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Full text of "Levantamento das formigas da Mata Amazonica, nos arredores de Belem do Para, Brasil."

Studia Ent, vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 



Levantamento das Formigas da Mata Amazonica, 
nos Arredores de Belem do Para, Brasil 

Iter W. Kempf, O.F.M., Convento S. Francisco, Sao Paulo, 
Bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas 



For gentileza do Prof. Domiciano Dias, participante de um 
programa integrado de colaboracao cientifico-educacional na Ama- 
zonia, pude examinar o imenso material de formigas coleciona- 
do, sob sua orientafao e supervisao, por I. B. de Almeida e outros, 
entre maio de 1966 e maio de 1967. O levantamento sistematico 
cobriu tres areas circunscritas de estudo, sitas nos arredores de 
Belem, denominadas: APEG, IGAP6, e MOCAMBO, que vao ser 
caracterizadas alhures. 

A coleta feita por um programa e metodo previamente fi- 
xado, resultou em mais de 900 lotes de formigas, representando 
102 especies diferentes. Este resultado e apreciavel, embora nao 
alcance de longe o total da formicifauna certamente existente 
nessas areas. Em 1911, W. M. Mann, eximio colecionador ame- 
ricano, descobriu em Belem, mas em area mais vasta e diversifi- 
cada, um total de 46 especies (cf. Mann, 1916). No presente 
levantamento faltam quase por complete as especies criptobioti- 
cas, o microgenton de Silvestri, i. e, formas geralmente dimi- 
nutas que exigem metodos especiais de coleta. O material foi 
dividido em duas partes, ficando uma em poder da entidade que 
patrocina o programa de pesquisas, a outra em minha propria 
colecao (WWK). 

Levantamentos faum'sticos de formigas em nossa regiao apre- 
sentam sempre serias dificuldades, devido ao estado caotico em 
que se encontra a taxonomia de certos grupos (p. ex. os generos 
Hypoponera, Pheidole, Crematogaster, Solenopsis, Myrmicocrypta, 
Azteca, Camponotus, e Nylanderia). Diante da falta de uma re- 
visao recente, nao se chega a identificacao especifica das for- 
mas. Consegui, assim mesmo, identificar com relativa certeza 75 
especies, ao passo que 27 especies ficaram com a identificagao 
especifica duvidosa ou- suspensa. . 



322 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

Tratando-se, no caso presente, de levantamento sistematico, 
tornou-se possivel a verificacao da relativa freqiiencia das dife- 
rentes especies, e descobrir as especies dominantes. Apresento, 
em forma de tabela, a freqiiencia das dez especies mais 
abundantes: 



Pheidole minutula 

Camponotus femoratus . . . 
Crematogaster brasiliensis 
Crematogaster limafa . . . . 
Odontomachus hastatus . . 

Azteca sp. a 

Pseudomyrmex concolor . . 

Hypoclinea bidens 

Crematogaster sp. b 

Gnamptogenys pleurodon . 



293 coletas 

209 coletas 

58 coletas 

29 coletas 

24 coletas 

18 coletas 

17 coletas 

14 coletas 

13 coletas 

13 coletas 



Estes numeros revelam que 10 especies constituem 75% do 
levantamento total, sendo que Pheidole minutula sozinha repre- 
senta 32% e Camponotus femoratus 22% do conjunto. Estas duas, 
sem duvida, sao as especies realmente dominantes naquele tipo 
de habitat. Nao consideramos, nesta enumeracao, as duas espe- 
cies de Acromyrmex (cortadeiras do grupo das quenquem), 
que foram levantadas a parte. 

Passo, em seguida, a catalogar as diferentes especies veri- 
ficadas, indicando sucintamente os dados de coleta e dando co- 
mentarios quando parecem necessarios ou ao menos uteis. 



Subfamilia Dorylinae 



E' o grupo das famosas correic.oes. Apesar de bastante dificil, tra- 
ta-se de um conjunto manejavel, gragas a revisao de Borgmeier (1955). 



1. Novamyrmex esenbecki (Westwood) 

Correicao que ocorre desde o Texas (EE.UU.) ate o Norte 
da Argentina. Foi colecionada uma so vez, fora das areas do le- 
vantamento, em terreno do Institute de Pesquisas e Experimenta- 
cao Agropecuarias do Norte, em carreiro de caca: IPEAN n. 932. 



Studia Ent, vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 323 

2. Labidus coccus (Latreille) 

Outra correicao, muito comum, com distribuicao geografica 
amplissima igual a da especie precedente. Dotada de plasticidade 
fora do comum, adapta-se aos mais diferentes tipos de habitat, 
Foi encontrada varias vezes, andando no solo, nos carreiros: 
APEG n. 9, 37, 55, 113, 147, 158, 272; MOCAMBO n. 644. 

3. Eciton burchelli (Westwood) 

Correic,ao grande, com soldados diferenciados das operarias 
pelas mandibulas em forma de gancho. Distribuicao: Do Mexico 
ao Paraguai. Colecionada em carreiro: APEG n. 56. Esta e as 
quatro especies seguintes sao conhecidas localmente pelo nome 
popular de taoca. 

4. Eciton hamatum (Fabricius) 

Uma coluna no carreiro de ca?a: MOCAMBO n. 924. O 
territorio desta especie se estende do Mexico ate o Nordeste bra- 
sileiro e a Bolivia. 

5. Eciton mexicanum Roger 

Especie menor do que as duas precedentes e definitivamente 
mais rara, embora ocorra desde o Mexico ate a Argentina. Uma 
so coleta, sem dados ulteriores: n. 939. 



6. Eciton rapax Fr. Smith 

A unica especie do genero que nao tern soldados com man- 
dibulas em forma de gancho. E' tipica da Amazonia, ocorrendo 
tambem no Peru e na Colombia. Varias coletas de colunas pre- 
dadoras: APEG n. 11, 304a; MOCAMBO n. 792. As formigas 
do lote n. 304a estavam atacando urn ninho de Odontomachus 
hastatus, a grande formiga porta-pin?as. 

7. Eciton vagans (Olivier) 

Especie polimorfa cuja forma tipica ocorre na Amazoniav 
mas cujo territorio vai do Mexico ate o Norte da Argentina, fal- 
tando aparentemente na Bolivia e no Peru. Uma so coleta: Ser- 
raria n. 940, i. e, localidade fora da area do levantamento. ' 



324 K e m p f , Formigas da Mata Amazonica 

8. Neivamyrtnex emersoni (Wheeler) 

Conhecida ate agora somente das Guianas e de Trinidad, 
esta especie e registrada pela primeira vez no Brasil: APEG 
n. 100, bivaque em madeira podre no solo. 



9. Neivamyrmex pilosus (Fr. Smith) 

Amplamente distribuida desde o Sul dos Estados Unidos ate 
o Norte da Argentina e a Bolivia. Houve duas coletas: APEG 
n. 921, em carreiro de caca na varzea; Serraria n. 941. 



Subfamilia Ponerinae 

Grnpo de formigas relativamente primitivas, com um so no peciolar 
entre torax e abdomen, geralmente com o ferrao bem desenvolvido nas 
femeas e operarias. Ha revisoes recentes para a tribo Ectatommini 
(Paraponera, Ectatomma, Gnamptogenys) por Brown (1958), para 
Typhlomyrmex (Brown, 1965), Termitopone (Borgmeier, 1959) e Anochetus 
subgen. Stenomyrmex (Kempf, 1964). 

10. Paraponera clavata (Fabricius) 

E' a famosa tocandira, cujas picaduras sao as mais vio- 
lentas e dolorosas de todas as formigas neotropicais (cf. Weber, 
1937, 1939). Ocorre desde a Nicaragua, na America Central, 
ate o Noroeste do Estado de Sao Paulo e o Paraguai. Bastante 
comum no territorio das pesquisas, onde se fizeram oito cole- 
tas: APEG n. 22, 120, 221, 283, 285, 301, 350, 375. Ninhos en- 
contraram-se em cavidades de Pepino do Mato (Ambellania 
tenuiflora) e Matamata (Eschweilera matamata). Provavelmen- 
te, trata-se de colonias incipientes. O lote n. 375 vivia em para- 
biose com a formiga saltadeira Gigantiops destructor, fenomeno 
recentemente descoberto e pesquisado por Lenko (cf. Kempf & 
Lenko, 1968). 



11. Ectatomma tuberculatum (Olivier) 

Ocorre do Sul do Mexico ate o Estado de Sao Paulo no 
Brasil e o Paraguai. E' tanto carnivora como freqiientadora de 
nectaries extraflorais. Seis coletas: APEG n. 35, 46, 93, 104, 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 



362a; MOCAMBO n. 656a. Ninhos foram encontrados em tronco 
de canela velha e de Embaiiba (Cecropia sp.). Duas vezes fo- 
ram surpreendidas em ato de agressao a colonias de Pseudo- 
myrmex concolor e latinodus, formigas-tachi que sao inquilinas 



de Tachigalia. 



12. Gnamptogenys lanei Kempf 

Uma variedade um pouco maior e ligeiramente diferente do 
tipo do Amapa (cf. Kempf, 1968), foi colecionada em MOCAMBO 
n. 888, com ninho em baga de Timborana (Leguminosa). 

13. Gnamptogenys tortuolosa (Fr. Smith) 

Especie das bacias do Amazonas e do Orinoco, alcangando 
no Oeste o Equador. Uma so coleta: APEG n. 99, ninho em 
madeira podre. 

14. Gnamptogenys pleurodon (Emery) 

Provavelmente e a especie mais comum do genero na bacia 
amazonica e do Orinoco, que parece tambem ser o seu limite. 
Freqiiente na area do levantamento, descobrindo-se seus ninhos 
em cavidades vegetais preexistentes. Parece que nao existe uma 
preferencia por determinadas especies vegetais. APEG n. 50, 52, 
59, 79, 82, 150, 349; IGAPO n. 610; MOCAMBO n. 627, 630, 
669, 687. 

15. Gnamptogenys striatula Mayr 

Parece-me tratar-se da forma tipica da especie, originaria 
da Guiana Francesa. O ambito de striatula e sua variabilidade 
infra-especiifca continuam problemas ainda nao solucionados. 
Uma so coleta: MOCAMBO n. 666, ninho entre folhas caidas 
no chao. 



16. Typhlomyrmex rogenhoferi Mayr 

A especie mais difundida do genero, ocorrendo desde Vera 
Cruz no Mexico ate a Bolivia e o Norte do Estado de Sao Paulo, 
no Brasil. Um lote: APEG n. 359, muitas femeas aladas e pou- 
cas operarias tiradas do ninho que se encontrava em galeria do 
interior de uma raiz de Embauba (Cecropia sp.). 



326 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

17. Dinoponera gigantea (Perty) 

E' realmente a gigante entre nossas formigas. O genero, cuja 
taxonomia continua ainda problematica no tocante ao numero de 
especies reconheci'veis, e estritamente sul-atnericano, e parece nao 
existir ao norte do Rio Amazonas. Muitas vezes, esta formiga e 
confundida com a tocandira (Paraponera clavata). Mas sua 
picadura parece muito menos violenta e a formiga mesma muito 
menos ofensiva. Na regiao da pesquisa e conhecida pelo nome 
vulgar de tapiai, nome alias registrado ja por Marcgrave em 
1648. Exemplares avulsos, andando no solo: APEG n. 74, 145, 
222. Trata-se da forma tipica, confinada aparentemente ao bai- 
xo Amazonas. 



18. Neoponera crenata (Roger) 

A delimitacao desta especie continua confusa (cf. Brown, 
1957). Espera-se uma serie de sinonimos resultantes de uma 
revisao em regra, que ainda esta por se fazer. A especie e muito 
difundida, a partir do Mexico ate o Norte da Argentina. Ha duas 
coletas: APEG n. 24, 213, de ninhos em madeira seca e em 
folha seca da palmeira acai (Euterpe sp.). 

19. Neoponera obscuricornis (Emery) 

Especie revista por Brown (1957). Ocorre do Mexico ate 
o Sul do Brasil (Sao Paulo, Mato Grosso). Duas coletas: APEG 
n. 39, 77, de ninhos em caule podre caido no chao. 

20. Neoponera unidentata (Mayr) 

Igualmente revista por Brown (1957), esta especie ocupa 
um vasto territorio que vai do Sul do Mexico ate Caravelas, 
no Estado da Bahia, Brasil. Duas coletas: APEG n. 118, ninho 
em madeira caida no chao, e MOCAMBO n. 683, ninho no caule 
morto de cupuaf (Theobroma sp.). 



21. Neoponera villosa (Fabricius) 

A area ocupada por esta especie estende-se do Sul dos Es- 
tados Unidos (Texas) ate o Sul do Brasil (Santa Catarina), 
Norte da Argentina (Misiones) e o Paraguai. Uma so coleta: 



Studia Ent, vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 327 

APEG n. 114, ninho em tronco de Canela de Velha (Melasto- 
mdcea), as operarias carregando as larvas entre as mandibulas 
quando se disturbou a colonia. 

22. Termitopone commutata (Roger) 

Especie termitofaga que ocorre na Colombia, no Equador, 
no Peru, na Bacia do Orinoco e do Amazonas. Duas coletas: 
APEG n. 22b, junto com tocandiras (Paraponera clavata) no 
tronco de Pepino-do-Mato (Ambellania tenuijlora), e n. 115, 
operarias isoladas colecionadas no carreiro. 

23. Hypoponera sp. 

Alguns exemplares danificados, colecionados em estomago 
de uma salamandra, APEG n. 926. 

24. Leptogenys unistimulosa Roger 

Especie do Nordeste brasileiro (Bahia ate Ceara), do baixo 
Amazonas e baixo Orinoco (Trinidad). Foi colecionada tres ve- 
zes: APEG n. 374, 389, 392, ninhos em madeira podre no solo 
e em Embauba seca (Cecropia sp.). 

25. Anochetus (Stenomyrmex) emarginatus (Fabricius) 

A forma tipica desta especie parece confinada ao Norte de 
Sulamerica, i. e, Colombia, Venezuela, Guianas e Amazonia bra- 
sileira. No local das pesquisas, onde esta formiga era conhecida 
pelo nome popular de formiga cintura de velha, foi colecionada 
sete vezes, com ninhos numa variedade de cavidades vegetais 
preexistentes: APEG n. 62, 67, 90, 111, 382; IGAP6 n. 438, 620. 

26. Anochetus (Stenomyrmex) horridus Kempf 

Esta especie foi descoberta, ha pouco, em Belem e perto de 
Manaus. Foi verificada uma vez pelo presente levantamento, ten- 
do seu ninho em madeira podre no solo: APEG n. 374. 

27. Odontomachus haematodus (Linnaeus) 

O tipo desta especie e das Guianas. E' a forma que parece 
distribuida pela zona quente do mundo inteiro, a nao ser que 



328 K e m p f , Formigas da Mata Amazonica 

novos estudos revisionarios em andamento venham provar o con- 
trario. A forma tfpica e representada pelas seguintes coletas: 
APEG n. 12, 47, 51, 202, 307; IGAPO n. 417; MOCAMBO 
n. 826. Os ninhos estavam em diversas situagoes, como formados 
de folhas caidas no chao, em tronco de arvores, em cavidades de 
caules e galhos. 

28 Odontomachus sp. (prope haematodus) 

Uma forma proxima de haematodus, porem mais escura, com 
peciolo mais grosso e tergo I do abdomen mais brilhante, foi 
verificada quatro vezes em MOCAMBO n. 654, 675, 792a, 879. 

29. Odontomachus hastatus (Fabricius) 

Esta especie grande e inconfundivel, que ocorre desde Costa 
Rica, atraves da Colombia, ate as bacias do Orinoco e Amazo 
nas, e mais para o Sul, ao longo do literal brasileiro ate o Es- 
tado de Sao Paulo, e muito freqiiente na area da pesquisa onde 
foi encontrada 24 vezes: APEG n. 14, 69, 89, 128, 157, 170, 
172, 179, 199, 225, 302, 304, 321, 337, 353, 390, 396; MOCAM- 
BO n. 653, 664, 672, 708, 711, 724, 738. As colonias nidifica- 
vam numa variedade de cavidades vegetais preexistentes, uma 
vez em casa de cupim abandonada. Como Anochetus emargina- 
tus, de tamanho menor, tambem esta especie leva o nome popular 
de formiga cintura de velha. 

30. Odontomachus laticeps Roger 

Elevada a categoria de especie independente por Brown (i. 
litt.), esta forma e registrada desde a America Central (Guate- 
mala, Honduras, Costa Rica) ate a Bolivia, Guianas e Amazo- 
nia, ocorrendo mesmo no literal paulista. Ha duas coletas: APEG 
n. 338; MOCAMBO n. 670, em ambos os casos os ninhos se en- 
contraram em cavidades vegetais preexistentes. 



31. Odontomachus sp. (prope haematodus?) 

Uns poucos especimes, APEG n. 19, com todas as caracte- 
risticas gerais do grupo de haematodus, lembram urn pouco em 
spissus, descoberto ha pouco, no Mato Grosso. O material escas- 
so nao permite julgar se no caso se trata de mera variedade lo- 
cal ou nidal, ou realmente de uma forma diferente de haematodus. 



Studia Ent, vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 329 

32. Odontomachus striativentris Emery 

Referida pela literatura da America Central, esta especie tam- 
bem ocorre na Amazonia brasileira (Acre, Amazonas, Amapa e 
Para). Uma coleta: MOCAMBO n. 646, ninho em ingazeiro 
(Inga sp.). 



Subfamilia Pseudomyrmecinae 

Esta subfamilia conta com apenas um genero na regiao neotropi- 
cal, Pseudomyrmex, cujas especies todas, com uma unica excecao, sao 
arboricolas. 



33. Pseudomyrmex concolor (Fr. Smith) 

Formiga tachi, inquilina obrigatoria dos peciolos de Tachi- 
galia, habitante da Amazonia e das Guianas, e muito freqiiente 
na area do levantamento: APEG n. 260, 297; MOCAMBO n. 629, 
635, 638, 656, 662, 694, 698, 701, 753, 784, 825, 833, 835, 907. 



34. Pseudomyrmex latinodus (Mayr) 

Outra formiga tachi, alias muito semelhante a concolor 
com a qual participa a mesma associacao com Tachigalia. Foi 
registrada tres vezes: APEG n. 362, 399; MOCAMBO n. 814. 



35. Pseudomyrmex oculatus (Fr. Smith) 

Ocorre da bacia amazonica para o Norte, pela America Cen- 
tral ate Guatemala. Uma so coleta: APEG n. 8, ninho em galho 
seco e 6co. 



36. Pseudomyrmex tenuis (Fabricius) 

O territorio desta especie estende-se de Costa Rica ate o 
interior do Estado de Sao Paulo, Brasil. Foi verificada cinco 
vezes: APEG n. 153, 183; MOCAMBO n. 782, 860, 895. Tres 
colonias tinham seu ninho em caule de Embauba (Cecropia sp.), 
uma em Cupuai morto (TheobromQ subincanum), e a quinta em 



330 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

peciolo de Tachigalia. Entretanto, nao apresenta uma especializa- 
?ao no sentido de uma associate constante com determinada 
especie de planta. 



Subfamilia Myrmicinae 

E' o grupo mais diversificado e rico em especies e generos, de toda 
a Familia Formicidae. Na regiao neotropical compreende cerca'de 80 ge- 
neros e mais de 1000 especies. No presente levantamento, sua partilha 
e relativamente modesta, sendo representados apenas 12 generos e 37 
especies. Dois tercos deste ultimo numero pertencem aos generos Pheidole, 
Crematogaster e Solenopsis, em que as identificacoes sao muitas vezes 
dificeis, senao de todo impossiveis, por falta de uma sintese razoavel 
dos respectivos grupos. 

37. Pheidole biconstricta Mayr 

Especie carregada de racas e variedades duvidosas, distri- 
buida de Costa Rica ao Nordeste brasileiro. Ha nove coletas: 
APEG n. 18, 109, 300; IGAPO n. 565, 574, 568; MOCAMBO 
n. 657, 703, 813. Os ninhos encontravam-se em cavidades vege- 
tais ou madeira em putrefacao. Algumas colonias viviam asso- 
ciadas a hemipteros ou homopteros (trofobiose). 

38. Pheidole coffeicola Borgmeier 

Os tipos sao da Guiana holandesa. Tres coletas: APEG 
n. 28, 30; MOCAMBO n. 659. Os ninhos achavam-se em folhas 
secas, em caule de madeira seca, em ponta de caule. 

39. Pheidole guilelmiinuelleri Forel 

O achado desta especie, tipica do Sul do Brasil, foi uma 
surpresa: APEG n. 61, ninho em caule seco. 



40. Pheidole minutula Mayr 

A especie minuscula, inquilina habitual das bexigas foliares 
das melastomaceas dos generos Maieta e Tococa (cf. Wheeler & 
Bequaert, 1929), e a formiga mais frequente do levantamento, 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 331 

tendo se feito urn total de 293 coletas: 279 em Maieta, 12 em 
Tococa, 1 em Tachigalia, 1 em ponta de caule seco. Devido a 
quantidade excessiva de registros omito a referenda aos nume- 
ros de coleta. Basta dizer que ocorre com igual frequencia nas 
tres areas do levantamento: APEG, IGAP6, e MOCAMBO. 

41. Pheidole sp. (a) 

Especie vizinha de coffeicola Borg. e incisa Mayr, distinta 
pela cor escura e abundante pilosidade. Duas coletas: MOCAM- 
BO n. 732, 865, ninhos em galho de madeira morta no chao e 
em ponta de caule seco. 

42. Pheidole sp. (b) 

Operarias somente, sem espinhos epinotais e cabeca com occi- 
picio extraido em forma de pesco^o. Quatro coletas: APEG n. 26, 
363, 367, 370, ninhos em caule sobre o solo, em folha de Em- 
bauba (Cecropia sp.) seca, em galeria na ponta de caule seco, 
no caule de Acai (Euterpe sp.). 



43. Pheidole sp. (c) 

Especie pequena do grupo //ovens. Tres coletas: APEG n. 4, 
53; MOCAMBO n. 786. Ninhos em madeira seca caida no solo 
e em bainha de folha da palmeira Paxiuba (Iriartea exorrhiza). 

44. Pheidole sp. (d) 

Especie parecida com biconstricta, mas menor, carecendo de 
pelos levantados no dorso do torax, tendo espinhos epinotais agu- 
dos e levantados; operarias com occipicio em forma de cone e 
com escultura no dorso do torax. Oito coletas: APEG n. 236; 
MOCAMBO n. 634, 707, 714, 799, 855, 890, 903. Ninhos em 
madeira seca caida no solo, mesmo ja em estado de putrefacao, 
e em pontas de caules secos. 

45. Pheidole sp. (e) 

Os soldados e as operarias, proximas de aper Forel e guilelmi- 
muelleri Forel, possuem espinhos epinotais muito compridos. Uma 
so coleta: MOCAMBO n. 839, ninho em ponta de caule seco. 



332 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

46. Pheidole sp. (f) 

Proxima de goetdii Forel, esta especie foi colecionada duas 
vezes no interior de caule de Embauba (Cecropia sp.) : MOCAM- 
BO n. 900, 901. 



47. Pheidole sp. (g) 

Proxima de dimidiata Emery, esta especie foi colecionada 
uma so vez, tendo seu ninho sob a casca de Timborana (Legum.) : 
MOCAMBO n. 897. 



48. Crematogaster brasiliensis Mayr 

Especie muito comum, verificada por 57 coletas nas areas 
de APEG e MOCAMBO. Segundo os dados fornecidos pelo co- 
lecionador, trata-se de especie inquilina de cavidades vegetais, 
sem mostrar preferencia por uma determinada especie vegetal e 
sem exibir outro tipo de especializac.ao. Das 57 coletas, 15 foram 
de colonias estabelecidas em caules secos tanto em pe como 
caidos no chao. Cinco coletas sao das bexigas foliares de Tococa 
guianensis. O resto distribui-se por uma variedade de plantas. 

49. Crematogaster curvispinosa Mayr 

Uma colonia, residindo no interior do caule de Embauba 
(Cecropia sp.) : APEG n. 154. 

50. Crematogaster egregior Forel, nov. stat. 

Duas colonias, uma tendo seu ninho em caule sobre o solo, 
outra inquilina em folha da palmeira ac.ai (Euterpe sp.) caida 
no chao: APEG n. 25, 60. Esta forma foi descrita como subes- 
pecie de longispina, mas merece, a meu ver, a categoria de especie 
independente. 



51. Crematogaster erecta Mayr 

Verificada em quatro coletas, tratando-se de duas colonias 
em caule de Tatapiririca (Matayba juglandifolia), e de exempla- 
res avulsos do conteudo estomacal de duas salamandras. 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 333 

52. Crematogaster limata (Fr. Smith) 

Contra a opiniao tradicional, considero tipica a forma menor 
que muito se assemelha a brasiliensis, baseando-me em exame cur- 
sorio do tipo ainda existente no Museum Britanico de Historia 
Natural de Londres. Embora nao estivesse preparado por ocasiao 
do exame a resolver toda a questao de sua identidade, fica claro 
que limata sensu auctorum nao coincide com limata F. Smith, 
sendo aquela bem maior com espinhos epinotais mais compridos 
(cf. abaixo sob Crematogaster sp. b). 

O levantamento deu em 15 colonias independentes, vivendo 
geralmente em caules ocos, vivos ou secos, de varias plantas, 
nas tres areas: APEG, IGAPO e MOCAMBO. 14 colonias viviam 
em simbiose (parabiose) com Camponotus femoratus (IGAP6 e 
MOCAMBO). 

53. Crematogaster sumichrasti Mayr 

Tres colonias de MOCAMBO, duas nidificando em bainha 
de folha de paxiuba (Iriartea exorrhiza), a terceira em peciolo 
de Tachigalia (no oco das tumescencias do caule foliar de Tachi- 
galia), parecem pertencer a esta especie, conhecida ate agora 
somente do Mexico e da America Central. 



54. Crematogaster sp. (a) 

Especie muito parecida com limata Fr. Smith, mas com torax 
fortemente estriado. Tres coletas: APEG n. 328, 329, 365, de 
colonias nidificando em bainha de folha de a?ai (Euterpe sp.) 
no solo, e sob casca de tronco morto no solo. 



55. Crematogaster sp. (b) 

Forma igual a limata mas constantemente maior e com espi- 
nhos epinotais mais compridos (e a limata dos autores, nao de 
Fr. Smith), consta de 13 coletas de ninhos em caules e galhos 
secos e outras cavidades vegetais preexistentes de uma varieda- 
de.de plantas. APEG (12 coletas); MOCAMBO (1 coleta). 



334 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

56. Crematogaster sp. (c) 

Especie parecida com nigropilosa, mas menor, verificada uma 
so vez: MOCAMBO n. 827, ninho na bainha de folha de Paxiuba 
(Iriartea exorrhiza). 



57. Solenopsis bondari Santschi 

Esta formiga e a tachi-da-terra da Amazonia, conhecida 
por suas picadas violentas se bem que pouco ofensivas. Sua po- 
sicao sistematica foi elucidada por Kempf & Brown (1968: 99). 
Uma so coleta: IGAP6 n. 503, ninho em tronco de Mututi (Ptero- 
carpus sp.). 



58. Solenopsis? Helena Emery 

Esta e as duas especies seguintes pertencem ao grupo nume- 
roso das formas pequenas do genero Solenopsis, cuja taxono- 
mia esta literalmente em caos. A presente especie, representada 
por duas coletas: APEG n. 20, ninho em caule seco, e MOCAM- 
BO n. 817, ninho no peciolo de Tachigalia, coincide na chave 
de Emery (1896) com a especie chilena: Helena Emery. Com 
efeito, Wheeler (1921) descreveu duas ra?as de Helena hermione 
e ultrix apanhadas na Guiana em peciolos de Tachigalia. 



59. Solenopsis laeviceps Mayr 

Poucos exemplares coletados sobre restos de presas abando- 
nadas por uma coluna de Eciton burchelli: APEG n. 922. 



60. Solenopsis sp. prope picta 

Exemplares de duas coletas, apanhados em caule seco e ni- 
nho de vespa atacado por correifoes ou taocas (Eciton sp.), 
APEG n. 3, 146, muito se parecem com picta Emery, conhecida 
somente do Sul dos Estados Unidos. A identificacao, por via das 
diividas, fica suspensa. 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 335 

61. Solenopsis pollux Forel 

Ninhos desta especie foram encontrados duas vezes em be- 
xigas foliares de Tococa sp.: MOCAMBO n. 637, 742. 

62. Wasmannia auropunctata (Roger) 

A especie mais comum do genero, originaria da Regiao Neo- 
tropical, espalhou-se pelo comercio para todos os lugares de clima 
mais ou menos quente do Novo e do Velho Mundo. Uma coleta: 
MOCAMBO n. 686, ninho em caule de Matamata (Eschweilera 
matamata). 

63. Cephalotes atratus (Linnaeus) 

Comum na America do Sul, da Colombia ate o Sul do Bra- 
sil (Sao Paulo e Norte do Parana), Norte da Argentina (Salta, 
Tucuman) e o Paraguai, foi encontrada tres vezes: APEG n. 271, 
338, 398, exemplares avulsos e de ninho em vala de tronco de 
inga xixica (Inga alba). Sobre a biologia desta grande especie 
arboricola ha extensas informa?oes no trabalho de Weber (1957). 

64. Eucryptocerus oculatus (Spinola) 

Belem e localidade-tipo da presente especie, registrada por 
tres coletas: APEG n. 68, 76, 354, todas de ninhos no interior 
de caule seco. 

65. Daceton armigerum (Latreille) 

A unica especie grande dum grupo de formigas de porte pe- 
queno ou ate diminuto, acha-se confinada dentro da Amazonia 
e das Guianas. Uma so coleta: APEG n. 220, ninho em galeria 
no interior de Andiroba (Carapa guianensis). 



66. Strumigenys precava Brown 

A descri?ao original desta especie baseou-se em material das 
Guianas, da Zona do Canal de Panama e da Bolivia. E' registra- 
da pela primeira vez do Brasil. Duas coletas: APEG n. 86, 102, 
de ninhos em caule de macucu (?Hirtella sp.) e folha da pal- 
meira a?ai (Euterpe sp.). Quero registrar ainda outra ocorrencia 



336 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

brasileira da especie: K. Lenko a colecionou recentemente no H- 
toral paulista, nas cercanias de Caraguatatuba e na Ilha dos 
Buzios. 

67. Strumigenys trinidadensis Wheeler 

Conhecida da Ilha de Trinidad (localidade-tipo), esta especie 
foi registrada anteriormente tambem de Tapera, Pernambuco, Bra- 
sil, e do vale do Rio Beni, na Bolivia, Brown e Lenko colecio- 
naram-na em Benjamim Constant, Estado do Amazonas., em se- 
tembro de 1962. No presente levantamento foi verificada uma s6 
vez: APEO n. 378, ninho em madeira morta. 



68. Myrmicocrypta sp. 

Especie aparentemente distinta mas praticamente nao identi- 
ficavel devido a desordem reinante neste genero que precisa de 
revisao. Encontrou-se tres vezes: APEG n. 380; IGAPO n. 486, 
593, ninhos em ponta de caule no solo e sobre sapopema de 
caxinduba (?Hippomane spinosa) e ucuuba (Virola sebifera). 
Pertence a tribo Attini e e cultivadora de fungos. 



69. Apterostigma auriculatum Wheeler 

Especie das Guianas, e verificada pela primeira vez no Bra- 
sil. Seis coletas: APEG n. 103, 376; MOCAMBO n. 679, 771, 
804, 889, de ninhos com criac.ao de fungo em folhas secas presas 
em madeira, em caule podre, em tronco seco, no interior de raiz 
de paxiuba (Iriartea exorrhiza), no caule de ripeiro (Eschweilera 
polyantha), no caule de Matamata (Eschweilera matamata). 



70. Apterostigma urichi Forel 

Tambem esta especie, descoberta pela primeira vez em Tri- 
nidad, sendo comum nas Guianas, e verificada agora pela pri- 
meira vez no Brasil. Uma coleta: APEG n. 13, ninho dentro de 
caule. K, Lenko colecionou a mesma especie em Manaus, em agos- 
to de 1962 (DZSP n. 2250). , . 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 337 

71. Cyphomyrmex bigibbosus Emery 

Uma coleta desta pequena cultivadora de fungos, APEG 
n. 355, de ninho em madeira morta no chao. A especie e da 
Amazonia, a localidade-tipo e Belem. 



72. Acromyrmex coronatus (Fabricius) 

O levantamento geral deu duas coletas desta conhecida 
quem-quem de arvore, amplamente distribuida pelo Brasil, Bo- 
livia, Guianas, Equador e Panama. APEG n. 83, 87. O levanta- 
mento especial das criadoras de fungos, feito a parte, na area 
APEG, localizou 17 ninhos. 

73. Acromyrmex hystrix (Latreille) 

A quem-quem de Cisco da Amazonia e a especie mais fre- 
qiiente das cortadeiras na area do levantamento, localizando-se 
69 ninhos da especie, principalmente na area de APEG. 



Subfamilia Dolichoderinae 



Grupo menor, de poucos generos, caracterizado pelo peciolo de um 
segmento, geralmente portador de escama ou no, pela ausencia de fer- 
rao, e presenga de glandulas anais que segregam substancias aromaticas 
ou repelentes. Ha revisoes para os generos Dolichoderus (Kempf, 1968), 
e Monads (Kempf, 1959). 



74. Dolichoderus attelaboides (Fabricius) 

Especie bastante comum no vale do Amazonas, ocorre tam- 
bem, esporadicamente, ao longo do literal brasileiro ate Santa 
Catarina. Duas coletas: APEG n. 314, ninho em bainha de folha 
de acai (Euterpe sp.) e MOCAMBO n. 745, ninho em bainha 
de folha de paxiuba (Iriartea exorrhiza). 



75. Dolichoderus decollatus Fr. Smith 

Com distribui?ao semelhante a precedente especie, esta, con- 
tudo, nao chega alem do Sul da Bahia na sua extensao meridio- 
nal ao longo do literal. Uma coleta: APEG n. 66, ninho em 
folha de paxiuba (Iriartea exorrhiza). 



333 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

76. Monads septemspinosa (Emery) 

Uma de varias especies as quais se aplica o nome popular 
de tracoa. Ocorre nas Guianas, na Amazonia e no Equador. 
No Brasil encontra-se tambem no Sul da Bahia. Muito comum 
na area do levantamento com 12 coletas de ninhos em Embaiiba 
(Cecropia sp.), Mumbaca (Astrocaryum sp.), Ananim (Symphonia 
globulifera), Macucu (?Hirtella sp.), Murta (Mouriria guianensis) 
e Ripeiro (Eschweilera polyantha}: APEG: 44, 80, 97, 116, 117, 
121, 126, 129, 197, 282, 373, 395). 



77. Hypoclinea bidens (Linnaeus) 

Outra tracoa que nidifica em caules secos e sob folhas 
de varias plantas. Comum na Amazdnia. 14 coletas, 7 na area 
de APEG, e 7 em IGAP6. 



78. Hypoclinea gibbosa (Fr. Smith) 

Especie taxonomicamente confusa devido a varias formas que 
se Ihe associam a guisa de subespecies e variedades. Desta tra- 
coa se fizeram 7 coletas: APEG n. 34, 101, 160, 369, 379, 
386; IGAPo n. 485. Os ninhos foram encontrados em folhas de 
Gustavia augusta, presos a cipo, no caule de matamata (Esch- 
weilera matamata) e breu branco (Pfotium heptaphyllum). No 
caso de dois ninhos, n. 369 e 379, o colecionador menciona que 
o ninho propriamente dito estava envolto em papelao de aspecto 
escamoso. 



79. Azteca sp. (a) 

Esta e as quatro especies seguintes, todas do genero Azteca, 
nao levam nome especifico, pois a classificac.ao do genero esta 
em estado de uma confusao lamentavel, devido ao excesso de 
descricoes de novas formas (especies, subespecies e variedades) 
sem ao menos um vislumbre de assimilacao e classifica^ao. O 
grande culpado deste caps e o grande Forel, autor.de 95 formas 
de um total de 149. 

A presente especie, a mais comum na area, pareee-se com 
traili Emery. Foi apanhada 15 vezes em bexigas -foliares de 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 339 

Tococa: IGAPO n. 464, 478, 483, 524, 537, 539, 542, 543, 553, 
558, 563, 567, 612; MOCAMBO n. 641, 791, e uma vez em si- 
tuacao identica em Maieta: IGAPO n, 589. Associo, com hesita- 
cao, a mesma forma os lotes APEG n. 400, apanhado em caule 
seeo, e MOCAMBO n. 808, encontrado em caule de Embaiiba 
(Cecropia sp.). 

80. Azteca sp. (b) 

Especie relacionada com sericea Mayr, apanhada em caules 
de varias plantas, nomeadamente de Ananim (Symphonia globu- 
lifera), Manguirama, Breu (Protium sp.) e Euvira. 7 coletas: 
IGAP6 n. 529, 530, 531, 532, 534, 535; MOCAMBO n. 660. 



81. Azteca sp. (c) 

Especie afim de instabilis Fr. Smith, verificada em duas co- 
letas: APEG n. 322, ninho em bexiga de Tugorama, e MOCAM- 
BO n. 819, ninho em caule de Ucuuba (Virola sebifera). 



S2. Azteca sp. (d) 

Proxima de depilis Emery, esta especie foi colecionada seis 
vezes, com os seus ninhos em caule de Pithecolobium, Mangui- 
rana (?Tovomitia brasiliensis), Cupiuba (Goubia glabra), e uma 
vez em vesicula de Cordla nodosa (n. 731): APEG n. 15; IGAPO 
n. 528; MOCAMBO n. 663, 667, 731; 1PEAN n. 931. 



83. Azteca sp. (e) 



Exemplares de um ninho em Janiparana: APEG n. 72. 



Subfamilia Formicinae 



Subfamilia de poucos generos, caracterizada por um so no peciolar 
entre torax e abdomen, diferenciada da subfamilia precedente pela aber- 
tura da glandula anal em forma de tubo curto, saliente, geralmente com 
apice cercado de uma coroa de pelos curtos. Contem o maior genero, 
Camponotus, que, somente na regiao Neotropical conta mais de 200 
especies. 



340 K e m p f , Formigas da Mata Amazonica 

84. Brachymyrmex heeri Forel 

Amplatnente distribuida pela Regiao Neotropical, esta espe- 
cie divide-se em varias formas infra-especificas muito problema- 
ticas que exigem revisao. Uma so coleta: APEG n. 364, ninho 
em madeira seca. 



85. Brachymyrmex? tristis Mayr 

A identificagao duvidosa desta especie baseia-se na preca- 
riedade geral da taxonomia do genero. A tristis foi descrita da 
Colombia e registrada tambem na Argentina. Uma coleta: APEG 
n. 393, colonia vivendo no interior de caule morto de Embauba 
(Cecropia sp.). 



86. Gigantiops destructor (Fabricius) 

Ja mencionei acima (sob on. 10) a associac.ao parabiotica 
entre esta especie inofensiva e a tocandira virulenta, Paraponera 
clavata, relacao esta confirmada tambem pelo presente material: 
APEG n. 21, 375. O colecionador deu-lhe o nome de formiga 
saltadeira (cf. Kempf & Lenko, 1968). 



87. Camponotus (Myrmaphaenus) blandus Fr. Smith 

Por causa da grande variabilidade ainda nao satisfatoria- 
mente analisada, esta especie continua problematica e talvez cons- 
titua urn conglomerado de varias especies mais intimamente rela- 
cionadas. A presente forma tern o corpo inteiramente negro, qua- 
lidade esta que destoa de blandus tipico que tem o torax averme- 
Ihado. APEG n. 91 e 92, ninho em Janiparana. 



88. Camponotus (Myrmaphaenus) novogranadensis Mayr 

Especie muito difundida, cujo territorio se estende do Me- 
xico ate o litoral paulista. Tres coletas: MOCAMBO n. 783, 828, 
872, ninhos em caule de Massaranduba (Mimosops sp.) e Em- 
bauba (Cecropia sp.). 



Studia Ent, vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 341 

89. Camponotus (Myrmobrachys) crassus Mayr 

Tambem esta especie, amplamente dispersa e bastante va- 
riavel, pode muito bem ser um conglomerado de especies ainda 
nao separadas. Uma so coleta: APEG n. 201, ninho em cau- 
le seco. 



90. Camponotus (Myrmobrachys) godmani Forel 

E' uma especie muito distinta, propria da America Central 
e da Amazonia. Uma so coleta: IGAP6 n. 536, de ninho na 
bexiga foliar de tococa. 



91. Camponotus (Myrmobrachys) sp. (a) 

Apesar de distinta, nao consegui identificar a especie que 
pertence a um grupo de mais de 50 formas diferentes. Duas co- 
letas: APEG n. 217, ninho em folha de acai (Euterpe sp.), e 
MOCAMBO n. 857, ninho no interior de caule de Ormosia mobilis. 



92. Camponotus (Myrmothrix) abdominalis (Fabricius) 

Formiga conhecida pelo nome de sara-sara em todo o Bra- 
sil. A taxonomia quis expressar a variabilidade cromatica desco- 
mum da presente especie pelo reconhecimento de uma serie de 
subespecies e variedades de pouca consistencia. Nove coletas: 
APEG n. 54, 196, 320, 326, 327; IGAPO n. 550; MOCAMBO 
n. 801, 816, 898. Ninhos em folha de acai (Euterpe sp.), pa- 
xiiiba (Iriartea exorrhiza), em madeira seca no chao, no peciolo 
de bacaba (Oenocarpus sp.) e sob a casca de timborana 
(Legum.). 



93. Camponotus (Myrmothrix) femoratus (Fabricius) 

Especie tipica da Amazonia, onde e conhecida como cons- 
trutora dos jardins-suspensos de formigas, i. e, bolas de terra 
e de detritos vegetais presos em galhos de arvores, que Ihes 
servem de ninho. Esta tracoa e a segunda especie mais comum 
do presente levantamento, que dela fez 209 coletas nas tres areas 
de pesquisa. Em 14 casos houve parabiose comprovada com 
Crematogaster Hmata Fr. Smith, fato alias conhecido. Do relat6- 



342 K e m p f, Formigas da Mata Amazonica 

rio do colecionador nao consta se todos os ninhos eram do tipo 
de jardim-suspenso. As indicates fornccidas atestam que os ni- 
nhos se encontram nas plantas mais diversas. 

94. Camponotus (Myrmocladoecus) sanctaefidei Dalla Torre 

Uma so coleta desta especie: APEG n. 7, ninho em madeira 
seca sobre o solo. 

95. Camponotus (Tanaemyrmex) ?macrochaetus Emery 

Identificafao duvidosa, embora o tipo seja tambem de Be- 
lem. Uma so coleta: APEG n. 923, ninho em tronco oco de para- 
caxi (Pentaclethra filamentosa). 

96. Camponotus (Tanaemyrmex) ?silvicola Forel 

Nao so a identificacao mas a propria especie estao envolvi- 
das em duvidas. Uma so coleta: APEG n. 233, ninho em gua- 
rina seca. 

97. Camponotus (Tanaemyrmex) sp. (b) 

APEG n. 153, ninho no interior de caule de embauba 
(Cecropia sp.). ste lote consta somente de operarias menores, 
junto com Pseudomyrmex tenuis F., que dificilmente se identifi- 
cam. Parece especie muito proxima da precedente. 



98. Camponotus (Tanaemyrmex) ?testaceus Emery 

Outra forma parecida as duas precedentes, referida com du- 
vidas a testaceus Emery. IGAP6 n. 431, ninho em caule de 
Pithecolobium longiflorum. 



99. Dendromyrmex fabricii (Roger) 

Especie de um grupo circunscrito a Amazonia, Guianas e 
literal norte do Brasil (ate o Espirito Santo, inclusive). Quatro 
coletas: MOCAMBO n. 645, 688, 740, 812, ninhos sob folha de 
Quaruba (Vochysia sp.), em folha enrolada de Pimenta-Longa, 
sob folha de Euvira, e na folha enrolada de Breu (Protium sp.). 



Studia Ent., vol. 13, fasc. 1-4, novembro 1970 343 

100. Nylanderia? vividula Nylander 

Embora muito parecida com a especie de distribute mun- 
dial, continuam as duvidas se no caso se trata desta especie co- 
mum. Sete coletas: APEG n. 10, 36, 65, 81, 95, 125; MOCAMBO 
n. 870. Os ninhos foram descobertos sob folha de paxiuba 
(Iriartea exorrhiza), em caule seco, em caule de inga (Inga sp.), 
em folha de acai (Euterpe sp.), em folha de mumbaca (Astro- 
caryum sp.), em folha de breu (Protium), em ponta de madei- 
ra morta. 

101. Nylanderia sp. (a) 

Exemplares extremamente parecidos com a especie prece- 
dente, mas com pruinosidade distinta no torax que me faz apre- 
senta-Ia em separado, sem contudo poder identifica-la. APEG 
n. 32, 136, 351; IGAPO n. 586; MOCAMBO n. 709, 787, 820, 
848, 853, ninhos em caule de Gustavia augusta, em folha enro- 
lada de canela-de-velha (Melastomacea) , em galho de madeira 
seca, em ponta de caule seco, no caule de caripe (Licania scabra), 
na bainha da folha de paxiuba (Iriartea exorrhiza), sob folha 
de ubim (Palmdcea), na semente de andiroba (Carapa guia- 
nensis), em folhas caidas no chao. 

102. Nylanderia fulva (Mayr) 

Esta especie comum, a Cuiabana, foi encontrada uma so 
vez: IGAPO n. 601, ninho em folha de acai (Euterpe sp.). 



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