssimo Snr. /n- 



SlWft Ml . ,^^yS«f^ SlGilUUHO. 




»o^ os ,^mm, Jnbiim ú¥Àne^4éad^ éei 3fêM\ 
e por 8 dias no .PáSrimcàadá. Feita úoSotãér 
Jesus da Via Sacra em Santa Engracia, e de tar^ 
dêProeiHãlBí pmi^xolúipêkítettemú^deíTiSituFes- 
ií^fF^OMMiúpor noto emíCaeilàafí S^&prMÊi^ 
dos hoje 08 espectáculos oufrítcM^Á; &L •£ « 4 d» 
Nov.A.Up.Hm). ^ ^ ^ 

Oiiarto.iaitogiMM«e^Oiittttroáv4rk.)á(hB. 



2 ]iÉiM)VnBiQ (Ui^-- Seêia.Giíma^9h^o 
dos Dafuntos. S.yiciotiííiQyM^SÁohcieprokAi- 
do$ 08 espectáculos públicos (A. 51, 2 de Nov., 
A.5afi:aÍ9. A/S3p,^2ê). 

' aBEi<o:rB«BRO(M.<>) ^ Sui^kiiiè. S.Halaqvias, 
Bispo Primaz da Idaoda. ■ > >' 

4 DE NOVEMBRO (23.^) -^Dc^é»^: S. Carlos Bor- 
romeu. Arcebispo Cardeal. Faz 8 anno« o SereniS' 
sima Senhor Injante^ j9. Auousfo. F0qumaGala. 
Faz 44 annoj 5. A. o <$fir. Infante D. SebasiiãOy 
filhíK da Sjerenissimo Sifr." D. Maria Thereza. 

5 DE novbhbbO (ft€;<*) «Sf^fulAi S.: ZacharíÀs e 
Santa Isabel, Pais de S. Jofto Baptista. Faz 10 an- 
nosS.A, o Príncipe D, Pedro Filippe, Duque 
de Pentkievre, filho de SS. AA. ER. o Snr. Prtn- 
cipe de Joinville e a Snr.*^ Princeta D. Fran- 
cisca. 

6 DE MOVEUBEO (27.*)— Terça. S. Severo, Bispo 
Martyr. Si Leoaardb. Pr%ncif\íi&a Nmtna ds San- 
ta Gertrudes, Qfiicio & Missa por ulma'dO'S9nkor 
R.Jéêto IVyfalkcido n'es(e dia. 

7.DÈ.NÔVBM1IB0 <t8.«> ^ Quarta. S. Ploreocio, 
Bispo. Principia a Novena do 'Bemmveatàrado 
Gonçalo de Lagos. . 

8. DE ]vov(evbbo (29.''>^ <?iii»fa; S. Sereritao e 
seus Companheiros. Masiyns. 

m 



JãâHyu OftSaiito» da Ordem 4» S. Domiago*. 
• 1é«* nova áeNútembro «a 6 h, 54 «n da iard£. 

10 DB NOVBMiio.ClI.'')-* âfaAàMfa». S«ÀBdré Ave- 
lino. OsBefentas da Ordem de S. Domiagos {Je- 
j«m, excepto no$BUpad4ê d4€oimbra e Aveiro, e 
no Priorado do Cralo), 

11 DB ifOVBMBao (3.*) — Dêmingo. PAiaocraio m: 
Nossa Sehhoim. S. Marlioho, Bispo. Festa em S. 
Thioúú (Á.M, VÈ de Nov,,A. Ú p. 388, A. 88 p. 
335,336,1. 54^.386,337). 

12 DE NOVEMBRO (4.*) — Sfgttfiáa. S.MartíDlio, 
Papa Martyr. S. Diogo, da Ordem de S. Francisco. 

13 DB NOVEMBBO (5.*) -- Tetca, SaUto Eugénio» 
Bispo deToledot Os Santos das Ordens de Santo 
AgMiiiiIio, S. Bento, eSS. Trindade. 

Ú n iiovEMkBO (6.<>)-^ (Quarto. Tradadaçio de 
S. Pauio, Primeiro Eremita. OBemaventurado Ga- 
biMfáaOffdemde S. Franoisdo. OBemaventurado 
Joio Lida, da Ordem de & Domingos. Os Santoii 
dtOrdemido Caorm^ * 

15 DB NOVEMBRO (7*) — Quinta. Dedicado da 
l^MHIca doSS. Con^ dé Jesus. Sarnta Ge^lrudes 
Magna. O Bemaventarado Alberto- Magno,, da Or- 
dem de S, Dúw໧99* Feéta noCowwento do Co- 
ração de Jesue. 



CM DÉ N6V.l*B»d («»•) — StóítorO âBIM^^Btel- 
radoCtowslode Ugos; da Ocdemde Saftlo Agos- 
tia&a. Santa U^z, Yiiieny daOvdem de S. Fm- 
cisco. S. Valério. A Beala Lulza Narzi, Virgem- 
Gaiheeaa 'iVó&mo tfff Santú Catèãrinai' • ; 
éiurtocre«c«nt«.tfeNbveiiiiM^4lil()^ ' 
38 BI. da tarde. 

17denoviímbro(9.*>>— Sabhado. S. Gregório 
flienaiatargo, BiipGk 

%% DC Kovfi!|Bao (lOi.*) -^ Bomifègo. S. B»inlo. 

19 DK NOVEMBRO (11.*) -r- Segunda. Santa Isa- 
bel, Rainha de Hangria. 

20 DE NOVEMBRO (12.») — TeTça, S. Félix de Va- 
leis, Faiidador^dosTrSoos. 

21 DE NovEMa»ã.(lia.«) -^ <}uarfd.. Aí«í«ttw»ç5to 
DE Nossa Seuhora. Indulgência em varias Igrejas. 
Fiyikfntíiéa odiú sa«(o dispemmdw WfFMnmal. 

2t DB NOYBMlte (14j«> ^ Qmnta. SaiUiiCeifffia, 
\ixgetst Haetfc. érrUAdè fmtm éBtMsá^unumtklmos 
Martyres, á qual assiste 5. M^iÂ^htj^ÈdèNàt.^ 
A. 52 p. 348.) 

' # 23^ DE NovfeMBBe (!$.«) •»- iSeffiCar; S. Glcmeiite, 
Bapa MarlyrJ SairtA Feliâdadé, Maiiy». 

Xtí« cilne dê Nútefaáim\áB^^ h.- i ■ '* 
15 m, da tarde. .: . - c 



tiDC NorBHBBo (16.*) — 5a6^éio. S. Jofto da 
Crat, da Ordem do Carmo. Santo Estanisláu Ko- 
tska. S. Chrisogono, BMrt^. 

2d ds novbmbbo íiT^^Bomingo. Santa Catba- . 
rina, Vírsem Martyr. Festa nà sua Prégúezia em 
qu$foi abolido o aia santo de guarda. Principia 
a Nêvéna de Séí^fa Bafbàru, 

xandriDO, 9isi8 Hànrtfr. A Beala Bolina» Virgem, 
daOitfeintde£Í.Franeisoo. ' 

VJ BB NOVBMBBO (19.*) — Terça. Santa Margari- 
da de Sabóia, Vittva, dia Ordem ile^S. Domingos. 
O BealOi Leonardo de Porto Manncúot OsSantol» 
da Ordem deS.Pauiov 1/" Eremita. Frimipía • 
Novena de S. Nicolau. 

18tiíB*Q«BVBlio iW.^^y-^ Quarkn: & Qregério 
nu Bipa. S.< Jaeeha de Marea, da Ondem ée S. 
Francisco. 

19 Dfl iiotBiiSBO (II.*) -^ Quiida (.^unt). -^S. 
Saionáiov Matt^r. Os;SaBlOB. das, a Ordene de^ 
FrancáelNri Fttinaipim vA No^enút is Naism Se- 
nhora da Conceição f ná sua igreja^ Loreto^ Ãn- 
iot, eW. ' - 

âO nc NovensiD (%%h -- Sexiã. SaftM Andiréí, 
▲mIsMo. Fm um 4aa Mws eml^% àiêpemadot 
abolidos pela Bulia de ÍSÍi. . > . > 






SIGNO DE ^LMr SCORPIO. 



2 1 DE DEZEMBRO <SS.*) -^ Sãbbúdó. S. Eloy, 
Bispo. E* o Santo dos Ourives; festeja-se na sua 
Cap^ila, "na Rua da Prata, guando para lá vai o 
Lausperennêy o quB anda por éstê lémipo. 
Qaarto minguante deNovetobro á 1 b* ' 
34 m. da tarde. 

' t SB DHZEMB1I0 (i4 <^) — bomingé (\ .* do Ádven- 
io). Saata Bibiana, Virgem Martjr. ^'dèfonlos 
das 3 QrdetíB déS. Francisco. ¥az^^ annor 5. M. 
imperador do Brasil. 

â Br DBz«MBMO (SS."*) — Segunda. S. Frtneisco 
Xavier^ Apostolo das I&días. festa em S. Moque. 

4 DE DEZEMBRO (46") — Tcrca. Santa Barbara, 
Virgem Martyr. S. Pedro Cbrysolqgo, Bispo Ojpeto 
de SaniaCèeiliã no^ Martyr es. Foi aboiiêo o dia 
eantõ dispensado em Faro e seus suburHoi. 

5 DE DEZEMBRO (47.*)— í?uaría. S. Giraldo, Ar- 
cebispo de Braga. S.. Sabbas, Abbade. ABemaven* 
jtiirada tsabel Belu^ Virgem, da Ordem de S. Fran- 
eisco. Foi aboUdo o dia santíf de guarda emõre^ 
ga e seus subúrbios. 



€ pKiiMKifBÍio(l8 '') - Quinta. S. Mféoiáa* Bis- 
po. Festa na sua Fréguezia, 0m que foi abcliéif 
o dia santo de guarda. ' ' 

7 DB DEZEMBRO (29.«) — Sfxt» (/^/«w). Saftlo 
Ambrósio, Bispo eDr. da Igreja (A. 52 p. 51) Ma- 
tinas na ^é. 

8 DE DEZEMBRO i^(i:^)'-Sabbaâo. 9 Kossa SE?mo- 
BA DA CorfCEiçio, Padrooira do Reino e CdD<}tríâta9 
a.51, S de Des., ASòp.Bl^). Assistem SS^M, á 
festa d$ Pontifieat^na Sé, e são obrigadas a assistir 
também eom os seus mantos todos os Grã-Cruzesé 
Commendadofes da Conéeição qtie se acharem na 
Corte. Benção Papal. Festa na Conceição, Nova e 
Velha, no Convento da Estrellá, nos ínglezinhos, 
Loreto, Freiras de Santa Ánna^ Anjos, S. Lou- 
renço, Santos o Velho^ S. José, S, ChristovãOf 
Santa Joanna, etc. 

3) 9 DE DEZEMBRO (1.^ — Domingo fi.^dú Ad^ 
vento). Santa Leocadia, Virgem, Marlyr. Festa a 
iV. iSÍnr.* da Conceição, na Guia. 

Lva nova ié dezembro às 9 h. il m. . * 
da mantó. 

16 DE DEZEMBRO (2.°)— Sçgunda S. Meiquiades, 
Papa Marlrr. Trasladação da Santa Càsâ do Loreto. 

11 DE DEZEMBRO. (3 .<>) — Tcrca. S. Dâmaso, Papa 
Portugaez. S.Franoò, da Ordem dòCáriAo. 

1«9 



' 13 DE DBZBMBBO (5.«>-í?t*inl<». SaalalBim,Vir- 
gem Martyr. O Beato João Marinònio. Festa em 
SÍmta LtMiftinM Chagas. 

14 DE DEíEMBBO (6.*») — Sexla. S. Agnello, Ab. 

. IS w WíxmM (7.*) — Sabbado. S. £«9ei)io, 
Bi^o Martyr. 

C W Wf «»*BMBBO (8/) - Dommo (3/ íij ^d- 
««uo). As Virgens d^Afrwa, MartyrepvO Be»a- 
venturado Sebastião Magi, DqminicQ. Traslacteçio 
de Santa Maria Magdaleaa d© Pató. Prmetpta 
a JVocena dú Natal, 

ttoarta cíescente de Dezemlifa as b n. 
2Q m. da maatiã» 

17 DE DEZEMBRO (9.<>) — Segunda. S. Lazaro, 
Bispo. 1$. Bartboip^ev de S. aemiaia&o. 

18 DE DEZEMBRO (10,<>) — Iat^. Nt)$taa Senhoin 
do 0\ S. rfisperidiáQ, íí^riiaeíUa {I>ia Mínto de 

juarda abolido na frémezia de Bemficay e ata 
santo dispensado abolido no FunchalJ. 

.19 DEDEz^iifiBO (li:*) — Quarta \Temforas, 
/íjum). Santa Fausla, Mài de Santa Anastácia. 

20 DE MZEMBBO (12.°) — Quinta. (Jejum). S. 
Domingos de Silos, Abbade. 



{Fpi ate/Mc^ a. dia «antò dispensada na éua Fré* 
guesia). 

H »R pwswiw) (tt.«) — SahMío. iTmpQraê, 
J^^u^y^ Santo Honoralo, Mart>r* PrdmipiaoJn- 

# 23 DE DEZEMBRO (tS.^) — Domifigo íL^ do  d- 
vento). S. Sejimlo, advogado conira a paralisia. 
Santa ViciO(ría> Yi/é![a«aUart>r. F<iz fd aiktto« d 
Sereníssima Senhora Infanta D. Anna de Jeaus 
Maria, 

Lua çhcia de De^eoAro ás 1( h. 2 ia. damanhã. 

24i>B&KZCVBRO (IS*^) --- Segunda (Jejum). S. 
Gregeri9^ Mactyn Jíalin«« na âi^' com instrumen'- 
tal-Férias até aos Reis* 

as ias BSUMaie {17/)-^ térrea. 'Ss Nasciiikito de 
NoBso^SçHMeii J^u CuaisTo. Jxíbileu no Arcebispado 
de Braga e por 8 dias no Patriarchado. Festa de 
insírvoMnial ePifHtifiical na Sé. Festa no Loref 
ta, S.Siaqne^ eic^ Pequena Gaia. S^oprobihidos 
koie ^s^peistacuiçs públicos (1 . ãl, âfô de Des.^ À . 
52^.337). . 

26 DE DEZEMBRO (18.®) -^ Quarta [i.^ Oitava). 
Santo Estevão, Prolo Martyr. Festa e Lausperen- 
ne na sua Igreja Dia santo de guarda abolido 
pela Bulia de 1844. 

m 



^7 0E1>KnBiiO'(19.<) — 0tiff>l« (9.* OiHva). 
S. ioão, Apostolo eBvan^listaí. Foi utn dos dias 
sunios diêpengados úbolidúâ peia Bulia de 184i. 

28 DE DEZEMBRO (20^) — Sexta (3." Oitava). 
Os Santos innocenleSf Martyres. Foi um dó9 dias, 
santos dispensados abolidos peia Butta deíSH, 
Está patente ao publico a Santa Casa da Mise- 
ricórdia. 

89 DE DEZEMBRO (21*®) *- Sabbado. S. Thomaz, 
Arcebispo de GaDtuaria, Mariyr. Festa nos In^lt^ 
zinhos. • 

30 DE DEZEMBRO (22.<*) — Domingo. S. Sabino, 
Bispo Martyr. Costuma ser festejada na Fréguezia 
da Magdalena no ultimo domingo de Dezembro a 
S^kora da Conceiç&o e Caridade, que veíte n*e«« 
te dia uns poucos à'orphãos. 

d 31 DE DEZEMBRO (23.«}— Segmda. S: Silves- 
tre, Papa {A M, 31 de Úezembro), Pequena Oala. 
Dia santo dispensada abolido pelo: Bulia detiki. 
ÁssistemSS. MM, ao TeDeum deinetrumentalna 
Sé, em accUO de graças pelos beneficies retebida 
nò decurso do anno (Não foram liMiitos). Te Beum 
em todas as Cathedraes e Collegiadas* 

Quarto minguante de Dezembro ás 11 h. . 
27 m. da manliã. 



IH 



Mmm m mmmki 



!.• DE JXmifiO [Segunda feira), 

chafarU turoo.—Ha 60) CoDstaotínopta/no bair- 
ro de Pêra, queé aonde residem commammepteos 
embaixadores, e em geral os christãos, um chafa- 
riz fabricado pelos turcos, que merece ser visto. 

Recebe as aguas do 
aqued neto de Belgra»- 
do ; sobem estas por 
canos para cima d'um 
entabiamento aguen- 
tado em duas pilas- 
trás, a modo de por- 
tal, eque tem por ci- 
ma uma espécie de 
meio zióKborío ; re- 
bentâo,logodepoisa8 
aguas por oito bicas com tanta braveza e tamanho 
estrondo, que ninguém se entende; concorrendo 
sobre modo, para augm^ntar aquelle estrépito o 
echo da abobada que assombra o chafariz. Os tur- 
cos são fracos mestres d'obras, e por isso não 
téem esta para elles outra i^ual no mundo. Quaa* 
do a mostrão aos estrangeiros empertigão-se lo- 
dos. N^esta parte não ha quem não seja um poue^ 
ottoffitAi» coDà as cousas da sua terra l... 
\n 8 




5'DE JÁNEiaO {Terça feira). 

seus LÂBIOÕ. 

Seus lábios tão frescos — tão rubros — ião bellos 

Com meigo surrir, 
São qual um cravinho, que a aurora dourada 

FdilSfflgnidSsi al)rir: « 

Seus labiPB Ião frescos — tão rAibros — tão bello» 

Tei» tão lliula côr, 
Que a. rosa, diríeis, descora c suspira 

De inveja e de dor. 

áfeus lábio» tão frescos — tão rubxflS — tão beilos 

Tem um tai condãQ^ 
$ue eok exlsaaè enievão o mais d^spiedado 

Feroz cofação: 

Seus labiQMão frescos — tão rubros — Ião bellos 

Espandem perfuwfôs, 
Que ew.doce transporte dií goso embringíp 

Ús homens e <i^ nume». 

Seus: lábio» tão frésoo»-"*- t$o r^^Nt^^ fÊ& beBe^ 

De viço e pudor. 
N« pureza esceidein das. pudicas ílore» 

A mdi» betia Éor. 

Repletos,d!ençapt03 — de doce magia, 

'pè terna expressão, 
Seushbiõs Í3,o/ite:Scos.— tão.rubrog — tão beUos 

;' As3.i]Rí è. que. são. 

v.AjigrâuÍ«i^*ais.(Bn»i|) 

m 



3 0E JAMEIRO tOfiM$ /^f%). 

Wti^Ao de diktÂ^giúi' a láaorte é9aI 4a morte «f^a- 

ranie.-- Su8teatfi0 médíGOs <}6.prii»eira plana, ca* 
mo C^/i<a, Mava.Nm^t», e vacios o^tti^r^ue to-» 
das as vezes Kjue o» rousciilâs de mo cQntdrahem 
sob a iBflu0»çia doi^al^aoiamo, éisao |»íova dd 
bav^r complieUmente aeabado a vida. Peaaâo efies, 
fitndft<lo$iiasôi:p€^rmQ0ia8.é(>]>outor 6r%m$têl d% 
TUloy, (|«e pode o galvanismo decidir o&aratteiite 
a quentão,, c (fue i)ii»guem. de.Ye ser eaterradosér 
não depois de se ham vi&lo aúe nenhum effeito 
produz no corpo a fma de Yém, 

No estado em quèa* sciendá hoje se acba', pod« 
fafier-seeiftp^cps instantes éssáexjMiríencla nós 
mu«OHlos.d'uiin padaver,- coni uma pilha, on com 
um appai^lAhoeleclfo-magnetico. 

A:coo8QlÍiaiDO& aò0 nossos faculta tivòs fa^SoaU 
l^udms^if^erjençiaáem tal objecto*, e se 4 coa> ef- 
feito e^aetO'a'qpeadseveitío aquellés médicos emi- 
aentes, como idqe crer, façã-se oi|r,Fegu(mJienlo 
^apeoiWcim-tÂP- grave matéria (^. $3. p. 261). 

4 DÊ JA:N£1R0 (Quintú feira), 

Fttor qne iadr«[e. — Tinha perto meirinho pormiif 
Iher a uma d^é^ias dQ cãbéUlnho na venta e nariz 
arrebatado. Ten^o um dia ó sèu ministro de $éfi^' 
tescear a um salteador, e parecendo-Ibe pouco a po- . 
nade morte, per£;42ijktòiii;aÒm:einobó: nãoacliari%- 
BK)6 peina' ainoá mais áJspefa? — Slò ccLsando-Q, Ihft 
respondctt o marlVr. — 
vH5 • 



5 DE JANEIRO (Sexta feira). 



«««ror g^attroBomtoo. — Honve em Milão, Bo re- 
feitório dosDominicos, uma soberba pintaraafre»' 
CO, nada menos que de Leonardo de Vinei, repre^ 
nenlando a Geia do Senhor, e cobrindo nma paie- 
de inteira: otempotinbajá damnificado atrozmen- 
te esta obra prima quando alli entraram os fran- 
cezes; só restarão visíveis doas ou três figurai 
que Napoleão mandou copiar n'um quadro a óleo, 
e em mosaico, e por isso se conservão. Os annos 

porém não foram 
os únicos profa* 
nadores d'aque1Ie 
verdadeiro por- 
tento artístico; 
ainda elles não ti- 
nhão começado a 
desbotar as cores 
e limar as formas, 
quando já os que 
entravão D^aquel- 
la vasta casa seas- 
sombravãode verem por entre as pernas do Salva- 
dor uma porta aberta. Era o caso, que Suas Reve- 
rendíssimas, tendo advertido em que da cosinha 
para o refeitório se podia vir por caminho mais 
curto, rompendo a parede n'aquelle sitio, eacba&- 
do que nacfa valia tanlo comocomer bem quente, 
metteram mãos à obra, eforaram sem lhe importar 
por onde: nem Jesu-Ghristo era capaz de lhes re- 
frear os ímpetos gastronómicos [A. 53. p. 120). 




( DE JANEIRO [Sabbudo] « (Epiphimia]. « 

Httseu da Epíphania.— 'Acaba deabrír-sc em Ma- 
drid um museu, único no seu seneró. Pertence ao 
Duque de Hijar, ecompõe^se aacollecçSo comple- 
ta dos trages com que, de ha quatro séculos para 
cà, se vestião as Rainhas de Hespanha no dia de 
Reis. £ uso n*es(e paiz que a Rainha reinante ap- 
pareça n'estedia vestida todade novo; ora, em vir- 
tude de um privilegio que remonta a tempos im- 
memoriaes, e propriedade do chefe da família du- 
cal de Hijar, aoqual deve serentregue, todo o ves- 
tuário da Soberana em tal occasiSo. 

Fez-se essa ceremonia no passado anno de 185S; 
com o vestuário da Rainha Isabel li na Epipbaniã 
doesse mesmo anno. O seu vestido de setim oranco 
com folhos cór de lilaz, o chapéu, o véu de renda, 
as luvas, o lenço, tudo foi levado por dous com- 
missarios régios em um coche da casa, escoltado 
por um destacamento de archeiros, ao palácio do 
Duque deHiiar, que segundo o costume o recebeu 
na soa sala do throno, com o uniforme de Tenente 
General, e rodeado de todos os seus familiares. 

7 DE JANEIRO (Domingo). 

preMote liquido. — Yeiido um alde&o que todof 
levavão alguma cousa a Cyro e ellenada tinha, cor- 
reu ao rio, e enchendo as mãos d'agua lh'a offere- 
een. Ficou Cyro satisfeito com a intenção que a tal 
dadiva presidia, e mandou* lhe dar um frasco d'ou- 
ro com mil ducados. 
117 



A odr dos olhos. 

Tett& ol^Q9i dfò auê cár são?. . 
Dqs i»egrQ6 imko recaíQ ; 
^os oiho9 pardos nSj> creio ; 
T^us olho^ £^zues serão?... 
Se fas$em verdes, espar^va, 
Mas^ talve« e^p^assie em v^o. 



Ki^ Ifoito dos oUioftpretQ^ 
Ao yeros quasi miorrj ; 
OiM«Í-os A ves prÚDiiira, 
K.tivQo demoaio era mi ; 
T,.uctai com eUe^ Q comif&o, 
0e^xel de oAhfitr ^ vewíW . . , 

OSiOjibo» pardog^u i^nip 
Coiw^ d'tq«ellmq,ue vi, 
Teivofk, l£^QgiHdo«k,»rd^ntes, 
A-h! com que delírio os lil 
KaRa^ei-rae na leitura, 
Só eu sei o que soffri ! . . . 



Oihosiaiue» não detaprcs^^ 
Pois ja por elIeS' gerai ; 
lá um olhar de»v«ifado 
D^olhoaa^ues oop^^ui *, 
Jà . .sap eousAt desto «imd^' 
Qua«ojui20|Me|idi!... 

Os olltoa verdcp.adorQ ; 
Vi-os um, dia^ tremi; 
Tiv« caloFv tivfl ífu>s 
TivftuiA desmaio, m»m ; 

Porém. quiz veF.osdo npro, 
Epr'a vel*os renasci!... 



A côr dos olbos, que importa? 
Quero noa i^Uto^ oondãa.; 
VerdeiS,. pardos^ ^m&^i nogrofi,! 
Só valeu) Gora expresa^p.; . 
£u quefo olbos t|ue feUão, 
Que;Yit>râo no coia^ã^ 1... 



m 



M JANEIRO {Târea feira].. 

BaMtnhi0i --^ £' O maíor fio da.£«rj»pa, logo der 
pois do Voiga. Nasce Da floceala Btegra elao^^a-sr» 
00 Mar Negro, depois de haver banhado oitocentas 
e tantas lécuat de amenas e apraui^ei^ iBarge&s« 
Nefthama aaa ribeiras quen'eile desaiguaoéiBave^ 
gaveL Será peloBanubio que a Europa commnni? 
cará principahnente oom a Afiiaj quando os S(d)e^ 
ranos dos estados por elle atravessados o houve- 
rem tornado navegável em todo o seu tran9Jit0* 
Quando nm canal, ou um caminho de fecro^ o unir 
ao AhenOvvasto projecto que está quasi comptota-^ 
mente realisado, haverá entâomna communieaç&o 
directa entre o Mar do Norte e o Mar Negro. 

Sedescerdes^um dia|>elo declive das montashat 
daftorestanegria, pedi que vos mostrem a naseen^ 
>te doesse ciiomafpiíatoso; conduzir^vod-hãikOvao}art- 
úim d'um prinoipeaLto allemãp, e apontando para 
um pequeno tanque, dir-vos-hão : « Olhai para o 
fUDUO ; é alli que nasce oBanubl^). ».&& aJba o vév 
des.porém poldra e humilde^ logo se mostrará rico 
esob^bo; e tanto mais orgulhoso, quanta sii» 
poucas as ribeiras que B'elle se lan0o,.e asipro^ 
prio, quasi exclusivamente^ deve a sua elevação. 

10 m JANEIftO [Quartit feita), 

S. GONÇALO D'AMARANTfi. 



Casameaieiro das velhas, 
Forque-nli^iwiaifraBinoçat, , 

Que mal tos fizeram ellas ? iNa tosm iMiita irmandade. 
119 



Sejão aiveUia» beatas 
Querelem com santidade ; 
Sfto demais, ha-as de sobra 



Reiar-vos-hei, 6 ni«ii santo, 
Três padre-nouot cantado* , 
Se por cada um me derdes 
Trea esbeltos namorado*. 

Irei descalça oa?ir missa 
No dia do tosso nome, 
Se ett alcançar boa paga 
D^esteamorque me consome. 

Nem todas as Telhas juntas 
LeTario tantos bentinhos, 
Como encobertos n^esfalma 
Lerarei ternos carinlios. 

6. Oqnçalo d* Amarante, 
Brincalhfto e galhofeiro, 
Fatei-vos antes das moças 
Deròto casamenteiro. 



Promessas qne fazem moçit 
Tem tal condão e Terdade, 
QueoSanto deixou as Telhas, 
Foi p*r'as moçasper lM>ndade ! 

E a datar d*«sta promessa. 
Feita ao boa doS. Gonçalo, 
Nâo ha uma è6 donzella 
Que possa deixar.de amafo, 

Que a todas o bom do Santo 
Deu alma pVa sais amores, 
A qual d^elles o mais falso 
Em seus dons e seus CáTores! 

Sejio as velhas beatas 
Que resen com santidade ; 
São demais ; ha^as de sobra 
Na vossa santa irmandade. 



Que euTOB promettoportodas SS( 
Ficando a nosso contento, 
Mcíita crença na virtude, 
Muita fé no casamento. 



Reiar-TOs>hei, 6 meu santo, 
Trcs padre-nossos cantados, 
Se por cada* um me derdes 
Três esbeltos namorados. 



io Gonçalo d^ Amarante, 
Um dos meus três namorados 
Irá reiar-Tos por mim 
Oi padre-nossos cantados . 



E s6 se dirá, mentindo, 
D*um santo tãio galhofeiro, 
Qu*inda é, como era d'antes, 
Dal Telhas catamentaino. 



tniz A uifn$to Xú9i0' PMmeirim . I 



11 DE JANEIRO iQiUnía feira). 



^^%;í 




Wtiça máoeésfivei. — Ha etíi Flownça, por fen- 
) . .;- tre varias restos preciosos 

da antiguidade, algumas co- 
luinoas de porphyro de mui 
bellos lavores. Sobre uma 
doestas, defronte da Igteja 
da Trindade, está uma esla*- 
tua mais que colossal, reptit* 
sentando a Justiça: por isso 
disse um crítico' derloren-* 
çíMdA. Justiça n^esta cidade 
está tâo alta*, gue ninguém, 
por mais que íaça, lhe pode 
chegar,» /i4. 51. M de JanJ* 

n DE JANEIRO {Sexta feira). , 

o Palácio <iosT«vov«s^ — Desce&do da estrada do 
Portopara aVilla deMirandelIa,dá-se defrentecom 
um objecto de interessante e lúgubre recordação 
histórica: é o palácio do Marquez de Távora, ainda 
íbrmoso, mas deserto. E' magnifica a sua planta, 
bella e elegante a fachada, demasiado baiscas loda^ 
via as portas das serventias. Tem estampadas na 
frente asarmasdosTavoras, apagadas pela mão do 
algor.iie conformidade com a sentença proferida 
pela Junta da Inconfidência, aos 12 de Janeiro de 
Í759. Pertence hoje este solitário e fúnebre pala- 
cio ao Sr. Conde de Yilla Real. . 

Bragancail2deJan.de 1834. F.3L Trin4adt\ 
111 



í^mJ^VlSfBiO (Sabbaia). 

Asiroiogia. — A Astrolo^a, ou AsUroiegia ja4í- 
ei«ria, (foe o^nigojrepnta uma sciencia abstrusa, e 
uma arte que (as cwihecer os futuro$ petisiiiispec- 
1^0 d06 astros^ bUo é mais nem menos qiia uma va- 
nissimae abominável impostura develbacos, nara 
disfructarem tolos e medroso^. Nasoeu na Chaldéa 
e nasceu da Astronomia, sòiencia yerdadeira que 
também lá teire a çua origem ; por jonde disse al- 
guém que era afiiba douda c^ te^i acísada. 

£' triste e semsaiior ver que amdfi hf^e em díi« 
om paiaes eivilisados, se permitia em almanachs e 
folhinhas, isto é, nos livros m^is populares de ta- 
do8,.alUnentar nos espíritos acannaaps e incòttos 
es4es erros grosseiros, e nem sempre innocentes, 
de influencias de planetas e signos, sobre os nasci- 
mentos, os casamentos, as doenças, as venturas, 
os génios, e as mortes, dos individues I... Não é 
ein tolicea d'e8sa8 que se devtio empregar os typos 
e o papel, cuia missão providencial é nnicaoseni^ 
iiKStniir e civiiisar (A. S2 p. 899). 

vando o Duque deMerciaimposto umik enorme om- 
tribitiçlo ao& habitantes de Govestry, no anno de 
lOSfi, peâi<>-lhe sua mulher, em nome d'«llea. que 
o afaohasB. jieftpondeurlhe ai Doqne^ homem juísso^ 
loto e èxtrava^nle, que lhe faria a vontade, mas só 
debjiixo da condifâo de que pereorreria iraa e » da- 
vailo toda a cidade. Suhmetteuree a esposa a isao, 
ordenando desde logo que ninguém â hçra «prasa- 

Itt 



éa, €f íK))) penai de morte^ appareçesse nas ruas ou 
á janeUa; assià atravessoU Ioda a cidade, d')im ex^ 
(remo a outro, coberta sú com suasbellas trancas» 
Não houve senão um homem (se fosse uma mullier 
admirst¥ft famoBè) "^«e levado tia our iostéftcte abrio 
um poécochmhoâ]anella, oqueltievaleuseiPinan' 
dado fiiatar. Sm ^i^moria doeste acontecimento, 
ainda hoje »e coltesetva em Coventry, e na mesma 
casa em qnt elle se pásson, a estatua d'um holneia 
a olhar pela janella. 

li DE JAlS£lfrO [Dominso). 

Fetit« A> itar«o. —A pesar de já a fakvenâõ^ des- 
cripto no dá |&4('Àbril do Ãlmanaeh de IM-» e dè 
havenaos aiè'áado o Cântico do burro a pai^. 371 
do de 1^4, traníwroveTewios o^pie soferfe o mesmo 
objecto nos escreve um de nossos assíduos leito- 
res : a Mo obstante as luzes que Filippe Augusto 
forcejou pordiffundir no seu tempo (1182 af222), 
aindaenlão, entre muitas outras grossertâs^hdóvé 
a da Festa âo ôurrb.Celebrava-se esta eín Beauvai $ 
a 14 de Janeiro. Escolhia -«e a rapariga maig bonil* 
da cidade, montava-se n^umjumfentmho ajaezada 
com luxo^putihão-lhèao colloumacreancinh'a,lu- 
iopafa representar a fugida para o Egypto, eassitA 
se ia cm procissão desde a Sé até á frégueziâ dô 
Saàto Estevão; entrava a moça a cavallo pela igfejá 
iitiftiaj^e ^ ia pór na capefla mór da parte do evan« 
gemo. Coifiecava a ínissa cantada : intróito, ciredo^ 
ctc, tprdo era acompanhado com o estrebilho de i 
Ai-ftuín, hi'hum, jf^f-ftwm, arrettt^dando o zurrai** 
118 



muitos burros; viraodo-se em fim o padre pa^a o 
povo, dizia : Ue missa est, hi-hum, hi-hum, hú 
num, e o povo respondia : Deo gratiaSf húhum, 
hi'hum,hi'hum!... 




IS DE JANEIRO (Segunda feira). 

' BAY«r. — Esle nome, hoje popular em toda a Eu- 
ropa, é de origem oriental. Significa venda ou 
jogar para elia ordenado. Na índia, em outras par- 
les do Levante, e particularmente na Pérsia, sâo 
umas espécies de ruas largas e abobadadas, onde 
concorrem os que têem quaesquer fazendas par^ 
vender, ou necessidade de as mercar. Ha bazares 
descobertos e bazares cobertos: dos cob^tos, uns 
são debarracas depanno. comoas nossasfeiras. ou 
de pedra e cai, como a Praça da Figueira, em Lis- 
l>oa. Há-os lambem de grandes edincios, quadra- 
dos ou redondos, com suas columnas e zimi)orio5. 

Ii4 



16 DE JANEIRO {Tefça feira). 

Mtgraçoe» dós pasiferos. — S(l0 HID dOS i , 

mais Incomprehenôiveis da vida dosaiiima'es. Uns, 
que yivem de insectos, partem de França no ou- 
tono, aíim de irem procurar o sustento em latitu- 
des mais meridionaes^ e só voltão no mez d'al)rii. - 
Querem outros íima perpetua primavera; cjiegão a 
França no fim do inverno, e depois do mèz de maio 
sobem para o ikorle, onde lição ein.qiianto dura o' 
calor mais ao sul ; regressão para França no ou- 
tono, e pai'kem d'ahi para o meio dia assim que 
o primeiro frio se declara. Querem outros sem- 
pre um verão semelhante ao de França; abandonão 
a zona tórrida no tita da pri- 
mavera^ passão álli os ires me- 
zes mais quentes do anno, e só 
no òutonose retirão,Ha outros 
em fim, que precisão sempre 
d'um frio moderado; fogem no 
outono das regiOes giactae», 
vem passar o inverno no sul> e só uo principio da 
fãrimavera voltão de novo para o norte, 

O que ha de mais notável na migrado dos pas-- 
!iaros é o effectnar-se muitas vezes antes que a 
mingua d^alimentos ou o rigor da estação a isso os 
«brigue. Porá as suas viagens aéreas formão-se em 
balalki^es compactos, dispostos com a maior arte : 

Les bois, les monts, et les rívages, 
Betejitissent du vol de ces vivants nuages, 
QueViostinot, le besoin, aidés d'un vent heureux;, 
Poussent dans des cliitaats qui ii^éttt«Qt nas peur evx. 
125 




Cobrem frequent6meAlefcíaw*|i#ríJÍo doçeu 
com suas innumeraveis phalanges, echegãoate as 
V€zes á escurecer o sol, comoo «ffirtna Audubon, 
o qiial vio no estítdo de KeHtucky píks«ar «m 20 iaii.- 
níto» 163 tMindos de pombos por cima da siia ca- 
beça; avaliou elle o numero total ém raál a mu ô 
duzentos milbdes t 

14 me parecem pássaros de mais !... 

17 DE JANEiaO [Quc^rta feira). 

if avies moniitrttoco*. -^ WiiíúÁ das uUimas ses' 
4de8,da sociedade dos engenàeiw)» civis em Lon- 
dres, antes de principiar a discussão sobre os bãr^ 
<;(W de vapor ao oceano, foi lido um curioso arti- 
g» sobre as dimensões dos maioral ôavios díi anti- 
giifdai*e. .... ,x 

Um coQStraid0 por Ptolomeu Philopator Imbà 
áâa pés d© comprimento, 56 de largura, 73 d'aUtt- 
ra ja r;9iitaT da€piilha,e faziào-lhe ã manobra ífiwi 
.ranei.n)8, 300 escravos, e 2,820 marinheiros 1 Era 
uma àdÉde ambulante. - 

flyèron,Rei deSyEacusa,martfcd0ti constnnrpelQ 
coryatiiio ArcbM> sob a vigilância de Archisme- 
<ieâ,nma embarcação diestinada para a jguerra«pa^ 
ia QondtiBir tti^, cujas dimensões se ignoifo, mas 
que devião Ber enormes, poisiinlia vmte ordens de 
rânos. Dffioacfaando o a«i porto aflgom capaz át 
conter aquelia massa eniorme,lieB peesente a'ella a 
Ptolomeu, ReidíoEgypto, que a mandou p4r em 
terra em Aiexawiria, d*<onde n«nca Inaid sahio. 

Ben .^mpregttdo diaàeice I. . . 

ISB 



18 HÊ lANEttO ($«Mif^/€ifd). 

elepkahte. _ Ao 'IfOe dfes««|06 M. 52p.tM^ 
tcresceiítáretno» hoje algaâUdUnbâs de Moteau : 

«Tem a cabeça grossa, o pesce^o earlo, as ore* 
ibas pequenas, fcomparadas CMtt o eorpo, as quaes 
move e abana decofitiauo. Tem na testa tanta for> 
ca, qm com etla tatȍa ao mar graodes embarea- 
çò%s. Os oIIk», aluda que grandes, respecliYameB* 
te â cabeça sio |ie^tien^s, e vivos, e o olhar snri a-' 
teiro, como de porco. A tromba lhe serve de narU 
c este nariz the serve de mão, petoqne lhe chama* 
ram em latim: manus nasuta. Com esta mâo, car- 
tilagiDosaj^-eiiijumt flexível, a modo de cobra, 
grossa japo Ik Uca e quanto mais d'ella se apar- 
ta mais 4j^^|^) como cano do lambiqoe, em cujo 
remate Vm di^us buracos, que são como ventas, 
por onie ratftifa, chega este animal ao chão, e le- 
va^^áj^^V*^^^ apanha, quer liquido, qtier sóli- 
do. M^ nresma mão ou tromba, é arma nao só de- 
fensiva, mas offensiva, e tão violenta que de uma 
só paleada mala o elephante um cavallo ou um ca- 
melo^ Tema bôoa perto do estômago, a lingua pe- 
quena, e alem dos qu9lretli»tes que a ntiureza 
In^-^eÍLimira m^ii^ar« do queixo superior lhe sa- 
bem dous Tlentes muito compridos, muito alvos^ 
agudos, eiia poi^ta revolta. O ventre é mui alto, 
largo, e as costas mais altas qué todo o mais corpo 
é cabeça. O couro é grosso, áspero, cheio rfe tèr- 
ru9as,'de cabello tão curto, mte parece pellàfb: ir 
eôr de cíina escura, e a cáuoa pequeafit. la elts*- 
phanles que têem 10 palmos de alto. Diiela qae 



nio ébom pârflagèraçloseBlodepoisde tOannog/* 
que chegão a viver duzentos, e que aos 70 está nd 
aoge das suas forças. É amigo do vinho, inimigo d» 
frio, teme muito o fogo, e ainda mais as formigas h 
os ritos, os quaes se acaso Ibe entrão nas orelhas 
ou tromba, os fazem desatinar, e por isso quando 
acórdão» é sempre com impeto e fúria. Da memo- 
ria, docilidade, limpeza, brio, e generosidade, does- 
te animal, contão os authores cousas maravilhosas. 
Um dos maiores castigos que lhe podem dar, t úi- 
zer-lhe palavras injuriosas. Vingão-se de qualquer 
pequeno despreso ou affronia que se lhes faça.» 




19 DE lAMIRO (Sexla feira). 
CQBtAgio di^ saber. — Gabaudo-so um vaidoso de 
ser labio por ler conversado com muitos, lhe res- 
pondeu outro : «Também eq tenho conversado com 
muitos ricos e ando a tenir. » 

118 



ÍQ de JàN£IRO (Sahbaáfyh 

ijvr«» 8fb]rUMo«.-. Aj^resèntou um dia umâve* 
lha, que depois se julgou áer a sibylla de Gumes^ 
a Tarquinio Prisco, nove livros, que lhe aíTir- 
mou estarem cheios d'oraculos sibyllioos; pedio- 
Ibe porém tão exorbitante preço por elles, que o 
Monarcha atomoupordemenle« Quefaz a mulher? 
atira com três ao lume, e pede-lhe a mesma quan- 
tia pelos seisrestantes« Mais indignado aioda ficou 
o Rei« Pega então a velha em outros três, e arro- 
ja-os também às chammas, tomando apedir a mes- 
ma quantia pelos únicos três que lhe ficavão, e 
. que no caso de serem recusados le-* 
rião a mesma sorte dos outros. Pare- 
ceu isto por tal modo extraordinário a 
Tarquinio. que mandou chamar osau* 
gurea (sacerdotes entre. os romanos gentios que 
prognosiicavão o futuro peio vòo ou pelo canto 
das aves), e dizendo^he estes. que não hesitaste 
em comprar os três livros restantes pelo preço qne 
a sibylla pedia, assim o fez o Monarcha. 

Quem sabe se os augures não haviãD sido su« 
bornados pela velha I 

Oslivrossibyllinos, em que secontinbãoos ora* 
cuios das sibyflas, gozavão de grande autoridade 
entre os romanos; são todavia hoje em numero de 
oHo, e contém vários versos propneticõs; maspou- 
co se acredita na sua aulhenlicidade, antes é quast 
geral a opinião de haverem sido compostos no t^i- 
nado d'Antonino ou Marco Aurélio. 
(4.5i.p. 71.'4.53.p.98.) 



H M JAREIOO (Úòmins^ 

* TiteUf de impMMilÕr át^ mtiMki. -^ NÍ60tÍRl, por 

fíT9^ de DeuSjJmperador eÁiitécrata de todas a» 
Ruflsiâs.deMoscou, Kieff, Wladimir, eNovgorod^ 
Czar de Kasaa , Czar de ÁsIrakaA» Czar de Polónia, 
Gzar da Sibéria» Czar do Chersoneso Taarieo, Se- 
flkor de Pskoff. Grande Prinoipe deânoiensk, da 
Litkuantft, da Valachia, da PodoMa, « da Finlândia» 
Principed'£slhoaia, daLLvonia^ da CariaBdia, da 
^mi^llla, da Samogioia, deBialystok, da Kare- 
l^ia^ de Tver, de Joagria, de Pem, de ViaUca, da 
Bulharia, c de vario&oatroe naiaea, Senhora Qran" 
de Príncipe do lerritorio denoucorod interior^ de 
TsohernigoíF. de Riaizan, de Polotzk, de Boslof, 
de laroâiaf, cie Bielozero, dOudoria, d'<ll>eiloria, 
die^<Midima9deWilebsk,deMUsiafd,Domrna(rorde 
todaa resião hvperbéreaj Senhordo naiz dlkna, 
de Kartalinia^e Grousinia, de Kabarmuia, e d'Ar- 
aieaia, Seahor beredilário e feudal dos Prineipes 
Tsoherkesses, dos das montanhas, e diversos ou- 
tros, Herdeiro da Novuet^at* Doque de Schleswtg 
Uol3iein,(Í0SantaOjnnam,de Ditmarse», d^Odtln- 
burn;o, Senhor temente a Deus, Protecior orthodo- 
xo dos gregofi no Império ottomano, etc. eté. 
^£m alguns d^aquelíes paizesjem tanto eomo eu. 

i ni>ÍiklÁMfiO [Segunda feira), 

^eh»àQ de«deAtA4o. — Yendo um sujeito a um 
bêbado desdentado, dis&e: «5mda as cheia» ^ue 
lhe levaram a9 presas,?^ 



juiueis. ^ bizem >qee Seaul^e, féfiro' de Séylla, 
loi a pnBiieiro que trousc^ atmeis om Ro«»ai. Os^iS'- 
CTÀTOS liraxifio^nps de fenro, os livres de|)rftU, de 
oaro os nobre» le fiênadores. O ansei de casftmento 
é «rmbçío de fidelidade conjugal ; o dos Sispos [A, 
52f>. 11^) mostra (fõèésdtespos^a a Igrej». Os dou- 
tores e prdfessòf espobiicos traxiUCKiyos 0D4ig&t!ten'> 
te coni0 distífiotiTo de sua profissão. Aristott^^rs 
tra;íia sempre es dedos oarrcgadòs d'anneis. N«$ 
banqoetes tíravão-noFs os roraanos dos dedos, n 
punhlíQMaos ao redor dos còpio8«iiiqii« bebiSro,^)^ 
qiie jdlodio J^Tefiftl quando disse : l^mudi^r^ diqi^ 

24 DE JANEIRO {Quarta feira). 

uma ««ta ekaté«raâo. -- Acafea de des€<rf!te-se, 
próximo aNilpoles, a útda pequena profundidade 
(ie #09 oú quatro fatmos« e está jà toda dese&tn- 
\kíkêá, uma l.mda rèsíéiancía de campo., de arcbile- 
vlntk mui sèmelbante I dô^s edifictos de4^ompeia 
(//.53p. ãl4.),dagúalst differe em achar-se cons- 
truída sobre arcadas e pilares. Tem 10 casas e um 
vestibuio bastai) te esp^oso. Eccontraram-se álli 
duas amphoras, dou$ iflstrai&eiitps d^agricultura 
deforma singtilaT^um esqueletod homem, e outro 
de pássaro. Eslava o prédio inteiro alagado, em 
consequência dasinfiltra^^ do Sarno, e scrà por 
isso difficil conscrvaro [A, 51»25cíef eucrcíFt?, A. 
52, p. 60 SM. X 5?,^ ?10, 36a.) 
131 



UM JANEIRO {QúHntàfÉii^a). 

' LeltorefbraTto«.^Leilorçs, OU vcrdadeifos crcfl- 
les, se denominão os faoalicos de uma nova seita 
cbnstã que já pelos fins do anno passado ia em le- 
ineroso aiigmeuto na Noruega. Leitores se chamâo 
poraue o mais da sua vida é ler naBiblia; quanto a 
verdadeiros crentes^ Dãohaseila religiosa que não 
pretenda para si esse exclusivo. São intolerantes 
como inquisidores, chegando a matar os que não 
pensão como elles, adeitarem-lhes fogo ás casas, e 
a perseguirem-lhes as viuvas e orphãos; Se aquel- 
les homens tivessem lido mais do que aBiblia, ou 
se ao menos a Bíblia a tivessem sabido ler e enten- 
der, não veríamos juntar-se ainda aos tantos delí- 
rios e variações da christandade esta seita farina. 




se DE JANEmo (,Se<tia f0&ay. 



Ao dia 26 àe Janeiro, Anoivéréarío natalício do 
Br. Dr. A, F. de Gftttílho. 



COMPOilçXO LYmCA DEDf^0A A SUA BSMMA. 



Q4ieRi me dera ser porabioh^i !, 

Ir sósinlia 
Por essas plagas do céu I 
Topar a lua sem ?éo, 



(^aem me dera o senhorio 

Daaustro frio.'... 

Fora eu Rei dos aqailões. 

Que bojeeDÍreàra os tufões. 



Mergulhar-me em seu pallor Fizero-os soprar amenos 



iDsnirador, 
E abater o v6o ingente 

Refulgente, 
Sobre o tecío restival 
D>sta casa, em teu nataU 

• • ! 

Quem me d^ra ser aurora | 

Uma hora. 
Hoje sò, para surgir j 

Toda esplendida a surrír, 
E doirando os férteis prados, 

DrTsIhádós, 1 

f aser palpitar aa flores 

MtUNcwres, 
To(|os os dons acordar 
Da primavera stm par ! 
J33 



Tão serenos 
Como uma corda da lyra^ 

Que suspira, 
Ou como o som matinal 
,Das brisas pelo.rosal. 

jQuem me dera ser o oceano, 

Para ufano 
{Todas as galas trazer 
De) meu immenso poder! 
Vir assoberbar o Tejo, 
I Dar-lbe um be jo, ^ 
E em meu volrer marulboso, 
i MagestOBO, 
De espadanas de cri&tal 
Tapizar todo o areal ! 



Oatw me der» «ntrâ 9t -AVekMixK^m^ nJo soú òRéí dos ma^es, 



Enire os Anjos, 
Ser igual -Si Gabriel ! . . . 
Desprendera o meu laurel 
Ante o throno de saphíra, 

Ltí pedira 
Permissi» dek>ÍEN'ecel'o, 

K preQdel*o 
Co a minha dextra immorial 
N*essa fronte divinal. 



Nem nos ares 
P.osso ir as nuveõiB fender; 
NI6 posso as porias correr 
Ao píaheta luminoso ; 

Nem radioso 
do6 Arautos, ide Sotyma 

Sou acima ; 
Posso apenas modular 
De mil desejos o arfar. 



Ta exalta, qae és esposa 

GarinhoBa'; 
ti'lofia, prazer, nome seu, 
Tudo aque fõr d'eH6 éteu ; 
PerteBee-te, n'esle dia 

Be aiegfta» 
Eiitèeflourar os votivos 

Bons festivos, 
Saoer<lotiza -sem par 
Do Numen deste alcáç»r. 
26deiatteireíiel85t. 

Maria CanutOj Mestra regin. 

37 DE JANEIRO (SaUadé^, 

Okaradtt. 

Sou ehefe dè fíia de immensos sokMos t 
S ttxineoio da terra defeso aos )»ortaes. t 
AcharH»e-ba8 nos deuses dos mais invocados 
S(» ptyides do Oiympo transpiar os umbrae». 

A.M.C. 



SI DE MNimO (Ifomin^ú). 

um desenvolviaealoqtiie se pode eeicular em per- 
to de 13,3U0 léguas, uma décipa parl« das qaaedfia 
GrS*Bretaiiha: só umas 2Ú e tantas léguas »ão sub*- 
lerraneas. 

Estão-^BO actualneate construindo umas 150 ié« 
guas na io^aterra, Escócia, e Irlaiula, e muita» 
mais sopKOjeotâo ii'nm próximo fatufo. 

Ba Ba America uipa«xt§Dsão de 6 a 7,000 léguas 
de communieaçfies t^egrs^i8as, .acabada» ê c^di 
actividade, e B^^D a 0,500 comafíadêft. 

Prindpíou a ftussia o $eu syslema it t^lcfra 
phos e»tre SUO Petersbungo. Ifoscoq, e Cr^ovia, 
e entre os portos do Báltico e e^ do Kar ]f«(gfo. 

Yão^ estabelecer, eqifim, comiattuicaçltòa Isle^ 
graphícas na Inéia, ii'uma extensão de mais de 
1,ttlO léguas. 

A Austrália, a Africa, eaChina, aerao talvsa, em 
brcTe, qqasi os únicos paizesem que nàobaiac^m- 
miifticacões telegrarahicas. 

£ quando as bouver ttaCbina, na Africa, e na 
Aastr}lía,pan9ar^se-hatambsmB*i8saeBi Porfcog^. 



ii«Pf .^Fallando »'eUs8, duia o gf an* 
de Frederico da Prússia : n N^ 4>Ò4ii(a«4e «cnf «> 
Vos, á|ir«ct<omàtaro« — Ao que Napotelo ocre%; 
centou : « EmataVos três v$^uwIq mfik^. » 
133 



àO DE JANEIRO (Terça feira), 

Ivo do facíl para •• deieraainar a altura d'tam «di- 

ficio. —Sem grandes cálculoá mathemálicos, sem 
medir com prumos de cima para baixo, e sem mais 
instrumento que um pàusiuho, pode uma pessoa^ 
mesmo debaixo, averiguar a altura d'um palácio, 
d'uma igreja, d'uma torre, d'um mastro arvorado, 
etc. Crava-se no chão uma bengala, uma canna, 
ou um páu qualquer. Marcasse no terreno o ponto 
onde chega a sombra d^elie^ e outro tanto se faz 
ao ponto onde chega a 
sombra do objecto cu- 
ja elevação se deseja 
conhecer. Fixados es- 
tes dous termos, com- 
parasse o comprimento 
da sombra do páu com 
aaltiuradomesmopáu. 
Supponhamos que no momento da observação o 
comprimento da sombra é três vezes maior que o 
do páu; como kodo« os outros objectos postos ao 
mesmo sol é evidente que devem projectar sombra 
triss vezes maior que a sua altura, mederse cora 
passos, com cordel^ ás varas, ou como se quizer, 
o comprimento da sombra que se marcou do edifí- 
cio, e tomando doesse todo uma terça parte, está a 
altura do edifício reconhecida. Se a sombra no 
momento da observaçlki, em legar de ser maior, 
for menor que o objecto, multiplica-se em logar 
df se diminuir. 
?<ada mais simples. 




SI DE JANEIRO {Quarta feira). 

Inspiração. — Jà no dia 10 dc Outubro de 1851 e 
a pag. 108 do Almanach de 18S3, relatámos bas* 
tantes extravagâncias de honens célebres. Sob o 
titulo: Gelo e ímo^ dissemos também a pag- líOO do 
de 1852, que Diderot, antes de compor algum ar- 
tigo paraa Encydopedia, fazia muitos accionados, 
dava murros em cima da mesa, corria pela casa, 
atirava com a cabelleira ao ar, até que o snór Ibe 
corresse em bica, e viesse com elle a inspiração; 
em quanto Lamenais só podia escrever com os pés 
em agua quente, receoso de alguma congestão ce- 
rebral. Ahi vão mais extravagâncias : « 

Gavarni não faz um só desenho sem fumar : é 
machina de vapor que accende peia manhã e apa- 
ga ànoute. 

Eugemo Sue não pode escrever senão quasí is 
escaras : é verdade que ás escuras ficão também 
muita vez os leitores. 

Os melhore» versos de Victor Hugo foram feitos 
passeando na Praça da Bastilha. 

Janín não escreve cousa com geito senão fazen- 
do- lhe muita algazarra ao pé. 

. Balzac deita va-se ás $ horas da tarde, dormia 
até à meia noite, bebia ama terrina de café, e nas 
18 horas que se seguião, escrevia, quasisuccesu- 
vamente, uma resma de papel. 

Alexandre Dumas» antes de se pòr a escrever, 
tira o chambre e os suspensórios, e elle ahi vai. 

Ghãteaubriant passeava descalço por cima de la- 
;edo frio, e só depois de constipado escrevia bem. 



!' 



1. DE FEVEREIRO (Quinta feif). 

A REFORMA (lYRA AXACRCONTICA). 



Valeta te toWiido^Àmoi*, 
Fui lempre em tuas íiJei rafe ; 
Dai toa* rea«t bait^eira^ 
Eu nwica fui desertor. 
Km taas nvivoícias lides 
£ii era sempre o (vimeÍFo; 
SerTi camo gr«fiad<$iro, 
Serri comp caçador. 
Honrado 'Sasgue verti 
Ateu lado. nas bàtaUiAs; 
Escalei saltas oaralhas 
Com denodado vafor. 
Brioso me viste sempre 
Nos mais arriscados perigos; 
. Numerosos immrgvs 
:<íOiabatia sem lemK»r. 
Nem eu preciso, meuchefe, 
s iiefertrte aminbatrírtbria, 
Pois que de vezes com ^Ipi^Hi 
^Híx> ouvia o teu lenvor ! 
Tu bem sabes que não cabe' 
. Noméu corajçSio fra(]^uezB) 
. Mat por.iei danalvrets 
Mwrisbaeffitofcodoii^rerdflir. 



Deyeni*4n^ter abatido 
Asmiiihatpropri^dlaçKi&lias: 
Oito ivtstfos de campaahus, 
Afiíouxâo todo o vigor. 

Por isso peço, meu ebef<e^ 
A:r4forma merecida, 
Qóe Quisto qiue em tftita lida 
Do ócio prove esaber . 

Terá»de»efio8^qUe importa? 
t>'^<»r«!emdiaaieum8Qklado; 
Porém -^ite Inda reforma^ 
Qnardaf á seq pvndottor. 

Se a^mdta o lefu império . 
Invadir poder o«ntrarÍQ, 
Irá françeo roluatariv 
Combtttèr em teu faror. 

Quem ba ide ver ivdfffVent^ 
Flveluar o ieu pem^ão ? 
Não bater* Ibe o coraçito 
Aos ru!b« do teu- tainjidr ? 

Revertido da coragem 

I l>o juvenji témpp antiga* 
Irerao camp9 inimigp 



Buscar o teu aggreavor. 
Dos her<^8 inq^ir o triHi9 
^erà to4lb a mraba «lorta ; 
Bar-te os ioturoi da viotoiia^ 
fr mofrer *!brvtw*o Awtfp. 
Ar. /. P.n. ^Çw94ih9 (BrííHtifO). 



Bttatna da ««vieca. — Cpmo talrV^z kaujri€tt96 

aigoefli %tte lonft^se f or dxagerapão o que áe»r«ik 
<recs»a e$\úim dissen^os ap^a^. 3^ ao Alm'. preea^ 
deâ.lc« (raAScneveremos oq^ a tal respeiio acaJ^a- 
mos de hr ena um beUo íolhetíoi de £ageoe Gttiiiot^ 

« O maU bello doa looiutBieBtos do Miiuiob é a 
o^Mua da Baviera,, que 3e eleva. orgulboM e oo-r 
loasa4> encostada ao sealeão,. cemi a mh» d»rQiia 
nos páobos da espada, e apresenlaiaido ooift a oh-, 
Ira a If unich uma viçosa corda de louro.. £* beUo« 
é grande, é magnifico. Fica-lbo por. uaiuflaape-^ 
qjOioniU igreja, que di ares d'um bonoo em que a 
eatatua se vavseiiiar; vasta poirém de perto é oulra 
oottsa. Sobe-isa peto iatei^ior do grandioso monu- 
mento;, sete peaaoAS se |M»d4in seatar muito á v^^ 
lade^d^nUo daroabe^. » 

£' impo8«>v0l.'qiije ibe não ddem v^ilia aoiAiPlol 

8BBFEVBBSW0 (^í^Wo). 

«MpaiA^laaa «rabe. — CoQvldadQS 0^ cbefes-de 
tribn» árabes que em 18^ vieran» a Paris; p^ra um 
sttiqp^uosQ baile dado n^ Tuthéiaspoi' Luia FíIh^- 
pe» Botour^ q.u.e um d-ellesse pozera, trisie e mtr 
lanebolicp, au,m doseaiitos da Sala dQS M^rt' 
eha^, de todas amais betía: perguntadp pof que 4ão 
wvaaottdó e. pensativo, se mostrava, reafieÁdeu; 
« Poir ter doi&s olbos só para admifai: tudo islol . . » 

Fana é. que nâo fosse ao me&osrCyclopi^. 

£ se o transformassem emA^g.o^, queipeítíiival . .« 
ÍS9 



4 ]>£ FENEMIRO [domingo). 

nn^ã BabyionM. -^Eetende-se a cidade de Lon- 
dres por um espaço de 7K,092 geiras de terreno, e 
eomprehende cento e vinte e doas milbas qu^dra^ 
das.AsuapopulaçâO^queailgmeBtadediaparâdia^ 
elevava^e pelo aitimo recenseamento a2:36Í,236 
habitantes, mais de dois terços da de Portugal in- 
teiro. Se se lhe fizesse um muro à roda^ com uma 
porta para cada um dos quatros pontos cardeaes, 
e se fosse preciso que todos aquelles beefes sabis- 
sem d'ãlli ao mesmo tempo por essas quatro portas, 
eaouatrode frente, serião necessariasvintee qua- 
tro horas para que a cidade ficasse despejada, eno 
fim d*oUas estaria a frente decadacolumnaa mais 
de 65 milhas da porta respectiva, fla 15 annos só 
c^ontava Londres 1:274,0(^6 habitantes. Tem hoje 
15 milhas inglezas de comprimento el8 de largu- 
ra, 14,069 ruas, 280,000 casas, 34 mercados, 75 pra- 
ças, e uma infinidade de igrejas, capellas,escholas^ 
Iheatros, etc. {A . 51 ,7 de Outubro, A . 53. p. 233. 350} 

Mane«. _ Tanto por tcmor como respeito, pres- 
lavão culto os antigos aos manes ou almas dos mor^ 
tos. Em A thenas e Roma tinhão mezes espeeiaes, em 

3ue lugubremente se cantava ém honra e memoria 
'elles. Afim de que não fossem contràhidos os ca^ 
samentos sob maus auspícios, erão estes prohibidos 
no segundo mez do anno, por lhes ser consagrado. 
Ouvindo um nosso portuguez recitar tima ode 
aos manes de Gomes Freire, exclamou : « Pois Go- 
mes Freire tinha manosi... 

140 



$ DE FEVEREIRO '{Segunda feira). 

Sígitot Ao %oéiuco 

Aquário, peixe, carneiro (1), 
Toiro, gémeos, caranguejo [f) 
Tem o semestre primeiro. 
Desanda o sol viageíro, 
Faz Sâo João seu lestejo. 

Mas lá vem leão, Aslréa [3], 
A balança, (i) scorpião, 
Fréxeiró, (5) cabra (6) Amallhéa. 
Recua, solar clarão, 
Que outro sol (7) nasce em Judéa ! 

A série dos signos do zodíaco acha-se nos dous 
versos latinos: 

Sunt Aries, Taurus, Gemini, Câncer^ Lte, Virgo^ 
Libraque, Seorpio^ Ardíenetis^ Caper, Amphora^Piseis. 

(1) Aries (í) Câncer (3) Virgo (4) Libra (5) Sagi- 
tário (6) Capricórnio (7) Jesu Gbristo. 




m 






^y iite o r(iialgaii|I|pv 
Tào dado e tão ffaoco ? 
Veneras a opeitp^ 
Sombreinnho branco? 



Por €i9tedeMdii 
Q« t/finia mil cdres. 
Q9«»C|b««ra 9 dótts cheiros, 
:A:ro4a%<ano«fk. 



Como andou co^ai n^oças . Quem mAák Uts prendas, 
A rir, e a dançar^ K, nits^ riíoa asgim. 

No dia da festa ' jBem montra quct morre 

No nofso logar! D^anioret por mim. 



VUtel'o Theresa ? 
T^mbraA-t&, Lu«ifi? 
deparaste, Rosa? 
DMteré,ífarÁa? 

. PoUisibe^«^todat>, 
Qne aquelie alfevuia 
Se perde e se mata 
P'amores por mim. 

A' missa <kt*re.sU' 
Primeiro oosviíftov;'.. 
Ao boijar-se o»padr«ri 
Olhott-me... esttfrimo^^ 

A' porta dà igrejft, 
N^aquelle a|)ertão^ 
O lenço que eu^ tinha, 
Troeott'-mo na mão 



{' Nas danl^s^ do adro 
Qile apoftiif 4«| dedv^ i . . • 
Noa jo jos de j^Sfii^lt^ 
^Q oe. ti n4o^ «egredo»-! 
I 

t Sfkbeir,oias>Cf4t]!d»I-.. 
Sabei qii«émar((^e<'l 
■K então que promesias, 
|Qw«-At rasgo me fei ! 

I Vousfier'niÍA^uetinha ; 
|\^«^t«r traqijtjttfoa; 
DtatiÇar^amos^^loiikos 
A craeoriatia. 

Trajar oftroe rendas, 
yelud(> e s^titf : 
Bar*mi»-lia<||MLlitoea queira, 
IPoís mx^rre por mim. 

144 



Olhai o MU cficbe I .. |Ai d^r ! fÍBdA*a i^sla ! 
hi chega... que lindo 1 ... |Marqueza mofina ! 
Lá passa 1 . . .que monstro 1. . .^Tornemos á ceiíai 
Com outra vai riado. Que toca a busina. 



Co'os os mais cegadores 
Ohrespim lá vemjsi... 



Pois hei-de ¥ÍBgar-me : 
Onde está Cbrespi m ? 

Eíte sim, ^ue estala [Não lhe conteis isto, 

])'amores p^ mim. iQiteeiíéoudecerà. 

Antónia Feiieiana de CoèiUh^» 

7 J>E F£Y£R£iaO {Quarta feira). 

ruerof . — E' O nome por i|4ie sedesiffDâo na He§-, 
panhapsdíreitQseprjiviiegiasparUcaiareftclaspr^' 
vincias dé Biscaya, Guipuscoa, e Alava. Datão da 
invasãodosmoaros/eoaoa mèÍj»;São do queas con< 
ilições primitivameftie feitas, o^ pacto ctxicluido, 
eoDi os chefes livremente eieitos pelos habitantes 
da Cantábria e dias Astúrias. NefttMni Rei d^Hes- 
panha ousou jámaisviolaros abertamente, epor is- 
so sâ conservais» em quasi toda a sua integridad e 
atónâo ha anilo tetnpo; nas em consequência dô« 
recentesaconlecimenlos poiiticos, fez-seuma tran- 
saeçio efiN.âia68ttnrp toentreopodet-cenlra I tie Ma • 
dria e «s provúicias privilegiada». 

« DE FEVEllEffiO [Quinta fieira). 

oeatea Kinados . — Confesson SSo ^eroof MO fU« 
nandtniliiMc jdoiis deales para àiolhor pronunciar 
o hebreu. Eile qua foi santo bSo dtmmantic .. i 
1« 



9 OT FEVEMIRO [S^xta feifê). 

Fanatitmo politico. — ÂHidahoje 8C vèèm, com 
uma espécie de veneração. Da cidade de Barcello- 
na, em Hespanba, os restos d'um antigo palácio 
qne de anno para anno ha caliido em rainas, e per- 
tenceu á antiga família dos Condes de Pinos. Asse- 
gurasse alli que havendo um de seus ascendentes 
abraçado a causa do Ârchiduque contra Filippe V . , 
recommendara^ no acto de morrer, a seus herdei- 
ros^ que não restaurassem nunca o referido pala • 
eio, que fora mui damnificado durante o sitio da 
«idade pelo Duque de Berwick, « afim de que levas- 
sem á posteridade essas ruinas a lembrança de 
S^a dedicação ao Soberano a quem servira'. » 




• Biogiò do la Fontaíoe. — Dizia FontiBínelie que 
La Fontaineera tãotolo^ qa»nem sabia quo yaiia 
mai^ que PhedrQ ç Esopo. 



10 Í>E FEVEREIRO(5«í^orfoí. 

EiHbaSxador imberbe. — MandffnãoiFÍHppe II O 

seu joven Condeslavel felicitar o Papa Siicío V, es- 
te; ao ver que o Rei deHespanhalhemandaydfyor 
embaixador um homem tão moco, lhe perguntou, 
indignado, se ò seu Rei nâo tiàha lá senão gente im- 
berbe para uma embaixada ao Summò Pontífice, 
ao gúe o hespanhol lhe torna com' allivez : « Se- 
nhor! seEl-Reimeu amo fizèisííé consistir ptn^rilo 
nas barbas, teria enviado áV. Santidade um bode ! » 




o prazer da caça. — Gonslsle, na OpiniâO dd UIB 

critico, em correr atraz de quemfog^, eeiperar 

por quem nlo prometteu vir. 

145 10' 



11 DE FEVEREIRO {Domingoi), 

MonunlMs lunarei. — Do /ornal MiUrafi^^ em 
Londres publicado, transcrevemos o resaitado de 
recentes observações feitas com telescópios de 
grande augmento. 

. Ha duas espécies de HK>ntanbas lunares. Com- 
põe-se a 1.* de montanhas destacadas^ distinetas,e 
curiosas por extremo. O que particularmente as 
distingue, é o eievarem-se suoitamente do moio 
d^uBia planície, em vez de se acharem presas a ou- 
tras,como ordinariamente acontece no nosso plane- 
ta. Uma d'ellas, a que se deu o nome de : l^ico^ tem 
9,000 pés d'altura, e a forma d'am pão d'assucar. 
São muito vulgares na lua as montanhas d'esta na- 
tureza, tanto mais iiotaveis,quanto é perfeitamen- 
te plana a superfioie sobre que perpendicularmen- 
te se .elevão: custa a conceber que nenhuma im- 
{)ressão produzisse no solo adjacente a causa que 
hes deu origem. A 2.*especie de elevações lunares 
compôe-se ae cordilheiras iateiramentesemeihaB* 
tes às nossas. Ha, entre estas, duas princlpaesque 
parece não haverem {offaado a principio senão 
uma;dístínguem-se perfeitamente, edeu-se-lhes o 
nome de: k'pipi^nvaoi» Podem eomparar-se os Ã^pe- 
ntnos lunares com a nossa mais alta cordilheira ; 
tem 18,000 pés deelevação.Ha outra cordilheira na 
lua cujas montanhas são ainda mais altas, pois se 
elevão 25,000 pés acima da base (A .31, 8 de mio). 

A^ediioio d^GTorA. — Foi obra dos commiQS^ e 

tem por nome : Aqueducto de Sertoiio. 

m 



n DE FEVEREIRO {Sègmda feira). 

Mftdot Aé bfttér á fittPt» nalis^kiterr*. — A maior 

parle das casas na lagiatoita fifio habitadas por 
uma só íamiiia, téem seminne fechada a porta da 
rua, e na porta mu marteno* Ha alli uma espécie 
de pragmática, qaautie ao mimero de marteilaáas. 

Uma só annuncia o bómera do ieite, um criado 
da casa, ou um pobre, e equivale a —Desejaria 
entrar. 

Duas indicão o carteiro, o« pessoa com mensa- 
gem qualquer: dao a conhecer que vem com pres-i 
sa, e que se tracta de negocio: correspondem a — 
Preciso entrar. 

Três denotao o denoda casa, ou pessoa que or- 
dinariamente a frequenta: signifecão -* Abri. 

Quatro manifestâo pessoa quasi nobre que che- 
ga de carruagem, e dizem -^(luero entrar. 

Quatro, duas vezes repetidas, anttuncião pessoa 
de elevada jerarchia, e querem diaer — Abri de- 
pressa, pois bastante vos l^onro vindo aqui. 

Quinze ou vinte, repetidas etepéÍMcadas, dizem 
que vem bêbado para casa o meu amigo inglez. 

13 DE FEVEREIRO { Terça feira). 

Ataot afmoaiM. -^ Em certa região da Africa, 
quando uma raparisa está para casar, enche uma 
cabaça d'agua, ajoelha na presença do seu aman- 
te, péde-lbeque iaveaàmãos,ebeb'e depois aagua, 
o que lá é reputado como a maior prova d^amor... 
e cá de porcaria. 
147 * 



14 DE FEVEREIRO {Quarta feira). 

Bambuohftt». — ^ Coinmummeilte, e na boca úq 
vulgo, signifiòa este termo a mesmo que: patuâca- 
da, ou funçanala de grande desenvoltura. Entre .os 
pintores porém tem uma accepçàa especial, e si- 
gnifica um desenho de fantasia extravagante e bur- 
lesca. Diz-se que este titulo de: bambuchata, pro- 
viera de um pintor flamengo do século XVIJ, o 
qual n'este gosto compu- 
nha os seus painéis ; cna- 
mava-se esle em realidade 
Pedro Laer^ mas os italia- 
nos, por apodo â sua esta- 
tura apoucada e feijão de 
EsopO) Ihepozeram a alcu- 
nha de: ^am&omo ou^am- 
boche, que em sua lingua é 
como diminutivo de bambo 
(menino), e se applica aos 
titires ou bonecos de ara- 
mes, a que nós outros, com 
us castelhanos, chamamos : Juans de las vinhas. 
O nosso famigerado pintor Sequeira, fallecido 
em Roma poucos annos ha, era insigne no impro- 
visar bambuchatas sobre assumpto dado. Lança- 
Yão-se n'um quarto de papel vários pontos com o 
bico de uma penna,e disparatadamente selhedizia 
o que havia de fazer de cadautn d^aquellespontos; 
este hade ser olho, aquelle bico do pé, aquelle na- 
riz, d({uelle ponta de espada, etG.;peg;avado lápis, 
e improvisava o que se lhe pedia. 




15 DE FEYfiAfilBO [Quinta feira). 

FLOB Dq céu. . 

AKa ro9ft> flor do «ths, iFlôj; do cén, és tfto ephemeral 

Eu chaano a hora formosa Maldassombrasvensbrotanáo, 
Que eia nossa littsnamiiBosa^Já na laz.vais desfolhando^ 
Tem' nomtáef maêrugada.' ÍF16r do céu^ éa um^mysterio. 

Quando o dia vem 'raiando,Xiinda flor, qual é teu fracto? 
Quando anoute vai morrendo, O sonho da elernidade, 
Flôr da luz, tu yens. nascendo Que, nas horas da saudade, 
Tâo mimosa e transparente ! .Ensinas a quem le vé. 

D^entresombruyenarasgando Cada Tez que no céu abres, 
Dttbia, luz Ifto graciosa, iFlorinha éa madrugada. 

Como snrge a fldr ▼içosa, {Minha alma, tftof consolada, 
Que do cálix vemioBif>e!ado»TaQ ditosa, te contempla t 

Quaesfrescosestamesàeouro, Meu pensamento á ti vôa, 
A estrella d' alva isolada, Pousa em ti a minha áòr, 
Quasi quasi desmaiada, '.Qual se abriga o beja-fldr 
Inda falge no horisonte. ' Em corolla de assucena. 

Alvas pétalas do dia fExpllca*me, '6'coraçfto, 

£n» roda lhe vfto tahindo, ^Esta tua syMpftthiat 
Linda hora vai-se abrindo JAo-bardo que assim dlzía^ 
(tel corou. d. «« J^nlm O coraçto «.po«<íe« : 

D^ trevas e luz se forma — cA florinha que eu amava 
Tua côr tão delicada ; jcá na terra se murchou; 

Muita treva, eis- te apagada ; Lá no céi^ d.esabrocbou, 
Luz de mais te muda o ser. Co'ò nome dé madrugada, » 

Flameiígo (Bnidl) 

15 de Fevereiro de 18S4. Ja$i MwrU êo Amaral. 
149 



16 D£ FfiVERBIRO (Séííià féit^à). 

Arros denuneíante. — Recorre-se na índia, para 
conhece os éiul{)ed<^, á um meio 9ÍD|fú1aPt qoe 
ftlH se jttlga provar à influeiicia úo nwiáo oa «e^ 
cretsio «ia saltva. Quanldo é oòmmettkio um de^ 
Itcto em algàipa gr*ivde ofiicâNL o^matfulJKliira, 
reunem-se na mesma sala todos os saspeitos, faz- 
se-lhes mastigarr por atgimg instantes aiiia peque- 
na porçlío de. arroz, e ordena-se-lhes depois qae o 
deitem' fóra. l^ode haver certeza de que o culpado 
o deitará inteiramente sêcco. 

0€|ae resta saber é«e ayer^oailM/deéeverin- 
jasUmente acctisado, o resentimentti tjne d^ahi po» 
de resultar contra o accasado^« tndoie e 4) gente do 
individao, não produzirão fúvez iguai resiritado. 

£* melhor comer o arroz do que esperdipro as- 
sim. 

17 DE FEVEREIRO XSabbado). 

B«bílía»cle p«r tmwkfnréê . — Ba VHido €m HUM ékf$ 

mãos «m nwmuro par dèteniPêj e na oktra tm nth 
mêr^ impar, aáieinhar em qUê mão '»Há o par t o 
impar. '-^ Hnltif^que-ee onum0ro da mãòtlirelta 
por um numero par, e o da esquerda por um impar. 
Ajunlem-seoscfousproductos. Se o tolàlé impar, 
o numero par está na mâo direita e o impar na es- 

ãuerda. E vice versa. — Assignando a ama moc- 
inha de prata um valor par, e a outra de cofore 
um valor impar, pelo mesmo modo se adivinhará 
qual a mão em que está. «ma e éutra. ' 

isa 



18 DE FEVEREIRO (Domingo gordç). 

B«sie. — Baites simnles sSon^este mnrtdo de an- 
tiguidâdeimmemoriai. A Sócrates louvaram os ou* 
trosphilosophosgregos por haver dançadonos bai- 
les festivos de Atheoas. A Platão censurou-se o não 
ter dançado n'um baile do Rei de Syracusa. De Ga- 
tão se refere que não houve remeaio senão apren- 
dera dançar na idade de 59 annos. Muitos sacerdo- 
tes na religião pa^ã dançavão nos templos e peias 
mas. Em França jà nos primeiros séculos da mo- 
narchia se fazia dos bailes grande apreço. LaÍE XIY 
dava-os samptaosissiroos. Actualmente, todas as * 
cône»<!fôo bailes ; d3<Mios todos os embaixadores ; 
dão-nos todos os ricos e meio ricos. Dança-se no» 
pafaeios ; por pousadas dos mechanicos'; nos ap* ' 
raiaes de romaria ; nas aldeias e casaes ; nas eiras 
6 nos adros das igrejas rústicas. Dança-se para be- 
neficio nas calamidades que assolão uma provín- 
cia ; dança-se por santa caridade em fiivor út uma 
família indigente ; dançr-se para os asylos dalnfán- 
cia ; da&ça^^e nas casas depois de passarem as pro- 
cissões; dança- se nos noivados; nos baptisaaos; 
nos anní versãrios natalícios; nos desp9cho9;ha bai- 
les mascarados ; bailes sem ceremonia ; baU^saris- 
tocraticos ; bailes plebeus ; bailes onde se não con- 
fessa que se foi ; bailes do creanças ; bailes de crea- 
dos ; bailes de todas as castas, para todos osfíns^ e 
de todos os -modod imagináveis. Qne prova isto? 

Sue a natureza mesma ensina que o movimento da 
anca tem, a par do sen valer artístico, pm tanto 
de proY^toso para a socialHlldade e boabarmokúa. 



19 DE FEVEREIRO [Segunda feira). 

o criado infiel. — Ârranjou um sc^eilo na^ua 
adega 32 garrafas de vinho, pelO: seguinte modQ: 



1 


7 


1 


7 




1 


1 


7 


1 



e .como desconfiasse do criado, noU>u-lhe que 9 
sQminadas garrafas dava 9 de todos os quatro lados. 
Este, que era mais esperto do que o amo, em treíj 
visitas que fez à adega, furtou-)be deoada vez «pa- 
iro garrafas, dispondo as restante» pelo seguuUe 
modo, que satisfazia sempreaoqueumcamenlelhe 
havia notado o amo, isto é, que por lado «e con- 
tavam sempre 9 : 



2 6 2 
5 5 
« B 2 




3 3 3 
3 3 
3 3 3 




4 1 4 
1 1 
4 14 



Aqui Ihp bi- 
fou 4. ' 



Aqui lhe bi • Aqui lhe bi- 
fou mais 4, fau outras 4. 



Charada. 

A primeira.Hereules pousa* 
Da segunda se apodera, 
E o meu todo, loal ou hera^ 
Fam<^ 4 que en4lio fizera. 



2 

2 



152 



SO DE F£ VEBEIKO ( Terça feira de entrudo). 

tnaUuãa, ^ Gftitiffvai lhe chamSo as outras lio- 
giias^ e a oosea também ás vezes. O Dome de entra* 
do, segundo Biuteau, é corrupto de: intróito, por* 
gue a entrudo é como intróito da quaresma. Por 
isso, acrescenta o mesmo author, dizião os nossos 
veUios em latim macarronico: Sanctus intraitus 
tempus mebrare paneilas, «Querem outros qrue 
o entruao seja quasi o mesmo que intruso, « pelos 
muitos abusos que no tempo do entrudo se intro^ 
(Kuiram t> Uma etymologia mais verosímil é a que 
aponta o mesmo Blt|leau^ dizendo que «çm Sála*^ 
manca ofaamàoiaoentrudo: Antruefo, e nas aldéafi 
eircumvisinhas: Antruido; d'onde']>arecese deri* 
vá D nosso entrudo, quenás províncias do norte se 
chama: entruido. - - . 

Estas festanças,populares e generalissimas,têem 
as suasraizes* em gentilidadès das mais remotas 
eras, e por isso mesmo queerão de comes e bebes, 
sobit^iadarain incdlutnes nas destruidoras vagas 

dostempos até 
aós,elâMode 
ir ainda prova- 
velmente por 
essas idad^a 
fora. Entre os 
romanos, gre- 
go», e e^pcios, achamos já o entrudo. Vôr as oa- 
e&anaes, as lupercaas, as saiurnaes, as fioraes^ a^ 
festas do boi Apis, ele. 

Os dias do entrudo são propriamente os três que 
1S3 




precedem á (}uacto feira âe câiEdd; itfas já muito 
BDtes, desde a Senhora das Candeias, jprincipião 
etnl Portugal aiípul&as càriíavaMoaSi O carnaTal 
de Roma e o de Yeueza, que^ão talvez osínaisdi-- 
vertidos de lodo o muntk), começdo uiezes antes 
da quaresma;' em França^ deade dia de Reis já se 
GOfita carnaval. Entre nós erio estes passatemf^ 
ainda ha poucos adnos quasi silvestires e ferozes ; 
semelfaav&o Imtaih^ de que n&o era^aro ficarem 
ieddos emorttys. iloje estio mais civilisados, ain« 
da qiie n&õ de todo, consistindo priBoipalmenle 
em mascaradas, danças i»eias ruas, e comes e b^ 
bes â tripa forra. aHa muito quem nie queira acre^ 
dtttfr nos jejuns do tempo santo, dizia um préga*^ 
dor y eiho,mas nos bródios do entrudo todos créen 
de pedraecaLi) fA. M, 4 demarco, Á.Hp. 15$; 
238,4.53p. 70. 109.) 

91 D£ FEVEREIRO (Quartu feira). 

«aa* ^pmi •«!»• do tea. .^^Àdmirattdo^se os amt- 

Êos d'aqu6ile venerável e virtuosa romano, Paulo 
milio (^. m. p. n%.h d^èllélraver repudiado a 
mulher^ matrona ilhistré,f0rin«sai eexe&Spkrno 
seu virer^ fbi eile btfftftr uqs áapatds ^e iitihá no- 
tfym^^ v^ <iè boiâ eabâlat^ e itãl âif^n- 
■1^^^ ciã ifuí iftm féitòfi, € poim^il^fk 
^■^^■■ik diante, lhes perguntou: «C^««rfe/«i- 
to àohaís H'eète palf»d^? » -^ nenhum -^ i> respon^ 
deram fiúeBir> Èêt<m por is$o^* lhes tornou Paulo 
Emílio, mas eu que o experimenPèi,.eá eèvúnieme 

m 



íi m ilVniEIBO iQuim feira), 

V PATBIA. 

Eiro 1 o Reiyre baiísel ! -r Do perto amigo 
Ovante sahe altivo e melhorado: 
Na procella feroz raleu-lheo abrigo 
GoAlpa as iras do pélago irritado. 

Do naafraffioeseapoa! No dorso ingente 
Omansinl^oTeão, sargiqdQ iroso, 
Bem o fes vacitlar, e oem patente 
Seufim.mostroQ no abysmo temeroso. 

Foi feliz. Re&tstio. Lamenta apenas 
Algum perdido, incaato marinheiro, 
Algumas vela^ rotas, e as antennas 
Partidas pejo vento traiçoeiro. 

EiPo! o a0bre baixéU ^ As leves atas 
Cândidas solta ao sopro favorável : 
Of goUioM ettttlfirbã ; as onda^ rafas 
Corta Bfaino, cora garbo inimitável. 

S«tf8 psIidos^eanMes à iei<ra enviSo , 
* AdeuB atroit^ot. Ná áesf^edida 
Corlei^es, lem e^mar, assifi [^orfisó, . 
Côtto quem toáie aã jpenas da partida. . 

Tremula á pi6pa a nacional bandeira; 
Cercada de emblemáticos trophéu»; 
MU flitmmiiláa gentia a brisa arteira 
Sacode nos airosos mastarétts. 
155 



Com frémito fionora as vagas muiKsisi 
Humildes vHo beijar-lhe alva cintura. 
O cordame simula negras tran^s; 
Facha ardente avroa proa ao-aol figura. 

• i 

Vai, ó nobre balirei, corre e^es mares, . 
Livre, e ousado, ecqm Deusl Deus te.bemfadel 
Oh ! nunca, meu baixel, nunca depares 
No alto mar co^ofuirorda tempei^del ; 

¥ai, ó nobre baixel, foge aos escolhos! 
Desconfia de um pego cristaUino I 
Veiem por elle, eterno Deus, teus olhos l 
Incólume o conduz ao seu destino 1 

♦»« 
{Brasileiro,) 

23 DE FEVEREIRO (S^âMa fpira). 

Receita par» Qallot.-r.Uffia, èastaolC OXfieiÍQMB- 

tada, eílicaz, e fácil, éum pouco de adh0«vo, <|tte 

se vende em qualquer botica. Embrandece-seaoar 
do lume epõersosobreocaUo: ando- 
res cessão quasí^esde logo, e ap cabo 
dç dias, piouoos ou muUos, o caik) de- 
sappareceu. Em quanM^se traz oadhe- 
sivo, podem-se lavar os pés; se aconte- 
cer que elle então cai», bom r«medio, 

ponha-se outro. 
£ quem se der bem com a receita, fique com 

ac{/^««ão a quem lh'a enmon* . 

156 




Si DE FEVMEOIO {Sabbadõ). 

mornsL de jog«dor.-^A Um jogwlor «cenrimo poz o 
cdotosor por peniteiida qa» -passasse essa noite 
fechado em oasáa niediUr em algum passo da pai- 
xão, e voltasse no dia se^ote para levar a absol- 
vicio, se a merecesse, eirenlão commungar. Vol- 
tou o pe&itente^ como se lhe ordenara. — «Gum- 
prk) a penitencia qoe:iheimpaz?»'^(iSim, Padre» 
— íMeaitoo? —«Sim, Padre* —«Com a devida at- 
tenção* com verdadeiro ferver?» — «Sim, sim, Pa- 
dre, sem me distrabir um umco instante, nem dor- 
mir um minuto em toda^ noite. ^ — «Eemqoeme- 
ditou?» — N'aqueUe. joguinho dessoldados a ver 
qual havia de a)>anhar a túnica do Salvador! là é 
que eu me quería> Que para aquiilo dos dados le^ 
nho uma mãosinha !.. 

2» DE FEVEREIRO {Domingo). 

7t«'ro<{>Qr qttooi«Ate. -^ Quol é O numefú guê divi- 
dida êm duas partes iguaeê^ dáBttemilagre?'-Í 8, 
ou 88, ^«888, eto.», pois se lhe passardes um ris- 
co bem peio meio, nearázeco aambos os lados. 

•u<» Par. — Dieputava-se »'«ma reunião se o ca- 
valheiro fulano tinha ou nào sahido par na ultima 
fornada. Um par antigo, conhecido pelos seus 
bons ditos, entrou neste momento. « Aqui está 
qaem nos pode tirar das duvidas, exclamou um: 
-^Fulano e par, senhor icoade?» — « E' ; respon- 
deu o fidalgo, quando anda a eayallo. » 
157 



26 DE FEYEKCliO IS^fWda feira). 

amigo 49 «r • kvi.— O CNNçpe principal d*ima 
planta, o eixo q«e se eleva actnia da soperficíe 4o 
soio hascaodo o ar e a luz. e d'oBde parlem iodos 
os ostros órgãos do vegetal, denomioa-se: eoMle. 

UmasimplesexpeneBciabastapara provar que o 
caule procura sempre a lus eoar. Se semearmos a 
semente d'uma planta trepadora, áe^leçra eampo^ 
por exemplo, n'um vaso que esteja dentro d'Qma 
casa onde entre ar e lua só por uma janella, e se 
eoUocarmos entre a planta e a janella uma táboa 
vertical, com largura bastante para interceptar a 
luz, e que lenha, a seis poUegaaas d'aUura aeima 
do vaso, um buraco d'uma poUegada de diâmetro, 
observaremos o seguinte. Logo que a semente ger« 
minar, e a planta começar a crescer, o caule ir-se^ 
ba aproximando da taboa e encostando-se a ella ; 
e loj^o que chegar ao buraco, eafiar-se-ha por elie, 
e ira assim receber os raios de luz e o arque entra 
pela janella. Se se fizer outro buraco na taboa, e 
voltarmos todo o systema, de modo que O extremo 
do caule fique outra vez na sombra, passar-se-ha 
outra vez o mesmo phenomeno ; o eaule ereseerá, 
aproximar-se-ha do segundo buraco, esahirá por 
elie, indo de novo buscar o ar ea hus (/. d:jL.Cwrvo), 

n DE FEVEREIRO {Terça feira]. 

nottt mil «evtidof. ^ Lé-se em um Bmnuscripto 
do Wuseo Britânico, q«e Isabel dlaglalerra tiaha 
mais de 3,000 vestidos na sua guarda roupa, 

158 



S8 DE FEVEREIRO {Quarta f^ifú). - 

veiiii»ortis.—^S9o quatro lèjuns de preceito na 
Igreja, nasquatroesla^saoafifio, em treâ dias de 
uttia semana, quarta feira, sexta, esabbado. Foram 
estes jejans institoidos, nio só para consagrar a 
Deus as quatro partes do anno, ou para alcançar 
da divina bondade a perfeits madureza dos fructos 
da terra, mas também pm implorar a graça do £s- 

Inrito Santo na ordenado dos otor^^es deEvánge- 
ho e de Bfissa, c[ue noi sabtuados (£» mesmas Têm- 
poras se conferia. As 1/' temperas sHo depois da 
1/ dominga de Quaresma: as 2.** depois dá festa 
do Espirito Santo: as 3.'' depois do dia da Exalta- 
do da Cruz ; as ultimas depois do dia de Santa Lu- 
zia. 

SaaUí iMbél de Alpedrinha^ Ba atinOS na vilkl 

de Alpedrinha, tendo o finado António Paes de 
AflMral, Thesoureiro da Goilegiada instituída por 
Pr. M«urleio,yigariod'aquelta mesma villa, idoak) 
templo da Misericórdia, ajoelha, faz a sua oração, 
e olhando para um dos altares onde está a fíai- 
nhc Santa Isabel vestidia debalHto, yô-aâctenar- 
Ibecomo quem chama, 1 .^, ã««, e 3/ vez; dirige- 
áfe t ella, pega-lhe na mão, e sabe de dentro um ra- 
to: era elle que movia os braços de engonços da 
Rainha Santa. 

BiBaUmi npnvideritnt 0t crediãerunt (A; 52. 
p. 40. 78, 1§5, Í8I. A. 53. p. 213. 312). 

Bemposta 28 de Fevereiro de 1854. 

Ja&9 Nunêi^ de Brilo% 
169 



1.* DE MARÇO iQuifita feira). 

uiper«M>. — N'e$lè dia oeleliravâo os romanos 
as Lupercaefl, fesla em honra dePan, trazida da Ar- 
cádia á Ilalia {K)!' Evandro, séculos antes deiun- 
dada fiooia. Duraram asLupereaes atéquasi aafim 
do século quinto da era enrista : bavia três c»m- 
'•'I "V\ munidades de Lu- 
percos, queerãoos 
maQcebos sacerdo- 
tes d'esie ciilÍo.l»ío 
dia da solemnída- 
de, depois deim- 
maiarenicabraisem 
bonjra do:SeàDeus 
I galimdo, sahião os 
reverendos maga- 
nões, nus em pello, para orneio da rila» sarapinta- 
dos com o sangue das victimas, ás gargalhadas, e 
de chicote em punho ião tosando em ar de giaÂho- 
ia tudo quanlo encontravão. AqueHassurrafif4áti- 
nhãô, no crer do povo, suas virtudes expiatórias, 
ràsão porque s&lhes nao esquiva vão:: amulheres 
até procura v^o apanhar boa dose, porque Hahio 

Í»ara si, que assioi, por mercê do deus caprípede, 
icariâo mais bem ladadas para mãisi f ol o Papa 
tielasio quem abolio aqueUa sijiveistfe brincadeira. 

Desoabeçaao.— ]Segando*de> um sujeito a um 
amigo que da rua o vira á janelia, dis^c^ este ao 
criado : adigioí-lhe da minka parte que para a ou- 
tra V0Z, eiHsahindo, não deixe a cabeça em ca^a.» 

1«0 




2 DE MARÇO {Sém f^ira). 



. i e osseu94ropbéiis. *— Sabído é que Pom- 
peu, vencedor nasHespanhas, cobrio osPvrenéus 
deiiMmumemos da sua gloria. A^inscripçDe^d^es- 
IaSÍ??^?^'**^*^^^^"*® ^^"'o so assenhoreara de 
Striflolf^P^^^^^^^^^^^^^^s^^ordiversasauthori- 
d^descolijgidas naobainliluiaíla 'Jíarms Hispn;^ 
^ nica, seaveri- 

gwa que^sses 
trophéus ha- 
viào sido ere* 
çlos no terri-' 
tório de Jun- 
^quera. De al^ 
guns se aeba^ 
ram vestígios 
junlo do PofJ^ 

ft-^^a^BSfiíOíK^^wjmftíum ^^^' abaixo do 

^'-^^gBHpP* -moderno cas^ 

■*^^p ' ^ ^ tello de Beik 

. ""^"—^ Garde, assim 

«orno noA valles d'Andorra e de Aitavaca ; a maioi? 
parle se reduzem a unsargolôes deferro com seus 
ueji»fes de diâmetro, chumbados em rocha, nos 
quaesseconjectura estarião enfiadas as hastas dos 
trophéus; u^ootras partes são fragmentos do co- 
lumoas, e até de arcos de4riun:pho. 

Oã trophéus tragou^s oiesatío^ mas do tempo 
tntHBpfaou o nome do Jberóe, um dos maiores da 
antiguidade. 

(A. 51^ 17 de Fmreiro, A. 54 p. 248). 
161 11 




3 DE MARÇO iSatí>ado). 

o SUSÍPIRO. 



Mimosa flor, qne iftittaiidd 
Di escura tristeza a côr, 
Mado retrato pareces 
Do meu mallogrado amor ! 



UtéHi quem*, étfMcniii^Iftiido 
O tetr modesto orttameoíto, 
Nlo lé em cada Volbinlii 
Eipressdes d^ senlimelito! 



9s sttsplros qae eu ezhalo, Obl Queinr • gelado inverno 
ModestaflDr,Aiomeadmirão;Teui tenros botSès poupar, 



Tensittiples nome me adverte 
Qae aié fts flores sospirfto. 

Sem tér a pomps do cravo, 
NciÉi dá rosa a formosura, 
Tu désp€frtas na minha afma 
MU idéas de ternura. 

09»teu9 singelos encailtos 
SSo de maior attracçào; 
O cravo. s^ falia aos olhos, 
Q suspiro ao Curação. 



k à roíK^a (vttia do» Vwotos 
fim teu ht&t aHHaadar. 

perém nà huM fiiímosa 
Te èòrl^r Mio inl^M^nte, 
Nlo c<(yn«ifliàa te desfrtete 
Qii6ilt»his«ii«teÍo8 n&osente 

Pro<ittfa d Hiéée Mareia ; 
Busca Bét dtlngrau aecelto ; 
Sc^ja o primeiro suspiro 
Qae eila acolha «o s«a peito. 



An$mi0 Joêé MaHa QampHo» 

4 D£MARGO(2>oiiif«>9o). 

^oéttkòm è |»hliiA é'Àieaite^. ^Na portA ú6 Mos- 
teiro d'Alcobdça pozerãm os religiosos õ 0<^ÍDte 
annuncio: «Aqui se vende trigo e centeio; cevada 
e palba bSoí porcfue mal ehega para os-padres. 

162 



S 1>£ MARÇO {Secunda feira). 

oífiMMWen ^«««Iciiy e-pMiof. — A priacif^io a 
paiavra: Rei, clesigoava o maiaral de um po* 
vo: aioguem o «xeedia em dignidade. Imperador 
de$igiiava o geo^rai em ciíefe do exereilo : eia su» 
bordioado ao ReL-OsíomaBos, expulsando os Reis> 
sQbsiUuiram-Bos por eonsuies aooaaes, a final tam< 
bem substituídos pdos triumviros. Nos tempos ch* 
lamitosos era nomeado um dictador. César, assu- 
mindo a aucloridade suprema, indtuloiHse Impe- 
rador, por baver sido general do exercito romano : 
Imperadores se denominaram também os seussuc- 
cessores; mas esses Imperadores tinbão abaixo de 
si muitos Reis, e todos os vassallos e tributários de 
Roma : eatSlo o Imp^erador passou a ser mais que 
hfA. Hoje porém des^Bio as duas palavras a mes^ 
ma idéa, o ebeíe supremo de um eslado ind^epeii^ 



Dufflie er» e general que conduaia o exemí to« 
Yeoi'âa palaTra dueerey C0DdQair> guiar (1^54 
pag.nO). 

Marquez era o governador da fronteira, ou mar- 
ca»iiomequesedava àsprovinciasfrofiteirasvD^ahi 
vem lambiem a palavra: Marechal. A's^maroaB de^ 
pois cbamM- se .vmareèas .Conde era o companhei- 
ro do modareba ((^ointíM); correspondia de algum 
nKHio ao que hojeeàamamoa: camarista; com a dif* 
ferença ij^e o eamarásta o acompanha ém ctsa e o 
conde Bâ guerra. 

Visconde era o qne.substítnia o conde. BarSõo 

?ue por qualquer feito, ^e assignaiaia* 
63 



General é o que tem o mattdo geral do exerci lo ; 
Tenente General o que o snbslilue; Marechal o qae 
mandara só ná fronteira: Brig»deiiro ocomiiKmdiín- 
te de uma brigada ; Coronel.o de uma pequena to- 
Ittiana (a«futnn«la>. Caf^Hio querditer: caeléerai- 
nente. Alfèfes vem do árabe; éoqoeloYaa bandei- 
ra. Do ára]»e vem também c Aimirautev o fi^eneral do 
mar. Cbeíe é termo saxonio {ekwf). Mordomo, o 
maior em easa (major domo}, 
liío de Janeiro 5 de 

Março de IBoL 

Thomaz José Pinto Serquiira, 

6 DE MARÇO (rma feira). 

iiapb»eieos pardefte».^ ReprehendiSo^lbeuma 
occaaião. os cardeaes o tec elle carregado dema- 
siadamente de incarnado umas caras deS<'l^€^ 
dro e S. Paulo. Responde- lhes mui serio o gran- 
de j^ioU>r:Meiis«enhores, fd^ostaee equaes estão 
na Sema vent uraaça^porq ue se cn vergottkão- de: ver 
a sua Igreja tão mal representada. 

.. J^riMlâsm» Da-ln^lnterre.'.^ O impOStO dO SellO 

nosjorn&fôf em toda aiGrahBreUma, apesar de 
lião passar de 18 réiâ por perterdice, produz uma 
quantia anaoal que orça por um valor de qualor- 
ze, mil contos de réis dia nossa Aioédal Só em Lon- 
dres se deiiãosemanalmenteowcatuas dp correio 
700,000 jornaes, o que anda pormais de 36 mi- 
lhões por anno !11 qwè se n9o pode* calcular são 
os milnõcsde mentiras que ditem. 

!6i 




7 DE HARÇO(Qttan<a feira). 

Antigos. — EdificandoSoerates para si uma casi- 
nhola excessivamente pequena, e estranhando-lhe 
algQD» que hemei» iâo. grande com tal coxUolo sé 
empatasse, recendeu : a Oxalá que o^chegass* 
eu Ocencsher da amigos verdadeir<08i » 

Tiolia ra- 

sãoparaoseu 

tempo. Wes-^ 

J a parte é o 

I mundo mab 

^ afortunado. 

Hoje, qual- 
quer lagalhé, 
em tendo de 
fazer uma jornada de duas léguas, já pelos periodi^ 
cos se despede dos seusiium^ro^oa 4iimgo$y porlh^ 
não ser possível, diz elle, visitar tanta malta l 

(fim querendo «aitec a GOii^a*ex«oia dosquetepn, 
é.|»«dár dooe violens.a aada u». 

. S DE MAftÇO {QuiâM^ feixa^. 

AvUo aof janoinf..^ Ni(hsefá<máu que os jano- 
tas meditom o seu lM)cado n^um epismnma hespa- 
nhoi que aqui m Ibes traduz : < ' : ^ 
« Uma. vida dtasipada» 
. \ Sensual e^m virtude. 
Traz pobreza, mâ saúde, 
£ veint«e!aAteoifNnla.> < . . j 
Por isso ba tanto rapancom^^CMt de i^elbo.. 
115 



9 DE* MARÇO {S^xta feira). 



ALBUn* 



o Álbum é iim ioveoto 
IH perfídia e dé maldade ; 
£* p'ra mnit08«ra y«pdad« 
Um bem terrível tormei^. 

A petsoáí^wdiscceta» 
Se detce tal inven^Lo^ 
Qae p5e em tri^l«^ç|Q 
As «abe^ det poétáfi 

Ha sobre tttd<^ trei eaiK» 
Que podem áeontecer, 
Em qiie é muito de temer 
Que os poétftflí fiqnem rasos 



Fallar41ie na madrugada^ 
Oa na caimplna, ou ao prado, 
fi* motí?«r-^hé um enfade, 
^r ae Ter elU( olr|dada. 

SofUQdo^^se é diurna £|ia, 
AíiuU kamais c|ue refloçtíf : 
Qu escrever e çiei^Urt 
0a tio mal que oI^çbIq l||a. 

Mas o caso ma|# pveliiiNlo 
E' n'um Álbum de casada. 
Que Já está iniciada 
, Nos mjsterios doeste mundo. 



Prlmelro^^se 4 perleneentePorqtte,d}ief*Uieq[«e ábella, 
O livro a moça sol teim ; J8 <(ue seUie está readMH»; 
Fallar d'amor é asneira. Pode offender o marido, 
Ou ao menés fauprudente. ^Se nlo a offender a ella. 

' 0(fs albiltis renégabem; 

- S36' i3õ«sfis que n&o M entendem ) . . . 

N'elle6 loavores ioffeodem, 

E a falia d^êlle< também. 

. : ^am ÚB Sá Júnior. 

oominereio da flofte. -«^Eleva-sê annoalmeste a 
15 milhdes de fimiicoBeiii Paiis. • 

116 



10 M MARÇO ($uíhaãí>). 

vtBí áttiigo dai letras. — Morreu hg pouco na 
Boheiíiiá um cavalheiro rítftftssímcr, o qcmldçixou 
toda a sua fortuna ao authfor tl'uiQã obra em 5 vo- 
lumes, que fdra seuuttieoéatreteiiimentò nosViUi- 
mos anaes, ecfue desejou fosse enterrada com èile. 

Snia para continuar a l^ra na sepultura? tivesse 
caso èra preciso levar também comsigo ao iiiénos 
uma lamparina.Talveínãogoste dedormircom luz. 

ve>^ad6 jofitaitAtioa..^ aUe melem Sê èii me èn-^ 
tendo com estes nòssosjornaes; leio-os todoS e fi- 
co setaQpre a nadar sem saber qíial falia verdade. v> 

«Pois, meu amigo, faça como eu ; é nilo lef mtÊb 
ttm,e aereditar sempre 6 contrario do que elíe diz. » 

11 DE MARCO (Domingp). 

tmtéi»èí^lis como falia d'eUe oinsigne Bedcbe^ 
relte Sénior, no seu diccionario oom razi» chamai 
éâ:^BiominieÉto à gloria da iingiia e lètraS frâtí-» 
cezâs: «F. Alexandre Lemare^ sábio irramoiatico; 
nasòido nu Rividre (departamento doEuTQ) et» 
17#6, 6 idleeido em Paris em 1815, IHreclor áú 
GoUegio de São Glaildié em 1789, fundou o Atii^"» 
neu da inookiade. Cultivava si»nUadeame«t>e a 
gfainmàtiòatàs scienctás.e a indastriav Qdand<> bem 
se penda ^ue tftédistiaotopliiiolDgO' não- entr-oit 
nu Aendèmla, deplorara forçosamenleo cdgotiea'» 
80 qob parece pre^dir à esooliia doa membros* d^ 
tal corporação. QueserrtgosBâ&toaveraelU fei* 




lo ao Diccionario 1 Mas a que vem peiares fora de 
tempo? O seu curso de lingua, que gozou, e ain- 
da goza, da^ealima 
dosverdadeicossa* 
bios, nem se quer 
autborisado |oi pe- 
la Universidadel E 
mate*seuinhoimem 
pela honra da sua 
pai ria I» 

Até aqui Bes- 
chepell^: aerescen- 
temos que foi aa 
metfaodo^de leitu- 
ra de. Lemarejque 
, , PortugaldeveunTi- 

ginariamenle o methodo de Leitura Reoentina, ho- 
je tao geheralisado sob o titulo úQimethodo Cas- 
tilho, ou Methodo Portuguez. Originariamente, 
repetimos sittil» dó propósito, pois ^ Mtiliodo- 
P^rtugiuMe, .petos- d€«ea volvimentos: que sen au- 
thor lhe: ideu, e softre tudo peias bases iMivas dê 
decomposição e leitura auricular ^é lhe ajuBtou , 
sem precedente algum; nacional ou esbrangeiro, 
pertence á&ossa twra, posto que a primeira iwa 
que o OQeasionoju viesse de França, €omo ja por 
ventura a de Lemare proviera -d^^olÉi» cabeças. A 

Suestâo de nacionalidade do methodo de Leitura 
dxou de o s^ para as' pessoas de boa fé, desde a 
Gonfrontagão quemeu irmão, o Sr. A. F: de Casti- 
lho, no prologo da sua segada edição, fei do seu 
methodo com o de Mr. Lèmare. iL^ 



12.de março iSeffunda feira). 

TaHar<». — E', cooio todos sábem, a tiittlo da 
raelhor comedia tIeMoliéie, euoia das melhorcsdo 
mundo. Piron, verídoia- em scena pela primeira vez, 
fieottextasiado, e exclamou : « Seesla obra nâo es- 
tivesse feita^ ninguém era capaz de a fazer 1 » 
Uma ooroposiçno de taulomérilofoi todavia per- 
seguida: depois das primeiras ropreseu tacões pro- 
hibio^a o Inleudente 
nfí Hjé^ Ii ir daPoiicia, ecomanò* 
lavei circomslancia dO' 
chegar ao theatro a in- 
timado á hora em que 
já eslaVa para seievan-* 
f lair o>paouo. O author, 
«que era também actor, 
e director da compa- 
nhia, !^ahiú u luV a iJo theatro, e disse ao publico : 
« Mètts senhores, não ha hoje. o Tartufo, porque o. 
Sr. Intendente da Polkia não quer que o represen- 
tem. » 

Oito dias depois d'aquella prohibiçâo, rejpresen*' 
tava-«elmpunemente5câramAii6Àe, comedia licen<- 
ciosamente impia, composta por ouiro poeta. Luiz 
XíV, no fim do espectáculo, disse ao Príncipe de 
Conde : « Tomara saber o porque tanto applaudem 
esta comedia aguelles mesmos que tanto mal disse- 
ram do Tartufo?»— «£íeii/<ior,4he respondeu o Prín- 
cipe, esta não offende aenào a Deus $ a Tartufo o f- 
fendia os beatos^ » 
Qnaes damniQ juaíi a religião. Tartufos ou impioi?' 




13 DE MAAÇO {Terça feim). 

fiufLretma. ~- O jeiam fiSo é uma invenção do 
ckristianismo^como Ihereprehendem censores de 
máfé; o christiaoismo adoptou-o d'otttras religiões, 
esaactificou-o. NoOrtente e na Índia é antiquíssi- 
mo o jejum. Jejuavão os egypcios; jejoavão os la« 
cedemonios e outros povos da Grécia, sem exee- 
ptuar os deliciosos atnenienses; jejuavào osroma- 
nos; e os hebreus, desde alta antiguidade^ havião 
jejuado, como ainda o fazem. Os próprios mabo- 
metanos, tãoregaIões,têem $9U9 jejuns religiosos. 

Bluteau divide os jejuns em: natural, mediei-- 
nnl^jahilosophico, moral, espiritual, penitencial, 
e ecciesiaêticoJe\\Jtm^atural, total abstinência de 
comer e beber, qesde a meia noite antecedente; 
niedicinal, dita para. $aude; philosophico, privar 
de alimentos para mais livre exercício das facul- 
dades iniellectuaes; moral, à mesma renuneiaçio 
para algum fim moral, bem como .^ara atenuar os 
af^etitçs da carne ; e^piritualf privar-se de peo- 
car; penitencial, renunciarão de comidas muito 
saborosas para expiar culpas; eccleêiaetico, em- 
fím, voluntária Bybstiiiencia de sustento e de cer- 
tos manjares para satisfazer ao preceito da igreja. 

íí DE MARÇO (Quarta feira). 

TaU^niM oo^AOQ. -* Ao partirem os cosacos pa- 
ra a guerra^ levão comsigo um saquinho de terra 
do seu paiz, o qual lhes serve de recordação e ta- 
lisman, e morrem beijando essa memoria da pátria. 

170 



15 DE MARÇO iQuítií^ftíra), 

Serração da velha. — Noule daíefração da Ve- 
lha se chama a doesta áahila feira ék â* semâBâ de 
quaresma, por se divmir aqui, pouco mais ou ine^ 
nos, ao meio o tempo da peniteiicia» A SeNra^o da 
Velha é uma especio de reerudesceocia das loucã» 
ras do carnaval. Gelebra-se à luz d'arcfaotes, com 
musica e algârzv ras, fíogiiido-ses^nratraVez do 
corpo uma velha meUidan'iim cortiço, eehamada. : 
Maria Quar^^ma. OtestamenLottavelba, enfiado 
de pulhas em verão de pé quebrado, tem sido por 
muitas vezes feito e impresso. Aos gallegos boçaes, 
aos provlociabos lorpsàfr, e aois ratezos da rua aiA^ 
da Dão traquejados nas cousas oe iisbóa, cost«)- 
ma-se pregar a peça de os fazer ir para algum si<- 
tio remoto, com baneo ob escada ^as costas, para 
melhor disfructarem acomica-tragedia, que se re- 
duz ao logro, ou, como boje diriiío, dnafpomtw- 
mentOy e meia dúzia decacfioletasaosom de vaia^. 

Em quanto o vulgo asstm brinca, a gente mais 
subida e de malhor gosto dá n'esta noute seus bai- 
les, ás vezes mascarados. 

16 D£ MARÇO {Sexta fnira). 

sino da í«laiii|«. ^ Ha por traz da casa de com- 
mercio da cidade d'Hamburgo (uma das mais ri- 
cas de todo o mundo) um sino a que chahito : da 
iniamia, o qual toea um dia inteiro auamlo aUi 
ha alguma quebra fraUctaloisav.faBeacto logo co- 
nhecido de todos o nome do fallido. 
171 



nDEMAftÇO (^Sabhad^), 

A U9I BETRÁTO DE PETR^ROHA^ 

Eirol O grande cantor t Na terga fronte 
Brtlba a c'rôa que a lyra ibc ganhou, 
Como nos olho» inspirados fulge 
O reflexo da luz que ailluminou. 

Eit^o t o grande cantor ! Já cinco século» 
Passaram sobre a lousa que o escondeu ;: • 
£ da morte apesar, inda no mando 
A fama dos seus: cantos não morreu. 

Bem cara te custou fónranèa jçloria I 
Dura a c'ròa que a fronte te cingio 1 
Fez4e poeta o amor, mas a ventura 
Só cm sonhos fagueiros te &urrio. 

Htm espVancas amar foi teu destino ; 
Yer a Laura ê soffirer, eis teu condão ; 
Vtnte e um annos de penas não bastaram* 
A arrancar4e esse amop do coração. 

Yisle-a um dia morrer por mor tormento !.,. 
O golpe que aos teu»'olnos a roubou, 
Não te poude malar I gastaste a vida 
Chorando sobre a campa que a. encerrou. 

Morres 1... na fonte de Voelusanm echo 
Parece que inda ouvimos suspirar. 
Como se a sombra de Fetrarcna ainda 
Fosse em busca de Laura aUi vagar. 



17i 



Mas que importa^ Pelrarcha? Não serias, 
^^unca serias o immortal cantor, 
Se um destino cruel le não lançara 
Dentro d'essa alma tão aeceso'amor. 

iSão serias, que a deusa doa teus cantos^ 
A musa que osteushymnos inspirou, 
Foi Laura, como foi também Natércia 
A musa daCamdes que nos cantau. 

Poetas l sois assim. Quem vos faz grandes 
E' por vezes da mundo o amor fatal; 
Amor, que é fonte de tenaz martyrio, 
Mas que em paga vos dà vida immortaL 

Antónia Xavier Rodrigues Cordeiro. 




173 



18 DE MARÇO {Dohiingoy^ 

oontraclança. — Lá veiii noâ<$os pais, iíuiri(tos de 
nossas mais, pais de nossos filhes, e nossos pró- 
prios maridos. 

Gomo pode ser? Adsim : Aifredo e Eduardo ca- 
saram com Elisa e Paulina; houve uma filha déca- 
da consoreio, por nome Rachel e Guilhermina; en- 
viuvando Alfredo e Eduardo, casaram com Rachei 
e Guilhermina, e podião dizer aquillo. 

19 DE MARÇO {Segunda feira). 

Fazer áú San Benito galm. -^ IgnorãO muiiOS a 

origemd'este nosso anexim, pornão saberem o que 
seja.- san benito. E* uma contracção das palavras 
hespanholas : saco benito (saco abençoado), nome 
que em Portugal.e naBespanha se dava a uma es- 
pécie de escapuíado que se punha aos hereges con- 
demnados |)6fa ! nquisição, imitando com isso o uso 
dalgrejaprimitiva^qftê ordenava enfiassem os cri- 
minosos o corpo poi' um sacco, a que lambem se 
chamava : bento. 

Franêexes e ínglew. -^Dispulavão entre si um 
indez e um fraiicez sobre qual d'essas duas nacio- 
nalidades era mais gloriosa, e terminaram assim a 
discussão : 

(( Eu, disse o inglcz, se não fora inglez^ quizera 
ser francez. » 

« Pois eu, lhe respondeu o francez, se não fora 
francez.... quizera ser francez. » 

174 



20 DE MARÇO {Terç^ (eira). 

Alfinete quereodett milhões. — £' m BÍtO para me- 
ditar O que deu origem á colossal forluua de um 
dos mais opolentos banqueiros dos uosso» tempos, 

Er» LafiUe de batxa condição. A os Uannos sabia 
apenas ler, escrever^ e contar, que mais lhe ^ão 
penoíttira aprender a miséria de seus pais. Com 
açfuelle pequenino alforge intelLectual vai-^e aPa-r 
ri» com uma caria de reçommendaçâo para um rico 
n^ociapte. Recebe-e e&tjs como dê ordinário é re- 
cemdoquem mal tmUdo se apresenta. Despede-o 
deeabridao^enler e^aiie o pobre moço banhado em 
lagrimas, e como (piem vira desappaVecer-lhe o ub 
tlDAO raio de espei^ca que ainda lhe restava. Ao 
atravessar o páleo ve^ casualmente úsà janeila o 
negociante; LafUte leva os olhp&pregados no efaao, 
conuo quem só para a sepullura appella^ vé um al- 
finete; abai^a^se, apanba-o, eprega-o nojateqan 
likQéMO rx>to. Bravol exclama o negootantel quem 
aâffim aprecia um .objecto de mínimo valor, e cui- 
da4«9ameDt<e o goarda, dá mostras de um espirita 
de ordem, de previsão, de ecónomia;.deTe ser uvt 
bom empregado no nea escríptorio, e pode ir lon- 
ge. Seguio-se a este pensamento omandaVo cha- 
mar, aamiltiro em casa, vern^elle pelo andar d)09 
tempos um modelo dlKiQra* exaelidão; e iftteUi- 

Seocia» augmentar-lhe de um para outr4^ anno o^or^ 
eoado, associado no coramercio, 4iarr>lhe aíiUia 
em casamentd, detxar-lbe toda a sua fortuna, e ba- 
bilitaPo para passar, de rico que já era, para opu- 
lento a quô chegon. 
175 



21 m MARÇO (Quaria feiia), 

Hjiarias. — A festa assim cbamada, por ser da 

maior folgança 
e pelos romanos 
celebrada n^este 

^ ^^HEÍfflik dia em honra de 

^. TBMHHHpars^iJ ^ Cybele,deusada 

- ^' ^Hinranin mi lerra, ou a terra 

ella própria, ser* 
vio de inaugu- 
•r»r a primave- 
ra, «já vinha do 
culto grego. A 
véspera era dia 
lucluosoedeex- 
cessivas lamen- 
tações ; chama- 
vSo-lhe dia de sangue; mas nas Hylarias, tudo o 
que cheirasse a fúnebre oo triste, era defeso. Ia 
pelas ruasèm procissão a imagem deCybele, acom- 
panhada de grandes chacotas, e trajando cada um 
a seu talante. 

• . Á PBIMAVSaA. 




Primavera, mSii das flores, iComo és hella e deleitosa ! 
Vem hrilhac em oosso olinKi/Nossa alma degoito aociosa , 
A selTa, a plaoició anima; lActiaèm li gostosbaslantes, 
OrBB-aSfVeste-as de mil cores JE •■«»» ^«ài<pieraoi tc«»in»t«ate». 
Uúte estação dos amures, | U hi praier, um bem,se gosa . 



/. da S. Menies Leal J^niot, 



17C 



n D£ MARÇO (Quinta feira). 

ANItlVEBSABIO. 



Se aT ida não fosseumprinna. 
Que, nas ímageau mentidai , 
Vem os olhos illudir ; 
Se, qnandoamenteB^ábisma 
£iii cogitações perdidas, 
Podesse a luz descobrir ; 

Se doeste somno agitado, 
Que existência se nomeia. 
Nos acordasse a razão ; . 
Porrir, presente e passado, 
N&o fossem dura cadeia, 
Opprímindo o coração ; 



Se um anno qué mais prosegue 
Não fdra no precipício 
Sf ais um passo a fraquejar ; 
Se a rirtude^ a si entregue, 
Não buscara em ?ãodo vicio 
CoUo altivo derribar ; 

Se inda á borda do jazigo 
Kssa voz, já mal segura, 
Podesse dizer : Vivi ; 
Ah 1 então, meu bom amigo, 
Em que effluvjos de ternura 
Te abraçara éu hoje a ti ! 



Mas se o anno vai sumido 
N^este vendaval desfeito. 
Onde bonança não tens, 
Comoheide eu rouco gemido 
Converter dentro' do peito. 
Na palavra — Parabéns ? I 

Á. /. S. de Cãbedo. 

23 DE MARÇO {Sexta feira). 

resta das lio^as.^ Foi Celebrada este anno efn 
Koma, fom a costumada solemnidade, afesta:das 
línguas, fallando-se por essa occasião ít idiomas 
diffèrentes. Foi uma espécie deRabel. 
177 12 



. 24 DE MJiVi.ÇO {Sulibádê).^ 

Santo BaiMKUQ.^E^ 001116 d'uma profanda 
e vasta ^ruta^ situada a auatro léguas das três ci- 
djKles, ék Aix,*TouloH) eill«r9&itni, equ^ pod<& con- 
ter 1^560pe88oas. £$tánoâabcoéeu;mamio»èaalia, 
e ik[í**Bt que Safita Mlagdalena^ irmã de Laxaco; « 
hal>ttou83 atiAOs. Filt4ra'lkeii<^huya «traves da r(h 
<eha^ e entra oa ^mta, cínde fértna uma bella cister- 
na, cuja agua e tiambem augtnentada peia n^vt 
quando se derrete. Para chegar a ellaé preciso su- 
bir a uttia aUamòotianba. Ha tá dentro una eapella 
de gosto moderno, cuja frente e altar são de már- 
more^ um monumento representando o stepuèchn) 
dél. C, eno pedestal ateste o Bispo Maximino 
dando die cdmmungar a Santa Magdaiena-. Alais 
loMe, e no fundo da gnita, ha outro altar de^içà- 
do a VIRGEM. Não poucos peregrinos vâo de con- 
tinuo visitar este sitio memorável. 

25 DE MARÇO (Dúín^go), 

Annunoiafâo. — A mcncão anthentica mais an- 
tiga que existe d^esta festa, é adcísacramentario 
do Papa <3elaâi^ l.<», noanno 492. Desde então é 
que se celebra, tanto na igreja occidental como 
na orientai. 

N^este dia se commemora a embaixada trazida 
pelo Anjo á Virgem Máriá, notificando -a dai^rte 
da Deus para Mài do Sal vador . 

:J78 



S&M MA&ÇO {Ségufuíò Mral 

^wO». -^.Rei éófl judeuá, a.«^ fílbe^dA Uayié e 
de.]te(àsabé0; nasceu noanno do diuiuío.3í97] « 
iá^anles de> J.. C. Apod^rounse do Ibcono de Ia-» 
raei com de^Uaeolo die>Adi>Dios, aao iimâonaais 
vdào, que nandaora aalax» e casoii eom a íiiiba.ite 
Pharaó áoi Sgyptos pata a< (final luaidou cpnsifaio 
um aobeffbo palaeia éukiémisateoiAjfftipaurqccit^ 
8Íão ém suas iMip0i»a comesta ]^ffiBJoe^a qya^ di2»m 
havei cQ]D{K)«lo e seu inaonilica epèlliaiamiQ;: (h 
Cankiieà áa» CanUcog^ -r^ Be todos é conJcieeida ^ 
seiÉença a««i deu quandoduas ofuMàadres so^téO'' 
taiiíã»{M>rliadaiiieDie sesaini ambaa naflia da meaiAa 
eH(auea.. -rrrs Foi visitado piela lainha de Sabá {A. 
88, p* 1%99, «ittificoiit nuuravilbada fie su^ sabedor 
ria e ma^Diflcqiuúa. Tkiha eutão^Satomão auieitoa 
a seu poder todo£iO$ paiae» e reinos eninet o £«r 
plirales eoMtU)(A.m^l7'<ie>JkinJka,^.5â,/. «&, 
Hâ^. Cosfesivio oeoeana s]Èias.n.uinierosaBfrakaAy 
enavegav^pjlvaOj^r (A. gâ^^i^S), d onde tra- 
zião ouro em pó, aromas, marftm, ete.Biz.aEâcri* 
ptora que tornara o ouro e a p^ata tãacommu^s 
en^Jénisalem eeino as pedras ,dss; r<ll$- No 1^.* 
aMM)- de aea ceiaadadeu principia a esse famo- 
so- templa que iiaiica te?e nval> e q.uj» dizem tei 
cQSAada monifces: d*ouvo. Corroimi^iao pelo pro* 
pvip excessor de seu podev, apartoK<'9e do %«- 
KBq&, : aapriâooq a idalos de pedc^. e bceo^. e 
toTAòit^aeeséandaloso o seu compoplameAto. Mor- 
reu na idade de SS annes, 4epois de àtt de oei- 
nado. . ; 

179 * 



27 DE MARÇO {Terça feira). 

BAiihot. — Grê-se haver sido no oriente que se 
edificaram as primeiras casas de banhos i)uhiicos. 
Os gregos adoptaram desde altissima antiguidade 
a usança ao mesmo tempo saudável e deliciosa: e 
os romanos^que dos gregos a imitaram ainda, subi- 
ram de ponto o luxo de taes estabelecimentos. Só 
Agrippa^ no anno em que foi edil em Roma, edifi- 
cou cento e setenta casas de banhos. Os árabes e 
os turcos sâo d'entre todas as nações modernas as 
que mais sebanhão. Consagrando como artigos de 
religião as ablucões, andou o mahometismo muito 
aiuizadamente-ISm Portugal, exceptuando os ba- 
nnos de mar e os de rios na estação calmosa, po- 
de-se dizer que este eránde meio hygienico é to- 
talmente desconhecido. Lisboa só possue Ires ou 
quatro casinholas de banhos, que nem convidão 
por seducções artisUcas, nem por commodidades, 
n%m pela barateza. De todas essas emprezas parti- 
culares, a mais antiga, e a mais afréguezada, e a do 
Sr. Dr. Nilo, na Rua do Príncipe. 

A fundação de uns banhos 
grandiosos seria uma empreza 
para dar bons interesses aos 
seus accionistas, e um bom 
serviço ao ^eio^ que entre 
nós não é excessivo, e à pu- 
blica saúde, para a qual a pu- 
reza do corpo não eontribue 
menos que a da alma. 

C^,52i>.363.á.53p. 288). 

ISO 




S8 DE MARÇO (Quarta feira). 

voiooei. — S90 aberturas inunensas e natoraes 
na superfície da terra, pelas quaes sabem matérias 
abrasadas e chammas, impellidas por agentes sub- 
terrâneos. Cbama-se: cratera, a abertura por onde 
estas profompem. O Etna e o Vesúvio são os mais 
famosos e nomeados de todos. Muitos são os sitio» 
em que ainda hoje se vêem vestigios de antigos vol- 
cões, que talvez ainda bramão nos mesmos pontos» 
mas a grande profundidade. Demasiado longa f^ 
ra a enumeração de todos os que estão ardendo n« 
vasta superfície do globo. Desde a Islândia até á 
Terra de Fogo^ e em todos os graus de latitude 6 
longitude, ha volcOes em diversos graus de vehe- 
meneia. Os da America são particutarmenie no- 
táveis e téem sido descriptos por distinctos natu- 
ralistas. Os da Africa e Asia são menos conhecidos; 
é porém de crer que um minucioso, exame poucas 
OQ nenhumas noçbesacrescentaria ao que a tal res* 
peito se sabe. A lista dos volcões apagados seria 
infinitamente maior que a dos que ainda ardem. 
Afiinnão os geólogos que téem estudado os terr^ 
Bos volcanicos de França, que só na antiga provín- 
cia de Âuvergne se contão ainda hoje mais de mil 
crateras de volcOes antigos (A . 51, ideA bril e %i 
de Dezembro. A. 52 p. 124. 325. i4. 53 p. 279). 

BomobíttiiM do mar. — É O uome quc dão os 
francezes a certos molhiscos, sem cabeça appareu- 
te e sem concha, que se agarrão aos rochedos e « 
outros corpos, e injectão agua a quanto osinq^ietft. 

*o« 



21: M MABÇO (Owtn/A AifíO. 

dação é par^aeidadQ iayict^h o. 4i9t 29<Í!^M«rs0^ 

«alAiido 99 pci9og^p«Htt9(i<i2[«« (fuemcottlimivli»; 
pouiíoft^ 9í»nm« apovoa^oiDijteiia, eg^iid&p«f- 
le<kM povdaaoflvdetoogeiedftperto, on^aUiaeti- 
nkâOAcoIkkto, }iMS9n4Q «imdtoe um baluarieiíiex- 
]wgii»if:el, fiMilo espavocMo» e m maier deaor-* 
mcua, dipigíDao^aapira apooMe éo.BQiuro. Algiiem 
«^ havia: bmi^i^adade l^v«Qtar um dos alçafu^ada 
poAle de bacca^ qoo «ati^kavia, pam osÊrwee- 
ses a Qio passarem, e; «'es^ k«^uetrão eahtran 
milliares e ntibaraa de desf talados;... Os que 
iioi adiante e vilo o abysiBO^ ^uariâid Fetroceaer^ 
nm erão tmpeUiáos. pe)oa (pé- 06 segoião, e pe- 
Itaftondaade potvo qM&paca ^«fiamopoato^epite^ 
«ipitavâio/Os.propiviois iaijKigos se oorrofisafam 
de^lamanbo desaâire» efizeraaiporsaii^airalguDe 
inialiwa q^ baxaftMtavfto ainAi oas acuas. 

No» meSMO^âia. d'ahi a43 apnas. em )«at» se daa- 
pod&£»^a o.yapér l^^ir^o na barrada missiiDa ciiáadel 
- Onaulas lunilia» eoobeu] pofs da hú» a'e8iaa 
duas cataâtrophea oa^o< dui-ll^ de Março! 

Oomo se toma poste d'uma terra. — CabindO JU' 

)ioQ«$ai?dQcayi^aodase]»baraar na Afrtoa, paiz 
qNi« pfQle»dia eQQq«iseai?>.e9Driaaio«i; aFavorawal 

Eraaagio í teuboa Africa dabaino.dd mim i wêo ca^ 
1. tomai poaia d^aUal. . . 



30 DE MARÇO (8€xm f^irà). 

SOSETÓ. 

Tdrves, fHtíerèos dias^ Vt)u «bslaado : 
Cada instante de vida calculando 
Pelo rancor que de nutrir não cesso. 

Áridos ermos misero atravesso 
Da exislên^a, qu^e maneiNi aò termo infando ; 
A meta «is sé aproxima ; eis ex]^i)rimdo> 
O horrot aos homens^ <{iiie abemimo, «scpleçò. 

N^este abandono, equiviateikte à knorte> > 
DáMttie ukn Mimo de térrá a náttireza, 
Onde às ittfurias fugirei da Bor(e : 

Atli repira^sirá minha tristeza ; 

£ contra a dor, que soffro, alli, maii forte,- 

Terei etcttdo, e natural defeêa. - -. 

LaiÉiegè 30 de Março 1884. Angl»nio4?^reiru Ugt^f. 

31 D« WAaÇO [Subbádo). • ' - 

Sstufas monstruosas. -«SãO portoi ffiOdO ¥«$(9» 

as dos Duques, de Richemond> de Devonshire, de 
Nortbumbe^land, e de outros figurões na ingla- 
«e)rra, qae deatrò d*ellas se passeia a caratto ^ 
em caleche! * 

1«8 



1 DE kVUL [Domingo). 

pei« ae Abril. -No l.« de Abril «i«9 ««} "^""L- 
«Têm Porlnual também nas províncias do Nor- 

rzrsf?a^^^íi»aUeràa\riU<i'isto7E.- 
timara sabeVo. 

2 DE ABRIL (Segunda feira). 

Mm»* .««f.-Esta semana, assim chamada, 

é para oschrislãos a ma» sol<«»n«^^:Í<*íl° ÍL?^ 
Bo N'eUa celebra a Igreja, com as »»"« locanies 
ceremonias o drama da redempçao ^ogenero aa 
mano, a paixão do Salvador, e a su» ««>rtç. ate a 
«ia físurreiíáo triumphal no d»a de Pascftoa. 
n/o é 86»ura dos Evangelhos qne allrahe 
nvsiês dias ao templo ; é a poelia inspirada eins- 
Ji? iva^^rpSoff-àei-.sLass^^ 
Sholiastios grandes lyticos ^a é, os propheUs^ 
são 08 assomos, piedosos e ^m^f'J^ f^^\^ 
cnndos e ferventes doutores da lF?)a- Potj*»° 
.vemos Vestes dias o aanotuario vi«»a^« «J^,*^ 
incrédulos, que no mais do anno o ^^^XÒ%o 
sem o olhar. A uns o amot ^«»f"»'„7"oí.*do8 
amor do bello ; a nào poucos também o amor aos 

anjos terresQres. 

. . «orno le cU. «abo d.t forB«K««, - D/itondO OOT 

cima do formigueiro um punhado de folhas ae to- 
mate ou um pouco de sal. ,.e^ 




3l>EÁM\l(TerçAfeira). 

fieiplandoref. — O iTesplàfidor, OU auréola, que 
vale o mesmo, é um meio circulo de raios d*ouro ou 
praia que se põe na cabeça de certas imagens. Jà 
entre os pagãos, ApoUo, como Deus do sol, se re- 
presentava com um resplandor. No christianisn[H> 
-^ os pintores e esculptores 

ao principio só punhão 
este ornamento ao Salva-' 
dor, em memoria talvez 
da Transfiguração. Do se^ 
culo Y em diante genera* 
lisou-se, como emnossot 
dias as Senhorias e £x«. 
^_^_ ceUencias . Não houve pa- 
rente pobre: todos os santos e santas da corte do 
céu foram condecorados com auréolas; chegaiiim^ 
se até a pôr nas cabeças dos animaes symbolicos 
dos Evangelistas. Por derradeiro a moda tem mai« 
d'uma vez fantasiado para as cabeças das damas* 
assim como coraes e diamantes, pentesaltos, de ou* 
ro, de pedraria, cradiadosáfeiçãoderesplandorefc 

Jantar salgado. — Havendo Carlos y. jantaâo 
um dia em casa de um rico negociante d* Antuér- 
pia, por nome Doens, queimou este em sua pre- 
sença, no fim do jantar, um recibo de dous mi- 
lhões que o Monarcha lhe passara, a^segurancto- 
Ihe que em muito maior quantia avaliava a koA* 
ra que lhe fizera. Estou que por metade tornava 
a Jantar com elle. ' 



4 DE xVBRIL CôttOífVa f^m dt Trevas). 

L•^^b»9lp«. -rr Foi im^ Ahl^adia.(WreUgú)âas 
foidada no siéoalo xiu iM>r I»^e) de FraiH^a, iir- 
mà de Sâo Luiz, m pé. da í^ldeia de *oloftba,, ftps 
artuedores de Bam,: para eito serelir^y, ^h\ mx- 
wmi e é fama ^t.hzev^ ú^fmM^Sn^^» m¥t 
§F6&, (nie^teffaro aosa^oaleiro a maior ropulação. 
fõá esi^ visitado pctf lEwtos Soberanos^, e entre 
eMea pof Faippe o loftgd, que ahi ^i(io#ej^ ^9^or- 
BBu. Adíjuirio depoi* a A^»íimií OMtra ospeciy 
é» colttbridarte. ikvâorfie n olt-t, na 4,\ â -^ í* 
MIeira, da aemana sftRta^ eoncriloâ espirituais 
tovquese oayito astflidlb^s vouc^siítatai^ital, e 
»qiJiecettaorria toda a nottif^za e sí^iedittc el*- 
ttf te éè Baris. PofiM^asiã» da rev oluçàfi> d^ t1S1#- 
fm LoDobamps. vendido ft dcmoliilQ» e ce^^ac^H^ 
es passeios; te^raMram ti)daYia a aeff clem^âa^ e 
Bos mesmouSrdias, na tempa do cottSAiia^o^ e 9<ih- 
aiskem ainda hoje,. s6 faewt que lâo siú^i^nlei «hi 
conoorrão> agora oíb janotas emAlberea de equi- 
voca ceputacfiíci ^a eapilal, no qn& ék\ni mui^ 

(. 5. DátRlL {Oflftíftífi /#ira 5a»Ua). 



gmt 110^ deton(ftaa^ <|iiec (uríalesi geittidos*. 
OHeofao9 fettiiwbâíOí <H; aitttiga âiâoi . 
MatcÉel m kUBMntei doa filbosr pendidos ( 
Não ha consolara, porque eliea !i&> al^- 



1» 



São ais lê «bfmiipâès. 4to« m\ik SfÍUaá> ' 
Chamando entre angustias seu charo Jesus ; 

m filio Kim re»lat t)« to^Mite ittiia cfúí ! . . . ' 

Aòtf(t%> qnestmiíliiiBCMfí^rtaetonitm, ' 

AtlMM t^^ra se«^«tifKto amor ! . . . 
Il^v6i qtfe f^mitê^Qs #a vida ^ aiàM»)n^<ii1i« 
HUzei 8è M wtmiA^ 4«e í^ale «ssii 40r ! 

II Atchanjò^, se a^ora t)aixa^s6, Scnhoha, 
SMiááiido mL tfMhè da palte de l>flcs, 
E»se Mé tedlivo ^(léua á^oatr^ora^ 
âews ais eèUit^^iv^ «nira co'os teus. 

U^m -^IWlii ^'ecaitlMto — teria juntadíe. 
Que Dtf«s|á |MArè<^ 46 ti se ausentou ; 
Deixou mesmo o filho ; foi surdo a ^m brado ; 
De seu desalento Jesus 06 qaèivou. ^ ' 

S8 ah ! 0è n'o<itr*ora te disser ItffDitA, 
o mânègikiorà ii» deve d^iíèff ; 
QaèabMitô#«^^èsl:e)HyirDBé9 fbi T«^it« *^ 
A cp^B «»ré a IfeMti «íioirar e sòffíW. 

HéndiMJ^e^ V^iu;4h[> ^s mafMS 4ti« «é#res, 
ôue-eíertiia V^ittií-^ 110 oéuw ttei»aot 
Om eDifô, abcMo ^as^rafM ois^èofrè»-, 
AléaiTc^ t^Mto pl*a os flRioft «tt Adto. 



,^ 



D. MàYia Rita Correia de Sá. 
A. 51, 17 de Abril, A. 52 |K IW. à 53p. 113). 



6 DE hMlL (Sencta feira Bantá], 



onu luminoca. — Na sexta feira saota â noute 
vai o povo em carduiúe à igreja de S. Pedro, em 
Roma, Dão tanto por espirito de devoção, como 
para gozar d'um formoso espectáculo — a cruz lu- 
minosa. As cem alampa- 
das de bronze, que ao 
longo do anno ardem ao 
tumulo de S. Pedro, apa- 
gão>se , todas, nem ha 
mais luz alguma na am- 
plidão do recinto senão a 
cruz de lanternas pendu- 
rada da cupola e cahida 
sobre o altar mór. (A. 51, 
6e8deAòrt7,A.$dp.ll4.) 




MOTE. 

Of «artyriofl^da Paixão* 

GLOSA. 

Apenas na erui expira . > 
B'aItaredempçaooaHtiior, nU.. 
OJerdao^d'eapantoedor, \^ 
Atrai as aguas retira : r, ^ 
Duro rochedo suspira, Vní^ 
Perde o sol almo clarXo, >tr:>j 
Revivendo os mor tos Tão, ( ^r^ 
Elementos t ravfto guerra, J^^, ' 
E sente insensível terra v^ 
Os martjrios da PaixSo. 

Bocage* 



CnQ.q^ 




188 



7 DE ABRIL (Sabbado d^Álleluiá). 



Alleittla. — • £' palavra composta de duas he- 
braicas, que sígnificSk) : loaVaí o Senhor. 

No tempo ck São Dâmaso, Papa portuguez, se 
introduzio na ijçreja latina a AUeluia. Nos fune* 
raes dos primeiros séculos da igreja cantava-se 
alleluia. O Papa JoliolI foi quem mandou que no 
oílicio divino se nâo dissesse alleluia desde a se- 
ptnagesima até ao sabbado santo. Refere S. Je- 
ronymo que os monjes e monjas, antigamente, 
com esta palavra se convidavâo para irem cantar 
juntos os louvores de Deus (A. 51, 19 de Abril). 

8 DE ABRIL (Domingo de Paschoa) 

vmta a Jérusaien. — Tomaram-sedc moda re- 
liquias e Tomarias. Em quanto actualmente se 
acnâo expostas numerosas relíquias na antiga e 
histórica cidade de Aquisgram, consistindo, pela 
maior parte, em fragmentos do vestido da Yir- 

§em, na mortalha d« 
. João Baptista, nas 
fachas do Menino Je- 
sus, na esponja da 
Paixão, no braço di- 
reito de S. Simeão, 
etc.,etc.,organisão- 
se jornadas re^ula- 

res e económicas, 

não só para aquella cidade, onde tanto está res- 
plandecendo a fé christã, mas até para Jerusalém. 
199 




òftitfMM a* vtefeciwMi, ->- E*/cés4Riiiie«m mUiUsdas 
nossas aldeias manidaT péla Pascboáao respectívO 
f aroeto nffi foiar icon o séb^riaiio piniad^; ou 
timplesmeofteiltt j^resenUd^ovos. E bempode di^ 
2er-se qu6 é gera) este Xkm e v^eni ée tenipids im* 
memònaes. fi' uma das tradiode^ siwbotyoais Nas- 
cidas do catholieiâmo, e reponaamio «in uBia idéa 
mysiica, ainda aâobeBiiQMprelada.A«ifelhorex« 
piíca^o é esta: oovo trazisonsigo aid«a daesf^t 
rança*-"- a de ver desen volver-se um gérmen *-^ e 
o sentúâento que -desperta a solemiiKmledaPas- 
choa, anniversario da resurreiçâo de Christo, é 
também o da esperançiadéAossa Mura insurrei- 
ção. Um tal presente será poissymbolod'esta cren« 
tíarelwiosa. 

Na idade ffiédia, na vespem de domiogo de Fas- 
thoa^ junta va^se em Fraoeaa rapasiadi^ «oia pi- 
fano e tat&lsfiH-v lan^s eyarapàtt^ e precmida dô 
bandeiras cò» imâgeos barlescas, conia tDda a 
^éguejsia a p«edir«^ola para os ovos d&PaíScboa. 

Notem^odig Lâi^XIV e no de Luiz XV^ etlo dia 
de?a&e4rái, ievav^âo-seaoReí depois demita aça- 
fates cheios d'^vos dourados fa«€lle dUiribulaC 

Ainda hoje é sieguido á risca um (alcost^aie na 
Rtt^ia. O que oH^cê Mm ovo, .dií: « íííf^l^cito\^ 
f^Ht ChHito 1» ao ôuc responde o ^ue O recebe : 
nSiiouporiêiè. » É grataa-o. Os ovos dados f^ 
pe^ÉKifeiS rícais ^o á^ porcek«aptotoââ ó4i «tufa- 
da, còM i&scríipp&es emblemáticas, e faraKk» nas 
exiremidã^es{mras# pendurarem ao pescoços. 

110 



1& BE^i^BRIi CTêffikfeitú). 

ííatof.-^Umdi^ribuidor deperiodicosT, por no- 
me: Haoioel Piato^ pohrissimo e com 8 filhos, di- 
aia nhim bilhelede onas festas, em prosa, pedindo 
«'M>&as»ig[Dantea se lembrassem d^elte: «Toda a mi- 
nha fort^Qá sflQ 8 pintos e em véspera de 9, mas 
Benhnia eaiáJHÁla' m dari^.^ or^e» wm víuImíi I . . . 

li D£ ABRIL {0uarkeiftira): 

ne^fVètn d<»Atr9iijiA.r-.]ei|tr« HVft^qi^to n'«ma 
ôottptnbia eom l^reâBs m ililta»iQa9 m ^i 1^ se* 
abaras, e grande desfeita sértti^eieliiirAiiaft do pr^ 
sente da liada flor. £ grande « mê ^liibftFftÇQ, por- 
m» Iodas, na qualidade de ^efthora», t^m igual 
direiloi ao defícado númo. Ha j^otém entre ellas 
uma que Ibe fez certa iravesinii^ 09 HM^ai^ e^r-- 
respondeu ao seu affecto, ou Ibe foi inconstante, 
ou temo nariz airebttado, ebanqttiteri que fosse 
essa a quem tocasse o bilhete branco na loteria de 
12 prémios que se decide a fazer, para que a sorte 
só carregue com aa culpas, e para queseiur e ella só 
caíào as imprecações éê senWa qaelem de $er 
per eik) eegando (ockasc as appwrenciA», díesfeitee- 
da. Paret ^sso, fbl'as sentor a todas emoiEcaio» e lá 
de certo modo, e principia a distribuir as rosas, 
e<mkando de 1 até 9^ e dendo sempre anui à d.^çe* 
nborâ. Doeste mode, a q^uefioara á c^uerd^atCeovieU 
la pof onde pnnoipíaraji contar peui direita, u<voii 
sem nada.OmesoieMuyeraaeenieeMQé queíicat- 
se á direiUi te pQteeaqaerda houvesse começado. 

Ih* 



12 DE ABRIL [Quinta feira). 

Jogos eereaef . — > Fo* 

ram estes joffos cele- 
brados oito dias a fio 
em honra da deusa Ge- 
res, sendo hoje o pri- 
meiro. As damas roma- 
nas, vestidas de branco 
e com archotes na mão, 
erravão pela cidade, a 
fingir Geres á procura 
de Prosérpina. Os ho- 
mens também se ves- 
tião de branco. Havia 
combates a ca vallo,mas 
os edis por fim subs- 
tituiram-nos por combates de gladiadores. 

13 DE ABRIL [Sexta feira). 

ROSA OU SSTRELLA? 

Porém rosa tu nfto eras, 
Que eu espinhos te não ri ; 
Sendo estreUa nfto poáén» 
Dar-me as falias que t^ o«Ti. 




Ví-te gentil e formosa, 
Sem que podesse affirmar 
8e tu eras branca roía. 
Ou estrella a scintillar. 

A principio rosa bella 
Te julguei; chamei-te flor; 
Logo depois Ti-te estrella, 
D4ste-me lui, dei-te amor. 



Oque eras pois? Oh! eu creio, 
Se é que assim o posso crer, 
Que a final de tanto enleio, 
Tu eras anjo, ou mulher. 
5. P, li. Estãcio lia Yeiga. 

m 



14 DE ABRIL {Sabbado). 



TemperAtura da terra, ^ Se DSO tiVCSSC a ter- 
ra calor próprio, encontrar^^e-hía uma tempera- 
tura ufiirorme em todas as suas profundidades; 
não acontece porém assim, pois à proporção que 
se avança da superfície para o centro^ augmenta 
rapidamente essa temperatura. Provém este ca^ 
lor do fogo central ; a prova d'isso é que o aug- 
mento de temperatura é sempre proporcional á 
profundidade. Resulta das experiências dos phy- 
^^^h^ sieos, que, se ao 

perforar a camada 
solida e fria que es- 
tá cobrindo a im- 
mensa fornalha in* 
.terior do globo, 
^nosafifôstamosun« 
cem pés da sua su- 
perfície exterior, 
sobe o thermome- 
tro um grau, e na 
mesma proporção irá subindo, sed*elia continuar- 
mos a affastar-nos. Achou-se confírmada esta lei 
por occasião de at)rir-8e o Pôço de Grenelle, cuia 
temperatura é de 17 graus e meio, e que expelle 
a sua agua, bastante quente, d'uma profundidade 
de 527 metros. O mesmo aconteceu em Mondoríf, 
no Luxemburgo, em que um poço de 730 metroft 
deu um calor de 24 graus. 

(A.51.p.l02.214.2a6.A.51p.m.il.54.p.«2.) 
193 13 




Btíihi^, ^ Bobo, jQçra^ Ott eliacareeiro^e («Irez 
ta«)bem, sem^raMeiffipto^iedaiJe, bujFão, $e cha- 
nca em n^sa língua o que QaffaaoezeBdQAonii^: 
k$mf<m Ott : /at» (doudo) t 

. Celio BhQdigino refere um caso em que geral- 
n^ntjB se cr^ esèar a rasão etymoLogioaiteioomlB de: 
bufí^o JíiittaEl*Rei£reotei|i, du dle. iustítuido na; 
Atlica uma festa, por causa do que em seu iempt» 
se passara com um samfioadoff devictimaa» cba^ 
mado: 3upbã.o. T^do esteimmoladaum touro an* 
t« a ara de lupitef, padroeiro da oi^Mi, fugio lo- 
go» e por lai arte se homisiou, que viiO kouve dar 
com eile, por mais diligeucias que pa^ isso s^fi- 
xASsem.. Uepozeram^ do tribunsd a macbada e 
vma ins4rumetttos do sacrifício que SttpMoliavia 
deixado Qo ct^, para servirem oe provas ao pro- 
cesso contra elle.. A' falia de bomem sábio a sen- 
tença Qontf a a.mapha4a. Ficou-«e renovando d'an- 
ao a. anuo a repre^enhicão d*estafarçadasacro-fo- 
rense., e em ras^ de ser folgança pubhca, muito 
adubadA com. sal de.diQtisrios, «^omoa, e vaiiiST «^ 
ohamaran pielo tempo adiante: hufi^.^ bififiméria, 
os indivíduos» dictos» e acçQea> comicameAle exr 
tra vagantes. 
Poif espaço de «uiilos séculos bouve bobos de 

ÍirofíssâOí, e de moradia, «y^s paços dos ^m o dos 
idalgo^ Bm França» o ultimo bobo da cArte (a hxt 
«eiy, reinando Luiz XIV.. &Q Mlemanba má» ^ 
nouve muito depois. Se havemos de dizer a ver- 
(jbilo» (isteméugosio de stBbores ainda oio pas- 



sou de todo. Ha moita <;^sa déárimnía e rendas 
grossas, onde, effectivo ouaccidenial. com otilu- 
•fo deèfiJMla, áe capellão, de hosj^ede, áe mordomo, 
4e compadre, e de amigo, ?e tem um bonacheirão 
flue Bi^ye de debique aos da familia e á gente de 
fora. £' um das inâis semsabores abusos- que se 
Mde fairer da gf andeza e t!a forluHa. k dignidade 
mnaiia vocifera no fundo do. coração contra ^es 
insultos coYárdes e continues, que nãoassentão 
seiâõ, ou na: fome que a tudo %e resigna por de- 
{leodeiicia, ou aia estupidez que perdoa tudo, por- 
que não sabe a que Ihjé fazem. 

No theatro o bobo é um género, pouco mais ou 
menos, como palhaço, e as peças de baixo cómico 
no theatro lyrico italiano ainda hoje têem o nome 

JNa jitteraitura tí iia oonvorsação ha pessoasqvie, 
por mingua derojQoitíio, ou degasto, ou áe instii»^ 
cto, descaftabâo freauentes veees, de eogra^d^s 
que podião^er, en wkoij condição a 'que nenhu- 
ma alma de èíomse de<^eHa jámois sujei tar* Se Íá2«is 
rir coiii:ohisiei8 fin<»s, soiseagrapado: seprovocafi^ 
garnaiáadas .com arPèmoflos, caretas, visagens, 
conlorsõed, sois bobo ( se aseUaquedispiraes,vot'- 
ta a cravar*se em vós mesmo, sois bobo:$e procu^ 
raio divierttr com dousas groaseiras^ immnmtas, 
madéfioao, absurdasi,- ou de uma faistdadiB « impôs- 
sibiiidado lUferdoaToi^ sois i>oba, e bobo loesmo 
inâGcop{!ãofoa«kelbaDtdovocabuh>,qiteé de: fo/«. 



i««rç,i. ^o offendido perdoa muitas y«^ 
zes. O oitaaoninnca. 

tn 




16 DE ABRIL (Segunda feira). 

Ave Maria. -^ 

O costume de ia- 
Yocar assim a 
Virgem antes de 
entrar no corpo 
do sermão daia 
de 1300. Qaem o 
introduzíofoiÂl- 
ber(o de Pádua, pregador Agostinho, de grande no- 
meada no seu tempo (A. 51, 21 de Mareei). 

17 DE ABRIL ( Terça feira). 

Novo taivavídai. — Acaba de fazer-se no Elba a 
experiência d'iim novo salvavidas. Atirou um ho- 
mem comsigo ao rio, embrulhado n'uma espécie 
de colxão, amarrado á roda do corpo. Por muitas 
vezes lhe quizeram fazer mergulhar a cabeça na 
agua, mas não foi possivel; levou-o depois a cor- 
rente como se fora uma táboa. D^ahi a poucos mi- 
nutos, o homem, que não sabia nadar, entrou são e 
^alvo para dentro do barco em que fora até ao 
meio ao rio. 

. Otal colxãoémuito parecidocom oscoixOesor- 
dinarios, e temnim reservatório d*ar e um escani* 
nho em que se mettem viveres e agua para alguns 
dias; pode-sQ até dormi rn^elle. Com um colxio does- 
tes passão-se dias e dias inteiros em cima das on- 
das, por mais bravas que estejão. Eu é que o não 
troco por um dos meus (J. 54 p. 77. 180). 

196 




18 B£ ABBIL (Quaría ftíra). 

. Lord syron. — O maioT poéta iogiez .d'esle sécu- 
lo. Morreu em Missohnghi, a 18 deAbrilde 1824, 
na idade de 37 anoos,.peleiaado pela independên- 
cia e liberdade da Grécia. Foi transportado o seu 
cadáver para Londres a 1 de Julho no navio /'/ort- 
da, ficando todavia alli o coração. Veio 
n'um caixão comaioitos buracos, mel- 
tidon^um tonel de espirito de vinho, e 
do mesmo modo que Neispn havia sido 
conduzido de Trafalgar. Ao chegar o 
capitão â Inglaterra, quíz deitar fora 
..^.^^^^^ o espirito de vinho, roas oppoz-se um 
;io$ maiores entbusiastas do poéta, e propoz que 
se vendesse: assim se fez, epor cada canada se pa'- 
gou uma libra: poucos minutos bastaram pari 
despejar o tonel (A. 53 p,^S. UL ÁM.pM. 98). 

19 BE ABRIL {QuinU feira). 

Bali* d^oiuro.— Foi até á dcstruíçlío do império 
d^AUemanha, noprincipiodo século XIX,alei fun- 
dameniale*consiitutiva do corpo geroianico.^Veu- 
sè-lhe aquelle nome por estar selladacom um sel- 
lo d'oaro. £scripta em papel velino, e confiada á 
{[«arda do primeiro magiatrado da cidade de Franc- 
lorty a tal ponto chega aveneragão por ella, que 
foi com a maior dificuldade que em 1632 poude 
o eleitor de Moguncia renovar os cordões de seda 
de que pendia o sello, operação çjue só na presen- 
ça de numerosas testemunhas foi permittiaa. 
Í97 • 



€ítt todeg 06 tempos se tpi^MHlfpai», àá céusia« âè 
agrado, quer para os^úvidos, t^r parti óè^èi» 
da multid&o; assifti cottio fi« Y<eproV8oiM)r ttiàttílN^ 
iB^e^ esCroDdDsas <os ie^etafculos ^ ãi^aMmA 
«que liio preencbetti o fite proposto» 

e&trs wói^ ^ appilattâíé «&ottM ^iliitlbal»^»^ de 
f)a!liiMt8, com â6 <r«aes jr$ Teimes se tti&fttvrão vozes 
(de: àfv»f>^ »i», e«á o^o, eonupcfio éé icriianor^aí 
«a|N^(d»$ii« o priíu^ipto), se setleíKftjii afepétifík). 
A reprovaj^So m-se com 06 pés, d'onde talvez llie 
veio o nome de: pateada, e ás vòms «c^m asadaios. 
Os franceze», k^tíetes, e otftrò» poires,âppiaaáeiA 
-lanto COM os pé» wmo com as mftes, eaó ixfúk « 
aasoMoé «oèTèpfovi^ esnptiílaâaiiiis déSModer- 
AM sko nada, òoApliiFad^stcNift -es èM<N>ftlfto»,f^ 
europeu de hoje, transportado a um espectáculo 
da antiga ftoma^ Mostrar-s^hia compièto bárbaro 
por sua supiua ignorância na arte de applaudir : 
quando ai^te 'dkeuoa, eu^í^g^tnos «n termo «ro- 
friíssimo/ D appknisd que se (skiMiiiai^a «ró ás 
itiSoi8> apreMianse wúk íÉmitaiê eM^esMaft eapu*- 
istaea, è se dividia ete tresespel^ie», a tktfêt: ^ar- 
d#de abelhas, era^oresidtiid^dè<e«irt«fittio«iitfitt- 
toi dé« dedosme imitav^oitqiretléa «md^ i^tí»*i>- 
v(M, qu« sií;mffeât tetluid<a> etiaoinit^«ii»ttiKeàllò 
«ue arremedava o estMfltfo da mm nó nMúe, 
íinftlmtitÈ. letktf, qtt<s vai tantocfeanat frotM, m 
umestampido, Qp^adopeiaspalbia8>qiiediíV^ar«^ 

1» 



do som de ceriaa UáU^9 aousilcai tmbebidas na» 
paredes dos Ihéatros. De nenhuma d^eslas cousas 
6 po^aivel termos hoje idéa clara; mas toda^ ellas 
nos pra\|o quanta a sociecfòde pretérita diflefia 
da preaeate. £m que se havia de empre^aif a m^ 
cidai^ opuleatismina. soberba, e oercaQa d^; ^fkr' 
cYavoa, senão etn f otilidades ! 

ft! M ABRIL (Sa62^a(fo). 

^HUm. -t* N'esie dia celebrav^o os roíBauos 
com Q nome de: paàUias a featii de Pales» deusa tu- 
telAf dostrehaahoa. Na ei^de mesmo se accendiSo 
femetiaa, mas nos campos muito mais, e j(i desde 
pehimanÚL M'ellaa lançavSo leite, vittk^ fervido, 
mUho,mel, edopoisenxofre^.c fa^ião^lhes girar 
esi redor o&ffados, com o que tinhão para si aue se 
tívrariSlo de lobos e d!Oda{»a. AI rodad^aquetlas fo- 
gwíraafa2iSod«pois oscustioos suas oaBças fot- 
gasAOS» fótntaodo os louvores de »«a deusa. 

Ouefem alguns que n* esto, dia, e com esta festa, 
sotojowiisassem também a fundação deRoma. 

riorefi^.A(sQi»j«pA«g9iff,^£sla antiffa floresta, 
qiiasi íAteifam/ente povoada de imtiqiuMÍWL«(s ar-r 
}Hyre$, foi «itimamieiiie av&áiadAem i9 miUidtc^df 
imi^m^ a saher^ 17 milhões de terreao e %l de mar 
4flirM. TcMiisliai^iOO^Yarasciitadffadaade svperfi^' 
<^'kÓ (te SA léguas a sua ciroomferenoia ; atraveS" 
são-na 338 estradas^ tem l^tegdas, % tanques* 31^ 
ttontefti. 2M eftcaruBilhadaa> o 11 fooles que aliiveu- 
tão 4 correntes. 
l«í 



22 DE ABRIL {Dpmingo). 

OurÚMÍdiades amerioanat . — Ghe^On H Páf Í8, pelo 

meado doeste anno de 1853, um viajante que andou 
ânuos peia America equinoxial, e visitou as qua- 
renta e duas tríbus silvestres que demorão peias 
confluencias do Orenoque e Rio Negro, entre 6 
graus de latitude norte e 1 de 
lalilude sul, e entre 6S e 77 de 
longitude occidental do meri- 
diano de Paris. Gontão-se n'a- 
quellas tribus algumas mui bra- 
vias que estanceião por sidos 
desconhecidos, e nunca tiveram 
tracto, nem por longe, com gen- 
te civilisada. O nosso viajante 
estudou auanto poude aqueiie 
mundosinno exotico.Trouxede 
seus idiomas noticias mui pre- 
ciosas para os estudos linguisti- 
cos; collecçòes de historia natu- 
ral; de instrumentos músicos; 
vestuários de cascas d'arvores ; 
redes de maravilhosa contextu- 
ra e mui historiadas ; primorososarabescosde pen- 
nas ; urnas fúnebres ; armas de guerra e caça ; etc. 
etc. Algumas das armas beliieas enthesouradas por 
eiie têem suas mscripções gregas, assim como de- 
senhos manifestamente gregos apparecem no la- 
vor de vários cestos que montra. 

A historia dos povos não tem meãos enigmas 
que a da natureza. 

too 




23 BE ABRIL [Segunda feira). 

Adivinhar nma palavra eQtre24. — Escrfivão-se 

estas em 24 papeis com os seus números por baixo: 

ROME NICE NANCI COCHE fiOCHE AIRE 
2965 8735 81837 39345 29345 1725 
NERON RAQN ARCHER CHEMIN CAEN MACON 
85298 2198 123452 345678 3158 61398 
CHIENCARMIN NOION CHINON filMEN ORME 
34758 312678 89798 347898 47658 9265 
MENIN ARME HERON CRIN NERAC MER 
65878 1265 45298 3278 85213 652 

Escolhido um doestes nomes, pergunte-sese tem 
um numero par ou impar d^algarismos. Se for uar, 
pergunte-se a somma dos dous por baixo da l.* e 
2.* letra; a dos dous por baixo da 2.* e 3.*; a dos 
dous por baixo da ^^ e 4.* ; e se o numero tiver 
só quatro algarismos, a dos dous por baixo da 2.^ 
6 4.* Supponfaamos que se escolheu : ROME. 

2965 
1.» n.' e o 2/> dão 11; o 2.» e o 3.<» dão 15; o 3.<» 
e o 4/ dào 11; o 2.» e o4.* dão 14; escreva-se assim: 
1/ equação — L* mais o 2.» igual a. 11 
2.* »* ^ 2.* mais o 3.® igual a 15 
8.^ » —3/ mais o 4.* igual a 11 
4.^ » -<2k* mais o 4.» igual a 14 

29 11 
Some-8e'd*um lado o que dão as equaçõ^ pa- 
res, e do outro o que dão as impares (despresan- 



do sempre o qtrcder a 1/ equàãâ^o, ^ttâlido o nu- 
mero escolhido tiver 4 ou 6 algarismos) e dimí- 
ntui se nm nomeíodo oatro; n'e9tecaso4&tfkiiiuin' 
do 11 de t^t ficarão 18, cuja mi;taâ«é 9, t será €i9-> 
le o 2.' algarismo da palavra: o resto racil será de 
achar, recoiTendo às equações primitivai. 

O í.*> numero é 9. 

O I <» é iguala 1 1 *ieii»5 o â<^,iguãl a lllnenos 9>ígtttalá 2 . 

OSoéíguaIa1&ineBOSoâ%iguala15menos9^i^tâ6. 

O i« è igual a 1 1 tnenòs o âVSftt^i ^ n itieno^ 6,l^ál a ff . 

Procurem-sebdis 08algaristnosr2965 tiá j^^lavra 

14I4§«789 
a chave do enigma, e achar^se-ha ROME. 

Se a palavra escolhida tiver numero iítípAr de 
algarismos, a marcha será a mesna» s6 eom a d^f^ 
fefença) 1.** de sedev^r perguntar a«oinmu do 1.! 
e do ultimo numero em togar da de ^-.^ e ultitaio; 
1^ de diminuir da somma dos números das equa« 
(õíes impares a somma úús números dás «traaçõôi 
parei; 5.^, de que o algarismo assim achado ml)s^ 
Irà a 1." letra da palavra. Seia a palavra NERON. 

85998 
1 • cquaçSo — 1 .« m&is o 2. " igual a 13 
;t.* » ^«.ofliais d S.» iguala 7 
S* . » j*- 3*0 mais a ii* igual a 11 
t.» » ^ 4jO jjj^ig Q.5^0 igu^i a 17 

5.* . D -^ l.« mais 0.5»*» iguala 16 

U 40 
da 40 (irando 14, fióao 16vcuja Metade é 8; tàgo 
. 1.» numero e 8. . 



o 2» éiguaUM«e!iOf o H,ig«al a 13nifno?8,igiiaI a 5. 
O 3^ é igual a 7 menos o 2^, igual a Tmenos 5, igual a 2. 
a4*^ j|í«a| t < in^noa o 3% igual a i I in«B«s. <v igual > 9 . 
O-Si^ékxiM » ilaievo^ o4<', Hsa^ a Í7m«na90, igual a ft^ 
Pr«tcttEa»(k> em ARCOEMINO qs. algamuM)» 
9 » S » » acbaremos: JSEftON, 

«4 M ABRtt (Terpa /•eif«). 

vi4»m4a».^B* um gFopo d'c8lreUa$ coUocuda» 
HQ pesoQÇo áf> 9igB0 : Toqfo, correftiKwdenle m 
Q)ez d'afiril ; ficão à direita áo )>oidrió d^Orion, 
subindo para a «orle, edesappajrecem oo prineípiiQ 
^QVktono. Tirôo o> Boroe diurna patavra grega qQ« 
significa : navegar, em ra^ão d&se supporem «ot 
lempos aiitigoa fataes aos navegantes. No seu U* 
Yfo mtilulacto : Nnntius$yder$u^, aíBrma Galileu 
ter descoberto com o se« telescópio 40 estreMaa 
n'aqi«eHa constellação^ na qual não vêem oso^Jboa 
jm^ mais do que sete, a qne im po.z o nome de: 
Electra, Mérope,Maia, TaygoRie^ SUrepe, Akio^ 
ne, e Celeno, filhas de Pleione. mulher de Atlas. 
Perseguidas, segundo a (ibuk» pof Orion, seu 
namorado, recorreram a Júpiter, seu pai, que lhes 
deu o céu por asilo, e as converteu em estrellas. 
Ora se vêem seis, ora sele, pelo que disse Ovidú): 
Qum ê$§^tem 4iei, 9ex ténm es9e solent. hn o 
mesmo poeta» moratisai^do a fabula, que pt das 
sete irmãs que de ordiaario se nio deixa ver tão 
claramente, éMérpp^y que vendo as ^is irmãs ca^ 
sadas com deuses, tem vergoiíha de apparecer, 
por |arctasAil<^ e^tn Siaypbdir simples mortal. 



Í5 DE ABRIL {Q\iarta feira). 

Thetouro de 8 . Mat-oo*. — Era riquissíAo este the- 
souro da republica veneziana, formado dos des- 
pojos de Constantinopla. Está n'uma salla com 
quatro portas de ferro,qae se fechSo logro, por uma 
certa mola, sobre os que lá entrão. Tomou-se es- 
te cuidado, em consequência do roubo que fize- 
ra em 1427 o candiola Slramati. 

Entre vários e nrai uum(>rosos objectos que or- 
não o tbesouro, taes como : vasos d'agatha^ uma 
finissímá saphira de peso de 10 onças, etc. etc-, 
ba (e é séro duvida o mais precioso'e importante) 
um manuscrípto em folhas de pergaminno muito 
velho, quasi que em pó, que dizem ser autho- 
grapho do Evangelho de S. Marcos. As três ou 
quatro letras que d'elle se podem ler são origem 
para dissertações dos antiquários. Dizem uns que 
tão gregas, outros que sdo romanas, outros que 
são hebraicas, o que diminue muito o crédito de, 
tal singularidade. 

S6 DE ABRIL (Quinta feira^, 

Bo» letra. 

Obl mal baja quem bem ceda 
Secretario te nâo faz. 
Que a tua letra é capan 
De guardar todo o segredo. 

Migutl d0 C»ut$ Çuêrr$iro. 
Mi 




27 DE ABRIL (Sexta feira). 



•Thargeli 



- Festacelebrada antigamente pelos 
athenienses em honra 
de Apolio e Diana^ ou 
dosole da]ua,Dome2 
de Abril. 

Para obterem d'a- 
quellas divindades in- 
dulgencias e colheitas 
abondaates, sacrifica- 
vão-lhes dous homens, 
ou um homem e uma 
mulher, que para isso 
se andavão engordando 

for espaço de mezes. 
evavão-nos com coi- 
tares e braceletes de íl* 
ffospassados> eião-nos 
— _ desancando pelas ruas 

com ramos de figueira; depois de immolados, 
queimavão-nos, e aâ cinzas lançavào-nas ao mar. 
^ão ha festa mais divertida! ... 

Awitima verdade. —Logo depois de cleito ccr- 
to Papa, cheçou-se-lhe um Cardeal ao ouvido, e 
disse-ihe : «Eis-vos Papa ; ouvi pois a verdade pe- 
la oitima vez : seduzido pelas adulações do mun- 
do, Hies julgar que sois um grande homem, quan- 
do ngo passais a'um pedaço d*asuo. Com esta vos 
deixo, para vos ir lambem adorar. Estou para 
vos obedecer. 
805 




I8DE AMtIL {SaUéíof. 

AigodSft k«ii&a<MÓ. -^ À09 lavradores -chi nossa 
lerra recommendamofi o seguiAée «i^acto d'uma 
earta publicada na Gazelta Oj^«i(rfd)^Guadelupe: 

a Notei eu, no outono passaoiu ao éçscer o Mis- 
sissipi, grande porçHo de arbust^ailibfs de 30 m 35 
eentimetros d^altura, em ambas d««MweQS dq, rio; 
formava cada um d^elles f ma esfíi&cit de i?nialíe- 
to d'alvissima côr. Faoil ne^lbi veconlufet <I<M^- 
átío herbaoeo, cuja iii(ro)diieçã«i i0t v&iw^eki]^ ae 
me fijBpiraca s^npre de gfaQOOUtiKdai^. M vol- 
tar al(i,aAigi*me ao ver at desfaça em ^p» 90 achar 
va a nossa agricultii4pa, e o^ (lOAQoar ca«iif8oa^ do 
muitos doa nossos proprieúwMB, e naKimtoMAe 
meoccorreu aciitiura do aígotUa A«ir&aipfa, a<|«ial 
é fácil e pouco dispendiosa. Mmtei Hr mm»$r 
tes ú9iNo9aOrleans^ è aisal^ d& ehi^W^^v^ ^ 
quantidade sufilKieBte pan^^úiâerosask axperion- 
eias. 

. O algodão herhã^ò c^h-se em toda a ^salicMe' 
de terreno, mas pf osnéraparticttla^iiiiinte nos cli* 
mas quentes. Bastão-lbe^sseÉMUias, dbus meses 
quando muito, para crescer e produzir; no fim does- 
se tempo cbega ao maxiakode^iM»VoKineiilo; 'hr- 
rançasse, e faàlmente ao separa oalgodao^do cau- 
le a què adhere. £im clima» semelbanies ao noaao 
pttdemrae^fa^r seiseollioitasfwranaonom^Mno 
t«rreno4 £'.iMia planta que de pouca se aittlenta. 
Vraa geira de tenra leonsagrada. a. isto âarlagi^in- 
debeneíieiò. Neailum trabalho penosa exigeaí es» 
ta cultura e colheita; mulheres e creaaaM podem 



n^ellas einpregaf*se. W çhetella qualiAdd este al- 
godão 6 certíssimo o seu consumo.» 

CaMB «tecomméreio-bft ebi Lisboa e no Porto 
que estSO em frequente» Telaç5e$ còm m Estados. 
Unidos; Ttada hapois nairs fácil do que mhndar rir 
algumas sementee de tal pfanta è experimentará* 
também cá, pariicuiármente no Airárve e Ilha». 
(4.9a.p.88. ÁM.p.il.) 

29 DE ABRIL {Domingo), 

Sortilégio. — Um do» mais usados sortilégios 
'nos séculos XIII, XIV, eXV, cuja origem parece 
remontar aos povos da antiguidade, que por Oví- 
dio foi claramente déscripto, e de que ainda se 
achão vestígios entre certas nações barbaras do 
Novo Mundo, e parliculârmeínte entre os selva- 
gens do Canadá, consistia em picar com uma agu« 
lha a figura de Cbtn d^aquelles que por sua alta 
posição Mavâo ao abrigo dos malefícios vulga- 
res. Proferião^se ao mesmo tempo tttversas ror- 
iQBlafl com impregnações contra elles, que se jul< 
gava ^offrerem na mesma parte em (|ue era pica- 
da a àua imagem; uma picada no coração era 
de fé que produzia morte próxima; Fdi^accusa- 
do d'lim sortilégio assi me d outfo» análogos, que 
Enguerranâ de Hurigny foi condemnado á morte 
e levado áo cadafalçò e» 2&tté Abril de ISlK^ . 

Gottio •« eiritto fitmééé êe reipat. — LavandO 

mãos 6 cara com agua de colónia, ou d*alfazemsi; 
vinagre, ou agttafdeBte» 



30 DE ABRIL [Sêçtmdã feira). 

Amabilidade BatMaimana. — Estranhou uma Se- 
nhora ao embaixador turco, em Paríz, o poder-se 
um musuimano casar com muitas mulheres, a Sim 
minha senhora, lhe respondeu o diplomata, per- 
mitte-o a nossa lei, para podermos gosar em omi- 
tas o que sò em vós se acna reunido. » 




í DE MAIO [Terça feira). 



Maio pequenínc^. Maio *e Main. Mastro de Maio. — 

Este mez é particularmente consagrado á Virgem 
Maria. Tio seu primeiro dia usão ainda agora enire 
nós os rapazes percorrer as ruas, festejando e 
acclamaiído uma creancinha enfeitada de flores 
a quem dão o nome de : Maio pequenino. Na pro- 
\incia do Minho põem à boroa das estradas um 
menino eumameninacom onome de: Maio e Maia, 
deitados n'uma camilha de flores e verdura, eura 
prato ao pé para os passageiros deitarem a sua es- 
mola. Ém França e Hespanha é uso dos campone- 
zes irem obsequiar as pessoas principaes da terra, 
plafttando-lhe diante cia porta um mastro enfeita- 
do a qne dâo onomede:Maio(A.51,lrfeil/aio). 

2 CE MAIO [Quarta feira). . 

U«na boa nora. — 

« Uma cousa que nun- 
ca heide perdoar a 
rneíi marido (dizia cer- 
ta tóiirhép levadinha 
da breca) éter nascido 
de semelhante mãi! 
Boa nora!... 
A uma nora mere- 
cia ellã.ándâr amarra- 
da toda a sua vidai... 
Amáiorfoftwi.ad'È- 
va, dizia ou Ira da mes- 
ma laia, foinHo ter so^ra que aturar! .. 
209 14 




3 DE MAIO {Quinta ftnra), 

A ESPCBANÇA. 



^Do meu pastor inconstante 
Nfto é essa ao longe a lyra ? 
E^' essa, mas já nSo sôa 
Por Tbyrse que índa o suspira 

Não é por ti que se toca, 
Pobre pastora, não é!... 
Ah! quanto eu fui desgraçada 
Em lhe dar a minha fé I 

O seu' canto e a voz dos echos 
Repetiram vezes mil, 
Das raparigas da aldeia 
Que era Thyrse amais g«ntil 

Que eu era a sua pastora ; 
Que era elle o meu pastor ; 
Que eu lhe seria traidora 
Sem que me-fosse traidor. 



Na manhã dos meus lòannos 
Na minha cabana entrou, 
E em quanto me punJha flores 
Seu destino lamentou. 

— ittCruel.podestu, disseelle, 
(( De meus lormentószombar! > 
E eu lhe disse — loSê constante, 
« Deixa o tempo trabalhar » — 

A primavera, que vira 
Nascer do ingrato os ardores. 
Os vio decrescer, mufchar-se, 
Quaes murchSo asminbasflôres. 

Mas zephyro ás flores torna 
De quem fugira inconstante: 
^,E não pode inda ser Daphne 
O meuDaphne,o meu amante? 



{Brasileiro) 

. Falladora de proíiti^ão. — NínOtt dízia multaS ve- 

zesaM.^^deGhevreuse: «Se eu soubesse que de- 

Sois de morta havia de encontrar no céu as pessoas 
e minha amisade para conversarem comigo^ mui- 
to havia de desejar morrer l » 

210 



4 D£ MAIO {S09ta^ fêiri^). 

Baitieo. ^ Grandíssimo golpho do Mar do 
Itorte. Confina com as costas de Dinamarca e da 
Saecia a 0., a E. com a Bothnia, a Finlândia» a Li- 
vonia, eaCurlandía, aoS. com a Polónia e a Prús- 
sia. Tem 1900 kilometros (475 léguas) de com- 
Í>rldo sobre 250 (62 léguas) de largo. A sua super- 
icie, comprebendenoo os çolphos da Bolhnía e 
da Finlândia, é de 65,000 kilometros quadrados. 
£* muito mais perigosa a navegação n'este mar 
do que no Már do ISorte, em razão dosimmensos 
rocne^os de suas costas e das freguentes mudan- 
ças de vento. A sua agua é mais íria e mais clara 
que a do Oceano; contém poucas matérias sali- 
nas, três ou quatro mezes cada anno interrom- 
pe o gelo a navegação em toda a sua superfície. 
Quarenta rios se lanção n*elle, cujos principaes 
sio : o Neva, o Dwina, o Oder, o Yistula, e o 
I^iemen. Mais de 10,000 navios atravessão todos 
DS annos o Mar Báltico, vindos do Mar do Norte, 
lèm um grande numero' de ilhas. 



» esqniiito. — De MonfAlcgrc me informa o 
lU.^^^Snr. João Teixeira de Mesquita, que ha na Sé 
deMicanda do Douro um sioo que foram pôr no te- 
lhado. Puxando por uma corda que esta no meio 
da iffreja dá três badaladas que se ouvem em toda 
a ciaade, menos dentro dá mesma igreja. Poucos 
sineiros se gabão de tal fortuna 1.. 

(ÁTitp. 267. A. 53 0. 242. 347. 
i. Up, 75) 
«11 ♦ 



5 DE HAÍO [Sabhado). 

Penitenciai po ladostio. Não ha terra DO mun- 
do em que mais singulares do que no Indostão se- 
j5o as penitencias. Referiremos algumas : 

Vivem uns, 40 annos e mais, n'uma gaiola. An- 
dão outros toda a vida com ferros aos pés. 

Andão uns com as mãos sempre fexadas, paraque 
as unhas, crescendo, se lhes enterrem na palma 
da mão e a atravessem de lado a lado; agaritio-se 
outros a ramos d'aryores até que os braços com- 
pletamente se paralysem. 

Fazem uns o voto de estarem sempre em pé, e 
outros de se não deitarem senão em camas com 
picos de ferro que de continuo os acórdão. 

Uns Olhão para o sol até cegarem de todo; con- 
servão-se outros sempre ás escuras. 

Têem-se feito enterrar uns com a cabeça para 
baixo e os pés só de fora, em quanto outros hão 
ficado só com a cabeça de fora, e só pestanejando 
se podião defender das aves de rapina que lhe vi- 
nhão depenicar na cabeça e na cara. 

Muitos se hão cortado mã03> braços, e lingua. 
' Houve um palerma que médio cora o corpo a 
distancia de Benares a Jaggernaut (que é de moi- 
tas léguas)^ deitando-se no chão, pondo-se empe, 
tòrnando-se a deitar e pondo a cabeça onde ulti- 
mamente tivera os pés, até chegar em ar de co- 
bra (e de tX)lo) ao sitio aprasado. 

São espertos, não ha duvidai... Se fosse preci- 
so tudo aquillo para agente se salvar... coitado de 
mim ! ... c coitado também de vocemecê que me lé ! 

S12 



6 DE MAIO (Domingo). 

ommpo Elyiio. — Gom este titulo pnbHqxiei no 
meu livro : Camões, uma nota que vai dapagina22& 
até pagina 250, e que supponno bSLo foi lida, nem 
as outras. £* pena, porque allí se pedião cousas 
muito faeeis e muito boas, se a alma, se a poesia, 
se o estudo^ se a gratidão, se os brasões da pátria, 
se a fecundação intelleclttal, e se o futuro, se de- 
vem ter eatre os homens por cousas de algum apre- 




ço. Como este Âlmanach, impresso a tantos mil 
exemplares, tem de ir a muita mão, e pode dar a 
boa sorte que algum vereador influentes que al- 
gum Governador Civil, que algum membro ao cor- 
po legislativo, ou o ministro das obras publicai, 
acertem de pór aqui os olhos, tornarei a suscitar 
quanto seria justo, glorioso, excitati^o, eintei- 

21# 



ramente exequível, um campo elysio, ou cetnl- 
terio privilegiado, para os beneméritos ; idéa em 
cuja defeasa: sò podem eseveter volumes, e contra 
a qual o maior eogenba u&o dlstiUaria uma só U* 
obff que não repufuasae p«lo fétido d'iDgratidão. 

A. F, áô CaUilho, ' 

1 DE ^klO {Segunda feira), 

remarias. — N'este dia começavão os romanos 
a festa assirn chamada, e que de 9 passava alie 
de 11 a 1^ do mesmo mez, vindo a ser um triduo 
interpolado. Q &m era afugentar da casa, e da 
presença dos vivx>», os phantasmas importunos, 
almas do outro mundo, ou trasgos, como hoje 
diríamos. GonsisUa principalmente a ceremonia 
em se levantar da sua cama o d<mo da casa por 
volta de meia noite, ir à fonte lavar as màos por 
três vezes, levar favas pretas na boca, e iPas ais- 
parando com o sopro para traz das costas a uma 
e uma, dizendo ; « Com esta fava me resgato a 
mim e aos meus. » 

A cousa má, aventesma, oulemiiria, entreti- 
nha-se a apanhar as favas, que por ser ás escuras 
lhe havião de custar a achar, o homem safava-se, 
trocava-lhe as voltas, e vinha fechar-se em casa, 
onde terminava a solemnidade com espojar-se. 
A familia acompanhava o acto com grande motim 
de bacias e vasos de metal. 

Durante aquelles seis dias era de mia agouro 
o casar, e em geral por todo o mes. 



8 DE i\ÍAIO [Terça feira). 

HemUplierlof de Ma^deburgo. — £' O DOIUe qUÔ 

se dá a duas meias espheras concavas, de cobre, 
ama das quaes tem uma espécie de torneira pela . 
quat se pode ajustar com a machina pneumática, 
e a outra uma argola de cobre. Juntão^-se esses 
dous hemispherios um ao outro^ de modo que 
formem um globo; extrahe-se-ihe todo o ar^ 
e só com grandíssima força, superior â de uns 
poucos de cavalios, se podem depois separar. 

O nome doestes hemispherios vem-do inventor» 
Otto de Guerike, bourgmestre de Magdebur^o, 
a quem também se deve a invenção da machina 
pneumática. 

(A. 53 p. 30».) 

9 DE MAIO [Quarta feira). 

viem»9, — Por tanta vez se ha faltado nos UU" 
mas, depois da complicação dos negócios do Orien* 
te, que não será fora despropósito dizer o que.se* 
jão a quem por ventura o não saiba. £' o nome aue 
dão os turcos aos doutores daleimusulmana. âão 
em geral empregados nas mesquitas, nos hospi- 
taes, nas escholas, e incumbidos de explicar o Al- 
corão, de velar pela educação dos Príncipes, de 
exercer empregos diplomáticos, e de administrar 
j ustiça. Da multiplicidade de suas attribuições re- 
sulta muita vez uma extraordinária confusão de 
poderes. 

(4. 31,30 deOuíuhroy 
215 



10 DE MAIO [Quinta feira). 

npeoet homriot. — Està-se agora fazendo en 
Bf axellas uma nova e mui útil applica^ão da ele- 
ctricidade. 

Estabeleceu-se uma corrente eléctrica entre o 
relógio do Observatório eum ponteiro fixo a ca- 
da lampeão d'aquella capital, de modo que todas 
as vezes que o relógio da horas, ou meias horas, 
immediatamente asmdica também o ponteiro n'um 
dos vidros do lampeão. Ninguém d'ora avante dei- 
xará de saber aili às quantas anda. 

charada. 

|<(o calmoso e ardente estiojRotre as areias ardentes 
Em que a bris^ be.mfaseja Julga ao longe um lago ver; 
Repousava entre palmeiras Jii)' logração do deserto ; 
. Sem bulir o quer que seja,|Mosira agua sem a ter. 
Um viandante cançado iCahe sem fo^rça o viandante 
Lana Arábia se arrastava, Sobre a areia escandecida, 
E ;quasi morto de sede \e quasi, quàsi, a segunda 
A primeira Ibe faltava...! {Lhearrancaoreslodavida...! 

No emtanto o sol dardeja: 

Parece arder o deserta; 

Não SC ouve o vento ao longe, 

Não se sente^ragem perto!... 

O misérrimo n« areia, 

Exhausta a vitalidade, 

Não se queixa já do lodo^ . 

Porque entrou na eternitlade. ^^^ 

21 G 



11 DE MAIO (Sexta feira). 

Corda de enforcado. — Enforcou-se em Paris por . 
sua mão, não ha muito, um pobre homem, cons- 
ternado por ler perdido o ténue emprego de que 
vivia. Corda de enforcado, dizem que é bom pre- 
servativo de desastres. Todos os visiuhos da es- 
cada quizeram ier o seu pedacinho da fatal corda ; 
um que esportulou mais alguns soldos, levou maior 
porção, com o que se deu por forro para todo o 
sempre de penas e trabalhos. !N'esse mesmo dia, 
atravessanao uma rua populosa ao tempo em que 

passavâo um car- 
ro carregado e 
uma sege, vio-se 
entalado entre el- 
les,sem poder va* 
Ier-seeiHgir:ca- 
hio, passaram-lhe 
as rodas do carro 
por cima das coxas, quebraram-lh'as, levaram-no 
para o hospital aos gritos, poucos dias após falle- 
ceu; os outros, escarmentados com o successo, tra- 
taram de queimar muito depressa as suas cordas 
de enforcado, persuadidos de que, em logar de fa- 
zerem bem aquellas relíquias, tinhão pelo contra* 
rio mandinga, e punhão em eminente perigo de 
quebrar as pernas. 

Factos doestes na chamada capital do mundo ci- 
vilisado provão claramente quanto o povo, em to- 
da a parte, jaz ainda longe da necessária instruc- 
cão, e como a carência de educação religiosa e de 




iioç5ês geraes de philosophia^ atifo facillimas de 
transmittir pelas escholas â população, occasiona 
todos 08 dias desgraças funestíssimas. 

12 D£ MAIO [Sabòado). 

o Í>OéTA. 



O. poeta olo «onhece 
Bb terra senão as flores. 
S« o «leiengano viesse 
Roubar-lhe g^entis amores 
Queaalmalhe trouxe do céu; 
Se em ¥61 da terra d*outr'ora 
Oa d^horisoutes futuros, 
Se em vès de sonhada aurora, 
Bo occaso Os goiphâoe esèuros 
Iike mostrasse o roto véu!? 



Se despertasse o poeta. . . 
Não poderia já Bel*o 1 
Ovidio seria géta(*> 
Se um dia sealásse gelo 
Onde tinlia o cora/ç&o. 
Apagar-ser-h^a a centelha, 

Qúo o gei|ioIhekcei»íd«taiiehawB«s, 

Queessevéuqueoscéifie^pelha, 
A-Homeros« ^lajnSes, « Qamas^ 
Mmido8,^loría, e d«nsetd%»! .. 



Vires para amar ! nlo queiras 
Gratidl^es erh recompensa; 
Ama. sim, de mi'1 marneiras. 
Ama sempre 1 ^e é immeosa 
A missio que te oondus. 
Ama toda a humanidade» 
Sem vèr nos homens o homem ; 
Fáte como a ciarldadè. 
Que pede aó qne lhe tonàettr 
E acceltem calor e lui I 
LiibM» 1 3 dte Mki<^ de 1 i854. Luiz Filippe Leite. 

(*) laoia-se o artigo sobre os petas a pag. 334 do premen- 
te Almanach). 

fl8 



la DE MAIO [Domingo). 

»«riieirot obtnff. — £m todas 9s cidades do ce- 
leste ifliperío andão os barbeiros pelais ruas, to- 
eQndo uma campainha, para que os fí^éguezes 
saibão que vão passando. Trazem comsigo um 
banco, uma bacia de barba, uma toaiha, um 
pocariabo d'agua quente^ e uma espécie de foga* 
reiro para lhe conservar sempre o mesmo csíor. 
Assim qiue os cbamão, põe obancò no sitio da fua 
que mats commodo lhes parece, ensabeão aeabéça, 
kfflpâo os ouvidos, pintào as sobrancelhas, fazem 
a barba, e cseovâo o fato, tudo isto por uma moe-« 
dhiha de cobre que poderá valer, quando muito, 
dez réis. Não ha nada mais barato, se é que não le- 
vào, da cara e da caberia, peio menos um vintém d» 
carÁe. 

14 DE MAIO (Segunda feira). 

PéroU« improvÍMidat [A. 53, p. 142. A, M, p, 

100, ISO.)— Acaba de chegar á Indaterra uma 
curiosa amostra de pérolas artificialmente obti- 
das pelos chins em uma espécie d^ostra ou con-' 
cha de mar. Introduzem-Ihe um bocadinho de 
páu, ou uma pedrinha, que titilla^ ou para fat- 
iarem linguagem mais vulgar, faz cócegas, aoadi- 
mal em quanto vivo, é o obriga a depositar no fuií-' 
do da concha o gérmen da pérola. 

Introduzem também ás vezes bocadinhos de 
metal, os quaes, depois d« cobertos por aquelle 
gérmen, lhes servem de relíquias. 

(^. 51, 7 de Maio e 31 de Otítubro) 
fl9 



13 DE MAIO iTerça feira). 

Fraotot eléctricos. -^ O ralo passáfa pelo supre- 
mo destruidor ; o raio deverá passar deotro eiB 
pouco peio creador supremo da natureza, porque 
o raionfio é, em ultima analyse, mais que a electri- 
cidade, e a electricidade é provavelmente a gran- 
de palavra dos enigmáticos phenomenos da vida 
e da reproducção em toda a natureza or^anisada. 

Arrancar o raio aos céus, como Franklin, e pro- 
hibir-lhe devastar a terra, era já muitíssimo, mas 
que se dirá quando se vir que a sciencia, não con- 
tente com os serviços que a matéria do raio presta 
de continuo, einvisiveimente, á vegetação, a obri- 
ga, por artificiosos conjuros, a vir auxiliar agran- 
do arte do agricultor, a avolumar-lhe e a sasonar- 
lhe os fructos, e a fazer de cada prédio rústico um 
paraíso, e do mundo todo a terra da promissão !... 

E' isto o que desde 1844 se começou a descobrir 
em França, pelas tentativas d'um agrónomo dis- 
tincto, e o que ultimamente se tem confirmado nos 
Estados Unidos, por experiências numerosas. En- 
tre duas chapas de metaes diversos coUoca-se um 
arame cujas extremidades ficão presas ás mesmas 
chapas; este arame communicador passa pela plan- 
ta cuja maturação se pretende aperfeiçoar; ornais 
corre por conta da natureza; a seu tempo, ou an- 
tes do seu tempo, apparece o fructo» faz-se gigan- 
te, formoso, e suavíssimo. 

Não será por isto mesmo, que a natureza tornou 
as arvores, e as plantas em geral, feixes densíssi- 
mos de conductores eléctricos? 

ttO 



A ignorância dos antigos tinha dado a Júpiter o 
raio; ascienciados modernos furta-ili-o,reparle-o, 
e o entrega por mão das artes a Pomona, a Verlu- 
rono, a Flora, a todas as divindades campestres, 
alegria, encantamento, e sustentação da terra. 

16 DE MAIO iQuarla feira. Ladainhas). 

Ambawaet. — Sao as rogaçõcs, ou ladainhas do 
Haio, a sanctificação christa das ceremouias pa- 
Kan$-romanas,chamadas : amòarvae^, palavra que, 
derivada úeambire arva, significa: rodear os cam- 




pos. Duas ve^s no anno se faziSo as ambarvaes ; 
em Abril e em Julho : da primeira vez invocando- 
se em favor das sementeiras o Pai Marte; da segun- 
da, Jano, Júpiter, e Juno, em favor da colheita. Os 
moradores de Roma que tinlàâo fazendas pelos ar- 

m 



rabaldês, sahião da cidade òoroados de carvalho» 
na companhia dos sacerdoteschamados: Irmãos Âr« 
vaes, que erão doze, creados jà do tempo de Ró- 
mulo; para este fim, ião rodeando processionalmeD- 
te as quintas com orações em que se esconjura- 
vSo todas as doenças e pragas dos camponezes, 
dos gados, e das terras, e finalmente se fazia o sa- 
crifício <tt-ot7^-^aurt7, assim nomeado por serem as 
victimas, uma pprca, uma ovelha, eum touro. 

Os lavradores remotos da cidade tinhSo também 
as suas ambarvaes, de menos pompa sim, mas da 
não menos tocante devoção. 

[A. m, 26 d^MaiOy U'de Julho, U de Agosto. 
J.nSp.n, 164. ^.54p.34.) 

17 DE MAIO 9i {Quinta feira. Ascensão) 

Ntonte oUvete. — Assim chamado das muitas oli- 
veiras que n'e11e havia. £' o logar sagrado para 
,tmde J. G. muitas vezes se retirava a fazer oração 
. e d'onde aubio ao céu no dia de sua triumphante 
'Ascensão. Do alto d'este monte se descobre uji ban- 
'da do poente toda a cidade de Jerusalém; fica o 
> Valle de Josaphat entre o monte e a cidade. Divide-, 
se o monte em três cabeços, nos quaes se diz que 
levantaram as concubinas qe Salomé ^ttaf es aos 
seus Ídolos. No oqteiro mais alto ainda se vêem as 
ruinas d'um magnifíco templo, edificado por San- 
ta Helena, e no meio diurna das nay<es uma peque* 
na capella de forma octogona, com uma figura em 
cada um dos oito ângulos, e seu ziiAborio poí ci- 
ma; o pavimento é todo de lagedo^ exoepto o lo^ 



gar da rocha d^oode o SENflOit, estando em pé, su- 
mo ao céu, logar gue fica descoberto^ e em que se 
observa o vestígio do pé esquerdo de J. C., mi- 
lagrosamente cavado altura de três dedos, e si^ 
tuado demaDeira^ que bem se conhece que ao ele- 
var-se, tinha o rosto virado para o norte. E' opi- 
nião d'alguns que deixara impressos os vestigios 
d'ambos os pés, e que ob turcos levaram o do pé 
direito, para o guardarem na sua grande mes- 
quita. 

is DE MAIO {Sexta feira). 

caiottio ciai probabftHdsâBff. — Foi lovado a gran- 
de augmento pelos célebres Laplace e Poisson. 
E' a esta sciencia que se deve a creação dos Se- 

f^uros de vidas, fundados nastaboas de morta- 
idade feitas por ffalley, O aperfeiçoamento das 
taboas astronómicas é devido também, em gran- 
de parte, aos recentes progressos feitos n^este 
ramo. A theoria das probabilidades pode dizer- 
se que não é outra cousa senão o bom senso, 
reduzido a calculo. 

19 DE MAIO (Saftftado)/ 

Um homem bicolor.— O poéta franccz st. Amant 
eslava uma noite n'uma reunião onde lambem se 
achava um individuo de cabello preto e barba 
branca; repararam todos na novidade; St. Amant 
chega-se a elle e lhe diz: « Pelo que vejo, tendes 
trabalhado mais dos queixos que da bola. » 
22t 



UmUklO {Domingo). 

A Providencia. — Todos conhecem aqaelles dois 
belios versos de Racine sobre a Providencia : 
u Aux petitê des oiieaux il donne la pâturcy 
a £t sa bonlé í'étend sur touU la nature. 



íULA 




Oulro poeta distrahio-se da fome, parodiando- 
os n'esles dois : 

« Afix pedis des oiseaux il donne la pâtnre, 
« £i sa bonlé n'exclul. . . que la liltirature, 

(A.511?. 276.A.54. p.l66) 

Antíttheaet. — .Tendo-lhc perguntado um ho- 
mem para que Ihelinha sido precisa a pbilosophia, 
lhe respondeu o phiiosopho: «Para viver comido. i> 

224 



21 DE MAIO {Segunda feira). 

Leopardo. — Deriva-sc esta palavra de duas 
gregas que significão: leão e panlhera, porque 
d'ambos participa este bravo animal, mammifero 
da familía dos galos, originário do Senegal e de 
Guiné. Tem uns três pés de comprido ; o pelkr 
amarello no dorso, e branco por baixo do ventre, 
com manchas pretas. Caçâo-no os naturaes d'a^ 
quelles dous paizes com as suas azagaias, ou fa- 
zendo-o cahir n'uma cova coberta de verdura: os 
dentes do kopiirfJo píiírrirrin noRti^ votide-se- 




lhe a pelle, e com a carne faz-se um banquete na 
tribu. Ataca indistinctamente homens e animaes, 
e produz a maior assolação nos paizes que per- 
corre. Tem o olhar feroz, os olhos em continuo 
movimento, os dentes fortissimdl, e as unhas agu- 
das. A[)esar de multiplicarem immenso, nem por 
isso deixâcrde ser raros os leopardos, porque os 
tigres, que habitão em grande numero as mesmas 
regiões, dão cabo d'elles. 
225 15 



4í DEMAIO(ferca feira). 

AS TOtPEIRAS E A AGOIA. 

APOLOGO. 



R^unjdês as toupeiras 



Decidem fazer â águia 
De^ahHda eerua guerra. 



N'e$te t>roposito assaltao 



Em certo logar da terra, De chofre o pássaro altivo. 



Contando tefo seguro, 
Seja morto ou seja vivo. 



ÉntSo este bate as azas, 
Ptír iivr:it *se da avança, 
£ se remonta onde a fúria 
Das toupeiras nfto aleança. 



Entre os hnmcns também ba 
Tou pei ra s q wefjs ze m gí j e i tíi ; 
O peíor é oão í^ahirem 
Um palEíio acima da terra. 



Como a águia habita o génio 
Nas alturas sobranceiras ; 
Dasalturasoãoseen^ergãOi 
Bscuras, cegas , ^l^vipçiras . 



"*" . (Br4uiieir0,) 

ftâ DE MAIO [Quarta feira), 

o que é ler verídico. — N'uma companhia cm 
que 86 achava o nosso famoso Morgado d'Assen- 
iiz, entrou um (iDs mais famigerados mentirosos 
da capitaL Saudando este, com a fórmula sacra- 
mentai^ Muito boa noite, meus senhores— o 
Morçado, voltando-se de repente para uma crea- 
da, aisse : c Abra as janeilas, que já é dia. » 



tiBEMklO {Quinta feira). 

Ottltiiva • exp^rta^S* da Puri^uelt». — >- De UDlft- 

memoria Dublieada pelo excellente patriota e já: 
faliecido GeneralPtijicA (de quem tanto ainda ho-^ 
je se recordão as Ilhas de Cabo Verde, a que na 
qualidade-de Governador prestou importantes tf 
valiosos serviços), extrahimos o seguinte: 

« Existe n'estas ilhas uma arvore silvestre cha* 
mada : Purgueira,, de cujo frueto (que se parece 
com uma noz verde) se extrahe um exceilente 
azeite, de que se servem os habitantes para luzes 
e sabão. Vegeta e prospera por toda a extensão 
das ilhas, e nãò exiffe mais trabalho que plantar 
uma estaca em Junho, ou semear um grão eoi 
Agosto, para immediatamente vegetar e cres^ 
cer com pasmo^a rapidez. A sua propagação se« 
ria de muita utilidade, porém ninguém nisto 
pensa. Um só dia cada anno bastaria que se dedí* 
cassem a esta geral plantação ou sementeira, que 
em poucos annos severião as ilhas cobertas d' es- 
ta arvore, que não só dá o azeite com o seu frueto, 
mas também, com a sua casca e madeira do tronco 
dá uma boa dnza para sabão e para tinta azul 
ferrete, e a sua raiz e sumo tinge e faz uma eér 
amareilo-escura. » 

A estas observações junta o Sfir. João António 
Leite as seguintes*: 

« A purgueira é o um co género que pode féíU 
citar as Ilhas de Cabo Verde ; só a exportação de 
seu azeite convém ao coramercio e prosperidade 
d^aquelle ard^ipelago; favorecera será salvar 
127 



aquella terra, sendo certo o lucro de tO a 30,00ft 
réis, e mais, por pipa. O café não produz senão 
juBto.ás ribeiras, e a purgueira até oas montanhas, 
e sem trabalho, servindo para azeite, para sabão, 
e para duas qualidades de tinta, azul ferrete e 
amarello escuro, depois de queimado o seu tron- 
co ou os seus ramos, que servem comolenba, cu- 
ja cinza tanto proveito dá. 

a5 DE MAIO (S«a?/a /etrc). 

▲Uorio mowatruoto. -^ Ainda hoje se vé na Me- 
ca (A. 51, S de Junho) um livro como não ha 
outro no mundo. £' o Alcorão (A. 51, *òOdâ Ou- 
tubro)^ todo escripto por um devoto musuimano 
e seus dous fílhos. As letras téem umas três pol- 
legadas de altura, e o volume um pede grossura, 
ft p^s e Spollegadas de comprido, e Spés e 8pol- 
legfadas.de largo- O texto roi todo escripto peio 
pai« e^ nas ehlrelínhas traduziram os fílhos a mes- 
ma :obra. em .língua pérsica.' A encadernaç2|o ó 
de táboas. Foi transportado o livro para a' tença 
natal de Mafoma às costas dlum caaiek><, e por 
lodo o caminho fora ajoelharam diante d>ile os 
verdadeiros crentes, que em romaria vinhão de 
muitas léguas de distancia: abria-se dç quando 
em quando o enorme cadeado que entre si ligava 
os dous taboados, e aoabrir-se o livro admiravão 
todos a (perfeição com que fora escripta aquella 
obra, cujo primeiro exemplar se persuadem os 
musuLmanos lia ver cabido do céu a folha e fo- 
lha> como já dissemos uloutro arlieo. 

228 



26 0E MAIO {Sabbadq). 

Modo de fUgar malfeitorei. ^ (f OrdeDOU O <ÍÍtO 

Senhor (El-Rei D. Manoel) que todo o official me- 
cânico tivesse na cidade deLisboa, à porta de sua 
tenda, e casa em gue vivesse e estivesse, um cro- 
que em haste de 1 6 palmos, tendo casa em que cou^ 
besse. £ quando nâo coubesse na casa, losse de 

§randura que na casa coubesse. £ fossem obriga- 
os com os dítoâ orocjues a acudir a qualquer ar- 

roido que 
se fizesse 
na rua em 
)) I que vives* 
sem, ou por 
^ onde fossem 
] / fugindo, alr 
' / gun»malftti« 
tores,e tra- 
balhassem » 
quanto posr 

sivel fbes fosse para os prenderem, e entregarem 
presos ás justiças. E nâo o cuiíiprindo assim, nJo 
dando e mostrando tal rasão que os absolvesse de 
culpa, pagassem mil reaes, ametade para quem os 
acusasse, e outra metade para a piedade, etc. etc. 

(Leis extratãganii») 
Esta bem extravagante é. 

Idade datmuifaeres.-^ F, na epiniio d'um criti- 
co, o único segredo que ellas sabem guardar. ; 
119 




VI bEUklO (Domingo). 

Bttendarle de amor. — FaZ hOJO deZ aDDOS que 

da «08ta de Inglaterra deu à vela John Franklin, à 
lesla d'uma pequena expedição, encarregada de 
explorar a passagem do norte da America^ passa- 
gem que sé nt) anna de 1853 foi effectivamenle dès- 
cobertaporMac-Clure. Qual fosse a sorte d'aqael- 
te oífictal e do seus companheiros de viagem, é o 
que ainda hoje «e ignora^ apesar de terem ido de 
*^eiitão paraeámuitãs outras expedições em sua pro- 
cura. 

Por que mc^ivo, ao pregar no chão úm|Eiastro 
DO alto do qual se vião ricamente bojrdadas as ar- 
mas dMnglaterra, na ilha desconhecida^ sijtuadaa 
mais de 80 graus de latHude, e a que deu por no- 
me: Garry,' cprriao as lagrimaspelas faces do atre- 
vido navegante que tantas dimculdades havia |â 
até então stoicamente vencido em sua longa e pe- 
rigosa navegação ? contaFo-hemos, pois é uma das 
mais bonrosaspaginas de sua histona. 

Antes de i)artir para tão temerária 6 arriscada 
expedição» tivera Franklin uma luta bastante pe- 
nora en tre a af feição e o dever. Casado de dou6 aa^ 
nos, estava sua mulher já quasi na hora do passa- 
mento, quando d*ella devia separar-se : revestin- 
do- se de uma heróica resignação ede um nobre 
Eatriotismo, pretextando o repouso de sua ultima 
ora e a gloria de quem por tão estreitos vínculos 
a ella se Figara, peaio a seu marido que não retar- 
dasse por suacaiisa o momento da partida, e no acto 
de uma despedida que devia s6r et^na^ JJieen- 

*30 



tregou uifta bandeira de seda/ bordada por suas 
próprias mãos, ro^ando-lhe que a não fizesse tre- 
malar senão em ali^ma terra incógnita dos ma- 
res do polo. Facli é pois de conceber a pungen- 
te Impressão de John Franklin, ao pregar nos ro-. 
chedos da Ilha Garry o ^rioso estandarte da 
Inglaterra. . 

28 DE MAIO {Segunda feira], 

sfloadAMiikt* em Boma. — Esti sLtuada em frenie 
de 5$o João de Latrão, e conduz a uma capella par- 
ticular dos Papas, em gue se acha grande quantt> 
dadè de reliqms ; por isso se lhe deu o nome de : 
Saneia sanctorum. Escada e capella foram obra de 
SistoY (A.U.pAn). Gompôe-se aquella de28 de^ 
graus de mármore branco vindo de Jerusalém, e 
que dizem ser os mesmos da escada dèPilates; é 
também tradição que J. G. os subira (B descera mui- 
tas vezes. Foi Santa Helena.mãi oeConstantinoMa- 
gnoCA.Sl^S^i^Aôn^A 52p.l54,309,3G3,381)que 
os mandou para -Roma com mártos outros electos 
sanctificados pelo sangue do Redemptor. £' tido 
aquell6 sanctuario na maior veniera$ão, e por isso 
se sobe de joelhos a escada sánla^ pela qual nin^ 
ffuem desce, mas sim por outra que fica ao lado. 
Gastos os degraus com o grande concurso de fi^is^ 
foi preciso forral^osde madeifa. 

Quin$a do Caraalhiid, Terme di 
Santarém, 28 de Maio (^«1894. 

Joaquif» José Ferreira Campof, 
231 




M DE MAIO (Icrca /eira). - 

Treft maravilhai. — Tres cousas me maravílhâo 
n'este muudo, dizia uma americana em Boston; 
primeira, atirarem os rapazes pedradas à frucla, 

quando ella 
tem de ca- 
hir estando 
madura; se- 
gunda, o ha- 
ver guerras 
em que os 
homens se 
matem uns 

aos oulros, quunLiu UnWi^ hão de morrer sem tan- 
to ruido; terceira, ocorrerem os rapazes atraz 
das raparigas, quando, se se não cançassem, se- 
rião ellas que correrião atraz d'eUes. 

30 DE MAJO iQuarta feira), 

, Voltaire.— E' boje anni versado da morte do 
céljebre Voltaire, nascido a 20 de Fevereiro de 1684 
e baplisado com o nome de: Francisco Maria Arouet 
de V oltaire. Foi poeta tragico,comico, satyrico, ly- 
rico^e épico ; foi historiador, romancista, pbUoso- 
pho, e critico; quasi que não ha género em que não 
exercitasse o seu engenho. Tomara por devisa o 
instruir o povo ; isto é, o dissipar-lne do animo 
crenças absurdas e prejudiciaes; mas de envolta 
com os erros guerreou, infelizmente, tanto as 
crença religiosas mais respeitáveis como fre- 

2â2 



ciuentes vezes os bons costames. Morreu na ida- 
de de9i annos, por haver tomado, contra uma ve- 
hemente excitação que lhe tirava o dormir, uma 
excessiva dose de ópio. 

{A. 51, 19 de OiiíM6rò,,il. 54p. 140, 443, 
249, 362, J. 54 p. S6.) 

31 DE MAIO {Qmnta feira). 

eorpo de Santa (fbeodotM. — Acaba de descmbar* 
car em Marselha o Bispo d'Âmiens, o qual sedíri- 
gio logo para a capital, onde condazio d corpo de 
Santa Theodosia, recentemente extrabido dasc»* 
tacambas de Roma. Aos que duvidão da identida- 
de da Santa, responde o calholico prelado, que alem 
dos incontestáveis signaes por que os Mártires se 
reconhecem, se achou na pedra sepulchral inscri- 
pto o seu nome, com a decíaraçSo de haver nasci- 
do em Amiens ; sustentâo ao mesmo tempo os ar- 
cheólogos romanos, de lodos os mais versados em 
taes matérias, que nenhuma duvida ha na inlelli-' 

§enc!a de tal inscrípcão. Afim' 
e que se apoie n'um facto po- 
sitivo a fé catholica, e de con- 
formidade com asprescripçOes 
da igreja no que respeita ao coi- 
to dos Santos, foi authorisado 
pelo Soberano Pontífice o de 
Santa Theodosia, e hospedada 
a santa na sua terra com mui- 
ta devoção e grandes festejos 
^ por três dias prolongados. 




1 DE JUNHO [Sexta feira). 

oétat.— Os Getas, segundo Strabâo, habitavSo 
o território para àíem dos suevos, a leste, no se- 

fuimeoio do Danúbio ; é o que chamamos boje 
ran8sylvania,Valachia, eiBulgíria, eque fica á di- 
reita do Danúbio. Fallavão os Getas a mesma lín- 
gua que os povos da Thraeía. Pretendem alguns 
escriptores que Getas e Godos fosse o mesmo, c 

âue os dois nomes não vinbão a ser em realida- 
esenãoum, supposta a modificação. Enganaram- 
se porém : os Godos habitavâo perto do Báltico, 
ao poente doVistula, eos Getas, desde o seu prin- 
cipio, sempre estiveram nas margens do Danúbio, 
perto da Dacia. O que deu causa a semelhante er- 
ro, é terem os Godos^ sob o império de Marco Au- 
rélio, deixado o norte e invadido o paiz dos Ge- 
tas, de forma que por um único povo o» tomaram 
a ambos. 

As sarcásticas allusões que Ovidio faz á barba- 
ridade e costumes semi-selvalicos doestes povos, 
lhes dão uma triste celebridade. Descabido da gra- 
ça de Augusto, o poeta sulmonense foi desterra- 
do de Roma, e por motivos que só elle sabia, não 
obstante as varias conjecturas da posteridade, se 
vio reduzido a.úf supportar a dureza de climas sep- 
temtrionaes, eamda mais que esses naturaes rigo- 
res, os desconsolos e solidão do espirito entre gen- 
te inculta, e longe de tudo que Ibe era mais caro. 

Mão obstautç a aversão que em diversos tre- 
chos de suas poesias vota a congelada terra do 
exílio, consta que aprendera o idioma gético, e 



n*ell6 composera ampaaegyrico a Auguslo, a ver 
se o abrandava. í^em as&im o coaseguio, qoe por 
lá se fiiMHi de saudade. 

Pois jà era empenho de agradar ao Imperador! 
Escrever em língua barbara quem compoz as if^- 
tamorphoses, os Fastos, as Eleêias, % diArte de 
amar:... (A. 52 p. 264. AM p. U) 

2DEJUNHO(5a6ôo(ío). 

Momealo de saudade, 

ile prado em collina meus olhos TagandQ, 
Dítís&o pastores seu gado a guardar, 
£ os mansos cordeiros em torno saltando, « 
Gostosos, sem magoas, com elles brincar. 

*Alli, no remanso da verde planura. 
Entoa seus easa tos o rude lagal ; 
Seus cantos dictados por doce ventura 
Do brando, singelo, vÍTer pastoral. 

Fendendo o cristal do ribeiro tortuoso, 
Aonde se espelha o nascente arrebol, 
O cisne de nere, a cantar sonoroso, 
Quio grato saúda o surdir do almo sol ! 

Por entre a folhagem das arvores copadas 
As aTe» desprendem seu doce carpir ; 
E 03 tenros filhinhos, saltando as ramada», 
Nos YÔos primeiros os páes vSo seguir. 
235 



Alem M eabe^t «rgnidbs negreja^, 
E lá lobre a ponta d^aquelle alcantil, 
K'um goio inDOcente — que os maus a&oinvej&o — 
. Deitados soltamos a ¥oz Tezes mil. 

O doca maraivrio da esbelta cascata 
Entrava pela alma, tão meigo — sem dor ! — 
Que vetes bebemos d'essa agua de prata l 
Que veies cantámos ao som do siridor ! 

Mas at ! — que estes quadros, de gozo iSo vivo — 
Não podem do peito arrancar-me o sofifrer ; 
NSo, nâo ; — que o desgosto nao tem lenitivo, 
Se ha »'alma saudade, se ha dor no viver ! — 

Jeeint^ ígnaeia de Brit&Ueheilo. 

3 DE JUNnO [Domingo). 

casa portátil. — Entre OS objectos mais curio- 
S0& da actual Exposição de Nova-York figura um 
bahu de tamanho ordinário, dentro do gual se 
contém uma casa bastante grande para alojar uma 
pessoa, com umsophà, uma* cama, eum gabão, 
tudo de gomma elástica. Compõe-se de quatro 
paredes» tecto, e chão, e não precisa seDão de 
quatro espeques em que se apoie. Enche-se indo 
d'ar com um foUe que também se acha denUo 
do bahu, e por meio d'elle se converte o gabão 
n'um bote, dentro do qual se pode atravessar 
um rio (A . m p. 38. 226. 294. 316 m. 356. 864. A. 
§3p.l62,171.19£. 207.215.222). 



4 DE JtNDO (Segui^da feir^}, 

UfSo a ▼*ido«of. — Passando Filippe H por To- 

ledo, e \endo um grande pala- 

^ cio, perguntou de quem era? 

SMê responderam- Ibe que de um 

w^B ^^ seu secretariot < urande gaio* 



la para tão pequeno pássaro! « 



replicou o Rei (A./ol, 30 de 
Maio, 10 de Agosto.tí de Sep- 
ícmôro. A. 52 p. 90. 139. A. 53 



p. €5, 240). 

5 DE JUNHO iTerea feira). 

Ferrugem dat olíireírat. — DesCObriO-Se agOra 

na Bairrada, que um cesto de cal virgem em pó, 
mettída n'uma cova de meio palmo a um palmo de 
profundidade, à roda do tronco, e coberta depois 
com terra, é quanto basta para limpar complela* 
mente a ferrugem das oliveiras. 
Kão nos cançarcmos nunca de pedir que se ex- 

f^erimente a eíiicacia de todos os alvitres, eonse- 
bos, admoestações, ou receitas, que se acharem 
n'estes lívrinhos, em tão grande profusão derra- 
mados pelo povo, afim de que se não acreditem e 
arreiguem prejuízos e erros, antes pek) contrario 
se aclare a verdade quanto possível em pontos de 
facto. £ de qualquer resultado que se obtenha, pe- 
dimos também se nos dé parte, para confirtnarmos 
ou rectificarmos.o que hajamos dito. Assim lucra- 
remos todos. 
237 



« os JUNHO {Qua^Uí /Wfn). 

Biemôtia tM*, -* Tinbfl um Miieíl?!^ a «Mnoria 
por tal modo escorregadia ímemoria hominis es- 
torregabilis est), qu« tudo quanto tinha qfMazer 
o marcava no seu almaoacb de lembranças ^ cbe- 

fou a escrever um dia : a Não me esquecer m 4^ 
amanhã que me caso. » 

7 DE JUNHO iQuinta feire}, 

A fett* de oorput chriati. — No anno de lt§4 se 

introduzio n'6ste reino a festa de: Corpus-Christi, 
instituidano mesmoanno pelo Papa Urbano lY, em 
rasão do que succedera em Boisena, onde o Ponti- 
fico então se acbava com toda a sua corte. Estan- 
do um sacerdote a dizer Missa, depois de baver con- 
sagrado a Hóstia e o Gaiiz, duviaou datrans-subs- 
tanciaçSo do pão e vinho em Corpo e Sangue de 
Chrístò ; vio então que de improviso a Sagrada 
Hóstia lançava sangue, que banhou todo o corpo- 
ral ; e querendo elie encobrir a sua pouca fé, vol- 
tou a dobra do Corporal em cima do Sangue, o 
qual repassou todas as dobras, ficando n'eUas um 
signal ae sangue en) forma de Hóstia. Vendo o Pa- 
pa isto por seus próprios olhos, e examinando a 
verdade do facto, instituio a festa do Corpo de 
Christo Sacramentado na 5.^feira depois do Outa- 
vario de Pentechostes em toda a igreja Catholica. 
Lisboa a recebeu com applauso, e ate ao presente 
se tem feito em Portuffal com toda a solemnidade. 
Francisco de Paula Barbosa Nogueira. 

ft38 



S DE JUNHO (Seata feira). 

o homem jumfcnto. — Existe em Yal de Lagoa, 

Eequena aldeia do concelho de Mirabdella, um 
omem chamado : Manoel Areias, que por tal mo- 
do imita a voz de todos os animaes, que chega a 
illudiros a pojato de os fazer acudir ao reclamo : 
ladra como o mastim quando presente o homem, 
ou quando cahe sobre o lobo que invade o redil ; 
grunhe como porco, ètc. etc. ; nó §ue porém é 
perfeito, é em zurrar como um jumento.; assim que 
o gado asinino o ouve> corre p^ra^elle. Ainda não 
ha muito que aconteceu alli um lacto curioso.Vi- 
nha um pobre diabo com dous cântaros de vinho, 
e encontrando-se com Manoel Areias, põe-nos no 
chão, e pede-lheque zurre e dé quatro couces ; o 
homem, que era condescendente, p9e-se a zurrar, 
entra aos couces nos cântaros, laFos em peda- 
ços, e entorna todo o vinho ; quiz o outro obngaFo 
a pagar o prejuízo, recusou porém Manoel Areias^ 
dizendo que na qualidade de homem não estava 
obrigado apagar o prejuízo causado quando ju-. 
mento. 

O que admira é que o homem dos cântaros não 
respondesse a este argumento com outros daus 
couces. 

Mirandella 8 de Junho de 1854. 

António Mauricio Cabral. 

r*iaoio publico. — Fol a luscrípção que man- 
dou gravar na frente do seu palácio o melhor de 
todos os Imperadores romanos, o grande Trajano* 
239 



9DEJr!sHO{5a6òaíío). 



confistSo. — Sacramento estabelecido por J. C 
depois da resurreiçâo,e declarado obrigatório para 
fados os christSos pelo concilio de Latrâo em 1215 
Wos tempos primitivos fozia-se, como hoje, a con- 
fissão secretamente, mas para peccados çravch 
era preciso recorrer ao Bispo, o qual decidia, se 
gundo a gravidade do caso, se devia, ou não, se) 
publica a confissão é a pe- 
nitencia. Hoje em dia, exi 
ge a lei canónica, que to 
dos os christSos, sod pení» 
de perderem a qualidade d( 
filhos da Jgreja, se coufes 
sem uma vez por anno a( 
seu próprio paslor.Pormai^ 
violentos l}ue hajão sido os 
I ataques de seus detractores 
nada tem a confissão perdi 
do de seu caracter divino, 
só ella pode acalmar as paixões, acabar com os 
ódios, vinganças, e rivalidades, e restituir aos 
òorações magoados esses sentimenlos ternos e 
ffenerosos que nos fazem achar um amigo em cada 
Eomem, um irmão em cada inimigo. 

Aatographta. — E' um processo lithographice, 
por meio do qual se passa exactamente para a 
pedra toda a qualidade d'escripla~. Tem três jgraii- 
defe vantagens sobre a impressão ordinária: é 
mais rápida, mais fiel, e maiíi economiza. 

2U 




10 DÉ JUNHO [Domingo]. 

AtatkoFiiiadep*terna. — Tanlo a Buthoridade co- 
mo o titulo de pai foram sempre respeitados e pro- 
(egklos por todas as legislações e em todos os po- 
vos.Fípimais ou menos extensa em diversos pai^ 
/ie«etéifipos; na antiga Roma cbegava até ao direi- 
to de vkla e morte, e na China é ainda illimitada. 
Entre os povos modernos continuão a ser regula- 
dos por lei*^ o poder do pai, os seus deveres para 




com os filhos, e os direitos doestes á bèinmça dos 
bens. O código reconhece e respeita a auibori- 
dade paterna. A lei religiosa, a civil é criminal, e 
os sentimentos naturaes, prescrevem a obediên- 
cia, o amor, e a dedicado; áquéHes aquém se de- 
ve a existência. O titulo de pai foi ..em todos os 
211 16 



tempos venerado. Od gentios chamavSo a Jupi< 
ter : pai dos deuses. Rómulo foi chamado : pai de 
Itoma, pòrhavei'a fundado. DeDominaittm-secpeis 
da.patna os senadores romanos. O mesmo titulo 
deu o Senado deRoma ao Imperador Augusto. Ao 
Nilo chamão os africanos : pai das aguas. 

Adágios : Entre pai e irmãos não mettasasmãos. 
De pai santo, filho diabo. Um pai para cem filhos 
e não cem filhos para um pai. Irmãa maior pai me- 
nor. Pai não tiveste, mãi não temeste, diabo te fi- 
zeste. Pa^velho, manga rota^ não é deshonra.Quem 
quer que é, a seu pai parece. Qual o pai tal o filho, 
qual o filho tal o pai. Quem te matar teu^pai^ não 
lhe cries o filho. Onde bem me vai, tenho pai e 
mãi. Filho és e pai serás, assim como fizeres as- 
sim acharás: oqvLQMúrHnez de laRossi tradu- 
zio elegantemente : 

De tus hijos solo esperes 
Lo que con tu padre hicieres. 

U D£ JUNHO [Segunda feira). 

charada. 

Com duas, que são meus remos, a 
Eu que o sou, veloz navego. 
Pobre barco, se sobre elle 
Minha fúria descarrego I 



1 



Sou uma pausa 

N*uma subida: 

Se a altura é grande. 

Sou repetida. . . *♦» 



tkt 



12 BE iUKttO [Terça feiru), 

o«n • MiiBufM. ^ r o ^fóèilrè mil arènsto es- 
pesso, d« 5a 8 pés de aliara, e com as folhas bas- 
tante parecidas com as da krangeifa; afloras- 
senelha^-se tim potieo á do jástrin e e&hala deli- 
eiosiísimo aroma. M o caieeito uMta espécie de 
cereja tiequenina (eUja polpa tem utn gosto amar- 
go), dentro da qual se aeb90 doas lravinhas,.ciDi- 
tfaa uma á outra, metUdas n'um invólucro pardo. 
Para ter uma platitaçfio de café, é preciso semear 
aquellas duas farás em quauto unidas, lançando 
á terra o fructo inteiro; se se deita secear a ce- 
reja, dividem-se as favas, e deixa de existir o gér- 
men do arbusto. 

O uso do café só em 1669 foi introduzido em 
Franca por Soliman A^à, Embaixador da Por- 
ta Ottoinana junto a Luiz XIY. Só pessoas d'aUa 
linha^eaa otomavâo a principio; e hoje porém 
a bebida favorita de todas as classes da socieda- 
de, qnasi em toda ^ parte, menos na Hespanha, 
onde se dá a preferencia ao chocolate. 

13 DE JUKHO )B [Quárta ftin. Smto António.) 

Santo 4átoni<». ^ Nasccu em Lisboa, onde hoje 
é a igreja da sua invocaçio, junto á Sé, no anno ae 
1195, d'uma família rica e honrada do appellidd de 
Bulh(^8, com quem a principal fidalguia d'este rei- 
no folga áe se aparentar, e ainda agora muitos fi- 
dalgos põem nosobrescripto de suas cartas : S. A. 
T.G. (Santo António te guie] Tomouo habito, pri- 



meiro de Gonego Regrante deSanto Agostinho, de- 
pois de S. Franòisòo, que ainda a esse tempo vi- 
via, e embarcou para Africa à busca -do martyrio. 
Um temporal o lançou para Itália, onde estudou as 
iheologias, pregou, e converteu. Gregório XI, que 
então occupava o throno pontifical, The chamava 
a arca d'ailiança, o secreto depositário das letras 
santas. Foi Lente em Montpellier, em Xolosa de 
França, e em Pádua, ondefalleceu aos 13 dé Junho 
de í 23Í, com 36 annos de idade. Tf inta e dous an- 
nos depois da sua morte erigio-se em Pádua um 
templo sumptuoso, onde lhe encerraram o corpo 
n*um mausoléu <]ae é obra prima de esculptura. 
Attribuião-lheiâemsuavidadomdemilagreseiux 
deprophecia. Existem obrassuasescriptas em la- 
tim e impressas: E' o Santo de mais devoção pa- 
ra os portuguezes, e em particular para os seus 
patrícios lisboiíenses. A imagem de Santo Anlonto 
está em todo&os oratórios, em todas ás mercearias, 
em todas as ruas, no dia da sua festa^ e por cima da 
porta de muitas quintas, em vulto, ou nos mupos 
em azulejo. O que porém não é fácil de expUcar^é 
a idéa que o povo tem geralmente/ de que Santo 
António foi brincalhãoetra vesso^ gostando ^^m- 
gar peças, e de quebrar os cântaros ás moças, pa- 
ra depois Ih^os concertar com a 9ua ben^. 

Com espirito mais chistoso que patriótico e pio, 
dizia o nosso sábio Apbade €orrea da Serra^ que 
Santo António era para ell^ oSanto mais ajuizado 
de todo o calendário, porque «havendo tido ades- 

fraca de nascerem lasbóa, tivera o bom discurso 
e viver e morrer toftge de Portugal. » {Á,^p .191) 



14 DE JUNHO [Quinta feira, S,BasUio.) 

8. Batiiío e o médico. — Fcz S. BasiIIo OS maio- 
res esforços para trazer à fé o, seu médico, porém ' 
debalde. Adoecendo o Santo, chega o médico, to- 
ma-lhe o pulso, e diz-lhe: «Morre antes do pòr 
do sol» — ^E se amanha a estas horas, lhe respon> . 
de o enfermo, ainda viver, far-vos-heis christão? 
— «Faço, lhe responde o médico.» — O Santo as- 
sim o pedio a Deus, e foi ouvido. No dia seguinte 
baptisou o médico, poz-se em oração, e morreu* 

15 DE JUNHO (Sexta feira). 

Anthoiogi«^-..yem do grego e significa : rama- 
lhete lie Sores. Em sentido figurado é esie o tHu-< 
lo que por vezes se tem dado a coliecções de poe- 
sias mimosas deaulhores vários. A primeira an- 
thoiogia de que ha noticia, « 
foi uma, hoie perdida, com- 
pilada por Meleagro. cerca* 
de um século atites aa nos- 
sa era, na qual figufavão. 
quarenta e seis dos melho- 
res poéta9 gregos. 

Em todas as litteraluras 
ha doestas coUecçOes, mas > 
nem sempre sob o mesmo 
titulo; umas secham&o: Floril4^ios, outras: Par- 
ua$os, outras: Tkes»uros, eic^ 

Mendtoidsdf . — E' a lepra da^ estados. 
245 




16 DE JUNHO iSabbado). 

o MÍMÍopario e 'o PhilosQpho 

N«br6 soldado da Grui, 
A MBta, diviíia lut, . 
Lera do archote ia|prado 
Ao pobre filho de Adio, 
Que Ba eecura re^ifte 
Da morte jasiepuitado. 



O corpo adusto lhe veste 
Con a virtude celeste, 
iuoto ao baptistério saolo : 
ReD:eiiera,o sem Tentara, 
B dite-lhe com ternura : 
«DosBNHOR te cubra o manto! . 



Deixa os lares paternaes, 
Para n&o velhos jamais; 
Animo, seio, coragem ! 
Que por ti está chamando. 
Em despreso miserando» 
Lá das brenhas o selvagem, 

Vai rasgar-lhe o denso véu, 
Que o não deixa ver do céu 
E da terra o Creador, 
Nem o mysterio profiindo 
Da restauração do mundo 
Pela lei doRedemptor. 



Desembrenha^o das florestas, 
Lava-o das manchas infestas Ora 
Com o orvalho divinal ; 
Venha, á vos da caridade. 
Ao rosto da humanidade 
Dar osculo fraternal. 



Eflsina-lbe as nossas artes ; 
Appareçâo nassas partes 
Oaindustriabumanaos pottcaios, 
Ganhe amor ao trabalhar, 
Saiba construir o lar, 
E domar os «lementos. 

Mas que vejo 1 Surgi r&o 
Homens que s6 da rasSo 
Cultivaodo aescaça lut, 
Lut de faohó claâro-^scufo, 
Far&o morrer no futuro 
Os bellos fructos da crus. 



Assiái vai o mundo !. . . Afé 

em triumpho se vé^ 
Ora em tal ruiaa jsti, 
Queestarquasimôrtaindica!.. 
O Missionário edifica, 
O PhUêsoph$ áesfat ! 



FranciscQ kãphãel da Silveira Malháâ. 

«46 I 



17 DE JUNHO (Domingo). 

Arma tenriírei. — Aq ver certos inveíitos dos 
séculos passados, admira que os immediatos os 
não aperfeiçoassem, nem mesmo d'eiles' se ser- 
vissem! N'es8e caso está a arma de guerra do 
tempo da Rainha Isabel, que i>elO'governo inglez 
foi mandada, com uma riquíssima collecção d'ou- 
trás armas que se achavao em deposito na Tor- 
re de Londres, para a actual exposição de No- 
vayork. GompOe-se de cinco peças ã^artilharia 
que ffirão à roda d'um eixo n'um plano hori* 
sontai, e que se descarregão umas depois da^ 
outras sob a prçssão d'um martelio. Imagina-se 
bem a horrorosa mortandade que devem fazer 
n'um exercito inimigo (4. 51, 18, 28, 30 de Maio 
etd de Novembro. A. 54 p. 217). 

18 0£ JUNHO (Segunda feira). 

Habilidade por aunerof . Meio de adiviabar o nu- 
mero que retta, depoi» de ▼artaa operações, d'ama 
somma que te poz no pensamento. — PonSC Om Um 

numero. Dobre-o. Ajnnte-lhe um numero qual- 
quer. Tome metade. Tired*esta o numero que po- 
zera no pensamento. Deve restar-lhe metade do 
numero que se mandou juntar. 

EXEMPLO. 

Seja o numero que se poz na idéa, 6. ]>obre-o, 
li. Ajunte-lhe 4, 16. Tome metade, 8, Tire 6, res- 
tão 2, metade de i. 
«47 




19 DE JUiNflO {Terça feira). 

Bmi^t-açio aiien>ã. — Sc d5o faz (leshonrti á AI' 

lemanba, vista se- 
rem os aúemâes o» 
hoinens mais an- 
dejos e cosmopo- 
litas de todo o mun- 
do, mailabonrâ faz 
"^^ ^ por certo aos Esla- 
kC^.y Ja dos Uoidos, a se- 
guinte estalislica 
' de emigrado* da 
velhaGermania pa- 
ra aquollas novas, 
floreutes, e ainda libérrimas, regiões : 

Em 18ir> 32,372 individues 

Km 1847 53,681 » 

Em 184S 29,947 

líhi I8H ........ 'iHM'^ » 

Em 1850 11.776 » 

Em 18:íI 37,939 

< Em U^t 58,552 x. . 

-' Total 266,89i 

paruxso — Celeste njansão, em que os cbrislãos 
gozarão oterníimenle da vislà de Dons —os maho- 
melanos beberão vinho e iijcariciarao lindas liou- 
ris — e os sciin(jlii3avios bebarão sangue no cranco 
de seus inimigos. 

2t8 



40 DE JUNHO (Quarla feira). 

' chavete ««po». — Quemfalta é odisltnclophy- 
sico Pelletier n'um relatório à Academia das Scien- 
«ias deParis: 

« Estava eu em Hauz : tolda-se de repente o 
céu, e d'ahi a pouco principia a chover a cânta- 
ros; teltfados, mas, praças^ tudo em curtos ins- 
iantes se acha coberto dê sapos ; estendo a mão 
j>eia janella fora e apanho alguns. Dentro em meia 
nora havia levado tudo a enxurrada. Por maior 
que seja a difiicuidade de explicar como é que 
taes sapos havião podido sem azastrepar lá para 
cima, e conservar-se por lá (Deus sabe em que 
altura e quanto tempo), dou todavia o facto como 
verdadeiro, e affirmo que fi^e deixou no espirito 
profunda impressâu». » 

21 DE JUNHO (Quinta feira). 

Vrcee de um doutor mutulnano. — FoÍ AMiHft- 

derum dos mais famosos doutore» d»Tiii^pia(oii^ 
de também ha doutores). Era esta a soa^on^So de 
todos os dias: 

tt Senhor omnipotente I Aos ^ue de efp^iioo 
prostrados ante o teu throna im mortal, sé^«c« 
cupão em prestar- te o culto á^ ^M^Â tua mages- 
taae, digna-te lançar olhos çoàfllpvos sobre el- 
les — sobre estes vis insectos qterb adorão. » 

insecto seróeliel... 

parodia. -*- Arremcdo de macaco* - 
24» 



22 DE JLKfiO (Smia feiira]. 

Bttío. *-£8ta estação corresponde á carreira do 
«ol pelos ires sigoos.do zodiaco,iGaiicer, Léo, e 
Yirgo: principia para nós no solsticio de junho 
e acaba no equinoxio de septembro. Do nome de 
soUticiOf que significa: parada do sol, lhe vem o 
de: estio, que em latim se áizieêtas^ derivado de 
êtare^ estar ou parar. Outros querem derivar ei- 
ias de estus, que significa : fervença óu calma ex- 
cessiva* Ao estio chamamos tambemt verão. «E* 
o verão a virilidade do anno» segundo a expres- 
são de Yirey ; é a quadra em que as cidades de^ 
sertão para òs campos ; em que os céus téem asua 
«maior transparência; em que o reinado íla luz é o 
mais ampb e o danoute quasi nuilo; em que as 
searas maduras susurram abundância; uma gran- 
de variedade de fructos succede ás flores; eas 
sombras mysteriosas dos bosques lesião na sua 
maior pompa; mas, em desconto, é o tempo das 
inoscas, dosmosquUos, dos vermes, dosinseclos, 
dos reptis de toda a espeoie, dos mais asquerosos 
e dos mais ineommodos; é o tempo das ces&es, das 
inflamma^es, dos fastios, dos abatimentos, das 
fnregttiças— ftE' a estação do amor, disse um man- 
cebo— » — f Será — Ine respondeu um velho — 
mas éa estação de pagar a renda das casas, ao que 
nunca achei giaça.» (a . 51, ^2 de Junko.) 

Parte. — Assim o defínio quem podia Caiero: 
«Paraiso das mulheres, purgatório dos homens, 
inferno dos cavailos. 



^DES\íimO(Sakh€do). 
A TOS prophetioa. 



Qttan4QÍQf«ite — eiájKOita 
N'a]im ologa dos amoret-* 
Pelo CMD|Hiiiiiidava um dtay 
Quis ádaiBA a quien lama, 
Quii itar um raiao de flores . 

Peroorri a varxea amena, 
- EraemUfatio -amplo jardin; 
Gamo a tarde era serena I 
Coibi a rosa e aBsiicena, 
Colhi um tyrio e jasmim. 

Era o tempo emqne aoa aeiiiBei 
Fa]]a o prado, a foHte,océu, 
Fallfto avee bo« letti trinos, 
En queaallores lemt«»« lymmu 
Yozet tem da m)iite o rén. 

Pobrea floreei ao colheitas 
EHa ?osjúl|^ei ouvir: 



apor lervirem de fSs galas 
a A uma beila também tS, 
« Vewaocampoboje «mne^t'*! 
«Para sobre o pó das salae^ 
«Serem murchas émanhSi ?^ 

«Essa bella a quem vaidosa 
«Teu amo? « ramo dá, 
«Folha a fbiba^ desdenhosa, 
O jasmim, o Ijrio, a rosa, 
«A.'maiihft desfolhará. » _ 

Eksa yoz, ai t foi propbeta 
De ioIsDtí» piecoces dores I 
Profecia foi completa. 
Porque amores de poeta 
Como um ramo são de flores. 

SSo jasmim, sSolyrio^e rosa, 
Quando «'alma em pureal vor ; 



« Niotensy Ímpio, penadVliss? Mas se oe dá a uma formosa^ 
« Venseolherasquandobellas Por momenAee quealli goaa. 



«Gomeçavad de sorrir? 



Perde viço, crença^ amor^ 
Antonh da Sirpa^ 



AleneliafMs, aloaobolres, o« aleaoliofae. — Há-as 

de duasqoalidades : as bravas, ou do mata, que se 
queimio pelo S. João, e aa de comer, a que cba^ 



m 



mão: horfenses, pratenses, ou 
mansas. Julgão-se nativas da An- 
•dalazia. £rão raras na Itália no 
tempo de Plínio naturalista : de- 
pois deixáran^so tfHarmentedeas 
tratar', e tHoesquécidas ckegaram 
a ser, que refere Hénnoloo Bar- 
t)aro que apparecendoaloacbofras 
em Veneza em 1478, foram havi- 
das por cousa de novidade. 
Roie em dia são um prato mui- 
to usual nasmezas itafianas, nas fVancezas, e mais 
<ou menos nas delicadas de todos os paizes da Eu- 
ropa. 

M DE JUNHO (Domm^o. âf. /oaío}. 

s. joSiO. — Filho de Zacharías e deSanta^Isabei, 
^ primo e precursor de Jesu Ciiristo.. Passou o me- 
lhor desua vida em peniteaciás' ao deserto, maõ- 
teBdo-«e de gafonhotos e mel hravo. Bapiisou o 
Salvador e foi por elle baptisado. Morreu degol-. 
lado por vinganças de uma mulher. 

^rototypo de penitentes, é havido por alguns 
como o primeiro monge, quem explicara o porque, 
na imaginação dopovo, S, João vero todo cereado 
de idéas amenas, folgazans, e namoradas! As fo- 
gueiras e fogos de vistas, as alcaxofras e hervas pi- 
nheiras, os ovos e sortes de casamento, os boche- 
chos e os 5 réis queimados, as cantigas e as dan- 
ças (l'estanoute, em que seguiído o rifão niiigQèm 
se deita, tudo isto desdiz extraordioariãmente do 
viver de S. João. O seu viver era poético e poéti- 



cds são todas estas praticas ; mas-sSoduas poesias 
de Índoles mui diversas, e até oppostás. 
' A noute de $. João foi em tempos antiquíssimos 
celebrada com três missas como a do Natal. 

25 DE JUNHO (%ttn(ía /"n^a). 

í iiiiiiBtiáAçlio oem g^s à'«gvià. — Ô descobridof 
d^^esle gâzíòl ochimico Jobard, que em 1833 deu 
parte ob seu descobrimento ao famoso Thénard, 
que sô depois de boas pro- 
vas practicas n'eile acredi- 
tou. Consiste o processo em 
decompor a agua, em retor- 
tas verticaes, por meio do 
carvão ardente. A agua, diz 
aquelle sábio, é o maior de- 
posito de ga^ que se encon- 
tra na natureza. Em muitas 
cxperienviaís fui tas em ponto grande, tem-se obti- 
do, com vUm kilogramma (*) d^agua e igual quan- 
tidade dè óleo de resina, til pes cúbicos mg^z 
d'illuminaçSo. Vm pé cubico d'agua decomposto 
por meio do coibi iiicaodescente,bastaria para uma 
laz de gaz dumie ^êO boras. 

O gaz extrabrao da a^ua tem a grande vantagem 
de não deitar cheiro nem produzir fumo. Nãoper- 
mítte todavia o ramerrão que por em quanto subs- 
titua o que se extrahe do carvão, apesar de se 
baver já bem reconhecido a soa superioridade. 

(*) 1 kilogruinma corresponde a âarrateis; Soo^at, 
e 6 oitavas. 
853 




26 DE JUNHO {Terça feiro). 
Vol««9 nm ilbA de 8. llí^«l em 26 àm #aabo da 

1638. — Tremeu a terra na liba de S. Miguel; eo»- 
tinuou a tremer espantosamente por espado de 8 
dias, de tal sorte auedsooioradodres desaoipararani 
as casas, acoihenao-se aos campos, e aos3 de Julho 
seguinte, aa diante do Pico da^Camariiaaa, una 
légua ao mar,em uma paragem chamadía a Ferr^ric, . 
onde de toda esta ilha vfto a pescar, em um sab<* 
bado rebentou, d uaslégnas afastado, da terra, um 
volcdo de fogo com tanta fúria, que todo o oceaoo' 
njlo foi bastante a Itie resistir ; sendo assún que do 
centro do mar, onde rebentou, até á flor da a$u^ 
se pescaria com linhas de 150 bra^^s de comando. 
Este fogo não sabia de mais de circuito (fe rnsMC 
que obra de dois alqueires de tevra de semeadora,,' 
esdhia com tanta fúria, que trazia a areia queaci»b 
va em baixo, com cinza e agua salgada, e tudo jsh 
to subia Gom tal força, que se levantava até ás nu- 
vens, a modo de velo d algodão, e cabindo outra 
vez no mar, o fazia como polme : de quando em 
quando trazia eatefo^ penedos maiore» que mon- 
tes, e levantando-os obra de tre$ lanças noar, lor- 
navão a cabir, e encontrando com outros que ião . 
subindo, se despedaçavão no ar, e as laBcas d'ei- 
les que cahião, tomada&nas iuâos, se desfazião em' 
terra negra. 

Com os ditos montes e penedos, que o fogo |an« 
cava debaixo da agua, se formou unia ilba sobre 
a mesma agua, de eircuito de quatro alqueiíes de 
terra de semeadura ao principio, mas aos 10 do 

284 



dilo mez de Jtilho> em qne se fez a reIaç9o que veio 
a LUboa, teria légua e meia de comprido. Antes 
de rebeiitareste fogo, na paragem sobreditase pes- 
caram muitos e vários peixes, que por espaço de 
oito dias todos os barcos da ciaade, cada um ao 
menos carregava oito mii» e depois do incêndio' 
naloQ o foço na dita paragem onde se levantou 
tanta quantidade de peixe, que se noderam carre- 
gar 8 grandes naus, e parado que sabia em terra se 
fizeram covas mui grandesioas praias, em que se 
enterravSò, por nSo infícicmar o ar; e seis léguas 
da dita Ilha "tfe^ichartfm peixes mortos pelo mar, 
e a 8 se seátiao enxofre. 

Ephémride HistovM — do Beneficiado Fran- 
cisco Léilâcr'Ferceira—1kIS. da ^ibliolheca Pu- 
blica de Évora. 

tlWL JCNBe (Otttof /ó feira). 

«fua -de col^tt. —Podem W^redifar^ di^ia um 
sujeito 'no^melo de uma grande roda, que Ires an<- 
hqs a «Tio bebi agua de Coloifia? 
' '^ra essa \ nâo pode ser ; é peta ! . . . ^ 

J c{r&-ih^ que ^ verdade 1 

£ não lhe fez mal? 

Nada, não. 

£ porque a bebia? 

Porque quem está em Colónia não costuma man- 
dar vir a agua d'outra parte.» 

Bt>níto dia. — Para o dizer deixai chegar a 
tioute. 
255 



1% DE âmEOiQuinia feira). 

Cobreio loifiex. — Aioaba de publicar a Admíuis- 
tracJlo 4lot» Correios da Grã^BretiiiUia o resultado, 
de 1840 ál8o2, do porle niiifofme.de um peoDy, ou 
20 réis^ |>ara qualquer, dUtaucist atii percorrida por 
uma carla.Foi o seguinte o DjaúierQ de cartas n'es- 
ses 13 aQAdfi transportadas peio c^iteio ÍRglez : 




Í841 


196 i » 


&o 1 n * f 

1818........ 


...329 D 


1842 


208 i » 


1849.....;.. 


...3371 » 


1843 


220} » 


1850 


...347 » 


1844 


242 » 


18.51 


...3601 » 


1845 


2711 » 

2991 » 


183Í 


...379 í D 


18l« 


1 Tolal' 


3607 milhões 








256 



p DE J\}ímO^[Sèxla feira). 

. Bflt^tdad e • Terrçr d« ««KeL -- E' Bagdad Uma 

cidade ootavel por haver siidaduranle largo tem- 
po metrópole do imf»erio e oolto musulmano. Fa; 
parle da Turquia Asiática, eremoDla a sua funda- 
ção ao anuo 762. Está situada. aais margens doTi- 
gre. Foi tomada e saqueada ma^ad'uma vez nas 
guerras dos Califas, umas vezes pelo&mo^ols e ou- 




tras pelos persa^. Apoderaram-se d'ella os turcos 
depois de um silio Je três mezes, e de então para 
cá tem sempre feito parte do seu império. Tem 
80,000 habitantes. £' rica e de muito commercio, 
como deposito das produccòes da Arábia, da Pér- 
sia, da Índia, e da Europa. Tem 3 léguas dex^ircuito. 
Í57 17 



A nove milhsrs de Bagdad, entre oTigris e o 
Eupbrates, vêem-se nomeio d'ama planície as rui- 
tiae duma torre, a que os naturaes chsnnfto : Tor- 
re de Nêmhrody e que o vulgo imagina serem ves- 
liglos da Torre de Babel ; é porém mais i^ravavet 
quefofise edificada por um príncipe árabe quen'el* 
la accendia um pharol, para reunir os seus súbdi- 
tos emtempo de guerra. 

30DE JUNHO(Saò6a(2o). 

iMftta esfomeada. — Chegando certo freiratico á 
portaria d'um convento, pedio à Madre Rodeira 
um copo d*agua: desejosa esta de se descartar 
d'eile, que de continuo a apoquentava, tnandoiu- 
lh« dar iim copo d^agua e uns grãos de cevada em 
salva de prata. Bebe o maganão, atira depois ^o 
ch^o copo e cevada, mette a salva debaixo dobra- 
do, e esgueira-se, dizendo : « A besía vinha com 
tamanha fome, que até roeu a mangedoura. » 

^Grijó ao de Junlio de 1854. 

O Arx^ipreste deMirandelIa 
Joaquim José Hnto de Moraes. 

\ Avrostteo. 

Saria é a Musa que amima esta ly;ra. 
> floria maior que no<mundo'hei deter, 
>0 isonba esperança que as dores me tira, 
•i«llap80 d'amor que alta crença me iRspira> 
> ma vei mulher que hei de amar té morrer. 

A. J. Permrad^Siiva. 
2S8 



1 0B JULHO {Bomngoy. 
•? 



lanocente, porque eboras, E' meu baUto fatal ; 

|N»r<}ae iiqplôraa ) O crisial 

IXelirante o meu. amor ? Da i:eamra vai i^aiic1iar-4e : 
Nâoaaltes, anjo, que a laça Pa vida o lago sereQo 

Da desgraça | Co'o veneno 

Tem do fel o amargor I ,De meus dias vou turbar*té. 

OrnSo-^ as faees as rpsas 

Tão formosas 
Diurna caodida alegria; 
Ab! não queiras desfolbaras« 

E trocaras 
Pelos goivos da agonia ! 

Não quero pagar carinbos iTa acharás quem. te adorei 
Co os espiobos | Quem implore 

D*uma triste desventura ; tOe joelbos leu amor ; 

Tu és esirelia brilbante, £u só posso da desgraça - 
E eu erraate, ' Dar-ie a taça* 

Sou apenas sombra escura. Dar-le a taça d'amargor. 

A ugmio José Gonçalves lima, 

2 D£ JULHO (Segunda feira). 

PMiimot.—São cânticos compostos em hebreu 
e tradQZi<io0 eu» kilim* para uso do« que não sa- 
bem nem latim a^» hebxQu. 
25^ 



3 DE JULHO (Terça feira]. 

samftlo. — Filho átVttnhe, dátribu deDanrnas- 
ceu no anno do ipundo 2859. Tornou-se notável 
por treèfactoí, segundo a tradição \ pôr sua força 
mãts qtie bomána que lhe provinha do cabellb, 
pela sua fraqueza por Dalila, mulher philistina, e 
pelo íDodo p'òr qtie morreu. Foram estás as suas 
principaes façanhas. Sendo ainda moço^ abríode 
meio améio limleão. Queimou as searas dos phi- 
listeus, lançando-lhes raposas com tochas accezas 
na cauda. Matou mil d^entrèelles com a queixada 
d'um jumento . Pegou um dia nas portas, com seus 
gonzos e ferrolhos, da cidade de Gaza, onde oha- 
viSo feito prisioneiro, e carregou com ellas para 
o alto de certa montanha defronte dcHebron. Apai- 
xonado, como disse, por Dalila,, trahio-o esta re- 
velando aos philisteus o segredo de sua força. 
€<>rtaTám-lbe estes o cabetlo, arrancaram-lhe os 
olhos, eobrigaram-no a puxar qma atafona ; crés- 
cendo^lhc porém outra vez o çabello, recobrou a 
for^a. Havendo o mandado vir 3,000 philisteus ao 
templo de Dagão para que alli servisse de escarneo 
aopovo, chegou-se anma das mais fortes c^lum- 
nas, abalou-a, deu com o templo em terra, e fi- 
cou sepultado com todos os seus inimigos debai- 
xo das ruinas. 

4 DE JULHO [Quarta feira), 

9lo. — O melhor modo de prevenir a revolta 
dos que não téero pão, é dar-lh'o. 

S60 



8 DE JULHO (Quintú feira). 

AppAvei^o d* ViMo..-7-Comp9e-s6 de dois ot* 
gãos^principaes, o nervo óptico e o olho, E' o pri- 
meiro destiDado, a transrAitUr » impressão da vi- 
são,do oiho ao cérebro. Está collocadao olho n'uma 
cavidade os8éa,<leiioiiiináda : orbUH^ èm qiié exis- 
te uma abertura |>ela qiíal pãésa o nervo o f tico. 
As memi»rat)as dj& que o olho se compõe, do ex- 
terior j^ra o i^4erior^ são: a «W^roíica, esbran- 
^âi^aoa, í|brosa,'e opaca, com uma abertura na 
parte anterior, ondejteacba engastada outra mem- 
brana transparente, como nome de; cornéatrans- 
IMrr^fe: do ponto ákècktoUca em q^úe se engasta 
a coime^j de^ce outra a que se cbámia: /m, e â 
abertura: ptipt7/a^ou vulgarmentefnétitnacío olhoi 
A menitranaque inteiramente reveste a scleroii- 
ca, éhdima*se: choroidéa, e sobre e^la assenta ou- 
tra, cbamada : retina. Os humores que se encon- 
trão no olho, são : o aquoso, na camará anterior 
formada pela córnea e pelo iris ; o crislallino, si- 
tuado no meio aquoso do olho, onde se 
refrangem os raios de luz, e o viireo, na 
membrana-^^o/ottf^a. Crislallino é um 
corpo semelhante á unia pequena lente, 
qtie fica por traz do iris, e é envolvido por uma 
membrana fibrosa e transparente, com diversas 
densidades em seus dtfferentès pontos, chamada: 
capsula do crislallino. São seis os músculos que 
dão movimento ao olho : quatro fazem-no mover 
do dentro para fora e vice versa ; dão-lhe os ou- 
tros dois o movimento de rotação. São os olhoa 
261 




protegidos p^las |»alp^ni9, cuja íoneção é dislri- 
buir na superfície do olho humores que facilitem 
as soas excrecOea (A. Sa p. 303» A.M p; 189). 

G DE JULHO (Sexta feira). 

Mar Reg^o e M»r do Btormar*. ^ Chamaram OS 

antigos por ironia ao Mar Negro: Ponto Buaàno{Q 
que siçniíica: mar hospitaleiro)^ pelas tempestades 
. que alli são frequentes. £' um vasto mar iDteríor, 
situado entre a Rússia, a Turquia Européa, 8 Ásia* 
tica, e as regiões do Cáucaso, eciua superftoíe se 
avalia em 14,000 léguas quadradas. Commimica 
com o Mar de Marmara por um e&lreito de peque- 
na extensão, e por este com o Árekipêla§o. k sua 
agua é pouco salgada. 

O Mar de Marmara tem 290 léenas de superfí- 
cie. Pravém-ttie o nome d'uma ilba que n'elle ba 
muito afamada por suas-belba pedreiras de mar« 
moreU. Sap. m). 

7 PE JULHO (SatbaiQ). 

ummottÊkliâmú» do corpo^^^n Grande cousa é 
não poder morrer um Aowem/» diz um dos nossos 
mais afamados poetas» porém dos menos iBivereci-- 
dos pekK lado da fortuna.-— Eat^ quem é rae não 
pode morrer ? -«5du «u» -rB porque ? — «Jrsrçti* 
Aâ9. Unho onde. €<kia nkorêó. » 



.-^0 mais difficil para a bomem não é 
coftbeoer-seji écorrigir-se. 



9 MJVinO (Domingo). 



«TB A. 



Poe nâ virtude, 
Fiilia querida, 
Da tua Tida 
Todo o pi»imor. 
Sá a pradencia 
Guie téttspassos; 
Foge dostiaçes 
Que teoe «mor. 

Meigas pahivrasy 
Tema expresso, 
Daadulaçio 
Jf»go poder, 
Despreza, «uiia, 
Com força ingente ; 
Alma inoooente 
Tentão perder. 

E' filtro usado 

Por creatora 

Que chamma inípura 

B«Bda«iear4 

Oiie.immi^oipfaiiti> 

Jámarisiapaga 

fitema chaga, 

iDarofíezar. 



363 



D^esses queempregão 
Palavras tenras. 
Juras eternas, 
Deves fugir. 
Verdade pura 
Não tem rodeios. 
Nem busca meios 
De seduzir. 

Nas, seeroiuaalma 
>Petietra a ebamma, . 
Eu^eliainftamma 
Terna paitlo; 
Busoa no.peHO 
Dopai amigo, 
Remédio ao periígo 
^Do coração. 

Eis da virtude 
Sincera pro?a, 
Quetereno«'a 
■Paterno amor. 
PSetiavifiude^ 
Pj!ba queri(lA, 
Da tua vida 
Todo o primor; 

(firotUettê,) 



9 DE JULHO (Segunda feira). 

Balão refieotiao.^— Reoebcu a Academia das 
Sctencias de Paris, em sua ultima sessão, commu- 
nicação de diversos phenomenos meteorológicos 
observados n*uma ascensão aerostatica feita por 
um tal LuizDeschampse outro aerosauta. 

« Continuámos a subir, diz elle; a uma altura de 
4,000 melros descobrimos o sol, e apreseniou-se- 
nos um sublime espectáculo. Erão lOb.29 m.s rei- 
nava na atmospbera um solemnissimo silencio, e 
esleudião-se densos vapores a nossos pés, forman- 
do uma vasta curva, no centro da qual nos achá- 
vamos coUocados. Ele^avão-aé emseus ppnlos ex- 
tremos nuvens muito maiores que limitavão o bo- 
risonte. Ao olharmos attonitos em torno a nós, 
avistámos a uns 1,^0 metros a imagem do nosso 
balão fielmente reproduzida d'u- 
ma das nu vens em uue se reflectião 
os raios do sol. Aorimos então a 
válvula, expellimos um pouco de 
gaz, afím de evitar os perigosos ef- 
reitos da instantânea dilatação do 
hydrogenio, occasionada pêlo ca- 
lor solar, e vimos, na parte inferior 
da imagem reflectida do balão, le- 
vantar-se, como nós» a aossa pró- 
pria imagem. Nada pode eaíprimir 
a sensação de que nosachamos pos- 
suidos, k vim á'jkm phepomenod'optica tão novo 
para uòs, e auádmou perto de seis segundos, d 
[J, ni p. nh A> »t.íi. tW. 371, A. 53. p. 39. 148) 

M4 




10 DE JULHO {Terça feira): 

Hereuianum. — Uma rua compiida de casas es- 
cangalhadas; meta dúzia decasitad decanopo* bem 
ediíícadas, mas desertas e deshabiladas; eis o as- 
pecto sombrío, logiibre, e miserável, da aldeola 
de : Bésina, meio arruinada, e que está cobrindo 
a^grandes roinas da cidade de Hereuianum. 

Setesão as camadas de lava que o Vesúvio em di- 
versos tempos vomitou, e que affogâo aquella ci- 
dade romana. Em 1 726 ordenara o Soberano que se 
excavassé para os alicerces de uma casa de campo 
que alli pretendia construir; topan- 
do os operários com tectos de ca- 
sas, excavaram mais: romperam o 
telhado a uma, e acharam-se den- 
tro d*ella. Nas seguintes ex cava- 
ções foram-se descobrindo inuitis- 
simos objectos preciosos para os 
antiquários. Enconlraram-se bo- 
mepsem cinzas, que mal se Ibe^ to- 
cava se desfaz ião; en Ire outros, um 
Velho descendo por unia escada 
com uma lanterna «as chaves da 
casa «a mão. Todos 0£^ homens que 
se téem achado são em aoto do fugida, uns agarra- 
dos ás cbares, outros a correrem para sk porta da 
rua,etc. etc. Oque a miiitosconsternioitloidarcom 
o esqueleto d'um pobre sòidado', n'um ifuartel onde 
se vião objectos militares ; morrera (^ infeliz amar^ 
radopor uma corrente, debatendo-se por fugir !.. 

(A . 51, 25 de Fevereiro. A. 53 «. S79). 
1«3 




U DE JULHO (Quarta feira). 

* Sxpoftiçio dè relíquias. — FaZ*S6 d6 S6te 601 86* 

le aQDOS em Aquisgram, aa Prússia Rhenana, de 
10 a 14 de Julho, uma exposição de relíquias. E' 
aquella cidade (onde eslà sepuUado Carlos Magno) 
para os catfaoUcosda AUemaoha^ da Suissa, daBei* 
gica, da Hollauda, o mesmo que e Meca para os mu* 
sulmauos (1. 52 p. 189) . O uso de expor easasre- 
liquias (que foram dadas âquelle Monareha pelo 
Patriarcha Joãode Jérusaleme pelo Califa Haroum- 
al'Raschid) data do anno 809 e foi estabelecido por 
um concilio celebrado em Aix, a que assistia o Pa- 
pa Leãolll. Foram transportadas, no tempo em que 
os vândalos davão a lei em Franca no Hm dó sécu- 
lo passado, para a cidade de Paderborn^ na West- 
phalia, d'onde sò voltaram em 1S04. Ha entre el- 
ias umas a que cbamão grandes e outras peque- 
nas. As grandes a9io: 

l."" O vestido branco da vibobh quando nasteu 
J. C. Parece novo e tem cinco pés e n^adeoom- 
prido. 

2.<» As faxas do vbnino jbsus: sio amárelladas. 

3.<» O lençol em que foi envolvido S. João Bap* 
tista depois de degollado. £' de pann0<le4inlK) n- 
nissimo e está amarrado com um cord&o de seda 
branca. Ainda n^elle se vêem pintas de sangue. 

4.<^ A toalba com que cobriram o salvadoi do 
mundo em quanto o crucificavão* Está dobrada e 
presa com um cordão. 

As pequenas relíquias são em grande numero ; 
figurão entre ellas : a ponta de um dos cravos aue 



serviram para o ftcto da crucifixão ; um cinto de 
couro de J.C. ; um bocado da cana que por escar- 
1100 Ide foi offerecido como scepíro pelos judeus ; 
um pedaço da corda que sérvio para o flageliar ; 
um bocadinho da Vera Cruz meltido n*uraa caixi* 
nba d'ooro que pertenceu a Carlos Magno; um 
espinho da coroÍR do redem ptor ; um aente de 
Santa Cathariíia ; uma costella de Santo Estevão ; 
cabellos de S. loSo Baptista ; o braço direito de 
Carlos Magno ; e n*um caixão de prata, que pesa 
DO libras, o cràneo doeste íhmoso Soberaao é a sua 
bozina de caça (A. 55 p. 189). 

12 DE JULHO (Quinta feira). 

verr«« e vernoM^^Foi Verres d*uraa família pa- 
trícia de Roma, e ainda hoje é detestada a sua me- 
moria pelas iofamiás que practicou sendoQuestor, 
e sobretudo governando a SíciUa, que opprimio 
durante três annos. Os gritos das victimas acha - 
ram por fim um eloquente interprete. Cícero ac- 
cusou e desmascarou o tyranno, que foi degrada- 
do. Voltou porém depois a Roma, d*ondefoi prós- 
cripto pelos Triumviros, sendo a fínal morto por 
seus sicários. São 7 os discursos deGcero contra 
Verres, e dá-se-lhes o nome de : Verrinas (A. 51 , 
SO de Outubro. A. 52 p. 80, 204. A. 53, p. 43, 138. 
A. 54 p. 241). 

ptxrim, — E' O logar em que se nasce, dizem ai* 
guns; é onde nos vai bem, o que affirmão quasi 
todos. 
267 



13 DE JULHO [Si^xlafeira). 

RabeoSo gig«o%e. -* laveotou-se 6 fabricott-se 
em Vienoa, em 18^9, Mm rabecão de sete cordas, 
verdadeiro Polypbemo dos instrumentos músicos. 
O arco era movido por certa machina, em rasão de 
nâo haver Ferrabraz que podesse com eile. 

Faz-nos lembrar o que de um rabecão descom- 
munal escreveu um: nosso poeta byperboiico, o 
qual principiava assim ; 

hez léguas de rabecão ! 

Légua a légua uma esçravelba I 

O arco como o da velha I 

£. cada arcada um trovão t 

14 DE JULHO (Sabbaéo). 

Battiiha. -~ N^este dia do anno de 1789 tomaram 
os parisienses á viva força a Bastilha, horrorosa 
prhho de estado que assombrava a sua capital 
desde o fim do século xiv. Os pavorosos myste- 
rios da Bastilha, registados na mstoria, são sem 
conto. Tamanho ardor de ódio pozeram os libe- 
raes em demolir cquelle monumento da tyraama, 
que poucos dias depois da sua tomada nem já 
ruinas d'elle alli appareciâo. Era uma pvaça rasa 
com esta inscripção no meio: <íAqui$edat^a.T» 
£ de facto alli dançava toda a cidade l . . 

Onde era a Bastilha via-se ainda não ha i&uitos 
annos um elepbaate de enormes dimensões, e se 
eleva hoje a columna de Julho, consagrada aos 
Martyres da revolução de 1830 (4 . ^í p. 238). 

268 



15 0E JULHO iDomingo), 

cynophooies. —Esle Donie grego, que vale o mes- 
mo que : matatt^ de cães, era o d'uma festa aue 
os gregos d'Argos celebravão nos aprazados aias 
dos caDículares.e em que era parte essencial ma^ 




lar quantos cães se topavão. pelas ruas. Bem po- 
deria ser causa de tal festa evitar o perigo que dos 
rães damaadoí^ pelo calor costuma resultar (A, 
53 p^ 253). 

16 DE JULHO {Segunda feira). 

Aã eroses de Serpa. — Ha om Sorpo Hma tradi» 
pão que dá origem a esta cruz, que fica na estra- 
da que vai para Mertola. Havendo os mouros con- 
quistado novamente a villa aos cbrístãos, D. Af- 
fonso 11, o Gordo, a quiz recuperar, com um exer- 
cito que pessoalmente commandou. Deu batalha 

2v9 



no mosteiro de S. Gens, hoje de Nv Sàr.* d' Água- 
delupe, e dentro em pouco se pronunciou a vic- 
toria a favor de ísuas armas. Qual n&o foi pcnrém a 
eonfusfto, ao espalhar-se que &ão appareoia o Ge- 
neral e Reil a tal ponto chegou, que deixando os 
nossos de atacar os mouros ^ue ainda resistido, 
se destroçaram, não obstante os muitos esforços 
dos cabos do exercito, .que pretendiáo mostrar 
aos soldados que o seu Rei ainda existia. Busca- 
do por toda a parte» foi encontrado eistendido no 
chão ao pé do seu câvailo. Desj^atn-lhe a arma- 
dura, e viram (}ue não eslava morto, nem mesmo 
ferido, mas tão somente suffocado pelo calor, em 
razão de sua muita gordui». Âo tornar a si, per- 
guntou: «S a batalha? — «Está ganha» lhe res- 
pondeJftm^cEhtlopersigamvres, tornou o Bei. 
— ciE osmortos ?»— « Enícnrâo^se »— «E a memo- 
ria d'(!ttes?» ^ «Faça-se uma étu« de pâu» ^^ 

Assim se fez, e ainda existe. 

Annos depois, mandou D. Diníis fazer uma cruz 
de mármore ao sahir da villa, e em memoria da 
outra chama-se hoje a esta: a etuz nova. 

Agora, em abono dá historia, cumpre dizer que 
não consta em livro algum que' D. Arfonso II con- 

Ífuistasse Serpa; épois de crer que a tradição 
òsse alterada com o volver dos séculos. Dizem 
que as chronicas de Santa Maria, uma das fregue- 
sias d*esta villa, fallavão na batalha, mas não se 
pode tal averiguar, porque desgraçadamente já 
lião existem. 
Serpa 16 de Julho de 18^4. 

A. G^rl04 Cãlliêto. 

«70 



17 DE JULHO (T^f^. /Wf<i). 

MeBiPrU.^ Faculdade imperfeitis9iiDa nos de* 
vedor esy oos mioí6tro& e aUos fanccionarios, e tm, 
qudutos bão recebido obséquios* 

18 DE JULHO (Quarta feira). 

Premio de eio(|ttêiioMi. — '> Preparando-se certo 
EmbM^ocpara arrumar, segundo seu costume, 
um discurso pomposo ax) bom de Henrique IV, 
quando este estava berrando cora fome para ir 
jantar, começou u'este$ termos: «Senhor, Agesi- 
láu. Rei de Lâcedenionia. . . » atalha- o de re^te 
o Soberano: a Agesilau, Rei de Lacedemonia, já 
a estas horas havia de ter jantado, e eu tenho a 
barriga a^dar horas; adeus^ meu amigo, adetts,.teh 
mos conversado. » 

£ foi jantar,. deixando o Embaixsidor/embas|)a-' 
cado. 

(.4. 51, 13 de Julho, A, S% p. Wh,^9, 303, $69, 
A. 54, p. 178). 

19 DE JULHO (|?titnío feira], 

Tiere.—Não é tão forte como o leão,iQas é mais te* 
mivel, porque é mais feroz. Quer esteja farto, quer 
faminto, a nenhum animal perdoa, e se por vezes 
larga a preza, écomaidéa ae ir devorar outra. Só 
se encontra nas mais ardentes regiões da África e 
da Ásia. A fétnea pare de cada vez quatro a cinco 
filhos; tornasse então mais furiosa do que o ma- 
271 



cho. e é t&^fivei a 8.iia cólera se por ventura lh'o( 
roubão. 

E' indomável este animal. Não reconhece os bc 
neficiosqae recebe, e dá cabo até,sepode. de querr 
lhe dá de comer. Os seus movimentos são vivos < 
ágeis. A cabeça parece-se com a do gato, os olhos 
sâò amarellos^e ferozes, o olhar traidor, esdentc^ 
agudos^ e a língua áspera. A pelle é coberta de 




listras pretas que destaeão n'ura fundo amarellado. 
O pello è maéioe^tt^idioe mút curto' ó da cauda. 
Tem is pernas €tfi1af » aias fortes. Pode, como o 
gato, recolher tfsun^á. 

Os tigres da especié>maiòr, que sãorarissimos, 
tem às vezes alè (kxp^s de comprimeMo l Sào f or 
lai modo fortes; que depois de hirtsèirein.rofirado 
um boi op um/ca^yaUo, o.levãò. correndo; ; 



20 0£ JULHO [Sexía feira). 

voeftí* pa«toríi>— De boi vcm derivada a [yala- 
vra: Bucólica, nome que por extensão significa: 
a poesia campestre em gera!,eglogas,idylios, etc, 
mas qae em particular se applica por exceliencia 
ás ^logas de Virgilio. 

Todos os paizes téem a sua poesia bucólica, e 
quasi lodos abundantissima, ainda que as mais 




das vezes insípida. Os bucólicos gregos mais no- 
táveis foramiThèocrito, Mosco, eByon,e os roma- 
nos: Virgilio, Galpurnio, e Nemesiano. Entre 09 
i&odernos sobresaoe com indisputável eminência 
o soisso allemão Gessner. Em Portugal, as eglo- 
gas dos nossos quinhentistas; sem exceptuar Ca- 
273 18 



mões, Ferreira, Sá de Mirada, mm Bernardes, 
são frias. Pintão banalmente a natureza, % pOem, 
efa logar das inspirações simplices que namocio, 

gensameutos fabricados e atembica4os affect09. A 
iana de Jorge de Monte Mor^ pois ainda que e»- 
cripta em castelhano nos pertence, a Diana, apie- 
zar de cahir nos mesmos defeitos, é talvez o. que 
no género possuímos de mais formoso. 
: Os nossos árcades fizeram todos estendeijete de 
eglogase todos perderam n'isso otempo.DomÍBgos 
dos Reis Quita, o cabelleireiro, estrema-se c<omo 
príncipe entre os bx>ns homens aesse tempo de íd- 
sipída memoria. A sua fabula selvática de: Lico- 
ris pode figtirar decentemente a par do : Pastor 
Fido, de Guarini, e ôoAmintas do Tasso. 

A poesia pastoril é hoje um venero morto e eo- 
terrado. As Cartas d^EchoedL jPnmat?era,de meu 
i rioão A . F. de Castilho, foram o seu cantodo cysne. 

i\ DE JULHO [Sahbado). 

phusoo mor. — OD.^ RibekOtConhecidopelonò- 
mc de: Ribeirão, médico de grande saber, foi des- 
pachado por D. Rodrigo da Cunha, para Phísico 
Mór de cibo Verde. « Indo uns amigos dar^ilw os 
parabéns, <c aio os aceito, disse; ^e honra me re- 
i^ttU» de um.despacho sem graaimatica 1 Um mi- 
nistro que ignora que nSro pode> haver compara- 
livo nem su^erlaUvo $em^poailJ:YaI Phísico Mór 
dbiutma terna onde nãOiha phisijeos de tamanho 
nenhum, nem um médico, .mso&xneiochirorgião, 
nem uffl quarto de. b<»yx^ariâJ j»« . 

274 



«otaiiiliMi. -«-Cofldo estamos no m«i& d$ esla^ão 
emqu^aB plaal^as tritimpbãoeoiniaduamaiorpoiíi^ 
pa, fatiemos de botânica. Cré^^e haverem sido os 
egj^pciòs os primeiros qtke estudaram plantas ; e 
nio fklla quem diga que já desde todo o seu prin^ 
eipio tinhao tractados d'es«a seiencia. Pela Bíblia, 
documento bem antigo, se reconhece que em cer-. 
iospahts já enlUo era a botânica frequentada. 

Na Crrecia dos séculos heróicos, muitos dos priíi- 
etpaes persennagens cultivavão a botânica, taes 
como: Aristeu, 7a8ã0, Telamon, Teucro, Pelou, 
Achilles, Patroclo, etc, os qbaes a finhão apren- 
dido do famigerado Chiron. Pela botaniea, e de- 
pravado uso que d*e11a fez, é que Medéa ganhou 
iRiba de magica. Masaseiencl&da»plan<Bsa priti- 
eip^<o Hmitava^se emlbes especular as virtudes cu- 
ratiras e propriedades maléficas, e não sabia a^ 
pirar a mais * por igiso os carhâlogoá botânicos dd 
grego TheoparattosSo tâo apoucados, que só con- 
tém-MOplaatas. Deoseérides e Plinio também os 
nio^crescentaram. Os séeulos seguintes aDios^ 
córides pouco mais^fiteram. 

Longas idades após rebentou a botânica já mais 
vigorosa. (H que por então mais Ibe aproveitaram 
foram : João Baubin, que veio a fallecer em 1541. 
Gaspar Baubin, seu irmão, finado em liJôO; Ges- 
mer deZurich, por antonomásia o Plinio aiiemão, 
e a quem se deve ometfaodo paraciàssiflear vege- 
taes fundado na observação dos fructos; Cesalpi- 
no. tdédico italiano; Leonardo FuBoh%- professor' 

trs ** 



d*anatoiDia, eHoQri80n,médíeoinglez. Finalmen- 
le, pelo principio do século XVIII, Tournefort, iK- 
vidiodo e classificando as plantas, e algom tempo 
di^pois o immorlal Linneu. destinguiodo-Uies prm- 
cipalmenteos sexos, estabeleceram ambos tal me- 
thodo^que a botânica assnmio foros de verdadeira 
sciencia. Depois doestes vieram-lfa'os aagmeDtar 
outros homens de grande mérito, taes como Jus- 
sieu, Thonin, du Petit-Thouars, Gu^ier, etc. 

Os antigos só tinhão observado 500 a 560 plan- 
tas. No fim do século XVI jà havia descriptasO^MO. 
Tournefort traz 8,8i6 espécies, e hoje as plantas 
dassadas e descritas andão por mais de 50,000. 

Entre os auctoresportuguezes lambem se con* 
tão botânicos mui distinctos para o seu tempo, e 
nomeadamente Garcia da Horta entre os anligos,o 
insigne Brolero e o Abbade Corrêa da Serra entre 
os modernos. Entre os contemporâneos fígurftoos 
Snrs. Doutoites, José Maria Grande, António Joa- 
quim de Figueiredo, e Bernardino Antokúo Gomes. 

O estudo da botânica é sem coatradicçfto um 
dos mais interessantes, posto diga o melaneèoUco 
Rousseau que é de solitarios,ocioso8»e mandriões. 
Felizes os que assim mandreiSol .. 

23 DE iUI^HO (Segunda feif) . 

charada. 

Vè-se a primeira no todo. 

Mas^dizem lá não está, 

E na segunda o seu todo 

Cedo ou tarde s^ fará. *'* 

170 



24 D£ JULHO {T$rfa feira). 

fE«or*vot previdentet. — No Mênsageiro 
de Java, jornal que se publica naBatavia^ 
achamos a relação d^um corioso episodio 
€ue alli se passou uUiiBamente n^uma ven- 
da d^escravos, pert^centes á tierança 
d'uma dama cnineza. 
Pozeram-nos em cima d'um efttrado, para que 
por todos podessem bem ser \istos, e antes de se 
receber o primeiro lanço, fizeram elles tinir um 

Souco de dinheiro, e disse o homem encarrega- 
o de venderos : « Meus senhores, conseguiram 
estes pobres escravos, á força de perseverança, tra- 
balho^ e economia, juntar uma pequena somroa, o 
solUcitão de vós o grande obsequio de os deixar* 
des também lançar, na venda a que se vai pro>> 
ceder, afim de verem se por esse modo eelicão per- 
tencendo a si próprios e se tornão forros. » 

Ninguém se óppoz. Pozeram á venda os q«a- 
tro primeiros escravos, e ninguém lançou, senSo 
esses mesmos quatro infelizes, que offereceram 
20 florins por si e de si próprios ficaram sendo se- 
nhores. O mesmo aeon teceu com os outros 8. qua- 
tro do^quaes recobraram a liberdade por ii flo- 
rins e os outros quatro por 10. Barata fazenda 1 . . 

25 BE JULHO [Quarta feira).. 



• A quasi todos os nossos se po- 
de applíear o provérbio italiano -<- Tradulfritrã" 
ditor$ (traduetor, enganador). 
277 



26 1>£ JULHO iO^intú feira); 

Oomo4e4& o^bado^off^ibo. r— Àvaliâo em Fran- 
ca em maia d^ oem oaiihOes de francos o prejuifco 
à«iàaalB»«tt4e cau8aida »m Mos oscelleiros daEu- 
r^fia por eaUdevasAiMiOi' insecto. Grande serviço 
ér mi9 iâcnlcaf q co^q se lhe pode dar cabo aa 
pelle. £' a cousa mais focii d*este mundo. Experl- 
mentem-nq osnossoâ lavr^d^nres, eddaljsttm d'el- 
les parte áo resulUdo polainipjreD&aperiCHlica, ou 
por ¥ia d*este mesmo ilvriíitiio, c|ue n^isso haverá 
grande iuero, fnoás ha muito quem não acredite n^ 
maior parte das receitas. 

I^itemHse todos ds anúos quatro ou cinoo pu* 
Dfa^doade linho cânhamo^ bem fresco e com a sua 
semente, por toda a superfície do ceileiro, que se 
deverá ter varrido muito bem. £' quanto basta pa- 
ra aue o insecto não appareca. 

Vio-se nada mais simples? Por est« modo se po- 
dem preservar do maldito bixo, o triço, o arroz, 
e todos os grãos enoetteirados, que eUe róe edes- 
t^ereom a maior sem cenemonia. 

foi' o acaso quem isto «nsinou. 

Havftãi n'Qm celkiro uma grande porção de tri- 
gO) já meio consumido pelo atoimaiinho, quando 
por acasQ.se lhe deitou por cima tinbotcanbamo: 
dentro em poucas horas paredes e tecto estavão in- 
çados de gorguNio que nigía em passo accelerado» 
e oue n*essa retirada levou oito dias. 
- i^Fa>hâDverolinho ennhamo bem fr«fi€Oi^iein- 
Pft em .qae.£0^^ a colheita do. trigo,, é preiiiso $e- 
mearo com a antecipaÇQOtopptrtuna. -.' v 

«78 



27 DE JULHO {Sexla feira). 

A ittdia àt potuit 4a suropa. -- Denlro<en muito 
pouco tempo se acbará termiDada aimlia de ferra 
de Oatendea Trieste, cuja. extensão è àt 500 lé- 
gaas. Ponco mais de dous dias gastarão as eartasy 
os viajantes, e as encommendas, para irem das 
margens da Mancha ás do Âdrialico ; em qvatra 
dias mais chegarão ao Egypio^ e graças aaoami- 
nho de ferro de Alexandria ao Cairo,, qve a^vança 
rapidamente, e em breve selerminarà poéêrão na 
fim de 36 hotas achar-se a bordo d'am vapor no 
Mar Vermelho e chegar a JBombaím d'aki a do2e 
diasyisto é, três seiDànaf depois de haverem pur- 
fido de Londres. Jã.eniâo.chegarâ. a Sxkez o teie« 
gra pho eléctrico que se trata de estabelecer a través 
do Mediterrâneo; e:as4,000 milhas de fios metal- 
licosque já hoje vem daraCalcullá, reunirão to- 
das as cidades )Bi|!M3ttantes da Judia com o porto 
de Bombaim. Assim, ántçs de terminado o anno 
de 1856, se communicará pelo telegrapho eléctri- 
co com todas as partes da índia em mz on onze 
dias, e pelos vapores e caminhos de ferro em 21 
dias tí&m Bombaim. Nós cá veremos tudo isso por 
umoeulo. 

^ I>£ JULHO {S<thbaio). 

seof itír^v — f Virgem de quinze annos. 

Temperamento. — ^E' Um Cavallo fogOSO qUC mui- 

f as .vezes tâmao freio nos detotes ^ despedaça o 
cavaIleii*o. 



S9 DE JULHO (Domingo). 

Anteultação. — Ãsúm se chama ao acto eom que, 
applicando o ouvido a uma pe^oa, se procura re- 
conhecer a lesão que vaiiâ dentro> afim de saber 
comosehade tratar medicamente. E' aopeiloque 
maiscommummente se applica a auscultação, pa» 
ra averiguar as doenças dos pulmões. 

Ha facultativos de ouvido tão subtil que aus- 
cultão perfeitamente com elle desarmado ; outros 
servem-se de um instrumento que para isso se in- 
ventou, cbamado : stetocopio, e qujehoje se fabri- 
ca muito aperfeiçoado. 

A auscultação foi um sentido novo e utilissiofto 
com que se dotou a medicina moderna. 

30 DE JULHO {Segunda feira). 




ftalautari». — iBran- 

do-ee no espelho uma 
formosa, um poeta, que 
a tomou em flagrante, 
lhe disse: 

a Só assim podereis 
ver um rosto como o 
vosso. » 

Forte admiração! tam- 
bém eu' Buuea vi uma 
cara como a minha. 

Agua furude. — E' muilas vczes o abrigo da ia 
digencia, do mérito, e da virtude. 

«80 



31 l>ES^inO (Terça feira). 

A relíoidade. 

Era boDo e&se tempo da vida ' 
Em que esta harpa fatiava de amores: 
fira bello qaaodo o estro accendião 
fim iniuh*alina da gaerra os horrores. 

N*esse tempo o balouço das vagas 
Me era grato, qual berço da infaDcia : 
E o sibilo da baila harmonia. 
Semelhante à de flaata era distancia. 

Ea corri pelos caa^pps^ da gloria, 
D*entre o sangue colhendo uma palma, 
Para um dia a depor aos pés uVssa 
Que reinou largo tempo n*esta alma. 

Mas qual ha coraçUio de donzella 
Que responda a um suspiro de amor. 
Quando vibra nas cordas sonoras 
Bo alaúde de pobre cantor? 

Triste o dom do po^ta 1 ~ no seíd 
Tem Tolcâo que as entranhas lhe aeceade ; 
fi a muHier qae vestio de seas soDhos 
Nem sequer um olhar Ifae comprehende t 

B trabido — e passado de angustias — 
Ao amor este peito cerrara ; 
E quebrada, no tronco do cedro> 
A miolia harpa iofeiíz peudurara. 



»t 



Um véu níegro ciil)ríp*me ae^rslejada» 
Que gelada, que inútil corria : 
Meu engenho toragiu-se uiq mysterio 
Que ninguém n^este mundo entendia : 

£ embrenbei-me polr enifeos detetC«d, 
Mas, tocando-o, fugia-me o goso r 
He o colhia, durava um momento ; 
Apoz vinha o remorso amargoso. 

Esquéci-rae do Deus qtte adorara : 
. O prestigio da gloria passou ; 
£ a minh*alma, vazia de esperança. 
No limiar do porvir se assentou. 

Meus pulmões arquejaram com «^neia, 
Buscando. ar na. amplidão du futuro, 
£ somente epcontraram, por trevas. 
De sepulcbros um hálito impuro.. 

Mas, em fim, eu te aehei> imibu. consolo, 
£u te achei, ob I milagre de amor.' 
Outra vez vibrará um suspiro 
No alaúde do pobre cantor. 

Eras tu, eras tu, que eu sonhava;. 

£ras tu quem eti|a adorei, 
} Quando aos péa.de mulher enganosa - 
l- Meu alento em Jcanções arramei. • , 

Senaterra.esié»U]^rdepoéta • * 

Coração ha que o possa pagar, . -.< 
Serás tu, virgeni («ara dos caw*|>08, <\,t i 
Quem vjrá a miijha harpa acordar. • . - 



JZSS 



Como 1 \ot díiviâon iz tahdèv 
Quando o sol leva ao mar mais um día^ 
ReT«rliera poesia e santiailv ' 
Na alitta imjnensa de ura rpi da harmonia; 

Tal poesia e saudade em torrentes 
No teu meigo surrir eu aspiro, 
E no òlbar que me lanças a furto, 
E no encatUo de um muda .suspiro. 

Para mimes tu boje o uni^rso : 
Sôa ettr vio o bulfeio do mundo ; 
Qite este existe somente oiide existes, 
Tudo o mais é um ermo pifofundo. 

No sileneio do amor e veniura, 
Adorando-te, ^! 6lha dos céus, 
Ku direi ao Senhor: tumVdéslc» 
Em ti creio por ella, oh meu í)'eú$ 1 

Alexandre Herculano, 
1 DE AGOSTO [Quarta feira). 

Cft»mulo pàrá. valentes. — DepOiS tie If atí^pÒ^ll* 

doâá capital ^aAl$ác>a odregtbsMt^rláéi^ doMdi^ê- 
ch«il fie Sa\e, etitMraiá dotí» éoldildos, oue ha- 
i^ií|ò#irvido Bobas 'SUES ordélis, iid tem'pl(| cm^ue 
se haviãodepoiâtjfiídOv Aprotitelio^ae ettf ^j^ocliit^o 
tumulo^ de^mbaitíhão ás espãdlis, afiaò-nas em os 
degraus de mármore do sumptuoso monumento 
et^â'áô'á mêtnofia do^ueír réfro: e sahetf) intifna- 
mémecdéveneidos diequép^eráo assim írnííárí) 
nmiiiaitHi éefesa da pàlriá* • 

m 




t DE AGOSTO (Quinta feira). 

Lebre e burro. — ArgQmentando um velho esta- 
pido com um rapaz espertój acabou assim a dis- 
cussão: ^ , , , 

c( Qual de nos 
terá aprovei- 
tadomais ates- 
te mundo^vos- 
sé com os seus 
18 ou 20 an- 
nos, ou eu 
com os meus 
64? 

«Essa é boa ! 
pois isso leva- 
86 là pela idade? mais corre uma leore d^um an- 
uo do que um burro de vinte. » 

Zl^EXGOSTO [Sexta feira). 

ViBta-nionot eom fumaçaf. — CertO pÍ0la-m0- 

nos que pretendia ser tido em couta de grai»ii 

artista, disse um dia com ar degraiide importan- 

^ , cia: « Vou mandar caiar o teclo da mi- 

4gSt nha sala para depois ihe pintar um par- 

. Juj^ naso. 1» Acudio um amigo : « E' melhor 

^^^^ pintaUo primeiro e caiaro depois,.! 

vatieaao. — Cbamou-íhe um critico perverso : 
manufactura de concordatas, bulias, e pástorâes^ 
reu chamo-Iheum thesonrò para esUdosnioraès. 

M4 



ÍDEKGOSTOiSMadi), 

' ttm^^talAmám Ctt^nttãm, Sm Mugettãde Oatlioliea. 

^ A conqáistadeOranada, effectuada por (odo ò 
orbe chmtão, de9truio a dominação dos mouros 
oá fiespanba. Durara elia 7(»0 anno»: Subsistira 
o reino de Granada desde 1293, que Mahomtt 
Aben^ Álhíimar o fundou, até 1492, n^àè Boàbdil, 
ultimo Rei <fe8sa linhagem, o restituiò aos cástO'- 
tbanos. 

Este reino, conquistado em menos de dez annos, 
tinba70légttasd^ largara sobre 30 de largo; con- 
tmka 99 cidades de primeira ordem, 97 menores, 
e mais de 2,000 povoares. Se se atlende à sua pou- 
ca extenso, era o mais rico, o mais fértil, e o mais 
I povoado pau de toda a Europa^ continha três mi* 
fa&es denabitantes e dava a seus Soberanos um 
rendimento annuai de 700,000 ducados. O commer- 
cio e a agricultura fazião a principal occupação e 
riqueza aos granadinos. 

As montanhas das A Ipujarras ainda boje sSo ha- 
bitadas por descendentes dos mouros, que apesar 
de ohri8tio9,hilo todavia conservado osusos, leis, 
eostvnes, entégrande parto daliogua, deseus an- 
tepassados» 

O Papa Alexandre VI recompensou o animo e fer- 
vor do Rei Fennmdò com o titslo de : Catholico, a 
seus successores tens^vado. Quando o Pontífice 
escrevia iquelie Monarcba, sobrescriptava sem- 

gre as soas cartas : Ao mmtre Rei àt Ca$teUa, 
^rmula que depois substitnio a de : Bti CathoH" 
€0 diHespanha, 



»«io^a de i.iiU4k. •*- FoilemúDaáo emlMB e 
é obra prima no $eu género. Yéeitt-se-ihe no mo»* 

Srador : aecliptioa» o zodíaco. OBtropieo^vO eqita** 
er, a orbita dos priiiçipa«splafkeias,aDaflctQi«nto 
9 o occasodo^ol, osdias doaoM^ e as festas prin* 
cipaes. €am tanta exactidão se execat^o ò$ movi* 
mentos de todas as peças, ouea qualifueràora da 
dia se pode conhecer o estado do céu. Regalarfe 
até 1875. 

Tem também uma figura, qae representa J. C, 
a qual abre todos os dias, ao meio dia empoado, 
uma porta que Ibe fíca à direita, e por obdè sa- 
bem, uns depois dos outros» e se iacliiião pcnrente 
o SALVADOR, o Imperador d' Aliemanba e os sete 
Eleitores, ou Soberanos entre osquaes »Q aciíava 
antigamente a Allemanha dividida; eorcesponde- 
liies J. G. eom um gesto. Todas estas figuras enirão 
por un:a porta que sefechasotbce.auUknapiereQn- 
nagem< . 

N'uma das duas tiorres da igreja de Santa Maria' 
ha um carrilhão que t^a a todas as horas, dadas 
em um sino por uma figura qtiereprosenta otem-^ 
po ; a cada hora vira a cara para a banda outra fr- 

£ esta uma (j^sDuaravilhas doioortoda Europa. 

ump. aso. A. m.p. m. a. s4.p. iiS) 

loipr^nsa, — JE» uma 'bozina de que os pobres 
t^em prt cisfio para que os grandes ds ouçã<^. Luz 
de gaz clarissíma e económica. 

28A 



6 DE AGOSTO [Segmáa feiYa) . 

AfltWiAlir o vtflo» de tretoartaft. -^ Valtia CVtÚà 

carta tantos ponWs quantos tem pintados, os azes 
11, e as figaras 10. 

MMde-se a uma pessoa tirar ires cartas d*am 
baralho de eiD<:foeDta eduas, pôf as sobre a me- 
"sa viradas para baixo, e contar sobre cada uma 
#èílas tantas cfartas mais qi^asflãs faltarem para 
thegar ao numero 15. Se a 1 • carta é um 9, a 
1* um az, e a 3.* um 7, porá sobre a 1;" seis car* 
(as, ^obre a 2/ quatro, e sobre a 3/ oito.Pe- 
dír-^e-ha depois o restodo barallio, contar-se-hão 
as cartas que ficaram, e diminuindo 4 d'ess^ res- 
to, teremos o numero total de pontos das três car- 
tas que estdo beijando a meza. 

ge o baralho for de 40 cartas, deverão junlar- 
se S unidades fto numero de cartas restantes. 

7 DE AGOSTO ( Terça feira). 

charada. 

' - Con este e com outro igual . 

Caminhava certo padre ^ 

Ligeiro por'Éilli fora, ^ 
Para ca^a d^um compadre. 

É que já não era cedo ; 
Meio dia tinha dado, 
: E para comer o todo 
Fora o padre convidado. *** ' 

iH1 



8 DE AGOSTO (QuafiaMruh 

Mem PresídenUi nem Seef«t4d«--r- QatDdoem 

França se tratava a que9ião> mui philosophie«^ 
da emancipação, ou alforria, do^sexo adorável, 
reuniose uni grande numero ia damas para for- 
nir u^Eia socieda- 
de deslinda £ 
sustentar por lo- 
dos os modos^ e 
a todo o custo, 
esses seus novos 
interesses. Era a 
primeira sessio ; 
nãoseacbayapor 
consequência a 
meza constitui-la; 
cumpria nomear 
por acclamaçSo 
umaPresidenta in- 
terina — « i4 mais 
velha, a fnais ve- 
lha » disseram muitas vozes. Não appareceu uma 
só que fosse mais velha. aPoú bem^ptsmnda-se 
por ora de Presidenta ; momeemos uma secreta- 
ria ; seja a mais nova. » Saltaram todas a dispu- 
tar a cadeira do secretariado. £ o resultado foi o 
tornar- se impossivcl que a sociedade se consti- 
tuísse. 

silencio. —Persuade ás vezes mais do que a pa- 
lavra. 

S88 




9l>Zk60SlLO{Quiuiaf€ira). 

i.iita ««iB • m«He.-~Havoodo SiWard, Coiid« 
ou Duque de Norlhumbria, perdido um filho no 
mesmo momento em que a vlctoria se moslrava 
> r, ,-» ► , — b favorável a suas 

armas e eonira- 
riaásdeMacbe* 
tb. Rei da Et- 
coGla> na foata*^ 
Iba que entre 01 
dous exércitos 
SC travara, a pri- 
meira cousa que 
pergunlou com 
a maior sereni- 
dadede espirito» 
foi se recebera o 
ffolpe mor tal pe- 
la frente ou pe- 

^-^— "^ — las costas; res-. 

pondendo-se-lhc que pelo eslomago>i relorquio : 
« Bem estál é assim mesmo que eu quizera lam- 
bem morrera « Não foram porém n'esicparticirlar 
atleadidos os seus votos. Ao sentir-se atacado, 
em 1059^ de moléstia mortal, e vendo que estava 
próximo o seu ultimo momento, pensou que era 
indigno de tSo grande guerreiro morrer â'uma ca- 
ma, e ordenou que o armassem dos péa até à ca« 
beça, e o sentassem n'uma cadeira de espaldar» 
Foi n^essa posição, e com a espada nua na mão, quo 
||«noiio com a morto, e foi por ella subiugado. 




10 M AGOSTO (afearia feiro)'. 

ctouri*!. — O palácio do Esctrrial, cojíi oHj^m 
relaCámM a 10 (i*Agosto do Almanach de 1891; é a 
anais samptuosa e a mais vasta de todas as casas 
«reaesdottiiiverso. Dedicade a São Lourenço, que 
morreu n*tiififas grelhas, nãdse vêem iMytor toda 
ti parte senão grelhas esculpidas e pinttdal^Qias 
f relhas tem também a forma o magnilico eoracio, 
que.ha custado 60 milnôes, e em que faabitoo Fi- 
lippe II DOS seus uKimos aonos, morrendo defron- 
le doaltar mór para onde mandou que o transpor- 
tassem nos derradeiros momentos. O logar em gue 
expirou aiada hoje tem á roda uma gradaria de fer- 
ro, a que ninguém se aproxima. Persaade-se o 
vulgo de que o espirito inquieto e turbulento 
jd'aquelie Principe vem todas as noutes visitar a 
fiua antiga residência, e que á meia Qoute em pon- 
to divaga pelo convento. 

. Ha em todo o ediCcío U,000 portas, ILWO ja- 
nellas, SOOcoluranaí/f ípàleos, el7cla«9tros. Pe- 
sio tè arrobas as chaves que abrem todas as p(or* 
tas. . 

. A frente princi pai tem 300 passos de largo^e uma 
$.* parte d'altura : na porta do meio estSo asaf mas 
d*flespanha, oom a eíAgie de Sio Lourenço por 
eima. . 

A igreja foi construída peio modelo da <de São 
Redro de Roma, e tem SOO pés de comprido sobre 
280 de largo. Véem-se por toda a parte, ricos már- 
mores^ ouro, e quadros dos melhores auítboresita- 
lianosc Tem 9^ coros,, e em cada um d^elles o^eu 

l»0 



órgão, oue acompanhava, no iempôdos frades, as 
vozes dos duzentos religiosos que alii canlavão 
detonte dé oiUras tantasreskioites douradaB. As 
ycsttmeulas sacerdotaed erão cobertas de pedras 
ruia&; os vasos ecandelftbros, d'ouro e prata; nò 
interior do tabernacolo da capella principal ha^ 
via ttffla esmeralda dó tamanho d*uin ovo. Quan^ 
do dL^: erão^ havia, é porque supponiio qoena^ 
da láhaverdo deixado os francezes, como também 
cá fizeram^ e cmno por toda a parle fasem os con- 
quistadores, Deus lhes perdoei.... 

Por l)aixodaigrejaesta o famoso Pantheon, com 
miiHas uroas negras nas qnaes se achâo os restou 
morlaes dos Reis de Hespanha. ' 

Depois de terminado o edifício, assistío Filip* 
pe iV á trasladação dos cadáveres dos Príncipes 
e PríQoezas da Família Real, e tomou para thema 
d0 serniâo o padre <]ue então pregou, estas pala* 
vf asdTEzechiel : Ossos descarnadoSj escutai a u^z 
do Senhor t.:,: 

Depois da Igreja c do Pantheon o que Doais adt> 
mira é a Bibliotheca, não só pela sua belleza e ele- 
gância, pelas seus iiínumeraívéis bustos, e por suas 
ricas pinturas, mas pela multidão e escolha dos 
Uvro»i-« pelo nuafreroe raridade dos mariuècrip- 
tos; £'umá! das maia preciosas collecções de tai 
género quenomiibdo e^i&tèm. Àchão-^se alti frág* 
Bientos de Tito Livio e de Diodoro de Sicília que 
Dttnca foram impressos, um tractado de Santo 
Agoátialid sobne- o baptismo, escripto péla suá 
própria .mik)^ e vários outros de diverso/s Padres 
da Igreja. > 

£91 



lihE k&OSlO (Suhbado). 

Guatto. ^ AtéA90Miai)8Da$ era conhecida a sua 
existência em algiunas ilhas do Ocea&o Paeifieo ; 
hoje porém acabio de descobrir-^e Boves de|>o- 
«itos de considerável pMondidade mesmo no in- 
terior das terrais, príncipaimento nos arredores 
4'Islaj (uma das Hebridas) : a differenea entre o 
«uano da cos^a e do Interior existe em ser a cór 
do primeiro maislouna que a do segundo, na sua 
contextura mais granulosa, e na natureza do seus 
losseis, que sao restos de peixes, em logar deres- 
los de pássaros, como os do çuano da costa, Sop- 
põe-se que estes depósitos de guano são devidas 
ao enoalhàmenio do peixes arremessados remo- 
tamente pelas vagas. £ffeclivamententoé raro 
.ver milhares de peixes mortos expostosnas praias 
4^ empestando o ar, até que o sol os haja desseca- 
tio: nas costas do Senegal encontrasse (festes 
bancos de peixe com 30 a 36 cenlimelfos d'espes- 
4ur9íXRevi$ta das Açores), 

^ . 12 DE AGOSTO (Domif^ê), 

• Pistqla d^dUiçUMira de Isabel de Inglaterra, -^ A 

orma a que chamâo por antiphrase : pistola d'al- 
gibeira d^aaneila célebre Ratnha, é uma peça de 
Êronztd de %t pés de comprido. Atira a distancia 
de duas léguas uma bala de 15 libras ingleias. 
Foi ofTerecída áquella princeza pela cidade de U- 
trecht; Aeha-se hoje no castelio de Dover^ edifi- 
cado n*um monte à borda do mar. 



ia DE AGOSTO (Sêffuniã /«tra>. 

^ ^nigoMnio* d# rc«UaM«to de n»âtto Orattde. — - 

Sc^ndo nosso iovariavei sy9tèiiia nada escrever 
n*estes Uvrinboa que possa offendt r opiniões po- 
liticas ou religiosas, apresentaremos sem com- 
menlario algum, e bem certos, por outro lado,de 

tue os leitores ih'ofario, os seguintes fragmentos 
o testamento, do Imperador da Rússia, cuja po- 
litica ba sido invariavelmente seguida por todos 
os seus successores : 

cHavendo-me Deus, dequem reoebi a exisleãeia 
ea coroa, esclarecido sempre com a sua luz e sus- 
tentado com o seu divino amparo, considero o po*- 
YO russo como predestinado para o domínio geral 
dçí tnropa. Fuudo este. pensamento na cir^Ams- 
tancia ae baverem cbegado as nações européa^, 
pela maior parle, a um estado de véibice próxima 
a decrepidez, ou para elle marcharem a passos de 
gigante; seguense pois que serão fácil e in^íuòt- 
lavelmen(e conquistadas por um povo jovett,quaa» 
do este houver cbegado a toda a sua força e de* 
^envolvimento. Considero eu a futura invasão dos 
paízesdo Occidente e do Oriente pelo Norte, co- 
rnou m mo vímento periódico determinado pela Pro- 
\ideqciaj» a«e também regenerou o povo romano 
por meio da invasão do» bárbaros. » 
. Recommenda depois Pedro Grande a seus auc- 
cessocea, que se aproximem de Constantinopla e 
da índia o mais que possão. € O 91K aft« rtxiíary 
dii elle» êtH urdêdciro Soberano do m%ndQ.* 
Concluo aisim : 
993 



(( Destóembradn a Çuecia, TénoidaaP^rsia, con- 
quistada a Turquia, reunidos os nossos exércitos, 
^fendMos o mr Negro e o Ballice pehs noâfsas 
èsqirad^s,. deverá propor-sè separadaraenlCL é 
comamai^ discrição, primeiro à corte de Ver- 
^Ihes, depoiftà de Viemia d' Áustria, repartir eom 
ettas o império do uaiverso. So uma das duas^ ac- 
ceitar, o que de certo acontecerá, por pouco que 
selisongeié o seu orgulho easua ambi^fto, deve- 
rá a Russia servir-se d*elia para «smagar a outra 
e despedaçar depois a que sobreviver, travando 
com ella umàluta de morte, cujo resultado é cer- 
to, poluindo já a Rússia todo o Oriente e grande 
parte da Europa t\\ ...^(à.M,11 de Janeiro) 

sspoiiçio Arg;«Uiia.-^A ExpomçSo permanente 
dos produetosda Argélia, ba poucos dias em Paris 
principiada, é, por assim dizer, a historia d'essa 
parte da Aíricu: indica os progressos rápidos da 
agricultura e o desenvolvimento que ahi podem 
tomar as difereates espécies de cultura. 

Os cereaes, o tabaco, o linho, a ruiva, a cocho- 
nilha, o as plantas oleoginosas, aUi íigurSo a par 
d'outras da mesma espécie, porém d^outros países, 
com asquaespodem facilmente comparar-sé; mas 
o qfue mais chama a attençao, éa seda grega e o 
algodão, matérias primas oue nas possessões ai^i^e- 
linassflode Npériòr qualidade, e sérfto dentre em 
pouco utna fonte de riqueza para o« colonos. Polás 
attos tlias de madeira e de mineraes q«e alli se adhfto 
expostá«, se conhece também todo o pniVeito que 
pode tirar-se das florestas e mina» da Argotia; ' 



14 DE AWSTO [Teffa fUm. 



i-ê^ irapole*.-^ Este mosteiro, colioica- 
do sob a invocação de Saio Martinho, é por tarl 
;iO0do rico e aprazível, que custa a crer s^a ha- 
liitadopor frades cartuxos, ordem de todas a mais 
'Severa-. Não é grande a igreja, mas achão-se ahi 
reunidas^ ou para melhor dizer, amontoadas, to- 
das as maravilhas da arte. Admira-se no cdro a 
Ifatividade do famoso Guido, painel de preço 
inestimaveU e varias producções de mérito ignal, 
de Espagnolet, Paulo Verqnese, etc. etc. Tem 
o claustro SOO pés quadrados; o pavimento é de 
mármore do mais raro. São sustentadas as quatro 
galeriaíí por sessenta coliuDuas inteiriças de már- 
more branco de Garrara. Cada frade* tem o seu 
aposento, que se compõe d'uma alcova, d'um 
xabiiíete eom a sua biblíotheca, e d'um quinta- 
unho. O do Provincial mais parece o d'ttm Prín- 
cipe do que d*um religioso: vô*se n'elle o famo- 
ao cruetiixtr de Miguel Angelo, cuja perfeição af- 
firmão c^tenares de escriptores ser devida ao 
h^ver o célebre estatuário mandado crucificar um 
oamponez só para lhe servir de modelo. Se assim 
ê <o quediffícilmente se concebe],o primeiro sen* 
tituento que deve inspirar é um horror profun^ 
do por, tamanha atrocidade, e o segundo, que não 
i^racifioassem também a Miguel Angelo, para-ó 
ensinar a não levar Ião longe o amor da arte. An- 
tes, poupasse o campo nez e lhe sahisse um pou- 
KM^nenos perfeílo.o crucifixo (A. 51, 14 de ia^ 
neiro e 27 de Marco, A. 52 p. 207). 
2ífô 



15 DE À60ST0 (Quátta f$if(í\. 

W(Nt«íro <Íe JOttiM de PitS«9. Prtoiéso r«ilQi&#ío, 
Cabeça de S. Qooçalo. oarvelho da virgem. — Nas 

faldas orientacs da Serra do Gerez, duas léguas 
ao poente da Vilia de Mont' Alegre, eum quarto de 
légua ao sul da povoação de PitDes, nâ margem 
d*um dos confluentes do Cávado, existe o anti^ 
quissimo Mosteiro de: Sania Maria de Jantas, 
que a tradição faz coevo da monarchia: diz elta 
que nas repetidas correrias dois mouros por estes 
sítios, nos fins do século Xí, pelo zelo d'um devo- 
to christâo fora guardada no tronco d'um carva- 
lho uma imagem de N. 
S. da Assumpção; pou- 
co tempo depois, ymdo 
dous fidalgos da Oalli- 
za caçar a estes sítios, 
aconteceu que os eSes, 
acossando um porco 
montez, pararam^ latin- 
do, junto aoditocarvá- 
lho;apearam-seos fidal- 
gos, e tirando a ima- 
gem doescondrijo, lhe 
mandaram construir lo- 
:go uma boa igreja, com 
Mosteiro da Ordem Gis- 
teíciense,oquaU anne- 
xo ao d'Osseira, na Gallrza; conservou até os nos- 
sos tempos dous monges^ o A-bbade daParochía 
e um companheiro. 

•f96 




Foi Àbbade n'este Mosteiro S. Gonçalo Gisier- 
clcnse, natural da Yilla do Chaves, o qual, reco- 
-lheado*se de Cela Nova da Gailtsa, morreu na ser- 
ra do Gerez no meio da neve, e por essa occasião 
os sinos do Mosteiro tocaram por si mesmos, se- 
gundo refere Fr. Manoel da Mealhada. 

Havia nesta igreja um precioso relicário, qtíe 
foi tranferido pelo Arcebispo D. Agostinho de Cas- 
tro para o Con veniio do Populo,de Braga; cedeu po- 
rém algumas relíquias ao Juiz Pedâned de PitOes, 
para ouertaras ao Duque de Bragança, Senhor d*a- 

auellas terras, que as mandou para a Real Capelia 
eVilla Viçosa. 

A cabeça de S. Gonçalo, que se conservou em 
Pitões, foi consumida'com outras preciosidades 
por um incêndio nas guerras com Castella. 

O Abbade d'esta Igreja era mitrado, e ainda alli 
se conservão restos d'umTÍ€o Pontifical. 

£m um terreiro junto á Igreja existe um velhís- 
simo e concavo carvalho, qae alguns querem que 
«eja o mesmo em que foi descoberta a dita imagem . 
Ko portal que fecaa um antigo recinto, hoje cemi- 
tério, existem dos lados, em tosco busto, doUs 
cães de pedra, emblema dos cà^s a que allude a 
tradição do Mosteiro. 

José Adio dos Santos Moura 
Abbade de S. Vicente da Ckâi. 

16 DE AGOSTO [Quinta feira). 

caittia. ^ O quesabe que &ada sabe deve saber 
uedevecallar-se. 



que 
197 



17 DE AGOSTO [Sexta feira). ' ' 

Brio me deixei l 

Debruçada nas aguas de um regato, 

A flor rlizía em vão 
A' corrente, onde befla se mirava; 

« Ai, não me deixes, não ! 

« Comtg» írea, on leva-me eomUgo, 

« Dos mares á amplidão ; 
<( Límpida ou turva, te unarei coostaote, 

.« Mas não me deixes^ não! -» 

K a corrente passava ; noivas .aguas 

Apoz as outras vão ; 
E a flor sempre a dizer curva na fonte: 

« Oh í não me deixes, não ? « 

£ das aguas que correm incessantes 

A' eterna succeasão. 
Dizia sempie a flor, e sempre en^alde: 

« Ai não me deixes, não l 

Por fim desfalíecida, e a côr perdida, 

. Ouasi a lamber o chão, 
Buscava Ioda a corrente, por dizer-lhe " 

Que a não deixasse, não ! ^ 

A corrente impiedosa :i flor enteia, 

Leva-a do sen torrão!... 
A afundar-se dizia a pobrezinho : * i ' í 

« Não me deixaste^ não! » 

Á. GonçaUeã i>iãs, > 



18 pE AGOSTO (Sitòdtfiíâ). 

s€|b. o influxo do pensomento chrisião, eprixta* 
2Ío obras pnnias que difficilmenle se imíÁo IiO}e 
UQS paizes niaiscuUos. A basílica de Santa Sophia 
em Constantinopla, cuja reeoiístrucção terminou 
em ^7, parece haver sido um dos primeiros mo- 
numentos reií^osos em que sé empregou o vidro 
decôfes para ornato das janellas. Teve a França 
grandes artistas n'èste género, equasitodasass^Ms 
antigas basílicas sâo embelle^adas com essas ad- 
miráveis pinturas, cujo segredo se perdeu : nio 
£altarião boje artistas que igualmente as fizessem, 
mas o que se ignora é a composipào d'aquelias ce- 
res tão vivas e brilhantes, e que muito mais resplan» 
decem quando o sol bate em chapa n'uma d'aquel- 
Jas superfícies. Pode-se dizer que se perdeu a pin- 
tura em vidro,sé se comparão as obras antigas n'es- 
te geniero com as què boje se fazem. 

19 DE AGOSTO (£>omta^oy. 

TerrMMio engr»(M4o.. .^ A príDoipaV igreja dd 
Laiisana, capital d'uin cantSto sbíssô-, é colida^ 
menjte oónstraida^ e são grossíssimas as soas pa^ 
rede». Umterrométo no século XVH abrioumas 

goúca» de poUegadas n'uma d^ellas, desde a abo- 
a^a até ao pavimento ; d*ahi a pouco veio segnn^ 
de, e re&tituio a parede ao seu estado primitivi^ 

Se algum terremoto um dia nos fizer cabir o t^ 
Ihado em cima da cabeça, esperemof^ que \^nha 
segundo levantaro outra vez para o seu logar. 

m 



10 »E AGOSTO {Segwda feti'a). 

'OleneÃeU de Monaroha. — Haveildo SapOf I OC- 

cupado o tkroDO da Pérsia por morte de Artaxer- 
xes [AM p.975), aproveitoa>se daindoleacia dos^ 
romanos para continuar a fazer-^lhes guerra, e ar- 
ruinoii a Cilicia, a Bfesopotamia, e muitas outras 

Êroviocias aue aos romanos se haviãosnbmetticlo. 
íaveodo tidoValeriano a desgraça de ser venciéo e 
feito prisioneiro por Sapor, roi tratado com amais 
inaudita crueldade. Servio-se d'eUe uma vez pa- 
ra montar acavallo, pondo-lheos pés em cima das 
eo»tas, efero depois esfolar vivo; arrancada a 
pelle toda, mandou deitar sal por cima dás carnes- 
escorrendo em sangue I .. . Morreu assassinado» Mo- 
dera!... 

21 DE AGOSTO (Terça feira). 

o caldeirão d''Aiool»aça.— >Todos ouviramfáUar 
no monumental caldeirão qye em Alcobaça se con- 
servava, tomado na balalba d' Aljubarrota aoacas- 
telhanos^ que nelle faziâo, segundo é fama, a eo- 
sinha para o seu exercito. Indo âqúelle convento 
Filippe II, e estando com o»8ens> cortesãos a ad- 
mirar a corpulência de tal vasilba, lembrou-seum 
d^elles de fne aconselhar que a mandasse fíindir, 
e lazer com aquelle metal sinos ou peças de artt«- 
Iharia. Deus me livre l respondeu o Monarcha : se 
sendo caldeirão brada tio alto, que seria se íora 
sinos ou peças!... i 

SM 



ti DE AGOSTO {Quarta feira). 

Gonsuaes. — Festas pelos romanos celebradas 
n'esle dia, em honra do Deus Consti^ que era uma 
invocação de Neptuno. Como este deus era havido 
pelo creador do primeiro cavallo, ou inventor da 
picaria, consislião principalmente as consuae» 




em cavalgadas, e em se coroarem de flores ca* 
vallos e machos. 

Diz a historia que nas festas consuaesé qu&Ro- 
Diula perpetrou o rapio das sabinas. 

23 DE AGOSTO iQuinta feira). 

Extremo fiiui. — Escrópulosamenle se submct- 
liaouUimo Imperador dacbina^fallecido em 1850> 
a um uso que a siproprk>se havia prescripte. De- 
pois de haver adorado os ídolos peia manbi, diri-** 
gia-se ao qtiarto de sua mãi para lhe beijar a m&a, 
o que muitas vezes, por uma dignidade que ejUi lá 
eplendta, lhe era recusado; o que fazia com «(ue o 
Iknarcha se prostrasse então por terra ebeijas«« 
umas poucas de vezeii a poria fechada. 

m 



24 DE AaôSTO(SMP^ feira, 5. B'árik(ílomeu), 

bm» aai«gM.^«-E' afitíquissimá preocGupaçSo, 
Bão só no vulgo mas até em pessoas aOás iliuõira- 
dás, o acreditar em oue ba dias aziagos, mal es- 
treados, ou mal fadados. Doestes dias tinhão mui- 
tos os romanos, e os agoureiros da sua religião con-. 
corrião pelas suas ceremouias oíTiciaes para corro- 
borar cada vez mais essa absurda crenya, incom- 
moda sempre, e muita vez prejuéiciaUssUna. 

O dia de^.Bartholomea é, na sunerstlciosa per- 
suasão do nosso povo.um dos mais oesast^a dos dias 
de todo o aauiôsy porque dizem que a'eUè anda o 
diabo ásêúllQS. Todas as terças e sextas feiras do 
auno -são também para muitas familias, epara qua- 
si lodos os maritimos, dias ruins para se começar 
Gousa otie se odopossa acabar antes da meia dou- 
te. Nada mais ridículo que taes prevenç&es. 

âsparoehos deveríão forcejar por extirparas; 
nós assignalam'orás aosoossosleitoreè ajudados, 
para que estes as combatão nos espíritos pusilla- 
nimes em que exérção algum influxo. 

Í9 DE AGOSTO iSabbaáo), 

ohaitfimm. ^ Nasceu em 175Í em humilde ber- 
ço é fof educado numa escola de caridade em Bris- 
lol^ -Já de pequeno era taciturno e indifTerente a 
tudo. Ao ver, naidadededo2eannos, renegarum 
padreasuaretigiãopoT motivos deinteresfte, ron- 
peu ositenclo, e compoz contra ellel um^i beniBS& 
ma sãtyra, 491100 tomou conhecido. Animado pe- 

m 



los elogios que de toda a parte lhe fazião; consa- 
grou-se d'afii ém diante a um estudo perseveran- 
te, e tornou-se inex^otavel a saa imaginação; tan- 
to porém o perseguio a desgraça, que depois de> 
diversas peripécias, e particularmente por se ba-. 
ver envolvido na politica, se vio reduzido ámise-. 
ria e á desesperação, e foram elias causa de que a 
si próprio, e na idade de 18 annos, cortasse o fio 
daexistencia,a25d'Agosto del7701... Pouco an- 
tes de morrer, escreveu uma linda bailada sobre 
a caridade^em que a par de uma bella e pura moral 
respirava o sentimento, que atrozmente o>.mina- 
va, da miséria contra que sem esperança comba- 
tia. Alfredo de Vigny fez de Chatterton 6 heróe 
de um dCGiiDaís notáveis dramas do século actual^ 
drama qoâ reproduz a luta eterna da poesia e do 
mundo real. 
Bahia S de Junho de 1854. Magano. 

2() 0E AGOSTO (DomingC). 

x.ttzo e mUena.— Desapparecera quasi de todo 
o numerário da Hespanha no tempo de Carlos II, 
no sé(9ula XVII, para a<|uemuito c<>atribuira^a 
decreto aue reduzira a um terço do seu valor as 
moedas a'ouro e prata e prescrevera o cobre, Su- 
bia não joibstante a tal ponto oluxo dos grandes.de 
Hespaaba e dos cavalheiros da finança, que era 
tido por pobre o que só tinha 800 dúzias de pratos 
de prata ! Era com escadas do mesmo metal que se 
che^va ás n^ altas, praèeteira^ dosenonnes ar- 
mários em que se guairdavão. 
303^ 



27 0E AGOSTO {Segunda fiira). 

xnjrâerséo. — o Zayiierzéo é um golphò^o Mar 
do Norte qoe penetra pdo interior da HoUanda, 
c data de 12^5. Era d^antes uma boa província dos 
Paizes Baixos, toda habitada, e defendida do mar 
por fortificações ; mas de repente, crescendo as 
aguas> romperam aqueiias fortificações, cortaraua 



a FriiSia «m doas partes, «ma a leste e outra a oc» 
ity e afflagaram quasi BOaiéguas quadradas deter 
reoo. 

A antiga costa do paiz submerigido ainda bole-f 
marcada por oma serie de ilhas que st estenoen 
•orno fima linha do sul ao norte. 

B«»r^9*.^ Moléstia por tal modo contagiosa 
que todos fogem de quem a soflfre. 

m 



Í8 DE kGOSTO {Terça feira). 

ApotbéoM. — Termo gre^o, adoptado nas lia- 
guas modernas, e qae significa : deificação, oo : 
acto de deificar. Entre os romanos, o ]mf)erador 
que morria, desde Júlio Gesar até Constantino, era 
solemnemente referido ao numero dos deuses; na- 
da mais solemne que todo esse ceremonfal. Mui- - 
tas Imperatrizes gozaram de igual boura. Da pira 
do Imperador soUava-se uma águia, que espavori- 
da das cbammas voava e desapparecia pelo espa- 
ço, acreditando o povo que levava para o céu a al- 
ma do fallecido ; para as Imperatrizes em logar 
d'aguia era úm pavão. Depois de assim consagra- 




dos, tinbão templos com sacerdotes, sacrifica, e 
festas, o que tudo o senado lhes decretava. 
S05 t9 



 mais antiga Molhaó^decpiie ba^memoria éa 
de Osíris, qae de Rei passou a ser divindade tute- 
Ur do Egypto, Logo oepâis vcioa deBelk). Xeno- 
foaieatrra que Cyfo ma aprímeiro homem ado- 
rado mesmo em yida. 

Qe liodas as apotkeósesaoiitgas, as que a philoso- 
líbia menos reprova e mais ama, são as doa ho- 
ínens oiimnlhoresqaeporsectBugenhQ e virtu- 
de fizeram algmn beneficio pojideroso á buma- 
nklade. 

]So ehristianismo a canonisação faz ainda lem< 
brar a apoihéose. 

n DE AGOSTO [Quarta feira). 

Adivinhar uma oarta em quarenta, percorrendo 

duas vezes o baralho. — As cartas braocas valem 
o numero de pontos que lêem ; as damas, 8 ; 
os valetes» ^; os reis, tO. A sommado valor de 
todas as 40 cartas é 220, ou vinte e duas ve- 
zes 10. Tirada pois uma cartado baralho, iremos 
addicionando por sua ofctem os valores de to- 
das as outras, pondo sempre de lado as dezenas : 
o que no fim vem a faltar para completar Mjlndi- 
cará o valor da carta quese tirou ; percorrendo o 
baralho 2.* vez, saber-se-ha o naipe. Supponba- 
mos que a somma acaba em 4; para W*faUao 
6, logo a carta tirada do baralho é um ^6 : cor- 
rendo mais rapidamente 2." vôe, saberemos de que 
naipe é. 

pobre». — Sáo oa negtoa.da Europa, 

í 306 



90 MS KQO&rO (Quinta /ei^a). 

io ú^ qoesobreeile pulirlicoa oObservatorio deTo- 
ioga : 

Pamm pelo ponle mais próximo do sol a 2 de 
Septembfo eda terra &8. ^'aqueUediaeslavaaífds- 
tado do^olODze imib5d6 qtmtrocent^s e (juai^enlb 
mil léguas, e o'6ste, qaatorze milb&és eseie o^úX^s 
mil. A soa distaBcia a terra, a 15 d' Agosto, etade 
nais de i^Biiltiõea e meio de léguas ; a 1 de Sejv 
lembro, óe mais de 28 mílhOes e meio; i» 3, de 17 
milhões.; D0dia9, jèestavaoBtravtesad^milhdos. 
Fossem lá correr atraz d^eile 1 . . . 

A sua velocidade era lai, que de 15 d'Agosto a 'í 
de Seplembro percorreu Í9 milhões e 645,000 lé- 
Aoas, — um milhão 555,000 por dia. De 1 a 2 de 
Septembro chegou amn milhão 678,00O^légua9 em 
S4 noras, ou 19 léguas e meia p^r segundo. 

Era enorme o seu volume. Bonve dia em €(ue a 
cauda apresentou uns 3 milhões de léguas de com- 
primento. Observou-se que era esta cauda menos 
lirilhante no meio do que no« extremos, o qfue deu 
togar a que alguns pensassem que existe A este 
corpo celeste uma cavidade interior. 

E? de crer que nos torne â honrar com ô sua vl- 
siia entre os annos de 1858 e 1851. Acaítíteltm^o- 
nos « grilemos^he todos '. « Passa de largo ! » 

'31 DE AGOSTO (S«a><a fmreí) . 

ciúmes. -^ Veneno do amdr. » 

a07 * 



1 DE SEPTEMBRO {Sabbado). 

Modo de se reooDheeer o larguftk d*am rio ou tra* 
eto de terra oom um obepéii. — - GollÒCaÍ-YOS á bor- 
da do rio ou espaço de terra cuja largura preten- 
deis reconhecer; pegai no vosso chapéu e che- 
gai-o, com o tampo para o ar, até rente dos olhos. 
Começai a inclinaVo gradualmente, enfiando sem- 
.pre a vista pelo chato do tampo até que ella vá ba- 
ter precisamente sobre a borda da margem d'àlenai; 
então girai para a direita ou para a esquerda, um 
quarto de circulo, ou mais, se quizerdes, com 
muito cuidado em não augmentar nem dilninuir 
a inclinação do chapéu, nem des- 
viar os. olhos da primitiva direcção 
por cima do tampo. Logo que derdes 
com a vista n'uma arvore, n'uma 
herva, n'uma pedra, ou qualquer ou- 
tro objecto distincto, podereispòr o vosso chapéu 
na cabeça, que tendes a medida apanhada. Con- 
tai, caminhando, os passos que vosseparãod'es* 
se marco, e igual numero de passos será a largu- 
ra do rio, ou campo, que não podieis atravessar. 
A rasão é clara : coltocastes-vosn^um centro do 
circulo, e vós e a vossa vista enfíada pelo cha- 
péu servistes de compasso com que aescreves- 
tes parte do circulo de que estáveis no centro. 
A margem d'álem do rio fícou-vos n'um ponto 
dacircumferencia, en'oulro ponto da mesma cir- 
cumferencia vos ficou a arvore, herva, ou pedra 
que marcastes ; conhecida pois uma d^essas exten- 
nOes, conhecida ficará também a outra. 

110» 




IDESBrmíBO [i 



\ 



^vrador, e nais soa mulher, de Aldeia Ijca, fté- 
. raezia d'A cores, distrído da Gaarda, me ao locar 
loAiicioho,frégaeziadoEirado,CoBcelkod'Agwar 
da fieira, estava o'oma grata, entre dovs grandes 
' penhascos, uma Imagem de Christo pregado na 
; cruz. Encaminhando-se ao sitio rt^dãúo^ ahi en- 
contraram ama pedra tosca, qae algnsa semelhan- 
ça tinha com a dita Imagem: pnbucada a sna /«- 
veneãOy fizeram dar-^he melhor forma, e pozeram- 
lhe o nome de: S^ihor do Castellinho, porqne 
estava no cimo dos taes penhascos nm pequeno 
castello de pedras miadas. Espalhoo-se a noticia 
e a devoção, e em ponco tempo abundaram tanto 
as offertas, qae se erígio ama Irmandade com a 
invocação ou titulo da dita imagem, edea-se prin- 
cipio a um magnifico templo. Dirigido a obra doos 
devotos da familia dos Beltrões, £i villa do Cara- 
pilo, mascoDcloida acapeilamóF, pozeram na fren- 
te d^ella um letreiro, que dizia que : O Snr. Joié 
de Gouveta Beltrão, de Carapilç, mandara fazer 
aquella obra em o anno de 1734. Escaodalizou-se 
o povo com a inseripção, e immediatamenle ces- 
saram aâ effertas, a devoção, e a mesma obra, que 
assim se conserva até ao presente. Da Irmandade 
apenas resta um pequenofundo, como rendimento 
do qual se celebra annualmente no primeiro domin- 
go de Seplembro uma solemne festa, íí o m i' íV 
nome engraçado, e que se torna muito l u ^i 
'^r ahi também n'esse dia uma gfuuú 



ria, que retme fl màís brilhante mocidade d^aquel- 
ies arredores. E porque muitjs pregadores não 
accrlôo a conformar os seiis discarsbs cem ot)b- 
jécto da festa, seguem gaasi sempre differehte ra- 
mo, e cba«ifio4iie iiAs: do Senhor dos lAnetnhos, 
o outros: do «Sen^^r dos Engaços, 

José Dioffo daCutnka. 
Abbade de €ar»plto. 

3 D£ S£PTEMBRO {S^^máa píira), 

xsÈív^rviA de taaiiiiii<nitb.«^£' assim cpte WiHis, 
na sua Viagem aosir&picos^íèWdí Aresta iimravilha 
da Martinica : 

« Não ha penna que possa descrever a irapres- 
são causada pela caverna ante-diluviaaa de Mam- 
inouth. £' uma cidade de gigante» que um terre- 
moto absorven, e que um tecto de montanhas e 
rochedos preservou das agjias do ditovio e de to- 
do o género de destruicao/riSo é uma caverna sub- 
terrânea, húmida e suja ; é uma fileira de vestibu- 
tos, zimbórios, corredores, ruas, avenidas, e ar- 
cadas; nSo é «ma caverna, é uma cidade ^m ruU 
«as, privada de sol, de lua, é de estrellas; que pa- 
rece haver tidojáoseu dia dejuieo,e sobrea<jt»l 
«e elevou um novo mundo também já decrépito- 
Wonhum arohiteclo poderá crcar tao agigantados 
«rcos, tao atrevidas abobadas ; nenhum operário 
houvera podido construir colomnas, cornijas, e 
«alerias, que umas a outras se sustent&o por mi- 
lagroso 'equilíbrio. »' - 

310 



4 m SEPTBMítIO ( Jewa ftira) . 

óerveja. — £sta bebkk, ettjo mo se vai genefa- 
ligando cada vez mais» e qoe maitos preferem aò 
vinho, em rasão da saúde, do preço, e de se poder 
tomar impunemente em maior quantidade, é de in- 
venção anliquissima. Era cerveja a bebida mais 
trivial em terras doE^ypto, ondeifaeattribuião a^ 
invenção a £1-Rei Osíris. Já em eras affastadissi^ 
mas bêbião muita cerveja pela^Grecia e italia. Os 
antigos belgas, os gallos,o8germanos> eoshes- 
uanboes,.tomavãO'na, não bâ saber desde quando. 
No tempo de Strabio alcançamos por elle mesmo 
que era mui vulgar a cerveja em Flandres e na In- 
glaterra. 

Como se fabrica de cevada ou lrigo> e às vezes 
da mistura d'estes e outros* grãos, querem algons 
que o nome de : cervisiay queos romanos lhe da-^- 
vão^ 6 de que nós fizemos a de : corveju, se deri^ 
vaase do de: €eres. 

Como quer que seja, o que não será inútil dizer 
aqui, é que nos paizes do norte as mulheres que 
amamentão creaneas aos peit<>s têem sempre á 
mSo^ ese regaUo de beber largamente, ceryeja 
destemperada, ou por melhor dizer, temperada com 
leifói, com o que augmeittão^^sobremodo a abun- 
dância do seu, engordão, e passão âs mil maravi- 
lhas. Consla-nos que já algumas em Portugal ex- 
perimentaram o mesmo e se deram muito bem. 
£' cousa que merece ser tentada {M, 54. p. 74). 

paeíenoia. — A pacieucia é O genio, disse BufTonví 
311 



5 DE SEPTEMBRO iQuarta feira), 

i.msxiveo»ar«h^iro«. — Nasceu aquelle gran- 
de Rei no dia 5 de Septembro de 1638, de Luiz 
XIII e de Anna de Áustria. A' hora do seu nasci- 
mento, o povo. alvoroçado com aquella noticia, 
corria de tropel para os aposentos da Rainha. Os 
archeiros que estavão á porta, o repellião com o 
couto dos bast&es, o que deu logar aque Luiz XIII 
lhes dissesse: a Deixai, deixai entrar, archeiros I 
este menino é de todos » (á . 51, %3 d' Agosto, A. 52 
p. 267, 349, 362. A. 53 p. 41, 149, 16$^, 175, 221, 
269, 341. A. 54p. 76, 93, 176, 178). 

6 DE SEPTEMBRO (Quinta feira). 

o que é o homem (*). — «O homcm è como a 
escuma do mar, que se levanta viçosamente so- 
bre as suas aguas, e qualquer onda a derruba e 
desvanece ; é um bocejo da terra, que sobe vapor 

fiara morrer em fumo ; é um fumo que o ar espa- 
ha; uma folha que o vento leva; fogo que se 
converte em cinzas ; cinza que se desfaz em pó ; 
pó que se muda em lodo; lodo que se torna em 
terra; e terra que se converte em nada. » 

E então não laz gosto ser homem 1 ... £ a mulher 
que será? 

n Fallâmof a pag. 3«d do Alm. úe t853 em Fr. 
António das Chagas, uma das glorias da Vidigueira e 
Varatojo : daremos hoje uma pequena amostra do seu 
e3tylo. 

3n 



7 DE SEPTEMBRO {Sewta feira). 

Ja»tSç« de Oarlot o Temerário. — Mandara Rhin- 

sauU, Governador do ducado de Gueldra, pren- 
der um rico negociante, sob o falso prelexto de 
conspirar contra a segurança do estado, e com o 
secreto designio de ver correspondida a sua pai* 
xão pela esposa do preso, a quem por intermédio 
d'ella, e com sacrifício de sua honra, promettia a 
liberdade. Submette-se a virtuosa esposa a ti^o 
dura condição, e no momento em que espera ver 
de novo e abraçar a seu marido, a quem, se bem 
que infiel, nào deixara de ser fiel um só momento, 
é a nova de seu assassinio que barbaramente lhe 

annuncião. Descon- 
solada, raivosa, in- 
dignada, lança-se a 
afflicta mulher aos 
pés de Carlos o Te- 
merário, e em tré- 
mulas e convulsas 
vozes lhe pede que 
a vingue. Ouvio a 
triste narração o va- 
lente guerreiro: cha- 
ma Rninsault a sua 
presença e assim lhe 
falia : « Idos immediatamente dar a mão de es- 
poso á mulher a quem haveis deshonrado ; e pa- 
ra reparar o crime que commettestes, ides fazer- 
Ihe completa cedência de todos os vossos bens. » 
£m vão recusa a pobre mulher uma tal reparação ; 
313 




dentro em poucos momentos é leYado a^eíTeito o 
pensamento de Carlos o Temerário, que á victi- 
ma dirige estas solemnes palavras, registadas 
pela historia: « Esse homem está quite para com- 
Yosco, pois voâ pertencem todos os seus bens ; é 
preciso que o fique também para com a justiça ; 
Gorle-se^íhe a cabeça. 
E foi-lhe a cabeça a terra. 

8 DE SEPTEMBRO {Sabbado). 

<;uídíado oomoohlorofermio* — Acabade morrer 
no hospital d'Orleans um militar a quem se deu 
uma forte dose de chtoroformio antes decerta ope- 
ração. Yai o conselho de saúde d^aquella cidade 
averiguar todas ascircumstancias que acompanha- 
ram tal acontecimento. 

Não é a primeira vez que o emprego do chloro- 
formio é causa de morte. Difficil era, em quanto se 
não sabia lidar com tão poderoso agente^ evitar os 
seus funestos resultados quando se emprega mal; 
hoje porém, que tanto se tem vulgarisado, é im- 
perdoável qualquer desgraça que resulte de sua 
errada appíicação. Recomtnendamos se sigão á 
risca ns precauções que tão bem indicadas se achão 
a'uma carta escripta no fim de 1852 á Gazetta dos 
ffo^pUaes de Paris, poroccasião de morrer ahi 
uma pobre mulher que se havia feito chioroformi* 
saiantesde lhe arrancarem um dente. 

fia dentistas que com o dente levâo o queixo; 
este» em togar do queixo, levou a vida!... Aceada 
operação 1... (i. SS.$f. m,m,d71) 



Ol^pa |^nÍ4^i^ da. -«va«f«Lb« . 

. SONETO» 

^ £av0Íl;Ui em.sombit^ todVia.fa^e tua^ 

^ SX9: ti«è». Ainda Q( iBAr c«f la moii^iJi^, 
Nâ^ hntia. Qo QQU- «qn^ 90I negi lua I 

S^ps^e» t,od4 a terra ^tnya nua^ 
]^' o^titi caboA Immf «80 mergulhÁdn ! 
Ma^ ei9 liíe falia vm Pfiu, surgom do mdã 
MH gr#i»9 (kroflMrçftef á liústa sua, 

- Astros faigttjrão nu celast^iesphev»; , 
]H^ «fP, Qlk tervn, e qo^ wm, copia a836ml>9o»a 
I>e ii>jir divQrao9,aAtfll9?9 prospera. 

Q d'Qbr« li^q «Ublif^e • grandioM 
Qntnl; o i^mitl? ioiÍu, Daw A^^o posera, 
Qilnsdo nlfiai tie «vo^u^ ipulKer formosa . 

Anísio tif^.léeiS^ 49 Vag^nceiUs. , 
' (Amarante) 

10 DE SEPTEMBRO (5eflfun(ía feira), 

nit^ti.-^^UmhofTOfom ale^da do que a misé- 
ria, é a necessidade de encobrira. 



11 DE SEPTEMBRO iTerça feira). 

norte do Podre Bros. — . O Padre Braz, O versisU 
de eterna e jocosa memoria, jazia Da cama com a 
moléstia que o havia de levar. Já os médicos o li- 
nhão sentenceado, mas ninguém se atrevia a dar o 
Ãtal desengano a um homem que toda a sua vida 
gastara em fazer rir o próximo. Francisco de Mo- 
raes, amigo intimo do enfermo, e conhecido por 
uma epistola que este em melhores dias lhe havia 
dirigido acerca dos seus 
remeloioi filhinhoi^ Fran- 
cisco de Moraes, digo, to- 
ma a si o cumprimento do 
triste dever. poeta pede 
logo os sacramentos últi- 
mos; despegado inteira- 
mente dos pensamentos 
terrestres, escutava a elo- 
quência fervente e ungida 
ao seu pastor, que metten- 
do-lhe à cara um grande 
crucifixo, tão martyr da es- 
culptura como dos judeus, forcejava por lhe alar 
o espirito ás regiões da recompensa. 

c Quando oé meus olhos mor toes 
Ponho nos vossos divinos,,. » 

profere com voz sumida, mas devota, o enfermo. 
-^Continue, irmão, diz o padre, esforçando-o i 
jaculatória— 

m 




« Quando oê m$uê olha mortaei 
Ponho noi voisoi divinos,,. 
Estáú^me lembrando oi meninoê 
Do Franeiêeo de Moraes. » 

E ao dizer isto, expirou, no meio d*iima estupen- 
da gargalhada de Francisco de Moraes e do Padre. 

Zeuxis morreu a rir; o Padre Braz morreu fa^ 
zendo rir (A. 53. p. 97). 

12 DE SEPTEHBRO {Quarta feira]. 

PorcpimhA* de BAnto AntSo. ^ £* um ÍBSeCtO Cha* 

to, do tamanho da unha do dedo mínimo, porém 
mais estreito, branco na barriga e cinzento nas 
costas. Tem muitos pés, e ha-os de duas espécies; 
umas domesticas, que se crião debaixo das tinas* 
ou talhas d'agua, nas g;retas das pedras, nas ade- 
gas e mais legares húmidos, e outras só nos matos. 
Todas ao primeiro toque se encolhem, e juntando 
a cabeça com a cauda formão do corpo uma boli- 
nha immovei, e só depois de lhes passar o medo 
de serem apanhadas tornSo á sua primeira forma. 

BOM. —Emblema da belieza, da mocidade, e 
da >ida. 

Suicida. ^ Bomem que acha mais simples ir 
buscar o repouso lano outro mundo, do que ten- 
tar fortuna cá neste. £* uma espécie de criado 
de servir que se despede do amo porque lhe 
n9o paga. 
317 



1 3 m SEPT£IIRRO iífmfU^ /âlfYl^ 

Braoeiete«««* PoU- nottio (lâ« tewpofi S6 esconde 
a origem dos btr£ieel«i09, maaioas, m^oilbas, ou 
pulseiras. Antigamente erão os Reis que outorga- 
vòo ao$-6a[rtlá06 0«4eUaiik^ eomo i^ecaoipefiaa, 
o.dirQi1o4atcAMr<ft>6sle or»««»«Qto noibivaso que 
sièsm nw^lATiMh i^d^odia^esitado&^dpeis^ as 
mulkeres, como era enfeit.e garrido e br lihapto^ 
foram-no arrogando também a si, ea finai ficaram 
só ellas opm a p^se. Nas ^ras iilbtrea», as próprios 
Patriarcbas, sem serem militares, trazião mani- 
lhas [iwt (tí8lioQfâ:o. Eotfft osromntBea, e em va- 
rioa.povj»» da Africa» lambeiir os braceletes são 
comnvuQS ainda hoje, havondo-os até naâ pefoas 
(aquese devearia cbamar: peraesletea). 

Os.coláare» peirtaBeem é oMsma famitia de ala^ 
viés, bem eomo as coFéaa> diademaa, gsimMm e 
cocai^â, as cbarpa» e batadaa» a» Qittbnas oa bar* 
raiS da* vestfido> t ontiras^ml invea^Oeã^ com que 
aoprimícápioopodeopraeuca^isitngittr-se, e<}Ae 
áf^$ a Yaidade fhe aisurpa* 

charada. 

Cerla matricida ha tempos 
Deu bastante que fazer, 
Poi^ por aer maito a primeira 1 
A 9c;gunda vaia a ser. : I 



Ora a subir, | Manda o rifdo 

Ora a descer, ( Nâo a perder. 



ai8 



U B£ SEPTEH8K0 {Sèttta feita). 

sUiomaagfomK — F^ioodjonM^esinfflesescom 
içraade assombr» niloi caso qoa emTnm, cidade 
áa Irlanda^ 8e passara, «o chegar «Ui a noticia da 
morte de Lord VeilingioD, fallecido a 14 de 8C»tem^ 
òro <Ble 1832:^ Mandou dobrar os sinos o Prior da 
igreja principal; tomeçòu a paxar-se pela5 cor- 
das do sino maior, um dos maia belios 6 dos mais 
sonoros da Irlanda; d*ahi a poucos segundos deu 
a piimeira badaiaia, masd'ahi por diante, por mais 
gue peias cordas se paiasse, e por maioi*es que 
fossem as voltas gue desse no ar, nlo houve ^x- 
rancar^lhe um ^mco som ! O que ha de mais sin- 
guiar é que ao examinar-se o sino com attenpao, 
se vio que fdra fundido por £dm$nd Blood, em 
1769, anno em que nascera Lord Wellington» Co- 
naeçara pois a tocar no anno do seu nascimento e 
misteriosamente 6e caliara no de sua morte^e nf» 

Sropiio momento em que tinha de aunuociarai. 
isseram uns que era em testemunho de saudade 
do general, e outros que por não querer implorar 
as preces da religião para quem tanto sangue ha- 
via feito derramar, o que prova que tudo sob dou«i 
diversíssimos aspectos pode ser encarado. 

Dizem que para restttuir-lhe a^oz, vaiaparo- 
chiade Trim refundir o sinooúla^reso. fiu, no lu- 
gar d'elle^ se faltasse depoiât havia de ílere<^ntca 
semelhante barbaridade: deverá pelo eonirario ser 
conservado, como monumento, não de um prodí- 
gio absurdo, mas diurna absurdíssima credulidade. 
—£ facão lá ^i&ioria pelos jorâaèsi .«. 



18 DE SEPTEHBRO iSabbadõ). 

OuíllMniie o Conquistador. — fiaveodo RobertO 

do diabo, Duque de Normandia, vislo dançam' um 
baile a filha a'um fabricante de pelles de Falaiêe, 
poT nomt iHarlotte, namoroa-se d*ella, e d'ahi 
resultou o nascimento do célebre Guilherme o 
Conquistador, que de Duque de 
Normandia passou no futuro a 
Rei de Inglaterra, por testamen- 
to verbal d'£duardo o Confessor, 
Sue morreu sem filhos, e apesar 
a enérgica resistencia,nos cam- 
pos d^Hastings, do seu competi- 
dor Harold, 

Havendo-se Guilherme apo- 
) derado de Alençon, antes da con- 
quista d'Inglaterra, mandou cor- 
tar pés e mãos a trinta e deus homens da cidade, 
3ue porescarneo,e para lhe lembrarem ohumilde 
e seu nascimento, na vião, rindo e brincando, sal- 
tando e dançando,sacudido pelles na sua presença. 

16 DE SEPTEMBRO (Domingo). 

De» ainetrai em «fuatro pelavret.«— « COBStandO- 

me que tem Y . amigos em todos os impérios, ro- 
go-lne ofaYor de mandar pet^tit/úar no da Divi- 
numarca acerca de meu tio, da faculdade de bo- 
ticário (TBXTUAL). 

Bttyio.^Oestylo é o homem, disse Buffon. 

310 




17 DE S£PT£MBRO [Segunda feira). 

Ollerta dat medalhas ao ultimo faráa artístico 
dado pelo Sr. Or. A. p. de Castilho em Janeiro do 

1854, —Discurso de M. J. S. CANuia. — Senhoras 
e Senhores l Depois que n'este recinto, assignan* 
do uma declaração feita pelo Sr. Silva Tullio, des- 
tes o mais franco e leal testemunho de vossa ad- 
hesâo ao Methodo Castilho; ao methodo eminen- 
temente civiiisador e christão ; ao único, dos que 
até agora téem apparecido, que se pode chamar 
methodo, como muito bem explicou o^r. Seixas^ 
surgio de entre vós uma outra Gommissão a pro* 
por-vos o remate doesse 
testemunho tão honroso 
para vós, quão lisongeiro 
deve ser para o distinclo, 
incançavel, e philanlropí- 
CO authòr. 

Esta Gommissão, Senho- 
ras e Senhores, propunha- 
vos que transmitlisseis e 
.perpetuásseis na familia 
Mo Sr. Dr. Castilho o facto 
grandioso que nos apre- 
senta este curso normal ; 
esta reunião de respeitá- 
veis professores, a maior 
parte d'elles encanecidos 
no magistério, e cuja presença n'esle logar forma 
o quadro mais sublime e venerando que mão da 
artista poderia desenhar I 
3«1 41 




Algpaem (e não fui eu, Senhoras e Senhores, 
como erradamente se tem supposto), alguém in- 
dicou uma demonstrado de publioa estiqjia ao 
Sr. Luiz Filippe Leite, e na pessoa d'elle a todos 
os verdadeiros amigos e apóstolos do Sr. Castilho. 

A Commissâo adoptou esta idéa; fòilou^ e vós 
immediatamente fizestes vosso ttido quanto se vos 
propoz ; correstes á mesa e depositastes as vossas 
subscripções. As medalhas oiPas aqui: a€om- 
missão constitue-me sua e vossa represeiUaote 
ireste acto solemne. 

Feiicito-vos» Sr. Dr. GastiihOt porque no eumc 
das áridas encostas onde tendes subido com a 
vossa crUz redemptora, encontrais a gratidão, o 
amor, a perfumar-vos com suas floreè balsâmi- 
cas, a barejar^vos com seu hálito avivenUdor. 

Felicilo-vos, Sr. Luiz Filippe Leite, porque na 
longa carreira do vosso digno apostolado, ten- 
deVo ajudado a levar essa cruz ; tendes atraves- 
sado com ene o chuveiro das contradícçOes; ten- 
des dissipado com elle a ignorância das luroas. 

Felicito-vos, nobre asselnbléa, por^^e nos re- 
mis perante as províncias insulanas ao labéu de 
ingratos e desconhecidos ; porque nos conquis- 
tai^ o apreço» a veneração, das nações estran^i- 
ras; e porque ajudais os ihandatáríos dos altos 
poderes do Estado a coilocar na devida posição 
a instraceão publica, a instrucção primaria, o b*er- 
€0 de todas as instrocç5es, sem a qual nenhuma 
outra pode eiListir. 

uniuo. — E' o segredo da forca. 

m 



U ÔE SBPTEMÍRO ( Tm^ /«i^^o). 

Ordem iIqsmw awW, ^ Jí'6»le cUa de lôH&ias- 
tituio o Czar Pedro o Glande, recothendo-íie das 
sua» viagens da Ailematthâ e dos Paizes Bai2(09« a 
Ordem roâsiana^ ehamada : de Santo A.odré. 
. A eoqdeqofagão é uma eruis deSaate^ Aâdró cora 
uia liVr^ DO ceoUQ e a'elle as leltras: L* C* P. C«^. 
L, R»«, quer yem a diíer : X« Caíir Pierre, Cork^r-^ 
f)ate^r d^ la-Jlmaieí, O cordão d'esta medalha é 
cadeia d'ouro eom lo^as (i. 5U11 c(a /atteiro» A. 
53, p. UB, 118). 

19; OE SEPTEMBRO (Qwrla feifo). 

M9f^ A* Bi^míQoiidftf , — LevaoUndo-se goefí- 
ra entre os elieases e os deMaQtija6a>;^udiram o« 
ih^bàmxs em$oecorradofiprli»eiro3 e dea-seuiaa 
batalha aaa pUnicies de ManUnea, à vista d'es4a 
Cidade. O general thebano Epaminondas desen^ 
volveu alU toda a sua taciiea e todo o seu valor \ 
maã tendo-se mettido em pessoa no conflicto pa* 
ra inclinar a victoria á sua parle, foi morlairaen- 
te ferido no peito, no anno 369 a^^tes deJ. C, 
com seus 48 ae idade. Estando quasi a espirar 
perg«9tou : « Quem vence? » — * N6s » lhe res- 
ponderam os thebanos. — « Vivi quanto bastai.. 
á^i\Q a minha terra veocedora^t (A.SB, p. 160). 

£s«opído. -» Homem cujas faculdades inteliec-* 
tuaes nem sequer lembrão o instinclo do animal. 
A cabeça é luxo. 
a«3 



M D£ SEPTEHBRO [Quinta feira). 

Aai«ietof. — A sapersticiosa crença dos amu- 
letos é de altissima e immemorial antiguidade. 

Amuleto se chama a qualquer objecto portátil 
a que seattribuem virtudes preservativas contra 
males corporaes ou moraes. Certas letras, pala- 
vras, figuras, dentes, ou outras partes de animaes» 
téem gosado entre os ignorantes, e provavelmen- 
te continuarão a gosar ainda por muita tempo, 
de grandíssima reputaçl^ocontra certos achaques. 

Dente de cão ao pescoço dizem que preserva 
de dor de dentes. Se ha* dor de dentes procedi- 
da de defluxo, queixo de ouriço com ella. Chave 
macha faz passar accidentes epilépticos. Coto da 
semana santa arreda trovoadas, âino salmão es- 
panta bruxas. Unha de^rã-besta previne terçaas. 
ráusinho de alecrim, feitiços. Corda de enforca- 
do, desgraças. Etc. etc. etc. O rol de taes parvoi- 
ees não tem fim, e os males que ellas podTem oc- 
easíonar não são poucos, nem, muitas veies, pe- 
quenos (1.58 p. 274). 

21 DE SEPTEMBRO {Sewta feira). 

o. Lue«t de Portugal. .^ D. LuCaS dO PortUgal, 

fidalgo muito nobre de haveres e muito rico de 
bons ditos, anaantlo uma vez com fastio, recom- 
mendava a toda á gente que não dissessem nada 
no Paço, porque « se quando se sabia que elle co- 
mia bem, nunca lhe tinhão dado nada, que seria 
constando que tinha fastio I... 

ÍÍ4 



n DE SEPTEMBRO iSàbbado). 

HTMIfO VO TIABALHO 
Aof Arlítttas PortalegrenMi. 

(Canudo na noute de 23 de Septembro de i853 por 
oecasiSo de inaugurar- se a eschola de Leitura Repenti- 
na em Portalegre, fundada pelo Académico J. d' Araú- 
jo Jusarte, seu mestre, auxiliado pelo £x."°® Snr. G«* 
▼ernador CítíI^ auctor da musica do mesmo hymno.) 

Entre os cantos que solta cartista, 
Quando em bagas lhe escorre o su^r. 
Cresce a vida, referve o alento^ 
O trabalho redobra o amor. 

Trabalhar y que o trabalho no mundo 

£' riqueza que a todos seduz : 

E* estreita luzente, que eterna 

No horiêonte da vida reluz. 




32S 



Sobre a' terra é a nossa missão: 
Trabalbar ! que o ca«sa<;q (^4»o»% 
E' da vida faial perdição. 

A opulência, envolvida no luxo. 
Só ve^jetík iMtO' goaa^ vi ver ; 
Que o trabalho ftai vid^ ^ eucenw^ 
Trabalhando se es<m6ce o soff?eci ... 
. Ttabalhçíry qite a traífalho ^ta. 

Quem na ^erra 4inA^$!<¥>^F.e c(«« oiObreifQ» 
Vendo o dia nascer, acabar. 
Para á noUitQ Ir aos^âlbos, a es|^«89» 
O pão negro conte^ate offertar ? 
Trâbalhctí', qne o trabaU^o ete. 

Oh ! mal haja o ing^ati» ocioso. 
Que renega da sua niissÃo, 
Pois não sabe que envolta aa lida 
A fadiga convertesse em pão. 

Trabalhar^ . qut « trabalho efe 

Trabalhar, que no espaço que existe 
De'§de a terra ás alturas dos céus» 
Té o insecto nos montes, nos ares. 
Trabalhando^ contenta ao seu Deus. 
Trabalhar, que o trabalho no mtmdo 

£* riqueza que a lodos seduz : 

£' estreita imente que eterna 

Na harisonle da vida reluz, 

Portalegre ?3 de Septembro de f 853. 

Joaquim d^Antujo Jtisarte. 



2B DE SEPTKMBRO [Domngo), 

òvtoimio. -*. E' o quarto áo anno, que principia 
no egeJDOxio'ao fim do verão, e vai rematar nó 
solsticio do inverno. Três signos do zodíaco visi<* 
ta o sol durante o outomno : libra, scorpiâo, e sa- 
gittario. Querem algunis que o nome de: outom- 
noy em latim Áutumntti, viesse derivado de : auc^ 
tus (augmentado), porque n'esta estaç&p se accu^ 
miilão com as grandes colheálas os havisres do la- 
vrador. 

£' em verdade o oatomno o praso mais farto do 
anno empâeséfructos serôdios, mas a vegetado, 
depois dè tanta prodigalidade^ eotra a destoucar- 
se e despir-se para o seu somno do inverno ; de- 
crescem os dias ; â transparência dos cébs estivos 
se empana ; vem cahindo os frios; princípião as 
chuvas; iásusurrão as tempestades; os ventos 
redetnoinoâo pelos ires ás folnassôccas; é o pra- 
so do anno mais doentio e oXsíáís melancholico. 
& muitas vezes o ultimo/éo inais temido, para os 
atacados de moléstias de peito. {Á .51, 13 dt Sepl,) 

24 DE SÉPTEMfiRO (Secunda feira). 

aefttfcação^e oriu«mfl. — A Nuno da Cunha, Go- 
vernador da Indiá no tempo d'£URei D. JoãoIH^ 
escrevia seu pai, Tristão da Cunha: «Cá dizem mal 
de ti a £1-Rei ; mtsfase justiça, manda pimenta^ e 
deila-te a dormir {A. 51, 10 áe Março, 13 de h^ 
lho, 2a d'Ago8t^ 13 de Sept., J. S2 p. õO, 00» 15:^ 

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45 DE SEPTEMBRO (Terça feira). 

Modos de oomer. — No Japão, quando muitos 
hàode comer juntos, faz cada um aos outros gran- 
des cortezias antes de se porem à mesa. 

Pelo contrario na Ilha d'Otahiti (A. 53p. 291) os 
habitantes, com serem mui sociáveis ede costumes 
mui brandos, comem, cada um a seu canto, ecom 
um certo ar de desconfiança não pouco ridículo: 
todos os da mesma familia como que fogem uns 
dos outros n'esta occasião; dois irmãos, dois es- 

Eosos, duas irmãs, e todos, cada um com seu ca- 
az, sç collocâo a três ou quatro pés de distancia 
uns dos outros, de costas viradas, no mais imper- 
turbável silencio. 

O rei de Loango, na Africa, tem duas casas pa- 
ra as suas refeições ; come n'uma e n'oulra be- 
be ; tem pena dé morte quem o vir comer ou be- 
ber. Parece esta es- 
quisita usança dizer 
que El- Rei não per- 
tence à espécie hu- 
mana, mas á das di- 
vindades. 

Em muitas ordens 
religiosas dachristan- 
dade, o refeitório é silencioso como um sepulchro ; 
n^outras haumledor de cousas mysticas em quan- 
to os mais manducão; mas o costume mais uni- 
versalmente seguido, tanto entre os povos anti- 
f^os como entre os modernos, é fazer da hora e 
ogar da mesa uma recreação, e muitas vezes uma 

3*9 




festa. Os convivas romanos coroavão-se de flores» 
ungião-se de essências aromáticas, trajavão ga- 
las, reclinavão-se em coxins, e sem fallar no opí- 
paro das iguarias, tinhão masicos, dançarinos, e 
comediantes, que os divertião em guanto elles se 
bríndavão com os mais custosos vinhos, fazendo 
as saúdes determinadas pelo rei do banquete. 

26 DESEPTEMBRO (Quarta feira). 

Vm prelo que vale por trinta. — FallSiO OS J0r« 

naes de Novayork n'um prelo de imprimir que ai- 

li foi agora 
inventado, e 
que pega no 
papel sem fim, 
tal qual sahe 
do cylindro, 
imprime-o, 
corta-o, e do- 
bra regular- 
mente por ho- 
ra umas30,000 
folhas de ta- 
manho ordi- 
nário. Affirma 

o inventor que pode imprimir duas milhas de pa- 

fiel tão depressa como anda uma locomotiva pe- 
os caminhos de ferro. Là me parece muito t 

spíeen. — Molestia inglez^ que principia pelo 
aborrimento e acaba pelo suicídio» 
32í^ 




• M BE SEPTEMJaO {Qumla feira). 

nanfa eavaiUr. ^ Referiodo*86 a Aristoteles, 
conu Âtheaeu que andando em guerra òs dê Cro* 
lona com os sybaritas^e sabendo o como estes ades- 
ixavão os seus cavaiios em saliar e dançar ao som 
de instramentoa, mandaram aos aeus trombetei- 
ros apreiider a occuUasas musicas de que em 
raes evoluções usavSo os inimigos. Entrados à ba- 
talha, e partindo a cavailaria dos sybaritas á rédea 
soHa para cahir em cima dos crotonienses, deram 
estes a locar rijamente com todas as trombetas as 
toes musicas. Os ({uadrupedes Julgando-se em fes- 
ta, deixão-se de investidas, eprincipião a caraco- 
lar, a tripodear a compasso, a trocar e variar pas- 
sos, sem que haja modo para os cavalleiros os fa- 
zerem tornar da folia para o combate, com o que 
dando*lhes em cima os langedores, os tangeram 
tão deveras, que acutilando-osedesbaratando-K)s, 
nâo tiveram gue entoar a poucos minutos andados 
senão victoria. 

28 DE SEPTEMBRO [Sexta feira). 

rratevoia dq Camões. — Nfi Capella MOT dO COU- 

vento de Dominicos d'esta Cidade, está coiloca- 
do do lado do Evangelho um tumulo singelo, e 
hoje arruinado^ que se jul^a ser de D. Calharína 
d'Athaíde, decantada debaixo do nome de— Na- 
tércia — nos versos do immorlal Camões. 
V Ainda que alguns téem por fabulosa a existên- 
cia d'csla dama, cscriptores ba mui distinctos, 



que asseverão que na côrte de ti. Joio III exis- 
tira uma-formQsa senhora d'a(jiielle nome, a quem 
o nosso poeta dedicara as soas mais ternas affei.- 
çíões, c mie em consequência d'issò fora desterra- 
do para Santarém. 

Não é nossa inlençlio entrar agora em queôiao 
lao delicada, nem queremos, nem podemos, asse- 
verar (pie seja esta a D. Calbarina d'AtIiaide que 
Bmara o poeta; o caso é que a era da inscripção 
está conforme com o tempo cm que sé diz vive- 
ra a dama a quem consagrara os sèns mais inli^ 
mos pensamentos o áulhor dos Lusiada-s. 

A inscripção do tumulo é a que se segue : 

Aqui jaz Dona CatlraHnat d'Athaíde, flfba d'A1- 
varo de Sousa, e deBona Pilippa d^Aibaldei, e ne- 
ta tie Diogo Lopes de Sousa, e por ser devota 
d'esta easa the deixou vinte mriF réis de juro; lem 
por fsso missa quotidianay e lhe depso esta Ca- 
peffa a^Ia e a seu pai e inais lierdeiros descen- 
dentes. Tailecea a S8 de .Septeml^ro de 15^1 . 

D.¥.e Silvji. 
(Aveiro)^ 
39 DE ^VimS&OiS(Mmdo). 

viaiuresw»^. — Os melhores, c mais afrégueza- 
dos, são os ministros, poistingeBi da cór da s«a 
a opinião de todos o& préteodenies. 

cMorupiíiM. w. Tormento fle que» os «o«re, . . / c 
ino49 do 8«a confessor: ^h' ^ ■> 

3ai 



30 D£ SEPTEMBRO (Dming^h 

PreoAução para nâo morrer afogado.-— Hãl in VCR' 

tos tão singelos, tão fáceis, tão baratos, e tão úteis, 
que faz espanto o não se adoptarem e generaiisa- 
rem apenas se imaginão. Um doestes é o que ba an- 
nos se experimentou com o melhor êxito em Fran- 
ca e em Inglaterra, e de que na RevUía Universal 
Lisboneme se deu noticia, e se fez a devida recom- 
mendação, com pouco ou nenhum resultado prati- 
co até ao dia de hoje. 

Um colxão recheado de aparas e serradora de 
cortiça [talvez nas fabricas derolhas se desaprovei- 
te isso) é um leito insubmergivei, mesmo com uma 
pessoa em cima; ora» se as camas de bordo fossem 
todas de colxões assim, mesmo por lei, que bem 
a podia haver ao menos para os navios do estado, 
cada marinheiro ou passageiro tinha já um seguro 

mais contra 
náufragos, e 
dormiria mui- 
to mais des- 
cansado no 
seucoIxSosal- 
vador,qaeaté 
são elles, se- 
gundo parece, 
muito elásticos e fofos. 

Mais : se todos os colxões de um navio, como 
na mesma JlevtXa se indica, tivessem pelos qua- 
tro lados amarrilhos fortes, muito bem podiSo em 
occasião de desastre amarrar-se uns aos outros, 




e formar de repente uma vasta jangada, propor- 
cionada ao numero e peso dos viajantes } janga- 
da que a todas as outras vantagens reuniria ain- 
da a de summa elasticidade para resistir ao jogo do 
mar e embate nos penedos. Finalmente, duas cor- 
réas fortemente cosidas em cada colxão, e afive- 
ladas uma à outra por cima do corpoido dono, pre- 
servaro-hião, e a cada um de seus companheiros, 
de serem varridos pelas vagas. 

Oh 1 não ter havido d'estes colxões de salva- 
mento a bordo do infeliz vapor Porto ! que de ter- 
rores e mortes se não terião poupado 1"?... 
[M, 55. p. 182, 196.) 

1 DE OUTUBRO (Segunda feira). 

Orelha de papel. — Pubiicou-se ha auBOS na Re- 
vista Universal Lisbonense um invento pequeno, 
mas de não pequena utilidade, pelo qual se propor- 
ciona aossurdos, sem trabalho, descommodo, nem 
dispêndio, o ouvirem um tanto mais. e ás vezes 
muito. Consiste simplesmente em agarrar com os 
dentes uma folha de papel dobrada em quatro par- 
tes e escutar. Este pnenomeno, aliás de facillima 
explicação, tem sido verificado por muitos mou- 
cos; como porém chega este livro a muita parle 
onde talvez não haverá penetrado tal noticia, jul- 
gámos conveniente reprodusiFa. 

xe Deum. — Acção de graças que pelas^mesmas 
batalhas estão actualmente dirigindo ao ciu tur- 
cos e russos. 
33d 



-2 DE OITUBRO {Terça feira). 



A rosft é fortnosa, 
fVl^raiite, donos*) 
Maa eerc2o-ki%«6apiKho»y 
Que podem ferir. 

Da purpura t> msnco, 
Com f rftça eencanto^ 
Bem sei que t«m de uao 
Pomposa vestir. 



I A rosa é formosa, 
Fragrattte, donosa, 
Hás e«reã6**na espinkos, 
Qu« pod«m ferir. 

Sei beto como a úot 
'Semelha o eandor 
Da meiga innoceneia, 
Que-rmita a surrir. 



A rcrsa é fohnosa, 
Fragrante, donosa, 
Mm cerbao*«ft espmbos, 
Que |>odem ferir. 



Sei que embálsaUada, 
LotiçS, peffumafia^ 
Aroma suave . 
Nos- deixa isetttir. 

A rosa d^fof mosa, 
Fragrante, donosa, ' 
Blas cercao-na.«spiffhoe, 
Que podem ferir. 



Mulher rígor^osa 
Pàréce-se á resa ! . . . 
Dos céus quairtofl anjos 
:^ bão visto cahir ! 

A roaaé formosa, 
Fragmnte, dnnosa. . . 
MaS'eeifc&o*ika espinhos, 
jQlié podem ferir. 



[BfBiiíeiro.) 



Palavra. — E* O vestido do peiísamenlo. 



3^4 



3 m OUTUBRO (Quarta feira). 

TetUiapenio ào> Marques de valdea^mas. — Foi 

JoÊo DoAoso Cortês, Marquez de Valdegamas, 1101 
das maiores 9abios de Hespanha e dos mais elo- 
queiUes oradores do mundo, no século actual. Ci- 
taremos, eomo di^as de tal homem, algumas de 
suas disposições testamentárias : 

(^ Reco^motfendo a todos os meus, e muito esp^e- 
cialiu«fite a metr irmSo, considerem eomo sua ir- 
mã e como seus próprios filhos, a viuva e'filho9> 
de DOsso fattecido irmão Pedro; forcejem par 
fazer seguir a estes a mesma senda de seu pai, o 
qual viveu como justo e morreu (^mo s^nto. A sua 
vida e a sua morte focam perpetuo abjecto de mi- 
nhas lagrimasse uinda hoje achoro^sem que lhe pa- 
gue com tal recordação o muito que lhe devi. Foi 
a sua prodigiosa virtude, depois da graça divina, 
que operou a minha conversão, e serão as suas pre- 
ces, depois da misericórdia de Deus, que me abri- 
rão as portas do céu. . 

Prohibo expressamente aminima ostentação no 
meu funeral : contente-se a vaidade com o seu im» 
perio sobre os vivos e deixe em paz os mortos. 
Profaibo sol)retudo, por occasião de minhas exé- 
quias, essa musica prolana e voluptuosa que trans- 
formou em theatros os nossos templos. » 

4 DE OUTUBRO (Quinta feira). 

vúHm.~*0 maior prazer de quem as faz é mui- 
ta vez Bão achar em casa os que procura. . 
335 



S DE OUTUBRO (Sexta feira). 



lusíadas. 

'^OaLu&iflilaaj dizia u^ 
i^onde da Idanba, lêeni^ 
/líin grande deít-ilo: o «àol 
[ íerem iHu peqiienoique*e 
1 1 K>í sao d e CO ru r , o u lio gma- 
Y^ps que nuncn se acabe mj 

^f ti í 2 3 dtDezêmbro . J , 
,íí2p. IDf, 183). 



6 DE OUTUBRO (,Sahhado). 

Av€.Maríat. — Âssim chamamos ao que os fran 
eezes chamão com palavra latina: ÀDgelugv E' : 
saudação angélica (A. 51, 25 de Março), se^ujdi 
de uraa pequena oração á Virgem ^hAvê Maric 
e a Santa Maria, repetidas por três vezes, coa 
uma breve antiphona no principio de cada uma. 

Foi o Papa João XXII quem emlSlSinsliluio es 
ta reza. Luiz XI, em França, mandou que em to 
das as igrejas do seu reino se tocassem os sinos 
para este exercício devoto, ao romper do dia, a( 
meio dia, e ao sol posto, costume piedoso qu« st 
espalhou por toda a cbristaudade cathoiica. 

33i 



7 DE OUTUBRO (Domingo). 

voiga. — £' O maior rio da Europa e só banha 
lerrilorio russo. Nasce na planície de Valdai, a O. 
de Astrakhan, e lança-se no Mar Caspio, por 8 prin- 
«ipaes embocaduras, depois de haver percorrido 
740 léguas. 




8 DE OUTUBRO (^Segunda feira), 

flvaturAiisaçSo. — Baslaulcs pcssoasnascidas em 
Portugal farião bera em se naturalisar porlugue- 
zas. A maior parle dos porluguezes são Ião pouco 
portuguezesl... 
337 22 



9 BE OUTUMO (T4ir$a feira). 

Amor e taudade ou a Ponite de Coruche. 



Era a hora em que o Bol posto 
Ioda um crepúsculo envia; 
Hora de amor e saudade, 
De terna melancholia. 

Hora d^illufiões, d'eneafito, 
Que Byron chamava sua, 
E em que o pranto desafia 
Uma dor suave e crua. 

E eu jazia solitário, . 
Recostado sobre a mão, 
Junto a Coruche, na Ponte 
Que tem por cima um chorão 

Das aves o derradeiro 
Canto fenecera 1 tudo 
A meditar convidava; 
Todo o campo estoVa mudo. 

E este silencio profundo 
Era só interrompido 



A hora, o logpir, e tudo, 
Me infundia sentimento: 
Meu coraçfto era tr isle, 
E triste meu pensamento, i 

E na ídéa eu tinha aquetla 
Que alli vi, que alii passun 
Breves instantes comigo, 
E que depois se ausentou I.. 

Aquella que era tão linda, 
Que não tornei mais a ver; 
Aquella que eu amo tanto, 
E que o não sabe sequer f... 

Não sabero!.. Oh! esta idéa 
E' bem cruel (eu diiia) I 
E heideamal'a,heideserd'ella 
Sem ter esperança um sd diat 

Tanto amor, tantoscui Jades, 
Serão acaso sem fructo ? . . 



Pelas aguas, que passavão Eís-me sd, tenho-a perdido 
Sob a ponte com ruído. ((Juandoindacreioqueaescuto. 

* Por haver sabido alterada a ordem das quadras does- 
ta composição do Sor. Leoni, no Almanach precedente, 
a transcrevemos de novo, pedindo mil perdões ao illufrtre 
poeta por aquella anarchia tj^pographica. 

33S 



sueste titio ainda haponco 
, Se abrigou do sol ardente ; 

Kqui vi seus lindos olhos, 
udo, Que baixava docemente. 
•lio: 

;le, Em todo o aeu festo havia 
«gtoUm eneanto juvçnil : 

Não é mais pura e mais bellalQuem sabe se aquelie peito 
QUflA rosa no ameno abril. Âma a outro ou vive isento? 



Quem me dera um sé i ns tanle 
Apertara ao peito meu ! 
Abrir esta a Ima, e dizer- lhe: 
(ySé $ó ininha, serei teu ! » 

Masquem sabe(ajuntei logo 
Com fatal presentimento). 



' r 

j„;iSua voi insinuante 

Tinha um prestigio e doçura^ 

Que levava até ao fundo 

{.y Do coraç&o a ternura. 



E os olhos volvendo ao ponto 
i£m que a beila se escondeu. 
Vi todo o borisonte escuro, 
£ meu coração4remeu. 



(j, Ai de mim! morro por ella ! O surdo rumor das aguas 

..f £ este amor acrisolado Escutei n^este momento: 

Mysterio será que nunca iMeu coração era triste, 

y Lhe tem de ser revelado. ..?E triste meu pensamento. 

.V Longo tempo sobre a ponte 

^! Fiquei sem de mim saber, 

Solitário e pensativo, • 
/ii E olhando as aguas correr. 

' • Francisco E, Leoni. 

1 IO DE OUTUBRO (^Quarta feira). 

Frades vaieate#. — A meia légua 00 nofle de Pe- 
i niche está situado o extincto convento de S. Ber- 
nardino, da Ordem de S. Francisco, e confi- 
na tanto com o Oceano, que lhe b^te no9 muT 
339 * ' 



ro5 da cerca, e por algumas parte» lhe serve de 
muro a rocha. Ém 10 de Outubro de 1677, das è 
para as 4 horas datpanhd, foi este Convento assal- 
tado por 40 mouros desembarcados de dois cor- 
sários fundeados a pouca distancia, e tão galhar- 
damente se houveram os frades, que os moaros 
tiveram de seretirar, levando apenas captivo um 
sapateiro que estava no Convento. Para pôr os 
frades ao abrigo d'estes assaltos, D. Pedro IL lhes 
fez mercê de 12 espingardas, 4 partasanas, e um 
tambor, para tocarem a rebate, com uma suffi- 
ciente provisão de pólvora e bala. Ainda hoje alli 
se vê a Pra^ d'armas do Convento. 

Pedro Cervantes de Carvalho Figueira, 

11 DE OUTUBRO (Quinta feira). 

Aoido prussíoo. — E* vencno tão fatal, que uma 
sò gotta d'elle bebido produz morte quasi instan- 
tânea, e antes de 
passadas horas jà 
todas as carnes 
estão desfeitas; 
entretanto a na- 
tureza sabe em- 
pregaro em tem- 
perar fructos 
com tal conta, a 
modo tão seu, 
que ficào sabo- 
rosíssimos e Dão 
mat9k). O pêcego contém certa dose doeste acido, 
e por isso e eile ás v ezes indigesto e produz cólicas. 

$iO 




fa 



H 0£ OUTUBBO (Sexta feira), 

Pesea e sal^a do arenque. — Durante O reioado 

de Filippe o Bom, em que Bruges se tornou céle- 
bre por suas tapeçarias; emquel50,000 operários 
trabalhavão nas fabricai de iã de Louvain ; em que 
tão nomeadas erão Bruxellas e Malines por suas 
bellas rendas; abrio-se para os industriosos bel- 
gas uma nova mina de riqueza e prosperidade, e 
■az ella ainda hoje, em grande parte, a fortuna da 
Hollanda. A pesca e a salga do arenque fez entrar 
centenares de milhões nos cofres dos Paizes Bai- 
xos, etão producliva chegou asemos séculos XV 
e XVI, gue n-ella se empregaram uns 3,000 na- 
vios e 360,000 braços. Sérvio para formar intré- 
pidos marinhei- 
ros, costumados 
a uma vida activa 
e laboriosa, a uma 
severa disciplina, 
e a uma grande 
economia. Tanta 
importância ligão 
ainda hoje a esla 
pesca os hollandezes, que antes de mandarem pa- 
ra ella as suasemba]'cações, implorão em seus tem- 
plos, afim de que vingue, a protecção divina. 

Estupendas riquezas ganharam também os fla- 
mengos com a pesca do arenque, e foi por isso que 
em 1347 erigiram um monumento à memoria de 
Beukels, que ensinou o modo de embarricaPos, 
monumento que visitou Carlos V com sua irmã, 
Í41 




a Rainha de Hungria, afim de honrar a memoria 
dè um simples pescador aquém se devera o acha- 
do de uma inexgotavel fonte de riquezas. 

IS DE OUTUBRO (Saftôado). 

rilippe II e a laquitíçÃo. -^ Ijunumeraveis pessoaH 
suspeitas do seguirem a doutrina deLuthero havião 
sido queimadas vivas peia Inquisição ; esperavão 
ainda trinta e tres.em Yalhadoiíd pela execução da 
mesma sentença. N'este oomenos che^a Filippe 11 
aquella cidade, ordena que se proceda logo ao sup- 
pucio d'aquelies infelizes, e assiste a elle com gran- 
de ceremonial, com seu rilho D. Carlos, sua irmã, 
seus cortezãos. Dirige-se-lhe com sentidas vozes 
uma das infelizes victimasy e diz-lhe: «Gomo po- 
deis vós, ó Rei, ser testemunha dos tormentos de 
-vossos súbditos? Tende antes compaixão de nós, 
e sálvai-nos doesta morte cruel que não merece- 
mos!... 3» — tt Eu, salvar-vosl lhe responde o com- 
passivo Monarcha ; levaria eu próprio a lenha á« 
costas para que meu filho fosse queimado, se Ião 
culpado houvesse sido como vós !... » 

E plácido e impassivel, só d'alli sahio depois de 
reduzidos a cinzas os corpos de tantos desgraça^ 
dòsl... 

O que isto prova, não é ainda tanto a perversi- 
dade dé Filippe II (que era muita), como o poder 
d'aqueile tribunal de sangue, ante o qual tremia, 
e se via coacto, o próprio Soberano. 

Deu origem aquélle facto a um quadro soberbo 
que ha pouco vimos em Paris. 



14 DÊ OITUBRO (Ddwttn^o). 

nesusoftAdo. 

Jantando bem descançadosfi* ocaso, que engolmdo 
Certa mulher, e mat-ido, lUm os6.> mal mastigado, 
Esta (Hi medooba grito ; [Em togar de ler morrido, 
Aquelle tinha cahido. Tinha ficado engasgado. 

Agua, saes, e sinapisnios, C4om o choque salta o osso! 
Fricções, tudo s*empregou; Corre á casa ! Que prazer I 
Mas o pobre nem respira, Estes ditosos consortes 
Sua existência acabou. Escaparam de morrerj 



Agora são as lamurias; 
Gritos, choros, e desmaios: 
Drama bem desempenhado^ 
Hem que dependa d'ensaios. 

Aí anjo! ai meu queridinho! 
Ai alma de cherubim ! 
Sem arrimo n'estemundo, 
TristelQueserádemim?! — 

Mas não havia remédio ; 
Do enterro se tratou ; 
E ao descer pela escada 
Eis que o pranto renovou. 

Indo voltar uma rua 
Ha te na quina o caixSo; 
O deAHito se tevamia ; 
Fogfi mdo em confusão l 



3iS 



Passados annos, ataca 
O marido enfermidade. 
Para a qual não tendo forças 
Morreu por fim de verdade. 

Escusado é repetir; 
Novas lamurias houveram ; 
Porém maiores cuidados 
D'esta vezappareceram. 

«Bem pelo meio da rua* 
jCom cuidado, e devagar I 
iPassem de iargoasesquinas. 
Não vá o corpo esbarrar ! » 

Ora cortem asmas lingnas ; 
{Cada um diga o que queira: 
iNão ha maiores desvelos 
ÍDo(|íiieMd'jiinui€onipaiiheíra. 

.♦*♦ 

[BTãtíleiíro.) 



15 DE OUTUBRO [Segunda feira). 

Estudo da anatomia.-^ E' a André Vesal que se 
deve o haver-se arrostado o prejuiso que se op- 
punha a que para aquelie fim se utilisassem os 
cadáveres. Filho de um pharmaceutico de Bru- 
xellas, chegou com o andar dos tempos a ser 
l.Vmédico de Carlos V e de Fiiippe 11. Não se 
havia feito anatomia antes d'elle senão em ma- 
cacos, porcos, e outros animaes, cuja estruc- 
tura interna se reputava um pouco semelhan- 
te á do homem. Grande impulso houvera dado 
ás sciencias médicas, se 
não fosse perseguido pe- 
la inquisição bespanno- 
la. Accusàdo de que, ao 
abrir o cadáver de um 
Barão,afim de descobrir a 
causa de sua morte, palpitara o coração sobre o 
escalpello, foi condemnadoá morte, pena comrau- 
tada a rogos de Fiiippe ILna de uma peregrina- 
ção á Terra Santa. Depois de mil estranhas vi- 
cissitudes occorridas na sua jornada a Jérusaiein, 
lançado por um naufrágio na ilha de Zante, ahi 
morreu de fome a 15 de Outubro de 1564. 

UDE 0\}TVMO [Terça feira). 

Ouro. ~ E' um metal amarello, que faz assassi- 
nar os homens, incendiar as cidades, opprtmir os 
cidadãos, e succumbir as mulheres. Assim mes- 
mo quem me dera dez mil alqueires d'eile ! 

344 




17 DE OUTUBRO (Quarta feira). 



pre«e universal. — Pelo grande poéla inglez 
Pave foi feita a seguinte formula de oração para 
todo o género humano : 

« Pai do universo ! ó lu 
que os povos lodos ado- 
rão debaixo dos grandes 
nomes de Jehovah, de Jú- 
piter, e de Senhor! 

« Suprema e primeira 
causa, que occuUàs a 
meus olhos tua adorável 
essência, e só me fazes 
conhecer a minha igno- 
rância e a tua bondade. 
« Dá-me, em tal estado 
de cegueira, o discernir o 
bem do mal, e deixar â 
liberdade humal^a os seus direitos sem offender 
os teus santos decretos. 

« Que não recuse eu nenhuma das graças que 
lu me concedes. Não devem volver a ti os teus 
favores : receberos, é obedecer-le. 

« Não permitias que eu só veja os teus benefí- 
cios nos estreilos limites da terra, e que te consi- 
dere só como Deus do homem, em quanto de toda 
a parte tne rodeião milhares de mundos. 

« Que não ouse a minha fraca mão despedir teus 
raios, nem lavrar sentença de condemnação, con- 
tra os que eu julgar teus* inimigos, 
a Se caminhar pela estrada da verdade, ajuda- 




me ; se cCellame desviar, condiize-me para o bom 
caminho. 

« Pre^rva-me éo louco or^lhoe de insolentes 
murmurações: que tão satisfeito me considere 
com o que me recusa a tua sabedoria;, como> com 
o que me co&«ede a tua bondade. 

« Easina-ma a seBtif os males dos outros e a 
occultajr os seus eri^oâ. Emprega para comigo a 
mesma misericórdia que eu para com os outros 
houver empregado^ 

« Por pequena que a teus olbos seja, é teu so- 
pro que meanima. Giiia-me, quer eu viva ou quer 
mor.Fa boje. 

« Dâ^-me a.paz e o que possa convir-me, tu q[ue 
sabes o que me convém ou não : em tudo seja fei- 
ta a tua vontade. 

« Pai do universo l a quem serve de templo to- 
di>0Q9|ia$^, e de qnem são altar, a terra, o mar, 
e os céus 1 escuta as> aopões die mpas de todos os 
seres e chegue a ti o incenso de*uas orações — 
Amen. 

18 DE OUTUBRO {Quinta feira). 

vropbéi» df um inquitt^or. -^ Aiiida hojc se vé em 
S^faffooa o liimulo de mármore d> um inquisidor 
Geral á entirada do c^ro da igreja metropoUtana. 
Tem á roda Q cotemoas' de mármore pouca altas, 
e de cada u«aa d'ftUas>e$tá pendurado pelo pesooço 
um mouro. 

Digno IropbéU' de Inqui^dovI... 

Antes apetidu/ra^sem^a elle, pelo pç^eooo. 

' 346 



10 DE OUTUBRO {Sexta feira). 

VerfM «em tituf o. 



Pois essa luz seiotinante 

Que briWia no teu semblante^ 

D'onde lhe vem o esplendor? 

Não sentes no peito a chamma 

Que aòs meus suspiros «e inilamma 

£ toda reluz d'amor? 

Poi« a angélica fragrância 

Que te sentes exhalar, 

Pois, dize, a ingénua elegância 

Com que te vês ondular, 

Como se baloiça a flor 

Na primavera em verdor, 

Dlze, tanta gentileza, 

Pode dará a natureza? 

Quem t^ deu >senllo amor ? 

Vé-te a esse espelho, querida. 

Ai I vô-te por tua vida ; 

E diz se ha no céu estrella, 

Dize se ha no prado flor, 

Que Deus fizesse tão bella 

Como ite fe£ meu amor ? 

Viêeond^ éfMmeida 6arr4t. 



9. -— E' umbomem qu«4eixam«iita vez 
pátria, mulher, e filhos, para qup se falle n^elle, » 
part k.^afihar indulgettcta« nalerra Santo> onde se 
vai divertir. 
847 



20 DE OUTUBRO (SaUadê). _ 

Bseamai e penaas. — Escreveu O Padre Athana- 
sio Kircher que ha na China uns peixes todos co- 
bertos de escamas, que todo o inverno vivem de- 
baixo d*agua,e no principio da primavera largão 
as escamas, e vestidos de pennas abrem as azase 




vôão para os montes, aonde vivem todo o estio e 
outono» e chegando o inverno tomão a sua pri- 
meira figura e se restituem ao mar. 

Jáé mentir!..» 

£ era padre l... 

21 DE OUTUBRO (:Domingoy 

Amigos ionradot. — Bauiru, Conde de Seranl, 

E asseava, em um dia de calor ardentíssimo, de ca- 
eça descoberta com o Duque d'Orleans. Dizendo- 
Ibê este que dós seus amigos também ellè era ami- 
go deveras, responden-lhe Bautru: « V. AlUza^ 
pelo çue vejo, nãofosta d^ellescrus; agradão-lht 
mais torrados. » 

3ig 



f 1 DE OUTUBRO (^Se^unda feira). 

rOBBB B FSLIZ, 

operário, como iou, 
Não invejo ao rico a sorte, 
Nem me sedua essa córle 
>^ Com que a ventura o cercou : 

De riquezas desherdado, 
Tenho no braço um morgadd 
Que por nenhum preço dou, 

Banha-me a fronte o suor, fSe á força do meu lidar^ 
Com que grangeio o sustento, Me colhe o corpo a fadiga. 
Mas sou tào rico e opulento Vem anoute, a boa amiga, 
Como o mais rico senhor, Allivios ao corpo dar ; 
Pois tenho u'alma um thesouro Então nos braços da esposa 
Que vale mais doque os d*ouroE filhos, o peito gosa 
— E* da familia o amor. [Ditas que nSo sei contar. 




^49 



Juntos a6 pé do fogão, 
Na« longas noites de inverno. 
Enviamos ao Eterno 
As preces do coraç&o : 
E, depois, somno profundo 
Nos affasta d'este mvndo 
De vaidade... e d'amdiçSo« 

Asilm que brilhão no céu 
Da madrug^ada alvas losas, 
Damos graças fervorosas 
Ao que na cruz pereceu. 
Filhos é mulher abraço, 
Renovando assim o laço 
,Que p' ra se mpre nospr endeu . 



V branda vos da mulher, 
Que é metad e da minb*alma, 
Coirro^m demanda da palma 
Que lidando hei-de colher : 
Ledo retomo o trabalho. 
Empunho ée nofo o malho, 
Reeomeço o meu viver. 

Qp^ario, como'80u, 
NSo invejo ao rͣo a sorte, 
Nem me seduz essa corte 
Com que a ventura o cercou: 
De riqueia« desfaerdaáo. 
Tenho no brftço um morgado 
Que por sefthum preço dou. 
FUippe éo QumHaL 



as M OUTUBRO ( Terça feira). 

Ministro desmemoriado. — GertO mínistrO da CO- 

rôa em Portugal, do nosso tempo, muito conheci- 
do, e muito xugno de o ser, tinha entretanto arae- 
recida fama de não cumprir quasinunca aspromes- 
sas com q&esempreemDalavaospretend^tes. Um 
doestes, cançado já desnbir as escadas da secreta- 
ria e de lhe entregar minutas por escriptd da sua 
justa pretensão : « Senhor Conselheiro, slio jà com 
esta seis memorias que entrego aV."Exc.'l....» 
-^ « Pois> meu senhor, lhe respondeu o outro, se 
em logaT das seis me houvesse ^ado tima só, que 
é a que i&^ falta desde ente os negócios me azoi- 
não, já estava despadiadO'ha«>uilo^n»po. » 

3S0 



n DE OUTUBRO çQuarla feira).. 

liAgô njritenoK».— Hana^Carniola, a seis léguas 
de laybach, e próximo à aldeia d^Âdefsberg, m- 
lavei pela sua grnta de stalaotites, um lago curió- 
sissimo. Umas vezes está cheio d*agua,*e ou- 
tras vezes transformanse em terra firme, na quaf 
se podem fazer plantações. £' assim que o des- 
creve Mr. Depping no seu: Viajante moderno. 

a No fundo do lago Ciskníz (é como lhe cha- 
mão) ha 18 cavidades pelas quaes se escoa o lago 
inteiro em 25 dias, findos os quaes se vé o fundo, 
e em vez d'agua fica um terreno mui fértil, mut 
próprio para a cultura, e que se lavra e semeia. 
Apparece dentro em pouco a vegetação, e tresme- 
zes depois faz-se uma colheita de feno e de mi- 
lho, e atese caça aonde pouco antes só havia agua 
e peixes. D'ahi a 4 mezes principia o lago a en- 
cher-se novamente pelas mesmas aberturas, e 
eleva-se á mesma altura, sendo muito para no- 
tar que só emprega para isso um dia, em vez de 
25 que lhe foram precisos para desapparecer. 

25 DE Omvm^iOmnia fifira). 

Aoaoia. — Arvore onginaria da America Sep- 
temtríonal e importada para a Europa, segundo pa- 
rece, em 1600. i>'eUa se extrahe a gorama arábica. 
A aencia e a sua flor são simbolyeas na maç^- 
nafia ; ehaoião^he arvore innecente, porque éí- 
zemqiiie os seus espinhos» picando, não fazem 
damno. 



Í6 BE OUTUBRO iSexla feira). 

oonBsftão ingénua. — Ccrto actor fraBcez da 
Opera^ cantando uma vez com voz bastante fnca 
e incerta uma ária que principiava ; » Eu vetho 
de,,. » grita-ihe um da platéa: — r í^ íavernú — 
Adivinhou — replica o actor. 




27 DE OUTUBRO (^Sabbado). 

Muito boa noute 1 — Um hespauhol que só Unha 
umolhO; estava um dia jogando apela com alguns 
amigos ; no meio do iogo salta-lne uma peia ao 
olho e o cega. Tira o cnapéu para a companhia, e 
diz-lhe: Bucnas nochesl 

3S2 



S8 DE OUTUBRO (Z^omtfiâfo). 



uirna. — Vaso empregado 
pelos antigos para os exer* 
cicios dos adeviohos, para 
conter líquidos, para osme- 
d ir, para guardar as cinzas 
dosmortos^eparareceberos 
votos por occasião de se ele- 
gerem os magistrados ou os 
que devião combater nos jo- 
gos públicos. Ha sido fre* 
quentementeempregada es- 
ta palavra pelos antiquários 
para exprimir tudo aquillo 
em que se hão encerrado 
restos mor taes, como vasos 
de mármore, sarcophágòs, 
e até os próprios túmulos. 



Í9 DE OUTUBRO (Secunda feira). 

Beijet. ~ Como seja hoje dia de beijamSo, fal- 
emos um pouco de beijos, que não é tratar assum- 
pto dessaooroso. 

Duas cousas se téem energicamente exprimido 
oelos beijos : primeira, o bem querer, jà de amor, 
â de amizade ; segunda, o respeito. Os beijos do^ 
primeira espécie deveu-os haver entre Àdâo « Eva, 
^ entre elles e seus filhos; vieram em tradi^o 
30Dtinua até nós ; hão-de ir de nós até ao fim do 
nundo : e ò Ifto natural expressão esta, que até 
J53 23 




outros animaefr^avesv equadruj^edes, foeijão aseu 
modo quando os agita a benevolência. 

O beijar de respeito já também procede de re- 
melas e esquecidas antiguidades. A palavra : ado- 
rafão,oio significa, ao pé da letra, senão oacto de 
beijar. Beijavão^^ as imagens do»déuses, osralta- 
res, a» paredes e portas dos Cemploft, e a terra sa- 

grada. Dos deuses passou o costume aos pólen ta- 
06 mandanos, a quem, como aos deusea, umas 
vezes se beijaram as mãos, outras a barra do ves- 
tido, outras os pés. £ quando, ou ao9 deuses ou aos 
potentados se não podia chegar com a boca, al- 
.^va-se paraelles a mão própria, e essa se beija- 
va com veneração. Aos senhores beijavão a«^ ratos 
os escravos, e ainda hoje a beijão aos preiaclbs os 
fieis, aos ecclesiasticos alguAS secular^s^e aos avós 
e pais a sua descendência. 

O beijar o pé; ou paatufo, ao Pafuir íbi infcodu- 
^ido por Adriano I e Leão 111, os qna»s pretende- 
ram accomodar ao Pontificado esta demonstração 
de acatamento, que para exaltação do impeho tem- 
poral já havia sido arrogada pelo Imperador Dio- 
cleciano. Em Portugal conserva-se o costume do 
betiamão ao Rei, e mesmo ás personnagea&di^Real 
Família ; mas solemne e officialmentOf sé a«eli«fe 
do estado. 

AroEevo empertigado. -~ Faz hojoum anUO-ÇUe 

por oecaeião do anniversario de S. M. £l*-ftúl>. 
Fernando se dirigia para o Paço um arcbeira, de 
grande uniforme e oom a sua alabarda ás cos- 
tas; ia muitoulanoeeooteiitedesi e comtarde 

354 



gravidade que fazia rir a quantos o yí&o« ào pas- 
sar por elle uma mulher que não tinha papas na 
ira^a, âe8oan'ta-8e4h« com^sta : « O' heme ! boct 
«a» (do vathado, que parece gueé bocêquefaz an- 

30 DE OUTUBRO ( Terça feira). 

Força do deitíno. ^ Sendo advertjdo Filippe, Rei 
ée Macedónia, pelo oráculo de Apollo, de que es^ 
tava em perigo de ser morto por uma carreta^ or- 
denou que se fizessem desa|)p»recer lodosos car- 
ros e carretas do seu reino. Devia p^rém c^m- 
^f ir-se o oráeuto, pois, como disse Bocage^ 

Que eu fosse emíim desgraçado, 

DeòreKm -do fado a mão : 

Lei do fado não se muda, 

Triste do meu coraç&ol... 

Jíopto por Pausania», soube-scqu^ieistani «s- 
piida uiM carreta nos copos da sua espada. 
(^. 51, 1 a 29 <k Jwiho, £Íide Nonmbro, 
1.32p.71>A.58p.43) 

31 DE OUTUBRO (J3ttoría/ei?ra). 

vé»f«inotov {Mríoiiooi. ^ fia no meio do lago 
d' Acberusa uma ilha, ^lovoada de alguns gregos^ 
poucos monges n'um conventmho. Apresenta es- 
ta ilha todos os outomnos um ^henomeno mm no* 
tavel,asaber : logo que principia a estação, demeia 
em meiatiora, e ás veaes mais ia aiiudo,4rei»eii ter- 
ra. Cada terremoto d'este8:é seguido dUm 'OStam^ 
Dido como de peça d'artilharia. 



1 DE NOVEMBRO {QuMa feira). 

reirat 09 oríA^of. — Ha am costume célebre em 
Orleans e seus arredores. Os criados não se ac- 
commodão as mais das vezes senão por um anno: 
são como os actores do nosso Theatro de S. Car- 
los que também só por um anno se escripturão. 
Não são examinados ahi da cabeça até aos pés, co- 
mo acontece nos bazars de Constantinopla, mas 
eonversa-se com elies, pergunta-se-lhes ot[]ue 
sabem fazer, onde tèem servido^ 
se téem bons attestados, quanto 
querem ganhar, tomão-seemfím, 
com elles próprios, todas quan- 
tas informações se desejao, e 
conclue-se o ajuste, dando o amo 
em sl^nal, ao seu novo criado, a 
quantia de 10 centésimos, que 
andão por 17 réis, os ouaes são pelo moço empre- 
gados ein castanhas. Não haja medo de que se fal- 
te ao contracto depois de dado e recebido o si- 
gnal. 

Este anno, diz um jornal d'aquella localidade, 
esteve o mercado bem sortido e bastantes negó- 
cios se fizeram; houve alia no preço dos boliei- 
ros e baixa sensiViCl nos moços de dar agua. 

Faz^se uma feira de gente como se faria uma 
feira de porcos i... 

Fég^so. ^ EVum cavailo mal ensinado que dá 
eouces emais couces aosqu» o não sabem mon- 
tar. 

356 




« DE NOVEMBRO iSexfa feira). 



Morte. » Nem os romanos nem os gregos con- 
sentiram em consagrar-lhe templos ; todavia os 
romanos elevaram-lhe 
altares com esta ins- 
cripção : « Dedicado 
ao somno eterno. » A 
mais vulgar de todas 
as allegorias da mor- 
te é um ^enio, immo- 
vel e triste, com um 
_ _ facho virado na mão. 

O cypreste, cujos ramos cortados nunca maiscres- 
cem, e o gallo, que perturba o silencio da noute, 
são ha muito consagrados á inexoraveldivindade. 

Cadáveres. — Os romanos, O muilos povos anti- 
gos> reduziãò os seus mortos a cinzas com gran- 





des cercmonios, c assim tornados u um punhado 
de pó, wi« meltião em unias» os davão á terra. O 
$57 



costume porém de queimar -og cadáveres é menos 
antigo que o de os enterrar. 

O de os embalsamar foi muito frequente no Egy- 
pio e por varias partes do Oriente^ séeulos antes 
de se inventarem as pyras. Peto «sibalsamação 
^iesceram até aa nosso tempO; e irão ainda longe, 
muitos homens e mulheres dè milhares deannos. 

O enterramento era a restibuijgâe do homem á 
terra sua mili. A embalsamarão uma espécie de 
protesto, ainda que frivoio^ contra a mortalidade 
A incineração originar-se-hia, ou de pestes, em 
one faliecião braços e foiças para andar enterran- 
âo, e em que se temia qbe as exhalações pútri- 
das dos sepulchros aggravassem a male'ficeiicia do 
ar, ou, segundo alguns autores, inventarão- na os 
romanos nas snas campanhas longinquas, para no 
caso de virem a perder essas terras, os inimigos os 
líEo irem injuriar nas sepulturas. 

Os christãos do principio da igreja tornaraúi á 
moda de enterrar, pela extravagante idéa de que 
ossos inteiiros poderião muito meiihor tesuscitar, 
do queiossos queimados. Povos silvestres das cos- 
tas do jnar lançavão a elle os seus defuncios com 
Í penedos ao pescoço ; outros comiio-nos ; outros 
ançavão-nos no campo is feras ; outros pendura- 
vão-nos em arvores até que o tempo e as aves car- 
nívoras os desfízessem. De todas estas aeivaiarias, 
eda queima,lambem s^e valeram oodlgoa<^riminaes, 
que engendrados em eras barbaras diegaram ain- 
da a enchovalhar os nossos tempos : hoje« o cos- 
tume das oaeões dvilisadas é eirterrar os seusmer- 
tos, e emJialsamar ás vezes rttas persomiagmis. 

35S 



3 DE JSOYEMBRO (Sabbado). 

moikt»iih» a dançar. — Referem maitos escripto- 
res qae do anno de 1H76 a montanlia de Marcely , 
a duas léguas de Hereford, mudara de logar por 
um violento tremor de terra. Por espa^ de três 
dias a viram baloiçar-se no ar de tempo a tempo; 
caminhou depois cerca de uns duzentos pés pelo 
vaile dentro e, o que i^o é menos admirável, le- 
vantou-se a muitas braças do solo. No logar que 
d^antea occupava nâo há agora senléo um valle de 
400 pés de comprido e de 300 de largo. ^ sua via- 
gem atropellou gente, derrubou arvores, a capei- 
ia da aldeã, casas/etc, mas um re^dílisinho com o 
seu cercado de plantas e hortas nem de leva o 
amarrotou. 

4 DE NOVEMBRO {Domingo). 

MOTB. 

Semeei cravos a^ues 
Em beUos í>mo8 de vidro. 

GLOSA. 

No tempo em que os ventos sues 
Sopravão com aroogancta, 
No meu qjuialal, por jacUincia, 
Semeei cravos asues : 
Nasceram os meus tafues 
Amarellos como um cidro: 
Promellf a Santo Isidro» 
Se não mudassem de côr, 
Levai^lè''os, quando lá fôr, 
Bm belle» vasos de vidro. *** 

359 



5 DE NOVEMBRO {Segunda feira), 

Abeikas. — Ao qoe sobre ellas dissemos a 2 d« 
Março do Almanach de 18^, acrescentaremos 
hoje o que diz o nosso Blateau : 

Quando sahem os enxames d'abelhas novas, le- 
vão comsigo Alimpadeiras e Aplanadeiras. Es- 
tas são do mesmo feitio que as abelhas, e só se co- 
nhecem por serem maiores. As Alimpadeiras são 
como carochas, e entrão pri- 
meiro que nenhumas a alim- 
par o sitio para onde hão de 
ir, e depois de limpo entrão 
as abelhas, eellas mesmas as 
matão e as deitão fora. A abe- 
lha mestra ensinaàs Aplana- 
deiras a fazer os casulos da 
cera para receber o mel, e em 
os favos estando cheios^ se 
os não crestão a tempo, o co- 
mem, porque não querem ir 
buscar fora o sustento. As Aptanadeiras nunca 
sahem fora, porque sempre estão occupadas a re- 
colher o mel nos casulos, e do que cahe lóra d'elies 
se sustenlão. Escrevem os antigos que na contem- 
plação da prodigiosa natureza das abelhas gasta- 
ra o phílosopho Aristomaco 60 annos. 

(i DE NOVEMBRO {Terça feira). 

votot — Trata-08 Deus muita vez como os mi- 
nistros tratão a maior parte dos requerimentos. 

3€0 





7 DE NOVEMBRO (Quarta feirají 

Goiodi«e de Bcrsane Leite. — . Para cncarccer a 
paixão^ a verdadeira paixão, que tinha por tudo 
quanto era doce o nos- 
so lyrico Bersane Lei- 
te, dizia Bocage com o 
mais sizudo tom da 
convicção: « Era eu 
capaz de fazer dar ao 
Bersane três voltas 
completas á roda do 

Slobo, caminhando adiante d'elle com um páu 
'aifóloa na mão. » 

S DE NOVEMBRO (Quinta feira), 

HAbíHdade dos dado4. — Deitando doHs dados 
sobre uma banca, adivinhar os seus dousnumerós. 
— ^Mandar-se-hão fazer as seguintes operações: 

Veja o numero de pontos de um dos dados. Do- 
bre-o. junte-lheS. Multiplique por 5. Junte a este 
producto o numero de pontos do outro dado. Qual 
éasommatotal?Tírem-se d'ellaf5. Osdous alga- 
rismos que restarem marcarão os dous números 
que sahiram. 

Exemplo. 
Supponhamos que sahiram os números 2 e S. 
Dobrando o numero % tenho 4 ; juntando 5, te- 
nho 9; multiplicando porS, lenho45; juníandoO, 
tenho ftl ; diminuindo 25, ficão^G. Logo os dous 
números são: %e6. 
3€1 



9 M NOVEMBaO {Sexía feira). 

Fêga«. ^ E' a pégã um animal tão damãiiiho, 
e tão abundante na França e na Hespaoha, que 
muitas sociedades agrícolas tê^-^^roposto pré- 
mios para quem descubra o -melhor mek) de dar 
cabo d*ellas. A dous se reduzião esses meios até 
agora — tiro e visco — mas é tamanho o instin- 
cto d'essas aves, que presentem o caçador, e pou- 
cas vezes o deixâo cheffar a distancia de Ihesfa- 
zer fogo; ao visco tamoem poucas vezes se pé> 
gão. Descubrio agora um lavrador de Férígueux, 
um meio fácil de extinguiras. Achando um coelho 
morto na sua coelheira, foi-se aelle, untou-o com 
certa preparação venenosa, e pendurou-o n'uma 
arvore. As pegas atolaram o dente (apezar de 
nào lerem dentes) na carne do coelho, come- 
ram-no todo, e no dia ímmediato já clncoenta ha- 
vião sido victlmas da sua glutonaria. 

Tenha cuidado quem usar de tal receita para 
dar cabo, não das pegas, que entre nós são pou- 
co vulgares, mas d'outros quaesquer animaes 
damninhos, em enterrares logo, e por modo tal 
que lhes não cheguem as aves e animaes domesti- 
co6y pois fâcil'fi^ra que morressem também enve- 
nenados. 

São as pegas muito desconfiadas, têem o ol- 
.fticto delicadís^mo, e são ladras por natureza. 
Mantéem-se de bichos, são faseeis de domesticar, 
e aprendem com facilidade. Fazem os ninhos com 
.muita arte, epOem deordinario nove ou dez ovos. 

£m França, junto a Santo Albino, dizJBlutcau, 

362 



! 



houve entre pegas e gralhas uma batalha (no 
cruel, que de caaa parte cahiram em terra muitas 
mortas, e foram tantas as que n'esta peleja se 
ajuntaram, que tomavão campo de duas léguas : 
d'alU a alguns dias se deu n'aqueHe mesmo logar 
uma bataina em que morreu muita gente; doesta 
batalha e doeste estrago parece que foi annuneio 
a peleja e morte das pegas. 

[A, 5i^ 24 de Janeiro.) 

10 DE NOVEMBRO iSabbado), 

AS ESTRELLA8. 

Lindas, mimosas saphyras. 
Que o véu da noute bordais, 
Dizei-me, estreitas, dizei -me 
Se acaso também amais : 

Tereis somente por fado 
r^uzir, luzir, e não mais ? 
Não creio, estreitas, não creio ; 
Sois tão formosas?... amais. 

Augusto de Lima. 

Tumulo. — Monumento elevado nos confins doa 
dous mundos. Termo de todas as grandezas hu- 
manas. Nivel que tudo aplana e iguala. 

Qu'importe lors qu^on dort dans Ia nuit du tombeau, 
Qu*on ait porte le sceptre ou trainé le râteau ! . . . 
363 



11 m NOVEMBRO {Dmingo-). 

Biíbedioe noi sitadoa uãidos. — QuBrem saber o 

Sue as bebidas espirituosas tèem feito nos últimos 
ez auDOsnos Estados Unidos da America? Oução. 
Causaram á nação uma despesa directa de 600 
milhões de dollars (1200 milhões de cruzados). 
Occasionaram-ibe igual despesa indirecta. 
Deram cabo de 300,000 vidas. 
Mandaram 100,000 creancas para os asylos. 
Metteram 150^000 pessoas na cadeia. 
Fizeram endoudecer 1,000. 




Deram causa a 1,500 assassínios. 

Foram origem de f >000 suicídios. 

Occasionaram, com incêndios e outras perdas 
materiaes, um prejuízo de dez milhões de dollars. 

Cobriram de lutol:200,000 viuvas eorphãos!... 

Se dos in^lezes receberam os americanos os 
u«os, as tradições, e a gloria, também d'elles her- 
daram o amor da pinga (A. 51, 14 de Novembro. 
Á, 52;^. 388. A, 53 p. 335, 336^^. 54 p. 33«, 387\ 

364 



12 DE NOVEMBRO (Segunda feira). 

Beber. — O USO de bebidas fermentadas é muito 
antigo e muito geral Os povos que nàolinbão uva« 
fazião seus vinhos de outros fructos, de gràos> de 
leite azedo, ele. Os gregos e os romanos punhão 
o beber entre as ceremonias religiosas, ou depois 
de libarem o vinho o derramavão por cima da ca- 
beça da victima, naara, nofogo do sacrificio, e no 
pavimento do templo. PunMo copos cheios aos 
mortos nos dias solemnes da sua commemoração ; 
e nos banquetes convivaes elegiào um para rei do 
vinho, que houvesse de regular a ordem, o modo, 
e a quantidade dos brindes. Este rei do vinho era 
muitas vezes tirado á sorte. Jâ n'esses tempos se 
bebia à saúde dos presentes e dos ausentes, sen- 
do galhardia despejar tantos copos quantas erâo as 
letras do nome do amigo a quem se victoriava. 

Não era ainda então a embriaguez reputada em 
conta de tão opprobriosa como hoje. O poéla gre- 
go Anachreonte não cantou senão o vinho, as ro- 
sas, e o amor; e o grando lyrico romano Horácio 
consagrou ás delicias de Bacho uma boa parte das 
suas odes; costume esse que poetas chrislãoâ ar- 
câdicos imitaram, e levaram ao excesso, em ridi- 
culos dythirambos. Hoje o fazer gala de delirar 
por effeito de bebida seria de péssimo gosto e mui- 
to mal recebido: e com eíFeilo, a dignidade huma- 
na provém da razão; e destruirá scientemente, é 
de todas as brutezas a mais indisculpavet. Por is- 
so é gue na Inglaterra e nos Estados-Unidos ss 
tem fundado, e crescido^ sociedades denomina- 
B6S 



das : de temperança, qud forcejão de tados os mo- 
dos por arrancar o populacho, e mesmo a classe 
média, d^aquelles paiz^, ao costume de beber 
immoderadamente. Seja porém como for, como o- 
vinho é muitas yeisesum conforlativo para o es- 
tômago, um agasalho para o frio, um calmante pa- 
ra as penas do animo, um occasionador d'alegrias 
e convivência, a embriaguez tarde ou nunca se 
extirpará, eS.Martittho, que alguns jul^ão ter sido 
bêbado, ou amigo de bêbados, hade ainda muito 
tompo ser invocado com copos de canada em pu- 
nho. 

13 DE NOVEMBRO (r^rca feira). 

Trovai de um drama inédito. 



Se o dia está lindo, 
E o sol vai fulgindo^ 
No mar esparzindo 
Golphadas de luz; 
E as cúpulas cresta 
Da verde floresta, 
tíueás horas da sesta 



E em barco veUeiro, 
Que sulca, ligeiro. 
Do Tejo fagueiro 
Os vivos cristaes. 
Eu passo embalado. 
De ti apartado, 
Carpindo o naeu fado 



Co*as sombras sedu»^; Em prantos, em ais 

Se, ao longe, indeciso, 
Se, acaso, eu diviso 
Teus olbqs, teu riso. 
Que ás aguas surri, 
£xclamo orguiboso : 
« Se o mundo vaidoso 
No sol tem seu gdso, 
£u... goso-tea ti. 

?a6 



Se o asir» de prata 
No Tejo retrata 
Sen cesto, que mi ta, 
Queenlera de amor; 
Se a noite vai para, 
E o rio murmura, 
Lascivo, e procura 
Nas margens a flor ; 

Se acceso em d-esejo. 
As brisas invejo, 
Qne em-langnido beio. 
Te bríDcão no véu ; 
No véu; que me acena, 
Qual mão deas^ucena, 
Que surge, serena. 
Do límpido céu; 

Eu digo: «os perfumes, 
Da brisa os queixumes, 
A noite c'o5 lumes, 
Co^os plainos d*ani}, 
K a luz, que fluciua 
Na face da lua. 
Não valem a tua. 
Que inda é mai» gentil. » 



Se a brava tormenta. 
Que em fúrias rebenta, 
Co'as garras, sedenta. 
Se aferra ao parcet. 
Se as nuvens são densa», 
E as trevas imensas, 
E, em vagas immensas. 
Me bota o baixel ; 

Sem tino e conselho. 
No pinho jtt velho. 
Se dobro o joelho, 
Orando ao meu Deus , 
Se rasga a procella 
tJm raio... e reVeVa, 
Qual plácida estrella, 
Uois cibos... os seus! 



Ergui-mee confio; 
A'^s ondas surrio ; 
Não tremo do rio, 
Que ferve em cachões ; 
Co'o peito e co'o braço 
Retalho esse espaço, 
E chego... ele abraço 
Por etilre os tufões. 
Antoni<^ Pereira da Cunha, 



U DE NOVEMRBO {QuarU feira). 

velhice. ^Arvore mai presa na terra e que já 
não tem folha$ nem dá fructo. . . 
Í67 



IS DE NOVEMBRO (Quinta feira). 

newton, Voltaire, e Pope. — VolUire, OHOVid 

8or um sentimento de enthusiasmo, declarou se 
ewton o maior génio que jamais houvera ; s 
lodos os do universo se formassem, dizia elle, se 
ria Newton o Generalíssimo. Eis-aqui a traduc^ã* 
que Dorat fez do epitaphio que Pope CQmpoz ai 
grande philosopho. 




L^épaisse noit regnait sur le monde eiK^ore brni; 
Dieudit: «Qae Newton soit.. .d Soudain le jour pariUi 
Pour second créateur tout l'univers le aomme ! 
loterrogez le ckl, la nature, le temps; 
Cest un Dieu, dironMIs, il ne craint rien des ans . 
H«»las ! C6 uarbre seul atteste ^'il est bomme f.... 

U 31, Sdê Janeiro e 19 áe Outubro. A. 5t p. 120, 
243, 249, 362. A,filip. 815. 1. 54 p. 36) 

368 



16 DE NOVEMBRO (Sexta feira). 

o sapateiro d'Aoste. — Dizem gue já se n3o in- 
venta: e falso. Ahi vai uma cousa que nunca a 
ninguém tinhalembrado,e que anda correndo nor 
toda a Suissa. ^ 

Na ultima sessão do conselho geral de Berne deu 
parte ©Presidente de haver recebido o requeri- 
" '^ mento d'um sa- 

pateiro da pe- 
quenina cidade 
d'Aoste, situa- 
da na falda do 
montedeS.Ber- 
nardo, e (}ue/>6- 
fnaislreimtnoT' 
lalisou no seu 
Leproso;reqiie' 
rimentoemque 
o mestre dizia 
constar-Ihe ter 
sidocondemna- 
do á morte um 
inglez em Ber- 

*,„K. w ^ — ; — "' "®» e pretender 

èubtraijir-se a eila, depositando uma somma de 
útz milhões de francos para uma loteria de 99 
!I)ilnetes e 99 prémios, cada um de cem mil fran- 
icos, ou quarenta mil crusados, e com ura único 
jbiihele branco, o qual imporia ao que o lirasse a 
lobripçao de ir morrer no logar do Lord, rece- 
bendo tambeffl previamente igual quantia. Com 
3by 24 




esta se contentava o bom dobomem para ir a mor 
rer em logar do inglez, e era a auctorisação para 
isso que do conselho supplicava. Âllegava em seu 
favor o pobre sapateiro o ser pobre, o nãolbe im- 
portar morrer por haver já feilo 30 annos (o que 
prova que lambem là poraqucllas terras corre um 
aneximporluguez),oestar carregado de família, e 
o não se poder conformar com a idéa — não digo 
bem — coma triste, medonha, e horrorosa realida- 
de, das privações por que diariamente afazia pas- 
sar. Havia pois n^esta deliberação do pobre sapa- 
teiro um sentimento nobre e generoso, que mui- 
tos escarnecerão, e que eu, pai de famílias, per- 
feitamente comprehendoe aprecio: oquenão sei, 
é se em todo o mundo se acharião cem homens 
com igual resolução, o que não depõe muiVo em 
favor da h u ma n id'ad c I . . . 

Foi regeilado o requerimento do pobre homem, 
pelo simples facto de ser tudo aquillo uma balela ; 
e até houve um conselheiro que desejou se escre- 
vesse á margem da petição o adagio francez : « Va 
te faire pendre ailleurs.y) Foi todavia maganão 
de bom gosto o que tal balela levantou, e porsua 
originalidade julgámos dever relatara, fazendo ao 
mesmo tempo votospela prosperidade do sapalei^ 
ro, a quem todos em Aoste deverião dar a fré- 
guezia, o que ainda assim o não enriqueceria mui- 
to, pois é terra pobre e miserável, e em que an- 
dão descalços a maior parte dos habitantes. 

pantheoo. — E' csta a ínscripção do de Paris: 

AOS GRANO£S HOMBNS A PÁTRIA SECONBEGIDA. j 

37Í 

I 



17 DE NOVEMBKO [Sabbáio). 

Charada. 



Qual será a mais perfeita 
Das obras do Creador ? 
Será, pura, a mulher bella 
MeigBice toda e amor ? i 



Uma S011 das sete irmans 
Qnepelomundo,emtorrea(es, 
Festivaes, nos derramamos 
Commagoprazerdasgentes.1 



Foi meu pai cruel e injusto 
Quando o serviço dobrou 
Do moço que a minha irmã 
Com lauto extremo adorou. 2 



Que alegre nSo é meu lodo ! 



Formado d'uma pastora. 
Da melhor obra de Deus, 
D^umprazerqueomuudo adora! A meu culto porá fim. 
José Maria da Silva Leal 



Mulher, anjo, divindade. 



£'s, 6 bella, para mim 1 
Só o termo da existência 



18 DE NOVEMBRO (Domingo), 

Prova d*agua a ferver. — PouCOS SéCUlOS alraZ, 

08 tríbunaes obrigavão aos accasados de bruxa- 
ria a (irar uma pedra do fundo d'um caldeirão 
d*agua a ferver. Como a mão sahia pellada, met- 
lião-na n*um saquinlro fechado com o selio do ma- 
gistrado ; e se passados (res dias não havia já si- 
gnal da escaldadura, era declarado innoccnte o 
aceusado; alias punião-no como criminoso. A que 
horrores não tem. aberto poria n'esto mundo a ca- 
rência de iastruccâoU... 
371 • 




19 DE liHOVEMBRO [Segunda feira), 

Modat franoesat. — Refere Mylord BoUngbroke, 
que DO tempo do famoso Colbert custa vão á In- 
Çiaterra as maravalhas do luxo francez 500 a 
000,000 libras esterlinas poranno (o que anda por 

2700 contos de 
réis), e o mes- 
mo proporcio- 
nalmente ás 
outras nações. 
De então *para 
cá tem consi- 
deravelmente 
augmentado a 
exportação do 
todos os ob- 
jectos de luxo das fabricas francezas. Só Paris 
exporta por anno 75,000 colletes de barbas, que 
rendem um milhão de francos, (ouças e chapéus 
de senhora por mais de 5 milhões, flores ar li ficiaes 
por uns dous milhões, e leques por um milhão. 

20 DE NOVEMBRO ( Terça feira). - 

Éramos dou». —Ora, seuhores '• (exclamava ura 
gastrónomo) sempre comemos hoje um peru, cou- 
sa mais saborosai... muito gordo, muito bem aS' 
sadt), muito bem recheado, n'uma palavra, come- 
m'oro todo I... não lhe deixámos sénãoosossosl... 

— E quantos erão, quantos erão ? 

—Éramos só dous — eu e o peru — 



•ti DE NOVEMBRO (Quartn feira). 

Ruínas de Capun. Oampo ettrellado. — Gbâmon 

Polybio aCapua a mais ditosa das cidades, pelo 
delicioso campo que a circumdava; hoje, todavia, 
só bellissimas ruioas alteslão o seu antigo esplen- 
dor. Ainda ahise vêem os restos d*umcastello, de 
dous amphitheatros, uma das portas da cidade, Ires 
ou quatro lemplosmeio derribados, fragmentos de 




columnas, e destroços d'arcLilectura. A aldeia de 
Santa Maria foi tolla construída com esses frag- 
mentos e destroços. A actual Capua está a uma pe- 
quena légua de distancia d'essas ruinas £' uma 
pequena cidade bem fortificada, mas sem monu- 
mentos c edifícios notáveis. Achão-senos seus ar- 
redores muitas medalhas que os camponezes ven- 
dem aos viandantes. O campo é alli ue prodigiosa 
fertilidade, e por isso lhe chamSo : campo estreU 
lado, ou favorecido, segundo alli julgâo, por to- 
das as benéficas e salutares influencias dos astros. 
375 



22 DE NOVEMBRO (Quiníafetra)^ 

Baadadef da ínfanoSa» 



Tenho saudades da ínFancia. 
Do tempo gasto a brincar; 
Saudades, que são manyrio 
Que vem a alma torturar 

Tenhosaudadesdaslagrimas^ 
Do pranto que derramei, 
Inda falto d*experiencia, 
Só tendo os brincos por lei 

C saudade^ do mysterío 
Da nootft, do meu velar, 
DosmeussonhosjirinnocenciA 
Das nuvens a divagar. 

Do som grave e mela ncol í CO 
D*umsino,po longeaian^rer, 
E saudades dó murmúrio 
Das aguas manso a correr. 



E saudades do silencio 
Por sobre a terra a imperar 
E saudades da luz pálida, 
Magestosa, do luar. 

E saudades d'esses cânticos 
Das aves, dizendo : amor, 
Saudadesdosbrandoszephiro, 
Agitando a Iroda flor. 

Oh ! que martjrío amemoria. 
Que se não quer esquecer 
Do ledo tempo da infância, 
ue mais n ão pode volver I. . 

Ai 1 de tudo d*essa época. 
De brinquedos, de folgar, 
CA m in ha a Ima recorda ndo-se, 
O tormento a vem gelar. 



Luiz Paulino Borges, i 

23 DE NOVEMBRO {Sexta feira). 

Dor de peito. — Ouvindo !ff."« ÔB Scvígné ler 
durante duas horas com muita almaaMr. deBeau- 
lieu, disse-lhe: « Sabe que mais? está-me adocr 
o seu peito. 

«4 



UDEmyEMMO (Sabbadô). 

Argano. — Disliibue actualmente o Ministro da 
marinha em França a quantos lh'as pedem sémen* 
tes d'uma arvore assim chamada, e muilo vulgar 
no interior do império de Marrocos, sobretudo 
nos arredores de Mogador, cujo fructo, depois de 
baver dado um óleo abundante, óptimo para o 
sustento d'animaes, também se emprega alli co- 
mo adubo magnifico para as terras. O tronco tem 
1 5 pés d'altura e D de circumferencia ; umas vezes 
é d'uma só pepa, e outras composto d'uma infini- 
dade de ramos que adherem entre si e formão um 
todo. Principia a aclimar-se ura pouco em França 
esta arvore preciosa, especialraenle em terrenos 
areentos e pedregosos. Muilo conviria que os 
nossos lavradores tratassem de ver o proveito que 
de tal arvore entre nós poderia tirar-se: ha talvea 
n'elia uma fecunda mina de prosperidade. 

2o DE NOVEMBRO {Domingo). 

Luteoia. — E' O mesmo que : cidade de lama» £' 
o nom.e que durante uns poucos de séculos se deu 
iá mais immunda e insalubre de todas, e aue hoje 
tem o pomposo nome de : Paris. Aborrecido Filip- 
pe Augusto com a infecção das ruas, ordenou que 
todas ellas se calçassem na sua capital, o que fez 
com que diminuisse a mortalidade, que era muito 
maior, proporcionalmente, do que a de todas as 
outras cidades da Europa. Só por aquillo devia 
Filippe Augusto ir para o céu vestido e calyado. 

;^79 



20 DE NOVEMBRO [Segunda feiraj. 

pUcicultura. — Daremos succinlamcnle a noti- 
cia de um invento d'este anno em que escrevemos, 
e de que os jornaes scienlificos lêem falladocom a 
devida admiração: aos olhos do naturalista, é um 
pbenomeno sem precedência no reino animal; aos 
do ecónomista.é a creação de um valor exorbitan- 
te • aos do gastronomo uma profusão de novas çie- 
licias; aos do caritativo um grande recurso pa- 
ra os pobres. O inventor é Mr, Coste; a arte in- 
ventada, e que tudo isto dá de si, tem por nome : 
Piscicultura. Por ella, os tanques, lagos, canaes, 
e rios, vão-se povoar aos cardumes de peixes es- 
->^ colhidos, laes co- 

mo trutas e sal- 
mões A fecunda- 
ção dosovosé fei- 
ta de um modo que 
se pode chamar ao 
^~^^w mesmo tempo na- 

tural e artificial. Não descreveremos os appare- 
Ihos e processos com que se prefaz este milagre ; 
diremos só que se prefaz, e que provavelmente não 
tardará muito que todos os paizes do inundo (o nos- 
so provavelmente depois de lodos os outros) seen- 
riqueção com a adopção do exemplo franeez. 

27 DE NOVEMBRO [Terça feira). 

Bhétorioa. ^ £* a arte de faJlar muito e dizer 
pouco. ^^ 




2S DE NOVEMBRO (Quarta feira). 

rtuezaenígm&tíoo.— Um discrelohespanhol que 
namorava a uma senhora chamada Ânua, formou 
do nome este emblema. Pintou uma ancora com 
esta letra : 

En el médio está la pena 

Y en los fines quien la ordena. 




Metade do nome A ncora é : cor, que significa : o 
coração ; e as primeiras e ultima letras da pala- 
vra dizem : Ana, que nós escrevemos: Ánna, 

20 DE NOVEMBRO (Quinta feira), ' 

opposição. — E' a senlinclla que defende as fron- 
leiras conslilucionaes. 

virtuoio.-— E* o nome que muita vez se dano 
inundo ao ^uô melhor occuila os seus vici06« 
«71 



30 DE NOVEMBRO (Sexta feira). 



A mioha retolução. 

O qae Tazes, ó minha alma ? Nasceap1anta,aplaiitacresce 
Coração, porque le ogitas? Vai contenie vegetando. 
Coração, porque palpitas. Só por onde vai achando 
Porque paipiías emvão? |Terra própria a seu viver ; 
Se aquelle que (auto adoras Mas se acaso a (erra esleril. 
Te despresa, como ingralo,'A\s raízes lhe é veneno, 



Coração, sê mais sensato, 
Busca outro coração! 

Corre o riheiro suave 
Pela terra brandamente, 
Se o plano condescendente 
D'el!e se deixa re^ar : 
Masseencontraalgum tropeço 
Que o leve cur^o lhe prive, 
Busca logo outro declive, 
Vai correr n*outro logar. 



Ella vas n'oulro terreno 
As raízes esconder. 

Segue o eiemploda planta. 
Coração 1 porque te agitas? 
.Coração, porque palpitas, 
[Porque palpitas emvão? 
Se aquelle que tanto adoras 
Te despresa, como ingrato. 
Coração, sê mais sensato, 
Busca outro coração ! 



Segue o exemplo das aguas, Saiha a ingrata que punir 
Coração I porque te agitas? Tambem8eilaiDanhoagg:ravo; 
Coração, porque palpiías^ ivSe me tracta como escravo. 
Porque palpitas emvão? [Mostrarei que sou senhor : 
Se aquelle que tanto adoras Comoa8aguas,comoaplanta, 



Te despresa, como ingrato, 
Coração, sê mais sensato, 
Busca outro coração I 



Fugirei d'essa homicida ; 
Qu«ro dar a uma alma fida 
Minha vida e men amor. 
Laurindo José da Silva RebeUo. 
{Brasileiro,) 

178 



1 DE DEZEMBRO [Sabbado), 

Imposturas e crueldade de Mahomet. — Princi- 
piando a descobriras c a publicaras um de seus 
secretaries, raandou-b assassinar em sua procria 
casa, e incendiar esla, dizendo ao povo quefôra 
o foço do céu que a consumira, afim de o punir 
por naver querido modificar o alcorão. 

Aproveitou das convulsões epilépticas a que 
era sujeito, para persuadir a sua mulher que erão 
êxtases durante os quacs vinha um anjo fazer-lhe 
revelações sobre ponlos de religião. 

Mandou um dia esconder um companheiro seu 
dentro d'um poço, e poz-se este a gritar lá debai- 
xo, ao passar oíalso prophela^quea Mahomet era 
o enviado de Deus. » Receando depois que o ami- 
go o trahisse^ mandou enlaipar o poço, c ahi mor- 
reu o pobre infeliz!.... 

2 DE DEZEMBRO {Domingo). 

A evmola e a mâo. 

Certa dama um palacão 
Quiz de esmola a um pobre dar, 
E elle indo-lhe a pegar, 
Pegou na esmola, e na mão : 

Fugio-lhe ella, e elle sisudo, 

Lhe disse : « como sou pobr&, 

E tudo é da côr do cobre, 

Cuidei que mexlava tudo. » *•» 

Pelos modos, a dama era mulata !... 
379 




2 DE DEZEMBRO [Segunda feira). 

contrabando. — VoUaire, cbcgando secretamen- 
te a l^aris, e demorada ás por- 
tas da cidade pelos guardas 
que lhe perguntaram se trazia 
comsigo algum contrabando; 
respondeu : « Meus Senhores, 
o contrabando que trago, sou 
eu mesmo » (A. 51, 19 de Ou- 
tubro, i. 52 p. 120, 243,^41^, 
362. A. 54, p. 36). 

4 DE DEZEMBRO [Terça feira). 

charada. 

Quem os léus dotes contasse, 
Mulher, anjo, amor, portento, ^ 
Se a couta lhe não falhasse, 
Encontrara bem um cento. 

Se ao cavallo com tal laço, 
Um pé a outfo ligar, ^ 
Só durante curto espaço 
Hade o triste caminhar. 

Tem pellp e tem pontas, que move á vontade; 
Tem pernas immensas, e é feia a valer; 
Em casarões velbos, e na escuridade, 
£' OAde« e só quando, costuma apparectr. 

A. Jí* €, 

380 



5 D£ DEZEUBRO (Quarta feirai 

Meipeiiem. — Aos que n5o sabem d'ODde vem 
este dizer porluguez:9n«me//«m 56. ..diremos que 
foicastigo, eatiocissimo castigo, nas Hespanhas, 
poros criminosos nús, amarrados, ao sol, antados 
de mel» e com as mãos presas, afim de se não po- 
derem valer d'elias. contra moscas, vespas, e mais. 
insectos, que lhes viessem fer- 
roar, com o que morrião deses- 
perados. 

Uma atrocidade semelhante 
era já do tempo dos antigos per- 
sas, os quaes encerra vão osseus 
sentenceados por crimes graves 
dentro em caixas, ficando-lbes 
só de fora as mãos e a cabeça,que 
86 untavam de mel e leite. N'aquelle inferno, im- 
moveis, à soalheira, padecião e aturavão até quin- 
ze e vinte dias, pois os obrigavão a comer e be- 
ber, com vontade ou sem ella. 

6 DE DEZEMBRO (Quinta feira). 

Liito de Frederico da Prússia. — OitO días anteS 

de morrer, soube Frederico da Prússia (oGrande) 
que os adelos e mercadores andavão comprando 
e ajuntando quanto crepe podião. « Ah I diz elle, 
86 soubesse que mé havião de obedecer depois de 
morto, mandava que o meu luto fosse côr de rosa; 
queboa lição para os monopolistas equefavorpara 
as mulheres ! > (4 . 51, 23 ae Janeiro êlJ^deMaio). 

m 




7 0B DEZEMBRO (Sexta feira) 

A devoção do barqaéír<^. 



Onde ràift tSo socegado 
Vo feu baixel a vogar, 
Tfto devote olhando sempre 
As verdes aguas do mar ? 
K2o receias essas vagas 
Que já vétf encapelar? 

NSo temes que a onda irosa 
Que ao longe sentes bramir, 
Esse teu lenho tão frágil 
Te possa agora afundir? 
Véque a procej lavem perto. 
Foge, se podes fugir I 

NSovés a chuva em torrentes 
Que se despenha dos céus ? 
Na forte luz do relâmpado 
Queleassombraosolhosteus, 
Nâo receias, ó barqueiro, 
A potente mão de Deus ? 



Não vés toldado o horis^nte 
Pela escura cerração? 
Rugir não ouves o vento 
lá desfeito em furacão? 
Não ouves de ti já perto 
O estampido do trovãaT' 

Olha essa vaga espumosa 
Que sobre o teu lenho vem!.', 
'^e salvar- te queres hoje, . 
Foge, foge para alem ; 
Procura porto, queumpon^o 
Sobre o mar ninguém o tem. 

E o barqueiro socegado» 
Sem ouvir um brado meo, 
Luctando c'o a tempestade^ 
Do mar a fúria venceu, 
Por que devoto invocara 
A Santa Virjjem do céu !.,. 



D. Mojria Rita Colaço Ctiiappe, 

8 DE DEZEMBRO iSabbado). 

vinho. — Jantar sem vinho é o mesmo que bai- 
le sem orcheslra c boticário sem quina. 

Riqneca, ^ B' o tliermometxo da consideraçSo. 



9 DE DEZEMBRO iDomingo). 

jorgre XV e Jorge Hei. — Subíndo Jorge IVsiO Ihro- 
node Inglaterra, foícondemnado ámorte oassas- 
giro Jorge /?eí,que ao Monarcha pedio lhe perdoa» 
se, em um gracioso requerimento, que íielmento 
tiaduzído dizia assim : 

« Jorge Rei faz ao Rei Jorge 
Trisle e humilde pclição. 
Esperando cfue o fíei Jorge 
A Jorge Rei dê perdão. 

Se o Rei Jorge a Jorge Rêi 
Fizer a graça pedida, 
Jorge Rei a Deus implora 
Ao Bei Jorge longa vida. » 

10 DE DEZEMBRO (Segunda feira). 

rra<ie« «fogadoi. — O Padre José AgosliDho de 
Macedo» em quanto frade da Graça, quasi nunca 
deixou de comer no chão por castigo de traves- 
suras. Um dia, que pelas não ler feito, ou por se 
Ibe não saberem, estava á mesa para jantar com os 
outros padres, vendo que lhe punhão diante uma 
phngana com meia dusia de feijões fradinhos n'u- 
mataldivanada immeniy^, começou a despir-se a 
toda apressa, com modos de affiicto e grandes ais. 
'-^ « Que faz, Padre?» — perguntou b Guardião.— 
« Vôu-me deitar a nado, a ver se salvo este par de 
religiosos que se estáaffogando nas graades agi»^. 
i83 



11 DE DEZEMBRO ( Terçà f€irú\ 

Vig^ario do Gerez, M.9ureIIa^ e Cabreira. — > "i^i 

povoações próximas ás serras do Gerez, MourI 
ia, e Cabreira, ha o antíquissimo costume de ccn 
duzir,deMaio a Outubro, grossas manadas de vas- 
cas ás pastagens abundantes que alli se encoi* 
trão, e d'onde regressão bem nutridas e possao 
les. Noannoseguinle,demorando-se-lhesaparl> 
da, ver-as-heis decidirem-se sem mais ceremoni, 
a partirem sem pegureiro,, de duas e Ires légua 
de distancia, e por íngremes caminhos» para o 
saudosos passigos, siluados em recônditos vai 

les. São curioso 
os regulamento 
no pastorear dos 
çados daguell: 
boa gente. No 1.' 
de Maio elegei 
i os chefes de fa- 
í milia um magis 
I trado a que cha 
. mão:Yigario,quf 
á sua custa brin- 
âa 03 eleitores com a indispensável pinga ; faz-se 
na sua presença o arrolamento exacto dos gad€.< 
(exceptuando as vitellas e as mais que crião), ju 
rão os donos, sobre a cruz d'ura rosario,ser exa 
cta a conta que dão, e ^iernativamente se obri 
gãp a conduzir e pastorear SOOou 400 vaccas, sal 
vo se por acaso se despenharem por alguma ri 
baiicdira, ou forem atacadas da perneira» doença 

8il 







que dá no gado vaccum o llie apodrece a carne. O 
Vigário dá audiência no primeiro domingo de ca- 
da raez, piin& com mullas asfaltas dos pastores, 
c regula quanto a (ai objecto se refere, sendo mui 
raro que se recorra ao juizo contencioso, mais 
apparatoso sim, porém menos prompto. 

E' também admirável o modo por que aquellas 
manadas nos dias de calor sobem a tomar o fres- 
co da sesta nos píncaros do Gerez, seguindo-se 
uma a uma pelos mais estreitos carreiros. 

Os bois de ordinário pastão livres, e se diz: an- 
durem á suissa os que seguem como futuros pais. 
José Adão dos Santos Moura, 
Abbade de S. Vicente da Châ. 

n DE DEZEMBRO (Quarta feira], 

Barcarolia. — Dá-sc cslc nomc 3 ccrlas cantigas 
:los gondoleiros de Veneza, que muitas vezes Inés 
improvisão a letra e algumas a 
musica. O nome úeBarcarolla de- 
ve ser derivado de : — Barca, A 
poesia nem sempre é admirável, é porem «empre 
melodiosa. 

Nel porto di Livurno 
E^ giunto un bastimentOi 
Cara! morir mi senlo! 
" Mi sento, òDio, mancar! 

A mesma prosa italiana é verso. F uma língua* 
diz M."*« de Siael, qu9 tem mais espirito do que o^^ 
que a falUío, 

m » 



13 DE DEZEMBBO (Otttnía /eira). 

o grillínho da lareira. * 



Como a Tiou te esiá medonha' 
Como éforiea ventaneira! .. 
Como canta, eonta^ecanta, 
O grillinbo da lareira !... 

Que escuro W vai por fora!. . 
Que trovoada rasíeira ! 
S6 não mostrn que senssusla 
Ó griiliuho da lareira. 

Rezemos à Santa Virgem, 
Renovemos a foí?ueira : 
Não temamos, que não leme 
O grillinbo da lareira. 

Ai Jesns !qnem bate á porta?! 
Santo Lenho de Moreira !. . 
Todos tremem; ié se cala 
O grillinbo da lareira. 

Se fosse coisa ruim. 
Não ft^ra a porta barreira ; 
Viera lé onde está •? 

O gríllinho da lareira. ^ 



«Souviandanreperdida.» 
Diz uma voe feíliceíra. 

Ahramos^qnejà se escnUí 
O grillinbo da lareira. 

« Seja aqui a paz de Deus ! » 
« Venbacom Deus,Tiageíra> 
Assentou-se,epoz-se a ou vir 
O grillinho da lareira. 

Oh ! que bom é o \ivep 
Em socego, sem canceira!., 
p] ouvir cantar sem cuidados 
O grilliubo da lareira. 

Rn fui rica, requestada^ 
E nas festas a primeira ; 
Zombaria então se ouvisse 
O grillinho da lareírti. 

B vivi vida folgada 
Té ouvir vo« traiçoeira ! . . 
Ai de mim 1 antes ouvira 
O grillinho da lareira. 



* • Os termos em itálico d'esta mimosa poesia slolo- 
eaes, e geralmente empregados na Maia e suas imme- 
diaç5es. 

m 



Mas deixei a míoba terra. 
Fui trabida, e forasteira, 
Sem abrigo, e sem ouvir 
O grillinbo da lareira. 



d Pois terá aqai abrigo!.. 

Quemgemeéiiunraettraogiírap 

Comnosco íique*se ouvindo 
O griliiniio da lareira. 



É tarde, toca a dormir: 
Continua a inverneira ! 
Sòsinhò cantar deixemos 
O griiiinlio da lareira. 

Maria Peregrina de Sousa. 

14 DE DEZEMBRO (Sexta feira). 

Bonzos. — E' O nome genérico dado pelos porlu- 
guezes aos padres do Japão, desconhecido porém 
aosorientaes. Emprega-sehoje, para designar n5o 
só os padres d'aquelle império, mas lambem osda- 
China e da Cocninchina. Convém todos em três 
cousas, a saber: no fingimento do celibato, na abs- 
tinência de carões e pescados, e em trazer a ca-: 
beça e a barba rapada, em signal de despsezo do 
mundo. Ha mais de 900 annos que um Hei do Ja- 
pão escolheu a cidade de Meaco, para n'elJa edi- 
licar 3,800 templos, sob a direcçcão de bonzos; fi- 
caram porém, com o andar dos tempos, reduzidos 
a 800. No anno de 1551 assolaram os bonzos parte 
do reino, eacommellidos em seus templos pelo 
Kei do Japão, derrubou este a maior parte d'elles, e 
tirou a vida a quantos bonzoslbecabiramnasmãios. 
Não poucos se encontrão hoje mendigando pela 
China e abusando por toda a parte da credulidade 
dopovo. 



IS DE DEZEMBRO (Sabbad^. 
Ao Jinr. A. V. do CasCillio. 

NO ENCERRAMENTO DO CURSO NORMAL ©1 
LEITURA REPENTINA. 

MEMORIA. 



Salve! senio sublime, que soubeste 

Com próvida intenção, 
Trocar em louro a c'rôa de cypreste 

A' vate em afiQicção!... 

E do Universo á voz, a que fugia. 

Disseste: «Ella aqui está l....» 

Pude arrancara ás sombras da agoniai... 
Acolbe-a; étuajàl... 

E* nossa. « E desprendeste os sons á lyra 

Que só vibravãodorl 
Já da Pátria aos lauréis ufana aspira ; 

Já tem vida e fulgor 1 

Já tenta o génio, as azas despregando. 

Os astros demandar ; 
E espinhosas veredas aíTrontando, 

Gomtigo caminbar! 

Só co'a rasSo, que lhe reflecte n'RÍma« 

Quer teu brilho seguir ; 
Plantar também a grandiosa palma 

Que ha-de erguer-se ao porvir ! 



Mas ail... D*esses desertos, que de abrolhos 

Havemos de soffrerl... 
No mar que atravessarmos, que de escollio» 

Teremos a vencer!... 

Porém firmes a voz nunca escutemos 

Da lisonja servil ; 
Sempre a verdade ; e invpávidos marchemos 

Com alma varonil l 

Nossos nomes jamais separe a inveja; 

Nossas almas jamais 
£m discórdia fatal o mundo veja? 

Sempre, sempre leaesl 

De amigos ajudado, sente ao menos 

Suave o peso á cruz ! 
Proseguel... dà-nos dias mais amenos 

De esperança e de luz! 

Prosegue I... que o teu norte seja a gloria, 

Seja o bem do paiz ! 
Prosegue, que o Senhor dà-te a vicloria, 

£a nação te bemdizl 

A ti, génio sublime, sempre os passos 

De perto seguirei : 
Da amizade íiél antigos laços 

Sempre respeitarei. 

E quando, já vencida a longa estrada. 

Repousares em paz ; 
A' sombra de teus louros recostada, 

Comtigo me verás. 

D. Ántonta Gertrudes Pusich, 
9S9 



16 DE DEZEMBRO {Domtngó)- 

saii«parrílha. -^ £' uma planta da America Me- 
ridional, cujas raizes, compridas e fibrosas, são 
de grande uso na medicina. No commercio reu- 
nem-nas em feixes volumosos. Ha-as devnrias 
espécies^ a de Honduras, n de Caracas, e a da Ja- 
maica : e a esta que de ordinário se dá a prefe- 
rencia. Todas eiJas contém grande porção de gom- 
ma e certa ntaleria a que se allribuem as virludes 
sudoríficas da salsaparrilha. Toraa-se emcosimen- 
to, e emprega-se em todas as moléstias que re- 
querem o uso dos sudoríficos, laes como os rhcu- 
matismos chronicos, certas aHecções cutâneas, 
etc. etc. 

17 DE DEZEMBRO (Segunda feira). 

Eu,eiia,e v6s. — Pcdindo um hcspanliol, por no- 
me António Pimentel, acerto poeta de cujo nome 
me nâo recordo,uns versos para Lucinda,$ua aman- 
he, nosquaes só entrasse elle, ella, e o poeta, se 
quizesse, fez-lhe este a seguinte chistosa poesia : 

Don António Pimentel 

(Aqui entra el) 
Unos \ersos me pidió 

(Aqui entro yó) 

Para Lucinda la bella 

(Aqui entra ella); 

Y esta la poesia es 

£n que entramos todos três. 

300 



18 DE DEZEMBRO iTerça feira). 

saiamanarf». — E* um reptil muito parecido com 
d lagnrlixa. Durante largo tempo julgou o vulgo 
que vivia deiilro do fogo, e não fatlão ainda almas 
crédulas que disso se persuadem. O que todavia 
é cerlo, e não menos singular, é que se se lhe cor- 
ta uma parle qualquer, dentro em pouco lhe tor- 
na a crescer, como ao caracol a própria cabeça 
(A . 54 p. 278). Os olhos mesmo lhe tornâo a appâ- 
recer outra vez depois de arrancados. Para dar 
cabo d'ella basta deilar-lhe por cima um pouco de 
sal ou de tabaco. 

19 DE DEZEMBRO {Quarta feira). 

Atsassinod. — E' nomc de uma seita de mata- 
dores, acérrimos defensores da lei de Mafoma, com 
tão cega e cruel obediência aoseuPrincipe, aquém 
chamavão: o Velho da Montanha, que mandados 
por'ellc se expunhâo a todos os perigos e a todo 
o gonerq de suppiicios, principalmente para tirar 
a vidíi a Príncipes chrislãos e varões illuslrcs cu- 
'o poder ícmião e de cuja iamizade desconfiavão. 
Tornou-se famosa no tempo das cruzadas e foi go- 
vernada 172 annos por uma dynastia de 8 Sobera- 
nos. A Capital do seu pequeno principado era May- 
sout, Cidade situada nas montanhas do Ante- Liba- 
no. Por duas vezes esteve o illuslre Saladino pa- 
ra ser assassinado por elles. Ameaçado um de seus 
ctiefes pelo Sultão, ordenou a um de seus solda- 
dos se precipitasse do alio diurna torre, e a outro 

m 



í 



seapT]nhalasse,oqueimmediatameQtepraUcaram, 
dizendo por essa occasião o chefe dos assassinos 
ao enviado do Monarcha: c( Dizei a vosso amo que 
tenho 70,000 homens assim. » Não admira que um 
homem armado de tal poder se tornasse teraivel 
ao mundo inleiro. Chegara a estabelecer como 
dogma religioso a crença n'uma vida futura cheia 
de delicias, e como dogma politico a raàis abso- 
luta dedicação; de sorte que não linha mais do que 
designar uma victima para que logo se lhe arran- 
casse a vida. Foram mortos por elles, o Impera- 




dor Conrado, o conde Raymundo Tripolilanp, e 
Duarte, filho do Rei de Inglaterra. Dizem que 
erão senhores de 10 ou 12 Cidades nos contornos 
de Tyro ouPhenicia. Assevera Hosmanno que pos- 
suião mais de 40,000 castellos, bem munidos, e 
Gue seu instituidor fora um tal Álaodim, no anno 
600. Deu-se depois o mesmo nome aos que matâo 
ik traição, ou de propósito e caso pensado, os quo 
matão por dinheiro ou peita, e geralmente falian- 
dQ. 04 quccommettem homicidio voluntário. 

391 



50 DE DEZEMBRO (Quinta feira). 



Dialogo entre o Pai asatheuso e a BSii Casiariaa. 



Mãi Cassarina. 
De que rize, PaiMalheuso? 
De que dás o gargaiada ? 
E* de me ver rinígada? 
liasu ! vaia-te Deuso !... 



3Iãi Cassarina. 
I Jasu I que trapaiada .'. 
O Lisboa está tonta I... 



Pai Matheuso, 
Cara, cara, quefaze conta 
Todo essa embruiada. 
Os parede quer caiada 
i gana os pleto dinero ; 
Já nan leva os estrangero 
As somas de Portugare ; 
Leva vinho, leva sare. 
Lá p'ra o Rio de Jatoero. 



Pai Malheuso, 
rassarina, ha mais d''um mezo ( 
Que adivinho esto função : 
O Lisboa iu confusão 
De aléglia eslá giitando : 
c Não quero estar pelos mando I 
Do ftloro Dou Zolo. 

Mãi Cassarina. 
Y que c feto do Regença? 
Fai Malheusd, 
Jsso já escangaiou-se: 
Toda a tropa alevantou-se 
C«ntra Sua Excellença. 

Mãi Cassarina. 
Ora I sempre és bem creença { 
E se viere os Maréchare ? 
Pai Malheuso. 
Já não bade governare, 
'Que es um Duque intoruso ; 
Vai com Maria do Luzo 
Pés de borro apanbare. /. C. C, Talente, 
* Foi composto logo depois da revduç&o de 1820;^ 

m 




41 DE DEZEMBRO [Sexta feira], 

Diamantsf. — Parece, que até pouco tempo an- 
tes da morte de Maria Thereza dAuslria, se usa- 
vão pedras de côr e pérolas nos adornos, e que só 
de então para cá é que os brilhantes começaram a 
estar em voga na França, e a generalisar-se pela 
Europa, obtendo a preferencia sobre todas as ou- 
tras pedras preciosas. O diamante é de Iodas as 
f medras a mais dura, a mais pesada, e a mais brí- 
hanle. Deve ser inleiramenle claro, ainda que 
alguns ha de côr. Ilesisleálima, e não pode ser po- 
lido senão com a sua mesma limadura. Tem pro- 
priedades fosfórica e eieclrica. São mais ou meuos 
estimados segundo a côr e o grau de sua transpa- 
rência. Se tem alguma imperfeição na forma ou na 
côr da agua, ou algum ponto escuro no interior. 

Í)erde muito do seu valor. A regra para a suaava- 
iação é o quadrado do seu peso. Reconheceu-se 
ultimamente aue o diamante arde, lançando uma 
chamma ondulante, que se consomme* e mesmo 
se evapora no crizol, com um grau de calor menor 
que o necessário para fundir a prata fina. As mi- 
nas mais notáveis são: Gani ou Colur, a 40 léguas de 
Gasconda. Rasconda, a 60 deYisapur,Laíawalaj e 
Sumelhur. lia também abundantes minas de dia- 
mantes na liba de Bormeu, no Brasil, e em Malaca. 
Claudino Augusto Cezar Garcia. 

n DE DEZEMBRO (Sabbado), 

raoa««.-^E^ uma contribuição que a industria 
do pobre impõe sobre a vaidade do rico. 

394 



n DE DEZEMBRO [Domingo). 

A paz da noute. 

Noule I oh I noule I que esplendida refulges. 
Com teu escuro manto recamado 1... 
Gomo essas luas galas magestosas. 
Esse aspirar das auras vaporosas. 
Como esse arfar do Tejo prateado 
Vem acordar-me a lyra l 

A lyra que se espande em harmonias 
Sob e&le céu, rival do céu da Itália !... 
O bardo, sobraçando-a, olhou ao Norlel... 
Contrístão-no esses cânticos de morte» 
Que dela lhe retumbHo téá Gatlial... 
Emmudecc e suspirai 

Suspira sobre a triste humanidade, 
Que as árduas iilusòes de márcios louros 
Em fervidas phalangcs arrebanhão 
Nas placas que o Mar Negro eo Caspio baah&o, 
Votada á crua ceifa dos pelouros. 
Das ambições à mirai... 

E o bardo, refugindo a inúteis prantos. 
Recluso dos penates no sanctuario, 
Evoca perennaes os dons profusos 
Da paz risonha que bafeja os lusos 1 
Quer que as victorias só do ferro agrário 
Lhe engrinaldem a lyra ! 

Álixandre MaoíM de Castilho. 

m 




t4 DE DEZEMBRO {Segunda feira^. 

Como URI poétn pa^a •■ sua* dívídnd. -~ DOVÍA O 

poeta Fernão da Silveira cinco tostões a um ho- 
mem, e ainda que o virassem de cabeça para bai- 
xo e o sacudissem setecentas ve;&es, nâo sabiria 
d'elle com que lb'os pagar, Apresentaniío-se-lhe 
um dia em casa o credor a pedir o seu dtnbeiro, 
recebe-o o poeta com toda a cortezia, e tomando 
uma viola Ine canta n'ella uma trova, depois se- 
gunda, sem inlervallo, depois ter- 
ceira, depois quarta, depois guinta, 
depois sexta, e arrumando o instra- 
mento lhe diz com o tom mais cor^ 
tez e amoravcl : « cada uma das trovas que ouvis- 
tes, não a cantaria eUi fosse aquém fosse, pormc- 
nos de tostão ; fica por tanto saldada a nossa con- 
tinha com as cinco primeiras, e a outra que resta 
tenho eu muita satisfação-em v^oFa oíTerecer de 
graça. )> Defenda-me Deus, respoiido o bom ho- 
mem, levanlando-se para sahir, emettendo amão 
á bolsa : «Defenda-me Deus de tomar o albeiol aqui 
tendes o tostão que vos devo, e mais esle meio,pe- 
la lição que me destes, para nunca mais empres- 
tar a quem põem as dividas á viola. 

45 DE DEZEMBRO © (Terça feira). 

pe»t« do watai. — A Igreja não tem maior so- 
lemnidade. E' o ponto a que se prende o princi- 
pio da redempção, sendo do nascimento deChris- 
toque data a era moderna das nações civilisadas.» 

•396 




Ires missas pelo mesmo sa- 
ccrdole, e nocturnas, só as 
tem este dia. O Natal é festa 
de cidades e campos; desde 
as c?.lhedraes até ás choupa- 
ninlias resplandecera presé- 
pios illuminados. A casa mais 
pobre tem o seu banquete da 
meia noule. os seus sobrados 
escasqueados, a sua cozinha 
caiada e laureada, as suas 
broas de mel, as suas fílhós 
aboboradas, os seus folares de ovos pintados ; 
deitão-se fatos novos para as boas festas, e gra- 
ças a ellas muitas reconciliações se realismo. 

Ascreanças com rasâo cbamão sua à festa do 
Natal. 

A ridente usança dos paizes do norte, conhe- 
cida pelo nome de : Arvore do Natal (4. 51,^2ãcíe 
Dezembro) principia a iutroduzir-se em nossas 
terras. Ainda bem! 

Ao cepo da fogueira do Natal, e bem assim aos 
cotos das velas que alumiaram a festa, attribuem 
os nossos camponezes ffrandes virtudes (i4. 51» 2S 
d$ Dezembro, A, 52|?. 377). 

26 DE DEZEMBRO {Quarta feira), 

Charoda. 

Muitas serpentes 2 
£ alegrias 8 

Tenhao Vossas Senhorias- **» 

m 



-- t7 DE DEZEMBRO [Quinta feira). 

o amor de Ratpail. — a HaveiS pOdidO jámais 

encontrar uma vez sobre o caminho que vos con- 
duz ao termo da vida, um ser semelhante áquelle 
que uma vez haveis adorado? Haveis podido en- 
contrar duas vezes em vosso coraçâoiissa arden- 
te inspiração, essa suavidade de esperança, esse 
frenesi de desejos, esses espasmos de deliciosa 
volupluosldade, que elevaram a vossos olhos o 
ser amado á altura do céu, a felicidade de se sen- 
tir amado á allura d'uma vícloria e da conquista 
d'um império? Haveis podido assim amar duns 
vezes? Haveis podido? l)izei-m'o, a fim de que eu 
vos admire.» 

28 DE DEZEMBRO {Sexta feira) . 

Bívoroio entre o mérito e a fortuna. — D. JoOO 

de Palafox, perguntado pelo Marquez de Torres, 
Mordomo mor, sobre o que lhe parecia a corte, 
respondeu : 

Marquês mio, no te asombre 
Ria y llore quando veo 
Tantos hombres sin empleo, 
Tantos empleos sin bombre. 

n DE DEZEMBRO [Sabbado), 

vmotfQ. — Inferno terrestre: consola os bons 
"osperidade dos maus. 



30 DE DEZEMBRO {Domingo). 

vttilc das Farnas. — Das Fuhias SC cbama na Ilha 
de S. Miguel um vaslo, fresco, amenissimo, e de- 
licioso valle, conhecido e procurado por gente de 
longe, em rasão da abundância, variedade, e gran- 
des virtudes, de suas aguas Iberniaes. E* a Cintra 
d'aquella Ilha nos verões. Os que nâo necessilão. 
das aguas férreas e das sulphureas, que por alii 
borbulhão e rebentão em abundância, nem por is- 
so deixào de ir, podendo, tomar lá alguns aias de 
recreação. Por baixo d'este valle ardem ainda fo- 
gos volcanicos, d'esles que tantas vezes lêem aba- 
lado violentamente aquellc e os outros terrenos 
do archipelago açoriano, sendo a existência d'es- 
tes fogos revelada, não só pela alta temperatura 
das nascentes que em muitos sítios fervem em ca- 
clião, mas também por espessas fumaradas, pelos 
estrondos subterrâneos, e pela incrível força que 
de baixo se influe á vegetação. 

Sobre o valle das Furnas publicou uma curiosa 
e erudita memoria o Snr. Gommendador Bernar- 
dino José de Senna Freitas. 

31 DE DEZEMBRO [Segunda feira). 

EspoM. — Mulher que jura obediência ao mari- 
do, e que as mais das vezes se faz obedecer por 
elle. 

FIM. 

399 



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