Skip to main content

Full text of "Standard Oil"

See other formats


This is a digital copy of a book that was preserved for generations on library shelves before it was carefully scanned by Google as part of a project 
to make the world's books discoverable online. 

It has survived long enough for the copyright to expire and the book to enter the public domain. A public domain book is one that was never subject 
to copyright or whose legal copyright term has expired. Whether a book is in the public domain may vary country to country. Public domain books 
are our gateways to the past, representing a wealth of history, culture and knowledge that's often difficult to discover. 

Marks, notations and other marginalia present in the original volume will appear in this file - a reminder of this book's long journey from the 
publisher to a library and finally to you. 

Usage guidelines 

Google is proud to partner with libraries to digitize public domain materials and make them widely accessible. Public domain books belong to the 
public and we are merely their custodians. Nevertheless, this work is expensive, so in order to keep providing this resource, we have taken steps to 
prevent abuse by commercial parties, including placing technical restrictions on automated querying. 

We also ask that you: 

+ Make non-commercial use of the files We designed Google Book Search for use by individuals, and we request that you use these files for 
personal, non-commercial purposes. 

+ Refrain from automated querying Do not send automated queries of any sort to Google's system: If you are conducting research on machine 
translation, optical character recognition or other areas where access to a large amount of text is helpful, please contact us. We encourage the 
use of public domain materials for these purposes and may be able to help. 

+ Maintain attribution The Google "watermark" you see on each file is essential for informing people about this project and helping them find 
additional materials through Google Book Search. Please do not remove it. 

+ Keep it legal Whatever your use, remember that you are responsible for ensuring that what you are doing is legal. Do not assume that just 
because we believe a book is in the public domain for users in the United States, that the work is also in the public domain for users in other 
countries. Whether a book is still in copyright varies from country to country, and we can't offer guidance on whether any specific use of 
any specific book is allowed. Please do not assume that a book's appearance in Google Book Search means it can be used in any manner 
anywhere in the world. Copyright infringement liability can be quite severe. 

About Google Book Search 

Google's mission is to organize the world's information and to make it universally accessible and useful. Google Book Search helps readers 
discover the world's books while helping authors and publishers reach new audiences. You can search through the full text of this book on the web 



at jhttp : //books . qooqle . com/ 



*-"■■»•»-£ * ^ i^-t3.. £-k> v*i*k. an. -«? v?ij..!»;' \j»r • ' , '-il: , 




Google ) 



Digitized by VjQOQ 



1 



(73 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



v^\.\ 



' . 



1171 






Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 




ACADEMIA POLYTECHNICA DO PORTO 
( Vbta do lad o do Sul ) 



Digitized by VjOOQ LC 



/W^v 



ANNUARIO 




AGADEMIA POLYTECHNIGA 




ANJIO LECTIVO DE 1877—1878 



PORTO 

TYPOGRAPHIA CENTRAL 
294, Rua das Flores, 296. 

1878. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



EPOCAS PRINCIPAES 



ACADEMIA POLYTECHNJCA 00 PORTO 



Da crea?2o da aula de nautica na cidade do Porto, pri- 

meira origem da Academia Polytechnica do Porto . 116 

Da fdndacao da Academia Real de Marinha e Commer- 

cio da cidade do Porto 75 

Da reforma d'eeta academia em Academia Polytechnica 
do Porto pelo Decreto de Manoel da Silva Passos, de 
13 de Janeiro de 1837 ... 41 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



KALENDARIO 



PARA O ANNO DE 18-ye 



J-6lITBIR.O 



1. Terc,. moire Jose Anastacio da Cunha, em 1767, com 45 an- 

nos. — m. Bernoulli (Joao 1.°), em 1768, com 80 an- 
nos . — Abolicgo da escrayatnra nos Estados-Unidos, 
em 1862. 

2. Quart, m. Victor Cousin, em 1867, com 75 annos. — Crea- 

c£o da Academia Real de fortificacao, artilheria e de- 
* senho, actualmente Esc61a do exercito, em 1790. 

3. Quint. Schleiermacher *, 1768—1834. 

4. Sezt m. a Viscondessa de Balsemao (D. Catharina), em 

1824, com 74 annos. 

5. Sab. m. o pintor David, em 1856. 

6. Dom. Archimedes *, 212 annos antes de Jesus Christo. 

Aeabam as ftoriaa do Natal. 



Significa o signal * que se ignora ou nfto se pode averiguar 
com certeza a data do nascimento e a da morte. 



Digitized by 



Google 



6 ANNUARIO DA ACADEM1A 

7. Seg. m. El-Rei D. Diniz, em 1325, com 63 annos. — m. 

Fenelon, em 1715, com 63 annos. 

8. Ter$. m. Galileu, em 1642, com 77 annos. — m. Montgol- 

fier, em 1745. 

9. Quart, m. Agnesi (Maria Gaetana), em 1799, com 79 annos. 

— m. Fontenelle, era 1757, com 99 annos. 

10< Quint m. o P. Antonio Ferreira, em 1676,, com 56 annos. 

— m. Linneu, em 1778. — m. Breguet, em 1747. 

1 1. Sext. Thales, fundador da esc61a jonica, m. 548 annos an- 

tes de Jesus Christo. 

12. Sab. m. Boscovich, em 1787, com 75 annos. — m. o Du- 

que d'Alba, em 1582. 

13. Dom. Galileu descobre os quatro satellites de Jupiter, em 

1610. 

Reforma da antiga Academia de ma- 
rlnna e commcrcio em Academia 
Polytecnnica do Porto, por Manoel 
da Silva Pa»ao», em 1S39. 

14. Seg. m. Bossut (Charles), em 1814, com 83 annos. — m. 

M.»« de SevignS, em 1696. 

15. Ter$. m. Landen, em 1790. 

16. Quart m. Fox, em 1690. 

17. Quint, m. H. Vernet, em 1863. 

18. Sext. m. Manoel Passos, em 1862, com 61 annos. 

19< Sab. m. Vaucanson, em 1782. — m. P. J. Proudhon, em 1865, 

com 56 annos. 

91 ). Dom. Pythagoras *, 500 annos antes de Jesus Christo. 

SI. Seg. m. Bernardin de Saint-Pierre, em 1814. 

22. Terc. n. Hevelio em 1611. 

23. Quart. -Apollonio *, v. 247 annos antes de Jesus Christo. 

24. Quint, m. Pitt, em 1806. 

25. Sext. m. Halley, em 1742, com 85 annos. 

26. Sab. m. D. Fr. Manoel do Cenaculo Villas-Boas, em 1814, 

com 89 annos. — m. Briggs (Henrique), em 1630. — 
n. o Visconde de Castilho, em 1800. 

27. Dom. m. Lemaitre, em 1876. 

28. Seg. m. Hevel (JoSo), em 1687, com 76 annos. 
2ft. Terc. m. Auber, em 1872. 

30. Quart, m. Ducis, em 1816. 

31. Quint, m. Racine, em 1763. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



FE-VEHJBIH.O 



1. Sext. m. Rabelais, em 1553. 

2. Sab. m. L'Hopital (Guillaume Francis de), em 1704. — 

m. Camus, em 1768, com 68 annos. 

3. Dom. Independencia do Uruguay, em 1852. — m. Biot, em 

1862, com 88 annos. 

4. Seg. m. Cond amine, em 1774, com 73 annoe. 

5. Ten}, m. Luiz Galvani, em 1799, com 61 annos. 

6. Quart, m. Amyot, em 1593. 

7. Quint, m. Pehsson, em 1693. 

8. Sext. m. Spall anzani (Lazaro), em 1799. 

9. Sab. m. Micbelet, em 1874. 

10. Dom. m. Montesquieu, em 1755, com 66 annos. — m. Brews- 

ter, em 1868, com 86 annos. 

11. Seg. m. Labarpe, em 1803. — m. Leon Foucault, em 1868, 

com 49 annos. — m. Descartes, em 1650, com 54 an. 

12. Terc. Hoene Wronski *, 1778—1853. 

13. Quart. Cbega Galileu a Roma, em 1633, e 6 detido nas pri- 

s5es da inquisic^o, sob ordem do Santo Officio, por 
ter proclamado a verdade do systema de Copermco. 

14. Quint, m. Cook, em 1779. 

15. Sext. m. Palafox, em 1847. 

16. Sab. m. Flechier, em 1710. — m. o padre Seccbi em 1878, 

com 60 annos. 

17. Dom. Giordano Bruno 6 queimado vivo em Roma no anno 

de 1598, sob accusac&o do Santo Officio. 

18. Seg. m. Balzac, em 1654. — m. Jacobi, em 1851, com 47 

annos. 

19. Terc. m. Bourdaloue, em 1704. 

20. Quart, m. Borda (Jean Charles), em 1799, com 65 annos. — 

Confirmacao pelo Imperador Federie III da Univer- 
sidade de Tubingen, em 1484. 

21. Quint. Hippocretes de Chio *, v. 450 annos antes de Jesus 

Cbnsto. • 

22. Sext. m. Ruyscb em 1731. 

23. Sab. m. Spinoza em 1677, com 45 annos. 

24. Dom. m. Guttemberg em 1468. — m. Cavendish (Henry) 



Digitized by 



Google 



O ANNUARIO DA ACADEMIA 

em 1810, com 78 annos. — m. Kant, em 1804, com 80 
annos. 

25. Seg. m. Fulton, em 1815 — Abolicffo da escravatura no 

territorio portuguez, em 1869. 

26. Terc. Napolefto s&e da ilha d'Elba em 1815. 

27. Quart, m. Lamennais, em 1854. 

28. Quint, m. S'Grayesende, em 1742, com 53 annos. 



!&£.&.£%. CO 

i 



1. Sezt. m. Olivier de Serres, em 1619. 

2. Sab. m. Guilherme Tell em 1854. 
8. Dom. m. Algarotti em 1764. 

4. Seg. m. Barrow em 1677. 

Carnaval — Ferlad*. 

5. Terc. m. Volta (Alexandre), em 1827, com 82 annos. — A. 

Congregac&o do index condemna em 1616 a immor- 
tal obra de Copernico — de RevoluHonibus orbium 
coeUsHum. 
Carnawal — Feriado* 

6. Quarta-feira de cinza. m. Dufoor, em 1866. 

Ferlado. 

7. Quint, m. Laplace, em 1827, com 77 annos. 

8. Sext. Meton *, 452 annos antes de Jesus Christo. 

9. Sab. m. Mazarin, em 1661. 

10. Dom. m. Lannoy, em 1678. 

11. Seg. m. Ritcher, em 1825. 

12. Ter$. m. Mazzini, em 1872. — Inauguracfto da UniVersi- 

dade de Vienna, em 1875. 
18. Quart, m. Boileau em 1711. — Proclamac&o do imperio fran- 
cez em 1804. 

14. Quint m. Montalembert, em 1870. 

15. Sext m. SA de Miranda, em 1558, com 62 annos. 

16. Sab. Esopo #, 560 annos antes de Jesus Christo. 

17. Dom. m. Daniel Bemouilli, em 1782, com 82 annos. 

18. Seg. Euclides #, o celebre autor dos Elementos de Geo- 

metria, t. 285 annos antes de Jesus Christo. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO POKTO 9 

19. Terc. m. Turgot, cm 1781. 

20. Quart, m. Newton, em 1727, com 84 annos. 

21. Quint m. Lacaille, cm 1762, com 49 annos. 

22. Sext m. Goethe em 1882. 
28. Sab. n. Laplace. 

24. Dom. m. Vayringe, em 1746. 

25. Seg. Huygens descobre Titan, satellite de Saturno, em 

1655. 

26. Ter$. Lescarbault julga rer o planet* Vulcano, em 1859. 

27. Quart, m. £. Quinet, em 1875. 

28. Quint m. Beethoven, em 1827. 

29. Sext Plat&o *, 318 annos antes de Jesus Christo. 

30. Sab. Vesperas Sicilianas, em 1228. 

31. Dom. n. Descartes, em 1596. 



RIL 



1. Seg. Sao cxpulsos de Hespanha os Jesuit as, em 1767. 

2. Terc. m. Mirabeau, em 1791. — m. Le Monnier, em 1799. 

3. Quart m. Murillo, em 1682. — m. a Rainha Isabel d'lngla- 

terra, em 1603. 

4. Quint, m. Lalande, em 1807, com 74 annos. — m. Affonso X, 

em 1284. 

5. Sext. m. Laugier (Paul Auguste Ernest), em 1872, com 

59 annos. 

6. Sab. m. Paschoal Jose de Mello, em 1798, com 60 annos. 

— m. Jose Bonifacio de Andrade e Sjlva, em 1838, 
com 74 annos. — m. Abel, Bm 1829, com 27 annos. 

7. Dom. m. Raphael, em 1520. — £ extincta a inquisic&o em 

Portugal, em 1821. 
8.. Seg. Suicida-se Condorcet com veneno, no carcere de 

Bourg-la-Reine, em 1794, na idade de 50 annos. 
9. Terc. m. Necker, em 1804. — m. Donizetti, em 1848. 

10. Quart, m. Lagrange, em 1818, com 67 annos. 

11. Quint m. Carret (Louis), em 1711, com 50 annos. 



Digitized by 



Google 



10 ANNUARIO DA ACADEMIA 

12. Sext. m. Lafontaine, em 1695. 

13. Sab. m. Bossuet, em 1704. 

14. Dom. m. Lincoln, em 1865. — Abertura solemne da Uni- 

versidade de Graz, em 1586. 

Comecam a* foriaa da Paschoa. 

15. Seg. m. Tasso, em 1592. — Catastrophe do Zenith, em 

1875. 

16. Terc^ m. Buffon, em 1788 — com 80 annos. 

17. Quart, m. Franklin, em 1790. 

18. Quint, m. Theodoro d 'Almeida, em 1804, com 82 annos. — 

m. Liebig, em 1873. 

19. Sext. m. Byron, em 1824. 

20. Sab. Aristoteles *, 384—322 annos antes de Jesus Cbristo. 
SI, Domingo de Paschoa. m. Lahire, em 1718, com 78 annos. 
22. Seg. m. Racine, em 1699. 

2-). Terc. m. Cervantes, em 1616. — m. Shakespeare, cm 1616. 

24. Quart, Descobrimento do Brazil por Pedr6 Alvares Cabral, 

em 1500. 

25, Quint, m. Poisson, em 1840, com 58 annos. 
2i>. Soxt. m. Diana de Poitiers, em 1556. 

27. Sub. n. Grant, em 1822. 

28. Dom. Apresentaeao a Sociedade real de Londres do ma- 

nuscripto da immortal obra de Newton : Philosophise 

noituralis principice mathematica. 

Tor mi nam an for Ian da Paacboa. 

29. Scg. Outorga da Carta Constitutional, em 1826. 

Fori ado. . 

30. Ter9. m. o padre Barthelemy, em 1795. . 



MAIO 



1- Quart, m. Delille, em 1813. 

2. Quint, m. Meyerbeer, em 1864. 

3. Sext. m. JoSo das Regras, em 1404. 

4. Sab. m. Livingston, em 1873. 

f>. Dom. m. Fr. Luiz de Sousa. em 1632, com 77 annos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 11 

6. Seg. m. Alexandre de Humboldt, o creador da physica 

geral do Globo, em 1859, com 90 nnnos. 

7. Ter$. m. Fr. Francisco de S. Luiz, em 1845, com 91 annos. 

8. Quart, m. o Marquez de Pombal, em 1782, com 83 annos. — 

m. Lavoisier, em 1794. 

9. Quint, m. Gay-Lussac, em 1850, com 71 annos. 

10. JSext m. Young, em 1829, com 55 annos. — m. Fresnel, 

em 1788. 

11. Sab. m. Rodrigo da Fonseca Magalhaes, em 1858, com 70 

annos. — m. Gerbert, em 1003. 

12. Dom. m. Auber, em 1871. 

13. Seg. m. Cuvier, em 1832, com 63 annos. — m. Jacintho 

Freire de Andrade, em 1657, com 60 annos. 

14. Ter$. m. Henrique IV, de Franca, em 1610. 

15. Quart Keppler descobre a lei que estabelecea solidarieda- 

de dos movimentos planetarios. 

16. Quint m. Fourier, em 1830, com 62 annos. — Inaugura* 

cao da Academia Real das Sciencias de Lisboa, em 
1680. 

17. Sext. m. Clairaut, em 1765, com 52 annos. 

18. Sab. m. Sebastiao Francisco de Mendo Trigoso, em 1821, 

com 48 annos. 

19. Dom. Parte de Toulon, em 1798, a esquadra de expedicSo ao 

Egypto, capitaneada por Bonaparte, e levando a bordo 
Monge, Berthollet, Caffareli, Berthier, Eugene Beau- 
harnais, Desgenette, etc., em commissi 1 o scientifica. 

20. Seg. m. Cbristov&o Colombo, em 1506. 

21. Terc. m. Duroc, em 1813. 

22. Quart, in Saigey (Jacques), em 1871. — m. Scbeele em 1786, 

com 44 annos. 

23. Quint, m. Copernico, em 1543, com 70 annos. — m*. o Du- 

que de Louie", em 1875. 

24. Sext. m. Hahnmann, em 1843. 

25. Sab. m. Caideron de la Barca, em 1681. 

26. Dom. m. J. Antonio d'Agumr, em 1874, com 81 annos. 

27. Seg. m. Calvino, em 1564, com 55 annos. 

28. Ter$. Hipparco *, v. 150 annos antes de Jesus Christo. 

29. Quart, m. Miliere, fusilado em 1871. 

30. Quint, m. Voltaire, em 1778. — m. Rubens, em 1640. — m. 

Humphry Davy, em 1829. 

31. Sext. m. Haydn, em 1809. 



Digitized by 



Google 



12 ANNUAR10 DA ACADEMIA 



JXJ3STHO 



1. Sab. m. Jose Jorge Loureiro, em 1860, com 68 annos. 

2. Dom. m. Hany, em 1822. 

3. Seg. m. Verdet (Marcel-Emile), em 1866, com 42 annos. 

4. Terc. m. Weber, em 1826. — Batalha de Magenta, em 1859. 
5* Quart, m. Huygens, em 1695, com 66 annos. 

6. Quint, m. D. Joao de Castro, em 1548, com 48 annos. 

7. Sext. m. Bouvard, em 1823. 

8. Sab. m. Mahomet *, em 632. 

9. Dom. m. Dikens, em 1870- 

10. Beg. m. Luiz de Camoes, em 1580, com 56 annos. — m. 

Ampere, em 1836, com 61 annos.* 
11- Ter9- m. Dumarsais, em 1756. 

12. Qu»rt. n. Nuno Alvares Pereira, em 1360. 

13. Quint, m. Kleber, em 1799. 

14. Sext. Ensaio da machina Savary, em 1699. — m. Pouillet, 

em 1868, com 78 annos. 

15. Sab. m. Scheffer, em 1858. 

16. Dom. A. A. Cournot *, 1801 — 1877. 

17. Seg. m. Crebillon, em 1762. 

18. Terc. m. Gall, em 1828. —Batalha de Waterloo, em 1815. 

19. JQuart m. Brousses, em 1873. 

20. Quint. E proclamada, em 1633, a odiosa sentenca do Santo 

officio contra Galileu, por ter sido julgado suspeito 
de heresia em cre*r na centralisac.&o do sol, nos mo- 
vimentos do systema planetario e no movimento da 
terra. 

21. Sext. Prisao de Luiz XVI, em 1791. 

22. Sab. Abjurac&o de Galileu, em 1633, pronunciada de joe- 

Ihos pelo veneravel sepruagenariodiantedoscardeaes 
da republica universal christS, e imposta por odiosa 
sentenca do Santo Officio, como expiacJLo de ter abra- 
$ado a falsa opiniao de que o sol e o centro dos mo- 
vimentos do systema planetario, que a terra nao 6 o 
centro e se move no espaco, como contraria a sagrada 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 13 

escriptura. Teve lugar este memoravcl attentado no 
convento de Minerva, e era papa Urbano VIII. 

23. J>om. Annibal *, 183 annos, antes de Jesus Christo. 

24. Seg. m. Nicolau Tolentino, em 1811, com 69 annos. 

25. Terc. m. Armando Carrel, em 1836. — m. Barye, em 1875. 

26. Quart, m. La Tour d'Auvergne, em 1800. 

27. Quint, m. Chateaubriand, em 1848. 

28. Sezt. n. J. J. Rousseau, em 1712. 

29. Sab. m. Jussieu, em 1853. 
90. Dom. m. Gros, em 1835. 



JULHO 



1. Seg.« Chega as costas egypcias, em 1798, a esquadra da 

expedic&o do Egvpto, capitaneada por Bonaparte. 

2. Ter$. m. Silvestre Pinheiro Ferreira, em 1846, com 76 an- 

nos. 

3. Quart, m. Jose Homem Corrda Telles, em 1849, com 69 

annos. 

m. Bernouilli (Jacques 2.°) em 1789, com 29 annos. 

4. Quint, m. Borges Carneiro, em 1833, com 58 annos. 

5. Sext m. o P. Francisco Jose Freire, em 1773, com 54 an. 

6. Sab. m. Regiomontano (Joao), em 1776, com 40 annos. 

7. Dom. n. Jacquard, em 1572. 

8. Seg. Desembarque do exercito liberal no Mindello, em 

1832. — m. Adam Smith, em 1790, com 67 annos. 

9. Terc. m. Duarte Madeira Arraes, em 1652. 

10. Quart m. Henrique II, de Franca, em 1559. 

11. Quint. Anacreonte *, 467 annos antes de Jesus Christo. 

12. Sext, m. Picard, em 1682. 

13. Sab. m. Bernouilli (Joao 3.°), em 1807, com 62 annos. — 

m. Bradley, em 1762. — £ votada a infallibilidade 
do Papa, em concilio reunido em Roma, em 1870. 

14. Dom. n. Dumas (Jean Baptiste), em 1800. 

15. geg. " m. Harding, em 1834, com 68 annos. 



Digitized by 



Google 



14 annuario'da academia 

lfi. Ter$. m. D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, em 1590. — 

m. Beranger, em 1857. 
17 + Quart, m. Bernouilli (Joao 2.°), em 1790, com 80 annos. 

18, Quint, m. Monge, em 1818. — m. o P. Antonio Vieira, em 

1697, com 89 annos. — m. Petrarca, em 1374. 

19, Bext. de Gasparis descobre em 1857 o planeta Eunomia. 

20. Sab. m. Bicbat, em 1802. — Abolic&o da ordem dos je- 

suitas por Clemente XIV, em 1773. 

21, Dom. m. Arsakyyem 1874. 

22. Seg. m. Van-Dick, em 1641. 

23. Ter^. n. Malus (Etbienne Louis), em 1775. — m. Desbordes 

Valmore, em 1859. 

24. Quart, m. Geoffroy Saint-Hilaire, em 1844. 

25, Quint, m. Andr6 Chcnier, em 1794. 

215, Sext. m. Bernouilli (Nicolau 2.°), em 1726, com 31 annos. 

27. Sab. m. Turenne, em 1675. — m. Manpertuis, em 1759. 

28. Dom. Ptolomeu *, o celebre autor de Almagesto, v. no anno 

125. 
29 + Beg. m. Oppe'de, em 1558. 
9& Terc. in. Diderot, em 1741. 
3h Quart, n. Cramer (Gabriel), em 1704. — Juramento da carta 

constitucional. 

Feriado. 

Termlna o anno lectlwo. 



AGOSTO 



1 . Quint, m. D. Fr. Amador Arraez, em 1600. 

Comecam as feria* grandes. 

2. Sext n. Carnot (Lazare Nicolas Margarite), em 1823, com 

70 annos. 

3. Sab. ChristovSo Colombo sae do porto de Palos, na Anda- 

lusia, para o descobrimento da America, em 1492. 

4. Dom. m. Brotero, em 1828, com 83 annos. 

5. Seg. m. Delaunnay, em 1872, com 56 annos. — m. Buscb 

(Joao Jorge), em 1800, com 72 annos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA iJO PORTO 15 

6. Terc,. Cicero *, m. no anno 43 antes de Jesus Christo. 

7. Quart, m. Berzelio, em 1848. 

8. Quint, m. Richelieu (marechal de), em 1788. 

9. Sext. m. Diogo Barboza Machado , em 1772, com 90 annos. 

10. Sab. m. Gongalves Dias, em 1823. 

11. Dom. m. Joao Pinto Ribeiro, em 1649. 

12. 8eg. m. Millevoyc, em 1816. 

13. Terc,. David Fabricius descobre, pela primeira vez, uma es- 

trella variavel. 

14. Quart, m. o P. Antonio Pereira de Figueiredo, em 1797, 

com 72 annos. 

15. Quint, m. Bouguer (Pierre), em 1758, com 88 annos. 

16. Sext. m. Bernouilli (Jacques), em 1705, com 50 annos. — 

Fundac.a'o da Univcrsidide de Berlin, em 1809. 

17. Sab. m. o P. Manoel Bernard es, em 1710, com 66 annos. 

Inangura^ao da Univorsidade de Konigsberg, cm 
1544. 

18. Dom. m. La Beotie, em 1563. ' 

19. S$g. m. Fr. Heitor Pinto, em 1584.— m. Pascal, em 1662, 

com 39 annos. 

20. Terc. Asccnsao aereostatica de Gay-Lussac, em 1804. 

21. Quart, m. Rumfort, em 1814. 

22. Quint, m. Dionis du SejoUr, em 1794, com 60 annos. 

23. Sext. m. Herschell, em 1822, com 83 annos. 

24. Sab. Revolucab liberal em Portugal, em 1820. 

25. Dom. m. Watt (James), em 1819, com 83 annos. — m. Fa- 

raday, em 1867, com 76 annos. 

26. Seg. m. D. Antonio, prior do Crato, em 1595, com 64 annos. 

27. Terc,. m. Luiz Philippe, em 1849. 

28. Quart, m. Mitscherlich, em 1863, com 69 annos. 

29. Quint n. Pedro Nunes *. em 1502 (1) 

30. Sext. m. o Conde de Gasparin, em 1862, com 79 annos. 

31. Sab. m. Rogerio Bacon, em 1294. — n. de Montferier, 

1792 — 1863. 



(l) Deve-se a obsequiosa erudic^ao do nosso dtstincto lit- 
terato Gomes Monteiro a determinacao do anno do nascimento 
do celebre geometra portuguez, que elle proprio indiea na sua 
obra : In tkeoricas planetarum georgii purbachii annutatimies ali- 
quot, a pag. 135, da seguinte forma — exempli gratia : sit anno 
Domini 1502, quo ego natus sum, etc. 



Digitized by 



Google 



IB ANNUARIO HA ACADEMIA 

SETEMBRO 



L Dom. m. Luiz XTV, em 1715. — Inaugurac&o dos traba- 

. lhos de perfurac&o do monte Cems, em 1857. 
2, Seg. Experiencias do telegrapho Morse, nos Estados Uni- 
dos, em 1837. 

3 Terc. m. Thiers, em 1877. 

4 Quart, m. Cassini de Thury (Cesar Francois), em 1784, com 

70 annos. 
& Quint, m. A. Comte, em 1857, com 59 annos. — m. Graham 

(Thomaz), em 1869, com 63 annos. . 
6, Sext. m. Colbert, em 1683. 
7* Sab. Pappo *, v. no anno 300. 
8. Dom. m. Bellidor, em 1761. 
U. Seg. m. El-Rei D. Duarte, em 1438, com 46 annos. — Res- 

tabelecimento do Ralendario gregoriano, em 1805. 

10. Terc. m. o Duque de Bourgogne, em 1419. — E promur- 

gado o dccreto crenndo a Companhia de agricultura 
das vinhas do alto-Douro, em 1756. 

11. Quart, m. Bernardo de Palissy, em 1589. — r Roma, capital 

da Italia, em 1870. — m. David Ricardo, em 1823, 
com 51 annos. 

12. Quint m. Guizot, cm 1874. 

13. Sext. m. Brinkley (John) em 1835. r- m. A. Herculano, em 

1877, com 67 annos. 

14. Sab. m. Cassini (Joao), em 1712, com 87 annos. 

15. Dom. m. Hoche, cm 1797. 

16. Seg. m. Dupaty, em 1788. — m. Luiz XVTII, em 1824. 

17. Terc. m. Breguet, em 1823. — Inaugurac$o da Universi- 

dade Gdtingen, em 1737. — m. Euler, em 1783, com 
84 annos. 

18. Quart m. Van Eych, em 1426. 

19. Quint, m. Roemer, em 1710, com 65 annos. — m. Delambre, 

em 1749. 
SO. Sext. m. Mechain, em 1805. 

21. Sab. Regressa a S. Lucar, da l. a viagem de .circumnave- 

gacao, o navio de FernSo de MagalhSes, em 1522. 

22. Dom. m. Valdo, em 1179. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA'DO PORTO 17 

Descobre Galle, em Berlin, em 1849, o planeta Neptu- 
no pelas indicacoes analytical deLeVerrier. — m. 
Le Verrier, em 1877, com 65 annos. — n. Encke (Joao 
Francisco), em 1791. — n. Cardan (Jeronymo), em 
1501. 

24. Terc. m. El-Rei o Senhor D. Pedro IV. 

25. Quart, m. Gretry, em 1813. 

26. Quint, m. Jecker, em 1834. 

27. Sext. m. Bezaut (Etienne), em 1 783, eom 53 annos. 

28. Sab. Capitulacao de Strasbourg, em 1870. — Faz 15 annos. 

Sua Alteza Real o Principe D. Carlos. 

29. Dom. Proclo *, 412—485. 

30. Seg. Eratosthenes *, n. 276 antes de Jesus Christo. 

Terminam as ferlas grandea* 



OTJTTJB:R.O 



1. Terc. m. Corneille, em 1684. 

2. Quart, m. Jose Agostinho de Macedo, em 1331, com_70 an- 

nos. — m. Arago (Francois), em 1853, com 67 annos. 

3. Quint. Paz de Fontainebleau entre Franca, Inglaterra, Hes- 

panba e Portugal em 1762. 

4. Sext. m. Perdonnet (Auguste), em 1867, com 66 annos. 

5. Sab. Ltriz XVI aceita a declarac&o dos direitos do homem. 

6. Dom. m. Guarini, em 1612. 

7. Seg. m. Froissard, em 1400. 

8. Terc. m.Rolle, em 1749, com 97 annos. 

9. Quart m. Perrau, em 1688. 

10. Quint Abertura solemne da Universidade de Berlin, em 

1810. 

11. Sext. m. Monaldeschi, em 1657. 

12. Sab. m. Picard, em 1682, com 62 annos. 

13. Dom. m. D. Francisco Manoel de Mello, em 1666, com 54 

annos. 
14; Seg. m. Gassendi (Pierre), em 1655, com 63 annos. 



Digitized by 



Google 



18 ANNUARIO DA ACADEMiA 

15. Ter$. m. Candido Jose* Xavier, em 1883, com 61 annos. 

16. Quart. Faz 30 annos S. M. a Rainha a Senhora D. Maria Pia. 

— Grande Gala. 
Ferftad*. 

17. Quint. 

18. Sext. m. Gomes Freire d'Andrade, em 1817, com 60 annos. 

— Fundacao da Universidade de Bonn, em 1818. 

19. Sab. m. Talma, em 1826. 

20. Dom. m. Joao de Barros, em 1570, cont 74 annos. — Hor- 

rivel incendio do observatorio de Copenhagne, em 
172a 

21. Seg. m. Babinet, em 1872. 

22. Ter$. m. Nelson, em 1805. 

23. Quart, m. Beocio, em 526. 

24. Quint, m. Tycho-Brahe, em 1601, com 54 annos. 

25. Sext. m. Renaudot (Theophraste), em 1653, com 70 annos. 

26. Sab. m. Pigalle, em 1785. 

27. Dom. Lycurgo *, 870 annos antes de Jesus Christo. 

28. Seg. m. Charles Degeer, em 1778. 

29. Ter$. m. d'Alembert, em 1783, com 65 annos. — Faz 62 an- 

nos El-Rei o Senhor D. Fernando. — Grande Gala. 
Feriado* 

30. Quart m. Montmorency, em 1632. 

81. Quint Faz 40 annos S. M. El-Rei o Senhor D. Luiz 1.° — 
Grande Gala. 
Ferlado* 



3STO"VB^wCBfe.O 



1. Sext. Terremoto em Lisboa, em 1755. 

2. Sab. m. Luiz o Bondoso, em 833. 

3. Dom. m. Agostinho Jose Freire, assassinado em Lisboa, 

em 1836. — m. Cbampollion, em 1832, com 42 annos. 

4. Seg. Inauguracao da nova ponte metallica sobre o Douro. 

5. Terc/. m. Riego, em 182$. 



Digitized by 



Google 



POLYTHCHN1CA DO PORTO 19 

6. Quart m. Bertbollet, em 1822, com 73 annos. 

7. Quint m. Carlos X, em 1836. 

8. Sext. m. Jussieu, em 1777. 

9. Sab. Viete *, 1640-1603. 

10. Dom. m. Pedro A. C. GarcSo, em 1772, com 48 annos. - 

11. Seg. m. El-Rei o Senhor D. Pedro V, em 1861, com 24 

annos. 

12. Terc. m. Bailly no cadafalso, em 1793, com 57 annos. 

13. Quart, m. Rossini, em 1868. 

14. Quint m. Leibnitz, em 1716, com 70 annos. — m. Iferreira 

Borges, em 1838, com 52 annos. 

15. Sext. m. Keppler, em 1630, com 59 annos. — m. J. B. Say, 

em 1832, com 65 annos. — m. Rossi, assassinado em 
Roma, em 1848, com 61 annos. 

16. Sab. m. Collins, em 1683. 

17. Dom. n. o duque de Saldanha, em 1790. 

18. Seg. m. Lamarck, em 1828. 

19. Ten?, m. Fernandes Tfaomaz, em 1822, com 49 annos. 

20. Quart, m. o Cardeal de Polignac, em 1741. 

21. Quint. Rcemer indica a yelocidade da lnz, em 1676. 

22. Sext. Faye descobre no Observatorio de Paris, em 1843, o 

cometa period ico do seu nome. 

23. Sab. m. Struve (William), em 1864, com 71 annos. 

24. Dom. 

25. Seg. m. Joao Curvo Semedo, em 1719, com 83 annos. 

26. Ter$. m. Quinault, em 1688. 

27. Quart m. Lamblardie, em 1798. 

28. Quint m. Tournefort, em 1708. 

29. Sext. m. Bernouilli (Nicolau 1.°), em 1759, com 72 annos. 

30. Sab. m. Dullond, em 1761, com 56 annos. 



DEZEMBRO 



1. Dom. m. Alexandre I da Russia, em 1825. — Rerolug&o da 
independencia em Portugal, em 1640. 



Digitized by 



Google 



20 ANNUARIO DA ACADEMIA 

2. Seg. m. Fernando Cortez, em 1554. — Abertora solemne 

da Universidade real de Saxonia, em 1409. 

3. Terc. m. Matheus Valente do Couto, em 1848, com 78 an- 

nos. — m. Cavalieri, em 1647, com 49 annos. 

4. Quart, m. o Cardeal de Richelieu, em 1642.' 

5. Quint, m. Mozart, em 1791. 

6. Sext. Orpheu *, 1000 annos antes de Jesus Christo. 

7. Sab. m. o Marechal Ney, em 1815. 

8. Dom. Encke descobre o planeta Astrea, em 1845. 

9. Seg. m. Von-Dyck, em 1641. 

10. Terc. m. o Visconde d'Almeida Garrett, em 1854. com 54 

annos. — m. Diogo do Couto, em 1616, com Y4 annos. 

11. Quart, m. Jose Monteiro da Rocha, em 1819, com 85 annos. 

12. Quint Regresso de Lcvingston a Inglaterra, em 1856. 

13. Sext. Democrito e Heraclito *, 500 annos antes de Jesus 

Christo. 

14. Sab. m. Washington, em 1799. ' — CreacSo da Academia 

dos Guardas-mnrinhae, que deu origem a actual es- 
cola naval, em 1782. 

15. Dom. m. D. Fr. Caetano BrandSo, em 1805, com 65 annos. 

16. Seg. m. Quesnay, em 1744, com 60 annos. 

17. Terc. n. Bolivar, em 1830. 

18. Quart, m. Montucla, em 1799, com 74 annos. 

19. Quint. Leonidas e os 300 Sparta noe *, 480 annos antes de 

Jesus Christo. 

20. Sext. m. Ambroise Par6, em 1590. 

21. Sab. m. Bocage, em 1805, com 40 annos. 

22. Dom. m. Lantara, em 1778. 

23. Seg. Huygens descobre Rhea, satellite de Saturno, em 1672. 

24. Terc. m. Vasco da Gama, em 1525. — m. Frederico Bas- 

tiat, em 1850, com 49 annos. 

Principlam as ferlM do Natal, que 

lerminam em C de Janeiro* 

25. Quart. Natal. — n. Jesus Christo. — n. Newton, em 1642. 

26. Quint, m. Helvecio, em 1771. 

27. Sext. m. Mousinho de Albuquerque, em 1846, com 54 annos. 

28. Sab. m. Pedro Bayle, em 1706. 

29. Dom. m. Cousin, em 1800, com 61 annos. — m. Malthus, 

em 1834, com 68 annos. 

30. Seg. Empedocles *, 440 annos antes de Jesus Christo. 

31. Terc. m. Flames teed, em 1719, com 70 Annos." 



Digitized by 



Google 



21 



DIREGTORIA E SECRETARY 



Director 

Adriano de Abreu Cardoso Machado, do Conselho de Sua Ma- 
gestade, oommendador da ordem de Nossa Senhora da Con- 
ceicao de Villa Vicosa, doutor em direito pela Universidade 
de Coimbra, lente proprietario da Academia Polytechnica, 
outr'ora lente da faculdade de direito na Universidade de 
Coimbra, e depois director geral da instruccao publica no 
ministerio do reino, fiscal do extincto conselho superior de 
instruccao publica, commissario dos estudos e reitor do lyceu 
nacional do Porto, ex-deputado as Cdrtes. 
Rua do Principe, 3. 

SecretariO (interino) 
Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, enge- 
nheiro civil, Lente proprietario da Academia Polytechnica, 
outr'ora professor de mathematica elementar do lyceu nacio- 
nal do Porto, e secretario do mesmo lyceu. 
Rua doe Fogueteiros, 1. 

Guarda-m6r 
Joaquim Filippe Coelho. 
Carregal, 79. 

Guardas subalternos 
Simao Jose Caetano Moreira. 
Bomjardim, 898. 

Daniel Leio da Cunha Lima. 
Bainha, 839. 

Jose Pinhelro Barboza d'Aguiar. 
Monte dos Judeus. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



23 



GONSELHO ACADEMICO 



Presidente do Conselho 
Conselheiro Adriano de Abreu Cardoso Machado, director. 

Secgio de mathematica 

Pedro de Amorim Vianna, bacfaarel formado em mathematica 
pela Universidade de Coimbra, lente proprietario da 2. a cadei- 
ra, outr'ora professor da cadeira de logica do lyceu nacional 
de Lisboa, presidente da secc&o. 
Bestauracao, 75. 

Gustavo Adolpbo Goncalves e Sousa, engenheiro civil, lente 
proprietario da 5.* cadeira. 
Principe, 156. 

Antonio Pinto Magalh&es Aguiar, doutor em mathematica e ba- 
charel em philosophia pela Universidade de Coimbra, lente 
proprietario da 3." cadeira, ex-ajudante do observatorio as- 
tronomico de Coimbra e ex-deputado as Cortes. 
Almada,' 332. 

Jose Pereira da Costa Cardoso, doutor em mathematica e bacha- 
rel formado em philosophia pela Universidade de Coimbra, 
lente proprietario da 18. ■ cadeira, ex-ajudante do observato- 
rio astronomico de Coimbra, antigo lente da mesma Univer- 
sidade, outr'ora commissario dos estudos e reitor do lyceu na- 
cional do Porto. 
Rosario, 113. 

Joaquim d'Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, enge- 
nheiro civil, lente proprietario da 1.* cadeira. 
Fogueteiros,!. 



Digitized by 



Google 



24 ANNUARIO DA AGADEMIA 



Lente substitute* da sec$So 

Rodrigo de Mello e Castro de Aboim, engenheiro civil. 
Cedofeita,237. 

Director da aula de desenho 

Francisco da Silva Cardoso, lente proprietario da 4. 1 cadeira. 
Alegria, 341. • 

Lente substitute) 

Guilherme Antonio CorrSa. 
S. Victor, 27. 

Sec$&o de sciencias sociaes 

Conselheiro Adrift no de Abreu Cardoso Machado, dontor em di- 
reito pela Universidade de Coimbra, lente proprietario da 
12.* cadeira, presidente da secc&o. 
Principe, 8. 

Jose" Joaquim Rodrigues de Freitas, engenheiro civil, lente pro- 
prietario da 11.* cadeira, e ex-deputado as Cortes. 
Cedofeita, 680. 

Substituto da secc&o 

Antonio Alexandre Oliveira Lobo, bacharel formado em direito 
pela Universidade de Coimbra. 
Principe, 58. 

Sec$£o de philosophia 

Jose" de Parada e Silva Leit&o, bacharel formado em philosophia 
e mathematics pela Universidade de Coimbra, major gradaado 
d'infanteria, commendador da ordem de Christo; condecorado 
com a medalha n.° 7 das campanhas da liberdade, lente pro- 
prietario da 8." cadeira, presidente da seccSo. 
Boa-vista, 406. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 25 

Arnaldo Anselmo Ferreira Brsga, bacharel formado em inedicina 
e em philosopbia pela Universidade de Coimbra, lente pro- 
prietary da 7." cadeira. 
Principe, 60. 

Francisco de Salles Gomes Cardoso, cavalleiro da Torre e Es- 
pada e Avfc, e condecorado com a medalba n.° 2 dos senho- 
res D. Pedro e D. Maria, doutor em philosopbia e bacharel 
em mathematica pela Universidade de Coimbra capit&o de* 
fragata addido ao quadro, lente proprietario da 10. ■ cadeira. 
Almada, 364. 

Adriano de Paiva de Faria Leite Brand&o, dontor em philoso- 
phia e bacharel em mathematica pela Universidade de Coim- 
bra, socio do Instituto da mesma cidade, lente proprietario 
da 9.* cadeira. 

Qninta de Campo Bello (Gaya). 

Substitute) da secgSo 

Antonio Joaquim Ferreira da Silva, bacharel formado em phi- 
loaophia pela Universidade de Coimbra. 
Almada, 832. 



Digitized by 



Google 



Z4 






S41. 



^.- Victor, 27 



i^ito pel*. I" 

Principe. 

Joee Joaqnim E 
prietirio da 
Cedofeit.i 



Antonio Alexmn 

pel* driver* 

Principe. 



def 
d^ 



^p 



i 



Digitized by 



Google 



21 



LECIMENTOS PERTENCEMTES i ACAOEMIA POLYTECHNIC* 



Bibliotheca 

ccario — vago. — Serve interinamente JoSo Jos6 Mon- 



Gabinete de historia natural 
— lente da 7." cadeira. 

Gabinete de fhysica 

■» r — lente regente da 8.* cadeira. 

Laboratorio chimico 

<• — lente regente da 9.* cadeira. 
do laboratorio — Vago. 

Jardim botanico 

r — lente da 10." cadeira. 
r_ o official do jardim (interino) — Job qui m Casimiro Bar- 




Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



29 



JARDIM BOTANICO 



Este jardim, situado na praga do Duque de Beja, contfm 
actualmente 1301 especies, distribuidas por 138 fa- 
milias naturaes, dispostas segundo o methodo de 
Decandolle, a saber : 



RannncTdacese 

Magnolia ce» 

Anonaceaa. 

Berberideaa 

NymphseaoesB 

Papaverace® 

Famariacesd 

Cruciferaa . 

Capparidesa 

Reaedaceffi 

Cistine® . 

Violaris . 

DrosgracflB 

Polygale® 

PittosporesB 

Frankeniaces 

Caryophylleae 

Lines . . 

Malvaceae • 

TiliacesB . 

Camelliacea 

Aurantiace® 

Hypericines 

Acerinee . 

Hippocaataneffi 

Sapmdaceae 

Meliace» . 

Ampelideae 



6 
1 
4 

2 
9 
5 

44 
1 
4 

11 
4 
2 
4 
4 
2 

27 
3 

17 
4 
3 
6 

10 
4 



Geraniacen 


. / 






22 


Tropaaoles 






2 


Balaamine® 








2 


Oxalidea . 








7 


Zygophylle® 








3 


Rutacese . 








4 


Celastrines 








4 


Rhamne© . 








4 


Terebinthacea 


i 






4 


Legnminoaa 








. 107 


Rosacea) . 








42 


Calycanthea3 








3 


Granatea . 








1 


Onagrarice 








15 


Haloragee 








2 


Ceratophyllea 






1 


Lythrarieaa . . 






2 


Tamariscinee 






6 


Philadelpbie® 






1 


Myrtacea . . . 






9 


Cucurbitaceaa. 








10 


Pasaiflores 








5 


Portulace® 








4 


Paronychies , 








6 


Crassulaceas . 








17 


Ficoide® . , 








11 


Cacte® 








22 


GrosBularie® 








3 



Digitized by 



Google 



30 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Saxifragace® . 






. 11 


Umbellifer® . 






. 31 


Corne® . . 






3 


Caprifoliace®. 
Rubiace® . 






10 






7 


Valerianae*®. 






5 


Dipaace® . 






4 


Composite . 






. 114 


Lobeliace® . 






4 


Campanulace® 






6 


Ericaceae . . 






11 


Primulnce® . 






8 


Lythrarie® 






9 


Jasmine® . \ 






4 


Apocynace® . 






4 


Asclepiade® . . 






8 


Gentianace® • , 






6 


Bignoniaoe® . 






6 


Sesame® . 






3 


Hydrophyllace® . 






2 


Polemdniace® 






6 


Convolvulace® , 






7 


Borragine® . 






14 


Hydrolcace® . 






2 


Solanace® . . 






38 


Hcropbulariace® . 






34 


Acanthace® . 






4 


Verbenace® . . 






9 


Myoparace® . 
Labi at® . . . 






2 

52 


Plumbaginacese . 






10 


Plantaginace® . 






5 


Phytolaccace® 
Salsolace® • . 






2 






12 


Basellacee . . 






2 


Amarantace® . . 






6 


Nyctaginace® 






5 


Polygonacee . . 






13 


Laurace® . . . 






3 


Proteace®. . . 






3 


Thymeleace®. . 






5 



El®agnace® 
Aristolochiace® 
Empetre®. 
Enphorbiace® 
Cupulifer® 
Cory lace®. 
Jnglandace® 
Platanaee® 
Betulace® 
Salieine® . 
Celtide® . 
Cannabine® 
Urticacee. 
More®. . 
Ulmace® . 
Casnarine® 
■ Conifer® . 
Palm® 
Typb®ace® 
Aroide® . 
Najade® . 
Alismace® 
Butomace® 
Orchide® . 
Zingiberace® 
Cannace® . 
Musace® . 
Hemodorace®. 
Iride® . 
Amaryllide® 
Bromeliace® 
Liliace® . 
Dio8coreace®, 
Melanth® • 
Juncaoe® . 
Commelinace® 
Cyperace® 
Gramine® . 
Equisetace® 
Filicea. . 
Lycopodiace 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 31 



Data* dcus nomea^et, enoartes e pos- 
■es dos X*entefe <e mate empregradoa da 
Aoademia Polyteehniea, e Indieapao 

das natnralldades e ^pooaa dos nag- 
oimentod do« mesmoa. 



Conselheiro Adriano d'Abreu Cardoso Machado — nomeado 
Lente proprietario da 12.* cadeira por decreto de 17 de Julho de 
1868 e carta regia de 1 de Setembro do mesmo anno — agraciado 
com o augmento do terco do sea ordenado, por diuturnidade de 
serrico, por decreto de 21 de Dezembro de 1876 e carta regia 
de S de Maio de 1877 — nomeado director da Academia Polyte- 
chnica do Porto por decreto de 8 de Jnnho de 1869 e carta regia 
de 20 de Fevereiro de 1876. — Tomou posse do lugar de Lente 
proprietario em 1 de Ootubro de 1868, e de director em 27 de 
Setembro de 1869. — Nasceu em MonaSo em 17 de Julho de 



Jose" de Parada e Bilva Leitao — nomeado Lente proprieta- 
rio da 8.* cadeira por decreto de 27 de Novembro de 1837 e 
carta regia de 31 de Janeiro de 1838 — agraciado com o terco 
do sen ordeuado por diuturnidade de servico, por apostilla de 
9 de NoTembro de 1859. — Tomou posse em 14 de Fevereiro de 
1838. — Nasceu em Sernache do Bomjardim em Junho de 1809. 



Antonio da Costa Paiva, cavallelro das ordens de Christo e 
de Nossa Senhora da Conceicao, 1.° Barao de Cnstello de Paiva 
em 1854, doutor em medicina e bacbarel em philosophia, socio 
da Academia Real das Sciencias de Lisboa, e d'outras acade- 
mias e corporacoes scientificas nacionaes e estrangeiras — no- 
meado Lente proprietario da 10.* cadeira por decreto de 11 de 
Junho de 1838 e carta regia de 28 de Julho do mesmo anno — 
jabilado com o ordenadp por inteiro por decreto de 81 de De- 
zembro de 1868 e carta regia de 19 de Janeiro de 1859. — To- 
mou posse em 14 de Junho de 1839. — Nasceu' no Porto em 12 
de Outubro de 1806. 



Digitized by 



Google 



32 ANNUARIO DA ACADBMIA 

Arnaldo Anselmo Ferreira Braga — nomeado Lente substi- 
tuto da secc&o de philosophia por decreto de 6 de marco de 
1851 e carta regia de 2 de Abril do mesmo anno — promovido 
a Lente proprietario da 7. a cadeira por decreto de 19 "de Julho 
de 1854 e apostilla de 16 de Agosto do mesmo anno — agra- 
ciado com o angmento do terco do sea Ordenado, por diuturni- 
dade de servico, por decreto de 10 de Agosto de 1876 e carta 
regia de 90 de Novembro do mesmo anno. — Tomou posse do 
lngar de Lente substitute em 2 de Maio de 1851, e do de Lente 
proprietario em 1 de Setembro de 1854. — Nasceu no Porto 
em 26 de Setembro de 1828. 



Pedro Amorim Vianna — nomeado Lente substitute da sec- 
c£o de mathematica por decreto de 6 de Marco de 1851 e apos- 
tilla de 9 de Junho do mesmo anno — promovido a Lente da 2. a 
cadeira por decreto de 9 de Novembro de 1858 e carta regia de 
6 de Junho de 1859 — agraciado com o augmento do terco do 
sou ordenado, por diuturnidade de servico, por decreto de 10 de 
Agosto de 1876. — Tomou posse do lugar de Lente substitute 
em 21 de Junho de 1851, e do de Lente proprietario em 1 de 
Agosto de 1859. — Nasceu em Lisboa em 21 de Dezembro de 
1822. 



Francisco de Salles Gomes Cardoso — nomeado Lente subs- 
titute da secc£o de philosophia por decreto de 23 de Junho de 
1851 e carta regia de 30 de Agosto do mesmo anno — promo- 
vido a Lente proprietario da 10. a cadeira por decreto de 2 de 
Marco de 1859 e apostilla de 29 do mesmo mez e anno. — To- 
mou posse do lugar de Lente substitute) em 20 de Setembro de 
1851, e do de Lente proprietario em 30 de Abril de 1859. — 
Nasceu no Porto cm 28 de Fevereiro de 1816. 



Francisco da Silva Cardoso — nomeado Lente substitute da 
4.* cadeira por decreto de 30 de Agosto de 1851 e carta regia 
de 18 de Setembro do mesmo anno — * promovido a Lente pro- 
prietario da mesma cadeira por decreto de 26 de Maio de 1862 
e apostilla de 14 de Agosto do mesmo anno — agraciado com 
o augmento do terco do seu ordenado, por diuturnidade de sex- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 33 

Tim. por decreto de 10 de Agosto de 1876 e carta regia de 3 
de Outubro do mesmo anno. — Tomou posse do lugar de Lente 
substitute em 14 de Outubro de 1851, e do de Lente proprieta- 
ry em 4 de Setembro de 1862. — Nasceu no Porto em 20 de 
Novembro de 1825. 



Gustavo Adolpho Goncalves e Sousa — nomeado Lente 
substitute da seccao de mathematica por decreto de 21 de 
Agoeto de 1851 e carta regia de 23 de Outubro do mesmo anno 

— promovido a Lente proprietario da 5.* cadeira por decreto 
de 7 de Outubro de 1868 e apostilla de 3 de Fevereiro de 1869 

— agraciado com o augmento do terco do seu ordenado, por 
diuturnidade de servico, por decreto de 10 de Agosto de 1876 e 
carta regia de 4 de Abril de 1877. — Tomou posse do lugar de 
Lente substituto em 12 de Dezembro de 1851, e do de Lente 
proprietario em 8 de Junho de 1876. 



Antonio Pinto de Magalhaes Aguiar — nomeado Lente subs- 
titute da secc&o de mathematica por decreto de 19 de Junho de 
1860 e carta regia de 12 de Novembro do mesmo anno — pro- 
movido a Lente proprietario da 3." cadeira por decreto de 4 de 
Marco de 1869 e carta regia de 4 de Agosto do mesmo anno. — 
Tomou posse do lugar de Lente substituto em 31 de Dezembro 
de 1860, e de Lente proprietario em 11 de Marco de 1869. — 
Nasceu em Santa Eulalia de Constanta (Marco de Canavezes) 
em 23 de Junho de 1834. 



Guilherme Antonio Correa — nomeado Lente substituto da 
4.* cadeira por decreto de 20 de Agosto de 1863 e carta regia 
de 22 de Setembro do mesmo anno. — Tomou posse em 7 de 
Outubro de 1863. — Nasceu no Porto em 23 de Maio de 1829. 



Jose" Joaquiin Rodrigues de Freitas — nomeado Lente subs- 
tituto da 11.* e 12. a cadeiras por decreto de 29 de Dezembro de 
1864 e carta regia de 6 de Abril de 1865 — promovido a Lente 
proprietario da 11.* cadeira por decreto de 15 de Maio de 1867 
e apostilla de 11 de Julho do mesmo anno — Tomou posse do 

3 



Digitized by LjOOQ lC 



34 ANNUARIO DA ACABEMIA 

In gar de Lente substituto em 4 de Janeiro de 1865, e do de 
Lente proprietario em 16 de Agosto de 1867. — Nasceu no Porto 
em 24 de Janeiro de 1840. 



Antonio Alexandre Oliveira Lobo — nomeado Lente substi- 
tuto temporario da 11.* e 12.* cadeiras por decreto de 10 de Fe- 
vrreiro de 1869 e carta regia de 3 de Agosto do mesmo anno 
- promovido vital iciamente no mesmo lugar por decreto de4 
rie Outubro de 1871 e carta regia de 9 de Marco de 1872. — 
Tomou posse do lugar de Lente substituto temporario em 15 
de Fevereiro de 1869 r e do de Lente substituto vitalicio em 20 
de Outubro de 1871. — Nasceu no Rio de Janeiro em 11 de No- 
vembro de 1833. 



Jose Pereira da Costa Cardoso — nomeado Lente proprieta- 
rio da 13.* cadeira por decreto de 14 de Abril de 1869 e carta 
regia de 4 de Abril de 1872. — Tomou posse em 21 de Abril de 
1869. — Nasceu no Porto em 31 de Outubro de 1831. # 



Adriano de Paiva de Faria Leite Brandao — nomeado Lente 
substituto temporario por dous annos da seccao de philosophia 
por decreto ,d<3 14 de Janeiro de 1873 e carta regia de 6 de Mar^o 
do mesmo anno — promovido vitaliciamente no referido lugar 
par decreto de 11 de Fevereiro de 1875 e carta regia de 3 de 
Juiiho do mesmo anno — promovido a Lente proprietario da 9.* 
cadeira por decreto de 18 de Agosto de 1876 e carta regia de 
29 de Novembro do mesmo anno. — Tomou posse do lugar de 
Lente substituto temporario em 20 de Janeiro de 1873 — do de 
Lente substituto vitalicio em 20 de Fevereiro de 1875 — do 
do Lente proprietario em 25 de Agosto de 1876. — Nasceu em 
Braga em 22 de Abril de 1847. 



Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque — 
nomeado Lente proprietario da 1.* cadeira por decreto de 7 de 
ftetembro de 1876 e carta regia de 29 de Novembro do mesmo 
anno — nomeado secretario interino da Academia Polvtechnica 
em sessfto do Conselho academico de 2 de Outubro de 1876. — 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 35 

Tomou posse em 13 de Setembro do mesmo anno. — Nasceu no 
Porto a 16 de Agosto de 1839. 



Bodrigo de Mello e Castro de Aboim — nomeado Lente 
substitute da secclo de mathematica por decreto de 24 de Maio 
de 1877 e carta regia de 18 de Julho do mesmo anno. — Tomou 
posse em 28 de Maio do mesmo anno. — Nasceu em Castro-Daire 
em 15 de Setembro de 1847. 



Antonio Joaquim Ferreira da Silva — nomeado Lente subs- 
titute da seccfro de philosophia por decreto de 24 de Maio de 
1877 e carta regia de 17 de Julho do mesmo anno. — Tomou 
posse em 28 de Maio do mesmo anno. — Nasceu no Couto de 
Cucuj&es (Oliveira de Azemeis) em 28 de Julho de 1853. 



Joaquim Philippe Coelho — nomeado guarda-m6r por de- 
creto de 19 de Julho de 1872 e carta regia de 20 de Agosto do 
mesmo anno. — Tomou posse em 1 de Agosto de 1872. 



Simao Jose Caetano Moreira — nomeado guarda subalterno 
por carta do Director de 19 de Outubro de 1837. — Tomou posse 
n'esta mesma data. 



Daniel Leao da Cunha Lima. — nomeado guarda subalterno 
por decreto de 15 de Novembro de 1860 e diploma de 22 de Maio 
de 1861. — Tomou posse em 3 de Junho de 1861. 



JoBe Pinheiro Barbosa d'Aguiar — nomeado guarda subal- 
terno por decreto de 3 de Maio de 1866 e carta regia de 20 de 
Junho do mesmo anno. — Tomou posse em 8 de Maio de 1866. 



Digitized by LjOOQ LC 



Digitized by 



Google 



37 



CURSOS LECAES DA ACAOEMIA PQLYTECHNICA DO PORTO 

A Academia Polytechnica ministra os segnintes 

Cotjboci e»peela,ee 

I — Cnrso de Engenheiros civis : 
a) — de mincu. 
bS — Geograpkos. 
c) — de pontes e tstradas. 
II — Directores de fabricas. 
m — Commerciantes. ' 
IV — Agricnltores. 
V — Artistas. 

(Decreto de 13 de Janeiro de 1837). 



Cux-Bos prepajrartoiriois 

VI — Cargo preparatorio para as escolas medico- cirnrgicas 

(decreto de 20 de Setembro de 1844. artigos 147 a 

150). 
VII — Cnrso preparatorio para a esc<Sla de pharmaeia nas es- 

c61as medico-cirurgicas (decreto de 29 de Dezembro 

de 1836, artigos 129 e ISO). 
viil — Cnrso preparatorio para a esc6Ia naval : 

a) — Curso de officiaes de marinha. 

b) — Curso de enaenheiros constructores navaes (decreto de 26 

de Dezembro de 1868, artigos 23 e 24). 
IX — Cnrso preparatorio para a esc61a do exercito (armas 
especiaes e esta'do-maior) — (decreto de 20 de Setem- 
bro de 1844, artigo 140 — decreto de 24 Dezembro de 
1863, artigo 26, § 2.° — decreto de 2 de Junho de 
1873). 

Estes cnrsos sSo professados segundo os qnadros seguintes : 



Digitized by 



Google 



38 ANNUARTO DA AGADEMIA 

I — Enffenlieir os eivis 

a) — de minas. 

I l.« cadeira. 
1.° anno | 4." » (desenho do figura e paisagem). 
9.« » 

I2.« 
8.« » 
4.« » (desenho de paisagem — desenho de to- 
pographia). 

3 • anno \ 3 *" cadeira. 
. anno j 7 a w (metallurgia e arte de minas). 

|'13. a cadeira (mechanic* applicada a resistencia dos 
solidos e a estabilidade das oonstrac- 
coes, especialmente a pontes e estradas 
e as machinas de vapor. 
*.- auuu\ 7.* • (mineralogia e geolopia). 

j 4.* » (desenho de perspectiva, plantas e perfis 
/ das machinas em uso no servico das 

[ minas). 

\10.- 



5.° anno 



4. a cadeira (desenho de c6rtes e plantas de minas, e 
convencoee para deeignar os terrenos. 
12.« 



b) — Geographos. 

1 i 1.* cadeira. 

l. annoj 4 . § (desenho de figura). 

o o «««^ \ & a cadeira. 

2,« annoj g . , 

18. a cadeira. 
9.« » (chimica mineral). 
4.« » (desenho de topograph!*). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 39 

/ 5.* cadeira. 

I 7.* » (zoologia, mineralogia e geologia). 
]12.* » 
4-° anno < 10.* » (veterinaria). 

i Desenho geographico, reducc&o de plantas de cos- 

[ . fas, bahias, enseadas, portos, etc. na Academia 

Portuense de bellas-artes. 

e) — de pontes e estradaa. 

1.* anno J 4 . 9 (desenho de figura). 

12.* cadeira. 
8.* » 
Desenho d» architecture na Academia Portuense 
de bellas-artes. 

13.* cadeira. 
4.* » (desenho de ornato, decoracoes e machi- 
nas). 
&• » 

( 18.* cadeira. (1.° anno). 
4.° anno < 6.* » • 

( 7.* » (zoologia, mineralogia e geologia). 

!13.* cadeira. (2.° anno). 
10.* » 
IS.* 

II — Directores de fabricas. 

!1.* cadeira. 
4.* » (desenho de figura). 
9.* » 

12.* cadeira. 
Desenho de architectora (na Academia Portuense 
de bellas-artes). 



Digitized by 



Google 



40 ANNUARIO DA ACADEMIA 

I 8.* cadeira. 
8.° anno ] 4." » (desenho de ornato, decoracoes e machi- 
( nas). 

4 • anno ! 13 - a cadeira. (l.° anno). . 

5.° anno 1 13." cadeira. (2.° anno). 
m — Commerciantes. 

1 • anno i 1#a cadeira - 

1 11.* » (escripturacSo por partidas dobradas). 

11.* cadeira (formulas dos docnmentos commerciaes 
| usadas quer nas transaccoes de com- 

2.° anno < mercio, quer nas provas dos contra- 

ctus, regulac&o de avarias, etc: 
4.* » (desenho de figura e paisagem). 

3 * anno I **•* madeira, (geographia commercial — reduccjta dos 
I . cambios, p&os e medidas estrangeiras. 

IV — Agricultores. 

l.*anno! ^ cadeira. 
f 9.* » 

!8.* cadeira. 
4.* » (desenho de figura e paisagem). 
10.* » (botanica e agricultural 

17.* , cadeira (zoologia, mineralogia e geologia). 
10.* » (parte pratica) — veterinaria. 
4.* » (desenho pelo natural de orgaos de vege- 
tac&> e de reproducc&o das plantas). 

112.* cadeira (economia politica e economia e legis- 
lacfio ruraes). 
4.* » (desenho de machinas e construccoes ru- 
raes). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 41 

V — Artistes. 

1 • anno J *•■ cadeira - 

( 4. 1 » (desenho de figura). 

2 • anno I a * cadeira - 

f 4. a » (desenho de paisagem). 

!9. a cadeira. 
4.* » (desenho d'ornato e de decorac&o — de- 
senho de machmas). 

VI — Curso preparatorio para as escolas medico-cirurgicas. 



l. # anno — 8.» cadeira (physica) e 9." cadeira (chymica). 

2.* » — 7.* » faoologia). 

3.° * — 10.* » (botanic* e physiologia vegetal). 

ObservacSo. 1.° anno d'este cnrso 6 exigido como habilita- 
c2o para a matricula no 1.° anno das escolas medico-cirurgicas ; 
o 2.* anno para a matricula no 2.° anno das mesmas escolas ; e 
o 3.* para a matricula no 8.° anno d'ellas. 

(Decreto de 20 de Setembro de 1844, artlgoe 147 a 150). 



VII — Curso preparatorio para a escoia de pharmacia. 



9.* cadeira (chimica). 
10.« » (botanica). 

(Decreto de 29 de Desembro de 1836, artigos 129 e 130). 



Ylil — Curao preparatorio para a escoia naval. 
a) — Cum de officiate de maririha. 



Digitized by 



Google 



42 ANNUARIO DA ACADEMIA 

L* cadeira fl.° anno de mathematica). 
8. 1 » (pbysica). 

(Decreto de 26 de Dezembro de 1868, artigo 23.° n.° 2.°) 

b) — Curso de engenharia naval. 

l. a cadeira. 
l. n Rimol 4. a » 

a* » 

2.* cadeira. 

Construccoes de geometria descriptiva. 
2.° anno {9.* cadeira (chimica inorganica e principios de me- 
tallurgia). 
Geometria descriptiva (l. a parte). 

/ Construccoes de geometria descriptiva. 
I 3. a cadeira (mecanica e suas applicacoes as machi- 
3.* uttoJ nas, com especialidade as de vapor). 

J 10. a » (botanica e principios de agricultural 
\ Geometria descriptiva (2. a parte). 

(Decreto de 26 de Dezembro de 1868, artigo 24.* e Portaria 
de 8 de Junto de 1860). 

IX — Curso preparatorio para a escola do ezercito. 

Das disciplinas actualmente professadas na Academia Pojy- 
t.-c Imica do Porto, constituem o curso preparatorio as que sao 
regidas nos seguintes cursos : 

i , carso -r- Trigonometria espherica, algebra superior, geome- 
tria analvtica no piano e no espaco. 

2.° >» — Geometria descriptiva (l. a e 2. a parte). 

3° » — Calculo differencial, integral, das differencas, va- 
riacoes e probabilidades. 
>, — Mecanica racional, e applicada as machinas, cine- 
matica. 

5." » — Astronomia e geodesia. 

6-° » — Mineralogia e geologia. 

7«* » — Pbysica. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DQ PORTO 43 

&.* cnrso — Chimica inorganica ; principios de metallargia. 
9.° » — Analyse chimica. 
10.° » — Economia politica e direito administrativo. 

Alein d'estas disciplinas, este curso preparatorio oomprehende 
amda: 

1.* — Desenho linear, de architectura, de machinas, de figura 
e de paisagem, incumbindo-se o professor de dar licoes de archi- 
tectura aeerca das regras geraes de decorac&o, distribuic&o e 
repreaentacSo dos edificios por meio de plantas, alcados e cortes. 
2.° — Exercicios graph i cos de geometria descriptiva. 
&• — » de mathematica. 

4.° — » praticoe de chimica, physica e mineralogia. 
Gymnastica. 

(Decreto de 2 de Junho de 1873, artigo 2.*) 



Digitized by 



Google 



44 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



QUADRO IXA. DISTRI- 

NO CURSO PREPARATORIO 



Instruccao 



Segunda-feira 



Terca-feira 



lh. 30* 



1.° curso, aula 



2." curso— 

l. a parte, 

aula 



i.° anno <lh. 30* 



7.° curso, aula 



Exercicios de 
mathematica 



2h. 80* 



Desenho 



Desenho 



2.° anno. 



lh. 30' 



8.° curso, aula 



8.° curso, aula 



lh. 3C 



2.° curso — 

2.« parte, 

aula 



10.° curso 
aula 



2h. 8C 



Desenho 



Desenho 



3.° anno. 



llh.30' 



4.° curso, aula 



9.° curso, aula 



lh. 3C 



6.° curso, aula 



5.° curso, aula 



2 h. 8(y 



Desenho 



Desenho 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



45 



bux<p JLo rx> TEMPO 

PARA A ESG6LA DO EXEROTO 



Quarta-feira 


Quinta-feira 


Sexta-feira 

4 


Sabbado 


!-• curso, aula 


Ezercicios 

de geometria 

descriptiva 


1.° curso, aula 


2.° curso — 

l.» parte, 

aula 


7.° curso, aula 


Ezercicios de 
matbematica 


7.° curso, aula 


Ezercicios de 
matbematica 


Desenbo 


Gymnastica 


Deseiiho 


Physicapratica 


S.° curso, aula 


8.° curso, aula 


3.° curso, aula 


8.° curso, aula 


2.* curso — 

2.« parte, 

aula 


Ezercicios 

de geometria 

descriptiva 


10.° curso, aula 


Ezercicios 

de geometria 

descriptiva 


Desenbo 


Gymnastica 


Desenbo 


Geometria 
descriptiva 

applicada 

a arcbitectura 

e machinas 


4.* curso, aula 


Geometria 
descriptiva 

applicada 

a arcbitectura 

e machinas 


9.° curso, aula 


4.° curso, aula 


&« curso, aula 


5.° curso, aula 


5.° curso, aula 


Mineralogia 
pratiea 


Desenbo 


Gymnastica 


Chimicapratica 


• 
Chimicapratica, 



[Uecrsto de 2 de Jonho de 1873, modelo A). 



Digitized by 



Google 



4ij 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Designacao das cadeiras 



Nomes dos lentes regentes 



L* cadeira — Geometria ana- 

ica no piano e no espaco, tri- 

jjonometria espherica, algebra 

superior 

2 J cadeira — Calculo diffe- 
rt-ucial, integral, das differen- 
»;;id e das variacoes 

&■ cadeira — Geometria des- 
iriptiva — mecanica rational ; 
— nematica das machinas . . 

4,* cadeira — Desenho de fi- 
pjra e paisagem, d'ornato e 
<lt»coracues, de machinas, de 
topograpkia 

5. 1 cadeira — Astronomia e 
gtiodesia 

7.» cadeira — Zoologia, (1) 
Ltiineralogia e geologia veteri- 
naria 

&» cadeira — Physica theo- 
rica e experimental 

&• cadeira — Chimica inor- 
ri ?a e organica 



Jose* Pereira da Costa Cardoso. 



Joaquim d'Azevedo Souza Viei- 
ra da Silva e Albuquerque. 



Pedro Amorim Vianna. 



Francisco da Silva Cardoso. 



Antonio Pinto de MagalhSes 
Aguiar. 



Arnaldo Anselmo Ferreira Bra* 
ga. 

Adriano de Paiva de Faria 
Leite Brandao. 

Antonio Joaquim Ferreira da 
Silva. 



(!) Estas duas ultimas disciplinas s3o professadas na ultima 
>*.'■* do anno lectlvo em curso biennal. £ a veterinaria que se 
li:i de professar este anno. 



Digitized by LjOOQ IC 



POLYTECHNICA DO PORTO 



47 



Bias e boras da regencia das cadeiras 



2.«% 3. M , 4.«% 6. M feiras e sabbados Vm */« 4s X boras. 

• » u o a J» 

- » » » » XI V* A I bora. 

2.»», 3.*% 4." e 6,« feirAs X 4s XI */« boras. 

2.", 4." e 6." feiras XI l/ t 4 I hora. 

2.*% 3-*% 4.", 6." feiras e sabbados I 4s II V* h° raB - 

2.»% 4." e 6. M feiras XII V« & JI boras. 

&••, 5." e sabbados XI */« * * hor *- 



Digitized by 



Google 



48 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Designacao das cadeiras 



10.* cadeira — Botanica, (*) 
agricultura, metallurgia e arte 
de minafl •. 

11.* cadtira — Commercio. . 

12.* cadeira — Economia po- 
litica e principios de direito 
commercial e administrative. . 

13.* cadeira — Mecanica ap- 
plicada as construccoes civis (*) 



Nomes dos lentes regentes 



Francisco de Salles Gomes Car- 
doso. 

Jose Joaqulm Bodrigaes de 
Freitas. 



Adriano de Abreu Cardoso Ma- 
chado. 

Gustavo Adolpho Goncalves e 
Sousa. 



(*) Estas duas ultimas disciplinas sSo professadas na ultima 
epoca do anno lectivo em curso biennal. E a metallurgia e arte 
de minas que se ha de professar este anno. 

(?) Este curso 6 biennal, professando-se no 1.° anno : Rests- 
tencia de materias — Estabilidade de construccdes — Construc- 
coes em geral — Vias de communicaca'o — Pontes de todas as 
especies — Theoria das machinas de vapor; e no 2.° anno : Hy- 
draulica — Construccoes hydraulicas — Catninhos de ferro — 
Theoria das sombram — Perspectiva linear e stereotomia das 
obras de madeira. E a 1." parte que se professa este anno. 

A 12.* cadeira foi creada pela lei de 15 de Julho de 1857, 
artigo 1.° — a 13.* cadeira foi creada por decreto de 81 de De- 
zembro de 1868, artigo 35 § 1.°, e considerado em vigor pela lei 
de 2 de Setembro de 1869, artigo 1.° § 1.° — As outras cadeiras 
foram creadas pelo decreto organico de 13 de Janeiro de 1837. 
— A cadeira de artilheria e tactica naval (6.* cadeira) foi sup- 
primida pela lei de 20 de Setembro de 1844. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 49 

Dias e horaa da regencia das cadeiras 



2.-, 3.-, 4-, 6.- feiras e sabbados XI «/j * I bora. 

• » » » » VIII is IX i/s boras. 

5»feiri8 e aabbadoe X as XI */« boras. 

2-", 3." 4.«S 6.- feiras e sabbados VIII as IX l/i boras. 



Digitized by 



Google 



50 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Ha.t>ilit£u?oes exij^ideugi aos alumnos paj*a 
a. primeira matrioula nos eiu*sojs da 
Aoademia Polyteehniecu 



Para a admls&So 4 primeira matricula no curso I (engenbei- 
ros civis), a nos cursos preparatorios VI (para as escholas me- 
dico- cirurgicas) e IX (para a eschola do ezercito) sao exigidos 
os seguintes ezames preparatorios : 

a) Exame final do curso completo de portuguez. 

b) Idem da primeira parte de latim. 

c) Idem de rrancez. 

d) Idem do curso completo de mathematica elementar. 

e) Idem de principios de physica e chimica e4ntrodacc£o 

a historia natural. 
Idem da primeira parte de philosophic 
Idem de geographia, chronologia e historia. 
Idem do curso completo de desenho. 

(DD. de 22 de Malo de 1862, art* 1.° n.° III e art.* 2.* — de 30 de 
Abril de 1863 — de 23 de Setembro de 1872, art 8.* — de 2 de 
Junho de 1873, art. 5.°). 



'« 



Para a admissax) & primeira matricula nos cursos II (com- 
merci antes), III (agricultores), IV (directores de fabricas) e V 
(artistas), sao exigidos os exames preparatorios : 

a) Exame final do curso completo de portuguez. 

c) Idem de francez. 

d) Idem do curso completo de mathematica elementar. 

e) Idem de principios de physica e chimica e introduced 

a historia natural. 

(DD. de 22 de Maio de 1862, art.* 2.* — de 30 d' Abril de 1863, art 
2.*). 

Para a admissao a primeira matricula no curso preparato- 
ry VII (para pharmacia), os ezames finaes : 

a) Exame final do curso completo de portuguez. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 51 

b) Idem da primeira parte de latim. 
o) Idem de francez. 



2 



) Idem da primeira parte de matbematica elementar. 

e) Idem de principios de physica e chimica e introduccao 
a historia natural. 

f) Idem da primeira parte de philosophia. 

(DD. de 23 de Abril de 1840, art 173 - de 12 de Agosto de 1854, 
art" 6 e 11 — de 23 de Marjo de 1873). 

Para a admissao a primeira matricula no cnrso preparato- 
rio Yin (para a eschola naval), os exames finaes : 

a) Exame final do carso completo de portaguez. 

c\ Idem de francez. 

o) Idem do curso completo de matbematica elementar. 

e) Idem de principios de physica e chimica e introduccao 

& historia natural. 
h) Idem do curso completo de desenho. 

(DD. de 30 de Abril de 1863, art* 10.° - de 7 de Julho de 1864, 
art 12, n.° 1 — de 26 de Dezembro de 1868, art. 23.«). 

Todos estes exames preparatories devem ter sido feitos pe- 
rante as com'missoes de exames finaes de instrucc&o secundaria, 
creadas pelo decreto dc 23 de Setembro de 1872, art. 7.°, ou em 
lyceus de 1.* classe, ou no real collegio militar (DD. de 22 de 
Maio de 1862, art. 1.°, n.° IV, § unico — de 30 de Abril de 1863, 
art. 11.°, § unico) se esses exames forem anteriores ao citado 
decreto (portaria de 12 de Novembro de 1872) ; e as respectivas 
certidoea devem vir reconhecidas por tabelli&es da cidade do 
Porto. 

Aos alumnos militares que pretenderem matricular-se no 
curso preparatorio IX (para a eschola do exercito) sSo alem 
d'isso exigidos os seguintes documentos : 

a) liicenca do ministerio da guerra, a qual deve ser re- 

querida no mez de Agosto. 

b) Certidao por onde mostrem ter menos de 20 annos de 

idade. 
e) Certidao do assentamento de praca. 

O governo p<5de permittir a matricula at6 a idade de 



Digitized by 



Google 



52 ANNUARIO DA ACADEMIA 

22 annos aos que tiverem, pelo menos, urn anno dc 
servtyo effectivo nas fileiras do exercito (art. 6.° do 
D. de 2 de Jonho dc 1873). 

A mfftricula e" feita em 2. a classe para os alumnos que nSo 
teem todos os preparatories a, o, c, d, t, /, g, h, acima designa- 
dos. 

Os alumnos sSo classificados nos actos em duas catbegorias, 
a saber : 

i.« divis&o de motor qyudificatfko comprehende t>s alumnos 
que se acham babilitados nas materia s ensinadas na respectiva 
cadeira com toda a sua generalidade e desenvolvimento. 

2.» divis&o de menor guolificac&o (que corresponde a classe 
d'obrigados na Universidade de Coimbra) comprebende os alum- 
nos a quern se escusa certas materias e theorias por demasiada- 
mente abstractas, ou por muteis ao seu destino especial. (D. re- 
gulameutar de 6 de Novembro de 1839). 



L. 



Digitized by 



Google 



POLYTBCHNJCA DO POtTO £5 



Tabella dos emolumentos clo Seeretajrio 
<ta Aoademift 4**>ly$©ol*ai«a. clo Porto 
e {wopinais *le mAtorteulas « daw ecurtaB 

cle oapaoidade. 



Cada matricula, informacao on attestac&o de frequen- 

cia r&s 480 

Certidao de acto ou ezame . , r, .<•<-,> » 120 

Busca dos livros dos annoa anterjlorea ......... > 180 

Carta de capacidade em qualquer curso # 2$ 400 

Provimento de premios '. . . > 1 £600 

(Portaria do Ministerio do Reino de 3 de Abril 
de 1839 e edital da Directoria da Acajdemia 
Polytecbnica do Porto de 30 do mesmo mez 
e anno). 

Propina de matricnla r&e 1£2G0 

(D. de 20 de Setembro de 1844, art. 143.°). 

Para viagao, 20 % reis 240 

(Carta de lei de 25 de Abril de 1876, art. 3.°). 

8ello de conhecimerto de 1 % sobre estaa duaa verbas 14,4 
(D. regulamentar de 18 de Setembro de 1879, 
classe 7.* n.° 3). 

Taxa das cartas de capacidade em qualquer curso— -r^is 140400 
(D. de 13 de Janeiro de 1837). 



Para viacSo, 20 % r&s 

m\o , .„ m *mo 

(D. regulamentar citado, elasse 6*" n.° 9). 

Sello de conbecimento sobre estas tres verbas. . . » % 12,8 



Digitized by 



Google 



54 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Livro* que eerrem de texto nas anlaec* 
no anno leotivo de 1877 a 1878 



1." Cadeira* 
Francceur — Geometria analytica no piano e no espaco, algebra 
superior e trigonometria espnerica — ultima edicao do 
Coimbra. 

2.* Cadeira. 
Sturm — Cours d'analyse de I'Ecole polytechnique, 5* ed< 

3. a Cadeira. 
Delaunay — Traite" de micanique rationelle — 6 e Edition. 
Leroy — Tmite de ge'om&rie descriptive — 9 e Edition. 
Bour — Cinematique. 

Claudel — Aide-memoire des ingenieurs, des architectes, &c« — 
8« Edition. 

5.* Cadeira. 
Dubois — Cours d'astronomie — 2" edition. 
Franccsur-^ Traits de Geode"sie. 
Rodrigo de Souta Pinto — Astronomia. 

7.* Cadeira. 
MUne Edwards— Zoologie— ll - edition- 

8. a Cadeira. 
Jamin — Petit traits de physique & l'usage des 6tfcblissemente 
destruction, etc. — 1870. 

9.« Cadeira. 
Grimaux — Chimie inorganique* 

Na parte da chimica organ ica d'esta cadeira prelecciona o 
lente sem dependencia de compendio* 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 55 

10.« Cadeiba (Botanica). 
Bichard — Elements de botanique. 
Maout et Decatine — Flore des jardins et des champs. 

11.* Cadbiba (Commercio). 

Rodrigo Pequito — Curso dc contabilidade mercantil. 

Gamier — Traits complet d'arithmetique theorique et appli- 
que© au Commerce a la banque, aux finances, a Findus- 
trie. 

12. a Cadbiba (Economia politica e principios de direito admi- 
nistrative e commercial). 
Ch. Le Hardy de Beatdieu — Traite elementaire d'economie po- 
litique — 2 e Edition. 

Na parte d'esta cadeira relatiya ao ensino do direito admi- 
nistrative e commercial prelecciona o lente sem dependencia de 
compendio. 

13.* Cadbiba (Mecanica applicada as constracooes civis) — curso 
biennal. 

Bresse — Couth de m6caniaue appliquee professe a l'Ecole des 
Pouts et Chaussles. Premiere parti e: Existences des ma- 
teriaux et stability des constructions — 2 e edition. 

Sganzin — Cours de constructions. 

Leroy — Traite" de stereotomie — 6 e Edition. 

Pambour — Theorie des machines a vapeur — 2 e edition. 



Digitized by 



Google 



5G ANNUARIO DA ACADEMIA 



Alnmnos matrienladoB na 1.* oadeiira. 
no actual anno leotivo 



1.* CADEffiA 

1." Classe. 
Arthur Carlos Machado Guimaraes, natural do Porto. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural d f A- 

arante. 
Francisco d' Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, natural 

do Porto. 

i:! o Goncalo Pacheco Pereira, natural do Porto. 
Jose" Carneiro Peixoto, natural de Fornos, concelho do Marco 

de Canavezes. 
Julio Alberto Ferreira de Queiroz, natural do Porto. 
Luiz d'Assumpc&o Junior, natural de Villa-Real. 



2.* Classb. 
Antonio da Silva, natural de Salreu, concelho d'Estarreja. 
Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, natural de Guaratinguiti 

(Brazil). 
Miingos Alberto Mour&o, natural de Aveiro. 
J'>&« d 'Almeida Santos, natural de Lamego. 
Job^ Antonio de Castro Alves, natural da Retorta, concelho de 

Villa do Conde. 

>&6 de Souza Tudella, natural de Villela, districto de Vizeu. 
Marcellino Antonio de Souza Flores, natural de Santo Estevao 

de GiSo, concelho de Villa do Conde. 
Thomas d'Aquino Pinheiro FalcSo, natural de Loanda (Angola). 

2.* CADEIRA 

1.* ClAB8B. 

Jose" Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de Co"rtes, 
districto de Leiria. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 57 

2.«Clabsb. 
Joao Narciso Pinto do Cruzeiro Seixas, natural de Valenca do 

Minho. 
Jose Auguflto Ribeiro Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d'Alij6. 
William Macdonald Smith, natural de Londres (Inglaterra). 



3.« CADEIRA 

l.« Clabbb. . 
Isidoro Antonio Ferreira, natural de Lamego. 
Jose" Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concelho de Sernan- 
celhe. 



2.« Clabbb. 
Antonio Guedes Infante Junior, natural de S. Jo Jo da Fob do 

Douro. 
Joao Rodrigues Pinto Brandfto, natural de S. Romao de Mon- 

riz, Concelho de Paredes. 



4.« CADEIRA 

1.* Clabbb. 
Adolpho Betbese Nery de VasconcelloB, natural de Montevideu 

(Republica Oriental do Uruguay). 
Affonso do Valle Coelho Cabral, natural do Porto. 
Antonio Franco Frazao, natural da Capinha, districto de Cas- 

tello-Branco*. 
Antonio Jose* Arroyo, natural do Porto. 
Arthur Carlos Machado Gktimaraes, natural do Porto. 
Augusto Julio Bandeifa Neiva, natural de CaramoB, concelho 

cle Felgueiras. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural d'A- 

marante. 
Filippe Goncalves Pelouro, natural de Castello de Vide, distri- 

cto de Portalegre. 
Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, natural 

do Porto. 



Digitized by 



Google 



58 ANNUARIO DA AGADEMIA 

Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de Mercedes 

(Republic a Oriental do Uruguay}. 
Izidoro Antonio Ferreira, natural ae Lamego. 
Joao Goncalo Pacheco Pereira, natural do Porto. 
Jose" Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concclho de Sernan- 

celhe. 
Jose" Maria Chartres Henriques d'Azevcdo, natural de Cortes, 

districto de Leiria. 
Julio Alberto Ferreira de Queiroz, natural do Porto. 
Luiz d'AssumpcSo Junior, natural de Villa-Real. 
Paulo de Barros Pinto Osorio, natural da Regoa. 



2. a Classk. 
Antonio Guedes Infante Junior, natural de S. Joao da Foz do 

Douro. 
Antonio da Silva, natural de Salreu, concelho d'Estarreja. 
Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, natural de Guaratinguita 

(Brazil). 
Henrique Pereira Pinto Bravo, natural de Porto das Caixas 

(Brazil). 
Joao Chrysostomo Lopes, natural da Caehoeira (Brazil). 
Joao Narciso Pinto do Cruzeiro Seixas, natural de Valenca do 

Minho. 
Joao Rodrigu£sPinto Brand ao, natural de S. Romao de Mouriz, 

concelho de raredes. 
Jose" d'Almeida Santos, natural de Lamego. 
Jose" Antonio de Castro Alves, natural da Retorta, concelho de 

Villa do Conde. 
Jose Augusto Ribeiro Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d'Alij6. 
Marcellino Antonio de Souza Flores, natural de Santo Estevio 

de Giao, concelho de Villa do Conde. 
William Macdonald Smith, natural de Londres (Inglaterra). 



5.« CADEIRA 

1.* CLA88E. 

Adolpho Betbese Nery de Vasconcellos, natural de Montevideu 
(Republica Oriental do Uruguay). 



Digitized by 



Google 



FOLYTECHNICA DO PORTO 59 

Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de Mercedes 

(Republica Oriental do Uruguay). 
Paulo de Barros Pinto Osorio, natural da Regoa* 



2.« Class*. 
Henrique Pereira Pinto Bravo, natural de Porto das Caixas 
(Brazil). 

7.« CADEIRA 

1.* Classe. 
Abilio Jose Ferreira Castel-Branco, natural de Villa- Cha" da 

Poiares, districto de Coimbra. 
Andre de Moraes Frias Sampaio e Mello, natural de Santa Ma* 

ria Magdalena, concelho de Carrazeda d'Anciftes* 
Antonio de Padua da Silva Junior, natural do Porto. 
Antonio Pereira de Paivae Pona, natural de Lisboa. 
Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Caceres* natural 

do Porto. 
Gregorio Carneiro da Fonseca, natural de Barcellos. 
Jo3o Augusto Alves de Magalhaes, natural de Penafiel. 
Jos6 Maria de Queiroz Velloso, natural de. Barcellos. 
Manoel Antonio Affonso Salgueiro, natural de Valenca do Mi- 

nho. 
Manoel Joaquim Peizoto do Rego, natural de Santa Maria de 

Palmeira, concelho de Braga 
Manoel Pereira da Cruz, natural de Aveiro. 
Kicolau Maximo Felgueiras, natural de Lisboa* 



2.* Classk. 
Alraro Le&o Baptista Dias, natural do Porto. 
Annibal Paulino Teixeira, natural de Chaves. 
Antonio Augusto da Rocha, natural de S. Martinho d'Anta, con* 

celho de Sobroza. 
Augusto Antonio dos Santos Junior, natural do Porto. 
Domingos Jose Affonso, natural de Meirinhos, concelho de Mo- 

gadouro. 
Evaristo G.omes Saraiva, natural de Santo Adrifto, concelho de 

Annamar. 



Digitized by vjOOQIC 



60 ANNUARiO DA ACAD EM IA 

Ftanoioto da Silva Carrethas, natural d'Owf. 1 

Frederico Ferreira CorrSa Vaz, natural de Loanda (Angola). 

Joao Augusto da Ctnha Sampaio Mala, natural de 8. Joao de 

VSz, concelho da Feira. 
Joao Rodrigues Pinto Brand&o, natural de S. Romlo de Mou- 

riz, concelho de Paredes. 
Joaquin* da Rocha Maciel, natural de Leea da Palmeira, ceaeo- 

lho de Boucas. 
Jose Pereira Sampaio, natural do Porto. 
Manoel Jose" d'Oliveira Heitor, nataral de Romariz, concelho da 

Feira. 

7.* CAMERA^ 



1.* Clabsk. 
Adolpho Betbese' Nery de Vasconcellos, natural de iftonterideu 

(Republica Oriental do Uruguay). 
Antonio Jose Arroyo, natural do Porta 
Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de Merofidea 

(Republioa Oriental do Uruguay) 
Jose Guilherme Baptista Dias, natural do Porto. 
Jose Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concelho de Cernan- 

celhe. 
Jobc Maria de Queiroz Velloso, natural de Barcellos. 
Paulo de Barros Pinto Osorio, natural da Regoa. 
Paulo Marcellino Dias de Freitas, natural de Terras de Bouro, 

districto de Braga. 

2.' CLA8SE. 

Henrique Pereira Pinto Bravo, natural de Porto das Caixas 

(Brazil). 
Joao Chrysostomo Lopes, natural da Cachoeira (Brazil). 

8.*CADEIRA 

l. a CLAS8E. 

Antonio d'Alfrieida Loureiro e Vasooneellos, natural de Vizeu. 
Antonio Jose Gonoalvea, natural de Gontinhies, concelho de Ca- 

minha. 
Arthur Carlos Machado Guintiaraes, natural do Porto. 
Caetano Ribeiro Vianna, natural de Lagos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 61 

Carloe Alberto de Moura Maldonado, natural de Tondella, dis- 

tricto de Vizeu. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural d'A- 

marante. 
Francisco Eduardo Leite da Silva, natural de Santa Comba de 

Fornellos, concelho de Fafe. 
Joao Candido Corsino, natural de Lisboa. 
Joao Maria Valente, natural de Santa Anna de Cambas, distri- 

cto de Beja. 
Joaquim Ferreira de Souzar Garcez, natural do Porto. 
Jose Carneiro Peixoto, natural de Fornos, concelho do Marco de 

Canavezes. 
Jos6 Miranda Guedes, natural de Penaioia, concelho de Lamego. 
Julio Arthur Lopes Cardoso, natural de Braga. 
Luiz d'Assumpeao Junior, natural de Villa-Keai. 
Manoel Antonio d'Abreu, natural de Pangim (India). 
Manoel Belleza da Costa Almeida Ferraz, natural de Barcelli- 

nhos, concelho de Barcellos. 
Manoel Ferreira da Silva Couto Junior, natural do Porto. 
Manoel Lopes d'Almeida, natural do Rio de Janeiro (Brazil). 
Sim&o Freire de Carvalho Falcao, natural de Castello-Bom, con- 
celho d'Almeida, districto da Guarda. 
Theotonio Augusto Alcoforade, natural de Vouzella. 



2.' CLA8SB. 

Albino Moreira de Souza Baptista, natural de Cabeca Santa, 

concelho de Penafiel. 
Antonio Augusto Carreira, natural de Santa Eulalia da Villa de 

Fafe, districto de Braga. 
Antonio Jose Ferreira da Silva Junior, natural de Porto-Alegre 

(Brazil). 
Antonio Jose Gomes, natural de Pousafolles, concelho de Sabu- 
,gal. 

Antonio Jose Lopes, natural de Panoias, concelho de Braga. 
Antonio Teixeira de Souza, natural de Celleir6z, concelho de Sa- 

broza. 
Arnaldo Pacheco Dias Torres, natural de S. Pedro de Ferreira, 

concelho de Pacos de Ferreira. 
Arthur Lessa de Carvalbd, natural de Lamego. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. 



Digitized by 



Google 



S2 ANNUAR10 DA ACADEMIA 

Bernardo Joaquim da Silva e Cunha, natural de Longos, conoe- 

lho de Guimaraes. 
Carlos Galrao, natural de Azueira, concelho de Mafra. 
Domingos Alberto Mourao, natural de Aveiro. 
Francisco Mendes Maldonado Pedrozo, natural de Santarem. 
Jacintho Parreira Lanca, natural de Castro- Verde, districto de 

Beja. 
FoSo Augusto Marques, natural de Ribas de Pinheiro de Paiva, 

concelho de Castro -Daire. 
Joao Duarte da Costa Range!, natural do Porto. 
Joaquim Ferreira da Cavada, natural de Rio-Tinto, concelho de 

Gondomar. 
Joaquim Jose Marques d'Abreu, natural de Lisboa. 
Joaquim Leao Nogueira de Meirelies, natural de Pena-Maior, 

concelho de Pacos de Ferreira. 
Joaquim Vieira d'Araujo Braga, natural de Joanne, concelho de 

Villa Nova de FamalicSo. 
Jose* Augusto Ribeiro de Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d\Alij6. 
Jose" Maria Galvao de Mello, natural do Porto. 
Jose Tavares da Silva Rebel lo, natural de Salreu, concelho de 

Estarreja. 
tfanoel de Barros Leal, natural de Pcrozello, concelho de Pe- 

nafiel. 
Manoel Zerbone Junior, natural de Horta (Ilha do Fayal). 
Sebasti&o Pinto Peixoto Portella de Vasconcellos, natural do 

Porto. 
Jose de Souza Tudella, natural de Villela, districto de Vizeu. 



9.* CADEIRA 

1.* Class*. 

Antonio d* Almeida Loureiro Vasconcellos, natural de Vizeu. 

Antonio Jose Goncalves, natural de Gontinb&es, concelho de 
Caminha. 

Caetano Ribeiro Vianna, natural de Lagos. 

Carlos Alberto de Moura Maldonado, natural de Tondella, dis- 
tricto de Vizeu. 

Francisco Eduardo Leite da Silva, natural de Santa Comba de 
Fornellos, concelho de Fafe. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 63 

Joao Caadido Coreino, natural de Lisboa. , 

Jo2o Goncalo Pacheco Pcreira, natural do Porto. 

Joao Maria Valente, natural de gant'Anna de Cambas, distri- 
cto de Beja. 

Joaquim Ferreira de Souza Garcez, natural do Porto. 

Jose Carneiro Peixoto, natural de Fornos, concelho de Marco 
de Canavezes. 

Jose Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de C6rtea, 
di strict o de Leiria. 

Julio Arthur Lopes Cardoso, natural de Braga. 

Manoel Antonio d'Abreu, natural de Pangim (India). 

Manoel Belleza da Costa Almeida Ferraz, natural de Barcelli- 
nhos, concelho de Barcellos. 

Manoel Ferreira da Silva Couto Junior, natural do Porto. 

Manoel Lopes d' Almeida, natural do Rio de Janeiro (Brazil). 

Simao Freire de Carvalho Falcao, natural de Castello-Bom, con- 
celho d'Almeida. 

Theotonio Augusto Alcoforado, natural de Vouzella. 

Jose Miranda Guedes, natural de Penajoia, concelho de Lamego, 

2.* Clasbe. 
Albino Moreira de Souza Baptista, natural de Cabecit Santa, 

concelho de Penafiel. 
Antonio Augusto Carreira, natural de Santa Eulalia da Villa de 

Fafe, diatricto de Braga. 
Antonio Jose Gomes, natural de Pousafolles, concelho de Sa- 

bugal. 
Antonio Jos6 Ferreira da Silva Junior, natural de Porto- Alegre 

(Brazil). * • • 

Antonio Teixeira de Souza, natural de Celleiroz, concelho de 

Sabroza. '-" 

Arnaldp Pacheco Dias Torres, n&tural de S. Pedro de Ferreira, 

concelho de Facoe de Ferreira. 
Arthur Lessa de Carvalho, natural de Lamego. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. 

Bernardo Joaquim da Silva e Cunha, natural de Longos, conce- 
lho de GuimarSes. 
Carlos Galrao, natural de Azueira, concelho de Mafra, 
Domingos Alberto Mourao, natural d'Aveiro. 
Eugenio Candido de Sa Braga, natural de Braganca. 
Francisco Mendes Maldonado Pedrozo, natural <£e Santarem. 



Digitized by 



Google 



64 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Jacintho Parreira Lanca, natural de Castro-Verde, districto de 

Beja. 
JoSo Augusto Marques, natural de Ribas de Pinheiro de Paiva, 

concelho de Castro-Daire. 
Joao Duarte da Costa Rangel, natural do Porto. 
Joaquim Ferreira da Cavada, natural de Rio-Tinto, concelho de 

Gondomar. 
Joaquim Jos6 Marques d'Abreu, natural de Lisboa. 
Joaquim Lefio Nogueira de Meirelles, natural de Pena-Maior, 

concelbo de Pacos de Ferreira. 
Joaquim Vieira d'Araujo Braga, natural de Joanne, concelho de 

Villa Nova de Famalicao. 
Jos£ Maria Galvao de Mello, natural do Porto. 
Jos6 Tavares da Silva Rebello, natural de Salreu, concelbo de 

Estarreja. 
Manoel de Barros Leal, natural de Perozello, concelbo de Pe- 

nafiel. 
Manoel Zerbone Junior, natural de Horta (Bba do Fayal). 
SebastiSo Pinto Peizoto Portella de Vasconcellos, natural do 

Porto. 
Thomas d 'Aquino Pinheiro Falcao, natural de Loanda (Angola). 
William Macdonald Smith, natural de Londres (Injrlaterra). 
Antonio Jos6 Lopes, natural de Panoias, concelho de Braga. 



10.« CADEIRA 
1.* Classb. 

Abilio Jos<6 Ferreira Castel-Branco, natural de Villa-Chi de 
Poiares, districto de Coimbra. 

Affonso do Valle Coelho Cabral, natural do Porto. 

Andre de Moraes Frias Sampaio e Mello, natural de Santa Ma- 
ria de Magdalena, concelho de Carrazeda d'AnctSes. 

Antonio Franco Fraafto, natural de Capinha, districto de Cas- 
tello Branco. 

Antonio Jose* Arroyo, natural do Porto. 

Antonio de Padua da Silva Junior, natural do Porto. 

Antonio Pereira de Paiva Pona, natural de Lisboa. 

Augusto Julio Bandehra Neiva, natural de Caramos, concelho de 
Felgueiras. 

Filippe Goncalves Pelouro, natural de Castello de Vide, distri- 
cto de Portalegre. 



Digitized by 



Google 



■ 

j 



POLYTECHNICA DO PORTO 65 

Francisco <T Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, natural do 

4 Porto. 

Gregorio Cameiro da Fonseca, natural de Barcellos. 

Jolo Augusto Alves de Magalhies, natural de Penafiel. 

Jo&o Henrique Adolpho von Hafe, naturaj do Porto. 

Joe6 Maria de Queiroz Velloso, natural de Barcellos. 

Manoel Antonio Alfonso Salgueiro, natural de Valenca do Mi- 

nho. 
Manoel Joaquim Peixoto do Rego, natural de Santa Maria da 

Palmeira, concelho de Braga. 
Manoel Pereira da Cruz, natural de Aveiro. 
Nicoiau Maximo Felgueiras, natural de Lisboa. - 

2." Clasbx. 

Alvaro Lefto Baptista Dias, natural do Porto. 

Aimibal Paulino Teixeira, natural de Chaves. 

Antonio Augusto da Rocha, natural de S. Martinho d'Anta, con- 
eelho de Sabroza. 

Augusto Antonio dos Santos Jnnior, natural do Porto. 

Domingos Jose Affonso, natural de Meirinhos, concelho de Mo- 
gadouro, districto de Braganca. 

Evaristo Gomes Saraiva, natural de Santo Adriao, concelho de 
Armamar. 

Francisco da Silva Carrelhas, natural d'Ovar. 

Frederico Ferreira Correal Vaz, natural de Loanda (Angola). 

Joio AugUBto da Cunha Sainpaio Maia, natural de S. Jo&o de 
Ver, concelho da Feira. 

Joao Chrysostomo Lopes, natural da Cachoeira (Brazil). 

Joaquim da Rocha Maciel, natural de Leca da Palmeira, conce- 
lho de Boucas. 

Jose Pereira Sampaio, natural do Porto. 

Manoel Jose d'Oliveira Heitor, natural de Romariz, concelho da 
Feira. 

10.« CADEIRA (o) 

1.* CLA88B. 

Adolpho Betbes6 Nery de Vasconcellos, natural de Montevideu 
(Kepublica Oriental do Uruguay). 



Digitized by 



Google 



66 ANNUARIO DA AGADEMIA 

Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de Mercedes 
(Republica Oriental do Uruguay). * 

Jose Guilhcrm* Biiptista Dias, natural do Porto. . 

PruIo de Barroa Pinto Osorio, natural da Regoa. 

Paulo Marcel lino Dias de Freitas, natural de Terra? de Booro, 
districto de Braga. 

2.* Clabse. . 
Joao Nareiao Pinto do Cruzeiro Seixas, natural de Valenca do 
Minho. 

12.- CADEIRA 

l. a Classic 
Adriano de Paiva de Faria Leite*Brandao, natural de Braga, 
Arthur Carlos Machado Gui'marSes* natural do Porto. 
J5*elix da Fonseca Mount Junior, natural do Porto. 
Jose Guilherme Baptista Dias, natural do Porto. 
Jose Maria Chartres' Henriques d'Asevedo, natural de C6rtes, 

districto de Leiria. 
Paulo de Barroe Pinto Osorio, natural da Regoa. 
Paulo Marcellino Dias de Freitas, natural de Terras de Bouro, 

districto de Braga. 

2.* CLAB8B. 

Domingos Jose Affonso, natural de Meirinhos, concelho de Mo- 

gadouro, districto de Braganca. 
Jose 1 Augusto Ribeiro Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d'Alij6. 
William Macdonald Smith, natural de Londres (Inglaterra). 



13.* CADEIRA 

l. a CAL68B. 

Adolpho Betbese Nery de Vasconcellos, natural de Montevideo 

(Republica Oriental do Uruguay). 
Affonso do Valle Coelho Cabral, natural do Porto. 
Antonio Franco Fraz&o, natural da Capinha, districto de Cas- 

tello-Branco. 
Antonio Jose Arroyo, natural do Porto. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 67 

Augusto Julio Bandeira Neiva, natural de Caramos, coneelho do 
* Felgueiras. 
Filippe Gonial ves Pelouro, natural de Castello de Vide, distri- 

cto de Portalegre. 
Frederico Pinto Pereira de Vasconcellotf, natural de Mercedes 

fRepublica Oriental do Uruguay). 
Joao Henrique Adolpho von-Hafe, natural do Porto. 
Paulo de Barros Pinto Osorio, natural da Regoa). 

2. a CLA08S. 

Henrique Pereira Pinto Bravo, natural do Porto das Caizas 

(Brazil). 
Joao Cbrysostomo Lopes, natural da Cachoeira (Brazil). 



Digitized by 



Google 



68 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Alumnoii premiados e dtetlnotoei 

nas oadetrajs dos oursom da Academia 

no anno lectivo de 1876 a 1&W 



i.* Cadeira (Algebra superior, geometria analytica no piano e 
no espaco e trigonometria espherica). 
1.* distinccao — Miguel Evaristo Teixeira dc Passos. 
2.* » — Jose Augusto Bibeiro de Sampaio. 

2.* Cadeira (Calculos differencial, integral, das differences e das 
vanacoes). 
1.* distinccio — Joao Rodriguea Pinto Brand&o. 
2.* » por ordem da matricula : 

Jose Joaquim Dias. 
Isidoro Antonio Ferreira. 

«?.• Cadeira (Mecanica racional e geometria descriptiva). 
Accessit — Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos. 

.• Cadeira (l. a e 2. a parte — Desenho de figura e paisagein). 
Accessit — William Macdonald Smith. 

4.» Cadeira (5. a parte — Desenho de topographia). 
Accessit — Joao Chrysostomo Lopes. 

5.* Cadeira (Astronomia e ^eodesia). 

Accessit — Augusto Julio Bandeira Neiva. 

7. a Cadeira (Zoologia). 
' Accessit — Antonio de Souza Magalhaes e Lemos. 
Distinctos por ordem da matricula : 

Arthur Sallustiano Maia Mendee. 

Jose Machado do Valle. 

Jo&o Maria Goncalves da Silveira Fi- 

gueiredo. 
Erminio do Nascimeuto Duartc Fer- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 69 

&• Cadeira (Physica). 

Accessit por ordem da matricula : 

Jos6 Maria de Queiroz Velloeo. 
Jo&o Augusto da Ctxnha Sampaio 

Maia. 
Alvaro Leao Baptista Dias. 
Distinctos por ordem da matricula : 

Antonio de Padua da Silva, Junior. 
Francisco d'Albuquerque de Melio 

Pereira Caceree. 
Miguel Caetano Dias. 
Anstides Bernardo de Souza. 
Joao Augusto Alves de Magalh&es. 

$.• Cadeira (Chimica). 

Accessits por ordem da matricula : 

Joio Augusto da Cunha Sampaio 

Maia. 
Alvaro Leao Baptista Dias. 
Distinctos — l. M — Antonio de Padua da Silva, Junior. 
Jose Maria de Queiroz Velloso. 
2.° — Gregorio Carneiro da Fonseca. 
8.° — Manoel Joaquim Peixoto do Rego. 
4.° — Evaristo Glomes Saraiva. 



10.* Cadeira (Botanica). 

L M Accessits — Antonio de Souza Magalhaes e Lemos. 
Jose Gomes da Silva. 

Manoel d'Albuquerque de Mello Pereira Ca- 
ceres. 
(Estes dois ultimos alumnos tiveram um voto de lou- 
vor pelos seus trabalhos de classificac2o botanica). 
2.°* Accessits — Antonio Miguel Belleza d'Andrade. 

Luiz Antonio Ferreira Gir&o. 
Distinctos por ordem da matricula : 

Maximiano Augusto d'Oliveira Le- 
mos, Junior. 
Sebastiao Augusto Nogueira Soares. 
Joao Maria Goncalves da Silveira Fi- 
gueiredo. 



Digitized by 



Google 



70 ANNUARIO DA ACADEMIA 

18.* Cadeira (Mecanica applicada as conatrucc£ea cms), 
l. M Acceasita por ordem da matricula : 

Augusto Julio Bandeira Neiva. 
Antonio Miguel Belleza d'Andrade. 
2. M Acceasits por ordem da matricula : 

Antonio Joae 1 Arroyo. 
Manoel d'Albuquerque de Mello Pe- 
reira Cacerea. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHN1GA DO PORTO 7L 



Ot>x-cua» oflterecidas A Aoademia 

Polytechnics clo Porto, durante o Anno 

leetivo cle 1876 a ISI^y 



Alfredo Augusto Schiappa Monteiro de Carvalho, lento da Es- 
coia polytechnic* de Lisboa — .Memoire de Geometrie des- 
criptive snr Intersection des surfaces dn second ordre et 
dee surfaces de revolution soit eutre elles-memes, soit avec 
quelques surfaces particulieres. — 1 vol. — 1875. • 

Simfto Rodrigues Ferreira — Ruinas da Citania; memoria his- 
torica — 1.* visita arcbeologjca — Junho 9, de 1877. 

Dr. Francisco Gomes Teixeira, lente de mathematics na Univer- 
sidade de Coimbra e socio correspond ente da Academia Real 
das Sciencias de Lisboa -— JLornal de Scieneias mathemnti- 
cas e astronomicas. 

J. F. N. Delgado — Elogio historico de Jos6 Victorino Dama- 
aio, 1877. 

r ♦* ' ' ■ < 

University libre de Bruzelles; annee academique 1876-1877 — 
Discours d'ouverture prononces en seance pubtique, Octobre 
1876. ,. i 

Don Manuel Navarro y Murillo — Memoria sobre los absurdos, 
males, peligros y otros escesos de las corridas, de toros.-*- 
1876. 

imverio do Braeil na exposic&o universal de 1876 em Phila- 
delphia, i . , • i 

Carta physica do Brazil mostrando os systems s orograpbico e hy- 
drographico d'esta regiao, por F. J. M. Qamem* de Mello. — 

Annual report of the board of regents of the Smithsonian insti- 



Digitized by 



Google 



72 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tution, showing the operations, expenditures, and condition 
of the institution for the year 1874 — Washington: Go- 
vernment printing office. — 1875. 

O Jardim botanieo da Universidade de Coimbra pelo Dr. Julio 
Augusto Henriques, director do mesmo jardim. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



73 



Otarae adqulirlcUus para a toiblio-theoa da 
Aeaclemia Polytechniea clo Porto, cln- 
rante o anno lectivo cle 1876 a XSW. 



Works of Henry lord Brougham 

Macleod, Economical philosophy — 1872 .... 

» t The elements of banking 

Francis Walker, Statistical atlas of the United States ba- 
sed on the results of the ninth census — 1870. . 
Rolley, Recherches chimiques . 
Carlo Berti Pichat — Instituzioni scientifiche e tecniche 

ossia corso teorico e pratico di agricoltura (1851-70) 

Sturm, Cours d'analyse 

With, Lea machines 

Ganot, Physique 

Da Puynode, Les grandee crises financieres de la France 

Gervais et Boulart, Les poissons 

Hardy de Beaulieu, Economic politique .... 

Timmermans, Mecanique rationelle 

Dubois, Astronomie, z* ed 

Sonnet, Elements de mecanique 

Buignet, Manipulations de physique 

Him, Memoire sur les conditions d'equilibre et sur la 

nature probable des anneaux de Saturne .... 

Him, Le monde de Saturne 

Tisserand, Ezercices de calcul infinitesimal .... 

Radan, L 'astronomie stellaire 

Yvon Yillarceau, sur l'e^tablissement des arches de pent, 

envisage au point de vue de la plus grande stability. 
Gaudard, Etudes comparatives de divers systemes de 

ponts en f er 

Edouard Jannettaz, Le chalumeau, analyses qualitatives 

et quantitatives 

Wurtz, Dictionnaire de chimie 

Haton de la Gaupilliere, Theses de mecanique sur une 

theorie nouvelle de la geometrie des masses . . . 



Tol.« 
1 



Fasc 



Digitized by 



Google 



74 



ANNUARIO DA ACADEMlA 



Sturm, Cours de mecanique 

Bachet (Claude-Gaspnr), Problemes plaisants et delects 

bles qui se font par les nombres 

Biot, Etudes but l'astronomie indienne et chinoise . . 

Wurtz, Chimie moderne 

Schcedler, Elements de botaniqne 

Davy, Lee mouvements de l'atmosphere 

Flammarion (Camille), Lee terres du Ciel 

Paul Laurencin, Le t&egraphe 

Littre, Fragment de philosophic positiye 

Gaudin, Le monde dee atonies • . • 

Hartman, Le Darwinisme 

Connaissance des temps pour Tan 1877 i . . - .' . 

Annuaire de rObservatoire de Montsouris 

Annuaire du bureau dee longitudes pour Fan 1877 . , 

Rcsal, Mecanique generate ^ -. . . 

Courtois, Banque de France 

Waelbroeck, (Wmentaire relatif aux Bocietes . . . 

Joly, L'homme et 1 'animal 

Bard et Robiquet, La constitution francaise . 
Spencer (Herbert), Science sociale 

» Elements de science sociale 

Jacolliot, Voyage au pays de la liberty V" . .'■• ■ . 

Couche, Materiel roulant, tome 3« , 

Scheler, Le livre de la nature 

» Elements de mineralogie, geognosie et geologic 

Basting, Code de la bourse 

Rame, Architecture . . , 

Molinari, Lettres sur les Etats-Unis et le Canada . 
Deberle, Histoire de rAmerique du Sud .... 

Sedillot, Histoire generate des arabes 

Karl Marx, Le capital, torn. I 

Lyell, Elements de geologie 

Annales de chimie et de physique (6 annos) 1864, 1872, 

1873, 1874, 1875, 1876. 

Duchartre, Botanique 

Hoechel, Anthropogenic 

Franck, Dictionnaire des sciences philosophiques . 



Vol." 
2 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



76 



Souza, Codigo das Alfandegas 

Tylor, La civilisation primitive • . . 

Passy, Formes de gouvernements 

Francisco Giner y Alfredo Caideron, Principios de dere- 

cho natural 

Krause, Ideal de la humanidad para la vida, con introduc- 

cion 7 comentarios por D.Julian Sanz.del Rio— 1871 
J. A. fiarraf, A tin 8 dn Cosmos ...'.'.... 
Imachenctsky, Integration des equations «ux denveespar- 

tielles do second ordre, traduit dn rtfese par Houel . 
Maximilien Marie, Theorie des fonctions de variables ima- 

'.^inaires . . . 

Clairant, Theorie de la figure de la terre . . . . * 
Flammarion (CamiHe),; Lecturers BurTastronomie . . 

Schron, Tables de logarithmes 

Sonnet, Dictionnaire des mathematiques appliquees . . 
Sechi, Unite 1 des forces physiques ....... 

Leonce ReynaucT, Travanx puoliques de la France . . 

Mac Culloch, Dictionnary of commerce. 

Annales de cbimie et de physique (mezes'de Jan. , Fev.°, 

Mar^o, Junbo, Julbo, Agosto, Set.bro ; Out.bro de 1866). 
Spencer (Herbert), Principes de biologie .... 

Souchon, Elements du oalcul differentiel et integral . 
Gonin : Manuel de constructions. w • . . . . 

Fontaine, Eclairage- .......... 

Leroy-Beaulieu, ^Science dot' finances' . . : . . 

Bhmtachli, Theorie generals de letat 

Helmholtz, Le son et la musique 

Vincent, Fabrication dee cuirs et dea peaux — l. ra partie 
Meunier, Geologic tecbnologitque '\ . 
Spencer (Herbert), Principes de psychologic . 

» » Premiers principes ... '.' 

Bnisson, Devoirs des ecoliers americams .... 
Brahy, Exercices meihodiques de oalcul differentiel . 
Archivo juridico, voL 22.° 
Nicolo Tommazo e Bernardo Bellini, Dizzionario della 

lingua italiana . ■• . . . ' .' ; . . . . 
Francesco Selmi, Enciclopedia di chimica. " • . '• . 



Vol." 
1 
1 

1 



8 
1 
7 
1 

1 

1 

Fasc. 



2 
2 



F. 175 

. 151 



Digitized by 



Google 



76 ANNUARIO DA ACADEMIA 

PuMlecupdes periodica® 



The Economist. 

Newvork -journal of Commerce. 

Mack Lane Express. 

Farmer's Magasine. 

Giornale degli economisti. 

Bevista das Obras publicas e minas. 

Comptes rendus des stances de rAcadeinie des sciences. 

Bulletin des sciences mathematiques et astronomiques. 

Journal des mathematiques pures et appliquees. 

Annales scientifiques de l'Ecole normale superieure. 

R6vue scientific ue, politique et litteraire. 

Journal d'agriculture pratique. 

Annales de cbimie et de physique. 

Bibliotheque universelle et revue Suisse. 

Revue des deux mondes. 

Diario do Governo. 

Colleeodo official de legislacito portugueza. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



78 



ANNUARIO DA ACADEM1A 



Mappa estattotioo do movimento 
anno leotlvo de 





ALDMNOS 




l.« 


2.« 


&• 


4.« 


5.« 


7.« 


7.- 


7.» 


/ Cargo preparatorio 
para a esc6la do 

I exercito 

s lCurso preparatorio 
3 J para a esc61a na- 
•§ \ val 


' 1 

1 
6 

7 

8 

4 

' 2 
2 


4 
4 

4 

8 
8 


8 
8 

8 

1 
1 


24 
24 

2 
22 

2 
2 


6 
6 

5 
1 

1 
1 


89 
89 

1 
88 

1 
4 
5 


19 
19 

19 


12 
12 

12 


■1 JTotal dos militaree 
/ Alumnoe civis.... 
f Total dos matricu- 
\ lados 


1 I Perderam o anno . 

•5 \ Approvadofl 

£ J Reprovados 

/Com premio pecu- 
[ niario 


iCom premio hono? 
3 l rifico 


J <Accessit 

£ JCom menc2o hon- 
1 rosa . 


[Total dos distin- 
\ ctoa 


i 




i 



Tiraram carta : 
de engenheiro civil de Pontes e Estradas 
de engenheiro de Minas 



1 
1 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



79 



da Aoademia Folyteehniea, no 
18TO a 1877 



POR CADEIRAS 


TOTAL 






















Contados 




a« 


9.* 


10.» 


10.« 
<0 


10.« 


11.- 


12.- 


13.* 


Por ca- 
deiras 


indiyi- 
dual- 
mente 
























* s .2 






















^" flS 






















g = g 


1 
















2 


1 


8 S ^ 

-•a 1 


i 

34 


30 


40 , 


10 


5 




7 


11 


2 

256 


1 

95 


ill 


35 


36 


40 


10 


5 




7 


11 


258 


96 


£ - -r. 


3 


2 


1 








1 




13 




31 


29 


39 


10 


5 




6 


11 


238 




iff 


1 


5 














7 






3 


2 


& 










4 


19 


13 




5 


5 


3 












22 


20 




& 


7 


8 










4 


41 


33 





Digitized by 



Google 



80 



ANNUARIO DA ACAD E MIA 



Indlvlduoe que obtiyeram carta de ca- 
pacidade em diflfo rentes cursos da Aoa- 
demla JPolyteoliniea do JPorto deede a 
reforma em Polyteehnica ate ao actual 
anno lectivo. 



N0ME8 



Data em que foi cooferidt 
a carta do corao 



Engenheiros de pontes 
e estradas 

Gustavo Adolpho Goncalves e Souza 
Henrique Guitherme Thomaz Branco 

Carlos Augusto d'Abreu 

Manoel d 'Almeida Kibeiro 

Francisco Xavier d 'Almeida Ribeiro , 

Miguel Maria Gomes 

Francisco da Silva Ribeiro 

Henrique Augusto da Silva , 

Jos6 de Macedo d'Araujo, Junior .... 
Joaquim d'Azevedo Souza Vieira da 

Silva Albuquerque 

Joao Allen 

Francisco Antonio de Rezende 

Jose Joaquim Rodrigues de Freitas, 

Junior 

Jose Taveira de Carvalho Pinto e Me- 



nezes 

Arthur Kopke de Calheiros Lobo. . . . 
Alfredo Praca de Vasconcellos Pereira 

d' Almeida 

Antonio Maria Kopke de Carvalho. . . 

Francisco Garcia, Junior 

Antonio Jose Antunes 



18 de Setembro de 1850. 

4 de Marco de 1854. 

6 de Marco de 1854. 
18 d'Outubro de 1854. 
17 de Julho de 1857. 
22 de Julho de 1858. 

5 d'Outubro de 1858. 
27 de Julho de 1859. 

7 de Janeiro de 1860. 

3 d'Agosto de 1861. 

Idem. 
5 d'Agosto de 1861. 

15 de Jutho de 1862. 

Idem. 
Idem. 

17 d'Outubro de 1863. 

18 de Julho de 1865. 
26 de Julho de 1865. 

7 de Setembro de 1865. 



Digitized by 



Google 



D. Luiz Benedicto de Castro (Conde de 

Rezende) 

Jose" Guilherme Parada e Silva Leitao 

Jose* Jeronymo de Faria 

Joao Gualberto Povoas 

Antonio Tivares d 'Almeida Lebre . . . 

Alexandre Simoee da Conceicao 

Alvaro Alio Pacheco 

Antonio Placido de Vasconcellos Pei- 

xoto 

Henriqne Barboza Goncalves Moreira 

Custodio d'Almeida 

Antonio Jose de Sa 

Antonio Ferreira d'Araujo e Silva .. . 
Manoel Duarte Guimar&es Pestana da 

Silva.... 

Jose Joaquim Guimaraes Pestana da 

Silva ....." 

Jose Macario Teizeira 

Sebasti&o Jose* Lopes 

Joao Honorato da Fonseca Regala. . . 

Angelo Jose" Moniz 

Rodrigo de Mello e Castro de Aboim . 

Alfredo Soares 

Diniz Theodoro d'Oliveira 

Antonio Jose d'Albuquerque do Ama- 

ral Cardoso 

Lniz Xavier Barboza 

Manoel Rodrigaes de Miranda, Junior 
Joaquim Duarte Moreira de Souza. . . 

Elvino Jose de Souza e Brito 

Antonio Miguel Belleza d'Andrade. . . 

Engenheiros de minas 

Francisco Garcia, Junior 

6 



5 de Setembro de 1866. 
24 de Novembro de 1866. 
30 de Novembro de 1866. 

21 de Dezembro de 1866. 

22 de Dezembro de 1866. 

10 d'Abril de 1867. 
Julbo de 1867. 

81 de Julbo de 1867. 

11 de Setembro de 1867. 
13 de Novembro de 1867. 

21 de Setembro de 1868. 
18 de Setembro de 1868. 

15 de Dezembro de 1869. 

Idem. 

15 de Janeiro de 1870. 
1 d'Agosto de 1870. 

22 de Marco de 1871. 
17 d'Outubro de 1871. 
24 d'Agosto de 1872. 
30 d'Agosto de 1872. 

9 de Setembro de 1872. 

3 de Dezembro de 1872. 
30 de Setembro de 1872. 
7 d'Outubro de 1873. 

16 de Marco de 1876. 
28 de Julbo de 1876. 
27 de Julbo de 1877. 



1 d'Agosto de 1865. 



Digitized by 



Google 



82 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



NOMES 


DaU em que foi conferida 
a carta do cureo 


Alvaro Ala*o Pacheco 


Julho de 1867. 


Jose Macario Teixeira 


18 de Setembro de 1868. 


Antonio Ferreira d'Araujo e Silva . . . 
Angelo Jos6 Monte ... T T .-. T . 


18 de Setembro de 1868. 
17 d'Outubro de 1871. 


Rodrigo de Mello e Castro de Aboim. 

Alfredo Soares 

Diniz Theodoro d'Oliveira 


24 d'Agosto de 1872. 
30 d'Agosto de 1872. 
9 de Setembro de 1872. 


Antonio Jos£ d'Albuquerque do Ama- 
ral Cardoso 


3 de Dezembro de 1872. 


Luiz Xavier Barboza 


30 de Setembro de 1872. 


Manoel Rodrigues de Miranda, Junior 
Justino Marques d'Oliveira 


7 d'Outubro de 1873. 
13 de Marco de 1876. 
29 de Julho de 1876. 

26 de Maio de 1877. 

27 de Julho de 1877. 

9 de Fevereiro de 1866. 


Elvino Jose de Souza e Brito 

Manoel Tavares d 'Almeida Maia 

Antonio Miguel Belleza d'Andrade. . . 

Engenheiros geographos 
Francisco Garcia, Junior 


Agricultores 

Agostinho da Silva Vieira 


1 d'Abril de 1863. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 




Commerciantes 



Antonio Nunes Ferreira Coimbra . . . 
Domingos Candido d 'Almeida Ribeiro 
Jnlio Kopke Severim da Fonseca. . 
Henrique Cesar Ferreira Pinto. . . . 
Abilio Martins d'Agiyar 



Artistas 

Guilherme de SonzaPereira d'Arnaud 

Jose Ernesto de Freitas 

Joao Eduardo da Rocha Soares. . . . 



Directores de fabricas 
Francisco Garcia, Junior 



25 de Setembro de 1863. 
3 de Novembro de 1863. 
8 de Marco de 1864. 
8 de Janeiro de 1869. 
3 de Setembro de 1872. 



10 de Janeiro de 1846. 
18 d'Outubro de 1854. 
29 de Setembro de 1856. 



17 deNovembro de 1865. 



1 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



MEMORIA HISTORICA 





TECH DO P 




PELO C0N3SLHSIR0 



Airiatio be Akcu Eaxboso Machacto 

Director da mesma Academia. 



Digitized by 



Google 






Digitized by 



Google 



MEMORIA HISTORICA 



^LCADEMIA PoLYTECHNICA DO Poi\TO 



I 

ORIGENS ' 

(1762 — 1 8o3) 



Fundada em i8o3 com o nome de accidentia red 
da marinha e commercio da cidade do Porto, e re- 
formada, com o titulo de que hoje usa, pelo decreto 
de 1 3 de Janeiro de 1837, a Academia Polytechnica 
tern a sua primeira raiz n'uma aula de nautica esta- 
belecida n'esta cidade em 1762. 

No anno anterior ao da creacao d'esta aula os prin- 
cipaes negociantes do Porto, vendo ameacada a na- 
vegacao pelos piratas e corsarios de Argel e de Sale, 
propuzeram ao Rei urn imposto especial para a cons- 



Digitized by 



Google 



88 ANNUARIO DA ACADEMIA 

truccao e custeio de duas fragatas de guerra, destina- 
das a comboiar as embarcacoes nas suas viagens en- 
tre esta cidade e os portos da entao colonia portu- 
gueza, hoje imperio, do Brazil. 

Gonsistia o imposto em 2 por cento sobre o va- 
lor das fazendas importadas e exportadas pelo con- 
sulado da alfandega do Porto, e sobre a importancia 
dos fretes das mercadorias que sahissem nas esqua- 
dras comboiadas> 

Os negociantes pediam que a cobranca da nova 
contribuicao, bem como a construccao e administra- 
cao das fragatas, fosse encarregada a Junta adminis- 
trativa da Companhia geral da agricultura das vi- 
nhas do Q/llto-Douro, cujos privilegios seriam accres- 
centados com os que havlam sido concedidos a Com- 
panhia de Pernambuco. A nova contribuicao era pro- 
posta com o caracter de donativo offerecido pelo com- 
mercio, que espontaneamente se sujeitava ao seu pa- 
gamento, e s6 devia conservar-se em quanto existis- 
sem as fragatas, e fossem empregadas nos usos para 
que eram requeridas. 

A Companhia das vinhas do Alto-Douro era a 
principal interessada no bom exito d'esta pretensao, 
alias de manifesta utilidade publica, nao s6 por que 
se alargava a esphera do seu poder, como porque ti- 
nha, com outros extraordinarios privilegios, o com- 
mercio exclusivo dos vinhos, aguas-ardentes e vina- 
gres exportados pela barra do Porto para as capita- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO • 89 

mas de S. Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernam- 
buco *. Ella' foi provavelmente a auctora do piano, 
posto que tivesse o cuidado de o occultar, e todos os 
membros da sua Junta administrativa, alguns dos 
quaes eram na verdade grandes armadores, appa- 
recem assignados na representacao como simplices 
negociantes, confundidos com os- outros signata- 
rios. 

Apoiada particularmente por Joao d'Almeida e 
Mello, governador das armas do Porto, e primo do 
secretario d'estado Francisco Xavier de Mendonca 
Furtado * foi aquella representacao favoravelmente 
deferida, em todos os pontos acima indicados, pelo 
alvara de 24 de novembro de 1761 *. 

Ainda nao estava acabada a primeira fragata, que 
s6 ficou prestes em -marco ou abril de 1763, e ja o 
decreto de 3o de julho de 1762 creava 12 tenentes 



* S 19 da Instituigdo approvada por Alv. de 10 de se- 
tembro de 1756. 

* Carta partictdar de Francisco Xavier de Mendonca 
para o dito governador, de 25 de novembro de 1761, regista- 
da no livro denominado da marinha da Comp. Ger. da Agr. 
das vinhas do Alto-Douro, fl. 53 v.°. 

3 Transcripto na Historia dos estabelecimentos scienti- 
ficos, litterarios e artisticos de Portugal, do Snr. Jos^ Silves- 
tre Ribeiro (Lisboa 1871 e seg.), torn. i.° pag. 296. 



Digitized by 



Google 



90 ANNUARIO DA ACADEMIA 

do mar e 18 guardas-marinhas com aula e residen- 
cia na cidade do Porto *. 

Este e o verdadeiro documento que fundou a aula 
de nautica. O illustre Fernandes Thomaz cita como 
tal a carta regia de 29 d'outubro de 1764 *, mas al- 
guns mezes antes d'esta data ja estava despachado e 
provavelmente em exercicio o respectivo professor*. 

Na verdade, a carta patente de 12 de maio de 
1764 nomea por capitao-tenente das fragatas de guer- 



* Na cit. Hist, dos estabel., torn. i.° pag. 3oo. 

* Fernandes Thomaz — Repertorio geral das leis extra- 
vagantes (Coimbra 181 5 e Lisboa 1825 — 2 vol. — 2.* edicao 
Coimbra 1843) letra A n.° 1450. 

3 Das contas prestadas pela Companhia ve-se que ella no 
anno de 1764, o primeiro do exercicio da aula de nautica, des- 
pendeu com esta aula o seguinte : 

Para reedificacao da casa da aula. 89^449 
Por soldos ao lente Antonio Ro- 

drigues 137^600 

Ao lente da aula do donativo pelas 
despteas que fez na Jornada de 

Lisboa para esta 38J400 

Como o lente s6 foi despachado em 12 de maio, parece 
que recebeu mais do que lhe competia Como capitao-tenente; 
mas p6de ser que se lhe mandasse pagar por esta reparticao 
uma parte dos soldos anteriores. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 91 

ra da reparticao da cidade do Porto a Antonio Ro- 
drigues dos Santos, com « obrigacao de ser mestre da" 
aula da cidade do Porto, na qual lera to'dos os dias 
que nao forenr de guarda, e explicara a nautica aos 
officiaes da marinha e mais pessoas que se quizerem 
applicar aquella sciencia. » * 

Este professor ja tinha servido como capitao-te- 
nente na India portugueza, e havia sido mestre da 
aula de nautica de Goa e substitute d'igual aula na 
c8rte «. 

A instituicao dos guardas-marinhas creada em 
176 1 *, nao corresponded aos intuitos do seu funda- 
dor, e foi abolida por decreto de 9 de julho de 1774, 
por mostrar a experiencia que esta especie de cade- 
tes d'armada nab curava de adiantar os seus conhe- 
cimentos, nem na theoria nem na pratica da mari- 
nha 4 . Todavia a mesma experiencia havia mostra- 



* Carta patente de 12 de maio de 1764, registada no cit. 
livro da marinha, fl. 

2 Citada carta patente. 

3 Deer, de 2 de julho de 1761 na colleccao da legislacao 
portugueza do Desembargador Antonio Delgado da Silva, pag. 
800. 

* Decr."de 9 de julho de 1774 registado no citado livro 
da marinha. Poucos mezes depois, a Franca supprimia tam- 
bem os seus guardas-marinhas. (Ordonnance du 22 sept. 1774, 



Digitized by 



Google 



92 ANNUARIO DA ACADEMIA 

do as vantagens da aula de nautica do Porto, e o 
-aviso regio de 25 de fevereiro de 1775 * recommen- 
ds a conservacao e progressos d'esta aula. 

Do alvara acima citado, de 24 de novembro de 
1 76 1, deduz-se que tudo que dizia respeito a admi- 
nistracao das novas fragatas, ficava pertencendo a 
Junta da Companhia das vinhas do Alto-Douro; mas 
uma Carta regia da mesm* data * e urn Aviso Re- 
gio do dito mez e anno 3 , redigidos com estudada 
obscuridade, foram na pratica interpretados, como 
se tivessem conferido ao governador das» annas do 
Porto a jurisdiccao immediata sobre aquella adminis- 
tracao. 

Fundado na citada carta regia, o governador no- 
meou para lente da aula de nautical por portaria de 
23 de outubro de 1770, a Jose Monteirp Salazar, 
como consta d'um documento transcripto pelo Snr. 



cit. em A. Vallet de Viriville, Hist, de Tinstr. publ. en Europe, 
pag. 267. 

* Registado no cit. livro da marinha. 

* C. R. de 24 de novembro de 1761, dirigida ao gover- 
nador das armas do Porto, registada no citado livro da mari- 
nha, fl. 5. 

8 Aviso Regio de 26 de novembro de 1761 dirigido a 
Junta da Companhia das vinhas do Alto-Douro e registado no 
cit. livro da marinha, fl. 1. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 93 

Jose Silvestre Ribeiro na sua Historia dos Estabele- 
cimentos scientificos, litterarios e artisticos de Portu- 
gal l . D'esse documento se ve que o ordenado do 
professor era de i6#ooo reis por mez, ou 192^000 reis 
por anno, quantia que corresponde hoje a 240^000 
reis, ou 1:344 francos *. O primeiro professor, se 
nao vencia mais do que o soldo da sua patente, como 
diz a sua carta de nomeacao, receberia s6 i8o#ooo 
reis, como capitao-tenente 3 . 

A cobranca do imposto, ou (como lhe chamam os 
documentos) do donativo dos 2 por cento, bem como 
pagamento das despezas a que era destinado, con- 
tinuou a cargo da Companhia dos Vinhos. Em 1774, 
porem, passou a cobranca para a alfandega com obri- 



* Tom. 1, pag. 3oi. 

* Antes da lei de 6 de mar 90 de 1822 as nossas pefas 
d'ouro valiam 6&400 reis. Esta lei elevou-as a 7#5oo reis e o 
decreto de 3 de mar90 de 1847 a Wooo reis, valor que lhes 
foi conservado pela lei de 1854 em vigor. Segundo esta lei, o 
seu peso e" de 14,188 grammas: o seu toque 6 de 22 quilates 
ou 916 */ 3 millesimal D'aqui se deduz que um kilogramma de 
ourojino = 1:090— grammas d'ouro de moeda portugueza= 
A89 pe^as. O toque da moeda franceza e* de 900 millesimas, 
e um kilo d'ouro jino egual a 1:1 1 1 i- grammas de moeda fran- 
ceza egual a 3:444— francos. 

3 Vej. a nota 3.* de pag. 90. 



Digitized by 



Google 



J5l!vv ™*^ 



94 ANNUARIO DA ACADEMIA 

gacao de entregar o seu producto a Junta da Com- 
panhia, que continuaria a correr com as despezas a 
que era destinado *. 

A ideia de que este imposto era um donativo, offe- 
recido pelo commercio para um fim do qual nao po- 
dia ser distrahido, estava de tal maneira arreigada 
no animo do governo, que o seu rendimento, apesar 
de exceder muito a despeza, foi ainda por alguns an- 
nos religiosamente entregue a Junta da Companhia *. 
Em 1778, porem, mandou o governo receber os sal- 
dos existentes e transferir para o Erario regio a re- 
ceita e a despeza 3 . Foi todavia exceptuada d'esta 
ordem a aula de nautica, assim como o escaler e a 
provedoria da marinha. Aquella aula foi expressa- 
mente commettida a direccao da Junta da Compa- 



t Deer, de 27 de outubro de 1774 e deer, de 3, e aviso 
regio de 5 de novembro do mesmo anno. Os dois uitimos do- 
cumentos, n'um dos quaes e" mencionado o primeiro, acham- 
se registados no citado livro da marinha. 

* O seu producto medio annual desde 1762 ate* 177510- 
clusive, orcava por 42:267^22 reis. No fim de 1774 o excesso 
do rendimento sobre a despeza montava a perto de 188 coa- 
tos, que equivalem hoje a 235 contos ou 1. 3 16:000 francos. 

3 Avisos regios de 14 de outubro de 1778, 16 de Janeiro 
de 1779 e 20 d'abril de 1792, registados no cit. liv. de 'mari- 
nha, fl. 58 v., fl. 59 e fl. 68 v. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 95 

nhia das vinhas do Alto-Douro, sob a inspeccao su- 
perior da Erario regio, a que devia prestar conta 
annual das despezas e progressos da mesma aula *. 
Estas despezas, com as do escaler e provedoria de 
marinha, seriam pagas no futuro pelo producto do 
imposto da decima sobre os dividendos dos accionis- 
tas da Companhia *. 

Comecaram entao a correr melhor os tempos para 
a instruccao publica. A pedido da Junta, creou-se 
n'esta cidade uma aula de debuxo e desenho. O de- 
creto de 27 de novembro de 1779, que a fundou, diz 
que as suas despezas serao pagas, como as da aula 
de nautica, pelo producto dos 2 % para a construc- 
cao das fragatas; e o Aviso regio de 4 de dezembro 
do mesmo anno 8 chega a dizer que dos dois prin- 
cipios regios d'onde dimana esta instituicao, um e o 
citado decreto, outro o alvara de 24 de novembro de 
176 1, que foi como vimos, o que estabeleceu aquelle 



* Cit. Av. ^79 e 1792. 

* Cit. aviso regio de 16 de Janeiro de 1779. A decima 
dos accionistas da Companhia era cobrada pela sua Junta ad- 
ministrativa (Alvard de 12 de novembro de 1774 § 9 na col- 
lec^ao de legisla^ao). 

* O cit. decreto e Av. reg. vem transcriptos na Histo- 
ria dos Estabelecimentos scient., litt. e artist, de Portugal, do 
Snr. Silvestre Ribeiro, torn. 2, pag. 66 e 67. 



Digitized by 



Google 



96 ANNUARIO DA ACADEMIA 

imposto *. Isto, porem, era uma ficcao juridica, um 
modo de inculcar, que o chamado donativo dos com- 
mercial! tes do Porto ainda era applicado em benefi- 
cio d'esta cidade. Finalmente, o mesmo Aviso cita- 
do, sem recear contradizer-se, nem tractar de con- 
ciliar-se, acaba por dar a verdadeira ordem, mandan- 
do que as despezas d'esta aula sejam, como as de 
nautica, satisfeitas pela decima descontada aos accio- 
nistas da Companhia. Era este o principio ja esta- 
belecido como dissemos. 

A referencia que o citado decreto e aviso de 1779 
faziam a legislacao de 1761, nao deixou de causar na 
pratica alguma confusao. Com ella argumentou o go- 
vernador das armas do Porto para sustentar a pre- 
tensao de superintender na aula de desenho, como 
tinha feito na de nautica. D'aqui resultou a suspen- 
sao do exercicio d^aquella aula por algum tempo, ate 
que o conflicto foi superiormente resotvido a favor 
da Junta da Companhia das Vinhas. 

O proprio decreto que instituiu a aula de dese 1 
nho, lhe deu por « lente » a Antonio Fernandes Ja- 
como com o ordenado de i6#ooo reis por mez ou 



* O aviso regio de 4 de dezembro de 1779, conforme 
vem transcripto na cit. Hist, dos Estabelecimentos scientijicos, 
refere-se ao alvard de 24 de novembro de 1767 e nao de 1761, 
mas e erro typographico ou da c6pia. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 97 

192J000 reis.por anno, que corresponde hoje, como 
ja vimos, a 240^000 reis ou r.344 francos. 

Este professor foi dispensado do servico em 1800 * 
e substituido por Francisco Vieira, cognominado Por- 
tuense, que devia a illustrada proteccao da Junta da 
Companhia das Vinhas do Alto-Douro o ter apura- 
do em Roma o notavel talento com que honrou a 
arte portugueza. Ao novo professor foi estabelecido 
ordenado de 6oo#ooo reis por anno* ou 3:75o fran- 
cos 3 . 

Francisco Vieira s6 entrou em exercicio em ju- 
nho de 1802, e tendo-se *usentado temporariamente 



* Aviso regio de 8 de novembro de 1800, registado no 
cit. liv. da marinha. Todavia foi abonado dos seus vencimen- 
tos como lente jubilado ate" ao fim de dezembro de 1810. 

* Aviso regio de 20 de dezembro de 1800, regist. no 
cit. liv., fl. 70. 

3 Em 1798 foi creado o papel moeda. OS pagamentos 
faziam-se metade em papel e metade em metal. Os 3oo£ooo 
reis em metal equivaleriam hoje a 375^000 reis, ou 2:100 fran- 
cos; mas os 3oo£ooo reis em papel soffriam um desconto que 
'variava conforme as circumstancias. Nao sendo possivel esta- 
belecer rigorosamente opar da moeda em taes condicoes, cal- 
culamos o franco em todo o periodo da duracao do papel 
moeda em 160 reis, que foi o cambio mais usual n'aquelle pe- 
riodo. 

7 



Digitized by 



Google 



98 ANNUARIO DA ACADEMIA 

em novembro d'esse anno, foi a sua cadeira reg 
ate junho do seguinte por seu pae Domingos Fran- 
cisco Vieira, que assigna os termos da matricula du- 
rante este periodo, como substituto da aula de de- 
senho. 

As duas aulas de que nos temos occupado, func- 
cionavam no edificio do Seminario dos meninos or- 
phdos, ou Collegio da Graca, circumstancia que nao 
deixou de ter influencia nos futuros pianos da ins- 
truccao publica do Porto. Em 1802, porem, a aula 
de desenho teve de ser mudada para o hospicio dos 
religiosos de Santo Antoni# da" provincia da Soleda- 
de *, por se prever que nao caberiam no antigo lo- 
cal os alumnos attrahidos pela fama de Francisco 
Vieira *, os quaes em verdade chegaram ao numero 
de 120. 

. Quanto a indole do ensino n^estas aulas, pouco 
sabemos dos documentos que podemos consultar. A 
instruccao na de nautica era meramente pratica, e 
completava-se a bordo das embarcacSes mercantes 
que navegavam para os dominios ultramarinos. A 



* Situado na Lameda, depois- Cordoarid, e hoje Campo * 
dos Martyres da Patria. 

* Representative) da Junta da Companhia das vinhas de 
4 de Janeiro de 180 3, na Historia dos Estabelecimentos scimt- 
tificos, tomo 2, pag. 402 e Edital da dita Junta. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO FORTO 

principio os donos e caixas das embarcacoes, ou por 
patriotismo ou por influencia da Junta da Compa- 
nhia das vinhas, admittiain a pratica da pilotagem os 
alumnos de nautica. Depois, como entrassem a re- 
cusar-se, o Aviso regio de 25 de novembro de 1761, 
registado na Intendencia da marinha do Porto, im- 
poz-Jhes esta obrigacao, ordenando que « se nao ma- 
triculasse a equipagem de navio de mais de i5o to- 
neladas r sem que n'ella fosse comprehendido algum 
aulista, legitimado com despacho do Provedor da 
Junta da administracao da Companhia, para ter no 
navio o emprego e exercicio proporcionado a sua ap- 
plicacao e prestimo, como sempre se tern praticado*. 
Esta instituicao produziu muito bons pilotos 4 . O en- 
sino do desenho devia ser apropriado ao curso de pi- 
lotagem. Pelo menos parece ter sido este o lado por 
onde a Junta da Companhia das vinhas encarou a uti- 
lidade da sua instituicao 2 . Todavia o aviso regio de 4 
de dezembro de 1779 j ust ifica a fundacao d'esta aula 
pelo desenvolvimento que ia tomando no Porto a in- 
dustria fabril. 



1 Cit. representa^ao. 

* O Av. Reg. de 16 de Janeiro de 1779 acima citado, diz: 
« Quanto ao mestre do risco, que a Junta considera ser muito 
util aos aulistas de pilotagem, serd respondido este artigo em 
occasiao opportuna ». 




Digitized by 



Google 



100 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Parece porem que se pretendeu imitar a aula de 
desenho de Lisboa, tratando-se principalmente do 
desenho de figura. Nos termos da matricula, lavrada 
em 1802, cita-se o alvara de 23 de agosto de 1781, 
que estabelecera aquella aula, e ate se declara que a 
matricula e ordenada pela Real Meza Censoria, que 
tiyera a superintendencia da aula de Lisboa, mas fdra 
extincta em 1787. 

Animada com os progressos que via nas suas au- 
las, desejosa de melhorar o Collegio dos Orphaos da 
Graca e de empregar em beneficio da instruccao dVs- 
ta cidade os xrrescimos do imposto lancado sobre os 
seus accionistas, a Junta da Companhia das vinhas 
dirigiu em i8o3 uma representacao ao principe re- 
gente, pedindo uma aula de mathematica, outra de 
commercio e duas para o ensino das linguas franceza 
e ingleza, e propondo os meios para a sustentacao 
d'estas aulas e para a construccao d'um edificio em 
que ellas funccionassem 4 . Nos baixos d'este edificio 
haveria lojas de abobada para se alugarem em pro- 
veito dos orphaos da Graca. D'este modo se evita- 
ria (diz a Junta), a necessidade que obriga os alum- 
nos d'elle a pedir esmolas pelas portas, para pode- 



1 Representa^o de 4 de Janeiro de 180 3 na Historia 
dos Estabelecimentos scientificos, litterarios e artisticos de Por- 
tMgflly torn. 2, pag. 401. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 101 

* 

rem subsistir, distrahindo-se por isso da educacao e 
do ensino a que alii se destinam. 

O Seminario do$ orphaos, ou Collegio de Nossa 
Senhora da Graca, era um estabelecimento fundado 
pelo padre Balthazar Guedes em i65i, para habita- 
cao, educacao e amparo dos orphaos pobres. N'um li- 
vro publi^do 14 ou i5 annos antes da mencionada 
representacao, querendo engrandecer a importancia 
d'este Collegio, diz o Padre Agostinho JRebello da 
Costa que d'elle sahiram, ainda em vida do fundador, 
212 orphaos para religiosos, 39 para sacerdotes, 8 
mestres de theologia, 6 doutores em canones e leis, 2 
qualificadores da Inquisicao e um bispo *. No tem- 
po em que este livro foi escripto, havia no collegio 
mais de 70 orphaos e 28 pensionistas. « Aprendiam 
latim, musica, nautica e desenho e outras artes em 
que muito se distinguiam » s . Apesar do que diz o 
author, consta qvie a maior parte dos orphaos sahiam 
do estabelecimento para o commercio, a navegacao e 
as industrias, e apenas alguns que tinham outro am j - 
paro ou que mostravam notavel aptidao para as le- 



1 Descripgdo topographica e historica da cidade do Por- 
to, por Agostinho Rebello da Costa, Porto 1789, pag. 121. (O 
Snr. Innocencio no seu IDiccion. bibliogr. cita una edi^ao de 
1788). 

* Citado Deer., pag. 120. 



Digitized by 



Google 



102 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tras, se destinavam & vida ociosa ou as profissoes li- 
beraes. A obra citada chamou a attenqao do publico 
para este estabelecimento, e a influencia d'ella sente- 
se t ate no estylo, na representacao da Junta e ainda 
mais no alvara de 29 de julho de i8o3, que appro- 
vou os estatutos da Academia Real de marinha e cora- 
mercio. * 

cNao posso deixar em silencio (diz o citado au- 
thor), a profunda inadvertencia dos portuenses a res- 
peito d'este collegio, que, sendo urn monumento de 
piedade tao interessante ao publico, e da conserva- 
cao do qual tanto depende o augmento da monar- 
chia, elles mais sc empenham em deixar por sua morte 
muitos mil cruzados as ordens terceiras e a outras 
corporacoes riquissimas, do que a este pobre e tao 
necessario estabelecimento. Por esta causa, aquelles 
innocentes meninos sao obrigados a assistir aos offi- 
cios dos defunctos, a acompanhar os enterros, as 
procissces e a mendigar esmolas com total distrac- 
cao do seu estudo, para conseguirem d'este modo um 
pedaco de pao de que se alimentem » *. 



1 Cit. Descripqdo, pag. 121. O author d'esta obra era um 
dos frequentadores das reunioes de Francisco d 'Almeida, cor- 
regedor e provedor da comarca do Porto, presidente do cofre 
d'esta cidade, e n'ella intendente da marinha, inspector das 
obras publicas nas tres provincias do norte, etc., etc. V. Apon- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 103 

O principe Regente concedeu mais do que se lhe 
pedira, fundando em i8o3 a Academia real de ma- 
rinha e commercio da cidade do Porto. 

Antes, porem, de nos occuparmos d'esta acade- 
mia, parece-nos conveiliente dar uma noticia embora 
muito summaria dos estabelecimentos de Portugal, 
em que no anno de i8o3 se professavam cursos ana- 
logos aos que foram instituidos n'aquella academia. 

Para o ensino do commercio havia em Lisboa 
uma aula fundada em 1756 J com estatutos appro- 
vados por alvara de 19 de maio de 1759 e subordi- 
nada a Junta do commeFcio. Tinha ao principio um 
66 professor para ensinar em curso triennal com li- 
coes de 4 horas por dia, a arithmetica, os pezos, me- 
didas e moedas nacionaes e estrangeiras, cambios, se- 
guros, fretamentos, commissoes e escripturacao por 
partidas dobradas. Nao se ensinava -nem a geogra- 
phia, nem as linguas vivas, nem se exigiam outras 
condicSes para a matricula senao a edade de 14 an- 
nos e saber l§r, escrever e as quatro operacoes de 
numeros inteiros. Os alumnos chamavam-se assis- 
teotes ou praticantes da aula de commercio. Havia 



tamentos biographicos do Dr. Francisco d Almeida e Mendon- 
<fa. Porto — typ. de Gandra e Filhos, 1839, folheto de 8 pag. 
1 Cap. 16 dos Estat. da Junta do Commercio, approva- 
dos por Alvard de 16 dc Agosto de 1756. 



Digitized by 



Google 



104 ANNUARIO DA ACADEMIA 

20 assistcntes que recebiam uma pensao. A Junta 
do commercio podia admit tir assistentes supranume- 
rarios, com tan to que nao excedessem de 3o, porque 
(dizia prudentemente o estatuto) nao p6de abranger 
a mais de 5o discipulos o cuidado d'um s6 mestre. 
Em regra nSo se admittiam assistentes senao de 3 
em 3 annos. Em 1801 o ensino foi distribuido por 
dois professores e o curso tornou-se biennal. O pri- 
meiro ensinava no i.° anno a arithmetica, a algebra 
elementar e a geometria pelo Gompendio de Bezout; 
o segundo, as outras disciplinas acima designadas. 
Havia tambem um substitute Apesar da regra ado- 
ptada nos estatutos, o curso de commercio nos an- 
nos de 1802 e i8o3 era frequentado por 3o3 alum- 
nos. Este numero foi exceptional, mas ha muitos 
annos de mais de i5o alumnos. 

Para © desenho havia em Lisboa uma aula espe- 
cial, a que ja nos referimos, creada pelo alvarS de 
23 de agosto de 1781, que lhe deu os estatutos, su- 
bordinada a principio a Real Me\a Censoria^ e de- 
pois da extinccao d'esta, em 1787, a Me\a da Com- 
tnissao geral sobre o exame e censura dos livros, que 
tambem foi abolida em 1794, ficando desde esta data 
sujeita a inspeccao do Erario regie Tinha dois pro- 
fessores e outros tantos substitutos. Um dos profes- 
sores efisinava o desenho de historia ou de figura, o 
outro o de architectura. 

O curso para os alumnos ordinarios abrangia as 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 105 

dois ramos de desenho e durava cinco annos, poden- 
do todavia ser reduzido pela authoridade superior em 
beneficio dos discipulos de rara habilidade e que ti- # 
vessem alcanqado premios. Admittiam-se alumnos 
extraordinarios, que nao eram obrigados ao rigor do 
curso, nem a frequencia diaria das aulas. Para a ma- 
tricula em desenho de figura, exigia-se que o alumno 
soubesse ler, nao tivesse defeito de vista e mostrasse 
n'uns oito a quinze dias de exercicios que nao era 
falto de aptidao. Para a matricula em desenho de 
architectura exigia-se, alem d'isso, o conhecimento 
das quatro operacoes de arithmetica. O ensino de 
desenho de figura comprehendia nao s6 o desenho de 
figura humana, mas o de di versos objectos da natu- 
reza, comecando-se pela c6pia de estampas e passan- 
do-se a de modelos de relevo. O professor de archi- 
tectura empregaria metade do tempo da aula (a du- 
racao das aulas era de 4 horas no verao e de 2 a 3 
no inverno), no ensino da arithmetica e geometria 
elementar, e o resto do tempo no das ordens de ar- 
chitectura, desenho de ornato e perspectiva e das no- 
<;5es indispensaveis sobre a solidez real e apparente 
das construccoes. Havia tres premios para os alum- 
nos ordinarios de desenho de figura e outros tres para 
os de architectura. Os premios eram de 3o#ooo reis, 
2o#ooo e io^ooo, e alcancavam-se em concurso, sen- 
do os assumptos dados pelo professor respectivo e 
graduando-se a difficuldade dos assumptos, segundo 



Digitized by 



Google 



106 ANNUARIO DA ACADEMIA 

a ordem dos premios. A frequencia d-este estabele- 
cimento nao era muito numerosa. Em igoo foi de 
20, em 1801, de 17, e em i8o3, de 12 alumnos ! ; 
mas coube-lhe a gloria de ter creado o grande pintor 
Domingos Antonio de Sequeira, que foi depois dire- 
ctor da aula de desenho da academic real de mari- 
nha e commercio do Porto. 

Na real academia dos guardas-marinhas (nao na 
academia de marinha) estudava-se em dois annos, jun- 
tamente com o 2. e 3.° annos mathematicos, o de- 
senho de marinha com um s6 mestre, que era o mes- 
mo de construccao naval pratica. Na academia de 
fortificaqao, o desenho topographico e d'architectura 
militar era ensinado por um professor em licoes de 
uma hora e um quarto aos alumnos reunidos dos tres 
primeiros annos do curso. Para substituir este pro- 
fessor havia dois substitutes *. No collegio dos no- 
bres dava-se um curso de. desenho por um professor 



* Balbi, Essai statistique sur le royaume de Portugal — 
Paris 1822 — 2 vol., torn, 2, pag. 72. 

* O Estatuto de 2 de Janeiro de 1790 estabelece um 
professor e um substitute O decreto de 2 de outubro de 1794 
creou o lugar de director da aula de desenho (cit. na Hist, 
dos Estabel. scientif., t. 2, p. 370). Posteriormente o desenho 
teve maior desenvolvimento na academia de fortificaf&o, mas 
isso nao pertence ao anno a que nos referimos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 107 

especial. Os exercicios de desenho de architecture 
eram dirigidos por este professor em presenqa dos 
professores de architecture civil e railitar e de com- 
binacao com elles. Finalmente devia haver uma ca- 
deira de desenho e architecture, annexa a faculdade 
de mathematica da universidade de Coimbra, mas 
esta nap foi provida ate o anno de i8o3, nem mui- 
tos aftnos depois. 

Para o ensino da marinha havia duas academias 
quasi eguaes, que ate alguns documentos parecem 
consideral-as como um estabelecimento s6; a real 
academia da marinha, creada por lei de 5 de agosto 
de 1779 e a dos guardas-marinhas pela de 1 de abril 
de 1796, ambas subordinadas ao conselho do almi- 
rantado *. 

A primeira tinha por destino formar officiaes e 
piiotos para a armada, bem como pilotos da mari- 
nha mercante, e habilitar com o curso mathematico 
os alumnos que se propunham a seguir os estudos 
dos armas scientificas na academia de fortificacao e 
desenho, a que muito depois succedeu a esc61a do 
exercito. 

Na academia de marinha havia 3 professores e 



* A principio a academia real da marinha estava sujeita 
ao inspector geral da marinha. A lei de 26 de outubro de 1766 
passou-a para o conselho do almirantado. 



Digitized by 



Google 



108 ANNUARIO DA ACADEMiA 

outros tantos substitutes. O i.° ensinava arithmetic 
ca, geometria, trigonometria plana e seu uso pratico 
e principios elementares de algebra ate as equacoes 
do 2. grau. O segundo, continuacao da algebra, sua 
applicaqao a geometria, calculo differencial e integral, 
principios fundamentaes da statica, dynamica, hydro- 
statica, hydraulica e optica. O terceiro, trigonometria 
espherica e arte de navegacao theorica e pratica. 
curso academico era de tres annos para os officiaes 
e pilotos da armada, dos dois primeiros annos para 
,o curso preparatorio d'academia de fortificacao e do 
i.° (excepto a algebra elementar) e do 3.° annos ma- 
thematicos para pilotos de navios mercantes. Na de- 
signacao do 3.° anno comprehendo, alem da cadeira 
respectiva, a instruajao nos exercicios praticos do 
observatorio real da marinha, apesar de ser um esta- 
belecimento independente *. Os estudantes que ti- 



* A lei da funda^ao da academia determinava que junto 
da aula de navega£ao houvesse uraa casa para guarda e uso 
dos instrumentos astronomicos e maritimos e um observato- 
rio d'onde se podlsse avistar qualquer parte do ceo e onde 
estivessem, ou para onde se pod&sem transportar os instru- 
mentos para as observa9oe$. Este observatorio foi transferido 
para a lijbeira das Naus e constituido n'um estabelecimento 
especial pelo alvara de 18 de mar^o de 1798. Vej. Hist, dos 
EstabeL scient., torn. 3.° pag. 36 1. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 109 

vessem ganho o partido ou premio no' i.° e 2. an- 
nos e approva<;ao no 3.° (no qual nao havia premio), 
eram admittidos nos navios de guerra com o nome 
de voluntarios da real marinha, com soldo e come- 
dorias durante o embarque; e sobre as provas que 
tivessem dado de capacidade e genio para a vida do 
mar, podiam ser consultados para segundos tenentes 
da armada *. Os alumnos approvados no i.° anno 
e matriculados no 2. , seriam admittidos ate o nu- 
mero de 3o, como aspirantes de pilotos da armada, 
com os vencimentos competentes; e depois de con- 
cluirem o curso e de terem como aspirantes dois an- 
nos de pratica de navegacao e manobra nos navios 
do Estado, ficavam habilitados para serem promo- 
vidos a segundos pilotos *. 



1 Alvard de 20 de maio de 1796 na cit. Hist, dos Esta- 
bel. scient., torn. 2, pag. 375. Este alvard nao falla em premios 
ou partidos, mas esta condi^ao era exigida pelo decreto de 
14 de dezembro de 1782, que n'este ponto nao foi derogado, 
e assim se entendeu na prdtica. Mem. do Dr. Filippe Folque, 
a pag. 6 c do appendice ao 2. vol. do Inquerito dcerca das re- 
partiqbes de marinha, Lisboa — Imprensa National, 18 56. 

9 Lei da fondacao da academia de 5 d'agosto de 1779, 
na collec9ao de legisla^o de Delgado e Res. Reg. de 10 de 
fevereiro e 17 de outubro de 1798 na muitas vezes citada 
Hist, das Estabel. scient. y torn., 2. , pag. 337 e s.eg. 



Digitized by 



Google 



110 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Para admis&ao a matricula na acadetnia nao se 
exigia mais do que a edade de 14 apnos, pelo me- 
nos, e appro vacao pelo lente do i.° anno na pratica 
das quatro operacoes arithmeticas. 

Os professores eram tirados da classe dos subs- 
titutes que tinham accesso por antiguidade relativa. 
Estes deviam ter completado o cqrso de cinco annos 
da universidade de Coimbra e ter o grau de licen- 
ciado pela mesma universidade. Eram propostos pelo 
conselho da faculdade de mathematica e peios tres 
professores cathedraticos da propria academia. 

Das disposicoes disciplinares nada diremos por 
agora, porque sao quasi as mesmas que veremos a 
respeito da academia do Porto. S6 importa dizer que 
havia a principio 24 partidos ou premios para os 
alumnos mais distinctos, e 12 para os que se prepa- 
rassem para entrar na academia de fortificacao. So- 
bre a frequencia do 3.° anno nao se dava partido, 
de maneira que havia seis para cada um dos dois pri- 
meiros annos; e como na classe devoluntarios da 
armada nao eram admittidos senao os premiados, o 
numero d'aquelles voluntarios ficava reduzido a 6 
por anno. 

N'esta academia, alias notavel pelos excellentes 
professores que sempre teve, nao havia professores 
de desenho, nem de linguas vivas, nem mestre de 
apparelho e manobra naval, como os veremos na 
academia da marinha e commercio do Porto. Se- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHN1CA DO PORTO 111 

gundo o ideal que se traduz nas disposicoes legislati- 
vas e nas praticas academicas, este estabelecimento 
tinha a indole d'uma esc6la polytechnica no sentido 
francez d'esta palavra, e tanto que o doutor Ciera, 
n'uma informaqao que deu ao governo em 1800, di- 
zia que se n'esta academia fossem estabelecidas uma 
cadeira de physica e outra de chimica, ficariam com- 
pletas as habilitacoes dos seus discipulos para todas 
as profissoes 4 . Nao e pois de estranhar que a vis- 
semos constituir em 1837 como esc61a polytechnica 
de Lisboa. Foi mais um desenvblvimento do que 
uma transformacao. 

Ella na verdade nao tinha um curso de marinha, 
nem de guerra, nem metcante. Os voluntarios que 
ella dava a armada iam na qualidade de guardas-ma- 
rinhas extraordinarios fazer na academia d'estes o 
curso de construccao, apparelho, manobra, tactica 
naval e artilheria, sem o que nao podiam passar a 
officiaes *. 

A outra academia a que acima alludimos, a dos 
guardas-marinhas, antecessora da que hojee esc61a 



1 SMemoria do Dr. Filippc Folque a pag. 6% do appen- 
dice, vol. 2.« do <zii.< Inquerito dcerca das repartigbes de mart- 
nha. 

* Deer, de i3 de novembro de 1800 na collec^ao de le- 
gisla^ao de Delgado. 



Digitized by 



Google 



112 ' ANNUARIO DA ACADEMIA 

naval, tinha em si todo o curso mathematico que ja 
encontramos na academia de marinha. A principio 
ainda havia entre estes dois estabelecimentos diffe- 
rencas importances a respeito do dito curso, mas na 
epoca em que os estamos considerando, em i8o3, 
aquellas differencas ja tinham sido inteiramente eli- 
minadas *. A pratica do observatorio era aprendida 
no mesmo estabelecimento, em que praticavam os 
alumnos da academia de marihha de Lisboa. 

Alem dos tres Ientes e de dois substitutos de ma- 
thematica havia na academia dos guardas-marinhas 
urn lente de artilheria e dois mestres, um de appare- 
Iho, outro de construcqao naval pratica e de dese- 
nho. Estes eram os cursos de applicacao que tinham 
de ser frequentados pelos voluntaries, depois de ha- 
verem concluido os estudos mathematicos da acade- 
mia de marinha. Os aspirantes a guardas-marinhas 
estudavam-os juntamente com as aulas de jnathema- 
tica; no primeiro anno aprendiam o apparelho do na- 
vio e manobra; no 2. , desenho de marinha e no^oes 



i Res. Reg. de 11 de dez. de 1779 publicada no Edital 
de 8 de Janeiro de 1800 na colleccao de legisla^o de Delga- 
do. O laborioso auctor da Hist, dos Estabel. scient. } torn. 2. , 
pag. 421, traz a citada Res. como de 20 de outubro; mas esta 
6 talvez a data da consultal O cit. Edital 6 o mesmo que o 
dito auctor menciona a pag. 422 com o titulo de decreto. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNtCA DO PORTO 113 

de construccao; no 3.° continuavam com o desenbo 
e estudavam artilheria. 

Os guardas-marinhas sahiam da classe dos aspi- 
rantes, por promocao- que se dava, logo que estes ti- 
vessem obtido a approvacao no i .° anno. A admis- 
sao a praca de aspirante dependia das seguintes con- 
dicoes: edade dei5 a 17 annos, ter o foro de fidalgo 
por si ou por seu pae ou mae, ou ser filho de capi- 
tao de mar e guerra, ou de coronel do exercito, se- 
nao de maior patente, e mostrar ppr uma attestacao 
passada por qualquer dos lentes da academia, suffi- 
ciente intdligencia das quatro regras fundamentaes 
da arithmetica e da traducq^o franceza \ 

Para os lugares de professores substitutos exigiam- 
se os precisos graus pela Universidade de Coimbra, 
ou exam* geral do curso mathematico pela academia 
real de marinha, ou o curso da propria academia. Os 
substitutos eram promovidos a lentes por antigui- 
dade. 

Em alguns pontos os estatutos da academia da 
marinha e do commercio do Porto r referem-se aos 
estatutos da academia dos guardas-marinhas e a es- 
tes recorria algumas vezes nos casos omissos o con- 



* Estatutos da acad. dos guardas-marinhas de 1 d'abril 
de 1796; deer, de 14 de dezembro de 1782; deer* de 3 de no- 
vembro e Res. de 19 de dezembro de 1800. 

8 



Digitized by LjOOQ LC 



114 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

seiho cTaquclla academia, preferindo-os aos proprios 
estatutos da academia real de marinha de Lisboa, 
que por via de regra deviam ser-lhe subsidiaries. 

As mathematicas ensinavam-se com maior des- 
envolvimento na faculdade de mathematica da Uni- 
versidade deCoimbra. 

Pelos estatutos de 1772 tinha esta faculdade qua- 
tro cadeiras, que erarrl frequentadas em outros tantos 
annos. A do 1 f ° anno, denominada de geometric com- 
prehendia elementos de arithmetica, geometria e tri- 
gonometria plana com applicacao a geometria e ste- 
reometria. A do 2. anno, chamada de algebra, com- 
prehendia a algebra elementar, principios de calculo 
infinitesimal, directo e inverso, com applicacao a geo- 
metria sublime e transcendente. A eddeira de pho- 
ronomia no 3.° anno comprehendia a sciencia geral 
do movimento com a sua applicacao a todos os ra- 
mos de phoronomia, que constituem o corpo das stien- 
cias physico-mathematicas. A de astronomia no 4. 
anno tratava da theoria do movimento dos astros tanto 
physica como geometrica e da pratica do calculo e ob- 
servacoes astronomicas. Foi n'esta cadeira que por 
muito tempo os alumnos de mathematica se aperfei- 
toavam nas theorias mais sublimes da analyse f . 



* Snr. Castro Freire, Afem. kist . da Jute, de maihem. de 
Coimbra y 1872, pag. 45. 



Digitized by 



Google 



POJLYTSCHNICA DO PORtO 115 

A estas cadeiras foram accrescentadas duas em 
1 80 1 ', uma de astronomia pratica, outra de hydrau- 
lica. 

E' inutil fallar da cadeira de architecture e dese- 
nho annexa a esta faculdade nos terraos dos Estatu- 
to$ 7 porque, como ja observamos, nao teve professor 
senao muitos annos depois do de i8o3. 

O curso da faculdade de mathematica nao se li- 
mitava as cadeiras privativas da faculdade. Nos seus 
i.° e 2. annos deviam os alumnos d'ella frequentar 
a historia" natural e a physica experimental, que; em 
i8o3 se ensinavam no i.° e 2. annos da faculdade 
de philosophia '. 

Em i8o3 a distribuicao legal do curso mathema- 
tjco na Unfversidade era o seguinte : 

i.° anno: cadeira de geometria, (comprehendendo 
as raaterias acima designadas) — Historia natural no 
1 .° anno da faculdade de pTiilosophia *. 



* Carta regia de 1 de abril de 1801. 

* Pelos estatutos estas disciplinas estudavam-se no 2. 
c 3.° annos da faculdade de philosophia ; no i.° anno ensinava- 
se a philosophia racional e moral, que posteriormente passou 
para o collegio das artes (lyceu de Coimbra). A carta regia de 
24 de Janeiro de 1791 creou a cadeira de botanica e agricultu- 
ra; mas outra carta regia de 21 de Janeiro de 1801 mudouno- 
varoente a botanica para a cadeira de historia natural, na f6r- 



Digitized by 



Google 



1 16 ANNUARIO DA ACADEM1A 

2. arfno: cadeira de algebra (como acima). — Phy- 
ca experimental na faculdade de philosophia. 
3.° anno: i.* cadeira — Estatica, mecanica, opti- 
ca e acustica. 2.* cadeira — Hydrostatica, hydrauli- 
ea, observacoes praticas sobre construccao das obras 
I ydraulicas, descripcao e uso das machinas empre- 
gadas n'estas obras, a vista de modelos ou de estam- 
pas. 

4. anno: i. m cadeira — Theoria de astronomia, 
physica e geometrica, levando as disciplinas pelo fio 
da analyse ate os ultimos descobrimentos das des- 
egualdades seculares; 2.* cadeira — trigonometria es- 
pherica e sua pratica, calculo das taboas astronomi- 
es, construccao e uso dos instrumentos astronomicos 
c pratica das observacoes. Os estudantes praticavam 
no observatorio, que estava bem provido e organi- 
sado e era sabiamente dirigido, servindo tanto para 
o ensino pratico como para o calculo das ephemeri- 
des, e para as observacoes proprias dos estabeleci- 
mentos astronomicos '. 



ma dos estatutos, e creou a cadeira de metallurgia para a qual 
ansferiu a agricultura. Esta parece que era a situacao legal 
em i8o3, mas 6 certo que no anno de 1811 a 1812 a botanica 
era ensinada com a agricultura no 3.° anno. (Hist* dos Esta- 
bel. scient.y t. V, pag. 129). 

1 Pelos estatutos o observatorio era apenas uma escola 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 1.17 

Aos estudantes approvados no 4. anno conferia- 
se o grau de bachareL Se queriam ser bachareisfor- 
mados tinham de fazer novo acto ou exame geral so- 
bre as materias mathematicas de todos os annos, ti- 
rando a sorte, dois dias antes do exame, quatro pon- 
tos sobre que eram argumentados por quatro lentes 
sob a presidencia d'um outro lente escolhido pelo 
candidate O bacharel formado que aspirasse a maio- 
res graus (o de licenciado e o de doutor),, era obri- 
gado a frequentar mais um anno, tornando a ouvir 
as lic5es de mecanica e astronomia theorica (1.* ca- 
deira do 3.° e dita do 4. anno). No fim d'este anno, 
que era entao o 5.° do curso, defendia publicament^ 
dieses da sua escolha, contra oito doutores que lhe 
serviam de arguentes na presenca da Faculdade. De- 
pois d'este acto, que se chamava de repetiqao, se- 
guia-se o exame privado, a que s6 assistiam os len- 
tes e substitutes da propria faculdade e o reitor da 
Universidade. Sendo approvado, era-lhe conferido o 
grau de licenciado, o qual o habilitava para receber 
de doutor. Este ultimo grau nao dependia de novo 
exame. Era uma simples formalidade, assas dispen- 
diosa para doutorando. 

de ensino prdtico. A carta regia de 4 de dezembro de 1799 
elevou-o & altura d'um verdadeiro estabelecimento astrono- 
mico. (Snr. Castro Freire, cit. cftfem. hist, da Foe- de cMath., 
pag. 44. Vej. a cit. 6Mem. a pag< g5 e seg.). 



Digitized by 



Google 



118 ANNUARIO »A ACADEMIA 

Na faculdAdfe de mathematica, assim como na de 
philosophia, admittiam-se tres classes de alumnos: 
ordinarios, obrigados e voluntarios. Pertenciam i 
i .» classe os estudantes que pretendiam formar-se ou 
grdduar-se na propria faculdade; a 2.% os que eram 
obrigados a frequentar alguma parte do curso ma*- 
thematico como preparatorio para outras faculdades; 
a 3.*, os que apenas desejavam estudar para sua pro- 
pria instruccao. Os actos dos alumnos da 2/ d'estas 
classes eram menos rigorosos. Os voluntarios podiam 
passar para qualquer das outras classes a todo o tem- 
po que o desejassem, fazendo os exames e apresen- 
tando certidao dos preparatorios legaes. Eram con- 
dicoes para a matricula dos ordinarios e obrigados 
a edade.de i5 annos pelo menos, e approvacad em 
latim e philosophia racional, bem como a prova de 
expeditos na pratica das quatro operacoes fundamen- 
taes. Aos voluntarios s6 era necessaria esta ultima 
prova. No anno de graduacao exigia-se tambeiti o 
exatne de grego, que sempre foi muito superficial. Os 
estatutos recommendavam muito a intelligencia das 
linguas vivas da Europa, principalmente da ingle^a 
e france\a, mas nao obrigavam a frequencia nem ao 
exairie d'estas linguas *. 



1 Estat. da Univ., (Lisboa, Reg. offic. typogr. 1773 — 3 
vol.), parte 2.% tit. a, cap. 3, § 4 no 3.* vdl. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 119 

Para completarmos a noticia dos estabelecimen- 
tos, em que se professavam cursos analogos aos da 
acadeijiia real da marinha e corrtmercio do Porto, ne- 
cessitariamos ainda de examinar a organisacao do en- 
sino da agricultura, das linguas vivas e da philoso- 
phia racional ; mas ganhar-se-ha em brevidadc sem 
se perder em clareza, deixando estes pontos para os 
lugares em que tivermos de nos occupar d^aquelles 
ramos dos estudos da academia. 



Digitized by 



Google 



'i'' * 

& _'_. ^ Digitized by G00gk 



II 



ACADEMIA REAL DA MARINHA E COMMERCIO 
DA CIDADE DO PORTO 



i8o3 — 1837 



As aulas que a Junta da Companhia geral da agri- 
culture das vinhas do Alto-Douro pediu na represen- 
tacao que ja mencionamos, de 4 de Janeiro de i8o3, 
limitavam-se a quatro, que eram uma de mathema- 
tica, outra de commercio, e duas das linguas fran- 
ceza e ingleza, para accrescentar as duas que ja ha- 
via no Porto, de nautica e desenho. 

A Junta propunha-se a organisar bem os dois cur- 
sos de pilotagem e de commercio. £ verdade que, 
referindo-se a aula de math'ematica, nao a inculca s6 
como util ao aperfeicoamento d'estes cursos, mas 



Digitized by 



Google 



122 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tambem como proveitosa aos c militares da guarni- 
qao d'esta cidade, aos artistas e a todas as mais pes- 
soas, cujas profissoes requerem o conhecimento d'es- 
ta sciencia*. N^estas palavras se anteve a idea mo- 
derna, ainda hoje iflal definida, do ensino secundario 
especial. Egual idea domina o discurso da Junta, 
quando para mostrar a vantagem do ensino das lin- 
guas vivas, diz que « muitas obras, que se acham es- 
criptas e se vao escrevendo em matherriatica, em com- 
mercio, em agri<^ltura, em fabricas e em navega- 
cao, e no idioma francez e inglez». Assim, a Junta, 
adiantandose a quasi toda a Europa, fundava o en- 
sino preparatorio da educacao industrial. Todaviao 
seu principal fim era crear os dois cursos de applica- 
cao, que mencionamos, constituindo ao mesmo tem- 
po a instruccao preparatoria e a technica d'estes cur- 
sos *. 

Pedindo que estas quatro aulas se estabelecessem 
no collegio dos orphaos, onde ja funccionavam as 
de nautica e desenho, c para principiar o aproveita- 
mento pelos miseraveis orphaos », mostrava a Junta 
o seu tino pratico, porque tinha n'aquelle collegio 
uma populacjao certa para a frequencia do novo esta- 
belecimento, sem correr o perigo de luctap com a in- 



* Vej. a representor da Junta na jd tit Hist, dos Es- 
tate!, scient., t. II, pag. 401. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 128 

differenca ou com os habitos d'uma ignorancia tra- 
dicional. 

Deferindo ao pedido da Junta, o governo deter - 
minaVa no alvara de 9 de fevereiro de i8o3, *que na 
cidade do Porto se erigissem aulas de mathematica, 
de commercio, das linguas ingleza e franceza, para 
governo das quaes (dizia o citado alvara) mandou for- 
mar estatutos proprios* *. N'este ultimo ponto se 
desviava o alvara da representacao da Junta, a qual 
pedia que as aulas fossem reguladas pelos estatutos 
das que se achavam estabelecidas na Corte, e das 
quaes d£mos noticia. 

NSo parou, porem, o governo n'este primeiro pas- 
so. Pelo alvara de 29 de julho do mesmo anno e 
pelos estatutos da mesma data, creou una curso de 
mathematicas egual ao das academias, real da ma- 
rinfaa de Lisboa e dos guardas-marinhas, e accres- 
centou as aulas ja creadas pelo alvara anterior de 9 
de fevereiro, uma de philosophia racional e moral e 
outra de agricultura, esta porem para ser provida 
quando as circumstancias o permittissem. Cada uma 
d'estas cadeiras, excepto a ultima, teriam um lente 
e um substitute Subordinado ao lente.de navega- 
cao (3.° anno mathematico) haveria um mestre de 
apparelho e manobra naval, como na academia dos 



* Cit. Alvard na collec^ao da legisla^ao de Delgado. 



Digitized by 



Google 



124 ANNUARIO DA ACADEMIA 

guardas-marinhas. Emfim (alguns mezes depois dos 
estatutos) a aula de desenho foimontada com tal 
pompa, que o seu director n'um discurso inaugural 
# lhe chamou « academia de desenho e pintura» *. 

No novo estabelecimento encontra-se claramente 
delineado o piano, embora muko incomplete, d'um 
instituto polytechnico no sentido allemao d'esta pa^ 
lavra. 

Esta academia concentrava em si todos os cur- 
sos, quer preparatories quer d'applicacao industrial, 
que em Lisboa se achavam repartidos por diversos 
estabelecimentos; e em geral estes cursos ersLm n'esta 
academia mais completos, como o deve ter conhe- 
cido o leitor, se acaso nos acompanhou ate este ponto 
e como adiante se vera melhor. Tambem esta aca- 
demia era com razao considerada como o nosso pri- 
meiro estabelecimento de instruccao publica, depois 
da Universidade de Coimbra, e na ordem chronolo- 



* Discurso feito na abertura da academia de desenho e 
pintura na cidade do> 'Porto, por Francisco Vieira Junior, pri- 
meiro pintor da Camara e CSrte e lente da mesma aeademia. 
*Por ordem de sua altera real. — Lisboa i8o3. Transcripto na 
Hist, dos Estabeh scient., vol. Ill, pag. 24. O cit. A. julga que 
este discurso foi recitado em 1802, e algumas razoes ha a fa- 
vor d'esta opiniao; mas parece que foi em i8o3, como verS- 
mos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC A DO PORTO 125 

gica pertence-lhe urn dos primeiros lugares entre os 
institutes de ensino secundario especial e do superior 
technico da Europa. 

A idea &t faculdade transparece as vezes nos seus 
estatutos. Assim, o artigo 40 faila em alumnos < que 
houverem de seguir e cultivar as mathematicas por 
ellas mesmasi. Para estes, assim como para os que 
pretendessem applicar os conhecimentos adquiridos 
na academia, a fins diversos do da navegacao, exi- 
gia-se o curso de philosophia racional e moral, como 
para os que aspiravam a frequentar as mathemati- 
cas na Universidade (art. 10, comparado com os art. 
27 e 38). O art. 46 ate parece admixtir graus quan- 
do diz: cnao podera ser consultado para leote ou 
substitute da faculdade de mathematica ou philoso- 
phia e agricultura o que nao tiver o grau de licen- 
ciado pela Universidade de Coimbra ou para ofu- 
turopor esta academia*. O art. 22 manda fazer no 
fun do curso mathematico um exame geral como o 
da formatura da faculdade de mathematica da Uni- 
versidade, e por fim o alvara de 16 d'agosto de 1825 
introduziu um anno de repeticao, uma defeza de the- 
ses e um exame privado, a imitacao do que se exige 
aos licenciados da faculdade de mathematica da Uni- 
versidade. Nao faltam cartas regias de despachos 
para lentes da « faculdade de mathematica da aca- 
demia » . Todavia este estabelecimento nunca dispu- 
tou a Universidade o exclusivo de conferir graus scien- 



Digitized by 



Google 



126 ANNUARIO DA ACAD KM I A 

tificos, e o que se prova dos artigos citados e que 09 
legisladores n3o tinham ideas claras a respeito da dif- 
ferenca ainda hoje muito questionada eatre as facul- 
dades e as esc6Ias de habilitacao e de applicacao. 

O curso mathematico da academia era repartido 
em tres annos e compunha-se das tres cadeiras se- 
guintes: ■ 

i. a cadeira (i.° anno) — arithmetic^ geometria, 
trigonometria plana, seu uso pratico e principios ele- 
men tares de algebra ate as equaeoes do 2. grau in- 
clusive. 

2. a cadeira (2. anno) — continuacao da algebra, 
sua applicacao a geometria, calculo differencial e in- 
tegral; principios fundamentaes de statica, dynami- 
ca, hydrostatica, hydraulica e optica. 

3. a cadeira (3.° anno) — trigonometria esphericae 
arte de'navegacao theorica e pratica, seguida das no- 
coes de manobra e do conhecimento e uso pratico 
dos instrumentos astronomicos e maritimos. Ao pro- 
fessor d^esta cadeira estava sybordinado, como dis- 
semos, um mestre de apparelho e manobra naval, ma- 
teria que se nao estudava na academia de marinha 
de Lisboa e que os voluntarios da armada tinham de 
aprender na dos guardas-marinhas, depois de con- 
cluido o curso mathematico d'aquella academia. 

No mais, os cursos mathematicos d'estas tres aci- 
demias, eram inteiramente eguaes; e o decreto de 3 
de novembro de 182 5 < considerando a analogia, ou 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 127 

antes identidade, tanto das cfisciplinas que se apren- 
dem, como do methodo de ensino que se acha ado- 
ptado nas reaes academias de marinha estabelecidas 
na capital * e na cidade do Porto » mandou que aos 
alumnos das duas referidas academias que desejas- 
sem proseguir na outra os seus estudos, se lhes le- 
vassem em conta os annos em que tivessem sido ap 
provados, sem que fossem obrigados a repetir os exa- 
mes. 

Antes d'esta determinacao, ja o conselho da aca- 
demia do Porto havia resolvido que os discipulos da 
academia de marinha de Lisboa podessem continuar 
na primeira o seu curso mathematico, uma vez que 
tivessem os preparatories legaes *. 

Pareceria, pois, que a indole dos dois cursos era 
exactamente a mesma. Todavia, ao passo que na 
academia de Lisboa dominava, como ja observamos, 
o ideal d'um estabelccimentb de habilitagao, preva- 
lecia na do Porto o caracter d'um instituto aomes- 



^ Nao se tracta da academia dos guardas-marinhas, por- 
que, apesar de se dar n'ella a mesma razao de identidade do 
corso mathematico era, como vimos, uma institui9&o aristo- 
cratica, que nao se queria equiparar com os estabelecimentos 
plebeus. 

2 Livro n.° 91 das actas — Acta da sessio de 3o de ju- 
nho de 1821, fl. 9 v. 



Digitized by 



Google 



128 'ANNUARIO DA ACADEM1A 

mo tempo preparatorio e de applicaqao, sendo que 
em 1 8 19 resolveu o conselho d'esta academia queos 
discipulos da 3. a cadeira de mathematica nao fossem 
admitridos a exame sem terem sido approvados em 
apparelho e manobra naval '. 

Para admissao no 1 .° anno mathematico da aca- 
demia do Porto, exigia-se, alem d\un exame sobre as 
quatro operacoes fundamentaes da arithmetica como 
na academia de marinha de Lisboa, a approvacao 
em francez,. como na academia dos guardas-mari- 
nhas, obtida porem n'um exame mais solemne do 
que se requeria n'este ultimo estabelecirnento *. E 
para o curso completo de mathematica exigia-se ain- 
da a approvacao em philosophia rational e moral e 
em inglez 8 . Alem d'isso, havia n'esta academia 
ensino de desenho, que fazia parte do curso com- 
pleto 4 . 



* Acta da sessao de 21 de junho de 1819, livro 93, fl. 21, 
confirmada na sessao de 8 de julho de 1824, livro 91, fl. 17. 

* Estatutos da Academia R. da Mar. e Com. da cidade 
do Porto de 29 de julho de i8o3, artigos 6 e 9. S6 no pri- 
meiro triennio, isto £, ate* o anno de 180 5 a 1806, era dispen- 
sado o preparatorio do francez; mas ainda assim os alumnos 
eram obrigados a dar conta d'este exame durante o curso. 

* Cit. Estatutos, art. 10. 

* Idem, art. 23. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 129 

Portanto, a academia do Porto dava umainstruc- 
cao mais completa do que os estabelecimentos ana- 
logos da C6rte. Todavia os seus alumnos nao gosa- 
vam das mesmas vantagens*. A sua superioridade ape- 
nas Ihe servia para justificar a egualdade em alguns 
direitos; e o amor do privilegio e tao vivaz, que ain* 
da hoje dura e muito mais acceso, na.esc61a polyte- 
chnica, successora da academia real de marrnha de 
Lisboa. 

Cursos de pilotagem. Havia duas especies de cur- 
sos de pilotagem, o curso simples e o curso complete*. 
Ambos elles^ se compunham de duas partes; uma a 
que poderemos chamar academica (porquenao seria 
exacto dar-lhe o nome de theorica); outra, prdtica. 
A differenca entre estes dois cursos estava s6 na pri- 
meira parte. Eram preparatorios communs a qual- 
quer d'elles um exame sobre as quatro operacSes fun- 
damentaes da arithmetica, perante o lente do i .° an- 
no mathematico, e o exame de francez, feito com as 
formalidades dos exames, chainados menores, da aca- 
demia. Para o curso completo exigia-se mais a phi- 
losophia racional e a lingua ingleza *, mas na pratica 
esperava-se por estes exames ate a conclusao do curso 
ou ainda depois, de maneira que as duas mencionadas 



* Estatutos de r8o3, §S 9 e 10. 
9 



gitizfd by 



130 ANNUARIO DA ACADEMIA 

disciplinas quasi tan to se podem dizer preparatorias 
como complemen tares *. 

O curso simples de pilotagem reduzia-se ao i .° e 
3.° annos mathematicos, apparelho e manobra naval 
e desenho de marinha * . O curso completo tinha a 
mais o 2. anno mathematico e os preparatories ou 
complementos ha pouco enumerados. 3 

A parte pratica dos cursos de pilotagem, quer sim- 
ples quer completa, consistia n'um certo numero de 
viagens aos portos do Brazil e do Baltico. No re- 
gresso de cada uma d'estas viagens, os aulistas de- 
viam apresentar ao lente do 3.° anno mathematico 
uma derrota circumstanciada contendo as observa- 
coes que tivessem feito sobre as variac5es da agulha, 
latitudes e longitudes dos lugares por onde haviam 
passado, assim como as configuracoes das cos tas, por- 
tos e ilhas que tivessem avistado, e finalmente uma 
descripcao hydrographica. O lente examinava as der- 
rotas e dava sobre ellas o seu voto, dirigindo tudo 
em carta fechada ao secretario da academia. Depois 



* Esta pratica tinha fundamento no paragrapho 23 do 
citado estatuto. 

* Os Estatutos nao exigiam expressamente o desenho 
para o curso simples de pilotagem ; mas parece que sempre foi 
considerado como disciplina necessaria ao curso de nautica. 

3 Cit. Estatutos, art. io e 23. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 131 

de tres cTestas viagens, podiam os aulistas tirar as 
suas cartas de sota-pilotos. Para obterem a de pilo- 
tos precisavam de mais duas viagens com os mesmos 
requisites. As cartas eram passadas pela Junta da 
Companhia. * 

Para as viagens de instruccao pratica os alumnos 
podiam requerer a Junta da Companhia das vinhas 
que os mandasse admittir nos naVios de i5p tonella- 
das para cima que navegassem do Pprto para o Bra- 
zil ou para o Baltico. A esses alumnos seriam mi- 
nistrados todos os meios proprios para as observa- 
coes de que tinham de dar conta nas suas derrotas. 
No caso de concorrencia (porque cada navio nao ti- 
nha obriga<;ao de levar mais de um alumno) eram 
preferidos os que tivessem o curso completo de pilo- 
tagem. * 

Os sota-pilotos e pilotos, munidos com as cartas 
passadas pela Junta da Companhia, podiam exercer 
a respectiva profissao em quaesquer embarcacoes e 
portos d'estes reinos, aentrando pela egualdade de 
circumstancias no mesmo parallelo e con curso dos 
discipulos da academia real de-marinha de Lisboa; 
pojs nao e da intencao de sua Alteza Real que entre 



* Cit. Est. S§ 24, ^5, 53 e 54. 

* Estat. de 18o3, §§ 23, 24 e 53, e avis. reg. de 25 now 
1781, cit. supra pag. 99. 



Digitized by 



Google 



132 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



tins e outros se supponha differenca alguma » . (Qt. 
Estat. § 26). Isto nao era grande favor, porque o 
curso da academia de Lisboa era imperfeitissimo com 
relacao ao da academia do Porfb : nao tinha aula de 
apparelho e manobra, nem de francez, muito menos 
a de inglez, nem desenho, nem algebra elementar, 
nem era cbmpletado pela pratica da navegacao. Na 
verdade, os Estatutos da academia real da marinha 
de Lisboa dispunham : € quanto aos pilotos que quize- 
rem unicamente destinar-se a servir nos navios mer- 
cantes, ouvirao as licoes de arithmetica, geometria 
plana e espherica e navegacao; e apresentando cer- 
tidao de terem sido approvados no exame geral dos 
ditos dois annos, e requerendo patente de pilotos, o 
lente da navegacao lh'a mandara fazer prompta, sen- 
do assignada com o seu nome e firmada com o sello 
da academia real ». * Tambem a egualdade de que 
tratam os estatutos da academia do Porto, parece re- 
ferir-se ao curso de pilotos da armada, para os quaes 
era necessario todo o curso mathematico. 

Curso de commetxio. Segundo os estatutos de 
i8o3 este curso era biennal; mas para se matricula- 



* Estat. da acad. real da marinha de 5 d'agosto de 1779. 
Nao mencionam a algebra elementar que estava no i.° anno. 
Os Est. da acad. real dos guardas-marinhas tinham a algebra 
elementar no 2. anno, o que depois foi alterado. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 133 

rem n'elle precisavam os alumnos de ter os exaraes 
do i.° anno mathematico e das iinguas franceza e in- 
gleza *. Os exames das Iinguas vivas deviam ser mais 
rigorosos para os alumnos de commercio, aos quaes 
se exigia o « perfeito conhecimento d'ellas », ao passo 
que para os outros cursos bastava que os alumnos as 
tivessem «aprendido sufficientemente*. * 

O curso biennal de commercio era regido por urn 
s6 professor, porque o substituto s6 entrava em ser- 
vico da aula no impedimento do proprietario. Em 
1-819, porem, o substituto prestou-se a reger uma das 
aulas, e entao decidiu-se que podessem os alumnos 
ser admittidos annualmente sem dependencia da con- 
clusao do curso, como ate entao se havia praticado K 
No i.° anno do curso ensinavam-se os principios e 
3s doutrinas dos contractos ' de seguros, de cambio, 
de fretamentos, de compra e venda, de commissoes, 
etc. *. No 2. anno, escripturacao pbr partidas do- 
bradas, geographia historico-commercial, direito mer- 



i Estat. de i8o3, S§ 10 e 42; e Edital de 1818. 

* Estat. de i8o3, art. 10; mas na pratica nao se fazia 
differen^a entre os examinandos de Iinguas vivas. 

* Sessao de 19 de outubro de 18 19 no respectivo Liv. 
das Actas, fl. 22. 

* Assim o disse por incidente, n'uma allega9ao avulsa 
de 1 3 de dezembro de 181 1 o professor do commercio, tra- 



Digitized by 



Google 



134 ANNUARIO DA ACADEMIA 

cantil patrio e das nacoes com quern Portugal tern 
maior commercio (cit: Est. de i8o3, S§ 42 e 43, c 
Est. da aula de commercio de Lisboa de 19 de abril 
de 1759, approvados por alvara de 19 de maio do dito 
anno, §§ 12 a i5). 

Este curso era muito mais completo do que o da 
aula de commercio de Lisboa, que nao en sin a va as 
linguas vivas, nem a geographia, nem o direito mer- 
cantil patrio e comparado, mas s6 alguns ramos d'elle. 

Para animar a frequencia, a Junta da Compa- 
nhia das vinhas do Alto-Douro, que empregava um 
numeroso pessoal nas suas vastas e variadas admi- 
nistrates, pbrigava-se a preferir para os servicos da 
contadoria os alumnos da aula de commercio d'este 
estabelecimento (cit. Est., i8o3, § 5i). Apesar d'isso 
este curso, depois de passado o primeiro triennio 4 , 
que se abriu com 84 alumnos, teve sempre uma fre- 



tando uma questao, que durou annos, sobre o modo de se con- 
fer irem os premios aos alumnos d'esta aula. 

* A aula de commercio nao deveria ter-se aberto senao 
no 2. anno da instituicao da academia, isto e*, no de 1804 a 
1 80 5, porque o i. Q mathematico servia-lhe de preparatorio. 
Todavia entrou em exercicio logo no de i8o3 a 1804, de ma- 
neira que o i.° curso de commercio foi triennal, ensinando o 
professor de commercio em i8o3 a 1804 as materias proprias 
do. !.• anno mathematico. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 135 

quencia pouco numerosa, // a 12 alumnos, termo me- 
dio. O preparatorio da 1 . a cadeira de mathematica 
afastava-lhe muita concorrencia, porque as materias 
eram ensinadas n'um s6 anno e scientificamente, em 
vez de o serem em dois ou tres annos n'uma serie 
de exercicios praticos, como convinha a estudantes 
do curso de commercio. Alem dMsso, como ate 18 19 
este curso era rigorbsamente biennal, s6 eram admit- 
tidos novos alumnos de dois em dois annos, e esta cir- 
cumstancia nao deixava estabelecer uma concorrencia 
regular. 

A principal utilidade que a acadcmia prestou £ 
maioria dos negociantes que a frequentaram, proveio 
das aulas de francez e inglez, que regularmente con- 
tavam muitos alumnos. Todavia, o curso de com- 
mercio nao deixou de fazer servicos importantes, ge- 
neralisando, ja directamente, ja por intervencao dos 
seus alumnos, os conheciment6s commerciaes, espe- 
cialmente o da escripturacao, cujos processos hoje 
quasi triviaes, eram entao geralmente ignorados. 

Curso de desenho. Os estatutos de i8o3 impu- 
nham ao professor respectivo a obrigacao de apro- 
priar as li(;6es e regras do desenho as profissoes a 
que os alumnos se destinavam (§ 28). Para isso obri- 
gavam-o a observar cada anno um curso completo, 
comprehendendo os diversos ramos de desenho, € de 
maneira que faca publicas as obras da arte, assim na- 
turaes como de arbitrio e de eonven<;ao, explicando 



Digitized by 



Google 



136 ANNUARIO DA ACADEMIA 

distinctamente os principios de perspective o modo 
de preparar as tintas e de dar as aguadas (§ 3o) . Atten- 
diam, porem, especialmente ao desenho topographico 
c de marinha, determinahdo que o professor ensi- 
nasse « mui positiva e efficazmente o desenho de ma- 
rinha, fazendo copiar e reduzir plantas de cartas, ba- 
hias, enseadas e portos, representando as vistas de 
ilhas, cabos e promontorios, e tambem a de navios, 
considerados em differentes posicoes e manobras, e 
que ultimamente habilitasse os seus discipulos na pra- 
xe do ensino das cartas geographicas e topographi- 
cas» (§3i). O professor dirigia os seus alumnosaos 
terrenos e posicoes em que melhor os podesse cos- 
tumar a « estudar de perto a natureza e a imital-a 
quanto possivel fosse nas c6pias das variadas perspe- 
ctivas e objectos que offerece* (§ 35). Os alumnos 
deviam ser divididos em turmas, para que nao se em- 
baracassem nos seus exercicios e a todos tocasse o 
fructo das lic5es (§ 36). 

D'uma polemica travada desde i8o5, mas mais 
desenvolvidamente em 181 1, sobre a votacao dos pre- 
mios, ve-se que os estatutos eram diversatnente in- 
terpretados a respeito da indole do ensino do dese- 
nho. Os lentes de mathematica entendiam que este 
ensino se devia fazer todo n'um s6 anno e que o seu 
principal fim era despertar as vocacoes dos alumnos. 

Aqui poderfam yentilar-se duas questoes — uma 
de direito, outra de facto. Como deveriam entender- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC A DO PORTO 137 

se os estatutos? Como eram elles na realidade ap- 
plicados pelos professores, que tinham a seu cargo 
executal-os ? 

Quanto a primeira questao, nao ha duvida que os 
estatutos obrigavam o professor a dar cada anno urn 
curso de todos os ramos de desenho. Mas d'aqui n5o 
se segue que os alumnos fossem obrigados ou autho- 
risados a concluir n'um s6 anno o curso de todos es- 
ses ramos. Pelo contrario, os Estatutos parecem ter 
por fim abrir cursos especiaes accommodados as pro- 
fissoes a que os alumnos se destinavam. Assim, os 
discipulos de pilotagem, por exemplo, estudariam o 
desenho de marinha; os que se dedicassem as cons- 
trucqoes, o desenho de architectura; outros, o dese- 
nho artistico, a pintura, etc. 

O modo como foi montado este ensino prova que 
se deu particular attencao ao desenho artistico, sem 
se excluirem os outros ramos, m6rmente o de mari- 
nha, que mereceu aos redactores dos estatutos mais 
minuciosa descripcao. 

Na verdade, alem do lente e substituto da aula 
de desenho nomeados por cartas regias de 1 8 de ou- 
tubro de i8o3, em conformidade com os estatutos, 
outra carta regia da mesma data nomeou para dire- 
ctor d'esta aula, com o ordenado de 6oo#ooo reis, a 
Francisco Vieira, que ja conhecemos com o professor 
antes do estabelecimento da academia de marinha e 
CQinmercio. Os estatutos nao mencionam este cargo; e 



Digitized by 



Google 



138 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



uma consulta de 7 de Janeiro de 1806, em que a Junta 
propunha a Domingos de Sequeira para successor do 
dito Frarfcisco Vieira, fallecido no anno antecedente, 
mostra que este cargo era provisorio e aconselhado 
pela conveniencia de ser bem dirigida esta aula no seu 
comedo. Todavia o cargo existiu ate a sua suppressao 
em 6 de novembro de 1821, confirmada pelo decreto 
de 1 3 de outubro de 1824, art. 4, e ainda alguns an- 
nos depois vemos nomeado para elle, embora por um 
governo illegitimo, Augusto Roquemont, por carta 
regia de 28 de novembro de i83i. Os dois primeiros 
directores* tinham uma reputaqao europea como pin- 
tores e nao podiam deixar d'imprimir no ensino o cu- 
nho do seu genio artistico. O primeiro lente de dese- 
nho, depois do estabelecimento da academia, foi Jose 
Teixeira Barreto, pintor e gravador, que depois de 
ja ter nome de artista, havia estudado em Roma com 
Jose Cades e Ganheraux, pintor de historia. O subs- 
tituto da aula foi Raymundo Joaquim da Costa, ala- 
mno da aula de desenho e architectura de Lisboa on- 
de alcancara 5 premios. Mestres como estes deixam 
bem perceber qual seria a direcqao do ensino do de- 
senho no seu tempo. O seu notavel discipulo e succes- 
sor no magisterio Joao Baptista Ribeiro, seguiu-lhes o 
exemplo, continuando as tradicSes dos seus mestres 
alguns annos ainda depois da trarfsformacao da aca- 
demia de marinha e commercio em polytechnica. 
A idea que Francisco Vieira ligava a este curso, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 139 

revela-se claramenfe no simples titulo do opusculo 
que publicou em i8o3 — « Discurso feito na abertura 
da accidentia de desenho epintura na cidade do Porto 
por Francisco Jose Vieira Junior, primeiro pintor da 
camara e c&rte, e lente da mesma academia*. * 

Em confirmacao do que dizemos, ainda hoje ha 
na academia obras de mferecimento de muitos alu- 
mnos d'ella. Alguns frequentaram a aula durante 4, 
5 e ate 7 annos. A maioria, porem, dos discipulos or- 
dinarios, vencia o curso n\im anno. 

Para a matricula n'este curso exigia-se a frequen- 
cia e approvacao da i. a cadeira de mathematica, o 
que reduzia muito o numero dos alumnos de desenho, 
como succedia ao curso de commercio. Admittiam-se, 
porem, alumnos extraordinarios, a imitacao do que 



l A circumstancia de se denominar lente em vez de di- 
rector parece justificar a opiniao do Snr. Silvestre Ribeiro, de 
que este discurso foi proferido em 10 de junho de 1802 (Hist, 
dos Estab. scient., tomo 3.°, pag. 23 e 24). A isto accresce que 
nos termos da matricula da aula de desenho, Francisco Vieira 
assigna-se Junior ate outubro de 1802 ; e desde novembro de 
i8o3 o seu nome apparece* sem este distinctivo. Mas o titulo 
pomposo de academia de desenho e pintura nao quadrava £ 
modesta aula de desenho annexa a de nautica, nem aquella 
aula f6ra instituida por D. Joao VI, a quem Vieira no seu dis- 
curso attribue a creacao da academia. 



Digitized by 



Google 



140 ANNUARIO DA ACADEMIA 

permittiam os estatutos da aula de desenho e archi- 
tectura de Lisboa. A estes nao se exigia preparatorio 
algum, irias por via de regra nao eram matricul&dos 
na secretaria academica, e por isso nao figuram na 
nossa estatistica. 

Curso de agricultura. A cadeira de agriculture 
nao e mencionada nos estatutos, salvo no § 56. Foi 
creada pelo alvara de 29 de julho de i8o3, que appro- 
vou os mesmos estatutos para ser provida t quando 
as circumstancias o permittissem*, o que s6 aconte- 
ceu por virtude da carta regia de 3 d'outubro de 181 8, 
que lhe deu por lente o Dr. Agostinho Albano da Sil- 
veira Pinto. 

A Junta inspectora havia pedido reiteradamentc 
ao grande botanico portuguez Felix d'Avelar Brotero, 
que se encarregasse de ensinar a agricultura e oflfe- 
receu-se a comprar terreno para as experiencias e a 
ministrar-lhe os instrumentose machipas necessarias. 1 
Brotero nao p&de acceitar o convite; e quando foi 
nomeado o Dr. Agostinho Albano, nao podia a Junta 
inspectora dar a este distincto professor os meios que 
offerecera a Brotero, porque entao as despezas da aca- 
demia excediam muito as forcas da sua dota9ao. 



i Brotdro, Refiexbes sobre a agricultura de Portugal nas 
Mem. da Acad. Real das Scienc. de Lisboa., torn. IV, Parte i." 
(i8i5). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 141 

Nao encontramos regulamento ou disposieao al- 
guma a respeito da organisacao d'este curso. Nao lhe 
podia ser applicado o programma da faculdade de 
philosophia da Universidade, unico estabelecimento 
em que entao se ensinava a agricultura, porque havia 
n'ella cadeiras subsidiarias, que faltavam a academia, 
a de zoologia e mineralogia no i .° anno, de physica 
experimental no 2. e as duas do 3.° anno, uma de 
chimica, outra de botanica que forma va a 1 .* parte 
da propria cadeira de agricultura. 4 

director litterario da academia de marinha e 
cominercio, n'uma informacao de i3 de setembro de 
1824 *, propunha que se creasse o logar de substi- 
tute d'esta cadeira e se redu\isse o seu curso a 3 an- 



* A cadeira de botanica e agricultura foi creada na fa- 
culdade de philosophia por C. Regia de 24 de Janeiro de 1791, 
separando-se a botanica da cadeira de historia natural, que 
segundo os estatutos da universidade comprehendia os tres 
reinos. Depois, a C. Regia de 21 de Janeiro de 180 1 tornou a 
passar a botanica para a cadeira de historia natural, ficando 
a agricultura com uma cadeira privativa. Parece pordm que 
esta ultima disposieao nao vigorou por muito tempo. Em 1811 
a 18x2 e provavelmente ja em 1807, senao antes, a botanica 
formava com a agricultura uma s6 cadeira. . 

* Publicada na Hist, dos Estabel. scient., t. II, pag. 405 
e seg. 



Digitized by 



Google 



142 ANNUARI0 DA ACADEMIA 

nos, ensinando-se no i.° a zooiogia, mineralogia, bo- 
tanica e physica geral; no 2. a physica particular e a 
chimica; no 3.? a agricultura, exigindo-se como pre- 
paratorio d'este curso triennal, o 1 .° anno mathemati- 
cal a philosophia racional e alguma das linguas fran- 
ceza ou ingleza. D'aqui poderia deduzir-se que a data 
d'esta informacao o curso de agricultura tinha mais 
de 3 annos. Parece, porem, que foi sempre biennal, 
estudando-se no i.° anno a chimica e a botanica, e 
no 2. a agricultura. Esta era com certeza a distribui- 
cao do curso desde que o lente Agostinho Albanopu- 
blicou as suas « c Primeiras linhas de chimica e bota- 
nica, coordenadas para uso dos quefrequentam a aula 
de agricultura da real academia de marinha e com- 
mercio, parte i. a — Porto, 1827. A 2. a parte que devia 
conter os elementos de agricultura, nao chegou a pu- 
blicar-se. * 

A proposta do director para a creacao do logar 
de substituto e para a organisacao do curso nao teve 
resultado. Em 1827, porem, a carta cegia de 3o de 
junho, nomeando o bacharel em medicina Pedro An- 
tonio Soares Vellozo para substituto da cadeira de phi- 



* Esta distribuicao de curso vem indicada no prologo 
das citadas Primeiras linhas de chimica e botanica, e esta con- 
forme com o registo dos pontos para os actos da cadeira de 
agricultura. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 143 

Iosophia racional e moral, imp&z-lhe a obrigacao de 
substituir tambem nos seus impedimentos o lente de 
agricultura. 

Em 1829 o governo illegitimo de D. Miguel demit- 
tiu com varios outros lentes o da cadeira de agricul- 
tura (i3 de maio) e supprimiu a propria cadeira pela 
Res. de 3i de julho. « 

A suppressao fundava-se em que esta cadeira nao 
tinba aproveitado nem podia aproveitar por falta dos 
indispensaveis preparatorios philosophicos, e abona- 
va-se com a informacao do director litterario da aca- 
demia, que era o mesmo que em 1824 havia susten- 
tado calorosamente a conservacao d'esta cadeira. * 

A frequencia d'este curso era na verdade pequena. 
Desde o anno de 1819 a 1820 ate o de 1828 a 1829 nao 
houve mais de 86 alumnos matriculados, ou 8 a 9 por 
anno, termo medio, e d'estes eram raros os que leva- 
vam o curso ao fim. O peor era que para a agricultura 
pratica faltavam completamente os meios materiaes, 
e para a agricultura scientifica nao havia as aulas sub- 
sidiarias. Apesar d'isso, o decreto de 19 de outubro 



i Citada na Historia dos Estabelecimentos scientificos, t. 
V, pag. 347. 

* Informagdo do director litterario Joaquim Navarro de 
Andrade de i3 de setembro de 1824, na cit. Hist, dos Estabel. 
scient., t. II, pag. 40 5 e seg. 



Digitized by 



Google 



E^'f'i 



?.w 



144 ANNUARIO DA ACADEMiA 

de 1 836 comprehendeu no quadro provisorio da aca- 
demia de marinha e commercio um lente e um subs- 
titute da cadeira de botanica e agricultural devendo 
o lente. ser encarregado da direccao do jardim bota- 
nico, quando o houvesse. N'esse mesmo anno foi no- 
meado para esta cadeira o Dr. Antonio da Costa Pai- 
va, hoje Barao de Castello de Paiva. (Decretb de 20 
de outubro de i836 e C. R. de 3 Janeiro de 1837). 

Linguas france\a e ingle\a. No principio d'este 
seculo, o francez era geralmente conhecido em Por- 
tugal das classes abastadas, e o inglez era bastante es- 
tudado na cidade do Porto, onde havia muitos nego- 
ciantes inglezes e um importante commercio com a 
Grao-Bretanha. Todavia, a creacao de aulas publicas 
para o ensino d'estas linguas na academia de marinha 
e commercio do Porto foi quasi uma novidade na his- 
toria da instruccaopublica ttn Portugal. 

O methodo estabelecido nos Estatutos para o en- 
sino d'estas linguas nao variava essencialmente do que 
entao se costumava seguir no estudo do latim. Os pro- 
fessores dictariam as suas licoes pela grammatica que 
se achasse mais conceituada, adestrariam os seus dis- 
cipulos na pronuncia das vozes c na leitura, e far-lhe- 
iam reconhecer no author que seguissem e nas tra- 
duccoes que fizessem, os logares que mais vivamen'te 
depozessem do genio da lingua, assim como do estylo 
e gosto mais seguido e depurado dos authores dignos 
de se estudarem. Nas versoes prefeririam sempre os 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 145 

nossos classicos para aperfeicoarem os alumnos no 
conhecimento da lingua patria. Com uma boa inten- 
cao, alias pouco exequivel, mandavafn os estatutos 
que os professores escolhessem os assumptos mais 
analogos ao destino dos alumnos, de maneira que os 
que se habilitassem para negociantes, traduzissem au- 
thores que tratassem de commercio; os que se dtri- 
gissem a pilotagem, « as obras mais eruditas e com- 
pletas de geographia, etc. » (Est. de i8o3, §J 39 a 41). 
Os estatutos do collegio dos nobres anticiparam-se a 
condemnar este methodo, recommendando que as li- 
coes das linguas modernas fossem pela maior parte 
de viva voz, sem que os professores carregassem os 
discipulos com multidao de preceito$ desnecefcsarios 
em linguas que sao» vivas e que se aprendem muito 
mais facilmente e melhor, lendo, conferindo e exer- 
citando em repetidas praticas. » (Est. de 7 de marco 
de 1761, tit. 8, § 2. ) Mas cada methodo tern seu lo- 
gar. Onde nao se estudam as linguas mortas, que sao 
mais perfeito instrumento pedagogico para o de- 
senvolvimento das faculdades e para o conhecimento 
da grammatica geral e das leis da linguagem, e con- 
veniente que esta falta seja supprida, quanto e pos- 
sivel, por occasiao do estudo das linguas vivas. * 



* Kramer, na Encyklopddie des gesammten Er\\ehungi 
und UnterichtswesenSj 6.* vol. art. Realschule, pag. 688. 
to 



Digitized by 



Google 



146 ANNUARIO DA ACADEMIA 

A Junta inspectora escolheu para mestres indivi- 
duos a quern estas linguas eram patrias, como Miguel 
Sheil, professor, e Thomaz Danagan, substitute para 
inglez, os abbades Dupuy Melgueil e Pedro Lacroix 
para professor e substituto de francez. 

Nos trinta e dois annos uteis do periodo de que 
tratambs (nao contancjo os de i832 a 1834, em que a 
academia.es teve fechada por causa do cerco do Porto) 
teve a aula de inglez 1200 alumnos, e a de francez 
25 1 8. N'este periodo as linguas vivas nao eram exi- 
gidas para curso algum senao para a academia. Ape- 
nas as academias dos guardas-marinhas e de fortifi- 
cacoes obrigavam os alumnos a um exame previo de 
francez, feito perante um dos seus professores. Ves- 
tas circumstancias, aquella frequencia mostra quao 
util e popular teria sido n'esta cidade do Porto en- 
sino secundario especial, organisado segundo as regras 
da pedagogia moderna. 

Philosqphia rational e moral. Esta disciplina des- 
toava um tanto da indole da academia. Nao era exi- 
gida senao para o curso completo de mathematica. 
A lei creou esta cadeira com o fim principalmente de 
facilitar o estudo d'esta materia como preparatory 
das faculdades da Universidade. Por isso os estatutos 
mandavam que o ensino d'ella fosse dirigido pelos me- 
thodos e authores seguidos na Universidade (Qt. Est. 
i8o3, §§ 10, 27 e 38). No Porto havia outra aula de 
philosophia racional como em varies outras terras do 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC A DO PORTO 147 

reino; mas na academia o ensino era mais perfeito em 
razao das superiores habilitacoes que se exigiam dos 
seus professores. 

A Junta inspectora e o governo deram sempre 
muita consideracao a esta disciplina. O professor ti- 
nha, como os de mathematica, commercio, desenho 
e agricultura 600^000 reis deordenado. O i.° subs- 
tituto foi nomeado com o vencimento de 35o#ooo reis, 
como os substitutes de desenho e commercio; mas 
recebeu sempre na razao de* 45o#ooo reis, ordeqado 
que depois se estabeleceu para os substitutes de ma- 
• thematica, e s6 muito mais tarde para os de desenho 
e commercio. 

Uma carta regia de 29 de setembro de 1829 levou 
a tal altura este curso, que nao admit tia a matricu- 
larem-se n'elle alumnos que nao tivessem exame da 
lingua latina e frequencia e exame 4e arithmetica e 
geometria elementar *. Ainda que esta providencia 
partiu d^um governo illegitimo, nao prova menos a 
importancia que se ligava ao ensino de philosophia 
racionai na academia de marinha e* commercio. 

Cadeira deprimeiras letras. Esta cadeira foi crea- 
da pela Resolucao Regia de8 de outubro de 181 1 com 
o ordenado de 400^000 reis, como tinham os profes- 
sores das linguas viv^s. Outra Res. Reg. de 12 de ja- 



* Cit. Hist, dos estabelecimentos scientificos, t. V. pag. 347. 



Digitized by 



Google 



(48 ANNUARIO DA ACADEMIA 

neiro de 1816 creou um logar de substitute* comor- 
denado egual ao do proprietaries e com a obrigacao 
de ensinar de manha e de tarde. Esta chamada subs- 
tituicao equivalia, pois, a uma segunda cadeira. Estcs 
ordenados foram reduzidos em 1825, o do proprieta- 
rio a 25ojJooo reis, e o do substituto a i5o0ooo reis *, 
mas ainda assim ficaram muito superiores aos dos 
outros mestres de instruccao primaria do reino, que 
cram de 90^000 reis. 

O director litterario que propozera a reducqao,di- 
zia que esta cadeira nao tiriha a menor connexao com 
os estudos da academia *; mas a Junta inspectora, 
quando consul tou a sua creacao, parecia ter o presen- 
timento do systema americano, que nao aprecia muito 
as graduacoes de instruccao adoptadas na EJuropa. 
A Junta nao querendo isolar o seu estabelecimento 
das classes populares, procurava offerecer-lhes cursos 
completos de habilitacao e appli cacao ao commercioe 
a marinha. O seu grande defeito, que a impediu de 
tirar vantagem da creacao d'esta cadeira, foi metter 
entre ella e os outros cursos, o i.° anno mathematico, 
que pelo methodo universatario de ensino das respe- 



4 Art. 5 do Alvar4 de 16 d'agosto de 1825 na collecfao 
das leis. 

5 Informa^ao j& mais vezes citada, de i3 de setembro de 
1824 na Historia dos estabelecimentos scientificos, t. II, pag. 40 5. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 149 

ctivas materias, oppunha uma barreira insupperavel 
a.maioria dos alumnos. Os nossos mappas nao com- 
prehendem a frequencia d'esta cadeira, da qual nao 
encontramos livros de matricula, e apenas uns map- 
pas de alguns poucos annos. 

In$pec$ao, administragdo e direcqao da academia 
de marinha e corAmercio. Em quanto as academias 
da capital estavam distribuidas por differentes minis- 
terios, esta ficava subordinada ao ministerio do reino. 
(Est. de i8o3, § 57). A sua immediata inspeccao, di- 
reccao e administracao competia a Junta da adminis- 
tracao da Companhid Geral da agricultura das «- 
nhas do Alto-Douro *, que se offerecera a este encargo 
sem outro premio que o servico do rei e o bem da pa- 
tria f . Assim, a esta Junta pertencia, segundo os esta- 
tutos, admittir os alumnos a matricula (§ 6) passar as 
cartas de sota-pilotos e de pilotos, (§§ 25, 26 e.23), 
regular o horario das aulas, ouvindo os professores 
(§14), prop&r, consul tado o parecer do conselho aca- 
demico, as refonnas convenientes, assim na parte lit- 



4 AlvarA de 9 de fevereiro de i8o3, §§ 5 a 8 na collec- 
5S0 das leis. 

* * Representafdo da Junta da administragdo da Compa- 
nhia Geral da agricultura das vinhas do Alto-Douro, de 4 de 
Janeiro de i8o3 na cit. Historia dos estabelecbnentos scienti- 
ficosy t. II, pag. 401. 



Digitized by 



Google 



150 ANNUARIO DA ACADEMIA 

teraria, como na economica (§ 57), prop&r a nomeacao 
e demissao dos professores (§ 5o) pfover directamente 
todos os mais empregos (§ 58), ministrar a academia 
quanto fosse convenrente ao ensino (§§ 48 e 57), diri- 
gir a administracao das obras do edificio e, emfim, co- 
brar os impostos e receitas que constituiam a dota- 
cao do estabelecimento e satisfazer as despezas, dando 
annualmente conta ao Governo (Alvara 9 de fevereiro 
de i8o3, SS 5 a 8 e legislacao citada na parte em que 
tratamos das antigas aulas de nautica e desenho). 

A Junta da Companhia compunha-se de urn pro- 
vedor e sete deputados, eleitos de dois em dois annos 
pelos accionistas que tivessem um certo numero de 
accoes. A Junta dividia pelos seus membros o cuida- 
do especial ou a inspecgao de um ou mais ramos de 
servico, conforme a aptidao de cada um. Antes da 
fundacao da academia, as aulas de nautica e desenho 
ja eram objecto d'uma das oito inspecgoes em que se 
achavam distribuidos os trabalhos da Junta; mas o 
novo estabelecimento requeria maior cuidado, maior 
trabalho e uma aptidao mui diversa da que os accio- 
nistas costumam procurar para a gerencia dos seus 
interesses. Ainda que a Junta se mostrou sempre di- 
gna da inspeccao que lhe foi commettida, entendea 
ella que devia auxiliar-se d'um funccionario especial, 
e fundada no art. 58 dos estatutos creou o logar de 
pice-inspector « para por sua interven^ao serem leva- 
dos a prcsenca de sua alteza-real todos os negocios 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 151 

occorrentes relativos a academia. » A Junta nomeou 
para este logar Manoel Joseph Sarmento, em attencSo 
aos «relevantissimos servicos que o estabelecimento 
deve ao nomeado, e ao incansavel zelo patriotico com 
que o promoveu e organisou » l . O vice-inspector re- 
cebia de ordenado i:8oo#ooo reis, quantia que, at- 
tendendo-se ja a que metade era paga em papel, e 
que o papel ate o anno em que foi supprimido e§te 
logar, soffreu urn desconto medio de 22 °/ , corres- 
pondia hoje a 2:ooo#5oo reis ou cerca de 1 1:200 fran- 
cos *. Apesar, porem, dos encomios que acompanha- 
ram a nomeacao e apesar da remuneracao que se lhe 
seguiu, nao ha na secretaria da academia indicio al- 
gum importante de servicos d'este funccionario. Os 
proprios vestigios de servicos insignificantes sao muito 
raros. Assistiu as sessoes solemnes da abertura em 
1804 e 1 8 1 1 . Nas actas das outras sessoes nao se men- 
ciona nem a sua presenca nem a sua ausencia. 

Diz um authorisado escriptor, e repete-o outro 
egualmente authorisado, que ate 181 2 era o vice-ins- 
pector quern punha o cumpra-se nas cartas regias diri- 
gidas a academia e que a Junta inspectora lh'o prohi- 



* Provimento de 2 de setembro de i8o3, registado no 
livro do registo das cartas regias e nomeacoes a fl. 5 na secre- 
taria da Academia Polytechnica. 

* Veja-se a nota *.• a pag. 93 e 3.« a pag. 97. 



Digitized by 



Google 



102 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



bira (Testa epoca em diante 4 . Aqui, porem, ha algu- 
ma equivocacao. Em primeiro lugar a academia nao 
tinha o privilegio de lhe serem dirigidas cartas rcgias. 
As de que se trata sao cartas regias de nomeacao ou 
provimento. Em segundo logar o vice-inspector ate 
1812 escrevia simplesmente o seu nome n'aquellas 
cartas sem despacho algum : o cumpra-se pertencia a 
Junta inspectora. Foi uma vez em 181 2, que o vice- 
inspector achando-se em Lisboa, poz n'uma d'aquel- 
las cartas o t cumprase e registre-se »/ um mez de- 
pois de se achar exarado rTella egual despacho Ian- 
<jado pela Junta *. Portanto, se a Junta alguma coisa 
fez, foi estranhar a novidade, nao condemnar um uso 
antigo. 

O lugar de vice-inspector era, pelo modo como 
exercia o dito Manoel Joseph Sarmento, uma verda- 
deira sine-curia, que nao podia escapar a patriotica 
vigilancia das C6rtes de 1820. Foi na verdade sup- 
primido por um decreto d'ellas, de 6 de novembro de 



* Snr. Jose* Maria d'Abreu, relatorio da inspeccdo extra- 
ordinaria d Academia Polytechnica do Porto em 1864. Lisboa, 
Imp. Nacional, i865, pag. 70, not. Snr. Silvestre Ribeiro, Hi&~ 
tori* dos estabelecimentos scientificos. 

* Carta de 9 de outubro de 182 1, nomeando Joao Goa- 
calves das Neves para a cadeira de primetras letras. O euro- 
prase do vice-inspector € de 21 de agosto de 1812. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 153 

1821, sendo a extinccao confirmada por decreto de 
1 3 de outubro de 1824, art, 3.° 

Sobre a consulta da Junta inspectora de 3 de fe- 
vereiro de 1816 foi creado pela Res. Reg. de 27 de 
agosto de 181 7 o cargo de Director litterario d'esta 
academia com o ordenado de 1 : 200^000 reis, que cor- 
responde hoje a i:3o50ooo reis (7:260 francos). Em 
duas authorisadas publlcacoes que ja citamos *, vem 
transcripto um documento, como se fosse a dita re- 
sdufao, o que nao e exacto. O documento de que se 
trata, e apenas um trecho extrahido da carta regia 
que nomeou para director litterario o Dr. Joaquim 
Navarro d'Andrade. A Res. Reg. provavelmente li- 
mitava-se as palavras t como parece » escriptas na 
consulta da Junta inspectora, e d'este modo appro- 
vava tudo quanto a Junta propunha, que era mais 
do que se encontra no alludido documento. 

Na verdade, este documento limita-se a justificar 
a creacao d'aquelle emprego e a declarar as qualida- 
des que deve ter quern houver de o occupar, ao passo 
que a consulta da Junta approvada pela citada Res. 
Reg . nao se reduz a isso, mas define tambem as at- 
tributes do director litterario. 

Nos termos dos diversos documentos, que temos 



* Cit. relatorio da inspec^&o extraordinaria, pag. 129 e 
cit. Historia dos estabehcimentos scientifieos, t. II, pag. 3$5. 



Digitized by 



Google 



1T)4 ANNUARIO DA ACADEMIA 

referido, cste cargo deve ser « occupado por pessoa 
de reconhecida probidade, litteratura e prudencia, e 
dotada 4e juizo maduro, exacto, solido e zeloso do bem 
publico, do adiantamento e progresso das sciencias, 
preferindo-se a outros quaesquer mdividuos, os que 
no longo exercicio do magisterio na Universidade de 
Coimbra houvessem mostrado possuir em grau emi- 
nente as referidas qualidades • . 

O director litterario teria a seu cargo o regimento 
e direccao geral dos estudos e o governo ordinario da 
academia, fazendo guardar a boa ordem e subordi- 
nacao ehtre os seus empregados, e zelando a obser- 
vancia dos estatutos. Elle representaria o corpo do- 
cente nos casos em que os estatutos o mandam ou- 
vir, podendo consultar todos os professores em con- 
gregacao ou s6 alguns dalles e proporia a Junta de- 
pois d'esta consulta ou sem ella, quanto lhe parecesse 
conveniente, para que a mesma Junta resolvesse (se 
lhe competisse) ou solicitasse a decisao superior. As 
propostas ou informacSes do director deviam acorn- 
panhar as consultas da Junta. Emfim o director lit- 
terario teria a sua morada no edificio da academia, 
logo que n'elle hovesse commodos para habitaqao, o 
que nunca chegou a realisar-se. * 



* A parte da consulta que extractamos foi communicada 
ao director litterario pela Junta inspectora em officio de 19 de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 155 

Depois da creacSo do cargo de director litterario, 
ainda apparecem os termos de matricula dos estudan- 
tes, com a declaracao de que sao lavrados *j>or des- 
pacho da illustrissima Junta, etc » ; mas isto foi para se 
aproveitarem os livros em que estas e outras palavras, 
communs a todos os termos, se acham impressas. Em 
todos os livros destinados a inscripcao dos alumnos 
depois do anno de 1817 a 181 8, se.encontra uma folha 
inteFcalada, declarando que de 18 18 a 1 819. em diante 
. os despachos para matricula eram do director litte- 
rario, sendo este o presidente cPella. 

As C&rtes de 1821 a 1823 fizeram nas disposiqoes 
que temos referido algumas alteracoes, que duraram 
pouco. 

Uma ordem de 6 de novembro de 1821 reduziu 

* 

a 20o£ooo reis o ordehado do director litterario e por 
uma lei de 17 de maio de 1822 foi a Junta da ad- 
ministracao da Companhia Geral da agricultura das 



Janeiro de 1818, registado no livro dos officios da secret aria da 
Academia Polytechnica. — Veja-se tambem a Carta Regia de 
9 de setembro de 181 7, que nomeou o Dr. Joaquim Navarro 
d'Andrade para o cargo de director litterario. Ambos estes do- 
cuments foram publicados na Representa$do as Cdrtes geraes 
cxtraordinarias e constituintes da nagao portuguefa, por Joa- 
quim Navarro d'Andrade — Coimbra, Imprensa da Universi- 
dade, 1822. 



Digitized by 



Google 



15t> ANNUARIO DA ACADEMIA 

vinhas do Alto-Douro,privada dainspeccao de quaes- 
quer estabelecimentos publicos e obrigada a remetter 
& competente rcparticao o producto dos direitos que 
arrecadasse, passando o imposto de consumo sobre 
o vinho na cidade do Porta e seu termo, a ser co- 
brado pelo provedor e corregedor da comarca d'esta 
cidade. (Cit. lei nos art. 4, 24 e 26). As G6rtes esque- 
ceram-se de providenciar sobre os pagamentos que 
ate entao se faziam pelo cofre da Junta, e s6 em Ja- 
neiro de 1823 resolveram que esta Junta continuasse 
a pagar aos empregados da'academia pelos rendimen- 
tos que fosse percebendo. * 

Pouco duraram, como dissemos, estas disposicoes. 
A lei d^ 21 de agosto de 1823 revoga quanto as C6r- 
tes haviam ordenado a respeito da Companhia dos 
vinhos, salvas algumas restriccoes que nao pertencem 
ao nosso assumpto. O aviso regio de 23 de setembro 
de 1823 * nao s6 reintegra o director litterario no seu 
primitivo ordenado, mas manda-o embolsar da quan- 
tia que lhe tinha sido deduzida. Finalmente, o decreto 
de 1 3 de outubro do mesmo anno declara que, em tudo 
o que nao f&r contra as attribuicoes do director lit- 
terario, reguladas pela Res. Reg. de 27 de agosto de 



^ Cit. Hist, dos estabelecimentos scientificos, t. II, pag. 414. 
* Registado a fl. 21 do livro 92 da secretaria da Acade- 
mia Polytechnica. 



Digitized by 



Google 



l\ 



POLYTECHNICA DO PORTO 157 

1817, acima extractadas, a Junta da Companhia da 
agricultura das vinhas do Alto-Douro conservara o ti- 
tulo e funccoes de inspectora da academia, como lhe 
fora concedido pelo alvara de 9 de fevereiro de i8o3 
e pelos estatutos approvados por alvara de 29 de julho 
do mesmo anno. 

Assim, as cousas continuaram como d'antes ate a 
cxtinccao dos privilegios da Companhia pela legisla- 
cao de i832 a 1834, com a qual veio a cessar a in- 
tervencao da Junta nos negocios academicos. Desde 
principio de julho de i834 entrou a administracao 
d'esta academia na regra dos demais estabelecimentos 
do estado, conservando todavia o director litterario o 
seu antigo ordenado e attribuicoes ate ao decreto de 
19 de outubro de i836. 

Por este decreto o director & um dos lentes da 
academia, nomeado pelo governo com a gratificacao 
(alem do ordenado da sua cadeira) de 200^000 reis, 
que hoje correspondem a 21 30333 reis ou 1:195 fran- 
cos *. Na sua falta, ou impedimento serve o lente 
mais antigo. Os negocios graves e todos os que pelas 
leis estavam na parte deliberativa a cargo das autho- 
ridades inspectoras, sao discutidos em conselho tfos 



< As pe^as de ouro, que desde 6 de mar£0 de 1822 ate* 
3 de egual raez de 1847 valiam 7<5oo reis,valem hoje 8*000 
reis. 



Digitized by 



Google 



158 ' ANNUARIO DA ACADEMIA 

lentes e decididos a pluridade de votos para serem 
propostas ao governo as resolucoes que carecem da 
sua approvacao, ou executadas pelo director as que 
couberem na competencia da academia. A conta da 
despeza e fiscalisada pelo conselho dos lentes, a quern 
e apresentada pelo secretario no fim de cada anno. 

Taes sao na materia sujeita as disposicoes do ci- 
tado decretb, das quaes algumas ainda estao em vi- 
gor. 

Os directbres da academia de marinha e commer- 
cio desde a creacao d'este cargo foram os seguintes: 

Dr. Joaquim Navarro d'Andrade, do conselho de 
S. M., 2. lente da faculdade de medicina da Univer- 
sidade de Coimbra, egualado ao i .° lente, socio cor- 
respondente da academia real das sciencias de Lis- 
boa, d'eputado da Junta da directoria geral dos estu- 
dos e escholas do reino desde 1808. Tinha sido des- 
pachado em 1791 lente cathedratico da faculdade de 
medicina, depois de dous annos de oppositor, regendo 
nos primeiros quinze annos do seu magisterio a ca- 
deira de instituicoes medicas, passando depois a reger 
a cadeira de therapeutica particular no 4. anno do 
curso medico. Escreveu para uso das aulas dos 2. e 
4. annos medicos dous opusculos em latim, que a sua 
faculdade mandou estampar na imprensa da Univer- 
sidade. Recitou por motivo das exequias da Senhora 
D. Maria I a oracao funebre latina, que foi mandada 
imprimir por ordem de S. M. na imprensa do Rio 



Digitized by 



Google 



POLyTECHNICA DO PORTO 159 

de Janeiro. Foi nomeado director litterario da aca- 
demia de marinha e commercio do Porto por carta 
regia de 9 de setembro de 181 7, cargo de que tomou 
posse com muita pompa a 11 de fevereiro de 1818. 
FaUeceu ho Porto, na freguezia de Santo Ildefonso, 
em junho de i83i. 

2. Dr. Sebastiao Gorrea dlAndrade, 3.° lente da 
faculdade de mathematica com exercicio na cadeira 
de geometria da Universidade de Goimbra. Foi no- 
meado director litterario da academia da marinha pelo 
govemo de D. Miguel, em carta regia de 3 de feve- 
reiro de 1 832. Falleceu em S.Miguel das Aves, con- 
celho de Villa-Nova de Famalic2o em 26 de outubro 
de 1 838. A sua biographia encontra-se na Memoria 
historica da faculdade de mathematica do Snr. Castro 
Freire, Coimbra, 1872. Serviu o cargo de director 
litterario s6 ate a entrada do exercito libertador no 
Porto em 9 de julho de i832. 

3.° Agostinho Albano da Silveira Pinto, bacharel 
formado na faculdade de medicina e doutor na de 
philosophia pela Universidade de Coimbra, onde foi 
oppositor e demons trador c|e historia natural. Profes- 
sor de francez na academia de marinha e commercio 
da cidade do Porto (C. R. de 28 fevereiro de 181 5), 
e depois lente da cadeira de agricultura na mesma 
academia (C. R. de 3 de outubro de 181 8). Director 
da real eschola de cirurgra do Porto por decreto de 
26 de agosto de 1826. Demittido pelo govemo intruso 



Digitized by 



Google 



160 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de D. Miguel em i3 de maio de 1829. Restituido por 
virtude da entrada do exercito libertador em i832 c 
jubilado na cadeira de agricultura por C. R. de 6 de 
dezembro de 1834. Encarregado interinamente dadi- 
reccao dVsta academia por decreto de 28 de outubro 
de 1 833, e definidvamente por G. R. de 6 de dezembro 
de 1834, vencendo como director s6 a differenca en- 
tre o ordenado d'este cargo e o de professor jubilado. 
Regeu um curso de economia politica n'esta cidade 
em 1837 a convite da Associacao Commercial. De- 
putado as Cortes em todas as legislaturas desde i838 
ate o seu fallecimento. Socio effectivo da academia 
real das sciencias deLisboa. Vice-presidente do tribu- 
nal de contas. Ministro da marinha e ultramar desde 
18 de dezembro de 1847 at ^ 2 9 de marco de 1848. 
Falleceu em 1 1 de outubro de i852 com 67 annos de 
idade. Tinha sido exonerado do cargo de director 
d'esta academia em 19 de outubro de i836 em con- 
sequencia dos acontecimentos politicos d'esse anno.' 
A lista dos seus escriptos *acha-se no Diccionario bi- 
bliographico do Snr. Innocencio Francisco da Silva 
e na Memoria historica da 'Philosqphia do Snr. Joa- 
quim Augusto Simoes de-Carvalho, Coimbra, 1872. 
4. Joao Baptista Ribeiro, por decreto de 22 de 
outubro de i836 e C. R.de 27 de maio de 1837, subs- 
tituto da aula de desenho d'esta academia (C. R. 22 
de outubro de 181 1), e proprietario d'esta aula (C 
R. 6 de junho de i833). Foi, ate o seu fallecimento, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 161 

24 de Julho de 1868, director da academia polyte- 
chnica. 

Do magisterio na academia da marinha e commer- 
do. Os professores e substitutes eram nomeados pelo 
rei sob propo§ta da Junta inspectora. As cartas regias 
das primeiras nomeacoes davam o nome de lentes aos 
professores proprietarios de mathematica, desenho, 
commercio e philosophia racional; o de professores 
aos das linguas franceza e ingleza. Os estatutos pa- 
recem admittir differenca entre lentes e professores 
(SS 1, 1 1, 14, 57 e 58). A primeira classificacao era re- 
putada por mais honrosa. * Em 1818 o lente de com- 
mercio recusou-se a acceitar um documento em que o 
director litterario o tratava por professor. A questao 
podia ser importante f6ra do campo da vaidade, por- 
que os estatutos de i8o3 egualavam os lentes d'este 
estabelecimento aos da academia real da marinha de 
Lisboa (§ 5o), e portanto aos da Universidade (Est. da 
academia real da marinha de Lisboa de 5 de agosto 



i Lentes como legentes. Antigamente fazia-se dislinc^ao 
entre sciencias maiores e menores, e entertdia-se que somente 
eram proprias d'estas os exercicios litterarios, e que riaquellas 
fyessem os estudantes pap el de meros ouvintes, e os lentes re- 
petissem as suas prelecgbes sem tomarem conta d'ellas aos mes- 
mos estudantes. Vej. Estat. da Universidade, 1772, liv. 3. part. 1, 
tit. 4, cap. 1 § p. 2, pag. 1 09 e seg. 
11 



Digitized by 



Google 



162 ANNUARIO DA ACADEMIA 

1 779)9 os quaes gosavarri de jubilacao mais favoravel 
do que o commum dos professores. Todavia os es- 
tatutos de i8o3 nao sao firmes na sua distinccao. Os 
professores de mathematica sao muitas vezes, e sem 
excepcao, mencionados como lentes (§§ 1 a 4, 6, 7 c 
1 1 e passim). Como lentes sao mencionados tambem 
os de philosophia racional e agriculture (§§ 1 e 56). 
Os de linguas estrangeiras nunca teem outro titulose- 
nao o de professores (§$ 1 e 3g). Mas os de commerdo 
e desenho, que no § 1 sao contados como professores 
e quasi excluidos da classe de lentes, apparecem res- 
tituidos a esta cathegoria, o primeiro no § 43, se- 
gundo em muitos logares (§§ 28, 3o, 35, 36 e 56). A 
secretaria de estado tambem nao guardava a maior 
coherencia nos seus tratamentos, pois que na carta 
regia de 9 de outubro de 181 1, que nomeou o pro- 
fessor de primeiras letras, deu-lhe o nome de lente, 
posto que o secretario da academia nunca o tratava 
senao como mestre. 

O mestre de apparelho e manobra naval nao gosava 
da graduacao de professor, e era, como todos os mais 
cargos estranhos ao magisterio, provido directamente 
pela Junta inspectora, segundo a regra do § 58 dos 
estatutos. 

Os estatutos exigiam para o magisterio de mathe- 
matica, agricultura e philosophia racional, o grau de 
licenciado pela Universidadc de Goimbra « ou para 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 163 

futuro por esta academia » * ; para o de commercio a 
approvacao n'este curso pela aula respectiva de Lis- 
boa ou por esta academia; para o de desenho, titulos 
em f6rma passados por academias bem reputadas, ou 
obras proprias que acreditassem o proposto (§ 56). 

Os estatutos eram omissos sobre as habilitacoes 
dos professores de francez e inglez. A Junta propu- 
nha quern lhe parecia melhor, ate que pela carta re- 
gia de 1 1 de setembro de 1826 se estabeleceu o con- 
curso para o provimento das cadeiras d'estas aulas, 
bem como das de primeiras letras e seus substitutos. 
Em fins de 1 834 f°i ampliado systema de concurso 
para o provimento de todos os logares do magisterio 
academico, regra a que todavia se faltou nos provi- 
mentos que se fizeram pouco depois da revolu<jao de 
setembro de i836, nem entao era possivel observal-a, 
porque quasi todos os lentes se recusaram a jurar a 
constituicao de 1822, e foram exonerados, faltando 
portanto professores para constituir o jury dos exa- 
mes. 

Em 1825 creou-se a classe de opposi tores as ca- 



*• Quer dizer o exarae geral de mathematica da acade- 
mia, porque os estatutos de i8o3 nao estabeleciam uma insti- 
tui^ao semejhante d da licenciatura da Universidade. Esta c 
de crea^ao posterior, como se verd. 



Digitized by 



Google 



1G4 ANNUARtO DA ACADEMIA 

dciras de mathematica, a imitacao do systema estabe- 
lecido na Universidade de Coimbra desde o alvara de 
i de dezembro de 1 804, modificado por algumas dis- 
poMcocs posteriores. S6 podiam ser admittidos como 
oppositores os licenciados em mathematica pela Uni- 
versidade de Coimbra ou os alumnos da academia, 
que tivessem repetido o 2. e 3.° annos mathematicos 
e satisfeito a certas provas de que se tratara no logar 
competente. A admissao a dasse de oppositor depen- 
dia d'uma votacao, por pluridade de votos, da congre- 
gacao de mathematica, presidida pelo director littera- 
rio. Os oppositores regiam, na falta dos proprietaries 
e substitutes, as cadeiras para que fossem nomeados; 
argumentavam, por turno, juntamente com os lentes 
de mathematica, nos actos de repeticao, e podiam in- 
corporar-se com os mesmos lentes nas solemnidades 
da academia. O servico dos oppositores, que era gra- 
tuito, dava-lhes apenas o direito de serem propostos, 
conforme a aptidao de que n 7 elle tivessem dado pro- 
vas, para as substituic5es ou cadeiras que vagassem 
(alvara de 16 de agosto de 1825, art. 3 e 4). 

Os substitutos de mathematica eram promovidos 
por antiguidade as cadeiras vagas d^esta sciencia ! . 



* Est. dc i8o3, § 5, junto com os estatutos da academia 
rual de marinha de Lisboa de 5 de agosto de 1779, titulo dos 
substitutos in fine. 






Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 165 

Nonca se faltou a esta regra senao uma vez por en- 
gano, e ainda entao deu-se uma reparacao completa 
ao substituto pretefido, sendo egualado em honras e 
vencimentos ao que fora provido na cadeira que di- 
reitamente pertencia ao outro *. A antiguidade re- 
gulava-se pela data do despacho e em egualdade de 
data pela do grau ou habilitacao academica, segundo 
a legislacao da Universidade. * 

Ainda que o citadp art. 5 dos estatutos de i8o3 
parece restricto aos substitutos de mathematica, toda- 
via seguiu-se como principio geral a promocao dos ou- 
tros substitutos as respectivas cadeiras. Houve ape- 
nas duas excepcoes, ambas na cadeira de francez, uma, 
em 181 1, e outra em 1819. 

A Junta inspectora considerava o estado ecclesias- 
tico como uma especie de impedimento impediente 
do magisterio, apesar de serem ecclesiasticos o pri- 
meiro professor e subtituto de francez. Foi preciso 
que baixasse uma insinuacao do governo para que ella, 
desviando-se do seu proposito, consul tasse para sub- 



* Cit. Hist, dos esiabelecimentos scientificos, t. V, pag. 22 1 . 

* O caso de que trata a citada Historia dos estabeleci- 
mentos scientificos foi decidido pela legisla^o da Universidade, 
que era o alvard de 1 de dezembro de 1804, art * Sen, decreto 
de 11 de setembro de 1772, C. R. de 24 de Janeiro de 1791 e 
estatutos velhos da Universidade. 



Digitized by 



Google 



166 ANNUARIO DA ACADEMIA 

stituto de mathematica o bacharel Domingos Salgado, 
que era presbytero *. Nao consta, porem, que este 
fosse nomeado, parecendo que o governo se confor- 
mou com a doutrina da Junta. Houve uma excepcao 
em 1829 a respeito d'um lente do 3.° anno mathema- 
tico, que era benedictino, mas foi no tempo d'um go- 
verno illegitimo, e depois do alvara de 10 de junho 
de 1826 que abrira a carreira do magisterio aos mem- 
bros das ordens e corporacoes regulares. 

Antes de i836 nao ha lei que estabeleqa o orde- 
nado dos professores da academia. Estes ordenados 
eram declarados nas primeiras cartas de nomeacao, 
e o precedente ficava constituindo direito para o fu- 
turo. Os lentes de mathematica, desenho, commercio, 
philosophia racional e agricultura venciam 6oo*5k>oo 
reis. O director da aula de desenho vencia os mesmos 
6oo#ooo reis com obrigacao de residir no Porto pelo 
menos tres mezes cada anno. Esta obrigacao consta 
da consulta de 7 de Janeiro de 1806, em que a Junta 
inspectora propoe para este cargo a Domingos Anto- 
nio de Sequeira em successao ao fallecido Francisco 
Vieira Portuense, que, como diz a citada consulta, se- 
havia sujeitado aquella condicao. Os professores de 
francez e inglez venciam 400^000 reis. Nos ordena- 



1 Consulta de 26 d'outubro de 1804 na Historia dos es- 
tabelecimentos scientificos, t.'II, pag. 394. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 167 

dos dos substitutes havia mais variedade e confusao. 
de philosophia racional, Jose Francisco Goncalves, 
a quem a sua carta de nomeacao de 18 de novembro 
de i8o3 arbitrava 35o#ooo reis, recebeu sempre na 
razao de 45o#ooo reis. Este era tambem o ordenado 
dos substitutes de mathematica, desde 181 3 ou 1814, 
annos em que foram pela primeira vez providas estas 
substituicoes. Os substitutos de desenho e commercio 
vericiam 35o#ooo reis ate o anno de 1824, e de en- 
tao em diante 45o#ooo reis. Os substitutos de fran- 
cez e inglez, e o mestre de apparelho e manobra na- 
val reis 3oo#ooo. O proprietario e substituto da ca- 
deira de primeiras letras 400^000 reis cada urn, orde- 
nados que pelo art. 5 do alvara de 16 de agosto de 
de 1825 foram reduzidos, como ja se disse, o do i.° 
a 25o#ooo reis, o do 2. a i5o#ooo, sem prejuizo dos 
professores existentes. i 

Estes ordenados no anno de i863, em que pela 
maior parte foram creados, montavam a mais do que 
parece, apesar do rebate do papel-moeda que entrava 
em-metade dos pagamentos, se considerarmos a mu- 
danca do valor nominal do ouro. Assim, attendendo 



l O citado alvara de 1825 estranha que o substituto de 
primeiras letras trvesse o mesmo ordenado que o proprietario ; 
mas j4 mostramos que csta substitui^o era antes uma 2.* ca- 
deira. 



Digitized by 



Google 



168 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



a que este rebate foi, desde a creacao do papel-moeda 
em 1798 ate o fim de 1821, de 18.73 % (media an- 
nual), e a que as pecas d'ouro que hoje correm por 
8#ooo reis valiam entao 6/J400, teriamos a seguinte 
equi Valencia: 



Me 4798 a mi 


Pepi 


taanude 
ran fim 


VAIX)R ACTUAL 


Kb nil 


Kb (mm 


3oo*ooo reis 


42.485 


552.54 


339H880 


1:903 


35o*ooo » 


49.566 . 


644.63 


396*528 


2:220 


400*000 » 


56.647 


736.72 


453*176 


2:53 7 


45o*ooo » 


63.727 


828.81 


5ooJ8i6 


2:854 


600 Jo 00 » 


84.970 


1105.09 


679*760 


3:8o6 



Em 1822 o valor das pecas d'ouro foi elevado a 
7#5oo, e desde entao os ordenados diminuiram real- 
mente em relacao ao ouro. 

Em 1 836 os apuros do thesouro obrigaram a uma 
reduccao geral nos vencimentos de todos os funccio- 
narios publicos. O decreto de 19 de outubro d 7 esse 
anno dava aos lentes proprietarios de mathematica, 
agricultura, commercio, desenho e philosophia racional 
5oo#ooo reis, e aos respectivos substitutes 35o#ooo 
reis, excepto o de agricultura (creado entao), que ti- 
nha 25ojjooo reis. Os pVofessores proprietarios das 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 169 

cadeiras de francez e inglez conservaram os seus or- 
denados de 400^000 reis, mas os dos seus substitutes 
foram reduzidos a 25o#ooo reis, em quanto que o 
mestre de apparelho e manobra naval maateve o seu 
de 3oo#ooo reis. Os professores proprietaries e subs- 
titutes de primeiras letras ficaram na situacao em que 
os collocara o alvara acima citado de 16 d'agosto de 
1825. 

A principio havia, ao que parece, alguma condes- 
cendencia 50m os professores que faltavam sem causa 
justa as suas obrigacoes academicas. Ao mesmo tempo 
costumava pagar-se ao substitute, que regesse a ca- 
deira, urn ordenado egual ao do proprietario substi- 
tuido, d'onde resultava uma duplicacao de despeza, 
as vezes mal justificada. A estes abusos pozeram c&- 
bro o decreto de 18 d'agosto de 1824 e o alvara de 
16 tambem d'agosto de 182k O primeiro determi- 
nou, que nas proximidades dos trimestres, (porque os 
vencimentos dos professores eram pagos aos quarteis) 
director litterario enviasse a Junta inspectera urn 
mappa das faltas dos lentes e mais empregados, e que 
se descontasse nos respectivos vencimentos o tempo 
de faltas nao motivadas. O 2. reduz a 5ofJooo por 
anno, ou n'esta razao, o augmepto do ordenado do 
substitute que rege a cadeira, e ainda assim exige que 
a regencia exceda a tres mezes por anno, porque do 
contrario o substitute tern de contentar-se com o seu 
ordenado (cit. alv. § 4). O mesmo alvara determinou 



Digitized by 



Google 



.170 ANNUARIO DA ACADEMIA 

que os ordenados, nao s6 dos professores, senao de 
todos os empregados da academia, comecassem a con- 
tar-se desde a posse que tomassem dos seus cargos, 
excepto se entrassem em folha a data da nomeacao 
ou promocao, porque em tal caso, era esta a data de 
que principiavam a correr. os ditos ordenados (cit. al- 
vara, art. 10). 

Os lentes da academia, como equiparados aos da 
Universidade, gosavam da jubilacao aos vinte annos 
de servico. 

O art. 14 do alvara de 10 de Janeiro de 1826 es- 
tabeleceu uma aposenta^ao com'Va de ordenadoaos 
20 annos, e com o ordenado por inteiro aos 3o annos 
de magisterio se o professor se impossibilitasse de con- 
tinuar em exercicio, e s6 depois de 40 annos de ser- 
vico distincto concedia a jubilacao sem aquella con- 
ditio. Este mesmo alvara, porem, declarou que nao 
intentava derogar na legislacao dos estabelecimentos 
que a tinham especial (art. i5). Por isso nao foi ap- 
plicado a esta academia, que no ponto sujeito se re- 
gulava pelas leis e exemplos da Universidade. 

Em todo o periodo de que nos estamos occupando, 
que abrange 33 annos, houve n'esta academia quatro 
jubilates com o ordenado por inteiro. O espaco que 
medeou entre as' datas das cartas de nomeacao e as 
dos respectivos titulos de jubilacao, foram as seguin- 
tes: 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 171 

Joao Baptista Fetal da Silva Lisboa, lente do 3.° 
anno mathematico por C. R. de 18 de novembro de 
i8o3, jubiladg por C. R. 18 de julho de 1825, 21 an- 
nos e 8 mezes. 

Joaquim Antonio d'Otiveira, lente do 2. anno ma- 
thematico por G. R. de 6 d'agosto de 181 3, aposen- 
tado (alias jubilado) por portaria de 25 de outubro de 
1834, 21 annos, 2 mezes e 19 dias. 

Jose Frandsco Goncjalves, substituto de philoso- 
phia racional por C. R. de 18 de novembro de i8o3, 
e proprietario por C. R. de 3o d'agosto de 181 3, ju- 
bilado por C. R. de 18 de Janeiro de 1825, 21 annos 
e 2 mezes. 

Dr. Agostinho Albano da Silveira Pinto, profes- 
sor de francez por CR.de 28 de fevereiro de 181 5 
e lente de agricultura por C. R„ de 3 de outubro de 
18 1 8, jubilado por C. R. de 6 de dezembro de 1834, 
com 19 annos, 9 mezes e 8 dias. Este professor, po- 
rem, ja estava em servico na cadeira de francez em 
outubro de'iSi4 e com este tempo completava, e ate 
excedia os 20 annos. 

O conselho academico negou a validade d'esta ju- 
bilacao, como se ve das actas das sessoes de 1 3 e 1 5 de 
Janeiro de i838, fundando-se: i.° em que nao se lhe 
devia levar em conta para a jubilacao na cadeira de 
agricultura, cujo ordenado era de 600^000 reis, o tern- 



Digitized by 



Google 



172 ANNUARIO DA ACADEMIA 

po que teve de servico na cadeira de francez, cujo or- 
denado era de 400^000 reis; 2.? em que ainda n'este 
caso lhe faltava algum tempo para completar os 20 
annos. Mencionamos este caso por mostrar como o 
conselho entendia a lei, a qual todavia nao citou. Pa- 
rece, porem, que nao a interpretou como cumpria. 
O assento principal d'esta materia era os estatutos 
velhos da Universidade (appro vados em 1597 e con- 
firmados novamente pelo alvara de 1 5 de outubro de 
i653), liv. 3, tit. 22. Segundo estes estatutos, oslcn- 
tes jubilavam na cadeira em que foram acabar os 20 
annos, se n'ella tivessem lido cinco annos inteiros, e 
s6 quando nao tivessem os ditos cinco annos, jubila- 
riam na cadeira em que mais tempo leram (log. cit. 
§ inicial). O lente de que se trata, havja regido a ca- 
deira de agricultura por mais de 16 annos. Portanto 
era n'esta que devia ser jubilado, contando j se-lhe 
tempo da regencia do francez, e assim tinha os 20 
annos de servico, como vimos. Esta jubilacao foi jul- 
gada subsistente por decreto de 23 de julho de i838. 
Para a jubilacao na Universidade, e portanto n'esta 
academia, nao se exigia mais do que a effectividade 
de servico durante os 20 annos. Se os professores an- 
tes d'este tempo se impossibilitavam de continuar no 
magisterio, na pratica concedia-se-lhes a aposenta- 
cao com uma parte do seu vencimento. A aposen- 
tacao era uma graca especial, mas authorisada pelos 
precedentes. No periodo de que tra tamos, houve n'esta 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 173 

academia duas aposentaCoes, ambas com metade do 
ordenado, sendo uma d'um lente de philosophia ra- 
cional com 9 annos e 10 mezes, outra d'um professor 
de primeiras letras com i3 annos e 9 mezes. 

Alem das jubilacoes de que fizemos mencao, houve 
outra d'um professor de francez, o abbade Pedro La- 
croix, que nao teve mais servico na Academia do que 
oito annos e 22 dias. Ignoramos, porem, as circums- 
tancias d'esta jubilacao. 

Os lentes e substitutes de mathematica tinham a 
scu cargo o recitar por turno-, segundo a ordem da 
antiguidade, uma oracao congratulatoria no anniver- 
sary do principe regente (Estatutos de i8o3, §§ 1 1 e 
12, Res. Reg. de 3 de fevereiro e decreto de 16 de se- 
tembro de 1814, communicado a academia em officio 
do secretario da Junta inspectora de 17 de Janeiro de 
i8i5). Uma carta regia de 29 de setembro de 1829 
estabelecia este turno entre os lentes proprietaries de 
mathematica, commercio e philosophia racional *. Es- 
ta carta regia como emanada d'um governo illegiti- 
mo, nao p6de ser considerada como pertencente a le- 
gislacao academica, mas nao pertence menos a sua 
historia desde aquella data ate a entrada do exercito 
libertador no Porto em 9 julho de i832. 



* Cit. C. R. n.° 4 na Historia dos estabelecimentos scien- 
///faw,t.V,pag.347. 



Digitized by 



Google 



174 ANNUARIO DA ACADEMIA 

No dia da abertura solemne ou inauguracao da 
academia, que foi em 4 de novembro i8o3, devia ha- 
ver, e na verdade houve uma oracao recitada pelo 
lente da 3. a cadeira de mathematica (§ n dos Est.); 
mas a lei nao estabelecia esta formalidade para o fu- 
turo, como se ve do § 12 dos mesmos estatutos. O 
i ,° director litterario introduziu-a, imitando o uso da 
Universidade, tendo-se prestado o lente Agostinho 
Albano da Silveira Pinto a recital-a nos tres annos 
seguidos de 1818a 1820, e o substitute de francez no 
anno de 1 82 1 . A citad$ carta regia do governo intruso 
torna-a obrigatoria e encarrega-a ao director littera- 
rio ou quern suas vezes fizesse (cit G. R. n.° 3). 

Concluiremos esta parte relativa #o magisterio com 
uma lista nominal dos professores de cada uma das 
aulas da academia de marinha e commercio, seguin- 
do, em relacao a cada cadeira, a ordem chronologi- 
ca dos despachos. 

No fim da 2.* parte d'esta memoria, publicamos 
uma relacao alphabetica do pessoal docente e dire- 
ctor da academia de marinha e commercio com as 
noticias biographicas que podemos colligir. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 175 



PROPRQCTARIOS 



a) Manoel Jose da Cunha e Souza Alcoforado 
(i8o3); b) Joaquim Antonio d'Oliveira (r8i4); c) Joao 
Vieira Pinto (1829); d) Antonio Lebre de Souza Vas- 
concellos (i83o); e) Joaquim Torquato Alvares Ri- 
beiro (i835);/) Antonio Luiz Soares (i836). 



PROPRIETARIOS 



a) Jose Calheiros de Magalhaes e Andrade ( 1 8o3); 
b) Joao .Carlos de Miranda (1820); c) Jose Carneiro 
da Silva (1834); d) Jose Ricardo da Costa (1837). 



AULA DE MATHEMATICA 



PROPRIETARIOS 



a) Joao Baptista Fetal da Silva Lisboa (i8o3); 
b) Jose Avelino de Castro (i825); c) Fr. Caetano 
das Dores (1829); d) Joao Vieira Pinto fi83o); e) 
Antonio Jose da Costa Lobo (1834?) f) Diogo Kop- 
ke (i836). 



Digitized by 



Google 



176 ANNUARIO DA ACADEMIA 



SUBSTITUTOS DE MATHEMATICA 

Obs. Os estatutos de i8o3 haviam creado tan- 
tos logares de substitutos de mathematica, quantas 
as cadeiras; mas foram providos pela primeira vez 
em r8i3 e 1814. O Alvara de 16 de agosto de 1825 
supprimiu uma d'estas substitutes, para quando 
se desse a vacatura. 

a) • Joao Carlos de Miranda, da 1 . a cadeira ( 1 81 4); 

b) Antonio Jose da Costa Lobo,Ma 3. a cadeira (1814); 

c) Jose Avelino de Castro, da 2.* cadeira (1814); ij 
Jose Carneiro da Silva da i. a cadeira (1820); e) An- 
tonio Lebre de Souza Vasconcellos (1829); /)Rodri- 
go Ribeiro de Souza Pinto (i83i);^) Antonio For- 
tunato Martins da Cruz (i835); h) Francisco Adao 
Soares (i835). 

MESTRES DE APPARELHO E MANOBRA NAVAL 

Obs. Estavam subordinados ao lente de navega- 
$ao (do 3.° anno mathematico). Eram nomeados pela 
junta da companhia. Em 1807 figura entre os exami- 
nadores de apparelho e manobra naval Jose Dias da 
Silva, mas a primeira nomeacao de que tenho noticia 
no tempo da academia de marinha e commercio, e de 

a) Pedro Goncalves Salazar (1808); b) Jose An- 
tonio da Natividade (i832). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 177 



AULA DE DESENHO 



DIRECTORES 



a) Francisco Vieira, cognominado o Vortuense 
(i8o3); b) Domingos Antonio de Sequeira (1806); 
(Extincqao do cargo em 182 1); c) Augusto Roque- 
mont (i83i). 



PROFESSORES 



a) Jose Teixeira Barreto (i8o3); b) Raymundo 
Joaquim da Costa (181 1); c) Joao Baptista Ribeiro 
(1 833). . 



SUBSTITUTOS 



a) Raymundo Joaquim da Costa (i8o3); b) Joao 
Baptista Ribeiro (181 i);c) Maneel da Fonseca Pinto 
(1834). Depois d'este, mas no mesmo anno, foi por 
equivoco nomeado Antonio Jose Teixeira d'Abreu 
Junior, cujo despacho foi declarado nullo por nao estar 
vago o logar; d) Joaquim Cardoso Victoria Villa-Nova 
(i836). 



Digitized by 



Google 



178 ANNUARIO DA ACADEMIA 



AULA DE COMMERCIO 



PROPRIETARIOS 



a) Jose Honorio Guerner (i8o3); b) Jose Por- 
phyrio da Silva Lima (1806); c) Antonio Pedro Gon- 
cal ves ( 1 8 1 9) ; d) Francisco Joaquim Maia (1828); e) 
Manoel Joaquim Pereira da Silva (i836). 



SUBSTITUTOS 



a) Jose Porphyrio da Silva Lima (i8o3); b) An- 
tonio Pedro Goncalves (1806); c) Francisco Joaquim 
Maia (1819);^) Genuino Barbosa Bettamio (supranu- 
merario — 1824); e) Domingos Jose de Castro (1828); 
f) Antonio Pereira de Araujo Junior (1829); g) Jose 
Luiz Lopes Carneiro (i833); h) Luiz Baptista Pinto 
d'Andrade(i836). 

AULA DE AGRICULTURA 

a) Dr. Agostinho Albano da Silveira Pinto ( 1 8 1 8); 
1 b) Antonio da Costa Paiva (Barao de Castello de 
Paiva) (i836). 



4 O governo de D. Miguel supprimiu a cadeira d'agri- 
cultura pela Res. Reg. de 3i julho de 1829. Snr. Silvestre Ri- 
beiro, cit. Hist, dos Estab. Scient., torn. V, p. 347. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 179 



SUBSTITUTOS 

Esta aula nao tinha substituto. Em 1827, porem, 
foi nomeado Pedro Antonio Soares Vellozo para sub- 
stituto da cadeira de philosophia racional e moral 
com obrigacao de reger tambem a cadeira de agri- 
cultura no impedimento do seu proprietario. 

Em 1 836 foi creado o logar de substituto da ca- 
deira de botanica e agricultura, e nomeado para elle 
Jose Pinto Rebello de Carvalho, que nao acceitou. 

PHILOSOPHIA RACIONAL 
PROPRIETARIOS 

a) Manoel Joaquim de Faria Lobo (i8o3); b) 
Jose Francisco Goncalves (i8i3);c) Jose Duarte Sal- 
lustiano Arnaud (1827); d) Antonio Jose Lopes Alhei- 
ra (i832); e) Carlos Vieira de Figueiredo (i836). 

SUBSTITUTOS 

a) Jose Francisco Goncalves (i8o3); b) Jose Duar- 
te Sallustiano Arnaud (i8i3);c) Pedro Antonio Soa- 
res Vellozo (1827); d) Francisco Luiz Correia (i832); 
e) Jose da Cruz Moreira (i836). 



Digitized by 



Google 



180 ANNUARIO DA ACADEMIA 



AULA Dfc FRANCEZ 



PROPRIETARICS 



a) Abbade Dupuy Melgueil (i8o3); b) Abbadc 
Pedro Lacroix (1808); c) Hugo Lacroix (1811);^ 
Dr. Agostinho Albano da Silveira Pinto (i8i5); e) 
Francisco Soares Ferreira (1819);/) Henrique Er- 
nesto de Souza Coutinho (i83i); g) Antonio Carlos 
de Mello (i835); h) Antonio Pinto d'Almeida (i836). 



STJBSTITUTOS 



a) Abbade Pedro Lacroix ( 1 8o3); b) Ignacio Xa- 
vier Gayoso (1808); c) Antonio Teixeira deMagalhaes 
(1819). 



AULA DE INGLEZ 



PROPRIETARIOS 



a) Miguel Sheil (i8o3); b) Antonio Dias de Fa- 
ria (1827); c) Jose Eleuterio Barbosa de Lima (i832); 
d) Manoel Joaquim Duarte e Souza (i836). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 181 



substitutos 

a) Thomaz Danagan (i8o3); b) Antonio Dias de 
Faria (1811); c) Luiz Jose Monteiro' (1825); d) Hen- 
rique Daniel Wenck (i832); e) Antonio Jose Dias 
Guimaraes (i835);/) Carlos Mac Cartley da Cunha 
(i836). 

AULA DE PRIMEIRAS LETRAS 
PROPRIETARIOS 

a) Joao Goncalves das Neves (181 1); 6) Jose Luiz 
Coelho Monteiro ( 1 825); c) Luiz Jose Monteiro ( 1 835) . 

SUBSTITUTOS 

a) Jose Luiz Coelho Monteiro ( 1 8 1 6); b) Luiz Jose 
Monteiro (1825); c) Jose Maria da Silva Azevedo 
(1829); d) Antonio Ventura Lopes (i835). 

DISCIPLINE ACADEMICA 

a) Condicoes de admissao dos alumnos. Estas con- 
duces variavam conforme 6s cursos a que os alum- 
nos se propunham, e ja foram mencionadas, quando 
cscrevemos da organisacao d'estes cursos. 

Os alumnos achavam modo de illudir a exigencia 



Digitized by 



Google 



182 ANNUARIO DA ACADEMIA 

dos preparatories, matriculando-se como voluntarios, 
classe que, como vimos, existia legalmcnte nas fa- 
culdades de mathematica e philosophia da Universi- 
dade de Coimbra. Na aula de desenho, com quanto os 
estatutos prohibissem expressamente ao professor ad- 
mittir alumnos que nao tivessem approvacao nas 
matcrias do i.° anno mathematico * admittiam-se 
discipulos extraordinarios, como na aula de desenho 
e architectura de Lisboa. * Esta classe tinha de 
commum com a dos voluntarios nao estar sujeita aos 
preparatorios, mas distinguia-se d'ella em nao ser obri- 
gada a uma frequencia regular e assidua, que em ver- 
dade nao e da essencia d'um ensino, de sua natureza 
individual, nem p6de ser exigida a pessoas quepre- 
cisam de ganhar com o trabalho proprio o sustento 
diario. 

Em 1821 resolveu o conselho academico prohi- 
bir a admissao de alumnos voluntarios *. O n.° 10 
da C. Reg. de 29 de setembro de 1829 estabele- 
ceu egual prohibicao, mas este documento por haver 
dimanado d'um governo illegitimo nao impediu con- 



i Estat. de i8o3, § 28. 

* Estat. de 23 de agosto de 1787. 

* Acta da Congrega^ao de 3o de junho de 182 1 e edi- 
tal de 20 de setembro do dito anno no livro dos editaes, A- 
28. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 183 

selho academico derestabelecerem i834esta classe de 
alumnos, aos quaes permittiu matricularem-se como 
cbrigadoS) se no fim do anno apresentassem as cer- 
tidoes exigidas pelps estatutos ! . 

A condicao da edade de 14 annos pelo menos, 
apesar dos termos genericos com que e imposta no § 
6 dos mesmos estatutos, nao se considerou obrigato- 
ria senao para a matricula do 1 .°. anno mathemati- 
co, que devia preceder o curso d'esta sciencia, bem 
como o do commercio e desenho. 

As matriculas em disciplinas que nao dependiam 
do 1 .° mathematico nao obrigavam a edade determi- 
nada *. 

b) Matriculas. O termo da matricula devia con- 
ter o nome, filiacao e naturalidade do alumno e o 
corso a que se destiqasse. Devia tambem declarar os 
estudos que o alumno tinha feito, mas isto nao se 
cumpria. A propria designacao do curso limitava-se 
a da disciplina em que o estudante se matriculava. O 
termo era lavrado pelo secretario, e assignado por 



* Acta da Congrega^ao de 8 de outubro de 1834. A pa- 
lavra obrigados nio traduz hem o pensamento da resolu^o 
do conselho. Entende-se comprehender tambem os alumnos 
ordinarios. 

« Edital do director litterario, de setembrode 1818, no 
livro dos Editaes. 



Digitized by 



Google 



184 ANNUARIO DA ACADEMIA 

este, bem como pelo alumno e por um lente de ma- 
thematica quepresidia a matricula. De 1818 emdian- 
te o presidente da matricula era o director litterario; 
mas nao ha termo algum assignado por elle. O pro- 
prio secretario se descuidava de os subscrever. 

O servico de matricula devia comecar em 20 e 
terminar em 3o de setembro ($ 7 dos Estat.); mas 
quasi sempre continuava pelo mez de outubro, e an- 
nos houve em que chegou ate novembro, nao fallan- 
do em matriculas ainda mais tardfasem.casos extraor- 
dinarios. A C. R. de 29 de setembro de 1829, que 
por vezes temos citado apesar de nao ser documen- 
to legkimo, admittia que este servico se prorogasse 
ate 1 5 de outubro e nao mais, e atada assim s6 para 
os alumnos que provassem a impossibilidade de se 
terem matriculado no praso dos Estatutos. 

A matricula nao custava aos alumnos senao os 
emolumentos que pagavam ao secretario. 

c) Tempo lectivo e sua divisao. Os estatutos de- 
terminavam que o tempo lectivo durasse desde o i.° 
de outubro ate o ultimo dia de junho (§ i3). Parece 
que se devia entender por tempo lectivo o desti- 
nado as Iicoes ou ao ensino, e que o mez de julho se- 
ria consagrado aos exames, os quaes principiariatn 
desde que findasse o curso lectivo (§ 17). A nao se en- 
tender assim, as ferias seriam maiores do que os mes- 
mos estatutos permittiam. Todavia, a principio in- 
tcrprctou-se d'outra f6rma aquelladisposicao,eateao 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 185 

anno de 1808 faziam-se os exames em junho e ate 
em maio. D'esta data em diante cumpriram-se rigo- 
rosamente os estatutos. 

Os mezes de agosto e setembro eram de ferias, 
bem como 14 dias do Natal (de 24 de dezembro a 
6 de Janeiro) e i5 na Paschoa (desde o dia de Ra- 
mos ate o domingo da Paschoela). 

A 5. a feira era feriado, salvo se na semana hou- 
vesse dia santo ou de gala ! . 

Segundo estas disposicoes, os cursos lectivos vi- 
nham a ter 35 semanas ou qerca de i65- dias uteis, 
incluindo os destinados as repeticSes, que eram as 2." 
feiras ($ 16). 

O horario estabelecido em 1 3 de outubro de 1 804 
foi seguinte: i.° e 2. anno mathematico das 8 as 
10 horas da manha no inverno; 3.° anno mathema- 
tico, inglez e philosophia racional das 10 horas ate 



1 Estat. de i8o3, § i5; Estat. da Acad. Real da mari- 
nha de Lisboa de 5 de agosto de 1779; Estat. da Universida- 
de de 1 772, liv. 2, tit. 2, capitulo 8, §§ 4 a 6; Estat. velhos da 
mesma Universidade, liv. 2, tit. 48, §§ 7 e 8.— O director lit— 
terario da acadamia de marinha e commercio do Porto, re- 
solveu que o dia de gala tirava o feriado de 5.* feira, por ser 
csta a regra seguida nas academias da Cofte, nos termos dos 
seus estatutos (officio do secretario de 29 de outubro de 1829, 
no Uvro dos officios, fl. 1 18. 



Digitized by 



Google 



186 ANNUARIO DA ACADKM1A 

ao meio dia; commercio, desenhb e francez, das 2 as 
4 da tarde. No verao as aulas de manha comecavam 
uma hora mais cedo, e de tarde uma hora depois da 
indicada. 

Este horario foi alterado pela Junta inspectora 
d'accordo com o conselho academico, na f6rma do § 
14 dos estatutos, em 4 de outubro de 1817, passan- 
do as aulas a ter s6 1 ! / 2 hora de exercicio, em vez 
de duascomoate entao. Segundo o novo horario, os 
trabalhos escholares no inverno principiavam as 8 
horas da manha e acabariam a meia hora depois do 
meio dia; no verao uma hora mais cedo. Dividido este 
espaco em 3 partes eguaes, a 1 . a parte seria destina- 
da para as aulas do 2. anno mathematico, francez e 
manobra naval; a 2. a para os do i.° anno mathema- 
tico, commercio, desenho e inglez; a 3. a para os do 
3.° anno methematico e philosophia racional e mo- 
ral. N'este horario ainda nao e mencionada a cadei- 
ra de agricultura, que s6 se abriu no anno de 18 19 
a 1 820, devendo ter o seu exercicio na 1 .* hora ! . 

Em 1834 estabeleceu-se um novo horario, dan- 



* O Edital de 5 de outubro de 18 19 dava A agricultu- 
ra a 2.* hora e ao inglez a 1.*, mas estas horas foram muda- 
das por despacho do director de 1 1 do cfito meze anno, o que 
mostra que o director se julgava authorisado a modificar o 
horario. 



Digitized by 



Google 



I 



POLYTECHNICA DO PQRTO 187 

do-se a i. a hora e meia ao francefc, 2. mathematico, 
commercio e manobra naval; a 2. a a philosophia ra- 
tional e i;° mathematico; a .3.* ao 3.° mathemati- * 
co, desenho e inglez. N'este horario tambem se nao 
menciona a cadeira de agricultura que nao funccio- 
nava desde 1829. 

Do exposto resulta que cada aula tinha, ate 18 17, 
10 horas por semana e d'esta data em diante, 7 ! /j 
horas por semana ou 247 horas por anno, que pra- 
ticamente se reduziriam a 206 em algumas aulas. 

Segundo a lei, os professores de mathematics de- 
viam repartir o tempo das licoes diarias em duas par- 
tes eguaes, uma para a sua explicacao, outra para 
ouvir urn ou mais estudantes sobre a licao explicada 
na vespera *. Nas 2. M feiras, repetiam-se as licoes 
estudadas na semana anterior *, interrogando-se os 
alumnos uns aos outros, para o que se tiravam a sor- 
te 3 defendentes e 6 arguentes, presidindo o profes- 
sor 3 . Deveria tambem haver umas repetiqoes men- 



* Estatutos de i8o3, § 16 e Estat. da Acidemia Real 
de marinha de Lisboa de 5 de agosto de 1779, titulo do tem- 
po e horas das lifoes. 

* Cit. Estat. de i8o3. Em Lisboa as repeticoes eram nos 
sabbados como na Universidade. 

* Cit. Estat. de i8o3 e de 7 de agosto de 1779, titulo 
dos exercicios semanarios. 



Digitized by 



Google 



188 ANNUARIO DA ACADEMiA 

saes, como se achava estabelecido para a Universi- 
dade c para a acadcmia real de marinha de Lisboa 
• 4 ; mas parece que em nenhum d^cstes estabelecimen- 
tos se levava tao longe como isto, a antiga maxima, 
repetitio mater studiorum. 

d) Faltas littwarias. Aos estudantes que nao es- 
tivessem na aula seis -minutos depois de comecadas 
as licoes ou que se ausentassem d'ella antes d'estas 
acabadas, era apontada a falta pelo guarda respecti- 
vo *. Na aula de apparelho e manobra naval as fal- 
tas eram apontadaspelo mestreda mesma aula *. 

Os estatutos d'esta academia nao diziam o nume- 
ro das faltas, que faziam perder b anno. Egual omis- 
sao se dava nos Estatutos da Acad. Real da mari- 
nha de Lisboa de 5 de agosto de 1779. Pelos da 
Universidade, de 1772, perdia-se o anno com um mez 
de faltas, ou com dois mezes se fossem justificadas. 



* Estat.de i8o3 e 177900s logares citados. Veja-se so- 
bre os diversos exercicios das aulas os Estat. da Univ., liv. i.*, 
tit. 4. , cap.'i e 2; liv. 2. , tit. io.°, cap. 1 a 3, eliv. 3.°, p. i. a , 
tit. 4. , cap. 1 a 4 e parte 2.*, tit. 5.° seus capitulos, e p. 3.*, tit. 

4-° 

* Estat. da Academia Real da marinha de Lisboa de 5 
de agosto de 1779, tituioie algumas disposicbes pertencentes d 
boa ordem, etc. Estat. de i8o3, § 47. 

8 ■ Congrega^ao de 21 de junho de 1819. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 189 

A justificacao nao se admittia, se o alumno estava 
ausente, sem licenca do reitor, da sede da UniverM- 
dade; para os que estivessem presentes, bastava qual- 
quer indisposicao em que o excesso do estudo e a 
commocao dos espiritos, que e inevitavel nas accoes 
litterarias, possa prejiidicar a saude *. Estas e ou- 
tras disposicoes dos estatutos da universidade foram 
modificadas pela carta regia de ' 26 de setembro de 
1787, que comminou a perda do anno aos estudan- 
tes, que sem gravissimas causas faltassem a 20 li- 
coes diarias ou a 2 sabbatinas^ 

Applicando esta legistacao a Acad, real de mari- 
nha de Lisboa, o decretode 27 dedezembro de 1800 
determinou: 1 .° que perdessem o anno os estudantes 
que sem justa causa fizessem 20 faltas ou faltassem 
a 2 sabbatinas; 2. que a justificacao das faltas de- 
via reaiisar-se no 1 ,° dia em que o estudante voltas- 
se a aula, apresentando ao lente certidao jurada do 
motivo porque faltou 4 ; 3.° que os estudantes que 

* Estat. da Universidade de 1772, liv. i.°,tit. 4. , cap. 3.% 
e § 20. 

* Havia egual disposicao no art. 2. dos decididos pela 
C. R. de 28 de Janeiro de 1790 para a Universidade, mas este 
artigo permittiajustiticar perante a congregacao as faltas que 
nao foram logo abonadas perante o leme. Na nossa academia 
seguia-se o principio da justificacao immediata (Edital da Se- 
cretaria de 3 de outubro de 1824). 



Digitized by 



Google 



190 ANNUARIO DA ACADEMIA 

perdessem o anno, seriam publicamente avisados para 
nao voltarem a aula sob pena de se dar conta d'elles 
ao intendente geral da policia, para serem reputados 
por vadios, nos termos do decreto de 14 de dezem- 
bro de 1799 *• 

Estas disposicoes eram applicaveis aacademia real 
de marinha e commercio do Porto por forca do § 47 
dos seus estatutos. N'esta academia, porem, as faltas 
aos exercicios praticos, sem grave e manifesta causa, 
eram contadas por tres, e se o alumno vencesse par- 
tido, perdia o duplo do vencimento diario d'elle re- 
lativo aos dias em que houvesse faltado (Estatutos de 
i8o3 § 37)/ Todavia as faltas aos exercicios de ap- 
parelho e manobra naval eram contadas como as fal- 
tas as licoes ordinarias (Res. em Congregacao de 21 
de junho de 1 8 19), e os alumnos que perdessem o anno 
n'aquella aula, nao eram admittidos a exame na 3/ 
cadeira de mathematica emquanto nao se mostrassem 
appro vados na mesma aula (Qt. Congregacao de2i 
de junho de 18 19). 

e) ObrigagoeS) faltas e penas disciplinares. Os 
estatutos d'esta academia nao estabeleciam disposi- 



* O decreto de 27 de dezembro de I800 vem extra- 
ctado na Hist, dos Estab. scient. do Snr. Silvestre Ribeiro, T. 
II, pag. 379. O de 14 de dezembro de 1799 encontra-se nacoi- 
lecqao das lets de Delgado. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 191 

^oes espcciaes a respeito do regimen e boa ordem das 
aulas. N'este ponto o § 47 rcmettia-se as disposicoes 
contidas «debaixo do titulo similhante em os estatu- 
tos das academias da C6rte». Estas academias, po- 
rem, nao eram perfeitamente uniformes. 

Na academia de marinha de Lisboa havia as se- 
guintes disposicoes: 

Os alumnos eram obrigados a dar conta de si e 
do que aprenderam, quando lh'o exigissem os res- 
pectivos lentes. F6ra d'isso, guarciariam nas aulas ri- 
goroso silencio e tratariam seus mestres com todoo 
obsequio e obediencia. Os que faltassem a estes pre- 
ceitos seriam admoestados ate tres vezes e por fim ex- 
cluidos da aula. Estas penas eram-lhes applicadaspelo 
respectivo professor (Estat. de 5 de agosto de 1779, 
titulo de algumas disposigoespertencentes a boa ordem 
das aulas). 

Os estatutos da Academia dos guardas-marinhas 
determinavam que se algum alumno faltasse essen- 
cialmente a subordinacao e respeito devido aos seus 
mestres, estes o reprehendessem, ou fizessem prender 
ou representassem para que fosse expuiso, conforme a 
grandeza da falta (Estat. de 1 de abril de 1796, ti- 
tulo de algumas disposicoes relalivas, etc.) 

Segundo os estatutos da aula de desenho da C6r- 
te, o alumno que nao estivesse na aula com decen- 
cia e modestia ou perturbasse os mais, pela primeira 
vez seria admoestado, pela 2. a reprehendido aspera- 



Digitized by 



Google 



192 ANNUARIO DA ACADEMIA 

mente e castigado, e pela 3. a despedido da aula com 
consentimento da Real meza Censoria, a cuja inspec- 
cao estava sujeito este estabelecimento (Estat. de 23 
de agosto de 1789). 

Os estatutos da aula de commercio de Lisboa eram 
omissos a este respeito. 

D'esta variedade de disposic5es resultava um cer- 
to arbitrio, sem que d'ahi viesse algum inconvenien- 
te. O arbitrio era ate o principio adoptado nos esta- 
tutos velhos da Universidade (Liv. 2, tit. 20, § 3), 
que encarregando ao reitor a sua execucao, o autho- 
risavam a admoestar, reprehender e castigar, como 
visse que convinha ao caso. 

Na academia de marinha do Commercio do Por- 
to, a admoestacao ou reprehensao por factos occor- 
ridos na aula pertencia ao professor, como nos mais 
$stabelecimentos da G&rte; mas a exclusao d'um es- 
tabelecimento em que um mesmo alumno podia cur- 
sar diversas aulas, nao podia deixar de pertencer ao 
director a quern a lei encarregava, como acima dis- 
semos, de zelar a observancia dos estatutos e de fa- 
zer guardar a boa ordem e subordinacao entre os em- 
pregados e os estudantes. 

f) Premios e partidos. Pelas nossas antigas leis 
academicas haviadifferenca entre os partidos e os pre- 
mios propriamente ditos. Os primeiros tmham o ca- 
racter de pensao ou bolsa para ajudar as despezas dos 
estudos dos alumnos pobres e applicados. O seu prin- 



Digitized by 



Google 



P0LYTECHN1CA DO PORTO 193 

cipal fim era chamar as esc6las os individuos que 
nao tivessem posses mas que se sentissem com for- 
ca para alcancar pelo seu estudo em cada anno os 
meios de continuar o curso no seguinte. Os premios 
tinham unicamente por fim promover a emulacao en- 
tre os estudantes. 

Esta distinccao vem clara no Av. Regio de 8 de 
junho de 1*793, mandando que se nao dessem premios 
n'esse anno por ter havido perdao d'acto e faltar a 
.prova do exame, que e a unica ou principal para ve- 
ri6car o merecimento dos premiados, mas que se des- 
sem ospartidos que foram instituidos para beneficiar 
os estudantes pobres e benemeritos nas faculdades 
frequentadas por menor numero de alumnos *. Na 
verdade os partidos haviam sido creados no reinado 
de D. Sebastiao para 3o estudantes da faculdade de 
medicina: em 1606 crearam-se outros para pratican- 
tes de pharmacia *. Os alvaras que os estabelece- 
ram, exigiram que os partidistas fossem christaos ve- 
Ihos. Por isso a legislacao liberal do reformador da 
Universidade de Coimbra denunciou este estabeleci- 



* Cit. Av. de 8 de Janeiro de 1793 na collec^o de le- 
gisla^ao academica do Snr. Jos^ Maria d'Abreu e na Historia 
dosEstab. Scient., torn. V, p. -8. 

* Alv. de 18 de fevereiro de 1606 na collecfao de le- 
gislacao do Snr. Justino d'Andrade e Silva, Lisboa 1854 e seg. 

13 



Digitized by 



Google 



194 ANNUARIO DA ACADf MIA 

mento como «um nocivo pretexto para arruinar as fa- 
milias dos vassallos, para introduzir n'elles a divisao 
e para dilacerar por meio d'ella a uniao christa e a 
sociedade civil n'estes rein&s e todos os seus domi- 
nios» *. Todavia ao mesmo tempo que annullou os 
decretos anteriores a este respeito para apagar os ves- 
tigios de intolefancia, que maculavam as nossas leis, 
conservou a instituicao e ampliou-a a faculdade de 
mathematica *. Posteriormente fez-se extensiva a 
faculdade de philosophia 8 . 

Os premios na Universidade sao de instituicao 
mais recente. Foram estabelecidos para todos os an- 
nos de todas as faculdadcs, sem exceptuar aquellas 
que tinham muito grande frequencia 4 , e incluindo 



* Estatutos da Univ. de 1772, liv. 3, p. 1.% tit. 6, cap. 4, 
§ 2. Vej. tambem o preambulo e o § 3 do alv. de 20 d'agos- 
to de 1774, na colleccao de leisde Delgado. 

* Estat. da Univ., cap. citado e p. 2. 1 , tit. 7, cap. 2 e p. 
3.«, tit. 6, cap. 4,§ 5. 

5 Aviso Reg. de 23 de Janeiro de 1778 na colleccao de 
legislacao academica do Snr. Jose Maria d'Abreu. Pelos esta- 
tutos, a faculdade de philosophia s6 tinha os partidos para os 
praticantes do dispensatorio pharmaceutico. 

* Os premios foram creados nas faculdades de theolo- 
gia e direito por alvara* regio de 25 de setembro de 1787 na 
cit. colleccao do Snr. Jose' Maria d'Abreu. 



Digitized 6y VjOOQLC 



4 POLYTECHNICA DO PORTO 195 

as proprias em que havia os partidos, que sao, aquel- 
las a que n6s •chamamos de sciencias naiuraes (me- 
dicina, mathematica e philosophia). 

Os estatutos $Ia"academia de marinha e commer- 
cio do Porto crearam 24 premios, sendo 16 para ma- 
thematica, 4 para desenho e 4 para commercio (§§ 
44 a 46). Ate ao alvara de 16 de agosto 1825, aquel- 
les premios tinham antes a indole de partidos. Os 
proprios estatutos no § 37 lhes dao este ultimo titulo; 
€ no S 46, justificando a creacao dos premios no curso 
de commercio, tomam em consideracao a falta de 
meios que possa dar-se em alumnos intelligentes para 
subsistirem e se apresentarem com decencia nas au- 
las. 

Por isso que eram partidos, isto e, destinados a 
sustentar os alumnos durante os estudos, nao havia 
premios para os que se houvessem distinguido no ul- 
timo anno do curso. Assim se entenderam e execu- 
taram sempre os citados §§ dos estatutos em confor- 
midade com os estatutos da academia de marinha 
de Lisboa ' e com a legislacao da Universidade 
que regulava a distribuicao dos partidos. * 

* Estat. da Acad, de marinha de Lisboa de 5 d'agosto 
de 1779, t l t - dos partidos. 

* Estat. da Univ. tit. 3, P. 1.', tit 6, cap. 4, e P. 2.'; tit. 
7, cap. 2; Estat. da Academia de Marinha e Commercio de 
/8o3, S 44 e mais documentor 



Digitized by 



Google 



196 ANNUARIO DA A CAD EMI A 

Peia mesma razao estes partidos eram avultados 
e pagos em prestacoes; na Universidade, aos quar- 
teis, n'esta academia aos mezes, cdmprehendendo os 
das ferias. Aqui eram de 72^000 reis (450 francos), 
distribuidos em mezadas de 60ooo reis. * 

O alvara de 16 de agosto de 1825, no art 8, re- 
duziu os 24 premios a 12, e o valor d'elles a 40^000 
reis, sendo 6 para mathematica, 2 para commercio, 
2 para desenho e 2 para agriculture, que pelos estatu- 
tos nao os tinha. Para a diminuicao da quantia, funda- 
se o citado alvara em que nao e o valor pecuniario 
dos premios mas sim a honra e a distinccao de os 



Em 1824 nao se distribuiram premios aos estudantes que 
tinham sido approvados na i. a cadeira de mathematica, que 
eram 9. Os estudantes recorreram para o governo, o qual de- 
pois de ter mandado consultar a Junta Inspectora, ouvidos os 
lentes de mathematica e o director litterario, decidiu que 
para os premios nao bastava a approvacao mas era necessario 
urn merecimento distincto. (Res. Reg. 3o de maio 1825, so- 
bre consulta da Junta Insp. de 28 de abril do dito anno^in- 
formacao dos lentes de 16 de novembro e do director littera- 
rio de 22 de dezembro 1824, no livro do Registo de officios e 
ordens da Junta (liv. 92, pag. 38 a 5o). Nas ditas informa- 
coes cita-se a legislacao da Universidade que regula os parti- 
dos. 

* Estat. de i8o3, § 44 e varios documentos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 197 

haver merecjdo, o principal motivo que excita a emu- 
lacao entre os estudantes* D'este modo o citado al- 
vara nao reduziu s6 o numero e valor dos premios, 
mas alterou a indole da instituicao. Nao foi porem 
consequente, porque mandou que dos 6 premios de 
mathematica fossem 3 para cada um dos annos em 
que sao vencidos na f6rma dos estatutos, e o mescio 
sc entende a respeito dos outros cursos. Assim conti- 
nuou a faltar premio para estimular a emulacao entre 
os alumnos do ultimo anno dos cursos. 

Os premios de mathematica eram dados pelos tres 
lentes <f esta sciencia. A este respeito nunca houve 
questoes, nem o S 44 dos estatutos a permittia. Du- 
vidou-se, porem, na congregacao de 3i de julho de 
1822 se era necessaria a unanimidade de votos; se 
os alumnos do curso simples de pilotagem (que pas- 
savam do i.° para o 3.° anno mathematico) po- 
diam concorrer a premio com os do curso completo; 
e se os repetentes podiam entrar em egual concurso 
com os discipulos do anno. O Av. Reg. de 1 de ju- 
lho de 1823 decidiu negativamente a primeira ques- 
tao, ' affirmativamente a 2.% e nao resolveu a 3. a 
Esta foi decidida negativamente pelo governo intruso 



1 O S 44 dos Estat. parece exigir a unanimidade; os 
estatutos da Universidade so a pluridade de votos, liv. 3, P- 
i. 1 , tit. 6, cap. 4, § 10. 



Digitized by 



Google 



198 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de D. Miguel em Res. de 24 de setembro de i83o *, 
que nao pertence a legisla^ao academica por terem 
sido annullados todos os actos de authoridade d'a- 
quelle governo. 

Desde i8o5 ate 181 2 questionou-se se os premios 
de desenho e commercio deviam ser votados por todo 
o corpo academico ou s6 pelos professores da espe- 
ci alidade. Os lentes de mathematica sustentavam a 
primeira opiniao com.fundamento nos §§ 45 e 46 dos 
estatutos. A Res. Reg. de 25 de agosto de 1812, so- 
bre consulta da Junta Inspectora de 10 d'abril do 
dito anno, poz termo a esta pendencia, determinando 
que se procedesse a votacao na presenqa de todo o 
corpo docente, mas s6 tomassem parte n'ella os pro- 
fessores especiaes. As votacoes eram feitas por es- 
crutinio na f6rma dos estatutos da academia de ma- 
rinha de Lisboa. 

g) Exames. Os estatutos tractam d'esta mate- 
ria nos §§ 17 a 22, mas occupam-se apenas dos exa- 
mes de mathematica. O primeiro dos citados S§ re- 
mette-se aos estatutos da academia demarinha de 
Lisboa, que nao podiam tractar senao dos exames 
d'esta sciencia. Os outros cursos regulavam-se por 
estas disposicoes na parte applicavel e pelos estatu- 
tos analogos dos estabelecimentos da C6rte. 



* Na Hist, dos Estab. Scient, torn. V, p. 349. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 199 

Todos os estudantes eram obrigadoS a fazer exa- 
me no fim do anno. Os que nao o fizcssem, ficavam 
reconduzidos por uma vez s6mente no mesmo anno, 
transferindo-se-lhes para o seguinte o seu exame, ao 
qual deviam prestar-se sob pena de serem expul- 
sos (§ 18). 

Os exames de mathematica recahiam sobre tres 
pootos ou assumptos das materias dadas durante o 
anno, tirados a sorte 24 h or as antes. Presidia ao 
exame o lente do anno e argumentavam dous lentes 
ou substitutes de rftathematica. O acto duraria uma 
hora *. Os examinadores nao se satisfariam s6 pela 
conta que o estudante desse do ponto, mas preten- 
deriam reconhecer o seu talento e genio para o es- 
tudo da sciencia e a facilidade de combinar por si 
mesmo as verdades elementares que aprendeu e de 
variar methodicamente as demonstrates e usos; 
isto, porem, com a devida prudencia e moderacao, 
para que o- discipulo se nao confunda (§ 19). 

No fim do exame procedia o jury a votacao por 
escrutinio sobre a approvacao ou reprovacao.. 

Por uma disposicao especial a esta academia, o 
estudante que houvesse dado boa conta de si durante 



* Est. da Acad, de marinha de Lisboa. A ordem de 28 
de junho de 1821 determinou que os argumentos nao duras- 
sem mais de 20 minutos. 



Digitized by 



Google 



200 ANNUA RIO DA ACADHMIA 

o anno mas 'satisfizesse mal a prova do acto, podia 
ser submettido a um novo exame particular, por de- 
cisao dos examinadores sobre proposta do mestre do 
mesmo estudante (§ 20). 

Depois da approvacao annual nas tres cadeiras 
de madiematica, os estudantes que pretendessem tcr 
a carta do curso complete, deviam sujeitar-se a um 
exame geral das disciplinas d'este curso, a similhanca 
do exame de formatura na faculdade de mathema- 
tica da Universidade. O exame versava sobre nove 
pontos, sendo tres de cada uma das tres cadeiras, ti- 
rados a sorte dois dias antes e sobre uma disserta- 
cao, cujo objecto era da livre escolha do estudante, 
uma vez que fosse assumpto de mathematica e obti- 
vesse a approvacao do presidente, que tambem era 
escolhido pelo examinando entre os lentes d'esta 
sciencia. O examinando podia ser inquirido vaga- 
mente em arithmetica, trigonometria espherica e ephe- 
merkles. O exame geral devia ser feito nos ultimos 
dias de setembro, apesar de serem feriados (§$ i\ c 
22 dos Estat. e Estat. da Univ, livro 3, P. 3.% tit. 6 
cap. 2). Esta ultima disposicao porem nao se cum- 
priu senao uma vez. 

O alvara de 16 de agosto de 1825 ainda intro- 
duziu um exame de repeticao e outro privado em ma- 
thematica, a imitacao dos que precedem o grau de 
Hcenciado n^esta faculdade da Universidade de Coim- 
bra. A repeticao consistia na nova frequencia simul- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 201 

tanea do 2. e 3.° anno mathematicos, a cujas li- 
c5es e exercicios os repetentes ficavam obrigados co- 
mo os alumnos ordinarios. O exame de repeticao ver- 
sava sobre uma dissertacao e varias theses extrahi- 
das de todos os ramos do curso, livremente escolhi- 
das pelo examinando, a cujo arbitrio ficava tambem 
o numero d'ellas, uma vez que nao fosse menor d6 
12 por cada urn dos annos. As theses deviam ser 
appro vadas pelo lente do 3.° anno, a quern competia 
presidir ao acto, e argumentavam n'elle todos os len- 
tes e substitutos de mathematica na presenca de todo 
o corpo da academia. Pelo costume da Universidade, 
cada arguente escolhia uma s6 these, da qual dava 
conhecimento ao defendente» com anticipacao de al- 
guns dias. Sobre este acto nao havia julgamento de 
approvacao ou reprovacao. 

Depois", podia o candidato quando lhe parecesse, 
requerer ao director litterario que lhe marcasse dia 
para exame privado. 

Este exame versava sohre dois pontos, um da 
2.% outro da 3. a cadeira, escolhidos pelo candidato 
d'entre tres pontos de cada uma d'estas cadeiras ti- 
rados a sorte quatro dias antes. Devia haver seis ar- 
guentes; e quando faltasse algum, um dos lentes argu- 
mentaria duas vezes. Presidia o lente do 3.° anno, e 
em quanto elle argumentava, tomava a presidencia o 
do 2. Assistiam s6 os lentes e substitutos de mathe- 
matica, e o director litterario. Findo o exame, que de- 



Digitized by 



Google 



202 ANNUARIO DA ACADEMIA 

via ser feito com o maior rigor, procedia-se a vota- 
cao sob re a appro vacao ou repro vacao. * 

Houve n'esta academia urn unico acto d'esta 
qualidade, que foi em *83o. N'esse tempo nao es- 
tavam em effectivo servico na seccao mathematica 
senao tres lentes, dos quaes dous nomeados pelo go- 
verno intruso. Em 24 de maio do dicto anno tomou 
a congregacao de mathematica a respeito d'aquelle 
acto as seguintes resolucoes: 1 . a que as theses apre- 
sentadas pelo estudante Joaquim Torqiiato Alvares 
Ribeiro fossem appro vadas; 2. a que o acto publico da 
defeza das mesmas theses se fizesse no dia 17 de ju- 
nho; 3.* que a ordem dos argumentos fosse na f6r- 
ma dos estatutos; 4.* que segundo a letra da lei fi- 
cava assentado em congregacao que este acto se con- 
cluisse de manha por nao haver lentes que viessem 
argumentar de tarde; 5. a que para o exame privado 
devia o discipulo tirar ponto das materias do 2. e 
3.° annos; 6. a que por falta de numero sufficiente de 
lentes argumentasse no exame privado cada um dos 
dous arguentes por dobrado tempo. 

Todos estes exames tinham por fim habilitar os 
candidatos para oppositores ao magisterio de mathe- 



* Cit. Alv. de 16 de agosto de i8a5, SS 3 e 4, e Estat. da 
Universidade de 1772, liv. 3. # , P. 2.% tit. 6.°, cap. 3.° junto com 
outros logares a que o mesmo capitulo 3.° se refere. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 203 

matica. Como em 1834 se introduziu o systema 
de concursos para o provimento das substituicoes, 
cessou de facto, esta institui<;ao que deu a academia 
um dos seus mais habeis e instruidos professores *. 

Em todos 08 exames das outras disciplinas o jury 
era composto s6 do professor e substitute, excepto 
em agriculture, para cujos exames havia s6 o pro- 
fessor da cadeira. 

Os alumnos do curso de commercio tiravam pon- 
to 24 horas antes do exame (*). 

Os exams de desenho duravam muitos dias, como 
era necessario para que os examinandos podessem fa- 
zer as suas estampas. Gostumavam prolongar-se pe- 
las ferias, o que foi prohibido pela Congrega^ao em 
3o de junho de 1825. 

h) Cartas. As cartas de pilotos e sota-pilotos 
eram passadas pela Junta # da adrninistracao da Com- 
panhia geral de agricultura das vinhas do Alto-Dou- 
ro, como inspectora da Academia (Estat. §§ 25, 26 e 
53). As suas funccoes de inspeccao cessaram em 1834. 



* O snr. Joaquim Torquato Alvares Ribeiro. Este pro- 
fessor foi provido em concurso, mas na consulta insistiu-se no 
direito que elle tinha de ser provido por haver desempenha- 
do o servifo de oppositor. 

* Isto s6 desde 1825 por effeito da resolu$ao da Con- 
grega^ao de 3o de junho de 1825. 



Digitized by 



Google 



204 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Desde.entao podia applicar-se o disposto nos esta- 
tutos da academia de marinha de Lisboa, que man- 
dou passar as cartas de pilotos mercantes pelo lente 
de navcgacao (3.° anno mathematico), devendo ser 
firmadas com o sello da academia (cit. estatutos da 
acad. de mar. de Lisboa — titulo do exame geral, efc M 
infine). Era, porem, mais regular que estas cartas 
fossem passadas pelo director litterario e assim se pra- 
cticou. 

As cartas de mathematica eram passadas pelo len- 
te do 3.° anno Joao Baptista Fetal da Sjjlva Lisboa. 
Este porem jubilou em 1826, e nao se julgando o seu 
successor authorisado para continuar esta praxe, o 
director litterario determinou em 1826 que estas car- 
tas fossem passadas pelo mesmo director e em seu 
nome e subscriptas pelo secretario da academia. 
Antes d'esta resolucao, o secretario tinha mandado 
imprimir umas cartas com tencao de as passar aos 
estudantes que houvessem acabado o terceiro anno 
mathematico, depois da jubilacao do referido lentc 
Fetal *. 

As cartas de commercio no tempo da antiga aca- 
demia de marinha do Porto, foram sempre passadas 
pela Junta inspectora. A ultima de que ha registo, e 



* Officio do secretario da academia de 3o de outubro 
de 1826, no registo dos officios fl. no. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 205 

datada de 1825, o que nao admira, porque a grande 
maioria dos alumnos d'este curso valia o saber, de 
pouco lhes valla a carta. 

Pela carta do curso completo de mathematica pa- 
gava-se ao secretario da academia um emolumento 
de 2^400 reis. Pfela do curso simples de pilotagem, 
I1J600 reis. Isto, s6 depois da Res. Reg. de 17 de 
agosto de 1824, porque ate entao todas as cartas 
eram gratuitas. 



Estabelecimentos e' meios prdticos de ensino. 



Os estatutos encarregavanj a Junta inspectora de 
prover a academia «de instrumentos astrorfomicos e 
maritimos, de cartas geographicas, topographicas, li- 
vros, espheras e de tudo quanto se carecesse para a 
completa instruccao dos discipulos, uso dos lentes em 
scus exercicios, decencia e lustre da academia » (§ 57). 

A' aula de desenho nao faltava nada do que ha- 
via sido solicitado pelo insigne pintor portuense Fran- 
dsco Vieira, que era lente d'ella antes da fundacao da 
academia. E^ste, pelo menos, felicita-se pela riqueza 
dos meios que havia para o aproveitamento dos seus 
discipulos. Assim o prova o discurso, a que ja allu,. 
dimos, recitado, ao que parece, em i8o3. 

«A unica consolacao que me acompanha, (dizia 



Digitized by 



Google 



206 ANNUARIO DA AGADEMIA 

elle), e o ver-me n'este logar que occupo, munido dos 
mais raros monumentos e exemplares, que podem in- 
sinuar, disp6r e guiar os principiantes, ate que che- 
guem a sublimidade de qualquer das artes, a que se 
quizerem applicar, tendo uma colleccao de obras as 
mais completas e especiaes em geometria, perspecti- 
va e architectura, alem de outra de ornatos e estam- 
pas as mais singulares, com as estatuas dos mais ce- 
leb res gregos* 4 . 

Provavelmente estas acquisicoes datam do anno 
de 1802, em que Francisco Vieira comecou a reger 
a aula de desenho. N'este tempo havia s6 esta aula e 
a de nautica, e as receitas destinadas ao seu custeio 
eram muito superiores as despezas do pessoal. 

Para o estudo de nautica e astronomia cuidou, 
logo no principio da academia, a Junta inspectora dc 
comprar alguns instrumentos e utensilios. Assim 
«desde o comeco, possue a academia alguns excellen- 
tes instrumentos de Dollond; para as praticas tri- 
gonometricas um graphometro e um theodolito, que 
dao 3o' ; , e para as praticas de astronomia nautica, tres 
sextantes com graduacao de prata, um quarto de dr~ 



* Discurso feito na abertura da academia de desenho e 
pintura na cidade do Porto por Francisco Vieira Junior. Lis- 
boa 1 80 3, transcripto na Hist, dos Estab. scientific^ T. Ill, p. 
24 e seg. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 207 

culo que da i5", uma bussola de caixa de tobre de 
movimento universal e um relogio de Arnold de pe- 
sos e pendula de compensacao. Tern mais duas lu- 
netas para observacoes de eclipses de 3 pes de f6co, 
uma das quaes com apparelho para movimento len- 
to no sentido horisontal e vertical, de bastante au- 
gmento paramostrarem os satellites de Saturno. Pos- 
teriormente, em 1828 adquiriu uma esphera armillar 
e dois ricos globos para o estudo da geographia, os 
de maior dimensao que ainda hoje existem no reino* *. 

observatorio e que nunca teve um edificio con- 
veniente. A principio esteve n'uma casa particular. 
Uma tentativa de roubo mostrou que os instrumen- 
tos nao estavam alii seguros, pelo que foram removi- 
dos para a academia, onde se construiu um observa- 
torio provisorio, dominando todo o edificio da Uca- 
demia e sem a solidez e firmeza necess arias para ob- 
servacoes rigorosas *. 

Para o ensino do apparelho e manobra naval ha- 



* Discurso recitado na Acad* PolyU do 'Porto na aber- 
tura do anno lectivo de 1846 para 1847 P e ^° ^ te d* 5* cadet- 
ra, Joaquim Torquato Alvares Ribeiro, Porto 1847, pag. 8 e 
9. Grande parte d'este discurso vem transcripto na Historia 
dos Estabelecimentos scientificos. 

* Officio do director da academia polyt. de 22 de maio 
de 1837 no livro 67 da secretaria. 



Digitized by 



Google 



208 ANNUARIO DA ACADEMIA 

via urn navio de dous mastros (brigue), que ainda ha 
poucos annos foi desmanchado, porque, extincto ou 
abandonadb o curso de pilotagem, occupava inutil- 
mente o espaco de duas grandes salas. 

A academia tinha uma bibliotheca, mas muito po- 
bre. Em i824, o director litterario qualifica-a de mi- 
seravel e vergonhosa *. O alvara de i6 de agosto de 
1825 mandou applicar a compra de livros a impor- 
tancia dos premios, que por falta de alumnos distin- 
ctos nao fossem distribuidos (cit. alvara, art. 8). A 
Res. 11 de julho de 1825, communicada em Aviso 
de 5 de setembro do mesmo anno,- conformando-se 
com o parecer da Junta inspectora de 21 de maio 
anterior, destinava 400^000 reis para as despezas do 
expediente ordinario da academia e mandava que 
quanto em cada anno subejasse d'esta quantia, se em- 
pregasse em livros a beneficio da bibliotheca *. Em 
1828 foi a bibliotheca accrescentada com urn sortimen- 
to de livros 3 ; mas a maior c6pia dos que a acade- 
mia de marinha legou a academia polytechnica* sua 



i Informacao de i3 de setembro de 1824 na Historia dos 
Estab. scientificos, T. II, p. 419. 

* Registo de officios e ordens da Junta no Archivo da 
acad. polyt. liv. 92, pag. 61. 

3 Cit. discurso do lente da 5.* cad. Joaquim Torquato. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 209 

successora a vem-lhe da providencia dada no decreto 
de g de julho de i833. 

Este decreto, fundando no Porto uma bibliothe- 
ca publica e dotando-a com os livros que compunham 
as livrarias de varios conventos extinctos, determinou 
que, dos exemplares duplicados se dessem a esta aca*- 
demia as obras que tivessem por objecto as scien- 
cias mathematicas, a navegacao, o commercio, a agri- 
culture, industria e artes, geographia, chronologia e 
historia ou quaesquer outros ramos de conhecimen- 
tos particularmente ligados com aquelles, (cit. decre- 
to, art. ii, § i). 

A academia n'aquelle tempo nao tinha cadeiras de 
physica, nem de chimica, nem de historia natural, e 
ainda que estas sciencias estavam ligadas com a agri- 
culture, o decreto parecia excluil-as, porque doava 
expressamente um exemplar de cada um dos duplica- 
dos pertencentes aquelles ramos, a esc6la medico- 
cirurgica d'esta cidade (cit. deer., art u, § 2). 

Com este don^tivo adquiriu a nossa bibliotheca 
muitos volumes e algumas obras de estimacao; mas 
nem por isso ficou muito rica das que mais de perto 
interessafn a culture das sciencias professadas n'esta 
academia. 

A bibliotheca governava-se pelo regulamento 
que lhe deu o director Joaquim Navarro d'Andrade, 
em 2 de setembro de 1829, com o titulo de «Instruc- 
coes porque se deve regular o guarda da bibliothe- 



Digitized by 



Google 



210 ANNUARIO DA ACADEMU 

ca» *. Este guarda era o porteiro e official da secre- 
taria, Antonio d' Almeida dos Santos Junior, que des- 
de aquella data ficou «encarregado do arranjamento, 
guarda e conservaqao dos livros da bibliotheca, com 
a gratificacao de 3oo reis diarios que Ihe seria satis- 
feita pelos redditos proprios da dita bibUotheca» '. 



Edificio 



Quando a junta da administracao da Companhia 
das vinhas do Alto-Douro, na representacao que aci- 
ma mencionamos, de 4 de Janeiro de i8o3, pediu 
que se levantasse urn edificio para as aulas, propunha 
que nos baixos d'elle se construissem lojas de abo- 
bada, para se alugarern em beneficio do seminario dos 
orphaos da Graca, na conformidade da planta que 
acompanhava a mesma representacao. 

No alvara de 9 de fevereiro de i8o3, que resol- 
veu a pretensao da Companhia, nao da o governo si- 



* Livro (92) do Registo de officios e brdens da Junta 
no Archivo da Acad. Polyt., pag. 94 a 96. 

1 Port, do director litterario de 2 de setembro de 1829 
em conformidade com as determinates da Junta inspectora 
no cit. livro, pag. 93. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 211 

gnal de ter recebido a planta e ate ordena que a Jun- 
ta a mande levantar e submetter a approvacao re- 
gia, pelo ministerio do reino (cit. alvara, §§ 3 e 5). E' 

' provavel que ja entao se tratasse de fundar um esta- 
belecimento muito mais completo do que aquelle para 

' que tinha sido feita a mesma planta. Aquelle alvara 
esqueceu-se de fallar nas lojas, e ve-se de outro al- 
vara de 29 de julho do mesmo anno, que foi um es- 
quecimento grave. 

Na verdade, este ultimo alvara declarouque f um 
dos principaes objectos da creacao d^esta academia 
f6ra accrescentar o patrimonio do seminario dos or- 
pbaos da Graca, e que as lojas do edificfo mandado 
construir para as aulas, fossefn arfendadas > sendo o 
seu producto administrado como as riiais rendas d'a- 
quelle seminario pela camara d^esta cidade, a qual 
teria todo o cuidado em que os orphaos frequentas-, 
sem os estudos, «sem se distrahirem com a assisten- 
cia dos enterros, e muito menos a pedir esmolas, vis- 
to que pela refenda consignacao cessa a necessidade 
e indigencia em que viviam» *. 

A planta foi levantada em 1807 pelo capitao de 
infanteria com exerciciq no real corpo de engenhei- 
ros, Carlos Luiz Ferreira da Cruz Amarante, e ap- 



* Comparem-se as palavras transcriptas no texto com o 
que escrevemos de pag. 100 a 102. 



Digitized by 



Google 



212 ANNUARIO DA ACADEMIA 

provada em 26 de setembro do dito anno pelo mi- 
nistro do reino Antonio de Araujo d'Azevedo. 

O projecto do engenheiro Amarante consta de dn- 
co folhas. Uma d'estas con tern o piano terreo, outra 
andar nobre; as tres restantes, os alcados, excepto 6 
do lado do nascente, que nao desenhou, como elle mes- 
mo declara, para nao augmentar o numero de plan- 
tas. Um alcado que existe da fachada do nascente, 
foi levantado em maio de 18 17 por outro architecto 
em conformidade com a planta baixa 1 . Das cinco fo- 
lhasmencionadas, s6as duas primeiras, tern a approva- 
cao do ministro, mas nem por isso deixou de se re- 
gular pelas outras a arphitectura adoptada para as 
obras feitas no tempo da administracao da Compa- 
nhia das vinhas do Alto-Douro. 

Como em i834.cessaram as obras e s6 em i865 
se continuaram por um novo piano, aquellas plantas 
ficaram descuradas e acham-se bastante damnifica- 
das. O engenheiro que em 1862 elaborou o novo pro- 
jecto, teve-as presentes, mas nao as estudou senao em 
relacao ao fim a que se propunha, e se alguem as 



* Do nome do architecto s6 se le o primeiro e as ulti- 
mas letras do ultimo, Joaquim. . .aijo. Esta ultima planta, que 
foi a que se poz em obra, faz alguma differen^a da primitive 
nos torreoes do nascente. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 213 

mencionou, foi como simples reminiscencia historica 
*. Todavia sao estas plantas documentos juridicos im r 
portantes, que ainda podem servir para fixar as re- 
lacoes entre a academia, que e um estabelecimento 
do Estado e o collegio dos orphaos, que o e munici- 
pal. 

O projecto exorbitou da lei, porque em vez de 
se occupar s6 da academia, risca um novo edificio 
para o collegio que o governo nao se obrigara a cons- 
truir, e liga este edificio com o da academia, de ma- 
neira que em parte ficam ambos os estabelecimentos 
debaixo do mesmo tecto. Mas se o projecto excedeu 
os limites da concessao que o alvara de 29 de julho 
de i8o3 fizera aos orphaos, estes ainda excederam os 
limites do mesmo projecto, porque trazem alugado 
um espaco maior do que elle applicava a este destino. 

Assim em toda a parte do nascente, comprehen- 
dida entre os torreoes das extremidades, na extensao 
de 6i m ,64, nao havia lojas algumas, e os orphaos estao 
gosando ha muitos annos as rendas de todos os bai- 
xos d'esse lado, assim como os das duas lojas provi- 
sorias estabelecidas em dois dos arcos do frontao do 
norte, onde nao as podia haver, porque era por alii a 



* Snr. Jose* Maria d'Abreu no jd citado Relatorio da ins- 
pec^ao extraordinaria, feita d academia poly technica em [864, 
Lisboa, Imp. Nac. i865, pag. 32. 



Digitized by 



Google 



214 ANNUARIO DA ACADEMIA 

entrada para a academia. A tudo isto se deve atten- 
der na avaliacao das indemnisacSes que direitamente 
pertencem aos orphaos, quando se expropriarem as 
lojas para se continuarem as obras em conformidade 
com o novo piano. 

Em rigor, estas rendas extraordinarias devem ter 
sido capitalisadas para se construir com o seu pro- 
ducto o novo collegio esua egreja. P6de ser que fosse 
esta a mente com que o Estado ou quern o represen- 
tava, consentira em que ellas fossem percebidas pela 
administracao dos orphaos, visto que o imposto es- 
tabelecido para a academia, nao podia ser distrahido 
para a cohstruccao do edificio do collegio a nao ser 
a titulo de indemnisacao paga antecipada e lentamente 
por aquellas rendas. 

Segundo a planta de* 1807, a f6rma do espaco oc- 
cupado pelo edificio da academia e collegio dos or- 
phaos era um pentagono. A fachada do norte que 
era a frente principal da academia, olha para a pra- 
ca, outVora Feira da Farinha, hoje dos Voluntarios 
da Rainha, e mede 6i m , 81; a do nascente, voltada 
para a rua que a separa do extincto Recolhimento 
do Anjo, hoje Mercado do mesmo titulo, tern 89,* 
19; a do sul, 35, m 55. A linha do poente quebra-se 
a 38, m g5, contados da extremidade do norte, e d'ahi 
corre na direccao de SSE e na extensao de 55, m 88 
ate acabar na quina da parede do sul. Os angulos 
entre os lados do sul e poente, e entre as duas linhas 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 215 

(Teste ultimo quadrante sao obtusos; os outros sao 
rectos. 

A architectura e a mesma do novo piano que acom- 
panha esta memoria. Apenas sobre os torreoes havia 
uma attica. 

No andar terreo a academia nao tinha senao, alem 
da entrada, uma aula de primeiras letras (aula que 
ainda entao nao estava creada), uma sala para o i.° 
guarda, e a casa do navio.A i. a tem 8, m 38X7,34= 
6i,^5i; a 2.* 5 m ,o4X7,29=36, m *74; a 3. a euma eli- 
pse com os eixos de i7, m 48 e 8 ? m 87 e a superficie cor- 
respondente de I2i, m *77. 

A parte principal da academia ficava no i .° an- 
dar. Ao longo da fachada do norte havia as seguin- 
tes divisoes: aula de commercio (8, m nX io, m 98= 
89, Bi o5); dita do i .° anno mathematico (8, m oi X 1 1 m = 
88,^11); salao para os actos solemnes (i3, m 92Xio m 
97=i52, ID2 7o); aula do 2. e 3. 0, mathematicos (7, m 
97Xii m =87, ni *67); sala sem designacao (8, m o5Xio m 
97=88, mt 3i); mais dois gabinetes e duas escadas, oc- 
cupando ambas uma area de cerca de 36 metros qua- 
drados. Estas divisoes sao todas ao correr da frente 
do norte e acham-se separadas das seguintes por um 
corredor de 57 m 4i de comprido e 2 m 7o de largo. An- 
te-sala da livraria (6 m 38X4 m i6=26 mi 54); pateo para 
hiz (8 m 27X7,7o=63 ID *68); escada principal (io^X 
8,27); aula de agricultura (7 m 78X7 m 63=59 m *36); ou- 
tro pateo para luz (5 m 5 1X7,78); e uma sala (7 m 02X 



Digitized by 



Google 



216 ANNUARIO DA ACADEMIA 

8,o6=56 m *66). Este correr de salas recebe a luz por 
um claustro que lhes fica ao sul, excepto a ante-sala 
da livraria e a ultima sala, que a recebem de janellas 
voltadas, a i. a ao nascente e a 2. a ao poente. Te- 
mos ainda do lado do nascente a livraria com io m 54 
de comprido e 6,38 de largo (67 m *24), mais quatro 
quartos separados, dois a dois, por um corredor, oc- 
cupando tudo uma superficie de 43 m quadrados. Do 
lado do poente ha* a ellipse da casa do navio,*que 
tern a altura dos dois andares. Finalmente na attica 
do poente que devia estender-se desde o torreao do 
norte ate o angulo obtuso, que formam entre si as 
duas linhas do poente, devia ser estabelecida a aula 
de desenho. No alcado da frente do norte apparece 
desenhado o observatorio, mas nao ha a planta bai- 
xa d'este estabelecimento. 

No tempo da administracao da Companhia cons- 
truiu-se no sul a parte que vai desde a entrada 
actual da Academia polytechnica ate a quina do nas- 
cente, toda a fachada de leste e levou-se ate o cimo 
do andar terreo a parede exterior da fachada do nor- 
te e do torreao do poente. A Companhia porem fez 
muitas construccoes provisorias no terreno que de- 
via ser occupado pelos edificios reunidos da acade- 
mia e collegio, nao se esquecendo de aproveitar quasi 
todos os baixos d'essas construccoes para lojas que 
eram arrendadas em proveito dos orphaos. 

Antes de feitas estas obras, a academia nao ti- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 217 

nha espaco sufficiente para as suas aulas. Estas ac- 
commodavam-se como era possivel no edifickwdos 
orphaos, exceptuando a de desenho, que ainda no 
anno de 1804 funccionou no hospicio de Santo An- 
tonio de Val Piedade, a Cordoaria, onde hoje esta o 
hospicio dos Etfpostos. O observatorio estava n'uma 
casa alugada, como dissemos. A secretaria aind* em 
1824 se achava n'uma sala dos orphaos, a quern se 
pagava 3o$ooo reis de renda. 

No tempo do cerco do Porto (i832 a 1834) o edi- 
ficio academico foi convertido em hospital militar. 
Em 1 3 de outubro de 1834 comecaram os estudos no 
palacete da Snr. a Viscondessa de Balsemao, hoje do 
Snr. Visconde da Trindade, na praca que entao se 
chamava dos Ferradores e agora de Carlos Alberto. 
S6 as aulas de desenho e manobra continuaram nos 
seus antigos locaes, que eram nas construccoes pro- 
visorias do lado do poente. O hospital militar s6 dei- 
xou livres as aulas da academia em i836. 



Dotagao 



O alvara de 9 de fevereiro de i8o3 estabeleceu 
distinctamente duas fontes de receita para duas ap- 
plicacoes diversas ; uma para a contruccao do edifi- 
cio, outra para os ordenados do pessoal (§§ 4 e 8). 



Digitized by 



Google 



218 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Ainda havia diversas despezas que os estatutos de 
29 4p julho do mesmo anno mandavam pagar pela 
contadoria da Junta inspectora, sem declarar a re- 
ceita com que haviam de ser satisfeitas (cit Est. §S 
48 e 5 7 ). 

Para o edificio estabeleceu o citado Alvara de 
fevereiro, por espaco de 10 annos, o imposto de um 
real em cada quartilho de vinho que se vendesse a 
retalho na cidade do Porto e districto do privilegio 
exclusivo da Companhia durante os seis mezes de ju- 
lho a novembro. Esfe imposto corresponde a 188 */ 5 
reis ou a um franco e 18 c. por hectolitro. 

O districto privilegiado da Companhia abrangia 
alem do terreno demarcado para os vinhos de expor- 
tacao, a cidade do Porto e quatro legoas em volta, que 
eram, segundo a medida d'aquelle tempo, 24:689 
metros *. Entao o imposto de consumo sobre o vi- 
nho, era um real em quartilho, durante todo o anno, 
para as obras publicas e barra do Porto, mais um 
real para a casa de correccao nos quatro mezes de de- 
zembro a marco e 4 reis para as estradas do Douro nos 



1 O raio do circulo privilegiado A volta da cidade do 
Porto era de tres leguas pelo § 28 da Instituicao da Compa- 
nhia de 3 1 de agosto de 1756 approvada por alvard de 10 
de setembro do dito anno. Foi elevado a quatro legoas por 
alvard de 16 de dezembro de 1760. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



219 



dois mezes de abril e maio. A totalidade do imposto 
sobre este consumo, depois de augmentado pelo ci- 
tado alvara de 9 de fevereiro de i8o3, ficava sendo 
de 5 reis em quartilho (943 4 / 3 reis ou 5 francos e 
90 c. por hectolitro) nos dois mezes de abril e maio, 
e 2 reis (377 4 /3 ou 2 francos e 36 c. por hectolitro) 
no resto do anno. 

imposto para o edificio da academia foi amplia- 
do a todos os mezes do anno pelo alvara de 16 de 
agosto de 1825, § 1. 

E' notavel que esta contribuicao fosse estabele- 
cida por proposta da Junta da administracao da Com- 
panhia das Vinhas do Alto Douro 4 , que era verda- 
deiramente quern a pagava, porque tinha o exclusivo 
da venda do vinho a retalho no districto do seu pre- 
vilegio. 

Quanto a receita para pagamento do pessoal, o 
alvara de 9 de fevereiro de 180 3 apenas dispunha, 
que fos ordenados dos lentes, substitutes e mais 
pessoas empregadas em. as novas aulas, fossem sa- 
tisfeitos por onde o sao actualmente os de nautica e 
desenho > (cit. alv., § 8). Segundo a legislacao, a que 
este alvara alludia (que entao nao tinha sido publi- 
cada e ainda hoje em parte se conserva inedita) a re- 



1 Representa^ao de 4 de Janeiro de i8o3, na Hist, dos 
Estab. scientificos. T. 2. , pag. 401. 



Digitized by 



Google 



220 ANNUARIO DA ACADEMIA 

ceita para esta despeza consistia como dissemos, na 
decima dos dividendos dos accionistas da Companhia 
das Vinhas. O rendimento d'este imposto era calcu- 
lado no Av. Reg. de 16 de Janeiro de 1779 em qua- 
tro contos e tantos mil reis, mas desde i8o3 ate 1820 
inclusive, nunCa desceu de6:856#ooo reis (42:850 fran- 
cos), nem subiu de 8:4o3#5oo reis (52:522 francos*. 

Esta quantia nao era sufficiente para o quadro 
estabelecido no alvara e estatutos de 29 de julho de 
i8o3. A Carta Reg. d'aquella mesma data, dirigida 
ao desembargador corregedor da comarca do Porto, 
determinava que do cofre das rendas d'esta cidade se 
applicasse cada anno ate a quantia de 2:400^000 reis 
para os ordenados dos professores e premios dos 
alumnos. 

A terceira cathegoria de despezas a que alludi- 
mos, nao tinha consignacao especial. A final decidiu- 
se que fossem pagas pelas receitas creadas para o pa- 
gamento do pessoal. 

Assim, em 18 de Janeiro de 1819 «deliberou a 
Junta que em conta do edificio e obras da academia 
se credite o rendimento da contribuicao estabelecida 
pelo § 4 do dito alvara de 9 de fevereiro de i8o3 e 



i Parecer da commissao de instruc^ao publica de 24*de 
setembro de 1821 no Diario das Cdrtes de novembro d'esse 
anno, a pag. 2967. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



221 



debite pela despeza do novo edificio, das aulas inte- 
rinas, e outras quaesquer obras ou concertos. E que 
em conta de despezas da academia real de marinha 
e commercio d'esta cidade se credite o rendimento 
da contribuicao estabelecida pelo § 8 do sobredito 
alvara, bem como a consigna<;ao ordenada por Carta 
Regia de 29 de julho de i8o3, e se debite pelos or- 
denados dos lentes e mais empregados, premios, cus- 
to de instrumentos, moveis e mais despezas qoe o § 
57 dos estatutos manda prover, fazendo-se os encon- 
tros necessarios d'aquellas addicoes que se acharem 
lancadas em contrario cPesta deliberaqao* 4 . 

A dotacao para o pessoal e expediente era muito 
inferior as despezas, como se ve da seguinte nota 
d'ellas referida ao anno de 1820: 



Vice-inspector 

Director litterario . . 
Secretario da Junta inspectora 
Secretario da academia • . 
Official e continue* da academia 
Primeiro guarda .... 



A transportar 



1 :8oo#ooo 

i:2och$ooo 

i6o#ooo 

96^000 

1805J000 

220^000 

3:656#ooo 



* Livro intitulado « despezas geraes das aulas regias» 
no cartorio da Companhia das Vinhas. 



Digitized by 



Google 



222 



ANNUARJO DA ACADEMIA 



Transporte . 
Seis guardas a 144^000 reis. 
Dois serventes 



Total do pessoal d'inspeojao, direc- 
• cao, secretaria e policia . . . 

Lentes de mathematica 3 
f de philosophia 
racional, commercio, 
desenho e agricultura 4 

Director da aula de de- 
senho 1 



3:656#ooo 
864J000 

1 520000 



4:672^000 



8 a 6oo#ooo 4:800^000 

4 Professores de francez, inglez e de 
primeiras lctfas a 400^000 reis . 1 :6oo0ooo 

3 Substitutos de mathematica e 1 de 
philosophia racional, 4 a 45o#ooo 
reis i:8oojjk>oo 

2 Substitutos de commercio e dese- 
nho a 35o#ooo reis 700*^000 

2 Substitutos de francez e inglez e 
1 mestre de apparelho e manobra 
naval, 3 a 3oo#ooo j-eis . . . goofaoo 

Total do pessoal docente . . . 9:800^000 

Despezas diversas, a saber: — 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 223 

24 Premios para os alumnos a reis 

72jJooo 1 728^000 

Toque dos sinos para a entrada e sa- 

hida do estabelepmento . . . 6o#ooo 

Aluguer da casa que serve de obser- 

vatorio 67^200 

Dito da sala de secretaria . . . 3o#ooo 

Expediente, despezas do anni versario 

de sua magestade, etc. • . . 854^450 

Somma das despezas diversas . . 2:739^650 

Resumo : 
Inspeccao, direccao, secretaria e po- 

licia 4:672^000 

Pessoal docente 9:800^000 

Despezas diversas 2:739^650 

Total. . 17:21 ifJ65o 

A esta quantia ainda havia que accrescentar a de 
73j>ooo reis, importancia do vencimento do patrao do 
escaler, resto do antigo encargo da administracao das 
fragatas de guerra que devia ser paga pela decima 
dos accionistas da Companhia. 

As duas verbas de que se compunha a receita 
consignada para estas despezas, eram computadas 



Digitized by 



Google 



224 ANNUARIO DA ACADEMIA 

no mesmo anno em 9:932^800 reis, sendo 7:532^8oo 
reis a importancia da decima dos accionistas da Com- 
panhia e 2:400^00 reis do cofre das rendas muniri- 
paes *. 

Havia, pois, um deficit de 7:352#ooo reis ou 
45:950 francos. Os desfalques accumulados desde 
i8o3 a 1820 montavam no fim d'este ultimo anno 
a 64:5400836 reis (4o3:38o francos), que era quanto 
a Companhia havia adiantado para as despezas cor- 
rentes da academia *. 

As c&rtes supprimiram os logares de vice-inspe- 
ctor da academia e de director da aula de desenho, e 
reduziram a 200^000 reis o ordenado do director lit- 
terario. Era uma economia total de 2:6oojjooo reis, 
que ainda estava muito longe de estabelecer o equi- 
librio. A diminuicao do ordenado do director nao 
chegou a realisar-se, senao em i836, como ja disse- 
mos. 

Em 1825, pelo alvara de 16 de agosto que varias 
vezes temos citado, reuniram-se os dois cofres, por 
onde ate entao se faziam separadamente as despezas 
do edificio e do pessoal. Ao mesmo tempo fizeram- 
se algumas economias, supprimindo-se uma substi- 



^ Cit. liv. das «despezas geraes das aulas regias» fl. 87 v. 
s Cit. parecer da commissao de instruc^ao publica de 
24 de setembro de 1821 no Diario das Cdrtes. 



Digitized by 



Google 



P9LYTECHNICA DO PORTO 225 

tuicao de mathematics, e dois logares de segundos 
guardas, reduzindo-$e os ordenados do professor e 
do substitute da aula de primeiras letras e diminuin- 
do-se o numero e quantia dos premios pecuniarios. O 
mesmo alvara elevou a 240^000 reis o ordenado do 
secretario da academia, que era de g6#ooo reis. A eco- 
nomia liquida, resultante d'estas providencias, mon- 
tava a 2:242^000 reis (14:012 */* francos), que nao 
devia realisar-se desde logo, porque se respeitavam 
os direitos dos empregados existentes. 

A dotacao especial da academia veio a cessar des- 
de que foram extinctos os privilegios da Companhia 
das Vinhas do Alto-Douro pela legislacSo de i832 
a 1834. A consigriacao dos 2:400^000 rers pela ca- 
mara municipal ja tinha sido retirada pelo governo 
de D. Miguel em i83o. 

As despezas totaes foram fixadas pelo decreto 
de 19 de outubro de i836 em 10:642^000 reis. 

Do que dissemos, quando nos occupamos do ma- 
gisterio da academia, deduz-se que os vencimentos 
do pessoal docente, nos termos do citado decreto, 
montava a 7:5oo#ooo reis. A esta verba deve a.ccres- 
centar-se a de ioo#ooo reis para gratificacao dos 
substitutes que eventualmente regessem cadeiras. As 
outras despezas eram as seguintes: 

Primeiro secretario da academia . 25o;5Iooo 

Um bibliothecario que servira nos im- 

15 



Digitized by 



Google 




226 ANNUARIO DA ACADCMIA 

peditnentos do secretario da acade- 

mia 25ojooo 

Um guarda-m6r e fiel da academia . 240^000 

Seis guardas subalternos a 146^000 
reis 8760000 

Dois serventes a 72*5000 reis . . . 1445000 

Gratificacao ao lente que servir de di- 
rector 2O0#000 

Expedients ordinario da academia . 4001J000 

Premios aos estudantes 480^000 

Aluguer das casas em quanto a acade- 
mia se nao estabelecer no edificio 
que lhe pertence 200^000 

Total das despezas diversas . . . 3:o4ojooo 



Antes do citado decreto gastava a academia no 
pessoal docente e diversas despezas 1 3: 299^200 reis, 
nao incluindo as obras do edificio que ha muito tem- 
po se achavam suspensas. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC A. DO PORTO 227 



Secretaria 



Apezar de se haver transferido para a adminis- 
tracao directa do Erario Regio a receita e despeza 
do antigo estabelecinaento das fragatas de guerra do 
Porto, a provedoria da marinha que era uma das re- 
particoes d'aquelle estabelecimento, continuou sob a 
direccao da Companhia das Vinhas do Alto-Douro 4 . 

Creada esta academia, o escrivao da marinha foi 
encarregado das funccoes de secretario d'ella, ccom 
o mesmo ordenado que Ihe esta estabelecido* *. 

Este ordenado rinha sido de 961J000 reis; f6ra ele- 
vado a 240^000 reis, e outra vez reduzido a 96^000 
reis por Av. Reg. de 16 de Janeiro de 1779 8 » <l ue 



l Vej. supra pag. 94 e 95. 

* Estat. de 29 de julho de i8o3, § 7« O texto diz «escri- 
vao da mairicula* erradamente, em vez de « escrivao da ma- 
rinha.* 

3 Regist. no livro da marinha da Companhia das Vinhas 
fl. 59. No alv. de 16 de agosto de 1825, § 9, o dito Avis. Reg. 
€ citado com a data de 1 o de. Janeiro, e pdde ser que seja esta 
a verdadeira. 



Digitized by 



Google 



22£ ANNUARIO DA ACADEMIA 

vigorava quando se promulgaram os estatutos de 
i8o3. O alvara de 16 d'agosto de 1825 tornou a ele- 
val-o a 240^000 reis l , e o deer, de 19 de outubro 
de 1 836 levou-o a 25o#ooo reis. 

Antes d'este alvara, a Res. Reg. dc 17 d'agosto 
de 1824, ja tinha melhorado a situacao d'este func- 
cionario, concedendo-lhe os mesmos emolumentoses- 
tabelecidos a favor do secretario da academia de ma- 
rinha de Lisboa, pelo decreto de 27 de setembro de 
1800 «. 

Os emolumentos eram os seguintes: 

Matricula, informacao, certidao ou 
attestacao de frequencia ... 480 

Busca de livros pertencentes a cada 
anno 180 

Cada carta de appro vacao no 3.° an- 
no, havendo o curso inteiro ou 
complete 2^400 

Cada provimento de premio ou car- 
ta do 3.° anno de curso de pilo- 
tos i£6oo 

Os lentes na occasiao da posse costumavam dar 



l Cit. Alv. § 9, na collec^o de legisla^o. 

* Na collec£ao de legisla^ao de Delgado, pag. 649 e seg. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 229 

ao secretario uma peca d'ouro (14.188 grammas) e 
uma gratificacao ao primeiro guarda e aos outrqs su- 
balternos; pratica abusiva e como tal reprovada pela 
Port, de 28 de junho de i833. * 

secretario escrevia as actas, enchia e assignava 
ou devia ^ssignar os termos de matricula e fazia o 
mais servi^o proprio das secretarias. As primeiras 
actas eram escriptas em nome d'elle, mas por outra 
letra e nao tern a sua assignatura. A primeira acta 
subscripta pelo secretario e de i3 de«nov. de 1810, 
e a primeira escripta e assignada por elle e de 1 3 de 
maio de 181 2. 

Os secretarios da academia de marinha e com- 
mercio do Porto foram: i.° Joao Peixoto da Silva 
(i8o3 — 1808); 2. Francisco Peixoto da Silva, filho 
do precedente (1808 — 1809); 3.° Agostinho Peixoto 
da Silva, irmao do antecedente (1809 — 1828); 4. Ma- 
noel Nunes de Mattos (1828 — 1834), tendo ja antes 
d r isso exercido o logar no impedimento do proprie- 
tario; 5.° Jose Augusto Salgado (desde.io d'abril de 
1834). Todos foram nomeados pela junta da Com- 
panhia das Vinhas do Alto-Douro. 



* Regist. no Hv. (66) da acad. de mar., fl. 149 e i5o. 



Digitized by 



Google 



tOtSbSMMMMMMMMMMSOOOOdO 

i i i i ri i i i ri m i ri i 1 1 i 






MMWIOMMMMMMMMMM < 

coto>-oc0Oo-4Oac*i*k.co*©M*©c0Oo-4Oao«> 



as to co co co oo mic co to to to to oo tft gp co o> $t 

*)*409tC*a^t^MH0D^^M09*)(0O«4W0i 



O CO 10 10 tO CO O* O 10 I COtKOOCO I ©»0>COl*.| 



00 CO Ci CO CO ©» ~J »K ! CO CO C* CO tft 00 CO 00 



OO I 



c* ift. ** co **■»*. to co oo oo co co co ifc m* ~j cp g* oo >^ 

MC©M^CDtDO^H*CO^jOSCO*000*OOl£C**JO* 



> 

§ 



•-3 

o 



I 

s 

D 

p 



t© t3 t-i |-i ha M h- h- h- MUM H*M»C7»~ai^' 

o*coc?'~JH*t©c*ioc7'OocoM*i£oa-4t©o-4a*to 



r 



S i £ S S S £ 

MMMMtSM l-l|-l*» M » 0< CO 

)O>M^tOOK>tO0>O>9>O>O>O>*>-K>O9t9lfr.ifc|£ 



e 

: 

i. 



^coSSSI I I I I I I I I I I I I I I I 



If 



MScj»co»c*feo«c^coco**C3»ocooo!fc«*co 



II 



O>»300CO^«CO00Qpt-»OaCiO»gpOatO*300CTiCOCO 
MQ0CiOaO'O«M»^CO00»*fc.COOiC>O>*3COCncOO» 



COMC0^COO»O>O»Oa»f>»CO00CpCOl^.tOO»M*rfk.M* 

oo-4o5«a«aoiOocoMO»«»a*3Cocooococococoo» 



jr 

e 



tptototototototoiOMiMMitorpMtocoto^O) 

^MC2»OOOJO«0'I!OCJ'OCQ«C^OQCOIO'-O0fc0t0 
«^CPO*O<4*t3l^MOOQOt2tOO'CDOOCO0>O>O>)fh> 



\z 



Digitized by 



Google 



!i 



Is 



00 

< 
s 



i 



o 



2 
US 



s 



jpda«©cciGioc-co»r3 



St- ^ iO o ^ lO CO iH 



o>i^-ioeo^idcocDc0 



r*- o* i-i iO 3f oo Oi | I 
«<* ©* 0* ©» CO i-nO I I 



ocooiocoao^ 



i i i 



H^OHN^WO»©« 



COrtHHHH tH tH 



OOOtrSlCa^OCOt*- 
«*<©*eO$ICOOlilCOC0 



■^COt^iOC-^Ca^T^ 



©« tH CO 00 CO ^ I coco 



(NCOt-CDd^COCOCOp 
CO MHOaHHCJW 



7 i i i i i ii i • 



co^iocot-ooaso*H 

<N<M<ttCMOlO)<MCO0Q 

go oc x ac ac <x og a5 cc 



o 



$ 



o 



8 

eg 

s 



S3 
I I 

JO GO 



S 



tHCO 
(NCO 



sss 



©*co^ 



oaao oo 



§<; 



coe 



oo 

tH 



i 



8 



i 



o 

s 






5 

o 



Digitized by 



Google 



00X»OiaC-iC0D0CQ0XX0DXQ0g0QD»Q0gD 

hClOMMMMHN. *~ M*»-ifc-Q©OQO©© 

MC«D7c«^flif^o:idMO«5oD«»if. C>« »£» Co 

1111111111111111111 

MA 
tOMA£>coao-4c:cj»rf*cotOM*©cooo~aCiC*>£ 


>• 

C/3 


HMHMtA MMM 1 MA |-l l-i H^ CO 
CO 00 OS tOO OS CO © C» 00 1 C* m* tfk. 00 — 1 fcO © »*• 


> 




s 

s 

3 


iodsc^^co! 1 to 1 1 1 1 to 1 m* ac ! -a to 


p 


mm 1 M*ccca5tol ^ 1 c»mooco»*j 1 


► 


to 


-I 1 II 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 


w 


co4*.c -qct^c: M* QOt^ 1 tOCOC* *4^O0) 1 


^ 


CO 


i -1 1 1 1 1 1 1 1 II 1 1 ! -I 1 1 


tt 


co o» co -q ct» »* co 1 qd m. cotOK* a: oo o» 1 oo 1 


J> 


9 ^ 




CC *4 -^ 05 CO *,T C7» *»> *•» cc 1 1 1 1 1 1 I 1 1 


► 


r 


1 1 ~l 1 1 -1 1 «l 1 1 1 1 1 1 1 1 


w 


m^mcomcs^o^I c*co-al ©to 1 co 


> 


r 

s. 

• 


1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 II 1 1 1 1 1 » 


p 


1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 > 


if 


II 1 l I I 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 » 


1 | 1 t^MM 

•J 1 t^ M »J OJ Oi C •► ! ^O*^] 1 maoocfcoco 


► 


*f 


1 1 1 ! 1 1 1 1 1 1 1 ! -1 1 1 1 1 1 


p 


B*ioSomx^So*i^SI m^SSS 


► 


f 


^ 1 mI 1 1 1 mm^^cOm | | COM 1 1 


w 


MMMMKJMM ^* MA 1 H* MA tO 

co to co en a & co co -*i m* qo co co ~a 1 cooocom. 


> 


ST 

5" 


1 1 1 1 tO 1 C5 m* 1 1 CO COt*. CO 1 1 tOM 1 


p 


H~ »— l»t 1— I )_* ' |-t 

tOOOOCOM*»-*-40iC:C7«tO»*.CJCpCOQDtOCOaa 
4^COCOC^COM«cO»*.OdC7«tOCftCOOCOi^tOOOtO 


J> 




I HA m* M* *- 

00 t* -*J tf*. C7» 1 -4 t* m* o O &i 00 CO m« h© CO 00 c* 


r° 


H* H« MA h* MMM 

cooqMAOtOM*gpoic:oiCooiaicococotooaa 
to«*ioico4*.M*c^oo-3C7»toto~aco»*05a»cBoo 


Sr 



I 

I 

H 






Digitized by 



Google 



85"* 

ii! 

IS js a 

OB • g 


NHeoHOOiOcpcfi 


1831— 32 1 

1832 — 33 [ NSo houve exames n'estes tres annos lectivos por causa do cerco do Porto. 

1833—34) 


COtHC* 
rH 


CO 


3 
•2 


M 


-(hoo^oohii |o 

iH 1 rH 


<NC* TH 


c© 


-< 


tH tH tH 


HO) 00 
rH 


co 


8 

JB 


I* 


1 1 1 1 1 1 1 1" 


1 1 1 


CO 


< 


^COOOODOtHtHOCO 

HHHi-iHr- IHCH»H 


tOCNCO 

HHH 


© 

tH 


£ 


«^ 


tH ^ TH rH ©* tH 1 I "*« 


WHH 


3! 


■^ 


OOCttOlfr-cOOlOlrHrH 
COCOCOr-IOlOKNCOCO 




co 

QO 


1* 


^ 1 1 1 1 1 1 1 1 1 


i i i 


tH 


<d 


CO CO <N C* th O* CO O 1 


00 j TH 


& 
t- 


is 


b 


1 1 1 1 1 1 1 II 


1 1 1 


i 


< 


I 1 !»>»« | | | 


1 \ m 


o 

tH 


<3 


£ 


1 1 1 1 1 1 1 1 1 


1 1 1 


•^ 


< 


-■ 1 OJ 


• |» S 


CO 


1 

4 


u 


I i 1 I I r. i i 


1 1 1 


oa 


< 


| cj^^^^^cot* 


iQGtOl 


-<* 

CO 

rH 


"5 S ff 


u 


MINIMI 


1 1 1 


1 


< 


OHt*eO 1 (N <N I <N 


CQ-^CO 
tH 




i 

•- 
2 

s 

s 

o 

3 


• 
CO 


u 


I" -"■"■• MM 


1 1 1 


f 


< 


O 3> CO CO CO tH C« j tH 


|C0 3 


ss 


• 


u 


11111111- 


1 1 1 


C4 


< 


CJi OJ 00 fH iC th <N | rH 


1" 1 


s 


T* 


iZ 


| »OCO<N j | 1 | CO 


1" 1 




< 


OGMTH^C0<N^rHCC 
(NHHH . th rH rH 


t~ CO !>• 

tH tH 


tH 

s 


i 

z 

•< 


co^»pcpt-aoa:Q^H 

0*<NC"*©«C^<N<NCOCO 

<g eo ^ U co t- oi cA 6 

ooaoooaoooaocoaooo 




3 

© 



Digitized by 



Google 



234 ANNUARIO DA ACADEMIA 



LISTA 

ALPHABETICA DOS LENTES E DIRECTORBS DA ACADEMIA 
DA MAR1NHA E COMMERCIO DA CIDADE DO PORTO 



Agostlnho Albano da Sllvelra Pinto. 

Filho do bacharel Jose Xavier da Silveita Pinto e de 
sua mulher D. Maria Perpetua Pereira da Silveira. 
Nasceu na cidade do Porto em 17 de julho de 1785. 
Falleceu na freguezia de Aguas Santas, do concelho 
.da Maia, district© do Porto, em 18 de outubro de 
i852. 

Dos principaes factos da sua vida publica ja* de- 
mos conta a pag. i52 e seg., onde tractamos d'elle 
como director d'esta academia. Veja-se tambem um 
facto cjue lhe diz respeito a pag. 171 e seg. 

Ainda que e datada de 28 de fevereiro de i8i5 a 
carta regia do seu despacho para a cadeira de fran- 
cez d'esta academia, ja assistiu como professor a ses- 
sao do conselho de 10 de outubro de 1814, certa- 
mente por haver sido nomeado pela Junta inspe- 
ctora. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 285 

As cartas regias dos seus primeiros despachos, 
bem como as actas do conselho ate a de 3 1 de ju- 
lho de 1818, supprimem-lhe o ultimo appellido. 

O diccionario bibliographico do snr. Innocencio 
Francisco da Silva nos tres artigos que lhe dedica 
nos torn. i.° e 8.°, menciona as seguintes obras do 
conselheiro Agostinho Albano. 

Ode ao corpo militar de lentes.e doutores volun- 
taries. Coimbra, Impr. da Univ. 1808. — 8.° 

Nopos elementos de grammatical france\a, extra- 
hidos das grammaticos mat's celebres e acreditados 
em Franga. Lisboa 181 5. A 2. a edicao sahiu com o 
titulo de Elementos de grammatica france\a para 
uso dos alumnos que estudam esta lingua na real 
academia de marinha e commercio da cidade do Por- 
to. Lisboa, Impr. Reg. 181 8, de 100 pag. — Fez-se 
uma 6.* edicao no Porto, Typ. Commercial i852 de 
VII — 23 1 pag. 

Primeiras linhas de chimica e botaniqa coordena- 
das para uso dos que frequentam a aula de agricul- 
tura na real acad. da marinha e commercio. Parte 
i. 1 Porto 1827. 4. de XVIII— 200 — 149 pag. A 2. a 
parte que devia tractar da agricultura nao chegou a 
publicar-se. 

Nofoes sobre a cholera-morbus indiana, extrahi- 
das principalmente da obra de J. Kennedy e outros. 
Lisboa Impr. Reg. i832 — 8.° de XII — 1 13 pag. 

Conclusoes practicas ou aphorismos dedu\idos 4a 



Digitized by 



Google 



236 ANNUARIO DA ACADEMIA 

obserpafdo sobi*e a cholera-rnorbus. Porto, Typ. de 
Alvares Ribeiro i833. — 8.° gr. de 10 pag. 

Codigo pharmaceutico lusitano, ou tractado de 
pharmaconomia, no qual se explicam as regras eprt- 
ceitos com que se es col hem, conservam e preparam os 
medicamentosa e se apresentam as virtudes, usos e 
ddses das formulas pharmaceuticas. i .* edic. Coim- 
bra i835; 3.* ediq. ibid. 1841; 4.* edic. Porto, Typ. 
da Revista 1846.— 8.° gr. de LIX— 606 pag. 

Pharmacographia do codigo pharmaceutico lusi- 
tano. Goimbra, Impr. da Univ. i836. — 8.°gr. de XIX 
—391 pag. , 

Epidemia catarrhosa. Porto, Impr. de Alvares 
Ribeiro. — 8.° gr.de 16 pag. 

Discurso pronunciado na inaugurafao da cadeira 
de economia politica instituida pela Associafdo Com- 
mercial do Porto no dia 3o de maio de 1837. Porto, 
Typ. Commercial Portuense 1837.— 8.° gr. de 38 pag. 

Preleccoes prelimiriares ao cur so de economia po- 
litica da eschola da Associqfdo Commercial do Por- 
to. Porto, ibid. 1837.— 8.° gr. de 293 pag. com o re- 
trato do auctor. 

Exame da questao sobre a lipre navegaqao do rio 
Douro. Porto, ibid. 1840. — 8.° gr. de 56 pag. 

A divida publica portugue^a, sua historia^ jpro- 
gressos e estado actual. Lisboa, Impr. Nac. 1839. — 
4.°de XIV— 206 pag. 

A arise financeira em 1841, a commissdo creada 



Digitized by 



Google. 



POLYTECHNICA DO PORTO 237 

per decreto de 22 de margo do rnesmo anno, e as Me- 
ntor ias do snr. deputado Roma. Porto, Typ. da Re- 
vista 1 841 .—8.° gr. 

Exame critico das causas proximas da actual si- 
tuagao financeira. Lisboa, Impr. Nac. 1843. — 4. 

Exposigdo synoptica do sy sterna geral da f agen- 
da publica em Portugal, addicionada com algumas 
cbservaqoes. Ibid. 1847.— 4. g 1 *- — $1 P a g- • 

Elogio de Agostinho Josi Freire, no n.° 7 dos 
Annaes da Sociedade Litteraria Portuense. Porto 
i83g. 

Memoria biographica do conselheiro Josi Fer- 
reira Borges, no torn. 1 .° da Revista Litteraria. 

Foi tambem redactor principal da Revista Estran- 
geira. Coimbra. Impr. da Univ. 1837 e i838, e da 
Revista Litteraria, Porto i838 a 1843, n vol. 8.° 
gr., e pubjicou varios artigos no Repositorio da So- 
ciedade Litteraria Portuense, e em muitos outros jor- 
naes. Consta mais (accrescenta 'o snr. Innocencio) 
que alem de importantes trabalhos manuscriptos, dei- 
xou promptos para a imprensa dous volumes da obra 
de que ultimamente se occupava, por elle intitulada 
Historia financeira de Portugal desde tempo do 
Conde D. Henrique art o nosso. 

Attribue-se-lhe mais a redaccao dos seguintes es- 
criptos ou pelo menos a parte principal na $ua col- 
laboracao. 

Memoria estatistico-historica sobre a administra- 



Digitized by 



Google 



238 

fid dos expostos na cidaie do Porto^ 

catnara municipal da mestna cidade. Porto, typ. da 

viuva Alvares Ribeiro 1823. — 4. de 42 pag. 

Relatorio que a commissao sanitaria da cidade 
do Porto fe\ subir d augusta presenga de S. M . Im- 
perial Duque de Braganqa. Lisboa, Imprensa do 
Governo i833. — 4. de 35 pag. 

Balbi cita como manuscriptos d'este professor 
uma sabia dissertacao sobre a quinquina do Rio de 
Janeiro; uma memoria sobre as febres e seu trata- 
mento ; e uma sabia dissertacao sobre a historia da 
agriculture portugueza. 

Vej. as biographias mencionadas pelo snr. Inno- 
cencio Francisco da Silva. 

Antonio Carlos de Hello e Sllva. Nasceu 
em Santa Eulalia de Agueda, bispado de Aveiro, em 
21 de maio de 1794. Fallecido entre i838 e 1840. Fi- 
lho de Bernardino Jose de Mello e mulher Francisca 
Leonor de Mello. Baeharel formado em medicina pela 
universidade de Coimbra, e doutor pela de Lou vain. 
Obteve em concurso a propriedade da cadeira de 
francez d'esta academia por deer, de 9 de fev. e C. 
R. de 28 de marco de i835. Foi dos exonerados.por 
deer, de 19 d'outubro de i836, em consequencia de 
se haver recusado a jurar a constituicao de 1822. Foi 
provido na direccao da esc6la normal do Porto por 
decreto de 8 de marco de i838. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 239 

Antral* A* Costa Palva. i .° Barao de Cas- 
tello dc Paiva desde 1854, bacharel fonnado cm phi- 
losophia e medicina pela universidade de Coimbra, e 
doutor pela faculdade de medicina de Paris. Socio 
effectivo da academia real das sciencias de Lisboa.' 
Membro correspondente das academias de medicina e 
cirurgia de Tolosa, Montpellier e Marselha; associado 
estrangeiro da sociedade zoologica de Londres, da 
sociedade de historia natural de Cassel, da socieda- 
de das sciencias naturaes de Strasburgo, das socie- 
dades botanicas de Franca e de Edimburgo, da aca- 
demia imperial de medicina do Rio de Janeiro. Vo- 
gal extraordinario do conselho geral de instruccao pu- 
blica at6 a extinccao d'este conselho em 1868. Nasceu 
no Porto em 12 de outubro de 1806. Reside desde 
1 855 na Ilha da Madeira, por causa d'uma affeccao 
pulmonar, mas tern vindo frequentes vezes a Lisboa. 

Nascido de paes « que o educaram austeramente » 
como elle mesmo diz na sua auto-biographia, e sus- 
tentado por dous parentes durante os seus estudos 
em Coimbra e Paris, adquiriu uma fortuna avulta- 
da, que tern distribuido pelos hospitaes, e outros es- 
tabelecimentos de beneficencia do paiz, reservando 
para si o usofructo ou antes accumulando nas suas 
maos os rendimentos ate os repartir segundo os im- 
pulsos da sua piedade. A esta academia doou elle 
uma inscripcao de assentamento da divida publica 
portugueza do valor nominal de 1 :ooo#ooo reis a be- 



Digitized by 



Google 



240 ANNUARIO DA ACADEMIA 

neficio do jardim botanico, de que foi o primeiro di- 
rector. 

Regeu desde 1834 ate i836 uma cadeira de phi- 
losophia racional e moral, que havia no Porto, alem 
da de egual disciplina em a nossa academia. Foi no- 
meado lente de agricultura e botanica da mesma aca- 
demia por deer, de 20 de outubro de i836 e C. R. de 
3 de Janeiro de 1837. Depois de reformado este es- 
tabelecimento em polytechnica, foi despachado lente 
da io. a cadeira (botanica) e director do jardim bota- 
nico por deer, de 1 1 de Janeiro, e C. R. de 28 de ju- 
lho de 1 838, e jubilado com o orden'ado por inteiro 
por deer, de 3i de dezembro de i858 e C. R. de 19 
de Janeiro de 1859. 

Como livre pensador comecou as suas publicacoes 
litterarias pela tfaduccao annotada dos romances de 
Voltaire. Em i85i converteu-sesubitamente ao chris- 
tianismo, e publicou em 1866 uma obra ascetica com 
o titulo de Novissimos ou ultimos fins do homem. O 
intervallo entre as duas obras de tao opposta inspi- 
ra$ao e preenchido com escriptos e trabalhos de scien- 
cias naturaes que lhe grangearam o louvor de sabios 
nacionaes e estrangeiros. 

O artigo que lhe consagra o snr. Innocencio Fran- 
cisco da Silva no torn. 8.° do seu diccionario biblio- 
graphico portugue\ y menciona as seguintes publica- 
coes: 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 241 

Romances de Voltaire, tradu\idos emportugue^, e 
ampla e livremente annotados. Porto i836. — S. p gr. 

Apkorismos de medicina e cirurgia practicas. 
Porto, Typ. Commercial Portuense 1837. — 8.° gr. — 
2o5 pag. 

Relatorio do Bardo de Castello de Paiva, encar- 
regado pelo governo de estudar o estado da Tlha da 
Madeira sob as relacbes agricolas e econotpicas, Lis- 
boa i855, Imp. Nacional. — 4. — 11 pag. 

Descripfdo de dous novos coleopteros de Camboja, 
Lisboa, Typ. Universal i860.— 8.° gr. — 1 1 pag. e uma 
estampa. 

Descripcao de duas especies novas de coleopteros 
das Ilhas Canarias, Ibid. 1861. — 8.° gr. de 8 pag. 

Descripfdo de duas especies novas de coleopteros 
originarios de Angola, seguida da de outras duas 
igualmente novas, tambem de Angola por T. V. Wol- 
laston. Na Ga\eta Medica de Lisboa n.° n de 1862, 
e tambem em folhfeto separado. 

Noticia da descoberta de dous molluscos novos e 
tambem dos typos vivos de duas especies fosseis do ar- 
chipelago madeiretise, publicado em Londres nos An- 
nals and Magazine of Nat. Hist. Agosto 1862. 

Origens dos me\es de marqo e maio. Nos Fastos 
de Ovidio trad, pelo snr. Antonio Feliciano de Cas- 
tilho (1 .° Visconde de Castilho) torn. 2. , pag. 217 e 
scg- 6 torn. 3.° pag. 191 e seg. 

Description of a new sempervivum from the Sal- 

16 



Digitized by 



Google 



242 ANNUARIO DA ACADEMIA 

page Island by the Baron do Ca&ello de Paipa. No 
Seemaris Journal of Botany, Londres 1866. 

description de dix espices noupelles de mollus- 
ques terrestres de Farchipel de Madeira. No Journal 
de Conchyologie de Melb. Crosse et Fischer. <Paris 
n.° 4 de 1866. 

Nopissimos ou ultimos fins do homem. Lisboa, 
Typ. Univ. 1866. — 8.° gr. — 2 tomos com 436 e 461 
pag. « Eis aqui uma obra (diz o snr. Camillo Castello- 
Branco) que nao parcce de hoje em dia, quer a veja- 
mos virtual quer litterariamente. A substantia (fella 
prende com os tempos luminosos do muito creredo 
muito entrar-se o homem do convencimento do seu 
nada. A f6rma, o dizer, e de tao bom quilate por- 
tuguez, qde apenas poderei estremar a vernaculidade 
do auctor dos Soliloquios d'entre a$ paginas lusitanis- 
simas do auctor dos Nopissimos que tanto hombro a 
hombro se eleva com o oratoriano, de quern temos 
um devoto livro identico na intencao e no titulo... 
snr. Barao do Castello de Paiva, a um tempo mo- 
vido de ferventes estimulos de amor a Deus, e con- 
substanciado no modo de exprimil-os pelo estylo dos 
mysterios do seculo de ouro, tanto em fe, como em 
brilho de eloquencia, deu a estampa os seus Novis- 
simos.» 

Monographia molluscorum terrestrium, jluvia- 
Hum, lacustrium insularum madeirensium, nas Me- 
mor. da Acad. R. das Scienc. de Lisboa — sciencias 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 243 

math, e natur. — torn. 4." P. 1.* 1867. (Vej. a res- 
peito d'esta importante manographia o die. bibliogr. 
do snr. Innocencio, torn. 8.°, pag. 420). 

Biographic* 1877, Lallemant Freres. Lisboa. «Es- 
crevi (comeca o auctor) este esboco biographico, s6 
por contentar alguns amigos que insistiam em pu- 
blicar-me a vida.» Sao 4 paginas de ascetismo, em 
que o auctor se esquece quasi completamente do seu 
assumpto, omittindo a maior parte do que constitue 
a sua gloria mundana. 

Collaborou com o snr. Alexandre Herculano na 
publicacao da «Chronica d'El-Rei D. Sebastiao por 
Fr. Bernardo da Cruz» Lisboa. Impr. de Galhardo 
elrmaos. 1837.— 8.° gr. de XVI— 446 pag., e do Ro- 
teiro da viagem de Vasco da Gama em 1497, (attri- 
buido a Alvaro Velho) 2.* edic. correcta e augmentada 
de algumas observac6es principalmente philologicas 
por A. Herculano e o Barao de Castello de Paiva. 
Lisboa, Impr. Nac. 1868.-8.° gr. de XLIII— 180 
pag. e mais uma de indice. Na i. a edicao d'esta obra 
tinha collaborado com o snr. Barao do Castello de 
Paiva, snr. Diogo Kopke, tambem tente da acade- 
miapolytechnica. Porto, Typ. Commercial Portuen- 
se, i838.-8.°gr. de XXVII-i83 pag. 

O snr. Innocencio menciona tambem a these inau- 
gural do snr. Barao do Castello de Paiva, sobre phty- 
. «ca pulmonar, impressa em Franqa e defendida pe- 
rante a faculdade de medicina de Paris. 



Digitized by 



Google 



244 ANNUARIO DA ACADEMIA 

O sabio professor da polytechnica do Porto doou 
a academia real das sciencias de Lisboa urn herbario 
madeirense, composto de 600 especres por elle coUi- 
gidas e ordenadas; outro herbario de 372 especies 
por elle observadas e recolhidas nas ilhas Canarias, 
e uma colleccao -completa dos molluscos terrestres e 
fluviaes do archipelago madeirense. Deu tambem ao 
Jardim Real de Kew urn herbario de plantas natu- 
raes do continente de Portugal e das ilhas dos Aco- 
res. Veja-se no cit. artigo do snr. Innocencio a indi- 
cacao de varias obras e jornaes extrangeiros em que 
foram honrosamente mencionados os trabalhos do 
iilustre professor que honrou o magisterio portuensc. 

Antonio Dla* de Farla. Substitute da ca- 
deira de inglez por C. R. de 5 de Janeiro 181 1, e pro- 
prietario da mesma cadeira por C. R. de 3 de dc- 
zembro de 1827. Em i832 foi esta cadeira provida 
em JoseEleuterio Barbosa de Lima. 

Antonio Fortunato Martins da Crai. 

Filho de Cosme Martins da Cruz e de sua mulher 
Custodia do Sacramento Ludovina. Nasceu no Porto 
em 1 3 de fevereiro de 1796. Alumno premiado d:anos- 
sa academia, bacharel formado em mathematica e me- 
dicina pela Universidade de Goimbra. Provide, proce- 
dendo concurso, no logar de substituto da < faculdade 
de mathematica da academia de marinha e commer- 



Digitized by VjOOQ IC 



POLYTECHNICS DO PORTO 245 

do do Porto», por deer, de 3o de Janeiro e C. R. de 
17 de fevereiro de i835. Exonerado, como quasi to- 
dos os seus collegas, por decreto de 19 de outubro 
de 1 836, em razao de se ter recusado a jurar a cons- 
tituiqao de 22 proclamada pela revoluqao de setembro 
de 36. Foi provido n'uma das substituicoes de me- 
didna da esc61a medico-cirurgica d'esta cidade por 
decreto de 17 de maio de i838, e promovido em 7 de 
Janeiro de 1854 a propriedade da 7.* cadeira da dita 
esc6la (historia medica, pathologia geral, pathologia 
etherapeuticainternas). Foi urn dos primeiros medi- 
cos do Porto, onde falleceu em i855. Era cavalheiro 
das ordens da Torre e Espada, e da Conceicao, e 
de S. Mauricio da Sardenha. Foi medico de S. M. 
El-Rei Carlos Alberto da Sardenha, faliecido no Por- 
to em 27 de julho de 1849. " 

Antonio <fo»6 da Costa Lobo. Nasceu no 
Porto, freguezia da Se, em 21 de Janeiro 1784. Filho 
de Antonio Jose de Sousa Lobo e de D. Rosa Ri- 
carda. Frequentou n'esta academia desde a sua fun- 
dacao em i8o3 o curso de mathematica, do qual fez 
exame geral em 3 de abril de 1807. Substituto de ma- 
thematica pela Res. Reg. de 1 5 e C. R. de 20 de julho 
de 18 14. Era substituto da 3. a cadeira posto que a sua 
carta nao o declarasse. Foi indevidamente preterido na 
promoter a propriedade d'esta cadeira por Jose Ave- 
lino de Castro, que com quanto houvesse sido no- 



Digitized by 



Google 



246 ANNUARIO DA ACADEMIA 

meado substitute) na mesma data, devia tcr-se na 
conta de mais moderno, porque Costa Lobo era mais 
antigo na matricula, na habilitacao e na graduacao 
adquirida pelo exame geral. Assim o reconheceu a 
C. R. de 20 de junho de 1826 * que sem revogar 
despacho feito deu ao preterido uma reparacao com- 
pleta, equiparando-o em ordenado e em honras ao 
lente Jose Avelino, ao qual devia preceder, porque 
assim o tinha decidido ja a Res. Reg. de 10 de maio 
do dito anno *. Foi dos lentes demittidos por D. Mi- 
guel em 1 3 de maio de 1829. Restituido ao magis- 
terio pela entrada do exercito libertador do Porto, em 
julho de i832, tornou a ser exonerado em 19 de ou- 
tubro de i836 por nao ter querido jurar a constitui- 
cao de 1822. Ntesa epoca devia estar regendoaca- 
deira do 3.° anno mathematico desde 1834, porque 
o lente Jose Avelino de Castro havia perdido o seu 



i No livro do registo das cartas regias, fl. 69 vers^ na 
secretaria da Acad. Polyt. Vej. acitna pag. i65. 

2 Mencionada em officio da Junta inspectors de 29 de 
maio de 1826, registado no livro de registo de officios e or- 
dehs da 111. 1 " Junta (livro 92), existente na secretaria da acad. 
polyt., pag. 69. Antes d'isso, a Junta avisadamente sustestara 
a precedencia do lente Jose* Avelino «em quanto sua mages- 
tade nao mandar o contrario.» Offic. da Junta de 3o de de- 
zembro de 1825 no cit. livro, pag. 68. 



3igit* ed by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 247 

logar em i832. Foi jubilado por C. R. de 14 de de- 
zembro de 1839, porque a data da ultima exonera- 
cao ja contava mais de 20 annos de servico. Falle- 
ceuem (1844?) 

Antonio <fo*6 Dlas Gulmarie*. Vilho de 
Domingos Jose Dias Guimaraes e de sua mulher Anna 
Maquelina Rosa. Nasceu no Porto em 1 de maio de 
i8o5. Falleceu em S. Joao da Foz a 9 cPagosto de 
1857 e foi sepultado na Igreja dos Terceiros de S. 
Francisco no Porto. Bacharel formado em leis. Emi- 
grara em 1828 por constitucional. Substituto da ca- 
deira de ingles d'esta academia, tendo precedido coh- 
curso, por deer, de.9 de fevereiro eCR. de 17 de 
marco de i835. Exonerado, por decreto de 8 de 
d'outubro de i836 por nao ter querido jurar a cons- 
tituicao de 1822. Addido, por virtude da carta de 
lei de 19 d'outubro de 1840, e deer, de 9 de dezem- 
bro do mesmo anno, ao lyceu do Porto, como substi- 
tuto de inglez com o vencimento annual de i25#ooo 
reis. Professor de historia, chronologia e geographia 
no mesmo lyceu por C. R. de 10 de maio i852, ten- 
do sido antes d'isso substituto da cadeira de orato- 
ria. Reitor do dito por C. R. ou deer, de 3o de 
maio de i855. 

Escreveu no n.° 3.° dos Annaes da Sociedade Lit- 
teraria Portuense em 1837 uma Memoria sobre as 
ruinas e antiguidades de Pompeia. 



Digitized by 



Google 



248 ANNL'ARIO DA ACADEM1A 

cO auctor (diz o snr. Innocencio Francisco da 
Silva) visitou pessoalmente aquellas ruinas, e offiere- 
ceu aos seus patricios, na linguagem materna, a expo- 
sicao do que alii viu, e>;aminou, admirou e indagou. 
Tern, pois, para n6s, af6ra qualquer outro merito, o 
de ser este escripto o unico que possuimos escripto 
originalmente em portuguez sobre aquelle interes- 
sante assumpto* *. 

Fez tambem algumas traduccoes para o theatro, e 
escreveu um drama original a que deu assumpto a 
catastrophe de Alfarrobeira. 

Antonio <Ios6 Lopes Alhelra* Bacharel 
formado em medicina. Provido por C. R. de 16 de no- 
vembro de i832 na cadeira.de philosophia racional e 
moral da nossa academia, < vaga pela ausencia e crimi- 
nosa fuga de Jose Duarte Sallustiano Arnaud. • Tendo- 
se recusado a jurar a constituicao de 1822 proclamada 
pela revolucao de setembro de i836, foi exonerado 
por decreto de 19 d'outubro do dito anno. Provido 
na cadeira de ideologia, grammatica geral e logica do 
lyceu nacional do Porto por deer, de 1 1 de Janeiro 
de 1840. Falleceu, segundo parece, em fins de i85i 
ou principios de i852 na freguezia de Santo Ildefonso 
d'esta cidade. 



* *Diccion. bibliogr. portug., vol. 8.°, pag. 159. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 249 

Antonio <Ios< Telxelra d'Abren <ln- 

■lor. Foi nomeado substituto de desenho por deer, 
de i5 d'outubro de 1834; mas este despacho foi an- 
nullado pela Port, de 1 5 de dezembro do mesmo anno, 
porque o logar tinha sido provido em Manoel da Fon- 
seca Pinto, ainda que este se demorou a tirar a sua 
carta, cuja data e de 5 de novembro do dito anno. 

Antonio Lebre de Sonza Vasconeelloa. 

Substituto de mathematica por C. R. de 10 de dezem- 
bro de 1829, e lente do 1 .° anno mathematico por C. 
R. de 8 d'outubro de i83o. Estes despachos ficaram 
annullados por terem sido feitos pelo governo de D. 
Miguel. Se era, como presumo, irmao de Joaquim 
Lebre de Sousa Vasconcellos, lente da faculdade de 
mathematica na universidade de Coimbra, seria fi- 
lho de Jose Lopes Lebre Teixeira, e natural da Mea- 
lhada. 

Antonio Lnlz Soares. Filho d'butro do mes- 
mo nome e de sua mulher Caetana Maria de. Jesus. 
Nasceu a 7 de setembro de i8o5 na freguezia de Mi- 
ragaya, cidade do Porto. Frequentou n'esta acade- 
mia o curso de mathematica desde o anno de 1819a 
1820 ate ao de 1821 a 22, continuando ainda depois 
d'issono estudo do inglez. Serviun^umabateriamon- 
tada em 1826 contra a divisao do general Silveira, e 
em toda a campanha do exercito libertador, onde foi 



Digitized by 



Google 



250 ANNUARIO DA ACADEMIA 

2. tenente de artilheria, depois i-° tenente ajudante de 
campo do commandante geral, e finalmente capitao da 
6.* bateria montada. Foi feito cavalleirq da Torre e 
Espada por decreto de 9 de junho de i833 pelo ser- 
vi<;o que prestou nas linhas do Porto, ganhando na 
batalha de 5 de setembro do dito anno o grail de 
official da mesma ordem (deer, de 25 de setembro 
de 1 833). Os seus servi$os nas linhas do Porto e Lis- 
boa foram louvados na ordem do dia de 25 de se- 
tembro de 1 833. Foi nomeado lente do i.°annoma- 
thematico d'esta academia por deer, e carta reg. de 
3 1 de dezembro de i836. 

Em 1846 tomou armas pela Junta do Porto. De- 
pois da convenqao de Gramido em 1847, ausentou-se 
para o Brazil, e fundou um collegio na cidade de Pe- 
lotas, provincia de S. Pedro do Sul. 

Em 1 85 1 entrou de novo no servico da academia. 
Teve o augmento do terco do ordenado por decreto 
de 29 de maio de 1861 . Falleceu em Lordello do Ou- 
ro, concelho do Porto, em 23 de Janeiro de 1875. 

Escreveu : 

Exposigdo dos elementos cTarithmeticapara o uso 
dos estudantes do collegio de Santa 'Barbara na cida- 
de de Pelotas. Pelotas, Typ. de L. J. de Campos, 
1849. — 8.° peq. de 260 pag. e 8 estampas. 

Exposigdo das suas ligoes sobre a numeraqao e as 
4 operates na escdla da associagao industrial por- 
tuense, com explicates para este ensino nas escdlas 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 251 

primarias, impressas no Jornal da mesma associafSo 
em 18SS. 

Uussolas de reducgdo de peqos e medidas antigas 
ao sy sterna metrico e reciprocamente — nofoes do sjrs- 
tema metrico para a explicafdo das ditas bussolas no 
referidb Jornal de i853. 

Antonio Pedro Ck»n$al res. Nasceu no Por- 
to a 26 de novembro de 1768. Filho de Joao Gon- 
calves e de Thereza de Oliveira. Frequentou n'esta 
academia o curso de commercio desde i8o3, e foi no- 
meado substitute) da cadeira d'esta disciplina por C. 
R. de 29 de julho de 1806. Promo vido a propriedade 
da mesma cadeira por C. R. de 11 de jan. de 1819. 
Falleceu em 1828. 

Antonio Perelrad'AranJo<Iunlor. Sub- 
stitute da cadeira de commercio no tempo do gover- 
no de D. Miguel por C. R. de 18 de dezembro de 
1829. 

Antonio Pinto d 9 Almeida. Nomeado para 
a cadeira de francez por deer, de 19 d'outubro e C. 
R. de 10 de dezembro de i836. Reformada a acade- 
mia de marinha e commercio pelo deer, de 1 3 de Ja- 
neiro de 1837, passou este professor para o lyceu na- 
cional do Porto, por virtude do art. 166 do cit. deer., 
mas s6 comeqou a receber pela folha do lyceu em fe- 



Digitized by 



Google 



252 AKNUARIO DA ACIDEMIA 

vereiro de 1841. Parece que falleceu em i85a nafre- 
guezia de Cedofeita. 

Antonio Tclxclra de Magalkaes. Substi- 
tute da cadeira de francez por G. R. de 28 de feve- 
reiro de 181 5. Estava regendo esta cadeira, quando 
foi preterido no despacho para a propriedade d'ella 
por Francisco Soares Ferreira ern i8ic) r e continuou 
a regel-a ate ao dia 11 de marco de 1821, no qual 
tomou posse o novo proprietario ! . Falleceu em i83i 
depois de i3 de julho d'esse anno. 

No diction, bibliogr. dosnr. Innocencio, torn. i.% 
pag. 280 e torn. 8.°, pag. 3 12 e seg., vem menciona- 
do como professor regio de rhetorica e de grego no 
Porto e Braga um auctor d'este mesmo nome, cujos 
escriptos foram publicadosdesde 1782 ate 1825. Nao 
e impossivel que a identidade do nome corresponda 
a da pessoa. O substitjjto de francez da nossa aca- 
demia era rhetorico, e recitou a oraqao de abertura 
no anno de 182 1, porque espontaneamente se pres- 
tou a este servico que nao era obrigatorio e de que 
nenhum outro professor se quiz encarregar em tem- 
po algum, senao o lente Agostinho Albano da Sil- 



* Vem esta observac§o no caderno das faltas dos estu* 
dantes de francez no anno de 1820 a 21. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO t>ORTO 253 

veira Pinto (vide supra pag. 174). E' provavel que 
director litterario, que entao era o conselheiro Joa- 
quim Navarro d'Andrade, a quern chamavam em 
Coimbra « lingua de prata», nao acceitasse o offere- 
cimento de Antonio Teixeira de Magalhaes para re- 
citer o discurso de abertura, senao fizesse bom con- 
ceito das suas letras. 

O catalogo das obras mencionadas nos citados 
ares do diccionario bibliographico, e o seguinte : 
Quadro da vida hutnana ou a taboa de Cebes The- 
bono, iradu\ido dcrgrego em portugue\. Porto 1787. 
8.° de X — 52 pag. Lisboa, 181 9— 8.° de 54 pag. 

Compendio de rhetorica poriugue^escripto para 
uso de todo o genero de pessoas que ignorant a lin- 
gua latina. Porto offi. de Antonio Alves Ribeiro Gui- 
maraes 1782.— 8.° de VIII de 141 pag. E novamen- 
te Lisboa, Typ. Rdllandiana... 8.° 

Epistolas e evangelhos com varias ora$6es pro- 
prias, que se leem na missa, em os domingos efestas 
do anno, conforme o uso do missal romano etc., tra- 
du^idos em vulgar. Lisboa, Typ. Rollandiana 18 19. 
— i2. d e 2 tomos. 

Odes de oAnacreonte, tradu\idas do grego em 
verso portugue\. Lisboa, Imp. Reg. 18 19. — 8.° de 
118 pag. Sahiram com as iniciaes A. T. M. Contem 
56 odes com o texto na frente. 

Nova traducfdo das eclogas de Virgilio com no- 
tas e uma noticia da vida do poet a: por A. T. M. 



Digitized by 



Google 



254 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Porto, Typ. da Viuva Alvares Ribeiro Filhos.— 182$. 
—8.° de 1 36 pag. 

Antonio Ventura Lopes. Substitute da ca- 
deira de primeiras letras da nossa academia por deer, 
de 9 de fevereiro e C. R. de 5 de marco de i835. 
Tinha sido professor de instruojao primaria na fire- 
guezia de Miragaya d'esta cidade desde 1821. Reeu- 
sou jurar a constituicao de 1822 proclamada pela re- 
volucao de setembro de i836, e foi exonerado por 
deer, de 19 de outubro do dito anno. Ficou addido, 
por virtude da lei de 19 d'outubro e decreto <Ie 9 
de dezembro de 1840, a esc6la normal d'ensino mu- 
tuo d'esta cidade, com o vencimento annual de reis 
75#ooo. 

Angnsto Roquemont. Retratista, director 
da aula de desenho da nossa academia por C. R. 
(de D. Miguel) de 28 de novembro de i83i «nao ob- 
stante o decreto (alias alvara) de i3 d'outubro de 
1824 que supprimiu o dito- logar.» A cit. C. R. diz 
que elle e de nacao Hesse Darmstadt. O conde Rac- 
zinski (a pag. 25 1 do seu dictionnaire historico-ar- 
tistique du Portugal — Paris 1847, e Les Arts en 
Portugal, pag. 96), diz que e natural da Suissa, e 
deixa en tender que nasceu em 1806. Corre que era 
filho natural de Luiz x, Grao-Duque de Hesse-Darm- 
stadt. Veio para Portugal em i83o, depois de ter 



Digitized by 



Google 



POI^YTECHNICA DO PORTO 255 

passado muito tempo na Italia Raczinski cita, como 
seus melhores retratos, os do, conde e condessa de 
Farrobo, de pe; de Woodhouse no Porto; do coronel 
Sarmento e do bardo e barone\a de Letnercier. O 
cit. A. indica como a melhor das suas obras um 
quadro representando n'uma paisagem os quafro fi- 
Ihos do snr. Hodgson, negociante inglez, e accres- 
centa que e a todos os respeitos um quadro excel- 
lente digno dos bons pin tores flamengos-da epoca de 
Van der Heist, tendo-lhe sido pago este quadro, com 
mais dous retratos, por 456jJooo reis. — O mesmo 
auctor cita um pequeno quadro de genero com mui- 
tas figuras, de cerca de 14 centimetros, represen- 
tando um parocho d'aldea visitando os freguezes no 
dia de paschoa, e. outro representando uma scena po- 
pular na provincia do Minho, um grupo de musicos, 
um homem e uma mulher que dansam cercados de 
espectadores, n'uma paisagem, quadro d'um colo- 
rido brilhante e ao mesmo tempo harmonioso, cujas 
figuras tern eerca de 27 centimetros. 

«M. Roquemont e um pintor consciencioso, des- 
pido d'orgulhosa presumpcao, intelligente, colorista 
verdadeiro. E* dotado em muito aho grau do senti- 
mento das artes, e julga-as maravilhosamente* *. O 



* Raczinski, diccton., pag. i5i e Les Arts en Portugal, 

Pag.96. 



Digitized by 



Google 



256 ANNUARIO DA ACADEM1A 

snr. Raczinski cita muitas vezes a Mr. Roquemont, 
e copia um breve artigo seu sobre a architecture por- 
tugueza a pag. 410 e seg. de Les Arts en 'Portu- 
gal. 

Barao do Castello de Ralva. Vide supra 
Antonio da Costa Paiva.- 

Bernardino Joaqnlm Pinto. Foi nomea- 
do director interino da academia de marinha e com- 
mercio por deer, de 27 de setembro de i836, mas 
nao acceitou e foi exonerado por deer, de 8 de ou- 
tubro do mesmo anno. Por isso nao o inclui na rela- 
cao dos directores a pag. 160. 

Caetano (Fr.) das Ddre*. Monge benedi- 
ctino. Lente do 3.° anno mathematico por G. R. dc 
10 de dezembro de 1829. Falleceu provavelmente 
em i83o sem que chegasse a reger a cadeira. 

Carlos Hae-Carthy da Cnnha. Substituto 
de inglez por deer, de 19 de outubro de i836. Pas- 
sou para o lyceu do Porto na f6rma do art. 166 do 
deer, de i3 de Janeiro de 1837, mas s6 comecou a 
ser abonado pela folha do mesmo lyceu em fevereiro 
de 1 84 1. Parece que falleceu em 1844. 

Carlos Vlclra de Flgvelredo. Proprieta- 
rio da cadeira de philosophia racional e moral depots 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 257 

da exoneracao do medico Antonio Jose Lopes Alhei- 
rapelo deer, de 19 de outubro de i836. Nao chegou 
a tirar a sua carta, porque em 12 de dezembro do 
mesmo anno officiou ao director participando-lhe que 
estava resolvido a demittir-se; e foi na verdade exo- 
nerado por deer, de 28 do dito mez. Foi pae de Car- 
los Augusto de Figueiredo Vieira, guarda-salas da 
bibliotheca do Porto e auctor de algumas obras. 



Dauagau.— Vide Thomaz. 

Diogo Kopke. Filho de Diogo Kopke e de D. 
Anna de Barbosa Ayalla. Nasceu no Porto a 16 de 
fevereiro de 1 8o5 e ahi se finou de molestia de peito 
em 25 de egual mez de 1844. 

Seus paes destinavam-6 ao commercio, e tive- 
ram-o n!um collegio de Inglaterra, d'onde voltou aos 
10 ou 11 annos d'edade. Vendo n'elle uma decidida 
incKnacao para as letras, nao lh'a quizeram contra- 
riar, e mandaram-o para Coimbra, a fim de estudar 
a medicina; mas outra vez lhe erraram a vocacao. 
Nos primeiros annos dos seus estudos universitarios 
nao precisou Diogo Kopke de desenganar seus paes, 
porque tinha de frequentar os tres primeiros annos 
dos cursos de mathematica e philosophia, que eram 
preparatorios para o de medicina. Entao nao lhe foi 
difficil obter annuencia da sua familia para concluir 

i7 



Digitized by 



Google 



258 ANNUARIO DA ACADEMIA 

o cufso da faculdade de mathematica, em que na 
verdade se formou. 

Assentou praca de cadete no 4. regimento d'ar- 
tilheria, sendo depois promovido ao posto que pelos 
seus estudos lhe pertencia. • 

Em 1828 teve de emigrar por haver tornado parte 
na mallograda contra-revolucao ,do Porto de 16 de 
maio d'esse anno. Entao era tenente addido ao Es- 
tado-Maior. 

Parece que passou parte do tempo do seu exilio 
em Franca, e parte na Inglaterra. Frequentava a bi- 
bliotheca de Rennes, e ahi se lhe abriu o gosto pe- 
los estudos archeologicos. 

Na emigracao nao recebeu subsidio; vivia dos soc- 
corros que lhe enviava a familia, e do seu trabalho 
como collaborador do Plymouth & Davenport Jour- 
nal. 

Fez a campanha da liberdade, commandando di- 
versas baterias durante o cerco do Porto, e distin- 
guindo-se na decisiva batalha da Asseiceira, onde foi 
condecorado com a Torre e Espada. Em 24 de ju- 
Iho de 1834 foi promovido ao posto de capitao. 

Em 1 836 foi nomeado lente do. 3.° anno mathe- 
matico da nossa academia por decreto de ^3 d'ou- 
tubro e C. R. de 8 de dezembro do dito anno. Re- 
formada a academia em polytechnica, foi despachado 
para a 5. a cadeira (trigonometria espherica, princi- 
pios de astronomia, geodesia e navegacao) por deer. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 259 

de 1 1 de Janeiro e C. R. de 27 de setembro de i838.' 

•Prestou (diz o snr. Innocencio) importantes ser- 
vicos as letras na publicacao de valiosissimos escri- 
ptos ineditos que jaziam quasi ignorados, e promet- 
tia fazel-os maiores se a morte o nao arrebatasse tao 
cedo» '• 

Publicou as seguintes obras : 

Quadro elementar da historia portugue%a K segun- 
do as epocas'das suas revolucoes nacionaes. Porto, 
Tvp. Commercial, 1840. Impresso em uma folha,ao 
largo, sem o nome d9 auctor. 

Apontamentos archeologicos. Ibid. 1840. — 8.° 
max. de 48 pag. «Recheadas de erudicao historica e 
geographica, fundidas pelo molde da mais apurada 
critica.* * 

Roteiro da viagem que em descobrimento da In- 
dia pelo Cabo da TZoa Espei*an$a fe\ <Z>. Vasco da 
Gatna em 1497. Segundo um manuscripto coetaneo, 
existente na <Bibl. Publica Portuense. Publicado por 
Diogo Kopke e o dr. Antonio da Costa Paiva. Ibid. 
i838.— 8.° gr. de XXVII.— 183 pag.— (Veja acima o 
artigo que trata do dr. Antonio da Costa Paiva). 

Tractado breve dos rios de Guini e de Cabo Ver- 



* Diccion. bibliogr. portug. Tom. 2. , pag. 160. 

* Revista litteraria, torn. V, pag. 499. 



Digitized by 



Google 



260 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de, desdo o rio de Sanagd ail aos baixos de Santa 
Anna, pelo capitdo Andrl Alvares de Almada. Ibid. 
1841.— 8.° de XIV— 108 pag.' 

'Primeiro roteiro da Costa da India desde Goa 
atl Diu, narrando a viagem que fe\ o vice-rei D. 
Garcia de Noronha em soccorro desta mesma cida- 
de, etc., por C D. Joao de Castro. Ibid. 1843.-8.° 
max. de XLVI— 284 pag. 

Carta physico-mathematica sobre'a theoria da 
polvora em geral e a theoria do melhor comprimento 
das pecas em particular . Escripta por Jose Anasta- 
cio da Cuntia em 1760. 

Todas estas obras tern introduccoes, prefacios, 
ou notas, muito eruditas da penna de Diogo Kopke. 

Foi o principal redactor do Museu 'Portuense, 
jornal litterario publicado de agosto de 1 838 ate Ja- 
neiro -de i83g. 

«Occupava-se ultimamente (diz o snr. Innocen- 
cio) de colligir e ordenar para a impressao todos os 
escriptos ineditos de D. Joao de Castro. • Comecou 
e adiantou muito o indice ou catalogo de todos os 
manuscriptos que possuia a bibliotheca publica do 
Porto. 

Domlngos Antonio de Sequelra, ou s6- 

mente Domlngos de Sequelra. Commendador 
da Ordem de Christo, cavalleiro da Imperial do Cru- 
zeiro do Brazil, director honorario da acaderoia de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 261 

bellas-artes de Lisboa, conselheiro da academia ro- 
mana de S. Lucas. Nasceu em Belem, suburbios de 
Lisboa, a 10 de marco de 1768 e falleceu d'apoplexia 
em Roma a 7 de marqo de 1837 (e nao em i838 nem 
i83g, como disseram alguns dos seus biographos.) 

Foi Sequeira um dos primeiros discipulos da aula 
de desenho da c&rte aberta em 1781, onde alcanqou 
alguns premios. Depois de a cursar durante 5 an- 
nos, foi estudar a pintura com o engenhoso e extra- 
vagante Francisco de Setubal, a quern ajudou a fa- 
zer alguns tectos no.palacio de Joao Ferreira, rico 
sapateiro e negociante de couros. Protegido pela casa 
dos Marialvas, obteve uma pensao de 3oojjooo reis 
paga pelo bolsinho de S. M. para estudar em Roma 7 
aonde chegou em 1788, elegendo para seus" mestres, 
em pintura, Cavalluci e em composi$ao e desenho, 
Rcola. 

O snr. Trigoso cuidava que Sequeira e Vieira fo- 
ram dos alumnos enviados a Roma pelo intendente 
geral da policia Pina Manique i , que formavam o 
que entao se chamava a academia portugueza em 
Roma. O intendente, porem, nao escolheu cousa que 



1 Discurso do snr. Trigoso no Congresso de 1823, rcsu- 
mido na Hist. m dos Estab. scient. do snr. Silvestre Ribeiro, 
III. 5 7 . 



Digitized by 



Google 



262 ANNUARIO DA ACADEMIA 

prestasse, e os dous insignes pintores portuguezes nao 
sa6 obra sua *. 

Em 1791 obteve Sequeira um primeiro premio 
da academia de S. Lucas, sendo o assumpto do con- 
curso o milagre dos pies e dos peixes. Em 1794 
foi nomeado academico de merito da mesma acade- 
mia, offerecendo para isso a degolacao do Baptista. 
Depois de ter dado brilhantes provas do seu talento 
em algumas cidades d'ltalia, e estudando ahi os mc- 
lhores modelos, voltou a sua patria em abril de 1 796. 

Chegado a Lisboa visitou Pedro Alexandrino e 
Cyrillo Volkmar Machado, a quern se lastimou do 
abatimento da arte, e Ihes propoz que se unissem to- 
dos para a exaltar, dando-lhe mais estima9ao e maior 
valor as obras. Pela sua parte bem se exforcou por 
levar a cabo o seu proposito, mas debalde. Todos 
desejavam ter uma obra sua, mas ninguem lhe che- 
gava ao preco. O conde de Val de Reis qufe incum- 
bil-o da pintura de dez batalhas tfuma das suas an- 
te-camaras, mas atterrou-se com o preco de reis 
4:800^000 que Sequeira lhe exigia. O pintor desa- 
nimou, e cahiu em tal melancolia, que se fez mon- 
ge da Cartucha. 



1 Vej. a nota do snr. duque de Palmella em Raczinski, 
diction, historico-artistiq. du Portugal. Paris 1847, P*^ 2 *>7- 
Sigo e quasi copio a Cyrillo Volkmar Machado. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 263 

Parecia ja perdido para o seculo, quando D. Ro- 
drigo de Souza Coutinho conseguiu que o snr. D. 
Joao vi o nomeasse por decreto de 28 de junho de 
1802 primeiro pin tor da camara e c&rte com reis 
2:000^000 de ordenado, e a obrigaqao de dirigir e 
executar com o seu collega Francisco Vieira Por- 
tuense a melhor parte das pinturas do novo palacio 
da Ajuda. 

Em setembro de i8o3 foi acceito para mestre da 
snr. a Infante D. Maria Thereza, e deram-lhe sege e 
habito de Christo, e depois novas honras e pensoes 
para si e sua filha* 1 . 

Em 7 de Janeiro de 1806 foi proposto pela Junta 
da administracao da companhia geral da agricultura 
das vinhas do Alto-Douro para director da aula de 
desenho da nossa academia, com a obrigacao de re- 
sidir no Porto tres mezes por anno, a fim de veneer 
seu ordenado. E foi na verdade nomeado por C. 
R. de 8 de maio de 1806, na qua! todavia se nao 
menciona aquella obrigacao. Verdadeiramente s6 ser- 
viu o dito cargo em 1806 e 1807, posto que recebesse 
ordenado respectivo ate a suppressao do logar em 



* Cyrillo Volkmar Machado, colleccao de memorias re- 
lativas as vidas dos pintores e esculptores, architectos e grava- 
dores Portugueses. Lisboa, Imp. dc Victorino Rodrigues da 
Silva. 1823, pag. 149 e seg. 



Digitized by 



Google 



2G4 ANNUARIO DA ACADEMlA 

1 82 1. De 1808 em diante nao ha outro vestigio do 
servico de Sequeira como director da aula de dese- 
nho cPesta academia. Apenas em 181 3 urn Av. Reg. 
de 1 1 d'agosto * man da «que os lentes de desenho 
communiquem ao director da aula d'esta faculdade, 
Domingos Antonio de Sequeira, o estado d'esta aula 
c progressos dos seus discipulos, assim como todas 
as circumstancias que sobrevierem, para enviar-lhes 
as providencias necessarias* *. . 

No anno de 1808 em que Sequeira principiou a 
desapparecer do exercicio do referido cargo, foi die 
involvido n'um processo crime perante o Juizo da 
Incorifidencia. Era accusado: 1 .• de ter pintado uma 
allegoria, justificando o general Junot e deprimindo 
a nacao portugueza; 2. de ter convertido em casa 
de pintura a sala do docel do paco da Ajuda; 3.° de 
ter consentido que entrasse urn cavallo em uma casa 
do paco. 

Da primeira arguicao, unica que hoje se pode- 
ria reputar por deshonrosa da memoria de Sequei- 
ra, se defendeu elle, allegando que nao procedera 
voluntariamente, porque tinha de emigrar ou de obe- 



* Citado em officio da secretaria da Junta inspectora de 
1 de setembro de 181 3, regist. na secret, da acad. de mar. e 
comm., liv. g5, fi. 2. 

* Transcripto do cit. offic. da secret, da Junta insp* 



Digitized by 



Google 



. POLYTECHNICA DO PORTO 265 

decer a Junot, que Ihe indicara o pensamento do 
quadro. Ainda assirn revelou ahi mesmo o seu pa- 
triotismo, porque illudindo a intencao do general' 
francez, pintou a cidade de Lisboa, sentada em atti- 
tude triste, amparada pela religido e pelo genio da 
naqao portugueqa, e Junot em accao de a consolar. 
Junot nao ficou satisfeito com o esboco, peto qual 
era accusado o seu auctor. Alem d'isso, Sequeira re- 
cusou-se a pintar outros quadros encommendados 
pelo mesmo Junot, ainda com risco de perder o seu 
logar. Sequeira podia ter accrescentado, se a occa- 
siao lh'o tolerasse, que nao era o patriotismo por- 
tuguez quern havia de escolher entre Junot e Beres- 
ford. 

Em consequencia d'este processo, que nao revela 
senao a inveja das testemunhas da accusaqao ! , esteve 
Sequeira preso no quartel da Luz desde i*5 de de- 
zembro de 1808 ate 18 de Janeiro do anno seguinte. 

Do seu patriotismo deu Sequeira um bom docu- 



* Manoel da Costa, architecto, pintor e machinists^ Ar- 
changelo Foschini, mestre de pintura do Infante D. Pedro 
Carlos; e Bartholomeu Antonio Callisto, pintor da casa real; 
todos empregados nas pinturas do pa90 da Ajuda, que s6 po- 
diam luctar com Sequeira perante o Juizo da Inconfidencia. 
Vej. o Jornal do Commercio de Lisboa de 22 e 24 de novem- 
bro de 1866. 



Digitized by 



Google 



266 ANNUARIO DA ACADEMIA . 

mento, se e certo, como o affirmou no congresso em 
1823 o snr. Jose Liberate Freire de Carvalho, que 
elle preferira a sua patria a pensao de 16:000^(000 
reis com que a Imperatriz da Russia o pretendia at- 
trahir a sua c&rte. 

Mais claras foram ainda as provas que deu dos 
seus sentimentos liberaes, porque logo como visse 
destruida a obra patriotica de 1820, pediu os seus 
passaportes * e a 7 de setembro de 1823 sahiu de 
Lisboa para Paris, aonde chegou a 20 d'outubro *. 
E nao devia nada a sua pessoa a revolucao de 20, 
porque em 1821 foi supprimido o logar de director 
da aula de desenho da academia de marinha e com- 
mercio do Porto, que lhe rendia 6oo#ooo reis; e em 
]823 o congresso reduziu-lhe os vencimentos que 
percebia como pin tor do pacoda Ajuda. 

Em 26 de setembro de 1826 partiu de Paris para 
Roma, onde esteve desde 1 de novembro do dito 
anno ate 7 de marqo de 1837, em que falleceu *. 

Das obras de Sequeira, as que pude ordenar chro- 



1 Nota enviada pelo snr. duque de Palmella (D. Pedro) 
ao snr. conde de Raczinski, e por este publicada no cit. Di- 
ction. historico-artistique du Portugal, pag. 267. 

* Nota do snr. Migueis, genro de Sequeira no cit. Dir 
ctiorty pag* 268. 

* Cit. nota do snr. Migueis. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 267 

nologicamente no breve espacjo que me foi dado con- 
sagrar ao estudo da sua biographia, sao as seguin- 
tes: 

1 79 1. Milagre dos pies e Bos peixes, que lhe ga- 
nhou urn primeiro premio da academia de S. Lucas, 
onde deve existir este quadro. 

1792. Dae a Ce\ar o que 6 de Ce\ar, quadro per- 
tencente a Lord Howard. (Nota do snr. duque de 
Palmella no cit. Diet, de Racz., pag. 267).— O snr. 
Raczinski na sua obra Les Arts en Portugal — Pa- 
ris 1846 — pag. 278 e seg., duvidou que este esboco 
pcrtencesse a Sequeira, e teve tentacoes de o attri- 
buir a Pompeo Battoni. Isto prova a influencia que 
tcve no nosso artista o seu mestre Cavalucci, imita- 
dor de Battoni. 

1794. Degolaqao de S. Joao liqptista, *obra para 
ser recebido como academico de merito da acad. de 
Roma (Cyrillo). — Deve existir na academia de S. Lu- 
cas. 

1792 a 94. Os dous tectos pintados em T{oma, 
acima referidos. 

i8o3. Desembarque de oAffonso tfoAlbuquerque 
nas Indias, pertenceu ao fallecido snr. Barao*de For- 
rester, residente no Porto. (Racz. Les Arts en Por- 
%— pag. 387). 

1806. 'Desenho ctutn anciao abraqando 5 jovens 
que estam tocando lyra, allusivo a 5 alumnos da aca- 
demia de marinha e commercio do Porto que elle es- 



Digitized by 



Google 



268 ANNUARIO DA ACADEMIA 

colheu para lhes ensinar pintura. Existe no museu 
portuense. 

1 812 ou 1 81 3. Distribuigao dos alimentos pelos 
habitantes de Lisboa ads campone\es fugidos das suas 
terras devastadas pelos Jrance^es em 18 7o, gravado 
por Francisco de Queiroz em i8i3. A pintura ori- 
ginal parece que pertenceu ao snr. Conde de Farro- 
bo (cit. Diet, de Racz., pag. 267 infine e seg., e pag. 
270). 

1814. Desenhos para a baixella de prata offerecida 
ao duque de Wellington, a qual se diz ter custado rets 
6oo:ooo$ooo. — Estes desenhos estavam em poder do 
snr. Sequeira, sobrinho do nosso pintor. Racz. In 
Arts en Port., pag. 284 assigna-lhes a data de 1812. 
A de 1 814 e do snr. duque de Palmella no Diet, de 
Racz. O presente foi dado em 1816. Da baixella 
vem uma extensa deseripcao no Investigador portu- 
gue\ em Inglaterra vol. XVIII. 1817, copiada do Jar- 
nal de bel las-art es ou Mnemosine Lusitana. 

1 82 1. ^Panorama de Lisboa— (snr. D. Francisco 
de S. Luiz, lista de alguns artistas portug. Lisboa, 
Impr. Nac. de 1839, pag. 3o. 

1822*. Desenho da medalha para premio dos in- 
dustriaes distinctos. (Hist, dos Estab. Scient. do snr. 
Silvestre Ribeiro, IV. i53). 

1823. Morte de Camoes, este quadro foi offere- 
cido ao lmperador do Brazil o snr. D. Pedro i.° (4-° 
de Portugal) que por esta occasiao nomeou o auctor 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO POJtTO 269 

cavalleiro da ordem do Cruzeiro. (Nota do snr. Mi- 
gueis no Diet, de Racz., pag. 268), Esteve na expo- 
sicao do Louvre em 1824 (cit. snr. D. Francisco de 
S. Luiz), e foi louvado por Gerard, Granet, Vernet, 
e outros pintores francezes. (Nota do snr. Gonde de 
Lavradio ao snr. Raczinski Les Arts en Portug., pag. 
.284). 

1824 a 26. oAfugidapara o Egypto. Existe no 
Brazil em poder dos snrs. viscondes de Pedra-Bran- 
ca. (Nota do snr. Migueis no Diet, de Racz.) Este 
quadro foi lithographado em Paris por M. Ganni, 
primeiro pintor do rei de Napoles. (Nota do snr. Sil- 
va no cit. dice.) — E' da mesma epoca e pertence aos 
mesmos senhores um quadro de familia com 4 figu- 
res, quasi de grandeza natural, que sao os retratos 
dos snrs. visconde e viscoudessa da Pedra Branca e 
seus dous filhps (cit. notas dos snrs. Migueis e Silva. 

1827. O calpario. Foi gravado por Antonio Bior- 
di (cit. nota do snr. Migueis), que offereceu a sua 
gravura a rainha dos francezes (nota do snr. conde 
de Lavradio em Racz. Les Arts enPortug., pag. 285, 
onde se cita o Journal des Dibats de 23 de abril de 
1841). Pertence a galeria do snr. duque de Pal- 
mella. 

1828. oAdora$ao dos H^eis GMagos, (cit. nota do 
snr. Migueis). Pertence ao snr. duque de Palmella. 

1829 a 1 836. O baptismo do Salvador. — A cru- 
cijkacao de Ghristo. Estes dous quadros pertencem 



'Digitized by 



Google 



270 ANNUARIO DA ACADEMIA 

t 

ao duque de Braciano (snr. Migueis).— A ft: perten- 
cia a gra-duqueza Helena, de S. Petersburgo, (dito) 
— A sagrada Veronica n'um convento em Roma. 

O caminho da cru\ na egreja da Paz em Roma. 

Utna sacra familia — Nossa Senhora — O anjo Ra- 
phael e Tobias pae e filho— Santo oAntonio prtgando 
aospeixes—O Salvador. Estes 5 quadros pertenciam 
ao snr. Migueis, ministro de Portugal junto da Santa 
Se em 1846. 

Sao tambem d'esta epoca varias obras de Sequei- 
ra existentes em poder do marquez Hercolani em 
Roma. (Nota do snr. duque de Palmella no Did. de 
Racz.) 

1 836 e 1837. qA ascencao do Senhor — O jui\o fi- 
nal. Estes 2 quadros foram pintados nos ultimos mo- 
mentos da vida de Sequeira, quando estava ja muito 
doente, e acham-se incompletos (snr. Migueis e Rac- 
zinski). Pertencem ao snr. duque de Palmella. 

Seria muito extensa a lista de todas as obras de 
Sequeira, nem ainda a ha completa, que n6s saiba- 
mos. Era um pintor fecundissimo.* Desenhava sem- 
pre e tudo lhe servia para exercitar a sua arte, quasi 
o seu vicio: o lapis, a penna, um rolo de papel quei- 
mado. Teve durante a sua vida, como quasi todos 
os grandes pintores, diversos estylos ou maneiras. 
snr. conde de Raczinski a principio nao fazia grande 
conceito de Sequeira, e tudo quanto era bom, du- 
vidava que fosse d'elle. O *Dae a Ce\ar que i de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 271 

Ce^ar parecia-lhe de Battoni: o descendintento da 
cru{, c6pia d'algum quadro de Rembrandt, cuja bio- 
graphia ainda entao era muito imperfeitamente co- 
nhecida. S6 depois de ver os 4 quadros do duque de 
Palmella se desenganou de que Sequeira era um ar- 
tista de merito superior. 

Na nossa academia ha um quadro de I). Joao vi 
com o alcado d'esta academia, pintado por Sequei- 
ra, provavelmente em 1807. O illustre pin tor foi tam- 
betn gravador. A elle se deve o desenho e gravura 
do conde Ugolino a pedido de Napoleao Buonaparte, 
innao de Napoleao in para. illustra<;ao d'uma histo- 
ria da Toscana escripta pelo Principe. 

Domlngos Francisco Vlelra. Droguista e 
pintor de paisagens, imitador do estylo de Pilement. 
Esteve regendo a aula de debuxo e desenho da ci~ 
dade do Porto na ausencia de seu filho Francisco 
Vieira Portuense, professor da mesma aula,, desde o 
principio de novembro de 1802 ate o fim de junho 
de i8o3, pelo que recebeu 400^000 reis, correspon- 
dentes a quantia de 600^000 reis annuaes, que era 
ordenado da cadeira (vide acima pag. 97). Assigna 
os tennos de matricula d'este periodo de 8 mezes, 
como «lente substitutb de desenho »; mas verdadei- 
ramente nao era substituto da cadeira; regia-a tem- 
porariamente. 



Digitized by 



Google 



272 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Domingos *os£ de Castro. IrmSo de Jose 
Avelino de Castro, de quern trataremos no seu logar. 
Foi alumno d'esta academia, e nos annos de 181.6 e 
181 7 obteve premio ho i.° e 2. annos mathemati- 
cos. Foi nomeado substituto da cadeira de commer- 
cio por C. R. de 16 deoutubro de 1828- Certamente 
foi promovido a propriedade da mesma cadeira ate 
18 de dezembro de 1829, que e a data da nomeacao 
d'outro substituto, Antonio Pereira de Araujo Ju- 
nior. Este assigna juntamente com Domingos Jose de 
Castro os termos dos exames de commercio em 1 83o 
e 1 83 1, o que mostra que eram ambos professores. 
Nao ha portm registo da Carta Regia que devia ter 
nomeado Domingos Jose de Castro para a proprie- 
dade d'esta cadeira* Estes despachos ficaram sem ef- 
feito por terem provindo do governo do snr. D. Mi- 
guel. 

Francisco Adao Soares. Filho d'outro c de 
D. Juliana Josepha,. Nasceu no Porto a i5 de mar- 
co de 1 800. Frequentou n'esta academia o curso 
completo de mathematica, e o de commercio. Foi 
premiado em 1818 e 1819 no i.° e 2. anno mathe- 
matico, em 1-820 em commercio em relacao ao lecti- 
vo de 1 81 8 a 19, e em 1821 em desenho. Depois cur- 
sou na universidade de Coimbra a faculdade de ma- 
thematica em que se formou, tendo sido premiado 
todos os annos. Foi nomeado, precedendo concurso, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 273 

<2.° lente substituto da faculdade de mathematica 
da academia de marinha e commercio do Porto » por 
deer, de 3o de Janeiro e G. R. de 18 de fevereiro de 
1 835. Foi exonerado pelo deer, de 19 de outubro de 
1 836 com os outros seus collegas que nao quizeram 
jurar a constituicao de 1822 proclamada pela revo- 
lu<^ao de setembro de i836. Ficou addido a acade- 
mia por effeito da lei de 19 d'outubro e deer, de 9 
de dezembro de 1840, com 200^000 e n'esta posi- 
cao se 6nou em 3 dejunhode 1869, creioqueem Vil- 
la-Nova de Gaya, onde residia. 



Fraaelaeo Jaaquln Mala. Do conselho de 
Sua Magestade. Deputado da Nacao por urn dos cir- 
culos do Porto na legislatura de i853 a 56. Com- 
mendador da ordem de Isabel a Gatholica de Hes- 
panha. Filho de Rodrigo da Silva Maia e de Caeta- 
na de Jesus Maria Jose. Nasceu no Porto, rua da 
Ponte-Nova, freguezia da Se, a 28 de setembro de 
1789. Frequentou n'esta academia, desde a sua fun- 
dacao em i8o3, os cursos de mathematica e commer- 
cio, desenho e linguas, tendo sido premiado do 2. 
anno mathematico em i8o5. A sua carta do curso 
de commercio e de 18 de Janeiro de 1819. Foi no- 
meado substituto da cadeira d'esta disciplina por G. 
R. de 11 de julho de 1819. Pelas suas ideas libe- 
raes foi com alguns outros seus collegas demit tido 

18 



Digitized by 



Google 



2T4 ANNUARJO DA ACADEMIA 

pelo governo de D. Miguel em i3 de maio de 1829. 
Reintegrado pela entrada do exercito tibertador no 
Porto em 9 de julho de i832, foi promovido a pro- 
priedade da cadeira de commercio por deer, de i3 e 
C R. de 19 de novembro de 1834. A revolucao de 
setembro de i836 deu causa a sua exoneracao pelo 
deer, de 19 de outubro do mesmo anno, decreto que 
muitas vezes temos citado e continuaremos a citar, 
porque exonerou quasi todos os lentes d'esta acade- 
mia por se recusarem a jurar a constituicao de 1822. 
Ficou addido a academia polytechnica com o ven- 
cimento de 35o#ooo reis por virtude da lei de 19 
d'outubro e deer, de 9 de dezembro de 1840. Jubi- 
lado por C. R. de 8 de marco de 1854. Falleceu d'ahi 
a pouco em 24 ou 26 de junho do mesmo anno. 



Fraaelfteo Lulz Corrda* Substitute da ca- 
deira de philosophia racional por C. R. de 16 de no- 
vembro de 1 832. Exonerado em consequenda dos 
acontecimentos politicos de i836 pelo deer, de i3 de 
outubro do mesmo anno. Addido pela lei de 19 de 
outubro e deer, de 9 de dezembro de 1840 aolyceu 
do Porto com o vencimento de 175^000 reis, e no- 
meado professor de philosophia racional e moral e 
principios de direito natural do mesmo lyceu por C 
R. de 23 de marco de i852. Foi jubilado em 1861 e 
parece que falleceu em 1862. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 2?5 

Fraaelaeo Soares^Ferrelra. Filho <Toutro 
do mesmo nome, e de D. Maximiana Luiza Joaqui- 
na ou Rebelto. Nasceu no Porto, freguezia da Se, a 
16 dc Janeiro de 1777. Frequentou as mathematicas 
n'esta academia desde i8o3. Proprietario da cadeira 
dc francez por C. R. de 20 de novembro de 1819, 
preterindo o substitute Tomou posse d'esta cadeira 
a 11 de marco de 1820. Em 1826 era empregado da 
Companhia das vinhas do Alto-Douro. Falleceu de 
outubro de i83o a maio de i83i. 



Fraaclaeo Vieira Junior. Cognominado 
Portuense para o distinguir do outro celebre pintor 
do mesmo nome, denominado Lusitano. Nos ter- 
mos de matricula da aula de desenho do Porto as- 
signa-se Junior ate outubro de 1802; desde novem- 
bro de i8o3 assigna-se apenas Francisco Vieira. Fi- 
lho do droguista e pintor Domingos Francisco Vieira 
(vej. acima este nome) e de D. Maria Joaquina. Nas- 
ceu no Porto em i3 de maio de 1765. Falleceu na 
ilha da Madeira em 2 de maio de i8o5, posto que o 
snr. Innocencio Francisco da Silva no torn. 9. do 
seu dice, bibliogr. diga, (certamente porequivoco, ou 
por erro typographico, que elle alias nao soffreria em 
outro biographo), que foi em 1806. 

Francisco Vieira principiou os seus estudos no 
Porto, estudando a paizagem com seu pae, e a fi- 



Digitized by 



Google 



276 ANNUARIO DA ACADEMIA 

gura com Joao Glama Stroberle *. Podia ter cursado 
a aula publica de desenho do Porto, instituida no fim 
do anno de 1779, de 3 ue f°* primeiro mestre Anto- 
nio Fernandes Jacomo (supra pag. g5 e 96); mas 
Cyrillo nao o diz, e o snr. Innocencio n'uin aftigo 
que publicou em 1 865 no Archivo pittoresco, expri- 
me-se a este respeito d'um modo ambiguo. Todavia 
€ provavel que a Junta da Companhia das vinhas, 
inspectora d'esta aula, experimentasse n'ella a v<5ea- 
cao do seu protegido para a arte. O mesmo snr. In- 
nocencio accrescenta que Vieira f5ra frequentar a 
aula publica de desenho de Lisboa que comecava a 



1 Cyrillo Volkmar Machado trata de Jofio Glama com 
o titulo errado de Joao Clama St rebel ou Strabile, a pag. i35 
da sua Collect de mem. relativas ds vidas dos pintcres, «tc. 
Lisboa 1823. A melhor e mais auctorisada noticia d'este pia- 
tor vem na lista de a 1 guns artistas portug. do snr. S» Luis, 
Lisboa 1839, pag. 38 e seg., baseada em in forma coes do pin- 
tor Joao Andre* Chiape, amigo de Joao Glama. 

O primeiro que disse que Francisco Vieira estudara com 
Joao Glama, foi Cyrillo, pag. i36 e 139. Nao duvido, mas ob- 
servo que Chiape diz que Joao Glama «nao deixou discipulos 
porque nao era do seu genio admittil-os» (S. Luiz log. cit. 
pag. 39, col. 2. a ). Ignoro a data das informacoes de Chiape. 
Podem ter sido escriptas antes de Ihe ser conhecido o merito 
de Vieira. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 277 

florescer sob a habil direccao do professor Joaquim 
Manoel da Rocha. 

Em 1789 conseguiu Vieira da Companhia das vi- 
nhas do Alto-Douro uma pensao de 3oo#ooo reis, 
para se ir aperfeicoar a Roma, onde elegeu para mes- 
tre, a falta dVutro melhor, a Domingos Corvi, de- 
senhador correcto mas frio no colorido. Em 1791 ga- 
nhou um primeiro premio em roupas. De Roma pas- 
sou a estudar o colorido de Corregio em Parma, on- 
de foi admittido entre os directores de academia, deu 
licoes de desenbo a uma filha do duque d'aquelle* 
entao, Estado, e tirou a excellente c6pia de S. Je- 
ronymo, hoje pertencente a galena dos snrs. duques 
de Palmella, e a da famosa Magdalena, c6pia que 
foi adquirida pelo snr. Luiz Pinto Balsemao '. 

Em 1 794 voltou a Roma e d'ahi a tres annos par- 
tiu para Allemanha em companhia de Bartholomeu 
Antonio Calisto, de quern se separou em Dresde, e 
ahi se ficou a tirar muitas c6pias da excellente gale- 
na d'esta cidade. D'ahi passou a Hamburgo e a 
Londres, onde travou amisade com o gravador Bar- 
talozzi, a quem tirou o retrato. Em Londres come- 
cou a gravar a agua forte uma grande e laboriosa cha- 
pa que nao levou a cabo, pintou o Viriato que foi 



* jCyrillo nao falla na copia de S. Jtronymo. Menciona-a 
Raczkiski no t>ict^Jiistor.-art., pag. 299. 



Digitized by 



Google 



278 ANNUARIO DA ACADEMIA 

estampado pelo dito gravador e offereddo ao snr. 
D. Joao vi, e fez urn quadro grande da Senhora da 
Viedade ou Descendimento da Cru% para a capella do 
minis tro de Portugal, que era D. Joao <f Almeida Mello 
e Castro, depois Conde das Galveas. Ahi casou com 
uma joven e rica viuva italiana, parent e do seu ami- 
go Bartolozzi, e com ella veio para Lisboa no fim do 
anno de 1800 ou principios de 1801. 

O Avis. Reg. de 20 de dezembro de 1800, sob 
proposta da junta da Companhia das vinhas do Al- 
to-Douro, nomeou-o para a cadeira de desenho do 
Porto com o ordenado de 600^000 reis, que era muito 
mais do que percebia o seu antecessor Antonio Fer- 
nandes Jacomo, pouco antes dispensado do exercicio 
d'esta cadeira. (V. supra pag. 96 e 97). Vieira nao 
veio a tomar conta do seu novo emprego senao em 
junho de 1802. 

No entretanto, occupava-se em Lisboa a traba- 
lhar nas illustraqoes para a ediqao dos Lusiadas inten- 
tada por D. Rodrigo de Souza Coutinho, cujos qua- 
dros tinham de ser compostos e desenhados por die 
e gravados pelo seu amigo Bartolozzi, empreza que 
nao foi avante, nem parou tanto em projecto, que 
nao ficassem d'ella onze quadros ou esbocos pintados 
a oleo, que hoje fazem parte da galena dos snrs. du- 
ques de Palmella. 

Em 1802 fez um quadro que Ihe tinha sido en- 
commendado para a festividade com que o senado 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 279 

de Lisboa tencionava celebrar, como celebrou, na 
igreja de S. Domingos, a paz geral de Amiens esti- 
pulada em 27 de marco. Este quadro representa a 
monorchia luptana, acompanhada das virtudes, das 
artes, da fama etc,, com o retrato do snr. D. Joao 
vi ao peito. 

No mesmo anno foi nomeado primeiro pintor da 
real camara, por deer, de 28 de junho, com o ven- 
cimento de 2:000^000 reis, que poderia accumular 
com ordenado de professor de desenho no Porto, 
e com a obrigaqao de dirigir e executar juntamente 
com Domingos Antonio de Sequeira as obras de pin- 
tura no pa<jo da Ajuda. Francisco Vieira s6 entrou, 
como dissemos, na regencia da sua cadeira em ju- 
nho de 1802, e ausentou-se em novembro d'esse anno 
para voltar em outubro do seguinte, a fim de assis- 
tir a solemnidade da inauguracao da academia de 
marinha e commercio, que se celebrou em 4 de no- 
vembro de i8o3. 

Francisco Vieira tinha sido nomeado director da 
aula de desenho d'esta academia por C. R. de 1 de 
outubro de i8o3, com o mesmo ordenado de reis 
6oo$ooo, que ja tinha como professor da antiga aula 
d'esta disciplina. O juramento pelo seu novo cargo 
foi prestado por Antonio Jose Vieira Junior, seu ir- 
mao, como procurador seu, e o respectivo termo e 
datado de 5 de junho de 1804; mas e certo que exer- 
ceu o seu cargo no anno anterior e n'este mesmo.— 



Digitized by 



Google 



280 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Consta da consul ta da junta da Companhia das vi- 
nhas do Alto-Douro de 7 de Janeiro de 1806, pro- 
pondo a Domingos A. de Sequeira para o logar de 
director da aula de desenho, que este cargo nao obri- 
gava a maior residencia do que tres mezes por anno. 
(V. pag. 166). Parece que Vieira cumpriu melhor esta 
obrigacao do que o seu successor. 

Foi em i8o3, se bem o entendemos, que Vieira 
recitou o discurso mencionado a pag. 139. Aos ar- 
gumentos com que ahi sustentamos esta opiniao, ac- 
cresce que Vieira em 10 de junho de 1802 ainda nao 
era primeiro pintor da camara e corte. Os exempla- 
res que se imprimiram d'este discurso, nao sao tao 
raros como inculca o snr. Innocencio. Ainda os ha 
a venda na Imprensa Nacional. O snr. Silvestre Ri- 
beiro transcreveu-o no torn. 3.° da sua Hist, dos Es- 
tab. Scient. 

Alem das pinturas de Vieira, de que fizemos men- 
cao, ha o Desembarque de Vasco da Gama na India — 
D. Igne% d e Castro ajoelhada com osfilhos deantede D. 
0/iffonso (quadros que pertencem hoje a S. M. o Im- 
perador do Brazil), D. Filippa de Vilhena (condcssa 
de Athouguia), a paisagem de Venus e o amor (gra- 
vado por Bartolozzi), ambas pertencentes a galena da 
condessa da Anadia; quatro quadros da igreja da or- 
dem terceira de S. Francisco do Porto, que sao San- 
ta Margarida confessada a hora da martepor urn 
fradt franciscano; N. Senhora da Conceifao; Santa 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 28 f 

Isabel dando esmolas; e S. Lui\> ret de Franga, oran* 
do; duas paisagcns no Museu Allen, da camara mu- 
nicipal do Porto, urn S. Sebastiao na colleccao de 
Borba, citado por Cyrillo; a adoragdo do Santissi- 
mo, existente no museu portuense. 

Francisco Vieira adoeceu gravemente, quando es- 
tava a fazer o quadro de Duarte Pacheco, defenden- 
do o passo de Cambalam em Cochim, para a casa 
das descobertas no paqo de M afra. Foi para a Ma- 
deira com licenca de i de abril de i8o5, e ahi teve 
poucos dias de vida. 

Segundo o snr. Innocencio, diccionario biblio- 
graphico portugue^ torn. 9, pag. 38g, falleceu o il- 
lustre director da aula de desenho da nossa acade- 
mia, em 2 de maio de 1806. Esta data e impossivel, 
porque a consulta da junta da Companhta da6 vinhas 
que propoem para o cargo de director da dita aula 
a Domingos de Sequeira, ja menciona o fallecimento 
de Francisco Vieira. Aquelle algarismo foi escripto 
por engano, senao por erro typographico, como dis- 
semos, porque o snr. Innocencio refere-se ao artigo 
que escrevera em i865 no Archivo pittoresco, e ahi 
diz que a morte do eminente pin tor foi em i8o5. Sem 
pretendermos duvidar da data do dia e mez acima 
indicados, observamos que uma acta do conselho da 
nossa academia de 7 de outubro de i8o5 refere o di- 
rector da aula de desenho como ausente em Lisboa. 
A respeito do logar, a acta nao esta certa; mas nao 



Digitized by 



Google 



282 ANNUARIO DA ACADEMIA 

deixa de causar estranheza que tivesse levado tanto 
tempo a chegar a noticia do fallecimento d'um ho- 
mem tao notavel ao conhecimento dos seus collegas. 



Cteaulno Barboza BettaHtlo. Era lente da 
aula de commercio da Bahia. Foi nomeado substi- 
tute de egual cadeira da nossa academia por C R. 
de 3o de julho de 1824, com metade do respectivo 
ordenado, o qual havia de receber por inteiro logo 
que houvesse vacatura. Prestou juramento em 19 de 
fevereiro de 1825 e falleceu em maio de 1827, antes 
de se dar a stapposta vacatura. 

Hearlque Daatel Weaek. Cavalleiro da 
ordem de N. S. da Conceicao e commendador da 
de Christo. Foi nomeado substituto da cadeira de in- 
glez por Port, de 23 de novembro de i832, dispen- 
sandose o concurso exigido pelas instruccoes anne- 
xas a C. R. de 11 de setembro de 1826. Nomeado 
verificador da alfandega grande de Lisboa por deer, 
de i5 de fevereiro de 1834, deixando en tao vago o 
logar que tinha n'esta academia. Em 1839 e talvez 
ja antes era guarda-m6r da dita alfandega. Escrivao 
da meza grande da mesma por C. R. de 20 de agosto 
de 1 85 1. Em i865 era cbefe de servico da mesma 
alfandega. Posteriormente foi director geral das al- 
fandegas, logar em que obteve a sua aposenta^ao. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 283 



Htarlqne Ernesto de AlMelda Coatl- 
mho. Proprietario da cadeira de francez no tempo 
de D. Miguel por C. R. de 8 de julho de i83i, des- 
pacho que caducou pelo triumpho das armas libe- 
raes. 



Htaf e Laereli. Nomeado proprietario da ca- 
deira de francez por C. R. de 22 de outubro de 
181 1, depois da jubilacao de seu irmao, o abbade 
Pedro Lacroix. (Vej. este nome). Preterm, e creio 
que com toda a razao, o substituto da cadeira que 
entao era Ignacio Xavier Gayoso. A C. R. de 28 
de fevereiro de 181 5 nomeou o dr. Agostinho Alba- 
no para esta cadeira, sem dizer o que fdra feito de 
Hugo Lacroix. Este ainda assistiu ao conselho aca- 
demico de 25 d'outubro de 18 13, e na de i3 de 
maio de 1814 e mencionado como tendo faltado. Em 
10 d'outubro d'este anno ja assiste a sessao como 
professor de francez o dr. Agostinho Albano, posto 
que ainda nao estivesse en cart ado. Suspeito que Hugo 
Lacroix foi havido por jacobino, e como tal se lhe 
deu a cadeira por vaga. 



Igaaelo XaTter fiayoao. Substituto da ca- 
deira de francez por C. R. de 7 de dezembro de 
1808* Foi preterido em 18x1 por Hugo Lacroix. (V. 



Digitized by 



Google 



Stft* AMMUARIO DA ACADEMIA 

eate nome). Em outubro de i8i3 dirigui uma carta 
a academia, queixando-se de ter sido preterido, e 
participando que ia para o colLegio militar substi- 
tuir o mestre de francez (com 3o#ooo reis mensaes 
e meza, segundo consta d'uma noticia que lhe man- 
daram de Lisboa). Esta carta revela urn certo des- 
arranjo intellectual que bem justifica a pretericao. 
Depois de i8i3 nunca mais se fallan'este professor. 



Baptist* Fetal da Slfra LlsbM. 

Devia ser licenciado ou pelo menos bacharel formado 
em mathematica. Segundo o snr. Innocencio Fran* 
cisco da Silva, dice, bibliogr.portug., torn. 3.°, pag. 
445, nasceu em Lisboa, freguezia de Santa Justa em 
1768. Foi nomeado lente da 3.* cadeira de mathe- 
matica da nossa academia por C. R. de 18 de no* 
vembro de i8o3, mas recebeu o seu ordenado desde 
o 1 .° d'outubro d'este anno, porque o Avis. reg. de 
i3 do mesmo mez permittia que os lentes nomeados 
podessem entrar no exercicio dos seus logares ainda 
que nao tivessem promptas as suas cartas. Aconte- 
ce, porem, que a consulta da junta propondo Joao 
Baptista Fetal para o 3.° anno mathematico, tem a 
mesma data da C. R. que o nomeou, em quanto a 
consulta propondo outros oito profe&sores e datada 
de 20 de setembro. Ahi ha necessariamente algu- 
ma troca de datas. O certo e que Fetal entrou em 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 

servi^o antes da composicao d'estes documentos, por- 
que foi elle o que em 4 de novembro de i8o3 red- 
tou o discurso inaugural da abertura da academia, 
que o § 1 1 dos Estatntos errcarregavanik ao lente da 
3. a cadeira de mathematica. Este discurso foi im- 
presso com o titulo de *ora$do que na abertura da 
academia real da marinha e commercio da cidade do 
Torto, recitou Jodo llaptista Fetal da Silva Lisboa, 
lente proprietario da cadeira do 3.° anno mathema- 
tico da mesma academia, no dia 4 de nopembro de 
i8o3. Lisboa, i8o3. 

Foi jubilado com todo o ordenado por C. R. de 
18 de julho de 1825, «por ter exercido, durante 22 
annos, as suas funccoes com ^e/o, exactiddo e dis- 
velo.9 

Entrou na folha da academia polytechnica, como 
jubilado, ate 18 de setembro de i83g, dia em que 
provavelmente falleceu. (O snr. Innocencio estava 
mal informado quando no logar acima citado data a 
morte d'este professor de i835). Era muito respei- 
tado pelos seus collegas. 



#eio Baptlsta Rlbtlro. Do conselho de S. 
M., commendador da ordem de Christo e cavalleiro 
da Conceicao. Filho de Antonio Jose Ribeiro e de 
Isabel Maria. Nasceu no logar da Ponte de Santa 
Margarida, freguezia de S. J0S0 d'Arroyos, concelho 



Digitized by 



Google 



286 ANNUARIO DA A CAD EM FA 

de Villa Real, a 25 d'abril de 1790. Falleceu no Porto 
em 24 de julho de 1868. 

Desde menino revelou extraordinaria vocacao para 
o desenho. Conheceu-lh'a D. Fr. Caetano Brandao, 
arcebispo de Braga, por occasiao d'uma visita que 
fez a Villa Real, a ponto de rogar ao pae que Ih'o 
deixasse levar comsigo para o mandar instruir. Igual 
pedido fez depois o morgado de Matheus, D. Jose 
Maria de Souza, o editor da celebre edicao dos Lu- 
siadas conhecida pelo seu nome. Depois de novas 
instancias de varias pessoas no mesmo sentido, de- 
cidiu-se o pae a mandal-o para a cidade do Porto, 
aos 12 annos d'idade, sendo recommendado por urn 
Fr. Joao de Deus ao bacharel em philosophia Jose 
Jacinto de Souza. 

Matriculou-se a 20 de maio de i8o3 na aula de 
desenho, que entao era regida por Domingos Fran- 
cisco Vieira, durante a ausencia temporaria de Fran- 
cisco Vieira Portuense. Continuou nos annos seguin- 
tes o estudo d'esta arte com o dito Francisco Viei- 
ra, Domingos Antonio de Sequeira, Jose Teixeira 
Barreto e Raymundo Joaquim da Costa. Obteve 3 
premios em desenho, o i.° em 1807 pela c6pia, a la- 
pis d'Hespanha, d'uma estampa representando An- 
dromacha a abracar Heitor; o 2. em 1808 pela c6- 
pia, por meio de aguadas, da vista do porto de Na- 
poles; o 3.° em 1809 pela cdpia d'um palacio a agua- 
das. Foi urn dos cinco alumnos d'esta academia que 



Digitized by 



Google 



POLYTEGHN1CA DO PORTO 287 

Domingos Antonio de Sequeira escolheu para lhes 
ensinar pintura. 

Substituto da cadeira de desenho d'esta academia 
por C. R. de 22 d'outubro de 181 1. Nomeado mes- 
tre de desenho e pintura de miniatura das serenissi- 
mas Senhoras Infantes por port, do mordomo-m6r 
de 28 de julho e alv. de 18 de setembro de 1824, 
pelo que o Avis. Reg. de 24 de novembro de 1825 ' 
lhe conccdeu a gratificacao de i5o#ooo paga pelo co- 
fre da academia, <e isto (diz oTit. Aviso) em quanto 
nao tern exercicio, porque n'este caso outro sera en- 
tao o ordenado.» Continuou, porem, no servico da 
academia. Promovido a propriedade da cadeira de 
desenho da mesma academia por deer, de 6 de junho 
de 1 83 3. Nomeado director e professor de desenho 
historico da academia portuense de bellas-artes por 
deer, de 3 de dezembro de i836, logar de que pouco 
depois desistiu. Continuou a reger a cadeira de dese- 
nho da acad. polyt., ainda que s6 foi despachado 
para ella por deer, de 11 de junho de i838 e C. R. 
de 18 de maio de 1839. Jubilado por C. R. de 28 de 
julho de 1 853, obteve o augmento do terco do orde- 



* Registado no livro (92) do Registo dos officios e or- 
dens da 111."* Junta, no archivo da academia polytechnica, 
pag. 62. 



Digitized by 



Google 



288 ANNUARIO DA ACADEMIA 

nado pela Port, de 23 de maio de 1864 *, e foi ju- 
bilado, com este augmento, em 1862. 

Em i836 pediram a sua exoneracao, por n&> que- 
rerem jurar a constituicao de 22, todos os lentes da 
academia de marinha e commercio, excepto o snr. 
Joao Baptista Ribeiro. Foi entao nomeado director 
d'esta academia por deer, de 22 d'outubro de i836. 
Quando se encartou n'este emprego, (C. R., 27 de 
maio de 1837) ja aquella academia rinha sido refer- 
mada em polytechnica. Ainda que este habil pintor 
nao tivesse as sufficientes habilitacoes scientificas para 
a direccao do estabelecimento, sabia aconselhar-se 
com pessoas competentes, e encontrou nos professo- 
res todo o auxilio de que precisava, conservando este 
cargo ate o seu fallecimento, posto que nao estivesse 
em effectivo exercicio desde 1866. 

Ao snr. Joao Baptista se deve a organisacao do 
museu portuense de pinturas e estampas, da qual fdra 
encarregado, ainda no tempo do cerco do Porto, por 
port, de 10 de setembro de i833. 

As suas produccoes artisticas sao as seguintes: 



i Segundo a legisla9§o d'esse tempo havia dous proces- 
ses separados, um para a jubila^ao, outro para a verifica^ao 
da idoneidade para a continua^ao no servJ90, de que depen- 
dia o augmento do ter^o. S6 depois da jubila^ao se instaum- 
va o 2. a processo. 



Digitized by 



Google 



P0LYTECHN1CA DO PORTO 289 

Quatro paineis a colla para a festividade com que 
se solemnisou na igreja da Graca d'esta cidade a res- 
tauracao de 1808. Foram descriptos n'um folheto de 
Joao Antonio de Souza Azevedo, morgado de Pi- 
nheiro, e mereceram geral applauso. 

Retrato do arcebispo da Bahia, D. Fr. Vicente 
da Soledade Castro, e um grupo de dous sobrinhos 
d'este arcebispo, em 1820. 

Grupo, em miniatura, dos retratos de duas filhas 
do snr. Visconde de Beire, em 1823. Dous retratos 
da Rainha D. Carlo ta Joaquina, um em miniatura, 
outro a oleo em corpo inteiro. No mesmo anno. 

Retratos das snr. as infantas D. Anna de Jesus Ma- 
ria, D. Isabel Maria e D. Maria dlAssumpcao. Dito 
do snr. D. Joao vi tirado a furto em 1824, tao bom, 
que se deu ordem ao nosso encarregado de negocios 
on Paris para alii o mandar gravar. — Retrato da du- 
queza'da Ferreir^, em miniatura, para a snr. a in- 
fanta D'. Anna de Jesus. 

Durante o cerco do Porto fez dous retratos do 
snr. D. Pedro iv, um como coronel de cacadores 5, 
outro como commandante em chefe do exercito, e 
litkographou a snr. a infanta D. Maria Amelia, tendo 
previamente feito para ensaio o seu proprio retrato 
d'elle. 

Em 1834 fez a lapis de cores o retrato da snr. a 
D. Maria 11, e em i836 o do snr. D. Fernando a 
dous lapis. 

19 



Digitized by 



Google 



290 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Das seguintes obras nao temos a data. 

A Assumpfdo de N. Senhora, e S. Francisco de 
Salles, no tecto da capella-m6r da igreja dos Con- 
gregados. 

A Annunciagao na igreja da Graca. 

A Senhora da Soledade na capella das Almas de 
Santa CatHarina. 

S. Josi e o menino Jesus na igreja de Massarel- 
los. 

O Senhor dos oAfflictos na capella dos justi^a- 
dos. 

N. Senhora do Livramento na capella das con- 
vertidas. 

A apresentafdo de N. Senhora, a odnnunctagao, 
o Repouso no Egypto, e 8 pequenas figuras, na ca- 
pella do snr. Bernardo de Mello. 

N. Senhora do Carmo em meio corpo, em casa 
do snr. Joao Luiz de Souto e Freitas. 

Dous tectos nos pacos da camara municipal do 
Porto, o retrato de corpo inteiro de D. Joao vi e o 
duque do Porto, nos pacos da mesma camara. 

Retrato de D. Joao vi a meio corpo na sala das 
sessoes da Companhia das vinhas do Alto-Doun* 

Retratos dos lentes da academia polytechnica, 
Jose Antonio de Aguiar e Jose Carneiro da Silva, 
na sala das sessoes solemnes da academia polyte- 
chnica. 

Retrato em corpo inteiro do ex-prior da ordem do 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 291 

Carmo, Luiz Antonio Machado, na secretaria do hos- 
pital da dita ordem. 

Retrato de D. Pedro iv na bibliotheca publica. 

Quatro paisagens representando as estacoes, no 
museu portuense. 

Quatro paineis de meninos no salao do baile da 
casa que foi do snr. conde do Bolhao, hoje do snr. 
visconde de Fragozella. 

Dez paineis nas salas da casa dos snrs. Maias da 
rua das Flores. 

Todas estas obras existem no Porto nos logares 
acima indicados. 

A Ascengdo, a Senhora do livramento, S. Joao, 
a Senhora do 1{osario, e Santo Q/Lntonio na matriz 
de Vallongo. 

S. Jeronymo, e o retrato de Francisco Rodrigues 
de Freitas, barao de S. Jeronymo, no hospital de 
Villa-Real. 

S. GMiguel, varios anjos e almas, na igreja das 
freiras do Lourical. 

Retratos em corpo inteiro, dos snrs. D. Joao vi, 
D. Pedro iv, D. Maria n e D. Pedro v, na sala dos 
capellos da universidade de Coimbra. 

O retrato de corpo inteiro do primeiro conde de 
Amarante no palacio de Canellas; no oratorio de Ca- 
nellas Santo Antonio e no tecto a figura da l{eli- 
gido. 

O snr. Manoel Bernardes Branco, de cujo arti- 



Digitized by 



Google 



292 ANNUARIO DA ACADEMIA 

go publicado em i860 no periodico portuense intitu- 
lado Miscellanea Litter aria *, extractamos ou copia- 
mos a maior parte do que fica escripto, menciona 
ainda as seguintes obras pintadas a oleo, dous/o- 
reiros e uma aguia, de tamanho natural, que snr. 
J. Baptista offereceu ao snr. D. Fernando, ao snr. 
D. Luiz e ao snr. D. Pedro v. 

*oSo Carlos de Miranda* Na acta da scs- 
sao academica de i3 de maio de 181 3 emencionado 
como substituto de mathematica, posto que entao se 
achava em Valenca por ordem do marechal Beres- 
ford *. Um Avis. Reg. anterior a 19 de junho de 
1 81 3 auctorisa-o a assistir aos actos de mathematica 
da nossa academia, e manda-lhe apresentar a sua 
carta regia de substituto dentro de seis mezes, csob 



1 O exemplar de que nos servimos, pertenceu ao snr- 
Joao Baptista Ribeiro, que fez duas emendas no texto, escri- 
ptas pela sua letra. As datas dos premios na aula de desenho, 
sao extrahidas dos competentes registos, e se estou em desac- 
cordo com as que se leem no cit. art., d porque este prova- 
velmente se refere ao principio do anno lectivo em que esses 
premios foram ganhos, em quanto que n6s nos referimos ao 
em que foram votados. 

* Consta d'uma nota no liv. (66) dos officios, fl. 5. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 293 

pena de se consultar o seu logar* *. Na verdade, re- 
geu a cadeira do primeiro anno mathematico no le- 
ctivo de i8i3 a 14 3 , mas s6 tirou a sua carta de 
substitute de mathematica em 7 de setembro de 1814. 
Foi substitute da primeira cadeira, ainda que a cit. 
C. R. nao o declara. Promovido a propriedade da 
2. a cadeira de mathematica pela C. R. de i3 de Ja- 
neiro de 1820, que se desencaminhou, passando-se- 
lhe outra, com salva, a i3 d'abril do mesmo anno, 
tomou posse em 3 d'outubro proximo seguinte. 

Este professor era militar, tendo feito, ao que pa- 
rece, a campanha da peninsula; mas s6 podemosave- 
riguar que em 3i de julho de 1826 pertencia ao real 
corpo de engenheiros como capitao. 

Seguindo a causa do snr. D. Miguel, nao voltou 
ao exercicio do magisterio desde a entrada do exer- 
cito libertador no Porto em 9 de julho de i832; mas 
foi jubilado com dous tercos do ordenado na cadeira 
do 2. anno mathematico da academia de marinha e 
commercio por deer, de 1 1 e C. R. de 20 de setem- 
bro de 1843. Ignoro a data do seu fallecimento. 

#oao Cop^alTes das Xctcs. «Lente de pri- 



i O Av. Reg. de que se trata, vem citado n'um ofl&cio 
do secretario de 19 de junho de i8i3, cit. liv. 66, fl. 10. 
* C6nsta do termo n.° 5j do livro dos actas, fl. i5. 



Digitized by 



Google 



294 ANNUARIO DA ACADEMIA 

meiras lettras* com 400^000 reis de ordenado por 
C. R. deg de outubro de 181 1. Deixou de reger a 
sua cadeira, por doente, desde o principio do anno 
de 1 81 7 * e foi aposentado com meio ordenado pela 
Res. Reg. de 1 1 de julho de 1825, communicada em 
Av. Reg. de 19 d'agosto do mesmo anno. Falleceu 
em g de julho de i836. 

#o£o Vlclra Pinto. Foi alumno d'esta aca- 
demia, premiado em commercio e desenho (1821) e 
na i. a cadeira de mathematica que frequentou no 
lectivo de 1821 a 22, posto que o premio s6 lhe foi 
conferido em 1824. Depois, cursou com distinccao 
na universidade de Coimbra as faculdades de mathe- 
matica e de medicina, nas quaes se formou. — Foi 
nomeado lente do 1 .° anno mathematico por C. R. de 
10 de dezembro de 1829 e transferido para a cadeira 
do 3.° anno por C. R. de 8 d'outubro de i83o. Es- 
tes despachos nao subsistiram por nao terem sido 
feitos pelo governo legitimo; mas nem por isso ficou 
mteiramente perdida para o magisterio portuense a 
illustracao d'este professor, que foi nomeado para a 
esc61a industrial do Porto (hoje institvito) por C. R. 
de 22 de fevereiro de 1854. Foi delegado do extin- 



* Officio do secretario da acad. de i3 de novembro de 
1822 no Iiv. (66) dos officios, fl. 64. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 295 

cto conselho de saude no districto do Porto por C. 
R. de 10 de Janeiro de 8i5i, funccoes que ainda 
exerce. 



#oaqulm Antonio d'OllTelra. Bacharel 
formado em leis e em mathematica pela universida- 
de de Coimbra. Lente do primeiro anno mathema- 
tico da nossa academia por C. R. de 6 d'agosto de 
i8i3 e posse de u de maio de 1814. A Port, de 
25 d'outubro de 1834, que o aposentou, diz que elle 
servira desde 18 11. Na acta de i3 demaiode i8i3 
vem mencionado como ausente em Coimbra. Um 
Av. Reg. anterior a 19 de junho de 181 3 auctorisa-o 
a vir aos actos de mathematica e obriga-o a apre- 
sentar a sua carta no praso de seis mezes f . 

Como bom liberal que era, foi demittido com ou- 
tros collegas pelo snr. D. Miguel em i3 de maio de 
1829, e «esteve preso por espaco de 3 annos e degre- 
dado por outros tantos* *. Foi aposentado com o 
ordenado por inteiro pela Port, acima citada, de 25 
d'outubro de 1834. 



* Av. Reg. cit. no offic. do secretario da acad. de 19 de 
junho de 181 3, no livro (66) dos officios, fl. 9. 

* Port, de 25 d'outubro de 1834, citada no texto. 



Digitized by 



Google 



296 ANNUARIO DA AC A DEMI A 

Foi nomeado director da nossa academia por 
deer, de 8 d'outubro de i836, communicado em Port, 
de 10 do dito mez, e parece que tencionava acceitar, 
porque em officio de i5 do mesmo, respondendo ao 
director interino que lhe de'ra parte da nomeacao, diz: 
«De tudo fico sciente e agradeco a V. S. a os seus at- 
tenciosos cumprimentos.* Mas provavelmente recu- 
sou, e foi exonerado d'ahi a poucos dias por decreto 
de 20 do mesmo mez. Por isso nao o inclui na re- 
lacao dos directores a pag. 160. 

Entao ja residia em Coimbra, d\>nde parece que 
era natural. Foi pago pela folha da academia ate ou- 
tubro de 1841; depois eiurou a receber os seus ven- 
cimentos pelo ministerio da fazenda. Ignoramos a 
data do seu fallecimento, que deve ter sido posterior 
a i855. 



tioaqalin Cardoso Victoria Vllla-Mova. 

Substituto de desenho na acad. da marinha e com- 
mercio do Porto por decreto de 19 d'outubro de 
i836. Igual substituicao lhe foi dada na acad. polyt. 
por deer, de 1 1 de junho de i838 e C. R. de 21 de 
junho de 1839. Falleceu em 5 de junho de i85o. 



fioaqulin NaTarro de Audrade. Director 

da nossa academia por C. R. de 9 de setembro de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 297 

1817 ate ao dia 18 de junho de i83i, em que falle- 
ceu. 

N\im edital seu de 14 de maio de i83i vem com 
06 titulos seguintes: «do conselho de sua Mages tade, 
fidalgo cavalleiro da sua real casa, commendador da 
ordem de Christo, physico-m6r do reino honorario, 
lente de prima jubilado na universidade de Coimbra 
e director litterario da acad. da marinha e commer- 
do d'esta cidade do Porto. » Era tambem socio cor- 
respondente da academia real das sciencias de Lis- 
boa, e deputado da Junta da directoria geral dos es- 
tudos e escdlas do reino desde 1808. 

Doutorou-se, juhtamente com seu irmao Joao de 
Campos Navarro, em 20 de julho de 1788 na facul- 
dade de medicina, em cujo servico entrou logo como 
oppositor. Em 6 de fevereiro dei79i foi despachado 
7. lente cathedratico com exercicio na cadeira de 
instituifoes medico-cirurgicas. Em 19 d'outubro de 
1801 foi promovido a 4. lente da sua faculdade com 
exercicio na cadeira de aphorismos, em que obteve a 
sua jubilacao a i5 de junho de 1822. Passou a lente 
de vespera, por C. R. de 29 de pilho de 18 12, que 
qualifica de muito distinctos os seus servicos no ma- 
gisterio. Em 11 d'outubro de 181 7 foi igualado em 
honras e proventos a lente de prima por haver reci- 
tado a oracao latina nas exequias da rainha D. Ma- 
ria 1, oracao que foi mandada imprimir no Rio de 
Janeiro. 



Digitized by 



Google 



298 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Tinha sido eleito deputado as c6rtes constituintes, 
mas nao acceitou. 

O snr. dr. Mirabeau na sua importante Mem. 
historica e commemorativa dafaculdade de medicina, 
Coimbra, Impr. da Univ. de 1873, diz que J. N. de 
Andrade viveu nove annos em descanso das lides 
academicas. Este e na verdade o tempo que sobre- 
viveu a sua jubilacao, mas nem por isso deixou de o 
empregar com zelo na direccao da nossa academia. 

Ainda no i.° d'outubro de i83o estava para ir 
recitar o discurso de abertura da mesma academia, 
quando foi rapidamente accommettido d'um ataque 
de gota, molestia de que soffria desde muito, e de 
que falleceu dentro de 9 mezes. Foi s6 d'aquelle dia 
em deante, que nao p&de tornar a academia, fazendo 
ainda assim o servico que podia desempenhar em 
casa, apezar de ter sido encarregado interinamente 
da direccao litteraria, durante o seu impedimento, o 
lente de mathematica Joao Carlos de Miranda. 

Joaquim Navarro de Andrade escreveu: 

Undenam palustrium locorum insalubritas? Quot- 
nam morborum inde pendentium naturcff Qucenam 
generalis therqpia? Objecto que lhe foi dado pela fa- 
culdade em 1787 para a dissertacao inaugural, que 
existe inedita na bibliotheca da Universidade. 

Distributio methodica interpretandorum aphoris- 
morum Hippocratis, superiori jussu, in usos acade- 
micos, juxia nosologicam methodum chirurgice pra- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 299 

cticce Plenckii, primarumque linearum praxeos me- 
dicinalis Cullenii, instituta et ordinata. Conimbricae 
1819, 8.° 

Carta apologetica e analytica ao redactor do pe- 
riodico intitulado «0 Portuguez* impresso em Lon- 
dre& Lisboa, Typ. Rollandiana 1822. 4. de 22 pag. 

Representaqao ds cdrtes geraes extraordinarias e 
constituintes da nagao portugue\a. Coimbra, Impr. 
da Univ- 1822, fol. E' uma especie de auto biogra- 
phia, com o fim de evitar a reduccao dos seus orde- 
nados. 

Informagao de i3 de setembro de 1824 acerca do 
piano da reforma da academia real da marinha e 
commercio do Porto, publicada pelo snr. conselheiro 
Jose Silvestre Ribeiro no torn. 2. da sua Hist, dos 
Estabelec. Scient., pag. 405 a 420. D'esta informa- 
cao resultou o alvara de 16 d'agosto de 1825, que se 
conformou quasi inteiramente com ella. 

Parece que ainda publicou outro opusculo em la- 
tim para uso dos alumnos da cadeira de instituigoes 
medicos, porque na representagao acima citada diz o 
snr. J. N. d'Andrade que escreveu para uso das aulas 
do 2. e 4. annos medicos dous opusculos em la tim, 
que a sua faculdade mandou estampar na imprensa 
da universidade. 



aoaqnim Torquato AlTares Rlbclro. 



Digitized by 



Google 



300 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Do conselho de S. M., commendador da ordem de 
Ghristo. Filho de Antonio Alvares Ribeiro e D. Ma- 
ria Maxima Delfina da Silva. Nasceu no Porto, ma 
de S. Miguel, freguezia da Victoria, a 26 de fevereiro 
de i8o3. Falleceu, estando a banhos nas Caldas de 
Vizella, a 2 de setembro de 1868. 

Foi alumno d'esta academia, premiado no i. f 
anno mathematico em 1820, no 2. em 1824 com 
rela<jao ao lectivo de 1821 a 22, e em commerdocm 
1825. 

Tendo frequentado o curso de repeticao introdu- 
zido n'esta academia pelo alv. de 16 de agosto dc 
1825, defendeu theses e fez o exame privado em 
i83o. (Vej. acima pag. 200 a 2o3). Matriculou-se 
como oppositor as cadeiras de mathematica d'esta 
academia em 2 de outubro do dito anno. Foi no- 
meado, precedendo concurso, lente proprietario da 
i. a cadeira de mathematica, (que estava regendo co- 
mo oppositor) por deer, de 3o de Janeiro e C. R. dc 
16 de fevereiro de i835. 

Em 1 836, recusando-se a jurar a constituicao dc 
22, proclamada pela revolu$ao de setembro, foi exo- 
nerado por deer, de 19 d'outubro. Addido a acade- 
mia pdlytechnica, por effeito da lei de 19 cToutubfl) 
e deer, de 9 de dezembro de 1840 com o venci- 
mento annual de 35o#ooo reis (meio ordenado). 
Nomeado proprietario da 5. a cadeira da mesma aca- 
demia (astronomia e geodesia) por deer, de 12 de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 301 

novembro e G. R. 'de 1 1 de dezembro de 1844. Teve 
augmento do terco do ordenado por deer, de 1, e 
apostiila de 9 de junho de i858. Nomeado director 
da academia polytechnica em agosto de 1868, nao 
chegou a tomar posse d'este logar, mas exerceu-o de 
facto desde 1866, e ja desde i865 como lente deca- 
no, no impedimento do director Joao Baptista Ri- 
beiro, e foi a sua pertinaz iniciativa e incomparavel 
zelo, que esta academia deveu o terem-se continuado 
as obras do seu edificio e haverem-se comecado e 
adiantado muito as do jardim botanico, que quasi 
se p6de dizer que e obra sua, adiantando avulta- 
das quantias, que s6 depois do seu fallecimento fo- 
ram restituidas aos seus herdeiros. Homem de gran- 
des affectos, amava com tanto estremecimento esta 
academia como ao mais querido dos filhos, e pugna- 
va peio credito d'ella, como o faria pela honra pro- 
pria o cavalheiro mais pondunoroso. 

Foi director da Companhia geral da agricultura 
das vinhas do Alto-Douro, a qual ergueu do abati- 
mento em que cahira depois da extinccao dos seus 
antigos privilegios, etc. Apezar de ter de dividir a 
sua atten$ao por muitos negocios, foi um professor 
distincto pelo seu extraordinario talento, sciencia e 
assiduidade. 

Escreveu : 

lyiscurso recitado na academia polytechnica do 
Torto na abertura do anno lectivo de 1846 para 



Digitized by 



Google 



302 ANNUARIO DA ACADEMIA 

1847, pdo knte da 5. a cadeira Joaquim Torquato 
Alvares Ribeiro. Porto, 1847.— 4. de 27 pag., in- 
cluindo uma de notas. 

qA accidentia polytechnica e aportaria do minis- 
terio do reino de 14 de agosto de 1862. Porto, Typ. 
de Manoel Jose Pereira, 1862. — 4. de 27 pag. (sem 
declaracao do nome do auctor). 

Na sala das sessoes solemnes da academia ha 
retrato d'este benemerito professor, desenhado pelo 
snr. Guilherme Antonio Correa, substituto da cadeira 
de desenho da acad. polyt. 



*oa6 Antonio da TVatlvidade. Mestre de 
apparelho e manobra naval por nomeacao da Junta 
inspectora de 6 d'outubro de i832. Falleceu em j3 
de Janeiro de 1861. 



#o*6 ATcIIno de Castro. Filho de Jose An- 
tonio de Castro e de D. Gertrudes Claudina de Cas- 
tro. Nasceu no Porto a 3o de julho de 1791 e ahi 
falleceu em 29 de maio de 1854. Matriculou-se na 
antiga aula de desenho do Porto em junho de 1802, 
tendo por mestre a Francisco Vieira Portuense. Ins- 
tituida em i8o3 a academia da marinha e commer- 
cio, cursou n'ella n'esse mesmo anno o francez e in- 
glez e 1 .° anno do curso de commercio, de que fez 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 303 

exame em 1804 ', passando depois a frequentar na 
mesma academia o curso de mathematica, que ter- 
minou em 1807, tendo sido premiado no i.° anno 
em i8o5, e no 2. em 1806 (no 3.° anno nao havia 
premios). Gostava tan to do desenho, que ainda em 
181 3 se tornou a matricular como discipulo extraor- 
dinario da cadeira respectiva. Nomeado substituto 
de mathematica pela Res. Reg. de i5 e C. R. de 20 
de julho de 18 14. Foi substituto do 2. anno, ainda 
que a C. R. nao o diz. Foi promovido a propriedade 
da 3.* cadeira por C. R. de 18 de julho de 1825, pre- 
terindo, por um equivoco da Junta inspectora, o seu 
collega Antonio Jose da Costa Lobo (vej. acima este 
nome), que apesar de ter sido nomeado substituto 
de mathematica no mesmo dia que Jose Avelino, era 
mais antigo na habilitacao. Conhecido o equivoco, 
deu-se uma reparacao completa ao lente preterido, 
mas Jose Avelino continuou a reger a cadeira do 3.° 
anno. 

Em 1 3 de maio de 1829 foi demittido juntamente 
com os seus collegas Agostinho Albano da Silveira 



1 curso de commercio principiou no lectivo de i8o3 
a 1804 pela mathematica elemental*, regida pelo professor da 
cadeira de commercio, porque n'esse anno a i.« cadeira de 
mathematica, que era preparatoria do dito curso, teve muito 
grande numero de alumnos. 



Digitized by 



Google 



304 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Pinto, Antonio Jose da Costa Lobo, Francisco Joa- 
quim Maia, Joaquim Antonio cPOliveira, e Jose Car- 
neiro da Silva, porque (dizia do Paco de Queluz o 
snr. D. Miguel) cassim pelos errados principios que 
tern abracado e sustentado, como pelo descredito cm 
que tern incorrido, nao merecem a minha real con- 
firmacao.* — Infelizmente, este professor, alias distin- 
ctissimo, nao perseverou nos principios que o fize- 
ram demittir, e foi reihtegrado por Av. Reg. de 27 
de dezembro de i83i *. Entrando o exercito liberta- 
dor no Porto em 9 de juiho de i832, Jose Avelino 
ausentou-se d'esta cidade e perdeu a cadeira. Resta- 
belecida a paz e' consolidado o systema liberal, Jose 
Avelino, associado com um filho do mesmo nome es- 
tabeleceu uma aula particular, em que com muita 
intelligencia se ensinava a instruccao primaria, as lin- 
guas franceza e ingleza, a geographia e o commer- 
cio, e dava liqoes pelas casas as meninas das fami- 
lias abastadas. 

Escreveu, segundo o snr. Innocencio; 

Memoria sobre os principios do calculo differen- 
cial. 1809. Inedita. 

Ensaio sobre a composiqao das equagoes. Tam- 
bem inedita. Offerecida em 18 10 a academia real 



* Livro 60, fl. 5o v. e livro 92, pag. 1 12, no archivo d* 
acad. polyt. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 305 

das sciencias, que em premio o nomeou no dito anno 
seu socio correspondence. 

Exposigdo da idia que deve formar-se das quan- 
tidades negativas. Inedita. Remettida a academia 
real das sciencias de Lisboa em maio de 1816. 

Oraqao que no faustissimo dia 26 dOutubro de 

1828, antuversario de sua magestade Jidelissima o 
snr. D. Miguel 1, recitou na Acad, ^ecd da SMar. 
e Commerc. da cidade do Porto Josi Avelino de Cas- 
tro, lente cathedratico do 3.° anno da mesma acade- 
mia, e socio coirvspondente da Acad. R. das Sc. de 
lisb. Mandada publicar pela Ill. ma Junta, etc. Porto 

1829, Typ. da Viuva Aivares Ribeiro & Filhos. — 
4. de 36 pag. * 

Exposigao do estado actual da 1{eal casa dAsylo 
dos naufragados, mandada erigir em S. Joao da Foi 
do Douro, Porto, i832. 

Balbi no seu Essai Statistique sur le Rojraume 
de Portugal (Paris 1822) traz o seguinte artigo: 

*Jos6 Avelino de Castro. Ce jeune mais profond 
geometre, eleve de Pacademie de Porto, dont il est 
suppleant a la chaire des mathematiques, de seconde 



* P6de ser que esta orag&o tivesse sido impressa depois 
da demissao do snr. Jos£ Avelino em i3 de maio de 1829, 
00m as emendas necessarias para o congrafar com o governo 
do snr. D. Miguel. 
20 



Digitized by 



Google 



306 AKNUARIO DA ACAD EMU 

annee, possede parfaitement cette science et celles 
dont elle est la base. II a compose plusieurs savants 
memoires, entre autres un sur la thiorie des 6qua- 
tions, qui lui valut Thonneur d'etre admis a FAcade- 
mie des sciences de Lisbonne.» * 

Jos* Calhelroa de Hagalltie* e Andra- 

de. Socio correspondente da academia real das scien- . 
cias de Lisboa. O snr. Innocencio suppoe que era 
formado em medicina, e nao duvfdo, mas provavel- 
mente era-o tambem em mathematica. O mesmo A. 
diz que era natural de Braga, e que consta que ain- 
da alii vivia em 1826. Da naturalidade nao sei. O 
fallecimento aconteceu entre 21 de junho de 18 19 e 
5 de outubro do mesmo anno, estando elle em Bra- 
ga *, provavelmente em setembro. 

Foi nomeado lente da 2. a cadeira de mathema- 
tica (2. anno) por C. R. de 1 d'outubro de i8o3, o 
que nao combina perfeitamente na data com as das 
consiiltas da Junta inspectors. Na verdade, esta ha- 



* Cit. Essai Stat. torn. 2.» (Appendix a la geographic lit- 
ttraire, pag. XLIJ. 

2 Assign a uma carta dirigida ao Morgado Matheus da- 
tada de 21 de junho 1819, transcripta no livro das actas das 
sessoes do conselho academico a fl. 23. A acta de 5 d'outu- 
bro do dito anno, fl. 21 v., diz que elle falleceu em Braga. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 807 

via-o proposto em 20 de setembro do dito anno para 
lente de mathematica sem designacao da cadeira. 
Foi ate elle o unico professor entao consultado para 
esta sciencia, e assim parecia economico, visto que 
no primeiro anno da fundacao da academia era inu- 
tilmente dispendiosa a pressa de nomear professores 
para a 2. a e 3. a cadeiras que n'este anno tinham ne- 
cessariamente de ficar, como ficaram, sem exercicio. 
Todavia, a mesma Junta em 18 de novembro de 
i8o3 propdz os tres lentes de mathematica, e entao 
incluindo outra vez o nome d'este mesmo Jose Ca- 
lheiros, indigitou-o para o 2. anno. A Carta Regia 
adma citada, conformando-se com esta proposta, 6 
anterior a mesma proposta. Uma incoherencia ana- 
loga, posto que menos sensivel, ja n6s a encontramos 
no despacho e proposta de Joao Baptista Fetal da 
Silva Lisboa (vej. acima este nome). Escreveu: 

^egras das cinco ordens de architectural segun- 
do osprinctpios de Vignola, com um ensaio sobre as 
mesmas ordens, tradu\ido dofrance\, e com um au- 
gmento de varias refiexots interessantes. Coimbra, 
na Impr. da Univ. 1787. — 4. com estampas. Segun- 
da edicao. Lisboa, Impr. Reg. i83o. Sahiu com as 
iniciaes J. C At. A. 

*o&€ Carnelro da Silva, Filho de Manoel 
Jose Carneiro e D. Anna Clara de Santa Rosa. Nas- 
ceu no Porto, na Rua de Traz, freguezia da Victo- 



Digitized by 



Google 



308 ANNUAAIO DA ACAD8MIA 

ria, a 14 d'abril de 1791. Frequentou n'esta acade- 
mia o curso complete de mathematica, e as linguas 
franceza e ingleza, comecando no lectivo de 1809 a 
1810. Foi premiado nos dous primeiros annos de ma- 
thematical unicos em que se davam premios. Devia 
ter conduido o seu curso em 18 12, em que fez exa- 
me de apparelho e manobra naval, que*e costumava 
estudar no mesmo anno que a astronomia (3. a cadei- 
ra); mas s6 fez acto d'esta cadeira em i8i5 e o exame 
geral do curso em 181 8. Estudou em Coimbra a ma- 
th em., em cuja faculdade tomou o graude licenciado. 
Foi nomeado substituto de mathematica pela C. 
R. de 1 3 de Janeiro de 1820, que se extraviou, sen- 
do-lhe passada outra em i3 d'abril do mesmo anno, 
e tomou posse a i3 d'agosto proximo seguinte. Foi 
substituto da primeira cadeira, porque entrou para 
o logar de Joao Carlos de Miranda que tinha sido 
promovido. Demittiu-o o governo de D. Miguel em 
i3 de maio de 1829. A entrada do exercito liberta- 
dor no Porto em 9 de julho de i832 restituiu-o ao 
seu logar. Nao tardaram, porem, muito, novas con- 
vulsoes politicas, proprias do primeiro periodo do 
systema liberal, a inquietal-o na sua carreira. A re- 
volucao de setembro de i836 viu-se obxigada a pro- 
clamar a constituicao de 1822, que o povo reputava 
por uma obra mais sua do que a Carta de 1826, que 
todavia Ihe custara muito sangue e heroicos sacrifi- 
cios. Jose Carneiro da Silva, assim como todos os 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 809 

cutros professores da acad. da marinha e commer- 
cio, excepto Joao Baptista Ribeiro, recusaram-se a 
jurar aqueila constituicSo e foi exonerado por de- 
creto de 19 d'outubro de i836. A lei de igual dia e 
tnez do anno de 1840 e o decreto de 9 de dezembro 
do mesmo anno, remediaram o mal d'aquella exo- 
neracao, mandando que ficassem addidos a acade- 
mia polytechnica com metade dos vencimentos os 
professores exonerados, ate que lhes fosse designado 
servico conforme as suas habilitacSes. Jose Car- 
neiro da Silva foi d'ahi a pouco despachado por deer, 
de 1 5 de dezembro de 1840 eCR.de 12 de maio 
de 1 84 1, para a cadeira de historia natural applicada 
as artes e officios (a 7.*) da mesma academia, com 
a antiguidade e graduacSo que tinha quando foi exo- 
nerado. Foi um professor muito digno. Falleceu 
n'esta cidade em 27 d'abril de i853. Na sala das 
sessSes solemnes da academia ve-se o retrato d'este 
sabio professor, excellentemente pintado a oleo pelo 
snr. J0S0 Baptista Ribeiro. 

<Im6 <ta Crmx Morelra. Bacharel, creio, que 
em leis, substituto da cadeira de commercio d'esta 
academia por deer, de 19 d'outubro de i836; trans- 
ferido para o logar de substituto da cadeira del phi- 
losophia racional e moral da mesma academia por 
deer, de 3 de dezembro de 18 36 e C. R. de 22 de 
Janeiro de 1837.— Como esta cadeira nao fazia parte 



Digitized by 



Google 



310 ANNUARIO DA ACADEMIA 

do piano da academia polytechnica, Jose da Cruz 
Moreira devia passar para o lyceu nacional do Por- 
to, na f6rma do art. 166 do deer, de i3 de Janeiro 
de 1837. Ainda entrou na folha da academia ate Ja- 
neiro de 1 841; desde fevereiro d'esse anno passou a 
ser abonado pelo lyceu, a que ficou addido. 

<fos6 Dnarte Saluftttauo Aruaud. * Ba- 

charel formado nas faculdades de philosophia e me- 
dicina pela universidade de Coimbra. Substituto da 
cadeira de philosophia racional da nossa academia 
pela Res. Reg. de 3o de julho e C. R. de 3o d'agosto 
de 18 1 3. Promovido a propriedade da mesma cadei- 
ra por C. R. de i5 de setembro de 1827. 

Em Avis. Reg. de 21 de julho de 1819 foi-lhe 
prorogada por mats seis mezes a licenca com vend- 
mento para estar na corte do Rio de Janeiro. Nao 
cheguei a verificar a origem d'esta ausencia, nem 
seu termo; mas em 182 1 nao se fizeram os exames 
de philosophia por faltar o substituto da cadeira. 

Este professor seguiu o partido do snr. D. Mi- 
guel, que por Avis. Reg. de 25 d'agosto de 1829 
nomeou director da Real Esc61a de cirurgia do Por- 
to. — Em 1 832, depois da entrada do exercito liber- 



* O secretario da academia escreve algumas vezes errt- 
damente Arnaut. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 311 

tador n'esta cidade, ausentou-se die, e a cadeira foi 
tida por vaga. 

Em 3 1 de julho de 1826, data do termo do ju- 
ramento da Carta pelos lentes da nossa academia, 
era Jose Salustiano medico da camara real, e da Re- 
lacao do Porto, delegado do Fisico-m6r do reino, 
sub-inspector e director da ponte do Douro, 

Falleceu, ha muitos annos, mas nao sabemos a 
data. 

<fo*6 Etenterlo Barbosa de Lima. No- 

meado interinamente para a cadeira de inglez d'esta 
academia pela Port, de 17 de julho de i83a e defi- 
nitivamente pela C. R. de 14 de maio de i833. Cons* 
ta d'outro documento que era tambem substituto de 
francez. Exonerado em razao dos acontecimentos 
politicos de i836 antes dos seus collegas que tiveram 
a mesma sorte, pelo deer, de 28 de setembro de 1839. 
— Ainda vivia.em i855. — Na bibliotheca da acade- 
mia ha alguns livros que elle lhe doou. — Escreveu e 
imprimiu uma chresthomatia franceza, outra ingle- 
za, de que vi, ha muitos annos, algumas folhas sol- 
tas, ignorando se as chegou a acabar e fazer publi- 
cas. 

J6s6 Frauciaco Ctonf alves. Nomeado sub- 
stituto da cadeira de philosophia racional d'esta aca- 
demia por C. R. de 18 de novembro de 180 3 com o 



Digitized by 



Google 



312 ANNUARIO DA ACADEMU 

ordenado de 35oi9k>oo reis. Venceu, porem, sempre 
na rasao de 45of5tooo reis por anno *. Nomeado para 
a propriedade d'esta cadeira pela Res. Reg. de 3o de 
juUio de i8i3 '. Jubilado por C. R. de 18 de Janeiro 
de 1827. Falleceu entre este anno e o de i832. 

<fos6 Honorlo CiiMriaer. Nomeado lenteda 
cadeira de commercio d'esta academia por CR.de 
1 de outubro de i8o3. A esse tempo era professor 
da aula de igual disciplina em Lisboa. Falleceu em 
1806, talvez em junho ou principles de julha 

# os* MjwAe Coelko Moatelr*, Filho de Joao 
Caetano de Souza. Natural de Villa-Mea, (actual- 
mente do concelho de Amarante, districto do Porto) 
onde nasceu muito provavelmente em 1781. Matri- 
culou-se na aula de desenho do Porto em i5 de ju- 
nho de 1802, tendo por mestre o grande Francisco 
Vieira Portuense. Foi nomeado substituto da cadeira 



i Os ordenados dos professores eram pagos aos quar- 
teis, e adiantados; mas Josd Francisco Gon9alves recebeu no 
anno de i8o5 tudo o que lhe pertencia desde o dia 18 de no- 
vembro de 180 3. 

* Nao encontro registo da Carta Regia da sua nomea{ao 
para a propriedade da cadeira de philosopnia rational 



1 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 813 

de primeiras letras da nossa academia por C, R. de 
19 de junho de 1816, com obrigacao de dar aula de 
manha e de tarde, e com ordenado igual ao do pro- 
prietary da mesma cadeira, que era de 400^000 reis. 
Foi promovido & propriedade da dita cadeira por C. 
R. de 17 d'agosto de 1825. A' data da entrada do 
exercito libertador no Porto em i832, era fallecido. 

Eecreveu, segundo o snr. Innocencio, Rapido es- 
bofo sobre a maqonaria. Lisboa, Impr. Reg. 1823. 
— Opusculo de folha e meia de impressao. 

Compendio grammatical da lingua portugue%a, 
ordenado e offerecido ao 77/.°* Snr. Joaquim Navar- 
ro de Andrade. Lisboa, Impr. Reg., 1828. 

Anaiogia entre o maqonismo e judaismo. Por- 
to. 1828. 

<Im« liUlK Lopes Carnetro. Era caixeiro 
da Companhia das vinhas do Alto-Douro, quando 
foi preso por causa dos seus sentimentos liberaes em 
3i de julho de 1828. Em 25 de marco de i83o foi- 
ihe dada por expiada a culpa com a prisao que sof- 
freu. Nomeado substituto da cadeira de commercio 
d'esta academia por C. R. de 1 de junho de i833, 
na qual se menciona «a ionga prisao que soffreu, e a 
atroz perseguicao que lhe tnoveu o governo usurpa- 
dor». — Em i836 recusou-se a jurar a constituicao de 
22, e foi exonerado pelo deer, de 19 d'outubro dV 
queik anno. Addido i academia polytechnica por 



Digitized by 



Google 



314 ANNUARIO DA ACADEMIA 

effeito da lei de 19 d'outubro e deer, de 9 dezembro 
de 1840, com o vencimento de 200^000 reis (meta- 
de do ordenado dos substitutes da academia polyte- 
chnica), falleceu n'esta situaqao em 9 de Janeiro de 
i860, provavelmente na freguezia de Gedofeita d'esta 
cidade. 

<f o»6 Maria da Sllvelra e Azevedo, No- 

meado no tempo do snr. D. Miguel para o logar de 
substituto da cadeira de primeiras letras da acad. da 
marinha e commercio por C. R. de 2 d'abril de 1829, 
despacho que, como todos os d'aquella procedendo 
ficou nullo. 

*o»6 Mnto Rebello de Carvalho. Foi 

nomeado para substituto da cadeira d'agricultura 
d'esta academia por deer, de 22 d'outubro de i836, 
e exonerado por outro deer, de 3i de dezembro do 
mesmo anno, por nao ter querido acceitar o despa- 
cho. 

<Io»6 Porphyrlo da Sllva Lima. Substi- 
tuto da cadeira de commercio d'esta academia por 
C. R. de 18 de novembro de i8o3. Promovido a 
propriedade da mesma cadeira por C. R. de 29 julho 
de 1806. Falleceu em i5 de Janeiro de 1819, pouco 
depois d'uma questao que teve por escripto com 
director litterario Joaquim Navarro de Andrade, em 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 315 

virtude da qual foi reprehendido pela Junta inspe- 
ctor 

<Im6 Rlcardo da Costa. Ainda que o de- 
creto da sua nomeacao e anterior ao da reforma da 
academia polytechnica, s6 tomou posse depois d'esta 
reforma. Por tanto nao pertence verdadeiramente a 
academia da marinha. 

<foa£ Tetxelra Barreto. Filho de Domin- 
gos Teixeira, pintor theatral e machinista *. « Nas- 
ceu no Porto pelos annos de 1767. Tendo i5 annos 
tomou o habito das benedictinos no convento de Ti- 
baes, e com elle o nome de Fr. Jose da Apresentacao. 
Quatro annos depois passou para S. Ben to da Saude 
de Lisboa, e os Prelados o mandaram a aula do Ro- 
cha (ou Joaquim Manel da Rocha) estudar o dese- 
nbo; e em 1790 o enviaram a Roma, onde foi disci- 
pulo de Jose Cadiz e de Mr. Gagneraux, pintor de 
historia, pensionado francez, que se havia alii esta- 
belecido. Por intervencao de D. Alexandre de Souza 
secularisou-se em 91. Applicou-se entao a gravura, 
e abriu, s6 em contornos, as estampas para Scher^i 
poetici de Rossi; e por paineis de sua invencao gra- 



1 Cyrillo Volkmar Machado, Collect de Mem. relatives 
as vidas dos pintores. etc. Lisboa 1823, pag. 144, 



Digitized by 



Google 



316 ANMUARIO DA ACADEMIA 

vou fMoysis nas aguas; a mulher de Dario, diante 
de Alexandre; o repouso do Egypto; Venus com a/- 
gumas nymphas, etc. etc. Veio em 97* f . 

O snr. Cardeal Patriarcha S. Luiz da a respeito 
d'este pin tor e gravador as seguintes noticias: 

«Havia nos mosteiros de TMes e Santo Thyrso 
muitos quadros pintados por este artista antes de ir 
para Roma e depois que de la veio. Tinha caracter 
mui ameno e uma grande viveza de engenho. Eu 
possuo algumas das suas estampas e um quadro a 
oleo que representa a Resurreicdo de La^aro, de que 
elle me fez presente. Por sua morte testou de gran- 
de numero de quadros da sua colleccSo a favor do 
mosteiro de Tibaes, e com elles se deu principio ao 
Museu insti tuido n^aquella casa beneditina, para oode 
eu tambem concorri com todas as medalhas que pude 
ajuntar, e assisti a fundacao e colloca^So das pintu- 
ras» *. 

Foi nomeado lente de desenho da nossa acade- 
mia por C. R. de 1 d'outubro de i8o3. Cyrillonfc 
& exacto, quando diz que Jos6 Teixeira Barreto em 



* Cit. Cyrillo, pag. 298. 

* Lista de alguns artistas Portugueses colligida de esr 
criptos e documentos pelo Ex.™ e Rev.™ Snr. Bispo Cwk 
D. Francisco. Lisboa, Imp. Nac. 1839, a pag. 18. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 317 

i8o5 succedeu a Vieira no logar de director da aca- 
demia portuense. 

Falleceu em 6 de novembro de 1810.— No Mu- 
seu portuense ha uma fuga para o Egjrpto d'este di- 
gno professor, da qual existe, bem como d'algumas 
outras obras suas, uma gravura pelo snr. Raymundo 
Joaquim da Costa. 

Lraretx* Vide supra HugoLacroix, e infra Pe- 
dro Lacroix. 

Lntz Baptist* Pinto d'Andrade. Apesar 
de nao ser muito difficil obter informacoes comple- 
tas a respeito da vida d'este professor, assim como 
tfoutros em cujas biographias deixamos importantes 
lacunas, estas pequenas difficuldades sommadas pro- 
duzem a impossibilidade de as veneer no breve es- 
paeo de que podemos disp6r. Nem o nosso fim era 
oatro senao apresentar as datas da vida academica 
dos nossos professores, porque para mais nos nao 
chegava o tempo. Se muitas Vezes excedemos os li- 
mites d'este proposito, foi para aproveitar o ensejo 
de resumir aqui tudo o que tinhamos a mao sob re a 
histonadomagisteriod'este estabelecimento, allivian- 
do trabalho de quern um dia tentar refazer esta 
obra ou fazer outra mais perfeita e acabada. 

Do snr. Luiz Baptista nao temos agora mais do 
que as seguintes datas: 



Digitized by 



Google 



318 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Deer, de 6 e C. R. dc 28 de dezembro de i836, 
que o nomeou substitute) da cadeira de commercio 
(Testa academia. 

Deer, de 25 de fevereiro e apostilla de 1 2 de maio 
de i863, que o promoveu a propriedade da dita ca- 
deira. 

Deer, de 18 de maio e apostilla de 6 de julho de 
i865, que lhe coneedeu o augmento do terqo do or- 
denado. 

Foi jubilado com o dito augmento por deer, de 
28 de marco de 1867, e falleeeu a 10 de julho de 
1868. 

Lnlz # 006 Moutelre. Filho de Pedro Jose 
Monteiro e Rosa Luiza. Nasceu no Porto, freguezia 
da Victoria, a 25 de julho de 1799. Nomeado substi- 
tuto da cadeira de primeiras letras da academia da 
marinha e commercio por C. R. de 12 de setembro 
de 1825. Substituto da cadeira de inglez por C. R. 
de 5 de novembro de 1828, despacho que desde a 
entrada do exercito liberal no Porto, em 9 de julho 
de i832, ficou nullo como todos os mais do governo 
do snr. D. Miguel. Promovido a propriedade da ca- 
deira de primeiras letras por deer, de 9 de fevereiro 
e C. R. de 11 de marco de i835. 

Em consequencia dos successos politieos de i836 
foi exonerado pelo deer, de 19 d'outubro d'esse an- 
no. Deu-se entao ao ensino particular, e estabeleceu 



Digitized by 



Google 

i 



POLYTECHNICA DO PORTO 319 

urn collegio as Escadas da Se d'esta cidade, onde se 
recebiam alumnos internos e externos e se ensinavam 
todos os preparatorios para a universidade, e as lin- 
guas franceza e ingleza, desenho, musica e danca. 
Parece que lhe correu melhor a fortuna do que aos 
lentes nomeados para os logares dos demittidos, # pois 
os pagamentos andavam atrazados um anno e mais. 
Por virtude da lei de 19 d^outubro de 1840 e de- 
creto de 9 de dezembro do mesmo anno, devia ser 
addido com i25(Jooo reis a esc61a normal e de en- 
sino mutuo do Porto, mas parece que o foi ao lyceu 
d'esta cidade, que o empregou na regencia do curso 
de inglez depots da reforma dos lyceus em i863. 

Manoel da Fonseea Pinto. Foi alumno 
d'esta academia e obteve um premio de desenho em 
1827. Substitute* da cadeira de desenho da mesma 
academia por C. R. de 5 de novembro de 1834. Exo- 
nerado pelo deer, de 19 d'outubro de i836, por se 
ter recusado a jurar a constituicao de 22. Provido 
interinamente na cadeira de desenho da faculdade de 
mathematica da universidade de Coimbra por deer. 
de 1 5 de julho de 1840, logar, que se o exerceu, nao 
foi por muitos annos. 

MaaMl <f oaqulm Dnarte e Sauza. Pro- 
fessor da cadeira da lingua ingleza da nossa acade- 
mia por deer, de 8 d'outubro de i836. Addido ao 



Digitized by 



Google 



320 ANNUARIO DA ACAOBMIA 

lyceu national do Porto por effeito do artigo 166 do 
decreto de i3 de Janeiro de 1837, ainda que entrou 
na folha dos vencimentos da academia ate Janeiro 
de 1841, passando para a do lyceu em fevereiro do 
dito anno. As noticias que d'elle tenho, acabam no 
anno de 1861. 

MaaMl <f aaqvlm de Farla Lob*. No- 

meado professor da cadeira de philosophia rational 
da nossa academia por C. R. de 1 d'outubro de i8o3. 
Aposentado com meio ordenado pela Res. Reg. de 
3o de julho de 181 3 tern attenqao a ter sido o pri- 
meiro da instituicao da cadeira de philosophia e achar- 
se impossibilitado de exercel-a.» 

Hanoel dToaqnlm Perelra da Sllva. Ca- 

valleiro da ordem de Nossa Senhora da Concd^So. 
Nomeado professor da cadeira de commercio da nossa 
academia por deer, de 19 d'outubro e G. R. de 3o 
de novembro de i836, e para igual cadeira da acad. 
polyt. por decreto de 18 de junho e C. R. de 28 de 
julho de i838. Teve o augmento do terqo do orde- 
nado por deer, de 23 e apostilla de 3o de junho de 
1 858. Falleceu em 8 de Janeiro de i863. 

Maaoel <Ios6 da Cnnfca • Soua Alco- 
forado, Foi ajudante do real observatorio astrono- 
mico da universidade de Goimbra, como elle declara 



Digitized by LjOO*? IC 



POLYTECHNIC* DO PORTO 321 

no fim dos termos da matricula dos estudantes do 
curso de commercio d'esta academia no anno de 
i8c>3 a 1804. Nomeado Iente do i.° anno mathema- 
tico da mesma academia por G. R. de 18 de novem- 
bro de i8o3, ainda que ja assistiu como lente do dito 
anno a sessao inaugural d'abertura em 4 do dito mez 
e foi abonado dos seus vencimentos desde o primeiro 
d'outubro antecedente. Esteve ausente da academia 
no anno de 1808 a 1809, em que a sua aula ficou 
fediada por causa dos acontecimentos poiiticos d'essa 
epoca* E? referido como ausente em Lisboa, em i3 
de maio de 18 10, e em igual dia e mez do anno se- 
guinte ja o seu logar e mencionado como vago. Pa- 
rece que foi condemnado por jacobino e que morreu 
en Africa. 

■Iguel Shelly a quern o secretario da acade- 
mia algumas vezes chama erradamente Shiel. Um 
documento intitula-o «Reverendo» ! . Foi nomeado 
para a cadeira da lingua ingleza por C. R. de 1 d'ou- 
tubro de i8o3. Falleceu em 1827, pouco depois do 
dia 27 de setembro em que ainda apparece assigna- 
do nos termos dos exames. Escreveu uma gramma- 
nca ingleza que ainda em i836 servia para o estudo 
da lingua n'esta academia. 



* Certidao transcripta no livo 60, fl. 33 v. 

at 



Digitized by 



Google 



322- ANN0ARI0 DA ACAD EM I A 

Pedro Antonio Soares Velloao. Bacha- 
rel em medicina pela universidade de Coimbra. No- 
meado substituto da cadeira de philosophia racional 
d'esta academia «com obriga^ao de substituir tam- 
bem a de agricultural por C. R. de 3o de junho de 
1827. Seguiu o partido do snr. D. Miguel, e tendo-se 
auscntado do Porto quando entrou n'elle o exercito 
libertador (9 de julho de i832), o seu logar foi tido 
por vago. 

Pedro donf alves Salasar. Mestre de ap- 
parelho e manobra naval d'esta academia por no- 
meacao da Junta inspectora de 17 de setembro de 
1808. Era miguelista, e abandonou o seu logar desde 
que o snr. D. Pedro iv entrou no Porto (9 de julhp 
de i832). 



Lacroti (Abbade). Irmao d'outro pro- 
fessor d'esta academia, Hugo Lacroix. Foi nomeado 
substituto da cadeira de lingua franceza por C. R- 
de 1 d'outubro de i8o3 e proprietario por CR.de 
6 d'outubro de 1808. Jubilado por molestia pela Res. 
Reg. de 21 d'outubro de 181 1, sobre a consulta da 
Junta inspectora de 19 de julho do mesmo anno. 



Raymundo #oaqntm da Costa. Filho de 
Manoel da Costa Simoes e Maria de Jesus. Nasceu 



Digitized by 



Google 



P01YTECHNICA DO K>RTO 323 

em Lisboa a 3i d'agosto de 1778. Falieceu no Porto 
a 8 de abril de 1862. 

Foi alumno da academia de desenho e archite- 
ctura de Lisboa, onde estudou desenho de figura com 
Eleuterio Manoel de Barros, e architectura civil com 
Germano Xavier de MagalhSes* tendo no i.° e 2. 
anno do seu curso o 3.° premio, e no 3.°, 4. e 5.° 
annos o 1 .° premio. Estudoy gravura com o mencio- 
nado Eleuterio Manoel de Barros, e com o illustre 
portuense Joaquim Garneiro da Silva. 

Nomeado substitute da cadeira de desenho da 
nossa academia por G. R* de 1 d'outubro de i8o3, 
e proprietario pela de 22 dV>utubro de 1811. 

Em 1 832 obedecendo ao governo do snr.-D. Mi- 
guel sahiu do Porto abandonando a cadeira. Termi- 
nada a guerra civil, recolheu-se a esta cidade e en- 
tregou-se ao ensino particular, regeitando a cadeira 
de gravura historica da academia portuense de bd- 
las artes, para que fdra nomeado por deer, de 3 de 
dezembro de i836. 

Ao tempo que elle abandonou a sua cadeira, ja 
tinha mais de 28 annos de servico do magisterio, e 
merecia a jub>cao. Esta foi-lhe concedida com dous 
tercos de ordenado, como era de lei (porque a don- 
cessao do ordenado todo era de estylo mas nao de 
lei expressa) por C. R. de 27 de setembro de 1843. 

«R. J. da Costa desenhava com muita graca, tan- 
to c6pias por estampas, como paizes pelo natural, e 



Digitized by 



Google 



$24 ANNUARtO DA ACADEMIA 

tinha particular talento para preparar paizes a agua- 
das de nankin, que depois banhava de cores f f . To- 
davia, distinguiu-se particularmente na gravura. 

Gravou : 

Fugapara o Egypto. de Jose Teixeira Barreto. 
A agua-forte e buril. Dizem ser esta a sua melhor 
gravura. 

Allegoria d acclamagao de Sua Altera Real o 
principe Regente na cidade do Torto a 18 dejunho 
de 1808, painel original do mesmo J. T. Barreto, 
pintado a colla. Gravura a agua-forte. 

Q/illegoria mixta a entrada do exercito francq 
riesta cidade, desenho original do mesmo J. T. Bar- 
reto a aguadas de nankin. 

Planta topographica da Villa de Amarante. De- 
senho de Antonio Joaquim. 

Vista de oAmai*ante incendiada pelos Jranceps. 
Idem. 

O i.° conde de oAmarante a cavallo, defendendo 
a passagem do Tamega contra o exercito de Soul I- 
Desenho do snr. Joao Baptista Ribeiro. 



* Necrologio assignado pelos snrs. Joao Baptista Ribeiro 
e Manoel Jose* Carneiro, (discipulos de Raymundo Joaquim 
da Costa, e o primeiro seu collega n'esta academia, o 2. pro- 
fessor na portuense de bellas-artes), publicado no Diario 
Mercantil de 4 de junho de 1862. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 32B 

Outro retrato do mesmo conde em sentido allego- 
rico por ter acclamado em Villa-Reed em 1808 os 
direitos da Casa de Braganga^ e ter tornado aos 
france\es a praqa de Chapes e o forte de S. Fran- 
cisco. Desenho do mesmo J. B, R. 

Retrato da snr.* Infante D. Isabel Maria. Dese- 
nho a lapis de J. B. R. 

Nossa Senhora da *Boa Nova. Desenho a lapis, 
tirado pelo mesmo, da estatua de grandeza natural 
feita pelo distincto alumno da nossa academia Joao 
Joaquim A Ives de Souza Allao para a fronteria da 
igreja dos Terceiros Franciscanos d'esta cidade. 

Allegoria mixta. *Espelho em que nos devemos 
considerar.* Assumpto tirado do Tirado do pastor 
ds suas opelhas pelo Bispo de Cabo Verde. Desenho, 
de improviso, de J. B. R., em 1822. Nao tern o no- 
me do desenhador nem do gravador. 

Escreveu um tractado de perspectiva linear , que 
nao se imprimiu, mas servia de guia aos alumnos da 
sua aula 4 . 

Rodrlgo Rlbelro de Souza Pinto. Do 

conselho do S. M., commendador da ordem de Chris- 
to, socio da academia real das sciencias de Lisboa, 
e do Instituto de Coimbra. Filho de Jose de Souza 



* Cit. Necrologio. 



Digitized by 



Google 



#26 ANNUAJUO DA ACADEMIA 

Ribeiro Pinto, qu, como diz o assento do baptismo, 
do dr. Jose de Souza Ribeiro, e de sua mulber I>. 
Bernarda Maria Correa; oeto paterno de Antonio 
de Souza e Margarida de Sa, e materoo de Antonio 
Pinto de Rezende, e: dfc Innocencia Maria Correa. 
Nasceu no logar de Fundoaes, freguezia de S. Mi- 
guel d'Oliveira do Douro (hoje do concelho de Sin- 
faes, anteriorra^nte do extineto de Ferreiros dos 
Tendaes, districto de Vizeu) em 24 de Janeiro de 
1811. 

Frequentou n'esta academia os dous primeiros 
annos do curso mathematico. 

O director d'este estabelecimento lendo mal a 
data do seu. nascimento, en tender que era de 1809, 
e admittiu-o a matricula em 1824, quando elte ainda 
nao tinha os 14 annos exigidos pelos estatutos. Sup- 
priu o alumno com o seu talento a que lhe fet- 
tava em edade, e aicancou urn premie em i£25. 
Passou entao a cursar na universidade de Coimbra 
a faculdade de mathematica, mas tendo-se fechado 
as aulas da universidade no lectivo de 1828 a 29, 
veio aproveital-o a esta academia, freqoentando o 
2. mathematico, em que foi igualmente premiado. 

Em 1 83 1 teve esta academia a bonra de o con- 
tar no numero dos sens professores, como substitute 
de mathematica por C. R. de i5 d'abril do dito 
anno. Infelizmente para este caso, os despachos 
d'esta epoca ficaram sem effeito desde 9 de julho 



Digitized by 



Google 



I 



POLYTECHNIC* DO PORTO 327 

dc i832, c o snr. R. R, de Souza Pinto, abrindo-se 
de novo as aulas da universidade, ahi foi acabar o 
curso da faculdade de mathematica, na qual tomou 
o grau de doutor em 3i de julho de i836. Ao mes- 
mo tempo frequentou n'aquelle estabelecimcnto a 
medicina e as cadeiras subsidiarias da philosophia 
natural, nao passando todavia dp 2. anno medico, 
porque no mesmo anno de i836, ainda antes do seu 
cbutoramento, foi empregado na regencia da cadeira 
de calculo. 

Ficou babilitado como oppositor ao magisterio 
da sua faculdade pelo decreto de 1 da setembro de 
1 836, e foi auctorisado pela port. 22 de maio 1837 
a assistir aos actos. Parece que era por esse tempo 
substitute da cadeira de philosophia racional e mo- 
ral no collegio das artes, logar que perdeu pela sua 
nomeacao para substituto da faculdade de mathe- 
matica em i838 ou 39. 

Pda C. R. 10 nov. 1840 foi homeado para a 5. a 
cadeira da mesma faculdade (astronomia pratica). 

N^esta qualidade pertencia-lhe urn dos dous lo- 
garcs de astronomo do observatorio de Coimbra, o 
2. , porque o i.° cotnpetia ao lente da cadeira de 
mechanica celeste, que era mais antigo. 

Presentemente e lente de prima jubilado, parece 
que desde 1868 e director do observatorio astro- 
nomico da universidade desde 1866. Os services que 
tern prestado a este estabelecimento, ao magisterio 



Digitized by 



Google 



328 ANNUARIO DA ACADEMIA 

e a sciencia, dao-lhe direito a urn dos mais honro- 
sos logares na historia das mathematicas em Por- 
tugal. 

Escreveu : 

Curso completo de mathematicas puras por L. 
C B. Francceur, traduzido do francez por Francisco de 
Castro Freire e Rodrigo Ribeiro de Souza Pinto. 
Coimbra, Impr. da Univ. 1 838-39, 8.° gr. 2 tomos. 
Segunda edifdo correcta e consideravelmente aztgmen- 
tad a. Ibid. i853 a 58. 8.° gr. 4 tomos. Ha uma 3.* 
edic. de 1 871, em volumes separados, da geometria 
analytica, e da algebra. 

Additamentos as notas do calculo differential t 
integral de Francosur. Coimbra, Imp. da Univ. 
1845. 4. de 48 pag., opusculo que foi depois incor- 
porado quasi todo na 2. a edic. da obra antecedente. 

Calculo das ephemerides astronomicas. Ibid. 1849. 
4. de 182 pag. 

*Das refracqoes atmosphericas. Lisb. Impr. Nac. 
i85o. 8.° gr. de 24 pag. e uma estampa. 

Breves reflexoes sobre as parallaxes das estrel- 
las, e sobre os instruments do observatorio de Coim- 
bra, no vol. 1 do Instituto (i853) pag. 45. 

Noticia Sobre as pariagoes da collimagao do polo 
de urn circulo moral de Fortin, achadas por Mr. 
Mauvais, no 3.° vol. do Inst., pag. 198. 

Complemento da geometria descriptiva de Four- 
cy. Coimb. Impr. da Univ. i853, 4. de 100 pag. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 329 

Noticia sohre um conteta que se observou em 
abril de 1854, no vol, hi do hist., pag. 3. 

Cdpontamentos de trigonometria espherica, no cit. 
vol. do Inst., pag. i3o e i85, e em separado. Coim- 
bra, Impr. da Univ., 1854, 4. gr. de 8 pag. 

Elementos degeometria de L. C B. Francceur, tra- 
dazida pelos lentes da fac. de mat. Francisco de 
Castro Freire e Rodrigo Ribciro de Souza Pinto. 
Coimbra, Impr. da Univ., i856. 

oApontamentos de optica, i856, 4. gr. de 18 pag. 
com estampa. 

Nota sobre a carta de SM. Wils Brown na qual 
se indica um novo methodo para o calculo das dis- 
tancias lunares observadas no mar, no vol. v do Inst. 
pag. 10. 

Noticia dospequenos planet as descobertos em 18 5 5 
e 18 56, no cit. vol. do Inst., pag. i58. 

Elementos de astronomia. Primeira Parte. Coim- 
bra, Impr. da Univ. i858, 4. de 218 pag. incluindo 
um supplemento de 1859, com estampas. Ha d'esta 
obra uma edicao de 1873 em 2 vol. contendo a i. & 
e 2.* parte. N'uma advertencia por onde comeqa o 
i.° vol. diz A. que no meio do anno de 1866 es- 
tava impresso o mais essencial das duas primeiras 
partes d'esta obra, e da 3. a a theoria da lua, quando 
a urgencia d'outros trabalhos astronomicos o obrigou 
a interromper a impressao. 



Digitized by 



Google 



830 ANNUAJUO DA ACADEMIA 

Eclipse do sol em iS de margo de i858, no vol. 
iv do Inst., pag. 22. 

Geometria elemeniar theorica eprdtica, por Fran- 
cisco dc Castro Freire e Rodrigo Ribeiro dc Souza 
Pinto. Coimbra, Impr. 4a Univ. 1859. Depois mais 
vczes reimpressa. 

Eclipse solar de 18 de julho de i860. Memoria 
apresentada ao Ex.™ Ministro do reino, pela com- 
missao portugue\a. Ibid. 4. de 3g pag. * 

c I(elatorio sobre a visita aos observatories de Ma- 
drid, Taris, Tiruxellas e Greenwich. Coimbra. Ibkt 
1 86 1, 4. de 3 1 pag. incluindo 1 innumerada. 

Observafdo do cometa de 1861, no vol. x do 
Inst. pag. 204. 

Cometa em agosto de 1862 no vol. xi do Inst., 
pag. 120. 

Posigdo geographica do observatorio astronomi- 
co da unipersidade de Coimbra. Coimbra, Impr. da 
Univ., 1867. 



* A commissao compunha-se dos snrs. Rodrigo Ribeiro 
de Souza Pinto, prcsidente, Jacintho Antonio de Souza, len- 
te da faculdade de phiiosophia, e Jofio Carlos dc Brito Ca- 
pello, ajudante do observatorio meteorologico do Infante D. 
Luiz na esc6la polyteehnica de Lisboa. A observac&o foi feha 
no Cabo dc Oropesa (Hespanha) pela commissSo portugueta 
e por outra commissao de astronomos hespanhoes. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNJCA DO PORTO 331 

Taboos para a carrecfao das passagens meri- 
dianas no observaiorio astronomico da universidade 
e interval los equator iaes dos Jios do reticulo do cir- 
cular meridiano de Coimbra. Ibid. 1867 e 1868. 

Additamento ao calculo dos eclipses. Ibid. 1868. 

Nota sobre a parallaxe equatorial do sol e addi- 
tamento a esta nota. Ibid. 1869. 

Uso do insirumento de passagens pelo primeiro 
vertical, com as taboas dos angulos horarios e das 
distancias \enithaes nas passagens pelo primeiro ver- 
tical do obserpatorio astronomico da universidade de 
Coimbra. Ibid. 1870 e 1871. 

Memoria sobre as refracfoes athmosphericas, 
apresentada a acadeiuia real das stiencias de Lis- 
boa. Feita em 1854. 

Sefeaatlio Corvo de Andrade. Filho de 
Francisco Maria de Andrade Corvo. Nasceu no Por- 
to, nao se sabe quando. Matriculou-se no 1 .° anno 
da faculdade de philosopbia em 1799, e doutorou-se 
na de mathematica em 12 de abril de 1807, com o 
nome de Fr. Sebastiao Corvo de S. Vicente. Era 
entao religioso da ordem de S. Joao de Deus; pas- 
sou depots a freire professo da ordem militar de Chris- 
to, oude tomou o nome de Sebastiao Corvo de Andra- 
de, (foi o ultimo habitador do convento de Thomar em 
Coimbra). Este ultimo nome foi o de que sempre 
usou nos documenlos da nossa academia. Foi aju- 



Digitized by 



Google 



332 ANNUARIO DA ACADEMIA 

dante do observatorio astronomico da universidade, 
onde fez bons servicos com o seu collega o dr. Luiz 
Fortunato ou Fr. Luiz do Coracao de Maria. Era 
3.° lente da faculdade de mathematica da universi- 
dade de Coimbra, quando o snr. D. Miguel o no- 
meou para director da nossa academia pela carta 
regia de 3 de fev. i832, logar que perdeu desde a 
entrada do snr, D. Pedro iv no Porto em 9 de julho 
do mesmo anno. 

Segundo urn boato, de que di noticia o snr. In- 
nocencio Francisco da Silva, o snr. Sebastiao Corvo 
de Andrade havia seguido com enthusiasmo as dou- 
trinas liberaes, mas chegada a revolucSo de 24 de 
agosto de 1820 se despeitara por nao ser chamado 
a fazer parte da junta Provisoria do Porto, como 
representante da universidade, sendo-lhe preferido o 
snr. Francisco de S. Luiz, com o que se transferiu 
o seu enthusiasmo para o partido reaccionario, pra- 
ticando pelo tempo adiante alguns excessos que pro- 
vocaram a sua exclusao da universidade em 1834. 

O snr. Sebastiao Corvo d'Andrade regeu por al- 
guns annos a cadeira do i.° anno mathematico na 
Universidade, e por essa occasiao imprimiu para uso 
dos seus alumnos os tres seguintes opusculos : Nota 
sobre as propriedades das linhas trigonometricas; 
Nota soWe a di^ima periodica com breves noqoes do 
methodo de exhaust do; Nota sobre o livro V de Eu- 
clides e particularmente sobre a defim^ao V; as quaes 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 333 

notas foram todas impressas em i8a5 na Impr. da 
Univ. e publicadas de novo no torn, vui do Insti- 
tute de Coimbra. cN'ellas tratou o snr. Corvo de 
supprir algumas doutrinas que se achavam deficien- 
temente tratadas na arithmetica e trigonometria de 
Bezout e a omissao do livro v de Euclides nas li- 
coes de geometria, patenteando com este seu traba- 
/lho nao s6 o seu zelo pelo ensino, mas tambem a 
perspicacia de engenho de que era dotado, juntando 
ainda aos seus profundos conhecimentos como ma- 
thmatico, muita litteratura e erudicao* *. 

O snr. S. Corvo escreveu tambem um compen- 
dio para uso da aula de arithmetica, geometria e geo- 
graphia elementar no collegio das artes (lyceu de 
Coimbra), mas nao chegou a ser impresso apezar do 
favoravel parecer da congregacao de mathematica 
em 9 de marco de 1827, a cujo exame fbra submet- 
tida esta obra pelo Av. Reg., 23 de agosto de 1826. 

Falleceu o snr. Sebastiao Corvo de Andrade na 
quinta da Carreira, freguezia de S. Miguel das Aves, 
concelho de Villa Nova de Famalicao, em 26 d'ou- 
tubro de i838 *. 

4 Snr. Francisco da Castro Freire, Memor. historica da 
faculdade de mathematica, Coimbra, Impr. da Univ. 1872, a 
pag. 55. 

« Snr. Castro Freire, Mem. cit. pag. 186, corrigindo o 
que escrevera a pag. 55. 



Hgitiz^d by 



Google 



334 ANNUAftlO DA ACADBMIA 



Danagan. Substitute da cadeira de 
inglez por C. R. de 1 d'outubro de i8o3. Falleceu 
em 1810. 



A terceira parte d'esta memoria nao p6de ser in- 
cluida no presente anhuario. 



Digitized by 



Google 



INDICE DAS MATERIAS 



Paginas 
Epocas principaes da Academia Polytechnica do Porto 3 

Kalendario 6 a 20 

Directorift e Secrotaria 21 

Conselho academico 23 a 25 

Estabelecimentos pertencentes A Academia Polyte- 
chnica 27 

Jardim botanico 29 e 30 

Datas das nomeacoes, encartes e posses dos Lentee e 
mais empregados da Academia Polytechnica, e 
indicac£o das naturalidades e epocas dos nasci- 

mentos dos mesmos 31 a 35 

Curaos legaes da Academia Polytechnica . . . . 37 a 43 
Quadro da distribuiclo do tempo no curso preparato- 

rio para a Escola do Exercito 44 e 45 

Designacito das cadciras 7- nomes dos lentes regentes 

— dias e horas da regencia das Cadeiras . . . 46 a 49 



Digitized by 



Google 



336 INDICE DAS MATERIAS 

PigifliS 

HabUitacoes exigidas aos alumnos para a primeira 

matricola nos cursos da Academia Polytechnics. 50 a 52 

Tabella dos emolumentos do Secretario da Academia 
Polytechnic* e propinas de matriculas e das car- 
tas de capacidade 53 

Livros que servem de texto naa aulas, no anno lectivo 

de 1877 a 1878 54 e 65 

Alumnos matriculados na Academia no actual anno 

lectivo 56 a 67 

Alumnos premiados e distinctos nas Cadeiras dos cut- 
bos da Academia, no anno lectivo de 1876 a 
1877 68 a 70 

Obras offerecidas a Academia Polytechnics, durante 

o anno lectivo de 1876 a 1877 71 e 72 

Obras adquiridas para a bibliotheca da Academia, du- 
rante o anno lectivo de 1876 a 1877 .... 73 a 75 

Publicacoes periodical 76 

Mappa estatistioo do movimento da Academia Poly- 

technics, no anno lectivo de 1876 a 1877 . . . 78 e 79 

Individuos que obtiveram carta de capacidade em dif- 
ferentes cursos da Academia desde a sua refor- 
ma em Polytechnics ate ao ultimo anno lectivo . 80 a 83 

Memoria historic a da Academia Polytechnics, do Porto 85 

I. Origens (1762— 1803) 87 a 119 

CreacSo da reparticSo das fragatas de guerre 
no Porto, 87 — Aula de nautica, 90— Aula 
de debuxo e desenho, 95— Noticia dos esta- 



Digitized by 



Google 



INDICE DAS MATERIA3 387 

Paginal 
beloeimentos eoevos e analogos a Aeademia 
Beal da Marinha a otmmercio do Porto, 
108. 



II. Acadenia Beal da Marinia e Comaiercio da «i- 

dade do Porto (1808— 1887). . * . . . 121 a 233 

Cursos da Academia, 123 a 149: Curso ma- 
thematico, 126— Cursos de pilotagem, 129 
— Curso de commercio, 132 — de desenho, 
135 — de agriculture, 140 — das linguas 
francesa e ingleza, 144 — de philosophia ra- 
cional e moral, 146— cadeira de primeiras 
letras, 147— Inspecc&o, administra^ao e di- 
recc&o da academia da marinha e commer- 
cio, 149 a 161: Inspecc&o da Junta da ad- 
ministrac&o da Companliia geral da agri- 
cultura das vinhas do Alto-Douro, 149 — 
Creac3o do logar de vice-inspector, 150 — 
Creac&o do cargo de director litterario, 153 
— Termo da intervened da Junta inspe- 
ctora nos ncgocios a cade mi cos, 157 — Re- 
forma, em 1836, do cargo de director, 157 
— Relac&o dos directores da academia 
n*este periodo, 158— Do magisterio na aca- 
demia da marinha e commercio, 161 — Lis- 
ta nominal dos professores de cada uma 
das aulas da academia da marinha e com- 
mercio, seguindo, em relac&o a cada cadei- 
ra, a ordem chronologica dos despachos, 
175 — Disciplina academica, 181 a 205: d\ 
Condi cues de admissao dos alamnos, 18l 
— 6) Matriculas, 183 — c) Tempo lectivo e 
sua divisao, 184— d) Faftas litterarins, 188 
— t) Obrigacoes, faltas e penas disciplina- 
ry, 190—/) Premios e partidos, 192— a) 
Exames, 198-ft) Cartas, 203— Estabelcci- 
mentos e meios prAticos de ensino, 205 — 
Edificio: planta primitiva; sua importan- 
cia como documento juridico, 210— Dot a- 



Digitized by 



Google 



7 



338 IND1CE DAS MATERIAS 

Paginal 
?2o, 217— Secretaria, 227— Eetatiaticas de 
frequencia durante os annos lectivos da 
1803-1804 a 183G-1837 ( A-Matriculas), 230 
—Idem (B-Exame«), 232. 

Lista alphabetica do* Leotes e Directbree da Acade- 
mia Real da Marinha e Commerclo da Cidade do 
Porto 234a334 



Digitized by 



Google 



Erratas e explicates 



Pag. Lin. U-ae Leia-se 

56 i." na i.*cadeira na Accidentia 

66 Ajunte-se 6 2.* classe que se acha desi- 

gnada na 7.* linha, o nome Joao Chry- 
sostomo Lopes, natural da Cochoeira. 
(Brazil). 

Barros 
Almada 
1781 

Cit. descrip. 
sendo 12 
como 
Sine-cura 
Corvo 
18 

Memoria historica da 
faculdade de philo- 
sophia 
'Mac-Carthy 
por C. R. 14 de junho 
de i83o 
23o Os asteriscos na columna Commercio in- 

dicam que os alumnos eram do ultimo 
anno d'este curso, e nao se matricula- 
vam de novo, excepto alguns que per- 
tenciam a cursos anteriores (adventi- 
cios). O curso de commercio em i8o3 
a 1804 comecou pelo ensino da mathe- 
matica (vej. pag. 134, nota 1). 
262 9.* Estudando estudado. 



68 


6.* 


Passos 


89 


9-' 


Almeida 


99 


5.* 


1 761 


101 


26.« 


Cit. deer. 


no 


i6.« 


e 12 


i3 7 


26.* 


com 


1 52 


17.- 


Sine-curia 


159 


V 


CorrSa 


l60 


i6.« 


11 


l60 


22.* 


Memoria historica 
da philosophia 


l8l 


5.« 


Mac-Cartley 


225 


i6.» 


em i83o 



Digitized by 



Google 



j 



Digitized by 



Google 






I 



ANNUARIO 



ACADEMIA POLYTECHNICS 



t@af@ 



mO LECTIVO DE 1878 — 1879 



(sEGUNDO ANNO, 



-~*-^+^P&^* 



PORTO 

Jypographia Central 
3i:i, Hua do Bomjardirn. 317 

1879 



Digitized by 



Google 



V' 



Digitized by 



Google 



ANNUARIO 

DA 

AGADEMIA POLYTBGHNIGA 

DO 



I 



INNO LECTIVO DE 1878 — 1879 

fSEGUNDO ANNO' 



/ 



-~>^-fl^«» 



PORTO 

Jypographu fENTRAL 
:n:;, Rua do Bomjardim, 'Ml 

1879 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



jj-4 



Digitized by 



Google 



,. • i ;r ! 
ilii'll'l '-Vi- 1 ■ -h i 

: ■■ ill 1 1 J' ' 

■III . l: . 



pff ;i : .■',■ I 'i l|! ■.!'-.: l ; , "i l . :' 



iM^V^tt.'i 



» i.:« 



di'ivfe 



li^!fl- jr, j\i'! fru 1 . ■ 1 ii:||| , i! "i 

ill* 

I mil 1,1 ■ 




Digitized by * 



hhU* 



ANNUARIO 



DA 



AGADEMIA POLYTECHNICA 



DO 



fORTO 



^nivereltyof) 



ANNO LECTIVO DE 1878 — 1879 



(SBQUNDO ANNO) 



• PORTO 

JYPOQRAPHU pENTRAL 

313, Roa do Bomjardlm, 317 

1879 



Digitized by VjOOQ LC 



Digitized by 



Google 



r 



fiPOCAS PRINGIPAES 



DA 



ACADEMIA POLYTECHNICA DO PORTO 



Da creac5o da aula de nantica na cidade do Porto, pri- 

meira origem da Academia Polytechnica do Porto . 117 

jym fundaciJo da Academia Real de Marinha e Commer- 

cio da cidade do Porto . . 76 

Da reforma d'esta academia em Academia Polytechnica 
do Porto pelo Decreto de Manoel da Silva Passos, de 
13 de Janeiro de 1887 42 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



KALENDARIO 



PARA O ANNO ME 1879 



J-6lXTEIR,0 



1. Quart 

2. Quint. Creac&o em 1790 da Academia de Fortificao&o, At* 

tilheria e Desenho em Lisboa, anteceasora da Es- 
c61a do Exercito. 

a. s«t 

4. Sab. 

5. Dom. 

6. Beg. Acab*m ts feriai da Natal. 

7. Terv- 

8. Quart 

9. Quint 

10. Sezt 

11. Sab. CreacJb da E$c6la pdyttchnica de Lisboa, em 1837, 

successor* da Academia Real de Marinha de Lisboa, 
creada por carta de lei de 5 d'agosto de 1779. 

12. Dob. Creacio em 1897 da Baeola do Exercito aue succe- 

deu a Academia de Fortificacto, Artiihena e Dese- 
nho. 

13. Seg. Reforma da antiga Academia real da 

marinba e commercio em Academia Pe- 



Digitized by 



Google _ 



O ANMJARIO DA ACADEMIA 

lytecbnica do Porto, por Manoel da Sil- 
' va Passos, em 1837. 
14 Terc. 
16. Quart. 

16. Quint 

17. Sext 
1& Bab. 

19. Dom. 

20. 8eg. 

21. Terc. 

22. Quart 

23. Quint 

24. Beit 

25. Sab. 

26. Dom. 

27. Seg. 

28. Terc. Reorganirtcio do ensino agricola em Heapanba em 

1869, com a creacio da Esc6la gtrol de Agriad- 
tura, estabeleeida em Madrid, na granja denominadt 
La Florida. Begulamento de 16 de novembro de 1971* 

29. Quart 

30. Quint 

31. Sezt 



PBVEREIRO 



1. Sab. 

2. Dom. 

3. Seg. 

4. Terc. Sessio ordinaria do Conselho Academico para o fim 

especial de abonac&o defaltaa e julgamento da* con* 
taa do mes anterior. 

5. Quart. 

6. Quint 

7. Sext 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 7 

8. Sab. 

9. Dom. Promulgacfco do Alvara que em 1808 

conferiu a Junta da administrac. fto da 
Companhia Geral da Agricultura da$ 
Vinnat do Alto-Douro a inspecQfto, a*d- 
ministracfto e direcc.&o da Academia 
real da marinha e commercio do Porto. 

10. Seg. 

11. Ter$. Posse solemn e, em 1818, do cargode Di- 

rector litterario da Academia real da 
marinha e commercio do Porto, dada ao 
dontor Joaqu-im Navarro d'Andrade, 1.° 
Director litterario da Academia. 

12. Quart. 

13. Quint. 

14. Seit. 

15. Sab. 

16. Dom. 

17. Seg. Abertura da Aula publica de Debuzo e 

Desenho, no Collegio dos Meninos Or- 
phSos. do Porto, em 1780, uma das ori- 
gens d'esta Academia. 

18. Ter$. 

19. Quart 

20. Quint. Confirmac&o pelo Imperador Frederico III da Uni- 

versidade de Tubingen, em 1484. 

21. Sext 

22. Sab. 

23. Dom. 

24. Seg. Feriado. 

25. Ter?. Feriado. 

26. Quarta-feira de Cinza. Feriado. 

27. Quint. 

28. Sext. Fundac&o da Universidade de Alcald de Hena.ru 

(Hespanha) pelo cardeal Cisneros, em 1498. 



Digitized by 



Google 



ANNUARIO DA ACADEMIC 



MAKGO 
I 



1. Sab. InBtallacfto official da Academia Poly- 
teehnica do Potto em 1837. 



Seasao ordinaria do Conselho Academioo. 



2. 


Dom. 


a 


Seg. 


4> 


Terc. 


5. 


Quart. 


6. 


Quint. 


7. 


Sext 


8. 


Sab. 


9. 


Dom. 


10. 


Seg. 


11. 


Terc. 


12. 


Quart. 


13. Quint 


14. 


Sext 


16. 


Sab. 


16. 


Dom. 


17. 


Seg. 


18. 


Terc. 


19. 


Quart. 


20. 


Quint. 


21. 


Sext. 


22. 


Sab. 


23. 


Dom. 


24. 


Seg. 


25. 


Ter$. 


26. 


Quart. 


27. 


Quint 


28. 


Sext. 


29. 


Sab. 


30. 


Dom. 


31. 


Seg. 



Abertnra solemne do Real Oollegio dos Nobrei m 
1766, creado por carta de lei de 7 de marco de 1761; 
existiu ate" ao principio do anno de 1837. 



gg Feriado. 



Digitized by 



Google 



POLYTBCHNICA DO PORTO 



RIL 



1. Ter$. Eatabelecimento, em 1796, do Piano d'estudos da Aea* 

demia dos Guardas Marinhas em Lisboa, eritjncta 
em 23 d'abril de 1845. 

2. Quart. 

8. Quint 

4. Best. Sessao ordinaria do Conselbo Academico. 

5. Sab. 

6. Dom. 

7. Seg. Gomecam as ferias de Paschoa. 
a Ter$. 

9. Quart. 

10. Quint 

11. Sext. 

12. Sab. 

13. Domingo de Paschoa. 

14. Seg. Abertaia colemne da Uaivereidade de Gram, em 

1686. 

15. Ter* 

16. Quart. 

17. Quint. 

18. Sext 

19. Sab. 

20. Domingo de Paschoela. Acabam as ferias de Pas- 

choa. 
Traeladac&o para Madrid da «Esc6Ia de Engenfaeiros 
de Minas» por Decreto de 1835; comecou em ezer* 
cicio, em 13 de marco de 1778. E* actualmente re« 
gida pelo D. regulamentar de 24 de outubro de 1870: 
a durac&o do curso e de 4 annoa. 

21. Seg. 

22. Tere. 

23. Quart. CreacSo, em 1845, da EscxHa Naval, erganisada pela 

Carta de Lei, com os Lentes e Estabelecimentos da 
Aeademia dos Gaardaa-Marinhas, ao roearao tempo 



Digitized by 



Google 



10 ANNUAR10 DA ACADRMIA 



24. Quint 

25. Sezt 

26. Sab. 

27. Dom. 

28. Seg. 

29. Terc. 
80. Quart. 



eztincta, e com o Lente da eadeira de Navegacioda 
extincta Academia deMarinha. 



MAIO 



1. Quint. 

2. Sezt. 
8. Sab. 
4. Dom. 

6. Seg. Sesaio ordinaria do Conselbo Academico. — D. q« 

reorganiaou em Madrid, em 1871, a Eso6la deAite I 
e Officios, no Conservatorio de Artea, o qual derie 
a ana fundac&o, em agosto de 1824* comprebeode 
tambem a Esc61a de Commercio. 

6. Tcr?. 
• 7. Quart. 

8. Quint. 

9. Sezt 

10. Sab. i 

11. Dom. 

12. Seg. ! 
18. Terc, 

14. Quart 

15. Quint 

16. Sezt. Inaugurac&o da Academia Real daa Scieuria* de 

Liaboa, em 1680. * 

17. Sab. N 

ia Dom. Alvara da creacfo do Real Collegio Militar, em 1816. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 11 

19. Seg. Tranafonnacao da Aeademia dos Guardas Marinhaa 
em Esc61a Naval, em 1845. — Alvara de oonfirmaelo 
em 1759 dos Estatutos da Aula de Commercio em 
Lisboa, fundada em 1756. 

80. Terc. 

21. Quart 

22. Quint « Feriado. 

23. Sext 

24. Sab. 

25. Dom. 

26. Seg. 

27. Terc. 

28. Quart 

29. Quint 

30. Sext. 

31. Sab. 



JUNHO 



1. Dom. 

2. Seg. 


3. Terc. 

4. Quart. 

5. Quint 

6. Sext 

7. Sab. 

8. Dom. 


9. Seg. 
10. Terc. 
U. Quart 



Decreto que, em 1873, regulamentou 
n'eeta Academia o curso preparatories 
para a Esc61a do Exercito (armas espe- 
ciaes e estado maior). 

Seseao ordinaria do Conaelho Academico. 



Creac&o em Lieboa do Cuno superior de letras. em 
1859. 



Digitized by 



Google 



12 ANNUARIO DA ACADEMIA 

12. Quint A Corpo de Dens. Feriado. 

13. Sext ^ 

14. Sab. 
•15. Dora. 

16. Seg. 

17. Ter9. 

18. Quart 

19. Quint 

20. Sext. gg Feriado. 

21. Sab. 

22. Dora. 

23. Seg. ^ 

24. Terc. . gg Feriado. 

25. Quart Promulgacfio do Alvara aue, em 1825, eetabsfoea 

urn Curso de Cirurgia em Escolas regulares, fundi- 
das no Hospital Real de S. Jose de Lisboa e » 
Hospital da Misericordia do Porto. 

26. Quint 

27. Sext. 

28. Sab. 

29. Dom. 

30. Seg. 



JULHO 



1. Terc. 

2. Quart 

3. Quint 

4. Sext. Sess&o ordinaria do Conselho Academioo. 

5. Sab. 

6. Dom. 

7. Seg. 

8. Terc. 

9. Quart. 
• 10. Quint 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO • 13 



11. 


Sext 


12. 


Sab. 


13. 


Dom. 


14. 


Seg. 


15. 


Terc. 


16. Quart. 


17. 


Quint. 


18. Sext. 


19. 


Sab. 


20. 


Dom. 


21. 


Seg. 


22. 


Terc. 


23. 


Quart. 


24. 


Quint. 


25. 


Sext. 


26. 


Sab. 


27. 


Dom. 


28. 


Seg. 


29. 


Terc,. 



Conatituicfto definitiva, em 1757, da cclebre acade- 
mia litteraria, Arcadia de Lisbon, que durou ate" 
1766. 



Inauguracao, em 1508/ da Univeroidade de Alcald 
de Benares (Hespanha) com a denominac&o de Co- 
legio mayor de San Hdcfonso. 



PromulgacSo do Alvara que em 1803 
approvou oi Eatatutoa da Academia 
Real da marinba e commercio do Porto. 

80. Quart Promulgac2o do Decreto que fundou a 
Aula de nautica no Porto, priitieira ori- 
gem d'eata Academia, em 1762. — Sea- 
a&o ordinaria do Conselbo Academico 
de eneerraaiento do anno lectivo, cujo* 
fim especial &: a confereneia de pre- 
• mioa ao8 alumnos — di8tribuic&o da do- 

tac&o academica — feitura do horario 
das aulas — eacolha doa compendioa. 

31. Quint. Anniyeraario do jura men to da Carta Conatitucional. 
Ferftado. 
Termina o anno UetiTo. 



Digitized by 



Google 



^ 



14 ANNUARIO DA ACADEMtA 

AOOSTO 



1. Sext Comecam as ferlas grandei. 

2. Sab. 
8. Dom. 
4. Sag. 

6. Tere. Creacio, em 1779, da Academia Beal de Matinba de 
Lisboa, mais tarda Eecola Polytechnica. 

6. Quart. 

7. Quint. 

8. Sext 

9. Sab. 

10. Dom. FundacAo da Unfoerridade de Berlin, em 1809, por 

Fredeneo Guilherme III. 

11. Seg. 

12. Tere. 
18. Quart., 
14. Quint. 
16. Sext. 

16. Sab. Promulgac&o do Alvara que em 1825 re- 

formou a Academia Real da Marinhae 
Commercio da Cidade do Porto. 

17. Dom. InauguracSo da Univeraidade de Konigaberg, em 

1544. 

18. Seg. Tranaferencia da Unirenidade Catbolica Leopol- 

dina para Brealau, por Frederieo Guilherme IQ, em 
181L 

19. Tere. 

20. Quart 

21. Quint. 

22. 8ext . 

28. Sab. Alvari que em 1781 creott em Lisboa utna atdagu- 
blida dc Dtstnho. 

24. Dom. 

25. Seg. 
2$. Tere, 

27. Quart Creacao, em 1817, do logar de Dire- 



Digitized by VjOOQ LC 



POLYTECHNICA DO PORTO 15 

etor Litterario da Academia Real da 
marinha e commercio da cidade do Por- 
' to. 

28. Quint Promulgncao da Carta de roborac&o do* Estatuto* 

(novo8) da Univertidade de Coimbra, dada por El- 
Ret D. Jose, em 1772. — Transforma^ao, em 1850, 
da Univeraidade de Madrid em Universidade Cen- 
tral. 

29. Sezt. 
90. Sab. 
31. Dam. 



SETEMBRO 



1. Seg. Transformacao da E$c6la Central da* Obra* publi- 

co* de Franca em Esc&a polytechnica, em 1796. 

2. Terc. 

3. Quart. 

4. Quint. 
6. Sext 

6. Sab. 

7. Dom. 
& Seg. 

9. Terc. Nome a c&o, em 1817, do 1.° Director lit- 
terario da Academia Real da marinba e. 
commercio do Porto, Joaquim Navarro* 
de Andrade. 

10. Quart. Promulgac&o do Decreto que creou a 

Companhia Geral da Agricultura dat 
Vinhas do Alto-Douro. em 1756, admi- 
nistradora da Academia Real da mari- 
nba e commercio do Porto. 

11. Quint 

12. Sext 

13. Sab. 

14. Dom. 



Digitized by 



Google 



16 ANHUARIO DA ACADEMIA 

16. Seg. 

16. Terf. 

17. Quart Inavgara^2odaUniyersidadedeGfettiilgeD,eml737. 

18. Quint. 

19. Sext 

20. Sab. BappressSo em 1844 da cadeira dc Ar- 

tilneria e Tacttca Naval, n'esta Aca- 
demia. 

21. Dom. Aberttira solemne da Universidade de Oviedo (Ho- 

panha) em 1608. — Installa^lo solemne da Uriver- 
8idade de Santiago (Hespanba) no edificio do GoUe- 
gio dos Jesuitas d'esta cidade, em 1769. 

22. Seg. 

28. Tare, CreacSo da Esc61a de Architecture de Madrid, em 
1845. Reorganisada em 1850, foi considerada de ins- 
truce. &e superior sob a dependeneia da Universidade 
Central pets let de 9 de setembro de 1857. 

24. Quart. 

25. Quint. 

26. 8e*t. 

27. Sab. Reorganfeatfto, em 1835, das Univenidades de Gtad 

e de Liege, fundadas em 1816. 

28. Dom. Organisac&o da actual Esc6lapolytechmca de Franc* 

com a denpminac&o de Eacola Central das Obits 
publicas (Ecole eentrale des travaux publics) en 
1794. 

29. Seg. 

80. Terc. Terminam as ferias grandes. 



OTrrtTBItO 



1. Quart. Comeca o anno lectiro. 

2. Quint.. 
8. Sext 
4. Sab. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 17 



CreacSo em 1857 da Escuda tuperior dh Pintura y 
Eaeultura, de Hespanha, que o D. de 5 de maio de 
1871 reformou com a denominac&o de Etcutla espe- 
cial de Pintura, Escultvra y Grabado. 



Abertura solemne da Universidade de Berlin, em 
1810. 



Anniversario natalicio de S. M. a Rainha a Senhora 
D. Maria Pia. Feriado. 

Fundac2o da Universidade de Greifswald, em 1456. 
Funda^ao da Universidade de Bonn, em 1818, e da 
de Wittemberg, em 1502, que foi reunida & de Halle, 
em 1817. . • 



Portaria que, em 1834, commette & Academia Real 
das Sciencias de Lisboa a adinmistrac&o do legado 
do benemerito fr. Jose" Mayne, destinado k institui- 
cSo de uma cadeird de historia natural applicada d 
demonstragdo dos attributes de Deus. 

24. 8ext D. Regulamentar que, em 1870, regulou em Hespa- 

nha, entre outras Esc61as, a «Escuela de Ingenieros 
de Caminos, Canales y Puertos». Abcrta em 1803, 
funccionou ate" 1814; reaberta em 1820, funccionou 
ate" 1823; e novamente nberta em 1834, continuou a 
funccionar at6 ao presente. 

25. Sab. Creaclo, em 1836, da Academia de Bellas-Artes de 

Lisboa. 

26. Dom. 

27. Seg. 
2&TeV 



5. Dom. 

6. Seg. 

7. Ter$. 


8. Quart. 

9. Quint. 
10. Sext 


11. Sab. 

12. Dom. 

13. Seg. 

14. Ter$. 

15. Quart. 

16. Quint. 


17. 8ext 
la Sab. 


19. Dom. 

20. Seg. 

21. Ter* 

22. Quart. 

23. Quint. 



Digitized by 



Google 



i8 AKNUARIO DA ACAD EMI A 

29. Quart. Anniversario natalicio d'El-Rei o Senhor D. Fer- 
nando. Feriado. — Trasladacao, em 1896, para 
Madrid do Colegio mayor de San fide/onto, que pri- 
mitivamente era a Universidade de Alcold de Be- 
nares. 

80. Quint. Anniversario natalicio d'El-Rei o Senhor D. Lois I. 
Feriado. 

31. Sext. 



3STO^TE3^BI^O 



1. Sab. gg Feriado. « 

2. Dom. 

8. Seg. Commemoracao doa Fieia Defuntoe. 

4. Terf. Inaugurac&o da 'Academxa real da ma- 

rinha e eommercio do Porto, em 1808, 
na Igreja> do Collegio dos OrphSos.— 
Inaugurac&o em M alines, em 1884, da Univeraidada 
Catholica de Lou vain. — InaugurncSo, era 1875, da 
nova £8c61a real Poly technica da Saxonia em Dresde 
(Konigliob SttchBiacne Polytechnikum, zu Dresden). 

5. Quart. 

6. Quint 

7. Sext. 

8. Sab. 

9. Dom. 

10. Seg. 

11. Terc. 

12. Quart. 

13. Quint. 

14. Sext 

15. Sab. 

16. Dom. 

17. Seg. 

1 8. Ter?. CreaeSo definitiva da Eecuela de Ingeniero* de Mow- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 19 

fetporD.de 18 de novembro de 1846; novamente 
refbrmada por D. com feroa de lei de 23 d'outubro 
de 1868; transladada de VilUmciosa de Odon para 
o Escorial por D. de 25 d'outubro de 1869. £ actaal- 
mente regida pelo Regulamento de 24 d'outubro de 
1870: a durac&o do curso 6 de 3 annos. 

19. Quart 

20. Quint InauguracSo da Unfoersidade livre de Bruxeflas, em 

1834. 

21. Sext 

22. Sab. Creacio, em 1836, da Academla Portuense das Bel* 

las Arte*. 
28. Don. 

24. 6eg. 

25. Tere. 

26. Quart. 

27. Quint PromulgacSo do Decreto que fundou a 

aula de dtbuxo t deaenho na cidade do 
Porto, urn a das origen,s d'esta Acade- 
mia, em 1779. 

28. Sext 

29. Sab. 

30. Dom. 



DEZEMBHQ 



1. Seg. InstallaaSo em Louvain da UniTersidade Catbolica, 

em 1835. 

2. Tore. Abertura solemne da Universidade real da Saxonia, 

em 1409. 

3. Quart 

4. Quint 
6. Sext 

6. Sab. 

7. Dom. 



Digitized by 



Google 



20 ANNUARIO DA ACADEMIA 

8. Seg. 8B Feriado. — Promulgaclo do Decreto que em 

1720 creou a Academia real da Historia Portugueza, 
que poucos annos durou. 

9. Terc. 

10. Quart. 

11. Quint. 

12. Sext 
18. Bab. 

14. Dom. Creac&o, em 1869, da Junta Consultiva de Instrnc- 
cito Publica que succedeu ao Conselho Geral de 
Instrucc&o Publica (C. L. de 7 de junbo de 1859), 
eujos antecedentes foram: Conselho superior de Ina- 
trucc&o Publica (D. de 20 de setembro de 1844) — 
Conselho Gernl Director do ensino primario e se- 
cond ario (D. de 15 de dezembro de 1886) — Junto 
da Directoria Gernl doe Estudos e Escolas d'estes 
Reinos (anno de 1794). 

16. Seg. 

16. Terc. Creacio, # em 1852, do Institute agriccla de Lisbon, 

que succedeu, com amplificacao de ensino, a Etofa 
militar Veterinaria, creada por Alvara de 29 de 
marco de 1880. 

17. Quart. 

18. Quint 

19. Sext 

20. Sab. 

21. Dom. 

22. Seg. 

23. Tore. 

24. Quart. Comecam as ferias do Natal.— Reorgani- 

sacao da Esc61a do Exercito, em 1863. 

25. Quint. Natal. 

26. Sext. Nova organisaclo, em 1868. da Esc61a Naval 

27. Sab. 

28. Dom. 

29. Seg. Reforma das Escolas de Cirurgia de Lisboa e Porto 

em Esc61a8 Medico-Cirurgicas, em 1836. 

80. Terc. Promulgacao do Decreto que, em 1852, creou as es- 
c61as de ensino industrial no paiz: Instituto indufl- 
trial de Lisboa e Escola industrial dp Porto. 

31. Quart. 



Digitized by 



Google 



21 



DIREGTORIA E SECRETARIA 



Director 
Adriano de Abreu Cardoso Machado, do Conselho de Sua Ma- 
gestade, commendador da ordem de Nossa Senhora da Con- 
ceicSo de Villa Vicosa, doutor em direito pela Universidade 
de Coimbra, lente proprietario da Aeademia Polytechnica, 
outr'ora lente da faculdade de direito na Universidade de 
Coimbra, e depois director geral de instrucc&o publica no 
ministerio do reino, fiscal do extincto conselho superior de 
inBtrucclo publica, commissario dos estudos e reitor do lyceu 
national do Porto, deputado as Cortes. 
Bna do Principe, 3. 

Secretario Untcrioo) 
Joaqaim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, enge- 
nheiro civil, lente proprietario da Aeademia Polytechnica, 
outr'ora professor de mathematica elementar do lyceu natio- 
nal do Porto, e secretario do mesmo lyceu. 
Rua dos Fogueteiros, 1. 

Guarda-m6r 
Joaquim Filippe Coelho. 
Foz, Monte-Bello, 79. 

Guardas subalternos 
Simao Jose Caetano Moreira. 
Bomjardim, 398. 

Daniel Leao da Cunha Lima. 
Monte da Lapa, 25. 

Jo*6 Pinheiro Barboza d'Aguiar. 
Monte dos Judeus. 



Digitized by VjOOQLC 



Digitized by 



Google 



29 



GONSELHO AGADEMICO 



Preaidente do Conselho 
Conselheiro Adriano de Abreu Cardoso Machado, director. 

Sec$£o de mathematica 

Pedro de Amorim Vianna, bacharel formado em mathematica 
pela Universidade de Coimbra, lente proprietario da 2.* ca- 
( deira, outr'ora professor da cadeira de logica do lyceu na- 
cional de Lisbon, presidente da secc&o. 
Restauraeao, 75. 

Gustavo Adolpho Goncalves e Sousa, engenheiro civil, lente 
proprietario da 5.* cadeira. 
Principe, 156. 

Antonio Pinto Magalliaes Aguiar, doutor em mathematica e ba- 
charel formado em philosophia pela Universidade de Coim : 
bra, lente proprietario <}a 3.* cadeira, ex-ajudante do obser- 
vatorio astronomico de Coimbra e ex*deputado as Cortes. 
Almada, 332. 

Jos6 Pereira da Costa Cardoso, doutor em mathematica e bacha- 
rel formado em philosophia pela Universidade de Coimbra, 
lente proprietario da 13.* cadeira, ex-ajudante do observa- 
torio astronomico de Coimbra, antigo lente da mesma Uni- 
versidade, outr'ora commissario dos estudos ereitor do lyceu 
nacional do Porto. 
Bosario, 113. 

Joaquim d'Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, enge- 
nheiro civil, lente proprietario da l. a cadeira. 
Fogueteiros, 1. 



Digitized by 



Google 



24 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Substituto da secc&o 

Bodrigo de Mello e Castro de Aboim, engenheiro civiL 
Cedofeita, 237. 

Sec$ao de desenho 

, Francisco da Silva Cardoso, lente proprietario da 4.* cadeira, 
preaidente da eecc&o. 
Alegria, 341. 

Substituto 

Guilherme Antonio Correa. 
S. Victor, 27. 

Sec^fto de commercio 

Conselheiro Adriano de Abreu Cardoso Machado, doutor em & 
reito pela Universidade de Coimbra, lente proprietaric h 
12.* madeira, presidente da seccSo. 
Principe, 3. 

Josd Joaquim Rodrignes de Freitas, engenheiro civil, lente pro- 
prietario da ll. 1 cadeira, e depntado as Cortes. 
Cedofeita, 680. 

Substituto da sec(8o 

Antonio Alexandre Oliveira Lobo, bacbarel formado em direito 
pela Universidade de Coimbra. 
Principe, 58. 

Sec(fio de philosophia 

Jose de Parada e Silva Leit&o, bacbarel formado em philosophia 
e mathematica pela Universidade de Coimbra, major gradnado 
d'infanteria, commendador da ordem de Christo; condecora- 
do com a medalha n.° 7 das campanhas da liberdade, lente 
proprietario da 8. 1 cadeira, presidente da seccjto. 
Boa-vista, 406. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 25 

Aroaldo Anselmo Ferreira Braga, bacharel fonnado em medici- 
na e em philosophia pela Universidade de Goimbra, lente 
proprietano da 7.* cadeira. 

Breyner, 104. • 

Francisco de Salles Gomes Cardoso, cavalleiro da Torre e Es- 
pada e A viz, e condecorado com a medalha n. # 2 dos senho- 
res D. Pedro e D. Maria, doutor em philosophia e bacharel 
em mathematica pela Universidade de Coimbra, capitlo de 
fragata addido ao quadro, lente proprietario da 10.* cadeira. 
Mattosinhos, rua Direita, 20. 

Adriano de Paiva de Faria Leite BrandSo, doutor em philoso- 
phia e bacharel em mathematica pela Universidade de Coim- 
bra, socio do Institute da mesma cidade, lente proprietario 
da 9.* cadeira. - 

Quinta de Campo Bello (Gaya). 

Sobstituto da sec(io 

Antonio Joaquim Ferreira da Silva, bacharel fonnado em phi- 
losophia pela Universidade de Coimbra. 
Almada, 332. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



27 



ESTABELECIMENTOS PERTEMCENTES i ACIDEMIA PQLYTECHNICA 



Bibliotbeca 
Bibliothecario (vago) — Serve interinamente JoSo Jose Monteiro. 
Campo ae Santo Ovidio, 14. 

, Gabinete de historia natural 
Director — lento da 7.* cadeira, Arnaldo Anselmo Ferreira 
Braga. 

Gabinete de physica 
Director — lento regento da 8.» cadeira, doutor Adriano de 
Paiya de Faria Leite Brandao. 

Laboratorio chimico 
Director — lento regento da 9.* cadeira, Antonio Joaquim Fer- 
reira da Silva. 
Guarda do laboratorio (vago) — Serve interinamente Domingos 
Gomes da Cruz. 
Eua 9 de Jolho. 

Jardim botanico 
Director — lento da 10.* cadeira, doutor Francisco de Bailee 

Gomes Cardoso. 
Primeiro official do jardim (vago) — Serve interinamente Joa- 
quim Casimiro Barboza. 
Massarellos, 43. 

Gabinete de instrumentos de mathematica 
Director — lento regento da 5. a cadeira, doutor Antonio Pinto 

Magalhaes Aguiar. 
Guarda — O guarda-mor, Joaquim Filippe Coelho. 

Gabinete da aula de desenho 
A cargo do lento da 4.* cadeira, Francisco da Silva Cardoso. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



29 



BIBLIOTHECA 



Elsta n'oma sala situada na face voltada ao nascente do edi- 
ficio da Academia. E', por emquanto, privaiiva doB Lentes, e dos 
Estudantes com Ifcen^a da Directoria. 

No anno de 1860 possuia 1:978 obras em 6:171 volumes dis- 
tribuidos por varias sciencias, pela seguinte f6rma : 

Obras Volumes 



Hifltoria e suas dependenciaa .... 1:022 

Matbematicas . 400 

Philosophia . . . 293 

Commercio ......... 125 

Litteratura, Encyclopedias, &c ... 98 

De8enho e Architecture 40 



2:657 
670 
827 
228 
787 
57 



Total. . . . 1:978 . . 5:171 



Actnalmente possue cerca de 2:800»obras em 8:800 volumes, 
incluindo-se n'este numero 1:270 folhetos. 



Obras offerecidas k Bibliotheca durante o anno flndo 



Annuario da Universidade de Coimbra, 1877-1878. Coimbra 1877. 
Ephemerides astronomicas da Universidade de Coimbra para o 
anno de 1879. Coimbra 1877. 

ObservacoeB meteorologicas e magnetics* feitas no Observatorio 
meteorologico e magnetico da Universidade de Coimbra. 1877. 



Digitized by 



Google 



SO ANNUARIO DA ACADEMIA 

Annaes do Observatorio do Infante D- Luiz : — Resumo das prin- 
cipaes observacdes meteorologicas executadas duranto o pe- 
riodo de 20 annos, desde 186$ a 1875. Lisboa 1877. 

— Primeiro e segundo semestre de 1876. Volume XIV. Lisboa 
1877. 

Supplemento & colleccto dos Tratados, convencoes, contractu e 
actoa publicos celebradoB entrc a corda de Portugal e as mail 
potencias, desde 1640 — coord en a dos pelo visconde de Barges 
de Castro, e continuac.fto por Julio Firmino J u dice Biker : 

— Tomo IV do supplemento e XII da colleccao. Lisboa 1877. 

— .Tomo XIIL Lisboa 1878. 

Discureo inaugural proferido na sesslo solemne da abertura das 
aulas do Institute .geral de agriculture no anno lectiro de 
1877-1878, por *«£o Ignacio Ferreira Lapa. Lisboa 1877. 

Estudos prehi8toricos em Portugal : Noticia de algumas estaooes 
« monumentos prebistoricos — memoria apreaentada 4 Acs- 
demia Real das Sciencias de Lisboa (com a tradnccao en 
francez) por Carlos Ribeiro. Lisboa 1878. 

Fabrieo das bocas de fogo de bronze e dos projecteis por Agos- 
tinho Maria Cardoso, 2 vol. Lisboa 1878. 

Formulas para a avaliacao da superficie e da capacidade das 
abobadaB de barrete de clerigo e de aresta, por Godofredo 
Edmundo Alegro. Lisboa 1878. 

Relatorio apresentado & Junta Geral do districto de Braga na 
sesslo ordinaria em 19 de maio de 1877, pelo Goyernador 
Civil Marquez de Vallada. 



Bibliotbeea modelos de eloqueneia —Vol . I : Discursos pa 

tares de Emilio Castelar, tradnccao de L. M. Prado d'Aze- 
vedo. Porto 1878. 

— Vel. II: Discnrsos perlamentaree dos prbcipaes oradores 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO SI 

Portugueses das CotMtitaurtes de 1821, editados por L. M. 
Prado d'Asevedo. Porto 1878. 

UniverBite libre de Bruxellesi Annee aoademiotw 1877-78. Dis* 
cours d'ouverture nrononce's en sceance puolique le 14 octo- 
bre 1878 par M. Yan-Scboor", Administrateur-Inspecteur et 
M. Pigeolet, Recteur*. 

Annual report of the board of regents of tbe Smithsonian Ins- 
titution, showing the operations, expenditures, and condi- 
tion of the Institution for the year 1875. Washington: Go- 
vernement printing office — 18 <6. 

Eeport of the Council of the Zoological Society of London, for 
the year 1877. Read at the annual general meeting, april 29 
1878. London 187a 

Catalogue of the plants under cultivation in the Governement 
botanic garden, Adelaide, South Australia — Richard Schom- 
burgk, Dr. Phil., Director — Adelaide : 1878. 

List of publications of the Smithsonian Institution, jury, 1877. 
Washington. 

Qbras offerecidas* pela Universidade Real 
de Noruega, em Christiania : 

SophuB Lie — Allgemeine Theorie partieller QiiFerential-Glei- 
chtmgen 1:0. — 1674. 

» — Allgemeine Theorie partielle Differential-Glei- 
chungen 1A — II. 1875. 

» — Partielle Differential -Gleichungen 1.0., in denen 
die unbekannte Funktion explicite vorkommt 
1873. 

' » — Neue Integrations-Me^hode tines 2n-gliedrigen 
Pfafifeehen Problems. 1873. 

» —I. Zur Theorie des Integrabihtfitsfaktors. 



Digitized by 



Google 



32 ANNUARIO DA ACADEMIA 

II. Veral^emeinerung and nene Verew ert hnng 
der Jacobischen Mnltiplicator — Theorie. 1874. 

Suphns Lie — Discussion aller Integrations — Methoden derpar 
tiellen Differential — Gleichungen 1.0. 1875. • 

C. M. Goldberg — Benuerkninger om Formelen for Hftidemsa- 
ling med Barometer. 1872. 

• — Bidrag til Theorien for Dissociationem. 1873. 

Dr. A. 8. Guldberg — Om Ligningen af 5te Grad. 1869. 

m — Om Ligningen af 3<"« Grad. 1871. 

Hans H. Benach — En Hule paa Gaarden Njds, Lqganger Pns- 
* tegjaald i Bergens Stift. 1874. 

0. Pihl (Ingenieur) — Om Attractionen mellem to Cirkelflader. 
1875. 

L. Sylow — Om den Grappe af Substitutioner, der tilhdrer li- 
gningen for Division af Perioderne ved de eUiptiake Fink- 
tioner. 1871. 

J. J. Astrand — Geodetisk Beatemmelse af Bergena Obsem* 
toriums geografiske Beliggenhed. Christiania 1874 

Norwegian Special Catalogue for tbe international exhibition at 
Philadelphia. Christiania 1876. 

H. Siebke (defuncto) — Ennmeratio inaectoram norvegicormn. 
Fasciculam II 
Catalogam Coleopteroram Continent Chriatiaiiia 
1875. 

» — Ennmeratio insectornm noryegicornm. 
Faaciculum IH 
Catalognm lepidopterornm continentem. Edidit J. 
Sparre Schneider. Christiania 1876. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 33 

EL Siebke — Enumeratio insectorum norvegicorum. 
Fa8ciculum I-IV. 
Catalogum dipteronim continentem. Edidit J. Spar- 
re Schneider. Christiani® 1877. 

» — Enumeratio insectorum norvegicorum. 
Fasciculum IV. 
Catalogum dipteronim continentem. Edidit J. Spar- 
re Schneider. Christiani® 1877. 

Robert Cellett — Norges Fiske, med Bemserkninger om deres 
Udbredelse. Christiania 1875. 

G. 0. Sara — Carcraologiske Bidrag til Norges Fauna. 

L Monographi over de yed Norges Kyster Fore- 
kommende Mysider. Forete Heft med 5 litho- 
grapherede Plancher. Christiania 1870. 

» — Gareinologiske Bidrag til Norges Fauna. 

L Monographi over de ved Norges Kyster Fore- 
fcommeade Mysider. Andet Hefte, med 8 litho- 
grapherede Plancher. Christiania 1872. 

George Ossian Sars — On some remarkable forms of animal life 
from the great deeps of the norwegian Coast 
IL Besearches on the structure and affinity of the 
genus B r i b i n g a > based on the study of a new 
Species: Brisinga Coronata. With 4 
copper plates and 8 autographic plates. Chris- 
tiania 1875. 

EL C. Prints — Die Bluthezeit im Kirchspiele West-Slidre Chris- 
tiania 1875. 

C. de Seue — Windrosen- des sudlichen Norwegens. Mit de* 
Goldmedaille Konig Carts XVbelohnte Abhandlung. — Uni- 
Tersitfttsprogram 'fir das erste Semester 1876, heraus^ege- 
ben von H. Mohn, mit 40 Hthographirten Tafeln. Knstia- 
nial876. 



Digitized by 



Google 



34 ANNUARIO DA ACADBMIA 



Otora* adquirltlaa para a toltoliotheoa da 

A.oademla 9 durante o anno leettvo 

de 1877-187p 



Mathematicat 



Storm — Conn d'Analyse. 2 vol. 

Yvon Villarceau — Nouvelle navigation astronomique — 1877. 

Dostor — Elements de la theorie dea determinants — 1877. 

Brunnow — Aatronomie spherique — 1869^ 

A. de Saint-Germain — Recueil d'exercices snr la Mecaniqne 

rationnelle — 1877. 
Laplace — (Envrea completes, publiees par lea secretaires per- 

petuels de l'Acadenue des sciences — 1878. Tome l.'et?.* 
Cremona — Elements de geom&rie projective 1™ partie— 1875. 
Biot — Traitl elementaire d*Astronomie physique, 8."6d. Tome 

6.« 
Labonlare — Traite* de Cinematique. 
Emile Mathieu — Dynamique analytique — 1878. 
Adhemar — Traits pratique de la construction dea transwiyB, 

chemins de fer a chevaux et dits de fer americains. 
Dupuit — Trait6 de l'equilibre des voutes et de la construction 

des ponts en maconerie — 1870. 
Girardin — Moteurs hydrauliques — 1872 . 2 vol. 
Dormoy — Theorie mathematique des assurances but la vie— 

1878. 
Debauve — Manuel de l'ingenieur des ponts et chauasee, 1871- 

1876. 
Collignon ?— Cours de mecaniqne appliquee aux constructions; 

1870-1877. 2 vol. 
Frenet — Becneil d'exercicea sur le calcul infinitesimal — 8. e ea\ 

1878. 
Duhamel — Elements du calcul infinitesimal, 3.« 6d. 1874-1875. 2 

vol. 
Delaunay — Traits de mecanique rationnelle, 5.* 6d. 1878. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 86 

Aoust — Analyse infinitesimals des conrbes dans 1'espace, 1876. 

Aoust — Analyse infinitesimale des courbes tracees sur one sur- 
face queleonqne — 1869. 

Flammanon — Histoire du Ciel, 1872. 

A Angot et 0. Andr6 — L 'Astronomic prat i one et les observatoi- 
res en Europe et en Amerique, SVpartie (Etats-Unis d'Ameri- 
que) 1877. 

Leonce Reynaud — Les travaux publics de la France, 21.» a 80.* 
livraisons. 

Bevista das obras publicas e minas, anno de 1877. 

Hippolyte Charlon — Theorie mathematique des operations fi- 
nancieres, 2.« Sd. 1878. 

Krantz — <Etude but les murs reservoirs, 1870. 

Bayet — L'Astronomie pratique et les observatoires en Europe 
et en Amerique, 1878. 



Philosophia 



Herbert Spencer — Essais de morale, de science, et dTEstbe*- 

tique. — I. Essais sur le Progres, traduit de 1'anglaiB par A. 

Burdeau. 1877. 
Paul Broca — Memoires d'anthropologie soologique et biologi- 

que,1877. 
Wurte — Dictionnaire de cbimie — fasc. 24.* 
Revue des cours scientifiques, (collecc&o completa de 1864-70). 
Agenda du Chimiste, 1877. 
Cauvel — Nouveaux elements d'histoire naturelle medicale, 1877. 

2 vol. 
Grimanz — Cbimie organiquo llementaire, 1878. 
Peclet — Traits de la Chaleur. 5.* &L 2 vol. et atlas. 
Dumas — Lecons sur la philosophic chimique, 2.« 6d. 1878. 
Fleurena — Eloges bistoriaues, 1866-62. 8 vol. 
Lange — Histoire du matenalisme, traduit de TAllemand par 

Pommerol, 1877. Tome 1.* 
Gavarrett — Phenomenes physiques de la pbonation et l'audi- 

tion, 1877. 
Pasteur — Etudes sur le vinaigre. 



Digitized by 



Google 



36 AtfHtJAWQ DA ACA&ENf A 

livat — Doeimaete : Trait* d'anajyae miointoi riUHg*daiui< 

genieura de§ mine*, 1861*1366. 4 vol. 
Darwin — Lea recifs de corail, leur structure et lew diatribui- 

tion, 1878. 
0. Claua — Traite de Zoology treduit de r Altanand but la 3.* 

edition et annote par C mequin-Tandoa. 
Pharmacopda portugueaa; edicao official. Liaboa, 1876- 
Ch. Meymott Tidj — Handbook of modem Cheuuatry inorganic 

and organic. London, 1878. 
J. Briand, Em. Chaude el J. Bouie— Manuel eeaapkft de m& 

deeine legale, ceatenani on traite elementally do ebimie 14* 

gale, 9.« edit. 1874. 
A. Terreil — TraitA pratique dea eeaaia an cfcatumean, 1876. 
U. Beannifl et A, Bouchard <*—Pr6cifl d'anatomiect de diaieetioa* 

1877. 

Sciencias diveraaa 



Ricardo Pinto de Mattos — Manual bibliographieo portugnes, 
187a 

Btbiiotheque untovaeU* (aeiignatura de 1878). 

Revue'des deux mondea (aaaignatura de 1878). • 

Pierre Larouaae — Grand Dictionnaire univerael du lft e aiecle. 
16 vol. 1866 a 1878. 

Hippeau — Instruction publique en Allemagne — Italie — 4taU- 
tjnja— Angleterre— Bowie. 6 vol. 

A claaaifioation and subject Index for cataloguing and arranging 
the booka and pamphlets of a library. 1$76> 

Almanacb Royal offioiel ^x repawn* de Belgtque. Annee* 1878. 

Charles Lenormant — Eaaaia aur llnetroetio&pubUque* 18KL 

• TableB statiatiquea dea divers' paya de llMract pear 
annee 1876. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 37 

Ytnnier — Traits de Changes et des Arbitrages. 

Gatharina Carlota Lady Jackson -^ A formosa Lositania : versio 
do ingles, prefaciada e annotada por Camillo Castello Branca! 
1877. 

ChampoIKon-Pigeac— Manuel de rarchiviste. I860. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



39 



GABINETE DE fflSTORJA NATURAL 



ZOOLOGIA 

Anatomia comparada 

Anatomia clastica do doutor Ausoux: 



Modelo de Ho mem, complete,, de 1,*80. 

ColleccSo de v o 1 o g i a , composta de male de vinte pecas re- 

produzidas em grande escala, mostrando, quasi dia por dia, a 

evoluc&o do ovo ate" a formac£o -do embryao. 
Cerebro, cerebello, protuberancia annular e bol- 

borachidiano, mostrando minuciosamente as partes res- 

pectivas do systema nervoso. 
Olno, eompleto, de grandes diraensoes. 
Out i do, com temporal de 0, m 30, mostrando minuciosamente 

o ouvido externo, medio e interno. 
Larynge de grandes dimensoes, cartilagens, musculos, vasos 

enervos. 
Um Perum (MeleagrU, Linneu), como typo das ayes: anato- 
mia completa. 
Uma Perca ou Merado mar (Scicena aquila, Linn.) de 1,"50 

de comprimento : anatomia completa. 
Um Besouro, como typo dos Insectos, em grande escala. 

Mammiferos 

Oito exemplares, como tynos das ordens : 
Quadromanos, carnivoros, ruminantes, roedores 
e desdentados (clas. de Milne Edwards). 



Digitized by 



Google 



40 ANNUARIO DA ACADEMIC 

Aves 

Oitenta e una aves, * como typos das seis order* ornithologies*. 

(Clas. de Milne Edwards). 
Dois esqueletos de aves. 

Reptis 

Quarenta e eels reptfs, como typos das tres ordens. (Clas. de 
Milne Edwards), 

Batrachios 

Dois typos da ordem dos anuros. 

Peixes 

Parte ossea da cabe^a d'nm peixe. 
Dois esqueletos oompietos. 

Molluscos 

Cento e noventa e tres especies differentee de molluscos ten*- 
tres, fluviaes e maritimos do Archipelago Madeirense, e das 
lib as Canarias (Collee^fto offerecida & Acadcmia Polytechnics 
pelo Ex.* BarSo de Castello de Paiva, lente jubilado de Bo- 
tanica da mesma Academia). 

Uma numerosa collec^So conchyliologica de varias prooedenosa 

Zoophitos 

Cincoenta exemplares das tres ordens: echinodermes, es- 
pongiarios e polypos. (Clas. de Milne Edwards). 

Mineralogia 

Uma coUecgSo mineralogica de mais de 3:000 exemplares. 

1 A quasi totalidade dos exemplares d'este gropo, bem como algwid^ 
tros grupos foram offorecWos pelo director do gabinete. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 41 

Um goniometro de Babinet. 

Zoologia — Bo tallica — Geologia 

Colleccito completa de 

Planches muralu d'Jtistoirt naturdU, par AchUe Comte. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



43 



LABORATORY CHIMGO 



RelafBo dos apparelhos e utensilioa exUtentes 
em 30 de junho de 1878. 



I. Afpabklhos. 

• Apparelho de Berthelot para a synthese da acetylena. 

• Apparelho de Hofmann para provar que os gazes tern sen- 

si velmente o meBmo coefficiente de dUatagao e de com- 
presBibilidade. 

Spectroscopic de am prisma, com luneta horisontal e micro- 
metro. 

Apparelho Carre 1 para a produccao do gfilo. 

Sorveteira das familias. 

• Bomba aerohydrica de Bunzen. 

1 Voltametro (em man estado). 

II. Analyses b ensaios. 
Amdimetria* 

• Apparelho de Wurtz para o doseamento do gas carbonico* 

Akoometria. 

2 Alcoometros centesimaes de Qay-Lussac grandes. 
1 Areometro Cartier. 

1 Areometro Tessa. 

1 Alambique Richard Danger para o ensaio dos vinhos. 

1 Thermometro alcoometrico. 



Digitized by 



Google 



44 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Ensaio do* cereaes. 

1 Aleurometro de Boftand, com estufa para banbo de oleo e 

um thermometro* 
1 Apreciadot ttobina para farmbai. 
1 Balanea para os cereaes. 

Emetic dos oleos. 

1 Elalometro de Berjot 

1 Oleometro de Lefeyre d'Amiens* 

Ensaio do kite. 

1 Lacto-butyrometfo de Marchand. 
1 Lacto-deneimetro de Quevenne. 
1 Lactoscopio de Doimd. 
1 Pesa-leite. 

Saccharimetria. 

1 Saccharimetro de Mitscberliob. 

Toxicologic. 

1 Eprouvette do apparelho de Mitscherlicb para a ifivasi- 
gac£o do pbosphoro, sem serpentina. 

Ensaio dos metaes. 

1 Forno para cnpellac&o de l. a graadesa. 
264 Cupellas Bortidas; 102 dos n.°* 1 e 3; 74 do n, 6; 88 
do n.° 7. 

Analyse das aguas. 

1 HydrotimetrodeBoutron e Boudet, com o rraBCOmareado. 
1 Sulfhydrometro, com 1 frasco de decilitro, am balio mar- 
>$ado de 260. « e uma capsnla para fazer o ensaio. 

III. AlTALYSK D08 OA2B8. 

1 Eudiometro de Volta com tabo graduado e medida para 

gases. 
3 Eudiometros dimples; 1 com pecas delatita; 1 compe$atde 

ferro e valvula; 1 com pecas de ferro, sem valvola. 

IV. MwttDA DO PM80 SSPBCtnCO. 

1 Pesa-liiivias de prata. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC! DO POTTO 46 

1 Pesa-saes de prata. 
1 Pesa-lioores. " 

1 Pesa-xaropes. 

4 Areometros de Baum6. 

2 Volnmetros de Gay-Lnssac para acidos. 
2 Densimetros. 

V. POLYMSTRIA. 

10 Galhetas inglezas sortidat, 

1 Galheta de Gay-Lnssac. 

* 6 Galhetas com torneiras de vidro: 2 de 10O.<» 2 de60.<*, 2 

de 25.". 
i Campana de vidro, graduada, com toaeira de metal, de 
4.* de eapaoidade. 

2 Campanas de crystal, com botao, gradnadaa ; nma de 2. 1 ,5 

,de capaeidade; outra de L 1 
2 Eprouvettes para gaz, urn de 50. M dividida em cc ; outra 

de 100.°« dividida tambem em ae. 
4 Eprouvettes com p6 graduadas : * 1 de litro, * 1 de 160. oc , 

1 de 200. cc , 1 de 60. M 

1 Eprouvette simples, marcada, de 600. ••. 

* 1 Frasco marcado de l. 1 , graduado de 20 em 20. oe 

* 4 Pipettes grandes: 2 marcadas de 50. M , 1 graduada, 1 sim- 

ples. 

2 Pipettes pequeoas. 

2 Copos graduados de 90 gr. 

VL Balavcas. 

1 Balanca.de Robervai de 1 kilog. 

1 Balanca de Fortin (existente no gabinete de Phyaica). 

1 Tribuchet. 

1 Balanca pequena de analyse, pouco sensivel. 

1 Balanca de laboratorio, de saccharimetro. 

1 Balanca de Plattner (pertencente 6 caixa de Plaitner). 

Pesos para a balanca de Robervai. (1 jdgo). 

6 Pesos para os ensaios saconarimetrioos — 32 gr. e submul- 

tiplos. 
15 Pesos de cobre, sendo 1 de 48.*07, 1 de 31.805. 
4 Pesos de platina. 
1 Coltaecao de pesos de platina para a balanca de Plattner. 



Digitized by 



Google 



46 ANMJAJUO DA ACIDEMIA 

VII. Thebmombteob. 

12 Thermometros: lOdemereurio; 2 de alcool(l 6 deetinado 
ao apparelho Carre). 

Vm. MbTABS FBBCIO8O8. 

1 Cadinho de platina, com tampa, dc 35.^, peaando 30 gr. 
1 Cadinho de platina, pertencente a caixa de Plattner. 
1 Capeula de platina, peaando 12 gr. 

1 Cadinho grande de prata, que peaa 169 gr. (eem tampa). 

IX. Utbvbiliob. 

2 A-lambiaues: 1 de cobre; 1 de folha, de Baome. 
12 Almofadaa de palha para capsulae e baldea, 

5 Almofarizes: urn de latao, pequeno; 1 de ferro, quebrado; 
8 de marmore, 2 grandes e 1 pequeno. 

2 Apparelhofl de dealocac&o: 1 de Payen; 1 de Bobiqnet, m- 

completo. 

3 ApparelhoB gazogenieos de Gay-Luasac* para deaenrober 

hydrogenio. 
1 Bigorna. 

1 Bomba de Gay-Lu&sac. 
1 Caixa de Plattner. 
8 Caixas de reagentes. 
Caoutchouc: tubo — 1750 gr.; lamina, 1 kilog.; * 56 rolhas, 10 

cheias, 30 com urn orificio, 8 com dona orificios; 8 com fam 
1 Candieiro de azeite de Morveau. 

3 Cubas pneumaticas: 2 pequenas para mercurio; 1 grande 

de madeira, forrada de chumbo, para agua. 
1 Candieiro de dupla corrente para gaz, em man eatado. 
1 Erotador de dnplo eflfeito. 
8 Espatulas: 2 de aco e * 6 de obbo. 
1 Estufa de Gay-Lusaac. 
1 Experimentador de polvora. 
1 ITaca d'aco. 

4 Fogoes de ferro: 1 grande completo; 3 pequeno* ineomple- 

tos, 2 quadrados e 1 redondo. 
1 Forja com folle cylindrico. 
1 Folle pequeno. 
1 Fura-rolnaz de latao. 
8 Gtazometroa: 2 de Eegnault; 1 modelo, para gasde.illund- 

nac&o. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 47 

5 Grelhas: 1 de Cloez para analyses organicas; 1 ordinaria 

para carvao para o meamo nm ; ontra para analyse do 

ar; • 1 de Berthelot para analyses organicas; em nm, uma 

para a extraccao do potassio. 
5 Lampadas: 1 de esmaltador; 1 hvdro^platinica; • 1 de vi- 

dro para alcool, sem tampa; 1 de lata e outra de lat&o para 

aloool. 
5 Lampada* de B onsen: 4 simples com regnlador de ar; 1 

com regnlador de ar, coroa circular de orificios lateraes, 

e chamin6 de tea metallica. 
9 Limas yelhas. 
1 Lingotiere de ferro. 
1 M arteilo. 
Massaricos: 1 de Clark; 5 de Berzelio; 5 simples; 8 para 

lampada d'esmaltador. 

• 1 Massarico de gaz, com folle cylindrico, snbstitnindo a lam- 

pada d'esmaltador. 
8 Pecas de latSo n&o classificada*. 

1 PaneUa de ferro. 

8 Maos de papel de filtro. 

2 Pas de ferro. 

2 Retortas : 1 de chumbo e 1 de ferro. 

13 Supportes : * 8 de ferro para funis ; 9 de madeira, sendo 

1 articulado e 1 para tubos em U; ft 1 para 6 pipettes. 
4 Ta±oe: 1 de cobrede 81; 1 delatao de2i; 2 de ferro para 

banho de arte. 
4 Tesonras. 

* $**. Tea metallica, sendo 2°". de tda de ferro, e 1»*. de tea 

de cobre. 
4 Torneiras de latSo : 8 de 2 viae e 1 de tree viae. 
2 Torqnezes. 
2 Trempes de ferro. 

1 Vaao de lata, com snpporte. 

X. Objsotos d« yidbo. 
21 Agitadores. (12 ft). 

2 Allongas rectas. 

67 Haloes : 1 grande de 10 1 para a preparacao do acido ral- 
forico ; 1 para a analyse do ar, perteneente ao apparelho 
de Dumas ; 8 tubulados com 1 tobaladnra; 62 simples, de 
diversos tamanhos. 



Digitized by 



Google 



48 ANKUARIO DA AXADHMIA. 

6 Calioes : 5 pequenos, de analyse; 1 grande. 

19 Campanas ; 6 ourvas ; 1 de vidro com botao e duas tabu- 
fedoras lateraes ; 2 ordinariaa de vidro, com bot&o; 3 com 
torneira de metal. 

7 Crystallisadoree. 

8 Eprouvettes: 1 com pe, aembioo; 2 para chloretodecaldo. 
24 IPrascos : 2 de Woolf com 2 tubuladuras; 19 com tres tu- 

x buladuras; 1 com duas tubuladuras lateraes; 1 grande 

aimples de capacidade de 17 1; outro grande, com tubals- 
dura, da mesma capacidade. 

* 1 Frasco de lavagem. 

31 Funis : 22 ordinarios de diversos tamanboe (10 •); 1 com 
torneira; 1 de bico comprido*, 4 de vidro soprado; 3 pan 
filtracao rapida. 

6 Matrazes : 4 de fdndo cbato sem tubuladnra; 2 com una 

tttbnladnra. 
2 Recipients florentinos. 

* 1 Befrigerante de vidro de Liebig. 

11 Retortas : 1 de vidro verde tubulada; 9 de vidro brtneo 
n&o tubuladas ; 1 de vidro branco tubulada. 

2 Serpentinas de vidro, com refrigerante tambem de vidro. 

12 Siphoes de vidro: 8 staples ; 8 de ramo ; 1 de ramo e tor- 
neira. 

120 Tubos de ensaio. (100 *). 

* 30 Tubos de vidro verde para as analyses organicas. 

* 4 Tubos aspiradores para as mesmas analyses. 

23 Tubos de seguranca : 10 com funil cylindrioo ; 7 em S, 

sendo 2 com bola ; 6 de Welter. 
5 Tubos de Liebig de 5 bolas. 
15 Tubos em U de diversas grandeaaa: 2 de ponta afiada direi- 

ta, 3 de ponta curva, 3 de ponta e tubo inferior; 7 simples. 

7 Tubos em V : 2 grandes e 5 pequenoa. 
2 Tubos de Will e Warreutrapp. 

4 Tubos : 8 de vidro espesso fechado n'uma extremidade; 1 

de vidro espesso tendo na extremidade uma virola metal* 
lica e um tubo de vidro. 

5 Tubos abductores. 

10 Tabos de vidro com dtlataodes. 

* 6 Vasos de aatwnacao: 2 de 260eo, 2 de 500", 2 de 750". 
« 2 Vases de preeipitacio : de 750« c . 

ft 90 Vasos de filtracao a quente. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 49 

XI. Objectob de poeoelana e gees. 

26 Capsulas de porcelana de 5 grandezas. 

34 Cadinhos : 2 de porcelana ; 32 de grea com 16 testos. 

1 Forno para mufla. 

6 Muflas de 1.* grandeza. 

2 Retortae : 1 de gres e 1 de biscuit. 

XII ObJZCTOB DITBB808 

2 Barras magneticas n'uma calxa; 3 microscopios, dous sim- 
ples e urn composto nas respectivas caixas ; 6 elementos 
de Bunzen ; 1. pilba de Wollaston incompleta ; * 2 pincas 
de tormalina ; 1 rodella e 1 tambor para alisar polvora ; 
1 Banco isolador ; 1 de supporte ; objectog velbos de ferro. 

— Fraacos e tubo de vidro. AJguns moveis. 

N. B. Os objectos marcados com o signal * foram adquiridos 
durante o anno economico de 1877-1878. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



51 



JARDIM BOTANIGO E EXPERIMENTAL 



Eete estabelecimento data da reforma da antiga A c a d e m i a 
da Marinha e Commercio da cidade do Porto em 
Academia Polytechnics do Porto, a qual juntamente 
creou am Gabinete de Hiatoria Natural industrial, um Gabi- 
nete de Maquinas, um Laboratorio chimico e officina metallur- 
gica — devendo ser organisados todos estes estabelecimentos de- 
baixo do Piano dos anatogos pertencentes a Faeuldade de Pbi- 
losophia da Universidade dc Coimbra, em conformidade dos Es- 
tatutos da mesma Universidade, * havendo-se respeito ao seu 
destino especial, que 6 o aperfeicoamento das artes. (D. de 13 
de Janeiro de 1837, art. 165). 

Este estabelecimento serve tambem para uso da Esc61a Me- 
dico-Cirurgica ; pof em a sua intendencia pertence ao Lente de 
Botanica, ao Director da Academia, e ao Conselhb academico 
nos termos do Regimento citado. Uma parte do mesmo estabe- 
lecimento era destinada para os ensaios de Agrieultura (§ 1.° 
do art. citado). 

Porem s6 por D. de 20 d'outubro de 1852, art. 8.°, e" que foi 
concedido a Academia um terreno na ceroa do extincto convento 
dos Carmelitas da eidade do Porto (Praca do Duque de Beja) 
comprehendido no espaco que mede «855 palmoe pela face vol- 
tada ao sul, 585 pela face voltada a leste,- e 515 pela face ao 
noente», ou cerca de 6:265 metros quadrados> para alii se esta- 
belecer o Jardim botanico, iogar oride boje eriste. 



1 Um ui terceira parts, titnlo VI. 



Digitized by 



Google ^ 



N 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Aa obraa neceaiariaa para eate estabelecimento poder fiine- 
oionar comecaram em desembro de 1864 e teem continoado com 
mnita lentidfto (faltando ainda a conatruccio da eatufa autre oa- 
traa obraa d'arte) nor aer mui dimimita a respectiva doiacfa. 

Em fins de loop principiou a plantacio no Jardim, recebendo 
grande increment*) a acquiaicto de plantaa pela P. de 4 de maio 
de 1867 que permittiu a transplantable, do jardim botanico da 
Ajada para este jardim, doe ezemplarea que n£o foaaem neces* 
sarioa para o enaino e uao da Escola Polytecbnica de Liaboa. 

Contem actoalmente 1:301 especiea vegetaea diatribuidas por 
138 familiaa naturaos, aegondo o methodo de Decandolle, a sa- 
ber: 



RaouDCulaoee 






83 


Geraniaoea . , 






28 


Magnoliaoeai • , 






6 


Tropaolea . . 






2 


Anonacee . • . 






1 


Balaaminea . 






2 


Berberidee • « 






4 


Oxalidea . . 






7 


Nymphaacea* . , 






2 


Zygopbyllea • . 






3 


Papareraoea . , 






' 9 


Butacea . . . 






4 


Fnmariacea • 






5 


Celaatrinea . . 






4 


Cnicifera • • , 






44 


Rhamnea . • . 






4 


Capparidea • , 






1 


Terebintbacea 






4 


Reeedaoea , , 






4 


Leguminoaa . 






107 


Ciatineaa . • . 






11 


Rosacea . . . 


, , 




43 


Violaria • • , 






4 


Calycantbea - '« 






3 


Droaeraca. • , 






2 


Granatea . . . 






1 


Polygalea. 






4 


Onagrarica - . 






15 


Pittoeporea • . 






4 


Haloragea. . . 






S 


Frankeniacea. 






2 


Ceratopbyilea 






1 


Caryopbyllea . 






27 


Lytbrariea 






2 


Linea . . . 






3 


Tamariaeinea . 






6 


Malvacea . . , 






17 


Pbiladelpbiea. 






1 


Tiliacea • . 






4 


Myrtaeea • • 






9 


Camelliaeea . 






3 


Cueurbitacea . 






. 10 


Aurantiaoea . 






6 


Paasiflorea 






5 


Hypericinea . 






. 10 


Portalacea 






4 


Acerinea . . 






• 4 


Paxonychiea . 






. 6 


Hippocaatanea 






2 


Crassulacea . 






. 17 


Sanindacea . 
Meliacea • . 






2 
1 


Ficoidea . . 
Cactea. . . 






. 11 
. 22 


Ampelidea . 






4 


Groatolaxiea . 






. 3 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO" 



63 



Saxifragacea . 
Umbellifer© . 








11 
81 


Come® . • , 




* , 


8 


Caprifoliaces • , 
Booiaces . . . 






10 






7 


Valerianae?® • . 






5 


Dipeacese . . . 






4 


Composite. . . 






114 


Lobeliace® . . 






4 


Campannlace® 






6 


Ericace® . . , 






11 


Primulace® « « 






• 8 


Lythrarie® . . 






9 


Jasmine® . . . 






4 


Apocynace® . . 






4 


Aaclepiade® . « 
Gentianace© . . 






8 
5 


Bignoniace® • 






5 


Sesame® . . . 






8 


Hydrophyllace® « 






2 


Polemoniace®. . 






6 


Con vol vul ace® 






7 


BorragineflB 






14 


Hydroleace® . 






2 


Solanacee . . • 






88 


Scrophulariace® 






. 84 


Acanthace® . 






4 


Verbenace® 






9 


Myoparace® . « 
Labiat® . . 






2 
52 


Ptombaginace® 






10 


Plantagmace® 






5 


Phytolaccace® 
Salaolace® 






2 
12 


Basellace® 








2 


Amarantace® 








6 


Nyctaginace® 








5 


Polygonace® 








18 


Lauracea® 








8 


Protease®. 








8 


Tbymeleace© 








5 



Eluagaaeea* , 


4 






2 


Aristolochiace® . 






a 


Empetre® • . . 






l 


Euphorbiaee®. 
CnpulifenB 








a 


Corylace® . « 








2 


Jnglandaceta . 








2 


Platanace® 








2 


Betalaces . . 








2 


Salieine® . . 








6 


Celtide® , , 








2 


Cannabine® , 




* 




2 


Urticace® . . 








6 


More® . . 








8 


Ulmace® • « 








1 


Casuarine® 








2 


Conifer® • 








. .87 


Palm® . . < 








2 


Typheace® 








2 


Aroide® . 








6 


Najade® . . 








8 


Ahsmace®. . 








'4 


Bntomace® 








1 


Orchide® . , 








5 


Zingiberace® . 








2 


Cannaee® . . 








8 


Muaace® . 




- < 




8 


Hemodorace®* 








1 


Iride® . . , 








. 21 


Amaryllide® 








. 14 


Bromeliace® 








2 


Liliaoe® . . 








> 49 


Dioscoreace® 








2 


Melanth® . , 








4 


Jnncace® . 








8 


Commelinace® 








8 


Cyperace® 








. 7 


Qramine® • 








. 80 


Eqtdsetace© 
Fiticea . . 








2 








18 


Lycopodiacaj 








1 



Qigitiz 



Google 



54 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Ferramdntas e utenrilioa 



2 Ancinhos de madeira. 

2 Ditos de ferro. * 
1 Bomba de ferro fixa. 

1 Dita de ferro e madeira morel. 

8 Estufins. 

1 Enchada. 

1 Etiqueta de ferro (modelo). 

500 Ditas de zinco. 

1 Coberta d'arame zincado para sementeiras. 

1 Colher em forma de telha. 

3 Cestbs. " / 

1 Mangueira de fona, dividida em tree partes. 

1 Prensa de madeira para herbarios. 

5 Regadores de iplha. 

1 Sacho de ferro! 

1 P& de ferro. 

1 Fouce. 

1 Seringa de rega. 

2 Taboleiros de pinho de flandres. 
1 Teaoura de aparar. 

1 Segadeira mecanica, William. 
547 Vasos de barro commum, grandee. 
426 Ditos dito, pequenos. 
21 Ditos dito (semeadeiros). 

42 Ditos de barro vidrado com pe e aros, para columnas. 
23 Ditos de barro vidrado com prateira. 
6 Ditos de barro braneo com ornatos. 

Infltrumentos e preparagSe* microscopicas 

1 Estojo de enxertia. 
1 Bistori botonado. 
1 Pinca botonada. 
1 Microtomo, modelo de H a y e n. 
1 Apparelbo de lamina de aco para faser seccoes. 
1 Collecc&p de instrumental para preparacoes microscopical 
em caixa. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO *ORTO 56 

1 Lente. 

1 Microscopio simples deBaspail. 
1 Dito simples de N a c h e t. 
1 Dito composto de B e c k com accessories. 
32 Preparacoes microscopicas ditersas. 
1 Caixa contendo 18 preparacoes microscopicas, offerecida por 
Jac. A. Scalongue. 

Bibliotheca privativa do Jardim Botanico 



Argenta — Album de la Flora Medico-Farmaceutica, e indus- 
trial, indigena y exotica, — 8 vol. 1862. 

Brotero — Flora Lusitanica — 2 vol. 1804. 

Brotero — Phytographi» Lusitanin — 1816. 

De Candolle — Regni regetabilis systema naturale — 2 vol 1818- 
1825. 

De Candolle — Prodromns systematis natnralis regni vegetabi- 
lia— 21 vol. 1824 a 1878. 

De Lannay et Deslonchamps — Herbier general de ramoteurs — 
8 vol. 1816-1827. 

Ecor chard — Flore regionale. 

Encyclopedie methodique — Section botaniqne — 5 vol. 

Gomes (B. A.) e Beirao — Catalogue plantarum Horto Botanici 
Medico-cirnrgicsB Ob'siponensis — 1852. 

JuBsien — Genero plantarum secundum ordines naturales dispo- 
stae — 1789. 

Lamarch et De Candolle — Flore Francaise — 6 vol. 1815. 

Lemaire et Verschaffelt — L'lllustrationHorticole — 14 vol. 1854 
a 1867. 

Le Maout et Decaisne — ; Flore elementaire des jardins et des 
champs — 1855. 

Loureiro (Jofto de) — Flora Conchinchinensis — 2 vol. 1790. 

Mauritius — Flora azorica — 1844. 

MirbeU- Elements de physiologic vegetal — 3 vol. 1815. (Offe- 
recida pelo director do jardim). 

Richard Scomburgh — Catalogue of the plants. (Offerecido pelo 
auctor). 

Boumeguere — Cryptogamie illustree : Champignons — Li- 
chens — 2 voL 



Digitized by 



Google 



66 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Stenfort — Les plus belles plantes de la mer — 1877. 
Tournefort — Instutiones rei herbaria — 3 yol. 1719. 
Vandelli — Diccionario dos termos technicos de hiatoria natonl 

— 1788. 
Verlot — Le guide du botaniste herborisant — 1865. 



Digitized by 



Google 



I 



67 



GABINETE OE INSTRUMENTOS DE MATHEMATICS 



Instrumentos de Astronomia 

Dnas lunetas astronomicas, de D o 1 1 o n d , de 1" de foco — uma 
com dois oculares astronomicos e a outra com tres, alem do 
ocular para alcances terrestrea ; uma d*ellaa tern apparelho 
de fixar a luneta com prisoes tubulares e forquetaa para mo- 
vimento lento horisontal e vertical. 

Dois oitantes de 6 bano, deDollond. 

Dois sextantes de D o 1 1 o n d , um grande (nonio I6") f outro mais 
pequeno (nonio 80"). 

Quadrante de D o 1 1 d n d , com duas lunetas e paraftiso micro- . 
metrico, montado em p6 de metal (nonio 15", horisontal 2'). 

Circulo de reflextto, numero 318 de Troughton & Simms 
(nonio 10")- 

Dois horisontes artificiaes, nm circular de vidro negro e o ou- 
tro para mercurio. 

Grande apparelho de Biot (Secretan) para as experiencias 
fundamentaes da polorisacao, pela refleiao, rfefraco&o, du- 
pla refracc&o, polorisacao circular, cores complement a res, 
anneis corados, vidros temperados e projecc&o d imagens so- 
bre um vidro fosco ; com uma collecp&o de cristaes e vidros 
temperados. 

Pendula de segundos de tempo medio, de Arnold. *) 

1 Estapendnla foi comprada em Londres pela «Companhia Geral da Agri- 
culture das vlnbas do Alto Douro», entlo administradora da Academia, e remettl* 
da em 26 de marc© de 1805 peloe agenies da mesma Compaohia. sea casto 
coosta da aeguinte nota: 

Custo ft 84 

Caixa » 3 

Deepens, commiiaSo e seguros » W 3» 4d 

100 ib 3i 4d 
Camblo de 61 V* rs. 392*489. 



Digitized by 



Google 



58 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Polariscopo de Arago (pequeno modelo) 

Espbera armillar de Gary. 

Doi8 grandee Grlobos, de 0,"912 de diametro — um celeste e 
outro terrestre — com meridiano de cobre, montadoe em pe" 
de vinhatico. * 

Barometro de C. Tagliabue. 

Apparelho de Bohnenberger para* demonstrar a precessao 
dos equinoxios e a nutac&o. 

Uma colleccjio de nove quadros astronomicos, mecani- 
cos, pintados em .vidro, para serem amplificadoe em projee- 
cSo pela luz electrica, de J. Duboscq, representando systema 
solar ; os movimentos da Terra na sua orbita ; os da Lua; as 
mares; a espberecidade da Terra; movimento directoere- 
trogado de Venus on Mercnrio ; a rotac&o da Terra ; os ecli- 
pses ; um cometa descrevendo a orbita. 

Uma colleccao de trinta (juadroB astronomicos n£o me- 
canicos, pintados em vidro para serem amplificadoe em pto- 
jecc&o pela luz electrica, de J. Duboscq, repreaentsado 
os principals systema s e phenomenos astronomicos. 

Instrnmentos de Topographia e Geodasia 

Grapbometro de Dollond (nonio 80"). 

Theodolito de Dollond) (nonio horisontal 1', vertical 20- 

Theodolite de circulo vertical completo, de TrougbtonA 
Si mm 8 (nonio 1/). 

Nivel de Troughton & Simms. 

Bnssola de pinnulas de Hawey W* Hunt. 

Duas plane net as : uma commum, com agulba e alidades de pin- 
nulas; a outra de rolos, com pe, joelho (systema Cugnot) 
e alidade de luneta. 

Mira faUante, de duas tiragens, com quatro metros de altora 
(syBtema francez). 



« Bite par de globos, comprados pelt referida de Companhla, foram 
tidos de Londrea em 31 de mar$o de lfcitf. sea casto ooosu da tagvinte doU: 

Cuato ft 63 

Caixlo • 6 5« ?d 

Despexas, commlaslo e aeguro t 7 tf 10 

78 ft 17* 
Cambio deW/* . n. 



Digitized by 



Google 



* POLYTECHNICA DO PORTO 59 

Compasso metallico de Dollond. 
Seis bandeirolas e uma cadeia de arame. 

Modelos cinematicos ' 

Modelos de madeira: 

Um cabrestante. 

Urn sarilho. 

Dois bate-estacas. 

Um gaindaste. 

Uma roda-gnindaste. 

Uma cabrea. 

Uma engrenagem de roda e- lanterna. 
Modelos de fexro e madeira: , 

Uma engrenagem recta. 

Uma engrenagem conica de eixos rectangulares. i 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



61 



AULA DE DESENHO 



material de ensino do Deeenho f6rma 


una vasta e rariada 


colleccAo de Estatnas e '. 


Bustos em gesso — gravuraa, e ea- 


tampas avulsas e em lrrros das quaes 


as man ootavris aao: 


Estatuas 






Gladiador combatente • • 


. — Altura 


2- 


Discobolo em repouso • . 


. — » 


1,70 


A Venos de Medici* • • 


• — » 


1,56. 


Antino • • . . . . 


_^ ji 


1,86 
1,82 
1,30 


Baccho •••••• 




Mercurio 


— — 9 


Psyche 


. » 


1,80 


C£res 


— 9 


1,02 

0,92 


Nossa Senhora e o Merino. 


• ™ — ■ * 


AFriorenta 


• » 


0,98 


A Venus em cocaras * . 


• "—" * 


466 


BUSTOS QRAKDSS 






Moisea, de Migud Angdo. 
Apollo, do Belvedere* 










Baccho do Vaticano. 




• 


Mart*. 






Minerva* 






Juno. 






Achilles. 






Tres filhas de Niobe. 






Um filho de Niobe. 






Antuio. 






Apollo das Moaas. 

Sileao, 

Laoeoonte. 











Digitized by 



Google 



63 POLYTECHNICA DO PORTO 

Alexandre. 

Vitellio. 

Venus, de Canova. 

Demosthenes, 

Seneca. 

Sophocles. 

Plauto. 

Homero. 

Qbatukas 
de Rafael Morghen : 
A Virgem da Cadeira. 
Uma faarifia, de Angelica HanfiEman. 
S. Pedro e S. Paulo, de Guido Reni. 
Urn monumento a Clemente XIII, de Canova. 

de Fernando Sehno : 

A Virgem e o Menino, denominada a Virgem do peixe, de Ra- 
fael. 
A Familia Sagrada, denominada a Perola de Rafael. 
Encontro, denominado o «Spasimo de Sicilia*, de Rafael. 

de Pietro BitteUino : 

Jesus Christo no tumulo, de Andre del Sarto. 

de Gerard Andran : 

Frescos da abobada do Castetlo de Seaux, de Lebrun. 

de Johan OUaviani : 

Loges de Rafael, no Vaticano. (In-folio). 

Nvta. A colleccSo das gravuras contem ainda 366 de F. Bario- 

lom (gTandes e pequenos), e outras de yarios gravadore* de 

somenos importancia. 

Livbo8 ■ 1N8TRUMBHTO8 : 

Bernard de Montfaucon — L'antiquite expliquee et representee 

en figures. 1719. 
Galerie de Florence — (Tableaux, statues, bas-reliefs et camto 

de la) — dessinees par Wicar et gravies -boos la direction de 

L. L. Masquelier, avec les explications, par Monges. Paris 

1819. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 63 

Um eatoio de desenho linear. 
Camara lucida (complete) de Wollaston. 
Camara escura d'artista (complete), com addlcfto d'uma lente 
para dcsenhar objectos proximos, tirar retratoe, etc. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 65 



Datas dan nomea^5es 9 eneairtes e pos- 
ses dos Lentes e mats empregadois da 
Aoademia Folyteeluiiea, e indioaoao 
das natuiralidades e epooas dos nas- 
cimentos dos mesmos. 



Antonio da Costa Paiva, cavalleiro das ordens de 
Christo e de Nossa Senhora da Conceicao, 1.° Bar&o de Castello 
de Paiva em 1854, doutor em medicina e bacharel em pbilosopbia, 
socio da Acad emia Real das Sciencias de Lisboa, e d'outras acade- 
mias e corporacoes scientificas nacionaes e estrangeiras — nomeado 
lente d'AgricuItura e Botanica da Academia Real da Marinha e 
Commercio da cidade do Porto por decreto de 20 d'outubro de 
1836 e carta regia de 13 de Janeiro de 1837 — nomeado Lente 
proprietario da 10.* cadeira (Botanica, Agricultura, Economia 
rural e Veterinaria) e director do jardim botanico, por decreto 
de 11 de junhd de 1838 e carta regia de 28 de julho do mesmo 
anno — jubilado com o ordenado por inteiro por decreto de 31 
de dezembro de 1858 e carta regia de 19 de Janeiro de 1859. 
— Tomou posse em 14,de jonbo de 1839. — Nasceu no Porto em 
12 de outubro de 1806. 



Jose* de Parada e Silva Leit&o — nomeado Lente 
proprietario da 8.* cadeira por decreto de 27 denovembrode 1837 
e carta regia de 31 de Janeiro de 1838 — agraciado com o terco 
do sen ordenado por diuturnidade de servico, por decreto de 26 
d'outubro de 1858 e apostilla de 9 de novembro de 1859. — To- 
mou posse em 14 de fevereiro de 1838. — Nasceu em Sernache 
do Bomjardim em 9 de junho de 1809. 



Digitized by 



Google 



66 ANVUARIO DA ACADEMIA 

Arnaldo Anselmo Ferreira Braga— nomeadoLente 
substituto da seccilo de philosopbia por decreto de 6 de marco 
de 1861 e carta regia de 2 de abril do meemo anno — promoyido 
a Lente proprietario da 7.« cadeira por decreto de 19 de julho 
de 1854 e apostilla de 16 de agosto do meemo anno — agra- 
ciado com o augmento do terco do sen ordenado, por diutumi- 
dade de servico, por decreto de 10 de agosto de 1876 e carta 
regia de 30 de novembro do meemo anno. — Tomou posse do 
lugar de Lente sabstituto em 2 de maio de 1851, e do de Lente 
proprietario em 1 de setembro de 1854. — Nasceu no Porto em 
26 de setembro de 1828. 



Pedro Amorim Vianna — nomeado Lente substituto da 
seccao de mathematica por decreto de 6 de marco de 1851 eapoa- 
tilla de 9 de junbo do mesmo anno — promovido a Lente da 2." 
cadeira por decreto de 9 de novembro de 1858 e carta regis de 
6 de junho de 1859 — agraciado com o augmento do terco do 
sou ordenado, por diuturnidade de servico. por decreto de 10 de 
qgosto de 1876. — Tomou posse do lugar de Lente substituto 
em 21 de junho de 1851, e do de Lente proprietario em 1 de 
agosto de 1859. — Nasceu em Lisboa em 21 de dezembro de- 



Francisco de Salles Gomes Cardoso — nomeado 
Lente substituto da eecclo de philosophia por decreto de 23 de 
junbo de 1851 e carta regia de 30 de agosto do mesmo anno— 
promoyido a Lente proprietario da 10.* cadeira por decreto de 2 
de marco de 1859 e apostiUa de 29 do mesmo mea e anno — agra- 
ciado com o augmento do terco do sen ordenado, por dinturni- 
dade de servico, por decreto de 10 de agosto de 1876 e carta re- 
gia de 81 de dezembro do mesmo anno. — Tomou posse do lu- 
gar de Lente substituto em 20 de setembro de 1851, e do de 
Lente proprietario em 30 de abril de 1859. — Nasceu no Porto 
em 28 de fevereiro de 1816. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 67 

. Francisco daSilva Cardoso — nomeadoLente substi- 
tato da 4.* cadeira por decreto do 90 do agosto de 1851 e carta re- 
gia de 18 de setembro do mesmo anno — promovido a Lente pro- 
prietario da mesma cadeira por decreto de 26 de maio de i862 
e apostilU de 14 de agosto do mesmo anno — agraciado com 
o angmento do terco do sen ordenado, por diutnrnidade de ser- 
▼ico, por decreto de 10 de agosto de 1876 e carta regia de 3 
de ontubro do mesmo anno. — Tomou posse do lugar de Lente 
substituto em 14 de ontubro de 1851, e do de Lente proprieta- 
ry em 4 de setembro de 1862. — Nascen no Porto em 20 de no* 
vembro de 1825. 



Gustavo Adolpho Goncalves e Sonsa — nomeado 
Lente substitnto da seccio de mathematics por decreto de 21 de 
agosto de 1851 e carta regia de 28 de outubro do mesmo anno — 
promovido a Lente proprietario da 5.* cadeira por decreto de7de 
ontabro de 1868 e apostilla de 8 de fevereiro de 1869 — agra- 
ciado com o angmento do terco do seu ordenado, por diutnr- 
nidade de servico, por decreto de 10 de agosto de 1876 e carta 
regia de 4 de abril 4e 1877. — Tomou posse do lugar de Lente 
substitute) em 12 de dezembro de 1851, e do de Lente proprie- 
tario em 8 de junho de 1876. 



Conselheiro Adriano d'Abreu Cardoso Macba- 
do — nomeadoLente proprietario da 12.* cadeira por decreto de 
17 de julbo de 1858 e carta regia de 1 de setembro do mesmo anno 
— agraciado com o angmento do terco do seu ordenado, por diu- 
turnidade de servico, por decreto de 21 de dezembro de 1876 e carta 
regia de 3 de maio de 1877 — nomeado director da Academia 
Polytechnica do Porto por decreto de 8 de junho de 1869 e car- 
ta regia de 20 de fevereiro de 1876. — Tomou posse do lugar 
de Lente proprietario em 1 de outubro de 1858, e do de director 
em 27 de setembro de 1869. — Nascen em MonsSo em 17 de ju- 
lbo de 1829. 



Antonio Pinto de Magalbftes Aguiar — nomeado 
Lente substitute da seccio de mathematica por decreto de 19 de 



Digitized by 



Google 



99 AMNUAWO DA ACADBMIA 

jnnbo de 18^0 e carta regia de 12 de deaembro do mesmo i 

Sromovido a Lente proprietary da 3.* cadeira por deereto de 4 
6 marco de 1869 e carta regia de 4 de agosto do mesmo anno.— 
Tomou posse do lugar de Lente substituto em 31 de desembro 
de I860, e do de Lente proprietario em 11 de marco de 1869.— 
Naaceu em Santa Eulalia de Constancy (Marco de Caaaveses) 
em 23 de junto de 1834. 



Guilherme Antonio CorrSa — nomeado Lente subs- 
tituto da 4.* cadeira por deereto de 20 de agosto de 1863 e carta 
regia de 22 de setembro do mesmo anno. — Tomou posse em 7 
de outubro de 1863. — Naaceu no Porto em 23 de maio de 1829. 



Jose" Joacfuim Bodrigues de Freitas — nomeado 
Lente substituto da 11.* e 12.' cadeirae por deereto de 29 dede- 
zembro de 1864 e carta regia de 6 de abril de 1865 — promovido a 
Lente proprietario da 11.* cadeira por deereto de 15 de maio da 
1867 e apostilla de 11 de julbo do meamo anno. — Tomou posse 
do lugar de Lente substituto em 4 de Janeiro de 1865, e do de 
Lente proprietario em 16 de agosto de 1867. — Nasceu no Porto 
em 24 de Janeiro de 1840. 



a Antonio Alexandre Oliveira Lobo— nomeado Len- 
te substituto temporario da 11.* e 12.* cadeiras por deereto de 10 
de fevereiro de 1869 e carta regia de 3 de agosto do mesmo anno 
— provido vitaliciamente no mesmo lugar por deereto de 4 
de outubro de 1871 e carta regia de 9 de marco de 1872.— 
Tomou posse do lugar de Lente substituto temporario em 15 de 
ievereiro de 1869, e do de Lente substituto ritalicio em 20 de 
outubro de 1871. — Kasceu no Bio de Janeiro em 11 de no?em- 
bro de 1833. 



Jos6 Pereira da Costa Cardoso — nomeado Lente 
proprietario da 13.* cadeira por deereto de 14 de abril de 1869 e 



Digitized by 



Google 



POLtTBCHNICA DO P6RTO 68 

carta regit de 4 de abril do 187& — Tomou pcme em ft de abril 
de 1869* — Nasceu no Porto em 6 de outabvo de 1831. 



Adriano de PaivadeFaria Leite BrandSo — no- 
meado Lente substitute temporario por dons anno* da s«cc3o de 
pkilosophia por decreto de 14 de Janeiro de 1873 e carta regia de 6 
de marco do mesmo anno — provido vitaliciamente no referide 
lagar por decreto de 11 de fevereiro de 1875 e carta regia de 3 de 
junho do mesmo anno— promovido a Lente proprietario da 9.* 
cadeira por decreto de 18 de agosto de 1876 e carta regia de 
29 de novembro do mesmo anno. — Tomou posse do lugar de 
Lente substituto temporario em 20 de Janeiro de 1873 — do de 
Lente substituto vitalicio em 20 de fevereiro de 1875 — do de 
Lente proprietario em 25 de agosto de 1876. — Nasceu em Braga 
em 22 de abril de 1847. 



Joaquim de Azevedo SouzaVieiradaSilva Al- 
bnquerque — nomcado Lente proprietario da 1.* cadeira por 
decreto de 7 de setembro de 1876 e carta regia de 29 de novembro 
do mesmo anno — nomeado secretario interino da Academia Po- 
lytechnica em sesaao do Conselbo academico de 2 de outubro de 
1876. — Tomou posse em 13 de setembro do mesmo anno. — 
Nasceu no Porto em 16 de agosto de 1839. 



Rodrigo de Mello e Castro de Aboim — nomeado 
Lente substituto da seccao de mnthematica por decreto de 24 
de maio de 1877 e carta regia de 18 de julho do mesmo anno. — 
Tomou posse em 28 de maio do mesmo anno. — Nasceu em Castro- 
Daire em 15 de setembro de 1847. 



Antonio Joaquim Ferreira da Silva — nomeado 
Lente substituto da secc&o de philosophia por decreto de 24 de 
maio de 1877 e carta regia de 17 de julho de mesmo anno. — 
Tomou posse em 28 de maio do mesmo anno. — Nasceu no Couto 
de CucujSes (Oliveira de Azemeis) em 28 de julho de 1853. 



Digitized by 



Google 



70 ANNUARIO DA A CAD EMI A 

Simio Jose Caetano Moreira— nomeado guardai* 
balterao par carta do Director de 19 de outubro de 1837. —To- 
mou posse n'esta mesma data. 



Daniel LeSo da CunhaLima — nomeado gnarda »- 
balterao nor decreto de 16 de novembro de 1860 e diploma.de 28 
de maio ae* 186L — Tomou posse em 3 de junbo de 1861. 



Jose Pinbeiro Barbosad'Aguiar — nomeado gnar- 
da subalterno por decreto de 8 de maio de 1866 e carta regit 
de 20 de jnnbo do mesmo anno. — Tomou posse em 8 de mait 
de 1866. 

Joaquim Philippe Coelbo — nomeado gnarda-mor per 
decreto de 19 de Julho de 1872 e carta regia de 20 de agosto do 
mesmo anno. — Tomou posse em 1 de agosto de 1872. 



Digitized by 



Google 

1 



POLYTECHNIC* DO PORTO 



71 



Tabella do« venoimentoan dos lente« e 
mate empregados, e dota^&o da Aoa- 
demia para expediente e material do 
ensino e para ot>ras do edlfloio 

Ordenado de lente proprietario row " 700*000 

(D. de 13 de Janeiro de 1837, art* 162). 

Com angmento do terco por diutarnidade de 

senrico » 983*330 

ID. de 4 de aetembro de I860, art.* 1.* e 7.°). 

Ordenado do lente de desenho (4.* cadeira). » * 500*000 
|D. de 14 de denmbro de 1869, art.* 3.*). 

Ordenado de Substitute • 400*000 

, (D. de 13 de Janeiro de 1837, art. 9 162). 

GratificacSo de Director • 100*000 

(D. de 20 de setembro de 1844, art* 144). 

Ordenado do Secretario • 250*000 

Idem do Bibliothecario > 250*000 

Idem do Guarda-mor • . 240*000 

Idem de Guard a » 146*000 

Idem do Guarda do Laboratorio chimico > 200*000 

Idem do 1.° official do Jardim botanico. > 200*000 
ID. de 13 de Janeiro de 1837, art* 162). 

Para premios a estudantes, despezas do expe- 
diente, compra de livros para a bibliothe- 
ca, conservac&o e aperfeicoamento do jar- 
dim botanico, dos gabinetes de physica e 
historia natural e do laboratorio chimico. » 1:730*000 

Para continuac&o das obras do edificio da 
Academia (Carta* de lei de 23 de junbo de 

1857) » .4:000*000 

(Diatriboifflo da dcspesa do Minteterlo do Retqo, 
exerddo de 1878*79). 



Digitized by 



Google 



79 * AMNUMUO DA ACADEMIC 



XMjvpoetcoeB leffiaes z-elativa* a.o» I^entes 

Ob Lentes sio de nomeaciio regia, precedendo concurso pu- 
blico. (Cart Const., art.* 75 § 4.°— DO. de 29 de dezembro de 
1886, art.* 124, e 22 de agosto de 1865, art 1.°). 

Direitos dos Lentes 

I. Ob Lentes teem garantida a perpetuidade dos sens loga- 
rea — nao podem ser suspensos sem audiencia previa sobre qoei- 
xa de individuo on inforniac&o de auctoridade, nem demittidos 
sem preceder sentenca proferida em tribunal competente. (DD. 
de 15 de novembro de 1836, art. 21, e 11 de Janeiro del837, 
art. 17). 

II. Acb&ndo-se em servico effectivo sao dispenamdos da* 
fonccoes do jury. No caso de serem sorteados, devem fazer eons- 
tar aos respective^ juizes o sen impedimenta legal. (D. de 13 de 
fevereiro de 1868, art. * 1.° e 2.°). 

III. Tern direito a sua jubilacao com o ordenado por inteiro 

— ao augmento do ordenado por continuac&o no magisterio 

— a jubilacao com mais o terco do ordenado, e a sua aposenta- 

Snos casos em que a lei a concede. (D. de 4 de setembro de 
10 — Lei de 17 oVagosto de 1853). 

IV. Sao equiparados aos da Esc61a pplytechnica de Lisboa 
para intervirem nos jurys de concurso (D. de 7 de' fevereiro de 
1866, n. 2.°). 

V. Quando tiverem de ezercer o officio de julgar, podem 
dar-se de, suspeitos, jurando logo a suspeic^o. (D. de 7 de feve- 
reiro de 1866, art 4.°). 

VI. Em cada anno lectivo podem pedir licence ao Director 
at£ 30 dias, por motivo de molestia legalmente comprovada. (Por- 
taria de 5 d'outubro de 1870). 

VII. Sendo deputados,,6-lhes concedido o prazo de oito dias 
para ida para Lisboa e igual prazo para o regreeso, com abons- 
c&o de yencimentos. (P. de 29 de dezembro de 1862). 

Vni. Sao isentos de qualquer encargo ou servico pessoal, 
incluindo o da tutela e da protutela. (D. de 20 de setembro de 
1844, art. 171, e Cod. Civ., art. 227, n.« 2). 

IX. Nao podem ser excluidos da folba dos vencimeatot 



Digitized by 



Google 



P0LYTECHN1CA DO KfcTO 7$ 

em quanto nlo forem traneferidos, exoneradoe ou demittidos, 
(Lwtruceocs de 29 de julho de 1861). 

X. Aehando-ae em commissio gratuita do govern*, vencera 
o ordenado por inteiro una vez que apresentem todoe ob semes* 
tres documento de efifectividade de servico. (D. de 5 de desem- 
bro de 1836, art. 100— P. de 24 d'outnbro de 1840, art* 4.°). 

XI. servico que prestarem em cortes, on em aualquer ea* 
tabelecimento de ensino publico, ou em commissio litteraria ou 
seientifica e-lhee repatado como de effectivo exereicio no ma* 
gisterio para o fim da sua jubilacio. (D. de 4 de setembro de 
I860, art.* 2.* § 2.°). 

XII. Nio Ibea sto descontados os vencfmeutos porausencia 
durante as ferias. (P. de 14 de Janeiro de 1850). . 

XDI. Qualquer lente proprietario ou substituto em exerci* 
cio p6de accumular a regencia da aula propria com o servico 
d'uma cadeira vaga, ou cujo proprietario e substituto se acha- 
rem impedidos — vencendo a gratificao&o corres^ondente a me- 
tade do ordenado do logar substituido. (D. de 26 de dezembro 
de 1860, art.* 1.° § 3.° e art.* 5.°). 

XIV. Os substitutos que regerem cadeira em cada um dos 
annos lectivos por espaco de tres mezes consecutive* ou inter* 
polados tem direito, pelo tempo que demais senrirem, ao orde- 
nado de lente proprietario — se a cadeira estiver vaga, ou se o 
proprietario sourer desconto legal, o substituto que reger a ca* 
deira tem direito ao ordenado de lente proprietario por todo o* 
tempo que servir — se o proprietario n&o sourer desconto, mas 
faltar mats d'um anno com impedimento legal, o substituto que 
em um anno lectivo tiver servido por elle tres mezes sem grati* 
ficacao tem direito a ser contado nos annos seguintes com o 
ordenado de lente proprietario desde a abertura da cadeira. (Lei 
de 17 d'agosto de 1853, art 5.°— D. de 26 de dezembro de 
I860— P. de 31 de dezembro de 1861). 

Deverea 

I. Os lentes devem justificar perante o Director todas as 
faltas ao exercicio dos seus logares dentro do mez em que forem 
commettidas. (P. de 29 de setembro de 1871). 

II. Os lentes que deixarem de assistir a todas as provas e vo- 
taccea dos candidates aos logares academicoe, ou de justificar le- 



Digitized by 



Google 



74 ANNUARIO DA ACADEMIA 

gmlmente a sua falta, on que depots de haverem concorrido a 
qualquer parte d'esses actos, se subtrabirem ao desempenho de 
aJguma das suae obrigacoes, sao punidos nos termos do D. de 22 
d affosto de 1865, art. 4.° e § unico.) 

In. As faltas is sessoes do conselho e is das commieaoes 
para que elles tiverem sido nomeados, s&o cootadas oomo faltas 
ordinarias. (D. de 23 d'abrilde 1840, art° 3.« § !.•). 

IV. Devem apresentar dentro do praso de quatro meses a 
sua carta on proVimento. (Lei de 11 d'agosto de I860, art 8.*— 
P. de 10 de setembro de 1861). 

V. Nos conselhos mensaes devem dar impreterivelmente 
eonta das faltas dos seas discipalos no mez anteoedente, tendo 
tornado diariamente o ponto de frequencia d'elles, (Eetatatos de 
29dejulhodel803, art* 7.*—D.de 80 d'outubro de 1866, arf 

iia 

VI. Os que estiverem dispensados do service lectivo em com- 
miss&o puramente litteraria, est&o sujeitos ao service dos actos, 
achando-se residindo na s6de da academia e nfto tendo dispeasa 
especial do governo. (P. de 15 de junho de 1866, n.» 4.«). 

VII. Compete-lhes as seguintes attribuicoes policiaes : frier 
master a ordem, dec6ro, e profundo socego dentro das snas au- 
las, e em qnaesquer exercicios litterarios, on repartic£es, a que 
nresidirem — reprehender os individuos, que, durante os traba- 
thos academicos, perturbarem o exercicio d'elles, on commetterem, 
alguma falta de disciplina; se os pertnrbadorea nfto cederem, 
mandal-os condusir em custodia & presence do Director jjelo 
ffuarda da aula ; se ainda assim o socego nfto near restabelecido, 
interromper os exercicios a que presidirem, dando conta circums- 
tanciadadetudo ao Director. (D. regulamentar de 25 de novem- 
bro de 1889, art* 6.°). 



Digitized by 



Google 



75 



CURSQS LE6AES DA ACAOEMIA POLYTECHNICA DO PORTO 



A Academia Polytecbnica ministn os segnintes: 
Cvurmom espeolaei 
I — Cnno de Engenbeiros civis : 



a)—de 
i) — de 

€)-(?€ 

II-Di 



a) 

5 pontes e estrada*. 
• Geographos. 
■ Directores .de fabricas. 
m — Commerciantee. 
IV — Agricultores. 
V — Artiataa. 

(Decreto de 13 de Janeiro de lt37) . 

. Curaoa preparatorio» 

I — Cnno preparatorio para as escolas medico- cirnrgicas 
(decreto de 20 de setembro de 1844, artigoe 147 a 
160). 
II — Cnno preparatorio para a esco'la de pbarmacia nag es- 
c61ae meaico-cirnrgicRs (decreto de 29 de dezembro de 
1886, artigoe 129 e ISO), 
m — Curso preparatorio para a eacola naval : 
a) — Curso de offidae* de marinha. 
o) — Curso de engenheiros constructor** novate (decreto de 

26 de deaembro de 1868> artigoe 28 e 24). 
IV — Cnno preparatorio pan a esc61a do ezercito (annas es- 
peciaes e estado-maior) — (decreto de 20 de setembro 
de 1844, artigo 140 — decreto de 24 de dezembro de 
1868, artigo 26, § 2.°— decreto de 2de jnnho de 1873). 
Estes cnraos b4o professados segnndo os qnadros segnintes : 



Digitized by 



Google 



76 ANNUARIO DA* ACADEMIA 

I— ISng'eiil&elros oivis 

a) — dtminas. 

!!.• cadeira. 
4.* » (desenbo de fignra e paisagem). 



!8.* » 
4.* » (desenbo de paisagem — desenhodetopo- 
graphia). 

« • mmo-l 3 -* cadeira. 

j 7.* » (metallurgia e arte de minas> 

fl8. a cadeira (mechanica applicada & resistencia dos 
solido8 e 4 estabilidade das construe 
cues, especialmente a pontes e estiadas 
e as macbinas de vapor. 
4.° anno I 7. a » (mineralogia e geologia). 

4. a » f desenbo de perspectiva, plantas e perfii 
das machinas em uso no servico dai 
minaa). 
^10.« » (Botanica). 

15.* cadeira. 
4.* » (desenho de c6rtes e plantas de minaa, e de 
convencoes para designar os terreqos). 
12.« » ■ . • 

5)— de pontes e eshradas. 

1 * anno I 1,a «deira. 

I 4." » (desenbo de figura e paisagem). 

I2.» cadeira. 
ft • * 

Desenbo de arcbitectura (na Academia PortnenM 
de beUas-artes). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO POJtTO 7T 

!3.» cadeira. 
4. a » (desenho de topographia, ornato, decora* 
goes e maohinas). 
9.- » 

!13.» cadeira. (1.° anno). 
?.- » (zoologia, mineralogia e geologia). 

( 13.- cadeira. (2.° anno). 
5.» anno 10.* » (Botanica). 
12.- 

e) — Geographos. 

1 • anno I *'* ca< ^ e * ra ' 

I 4.- • >» (desenho de figura e paisagem). 

^•annoj ga 

!3.« cadeira. 
9.- » (chimica mineral). 
4.- » (desenho de topographia e paisagem pelo 
natural). 

5.* cadeira. 

7.- » (zoologia, mineralogia e geologia). 
Il2.« t 
4.° anno < 10.- • (Botanica e Veterinaria). 

Desenho geographico, reduocio de plantas de 
costas, bahias, enseadas, portos, etc (na Aca- 
demia Portuense de bellas-artes). 

II— Directories na Fawucas 



V 



1.- cadeira* 

4.* » (desenho de figura). 

9.- » 



Digitized by 



Google 



78 ANNUAMO DA AGADBMIA 



2.° anno 



2.* eadeira. 
8.* » 

Deaenho de architecture (na Academia Portuense 
de bellas-artes). 



!8.* eadeira. 
4.* » (deaenho de ornato, decoracfes e madri- 
nas). 

. m i 13.* eadeira. (l. # anno). 

4.* anno I ^ v 

/12.* » 

5.° anno 1 13.* eadeira. (2.° anno). 

Ill — COMMK&CI AVTBB 

1.* eadeira. « 



1.° anno ] 

f 11.* • (escripturacfto por partidaa dobradas). 

ill.* eadeira (formulas doa documentos commerciaes 
usadaa quer nas tranaaccoes de com- 

2.° anno < mercio, qaernaaproyaa doa contractos, 

j regulao&o de avariaa, etc 

( 4.* » (deaenho de figora e paiaagem). 

!ll. a eadeira. (geographia commercial — reduccio dot 
cambioe, p&ios e medidaa eatrangeiroe). 
12.* » 

IV — Ageicultorbb 
l.*annoj 1| cad«»- 

18.* eadeira. 

4.* n f deaenho de figure e paiaageiu). 

10.* » (botanica e agricnltura). 



3.° anno 



7.* eadeira faoologia, mineraloffia e geologia). 
) 10.* » i Botanica, parte pratica — veterinaria). 
) 4 f * # (deaenho pelo natural de orgSoa de Yeg«- 
tacSo e de reproduced das plantas). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO P6RT0 79 

18.* ca 

1° anno 



18.* cadeira (economia politica 6 economia e legisla- 

. c.3o ruraes). 

4.* » (desenbo de machinas e construe$5es ru- 

f raes). 



V — Abtutab. 

!1.* cade..., 
4.* » (desenho de. fignra). 

(desenbo de paisagem). 



fannoj £ ^f* 
2.« anno! JJ **** 



8,. anno j ^ <*<*««• 



4.* » (desenho d'omato, de decorac^o e de ma- 
• chinas). 

(Programma dos Estudos da Academia Polytechnica 
do Porto no anno Uctivo de 1838-39, publicado 
por ordem do conselho academico, de 7 d'Agotto 
de 1838 — Programma do Ensino na Academia 
Polytechnica do Porto, distrifruido por cursos e 
cadeira*, approvado em sessSo do cons el ho aca- 
demico de 18 de maio de 1861 — Resolucoes do 
Cqnselho academico em aessoes de 6 de marco 
de 1875 e 9 jie novembro de 1878). 



I — CtiBSO PBEPABATOBIO PAHA AS BSCOLAB MBDXOO-CIBTJBGXOAS. 



1.° anno — 8.« cadeira (physica) e 9.* cadeira (cbimica). 

2.» » _ 7.» » , fzoologia). 

3.o m — io. 1 » (botanica e physiologia vegetal). 

Obeervacdo. 1.° anno d'este curso e* ezigido como habilita- 
9 So para a matricula no 1.° anno das esc61as medico-drurgicas ; 
o 2.° anno para a matricula no 2.° anno das mesmas escolas ; e 
o 3.° para a matricula no 3.° anno d'ellas. 

(Decreto de 20 de seiembro de 1844, artlgos 147 a 150). 



Digitized by 



Google 



80 ANNUAMO DA ACADEMIA 

II — CVBJO PBBPARATOBIO PABA A BSO&A DB PHABMAOA. 

9.* cadeira (chimica). " 
10.« » (botanica). 

(Decreto de 29 de detembro de 1836, artigoa 129 e 110). 

V 

HI — CUBSO PBBPABATOBIO *ABA A ESCOLA' NAVAL. 

o) -*• Curio de officiate de marinha. 

1.* cadeira fl.° anno de mathematics). 
&• » (physica). 

(Decreto de26 de deaembro de 1868, art 23.° n.*t*) 

6) — Curao de engenharia naval. 

cadeira. % 



1.* anno 



I? 



2.* cadeira. 

Construccoes de geometria descriptiva. 
3.° anno^ 9.* cadeira (chimica inorganica e principios de me- 
tal lurgia). 
Geometria descriptiva (1.* parte). 

Construccoes de geometria descriptiva. 
3.* cadeira (mecanica e suas applicacoea sis m:«chi- 
S. # anno I nas, com especialidade as de vapor). 

j 10.* » (botanica e principios de agriculture). 
Geometria descriptiva (2.* parte). 

(Decreto de 26 de dezembro de 1868, artigo 24.° e PorUm 
de 8 de junho de 1860). 

IV — CUBSO PBSPARATOBIO PABA A EBCOLA DO EXBBCITO. 

Das disciplinas actualmente professadas na Academia Poly- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 81 

technics do Porto, oonstituem o corao preparatorio as que sao 
regidas nos segointes cursos : 

1.° cnrso — Trigonometria espherica, algebra superior, geome- 
tria analytica no piano e no eapaco. 

2.° » — Geometria descriptiva (l.» e 2.* parte). 

3.° » — Calcnlo differencial, integral, das difference, va- 
riacoes e probabilidades. 

4.° » — Mecanica racional, e applicada as machinas, cine- 
matica. 

5. # » — Astronomia e geodesia. 

6.° » — Mineralogia e geologia, 

7.° » — Physica. . 

8.° • — Chimica inorganica ; principios de metallurgia. 

9.° » — Analyse ehimica. 
10.© » — Economia politica. e direito administrativo. 

Alem d'estaa draciplinaa, este curso preparatorio comprehende 
ainda: 

1.° — Desenho linear, de architecture, de machinas, de figura 

e de paisagem, incumbindo-se o professor de dar licoes dearchi- 

tectnra acerca das regras geraes de decoracao, distribuicao e 

representac&o dos edificios par meio de plantas, alcados e c6rtes. 

2.° — Exercicios graphicos de geometria descriptiva. 

3.« — » de matbematica. 

4.0 — „ praticos de chimica, physica e mineralogia, 
Gymnastica. 

(Decreto de 2 de junho de 1873, artigo 2.°). 



Digitized by 



Google 



82 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



QUADBO I>A. IMSTRI- 

NO CURSO PREPARATOWO 



Inatruccao 



1 h.3(K 



{• anno <1 h. 30* 



%• anno. 



3.* anno. 



Segnnda-feira 



!.• curao, aula 



Terca-feira 



7.* curao, aula 



^h.^ 



i h.3(y 



Deaenho 



3.° curao, aula 



1 b.^C 



2h.3<y 



2. # CUTBO — 

L* parte,, 
aula 



Exercicioe de 
matbematica 



Deaenho 



&• curso, aula 



2. # curao — 

2.* parte, 

aula 



Deaenbo 



[1 h.W 



1 h.W 



2 b-SC 



4.* curao, aula 



10.* curao 
aula 



Deaenbo 



6.* curao, aula 



Deaenbo 



9.* curao, aula 



5.° curao, aula 



Deaenbo 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 

buiqJLo do tempo 

PARA A ESC6LA DO EXERCITO 



85 



Quarta-feira 


Quinta-feira 


Sexta-feira 


Sabbado 


1.° curso, aula 


Exercicios 

de geometria 

descriptiva 


1.° curso, aula 


2.° curso — 

1.* parte, 

aula 


7.° curso, aula 


Exercicios de 
mathematica 


7.° curso, aula 


Exercicios de 
mathematica 


Desenho 


Gymnastica 


Desenho 


Physica pratica 


8.° curso, aula 


8.° curso, aula 


8.° curso, aula 


8.° curso, aula 


2.° curso — 

2.* parte, 

aula 


Exercicios 

de geometria 

descriptiva 


10.° curso, aula 


Exercicios 

de geometria 

descriptiva 


Desenho 


Gymnastica 


Desenho 


Geometria 
descriptiva 
applicada 
a architectura 
e machinas 


4.° curso, aula 


Geometria 
descriptiva 
applicada 
& arcbitectura 
e machinas 


9.° curso, aula 


4.° curso, aula 


6.° curso, aula 


5.* curso, aula 


5.° curso, aula 


Mineralogia 
pratica 


Desenho 


Gymoastica 


Cbimica pratica 


Chimica pratica 



(Decroto de 2 de Jnobo de 1873, modslo A). 



Digitized by 



Google 



84 



ANNXJARIQ DA ACADBMA 

HORARIO das aulas no 



Deaignacao das cadeira* 



Nomes dos.lentes regentes 



i.« cadeira — Geometria ana- 
lytica no piano e no eepaco, tri- 
gonometna espherica, algebra 

superior 

/ 

&• cadeira — Calculo diffe- 
rencial, integral, das differen- 
cas e das variances 

&» cadeira — Cinematics pu- 
ra e applicada, e mecanica ra- 
tional 



Geometria descriptiva 



4.* cadeira — Deeenho de fi- 
gura e paisagem, d'ornato e 
decoracdes, de machinas, de 
topographia 



6*.* cadeira- 
geodetia .... 



Astronomia e 



7." cadeira — Zoologia. a) ^/Li- 
ncralogia e geologia. b) Metal - 
lurgia e arte de minas (*).... 



Physica theo- 



8.* cadeira 
rioae 



&• cadeira — Chimica inor- 
ganics e organica*. 



Jose" Pereira da Costa Cardoso. 



Pedro Amorim Vianna. 



Joaquim d'A?evedo Souza Viei- 
ra da Silva e Albuquerque, 

Bodrigo de Mello e Castro de 
Aboim. 



Francisco da Silva Cardoso. 

Antonio Pinto de Magalhaes 
Agoiar. 

Arnaldo Anselmo Ferreira Bra- 

Adriano de Paiva de Faria 
Leite Brandao. 

Antonio Joaquim Ferreira da 

Silva. 



(1) As duas ultimas disciplines s&o professadas oa ultima gpoca do anno 
lectivo em cucso biennal. B* a miueralogia e geologia que se ha de profesaar eate 
anno. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 85 

annolectivo de 1878-79 

Dias e horas da regencia das cadeiras 



2», 3 .», 4.", 6." feiras e sabbados VIII */a &s X horas. 

»»» »■. »..♦.* » ( 

2.", 4. M , e 6." feiras XI */t * * ho**- 

3. M e sabbados » 

2. M , 3." 4. M e 6." feiras X ds XI V* horaB. 

2", 4" e 6." feiras , XI 1/2 * I *">ra. 

2." 3.- 4.*', 6." feiras e sabbados I As II V* horas. 

2.", 4."* e 6." feiras XII */ 2 ds II horas. 

9." 5. M e sabbados I 6s II 1/2 horas. 



Digitized by 



Google 



86 



ANNUAfcIO DA ACAD EMI A 

HORARIO das aulas no 



DetiQiiacao das cadeiras 



Nomes dos lentes regentei 



10.* cadeira. — Botanic* a) 
Agriculture b) Veterinaria (1) . . 

11* cadeira. — Commercio . 

12.* cadeira. -— Economia po- 
litic* e principioe de direito 
commercial e administrative. . 

13.* cadeira. — Mecanica ap- 
plicada de const memoes civis (*) 



Francisco de Salles Gomes Car- 
doso. 

Jose Joaquim Bodriguea de 
Freitas. 



Adriano de Abreu Cardoso Ma- 
chado. 

Gustavo Adolpho Goncalres e 
Sousa. 



(*) As duas ultimas disciplinas sio professadas na ultima 
. ef>oca do anno lectivo em curso biennal. £' a agriculture que as 
ha de professar este anno. 

(2) Este curso e biennal, professando-se no l.*anno : Ben* 
tencia de materia* — EetaoUiaade de conetruccdee — Comtruccoet 
emaeral — Viae de eommunicacao — Pontes de todae as eepedet 

— Theoria doe machina* de vapor; e no 2.* anno : Hydraulic* 

— Conetruecde* hydrauliea* — Caminhoe de ferro — Theoria das 
eombrae — Perepectiva linear e etereotomia doe obras de madeira. 
E' a 2.* parte que se professa este anno. 

A 12.* cadeira foi creada pela lei de 15 de julho de 1857, 
artigo 1.° — a 13.* cadeira foi creada por decreto de 81 de de- 
lembro de 1868, artigo 35 § 1.°, considerado em vigor pela lei 
de 2 de setembro de 1869, artigo 1.° § 1.° — As outras cadeiras 
foram creadas pelo decreto organico de 18 de Janeiro de 1837. 
— A cadeira de artilheria e tactica naval (6.* cadeira) foi enp- 
primida pela lei de 20 de setembro de 1844, art. 189, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 87 

anno lectivb de l%TZ-19—(Cvntinua$3o) 4 
Diat e boras da regencia das cadeirat 

2. M , 3.", 4.", 6." feiras e sabbadoe XI i/ f a I bora. 

» . » » » » Vm as IX Vi boraa. 

6. M feiraa e sabbados X is XI i/i boraa. 

£.•% 8-", 4", 6." feiraa e sabbados VIII a* IX */t boraa. 



Digitized by 



Google 



88 ANNtftltlO DA ACADEMIA 



Habilitates exigldas aos aluranos para 
a matricula nos oursos da Academia 
Folyteeliiilea. 

Para a admissao a primeira matricula no curso especial I 
(d'engenheiros civis), e nos cutsob preparatorios I (para as escho- 
las medico-cirurgicas) e IV (para a eschola do exercito) sao exi- 
gidos os seguintos exames preparatorios : 

a) Exame final do corso completo de portuguez. 

h) Idem da primeira parte de latim. 

c) Idem de francez. 

a) Idem do curso completo de mathematica%lementar. ^ 

c) Idem de principios de physica e chimica e introdacfao 
a historia natural. 

f) Idem da primeira parte de philosophic 

g) Idem de geographia, chronologia e historia. 
h) Idem do curso completo de desenho. 

(DD. de 22 de ^aaio de 1862, art.* 1.° d: in e art* 2.»-de30fc 
abril de 1863 -de 23 de setembro de 1872, art* 8.*— de 2 de juto 
del873,art.»5.°>. 

Para a admissao a primeira matricula nos cursos especiaa 
II (directores de fabricas), III (commerciantes), IV (agricoltoreB}, 
V (artistas), sao exigidoa os exames preparatorios : 

a) Exame final do curso completo deportuguez. 

c) Idem de francez. 

d) Idem do curso completo de mathematica elementar. 

e) Idem de principios de physica e chimica e introduced 

a historia natural. 

(DD. de 22 de maio de 1862, art. 2.*- de SO d 'abril de 1863, art' 
2.°). 

Para a admissao a primeira matricula no curso preparatory 
II (para pharmacia), os exames finaes : 

a) Exame final do curso completo deportuguez. 
V) Idem da primeira parte de latim. 



Digitized by 



Google 



fk>LYTECHNICA DO PORTO 89 

c) Idem de francez. 

d) Idem da primeira parte de mathematica elemental*. 

e) Idem de principios de physica e chimica e introduced 

a historia natural. 
f) Idem da primeira parte dephilosophi a. 

(DD. de 23 de abril de 1840, art.* 173 — de 12 de agoslo de 1854, 
art 6 * 6 e 11 — de 23 de marpo de 1873). 

Para a admissao a primeira matricula no curso preparatorio 
HE (para a eschola naval), os exames finaes : 

a) Exame final do cut so complete de portuguez. 
c) Idem de francez. 

Idem do cnrso completo de mathematica elementar. 

Idem de principios de physica e chimica e introduce^ 
a historia natural. 
k) Idem do curso completo de desenho. 

(DD. de,30 de abril de 1863, art.- 10 — de 7 de Julho de 1864, art' 
12, n.- 1 — de 26 de dezembro de 1868, art* 23). 



§ 



Todos estes ezames preparatories devem ter sido feitos pe- 
rante as commissoes de exames finaes de instrucc&o secundaria, 
creadas pelo decreto de 23 de setembro de 1872, art. 7.°, ou em 
lyceus de 1.* classe. on no real collegio militar (DD. de 22 de 
maio de 1862, art. 1.°, n.° IV, § unico — de 80 de abril de 1863, 
art 11.°, § unico) se esses exames forem anteriores ao citado 
decreto (portaria de 12 de novembro de 1872} ; e as respectivas 
certidoes devem vir reconhecidas por tabelliSes da cidade do 
Porto. 

Aob alumnos militares que pretenderem matricular-se no curso 
preparatorio IV (para a eschola do exercito) sao alem d'ieso exi- 
gidos os seguintes documentos : 

a) Licenca do ministerio da guerra, a qual deve ser reque- 

rida no mez de agosto. 

b) CertidSo por onde mostrem ter menos de 20 annos de 

idade. 
t) CertidSo do assentamento de praca. 

gOTerno p6de permittir a matricula at6 a idade de 
22 annos aos que tiverem, pelo menos, urn anno de 



Digitized by 



Google 



90 ANMUARIO DA ACADEMIA 

servico effectivo nas fileiras do exarcito (art. 6.° do 
D. de 2 de junho de 1873). 

A matricula 6 feita em 2.* claaae para os alumnoa que nio 
teem todos ob preparatorioa a, o, c, d 9 e, /, g, h t acima design*- 
dos. - 

Os alumnoa que tiverem o l.'anno de qualquer dos cursos 
mencionados a pig. 75 a 81,'devem documentar o requerimento 
para matricula com a oertidao de appro va^So oaa disciplines das 
cadeiraa que, segundo oe quadros doa referidoa cursos, precedent 
a frequencia do anno on cadeiraa em que pretendem matricn- 
lar-se. 



A matricula 6 requerida ao Director. reauerimento deve 
aer feito em papel sellado, datado, aaaignado e documentado nos 
termoa acima referidoa, declarando-se n'elle a naturalidade (fre- 
guezia e concelbo), filiac&o paterna, idade do requerente e os 
cursos em que pretende matricular-se. 

Os requerimentos lancam-se na caiza que esti no corredor 
da entrada da secretaria, deade o dia 15 de aetembro ate ao dia 
5 d'outubro. 

A aasignatura das matriculas tern logar nos dias 12 a 15 in- 
clusive do mez d'outubro. 

Os estudantes admittidos & matricula tern de apreaentar no 
acto da aseignatura da matricula as guias de pagamento da res* 
pectiva propina no eofre central d'este districto e doa emolu- 
mentofl do secretario da academia (Veja a tabella seguinte). 

Estas ffuias podem ser procuradas na secretaria da Academia 
deade o dia 9 at£ ao dia 11 inclusive do mez d'outubro. 

No dia 9 sao publicados em edital os nomes dos requeren- 
tes que nao foram admittidos -& matricula com o deapacho fun- 
damentado que assim o determinou. 

Na segunda quirizena do mez d'outubro principia o exercicio 
das aulas. 



Hgitizedby VjC 



POLYTECHNICA DO PORTO 91 

Vantagens oonferidas por lei Am Cartas 
de oapaoidade dos qurtos 
« da Academia. 

«0s individuos, que apresentarem Carta de capacidade de 
algum dos Cursos da Academia Polytechnica do Porto, em egual- 
dade de circumstancias, ter&o preferencia no provimento dos 
empregos publicos, cujas funccoesforemmais analogas is disci- 
plines de cada urn d 'esses Cursos. a (D. com forca de lei de 20 
de setembro de 1844, art. 145). 

Peculiares ao Cuno de Commercio : 

«S6 poderao ser providos nos logares de aspirantes do the- 
souro publico e alfandegas os alumnos, que tiverem diploma da 
antiga Aula de Commercio, da Esc61a de Commercio, oudoCurso 
eorrespondehte da Academia Polytechnics do Porto. » (D. cita- 
do, art. 74). 

«0 escrivfto dos tribunaes do Commercio deve ter feito o 
curso das aulas de Commercio de Lisboa ou da Academia do 
Porto com certidSo de approvac4o.» (Codigo Commercial, art.° 
1063). 



Digitized by 



Google 



92 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Tat>ella das propinas de matrlowla, das 

cartas de oapaoidade, e dos emolumen- 
tos do Secretario da Aoademia* ' 

Propina de matricula (de abertura e de encerramento), 

cada uma reis 1*200 

(D. de 20 de setembro de 1844, art 143.°). 

Para viacao, 20 •/„ .. 240 

(Carta de lei de 25 d'abril de 1876, art. 8.°). 

Sello de conhecimento de 1 % sobre estas duas verbas 14,4 

(D. regulamentar de 14 de novembro de 1878, 

tabella n.° 2, classe 7.« n.° 3). 

1*454,4 

Propina de matricula (de abertura e de encerramen- 
to), no cnrso preparatorio para a Eschola do 

Exercito, cada uma reis 64000 

(D. de 2 de junho de 1873, art. 8.°). 

Para viacao 1*200 

Sello de conhecimento 72 

(Legislacao citada). 

71272 

Taza das carta s de capacidade em qualquer curflo, r&s 14*400 
(D. de 13 de Janeiro de 1837, art 163). 

Para viacao 2*880 

Sello de conhecimento 172,8 

(Legislacao citada). 

Sello 4*000 

(D. regulamentar citado, tabella n.° 1, classe 6. a 

n.°9). 

21*462,8 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 98 

Cadar matricula, informacSo ou attestacao de frequen- 

cia ."* rew 480 

Certid&o de acto on exame 220 

Busca doe livro8 dos annos anteriores 180 

Carta de capacidade em qualquer curso 2^400 

Provimento de premios 14600 

(Portaria do Ministerio do fteino de 8 d'abril 

de 1839, e Edital da Directoria da Academia 

Polytecbnica do Porto de 80 do mesmo mez 

e anno). 

Emolnmento de cada matricula (de abertura e de en- 

cerramento) no curso preparatorio para a Ea- 

cbola do Exercito reia 600 

(D. de 2 de junho de 1873, art. a°). 



Digitized by 



Google 



94 ANNUARtO DA ACAD EMI A 

^ivros que serrem de texto nas anlaa^ 
no anno leotiyo de 1877 a, 1878 



l.» Cadeira. 
JVoncawr— Geometria analytica no piano e no eapa^o, algetn 
superior e trigonometria espherica— ultima edicao de 
Coimbra. 

2. 1 Cadexba. 
Sturm— Cours d'anaiyse de l'Ecole polytechnique, 5» *dftkm. 

8.« Cadbiba. 
Ddaunay— Trait* de mecanique rationelle — 5» Edition. 
Leroy — Trait* de g*om*trie descriptive — 9» edition, 
ifcwr — Cinematique, 1865. 

Claudel — Aide-memoire des ingenieurs, des arcnitectes, «c- 
8« Edition. 

5.* Cadbiba. 
Dubois — Cours d'astronomie — 2« edition. 
Francceur — Trait* de G*od*sie — 5« edition. 
Rodrigo de Sotma Pinto — Astronomia. 

7.* Cadbiba. 
Milne Eduarde — Zoologie — 11« Edition. 

8.* Cadeira. 
Jamin— Petit trait* de physique 4 Tusage des 6tablissemcnts 
d'instruction, etc — 18*0. 

9.* CaiJbiba. 
Grimaux — Chimie inorganique. 

Na parte da chimica organica d'esta cadeira prelecdons o 
lente sem dependencia de compendio. 

m J0.» Cadbiba (Botaniea). 
Richard— Elements de botanique. 
Maout et Decaiene — Flore des jardins et des champs. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO . 9 

11.* Cadbiba (Commercio). 
Bodrigo Pequito — Curso de contabilidade mercantil. 
Gamier — Traits complet d'arithme'tique tbeorique et appli- 

quee an Commerce a la banque, auz finances, a rindus- 

trie. 

12.* Cadbiba (Economia politica e principle* de direito admi- 
nistrative* e commercial). 
Ch. Le Hardy de Beaulieu — Traite* elementaire d'6conomie po- 
litique — 2* Edition. 

Na parte ri'eata cadeira relativa no ensino do direito admi- 
nistrativo e commercial preleccionao lente Bern dependencia de 
compendio. 

18.* Cadbira (Mecanica applicada As conBtruccoes civis) — 
curso biennal. , 

Bresse — Cours de mecanique appliqude prof esse 1 a l'Ecole des 
Ponts et Chaussees. Deuxieme partie : Hydraulique. 2* 
Edition. 

Sganzin — Cours de constructions. 

Leroy — Traite" de stereotomie — 6 e edition. 

Perdomet — Traits ^lementaire des cbemins de far. 3* Edition. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 9T 

« 
AlnmnoB maisrioulados na Aoadem^a 
Folyteehniea. no anno leetivo die 1878 a 
IST'O, dlrtaritraidos pox* oacleiras 



1/ CADEIRA 

Alvaro Leflo Baptista Dias, natural do Porto. 

Antonio Augusto da Rocha, natural do S. Martinho d'Anta. 

Antonio Jose" Ferreira da Silva, junior, natural de Porto-Alegre 

(imperio do Brazil). 
Antonio da Silva, natural de Salreu, conoelho d'Estarreia. 
Bento de Souza Carqaeja, junior, natural d'Oliveira d'Aaemeifl. 
Bernardo Joaquim da Silva e Cunha, natural de Santa Christina 

de Longos, concelho de GuimariLes. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. . 
Joaouim Dias de Souza Ardzo, natural de Mattosinhos, oonce- 

lno de Boucas. 
Jose" Pereira Sampaio, natural do Porta 
Jose" Tavarea da Silva Rebello, natural de Salreu, concelho de 

Estarreja. 
Julio Pinto da Costa Portella, natural de Reeardaena, conoelho 

d'Agueda. 
Luiz Maria de Souza Vahia, natural do Porto. 
Marcellino Antonio de Souza Flora, natural de Santo Estevfio 

de Gilo, concelho de Villa do Conde. 
Saturnino de Barroa Leal, natural de Perozello, concelho de 

Penafiel. 
Theophilo Leal de Faria, natural da freguezia de S. Joad da 

cidade de Liaboa. 

2.« CADEIRA 

Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, natural de Guaratingueta 
- (imperio do Brazil}. 

Arthur Carlos Machaao Guimariles, natural do Porto. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural de 

Amarante. 
DomingOfl Alberto Mourao, natural de Aveiro. 
7 



Digitized by 



Google 



98 ANNUAR10 DA ACADEMIA 

Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, natural do 

Porto. 
JoSo Goncalo Paoheco Pereira, nataral do Porto. 

3.« CADEIRA 

Jose Angusto Ribeiro de Sampaio, nataral de Villar de Macada, 

concelho d'Alij6. 
Jose Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de Cortes, 

districto de Leiria. 
William Macdonald Smith, nataral d'Inglaterra. 

4.' CADEIRA 

Alvaro Leao Baptista Dias, nataral do Porto. 

Antonio AugustO da Rooha, nataral de S. Martinho d'Anta. 

Antonio Gaedes Infante, junior, nataral de S. Joao da Foi do 

Douro. 
Antonio da Silva, natural de Salreu, concelho dlSstarreja. 
Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, natural de Guaratiugaeta 

(imperio do Brazil). 
Arthur Carlos Madhado GuimarSes, natural do Porto. 
Bento de Souza Carqueja, junior, natural d*01iveira d'Azemeis. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural de 

Amarante. 
Domingos Alberto Mourao, natural d'Aveiro. • 
Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, nataral 

do Porto. 
Isidoro Antonio Ferreira, natural de Lamego. 
Joao Goncalo Pacheco Pereira, natural do Porto. 
Joao Narcizo Pinto do Cruzeiro Seixas, nataral de Valenca do 

Minho. 
Jotto Rodrigues Pinto Brand&o, natural de"Mouriz, concelho de 

Paredes. 
Joaquim Dias de Souza Aroso, nataral de Mattosinhos, conce- 
lho de Boucas. 
Jose" Augusto Ribeiro Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d'Alij6. 
Jose Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concelho de Sernsn- 

celhe. 



Digitized by VjOOQLC 




POLYTECHNICA DO PORTO 

Jose Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de Cortes, 

districto de Leiria. 
Jose Pereira Sampaio, natural do, Porto. • - 
Julio Pinto da Costa Portella, natural de Recardaens, concelho 

d'Agueda. 
Marcelfino Antonio de Souza Flores, natural de Santo Estevao 

de GiSo, concelho de Villa do Conde. 
Saturnino de Barros Leal, natural de PerozeHo, concelho de Pe- 

nafiel. 
Theophilo Leal de Faria, natural de Lisboa. 
William Macdonald Smith, natural de Inglaterra. 

6.- CADEIRA 

Antonio Franco FrazSo, natural da Capinha, districto de Cas« 

^ tello Branco. 
Isidore Antonio Ferreira, natural de Lamego. 
JoSo Chrysostomo Lopes, natural da Cachoeira (Brazil). 
Jose Joaquhn Dias, natural de Ferreirim, concelho de Sernan- 
ceihe. 

7. a CADEIEA 

Albino Moreira de Souza Baptista, natural de Cabeca Santa, 

concelho de Penafiel. 
Antonio d'Almeida Loureiro e Vasconcellos, natural de Vises. 
Antonio Jose Lopes, natural de Panoias, concelho de Braga. 
. Antonio Teixeira de Souza, natural de Celleiroz, districto de 

Villa Real. 
Arnaldo Pacheco Dias Torres, natural de S. Pedro de Ferreira, 

concelho de Pacos de Ferreira. 
Arthur Lessa de Carralho, natural de Lamego. 
Bernardo Joaquim da Silva e Cunha, natural de Santa Chris* 

tina de Longos, concelho de Guimaraes. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. 
Francisco Eduardo Leite da Silva, natural de Santa Comba 

de Fornellos, concelho de Fafe. 
Jo&o Augusto Marques, natural de Ribas de Pinheiro de Paiva, 

concelho de Castro Daire. 
Joaquim Ferreira de Souza Garcez, natural do Porto. 
Jose Augusto Ribeiro Sampaio, natural de Villar de Macada, 

concelho d'Alij<5. 



Digitized by 



Google 



100 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Jos6 Carneiro Peizoto, natural de Fornoa, concelho do Marco de 
Canavezes. • 

Jose Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de Cortes, 
district© de Leiria. 

' Jose Maria Galvao de Mello, natural do Porto. 

Jose Tavares da Bilva Rebello, natural de Salreu, concelho <k 
Estarreja. 

Julio Arthur Lopes Cardoso, natural de Braga. 

Manoel de Barros Leal, natural de Perozello, concelho de Pe- 
nan* el. 

Manoel Belleza da Costa Almeida Ferraz, natural de Barcetti- 
nhos, concelho de Barcellos. 

.Sebastiao Pinto Peizoto Porteila de Vascencellos, natural do 
Porto. 

Wilham Maedonald Smith, natural de Londres (Inglaterra). 



7.» CADEIRA a) 



Albino Moreira de Souza Baptieta, natural de Cabeca Santa, 
* concelho de Penafiel. 

Antonio Augusto da Bocha, natural de S. Martinho d'Anta. 

Antonio Jose Lopes, natural de Panoias, concelho de Braga. 

Antonio Villela d Oliveira Marcondea, natural de Guaratingueti 
(Brazil). 

Isidoro Antonio Ferreira, natural de Lanugo. 

Joao Rodrigues Pinto Brandao, natural de Mouriz, concelho de 
Pared ea. 

Joaquim Ferreira de Souza Garcea, natural do Porto. 

Joaquim da Rocha Maciel, natural de Leca da Palmeira, con- 
celho de BouQas. 

Jose d'Almeida Santos, natural da freguezia da Se de Lamego. 

Jose Augusto Ribeiro Sampaio, natural de Yillar de Macada, 
concelho d'Alijd. 

Jose Maria Chartres Henriques d'Azevedo, natural de Cdrtes, 
dlstricto de Leiria. 

Manoel Ferreira dos Santos, natural do Porto. 

Marcellino Antonio de Souza Floras, natural de Santo EsteTio 
de Qiao, concelho de Villa do Conde. 

William Maedonald Smith, natural de Londree (Inglaterra). 



Digitized by 



Google 



POLTTTECHNtCA DO PORTO 101 



8.- CADEIRA 

Agostinho Rodrigues Pinto BrandSo, natural de Mouriz, conce- 

lho de Paredes. 
Alexandre Benedicto dos Anjos Salgado, na^iral de Carricaes, 

concelho de Monoorvo. 
Alfredo Martins dos Santos, natural da freguezia de Miragaya, 

da cidade do Porto. 
Alvaro Joaquim de Meirelles, natural de Moncorvo. 
Alvaro Lopes da Sflveira Pinto, natural de S. Salvador de Fet- 

venca, concelho de Celorico de Basto. 
Antonio Armindo d'Andrade, natural de Ribeira de Pena. 
Antonio Augusto Carreira, natural de Santa tulalia da Villa 

de Fafe. 
Antonio da Costa Rodrigues, natural da Bahia (Imperio do 

Brazil). 
Antonio Jose 1 Ferreira da Silva, junior, natural do Porto- Alegre 

(Imperio do Brazil). 
Antonio Joee Gomes, natural de Monte Novo, freguezia de Pouza- 

folles, concelho de Sabugal. 
Antonio Luiz Soares Dnarte, natural do Porto, freguezia de Ce- 

dofeita. 
Antonio Manoel Pelleias, natural de Torre de Dona-Chama, con- 
celho de Mirandella. 
Antonio Miguel da Costa Almeida Ferraz, natural de Barcelli- 

nhos, concelho de Barcellos. 
Antonio Sebaatiao do Valle, natural de Lamalonga, concelho de 

Macedo de Cavalleiros. 
Antonio de Sousa, natural do Porto, freguezia do Bomfim. 
Augusto Baptista da Cunha,' natural de Paradello, concelho 

d'Agueda. 
Aureliano de Sousa Cirne e VasconcelloB, natural de Penafiel, 

freguezia de S. Martinho. 
Bento de Souza Carquej a, junior, natural deOliveirad'Azemeis. 
Delfim Ernesto de Magalh&es, natural da Villa de Alij6. 
Delfim Jose Pinto de Carvalho, natural de Santo Adri&o, con- 
celho de Villa Nova de FamalicSo. 
Domingos Agostinho de Souza, nataral de Calangute (India 

Portugueza). 
Domingos Alberto Mourao, natural d'Aveiro. 



Digitized by 



Google 



102 ANNUAJLIO DA ACADEMIA 

Domingos dos Snntos Pinto Pereira, natural de Canellas, fie- 

guezia de S. Miguel de Poiares, concelho do Peao da Regoa. 
Eduardo Jose Coelho Vianna, natural de Castelloes da Cep&la, 

concelho deParedes. 
Francisco de Paula Ribeiro Vieira de Castro, natural do Porto, 

freguezia de MiragHya. 
Henrique Baptista da oilva, natural de SouseUa, concelho de 

Lousada. 
Jacintho Jose da Silva Romariz, natural de Campos (Imperii 

do Brazil). 
Joao Baptista Goncalves Pavfto, natural de Villarinho de Tanha, 

concelho de Villa Beal. 
Joao Caeiro de Carvalho, natural da Povoa. conceQio de Mom. 
Joao Duarte da Costa Rangel, natural do Porto. , 
Joao Goncalo Paeheco Pereira, natural do Porto. 
Joao Jose Lourenco d'Azevedo, natural de Venade, concelho <k 

Caminha. 
Joaquim Dias de SouzaAroso, natural de Mattosinhoa, coneefl* 

de Boucas. 
Joaquim Ferreira da Cavada, natural de Bio Tinto, concalhs 

de Gondomar. 
Joaquim Filipne da Piedade Alvares, natural de Margio (G6a). 
Joaquim Jose Marques d'Abreu, junior, natural de Lisboa. 
Joaquim Lefio Nogueira de Meirelles, natural de Pana Major, 

concelho de Pacos de Ferreira. 
Joaquim Manoel da Costa, natural de S. Vicente de Sousa, con* 

celbo de Felgueiras. 
Joaauim Ribeiro da Silva Carvalbo, natural de Campia, conce- 
lho deVouzella. 
Jose da Cunha, natural de Santa Eugenia, concelho d'Alitf. 
Jose da Cunha Pereira Bandeira de Neiva, natural d'Anca, con- 
celho de Cantanhede. 
Jose Francisco da SilVa Costa, natural de S. Mamede dlnfests, 

concelho de Boucas. 
Jose Joaquim Baptista Vieira, natural de Thaide, concelho de 

Povoa de Lanhoso.* 
Jose Maria Pinto Camello, natural de Castello de Paiva. 
Jose do Nascimento da Rocha Azevedo Coutinho, natural de 

Tarouauella, concelho de Sinfaes. 
Jose Rodngues Moreira, natural de Mouriz, concelho de Pare- 

des. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 103 

Julio Pinto da Costa Portella, natural de Recardaens, concelho 
d'Agueda. 

Luiz Antonio Rodrigues Lobo, natural do Porto. 

Luiz Moreira de Souca Vahia, natural do Porto. 

Luiz Passos Oliveira Valenca, natural de Vianna do Castello. 

Manoel Ferreira da Silva Couto, junior, natural do Porto. 

Manoel Machado de Moura e Cunha, natural de S. Miguel dos 
Gemeos, concelho de Celorico de Basto. 

Manoel Maria Lopes Monteiro, natural de S> Braz de Casta- 
nheiro, concelho de Carrazeda d'Anciftes. 

Manoel de Sousa Dias, natural de Villar de Pinheiro, concelho 
de Villa do Conde. 

Mazimiano Bernardes Pereira, natural do Pezo da Regoa. 

Raul da Fonseca, natural do Rio Grande do Sul (Brazil). 

Ricardo Pinto Bartol, natural de Luinbrales, provincia de Sa- 
lamanca (Hespanha). 

Rodrigo Alberto Peizoto GalvSo d'Oliveira, natural de Man- 
gualde. 

Saturnino de Barros Leal, natural dePerozeUo, concelho de Pe- 
nafiel. 

Simao Jose Lopes da Silva Ferreira/ natural do Porto. 

Theotonio Augusto Alcoforado, natural de Vouzella. 

Vasco Antonio de Macedo Araujo da Costa, natural do Porto. 

Victor Martins d'Oliveira, natural da Cacnoeira, provincia da 
Bahia. 

9.« CADE&A 



Agostinho Rodrigues. Pinto Brand&o, natural de Mouriz, conce- 
lho de Paredes. 

Alexandre Benedicto dos Anjos Salgado, natural de Carvicaes, 
concelho de Moncorvo. 

Alfredo Martins dos Santos, natural da freguezia de Miragaya 
da cidade do Porto. 

Alvaro Joaquim de Meirelles, natural de # Moncorvo. 

Alvaro Lopes da Silveira Pinto, natural de S. Salvador da Fer- 
venca, concelho de Celorico de Basto. 

Antonio Armindo d'Andrade, natural de Ribeira de Pena. 

Antonio Augusto Carreira, natural de Santa Eulalia da Villa de 
Fafe. 



Digitized by 



Google 



104 ANNUARIO DA A CA DEMI A 

Antonio da Costa Rodrigues, natural da Bah ia (Imperio do Brazil). 
Antonio Guedes Infante, junior, natural de 8. Joao da Foz do 

Douro. 
Antonio Jos6 Ferreira da Silva, junior, natural de Purto-Alegre, 

(Imperio do Brazil). 
Antonio Jose Gomes, natural de Monte Novo, freguezia de Pouza- 

follee, concelho de Sabugal. 
Antonio Jos6 Goricalves, natural de Gontinhaes, concelho de Ca- 

niinba. 
Antonio Luiz Soares Duarte, natural £o Porto, freguezia deCe- 

dofeita. 
Antonio Manoel Pelleias, natural de Torre de Dona Chama, 

concelho de Mirandella. 
Antonio Miguel da Costa Almeida Ferrax, natural de Baroefli- 

nhos, concelho de Barcellos. 
Antonio Sebastiio do Valle, natural de Lamalonga,cottcelho de 

Macedo de Cavalleiros. 
Antonio de Sousa, natural do Porto, freguezia do Bomfim. 
Arthur' Carlos Maehado Guimaraes, natural do Porto. 
Augusto Baptista da Cunha, natural de Paradella, concelho 

d'Agueda* 
Aureliano de Sousa Cyme e Vasconcellos, natural de Penafiel, 

freguezia de S. Martinho. 
Carlos Alberto de Moura Maldonado, natural de Tondella. 
Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira, natural d'Ama- 

rante. m 

Delfim Ernesto de MacalhSes, natural da Villa de Alijo. 
Delfim Jos6 Pinto de Cavvalho, natural de Santo Adriao, conce- 
lho de Villa Nova de Famalicao. 
Domingos Agostinho de Sousa, natural de Calangute (India 

Portugueza). 
Domingos Alberto Mourito, natural d'Aveiro, 
Domingos dps Santos Pinto Pereira, natural de Canellas, fre- 
guezia de S. Miguel de Poiafrea, concelho do Pezo da Regoa. 
Eduardo Jose Coelho Vianna, natural de Castellces da Cepeda, 

concelho de Paredes. 
Eugenio Candido de Sa Braga, natural de Braganca. 
Francisco de Paulo Ribeiro Yieira de Castro, natural do Porto, 

freguezia de Miragaya. 
Henrique Baptista da Silva, natural de Souzella, concelho de 

Louzada* 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 105 

Jacintho Jose 1 da Silva Romariz, 'natural de Campos (Imporio 
do Brazil). 

JoSo Baptista Goncalves Pavao, natural de Villarinho de Tanha, 
concelho de Villa Real. 

Joao Caeiro de Carvalho, natural da Povoa, concelho de Moura. 

Joao Duarte da Costa Rangel, natural do Porto. 

Joao Goncalo Pacheco Pereira, natural do Porto. 

«Joao Jose" Lourenco d'Azevedo, natural de Venade, concelho de 
Caminha. 

Joaquim Ferreira da Cavada, natural de Rio Tinto, concelho de 
Gondomar. • 

Joaquim Filippe da Piedade Alvares, natural de Marg5o (Ufa). 

Joaquim Jose Marques d'Abreu, junior, natural de Lisboa. 

Joaquim Leto Nogueira de Meirelles, natural de Pena Maior, 
concelho de Pa$os de Ferreira. 

Joaquim Manoel da Costa, natural de S. Vicente de Sousa, con- 
celho de Felgueiras. 

Joaquim Ribeiro da Silva Carvalho, natural de Campia, conce- 
lho de Vouzella. 

Joaquim Vieira d'Araujo Braga, natural de Joanne, concelho de 
Villa Nova de Famalica'o. 

Jose" da Cunha, natural de Santa Eugenia, concelho d'Alij6. 

Jos£ da Cunha Pereira Bandeira de Neiva, natural d'AncS, con- 
celho de Cantanhede. 

Jose Francisco da Silva Costa, natural de S. Mamede dTnfesta, 
concelho de Boucas. 

Jose Joaquim Baptista Vieira, natural de Thaide, concelho de 
Povoa de Lanhoso. 

Jose" Maria Pinto Camello, natural de Castello de Paiva. 

Jos6 Miranda Guedes, natural de Penajoia, concelho de Lamego. 

Jose" do Nascimento da Rocha Azevedo Coutinho, natural deTa- 
rouquella, concelho de Sinfles. 

Jose Rodrigues Moreira, natural, de Mouriz, concelho de Pare- 
des. 

Luiz Antonio Rodrigues Lobo, natural do Porto. 

Luiz Passos d'Oliveira Valenca, natural de Vianna do Castello. 

Manoel Ferreira da Silva Couto, junior, natural do Porto. 

Manoel Machado de Moura e Cunha, natural de S. Miguel dos 
Gemeos, concelho de Celorico de Basto. 

Manoel Maria Lopee Monteiro, natural de S. Braz de Castanhei- 
ra, concelho de Carrazeda d'Anci&es. 



Digitized by 



Google 



106 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Manoel de Sousa Dias, natural de Villar de Pinheiro, concelbo 
de Villa do Conde. 

Mnximiano Bernardes Pereira, natural do Peso da Regoa. 

Raul da Fonseca, natural do Rio Grande do Sul, (imperio do 
Brazil). 

Ricardo Pinto Bartol, natural de Lumbrales, provincia de Sala- 
manca fHespanha). 

Rodrigo Alberto Peixoto Galvfto d'Oliveira, natural de Man- 
gualde. 

Simao Jose Lopes da Silva Ferreira, natural do Porta 

Theotonto Augusto Alcoforado, natural de Vouzella. 

Thomas d'Aquino Pinheiro Falcao, natural de Nossa Senhon 
da Conceic&o do Bairro Alto de Loanda (Angola). 

Vaaco Antonio de Macedo Araujo da Costa, natural do Porto. 

Victor Martins d'Oliveira, natural de Cachoeira, provincia <U 
Bahia. 

10.« CADEIRA 



Adolfo Betbese' Nery de Vaeconcellos, natural -de Montevideo 

(republica oriental do Uruguay). 
Albino Moreira de Sousa Baptists, natural de Cabeca Santa 

eoncelho de Penafiel. 
Antonio d'Almeida Loureiro e Vasconcellos, natural de Vises, 
Antonio Guedes Infante, junior, natural de 8. Joao da Fas do 

Douro. 
Antonio Jose Goncalves, natural de Gontinh&es, eoncelho de Ca- 

minha. 
Antonio Jose Lopes, natural de Panoias, eoncelho de Brags- 
Antonio Teixeira de Sousa, natural de Celleiros, district© de 

Villa Real. 
Arnaldo Pacheco Dias Torres, natural de S. Pedro de Ferreira, 

eoncelho de Pa$os de Ferreira. 
Arthur Lessa de Carvalho, natural de Lamego. 
Bernardo Joaquim da Silva e Cunha, natural de Santa Christina 

de Lonsros, eoncelho de Guimar&es. 
Bomfilho Diniz, natural de Macau. 
Carlos Alberto de Moura Maldonado, natural de Tondella. 
Francisco Eduardo Leite da SUva, natural de Santa Comba de 

Fornellos, eoncelho de Fafe. 



Digitized by 



Google 



POLYT ECHNICA DO PORTO 107 

Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de MercSdes 

(repnblica oriental do Uruguay). 
Jo2o Augusta Marquee, natural de Bibas de Pinheiro de Paiva, 

concelho de Castro Daire. 
JoSo Rodrigues Pinto Brandao, natural de Mouriz, concelho de* 

de Pareaes. 
Joaquim Ferreira de Sousa Garcez, natural do Porto. 
Jose Carneiro Peixoto, natural de Fornos, concelho de Marco 

de Canayezes. 
Jose Maria GarWto de Mello, natural do Porto. 
Jose Miranda Guedes, natural de Penajoia, concelho de La- 

mego. * 
Jose Tavares da Silva Bebello, natural de Salreu, concelho de 

Estarreja. * 

Julio Arthur Lopes Cardoso, natural de Braga. 
Manoel de Barros Leal, natural de PerozeUo. concelho de Pena- 

fieL 
Manoel Belleza da Costa Almeida Ferrax, natural de Barcelli* 

nhos, concelho de Barcellos. 
Sebastiao Pinto Peixoto Portella de Vasconcellos, natural do 

Porto. 

10.* CADE1EA a) 



Adolfo Betbese Nery de- Vasconcellos, natural de Montevideu 
(repnblica oriental do Uruguay). 

Antonio Franco FrazSo, natural da Capinha, concelho do Fun- 
d&o. 

Antonio Jose Lopes, natural de Panoias, concelho de Braga. 

Antonio VilleladOliveira Marcondes, natural de Guaratingueta 

(imperio do Brazil). 
. Frederico Pinto Pereira 'de Vasconcellos, natural de Merc&les 
(repnblica oriental do Uruguay). 

JoJo Chrysostomo Lopes, natural de Cachoeira (Brazil). 

JoSo Narciso Pinto do Cruzeiro Seixas, natural de Valenca do 
Minho. 

Joaquim Ferreira de Sousa Garcez, natural do Porto. 

Joaauim da Bocha Maciel, natural de Leca da Palmeira, conce- 
lho de Boucas. 

Joed d'Almeida Santos, natural da freguezia da So de Lamego. 



Digitized by 



Google 



108 ANNUARIO DA ACADEMtA 

Jose Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concelho de Seraan- 

celhe. 
Manoel Ferreira dos Santos, natural do Porto. 

12.« CADEIRA 



Alvaro Leao Baptista Dias, natural do Porto. 
Antonio Augusto da Rocha, natural de S. Martinho d'Anta. 
Antonio da Silva, natural de Salreu, concelho de Estarreja. 
Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, natural de Guaratangaetft' 

(Imperio do Brazil)., 
Arnaldo Pacheco Diaa Torres, natural de S. Pedro de Feneira, 

concelho de Pacoe de Ferreira. 
CoDBtantino Alvim de Vaeconcelloe Leite Pereira, natnral de 

Amarante. 
Domingos Agostinho de Sousa, natural de Calangute, (India For- 

tugueza). 
Evaristo Gomes Saraiva, natural de Santo Adruto, concelho de 

Armamar. 
Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Caceres, natural 

do Porto. 
Francisco de Paula Ribeiro Vieira de Castro, natural do Porto, 

freguezia de Miragaya. 
Joao Duarte da Costa x£angel, natural do Porto. 
Joaquim da Rocha Maciel, natural de Leca da Palmeira, conce- 

lno de Boucas. 
Joaquim Vieira d'Araujo Braga, natural de Joanne, concelho de 

Villa Nova de Famalicao. 
Jose d 'Almeida Santos, natnral da freguezia da Se de Lamego. 
Jos6 Miranda Guedes, natural de Penajoia, concelho de Lamego. 
Manoel Ferreira da Silva Couto r junior, natural do Porta 
. Marcel lino Antonio de Sousa Flores, natural de Santo Estevao 

de GiSo, concelho de Villa do Conde. 
Theophilo Leal de Faria, natural da freguezia de S. Jose de 

Lisboa. 
Thomas d 'Aquino Pinheiro Falc&o, natural da freguezia de 

Nossa Sennora da Conceic&o do Bairro Alto de Loanda (An- 
gola). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 109 

13.» CADEIRA 

Adolfo Betbese Nery de Vasconcellos, natural de Montevideu 

(republica oriental do Uruguay). 
Antonio Guedes Infante Junior, natural de S. Joao da Foz do 

Douro. 
Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos, natural de Mercedes 

(republica oriental do Uruguay). 
Isidore Antonio Ferreira, natural de Lamego. 
JoSo Cbry soBtomo Lopes, natural de Cacboeira (Brazil). 
Joao Rodrigues Pinto Brandao, natural de Mouriz, concelho de 

Pared es. 
Jose Joaquim Dias, natural de Ferreirim, concelbo de Sernan- 

celhe. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA IX) PORTO 111 



Alnmnos matrleulaclos na Aoademia no 
anno leotivo de \&¥&- t ¥&* distrit>ui<io» 
segnndo am our«o0 em que se matriou- 
laram 

* I — Cubsos d'bbobnheibob cms 

Adolfo Betb6s6 Nery de Vasconcellos. , 

Antonio Franco Fraslo. 

Arthur Carlos Machado Guimar&es. 

Bento de Sousa Carqueja, junior. 

Constantino Alvim de Vasconcellos Leite Pereira. ' 

Francisco d*Albuquerque de Mello Pereira Caceres. 

Frederico Pinto rereira de Yasconcellos. 

Iaidoro Antonio Ferreira. 

JoSo Goncalo Pacheco Pereira. 

Jose" Joaquim D^as. 

Jos6 Maria Chartres Henriques d Asevedo. 

Julio Pinto da Costa PorteHa. 

Theophilo Leal de Faria. 



II — CUBBO DB DIBECT0BB8 Dl F ABRICAS 



Alvaro Leao Baptista Dias. 
Antonio Guedes Infante, junior. 
Antonio da Silva. 

Antonio Villela d'Oliveira Mareondes. 
Bernardo Joaquim da Silva e Cunha. 
Carlos Alberto de Monra Maldonado. 
Eugenio Candido de 8a Braga. 
Joao Chrysostomo Lopes. 
JoSo Narciso Pinto do Cruzeiro Seizas. 
JoSo Rodrigrues Pinto BrandSo. 
Joaquim Dias de Sousa Aroso. 
Jose Augusto Ribeiro Sampaio. 
Jos6 Maria Galvao de Mello. 



Digitized by 



Google 



112 ANNUARIO DA ACIDEMIA 

Jose" Pereira Sampaio. 
Marcellino Antonio de Sousa Flores. 
Saturnino de Barros Leal. 
William Macdonald Smith. 

IY. CuBSO Dl AGUCULT0BB8 

Albino Moreira de Sousa Baptista. 

Alexandre Benedicto doe Anjos Salgado. 

Alfredo Martins dos Santos. 

Alvaro Lopes da Silveira Pinto. 

Antonio Armindo d'Andrade. 

Antonio Augusto da Rocha. 

Antonio da Costa Rodrigues, junior. 

Antonio Jose Ferreira da Silva, junior. 

Antonio Jos6 Gomes. 

Antonio Jos6 Lopes. 

Antonio Luis Soares Duarte. 

Antonio Manoel Pelleias. 

Antonio Miguel da Costa Almeida Ferraz. 

Antonio SebastiSo do Yalta. 

Antonio de Sousa. 

Arnaldo Pacheco Diss Torres. 

Aureliano de Sousa Cirne e Vasconoellos. 

Bomfilbo Dinis. 

Delfim Ernesto de Magalhftes. 

Dolfim Jose Piuto de Carvalho. 

Eduardo Jose Coelho Vianna. 

Henrique Baptista da Silva. 

Francisco de Paula Ribeiro Vieira de Castro. 

Jofto Augusto Marques. 

Joao Baptista Gon$alves Pavao. 

Jofto Caeiro de Carvalho. 

Joao Duarte da Costa Rangel. 

Joao Jose Lourenco d'Azevedo. 

Joaquim Ferreira da Cavada. 

Joaquim Filippe da Piedade Alvares. 

Joaquim Jose Marques d'Abreu, junior. 

Joaquim Lefto Nogueira de Meirelles. 

Joaquim Manoel da Costa. 

Joaquim da Rocha Maciel. 



Digitized by 



Google 



POLtTECHNICA DO PO*TO 113 

Joaquim Vieira d'Araujo Braga. 

Jose d'Almeida Santos. 

Jose da Cunha. 

Jose Francisco da Silva Costa. 

Jose" Joaquim Baptista Vieira. 

Jos4 Maria Pinto Camello. 

Jose do Nascimento da Rocha Azevedo Coutinho. 

Jose Rodrigues Moreira. 

Luis de Passos d'Oliveira Valenca. 

Manoel de Barros Leal. 

Manoel Ferreira dos Santos. 

Manoel Machado de Moura e Cunha. 

Maximiano Bernardes Pereira. 

Raul da Fonseca. 

Ricardo Pinto Bartol. 

Rodrigo Alberto Peixoto Galvao d'Oliveira. 

Sebastiao Pinto Peixoto Portella de Vasconcellos. 

Simao Jose Lopes da Silva Ferreira. 

Vasco Antonio de Macedo Aranjo da Costa. 

Victor Martins d'Oliveira. 

I. CUB80 PBBPAB1TOBIO PAHA AS ESCOLA8 XXDICO-CZBUBCUCAS 

Agostinjio Rodrignes Pinto Brandao. 
Alvaro Joaqaim de Meirelles. 
Antonio d'Almeida Loareiro e Vasconcellos. 
Antonio Augusto Carreira. 
Antonio Jose Goncalves. 
Antonio Teixeira de Sonsa. 
Arthur Lessa de Carvalbo. 
Augusto Baptista da Cunha. 
Domingos Agostinho de Sousa. 
Domingos dos Santos Pinto Pereira. 
Franeisco Eduardo Leite da Silva. 
Jacintho Jose da Silva Romans. 
Joaquim Ferreira de Sousa Garcez. 
Joaquim Ribeiro da Silva Carvalho. 
Jose Carneiro Peixoto. 
Jose da Cunha Pereira Bandeira de Neiva. 
Jose Tavares da Silva Rebello. 
8 



Digitized by 



Google 



114 ANWAfUO DA ACADEMlA 

Julio Arthur Lopes Cardoso. 

Luis Antonio Rodrigues Lobo. 

Manoel Belleza da Costa Almeida Ferras. . 

Manoel Ferreira da Silva Couto, junior. 

Manoel Maria Lopes Monteiro. 

Manoel de Sousa Dias. 

Theotonio Augusto Alcoforado. 

Thomas d'Aquino Pinheiro Falcfto. 

II. CuBSO PBXPABATORID PARA A JOSOOLA DB PHARMACIA 

Jose de Miranda Guedes. 

HI. CORSO FBKPABATORiaPABA A XSOOLA NAVAL 

a) Cwr$o de officio** de marinha 
Luis Maria de Sousa Vahia. 

6) Cuno de engenheiro* conatructore* navaes 
Domingos Alberto Mourio. 

Matricula liyu ha 12.* cadeiba. 
Evaristo Gomes Saraiva. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 



115 



Quftdro estatytico doe alamnos que frequentam 

aAcademia no anno lecture de 1878-79. distribuidos 

segnndo a ana natnralidade 



toviadM ftiitrfctoe 






Nnmero de tlomnoc 



fBraga 

Lftnimariim •• 

lFefe . 

/Villa Nova de Famatic&o 

JPoYoa de Lanhoeo 

fBaroellot 

tCelorieode Beet* 



is 

a. 1L 

3 
1 
2 

2/12 
1 
2 
2 



Vienna 1 

Caminha 2 

Valenea 1 

r Porto 20 

Penafiel 4 

iGondomar 1 j 

IParedes 4l 

JPacoe de Ferreira 2\ 

(Amarante....?. ..•;..; 1, 

jBoncas »••« B\ 

I Felgueirae ! . . 11 

[Marco de€anaveses.... l' 

Villa do Conde 2 

[Lotisada. '. 1 

[Ayefco.. ...;.. 1] 

tAgneda 2/ 

(Ertureja 2} 

/Oliyeira de' Asemels. ... li 

IGajtellodePftiya.v.... 1 



i 

t 



161 



64 



*>l 



>«y 



1 Urin. . . . i-GwtaaMa •, 



II 1) 



Digitized by 



Google 



116 



ANNUARIO DA ACADBMIA 



ProttudAt DMffctt* 



Conoelfafit 




Tm m ImIm < 



[Bragan^a 1\ 

\Monconro 2 1 

f irafiBfa • • . < Macedo de Cavalleiros. . I ) 

/ Carraseda de Anciies . . 11 

[Mirandella l) 



)15 



!Villa,Real 2\ 

Ribeira de Pen* li 

4J«4 S 

P*«* da RagM . < 2 

Sabrosa lj 

fVfeeu 1 

. Araanw « 1 

LLaroego .♦.♦.. ....,,.. 4 

., lt . m JCattroDajj*..,* 1 

Ma-flti.. (Tim /Vouaella 2>13>13j 

tSernaneellie 1 

angualde 1 

Sniffles ., 1 

^Tondellft 1 

iSabugal...... ir 1 

I GuMUImn | Fnndao . ........ « 1 1 

tU*t |L»boa 

« Uifia • . . . • jLeiria 

1*4* iMoura ,.,,, 1| 1| 



Bwa^iiu 



tynM*. 



in, 
11 1' 

2| 2| 
II 1* 



8* 



POSSESSES ULTRAMARDJA8 



Tiair.. 



•♦•I 
• • • • I 



!l 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



117 



Numero de aJnmnos 



ProriDcta* N Dutrictos 



Concelhos 



Transports . 

UUktftrmS 
it Mi ) 




PAIZE8 ESTBANJJEIROS 

I MaiNCI (Lukifei) , 

hfbtarra I bate , 



*lwil StxkHiti 

[tott-JUan.... 
L lit Crude fcgal. 



•mtUl It 



foterito . 
lerctlM •. 



1| 
II 

11 
lj 
1 

1, 

1/ 
1( . 



Total geral... 113 

Media das idades doa alnmnos # 21 annos. 

Limitea das idades 16 e 81 » 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



119 

INDICE ALPHABETIC*) 



Alnmnos da Acidemia Polvtechnica do Porto 

no anno leclivo do 1878 a 1879, 

indicando a sua flliacao, naturalidade e referenda 

As cadeiras em quo so matricnlaram. 



Adolpbo Betb&e Nery de Vasconeellos, filho de Frederico Au- 
gusto de Vasconeellos Pereira Cabral, natural de Montevi- 
deu (republica oriental do Uruguay) ; 10.%' 10.» a) e 18.* 

AgostinhoBodrigues Pinto Brandao, filho de Antonio Bodrigues 
Moreira, natural de Mouris, concelho de Paredes ; 8.* e 9.* 

Albino Moreira de Sousa Baptista, filho de Zeferino de Sousa 
Ferreira Baptista, natural de Cabeca Santa, concelho de Pe- 
nafiel;7.», l*a)elO.» 

Alexandre Benedicto doe Anjos Salgado, filho de Luis Francis- 
co Salgado, natural de Carvicaes, concelho de Moncorvo ; 8.* 
e 9.* 

Alfredo Martins doe Santos, filho de Jose Martins dos Santos, 
natural do Porto, freffuesia de Miragaya ; 8. a e 9.* 

Alvaro Joaquim de Meirelles, filho de Joaquim Jose deMeirelles, 
natural de Moncorvo ; 8.* e 9.* 

Alvaro Leao Baptista Dias, filho de Francisco Gongalves Dias 
Lopes, natural do Porto ; I. 4 , 4.« e 12.* 

Alvaro Lopes da Silveira Pinto, filho de Domingos Lopes da 
Silveira Pinto, natural de S. Salvador de Fervenga, conce- 
lho de Celorico de Basto ; 8.* e 9.* 

Antonio d'Almeida Loureiro e Vasconeellos. filho de Duarte 
d'Ahneida Loureiro e Vasconeellos, natural de Viseu : 7. a e 10.* 

Antonio Armindo d'Andrade, filho de Jos6 Balthasar d'Andrade, • 
natural da Bibeira de Penna ; 8. 1 e 9. 1 

Antonio Augusto Carreira, filho de Albino Fernandes Guima- 
rftes Carreira, natural da fregueziade Santa Eulalia da Villa 
de Fafe, districto de Braga ; 8.* e 9.* 

Antonio Augusto da Bocha, filho de Jos6 Joaquim da Booha> 



Digitized by 



Gopgle 



100 ANNUARIO DA ACADEMIA 

natural de 8. Martinlio d'Anta, concelho de Sabrosa; l.* } 4 a , 

7.- e 12.« 
Antonio da Costa Rodrigues, junior, filho de Antonio da Ooita 

Rodrigues, natural da Bahia (imperio do Brazil) ; &* e 9.' 
Antonio Fninco Fraz&o, filho de Jose Joaquim Franco, natural 

da Capinha, districto de Castello Branco ; 5.* e 10.* a) 
Antonio Guedes Infante Junior, filho de Antonio Guedes Infante, 

natural de S. Jo&oda Foa do Douro, bairro oeeidental do 

Porto: 4.*, 9.% 10. • e 13.* 
Antonio Jose Ferreira da Silva, junior, filho de Antonio Jose 

Ferreira da Silva, natural de Porte-Alegre (imperio do Bra- 
zil) ; 1.% 8.« e 9.* 
Antonio Jose Gomes, filho de EsteWLo Jose Gomes, natural de 

Monte Noyo, freguezia de Potuafolles, concelho de SalragaU 

a* e 9.« 
Antonio Jose Goncalves, filho de Francisco GonealYes* natural 

de Gontinhaes,, concelho de Caminha ^.9.* e 10.* 
Antonio Jose Lopes, filho de Joao Manoel Lopes, natural de 

Panoisa, concelho de Braga; 7.% 7.* «)> 10.% 10.«a) e 12,« 
Antonio Luiz Scares Duarte, filho de Manoel Francisco Duarte, 

natural do Porto, freguezia de Cedofeita; &• e 9.* 
Antonio Manoel Pelleias, filho de Luis Manoel Pelleias, natartl 

da Torre de D. Chama, concelho de Mirandella; 8.* e 9.* 
Antonio Miguel da Costa Almeida Ferraz, filho de Custsdio dt 

Costa Almeida Ferraz, natural de Barcellinhos, concelho de 

Barcellos ; 8.* e 9.« 
Antonio SebastiSo do Valle, filho de Jose Antonio do Valle, 

natural de Lamalonga, concelho de Maeedo de Cavallcuoe; 

8.« e 9.« 
Antonio da Silva, filho de Joaquim da Silva, natural deSalieu, 

concelho d'Estarreja; 1.*, 4.* e 12.* 
Antonio de Sousa- filho de Antonio de Sousa, natural do Porto, 

freguezia do Bomfim ; 8.* e 9.* 
Antonio Teixeira de Sousa, filho de paes incognitos, natural de 

Celleir6z, districto de Villa-Real ; 7.* e 10.* 
Antonio Villela d'Oliveira Marcondes, filho de Manoel Mareea- 

des dos Santos, natural de GuaratinguetA (imperio do Bra- 
zil) ; 2.*, 4% 7.* a), 10.* a) e 12.* 
Arnaldo Pacheco Dias Torres, filho de Mauricio Jose Pacheco, 

natural de S. Pedro de Ferreira, concelho de Pacos de Fer- 
reira ; 7.*, 10.« e 12.* 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 121 

Arthur Curios Machado GuimarSes, filho de Manoel Fernandes 
da CoBta Guimaraes, natural do Porto ; 2.«, 4.* e 9.* 

Aitbnr Leasa de Carvalho, filho de Antonio de Carvalho Sandra, 
natural de Lamego 1 7.« e 10." . » 

Aogusto Baptista da Cunha, filho de Manoel Franeisco Baptista, 
natural ae Paradella^ eoncelho d'Agueda; 8.» e 9.* 

Aureliano de Sousa Cime e Vasconeellos, filho de WenceBlau 
Dias Leite de Sousa e Vaseoncelios, natural de Penafiel, 
freguesia de S. Martinho ; 6\* e 9.« 

Bento de Sousa Carqueja, junior, filho de Bento de Sousa Car- 
queja, natural dXHiveftrad'Asesaeis ; 1.% 4.* e 8.* 

Bernardo Joaquim da Bilva e Cunha, filho de Manoel Joaquin 
da Silva, natural de Santa Christina de Sousa, eoncelho de 
Guiaaaraee ; 1 A 7.« e 10.« 

Bomfilho Diniz, filho de Antonio Dinis, natural de Maean: l. a , 
4A^elO.« 

Carlos Alberto de Moura Maldonado, filho de Carlos Augusto 
Maldonado, natural de Tondella; 9.« e 10.* 

Constantino Alvim de Vaseoncelios Leite Pereira, filho de Cons- 
tantino Teizeira de Vaseoncelios Leite Pereira, natural 
d'Amarante; 2.», 4.*, 9.* e 12.* 

belfim Ernesto de MagalhSes, filho de Antonio Ernesto de Ma- 
galhSes, natural da Villa d'Alij6 ; a* e 9.* 

Delfim Josl Pinto de Carvalho, filho de Leonardo Jose Bodri» 
gues de Carvalho, natural de Santo Adriao, eoncelho de Villa 
Nova de Famalicao ; 8.» e 9.* 

Domingoa Agostinho de Sousa, filho de Antonio Bernardo de 
Sousa, natural de Calangnte (India portuguesa) ; 8.% 9.* e 12-» 

Domingos Alberto Mourao, filho de Domingoa Fernandes Mou- 
rao, natural d'Aveiro ; 2.«, 4.*, 8.« e 9.* 

Domingos dos Santos Pinto Pereira, filho de Domingos doe San- 
tos Pinto Pereira, natural de Canellas, freguesia de S» Mi- 
guel de Poiares, eoncelho do Peso da Regua ; 8L* e 9.* 

Eduardo Jose Coelho Vianna, filho de Francisco Jose Goncal- 
ves Vianna, natural de Castelloes da Cep£da, eoncelho de 
Paredes; 8.* e 9.* 

Eugenio Candido de Sa Braga, filho de Jose Miguel Fernandes 
Braga, natural de Braganc* ; 9,* 

Evaristo Gomes Saraiva, filho de Antonio Elysiario de Carva- 
lho, natural de Santo Adriio, eoncelho d'Armamar ; 12." 

Francisco d' Albaqaerque de Mello Pereira e Cacexes, filho de 



Digitized by 



Google 



122 ANNUAR10 DA ACADEMIA 

Jofto d* Albuquerque de Mello Pereira e Caeeres, natural do 

Porto; 2.*, 4.*e 12.* 
Francisco Eduardo Leite da Silva, filbo de Florencio Ribeirods 

Sil^a, natural de Santa Comba de Fornellos, concelho de 

Fafo; 7.*elO:* 
Francisco de Paula Bibeiro Vieira de •Castro, filho de Manod 

Tbeotonio Ribeiro Vieira de Castro, natural do Porto, fie* 

euezia de Miragaya; a*, 9.* e 10.* 
Frederico Pinto Pereira de Vasconoeilos, filho de Frederico An- 

gusto de Vasconoeilos Pereira Cabral, natural de Merced* 

(republic* oriental do Uruguay) ; 10.*, 10.* a) e 18.* 
Henrique Baptista da Silva, filho de Jolo Baptists da 80f» 

Freire, natural de Souzella, concelbo de Lonsada ; £ * e l. a 
Isidoro Antonio Ferreira, filho de Paes incognitos, natural de 

Lamego ; 4.*, 6.«, 7.* «) e 18.* 
JacinthoJosl da Silva Romans, filho de Jacintho Jose da Sil- 
va, natural da cidade de Campos (imperio do Brasil) ; 8.* e &* 
Jofto Augusto Marques, filho de Jose Marques Chrysostoaso do 

Sul eTaiva, natural de Ribas de Pinheiro de Paint, coaee- 

lho de Castro Daire ; 7.* e 10.* 
Jofto Baptista Gtancalves Pavfto, filho de Jofto Baptista Goneal- 

yes Pavfto, natural -de Villarinho de Tanha, concelbo de 

Villa Real ; 8.- e 9.* 
Jofto Caeiro de Carvalho, filho de Miguel Carvalho, natural ds 

Povoa, concelho de Moura; 8.* e 9.' 
Jofto Chrysostomo Lopes, filho de Jolo Amaro Lopes, natural 
• de Cachoeira (imperio do Brasil) ; 5.«, 10. a a) e 13.* 
Jolo Duarto da Costa Rangel, filho de Miguel Boayentura di 

Silva Rangel, natural do Porto ; 8.*, 9.* e 12.* 
Jofto Gonoalo Pacheco Pereira, filho de Jofto Pacheeo Perein, 

natural do Porto, freguezia de MassareUos ; 2.*, 4.*, 8.* e 9.« 
Jofto Jos* Lourenco d'Asevedo, filho de Miguel Lourenco d'Ase- 
vedo, nstural de Venade, concelho de Caminha ; 8.* e 9." 
Jofto Narciso Pinto do Cruseiro Seizas, filho de Jofto Qonealvai 
- do Cruseiro Seizas. natural de Valence do Minho, distrieto 

de Vianna do Castello ; 4.* e 10.* a) 
Jofto Rodrigues Pinto Brandfto, filho de Antonio Rodriguei 

Moreira, natural de Mouriz, concelho de Paredes; 4.% 7. t a), 

10.* e 13.* 
Joaquim Dias de Sousa Ardso, filho de Joaquim Dtas de Sous 

Aroao, natural de Mtfttosinhos, concelho de Boucas 5 L^L»e& A 



Digitized by 



Google 



POLYTBCHNICA DO PORTO 188 

Jtequim Ferreira da Cavada, filho de Antonio Fenreira da Ca- 
vada, natural de Bio Tinto, eoncelho da Qondomar ; 8,* a 9.* 

Joaquim Ferreira de Sousa Garees, filho de Luis Antonio de 
Sousa Garees, natural do Porto ; 7.*, 7.* a), 10.- e 10. 1 a) 

Joaquim Filippe da Piedade Alvares, filho de Joaquim Mariano 
Almes, natural de Margfto (Gda) ; 8.* e 9.* 

Joaquim Jose Marques d'Abreu, junior, filho de Joaquim Jose 
Marques d'Abreu, natural de Lisboa : 8.* e 9. a 

Joaquim Leio Nogueira de Meirelles, filho de Aprigio Augusto 
LelO| natural de Pena-Maior, eoncelho de Pacos ae Fenreira ; 
a* e 9.* 

Joaquin* Manoel da Costa, filho de Francisco Manoel da Costa 
Hamptio, natural de 8. Vicente de Sousa, eoncelho de FeU 
gueiras; 8.*e9.* 

Joaquim Bibeiro da Silva Carvalho, filho de Joio Aflbnso da 
Silva Csjvalho; natural de Campia, eoncelho He Vouaella ; 
&• e 9.* 

Joaquim da Bocha Maciel, filho de Jos6 de Sousa Maeiel, na- 
tural deLeca dePalmeira, eoncelho de Boucas; 7.*, a), IMa) 
el2.* 

Joaquim Vieira d'Araujo Braga, filho de Joaquim Jo*6 d'Ano* 
jo, natural de Joanne, eoncelho de Villa Novade Famalieao ; 
9.* e 12.* 

Jos* d'Almeida Santos, filho de Antonio, d'Almeida Santos, na- 
tural de Lanugo ; 7.* a), 10.* a) e 12.* 

Jose Augusto Bibeiro Sampaio, filho de Jos6 de Sampaio, natu- 
ral de Villar deMacada, eoncelho d'Alij6; &*, 4,% 7.* e 7.* a) 

Jose Caraeiro Peixoto, filho de Joaquim Carneiro Peixoto, na- 
tural de Fornos, eoncelho do Marco de Canaveses ; 7.* e 10.* 

Jese da Cunha, filho de Jose Aires Cardoso, natural de Santa 
. Eugenia, eoncelho de Alij6;8.* e 9.* 

Jose da Cunha Pereira Bandeira de Neiva, filho de Joaquim 
da Cunha Pereira Bandeira de Neiva, natural d'Ancft, eon- 
celho de Cantanhede ; 8.* e 9.* 

Jese Fsaneiseo da Silva Costa, filho de Manoel Francisco da 
Silva Costa, natural de 8. Mamede d'Infesta, eoncelho de 
Boucas : &* e 9.* 

Jose Joaquim Baptists Vieira, filho de Custodio Baptists Vieira, 
natural de Thaide, eoncelho da Povoa de Lanhoso ; 8.* e 9.* 

Jose Joaquim Diss, filho de Antonio Jose Diss Serddio, natural 
de Ferreirim, eoncelho de Seraaacelhe; 4.*, 6.% 10. ■ a) e 18.* 



Digitized by 



Google 



/ 



124 ANNUARIO DA ACADEMIC 

Jose Maria Chartrua Henrique* d'Aaevodo, filho do Ywomk 

de 8. Sebastiao, natural de Cortee, diatrieto de Leiria ; fl.% 4.*, 

7.* a 7.* 4). 
Jose Maria Galvao de Mello, fill* de Joae Paachoal GaWie de 

Mello, natural do Porto, freguezia da Victoria; 7.* e 10.* 
Jose Maria Pinto Camello, filho de Joao Jose Pinto Caaaello 

Coelho, natural de Caatello de Paiva ; &* e 9.* 
Jose de Miranda Guedes, filho de Jeao de Moura Guedes, neta- 

ral de Penejoia, coneelho de Lamego; 9.*, 10.* e 12.' 
Jeee do Vaecimento da Boeha Ascveao Coutinho, filho da Joe* 

Peizoto da Bocha, natural deTarouquella, coneelho de Sinflai ; 

&• e 9.* 
Jeae Pereira Seanpaio, filho da Joae Faes de fiaatpaao, aafcral 

do Porto, freguezia de Santo Ildtfoneo ; L* a *> 
Joae Bodriguaa Moreira, filho de Antonio Bodiigaau Mown*, 

ttatoral de Mouris, coneelho da Paredee ; 8.' e ft. 1 
Joae Tavares da Silva Bebello, filho de Manoel Tavares dufifl- 

ya, natural de Salrea, coneelho d'Eatanreja ; 1.% 7.* • 10.* 
Juho Arthur Lopes Cardoso, filho da Joae Joaquim Lopai Oar- 

doso, natural de Braga, freguezia da Se ; 7.* e 10.* 
Julio Pinto da Coata Portella, filho de Jose Bodricues Pints, 

natural de Becardaens, ooncelho d'Agueda ; 1.*, i* e &* 
Luii Antonio Bodrigues Lobo, filho de Antonio Bodriguea Fa- 

chinha, natural do Porto \ 8.* e 9.* 
Luis Maria de Souaa Vahi*, filho do YiBoonde de 8. Join da 

Peaqueira, natural do Porto, freguezia da- Cedofeita ; L* a fc* 
Luis Paaaos Olivcira Valenea, filho de Franeieeo Paaaoa QUt«- 

ra Valeaca, natural de Vianna do Caatello, fregueaia «• 

Santa Maria Maior ; a* e 9.* 
Manoel de Barroa Leal, filho de Joae Joaquim do Burros L*4 

natural de Perosello, coneelho de Penafiel ; 7.* a 10.* 
Manoel Belles* da Coata Almeida Ferns, filho de Joae Antoak 

da Coata Almeida Ferras, natural de BareeUmhos* conaaUio 

deBarcelloa;7.*e 10.* 
Manoel Ferreira doa Santos, filho de Antonio Ferreira doe Sea- 
toe, natural do Porto, fregueaia de Campanhft ; 7.* a) e 10i m a) 
Manoel Ferreira da Silva Couto, junior, filho de Manoel Ferreira 

da Silra Couto, natural do Porto ; 8.*, 9.* e lfc* 
Manoel Machado de Moura e Caaba, £lh» de Antonio Maehado 

de Moura e Cunha, natural de S. Miguel de (taneee, 

lho de Celorico de Baa to; 8.* a 9.* 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 125 

Manoel Maria Lopes Monteiro, filho de Francisco Lopes Mon- 
teiro de Mesquita, natural de 8. Braz do Castanheiro, con- 
celho de Garrazdda d'Aneiaes; a* e 9.« 

Manoel de 8ouaa Dias, filho de Maaoel de Beuea Dias, natural 
de Villar do Pinheiro, concellft) de Villa do Conde ; 8.* e 9.* 

MaroelHno Antonio de 8ousa Floret, filho de Jose Antonio da 
8on8a Milreus, natural de Santo Estevao de Gifto, concelho 
de Villa do Conde ? 1.*, 4.», 7.« *) e 12.« 

Maximiano Bernardes Pereira, filho de Antonio Bernardes Pe- 
reira, natural do Pezo da Regua ; 8.* e 9.* 

Saul da Fonseca, filho de Francisco Lourenco da Fonseca, na- 
tural do Rio Grande do Sul (imperio do Brazil) ; 8.* e 9^ 

llleardo Pinto Bartol, filho de Rieardo Pinto da Costa, natural 
de Lumbrales, provineia de Salamanca (Hespanha) ; 8.* e 9.* 

Rodrigo Alberto Peixoto Galvao d'Oliveira, filho de' Joao For* 
reira d'Oliveira, natural de Mangualde ; 8.* e 9.* 

Satnrnino de Barros Leal) filho de Jose* Joaouimde Barros Leal, 
natural de Perozeilo, concelho de Penanel ; 1.*, 4.* e 8.* 

BebastiSo Pinto Peixoto Portella de Vasconcellos, filho de An* 
tonio Pinto Peixoto de Vasconcellos, natural do Porto, fre* 
gueaia de Miragaya; 7.* e 10.* 

Simio Jose* Lopes da Silra Ferreira, filho de Domingos Jose 
Lopes da Bilta, natural do Porto ; 8.* e 9.* 

Theotenfo Augusto Alcoforado, filho de Gil Aleoforado d'Aze- 
vedo Pinto e Figueiredo, natural de Vouzella ; 8.* e 9.* 

Theophilo Leal de Faria, filho de Jose Rodrlguesde Faria, na- 
tural de Lisboa, fi-eguezia de 8. Jose ; l. a , 4.* e 19.* 

Tbotnaz d'Aqnino Pinheiro Falcfto, filho de Heliodoro Ribeiro 
da Fonseca, natural da freguezia de Nossa Senhora da Con*' 
eeie&o do Bairro Alto da cidade de Loanda (Angola) ; 9.* e 12.* 

Vasco Antonio de Macedo Araujo da Costa, filho de Pedro An- 
tonio Bernardino, natural do Potto ; 8.* e 9." 

Victor Martins d'Oliveira, filho de. Joaouim Martins d'Oliveira, 
natural da Cachoeira, provineia da Bahia (Brazil) ; 8.* e 9.* 

William Maedonald 8mith. filho de John Smith, natural de Lon- 
dres (Ingtaterra) ; 9.% 4. a , 7.« e 7.« a) 



Digitized by 



Google 



/ 



126 ANNUARIO DA ACADEMIA 



Di*pb«le5e* regnlameiitares 
rel&ttvaa aoi alnmiiM 

e Jtilgtme&to du Mtas— nftUamntodos actus — poHdaaoifcBfci} 

Regulamento da flscalisacio • julgamanto 
daa faltas dot alumnos 

A fisealisa?aoe jnlgamento das faltas doe alumnos *aVrege> 
lados pelas disposicoes do Decreto de 80 de outnbro da lw, 
relatiyo 4 UDiveraidade de Cohnbra, na parte que * apnlieifel 
a esta Academia (8essio do eonselho academioo de 11 de jaise 
de 1872), a saber : 

Art. L* Aqtod<ra»estudante,inatricttladonaAcademit, 
eontar-te-ba nma falta por eada dia que deixar de assistir sai 
boras determinadas islicoes on preleoeoes de todos on de ctdt 
nss de sens mestres. 

Art 2. # A falta a qualqner sabbatina on repetieio oonavee 
pels primeira Tea triplieada, equiralendo a tree faltas diarias, 

§ Is A falta a qualqner sabbatina on repetieio, pela segna- 
da yes e por qnalqoer ontra das seguintes, equivaie acmeo fal- 
tas diarias. 

§ S. 9 Estas disposicoes sio applicayeis a todos os estneaa- 
tes qne alo oompareeerem na aula em dfa de sabbatina on re- 
petieio, qner sejam sorteados on ebamados ao ezeracio litters- 
rio, qner nio. 

§ 8.* A falta a qualqner sabbatina on repetieio eontsr-fe- 
ba simples, equiyalenao a nma s6 falta diaria, qnando {or legi- 
timamente justifieada, on qnando o estndante bower ftltaao 
tambem is tres prelee$5es immediatamente anteriores. 

Art 8.* Ao estndante qne deixar de entregar no prasomar- 
eado a dissertacio qne tiver sido preseripta, ooatar-se-bio, peU 
primeira ves tres faltas; pela segunda e por eada nma das se- 
guintes yeses, einco faltas. 

§ unico. Estas faltas/sendo justifieadas, equivalent a fid- 
tas diarias e eontam-se eomo taes. 

Art. 4.* As faltas de freqnencia nas aulas poderio justifi- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 127 

1.* Com attestac&o de molestia, que obste a frequencta ; 

2.° Com documento que prove ou abone a occorrencia de 
meendio, desastre, morte de pessoa conjuncta, ou qualquer ou- 
tea circumatancia impreviata e attendivel ; 

8.° Com Kcenca do Director. 

Art 5.° A juatificacao das faltaa de diaaertaoao aio appli* 
eaveu aa disposicoes dos §§ 1.° e 2.° do artigo antecedente. 

Art 6> Aa faltaa podem ser justificadas, ou perante 08 res* 
peetivos Professores, ou perante o Conselhoinensal academieo. 

Art 7.° A juatificacao de faltaa com licenca do D i r e c t o r , 
ou.com. atteetacaade molestia no Port o,ei?eituar-sa-ha perante 
oe respective* Professores. 

§ 1.° O eatudante que houver faltado com licenca do D i r e - 
ct o r , para justifies* aa faltaa e obrigado a apreaentar a licenca 
aos respective* Profeaaorea no primtiro dia em que voltar a aula 
logo depoia de finda a licenca. 

§ 2.° O eatudante, que houver faltado por molestia pade- 
eida no P o r t o , para justificar aa faltaa e obrigado a apreaentar 
aos respectivoa Mestres, no primdro dia em que voltar 4 aula 
depoia da molestia, attestacao jurada de Facultativo legitimes* 
mente habilitado, reconhecida ppr Tabelliao e assignada tarn* 
hem peJo apreaentante, com deaignacjo do aeu numerode matri- 
cula. 

- § 3.* A justificacio de faltaa, que nao fdr efiectuada nos 
precisos termos e dia prescriptos nos §§ antecedente*, b6 pdde 
ser admittida pelo ConseJho academieo. 

Art. 8»* Compete ezcloeivamente ao Conaelho academieo 
admfttir e julgar a juatificacao : 

1.* Daa faltaa de diaaertacio ; N 

2. # Das faltaa por molestia padecida f6ra do Por to ; 

&• Das faltaa por desastre ou caao imprevisto ; 

4.° Daa faltaa referidaa no § 8.* do artigo antecedente; 

5.° Daa faltas deliberadas em commum, e consideradas no 
artigo 18.° d'este Regulamento. 

§ 1.* eatudante que pretender iustifjcar alguma daa fal- 
tas especificadas n'este artigo dirigira o aeu requerimento do- 
cumentado ao Conaelho academieo no mes immediate aquelle 
em que faltou. 

§ 2.° No caao de impedimento legitimo e provado, podera 
requarer a dita juatificacao no mes seguinte. 

Art 9.* As faltas por molestia padecida f<Sra do Porto a6 



Digitized by 



Google 



128 ANNUARIO DA ACADEMIA 

podem eer joatifioadaa com licenca anterior do Director para 
aahir do P o r t o e com atUstwflo regular de Facultative, reeonhe- 
cida por Tabelliio da looalidade, e o signal d'eete ignahnente 
reconnecido por ontro do Porto, seilada com o aello official da 
Adminiatracao do Concelho onde foi paaeada, e rvbrioada pel* 
reepectivo Adminietrador. 

Art 10.° eatadante que por motive de moleatia canes 
de aahir do Porto, pediripreviamente lioenca ao Director 
aem requerimento docnmentado, comatteetacio do Facnltatm 
aaaietente. 

§ !.• 

§ 2.* 

Art 11.° No Conaelho menaal academico os Profaaaorai 
darflo impreterivelmente conta de todas as faltaa doa acna dav 
elpnloa no max antecedents. 

§ unico. Eataa faltaa aerSo lancadaa no livro competeafta 
eom a declaracao de terem aido, on nfio, havidaa por jnetifiea- 
daa, na conformidade doa artigoa 7 .• on 8.* d'eate Decreto. 

Art. 12.° No Conselho immediate poderSo ainda admittir- 
ae reclamacdea doa intereaaadoa para juatificacao de faltaa jit 
gadaa no Conaelho anterior. 

§ l.« Aa ditaa reclamaeoea poderfto tambem aer aprcaeaav 
daa peloa reapectivoa ProfeaBorea. 

§ 2.* Do julgamento definitivo daa faltaa no aegimdo Cov 
aelho n&o ha maia recurso algum. 

Art. 13.° No Conaelho immediatamente anterior cos i 
e exames, ae farA em vista do livro meneionado o i 
final daa faltaa, e o doa eatudantea, que ae aoham 
para aerem admittidoa ao respective act© on exame. 

Art. 14.° Cada falta nio inatifieada eqnivale a tree jnatifr 
cadas, aalvaa aa diapoaicdea doa artigoa 2.* e 3.° d'eate* Begate- 
mento. 

Art 15. # Perde o anno todo o eatadante, qne titer : 

1.° Quarenta faltaa justificadaa. *) 

2. # Treae faltaa n&o justificadaa. 

•) Bste Jimlte e* reduiido ot proporclo do nnmero de diaa de alii 
eamiaiei part 5, dm cadeiru em que o nnmero de licdea aamanaete'iab- 
rlor.a doeo. Aaatan, oa 5.*, 8> e *.* cadeiras o bmita do nomero de Vtm 
jnstificadae d tinte e qnatro: da 12. • cadelrad desaseia. 

llmite du faltaa nio jnatiflcada* 6 o terou d'eataammieroiziafodaUo 
aelnco. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 129 

8.° Um numero de faltas mixta* eguiYalento ao de quaren- 
ta justificadas, ou ao de treze nao justificadas ; com© por exeat* 
plo, vinie faltas diarias justifieadae, mais duas faltas de sabba- 
tina nio justifies das* e mats qnatro fajtas diarias nao justifies^ 
das-; on vinte e uma faltas diarias justificadas, mais una falta 
de sabbatina e outra de dissertaeae nao justificadas. 

§ 1.° Todas as faltas produzem o meemo^ effeito, quer se<> 
jam consecutivas, quer irrterpolladae. 

§ 2.° Nas eadeiras em que baja curses se para- 
dos as faltas eontar-se-dilo por dias, quando o estudante bou* 
ver de fazer um s6 ezame ou acto ; e eontar*se-bao pot aulas, 
quando hourer de fazer exames ou aetos distinetos relatiros a 
eada uroa d'ellas. 

Art 16.* Verifieado em Censelbo academico que al« 
gum estudante tern dado tantas faltas quants* bastem para 
perder o anno, lancar-se-ba no h>ro eompetente a declaracao e 
julgameuto do facto; e pubKcar-ee-ba logo por Edital o mas* 
mo juigameato. 

Art 17.° O estudante que no Conselho immediatamdnte 
anterior aos aetos se aebar com cinco faltas ou mais, nao justi- 
ficadas, perdera o sen logar na matricnla, e sera por cada falta 
excedente as quatro primeiras preterido na pauta dos examinan* 
doa pelo numero dos sens condiseipulos que neceasario for para 
enteo dias de aetos ok exames. 

§ L* Esgotado o numero dos nao preteridos para a forma* 
cSo da pauta dos examinandos, os preteridos por raenos faltas 
precederao na mesma pauta aos preteridos que thereto mais 
faltas. 

• «-• « 

Art. 18.° Os estudantes de qualquet anno ou curso, que 
fiterem parede, isto 6, que em totalidade ou maioria faltarem 
deliberadamente a uma ou a todas as aulas no mesmo dia> ha- 
tendo*se para esse fim concertado, perderSo o anno. 

§ 1.° Presume-so que bouve parede logo que pelsjs notas e 
apontamentos do bedel se verifiear que faltaram a mesma aula, 
no mesmo dia, dois tercos dos matriculados respectivos. 

§ 2,° Ficam iseutos da dita pena os que, havendo faltado 
casualmente sem tomarem parte na parede, justificarem a falta. 

§ 3.° A falta dada eventualmente em dia de parede s6 pode 
justificar-se perante o Conselho academico* 

Art 19.° Perdem o anno se nao justificarem a falta : 



Digitized by 



Google 



180 ANNUARIO DA ACADEMIC 

IS Os estudante* one nio comparecerem a tirar pontons 
logar, dia e hora prescnptos ; 

2.» Os que tendo tirado ponto nSo oompareceiam no logar, 
dia e hora designados para o respectivo acto on exame. 

Art. 20.° A jostificacjo das faltas mencionadas no artigo 
antecedente sera effectuada por moio de requerimento documen- 
tado perante o Director, que jnlgara o impedimento e a 
falta. 

Art. 21.° N*o sao admittidos a justificar as faltas mencio- 
nadas no artigo 19.° os estndantes que as commetterem estaodo 
fora do Porto sen lieenca do Director. 

Art. 22.* O estudante que hourer dado e justificado as fri- 
ts s referidas no artigo 19.° serf, opportunamente admittidoa 
faxer o respective* acto ou exame, no dia queo Director de 
novo lhe assignar. 

§ 1.° N'estes actos on exames extraordinarios serSo exami- 
nadores os mesmos Lentes on Professores que o teriam sido 
nos actos ou exames ordinarios, se o estudante os houverafeito 
no logar e dia competentes. 

§ 2.° Pica salvo para modificacJlo do § antecedente o.cuo 
de impedimento legitimo de algum ou Alguns 'dos mesmos Len- 
tes. 

Art. 23.° As disposicoes dos §§ !•• e 2." do artigo antece- 
dente sao applicaveis a todos os actos ou exames de qnalqaer 
estudante que obtiver lieenca do Director para os faier fo-* 
ra do logar competente. 

Art.24.- 

Art. 25.° 

Art. -26.' . Nenhnm estudante poderi ser admittido a jnsti- 
ficar faltas senSo pelo modo e nos termos prescriptos por esta 
Begulamento. 

Art 27.° Os nomes de todos os estudante*, que por opal- 
quer motivo perderem o anno, serSo logo pnblicados por Editai, 
com declaracSo dos motivos, e seguidamente remettidos a Se- 
cretaria d'Estado dos Negocios do Reino para se faser igual 
publicacfto no Diario do Governo. 



Digitized by 



Google 



POLXTECHNICA DO PORTO 131 



Beffnlamento do* aeto« on exames 

Os actos ou exames dos alumnos sSo regulados pelas dispo- 
siloes que est&o ainda em vigor do Regulamento do Conselho 
academico (seesSo de 20 de dezembro de 1839), approvado pelo 
Decreto de 6 de novembro de 18o*9; a saber: 

aproveitamento dos estudantes nas materias de cpda ca- 
deira que cursaram durante o anno lectivo seri detenninado 
pela maneira como se houverem em actos publicos e na forma 
mais explicitamente especificada nos artigos abaixo referidos. 
(Arf If). 

affixamento das listas dos estudantes para fajEerem actos ; 
a annunciacslo do dia en> que estes deverito comecar ; a declara- 
980 do numero de estudantes que formarao cada turma, quando 
as houver, e o numero das turmas diarias, s2o preliminares aue, 
previamente determinados pelo Conselho academico, se pratica- 
r&o nas f6rmas usuaes ate aqui estabelecidas. (Art.* 2.°). 

Os actos serao feitos sobre pontos tirados & sorte, vinte e 

quatro horas antes da bora respectivamente marcada, na pre* 

, senca do Lente da respectiva cadeira. — A 4.* cadeira, pela na- 

tureaa das materias n'ella ensinadas, 6excepc3o d'esta regra 

.(Art.3,»). 

Os pontos terao sido previamente feitos pelos Lentes das 
respectivas secedes e authorisados pelo Conselho academico. Es- 
tes pontos 'ser&o de taJ f6rma ordenados que em vinte e quatro 
horas poder&o perfeitamente abranger em si e em seus immedia- 
tos fundamentos, consequencias e applicacoes prdticas. — Os pon- 
tos constarSo de uma unica sorte. De cada sorte que sahir em 
ponto, entregar-se-ha uma copia a cada vogal que assistir ao 
acto, uma a cada estudante que tiver de fazer acto sobre esse 
ponto, e uma sera registada nos Archivos da Academia (Art. 

*■•)• 

Os actos serSo feitos segundo as determinacoes do § 19 dos 

Estatutos da antiga Academia Real da Marinha e Commercio. 

Nos objectos porem que forem alheios ao ponto, nio se esperari 

do estudante sen&o a enunciacSo de principles, e n&o se exigir&o 

demonstracoes que requerem previo estudo. (Art. 5.°). 

Urn mesmo bilhete poderA servir de ponto a dois ou mais es< 



Digitized by 



Google 



132 ANNUAKIO t>A ACADEMIA 

tudantes, quando em consequencia de circumatancia, como no 
caao de grande numero de examinanrioa, o Conselho academico 
determinar a reuniio de ▼arioe estudantee em una turma (Art 
6.*). 

Os alumnos efto qualify ados nos actoe em duas divisott, a 
saber : 1.* divMo de motor qvalifioac&o, eomprehende oa alomnot 
que se acham jgabilitados naa materias enamadaa na reapectfri * 
cadeira em toda a sua generalidade e aea desenvolYimento; V 
divMo de menor qvalificatflo (que eorreapoude 4 class© de obri- 
gados na Universidade de Coimbra), comprehend© oa alnnmoi 
a quern ae eaeuaam certaa materia* e tbeorias por demasiadamenfie 
abstracts*, ou por inuteis ao aeu deatino especial. 

A menor qualificac&o nao aproveita ao alumno que quoin 
aeguir curao que a exige maior f aem de novo repetir o meano 
acto (Pratica doe art." 7.* e a*). 

Nob actos da 11.* cadeira (art. SO) « nos daa 12.« e 18." afe 
ba dirisoes. • 

Os curaoa eapeciaea I a) e o) exigem maior qualificacao hm 
exames de todaa aa cadeiraa dos reepectivos quadroa — cano 
especial I o) exige maior qualificaelo em todoa os exames, ex- 
cepto nos da 9." e 10.» cadeiras — curao especial II eiige 
maior qualificacao em todos os exames, excepto no da 8.* cadet' 
ra — O curao especial m nao exige maior Qualificacao no exa* 
me da 1.* cadeira — O curao especial IV exige maior qualifica- 
cao nos exames, excepto nos da !••, 8.» e 9.* cadeiras. — cano 
especial V exige maior qualificacao s6* no exame da 9. a cadeira. 

Noa cursos preparatories e exigida maior qualificaelo en 
todos os exames das cadeiras dos respectivos quadroa (Praties 
dos art- 9.*, M.», 12.-, 14% 16.», 17.', 18* e 19.»— Rcaolueie 
do Conselho academico em sessao de 4 de maxco de 1879). 

Os actos de cada cadeira, excepto os da 4.*, a&o feitos pe- 
rante um jury de tree Lentes, entrando o da cadeira, o qual aern 
de presidents sendo os outros dois arguentes. Cada argumeato 
dere durar, pelo menoe, trinta minutos, em todoa os actos dai 
cadeiras da seccao de mathematical e vinte minutos nas cadei- 
raa daa secedes de Philoeophia e Commercio. (Art 10.°, 11.', 
12/S 14.» e 16.*). 

O aproveitamento doa alumnos nas disciplinas da 4* cadeira 
sera determinado pelas provas que de si derem n*um concarao 
geral. — O genero das obras de concurao sera sempre em cot- 
fbrmidade do que ae aeba estabeleeido np Programma de Ensi- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 138 

no para o anno lectivo de 1888 para 1889. Estas obras devem ser fei- 
tas pelos alumnos, franqueando'lhes para esse effeito o Lente res- 
pectivo os modelos analogos aoe fins que se propozerem seguir 
na Academia. — Durante o tempo do ooncurso o Lente evitara 
quanto f6r possivel o auxilio manual a bem das ditas obras ; 
mas fara as advertencias que entender, para assim compensar 
os seus alumnos com as vantagens que costumam ter nos actos 
ou ezames oraes das outras disciplinas. (Art 13.°). 

, Em todos os actos das diversas cadeiras os votos serao da- 
dos em escrutinio secreto por AA f approvado) e RR (reprovado). 
Dois BR reprovam e tornam nulla a frequencia do estudante 
n'aquelle anno lectivo ; um R qualifies a approvac&o de pela 
motor parte. Nenhum estudante, na votac&o solbre cujo acto en- 
trou um R, p6de ser premiado nas materias do acto que fez. 
(Art. 21.<>). 

No caso de manifestarem os actos um conceito diverso do 
que se esperava do estudante, podera ter logar o recurso de que 
trata o § 20.« dos Estatutos de 29 de julho de 1803, da Acade- 
mia Real da Marinha e Commercio (Art 22.°). 

O resultado dos actos de cada dia sera declarado depois de 
se concluirem aquelles que n'esse dia tiveram lugar (Art. 23.°). 

$Taquellas Cadeiras' em que se tiverem feito trabalhos gra- 
pbicos, deverao estes ser apresentados aos vogaes do acto, 
para coadjuval-os no conceito que devem formar do aproveita- 
mento do examinando (Art. 24.°). 

.N'este juiso devera entrar em conta a informacio vocal dada 
pelo Lente respectivo previamente ao acto, sobre a frequencia 
e signaes d'applicatiio evidenciados no decurso do anno lectivo 
(Art. 25.«>). 

Os estudantes que deizarem de comparecer'para faaer acto 
em sua competente vez, nJo poderSo em outra occasi&o fazel-o 
sem mostrarem com documentos justificative^, que tiveram causa 
legitima que os obrigou A referida falta. Escusas por falta de 
saude, corroboradas do competente documento legal, e bem 
assim as licence de transferencia de acto para outubro por mo- 
tivo justificado, devem ser apresentadas antes da hora marcada 
para a tiragem dos pontos. Todos os requerimentos tendentes a 
similhantes escusas e licencas, deverao ser dirigidos ao Director 
da Academia que sobre elles resolvera o que fdr de justica. (Art. 

vogaes dos actos de cada seccSo ser&o os Lentes d'essa 



■%. 



Digitized by 



Google 



184 ANNUARIO DA ACADEMIA 

mesma ieeelo. Em caao por&n de neceasidade o Conselho aa- 
demico dehberara aobre o que f5r convenient. Os vogues doe 
exames da 4. a Cadeira aerfto o Lente proprietario e aubstitato 
da mesma Cadeira. (Art 27.°). 



Digitized by 

# 



Google 



POLYTECHNIC! DO PORTO 135 



Pollela aoademloa— dtapoalQdea penael 

A policia academica tern por fun manter a ordem, a morali'- 
dade e a honra da vida academica. 

A jurisdiccfto dos actoe de disciplina e policia academica 6 
exercitada pelo Director, por si somente, on em Coaselho aca- 
demico, sem dependencia das formalidades e processor prescri* 
ptos no Be^ulamento de 25 de novembro de 1809 ; mas com to* 
das as avenguacoes que forem necessarias para estabelecer a 
verdade dos factos e a prova de sua moralidade. (D. de 20 de 
setembro de 1844, art 134, § 1.°). 

A policia academica 6 mdependente do processo criminal 
que possa ter logar perante as justicas ordinarias. (Begulamen- 
to citado, art 2.°). 

As penas disciplinary contra os estndantes sio : 

I. A repreheosio dada pelo Lente, quando a falta fSr com- 
mettida dentro da aula. (D. de 31 de marco de 1873, art. 75.° 
n. p 1.°— Beg. citado, art 6.°). 

IL, A reprehenslo dada verbalmente pelo Director. (Beg. 
citado, art 2.°, § 2.'). 

EI. A reprehensSo escripta pelo Secretario da Academia, 
e assignada pelo reprehendido, em livroproprio, com a declara- 
c2o dos motlvos d'ella. (Beg. citado, art 2.°, § 2.°). 

IV S A intimacao feita pelo Lente ao alumno para que se re- 
tire da aula, marcando-se-lhe falta, (D. de 31 de marco de 1873, 
art 75.* n. p 3. p ). 

V. A suspensSo da frequencia e exercicios escolares ate 
oito dias, imposta pelo Director, marcando-se falta ao alumno 
por cada dia de suspensiio, e avisando-se o pae ou tutor. (D. de 
1873, art 75.» n.» 4.°). 

VL A'exclus&o temporaria da Academia, por tempo d'um 
a dois anno8 lectivos. (Beg. citado, art. 2.°, § 2.*). 

VEL A exclusfto perpetua da Academia. (Beg. e § citados). 

Na applicacao das penas de ezclusao temporaria ou perpe- 
tua da Academia, havera* respeito as seguintes regras : Os estu- 
dantes matriculados, que nao frequentarem as aulas, ou que, 
sendo frequentes n 'el las, n&o mostrarem applicacfto, se depois 
de admoestados n&o tiverem emenda, serSo nscados da matricula 



Digitized by 



Google 



186 AMNUAXIO OA ACADEMIA 

do respectivo curso — 00 eatudantes, que dentro das Eae61u 
perturbarem os exercicioe d'ellas com desordena gravea, arrai- 
oos e tumiiltos eacandaloeoa : os que praticarem actoa de quati- 
ficada insubordina^ao, desobediencia e resistencia ; faltarem ao 
reapeito devido ao Director e Lentea, proferindo inj arias, ou 
oemimtftnndo neleneiaa confer* ellea ; os qtre profoearem ontros 
alumnoa aoa meamoa actoa ; oa one praticarem qsaeaqner ontroi 
factoa de igaal nature** — aerao punidos com a exclnaio da 
Aeademia, por in, ou dois annoe, aegiindo a graridade das cv> 
ciwsiamHa* ; • com a exctaaao perpetoa, so caao de reineide* 
em. (Beg. citada, art &•, §§ L« e 2.*}. 



Digitized by 



Google 



FOLTTECHNICA DO PORTO 13T 



delrcus dos oorsos da, Aoademia no an- 
no leetlro de 1877 a, 1978, proolama- 
<Io» em seewao solemne dte US d'oututoro 

del676 

2.* CADEIRA 

Acceuit — William Macdonald Smith, natural de Londres. 
Dutinec&o — Jose Maria Chartres Henriques d'Asevedo, natu- 
ral de Cortes, districto de Leuia, 

4* CADEIRA (dbsbbho db piguba ■ faisagem) 

Promo — Antonio da Silva, natural de Salreu, tjoncelho d'Es- 

tarreja. 
Acceuit «— Joao Goncalo Pacheeo Pereira, natural do Porto. 

4.* CADEIRA (dsbbnho db topogbapbia) 

Distincg&o — Wtiliun Macdonald Smith. 

5.* CADEIRA 

AccenU — Francisco Pinto Pereira* de Vasconcellos, natural 
de Mercedes, republica oriental do Uruguay. 

7.* CADEIRA 

Aecemt — Antonio de Padua e Silva, junior, natural do Porto, 
» — Alvaro Le&o Baptista Dias, natural do Porto. 

» — Jose Maria de Queiroz Velloso, natural de Barcel- 

los. 

8.* CADEIRA 

Aecemt — Arthur Lessa de Carvalho, natural de Lamego. 
» — Albino Moreira de Sousa Baptista, natural de Ca- 

beca Santa, concelho de Penafiel. 



Digitized by VjOOQlC 



188 ANNUAR10 DA ACADBMIA 

9.* CADERA 

AaeutU — Jacintho PanreJraLanca, natural de Castro de Vide, 
districto de Beja. 
• —Albino Moreira de Sousa Baptista. 

» — Arthur Lessa de Carvalho. 

Dittinoflo— Antonio Teizeira de Sousa, natural de Celleiroa, 
ooncelho de Sabroaa. 

10.* CADEIRA 

Acctuti — Jose Maria de Queiros Velloso. 

» — Antonio de Padua da Sihra, junior. 

DutincQ&o — Affoneo do Valle Coelho Cabral, natural do Porto. 
» — Franciaeo de Albuquerque' de Mello Pereira e Oa- 

ceres, natural do Porto. 
» — Jofto Augusto Alvea de M agalhies, natural de Pe- 
nafiel. 

12.« CADEIRA 

Prmio — Paulo Marcellino Dias de Freitas, natural de Ter- 
ras de Bouro, districto de Braga. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 



189 



I>e«i&naQ&o do« aliimnoai que 

carta de oapaoidade de, Cursos da 
Aoademia, no anno leotlvo anterior. 



Nome*, e detignacto do Gurao 



Engenheiros de pontes 
e estradas 

JoSo Henrique Adolfo von-Hafe 

Filinpe Gkmcalves Pelouro 

Paulo de Barros Pinto Osorio. • . 

Engenheiros de minas 
Antonio Franco Fraiao 



Dttt em que foi cooferida 
a caru do curio 



8 d'agosto de 1878. 

6 d'agosto de 1878. 

29dejulhode 1878. 



24dejalhodel878. 



Digitized by 



Google 



140 



AttNtJAUO PA ACADEWA 



Mappa eatattetieo «lo movimento da 

no anno lootivo 



Matricnlados. 



© 

AS 
0* 



, Perderam o anno 

por faltas 

i Lioenciadoi ..... 
> m I Nemine Dia- 
l's I crepante... 
/ j> JSimpficiter... 
jN. D., qnalifi- 
i »; / cac£o menor 
|*l \ flimpliciter, id. 
Total dos ap- 
provados . . 
I Reprovadoi 



/Com premio pecu- 

niario... 

1 Com premio hono- 
rific© 

( Accessit «... 

] Com mencfto hon- 

rosa 

Total dos dis- 
tinctos .... 



U 



15 
7 



2.* 



ALUMN0S 



8.« 



8 22 
1 



22 



5.* 



7.* 



25 



25 



25 



8 



Tiraram carta : — do engenbeiro civil de Pontes 



Nota. O excesso de 8 que so encontra na 9.» cadeira e no total 
tamento e o numero de alumnos matricnlados, prowm 
noa approvados Hmpliciter com qualificacio maior. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 



141 



Jkoculemia, Polyteolmiea, do Poi*to 9 
<le> v&rv a, 18^©. 



POR CADKIRAS 



TOTAL 



&• 



47 



19 
12 



88 
11 



47 



14 
11 

1 
5 



81 
6 



10.« 



10.* 



81 10 



81 



81 



11.* 



12.* 



10 
8 

7 



18.» 



Por cadeiras 



11 



10 

1 



11 



244 



158 
26 

1 

7 



187 
18 



14 
6 



CoDtadosln- 
dividualmoDte 



102 



9 
6 
16 



e Estradas — 8 — de engenheiro de minas — 1. 

por cadeiras, entre o ntunero de altimnos contados pelo aprovei- 
de 3 repeticoes de acto que houve em julho, ficando os alum- 
Pertenciam de matricnla ao anno lectivo de 1875-76. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



Secqao de Legislaqao 



Intorrompe-ee a continuacao da historia d'esta Acade- 
mia, de que ee comecou a dar noticia no anterior A n - 
nuario, por pareoer mais methodico transcrever a le- 
gislacao mais importante relativa aoe dois primeiros pe- 
riodos da mesma historia (Origens: 1762 a i803- 
AcademiaReal daMarinha e Gommercio da 
cidade do Porto: 1805 a 1857) de que se tra- 
tou na parte daMemoriahistorioa anteriormente 
publicada. 

No seguinte Annuario devera continuar-se a pu- 
blicacSo do referido trabalho cornea historia do periodo 
polytechnico que decorre desde 1837 ate a epoca actual, 
a que seguira tambem o traslado da legislac&o mais im- 
portante que diz respeito a este periodo. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 145 



Deoreto que fundou a aula de nautica 
na Cidade do Porto. 



Por quanto havendo os Meus Vassalos habit an- 
tes na Cidade do Porto louvavelmente estabelecido, 
com faculdade Minha, algumas Fragatas de Guerra 
para cobrirem aquella Costa, e protegerem o commer- 
cio da mesma Cidade contra os insultos que frequente- 
mente padeciao ; he justo, e necessario, que ao mes- 
mo tempo se criem Officiaes com educacao para aquel- 
le import ante servico, como os sobreditos Me repre- 
sentarao: Hei por bem crear dose Tenentes do mar, 
e dezoito Guardas Marinhas, para servirem nas refe- 
ridas Fragatas, com Aula, e 1{e$idencia na mesma 
Cidade do Vorto, e pagos pela mesma Repartkao 
por onde se fazem as mais despezas das referidas 
Fragatas: Os quaes ficarao em tudo, e por tudo 
provides, igualados, e graduados com os que Fui Ser- ' 
vido crear por Decretos de dous de Julho de mil 
setecentos sessenta e hum, e de vinte e hum de Mar- 
co do presente anno. O Conselho de Guerra o tenha 
assim entendido, e fa<ja observar pelo que pertence. 

Palacio de Nossa Senhora da Ajuda, a 3o de 
Julho de 1762. = Com a Rubrica dp Sua Mages tade. 
(Collecfio da legisla^ao portugiieza de Del- 
gad o, tomo I, pag. 878). 
10 



Digitized by 



Google 



146 ANNUARI0 DA ACADEMIA 



Deoreto que fundom a aula cle debuxo 
e desenlio no Porto 

Tendo consideracao ao que me foi*presentc pelo 
Marquez Presidente do meu Real Erario, sobre a re- 
presentacao da Junta da Administratis) da Compa- 
nhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Dou- 
ro, ao fim da creaqao de uma aula publica de debu- 
xo e desenho, que nao sera menos util do que a ou- j 
tra aula publica da nautica, que ja se acha estabele- 
cida na cidade do Porto debaixo do cuidado e ins- j 
peccao da mesma Junta : Sou Servido ordenar que j 
semelhantemente se estabeleca a sobredita aula de ] 
desenho e debuxo, em tudo conforme a da nautica, J 
no que lhe f6r applicavel, debaixo do mesmo cuida- 
do na referida Junta, vencendo o Lente d'ella deze- . 
sets mil reis cada mez, como tern o da nautica, que 
lhe serao tambem pagos pelo producto dos dous por 
cento applicados para a construccao das Fragatas 
de Guerta, e se fara a mais despesa no custo dos 
livros que forem necessarios, com a approvacao do 
mesmci Marquez Presidente, pelo qual subirao a mi- 
nha real Presenca os Estatutos que se devem fonnar 
das obrigacoes do Lente e dos Discipulos, para se- 
rem por mim approvados, e terem o seo devido ef- 
feito. E Hei por bem nomear a Antonio Fernandes 
Jacomo para primeiro Lente da dita aula, esperan- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO P0RTO 147 

do das boas informaqoes que delle tenho, desempe- 
nhara as suas obriga^oes no que the for determina- 
do pela referida Junta. E servirsi por este Decreto 
s6mente, sem dependencia de outro algum despacho, 
em quanto bem cumprir com as mesmas "obrigacoes, 
e a Junta entender que e util o seo prestimo. O 
mesmo Marquez Presidente do meu Real Erario o 
tenha assim entendido, e o faca executar com os 
despachos necessarios. Palacio de Nossa Senhora da 
Ajuda, em 27 de Jfovembro de 1779.— Gumpra-se 
e registe-se, e se passem os Despachos necessarios. 
Junqueira em 2 de Dezembro de 1779. — Com ru " 
brica do Ill. mQ e Ex. m0 Snr. Marquez de Angeja, 
Presidente do Real Erario. — Balthasar Pinto de Mi- 
randa. 

(Silvestre Ribeiro — Historia dos Estabelecimentos 
scientificos, litterarios e artisticos de Portugal, 
tomo 11, pag. 67). 



Digitized by 



Google 



U8 ANNUARI0 DA ACADEM1A 



Aviso Refflo mandando admlttir os 
alumnos de nautlea nos navloa 

meroantei. 

Sendo presente a Rainha Minha Senhora que al- 
guns Proprietaries, e Caixas dos Navios, que dessc 
Porto navegam para os Dominios ultramarinos, du- 
vidam aceitar para os ditos Navios os Discipulos 
d'Aula da Navegacao que se acha estabelecida Odes- 
sa cidade, oppondo-se por esse modo nao s6 ao uso 
que desde a creacao da referida Aula se tern prati- 
cado n'este assunto mas tambem ao louvavel, e util 
fim de se adiantar a mesma Navegacao em beneficio 
commum do Commercio desses Povos: E quercn- 
do Sua Magestade obviar a este pernecioso inconve- 
niente: He Servida ordenar, que vm. w nao matricule 
a Equipagem de navio de Lote de mais de cento e 
cincoenta toneladas, e dahi para cima, sem que neila 
seja compreendido algum Aulista, que se ache legiti- 
mado com despacho do Provedor da Junta da Ad- 
ministracao da Companhia Geral da Agricultura das 
Vinhas do Alto Douro, como athegora se observou 
para ter no dito navio o emprego, e exercicio pro- 
porcionado a sua applicacao, e prestimo, como sem- 
pre se tern praticado. E ao sobredito Provedor re- 
ineto esta carta a sello volante para que depois de 
inteirado da Regia determinacao que nella se con- 



Digitized by 



Google 



* POLTTECHNICA DO PORTO 149 

tern, a entregue a vm. M , para que a execute. Deos 
Guarde a vm. M . Junqueira em vinte e cinco de No- 
vembro de mil sete -centos oitenta e hum. Marquez 
de Angeja. Senhor Antonio Caetano Jose de Sousa 
Magalhaens. 

(Registado a fl. 228 do liv. 2. de registos da Ribeira do 
Douro, archivado na Reparti^ao do Departamento Maritimo 
do Norte, no Porto; e no liv.O,n.° 1 doarchivoda Academia, 
pela copia authentica man dad a passar pelo Chefe da mesmd 
RepartifSd em 3 de mar^o de 1879). 



Digitized by 



Google 



160 ANNUARIO DA ACIDEMIA 



ALYARA que oreou aa aulas de mat he- 
matioa, oommeroio, dan lingpuas fran- 
oeza e injpleza, e enoarregou a Junta 
da adminifltraoao, <liree«?ao e projec- 
q&o d'uma casa propria no terreno do 
Colleffio dos Orphaos. 

Eu o Principe Regente: Faco saber aos queeste 
Alvara com forca de Lei virem : Que tendo-Me re- 
presentado a Junta da Administracao da Compa- 
nhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, 
munida com a permissao, que Ihe concede o Para- 
grafo cincoenta e hum da sua Instituicao, para Me 
Consultar immediatamente o que se Ihe ofterecer; e 
desejosa de manifestar o zelo, com que sempre se 
empregou em promover o beneficio dos Meus Fieis 
Vassallos, estabelecidos nas Provincias do Norte; 
que havendp na Corte, e Cidade de Lisboa muitas 
Academias, aonde a Mocidade p6de adquirir Conhe- 
cimentos de todas as Sciencias; e que depois dc 
perfeitamente instruidos, Me podem dignamente ser- 
vir, e ser empregados, conforme os Creditos, que 
tenhao adquirido, como por experiencia se tem mos- 
trado ; achando-se «o Meu Real Servico Pessoas, que 
merecem a Minha Real Consideraqao, e 6 Conceito 
publico; tendo sido a sua educacao principiada, e 
ultimada nas mesmas Academias; devendo-se estes 
notorios progressos aos habeis Professores, a quern 



Digitized by 



Google 



POLYTEGHNICA 1)0 PORTO 151 

se confiou a Regencia das Cadeiras das differentes 
Sciencias, e a escrupulosa seieccao de Livros, que se 
lhes adoptou, e cujos Authores gozao na Europa a 
melhor reputacao : Seria' muito conforme aos Meus 
Paternaes sentimentos Permittir, e Ordenar, que na 
Cidade do Porto se erigissem Aulas de Mathematics, 
de Commercio, das Linguas Ingleza, e Franceza, 
assim como ja se achavao creadas as de Nautica, e 
Desenho ; e que do resultado deltas era bem evidente 
a utilidade, que se tinha seguido as Artes, e Officios, 
principalmente a Navegacao, pelos Pilotos, que na 
sobredita Aula se formarao, e que mais se aperfei- 
coarao havendo huma de Mathematica, onde se pos- 
sao adquirir maiores, e mais extensos Conhccimen- 
tos : Que sendo a Cidade do Porto a do mais con- 
sideravel Commercio (depois da Capital), nao havia 
modo estabelecido para as pessoas, que se destinavao 
a esta Profissao, de adquirirem os indispensaveis 
Conhecimentos elemen tares, para a poderem exercer 
com perfeicao, e vantagem do Estado : E que haven- 
do muitas Obras escritas, da indispensavel Instruc- 
cao, nos Idiomas Inglez, e Francez, e a maior Nave- 
gacao que fazem os Navios do Porto daquella Cida- 
de (a excep^ao do Brazil) se destina para os paizes 
do Norte; e frequentemente para a Baltico, nos quaes 
he preciso entender as Linguas Vivas, pelo menos as 
duas referidas, precisando tambem os Commercian- 
tes deste auxilio, para melhor fazerem a sua Corres- 



Digitized by 



Google 



153 ANNUARI0 DA ACADEMIA 

pondencia Mercantil; nSo havendo ate hoje na dita 
Cidade Estabelecimento algum, aonde se possao 
aprender as referidas Linguas. E merecendo a Minha 
Real Approvaqao o que a sobredita Junta da Admi- 
nistracao da Companhia Geral da Agricultura das 
Vinhas do Alto Douro Me representou sobre estes 
importantissimos objectos, muito analogos aos Pater- 
naes cuidados, que Me devem todos os Meus Fieis 
Vassallos, para lhes subministrar os meios de se po- 
derem instruir, e de se habilitarem plenamente, para 
serem uteis a si, e ao Estado ; evitando aos Pais o 
incommodo, e grandes despezas de mandarem seus 
filhos a Corte a procurar conhecimentos scientificos, 
e aquelles, a quem faltarem os meios, ficarem priva- 
dos de terem a devida instruccao, que com ella muito 
aproveitariao : Hey por bem Determinar o seguinte: 

I. Que na Cidade do Porto se erijao Aulas de 
Mathematica, de Commercio, das Linguas Ingleza, c 
Franceza, para governo das quaes Mandarei fonnar 
Estatutos proprios, 

II. Que estas Aulas se estabelecao por ora no 
Collegio dos Meninos Orfaos, e nas Casas, que me- 
lhor proporcao tenhao para este fim. 

III. Que se proceda sem perda de tempo a edi- 
ficacao de huma Casa no Terreno do Collegio dos 
Meninos Orfaos, propria para as referidas Aulas, que 
se vao erigir, e para as duas ja creadas, para todas 
ficarem em hum s6 Edificio; facilitando-se desta 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 158 

forma o commodo para aquellas Pessoas, que quize- 
rem frequentar huma Aula depois da outra. 

IV* Para a despeza da construcqao deste Edi- 
ficio, Determino, que se imponha, por tempo de dez 
annos, hum real em cada quartilho de Vinho, que se 
vender na Qdade do Porto, e Districto do Privile- 
gio exclusivo da mesma Junta da Administracao da 
Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto 
Douro, nos mezes de Junho, Julho, Agosto, Setem- 
bro, Outubro, e Novembro; sendo esta Contribuicao 
suave, temporaria, e paga insensivelmente, e o bene- 
ficio resultante do Estabelecimento das mesmas Au- 
las perpetuo, e da maior vantagem, e proveito para 
os Habitantes das Provincias do Norte. 

V, Que a Junta da Companhia Geral da Agri- 
cultura das Vinhas do Alto Douro fique encarregada 
da recepcao, e cobranca desta nova Contribuicao, 
assim como da construccao do Edificio, mandando 
tirar a Planta delle, para subir a Minha Real Pre- 
senca pela Secretaria de Estado dos Negocios do 
Reino. 

VI. Que em attencao ao louvavel zelo, com que 
a Junta da Companhia Geral da Agricultura das 
Vinhas do Alto Douro, supplicou a minha Real Ap- 
prova^ao para hum Estabelecimento tao proficuo 
para a Mocidade das Provincias do Norte, de que 
vai resultar tanto beneficio aos Meus Fieis Vassallos 
naturaes dellas: Hey por bem conceder a mesma 



Digitized by 



Google 



154 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Junta da.Companhia Geral da Agricultura das Vi- 
nhas do Alto Douro a Inspeccao de todas as referi- 
das Aulas. 

VII. Que a Junta da Compianhia Geral da Agri- 
cultura das Vinhas do Alto Douro faca expcdiras 
Ordens, que forem nccessarias em todos os casos 
occorrentes, pelo seu Desembargador Juiz Conserva- 
dor ; assim pelo que tocar a construccao do Edificio, 
como pelo que se offerecer depois de abertas,' e fre- 
quentadas as ditas Aulas. 

VIII. Que 6s Ordenados dos Lentes, Substitu- 
tes, e mais Pessoas empregadas em as novas Aulas, 
sejao satisfeitos por onde o sao actualmente os de 
Nautica, e de Desenho. 

Pelo que : Mando a Meza do Desembargo do Paco; 
Presidente do Meu Real Erario; Regedor da Casa 
da Supplicacao; Conselhos da Minha Real Fazenda, 
do Ultramar, e do Almirantado; Junta da Directoria 
Geral dos Estudos, e Esc61as do Reino; Junta da 
Administracao da Companhia Geral da Agricultura 
das Vinhas do Alto Douro ; Governador da Relacao, 
e Casa do Porto, ou quern seu lugar servif; e a todos 
os Tribunaes, Desembargadores, Corregedores, Pro- 
vedores, Juizes, Justicas, e mais Pessoas, a quern o 
conhecimento deste Alvara pertencer, que o cumprao, 
guardem, e facao cumprir, e guardar, como nelle sc 
contem, sem duvida, ou embargo algum ; nao obs- 
tantes/quaesquer Leis, Disposicoes, ou Ordens cm 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 156 

contrario, que todas Derogo para este effeito s6men- 
te, ficando alias em seu vigor. E valera como Carta 
passada pela Chancellaria, posto que por ella nao 
passe, e o seu effeito haja de durar mais de hum, ou 
muitos annos, sem embargo das Ordenacoes, que o 
contrario determinao. Dado no Palacio de Queluz 
em nove de Fevereiro de mil oitocentos e tres. 

PRINCIPE . I . 

Visconde de lialsemao. 

QAlvard com for fa de Lei, pelo qual Vossa oAl- 
te\a T{eal Ha por bem mandar erigir na Cidade do 
^Porto Aulas de ^Mathematical de Commercio, e das 
JLinguas Ingle{a, e Franceqa, debaixo da Inspecqao 
da Junta da Administraqao da Companhia Geralda 
cAgricultura das Vinhas do Alto Douro; na fdrma 
acima declarada. 

Para Vossa Alteza Real ver. 

Domhigos Xavier de Andrade o fez. . 

Registado na Secretaria de Estado dos Negocios 
do Reino no Livro IX. das Cartas, Alvaras, e Pa- 
ten tes d. folhas 178. Nossa Senhora da Ajuda em 
28 de Fevereiro de i8o3. 

Lucas Josi de Sd e Vasconcellos. 



Digitized by 



Google 



156 ANNUARIO DA ACADEMIA 



ALYARA que deoretou os Ctetatutos da 
Academla Real da Martnlm e com* 
meroio da oldade do Poirto. 

Eu o Principe Regente: Faco saber aos que 
este Alvara com forca dc Lei virem: Que tendo Or* 
denado, e estabelecido por outro de nove de Fcve- 
reiro do presente anno a creacao de huma Acade- 
mia Real na Cidade do Porto, que comprehenda 
hum systcma de Doutrinas Mathematical e Navc- 
gacao, huma Aula de Commercio, outra de Dese- 
nho, e duas das linguas Ingleza, e Franceza: Sou 
Servido addicionar-lhe huma outra Aula para as li- 
coes de hum Curso de Filosofia Racional, e Moral, 
assim como outra de Agriculture, que devera ser 
frequentada, quando as circumstancias o permitti- 
rem, sem dependencia de nova Ordem Minha, as 
quaes Determino que facao parte do Corpo da mes- 
ma Academia Real. E tendo outro sim commettido 
a Junta- da Administracao da Companhia Geral da 
Agricultura das Vinhas do Alto Douro a inspeccao 
da referida Academia Real: Hei por bem, e Me 
praz, que os Estatutos, que com este baixao assigna- 
dps pelo Visconde de Balsemao, do meu Conselho 
de Estado, Ministro e Secretario de Estado dos Ne- 
gocios do Reino, sirvao de norma, e Regulamento 
para o estabelecimento, regimen, ordem, e funcoes 



Digitized by 



Google 



POLYTJCHNICA DO PORTO 167 

.da dita Academia Real, em tudo quanto por elleshe 
determinado, e estabelecido: E tendo em considera- 
cao o que a Junta da Administraqao .da Companhia 
Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro Me 
representou na Consulta, que fez subir a Minha Real 
Presenca, em que Me supplicava houvesse Eu por 
bem annuir ao Estabelecimento das Aulas na Cida- 
de do Porto (ao que Fui Servido deferir pelo sobre- 
dito Alvara de nove de Fevereiro) que hum dos 
principaes objectos da creacao deste Estabelecimen- 
to, era que o actual Collegio dos Meninos Orfaos 
nao tinha hum Patrimonio sufficiente para supprir 
as despezas, que sao necessarias para o alimento, e 
educacao dos mesmos Orfaos : Sou outrosim Servi- 
do Ordenar, que as lojas do Edificio, que Mandei 
construir para o Estabelecimento das ditas Aulas, 
se possao arrendar, e' que o seu producto constituin- 
do huma parte do Patrimonio do mesmo Collegio, 
se administre como todas as outras rendas delle, de- 
baixo da inspecqao do Senado da Camara da dita 
Qdade, o qual tera todo cuidado em que os mes- 
mos Orfaos frequentem os referidos Estudos, sem 
se distrahirem com assistencia dos enterros, e mui- 
to menos a pedir esmolas, visto que pela referida 
consignacao cessa a necessidade, e indigencia em que 
viviao. 

Pelo que: Mando a Meza do Desembargo do Pa- 
qo, Presidente do Meu Real Erario, Regedor da Casa 



Digitized by 



Google 



168 ANNUARI0 DA ACADEMIA 

da Supplicacao, Conselhos da Minha Real Fazen- 
da, do Ultramar, e do Almirantado, Junta da Di- 
rcctoria Geral dos Estudos e Escolas do Reino, Go- 
vernador da Relacao e Casa do Porto, ou quemseu 
lugar servir; e a todos os mais Tribunaes, Desetn- 
bargadores, Corregedores, Provedores, Juizes, Jus- 
ticas, e mais Pessoas, a quern o conhecimento deste 
Alvara pertencer, que o cumprao, guardem, e fa^ao 
cumprir, e guardar como nelle se contem, sem dfi- 
vida, ou embargo algum, nao obstantes quaesquer 
Leis, Disposicoes, ou Ordens em contrario, que to- 
das Hei por derogadas para este effeito s6mente, 
ficando alias em seu vigor. E valera como Carta 
passada pela Chancellaria, posto que por ella nao 
passe, e o seu effeito haja de durar mais de hum, 
ou muitos annos, sem embargo das Ordenacoes, que 
o contrario determinao. Dado too Palacio de Queluz 
em vinte nove de Julho de mil oitocentos e tres. 

PRINCIPE . ! . 

Visconde de 'Balsemao. 

Alvard com for $a de Lei, pelo qual Vossa Altera 
Real Ha por bent Mandar addicionar ds Aulas, 
que Mandou crear, e erigir na Cidade do Porto, 
debaixo da inspecgdo da Junta da Administraqdo da 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 159 

Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do 
Alto Douro, mats duas, huma para as ligoes de hum 
Curso de Filosofia Racional, e Moral, e, outra de 
Agricultura: e assim que os Estatutos, que baixao 
assignados pelo Visconde de Balsemao, sirvdo de 
norma, e Regulamento para o Estabelecimento das 
referidas Aulas; e que as Lojas do Edificio para as 
ditas Aulas se possdo arrendar 9 e o seu producto, 
constituindo parte do Patrimonio do Collegio dos 
Meninos Orfaos da mesma Cidade do Porto, se 
administre, como todas as outras rendas delle, pelo 
Senado da Camara da dita Cidade; tudo na forma 
acima declarada. 

Para Vossa Alteza Real ver. 

Antonio Tereira de Figueiredo o fez. 

Registado na Secretaria de Estado dos Negocios 
do Reino no Livro IX. das Cartas, Alvaras, e Pa- 
ten tes a folh. 1 88. Nossa Senhora de Ajuda em 18. 
de Agosto de i8o3. 

Victorino Antonio Machado. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



161 
ESTATUTOS 



DA 



^cademia Real da Marinha, e Commercio 

DA ClDADE DO PoRTO 



I. A Academia Real da Marinha, e Commer- 
cio da cidade do Porto se compora de tres Lentes 
da Faculdade de Mathematica, hum de Filosofia Ra- 
cional, e Moral, dois Professores das linguas Fran- 
ceza, e Ingleza, hum de Desenho, hum de Com- 
mercio, e de outros tantos respectivos Substitutes, 
ficando-lhe addito e subordinado hum Mestre de Ap- 
parelho, e Manobra Naval. 

Tempo do Curso mathematico, Divisao das Doutrinas, 

que comprehende, e obrigagoes dos Lentes, 

a quern sao confiadas 

II. Serao reduzidas, e distribuidas as materias, 
que se hao de dictar na Academia, em tres annos, e 
nelles confiadas a tres Lentes que as lecionem. No 

it 



Digitized by 



Google 



162 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

« 

primeiro anno cabera ao respectivo Lentfc ensinar 
Arithemetica, Geometria, e Trigonometria Plana,, seu 
uso pratico, e os Principios Elementares de Algebra 
at£ as Equacoes do segundo grao inclusivamente; 
precedendo as.licoes proprias desta Cadeira em a 
abertura dos annos lectivos, huma introduccao subs- 
tanciada do estudo da Sciencia, mostrando os obje- 
ctos della, e as divisoes que respcitarem a cada huma 
das Aulas. 

III. Pertencera ao Lente do segundo anno pro 
seguir na coptinuacao de Algebra, na sua applica- 
cao a Geometria, e no cnsino do Calculo Differen- 
cial, e Integral; explicando depois os Principios Fun- 
damentaes de Statica, Dynamica, Hydrostatica, Hy- 
draulica, e Optica. 

IV. O Lente do terceiro anno ensinara a Tri- 
gonometria Esferica, e a Arte da Navegacao Theo- 
rica, e Pratica, seguida das nocoes de Manobra, e do 
conhecimento, e uso pratico dos Instrumentos As- 
tronomicos, e Maritimos. 

Dos requisites, que devem ter os Lentes, e Substitutes 

V. Como as bases mais s61idas dos Estabeleci- 
mentos Litterarios sao sempre os talentos, Sciencia, 
e cap acid ad e dos Lentes, a quern se confia a regeo- 
cia das Cadeiras; deverao por tanto os desta Acide- 
mia ter a mesma singularidade de requisites que con- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 163 

correm, e habilitam os da Acaderaia Real da Man- 
nha de Lisboa, e o mesmo se entenda, e observe a 
respeito dos Substitutes. 



Das Condi foes^ que devem ter os Discipulos para 
serein Matriculados 



VI. Todo o que pertender seguir os Estudos 
Academicos requerera a sua admissao a Junta Ins- 
pectora antes do dia vinte de Setembro, expondo- 
lhe em Peticao os fins, a que se propoe pela habili- 
tacao dos referidos Estudos, os pjrmcipios de instruc- 
cao com que se acha, e os annos que conta de ida- 
de, que nunca deverao ser menos de quatorze, veri- 
ficados por Certidao do Assentamento do seu Ba- 
ptismo; e informada a Junta pelo Lente do primei- 
ro anno, que mandara ouvir sobre o contheudo des- 
tes Requerimentos, precedendo o exame, e approva- 
cao das quatro primeiras operacoes de Arithemeti- 
ca, e a dos outros Prelim in ares, que ao diante vao 
determinados : Ordenara -por despacho lanqado no 
mesmo Requerimento, que seja admittido, e se lhe 
lavre sua Matricula com a data do dia, em que com- 
parecer nella. 



Digitized by 



Google 



164 ANNUA.RI0 DA ACADBM1A 

Forma das Matriculas 

VII. O Escrivao que actualmente he da Man- 
nha, servira de Secretario, vencendo o mesmo Orde- 
nado, que Ihe esta estabelecido; devora abrir a Ma- 
tricula em vinte de Setfembro, e cerralla em trinta 
do mesmo mez; escrevera no theor della ps nomes, 
Paes, Patria, e estudos que tern os Discipulos, e o 
destino que levao nos da Academia, extrahindo co- 
pias em forma de Pauta, que contenhao s6mente os 
nomes dos Discipulos, e a instruccao com que se 
apresentao, para as transmittir aos Lentes das tres 
Aulas, afim de que possao estes reconhecer os seus 
Discipulos, e fazA* tomar diariamente o Ponto da 
frequencia delles. 

VIII. Como porem se seguirao muitos inconve- 
nientes, se as Aulas do Curso Mathematico nao fo- 
rem desde logo frequentadas, e cons tit uidas em to- 
da a sua actividade e exercicio, pela falta de Disci- 
pulos, que nas de Filosofia, e das linguas se esti- 
vessem dispondo para entrarem em estudos maiores; 
serao dispensados todos os do primeiro triennio de 
Preparatorio algum, ficando-lhes livre estudarem as 
Linguas, durante os annos do Curso Mathematico, 
de maneira, que findo este, antes de se proporem 
ao ultimo Acto, faeao constar aos seus respectivos 
Lentes por Gertidoes de exame, a intelligencia, e o 
conhecimento que das mesmas adquirirao. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 166 

IX. Para que se observe huma Ordem de Estu- 
dos, nao s6 mais natural, e conveniente, segundo a 
sua graduacSo, mas para que no futuro possao os 
de Mathematica ser mais poncjerados, e seguidos, 
sem. que se lhes opponhao aquellas perdas de tem- 
po, e as applica^oes necessarias a outros objectos. 
Os Discipulos que, no segundo triennio, e nos que se 
seguirem, houverem de ser Matriculados com o des- 
tine de se habilitarem Pilotos, ao menos pelos Es- 
tudos do primeiro, e do terceiro anno Mathematico, 
deverao documentar os Requerimentos para a sua 
admissao com Certidoes dos exames feitos em huma 
das duas linguas vivas, visto que as suas Aula$. ja 
se achao em exercicio. 

X. Porem os que se propuzerem a seguir, e 
profundar o Curso complete com outros fins a que 
hajao de applicar os graos de conhecimentos, que 
nelle se adquirem, deverao apresentar no acto da 
sua Matricula Certidao, por onde conste haverem 
completado os Estudos do Curso Filosofico, e apren- 
dido sufficientemente as linguas Franceza, e Ingleza. 
Em quanto a estas o mesmo se entenda, e observe 
com os Discipulos, que se. destinarem ao Commer- 
cio, nos quaes deve supp&r-se indispensavelmetite 
necessario, e perfeito conbecimento das referidas duas 
linguas. 



Digitized by VjOOQ LC t 



166 ANNUA RfO DA ACADEMIA 

oAbtrtura, e Commemora$ao anniversaria da 
oAcademia 

XI. Devendo a Matricula estar fechada no ulti- 
mo de Setembro, abrir-se-hao as Aulas no primciro 
dia lectivo de Outubro pelas nove horas da manha. 
Todos os Lentes, Substitutes, e Professores, que 
compoem o Corpo Academico, seguidos dos Discipu- 
los Matriculados, . se reunirao na Aula do terceiro 
anno Mathematico com dois Deputados da Junta 
Inspectora para solemnizarem em commum a Fun- 
dacao, e Abertura da Academia ; tomando o Lente 
desta Aula a sua respectiva Cadeira, e recitando 
della huma OracSo analoga ao objecto tao digno, 
como importante. 

O referido Lente mostrara nao s6 a origem das 
Mathematicas, recordando os successos mais illus- 
tres da sua historia, o interesse geral que resulta dos 
Estudos destas Sciencias, e o quanto ellas 'dispoem, 
e illuminao os entendimentos que as cultivao, quan- 
to se tornara tambem mais florecente, e en ten dido o 
Commercio daquella Gidade, abrindo-se nella Es- 
tudos methodicos das suas regras, dictames, e usos; 
e os das linguas indispensaveis para se corresponder 
nas suas intelligencias, e relacoes; mas muito mais 
de positivo fara ver o profundissimo respeito, e o 
grave empenho em que constitue perpetuamente to- 
dos os Vassallos da Cidade do Porto, e das Pro- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 167 

vincias do Nbrte, a Paternal, Regia, e Incompara- 
vel Benignidade do Principe Regente Nosso Sehhor, 
Fundador da Academm, dignando-se liberalizar com 
este Estabelecimento a seus Fieis Vassallos, todos 
os meios mais efficazes, e adequados para se ins- 
truirem, e utilizarem com vantagens incalculaveis da 
Causa Publica, e da felicidade particular de cada fa- 
milia, e individuo. 

XII. Nos annos futuros se festivara com a mes- 
ma forriialidade esta Gbmmemora^ao em os Glorio- 
sos, e Felicissimos dias anniversarios do mesmo Se- 
nhor. 

Do tempo Lectivo, e J?eriado 

XIII. O tempo Lectivo durara desde o primeiro 
do mez de Outubro ate ao ultimo dia de Junho. 

XIV. Quanto as horas que diariamente devem 
empregar os Lentes, e Professores nas licoes das 
suas respectivas Aulas, a Junta Inspectora conferen- 
ciada com os referidos Professores sobre a escolha, 
e opportunidade do tempo necessario para os Disci- 
pulos poderem frequentar em hum mesmo dia mais 
de huma Aula, estabelecera nesta parte, segundo as 
circumstancias que occorrerem, o que parecer mais 
praticavel, e conveniente: e o que pela referida Jun- 
ta for acordado a este respeito, ficara em regra> co- 
cao parte integrante destes Estatutos. 



Digitized by 



Google 



168 ANNUAUO DA ACA&BMIA 

XV. Os rnezes, e dias feriados serao os mesmos 
que se guardao em as Academias da Corte, e os 
sempre Memoraveis de deze&te de Dezembro, treze 
de Maio, e vinte e cinco de Abfil, anniversarios de 
Sua Magestade, e de Suas Altezas Reaes. 

Exercicios Semanarios, e Memoes 

XVI. Serao constantemente praticados estes 
exercicios pelo mesmo methodo, e ordem que dis- 
poem os Estatutos da Academia Ileal da Marinha 
de Lisboa, a exccpqao da escolha dos dias que pre- 
fixao para os exercicios semanarios, que por estes 
serao os das segundas feiras. 

Dos Exames, findo o tempo lectipo 

XVII. Findo que seja o Curso lectivo, se pro- 
cedera a Exames, cujo tempo, e f6rma sera inteira- 
mente a mesma que se acha estabelecida nos Esta- 
tutos da Academia Real da Marinha de Lisboa. 

XVIII. Todos os Estudantes serao obrigadosa 
fazer exame; e os que o nao fizerem, ficarao recon- 
duzidos por huma vez s6mente no mesmo anno, 
transferindo-se-lhes para o seguinte o seu exame, a 
que infallivelmente devem prestar-se, ou do contra- 
rio serem expulsos. 

XIX. Os Lentes insistirao nestes actos com to- 



Digitized by VjOOQLC 



POLTTBCHNICA DO PORTO 169 

da a efficacia, e indagacSo, nao se satisfazendo sd- 
mente pela conta simples que os Estudantes derem 
dp Ponto que lhes coube, e que vinte quatro boras 
antes estudarao; mas pretenderao reconhecer o ta- 
lento do Discipulo, se tern genio apropriado ao Es- 
tudo da Sciencia, e finalmente as forcas necessarias, 
e a facilidade de combinar por si mesmo as verda- 
des.elemen tares que aprendeo, e de variar methodi- 
camente em suas demonstracces, e usos; havendo- 
se porem os Lentes nesta parte com toda aquella 
prudencia, imparcialidade, e modera<;ao que for ne- 
cessaria, para que o Discipulo se nao embarace, e 
confunda. 

XX. Havendo acontecido algumas vezes, bem 
como a experiencia tern mostrado, manifestarem os 
actos de'exame bum conceito inverso do que sees- 
perava do Discipulo, que durante o anno lectivo deo 
provas nada equivocas do seu talento, e applicacao, 
resultando daquella apparencia, que ordinariamente 
vem da pussillanimidade do animo, ou do desuso dos 
mesmos actos, consequencias desagradaveis, e rui- 
nosas: neste caso ficando suspensa ate o dia seguin- 
te a sua reprovaqao, o Lente a quern pertencer o 
Estudante, por isso mesmo que deve ter hum conhe- 
dmento mais bem fundado da applicacao, assidui- 
dade, e merecimento de todos os seus Discipulos, 
propora secretamente aos outros Lentes o seu con- 
ceito, para de commum acordo determinarem que 



Digitized by 



Google 



170 ANNUAftlO DA A CA DEMI A 

o Estudante se proponha, e compareca com hum 
exaroe privado, no qual os referidos Lentes,* explo- 
rando seus talentos e Estudo6, decidam entre si com 
a approvacao, ou reprovacao, -declarando em sua 
Carta, ou no Assentamento que lhe respeitar, os 
principios, e fundamentos por que justamente foi 
julgado. 

Do Exame geral em todo o Curso Mathemalico 

XXI Ao acto de approvacao nas disciplinas do 
terceiro anno se seguira nos ultimos dias do mez de 
Septembro, nao obstante serem feriados, o Exame 
geral de todas, que contem o systema de Estudos 
Mathematicos da Academia; por isso mesmp, que 
este ultimo acto joga com todas as materias relati- 
vas aos annos do Curso, demanda que os Estu- 
dantes as repassem mui cuidadosamente, e se mos- 
trem nellas mui presentes, e fundamentados. 

XXII. A forma deste acto sera regulada em 
tudo pelo que se acha disposto no Livro terceiro, 
Titulo sexto, Capitulo segundo dos Estatutos da 
Nova Reforma da Universidade de Coimbra, em os 
Paragrafos segundo, terceiro, e quartou 

XXIII. Os Discipulos, que havendo completado 
com manifesto aproveitamento os tres annos de Es- 
;udos de Mathematica na Academia ; produzindo as 
suas Cartas, e Certidoes de approvacao, assim pdo 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 171 

que respeita aquella Sciencia, como ao Desenho, ao 
conhecimento das Linguas, e aos usos praticos do 
Apparelho Naval, serao em tudo, e por tudo prefe- 
ridos sempre, e em todos os casos de concorrencia 
aquelles Discipulos, que somente houverem por mo- 
tivos de particular interesse, ou pelos da mediocri- 
dade de genio, e desleixo proprio, seguido o primeiro 
e o terceiro anno Mathematico, ainda que estes se 
acompanhem da intelligencia de huma, ou das duas 
linguas vivas. 

XXIV. Nas sobreditas circumstancias poderao 
os sobreditos Discipulos requerer a Junta Inspectora, 
na conformidade do Aviso Regio de vinte e cinco 
de Novembro de mil sete centos e oitenta e hum, a 
sua admissao nos-Navios portuguezes de cento e cin- 
coenta tonelladas, e dahi para cima para tomarem 
pratica em tres viagens que quaesquer dos mesmos 
Navios £zerem daquella Cidade nos Portos do Bra- 
zil, ou do Baltico ; tendo a mesma Junta sempre em 
vista aquella preferencia, para que se torne efficaz e 
util em todos os casos compativeis com o intefesse 
Publico, e com o particular dos mesmos Discipulos. 

XXV. Logo que os Discipulos praticantes re- 
gressarem da terceira viagem xle pratica, e cumpri- 
rem com as demais obrigacoes, que lhes sao deter- 
minadas por estes Estatutos, poderao requerer as 
suas Cartas de Sota-Piloto, as quaes lhes serao pas- 
sadas pela Junta Inspectora, assim como as de Pi- 



Digitized by 



Google 



172 ANNUAU0 DA ACADEMA 

lotos, havendo feito mats duas viagens aos refcridos 
Portos. E quanto a esta parte o mesmo se entenda, 
e observe com aquelles Discipulos, que'se houverem 
habilitado somente pelos Estudos do primeiro, e do 
terceiro anno Mathematico. 

XXVI. Os Sota-Pilotos e Pilotos, que se acha- 
rem munidos com as suas respectivas Cartas passa- 
das pela Junta Inspectors, poderao tomar o exerd- 
cio dellas em quaesquer Embarcacoes, e Portos des- 
tes Reinos, entrando pela egualdade de circumstan- 
cias fto mesmo parallelo, e concurso dos Disdpulos 
da Academia Real da Marinha de Lisboa ; pois nao 
he da intencao de Sua Alteza Real, que entre hum 
e outros se supponha differenca alguma. 

XXVIL E achando-se, como devem achar-se, 
estabelecidos, e abertos na Academia os Estudos do 
primeiro anno do Curso Filosofico, para servirem 
de preparatorio aos Estudantes Mathematicos, m6r- 
mente aquelles que se puzerem a estudar esta Scien- 
cia ate se graduarem nella logo que estes Disdpu- 
los tiverem feito seus exames, e nelles sido appro- 
vados, se lhes passarao suas Certidoes, por cujo 
Documento serao examinados, e admittidos a Ma- 
tricula da Universidade de Coimbra, declarando-sc 
nas mesmas Certidoes a frequencia, talentos, e cfa- 
posiqao que adquiriram para poderem proveitosa- 
mente proseguir em os exercicios da vida litteraria, 
a que se destinam. 



Digitized by 



Google 



1 POLYTECHNICA DO PORTO 173 

Aula de Desenho 

XXVIII. O Lente desta Aula nao admittiri 
Discipulos, que se nao achem approvados hos Estu- 
dos do primeiro anno Mathematico, o que lhe farao 
constar por Certidoes dos seus exames, e pelas dos 
Assentamentos das Matriculas, o exercicio em que 
hao de empregar-se, para que o referido Lente possa 
apropriar-Uies as Licoes, e as Regras de Desenho 
analogo as suas profissoes, e usos. 

XXIX. E sendo/como he, pratico o exercicio 
desta Aula, tambem as provas da sua utilidade, e 
dos progressos dos Discipulos, deverao manifestar-se 
por exemplos praticos preceituados pelas regras fun- 
damentaes da Arte, e provindos do geftio, e delica- 
deza manual dos Discipulos. 

XXX. O sobredito Lente observara regular- 
mente em cada anno lectivo hum Curso completo de 
Desenho, que comprehenda os seus differentes ra- 
mos, de maneira que faca publicas as obras da Arte, 
assim naturaes, como de arbitrio, e de conven<;ao, 
explicando distinctamente os principios da perspe- 
ctiva, o modo de preparar as tintas, e de dar agua- 
das. 

XXXI. Ensinara mui positiva, e efficazmente o 
Desenho de Marinha, fazendo copiar, e reduzir Plan- 
us de Costas, Bahias, Enseadas, e Portos, repre- 
sentando as vistas de Ilhas, Cabos, e Promontorios ; 



Digitized by 



Google 



174 ANNUARIO DA A CADE M FA 

e tambeoi a dos Navios considerados em differentes 
posicoes, e manobras, e ultimamente habilitara os 
scus Discipulos na praxe do risco das Cartas Geo- 
graphicas, e Topographicas. 

Do Mestre de Appardho 

XXXII. Como para se proseguir conveniente- 
mente no methodo mais approximado aos usos da 
vida dos Estudantes Nauticos se careca, alem da 
completa instruccao dos exercicios theoricos, e das 
observac5es Astronomicas, que acompanham as li- 
coes do terceiro anno; do exercicio pratico das Ma- 
nobras Navaes, e estas envolvam muitos usos, e co- 
nhecirfientosj tambem praticos, m6rmente os que 
dizem respeito ao Apparelho; Por tanto o Mestre 
da Manobra ensinara tudo quanto incluem os arti- 
gos quinto, sexto, e setimo dos Estatutos da Re- 
forma da Academia Real dos Guardas Marinhas, 
para cujo exercicio havera uma sala provida de mo- 
delos de vasos de hum, de dois, e de tres mastros, e 
de tudo quanto for concernente a taes exercicios. 

Exercicios Praticos 

XXXIII. O Lente do primeiro anno Mathema- 
tico exercitara os Discipulos na praxe das doutrinas 
que Ihes dicta, mostrando-lhes sobre os terrenos o 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 175 

uso pratico da Geometria, e Trigonometria, e em 
consequencia como se usa dos Graphometros, Plan- 
xetas^ e outros instrumentos. 

XXXIV. O do terceiro anno ajuntara a theo- 
rica das suas licoes a pratica das experiencias : E 
como se careca para estas de tempo apropriado, 
ficara a seu arbitrio a escolha do que convier, sem 
que o necessario para as observaqoes altere nunca a 
ordem*constante das Licoes theoricas. 

XXXV. O Lente de Desenho dirigird os seus 
Discipulos aquelles terrenos, e posicoes, que mais 
lhe conyidar, e promover o genio, e attencao, para 
que os referidos Discipulos nao empecem na pra- 
tica, antes se costumem a estudar de mais perto a 
Natureza, e a imittalla quanto possivel for nas copias 
das variadas perspectivas, e objectos que offerece. 

XXXVI. Huns, e outros Lentes dividirao os 
seus Discipulos em turmas, para que nos seus exer- 
cidos se nao embaracem, e a todos toquem os fru- 
tos de taes licoes. 

XXXVII. Todo o Estudante que faltar aos 
exercicios praticos, sem que lhe haja obstado grave, 
e manifesta causa, sera apontado como se houvesse 
commettido tres faltas de Aula ; e vencendo partido, 
perdera o duplo do vencimento diario delle, relativo 
aos dias, em que houver faltado. 



Digitized by 



Google 



176 ANNUAR10 DA ACADEM1A 

Curso Filosofico 

XXXVIII. Como os principios, e os objcctos 
da Filosofia Rational, e Moral hao de prestar de 
mais perto aquelles Discipulos da Academia, que sc 
propuzcrem a fazer Estudos mais profundos, e a sc- 
guir a Faculdade de Mathematica ate se graduaran 
nella com o destino de occuparem as Cadeiras desta 
Faculdade, ou seja na Academia, que lhes- deo a 
primeira educaqao, ou em quaesquer outras ; deveri 
por tanto regular-se, e dirigir-se este Estudo pelos 
mesmos Authores, methodos, e usos de lecionar, 
que se observao actualmente na Universidade de 
Coimbra, a fim de que quando alii cheguem os re- 
feridos Discipulos para proseguirem em seus fins, 
lhes nao seja necessario fazerem este preparatorio; 
assim como tambem variar nos methodos, e na pra- 
tica de Estudo, de que ordinariamente resultao aos 
Principiantes graves consequencias. 

Was QAulas das linguas France\a, e Ingle\a 

XXXIX. Os Professores destas Aulas dictarao 
as suas liqoes pela Grammatica, que se achar mm 
bem con^eituada, habilitando seus Discipulos na 
pronunciacao das expressoes,. e das vozes das suas 
respectivas linguas, adestrando-os nesta pratica, e 
na da leitura, fazendo-lhes reconheccr no Author 



Digitized by 



Google 



• POLYTECHNICA DO PORTO 177 

que seguirem, e nas traduccoes que fizerem os luga- 
res, ou passagens, que mais yivamente deponhao do 
genio, e do caracter de cada huma dellas ; assim co- 
mo do estilo, e gosto mais seguido, e depurado dos 
Authores digpos de se estudarem, cujos assumptos 
deverao ser aquelles, que mais possao contribuir 
para o perfeito conhecimento, e erudi<;ao adequada 
as materias que estudao. 

XL. Convira que os Discipulos, que se desti- 
narem ao Commercio, traduzao Authores que tem 
escrito neste genero; os que se dirigirem a Pilota- 
gem, as Obras mais eruditas, e completas de Geo- 
grafia, especialmente na parte que tiver de Hydro- 
grafica, e Mathematica ; e os que houverem de se- 
guir, e cultivar as Sciencias Mathematicas por ellas 
mesmas deverao ler, e traduzir a historia desta 
Sciencia, e as vidas dos mars distinctos Authores, 
que da mesma tem eruditamente escrito. 

XLI. E para que se possao affeicoar ao gosto, 
e estilo mais depurado da lingua da Patria, deverao 
nas Versoes de hum para outro idioma escolher, e 
preferir sempre os nossos Authores Classicos. 

XLII. O Estabelecimento desta Aula, asadmis- 
soes de seus Praticantes, a Divisao das Materias, e 
dos Estudos a seguir nos annos que durar este 
Curso; assim como tambem a f6rma de seds exa- 
mes, serao exactament^ reguladas pelo que he Or- 
denado, e disposto em os Estatutos da Aula do Com- 
12 



Digitized by 



Google 



178 ANNUARIO DA ACADEMIA 

mercio de Lisboa, reduzindo-se o exercicio lectivo 
desta Aula ao espaco de dois anrtos ; visto que os 
Praticantes, que nella houverem de ser admittidos, 
hao de ter seguido as licoes do primeiro anno na 
Aula do Geral de Mathematical e apresentar no acto 
da Matricula Certidoes da sua approvacao. 

XLIII. O Lente desta Aula, alem deensinaro 
que se lhe determina pelos referidos Estatutos, dara 
aos seus Discipulos nocoes mui distinctas de Geo- 
grafia na parte que tiver de^iistorica, e commercial; 
assim como da legislacao respectiva a este objecto, 
e daquelles Reinos, ou Estados que tern maiores, e 
mais proximas relacoes com este Reino, para que 
todos os Contractos, e Fraccoes sejao conformes as 
Leis, usos, e por ellas possao ficar a coberto de du- 
vidas, interpretacoes, e pleitos. 

Dos Tremios 

XLIV. Como os Estudos das Sciencias Mathe- 
maticas demandao tanta assiduidade, como profunda 
meditacao, e constancia nao vulgar, justo he que 
se incite, e promova por hum estimulo, cujo ef- 
feito se tome, nao tanto util, como honorifico, e 
destinctivo daquelles Discipulos da Academia, que 
a despezas de suas fadigas se esmerarao a fazer 
progressos nas referidas Sckncias, e por ellas a fa- 
zerem-se uteis a si, e a sua Patria : Portanto, e para 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNlfiA DO PORTO 179 

que tambem peze aos menos applicados, e activos 
huma excepcao que depoe decididamente do mereci- 
mento, e da justa preferencia, havera dezeseis pre- 
mios de valor de seis mil reis cada hum, para se dis- 
tribuirem mensalmente pela Contadoria da Junta 
Inspectora aquelles Discipulos mais benemeritos do 
segundo, e do terceiro anno Mathematico, cujo me- 
recimento sera por todos os tres Lentes da Facul- 
dade reconhecido, e julgado pelo prestimo, frequen- 
cia, e conta que houverem dado de si, observando 
os Lentes neste procedimento a mesma imparciali- 
dade, rectidao, e norma que estabelecem, e recom- 
mendao os Estatutos da Academia Real da Mari- 
nha de Lisboa. 

XLV. Na mesma conformidade serao distribui- 
dos quatro Premios aquelles Discipulos de Desenho, 
que se acharem nas circumstancias de preferencia 
para os merecerem dignamente; e portanto o Pro- 
fessor desta Aula apresentara aos Lentes da Aca- 
demia as Obras que tivef por mais completas, e bem 
acabadas, assignadas pelos Autores dellas, para que 
estes possao ser conhecidos, e premiados pelo Corpo 
Academico. 

XLVI. E porque de entre os Discipulos da 
Aula do Commercio podem sobresahir alguns que 
manifestem por huma parte indole apropriada aos 
conhecimentos deste importante ramo; e pela outra 
o desvelo com que procurem constituirem-se intel- 



Digitized by 



Google 



180 ANNUARIO DA ACADEMIA 

ligentes, benemeritos, e uteis, sem que para tanto 
lhes assistao os meios indispensaveis de subsistirem, 
e apresentarem-se com a decencia necessaria, e res- 
pectiva ao seu exercicio, serao distribuidos quatro 
Premios por aquelles, quese tiverem distinguido, 
pela maneira sobredita. 

Do Regimen, e boa Ordem das oAulas 

XLVII. A Ordem que inalteravelmente dcve 
observar-se em relacao aos Discipulos da Academia 
na parte que respeita a frequencia, subordinacao, e 
polidez que devem praticar com os seus respective 
Lentes, como para com todas as Pessoas, que per- 
tencem ao Corpo Academico, e com quern houve- 
rem de concorrer dentro, e fora da Academia, sera 
a mesma que se observa, e que se contem debaixo 
do Titulo similhante em os Estatutos das Academias 
da CSrte. 

c Do Primeiro Guarda, ou.Fiel da oAcademia 

XL VIII. O Primeiro Guarda, ou Fiel da Aca- 
demia, tera a seu cargo a arrecadaqao, aceio, e con- 
servaqao dos moveis, e fazendas da Academia, man* 
dando que cumprao effectivamente neste objecto 
todos os Guardas, que lhe forem subordinados, os 
quaes lhe obedecerao para, este effeito sem replica, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 181 

ou argumento de preferencia, dando 6 sobredito 
Primeiro Guarda parte a Junta Inspectora de toda 
a novidade, ou procedimento que se mostre destruc- 
tive da boa ordem, e regulacao economica da Aca- 
demia; assim como tambem das despezas a que for 
necessario proceder; do motivo das quaes, e da sua 
importancia parcial, e total abrira receita em Livro 
que para isso forme, do qual extrahira a folha das 
despezas da Academia, quando houver de apresen- 
tar-se a Junta Inspectora, por cuja Contadoria sera 
paga, precedendo as formatidades necessarias. 

XLIX. O mesmo Guarda tera a seu cargo, e 
debaixo de chave o deposito de todos os instrumen- 
tos Astronomicos, e Maritimos, e tudo quanto for 
concernente aos exercicios da Academia, recebendo 
as Ordens dos Lentes respectivos para poder fran- 
quear os mesmos Instrumentos, e fazellos conduzir 
ao logar que se lhe determina. 

Trivilegios 

L. Os Lentes desta Academia serao assim no 
presente, como no futuro propostos pela Junta Ins- 
pectora a Sua Alteza Real, e da sua immediata, e 
Regia Nomeacao: gozarao de todas as honras, pri- 
vilegios, e distinqoes de que'actualmente gozao os 
da Academia Real da Marinha de Lisboa, sem que 
entre buns, e outros Lentes se considere differenca al- 



Digitized by 



Google 



182 ANNUARIO DA ACADEMIA 

guma; podendo igualmentc propor a demissao dd- 
les, quando pelas suas conductas, e incapacidade nao 
os julgar dignos de continuarem nos seus exercicios. 

LI. Os Discipulos que frequentarem legitima- 
mente a Academia, e os que nella respeitam a Aula 
do Commercio, serao preferidos na admissao, e exer- 
cicio da Contadoria do Escritorio, e da Secretaria 
da Junta Inspectora. 

LII. . Os Lentes, Substitutes, Discipulos, e to- 
das as mais pessoas, que pertencerem a Academia, 
terao por seu Juiz privativo o Conservador da Junta 
da Companhia Geral da Agriculture das Vinhas do 
Alto Douro. 

Obrigafoes dos Discipulos Navegantes 

LIU. Todos os Discipulos Praticantes de Nau- 
tica, que pretenderem suas respectivas Cartas, sejao 
de Sota-Piloto, ou de Pilotos, deverao apresentar 
ao Lente do terceiro anno, por ser, como he, o da' 
Navegacao, depois de quinze dias decorridos de sua 
chegada a Cidade do Porto, huma derrota circums- 
tanciada, em que denotem as observacoes que fize- 
rao sobre as variacoes da Agulha, latitudes, e lon- 
gitudes dos logares por onde passarao; assim como 
as configuracoes das* Costas, Portos, e Ilhas que 
avistarao, ou aoode se demorassem, e finalmente 
huma descripcao Hydrografica, que contenha algu- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHN1CA DO PORTO 183 

mas observacoes uteis, denegando a Junta Inspe- 
ctora aos referidos Nauticos suas respectivas Cartas, 
em quanta dies nao satisfizerem a estes tao impor- 
tantes objectos de sua profissao, pois mui sob re pen- 
sadamente Ihes serao facultados todos os meios ap- 
propriados para o necessario, e completo desempe- 
nho destes fins. 

LIV. O Lente do terceiro anno, depois de re- 
ver, e examinar as preditas observaqoes, derrotas, 
e descripqoes, escrevera o couceito que formar do 
seu merecimento, remettendo tudo em Carta fechada 
aoSecretario da Academia, para que ficando depo- 
sitadas no Arquivo della se passem aos menciona- 
dos Praticantes Certidoes de haverem satisfeito ao 
que se lhes determine neste, e no precedente artigo, 
cujas Certidoes ajuntara aos Requerimentos para se 
lhes passarem suas respectivas Cartas. 

Deveres Geraes da Junta Inspectora 

LV. Sendo, como he, a Junta da Companhia 
Gera! da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, Ins- 
pectora desta Academia, em virtude do Alvara de 
nove de Fevereiro do presente anno, tera em razao 
de seu cargo a obrigacao de manter a boa ordem da 
Academia, promovendo os seus progressos pela in- 
teira, e literal observancia destes Estatutos. 

LVI-. Nao poderao ser consultados para Len- 



Digitized by 



Google 



184 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tes, ou Substitutes da Faculdade de Mathematics 
Filosofia, e Agriculture, o que nao tiver o grao de 
Licenciado pela Universidade de Coimbra, ou para o 
futuro por esta Academia. 

Para a Faculdade de Commercio nao podera ser 
consultado aquelle, quenaoapresentarapprovacaoda 
Aula do Commercio de Lisboa; e para o futuro o que 
a tiver obtido daquella Cidade, sera attendido; epara 
a do Desenho sera proposto aquelle Lente, que por 
titulos em f6rma, passados por Academias bem re- 
putadas, e por obras suas que o acreditem, mostrar 
evidentemente ter os necessarios, e requeridos co- 
nhecimentos. 

LVII. A mesma Junta com o parecer dos Len- 
tes, e Professores da Academia consultant 30 Prin- 
cipe Regente Nosso Senhor, pela Secretaria d'Es- 
tado dos Negocios do Reino, sobre aquelle objecto, 
ou objectos, que no futuro occorrerem para reforma 
e melhoramento, seja na parte que respeita ao Sys- 
tema Litterario, ou seja na da disciplina, e eco- 
nomia: E dara outro sim as providencias necessa- 
rias para que a referida Academia se pr&va de Ins- 
trumentos Astronomicos, e Maritimos, Cartas Geb- 
graficas, Topograficas, Livros, Esferas, e de tudo 
quanto se carecer para a completa instruccao dos 
Discipulos, uso dos Lentes em seus respectivos exer- 
cicjos, deccncia, e lustre da referida Academia. 

LVIII. Todos os Lugares, e Empregos da Aca- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 186 

demia Real, a excepcao dos Lentes, Professores, e 
Substitutes, serao conferidos pela Junta Inspectora 
para o que lhes passara os competentes Titulos. 

Palacio de Queluz em 29 de Julho de i8o3. 

Visconde de llalsemdo. 



Nota ao n .• XIV dos E statu tos. 

A Junta inspectora, no dia 3o de setembro de 1817 em 
conferencia dos Lentes e professores da Academia Real da 
Marinha e Commercio, encarrecou os Lentes Jostf Francisco 
Goncalves e Agostinho Albano da Silveira Pinto de elaborar 
um piano horario das licoes nas diversas aulas, que preen- 
chesse os requesitos de melhor ordem, maior aproveitamento 
e commodidade dos alumnos ; piano que foi apresentado no 
dia 4 d'outubro do dito anno, e n'esse acto approvado pela 
mesma Junta, e pelo qual d'esta data em diante se deviam re- 
gular as aulas da Academia ; a saber : 

Primeiro. As aulas, que ate* aqui tinham de tarde o seu 
exercicio, deverao te*-lo d'agora em diante pela manhaa. 

Segundo. A duracao de cada uma das aulas que ate* o pre- 
sente e'ra de duas horas, ficara redusida ao espa^o de hora e 
meia s6mente. 

Terceiro. Dividida a manhaa em tres horas, ou partes 
eguaes, serd a primeira no tempo de Inverno desde as oito 
horas, ate* is nove e meia ; a segunda desde as^nove e meia 
ate* as onze ; c a terceira desde as onze, ate' meia* hora depois 
do meio dia. No verao comecarao as aulas uma hora mais 
cedo. 

Quarto. Na primeira hora terao logar as aulas do segundo 
anno Mathematico, da lingua Franceza, e da Manobra Naval : 



Digitized by 



Google 



186 ANNUARIO DA ACADEMIA 

na segunda as aulas do primeiro anno Mathematico, do Com- 
mercio, do Desenho, e da lingoa Ingleza : e na terceira as au- 
las do terceiro anno Mathematico, e de Philosophia Racional 
e moral. 

Quinto. Como porem no presente anno se achao alguns 
Estudantes matriculados simwtaneamente nas aulas do ter- 
ceiro Mathematico, do Commercio, e do Desenho ; e em cod- 
sequencia d'este novo Regulamento devessem ficar privados 
da frequencia d'algumas d'ellas ; a Illustrissima Junta com o 
Corpo Academico, desejando beneficiar os sobreditos Estu- 
dantes, convem em que por este anno somente continuem de 
tarde as licoes do Desenho, como ate* agora, sem que disto 
possa tirar-ee argumento para os annos seguintes, pois que 
em nenhum delles terd logar uma semelhante alteracao. 

(Archivo da Academia, L.' J, n.° i, fl. 14). 

Nota ao n. # XXII dos Estatutos. 

Ǥ 2. Para o Exame Geral das Disciplinas Mathematicas 
tirarao, dous dias antes, quatro sortes. Huma nas Licoes de 
cada Anno, da mesma forma, que Tenho estabelecido para 
os Exames particulares. E terao feito uma Dissertacao no 
ponto, que bem lhes parecer, relativo a qualquer das partes 
dc Curso Mathematico, com approvacao do Presidente, assim 
como nos outros Exames. 

«S 3. Podera ser Presidente qualquer dos Professores, que 
oExaminando escolher. E havera" quatro Examinadores; cada 
hum dos quaes perguntard por espaco de hum quarto de hora, 
em huma das materias destinadas pela sorte : Guardando en- 
tre si a ordem dos Annos ; isto he : perguntando o Primeiro 
Examinador na materia do primeiro Anno; o Segundo, na 
do segundo ; e assim nos mais. Advirto, que neste Exame se de- 
vem comportar com mais rigor do que nos precedentes : Aye- 
ricuando-se se estao os Examinandos presentes nas Licoes 
Element ares de todo o Curso ; de sorte ; que as pussuam com; 
pleta, e perfeitamente ; e estejam habeis a poder faser por si 
mesmos maiores progressos nestas sciencias. Nao tendo che- 
gado a con^eguir este conceito, nao serao approvados, mas 
esperados outro anno, em que devem ouvir as mesmas Licoes. 

«S 4\ Para aue os sobreditos Examinadores possam votar 
com mais liberaade, e segredo sobre o merecimento dos Can- 
didatos; sahirao estes da Aula com todas as mais pessoas, que 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 187 

nella se acharem : Guardando-se a este respeito tudo o que 
Tenho ordenado no Livro Primeiro, Titulo Quarto, Capitulo 
Quinto, Paragrafo seasema e oito, e seguintes. (*) 

(fiatatofc* dotos dt Uoifersidade de Coimbra, U?rc ffl, P. B, T. VI, Cap. II). 



(l) I «- e ae feeharto u porta* da Aula, Acaado dentro tio aomente oa Gathe- 
dntieoe, e Lentee, que hfo de rotar eobro o meredmento do Acto, e o Becretarto, por 
aar neceaaarla a sua aaaiateada a esta acolo. 

IN. O Reitor, e nlo aendo Bile preaente, o que pretidtr ao Acto, mandari pri- 
meiro que ludo ao Secretario, que Ida, em alta roe, aoa Cathedratlcoa, e Lentea, que 
bio de Totar, a admoeetaolo, que aqui lhes faoo, para que no dar doa aeua rotoa faeam 
juatlea inteirn. A qual admoeetacao Sou eervldo mandar, que ae Ihea facn neataa occa- 
afctee em Ilea Nome uoa termoa aegulntea: - Bnoommendo, e enearrego a todoa oa Mee- 
trea, que rocam ueete Acto, o faeam com todo o aegredo, e inteireea, aem odio, nem af- 
fdcto : Que teutaam reapelto aoa graadea prejuiaoe, que ae aeguem ao aervioo de Deoa, 
e Men, e ao bem unlveraal da Igreja, e do Batado, quando com pouca eonaideraoao, e 
eaeargo de euae conadendaa, approTam oa que hfto de reprorar, e reprovam oa que de- 
Tem approvar : No que elaramente obram contra a juatica, daodo igual premioaoa que 
tern deaigual meredmento ; e julgando por auffidentea para cargoa publico*, ou exerd- 
doa de letraa, oa que o nao eio. O que Ibea enearrego aob o juramenfto de aeu Grao, a 
debalxo da pena do Men Beal deeagrado. 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



189 
CARTA REGIA 



DE 



Estatutos da Academia Real da M arinha 

DE LlSBOA 



Dona Maria, por Graqa de Deus Rainha de Por- 
tugal, e das Algarves, d'aquem, e d'alem mar, em 
Africa Senhora de Guine, e da Conquista, Navega- 
cao, Commercio da Etheopia, Arabia, Persia, e da 
India, etc. Fa<;o saber a todos os que esta Carta 
virem, que tendo consideracao ao muito, que importa 
ao Meu Real serviqo, e ao bem publico dos Meus 
Reinos, poderem os meus Vassallos applicar-se ao 
estudo das Sciencias, que sao indispensaveis, nao s6 
para se instruirem, mas tambem para se aperfeicoa- 
rcm na Arte, e pratica da Navegacao: Hei por bem 
que na minha C6rte, e Cidade de Lisboa se estabe- 
leca uma Academia Real de Marinha para um Curso 
de Mathematica, o qual sera composto das partes 
seguintes : da Arithemetica; da Geometria; da Trigo- 



Digitized by 



Google 



190 ANNUARIO DA ACADEMIA 

nometria Plana, e Esferica; Algebra, e sua applica- 
cao A Geomctria; da Statica, Dynamica; da Hy- 
drostatica, Hydraulica, e Optica; e de urn Tratado 
completo de Navegaqao: havendo uma Inspeccao 
sobre a mesma Real Academia, a qual pertencm 
ao Inspector Geral da Marinba; e regulando-se o 
sobredito Estabelecimento na forma, que sou ser- 
vida ordenar nos Estatutos seguintes. 

c Do numero dos Prqfessores 

Para que todos os que pretenderem ser admit- 
tidos ao dito Curso Mathematico, possao comecar, 
e continuar direitamente os seus estudos sem as de- 
moras, e perdas de tempo, que necessariamente re- 
sultam nao havendo o numero sufficiente de Cadeiras 
para se absolver o ensino de todas as Disciplinas no 
espaco annual lectivo: Ordeno, que a Academia Real 
da Marinha seja composta de tres Profcssores. 

O primeiro insignara a Arithemetica, Geometria, 
Trigonometria Plana, o seu uso pratico, e os princi- 
pios elementares da Algebra ate as Equacoes do se- 
gundo grao inclusivamente. 

O Segundo ira proseguindo na continuacao da 
Algebra, na sua applicacao a Geometria, e no ensi- 
no de Calculo Differencial, e Integral; depois do que 
explicara os principios fundamentaes da Statica, Dy- 
namica, Hydrostatica, Hydraulica, e Optica. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 191 

O terceiro tera a seu cargo ensinar a Trigonome- 
tria Esferica, e a arte de Navegacao Theoretica, c 
Pratica. 



Dos requesitos, que devem ter os Professores 



Paraevitar, o que com grave prejuiso poderia sue- 
ceder que os Professores que nao sejao dotados das 
luzes, e talentos necessarios para satisfazerem, como 
convem, a um objecto de tanta importancia; para 
excluir toda a intriga, e empenho na nomeacao d'el- 
les; e para que se attenda ao Meu Real Servico, e 
interesse publico : Os Professores, que depois da pri- 
meira eleicao em diante poderao ser admittidos para 
ensignar na Real Academia da Marinha, instituida 
na Cidade de Lisboa, ou que Eu for servida estabe- 
lecer em qualquer outra parte dos Meus R'einos, e 
Dominios, deverao ter completado o Curso de Cinco 
annos na Universidade de Coimbra ; e depois de te- 
rem feito todos os Actys, e terem tornado o.Grau de 
licenciados, serao propostos pela Faculdade de Ma- 
thematica da mesma Universidade, e pelos tres Pro- 
fessores da Academia Real de Lisboa; e os que nao 
tiverem estes requesitos, de nenhum modo me se- 
rao consul tados. 



Digitized by 



Google 



192 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Dos Substitutes 

Podendo succeder muitas vezes que os Professo- 
res, ou por doen^a, ou por serem occupados no Meu 
Real Servi<jo, ou por qualquer outro gnave motivo, 
nao possao cumprir com as obrigacoes do ensino, 
de que Resultaria grande detrimento a mocidade, com 
a irreparavel perda de tempo causada pela suspensao 
dos Estudos: Ha vera tres Substitutes paift suppri- 
rem o ensino nas Aulas, no caso de os Professores 
por algum impedimento legitimo nao poderem assis- 
tir nellas. 

Os ditos Substitutes serao apresentados, e nomea- 
dos do mestno modo, que fica estabelecido a res* 
peito dos tres Professores ; e na falta, ou Jubilacao 
destes, passarao a ser Cathedraticos, conforme a sua 
antiguidade. 

Das Discipulos, e condifoes, que devern ter para 
serem admittidos ao Curso Mathematico 

Ninguem podera ser admittido ao Curso Mathe- 
matico sem ser previamente exercitado, e expedite na 
pratica das quatro regras fundamentaes da Aritheme- 
tica ; para o que qualquer, antes de ser admittido, sera 
examinado, e approvado pelo Professor da Geome- 
tria. 

Os que pertenderem entrar no dito Curso, farao 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 193 

peticao ao tnestno Lente de Geometric, ou no seu 
impedimento ao Professor de Nautica, declarando os 
seus nomes, Pais, Patria, e Estudbs, qute tiverem 
feito, e apresentando Certidao de idade^ que seri 
sempre de quatorze annos completes para cima; a 
vista do que o mesmo Lente mandara fazer assento, 
de que forao admittidos, declarando-se nelle tambem 
os nomes, : Pais, Patria, e Estudos, c especificameftte 
o- dia da admissao de cada um, para que conste da 
sua antiguidade, a qual sera por Mirtt attendida, 
quando pretenderem ser despachados, n2o havendo 
outros motivos, que lhes obstem. 

lias Aulas, Casa para instrumentos, e Obserpatorio 

Havera tres Aulas destinadas para as licoes. 
Junto a Aula de Navegacao haveri uma casa desti- 
nada para a arrecadacao, e uso dos instrumentos 
Astronotnicos, e Maritimos. 

Tambem havera um Observatorio, donde se possa 
avistar qualquer parte do Geo, e onde estejao, e se 
possao transportar os instrumentos, para com elles 
se fazerem as observacoes, que forem necessarias. 

H>o tempo, e horas das ligoes, e dos dias lectivos, 
e feriados 

O tempo de cada licao durara bora e meia por 

13 



Digitized by 



Google 



194 ANNUARIO DA AOADEMIA 

dia, e sera repartido de maneira, que metade seni 
destinada para a repeti^ao que os Estudantes de- 
vem fazer da licao antecedente ; e a outra metade 
para os Lerites explicarem a H960 daquelle dia. 

As Ucoes de Geometria, e Calculo comecarao as 
oove horas, e acabarao as dez e meia ; o que se dew 
en tender desde o principio do mez de Novembroate 
o fim de Fevereiro, porqae nos outros mezes do 
anno terao principio^ e fim tuna hora mais cedo. 

Quanto ao Lente de Navegacao, como este deve 
combinar as Ucoes com o uso dos instrumentos, e 
com as observacoes, as quaes pedem urn tempo pro* 
prio, e determinado, ficara a arbitrio delle a escolha 
do tempo para as Ucoes, com tanto que empregue 
hora e meia no ensino. 

Pelo que respeita aos dias, e meaes de Ferias, se 
observara o mesmo, que se acha estabelecido nos 
Estatutos da nova reforma daUniversidadedeCoon- 
bra; com a differenca que aos dias de sueto, que 
naquella Universidade sao interpolados pelo tempo 
lectivo, serao substituidos os dias de gala, que vem 
declarados na Folhinha do anno para os beijamaos 
da Corte. 

Das Exercicios Semanarios ■ 

Nos dias dos sabbados havera exercicios Littera- 
rios, e o assumpto dellesjserd o que bouver sido no 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 19S 

decurso da semana: para o que havera tres Defen- 
dentes, e seis Arguentes, que todos serao tirados 
por sortes. 

Os Lentes presidirao aos seus respectivos Disci- 
pulos; e cahindo a sorte em algum dos ouvintes, 
que tiverem ja sattsfeito em outros dias as funccoes, 
para que os destina, alem delle, ou delles, havera 
sempre numero costumado de Defendants, e Art. 
guentes, que ainda naa tenhao satisfeito a estes exer- 
cicios. 

O mesmo se praticara no fim de cada mez, senda 
a materia para o exercicio a que river sido de todo 
o mez que acaba. 

Os que faltarem a estes Exercicios, sendo tirados 
por sorte, serao apontados, como se houvessem fal- 
tado duas vezes; e os que tiverem Partido, alem de 
serem apontados, perdera^o dobro do que vencem 
por dia. 

Dos exames no fim do Anno lectino 

Para que os Estudantes tenhao sempre um esti- 
mulo, que os obrigue a continuar seriamente os seus 
Estudos, e para que a admissao delles ao Meu Real 
Servico nao seja fun da da em uma deligencia appa- 
rente, e aptidao presumptiva; mas sim no solido co- 
nhecimento, e uso das Sciencias, que Ihes forao en- 
sinadas : No fim de cada anno lectivo deverao todos 



Digitized by 



Google 



196 ANNUARIO DA ACADEMIA 

fazer o seu exame nas materias, em que naqudle 
anno houverem sido instruidos. 

Serao pois examinados pelos Lentes da Acade- 
mia. Terao por Presidente aquelle, que for Mestre 
das Disciplinas, que scrvem de assumpto para o 
exame ; o tempo do Acto durara una hora, e a ma- 
teria delle constara pelos tres bilhetes, que vintee 
quatro boras antes do Acto terao extrahido por 
sorte. 

No caso de haver urn grande numero de Exami- 
nandos, a expediqao destes Actos se fara por tur- 
mas. Os tres Lentes darao secretamente o seu voto 
para approva^ao, ou reprovacao dos que tiverem 
sido examinados. Os que fofem approvados, passa- 
rZo as Disciplinas do anno seguinte ; e os que tive- 
rem sido reprovados, ficarao continuando namesma 
Aula, ate darem boa conta de si, e merecerem ser 
approvados no fim do anno que se for seguindo. 

c Do Exame geral de todo.o Curso SMathematico; e 
dos Exercicios praticos no mar 

Querendo Eu que os Discipulos, que tiverem 
completado o Curso Mathematico com provas ma- 
nifestas de aproveitamento, tenhao habilitacao para 
serem admittidos ao Meu Real Serviqo ; e querendo 
igualmente que cada um seja premiado com prefe- 
rencia a propor^ao dos stus Estudos, progresses, e 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 197 

merecimentos: Prohibo que daqui em diante possa 
alguem apresentar requerimento para entrar na Ma- 
rinha Real ou como official de Guerra, ou como Pi- 
loto, sem acompanhar o dito requerimento com a 
Attestacao de ter feito exame geral de todo o Curso 
Mathematico, que lhe houver sido ensinado, e ter 
sido nelle approvado ; e os que nao produzirem as 
ditas Attestac5es, de nenhum modo me serao pro- 
postos para Eu os attender. 

E porque alem da Theorica Nautica sao neces- 
sarios outros conhecimentos, que s6 se podem adqui- 
rir com a experiencia, e pratica ; todos aquelles, que 
depois de entrarem daqui em diante no servico da 
Marinha, pedirem p6stos de Tenente para cima, para 
continuarem ho servico do mar, deverao apresentar 
outra attestacSb de terem fqto ao menos dous an* 
nos de exercicio no mar, em que se comprehenda 
uma viagem a India, ou ao Brazil ; e os que live- 
rem esta circumstancia, serao preferidos aos que me 
fizerem requerimentos sem ella. 

Os que pretenderem ser providos no emprego de 
Pilotos para servirem na Marinha Real; estes aca- 
bado o dito Curso Mathematico, feitos os seus Actos, 
e produsindo as attestacoes, de que foram approva- 
dos, poderao requerer admissao as Naos de Guerra, 
para nellas se exercitarem dous annos na pratica da 
Navegacao, e Manobra; e emquanto andarem no 
mar, e nao voltarem para o Porto, donde sahirao, 



)igiti^ed by 



Google 



198 ANNUARIO DA A CA DEMI A 

serao sustentados a custa da Minba Real Fazenda; 
depois do que ajuntando as attestacoes do seu bom 
servico, e de estarem instruidos na pratica da Pilo- 
tagem, poderao requerer para serem admittidos nas 
Naos de Guerra em qualidade de Pilotos, e terem 
Patente, e vencimento de ordenado, como e cos- 
tume. 

Quanto aos Pilotos, que quizerem unicamente 
destinar-se a servirem nos Navios mercantes, ouvi- 
rao as licoes de Arithemetica, Geometria Plana, e 
Esferica, e Navegaqao; e apresentando Certidao de 
terem sido approvados no exame geral dos ditos 
dous annos, e requerendo Patente de Pilotos, o 
Lente da Navegacao lha mandara fazer prompta, 
sendo assignada com p seu nome, e firmada com o 
sello da Academia Real, pagando dusentos e qua- 
renta reis ao Guarda-Livros, e oito centos reis para 
a area da Academia. 

<De algumas disposiqoes pertencentes d boa ordem 
das Aulas, e da oAcademia 

Todos os Estudantes devem indefectivelmente 
achar-se nas suas respectivas Aulas ao tempo, em 
que se der principio as licoes ; e os que se nao acha- 
rem presentes, passados seis minutos depois de co- ' 
mecadas as licoes, serao apontados por um guarda, 
como realmente tivessem*faltado, nao obstante elles 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC A 'DO-MftTO 199 

apparecerem depois. E o mesmo se deve en tender, 
daquelles, que achando-se presentes ao principle se 
aazentarem antes de serem acabad&s as 1i<}6es. 

Guardarao urn rigoroso, e profbndo silendo, 
quando estivepcm nas Aulas, excepto quando forem 
chamado? pelos Metres a dar coma de si, e do que 
aprenderao* 

Para com os seus Mestres se haverSd com todo 
o obsequio, e Qbediencia; e contra os que se porta* 
rem diversamente, tendo sid6 admoestados por tres 
vezes, procederao os mesmos Lentes a excluillos da 
Aula, sem que possao de novo aer admittidos sem 
especial ordem Minha. 

Cada urn dos Lentes sera obrigado a ter uma re- 
lacao das faltas de Aula de cada urn de seus Disci- 
pulos; e das ditas faltas, como tambem do numero 
dellas, indispensavelmerite, sob pena do Meu Real 
Desagrado, quero se faca mencao nas attestacoes de 
frequencia das Aulas, com que os mesmos Discipu- 
los deverlo instruir os seus requerimentos. 

Quando se fizerem observacoes, assistirSo a ellas 
os que forem nomeados pelo Lente de Navegacao, o 
qual t€T& o cuidado de convocallos por turnos, para 
que nao haja confusao, e todos se possao igualmentt 
instruir nos exercicios da pratica. ' 

Como estes exercicios pela maior parte s5o an- 
nexos a um tempo fixo, e determinado; os que fo- 
rem nomeados para eUes,*de nenhum modo poderSo 



Digitized by 



Google 



900 AtfWAJUO DA ACADEMIA 

faltar, excepto no ca*o 4e algtmta disculpa legitime 
€ que>conste ser tal 

Sobre.Tudo r<qo*nn*endo a todos, assim Lentes, 
como Discipulos, que dependendo delles formaoem- 
se sugeitojs habeis para servirem os aeus Soberaoos, 
e a sua Patria pm urn objecto de tanta unportancia* 
como he o da Navega^ao, e MarinhaRcal, que cons- 
tftufia a. base 49 commercio, da industrial das ri- 
quezas, e forcas da Estado; devem por necessidadfi 
do seu Insfituto, e por obrigacao de boos Gdadios, 
efieis Vassallos, pdr todo o esforco, actividade, e 
diligencia, uns para desempenharem o seu cargo, e 
outros para conseguirem o importante fim, a que sao 
destinados. 

De algumas obrigafoes dos Tilotos addktos 
ao serpigo da Marinha %eal 

Assim que yoltarem Naos de Guerra ao Porto de 
Lisboa, depots de uma viagem dilatada, deverao os 
Pilotos deUas apresentar no termo de oito dias ao 
Lente de Navegacao.as derrotas, que fizerao nas 
suas viageDs, para serem revistas, e emendadas na 
preseo^a deUes* 

Alem das derrotas, que todas devem ser apre- 
sentadas em limpo, e bem intelligiveis, entregarao 
um Catalogo de todas as observacoes Astronomicas, 
que tiverem feito no mar f e na terra, especificando 



I 



Digitized by 



Google 



* rOLTTECHNIGA DO PORTO 201 

a qualidade dos instrumentos, cam que forSo feitas* 
e ajuntando a todas cllas 03 Calculos, que sao neces* 
sarios para uso das jpesmas observa<;6es. 

Terao cuidado de tirar as configuracoes das Cos* 
tas* e Ilhas, <fue avistarem de mar, e dos seus Por- 
tos, de examinar as mares, os ventos, as variaqoes da 
agulba, as correntes, e o mats, que for importance 
saber-se; e de tudo entregarao uma copia ao dito 
Lente para ser revista por elle, e deposhado no Ar- 
chivo da Acadecnia Real para uso, que ha de haver 
oa emenda dos Roteiros, e Cartas Maritimas, 

< Do Curio SMathemaiico dos Officiaes Engenheiros 

As pessoas, que daqui em diante aspirarem aos 
p6stos de Officiaes Engenheiros, deverao fazer o 
Curso da Arithemetica, Geometria, Trigonometria 
Plana, Calculo, e suas applica$5es a Statiea, Dyna- 
mica, Hydroatatica, Hydraulica, e Optica nas Aulas 
dos respectivos Lentes, e serem approvadps nelle do 
mesmo modo, que deixo estabelecido a respeito dos 
officiaes Mill tares da Marinha Real; depois do que 
passarao a ouvir as liqoes da Fortificacao, e Enge* 
nharia, e a se instruirem no dgsenho, tendo-lhes de- 
terrainado Professores para este effeito ; ficando a 
Inspeccao sobre a Fortificacao Theoretica, e Pratica 
reservada a Junta dos Tres Estados. 

Instruirao pela prhneisa vez o seu requerimento 



Digitized by 



Google 



202 ANNUARIO DA ACADEMtA 

com as Certidoes de terem sido approvados do Eu- 
me Geral das ditasSciencias; e requerendo ellcs sen 
as referidas Certidoes, de nenhum modo me serlo 
propostos. 

Entre os Officiaes Engenheiros, que antes da po- 
bli cacao destes Estatutos se achao no Meu actual 
servico, occorrendo pedirem despacho para p6stos 
maiores, serao preferidos, os que se sujeitarem ao 
Exame Geral das Sciencias acima declaradas, e apre- 
sentarem Certidao de terem sido approvados. 

Expor que nao he da Minha Real Intencao que 
nas aulas de Mathematica da Universidade de Coun- 
bra haja diminui^ao no rrumero dos Estudantes, an- 
tes considerando que o Curso, que nella se faz das 
Dfcciplinas Mathematicas, he. atopic, e completo: Ho 
por ban dedafar, que os Estudantes, que se tivc- 
rem applicado nos primeiros tres annos ao estudo 
das Sciencias Mathematicas na mesma Universidade, 
e apfesetrtareiq CerndSes dos seus progresses, exa- 
mes, e apjfcrovacoes, serao' contemplados, como se 
tivessem feito o seu Curso nas Aulas de Geome- 
tria, Cakula, e Sci en ci as. Fisico -Mathematicas de 
Lisboa. 

Dos privileges, e prerogative da oAcademtk 
1(eal da SMarinha 

Os Professores da Academia Real da Marinha 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 203 

gosarao de todos os privilegios, indultos, e franque- 
zas, que tern os Lentes da Universidade de Coim- 
bra. Serao tidos, e havidos como Membros da Fa- 
culdade Mathematica existente na dita Universidade, 
sem que entre os Lentes da Academia Real da Ma- 
rinha, e os de Coimbra se haja de interp6r differenca 
alguma, ainda a respeito daquellas gracas, e fran- 
quezas, que requerem especial, e expressa mencao; 
porque quero tambem que estas sempre se entendXo, 
e julguem comprehendidas, e serao considerados, e 
attendidos em tudo, e por tudo, como se realmente 
regessem as suas respectivas Cadeiras na mesma 
Universidade. 

Os Discipulos, que legitimamente frequentarem 
a dita Academia, gosarao dos mesmos privileges, e 
franquezas, que se concedem aos Estudantes da so* 
bredita Universidade. 



Dos Pariidos 



Considerando que o conhecimento das Sciencia9 
Mathematicas depende de uma grande applicacao, e 
estqdo; e attendendo a que o premio he urn dos es- 
timulos mais efficazes para promover a deligencia, 
sem mais embargo de esperar da Mocidade Portu- 
gueza, que aproveitando-se da Minha Real Provi- 



Digitized by 



Google 



204 ANNUARIO DA ACADEMIA 

dencia, se applique as ditas Sciencias com todo o 
fervor, e cuidado: Sou Servida ordenar, que para 
os Discipulos, que se instruirem no Curso Mathema- 
tico da Academia Real, haja vinte e quatro Partidos 
em premio do seu merecimento; doze para os que 
se forem habilitando para o Meu Real Servico oa 
Marinha; e outros doze para os que da mesma sorte 
se forem preparando para os p6stos de Officiaes En- 
genheiros. 

Os ditos Partidos serao destnbuidos por igual 
entre os Discipulos, que se destinarem para a Mari- 
nha, e os que se habilitarem para Engenheiros. No 
primeiro anno nao havera Partido algum ; mas con- 
forme os progresses, que nelle fizerem os Estudan- 
tes, se julgarao os que devem ter os Partidos do se- 
gundo anno, e do mesmo modo nos annos seguintes : 
durando sempre o Provimento por urn anno, e nao 
servindo a ninguem de Titulo para ser provido no 
seguinte, se o nao merecer no juiso, que de novo se 
ha de fazer do seu progresso, e adiantamento. 

Os tres Lentes da Academia julgarao o mereci- 
mento dos Partidistas, para o que se ajuntarao no 
firn do anno lectivo; e conforme a diligencia, e pres- 
timo dos Estudantes, e coota, que tiverem dado nos 
seus exames, se correra o escrutinio para com a plu- 
ralidade de votos se decidir quaes no anno seguinte 
deverao veneer os Partidos. 

Recommendo a todos que votem segundo o die* 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 205 

tame da sua consciencia. Prohibo receber memorial 
algum a favor de qualquer Estudante, e communi- 
car a outrem o juiso que fizer. 

Feita a escolha dos Partidistas, se passara logo 
o Provimento, o qual ficara em segredo ate o dia da 
publicacao, que se fara em urp dos primeiros dias 
d'Outubro em algumas das Aulas da Axademiaj as- 
sistindo a esta funccao os tres Lentes, e todos os 
Estudantes. O Professor mais antigo tera na mao 
os Provhnentos pela ordem dos annos ; ira dizendo 
ao Guarda-Livros o nome de cada um dos Parti- 
distas, para elle o chamar : e em chegando cada um 
por sua vez, lhe entregara o Provimento, para com 
elle poder cobrar a sua importancia, a qual lhe sera 
paga pelo Meu Real Erario, ou por qualquer outro 
modo, que Eu for Servida estabelecer. 

Do Guarda-Livros 

Ha vera um Guarda-Livros, que servira tambem 
de Secretario da Academia, o qual escrevera todas 
as Resolucoes, Propostas, e Requerimentos da mes- 
ma Academia. Fara os assentos dos exames de cada 
um dos Estudantes com declaracSo especifica, nao 
s6 da approvacao, ou reprovacao delles, mas tam- 
bem do modo,. com que forao approvados. Guar- 
dara os ditos assentos no Archivo da Academia, de- 
pois de assignados pelos Lentes, para os apresentar, 



Digitized by 



Google 



306 ANNUARIO DA ACADENIA 

quando lhe forem pedidos. Passara as informacoes 
e Certidoes aos Estudantes, conforme lhe for orde- 
nado pelos ditos tres Lentes, e recebera de propina 
cento e vinte reis ; e em tudo o mais, que se offere- 
cer, e for do seu officio, estara sugeito as ordens da 
Academia Real. 

Do Guar da dos Instrument™ 

Para que qs instrumentos Astronomicos, e Ma- 
ritimos estejao sempre em boa arrecadac&o, e promp- 
ter para todo o uso, que for necessario fazer-se del- 
les : Havera urn Guarda, a cujo cargo esteja arreca- 
dar os ditos instrumentos, limpallos, e conduzillos 
aonde for precizo, conforme lhe for ordenado pelo 
Lente de Nayegacao, a cujas ordens devera sempre 
estar sugeito. O mesmo Guarda tera cuidado todos 
os dias no asseio das Aulas. 

E porque a observancia dos sobreditos Estatutos 
sera de tanto servi<;o Meu, utilidade publica, e bem 
commum dos Meus Vassallos: Hei por bem, e me 
apraz, que se cumprao, e guardem em tudo, e va- 
Ihao como Lei, e tenhao forca de tal; estabelecen- 
do-o assim de Moto-Proprio, Certa Sciencia, Poder 
Real, Pleno, e Supremo. E Quero, e Mando, que os 
mesmos Estatutos sejao observados em tudo, e por 
tudo sem altera^ao, diminuicao, ou embargo algum, 
que seja posto ao seu cumprimento em parte, ou em 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 30T 

todo; e se entendao sempjre ser feitos na melhtfr 
forma, e no meUior aen.tido a favor da dita Acade- 
mia Real da Marinha, seus Leutes, Estudantes, e 
amis Peasoas dell a: Haveodo por supridas todas as 
dausulas, solemnidades de ieito, e de Direito, que 
oecessarias forem para a sua firmeza. E dcrogo, e 
hei por derogadas, para os sobrediros fins somente, 
todas e quaesquer Leis, Ordenacoes, Regimentos, 
Alvaras, Direitos, ou quaesquer outras Desposicoes, 
que em contrario dos sobreditos Estatutos, ou de, 
cada um dclles haja por qualquex. via, modo, ou ma- 
neira, posto que sejao taes, que na forma da Orde- 
nacao, que tambem derogo nesta parte, se houvesse 
de fazer delles especial mencao. 

Pelo que: Mando a Mesa do Desembargo do 
Paco, Presidente do Meu Real Erario, e Inspector 
Geral da Marinha, Conselhos da Minha Real Fa- 
zenda, e dos Meus Dominios Ultramarinos, Regedor 
da Casa da Suplicaqao, Junta dos Tres Estados, 
Reformador Reitor da Universidade de Coimbra, 
como Protectora que della sou, Chanceller da Rela- 
cao, e Casa do Porto; e bem assim a todos'os De- 
sembargadores, Corregedores, Provedores, Juizes, 
Justicas, e mais Pessoas destes Meus Reinos, e Do- 
minios, a quern o conhecimento.desta pertencer, que 
a cumprao, guardem, e facao cumprir, e guardar 
com inteira, e inviolavel observancia. E a mesma 
presente Carta valera, como se fosse pas$ada pela 



Digitized by 



Google 



208 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Chancellaria, posto que por ella nao ha de passar, e 
ainda que o seu effeito haja de durar mais de urn, 
e muitos annos, nao obstantes as Ordenacoes em 
contrario, que Hei outro sim por derogadas pan 
este Effeito somente. Dada no Palacio de Quebz 
em 5 de Agosto de 1779.3=0001 a assignatura da 
Rainha, e a do Ministro. 

Regist. na Secretaria de Estado dos Negocios do 
Reino no Livro V das Cartas, Alvaras, e Patent© 
a fl. 23o, e impr. na Impressao Regia. 



Digitized by 



Google 



209 

CARTA REGIA 



DB 



EsTATUTOS DA AcADEMIA ReAL DOS 
Gu ARDAS Jft ARINHAS 



Dona Maria, por Graca de Deos Rainha de Por- 
tugal, e dos Algarves daquem, e dalem Mar, em 
Africa Senhora de Guine, e da Conquista, Navega- 
cao da Ethiopia, Arabia, Persia, e India, etc. Faco 
saber a todos os que esta Minha Carta virem, que 
tomando em Consideracao o muito que importa ao 
Meu Real Servico, e ao bem publico dos Meus Rei- 
nos, a conservacao, e augmento dos Estabelecimen- 
tos, que concorrem para a mutua felicidade dos 
Meus Vassallos, para a seguranca do Commercio, e 
para o esplendor da Minha Real Armada: E ten- 
do-Me representado o Meu Conselho do Almirantado 
em Consulta, que fez subir a Minha Real Presenca, 
o desejo, que tern de dar-Me continuadas provas do 
seu zelo pelo Meu Real Servico, e muito principal- 

14 



Digitized by 



Google 



S10 ANNUARIO DA ACADEMIA 

mente na parte, em que a Authoridade, que Eu the 
confiei, ja nao depende das outras deliberacoes, que 
espera sobre muitos, e muito importantes assumptos, 
pelos quaes insta o mesmo zelo, com que o referido 
Tribunal espera desempenhar tao alta confianca : Me 
apresentou hum Novo Piano de Estatutos para os 
Estudos da Minha Real Academia dos Guar'das Ma- 
rinhas, o qual tendo sido mcditado sobre observa- 
coes, que desde a sua fundacao ate agora o tempo 
tern feito evidentes, e que s6 a experiencia costuma 
de ordinario mostrar em todas as Instituicoes pri- 
mitivas na pratica dos seus preceitos: Hey por bem 
dar a Minha Real Approvacao aos referidos Estatu- 
tos, para o melhoramento da Academia dos Guar- 
das Marinhas, segundo a sua f6rma, e theor, Orde- 
nando que se executem em todas as suas partes, e 
segundo o espirito delles na f6rma seguinte. 

Divisao, e Distribuifdo das Lifoes 

I. Sera o Curso Mathematico compos to de tres 
Annos Lectivos, em cada hum dos quaes se ensi- 
nara o seguinte: a saber:" 

II. No Primeiro Anno: Arithmetica, Geome- 
tria, e Trigonometria Recta com o seu uso pratico 
mais proprio aos Officiaes do Mar. 

III. No Segundo Anno: Principios de Algebra 
ate as Equacoes do segundo grao inclusive ; primei- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 211 

ras applicacoes della a Arithmetica, e Geometria; 
Seccoes Conicas, e a Mechanica com a sua applica- 
cao immediata ao Apparelho, e Manobra. 

IV. No Terceiro Anno: Trigonometria Esphe- 
rica; Navegacao Theorica, e Pratica; e huns. Rudi- 
mentos de Tactica tfaval. 

V. Em quanto as Artes: aprenderao no Pri- 
meiro Anno quanto diz respeito ao Apparelho: a 
saber, os Nomes, Posicoes, Figuras, e Usos dos 
Mastrps, Mastareos, Vergas, e de todos os Cabos fi- 
xos, e de laborar, assim do Apparelho, como do 
Pano; dos diversos Fios, e Cabos, e de toda a Obra 
volante de Marinheiro; exercitando-se em praticar 
as mesmas obras. 

VI. O modo de Enfurnar, e Desenfurnar os 
Mastros, de Apparelhar, Desapparelhar, Virar de 
Crena, fazer, e fixar os Cabos de laborar, e fixos; 
como se corta, e coze o Pano; para o que serao le- 
vados a Casa das Velas, onde vejao, e sejao admit- 
tidos a praticar quanto pertence a este artigo. 

VII. Aprenderao tambem a Envergar, e De- 
senvergar, Cassar, Largar, e Ferrar o Pano, Arriar, 
e Issar Vergas, Apparelhallas, e os Mastareos, Ar- 
rear, e P6r a Cunha os Mastareos, Suspender, Dar 
fundo, e Amarrar, cortio ate agora se tern praticado. 

VIII. No Segundo Anno : aprenderao o Dese- 
nho de Marinha, topiando, e reduzindo Plantas de 
differentes Costas, Bahias, Enceadas, e Portos ; e 



Digitized by 



Google 



S12 ANNUAR10 DA ACADEMIA 

representando Vistas de Ilhas, Cabos, e Promunto- 
rios; e tambem dos Navios considerados em diffe- 
rentes Posicoes, e Manobras; depois disto aprende- 
rao os Nomes, Figuras, Usos, Escravas, Embaraca- 
mentos, Pregaduras, e Posicoes dos madeiros dc 
Construccao; para o que principiarao na Forma- 
tura, e Construccao do Estaleiro, passando depois a 
Construccao Methodica da Embarcacao, onde se lhes 
mostre tudo o que fica dito, desde o Assentamento 
da Quilha no Estaleiro ate finalizar com o mesmo 
ensino a respeito do Berco, e Carreira; ao quesc 
seguira huma exacta indicacao das difiFerentes partes 
do Porao, e modo de arrumar; com a maneira de 
fazer os tres Pianos, de Elevacao, Horisontal, e de 
Projeccao, debaixo dos quaes se constroem os Na- 
vios ; e delles passar a tracar na Salla, fazer as F6r- 
mas, e Galivar os Madeiros ; concluindo com a ex- 
plicacao das Fainas, de fazer entrar, sahir, e de Es- 
corar o Navio no Dique, como ate agora se tern pra- 
ticado. 

IX. No Terceiro Anno, em ametade do tempo 
diestinado para as Licoes Praticas, continuarao o 
Desenho ; e na outra ametade ouvirao do Lente de 
Artilheria os Npmes, Figuras, Usos, e Lugares das 
differentes partes da Praca, Carre ta, Palamenta, Ves- 
tidura, e dos mais Instrumentos relativos ao exerci- 
cio desta Arma tao importante ; no qual serao igual- 
mente adestrados pelo mesmo Lente, hindo com el- 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 213 

les a hum lugar proprio aonde algumas vezes prati- 
quem o exercicio de fogo; e assim aprenderao tam- 
bem o modo de escolher, conduzir, embarcar, collo- 
car, vestir, atracar, desatracar, montar, e desmontar 
as Pecas ; o modo de examinar, e encartuxar a Pol- 
vora, e de fazer differentes fbgos de Artificio, que 
podem ter uso a bordo, &c. ; as maneiras de armar 
Brulotes, e s^rvir-se das Galiotas de lancar Bombas, 
e mais Embarcacoes deste genero; o modo de ata- 
car huma Praca Maritima, para o que sera necessa- 
rio que recebao sufficientes ideas das diversas obras 
de huma Praca similhante com as suas vantagens, e 
defeitos ; e completarao estes Estudos com a solucao 
dos importantes, e diversos Problemas da Artilhe- 
ria Pratica, onde se empreguem os principios Ma- 
thematicos alii ensinados. 

cDuragdo das Licoes, Tempo Lectivo, e Feriado 

I. O Tempo Diario da Actividade Academica 
durara tres horas todas de manha, para que as tar- 
des fiquem livres, a fim de se estudarem entao as 
respectivas Licoes; em cujo ensino se seguira por 
.ora o Gurso, e Compendios, que actualmente se ex- 
plicao na mesma Academia, em quanto Eu nao For 
servida Ordenar o contrario, ou Disp6r de outro 
modo, que melhor Me parecer. 

II. As Licoes Mathematicas serao ensinadas na 



Digitized by 



Google 



214 ANNUARIO DA ACADEMIA 

primeira hora e meia, e as outras na segunda hora 
e meia, mediando entre as duas Licoes hum quarto 
de hora para descanqo dos Discipulos. 

HI. A Actividade da Academia devera prinri- 
piar cm o primeiro de Outubro, e finalizar no dia 
trinta de Junho, ficando o mez de Julho destinado 
para os Exames. 

IV. A hora da entrada sera pelas nove horas 
da manha, desde Outubro ate Marco inclusivamente; 
e as oito horas no resto do Anno. 

V. No Terceiro Anno, quando os Discipulos sc 
exercitarem na Pratica das Observacoes, o Lente de 
Navegacao sera quern regule a sua respectivahora 
de entrada, quando esta deva variar, em consequen- 
cia das mesmas Observacoes; com tan to porem que 
nellas nao se empregue menos de hora e meia. 

VI. Haverao as Ferias costumadas do Natal, 
Pascoa, e os mezes de Agosto, e Setembro; e alem 
deltas todas as Quintas feiras das Semanas onde nao 
houver Dia Santo, ou de Galla, que seja feriado no 
Meu Conselho do Almirantado; porque estes em tacs 
circumstancias serao os dias feriados da Semana. 

Dos Exercicios Semanarios 

Nos Sabbados havera os costumados exercicios 
Literarios, cujo assumpto sera o que tiver sido da- 
quella Semana; para o que serao tirados por sorte tres 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 215 

Defendentes, e seis Arguentes, presidindo os Lentes 
aos seus respectivos Discipulos. 

Dos Exames 

I. Sendo justo que os Discipulos tenhao bum 
estimulo, que os faca es tudar seriamente, e os des- 
vaneca de esperarem illudir com diligencias appa- 
rentes, farao no fim de cada anno Exame de Mate- 
rias Mathematicas, que tiverem aprendido nb decur- 
so do mesmo Anno. 

II. Serao examinados pelos tres Lentes, presi- 
dindo o das disciplinas, que fizerem o objecto do 
Exame ; e a Materia deste constara nos Bilhetes, que 
deverao extrahir por sorte vinte e quatro horas aft- 
tes do acto. 

III. Os Examinandos serao admittidos a fazer 
os exames devididos em Turmas. 

IV. Os Lentes darao secretamcnte os seus Vb- 
tos, que recolhidos pelo Secretario decidirao da ap- 
provacao, ou reprovacao dos Examinados. 

V. Os exames das Artes serao feitos na pre- 
senca de dois Lentes, interrrogando o Mestre pro- 
prio da Materia que formar o Exame ; e os Votos 
de todos mostrarao se os Examinados tern as ideas 
precisas para poderem passar ao Estudo da Arte, 
que se ensina no Anno seguinte. 

VI. Os que no mez de Julho, legitimamente 



Digitized by 



Google 



216 ANNUARIO DA ACADEMIA 

impedidos, nao poderem fazer o seu exame, serao 
admittidos a elle, desde o primeiro ate dez de Ou- 
tubro ; e entao serao os exames feitos de tarde, para 
nao prejudicar a Actividade da Academia. 

VII . Os Reprovados, pela primeira vez, fica- 
rao reconduzidos no mesmo Anno; e pela segunda, 
serao expulsos. 

c Dos Exercicips Extraordinarios 

Quando Eu For servida Repetir a Companhia 
de Guardas da Marinha a particular Graca de Hon 
rar com a Minha Real Presenca os seus Exercicios 
Academicos, os Discipulos, que merecerem a dis- 
tinccao de dar conta dos seus respectivos progress 
sos neste Acto, entre as Materias, nas quaes tiverem 
ja sido approvados, responderao naquella parte, que 
lhes cahir em sorte, sendo o Compendio dellas aber- 
to, ou pelas Minhas Reaes Maos, ou por quern Eu 
For servida Ordenar. 

Dos Letttes, e Substitutes 

I. O Corpo da Academia sera composto de tres 
Lentes de Mathematica, dois seus Substitutes, hum 
Lente de Artilheria, e dois Mestes, hum de Appa- 
relho,, e outro de Construccao Naval Pratica, Dese- 
nho. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 217 

II. Os Lentes poderao fazer as Conferencias, 
q*e lhes parecerem necessarias para o melhoramen- 
to do Ensino dos seus Discipulos, tendo primeiro 
dado parte ao seu Inspector ; e farao depois subir a 
Minha Real Presenqa, pelo Meu Conselho do Almi- 
rantado, consequentes representacoes para Eu De- 
terminar o que For servida. 

HI. Quando algum caso fortuito, tal, como fal- 
ta de Lentes, Substitutes, # ou Mestres, &c. deva 
fazer mudar por entao a f6rma do ensino ; o Com- 
mandante da Companhia, e Lentes, poderao juntos 
dar as providencias proprias para nao haver sus- 
pensao na Actividade Academica. 

IV. Qualquer dos Lentes, que se achar legiti- 
mamente impedido, dara parte ao Commandante da 
Gompanhia, para elle mandar avisar hum Substitu- 
te, o qual, durante o impedimento, fara todo o ser- 
vice*, que devesse competir aquelle Lente. 

V. Para Substitutes serao admittidos os que 
tiverem obtido os precisos graos na Universidade de 
Coimbra, ou feito o Exame Geral do Curso Mathe- 
matico na Real Academia da Marinha ; ou os que 
daqui em diante sahirem da Real Academia dos 
Guardas da Marinha, tendo dado provas nada equi- 
vocas da sua aptidao, para esta importante profis- 
sao« 

VI. Os Substitutes serao promovidos a Lentes, 
conforme as suas Antiguidades na Substituicao. 



Digitized by 



Google 



318 ANNUARIO DA ACADEMIA . 

VII. Os Lentes, e Substitutos na Real Acade- 
mia dos Guardas da Marinha, gozarao de todos ts 
Privilegios, Indultos, e Franquezas, que gozao os 
Lentes da Universidade de Coimbra; e isto da mes- 
ma sorte, que muito expressamente Eu Pui servida 
Ordenar nos Estatutos da Real Academia de Mari- 
nha no Artigo, que tem por Titulo: Dos Vrivilt- 
gios, e Prerogatives da oAcademia Q^ea^da SMari- 
nha. 



*Da oAdmissao, e Promocoes dos Discipulos 



I. Os que pretenderem ser admittidos a Aspi- 
rantes, alem de darem as provas exigidas no Deere- 
to de quatorze de Julho de mil seteceatos oitenta e 
oito, ajuntarao ao seu requerimento huma Certidao, 
donde conste nao terejn menos de quinze annos de 
idade, e huma Attestacao de qualquer dos Lentes 
da Real Academia dos Guardas da Marinha, pela 
qual mostrem tcr sufficiente intelligencia das quatro 
primeiras Regras da Arithmetica, e da Lingoa Fran- 
ceza; sendo o essencial, em quanto a esta Lingoa, 
saber verter bem della para a Portugueza; constat* 
igualmente desta Attestacao, nao terem defeito pes- 
soal, como faltos de vista, aleijados, &c. 

II. Numero de Aspirantes sera indeterminado, 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 219 

e tanto porque das provas da sua Admissao se nao 
segue que tenham as disposicoes necessarias para o 
servico do Mar; como tambem, a fim de lhes exci- 
tar maior estimulo, nao deverao ter Praca, Farda, 
nem entrar na Formatura da Companhia ; tao s6- 
mente serao Matriculados. 

III. A Admissao a Aspirantes, e as Promocoes 
dos Aspirantes a Guardas da Marinha, e destes a 
Officiaes das Brigadas, competirao daqui em diante 
ao Meu Conselho do Almirantado, e deverao ser 
feitas, em consequencia de uma Proposta do Com- 
mandante da Gompanhia e Gorpo dos Lentes ; o que 
tambem se devera praticar no caso de expulsao dos 
Individuos, que pertencerem a estas Glasses. 

IV. Nesta Admissao sempre serao preferidos os 
Filhos de Officiaes Generaes, Gapitaes de Mar e 
Guerra, Capjtaes de Fragata, e Capitaes Tenejntes, 
especialmente dos mortos, ou feridos gravemente em 
Accao; depois destes os Filhos dos Officiaes do Meu 
Exercito, que estiverem nas mesmas circumstancias. 

V. Os Aspirantes approvados nas Materias do 
Primeiro Anno serao promoyidos a Guardas da Ma- 
rinha; e porque tambem devem dar as precisas pro- 
vas, de que tern todas as disposicoes naturaes, ne- 
cessarias para a Vida do MaF, nao passarao a ouvir 
as Licoes do Segundo Anno J^ectivo, destinando-se 
o Anno seguinte, ao qual se chamara oAnno de Em- 
barque, para durante die embarcarem, ou na Cur- 



)igitized by v. 



Google 



220 ANNUARIO DA A.GADEMIA 

veta de Ensino, ou em outro qualquer Navio da 
Minha Real Armada, preferindo entre estes os que 
deverem sahir de Guarda Costa. 

VL Hum Official das Brigadas, ou hum Se- 
gundo Tenente, que podendo ser tenha aprendido 
nesta Real Academia, sera quern venha receber do 
Commandante da Companhia, e depois entregar-lhe, 
o Destacamento nomeado para pmbarcar; entenden- 
do-se que, durante o embarque, ficara sendo o Com- 
mandante, e Mestre do mesmo Destacamento. 

VII. Ao Commandante do Navio toca por na- 
tureza a distribuicao, e regimen das differentes U- 
coes, que o Destacamento deve dar a bordo ; tera 
pois hum particular cuidado em promover a sua 
Instruccao ; assignalando-lhes horas certas nas quaes 
devao ouvir : 

VIII. Do Commandante do Destacamento, as 
Licoes das Materias Mathematicas que estiverem es- 
tudando. 

IX. Do Mestre, os Nomes, e Usos dos Cabbs, 
Velas, % e Apparelhos ; os modos de Amarrar, dar 
N6s, fazer Costuras, Forrar, Embotijar, &c. 

X. De hum Official de Artilheria, os Nomes, e 
Usos das differentes partes da Peca, Carreta, sua 
Vestidura, e Atracadura ; os Pezos das Cargas, com 
o mais que for proprio desta Profissao, ate teraii- 
nar no Exercicio de Artilheria. 

XI. Do Calafate, as Figuras, Nomes, e Usos 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 221 

dos sens diversos instrumentos, e do que diz respei- 
to as Bombas. 

XII. Finalmente do Primeiro Carpinteiro, os 
Nomes, e Posicoes dos differentes Madeiros de Cons- 
truccao, seu Embaracamento, &c. 

XIII. Alem disto, o Commandante do Desta- 
camento, ou quern for nomeado em seu lugar pelo 
Commandante do Navio, devera assistir a todas as 
Licoes, para cuidar que nellas reine sempre a boa 
ordem, e depois passar a ensinar-lhes o modo de 
fezer a Derrota chamada da Barquinha, com quan- 
to lhe disser resptito, e for compativel com os prin- 
cipios Mathematicos, em que vao iniciados ; tambem 
lhes ensinara o Manejo de Bordo, explicando-lhes 
igualmente a Ordem do Servico, tanto Surto, como 
a Vela ; e fazendo-os riscar, e escrever Modelos dos 
diversos Mappas, e Detalhes, Ordens, e Partes, que 
mais ordinariamente se fazem precisas no Servico 
Diario de Bordo ; e de todo o resultado dara parte 
ao Commandante do Navio, o qual alem disto.as- 
sistira pessoalmente a algumas Licoes, para com todo 
o conhecimento me poder informar pelo Meu Con- 
selho do Almirantado, sobre as qualidades dos dif- 
ferentes Individuos daquelte Destacamento, em vif- 
tude da qual informacao, ou serao expulsos, ou pas- 
sara a ouvir as Licoes do Segundo Anno Lectivo. 

XIV. Durante o tempo, que mediar entre o fim 
do Primeiro Anno Lectivo, e o Embarque ; ou en- 



. Digitized by 



Google 



222 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tre o fim deste, e o primeiro dia do seguinte Ou- 
tubro ; o Commandante da Companhia lhes fara en- 
sinar na primerra bora e mria o Maacjo de Annas, 
e Construccao de Mappas, e Detalhes, nao despre- 
zando a Licao dos factos memoraveis das Marinhas 
Militares, quando para ella haja ainda mais algum 
tempo , visto que esta Licao deve contribuir muito 
para lbes fonnar o espirito necessario para a execu- 
cao das Accoes grandes, e Heroicas, annexas ao seu 
importante destine Na segunda hora e meia anda- 
rao additos & Classe de Desenho, e Construccao Na- 
val Pratica, por se/* esta huma Classe, onde alem da 
intelligencia Se precisa muito do exercicio pratico. 

XV. Depois do referido, os Guardas da Mari- 
nha passarao a Discipulos do Segundo Anno Lecti- 
vo, onde approvados serao promovidos, conforme os 
seus merecimentos, aos lugares de Officiaes das Bri- 
gadas, que entao se acharem vagos; e que s6 desta 
maneira devem ser prehenchidos. 

XVI. Todos os Approvados no Segundo Anno 
passarao a ouvir as Licoes do Terceiro Anno ; no 
fim do qua!, se forem approvados Materias delle, 
se lhes passarao as competentes Cartas de Approva- 
cfio, assignadas pelo Commandante da Companhia, 
e Corpo da Real Academia, com as quaes devem 
considerar-se plenamente habilitados para Segundos 
Tenentes da Real Armada, a que serao promovidos, 
em consequencia de huma Proposta do Comman- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIGA DO PORTO 223 

dante da Companhia, feita ao Meu Conselho do Al- 
mirantado, que subira a Minha Real Presenca em 
Consulta do mesmo Tribunal ; e em quanto Eu nao 
For servida promovellos, ficarao isentos de todos os 
Exercicios Academicos, e sujeitos s6mente ao Servi- 
co da Companhia. 

XVII. Como os P6stos de Officiaes das Briga- 
das sao conferidos sempre aos de maior merecimen- 
to, se acontecer que hum Guarda da Marinha, e hum 
Official das Brigadas sejao despachados em Segun- 
dos Tenentes na mesma Promocao, o Official das 
Brigadas ficara mais antigo, visto que em Soldo, e 
Graduacao Sou servida fazellos Superiores aos Guar- 
das da Marinha ; Ordenando que daqui em diante a 
Graduacao dos Chefes de Brigadas se considere im- 
mediatamente inferior a dos Segundos Tenentes, e 
Superior a dos Brigadeiros; a dos Brigadeiros Su- 
perior a dos Sub-Brigadeiros; e estes ao Guardas da 
Marinha ; vencendo os Chefes oito mil reis de Soldo 
por mez, os Brigadeiros sete mil e quinhentos, e os 
Sub-Brigadeiros sete mil reis : E entre os Officiaes 
das Brigadas, que juntos forem promovidos a Se- 
gundos Tenentes, regufara a mesma preferencia, que 
tiverem tido nos respectivos P6stos. 

XVIII. Quando no Corpo da Marinha se pro- 
ver qualquer Posto vago, preferirao sempre os Of- 
ficiaes de Patente immediata, que tiverem' feito o 
Curso Militar da Marinha nesta Real Academia, 



Digitized by 



Google 



224 ANNUAR10 DA ACADEMIA 

aquelles que nao forem desta Creaqao, excepto se es- 
tes quizerem sujeitar-se a hum Exame de todas as 
Materias, que se ensinao neste Estabelecimento ; e 
destes exceptuando aquelles, cuja Conducta, Scien- 
cia, e Pratica do Mar estejao decisivamente prova- 
das. 

XIX. Os Segiindos Tenentes novamente pro- 
movidos, no primeiro Embarque seguinte a sua Pro- 
mocao, deverao fazer huma circumstanciada Derro- 
ta, onde alem do que diz respeito a Barquinha, mos- 
trem frequentes Observacoes das Variacoes da Agu- 
Iha, Latitudes, e Longitudes dos lugares por onde 
passarem ; e tambem as Gonfiguracoes das Costas, 
Ilhas, e P6rtos, que avistarem no Mar^ ou onde se 
tiverem demorado; com huma Descripcao exacts 
das Mares, Ventos, Correntes, e mais circumstancias 
uteis a Hydrographia; apresentarao depois esta Der- 
rota ao Corpo dos Lentes, que sobre ella lhe farao 
o mais escrupuloso Exame, de cujo resultado infor- 
marao se<;retamente ao Meu Conselho do Almiran- 
tado, ajuntando a Derrota original a dita infonna- 
cao. Os novos Segundos Tenentes deverao ficar en- 
tendendo, que desta informacao dependera tambem 
a sua Promoqao a Primeiros Tenentes. 



Digitized by 



Google 



*OLYTECHNICA DO PORTO 225* 

De algumas Disposigoes relativas d boa ordem das 

O/lulas^ e da Frequencia 

t 

I. Os que nao e^tiverem dando Licao deverSo 
guardar o mais profundo, e rigoroso silencio. 

II. Quando algum faltar essencialmente a Su- 
bordinacao, e respeito devido aos seus Lentes, e 
Mestres, estes o reprehenderao, ou farao prender; 
ou representarao, para que seja expulso conforme 
for a grandeza da falta. 

III. O que em qualquer Anno Lectivo tiver 
trinta faltas sem causa, perdera o Anno, e se en- 
tendera ter sido reprovado naquelle Anno ; e alem 
disto se veneer Soldo perdera por cada falta o Soldo 
de hum dia, que passara para o Cofre das Multas, 
como actualmente se pratfea; entendendo-se porem, 
que se a falta for em dia de Exercicio Semanario se 
reputara dupla. 

IV. Quando as faltas forem sessenta com justo 
motivo, perderd o Anno ; mas nao se julgara repro- 
vado/ nem se multara no Soldo, quando for dos que 
tenhao pra9a. 

. V. Todo o que sem causa fitltar ao seu Exame 
perdera o Anno, e se entendera ter sido reprovado ; 
o mesmo acontecera ao que nao quizer entrar em 
Examess 



15 



Digitized by 



Google 



226 ANNUARIO DA ACADEMIA 

c Do Secretario 

O Secretario da Companhia dos Guardas da 
Marinha sera tambem Secretario da Academia ; de- 
vera fazer as Matriculas, e Assentos, e lancar em 
hum Livro o merecimento circumstanciado de cada 
hum dos Discipulos, para dalli extrahir as Certidoes, 
que dever passar, da frequencia, e qualidade da ap- 
provacao dos Discipulos ; e s6 quando eu For ser- 
vida Mandar informar os Lentes sobre a applicable* 
de qualquer Discipulo, estes farao constar tudo quan- 
to se contiver nos seus Assentos. 

Do Porteiro, e Guardas 

Havera hum Porteiro, e dois Guardas, a quern 
pertencera cuidar no aceio das Aulas, e Observato- 
rio, arranjo, guarda, 'e limpeza dos Livrds, Instru- 
mentos, e Modelos; tendo tambem obriga^ao de cod- 
duzir tudo aonde for preciso, e de obedecer a quan- 
to Ihes for ordenado pelo Commandante, Lentes, 
Mestres, e Secretario. * 

E porque a obsentencia dos sobreditos Estatu- 
tos sera tanto de Servico Meu, utilidade publiea, c 
bem commum dos Meus Vassallos : Hey por bem, 
e Me Praz, que se cumprao, e guardem em* tudo, t 
por tudo, e valhao como Ley, e tenhao forca de 
tal ; estabelecendo-o assim de Motu Proprio, Cert* 



Digitized by 



Google 



i 



POLYTECHNICA DO PORTO 227 

Sdencia, Poder Real, Pleno, e Supremo. E Quero, 
c Mando, que os mesmos Estatutos sejao observa- 
dos em tudo, e por tudo sem alteracao, diminuicao, 
ou embargo algum, que seja posto ao seu-cumpri- 
mento em parte, ou em todo ; e se entendao sempre 
ser feitos na melhor f6rma, e no melhor sentido a 
favor da dita Academia Real dos Guardas da Mari- 
nha, seus Lentes, Mestres, Alumnos, e mais Pessoas 
della: Havendo por suppridas as dausulas, solemni- 
dades de feito, e de Direito, que necessarias forem 
para a sua firmeza. E Derogo, e Hey por derogjt- 
das, para os sobreditos fins stimente, todas, e quaes- 
quer Leys, Ordenacoes Regimentos, Alvaras, De- 
cretos, ou quaesquer outras Disposiqoes, que em con- 
trario dos sobreditos Estatutos, ou de cada hum 
delles haja por qualquer via, modo, ou manetra, pos- 
to que sejao taes, que na f6rma da Ordenacao, que 
tambem Derogo nesta parte, se houvesse de fazer 
delles especial mencao. 

Pelo que : Mando ao Meu Conselho do Almiran- 
tado; Mesa do Desembargo do Paqo; Presidente 
do Meu Real Erario; e Inspector Geral da Marinha; 
Conselhos da Minha Real Fazenda, e dos Meus Do- 
minios Ultramarinos ; Regedor da Casa da Suppli- 
cacao ; Junta dos Tres Estados ; Reformador Rei- 
tor da Universidade de Coimbra, como Protectora 
que della Sou; Chanceller da Rela^ao, e Casa do 
Porto; e bem assim a todos os Desembargadores, 



Digitized by 



Google 



228 * ANNUARIO DA ACADEMIA 

Corregedores, Provedores, Juizes, Justicas, e mais 
Pessoas destes Meus Reinos, e Dominios, a quern o 
conhecimento desta pertencer, que a cumprao, guar- 
dem, e faqao cumprir, e guardar, com inteira, e in- 
violavel observancia. E a mesma presente Carta va- 
lera, como se fosse passada pela Chancellaria, posto 
que por ella nao ha de passar, e ainda que o seu ef- 
feito haja de durar mais de hum, e muitos annos, 
nao obstante as Ordenacoes em contrario, que Hey 
outro sim por derogadas para este effeito s6mente. 
Dado no Palacio de Queluz em o primeiro de 
Abril de mil setecentos noventa e seis. 

PRINCIPE Com Guarda . '. . 

Josi Sanches de Urito. 
Antonio Januario do Voile. 
Tedro de Mendonqa de SMoura. 

Carta, por que Vossa SMagestade Ha por bem 
%eformar o Estabelecimento da 1{eal Academia dos 
Guardas da Marinha na sua Corte, e Cidade de 
Lisboa, em beneficio dos oAlumnos delta, dando-lhe 
para seu governo os Estatutos nafdrma assitna de- 
Qlarada. 

Para Vossa Magestade ver. 



Digitized by 



Google 



i 



POLYTECHNICA DO PORTO 229 

Por Resolucao de Sua Magestade de i de Abril 
de 1796, em Consulta do Conselho do Almirantado, 
do mesmo dia, e anno. 

*D. Josi Manoel da Camara, Secretario do Almi- 
rantado a fe\ escreper. 

QAntonio Ptres Alves de GMiranda, Official Maior 
da Secretaria do Conselho do Almirantado afe\. 

Regis tada no Livro I. de similhantes na Secre- 
taria do Conselho do Almirantado em 21 de Julho 
de 1796. 

Antonio Pires oAlves de Miranda. 



Digitized by VjOOQLC' 



Digitized by 



Google 



231 



ESTATUTOS 

DA 

AULA DE COMMERCIO 

PRDENADOS fOR ^L-JIbI J*OSSO £>BMHO^ f NO pAPlTULO 

DEZASSE1S DOS jpSTATUTOS, DA jfoNTA DO pOMMBRCIp 

DESTES JlBWOS, B SBUS J>OMlNIOS 



A Junta do Commercio destes Reinos, e seus Do- . 
minios, havendo considerado que a falta de formali- 
dade na distribuiqao, e ordem dos livros do mesmo 
Commercio, he huma das primeiras causas, e o mais 
evidente principio da decadencia, e ruina de muitos 
Negociantes; como tambem, que a ignorancia da re- 
duccao dos dinheiros, dos pezos, das medidas, e da 
intelligencia dos Cambios, e de outras materias mer- 
cantfs, nao podem deixar de ser de grande prejuizo, 
e impedimento a todo, e qualquer negocio com as 
NacSes estrangeiras; e procurando, quanto pede a 
obrigacao do seu Institute), emendar esta conhecida 
desordem, propoz a Sua Magestade no Capitulo de- 



Digitized by 



Google 



282 ANNUARIO DA ACADEMIA 

zasseis dos Estatutos da mesma Junta, que se devia 
estabelecer huma Aula, em que presidissem hum, ou 
dous Mestres, e se admittisseni vinte Assistentes do 
numero, e outros supernumerarios, para que nesta 
publica, e muito importante Escola se ensinassem os 
principios necessarios a qualquer Negodante perfeito, 
e pela cortimunicacao do rtiethodo Italiano, aceito 
em toda a Europa, ninguem deixasse de guardar os 
livros do seu Commercio com a formalidade devkia. 

i <° A geral aceitacao do projecto fez cofthecer 
bastantemente que todos desejavao emendar esta 
falta, e que ella procedia da difficuldade de encon- 
trar as licoes, e nao de applicar os estudos: A com- 
mua expetacao, com que, publicados os mesmos Es- 
tatutos, se tern feito sensivel a necessaria demora 
para o exercicio da Aula, he huma segunda, e noais 
segura prova desses bem louvaveis desejos : Pelo que 
a mesma Junta, que na mediacao deste tempo nao 
cessou de disp&r, e dirigir a maior utilidade do Bem 
commum do Commercio este novo estabelecimento, 
em cujos acertados principios consistem os seus pro- 
gressos, e a sua perpetuidade, faz publicos estes Es- 
tatutos, que hao de servir de governo a referida 
Aula, debaixo da Real approvacSo, e confirmacao de 
Sua Magestade. 

2. A determinacao de hum, ou dous Mestres, 
para a presidencia da Aula, foi deixada ao prudente 
arbitrio da Junta no referido Capitulo' dezasseis dos 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 233 

seus Estatutos ; e nesta conformidade podera a mesma 
Junta nomear hum somiente, como agora tern feito, 
por que assim pareceu conveniente, e bastante; ou, 
quando a experiencia mostre que hum s6 Mestre nao 
pode comprehender a inspeccao, e encargos, que lhe 
sao commettidos, podera nomear dous, distribuindo- 
lhes os dias, e as materias como se entender neces- 
sario. 

3.° O lugar de Lente da Aula he de tao impor- 
tante consideracao pela utilidade, que delle resultar 
ao Bern commum destes Reinos, que, por si mesmo, 
se faz recommendavel para a eleicao de pessoa, que 
bem o possa servir : e por que os nomeados para o 
referido emprego se devem suppor de tal modo des- 
embaracados de outras dependencias, que nao te- 
nhao prejuizo em sefem perpetuados nesse mesmo 
exercicio, se lhes continuarao os Provimentos da 
Junta, reformando-os em cada hum dos Triennios, 
emquanto o mesmo Lente se achar habil para o cum- 
primento das suas obrigacoes, e com tanto, que, te- 
nha requerido na Junta a reforma do Provimento 
findo. 

4. Na forma do mesmo Capitulo dezasseis dos 
Estatutos da Junta devem ser vinte os Assistentes 
numerarios da referida Aula, e a estes se deve con- 
tribuir com o emolumento, .que se julgar bastante 
para animar os que tiverem meios, e sustentar os 
que delles carecerem para a sua subsistencia : fica 



Digitized by 



Google 



234 ANNUARI0 DA ACADEMIA 

porem livre a nomeaqao da Junta o provknento dos 
supernumeraries, com tantb, que nao excedao de 
trinta, por que nao pode abranger a mais de cin- 
coenta Discipulos o cuidado de hum s6 Mestre, ou 
Lente; e que na sua elei^ao se observem as condi- 
coes determinadas no mesmo Capitulo, e as mais, 
que se declarao nestes Estatutos. 

5.° Por que a falta das primeiras disposicoes, 
ou elementos em algUns dos Assistentes seria motivo 
de impedir os progressos de outros, e de embaracar 
a uniformidade de estudos, que deve haver na Aula, 
onde as materias, que se hao de dictar, suppoem 
como necessaria a sufficiente expedi^ao em ler, es- 
crever, e contar, ao menos nas quatro especies, pelo 
modo mais ordinario : nao se podera passar Provi- 
mento a pessoa alguma, sem que seja examinada 
pelo Lente da Aula, o qual, debaixo do encargo de 
sua consciencia, declare; que o pertendente esta habil 
para ser admittido, quanto a esta parte. 

6.° Ainda que os pertendentes, com a qualidadc 
de filhos, ou netos de Homens de Negocios, devem 
ser preferidos, em iguaes circumstancias, para Pra- 
ticantes, ou Assistentes do numero: com tudo, por 
que esse mesmo meio da sua subsistencia nao sejao 
fim ultimo da sua pertencao, ficara em suspenso a 
nomeacjao dos Assistentes, que devem entrar no nu- 
mero ; e passado o primeiro anno de exercicio, sc 
farao exames, na presenca da Junta, para que con- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 236 

forme os merecimentos, se hajao de prover os refe- 
ridos lugares, contando-lhes os emolumentos desde o 
dia da abertura da Aula: Bern visto, que os filhos 
de Homens de Negocio Portuguezes, em igualdade 
de termos, assim de sciencia, como de procedimento, 
devem ser attendidos para a preferencia: O mesmo 
se deve practicar em todas as aberturas da Aula. 

7. Passado o tempo competente para que se 
possa conhecer a capacidade, e atpplicaqao dos As- 
sistentes da Aula, mandara a Junta fazer, a repetir 
exames na presenqa de dous Deputados, que darao 
parte na mesma Junta; e achando-se que nao tern 
aproveitado a proporcao do tempo, serao logo des- 
pedidos, ou lhes sera dado espaqo para a sua emenda, 
procedendo-se, em huma, e outra parte, com tal 
consideracao, que nem se diminua, ou abata o cre- 
dito da Aula, pela negligencia, ou incapacidade dos 
seus Assistentes ; nem delles se pertenda mai?, que 
huma competente disposicao para Negociantes per- 
feitos. 

8.° Por que nem os Estudos, ainda promovidos 
pela consideracao dos exames, nem as esperancas em 
ser admittido ao numero, poderao supprir o defeito 
causado pela pouca idade, nao se podera passar No- 
meacao para praticante, ou Assistente da Aula, em- 
quanto nao constar que o pertendente tern quatorze 
annos completos: Nao se limita o termo, quanto aos 
annos, de que nao devem passar; porem no con- 



Digitized by 



Google 



236 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

curso de muitos pertendentes, em iguaes circums- 
tancias, sempre devem ser admittidos os de menos 
idade, por que mostra a experiencia, que estes sao 
mats aptos para o ensino, e se devem suppdr mais 
desempedidos para a assistencia, e Estudos. 

9. Sendo huma das principaes vantagens nos 
Estudos das Aulas o praticar-se continuamente nel- 
las, a materia das actuaes applicacoes de todos os 
Assistentes, o que se nae poderia conseguir sem que 
todos concorressem em hum mesmo ponto: Nao se 
devem repetir as Nomeacoes para Praticantes da 
Aula do Commercio, sem que finalize entre cada 
huma abertura o termo de tres annos, que he 
tempo necessario para se dictarem, conhecerem, e 
praticarem os principaes objectos dos Estudos desta 
mesma Escola; vagando porem alguns lugares den- 
tro dos primeiros seis mezes, se poderao prover em 
pessoas que tenhao conhecimento das materias, que 
ja se houverem dictado. 

io.° Em todas as manhas tera exercicio a Aula 
do Commercio, principiando as licjoes, de Inverno, 
pelas oito horas, e acabando pelo meio dia; e de Ve- 
rao pelas sete, e acabando pelas onze : e os Escritu- 
rarios, ou Praticantes da Contadoria da Junta, se- 
rao obrigados, por turno, a fazer o ponto em cada 
hum dos mezes, para que na mesma Junta se faca 
certo, que os Praticantes assistem. 

n.° A Arithmetica, como fundamento, e prin- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 237 

cipio de todo, e qualquer commercio, deve ser a pri- 
meira parte da licao da Aula, ensignando-se aos seus 
Praticantes, sobre o methodo commum, e Qrdinario 
das quatro prineipaes especies, os motivos, e diversos 
modos, com que mais facil, e promptamente se achao 
hoje as sommas, se fazem as diminui<joes, e multi- 
plicacoes, se abrevia a reparticao, e^se Ihes tirao as 
provas r conseguida a perfeicao nesta parte, se deve 
passar ao ensino da conta de quebrados, regra de 
tres, e todas as outras, que sao indispensaveis a hum 
Commerciante, ou Guarda-livros completo; procu- 
rando sempre, que se nao passe de humas a outras 
materias, e ainda dentro deltas, de humas a outras 
partes, sem que em todas haja hum geral conheci- 
mento do que ja for dictado. 

i2.° Ao ensino da Arithmetica perfeita se deve 
seguir a noticia dos pezos em todas as Pracas do 
Commercio, especialmente aquellas com que Portu- 
gal negocea ; como tambem das medidas, assim de 
varas, e covados, como de palmos, e pes cubicos,, 
e singelos, e do valor commum das moedas no Paiz, 
em que correm, ate que qualquer dos Assistentes da 
Aula possa reduzir, por exemplo, as varas de Hes- 
panha, as Jardas de Inglaterra, ou os Palmos de Ge- 
nova a medida de Portugal, ou de outro Reino, e o 
custo, e despeza da fazenda, na Praca extrangeira, 
ao dinheiro da outra Praca, para* o que se fez o 
transporte. 



Digitized by LjOOQIC 



238 ANNUARIO DA ACADEMIA 

1 3.° Por que o referido conhecimento naoseria 
bastante para adquirir'a certeza do custo das fazen- 
das sem a noticia dos Cambios ; visto que nesta ima- 
ginaria passagem da moeda se nao attende s6mente 
ao seu valor real; mas tambem a maior, ou menor 
necessidade de dinheiros em cada huma das Pracas, 
pela qual se augmenta ou diminue o valor arbitrario 
dessa mesma moeda, sera esta importante materia 
huma parte do principal <:uidado no ensino dos As- 
sistentes da Aula; pois ainda que a scienda dos 
Cambios se nao possa inteiramente comprehender 
nas idades respectivas dos ditos Assistentes, e em 
tao limitado espaco de tempo, especialmente consi- 
derado o cambio como hum particular,. e separado 
ramo do Commercio ; com tudo se formarao as pri- 
meiras, e sufficientes disposicoes para que, com a 
pratica, e diversidade dos casos occurrentes, se ha- 
jao de alcancar as mais necessarias noticias, e nao 
falte esta parte, ao menos, como integrante, para 
todo, e qualquer commercio. 

14. Os Seguros com as suas distinccoes de loja 
a loja, ou de ancora a ancora; de modo ordinario, 
ou de pacto expresso, e a noticia das apolices, assim 
na Praqa de Lisboa, como em todas as mais da Eu- 
ropa ; como tambem a fornxalidade dos fretamentos, 
a pratica das commissoes, e as obrigacoes, que del- 
las resultao, devem ser todas tratadas, ao menos, 
para o sufficiente conhecimento de cada huma das 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 239 

partes, com o qual se adquirao as disposicoes para 
chegar a perfeiqao em seu tempo. 

i5.° Ultimamente se passara a ensinar o me- 
thodo de escrever os livros com distinccao do Com- 
mercio em grosso, e da venda a retalho, ou pelo 
miudo, tudo em partida dobrada, ainda que com 
differenca dos dous referidos commeroios; e depois 
se fara huma recopilacao de todas estas partes, fi- 
gurando aos Assistentes alguns diversos casos em 
themas, ou propostas, em que se possa conhecer, 
por huma s6 partida, se elles tern conseguido a com- 
petente perfeiqao da Arithmetica, a noticia da re- 
duccao dos pezos, e das medidas, o valor dos di- 
nheiros, a variedade dos cambios, a importancia dos 
seguros, e das commissoes, ate dar entrada onde de- 
vem nos livros do seu Commercio. 

1 6.° G>mpletos os tres annos, se dara Certidao 
aos Assistentes, que houverem frequentado a Aula; 
e com este documento sera visto o deverem infalli- 
velmente preferir em todos os Provimentos da no- 
meacao da Junta, assim da Contadoria, como da 
Secretaria, e ainda de quaesquer empregos, em que 
nao estiver determinada outra preferencia. A mesma 
atten<jao se havera com os ditos Assistentes da Aula 
nos Provimentos, que se mandarem passar pela Di- 
reccao da Real Fabrica das Sedas, e em todas as 
mais da Inspeccao da Jifnta. 

17. Aos Caixeiros das lojas das cinco classes 



Digitized by 



Google 



240 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de Mercadores, he Sua M agestade Servido conceder, 
dispensando nesta parte s6mente, a disposicao do 
S 7. do Cap. 2. dos Estatutos da Meza do Bern 
commum dos mesmos Mercadores, que, havendo 
frequentado a Aula pelo tempo dos tres annos, pos- 
sao abrir lojas por sua conta, com exercicio de cinco 
annos em lugar dos seis, que estao determinados nos 
mesmos Estatutos. 

1 8.° Tambem Sua Magestade he Servido exten- 
der a disposicao do Cap. 4. dos Estatutos da Junta, 
emquanto se determina, que todos os officiaes, ou 
quaesquer outras pessoas, que nos mesmos Estatu- 
tos pertencem a nomeacao da Junta, tenhao por Juiz 
privativo ao Desembargador Conservador geral do 
Commercio, para os Assistentes da Aula, durante 
tempo do seu exercicio sdmente, e havendo Certidao 
da sua assistencia. 

19. As deligencias, disposiqoes, e zelo da Junta 
na Instituicjao desta nova Aula devem merecer a to- 
dos os Assistentes o concurso da sua applicacao, 
para que se consigao aquelles ultimos fins, que po- 
dem resultar aos mesmos Assistentes, e as Casas de 
Negocio, que delles se servirem na conducta do seu 
Commercio, e para que ao tempo dos seus exames 
nao passem pela sensivel reprova^ao, e despedida, 
que vai comminada nestes Estatutos a todos os ne- 
gligent es; porem mais, que todos esses motivos, deve 
promover ao exercicio, e aproveitamento dos Assis- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 241 

tentes a Real confirmacao, e proteccao de Sua Ma- 
gestade, que foi Servido aprovar, e mandar fazer 
publicos estes Estatutos, havendo por muito recom- 
mendada a sua execuqao. 

Lisboa a 19 de Abril de 1 559 — Jose Francisco 
da Cruz — Joao Rodrigues Monteiro — Manoel Dan- 
tas de Amorim — JoaoLuiz de Souza — Anselmo 
Jose da Cruz — Ignacio Pedro Quintella — Jos6 Hen- 
riques Martins. 



16 



Digitized by 



Google 



242 ANNUARIO DA A CAD EM I A 



Obrlyapdes Inherente* ao lugpar de Di- 

reotor Litterario da Aeademia 
Beal da B£ai*ialia e Commeroio da CI- 
dade do X*oirfco. 



Tendo Representado a Sua Magestade esta Illus- 
trissima Junta dlAdministracao da Companhia Geral 
do Alto Douro, Inspectora da Academia Real da 
Marinha, c Commercio d'esta Cidade, em Consul- 
ta de 3 de Fevereiro de 1816, os justos motivosque 
faziao necessaria a Criacao de hum novo Emprego 
para a dita Academia, a cujo Empregado se confe- 
risse o titulo de Director Litterario da mesma: Pn>- 
poz a Sua Magestade a Pessoa de V. S.* como aqud- 
la que em si reunia os requesitos necessarios, e que 
affianqavao o acerto da sua escolha.=Dignou-se Sua 
Magestade benignamente Approvar a mencionada 
Consulta baixando com ella a Regia Resolucao de 
27 d'Agosto de 1817. 

E sendo conseguintemente necessario, que V. S.* 
seja instruido das Obrigaqoes que lhe ficao compc- 
tindo em razao do seu emprego; abaixo transcreve- 
mos, para sua intelligencia, e conhecimento, aqucllas 
que esta Illustrissima Junta propoz a Sua Magesta- 
de, e que fizerao parte da Referida Consulta = i.° 



Digitized by VjOOQ LC 



POLYTECHNICS DO PORTO 243 

Que o Director Litterario tera a seu cargo o Regu- 
lamento, e Direccao geral dos Estudos, e o governo 
ordinario da dita Academia, seus Empregados, e 
Subalternos, fazendo guardar a boa-ordem, e su- 
bordinacao respectiva entre todos que a constituem; 
zelando com o maior disvello, a inteira observancia 
dos actuaes Estatutos, e evitando por huma vigilan- 
cia continua todos e quaesquer abuzos, e relaxacoes, 
que se queirao ensinuar e introduzir*=2.° Que o mes- 
mo Director proponha a esta Illustrissima Junta com 
exaccao, e imparcialidade tydo que julgar conve- 
niente para a mesma dicidir, quando o objecto cou- 
ber na sua jurisdicao, ou consultar a Sua Magesta- 
de, o que parecer, quando -exceda os limites da pos- 
sibilidade, que Sua Magestade lhe conferio; unindo* 
se em taes Consultas as propostas por escripto do 
mesmo Director, para em presenca de tudo Sua Ma- 
gestade deliberar o que melhor lhe parecer =3.° 
De term i nan do os Estatutos § 57 que sobre os obje- 
ctos das Consultas para reforma, e melhoramento, 
seja na parte que diz respeito ao systema Litterario, 
ou seja na da Disciplina, e Economia Academica, pre- 
cedao os pareceres dos Lentes, e Professores da Aca- 
demia Real : havendo mostrado a experiencia que de 
concursos -numerosos, nao costuma ser tao provei- 
toso o resultado; propoz tambem esta Illustrissima 
Junta a Sua Magestade, como mais conveniente, que 
o Director seja o Representante do Corpo dos Len- 



Digitized by 



Google 



244 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tesv e Professores, e que para este fim possa con- 
vocar para Congregacao, ou todos os referidos, ou 
parte d'elles, conforme as circumstancias dos cazos 
cfccorrentes, o qual ouvindo, e recolhendo os votos, 
os reprezente por escripto com o seu parecer a esta 
Illustrissima Junta, com a intencao de se darem as 
providencias necessarias, de maneira que a Repre- 
senta^ao do Director seja annexa as referidas Con- 
sultas, que houverem de subir a Presenqa de Sua 
Magestade=4.° Que o Director tenha a sua re- 
sidencia e habitaqao no mesmo local d'Academia, 
para melhor poder fiscalizar, e vigiar com assidua 
frequencia sobre o cumprimento das respectivas obri- 
ga<joes .dos Empregados, logo que no Edificio da 
mesma Academia tenha os commodos necessarios 
para nelle se estabelecer.=Espera, por tan to, esta 
Illustrissima Junta, que V. S. a haja de conformar-se 
com as referidas Instrucqoes, como couza do Agra- 
do, e Servi^o de Sua Magestade, assim como espe- 
ra das suas luzes a prosperidade, e augmento de tao 
pio e util Estabelecimento.=Deos Guarde a V. S.*, 
Porto em Junta de 19 de Fevereiro de i8i8=P. 
Gaspar Cardoso de Carvalho e Fonseca = Jose de 
Souza e Mello « Pedro Gomes da Silva= Joao Mon- 
teiro de Carvalho = Joao Baptista de Araujo Cabral 
Montez = Antonio Bernardo de Brito e Cunha= 
Christovao Guerner. =Hl. mo Snr. Doutor Joaquim 
Navarro de Andrade— Director Litterario daiAca- 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTd 245 

demia Real da Marinha, e Commercio d'esta Cida- 
de. =Registe-se no livro competente. Doutor Na- 
varro. 

(Archivo da Academia, L.° O, n.° i, fl. 12). 



Digitized by 



Google 



246 ANNUARIO DA ACADEMTA 



Deoreto que oontem <li»po«Iooe» reind*- 
mentores tendentes a flzar as ataribui- 
Q5ee da Junta e do Director Hdttera- 
rio. 



Attendendo a que a disposicao geral do Alvara 
com forca de^ Lei de 5 de Junho, e as posleriores 
declaracoes de 24 de Julho do corrente anno, a pe- 
zar de comprehendcrem implicitamente o que se ha- 
via innovado, desde 17 de Maio de 1822, podemter 
occasionado ' duvidas, nao s6 sobre a existencia de 
alguns Empregos d'Academia Real da Marinha e 
Commercio da Cidade do Porto, mas tambem sobre 
as mutuas relacoes entre a mesmia Academia, e a 
Junta da Administracao da Companhia Geral d'Agri- 
cultura das Vinhas do Alto Douro ; e Desejando oc- 
correr a taes duvidas, por meio de Determinacoes 
explicitas, e permanentes, que por huma vez as re- 
movao: Sou Servido Ordenar 6 seguinte: Primo: 
Em tudo quanto nao encontrar as funccoes do Di- 
rector Litterario da Academia Real da Marinha e 
Commercio da Cidade do Porto, determinadas pda 
Resolucao de 27 de Agosto de 1817, as quaes he 
Minha Vontade que subsistao sem quebra, ou dimi- 
nuicao alguma, a Junta da Administracao da Com- 
panhia Geral d'Agricultura das Vinhas do Alto Dou- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 247 

ro conservara o Titulo, e as func<joes de Inspector* 
da mesma Academia, como lhe foi concedido pelo 
Alvara de 9 de Fevereiro de i8o3, e pelos Estatu- 
tos mandados observar pelo Alvara dfe 29 de Julho 
do mesmo anno; e isto em attencao ao zelo com que 
a referida Junta Me supplicou a creacao de tao util 
Estabelecimento, e aos desvelos com que por tantos 
annos gratuitamente o inspeccionou, dirigio, e man- 
teve : f hegando para esse fim generosamente a adian- 
tar dos seus proprios fundos consideraveis sommas, 
de que ainda em parte nao tern podido ser satisfei- 
ta: Servicos estes, que recahindo em objecto de tao 
geral, e reconhecida utilidade, nao podem deixar de 
metecer a Minha Real Contemplaqao. Secund6 : To- 
das as informacoes, Propostas, Representacoes, e 
quaesquer outros .Officios do Director Litterario so- 
bre objectos Academicos, para Me serem presentes, 
Me serao dirigidos pelo mesmo expediente da Junta 
Inspectora, da mesma sorte que o sao os que ver- 
sao sobre objectos particulares da Companhia, na 
f6rma da mencionada Resolucao de 27 de Agosto de 
181 7. Terti6: Continuara a considerar-se extincto o 
Emprego de Vice-Inspector da referida Academia, 
que alem de inutil, como patenteou a experiencia de 
tantos annos, era sobre maneira gravoso ao Cofre 
d'Academia, cujos rendimentos nao tern podido alias 
supprir as despezas necessarias della sem o conside- 
ravel empenho, a que ainda em parte se acha sujei- 



Digitized by 



Google 



248 ANNUAJUO DA ACADEMIA 

to. Quartd : Da mesma sorte, e pelos mesmos moti- 
ves, se continuara tambem a considerar extincto o 
Lugar de Director da Aula do Desenho. O Marquez 
de Tcdmella, do Meu Conselho de Estado, Ministro 
e Secretario d'Estado dos Negocios Estrangeiros, ora 
Encarregado do Ministerio dos Negocios do Reino, 
o tenha assim entendido, e faca executar, mandan- 
do para esse effeito expedir os Despachos necessa- 
ries. Palacio da Bemposta em i3 d'Outubro de 1824. 

Com a Rubrica de SUA MAGESTADR 

El-Rei Nosso Senhor— Secretaria d'Estado dos 
Negocios do Reino em 18 d'Outubro de 1824— Gas- 
par Feliciano de Moraes. 

(Archivo da Acidemia, L.° O, n. 9 1, fl. 3i). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 249 



Alvard regio que determinon a, refoi*- 
ma da. Aoademla Real da ' Majrinha e 
Commoroio da Cidade do Porto. 



Eu El-Rei Faqo saber aos que este Alvara com 
forca de Lei virem: Que sendo-me presente em 
Consulta da 111.™ 4 Junta d'Administracao da Com- 
panhia Geral d'Agricultura das Vinhas do Alto Dou- 
ro, Inspectora da Academia Real da Marinha e Com- 
mercio da Qdade do Porto, que para manutencao 
da referida Academia, e para completar a construc- 
cao do seu Edificio nao sao bastantes os subsidios 
que pelo Alvara de 9 de Fevereiro de 180 3 forao 
estabelecidos para aquelle fim, que ate ao presente 
se nao tern podido obter se nao a custa dos gene- 
rosos sacrificios pecuniarios que a mesma Junta lhe 
tern feito de seus proprios fundos, e de que ainda 
se nao acha indemnizada : E nao soffrendo a Minha 
Paternal Sollicitude, e vigilancia por tudo quanto he 
em beneficio de Meus Fieis Vassallos, que por mais 
tempo continue o estado precario, e vacilante de 
hum Estabelecimento Litterario de immediata Crea- 
cao Minha, de que tao reconhecidas vantagens tern 
resultado a Navegacao, Commercio, e dvilizacao des- 
tes Reinos, e especialmente das Provincias do Norte: 
Determinando com este designio assegurar-lhe desde 



Digitized by 



Google 



250 ANNUARIO DA ACADEMIA 

logo uma existencia perpetua e independent^ por 
meio de hum* sufficiente dotaqao ; e dar ao mcsmo 
tempo as suas despezas huma reduccao e reforma, 
que sendo proporcionada as circumstancias, e ana- 
logs aos Estatutos, nao obste de maneira alguma ao 
progresso Litterario : Sou servido, conformando-Me 
com o Piano que debaixo destes principios Me foi 
proposto pela Junta Inspectoral e Tomando na de- 
vida Consideracao as ponderozas reflexoes do Dire- 
ctor Litterario da mesma Academia, Ordenar o se- 
guinte, alterando o que differeotemente £e acha dis- 
posto pelos Alvaras de 9 de Fevereiro, e 29 de Ju- 
lho de i8o3, ou por qualquer outra Determinacao, 
ou Resolucao Minha posterior. 

i.° A Imposicao de hum real em cada quarti- 
lho de vinho estabelecida s6 para seis mezes pelo 
§ 4. do AlvarA de 9 de Fevereiro de i8o3, fica am- 
pliado a todos os mezes do anno, devendo o seu 
producto ser applicado as despezas ordinarias da 
Academia, a continuacao do seu Edificio, e ao des- 
empenho da consideravel divida com que se acha 
onerada. 

2. O numero dos trez substitutes de Mathe- 
matica determinados no § i.° dos Estatutos, desde 
ja ficara reduzido a dous, conservando-se ao terca- 
ro dos actuaes o mesmo ordenado que actualmente 
percebe, em quanto lhe nao cabe entrar para hum dos 
dous logares ordinarios de substitute effectivo, e sen- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 251 

do elle entretanto obrigado como ate agora, ao mes- 
mo serviqo proprio dos substitutos. 

3.° E para que a suppressao deste Lugar de 
Substituto nao possa cauzar o mais leve prejuizo ao 
ensino publico; Hei por bem crear na mesma Aca- 
demia huma classe de Oppozitores as Cadeiras de 
Mathepiatica na forma seguinte — Nao poderao' ser 
propostos para os Lugares vagos de Lentes, assitn 
proprietaries, como substitutos das Cadeiras de Ma- 
thematica, senao aquelles Candidatos que sobre as 
mais qualic^des que devem possuir todos os Empre- 
gados publicos se acharem para isao habilitados com 
o grao pelo menor de Licenciado pela Universidade 
de Coimbra na dita Faculdade, como ja se acha de- 
terminado pelos Estatutos, ou os que havendo feito 
na Referida Academia da Marinha e Commercio hum 
curso completo desta Profissao, tiverem frequentado 
mais hum anno as Aulas do segundo e Terceiro anno 
Mathematico da mesma Academia, nas quaes serao 
considerados quanto as obrigacoes e exercicios res- 
pectivos, como os discipulos ordinarios dellas, fa- 
zepdo no fim do anno de repetiqao outro acto pu- 
blico, a que assistira o Director Litterario com toda 
a Academia, sem que se sigao votos de approvacao, 
ou reprovacao e hum exame privado das materias 
da mesma Faculdade, ao qual s6 poderao, e deverao 
assistir o Director Litterario, e os Lentes Mathe- 
maticos, dos quaes o mais antigo sera Presidente, e 



Digitized by 



Google 



252 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Arguentes os outros; votando-se neste exame, ese- 
guindo-se em taes actos em quanto for applicavd, 
inteiramente o mesmo que se acba Detenninado do 
Livro Terceiro, Parte segunda, Tituk) sexto, Capi- 
tulo Terceiro dos Estatutos da Universidade. 

4.° Os Estudantes que desta sorte ficarem habi- 
litados, sendo admittidos por pluralidade de votos 
pela respectiva Congregaqao prezidida pelo Director 
Litterario, passarao a classe de Oppozitores as Ca- 
aeiras de Mathematical entrando por essa qualidade 
em exercicio na dita Facuidade, sendo matriculados 
todos os annos nar sua classe ; regendo na falta dos 
Lentes Proprietaries, e dos Substitutes, as Cadeiras 
para que forem nomeados; argumentando por tunio 
com os Lentes nos Actos de Repetifao ; e podendo 
encorporar-se com os mesmos Lentes de Mathema- 
tica nas Solemnidades publicas da Academia. 

O servico gratuito dos oppozitores, em que po- 
dem mostrar a sua aptidao, capacidade, e talentos, 
se lhes levara muito em conta para merecerem, c 
adquirirem o direito de preferencia nas Propostas e 
Nomeacoes para as referidas Cadeiras. 

5.° Os ordenados dos Professores da Caddra 
de Primeiras Letras annexa a Academia, serao re- 
duzidos a quantia de duzentos e cincoenta mil res 
para o Proprietario, e cento e cincoenta mil reis pan 
o substitute, visto que os vencimentos que lhes fo- 
rgo arbitrados, sao demaziadamente excessiYos se se 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 253 

comparao com 03 que percebem ps Professores Re- 
gios de eguacs Cadeiras em todo o Reino; e offere- 
cem a desproporcao sem exemplo de serem iguaes 
para o Proprietario e Substitute Os Professores 
actuaes conservarao os ordenados que prezentemente 
percebem. 

6.° Tendo mostrado a experiencia que o servico . 
dos seis segundos Guardas d'Academia pode ser des- 
empenhado somente por quatro, ficarao para o fuc- 
turo supprimidos, para mais se nao proverem, os 
dous primeiros lugares de segundos Guardas que va- 
garem. . 

7/ Os Lentes Substitutes que na falta dos Pro- 
prietarios regerem alguma Cadeira, nao receberao 
por esse trabalho -gjem do seu proprio ordenado, 
mais que huma gratificacao de cincoenta mil reis 
quando servirem todo o anno, ou a correspondente 
proporcao desta quantia, quando servirem por mais 
de trez mezes sem comtudo completarem o anno, 
quando porem o servico da substituicao nao chegar 
a trez mezes nSo vencerao mais que o seu proprio 
ordenado. 

8.° Sendo certo que nao he o valor pecuniario 
dos Premios, mas sim a honra, e a distincqao de os 
haver merecido, o principal motivo que excita a emo- 
lucao entre os Estudantes: Ficarao para o future os 
Premios para os mais distinctos Alumnos da Acade- 
mia, reduzidos a doze, da quantia de quarenta mil reis 



Digitized by 



Google 



254 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

cada hum, dos quaes serao seis para os Estudantes 
de Mathematica, trez em cada hum dos annos em 
que sao venddos na forma dos Estatutos; dous para 
os de Commercio, dous para os de Agriculture, e 
dous para os de Desenho. E quando succeda naose 
distribuir algum dos referidos Premios por 'nao oc- 
correrem Alumnos de merecimento tao distincto que 
os merecao, a sua importancia sera empregada em 
Livros a beneficio da Bibliotheca d' Academia. 

9. Tendo cessado o justo fundamento de dimi- 
nuicao de trabalho que motivou o Aviso de 10 de 
Janeiro de 1779 que redjaziu o Ordenado do Escri- 
vao da Marinha da G'dade do Porto, desde que, 
reunindo-se-lhe o Lugar de Secretario da Academia, 
lhe recresceu com este emprego hum trabalho se nlo 
superior ao menos igual ao que antigamente tinha; 
de ora em diante o sobredito Escrivao da Marinha, 
Secretario da Academia, tera o mesmo ordenado que 
vencia ate a data do mencionado Aviso. % 

io.° Nenhum Empregado da Academia de qual- 
quer classe, ou Graduacao que seja, principiari a 
veneer o seu respectivo ordenado senao desde dia 
em que entrar em posse do Emprego: e desta regra 
geral s6 serao exceptuados aqueUes que ao tempo da 
sua Nomeacao se acharem ja incluidos na folha da 
mesma Academia, e empregados em seu servico por 
quanto a estes se abonarao os Ordenados desde a 
data da Merce da sua Nomeacao, ou Promocao. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 255 

Pelo que: Mando a Meza do Desembargo do 
Paco; Presidente do Meu Real Erario: Regedor da 
Gaza da Supplicacao; Conselhos da Minha Real Fa- 
zenda, e do Ultramar, Junta da Directoria Geral dos 
Estudos e Escolas do Reino; 111.™ Junta da Admi- 
nistracao da Companhia Geral da Agncultura das 
Vinhas do Alto Douro, Governador da Relacao e 
Gaza do Porto, ou quern seu lugar servir, e a todos 
os Tribunals, Desembargadores, Corregedores, Pro- 
vedores, Juizes, Justicas, e mais Pessoas a quern a 
conhecimento deste Alvara pertencer, que o cum- 
prao e guardem, e facao pimprir e guardar, como 
nelle se con tern, sem duvida, ou embargo algum; 
nao obstantes quaesquer Leis, Despozicoes, ou Or- 
dens em contrario, que todas Derogo para este ef- 
feito somen te, ficando aliaz em seu vigor. 

E valera como Garta passada pela Chancellaria, 
posto que por ella nao passe, e o seu effeito haja de 
durar por mais de hum anno, sem embargo das Or- 
denacoes do Livro segundo Titulo trinta e nove, e 
Titulo quarenta, que o contrario determinao. 

Dado no Palacio da Bemposta em 16 de Agosto 
de 1 §25. a=Rei.= Jose Joaquim d^Almeida Araujo 
Correa de Lacerda. 

Alvara com forca de Lei, pelo qual Vossa Mages- 
tade Ha por bem prover a subsistencia, economia, 
e regime da Academia Real da Marinha, e Commer- 
cio do Porto, ampliando os subsidios que lhe forao 



Digitized by 



Google 



2S6 ANNUARIO DA AGADEMIA 

cstabclccidos pelo Alvara da sua fundacao: Reda- 
zindo o numero dos seus Etnpregados, diminuindoos 
Ordenados e vencimentos de alguns delles; creandD 
nella huma Qasse de Oppozitores as Caddrasde 
Mathematical Restituindo ao EscrivSo da Marinha, 
Secretario da mesma Academia, o Ordenado que 
antecedentemente percebia; e dando outras provi- 
dencias, tudo na forma acitna declarada. — Para 
Vossa Magestade ver. — Joao de Souza Pinto de 
Magalhaes. — Gaspar Feliciano de Moraes— Joao 
Antonio Frederico Ferro. — Registe-se. Porto i ode 
Setembro de 1825. — Dr. Navarro, Director Litte- 
rario. 

(Archivo da Academia, L.* O, n.* 1, fl. 52). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO POfcTO 257 



I>eex*eto que content <ll£rposl<?5es regnla- 
mentares Aoerea. da promlsouldacle de 
ffc*e<iiienei& dos alumnos ncus reae« aoa- 
demlas de Marinha. 



Desejando Promover a Instruccao Publica, e fa- 
cflitar a meus fieis Vassallos todos os meios possiveis 
de obterem muito principalmente aquelles que Se de- 
dicao ao meu Real Servico nos Exercitos, e na Ar- 
mada ; e' considerando a analogia, ou antes identi- 
dade, tanto das disciplinas que se aprendem, como 
do methodo d'ensino que se acha adoptado nas Reaes 
Academias de Marinha estabelecidas nesta Capital e 
na Cidade do Porto, assim como no primeiro anno 
Mathematico do Real CoIIegio Militar, e nos Estu- 
dos das Aulas Regimentaes de alguns Corpos do 
meu Exercito : Conformando-Me com o parecer das 
pessoas do Meu Conselho que Fui Servjdo Mandar 
ouvir sobre este objecto : Hei por bem que aos 
Alumnos de qualquer das duas referidas Academias 
de Marinha, . que quizerem proseguir na Outra os 
seus Estudos, se levem em conta os annos, em que 
poj: documento authentico mostrarem ter sido ap- 
provados: Que o mesmo se pratique a respeito dos 
Militares que pelo mesmo modo mostrarem ter fre- 

• 17 



Digitized by 



Google 



258 ANNUARIO DA ACADEMIA 

quentado regularmente os Estudos Mathematicos nas 
Aulas dos seus respectivos Regimen tos ; com a con- 
dicao porem, quanto a estes, de serem obrigados, 
na Academia em que quizerem entrar, a fazer actoi 
publicos das disciplinas que pertenderem se Ihes le- 
vem em conta, e de serem nelles approvados : E final- 
men te que a faculdade concedida pelo Decreto do 
primeiro de Setembro do anno proximo passado aos 
Alumnos do Real Coltegio Militar, de poderem n»- 
tricular-se no segundo anno da Academia Real da 
Marinha desta Capital, huma vez que mostrem ter 
concluido com approvacao o Primeiro anno Ma- 
thematico no referido Real Collegio, se estendae 
amplie a Academia Real da Marinha, e Commercio 
da Qdade do Porto. Jose Joaquim d' Almeida e 
Araujo Correa de Lacerda, do meu Conselho, e do 
d'Estado, Ministro e Secretario d'Estado dos Nego* 
cios do Reino, o tenba assim entendido, e faca exe- 
cutar. Palacio de Mafra em 3 de Novembro de i8*5 
=Com a Rubrica de Sua Mages tade == Gaspar Fe- 
liciano de AJoraes=Esta conforme— Joao Antonio 
Frederico Ferro. 
. (Archivo da Academia, L.° O, n.° i, fL 59). 



Digitized by VjOQQ LC 



POLYTECHNICA DO PORTO 259 



Carta re£?ia que reformou o Reffalamea- 
to da Aoademia, asslm na parte litte- 
raria como na parte eoonomioa. 



Provedor, Vice- Provedor e Deputados da Ill. ma 
Junta da Administracao da Companhia Geral da 
Agricultura das Vinhas do Alto Douro : Eu El-Rei 
vos Envio muito Saudar. Tomando em considera- 
cao as Providencias que da parte dessa III. 11 * Junta 
Inspectora Me forao propostas, para se melhorar o 
regulamento, assim litterario como economico da 
Real Academia da Marinha e Commercio da Cidade 
do Porto; e Desejando muito promover o adianta- 
mento da dita Academia, como hum dos Estabele- 
cimentos de Estudos, de que a estes Reinos p6de 
resultar maior utilidade e credito; Hei por bem or- 
denar o seguinte: 

i .° Que daqui em diante nas Propostas ou Con- 
sultas para provimento dos Lugares da Academia se 
attenda e se especifique, alem do prestimo e suffi- 
ciencia litteraria, o meredmento ReUgioso e civil dos 
propostos ou Consultados : 

2. Que a matricula do mez de Setembro se pro- 
rogue ate quinze de Outubro, e nao mais ; e s6 para 
aquelles Estudantes, que allegarem e mostrafem por 



Digitized by 



Google 



ANNUAR10 DA ACADEM1A 

documentos authenticos a sua impossibilidade, desc 
matricularem no tempo marcado no Estatuto. 

3.° Que haja em cada anno hum Discurso de 
abertura da Academia, feito pelo Director Iattera- 
rio, ou por quem seu lugar servir, e em que convidc 
e incite a mocidade ao amor dos estudos, e a dili- 
gencia discreta por conseguir neiles adiantamento. 

4. Que a Oracao do dia de annos do Sobera- 
no caiba, por seu turno, e por ordem da sua anti- 
guidade, a todos os Professores Proprietaries de Ma- 
thematical Commercio, e Filosofia Racional e Moral. 

5.° Que vagando a Cadeira de Filosofia Ra- 
cional e Moral, ou a substituicao della se ponha a 
concurso, fazendo os concorrentes exame, presidido 
pelo Director Litterario, na forma por que o fazem 
os concorrentes a outras taes Cadeiras da inspec^ao 
da Junta da Directoria Geral dos Estudos ; e cujos 
Auctos subirao a Minha Real Presenca com as qua- 
lificacoes dos Examinadores e juizo do Presidents 
dando-se porem, na igualdade das mais circumstan- 
cias, preferencia aos que forem Licenciados e ao me- 
nos Bachareis Formados na Faculdade de filosofia 
pela Universidade de Coimbra. 

6.° Que para Lentes da Faculdade de Mathc- 
matica, sem embargo da disposicao do paragrafo 
quinquagessimo sexto do Estatuto, possao tambeu) 
ser consultados os Bachareis Formados em Mathe- 
matica por aquella Universidade. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 261 

7. Que os Estudantes que se pertenderem ma- 
tricular na Aula de Filosofia Racional e Moral, nao 
sejao admittidos a matricula, sem ntostrarem Certi- 
dao de Exame com approvacao da Lingua Latina ; ' 
e bem assim Certidao de frequencia e de exame, 
com approvacao de Arithmetica, e Geometriaelemen- 
tar. 

8.° Que nas Aulas em que se costumao distri- 
buir premios, sejao os Alumnos obrigados a compdr 
descertacoes mensaes sobre objectos, propostos pe- 
los Professores respectivos ; pena de nao serem con- 
templados na distribuiqao dos premios, constando 
que nao cumprirao com esta obrigacao. 

9. Que nao se admittao nas Aulas Estudantes, 
que nellas forao ja approvados ; salvo se mostrarem 
para isso especial Despacho do Director Litterario, 
que o nao dara sem estar plenamente informado das 
suas boas ten£oes, do seu grave comportamento, da 
sua propencao e amor dos Estudos. 

io.° Que se nao admittao em qualquer das Au- 
las, Estudantes voluntarios. 

1 1 .° Que o Director Litterario, no fim de cada 
anno Iectivo, de a III. 10 * Junta Inspectora conta bem 
miuda e ponctual do estado da Academia no anno 
decorrido, quanto a Mestres, quanto a Discipulos, 
quanto a regularidade da Disciplina em todas as $uas 
partes ; indicando ao mesmo tempo os inconvenieq- 
tes e defeitos, que river advertido e suggerindo os 



Digitized by 



Google 



262 ANNUA RIO DA ACADEMIA 

remedios: e que a Junta Inspectora, faca subira 
Minha Real Presenca esta mesma conta, ajuntando 
o que nestes ftrtigos igualmente lhe dictar o seu 
zelo. 

1 2.° Que estando impedido por auzencia, ou 
por molestia o Director Litterario, este proponha a 
Junta Inspectora, para fazer as suas vezes, o Pro- 
prietario mais antigo na Academia entre os Lentes 
de Mathematica, de Commercio, e de Filosofia Ra- 
cional e Moral, e no caso de este se achar tambem 
impedido, o seu im media to em antiguidade. 

1 3.° Que quando algum Professor ou Substitu- 
te, na falta dos proprios, fdr servir em Cadeira dc 
outra Faculdade, ou Reparticao, se lhe assigne ven- 
cimento, que nunca sera maior que o que compete 
ao Substituto da Cadeir a em que assim servir, e que 
lhe sera pago, prorata , do tempo que servir. 

14. Que se nao de gratifica<;ao alguma, ou aju- 
da de custo, a nao ser mandada'por Lei, por qual- 
quer serviqo directo ou indirecto feito a Academia, 
sem primeiro se Me consultar muito circumstanciada 
e exactamente, para Eu Rezolver o que mais justo; 
atalhando-se deste modo arbitrarios desperdiqos, ef- 
feitos de cobiqosas solicitacoes e de condescenden- 
cias nascidas do pouco ou nenhum zelo do Bern Pu- 
blico. O que me pareceu participar-vos para assim 
tenhaes entendido, o executeis e facaes executar na 
dita conformidade. Escripta no Palacio de Queluz 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 263 

em vinte e tres de Setembro de milpitocentos e vin- 
tc c nove=Rei=Para o Provedor, Vice-Provedor e 
Deputados da 111."* Junta da Administra^ao da Com- 
panhia Geral da Agriculture das Vinhas do Alto 
Douro — Registada a fl. i5 v.°=Esta conforme = 
Joao Antonio Frederico Ferro. 

(Archivo da Academia, L.« O, n.« i, fl. 97). 



Digitized by 



Google 



264 ANNUAJUO DA ACAD EM I A 



JEtesoluc&o Begia qae oxolue de prenki 
00 eetudajDLteei repetentes. 



Nao entrem, d'aqui por diante, em concurso de 
Premios os Estudantes repetentes com os que o nio 
sao ; por quanto ha desigualdade de circumstances, 
que nao deve haver, para que os premios sejao ap- 
plicados com justica, e sirvao de estimulo efficiz. 
Palacio de Queluz ejn 24 de setembro de i83o= 
Com a rubrica de Sua Magestade.— Esta confortpt 
Joao Antonio Frederico Ferro. — Gumpra-se, e it- 
giste-se. Porto 9 cTOujubro de i83o — Joa<* Carte 
de Miranda, Servindo de Director Litterario d'Aca- 
demia. 

(L.° O, n.« 1, fl. 107). 



Digitized by 



Google 






POLYTECHNICA DO PORTO 265 



Ccurta x»e|pla ordenando que nenhum en* 
tudante seja admittftdo a. 53.' matricnla 
sem ju»tifioar plenamente a falta de 
hat>llitaQ&6 no anno da !•* matricnla. 



Provedor, Vice-Provedor e Deputados da 111.™* 
Junt^ da Administracao da CompanKia Geral do 
Alto Douro: Eu El-Rei vos envio muito saudar. Sen- 
do-me presentes os arbitrios propostos na Consulta 
de vinte e dous de Janeiro ultimo, afim de remediar 
a falta de aproveitamento e de amor dos Estudos, 
<\ue em grande parte dos Alumnos da Real Acade- 
mia da Marinha e Commercio dessa Cidade, justa- 
mente se inferio da Conta dada em Outubro de mil 
oitocentos e trinta, e deixado o arbitrio de Mandar 
que os Estudantes de Filosofia Racional e Moral da 
Academia nao sejao em Coimbra admittidos a exa- 
me, sem apresentarem Certidao donde conste que 
dantes forao examinados na mesma Academia, as- 
sim pelo inconveniente com boa rasao na Consulta 
advertido, como por que o seu effeito de mais a 
mais seria muito restricto: Sou Servido Ordenar que 
nenhum dos Estudantes dessa Academia seja admit- 
trdo a segunda Matricula, no caso que nao certiftque 
legal, clara e plenamente que por motivo assas jus- 



Digitized by LjOO^LC ___ 



266 ANNUARIO DA ACAD EM I A 

lificado deixou de se habilitar, e examinar no anno 
da primeira : E por que os Estatutos da Academa 
em absoluto permittem, no paragrafo dedmo * 
tavo, que os que nao fizerem o exame, a que todos 
sao obrigados, fiquem reconduzidos, por uma ra 
s6mente, no mesmo anno; Hei por bem revoga-ks 
quanto a esta permissao, de que em prejuizo proprio 
abuzao a inadvertencia e desleixo dos mancebos, que 
com tamanha falta de nobres estimulos se mostrao 
assim indifferentes ao seu honrado credito e adian- 
tamento : O que Me pareceu participar-vos para que 
assim o tenhaes entendido e o fa<;aes executar. Es- 
cripta no Palacio de Queluz em vinte e cinco de 
Abril de mil oitocentos trinta e hum = Rei= Para o 
Provedor, Vice-Provedor e Deputados da IU."* Jun- 
ta da Administracao da Companhia Gcral d'Agri- 
cultura das Vinhas do Alto Douro.=Esta confomoc 
JoSo Antonio Frederico Ferro. — Registe-se, Porto 
7 de Maio de i83i. Doutor Navarro, Director Lit- 
terario. 

(L.»0, n.* i, fl. no). 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 267 



Deoreto que manda expliear a ».• parte 
do Codfttfo Commeroial portiignesE na 
oadelra do 3.° anno mathematioo. 



Tendo-Me sido presentes os graves inconvenient 
tes, que a Navegaqao e Commercio resultam da igno- 
rancia, em que se acham de seus direitos, e obriga- 
qoes, os Capitaes, Mestres, e mais Officiaes dos Navios 
Mercantes Portuguezes, tanto de viagens de longo 
curso, como de viagens costeiras, e de Cabotagem ; 
e estando taes inconvenientes acautellados nos res- 
pectivos artigos da Segunda Parte do' Codigo Com- 
mercial Portuguez, ja mandado observar como Lei ; 
Hei por bem.Cirdenar, que na Cadeira do terceiro 
anno Mathematico das Academias de Marinha de 
Lisboa, e do Porto, conjunctamente com as outras 
Materias, que naquelle anno se ensinam, e que com- 
pletam o Curso ptopriamente dito de Navegaqao, se 
faca a leitura, e explicacao da citada parte do Co- 
digo Commercial; sendo os Discipulos nos actos 
de suas habilitacoes obrigados a mostrar-se igual- 
mente correntes em umas e outras materias. O Mar- 
quez de Louie, Par do Reino, Ministro e Secretario 
d'Estado dos Negocios da Marinha e Ultramar, as- 



Digitized by 



Google 



268 ANNUARIO DA ACADEMIA 

sim o tenha entendido e facja executar. Paco dasNe- 
cessidades, em quinze de Julho de mil oitocentos e 
trinta e cinco — RAINHA. — Marquez de Louie. 
(Collecfao de Leis, anno i835, pag. 19b). 



Digitized by 



Google 



P0LYTECHN1CA DO PORTO 269 



Deex*eto que iregfulou provtooriamente o 
regimen litterario e eoonomieo da Aca- 
demia da Marinha e Commercio da CI* 
dade do Porto 



Sendo necessario dar desde ja algumas providen- 
cias para regular o regimen litterario e economico da 
Academia de Marinha e Commercio da Cidade do 
Porto,' e bem assim as despezas, o numero e vend- 
mentos dos Lentes, Professores e mais Empregados 
da mesma Academia, conciliando a economia da Fa- 
zenda Nacional com a utilidade do Ensino Publico: 
Hei por bem, cm quanto se nao effectuar a reforma 
geral dos Estudos, Decretar provisoriamente o se- 
guinte: 

Artigo i .° Servira de Director da Academia um 
dos Lentes della, nomeado pelo Governo, com a 
gratifica^ao de duzentos mil reis annuaes, alem do 
ordenado de sua respectiva Cadeira. 

§ unico. Na falta, ou impedimenta do Director, 
fara suas vezes o Lente mais antigo da Academia. 

Art. 2. Os negocios graves da Academia, e to- 
dos os que, pelas Lcis da sua organisacao, estavam 
na parte deliberativa a cargo das Authoridades ins- 
pectors, serao discutidos em Conselho dos Lentes, 
e decididos a pluralidade de votos, cujo resultado 



Digitized by 



Google 



270 ANNUARIO DA AGADEMIA 

sera proposto ao Governo quando carecer de appro- 
va<;ao superior, executando-se desde logo pelo Di- 
rector as medidas que forem da' compecenda da 
Academia. 

§ unico. O Conselho de Lentes fiscalisara as coo- 
tas da despeza da Academia, que lhe deverao pan 
isso ser apresentadas no fim de cada anno pelo res- 
pect] vo Secretario. 

Art. 3.° As despezas, e vencimentos dos Lentes, 
Professores, e mais Empregados da Academia sab 
d'ora em diante regulados pela Tabella, que baixa 
com este Decreto, assignada pelo Secretario d'Es- 
tado dos Negocios do Reino. 

Art. 4. Ficam supprimidos na Academia todos 
os Empregos que nao forem designados na Tabefla, 
de que falla o Artigo precedents 

Art. 5.° Sao revogadas todas as disposiqoes em 
contrario. O Secretario *d'Estadp dos Negocios do 
Reino, assim o tenha entendido, e faca executar. Pa- 
lacio das Necessidades, em dezenove de Outubro de 
mil oitocentos trinta e seis. — RAINHA. — Manoel 
da Silva Passos. 



Digitized by 



Google 



P0LYTECHN1GA DO PORTO «27l 

Tabella das despe\as, e vencimentos dos Lentes, Pro- 
fessores, e mats Empregados da oAcademia do 

Comrnercio, e Marinha da Cidade do Porto, a 
que se refere o ^ecreto desta data. 

3 Lentes de Mathematica a 5oo0 reis 

cada lim. ...... i:5oo#ooo 

2 Substitutos a 35o0 700^000 

i Lente de Con)mercio a Soofl. 5oo#ooo 

i* Substituto dito a 35o0 35o#ooo 

i Lente da Cadeira de Agriculture, a 
qual se ha de annexar a Cadeira 
de Botanica, e a Direccao do Jar- 
dim Botanico a 5oo#. Sootfooo 

i Substituto a 25o# .. ... . 25ofjk>oo 

i Lente de Filosofia Racional e Moral 

a 5oo# , 5oo#ooo 

i Substituto a 35q# .* 35o£ooo 

i Lente de Desenho a 5oo# 5oo#ooo 

i Substitute a 35o0 35o0ooo 

i Professor de Lingoa Inglezaa4oo#. 400^000 

1 Substituto a 25o# 25o#ooo 

1 Professor de Lingoa Franceza a 400$ 400^000 

1 Substituto a 25o0 25o£ooo 

1 Professor de Primeiras Letras a 25o0 25o#ooq 

1 Substituto a i5oj 1 5o£ooo 

1 Mestre de Manobra Naval a 3oo#. . 3ooflooo 

7:5oo#ooo 



Digitized by 



Google 



272 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

Transporte JiSoofow 
i Secretario da Academia a 25o0. . . . 25ojooo 
i Bibliothecario, que servira bos impe- 
dimentos do Secretario da Acade- 
mia, a 2bo& 25o#ooo 

i Guarda M6r,e Fiel da Academia a 

240$ . 2406000 

6 Guardas subalternos a 146^ t&s cada 

um , 876J000 

2 Serventes a j3ft reis cada um 146^000 

Gratificacao ao Lente que servir de 

Director, 200$ , 2006000 

Gratificaqao para os Lentes Substi- 
tutes quando regerem as Cadeiras, 

1000 ioojooo 

Expediente ordinario da Academia, 

400$. ........ ..> 400J000 

Premios dos Estudant&, 4806*. . • • 4806000 
Aluguer de casas emquanto a Aca- 
demia se nao estabelece no Edifi- 

cio que lhe pertence, 2006 • 2006000 

Rs 10:6426000 

Palacio das Necessidades, em 19 de Outubro'dc 
1836. 

Manoel da Silva Tassos. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 273 

Importa a Tabella anterior 10:642^000 

Era a despeza antiga. 13:209^200 

. Economia . 2:567^200 
(Collecfao de Leis, anno i836, pag. 56). 



18 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 




DE 




Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



PROJECTO DE REFORMA 

DO 

CURSO SUPERIOR DE COMMERCIO 

DA 

AcADEMIA POLYTECHNICA DO PoRTO 

AHglOVADO EM SBSSAO DO CONSBLHO ACADEMIGO 

DK 3 1 DE JULHO DE 1877, E ENVIADO DE OFFICIO AO MINBTERIO 

DO REINO, PELA DmECCAO GERAL DE INSTRUCCAO PUBUCA, 

EM DATA DE 30. DE DEZEMBRO DE 1877 



Brovo noticia acorca d'algumas otoolas do commercio ostran- 
goiras, e do cnrso do commercio am Lisboa 



O conhecimento de institutos de instruccao com- 
mercial de varias nacoes tornara evidentes as lacu- 
nas do curso superior professado na Academia Po 
lytechnica do Porto, e permittira julgar da necessi- 
dade de o- refbrmar. Por isso elaboramos esta noti- 
cia. Comecamos o nosso trabalho por algumas esc61as 
francezas. 



Digitized by 



Google 



278 ANNUARIO DA ACADEMIA 



I 



Escdla superior de commercio de Paris. Foram 
seus fundadores Casimiro Perier, Jacques Laffitte, 
Chaptal e outros. Desde 1869 e administrada pete 
camara de commercio de Paris. Tern por fim for- 
mar negociantes, banqueiros, administradores, dire- 
ctores, empregados de estabelecimentos industriaes 
e commerciaes ; convem principalmente aquelles que 
desejam seguir o commercio, ou entrar nos lugares 
de administracao ou financas, e nos consulados. 
ensino comprehende: escripta, arithmetica theorica e 
pratica, contabilidade, francez, inglez, allemao, hes- 
panhol, italiano, geographia, historia, litteraturacom- 
parada, correspondence commercial, algebra, dese- 
nho linear applicado as machinas e a architecture, 
desenho de ornato, physica applicada, mecaoica, chi- 
mica industrial, technologia, estudo das materias pri- 
ma6, do commercio e da industria, historia do com- 
mercio, geographia commercial, economia politica, 
direito commercial e maritimo, legislacao industrial. 

Tern o nome de escriptorios as tres divisoes da 
esc61a. O curso e triennal, e conforme o seguinte 
quadro: 

1 . a anno — Primeiro escriptorio. Aperf eicoamento 
da letra; estudo da historia, da geographia, e da ari- 
thmetica ; primeiras nocoes de contabilidade; elemcn- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA 00 PORTO 279 

tos de chimica e physica; desenho; noqoes geraes e 
mais necessarias de direito ; principios de allemao, 
francez e inglez. (Os francezes profundam o estudo 
da sua lingua; os alumnos d'outras na^oes, em geral, 
aprendem francez). 

2.° anno — Segundo escriptorio. Contiauacao de 
alguns estudos do i.° anno; exemplos de correspon- 
dencia mercantil; litteratura franceza; applicaqao da 
arithmetica e da algebra fc todas as operaqoes de 
commercio e de banco; theoria e pratica da conta- 
bilidade em todas as suas partes; geographia com- 
mercial e historia do commercio; estudo do codigo 
de commercio; linguas estrangeiras; chimica; phy- 
sica; estudo das materias primas; desenho linear e 
de ornato. 

3.° anno — Terceiro escriptorio. Comprehende es- 
pecialmente a chimica analytica applicada ao estudo 
das mercadorias e a investigacao das falsificacoes ; 
applicaqoes numerosas da contabilidade do commer- 
cio, ao banco e a Indus tria; cambios e arbi trios; ele- 
mentos de mecanica applicada ao commercio, a in- 
dustria, ao material dos portos, dos caminhos de 
ferro, e das docas; technologia das principaes indus- 
trias; direito commercial e maritimo; ecoqomia po- 
litica; historia litteraria; linguas estrangeiras. 

O i .° anno p6de dizer-se preparatorio ; e ate per- 
mittido que, sem o terem frequentado, se matricu- 
lem immediatamente no 2, os mancebos que, sendo 



Digitized by 



Google 



280 ANNUARIO DA ACADEMIA 

pelo menos de 16 annos, estejam conveoientemente 
preparados. 

Esta Esc6la procura dotar os alumnos com theo- 
ria sufficiente, e sobretudo exercital-os b$m no tracto 
dos negocios ; como o estudo pratico merece muito 
a nossa attencao, detenhamo-nos urn pouco em exa- 
minar o que ministra a Esc61a de Paris. 

Ha urn museu d'amostras para o estudo das ma- 
terias primas do commercio e da industria. Os alum- 
nos exercem-se em observacoes microscopicas pro- 
prias a conhecer se estao falsificados varios produ- 
ctos. No laboratorio de chimica procedem a trabalhos 
de analyse. A^s quintas-feiras, desde a ! /s bora ate 
as 5 horas da tarde, os estudantes do 3.° anno visi- 
tam os mais notaveis estabelecimentos commerciaes, 
e fabris, tanto de Paris, como de Gentilly, Creteil, 
Saint-Denis, Puteaux, Noisiel, Bas-Meudon, Clichy, 
Corbeil, Meaux, Creil, Saint-Ouen, Viroflay e Ghorsy- 
le-Roi. Durante uma semana, visitam os importantes 
estabelecimentos do norte, em Lille, Roubaix, Tour- 
coing, Sain t-Quin tin, Chaunye Saint-Gob ain. O pro- 
fessor de technologia acompanha os alumnos, os quaes 
tomam notas e fazem esbocos afimde elaborarem 
relatorios, que coristituem uma prova no exame de 
technologia. Saltam aos olhos as vantagens d'esta 
instruccao pratica: o estudante habit ua-se a obser- 
var, a inquirir, a meditar, e a escrever. Ficam-lhe 
melhor gravados na memoria os grandes factos da 



Digitized by 



Google 



POLYTECHKICA DO PORTO 281 

industria e do commercio. Familiarisa-se com o es- 
criptorio e com a officina. Ve uma parte importante 
dos monumentos do trabalho existentes na Franqa. 
Comprehendera melhor o que houver lido ou escu- 
tado a respeito d'elles. Ao deixar a esc61a podera sem 
receio alistar-se nos exercitos da industria ojj do com- 
mercio, e tomar parte na vida publica. 

E' tambem no 3.° anno que os alumnos applicam 
do modo mais concreto que e possivel em estabeleti- 
mentos d'esta ordem, todas as nocoes atebi adquiridas. 
Simulam operacoes commerciaes, industriaes e finan- 
ceiras tractadas nas seguintes pracas: Paris, Londres, 
Hamburgo, Genova, e Buenos- Ayres. Formam tantos 
grupos quantos sao as pracas; cada grupo muda de 
praca; percorre-as todas durante o anno escolar; fica, 
pois, conhecendo sufficientemente o commercio d'ei- 
las. Tambem os alumnos estabelecem agencias ma- 
ritimas e commerciaes, e uma casa de commissao e 
consignacao. Assim, cada urn d'elles abre e fecha li- 
vros de variados negocios, compra e vende merca- 
dorias, faz seguros, tracta do armamento de navios, 
e, finalmente, examina variadissimas questoes d'al- 
cance prauco, Recebendo a Esc61a jornaes de mui- 
tas pracas, os quaes- publica m o$ precos correntes, 
os estudantes habituam-se nos negocios simulados a 
empregar este importante elcmento real. 

O proprio ensino das linguas toma a feicao que 
deve ter n'um curso de commercio; ja no i.° anno 



Digitized by 



Google _ 



882 ANNUARIO DA A CA DEM I A 

sao dictadas cartas sobre assumptos commerciaes em 
inglez; no 2.° anno estudam-se n'esta mesma lingua 
os termos de commercio, e escrcvem-se facturas e 
outros documentos. Na classe de allemao tracta-se 
das moedas, pezos e medidas, direitos da alfandcga, 
e formalidades administrativas, concernentesao com- 
mercio e a industria na Allemanha. No 3.° anno 
faz-se uso exclusivo da lingua que se aprende: na de 
allemao estudam a historia e a geographia commer- 
cial da Allemanha, os tratados de commercio, a im- 
portacao e a exportacao; finalmente fazem rddtorios 
sobre operacoes commerciaes, financeiras e mariti- 
mas. Sao quasi iguaes os trabalhos da aula de ita- 
liano e de hespanhol. 

As licoes duram uma hora, ou hora e meia. Ha 
examinadores especiaes que diariamente intcrrogam 
certo numero de discipulos acerca dos principaes ra- 
mos do ensino. Ha exames trimensaes. No fim do 
anno urn jury formado de membros do conselho de 
aperfeicoamento confere aos dois melhores discipulos 
do 3.° anno uma medalha d'oiro e outra de prata 
(i.°e 2. premio d'honra); e aos mais dignos alumoos 
dos outros annos sSo conferidas medalhas de' prata 
e de bronze dadas a esc61a pdo governo e pela Ca- 
mara de Commercio. Os alumnos que terminam 
curso e ficam approvados, recebem urn diploma de 
capacidade assignado pelo ministro de agricultura e 
de commercio. Os que nao po'dem alcancar este ti- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 



288 



tolo recebem urn certificado 4e estudos assignado 
pclo presidente da Camara de Commercio* 

O seguintequadro, composto segundo o program- 
ma do corrente anno lectivo, indica as cadeiras e o nu- 
mero. 



CADEIRAS 

Arithmetic* 

Contabilidade • 

Geographia . . . . . . . . 

Legislacao usual • 

Historia . . ^ 

Physica 

Chimica 

Historia natural • . • . . , 
Francez 

**&**„ 

Allemao 

Desenho linear e de ornato. . . 

Escripta , 

Arithmetlca e algebra. .... 

Correspondencia commercial . , 

Geographia commercial .... 

Historia commercial . . . . , 

Materias primas e artigos de com- 
mercio . , 

Hespanhol ou italiano. .... 

Calculo de banco e operacoes finan- 
ceiras 

Commercio 

Economia politica . • . . . . 

Legislacao fiscal e aduaneira . 

Chimica organica applicada . . 

Mecanica industrial .... 

Technologia 

Direito commercial e legislacao in- 
dustrial 



LKJOES 




Digitized by 



Google 



284 ANNUARI0 DA ACADEMiA 

A esc61a e urn internado. Recebt porem alumnos 
semi-internos desde outubro de 1873. Os interna 
pagam 2:000 fr. pelos mezes de outubro a julho, 
alem da despeza com livros, papel, etc. Os semi- 
internos almocam na esc6la, seguem os cursos desde 
as 8 */« da manha ate as 5 da tarde; pagam 1:000 
fr. por anno escolar, i5 fr. de taxa de admissao, 5 
fr. para a bibliotheca, e 5 para o servico da Esc6la. 

Escdla do Havre. Nos ultimos annos a Franca 
tern feito efficazes esforcos para melhorar e diffun- 
dir o ensino commercial. Em 1871 foram estabeled- 
das as esc6las superiores do Havre e de Rouen; em 
1872 as de Marselha e Lyon. Todas nasceram da 
iniciativa particular. 

A do Havre pertence a uma sociedade civil ano- 
nyma, cujo capital e de 220:000 fr. ou 39:600^000 
reis. O curso e biennal; ha, porem, alii um curso 
preparatories frequentado pelos mancebos que se nao 
julgam habilitados para o exame de admissao; (Teste 
exame sao dispensados os bachareis em letras e em 
sciencias. O exame do 1 .° anno e feito perante uma 
commissao composta do director, de professores da 
esc6la e de membros do conselho administrativo. 
No fim do 2.° anno o exame versa sobre todas as 
materias do curso. Os' alumnos sao frequentemente 
interrogados em cada classe, e fazem exercicios por 
escripto no fim de cada trimestre. As horas de aula 
por semanasao as seguintes: 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 



285 



CURSO PREPARATORIO 

Hespanhol, allemao ou 

italiano 3 

Arithmetica e algebra • 7 

Inglez 4 

Physica. ^ 2 

Geographia .... 2 

Historia 1 

Escripta 3 

Francez . . . . - ,3 

Geometria 2 , 

Litteratura 1 

~28 



CURSO SUPERIOR 

Escriptorio commercial 12 
Geographia . . . .4 
Mercadorias e materias 

primas .... 3 
Legislacao commercial 

e economia polittca. 2 
Armamento de navios. — 
Calligraphia ... 2 
Inglez ..... 4 
Allemao, hespanhol, ou 

italiano .... 3 



ANNO 



3o 3o 



12 

3 



Alem d'estas horas de aula, ha 16 para estudos 
cada secnana. O anno escolar 6 de dez mezes (outu- 
bro^julho). A esc61a € urn externado, O pre<;o no 
curso preparatorio e de 40 fr. por mez. No curso 
superior, 600 fr. por anno. A entrada e as 8 h. e a 
sahida as 6. 

O escriptorio commercial, da mesma sorte que 
em Paris, e uma das partes mais notaveis da Esc61a. 
No i.° anno, conforme diz o prospecto, ensinam-se. 
as nocoes elementares de commercio e de contabili- 
dade, desde o calculo pratico, a factura, a conta de 
venda, effeitos de commercio, desconto, contas cor- 
rentes e de juros, etc., etc., ate a escripturacao de 
todos os livros do negocio. No 2. anno os discipu- 
los fazem balancos e inventarios. Familiarisam-se 
com as operacoes de cambios e arbitrios, pre<jo do 



Digitized by 



Google 



286 ANNUAMO DA ACADBMIA 

custo, usos do commercio nos principaes paizes do 
mundo, etc. Adquiridas estas nocoes, simulam esta- 
belecimentos na Franca e no estrangeiro, redigem e 
remettem cartas de negocio ; tractam e concluem ope- 
racoes commerciaes e financeiras nos pezos, nas me- 
didas e moedas dos differentes povos. O e&tudo das 
mercadorias e feito nas docas, e nos armazens ge- 
raes. E' quasi escusado dizer que o ensino das lin- 
guas e de modo que os alumnos as fallam e n'ellas 
escrevem. 

Segundo o relatorio do conselho de administra- 
cao, lido na assemblea geral de 14 d'outubro de 
1875, todos os alumnos que n'esse anno obuveram 
diploma de curso completo acharam immediata col- 
locacao em casas importantes. As contas de 1875- 
1876 mostraram um deficit igual a 4:772 fr. 64 ; mas 
3:4o5 fr. 60 foram empregados em acabar d'amorti- 
sar os gastos de installacao; deficit de 1874- 1875 
havia excedido aquelle em 2:490 fr. 3 1 . Parece, pois, 
que esta esc61a, apesar de recente, ja p6de susten- 
tar*se a si propria. 

Escdla de Rouen. A respectiva sociedade tern 
capital de 25o:ooo fr. O curso e de 2 annos ; ha 
tafribem um curso preparatorio que dura um anno 
escolar. O ensino e retribuido, e similhante ao do 
Havre, havendo porem uma aula em que princi- 
palmente se estudam as relacoes do commercio com 
os caminhos de ferro; por ex.: os differentes syste- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



287 



mas de classes e categorias de mercadprias adopta- 
das pelas diversas emprezas, vantagens d'empregar 
uma ou outra tarifa, etc. O tempo de presen^a e de 
9 boras. Entrada as 7 */, da rtianha no verao, e as 
8 no inverno. Cada aula dura 1 hora ou 1 */ t ; s6 
por excepcao dura 2. O anno escolar e de 10 me- 
zes. A esc61a de Rouen e tambem industrial. 

Escdla de SMarselha. A distribuicao do tempo e 
o quadro do ensino constam das seguintes linhas : 



!.• anno (PREPARATORIO) 



ANNO 



Calligraphia .... 

Francez 

Arithmetica geral. . . 
Sciencias mathematicas 

e naturaes applicadas 

ao commercio *. . . 
Chimica e Physica . . 
Cosmographia e geogra- 

phia geral. . . . . 
Pnmeiras no96es d'escri- 

ptura^ao 

Inglez 



1 
5 

3o 



Francez 3 

Direito commercial . o 
Mercadorias. ... 3 
Geographia commer- 
cial 3 

Legisfacio e economxa 

politica 3 

Armamentos mariti- 

mos . . . . . 

Conferencias . . . 

Escripta 3 

Inglez. ...... 5 



29 32 



Ha tambem cadeiras d'arabe, grego moderno, 
allemao, hespanhol e italiano; mas e facultativo o 
seu estudo. 

\ Elementos d'algebra e de geometria ; nocoeS de agri- 
mensura, medidas de volumes, primeiras nocoes de mecanica, 
de zoologia, botanica e geologia. 



Digitized by 



Google 



288 ANNUARI0 DA ACADEMIA 

Os alumnos do 3.° anno dividem-se em grupos no 
cscriptorio commercial Cada grupo Simula uma casa 
de commercio ou de banco, ja em sociedade colle- 
ctiva, ja anonyma. Segundo a praca em que por hy- 
pothese se estabelecem, assim fazem uso de tunas 
ou outras medidas, d'uma ou outra lingua, etc. Cada 
grupo tern de passar annualmente por tres casas, 
adquirindo assim instruccao muito variada. 

Na aula de mercadorias ha uma colleccao d'amos- 
tras e um laboratorio para analyses chimicas. Os 
alumnos visitam fabricas e armazens acompanhados 
do respectivo professor. J3s que frequentam a aula 
d'armamentos maritimos vao a bordo dos navios de 
vela e a vapor, que melhor representem os progres- 
so da construc^ao nfeval. Estas visitas sSo as quintas- 
feiras depois das 2 horas, e costumam durar ate 
4s 6. 

Segundo a distribuicao do tempo no corrente an- 
no lectivo, as conferencias sao as quartas feiras, das 
4 as 6 horas. A seu turno, cada terceirannista tracta 
questoes de contabilidade, geographia commercial, 
economia politica e legjslaqao; tern de fallar perante 
condiscipulos e professores, P6de servir-se de notas, 
mas nao ler discurso. Cada quarta feira fallam 12 
estudantes. 

Os precos sao : 400 fr. no 1 .° anno ; 600 no 2. ; 
e 800 no 3 A A esc6la e d'externos; mas encarre- 
ga-se de procurar casas convenientes para os alum- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 289 

nos, que, formando assim uma classe de quasi inter- 
nes, pagam r:8oo, 1:900, e 2:000 fr. no i.°, 2. , e 
3.° anno. 

A entrada geral'e As 8 horas e a sahida as 6. Ha 
na esc6la urn restaurante, com precos fixos, para os 
alumnos cujas familias residam f6ra da cidade. 

Ha exames semanaes, trimensaes, e annuaes. Os 
diplomas de capacidade sao conferidos no fim do 
curso, quando os valores alcancados no exame de 3.° 
anno e final sao iguaes a 140 pelo menos. Formam- 
se estes valores segundo uma escala de notas e de 
coefficientes ; os mais altos coefficientes pertencem a 
arithmetica e ao escriptorio commercial. 

Os alumnos ouvintes pagam 400 fr. no i.° anno, 
600 no 2. e 800 no 3.°. O conselho administrativo 
fixa o numero dos que podem ser admittidos. O ou- 
vinte nao recebe diploma nem faz exame. 

D'esta esc6la sahiu para professor de sciencias 
commerciaes em Bordeus um alumno que era repe- 
tidor no escriptorio commercial. A esc61a grega de 
Kalki (Constantinopla) enviou ha dois annos d de 
Marselha o seu melhor discipulo, que agora deve ir 
para aquella pacte da Turquia ensinar *as materias 
proprias do escriptorio commercial. 

Alem dos recursos proprios, a esc61a superior de 
Marselha recebe da camara de commercio a subven- 
"cao de 5:ooo fr. 

Escdla de Lyon. E' similhante i do Havre; mas 

19 



Digitized by 



Google 



290 ANNUARIO DA ACADEMIA 

tern uma aula especial em que se estudam os deve- 
res do negociante ; eis alguns pontos do programme 
Deveres geraes e especiaes dos empregados do ne- 
gociante; deveres do negociante para comsigo roes- 
mo, com os caixeiros, associados, collegas, commit- 
tentes, devedores, credores, e a familia ; deveres da 
familia para com elle e os credores ; deveres dos 
commanditarios e conselbos fiscaes sob o ponto de 
vista moral, e finalmente regras de prudencia do 
exercicio do commercio. 

A entrada e as 8 horas, e a sahida as 5. A re- 
tribuicao escolar e de 5oo fr. no anno preparatorio, 
e de 6oo nos dias seguintes. 

Institute de Lille. Tern o nome de Institute In- 
dustrial, Agronomico, e Commercial do Norte da 
Franca. O curso de commercio e de 2 annos. No 
i .° estudam-se as mathematicas etementares (arithme- 
tica, nocoes d'algebra e de geometria, complements, 
e exercicios d'applicacao); nocoes summarias de phy- 
sica, chimica e historia natural ; curso clementar de 
contabilidade ; estudo das materias primas e dos 
productos manufacturados ; geographia commercial 
e industrial; principios geraes de direito ; aliemao e 
inglez. Ha tambem o ensino facultativo de italiano 
e hespanhol. 

No 2.° anno estudam-se: o curso superior dc 
commercio e de contabilidade; economia politica; 
direito commercial; complemento de curso de mate- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 291 

rias primas e productos e do de geographia ; histo- 
ria do commercio ; legislacao fiscal e aduaneira ; 
hygiene, inglez e allemao. P6de completar-se n'este 
anno o estudo do hespanhol ou do italiano. 

Ha os seguintes exercicios praticos : 

Em calligraphia. Uma hora semanal no i.° anno. 

No escriptorio commercial. Cinco exercicios se- 
manaes de 2 */j sobre escripturacao, documentos 
commerciaes, operacoes simuladas. 

Em desenho de imitafdo e esbocos. Uma licao de 
2 horas por semana. 

Em manipulates. Licao semanal de 2 horas con- 
sagrada a pratica dos processos mais rapidos para 
conhecer o grau de pureza das mercadorias mais su- 
jeitas a sophisticates. 

Excursoes. No verao dedica-se uma tarde de 
cada semana a visitar estabelecimentos em que os 
discipulos en con tram productos de toda a especie; 
redigem e apresentam nota resumida das observacoes 
que fizeram. 

Ha tambem interrogacoes periodicas f6ra dos 
cursor, a fim de conhecer o estado dos alumnos e fa- 
miliarisal-os com as provas do exame. 

Sao immediatamente admittidos a matricula do 
i.° anno os candidatos que sejam bachareis. em le- 
tras ou sciencias, ou que tenham o curso do ensino 
secundario especial. Os demais candidatos fazem 
exame. de admissao, o qual tern por objecto a lingua 



Digitized by 



Google 



292 ANNUARIO DA ACADEMIA 

franceza, a arithmetica elcmentar e o systems me- 
trico, a geographia physica e politica das cinco par- 
tes do mundo, e especialmente a da Franca. 

Os alumnos passam onze horas por dia no Insti- 
tute, dez das quaes sao destinadas ao trabalho : dVs- 
tas dez, 2 */ t sao para os cursos oraes, 2 f / s para 
trabalhos praticos, e 5 para estudos facultativos e de 
desenho. Uma hora e destinada ao jantar n'um rcs- 
taurante do Instituto. O preco dos jantares e de 3o 
fr. por mez. As despezas do ensino sao 400 fr. an- 
nuaes. As aulas abrem-se na 3. 1 semana d'outubro, 
e fecham-se na 1 .* quinzena d'agosto. O instituto, 
embora seja para externos, estabeleceu em terreno 
contiguo um pensionato, em que os seus alumnos 
sao admittidos por 600 fr. cada anno. 

Sendo o Instituto tambem industrial e agrono- 
mico, aproveitam-se para o curso de commercio al- 
gumas cadeiras das outras seccoes; taes sao as de 
mathematicas elementares, geographia industrial e 
commercial, direito, economia politica, direito com- 
mercial, inglez e allemao. 

O Instituto foi fundado pelo departamento do 
Norte e pela cidade de Lille. O ministerio de com- 
mercio da-lhe uma subvencao de 10:000 fr. O de- 
partamento contribue com */i, e a cidade com */ 4 das 
despezas nao cobertas pela subvencao e pelas retri- 
buicoes pagas pelos alumnos. 

Escdla de < Bordeus. Esta esc6la superior de 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 293 

commercio e industria foi aberta aos 3 de novem- 
bro de 1874. Segundo o seu orcamento de 1875, 
contribuem para ella: a cidade de Bordeus com 
3o:ooo fr.; o Conselho Geral com 5:ooo; e a ca- 
mara de commercio com 20:000. A municipalidade 
pdz a disposi^ao d'ella um edificio que custou 
5oo:ooo fr. e auxiliou com 54:000 a compra de mo- 
bilia. Gracas a estes valiosos auxilios, a retribuicao 
escolar foi fixada em 200 fr. Antes de fundada a 
esc61a, o director d'ella (M. J. Manes, engenheiro 
civil, e antigo alumno da Escdla Central d'Artes e 
Manufacturas, o qual obteve aquelle lugar por con- 
curso) estudou as esc61as de commercio e de indus- 
tria tanto na Franca como na Belgica, e apresentou 
a commissao promotora um relatorio que contem 
valiosos esclarccimentos. 

O exame de admissao versa sobre lingua fran- 
ceza, geographia, arithmetica, elementos de geome- 
tria, e uma lingua viva (allemao, ou inglez ou hes- 
panhol). O exame do i.° anno e de todas as mate- 
rias ensinadas n'elle. O de 2. anno comprehende 
provas sobre todas as partes do curso geral. Ha" 
tambem interrogacoes mensaes, e exames trimensaes. 
A esc6la tern gabinetes de physica e chimica, museu 
de materias primas e productos manufacturados, 
assim como bibliotheca, e museu naval. 

Da mesma sorte que nos estabelecimentos que ja 
estudamos, os trabalhos do escriptorio commercial 



Digitized by 



Google 



294 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



habituam os alumnos a conhecer o mundo merafr 
til na sua realidade. 

A distribuicao do tempo no 1 .° semestrc do cor- 
rente anno lectivo pouco differiu da que foi adopta- 
da pela commissao promotora, o que e a seguinte: 



Inglez, allejnao, hespanhol . i 

2 d'estas linguas a escolher . I 

Lingua franceza 

Aritnmetica, calculo mental 

Geographia commercial e in- 
dustrial 

Physica 

Chimica 

Economia politica .... 

Calligraphia 

Productos commerciaes. . . 

Direito commercial .... 

Escriptorio 

Exercicios diversos (manipula- 
coes, excursoes, composicoes, 
exames, estudos) . . 

Armamento de navios . 

Analyse chimica das mercado- 
rias , 

Historia do commercio e esta- 
distica 



1.° ANNO 


2.° ANNO 


i. 9 MB. 


t°ie«. 


ifm. 


Vm 


. 








2 


2 


2 


i 


2 


2 


2 


2 


2 


2 


— 


— 1 


2 


2 


— 


— 


2 

3 
3 


2 

3 
3 

•2 


3 

2 


3 
i 


2 

3 

2 


2 

3 

2 


3 


3 


II 


IO 


12 


ii 


IO 


9 


12 

2 


n 

2 






4 


4 






2 

44 


l 


44 


44 


44 



Exposta assim a organisacao das esc6las supcrw- 
res de commercio na Franca, procuremos ainda oa- 
tros exemplos instructivos n'outras nacoes. Estode- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 295 

mos o Institute) de Antuerpia, a Esc61a de Veneza 
e a Academia de Vienna dlAustria. 



II 



Instituto Superior de Commercio na Antuerpia. 
Foi fundado por decreto de 29 d'butubro de i852. 
O ministro do interior approvou o actual regulamen- 
to em 23 d'agosto de 1872. 

O ensino e dividido em theorico e pratico: 

a) Theorico : — Historia geral do commercio e da 
industria ; geographia commercial e industrial ; eco- 
nomia politica ; nocoes geraes d'estatistica ; direito 
commercial e maritimo comparado; principios de di- 
reito das gentes nas suas relates com o commercio ; 
legislacao alfandegaria da Belgica e das principaes 
nacoes; construcqoes e armamentos maritimos; ana- 
lyse dos productos naturaes e fabricados, elementos 
de chimica commercial; flamengo, inglez e italiano. 

b) Ensino pratico: Operacoes commerciaes de 
toda a especie no escriptorio commercial; arithmetica 
mercantil ; escripturacao de livros e correspondencia 
nas linguas ensinadas no Instituto. O laboratorio, o 
museu d'amostras de productos naturaes e fabricados, 
tanto nacionaes como estrangeiros, auxiliam o ensi- 
no pratico. Para este museu concorre o governo com 
amostras remettidas pelos agentes consulares e di- 
plomaticos. 



Digitized by 



Google 



296 



ANNUAUO DA ACADBMIA 



No Instituto ha tambem uma bibtotheca. 
O curso e de dois annos. As horas semanaes de 
estudo sao as seguintes no corrente anno lectivo: 



Escriptorio .... 
Arithmetica commercial 
Flameogo .... 

Allemao 

Productos commerciaes 
Chimica commercial • 
Hespanhol ou italiano . 
Geographia commercial 
Direito (ooodes geraes) 
Economia politic* . . 
Construccoes maritimas 
Direito commercial. . 
Historia do commercio. 
Legislacao aduaneira . 
loglez 



I.° ANNO 2. # ANNO 



ia 
3 

a 
3 
a 
i 
3 
3 
i 

2 



12 

3 

% 
3 

2 



35 



Para ser admittido e preciso scr approvado no 
exame de admissao, o qual versa sobre as seguintes 
matenas: 

a) Composicao de francez, traduccao de francez 
em inglez e allemao. 

b) Geographia. 

c) Principios de historia universal (segundo <Bro- 
gtiet— Histoire ancienne, Des Michels — Histoire da 
Moyen-age— Th. Juste— Histoire moderne.) 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 297 

d) Arithmetics, suas applicacoes ao commercio; 
escripturaqao. 

e) Elementos d'algebra (Bourdon) e geometria (os 
4 primeiros livros de Legendre). 

f) Nocoes elemen tares de physica (segundo. Ganoi) 
e chimica (^egnault^ primeiros elementos). Sao dis- 
pensados d'este exame os candidatos approvados na 
primeira classe profissional de qualquer*atheneu bel- 
ga, ou d'outro estabelecimento legalmente igualado 
aos atheneus, ou os que tiverem certidao de prima 
nos Gymnasios da Allemanha, ou que por outro qual- 
quer documento se mostrarem aptos para receberem 
o ensino no Instituto. 

Como, porem, p6de succeder muitas vezes que 
desejem matricular-se mancebos que nao possuam ne- 
nhum d'esses titulos, riem habilitacoes sufficientes 
para supportarem desde logo o exame de admissao, 
ha no Instituto um curso preparatorio que principia 
pela Paschoa e finda em i5 d'agosto. 

O exame de admissao e sobre prova escripta e 
prova oral. A 2. a comprehende os elemen tds d'alge- 
bra e geometria, e os principios de physica e chimi- 
ca. As respostas por escripto sao dadas dentro de 
seis horas ; o exame oral dura pelo menos meia 
hora. Nao e licito aos examinandos servirem-se de 
notas ou livros, a excepcao de diccionarios de lin- 
guas e taboas de logarithmos. O jury p6de dispen- 
sar o exame oral quando o exame escripto e causa 



Digitized by 



Google 



298 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



sufficiente de reprova;ao. Sendo onze os ramos de 
conhecimentos sobre que recaem as provas, cada 
qual e representado por 10 pontos, a excepcao da 
traduccao ingleza, e allema, que s6 entram com 5 
no quadro dos valores. Nao e admittido quern nao 
alcanca pelo menos 60. 

O curso preparatorio do Instituto compce-se das 
seguintes materias professadas no tempo que vaein- 
dicado: 



Horn por 



Francez 3 

Allemao 3 

Ingle* 3 

Historia 3 

Geographia. ... 3 



Escripturaf&o 
Arithmetica 
Algebra . 
Geometria 
Phjrsica. . 
Chimica . 



Horupor 

T 
3 

7 
2 

2 
2 



No exame de passagem para o 2. anno a prova 
escripta e feita em 9 horas ; a oral dura 3 pelo me- 
nos. No quadro de valores figuram com i5 os ne- 
gocios commerciaes, de que se tern tractado no es- 
criptorio. Todas as outras materias entram com io 9 
cada uma, ou com 5. A geographia commercial e 
industrial, a economia politica, a estatisiica e os 
productos commerciaes sao as unicas que contri- 
buem com 10. O total e de i5o; o candidato deve 
attingir 90 pelo menos. Ambas as partes dg exame 
(em cada uma das quaes e de 75 o maximo de va- 
lores) versam sobre as mesmas materias. 



Digitized by 



Google 



POLVTCCHNICA DO PORTO 299 

Os exames de sahida sao feitos perante 7 profes- 
sores nomeados pelo ministro do reino. Tanto n'es- 
tes como nos do 1 .° anno, os alumnos que nao fre- 
quentaram o escriptorio do Instituto sao obrigados 
a apresentar certidao de se haverem assiduamente 
applicado a pratica do commercio no escriptorio de 
qualquer negociante de Antuerpia. Os cadernos de 
apontamentos tornados pelos alumnos em todas as 
aulas, assim como a tabella das faltas, sao elementos 
de apreciacjao presentes ao jury. 

O curso de productos commerciaes e feito em 
face das amostras respectivas. Fazen)-se operacoes 
de chimica applicada ao commercio; e o professor 
tern a sua disposicao um ou mais ajudantes. 

O curso de construccoes e armamentos mariti- 
mos e publico e gratuito. O professor acompanha os 
discipulos em visitag aos estaleiros e aos navios fun- 
deados no porto. 

• O escriptorio commercial e dirigido por um che- 
fe e dois subchefes. Os professores d'allemao, inglez, 
flamengo, italiano e hespanhol reveem a correspon- 
dencia. Alem dos documentos minis trados pela Bolsa 
d'Antuerpia, recebe tambem o escriptorio noticias 
commerciaes de Londres, Liverpool, New-York, Ha- 
vana, Rio de Janeiro, Buenos-Ayres, Valparaizo, 
Sydney, India, China, Odessa, Hamburgo, Amster- 
dam, Havre, etc. Os alumnos recebem estes docu- 
mentos escriptos nas linguas professadas no Institu- 



Digitized by 



Google 



300 ANNUARIO DA ACADEM1A 

to, e fazem uso d'elles nos seus trabalhos escolares. 
Demais, numerosos commerciantes e corretores dc 
Antuerpia lhes ministram esclarecimentos ; e a bi- 
biiotheca reccbe folhas commerciaes das primeiras 
pracas do mundo. As visitas aos estabelecimentos 
mercantis e as manufacturas assim d'Antuerpia 
como de seus arredores, fortalecem a instruccao dos 
estudantes. O ensino das linguas vivas serve para 
que dies as fallen), as escrevam, adquiram nocoes 
sobre o commercio dos respectivos povos, e conhe- 
9am bem a terminologia mercantil. 

As preleccoes podem ser feitas segundo um com- 
pendio, ou conforme um summario redigido pelo pro- 
fessor e distribuido pelos discipulos. Cremos que o 
segundo systema e o mais segqido. Nao e permittido 
dictar as li^oes. 

E 1 de 25 fr. a taxa de matricula geral; pagam, 
porem, s6 5 os alumnos que frequentam menos de 
5 cursos. No 1 .° anno pagam-se/ 200 fr. ; no 2. a5o; 
e 100 no escriptorio commercial. 

Quern nao pretende fazer exame p6de matricu- 
lar-se em qualquer curso por 3o fr. 

As despezas do Institute estao a cargo do go- 
verno e da cidade de Antuerpia; a cidade pagapdo 
menos a quarta parte, alem de dar e conservar tanto 
a casa como o material. Os professores recebem or- 
denados fixos, e parte do producto das matriculas 
segundo as horas d'aula e a hierarchia das disciplinas. 



Digitized by 



Google 



P0LTTECHN1CA DO PORTO 801 

Quando Mr. Baudoin (que visitou e admirou esta 
esc6la <le commercio} escreveu o seu conhecido re- 
latorio acerca do ensino primario e especial, disse que 
nao conhecia em Franca estabelecimento que a igua- 
lasse; e comtudo )i Paris teve o seu notavel instituto 
fundado por Laffite, etc. Accrescentava, porem, que 
apesar da importancia de Antuerpia, urn dos mais 
bellos portos da Europa, — o Instituto viria a cahir, 
por nao receber do governo os subsidios necessarios 
ao desenvolvimento digno do piano sobre que foi or- 
ganisado. Mr. Baudoin escreveu em i865; cremos 
que os factos posteriores antes desmentem do que 
confirmam essa desanimadora apreciacao. Os dire- 
ctores das esc61as do Havre, de Roues, de Lille, e 
de Marseille estudaram o Instituto de Antuerpia como 
podendo instruil-os sobre a melhor organisacao do 
ensino commercial. Em 1874 eram 140 os seus alum- 
nos, 87 dos quaes frequentavam o escriptorio com- 
mercial, sendo 27 do 2. anno e 60 do primeiro. Por 
informacao particular do actual director sabemos que 
muitos de seus discipulos estao a frente de casas de 
commercio, ou associados a firmas importantes; e o 
desenvolvimento que tern tido Antuerpia assegura ao 
Instituto a sua manutencao e o seu progresso. 

Fmdamos estas noticias acerca de tao impoN 
tante esc6la commercial com o quadro dos valores 
para os exames de sahida : 



Digitized by 



Google 



302 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Negocios commerciaes 

Geographia commercial e industrial. . . . 
Economia politica e estadistica . v . . . . 
Historia de commercio e da industria .^ . . 
Direito commercial e maritimo comparado . 
Direitos das gentes em suas relacoes com o 

commercio 

Legislacao aduaneira 

Productos commerciaes . ... . . 

Construccoes e armamentos maritimo s . . . 

Lingua franceza 

Lingua allema 

Lingua flamenga 

Lingua ingleza 

Lingua hespanhola ou italiana 

Relatorio geral sobre a situacao commercial e 

industrial d'uma nacfio 



Etame 
oral 



ii 


mm "iS 


.. IO 


IO 


IO 


IO 


— 


IO 


IO 


IO 


___ 


5 


5 


5 


IO 


IO 





IO 


5 


IO 


5 


IO 


5 


IO 


5' 


IO 


5 


IO 




40 



85 



i 7 5 



O diploma do eurso do Instituto s6 e conferido 
a quern alcanca i56; n'elle se escrevera que o alumno 
se houve de modo satisfactorio, caso nao obrenha 
mais de 175; havendo alcanca do valores desde 176 
ate 200, sera classificado com distincfdo; se de 201, 
ate ^3o, com grande distincfdo; e se de 23 1 para 
cima, com a maior distinc^ao. O relatorio sobre a 
situaqao commercial e industrial dira respeito a uma 
de tres nacoes que cerca de i5 dias antes dos exa- 
mes sao indicadas pela commissao administrativa do 
Instituto; a sorte determina qual seja. O relatorio 
deve ser fcito dentro de quatro horas no dia seguinte 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 903 

ao do comeqo do exame por escripto (para cujas pro- 
vas sao concedidas 9 horas). O exame oral dura pelo 
menos uma hora. As perguntas sobre productos 
commerciaes limitam-se a seis cathegorias previamen- 
te designadas pelo candidate Quanta aos negocios 
commerciaes, e as linguas, o examinando e obrigado 
a simular uma ou duas transaccoes com correspon- 
dencia em 5 linguas se e belga, ou em 4 se o nao e. 

Escdla Superior* de Commercio em Veneqa. Foi 
fundada por decreto de 6 d'agosto de 1868. E 1 des- 
tinada nao sdmente a formar commerciantes, mas 
tambem candidates ao consulado, as madeiras de di- 
reito, economia politica e estadistica, merceologia 
(productos commerciaes), arithmetica mercantil e es- 
cripturacao, e linguas estrangeiras nos Institutos te- 
chnicos e profissionaes da Italia. Embora tenhamos 
por objecto estudar a organisacao do ensino com* 
mercial, nao e fdra de proposito escrever tambem 
d'essa outra parte da referida esc61a, por que a ins- 
truccao dada em estabelecimentos d'esta natureza 
p6de com effeito prestar servicos ao estado, prepa- 
rando pessoal que perante na(joes estranhas saiba 
tratar de muitos interesses economicos do respectivo 
paiz. 

Na esc61a de Veneza o curso de commercio e 
triennal; o de consul e de 5 annos; e o de professo- 
res e de 4 ou 5, segundo as cadeiras a que se desti-* 
nam. Nos dois primeiros, unicos de que temos a oc- 



>igitized-Hby 



Google 



804 ANNUARIO DA ACADEMIA 

cupar-nos, o i .° anno e commum a ambos. Ensi- 
nam-se n'elle a litteratura italiana, geographia com- 
mercial, escripturacao, algebra, francez, aliemao, in- 
troduccao a merceologia, instituicoes de direito com- 
mercial e civil, calligraphia. 

Ha exame de admissao ; versa sobre italiano, geo- 
graphia physica e politica, especialmente da Europa, 
historia universal, arithmetica mercantil, algebra ate 
as cquacoes do 2. grau, principios de physica e de 
historia natural, nocoes fundamentaes de escriptura- 
cao por partidas simples e dobradas, e calligraphia. 
Podem ser dispensados do exame os candidates que 
apresentarem diploma de licenca dos institutos te- 
chnicos industriaes e profissionaes da Italia, ou das 
Realschulen allemas, ou da seccao profissional d'um 
atheneu belga, ou d'um instituto de ensino especial 
francez. Usa-se da lingua franceza no exame de ad- 
missao de estrangeiros ainda nao familiarisados com 
a lingua italiana. 

Podem ser admittidos no 2. anno do curso, 
ainda que nSo hajam frequentado o i.°, os candida- 
tes que ficarem approvados n'um exame que versara 
sobre todas as materias ensinadas rTesse 1 .° anno. 

Alem dos alumnos ordinarios ha ouvintes que po- 
dem matricular-se em qualquer aula, excepto no es- 
criptorio commercial. A passagem d'um para ootro 
anno nao Ihes e permittida sem exame do que ja fre- 
quentaram. Depois da frequencia d'um anno podem 



Digitized by 



Google 



POI.YTECHNICA DO PORTO 305 

ser classificados como ordinarios, com tanto que fi- 
quem approvados nos exames de admissao e de pas- 
sagem, e paguem as taxas.devidas. 

Alem dos exames de passagem ou promocao, ha 
o exame final ou de licenca para obter carta. O jury 
e entao formado de dois membros nomeados pelo 
ministro de commercio, e 6 pelo conselho director, 
podendo dois ser professores da esc61a: a nomeacao 
tern de recahir sobre membros do Instituto de scien- 
cias, letras e artes, ou da Universidade de Padua, ou 
commerciantes notaveis de Veneza indicados pela Ca- 
mara de Corrtmercio. 

Ja dissemos qual o quadro de ensino do 1 .° anno, 
commum aos cursos commercial e consular; eis aqui 
o dos annos seguintes: 

Classe Commercial — 2.° anno. Lingua italiana,* 
geographia commercial, escripturacao, arithmetica 
mercantil, francez, allemao, inglez, merceologia, di- 
reito commercial, pratica commercial, calligraphia. 

Classe Commercial — 3.° anno. Lingua italiana, 
allemao, inglez, merceologia, direito commercial e in- 
dustrial, historia do commercio, estadistica commer- 
cial, economia politica, pratica commercial, arithme- 
tica commercial. 

Classe Consular— 2* e J.° anno. As mesmas ma- 
terias que na commercial, exceptuando escriptura- 
cao, pratica commercial, e calligraphia. Em vez d'isto, 
direito civil com relacao ao direito internacional pri- 

20 



Digitized by 



Google 



306 ANNUARIO DA ACADEMIA 

vado, e lingua arabe, ou outra oriental. No 3.° anno, 
o mesmo que na commercial, excepto pratica de 
commercio, e arithmetic* mercantil. Em vez d'isto, 
as duas materias ja designadas. 

Classe Consular— 4. anno. Inglez, historia, prin- 
cipalmente a dos tratados, estadistica theorica, cco- 
nomia politica, direito internacional publico, direito 
penal, direito cOnstitucional, processo judicial, lingua 
arabe, ou outra do oriente. 

Classe Consular— 5.° anno. Historia, especial- 
mente dos tractados, arabe ou outra lingua oriental, 
exercicios sobre o programma do concurso aos con- 
sulados, segundo foi organisado pelo ministerio dos 
negocios estrangeiros. A esc6la tern um museu de 
merceologia, um laboratorio de chimica commercial, 
e uma bibliotheca* Em 1873-74 o quadro do ensino 
foi augmentado com uma cadeira da lingua japo- 
neza. 

Os alumnos que tenham obtido o attestado de 
licenqa podem entrar no concurso para os consula- 
dos. 

Pela inscripqao na escdla pagam-se 5o liras ; e 
100 pela matricula em cada anno do curso. Os ou- 
vintes pagam i5 liras por cadeira do i.° anno, e 
10 por cadeira dos seguintes. 

Cooperaram na fundacao d'este instituto o mi- 
nisterio da agricultura, industria e commercio, a pro- 
vincia, o municipio e a camara de commercio. A 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 307 

provincia obrigou-se a concorrer copi 40:000 liras, 
alem do material scientifico ; a communa com 10:000, 
alem do local sufficiente e o material nao scientifico. 
O thesouro, que pelo decreto de 6 d'agosto de 1868 
tinha de dar 10:000 liras, concorre com 25:goo, se- 
gundo o decreto de i5 de dezembro de 1872. 

Conforme diz o snr. Morpurgo'na sua obra acer- 
ca da Instruccao technica na Italia, os melhores ci- 
dadaos de Veneza, apenas lhes restituida a liberda- 
de, recordaram-se da sua divida d'honra para com 
o passado, e propozeram-se a dar a Italia uma glo- 
ria nao menor do que outras que a historia comme- 
mora; essa gloria consistia em fundar uma esc6la 
que fosse uma polytechnica do commercio, agora que 
a restituicao da liberdade coincidia com voltar para 
Mediterraneo a corrente mercantil asiatico-euro- 
pea. Diversos elementos ja mencionados se concer- 
taram patrioticamente para realisarem o piano da 
esc61a. Os fructos d'este trabalho tern sido excellen- 
temente recebidos por importantes casas de commer- 
cio, quer italianas quer d^outras nacionalidades : os 
alumnos que saem com diploma de licenca acham 
prompto e proficuo emprego. 

As matriculas desde 1868-69 ate 1874-75 teem 
sido : 



Digitized by 



Google 



308 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



ANNOS LECTIVOS 


ALUMNOS 


OUV1NTES 


TOTAL 


1868- 1869 

1869-1870 

1870- 1871 

1871-1872 

1872 - 1873 

1873 -1874 . . . ■ . . 
1874 -1875. . . ". . 


9 t 
IOO 

67 

54 
5c 

5 4 


18 

n 

3o 
18 
21 
*7 


112 

i35 
io3 

97 
72 

7* 
V 



Diminuiu o numero de alumnos, e o de ouvintes 
foi tambem inferior em 1874- 1875 ao de 1868- 1869; 
procede talvez este facto de nao ser grande o nu- 
mero dos mancebos com perseveranqa bastante para 
supportarem as provas a que sao sujeitos alii ; mas 
tarhbem e certo que no corrente anno, segundo nos 
informou a direojao da Esc61a, e de cerca de cem 
numero dos alumnos. . 

Os estudantes trabalham desde as 8 *[j ate as 
11 */j e da meia hora ate as 3 */j no inverno; du- 
rante o verao principiam as 8 e acabam as 3, tendo 
tambem descanco desde as 1 1 ate ao meio dia. As 
aulas comecam pelo meiado de novembro ; na se- 
gunda quinzena de julho principiam os exames. As 
ferias sao de i5 d'agosto a i5 de novembro. As H- 
coes duram ordinariamente uma hora, excepto a de 
pratica de commercio que dura duas horas consecu- 
tivas. 

Escdla oAcademica de Commercio em Vienna 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



309 



ctc/lustria. Fundada em i858. Tern urn curso de 
instruccao secundaria commercial, que se compoe 
de tres annos, e uma classe preparatoria para os 
alumnos que se nao julgam habilitados a passar pelo 
exame de admissao. Eis o piano de estudos, e a 
distribuicao do tempo : 



Allemao .... 

Francez 

Inglez ou italiano . . 
Geographia . . . 
Historia. .... 
Mathematica . . . 
Calculo commercial . 

Physica 

Chjmica .... 
Historia natural e mer 

ceologia .... 
Correspondencia e escn 

ptono. . . . • . 
Escripturacao . . . 
Direito commercial . 
Economia politica 
Calligraphia . . ,. 

Total das horas semanaes 



Curst 
frepra- 

Urit 



2 

IT 



Priawrt 



3 
4 

t 

2 

A 

2 



3T 



3 
3 
3 

2 
2 
2 
3 

2 

4 
(?)4 



T 



Ttrecirt 



3T 



s 

1* 

s 

.5-8 

88. 

S.ST 

Z X 
S3S 



Sao admittidos no curso preparatorio os alumnos 
que nao poderam alcancar n'uma esc61a secundaria 
os conhecimentos indispensaveis para entrar no i.° 
anno. 



Digitized by 



Google 



310 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Sao admittidos a matricula no i .° anno os que 
hajam sido approvados n'um sub-gymnasio, ou na 
quarta classe d'um gymnasio. Caso nao tenham esta 
habilitacao, podem fazer exame de admissao,- o quad 
versa sobre lingua allema, geographia, historia, ma- 
thematical sciencias naturaes, francez, ou laum. 

A admissao no 2. anno exige appro vacao no i. # 
d'uma esc6la secundaria de commercio, ou exame 
sobre as materias professadas n'elle. A admissao no 
3.° anno e regulada por disposicao analoga. 

* A taxa de inscrip<;ao e de 5 fl. e 25 kr. Cada se- 
mestre do curso preparatorio custa 5o fl., nos an- 
nos seguintes, 78 fl. e j5 kr. 

Na academia viennense ha tambem os seguintes 
cursos superiores: — De negocio bancario; de fabrica 
e mercadorias; de communicacoes ( Communications- 
nesen). Este ultimo subdivide-se em tres: cami- 
nhos de ferro; correio; telegraphos. Cada urn d'estes 
cursos e de dois annos. No de banco ha um estabe- 
lecimento modelo, no qual os alumnos se habituam 
a todas as operacoes que podem encontrar na pra- 
tica. No piano de estudos, ha, entre outras, uma ca- 
deira de direito civil (3 horas semanaes), uma da cons- 
tituicao e administracao da Austria (1 hora semanal 
no 1 .° semestre), outra de historia moderna (3 horas 
semanaes), e outra de financas (3 horas semanaes no 
2. semestre). O direito commercial e ensinado cm 
tres classes: fallencias (1 hora semanal); direito com- 



•igitized. by VjC 



POLYTECHNICA DO PORTO 311 

mercial e caiftbial (4 horas) e direito cambial inter- 
nacional (1 hora semanal no 2. semes tre).. A econo- 
mia politica faz parte de todos os cursos. 

Os alumnos que pretendem diploma de qualquer 
d'elles, passam por dois exames: urn relativo ao i.° 
anno, outro ao 2. ; aquelle e oral; este e oral e escri- 
pto. Os candidates a diploma do curso de banco e de 
mercadorias teem nao s6 de apresentar o conjuncto dos 
seus trabalhos sobre negocios simulados, mas tambem 
uma especie de dissertacao sobre um ponto que lhes 
e designado. A dissertacao deve estar prompta den- 
tro de quatro semanas. 

O curso de communicacoes % e subvencionado pe- 
las emprezas de caminhos de ferro; ellas e oniinis- 
terio orgahisam commissoes especiaes de exames n'es- 
se turso. Os attestados d'estes exames servem prin- 
cipalmente para obter emprego no servico das vias 
ferreas. Este curso divide-se em dois. 

a) — Inferior. Os exames n'elle versam sobre ser- 
viqo commercial, servico de transportes, servico tele- 
graphico, exercicios de telegraphia, arithmethica 
commercial e geographia; estas duas ultimas mate- 
rias nao fazem objecto do exame, quando os candi- 
dates ainda nao tenham servido nos caminhos de 
ferro. 

b) — Superior. Materias de exame: Geographia e 
estatistica commercial ; merceologia; technologia ; or- 
ganisacao das tarifas dos caminhos de ferro; historia 



Digitized by 



Google 



312 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

dos caminhos de ferro; sua administracao; legislacao 
alfandegaria relativa as vias ferreas ; legislacao civil, 
idem. 

O exame no curso superior exige approvacao no 
exame do cufso inferior. 

O curso de correios tem por objectos de ensino: 
legislacao postal; servico postal; geographia commer- 
cial ; organisacao politica e administrativa da Austria; 
estadistica do commercio; lingua franceza, ingleza ou 
italiana. 

As preleccoes no anno escolar de 1876-1877 
eram feitas em 55 classes. O pessoal docente com- 
punha-se, no principio d'esse anno, de 19 professo- 
res, urn reitor, e urn vice-reitor. 

No ja citado livro, o snr. Morpurgo diz assim: « A 
Academia commercial de Vienna e talvez a melhor 
esc61a superior de commercio que ha na Europa. 
Foi instituida em i858 por iniciativa particular de 
uma sociedadade por accoes; cada accao e de 100 
florins. Homens zelosos e esclarecidos, pertencentes 
sobretudo a classe commercial de toda a Austria, 
concorreram para a forma^ao do primeiro fundo da 
esc61a, e, mais tarde, para a desenvolver e prospe- 
rar. As mais acreditadas casas de commercio, os 
mais importantes estabelecimentos de credito coosi- 
deram como honra coqtribuir para o incremento da 
esc61a, quer subscrevendo novas, accoes, quer en- 
viando valiosas amostras para o museu merceologi- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICS DO PORTO 313 

co. A companhia de navegacao a vapor do Danu- 
bio admitte cada anno 12 alumnos e urn professor 
da esc6la a viajar gratuitamente por todos os portos 
de escala ate Constantinopla. A academia esta n'um 
palacio, que para este fim se construiu h'um dos no- 
vos bairros de Vienna que dao sobre o ^tng. Este 
edificio esta avaliado no patrimonio da esc61a por 
mais de 450:000 fl. Um dos empregados superiores 
da casa Rotschild dirigia ha poucos annos os exer- 
cicios do banco modelo. A esc61a e frequentada por 
uns 5oo alumnos ; cerca de metade sao filhos de 
Vienna, os outros sao das provincias austro-hunga- 
ras, ou do estrangeiro. Todos os annos o director 
da esc61a recebe de casas bancarias e commerciaes 
austriacas pedidos de alumnos ; mas e inferior aos 
pedidos o numero dos que obtem diploma dos res- 
pectivos cursos.» 

III 

A instrucqao commercial nao e s6mente necessa- 
ria aos que exercem a profissao de commercio : par- 
te d'ella e indispen^avel para formar boas donas de 
casa; tanto basta para se conhecer e apreciar a van- 
tagem de estabelecimentos de cnsino commercial para 
sexo feminino. Demais, qualquer'que seja a opiniao 
que se forme acerca da missao da mulher na socie- 
dade, e claro que p6de com proveito prestar servi- 



Digitized by 



Google 



314 ANNUARI0 DA ACADEM1A 

cos proprios de empregados de commercio ; por isto 
daremos aqui breves indicacoes acerca de esc61as 
estrangeiras de instruccao commercial para o sexo 
feminino; escolhemos dois exemplos, devidos ambos 
a iniciativa particular. 

Um d'elles e de Berlin. A associacao Lelte, as- 
sim chamada por tomar o nome do seu fundador. 
Adolph Lelte, estabeleceu um curso de commercio 
para meninas. Comprehende desenho, gcograpbia, 
inglez, francez, arithmetica, escripturacao, correspon- 
dencia commercial, allemSo, calligraphia, letras de 
cambio, moedas* No ultimo relatorio, que e do bien- 
nio de 1874-1876, lemos que os exames de 1874 c 
1875 tiveram lugar diante dos socios da direccao, 
da commissao escolar e d'altos funccionarios do es- 
tado ; foram geraes os elogios feitos ao progresso das 
alumnas, as quaes responderam a questoes de conta- 
bilidade, de escripturacao, e de letras de cambio. No 
curso de 1875-1876 algumas alumnas fizeram confe- 
rencias sobre varios productos e acerca da historia 
do commercio. 

Convem saber que esta sociedade tern por fima 
instruccao do sexo feminino por modo que possa vi- 
ver do exercicio da sua capacidade para o commer- 
cio e para as industrias. 

Alem do curso ja mencionado, ha outro de tc- 
legraphia, assim como de desenho industrial, de ty- 
pographia, trabalhos de costura, tdlhar, fazer fl6res, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 315 

etc. Ha tambem uma agenda de trabalho e uma 
caixa de emprestimos para as senhoras solteiras ou 
viuvas, que quizerem estabelecer-se ou desenvolver 
o seu negocio. 

Ha duas classes no curso do commercio ; uma e 
preparatoria, e dura urn ou dous semestres, confor- 
•me e preciso. A outra e de todo o anno lectivo. Em 
ambas ha 22 horas <f aula por semana. As ferias 
sao : oito dias na Paschoa e no Natal, quatro sema- 
nas no verao, e duas no outomno ; as aulas abrem- 
se no meiado d'outubro. Pcgam-se i5o marcos por 
anno, alem de 6 de matricula, e 3 para luz e fogao. 

O outro exemplo a que acima alludimos e o da 
Esc6la Commercial para Meninas, fundada em Pa- 
ris e dirigida por Mad. Victor Paulin. Foi aberta 
em outubro de 1861, contando 60 alumnas. Desde 
entao a frequencia foi a seguinte: 

Annos 1871-72 — 1872-73 — 1873-74 — 1874-75 — 1875-76 

Alumnas... i3i 137 i52 161 181 

Ha cursos geraes e especiaes. Os primeiros sao 
preparatories dos segundos, e constam de moral, 
francez, arithmetica, geometria, historia, geographia 
e applicacoes usuaes das sciencias. Estas materias 
sao cursadas geralmente em tres annos; mas quando 
as alumnas ainda nao estao devidamente instruidas, 
passam por outro anno preparatorio. 

O de commercio comprehende a lingua ingleza, 



Digitized by 



Google' 



316 ANNUARIO DA ACADEMIA 

as nocoes de direito civil e commercial, e a conti- 
nuacao do estudo d'algumas materias dos cursos pre- 
paratories. Ha tambem uma classe de tachygraphia. 

A esc6la s6 &dmitte externas. Abre-se as 8 */t d* 
manha, e fecha-se as 5 i j i da tarde. Em geral as 
aulas duram uma hora; e s6 excepcionalmente i il iV 

Nao temos que examinar aqui o metbodo de en* 
sino d'esta esc61a, o qual parece ter dado muito boos 
resultados. S6mente diremos que tanto a directory 
como as outras professoras e alumnas tern sido con- 
feridas varias medalhas, e ainda em 1873 foi dado a 
esc61a o diploma de merito pelo jury da exposicao de 
Vienna d'Austria. Ate 1876 trinta alumnas haviam 
obtido bom emprego no commercio, em escolas, e 
em officinas de vestuario; se este numero parece pe- 
quen6 em vista da frequencia, e comtudo importante, 
porisso que dura uns poucos d'annos o curso com- 
pleto, a esc61a e moderna e nem todas as alumnas 
procuram emprego f6ra de casa; e com effeito a ins- 
truccao que alii recebem e nao menos util no lar do- 
mestico do que na officina ou no escriptorio. . 

Segundo informacoes que nos foram dadas por 
madame Victor Paulin, as alumnas facilmente se em- 
pregam em casas de commercio de Paris. A princi- 
pio s6 ganham de comer; mas pouco depois recebem 
cerca de 600 fr., e chegam a obter 2:000 por anna 
E' de notar que sao muito novas quando entram em 
servico. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 317 



Expondo a organisacao d'alguns estabelecimen- 
tos d'ensino publico commercial, s6 tivemos em vista 
apresentar exemplos que podem ser uteis a Portu- 
gal. Se tivessemos de escrever trabalho completo 
acerca do estado da instruccao mercantil, teriamos 
de retardar muito mais a apresentacao do relatorio, 
sem proveito immediato do fim a que por vossa or- 
dem nos propozemos. 



IV 



Havemos dito que o escriptorio commercial e 
uma parte muito notavel das escdlas superiores de 
commercio. Temos por util dar ainda alguns prome- 
nores acerca do trabalho effectuado n'elle. Servir- 
nos-emos do relatorio de Mr. Marts, director da Es- 
c6la de Bordeus; diz assim a pag. 19: 

cO primeiro methodo, seguido em Marselha e 
em Lyon, e que as escdlas de Lille e de Rouen ten- 
cionam seguir logo que o permitta o numero d'alum- 
nos, consiste em agrupar os discipulos d'esta divisao 
em muitos escriptorios ou grupos de 3 ou 4 discipu- 
los, considerados como dutras tantas casas de com- 
mercio, ou bancarias, sob f6rma de sociedades ordi- 
narias, ou por accoes. Esta separacao nao tern lugar 



Digitized by 



Google 



318 ANNUARIO DA ACADEMIA 

no anno precedente, consagrado s6 ao curso theo- 
rico, e a <xercicios praticos de contabilidade e de es- 
cripturacao em geral. O professor escolhe o chefe e 
os cmpregados de cada gfupo. Os diversos escripto- 
rios correspondem-se entre si, Qsando cada qual da 
lingua a que pertence hypotheticamente. D'ordinario 
as cartas sao primeiramente escriptas em francez, e 
o professor do escriptorio commercial examina o que 
ha de essencial Bellas ; depots sao traduzidas na lin- 
gua do paiz de destino, e antes de remettidas sao 
examinadas pelo respectivo professor. 

cAs differen tes casas abrem credito umas as ou- 
tras, compram e vendem entre si mercadorias. Os 
alumnos escripturam os livros que a pratica exige: 
assim, servem-se do diario americano os" do grupo 
que f6rma uma casa americana. Cada casa tem con- 
tas de todas as especies, saca ou indossa letras, re- 
dige todos os documentos de operacSes commerciaes, 
como facturas, recibos, contas correntes, declara- 
coes, inventarios d'armazem, mandados, cheques, 
warants, inventarios, balancos, bilhetes d'alfandega 
e de caminho de ferro, contas de gerencia ou de ve- 
rificacao, avisos, circulares, etc Em geral todos es- 
tes trabalhos sao feitos em f6rmulas impressas ou 
autographadas, preparadas na esc61a, e similhantes 
as que se usam no commercio, x>u em impressos of- 
feree] dos por varias corporacoes. 

cCada grupo dura dois mezes e meio ; o anno es- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 319 

colar e de dez ; porisso cada alumno passa durante 
o anno por quatro escriptorios de especie on de paiz 
differente. Antes de estabelecer a sua casa commer- 
cial na esc6la, os alumnos de cada grupo redigem a 
escriptura de sociedade; o professor de legislacao 
examina este trabalho. No fim de cada periodo fa- 
zem inventario para trespasse ou continuacao do ne- 
gocio, afim de conhecerem se houve perda ou lucro. 

t Em Marselha os alumnos estao distribuidos do 
modo seguinte: o primeiro grupo constitue uma casa 
bancaria, outro uma casa de corretagem, outros dois 
constituem casas de commercio, a primeira em Mar- 
selha, e a segunda no estrangeiro. Renovam-se todos 
os mezes os socios da casa de corretagem. 

cEm Lyon ealgum tan to differente o agrupamen- 
to: o i.° grupo representa uma casa bancaria dirigida 
pelo sub-chefe da aula ; e cada um dos outros gru- 
pos, dirigido pelo discipulo que. o professor escolhe, * 
representa uma casa de commercio, a qual faz ope- 
rates bancarias, de corretagem, etc. Nao ha casa 
especial de correctores. 

cAlem das mezas de trabalho, dispostas de modo 
que fiquem as diversas casas separadas umas das ou- 
tras, cada qual tern uma escrevaninha para estender 
sobre ella os livros (podendo-se escrever de pe), uma 
machina dq copiar, e os seus accessorios, um arma- 
rio para os impressos, um armario com divisoes para 
os registros que con tern as circulares, as cartas, etc. 



Digitized by 



Google 



320 ANNUARIO DA ACAD EMI A 

etc. Em Lyon ha uma gaveta especial que serve de 
caixa a cada grupo. Os alumnos guardam n'ella no- 
tas, fingidas, de bancos de diversos paizes, e tentos 
de c6res differentes, os quaes representam moedas 
correntes. Cada casa tern a fazer a conta dos gastos 
geraes e a pagar a empregados ; todas as operacoes 
sao portanto reaes, e s6 as mercadorias e a moeda 
sao ficticias. 

cO segundo methodo, actualmente em vigor em 
Antuerpia e imitado com algumas modificacoes no 
Havre e na Esc61a superior de commercio de Paris, 
consiste em mandar fazer simultaneamente as mes- 
mas operacoes ou exercicios a todos os alumnos sob 
a direccao do chefe ou sub-chefe do escriptorio. Sup- 
prime-se a separacao em grupos : mas nem porisso 
deixa de existir o escriptorio, por isso que se suppoe 
que cada alumno representa uma casa de commer- 
cio. Escriptura todos os livros necessarios; e quando 
principia uma opera^ao p6de continual-a ate ao fim 
transportando-se successivamente pelo pensamento 
a cada uma das casas em que deve ser proseguida a 
transac^aa No principio a esc61a d* Antuerpia tinha 
adoptado a divisao em grupos... mas censurou-a 
depois como fazendo perder demasiado tempo aos 
discipulos, e favorecer aquelles que o professor, com 
detrimento dos outros, escolhia para chpfes das ca- 
sas. Em Antuerpia veio a reconhecer-se que pelo *.° 
methodo effectuavam mais operates durante o anno. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 321 

Devo, porem, dizer que d'ambos os modos se colhem 
satisfactorios resultados; assisti a interrogates de 
alumnos em esc61as de methodos differentes; e posso 
afiinnar que uns e outros resolveram com muita fa- 
cilidade questoes assaz complicadas.» • 

cNas escdlas commerciaes da America* (diz Mr. 
Simouin), o escriptorio funcciona de modo differen- 
te 4o de Antuerpia. Na universidade de M. M. Srat- 
ton e Bryant, que estabeleceram succursaes nas 
principaes cidades dos Estados-Unidos,, 6 dividido 
em muitas secedes: escriptorio propriamente dito, 
seguro, agencia de transportes, companhia de nave- 
gaqao. No escriptorio, o alumno escriptura o diario, 
o razao, o livro dos armazens, faz a corresponden- 
cia, e elabora as facturas, e as contas de venda; no 
banco negocia titulos, faz de thesoureiro, e incum- 
be-se do serviqo dos cheques; no seguro redige apo- 
lices, vegula avarias; na agencia de transporte escre- 
ve cautellas de recovagem; na companhia maritima* 
conhecimentos. D'esta sorte passa por tpda a espe- 
cie de operacoes, e sempre com muita rapidez, a 
americana. Entende-se nos Estados-Unidos que con- 
vem consagrar aos estudos theoricos o menor tempo 
que f&r possivel e entrar na vida pratica desde o 
principio da adolescencia. 

•O coilegio commercial nacional de Pougkgeepsie 
(Nova- York), funcciona de modo um pouco diverso. 
Em primeiro lugar nao tern succursaes. alumno 
21 



Digitized by 



Google 



322 ANNUARIO DA ACADEMIA 

recebe uma quantidade de moeda ficticia para com- 
prar e vender mercadorias representadas por signaes 
convencionaes. Recebe e remette facturas, escriptu- 
ra as operacoes, e depois passa a ser mercador de 
retalho, negociante de commissoes, segurador, ex- 
pedidor, cambista, corrector, despachante e banquei- 
ro. O balanco geral das suas operacoes^ feitas se- 
gundo os preqos correntes de New- York, mostra-lhe 
a perda ou o ganho. Deixa depois os bancos da es- 
c6la e entr* immediatamente ria vida real dos ne- 
gocios, nao sem ter adquirido tambem boa forma de 
letra.» 

(Revue des deux Mondes i OT avril 187a.) 



, V 



Se do estrangeiro passamos a Portugal, achamos 
em Lisboa o curso do Instituto Industrial e Com- 
mercial. Apesar da evidente vantagem de dotar a 
capital com uma esc6la em que sejam largamente 
ensihadas todas as sciencias commerciaes, esse cur- 
so esta longe de igualar tantos de que havemos fal- 
lado ; mas nem por isso deixa de se avantajar muito 
ao do Porto, 

Foi o decreto de 3o de dezembro de 1869 que 
estabeleceu aquelle curso no Instituto; o decreto de 
5 d'agosto de 1870 veio modificar varias disposicoes 
d'ellc ; e ja depois se effectuaram alteracoes, propos- 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 323 

tas pelo conselho de professores, e approvadas pelo 
govemo. O curso e assim composto : 

a) Contabilidade commercial theorica e pratica. 
Correspondencia commercial nas linguas portugueza, 
franceza e ingleza. Exercicios praticos sobre arbitrios 
de cambios, segurose descontos. Usos das princi- 
paes pracas de commercio (i. a cadeira especial do 
curso de commercio). 

b) Geographia e historia commercial. Elementos 
de direito commercial e maritimo (2.* cadeira espe- 
cial do Airso de commercio). 

c) Principios de economia politica e industrial, e 
estatistica. • 

d) Nocoes elementares de physica (1.* parte da 
3. a cadeira). 

e) Conhecimento pratico dos principaes produ- 
ctosnaturaes e manufacturados empregados no com- 
mercio (na 4/ cadeira). 

Para ser admittido como ordinario, e para obter 
carta ; e precisa approvacao em : 

— Calligraphia por qualquer estabelecimento of- 
ficial ou pelo Iqstituto. 

— Instruccao primaria por qualquer Lyceu. 

— Portuguez por qualquer Lyceu ou pelo Insti- 
tute, segundo os programmas do 1 .°e 2. ° anno, man- 
dados adoptar por portaria de 5 de outubro de 1872. 

— Francez e inglez por qualquer estabelecimento 
official. 



Digitized by 



Google 



324 ANNUARIO DA ACADEMIA 

— Arithmetica, algebra e geometria plana por 
qualquer Lyceu, ou pelo Instituto segundo o pro- 
gramma publicado no.^iario do Governo de 3 de 
julho de 1872 — n.° 123. 

— Elementos de geographia e de historia por 
qualquer Lyceu, ou pelo Instituto, segundo program- 
ma inserido no mesmo n.° do Diario. 

As materias a) e b) sao ensinadas em duas ca- 
deiras especiaes do curso de commercio. Na de con- 
tabilidade costumava o professor simplesmente di- 
ctar cartas em francez e inglez; o proprio ronselho 
entendeu que era isto conveniente para deixar tem- 
po livre a mais importantes assumptos ; no corrente 
anno lectivo dedicaram-se todas as licoes as outras 
partes da cadeira, e os alumnos aprenderam na aula 
de francez e inglez a nomenclatura commercial nas 
duas linguas. Os cUsos das principaes pracas* fazcm 
objectos de explicacoes por occasiao de calculos de 
cambio, ou de analyse de partidas a escripturar. 

Na cadeira de geographia, historia e direito estu- 
da-se principalmente esta ultima parte ; a historia e 
objecto de pequenissimo numero de licoes. Pensa-se 
em estabelecer uma cadeira especial para o direito 
mercantil. 

Do seguinte quadro consta o numero d'alumnos 
matriculados, examinados e approvados em cada 
uma d'estas duas cadeiras, bem como d^aquelles que 
tiraram carta: 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



826 



vmonmxujx 



n a ~ ^-»-r 



I 

u 

a 

< 

«: 
a 
z 

D 
O 

w 

CO 



i 



•opuvniOA 



*-<0 -«»co * | 



•ofjronuo 



00 n i-ico M m 



^O^>0»0 



Otco ~eo Mtn | 



•ojjrjaniOA 



Ol t*» •-« 00 CO -• O^ 



•o)j«a|pjo 



' co +* co ** «o ft 



«?. 



£ 

lid 

O 

«: 
o 

.< 

£ 



■ofmiroioA 



•opvajpio 



mfnwmioA 



flOfAOHUO 



•opviuniOA 



•opnenuo 



tHO^o^O^O^O 



• coco ~ c* « 



no mo ~ - O* | 



-coco a rsco 



0\ rhoo 3: £» r^ ^h 



CO rococo t^OOO 



$ 



CO 

00 

« r oo 



C/5 

10 



— c<co tJ-»ovo r% • 

r» i^ r^ i*N. i-n. c>. r>* • • 

00 00 00 00 oo 00 00 _J ^ 

7777777*3 S> 

^ t^ i^ i^ i^ t^ i^* 5 

qV) 00 00 00 00 00 00 £ 



Digitized by 



Google 



326 ANNUARIO DA ACADEMIA 

A grande differenca entre voluntarios e ordina- 
rios, principalmente na primeira cadeira, parece in- 
dicar que ainda os preparatories exigidos para a clas- 
se de ordinarios afastam muitos alumnos. 

Em cidade tao notavel como Lisboa, cujo com- 
mercio tern progredido consideravelmente, cujas re- 
lacoes crescentes com o estrangeiro lhe tornam in- 
dispensavel propagar os conhecimentos proprios a 
illustrados homens de negocio, a frequencia do curso 
no Institute* p6de ter-se como pequena; mas e muito 
maior do que na cidade do Porto, cujas condicoes 
economiqas faziam esperar que fossem numerosos os 
alumnos de urn curso superior de commercio. 

O curso de commercio da Academia Polytechnica 
do Porto esta quasi completamente abandonado des- 
de alguns annos. Em 1876- 1877 nao houvepara eUe 
um uhico alumno. A contar de 1861 -1862 a frequen- 
cia e muito pequena. O seguinte quadro permitte 
formar idea segura a este rfespeito : 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



327 





w 



3 

s 
Si 

3 


■< a. 


n 


I" 


S 

s 

i 


i 

i 


CD 


i854-i855 . . . . 


16 


12 


4 






I 




i855-i856 . • 






i5 


I 


2 


6 




I 


1 


i856-i85 7 . ■ 
i857-i858 . • 
i858-i859 . 






8 




3 




I 








6 - 


2 




4 












8 


4 




a 




I 




1859-1860 . • 






10 


4 






I 




1860-1861 . 






10 


3 


2" 


5 




I 




1861-1862 . 






4 


2 




2 








1862 -i863 . 






4 


2 




2 








1863-1864. 






1 


1 








I 


I 


1864-1865 . 






3 


1 




2 








i865-i866 . 






1 


1 








I 




1866-1867 . 

1867 -1868 . 
1868-1869 .. 






4 


1 




3 




I 








— 


— 


— 


— 


— 


— 








3 


2 




1 






I 


1869-1870. 






2 


2 












1870-1871 . 






3 


2 




1 








1871-1872/ 






1 






1 






I 


1872-1873 . 






3 


2 




1 








1873-1874 . 






3 




I 


2 








1874-1875 . 
1875-1876 . 






i 
1 






1 
1 








1876-1877 . . . . 


— 


— 


_ 


— 


— 


— 


— ■ 



O programma do curso foi at£ 1867- 1868 o se- 
guinte : 

/.° anno — Arithmetica, algebra e geometria (na 
1.' cadeira). 

Escripturaqao por partidas dobradas, organisacao 



Digitized by 



Google 



328 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de balancos e con t as correntes, nocoes dos systemas 
de escripturacao mais usados (na 1 1 .* cadeira). 

2. anno — Formulas dos documeatos commer- 
ciaes (na u. a cadeira). 

Desenho de figura e paisagem (na 4.* cadeira). 

3.° anno. Geographia e estatistica commercial, 
reduccao dos cambios, pesos e medidas estrangeiras 
(na 11.* cadeira). Economia politica e industrial e 
direito commercial (na 12.*). 

O quadro que acima tracamos daramente mos- 
tra quao pequenos tern sido os servicos prestados 
ao publico por este curso. En ten demos que uma das 
causas da diminuicao da frequencia foi a exigencia 
de mais fortes preparatorios. Ja em 1862-1863 se 
tornou indispensavel para a matricula a approvacao 
em fraacez ; e em 1 863- 1 864 principiou a ser neces- 
saria a approvacao em mathematica elementar, prin- 
cipios de chimica, physica, e introduccao a historia 
natural. Outra causa foi taLvez haverem-se fundado 
no Porto alguns cursos particulares de ensino com- 
mercial elementar. E' verdade que desde 1867-1868 
o programma da 1 1 . a cadeira e o seguinte : 

i. a parte: Escripturacao e arithmetica commer- 
cial. 

2 . a — Applicacoes de economia politica ao com- 
mercio; geographia commercial. 

3.* parte — Direito commercial. 

Mas se este programma e preferivel ao antigo, 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 329 

cumpre examinar quaes sao os meios de execucao. 
Ora a Academia nao tern urn museu de productos, 
nem os materiaes precisos ao ensino completo da pro- 
pria geographia; tambem nao existe n'ella urn curso 
de chimica applicada ao commercio ; e cotno se tudo 
isto nao fosse ja demasiadamentetnau, a cadeira es- 
pecial de commercio comprehende materias que sao 
professadas em curso triennal ; havendo um s6 pro- 
fessor, nao s6 e natural que nao tenha profundos co- 
nhecimentos de tao variados ramos de saber, mas 
jambem ae da forcosamcnte um de dois males: ou 
se admittem novos alumnos s6 de tres em tres 
annos, ou e permittida a matricula no 2. e no 3.° 
sem approvicao no i.° e 2. N'um caso diminue-se 
consideravelmente a utilidade que poderia ter o curso; 
no outro o estudante ira insufficientemente prepara- 
do, o que equivale a grave indisciplina da intelligen- 
cia. Ainda mais: pelo systema actual, se um alumno 
fSr reprovado, no 2. anno, por ex., os seus con- 
discipulos approvados poderao tel-o por companheiro 
no 3.° anno; mas em quanto que aquelles concluirao 
o purso, caso continuem a sahir-se bem dos exames, 
este, embora com certidao do 3.° anno, tera de es- 
perar dois annos para concluir os seus trabalhos aca- 
demicos com o exame do.2. . Assim, as desvantagens 
da actual organisacao vem a ser nao s6 numerosas, 
mas tambem de tai ordem, que sera difficil achar ou- 
tro curso em tao mas condicoes, quer no paiz, quer 



Digitized by 



Google 



330 ANNUARIO DA A CA DEMI A 

no estrangeiro. O bom nome das instituicoes de en- 
sino publico, e o interesse geral exigem n'esta parte 
da instruccao ministrada pela Academia uma reforma 
prompta. 

As circumstancias do thesouro impoe-nos o de- 
ver de nao propor para ja o estabelecimcnto de urn 
curso superior de .commercio, que possa ser compa- 
rado ao de Vienna, ou de Paris, ou da Antuerpia. 
Convencidos, porem, de que pequeno dispendio bas- 
tard para alcancar bons resultados, aqui daremos os 
tracos prindpaes d'uma reforma de facil realisacao. 

Materia* do curso. 

a) Escripturacao e arithm erica commercial. 

b) Economia politica, historia do commercio, geo- 
graphia commercial, principios de financa*, legislacao 
aduaneira, instituicoes de credito, systemas moneta- 
rios, deveres do commerciante. 

c) Nocoes geraes de direito, direito commercial. 

d) Principios de chimica. 

e) Productos commerciaes, chimica commercial. 
/) Francez e inglez. 

g) Principios de physica. 

c Duraqao do curso. Distribuigao das tnaterias. 
Curso biennal: 

i.° anno. Escripturacao e arithmetica mercantil, 
i.* parte. Economia politica (nocoes geraes), geogra- 
phia commercial, historia do commercio. Principios 
de chimica e physica. Francez e inglez. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 3S1 

2. anno. Escripturacao e arithmetica mercantile 
2. a parte. Principios de fiiiancas, legislacao aduaneira, 
instituicoes de credito, systemas monetarios, deveres 
do commerciante. Chimica commercial e merceolo- 
gia. Inglez. Desenbo. Nocoes geraes de direito, di- 
reito commercial. 

Da Academia Polytechnica aproveitar-se-iam a 
cadeira de commercio e a de economia politica. Do 
Instituto, as cadeiras de chimica, de physica, e a de 
desenho. A de chimica applicada as artes poderia 
provisoriamente. servir para o ensino do que ha de 
essencial na chimica commercial, e na merceologia, 
como se pratfca em Lisboa. 

Ha tambern entre as cadeiras do Institute, em- 
bora ainda nao tenha sido provida, a de contabili- 
dade, principios de economia industrial, nocoes de 
direito commercial e administrativo, e estadistica. 
Serviria ao curso de commercio desde que o profes- 
sor respectivo ensinasse em duas licoes semanaes os 
pontos mais importantes do direito mercantil; isto 
n§o e de modo algum incompativel com os fins a que 
se destina tal cadeira, antes se harmonisa de todo o 
ponto com a parte intitulada: c Nocoes de direito 
commercial*. • Cremos que sem grave inconveniente 
se podetia supprimir n'ella a c Estadistica*, para que 
ficasse menos sobrecarregada. O mesmo dizemos da 
<Historia CommerdaU. 

Embora haja no Instituto a cadeira de francez 



Digitized by 



Google 



382 ANNUARIO DA. ACADEMIA 

e de inglez, seria vantajoso estabelecer outra espe- 
cialmente destinada a fallar e escrever n'essas duas 
linguas, betn como a conhecer rTellas a nomenda- 
tura mercantil, os usos commerciaes e a geographia 
de Franca e da Inglaterra. 

A reforma que propomos exige outros program- 
mas para as cadeiras de commercio, e economia po- 
litica da Academia, e de chimica pratica no Instituto. 
Em quanto a i.% ncnhuma duvida se offerece; ha 
unicamente a notar que um mesmo professor teria 
de reger duas classes, uma de i.°, outra de 2. e anno 
em dias al tern ados. A de economia politica ficaria 
demasiadamente sobrecarfegada; mas supprimir-se-ia 
n'ella o curso de economia e legislacao rural, bem 
como o de economia e legislacao industrial : os cur- 
sos de agricultura e de directores de fabricas estao 
de tal sorte dispostosna Academia, que de certo nao 
seria nociva a suppressao proposta. Demais, deixa- 
riam de pertencer a esta cadeira os principios de di- 
reito commercial ; d'esta sorte ficaria livre o tempo 
necessario ao estudo da geographia commercial, da 
historia do commercio, da legislacao aduaneira, dos 
principios de financas, das instituicoes de credito, 
dos systemas monetarios, e dos deveres do commer- 
ciante. O professor de economia politica teria tam- 
bem de reger dois cursos, um de i .% outro de 2. 
anno. Em quanto ao programma de chimica pratica 
no Instituto, apenas haveria de certo a introduzir 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 



333 



n'elle additamentos, que nao destoariam 4o que e 
actualmente, nem aggravariam o servico que a lei 
impoe. 

Distributfdo do tempo. (De manha na Academia, 
a noite no Institute). 



HORAS SEMANAES 




Escripturafio e arithmetica com- 
mercial . -. 

Francez ........ 

Economia politica, geographia . 

Inglez 

Chimica (principios) . , . . 

Merceologia . . . . • . . 

Nofoes geraes de direito, direito 
commercial 

Physica (principios) .... 



(a) Nao durante todo o anno escolar. 

masstsjBSSsaBaBBSssssa^sssssssstssasaBssassss^ 

Pareceu-nos sufficiente que a lingua franceza, por 
isso que i mais facil, fosse ensinada s6mente no i .° 
anno. A' economia politica bastard i hora por licao 
no i.° anno; a falta de livros especiaes tornara in- 
dispensavel que no 2. anno os alumnos tomem nu- 
merosas notas sobre a legklacao respectiva; por isso 
havera 3 licoes semanaes. A geographia commercial 
(i.° anno) exigiria tambem mais' tempo, se o estudo 



Digitized by VjOOQ LC 



834 ANNUARIO DA A CAD EMI A 

da merceologia nao fosse complemento d'ella no qua- 
dro do ensino d'este curso. 

Damos em seguida urn exemplo da distribuicao 
dos dias de semana ; a pratica dos primeiros tempos 
ensinaria a introduzir ahi melhoramentos: 

/.° anno. 

Escripturacao . . . Segundas — Quartas — Sextas 

Francez • » 

Economia politica Tercas Sabbados 

Inglez » Quintas 

Chimica Quartas — Sabbados 

2.° anno. 

Escripturacao . . . Tenjas Sabbados 

Economia politica Segundas — Quartas — Sextas 

Merceologia » » > 

Inglez .9 Sabbados 

Physica Tercas — Quintas — Sabbados 

Material do ensino. Serviriam para o curso dc 
cortimercio: O laboratorio de chimica, o gabinete de 
physica e parte da Bibliotheca do Instituto Indus- 
trial. — Parte da Bibliotheca da Academia. O mu- 
seu technologic©, em via de formacao no Instituto, 
seria de muito-prestimo para o estudo da merceolo- 
gia. Haveria, de certo, muitos negociantes que nao 
se recusassem a dar para este museu amostras de 
productos. As colleccoes existentes em Lisboa, quer 



Digitized by 



Google 



POLYTECHN1CA DO PORTO 335 

no Instituto Industrial, quer no edificio da alfandega, 
(colleccoes obtidas de industriaes estrangeiros por ini- 
ciativa d'um (fas homens mais laboriosos e illustra- 
dos que tern havido em Portugal, o snr. Fradesso 
da Silveira), mostram que seria facil ir, com pequeno 
dispendio, enoquecendo o museu de materias primas 
e productos fabricados. 

Augmento de despe\a. O professor de francez e 
inglez receberia i05oo reis por hora. Nove horas se- 
manaes, em cerca de 40 semanas, custariam 540^000 
reis. A cadeira de Contabilidade e economia do Ins- 
tituto ha-de ser provida mais tarde ou mais cedo e 
nao devemos lancar a conta do curso de commercio 
o ordenado do professor d'ella. Bastariam 45o#ooo 
reis para o museu, livros, cartas geographicas, etc. 
Teriamos, pois, sdmente o accrescimo de 990^000 
reis as despezas actuaes com os dois estabelecimen- 
tos de ensino publico. 

Somos os primeiros a reconhecer que ficariam 
demasiadamente carregados de trabalho alguns pro- 
fessores, ou que seria difficil que satisfizessem com- 
pletamente ao programma. A cadeira de escriptura- 
cao e arithmetica mercantil, com especialidade, nao 
poderia dar todos os resultados que se esperariam 
talvez d'ella, senao sendo regida por-quem juntasse 
a fortes conhecimentos theoricos o saber pratico. 
Ninguem desconhece a difficuldade de encontrar pro- 
fessores assim; mas entre os diversos modos por que 



-Digitized by 



Google 



336 ANNUARIO DA ACADEMIA 

sc chegaria em breve a resolvel-as diremos um: con- 
siste em enviar a uma esc6la estrangeira quem es- 
tude o curso d'ella, e especialmente a parte denomi- 
nada escriptorio commercial. Quem assim viesse ha- 
bilitado para bem praticar esta parte do ensino sera 
depois recebido como professor no curso da Acade- 
mia, passando a reger outra cadeira o professor de 
escripturacao e de arithmetica commercial. A mo- 
destia com que se apresenta a primeira reforma dp 
curso actual mostra que nao faltariam materias em 
que occupar a actividade de mais um membro do 
pessoal docente. Accrescentando, em harmonia com 
o que fica dito, 700^000 reis para o novo professor, 
prefariamos 1:690^000 reis. 

Para bem se comprehender a importancia da ca- 
deira d'escripturacao, cumpre notar que os alumnos 
d'ella tern de proceder ahi a todos os trabalhos que 
os habilitem a entrar desassombradamente no exer- 
cicio do commercio. Ahi se utilisarao desde logo os 
conhecimentos que adquirirem ou f&rem adquirindo 
nas outras cadeiras. Ahi comecarao e concluirao 
transaccoes simuladas como se fossem ja commer- 
ciantes. A leitura da noticia de esc61as estrangeiras, 
a qual juntamos a este relatorio, fara melhor conhe- 
cer as razoes em que nos fundamos para ter espe- 
cial cuidado com esta cadeira. 

No curso de economia politica introduzimos uma 
parte denominada cDeveres do commerciantei. Na 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 337 

esc61a superior de Lyon ha uma aula especial com 
este nome. Em verdade e muito vantajoso que o 
alumno aprendanao s6 aadquirir riquezas materiaes, 
mas tambem a empregal-as em harmonia com os 
seus deveres. 

Um curso superior de commercio deveria ter 
uma cadeira de allemao ; conviria nao menos insti- 
tuir junto d'elle um curso elementar, para o qual 
seriam precisos dois ou tres professores ; quando 
houver muitos alumnos, a cadeira de escripturacao 
talvez necessite d'um professor auxiliar ; a merceolo- 
gia tera de ser mais tarde ensinada n'um curso es- 
pecial ; e as necessidades do ensino polytechnico de- 
mandarao que o programma da cadeira de econo- 
mia politica se amplie e seja para duas cadeiras; mas 
por em quanto sera prudente comecar dispendendo 
pouco, embora visando ja a uma organisacao per- 
feita, 

Habilitates. Instruccao primaria, calligraphia, 
arithmetica, algebra, geometria, desenho linear, fran- 
cez e inglez. A experiencia dira se convem exigir 
igualmente as nocoes fundamentaes de escripturacao 
mercantil. 

Vantagens do curso superior do commercio. O 
art. 74 do decreto com forca de lei de 20 de setem- 
bro de 1844, diz assim: «S6 poderao ser providos nos 
lugares de aspirantes do thesouro publico e alfande- 
gas os alumnos que tiverem diplomas da antiga aula 

22 



Digitized by 



Google 



338 ANNUARIO DA ACADEMIA 

de commercio, da csc61a de commercio, ou do cur- 
so correspondente da Academia Polytechnica do 
Porto* . 

O Cod. Com., art. io63, diz o seguinte: fOcs- 
crivao dos tribunaes de commercio deve ter feito o 
curso das aulas de commercio de Lisboa ou da Aca- 
demia do Porto, com certidao de approvacao.» 

Ha grande distancia entre publicar leis e fazer 
observal-as. O Cod. de i833 e o decreto de 1844, 
podiam dar grande importancia a qualquer curso de 
commercio ; mas de que valem palavras, se nao sc 
respeita nem o espirito, nem a letra das disposicoes 
legislativas ? 

E' evidente que o curso de commercio poderia 
ser de muita utilidade nao s6 no exercicio de varies 
lugares de fazenda e dos tribunaes de commercio, 
mas tambem no desempenho das funccoes de con- 
sul. A Italia aproveitou a esc6la de commercio de 
Veneza para habilitar candidatos ao consuladp; bas- 
tou-lhe desenvolvel-a um pouco, para elevar en- 
sino atehi. 

Independentemente, porem, das regioes officiaes, 
de quanto prestimo, de quao frequente e proficua 
applicacao nao seriam os conhecimentos adquiridos 
no curso de commercio ! Quantas vezes nao tem os 
negociantes portuguezes de tomar estrangeiros para 
o seu servico ? Quantas vezes nao os affligem as de- 
masiadas pretensoes" de gente mal habilitada? Quan- 



Digitized by 



Google 



POLYT£CHNICA DO PORTO 339 

tas questoes de subido interesse publico seriam lar- 
gamente discutidas pelos commerciantes n'ellas inte- 
ressados ? Quantas vezes nao concorreriam efficaz- 
nrente para a mais sensata solucao d'ellas, se as 
sciencias commerciaes estivessem assaz vulgarisadas? 
Acaso o tracto mercantil das nacoes estrangeiras, a 
abertura de novos mercados, o melhor aproveita- 
mento de tantos recursos nossos, a apreciacao justa 
das relacoes entre as financas publicas e a3 transac- 
$6es particulares nao exigem, alem de.grande labo- 
riosidade e muita honradez, o conhecimento dos 
phenomenos mercantis, das leis que os regem, e das 
instituicoes economicas ? Estando em condicao fa- 
voravel pelo territorio para tomar grande parte no 
tracto da Europa com a America, Portugal s6 apro- 
veitara devidamente esta vantagem natural desde 
que poder competir com estranhos nas qualidades 
intellectuaes e moraes. O piano que prop&mos con- 
tribuira, uma vez realisado, para augmentar o nu- 
mero dos homens illustrados, amigos do trabalho, e 
honestos, cuja forte educacao e instrucqao os preser- 
varade viverem longo tempo na classe de uma es- 
pecie de mendigps, as vezes com apparencia de ri- 
queza, mas que sempre pretendem tudo, nao tendo 
merecimento para quasi nada. 

Alem de servir para immediata utilidade do com- 
mercio portuguez, este curso tambem conviria muito 
a emprezarios de fabricas, a empregados superiores 



Digitized by 



Google 



340 ANNUARIO DA ACADEMIA 

Bellas, a directores de companhias manufactoras, e 
aos grandes agricultores. 

Se houvessemos de tractar das reformas a intro- 
duzir no ensino commercial em geral, teriamos de 
pedir tambem que se orgahisassem cursos elementa- 
res para urn e butro sexo. Apesar de nao pertencer 
ao nosso trabalho occuparmo-nos d'esta parte da 
questao de ensino de sciencias technologicas, expo- 
zemos na- Noticia ja referida a organisacao de duas 
esc6las commerciaes estrangeiras para o sexo femi- 
nino : quizemos a urn tempo indicar exemplos salu- 
tares, e tornar mais conhecido quao grande e o nos- 
so atrazo n'este ponto. 

Digamos de passagem que, chamada umas vezes 
a administracao dos bens da familia, e tantas outras 
a auctorisar vendas e obrigacoes important^ [Cod. 
civ.)\ necessitando de resolver sobre a applicacao e 
administracao de seus haveres, ou sobre as contas que 
procuradores ihes apresentam ; sendo mae ou esposa, 
e devendo saber dirigir a casa ; —a mulher necessita 
de nocoes de contabilidade, de economia politica, de 
hygiene, de chimica, etc. As boas condicoes de ali- 
mentacao, de educacao physica e de gerencia das 
sommas. que lhe sao con fi a das exigem instruccao 
positiva, que nao podem ministrar nem os roman- 
ces, nem os figurinos, nem os bailes, nem as mes- 
quinhas regras da etiqueta. 

Receita. Galculamos o accrescimo de despeza em 



Hgitized by 



Google 



POLYTfiCHNICA DO PORTO 341 

990 a 1.690 mil reis»; a receita poderia proceder do 
cofre do imposto especial para as obras da Bolsa. A 
praca do Porto lucraria mais com o ensino das scien- 
cias commerciaes do que utilisaria em concluir urn 
pouco mais cedo o luxuoso palacio da rua do Fer- 
reira Borges. Se, porem, se demonstrasse a necessi- 
dade de nao diminuir tanto a dotacao das obras, se- 
ria o resto pago pelo thesouro; ate que o referido 
cofre podesse dispensar toda aquella quantia. 

Conselho de aperfeiqoamento. Haveria um con- 
selho especial de aperfeicoamento para este curso. 
Comp&r-se-ia nao s6 dos respectivos professores, 
mas tambem de alguns negociantes eleitos pela As- 
sociacao Commercial, ou p'ela direccao d'ella. Teria 
por fim: prop&r quanto fosse conducente'a melhorar 
o ensino, e tambem estabelecer entre os professores, 
os commerciantes e os industriaes relacoes bastantes 
para que na instruccao dada n'este curso se atten- 
desse a todas as mudancas que fosse experimen- 
tando o tracto mercantil. 

Pela reforma que prop&mos tirar-se-ia muito 
maior proveito d'uma parte da despeza que hoje se 
faz com a Academia e o Instituto ; e provavel que 
se nao augmentassem os encargos do thesouro, e 
satisfar-se-ia a uma grande necessidade do ensino 
superior e nao menos do commercio d'esta cidade. 

Nosso principal intuito foi tracar um piano em 
que, sem negligencia para com os estudos theoricos, 



Digitized by 



Google 



342 ANNUARIO DA ACADEMIA 

muito especialmente se attendesse ao ensino pratico. 
Os programmas das cadeiras devem traduzir este 
pensamento. Assim, por exemplo, se pozemos a his- 
toria do commercio, e a geographia commercial no 
curso de econpmia politica, de certo nao foi para 
dar motivo a numerosas preleccoes de pura osten- 
tacao, mas sim para que os factos da terra e do ho- 
mem auxiliassem o estudo d'aquella sciencia. As leis 
que estabelece, e os phenomenos que analysa encon- 
trariam alii provas, obteriam alii esclarecimentos : 
bastard pensar nas questoes da divisao do trabalho, 
da renda, da moeda, e das evolucoes da troca, para 
comprehender o nosso pensamento. Ao mesmo tem- 
po elevar-se-fa 01 espirito dos alumnos no estudo das 
relacoes entre os diversos lugares e as diversas epo- 
cas. 

Ainda uma observacao e com ella fechamos o 
nosso trabalho: se ao substituto de commercio e 
economia politica fosse incumbida a regencia de uma 
cadeira, o pagamento da respectiva gratificacao per- 
mittiria aperfeicoar muito o curso de commercio, ou 
tornaria menor a despeza que indicamos. 

Academia Polytechnica do Porto, e sala da com- 
missao, em 3i de julho de 1877. , 



QAdriano ctvibreu Cardoso GMachado. 
Josi Joaquim Rodrigues de Freitas, relator. 



Digitized by 



Google 



.343 



RELA9AO DOS EsTABELEClMENTOS DE INSTRUC9AO 
ESTRANGEIROS A C^UE SE ENVIOU 

o Annuario ANTERIOR 



Hespanha 

Universidade central de M a d r i d— Universidades de G r a n a- 
da — Oviedo — Santiago — Zaragoza — Barce- 
lona — Valladolid — Salamanca — Valencia 

— S e v i 1 1 a. • 

Escolas do Commercio: de Madrid — de San Sebastian 

— de Rivadeo — das C a n a r i a s. 

Escolas nauticas: de Barcelona — .de Cadix. 
Direccfio geral de Instruccao publica em M a d r i d. 

Franpa 

ficole polyt£chnique de Paris — ficole des mineurs de Saint- 
£tienne — £cole des mineurs d'Alais — Ecole supeYieure 
de commerce de Paris — £cole des mines de Paris — 
£cole speciale militaire de Saint-Cyr — £cole des 4>onts 
et chaussles> — ficole d'application de Tartillerie et du 
genie, de Fontainebleau — Conservatoire national des 
arts et meuers — £cole centrale des arts et manufactu- 
res. 



Digitized by 



Google 



344 ANNUARIO DA A CAD EMI A 

Belflrioa 

University libre de Bruxelles — University de Gand — Univer- 
sity Catholique de Louvain — University de Liege — £co- 
le de navigation d' An vers et d'Ostende — Iustitut supe- 
rieur de commerce d' Anvers — - £cole militaire de Bru- 
xelles — £cole v industrielle de Bruxelles (annexe au mu- 
s6e de Tindustriej — £cole provinciale de Commerce, d'in- 
dustrie et des mines du Hainaut a Mons — £cole indus- 
trielle d'Anvers — de Bruges — de Charleroi. 



Salcma. 

University de Bern — Hochschule Zurich — Eidgcnossiche Po- 
lytechnische Schule in Zurich — Academie de Neufcha- 
tel — £cole industriel de Geneve — University de Basel 
(Bale) — College industriel et commercial de Ge*neve — 
Academie du Canton de Vaud — University de Geneve. 



Allemanha. 

Universidades: de Berlin — de Bonn — de Breslau — de 
Rostock — de Wiirzburg — de Kiel — de Leipzig — de 
Konisgberg — de Miinster — de Munchen — de Marburg — 
de Strassburg — de Greifswald — de Jena — de Halle — 
de Heidelberg — de Tubingen — de Giessen — de Erlan- 
gen — de Gottingen — de Freiburg. 

Academias e Polytechnicas: K. S. Polytechnische 
Schule zu Dresden — K. R. W. Polytechnische Hochschule 
zu Aachen — K. Bergakademie in Berlin — Grossherzogi. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 345 

Hessiche Polytechnlsche Schule in Darmstadt — K. W. 
Polytechnische Schule zu Stuttgart — Grossherzogl. Ba- 
dische Polytechnische Schule Carlsruhe — H. techni- 
sche Hochschule «Caxolo-Wilhelmina» zu Braunschweig 
— K. technisches Gewerbe-Institut in Berlin — K. Bau- 
akademie in Berlin — K. Bairische Polytechnische Schule 
zu Miinchen. 

Auortria 

Universidades: de Prag — Innsbruck — de Graz — de 
Wien. 

Academias e Polytechnicas: K. K. Technische Hoch- 
schule zu Briinn — Bohmisches Polytechnisches Landes 
Institut zu Prag — Deutsches Polytechnisches Institut 
des Konigreichs Bohmen zu Prag— -K. K. Technische 
Hochschule in Wien — K. K. Technische Hochschule in 
Graz. 

Italia 

Universidades: de Padua — de Napoles — de Pavia — 
de Pisa — de Turim — de Modena — de Genova — de 
Bolonha. 

Ministerio da Instruccao publica. 



Russia 

Universidades: de Dorpat — de S. Petersburg — de Ka- 
zan — de Moscow — de Cracovia — de Kiew. 



Digitized by 



Google 



346 ANNUARIO DA ACAD EM I A 

Academias e Polytechnicas: Polytechnicum de Riga 

— Instituto polytechnico de S. Petersburg — Academia 
do Commercio de Moscow — Instituto dos engenheiros 
de minas de S. Petersburg. 

Noroega 
Universidade de Christiania. 

Estados Uniclos 

Universidades: de Lafayette em Easton (Pensylvania) — 
de Nova-York — de Ithaca (Nova-York) — de Ann-Arbor 
(Michigan). 

Esc61as, Collegios e Institutos: Collegio agricola 
de Amherst (Massachusetts) — Esc61a agricola da Pen- 
sylvania — Collegio da cidade de Nova-York — Collegio 
Collombia de Nova-York— Escola scientifica de Sheffield 
(Massachusetts) — Collegio de Darmouth, em Hanover 

— Instituto technologico de Boston (Massachusets) — 
Smithsonian-Institution (Washington). 



Digitized by 



Google 



347 



RELA9AO D08 ESTABELECIMENTOS D'lNSTRUC^AO 
ESTRANGEIROS 9UE 8E DIGNARAM DE ENVIAI^ 
A ACADEMIA ESCRIPTOS RELATTVOS AO ENSINO 
DOS RE8PECT1VOS ESTABELECIMENTOS,. EM TRO- 
CA DO NOSSO ANNUARIO, COM A DESIGNA9AO 
MINUCIOSA d'E8SAS OPFERTAS. 



Hespaiilia, 

Universidad Central (Madrid) — Oracion inaugural 
pronunciada en la solemne apertura del curso de 1877 a 
1878, y Memoria — Annuario que se publican con arre- 
glo a la instruccion 47 de las aprobadas por Real Orden 
de 1 5 de agosto de 1877. 

Universidad de Granada — Memoria acerca del es- 
tado de la Universidad en el curso de 1876 a 1877 y da- 
tos estatisticos de la ensefianza respectivos al mismo cur- 
so de todos los establecimentos de instruccion publica 
del distrito. 1878. 

— Discurso que en la Universidad pronuncio en la solemne 
apertura del curso academico de 1878 a 1879 el doctor 
Don Eduardo Leon y Ortiz, catedratico de la Faculdad 
de ciencias. 1878. 

Universidad de Oviedo — Historia de la Universidad 
y noticias de los establecimentos de ensefianza de su dis- 
trito. 1873. 



Digitized by 



Google 



348 ANNUARIO DA ACADEMIA 

— Resefia hist6rica. Organizacion de la ensefianza en el dis- 

trito. Memoria del curso de 1876 a 1877. Anuario para 
el de 1877 a 1878. Variedades. I. (2.* serie). Oviedo 1878. 

Universidad de Santiago — Anuario de la Universi- 
dad para el curso de 18 56 a 1857. 

— Memoria acerca del estado de la ensefianza en el distrito 

universitario, y Anuario del curso de 1859. 

— Idem del curso de i860. 

— Idem, en el curso de 1876 a 1877. 

— Discurso leido en la Universidad en la solemnel apertura 

del curso academico de 1877 a 1878 por el exc." sr. dr. 
D. Maximino Teijeiro Fernandez, catedratico de la Fa- 
culdad de medicina, y Memoria sobre el estado de la ins- 
truccion en la misma Universidad en el afio de 1877 a 
1873B. 

Frcuapa, 

ficole splciale militaire de Saint-Cyr. 

Cours pro/essSs & Vtcole pendant Farmee 1877-8 
Programme dlveloppe* du Cdurs d'hygiene. i** Division. 

Cours de Legislation. i re et 2« Division. 

Cours de Fortification permanente. **• Division. 

Cours de Topographic 1* et 2« Division. 

Cours de Geographie militaire. 1™ et 2 e Division. 

Cours d'Administration. i re et 2* Division. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 349 

Cours d'art et d'histoire militaire. i r « Division. 
Cours d'art militaire. 2° Division. 
Cours de Fortification. 2 # Division. - 
Cours d'Artillerie- i r « et 2» Division. 

University libre de Bruxelles — Annee academique 
1878-79 — Discours d'ouverture prononce* en stance pu- 
blique le 14 Octobre 1878 par M. Van Schoor, adminis- 
tracieur-Inspecteur et M. Pigeolet, Recteur. 

— £cole Polytechnique. (Programma e disposicoes regula- 
mentares). 1873. 

University Catholique de Louvain— Annuaire 1878 
— 42« annde. 

£cole militaire de Belgique — Programmes de Ten- 
seignement inteneur de rficole. Bruxelles 1867. 

l£coles de navigation d'Anverset d'Ostende — 
Reglement. 1868. 

Muse'e de T Industrie —Reglement. Bruxelles 1869. 

Ecole Industrielle de Bruxelles annexle au Mu- 
se*e royal de l'lndustrie — Reglements. Bruxelles 
1875; 1878. 



Digitized by 



Google 



360 ANNUARIO DA ACADEM1A 

Italia 

R. University degli Studi di Napoli -— Annuario. 
Anno Scolastico 1878-79. 

— Raccolta di leggi e Regolamenti sulla Instruzione Superiore 

publicata per cura della Universita. 1878. 

R. Universita degli Studi di Modena — Annuario 
Scolastico per l'anno accademico 1878-79. 

University de Geneve — Reglement adopte par le Con- 
seil d'£tat (arrets du 16 juin 1874). 

— Programmes des Cours pendant les deux semestres de Tan- 

nee 1878-1879. 

Hochschule Zurich — Verzeichniss der Behorden, Leh- 
rer, Austalten und Studirenden im Wintersemester 1878- 

79- 

— Idem im Sommersemester 1879. 

— Verzeichniss der Vorlesungen in Sommersemester 1879. 

Allemanha 

Prussia 

Konigliche rheinisch-westfalische polytccb- 
nische Schule zu Aachen — Programm (or den 
Cursus. 1878-79. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 351 

— Schul-Gesetze. Bibliothek-Ordnung— Vorschriften iiber die 

Benutzung der Sammlungen. Laboratoriums-Ordnung. 
1871. 

— Haus-Ordnung. 

— Disposicoes regulamentares e dados estatisticos relativos d 

escola polytechnica de Aachen. 

Konigliche Bau-Akademie zu B e r 1 i n . — Programm 
fur das Studienjahr. 187&-79. 

— Special-Programm fiir die Vorlesungen und Uebungen. 

Studienjahr. 1878-79. 

Konigliche Technische Hochschule zu Berlin. 

— Provisorisches Verfassungs — Statut. 

— Verfahren bei der Imroatrikulation und bei der Annahme 

der Vorlesungen. 

— Bestimmungen iiber die Bewerbung urn Erlass des Hono- 

rars und urn and ere Beneficien. 

— Bildung der Abtheilungs-Collegien. 

Konigliche Universitat zu K i e 1 . — Akademische Ge- 

setze fiir die Studirenden. 
— Amtliches Verzeichniss des Personals und der Studirenden. 

Wintersemester 1878-79. 

— Geschaftsordnung des akademischen. Consistoriums, nebst 

Declaration des § 63 des Statuts yom 8. August 1874. 

— Verzeichniss der Vorlesungen im Wintersemester 1878-79. 

(em allemao e latimj. 

— Vom Rector und Senat und vom Consistorium. 

— Allerhochst bestatigtes Regulativ vom 9. Januar 1875, iiber 
die Verwendung der jahrlichen Einkiinfte der Schassi- 
schen Stifhing. 



Digitized by 



Google 



352 ANNUAJUO DA ACADEMIA 

Friedrichs-Untversi tat Halle Wittenberg— htm- 
gural-*Dissertationen. 

— Untersuchungen iiber das Annoliade, von EmilKettncr. 

1878. 

— Die Kampfe Theodoaus des Grossen mit den Gothen, too 

Julius Ifland. 1878. 

— Grundziige einer Kunstwissenschaft im Sinne Goethe's, von 

Oskar Linke. 1877. 

— Die Hochschule zu Jamnie unci ihre bedeutendsten Lehrer, 

mit besonderer Rucksicht auf Rabbi Gamaliel D (Erstcr 

Theil) von A 1 b e r t Scheinin. 1878. 
— Uber die Natur der Altund neu englischen Consonantal, 

von Gustave Tanger. 1878. 
— Die Syntax des Dativus im althochdeutschen und in de& 

geistlichen Dichtungen der Ubergangsperiode zum Mit- 

telhochdeutschen (I. Theil), von JohannesRost. 1878. 
— Die Elisabethanische Buhne nach* Ben Jonson (I. Theil)) 

von Otto Werner. 1878. 
— De verborum cum prepositionibus compositorum apud ve- 

teres Romanorum poetas scaenicos cum dativo structura, 

auctor Henricus Hahn. 1878. 

— De Graecis auctoribus in Georgicis a Virgilio expressis, au- 

ctor Hans Morsch. 1878. 

— De infinitive historico, auctore GustavusMohr. 1878. 

— Qua arte Aristophanes diverbia composuerit,' auctore Fri- 

dericus Witten. 1878. 

— Commentationis de Seviris Augustalibus scrip tae pardcula 

quae ad audiendam orationem de Petronii satiris, invitat 
Joannes Schmidt. 1 878. 

— De proprietatibus quibusdam sermonis Euripidei, auctore 

Carolus Rieck. 1878. 

— De fontibus topicorum Gceronis, auctore Maximilianus 

Wallis. 1878. 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 353 

- De corapositi Opens" Thucydidii temporibus, auctor Otto 

Struve.1878. 

- De Quisque et Quisquis pronominum apud comicos latinos 

usu commentatio, auctor Martinus Pennigsdorf. 
1878. 

- De Demosthenis aristocratese; — prima parte — auctor W a 1 - 

terusHerz. 1878. 

- De Sophoclis anno et natali et fatali, auctor Alexander 

Kolisch. 1878. 
-De Propertii elocutione quaestiones, auctor Bernardus 
Kuttner. 1878. 

- De Euripide poetarum maxime tragico, auctor A e m i 1 i u s 

Neidhardt. 1878. 
- Quaestiones Propertianae, autor HermannusKnauth. 
1878. 

- De Lucretii vocabulis singularibus, auctor CarolusWolff. 
-On the sources of Shakespeare's midsummer night's dream, 

auctor Ludwig Proescholdt. 1878. 
-Qie actio nata als Voraussetzung der Klagenverjahrung, 

von Friedrich R8th. 1878. 
-Die Entwicklung der Preise der landw. Produkte in 

Bohmen hn Zusammenhange mit den Fortschritten der 

Landwirthschaft, dargestellt auf Orund der Beitrage zur 

Geschicht^ der Preise filr die Wiener Aussteliung des 

Jahres 1873, von Franz Gromes. 1878. 
-Das Finanzwesen der Staaten und Stadte der Nordamerka- 

nischen Union, von SimonN. Patten. 1878. 
-Darstellung und Priiftuig der Hauptgedanken von Friedrich 

Heinrich Jacobi, von Johannes Friedrich Delius. 

1878. 
-Rant und Hume, von Christian Ritter. 1878. 
-Die Kantsche Lehre vom Schematismus der reinen Ver- 

standesbegriffe, von P . S . N e i d e . 1878. 



Digitized by 



Google 



354 ANNUARIO DA ACADEMIA 

m 

— Versuch einer Psychologie des Talmud, von Moses Ja- 

cob son. 1878. 

— Die Erziehungstheorie des Aristoteles, von Hermannus 

Schmidt. 1878. 

— Ethica Spinozae doctrina aim kantiana comparatur, auctor 

RicardusGicssler. 1878. 

— Das Barsche Gesetz, von BernhardHo ff m a n n . 1878. 

— Beitrag zur Kenntniss der Acentonbasen, von Th. Got- 

schmann. 1878. 

— Das Aetherische Senfoel, von Reinhold Henre. 1878. 

— Die Conidienfruchte von Fumago. Ein Beitrag zur Pycui- 

den-Frage, von W i 1 h e 1 m Zopf. 1878. 

— Untersuchungen iiber die Zuckersaure, von Hermann de 

la Motte. 1878. 

— Die Schuppen an den Verschiedencn Fliigel-und Korper- 

theilen der Lepidopteren, von Robertus Schneider. 
1878. 

— Derivate des Diacetonalkamin's u. des Acetophenon's, von 

Georg Baumert, 1878. 

— Polyxenus Lagurus de Geer. Ein Beitrqg zur Anatomie, 
i Morphologie und Entwicklungsgeschichte der Chilogna- 

then, von Joannes Bode. 1878. 

— Das Rothliegende und die Basischen Eruptivgesteine der 

Umgebung des grossen Inselsbergs, von Paul us Ale- 
xanderFriedrich. 1878. 

— Ueber Thrombose und Embolie nach Uterusfibrom, von 

Carl Glass. 1878. 

— Uber die Fortpflauzung der magnetischen Induction in wei- 

chem Eisen (Habilitations-Schrift), von Anton Ober- 
beck. 1878. 

— Beitrage zur Kenntniss der Primaren Nierentumoren Be- 

sonders der Sarcome, von Ernst Koch. 1878. 

— Die Hydrocele und ihre Heilung durch den Schnitt bei 



Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 355 

Antiseptischer Wundbehandlung (Habilitationsschrift), von 
D. r Alfred Genzmer. 1878. 

— Untersuchung von Melaphyren aus der gegend von Klein- 

•schmalkalden, von Fr.„M. Wolff. 1878. 

— Krystallographische Beobachtungen (Habilitationsschrift), 

von D. r Otto Luedecke. 1878. 

— Ober die Bewegung der Warme in einer Homogenen Ku- 

gel, von Otto Baer. 1878. 

— Untersuchungen iiber die Parallelflache des Ellipsoides, von 

Emil Neumann. 1878. 

Bade 

• 
—-Grossherzoglich Badische Polytechnische 
SchulezuCarlsruhe — Vorschriften fur die Studi- 
renden. 1873. 

— Programm fur das Studienjahr 1878-1879. 

— Ordnung fur die Prufung der Studirenden. 

— Ordnung der Prufung zur Erlangung eines Diploms. 

— Auszug aus der Ordnung fur die Diplompriifungen und die 

Ertheilung von Diplomen. 
.— Nr. VIII des Regierungs-Blatt. 

Universitat Freiburg — Reden, bei der offentlichen 
Feier der Uebergabe des Prorectorats in der Aula am 
22. Mai 1878. &c. 

— Ankiindigung der Vorlesungen welche im Winter-Halb- 

jahre 1878-79 auf der Grossherzoglich Badischen Alber- 
Luwigs-Hochschule zu Freiburg im Breisgau gehalten 
werden. 

— Ankiindigung der Vorlesungen welche im sommer — Hal- 

bjahre 1878 auf der Grossherzolich Badischen Albert- 
Luwigs-Hochschule zu Freiburg im Breisgau gehalten 
werden. 



Digitized by 



Google 



} 



356 ANMJARIO DA ACADEMIA 

WUrtemberg 

Kgl. Wiirttembexgische Polytechnische Schule 
zu Stuttgart — Programm fur das Jahr 1878 auf 1879. 

— Organische Bestimmungen. 

— Bestimmungen iiber die Abhaltung von Diplom-Prufungen 

an den Fachschulen fur Architektur, Ingenieurwesen, M* 
schinenbau, Chemische Technik, Mathematik und Nature 
wissenschaften und fur allgemein bildende Facher. 

— Jahres-Bericht fur das Studien-jahr 1877-1878. 

— Statuten fur die Studirenden. 1876. 

Universitat Tubingen — Statistik herausgegeben tod 
dem K. Statistisch-tODOgraphischen Bureau. Stuttgart 

1877- 

Baviera 

Kgl. Bayerische Technische Hochschule zo 
Miinchen — Bericht fur die Studienjahr 1877-78. 

— Satzungen fur die Studirenden. 1878. 

— Bestimmungen iiber die Abhaltung fier Absolutorialpn> 

fungen. 1877. 
— Organische Bestimmungen (Konigiich Allerhochste Vcror- 
dnung vom 6. August 1877). 

— Personalstand in Winter-Semester. 1878-79. 

— Programm fiir das Jahr 1 878-1 879. 

< Ducado de Hesse 

— Grossherzoglich Hessiche Technische Hoch- 

schule zu Darmstadt— Programm Fdr das Studien- 
jahr. 1878-1879. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 357 

-Disciplinar bestimmungen fiir die Studirenden j(Genehmigt 
durch Entschliessung Grossherzoglichen Ministeriums des 
Innern vom .28. September 1869). 

-Auszug aus der Bibliotheks— Ordnung (Ffestgestellt durch 
die Beschliisse des Lehrevrathes der polytechnischen 
Schule vom ia. und r3. Februar 1874), mrt die Bestim- 
mungen fiir die Benutzung der Bibliothek seitens der 
Studirenden. 

— Bekanntmachung, die organischen Bestimmungen der 
polytechnischen Schule zu Darmstadt und die Kunstige 
Benennung dieser Anstaltb etreffend (Aus dem Regierongs- 
blatt. Nr. 44 vom 19 Oktober 1877). 

-Mittheilungen iiber die Stadt Darmstadt und den Aufen- 
thalt das elbst. 



Ducado de Brunswick 

Herzogliche Technische Hochschule Carolo- 
Wilhelmina zu Braunschweig — Programm ftir 
das Studienjahr. 1878- 1879. 

— Verfassung. 1878. 

— Die feierliche Erbffnung, am 16. October 1877. 

Saxonia 

Kbniglich Sachsische Polytechnikum zu Dres- 
den — Statut (den 3. April 1878). 

— Festschrift zur Einweihung. des neuen K. S. Polytechnikums 

zu Dresden am 4. November 1875. 

— Studienordnung fiir die Studirenden (den 24. Juli 1878). 

— Habilitationsordnung (den 24. Juli 1878). % 

— Bestimmungen iiber den Besuch der bffentlichen Bauten, 



Digitized by 



Google 



358 anni/arto da academia 

technischen Etablissements und Koniglichen Sammlun- 
gen. (im November 1875). 

— Regulativ fur die Absolutorialpriifungen (am 17. Mai 1871). 

— Praktikum fiir deutsche Stylistik und Rhetorik. Regulativ. 

(October 1873). 

— Programm fiir das Studienjahr, beziehungsweise Winterse- 

mester 1 878-1 879. 



Aucrtiria 



Vienna 

Kais. Konigl. Technische Hochschulein Wien— 
Inaugurations-Rede des fiir das Studienjahr 1878-79 ge- 
wahlten Rectors Dr. Hugo Franz Branchelli (Gehalten am 
14. October 1878). 

Kais. Konigl. Universitat zu Wien — Offentliche 
Vorlesungen im Sommer-Semester. 1879. 

— Die Feierliche Installation des Rectors fiir das Studienjahr. 

1878-89. 

Moravia 

Kais. Konigl. Technische Hochschule zu Briinn — 
Programm fiir das Studien-Jahr. 1878-79. 

Styria 

Kais. Konigl. Technische Hochschule in Graz 

— Programm fiir das Studien-Jahr. 1878-79. 



Digitized by 



Google 



POLTTECHNICA DO PORTO 359 

K. K. Universitat zu Graz — Die Entstehungszeit des 
osterreichischen Landesrechtes. Eine kristische Studie 
von Dr. Arnold Lurchin Veroffentlicht von der Univer- 
sitat zur Jahresfbier am i5. November 1872. 

— Dionysius Petavius. Ein Beitrag zur Gelehrten-Geschichte 

des XVII. Jahrhunderts. von Dr. Franz Stanonik. Fest- 
schrift der Universitat ails Anlass der Jahresfeier am XV 
November MDCCCLXXV." 

— Die Romanen und ihre Verbreitung in osterreich. Ein Bei- 

trag zur nationalitaten — Statistik mit einleitenden Be- 
merkungen iiber deren Verhaltniss zu den Rechts-und 
Staatswissenschaften, von H. J. Bidermann. Festschrift der 
Universitat aus Anlass der Jahresfeier am XV. November 
MDCCCLXXVI. 

— Die Selbstverdauungs-Processe der Magenschleimhaut, von 

Dr. Haans Kundrat. Festschrift der Universitat aus Anlass 
der Jahresfeier am XV. November MDCCCLXXVII. 

— Zur Geschichte des deutschen Volksthums im Karpaten- 

lande mit Besonderer Rucksicht auf die Zips und ihr 
Nachbargebict. Studie von Dr. F. Krones. Festschrift der 
Jahresfeier am XV. November MDCCCLXXVM. • 



ESistados Unidos <la Amerioa 

University ofMichigan (Ann Arbor): 
Calender for 1877- 1878. 
Calender for 1878-1879. 

Darmouth College (Hanover) — Catalogue for 1878- 
1879. 

Fifteenth annual Report of the Secretary to the State Board 



Digitized by 



Google 



360 ANNUARIO DA ACADEMIA 

of Agriculture of the State of Michigan, for the year en- 
ding September 3o, 1876. 
Twenty-Second annual Catalogue of the Officers and Stu- 
dents of the State Agricultural College of Michigan. 1878. 

Massachusetts Institute of technology (Boston). 
— Fourteenth annual Catalogue of the Officers and Students 

with a statement of the courses of instruction. 1 878-1879. 

Entrance Examinations, September, 1878. 



Digitized by 



Google 



361 



Do interessante discurso inaugural (Inaugurations- 
Rede), proferido em 14 d'outubro ultimo na Esc61a superior 
technica de Vienna (K. K. tecbnischen Hochscule in 
\Vien) pelo Dr. Hugo Franz Brachelli, professor de Estatis- 
tica e Reitor da mesma Esc61a, extractamos o seguinte qua- 
dro estatistico de esc61as superiores technicas, rectificando-o 
e completando-o na parte relativa ao nos& pais. As sommas 
que no quadro do professor austriaco estam referidas a florins 
de Vienna (Gulden b. W:) foram reduzidos 4 nossa moeda na 
razao de 435 reis por florim. 



eetattaUeo de E»c61m Mpertore* 
tecJuftlca* 

j. Numero dos Laites e Estudantes 



Esc61aS Anno radoree, teeeou- 

ajudantea, ftc, vfntee 

Academia Polytechnica do Porto 1878/9 19 *) n3 ») 

Esc61a polytechnica de Lisboa • • » 46 3) 361 *) 

Total em Portugal » tf 5 374 



1) Bate numero comprchende 16 Lentea, um bibllothecario e doia pfeparadorea. 

I) Todos eetea alumnos pertencem a claaftc civil. 

8) Bate numero co m p re h ende M Lentet e ss naturalistas, preparadoree, coneer- 
vadorea, etc. 

4) D'este nnmero, 117 alumnot pertencem ao exercito, 4 a armada e oa restan- 
tea 140 a claaae civil. 



Digitized by 



Google 



362 



ANNUARIO DA ACADEMIA 



Escdlas 

Esc61a real e imperial superior 

technica de Vienna 

Idem de Graz. ••••...........•. 


Anno 

1877/8 

» 
» - 


Lent**, prepa- 

ndorei, 
ajudantet, fee. 

80 

5o 

3i 
38 

5i 

43 

52 


rnxe* 
1545 

265 
164 

225 

658 

488 

728 


Idem de Briinn 


Idem de Lemberg.. . • 


Instituto real e imperial polyte- 
chnico bohemio de Praga — 

Idem allemao de Praga.... 

Konigl. Josephs-Polytechnikum 
de Budapest 


'fetal no imperio austro-hungaro* 

Academia real de Berlin 

Academia industrial de Berlin*. . . 
Escdla Real polytechnica de Ha- 
nover 


1877/8 

» 

» 
• 

» 

\ 

m 

» 


3 4 5 

74 
5o 

45 
46 

80 

55 

7* 

52 

3o 


4073 

1027 
691 

74D 
6o5 

1180 
66i 

543 
588 

2l3 


Idem Aachen (Aix-la-Chapelle) . . 

Esc61a real superior technica de 
Munich (Miinchen) 

Polytechnico real de Dresde 

Esc61a real polytechnica de Stutt- 
gart 


o* *•••••••••••••• 

Esc61a polytechnica grand ucal de 
Karlsruhe 

Esc61a superior technica gra-du- 
cal de Darmstadt 




l) As dMM referem-ae ao aemestfe de inTerno. 


5o 4 


6i55 



)igitized bf 



Google 



POLYTECHNIC* DO PORTO 363 



Lent**, prep*- Katudan- 

Esc61aS Anno radorea, tea eon - 

ajudantea, *c. rintea 

Transporte 504 6255 

Idem ducal de Brunswick (Braun- 
schweig) f 877/8 3i 179 

Total no imperio allemao *). . . » 535. 6434 

Esc61a polytechnica de Paris.... 1876 68 527 

Esc61a de Pontes e Estradas de 

Paris 1877/8 24 102 

Esc61a Central de Artes e Offi- 
cios de Paris 1876 63 532 

'Total na Franca *)... i55 n6i ' 

Institute Real superior technico 

deMilio^ 1876/7 35 220 

Esc61a Real d'engenharia de Tu- 
rin » 18 295 

Idem de Napoles » 16 23o 

Idem de Roma* » 27 77 

Idem de Padua .'. . » 18 1 5o 

Idem de Palermo » • 10 36 

Idem de Bolonha ' M878 18 3o 

Museu Real de Industria de Tu- 
rin '87^/7 1 5 296 

Candid atos a diplomas de enge- 

nheiros nas-Universidades.. . . » — 779 

Total na Italia 1 57 21 1 3 

1) Aa dataa referem-ae ao aemeatro delnrerno. 

2) Nio ae incluiu a Bac61a eapecial do Architectura, Sobre oa lOf ea^ndantea da 
Bacdla de frmtea e Eatradaa aeereaccm alndo 14 alumnoa do ennoa praparatorioa. 



Digitized by 



Google 



364 ANNUA1I0 DA ACADEMU 

Lente*, pepa- Irlirtm- 
EsCOlaS Anno radore*. tcaeoo- 

•judanto*, Ac. risUs 

Instituto imperial technologico de 

S. Petersburgo 1877/8 45 454 

Esc61a imperial d'engehharia de > 

S. Petersburgo 1874 41 66a 

Esc61a imperial d'architectura de 

S. Petersburgo. 1878 36 164 

Esc61a imperial technica de Mos- 

cou , 1877/8 46 58a 

Esc61a polytechnica de Riga. ... » 3i 354 

Escola imperial polytechnica de 

Helsingfbrs 1878/9 27 99 



Total da Russia. ... 226 23i 5 



Escdla Real superior technica de 

Stockholmo 1877/8 36 • 278 

Esc61a Real polytechnica de Co- 

penhague • 24 229 

Idem de Delft 1875/6 26 260 



Escola polytechnica de Bruxellas 1877/8 14 121 

Esc61a real d'engenheiros civis de 

Gant 1876/7) (ai5 

Esc61a real d'artes e manufactu- 
ras de Gant » 

Esc61a d'engenheiros civis de Lou- 
vain * I 5 ) 5i\ 

Esc61a d'artes e manufacturas de ^ \ * 

Louvain » 



(2l5 

18 

( 60 



47 601 

1) IMIMIM At ahMMMtfft lM61ft <to alBM. 



Digitized by 



Google 



\ 



POLYTECHNICA DO PORTO 965 



Lentos, prep*- Bstadui- 

Esc6IaS Anno rtdores, 'teaeou-/ 

ajndanteo, *c vtetei 

Trattsporte •.... 47 601 

Escoia real d'artes e inanufactu- 

ras de Liege 1876/7' 17 107 

Total na Belgica. ... . 64 708 

Escoia polytechnica confederal de 

Zurich 1877 I0 7 987 

Faculdade technica de Lausanne. . » i3 58 

Curso technico de Lugano 1878 8 11 

Total na Suissa. • . . 128 10 56 

Esc61a polytechnica de Athenas. 1877/8 10 ' 235 

Faculdade technica de Belgrade 1878 i3 16 



Digitized by 



Google 



366 



ANNUAUO DA ACIDEMIA 



//. Custo de sustenta^do dos Estabelecimentos 



Anno Custo total por alnmno 

Academia Polytechnica do 

Porto 1878/9 14:841*310*) i3i<339 

Escdla Polytechnica de Lis- 

boa » 48:855*585*) 187*186 

Total em Portugal » 63:696*895 170*31 3 

Esc61a superior technica de 

Vienna 1878 106:575*000 68*978 

Idem de Graz » 4i:325*ooo 1 55*943 

J<fem deBriinn » 38:62 5*ooo 198*933 

Idem de Lemberg • 32:190*000 142*858 

Instituto real e imperial po- 

lytechnico bohemio de Pra- 

/iS,aliemiodeP;aga:::::: "J 9»:«93*>3o 8o*445 
Konigl. Josephs — Polytech- 
nickum de Budapest .... * » 82:650*000 11 3*53 1 

Totalno imperio Austro-Hun- 
garo., » 393:558*o3o g5*i52 

U) N*esta quantia nio se Inclniu a annnidade de 4:000*000 rote destinada a conti- 
nuaolo da* obrai do ediActo da Academia. 

(S) N'eata quantia nio as Inclniu a annuidade de lOsOOntOOO reis desdnada para 
Juros e amortisaoio doe emprestimoa levantados para a reconstruct do edifldo da »*- 
eola, nem l£S8$ooo pais fmportanola da deapeaa dos Pottos metoreologicos exirte&tc* no 
continent* e nas Unas. 



.Digitized by 



Google 



POLYTECHNICA DO PORTO 



367 



Anno 

Academia real de Berlin. . . . 1878/9 

Academia industrial de Ber- 
lin » 

Esc61a polytechnica de Ha- 
nover » 

Esc61a polytechnica de Aa- 
chen (Aix-la-Chapelle).... » 

Esc61a superior technica de 
Munich (Miinchen) 1877 

Polytechnico real de Dresde 1878 

Esc61a polytechnica de Stutt- 
gart » 

Escdla polytechnica de Karls- 
ruhe * 

Escola superior technica de 
Darmstadt » 

Esc61a superior technica de 
Braunschweig ! 878/9 

Total no imperio allemao . . 

Esc61a polytechnica de Paris 1876 
Escola de Pontes e Estradas 

de Paris 1878 

Esc61a central de artes e offi- 
cios de Paris 1876 

Total na Franca 



Custo total 


Cnsto 
por alumno 


6i:i8oj275 


58*307 


6o:493*275 


87*418 


3i:9l8*I25 


42*782 


53:983*500 


< 89*227 


93:525*ooo 
62:241*975 


79*257 
94*164 


60:900*000 


1 12*1 52 


52:983*000 


90*106 


34:288*875 


% 160*980 


40:274*475 


224*999 



551:797*500 85*760 

76:734*000 145*603 

87:000*000 750*997 

82:824*000 155*682 

246:558*000 209*840 



Digitized by 



Google 



368 



ANMUARIO OA ACADBMIA 



Instituto technologico de S. 

Petersburgo 1877/8 

£sc61a d'architectura de S. 

Petersburgo 1878 

Esc61a technica de Moscou. . 1877/8 
Escdla polytechnica de Riga » 
Esc61a polytechnica de Hel- 

singfors ^78/9 

Escola superior technica de 

Stockholmo 1878 

Estabelecimento polytechni- 

co de Copenhague 1877 

Escola polytechnica de Zu- 
rich. » 

Faculdade technica de Lau- 
sanne » 

Curso technico de Lugano . . 1878 

Total na Suissa 

Esc61a polytechnica de Athe- 
na* 1877/8 



i6o:5*6*745 353*58i 



52:060*800 

124:224*255 

63:37o*8oo 

19:1401000 

34:5144640 

1 4: 1 33^i 5o 



3i7*^9 
2 1 3*44 1 
179*011 

i9*33i 

124*53 

6i«7i3 



76:804*905 77*81! 



4:492*245 
2:470*800 



«4#'7 



83:767*950 79B27 



1 3: 010*415 55*362 



)igitized by 



Google 



INDIGE DAS MATERIAS 



Paginal 
Epocas principals da Aoademia Polytechnica do 

Porto • 3 

Kalendario 5 a 20 

Directoria e Secretaria 21 

Conselho academico 23 a 25 

Estabelecimentos pertencentes a Academia Polyte- % 

chnica 27 

Bibliotheca 29 a 37 

Estatistica bibliographica, 29 — Obras offe- 
recidas, 29 a 33 — Obras adquiridas por 
compra, 34 a 37. 

Gabinete de historia natural 39 a 41 

Laboratorio chimico 43 a 49 

Jarcfim botanico e experimental 51 a 56 

Gabinete de instruments de mathematica ... 57 a 59 

Aula de Desenho 61 a 63 

Datas das nomeacoes, encartes e posses dos Lentes 
emais empregados da Academia Polyteehnica, 
e indicacao das naturalidades e epocas* dos nas- 

cimentos dos mesmos 65 a 70 

24 



Digitized by 



Google 



370 INDICE DAS MATERIALS 

Tabella dog vencimentos dos Lentes e mais empre- 
gadoe, e dotacSo da Academia para expediente 
e material do ensino e para obras do edifieio . 71 

Disposicoes legaes relativas aos Lentes (direitoe e„ 

deveres) 72 a 74 

Cursos legaes da Academia Polytechnica do Porto 75 a 89 

Enumerac&o dos cursos, 75 — Quadros dos 
cursos de Engenheiros civis, 76 e 77 — 
Quadro do curso de Directores de fabricas, 

77 e 78 — Quadro do curso de Commercian- 
tes, 78 — Qnadro do curso de Agriculture, 

78 e 79 — Quadro do curso de Artistas, 79 
— Quadro do curso preparatorio para as 
Escolas Medico-Cirurgicas, 79 — Quadro 
do curso preparatorio para a Escoia de 
pbarmacia, 80 — Quadros dos cursos para 
a Esc61a naval, 80 — Quadro do curso para 
a Esc61a do Exercito, 80 e 81 ; quadro da 
distribuicdo do tempo n'este curso prepa- 
ratorio, 82 e 83. 

Horario das aulas no anno lectivo de 1878/9 84 a 87 

Habilitacoes exigidas aos alumnos para a matricula 

nos cursos da Academia Polytechnica ... 88 a 90 

Vantagens conferidas por lei as Cartas de capaci- 

dade dos cursos da Academia . . . 91 

Tabella das propinas de matricula, das Cartas de 
capacidade, e dos emolumentos do Secretario 
da Academia 92 e 93 

Livros que servem de texto nas aulas no anno le- 
ctivo de 1878-79 94e95 

Alumnos matriculados na Academia Polytechnica no 
anno lectivo de 1878-79, distribuidos por cadei- 
ras r 97 a 109 

Distribuidos segundo os cursos em que se matricu- 

laram Ill a 114 



Digitized by 



Google 



INDICE DAS MaTERIAS 371 

Quadro estatistico dos alnmnos que frequentam a 
Academia no anno lectivo de 1878-79, distri- 
buidos segundo a sua naturalidade .... 115 a 117 

Indice alphabet! co dos alumnos da Academia Poly* ' 
tecbnica no anno lectivo de 1878-79, indicando 
a sua filiac&o, naturalidade e referenda as ca- 
deiras em que se matricularam 119 a 125 

Disposicoes reguln men tares relativas aos alumnos 126 a 136 

Regulamento da fiscal isacilo e julgamento das 

faltas dos alumnos, 126 a 130 — Regula- 

mento dos actos, 131 a 134 — Policia aca- 

demica ; disposicoes penaes, 135 e 136. 

Alumnos premiados.e distinctos nas cadeiras da 

Academia, proclamados em sessao solemne de 

15 d'outubro de 1878 137 e 138 

DesignacSo dos alumnos que tiraram Carta de ca- 
pacidadc de Cursos da Academia, no anno le- 
ctivo anterior 139 • 

Mappa estatistico do mo vi men to da Academia Po- 

• lytechnica no anno lectivo de 1877-78 . . . 140 e 141 

Seccao de lcgislacao 143 a 273 

Decreto que fundou a aula de nautica na ci- 
dade do Porto, 145*— Decreto que fundou 
a aula de debuxo e desenho no Porto, 146 
e 147 — Aviso regio mandando admittir os 
alumnos de nautica nos navios mercantes, 
148 e 149 — Alvari que creou as aulas de 
mathematica, commercio, das linguas fran- 
ceza e ingleza, e encarregou a Junta da 
Administrac&o da Companhia das Vinbas 
do Alto-Douro da administrayao, direccao 
e projeccao d'um edificio no terreno do Col- 
legio dos OrphSos, proprio para as referi- 
das aulas, 150 a 155 — Alvara que decre- 
tou os Estatutos da Academia Real da Ma- 



Digitized by VjOOQ IC 



372 INDICE DAS MATERIAS 



rinha e Commercio da cidade do Porto, 158 
a 187 — Carta regia de Estatutos da Aca- 
demia real da Marinha de Lisboa, 189 a 
208 — Carta regia de Estatutos da Acade- 
mia real doe Guardas tnarinhas, 209 a 229 
— Estatutos da Aula de Commercio, de 
Lisboa, 231 a 241 — Obrigacoes inherentes 
ao logar de Director litterario da Acade- 
mia real da Marinha e Commercio da Ci- 
dade do Porto, 242 a 245 — Decreto que 
contem disposicoes regulamentares tenden- 
tes a fixar as attributes da Junta e do 
Director litterario, 246 a 248 — Alvara re- 
gio que determinou a reforma da Acade- 
mia real da Marinha e Commercio da ci- 
dade do Porto, 249 a 256 — Decreto que 
contem disposicoes regulamentares acerca 
da promiscuidade de frequencia dos alum- 
nos nas reaes Academias de Marinha, 257 
e 258 — Carta regia que reformou o regu- 
lamento da Academia, assim na parte lit- 
teraria como na parte economics, 259 a 
263 — Keeolucao regia que ezclue de pre- 
mios os estud antes repetentes, 264 — Carta f 

regia ordenando que nenhum estudante seja 
admittido a 2.' matricula sem justificar 
pi en am ente a faltn de babilitacao no anno 
da l.« matricula, 265 e 266. — Decreto que 
manda ex plica r h2.» parte do Codigo Com- 
mercial portupuez na cadeira do 3.* anno 
mathematico, 267 e 268 — Decreto que re- 
gulou provisoriamente o regimen litterario 
e economico da Academia da Marinha e 
Commercio da cidade do Porto, 269 a 273. 

Seccao de Variedades 275 a 368 

Projecto de reforma do Curso Superior de Commer- 
cio da Academia Polytechnic* apresentado ao 
Governo pelo conselho academico .... 277 a 342 



Digitized by 



Google 



INDICE DAS MATERIAS 373 



Breve noticia acerca d'algumas esoSlas de 
commercio estrangeiras, e do curso de com- 
mereio de Lisboa, 277 a 326 : Escola supe- 
rior de commercio de Paris, 278 a 284 — 
Escola do Havre, 284 a 286— Esc<Sla de 
Rouen, 286 e 287 — Esc61a de Maraelha, 
287 a 289— Escfla de Lyon, 289 e 290 — 
— Instituto de Lille, 290 a 292 — Escola 
de Bordeus, 292 a 295 — Instituto Superior 
de Commercio na Antuerpia, 295 a 303 — 
Esc61a Superior de Commercio em Veneza, 
303 a 308 — Esc61a Academica de Com- 
mercio em Vienna d' Austria, 308 a 313 — 
Breves indicacoes acerca de escolas estran- 
geiras de instrucc&o commercial para o sexo 
feminino, 313 a 316 — Noticia acerca do 
Escriptorio Commercial nas Esc6- 
las Superiore8 de Commercio, 317 a 322 — 
Curso de Commercio no Instituto Indus- 
trial e Commercial de Lisboa, 322 a 826. 
Curso de Commercio da Acidemia Polyte- 
chnica do Porto ; seu estado actual. Piano 
de reforma do mesmo curso, 326 a 342. 

i 
Relac&o dos Estabelecimentos d'instruccito, estran- 
geiroe a que se enviou o Annuario an- 
terior 343 a 346 

BelacSo dos Estabelecimentos d'instruccSo, estran- 
geiros, que enviaram a Academia escriptos rela- 
tivos ao ensino dos respectivos Estabelecimen- 
tos em troca do nosso Annuario, com a desi- 
gn* 930 d'essas offertas 347 a 860 

Quadro estatistico de Esc61aa Superiores technicas 
indicando o pessoal docente, o numero de alum- 
nos, o custo de sustentac&o, no total e por 
alumno de cada uma das mesmas Esc61as , ~ 361 a 868 



Digitized by 



Google 



Digitized by 



Google 



Digitized by 







Digitized by 



Google 



Digitized by 







I 

J