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Full text of "Apostilas aos dicionários portugueses"

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F 




APOSTILAS AOS 




PORTUGUESES 



POR 



A. R. GONÇÁLVEZ VIANA 




APOSTILAS AOS 




PORTUGUESES 



FOR 



A. R. GONÇÁLVEZ VIANA 




APOSTILAS AOS 




PORTUGUESES 



POB 



A. R. GONÇÁLVEZ VIANA 



A 




APOSTILAS AOS DIGONARIOS PORTUGUESES 



POR 



A. R. GONÇÁLVEZ VIANA 




POSTILAS 



DICIONÁRIOS PORTUGUESES 




./ 



PôlíTO — iMPKK.NãA rORTUOUKSi— líUA FoltMOSA, 1 IJ 



A EXCELENTÍSSIMA SENHORA 



)NA CAROLINA MICHAÊLIS DE VASCONCELOS, 



A QUBM A8 LBTSAS PORTUQUBKAS TANTO DEVBH, 



como tribttto e homenajfm da 8ua admiração 
e do 8eu renpeito 



DEDICA ESTA OBRA 



O ACTOR. 



* 



PREFÁCIO 



lio bá para Deubiim idioma vivo dieionário que se possa 

coni})lolo. mesiiiu alá a dala da sua ultímav'ilo. tlraa parte 

pequena do It'csico, já no (jue respeita a vocábulos, já do 

|Ue se refere a acep^'ões, tiea sempre omissa, e esses tesouros 

>Un^a teem de ser completados por tra)>alhos avulsos, que 

ao depois se eucorporam eui novas edições dos diciouários já 

LesUteuteí) ou em obras novas da mesma espécie. 

' Í?oni a publicaçiU) destas Apostilas veulio também contribuir 

^jHura a futura compítu^áo de outro dicionário, em que se teuba 

sm vista aumeutar o copioso cabedal de termos portugueí^es, 

luais amda do qne se f&x uo Nõvo Diccionàbio da línqua 

»BTfULn£BA, de Cândido de Kifçiieiredo, o maiíi abundante de 

juantos se teem publicado em l^ortu^al, mesmo descontando 

|snQÍ1us diçoes qne fígnram nele sem que »ejam ou tonbam sido 

lortugucàas. 

Todavia, assim como tive em mira acrescentar mais diçAes e 
cepçdcs, fruto de Joo^ros anos de estudo e de leitura, procurei 
ppialmente criticar, mormente com rela^^âo a etíraolojia, muito 
lo que na nossa língua se tem escrito. K&o me ocuparei todavia 
los devaneios inseusatos que tauto avultam em certas obras 
lecsicolójicas, mas apenas do que mere^-u discussão seria e pro- 
Scua. porque os autorea criticados foram escrupulosos na redac- 



PREFÁCIO 



NAo há para nenbiim idioma vivo dicionário que se poítHa 
ciHDpIPto, luesino até a data da 8Ua iiUimu^'4o. Uma parte 
pt^inena do l^csioo, já uo que respeita a vocábulos, já uo 
liK se refere a acepvões. tica sempre omissa, e esses tesouros 
igtia toem de ser completados por trabalhos avulsos, que 
depnis se eucorporam em mn-íis edições dou dicionários já 
Ifiisteute-i 011 era obras noras da mesma espécie. 

l*om a pubíi(!a^>jki deíttas Aj-ostilas veuho também coutribuir 
« futura cvmpiluçào de outro dicionário, mn que se tenba 
^tisla aumentar o copioso cabedal de termos portugueses, 
,l>ais amda do que se Svi uo Nòvu DioctoN.uuo da lIngua. 
isrcDi^csA, de Cândido de Figueiredo, o mais abundante de 
itos «e t«em piiblicado em Portugal, mesmo descontando 
ititas diç^H que figuram nele sem que sejam ou tenham sido 
irtDiniesu. 

Todavia, affsim como iíve em mira acrescentar mais di^^es e 
r«i»7óeH. fruto de longos anos de fstudo e de leitura, procurei 
Igualmente criticar, mormente com adaçào a etimalojía, muito 
lo que na nossa língua se tem escrito. NAo me ocuparei todavia 
Ifw devaneios íomomíoií que tanto avultiim em certas ohraa 
lec&icvlújicas. mos ajrenas do que iitereya discussáo si-ria e pro- 
ktia, i»orquo os autores criticoilos foram escrupulosos na reduc- 



ção (las suas moDografias, ou dos eeus diciouànos ou gU 
fias. 

A ordenação das palavras c locuçõps aqui tratadas é rigorosa- 
ineiitf! itlfabétic-H,; mas, couto na discusãíio ou exix^siv^o de dou- 
trina aoêica de cada vocábulo tigiiram, par» termos de comparj 
ção priacipnlinuute, outros vocábulos eiii núiuero considerai 
que são explícadoâ gin]ult/ui<^aui4*nte com os de cada epígrafe, o, 
leitor eucootrará oo tttu da obra um íudice. também alfabéti^ 
de todos Mes, com a desiguav^o daqueltiá a que ficaram subordi- 
nados, ou em cnJH discussfto se introduziram. 

No decurso da obra tive muitas vczfs de citar palavnui e 
formas pertencentes a idiomas cujos si»temas j^rálicos diferem 
muito do romano, de que usamos; e fui couseguiutemente obri- 
gado a irauiiliterar os caractere» desses siíttemaa ^"^]^ÍM 
romanas. Para êstu fim escolhi os versaletuâ, emtanto que as 
palavras latinas as cito em romano espacejado, e as do latim 
popular, hipotéticas ou reais, e do latim birbaro ius fítrtiro em 
caracteres itálicos, igualmente espacejados para sobressaírem na 
texto. 

Na transliteraçíLo do alfabeto ?ref;o substituí pelo sinal d» 
iwpin^Ao (*) o u que, em harmonia com a transcriçAo romaoar 
ae costuma empre^r na fli^uru^áo das letras gregas 0. '^. x, 
trausliterandu-as eu porl4into com os sipibolos monn^rram^k tiros 
T'. í*. e', em vez de tq. pn. on; do mesmo sinal me sirvo pars 
a representado do espírito áspero, que, à maneira dos romanoA, 
é utío desií^nar pelo h latino. Dissolvi também o E Krejifo no» 
eeus elementos, es, à semclhau^>a do que sempre se fez com. 

o ^. l'8. 

Xo alfal)eto devanãgríco, on indico, represeuto semelhante- 
mente as aspiradas por ('), o*, por exemplo, e em tudo mais sigo 
muito de perto a transi Ítera^*ão do indianista {>ortugtics Quí- 



l&Rne de Vascoucelos Abreu; com a diferença de ligiinir por 

lúiBKalas, jiroiuiscnaiiti^iite com os vt^rsalctoii design a ti tos dos 

iltbBt, <» tâttíú» das vogais, quaudo estas nâo sfto ioictats de 

[súabi, mas acompanham a leira i!ons<>anf:e, fbnniuiilA parle inte- 

iti! dela: asHÍui tnuiscrevo. por uxotuplo, KaNÔI, e uào, 

CAJrõL 

N'o alfíiheto arábico ropresviíto por versuletes as letras, e por 
làttculu intercalados as Irés vogais, ou moções escritas, 
[Budo o «lu, a i «, Oomo este alfabeto é mais numeroso que o 
looo e contém letras representativas de sons que silu eijtrnnbos 
porti)t*uéti. V algunji mesmo u qualquer idioma uão sumitico, 
imei por ba«e pani d 8uu transi iteração o airubvio hebreu, menos 
lUuerOM) e jâ perpetuado tradlrloiialmente no grego e no romano, 
rondo os '*aracteres hebraicos, quauto possível, ]>elas 
itV que Thes correspondem hístórícamenle no aberedário la- 
K e ampliei com arlifícioti, sempre os nieítaioi). o número de 
:t^re.s necessários 4>ara a irausIitera^Tio do altUbt-to arábico, 
\wt u sua aplicação ao ânibe, quer na sua acomodação a ídio- 
uuis Ali ouUait famílias que o usam. Uidas a.s vezos que me foi iu- 
tlispvajíÚTel oitor vocábulos de qun1qu«r dí^sses idiomas. Para o 
cooludo, sej^mdo autorÍ7^ilos exemplos, "prereri dar tri 
europeia, caracterizadamente portupiesa, doi sons. e nilo 
itrus. 
Devo wlvertir que a trausliteraçlo dos alfabetos semíticos 
iiiitu vexes nAo repre.suuta a promíncia: ú mera convenção com 
liist^^rícu, já o disae. K por Ís8o que, desatendendo na trama- 
do hebreu mnitoít das miauciosas convenções e parti" 
^Tui^riiiJ.icii da notaçíVo in»Sf«»r titica, fij^nro sempre por k, p, t 
lio aa iMinwiuntes momentâneas iniciais de sílaba, como as con- 
corTMpondente», fínnU de ailaba, à semelhança do que Já 
|m pratácu a respeito de n, u. d. 



Apottila» ac» Z>icionário$ PfortuffncHHn 



Déâte mwlo, o alfabeto hebraico é traDslít4*rado <}» sef 
maDcira, conforme a ordem dos seus caracteres: 

ABODKfZHTIKhMNSOPSgaiT 



o acento circuuflecso subscrito difereiíva da última let 
nona, e da dúciína ijuinta a décima oitava. Em fím de 
K. p. T, o. D valem respectivamente pelas letras arábicas 
transcrevo por h, f, g, y, b, e que vou descrever já em 
miíDto. O D em tal sitiiaçáo vale por Ô intervocálico porti 

(J alfabeto arábico ê assim tiauslit«rado: 

ABT§OnqD&KZSXÇE)TEOTF<jKI. MNCUI* 

O ^ elevado denota o chamado emsa, ou consoante ex^tloaiva 
fkucal. O circunflecso já fioou explicado uo alfabeto belmiico. coou» 
designando as letruá. dfiioiniiiadas enrátkas. s t. e aqui mais 
1), z. O símbolo H (yj representa o valor do j cast*lhiUio actual; 
o § o th inglês surdo de think, z castelhano com pequena di- 
ferença, 8 o th sonoro inglês de ihe}j, aprossimadamente o nosM 
d interroeálioo. O h é uma aspiração surda, mais funda e mail 
perceptível do que a aâpÍru^-Ao t>xpreKsa |Hir h em íu^lcs on ÚEU 
aleui:ío: k, e^sa mesma aspii-ação. porém acompanhada de rox; 
em tim de palavra ê. conforme os dialectos, proferida como à, ou 
como (^ O H, o H 6 o K inicial de sílaba aparecem rej>resetttado8 
por /na Feniasula. O o vale por tf;, e no árabe do Hjipto por^. 
qualquer que seja a \Qps\ que se lhe siga. O v ^ um g fricativo, 
proferido no vèu do paladar, e nos voc.ábulo.4 arábicos que pif 
saram à Península His]»ánica foi sub^ttituído quási constant^roenU 
por .(/• V- O Q é um k pronunciado também uo vi^u do paladar, 
com gmnde ênfase; ás vezes equivale a ij, ou ao emza C*). O 



AposUiat am Dieiútuiriút Porh 



XI 



n mesmn valor que o x português de xadrez. O o exprtssa 

li ama articiilaçSo formada mais ubaixo da farinje, sem re- 

lUmte nas lim;uas europeias, e que se elimiuou na passajem 

voribuli»» arábico» para os idiomas da Península ElispÃnica. 

i^viu mais aoiplaii, ÍotbrmaçÕ<-s ilesejar obter ac^Tca da re- 

^rvwntaçAo peiútiiíular dos sous arábiros lerá com muilo proveito 

sc^mt4«9 obraa. exemplares a todos os respeitos: Dozy & En- 

lícImaOU. GlOSSAIBK UES UOTS RSPAHMOLS BT PORTDaAIS dé&i- 

I TOS DK L*ABABK, Loída, 18fi9, liitroductiou, n; Egiiílaz y Yan- 

■fflUtt, £971X010 8OBBB EL TALOB DE t.AS LRTBAS AJUABIOAS EN EL 

^■uj^ABSTo GAí;rrEi.LiAN'o. Madrid, 1K74: David T/>|»o'z, Textos eu 
HftU&utA portufs^esu. Lisboa. 1897, priuci pai mente esta última, 
^Bor 8«r ftortuguesa e di|{ua de todo o (Micarecíuieuto. 
H O fllfiibeto arábico aplicado ao persa tem mais quatro letras, 
que sAo aqui transliteradas por P, c, j, ó, e em que ô lígura o 

Sr do eh português do norte, cautelbauo e inglês, quási tx, 
p o (fíii do portu^u^A ijuiar. O j tem o seu valor normal na 
i lintr>a< Km turco há mais o v com valor de v. 

Para os idiomas da índia que se esc-revem cora caracteres 
arábicos, como o iudoatano, temos ainda a acrescentar as cha- 
mada* letnui eacuminaia, que, do mesmo modo que no silabá- 
río devanágrico, sfto representadas pelas bases t iJ n l (r), com 
um |w)uto »-ub3crit/i, TV^^9> *> ^^ proferem no ponto em que pro- 
DOBcúuiias o r dv* varo. 

Outros sÍDaÍH convencionais aâo ft para h aspirado (h') sonoro, 
» M /.n> para denotar o ng lirial de flilaba nas línguas germâni- 
cas, como o inglês ou o alemiio, isto é a consoante nasal p<^st^ro- 
palatal, um n proferido com a raÍ3 da língua no ponto em que 
articuLiiuns o l-, it que em português se ouve. associado a k ou g, 
wn Jrantfi, frango. 

Xa maioria dos coaos, quando quabiuer destas letras de valor 



xn 



Apotfti/aH aifs IHcioniiriog I\trtnff»raeii 



desusado ou coaveucional aparece iia citaçào de rociibulos pe- 
regrinos, o valor Anh é a]K)iita*lo eiu nota, para comodidade dM 
leitores. 

K sabido que o 2 e o j no íastelhano actual valem por coo- 
goantes fricativas siirdiís: a prímeini ^«'Djlyiil, como o th \f\)^\v» d« 
thifd-; a sej^unda velar, como o eh alemíLo de bach, ou aind& 
mais fuuda, pelo menos uo oastelbauo como é rigorosamente pKk 
iiuuciado na Custeia- Velha. Na Andaluzia o z equivale ao nosao f. 
que como som e como letra desapareceu do castelhano normal 
moderno. 

N» antiga orto^ra6a e pronúncia castelhana o 2, o j, o ç 9 
O X tinham os valores que lhes damos em português. 

Advertirei ainda que a curva fechada subscrita às letras q 
e ç n:!presenta o valor que elas t4?era nas palavras portuguesas 
da d^; e que este mesmo sinal sobrescrito a t, u denota que 
estas duas vogais não formam sílaba por si, mas com a vogal 
que as precede ou segue, constituindo a parte fraca dos dilongt» 
decrescentes, como em pai, pau (pài, pãu), ou dos dttougos 
crescentes, como em Jtar, auar /fiar, suar). Oa ápices sobre 
õ u signiticam o, ti alemães, eu (aberto), u franceses; s o e fe- 
chado alemão de srhiin, eu francês de feu. Oa ápices afíbre o I 
desitfnam o / guturalizado de jtavio, como esta palavra se pro- 
nuncia em v&rios dialertos açorianos, n y polaco. 

Para os vocábulos pertencentes a idiomas cujas letras nSo 
representam nem fonemos nem sílabas uso de trunscríf^Jíes, 
quanto [lOitgíveU portuguesas, e o raeâmo faço com outros idio- 
mas que sio analfabèticos, como por exemplo o tupi, os ofr- 
friaití, etc. 

O sinal (1) quere dixor «derivado de», e este mesmo in- 
vertido ({), «que è orijeni de». 

A ortografia sepiíuida no texto desta obra é a que expus. 



tíi5<uu *■ deietifli [ia Obtuohafia Xa<;h.inai>, ílada à «stampa 
[UB Li»b<Ni tío ano <le l'J04, c já adoptada pelo Dr. Júlio Cornu 
[m S.* ediyAo da Hua preciosa Gninmlica hi.-4Uírica portuguesa 
IpiiUicailii no ÚBUKnmsd oku homaniscuek Philouhiie, bem 
leomo últiniaiuento pela sur.* l). ('aroliua Michoêlis do Vascon- 
que a cousa^ruu. e libda pelo snr. AJberto da Cunha 
^Kanpttin. oa ri^vUla Portugália. 

Picoa poÍH iUiOL-ioDada por aquebs duiis maiores autoridados 
laU tm tllutojia porlugufiía. e coui isio me coDteuto. 
Xa reprodu^ílo áe documentos antígoâ. priucipalnieiite aud- 
íam», banquei uniruniiiz:ir a eucríta por ^^adrão artittcial, siui, 
mis a mvn ver cumi:to. evitando quanto pudu etfcritaii diversas do 
;m«.-fnto Viicàbulo. oii de formas análoí^^as. no mesmo documento. 
^119 iui'uueni:9 cilaçOtis, com quo mo ubono, «c^iii rlgorosa- 
ite D mudo de eiurever que encontrei impresso, e raríssimas 
Tm» o a^inalo ou critieo. por maJa inconjrrneute que él« seja, 
|un mL< iiiurv"' 

1^ do meu d^rer tributar aqui a minba gratidão ao spuhor 
K dtf Vasconcelos Abreu, meu antigo mestre na espeoia)id<tdo 
[d» rrtudcM oríeutaix que abalÍí<adameDt4í cultiva, por niuitis poií- 
riayúea e obt>tírvav>Mis juilieiosaa que me Aubníiuíiitiou, e bem 
pelo eficrúpnio intelijentissimo com que utf^ uasiliou ua 
Tnrbâo de uma grande parte das provas. Agrade^^pto e louvor 
|4«Tn igualmente ao beuemt^rito editor desta obra e ao estabi-lecí- 
rtíuW ó impressa, pelo esmero e solicitude com que pnra a 
irio.-^ii rouiíio^^it-uM tiiiOfrátii-ii ti-iMO drlijenteuionle coiitri- 
boMo. 

lha erratas H<ítueute faço mcn^tio especial, quuodo são esifeu- 
í á bikluèDcia do texto. 

.1. li. (hn^/tívei Viatui. 



-i^-- 



9 



Aji'i)if!ltiM oi>H ItiiitninrioH PvHhijiivuvh 



uiwla ', que ali se emprega ábaie iiiteijeotivii mente, em fniícs 
wmo as seguintes. * Abate que me caif.fu. ábaie que fn n>j(>, 
«Ciiotela que eu caio», «cautela, iiue o ai)anho>, tudo formas ilo 
njesmo verbo abarse. 

Curioso rifilo é ura em qne íí&íw está por <abrifj[o, sombia ■■: 

Í«í abàf dos cif/anoM roubam oa altleanon *; como iiiteiesíiiutt' 
•' íJiinhí^Mi a forma ahleaaos, por ahUàos; aldcõex, míintiiln pyhi 
i runa. 

Y ^ Devtímns todavia conjecturar ({iie mio *• ahlcmio.-i castclliii- 

I uiãmo. pois ainda é uí-ada na índia portuiíuesa a turma ad/eoit». 

I ihonada jior ll-iusenlior Kodúltb Daljrado no ,seu iiifen^sífiiiitt' 

. ístudo SMhrtí O DiALKcTij ]NDíi-i'tmxriiri>s dk UriA 3 _ , ^^,^^^^ 

^mtauientn dutt Àldeanofi du Camará , roDiritimidadi^s Aldf.t- 

. nai » — . 

(a)liada 

l^:iiiTii'iPi' ipU' seja n <Hiitid!i ctn que os iiri.ssns tsciitMi-fs aii- 
tiiífí-i enijireíTiiraiii este vocálnil'), mi desijíiiaiidn a t'''iiira du iíjíd- 
fi-niiit)*. ctirufi I' a oi.iiiiriii ;,'í'ral, nu i-uriTÍiidi-'rr .i úh;iú | ;i.iiij- 
di-niiii urmlogii. comi' licrhiia líafai'1 i!liiii-aii iin \'""Am i.\iui> 
i-oriTiMi/Ez-iíATiy). t''Ui-se-llii' atriluiidn tliu-í inijcii.-; i!i\i'i>ii>, 
uni.i aráldi-a e it oiuni malaia, c m» Glussiiiii» di- ]:a!;ivi;i< i' 
fra-ii-í aiiiílu-iuilias de Yuli' >■ iíiiiin'!! K da-e i'iii i-.r:.. [ii..d'> 
|-r(fri-.-:;ci.i à priuiHÍra. A arrilar-sc a itfiir-iii anil-ii:'. t". i.iiii-'.s 
dl- Ri-i-utuiir abatia, e a^^sim o ilidira u ilniin.vAiíin (.'"NTf:.\i!'i. 
«\,V!j», ciirinUiUitit ileflare ser tufiUf iii.Iiaiin i-.-li'. <> ijue >■ i|íuíii;" 
-iT |-Mdc xwijft. pois as lín^ruas da ludia sjc ;iii!Í';i -. jii-i-fiiiii-nii'-;. 
y^ht iiMiitiá, a tivs ou ipiiitio tamilia.s al>sol!;iairt'!it<' di>ti!ri.p<. 



1 fi nDr. A. B.i^h.dt-ii. niktiir.il lU iinvíiiria d' H.i-]-.'', -i 

* líUVISTA Ll.dlTANA, Viil, Vir. Jl. l l"í. 

■' Ib. \"\. VI. ]i. 7<i. 

* «Til-' iL-i^iil !''iriii uh-itln i-- .■.■rt;iiiih í-tin ■■.•. !i '' :'. I ,'. h'- ■■! - 
oriíílii ■ : /['■'••"tn-Jitt""//. !"'iii»r!i<;i.'WfíAUV nr An<;i.í' i^>i ■>■' ' "ii"' 
TCHUH A\li l'HKVHM; I,ijíi<ll'.'S. 1 -^^"l. 



♦^' 



APOSTILAS AOS 



POBÍUGUESES 



al)H 



ifi Xtm oorresjtouileutp eiacio nas outras lin^uaíi românicas, á 
U orijern muíUt problf>m;Hica. Os uo9sos«tlÍQÍoaiiristus tcoiivlba 
!-' t>íim«H itrfcríHiipjí. PDiidíwíw i\f parte faiitattias íiiref.<as 
I inútil cilur, uc)1ih1(> t\w maiores {rrohahilulailtfs ofcrfce 
km seu abôao ú o apoitíado jíor K. A^hílfo Coelho * do segiiiuto 
ioi — «iHospanIiolI lildòtfi. rumo [ítíiús. ramo], curvo na ma- 
ieira [fi/ffíy, eucurnimeutol, goteira ; do basco alabea, o quo ponde 
>n gnt«ja)' — . * 

Haveria ui)|j|^ (|iii.* iwnderar s^hre o eunnciado desta etlmo- 
If^b», mesmo sem insistU- em rumu, em vez i\v ramo, por ser 
ívidente erro tipojíráfico. 

Uiuito-me ao se^uiiitt): nem alfdteai-fne) signilicou Jamais 

gotejar* ou -«ífoteiru- em esjtarilKtl «u.fiiti vasron^o. ufiii úínhttt 

piJxvra Biípauhola. nia:^ siui alrdu-o (^=alnbéi>). ((Ut; o Dicioiíã- 

fío da Academia deiiiie assim: — «vício t|ue toma una taMa ú 

)ira pieea dft^iundera, Vrciéndi«c de modo que su supertieie uo 

itò toda Eo un plac • — . 

«1 mesmo Dicionário dd como orijçm do verbo aUibeaiAc 
lenjiienai-se a mn'lpíra*)».de que íiMtt'/ ó substantivo verbal 
!Xpr«âsando acto. a palitvra áfabc^com vários :JÍ(i:iiiti<'ado8, e ct^u 



* ]1|CC1<LV*K1U HJk^NtUt BtVStOt/lOlOO DA MíTOPA l'0»TttaUBKA. 
! 



'•WW 



Se uonsi<|prariiios i|uu outra t-jVBUk portligLii'sa úônív V(K>átmIo 
é Òt^ri/'.. somos levadoH a couclitir que o kit-ijl<< •' im iijlnbii /m, • 
neste caso teremos de optar pelo mitln inocoronto*. 

como étimo. l'm paróuiiDo ^ddo ilv 

rtfefi. (leve ser marcado com n i ....... n.,.,, do qqe 

íiAZ O «bJLTto dèiífrp arliiírt ,• i ahiiirt. crmt // ^iirdo 

iuícial. 

- Ali-'m do pass-i ' '' ' '-v e <l;i uidi- 

caçflo quy íaz da l.i. - Jns .Siuilos, 

para jiistitícnr a outra forríia hftâa, pode uindK autoriTAr-su o bíh. 
vnipr^go roí» as Hata^has pa Companhia iiH .lK.stra na »r-A 
OLUKiL»»A PuoviNUjA int .Iai*Ao, d»> PaJro Auidui'1 Prancisco 
CariliiD ': — 

•O l)£^i)joiiii ariifindoado desce pelo rio abaixo' do rsiiKr.il(4 
Laos, com ns pontii-* d« ab^ida» — . _ . , 

Is Mèudpz Í*iuLo usu da forma I^MT(2#.'tif> -Içgainip pasao da 
PkrrorinavAi», referíndo-se ã Ásia iuaular: — * outros muitos 
uníiiiiies muito píorus ilida que as avi>^, couio s^ 

liada», liõt^, ]>orcos, buliu'os e gailo vacuto ein tant^i tiu.uií iv, 

que cousa nculiua qoâ u3 lionieiH cuHivcin paru renit-dio d»' <ua 
vidu Uie deixaõ eiu pé » — '. 

A Iftni fínal, r/. da palana malaia luiiUifi v i^iàmÍ lmpi'rc«p- 
tivel e p proferida na lariíije. 






ahafador. alnjbfador; aUutiir, aftmnv 

OuJlfaermB de W-trouceloe Abreu„^uuii urtifrOh pui 

Micado uo CoBOEii» da Xoite, Hc 25 de ninuoro de IdS6, re- 
IV-riti-se a si't((t (/w.v nlMtfiulores'. o descreveu fiii q^e cMiei^ília 
abafar o vwribumh, ^ que Mpittafa prática rtdijiosa dtt antiga 
seita dos herejes Catares («pnros*). afím de impedirem o que 



* C»J)IidIu XLt. 



It^ti i luum-r Jf oofh. 



•i» «le recebiT jiela impf>- 



Irsirpiui) 



fiUi' 



''4- No mesmo artigo se vê quo 

<■' iHrilHTÍiín ii spitus jtulaiojvs, 

. niiw cs^íTial mento imo Bra- 

^'il. otifÍH nhandani m rritttrios novo». Aí vamnn 

pnítira tbi assai-níla aoa 

' "u.... ^>í,.. .•...( jinluicii, iuoreusiva, áú 

iú iiioribiiuiiti utou a lin*^ fadinha d«: pe- 

H Cifuilar^a bein thorrvr. 

le uit uoilo í rbaiiiad'! a}>ajadof. douiímina-sG 

■ ifoijatiur, w>ui <" lUfSuio tíigiittira<l"> iufaiiiaiite, 

ti. eulMde o douto professor afio podor com justiça 

: neutiutim prt^tpriaitifnte judaU-a. h sabido i|Ut< 

,.. .... t> ftfwjar se (íiiwntrani i^iu uma acqtvfio ro 

íufwa; •. 0"iifiiianto tt>iilinru outras em qtio mio são 



letrr >) 



'iiio ".'orrt^sjiDiidiíutc a 'líxija-for, vera 

«*!' V LusrTASA '; — CbrUtíin novo an- 

catrrefjarlo df* wtnincular ou aharnr com as roupas da cama os 

■ 1'oniininthAo reliiriosa; pois, soj^undo « cor- 

^^^^^-» |-.ft:uilu d»í iMJrta íuúU judaica quu us prusi*- 

H|^^^P-> tnniTf^r, mas -ierem raortOií. O afngadi>r cumpr» 

n iii mtp missão coin a Berwiidade coui que o sacer- 

' ' ::tN>s do Ki»u niruisl.erii). Noa cum-e- 

iiidi* abundam o^ i-baniadoA rbris- 

I9"!i ti<v Jt>8 pol(» púTO OS Kfogad»reti. Uouta-«c que 

do instadas poloa moribundos para quu oa 

Kp..n i.uito nâo expiraram, Uornirizadoí^ com a 

do to» — , 



t VsiL II ' p. ■244: XtrrAs horrp. a LiNorAORM Tt*LaAR 



Apostilas fítia DiciMiárinu Portugueses 



8e coiisiilerarmos que outra forma portuguesa deste vocábulo 
c> hoda. somos levados a couchiir que o «ceuto é na sílaba ha, e 
ueste caso teremos de optar pelo inalaio. AtStíaifijKjiiioceroate», 
como étimo. Um paróuimo deste vocábulo,. dftéiAí Crivado de 
aba, (leve ser marcado com a inieíal à para se dififfençar do que 
faz o objecto deste artigo e ee pronunda (àtáia^ com a surdo 
iiiidal. 

Alóm do passo com que Bluteau abona o vocábuBv e da iudi- 
caçtão que faz da Ktiòpia Oaisyiwii de Frei Joào dos Sautos, 
para justificar a outra tbrma hada, pode ainda autorizar-se o seu 
emjirOgo com as Batalhas da Companhia de Jesus wa sua 
(jLDHiosA piiovixoiA DO Japão, do Padre Aut<Jnio Francisco 
Cíirdim ': — " ,- 

< O hi'iijoim ameiídoalo desce polo rio abaixo do rei^.dos 
Laos, com as pontas de abuda » — . 

Y'. Méiidez Pinto usa da tbrma hada uo ftegiiinte passo da 
Pehe(}rixa(,Ão. referindo-se íi Ásia insular: — ■í outros muitos 
aiiimaes muiti» pioras iutla que as aves, como sid altfa^ites, 
badas, liòtis. porcos, búfaros e gado vacum em tauta quantidadOf 
que cousa ucubTia que os Iiomcns cultivem para remédio de sua 
vida Ibe ddxaõ oui pé* — -. 

A lotra tiual, q, da palavra malaia hádaq é quási impercep- 
tível e é |iroferidii na fariíije. 



abafador. albgador; abafar, afogar 

Guilberme de Vasioucclos Abreu, num erudito artigo, pu-: 
blicado uo Cokheici da Noite, de 25 do outubro de 1886, re- 
Ifriu-se à srifa c/fw ahafudon'.^, e descreveu em que consistia 
ahafiir o moribundo, o (lue reputiiva ]>r;itica relijiosa da antiga 
seita diis lierejes Cátaros («jjaros»), aíini dc^ impedirem o que 



^ í':iin'lu|.i XI, 1. 



Apnfíiliu nnst I}intwt\ríí>ti Vortttgw!»e9 



tU « uomjr de i-otn^' 
t;tutf) em 1'oKuxíiI< 



oSwf píMdo» depofe (lo receber peta inipo- 

■Kohimeíifo, coirespoiíilífiitíí \x 

Xo iiitísijto arti^íu «e vO que 

iiidn ('' AtrilMiffio a seitas judaicn». 

■ mus ísíie(.'i;ilii]ciitc era Utu- 

.,..>.,.^..,,i 08 cTÍstfios novos. Ai vonios 



tainWm it r;i7..1o peb i|uM t^in iief:U)'U j>r»fica foi aâsacatla ans 

^judriiSi com fiiutbtiK*otn (>ni 4)uira préUoa jtidaiou, íuofensiva, de 

nipti'.r i! ' ' ' ii.irihirtjdo uma almofadinha de pe- 

O individuo que no norte if cbiimado (ibafador. d^nominu-se 
tift Ilcíra-llaíia ttfotfnilor, raid o mf^jíiiiri sii^nitlrailo infamante^ 

l^ilc, f» i ecbÍ. iMiUHidu u douto ]trof'i;Msor uilo puder i:<iin jiitslí^^a 

[^jllribiiit<^e a siMtu neiíliuma priípríamente jiidaioa. K sabido que 
vtrlMB tzònjar t' ajvjitr se cucentram em uma acepção co- 
innii. a ilc «Aificfti--, eontiaanto tenham outras em que uJLo ^o 
^inõiiiiiii*s. 

Q ivnít» tif<itfa<lf>r, como correopoudeub a ahafndor, vem 

laíisiíii 'I ■■■■' KcrisTA LrsiTAXA ': — «Cbristjin novo en- 

curref^.- ••■. vóMan^iilar ou abafar com ii9 roupas da cama os 

[luoribuodos «la mesma rommimhão ivligiosa; pois. segumJo ê cor- 
tKt0Ê, L ' preceito de certa seita judaica que os prose- 

,lyto5 :: '- •'.■ :■ i morrer, mas serem mortos. O afo^-^ador ci;"- ■ 
H Iri-u . .v .laute inissio com a serenidade com que o •■ 
dote pr. i'tos TCfáis santos do seu ministério. Nos conce- 

lhos de reuaiUiiCiir e Covilh;!, omíe abundam os chamaílot* cbrin- 
lf>i t\o\<.< .;<i'. ti'...i.';iilos peln povfl 08 afo^adores. Conta-se que 
muitM I 'ido iastada>4 pelos inoriluiudos pai'a que os 

nâo AbaudoiiNn emquanto uAo expirarem, horrorizado^ com ft 
idt^ do e^tnuiKuIamento» — . 




> VuL ut Is<j0>l30â, p '244: Notar boukg a LiNatrAas» titloar 
daAlokia UK3A3ir.\ SIaroariiiÁ. I Ik'im<BaÍsa), por A. Alfredri Mvvi. 



Âpottiíaa am Diciottãrioê l\irtHg't^e» 



abafurtíte 

Kiiii»rega-Me esto voi-abulo, em iiiij,iui_iciii 'Ic í,'in;i j-iirlanw 
tal. \}úra desiguar o aoto^t- pòr termo a uma iliscussàu. luedluate 
nioçâo de conKfttivu ao gftv^o. ou roquitrimoAto pura se couâ- 
derar a matória discutida: — «Se iião houvur abafareff. — © é 
muito provavfl que o httjn — a discussão «obr&a \jioi:^ de tele- 
í^iaiumas deve proseguir por toda a pifuiina semana - — >*- 

K e\idente a orijem da expressão, ([iiu provém do verbo abufar^ 
no »entido d« * stdocar >. 

abismo 



Vo Economista de 4 de .janeiro di- l«9l, deii-gn *Dmo usii«- 
1i3»ima uma acep^Ao deste vocábulo, que mio ú fácil apurar quul 
8^a, pelo modo ^^t que ali s* empregou, e ê o seguinte: — «Di- 
2J0UI do AlgarvH: cliiwe :i vabT. Nilo ha falta que riílo dt^ am far- 
tura. Xo euirftaiiUt, roatti lia SiMuprc diticordautes. os das alturas 
querem maU agua, porque os ahyxmos. «xpressilo muito boyular, 

estio SHCC08> — . 

A palavra nhimiv) provém de uma forma superlativa latãoa 
ubyiTKimmt, do adjectivo abyssus, eorrespondent^i ao adjectivo 
grego Â0L'!4H[is. quo se obsorva dos Sktenta, ou Vcrsflo gagi do 
VeJho Testa uie 11 to Iiebreu, onde tradii?. o adjectivo Boeu, ^iie na 
VvuâATAf OU verstlo latina, é interpretadu yor inauitt: turra. 
autem erat íBanis et uacua, em gregp kú uk Rrros- Anu»- 
»on kaÍ AP'AXiASMi'is. O grogo ÁnvHsnn v um^Hjtí-ivo negativo 
do substantivo aiiHH.)!?. < nmr fundo >. na lliada de liomero 
t^juv, aO|. No Novo Testainwito a hB ÀJimfcus d6 WXto ' cor- 
responde ua Vulgata iuferaC, «as profnnd(id)a(dc)s >. que é o 




', w»A eub:ttantfn<1o. 



rthoxinníin 



K6te ^djcrtivH* lutiito bom forinodo do substantivo bosina, 

A«^ ramn ^ihatiu/òto. dí hciiitm. afunihtlu. àe futiil. aboiiíi-30 

loii Mi-cbo. t?ítr;iídlí) do jornal O Sécl-lo, do 13 de 

IV ! .•■'^:— • . ..eUe. .. de bimete verde, orlado de 

••. ciilça ahiiviuada, ar t,'Íng5o.-i' — . 

V. Uhmi^Io maia curta e maia* exprt*s3Íva, que a iiâual. caJ{-a 

tit tfdat He ^ino. 



ahra!»ado 



■Ui 



' I. ij.jM do verbo fíbra-^fir é usado na África Ocidental 

Vfi riiin seutiíln muito i^Kpecial, romo vemos no vi Kela- 

titt dàjjgn Fllnfricuna ', pãjinas 3i: 
— ^in de >ip,4 fwkulus fiuí se trouvait par hasard à Knbala... 
ruL mi^ttatlu \v\\ portutrais loral); o>8t-à-dire. il fut appelé au 
miioili' df» wprit.* par Ic revenant de Petelii assassine — . 



/ibâent1«)lsia, abseut(e)ísmo 



,.,, 



por Alliertíi Sampaio tm seu tnil' 
,1, As ^viLLAS' no Xoirrr dr iv -.. 
rde, toniaiido-Be ul>seiitei:ílti3 [i^ proprÍL't&- 
,il Lomnu (•aracter dillereiíte * — . 
M-iiibiilo do fraoc^s iiftttentt^iste. de iiitrodo- 



* r M. 'Iltói!, Dlt^TIOXVAIRB LATIV-KaAKyAW, P»ri«, ISSO. 

* I.A htavn Piiii^KrRiCAixB. 
i Í0 ». Pmfli^la >, I. p. 2a3. 



Apontila» aoH Dk-ionáríon Pryrt^tUMg 



ytlo ivct^nt«, furiDj^do de tib^enféisnw. ijiic < 1< rí< ;i<lo iin íiiglfo 
abftf^iftrifwif couíbrme E. Uttn '. "^ t 

Molhor fnnua lí^ra sem dúvida éb^enfiftn. com absorção do e 
de absente, * ausentí », à seuiidburjví*' l'*>'' cwiiiplo df tieitiifta, 
qne se não profere, nem eDCre^e denieiíia, 

A Gazeta das Aluetas iisoii ahseitfei-9nui — « oesse o ubâeii- 
ieiâiEio, qíie o proi)riptárío. . ^ explore diiectanieiite • — '. 

O Kòvo Dux^ionAhio da V<1n»ca i'c)HTunuÍtsA iiá||í^iu n» 
SiiplemEMito o lentio aÒKnttetitmo, daiido-o como brasileiro. 

Melhor scrhi com cíírteza aftyt*nti»mo, sem aquclo ■• ' •-■■al- 
tíir a j)rouutioiaçao, visto t\uv de in-otcutanU' diuMU'" m- 

tinnio. O nilo j/rotcstantei^mo. 



abside, ábside 

Na Kkvista Lusitana \vi, p, 95] raostmo .]. Leite de Vi 
coui^elos que a aL'entua^*ilo usual desta palavra, áhiiide. ^ evmdn* 
Te(^ricaiaent« tem razão: em latim o i de ab»)s, absidís devo 
»r loiím), como o era em ííiojío o de atsís. Apaínos, ■ liiq^çAu •. 
dn qual o» romanos o tomiiram. U fa4;t<i. porrm. •> que quúii 
ludos, se não todos, m lecsic^grafus portugue.^s acentuam áhsidt, 
muuraltiiente para se cou formarem com o u»> ilos arqniicctos, v 
esta aceiítiiavào ú í'omiiiimi ao custelhatio e ao toscano. Xo úl- 
timo livro, que trate de arquitectura, e»crit4> em |>ortugiLèii nceti- 
tna^se grálicamecte úfmide, contra o sistema ortográfico do Butor. 
que rarat^ vexes marca acentuavâo ^, dn (|iie si* dejireende insistir 
èh em qutit deva ser assim acentuado. Oouquiq^^em questões de 
linguajem afio teuhamos por dever seguir va|irii.'bos ou particu- 
larífimos de qnem uao tenba a competèocia especial ttessaa qoes- 
iA«s, mio ilevemos, contudo. di3[»euãur abãolutiimeulc o seu vuto. 



^ DtCTtlINNAinB DB I.A LANOUB PRANÇAUB. 

B ia i) (Ic JQlbii dc IW-K I 

> An^sto FatcMni, A AHiiHirncrimA icisLi»ioâA ua bi^ade uboia, ^ 
LbbuK, 1W)4, jwi«niH. 



(oiafííir* ii'»i tficin/túrhx Por^jfucvJt 



:1<;;i!m ii-r 



I» X.»VO UirciOSÃRIo JVi LÍNílLA BOHTiat.'ÍCSA ÍlK'loÍ hÍ4i 

xcàhulo. jldU'Kvlli6 fomo definivilo — *f q»o ftCiil)a>. 

É tii5UticteDte ettta de&nJç&o (que aliás era bem usciisiiJa por 
'«cr ' para o seutiilo em que í^ste suhstiuitivo é tomado. 

e qu, ^-., •-■ trivial, coiiiquiuito ti-cnico, iio ammcio u." 321 B, 
pnhlirailo no jornal O Senuv ^^ 1 ^ <!*} i^^iril <!<* ' •H>t — ' Ara- 
lur. 4'oni a^ iwltini-i)^ rffprências \aluijr, ahona^-õe», informa- 
■Tp 'r''':»thi). . . adrnitle-st! na faltrica de lanifi»Mos » — . 
^ Jo auúurio vê-a» que é oní < operária a quem se in- 

HeiímtMi o ttcabatuento, ou última iirno em uma pe^a de tecido 

r 



awirrpiar 



1 iiiha Umii osentldo p.^ppcial de • fazer fretes». Vera 

já r<.u.'.i:.i-io vm iliciouurioiâ ooiiin ©ijtiivali-udn a vairvjar. 



iit'arretadnr (Algarve) 

O emprí^KO particular que na provincin mais meridional dn < 

.«Hitioeute portU}.ni^^ ad<|uiríu esta palavra deduz-«e cluramentu 

la seguinte definirão, dada por J. Nunez no ;m>q e.studo ('«i-Tr 

IBS ALoAitvio? ': — 'Tem o uorae do oeurreífuhr o indixidim 

i|iif anda recolheudo o trig.> pam o moinho, para cuja i'ondur\'ft'> 

serve d'ttina munr ou d'um carro oodo truii-ipnrta os Racro>> 



Acóm 



Rste t«=Tnio dí coniivaria, ou açougue, é usualmen 
|tf^<rmr eií>*nta com certeza incorrecta, conquanto seja a ..: ,. -U 
\mt Blnteau Du VocAjfCLAnio F.iRTi.'ot*Ez-T. atino, e repiuiu 



tePortu^Rlía. 1. p. .t4!». 



10 



ApottihtiÊ noa IMtionnriuê pnrttijfuritfM 



ainda no Su|jIemeato, aroinpiiiihaila ]K>rém <Ui qii« teab<^ ^ 
preferível. 

O tf nno, i*rtnii> quúsi Unlos os* qiit' pprlfiicpiii aoít ofifioá ile 
iiiaj^arefu, csfolador. et^i., devo ser lU-orijetu aníliini. o an-t *« 
arithicos corresi>oud*ni sempre (• wn português. 

O arabista José Kf^iioliel siijere-ine como ótimo. uuttv outrw 
menos prováveis, obn. • cordura >, ^w un realidad* virii inHiiido 
(lor Uelot 00 Vocabulário ãrdtie-fraiicvs <. com a ài^iticaviiti de 
<graisse>, e no Dicionário árahe-frann^H de Oherhonneau -, con 
as de >^uisse, euibonpoiot*. 

A. delÍDiçilo do termo português é. ronforme o IhccxoKAiao 
CoxTEMprutASKo: — • parfe do lombo da vacca, ou do Iwi, entre 
a |Hi e a t-xtit^uiidaile do racha^-o» — . 

Veja-se febra. 



uceiíha, azfiilia 



Od dicionários consignam em geral ambas as Ibriua». dandQ 
quási sempre a preferéiicia á segunda, (|iie t^, a bem dif^r. a 
tmira literária uioderuunieutí'. O p«ivo em)>r^'a eoiutimiueutp 
a primeira, e em escrito recente. J. Núnez ^, referi ndo-íV ao 
Al^'arrc cita as duas: — -mas ba também os (moinbog) chama- 
dos de rodízio e aa ozenlias on acanhas» — . Vé-se quo a fonxm 
mm e è a local, e está mais conforme com o seu étimo arábico. 

Os Itc-íiciigTufoíi (]ue t«Hm tjutado dns termos áiahra que 
pftfó&nun âs línguas lilâpáuicas, a começar em Joiin de Sousa ^ 
deram bá muito u etimolojia dt^ste vocúbulo. AL-sasiK. e êxte 
Rrabista apouta como mais ccirrt^eta u forma axmnut, no fnral 
dtíiio jtor I). Afonso Henrique!! á cidade de l'oimbra. mas escreve 



V(»CAnrt.AinK AitAne-VRAX-ÇAiR, Bolrntr, 1S!>3. p. 0I>3, cnl. i. 

ni01'10SN.LIttB AHAHB-rRAXÇAlS, P«ru, 1^76, 11, |i. 716, Cn|. KL 

(■4)STrMits Ai-OAHvioB. ífi * Por1n|.'alU >, i, i>. Sííí*. 

VESTIOIfKt PA l.|N<inA AKAHICt EU PoUTfllAl^ Ulbcw. \«X\. 



I. No GtoiMáiio <le Knpelinaan ts Itozy ', ciUin-se. a pai' da 

elbui» aeena, oh Ibruas poitnpiesas aeeiía, asenia, uêenhOt 

daridosas, e u msania cíUiilo, damlo-se como «^tiuio AirCtA- 

rom X loa^o. e nnuudo-su a pnínúticia dé.stf tionin «, 

1^ (wvulúr du Puniu.su1& HispáDÍca. Kguílaz y Vajigua^, no 

GluBS&iio. * proci>}so nomoadamcnt« jielas muitas alionuções 

;u^ • ilit^tiii>t), ttiKjutji luais ii friniia oastelhauii açcn- 

. L. -.níinuii u pa-íeréucia que se devo dar ao c. cora prfr- 

do f. » as cntalAH cénia. sinia, malhorquiua cinm, valeu- 

■ I. Wiim. galega océ^t. cootírmaiido, porque a adopta, 

iiii« .M.>blra coai a lon^o, valendo na reninsiila por e. 

Nh Kitta-'lVJn li tamli^m arfiníia, pronunciado ar&nhn, rom e 

ido, « inlo com a surdo como um Lisboa, a fornia popnlar, 

devera ser preferida por mais con*octa; sendo presumível 

ú erT<>nea ortografia com .", attenka. coucorresse para a falsa 

conota e uscritu azenha, qae liteni ria mente se difundiu, cen- 

|»-jie hoje. em geral, como defeituosa a pronunciaçilo e 

■^eora f, íiiiica popular e fiel ao ítimo. 



Acbada. cliada 

(■/tta palavra, qUe na<la lum que ver com ú vçrbo achíir, do 

>UinátÍra orijem. puitt é simplesmente derivada do radli^al 

ajiiiUmattt. jd recenlemeuie entrou nos noss^xs rfi- 

k, eom o signitirado de «chã, chapada, planície el<^vada, 

I». O dr. Gouçálvex GuimarSes ' adopt^u-a, ^ara snht;- 

lÍT o termo rnridfmo e de dnvidnsu propriedade jihn/iU-o, 

•l«r ** pro-nifirii arremedar o franrí''s platfiiii. ípie JoSo 



* ÚUHMALKa DM MOTS B«PAGK0L8 BT rOIITUGAU PÊRIT^ p8 
Uíi» " 1161». 

' OB LAR PALABRAN BSPAX01.AS DB OKIOBS OaiBNTAh, 
' V. AL'H!ÍA. 
» n UK (íbulooia. CditnLn, leifl?. 



Vi 



AjoatiUtf iKMt Dicianáriof' 



Félix i*ei'«iru dilijeucioii acomodar a portui^iiií» min u hnaa 
plató, a qual vinj^u por algum tempo, m^ lioji*, o muda bvni. 
«sti fiiiAsi desterrada. Almeida d*Efa usa também o termo aehod^ 

tíXi filttt CH(>B(tORAI'Hl\. 

O passo em <|Uti o erudito professor, n qupm acima mv rcfc: 
empre]?a os dois ti^mioít reia as^im: — • c finalmente lU 
ou planaltos de Moncorvo • — . 

fcl preeitwo aquide livro jit^la propriedade de lin[;uajum. t«l» 
portuguesa de lei. e rauito lem explicada, no que se refere h \%f^ 
luiiiolujia. 

O vocábulo achfítia tífjnru ua toponímia, coiuo :te [>odr cir 
no DiocioxiRTo ílnononBApeiro de Joilo Mnriíi llaptista '. eí 
a denominaçílo de um largo, e de uma rua de Lisl>oa. qne. 
pef^tívajufute. vecm a|>ontadiis. com 08 números 1 e 2, ou qua- 
drado as d» Planta m: Lisboa, jiuldira^Ia em 1«H() t>m jK»rta- 
gaès, frnDcí^íi e inglês. São essas denomina\-nes largo da Achad», 
mu dn Achada, e ticam pani ok lado» do Castelo dr S. .loijí. 

(.'onquantii. quí* «u saiba, o verlio (irlutr nâo wja eiiipt 
actualmente em [larte alguma do território português uu 
corrps]Kiadpnte ao (!astell]aiio aHanar\ afipíiin»rtt. ao eo 
Glossário do dr. A. A. Cortesão - encontramos o particípio p 
arhdailu, de um verbo aciíàar. da meisma orijeiu. abonado roíu 
o seguinte exemplo: — «De ^tsa que em breve foi todo ar liú adrt 
[Azurara. Obóvioa no Cokde 1>oh I*Ei>no]» — . 

ICni MóiloLi diz-se chada { planala, u é possível que ft^t 
e«tH a forma primitiva, a que ee soldaKse o artif:^ femeulno, «OUM 
em arrã, hrrtiia, 

ESAbre nchíitta com outra signifieaçílo, voja-tto achar. 
' 
I VI volame <U CHononnArnu modsrsía no UEUto pb ['ortitijau 
p. :t, eoL L Lúboft, l6Tef. 
; 




Z SriWloUM PARA l'M T)|CCIONÃRtOCOUrLVrO(KCST6lUC(»-ICTrMO>' 

UHiim) UA (.(."iiofA iHinrriiusíA, Citittibriu lt)J). 



Àpimlibu oofl Dkiannrinê FariuyHeua- 



)S 



achaque 

Ao exemplo de achoqw ua acepção dt^ < pretexto *. aduzido 

\o DicnoxARio CoxTHjifoaiNEo, pode acreficentar-sc o so^'uiut« 

)a*âo das lÍAT.u.nA8 ua C')mi'a.\uia uk Jjbls na i'muvixi u 

o JAr*AO *, di> Padre Aiit('>DÍo Fraiicisro Cardíoi: — <foi iiili- 

iiidâ nora wiiteaça de desU-rro, toman']o por achaque iiin iiicéa- 

\m i|ue ua sim cíhíb. . . sucedtra » — , 

S^^bvt* u etiiuolojía dèsLe vocálmlo, que desde Mariíiíi e .Todo 
l« S^tustt * ã6 atiK^a .s«r árabe, com o que coucordarain Oozv e 
■ ■ im ^. e K;nti1az y Vmi]Líuas *, veju-se u ([uc dist Kiirting *, 
'_'jm'll(', um* Un' atribui orijem K'?'"»!!*"'»''*. 
Com efeito o eh com que sempre w esCTeveu va-ta palavra, 
itn <^m pnrtn^niós como em castelhano, é incompatível com u 
imo auihico a que o .sntmrdiuniri e que tem por primeira con- 

achar: adiar (substitutivo) 

A eiiniolojia d^^te verbo, que maiores probabilidades oferece 

aera drivida, n lutitii ttf/lare, que eutre outras ucepv'^*^* incom- 

iUtvíh. U^m a de *hurejar>, que tamlji^in pouco Re coaduiui rom 

muitas que êle apre^euta ua nossa Uoí^ua. Pulo st^^utido. poi», 

Itfvtfrfnmotf repelir este útimo. e ú íaao o que P. Adolfo Citelho a 

^'ándtdo de Kt({ijeiredo tl7>'raui nos seus dícíouúrioH. uáo obstjinte 

c<iÍDcidt'Ucia du se eutTont.riíifm em outros dialL>i-to.s romuniro.s 



* VnSTIltlOS VA UKttoX ARÂntUA BM POBTlíOAU l.wbiHU ISIÍl). 

* ÍÍLr>«ftAtftK 1>B» «OTO BSfAGNOUS MT PORTLIOAW WÉltlVés »B 

^ GlOSAIUO DB tAS PAU^DKAU I»Fa£0LAS DB URltiSN OKtBNTAU» 

tmuda, 1KMÍ. 

^ I.ATEisiftCii*ROMAxiAcuBíi WonrBRBfcu. Padurtiorii, lifUl, |l. 71, 



11 



Apontiíng noK Difionárioê ^rítigumes 



vftrias fornifts a eâta correspondentes, por exemplo o romeun afié^i 
e com o mcsfno siguificado. 

TodoB, porém, teem confessado que o étimo <* tcoudor. r 
que pela sua rnnstitnifjio formal lhe corresponde perfeitamente: 
cf. chiimn \ IlammAj Wuí(V<ir | ãa>rraiy. 

Vejamos, porén, ie, mesmo fon<^tiearaente, o rnirábulo p«lí 
K«bortÍin:ir-Hi* a ("•sse «itimi.». i) coiTespondeiiU' verho em »•: 
mwlertio i* hullar, pruniiocioilo alhar (cí. llamii \ M,ii: 
portanto pi)deiia;iiOi4 supor que Hquele h seja etimoli-^Jieftiuffltt 
errúueo, como o 4 o de henchir \ implere. «enclier». Todíni 
em muitoâ vocú))uloà o h é ainda proferido 'âm rários dÍAlertot, 
tuw o.s andaluze.t e os estreiíionlioâ, e era-o dantes quaudu ttnlta 
«dí> precedido de formas em quo auteriormeiíte figurava o /. 

Ora t''ste vorln) haUar tinha autigauirtite a forma fnlínr, 
que t^rii» iuadmis.sjvi-1 que procedesse de affUre; pub<, ainé 
que udjniti<»emuã a pouco pro^ilvel inserção do uma vogal aiuip 
tictica a desunir o grupo do consoantes ffl, do que resultaríi 
um;i forma bipotétira affalnre, necessária para explicar o 
primeira silah.-). deixaria de existir o dito ^nupo, a que e 
Fteliiano corre(;]ninde 11 {l palHilao) o em português eh (flé 
nia j Hamn, rhamn), 

^^'-->^, ptirtanto. que o (^tínio proposto carece de expli 
1.1, me.siDO funitíciUTienie, e que o verdadeiro está ai 
tain lonju de ser uverí^ado, eomu o do verlw corres]»ondeute 
.utiik* iiti^iati roniituirju, trovare italiano, trouver frttuo<l>s, urér< 
O qual tariio se tom í-soriio. 

De achar provém o particípio achado e achfuia, Êsles p 
tii-ipins substantivados diverjem dtj si};nifiiiad<>: n ji . 
nchmii* qn^ri* di£er ■vqiiitln qiit* se arba>; o femoiiíii' 
ãignificavu dautetj — •Oimia ou penas, que se levAo aos qu« I 
•ma algum furlo, roubo, ou detrimento nos lugaroã. frutos 



t HuntUrj- dvrívtm ufiA dy ^go awanO: Dr pEi*ri^ iuiitmaix 
VALAgiB, A%T Conp^ft da li SoritfW tlKrcbtkdtf^tf úunçMM (1970), «Cmi 

píc>ren'Í«»- 



*i'*v ti^tão routa^ias. ou siU> alheias; quando os Aiitliores 
ladoj, 011 dcí;»:!!^^^)» uu pxwuçilo dtíste crime > — '. 
'Isiii dtz Santa Rraa d» Viterbo, aboDand()-«e cnm aa Orde- 
^-■^loi. O vi>f:Up|ilii piu-i'iii íiiiidu è iisail.i tMii Tnts-os-Moiites HO 
hdo dv • U)ull]is<,fit>mo sou infunmadoifMr iixliridiin de Mimn- 
A iste fitcto uAo está acurado em dwUiuiii dlniúiiárío, que 
ibo. 

um/' fífJiatlfí i;orre!Spotidtf IA iu-tuiiltufute ao quv tíiu 

9 4)ÚE Tul^iirnifutp pretjar uma muthiut^ào. isto é. 'ini- 

aniA iDutta ■ . 

{.'ici^i', ' ■ -o. coiuo uiuue de uinu con-íerva de frutos. 

liçM t :. e \iuajíie mm outros iiduli»s, è o |it'i-eiiiiiti 

LM (^=ii>ehar), que p«lo malaio passou As lin^uaj t)iiT0i>eia3 ^. 

dii Ortu de«.'rtv*f-o *. 



tirinwinido (eufiiiMjirado) 

Aste VDTúhulu t- tim tieolojuano ()iit> não «siá ioclujdo i-m 
lUDi dieiouàrio dd lilij^uu, aiesmo uo inaM copio8TlNl«t»t o 
líiii 'li! (Tándidu <\v Figueiít^do. Ui^u ser ufolA- 

u.-. ..:1 tíilvt''/., pori|ue outro tia mesma sil" '''■",:''> e 

liçJU) jpntiisiinadu enrinzeirmlv. iHi|M)âtu não : -u- 

%«« diriAiiiíriii!i. ti tixlafia inaitu modo pelo povo, |h>1o Oicnoã 
i\,. " . '. ■ . - r,- '.-.■■■:■ ■ r-iro 

\iir\. ^^hre a.*) aguas, n acitut-irttdo (]tie produx o 
ti 



'ICTIUN.NAIKE f:i-YMOU»li|QrB l<e4 Mt>Td n>>RIUI!tB 
|CTn4 um* HiMlM.rw b mtor.AS if A IXOU, I. I.ÍKh<>a, Hlil.p. IfTi. 



It5 



Aftontitas aoit DieinHiU'im l^rlu^itme* 



Quauilo a anarquia (■ a guerra ciril rouirvin-Lni u 
(li'iir-se nu im|>ério (l»#[arroros. nos piMiiWifOí e revístii 
jeiras apareceram QisqueiiieR 4leB<:^iç(tt^s dos domínios do \Bni«i 
itii^ train iivíHanient** tra(l(t7.Í(l:i.s lAte jornais jiortiigueses, MM' 
maior oii niemtr ifrnaculiiUil*;. 

Ijam-se entào^ rejiroduzidaã com todas as letruii com qu« a 
«atranjeiroa a* fi^ravan», muitas [iula\'ra.s e deufíiuinafoes afàhi- 
CMS. e eutiTí elas mo lembro de U*r visto ^<*k^ como destgna^o 
de • mercado », 

A nenlium dos indinduos que *^vx y^tíw^v^ vertiam esatí 
iotíTiíit-farittja uoUciaá i»eorreii que este vocábulo jji esistm cji bí 
mil uiili 1 ' '-Tin fórum portuguesa, «j-o/í^íw. a qual, se uo uio 
correu: e apenas sigiiitica a loja ondo se vende a comei 

pnnt-ipaimpuie a de reses Imviuas e oviuas. em tempos aiitcri<»- 
res secvin para denominar um mercado qualquer. Ao KentJdo 
'•spetial e restrito que a ]<iilavra adquiriu se reter*» sem diuidft 
ii!fi ítftiAilut». que, ]>ela miineini por que se expre^^iOt parocm 
n!\o i'^nn>r:ir quf» tivera outro» t^entidne: — -A aorep^-â*» que vul- 
^i^iVíMi'!!!!' «tí dá á palavra açougue togo nos fv.tra. rom :ini'it">w 
ns logarei de venda de carnes» — ' - 
.uTOliissário de Kn^elinaiin p Dozy '. a pájijias *i'lK !iubord>^ 
liado 51 iiiscrií.ulo aiti'fiw, nastelIuiDO, tuouffue, português. « pnr*- 
tautu lora do seu lu'^r. porqu» o étiuiu deâtii t* diTerfiilu 
(i^L-ZAi-gK], diz-nos: — ' Daus la sit^nitication de marche (dimb* 
nutif (i^irfnf:/(/}. ('('st nn aiitre mot árabe, à savoir a^mur, ov 
ait-sõc [\ij-svii, qui a le mime sens » — . 

R em seguida mais fste trecho, que é de Doiy; — • Oan-* \$ 
Fuero de Madrid... azorJie. Kn portugais tf/v»r;ur (ancieni^ 



I o SscUM)» ilf 20 «Ic mtirvu di- lOinj. 

> Ulo-í^.MKK 01» HOTB U!*l*AaNt>l.il ST ItlRTVOJIU 



I i>Aiirvft4 en 



Ajmttiln* aoê DitíimArion Partuifueitn 



!7 



it açoufjm), qtti signifiait autrefoii} marche en ^iiérul. mais 
li pUw witl (Í(',Mv'anit spt'fiaU'meat: le iimrclii* oíi Tou vemlait 
I» viando, h ImiucIiltíl». \h* t'p lunt vieut le terjue itrouifaffcm 
Itrqui^l f>n peiít «insultar S." Ho»ii - ^. 
Conui nfto é o rocA^lo açuarjajem. fl qnal. ronfornie o aha- 
í^ilii ^iitnr do RIucidnrio '. stpiticava um triliiitn iiii[)0»to aos 
^«U'ledMrfrS ro»'^ "^ini a paiaí^iii tirotti/ue *> que iior aiíom no» iii- 
s« rçctfrrermos ao {irecioso repositório, que Doxy tanto 
icaw:e, f^tnhifnt Matutnt portiufain. llio cliama). o ijue. seja 
Ijft. não era àfii custiiuie. achamos lã i-sta iurorma\'àn: — 
Avcnjii. Assim «e chamarão os lugares, onde antí^'umeiit« 
rendtâo, c (-úmpr-i^iio todas, o qitao^qiter niercadorias»-». 
O Suplniicntit an Nòv" hiccinyiRiu de Oàndido de Figiiol- 
\o ronsigiia Mta acepçiTi*. lala do vocábulo ]tor iiin m<^do mnis 
lérico. |>oÍs o dífine, i:oiu a cota de antit/tt: — * arr- 
ife niercadiirfit*. o uue mv (urere ieuiprârin. poÍH iH^falUi .il»«»- 
lo. 

Km tudo â cuM. i.^ de upliiudir a inservão do ^utidio uiuis 
lio do viKátnilo, visto como nem ainda no primeiro, e^^ó^^igora 
iuirn. volume d ■ Dirion.irin da Academia *. para o sell wtnpo 
luoiimental. se hz in*?rivãi) dt"*ste slgiiitiradn. 

t>Í5peuito-nie de citar, aiudu que iuieressantes. as i-nuiúdpnt— 
fõw aprespiilaJuá ppr Keuilaz y Yaiis^uas sobre esta palavriC por 
basearem em t^f. dcsi-ouliefeu lU acepções que ela tiitlia atiti- 
lent^ em Portugal, muiio maiit latas, que ns que lht> atiibtá 
l« — •caniii'*riQ. que es la que tieue la voz portuçuesa» — \ • 
A courlusiio, pois. é que aromjm desiimou mercado, princi- 
Imeitte de comestÍvel>t, e quo, portanU*, é escusado enipre^ur- 



Vt. iiAi^aim (k- S4M;i IIi>sa <U> Vitt>rl>u, EuuotDARio d^ palavu,». 

K VKAiW). gUK EM HimTrOAL ASTirifAMBSTB >ÍB 1-»JÍtUi>, rttf., 

tiircioNMUio DA I.ISI10A i'iii(Tt"<i>"EZ\. l,i-lii«, l"y;l. 

Uu}âAR|n UK HS eAI..\I!IMN K-irAÍHl.AS DE OkHlKV flRIENT Al-, 



moíf, 4rom letms pifas, o termo mÂk. malbsiamioente ort< 
quando quis«nui>!i desi^^uar uis lueirmlos nn» pM&^a buit<...« 
e isto com Uato moitt razáo. quaut^t é naliido ^tie, DO «eotídol 
r«!itrito de raerciido. loja. onde se vendem carnes, a tlenomiiui^ 
m:iis usiuil hoje r- í//Wi»/. Ji o mesnio iprtia), O Swimj) '. dis»:| 
— • Mas ;t realidade *' i\\w não tenms st-nfif) íiv'>iijíiww, e jirwijj 
m«e de ter talims'. 
Af^riim seju! 

gctidiii, itnidia 



Xo Nmvm línrioNiBiit iulmitm-si- ''■■*te vtn-áhulo. iMtTí-did^i 
do asteriwo a indirar i[W « íuii inservào em dioimiãrios |)0itU' 
guetes è teita pela primeira vex. SAo é exacta a afirmado, 
(jue já .!■ ípáfifi Kotiuete no PicriosNAiap. foKTiKí.viH-xuASv* 
ínrelizmMlIP n Jncliiiru cnra a SHguintt' dvtyiifA»; — • -j- a 
u<'udif. hiiWctH lummeuv de rAinéri(|ue inéridioimle » — . O 
que pr(f<*«de o vwábnlo iadir» lambiam a Kiia primuim ina 
1^110 ãiuiu de tio\ idade! 

A detiiii^áu da<In pelo li^csiciígrato portuguèR suprimiu 
meridional. (>oÍ8 nos diz tam si^mente. — • acudia. ÍDS«ct« U 
TOJÊCBft, da America' — . Doti-lhe pois muito mais dilatada 
v3m. IVIu bicho: 

líiitino José Cuervo ua Romauia •'dwi-nos a hinttíria dÃit 
^curios^i termo, que at« é|HH'a multo ret'«iit0 R){:univii em tt»}w 
llirinnáriori tVunreKfH. onde oin doi» lecvicú^rufos portU||ueAeâ 
t<>r.iiii bii8('ar. em má bora, «eiii indagarem bp sá^nm escrito 
uocioua] o bavid etnprogado. 8om o qnê. fosse Me franr^s, qn 
não é. nenbiim iliruito huvia de o rejístar. 

1'jis o resmno do interessante artipo de Cuervo. 

No pnnioiro e único vohime do Dicionário da Acailemí 



de !ÍU tte tnnrv" de \Wri. i-itail» aater 
V«I. XJlIX (IBOO), Ih itli c n. 

Mi 



ibfllji, ft^iinpii*^^!! Hiii 1770, Tem uma Adverti-nciii. em qtu; mj 

ittnrnu t> íTío cometido por Trévoux. no seu dicionário o ua Kii- 

^lo[iHui. 10* tucluir o vocábulo aciutía. qu& foi tomado como 

n' por De la Co^U», tiii snu infeliz vergão ' du Hist(''rj;i das 

|ja4 ti** Anttinio de Henera. t> texto rexava assim, reíi^riíido-su 

pwlí» pirilaiiipri de Cuba: — «tomáliaale de noohe con tizones. 

{Uv acndia » In liimliri', y llamándolp por >ni nnmhre. acudia, 

ÍAa torpe qiit* en caveiido no se podiu levaiitur» — . 
O texto *• clarÍ8,''Ímo, ptdo itmaos jiara (ptalquer eiípanliol oii 
ifíti^. De la ('ogti* fcra<lu7Jii-o yãni franct^s, dn estupendo 
'i ver:— • li*oii prílnait i^i^s iuiiniiiuí de miit avur, 
_i __:is, parcc i\\i"ih veuoieul voIti«;t'r anloiii- dt* ht hi- 
?; !i»ur propre Dom t*st ariidia* — . 
fi^t* iv^iHi/t. com fíUi furmiu ou nom u iW nrudin. v tiimbi*ui 
uU<\ ora ma<«cuUuo. ora fiiituciiiiio, foi piusaudo de uiiíí para 
los ilícioiuírioti. n ua VmsersMX de Iloisti! '. i:<un a funna 
tia, «tft ft9íira dellnido: — 'íni^ccti* voUrnt et laminoux des 
' ' ilfíí » — . 

o liom jiiizo de u não admitir, caut«U (lue. por 
iioa, jA tivera o dicionário da nossa Academia, cujo primeiro 
liuíco pQblirado um 1793, i um bom livro, paru o eeu 

É potA necess;Írío proscrever semelhante vocÃlmli). liiblflkimo, 
UkIoh o« dÍ<'tonArÍos portii^uettes que veulmra a puldlcar-oe. 
Citart>l. a UluIu di* •.-iirto.sidade, oulro disparate dt* M-rsâo, 
pn:iTi!UÍi*»na i);ualmentt> tVaur«iiu. .M. A. Muitast trudiutfb 
IHiVli o notabiIis:^iino t!i>tudo de Guilberme de Humboldt 
III iiRB IJ.\TEEsncHrsn mEii die UimEWOUNEn Spa- 
• iDVMtitraçiiefl ttcíriM dos ptimitívos habitadores da Kupa- 

*. com o titulo UKCUERCIlKã SCa LES HABITANTb faOlITir» 

^'Kn^AoxE, À L*AinK nc UA LAynrK BAHqtiE ^ tradu^*âo 



JCfóV-tttTl 

I-";. 



A iiyjifwí 4'> íí'jiMi!t o MíguiiiU- extra-iifliuiíri'" trecliu:— '/./*«! 
des Jarcotuns ^tol ii, 6, p. 48), de lisnim. i>n dialecti- de I, 
iMiunl ti'intnii ftínihi!, Cetle Lítymologii.' i^ounuil être Uixk 
(l'arliilr:iirp A Vlhôvie bcfit iwiftfrmc deux localitcs du utMii 
/•'raritnis. ]"iiik' eu Liisitauie tt 1'autTe oIiiíZ les Uast^tiiní* • — 

Enm Ias dos y siu emburí^o lluviu I 

»► loiíor iirejjiinUni ('s|)aiitiido e iífr|>h'rsi> cni t|i:t.' o 1 

nn») ronrona pura ^h admitir como provável que Listtn, 
de oiitnt povo;ivil<^< í^)' p<>^sh idt-tilitirur c^ni unt rocúhnlo. li. 
cujo iii};uilirail'> h* diTlara sf r > dic/a * ! 

A txpliea^-Ârt ê usta. Kin alemâit hWhc ipierp diwr - freixo 
e .4«e/i^. • cuixa >. O tradutor tomou K^rke por A^rl^t, e i*oiii(t8i 
ífitta iuiMlví'rí.t^nrÍ<i, piíiic*» dnseulpiivcl, visto tnii? o di.<ji;iraU' 
duviu U>Y ditdti iKis olhits. t> jiiin|ue tinha ttrilo^ d» nii-ics df aV 
ri^uar o sij^uitírado próprio do vascou^-o lizar, (^tirart. dw 
rainlo-si\ i-omo se diTlura. « Procurem- linpórial ?i iHinrfiii-ííaiii 
Marie illaást-s fm-uces)'. isto i-, kju terras vasí-unyadi- ' 
Usar. Bin raac^iiivo LOiTes)>ond« ao jrajuHitf latino, 
nflo. mnht', vm francífá, JVei^ro em portiifíiiSít. 



ade>fat bndept, botica; hottqueiro. botiqaim 

Km riltiioii uiiútiiíi*. t«xÍHto como iHimo extremo dOstcs 
vofáliiilos iÍU<^i'*M)t4'íi o.^r^go t'kkE. substantivo ilerivadu du 
do verbo TtfilMi *, tujo aoriítlo. ou jirytprito iudi^lenaíiui 
KT*^\, e a sit;iii4caviio 'pôr iio ^w lugur>. O sub^tal 
TfeKÈ ([UiMY jM^is dizfr -arriTíiduçAo-. 1'iiluvnLS |>ortuf;ui--iaa,, 
orijem urtiticíal, n\\ que o ^Uino grego tipira mt^nos allvinidi 
lííio hii/otecfi. V «> tiiiiilo inodcnio /"'inf^itfctr, <]nt' pjira nA& rvl 



1 ^^. ivpr. tiitinctiu9i<^8ri 



•wuHTBnBnm. Hrarui 



Tir.!.. .'.a ..:...,^.,fft^,jiff,^ ,, qiml, pela «na part**. •■ iir»iv;iv»ílmeiiti! 

tio aleniàn phitd-oOwL. 

0> roímuios recclicniin dos grego» o v^fcáAiilo apottiifcit 

■■ ■»iu M si}íii'il)i'a<lo (le « uriíKUcin il(> arnradaçSn. 

f ili! inuiitiiMiíu(iii4 k '; ^ i|t''ste t-f (Ifrivaram na Pe- 

l££nib irUpÁnira, tute^ia t hmlet/a. umlios na quais querem dt/er 

d*; ar" do vinhos em cubas •. desaparecem lo uo 

int a i-ii IA fio. e no segundo n « inicial. O últúno 

II dt*{roi:% dir r;ist(dImuo m português uuni sentido |H*jorutÍvo, 

tA l>«m explicado {lor lUutoBu. pelas Ae^nniites palavras: — 

ri ('a.'^tplh!]3a. qni' vai o 'iiesTUf». qiit* Ailfifri: e dp 

,io íw i.'a-iti-llianos BímÍi^ijou. quf vai <■• iiiesnio. que 

>t»rrau»*o na Ado/a. aondo quem não toiu quem Ibe fava 

iti. it ii4'bu ns fuaÍ4 ila^ vvffis mal (pulsado. INir Isiiit rlia- 

ill^ntivntf íl líi»de^a: O iiutt ntziuitmtu. Por Bodtíifa 

v« l|iinia tavoru» n uiimIo di* baiTanu ou ruliaim, qne s<* 

ébtoujuutnifiite nti ciuupn com paos. v puimo!). em ocasião 

' M prijiular, ou outro coiicniso. aondi' se eo7Ínliu. 

fMira dtrna Hltiti^au. com luzilo. do francês fmiàiqtw — 
!ii' ijiTal dr tfvlurt a-í lujas. wn qur ciítii*' mívrancias 
— - ■''. (t ua reulidadf assim é, e era, tatito fUi friuirêá. 
^1 (tftttu^?*. pois ainda hoje chamamos hiiiira tln tiU^h'\ 
bju df miudevias diversas. eipreii«1o que provârehueuto 
*tn de Ma<'!iu, e aí quererá di/j>r <t luesuit). e uti qual o 
lete i*nrrfíH|Kiudrr an chint^á rA/í((-rA//íí *. • conserva^ ',1DU 
utjlro ntcáhulo ]UuiU>}.'ii. 
■ ' i'i(>. tamlt^m d palavra ftoffc^td i|tien* db*!' 'loja de 

1^1111 !_. -.- ;^'rnil', B O prõiirto deuiinutivu huleijttim. provável- 
il» *nir$, ttti/itfuiiu. indica qne o termo ^jfrWi se nHo limitava 






pt-pf!AX''\!«. Pari-*, WSit 
ni. i;ii. » 



Apfiiittl/n ma 



inríftn TiTftUfpifXft 



A forma buufiqui' fniiicesa tiâo tem as|)ecto tle iter iitit^diiui- 
lu^utp derivailu do lalim apotlieca, viato que teiu i \m ê,t 
que exce[iciúualineuí« {lor ca, em vez de che: cf. cheval \ eahal- 
lum. Víiclte I vacca. 

E. Littró ' (5 de parecer que o vocáltulo tiressc vindo d? Itiln? 
atenta a queda do a iuicial. o que dos leva a crer que o c-aíW- 
Ihauo òod^fja proveulia ii^ualmeutô de bott^ga toscano, onde tsl 
supressilo ó freqiíeute (Cf. batlessa, por abhatffm). lístu !#i.'Íti\'ài% 
porém, ainda oilo explica n i, a que nllo encontro outra fxpUirar 
çilo seoilo esta: 

O vocábulo passou de Itália a França por iuttiirmédii) de \úat>\ 
forma dialectal que tos;^e hotira. nu fwlfictt, em vez Áa tofiranl 
hotleijn, e asáiiii sv. e\plifari;i igualmente o |Hirtugué,í btitvqiUtiu 
visto o^mo era veneziano se di:c boieijhin, por < lojinha * ; fl p^ 
liumtvelniente r>s primeiros botequins perteuk^emm a italh 
assim como a^ primeira-* perfumariam e i>a primeiras pastvli 
Essa forma òuitica. ou botica, CHJa exístt;ucia resta averí^^iiar e( 
qualquer dialecto Italiano em contacto com a população 
recelter-se-ia desta, quando já certissiraampute o E havia ndquí 
o valor de i. que tem no ^e^o moderno, e já tinha no medú 
de modo que a palavra AroT'eKfi. fosse prommciada. como' 
em dia o t* pelos roniaicos, nju>.^if:t -. 

Bluteau, no Suplemento, rejistaudo o substantivo BiUiqí 
diz: — <Km Goa e ontras cidades da índia Oriental, lluiiqi 
è tendeiro. porque os povtupiezes da índia chamam Butica 
lofe. ou tenda. ICm Gna, Hutiqueiro<t vendem toda a casta de] 
ruuie!ítiveÍH, e tambeiu mesinhas [remt'diiia]. tabaco, ei<'. (tjut 
rendo comprar de hum China Butiqueiro). Fr. Jaciutho, Vei 
de plantas IW» — . 

O próprio vocábulo temia, que a princípio signiUcuva • bar- 
raca*, ao depoiã <loja', veio por tim a esi>ecializar-s6 no aeu.-\ 



1 I>aTII»N-NAlRB DBI.A I.ASurr. : 



menus V c cistclhanij ãnU-s d 






já hoje qaúi ob^leto, de • loju onde se v(.>udt!tii oornestí- 

ití*, o t|ue no porto se dizia loja dr p^.fu, v mu Lishoa mais 

ilffii&nientv se deuomiuou merreiíria, palavra que do in«sni4 

Irttarifiu miiit*^ *hi st-Dtido roni n t^iiijio, )hVis mitíw qimriit di- 

■loja de cjpelu ■ '. i-pino o ruerrerio fsjiaxihol. 

Ãdenm, Qdómiu 



So íSliiciíUrin de .Siiota línsa de Viterbo rigura éâtc vneábu- 
kniBi r^missito a wlmetms, com o qual o doiitn frade o Identi- 
vSkx ■< lifsítíinl»'. 

I't) .IO (|iif dn do últiiuA. istoé. — «aleinedas. passeio, 

fiu d* iina^^iiiKT arvores tVoíídosas e copadas» — , confroutada eoin 

i>ui íi adema-i, f' ini|H>»sív«1 a ídi.'J)tÍtic4i(;:lQ, pota estas 

;,:i..i.iií p*»r ("d« prõprii> nos seguintes termos — «Km mui- 

:<'<-umi*ut«H que riUIâo do Campo da GoHegil, e nas riheinu 

<!» IVirmi, Urf8co9, o outras do tecDio de Santiago do Cacem do 

"^ ,1" XV, <■ XVI ae cbaiuâo Aâfmaf : as torras plaiian. e de 

,''1^1, '>u wani. ê niPáiuo qiiftesqiK-r outras reduzidas a cultura» — . 

Oru tuiettta. ou atlàmia já eu o defini, como seudo usado 

CoimlTa, iK»r Uiformavio do tíuilheniie do Vasconcelos Abreu, 

I o eui|>roj|^u ua (.'•iiAND-lIini '^: — • O campo. . . li adéraea 

<iu euUe inoutanbau > — . 

Vtrja^e cm tviil. 



adi^a, adimt'0 

PTro DirciosÁHio ^ de Cúiidido d« Fiiçueiíedo traz o 

■"''■'Yi «com o HijL^itirado ' • raíiia de ouro >, capitulado 

oao iuvduiu poréui miirpiro. que o príprio autor «m- 

»u depuia no Diariu de Noticias de 11 de J^ulio de 1904. 



» V, Blotrtm. ih. 

* N'ÒTO PlOniONAlttO DA t.tMM'\ IHinTUOCBSA, I.ittboN, l!il>3*1í*0l). 



!M 



AjJ<yitilfiS ífvw Dyioiulrim Porfuflwnt»» 



odil 



l-Ma palavra, já apoutudu uo Suplemeuto ao Nóvn Oicq 
BIO. V useira detinida ulú como tmosmontaua: — «n mwmt 
ptíisio. Dií-se « «m tuiU*: tuRS, especiAlmente: ««íítor on' 
« /írr/i f/f tiilil (Termo de MiiTUidiO» —■ 

Li''gi) ttpós f'ste, •.■i^nsi^oiiim-se tíimliém o veri» adilart^ 
participio passivo adilado. Nenhum do» três e^ti. poí 
nudrt. iHir iiAo entrarem luís alHinaf<ies no plaiio dn dit^ioBÍ 
que t- de íicutir, mormente em voiMbiiloií de iiorn coiy» 

?am a prímoiro teulio mi notada almiiuvão. de 
moiitatio '. e ^ a ácguiute:— ■ ri a luz, vair.mdn bqiiieta cl 
faittB, dii almu penada de Saubi Cruz, qiif p«i-rnoiTP . . . nif 
<le vews uquelle iiniedo. «-íleviíl e adil, du, fralda A 0(lmiada« — 

H» b«m que o t«rmo é referidn á9 terras de Milí4ui^| 
Novo DiccMSÃRio. uão se euc<Witra ide no VdcatmUrio otiniw 
jico, que forma de páj. Hõ a 2'2b a Parte v du voltiuic 

H0TI'IM)H DK PuiLOLtHlIA MlBAXI>E!iA de .1. I.eítu dv ,V^ 

celos; e, alento o escn'ipulo e múmcíoMidiule wm que a 
eompAs esta uotahilissima obra, é de íup(^l■ que ■• termo DJtl 
pr/']) ria mente niirtiiid<^:>, mas d^t^ral transmontano, e eomo tal 
iui:luí eu no vocah\iláno de Kio-rrío qae publiquei da jiriuivi 
volume du KEnsiA Lcsitína *, (p. 203». oude o defini, «MT 
de pousio», acreâceDtando: — Vt\ ativmUi, tttlenut, ■ Uírra no íw 
de moute*, ou. «euti-e monte e rio, su^ireptívcl de qual^^ 
taroura * — . ^Ã 

Este último, com a forma unira aderna, rem apnnta^H 
NAvo í>i<THiNÀKi(i, mas capiluliido de untiiro. 

Veja-se este vocãbuln. 




' M. Fírrdr» DfUsJado, (I Kei^oliumkxtu uA.Mút'KBtTA.m«R<-ri 

de tfducnçi» <í rnsiriu*, ISIH, (* lnintii^tu tirailri #<m HejiitrAilu, fUiiiuIlúm-Auii-n 

> MATDRIAtM l*ARA b BS|1;LI0 DOS D|^LBOT04 POUTl-OUBaBS. í\lk 



-1, -Itt-tM nm ítithuiHrinu f\irUtif»r~'<r'< 



•Zh 



adua 



[».t? í^lo Nôvfi OKXMfíNiui*», como iiK'UttfidiKi, <|UL'rL*u<Iu ilJVfr 

ia il« cftes>. Amltnfi Ihi- utrH)uciu comn étimo um tuiiluJht. 

hIo, poiTrt). «■0111 niii jpontn df iuierro}íft\"^. *f t***n' 

^ ■, it pstiir beiri escrilo lí ruciílmli' anilÉÍnt. a f uA» 

í(>Ka(iAre('Mo, pnr estar ilnplíradn. 

meus )t)>Antair)^Dt(H teulin c^l-i |alavra rj)iiiti u^mlu t>in 

Initirn mm a soiíuitite .sit^iuti*írtvàf*- * '^''"■'* I'>il'''''" i^ii'l" 
(N>ivo:(. t'ii)i> i<urquuro 4^ yano em L'dmum>. Iiiff*li/.tuoutt' 
'âU aboDudu enta detÍDivâo. que prova velmfiite ll>i ilaila de 

U U- ■ Hiem. 

Ai I I ' ., 1* cm st<)|fiiiilu íl ttt/u/t. I^iiins miufuh. 

termn lri^inio, di^fíuido desia uiuui-ini • maimdA (dií por- 
í|'^. K evujentí* deriviid<-> da mlua. que i' riilereut*? de outro 
r/NiM/jir'!. (innilii-n. iurluído cm otiiliON il; dU'Íouári^ Ut- 
loi, riiin u sd^iHcavúA de nmu KSpêcie de ini]io.4t<>. i* sobre 
ví poi]«in miuttffor oom imiito provêilo. uléiu de Bliiteau. 
wn'o. IP Kliicldãrio ilc Santa Hixia df Vit*rbtt, e princi- 
I» Oloí^sáriíi df l*tv/.y t Knjíidinanii, bem cemu i» df Iv^uí- 
igu^K-t. uuteriormente citados, e cJijo étimo, também 31*^- 
ilifeniite (NfOHE), t* difiril de st* HromoUur c-om & tonna 

N« fioplemeiít') a» \òvo Dn-o. diia-se iiiuíh h^ KeYMiintva» 
JdiriH para o euti^udtniBnin d» KÍgiiitÍcudo de mltm. ^rflia- 
• : — ' ItinU afilie OH porcos, ptirt^nceiííes a divprsos babitaii- 
dil me^ua p«<r<iai;ão. iRTinaueiéiu dmante o dia. ('olbiibt lui 
idilri ' — . (v!it« e^clarerimento aprotjsinia-se basliiiite da minhft 

,n*ima reFerida. 
.'....- i{\iv fuitiutli não iMxh* HiT » eseiitu certa do vncúbulo 
)ÈCo qae se dá t^omo étimo; nu iialidade, .fo&o de Sotti^a '. 



» VKrriiMOHDA MNiiiiA AiUnHA KM ToRTriHL. Li-b'% t-íai*. 



ou antes ?rei José de Santo AiiUnio Moura, quf reriu e m 
tou a 2." edição, que cito sempiv por já »ão ter a prí: 
transcreve o vocábulo com um só /, Addtihi (Air^i.KÍ. e ill 
niua excelente iJctiiiivâo, que tudo congraça. o é peuu ui\u bsvi 
Mdo aprovíMtitdii: -'liebiuibo de bois e bestas de qunlqiier Vi 
OU Cidade, qutí sabe a pastar, past^neado por hum ou maU im 
vlduos aos quaes bum dns dono» puga lucusa.lmptitH um lunlo [lOT 
i-abe;'» ' — . 

Blutoaii < dis ser palarra aleutejaiia. siguilicaudo <mati 
como termo de caçador. 

O termo tttiita está empregado do seguinte documento oticiíi): 
— - Art. L Associar fies de propiietãrins nu bereos das leraibis ila 
llbit d:i Madeira, oíi de qualquer outra re^Í.ío oude buja o mejuio 
rc^Muieu lie aguaií, ou da^ adúas são reconbecidas como a:í£0- 
ciações legaes paia todos os actos jurídicos, especiolmeulf para 
por meio dos seu» juize^j. direcçdes ou commissães directnmí. 
quando dcvidameute auct^irisirlus pela asfienibK-a dos consotK*». 
ou como proprietários adi|uirir. por qualquer titulo K>gitíino. Mt 
bens immobiliarios precisos, com destino â conservaçAo, acrns- 
ceuUmento ou mflhor uproveitameuto dút munauciaes do a^ 
dessa» levadas» ~*. 

Tanto us ilguas, como as aduas, 8âo beus comuns. 



udufe 

Vem incluído no Ihtx. Contemi':ihaxw> e muito bem i 
uido. tteni ahounvílo poróm antiga, ou inoderua, visto que o 
trtuuento aiudu é usuilo, em Kvora. por exemplo, oud« o 
tocar na nouto de 8anto Aut<inio. há uns cinco anos. 

Como abonaçâo pode servir a seguinte:— «Ouriam-se já 



i Vni AniLAidO noBTrocEZ-i.ATisn, l,j«lH>a, 171'i. 
' Cai^ vz Lci tiB 2i3 UB jn.Hu i>r. IS-<^. 



dn 



Ajx**tihr* floí í.hi-»'ttfir>'iK /'•i.tH^HrJtm 



únf ruas [ilf Lisbiia], pandeiretiks p adiifca jtani ai* Immlaa 

AViiia^VMl clássicas jiodetn ver-se uo voluuífi único do Dicio- 

ila Aeiidcutiu. uo •[tiul ê diidn cirudiiutcdlc «■ éUiiio ur&bico. 

06 mttiã ltícsicóu;rul'*:>s teeiu copiado, qiiiiudu pcKÍiam vMo 

tít in Jí^So de Sousa * nàtiofe (ou uMufe), isto í, al-upv, e 

asitUtJh, que 00 Dlc. da Acudemiu é erro tipo^rúlicn, mi layfio. 



rinipir. fugueirn 

rjíri'tit ■'timos tfuiii sido propostas |>urit êtitv vueúlttilo, par- 
hl» tmtos os Dos<b)s lM!sic(^{rrafos da ueep^rAo -^ acariciar *. que 
lir Uliiteaii Uie é dada, ou exclusivamente, on como a primã- 
>livn1ium dfdiy *.' dou ao iiiri^modo de avpripiar «e lais 
fiSi* i'<)iDpadLM'iuiii ('<>m ai t»irri<.sjHtiHli<nies íonuiiíj iiiii outras 
roroãnUtuA. tuiltifjar, «iLSlidliana, antifía Jaia^ni', ratalã 
ííííir. 

O CayrKUXMiUANKo ub9Uvt»-so de aveatar um despropíisito 

itttr, como bourcra sido prudcute que o tizesãe com tauua 

tVocábuKRt. F. Adolfo (.'otíllio ' fez aviaadamente apenas a 

dl) i-oiii us fnrniíLS ciístcllmuas. antiga e modurua. VÁn- 

^^Bt Kiifiieirpdo ^ deu maiít um palito ideiititicando o vorábulo 

ifar e4im uma Tonou som n iuioial. al>ouudu com Filinto Kltsio. 

ar. que í mais compativpl com a tMHtt-lbanaylr/íiflrt/" ^ct■. ra- 

ru9 e r/iihjra); e tio Suplemento -jduziu oniru uoepv^o que 

nun Ibe foi indicada — •iletífaier u» asperexas, aplanar» — , 

a ctimolujia jiroposta um t«mpu. i^ de)HiÍ8 rejeitada, pelo 

.lúlio Tumu \ (ad>facii'ni lai/nre. paia Ibe subdtituir ontra 



Vnt.;nf • 4*- CAtTii—, hviK DB C*M'>s-i. 2.* Parle. XIV. 

\ ARkBlCA KM ['OR-iltOAL. Uslma. llíStl. 
I i.OOICO DA I.ISÍfH'* POnTUOfKHA. 

NAto DuicnosAiuii da ustntTA i-ouTuoufca*. 
BuuiiinU tx. p. ISI, (IfttM)). 



Íniit1nii:íKÍviíl foiíntira. v. niBífiiin ideolójir^iiiHiilH. falUi^ * 
o 7 gctuiiiiutò nã(i Iiuverta desaparecriíló em portiiifu* 
triliano U*ria prmlit7,iclti / [mlatíil íft/. vist.^» (|in' o v*' 
uiubiut as hiíLCUiH úv niijctii fvnlutivií. pojiulur: i^ tfii< 
sfmiTi' dt! Iiorn avi^o em |>ula\i';is tlfisti f^pi-ci** un- 
um sciitidii miiU-riíil )H)r idas ^xpre«3<i. v que em i< 
priujfini at-t*!»',-!»). ilu (jirnl us nutras eão diwetivolvinieiií"- 

0[itra.-i ftnuolojías t*'f^ai sidi> {ird]iostaH \tf*T dítf rentes romih 
*T oímUs aliiilisudos. cornn Frederico Oím. Joãi» SUrin. 0:istii(i P»* 
ris. f niitro-i citíidos (lor Kilrtiii^' *, neiíliiiniii tljn (|ti;iís imnin 
i«alittt':it completaiiitMiU', nem resid\fí tis ilíticiilihidfs ton(tl'tjica& 
qiit^ o voráliiilo apn'f!i>iitA. rompiínidax ijum scjani as Turmii^ (Mrf 
tiiiínysa'4 c/iijn. (fi)ftriai\ fwfueirn (/th/Hfiro. iiu fatjiwirtt). 
\rMXA\\\\WA=, fitUuiitr, haUtvtr. hithtf/o. htihi'jriffut. a <Mt;:' 
hyitr, »' a asítiiriaria afuhujny, Ak' aj^ira. |»<irt;iiit". a iii.i 
A\xv\ p uiiida a primidra pro|insta pnr Cnrnu. a|i('sar ilns 
|NH|ni-'iuLs ilitinildadrâ ft)i)^tira.<, |»i'iii('iiial mente Ht< tivi>rr»<>ti «í 
ulfu^âo ipit' 1^ mentido em qur o vocúlmln i* ii.suuliiitMtU' touitflo 
dl» <a(ari(Mur>. nàn |kk1p ser n príniitivn. n qual simii dúvida fiil 
ik i|ue ainda perdura como tvrmo de luarrc-tiaria. ist^ i''. 
Iiii')*. alisar*: ou mais ri^oidsamentc. com» tcriiiiipdojii] ' 
jii rpslrita esta ar»=[n-)"in latu. '<-he)íar m^ (lni^-all^) UvpI a t 
fMsamhlada, alisaado-a. ou, como dizem • nfafjaiidu-fl . 

Jã vm Iviiip-t. lia riMJsUi lieljw }ftrtèon. porém mt-uos oir- 
fuustuniiailument^', me referi a iritta etimolojia. ao dar ali rouu 
dns ««fiLudoft de gramática portu^iieKa. ptihlífados. rotim já disMw 
em IrtM). na Rnmaiiia, |>e1o ai.'ta]il profits-íor de liiii;tias e lite- 
raturas nuiiáuiriLs na tiiiiverKÍdAile ije Irraz. para a qual foi trans- 
ferido da do Pra^a. oinle rejia cadeira aiiãloga. .Meiu-ioueí vaUi> 
apeiiiu a maii» M voeátmlo:i castidlianotí hufoirur. Inifotero, «te^ 
jtilur. bajulador-, eiiju relavuo com o de t\iip tnitu aqiU me pib- 
rere a^^rnia incerta. 



^■; MKU KoMvNl-^riir.v ('itli^tt.nr.tK. i. (i. T'ni. ii." I;U. 
11. Ku>uM«tni:--» WuttTMaii! iH. faiierboin IWO: 100. 



Apontilfix fins fUrioitáríox Poftnijncsca 2'.t 



Jè^IUB, toilas as inve^itigat/ões que uo futuro se fizerem sr»bre 
^«P^olojia lit^stes vocábulos devem, a meu ver, basear-se luniui 
i^li9à''p0IÚnsiilar ,/r//r///r'j-. sígnitícaudo <^ alisar >. 



iiíVeimar 

*> Xúvo Dk^cioxáuio tra/ esta forma, remetendo o leitor 
para aflrhuttr. e desta para afleiímar, aiiarenteuieiite mais 
próssima de /irunui [ jililegina, e à qual dá como detinivào 
• tornar lleumãtiro. pacborreiito-. 

N'ãn me parei-e que as remissões estejam bom feitas, jois 
DOS Av'"'res nste verbo quere dizer Miitíamar-se, iiiorar», e pa- 
rece exlraonlinário que o étimo dele seja o (jue se Ibe atribui: 
s*.'ria mais cnrreiito dar-lbe como étimo imediato o substantiv<> 
frfimn. que ** mesmo dicionário inelui no respectivo lufíar. e 
em dúvida deriva de (ípijma. 

Kui toibi it la-io firará consiifuada aqui a acep^^fio em que c t-»- 
iiindii. pfb> nicuos eui S. Mijíuel, o verbo nfreimar, derivado i!n 
Jrciuii'. '|iii' \i']u Jií cm líluteau. uo sentido em (|ue boje rnipie- 
ffiim^s f'r/iiifi'i. dl' plilejírnone, vocábulo jíre<;o. adoptiitb» «iii 
liitim '. 

ajíostadouro 

Kstf V(.M'iil(ul'> lulo 1'stá incluído uns uossos diciduárifs. u>'iii 
uicsnii' c.iiiui proviucialisuio. apesar de muito bem tonuudo i* 
rnuit'» cxprcssivii, Mciece bera que aí se llie dé rabidií. 

Abuiiaçilo excclciiti' é a seguinte, i|ue eiicoutrauins ua pri- 
morosa publicaçilo iutituhida Portutíalia. vastíssimo n^jmsitiuio 
df dii;òi-s. usos e indústriíLS do nossfp pnvo. e cujo scjíuudu vdu- 
uif está já semio publicado:^ ' entretanto o rendeiro juiti;.'" trni 
ainda o dirpíto de aproveitar o aiíostadouro da seani úlliniii. .. 



1 Vútett SBcri.o. .k- -■> lie julho d»' lin)l. 



JO A}n>Ht'úa>i noH DicimiArio» PorUiyttese» 



1 



comeiulo-lhe a espiga e sementes com o gado suíno que enten- 
der, e bem assim com o numero de bois ou bestas estríct&mente 
necessárias ao acarreto respectivo» — '. 

Knte substantivo pressupõe a existência de um adjectivo a^cw- 
tado, ])articípio passivo de m/ostar, derivado de agosto, e que nào 
sei se existe era pnrtuí,ruès, mas vem apoutudo no Dicionário 
da Academia espanliola, com a seguiute definição, que aclara o 
sentido da pahivra portuguesa — « pastar el ganado durante el ve- 
rajio en rastrojeras ó en (leliesas>-T^. 

A fíirma (ufostaãuiuo portuguesa corresponde à castelhana 
agoftUulero. que o Dicionário da Academia náo incluiu, mas que 
é usadii. pelo menos, na ])invincia de líadajoz. onde, como estoa 
intbrniadit iior [jcssoa daquella província, a nieúdo é confundida 
cmn ahrchítílcro. t bfbfiloiuo -. 

agra. agro: campo; agrela. agrelo 

Palavras muito corriqueiras no norte de Portugal, nào só 
como nomes comuns, mus lamln''tn tnt toiíonímia. com alguns de- 
rivados, dos quais provêem a]ielidiis. por demais conhecidos. Lêiu(^ 
no primeiro volume de publiravão a (luc Jii nos referimos, Por- 
tugália, o seguinte, um uma m<iuogratia a todos os respeitos 
digna do maior eiicarecinífiito;-- ofjei- . . . na última [acep^'ãb] 
e tamlx-m da suip-unidaílc. n|>paii'cc repetidas. . . vezes em í///í'o, 
tlfJIU. . . (f.fivlit nu ff<irrlí' - --■-. 

Água: 

Certos dei-ivados deste \nr:il)ulo u várias aceiH-òcti deles ainda 
não entraram uos dii.'ioiiários, e [por isso apontarei aqui algtms. 



1 J. Stlvii !*ii\tu, KiHXMditAriin [!'» Ai.Tu Ai.i:Mi'r:.j<>. p. '2^'h 

2 Alli-it.i íS;iiii]i,iÍ-i. .\S •- Vll,l..v>;> im NOItlK liK roííTlMi \l.. [.. TJ:! 



:,^i. 



acuado 

-■• passivo do verho aguar (à^uár) tem em L'n- 

.ivjo lie ■ ^loso .. 



atfUftrrlcnte 



V - 



vru, qutr L'm Lisboa i- líiMUJUtiuihi <hjiuirúfH'f, em 

r»ri' , do jiais revela aíaila a couscit-iinia da hiia formarão 

»r \*KtA de qiieai a emprega, pois é proumiciada dffuátilfufo. 

os que ussuu a proft?r^ni t-oiisenar os dois (*lemi'iit<i!> 

.,..■. 'à na âucritu^r hífen: wfua-antenU. Na Com,k<\ãíi dk 

«t^çÀo ii>RT[j(»rKZA, referente aos aiios de I7ô3-l7ti2, Su- 

[dionuito, aiuda se imprtiuiu aijoa avilente. 

A K'i do 14 d« j 111)1)0 de 11M)1, publicada oo líivato \»> t.i.>- 

VEustt de 15 do dito ruC-s u ano, tiuz imiu iuU'i'Ossaut« aomeu- 

rbtUiro do* várias t^pi^cies de aguardeut^ (ou wjn^/t-nftffute^). 

•j. .' \xm por )>a.>k-s a K>^dttnvdo ct'tit«'íiimal, a mitti^ría priutn de 

tko distilados, a proooduiHMa, c as denoiuiiuiçfieH por que sào 

:idiis geralmente, quer no oomércio, quor uo piibUco. Insi- 

(Dn reproduzir aqui e:fsa Domeaclatura, luts uâo o <^ recomeií- 

^i|U« na feitura de iiuvo dieionárín du lin^iiii. oti iia ret>i]ii;âo 

lljCuni doíi já publii!uilr>í!i, ela ^ejii tida em iiteiii;ão <>>rii iU 

ispur4»a:4 deflnirí^efl í\m^ nii silo daila.4. 



r.«t« vocábulo para ser bem figurado, uo quu rwpviUi & sna 
^ronúttri», devoria acr escrito com Irêii aoeuto:^ áffàMa: o pri- 
' I " ' que o a íp profere aberto; o íeiíiiridu, 
I _ ; „ , _ _ . que m- profere o u,' e o tert*eiro, ngu- 

do. como sinal d» que o i não fornia ditongu com aquela u, tsto 
ê (|Ui> êlo íie uilo iè ar/uíMta, nem aífáí^ta. Uaiita portfm o que 
maniuei na epigrafe. 



30 Aimstila» aoH Dicionárioa I^rhufties&t 



comeudo-lhe a espiga e sementes com o gado suino que enten- 
der, e bem assim com o uumero de bois ou bestas estríctamente 
ueeesaarias ao acarreto respectivo» — ^ 

Este substantivo pressupõe a existência de um adjectivo af/ot^ 
tado, paiiiicípio passivo de agastar, derivado de agosto, e que nào 
sei se existe em português, mas vem apontado no Dicionário 
da Academia espanhola, com a seguinte definição, que aclara o 
wntido da palavra portuguesa — * pastar el gauado durante el ve- 
rano en rastrojeras ó en dehesas>-r^. 

A forma agostadouro portuguesa corresponde à casteihaua 
agostadero, que o Dicionário da Academia nào incluiu, mas que 
é usada, pelo menos, na província de Badajoz, onde, como estou 
informado por pessoa daquella província, a meúdo c coufundiíla 
com ahrebadero. « bebedouro >. 

agra. agro: i-arapo; agrida, agrelo 

Palavras muito corriqueiras no norte de Portugal, não só 
como nomes comuns, mas tanibt-m na toponímia, com alguns de- 
rivados, dos quais provêem apelidos. y>or demais couliecidos. Lemos 
no primeiro volume de publicarão a que já nos referimos, Por- 
tugália, o seguinte, em uma monografia a todos os respeitos 
digna do maior encarerinifiito: — ^ ager . . . na última [acep\'âÓ] 
e também du ffub-unidade, appareoe repetidas. . , vezes em agro, 
agra. . . agrelo ou agrda • — -. 

Água: 

Certos derivados deste vocál)iilo e várias acep^-òes deles ainda 
nào entraram nos dii-ionárins. e por isso apontarei aqui alguns. 



1 .1, Silvii 1*íl';\m. ETHN*M;u.vrniA in) Ai/ro Ai.i:.M'rK.ri), \>. 2Hl. 
í Alli'.itM S;iTiiii;u.i. As -.vii.L.vs» i)(i NoiíTi': dl; 1'oiíti:(í.vl, i'. l'^--> 
.-.SI. 



aguado 

Pjste particíi>io passivo do rérbo a^uur (à^^ttârj tom em Ca- 
inha a sigiúflcaviio de • guloso >. 

aguardente 

E?ta fxOavra. qUR etu Lcsboa é proouuoiada (hjuttnIcnU; rin 

íàrií»s jKiutús do país revela aiuda ii consciência da hiia tonnatào 

11- puile de qiifai u empiegii, puis t* proiiuuciuda iujuuiiffufe, 

evrbdo os que assUa a proferem conservai* os dois c)emi'Utos 

parados nu escrita ^tor hífen: á'iua'artlenft: Na Cor.t.HC(;Ão dk 

Eiiisi.Ai.Ão p(»BTLVírEZA, refercutc aos anos de 1703-17(52. Su- 

Icueiito, ainda áe imprimiu at/wt nrtiente, 

A lei du H (1b junho de 19()1. publicada no Diabío oo Gu- 

UNO de 15 do dito lués e auo, traz uuia iuteicssaut^ iioiueii- 

Uira dibi váriíis eipveies de aguardentes (oii (viitu<-iiritt-ntv*), 

nt* tem por bnses a graduarão ccntesimal, a matéria prima de 

ii-stiladas, a procedência, e as dcDomiiu)v''e3 por nue sAo 

... ...,i.s (íeralraunte, quer no comércio, quer nu pnblh^. Inú- 

(Rra reproduúr aqui es^a nomenclatura, mas uão o é reromeií- 
lar que aa feitura de novo dicionário da Unguu. on na reedivâu 
e al^nirn doá Jií publicados, fia seja tida em aten^ilo com oã 
i^orosas detiai^-iW^ que ali são dadas. 



«gúlsta 

Este vocábulo para ser bem figurado, uo quo reiípeita à sna 

roíniuciu, deveria ser escrito com três aeeutos àgàinta: o prí- 

«btk, grave, para iu^ioar que o u fte profere aberto; o BRgimdo, 

mln''m íjnive, pura aVisar que se jtrofere o m; e o terceiro, n^- 

lu, como âiual de que o i uão forma ditongo eoni aquele u. Vá\\y 

que ele so nílo lê ar/ttutta, nem wjàinta. Ba^ta porém o que 

quei na epígrafe. 



ApiiiHInt ivtx rUrioiuifim Voríííguesef 



K Av introdução rcceut*í e si;ínificii 'O indivíduo que está «m 
sítio de ájJTUiis medicinais, ]iiira tiizer uso delas: — «Vi um tele- 
iri'ani;n;i do j.eri'iite da emprezii de Moudariz. dizendo que os , 
liosjiedes se oiniõfui á idíi de aguistas do Porto > — *. 

K i»rovável (|Ui' seja fastelUanisuio. Também" se diz íiçíi/jrfo. 

a>rude. ui^údia. atrúida 

(I i.':'XTt:Mi'oRAXKn dehue tt/údea. como 'formiga de asas» 
V dá i-'<nio varianttí ir/uilt'. i) Xòvo Diccioxàbio dá a mesmi' 
dtífiiiivii'! da fornui tiiírlin. e aírihui-lbe, em dúvida, o étimo 

.Iii>í- .L-aquini NiiUfZ no íeu escrito OiALEcrets auiabvk», 
ju''l'.i a !■■ lui K-vIst;: Ijisiiana • - aprese uía-uos as seguintes 
t''r;iu'.s d" mesnii'' v-tíiIíiiIo. »• do um seu derivado: — * atjuidtio.* 
I s'ji<'tii' dl- I't'r;n:ira. Ki!il»''ra i^ sutics.^ ífy seja jiniprio de aumen- 
tatiw-s ,1,' ';!'• dv-iiriia ii:!Ki t-Tinitra de grandeza iuferior á de 
au'ii'lia. '('.i' » }'<'\-' 'íiz t'i.'i'l'!. k-^iao também niuitlão* — . 

Kal:a:!i a-.[ui .í ■'::"> iii-li^jn-iisaveis para se lerem bem os dois 
\.'.%il' :I'S. ■■■; '■ . .■;.'-."./•.>, y..\<. lU- ..utp^ uiodo o n dtrixarj tie 
v-v t'i- 'i-vid-». «Tian-i-se a iv-':ii;'.'.'ia dos dois vivâbiilos. A toruia 
'. ";■■ " ■ ■ ■' ■*. »' .iv.:;i 'l:;! :": \'-'.?»a íí-^niistí- >iihfo. por fuihitii. 
V. '■:• •:.• :i • .■■■•.rhri !■ .■>:•■. - ■■■. ;. ru:,:!;'*'*. 'W ■• ■" att-no penúltimo 
.1.- ■.;:i-. . sdvAiil ■ ;a>s;ir A s-!.í:.;i a.>nt'-ia ia. !'.>:-nia:idi» ditongfl. 
'■.^:..:av.ií' ::i;;::,i^ \ ■-> .:■■>■;:! ;..i.>>a;c:;: v.v;:íhi1'> piir«K'sitouos; 
>\.: .í * . ' '."'.'..i ;■:■";..■".■ ■;■■ A>' '-.■■■. ^('•".''r-rfir yMtr ihvíi- 
■■■'■'■'■• ;■ ' ' ■■ '">■ vi-;":ia. t 'r.i, de area.ete. 



.r:;; -. :. : " „:> .; ... ■.,::.-: ao ehà- . r-ia-^ palavra 



a. mtis i|iit> mi ntivi tainhéin mii Vbwla e foi consígiiiiila 

Dío rolante úoico do Dk-iouário da Aciidt^miu ' vem iudicudH 
ila sipiíttcução. pelas sfLíuioles pala^Tus: — <«//«;>, subvm- 
■—. l)ã trfá ab(niav''ies. ^mn das t|uaÍ3, coDiida ims Dkcaiías 

ÍSn d^ llarroâ, t* apropriadisâiiaii: - • Uizúi que com punliii- 
e tem sum mais armas, oa 9«us aiajnrião a Fortaleza >- . 
K difii*íl saUer o sentido exacto eui que o Padre Carduii %m- 
rt que parece uui substantivo rixotónico derivado deste 
&0 depiiiite paj80 — • mandou publicar [o rei de Cochiii- 
I) oliapu ou provisão contra a lei de Deus e contra os 

..1 <>rn|tuuliiu dl- 'le^usj, a ipial foi a primeira <|ue 
^ttelle rH&o $e pò<; ^m público e w lixou à |>oHa da igreja 
oa padrra tinham em Taifd. Cnhin a porta C4im os aU^s, 
iHoii u aMiúa art piidre. ijuc na aiM efttavji, deante de um 
«Uiim, rnlpaiidiMi de iJrav a chapa* — '. Confr-mtado o vocá- 
titngo amx ulagttr no passo de João de llarras, citado, de- 
<\Me é tuu Multsiuntivo vorbiil, :tipiiliniudo talvez • ruíua . 
Coi Leiria aUvttiv é uAudo no Heiítido de -deitar a baixo , 
eiejiipln. fi'iri'ife. niayaihi, * derribada*. 



alavíio, alabão 

K Kftfoel de BluUau, uo VocADiTLAUm i-onruauEZ latino, 
k [mmeuru deslan formas, que escreve alàvau, o 8Í({uiHcado 
•naDwU daa ovelhas qne diln leite * — , considerando o termo 
iwjano. 

I T;"(im'tM rejiwuni c^ie \ocálnilo no seu dicionário 

■■■, ^ como adjectivo: — «(nado) brebi.s qui douue 



t.r>tii\.4 DA UoJieANUlA i»K Jk';i'-j vv riiMVisttíiA bn J-Vrt», 
* f'u-rí'»^\AJ*lP«?irrtv).iw-j';í.i.\vA(.'i. Cin»», \<í'í- 



M 



ItfloWUtoi J'ln'Íiii/W^''' 



ihí !ait (poiír faire le fromugel» — . CàiiJido <ie FÍRUctre4« 
Núvo Dkiusáuio iJA LÍNi>rA 1'onTcaL-Esv inclui-o como provi 
cialismo. detinindo-o assim: — 'gado que ainda iuauia> — 
sei com que fimilameato lhe é dada ai esta acepçdo. qní 
via uão coutfsLo. 

O Cúode de Fícallio, uuma séne de artiiços publicado« M 
interessantíssima revista de Serpa <A Tradiçio-, iniitul 

EI,gME.VT») ÍBABK XA I.rSi.írAOEM DXS I'AST0BK8 ALKNTEJA» 

consa;j:roti diiatt colimas ao tenno, «Miiniiiaud') a 8ua iiga 
^•Aq em tçdo» ou aspectos, e dii-nos que a prouuncia coii-ii 
dos iiasiore.í.i) alnm'». E uatiiral que no norto d<i reino, 
lavra lá ê ut;ai]a. el.i »e pruiiu:icie com b. Critica o di 
escritor as dèliai^õf^ã dada'i por vànos let^icògiufos. portu;ni««v^, 
ou eátranjeiros. estes últimos principalniento aral>istas, e de&Qit 
o termo do seijiiiiit* modo: — *n}av(n> no Aleiítejo sii^fíca nnt- 
oameiite o retiaiUiu qiui dá leite pela ordcuha. nunca aqucllc vm 
qne os bonegos ainda mammam. O oora^ do rebanho anda li}r 
t>eu)pre ao lacto de 8i\r leiloe liara os queQOt: come^^a a 
inar-8e aUtfVo no dia em que oe liorregos 8C açartiim; dei 
86 chauiaf tíUimv no dia em que a ordenha c«â»a. Esta à 
ííuif\iiii*;Ao da palavra no Alentejo; seria interessante sa 
Kentido que Ifie dâo na Serra da lilstrella, onde as coiísas se 
liam de modo um pouco ditlvroote* — - 

Creio inútil acrescentar uma pa]a\'ra que seja a Iam lúcida 
deciMÍva dHsrrivãn. feitii pi*r rjuciii tinha Uxla a autoridade e to- 
das aa conipfUaicias jtara a fazer wrtissima. 

l>iz-se ali* ciUuido João Sousa V que o vocábulo é arábico 
(ú-liihan. <o leite» — . Pois. apesar deste ótirao tom claro, Kguil 
y Vangiias * atribui-lhc como oryem ar-raf, conforme diz— -mi 
diante el couublo de r por la /, y do la /por U v» — . «fá 4 



I. Jk Oí-1'i I ■ ■ 

VasTini-. ...OA ARÁBICA BM FOKTUOAL. 

OuiiARio um voem sapAiioi.AH on okiobx ohibxtal, Orat 



ISâO. 



am 



iw aivrto jiodcria dcrivá-Io do lutiiii ovÍs. com mu- 
o em <U e de vis cm onhi: Aff/iníi rieuf (Vpffinís, ^nn."* 
it! 

Yzvi que i^! uiiú (iuponlm que Oã iioittios dii-innaristus foram 
^tú4 fiii atribuí reiíi w\ t«nno ahivân, ou ahthào, o si^iiti- 
de •K':» qut aiuda mama», devo acrescentar 4|iip no líicio- 
irabe franca dv Heloi ' se dá AihTaoaM com a sigiiificaçUo 
«mamar* (succr le laitK ci>mrt derivado de lAititx, • 4Ar a 
•r Ikíi**'; o (ju»' talvej os le\assi' à coiijcctura critiíaiifl jielo 
ilr dt< Ficalho; p po.^ivel tainbêin qne em algiima parti' do 
A palavra tenha aipielii arepV'i<)- 

alhpfto 

n"m'- pinjui... r(i!ilHriii'' iiirorináçTu* pt-i^siíjil iph' int* de- 
tífini iKi AleTiteijn 'L-áritari^ jieitueno*. N:ui me sou* 
im dizer, t»orèm. o motivo por guA lhe foi imposto. Te- 
n nnuns, diTivados de nimics de pessoas, 

1(1 t^,. -. .j de plaina *, já apontado em vários dicío- 

p(irtugdeM'9; 4i tniiilti nioderuaiuente, fnnnrtfo. como de- 
ulo um candeeiro piutodo de branco, que serve para indicar 
1.\ via piihlica. tinde hA panijons dos curros eléctricos, 
e que Ibe foi ditdo por coiti]»aravi^o popular cout nra 
timbiuicú Mtrai^oiro, que apareceu uas praças de touros, muito 
•'.*, tixio vestido de branco, tal qual umii estátua de 
iH'dnL. Confroule-se ainda josâzinJw, que no principio 
jriíxmdo designava uma espécie da caiK>te: 

IndA i\w par moda iio»rani 
Quo Ihctt rcjiitiii)) rcreinhds, 
IViii |ior luuiU» dt) iniú:i t;<'>Nl<> 
ÍVtirul»fie« « jú»OBlnboB '. 



1^ VocABri.AiKK AKAiiu-rtusiÇiiB. Bvinile, ld03. jf. 717tad. n, 718t 

* NlwUa Tolrniiio. Carta a um CAiiBt:.t8tiifiiito : Obnm u. U*)uni., 
M.p. MH. 



36 



Apwitilaw ao9 Divhnárws fíirtugueAcà 



£ste termo, niiida hoje nilo de tod» dH.4iisudo, vem defítiidf^ w 
ELrciDA&io d(í Viterlnt ' como — *casa imii que se diío córaiut- 
dos para lascivos commiírcios*' — . Dá-Ilie o douto lecsifõgraCi 
como êtíiiio um arábico AlroufH, < alcovíLeiro ■ — ^ ^ t^*^ l>^ 
explicu n rft' 

A etiinolojia projtostu por Dozy ' aleoceifa, dá mxão ilu A, 
ums é iuaditnssíVL'1 i>or t«r a mais n sílaba. . . ya. (|ue levaria ai- 
imnho. sem se sniier i>oi'({iiO. ID^iiiliz y Yanguas ' pro(M>^ i^itn 
substituir a do lK>/.y. que não admito, a \ju« escreve aZ/o'/;, «díH 
mus ei aniiidiue» — , casa de c^as-^, qae tampouco se pode 
iUHiitar, porf^uií H4M)di :t jnilavra )uití}{a nu liiiicua. iromo o pmvii 
a inclusão dela uu Klcuiuaiiio, a 7." letra ilo alwcfdâriít ára- 
be, equiviíleiite na } i-a»tp)hniio actual, estaria represontada por 
f em portujyriíês. « «ao ysx r *, e ao o/*. corres{>oudi*ría au em 
árabe. 

O miico vocábulo i|ue pode sutiafazer às leis fontlticas tx 
regularam a admisíiAo do vocábulos aráhícoa em português, rece- 
bidos por audivilo, t^, y{\\^ ini saiba, gars • arco >, v ^ po^iisível f\M 
a situação de algum prostíbulo perto, ou dentro do um arco. ou 
do uma arcada, tivesse dado orijem a ser denominado a3,-tira qual- 
quer bordel. 

Km Coírabrd liouve luna porta de Belcouoe ', no tempo de 



^ ELUOIUAKIO 1i.\H 1'AI.AVHAtf. riOKMU-4 K l'UASB8 ÍJUH 8M POKTU- 
OAI. AXTinrAMBNTK riB HSÃlUO, I.í.-ibua, ITDS. 

* Gl.r>S9AIRB 1>IW MoT(t BSl-AKNOUS BT fOin-lTOAIS L*AKlVfciI !>■ 
l'akahu. XAAix, ISGK. 

) Gt/>;íAR10 DD VOCIO;! R8I'A!ÍOI.AH 1>B OKtORN' OníKNrAI., <intnii>tlL. 

* A. fí. 0>>Uçilveii Vinoa. l>Bl'l VAYTÚ DB rHONOtUOIR lIlUTOfilQtm 

roRTCtfAig», l.bboií. istvi, p. lo. 

* k. du Camiius, Lris pbCauOiu, in tO Sccolu», di 10 dv jaobg 
dellHX). 



^Cíuio-í-í, ç {'.«o nfline deveria sii^uiHcar em árabe -no arco» (naL- 
irst. 

»lcuiilia 

Ivíte vucàliiilo é hoje por m^ empregado no Rçntido em que 
cajlirlhanos wúm uiHxh. ok franceses in)briquet, os ingleses 
•naêHf : |wir»'rii anti"»* t'sta>a mais cm liímurmia com n sim 
fílÚAçAn DA língua iIp oiiiIh o tiriiinos. o úralie. v a <)Ut> niaili-r- 
»Miti> se ilá ao t«rmo a>tfnotM. O Dicionnrio «In Academia, vo- 
lume úiiie»», a-tsim o declara, e autrtri;.;i .<t' ooni um tri*olio lio J"ão 
tle HiUTos; «rrou-llie, portlinl a etimoiojiii arãltica, ii i^ual rliv, ser 
*»h^ttr»ua {nic). Xão ^ isso. 

dareln de Tft98>\ ua snst btercssante memória £ôhre oâ no- 
e titulfVi mnrfíltMDuiMW '. tlh u ]tâj. H-7. ijne cmA-a Aral>i> 
em gi«nil, pelo iufni»a, In-s noiíuw: 1." o ólamf, o nume pró- 
i|e Iwptiimio. como dizemos, ()irênoin); 2." hinía. o sAhre- 
iniom), muii que dei^igria paternidade, nu tillaçilo. e ê 
i.t «indisi sempre rnin a palavra abit, • pai » . ou ahn « filho » . 
Idu do iiomi* dai|Ue1e. ou diV^le; 3." o Itu^al». ou verdadeira 
TIchnha. ao seutido desta palavra, hoje em dia. 

fUle étim<i já tinha sidn iudirndo nns VKsTiííir»s da lixooa 

(iL\ini'A KM IViRTroAT. *, tranwrriU) atcoutii. K a mesma fnusa. 

<!om o siguiãcado de cognome encontra-^^e a palavra «/(«ííAíi 

]iortB^é8 em thimíiVi de Oniti ': — -e ha Infanta dona Isahel. 

|V0 f-Aiou <-om o Duque Phi)ip|H» de llor^ronh». dakiudiA ho 

n» — . 

rAnuTUhiaK, MmiciniHiráneo de Mariana ;£tkniloa xvt e xviij. 

itiquadu aicuúa — «vale lina(>e. oasto. descendência; 

-, ittemiiia. Ks muv usadn tvrtiitno eu la lengua 



1 MÉUMtRS IPR I.OB NOUH l'ROritRl) BT LBH TITRBK MUM^LMANti, 



caatellasa aotigua, asi eu las crónicas como en Ias lejr< 
tracUs » — '. 

aMtmgaiitej 



Palavra trasinontaDa aluda uílo colijlda uos diciouano:^ poita- 
gueses. uo siguiíicado de < víaiidaute >, • camiuliaute •. — • 
seguir o caminho em direcção â Cuva du Lmi vi o aldea^uli 
(individuo errauie) oulro niilagrow castigo — é um lauiwiro Ipiv 
do) convertido n'mH profimdn lago > — *. 

Xo Suplenieuto do Sitvo DiccioNinio de Cândido de Fijioei' 
té^o Yum tíità palavra, beto coroo o verbo do que deriva, nlde^ 
i/m; mas noutra ariífição: — < jifssoa alej^ro, desiiiToUa •- Colhidi) 
eui I^tgoa^-u — -falar ú tòa; alonzonr: lai^rdar: íalar com ani- 
mado; ^acejar rnidosameute • — ^^ 

Anti>rt>de-03 npj»<? copioso dicionário o substantivo aUieaga, 
romo tyrnio Iwirilo, asíim defínidu : — « tardo, taj^rola. pal- 
radòr > — . 

Diricil »Qríi decidir qual é a acepçilo primária, se a que ú du4^ 
ue^ise dÍ4'Íoniirin. »e a que acima apontáuoa, autorizada. I)«tco- 
ubertdo é igualmente o 8cu< étimo. 



aleitar 

fcte verbo, afim do castelbano antigo alexar. moderno aUjar 
(pron. ahi(iir), derivado de kxod, lejo», cuja orijora parece ser, 
conforme F. Dm ^ o latim laxus. e a significavão «alastar», 



i ftpud R*mtin M«nínJta Pi'UI, Antoij)o1* dr pbo8i»ta8 nASTK- 
LLisoa, Ma'lri.1, tí?ííí>. y. lO:». 

' Ferreiro DcusUlu, O aB0oi.nufBXTO on MúraRtri. it KeviaTA, 

UB BDffíAÇÂO H HX^rNO. 11191. 

> ErviioLoniacuM WòRTBaBUCH dkr RoMAsracflBX SPRAOna». 

KoQti, 1H7(>. II. Mi. 



s. 



ilj"«tín'iii ii'm Jftri't'i'frn't l\>rl tt^tivnrn 



3fi 



[d^dar a lonji", sei^nilo a t«xpre*são ramoniaDa V vem aluv 
lo por y. AiÍ'"»lfo f-wllio no seu estudo intitulado A Peda- 
HA on p^o fORTCdfÊs. publicado na rpvista Portugália 
fi. p. 4ft5): — «Qupm dos spuâ se aleixa a Deus leixa»— . Ê iu- 
■rfísante o conwitfl do adãjiJ^, como o í a ^isk>nria dí-ste 
frbn «m portuguéá, gue assim ficou docuiueiitada; 



alta 



i-Ale vocãitulo. iifin nilijiiln fiii iifiihiiiii dirioiuirio da litipia, 

r0iii4>-lo alionado e dt^tiiiidu num eitludi) de AÍImiio dos Saiitoft 

sim Lopo, intitulado IIbi^anva » Ubmi^lkiierca. piitdií-ado 

Ik>letím da Sociedade de tíeografía df IJsbou *, o reza assim 

texto:— «era costume u.is r^ipera^ de Kiitrudo. quando seiím 

ivistar 03 'alfas-, ou os mareos divtáorioa das piopriedados 

irticulurM. ir o homem mais velho de Douae ahrir no < Sagrado > 

ia |>e4|u«na cova como sigual de (|ae o povo estava de posse 

l'«lle»-. 

Cora re-speito ao que o autor chama O Sagrado lé-se 

Ig-uinas linhas antís: — K como tradi^rio dos «I^oca Sacra' dos 

>vos desta upocha [pre-roniana] \.vm sido conitídevailo o lociíl a 

(Oe os habitante» de Dooae chamam «o Sagiado*. qne é uni 

gqueuu castro d» forma elliptico, coberto de âroudosos ean'a- 

los... a norte da povoação... l>euominam-no também... 

■ Igreja Velha». . . a i^Ja d eí^ap pareceu, ma.s o sítio onde fic^u 

se ooDheco amda boje, formando uma pequena depressão i< <^ a 

lia que maia i>articiilanueiite chamam o «Sagrado*—. 



^ Dviíu crUr íia itortast o iuiniiiçu 
Pur ík* buscar oatTâ de tio longe. 
Por {\n<m m desporoe o reinu anti)^. 
Sc enrnw)iifçii « se ri liehiinilo a lonf^tf. 

LustADAH, )V, 101. 

* 17.» S<rl«, 1898-1091», p. 198. 



411 



Ap/MtUíat 11'» DieionArion iWUujnrurs 



No voeulmlário que faz parte <lo «stiido qxif [iuhlii|ifei 
vnl. 1 da < K« vista LugitanH> ^ já eu incluirá, como iM^odo 
eni MoiruwnUi, o vwábiilo nífti, o <iiiu!, sf^mudo a íiiforu)a^'âoj 
ilali me frtra {irt^Ktada. ramo duclarvi. significa, marrii cnl 
beu8 comuns e particulares. 

\rt Suplei^nto ao Nôvn nitvioNÁRio íoÍ incluído, ennv^ 
termo uutigo, o plural u[lu^. nn sentido df • t'rontt>ira.s >. 



lUíacinUa: triíteií-o 

^ tiilO tonlitH'Ída.<t »!< BÍgiiifíoa^-4>es destes doía vocãhali>gf 
por derisAo si! aplicam. r(.'8i«ctivaiiifiitf, aos naturais -de Lisbotl 
V Porto, natuialmento ponjut* <?m catla uma dvslas tridadf.H sí dftj 
prâfertMicia a tiprtos manjarei, ua primeira fL salada di> alface 
scgmidu a um guii^ado tfito de dotirada dt^ vaca. É tumbOui prv-j 
vável que Uiâ tUcuiilias Ibes tbsseiu por escárnio postas [H)r JDdhJ 
víduoã nascidos em povoações coovi/iubus. 

Abonaçâo de ambos Oi' termos é a segiiint*: — Vemos qne 
KipnsivAo de farís i tainlx^m o que mais'preoccupa a aitencAo] 
Utulfl do «alfaciulia» como do » tripeiro» -. 

I-) de notar que hrhujuhio, em castelliano, derivado do t»-| 
rhuijíi \ lactuca, «alface», se aplica a uio ^peralvilho* ttaj 
Bápaulia. 

A palarra alface, é de orijem ariíldca. como se s'à\uí dc«éft| 
.loSo de SoiiÃi ^ (AI--HÍW), e tjiwliém é usada em váriua parlM4»1 
F^pnulia. conforme K>!:uilaz \ Yanfjuas '. Por outra pui-te. Irihuja^ 
em portUj^Miért equivale a alface brava. 



' HS7-188tf — Fai-ar nK Rio-Frio (Triui-(Mi.Motiti.s), p. 303. 

> O 8bcI'W>. At íW .U nhrii «Ic lífMj. 

* VcriTIUIMS IIA LINOUA ARÁBICA BU POKTIMIAL. I.UWmi, I S.» 

* tiUttlAKIO lii: iriH'.|C4 E«I-A>:0LA8 UB OKIGB» OlttKXTAL, GnuUlU(| 

18Stí. 



alfiíiute^ii 

[EsU }>alavra i* há muito t«mp'i eiD}>r<>^adu em lN>i-tiii;al e 

tlominioit coDJ a ifignilicu^-Jo <]h<1u ^'eralmoute na r<urojia la- 

w trocjíbuio n/limmt. Viiúm uiosino oui east^thiuio. tioifttna 

italúinu. ffonanè' era trances, íMn ('. < repiírti^-ilo em t(ue se 

4Uin (lirfitns da? mt^rniflorias, jiara que sv ^'ousiderPiii 

pura o seu cousiimo'. AuteH. por^ra. alfámif;/a ({uiria 

' allturq^ria > *. sfinln ti in(>siiiii (Viyiiii f|m' a rustelliaiKi itio- 

Jutulu. • Ii<is)i«{|itria - , istu r a puliivra ;U"Hl»Íni (ai.)-k-.is- 

rtyna^, ílírkaiia do «'"'^go medieval pakdokkIok *. 



airnvaca, iilfalietrn, air!r'l(ií.m 

ti-ni(" ii>ijiil Ap botiUiii». o i|ii:ii i-rocí-ilf, tfiiitornii- *> 
|mi^ úuti.-o do I)kMúUiiri<> tl<i Afiideiuia, <:iiuii<lo Pi-iln) ilc Al- 
dft árabe haltant, >niftajcrÍoJio*, é aplH'()ilo n duiis plantas 
fcirainvnU' iliítihtafl; ió, B^no para d««ig)iar luuu planta aro- 
Jea, c cotií um «pÍt*to, nijavtwa (h' cohra. ó o nome popular 
ia purietária. 
fonD« informu^-ão (idedigua, designa no Uil>a-Tejo, quer 
forniu, quer seu) o prelicso «/. -a Hor da ulivfira •, 
M, (} iip.st4> KHnlido a:io K-^nira em iitMihiini dioionúritK (jue 
dha. 
[tSin ãrabi^. st^^nindA u Vucalniliirio âiaW-fraucèíi de Helol '-*, u 
1^, traoscrita, naiiu;j, e portanto, o vocdliulo dalu por Pe* 
de .McaU tâm a mais o .suficso de unidade. 



ilf Vlt><rln>, KuUClOARtl) DAfl PALAVRAS (JCR A.NTIOrA- 

< ll<'nri^oe ToIp, Tuk Boor ar Sk» 3Iaroo Pobi), tiih Vrnbi^ia», 
" 1. 401. 
\ MRii Ait.ibK-p)UNVAt9. Bcinitp, lãSS, p. 10\, w\. II. 



o iStinio «rábico ila<lo do Novo DicoiojíABro, tilraha^He^ 
errado eviílentemtmte ao r por m, e uÂo sei d« onde foi copi 

Km rastelhinio, conformo o Diciouúrio da Academia, ex 
duai foniiaí nlfuheija e nlhnhacn, nama das acepções da 
portuguesa aljtítHwa. Kii prími*ira dessas formas o u foi r 
diuido por (f. quf paruoy ter sido em várÍM voiilbiiloa a sua 
nÚDcia no diatccUi iir]tl>ii;o diis Bspnnbus (Cf açougua, '/. r.): 
se^ninda, (|i)i; pit-^iipõc uma forma uiais antiga nllHifam, lioBfti 
ineti^ttfi^e «atre a^ diiiuí síliitmit iiiU«niaií. 

Ufliu'Íoiiem(i« esttís V(K*átiu1oH todoa. 

í(o 2vi'V4í I)i<H'ii»i<aiu lem iii^ti-rita esta palavra, com a»- 
piiHoa^^Ao de 'maujeroua • e sem aceuto maroido. o (iuh i 
stT preceituada a pronúncia nlfa(Í('ifa. e 
roannseritú ar<}uivailo na TAiTe do Tombo. i. ......' >;. •>,•'' 

r<'di> acicscoDta: ^«&iippoaho qne é a2tei^TiM;iol de til/rtheíju. iitu 
das formas castelhauus. correspondentes á nossa iilj'auitca>—. 

No Suplement"). porúm, o vociíbulo ò outra vez in^. r : 
marcada u prímiimia nljiuicga. cínu a se^aiíntt; cxplici, i 
< ainda boje si« nsa. desiguand» o man^^ericSo de fõlba^ lar^ 
on a niangiMona • —. 

Segundo as inforuia^^ões ipie k^ibo. designa sómcnti*. p«l«. 
menos em Coimbra, • maiijericilo de fiMba larga >, e não, «miu-' 
jerona». 

No mesmo Suplemento deilara-se que alfabega por aijticaca 
é t<inil>ém portugin-s, ui^udo ^^tii Vizí*la. 

O I)ic. <la Ac. Ksp. acentua aJ/áheja. 

O povo ^\lt mftiiiricão. e ttfto nutnjfrirân, « dele deriva Dina 
forma deduzida, tnnjmico. 



alfeva, alfece; alferça, alferce 



Bluieau, no Suplemf?uU> ao seu VooADirLARio roBTeoiTKX 
i,ATiKf>, dá ao Tocdhulo aJfcra a sijfnííicaçiin de <safradeíra, fer- 
rameuia de frrreiro., e descreve-a pfhití seguintes palarra-i: — 
4 Tem ãt;ura rerlunda, com altura de uma mâo travessa. Serr* 



«brir Oã nlhns das eti^cniliis, ftlvioeas. niacbados. e martellos, 
|o-«« «nn cituu <|uaudo t^tAò i>m braza> — . 

iriíco AíJoUn Coelho, no seu artigo, a todos os respoitoí 

iiililulado Alfaia AOttiooLA poutcovesa '. dá-uos 

corno iíDiínimo de pieanta, oiitribando-se dos — «nossrts Uv 

iapu • — , IIUL4 iufelionente não uos oferece gravura daisa 

■ I. Uo<|iiet«, no DiocioNiiSio ua i.iNnPA poitrcnciíZA. <tue 
siuiplN vocabulário, dotinc alfeça como (erraineota df tVr- 
il Hlutp.in. e aifpiTf iíotuo «eniadilo. alvião, picarftu-. 
...KMpoHASiin e o Xóvo Di<*>*iiiNÀRin repetem isto 
mas Âsite últinm Jã a forma HiihsidiãrtA aljWe, a par de 
I ' para ai/eree. 
■iiu-, a ^ iUrfire, avLuahmtiti' usada, Unli* 

*auUgu, . . t.i luai!» corví-rlu, niictn-, boje df- 

t: e DJk r(*alidadi> o r aãu cibte no seu étimo arábico, ai.4S\Hi 
il de 1 if.|\tií4 riMiKi dtfclara o GUi^fí^iirio d^ Kn^plnuiuti e Do/v ^ 
pbiral é o vocabido uiais frBiiíietjtfiiieutti iiisado em portu- 
Dodi' a torina eoiu r uúo é rádhutfute <>xplicável. 
f.\ 8(fr exacta a etiinolojia apresentada por Ooelbo c colhida 
!. ** I>irt!>, ALrA'H (otido o siual ' está polo cmse). ou indica- 
da que o A vale por conwantí, formaudo a segunda letra 
d« triliCero, e que hfím se ouve na prouunciação, seria 
içâo de tal consoante, e consei^iiintementu lejítiuia a 
lend.i pi^i-i as palavras ulferc e nfjerce a mesina 

[CflDA. por^u, tal motivo «e nilo pode alegar |>ara que so 
bque n r dn alicerce, e como, por outra parte o fílostsário ri- 
da {lura alfrré. como positivei iHimo, o berbere AKAítsev, 
de Avra, 'cabo de ferramenta* \ d temerário, sem iuves- 
ollerior, Uentiílcar os dou vocábulos, alfcce e affvrce. 



t j» I^artaKBlU. i. p. 40*7. 

it OUMIAriUB DSB MOTfl KIPAQXOI.S MT PORTLMIAIH DârtlV^H DR 
Ruttm, Í^M, lHíi*í. «lA r- AUKACB, nutclbnnA. 
' |A, mA r. ALrKtXAIL 



alfóstico, alfófitigo, ftfsticn 



vJt^ta piiluvra, liem u<x>niu»(l» eni RoqueUt *, apnn^N* 
muth Qo Co:n-EUi*oiuKKo com a pronúncia atjosti»jo, quej 
\\itú iiii*nusi(lí'rini;iinyute foi <'<>piail;i jmm n Xôv<) Dht. Rui 
lh:L!n> 9Á rorma*! «Ão alj^titíro, aljiUiif}», aUórujo. toilits i^^di 
liís. OiiLni rnriiKi |>4'>itugiiosn vfi^ini (lUi|itptt<), omissH uos 
(ÍoÍH dtuiiiiiârios, m\» qno iio Vi>ciiUuliino de UliiUaii «stA 
■:i',*Ao rimio tsdnixnlíi iifiiilliii' ' 

iiondente ao írrego nsT.vwns, 

u.. ...,..ll^4 trou^seram-Uú tulvfx 
irtln-no (iii ferina itiili;u>ii /j/>/íin 
qii0 r(in4;<U're eom fthtnrrliin jrarft iÍ9^|iiiiiV'>'i dn mcaino 
nii lia ártore i]u9 o |)rndir/.. 



ffa. iiiitt'L-ada ;i 

Um úmbp (u,f 

aimlifsi' ^ voci' 
INusi*. Os fr.i 



alfreiises. aifreies 

No Kliioidiirio de Viterbo vem Pite vocábulo (alfreuf) 
dt^niiido:—- Alfaias e movctií du nina casa* — . abonado coBj 
sc^ipiilt4* trecho: — íVi/fw*. .-lí/íVíc^. c^pfriai. baciat, 
« outiiiH toiísiis que tragt^m pêra si—, documento de 1.. 

O NOTO DicciokAkt» iacliiíu-o no Suplemento como antjf 
V iimplioií-llif o sijçiiiftcadn rom — 'Variedad*« de panos ricoí^ 
pria para annações: cerUw eiiffiWs d« vestuário» — . 

XiLin curioM) artigo de Sousa Viterbo, intitulado Ar a 

VA rSDli»TRTA R KA8 ÍBADH-OES Pni>UI«JUIE8 PORTfdL^RaA 

onde. st^a dito ilt! pasiiajciii. a.s gravuras ropros<>iitniidt> canil 
hAo vmn a ]>rop(>&ito, pois rntc vooibulo nu^ tt-xtos aduzidos 



t PiCTiosyAiRB tKíirrrííAiB-FRANVAUt. Paria, 1855. 
* íh rurtagitlia. i, |<. Ut!:i-J<ÍS. 



/iptmuinif '»"• Lyirionnriofi i'0rt\fJWM9 



ntiryii" iiiitijíLt (U- • velii • ; ne5se art-ijín, liizpinos, ,10 ritar 
lenifl, esiniia dele v;')rÍQ:j vooiibuli)^, entre os quan, 
I. n&4» fítpira o que nos interessa aqui e 00 tA«suii>, tlocK' 
\«m i'it;iii(t por estan palavras: — «folha «imiro p dt? jtríltii 

ICreie* tn>na8, rwtros • — o «jue «♦^ría iiMiit^-liiivfl — -f/- 

alí ivtivcâse jMr aKiiiu.s, mnvuis. 

irer« pois ter ratáo o Nòvu Uifín. «n lliu Htribuir a an-j»- 
íiluda, ou a dy - ^luir' ' : nu »'StWuriis. ou tajwv'"'""'- 

i|;^laz ; Vau^ua^ ' 1 . vofáhtiloj t* ilã-lhe d «(tiiiio 

ALntnxK, < tupetunr* : b liuve ser bo sumido de • t:i;>ctu • 
itd eiiijirí^ipiia a ptUavra, oo 11 '.*> |terto li^slí. 

por ailui Uuul»i*!u nnc 11 ♦-■■'■' •■ urróm^a. pois 

lorurofotú (t s ti*xi |Mr »>■!'. Vi lu x arúbiio: 

iTr^AMin* (# dSo. alvtiytratf, cIc Ar.BÍY(ntu -ii>l>re O qual vi>ja 
' V I.. púj, 113, em ,|m.. se provou que 

•vm (■ i'om .".v if nún foiíi f. e tia sua 
id^Dcia a X arátiico sv liiu<]aiufuti>u a pxcop^>»v.apunMiU! 
II )taljvrii:i tletisu «rijpiii. 

l; .-.1" ánlm-fraunw iIh Bí*lot - dãu-tiy como corr^:*- 

pat«« fruiicvsr.H il» pau^K ' lit. uatte; inaUdas». 

atfrezeê. no artigo a que me raferl, é urro de Lraiiiirri- 
nín wni o úuico do texto aduzido. 



alg»r|a)vlu 

lia palavra, que no u-io actual qncro dizer 'modo t-onfiLso 
r. liuguajcoí e«truujt<irada, ou estraujuim*. ú dcfoituosa 
*fiDÍi1n no CosTKypouvxKít: — modn de fnlar ]tr«'iprin \\oii 
do Algarve — . ai'e|>^-ào que iiiu^Micin lhe da, e que seria 
Io, p'>Í9 nto ^ tâiu iudistiuta e esj^ciul n pi-onúneía 



I* OUMAKtO Oa roCM n8PAÂOt.U DB UBtUBN UUIDNT.^L. tiramtk. 



riin furinjiíttf* 



dos Díitorais daiptelu formosa pmvjnciítt qu? justificasse tal ilfl 

O Novo DiocionAbio define bem: — «lintcuajcm árube; o 
fusão de voxes; cousa [melhor fôra Ua^uejeraj dificU 
teuder ► — . 

O a depois do r é uiua vogal, como tecnicamente 
uuapUctica, ou intercalar, deaimiado o r do v (rf. o 
rarftptnteirn, jior cfirpiíiteiro). 

Attfiifviti, ou nU/iudvm, è o iirabe atjhhbie, e (piere dh 
«o*^^e». A primeira fônna nem u vofial iritt<rralar ti^ra < 
ilnr ndAjtr» citado |K»r F. Adolfo Coellio. no seu estudo 96I 
A l*Ki)AíH>iiiA 00 povu Pí>RTiru>>* ' : — ■ K:!i casa df m«i 
nio fallt-M a] gania» — . 

No lt'>TKlRr> »A tlAOKM DE A^ASOO DA GaMA - 3 pttU* 

aravin tem n mesmo 8Í^iitir»do : — «0 alp^uoii delias [iod) 
hhWiii alguma ))ouoh d'ara\ia> — . 

O ff estú ali como fiifuraiido a prouiiucia da IH.* letra 
alM't:i* uníbico. O ^, ijue iicinia tiiiu3cn>vi piu- o; ao pa^o quei 
Aljarvv a mesma letra eSlá pula 19.". que transcrevo por 
e que é um y fricatiru proferido uo palato mole: AL-va^a 
poente», vocábulo diferente e que só remotameute ó aflm 
oauan. • urube >. 

Outra fúrma do rocâbulo al{jar(a)via é aUfraifia, com o ff 
•jtaf' elidido, cilada por Uluteau ^ o abonada com Uemàr* 
— «Nào iiun^ncmos que ba aqui mais AUfravias, nem coi 
escondidas, e secretas», {hvz e C.vLon. p. 249) — . 

A d^tiuí^âo dada pelo doutíssimo lecsl&llogo ú |)erfvita:' 
Termo Arábico, que significa a lingoa que os Anibioit faliam. 
Oade o Contemporâneo foi deseucauLar a significji^-âu que t 
dá, ú que uiuguúm poderá descobiir. 

O derivado alg(a/ravmda é mais usado populanncute do q 
o primitivo. Cf. alarve, que significou «o árabe*. 



1 in fortagalla, i, p. AfU. 

> UhIma, lãfit.p. 4C. 

' VuCAarLAKio roíiTPatJWi-LATrao, «#* r. AlgariTln. 



alhora! 
.ifi\-:'io. coiitniiciu [)ii)v:ivc]nu'»tf ile olheoraf, iodada 



nliús 



F^niea do e1efant«: Frei Gas^iar <ie Santo Agostinho, Ittííe- 
D* IxiHA, rap. XV. Esta aota foi-nie subiniuistnuln |>^ 



uljaniiu. aljemla: utjám(i)ai' 

A priíuf-ini forma é a preferida pvh» urulií^ta David L<$pez ', 

i-»t 9f- enipn'^'a cm cast^Miuno; oia^ nos nossos 

1^ I pareci' qiK* uva inftis iisudii ii i^p^iiiiila. Duarte 

\nan de Lcftn, por «\omplo. diz: — <e uiada entre Mouros, que 

t^m i»or sua altícinia [a língua castelliana; • — . 

Denuiuiitiiva-wi^ ussíiii o ca^Udbano, o português, ({ualquer da^ 

jopuu muUuÍt.'a*t da IVnÍDiíuIa Uiijpáuíca. por oposição u ah/ar- 

I. fq. vj (|ae era o áralie. A ufjamia, ou aljemia. confoiTae 

•01 R^'uí)a^ y Yaujfiiii* * dvsi;,'iiava tarnhi'iii o iirabo cor- 

bUdu pulos mouroti de l^pauhu. Aooauiii ó o foineumo 

Aooauí, qae Dignifica *o qiie fala Imfr^ia [romáDÍca], de 

|£«|Mkntid', e nt^te sentido o vvmoá oraprc^Mdo uo trecljo citado 

'^fh ã<tuU' arabista e»panbol — «Ordenamos i maudaiiios que 

puados três -AhaA, el qual dicho tienipo dimioii paru qutf puedan 



' RkTIHTA LUSITAVA. II. p. ^'2. 

* TVJCTtW KH AUAMU n>BTri)nBr.A, ÚlboA, p. 1()9. 

* tiUMAKItl PK vnCRg «HfAJiiil.Afl UB ORIOEN ORIIINTAI., GmtUk- 



48 



ApaatUn* ann DieiíHiAriott J^)rtttffkí»e» 



Us Moristos apR-uíltT á liaUlar i escribir imestra lengiia rasW 
na, í|iio dicen ellos aljamia elC' Ler IJ, tít. 2.**. lib. viii. .Viií-nfl 
lierofiilfíeión * — - 

A paíuvra sijrnificii tuinliéni 'ttsscniblmi », mus estii Uihni 
teuhu de acf^utuar-se aljámUi, víst-o qne a forma diida p<'tr Viurlnv 

a^jibe. íiljibé (?!; aljube 

O Nòvu OiwtoNiBio inclui a» diiiis fnnnaa, alx>Daiido sí-l 
7ni>[itf> ]i priíneirii, que parece aer a verdadeira. OuLra abnsnçiio 
dfla t- :i ne^uiuW. i')ii que sp routém a sua di-finivSo, comi* tenMJ 
de oiuriíihas d4; ^ni: — 'irahí [a ú^ua saljfailu] [lassa pam ouir 
■{k^iqueãj uiemired. chauiadoã íilgibes* — '. 

A yHiavni já exiHtia colijída era outros dicionários, com a 
uitíca^ãu de «fisUTiia niide ae r«cnMie a á|j;ua da cbava », 

iW Jè 11» LioXTItJllTIRAS-KO. 

ISxlst» tambl^m em caatdbano ahjihff. lioJH proniuiciadu it(-| 
Ví6f* *. e (mrffe aer uma forma parab-la df alinhe, o quid em 
imbe quere dir^r < culabouvo >, o pròpríaiiifntf < furuu > (alhuiiu^J 
N'o seiítiao de prisão é l>em conbocido etn Lisboa este nome. 
8«r D de uma <;adHÍa quá^i rroutciraã do Limoeiro; mAa o 
bulo oontiaua a t(>r n si i^iii ficado gf>ml de 'prisão pública*. 

aljofaiiia 

Kiíta paluvni. nii Kem o preticso ai, ãimplp»mcntp ,/o/Wi-iia, qi 
si};aifica no oastclbano bodicmo • bacia de lavar as mílos, a cara 
(pronunciada i/ofãina), ó, conforme todos os etimólogoâ. a foi 
deminutiva arábica nuFaiVE, demínutjvo de niPNK, «alguidar 
com, ou sem o artigo al. 



^ I) Skoulo, do 1» A^ junbii ilc l!H)l. 
• ' 7 rcprrwnta o ralnr A»j cmiiílhiino nduiU. 



AfostOm ao» IHchnárwt I^riuffHne» 



49 



^X&o iorluiría aí\m esta vocábulo, se o não visse escrito no 
^p» Aa Ouarias iki Prado, d« Hocba 1'etxoto ', do íujf^into 
Ko, i»ra que pnn-ce indicar ser português: — «Atribuiu-se o 
Dorínirue a utuu importa^'ú.o iln Indiu e americana, aos árabes 
■ al^^iiidar, A aljoraiau e a alinutolJa' — . 



alina 



Íimtftvra, alt?m ilo seotido íferal que expressa, tem inuitoa 
^u«r «á por si, quer acompanhada de epítetos, e quãál 
bodos, se não todos, teem sido ai^outados nos dicioti}'irios. 

Cm de que ainda não ri menção e que é difícil percebei- qual 
Mm, eucoutnij-o no se^inte pasfto de uiua f<Mha diária, que há- 
^pto tviu[H> se cnuvertpu em meusal, mudaudo a sua antiga^ 
omIoU para uutni tnuis conforme com o título ': — «O ,Tom*U de 
"Ula o segiiiute caso: « Um dVstes dias foi encontrado 
; -: ... .:i!i(ki de CristLdlo. . . um pobre bomein quosi nu, preso 
I luu pinheiro» — . iHvrk painel daa almait? 

Ko I*oaTUOAL A>"Tioo E MODEBso ^, de Pinho Leal, obra que, 
• fu de muitos desacertos, contém muita mat - 'ili-ísimat 
procurei debalde no artigo E*Uirreja e uaquel> - itte faz 

duBBftdas, Antitíi, Ik-iluittOf Larntijo, qualquer referência àa 
•ttifutí, de que (?z mençilo o dito jornal. Cf. alminhas, q, r. 



almaiidra. almandrilba 

Num anúncio, publicado no periódico O Eookomista, de 4 de 
lofeinbro de 1842, encoatra-se o segundo vocábulo, n&o colljido, 
ido uma Mpécie de <oontaría». ou •arelõrio». 



a in PorlniraHft. i. p. 241. 

> ' le l-2d«ftsuRtod«l^;>. 



•i. 



m 



Apostiliu aos IHci<mãrin$ J^ortHgwae» 



Almandra é detinido no Noto Dico. como vocábulo antij^ 
com os signi5oaçõe3 do «colctia, alcatifa*, que n&o estuo ) 
Dadas, mas som dúvida foram adoplAda^j do t^Li^oiDARin A 
Viterbo, onde ss coinlai com «stas palavras a bscriyào:- 
< Parece que Aliraudra é colcha ou alcatifa de liiifao t Há 
\\ide] Diicíniffj r. Ti?'cfamis* — . 

Hlgiula^ y Yanguas ' admite o vocábulo, citando o Etraiu 
BIO, e dcniva-o de lun arábico AL-uaNTa, que seria o maritam 
qtie 86 refere Isidoro Hii^imlenKe -, o que não tem viaos de pN 
habilidade, pois nâo cxiilica uem o rf, nem o r. Parect? ler rtlft 
ção com ainui(n)(rixa, cujo étimo está aiuda por averi'^uar. ape 
sar do seu aspecto arábico. 

ÁlmandrRha vem já no Suplemento uo Novo Dtcc. dvSjjid 
como «conta alongada», e abonada com CaptMo e Ireus *, oui 
citando foi omitida e ó assim: — *0 explorador pôde levar rol 
sifiTO missaoga grossa, missanga miada. Maria segunda |*>, ifitt 
indispensável, cassungo (*) do variadas cAres, almandrllbaf 
apipada e riscada» — . 

As notas dizem: — «0) conta encarnada peqaenn. intedM 
mente branca, de 0,003 de diâmetro > — . «(*) couta de bonh 
do> — . «(*) conta alongada de 0,01 de comprido> — . 

O adjectivo apipmio * em forma de j»iio» vêrao-ln tarabA 
tplicadn a contaria, junto ao sub^iiaotívo eoral, em uui anúnci 
publicado uo jornal O Economista, de 4 do novombro de 1B8! 

AlmandriLha parece não tvr rcdií^ào com alntamfra. 



alma-negni, ou anjinbo 

É nas ilhas da Madeira e de Porto-Santo o nome de i 
ave, como vemos na valÍo»a monografia do P. Krnesto SchmHi 



^ GU>8AItlU DB VOClH EãrAâUIM8 DB ORlO&.-í URtBXTAt.. (tntiaã 

> ETTMOLOatARUM SEU ORIQINCM LlUltl XX. 

> Dk Hknuuhlla kú ruRRAtt dkIAixia, I.I«baa, ISSl.t, C4p. iiik#* 



ititiil»«la IhR VooEL Madeibas. O uome desta ave na uouien- 
fctnra xoolojioi é, roufonne o ilito autor, Bultrerm jBwÍhwi '. 



alnianuar; almfixnr, almeixiar. íilmixar, almexar, almexiar 

i) Kúvri l>icioN.\ií [ii iiirliii a beyiHula destas foniias, com 

imada à primeira, qm- •■iingiuía ahnunchar, ina^ que sh dere 

[cKKwr almattx^tr, se na realidade a fonna é lejitima, e define-a 

[dti modo seguÍDtí»: — « (prín-íúicialisuiol) legar oude se seocam 03 

^(igui)' — . A escrita erruuea com ck foi copiada da citaçílo que já 

)a UxfT. 

Nos meui a|Kmtainentos tenho a fonna ahneixinr, que eiicon- 

[Irri no K<x<vosUífrA de 5 de novembro de 1885, em citação do 

Formal ua Ma^tuI. a qual ê assim: — «lloda depois para o al- 

lixiar onde é lau^ado em esteiras [o figo]» — . 

<} roGiíliulo vem já entre c« aditados por Moura aos Vesti- 

HOH i>A lASOQ.K ABAUicA Ku PuKTuoAi,, de Joào de SoHsa *, e 

■**-llie como étimo o árabe ALuaNxaR, e como detimçã,o a 

: — >0 estendedouro. Assim se chaiiia no Algarve á eira, 

i#'.ii'i'. ^K põem os tigos. e outras fiuclas a seccar» — . 

O Oloa&ário de KDgelmaim e i>3zy ^ traz a forma almanchar, 

de Jklotira, remetendo porém para nlmixxir caãtelhana (hoje es- 

"iiijar e prouunoiada alniiyar). usada na Andaliiwa, do- 

. u do árabe AL-uixaaa. dodujãdo do radical xaEBa — <ex- 

, -t-r quelque chose au ttoleil aftu de le 8écher> — , < expor ao 

wl para svcut • . ^ 

iKrzy anota Rat;t^lmaun, declarando lujítima a forma portu- 
guesa alinauxar. procedenW de outro vttrlio .vaxana «estender-, 
A atrres^eutâ: — *mai8 comine on éteud le» cbosea qu*Du veut sé- 



* 1» « OmitboIogJKhes Jalirbncb », liílít), v {jucfcolo. 

> t- OlIS MOTtl esfAOMOI^ BT POBTUOAIS dARITAb DB 



cher {nni-a]-'AnHaa, i, 669 einploie le [lartiripe mantJumr cnj 
décrivaut In maiiíère dout il faut séclier les tígiH»), ahnntirlwurl 
a reçu le mm de sécbojr, lieu oh Tou faiL sécber \es boiles, 
(Boetbor).— . 

O doutu arabista diz mais que ahnixar deve ser Mrruttt 
de almanxar, porque o verbo xan-a no sentido de *flacar> 
ora popular, e porque a fornia devera ser almaxar > sequeiro' 
e Dão almijcar, que signtticaria «aquilo com qui' se ^eca>. 

Seja como fdr, vê-so que as duoâ formas e\istem» e qae« 
segunda se de?erá escrever almixar, aÍ7nexai', almnxar. ou 
mesmo ahnextnr, mas não, aJmeix(i}trr, 

■* almeidina 

Esta palavra, que parece derivada artificialmeote do uome 
próprio Almeida, veio no KcoNOMiaTA de 7 de agosto de 188& 
explicada como quereudo dizer — «bonacba branca do M.os3á-< 
medes » - . 

almeixar, almixar 

Y. em almanchar. 

alminha, almiuhas 

No singular, signilíca no Minho o * mealheiro diia almas • '; 
no~plural (painel das almas >. V. almas. 

almuadem, almitêdano, muesein 

No Suplemento ao NAvo Diccionôrio declara-se, com razilo, 
ser afrancesada a forma mueznn. que para ai usam escritores 
pouco lidos em livros portugueses de boa nota. A forma, porém. 



> Arualdo da Gama, O SbOrbdO DO ÂHBaus, p. 56. 



lio rufSmo Jícíonário ae propõe para a substituir nenluimit 

B^j(«m tnma, pois ^quiralia & trocar um galicismo por um 

rlLauitJuio, »cudo ainboã iuút«is porque existe a forma p4)rlu- 

ahnuadem. proimnoiada ahntuidem, ou muédeni, spui o 

l((o. a ijnal pcrffiUmeiítc forrespuntlii à iirábica AL-uiabiN, 

rt^tííiit»». £ o indivíduo iacuinbido de cliamar, do alto do 

d» »tf2tftiíta. 03 fíéis íis rezas diáiias. O próprio autor 

lo DO corpo do diciouário este vocábuto, escrevendo-o 

com am h a mais. 

Alberto de Olíveim emprega a forma mueãdin, qoe é lejí- 

>n^m. iniitil, risto que a jtalavra já de bá muito existe 

ictiada^ como disse: — <R de repente surj^iram em todoa 

mmareteâ. .. os vultos direito» e pb autasmtf ticos dos miu>^ 

r. — t. 

Cumpre notar t|ue Uimht^m empre^ oo mesmo escrito, atiáa 
çraiidif iat<-n>:ise. a» fonuas mhuirele e soro, errónea esU» em 
de açoitípw (q. V.) 

\ ftinna francesa mue^ziu, que tem de ser pronunciada 

tziíie, e Dão mueit; esplica-se porque a uoua lolia do alfabeto 

l«c* D proferida por muitos barbarescos defeituosamente como 

• *m VM de lhe darom o seu verdadeiro valor, o do nosso d 

vogais, diferente do (/ inicial, a que corresponde a oitava. 

todas estas razões, e ainda porque o acento Ujuíco ê eut frau- 

deslocado para a última sílalm, se vè que a mai» |)erfeita 

do árabe Ai,Mi"aSÍN é o pmtii;;iii^s almiiádem. 

representa aquela ]ian:i letra- V. mueziín. 



almoçadeira 

Km C&minha ^tc vocábulo aignifíc^ o que em Lisboa se 
na chicara dv fifmônt. 
;irop<Ssitu de chitara veja-se chávena. 



(t «Ecirui, de 23 dí outuhro do Í005. 




hi Appstihn nos Dkiotit'ti'U>R T&irhig^iiâi» 

almofada, almofadinlia 



No sul do reino chaina-se almofada ãa cama, oa 
nha, ao que no centro e norte se deDomina fravesseirc 
<a almofada que nu cama se põe a&bre o travesseiro', ^^m 
francês se chama oreiffe>\ 

Esta acepção é Já anii^, pois o Padre António í^acisco 
Cardim no xvii século emprega o vocábulo neate mesmíi seutido' 
— *a dormir era sobre uma esteira velha, iim pau ou pedra poi 
travesseiro e almofada > — '. 



aloés 

Hoje é moda acentuar-se este vocábulo, como se fosse latino, 
áloès, pronúncia inadmissível em português. A acentuaçSo antiga 
era aloés, e nenhuma razão plausível existe, que justifique o pe- 
dantismo da pronúncia moderna. Frei Gaspar de Santa Cruz es- 
creveu: — «babosa, ou erva aloés» — *. Sobre este vocábulo ve- 
ja-se a erudita nota do Conde de Ficalho aos Colóquios i>03 sik- 
PLES E DHOOAS DA India, de Garcia da Orta ^. 



alojo 

Esta dição, talvez usada no sul cora o significado de «alo- 
jamento», e muito bem formada, e um substantivo verbal rizo- 
tónico, isto é, com o acento tónico sÔbre a última sílaba do ra- 
dical, e vera exemplificado no seguinte passo da ErHMOOBAfHU 



• Batalhas da Companhia dm Jksus na protixcia do JapIo, 
Lisbo.'i, 18i)t, I). áOiJ. 

2 Itinbkákio da Ísdia. cap. IX. 

3 Lisboa, 1S02, vyj. ii, p. 0(1 e seguintcii. 



■Aútu aa$ tUnnnúixo» /\>ríi 



de J. da .Silva Picão »: — -com pateo, ou 

do obâo. oiitroâ cuin sobrados, reúnem em ge- 

leteate para uma lavoira mediana* — . Ilpfere-se o 

<ia < casais >. e a citaçAo contém abonaçáo 

|r. !■» mhrnilo^ 

* Mtudft. <iae è de muito interesse, abunda em termos 

Iocaí8, n 1)11» lhe dá graude valor como documento 

\f^\ 'tiiiWctal. 



aloquete 

n nmn forma derirada com a prostéttco, variante da palavra 
já rejistjída em vários dicionários, com o significado de 
lo d<^ ar]^oia>. A. À. Cortesão abona a íbrma aloquete, 
om pft«u> de C-amilo Castclo-Uranco *. 



alquilar, alquile 

^> n prunpiro d^síLís vocjkbulos como o segundo siSo caa- 

signifícando n primeiro « alugar >, e o segundo (al- 

«alugroer*, Ou com as>timíIavilo do r ao l, > aluguel >; 

«m português toiíiurajo o sentido rei^trito de < alugar* e 

Intpier*, com nda^ito a (*avalgaduru3. lUodoruamonte, alquile 

Sc4 Cíip<'cial mente a peítsoa qne se ocupa em compnis. ven- 

B trocuH de jument':>s, cavalos, ou gado muar; os eâpaubiíia 

rhií' ' ■ ■'■ ■■■'>. 

lio , iit« arábico, eutanto 

• ptiftSlgvSi ufuyuttl. alugar prr>vém do latim ad-locare, 
uma mndait^, de o em u, anormal e inexi>licada. 



I í*.|^"rtiiç«Ha, r, p. 854. 

» - l-AR* PM DIOOIOSJLrIO COHi^LBTO. . . DA I.ÍSOUA TOtt- 



.1* 



AjmsIÍIm aos DirioitAHof fyttutfuetai 



alqujtete 

Este aportuguesamento popular da palavra cuh. 
tomou jd uma acepção especial, que llie di díreltoa 
Oos dicioaários, como palavra íudcpendeule e e^ ' 
^iii mu exemplo: — *0 império dos inestrBS d'u! — 
mente eonbecidos por aiquiMe-ít, foi sem durida a cuaihí 
ria d*essa variedade de gaiola» que por abi se vííem, c 
dá o pomposo nome de pretifou e paloõetes » — '. 



altamado 



Teulm, sem abona(:ão, este vocábulo uos meus apoutainAM 
como termo çaloio, com a significação «de tudo, do todos, nu* 
por outros»; exemplo, panou aUavxaãos, *de iodas as qualt^v 
des». Paieco ser uma coutracçào de alta e mala, de que se fir- 
masse um verbo altamar, do qual se deduzisse este participou 
passivo, empregado como adjectivo. 

Numa das tíátiras do portuffuesíssimo Nicolau Tolenlino 
lÔ-se «: 

Foita B goxal cortesia, 
Pé AtriA, HgQndo A mo(U, 
I>arcmiii> & mie c li tí», 
B depois a todt a roda 
Alto e m&lo a Acnhoría. 

O Xóvo DiccroNARio rejista a eipressSo nltamala, no seotid 
de <à pressa >, csem escolba* e aveutura-lbe como étimo, m 
em dúvida, ata-^maln, o que é iuiidnii^sível. Declurando o Ml 
autor que a locuf^ é antiga, sem abouá-la, é uiaoifeitto que oli 



O Dia, do IS da joUw de 1!K)&. 
Obru, t, p. 17d. 



lu ttr \Mir I pubvin que é de introdução moderna, 

tht. f yi\úco ■ -„-ua pelo JlOVO. 



alude 



i:Io, usado por GoDçáUez Guiinanles ])ara txaduzir 
'" , é asaun defiaido pelo douto professor: — 
1 iHy>3 de neve, accunmlaiido-ae uns sohre os ou- 
inesnio locaJ, comprímem-se reciprocamente em virtude 
p5§o, e agglutinaiu-sc . . . para se formarem esses peri- 
(=fr. aiuúancheíi). que se )>recipítaii) pela encosta 
itanha, arrastando com a sua ma^sa grandes pediegulhoSt 
tfe rochedo e liido quanto se lhes depara na passai^em; 
l^e a final, quando a teniperatuni excede o limito de O**, a 
íio da neve tornii-Ke inevitável, e a agua piissa a ini'orporar-fie 
qualquer torrente ou ribeira viziuha, ao mesmo tempo que os 
buteriaes sólidos se depositam pela maior parte» — . 

À. palavra abules lê-se no pé da pájina a nota seguinte: — 

\SsiA regiões montanhosas da Hespanha este phenómeno é desi- 

pela palavra alua, de emprego hoje corrente na littenitura 

EÍcatitica. donde a trautírrevenioií, jior nos parecer uiais conforme 

»in 1 Índole da uosàíí língim do que o fr. íivahnclte. A palavra 

^ d« origem árabe, e decompde-se no artigo ai e na raiz ad que 

•i-a precipitar-80 ou cair pesadamente. Em italiano diat-ae 

,:ui/a o em ull. Líiicine* — -*. 

Na Skliccta dr Aitobes fuanceseíí que, editada pela cosa 

laud & C.'* cm 1897, foi proseut« ao concurso de livros esco- 

e aprovada, pusera eu uma nota ao trecho n." 20 *, extraído 

K1ÍÍU3U Ueclos. com o nome do • Uue tonrmeute dana les 




AfOÊtUu *M ZHàamárútã nrfv^vsA 



otA tivesse tido a mesma lembrufm, sem um saber do 
A minha doU é assim concebida — 'débíat/é pisr let 
ches' rarrída polas avalat%eha. *Nio hi, ao qae parece. 
< hulo partu^és «jue tradua este; em eastflbauo cbama-se-llic 
'aludem, palavnt qae podeiis passar pua porluguAs. Ai 

• fligniíífíi mole de neve e pêlo. qne vae, lentamente ao \icÊ 

• pio. prHcipitOflamente depois, destiiaado peLa sem* iltiii 
«jlMpedi^-aiido tudo que encontra no caminho» — . 

No liingular. a adoptarmos o vocábulo espanhol terei 
escrever um e fiual, alude; cf. míide com o latitidhimn 
tidatle com èhtãad. 

Quanto à etiraolojia árabe, parece-me duvidosa. A Actkdt 
espanhola, no ^&m Picionárío dà como >'t)mo o latim 
«peie curtida *. o qne è absurdo como sentido, sendo já (xt n 
forma iunompatirel com a espanhola. 

Como abonarão de alude em purtu^èâ. já em sentido 
radOt temos a seguinte: — «era um dilúvio, um alude dcp< 
tas. — *. 

Untro étimo, allnuium. que já íbi aduzido* conquani 
Mnfatório no significado, é formalmente inaceitável, visto col 
u latino nilo jtoderia dar o d final castelhano, o qual, a ser 
o étinm, pressupõe uma terminação -utem; cf. siúuA | aulutem. 

alastre 
Km Bragança usa-se este vocábulo no sentido de • reh 

alvela, alvtilíia, arvdloa, aèverôa 

Vt^ia galaulfsííiina ave, que tantos uotnes tem, conforme 
rejtões da uo8sa terra, é em Lisboa conhecida pelo de arvél^; 



^ MtâH TRMPfcTK, trt^lufJíu poitugacm, if |iart«, xt. ín «O Soeid^i 
df 13 Jc abril ilu lOUl. 

> BHVISTA I.DBITANA, tU, p. 07. 



VírrnU- ;i fi>rnifl è, pon^m, alvela, como vemos no Arro 

ÁivHn — Bata avtfiiiilia formusa 

Ma*, itiinlfu^, inay beiu so jrtmrd»; 

condiz com o adlijio citatln por Bluienn no 

h. i. uUKz-LATiNo: — -Diz O ada(jio porluj,'uei; 

mala Álveloa, Hahe mais que ella. , . * — No Voo. vem o 
lolp »ce4ituatlo cnxao AlvMa, isto 6 alvéola, que é a aceutua- 
BUiu; tiiu o Xijvo DiccioNÁKio coDÂigna unUí^rma alve- 
lo proriucial. uhnnando-a '. 

rtdical df*st.a palavra é, sem dúvida, alvo \ lat. albus; 

lo dl» dtfriYu\*if>. toditvúi, « difícil de explicar. F. Adolfo 

if '. purt« du forma ahwla coiuo mai» correcta, de 

-í- -tuâcíto eUt. Todavia, se confroulaniioa as formas ba^ 

(ut. bâéjovj com mâtfon \ macula, teremos do concluir 

ÍÍM é a fonna iuicial poiiuiçuesa, e que deste modo o 

4 «bscuro. 



ams 



[Esta palavra, ctija identificarão e orijem são prohlem Áticas. 
» encontra, Cím Bigujlicaçi>c9 muito aproximadas» em idio- 
do familiiu diferentes e irredutíveis a um só tigio, como hAo 
íunçu ama, «mãe», o liehraicn (a)^m. ■mâe>, a par do 
• serva, mAça>, e o alemão avj^me, *ama de leite* sem 
M [Krtâa aupor proiN)uii^ut*ta directa de uma delas a rt^siieito 

lOAlqoer das outras; cslu palavra, di^o, além do outras acep- 
<pie t«ra recebido em portU];uêa, e daa quaid aa muis co- 
||»«uiia de leite*, e «patroa *, adquiriu no Ur.tsil sig:ni- 
I fkinuuâDte oposto ao segundo, v natuiahnente dediuido 



• i}.~-.^:...^lft VXr^m.iXMVo 1>Ã UStiVA P0aTUOVBX\,\âA(A. 



6D 



ApmHtm ao* IHciunàrim Pi^r 



do primeiro, como se vê do passo que vou traoscrevor:— <1 
guei de regresso a casa, quando a aossa ama (criail»). tcioi 
taarnie para o jatitiir » — '. 

Análoga a esta especialização, e talvez orijem imediaU 
ó a palavra ama, quuudo se empre^ na locução rima de. 
OQ Du castelhana anut de llave^, < governante*; fVjnda-M cm 
se tal aina (' tuini^-al do patrão ou patroa, é por outiA 
quem governa a mais criodajein. 

Aparentada com esta locução é ainda ama ãn roupn. 41 
ilha de tíam Miguid se flaa para designar «lavs^ira* *. 



âmago, âmago 






Júlio (^rnu dá como étimo a este olmeuro vocábt 
formas antigas cita, meiagoo, mai/tffoo, matujtio, mefxtifo, met^ 
meoffK o latim mediuH loeus, «higar do meio» ^ A ser «I 
o útimo, que na forma actual ostá bastante desfigurado^ 
de supor que a acentuação actual é errdnea. e quo a r«i 
seria artiàffo. Não era de estranhar que, tendo saído do aso 
a palavra, os doutos a wnvessem com erro de aceni 
aconteceu a panUino (q. v.}, boje acentuado jWNUa 
tante a forma femenina pantúna, e o castelhano 
mostraiD«4,aa1 era a verdadeira acentuação. 



amassaria 



Esta diçào jii foi iw Novo DiocionAbio apootmla, com o 
signitioado de — «casa, legar oude se amassa farinha* —mos 




' «B<i«qiUijo (ie mu» río^ui n» JntrrtunlA Parati; Im cilopAmiuiilH 
in O Secui/), lie 8 tie jalbu d^ 11HX>. 
' O fiiMiri,o, df 5 Af. jnlho do 1 í")l . 
> X. tamWni RHT»rA Lusitaka, ui. p. \W. 



Ksté autorizada com o seguinte passo Ue J. luâcio 
Lapft '. escritor douto e escrupolosissimo na pureza e 
keilíul« da liuifu^^m: — <A amassaduru a braço é (;era1- 
iticodft na mefwa casa em que se acba eãtabelecido o 
ctíser: algumus vezes este trabalho Teritíca-se em casa 
ia qa« tem o nome de casa da anuissnria* — . 

' iismo o emprego díat* vocábulo no seguinte 
. ^0 do curioso estudo de .1. da Silva Picão, 
KHiRArau iMi Alto Alkmtejo *: — « Amassabia-^É a casa 
ro do pAo rio todas as qualidades, quo se consome no 
feudal). Xõmuodo-iie jK>r base a importância do consumo, 
cm primeiro logar o pão de oeuteio* denominado marTocai^, 
[m dá »os creailos e * maltezes'; em secundo o p&o de trigo, 
« rah. que é respe^íti vãmente para amos o creados de 
dentro; era terceiro e nltimo. as pcrrmnwt, pio de fa- 
de «oteio cora que alimentam os r&es de gado» — . 

não íí aqui erro tipográfico por jierruiuiA e por- 
ino, como outros da linguajem dessa província, 
ifio perruna é também — «espécie de pan wuy 
5 grosero. que ordinariamente se dá à los perros ^ [cães]; 
,é fr i/ifico, repito, e pareoe que não, iioi* o vt>- 

'Ji t >, í>ldf> no (%)N'TKMi>l>KANKO, é Olc UIHA fonu» 

do adjpctivo femnnino jterrua, de perrum, substantivado, 

|aal se deu a i^on.souautixay&o do ua.sabimcnto da ?ogal u, 

em uma de ua } laL. nua, em vez de so dar a apòoope 

\a final, como em mmvmm, fem. pelo aotigo Ctimua, ou a 

kMaiizaçio do u, como em comua substantivo, lita, antigo 

] lunft, e ainda camoniano. 

kffewr da definição geuèríca, dada no Noto Dicx:. parece 
o TocAbulo amassaria se nSo aplíca ao local era que se tra^ 



" ^f.u EmiAi., Li«boa, 1809, p, ÍJíS. 

-: iliAt I, p, 't$l<. 

tvn4*>iiAvn ua lx lrnoua oa^tullana, de 1b Bttal Acad., Ua- 



62 Apoaiilas aos Diciouárioa Fwiuguaes 

balha uas massas alimeuticias, visto que a Tbchnologia Kui 
não fuz iiieução dele na Secção ÃJetriaria, com que dá quià I 
ao livro. 

J. Leite de Vasconuelos define a xterruma do seguinte md 

— <pão feito de farelo, sem íiutar, de bagaço, etc., pua os d 
de gado» — *. 

ámbria 

Este termo de gíria, relativamente moderno, n&o é mais i; 
o castelhano Jiambre, «fome», mal prommciado, e tem am^ 
significação. 

amigo-fecbado 
Termo da África Oriental Portuguesa, ehamiiar (q, v.}. 

amoroso 
No Minho e nos Açores, quere dizer «liso», «macio». 

amuado 

E palavra muito conhecida, e mjiito usada, como significa 

— «o quo desgostado se afasta, e persiste no enfado, sem m 
festar a causa. He próprio dos rapazes» — -. 

Acrescentarei quo tal hábito ainda é mais próprio das m 
nas, pequenas, ou já crescidiuhas. 

É esta palavra o particípio passivo do verbo amuar(-st 
também se emprega como adjectivo, com o mesmo siguifii 
virtual do verbo de que deriva. 



* 1ÍBVI8TA Lusitana, ii, ji. 3fi. 

í íí. líluteau, VooAiiUi^. i-okt.-latiso. 



tnteau dá-lbe como étimo o substantivo tnu — -animal duro 

ttQMT» — , isto í, mulo, macho; e parepí quB é ci'rt<), por 

lisoujeira e Uolicaila que seja a expressão, cora tal oiijem, 

ida a a1;[niroa das ^entilíssiuias damas qn« t«cm a ^acío^ia 

U« A^ fiiluilurem com aqueles a quoni bem querem, e da 

[dix o épico amador; 

Q<ie bí fti|U0Ua e na ri tinin incsniu iiistniitv. 
E m tuna «ntru okgrc niiun>iiilit. > 

^ufcrv menos ^pico. mas não menos amarioso c conhecedor de 
[saavAS xstiuriutt, o tento e apiíÍKonado TorquaUí Tasso, falando 
Armtda do sou íteinaldo, na Jerusalém Libertada, diz: 

Tíiiíri odejiní. |ilaciilrt c tnini)uiUe 
[tcpnLví, e mri vczzi « liolc? p.-ici. 
t^s[iirt. pamlettc. e ilolci Atilln 
Ui |tiuiit», I' m«\>tT troiiclii, o uimUí buci. 

M consolarem, as damaa jwdem áubordiuar o verbo 
ao francês trutue (fairâ Ui triauf), que, para sor mais 
bsãta que ^eja imneús. conquautu o intimo que para esta 
•M Uie atribuí parola B4tr também compara^'uo com irrft- 
landes nwuui; pari:ntc de meeitwv «gaivota». 
.......t.-lo aoi no^oft 4/?iMm^ c mnuar, }& o mesmo Blntean 

dá oul4x» í<t^iH4tudo, aiuda ua Ungua comum usa^Iissimo, o 
heni se ré nu citoçílo que f^:~-«Se o tumor Amuar, 
lo madarar» — ; hoje tiiwmiia «amailnrfccr -, isto <? «atru- 
nu rcMh'er>« e neste s^^utido, ou análogo, i> vauius em- 
j> D*) CoMSíKBcio DO PottTo do 18 de julbo de I8fl5, 
00 atrasu produzido pelaa trovoadas no aiuanbo do 
l'*! prornrel que a.s marinhas fiquem amoadas por maia 
diaa • — . 



& Ll'«UbjL9. n. rat. âS. 



amuao 



Neolojismo que vemos indicado na Kkvista Lubitan'* [t 
p. 161], c(m a sif^ifícação <conti'Ãrío is musas >. 



anámica (adj. fem.) 

■ftste adjectivo véiuo-lo em|tre[íado ua Obra do Padre Aot 
Francisco Cardim, Batalhas da Companhia de Jescs sa 
vxMciA DO Japão ':— «o padre Gaspar do Amaral. . . qne 
anno 86 applicou á língua auamica* — , isto ó. à Itnf^ 
Anntitn. ou Aname. 

È duvidoso se a termii^açúo nm ae há de ler ali con^ 
ams, oa ão. Conveniente seria que assentássemos em proni 
e escrever Aname. para se d3o confundir ôste nome pi 
com o comum anào, anà, e com tanto maia razão, qui 
certo que de Siam (=^siâo, sià, ou sianw) fizeram nti 
escritores Siomes '. os povos de Siame, ditorenvando aótfí 
modo o reino de Siame, do moute e castro de Sião eJOn 
aalém. 

Teríamos pois: anámico | anome | Arutmé; tiamêg, 
viico I siome { Sintne: formas bem portuguesas e |»erfeil 
deduzidas. 

Vme que deveríamos difereu^ar Siame da Sião hiblica. 
Asaim o creio necessário; não porém, como jú iiionutameute 
fêZt adoptando para a última a forma Á'ion, conquanto a 
seja Sion. copiada do grego si6n, transcrição da forma hc 
fruM, porque a forma Sião já há muito é portuguesa, e foi 



* JÍ^ii, p. 29$, vtâe giame; PBRaattiHAVfiBs, tU Fcmim tléain '■ 
«ap. ixtti c puMíiH. 



jir^gada em ríins por Luís de Camdes. Da fonnosissima redondi- 
Jba tue prÍDcipia assim: 

Sobolns rios. qae rio 
Por ILtbíI-^niu, u»} adioi. 
Onílc M-nUidu diori-i 
Kn h'íahnti^aê de Silo. 



anee^itral: avito 

&t« barbarismo tem a pouco e pouco penetrado na lin^Q&- 

prelensicsa oii afranctísada dos jornais, e por, incúria de 

ewritnrps. ainda ma! nié em obras didáctiras. Foi tomado 

ite do francês rfuecstrai-. onde é neolojismo, que IJttré 

•ãlo reji-ita. A palavra é inglesa ances'fral. derivada de 

iH^vVíor. o (|iial provam do francês auti^ atweJitre$, hojo ««<•<?- 

ii i prenso r). O adjwtivn íii<^'!hs mirculral Í'. asitim dofi- 

• ■síer: — * relaling or Itel^nt^ing to ancestors or des- 

)g OoD uncftlor? • —que se reiere a autepiufsadoa ou Ibe» 

ou deles descende — : Ca?. part« de uma família de vocá- 

iÇompORta de anc^f^tor, ancfxtJrial, anc^*>'tral, anccsf trexi 

Ttesfry. It)m mglOá, pois. está muito bem, e em francês ainda 

lot«ra. Gm portu^ès, porém, ó tam absurda a sua adopçfto, 

«mo Á d<> ridículo jWrico, também muito do gMo dos literatos 

strdQJHÍra<li)K, poí-i uen}iuni radiral portUj^uês lhe serve de encosto 

explica^>ÂO. O tvrtno portutjués que Ibe corresiwnde, con- 

' iiiuismo, ti arito \ auttus. -a, -um J anus. <avr»>, tanto 

^„„iIo de 'pai do pai», como no de «nvoongo», <ascenden- 

Iti*. «aotupasíiado*, jii rejistado como termo poético por J. t. Ko- 

ifueto ^ e no Co.smaroRAKBo, que o abona com Alexandre Ueç- 

Ituliao. — • l*or modo ou conveniência haviam renegado da rellgiilo 



r>i(mox:(AniB pouTi*OAi3-faASÇAiB, Purií, ly^i. 



Martinho Bredcríxli? usa diiaa vezea oTorábulo avitu L'« «» 
foroosos j»oeiiietos. intitulados Sttl * : 

O Fado, o myiitrriofiQ, avita coeuitú. 
Dm |{uitarrnii, 6 ribíU'. pur thí; 
Vozes de treva, tremaUs de pruitu, 
Faotf» gemeDt^es, ondo •* Sul nftu ril 



Qut; chitrAi) tu, õ Mnr, que heruica. lilstoría. 

Ê« ta choMitdo a nuns» arita j^loria, 
Éã ta, A Har, (!a tu oa itomos núsV 

O Novo DiccioKÁBio d«u-1)ie t^bcm cabida. asMm comoi 
extravaganLe ancestral, o qae é de ^tír. pois o devera t^rl. 
piidiado, 011 pelo iiieiioH criiifudo uo SupIf>n]eDtó, couo fH; 
outros vocábulos eslraiij eira dos. 



ancUflo 
Kiu Goa 4>st4»{)aluvra siguitiea «boião* ^ 

ancinho, ancinhar 

Além du 8iia acep^^So usual lie mu iustnimento nisUco, ii* 
qiie no Kiba-Tejo derivaram o verbo encinliar, equivalente i ^ 
ffrainniutr^ e que ai significa «limpar com ancinho-, de^gB* 
fiflto vocábulo UR rtíjiAo do Mondego uma rede. como vemos M^ 
revista Portugália ^: — «Rode de suspensão que se emprC^i 
priufipalmont« paia a cííptura do berbi0lo> — . 



X p. 8«oIS7, LUboa. IÍI05. 
1 <KorUta Lusitana», vi. p. 70. Dialbcto portcguAs dbGoa, 
Monwmiior [Udolfo Dalgado, (jua lhe nio aj>outa <ítímo plauxfvcl. 



Jjt04til^ no» Dieioniíriot J^Jrtugueveê 



67 



SAbre esta palurra diz V. Adolfo t^oelho. ua mesma KeviaU, 

cpuDtç: — *A palavra... è, creio, a mesma que a italiana 

àw», croqae, rcmontaudo ambas a um latim vulgar hamicinné. 

Mm bamua aaaoU— , quo o mesmo escritor ' deriva de 

rn (iemiuutivo di* tiamus, harfíiciolu». 

Todavia, para ancinha a etimolojia mais areítlfel, e já 

i. é o latim uDcinum. Rfectivamente. se o étimo priuior- 

fosse bamicinus para aneiíilto, hamieiolum para nn^oi, 

]0 se expliraritt t\m do c latino, resultasse no primeiro wkí- 

í, no segundo, c. sendo em amlK>s os casos o e pretúuico 

:laUm? 

A fiiror de iinciíium milita ainda a circunstáucia de a forma 
lar sor cncifiho no sul. incinho no centro do reino: cf. m- 

e imbigo, por ungS^nto e umf/igo, 
Hà outra .considera^-ilo 'de maior pêao ainda, e é a seguint*. 
c ori ti latino resultou s era português, logo qne ant*9 
lele havia uma xogaX, o quo muito bem excmplitica a pa- 

arisiA 1 hamiciolum. 

Se karnidnum fosse o ^lirao de ancinho teríamos, em vez 

furma com c, outra com e, ancinho, como aconteceu com 

ida, e Uimbém cora orne, quime, bense^; cima, em todas 

||uais o c latino era precedido de vogal, undecim, quiude- 

benedicere, ciuicia: visto que, por exemplo, uncia 

^«n^a, sapientia, sítiiença, crodentia, erençti. etc, porque 

eomo em ancinho [ uncinum, o c não estava precedido 

^^>çal. A conclusão (^ que bamicinum nilo pode ser o étimo 

ttunii)to, como hamiciolum o será de anzol. 



andejar, andejo 

O XÔvo DiccioKAnio rejista o verbo andejar uo Suplemento, 
*m o significado < vaguear >, e abona-se com Francisco Manuel 




tt8 



ApMtil^ no» DicioHÒyiint Porluyueiiea 



ão NnacimeDio. O íidjeetivo andt^o já estava incluido em du 
dicionárioã, na aci?pv'âo de < quem anila muito » (CuNTKMKiaj 
e L>m suntiílo fig;tirado «versátil, desvairado >. ('onforint 
ção, uo Aleutojo e em Ooiíuhra mulheb andeja i|0« i 
• rameira > e esta expressão t&nto pode líliar-se no sentido 
ral da palavra, c correspo0de uesto caso ao francês conr^ 
como uo figurado «volúvel, mudável*. Todavia, liluteau no Vc 
CABULA^Tu i»OBTU(íL'KZ LATINO, admitiudo a locuçào mulher 
fieja, ÍDterpreta-a do modo segnínte: — «Andeja, ou Ãnd^in, 
Audadoura, Molher andeja. chamamos vul},'arMi»'nte ^ tyà^ 
pám em casa, e sumpre andii ]>elht Cidade, de liunia jKiri^^ pdE 
outra» — , o que perfeitamente se harmoniza com o adijío, 
madre andcju, tuio tH>u a jnirte uU/unta tmde a não vejfi, 
tado por Delicado * e reJisUdo oo Uiciotiárío publicado 
Aca<lemta de Lisboa, vol. úuico. 

andorinha 

^ Esta forma é explicada pur F. Adolfo Coelho coud) il 
la do latim Uiruudiuem, isto é h'trundi(ni)na ^ e mell 
a meu ver, por J. Leite de Vasconeelo;*, como nm siljediw 
hiruudineu, com metátese nas primeiras sílabas, kind^ri- 
nea, \ birundo ^ igualmente. 

Qualquer qiio seja dos dois Himos o prefcQdo, actuou no^ 
ambos a iuHaúucia do verbo andar. 



aneiro 



Este adjectivo, deduzido em português de ano, ou deõ* 
Tado do latino annuarium, por aonuale ] annuB (cC fi' 



^ Adágios PoitTuariDínBB, UsIiob, lOõl. 
> Rbvihta I,uhita»a, I, p. 1^3. 
J tó.ifi,p.268. 



aiioariam). é detiníilo. no Novo DiooiONAnio, do modo 
Btnte: — «dependente da maneira ooino correr o auiio; con- 
sente. inc«rto> — . 

Tedaviji, no trecho que se viii ler o significado é bastantff 
frente, e nâo foi ainda apontado, que ou saiha: — «Possuo 
maUpeiros antigos quo 3ão annoiroa, isto é, dão muito 
1 anno. e no seguinte nilo dSo nada» — '. 
pelo nOQtnírto. cadnneifo quere dizer «que produz cada ano, 
PS o» anos . . 

Tknto uni conin o oiib» adjectivo são muito expressivos, 
mm [Híia o[>oíiÍçilo que entre si apresentam. V. cadanelro, 
cuia. 

an[^1ic^a^o. ánglico 

£&te adjiffUvo, que usualmente 96 90 aplica àH palavras reUr- 

>. i^rtjn, para KÍtpiilicar ('jrpja anijUcana, a oficial dít Ingla- 

foi por Manupl Severim de Faria einjirciíaiio com o sulístan- 

fimjíM. puru exprfssar a forniu maia antiga do inglês, qu^ 

In IA anfflo-satfto. e que eu na Helkcta db lettc^as ix- 

í*s' denominei liuírna ímglica: — «as causaa publicas se nílo 

sra senão na lingoa auglicaua' — '. 
IH ingleses cliumam .intflum ou Ai\glo»8ax<m, ao que eu 
jiM árujUco ou Unfftia ánglica, idioma germânico usado 
jlnn dS s^iUo VI e meados do xu, abranjcudo portanto 
«â ano^. 

ani(e)lado 

3ia 1 Arclienlopo Portui;u>>â > * era um artigo de José Peesanlia 
tqfauio O Caux ok orno do Mosteiro dk Axoobava. faz-so 



> ^t Ai.nKHS, IÍI05, p. 247. 

' < > • poi.iTiuof«. m ■ I>íce. da Acadvmia», 1, XJCX. coL 3. 

* iJabott, 1897, p. IKT. 



menção de «um tecido de ouro anilado > — . É evidente qv 
anilado está por anieladú, isto é, esmaltado, e que em aniká) 
se deu a absorção do e átono do i igualmente átono. Aniftada 
é o participio passivo do ferbo anielar, mal formailo do íul*- 
tantivo nklo, * esmalte preto», que rejistou o Novo Dii;i'iosi- 
Kzo, como procedente do latim ni^ella, o que deve aer exutkt 
mas por iutermídio do italiano nieíh. 

A nilaão. cí<jiio sigiiilicando * asoiallado », vem já em Uhilíía \ 
devidameatc abonado com um passo da Cr<ínica de £I^Kei UitB 
Manuel. 

É de estranhar que nem o CoNTEMfoaAXKo, nem o Jíòw 
Dicc. reji3tassem o vocábulo neste sentido, que também escajioi 
ao I>icc. da Academia. 



anta; antela, antinha; mamoa, mámua. 

nuuuuiaba, mamuuha, mamueln. mamaltsr: montilhão; UTadorra: 

orca; arcainba, q. v. 

Sobre todos estos vocábulo», quer primitivos, quer derinulflí, 
ver-se há com muito proveit4> o opiUculo de .í. Leite de Vaw^B- 
celoa. intitulado Portugal i"RK-iiiwa\')Bioo *, pãj. 46-48. í>wa 
o qual remeto o leitor que deseje obter noções exactaa e míoa- 
cioHas acerca dèstfs lermos portugueses de nomenclatiim arqui- 
tectónica pre-biatórica, e das suas rigorosas defiiiiçõe^s. 

Com respeito à orijem do vocábulo anta, ei.s o qi» mw dh 
Guilberme Smitb: — «antó^: pilares quadrados que se atiesccn- 
tavam em geral iis paredes laterais da um edifício, d© <ada tadn 
do portal, para ajudarem a formar o prirtico. Haras Twses se eit 
coutram estes termos [o latino e o correspondente gre;^ parastí 
ms] no singular, porque o fim a que se destinavam as anUi 



» YOOAa PORT. I*AT. 

» O nímero lOti (IMí-Vt da . Bibliuth#<» do poTo * d»s eKoUB>. 
t4rli colecçfto do odilur David Ctrrnxxj, de Wato» tnexcedlvel. 



ApoaUloB oov XHcionãrios Fvriuguesa 



ficassem fronteiras e sustentassem as extremidades de 
fllwmo teto» — '. 



antenal; mangas de veludo 

tste vocábulo empregado conio suliatantívo. e que própria- 

»l« parece ser um adjectivo substantivado, derivado de anterut, 

ocorre, que eu saiba, fiii dicionário alf^nim da língua portu- 

zoas só num bilingue. 
Na iuteressaute e fidedigua obra de Jurien de la Gravièi-e, 

AKai.AIS ET I,ES HoLt.ANDAIS D.OfS LE8 MERS POLAIRES 

UAXs LA MER i>K.s Indks ', a páj. 148 do tomo i lemos o 
iMpiate: — «Ver» le 20 mars, on avait vu heaucoup de ces 
l*ÚRaux de la grosseur d'un oison [■ patinho >], que Ipr Portugais 
|lM3imeot antenalea. Maiuteuaut un étuit entouré de mariffaif de 
, — manches de velours, — qu"on appelle ainsi parce qu*At 
it de leurs ailes il y a quelques marques noíres imitunt le 
''^«lyure, le reate élaut Mane et gris. I>a rencontre de ces oiseaux 
_eAt un Índice certaiit qu'on n'est pas loin de lu partie orieutale 
Cap [Cabo da Boa-Ksperança|> — . 
ílefere-se o autor à uarnitiva de Uascliot<íD. 
Se as (luas expressões antenal (pi. aníenais, e nào (iiítcim- 
t} D maugag-de-vcluHo, como denominações vulgaies, iiupostaa 
jvávelmente por marítimos, figuram, ou nào, em escritores por- 
i^neses do século xri, ou posteriores, e se ainda são usuais em 
qualquer parte do reino, é o que nao ousarei afirmar, nem negar. 
itendi, contudo, não desaproveitar a ocasi&o de tomar delas 
ontaniAuto, para base de futuras indagações. Apresentarei maia 
seguinte: 



* fí. Siníth, SUAIiLETI D1CTIOX4RV OK CÍRBBK A'SD liOMAS" AXTKjn- 
>, Luniinja, 1871. 
Fuú, 1690. 



T2 



^-^ 



No DicoiONÀnio pohivodbz-pramob» de J. I. Roqootí ' 
remos inserida a palavra AKTKsrKAL, como portti^esa, triiilnul» 
para francês por — «auténale, albatros: oiseau de mor» — . 



apalo 



Esta palarra, pertencente & lingna dos cafres da Beini, U] 
Áftica oriental, é assim definida nuns interesaantes estndw 
blicados 110 Jornal n.A8 Coi^>\ia8 ^, acórca de uaoa e c«ât 
de Marromeu, por Jorje Kptfánio BerVelej Cotter» funcionário m1 
serviço da Compaultia portu)^tiesa : — 'Quando um apoie (raps^'] 
chega á edade de oito a dez aiiuos> — . 

apanha(s) 

"Na ]iuhlicaçtSo p(MÍ<idÍea Portuoalia ' vem a 
Ciição do tear ordinário, usado no distrito de Viui < 
□a qual apenas suprimo os algarismos que ge referem ao desenho* j 
que aqui «ao reprodtizo. 

— * As duas pernttjt de prumo da frenff. as duas pemafi 
prumo das mstoit; as duas meza»; os dois capiteis: as du»J 
tramuiões dox mpiteis; os dois pombos do orgào do panno; o 
órgão do fiado ou das coâtas: o órgão do peito: o orgi 
pantw; os dota malhetes do órgão do peito: os dois 
órgão das costas; a roda dentada do órgão do panno, • 
espera; as duas varetas das queixas; a maçã ou péqa das queir^ 
xas; as duas peças das guei^eas; o ei^» das queixas; os doísl 
moitôes para as Hsseiras: o travessão dos moitòes; as quabf*J 
chavelhas para o orgào das costas; as duas apanhas, prem^de*- 
ras ou pedaes; o tempereiro; os dois eompostouros; as 



» Paris, 1855. 

X SOdeniflíollelDOS. 

> i.p. 37-1. 



SpnâHUu 098 IHàonãriot PàriuyHtrKH 



78 



\]mio aqoi em itálico os tonoM c-0QStaute3 ilcsta nomcD- 
iHiiiini rnlçar. nne ainda Dão foram ou colíjidos era Ificsicos por- 
ta^ews 011 nt'li3S •JetiiiHlou wt»Í3t» w*^'x>vs; oonsi.Jeranílo «âo 
[iBjiíUdQS 08 termos ou ufppçõea que uilo 6^nram no mais com- 
1 jJeti* fiasses lécpicos. o Xòvo l>i(x:ioNARro, ou no V<tcABUT.ARio 
I híJiTiionRa LATixo (1« Dluteuu, tam rico em meudit^itnns tlefioi- 
ífiWd? termos vulgares. 



apani(a);rua(lo 

Passando por alio como iuiiot^itúvol a palavra pano que o 
ovo l)ici;ioKÃttro propòe por étíroo do verbo apuniear, para o 
remete (ntanufmrr, Idoutiticando-os, vejo que duas etimolo- 
teem sido ]iropostis para o nome que encabeça este aitígo: 
primeira, por Duarte Núiiez do Leão ', a-pan-e-iigua; a se- 
hdii por F. Adolfo Coelho *. exfiosta oos segnintee termos: — 
M prer. e thema pani p;1o; para a formaçilo que nada t«m ^ilA 
cem agiM, como í^uppoz N. Leào, vid. Apaziguar e Sanctl- 
• —. Seguindo êate raciocínio, vemos em Apaziguar, uo 
^fflesmo dicionário: — *A pryf. e parifinar, cf. para a forma apa- 
^Êuuado por apanificado, averiguar de verifieitr. auU amorti- 
^^tar de nmrtifirar. etc. 

>Xão seria muito f^^cil su))rir o et/r., e apesar de tam j^rentó- 
ría afirmativa, tanto amoriiíjuar de mortificar, como averiguar 
de ivrifirar nJto âi\o tam seguros, que uào precisem larga expli- 
cação, a qual ali se uáu eui-outra em nenhuma das palavras apon- 
tadas paiTi confronto, nem nas remissões feitas oní aan/e/titfuar. 
^B On. as formas averiguar, santigttar, apaziguar, aitwrtiguar 
Hm naturalmente erros do inten^retaçAo de //», que do antigo 
^^ie<liente orto^ático por // passaram às ortog:rafías posteriores, 
alterundo a pronunciaçílo, por má leitura, pois se o » houvesse 

1^ 



CdoWm Mber: Oriobm ua lixooa roRTroruA, tmp. nii. 

DltXJiONARlD iUSCAL filTVMOLOOIOO. 




74 



ApottUoM aoÈ DiàoMáriõ» 1'ortuífueata 



de ler-se, a sua tãcrita antiga toría sido ffw. como «m 
por logo. aguoa. por ágita. hslà indução ó cootiruiada p«U 
eunstáncia de nenhum dfesses vocábulos ser popular, seodo 
deles obsoletos, amorttffuar, santiguar. 

Se porém a tod&s essas díç^es se podem atribair as 
reais amortiyar, apasigar, atvrigar, santigar. o mesmo 
acoDtece com ajtanigu/uio, participio passivo aparente d« 
Terbo aiitmiguar. que parece nao existir, e cuja fornia ant 
apaniagiuido. confirmnda pela casteibana {a)paniaguaiIo, á» \ 
proveio. Em yvrnáin Méiidez Pinto lèmos:^'E sem ei 
de tudo isto o paiirti [Franoisc^ Xavier'' se embarcou nesta 
noo para a China, mas liem differente do que ouvera de yri 
fôra com Diogo Pereyra, mas elle tieou em Malaca, e a bso 
toda por conta do capitão e dos seus apaniaguados, e com 
tào posto dl» sua mão. e o padre fov íngreme, sem autoriri 
nenhlia, ás esmolas do contramestre e sem levar outra cousa 
que só hiia loba que levava vestida > — '• 

Este passo é, em todos os pontos de vista, de muito miani 
n&o sà por se referir ao apóstolo das índias, mas ainda te 
texto de linguajem, pois contém, além de outras locu('MeA xeni 
cuUis, o Tocãbulo apaniaffimdôy e íngreme num sentido mi 
especial, desusado hoje. e que talvez possa coutríbuir pun 
aclarar a sua orijem e verdadeira acentuação, pois a litei 
ifigreme está em oposição cora a popular ingrime. 

A forma completo, pois, da palavra de que estou trauB 
Tírao-la aqui, a-patfi-aguardo, a]M)rtuguesameuto da castelbn 
(ahpaii-i-agua-ão, visto que é uesta liuguo, e não na portugu« 
que pan quere dizer < pão >. Assim, ser de algitem apantagi 
equivalia ao que hoje dizemos -estar ^ sopas de alguém*. 

V'è-se bem que tinba razão o grande bimiauista do a 
culo xv-xvi, D. Nimez de Leio, e que hera íex Itluteau ■ 



^ P&RlGOniNAÇÃO, LUboi, 1S29, CAp. ccxv. 

^ YoCAUUtLAlUU VOaTVOVWi latlxo. gub. r. pamocadq. 




«ifuir. *'Xiilicando-o tiestee tflnnos:^ » Aquelle t\w como do- 

vAicKi da casa, recebi* todos os annos do senhor delia alguma 

cousa para seu sustcato. ChaiDft-sc < assim * porque antígamento 

a ni^-iif) do pania^niado era pão e af^a. Nos lirros das Ordciia- 

<->i'tá Panii^do, e Apauigndo, mas o author do Rçp«rtor. diit; 

i','. diz Paniai(uado> — . li. Niinez escrevera, lor. cit.: — 

•Aiaiii^niado. de pau« et aqua, quasi paoiagiiado • — . 

f,VoÍ isU#uma cunJBctura, um dewjn d« interpretar ctimoló- 
jieimeiíU; um vfMjãbulo, cujo veriÍ:íileiro sentido ae perdi^ra e ciya 
fiffiuaçdo se ignorava!-' É esta a opinifto de F. Adolfo Coelho, e 
B»(e vaso apanigar seria uma forma parassiutócUca, um derivado 
com preticso e sulieso. 

N'o9 t«nuú3 «tu que I). Nunez e Uluteau a analisaram ê ela» 
pelo contrário, um caso. mais raro uas linguas românicas, de po- 
liMíntese^ isto é, uma palavra composta, Aecsiouada como se fQra 
SfflfJfti, tal como, por exemplo, af\iiahiado \ fidalgo | íHhfy-de- 
i"^, e em cuja composiçiLo os elementos estAo em relação cir- 
cmistaucial. 

•Se analisarmos os verbos citados por F. Adolfo Coelho, e que 
tRuiiícrevi mais acima, vemos claramente que em nfnlmm deles 
u lerminaçio 'giutr está com o radical, na mesma relação, que 
•o opaniYa)t/ua<h. Três* leom por primeiro elemento adjectivos 
two. rnartu, .santo, y ;iiguilicain 'fazer que tique verdadeiro 
morto, santo >. O outro tem por base o substantivo paz. e quere 
ííiiBr 'fazer que fique em paz». Ora, apanhjuftr, ou opayiiaijuar, 
K existisse, nAo cquiviili-ria a «fazer que tique (cm) pâo>, e 
iNirtaato essa derivaçio que se pretende dar a apanitfuado é 
â^«arda, comparada com a dos vocábulos com os quais se cou- 
froritou. 

Se as formaa averiguar, amortigiwr. apaziguar, ttantigiuir 
jtodem substituir pelos seus equivalentes fonnais e sigaificati- 

rrrrifiear, mt/rtifiair, pacificar, santificar, oulro tanto uâo 

teceria a apaniguar, que não corresponderia a panificar qo 
itido, como lhe não corresponde na formação. 

Por todos estes motivos parece preferível adoptar a explicap- 

dada por Duarte Xúnez e perfilhada jior Bluteau, a qual é 



exactameute a qne os diciouários castelhanos d&o ao paHtjjtuidQ K 
de que procede o português apani(ahjuado, som verbo de qu 
s^a purticipio. mas romo adjectivo substantlraUo. 

Para cfluíirmavrio do que liça exposto aduzirei uma informí* 
çfto decisiva. No exceleate estudo de Paulo Groussac, intitulid» 
Le CoMSdENTATBUH py Ijaderinto [de JoJo de Mena"', Unios » 
seguinte: — «U s"a;?it de la petite rento apptlée ptm y ayuo, 
renijili^:ant 1'aucienno ration en nature des cbevaiiers paurru 
(paniaguitiliiit) aj^rógi-a à uue cominanderíe • — . E em nota icrís- 
ceuta, citando Oortner. Pboííkksos dk la historia kx AbaívVk 
(Çarago^a, lOSO. páj. 540), um trecho da carta de Fcniiiin Núud. 
o Pinciaiio, a Zurtta. em que lhe diz: — «De la tardauza de ml 
líbraraiento estoy ou sospecha si ha venido al^íuna suspeosión d< 
8a Majestad [Carlos t] en que nos quite ese pan y a^ua qnf 
nos daba»^. 

Creio ser decisiva a citação. 



apuradeira 

Em Caininlia, e provavelmente em outras partes da prorhidâ 
do Miiihu, dá'Se usle uoiiiii a uma baudejíuha que apara os pií* 
gos da vela, no castiçal. K pois este um termo excelente part 
tradunr o vocábulo fnuicts hohècke, suhstitiiindo-o em portujrués. 

Nem ê de estranhar a funnação e aplicaçiSo deste derivado 
femeniuo do verbo aparar, visto que já temos o correspondente 
maaMiIino apanuhr, que pelo^ntido menos que aquele se li^ 
ao expresso pelo verbo. 

aparamentes 

Ksta forma, equivalente a parament/}s, não vem rejistatla uut- 
nossos dicionários, e está para o substantivo parnmentwt, conift 



* DtCGIOXjiRlO DK LA RBaL ÂOADmMU, 1899. 



Apontitav ao* Dicionário» Portttguatea 



rçrb") aparumeniar, já colijirlo. |iara o verbo paramimtar, 
na-s« com o seguiotc trecho do Padre AdIódío Fraiieisco 
i: — ' preparoii-se a varanda de alcatifas, e cadeiras de 
sIihIo bordado para os dois fidalgos, outra diferente para o 
Dtniiador, posta na cabeceira, cou outroa ajiarameutos visto- 



ápeto, atoin 




O conhecido elnógrafo A. Tomás Pirez, na revista Portijga- 

\ publicou um aeu eâtudo descritivo dos amuleUis usados 

» povofl do concelho de Klvaa. Kutre outros vocAImiIos inte- 

ktissimos vem apoutado êãt« numa ríinu popular: —Onde 

o Aptelto e o atom / uáo fiaz o demo seu tom. Autes diz: 

fsBin o aipo e o ai^m fTnlasitia), niettidos em l>olsinhas, ao 

>, para preservarem do teitiço e do demónio > — . 

kÉ singular esta forma àpet*>, o nfto, apto, a medida do versf) 
ftá indicando, para designar o aipo, e não atino com a sua 
eni. Outro tanto direi do aiom, que apresenta urna terminação 
nira no português do sul. 

ÍÉ evidente que o grupo pt é tmtdmissivel em vocábulos 
oríjem popular, e por isso ou se haveria redu}:!do a aio 
[ci. atar j aptare), ou uma vogal anaptíctíca desuniria, como 
desunÍQt as duas consoantes iucompatíveÍH. 



apojar 

Este Terbo é usado no Algarve, com a pronúncia aitojàr 
itono na 2.* sílaba), e a sijíuiHcaviif 'dunioiar-se». O ^timo 
ituralmente podiura, como supõe J. Leite de Vasconcelos '. 



' llATAuiAB HA CoMPAxiiiA DB Jesits ha pftoTneciA bo JapIo, 

hcML, IS94. p. 50. 

» RavisTA LuaiTAXA, vu. pag. 107. 




Etfe T9W tilÉ R^Hlaw » Xoto Didc^ asshn d 
— «aggp ia r «b pabata» — . 

A pcitBta. M aeia» CÔMáiw é itÊcúiA da segtiúite modo* 
— «ptftt 4« teteba efla ■iiriai^i e ^ttcijú nUtlo> — ; 
Siipinmnto mc n â Lt a iM rê» — rpeUaiK o mesiBO qoe jx»feni«. 
V«aézt, é ana jmMb grMiB, leita d» fannlu de nulho com 

* ttL tt terre de pio «m eertts níé^deê, Paieet qu<* Ui 
poLeoda d« farinha de frtawhM » — . 
EfícUraffleDU a poi^nia que li comi era a qae aqui se 

(^uanUi & fiDima pí^emia, é sabido quu f m certas 
lia n^ alterna cora ni, oq o sabstitui. onde houve ia 
dí> fíToj^ moderno, nn qual nt se profere nd. em uieio 4l 
palavra, ou <Ie uin para outro vocábulo, c oomo d no prindpú 
de vocábulo. 

O termo j/olenta já era usado pelos romanos, aplicado a iflft 

• muntimL'nto que se fazia de farinha de cerada torrada e pitpi^ 
Ta<la de diversím modos» *. 

Conforme Petri>cclii, a forma umis usada é pnlemh; utt 
aa, em Vuueza, ouvi chamar-ee-lhe jKilenta. 

Nilo é porém da polenta romana ou italiana que eu tratani 
aqui, víhIo náo Kcr tjil nome i-onlierido cá pelo povo, e >iv Bit 
citu^áo rulVrídu. exLrutiida do Nnvo Diccidnãriú, foi apeliM 
para pAr em dúvida, visto uáo estar ali abonado o vocábulo, a 
oxisti^uciu do verbo apolentar, cota a sigiiitleaçfta ^e li nlM 
atribui. 

Nos nieiu n|)outumentoij tenho o verbo apolerUmr, colhido nl 
tradiváo oral. como termo da Ueira-lUixa, querend» dizer * palpar 



- ■ xr nu) «U Ua«r6b«a. V. tamWoi SnrrBv LX3tor*Koa Cxtart 



apo(u)sentamento 



m as ptmtas dos dedos u fruta, para experimentar se está 
tdura-. 
K duvidoso ^]\^e êst* vertio com tal BÍj^aiticudo se possa rela- 

í.-""- 

£ iate um dos poucos vocábulos portugueses em que o cor- 
Bpode a au latiao. sem derivação imediata do castelhano. 
K> hoho fq. V.). o» do latira popular, como pobre J popere, 
tf psuji^rein. Outro é apiyqueninr, e seus derivados, cujo 
dno « pouco. Ti^davia, é esta uma corideuRav^^ moderna dO^ 
■IS formas antigas eram apouquentar. apotisen^: 
'■ 'ia de pedra per houde sohfni as casas de apoa- 

BuD«nin do dito raâtello* — '. 

OutPrt vocAliiilos sfto for | faucem, afotfar \ effaueare, 
^MCim mais *. 



aquela, aquelar 

\sám como empregamos o substantivo coiata para suprir um 

Ktu»', que Ds ooasiio nos não ocorre ou não sabemos, e coiso 

-'>&. dn mesmn modo que os franct^ses usam mofkin \ ma- 

■ aÍJida como usamos aqíteJa jinr • afeiçílo • ; usam era 

t íUfttffa, querendo íiiguitioar «pessoa rica» e aquflar 

ftx 'tozttf qtfdquer cousa*, e em seutido restricto por * lim|>ar>. 

Sli) • ' da vitalidade criadora que ainda possui a líu- 



^* V poMí do cut')!} áf Sincii, <I^ 24 <íi> novembro de 1<J33. in, 
-■nBiriiufcu. X. II. 101- 

• ■' 'il; lier ["^rta^'it••^i■u■l^(>Il 8|irachc. 2." «'UçAi>, í» 

3ti -I PuiLObOom, Eatrniliirpi. IfKHí, I, p. 937. 



Ap69ÍÍta» WM i>*rwii««rw« 






araça, araçá, araçai 



K5ta palavra, que o Dior. CoKTfUfFOiíAXBO e o Kõro Dl 
a^^eDlnum arará, e o Dictionaibe poBTtoAts-FBjuvviW 
J. 1. Uoijuete ' c:icreve araçm. rêm^v-la escrita sem acentOj 
Hco, arttra. euteudendo-se quo será lida arÁ^u, nu « Uoisque 
uma viagem ao interior da Paraliyba e de Peruamboc 
Dt!ai<;na ditrersos vejetais e s«u3 frutos, e dore ser palam^ 
jeiía dl* Hrarjil. 

Como, porvm, iio Vocabulabiu y Tehobo ds la lrxu 
aUABANi, n u AH BtEV TUPI *, do Pildra Autimío Kniz ile Xa 
toya. ela figura ua ii Part« cora as fi>rina8 Arava, detinidarc 
Ktpecie lie guayttbaií, e Aramai, Arbui destas gtutydbas, \i 
que a rerdadeira aconliiaçào è a que os dicionários cít 
rarain. Por aí vemos tainltõrn que o nome da árvore é an] 
do ututie do triiU), b porUiiiu deiiomiua^^uo diíilints, o 
ditos dicionários não apontaui. A i>alav-ra não foi incluída ' 
Dk^cionaiuu db vucAUUtos brazilkiboh, do Vízconde de Ihl 
repaire-Kohaii *. 

ara]i;iÍo. pai-dos-ca)x«iros 

ViSa uma corrospoadéocía do Brasil lia-se H\» vocábulo, e 
pregudo como substantivo comiua e explicado pelo suf^uinte uiodo 
— «sino grande da igieja de Sam Francisco de Paula, qui* d 
o toque para se fecharem os estabelecimentos no Itio de Ja* 
ueiro* — . Outro nome que tem o festivo sino é jHii-don-caixfintf, 

Bis aqui o trecho do qiuil extrai a detiniçÂo: — « O meu auiigl 
talvez uilo saiba que ás 10 horas da noite corre aqui um grandi 



1 F&ria. 185&. 

> in i\ SRiaTMi, Af 8 tlp jnnho Ae 1'JOO. 

1 Nutfvu i'dioÍóo. Firis-Vicnu. 1876. 

* Ulo-iltsliuivin», IHiSSt. 



ApoMtilAi ffi» Dirimtnriaê PnrtugWK» 



81 



liiMi <ia i?rt>ia de S. Frani:isco de Paula, o qne indica » Iiora » 
me âáo úliriguiloti a fochar tmlo» ns fsUheleciíuentos que uâo 
HD licença Mpcchil. Chamum ^eraliucate a este tOf^ue — o J^ra- 
B — , ou o pae tiott auxeitoif . . . a .segunda [lieiíomínuvão] 
^0 6 qu« provam de »er aquflla a hora que os caixeiros aca- 
Mn II tarefa da Doite*^. 

^A orij**m da priíoeiía denoiuinavão dá-sc tia mesraa corres- 
dència iMir estan palavras: — « Deriva-se de ter sido um cUeíe 
le policia d'aquella cidade quo estabeleceu que o sino corresse 
ks dez boraâ> — *. 




oragoès, aragouès 

imos ttraijoní^s. liiiiibiudo-uos a transcrerer o oastft- 
^4, muito bem derivado de Ara^ún. uaquela Liu^a. 
)rtu}pieí$a, porém, nat-o que o nome próprio de que se forma 
Jjoctiro ertá uportu^esado, e bem, no uso romum, Arui/âo, 
ito adjectivo deve ser anujoús. como se dizia e escrevia dau- 
ÍM:— • Porqup como m Aragoeses que tem a mesma lingoa que 
« outelhanos • — *. 

A forma urtujonUs v um castelbanísino, romo o sâo leo- 

^ I Uont''s \ León, castelhano \ caftUUano \ VastieHa. Ibrma 

^tÍL*a. rorresqKindeiite ík modem» CastiUa, «Castela*, po'^ nu^i- 

'•' dízfaiuos CÁifitfláo. Luís de Camões, porem, usou da forma 

' ■' • castelhano: 




Drit «inal ji tmmpea cwt^thanft 
()aví-g o nii)[iK' Artabr-j, (• (jaaillutt '. 



some pniprio do rio é cantelhaiiiitino tambéui, poiã a fonnu 



.viiMiitTA, d« 12 ilr AgDstQ Aa m't. 

t lio Ldio, Okiobu ua uxgoa POttTraL*s*fA, cap. xxr. 
\^. IV. ÍS. 



es 



Ajto»tllti» aot pifionárMê Portuyuata 



portuguesa é Odiana. Cf. Odemira, Odeteixf, Odetourú. u» 
quais a palavra iírábicH UAn, «rÍo>, está coudeDsads em í*ài,aâ$. 
Com pfeito, Kui <Jo Pina ' e Damião de Gtíis. por exempla 
escreveram Otiiana -, e não (iuadiana. que a p*>uc« e poaeú 
foi difuiiilíixlo, ii |H)ntn de ser hoje a iinicA forma, pelo iu«m 
^ escrita, em portu^i^s. 

O mesmo acouteceu com Badajoz, que dizíamos Bfulalh(me$, 
escrita e proDÚneia mais coufonue com a. arábica BaTaLit'8.*Vl4t 
porém que esta última designação geog^rálica entrou em poriu^uti 
pelos olbos, e nao pelos oavidos, por isso qne pronunciauio* ai • 
J V o s ao D08SO modo, e uilo ao do caãtolbano at-lual. 

arcainha; arquinha 

E este mais mu termo vxilgar para desiguar a anfa ou nrci, 
e viVmo-lo assim defÍDido em tuna monografia iniítuliida Má' 
SIAK8 PAaf o BsTUDO DO POVO poBTuouEZ ^: — 'Os propríetark* 
e \i-sinbos . . . deram o nome de arcamknf aos monumentos, • 
também o apidií^aram aos sítios em que se adiavam » — . 

Arcainha parece ser um demínutivo de arca, mas dileraota 
de arqninlw. que tem a significa^-àn de « maquineta» —•d»* 
uma arquinha de prata, para estar uella um Santiã^imo Sactt- 
mento* — *. V. anta. 

arco celeste^ arco-da-relba, arco-da-cbuva. 
arco-de-Ueus. arco-iria 

A primeim destas denumbiações é erudita, como a iiltintOi 
coincidem ambas com aa castelhanas, igualmente cultas. U ootn^ 



* CriÍSICA DB It«M At^NRO T. Caji. 13S. 

' Ouóx. ns EL-nist Dom Emma.vubl. cop. tl V. taialMm 0. Viâfl». 
Ohtocrapia Nacional, p. 11*9. Luboo, 1901. 

* itt Púrtagalin, i, p. 13. 

* O AitctiaotAoo i-ORTvovft». v, p. 8. 



r em portares 6 no continente arco-úa-veflia, que Fr. Hpítor 
rt • Kplíra haver sMo dado — «porque na Lei velha disse 

qUK na-s tiiiven» poria este arco por sinal de paz entre si 

hompDH • — . AHsini serã; mas nesse CJiso teria esta deuo- 
Bçio iamhêii) nrijcm nào popular. 

<** outros doÍ8 nomes, arc^-ile-Deií? e areo-da^huva, vêem, 
itAilas pélú Ilr. Hiigo Scliiichardt tios Bstudos Crioulos *. 
[o o primeiro otiitlogg ao explicado por Heitor Pinto, porém 
0» artitinial, e o segundo de carácter enteiramente popular, 
|>or si mvifmo se explico. Xão sei se algum d^les é tamhóm 

ao reino. 



areisco, ariiico 

[finte adjectiro, cuja orijera é o substantivo areia (cf. pedrijico, 
»>. « hoje qUBsi sóii^ent-e empregado em sentido trausiato, 
biralendn a • rebelde», 'arredio-, • bravio ►. 
Citno jíi temo»} a locityifo ferra areisra, terra artarn, rejisiada 
|l'o?fTCMptiRAN*R«i. p pm que o adjei-tivo citado tem o smi sij^fni- 
«lo Datural, poderíainos muito vernaculamente suKstantivai- 
ttiienino, Miibeutwiidcndo a piJavra (jmlrd). areisra. ou 
tmaudu deste adjectivo suhstoutivado para desi^armos 
|u& ftor galicismo se i\i7.ffrén, e que A. Qonvàlveíi Guimarães ^ 
npíie Hft diga. com menos propriedade, arenito). Os espanhóis 
-lhe com muito acerto (pieâra) arenísca. como chumara 
Ireo {ftifidra) ealiza, e eu tenho nos meus apontamentos 
oolro nome, pedra-grão. 

nm. se c^intinntim i>^ ^'pi^Iogoíí e os miiieralojistfis a dar- 
le franc&s. nào ú |>or falta dt; uonies portugueses: jteHra" 
íu, artnittu artfiiijfea, (p&lraj arrisca, pedra arisca, os iilti- 
iloi quaú, com serem portugneses lejitimos, coincidem per- 



ÍKm.1 \. IX. p. 129. 

|Ci.r\i- njduik. 2.* ed., Coímbn 1B97. p. IW, n. q, v. 



feltameDte com a (leuominação espouhola arenifca, c rntn t 
inglesa samUtaiie, ou uleniã mtuhfein. qup ambas 8Íi;;iiitícaiQ 
• iKí(!ra-ari'ia •. 

Poderia )>úrtuuU> usar-se suuplesmctite arei^cti, como i 
tiro, j)u[iriiiimilivât> a palarra pedra, como aconteceu a raniitna, ^ 
,qii(> daiitvâ t>m atljoctivo, pois se dixia pedra cantaria, como 
vemos i'in Uui de l'iiia. — <K lauta ordem e diligtíncik « |i* 
dísho acerca da pedra cuutaria, e cal, e madeira* — '. 



argamassa 

Quul<[ucr que seja o étimo deste vociibiilo, ijuo tamN^m pústi 
em P-aslelliano, arijama^fa. o certo ê que se deve uscrever oon 
8», o iiâo foiíi r, alenta a forma 4>Ãpanho1iit e haja. nu nilo. ali « 
palavra ma^m; ao contrário do uome que dAo u um bdio, marih^ 
pão, em que Uil vocábulo não existe, pois em castelhano se ilii 
intuujHtn, o que pniva iK-ver n-^iT^tv^r-se cm pftrtiitíii»*'s roín -; t 
nAo com ifíf. 

A palavra ari/aftnutm, como l*rmo de calão, quere dizer -Ah- 
mida>. o que se encontra documentado pelo trecho seguinte: — 
• LavanuiiHue, cortarum-me o cahelln. mas » ritspeito de arf/a- 
massíi. . , |k1o v agua. porquo era dia de jejum ' — *. 



arlequim 

No Suplemento ao Noto DicxíioNAato inscreveu-se èsle ro- 
cábulo, como de giriíi, com a signiftca^-ão de — «restos de carne, 
peixe ou de qualquer iguaria, que ficam da8 refeifôes, dos crií- 
dos das canas ricas»—. Duvido da existt'ncia em \' '\^ 

aemellianto palavra, que creio foi empregada numa .ji____ t- 



• C«f>SirA 1>B Et^RBt l)o« AV0.VRn V, «1». cxui. 

* O Du. de 23 d<! «ctcmbro dt- HK>2. 



dú roTuaiii-e de Kii^i^oio Siií* Os mistérios pe Pakib. na 

se |iroriir*m, Wm ou mal, verter loilas as inuitiu expressões 

gfríu que ali se cncoutram, inveiilando-se umas, aportugue- 

outra;; Ifiiieràriamcnte, com o fim dfi reproduzir, com 

al^ctftda «> iniajtiiãriíi ctiirtídâo, a-4 locuvões <1o aryot IVaiioês. 

arU^ott, uestitf uUão parisiense, qnere dizer, pouco mais oui 

los. o qiii* os espanluíis denominam ro//rt vifja. isto é. con- 

if n deHni^'ãn de Emílio Littré: — <d6bris de repas, et sur- 

(lébris iW viiiiides, alosi dit parce que ce plat, que l'ou vend 

Ir i) nourriture des aiiimaux domestiques et qne les pauvres 

dédaignent pus, eiit com|iosé de morceaux assemhli^s au lia- 

d' — '. O nome pois f'i|-lliH iinposto jior ci>mi>aravâo cora a 

inicota do« arlequins, feita de remendos de várias ciares. 



armada 

fi com elle (o visgo] que se u])aiihain nns armadas os 
tgM e piuUirroxos ... As armadas silo uuicameute feitas 
IVM qu« cocturaom de preferencia pousar tm» pontas dos ra- 

Cf. artn/uinUn. i- /trinar noa passavOH. 



armamento; armar, armado 

fi^te substantivo conhecido, derivado do verbo arnuir, tem» 
seus diversf)s si^rniticados, mais ou menos relacionados 
éúvoif primordial armu. outro inuilo especial, exemplifícado 
iieguinbt> definição: — • Curioso amuleto composto de sino- 
1, meia Iiia e coração; deve ser de ferro ou aço e traz-ue 



* DlOTIOXXAdlll DB tA LaNOPB rRASÇAlse. Paris, 1881. 

* U. Pinho. Rtuxoorapiiu Au^rastina. A Ca^'a, ín PortagftU», 



84 



Apottiíftt aoi Difion^hi I^trtH^wmt 



íeitainente com a ^pnniniaaçâo espanhola nrenisca, a coui a 
inglesa sandshne, ou aleniá sandsfein, que ambos si^iticáUJ 
«|>e(lra-ari*ia*. 

Poderia portanto usur-so simplesraeute areisca. como solwl 
tivo, suiiriíninda-sf a palavra pednt, como acontoceu a rantari 
^quo dantes era adjectivo, pois fw dizia pedra eatitaría, rom*» 
vemos era Rui An Pina. — 'E tanta urdem e diligencia si* pi^S 
ai»80 ucêrca da pedra cantaria, c cal. e madeira > — '. 



argamassa 

Qualquer que seja o étimo deste vocábulo, quo iamht-m c>xist« 
em castelhano, artjnmfim, o certo « qiu» se tieve escrever coni 
SB, e não com ç, atenta a forn>a esjiauhola, e haja, ou não, ali a 
palavra massa; ao contrário do nome que dão a um bolo. maf;a-\ 
pão., era que tal vociibulo não existe, pois om castelhano se dix 
masapàn, o qtie prova dever escrever-se em português com r. e 
não com s>). 

 palavra argamassa, como termo de cííIíIo, quere dizer ' co- 
mida', o quo se encontra documentado pelo trecho se^iintv: — 
< Lavaram-me, cortaram-me o caludlo, mas a respeito de ar^ 
massa, . . piio e agua, porque era dia de jejum» — *. 



arlequim 

Xo Suplemputo íio Novo DifxroKÁaio inscreveu-sc íste 
cabulo, como de giria, com a significação de — «restos de carni 
peixe ou de qualquer iguaria, que ficam das refeições, dos cria- 
dos da3 casas ricas> — . Duvido da existência em português de 
semelhante palavra, que creio foi empregada numa afamada tra- 



* Crónica db Eu-REr T>om Apoxbo v, c4i>. vxixl 
» O Dia, de 25 .W áettuibro dv Iy03. 



Apoa*Ua$ nnn TiiHnnárioa PnrtuffUAV* 



85 



'íurio <lo roniauoe de Kii^^tiio Su@ Os ustèrios de Pahis. na 

"jíil w j»r.x'iirou. Wm oii rnal. verter t,í«las a« muitas expressões 

J* iíiria quf tili se eiuMUilraiu, ínveutuuilo-se umus, aportiigue- 

nadtrm outras tem^rãriainente, com o fim ile reproduzir, com 

innx arectaiia e imajinária exactidão, as loriiyòcH do artfot franoOs. 

Vn, utirquiit, uesse oalSo parisiense, quere dizer, pouco mais ou. 

>iflw«, o (iiiií os espaolKJis deuommaiu ai/m vieja, isto é, cou- 

firwe a defini^io de Emílio Littré: — 'débris de repas, et sur- 

tiíiil (lt'hris de viandes, ainsi liit jiarco que ce plat, que Ton vend 

|)»ur i» notirriture iles anitiiauv domestiques et que les puuvres 

ne (l>'d ai •Client pos, est- compoeé de morceaux assembMs au lia- 

M/"! • — '. i* nome pois foi-lhe impost^i por tjoniparaçiSo com a 

restimenta dos artequius. feita de remendos de rárias cores. 



arraadn 

K com elle [o vi^o] que se apanliam nas armadas os 
>Íiit;isil}^o!T e piatarroxos . . . As aimadas sâo uuicamcntc feitas 
aves que costumam de preferencia pousar uas pontas dos ra- 

cr. antuuliiha. e armar aos pasêaros. 



annainento; aniiar. armado 

flite substantivo conhecido, derivado do verixí m-«Mir, tem, 

\êm dos seuâ diversos signiticados, mais ou menos relacionados 

>m o étimo primordial arma, outro muito e-special, exemplificado 

i«la seguinte detinivão: — «Curioso amuleto composto de siiut- 

imuf}, meia lua o coraçiLo; deve ser de ferro ou açu e Iraz-so 



* I>ltTIONNA1K8 DB L\ I.ASOrE |-K*\-^AI8B, Paris. 1831. 

* O. Vintfi, Ktiinohkapuia AiURAXTiXk, A Cuv«, ■» FurtagnlíA, 
t, p. 9tí. 



'S6 



AjKUtitaé mt» Tjitifíníirii)<t IWluifueiux 



ao pescoço para jvreservar de ataqucts epilépticos» — '. *Jucre 
dÍ7^r • guiirui^'uo couipleta''. 

Armado, indicando • vestido de annadura», UBava-«« dant«s 
nSo só com relafão iis pessoas, mas taiahéin aos i-aviilns, rí»f- 
respoDdendo iiesle caso ao qne em IVaiicôs se dizia banh':— 
• E saíram logo delles quatrocentos de cavalo em cavalos ar 
madoâ > — '. 

Armar uo sentido do rrancés mottter, que moderaniBfirtP 
por galicismo se traduz pur »u>?itor. significa < dispor v ligar ai 
peyas de um qualquer maquiniamo (por exemplo), de mtmein 
que fiquem todas conjugadas e no seu lugar». 



armazém 

O ]>ovo diz ahnoiém, e diz bem, mas já não è tempo de : 
mediar a emenda falsa. Oa nossos autores antigos escrevenm 
sempre ulnui£vm. como, por exemplo, Rui de Pina; — 'foi Oh 
viar-llio [a*> iufoute Doiu Pedro! Kl-rei [Dom Afonso v) com muita 
estreiteza requerer entrega das armas do seu almazem* — '. 

Este passo do cronista patenteia claramente a inHuóneia exer 
cida pelo vocábulo arma na deturpação da palavra almazem. 

Blnteau, conquanto já rejiste armazóm, forma preferida pelos 
lecsicógrafos modernos, dá a primaua íi antiga forma, que é ainda 
hoje a castelhana, alnuic^n. do árabe AL-uanzaN. ou AL-uanzanc \ 
do qual os franceses tiraram tambt^m o seu v\agttzin, com su- 
presHJio do artigo au â palavra árabe significa • (casa de) arr» 
cadaçíLo», e é um substantivo verbal, correspondente ã nocia 
terminação -ouro, isto ê, designa o lugar oude se exerce 



1 PORTUOALIA. 1. p. OOÍ. 

» Uai dí! Piítt, CaòxiCA PB F.i^RRi Dom Afokso v, c»p. cxll 

* I;RÓNI0A DB EL-RBI Uom AkOSSO T. CI1[*. xotv. 

* o y c triuistiteroçilo dA •>.* letrA do Abec«:IárÍo Ar&bieo, equirAloate uj 
^ C3b1«Ui»ii>> actual. 



*c(io eipre^sa pelo vt>rbo de <|iie deríra, convém saber, >mz:iv;t, 

Xíffl pode diirid.ir-sú de que a fornia armazém sofreu a 

áflurtich do vocábulo arma, visto que, se iia palavra anjnhi 

o Jrtieo arãbicn al está representado jwr ar. é porque houve 

dksimilaçÂo do / da liltima sílaba: cf. o sufícso ai, como em 

'ociai que passa a ar. quaudo no radical há /; ex.: regutur, 

, di:isitDÍliiçào que Já se dava em latim. 

O fi da palavr» Árabe, qne por ser tíual passara em português 

UAâaJizar a vopil que o precedia, reaparece QO verbo armazenar, 

)iuo a<TODtece em vintena comparado com vintém, em njarâinar 

Mitpamdo eoni jardim. 

A etimolojia de almazêm foi já apontada por João de Sousâ *. 



aro 



Na Ileira-Alta, e Alto-Minbo ú o nome que se dá ao ciuto 
[ue circunda e uperta os queijos discoides, e que no sul se chama 
cincho • '. 

arrasta, arrastador 

rÒTo DiccioxiRin rejista o primeiro destes rocibalos duas 

(«eoes, a primeira do corpo da obi-a, com a si|;niticaçâo de «zorra*, 
boaio termo transmontano, a segunda no Suplemento, como pala- 
vra do Kilfa-Tejo. signiticaudo a — «corda com que se laçam os 
1>ois pelas bastes >. V. corda. 

U segundo destes vocábulos aáo vem. que eu saiba, especial- 
\m\it consignado em nenhum dicionário, e não obstante isso, 
lesiva êle na ilha da Madeira o «ascensor*. 

É evidente qne, tanto uma como a nutra palavra, se derivam 



* VnsTKíiofl DA usnoA arabiOa km pORTUojiL, Lisbou, 1830. 
3 Rbvuta uvsxtaxa. n, p. ^. 



8d 



Ap»*lÍÍ<i» itoa IHrivnários FtiriHffHrfr^ 



do verbo arm-v^ar, wttdo a primeira um substantivo mni/tíú^ 
do tipo lavra \ Invrar, espera | esperar, a se{!UD(la tira mlJKCíivo 
verbal substantivado i:omo coador \ coar, atwador \ atacar, 
assentador \ asseniar^ flt-o. 

Km castelhano o verbo correâpoudente tem a forma arrat' 
trar [ rastro, e ne.sta não se deu a dissimilação quA ofteervaoM* 
nas formas portuguesas, com relação ao seu ^timo lutino ru*- 
trum; rastro em português ^ desusado. 

Numa acepção especial, filiada na mesma termioolojia, há 
em espanhol a palavra arrastradero, que se aplica ao siUo 
por onde se arrastam para fora da praça-fios-touros os aii' 
mais mortos na corrida. Como é sabido, o suticso -eru corre»- 
poude a •ouro em jiortuguês. e des^if^a o lugar onde se e^^crtc 
a acção exjiressa pelo verljo, oomo em luvadero \ lavar, port. 
lavadouro; quemadero \ quemar. port, queímatiouro \ Jii»* 
mar: abreifodeio | abrevar *dar de beber»» «abeberar», portí' 
bebedouro 1 beber. 



(de) arredio; arredar 

Esta locução adverbial, formada com a preposição df « 9 
nfijectivo arredio, pronunciado, em geral, arredio, no Contineo* 
te, o que diticulta a sua ideutificaçAo com o latim erratiaum 
(Cf. sadio, antigo saadiv { sanatiuum), tem na ilha de S. Hl' 
guel a KÍg^nifieação 'de lou^e> ^ que parece deduzida da qat 
apresenta o verbo arretlar. o qual l4>i|avia s^í nào |irõnuiicia<irr^ 
dár, mas sim arredar. 

Como em castelhano arredar se dix arredrar \ a (/- re- 
trare | retro (•'), e anedio, ao oontiirio. tom nosta Ungual 
forma radio, iucoiupativet com o mesmo étimo» é claro qn 
arrèiiio t«m Ue Beparar-se de arredar, com o qual o parentesco 
é apenas aiarente, sendo a coincidência quási absoluta de forma 



1 r. o S30L-u>, ()« 5 itc jalho Ò9 1$01. 



titias palavras arredar e arredio poram^nte casual, conver- 
do afeito (lOâ leis IVinêtionii que 0]>eraram uoà seus t!>tiinos 

lOO. 

No verbo redrar | rutrare \ rutiuin {'^), ou de retro (l-*) 

s« deu u dissimilaçiio de que ofereço exíimplo arredar, com 

irda do r do ffrupo dr [ ^, «e o étimo oferecido por Coelho ' 

lo, da que duvido. 

Km resumo. arrMio pode considerar-se coino provavelmente 

inulo de erraLinum. o que é corroborado pelo castelbano 

Uu jrf. mlrírada ftor tnitrarado). e de todo iadepeiidtíiite 

arredar, arredrar, que |M>de «er desenvolviíiieuto de re- 

reiterure, sondo nest^ caso r^c/ra um substantivo vorbal. 



arredoi*es 

f^palavra tem no Algarve (Li^os jielo menos) uma acep- 

especjal, que juWo ufio estar consiinia'la dos uossos dicioná- 

I. mas que vemos perfeitameute definida no seguiute trecho: 

A mc>ia altura d'ellas [mós] ba moa travessa d'uns quatro 

1m do larifo, a rodeai as. excepto no sitio era que calie a fari- 

cbamam-lhe os arredores » — -, 



arrelicas, arreliquias 

A sepmda dentas duas fonuaa populares, a par da cultu re- 
^uiaf0/. e que parece lievida a se liaver soldado a esta o aitigo 
• (d. arraia f. é assim aduzida r>or J. Leite de Vasconcelos: — 
^ moderna tradição portuguesa DcIo conheço amuleto algum 



' l>ica Mas. Etvm. oa LiJtorA roRTCOfOEA. 

' J. N^aei, í\>ftTL*»Ea AUOAEVionrOd moinhos. íd F^rtagalia. t, 

.340. 



90 



Apv*tita» Oiju» DicÍ'iH'irí'Hi Pnrtn'/»fitr» 



craniano; apenas tem roga as aryequias dos ossos de 
traxidas em saquhUiog ao i>escoço» — *. 

A primeira, redução do esdrúxulo a vocábulo p:v 
(cf. j)ovo, aut pôi^oo 1 populum. bratuí { barbarum) c^. 
uida. em sentido uiaís especial, ao seguinte passo: — • As asbeu-J 
OAS. Um pequeno objMto de prata, em que estilo proi 
mente representadas a meia-lua. a figa. o signo-sámâo. • 
a chave, a argola, tudo encimado pela effigíe de Nos^ 
ra* — *. 

A escrita ultra-etiuiol('>jica nii/tut^iinmáo não deve iludir quá'| 
quer pessoa que coubera a demimiiiaçân dos dois triângulos cot 
binados, o peytiãtfuno. a qual si* pronuncia gÍHi>-sú(i)vMo. u ((«j 
procede do latim stguum Salowouis, o que é sabido. Coaw] 
ninguém escreve sim). shwUt. sineiro, com g Dulo, por U 
cbamo Aquela escrita uHra-eliinolújica. 

A palavra uneliquias. atrelieas é semi-erudita, visto que 
manteve nela o q latino: cf. águia \ aquíla. 

arreneija, greve, grevista 

O vocábulo francês grh^e toinon Já foros de cidade em I'or- 
togai, o que nilo é de estraubar. {mis o costumei bom ou nuB, 
conforme o conceito ou o interesse de cada luu. e ciua crttiti| 
não seria apropri»da nesta simples resenba Aq palavras e loco- 
ções, o costume, digo, veio de fora, e por emquanto ainda netiSO 
enraizou cá. Esta lonna de protesto colectivo e soUdário, a qiK 
os franceses cbamaram greve, do nome de uma praça, a de Gfèvt^ 
onde se reuniam os ganhões que vinham ajustar-se para trabalhar, 
denomina-se hitclgtt, < folga > e pare. ■parajem-, em Kspauhu. ^ 
cá poderia cbamar-se {as)9ueto '. A palatTa greve, porém, tftáj 



1 Portugal pae-aiitToKiuo, p. Ud. 

1 1'ortagftlia, i, p. tílfí. 

> — <N'a quATlii-feini [depoú da Páscoa) que alijam lutai < 
vam dia di* Hm-tu oo anaueto. cotna eoUu «e dixia» — . Autúnio de 
LuiB DB {.'íMÒBS. m *0 Sccul4> de 10 de julho de IdÚO. 



ApoulUa» ao» DidoriAritm Portu^ueae» 



Hl 



{•t^rleita concordância formal com outras, como neve, breve, 
ve. e Dão há pois motivo, pura u nítt^'itar. Sucetleu-ltie como a 
itro vocábulo também fraacês, mort/ue, que. pela suu forma sim- 
lee e fácil de proferir e de conserviír nn memóri», uiiiica popnlar- 
ite será sub.slituida pelo longuíssimo neerofj^rio, apesar de 
tue Tl fxLitiMicia de renxit^riu podt^ria favorecer a a(toi)^-ã<i. 

Úulro vocábulo castelhano para designar suetu. om folga, mal 

|ue iiâo Tem reji.stado uo Dicionário da Academia Hspauliola, é 

diurna, abonado pelo trecho seguinte, aiuda que {Kii-tugués: — 

Era o quu faltava, perdercm-se as horas de buona a compor a 

iba. — '. 

Tudo isto vem. ou niio. a prop<!«ito de um sentido pnrticu- 
láirisisimo, um tauto calão, em que vimos empregado o substantivo 
rerbal arrenega \ arrenegar, corresiwndent* [mpular, mas tam- 
rlassico do verlw renegar, usado, por ei«inpIo, na obra do 
Ire Ântouio 1'ardim, Batauia» da Companhia de Jiauâ ma 

*B0V1NCIA DO Ja1'Í0 •. 

Esse sentido particular induz-se do seguinte trecho: — <Gou- 
tnM dias anda u ^onie na arrenega, e não trabalha > — \ 

Híttá aqui o vt>cábulo, nu ucep^fio de «folga» ou 'folganya». 

É sabido que arrenegar-se tem ua linguajem familiar o si- 

icodo de 'zangiir-se>, e que uma pcseoa arrenegada, é 

Lt *\Q9 facilmente se irrita, que mostra mau modo, a quem 

fraitceties cham»m òourru, e os ingleses atnianierous. 



arribas 

C-onqnauto muito usado este vocábulo, no plural [cf. riba e 
fftrjríiia], no sentido de • fragas à heirti-mar», correspondente per- 



1 ETMXfmRAi'HiA i>o Alto-Ai.kxtkjo, í» Portngalia, i, p. ^2, 

' U»b*>K ISOi, p. C4. 

1 O Dia. de 90 de março da iíntS. 



fetto (lo fnuicé« falaiffes, oâo o ri aíDda rejistado. em taJ 
yilu rvntriU. 6m neobum 'liríoiiário portuj^cs. 

Umí df'*iitti («riiio. pani traduzir falavsm. nas uotaa á Sicijoni 
a ArroBKfl KRANcesRH *, a p. 148. 



anilhada 

Kofi ni(>iis a|>ontiinii>iiiO!i. mas 84;m alxjtiayão, ti>uhn 
liiiUi, líimio usiulo em Mouttjinor-o-Novo, com a sigiiU^ 
• bico de Terro da apiiniada>. 

NHò a^Uy cotisi^iudo nos dicionários portuffiieses. que i'U lijiili». 
Utmi tiiinpoiico em outra acvpçilo. usada, como me ÍDronua 
c>dÍtor dCslo tralifilho, desde Cezirabra até a Nazaré. K 
espécie de raspador composto de ferro trianfrular. de nm 
d4> ooniprimonto, ruja base (^ o gurae. e em cujo vértice seg 
uni ciilw lie madeira: siTie para arrancar da rocha a 
011 minhoca de água salpida. Serve para isco a serrada. 



làjuò, arriívà, arríoj; arriol 

K tvfwin dMtas fomas é definida w» Xòvn Di. 
coiM 9tpiUlcuido~«pedríDK)i ndiaÉi <«< 
gn»; p»lo<n» d» awalMii*.— Xo S uiI mí i d _ __._ ^ 
otHWiri^ dit~«w wr — «jA^ d« npoas omi a pedn d» 
MOM * — , «^«tvslMdtt fMtaait» •• cili4ft ^ y tr ju r. 

i*w»* • «NMM diaiaári» di têaMa a In» 

k * tmatÇÊíÊÊ/mÊmim a «tctte am*j 4n* ws 
MC OteM» 4* IICWÉvi» abaM «i a» t«cAM 



«>S-fc 



Ajtottitas ftoê tOrionàrio* Portwju&cB 



03 



ítooo arábico mniti^ problemático; mus o outro, al^fiiergue. ê sem 

Íjiia Ui' Uil provenióoría. 
||(jna] « purêiD a oríjeiu de atTÍ4, arrióf, o« arriol. e qual 
ni primitivo si>;TiÍfiratlo. ihhs rpm<is qim tiem tríís: • [«íJra 
Mtt-, 'jM-loiiro (lie pedra) para arcabuz», e um «jOíio em 
pM figura uma {ledni como eleinonto > ? 

V.v<« perfcitauieiit^ quft o dííSíiiivoIvimi-iíUt iIp sjgnitieavuo da 
inmiu»a • in^-Jra esft-rica • poderia tcr-!!y dado, por uma parle 
k]ilkiui<lo o rocábubi u quulquer ]*ei|ra lodooda. ou arrcdouduita, 
Mr «Dtra deumuiDando o jdgo pdo iu^trumeuio dele, como di2^ 

*ani II :: ,.'i'i do sou ótimo nSo é porém indiferente a 

n por que w desvorolreu a rii|;uitfrii^'do pHmordial desta pa- 

I Comu, pam juatifícur a a4:ep^-ão de «pedra», Dão kã nem em 
Kim. Dom cm ãrahf, nem em qnaUpier língua germânica vocá- 
mLo que poíwti apnísi^iiUir-se como orijem deste, que parece ser 
^''' ' ~' ' 1' 11. ó-inw lír.iti) pr'nMirá-lo ora outro idioma, do 
1 . _ ■ -^ baja recebido palavras, -ainda que raras, e com 

B cjtívcssc tem pnatitvel coulacto. 

" Xio rtísisto à. tentariVt df, i:omo simples Iiipútese, o coiisido- 
um d<»a pourojt vocíibulos vasc^ii^os iiue passaram a 1'ortu- 
ftsiitm como ua realiUade passou esquerdo, loriuas antigas, 
to, ettcetiaerih. eastelliaoa uquierdo, em vascoQÇ*o ez- 
j ffrti. -milO' t> tJf/HíT, «tort^^ caubo': palavra que tanto 
[|K>rUiguèa como em cust^jlbauo suhsUtuiu as autijras difõejj 
9Íniefiro \ sinistram, a primolra das quais ainda 
rm port. comn substantivo, com a sig:iiitícar;lf> de -bal- 
tbítoft ruínit • « a se^^unda om esitanliol, rom a de < desits- 
l«. Outra palavra de orijem vascon^a |>arflce ser ifualdir \ yul- 

■pwderíM)". 
tSwit« idioma pirenaico jMulra dÍ7,-se arri, que vemos no aj»»- 
Arri/ufa, prnrerleiíte de Ji^spanlia, e que lá é tainb('jn o 
de nn lugar na província de Alava (ou Álnva, como acen- 
os cu*it«I banos, ao contrário da ncentuavi'^ii oríjiual), e do 
rftjoi noií uubúrbios do Verj^aru, ViUimi, tiuermca^ t\\do n'aLà 



93 



Apotililm itú» IHctúitilria» i^Wiiyuaicã 



feito do francês falaixen. não o ri aintlit rejistiulo, eni tal 
çilo r«3triUL, em nenhum ilícioiíário porii)gtii>â. 

Uâei Ciêúk\ termo, para traduzir fataúfcs, nas Dotas á SelbcvÍ 
ns ArroBfó) v&ancbses *. a p. 148. 



anilhada 

Xos meus apontamentos, mas 3cm abonação. tenho esto v( 
bulo, como usado em Moutemor-o-Novo, com a signiíicjiyâ^ 
«bico de forro da tt^uiUiuda>. 

Xílo está consignado nos dicionários portnpiiewg. qne eu sai 
nem tampouco era outra arep^-iio, usada, i-omo me informa 
editor deste trahalbo, deiíde Cezimbra at^ a Nazaré. £ 
espécie de raspador comiKisto de ferro triangular, de um 
de comprimento, cuja base é o piuw, e em cujo viíriice se iueei 
nm cabo de madeira: serve j>ara arrancar da rocha a serre 
ou minhoca de água salgada. Serve para isco a serrada. 



arrió, arriós, arrioz, arríol 

A terceira destas formas é delínida no Noto DtcciuKji 
como significando — 'pedrinha redonda com que se jof(a o algue 
gue; pelouro di; ari.-a1>uz*. — No Suplemento ao mesmo copioso 
cionirio âi:&^ ser — «jogo de rapazes com a pedra do nif 
nome> — , equiralendo portanto ao citado aif/uety/ue. 

€omo o mesmo dicionário dá também a forma arrioi tr 
raontana, segue-se que temos aqui um caso como o de eiró» \ 
ró J areoJa, e conseguin temente a escrita arriou deve ser oi 
grafia errónea. Cândido de Figueiredo atribui ali ao vocábulo 



1 Lúbua, 1807. 



04 



ÂfMtHhí! m» DiriAtuirio» Portu^uaa 



Tascongudiís, onde tanibém se encontra o iTulical arri tn\ Âi 
la, nome de povoação naquela e na de Guipúzooa '. 

O BtificBO -fUfa de Arriaija tem valor colectivo, cquiv-ilfní 
o derivatlo a 'pedreira, ou pedrartfl. pedregal» (V. em 

nhaga). 

Se, porém, partinnnâ da hipótese que a accpçílo prirai 
haja sido «espécie de jogo*, ueãto caso ser-DOS bá inntil ir 
curar o étimo a Idioma tam cxdtico, pois o terao* nmito à 
na fonte principal do nosso rocabulário, Em casteDiauo n jdgtl 
que nos referimos deiiomín:i-se raijtiela. forma dciuiiiutiT» 
raya «risca», do latim radia, plural de radtum (cf. jinn» 
ta í pigmenta, pi. de pigraentum). e este nome procede 
traço ou risco feito no chão pelos jogadores, e que serve d» 
para a projecçAo da |>edra, arremessada cora umii pancada de 
pó, emquauto o outro está no ar. Ora, ii forma raiptela, coi 
ponde em português raiola. ou rat/ouia (cf. ientejoutu com 
tejueia. iejoh com U^jiteh), e do primeiro, raiola, com a adji 
çAn do artigo a (cf. arraia \ raia), resultaria a forma arrait 
da qual proviria arraie (cf. ahuela com avô), e pela itmdeBs 
çao do ditongo (cf. rial. arraial) an-ió. cujo plural arriôs, 
ao depois tomado como singular: [cf. eiró(s), e a forma 
2>os€s, por pôs], Hkó(s). ilhó.ifesj, (q. u.). 

Como, porí-ui, a palavra é masculina, o processo dfi 
Ção podo ainda, com menor probabilidade, ter sido o sef 
radiolum j raiolo. | raiol, J riol \ tiô. menos plausível 
que por êle se u9o poderia explicar nem o a inicial, nem 
ó alwrto (cf. avô \ auolum, PaçA \ PALATioLrai, MoiHt 
rõ ] nxonattieriolum, cora fírijô | ecelesiola). 

£m qualquer caâo a forma arrtae, com r, é ii^ustifícável. 



1 «QMf^fb 0«neim] d« EspiAs», Diocionario db todo« u» 
BUW DB EaPAJtA. Madrid. 1862. p. 20, eol. i. 



anunliar. arruíiibar. arruutiar 

foruia couveijeote íK* doia vocábulos enteiramctito dís- 

L,* arrunh/tr [ arruin/ir. 

.• arrunluir, con-eáj»OD[l«nt« ao proen^al redonhar, francês 
ter. »le ad'rotuiideare, verbo derivado de rotundum, 
>ado>. 

Teja-so Revista Lcsitasa, ii, p. 82, onde José TiCite de 
HiscoDCPloâ, eoi nota. deixou o caso perfeitamente avpri}^a(!o. 
leresc^ntando mais a forma minhota arruhihar, tetraísilabo. 
explicar arrunhar^ > atriiinhitr * , e para a qual devo tor 
rido outra forma ainda, intermédia, arnãar. 



artemajes 



pahivra, popular no Alto-Alent<»jo. vem assim defÍDida 

oâtudo de J^ da Silva Picão, intitulado FiTityor.iiAPHiA 

AuvkAxentejo *: — <São para a rapaziada fazer artemagta. 

ã<* que em calão local siguifíca exercícios gymnastícos e acro- 

Ir09 » — . 
Xo estudo de J. da Silva Picão, já por vezes citado aqui. e 
|tte se iotitnla Gthsoohaphia do Alto-Alentkjo *. vem este 
rocdbulo: — *nlk$as de madeira e alguidares de barro para os 
kssilhos' — . 

t* corrutela de artesa, que vemoa rejisiado no Contempúra- 
e QO Novo DjCQioyiaio, mal escrito eom z em vez de s. 



(aU«sa) artesa, artesão 




in Porto^alU. i,p. 543. 
ín PortugAlJa, r, p. 5S0. 




Sm castelbano. como ora pi-rlu^uês. artesa, ainda <iwf ^luu 
iiieute com pronuucíii^^iio iliversa dada ao n, qntre dizer: csávit 
de quatro faces ii^nais, que vai «streiUudú {lara o fUDdo. e 
para nmiissadoiiro do pSo. 

O étimu ê dtíicnuliec-ido, |iois o j^rego átioii que se Ibvstrih! 
Dão oferece confiança alguma. De artesa vem artesão. ft>rao ten 
de aiquiU^otura, o qual também se deve escrever com ^, 
em castelhano art^sôn. 

ariyo 

Etn Tráâ-oã-Montes é o mesmo que 'argueiro. 
Km castelhano oi-ujo é o «bagaço da nva>. 



ar voar 

Kste verbo <|uere dtr#r, conforme os dicionários 
cer«. l). Carolina Micha''^lii já lhe deu a orijem; ê o latu 
buXare. -envenenar» • com hervas>. Cf. hercar, no mesmú 
tido, por exemplo em frechas k^rvoítas. 



asada, asado 

A forma masculina deste adjectivo substantivado, como ti 
de um vaso com a«a«, já está consignada no Novo DiocioKi 
e 6 muito freqíiente no norte do reino. A forma fomenma piM 
ser usual uo Alentejo, vidio que a encontramos empre^t pi 
J. du Silva Ficáo. na KTHNfK>BAPHiA, i>o Alto-Alkstejo 'i- 
• azadas para a conorulução do leite, para a coalhada, como rt 
gaTment45 se diz» — *. 



> RbVISTA LUStTANJl, 1, p. 2'J9. 

> in Portngiilin, l, ]». MO. 



Uá aqui mais a rejistar a alKíua^^ao do termo coalhada. 
PareM quo nem asiuia, nem asado são usados uo centro do 
Bo, OQ pelo monos tmi LLsboH. 
f* Oieionárío da Academia define anatlo como 'panela com 

T4 sahido quB asa é o ansa latino e qne, a1($m do signiticado 

e, compendia tamhora o de ala, que depois de ter passado a 

Masaparece» eateirament« do u^o, visto que o latinismo ala tem 

lo muito restrito. Exemplo de aa ainda o encontramos no 

rao i>A ViAOK^r dz Vasco da Gama •: — «non tem penas 

aas» — . 



ascoitar 

^bla forma fiopiilar minhota, correspondente ft do sul escutar. 

autigs eftrHítar. e eoiiio Kítta derivada do latira aiiseul- 

é qnasi igual à f^aleipi exruitar, t|ue vemos empregada 

lii)M.'rbúlieaB, mas formosoa versos, consaf^crados por Alberto 

Ferreiro * ã CornnliA. ao avistar esta cidade: 



CKokI, qiriMi oun «abcrfA, 
— ;• Suo Pedro nou inWnite!, — 
d'MeuU«^^u V-«cu IJf rú, 
]B*«itnir n>K Crnfia ilc DoÍt« 
OH eatnr d>o cho Áe dial 



Êsie elojio íl formosa cidade galega em nada é inferior ao 
lo & risouba Orauada: 



Hixo I)ioâ á Ia Alhambra ,<r k OntDHfU, 
Por n Iti causa ua dín su iiiurada. 






DS 



Apo^Uitt» tt09 2>icionárÍot hfrt»*ffw»a 



aselha 

(!onqiiai)io este vocábulo não seja tam evidentemente 
flcininutivo de am coiuíi parece e os lecsictfgralbs modeniM •! 
alirnmm, U>m o aignitioado de «asa pe<jueua de vasUba- no trwluj 
M^niiiile ': — •Manufacturados os primeiros vasos sob a iujfiiiri-j 
çflo tioru) ou dos fructos, apodes, sem aselhas o cabos > — . 

A acepçfto qbuoI é > laçada», o que em in^^lês se diz foop,l1 
substitui a ra-fff, para se abotoar um vestido, entrando aeU i>] 
MAo. J. Cormi deriva-o de ansicula. 



asneirot asneira 

Como adjectivo quero dizer o que procede do tisTM, ■banO'] 
O "Sovo DtixiíisXnio dofíue asi^ím: — «diz-se da besta que 
cede de burro e ígiia, ou de cavallo e burra > — . NJo é e 
u duliuiyão; a verdadeira cout4.'m-se ua s^:uint« citação: ~ 
taria a nieaçio de alpiinas caudelariaa, onde se ensaiasse 
Vâo de muares asueií-as (tllhaã do cavallo e burra), muito 
rOHÍstentes a horge^ifJrneas do que as [muares] eguariças 
de burro e egoa) • — *. 

Ví-se: 1." que as bestas são muares; 2.'* que há diferonç* 
determinada peta luíle, que h quem dá o iiomt}: se á jumenUi,i 
muar 6 amieira, se ó i^guu, eijiutriça. 

.fii Bluteau mostrara bem que havia dístinv^t ^ ^^AT (júti^ 
XiuTAJM DA Gixbta: — <As bestas muares egoilifas e nf^^' 
nw» — *. 



f^sto vocábulo, ainda uilo ínrluido nos dícáonários, d assim 
definido por lleldiior da Cruz no seu interessante estudo intitii- 



1 Ruchii Peixoto. Afl uiARiAíi twrRAOO, in Portagmlin. i.pí* 

* JORSAL DAS 0>LO>'IAS, <K> U* Ji> julho dtt XVA. 

> VuCAiiiiLAUo roaTuauBZ latino, wnb r. asnbibo. 



ApoitUluM IH» Diaonárioê JPiifrtttgHate» 



m 



I caseira 4e fiação, tecelagem e tingídura de subs- 
tvitiii DO districto de Viouiia do Ca-<tello > % e onde tantos 
UrmoH se enronlram: — «A assedagem é uma operaçSo 
11 por fim pndirfitar e apnnir os íilainentos (do linlio), 
kndit u separar dViU>tj quaes(]iier stihstanclas Hí^tranhas, 
B arentof. Fa'£-se com carâtuf ou pentex. As cardas do 
em o mime psperial de setiriru»* — . 
»rúYàrolmf'i)to formado pelo autor» derivando-o natural- 
d« ií^t<i'ihtr. já dofiuido oui vArios dicionários. Asserta- 
seria talvez proforível, se asseâc^em se nao divulgou 



assobio; assobiar, sobiote 

obido que este verlx» procedo do latim ad*8ibilare, e 
hronúncia pruddminaiito ai)lc« uru av.wcmr, rom i; e uiio b, 
[i) i tutíiKi foi produzido pela íiitluéDcia da labial. 
iiibdtaitUvi} (iUfuibio, ou assovio, ora designa o acto de 
ar<, ora o Instruuieuto com o qual so produz o «as»obio> 
lo, o a que também se chama a/;r7o. em castelliano pitOp 
im desconbeoida. 

\i<4e, é nin deminuUvo do tipo caixote, fraiujunnte, ve- 
\ cm TráaHDs-Moutca é nome de um apito de metal, ou 
tóm •- 

lo&íb (fàguft, d uma espécie de ocaiioa, de barro, com a 
I imita u cauto do cuco '. 

a«sor«ar, assoreamento 

« verbo aubâtaiitivo dele derivado Bão muito usados 
laoente, ora escritos, com ss, como considero ser a verda- 



>rtaf*nlf&,l, p. 871. 

í f, aim: do rov», p. 5. 
.- L,, hA 0LAIUA9 JiOrHADO, í» PoilttgaU», li V- '^'**' 



deira ortografia, a mesmo a mú& comum, ora com f» 
quo Unho por erróaea. pois é impossível quo taitt vocúbuloT' 
Tenhiua de açor, ou de Açorei. O étimo, nilo provado, 1 1 
vivei, será a-sorear, sendo sorear uma contruc^-io de 
pois à preposição e ao prefícâo latino sub correspondia no 
guês antigo «<^, e n;lo W'. que é de iniroduçáo moderna, tili 
feita por Alexandre Herculano. 

Eis Ofiui dois exemplos, que abonam o verbo e o nome: 
• O mar não cessa de lamber a areia que forma a praia de E^] 
nlio. Nas cbaniadaâ Pedras do Urito deixou a descoberto cad 
po3, que desdo tempos tmmomoravcis se achavam assoroailos • — '• 

— «No anno de 189Õ, em poucos mezes os assoríani< 
tomaram tal incremento. . . » — *. 

No priraeií-o destes trechos, vê-se bem a significação e í pi 
veniéncia presumível da palavra. 

A hipótese de qacem assorear haja como principal elei 
a palavra areia é corroborada pelo facto de tamb<.'m fi^- •-*• 
gar a expressão <o rio está areado»; cf. o traucèd eimi 



(a)tabefe 

É um vocábulo de orijem arábica, que em portuf^iií^s Ofl 
8e diz com o artigo arábico, ora sem êle (cf. sairão e asnrtàof: 
designa, como 6 sabido, um preparado di! leite, que o PiriaoiiA- 
Bio CoNTEMpoBAKEo doscreve deste modo: — «massa fonrwd* 
por manteiga e caseína, levantada, pela addição de nm ztl^ 
àóSG de coalheira, do soro do leite que ficou depois de tB^téM 
o coalho» — . 

Na Uevista Portugália ^ está abonado o termo como u&adA 



^ O Eoo>-OjiiiiTA de 5 d« janeiro áe 1890. 

» Portagnlia, i, p. 609. 

* J. da Silm PidUi, Ethxooraphia do Altu-Aubictejo, a [>. '.>ii\ 



toLl 



AfOHtila» tio» rHtuinâriún Portnijueãa 



101 



fclentejo: — * tacho grande de cobre para o állneic« (soro) ir 

le fl produzir n atabefe» — . 

pala\Ta iilirwice, oii, segundo a forma mais usual, atme^, 
tahvm anibica, AL-Matâ, «soro de leite*, & qual a forma alen- 

p mais tiel. 

atazanar, aírnazar 

^ verbo costuma ser coi-rijido nos dicionários «ra ateimar, 
[» dr^rivado de teiias, 

} XuV(j DiccionAjiiíi. uo Suplemento, consigna a f<iriiia nt/i- 
r coroo a r^rdadeira, c »a realidade é vh a liuíca empregada 
pof*. Parece ser o árabe l\ razasalO, cnrrespoudento ao 
cchabouris do sexto maudamaiito dn dwàlogn na Viilj^ata. 
Silo ê pfiis meti^tese dt- ntcmiznr, a <|iial seria pouco presu- 
i, víitto a palavra teruu ser do domínio popular, com esta 
IX, ou Cijm a?» de tmuu. nfunaz, no singular, ou uo plural 
/€«. como 8ubí<tantÍTo, Dome do um coubucído instrumento, 
uo UM actual melhor correspondo ao francês phices, xisto 
t^natite* nesU língua qnere dizer iorqués. Todavia, como 

■■mu em divt>rAos ufioio^, rontinua tnxnz a ter os sigiiifica- 

^^■mh, que veuius em Uluteau '. 

W^têniVlifo do P«>rlo, intitulado A Revihta, de 15 do abril 
iihr, , ,,10 II, n," 10), publit^nu a insigne romanista O. Caro- 
lis de VascouiTelos um iuteressanlissimo artigo acêrCA 
taOMMta lujeiída, «m caracteres góticos mimísculos, das Capelaa 
""'" ' ! 'i ; -Ia Itatalba, infinitamente reprtida com 

■ '.*. e que tem espeixado a curiosidade o 
tçailú a sa}Ou-*idade de tantas pessoas. Nesse erudito estudo 
.'■lul ft notável escrit-ora pela interpretação tãi^aa fiereij=^ tenaz 
ri, interpretação que satisfaz completamente ao sentido, mos 
n no citplrito aiudu uns vizlumbres de dunda, pois a ser 



' THCAin^LAiiin pout. i.ati.nu. 



1(12 



ApontUaa itnit DtrionârinM Ihrtugaa^t» 



aceita, t«juos de cousiderar o s (!) final de lenas incltiiiln m 
uiicial de serey, visto que uSo é poBsírel encontrar na Itjevi» 
BiiHS que um s; aléni disto, temos de admitir que um raMOii 
símbolo se há du Íut«rpretar no primeiro vocábulo como a fi 
ção emblemática de uma tenas, e no ge^omdo pot y, seudo 
sempre Lain seinellinutes entre ú. \a realidade, a In: 
muito eugeuliosa e muito bem estabelecida; êstú aiu-i 
porénit de demonstrada a exactidão dessa leitura. O vontatt 
total do emblema e da letra seriam portanto con^poudeobdl 
conhecida divisa italiana chi dura vlnce. 

Cnmford, no curioso e ameno livro qne. com o tjtiU 
Traveis in Portugal e o pseudónimo Latouche, publicou m 
tempo, considerava a famosa Ittjenda como atiu^raniàtica, e fUh 
contrava ueia uma frase elíptica latiu», arU- Ihiei.". tlcveaila 
ler-se, portanto, para esse efeito a segunda letra como Bimda i, 
e não a como a ijuinta. 

Xo número dii cilada HiivinTA, correspondente a 15 dejiiHlo 
de 190ã voILtiU a quesUio da lejeuda a ser tratada. Unto KobéliV 
em data de lú de maio do mesmo ano oxpôs oa resultado 
da sua ia vesti f;;a^'ão, a qual. é Drça confessar, deixou bem clihnl> 
^^liticação deste enigma. 

Para o erudito investigador a Icjenda não é grega, nem lalioâ 
Dem portuguesa: é francesu, como as de todos os ínclitos is 
faiites, e nesta língua cortesã representa a divisa de El-B< 
poDi Duarte, fundador das Capelas Imperfeitas, pob mando 
dar comê^'ro às obras delas em sua vída, comê^N) que teve «te 
cuyào. A lejeuda, que priucipulmentR adorna o arr-o da cntradi 
oula^ada uos rnmos de bera que sao o motivo ]iredomintuite dj 
sua omamentafílo, mas que também so vâ om outras partM d 
mosteiro, é na sua opiniilo, difícil de refutar, o mote tan qiw seraji 
«emqiianto viver», segundo membro de outro em cuja iuterpn» 
taçílo Urito Rebelo náo foi a meu ver tam feliz, e que não mea 
cionarei aqni. Ã este resultado iiito chegou Iteb^lo por exami 
esi>ecial e detido das muitissímiis repetições da célebre lejenda 
miis sim eiu virtude da bittuni de um documento, ar4UÍ\ado ni 
TOrre do Tombo, e publicado apôs o dito estudo, o qual conjttft 



iiiiui iiiiitaçiln passada por Estêvilo Vás, cora autorimvâo do 
itp iKirn Pwlrn, a João Vasques BoraliarrHl, que exerceu o 
de copeiro da Casa Keal. « tiuha confiaila ã sira ^larda 
h;ut<*la, ruja ilesrrÍ\'ào consta do mesmo doouniunlo. 
90 Dis rãriaâ peyas da dita baixela, além do^ ornatos e lavores 
íncir-sa monte descritos, estava gravada a diWsa francesa de 
Unart^ tftm qtte s&rny. tan que serey. com diversas orto- 
Sas, compara Rebelo ossa divisa com a lejenda, e conclui 
em ídiMitlros os dois letreiros. 

Conquanto [Kire^a completamento explicada com esta aprosai- 
a lojtíndu da Batiilliu, em um aviso ciiatlo no indicado 
da Ukvwta promet«u-se que o conhecido crítico de 
Joaquim de Vascimccdos responderia ao artigo de que fiz 
exU^naa e bem merecida menção. 



atnado 

J. Leite de Vasconcelos, no vol. ir da Kevista Lusitana 
}• ti. dá H\a rocábalo alentejano como derivado de attenua- 
Um J attenunre j teunis. K provável que a forma antiga 

augueiro, ag^íieiro 

i Ibrma correcta d sem dúvida a segunda, mas a primeira, 
retruc^asAo do u do 'ja para a primeira silaba, formando 
)go cora n, é a local popular:— «Accessoriamente oa oleiros 
regiões [Trás-os- Montes, e Minho} disp4>em ainda d'um 
9, pote já inutilizado, com a ^ua de que carecem fre- 
no trabalho» — '. 



' Rttdtt Prilotn, KonilKVirBSOlA UA PRIMITIVA RODA DM OLimO 

lAnvnAb, in PortQf^AliA, II, j>. 76. 



](M 



ZKVíowírio» iVfwiTiMMf 



arelar: areia 



Palavra qae muitos dicioDirios dSo como vprbo. siçnifi 
engelhar, e Denham como sabstantivo comoni, poU como 
prio é bem conhecido o apelido, que deriva de Airiar, 
de uma vila. de três loi^res. de um ca»il e de uuu qul 
Ora avelar, c^mo substantiro comam,^gQÍ6ca, k imitai 
avellanar castelhano, que também é MBominafão de vim 
um sítio plantado de aveleiras, e dai prorieram 46 xmmm 
povoações ou sítios referidos. 

O verbo avelar deriva igualmente de avelã (avelariar), 
negrejar \ cereja, e é parelho do verbo avellanar ca--telli 
que também qaere dizer 'eugelfa^ir. secar, como a avelã 
outra parte. aveUi português. avtUana castelhano silo o I 
auellana, ou abellana, adjectivo derivado do nome àn 
de Aliella. ou Avella, e já 03 romanos diamnvam nn fruiu í 
aveleim nui avellnrtn. por o re(*el>erem duqiifl'i eidadf <1j <.'iuB- 
páuíii. 

O veriM) avelar, querendo dizer <tnelar>, vémo-lo ei 
neste trecho: — 'As uvas, como a chuva chegou As t ^ 
cepas, avellaram e. . . apodrecem » — '. 

Cstâ, pois, aqui uum souUdo absolutamente oposto i^qn^f 
em que geralmente se emprega, isto 1^, «encolher por bitu >Ib 
umidwle». 

Neste último HÍguificudo usam na ilha de Sara Miguel o r«riMt 
azotujar, aplicando-o à fruta que começa a apodrecer '. 

O Nòvu D1CU10NÍ.B10 inclui o vocábulo avela como l..ií - 
índia» com o signíâcado de «arroz torrado*. Nada tem, contudo 



i Joio MarJH Baptista, CaoitnoKAeHiA SlounitXA i»(» iiai*» ^'^ 
PORTUHAI., vol. VI, Lixlxui. 1873. 

» O SBCinxt, Jo 2h de setíanbm ilc IflOl. 
» F. O Sbuulo. ilc 5 d« julho de líHJl. 



termo rom o verbo avel/ir, poU é palavm malabar, como so 
ira n» Kbvista Lcsitaha, vi, páj. 77 '. 

uvontar 

[AlAn das ràrías acepções, quer naturais, quer tígnrailos, jA 
lu U08 dicionArios, cumpre acrescentar » de «botar fora*, 

* 

arergoar 

No Novo I)iccTos\iiio vem inclnido Psto verbo, muito ex- 

itTo, dí>rivado de ver})ào, que o CoNTEMponwBo dotine uos 

prguintí^: — 'vertfa iitrossa // Marca ou vinco resultaote 

«ma lançada forto e sobretudo da que é dada com vara ou 

I» — . A orijem dn vocábulo é evidentemente verga, do 

ír|!a. Modeniarneutíí. eucotitnunos o verlw atmtftmr, na 

luçio ilt* um runto nSio líei de que autor, nem em que 

«Kcriitt. e que em folhetim foi publicado no excelente 

li^idicM tM*u)auii1 portuense LÍAZFrr\^ dah Au>tUAs; iulitula-se 

In horroreH da Sibéria». O treclio é as^ini: — *los cavalos] 

i-ii)t'^.irauiHie DUma corrida furibunda, soltando de quando 

roucos reliuclios, arrancadoa pêlo chicote que lliea 

■ 1 K" j • *t oa poilerosa;. ancas » — . 

Norte sentido ouvi eu empregar outro verbo muito pitoresco, 

toUjído no Novo ])ioo., carJenr, Ouvi eata expressão, há 

itioí*, a um citcbeiro <Ie ililíji^ncia, iudo de jornada 

^ . Lia a Na/uirt\ Hi-paratido eu nuns vlueoa que os 

Omrroíi lho cbumava êle) tiubam no pêlo, pruguntei-lhe 

que aquilii era; ao que me respondeu: teãtão cardeadoti do 



nin-Q ijmo-puRTVaufes pb Ooa, pur Uuosenhor Scliutiiln Ro- 



10'! 



.■l;i<MfUa9 ito» DlfitmAriõ» Pi>i'tugUtíie» 



Aqui O verbo carâear tem exãctametilf i) mesmo ^a^i 
averffoat-, isto é, «vincar», e a primeira acepção dere ttfl 
«fazer uíídoa uegra», vist-o que o adjectivo cârtlea 
«arroixado, deiicgndo>, correspoudeudo ao cAstt^lhono 
corao o vemos empregado pov Kspronceda no Diablo 

È de notar também que a palavra roixo, que ant«:s 9| 
cava « encarnado >, hoje 6 pelo povo muito Iwm aj»lirada 
que os franceses chamam vwl-et, e que por cá se t4»iuit cm 
medar com violeta, sem se atender a que a forma popular' 
o nome da flor é viola, e oiio violeta. 

Sentido análogo e opposivSo semelhante k expressada por 
pronceíla nos vcrsios do Canto a Teresa, no Diabu) Mixdot 
que acima cít«.i, vêmo-lo entre a palavra roíã^o e a locução 
He rosa, nos seguintes do canto iv do Dom Jaime, de Toi 
Ribeiro: 

Que is tuna Ciccs niimosu 
Combui<lM do marUiin 
C»brir.tm frcãcora e rosai 
As roix.iH tiiitiix do lírio! 

Com o significado de vertjâo. exisíio o substantivo cn/ 
O adjectivo roico, corao designando côr mais escura qi 
encarnada, é muito usado em português, por ex.: foixo-Hf 
roixo-rei, roico-tetra. roixo-Uinica, ele, 

Beferi-me à traduçáo de um conto, e aproveilaroi o fnsíjoj 
para algumas observaçOes a este respeito. Disse que essa traduçi* 
ó esmerada, direi igualmente que nem sempre é felix; assim 
ireebo que citei, furthuuiití seria com vantajfni substiLuida 
furiosa, louca, deaordenaãa. como ancait poftstmtfs é preferida , 
a poderosas atica?. Acrescentarei ainda: O sistema de 



* Cuanilii ytk nu color taa Iubioit roJM 
En cárdfmoi raatiws eatubÍAb:ui; 

Quando j& doa tvfls UIiíds d rubor 
ISn niizA e negra C'*>r w tnajuiiotUtaj 



^tado na Gázktjl das Au>EiÀfi é o do Cândido do Figuei- 

fuDvt^ saber: todos os esdnixulos. todos os agudos torini- 

em Topil e os vncíttinlos enteiros terminados era consoante 

ini-9u grAfiriíiiiente: além disto e b o fechados são sempre 

1m mm o circnnHecso, para se diferençarem de e a o 

I. Pddto isto, parece que alguns dos vocábulos russos en- 

na des4^rí;'iio deveriam ser marcmlos oesta conformí- 

nus dAd o sáo: tsbá, e não iifha, é a cabana dos raiiipo- 

ruMos, ãu^ e níto litUfa, é em nisso «aroo», « aplica-ee 

^Hí em que, por cima da cabeça do cavalo, se dependura 

t^mpuinba. Semelhantemente, Fedirr como ostá oiícrito pa- 

consa muito feia; isto nem é russo, nem português: em 

dh-M FiMor^ e em português Teodoro, Na mesma narra- 

jcharatuifl ao c^cbeiro ^Vm^-ír/ií-. vf>piÍbulo que não existe em 

i; rochpiro diz-sw íamarrlnl; tjiie se pronuncia ièinfyichí- 

9 assim várias outras palavras. 

XAo se cuide, p^^n^m, que bto envolva grande censura; ao 
riu: silo pe()ucuos desprimores numa versão (pje é por 
primorosa, e SLMupre feita com o maior escrnptilo, e vasto 
Ittctmenttí das riquezas do nosso idioma, bom como aproveita- 
lo ducreto e al>undunte das suas rití^rcsas propriedades de 
lo; M assim uáo fos^e, nem mereceria a peua fazer mea- 
laqui da versão a que me roãro. 



azeite, azeitona, azettoneira 



lavras, ovjdentemenle relacionadas, riiíurani entre os 

Inicoâ unicamente nas duas da Península ilisjiánioa, 

rlhanat e a gale^aportugoeea. SHo arábicas, si^iAcaudo a 

íwa, AL-zarr, o mesmo qae em portut^uês, e a sei^nnda, 

uíTK, tanto o fruto, azeilmia. em Ciístelhano accituna, 

a árvore, que por singularidade tem, no portu^u^s o//- 

w, no castelhano oííco, orijem latina, oliva, que quere diser 

ito. Nâo sei se jamais àquela se rbamou tireitonrira, em 

elliano atciUuio, como seria de esj>erar. 



lOd 



ApostitoM aox Díciontirio* Portu^ttuaitit 



Outro enijirêiío da palavm azeitotta è ser .Doiuf do 
vore tia Afriíu |K>ri:Uf,nie!íiU b(>a pani c«niilruçrie-s de pbi 
Tado, que chega ás ve^es a 25 e a 30 metros de altura *. 

Coni relaçSo aos rocáimloa azeite v n^eítntM diz Alborto^ 
paio. Da sua erudita e curiosa monogratiu. intitulada .Vs 
DO NoBTK DK PoBTUGAL * O 80guiut«: — « admítUndo- 
aseite, sendo um termo especial, nilo hó tomou óleo fo 
nina palavra genérica, mas ajudou lambem a sustentar 
na» — . 

An nome da vila de Aseiiâo, dá Jojlo de Sousa a mi 
jem. 

Azeite em portuj^uèa tem emprt^go maia rvstrito do que 
caatelhauo, pois apenas se aplica ao de oliveira, ao de 
ffueira e ao de jieijre. entanto que em castelliano. não sd se 
aceite df hígadot de biicitiao, «iJleo de fígado de bacalhan< 
mas tambt^m se aplica a muitos outros óleos. 

Um adjectivo deriva-lo de azeitona, azeitotuido, serve 
qualificar citIos peros-camoeses muit« lustrosos, que teem 
casca uma uiutu-ha. maior ou menor, mais escura, que n& ri 
dade parece de <tleo, e com esta acep^ílo particulaiis^ma 
está este adjectivo reji^tado nos dicionários iiortu^ueses. 

O derivado ascifoneira, aseiioixeiro, prato paru azeit 
já foi inscrito em vários dicionários. 

De orijem arábica do mesmo mo^lo parece ser a palavra qn 
designa a oliveira brava zaifíhujo ou znntbujeiro, era poi 
EaNDUO, acehurhe cm c4istel)iano, uude tem a mais o artigo 
que também vemos no nome de vila de Asambi{ja. ao passo qa 
em zambujal, azambujal ae Ibe acrescentou o su6cso c.ilectíT 
-ai, como em laranjal, pinlial, etc. Dozy ^ põe era dúvida qi 
zaNDUo. ou iUj-za.VDt'aB, azzembuja, que vem em Pedro de 



>^ V, o EonNouisTA. d? 5 de agnsto de 1983. 

> 0l/)4SAIKB DUa MDT3 BSPAHMOLB BT PORTUGAIS DARI 
t>*ABABEI, I.ciíU, I8<J'Í. 



/tjNw/iV/i* luta Iftrmuitnox Purhtf/Hesai 



10.1 



^t-aliulo arábico. opinaQdo sor anUsít horbero arabizado, 

tax j Y.uiguas ' reíuta, atribuiiidívllje, a • contnirioi 

étimo o latim ac«rhus, o que é euteir&meiite infundado. 

Iti •'te iindíislíi, de <,'rar]de competência uo sou campo 

Jí.:i: ,.: ', a nuuhuma niitoridarle tem jus como romanista, 

o demonstrou Unias as vezes que a etimolojias latinas se 
tríu. 

JoAo de Sousa * dou a lambujo romo <ítimo o arábico já 
to, e o Dicionário da Ãcailemia le£ o mesino. 

azeviuho 

No Tramagal esta palarra desí^^ua uma casta de uva muito 
BAda, qae nuaca chega a amadurecei-. 

Xa língua comnm é o nome de um arhusw, e como t-al está. 
ciuido em todos os dicionários. É uma forma deminntiva, ou 
\\u antes adjectival, corrcspondeate a a^evo. de que derivou o 

16 de lugar Azevedo, e deste o apelido conhecido. 

P. Adolfo Coelho, JiUio Cornu e outros dão como étimo de 
í, em castelhano acebo. o latim aquifolium. como tre^o 

trifolíum. É força porém confessar que, se pelo que respeita 
UxiDÍiiavito -r(t) já é difícil de explicar satisfatííriamentí? a trana- 
io de folium. ó a bem di%r insuirenlvel a dificuldade 
\k apresenta o jirímeiro componente aqaí-, paia dele provir 

'-, ioe-, e aeebo, azevo : 

Pam vir •!« lá »té cá 
Hailoa muito no caiDinlia K 



^ GluB&KIU DB VOCRH IMf AÃOLAS DIS ORiaB.N UHIUNTAl*, (íniiiiãa, 

vasTiotoa DA i.iNnr>A arabioa rm Portitoai^ Lisbot, IttSU 
1 Al£ut« TÍúiil d'(qu»s San» itouU:, 
Mais il faut iítuuit aiusí, 
QaVn vennnt âe lá ju»(iu*i(u, 
II a btcn chongé snr la niat^. 



no 



Apmiiifx u-iH Kciímfhivt ^Víu^rme* 



azinhaga 

Os nossos etimóliífifos àCio como orijein dòsie vocjthiji"> uí 
pomo únibe, <iue foi primeiro proposto por Jo^o de Sousa ' 
crevendo porém Ázenhaga, sem por ísbo todavia pretender ql 
tenlia algiiiita cousa qii« ver com azenha (q, v.). Diz mr a 
vra portu(,'ui,'sa currutela de uma forma aráhica Ai.-zaNgB, qoí 
tra:i!4crevK Aszancha. e relaciona com uma raie vt^rhal za^i 
'apertar, estreitar*. Os mais dicionários, a começar uo da' 
demia, límitaram-se a copiar o iHimo, com eh e tudo. ítem 
mais razoes do seu dito, nem da mudança de símbolo na 
criçáo. 

Oní. em português exist« um nome de árvore muito crnT 
eido, azinho, em castelbauo enchia, que tem por orijem ui 
adjectivo ilieinum, derivado de ilex. em latim com a mt 
siguiticaçílo. Júlio Coreu dá êsae adjectivo como étimo do 
tiiguC'3 nzhiha. e D. Carolina Michaêlis de Vasconcelos * pel 
esta opiniílo, que me pare<e irrefutável. Ka forma castelhana^ 
está pelo l da diçáo latina. 

Temos pois era português as formas asinha, para o 
para a árvore, iisiníio, azinheira, esta última derivada es 
Bulicso -eira, multo tiaual para designar árvores, arbustos, 
como era castanheiro, a par de castanho, casfaníta, pinhei 
de pinho, pinha, etc. É sabido quo em caâtelbano ae designa 
gerul pela terminação -o a ár\ore, e pela terroinaçáo -a o trato,] 
por ei.: naranjo e naranja, mamano e muimana. 

Hesta averiguar se azinhaga poderá ser um derivado í«l 
azinha, ou asiniu), que primeiro designasse um caminho por] 
entre azinhos, e ao depois tomasse o sentido menos especial •!< 
«caminho estreito entre árvores >, e mais genérico atada, âíj 
«caminho estreito», como aconteceu com alameda, qne puimei 



I VbsTIOCOS da UNGOA ARiBlOA IBM PORTCGAL, LísbOA, 1330. 

> Rhtlsta Lusitana, iii, p. 1S6. 



)a «rua de álamos», d«poÍs <rua de ár^Dres*, e por fim 
rua*, «010 camiiilio», o fr. ttliée. 

roíuu &e bã de explicar o auficso -atfa? Nfio exiâte êle 

uenlium vocábulo portuguèa derivado, pois mesmo em 

{q. V.) é priínitifo. Creio ser o salícso vasconço -figa, 

colectivo, e também se aplica a arvoredo, como em ííí«í- 

freisRal>, [ Ut;nr, «freixo», Arteaga, J arte < azinho ', 

de lugarejo na provjucia de Navarra. 

Arriaga a v. arriol. 

iga, como Asinhal e Azinhais, tij;;iii3 abuudaule- 
na topoiíÍQiia iH>rtugiit'sa, onde mm dúvida mio i\\m o 
dizi^r •i.amiiibo», mus sim aziniial. 



babará 

Jfftro DíCCiOffAKto consipia est« palavra como desusada, 
^a aigojljcayâi) do < rebate, avisa di« que há ladrões nu vizi- 
L', « declara — que é termo asiático, o que é muito vago, 
V Iht' d»'-ii-<)brir o étiiiw. 

lauMiihor St>ba:itiáo ICodulfo Da!^ado, no seu estudo sAbre o 

pfDo-poHTLTouÉs DE GoA ínsorc O tertuo como goeuso 

a Mguiiite dvliui^^Au:— «grito emittido batendo na bocca 

\% palma da milo; rebate (hob em k[oacauiJ. — l>o k[oucaml 

ní, TOdlatáTo] do bãbà', Imeuino] — . 

rej»w cucuiada. 



bubiruça, babirussa 



it» |>alavra, que o Contem por a^neo escreve err<1uearaunte 
um só A e maudu pronunciar hábiniza, com maior erro 
pa, é direct4meDt44 tirada do Francês. Â palavra é malaia, 
st» de hábi «porco», e nma (pron. rúra), «veado». Pode- 
íra «Bi-ri-vcr-fl»' í-ni português com ss, babirussa. 



113 



Ziinnnirio^ Pi}finffttr*eê 



liacalliuu: bacalhaus, bacalboeíro, bucalboa; badejo 



Uá p^rto de trínta anoB D. Carolina Michii<^lis de V 
los * identiftcoii esta palarra. em i^astelliaao bacfitlíin e Ai 
com o latim artUicial bacõalaureua e o franrès 
derivado de bnccalarius, e do qual piocedera tanto o 
lhano hm-hUler, como o português fNtcIutrel: cf. a Corma 
chançjirel [ chancelisr, o que hoje se diz fhaneeler, 

A aiilicaçio de um termo com a ftigniHco^ilo de 
a denominar um peixe iião é caso úuico, pois o mesmo 
chama também (a)b<i^e}o, palavra que é um demmutiTO 
lhano de abiid, < abade-, o foram sem dú\ida os trajes 
e deste que determinaram as denomina^*ões: cf. l ■'' 
ima, «a veste do abade*. Temos ainda outra din i 
Ioga em peixe-fraàe; e com reUçio a aves, o francês ntoi\ 
■ pardul*, deminutivo de nviine, <monje>, obedece ft 
supasta semelhança com o tn^e, como acontece igualmeotoi 
as denomlnaçiies portuguesas dtí aves, cardeal, viuva, etc. 

Outro nome do bacalhau em espanhol é curadilh. e a 
expressão dà a ilustre romanista (ih.} como étimo o > ' ' 
cura, * padre». Todavia, runulillo não é mais que o *. 
de curtuh, parlícipio passivo de curar, < conservar por roeid i 
fumo, sal, expítóit/ío ao sol • etc, partiripio que se adjertifo» 
ao dejuis se substantivou, como ucouteceu a pescada, pavúà 
jiencadinlia, que provêem do verbo pescar. 

Como em holandês a palavra que denomina aquele poiíe 
kabtiljaumv (pron. cabeliáu), supuseram alguns que o rocábiili 
português ou castelhano fosse o bultuidês, com metátese dud du 
primeiras sílabas; é porém jtrovável que, ao contrário. m\% 
holandês que sofreu a metát«su. derivando-ae portanto das fonnl 
peuiusulures, e com tanto maia raxâo, quanto é certo havcre 
06 espanhóis e os portugueses conhecido o dito peixe e % 



tsTrpioN xim RouAKifiOiíBir WoRTscuófrvKO, Lff $111, Iffiii.p. I 



ApottUtM ao9 Dicionârúa 



113 



ids ante* dos holandeses, devendo-se ter ainda em ateuçito 
o vocábulo faolimdÔB, desusadamente extenso para ser pruni- 
beata lÍDgtia, também se não pode decompor em elementos 
âcativoft. 

ÀtXré * referí^e a esta palavra nos seguinies termos: — 
mXAU (kabníú. II mouiUé) ou cabliai; (IcablíA) íf. m. Kom 
dttus les marcliés h la morue fraUOift. . . Etym. Wallon 
r, oaíQurois atboiMU, boU. kabeljaauw, dírivó par rcnvor- 
nt de hacailttha, nom basque de la morue, d'oU Tespagnol 
íffo et le tíamand bakkeljau*—. 
Poi isto, poQco mais oa menos, traduzido do quo a respeito 
)ahliau dissera Frederica) Diex no Oicinuário etimolójico das 
roroÂnicas. Dom Hafael de Bliiteau ^ porém, já muito 
(VÍ^ra o seguinte: — «Peiíe do msir sept4JDtriooal da 
ue os biscainfaos derâo o nome, quando o trouxerão 
ropa. . . Hacalhao, e Badejo sâo o mesmo: o Bacalbao bé o 
piVm ao ar 3 secar nas partes du Am<?rtca, donde se pesca, 
jo lios Tem mais fresco ' — . É este último o que também 
Dniniuu bíirttlhtíu frpjtatl, 
Cit»i«-mr ter do contradizer Bliiteau, l>iez e Littré, com re- 
orijem vascouça do vocábulo. 
lo é que iUuteau apeuas assereroa que os biscaínbos 
fiste nome. sem afinnar que pertencesse h lin^nia 
gadas; e na realidade, êle é tam vasconço como é 
E wnáo, vejamos: a forma vusconça citada por Uttrè, 
, é simplesmente o castelhano bucaUao, coxa a forma 
iktu-, seguida do urti^ a, e u mudança do u final em b; 
10 ãe 0au, « ooule >, oh. < bom >. e a. artigo, se fa?., em rários 
çtos Uu mesmo ídionia, a sauda^-ão (/abona, por yau on a. 
«t«I». liataitau uíto é explicável em vascouvo, e mesmo 
igura ao dicionário do Vau Kya ^, nem como termo verná- 



1^ DlCnOVXURB DB LA LAKOUB rRAX^AIBE, KuA V. CAB1I.I.AU. 

'• l iittM aArt^Lu-nuN^Aiij, 1873. 



114 



AjtotíiUu floi AViíWflri» PiyriHjfHT^a 



culo, nem sequer como castelhanÍBino. Xem é de admirar: 
grande parte do Tocabnlárío vasconço cast«lhaDo é, ou OUtrO 
antigo, latbo. 

O p«ixe e o seu nome foram mencionadus por Pedro M 
de Anguiera (Angfaiera), gedgrafo italiano que viveu em & 
uo st'culo XVI e com]>^ em latim várias obras de niereriíoi 
acôrcii de vtajens. descub ri mentos e etnografia. K citado 
H. ?. Biggar, na excelente monografia em que reivindica pm 
OB portugueses a exploração marítima da úroenlãndia, 
chamada Terra do Lavrador, e a do Canadá. Intitula-se 
giiifia VoTAGiM OF THE Cabots (Cobotos, OU Galotos) JUCD 
Cobtb-Keaxs e foi publicada ua <Hevue Hispaniqae> '. Pidn 
MáKire, pois, atribui ao vocábulo bacalhau nrijem ameríc-iDa piF 
estas palavras: — «Bacallaos Cabottus ipse illas t«rras appellarilí 
«eo quod eorum pélago tantam reperorít magnorum qaorw 
«dam piscium, tvnnos emulantium sic vocatorum ab indi^eiM 
«multitudineni, ut etiam illi navi^ia iuterdum deiarderent— 
«Caboto denominou aquelas terras dos Bacalhaus, porqnenoutfi 
que as banha encontrou grandes cardimies de enormes peicl, 
parecidos com os atuns, e assim chamados pelo.s iudijenaa, 
tantos eram que estorvavam o navegar daa emharca^-ôes». — -Btggtf 
acrescenta com muita razão: — «This origiu of the word 
hardlv be correct. U is more likely that the Spauish and Po^ 
tuguese sailors gave the uame* — . 

Efectivamente, o vocábulo, com eata on outra forma pareoidl. 
nem em groeulandêa ou esquimó, nem em qualquer dos idionat 
dos índios bravos daquelas rejiões americanas se enconfcra. 

Nestes termos, náo há remédio senáo cont«nUniio-ao9 por 
emquauto com o étimo bacealaureua, há trinta anos proposto» 
como disse. 

A pala^Ta bacaihau indica ainda ura acoute usado no Brsd« 
e com esta deliniçio já se encontra no Dioc. Cohtkjípora*«Oi 
mas sem estar ai abonada. O trecho segninte apresenta a palavr* 



T. X (1903), p. 66(3. 



ccU signiticafão: — «emptmbou d bucalbau, e como íds- 
icDto da lei, fez correr o sangue (Vaquelle qne já foi seu 
lo na dettfnraça!' — *. 

Sn plural indica esta palavra um enfeito iIb caiubraia branca, 
ia nos fíiM »lo Heculo xviii pelos homens. Foi a forrna que 
dra O nome, coiuo também o «leu às casacas muito compri- 
nsidu pfla uie»ma épora o qne 8e cbamaram em Portugal 
ie-fítòtt-de-òaca Ih a u, 
lOutn lif^iificafão iiuiiloga de bacalhau ó a seguinte: — 'ca- 
láriâ de piubo (chamadas de bacalhau)*—*, l-^tc nome foí-lhes 
io tm razAo da forma que tem o espaldar. 
O ffmeníun de hncalíiatt é lutcalfuni. formado, assim como o 
itívo bacalhoeiro, de au) tema baralho, bacalitào, como 
de leão. pavfM de pm^âo, cordodro de cordão, latodro de 
relojoeiro de rclojào, pois de relojo, ou relôjio seria reto- 
f, ou rtlcjieiro, como de livro, livreiro. 



bacia; bacio; bátega 

ivras, <|tie proreem do latim da decadência basfi- 

'Cuja orijem ê problemática aiuda, tem em [urtugués 

liflca^ôex vánas, subordinadas Ma-s à noção de <vaso>. A pri- 

indica forma de vaso mais larga e menos funda, a segunda 

sotrúrto, menos largura c maior profundidade, diferença de 

Itido que em gemi expressa a forma masculina, com distinção 

femeníuo, qaando em português existem ambaa para um s6 

jínárío: cf. c/incla e carUilo, casta e cesto, etc. 

desuis duas formas, hoje desusadas^ são as seguín- 

bada, «prato grande e largo de metal, que ae tauje com 

ia nqneU, e anpre o ^o, entre vários povos da Ásia*. Neste 



^ O KooxOMiaTA. de i ãe dezembro de 1S8S. 
' Htrceltno d« Ue^iolUi, O Tio ]'EnRO. 




nu 



Aj/oítUa* aii9 LhcimtnrioH {'vriuguctea 



lOfiJ 



sentido Toí o vocábulo empregada fwr Fernám Méadez Pinto ' 
e por Autúuio riancisco Cardim S no seguinte passo: oLu-dcce 
[os babitantos da ilha de Áinão] ao sinal, poraudo ou niorcbaat 
uo som da bacia» — . 

É o (jtie bojo indevidamente cfaumamos ttmfâ, que iia 1 
signilica "tambor*. O verdadeiro nome da tiacia de arame q 
Be tanje com vaqueta é gom. 

Outro uouiu pi»rtugiiè» do mesmo instrumento é hái^a: 
«Vigia toda a noute com bátega e soldados» — ^ È este i 
deveria Biibiitituir o erróneo íantà. 

fíacio: O que tambóm chamamos pratos fundos, t**]* 
José Pestana, na monografia O oaux ou oubo do Mos 
OB ÀLooBAVA, publicada uo -Arcbeologo Português» (v) diz: 
« D. Maouel ordenara ao sen tbesoureiro . . . que euti < 
Fructos de Góes os dois bacios douratlos, e o gomil » — . 

O Kluciíliiriu dy Sauta-Rosa de Viterbo * difereO',' 
bacio de bacia: — «bacio na provincia de Traz-dos-Moutes ati 
conserva o seu antigo siguiBcado; pois chamam Bacios aos 
tos. Mas note-se, que antigamente Bacio se tomava por todo 
vaso de boca larga, como gomis, canecas, etc, e nisto se dife 
çavão das Bacias, que erão de mais bojo, e fundas, e aqui 
enio mais cbatos, es|>aliiiados, a modo das nossas ba 
jas»^. 

Esta definição parece estar om contradição com o uso ac 
dos dois vocábulos, visto que na bacia, como forma feni^nin 
a superfioie predomina sobre a altura, o que ú o oposto 
bacio. 



1 PBREIÍRTXAÇÂO, CAp. GLXI. 

> Batalhas da Comfakuu qb Jissua, Lisboa, 1894, p. 229. 

> P. Antúniu FraDoisou Carilim, Batalhas da CouPAXUtá. db Ji 

LUbott, im\, p. 103. 

* KlUCIUARIU DA8 I>AI.AVRAfl THRU08 R FRASBH QL^B BM POBTVij 
<IaL ANTIOUAJlBítTB RB U8AICÂ0, LUbo», 1793. 




o NOTO DifcioKÀRio dá este vocábulo com a significaçáo 

^^^ «chefe indígena de ul^m districto. dopendeote do tlslado 

udiu portuifiiesa • — . escrevc-o pori?ra Badhur, e como o nilo 

ar«ntua ^fírumonte, Riilietilende-se, em harmonia com o sist-ema 

arf>nti)a^Âo içrálira emiirejiado pelo lecsicópafo. que ae bA de 

er fnidur. O termo é persiano ríikauok, '•valente" ', e o ^, 

iitf)H>tiúltima letra do respectivo abfrcpdário e que aqui repre- 

kto por E matttfiuulo. foi deslocado para depois dn tt, qimmlo a 

rita oríji&al o marca antes, formando a sep^unda silaha com 

A acentuação e a csorita portuguesas devem ser hádur, e 

i« sem h. ortografaram os nossos antigos escritores. 

bafo. bafejar, abafar, baRo 

ÍUlM vocábulos siio entre si indubiUirelmente aparentados, e 
o primeiro deles existe em castelhano a forma vaho, na 
o u é provavelmente capricho orto^íràlico em vez do 6, que 
fonua portu^niesa demonstra ser a verdadeira inicial, risto que, 
contrário do castelhano, o português diferença perfeitamente 
h, do Mondego para bairo. 
Diez ' pretende que seja voz imitati\'a e romo ainda se 
f:tão descobriu <^timo plunijírel. apesar de quo as vozes ono- 
ica» 8ào por via de regra suspeitiis, quando não sâo 
ierameut« iuterjectivas, à falta de melhor, aceitaremos provÍs<í- 
lente o parecer do fundador inexcedido da filolojia rom&nica. 
Bafo U:m uma significação multo diferente, porém, no se- 
linte passn: — «Por monturos classificani-se os ferragiaes con- 
ignofl ao monte [casal), on os bafos do monte, como também 



& V. Oarcin <le Tus»;, Mémoikb bur lbh nouh prop&bs bt lbs 
mies MrRn.MASs, P»rw, 1878, p. 42. 

ErVMOuoaiscuBii WArtihbitch der homanisciosn Spracbcm, 



alguns lhes chamam, se ufto lhe encontram a fuiçAo propríl 
ferragiaes» — '. 

baforeiía. bêvera; abeberar 

Tem-se fantasiado útimoâ extravagantes para éstu t«rtDo 
gttr de botáiiioo, e todavia I). Carolina Mícha^tiá de VascoDcvl 
j6 deu o verdadeirot btfera(ria). ua Uevista LcbitaUí, 
páj. 2^8, assim como bêvera ] bifera. em castelhano 
O verbo (ti)beberar, porém, corresponde ao castelhano a 
ftancés ahj-euver, aiit. ahenvrer, itullano ahhcverare, dn aá 
'l))bere. por iutermêdio de uma Ibrma trau8Ítiva aiibiberat 

baga, bagada, bágoa, bago 

Em galego a palavra hàyoa aiguítica 'lágrima*. Hm 
guês comum dizemon bafjas de yttor: mas no Minho 
querem dixer « lágrimas » *. Kita última forma é derivada. *• 
ãupôe a exiuténcia. de bafa na acepção de • lágrima *. corre 
dente ao vocábulo galego citado. 

A orijem de todas estas formas é o latim bacula. pluraLi 
baculum 1 bágoo, antigo, moderno òa^o. que foi depois «v 
tuído pelo laiinismo bácuh, quando se refere ^ insígnia episco[ 

No Suplemento ao Novo DiociokXrio vcl-se Uiãcrita a 

vi-a bago, como adjectivo, abonada com um passo da D. Biu^c 

de Almeida Garrett, páj. 23, não sei de que edição para 

"■ conferir: — < ... o abbado, homem prudente, que o bayú rej 

metteu em meio da couteoda. . . > — . 



1 J.S.Piciu, Ethxoohapuia do Alto Albutkjo, í» Porto gilit. 
I>. 281). 

' Fui au jardim át alog^riu 
Esjidlhar {a.<i] niinhiu pi^nâs: 
OnJc a^ buf^ndax uínim 
RetM;nli«r4m A;ucí>niui. 

POULLOUI TKAitSHOXT*!CO ÍH ForlOgalll, U, p. 



Ajhwtilãt ao* Didamirios PofUtgHetes 



119 



Ora D«<te passo, reSra-se êle a que m referir, b^o é o sobs- 
tíro. e roedor o adjectivo, sem a menor dúnda, e bago deve 
iMtor por báculo. Nào há pois tal adjectivo. 



bailíqae; hailt'ii 

O Novo Dico. inclui este rocâbulo como de gíria, com u 

nãcaçfto de «qnarto ua prisão: tarimba». Neste último sen- 

lo, que rne parece ser o próprio e mais usual, eocontra-se » 

wra, perfri lamente defíoida, uo jonial O Skculo, de 28 de 

^ril de 1ÍX>2: — *A prwflo [no Aljube, ou cadeia para a» mulhe- 

em Lisboa] semelba qualquer das enxovias do Limoeiro [ca- 

^JW íiomens, na mesma cidade], pois que lá se vêem em 

leamns haiUi/ne^, espécie de taboloiros, que, girando 

n um fulcro. de«cem da posição vertical para se armaram 

lar^rií leitos* — . 

í'.r...... tjarer relação de forma eutre este vocábulo e a pala- 

. • estrado, suspenso pnr cordas em que se colocam os 

IbaUoros paru fuzerem obras nos ãdifícios *, e que tem outras 

acepçtleí. que se podem ver no Uico. Contempcihaneo. 

|i)t*ftir da atirnmçâo era contrário, feita noa dois diciouiírios cita- 

oâo creio que haja a mínima relação entre estes dois voai- 

ilí« e o verbo bailar. 

Amboti êlea tem forma de derivados de um primitivo bailo, 
\*i* em taJ sentido mio existe, que eu ss^ba. 



bainha: bainhar, abainhar, enilminliar, vajem 

H<le subiítantivo, do latim uagina () bata \ bainha) signi- 

"Hl tanto a da espada, iaca, etc., como a dobra que se faz na 

'rstaidade de um vestido, e na qual se metia antes um cordfio 

. a lhe dar consisti^ncia, ou fransi-lo. (Is puristas distiojniiam 

^hainhnr. «fazer bainha em vestido», do emhaiuiuir • meter a 

[«'paJu na ftainhu'. N'u uso comum uiuguém fuzjil tal distinção. 



lao 



AltOStilOR (W« /WfiOHÕriM 



pois em amboâ oa casos se emprega embainhar, e àbsinhsr 
torDOU-se obsoleto. 

No Minho o antigo abainhar di2-se boje em dia bahthar, 
sem prelicso. 

O substantivo vajem, é um alótropo, ou forma diverjeuti> da 
mesmo étimo uagina, com deslocaç&o do acento t<imco (vâsi" 
na), o qne tem outros formas, vaje, baje, e designa a bainh», 
ou folhelho dos legumes. 

Tanto no francês ijalne, como no castelhano váina, o acni» 
)i igualmente deslocado para a primeira sílaba de uagina. 



bairro, bairrista, bairrismo: barro, barreira, barreiro, 

barroso, barrista 



A palavra bairro é de procedência arábica saiu * t4 
saRi, <de fora», e a sua piiniitiva ucei>^-ào, ainda uiiuat em' 
pauha (bania), foi de * subúrbio » ; a de divisão íotcrna de 
cidade é {losterior: cf. a expreitsão. «fora da Lerra*,e o substan- 
tivo casttílhauo afuera», • cercanias, arredores». 

Do mesmo modo. o derivado baifTisfa tem tambvm as ú\m 
acepções; iia segunda signifira o habitador do mesmo hnirro' 
na primeira, vemo-lo exemplilicado no seguinte trechiv 
raego 12. Existem aiuda por estes sítios uns restos da 
barbaria bairrista, que faz ver no povo visínho o iuimigo, 
ódios se trausmitlem, intensamente selváticos, de geravâo ed 
geraçio» — K 

K palavra muíto expressiva para designar o individuo <n^' 
amor à teiTeola natal ú levado ao extremo odioso de aborrectr, 
06 naturais das terras próssimas; e h semelhança desta fonunfâol 
poderíamos denominar bairrismo esse capricho e timbre intrauA-) 
Jonte e exclusivista. 



■ O Economista, de Iti do Dovcaibro do 1390. 



BftDta Rosa de THerbo ' deAoe assim o vocábulo bairro: — 
^ I^queno, qaiata, Aldêa, casa de campo, ou de abegoa- 

&U definição .é a qae no Dicionário da Academia Kspa- 
h * veuios, com pequena diferenva. atribiiir-se à palavra bar* 
DA d^^ndu nc«pçâo, em que é sinónimo de arrobai: — 
jípo dtí ca^as t^ iiMtdiuela dependicnt« de olra poblaciíín, 
(ue está apartailo df fila* — . 

A palavra barro, portuguesa e castelhana, parece ter a meãma 
lio, e o mesmo so pode dizer de barreira, no seutido de lugar 
se colhe o tiarro. como vemos empre^do o vocábulo no es 
de Koclia Peixoto iutítiibdo As olabus de 1*rai)«i ^: — 
quirída a ar^plla necessária nas barreiras de Cabanellaâ ' — . 
e de vila, ao sul do Tejo, liarreiro. deve de ser uma 
lina, da mesma diçáo, c outro tanto podemos dizer 
wVíMt ou Barreiras, nomes de muitas poroaví^s portu- 
I. de Barroca, e de Barrosa, Barroso, Barrosã, Barrosão. 
ivcs 8ubstautÍ('adoH em nomes próprios. 

como substuntívo comum ^ nome de um peixe, que 

êé chama q^ielnw *. 

ro vocábulo da mesma família, empregado noutro escrito 

ha Peixoto, na acepção de falirícautcs e pintores do figuras 

é barrista: — «os barristas do século xvtn, os coro- 

de Gaya, e oa oleiros do Prado» — *. 

Barro* tem no Alentejo uma siguifícação especial, que se 

tiu no !M?i;uinte passo da Kthnoobapuia do Alto Aueu- 

de J. S. Picão: — «As planícies que fic-am a leste eutre 

joz e aipiella cidade e Campo Maior chamam-se-lhe 



Et.ri'IIiARin DAS PAt.ATRAS, TBUMOB K PRASM QUE KM POBTD* 
JASmUL-AMBXTB BB USilUO, IÍsIkiS. 17lt^. 

M ítàáíià, 1609. 

im PtTlogiiliii, I, p. 2:^*1. 

lorriiiciumiA, por D. Ortos dn Bn^uçA, in O Dia, de 7 de juabo 



PortaftkMa, i. Stlá, 



[sic] barros am virtude da uatui-eza do solo, em geial 
argilloâo» — '. 

bajoQJo, bajoujar 

D. Carolina Michat^lis do Vasconcelos * já dctcnninou i 
mafâo ilèste vocábulo: bajoufar õ o líitira baioHarc, pori 
lare, qao íigura na Vulgata, com assimilação de -li^ ui\ 
sílaba anterior, o qual é consouanCizaçfio e afrícf Ao do f de biH 
lus. 

B^oajar é pois idêntica a bajtUar. 



baldio, valítdio, vadio; baldo, baldar, balde, baldio; 
Valdevinos 



Alberto Saiupaio. uo valioso piUido intitulado As xxh\*s9 
NOBTE DB PonxiiQAL. '^ Aif. — ' outto tíiTuo equivaleut« [a 
nbo] quasi popular é baldio, que parece provir do ajcctivo 
mio bald' — . Semelhaulo conjectura carece de fundamento. 
86 lhe opõe manifeiítamento a siiyniHcaçâo do vocábulo 1*0 
gnès, e a do citado advérbio alemão. Este, coutorme Fredeò 
Kluge \ tem por base um adjeotivo alto alemão antigo, o q' 
si^ilica «rápido, afouto, valeute» fschn^ll, hlhn. tapfer), 
ingV>8 btíld. e de que procede o iUiliauo bahlo, • afouto » « 
nome próprio Balduim, de que era português ae fôz Vahlevino 
provavelmente por Intermédio de mn nominativo latino Italdo 
nus, ou Val<lninus, Valdevinus. 

Km Évora bá uma ma do Valdevinos, que certumente pr 



» ib. I. 272. 

* RSVtSTA Ll>S[TANA, III, p. 133. 

> íh PortugRlift, 1. p. 117. 

* ETTMOLOOraCHSe WÕ»TDRBUOn SHR DBCTSCBGK SpRACHS. fi 

trubargo. ItíâO. 



do oome próprio, e nílo <to apelativo, com o si^ifícado 

tio, estróina >, em que boje se usa, na Ungua comum. 

A patarra baldio é sem dúvida o adjectivo arábico sai^aDi, 

Ivado do Kubstautivo uaLaD. * terra, país*, de que proveio o 

ílfaaao hahuii, • reles, de pouco valor >, siguiticado que tam- 

bAo é eâtronbo à fonua arábica. 

O t«nno bnUlio. fasUlbauo, além da sua si uru i ficarão maia 
luaj, correspoudente ix. que tem o português baldio, quer 
iQ adjectÍTO, i|uer como 8iil>9taDtivo, de «comum e inculto* 
a mais a de * vagabundo * 'xmiHo>y e este iiliimo vorâ- 
lo coD8Ídero-o eu também derivado do halaãi arábico, e nao 
Utim líayaíinum \ uagare, como ate agora se tem SU' 
Note-se ainda que o povo usa vadio, no sentido de 



lim coiLHÍituo a descendência portuguesa do árabe Bai.aiii, 

fieguintes vozes: baldio, com supressão da vogal da 

>a; vaUuiio. com a simples mu<)aiiça do b em v: diz-se 

ido feito de telbas soltas, sem cal nem argaiua.ssa e é. 

fao termo teliuuJu mouriáeado (noto-se), no qual se em- 

a argamasso, ou cal-e-areia: voítto (pron. vadio), com 

do L, d consi>qficute ít aberto na sílaba útona, *cf. })à~ 

por fiidaceiro. De vadio procedem vadiar, vadiajem, 

kta averi^ar se os vocábulos da família baldo, balda, 
de haUk teera a mesma orijem, como parece, con- 
se possam subordinar a outro iHimo arábico, batÍd, 
rfio. inútil ) . 

^ K dindl detiTHiiiKir o ãeiiiido em ijue o e)ittHlo vtuHo foi 
Bj)regad4 (Ktr Antúuii) Francisco Carditn, uo tifgiilute trecho: — 
Bs dota levantados liusurrectos) Li e Cam fícaram com cinco 
Hriociu do norte [da Cbina], o tártaro com a cM-te de Pequim, 
^^uco a pouco foi eun)|ui:>tando todas as outras províncias, de 
que vm breve se viu senhor, uJlo por força de armas, mas por 
.'3 e deiílealdade dos chinas, que só com cortar o cabello 
prodtsáo de tarUro, c cbo^^avam oudo ctlcs podiam; por- 
tem por certo que nu Cbina não entraram Um\a vúX 



124 



tfmtilm «w XHrimÊèriw pji '<wy €— 



tattaim. wm nos «safdtw constaràm pela maior fatie. 
chinas vadios e disfiifadas» — K 
èi^n dócr «geote d<n carapoi»? 



fadgUMB 

— «Hoje [oa barcos moliceiros] adoptam a vela 



balhão, bailâo; bailadeira; l>albadoiiro 



O Novo DicciosiBio rejista oma acepçáo especial dós 
[cAbnlo, (\ne no mu sentido natorol sii:nifíca * o que muito 
acepçfto é a de «fadista», qne vemos abonada no se 
recho: — «O Taboada, um bailão ali do sitio, convidou o l 
Juuiojt, seu collegu, com diia^ ditas [navulhaduA] no peito 
É conhecido o sestro do fadista de andar sempre Jin^nin 
'c em hrígoK ê not^iría a sua lijeireza. qaer no arremeter, quer 
fiijir, quer em furtar o cor{)o às inrestidas do routendor. Etu 
Ltelfaano bailôn, como termo de gíria (gemuinia), qnore 
« ladrilo velho*. 

A palavra bailadeira de que os firanceses tizerani bayadèrt, 
vem uo Sujileniento ao Vocabuliruj poktucjlkz latixu dl 
Uluteau amíim definida com muita exactidão: — «fíAiLAOEtttf 
se cliaiiiâo na ludiu as mulheres jiubliciH, que liahiliío nos Pai?»- 
des. porque todas bailào e cautào. Oriente Conquisf.. O^m. "l 
pag. S/5» — . 

Oa dicionários portugaeses em geral omit«ro esta parti»* 



> nATALBU D* COXPAXniA DS Jwvd. LííIh», ISH, p. 35. 

* t.als de Uag&lhAea, Oe barcoa da ru dk Avrcbo, in Porta(!>' 
lU, II. |i. 59. 

* O EooKOUif TA, d« 22 d« affusto de 1885. 



Jjuufi/at ao» DUUoniiríM FttrtuefitfatÁ 



!2» 



»t« 



itido; todaviít o diciouárío portugués-traiit.*^» de 
incluía o terrao, com a mvsma delíniyiio já dada 



lu. 



nVíM se denomina o ponto do rio Tejo. perto de Caci- 
iijem esquerda, onde o movimento das águas é consi- 
1- Neata acepção ?«rao-Io abonado neate trecho: — • Quaodo 
12 d« corrente appnreren o cadáver da infeliz Cusimíri á 
[aguu no sitio das bailadeiras» — •. 

forma de haUào. •JingJlo* ê halfiâo, como popular- 
tr substitui bailar, e \emo-la empregada no mesmo 
U — «e Ijí foi todo hailíifio pai'a o calaboiy-o» — . 
termo do lieiria bá um descampado cbamado diarneca (to 
ifoiVo, oude ú crença que se retmem as bruxas em aunUtíe/t 

Kmo se diz uo norte, para aí celebrarem os suas foi- 
r«riir que na lin^ajeiu local baik se diz bttlho, e 
lenle balhar. de que bnlíutiiinro é nome do logar 
exerce a acção do verbo, como em lavadouro, de 
iuti^rxf. de tnatur, etc. 



balufera 

mtisico africano, conforme a menção qne vimoa 
jornal O KoovomsTA, de 5 de agost-o de 1885: — <En- 
^aa sec^-iU) portui;ue»a da eiposivão de Ajituérpia] o balu- 
vira na secção do Senegal (eolauias francesaa). l^te 
euriO0o, espécie de marimba, coniptle-se de uma tiorie 
le madeira justa-^titiafl ftobre unia dupla ordem de 
diversui tamanhos. Hutendo-so-lheB produz-se uma 
irregular» — . 



1850. 

1U>. de 2d dn ititvMlo dv 1^. 
' Wteiubru <lo IIKRI. 



... K a*ena o banheiro publico> — ^ 
2Mnho>. No Pdrto chama-se antes à 
da forma. 



bonzo 

qae quere dizer «folgauç^a, fouçíLo» e 
lto>, pode ser ojapouês banzai «viva!», 
iglieri Pedroso: — «Ainda há gente hôa 
que fa7^m banzé nos joruaes* — -. 

«ignifica «pregão ». 



baptizo, baiitizar, bautismo 

\ú^ o ainda populares portuífiiesas tecni 

platino, asaiin como o teimi por c em mito, 

ir, bantiemo. BautiitUt. Depuis entraram 

alatiuadas baptizar, etc, uaâ ({tiuis, porém, 

iulo, mas o não foi autos, risto que o a átono 

Hizar, DãiU-ta, etc.: cf. activo^àtivo. XuJo 

substantivo alentejano 6fi/;íi£o. < baptizado», 

trazido de GspaQa, onde se diz bauiizo. 



harilo, varílo, varonil 

seja a etiuiolojía do primeiro destes vooábu-' 
o Ma fiigoifícado nos Lusíadas (i, 1), é o de 
*! e nAo siiDploamonte o do latim uir, a que 



•fe UM* VIAOBM NU nCTBRlOR DA PAluaTBA B DM 

ilo>, At 17 de janbo de 1000. 



Aamos como comsptméetíjt ntrâo. que d«]« nia deríra. stMidc 
«■trtõo o meiBO ^[W • ifisraa dos LrHtu>AS. A id 
Rsaha 4» mgã^lkaàit ifa$ tea o adjcctír* ooronQ. 

Sm aatígos Ontaxts 4e gasta finnceses Aorvm di 
• bomem de grande ralar eihsjenrqaia». e no Lítto dos S< 
* [sécnlo xm] &ueí« enooBtrt-te o ftdrérbio.òarNjVfmml, <' 
mentem*. 

Em htim existia « snfastaatiro baro, barnnis, rom 
caçie de * boncm Umo, búmen rigoroao • . 

É claro que varão, aomaptativo de rara. nenhuma rei 
tem com «ata palarra. 

barbado 

Termo brasileiro, cujo ngnificado se depreende do trechai 
gmnte: — «Sab^r menos, alo prejudicava; s^r mais deaqi 
cara o indiridoo. difficnlUrj-lhe a coUocaçlo. Passava á 
ria de barbado, isto é. de ãusp«4to> — *. 



bar(e); matuca 

Vemoa dste vocábulo nuui sentido muito especial, como tni 
na Ziiinbézia, no seguinte trecho: — «Nestes territórios c «tj 
cialineutu nos sitaados entre Tete e Zumbo, encontram-M. 
vestígios de antigas explorações auríferas, conhecidas aa 
bt^ia sob a denominação de «bares» e ás qnaes atludcm 
dos os nossos antigos auctores, que escreveram sobre aqut 
paíx" — ^. 

Por exemplo, Frei João dos Santos, Kttópia OsrKNTAU Ht. 
cap. 11 a 13, no último doa quais se encontra um vocábulo oi 



1 Kmílin T.ittr^. Histoirb dr la lakgus raAXQAisa, u. 
> U SK(M<t.M, 'U 'JlJ iJe svteuibri) Ae I9(fô. 
1 <1 Siw:i:i.u, Ho yi dt! Hiftrço de 1900. 



)ido nos ni'S*")s dicionários: — *Tainb«m se tira ouro ile pe- 
a que chumam ourn de matura, eoiuo já disãeiiios (|uh se 
no reino de Manica. De todas estas sortes de ouro, o de 
em raminhos, nu en^alhos. ê3se é o mais fino, e 
., ,-.i;it68. í* o que cbaiuaiu de maluca é o mais baixo de 
los. e o de menos quitatea • — , 



burlaqiie, barlaqnear-ee 

» 

Nitó Notas ethnoobaphicas sobre os povoa de Timoh, de 
â- Pertiira Jardim K vemos definido o substantivo, c al^onado 
IO português, que se formou dele: — <0 barlaque é a com- 
iIa mulher, que vale tanto roais quanto maior for a gerarcbia 
[que pertence" — . 

— ■ âfl for chrtsíâo» oasa-se com uma, e barlaqueia-se com 



harra 

Aléni áf inuttOR outros sit^uificados, era o nome de uma moeda 
«unTençâo, em Beuim, com o valor de 500 réis *. 



barreleiro 

Sa praia da Nazaré dârBe este nome, derivado de barreia, a 
una trf|»eva de madeira, com tabult«iro de perímetro oiiTulnr, 
RoaUdo Ut«ralmeiitti \tor ura prolongamento quadrado, e sul- 
cado por «loia ou três regos. Serve para a lav^jem da roupa. 



t M Porto?«IU, I, p. 357. 
» RKi.A-n^RiO de Jacinto Pfrciw C»nieiro, in <Aniuteft do (^iwcUio 
ITbnínirini' ^» ll< ' 





era bastante, o rio porúm arrebatado» — *. K um deri*"»'!'^ ■'" 
verbo hasíar, como bania, no sentido de ■ espesso, grosso • 
iaulWo da mesma orijojn é hastio, o qual no Alentejo é •mouti 
fechada>, e em Trás-os-Montes sif^viHca «pinhal rsaWíro*. 

O adjectivo basto parece derivar-so do latim vastum *, ov*' 
como propOs J. Cornu, de pastus, participio passado passivo dt 
pascor, o que me parece menos prováwL 



bastos 



Km uma resenba de termos perleiícentcâ à jiiia dos ladrões 
do Pdrto, publicada uo jornal O ]-)conouista, de 28 de fevercin 
de 188Õ, veui este vocábulo com a signilícafào de * ! 
É palavra perttuceute ao uilú, ou dialecto dos ciganos iti i. ,. 
uba, como muitos outros de ralão, íuchnudo este uom« da jiríi 
de malfeitores e da ralé, algun» dos quais se tem difuodído em 
linguajem mais elevada, tomando-se ^^tívais, mas conservando o 
seu sabor pitoresco. Muitos serão íncluidoa neste trabalho, com 
09 seus correspondentes nesse dialecto. lianto é em caM hat^, 
haste ^ e nele significa, na realidade, «mão». 

£m outro dialecto cigano, o da Komiínia, tem a forma vast *. 



batata, seiíiilba, castanhola 

A primeira destas palavras, ao contrário do que ó uso 09 
continente, quere dizer na ilha da Madeira «batata doce», por-' 
que a outra se denomina seniUha; eis aqui um exemplo: — -Um 



^ Batauiab da Oomtakhu db iKmva ka poovikcia do .l4rtn. 

Lisboa, 18!t4. p. 38. 

' RevieiA I.UBITAHA, IV, )>. 273. 

• El Gitakismo. jht Knincisco do Sâlos Majo, Madrid, 1870. 

* GraIUIAIKIS. UIALOGVKO BT VOOAUtXAIKB UB LA LAXOUB DBB 

BorAuik.vb ou Ciuaind, por J. A. VaiUant, Vant, IhUti, p. &3. 




Eíita palavra na Imiia jMirtu;íiiçiía quorfidizer «arroz em cascii», 
•m concani B'aT(a), e >iâo *arro/. degcascudo, como se vê uo NOvn 
UL'cfO!cÀRio. O qao o vocibiiln tamhéin U aignifica e «arroz 
lo*, corno em iiiiloKtano. Dm m»1aÍo ciinm:i-íie jiádi, an arroz 
hfrva aa teiTa, e é uittitml qiit> sifja a mc:>ima pnlavra, a 
|Bal. («Dri^ai, {)ari>oe orijiDãha ila índia, pelo menos no scutido 
• urroz cozido*. Hftbre ôíte objecto, Vfija-fie Bumell & Yule, 

UBY OV Asar.-vIVDIAN WORDS AXD PERASES *, *M*. r. 



I) que é siní^ular ó que bate spju o nome qtie «m Camiutia 



■* , V ■ ■ ■ 1 MftJ.*íru >. ÍH O RrosoviBTA, tlt» 5 J* agosto ile lôfll. 
" J V»i?uncetu4, Etirroo;! tta Philolooia MntAXPBflA, n, 

I Lon.lrr*. l.-ifífi. 



se dà ao })àO'ãe-U, ouLra locução de orijetn obscura; parMc 
ter a mínima rda^Ao com o hate asiático, a não ser na 
déncia casual da fonna. 



batel, batela; batelo; bote, bateira 

O Suplemento do Novo Diocionàbio rejistou o sptíiinílíi 
ilêates vocábiiloa com a sipiificaçflo de — «Kirco chato, de 
nas (limeuáôes, usado ao iiorle do Minbo> — - Parece ser uman 
riante mais autiga du batel \ hatelhim \ bahtm, laliittl 
do alto alemilo antigo bot, de que também procedeu bote, se £itB 
não é importando posterior do inglês bwit boje pronunciado ò^td, 
mos no inglês médio proferido òóòí, * em anglo-saiilo fait, isto t, 
bààt. 

Bateh, no Kibatejo, designa um aparelbo para tirar águ 
dos poços, e parco* ser vocábulo indeiifiideuto dóstcs. 

Bateira é nome conhecido de barm, que navega no Tejo, t 
figura em todos os dicionários. 



batoqne 

Nilo respoudo pela forma, visto que o perítídico ouda a «o- 
contro.veui crivado dos mais inverosímeis erros tipográficos. Nv 
entanto, entendo que devo rejistar £ste vocábulo (talvez baiuqut^ 
na acepção nova que se lhe atribui no trecho seguinte: — «O» 
batoques do que usam nu guerra sao de três espécies. O goma,^ 
o eimeie e o biribiri* — *. (V. êales vocábulos). 

Batoque será, pois, um tambor. 



^ Y. H«anqiioSvr«(rt,THKSTtn)BSTBDtCTiosARyor Anoui^Sí 
OesOnia, 1897; A rwtort ar E^glisb Sot* sns. L»ndrM, 1874, p. 96. 

> AuTedo CuBtinhu. A CA)irA!ia& do Baruè a» tOOS, in «Jorul' 
du Colónias», de 19 de a^tito de lfM>5. 



batuque, liataúda 

O primeiro d&sies rocábulos vem em todos os dicionários 
ltd«nuts. corao sij^ificando «daoça de pretos-; o se^indo parece 

signiticado auálogo no trecho seguinte das Notas etnográfi- 

tóhre oi jíOTos de Timor, de ,). S. Pereira ': — 'Depois co- 
eça a ^i<la de noctanibulo: horas c horas de batuque. . ,- cauti- 

de bataúdai — . 

beata, heatnro 



O primeiro destes termos, chulo, vem já rejistado no Noto 
rÃJtio. como al^arrío. com u significação de «ponta de 
É lambiam usado em Ijslioa. com o mesmo si|riiifioaflo, 
\Qe provém o derivado benteiro, que está perfeilameute deR- 
|o líft «ií-íriíínte trecho do jornal O Skoulo. de 2tí de maio 
)2: — 'para dar aos heateiroa, que durante a noite per- 
os paâseíos e as portas dos cafés á procura de pontas de 
e de charuto ' — . 



bebedouro 

Ê»t« vocábulo significa, não só a vasilha onde as aves domi^ 
beb4>m, maa também o sítio onde os animais livres vfto de 
tinirio beber. 
Xa rvalidade, a terminação -ã^uro indica o local em que se 
rc« a acçSo expressa pelo verbo, a cujo radical essa termina* 
«e junta, como lavadouro «o sitio onde se lava», matadouro, 
liigmr onde se mata*, eto. Km castelhano corresponde-lhe a 
lo *4cro, e assim dixem abrcbadcro, lavadero. truiíadero, 
$ ttDpregam ... o visgo (q, v.J branco, coUocundo as 



l Ml Portagalía.t,p. 357, 



varas no chão ao longo dos bebettouroM, sítios nnd« as ami 
tumani ir beber, de forma que estas dSo possam chegar t 
sem Ihea tocar» — '. 

bedem, bcdéra 

O DiccioN. GoNTKUPoB,AVBo deliDe esta palavra como 
ficaDdo — «cajia de eapaito on junco, [tara livrar da chovi*; 
Não me consta, que estas capas características, qui- prorj 
mente importámos do Japão, onde sâo muito usaiius. lesl 
em qualquer parte do reino este nome; sei qae bSo conhNiiUi^ 
pelos seguintes: c{o)rossa, ou c(o)ro^a^ paliwta, atfta fnilhtçv 
O Novo línxioxÁRio define o vocábulo como — • túnica un-irisíi, 
curta e sem mangas; capa palliiç^. ou de coiro ou esparto, contftj 
a chuva > — . Dà, pois, em um dos signiScados a detini^> 
CuNTEHPoBANBo, mas atj^ibui'lhe outra, como primária, » 
• LiHiica mourisca». 

J. I. Koiiupte *, mais prudentemente, limÍtou-í;e a diser 
é • capa de mouro*, manteau ttinure; mas antes, no t)iccii>SAi 
DA LixauA poitTirouKZA \ dissera sw— -capa mourisca, ou 
agua » — . 

Sem contestar absolutamente a segunda acepção, direi 
mente que desejaria vê-la abonada. 

Quanto ít primeira acepvAo, Bluteau * dá apenas o signilicadl; 
«capa» ou — «capa de agoa>- — ; mas não dix que seja feita ^ 
])a1)i;i, ou cousa semelbanie, antes se uboiín com JikIo de Ram» 
e Oiogo de Couto, por sua ordem nestas duas citações: — • Vinto 
vestido ao modo Mourisco, camisa brauca, e seu Hetiem t» 
cima; — Uum liedcm de setim preto, com graudeâ cadilhos* — 



I J. Pinho, £tbku(írai>hia Amakantixa, A Caçit, iit PortogftlU. U> 
p. 97. 

' DiOTioss. roRT. paA.Ni;Aid. Piiri*, lífô5. 

> Puri», 1H41 

* Voe. POET. LATI.VO. 



AjKwtiifH 009 Dkionárioii Sitríugtteset 



137 



A |*álavra é arábica, como tudos deeiuratiit e EngtlmaDD e 

* dizem ser saDaN. «túuíca sem mangas*. 
Pareceria que a verdadeira accutuaçilo devera ser bédem. e 

hctiih/i, como todos marcam. 
podaria, se o vocábalo ttos teio dos paisos berbertscos, é 
»1 que a sílaba aceutuada seja a segunda, se bem que brere 
li dela. 

Aqui a]ireHento outra ahduaçào do vocábulo: — «bem vertido 
6ua camiiia mourisca e um bedem por cima de tudo, e o 
Ao lueUdo na rabeç^a, jK^r cima da touca * — -. 

beduí, bednim. beduíno 

As liuicaa formas portu^tiei^as síio us duas primeiras; n ier- 

ira 6 uma versão uial feita do francês bidouin. Blutfau ^ dá 

Suplemento a forma ubduiu. remetendo o leitor paia BinriiJ, 

itt£ cita taiul>êm beduiuoa. È e.sU feiv-Ao da palavra que, iunda 

I, acfitaram Koqm;te, o Contkmpkkanko e o Núvo Dicíuo- 

lo. conquanto este tUtimo rejisLe Laiubéni beduim \\n Suple- 

ito. O vocábulo é, como se sabe e lodos dizciit. arábico. 

Lci, de B.tDÍtE ', 'nómade no deserto*, de BaoL*. tdeserto>. 

'm como de rubi sie ft'Z ruhím, e nílo rubitlo, assim de 

■ r^/. beiluitn, mas nio beduíno, fornia que os escritores 

itigos não coulieceraro. 

beuo; beijinbo; bcijocador 

O pnmeiro derivado, demiuutiro, significa em sentido res- 
ritOt não sá uma cavaca, roais pequena e estreita, que se faz 



ULOASAIUB ORS MOTB BtfP. BT PORT. oAlUVÉS DB L'AR.\bn. 

J. OkitunL Manuel, Missaas ix>s jusititas so Orientb, p. 102, 

Voe. pimr. t,AT. 

B«lut. VuoABULJuaB AKAOB-PBANÇAi», lk-irute, !tj93. 



14ã 



Apottitae ao» Dieionárioã Portwjntêct 



naií Caldas-ila-Raiuha, ma<; tauibcra um amuleto, com o feitio e 
tamanho de uma ameixa, como vemos na rorista Portugália, 
páj. 620. 

Beijocaãor, nome verbal de ajente do verbo beijocar, freqi 
lativo de beijar, desi^ara no século xvni um ' sinal \t* 
ao ranto da hõca* *. 



bejoga. bijoga, bojega 

O termo transmontano bejoga ó o latira ue'iucula, tieV^mí 
da Beira-AUa. que lhe corresponde na signitieação. ébffjcr 
ctila, conronne J. Leito de Vasconcelos *, si^ilicando quulqoeij 
deles <einp4>]a noa pés». E possível, por^m, que amboa procodi 
de uesicula, e qoe houvesse meiiitese das vogais, como 
na forma at^rría boleta, em vez da geral belofa por bohta. 
árabe DatUTE. O o da 1." sílaba é devido em bojega a inAni 
do h, e na forma hijoga o ia intluéucia do j, pelo quê m( 
escrita será bejoga. vipto como o e surdo vale por i surdo mi 
conjunçilo com uma consoante palatina, aqui o j: cf. eíiegar 
nunciado chigar, privÍlejÍado_. para pr^velijiaân, e aasím muilB] 
vexes escrít* erroneamente. 



bejula 

— t Bebida fermentada, feita de farinha de milhu, ou df 
outro qualquer mantimento» — *. K termo da Africa Orienlil 

Portuífuesa, 



i A. Campos, O MARQinKDBFOlinAL. m « O Sccolu », de 7 dv ibifl | 
de 189!>. 

> Rbtibta LrsrrAifA, n, p. 105. 

> Diuelt'cuuto Fem&ndex tUi Ntfvv», iTiNfiRiaio oa uma viaokh^ 
CAVA DOS HLKPRAXTn, Usboa, 1878, p. 49. 



Ap09tUíW flofl IHà^ntárioi PoriugtieMS 



13» 



ItAh 



itsk jtalavra, qao antit^arneiite queria ()Í7.«r 'feni» e se de* 
to latim liflliia, como o italJiiiio helva, sigiiílica aotiiãl- 
em }jeinn melija (de medica) mosquito furando, a quo o» 
■nws cliamain roufin. 

||K aboDaçAo da palavra no seu antigo siguiãoado é a seguinte: 
I > e uiroin belfas marjubas que cruiii fortes e esquivas > — '. 



belhó 



O tioiiie deste WIo, conforme J. Comu, deriva-se de biHola 
lihiolu, I» na opiniilo de D. Carolina MichaÈlis de Vasoon- 
de pilióla { pila. 
["ndaviiL, tomo o íí se profere aberto, hèihó, ambas as elimolo- 

poucto ]irováveis. 

*ani filho }A eu propus em tempo folióla, sendo o * devido 

ite ]ialaial •seguinte: 

ifisco Adolfo Oellio, no DicctosARio uanual etymolo- 

sriva beliyj de heõfnut, beiyiíet frauccs, forma deminutiva 

biijne, bcmjne. -tujnors e acrest^enta como com[)âraçào ro- 

tiKifo, por catilianuiro. para explicar o Ih por nh. advertindo 
b^m qne o í de hethó é aberto, corao o et de beiífnoi. 
Ttidariaf cm calhamaço por eanhamaço, de cânhamo, houve 
Itivimilaçi^o da nasal m da sílaba se^iute, iacio que se uão 

Riu dar mm btlhõ. a proceder de btuijnot. 
Conquanto «-jam dirias de aten^Ao ii» ponderações de F. A. 
lho, parece que temos de ir buscar a outra fonte a oríjem da 
irra. 
3c acertei em atribuir a filho o (\\\Ta<i foliôla onfollióla, 



Oto K1<>b, A nDA DB Sakto Amaro, l«x1e poTtngaÍA da xit* úb- 
.in R»»H»nU, U XXI, p. 508. 




creio não ostar louje da verdade considerando b^íkô 
vada de uma forma latina balaneóla, dcminutiro át hi 
neum, forma adjuetiral substaiiLlvada, derivada de balu 
*caHtjinha>. A Bucessáo de fonoas eeria então: balanei 
uateola: baneleola: baelhoUtJ haeliió: bèUtó. 



bengalii. pingalim 



Silo 08 portiig-ueses o único povo «iiroppu qne chatnl 
lào bnif/nla. Primeiro se denominou cana de fíengalaf 
a liasio feita do cana-da-liidia; depois supriuiiu-ae o prili 
termo:— «Que cousa lii^ esU, senhor Afoaso de Alboquerti 
quiseites que diãsessem as regateiras de Lisboa que vó-i tona 
primeiro terra neste vosho Calecut de que ^az4^is a KI-rH N 
Senhor tantos espautosí* Om eu irei a Portugal, e dtrei a 
Alteza que com esta cana de Beugala ua niíln, e com 
Iwrrete vermelho que trago na cabeia, entrei em ('alertit; e 
uào acho com quem pelejar. uSo me bei de eunl-eutar, 
ir ás casas de loirei, e .jantar boje nellos» — '. 

Saiu-lbe eara a ba<òha. e aos dcsgraviidoit que o 
ram. pois quasi t*>dos foram mortos com êle, o maririíat' 
nando CouUnho, que assim desdenhava dos traiçoeiro;} uaíra 

VeivjiiVnn parece ser nm deminutivo de beiítjala. 
dança da inicial. 



beui-aveuiurado. lipra-aventuran^a 



£3tas duai palavras teem de esorevcr-se com uma linlu 
vi»úria, para que nao sejam lidas be-maventurado, be-maoe 
rança. 





JoSo de BiuTDs. Da Áhia, D&Oaua n. Ur. 4.^ ap. l 



benjoim, heijoim 

i'liiu'>lojía <lt>.4tp vucúbulu foi príiiieiro dada ^loi- Gíirria da 
nns CuLOQLirjs m>s iSiupi.ks k das drogas da [xni\: t< o 
Ui&A» oAiri, «incenso do Java>. Na sf^guuda ionna, que 
usual, influiu a palavi-a beijo. 



bento 

Vísen «sta patarra quere dizer • curandeiro > : — <0 dono 
Um um filho doente ha muito tempo. . . por suggi?stt>ea 
LÍgos lanvmi-se nas mãos d© um beato» — ', 



berço 

palavra, cuja etímolojia é incerta, mas que para portu- 
eomo para u gulego bercé, parece ter Udo urijem fraueesu, 
que remota, pois em caatelbauo o mesmo objecto se chama 
1 cunae. titrura uo trecho se^niiute em uma aL'e|>^*iio uilo 

bOH dicioutirios: — 'O pessoal. . . teucioua ootí/aríie para 

berços nas sepulturas das duas victiroa^» — . lestes 
8É0 uiu gradeamantos em tdmo do coval, e nos quais se 

plsatis de ornato, ou vu^ms com elas. 



besigue 

ío tíuplemenlo ao Novo DicetoKÀKio inseriu-se uma palavra 
Igne. >\u*í ai c definida como cerl>o jôf^o de cartas, dando-se-lhe 

.iliiviíl.i v.nmo íJtimõ bis e kÍlmio. 



O Vtatà.ro, jn «O EoooQ&rírà»', Hi^ 4 de utemhto de Vili\. 



>mo ac<!iDtece com ãidal^ tisoiro, formas populares, 
ilj tesouro. 



bétole, (bétera, beire, b«t1e) 

melbor escrita portuguesa, porque é a mais autiga, 
hétere. befie, e não bètel, Nào há dúvida também fjue 
Uiiiuco é uã primeira silaba, como o cncurtamcuto betre o 

Ko, e oao Da segunda, como marca o Drcc. Contem* 
i^n^amente, erro que por lapso escapou ao enidito e 
S autor (los Subsídios paba a lettuba dos Lusía- 
Mêodez Pinto usoti três rezes a forma bét^-e, por ex.: 
(_que são liúaã cerlas folhas como do tanohagcm » — *. 
lióaio Francisíío Cardim, pelo contrário, deu a prefe- 
!.* — <a èat« fim lhe deram na prisAo veneno em 

trouxemo-la nda da Índia; é da língua malabar, 
m o Gloseàrio de Yule & Hurnell * síguilica * fôlba gim- 
ttila (de feru, *simples>, e ita, « f^lha>). 
nna bet(e)re explica-se perfeitamente . Suprimido que 
ida segunda sílaba de bt^tfle, resulta hetle, c U uuo é 
tolerável om português; além difito, como os tf, 
dravidico figuram, sâo cacuminais, o l passou a r 
por ser cacuminal também esta consoante na nrissa 

do Ficulho. no seu opúsculo Flora »(« IíIibIadas ^, 
feriudo-ee à menção feita tia estanca 58 do vii Cautj 



lOlM, p. 900. 

iKlKAÇiO, ai)>. CLSXVII. 
l\» DA r-UMPAMIIA DK JiGHUa. Uuboil, 1ÍJ94, p. 111. 
JFÍ,n*«AllV Oy AXOLU-ISDIAX WORDS A\'D PUKAHRtf, Loitdre^lSíKJ. 



1 - ^' » 



do poema à verde folha da herva ardente, escreve 
adai o outro nome. arábico, pelo qual foi conbetrído dofi 
atamhor (Ai-rasBUL). e que no Hiíteibo d.v viaokm ds 
DA Gama ' se emprepi para a desifjnar: — «e iiiiha i 
qaerda hiuna copa d'oiiro. .. na buca en^dço df liiiniu 
que 08 homens desta terra comem pela o:i1roa, a qnal cb^ 
atamhoT> — . É de advertir que este nome é índio ta 
ntOâ áríco. e não dravfdíco; ú o sáiiácrílo TáUBQui, arabá 
depoiii a}K>rtu}^ueRadfl. 

Veja-se o vasto comentário do Coudo de Ficalho ao« 
QUios DOS Simples e dab drosas. de Garcia da Orta, n^ 
morosa edição da Impreusa Nacional ^ dírijida pelo Conde;| 
encoutrarilo todos os esclarecimentos, que seria loni^^uissimo 
diizir aqui: o índice, perfeilameate organizado, cnrainÍDl 
leitor na averiguação de tudo o que resumidamente expui. 



beto (^héto) 



Por informação do s&r. Francisco Teixeira, natural de 
dtla. esto vocábulo designa cm Tràs-os-Montes uma ©sj 
mcia-pá de madeira, correspondente & raqiwtte Trance 
ôle se joga o ioquc^mboque. 

Beto é tarabem ali o nome de imi jAgo, parecido 
crickei in^lúâ. 

betnme 



Em Caminha, e provavelmente em outros pontos do Miai 
se Qilo em toda a província, òetumet ou halume, quere 
«caldo grosso*. 



^ LUboa, 18^1. p. 59. 

> r.úibna, 1S91-1892, flois ralani«B, ofon A tlilfOtlacçilo btitiilaâ 

OlA MA OitTA B O SRIT TRJIPO, UUl Tol., IJsboa. 1B8S. 



bexigas 

varíola jA íiítsim é denominada pelo Padre Aatónio Fran- 
Cardim, qub lhe chama * peste': — «Xo anno de 1637 
Dft ilha [de ÁinJlAl uma universal peste de bexigas, de 
tÊomu muita t:^nte> — <. 
nome lhes proveio daa vesicular que na pele se formam, 
tim resica, «empola*, cora a mudança do s em x. por 
cia do I, e a do f em tf, por estar depois de vogal: 
I fooum, n Xhto \ Sixtus. 
K ierrivel doenv^ chamam os médicos fnriola. nSo se sabe 
qoe v^tko, visto a palavra ser artificialmente fabricada, derí- 
!<^a de varius, pois em latim núo existia; parece, pelo cou- 
0. que devera aceutuar-se vnrióUi, como a comparação 
o fi-uucAs (jwíiie) vérole, o castelhano virtielas, e o italiano 
HÒio o está indicando. 

O que é de estranhar é que. entre as nove pragas que a so- 
de Pdbiola desencadeou sDbre os lineses, por lhe terem 
dilosameute o ÃVim;», on «penhor de prosperida- 
coata no Kaluvala. nilo estejam incluídas as bexi- 
qiM poreeo nílo vnm cou)ieoida.s na Finlândia. ^as»s pru- 
foram: Pleuresia, cólica, reumatismo, tísica, úlcera, san):i. 
tcro. pHste. H a última e peor de todas, a que não tem nome, 
,õuio da fiwejtt K 

bezerro 

10 de Leiria, e provavelmente de Ioda a Kstremaduni 
I buraco feito por uma fa^^ulhn, no fato, quando SC estú 
ir, a cozinhar, a meter pào no forno, etc. » — ^. 



> IUTALHaH Oi CoMfATCHU DB JSrtfH. LUlxMt, 1894, p. 239. 
"ki*liv*n, runa iT». 

■Hfftu ilu anr Acftcio Ae Ptuvn, dali imtumL 



146 



Apotlila» ao9 IHcionárún FoftwfUMM 



bica; l)i.|iiinba; bioo; bicud», bicudo, bicudez 

Aléin doa significados colijidos em vários dicionários? 
palavm bica mais dois: em Cuniiaiia quere dizer «sémeafio 
e na. ílba da Madeira (Pi^rto-Santo) é o nome de uma ySi 
(Anthttft trhiaíif!), à qual laiubém se ali chama hiquinhn. 

For outra parte, a fornia masi-uliua hiru tem, aJcm^ 
apontadas, niais as sef^itiiites acepções: Camínbft: *beij^H 
deira: <l"rKTÍnbo de ravaIo>. Geral: «avea de t-apoeira»!^ 
gallialieiro é provido de poleiros suficientes para repo» 
bicos ' — *. 

Em cal&o: «moeda de dois tostòos*. 

Tenno &ceto: 'bebedeira», como nestes versos de 
Houssado ; 

— Como a «eena é de taboran. 
Armei oi vem» cm bico—. 

Biruàa: '^líuhola>: — «Já cbegarara as bicudas, 

chamara os caçadores» — *. 

Bicado: difícil, ex.: fempoít birud^s, negócio hicuât, 
Dicudei: (neolojismo fac«to): — -apesar da bicudez 

pos» — *. 

bicha, bicho; bichar, bichareogo, bicheiro 

Bicha: Trás-os-Montes: « víbora*. 
Ilha da Madeira: *milliafre>. 
Geral: figura de dança, em que iodos ca p&rm dílo &s 
uns aos outros em fileira. 



1 J. da miva Picão. EnfKoaRAPHu i>o Alto Albutuu, ú 
gaiin.X, p. 545. 

s O Sbcitlo, Ais 1 de novembro de 1991. 
> O DtA, de 2tl d« Mtombn de 1903. 



Apontiío* non Ificionáríoa 1'ortugnfsieK 



147 



Bieho: poliça liara o pescoço: — «Peles, romeiras, bichos *. 
í( quo em francês se chama boa (^boáj, 
JJifJiú do areeiro, ou boieiro. Pôrto-Saoto (Puffinus An- 
ilo r ura): * mergulhão», ave. 

Bichar: «criar bicho a fruta»: — ■ Klvas. 30... A colheita 
la azeitona est^ r-omefada, e é apenas uma meia novidade, m 
ito, porque ultimamente bichou a de alguns vidonbos (redon- 
lil, conserva ewrdovil)» — '. 
ZííWiarCTM/o.' Certa: «texugo». 

Bicheiro: já rejistado no Novo Diccionârto, como termo 
l«ntejauo. com a Begiiinte definição: — «tuhozinho de lata, por 
*A\ a extremidade superior da torcida das lanierna^. (I)e 
r, por allusâo á torcida)» — . 
O étimo é sem dúvida o castelhano mechero, de mecha, * tor- 
qual tem signitica^fio análoga, e que provávelmento 
)u ao Alentejo, por aadiçào, como muitos outros castelhanis- 
108 ali usados. 

Difícil de identiíiiar é o auimnl a que Feniám Móndez Pinto ^ 

;hftnia bicho de voo. no que o compara ao morce'^'0. Não me 

ívo a alcunhar a descriç5o de fabulosa, para que me nilo caiba 

cabeça a carapuça a que linhas antes èle alude na sua inte- 

lute narnitiva: — «isente que vÍo pouco do mundo, [lor que 

ftii como rio ]K>uca, tarnlieui co^luma a dar ]>ouco cnidíto ao 

luito que outros virSo» — . 

Kis a descrição do bicho de voo: — «Vimos aquy também 
llitíA muuto nova niaueyra, & estranha feyçno de bichos, a que os 
^paturaes da terra [Datas, na Polinésia) cbamíLo Oaquesseitão, do 
lanho de hfia grande pata, muyto pretos, coucbados pelas 
com bua ordem de espinhos pelo tio do lombo do compn- 
■de búa penna de escrever, e com asas da feição das do 
nXHTcego, e o pescoço de cobra, e hOa unha a modo de esporão 



> Anáncio no jonuU O SdCulo, de 14 de novembro «le 1902. 
» O KooKnMiKTA, <Ie 4 de dezembro de 1892. 

' PSRBURIKAÇiO, CKp. XfV. 



148 



Ãposlilaâ ata ÍHcionAriftg Portitiju^im 



àe gallo na testa, e o rabo mujto comprido piotiiilo ik> renie ej 
preto, como são us laf^artos desta terra. M^les hielios de \uf>^ 
a medo de salto, cáçfto w bugios, e bicboí) por ciraa das 
res, dos quais se maoteni» — . 

Devemos wnfe^sar, que como descrição levft a palma iis, ái 
Cuvier; y^nsim elu seja ii verdadeira! 



bigode, mosUteho 

A palavra hi^oih é aiitíg^a na línjítia, e existe tambern 
castelhano com a Ibrnia hi^ote, ou auLij^a vitfote. No lHÁijr>uo| 
KNTBE Ladí Calvo y Nuno Kasltra, texto caãtelbano do xvi 
culo (1Õ7U], publicado na «Ueviie Hispaui(|iie*, t. x. U903k.] 
cucontraui-se ambos os vocábulos: — «Utro estilo an tomadn es-I 
tos uuevos olcavaleros [judios] de poço tienipo ava, jtascarwj 
tiesso quatro dellos en cuadrilk [sicj, olieudo olores, putos dt 
aljiiizcle, algalia, beujui. perfumes, encrespaudose los cabell( 
para arriba, i timudo sus viles vigotcs i mostacboB, por pare-j 
cer mas valicntes i rrobustos» — *. 

O termo mostacho veio para o castelhano, como para o fr 
cés moustaclie, do italiano montnrcio ou mofttacchio, hoje w 
gerai substituído ucsta liugua por baf)i, e cuja orijem parece 
o grego moderno uoustákion, ou MousTÀKAt que tem a mesma] 
sigDÍhcação que já tinha no grego amigo mústaks, juutanieute' 
com a de <boiço de cima» *: cf. barba em português, que queri' 
dizer «a pouta do queixo» e «o pMo da cara*. 

Ao mesmo passo, porém, que Luís de Camòes já empreita o ■ 
plui-al do vocábulo higodç nos LusIadas, Torquuto Tasso, na| 
Jerusalém Libertada, serve-se de uma círcunlocuvào para oi 
designar: — <Lascia barbuto il laí)bro e'l nieoto rade» — . 



IBtíO. 



].. 177. 

W. Fnpe, tiKuiCiiuicu^DHUTSOuss UA:cDw<'ÍKTiiHiicoa, Uraniirlqc 



Pc-rfibt ftíraci». AbusM c Ruiue», 
Qae tmtiilo de noma o nome teia, 

Em an^« [K>r(agtiA« jarani <]carríi]its 
De banhar 08 bigodes retorcidos — '. 

Jà antes, Gil Vicente usou o deminutivo higoãezinho: 

ppro — Êlle pAs Jorfa nuooira 

A mio na barba e jurou 

[N! XBvm dinhetra<i p;igá-]ofi. 
Vuko^^Emm barba era vDtviím 

A m««ina cm qac Xs jarou. 

Ou bÍgo<1.<zÍntiu« ralog? -^ 

X orijeiu do castelbano vipoie parece ser a palavra viga, cujo 
H^licado é o mesmo que em português; p<^1o meno» á esta a 
itfto da maioria dos etimolojistíui, mas bastmite problemática. 



billiafre 

Rsbi Tariuii« de milhafre é usada por Francisco Rodrígue/. 

ua CftBTB NA Aldeia '. 
Na ilha da Madeira designa o 'rrancclhO'. 
A mudança de m inicial era h, e viw-verm, conquanto ]>ouco 
rM|íientis nAo c sem exemplo em português: ef. herrão com 
Kinvio; bírii&iro (q, v,), «canado para a ti>rcida, com mechero 
. que t*'m o mesmo siirnilicado»; batota «tavolagom» 
• "*■, • cundunga > em ciuileHmíio. eic. 



Ot( LfJàUuAS, X, 03. 
Um»* ixis At.li(>nHRTS>i. 
leijo 111, i-d. de 1774, \i. -S. 



1^0 



ÁjMtítiJa» «ar ZXrwwdríd* I^nín^ite^f» 



*,-- 



bílró 



É uma interjeiçSo usada em Sain Miguei, dos AçOres. 
a 8Íguilica\râo de bram! '. 
* 

biri-bíri 



— <0s batoques [q. t:] de que usara na ^lerra fiio 
trêa espécies. .. O biri-biri tem a lonna de um cfauruto grosM 
e cnrto, com a ponta cortada; é enorme e geralmente ivio <« 
dois extreií^os cobertos com pelle. Amarrase a uma arrote m 
poste e é tocado com bocados de pao. O biri-biri é que úk 
aignul para as jiovoayw» vi»inbíL8 de que ha guerra ou pn-iM; i- 
tivoa para ella ...Tocado em combate, do lado do maior 'la- 
meiro, dá signol do avançar, e do lado do menor, sigiiul de «ti- 
rada. . . O biri-biri deaempouba ainda, entre as populações stá" 
vagens, o borroroso serviço de cepo de carrasco» — K 



bisbia 

Na ilha da Madeira é o uouie de uma ave, que lambéju é 
conhecida por abibe, termo já coUjido no Coktkiii'obaxeo. 



biscato, biscalbo, biscalheira 

Biscalho se cbama ao alimento que as aves levam no bico 
para os tUtios; outras formas do mesmo vocábulo sAo bi/rraíe e 
biscato, e todas estas trãa formos teem aspecto de ser derivadas 



* O Smcvuo. d« 5 de jaUio de 1901. 

* Atevedu ruutinlio, A caufanha im TIaritA rm IWH, tu «Jm 
du Col(iQÍaa>, de Ití ilo agosto de 190-J. 



qm primitivo hijtco, ou hesco, do latira uescus * magro i-, 

10 pmpòe em dúvida o Novo DiccionAbio. A existir a pala- 
brseo, a eacríta doa derí%'a(]tí8 devpria ser bencato, etc. 
líiéealhcira. em Arcos-de-Val-de-Vez, é o nome que se dá a 

a^ra ruiada ua extremidade o destinada a colbcr o bisea- 

; qae nesta acepção quere dizer * fruta pendente da árvore • ; 

Iro nome é Ituira. que proTávelmente se aplica quando a fruta 

11 t> colhida cora permissão do seu dono, o que parece acoute- 
: muito freqiíeutemeiíte '. 

biscouto, biscoito; biscoiteira 

^iro do oonbeeldo «gnifícado do primeiro vocábulo, aduz 
^Hb Suplemento ao Novo Diccioníhio o de — «seixo, frag- 
Sto (dp pedra) > — como antifio, e aboua-o com o seguinte 
■o da HiKri:>iuà Inhulana: — *... se chama este caminho 
Pedre^U por ser de huma, e outra parte de biscouto do 
[».—«. 

Xoi meus apontamentos tenho ^ste vocábulo, com a se^ainto 
ticaçáo: «Termo dos AçAres: a camada de lava ondulada, que 
TC certos ten'enos». tJiscoitoa é também o nome de uma lo- 
iibule nu Ilha Terceira, o dêst« substantivo comum lhe veio 
1 certeza o nome. 

tíispouteira: «redoma com tampa volante, |>ara arrecadar 
loatoa, bolachas, bolos». É um excelente neolojismo, já divul- 
0, para traduzir o vocábulo francês bottbvnnière, 

biselho 



' atilho 



a Tvt*'*- J. L0lt« âe VaMDOMlM, Hbií1'ioos camukiasos, p. i*t. 

» II. I>. SO. 

s Trí|;tieiruii Marte], Cultvkaj uortioolas. 



V>i 



Aptutila» aos Didonárún /Víwyyof* 



bitúciíla 
Como termo de calão, «o naiiz*. 

bítafe. Y. pHafe 

bítar 
Voz trausraontaua, que quere dizer «entoiuar*. 



bisnaga 

O NOvo DicoiovArio diz provir este vocábulo do Ánhv ha^ 
iinaíje, de orijem latina, pagiiiiaca. É natural que os ái 
eucoutrasaem ii palavra na Península, e a afeiyoassem à lO 
proDunciavão. Ora, o latim paslinac» deveria passar ao por 
guê3, ou ao castelhano, com abraudaineuto do c em y. i)aítt'ma^\ 
Xão existindo cm árahe nem p, nem g póstero-palatal (como uaj 
patfaj, mudaram a ^)rimcira consoante para 6, o a iiltima para gÁ 
palatal africata. quãsi igual a tij, pois é esta a pronúncia clá»-] 
sica da b.* letra do seu alfabeto, que no iCjipto se profere comftj 
o <; de gaio, « em vários pontos da liarbaria como o j portuguía.) 
Dê8t« modo, o romauyo peninsular |Hiv<;/fM^n passou a sasTÍMAOBt 
e deste procedeu o jwrtuguêít hixíutga, com supressão da 2.* sí*] 
laba átona ti. Cf. Btja do latim Fax, ou Pace(m) no acuss 
tivo (Pax lulia), conformo demonstrou DaWd López uo seu 
estado TopoNTuiA asíbb ob Portcoal *. 



1 jfi <B«vue Hifp4iiiqQ«», t n, p. U9, (1902). 



bísaro, bizaro; sedeiido, niolarínbo 

[feite termo, (jue o Iíecbnsb^mknto Gkeal mm t>\Df>s ' es- 

Inuara, f cujo ytimo d desc«ubecído, sendo difícil ticsur-lhe 

^rtAgrniia, designa lima mça de porcos própria do iiorte do 

10, fl assim dffinid» na mesma inUrcKimnte pubticavi^o oticiul: 

[■cabeva comprida e estreita; orelhas taml>em muito i!ojiiprí- 

e pejidcuUs. ctiegaiid>i a dois termos e mais da extensão da 

O pescofo é delgado: & extensão que vae desde a nucn 

k or%em da caudu é muito oonsidcravel chngan<lo a medir 

^40 e mais: linha dorso-lorobar muito convexa ou arqueada; 

muito estreito e achatado ou espalmado, ausim coroo o 

que é muito mais alto ()ue larii^o. As pernas silo lambem 

altns e ossudos. As cerdas são compridas e grossas, sendo 

[cdr geralmente preta. Ha-os também brancos c malhados, e 

Ido wímente t Trente aberta, uma lista bi-anca 8obre a agulha 

t^^fiudna^. e Imixn c.t1çado.<4. 

í>Ão gfrulineute muito rorpulentos. 

Oa porcos de cerdas ou pellos maia densos compridos e gros- 
ado chamados sedeudos ísedeúdosj. ou cerdosos: e aquelles 
t\ae ellas eSío menos grossas e compridos, ninis raras c a 
le maip fina se chamam molhinnhos • — . 



blasonar 

verbo está detiuido em uni sentido especial no jornal 
íEccLu, de \2 de agosto de 1900, aos termos seguintea: — 

10 entrarem nos logaros destinados á realÍ2ai;áo das justas, o 
d*anuaK descrevia, em voz alta, os emblemas do escudo do 

imvindo, e tusâm m tícava sa)>endo quem elle era. A i.-ito so 



I UalMn.l8T3. 



ApoBtitoM no» IHcumãrion tortwf»ntesi 



A forma blasonar, em qualquer acepçílo. e a apontada 
ser a primitiva, é castelbauísmo, poiâ ao btasòn C4ist«lbanoj 
respoDde em português bramu, siibstiiDtivo do qual se deril 
um verbo fajbra.toar, e auo blasonar. 



bolx» 



Júlio Oortni * iitrihui a orijem deste vocábulo ao latim pQ^ 
pus, «mpaztnbo». Não creio: ao d lougo correi^poude u 
|>ortu(íiK's. c uâo ú. 

Farece-me qui' ^lara o porlu^êa veio t'ste vocábulo do 
Ihauo bobo, em que ainda perdura como adjectivo usual, no 
tido em que empregamos iôlo, e que pmcede nessa 1ín^'ua 
latim l>altius, «(ía>;o*. Ijiie a palavra portuguesa uão pode 
var-se i mediu ta rueiiie do mesmo ètí;n<i que a casLelUaiia prol 
com a eircunstáucia de que, a ser directa a deriva^Túo, a 
portu^esu seria buubo. como é em mirandês, com dit 
cf. outeiro, cast. olero, do altarinm, poupar, dn palp( 
mouca, de Malcbus. 

Outra circunstáucia (jue concorre para aceitarmos a pi 
aiéncía castelbatia é que bobo. em português, qiiere dizer 
«jogral >, e não produziu derivados, por ser termo do siguifii 
muito restrito, e de aplicação especial; entanto que em 
lhano cie tem várias acep\i>cs, e deu orijem a nada men( 
onze derivados por suticso. e três por preficso. Nesta líu^a 
vitalidade; em português foi e é uma palavra estéril. 



boçudo 

Éâte adjectivo, que suponbo não ter existência independe 
vemo-lo empregado junto uo substantivo paus, paus &oj 



1 tÍRtTKnRIM8 l>H1l ROMAMHCHBN ?UlU01>0GtB, I, \). 7'2l), H.^ 27J 



Aptttila* nnn lUnmtàrtOê I^rtugueMtÊ 



Id assim definida: — 'mocas usadas como anna de guerra 
{Çeatiii da Africa Occidental Portu^imsa> — *. 

bofarinha, bofaríntieiro: V. bufariíilia 



bogacho 

U Beira-liaisa qnere dizer ■nov(^Io> K 

Lisboa chama-se hfiifofkinho ao resto á*í mn norélo, 
lo já pcnleu a fonoa globular: cf. hogalho. 

bot: bui'beato; boi (de)-cavato, boi de inouta(da) 

Ka ]>rocisiiiio do CorpiMle-I>eiis, celebnída ein Caiuinho. vai 

\\» um bui. uédiu. lurmoso e ri>r|iuleDto, enfeitado de (toros. 

uma altiijsima rriix, formada também de tlores, erguida 

u urnia». Cbamaui-ibo o boi-hen(o, como lá me disseram. 

« fHe}'ravnlo, oq boi de motitii ou (//> rnontoda se deiio* 

BI noíisa Africa afiuele que la substitui o cavalo, como 

A priniyím expressão está abonada no jornal O Ei-ono- 

h, d« 11 dt* agosto ilu 188Õ. e é s mais usual; a seguuda é 

regada oa obra dt* Heiíhijue de Carralbo, BxpkdicAo portc- 

:a ao MCATIÀSVUA ^ 

I l>oIçar 

^A forma antiga dêstc verbo é boomçar, bonçar. o que indioa 
Bknwnio o seu étimo uomitiare, como já o aponta D. Caio- 
OB MicfauPlia de Vasconcelos, na Uevihta LtttirrANA, i, páj. 299. 



ji P. Sktnmlno, Confpr^ncia fuiti na SocIrdAile ile Geogpmfla de IJsboa 
PJd maio de IVK), pnt»tira<Iii no» Arubtos. 

> Iníumii^i» do oditor, lutiiral de Almeidn. 

1 Lf>1'>-« I.ini. 



'^ 



Ajyitilas ans Dicionários Parluguata 



boliço 

O vocábulo reboliço c multo usadn; niln assim p 
primitivo, que era freqiicnte dantes, a ijue vemos ympi 
cronista Uui <le Pina: — * encomeudánlo ao Daiilo qiie 
cora ella [a Rainha", para que iiuisessí» repounar á voa 
dar <.-;tuáa a boliço», de que tanto mal se podia â«gu 



bolo; bdla 



Holo-de-vinte-e-quatro-horait se chamo em Aveim 
pécle de amiíada, que leva 24 horas a aproutar-se: U 
ovos e Açikar. 

No Alentejo denomioa-se b6ía o chamado • queyo 
que om outras paitcs se diz queija, 

a homn. (e não) o boma 

K palavra da Árríca Oriental Portuguesa, e o seu 
está exposto no S4'guiii1e passo do JoH:fAL das C^I 
24 de deiMimhro dy lílOi: — mio bomn ou forte só 
guarda » — . 

l>eu-se-tbe aqui o gi-uero masculino, iufiiiidiidamou 
liuiruos cafriais uuo difereu^am géneros gramaticais, e 
pela sua teruÍua^-ão. ú fcuieuina om português. 

bomba, bombo, bumbo, zabumba 

fostes TOfábulos, mais ou menos on o mato poéticos, 
tativoá de soDâ, com os seus derivados, como boi 



^ CbòNICa ob £l-hei Dom AmxKO v, «fi. lih. 



K flaríam caiiiui a iimu entfOKíi. monografia, (tam ahuiidunte 
luciosa como a ijue Hiigo Schiicliardt consagrou aos deriva- 
do latim coohlea ') a começar pela inteijeiçúo bum!, sil. 
^p^tida. hiimfptvt! 

Cuiuiguarvi ai|ui apeuas o sej^into: 

kA forma biuttbú é a popular, talvez por iufluéncia <la iuter- 

lo, e ampliada aiitda com a sílaba stt- preãcâada. o qut apro»- 
rocábulu do casUdhanú zambom^ta ())r. íímnfjomba), nome 
eni blspaaha se dá ao instruiueDto grosseiro e importuno a 
tmi p4trtD^ids s« chama ronc/j. o qual consiste numa caixa 

rvHoimncia roais ou menos cilíndrica, alierta num U\]K>, e cu- 
no outro ctFin uma ptílt* piitirada. a que está preso interna- 

ite (im conlol encerado, pelo qual se corre a mão para o fazer 

A forma tida por culta, bfímlto. designa um tambor ou vmxat 
|Ugameiit« muito alto, hoje de altura inferior ao diâmetro, o 
il se bmje com uma ina^-auela. 

A {Kilavri parece (|tie veio para cá ilo italiano, como outro«í 

le» de in-Hlnimentos: em ÍI-alÍauo da-se o uotiie do bambo a 
inota musical, repetida, sem variação alguma /ronca), e o 

íbo. na realidade, uÃo áú mais que uma nota. se nota mii.sical 
de cbamar o 9<iidu de uma pancada, í>empre a mesma. 

Bm ntzAo da forma, dão os pescadores da tartaranha, do 
\fí. -u^naleDses e burreirentos, o nome de bumbo a uma 

u alta onde expõem à venda o peixe do mercado da lota, no 
•rro da-Hoa-VÍ8ta. 

ita bumbuít tiáo ftíitoH de um barril aerrado ao moio, e por- 
ito, de cada barril fazem-se dois bumbos, ou selbos dessas. 



< Kí>M*siwiiK FTYMot/míBKs. H, ifl <S!txaDrrlKríc))lca der Kai-rrli- 



bonibaça 

No eBtudo de Kocba Peixoto intitulado Os palukiso» 
irrroBAL ' lê-se: — <D'uina cohertura de duaá afçuan ;do 
correntes], telhada, raro côlnio, irrompe, para eacoauLe do 
da cozinlia, uuia bombafa, quando nfto c uraa simples 
ou mesmo iiada> — . 

Antes ^ dissera o mesmo escritor, referiudo-se a edif 
portuguesas várias: — «Dos telhados, resaltando á frente 
rachorros de madeira, recortadas e libadas ao frechai. .. 
i^baiuinéd de tÍ{K>8 vários, como a bombaça (Mitibo e I)ab 
OQ as que semelham tumulas (Alemtojo), minaretes e zimbor 
(Algarve); n^outros nem existem: t^ ua serra, onde as 
parecem uniformemente vestidas de fuligem*^. 

Estes dois trechos completam-se um ao outro. 

É pois a hotnltara unia espécie de chaminé, e â ti: 
ainda não rejistado em dioionârio.s. 

A propósiUf direi i|Uf^ » povo pronuncia melhor que 06 
tos a palavra ehanirné, pois diz cfaemint^, do fraumi 
»t'e: a forma liUTária chaminé ú devida a falsa aualojia 
ehama { flamma, vocábulo com o qual não tem nenliuma 
laçâo. 

O fí*ancê8 provém de camtnata | camlnus, palavra 
03 romanos receberam dos gregos. 



bombeiro 

Desif^a 6ste vocábulo, nas marinhas do sal, um tabi 
sAbre o comjirido, com um cabo, e ura pau roliço atrav< 
meio por dois buracos abertos nas paredes lateraiã. 



1 ín PortugRliA, I, p. 87. 

2 i6. p. 8.x 



'«m figurado no jornal O Secui/), de 10 de junho de 1901. 
lentc com outnu alfaias usadas na lavra do saJ. 



homlioUiro 

pidavru. usu<lu uo Fiincb^il, ê o ajiortuguesiuiitiiito, L'om 
-í*í''(> do vocábulo iuglés hunthoat: — < Logo que ftitideoQ 
íone-Caâtle», foi rodeado por grande quantidade de barc<>s, 
linhidn bomlioteirug. I)ú-se este nome aos homens que se 
pregam na venda, a bordo, dos produclos da Dba, entre os 
asuanieiíte c viuUo» — *. 



bondoso, boudado&o 

lioruloso biignilica o que tem honâwle, e também existe o 
etiro botuiodosfí, de que o {uimeiro é furoia sjuiplilicada '. 
iN&o sfto poucos estes casos de Uaplolojía cm portugu^, e 
iptoa análogos temos em nautioso por mudados, de sttmiade, 
' "X furithtdo^o, df caridade, ciiidoso. por cuidadoso 
'. sondo a seguu<la forma do adjectivo a mais usual 
% nia-i qne o nlo era no tempo do Camiões depreende-se do 
>rè^o que fez de cuid&své: 

Do futaro cutjgu nAo ci]I<1úi<o« >. 

Ouiro caso de haplolojia com polissiuteso é, por eiemplo, 
itgo, por filho de aU/o. 

[Pira evitar a baplolojia. ou simplificarão dos vocábulos me- 
snpressao de uma sílaba, quaudo duas sílabas consecuti- 



[i O Smttxjut, de a ds março de 1900. 
■ .1 " ; ;■ VMConc«lo8, Rhtihta Lubitana, tfiç p. 272. 
> • 'AS, m, p. 132. 



160 



Apoatiiaê aoê IHeioHário» Purtuguiac» 



vga comeram jvelos mesmos elementos coiisonán ticos, m""''-^'' •* 
raeiído a vogal surda da primeira delas, em outra mais 
assim temos: <iitiaí, por dedal { deilo, se Hão de digitais 
dizemos tledeira. sem haplolojia; jyufn. e jajum, por /* 
]tino, por pepino, etc. 

Uaplolojia notável ó a que simpliticou antiganiento 
ilnar em consirar, que vemos, por exemplo, em Kui do 
CttósicA DE E1--REI Dom Afonso v (cap. u). O povo, ainda 
porque o verbo nas formas arrizotònicas, como o infinito, tem 
e8rrito, que se uão lê, pois pronuuciamos cotmtirar, e oftOt 
siderar, coiijuj;a-t* nas rízotónicH!! aera esse e, dizendo corvi^ 
por amsidéro, assim ílando-o a vidro, de vidrar, «jue não e i'idiit'4 



bonideco 

Esta expressão adverbial, usada nos Açores no sentido em 
empregamos de boa vontadfí, ou ein francês iHÚimtifr.i, tem 
jem erudita: 1^ o latim bono et aequo, com supressão do o 
primeiro vocábulo. 

bouzo 

* 

fel vocábulo japonês, e como tal sempre foi considerai 
havendo sidd introduzido na Kiiropa pelos portugueses. K tVeqiieol 
uos nossos escritores, (piaiido se referem à China, Japiio, AnajiM 
Siame, Camboja, a toda a parte da Ásia onde impera, comn 
lijiào dominante, o budismo, mais ou menos adulterado. — 
pois da morte de seu pai foram os bonzos que assistiraiii ao p*-^ 
godé» — *. 

Os nossos dicionários c os albeios diio como étimo a esta vai 
peregrina a fonua japonesa honi; mas a verdadeira escrita serâ 



1- Aitt<»iiio Francisca t*ariUm, Batai41A8 da Companhia iir Ji 



ApOBtUaa aoê Dieionàrioa Portugueãa 



vn 



b^tuu, daudo-so ao <m o ralor que tem em poituguõs. 
4 dasti forma, porém, que o vocábulo foi tirado, mos siiu 

tta dialectal, bámu, o que explica a vogal que adquiriu 

rtugués. 

freqílente esta adjunção de n às consoantes sonoras entre 

, cm certos dialectos da liogiia do Jap3o, e assim se moti- 

I Mcritaa portuguesas iVani/o-fAm/itr, Camfoximá, etc. 

meimo ocontoceu ao vocábulo biombo, em japouús biõbu, 
àmbu. 

boqueirão 

"Sovo DicciovAbio reji3ta este substantivo como nome de 
siie, cuja vivenda é no Alf^arve e nos Açores. 
Todavia, no jornal O EJconomista, de 14 de setembro de 1888, 
lo o Caufkío das Províncias, de Aveiro, lemos: — «No 
lo n3o ha positivamente nada. Um pouco do boqueirão 
^restava das últimas pescas, vendeu-se logo que aqui chegou 
râ« o milheiro» — , 
reco portanto que se encontra em outras águas mais ao 

Cftgtelhaoo há hoquerún, que o Dicionário da Academia 
!ve do seguinte modo: — « ?l'Z dei orden de los mitlacopte- 
lea, mnj comuu en el Mediterrâneo, de unos ocbo 
de lou^'itud, cuerpo largo ['comprido») y compri- 
T«rdo60 por el lomo ( » lombo • ) y plateado en lo demás, y 
qop se prolonga hasta detrás de los ojos» — . Parece ser 
último característico o que lhe deu o nome. Ignoro se o 
que em tH)rtugu^ se chama baqtteirào é este mesmo. 



borco (pi. biSrcos); emborcar 



ItanU) no Diccíonauio Contbui>úbahbo, como no Novo 

toTrAmo dá-se este vocábulo jror si^mente usado na locu- 

aitvcrbtal '/<■ /iiiívo. o qnt' inspirou a Júlio Comu a etiiuolo- 

U porco. busUuttí singuliir e iuverosimiL No Suplemento ao 

II 



1A3 



Apostitwt lo« />ííii>íi íWiW PnriHffwim-9 



Novo Dior. re1aciona-6e borm com bolrar, ilatl') tu» «Ntrjx 
dicioaúrio eoiiio vot^ábiilo traiisnioutaiio, com o iiignÍtk'.ado 
«fazer cair, voltando > — . Borco, porém, exbile como Butbi 
independente. 

No meu trabalho sdbre o falar bragançano, inserto Dfi 
lume da Urvista Lusitana, a páj. 212 ', incluído no t« 
rio transmontano que ali |>uliltquel, r^istei o verbo 
comparando-o vom o oa3t*ílli;iui) wkar. •tombar» iini carrff»^ 
eieiiipUi, e o jiortugucs comum emborcar, subordiínmiloHu 
ao latim inuoiuicare, de uoluere. Ainda mantenho a mi 
opinião, que é confirmada pelo sulwlíintivi» borco, « torr ' 
pi'egado no 8eguinic< trecho: — «[cambalhota] de cima pj 
aos borcos como cobras » — '. 

bordJo 

Bsta palavra, na acepção de >modo-de-dizor que se repete i 
mciido, toruoiído-se habitual, o a bem dizer incenso iéiit«, t 
em castelbauo. com a me::íma rolarão fígunidu, se diiK muk 
é já antiga em português, pois a renita empregada neste 
por Antdnio Francisco Cardira nas Batalhas da Compí 
DK Jesus ^: — *o Iwnlãu (-«m i|ue se defendnm oaa rcsiKUt 
dizer que assim está uo» seua Uvroa» — . 

boruudo 



— «Ave de formosos pensas > — *. Difícil definição para* 
poder identiftcart pois timto ]>odcria ser imi pavão, como oB 
canário; em tudo o casu, a ave, descrita com tjuita paiciíuúnifc 
é da África Oriental Portuguesa. 



i l$>17-l&d9. 

z Man-fUno <le Mvdquiti. O Tio Pbuko. 
3 U*hon, \S9i, p. 2.jít. 

• Diocleciano FcniànJci ilas Xcvns. lTi:«eHAftIO DH CIW TlAOt» 
CAÇA DO» BLK1'HAXTKS, Linboa, 167S. p. bH. 



Aptntilns aon DicúfttÃrhn JWtmfuaini 



163 



borracheiro 



te voeibulo cs^á defíuido no Novo Diociokíbio como signi- 
o: — « fàbrirante oh voudoilôr de l>oriaohaâ> — . 

, porL^m, outro sentido, que nilo está rejistado: tí «o m- 
00 d« Kio-Miiior que daquela [Hjvoa^íio cttndtiz rinbo paca 
naturalmenUí em odres, ou borrachas. Assim me 
10 uiiia i-ríudu nalunil daquida frc^iesla. 
Qu* o meâmo nome se dá na Tlha da Madeira aos trahulha- 
bí oi*upadM om análogo mester pruva-H»? com um bilhota pos- 
iluskrado, o n." 111 da rolecçâo b. p.. o qual representa uma 
k de homous, com borrachões ao ombro, juuto ao caí^al. em 
paredu ulterior estão eufileirados alguns ca^coa, coui um 
twnpos Tirado para essa parede e o outro para os homens: 
íjenda dix: — «MADKIUA ixirbacheibos» — . 
Há portam uma diferença entre os borracheiros do Itiba-Tejo 
da ^ladeira: i que estes trausportara em borraoliões o mosto, 
^gareit pura as ade*^'), entauto que os outros, em iguais 
Bmi. conduzem o vinho Ja feito, como fica dito. 

T^ftTrt DiíJO. rejista í^st.e verlw, como sinóuimo de «emboa- 
>, derivado de hmta. 

Ni ludia portuguesa, conforme informavilo do capitíLo-dtvmor- 
wrni Júlio Klesbflo Pereira Sampaio, que ali serNiu por muito 
ípo, bostear sipnitica:^* revestir de bosta as paredes- — . 
O XrtTu DkxiionAbio define o vocábulo bnsiciro do mwlo 8b- 
Rto: — «eacaravelho que Tive na bosta > — . 
O Co»TKMPoa\xKo rontentara-sc com dar o vocAbuIo, cuja 
ím é evidente, como sinónimo de escaravclh), e creio que 
> nzfto. Com efeito, na Gazeta das Ai-okias, de 24 de se- 
ihn> d« 1900, lA-se: — «O escaravrdho, corno a maioria das 
^es dn g£aero, suatentA-^ío úos dejectos dos herbivoroã, \>\\\\- 



bostear; bosteiro 



164 



Apostilas aos Dicionários Portugucte* 



cipalmcnte da bosta dos bois e dos cavallos. Dubi lbi> 
nome popular de hosteiros, por que a gente das aldeJasl 
OBualmeute os conheço» — . Tê-se, jwrUntc, que não é nc 
qualquer espécie diferente, mas sim alcuuba que lhe foi| 
em nizilo do:; seus bábitx)g. Nem êle vive na bosta, o qi 
traria existência luuito precária; se a busca, é juira alime| 
não para fazer nela vivenda. 

A mesma útil publicação acrescenta: — «Julpou-se dl 
muito tempo que o escamvêlLo preparava esta bola [qne 
da bosta] pára nella depôr os ovos, mas está recentemente tiro 
vado que ella é única e exclusivamente destinada á alimeoUfii 
do inserto > — . ^^ 

Como a Gtazsta das aldeias segue à risca o 6Í3t«^H 
acentuação e quási pontualmente o ortográtíco adoptado uo?%v 
Dioc., ao leitor do centro do reino depara-se por vezes indlcaçl 
de prouuuciações que lhe síio estranhas, e nas linhas qne 
creví há duos dessas: a primeira que, conquanto diversa 
é corrente em Lisboa, c menos singular, escarav^Uto. qõí 
capital se protumcla cscaraválho ; e a outra, mais inesi)«na 
género, que em to<lo o litoral no sul, desde o extremo Algtrl 
até Figueira da Foz, pelo menos, se profere género, com e «bdíl 
na sílaba predominante, que é a primeira. mà 

Entendo ser defeituoso este sistema de uma parte doB^ 
imp6r pela escrita as suas pronunciações locais ao resti dis pr 
TÍncias, mormente à capital, que decerto as nilo seguiri. K tv 
ra?ii0 disto que eu, apesar de adoptar um sistema rigoi 
aceiítuaç&o gr&fica, marco sampre com o sinal geral do 
tónico, o agudo {'), ^ vogais a, e, o antes de consoant«' 
por o seu valor variar muito de uns para outros pontos, 
com o circunflycso, que particular e unicamente serve para ini 
car, em caso de necessidade, a e ^ o o que são proferido* coi 
fechados em toda a parte '. 



■ V. lAbra esta usuifeo OnTOoaAPiA KiOiúnal, do autor, LUl 
1904, p. 170-181. 



ApMliiaB ao9 Dicionários Porluguarê 



I«5 



bot4ird'igiia 




!«, apropriado a resistir à agua, especialmente nas 
vuu. está já designado com este nome no Suplemento 
b(v;Ao DB LBOi-sLiLV^o POBTUOUBZA. refercute aos anos 
W762, em um aviso de 23 de outubro de 1753: — • se dô 
mtos de Dragões do seu Kxercito botas de agoa> — . 



bouça 



í palavm, formalmente, parece provir de baltoa, plural 
do adjectivo baltens, baltea, balteum, substantivado, 
J»tiin «igiiitica *o que cinje», e do qual o Maonim 
|b Jo«é António Ramalho * noH dÍ7- aer mais usado 
itivo no plural. K definida uo Dicc. Contemposa- 
Itermo minhoto, coiu a signiíicaçflo de — «terreno onde 
para adubo, por não ser próprio para cultura» — . 
inoçrafia de Alberto Sampiuo As tillas »o nobtk db 
* b>ino8 o seguinte: — «as bouças (banzas, hustelosj 
Mciam o matto para a cama dos aniraaes, e a lenha» — : 
Boduz que a acepção é roais lata. 

Rneiro dêsti 



braga, bragal 



■liro dêstea vocábulos, do latim braça, o mais trivíal- 
^racae na plural, cj.>mo acontece entre aós tainbéui com 
los, de que se faz uso, por ex.: calças, ôculoa, 
M, etc., não deãigna em portugu&s. como na Un^a 
>vém, «calçait cotnpridas, atti os pés>, mas calçotas 



irtagallB, I, |i. 324. 



llltí 



JposUlw íUM DitionAnc» PorUijpietn 



curtas, aÍDiia maia que os ra1çô«8, como ait qae asam os 
res do madeira. Desigua tambóm. do singular, a argola de 
«u ^Tilheia onde prendia a cadeia do f^ri-o dos conde 
Imballios públicos, e que se via froqueu temente há cin 
anos em Usboa nos calceteiros, quando o oficio A^sUis «ra 
sempenliado ]ii>r bandos de galeotes. »corr«titad<r4 a dolsedfii 
qao 8« denominavam tuinlnMn línlheítui. V. calcota. 

Alberto Suniftaío, nu cscflcnte itumografiu A;^ Vii.u^ 
KoHTs DB PúRTUiJAi. ', rcfere-se dúãt« modo aos dois vocibi 
fia fpíírrate: — -A terminolo;?ia |da cultura, cura, liavào ií, 
dum do liulio no norte de Portugal] tem a meáma procn 
[romana';; assim bragal, df^i^nundo tanto a ronpa branca 
o pano que Ibe <^ destinado, e bra^a. bragas (de braça, }t 
galln-1 atina), ma^sar (maamre, esmagar as hastes do linh< 
topa (íftuppa}, touientos {tomentitm), espadella idiminutí 
upat/utj, espadar ou espadelar (bator com a s{)atba ou e^ 
estriga (strhfa). fuso (Jn^u^), miiun^r:) ou niain^>u (manuiu 
de mtmuniium, ou dv rtumtcúi, pi. de maniriumj, e roca 
got., em esp. riieea, em ital. rocca) — todos estes tcrmoit pi 
do latim, excepto o ultimo, ci^a origem germânica nas tn 
guas è siuííular- — . 

No Ki>rcii>AKio de Santa Ilosa de Viterbo vem um 
discurso sdbre o termo brrvjaí; nem aí, porém, nem em n 
outro dielonário vejo apontada uma ace{M;\^o cspi^cial qu* 
esta piiluvra, e é o ■ pano com que se cobre a farinha dup 
amassada « — *. 

breca 



O significado dêstfl vocábulo ó caibra, e a éle se dõv( 
bordínar as várias locuções com|rcndíadas no Suplemei 
NOvo DiocioKAaio: Uoado da breca « travesso •; yW-.w 



> Bbtibta Lusitana, t. vi, p. Vitò. 



• foi-8e ospui)tado>; /a; eoiieas ila breca, 
ilicas'. <como se estivesse atacado de cíiibras». 



faz cúQsa» 



brejo, brejeiro (=-brèjeÍro) 

O étimo (lo primeiro dr-HtBS vocábulos ó desconhecido, pois n 
jilatiaíveL em grego f]KAr.f)«, <pau1>. olerece grandes di- 
lldftdvs rooèlicas e mesmo biâtôricas, pura de leve poder acei- 

iDí hrejo parece provir brejeiro, com è abeiio átono oa pri- 
silalm, »to é, sem enfraquecer o é do radical, o qae aliás 
IP *\\iaji\ sempre autes dt! consoante palatal, quando o e é 
to: cf. Jrèeiwiro, lie /récim, sfjelro, de ftèje, vi-lhice de velho: 
m olnta a eata lei envejom, de env^a, pois o e antigamente 
fechado, como procedente do i de inuídia, e o ser aberto 
r^io dv se baver tomado como substauiivo verbal. 
Xào mo ocorre em que dicionário português se explicava hre- 
ctimo derivado do brejo, — «porque nos brejos so fazem 

Ê9t< .•> signitka <oh8ceoo>, e «ordinário*, e neste 

tido M empregava para denominar certos cigarros do antigo 

ktnlo de tabacos, anterior a 1H64. feitos com péssimo o fétido 

picado, eâcorrcudo mtdap, e com a<) inortatbas de rtilm pa- 

maucbailo de iiiÍdoa.-i alumbreadas, do rcvinuur da humidade 

l^labaco: castavam a trêa 5 réis. Parece que ainda hoje assim 

trn os rigarros piores, comprados já feitos, como se 

!'• seguinte passo, primor de observação rigorosa: — 

jíngfto e andar de fadista, cigarro brejeiro sempre ao c&ata 

[WcsL, cuspindo a mendo por entre oa dentes» — '. 



i õ SnuruN (Ic 10 de «ât4*mbr» At \9:K\ 



Wi 



Apvgtila» am Dítvmário» ÍVíu^míhm 



-^ 



brelho 



O latim itnbrex, imbncis, que provém de irober, imiti 
• aguuceiro>, e sij^nífica <telh&' (] tegula), «âtá provávelmnli 
representado em francês pela palavra brique, e em italiano j 
hrirca, «barranco por onde a áçiia se despenha*, e que 
sentido especial foi talvex o étimo imediato do termo francíí. Ka 
português temoíi no Minho um vocábulo, não derivado dirwt»>J 
mente do imbricem. mas do deminativo imbriculuin: é 
■(fragmento de) tejôlo», colijido por J. Irfíite de Vasconí 
que lhe atribui, com razão, e»ta etímolojia '. 

Vocábulos modernos da mesma orijem aio íihAtíCí»', íi 
farfo 1 imbricare. Outra etimolojia proposta para o 
brigue é o inglês bríck \ break «quebrar». 



brendo 

Na Uelni-Baixa denomina-se assim uma espécie de parfb, k\ 
quatro a seis dentes, fabricado de madeira pelo carpinteirv. 
opodçAo a tomadeira (q. v,) *. 



brinco, brincar 

Ou brincar provenha de springan, no sentido de >pul 
de bliOyikan, no do • gracejar, eutreter-se »t sendo pnrtant 
mas converjentes; ou proceda de um só dfigtea verbos gemi 
cos, sendo a secunda acep^-ÍLo desenvolvimento da primeim; 
ainda, o substautivo brinco significando ■ pinjeiite > seja o 
uinc(u)lum, iudciiendente portanto de brinco, substantivo 



* Rbvista Ldsitaka, ni, p. 207 

s loluriuaçAu do editur, noturmi de Almeida. 



Apottilaa mm Dieunárioa Foriugttme* 



160 



rízotúnico do verbo brhiear: o que é certo é qae 6stie ea 
urtQjTués adquiriu sij^ilícAdos em que o seu correspondente cas- 
PWÍuDo brincar, «pular», o nio seguiu, pois ua segunda acepçíLo 
}*f díí ali jwjar, jugueiear, 

Kutre o poro, do coutiuente, o verbo brincar era usual ao 
itido de • builar», e ainda hoje não perdeu de todo essa acep- 
qup vemoH exemplificada na seguinte quadra, vulgar há 
kenta aiio^: 

— Ò meaina du luranju. 
f^\rtc^ qae tU e qae tem? 
Yatjb está tam ouniilinha, 

Vocj bríncuQ cota alguém. 

É6te significado conserva o subsUntivo verbal na índia por- 
em tioa |ielo menos, como se lê no seguiuto trecho de 
correspondi^ncía de lá. publicada no jornal O Século, de 26 
le julho de 1902: — «Danças chamadas hrincoíi, populares, de 
kiisUos brahamenes [sic], moiros e outros gentios, com suas 
lusicas caracteristicas • — . 

O mesmo substantivo, que também si^ilíca «brinquedo de 
riança'. foi [jor Ânt-únio Francisco Cardim empregado num sen- 
tido muito especial^ o de * galantarias >. «buji^ran^as*. correspOD- 
it« ao francês bibelofs, e que o trHduz perfeitamente: — «Era 
ir o pailre ao paço beijai' a mão ao príncipe pela mercê, e 
itar-lhe agradecido alguns brincos da Kuropa e Cbiua* — ^ 
irincof: da China é também expressão de que já se servira 
iãm Méndez Tinto, no mesmo sentido de « galantarias » : — 
embmador comprou muitas peças ricas* e brincos da China 
aquy se vendião muyto baratos, em que entrou grande quan- 
lade de almizcre, porcellanas finas, seda^ retr<53, e peiles de 
«nniahos* — *. 



1 Batalhas da Coupaíiria db Jwnrs, Liibm. 1894. p. 145. 

> PBRaaiUNAÇXO, CIIC. cuxvi. 



ApOãtiloê aoa Dicionárítm I\trlnfftief'i 



(de) bruços 

Esto modo adverbial, cuja signiâcaçâo é *áe peito 
baixo*, ■estendido com o rosto para o chão-, o & qnal cof 
ponde o castelhano tle brucea, é «xplicada impt-rfeiUmente pc 
bu£, com fuadaineuto em que oe dicíoDárioít custtflba.Do» rdiuiif 
nam taiuh(-m a variante do huee», que ítupniiho não ser lojilima.] 
Coin respeito ao bu^ com o qual o relacionam, pode verwe 
DiccioNABío MANUAL CTvnoi/Mnoo de K. Adolfo (lofdbo, o 
resuuie a argumenLa^'io de Diez, que aqui nQ*» repito, por^ 
parecer de pequeuissimo peso. 

A expressão parece nilo ser antigs era i>ort.ui^ié8, visto qt 
Blut4'au a iiilo iuclniu '. Partindo desta omissão, suponbo qnftl 
locuvão, muito trivial hoje, e da qual se derivou o verbo 
òr*u{-ar-.v«>, proveio de Kspanha, por intermédio do castelhauOt' 
qual. todavia, nilo derivou verbo da sua expressão de bn 
como aconteceu em português com debrurar, 

A orijem deste modo adverbial parece-me ser o vascoí 
buruz (pronunciado buràç), c-uso mod;il de buru, <cabyya». 
certo que o DicioDári» vasco nço-francês de Vau Kjrs * >í'í 'I:i 
este caso modal burtiz a signifíraçâo *de cor*, «de 
como também dizemos; é "posaive], porém, que, assim como 
meio do mesmo suficso -cz, de o?!, ou oin. < pâ *, se forma 
ohxcz, 'a pó*, a forma bitruz, signiHcasse 'de cabeça 
baixo]», e que dessa acepção restrita, em qualquer parte' 
VascoD^adas o caso modal indicado viosse a siguítirAr 
*do cara para baixo». 

È isto uma simples hÍp(Ueae, que me parece mais aceitai 
do que a proposta por Diez, e por isso aqui a rejisto, para 
mento de mais rigorosa investigação. 



* V<3(;aBUI.ARIO PORTtríii:BZ LATINO, 

* BiCTiONAiHEi nA&gcu-PRA!íÇAis, Pam, \)S79. (mb tioc. bira. 



briisa, broxo; bruxulear 



itÍDtívameut« se foz a aprosiíinia^^lo dos dois primeiros vo- 
com o Urcoíro. Xlé aj^ora, port^ui, as investigovões etímo- 
' iioá a cODsiilerú-los ilii^Uiitos. I>ã-»e como (^^timo mais 

j bruxiiU-ar. português o castelhano antigo, hritju- 

(pron. hruyulear) c;Lstelbano moderno, om ultima análise 
r«I>o latino pertintulare, que seria orijem também do 
'- ■ folarc, Itruciare e bru^cmre, os quais, como o rran- 
a^fcr, i! u moderno hrãler, signiticam •qubiniar', 

'•'ionar«'i aqui outras hipóteses, a não ser a título de 
- . ; - . L- por iwr lie quem é, a de João Storui, a qual con- 
«m admitir a influiíncm do (germânico hrutwt, < queima*, 
láebfenrten, < queimar •.uum lu!.im husltare [ bustum, 
lirira* (of. comburere, «queimai'»), de que resultaria uma 
nora no latun popular brustulare, brustiarv, dt^ que 
riToríam as formas italiauas e a francesa. 

JgTima-i conjecturas mais ou menos plausivcís se tccra 
da etiuioloíia do brijundear. nenhuma se apresentou 
4« &rurej, que apre^icut^ probabilidade; nfto serei eu de 
quem t4.*nto nem mesmo dciiceirar o véu que encobre a 
íl^te íniereMsante e tara popular vocábulo, porque me 
ab,í*i|utamentrt in*«stiga^'õeji que ofere^^ ao loitor como 
de opinião minha. 

!Í apenas u atenção para os seguintes factos, t) fenrt- 
lominatlo /offo fiitiuj não tem nome vulgar conhecido 
o pais« e HiJmeute era alguns pontos dele me consti lhe 
ttlmJnluLt, porque em geral é freqiient* nos cemitérios 
aparição. Outro tanto ucouteL'c um l-Npanha. 
}n náo Á crível que tam visível fenómeno ficasse sem nome, 
|De os «[.eciíilistas lho pusessem a alcunha que agora tem, 
ih^rHa do poro meudo portam, e que é um arremedo ala- 
» da expresso f rmc^a Jeu^foUet. \ minha conjectura é 
[«alfU* em brttxa e bru.uãmr intima conecsão; e, signiti- 




I7i! 



ApOtíiUa aoK Dieicnárum l^rtugueaes 



cando o rerbo bnunilear, 'lampejar», dar clarões incertos] 
intensidade Tariárel, êle seja derirado de bruxa, teiMl< 
palavra sido, em qualquer temi» ou lu^r. tanto em 
como em Portugal, a designação popular do feniímeno. 

Parece-me quo neste sentido se devem nortear tut inti 
çôes que se façam para descortinar o étimo do vocálmlo 
coii8Íderando-se hruxul-ear iim derivado romanico-peninsulari 
V(»cà)Hilo. 

Como subsidio para essa investigação apresento aqni iim 
extraído de obra antiga de muito íntorõsse. e que sen'e de 
paro à minha hip*^tese.^<Por conclusiou noto aqui, que aqt 
vision nocturua que en algunos Paises Uaraan Hueste. y qnier 
que sea procesion de bnijas, es mera fabula, a qne dieron 
sioD liu exalat^^^iones encendidas, qne los KIííícoh llaniam 
faiuos. Kl vulgo, viendo aquellas luces y i\o pudíendo creer 
fnese cosa natural, la atribuyó à la operacion diabólica»^*. 

A htteste, '<ho3t«>, a que o autor aqui se refert», é a 
tiga. em castelhano Estantigua, a procissão de mortos^ 
superstição medieval, ãwf wiltende Heer, acerca da qual S6 
com muito proveito o que I). Caroliua Micbaêlis dd Vascont 
escreveu no vol. in da Revista Lusitana, e onde deixou 
feitameute averiguada a etimolojia do vocábulo, kue<t€ anti^ 

É sabido que no Brasil se chama ao fogo-fátuo caipora. 
tupi (Cahapora), que também designa o deus das seiras, prot 
dos auimats silvestres, hostil ao caçador, a cuja manifesiaçac 
Índios bravos atribuem o dito fenómeno, conforme toda^ aã 
babilidades. 

Concluirei com uma observação justa. Pondera-me em 
o snr. Acácio de Paiva que é talvez temerária a suposição 
que bruxa algures no reino se aplique da fõgo fátuo, visto qi 



^ Thmatro Critico UNtvHttSAt.. DisattRsoa tarios es toi 

KBRO DB MATÉRIAS PARA DEliKNOAÂU UE BHUOKKS OOUUNBS, 

p<iK HL M. I. S. D. Fr. Benito Geronimo Pe^o SIont«negro, t ii, Btí. pT 

«DCCXLT. 




ApMtitaâ aoa lUcionàrioê Fortvçueaa 



Denhama o vocábulo desi^a alma-do-oittro-mmtdo. 
r«rLo que aa opitiíAo do vulgo o poder ou condão fatal da 
Ibe provém do diabo, e <]^ue «la é Btimpru criatura viva e 



bubola 

'or iate nome ae designa em Trãs-oí-Montes a poupa, como 

do lnM'ho segtiÍDte: — « Outra [tradiçÃo]. a da bubela (poupa) 

Irv^da milagrosaineiiU em Nossa Seuliora» — '. 

clui, no voeobulárío transmoutano que publiquei no x vo- 

dB «Revista Lusitana- * o mesmo vocábulo, e para aqui 

svo a sucinta observação que ali Ibe consagrei: — *hu- 

I>oupa (ave): latim tipãpeVa, deminuUvo de upiípa pela 

ta do u [inicial] « abrandamento de p em h: rf. port. hiícpo, 

ílhano obÍ3po; port. h(t^;v, eatalào nhach. opacium, opa- 

. Km galego é também bubela. em mirandês bouhela. em 

ibftOO abtthiUa, haveudo-se dado igual abrandamento de p 

ibas as sílabas, como se deu no italiano huhhola, que per- 

a Togal inicial. Tanto a forma jtorluguesa, r.oino a miran- 

e as dialectais italianas poppa, popo fazem pre$su|ior uma 

ia latiua uppupa» — . Depois, em nota acrescentava: — 

|dr. Hugo Schuchardt ' admito upúpa, que oâo explicaria o 

igo ou, uem a reduplicaçilo da consoante ou o o, dialectais 

lOá • — . 

bncbo, bucha 

vocábulo no sentido de «estômago», como no de «mús- 
ds coxa e do braço*, provém do latim mtisculum, que já 



■>■ Femini I>«addadu, O RBcoLHiMHHixt na Mófhhita, in «Rerista 
Inoçifi o Eii8Íno>, 1891, p. !i44. 
Falar ob Rio-Fitio, p. 20S. 

LlTIBKATrKIll,ATT kOR GRRMANISOHI: rSD RoUANIBUfUE I'HIIX»- 
IB. 1833, 3. 



17-1 



Apústilat aos Dicionáriaa Jh^rtH/tuf^ea 



Unha o sentido exprttnso na Kt^giiiifla acepyno, CAnquanU) a 
mitiva sígtiíticaçuo fosse 'ratinho», como demlnutivo do loi 
••nit^-. Kui cast4!lliauo k ac^pviio de *miiscuIo> corn<«)fOi 
mitslo, e à de estômago bucht, ambos os quuis tcom u mt 
orijem latina, sondo formas diverjenies naqnelo idioma. 

O Suplemento ao X6vo Diocionáuio adnz tani)>ém mua foi 
femeuiua, hucha, que escrere buora, abouaud(»-se com Camilo 
leio Branco; mas esta escrita (t evident«ni(^nte errónea. 

buço, embuçar, Iio^al, rehiiçailo 

No Novo DiccionAbio atribui-se, em duvido, como éi 
êst« verbo, o substantivo hiço. D. Carolina Michnrdis de Vt 
celoa opina por este étimo, cuja orijcm seria o latim bucoí 
adjectivo postulado, me parece, por buccea, < bocado* | bDO< 
Conformo a donta romanistji, fTn6«fMí--íc quererá dixer — - 
a metade inferior do rosto até ao buço com capa ou capote >- 
Em conHrmaçâo deste modo do ver aduK a mesma escriton^ 
formas castelhanas agora escritas bozó, emhozo, reboeo t 
derivados, o de buço deriva huç/tl (boçal). Aesim será, conqi 
a forma portuguesa com « por » latino seja um óbice imi 
tante, por existir o vocábulo boc^, no qual dêase ú re-sultoii O 
malmente. Por outra parte, parece-me violentai a metáfora, 
atribuiria ao participio de rebw^ar o stgnilicado que tem o 
tantiro rebuçado. Km todo o caso é e^jeuhosa a hipótese, e 
rece bastantes probabilidades, visto c3o ser admissível que bi 
jíortufíuís, tenha orijem diferente do bozó castelhano, o que pi 
supõe igual parentesco nos competentes derivados. 

bufarinha, bufarinheiro 



O primeiro destes teimos é definido por Cândido de Fi| 
redo, no Novo DiocionAeio. como si^ílicando — «cosméticos 
ponco valor; bugi^nga; quinquilharias > — ; e o secundo coi 
— «vendedor de bufarinha8> — . 



Ap'MtiÍiu aAê rHdofuirioM Fartu/fH^è 



175 



. Carolina Slicbíielis de Vasconcelos * dá coroo ])riinítivo 
'itty. de quB proviriu liufarhilui, corno de egcrevania, e»- 
linha, de enilemoniado, entiemortinhado. 
«sta coujcctiira há apenas a opor que nos dois TocAbiilos 
10 termos do conipai'ação a nasal »/i foi ali atraída 
•áa silaba anterior, e prevaleceu a palatal 7th e aio a 
Úival Tl, em rirtude do i, que i vogal palatal; assim se vxplica 
le uinum desse vTo e depois vinko, ao passo qne de uiiain 
reio ftf/ e depois uma, por ser o w labial. Ora, não se deu a 
rimciru designs condições, para que de bufarias resultasse hufa- 
iniuis. e conseguiu temente õ duvidoso qne o vocábulo português 
* '" jiheiro seja o rorrespoiuluníe fonnal do cjistelbano buho- 
Mie coui í*Ie condi/, na sijçiiirH-ji^-àn; v portanto o fítiirio pro- 
palo e«tà louje de demonstrado, a]K>8ar de ser tam tentador, que 
rreia a Bluteau, que se expreífría dõste modo: — ^Dofwi- 
iJeriva-se do Castelhano liukonero, e fistc de liufonero, 
]Uc i>egundo Cobarruvias vê de biís toucado», que em CastoUa 
chamam Bafos, e |H>r outro nome Pajios, O Bofarinboiro 
ma tenria ás costas em buma arquinha, cbea de varias 
.15, como são fitas, pcntous, estojos, et<;... Segiuido o 
hilirio, Ca<Ja hi>farh\heiro louva os seus alfinetes* — ', O étimo 
■ seria o latira bufo. do qual também procede hujao. 
. ■: tudo isto s« vó que a defiuivilo do Novo DiccionXbio é 
lanta, por muito restrita. 

Quando eu era criain-a pequena, ai por 1847, percorria as 
de Lisboa um bnfarinbeiro, com a comtteteute arquhúia 
t^ tabuleiro de tampa de vidro, qne num pregáo cantado, com 
Iftoitos variavõcs, mas sempre as mesmas, anunciava a mercancia 
numa lenga-lenga exten-síssima, a qual começava assim: < Pentes 
tartaxugaf travessiuiius; pentes da mr>da bouiíoíi para as se- 

etc *; fmdaudo sempre dêsle modo: 'Va lá leques, 

les para as senhoras!». 




\^ ÍN RlEVISTA LuaiTA.<<A, ui, p. 13-5. 
< VOOADULABIO rOKTUOUBZ LATTNO. 



I7fi 



^ywít/fM rtiM DiciOMArioê PnHwjUfM» 



bufo 



Ksta palavra, que designa uma ave nocturna, foi trai 
metaforicamente para indicar um individuo du policia 
do mesmo modo que noii tempos de D. ^liguei os esbirros 
ronda nocturna se chamavam morcegos. O termo bufo, nest 
sentido, está abonado no se^niinte trecho: — «Tinham sido os d( 
bufos... que me tinham mandado preuder> — '■ 



bui; bule 

Como vocábulo de jiria toqie, com a signiticação do lat 
anutt, H o cal<í huJ, que quere dizer isso mesmo; cf. chat^^in 
no mesmo sentido obsceno. 

Como peça do aparelho era que se serve o ehá (q. v.), q 
cabulo huie é mulaio. Podem perfeitamente dilerençar-se 
termos, escrevendo aquele sem o e tinal, e formaudo-lhe n pli 
conforme a regra geral, buu. 



buliceira 

Nos arredores de Lisboa quere dizer * chuva )iieúda>. 
termo foi colhido da tradição oral pelo sur. Martinho tirederi 
É a chuva, como que peneirada, a que chamamos moi 



burel 



Como o seiruiote trecho é defiuiçl^o perfeita da ãigntfii 
deste vocábulo, para aqui o transcrevo: — A líl no districto [^ 



> o SKcru>, de 3-1 de abril de 11102. 



Apostila» am Diâon&rioê Portuffueaea 



177 



t] ó (iriSpria para o b-nrel , qufi ant«!t de ser submettido a 
é uoi tâvido de Vi sim|iles, raro a ponto de se coutart^m 
•nte os fios. por entre os quaes se vê o dia» — '. 



barra 



Km L^íría: «saliêacia de terra fura do lúuiie de uma pro- 
lri«dade> *. 



burro, burriuho 

O Xi>vu OiocMN^Bio, o mais cojiioso que existe em portu-j 

dú o vocábulo burro em uadu meuos de dezasseis aeepv^*'^ 

inchiíndo-9e as que furam acrescentadas do Suplemento. 

Lqoi apresento mais ama, que se deduz do seguinte trecho: — 

Perto da chaminé eítao os burros (bancos rústicos de pernadas 

azinheira)» — ^. 

O deminutivo burrinho é usado no norte para designar uma 
^^jidfir.i de I»arro cnrn cuIk>>. 

K .sabido que «s nomes de animais s^o a meúdo transferidos 

objectos nos quais se supõe haver ddles aparência; tais s3o: 

>rro, nuMflaco, bujio. macJios, trffonÍM. cão (de espin^jarda), 

7hn, r/wnh (na viulia). burra; bordão \ burdonem. «mulo*. 

Kxemido disso já o vimos na inscrição anterior. 



bus: V. chils 



t Portngnlia, i. ji. 377. 

* lufunnaçiu do Snr. Acikío do Patr^, ilali niitorul. 

S J. it« Silvil Pit*». RTHNOOltAfUlA VO Al.TO AlBMTBJO, IH PoTtU- 

ilU, I, p. 5-12. 
<2 



hotaca 

No Relatoeio officiai. de João de Azevedo Coutinho, 
da campanha do Baruê em 1902 ', enrontia-se este *( 
que parece ser afiicono: — «A entrada de Manuel de Sousa 
a buinca» — , e em nota explica-se: — > hiitaca. tliruDo»— . 

K singular a exacta conformidade desta palavra com a n 
lhana butaca. assim definida no Dicionário da Academia Rt 
nhola. &em se lhe apresentar eUmolojia: — «Sillón de braziM. 
mohadillado. entapizado, ciíiuodo y comunmonto con el tví 
ecUado hacia atrás» — . 

Só se o vocáhulo foi de Espanha para a África com os her 
roa. nume com que os nossos jornalista.^ teimam eiu alcunhar i 
hmrós (q. v.J. 

búzio 

Êsíe vocábulo, que provém do latim haccinum, de 
como se sabe, uma concha univalva, que em muitas 
Africa serve de moeda. 

Em Ajuda 1 húzo valia 0,15 real. e 2KK)0 búzios denoraú 
vam-se Mm pêjfo r/r hiirioH *, perfazendo G:0(.K) húziíis lôlXX^ 

Os búzios na Índia dãuomÍnam-se raurm.f, (g, v.J. 

Bitsio, na acepçilo do < iMor<{iilliador ' parece ser outro n 
bulo, u em castelhano díz-se hmo, de orijem desconhecida. 

cabaça, cabaçiio, cabacinha, cabalo 

À or^em dést«3 vocãbalos é ignorada: sabe-se apenas qi 
em castelhano tim o primeiro mna sílaba a mais, ealohauí, 



> Jornal pas Colónias, de 9 do julho àe 1904. 

' (wtrios Enjfinio r,>rrci,i <Ía Silva. Tma tuobm aO tOTi 

MESTO PORroouBZ UB 8. Joío Uaj-ti!íta u'Ajiuà oh isa5. Liai 



ApO$tilaM Oúa TMitímàrum I''n'tugurMS9 



170 



nos levaria a crer que a antiga pronúnria pori-upiipsa fi>8st' 
éça (cr. faqueiro e Jàjtteiro, castelliaiio Ualaijueno, afagar, 
. hahtijar). 

Na Charauspíu u nutiiralmcute em todo o Riba-Tejo, o aii- 

Btalivo cabação, plural cafMiçáes, designa •jjímonlo grande*, 

opi>âíçã() a comicho, que qnere dizer •pimento pequeno», e é 

ipanltel ao fnincfis eorniciton, o qual denota uma espécie 

[•epino pequeno, e conio o termo portuguGs se deriva de 
ne, rumo, de que siio fonnaa deuiiimtívas. 

Cabaro, ata Caminha e outras partes do Minho, é uma roe- 

i de 12 litros, equivalendo portanto ao autigo alqueire. 

Ct^nro, no sentido de 'virjiudade», é o vocàluilo quimbundo 
^àíiu, domioutívo de quibásu. -pedalo, talhada, lasca», e é 
■^ em Angola com a mesma si^uiHca^ão. que de tá passou 
^Kirtn^iê^. na Itn^najcu) de indivíduos que ali o aprende- 
ra: ((•u/òíiíni quore dizer • raxar». 

Cahaeinfuu (de cheiro) erara há uns einqttenta anos, em 

ilrfia. umas Mpsuías de eera. feitas em fArnia, imitando várias 

íitas cliei;w de ânua aromatÍ7^d<i, e com as quais se jogava o 

trudo naa salas entre gent« fina, arremeasando-aa; quebran- 

•w eluH rom f> embato, derramavam o conteíido na cara, ou 

{aIí] de quem levava com elas. 

lira um hrijiquedo eufrrayado e inofensivo, que ao depois foi 
itistituído por projácteia muito mai» grosseiros, como ovos de 

o, nu cheios de farinha ou pós, e outros arremessos niio 

M abrutados. 

Ku Alentejo lew^ cabaço significa ser rejeitado em preten- 
« (Ir namoro. K modo-de-dizer castelhano, Uevar ralahmait. 



cabana, caJjanela, Cjtbanal, cabímão. cabaninha 

O primeiro destes rocábuloa é o latim vulgar capanna, e 
»U miUt difundido em toda.s as línguas románicud, com ex- 
n^o do romeuo. havendo dado orijcra a muitas formsis doriva- 

por suticsofl. . 



Ajtotiilaa ao» Diãonàrim Poríug%tan 



Kis aqui alguiUAS df^tini^õcs e aboDacòes (ia |ialavra r> 
extratailas do várias moiiogratius do muito ititcró?;»^ [inbU< 
na revista Portugália. — «No Alento o termo de 
um nome genérico que se aplica indistintafuenie a todns os 
rões toscos e espaçosos que se adaptam a quaosqiiur usos 

— • Cabaxas. Por este nome designam-se as srpuíutM d 
rentes accomiuodaftõea: a loja dos carpinteiros de carros 
dos, o deposito de madeiras, as arrecadações de vchiciilos o 
ria de lavoira, aa arríbanaa para gados, etc, etc. > — *. 

— ' Cabanas no onomástico locativo portugucz é ainda 
nominayâo de algumas freguesias e aldeias que. . . tivera 
aua origem cm barracas de tabuado* — \ 

— «Cabauelas, Cabauiuhas e Cabanôce formam uma top< 
mia de similar procedência * — K 

Cabanal em Trás-os-Moiites stguifíca 'alpendre % 
vemos do trccbo seguinte: — «diase /juigado a seguinte 
uma noite no cabaual (alpendre).— Oialá ãe afundasse es 
meiro» — ^ 

Cnbatio, cabanilho, eafjatieiro, designando várias forro 
cestos, sAo com cabana apenas aparentados por afinídoile, « 
os dois primeiros veja-se uegt« livro a palavra cõvo. 



cabe^'a, cabeceira, cabeçalha, cabeçalho, cabecilba, cabecin 

Tem muitíssimas acepções o primeiro vocábulo, do latifl 
gar eapitia, plural neutro de capitium, tomado como 
nino, o que é &eqtientÍ&simo nas Uugnos românicas, c dei 
de caput. capitis, ■cabeça». 



1 > JoAit ila Slku VifÃn, RTHxnORAPKtA t>0 ALTO ALRUTlUa.] 
» • Rocha PviíoU), UabitaçIO, p. M. 
* M. Fcrroin Deasdido, O aficOLiiixaN-ro dá Uúprbita. 
vista de EdacafXo e Ensiao», 1691. 



Kutrt! outi-as a<t«pv<i?s assinalarei aqui algumas mais espe- 
rab, e runu \6U\a imlicuilas eni dicionários. 

Cabeça: «queDi manda*, correspondente ao francês c/w/; — 
•A principal í^roja que TÍsitfíi naquetlos província» [do reino 
(te Anarael foi a de um cliristilo. caheya de aldeiíi, cbainado 
PmIo.-'. 

Ainda hoje se diz cabeça de motim, locução muito usual. 
Xfste sentido usam os espanhóis cahecIlUt. que por imitação 
deu o português cabcciiiut. castol banis mo, pois o suticso demi- 
^Kativo -ilho. -iVin, nilo é português. 

Cabeça è luailo com a Bi^niâcação de peça de gado, rês, 
Iwodo este último a palarra árabe n\s. «cabeça», empregada 
nft^Kt língua com o tue^Dio siguiticado. que também pussou ao 
{oiitelhano re». mas igualmente de^gnn «a raJtera de tribo*. 

No sentido de rêít, com referencia a gado siifuo, Ó mais usual 
|U!> Alentejo o t^írmo cabeça: — -A avaliação dos montados fax-so 
I por cahoçíis, quer diwr pelo numero de porcos adultos, que ea- 
il^rda a bolota em cada anno* — ^ 

Outro sentido eiípecial do vocábulo cabe^-n, acompanhado de 

[ama lornç^o adjectivai é cabef;a^le-jmu, para designar os indi- 

[vidnos que teeni lojas d« móveis usados: — «as casas dos cah&^aa 

dt pmt, nome de giría por que são conhecidos os uegociantea 

lie iarecon » — ^. 

Cora a mosma significação de cabeça, «principal *.'iisou-se 
tambiria cai>treirn, como vemos em Hui de Pina. Cbókioa. dr 
Kl-ilbi Dom Ai'on'S) v (cap. x): — «seria povo e gente meúda, 
'qne sem cabeceiras náo teriam fôrças, nem dariam ajuda» — . 
N«sta acepçilo ainda o encontramos modernamente, no Rklatòbio 
de Carlos Kujtínio Correia dii Silva ■lK6nj. i-om referência ao 
Oaomé. K fonna muito apr<>vettávHl e expressiva, que jMtde ser 



< Batamiar da rnvPANHiA ua JtEsuR, LUbun. 1894, p. 170. 

> i. SilrA PioAu, EruvodRAruiA do Alto Anumtbjo, ín < Portug»* 
.lii>, i,p. 270. 

> O SacuiA, lie 18 il« novembro de 1901. 




183 



AjuíitUa» aoê DidonárUm I^ortu^ueaes 



ompregsida actual monte, conquanto a significação mati trivi» 
seja a «de parte superior», como eabeedra da mesa, aAteã 
(fo ieiiOf rabeceirafy) de um rio. etc. 

— « Cabeçalha: Dos jugos Jdos carros} desUca-so bi-ore ■ d»^ 
■coraçilo profusa que os caract^risa na região [Miub«l, os amn 
ensogaduras e teadilhas, a chavelha e o pigarru. a aõgi 
'«mlim » — '. 

K palarra derivada de fíaheça, e signitíca «o temãOt ou lança 
'de um carro de bois >, e tambcoí, em especial, < a parte deantein 
<dêsse t^miío*. 

Uma forma masculina deste vocábulo, ruòeçalho, designa, 
além de cahrçnlhi, o titulo, títulos ou dizeres a que se subordi- 
nam vários averbamentos, o que ocupam a parte superior da 
íiSlha, o que os franceses chamam en-iête. 

Cabecinha è um deminutivo evidente de cabeça, e além d« 
outros signilicadoj. dodurJlos do vocábulo de que é formado, 
tem taiubtim o de — • farinha grossa que resulta do rolào pass»Íi) 
lK>r peueiro largo [de pano aberto] para o sejmrar da sêiuea* — , 
como diz o DiccioNÃBio Contkui>obanbo. Na pauta de consumo 
(de JJsboa), anterior a 1880. o produto da moenda do trigo en 
classiticado em quatro espécies: farinha eapaada, farinha expur- 
gada de sèiuea e tareio, rolào, e cabecinha, a cada uma das 
quais competia uma taxa de imposto diferente, de mais para 
menos; a sêmea era livre de imposto. 

Como nome de ave é o vocábulo cabecinha, acompanhado de 
vários epítetos que o diversificam, muito usado na Ilha da Ma- 
deira, como vemos na monografia de 1'. Kroesto Scbmitx. intitu- 
lada DiK VõoEb Madkiras *: — cabeciniia encartiada, «pin- 
tassilgo*, no Kstreito; — cabecinUa netfra, -toutinegra» em 
Gania; — caheciniui rosada, «pintassilgo», na Fajà. 

É sabido quo toutinegra (q. v.) signitica tambúm «cabovA 
preta*, capite nigra. 



■ Roflbft Peixoto, As OLARIAS DO Prado, íti Purtugalla, i, p. 
' in «OrriithologÍHcliCji Ja)irbndi>, x, 16&Í), 1, U. 



A}i'iMtiUf4 noM Dirifínãriox 1'õrlngHftrs 



cahelo, cabeleiro 



a liD^nia comum cabelo ora é colectivo, correspondendo ao 
Bífl chevrliire. ora nome de unidade, equivalente ao frauocs 

14. Xesla última acepção usa-se em vários jKtntos do Minho, 
inha por exemplo, o derivado eabeleiro. É ^.ilicísmo usar 
íeira, nu acepção de cheivlure francês, \m» corresponde a 
uque; deve traduúr-Be riievclure por rabelo, ou Ctíbulas. Em 
albano, porém, usa-se neate sentido cabellera, poia • cabeleira » 

cabide, cande 

Im al<;uus diciouiirios portn^oses é dado como étimo dêst« 
hnlo o latim capituluiu, deminutivo de caput. de qne 
eio s |ialarra cabido, antigamente cabúioo, da qual cabide 
» iier forma divoíjonte, ao que se opõo uSo só o signiticado 
aptlnliim. mas at« a forma do vocábulo cabide, 
Banta Uosa de Viterbo, no seu ELuninABio das palavras. 

KU8, K f^aXSES (JUK EU PoBTUOAL ANTtOAMBNTB SR tJSÀBlO 

H.iKO.xúviíi) sub voe. CAviuADo, 3 que dá como defíni- 

^^Evitado, acautelado, resííiiardado» — , indica a palavra 

■, como provindo daquela, e dffiue-a: — «o lugar, onde os 

M, e outras couros su põe a seguro do pó, e do mais que 

ide infícionar, e díwtruir* — . 

ié tividuate que caviUado é particípio passivo de cavidar, 
prewupõe o latim *cauitare, fruqtieuUtivo de cauere, 
particípio cautns é contracyilo de cauitns, como é sabido, 
mente o (.'timo satisfaria; morfoMjicamento. porém, é 
vel. É rara em português essa formaçílo, que consiste 
derivar-» um substantivo concreto de nm particípio passivo, 
perda da terminação carwteristica diste, -wh, e a siiticsa- 
de e, convém saber, substantivo do tipo aceite. Todavia, a 
antiga do vocábnlo é cavule *, e nào cabide, como boje 



I l^áu il^nilet Pinto. Pbrsorinavío, e»!». cuxv. 




IM 



Apoãliíuí j.jÁ IUvioHàriog i^r6ifMtfWT 




Be «8», e aicda B1ut«au (VocabulAbio poRTtJouKz e i.wiso^S 
a única que cita. 

Da definiçSo de cavuie, dada por êst* douU> lôoi- 
escritor de bà dois séciílua, su verá qiiaiti infundada é u la^.I. 
yão do vocábulo proposta por Santa Rosa de Viterbo e qin 
acima traimoreri : — *Hp nas estriliarias bunia taboa prvjiiidiií m 
a parede, em uns buracos da taboa metidos huns paos. pan 
nelJcs peudurarein 09 freios» — . (Voe. poax. k lat.). 

Esta definiçáo é exactíssima, e a aplicação do Tocábulo. no. 
melbor dito, da armação qae èle desigoava, a outros aaos é pó»- 
terior. 

Desviados por inaceitáveis os dois étimos apontados, OHpitu- 
lum, que tem sido o mais admitido, e cmndado que niat^uém 
aceitou a Viterbo, teremos de Ir liusrai* li outro idioma, dos qm* 
míni:ítriiram palavras ao Iéi!sico português, um étimo pliiusiri*]. 
se iifio perfeitameato Jiistilicado. 

Ninguíím ij^hora que existem na nossa línj.nia uns mil você' 
huloâ do pi-úcedéucia arábica, dfiiionsirada principabiioote |)or 
Ku^elmann e Dr>7.y [Qlossairk dks uirrs HSPAUMorji kt poeti^ 
OAis DÂEivÈa UK i/a&abk. Leída, IHfíO), de ^aade part« itof 
quais já havia sido averiguada por Joáo de Sousa e Josv <ia 
Santo Aiitóuio Moura [Vbsticiios da LmouA abadica km Poa- 
tugal] ^ Deve haver, bá com certeza, numero maior dela 
abstraindo mesmo dos nomes próprios do lugares, iuclufdos «■ 
grande cópia no lécsico dos arabistas portugueses, mas excluidoí 
do Glossário que citámos, e que ^%& hoje é o trabulho miUs com 
pleto e mais bem feito que existe nesta osp<kie, visto que o ía 
E^uílaz y Yanguas * apenas Ibe leva vaatajem uo grande nà 
uiero de alionavões. 

Nas minhas peregrinações pelos nossos voi^abulários talvM 
tenha ensejo de avolumar a paile arábica do uosso lecsico. 



1 LUboR, \^m. 

* GlXMARIO DB VOOU BSPAâOLAS. . . DB ORIOBX OntBKTAl., Ot 

nada, USÕ. 



Bxút« «m árabe um radíoal, q-d-d, o qual tem como sí^ifi- 
I príní:ipal * agarrar, pn^ur em qualquer r-ousa*, e que, cora 
* letra «lupliraíla. q-s i>, quere iJiaer «apanhar e pôr de 
í», confurrue o Dieiouário a rál)ico-f rances de Belut '. Ai vemos 
sutt.-itantiro derivado, MagiBÍn, com o significudo de manche, 
m^, «cabo, punho. pega». Silo oi }>aiM da defír)í;;íío de BIu- 
Oulf" (líTivado do mesmo radical, ganna. vom ipia! si^iili- 
0. eiurontra-se no Dicioaãrío rranct's- arábico de (Jlierlinniieau -, 
^ i&o explicaria o uosso athidff, mas no dicionário aràbic«- 
du rav^^mo autor * encontramos uigaid, plural uagAsin 
uiaucbe, poignéo; unso> — . 
Creio fler esta a orijem do nosso eahUie. Nos países barbares* 
o pretirso ma é mnitus vezes reduzido na pronúncia ao m, 
nhid\ * e poderia t^r sido cousiderailn como o artigo por- 
es indefinido um. sepaiando-iíe do re<;to do TocÂbulo, que 
MHi palavra independente: cr. a locução unta tuia e meia, por 
ir meia, O h, segunda letra do radical hnlitero, modifi- 
■. ' <m r (i'f. akavala, alvaiade. etc.), o resultou pois o vocá- 
llo rftvide dos nossos antigos escritores o admitido por lílu- 
m^ sendo a forma cabide posterior, devida talvez à influência 
tahido, erudita provavelmente (cf. ai>par. em vez de ra-^^pur), 
Hi uma quinta an pé da (.'hamusca, cujo nome, pein menos 
^iUar« é Cabide, Ulvez do Cabido, e neste nome parece ter 
tidn a palavra de que trato aqui. 

Na Beiru-Àlta cabide tomou a fornia popular cabido, de que 
dtou uma forma converjcnto, ou borueótro]>o -\ 



' [Winibi. 1H93, p. 613, l ool. 
' Pjirt», 1884. [1. 322, col. lí. 
í Pwi», I67ti. 2.*Tol., jí. ftU.iCoL 

* V. CsoMÍn de Fcrcvral. Okammaikg árabe vuloaiic», Puis. 1880, 
<;• LfrchottiU, RiTDlURNTOit »RI. ÁitAHK vi-i.c.AK. Tangfre, l{}8!>,p. 13, 



^ Já publicado M RnrtBTA Lubitaka, ti, rJOO-líKtl, com Irm divcr- 



caboclo 

£ sabido que Sste vocábulo designa um índio do 
É dado por F. Adolfo Coelho ' como t«rnio tupi mas 
eDC-ontra no DicioDário tiipi-guarani de António Uaiz de 
toja -. Eis a sua abonav&o: 

— «Ao gentio manso, ou rednãdo á civilÍ6af3o, se «u 
desde logo a denominar caá-boc, que quer dtzer^ tirado ■ 
cedente do inatLo, donde nos veio o vocubulo cabôro, corar 
hojõ o pronitucia o bomein rústico ou aúiôclo, como já o ad 
o portugiies brasílico > — ^ 

cabouco 

^Além de outros significados, designa tambf^m, no 
reino, «estribo de pau». 

cabreiro 

Kmprega-se como adjectivo, junto ao substantiro 
queijo cabreiro, para designar o queijo feito de leite de 
Em qualquer mercearia se encontra rotulado com êat« noi 
tenbo porém nota de trei^bo com que o abone. 



cabresto 

Nome de um c-alabre nos moinhos algarvios, e oâo 
também das mais proviíucias: — «Quando se carece de f«i 



1 DlCUtOKAIUO HAKUAL BTrMOLOOIttO DA MNOtTA POBTIl 

Lbboa, H/datA. 

> Vocabulário y tbm>ro db la LMxarA ciuasaxi (6 
TCI»l) — Viena-Piíris, Il*78, nnera rdíciun. 

■ Teotloru !iiun)Kúo O Tupi xa uhoorai>uia nacio:(al. S. 
19D1. p. G7. 



AffttêtUa» aoa r>ÍcÍMtái-iag }\wUtgueac» 



197 



ir a£t velas ao moinho. . . prende-se o mastro u imia argola, 
na purcde, servíudo-sij para isso <l'um calabre chamailo ca- 
to - —«. 

cabrita 

um termo do Douro, na acepçíio especial em qiie vou 

!ni|>lÍficâ-lo: — «Cabrita, leitor de longas terras, é o costume 

\t aqtielle que compra uma junta de bois em feira pagar uma 

iveniente quantidade de vinho a todos os que entraram na 

isacfAOi qner como partes príncipaeA, quer Hecuudarias> — -. 



cabula (^^etibàla) 

Conforme informação da minha criada, natural da Cbamuscdí, 
designa lá -meda de trigo, com forma piramidal'. 



caya, caçar 

Como termo de pesca, uâo colijido noa nossos dicionários, en- 
itra-tie definido ua monografia de Pe<lro Fernátidez Tomás, 
itulada A pesi-a bu ItrABCoa ^: — «Kslas reden... sào dls- 
ttas verticalmente era longas caças ou aparelhos de oO a 80 
cada um > — . 

É sabido que em várias parles do reino, onde os povoações 
alistam o mar e a pesca é só de rios, se diz caçar jieixe, 
vez de pescar, termo que é lá desconhecido. Caçar, de cap- 
ire I capere, significa propriamente «apanhar*. 



"»■ J. yúaoK, CofrnwBe aloarvioe», in «PurtugtUia*, l, p. 387. 
s O FKXAriDeLHNSH, de 14 de nixrço de li^2. 
4 in «Purtu^lia*, l, p. H8. 



189 



A^mCtiatvú» DktímArietê Arrit^Heac» 



7 



fjifaraba 




)*] termo brasileiro, ijue vem definido no N6vo Drr^ 



como < alcatruz > ; uo respectivo Suplemento acreàtreoiam-» I 
as seguintes acepções: — «balde preso numa corda purolodil 
sarilho ou nora, para se tirar água dos pu^os; (eit.) 
balde: estribo cm forma de cbtuela» — . 

Falta ainda outra acepção em que o vocábulo é 
Itraail e que vemos no Bosquejo de ihha. vxA.nEii. xo 
DA Paoahvba b j)b Pernaubuoo: — «meu Itlbo mal Hccomoili 
na sua raça7nba, á nioila do paiz: losoo caiiote de ma<]eini, | 
rado, sobre uma das ilhargas do atiimal, e equilibrado por ^ 
caixote, coilocado na outra iUiar^ e tarado com carga 



cacbalote, cacholoie. caixalote, queiíalote 

Este termo, o franctís rarJialot, aportuguesado artificialmei 
designa um cetáceo, com dentes, e daí provt^m pruvávelioret 
nome. U. Stappcrs * dã-lbe como oríjcm o ca^telbauo cachai 
que õ. sem dúvida, o catalão qitijcaht, demioutivo de qnind, 
então caixat, que se pronuncia como a palavra português m 
jcah e tem a mesma significavão, isto ^, • dente (mohir) «^j 
em vaatelliauu se diz muda, Vf 

Km português da-se-lbe também a forma carholoie^ qnf 
Inácio Roquete inseriu ^ e que parece »er uma upnissimaçftfl 
vocábulo cachola, «cabeça de peixe». 



1 III • O SBCuixt . , dl! 8 d'j jalhu i!c 1900. - 

> DiOTIOMNAIIUD HVilOPTIQnB D'âTrMOfJ>OIB PRANÇAUM, 2,1 

Parú. B^'(UtA. 

* PlCTIONNAlRB PURTUGAU^PRASIÇAU. Pui», Itt^. 



cacliaroletc 

irra mnito coitbeoida, como t«niio de l>otii|uim, e yà 
DO DiccioNAKio (^oNTKMHiR^NKo, tjue a dtítino com 

I — «bebida alcoi^Iica fontiatla pt>]a mistura de diversos 
' — . Kia aqui uma ahoiia^ào do seu emprego: — «O Termo, 

B, o grog o o i'abax, o cucharolete e o líeripiti. ou 

e<i ai valentes, uào servem là • [nos bailes da Ópera, t;iii 
,1 

|K uma tiomenrlatura completa de venenos, principaliiifiitft 
idu toiíiadoH em lojaa de bebidas. 

cacho 



BOOÇ' 



ta palavra, a que o N6vo DiooioxAhio atribui orijem iu- 

e o DircittNÁfiio Manual Rrvyot/^oico uns étimos muito 
lemátlroâ, foi por Frederic-o Diez * considerada rouKiiiiyjiçío 

ica do latim capulus, « punbado. mancheia>, mediante a 
a capiug, comparandoK» a «ncAo [ amplus. Todavia, já 
J. Lcil« do Vasconcelos foi punderado que dos grupos latinos 
-cl: -pi', -ti-, -Jl- 8<S resultou em porttipuês e rastolhauo 
quando ««ses grupos ost-tvam em latim precedidos de con- 
coino, por exemplo, em nmrho \ mai*e'lum, encher, 

•hir j implere. inchar j inflare, etc. 
Na realidade, uma excep^-Ao aparente. cacK^rro, uSo provém 
eat*I-as, jiob é mot&tese das duas primeiras sflalras do vas- 
o chanir, demiuutivo de çacur, «câo>. Catulus, pois, de- 

produzir mJho era português, ct^jo em castelhano, como 
luK deu vflho e viejo, manuplum, molho e vuinojo, 
acla, navalha e nauaja, etc. 



biARiO Da voTiuzAS. de 30 de fercrciro de I!H)3. 
ETTMouiaiiicnBs WAnrnRBrcH dbr homakisobbíc SpnAUUBN 
1870. u. b. 



IW 



ApottUat aoi Dicitmárioa I^/rtuyue»e* 



eai 



Não obstante esta ponderosa ctrcuustánck, é ainda rapsli 
o étimo que, ]>or omquouto, opreseuta maiores prohat>ili*1.«i«-s 
menos para o português eaf:ho, O próprio Leite de Vast-onc 
que forniiiloii a lei, não hesitou em derivar rtirheira de 
laria e cacheiro de cayalftrium ^ Outro tanto náo direi 
o caãtelhauo raefiOt ao qual corresjwude, segundo paretie, o 
tuguès caco ] calualus. 

Além de outras acepções da palavra i>ortugucsa cacho, '' 
jiâtAdas nos dicloDários, tenho a acrescentar uma, a de 
de trigo depois de esbagoada», a qual lho ò dada no Riba* 
como estou informado por pesâoa tiiledifnía. que a empr 
deaute de mim, e pregiiotaila, assim uia e&plicou. ílsta acej 
relaciona-se com outra usada no Alentejo, dada nu Kôvo I)i 
KÁnio, da qual é variante, e que vem a ser — «espií^as on 
du espigas, que resistem ã primeira debulha e que se jl 
para formar eiras ãe cíií/mm» — . 

Cachorro designa vários objectos, com significados já 
tjidofl DOS dicionâríos. o um deminuiivo no plural, mchorrin 
é uome que se dá no Uiba-Tejo à «herva moleiriuba* (fumai 
officiDalis). 



cachola; cacholeira 



Kn Lisboa deait^nia o primeiro destes vocábulos «cabe(i* 
prinriítahneote 'calie^*a de peixe*. Km custelhann ckoth é 
termo chulo que signitica sómcute *cabL*ya de (;ente>. 

Parece haver relação entre os dois vocdbulos; todavia nlo 
fiícil de explicar a primeira sitaha da píiln\Ta portnguesa, 
étimo, bem como o da castelhana, e descuubccido. 

Cacholeira, que nó muito a m^do se poderá considerar 
derivado de cachola, pelo uienoit no sentido que damos a 
.vocjlihulo, ^ o nome pi-lo qual é conhecidu uuiii ca^ta de choi 



r.KVmTA LUBITAXA. 11, p. 31. 



'ODctudo fumado, em que entram aparas de carne de porco, 
;nda3 com pedaços dn entrauba>. 

cacliondc 

[Mistura de areco, âmbar, açúcar e outros ingredieutos. para 
r, que «erve para perfumar a boca, e é muito usada na 
e oa Malásia *. 



(andar aos) cachopinlios 

|Dd^, nos arredores de Lisboa, do andar usual dos coe- 
WM pulinhos, nào porém da corrida desabolada que seguem 
lo são perseguidos. 
A informação foí-me dada pelo snr. Martinho Broderode. 

cachucho 

Como t«nno faceto, quere dizer 'anel grosso de ouro*. Doto 
|ser mesmo vocábulo que o espanhol carhacíio, que najiria 
Eilhana. ou ^ermani», siguificn 'Ouro*. 
A etimolojia dadu por Sulilliis ^ latim capsula, 6 absurda. 

racifo 

^=iO cflcífo eui que |os caçadores] levam o furfio para o 
itfl c om pequeno cesto de vime em forma de cabaça, com 
du madeira» — '. 



* Ilti^ Scliuchanlt Krbouhcrk Stcuies, ix. 

* C«fM>I 9«lilliU, Rt. UBUMOUBXTB BtlPAMOL, LaSOCAOB, Ma>Ui'l, 

í. p. 27.:. 

* Jtné l^alia.E-nixooRAPinA AxAKAvriXA, ACaça. ÍHPortogalIa, 



103 



ApottitoÊ aos Ditrianário» íhrlHffMttcs 



catiiuha, cacimbo 

O prÍTiuro (lestes rorábulos tem duas acepções: 

Como Ivruio da Africa Portuguesa, tauto^Ocideuial, o&dei 
otijínou, como Oriental, pura a qual foi levado pelos poríu<;iiMi 
é, coiuo define o Novo DiccioxÁnio, — <pi^o que recebe a 
pluvial. Hitrada por tírreuoa oircuuijacentes, e da qual se 
as povoações» — . Neste sentido é o quimbundo tiitixima, (e 
qiiirhimu, como está escrito no dito dicionário): — «A ilha d( 
Klephaiites. . . dista 18 milhas de Lourenço Marques. . . A á^ 
que bebem [os leprosos da tftifaria, e nào, qa/eira, como se 
tulou, pois ôste vocábulo é o nome da doonça] é fornecida 
cacimbos» ^'. 

Como se vê. trata-se da África Oriental. 

A segunda acepção. * chuva nieúda», é mais usada no 
nento do que na África Ocidental, oude lhe cbamain de pr 
réacia carimbo, 

K uaturalmente outro vocábulo diverso, mas náo sei disrj 
qual. Veja-ae cachimbo em tabaco. 

cacique, cacico, caciquismo 

Esta palavra, de orijem americana, caribe, segundo se afii 
quo em castelhano denota «cabeça de tribo», é de uso raro 
portuguOs. No entanto vemo-la empregada com referencia » 
Brasil no seguinte trecho do Bosquejo de uua tzaokm xo] 

INTERIOR PA PaRARVBA E DE pKRNAMBUOO *: « CaiiryS, TiM 

indolente, sem embargo essencialmente bellicosa, como. . . tr 
eram... os tabajuras e os petygiiares, a que pertenceram ú- 
gims caciques alliados do« portugueses, como o celebre Caiia>| 
.rào (Poty)' — . 



' JoKKAi. DAS Coixijfi-iB. rte 24 iU jolhtí de 1905. V, gafo. 
• tu O Sbci*lo, de 17 dt jiuiho Jc HK». 



ApmtiUtt nwi Diciomirioii í^yrtugurse» 



lOâ 



É preferível o emprego déstí? vocábulo ao de cfwfe. que em 
«utiilo é giilkismo, coDquauto muito generalizado já [>ara se 
ier liftííorrar. 

Tíiuteaii ' reji^toQ outni forma do mesmo vocábulo, caeteo: 

loro se foi [lor aportugiHísa mento arbitrário, ou porque assim 

UKontrou tiinibém em ciutelhano, 

O termo caeique em Espanha deaii^a um int]iieDt« eleitoral 

e pressão e domínio em certa rejião. e dele se derivou 

■■'•>: ambos os termos já de Kspauha paasaraiu a Por- 

caço; cacete 

Este termo, correspoudente ao casMbano caio, e cujo derí- 
lo demiuutivo rastwla piaduxiu o português caçoula (cf. ien- 
ila e lentejuela. tijolo e tfjiieh), designa « colher de cou- 
I* DO Alentejo, e provavelmente em outros pontoa do reino, 
qui.' o Novo Dico, rejista a italavni, st^ra liniitayâo. E o in8- 
rumeuto que os espauliòiii denouiinauí cucJiarón, aimieutativo 
U CKckara, «colher». 
A oruera do vocábulo earo, que também figura om toscano, 
fsa e róseo f=^rfífçoj. é duvidosa. 
O cazeo italiano, que. além do outras acepções obsoletas. t«m 
íignitícado obsceno, deu talvez orijem ao verbo português 
fortr. o qual, cojao manjar, foi também termo obsci-no, mas 
vulgarizou, obliterando-ãc a siguificafào íinimda que tiulia. 
^0 entanto, é couveniente que, à cautela, quem quere usar limpa 
iguajem evite o emprego dn qualquer distes dois verbos, ou 
sfus derivados, substituindo-os por sombttr, eaeaniecer, ino- 
far, chutaçfejat', etc. 
Dt «ifo, no aeutido do «moca*, vem provavelmente a palavTa 
e, e DiLo do francês easse-Ute. 



1 VocAnrLARio portchiez k LATií.0, Supltftneatu. 
i7 




11)1 



IpmftUa» nos íiUi-J/i-tnnM Portuapiow 



cada 



Esta palavra, que. sem a menor dúvula. Uuii pnr urijem 
grego K-AT-4, o qual jii aparece uu latim dos escritores edftíiiLstf- 
cos, no mesiiio emprépo que tem em portii^ís e castelhauo, 
verhi yratin, na locuyão da Vulgata, cata iiiaue, « i^ada manhã 
é uma verdadeira preposição invariável, e uio adjectivo cmo* 
os (gramáticos a clossiticam o como o é o Iraucês ckaque, et) n 
italiano qualche. A prova é que se usou autigameot-e antM 
de uomes no plural, como por exemplo nesta frase: — «oIí 
hims tinham seu senhor* ' — «gentes darmus que cada hnis 
dariam» — •. 

Kmprègo bem evident-e de rada como preposiçfio lí o segiiiat* 
trecho castelhano, do titulo xxvi da Partida ii: — ' Kt por fUte 
Bon llamadoa quadrilleros [em jiortuguês coirtrleiros, qtuiireiàr 
ros; qufuirãkeiro é Cítslelliauismo]; porque cada uno dellos ban 
de saber las hererhas que cayeren en la su quadrilla> — K 

K claro que o Hiijeito gramatical do verbo han (e não, íuif^ 
o substantivo pliual ti^tatlnUeros, e niio o pronome singular «no.* 
portanto o ]>rot)ome não é aqui cada utio, mas stin uno stímeutt, 
governado pela preiiosiçilo cada. 

Km antigo toscano encontra-se eaiuna (rat'una). equivaleD<W 
ao moderno eimcuna, * o que coufirma aquele étimo, propoat» 
por Diez e aprovado por todos os romanistas. 

Ainda boje, valendo por advérbín, se emprega cotia em (riset 
elíptica?, como a que vou citar, e que, a meu ver, é um tP* 



> ROTHIRU UA VIAOKM UU Ya.SCO 1>A IÍAMA. LUbiMl, 18QI, p. 37. 

) Itui di« l'itia, ('rónica db Kl-rk( Dom Apokiui v, i, cap. lx. 

1 Julío Puyol y Aluiu4, Una PVEnu.\ ex bl biim^ xiii, in «fiviv 
Hís]t»iiiiliir>. Xl.p. SH-í: — «orcctiu llaiiiiin t-ii E^pAft^ á las «•niii--ntlik«i{af 1" 

h->iu<.'9 hivn Jc rescibir pyr los dailos (juc rc*cibcn «n la« ifUerruà» — , [ttí)- 

* Vtffao toBcan* do Livbo nR Mari» Paulo Vénbto, Milão. ISíi 
.. 12. 



smo tlefriluu»o: — • Ksta fúrimdn rtprviuuita 3 oarros de loivii, 
o oleiro vendem a láôOOO reis cada» — *. 
Formando com qite locução adverbial, vemos cada nos dt>iã 
ns ã^tíuint»'*. cít;iítos nas ^Villas» no xíirti: de Poiitl'oal: 
— • Item. Mariuu de V.iiwa recebeu Potro Oiirigiiiz jior filo 

Hl li una cas» in qne pousa cada qae y vem • • caui- 

i^adii qiic os iM'4lireia • — -: \s{y> é, (o(hi a re; que, quando. 
^o s^M 1'Hiudn KiMire n Livnu de ALKXAxnnB. pnblicodo do 
iv da Roínania (187»), Moi-pl-Fatio, cita a frase — *Snl- 
df cada cal (dvts tours) c. mil combatentes » — , e acrescenta: 
Ottv e\|)resstoii ne couvient iias an passa^e. il Tandrait tle 
unff — . li evidente qiie o douto hifii>anista desconhecia a 
tempo a locnçiío portuguesa vrula qual. correjipondente íi 
iiDa auia atif e mnito popnlar: — 

' Ó ciraiidn, õ oimiidínhit, 
Tocai, tov« I) clrantlrtr; 
iMím Mim meia v-AiOt 
Oiub i|tial Hii m'ii lugiit' — . 



ti »> popular, >■ tjmbi-m literiiria, o ítluieun teve o 

lo de a rejistar — < Cada liiiiri, e cada búa, on rada <|ual. 

fqttc.., Unugquhque* — . Xo Suplemento aduz. no lugar 

ítent*. a« segninle» locuções: — «Cada qaal com seu i^al; 

ipial em seu oílicío; cada qual tiiente o seu mal> — e aiuda 

u trv», uteiioit caract4ín'.stií-aâ. 

Il*m ^jectivo muito curioso, do eoniitrnçiio paiussintetica, é 

meira, <|ue se aplica no Douro k 'Arvore que dá fruto todos 

V. aneíro. 



FSiXOto. Ab Or^AKtAR m) PnAoo, in Portngultn, i, p. 207, 



T ' i, I, p. 7pO 9 TWÍ; Cltruífl"8 tlr POKlfOALIAB MONU- 



Al>"ftUas íU)ê fJirtfiHÚrioã i^jiluyurwf^ 



ratiafolso 



Êst-c vocábulo é lioje usado quãsi exclusi vãmente aa 
restrita de •patíbulo*. 

Antes, porém, iji^íúcitva um • estrado alto, armado «n 
para actos soli-ne-s ». 

Nas ilhas dos Av"rea desigua eadajaho uma casa, d 
àa festas do Ksjiirito-Suuto. São os cadafaUos geruluiimt 
dos em sttáos cliamados ramadas, poniiie se adornam co 
des e ramos. 

Nest« scDtido vemos o vocábido empregado ao sega 
cho; — > explica a catuara que catlafalso nos AçOres é tt 
ediftcio, também cbaiuado tbeatro, onde se ariunm algi 
perios do Rspirito-Siuito» — '. 

Veja-se império. 



cadeira 

Além das várias acepções rejistadas uos dicionários 
palavra, rumos no jornal O KcosoMiariA, de 5 de agoatn 
que na -UViea portuguesa desij^ma uma — «arvore do om 
ti-ahe borracba* — . 

cadelo (=^eadéh) 



Esta palavra ú definida como «cão pequeno» e pr 
lun deruiiiutivo caielliim. \k>y catulus, sendo a formi 
Una correspondente à feminina eoilela ^=caOéla, com a n 
usual em português; cf catiêh o eanéh. Alí^m diste sig 
o Núvo DiccionArio dá-lhe mais o segumte. como to 
nliofco: — «cruzOta de pau, presa ao adelhfto e sacudida 
em monment*>» — . Neate sentido parece ter sido cmprí 



O Sboolo, de 8 de jolbu ie 1001. 



AiioiUlai ao» XHãonáriú» l*oríuffueaei 



197 



'reíBta Portugália ', do seguinte trecho:— «Este [o taliuleiro] 
iJ»r!iiia*lo sobre o olhn da mn, é posto em morimeato por um paa- 
^íiBb<( firoalar, o cadeUn* — . 

£ iin} dos muitos uomes de animaiií a])1Íradns a objectos: 

, T. «ffi burro. 

cadilho, caclilha 

(Como é sabido, eadilhi/ít ê tenuo muito conhecido e há muito 
S|w para desi^juar uma ospi-cie de frauja. ou ^uarniçio ontran- 
e pt^ndeote. O femeoiíio m4iiha pareço ter si^ificado iuià- 
ã(]uele com que se define a primeira acepçilo de cadilhos 
diciouárioB, isto é, — «fios do urdume que não leram trama, 
)rmam no final da teia mua como franja- — -. Na revista 
rt»ijalia ^ Ií'-se: — - O desenvolvmiyoto dos fios [da urdidura] 
este torno dn c-onjuncto (c^dilha) de fios tem o nome de 
■ítftial ' — . 

l'sD exemplo antigo do emprego de rtttlithoa, como aigiúfi- 
ido eertn guarnifào, pode ver-so em b«dem. 



cafajeste, rafâzeste 

i > Xòvo PiccioNÁRin rejista a primeira destas formas, defi- 
'Uindtya do Begiiinte modo: — < (brasfileirismo]) homem de íufiuia 
condiçío: indivíduo sem préstÍmo> — . Xo Suplemento, porím, 
^acrescenta — '(braslileirisino] esc[olar]) aquelle que não é estu- 
lante e que, em (,'oimbra. se denomina /«írrrfl» — . Na primeira 
lí^ppçÃo vemo-lo emprej^do no Bos<íif.jo »e tWA riAOim ao 
rjíTEKioa OA Habahyba e db Pernambuco *: — 'Uouhe^''0 esse 



' I. p. 387, Moisiii>s. 

* DiCC. ■'nVTKMfOKANBi'!. 

» I, II..174. 

i in O SBRtUA, de 17 il« junito ik 1907. 



Itttí 



Apottilâv aQ9 Diciottãrina Hnrít^HíiM» 



vaqueiro. É um D. Juao dos meus siLios: enffuâjttn ile uii 
exem[ilai' de aoUiropoloj^a iTÍmiual . . . Ladrão de mulhcrcii 
Por éate trecho hcamoK sabundu que o e da ãiUU Uxti^ 
fechado. Iffiioro absolutameuto a orijem do vocàhi;'' - 
de hrusileiro i! descuuhuciílo eutciraiuvate uui i*<iit 
aspecto de sor nem abaulieeuga ou de outro tdionu de Indi 
América do ãiil, nem tampouco oriundo de qualquer du H 
afri<Mri;tó. nifriais ou outiiu!. 



cágado 

U oximvaj^^aute nome que cm portugu&â se dã a ústc Ik 
qtiio. e c|iie ott pudibundos escritores inndi>rti(^^ velam, 
disíarçar, com uma iuii-iid grefí», háijtniti, uj'iu li^ini em 
idioiam iicm com esta forma, uem com qudquer que cemeb 
pareça, a nflo ser em juponôs. onde o vocábulo káunzu si^ 
aeguudo Heptiuni *~*jrojf (rH), toítd (sapo)* — . Ura no 
de Portugal o cà<^ado é chamado saí>o eonffio. isto é, «dí' 
cha». 

A palavra rúf/iu/o jÁ Ú)!;iitíi em tíil Viceole, no •Aiit"''*j 
Fadas» (sortes): 

(Mffodo: Qnciii ijrcr «'^iti' miíiual 
NAu Í' nioito qac o li-ixe, 
1'aú nAu é auna auu pAÍx«. 

Portanlo, a lulo ser mera comcidéncia como tantas oníni-! 
foi o nome levado dw cá i>ara o Japáo, com mais ulgun.'^ pyiii"o*| 
TOOÓbuJos, e nilo do lá trazido como outros, tais bfom&o, f*''] 
BȈo, ctitafut Oh V.}. e poucos mais. 

^^âo sol com que fundameJtto w coordenador do XáW* 



Túqaiit, 14!>T: otu Ivtru riiiumiti. 



AiM^tln-i nm íhciítnúrios Porluguetia 



\VM 



^t vitiNHAKiA, de Joào Jb Lislioa ^^ no i índice a^^fotiia dims 

ity^-s Oif/tiJit {o Uhéii 1." e 2."). O texto traz Oifíiiado. a 

&j. 120, Cifjitado D Cagado a pâj. 13H. É natural que em 

pftui1w3 os passos a leitura soja cái)(uÍo, a nho ser quv por di~ 

fcreitciii^slo o vocábulo baja mudado de sílaba octntuadu. o que 

o nxirdtíDador deveria advertir, se o sabe eom certe/a e tem 

numeim de o demonstrar; de nutro nioilo, foi uma temeridade 

pncríl etnpre<;ar ali na penúltini:! stlalia aof;ntiia^-ilo, que v a nor- 

m*] ijiuindo mi palavra se uAo marca outra, para. provavelmente, 

indicai uma leitura errada. 

O dr. -Inlio (;oruu relaciona rãgndo com uma forma latina 
fartiwi. citaudo em S6U abono Isidoro Hispalcnse K O passo 
>l»untório 4i — lltabiab. i» kst in coeno bt palcdibcs viven- 
Tas— «lodosos, isto é, que vivera na lama e nos charoos>. As 
tnmrformavfies ipie a palavra cacHua sofreu, para cheirar ii forma 
P*>rtuK^ieíia ainda vernácula, luUi de t«r sido: ractdu: cac.'<iu: 
[c«j'rfM; cáffiiedo: rwjadfí, se a etiraolojiu é certa, como parec«. 
Cthfurtfa, que, segundo o Novo Uiccionáhio, dêsi(;ua no 
^Alentejo — trariuca. oom que ás vezes se prende o chocalho á 
>neira>^, é sem dúvida um feraenino de càffuedo, por ciufado. 
fteqiíeiite, como já disse, o uso de nomes de animais ajdicados 
objectos, em utrnvi^o fl semelhança, verdadeira ou supostíi, da 
'<*nna ou de qualquer atributo liéles, 

Kssa orijem ondento tem o epíteto de pregos de asa de 
'*wrw. por exemplo. V. burro. 



caga4ro 
&te termo da Beíra-Alta quere dizer ' àuus, ou mucosa 



t Utibua, 1903. 

' GattXDRISS DRR ROUANtSCHKV VHWAnAHilR. I. \i. 74tí. 



9)0 



Aponíiían aoH Dieiandrio» Porfugunea 



cag:ari'a 
Na Ilha da ^ladeiía ó siuóaimo de pardvla, (q. v.}. 

caída 

É o parlicípio passivo do verbo cair, siibstantivatlo no íb-{ 
infinino e hoje qiiasi desusado, porque se contraiu em queda,' 
como mestre de nia^íslrein, awíiíf em qiienie, ai^acccr em 
atiuicer, no sentido em t|ue antigain^iite era empregado, de 
«acuQtecer*, e bera assim no de ■ aquentar* | aealentm\ qaej 
subsiste eui outra sigititicação, e dere de ser castelhausmo, em 
nudo da manutenv^o do / medial. 

Di'«mos todavia (te^mirta, recaída, formas derivadas nasl 
quais se a-Ao deu a coatracvão de a{ em e. 

cai] eira 

Kate vocábulo usado em Arcos-de-Val-de-Vez, apoutado 
já no Suplemento ao Novo Diccioííãiiio, atribuindo-se-lhe aí 
como étimo provável calijem, foi já explicado peifeítamente por 
.1. Leito de Vasconcelos ' como procedendo de caliginaria [ ca- 
ligo. caliginis. As formas intermédias seriam caligiaria, 
cnijaira, caijeira. 



caim 



Este nome próprio é empregado como apelativo na ilha de 
Sam Miguel, no sentido de «mau bome9n>, como vemos decla- 
rado no jorual O Século, de 5 de julho de 1901. 



Revista LusiXíUia, iv, p. 275. 



caíque 

(.V^luioa escrever-se esta palarra com h medi»], a desniiir as 
%'Of;:aiã a e r, e iiio pcvique seja nela orgânico. etímoIòjico< 
O vocábulo é torno, QAig, conforme Marcelo Devic, no Suple- 
mU) (to dicionário TrancOs de Kmilio I^ittrê *; ai Temas deli- 
ta esta palavra do seguinte modo: — 'Oaiík^Tw jieLite embar- 
tion «u iisa^e daiin rArdiiiie) et ú Contttantínoplti • — . 
Bluteãu não rejista o vocábulo, e difícil será diter hoje quando 
íe entrou oa língua e jtor que via, para se tornar vulf^arís-iimo 
II Algiirvu, a não ser que chegasse lú por iutermálio dos mouros 
países barbarescos. 

Dor.)' ' define dê^te modo o vocj^bulo, que nào Incluin uo 
llossárío de pahvra» espanholas e poHn^iesa^ derivadas de 
riImí •', o que parece excluir a minba iiipiitese: — *embarcayáo 
lucaa. usada no mar Ne^o. É a palavra tiuca irâík, a qual 
^}assou a muitas outras linf^uas; veja-se Jal, (Hoxmin' Xantique, 
V. caU-, mico, caíq, raUpte. Km Constantinopla é o caíque 
ia embarcação bonita e líjeira, com uui oa mais remeiros, e 
mito comum; aos particulares nAo é permitido guarnecê-la com 
lia do cinco remeíros; os ministros do Sultão, e os embaixado- 
S8 estraujeíros [íodem empregar sete remadores» — . 

J. Inácio Koquete uo dicionário portu^iês-francês *, não sei 
>nj i\\w fundamento. tradu?.Íu eaújnt', por — 'quniehe, |H>tit bâ- 
timeut du Tage, de la cote de Portugal et de la Manche» — , 
itAato que Littré define quaiche. como sendo — ■petito embar- 
caition dea mers du nord* — ^ mandando pronunciar kèeiie. 



DlCTtÚNAIRB ATVMOl^QlQUB bBi) UOTS U*OkiaiSS ORIBNTAf.B, 

t OosTRauNORN, Haii. 18tj7. p. 4i>, eiii hijUndvt. 

* lll^)A8AIRB »88 MOTH RHPAUNOLH BT POKTUOAfS UftRtvAn OB 
•ah.WIK. Paris, l-ítíí). 

* Paris, Itíô^. 

DlCTIOSNAIttB DE I.A LaNÍIIH PUANÇAISP,, PafW, 18S1. 



909 



ApfiatitnJi aun ÍKeionârío» I\)rlui/ncseJi 



cairo; Cairo 

Jíste termo, fiiie rlt««ij^ua uma sulwtjitifia vejctal tcuacú 
de qiie se fazem cordas h oalaltreH. troussiMin^lit uAa da li 
com o ohjiírto que tem ^.sto nome. 

£ a tíbra da casca do coco, e a esta cbamam na mhlahi 
DU sua língua kàyar, do verbo kàyara «estar entretecido-. 

JoílA de Unrros ', diz quo {larece feito de couro, e, na upíuii 
dos autores do Qlosâário de palavras anglo-índias ^ a semtdban^i 
dos dt ia vocábulos deve ter coutribuído para a ai-filação do pi 
meiro. Todos <>s nossos cronistas da Ásia f:i/.eni mfiifiio do oi 
prê^o que de»ta fibra fazísui os índios. 

Naltt tem esta palavra que ver com Cairo, cidade no Kji))to| 
maometano, a qual em árabe se cliainn at^ijakire (pron. alqáhira,\ 
<a vitoriosa*. 



cairo 



É vocábulo transmontano e significa «dente canino, colmilho 
É o latim cannriu \ canis •cãO', confonue J. Leite de Vaj 
coDcelas ' e as formas intermédias hao de ter sido * eatieii 
eàeiro, * 



caixa 



Êst« termo, designativo de uma moeda asiática, é treqiienl 
nos nossos escritores dos séculos xvi e xvn. Conforme Keruái 
Mendéz Tinto ♦, valia real e meio: — «duas caixas, que erào ti 
réis da nossa moeda» — . 



1 Da Ásia, Dâoaua ni, lirro tn, c»p. 7. 

* Tulo & Bumcll. A GLOSãARV OP ANflLO-t!?DUK WOBDS AND PtlllA- 

Bca. Lonircs. lííid. 

' RBViaTA I.PKITANA, II. p. Ilfi. 

* Ph11B(IIí1SA(,:ÂO, CAll. OK. 



palavra encontra-sf já em sánãciito, com a torioii kuh^j, 
é Djtiiriil f[ue os portujíueses a recebessem on ilirectíiiiiente 
lul hlifH. ou por interiaétlio do marata on áo concaoi, como 
lu» G^tosstkrio tie Viile & liuroell ' (q. v.J. 



Kv«>ra querí diwr »miw.-iVftgui*, isto é, «dept^sito de 
>. A cx(tre8sAo ê comparável k castelhana urcu iie íupia, 
\itm o ineamo seutido. 



cajuri (eajury) 

fon da lodia Portuguesa: — «a popiilav^o niral do dis- 
[Dam&oJ usa,. . as aguardentes deílor d« mauni. . . u aã 



ealainbá, calaniUnc. (^alambuco 

n Xôvo DicotoKlRiu remete a primeira forma para outra. 

latttha, a que portaiit/i dú u proIVréiicia ; coiu ]mut-o fjudamcuto, 

^ "■ *'i (|ae na I^kbríHííxacAo Jp Keruám MtMidi;/. Pinto ft 

' escritii ittliimbaa ■*. representando ji^rUnto o inutiiío 

/ / \\í:\- ifiva o afeato na lUtima sitaha. 

i:. Uutidotht m rainmhitco *, nu eaUtnhuqn<^. designava a 



j > A (iun«<\ttr or Anolo-Inuiax woooâ akd purase», LuD-lrw, 

*** ••^^ r. Cull. 

K. \. Bnivsiu FLTniti<lM, O nRnuiti:* bo sal, adkaht r alpan- 
lA IsviA I'OK ri:oi;ti2A, in 4 Boi ^111 âi Sitritíátviv de QiMf^pltia rio 
, 2:1/ «*-rÍi-, j.. 221. 



â^l 



ApMtitax aoM Didonárian PoHuffwiMtíi 



mesma sabstáncift vejetal aroiitiUicâi c sôlire êates dois voi-ulml 
pode consultar-so o VooABaLinio do Ultitouii. onde tainhi-ni 
rejistou a lomia ralamba. 

Garcia da Orta escreveu m/í/mòflc;— «Cliania-fio atfa'-'-^ 
e hauã em arábio; e os Giizaiates e Docanins w/, que (• < 
arabin; os Malaios <iatro, e estes chamam ao muyto liuo vnJaU^ 
hae. A arvore é como a oliveira, e ás veaea muyto maior; fri 
nem frol não lhe sey » — '. 

Veja-se st^khre eitta esséucia aromÂtica o enidito r^menl 
do Conde de Picalho. a páj. BO-65 da pdi^'ÍÍo dos Oou^gi 
citada em nota. Outro nome do cheiroso pau era tirfuih. 
cabulo cuja acentuaçílo é duvidosa, e (pie sem dúvida pmvt 
c^mo snpòe o douto comentador, das formas indicas aj/ar, nrfif-»' 
Oifil, modificanVs do silnítcrit^ Anunu, — *f|ue os ánihes coa- 
verleram em agahidjiu [Avai.AoiN] («aptliigem > de (írta)» — » 
Pela forma arábica da |ia1avra se vê qne a arentnaçâo teni d4 
ser oyalaj^m, e niio, m/alújem. Mas será n-julinjem erro ti( 
gráfico por aifaíagémY 

Polo contrário, a fornia souscrítica aoubu, coni o u brev^i 
acoDselharUos a acentuar â;jitila, o que explica a confus^So qi 
se deu eulrt^ rste nome e a ]»alavra latina ai|UtIa, •águia' 
motivou a extravagante deuomiuayào iuglesa e(uile-imod. 



calflo 



O DiocioNARio CoNTEupoKAXBo, coiifomie o seu costanifi 
atrilnii a esta paluvra um étimo extrava^nti': dlz-iio» qui^ pro- 
vém de rala -\- ào. íjue será este rala, e raai« êsle ão è a qufl^ 
se não fica sabendo, e cada nui SQfiorá o que mais lhe agnidorf 
mas pixle conjecturar-se que, visto ralar querer dizer — «uáo 
falar ' — , e — «Ão, suticso subst. derivado de verbos» — denotar 



y. iii<. 



CoUKtniOfl DOS StVPt.lM B DAS DROGAR DA I^n)Il, II, IJiilxta. IS^f, 



sef^^ndo o mesmo diciouáho. raiào deve significar <a 
d« itilo falai-', couvúm saber, «de eskr calado». Bonita 
njia! 

it realiditdu, raláo é o rmlô ^spanlio), qne designa «o ci- 
n (plural ríi/í^K, lerniniiiiio culU, pi. callías) e fi dialeilo ilêles 
própría linguajam. 

concorreu bustaiiLe para a formação da jíria portn- 
castvthuiia. Sobro esto objecto vejam-se as seguintes 
i: K. A. Coelho, Os oioanos de Portugal, e Kafael Sa- 

El OKLLVCt^N-TE BSPAÍÍOL, Kl LENaUAJK *. 

iOatm acepv^o de mlõo, íjue devo ser vocAbulo diferente, 
la no seguinte trecho: — «As mangas partem da bota do 
[rédft], em posi^-ões oppostaa. . . ilimínuindo. . . na ponta. . . 



calceta, calcetar, catceteiro 

^0 Kúvo Ilux:mNÍBio d4!tiue calceia como sendo — «grilbeta, 
ftla roni que se prendia a perna do conden)nado> — , e tam- 
I— 'O coiiderunndn n Irabalbos for\*a<loa> — . 
[o vocãbulo cakelu parece ter orijuiii castelhana, sendo pro- 
lente o termo de germania, ou jíria de malfeitores cspa- 
ii, v'»ha, «grilheta», correutii com que se prendem os en- 
idos; na mesma jiriu ralrrl^ro é o nome que os presídiárins 
im a qntin prendia issaã correuU-s aos pi-csos ^. 
\0» Kuleotes. a que mo referi no artigo braga, eram também 
■ ■; simplesmente tjnthfhn, poj- iilusão à cadeia qne os 
_ Km malaio, pelo mesmo motivo, cbamam-se óraM- 
ííe, *gmU: (de) grilheta*, e esta denominação designa, por 



* FrrnAn<li-Jt TmitiL*, A rBsOA bm Buahvou, ín PvrtQ^ftlia. i.p. l-ít. 

* Xlui^l ScLlilUo, El. nnLixtiUKXTR impa^oi., Eu Liixol*ajr, Mii- 

!wí"' 1. 27'; 



2iM 



JjtOBtUas <loS Z'triunãrn-n íiirtngur»c» 



amplitícaçilo do sâotido, nesta língua um quulf|iier <prfH.i t-» 

Cin inçados do s<>ciilo pítssado os f/rilhetas, on roU^^ 
inyirrentatios a dois e dois por nina tínit*!;! dw feiro (ifrilheta), 
uii-tro c meio ile com[jrinieuio, jtrcsji à permi por uma arj 
(oulceta ou braí^a). eram ocupados vm rauolios no cal^'ara«E 
das ruas. e foram esses ranchos ijue, por desenho e dit 
BU|Hnior do general Cândido Cordeiro Pinhoiro Furtado, goi 
nador do Ciustelo de Saiii Jorje, execuUmiiu o rormoso ino:' 
da Pi'a^>a de Dom Pedro, ou Kossío de Lishoa: foram i^Ies 
ctilrtítfirojí, t! tanto t''3te nome, como o verbo cfíhetttr e 
derivados, culcetamenh, cukvtitria daí procedem. 

Muitos dòsses indivíduos, cumprida i)uo foi a pena. coi 
ttniiaram a exercer o-ssu proiissiio, em que tam peritos se me 
trurum. 

A tradi^';1o perpetnou-^e, aperfeiyoando-se, e hoje em dia es 
ofício é tam honrado e tam honroso como qualquer outro mi 
nuíti. e tem-sc difundido em muitas outras cidades e vilas 
reino. 

caldeiro, caldeirada, caldeireiro 

Kís aqui ahonaçOes dastes três rocábuloa, em sentidos 
ciais: 

— 'Para cgue a durarão das redes seja maior, usam os 
cailores mergnlbul-as u'unia infusão de casia do salgueiro, 
o que possuem. . . grandes vasos de cobre (culdeiro»), onde 
«redes são mettida.s» — '. 

— « Ua outra parte [da pesca] que pertence aos peisci 
i^s ijuu formam a companha, tira-so um terço para a 
(ieirada, È o peixe reservado para as refeições dos p( 
res ' — *, 



> PurtQgalU, A pBSCA eu Buakcoa, i, p. 153. 
« iO. y. 154. 




AptmtUo]/ ao$ DicianãfioH Ptiriu^n*^» 



307 



lt»ar com o uso das senhas aos calileiíeiros (cozedores 
irttya)* — '. 

cílltíirn 

Trás-oâ-HonUfl è u • goleiru do telbado*. 



:albu 



— - Essa corrfídiva niseuta sobre uma vifja, mais forle (? mais 
que íM3 chama dr^ja ou aiUur* — *. 



calhan 

étimo mais provável, tanto da palavra portuguesa couio 

'fnmct'31 ea/Uott, anibiU aa qiiJÚa t«iin aspecU) de derivados 

>r meio doií sulicsosi -au k -ou /-u { -<>u ] -ol), « mu primitivo 

fujr f-tíil i calculumt 'pedrinha», mediante a evoluçílo se- 

it«: enlrlum: ealclo: caUio, para o português, e caícle: 

If jtara o francas. 



cali (Marroiueu) 

frica Orieutal Portuguesa: — « Os nome» dos principaes objec- 
Ide iwo domestico são cali (]'aiielu d'airua)...> — ^ Xao 
deixar de citar a coincidência de htáli em malaio tam- 
ser o uome que dão ii panela oude se la?, o caldo c sopas. 



O EiJOSOMWTA, de 13 de setíMubro de 1892. 
O Sacuu), de 2 de oatabm de 1901. 
JoRVAi. DAH Coi^ONtAg, de ■( il*^ jdlho de 1903. 



Ãp<tíitilti9 íws Dirionários J^rrtHffUtatM 



calo 



No Alentejo Pste termo si^iitiea uma extenȋo de 
arjiloso. encravado entre outras fonniLÇn«s. K ovidonle a 
do termo: de»taca-se, por diferença de aspecto, esse retalho 
08 UTrenos círcuujacentt^s. como um calo reul^a na polo. Cfl 
ração análrtsía. maá com roIa\-ílo a d(ireza, levou a aplic:ãi 
mesma deii(tmiria(;ão à • jjrossura de Icrra. entrei neada e 
pelas ralzos das varas, qae se forma em tônio das videiras 
se cortaram na poda-, sentido este já consignado no Novo 
ctoNAaio. 

calomlHi; carimbo; careunda 

Calombo no Minho significa <abóbúra>. O Noto Dxock 
BIO díz-iios quo como termo brasileiro qiiere dizer — «tumor, 
rba^-o dnro em qualquer parte do corpo» — , e airil>ui-lhe 
dúvida orijeiíi africana. O aspecto é na realidade eafrial, 
o vocábulo não parece quimbundo, pois nesta Uugna coloí 
quere dizer <mulber infecunda*, conforme Joaquim da MaU' 
Não seria ]H>réra de estranhar que o fosse, pois esta e ot 
línguas bantas ministraram e ainda ministram copioso re 
rio à nossa. 

O preticso ea é demioutivo em qaimbtmdo, e a pah 
muito usual carimbo é simidosmeute o deniinutlvo de quiríi 
«marca» *, como enrai-nda é o quimbundo carimiuíti. « 
nfaas*, <o das costas», e significa «quem tem as costaít 
toosas* e o próprio defeito. 



> EmPAIO do DlOCIONAIttO KIMQIJNDtM>0ltTU0rB2, Lu1)0ft, \S9X 

' ib. »ub voe. kirlmbu. 



calote 

it« vocábulo, ao sentido de «dínda não paga>, |)arcce ser' 
lèn cuiotte, como Uirmo de jAgo do domiuó, o qual (lesigna, 
Lns com que cada parceiro tica oa mão, por ae não podei 
». 
Também w diz naquele sentido caurim, (q. v,J. 



calu6t« 

O Novo DiccioXiíRio rcjista como inédito ^te vocábulo, que* 

kvt falvete, o qnc é erro manifesto, pois o vemos escrito mos 

cronistas da Ãsta também vahete, e ú sabido que do O se 

riam dantes, em c-aso de diivida, quando o U, que na forma, 

ler ftscrita. qner impressa, sd coufimdia com o v, se podería It^r 

>mo boje lemos éstc. K sabido tambóm que o v era o descnbo 

íinl, U o medial e final da palavra, tendo ambos promísciia- 

jtí» 08 dois valores, e sendo o U para o da vogal u a meúdo 

ibstit Ilido por O, se ficava no meio da palavra, pelo expediente 

iHro bu, priiicipalmeut« se do comi^ço dela: huivar, por exem- 

■», aasim díferenvado de rriver ^ 

O termo é iniibibar kalufHt. tt designava o iiistrunipnío de 

suplicio atroz, descrito por Kcrnàm Aléudez Pinto, nos se- 

ites termos: — «porém o movo foi espetado vivo em uqi ca- 

tttf de arrcwada (grossura, que lho meléríio polo sesso, e lhe 

Id pelo toutivo»— *. 

Para se ver quanto 09 nossos escritores eram escrupuloaos 
representar, conforme a nrto)^nifia do seu tem|>u, og nomes e 
ibuloâ pureií^rinos que intercalavam nas suas relações c des- 



1 Vh do tator, 0BTOUR\nA NA(;io?fAL, Lúbn*. tíKM, p. dl, itr», HH. 

* PBBIIORI.VAÇI0. cap. OLXIVU. 

Ik 



criçnes. cumpro ^verfcír que o rocãbulo malabar, quei nl 
da terra se escreve l-alm-l-kí, é promiticia<lo knhu}Hi '. 

Bliiteau ortocfrafou também errõiieamenU caUvU, pelo 
fica sabendo (jae antes do Novo Díccíonárío já a palavra 
w\o rejiiítada. 

Itepito qtie a escrita talocte tira todas as dúvidas, mt 
que Dào soubéssemos pelo seu étimo, como sabemos, que ali' 
uio tialia o valor de v, mas de u vogal. 



camacheiro 

É termo usado no FuncLal, cora a âi^^itifica^-âo de 
leste'. A oi-ijem desta denominação é evidente. Chama- 
assim porque Ssse vento sopra ali do lado da freguoiíia d« 
macho, capela de Santa Orui, tora da cidade, (.'f. (vento) 
twUio I Pulmela. «o sueste, no Tejo. 



cama-qucute 

— «Dá-se era horticultura o nome de cama quente a WídOJ 
o amontoado de adubo c-onstitnido por iVilhas súccaâ ou detricta 
vários próprios para entrarem em fermenlJiçào e desenvolver 
calor • — *. 

câmara, camarim, cjunarinha, camarote, 
beliche, caramaachilo 

O termo camarim, derivado do italiano caniefitio, sif 
noa teatros portugueses, como nos de Itália, o quarto em qi 



> Ynlt-^ n Biirnoli. A Tiumuíarv of Anolo-Inulu( vobds. 



lííHÍ. 



■ Gazeta das Alubias. Ac 30 de a^gotào de 1905. 



Apt»élUa* a^m JJiiwnJihtf I^fríii^e»m 



311 



se vestctii e preparam para a eeiia. È já autigo ua uossa 
pois Tem mencionado neste scutírlo no Aviso de 17 át^ 
de 17Õ1 ', rebtivô ao teatro da Opera. 

tanto acontece a camarote, como se rê no mesmo 
>: — <08 ramarotes a que Sua Majestade não deu certeza, 
IrilMilrú V. Ex.'« — . 

O italiano den ao [wrtiigriêã grande número de termos de 

k. (V. poltrona). 

Canutrttte, cuino termo de bordo, no mesmo sentido que heli- 

(de orijero orieutat, provavelmente malaia, bií/Vy, <alcova>), é 

ktiiral que italiano seja também, mas já foi usado na pKBníai- 

rAcAo <cap. cox:v). É possível que beliche represente o malaio 

íiUq ierhitr «alcova pequena*, com deslòcaç&o do acento do 

Jectjvo para o substantivo, e supressfío do q. quàsi imperceptí- 

féL « da terminavào it. Km italiano camarote-de-bordo á'r/rS6 

lerino. 

Camarim 6 excelente traduçAo do francês boudoír, e nesta 
spção foi muito usado, sigiiilicaudo ' quarto reservado, secreto * : 
é como tal que o termo se aplica ao andor coberto em que, 
exemplo, a imajem do Senhor dos Passos da Graça vai cada 
processionalmente paru a igreja de Sam Roque, em Lisbofli 

Mída sexta-feira da quaresma. 
-uarinha está eruprega<lo num sentido especial no seguinte 

do BusgiBJU DK l'UA VIAJKM NO IKTEfilOK DA pARAHYBA 

pKH-VAMBtoo ': — *no interior da uossa 'camarinha», co- 
de telha vi, como é geral uo norte do Brazil» — . 
0<fm efeito, uo Suplemento ao Novo DicoiosAbio vemos Cate 
focúhnlo deãnido do modo seguinte: — <(bras. do N.) quarto de 
lir; pequena prateleira no cauto da sala» — . 
tíJa Ííiíira-Hiiixa camarinha é o «quarto de dormir». 

xarinha é também o nome de uma baga, fruto de uma 
do maio, a que uo Alentejo se chama c(>po-d'áffua. 



• C0U.BCÇJCO DB LRaiKLAÇlO PORTrOUBZA, 1750-1762, p. 338. 
> rif o StcVLO, de S dp JBobo 'Ic VXlO. 



ntik /IfoíOnÃrirM ynftttífH^JtrA 



Outni p:ilavni conipn^ia, não duri\'aiia, de câmara c 
,inancháu, dâ camaranchào, com metãt«se daã sílabas 
)rmftdo de câmara atieha, com elisAo do a linol de 
mdança do ffi'Qoro jp-amatical: cf. iíiu/A^ãu, subsiantírõ^ 
'culíno. atimcubativo do femoaiuo mulhtn\ ca»ão, masc., de 
remeuÍDo. 

à palavra câmara, que deu avultado número de il«m 
em todas as línguas românicas, é o latim camêra, u 
grego KAitÁBA. 



camba, cambo, cambai, cambeira, rambeirada, cambada, 
cambulbada, cambulhuo 

O NõTo DiocioKÀaio, no Suplemento, Inclnín a palarrai 
beiras, com a seguinto definição: — «(t da Uaírrada), a 
mais fíua que, nos moinhos de ágna, se evola [r*] da mó, 
nas paredes e objetítos circuDJacentes » — . 

Acrescenta um derivado caaibeirad^, c.omo também 
cente ao vocabulário daquela rejiío, delinindo-o — «ai 
de cambeiras ou enfaríiibadela com cambeiras, nos folguwlc 
entrudo;... pequena poj-^-àn de fariaba*^. 

^.Porqut) 86 cliarna, iK)rHm, vwnbeirn, ou cambeira», a 
farinha tiuiâsima? 

No corpo do dioioiídrio in<!luiu-se o tf^rmn rambaU 
definido: — «resguardo de pano. madeira ou farinha, para qo 
não espalhe a farinha que se vai moendo- — . 

Bluteau dissera: — -Cambais chamão os Moleiros h 
(segundo ímajina <|uem mo disse) que põem em roda da 
que moe, como ropanv da que st* está moendo; i>u são unia 
boinbaa, que pela mesma sorte se poem> — '. 

A palavra dete provir de camba, a que o mesmo dicM 



VoOABn.A.Bto roR-raouBz b latiho, Saplemnilo 



ao#^ íiinúiiQrtoH 



^Bt<ífumte= «It^tíDirnes: — «pe^a curva das rodas dos carro», 
*s(ía; (aut.j uivinlio de mao; pequeoa cambota> — . 
CanÚM parece derivar-se do latim campe, teiiuo grego que 

íoava -ciirvatarB'. 
O KLirciDARio de Santa Itoma de Viterbo diz-nos que autignr 
itc f-amba era: — *moiiibo pequeno, molJDbeira, moinbo de 
t»- — e Cátmbal — <a farinha, que faz laliio na mó debaixo* — . 
Xa monografia Moinhos * vemos o seguinte trecho em que 
I descreve o (|U(' sTio rambehas: — «por sobre oates [os arre- 
r, 1/. v.J assenta. . . um anteparo de madeira, a que dão o 
lOlDP dtí rambriras* — . 

Creio ticarem asiíim bem estremadas, com as citadas detini- 
pfte» 9 com êat« trecho, várias acep^;uoa da« palavras camba. 
WrnlHil, nímheira, r/iniheirada. De fíamba 6 rangia há cla- 
•* ^ ! *-í i 'es no Diocionabio Coxtempobanbo. 

' M. a í-tímAaíífl. — • enfiada de coisas penduradas no 

10 gancho, cordel, etc., como declara &ste últamo dicionáriOt 

••r nm derivado colectivo de ramba. entubo, i)orqne tais 

fozendo ptjso. obri^u o cordel, vara, etc.. a curvar-se; 

dt* fítmbo, que si^oitica «enfiada, vara (curva, geralmente de 

j)> — . Cambada, «súcia», t«m a mesma orijem. 
Outros derivailos *V) camhulhada, camhulhão. que pressu- 
^Bj uma forma canúmUio, ou cambuUta, da mesma orijem. 



cambola 

Xo «Jornal das Colonlo-s», de 27 de maio de 190Õ * encon- 
A?te termo, próprio da África Oriental Portuguesa, perten- 
(o voruhulário das Ifngiias banias, e que assim é ali de- 

o — «corda feita cora fihras rejetaÍ8>. 



P 



* ÍRFortngalla. i, p. S8tí. 

• CAvráXiu DB Barl'* su 1002. rc-U(i}rí<j oãcial. 



2H 



ÁjtoãHlfut avu DieionàtiM iWtuyueâa 



ciunbolar. cambolaçTio, cainbolador 



O Novo DicciON.iBto traz o segondo destes vocáhalos, 
a siguificaçáo de — * engajamento (?) de comitivas de c;imeai' 
do interior da África» — . 

O étimo de rambuJJutdft, que eru dúnd;i Iht da, f in 
siveU Tanto o segundo como o terceiro vocábulo pri-saiipõem 
verbo cambolar, que não é maia que o aportuguesaiueiiUi il» 
verbo quimbundo cucomhola, 'Degoi^iar, traficar*, de que se*!^ 
rivou o subãtuntivo cambolador, correspondente ao quimbaoíA 
rit&mbo ', «negociante». 

caminheira, c-aminbilo 

O Novo DiociosÁBio rejísta como provi ncialismo o vocÁbul» 
caminhão, no sentido de «carro do quatro rodaâ>. 

Outro substantivo, do mesmo modo derivado do wmtnk. 
é nome aplicado a uma espécie de locomotiva, como w vè ilo 
trecho seguinte: — «Ha dias eflTectuou-se em Inglaterra a eíp*- 
riencía d*uma caminheira f»ara o Soldflo [aliás, Sndan\., C*» 
um carro atrelado levando dentro mais d'uma tonelada Ae ))W< 
a caminheira ppgou-se diversas vezes» — ^; — « pessoal e m»* 
terlal relativos ás caminheiras e outras machiuas a vapor*'' 

cami.fa-de-onze-varas; camisão 



Como já foi explicado na Uevista Lvsitasa *, esta esti 
denominação queria dizer^'» alva dos padecentes» — . 



> Héli Chatclun, Oramuâtica blbmhntak do KiunvíTDV. 
br&, lâda-IS89, p. 121. — U. Cordeiro da MaU, EnsaiD Dit utOOIf 
EiueONDU-PORTtjr.iTtu;. Ustioa, IdDJ. 

* Jornal pas Oouinia», de 21 de uatobro de lOOõ. 

* Dlario db NoTiutAB, âe 30 de jaociro de lUUt). 

* Tol. VI, p. 12e. 



iamimo, ua ilha de Sam Mi^el, significa «disfarçado, hipo- 

wnso». 

íoUrei aqui, a {iropósito de aha, que este vocábulo não de- 

8Ó a — «vestti de padecentes dos antigos autos de fé> — 

diz o Snplemeuto ao Novo DicoionAbio, raaâ priucipal- 

ite a cunisa branca, que levava vestida *o padecente que ia a 

)rcar. como ainda a vestiram os últimos que em Lisboa pade- 

ínun essa pena, Matos Lõbo e Diogo Alves, antes de meados 

século passado*. 

camocbo 

Termo de calão que qaere dizer < tostão >. 



campii) campa, campana, campainha, campainbeiro 



O primeiro destes vocábulos tem duas acepções, a primeira, 
«(l^e que cobre a) sepultura >, não è fácil de subordinar a um 
étimo. 

Na se^ruiida acepção, é um primitivo suposto, formado pelo 
I que se considerou derivado, campa j rampâa \ campana, tv/m- 
^^atia, ainda usado no concelho de Pinhtfl, e que já em latim 
^Kgníticava «sino» *; como verUa, foi induzido de venta \ veti- 
"terui, 6 aço { aceiro, que era o nome do metal, como actual- 
mente o L' em castelhano acero. Sup5s-se, em vista da termina- 
do, que a palavra estava na mesma relaçào que ferreiro com 
/erro. Também se disse ageiro, e Alexandre Herculano empregou 
abeirado, no sentido era que usamos o castelhanismo acerado '. 
Ctítnpaniis em latim é um adjectivo, empiegado por exem- 
plo em aes Campanum, e em (uasa) Campana. 



1 V. WnlHtD, in Jaurbsbbricht fDb dib FORTsoaKirrB dsr Ro- 

HAMLSCnKN Pnn/>LOOIl!. VI, I, p. 126. 

« — 4A vetn de am epiífnunina abeirado»—. O Bobo, n. 



Um derivado de campainha é oampainheiro, que 
lho de Vila-Nova-do-Ouróm. e provavelmente em todo o 
de Sautarém, dt^igna o veudedor de campainhas e choa 
jmrH ^^ado, na feint, e que aoiuicia a ta^-eiida tooando aUvmj 
mente duas campainhas qne empnnha, uma em coda ralo. 



campido; campo, campina, campina^o 

É um participio passivo substantivado de eampir — 
perspectiva do horizonte em um quadro » — , como define o ^*| 
Dhxuon.vhio. J. Gomes Monteiro, na Carta Acerca da I 
DOS Amobbs V empregou aquele 8ul)6tantivr> eiplit^ndo-o: 
confusa distribuirão dos elementos que entram no quadro, a 
dos campidoH, como lhe chama Pbilippe Nmies. isto é os 1ob| 
08 ceos. 08 horiaonbes» — . 

O verbo campir é de orijem italiana, campire, como muii 
mos termos do arte. (V. em poltrona). 

Campo, altíin de muitas 4)iitra>: iicepçõ«8, que doa dicíoi 
constam, tem uma muito es|>ecial em português, a de 
onde pode caber altaima cousa, ou alguém; eia um exeuIplo^ 
«custando a acreditar como alli |sala da audiência do tribni 
em ViJa-i;'ranca] possa viver [sic] umas dezenas de pessoas, oo 
espaço de algumas horas, sem ar, sem campo, entro bancoí i 
estrados » — -. 

De campo se deriva camphia. e dôste talvez um verbo «■* 
pinar, que deu orijem ao substantivo campinacão, que vemos 
empregado por M. FeiTeira Itibeiro ^. — *As polainas de bfo* 
silo os utelhores e mais úteis nos trabalhos de campinaçAOi. 
passagem de tiorestas, etc. > — . 



< Porto, ld49, p. 80. 

* O Sbctilo. ilo 3 de mato do 1900. 

> RCQRAS S PRBOaiTOS OB BTOIBXB OOLOKIAL. p. 90. 



'Portujfueita 



217 



eanti-venle; cariu, íianinlia, caDicinho 

ItO Novo DiccionAuio iiisoriu êsle kniio coiiipo^tt^, daiido- 
l# a sigiiifícdçÃo restrita da — 'oauçâo |>opular do Miiibo* — , 

• em que toda a geute o conhece. Todavia, uo seguinte 
a loeuçilo tem, sem dúvida, nutro ritguitlcado, que talvez 

lolarar o nome que putieiaiti ^ cauti(,'a minhota:— 'ainda 

llTerà o» viulios. ou canna-verde, produzidos por vinhas doen- 
te 

i_.:iui, pnr 'agnardeute de cana de ayúcar», vemo-lo empre- 

ro no rtífguinte passo: — « Dê-iios caona» — •. 
Caninhtt, como designando a ama-iloce, ou rana-tlu-açúoar, 
1 - i !f tinida no jornal O Economista, de 3 de maio de 1891: 
■ 1 que o ííur. Brandy mandara vir de Moradnagar, 
|MÍA. spnientes do cana «Alapoor Jowari* que pertence a ama 
irittiimuieiítii nova e produz assiicar e aguardente. l)h a 
1 que n-sisttf inuito a seca « pode por isso ser plantada em 
'j onde haja falta d'agna. Não é da Tamilia Sar^hoã, a que 
caninha. Forma soqueira e dá semente* — . 
O dvuiiiiutivo tanicinho, na ilha de Sani Miguel, quere dizer 
ejo», comi> o veraoa muito plausivelmeut^ explicado no jornal 
SicCLo, de 5 do julho de 1901:— Estar com o caoiciulio 
a, estar a brincar, a gracejar. Pela fonna açoriana bo vê 
a noíiHa locnçao «e^tar com a carinha n'água«, que realmente 
faz «entido, ó corruptela da seguinte: ■ Estar coro a caninha 

», dtj fecil romprehensâo • — . 

Êitttfl modos de dizer triviais, que se empregiim t«ndii-se em 

o teor da frase euteira, e uào o valor dos sbuíi uleiuentoa, 

muito gi^eitos a ser deturpados. subsUtuindo-se qualquer 

elemeotoa por outro, cujo valor fonético seja quáai equi- 



> o ãnouiA. de fi d« ootnbru d« IttOlí. 

■ BiMQnUO DB CHA VIAOBM NO tKTBRIOR DA P&RAHTBA H DB 

lAJOCOo, in < o S«4:alu>. de 17 Je jaobo Ue lOÚO. 



•ilis 



Apoêlitas aos Dicvmáateê P^niu^neneii 



valente: ó u que aconteceu ft outro auexím, «não se pescam tn- 
tas u bragas enxutas*, onde bragas è geralmente sQbãtituJi|Ji_ 
por barbas. 

cauado 

Na Deira-Baíxa tein C'«te nome a * armarão de canftâ ou n^^ 
mos, em ii^mo do carro, para conter o estrume > '. 
É um (lerívado — evidente de rtiTUt. 

canajeira 

K utn termo que designa nas marinhas uuia espécie de pá. que 
veio tlgurada no jornal O Seccu), de 10 de janeiro de 1901. 

canastro 

Esta palavra, forma^-âo masculina correspondente ík femeiúna 
cannffrd, desi^rna em ^eral o arcabouço, a armação, o eíiqueleto. 
e nestes siguilicados traduz perfeitamente o carautíte francês, oi 
qual S(í ú português, no uso comum, com a forma carcwsa. talrexj 
mi'lhor earcttça, no sentido de < cousa, pessoa Telhíssima ■■ 

Una sentido especial designa no Minbo a palavra canusfro ol 
mesmo que espigueira ou cami;o, isto tí, • uru celeiro provisório,! 
o qual consiste em uma coostrucçíto levantada s&bre estAcas oq] 
pÈgtíes de pedra, e em que se arrecadam espigas e maçai 
fícando a salvo da humidade e dos animaes daninhos*. 

c&nave, cáneve, CAnaveira 

Estas duas formas, a segunda das quais esta para a primeira^ 
como cãmera para céinara, sào os lejitimos derivados do suhstaa- 



InformAçiU) do editor, natural de Altiicida. 



ÍVo latino femeumo caDnahe[iii], e foram ao depois «ubstituidog 

la forma cuãtelhana ránJianw (míxatmt), procedente de nutra 

>riu<-i luttiia neutra oaunabuni, com assimilarão parcial do 

ao nn. 

Do adjectivo cannabaeeum * provém o derivado canhar- 

9, também acastelfaoMdo, ))opularmeiite modificado em ea- 

tutço, por dissimllação da nasal ÍDÍcial da 3.* sílaba: nh 

>u a Ih. isto é, a oasal palatal à liquida palatal, por dis^;i- 

io regressiva da nasal labial m. 
O Novo DiocioKAjtio define canaveíra p<ir estas palavra?: 
• (ant.) lo^mr onde cresce o cãnavHi' canavial í* Cf. Sousa, 
[nn. de D. Jtíáo ui* — . 

cana vieira 
\a Ilha da Madeira dá-se este nome ao carro de roca. 

candeia, candeeiro, candil (1); candil (2) 

Hoje, na linífuajem comum significa o primeiro vocáhulo uma 
Impada pequena de folha, com um ganclio para se dependurar; 
candeeiro toda e qualquer lâmpada, que em geral não é de 
pensão, roas que também pode estar suspensa. Antigamente 
lo era assim. 
Candeia designava o que actualmente chaiiiauios vela, e canr 
iro o 'fabricante de velas, o ciríeiro*, como boje dizemos, 
se vê claramcutíi dos se^intes trecbos de \wa artigo publi- 
lo por Sousa Viterbo ua revista Portugália [i, p. 36l>-3fí8]f 
aualísaudo uma carta réjia de Dom Afonso v: — >e entre as 
:aiideius] que vinham de fora eram especialmente reputadas as 
•tíndcas de resar de Aragão — que os candeeiros moradores ua 
lita vila de Santarém* — . 



J. Leite de VascoDwIuí, RnriaTA Lubitana. ii, p. 31. 




2aj 



ApoitUan avM JJtchnárío* Pttrtuguan 



Ao fabricante de candeeiros do metal cbamou-w ao depoii 
eanthei feiro. Sousa Viterho * adrertc havtr diferença entre ck»- 
deeiro. — -o odicial que foz caudéafl de cera. a que boje oba- 
m&aios roh* — e cerieiro — ««lue fazia velas, tochas, e braft- 
ddee» — . Aliáa, eirtetro \ eirio. 

Ctmtleia, uo sentido de <rela>. foi empre^do por Daniifl^ 
de GóÍ8:^'lhe pedirão algumas mercês, as cariiu das ijum 
aâsinnu, tendo nu mão e/.querda a cani1^:i. f na itutr:) u \ 
com que asâinava* — *. 

Ainda muito depois escreveu Cardim: — «pedindo que á b 
da morte os ajudem metendo-lhttií a candeia na mão* — *fi^ 
benzer as caudeias á igreja de Homac, convidando Oâ pof' 
luí^ieses para a festa* — '. Ainda hojo se diz .1 Senhora dv 
Camhúan. 

Outro trecbo, que dissipa todas as dúvidas, é o sef^inte:— 
'O curioso antlar das candeias foi salvo... Este audor en 
conduzido na procissão da^ marafonas ou do? pães bentos... 
O audor ia adornado de vellas de cera. que perfariam o pe» 
do rolo com que se devia cercar a muralha da cidade [de Gai- 
niariies] » — *. 

Candã, de oríjem imediala arábU-a itaNDii., mas remota do 
grego KANTAi.A (?) ^, sigiiificii um candeeiro-dt^mão. O Xòvo 
ciokAhio, além desta acepção conhecida, aduz outra: — «(pesr[a]) 
phosphoreeéueia das águas» — . 

Como, porém, não c^tá abonada, creio ser informação errada, 
e que o vocábulo caiidH, está por candeio: «luzeiro que ae utt 
ua caça ou na pesca, para atrair a presa». 



■ Er.uGtnARio dos tbiihos. . . que bm Phrtuoal ANTiarAMi 
8B esÁRiu, LUbua. 17!)à. 

> Chkmxica db Kl-hbi Dom EMHAKimL, cap. tx. 

* Batalhas da Coupanhia db Jbsub ha provinoia do JapJ 
Lisboa, 1891, T> S:} e U;2. 
j^ * O Sbculo. lie 23 Je fevereiro Av 1W2. 

'■ D'>Zy k KI1C^>l^lAI)Il, (JLOfMAIRB DBS UOTS BtlPAOIfOLB BT PORT.^ 
y^ DB LAnAHB. 



.Apottilait av9 Zftcionáriuê í^tiit/utve» 



•321 



Qaanto n outras actjp^-õtss de miuiif, m ]ii-imeira3 que se dân 
IO inpsrao diciunário;— • medida x\v capaiíidade, ua índia» — , 
e antiga moeda aãiática,> — ãâo vocábulo distinto duste; deveria 
ifti 9«r subordiíiiido a íuâcrívão sejiarad». conformf^ a economia 
ptada nele. l^ualquer desms acepções pertence ao vocábulo 
ar kandi. que é o tnarata K*aNDl, tmidade de p^stt de 
kilo» próssímaineute '. A fornja iiortu^uesa ranâil foi erra- 
ente induzida do plural condiíc cf. javali, javalií», com 
i7, /«fiíJí. 



caneca, caneco 



É um (lar de nomes, uiu Tnasoulino e outni remeoínú, como 
há tantos na nossa língua: mneea é um vaso [>equetio de lonça, 
cilíndrico, com maior altura que diâmetro, e guarnecido de asa; 
^^neco é ama espécie de barril de madeira, de forma cónica, e 
aperto por cima, no que no Norte se diforcofa do barril propria- 
mente dito, que geralmente tem dois t-ampos. 

Todavia os canecos de madeira para úgua. no Porto, teem 

Í Lampas, mas sío semelhantemente cónicos, e nâo com a 
de dois conea imidos pelas base?, coroo os dos aguadeirou 
«bua. e 08 que servem a Lransportar viubo, aguardente, vi- 
, etr. 
tém de Indicar uma es)H>cie de jugo para os bois, usado oo 
BUl do reino, designou, por analojía de forma ou de aplica^-llo, a 
JBáboa que aerve de suplicio na Cbina. No curioso livro I^ata- 

HSRAS ilA OOUPA.NHIA UB JjCSUS .VA PROVÍNCIA DO .(aPAO, do 

Pailre Ant<Ínio Francisco Cardim ', vem mencionado o dito tor- 



cauga, cangalhas, cajigalho. caugneiro 




Ynle & Barnvll. A Glosbary or Aiíolo-Indian woros. Lva-Ip-h, 
tub r. Caidy. 
LJBbuu, ItflM. p, 83; c. tamWin u p. If^*!. IMO, 217. 



22*i 



Ayonlih» ao« Dicionário 7'^rti^Hart^ 



mento por este nome: — «lho tinha iançatlo ao pescoço uma 
cBDga, com dois pesados paus, a modo de egca'la. 

Desta palavra se derivaram, sejçundo parece, cangalho, 
eatu^alhan. amiaçAo geminada qne se põe on donw da» caval^ 
dura», para transporte de cêatos, cjinaatras, barris, eto., e qi 
lH»de ser de ferro, ou de uadeira: — » coloiíaoi-Ihe por sobre 
albarda [do burro doa aguadeiros] as cangalhas, nome que wit 
[Algar\'c| se dá a um objecto feito mais vezes de madeira qi 
de ferro» — '. 

Kxemplo de catvgaJho, na acepçílo primitiva de — -cada 
dos dois pauíi tjue ajust-um e seguram a carga ao pescoço doi 
boÍ8> — , como define o Dicc (>jntkmpobanko. ó o seguinte:- 
«tinlia ido próximo de um ril>eiro arrancar um peda^-o de 
deira, para d'abi fazer um cangalho> — *. 

(Uiiujalho, como e sabiilo, significa também um objecto t( 
lho, inútil, e dfâtii acepçfto proveio o verbo esamijaUtar, <d( 
manchar, destruir >. 

A orijem do vocábulo canga é o verbo cangar | coh* 
iui/are '. 

O substantivo cantfueiro vem já inscrito no Núvo DiccioffJ 
RIU tiumn acep^-fio especial, «barco chato, usado no Tejo>, 
buiudo-se-lhe por orijem a palavra can;/a. Í^ú mesmo dicionáril 
está rejistada outra acepção, como própria do Urasil. — ' pre( 
foso, negligente»^. Nos meus apontamentos, sem abonaçftc 
porém, porque levou esta sumiço, encontro cangueiro como bt 
qneiro de certa embaroaçiio, que nunca abre caminho, desvii 
do-Be. a ontros barcos mais pequeuos, evitando únicamttnte 
que são miuores. para não çoçobrar. 



' Portu};nlia. i, p. 3â5. 

« O KwíNOMiSTA, fift 22 He ontilbro dí 1ííÍ)2. 

» J. Lfite ilc VsMoncoloe, in RBnsTA Lumitana. ti, p. 34. 



K natural que seja este vorábiilo, usado na África Orieni»! 
"0rtu(pif^. um aiitneutativn de canija, {<:f. burarra j bOca), e 
UrtDo iodijeua:— < Inuiãportam o ferido em combate, na emir 
ra (^padiola de ramos) » — *. 



caogosta: v. congosta 



cânhamo: v. cánave 



canljo, canlio, canboua 

N'o Minho çanhos são 'sobujos de comida >. 
Tara os outros siguilicados de ranho, e seus derivados, veja-60 
Noto DicoioxAriu e o sou Suplemento. 

Comparável a canho do sentido indicado é o tenno alento- 
10 r/tnfuis, rejistado do dil»> díciou>lrío, cora a significação de 
mipiH que, depois de feitas, se tomem cora leite» — , acep- 
que confirma o étimo caneuê, eanea, caneum. adjectivo 
lo df canis, «cio-, provilvelmcute porque tais mij^aíi s<? 
a cáeti. paru os desmamar, pois vemos no mesmo dieio- 
oirio que no Douro canhai giguiftca cão pequeno, caneôlum. 
O ¥ocáhulo trasmoDtano ranhmui, < ovelha >, é naturalmente 
ainda um derivado do meãmo adjectivo latino, no parecer de 
J. Leit« de VaiícoDcelos. talvez por ser mais fraca, comparada 
carneiro *. 



1 Axovedo Cootiolio. Ã cautanua do BabcA bu ld02,m « Jumftl do» 
>liíu>, iW ID <le tfgo^tis de UKXS. 
* HanaTA LuíirrAicA. n, p. Uti, 



çAnhofigO 

Ternm da wVfVica Onenial PortugUMa:— >09 eanH\. 
Mticrtro usuD rabo tte tfttvta /ç. v./» — '- 

É Usrroo de Timoi- — «O njinito l»ní«i como « 
[Notai • • iniítura 4e sl«H)l e melaço»— •. 

cuita 

t^te teimo indiabo. i{ue lmd Utdo o PnrULg&l to dtfu 
il«sipiar u caltlo de arroz, prinrípiíl mente feÍU> c^m 
|uvsuiit<), IIUÍ5 quv Uuibéin 90 «impri^ga qaaudo ouUu 
utitiz», wm im Suplefuiuito ai» Sovo Diu- - 
rvrdadftiro i*timo uironíAdo; mm tiMi]u<tr.ea i 
,<<-iip;:ão que ait voc&LtiUo é dada ao CArpv.do dl«?infili 
l»:ir.;;i',-:i'' il'» Vií". 'i»f quilha fPciyYa- 

T.i 111.; ;iíi/iutÍCt')l • — , (Ktl8 Udilu tfflli L, -, ... 

I kangi pioo^deute do tainul ibitLCÍ. 'Miimi 
ãdu i-ta ftgun*, n6 uphcnreí ao cald» ladicAdo, pai 

fwtrt*í(-"t t^mpr-íjfam u fi-rioa ■■--■■<•■■■ ■>r-i|- -' ■ 
Í;i'/l.',-,> - ■',' i-., quH dirtift:nn. ■> .\.\. 

H (' i 1: < liurdouK parctt.'<i bir oídu qttuffl (ihiiiMiro dil 
wni Kl. ' i- ■ v.imt, «'« 



(Uo Critiiiiia»'. lU i 

' ,1 
na TiM 



' fuso* m IMA 
i.NumurmcAs uobiui o* ' 




Ápotíiia» tf/x IMoM^^Of Portuífuesis 



22S 



canoitra 

Kst« termo aio está, que eu sailia, colijido em dicionário 
da Ungua. Vejo-o empregado sem mais explioaçáo uo se- 
trecho de iini jornal áô Klras, transcríto no Eoonouista 
de outubro de 1888: — « Ksta (awitonal saiudo da cauoura 

máquina de tulharj cae sobre nm cjliiidro liso» — . Parece 

Bn « canudo >. 

cantadoura 

Além dos muitas derivados de canto e cantar cumpre re- 
maiá este, que vemos empregado no seguinte treclio da 
ntfitt dtí Koclia Pftixoto, As ui.akia^ ikí Pkado: ' — -«Por 
A tradicional carro de bois exfaibe-se em rara particulariza- 
do uiuiudoucms. No cbadeiro e a vincos limitam-so as 
das do resto do loito e da cabeçalha; esta oliliqúa * na- 
meuto ató encontrar o tamoeiro; o» fiíeiros oruam as 
4)18; noa loh'"dreâ respectivos indicum-«e as cantadouras; 
fiodriru acenlua-se o miul; nas cambas, ás vezes, aparecem 

eiaa*lnas ► — . 
tíAt trecho i'^ obscurístsimo em víilude do uso de termoa 
icoB, populart^s e pouro ronberJdoSt inaertoH em um discurso, 
qual 09 Tcrboi* empregados sào, pelo contrário, pertencentes 
Dguajem convencional e artifícial, como exhibe-fte, obliqua, 
tuase, limittím-^e. ornmn, aproveitados em acepções que 
sào as duaa naturais, espacejei todos os termos desusados, 
procurarei explicar com aussilío do dicionário. Principiando 
ekaáriro, w consultarmos o Novo Dicciunáhio, encoutramoá 
na rembwiin a cliedeiro; visto este, acbatuo-lo delinido como 



I IH Porto^alit. 1. p. 253. 

Ibr* «ftft coDJa^v^ iTTiiiU vejn-«e OKTOORjtriA Xacional. Lin- 
|l90«91. 
u 



— -leito do carro de bois> — . Chédaf diz-nos o mesmo diôd 
lio ser — *cada nina das praacfaas laterees do leito do carro, i 
quaes se eucaixam os hieiros» — , e na proríncia do M i 
«platafonna do carro de lavoira» — . Parece, porém tiu- 
sejam as < pranchas >, visto qae ehedeiro é o leito, hi*> 
o mesmo dicioDÃrio chama plataforma. Cabeçalha Temos iL 
é o temão do carro, ou a parte deauteira dèa^e temão. Tat 
sempre uo mtisuio dicionário, é — 'peça central do carro de 
que se prolonga ate á canga e &erve de tirante* — . CamhaãA 
■ — «peças curvas das rodas dos carros» — . 

Baseando miitl ou miuh no mesmo dicionário, vemo< 
remeta para meul, onde nos diz que vem a 8or — <o m- 
meão do carro» — . Procurado êate, acha-se como deliniçio:- 
«peça central da roda dos carros, na qual se imbebe o 
expUcaç^ que o autor nos poderia dar também em tu 
nos poupar a caminhada. 

Caniadouras ninguém nos diz o que seja. Portauto se 
leitor ainda não entendeu o trecho transcrito, é porque i 
bronco como eu sou. 

Seg:undo informação, canlaâeirojt suo a parte do eixo 
prendem as rodas: devem ser as cantathmrm do trecho. 

Cumpre advertir que a desciição é aplicada & uma imitav^^ 
do carro, como brinquedo, feito de barro. 



cante 

Xa Xazaré equivale » «canto*, «cantiga', cf. âeseanie. 
castelhano c usual ^ante por caiiio. 



cantiga, cáotígo 

f, evidente que esta palavra nao pi-oviím do plural cantiei 
de caaticara ein latim, visto qut?. se ^e fos^e o spq élíinOi. 
aceuluaçiio seria cantiga. Deve pois ser um substantivo Texbá 



ino de * caM^ar | caníicare, coma faòricfi o <!, inascii- 
ie Jahricar, nílo obstante a palavra fábrica. 

Carreí.msa nsa-se o vocábulo cântico, que é derivado di- 
(lo latim cattiicuiu '. 



conutílho 

tt« ?oc4biUo é fuflúo de dois: o priíiieiro português, eanttdo, 
lindo rustelhano, caUutillo (pron. eaniiutilho), ou, o que 
alvífx mais exacto, é o castelhano eailutUlo que Bofreu in- 
ia da [talavra ptirtu^itwa canudo, 

aigniiicado é o mesmo em ainlias as Iíng'ua8: 'canudinhos 
ro. para com èle« se formarem vários enfeites e guarnivões 
«tidos». 

!vtrt*-eeT ponhii, que na Kolivia «'« vul^^ar a forma canur 
\ disfitmilavilo de cauufiUo (n apíral por n dorsal), maia 
ma da portuguesa, do qae a lítcniria castelhana. 



^^ft. 



capo-de-bonrts ou capa de Mirand»; capjndò 



em astdra descrita no Ikqukbito iNorsTRiAt, de 1881 ': 
azem também umas capai de burel, noiaveiíi pelo seu feitio 
ai e |Mdo8 muitos ornatos, sendo estes fonnados por capri- 
applica^'òes do mesmo tecido, capas quo aparecem geral- 
naa grandes festividades, e por isso silo denominadas cai>as 
nffii. SSo ignalmeute conhecidas por capas de Miranjfa > — . 
u mu»fu da Sociedade de Geografia de Lisboa hil uiu ma- 
ia assim vestido. 



J, Ldt* dr VaM-incílo», Rrvwta I.rsiTASA, iii, p. 73. 
K. J. Cflttr»"), .Vi'f5iT*cn>sitó crIticab «omti! el LRKurAJa no- 
o,II<'tf>tA, ISMl.p. 53S. 



Uma forma moderna, a qiie a palavra mjta serviu de «ijí 
é cajiindó, que, ali-m <)o sentMlo pejoraUro quu lhe âi o Ss|i 
mento ao Núvo Oiocidnãkio, á lamb<^in o nome de unu 
de grande roda, chefiando aiâ o joelho, a qual coustitoi unu ; 
do nuifornifi da marinha portuguesa. 

Capa é um latim cap(p)a, que produziu uumerowM 
dos nas diversas línguas românicas, c ciya verdadeira orQea»] 
problemática. 

capada 

— <um dia que me roubíínun uma (tapada (rpl>anlio)' 
Representou-se aqui a liuguajem de um pastor da Il«íta* 



capaz 

Couquauto os dicionários doem «amplo» como agmi 
primordial deste adjectivo, é ide menos usado nessa 
actualmente em portuguôa, do que o é em castelhano. 

Exemplo deissa acepçSo primordial é o seguinte: — «41 thut 
gta (são umas embarcações mais capazes que as suas galiís)) 



capolana 

Termo da África Oriental Portugnesa — «Paimo de 1 
qnadrada que lhes serve de capa* — " [aos pretos]. 



< JtHiquim Manuvl Correin. AsTintriDADiis DO (X>vcsuio cO 
OAL, *n « Aidu-4>logD porto^íji», x, p. '2U1. 

> Batalhas da CnurAsmA db Jbhits, de António F!ra»ci>oa 
LUboB. 18l>4,p. 217. 

* Dioclecinnn FfmAndfiz dax Nercs, ItlvbrAJUO OBVlUVIAiSH 
CAÇA1K}8 BLm*UAMT&8, U«bgA> 187ã. 



capitão 

[Na África Orieutal Portu^eaa ê toma<Io «sle termo em si- 
Icafâo milito particular, como vemos no relatório da Cav- 
Do Babuk ku 1002: — ' capitão é o capataz ou feitor 
lo indígena > — . 

capittil, cliapitol. cliapiii^u 

primeira dcistaa palarros. como (|nàsi ioàos os tei-mos de 
nobres em portnpiéií, proveio ilo italiano, ondo se diz ea- 
1, do latim capilelliim, deruinuiivo de capnt, que jmita- 
ite rom outro deminittivn luaiii usado aind.i, capituliim, se 
|tr«gava jú para desi^^mir «o remate suiMírior do fuste da co- 
i>a pilar >. Cnnfonne a i^nliecida lei de que a ra latino 
íponde rhtt, rhe fruncí.-i, rapitelltim deu nesta língua a 
chitpitmu, da qual resultou ckapiUu em portuguõs, saindo 
tiitra forma. chapiUd, n nosso rhapitel, lioje desusado, mas que 
I, por exemplo, na Gazeta de Lishoa Occidental, de 
" de 1738:— • ... o se iw^nhecem ainda muytas ba- 
uis de colunas» — V 
V^pitel desi^a nroa peçxt de tear, como vemos na publica;-ão 
Irlngalia, i, pÂj. 374. 

capoeira 

Como parti'! do moinlio, é este vocábulo deHnido do modo 

it«: — «[do frechai] parte um ripado que, indo terminar 

ponta, é coberto de pallia de centeio e algumas veses folhas 

lata: rbama-tie vtijNieha. È eridi-nte a orijem da denoniina- 

ti semelhança com o encniiiamento das ripas das capoeira:) *. 



'"irttjgtiA»», V. p. 3. 
rtugrsliu, i.p. $â)). 



gaesa. 



capotim 
<Duas braças de fazenda> — V África Oríetital 

caqui 



Este neolojUmo, que também se oacrove khak* o de oat 
modos ni&o menos arrevesados, é o nome de uma faxenda de 
godão côr de barro^ que actualmcDte se nsa muito em fardame 
tos das tropas que vão fazer serviço era África. 

O vocábulo ó perna na orijem, hak, < barro > que paiãotiHj 
indostano, onde produziu o adjectivo mari, «barrento, dt H\ 
barro» *. Kts aqui uma abnnayâo do vocábulo: — «K alto, 
trunfa branca, casaco de kaki com platina e pudvóm branco»! 



carabelinat cravina 

O cravo sinjelo. a que Tulgarment« se chama crnvina, é 
Dominado carahelhia em Trás-os-Moute». Kala fonna prváísB 
outra, crahelf correu^mudente ao castelhano clavel, maa com 
gal aiiaptictica entre o e e o r: cf. as formiLi populares campi\ 
tetro, erapintciro, por carpinteiro, e canivete, do alemáo antign 
hntf, passando talvez pelo catalão yanimtr^aàe já 86 boa 
dado a aniipiíctise do a, e que parece um demiuuLivo, cigt A 
gnifícayão aclual é <fara>. 

J. Leito de Vasconcelos deriva craòelina directamente dl 



> Diocleciano FrrnAnfloz Aim Notm, Itixhrario db vux viacrn 
CAÇA uos BLEirnANTaa, LUboH, \S1^, y. 2<t. 

' Yale & Buro&U, À Glosbart úr Anglo-Ijcdias words. Loni^n 
1886, mt» V. KItakee. 

• O SMOrLO, de 1 de abril de 10O2. 



loaa *, o qu6 me parece provável em vista da exiaténcia de 
forma em castelhano, daveUna, iudabitárelmentc deii- 

de elavel. 
,A palavra rrai/tna, no uso vulgar, está abonada por esta for- 

quadra de Acácio de Paiva: — 

JnDtuo-ge I cnriu ao cravo 
Entre as niAos d*onia mcnioa; 
Quem me dvra nani raiiiinliu 
3cT ea cnro, e tu cratina '. 



caramelo, caraiubelo 

Em castelhano caramelo é o nome de uma guloseima, a que 
chamamos 'rebuvado>, entanto que asucarillo corresponde 
no&*o carameln. Xesle sentido, como no de *gélo>, o étimo 
larvce ser calauiellum, deniiuutivo de calamum, «colmo*, 
jtfn dissimiloçúo do primeiro l e suprcssfio do segundo a em 
\H, caruioHum, rarmelo, caramelo ': carambelo está 
caramelo, como o português lombo para o castelhano lomo. 



carangueja; caranguejo 

Kst» palavra tem uma acepção que aiuda nào foi inserta nos 
)iiiríos e se vê no trecho segumte: — «Por este meio a 
que vera rebocar uiu comboio até á gare segue sobre 
fa. cãpccio de ponte movediça, c entra na via que se 

Caranguejo é na província do Minho «abrunho grande». 



) RBriflTA LtTBrfAKA, D, p. 105. 

* o -SBCflxi. Av 12 ilc janbú do 1905. 

■ RkvUTA LfttlTANA, 11, p. lOõ. 

• o EcoNOUiBTA. de lõ de abril dv 1^90. 



iápcgtitn 'af>n DithnáriM J*-^-f^fJ^n^| 



(em) carapuva; (cm) polote 

S;lo vulgares estas expressões, significaDdo a príiueín «côa 
a cabtf^*a descoberta» e a se^uuda *uii>, como tambéui wdo, 
«ein pêlo». 

A se^inda ainda se poderia explicar pein segtiínte inodfi; 
jtelottf é apoiíae uni auineiitaiivo facútu da palavra pi^lo, n>f<en(U 
já também por gracejo à pele. 

NAo me parece que seja assim. 

Nos 8CB5ÍDIOS PAHA UM DICCIONABIO COMPLETO DA liDíHri 

P0BTU9UÊSA, preciosos pelo ^n-aude Dúmero de citações, está ot 
clutdo o vocábulo pehle. com reftT^ncía a pdiro, onde .w lé "» 
seguinte: — «Darem a cada huum dos ditos pobres para vortyr 
pelotes e ssayas era cada liuum ano, e de dons em dous inof*! 
pelicos e cerames á estanferee ^Fii^niére, Mem. tlíut fí. de P^ 
p. 292)» — . 

Vè-se daqui que pelotes uào eram pelicos, e que este«| 
sua naturexa doviam ter maior duração, o dObro da dos out 
e tonta como os cerames. comparados com fts saiaSi que di 
riam meuos que estes íiltiinos. 

Coutbrme o Klucidário de Viterbo petote era catta rornulu 
peles, — «á diffcrenya da que nfto era forrada» — . 

A descrição miuu ciosíssima, porem, dos pelotes ipie 
ram à gnarda-roupa de Kl-rci L>om Manuel *, |*or neulm 
confirma vàtâ deliniçâo: pouNts pelotes são forrados de p*' 
eatre a^t dezenas e dezeuas deltas, escnipulosainiíitte descritos. > 
mero quási iutíiido de vestiduras ricas do a))aralt^, que coatm- 
singularmente com a escnssez de roupa branca, quasi todit 
mau uso, relacionada no mesmo iotcressantíssimo inventári< 
que me trousse á memária, quando p.icientemente o li. um i"l 
de roupa qiii vi escrito na parede caiada de uma hospedunii n^ 
cidade da Guarda, no qual se euomeravam doze colArinbos, tt^ 



' Aacntro Hnrroatco Portuoubx, vol. u, p< 399 e «. 




yans de putibos, sela camisas, quatro gravatas, e um sA par de 
pefigas. A por dõste rui. por outra letra, lia-se o seguinte co- 
Bentãrio: — Por fora cordas de viola; por dentro, puh! — » muito 
plicável h reatiiu^nta do aparatoso rei. 
Prossigamos. Xos muitos ]ie1otes d« El-rei, fon~ddo3 de lAs, 
sedas, de çeiim, eto., borlados de ouro, debruados de veludo, 
se ejicontram com pi^Ie». a estas de somenos valor, e sá- 
como guarnição, por exemplo:— ■ Iumu outro pelote de 
ttim avelutoido preto de fralda e mea debruado de cetim preto 
)m profis de gatos com as maiigns e quartos forraiio(í)) de 
itam [lardo e a fralda do pano eucarnado e de buixo do forro 
itara das inamgas e corpinho esta ^'fsíti^ outro forro do da- 
kasco emr;inmdo o quall forro das mamgas Dão chega a baixo 
>r quamto servyram nelle bocaes de marias» — . 

Devia de ser iniiito houilo. O qut^ itmi.^ me surpreendeu à 
rimeíra leitura, tia miuha qualidade de tam amigo de gatos 
»rao Madame Michelel. foi a devoçilo. a gnn'a de enfeitar com 
;inLos do meu aiumal predilecto a t«l garrida vestiineuta, o 
le nm pouco uie congra^*on com a penúria de roupas brancas 
monarca. (k>mo. ]>orúm, [os pelotes com caras de gatos, de 
íriil. como que a disfarvar o sorem todos cegos de um ôlho, 
Hn nada muaos de oiuco, todos a seguii', estranhei tanto gato 
into; e c^mo era outro item se leia — «Outro pelote de cetim 
reto c-om prefis de gato e o corpinbo e mamgas forradas de 
itam pardo e a fralMa de pimo encarnado > — , conclui que este 
kto e aqueles gatos eram as peles deles, e que os prefis 
im as frentes, as bandas, como hoje se dí?., on as ourelas das 
lis vestimentas. Pobres gatos, que deram pêlo e peles para 
intos eufeites! Santa Roda de Viterbo no Elucidário refere-se 
(nianto) gatum, e acrosconta: — «talvez forrado de polles de 
ito* — . CoríieiroH. (wr peles de cordeiro, foi também usado. 
Concluí ainda outra cousa importante, e é que o pelote nunca 
capa, forrada ou por forrar, visto que tinha corpo, mangas e 
«tia; mas sim uma espécie do sobrecasaca moderna, sobro a qual 
a vestir, para abafo ou por luxo, uma roupu, ou roupíio, 
uma capa: e assim se eipUca o gastarem-se num ano oa 



pelotes, e só em dois os pelicos, os quais seriam «oUo 
vestiduras de cima, que por menos trazidas dunivuni mais. 

EngaDQU-se portanto o bom Viterbo, e para nos coi : ^ 
mos disso uem mesmo era necijssária tal couclusào, \i 
aquela peya, que no rico tesouro da igreja de Nossa .Scnbnn da 
Uliveira, de Guimarães se arrecada e se amostra como seadoo 
pelote de Dom João i, nem de {lerlo nem de looje se podo eoD»> 
derar capa ou capote. 

Assim, ir em pelote quis dizer o mesmo que hoje ir m 
C6rpa bem feito, sem segimdo casaco, ou qualquer outn vesti- 
menta dt^ ag:i»albo, e dai ir nu. 

Passemos íi expressão em carapuça, que se interpreta pof 
modo análogo. 

Este vocábulo é assim definido por Bluteau ': — <EspH*)edf 
capacete de pano, com aba estreita por deante» — - Pode «r-W 
em quulquer retrato de Luís xi de França, e foi moda que do* 
rou bastante tempo. Por cima d^la punha-se o chapim; e ft^àni 
quera tirava o cbapéu ficava t^m mrnpuça: e como quando n 
deixou de usar carapu;'a quem tira o chapiíu fica em cabelo, oa 
em careca, conforme a aua fortuna, em rnrapura passou a aisut- 
ticar cm cabelo, ou, com a calva ã mostra. 

No uso actual a palavra carapuça e o sou derivado intaca 
lino carapuro sigfnifícam, com lijeira mudança ou modi6osfio 
do sentido, «qualquer cobertura mole, para a cabeça, com lortna 
já a ela acomodada, sem abas ou pala. e que serve para a tapar'- 

Com relação à orijem e formação, é o voc&bulo em últimi 
análise afim do castelhano antigo caperi4ça, moderno mpmixa, 
(com o ceceio da cousoaute da última sílaba), tnndo-se dndo na 
palavra }>ortuguesa metátese das duas snal)as mediais; e devi 
de ser um derivado terciário de cajta. visto que em c«st«lhuM 
antigo temos ctijHtraçón, do que derivou o (ranciís eaparaçon, * 
em latim bárbaro exi.ste documeutada a forma caparo. Cf. aínds 
o francês carapasse, «casca de crustáceo», no qual so deu igual 



> VO0ADrt.&RIO l*0RTrflt;BUÍ B LATINO. 



Btáime -^apa- em Tez de -para-, comparado com o castelhano 
tragân» 

Femim MÔodez Pinto ua PEnEonrvAçAo empregou, pelo 
duas vewB, a palavra varaptt^ão: — <(lez oh iloze Jarii- 
de carapQções verdes» — *; — «vestidos de liúa cache}Ta 
'ttiayto felpuda, com seus rarapuções do mesmo nas cabeças» — *. 



cart^ás 

vocábulo tiiiha dantes um sentido diverso do que se lhe 
tualmente, pois si^ificava — < bomba conifioata de duas 
trts granadas, com metrallia, ludo envolto em estopas ba- 
ladas em I>etume8 e outras matérias oleosas, e por fora tira 
10 breado, a qual se mette nNima lanterna, na qual vál lume 

[oje em dia empregn-se ua literatura como sinónimo de 
wa. mas o povo nio conhece o termo. Km trances é c^rquots 
-■earct4<i/. e uo texto ít&liaoo do Livro de Marco Paulo Véneto 
'■etviri. termo que Henrique Yulc explica do modo seguinte: 
• K transcriçilo do persiano tarhuci, e o c inicial da palavra 
icesa procede talvez da constante confiisiU) do c cora o < em 
ritoB.— •- 

(brma persiana, coufomie Marcelo Devic ^ ê lerkex, vo- 
ittlú composto que quere dizer 'estojo para IVechaa* e que 
para árabe com a iorma TanKAX, da qual provêem as 
»iaB. 



• aij». oxxiv. 

' Âutónío de Morwk f> Silva, DicciONARto da uxarA i>OKTraLtBXA, 

* Thb IkwK nr Sbh Mahco I*oi^ th» Vhxictiam, nowly traiislatctl 
l«4iln1 with adtcsiuiil 'ithc-r íltuíiiratiiinH, IjonvlreH, 1875, i, p. Jt5s, 

DnmONXAMIR ftrYMOl/llligirB D»I MOTB 0'0RiaiNB okibntalb, 



L: : .. ^ 

Quanto ao seu siaiínimo a^ava, arábico é tombi^m, Ar.-na4>]a, 
que tem a lueaina significação *. 

cardanfao, cardeiibo 

Termo de jiria. • furto - : — « Quando [a ladra Qiruldínha] Eui 
um cardanho, tratava de fugir de Lisboa» — '. 

Parece um derirado artificial do verbo earAar, A escrita í 
duvidosa, visto que na cajiit^il -aníio e -enko t^ein a mesma prt* 
nunciação; todavia, no Rilta-Tujo pronuiicia-s« rardânho, 

careca 

É, uo seu senlido natural, um termo burlesco |>ara desigmr 
a «calva», e ura * calvo». 

Além do emprego figurado, já iuscriln no XAvo l)irrii»NJBn), 
de — «rnóvo de praça de tnii-os, encarregado de abrir a gakto 
aos toiros que vão ser lidados ua areua • — , tem outro sentida 
esta palavra, conforme se vê no Sroulo, de 20 de março de 1002: 
— 'Careca é, no norte, aquelle que deita fogo ás jn-vns de arti- 
ficio • — . 

Tauto uma como a outra acopçAo é natural que provenham 
de indivíduos calvos, que era aiffum tempo exerceram un 
mesteres. A mesma orijem temoá de atribuir a palavM 
carrasco, por exemplo, que de apelido passou a designar o 
«algoz», por ter bavido um com ê^se nome, derivado, como 
muitos outros, de nonje de Wrra, a qual o recebeu de árvore fio* 
uessa terra era acidente notável. 

Quanto á etimolojia de careca, direi stí que tem aspecto o«- 
fiÍAl o vocábulo (cf. ctnntndn. q. v.) ^ mu n&o é quimbanA>r 
nsto não baver nesta língua r senão antes de ». 



t GgttiUx y Yanguiut. Glosario db uxb palabua» nsfA^niAit um 
URioiax ORiis:rrAL. QnuiwU, 18d0. 

» O Srcitui. i\e l ie díieiiihro ilr lííOl. 

■* V. «m calombo, •• oarrasoo. 



Ajftaíiítiu aon Diàimiirios J\tiittsfiêaa 



237 



caril 



EbIa palavra, que significa tim adubo muito coii<liiiieDtado. 
lo DO índia « no »iil da Ásia, é o ciiDuríiu karíl^ ^ mõllio >. 
)rrB8poncIeuU3 ao tàmui iari. fie que os ÍngIezB8 derivaram o 
íu currie ' (proD. ci2ri>; — «K deste fio^u» pisado, e tirado 
cozem arroz cítm elle. e he como arroz de leite 
Fazem comeres das aves e carnes (a que chamam 

A orijem desta palavra parece ser o coQcani korJ, a que se 
lana um plural caria, do qual se deduzisse ao depois o singu- 
ir cnril: cf.Junií, plural y«7iM, o vttnàil. (q. v.}. 

Este coudimeuto è uiuiW usado em ioda a índia, e moflema- 
lentu mt>8mo na Kuro}>a. A sua i'oiii]K>siç&o, conforme o livro de 
liaria de Sá, Puoductom iNDLTín'KUCs do Coqueibo ^, é a 



íguinte: 



— « ilutíuxxa '20 griunas 



Itaizi.'» frcDisiM ik' gengibre 
i^i^incute de domiídeira . 
rinipnta re.Ifinilfl . 

Açafri'! 

CADila 

S<.utii.'ntc Aa cumíiiho . 

Alboa 

Cravo <la índia 
(^rtUmoino .... 
Píiof nta lutigm . . . 
Liinfi» 



15 



2 deatea 
8 54111 entes 
6 > 
Á routade 
utiia tiiúUde 



1 Bnnivll tt Yu1«;, A l}r»a3*KT of As'RU>-Ikdiax wubds and tiira- -, 
I, Londnvi, l«K(Í. 
* GarcÍA dit OrU, COLdQUios doh siMPt.nH n has niioOAtt da Índia, 

a NoTa-Ooa, \m'i, p. 72. 



Forma-se uraa maHsa de todos estes ingredieutce, mcwtidiHl 
priíiitriro sejtanidaã, e depoiã juntamente, e ajunta-se o leite d'uail 
metade de coco. Kstas quantidades bastam pard preparar o oiríl' 
d*iuna avo ou d'uma libro de carne • — . 



carinhosa 

Em Vilalleal-de-Santo-AntÓnio designa este a^jeciivin 

tautivado, um «ciipuz de seDbora>. 

carioca 

O Novo DiocioNÂRio dá duas acepções a este vocábulo bra- 
sileiro: — «pessoa preta ou mulata; pessoa do Hio-de-Janeiro 
Na segunda acertou; na primeira creio que n&o, e aiuda ineaoi 
ua etimolojia que lhe atribui. — < N[ome] p[nSprio] de uuia ri* 
beira» — . 

Coufonne o Vizcunde de Porto^guro ', o epíteto eanooa,^ 
de cari 'branco* e oca, «casa* — casa do branco — fui pelos iit- 
dijeuas tupis aplicado a uma ribeira do Rio-de-Janeiro, perto dá 
t)uat se estíibelcceram os primeiros colonos portugueses, e ao 
depois, por ampliação a todos os naturais do Uio-de-Janein>, dt* 
nominafilo por eles aceita e que passoa ao Continente, servindo 
eui tempos para os designar, uilo s6 a eles, ma^ a todos os indi- 
víduos nasciduâ no Brasil. 

Conforme o referido autor, a palavra earí era empieg&di 
pelos tupis meridiouais (tara se iiititularem a m pn5j>rio8i e ttí 
aos europeus, com quem conviviam cm boa paz. 

Vfi-se, portanto, que a acepção > preto» ou • mulato ■ Dio 
)cle estar compreendida no vocábulo carioca, a não ser por vi- 
ipério. 



* I."oBtr.rxB TornAsinifsB obs AiiftRiCAnra. Trt*D!-CARnȒw wr 
DBíi ANCiKNii Eavi-riBxa, Vionu, lííTfl. p. 2. 



Xa miiilm iufáneiA era faoulLativo de nossa casa um bnisi- 

), natuiul do Kiivde-Jaueiro, por nome Cal<Ia.s, a quem toda 

ite cbamara O Carioc/t, Era brauco, muito alto, bom taé- 

-e por sinal hábil marceneiro. K a idea que dele conservo. 



carlagã 



Fazenda da íodía *■ 



carmoso 



[mnõ de jíiift em Lisboa: um tostão: — «Dií-me agora só 
carmugo. . . aio sabe o que é?. . . ciuco cbet&s > — ^ [rínténa]. 



canieiní, ou caiTeiró, carreirote ^ 
Xa Ilha da Madeira, certa ave (Autbus trivialís). 



carocha (^^carôcÍM), carocho (^^carõcko) 

Carocha é nome vulgar de um adeóptero peiitámero, cara'- 
8, e, conforme o DicrioNARio Costehpíiraneo, o aeu corres- 
táienie masculino designa uma es|>écie mais pequena, e tainbóm 

peixe, que recebeu naturalmente este nome por ser negrão: 
carajHm ne>jrão. 



« IHncWioao F>ToAmlc>x <U)i Nere<t, Itinerário db uma tiaoibii á 

A DO« BLKpnAXTRM, Lúbos, ]H78, p. Ò\. 

1 (I I>iA. de ^Ó de KViubru d« 1UQ2. 

* hniítz, I>iB VOOEL MíDBtRAS, in « OnuUiologúclies Juhr- 



I j, ' 



III. 



240 



tf ,.,.« T>Í,úanJiríMi ^trtugiuMa 



Como adjectivo, carocho^ famenino parvcha rjiiere dizer •*] 
cnro, preto > , e deste adjectivo provém que ao galo preto se ài 
geral o uome de carvcho, nome que. nuturulmeDCe peh iDf9ni| 
razão, se aplica em Caminha a um barco pequeno de pesca, t] 
qual, como tive ocasi&o de ver, é pintado de preto. 

Carocha se chamava a mitra qne se punha na ciltrça 
penitentes, condenados pela Inquisição, quando iav 
bulo. Kssa mitra era de papelão, e nela se pintav.: ; ^ 
diabos monstruosos, requinte de perversidade, inventado 
desviar a compaixão que poderiam inspirar aqueles 
despertando um âeutimeuto contrário de horror e asco c.i. , 
03 visse. A esta mitia alude Gil Vicente no Vslbo da Hui 

— Com cent' «contos na lombct, 
£ Sh ciir«>chn {K>r i-spcla — . 

É sinffular a analojia que ge dá entre mrocluM e o 
earo, comparados estea dois vocábulos com barato u 
insecto, o qual provém de blatta. latino. 



carola, carolo 

A palavra carola tem três acepções, uma das quai^ ind^pM- 
dente, e que portanto deve sor considerada como vocábulv ^4 
tiuto. 

Temos pois: Carola (1): *danva de roda». 

K o francês carole. o iuglès carol, o italiaito carola, que^.oa 
vocábulo ])t'<)prio das línguas célticas, como pretende Skeat ';o« 
o latim choreola, como outros pretendem. 

Carola (2): do latim corolla, deminutivo de coront 



l A rxJNClBR BTVMOI>UniOAr. Pl(.*TB)S»«y OP THB ExOLI 
OVAGB, Ocibúiua, 18^7, 



Aporíilat tuf lit^nMí^ JSfrtmjwtes 



241 



ttfrna, qne os padres abrem no cabelo, uo alto da cabeça, o 
«rqnÍUto. Por extensão: «o individuo quo teu coroa aberta», 
tre; o innâo qne, de eab<?ça dosciiberta, aoonipaniia as pro- 
j, com capu e tocha; u cabeça desouborta; o individuo que 
» cDUjpmz em ãgiirar em festividades relijiosas; o devoto; o 
Dlasiasta por qualquer cansa, e que se presta, por vaidade, por 
ou por dedicuvão, a tomar parte activa em qualquer 
lade, grémio, partido, facção, etc.». 

Carola (H), como nome próprio, é abreviatura de Carolina. 
De carola, cabeça desciiberta, derivon-se nm masculino cor- 
lipondente, cardo, com o tónico feebado, como é de regra, que 
»n dÍ7er: * pancada na cabeça». 

O substantivo carolo, «maçaroca esbagoada, pão de farinha 
>ssa. papas de farinha grossa de milho, et£. », ú decerto outro 
^flcàbolo. 

Carolo, além das acepções contidas nos dicionários tem mais, 
lo menos em Lisboa, a de uma massa grossa, de farinha de 
^gii e água, de que usam os çapaUiros, ou usavam ainda até 
lã pouco tempo. 

carpinteiro 

Como termo teatral, sigiiifica *o indivíduo que ai'ma o ceitá' 
00 )>a]co>. 

carranca 



Este vocábulo português tam expressivo, o cujos matizes de 
significação estáo perfeitamente compendiados no VocABULAnto 
poBTUGUBZ B LATDfo do íusí^o Rofuel Blutea», é coniúderado 
por todos 08 wKiSflS lecâicrtfçrafoa conio uma mmlificaçílo de rara, 
sem nos declararem os processos de derivação que o produziram, 
e jriír qiit; motivo o r se profere o escreve dobrado, sendo certo 
iíTigiias das Espanlias jamais se confundiram rr e r. 
i^.i-- aventarei étimo al^um, mas apenas chamarei a aiençi^o 
tra o vocábulo sanscrítico icuuxuKa, o qual, segundo Mouuier 




^utttfaR HM Dkiovãrina 



Williams ', signifioa ■ crânio, cabeça > (tbe skuU, ibe hpjul). i 
além disdo, nole-se, uma casca de ceco, razia, e preparada puk 
servir de copo, ou vasilba (a oocoa-nut hoUowed to fortn acapoi 
vesãel). 

Km outra inscrito do meaino dicionário, em TãvBQu, 
• bétde», vemos a seguinte expliciiçao: — ^ Tdmbrthi-Í:araHkúf 
tbe Ptin-dun or bctel-boi (tbis box generally resembli&g t 
kartiu'ka or hollowcd cocoa-nut)» — '. 

KsU âingular coiucidéucia, e já vou explicar em que eh 
siste, autoriatria talvez a suposição de que o vocábulo t)T< 
vindo da índia, uào digo directauieute do sánscrito, mas 
qualiiucr das línguas veroãculas do lá, priuciíMilmeote se a 
lavra não existe em outro dos vários idiomas da Peuins 
Hlspúitu;a roíii 6ste »giiiticado, nem em neuliuma outra do iÍo> 
minio românico. 

 coiucidóucia está no seguinte facto: 

Carfanca quere dizer «cara feiu», e coco. como ê salrnU 
siguiticava em portugiici. v boje ainda em castelbano, u qu 
actualmente cbamamos papào. Isto é, uma figura de cataJun 
ruim, com que se mele uiSdo fts crianças. Os |tortuguede«, » 
verem pela prlíneira vez o frnto do coqueiro, compuraraiu-nft i 
iiuia dcíisus caras de arremeter, e aplicaram-lhe o uome coui q[|| 
desde eutuo é conliec-ido cm toda a Kuropa. 

K esta a orijem que lhe dão João de líarros, Gbircia da O 
e o líoTEiao i)\ VnfiKM im Vawio ax Qáua, sem primei 
nomear, descreve-o do seguinte m<Mlo: — «As palmeiras dam 
fruta. . . como mellõevs. e o miollo. . . he ú que comem t 
como junca avellanada> — K Mais aJeante, |)ori<m. já o design 
pelo seu nome:--'e o niantiuiciito em coquoa» — '. 

Eis aqui o linai do interessante passo de João de Barro», m 



> A •SANHKitiT-KMii.tSH Pti:Tiiis*Aiir, Ocsónii, 1S72. 

* ib., p. ^69, cul. lu. 

* ib. p. Oi. 



lAriíHí Port^ffmttr 



ílescror« lou^meotí^ o coro e o coqueiro. — «Esta casca per 
li! a4uelle p*»nio recí^be o niitriíiiento vegptavel, (|iie é pelo pé, 
uma maneira a^idii, que (jiiçr s^mi^lliar o nariz presto entre 
oUiot! reiloiiiios, por onde elle lança oa grelos, quando ([iier 
»r: por ruzào da qual tíguia^ sem ser tigura, os nossos llie 
laroin cilco, nome imposto pelas mulliercâ a qualquer cousa, 
qat qutrrem fazer mêtlo úa crianças: o qual nome assi lhe 
>tj, qnv iiÍa<ruom Ibo sabe outro, sendo o seu próprio, como lhe 
Malabar*'.'* chamam, IVnger, e os Canarls Xarle » — '. 

(Garcia ila Orta ■ án: — «e nds, os Portugueses, por ter 
olIeH Irfs buraco», lhe jiusemos o nome roquo: porque parece 
o de bugio ou ile outro aníiual » — . 
Ota. jdgnitkaiido kartunka t cabeia* e «noz de coco*, re* 
^resentamlo a boceta do h(?tele cm geral uma cabeça oii crânio, 
\m-iij\ka, e tendo os nossos denominado coco a tcnga ou nnrle 
U índia, por somidbar uma cara feia. ó possível que o vocábulo 
rojila passasse para cá com a «iguifiraçilo de cara disforme, 
nquvia que ain bocetas do betele semelhavam, e que os 
julgaram ver no fruto. 
Uepito que Í8U> v apenas nma conjectura, cuja probabilidade 
[moito precária, e desaparecerá se o vocábulo c.a^Tanca fDr 
iintigo ua língua que aa nossas relações com a tndia: para 
não sut-fda o que aconteceu à jnilavrn varanda, que se 
indiana, ijuando ela já existia em português c em cas- 
10, iint<:>s de aparecer nas narrações dos nossos descubriuien- 
|o wculo XV o XVÍ. 

ro aioda advertir que, se eananea niSo ciiste om caste- 
o, nem com as sígoíficaçôos portuguesas nem com outras, 
mtra-tH> nm galego, quenmdn dizer, conforme n dicionário 
Cuveiro Piiiol ^,^ «carrancas — patizambo, contrabecbo, de 



Da Ásia. DiScaua iii. I. iii. rnp. 7, Lisbo». 1777. 

tíOI>>tjri(>ri UUrI HlHfLKH R 1>AH DKoaAS UA IsUlA, I, p. 2^, 

181)1. 

* ItictnoxARi» UAiiLBCto, BAfcelofiE, 1â7d. 



4|MWfiíav M» Dicionárif»! jPMitfWivei 



pieraas especialmente'; e — «carrancudo — (aut.) liesOt 
dos — . 

O vocábulo cCco <lesi{^a nos Açores 'Uil)ame> '■ 



oanapiço 

EiQ Tràs-os-Montes sigoiflca «pedaço de velo dífídl de ci 
mear (desvmbara^'ar)>. 

No NúTo Diocionírio é este voc&hulo dado coino pv 
ciai, com o sentido de — «espécie de pequenino ouriço, que 
cerra as sementes de certas ervas e que &e agarra fucilment4> 
fato da gente e á lau do gado lanígero- — . 



earrapito, carrapit^iro 

Conforme informação da minha irimlu Maria do Roíiirio, 
tural da Chamusca, designa t>ate nome, no líiba-Tejo, a roauin 
brava. 

A significação primordial de earrapiio é «chifre*. 



carrasca, carrasca^ carrascfto 

CarrascQ é um termo de botânica vulgar, a que oienlfãc»- 
mente correspondo quercus cocei fera, e dêsie vocábulo, ctqe 
étimo é desconhecido, mas ao qual corresponde em ca^-' ' 
eairaáea, se derivam os substantivos carrasqiieirú, cun^ 
«sitio em que existem carrascos>, cmrasca, «lenha», •< 
pinheiro», e <espécie de oliveira», e os aijectivús earroínjutntkã^ 
earrascão (vinho), etc. 

Com o primitivo carra9c^>, ou seus deríradoa, se denouuai 



1 Kbvista LunrrASA. u, p. 47. 



Apo^tUti» ao9 Hidomário* I^rtuffuam 



24& 



muitos luares em Portugal: Carrasca, Carrascal, Caíras- 
Carrojtcalhiho, Carrascas, Carrascosa, Carrasqneira, Car- 
^fíÃ^íieiro, Catraseo; e ó sabido que nomes de planta» contri- 
hutin c-onsiderávelmeiite para a toponímia em todos os idiomas^ 
^f Qomeadamente uas lin^uas românicas. Ficqíiente é tamlóra 
Sssw nomes de localidades passem a apelidos do família, e 
Jt\hi^ modo é mnito usual o de Carrasco. Oe^te apelido, con- 
íbrrae Itlutean, proveio a ai:epv-1o que, como substaativo comum, 
í'ste voi^ábulo em português: — t Desde o tompo de Belchior 
N^nnefl Catraseo, que na cidade do Lisboa era Àlgo«. chamou o 
ligo aos Al^^ozes Carraums* — '. 
Ahfis ãuAím os anthist.a.s ser o nome de uma tribo turca, 
«ruelissima, oujos indivíduos eram empregados pelos mouros 
lios njfstores de carniceiros e de verdugos. Ksta última pala* 
Tra é também um enigma. 

K"Vting • diz-nos ser um latim migar viridurum, deri- 
vado dft viridem, «verde». Designava verdugo uma «vara 
verde» (cf. verdanca). que sorvia do ai^oute, e de tnsti'Dmento 
de tortura passou o nome a designar o homem incumbido de a 
aplicar. 

Deve ter-se em atenção que, havendo tantos nomes de luga- 
\v^ formados em Kspanha com o substantivo carrasco e seus 
derivados, e sendo o apelido Carrasco U vulgar, a começar no 
Imíharcl Sansão Carrasca, amigo de Dom Quixot*. nSo t«m em 
ca-^iteMuino o vorábulo carra.ico a acepção de <algoz>, o que 
coiifirnia o átimo propOHt^o piir iUuU^uu. 

Digna de reparo é também a coincidência de o algoz de 

xvi de França se chamar Saiisão, e ser carrasco; entanto 

o San.tão Carrasco do IMm Quixote era excelente criatura. 

espanhol era Sansão Carrasco, o francês era Samão e foi 

rasco de veras. 



» VOCARVI.AIUO PORTfOrKZ B tATI.SO. 

> LATUKisuH-itoHAXiacHBa WOrtbbbucu, PaikrtKim. 1890, 8758. 



carreg:ar, carrego, cargu. cargo, duiicarregar 

Do verbo carregar deriroa-se um substantivo verbal 
nico, que doreria ser carrega, mu que, mi rv&lidlde, é 
Auálo£;o a este há. em português, folífar, folga, a par dí 
que melhor se escreverá jobp, para editar uma excepçio qucl 
}^iido a iironimcía comum, seria nó oriogntHca. Km 
o verbo cor ruspoii dente a carregar ô cargar, em que w ài 
elisilo (la vogal medial, como acont4«cvu em português coa 
gar [ follicare, como carregar [ carricare. 

Acepção especial do carregar é esta que vemos na publú 
Portugália ': — <A tiuudeini púe a rooa á ciuta. dvpoia 
cai'rcgada> — , isto é, «depois de lhe ter pAato o linho, que 
6ar>. 

Cargo é derivado masculino de ear(re)gar. um qualquer 
çÂo em que seja tomado, incluindo a de certa fogaça, ou arou*' 
ção piramidal eufeiiada de bolos, flores e frutas, que de vt 
em leilão nos arraiais, ou festas populares a algum sanlo. 

U verbo descarregar tem várias acepções que se relacic 
com carga. 

Antigamente ttuha aiuda outra^ em relação com n^car^n, 
cargo, ou carrego, como se dim: — «Deste cometimento do In*! 
Eantofícuu Kl-rei descarregado e mui ledo> — ', i^^to é, * 
rado, aliviado». 

carreirâo 

O suftcso -õo é em português, como em espanhol o Bem 
respondente -ón, com u sem iuticso, x, c (hQViemzarrào),\ 
mcutativo, e cooKe guio temente vocábulos como cordão oferi 
todas as probabilidades de ser de orijem fniiicesu, onde. ao 



' I, p. 372. 

■ Kiii do Pinik, CttftyiCA ub El-rhi Dom Aroxso v, cAp, 



Apoflitaa af*t Dinmtári<n Pnrtnguexfg ^ 

irio, O suficso -on ^ ilemiiiiitivo, oison =«potÍt de Toie»; con- 
ito em alj^inas diçòes tomadas a est;a língua, o sutícso 
lês -ào, que ne de» como correspondente ao -on francês, 
loirisse era pnrtuguéfl, por analojia, o seu valor próprio, do 
é exemplo snlão, derivado de snlon, sendo que em portuguôa 
l^lumentativú de mia, e em fraurâs orijínárianiente um deniinu- 
\^n^ de iKiUe. 

A regra, porém, nSo ó geral, visto que em Trás-os-Montes 
reirão é demioutivo de carreiro, no sentido de < caminho 
carros >, e do Algarve agàúião, é deroinutívo de agãiãa, 
fã/lia (q. V.}. 

l^rie a palavra rarreirâo é deininutivn, e nSo aiiraenlativo, 
imo poderia ronjectiirar-se, prova-o a men^-íio expressa (pie vou 
r: — «A subida do rio até ao mbe^o que conduz á châ ou 
fj>raina. faz-se por atalhos ou carreirõcs de grande acclive. . . > — , 
rin nota: — «deminutivo de * carreiro», caminho de carros» — *. 



cjurejar, carrejo 

S4o formu dnplas com carrear, carreto. Todavia, carrejo 
nm siguiHcado muito especial C4)mo termo da t)stremadura> 
idente ao cast^^lhano acarreo: é o que os ingleses desig- 
com a palavra drift [ draw, «arrastar, puiar» isto é, são 
H vÀríaft substâncias que as dgaaa correntes trazem em suspen- 
sa» at^ que as depositam, e o depósito que consiste nessas 
itubittáncias assim carrejadas. V. termo mnito expressivo, usado 
DO Kihatfjo, « com vantajem da vemaculidade da nomenclatura 
itíAca poderia ser adoptado era geolojia. 



• UuiTirl FcrmrA Deasdulo. O RBCOUIIMRNTO DA MórsBrrA, ín 




cttiTelilhrt 

Xa Beira-Btúxa dá-«e êfite uome ao 'carrinho de mio* 
que os frauceses cbamain brouette, termo de quí o bfír2o é tít-1 
dufão excolonte. que merece ser generalizada. É um evitlut* 
deminutivo duplo de corro \ carreie \ carretilha. 



cairi^To, carrt^-a; encarríçado 



No Suplemento ao Kõvo Diccionáiuo vemos n prtiaeiía 
deiítas formas, como termo da Uairrada. com o mesmo sigiúfi' 
cado de carrapiço (q. v.). 

Xo corpo do dicionário, porém, fílira essa forma masculina de- 
finida como — «planta cj^pi-rácea (mrrex ambiffua)» — . A fomit 
femeuiua é aí dada apenas como desifníando certa are, da qnil 
uma eep^cio se denomina carrieinba. 

Xo3 meus apontamentos tenho ambas as formas, em signiâcar 
çdes análogas, mas nao em absoluto idênticas, como ^«rtenrcih 
tes ao vocabulário transmontano (Kio-Frio): carriça, «monte de 
herva, tufo de cabelo»; carriço, «iudivídno de cabelo crespo*. 

Ao adjectivo participial etwarriçatio d& o dito Suplemeoto 
como sif^iiificado o seguinte: — «(prov. beir.). Diz-se du '.' '' ' 
toda occupaiia em chocar os ovos. (Talvex por encíii-m-^i 
não vem de acarrado)* — . 

É evidente que procede de carriço, e que a aplicaçio 4* 
epíteto ii galinha que está no choco provém de ela ali estar m- 
tufada, com as penas aiTipiadas. Vèse pois qne carriça e m 
seus derivados se mio limitam a Iam pequena parte do reine, 
como a respeito de qualquer dAstes vocábulos se depreende do 
que ern sefKirado se diz deles: sAo mais gerais. 

No capitulo que, com o titulo Raças e tipos HtnáAiros, ai- 



InfonitaçAt do oditor, natnnU de Abutída. 



para oa «Elementos de Geo^apbia Geral > de Manuel 
eira Deuadado. usei do adjectivo eiimtri^aíio para descrever 
i<i cabelo dos papuas: — «cairelo negro, eucarri^-ado e 
fio» — '. 

carrinha 

O Novo IhcoioNÂRio dá este vocábulo como alentejano. 
sdo-ooB qnc é — «pequcnu carroça»—. Todavia, no jornal 
SscuLo, do 14 do agosto de liH.)3, lê-se o seguinte trocbo, 
Binplía o nome a veículo alganio: — «outros dirigirara-se a 
timão no transporte caractoristico da regiilo [Lagotíj. iis do- 
ida:4 ettrrinhaif' — , 



cartapaço, cartapácio, cartapele 

-A. palavra eartapácio está rejístada em todos os dicionilrios 
Oft dois signiticados principais, de < caderno de apontamen- 
i>, e de * livro volumoso e de pouco pn^iimo»'. 
Onfnnne F. Adolfo Coelho *, é um latim da decadéacia 
irta puctfl, e c termo escolar. 

lITma forma um tauto mais portuguesa, cartapaço, porém, 

em TrÍ8H>s-Moiitv!í acepção muito diferente, como se v£ do 

liste posso: — *eartouagem de molduras para ostauipas de 

p, para c^rtapaços de rocas e camandulas* — *. É pois um 

icfao de papel, que se p6e na roca de tíar. 

nome do mesmo amparo ò cwiajwlé, usado na Ileira, 
imoa no Xdvo DiocionXhio. 



• Li«b(Ml, l>t9l.p. 219. 

> l>IUCfONABIO HA!(UaL HTVMOLOOICO. 

> 3[ftnttcl Km-vira Dvtudadu, Ú KKCOi,muBN'i-o da MócuBtrjk, m 
fXhtU Ae eUai'*çio e «naino». IbOI. 



S50 



Apoêtiltu aoê IHrwhátifi^ /VfMjTueMi 



cartazeiro 
O indirídtio incumbido de pregar os cartazes nas pand<« K 



cnruina 

Esto cocábulo é dado do Noto DiccioyÃAio com a sigiiifl- 
caçfto de — < folha de pinheiro» — , isto é, a agníha ou (i/;nlMa. 

No SuplemenU) acresceata-se — «(prov. beir.) a pelliculu qtiej 
reveste as castanhas ainda venlea e tenras*- — . O HipciosJ 
M-ixuAii ETYMoi/>an!o doclam ser termo prorincial e sigtiific 
— «resina de pinheiro* — . Creio que a primeira acep^io 
muito concreta, e, com relação à ultima, tenho-a por ineiiicta.] 

Na SoBEB.vxiA DO Povo, jornal de Águeda, do 21 de 
terabro de 1882, lia-se: — <ao pi do lar eslava «raa porvAí»*!*! 
carutiia e lenha, <)ue se iiicendianun ao calor do fogo próximo*— • 
Por êate trecho é caruma ura colectivo, que poderá talvez 
signar ^rania de pinho*, e nío, «uma folha de pinheiro*. 



caruoho 

No NòTO DiocioKÂBio vem esta voz como transmontana, 
a si^iticaçUo de caroço: nos meus apontamentoe teuho-a 
minhota, com o mesmo si^ificado. 



casa, e seus derivados 

Este substantivo, que em portu^iês unicamente, mas nâo 
todo o reino, signiHca qualquer dos repartimeutos internos 



O BcoMOKUTA, <le 18 de novcnibro de lítS7, 



ApattUúa ao9 DieàonáriM Purtugnein 



l-A 



liabíta^ao, alôm de expressar o edifício todo, como em ca»- 

Blhauo ou italiano, sofre iDi^iueras particularizações de Reiítldo, 

!r sóf i|uer acom|>anhado de epitetoa, espresiios jwr adjecti- 

por aposição de substantivos, ou por complementos cirouus- 

iciais. Kiá aqui alguma» df<i.<íiiâ locuções, ainda nào rejist^das. 

Casa-tôrre: — «Logo em seguida deparam-se-uos as rastas- 

tútre^ (linguagem do Minho) > — '. 

V. castelo. 

i)aaa~palhoça: ~ ^\{dL as coberturas de pallia ceitteia na» clia- 

idos i*asa3-paIhoça3 (Amarante. Marco, etc.)*^'. 

Ciisa-de-entrada : ~ ' A casji de entrada só tem de notável 

cmitarciras de loiça, estanho, arame e cobre que onía- 

leotam as paredes de alto a baixo, ejn ilammantes estauhei- 

ras e sanefas de pinho, fintas de azul e encarnado» — ^. 

Há para apontar aqui. além do colectivo ioit^a, excluindo a 
metais, o termo estanUeira. 

Cajuinha, termo alentejano: — <0 nome «casinha» conside- 
lol-o impróprio. Na nmíúría dos montes o alojo está longe de 
}r um pmjueuo cubículo, é pelo contrario uma ra-ia ampla, que 
}mino<la á vontade vint« e trinta homeua» — *. 

Cti^ifihota: — <0 iralinheiro é provido de poleiros sufficientes 
ira repouío dos hicox [q. v.J, e de casiubolas ou cestoa para 
ítvra dos ovo«» — *. 
Caítinholo: — <Km alguns montes o galinheiro serve também 
|e pombal, para o que tem nas paredes os casiubolos íiidispensa- 
\eU para a creaçào dos pombi>s»— ". 

Oifeiro, alt^m de si^ificar quem tomon casal de renda, ou 
cultiva por conta do dono, tem, conforme as rejiõea, mais dois 
í^ificados, entre si opostos: a) <o senhorio*, como em custe- 
Ibaao c<iAero:~*Q caseiro. . . lançou o f>adrô fora das casas em 




t .1. Lffitc ik Viiâct>n<»Ioi(. PonTUQjiL PREiniecroRico, p. 1!). 
' Oé pALllBlRtm nu LlTTOKAi., iti 1'ortQgalia, i, p. â3. 
' ih. ETHNOr.KAeilIA DO Al<TO Al.BUTCJO, [>. 537 
i6. p. -MI «M5. 



que morava. . . o mesmo Gserttni inaiâ ds três caseiros, pani 
casas o padre m mudava* — *. 

Nesta acepção parece ser obsoleta. 

b) <o inquílÍDo>: — «Os cuseiro^í... foram pagar a'n 
tancias dos seus alugueres em uoUis de 5^000 réis. O m 
rio . . . recebeu as notas » — *. 

Cíwa designa em português, siugiil arménio, 'a aWrtora] 
que entra o boUo», que em €ast«1)ianD »e denomina ojai, em 
cès trillel, que correspondem ao noaiio vocábulo ilhófs), ao 
o i átono está \Htr u ^Hir iuãuéncia da palatal Ih: Hhó per 
de olho, com um ^ulicso ó(lja. 

De caia nesta acep^ilo se derivaram eanear e 
que significa • a mulher que abre as casas no fato e os 
ou remata». 

O que f) menos couliocído é o verbo cwtear, com a sigi 
ç&o de «fazer moradas de casas-, como o vetoos empr< 
pn-nso seguinte: — < impoz este tributo ao viubo, para caaeu 
Nova» — \ 

rasaca, casaco 

Casaca, de qne se formou, além de nntroá derivadoftr 
masculino com a siguiticaçâo de qualquer peya de vestuArío qa 
se p5e por cima «lo coU-te ou de outro casam, veio para P•^l 
tugal provavelmente de Frunva, onde caj*(tijuf queria diíer il0j 
«sobretudo*. Paia o fniuc^â, em oposição ao que ufírma Littri\ 
escudaiido-se com I)Íex, veio caxfiqw, pre»<umiveluiente desii^HW- 
do primeiro < farda >, do rtiU|Nlo usado pelos ci>âsai-oti, qne stB 
rusât) Hd denominam kozaki, pronunciado kazàki* 



> IIatautab da Compakhia db jBsrs, Lbboft. 1894. p. S4I. 
< O Sbvulo, de 1 de outubro <le I9iil. 

1 K. P»Íro d« Olireira. Ki.axBNTOH para a historu do HrNiCirsoj 
OH Ijsboa. I, p. ITS. 

* luunDSXAiRB D» UA LAXOus rtuKQAisv. Parb, 1891. 



Io termo <le Lishou, entro çaloios, um rasam qiiere ilixer 

idivíiiuo de Lisboa, i/fi ci4mte. que iiSo usi» jaleoa s natural- 

\%e porque, quaudo tal apodo foi iutroduzido ii.i litigiiajem 

a c/t^tiai era trajo obrigado da geutc tioa, a toda a hora 

liOf isto é, acamea, o jruc fra:icr*s e castclliauo, com Oâ aha& 

it« uu parte posterior c compridas, porque, so eram curtas, 

ptf^a de vestuário deaomioava-se núa. 

[Quando eu era rupa7^L4>, a^ pessoas de certa represenla^ilOt 

|ue pret«^iidiaiti t^-Iii, trajavam iit;mpre aism-d quando eata- 

de luto, o umda há pouco tempo deixou esse tvi^o de ser o 

Mo doa funerais e outras soleuidailes diurnas. 

(cmplo de canitM como ' tudivídao da cidade > é o seguinte: 

[lun OQ outro saloio que nÂo &o intúnida com o casaca* — '. 

[Couo se vê, a cituvâo é moderna; mas o turmo tende a obli- 

r-»e, em razão de maior connvència entre a gente de Lisboa 

dos âubúrbios. e porque a diferunva radical uo trajar se vai 

lo pouco a pouco numa promiscuidade quási absoluta: o 

tcTMceoton as abas às jaquetas, eouvertendo as em címtfo:'. 

r. e as pessoas de distinção cerc^anim-nas. do Ibima que 

c«ntaJido-as wts e encolbeudo-as os outi^s, resultou ficarem 

10 comprimento. N'adu mais igualitário do que as modas. 

bera! 

easquoirj 

B twla feita [a ratoeira de raposa] de ma<leira de pinho, 
ietit« cnsqueiras ou taboas velhas, afim de iucutir menos 

iça» — *. 
^nm provérbio que diz: «Uu Ait tábua ou casqueira». 
'O sentido do provúrbio é: «todo o indivíduo tem nma ser- 



'* o Swnrui. de l^ de jonbo d« lOOI. 
* hM PinW, ETHKOdRAPULA AuARAXTiKA, A CAça, JN Portogi- 



2Òi 



AjumtiliW aos IHcinnórina Ft/rtu^ueiirt 



?eotia qualquer >, como a árvore, rom relação h madeira. tMiÉkUj 
ruim, que se aproveita <!«]». 

eassungo 

Ksta palavra, prúpriatnente, significa om povo da Guia^: 
« Os priucipaes povos espalhados pelos sertõi^, iiiargens dos 
e costas, ou littoral na Guiné silo: <os fiiloií. os jalofos. 
dingas, felupes, churos, banliamus, biiraiut^s ou pa|>«is, biji 
cassuQgos, lieafares, oalins, balantas, lapes e sacala^^ 
Felizmente quem escreveu isto, oilografou tudo & pnrtuf 
eiu coiitrúriíi ila preleiícinsa moda actual. 

I>í':^te lioiíie étnico se ilerlvou sem duvida o de uma 
de contaría, naturalmente bem aceita por tal povo na penai 
tíTino já rejistado no Suplemento do NOvo Pico., abonado 
Cupr-lo e Ivens, mas que em vista de um anúncio publica 
ICcaxiiUisTA, de 4 de novembro de 1882, vou explicar tai 
— «contaria, que se vende aos massos; é de varias cures, 
eomo branco, preto, encarnado, axul-<»>l6st« > — . 

castelhano 



Qnere dizer propriamente de Castela, em espanhol ra.*frUaw 
de i'<t.sfiUa, antes VaMieUa. 

Uaãtelbanismo é imnbêm esta fonna em português, pois aoM 
se dixia casMão: 

— Aqui jai Btraoni Aiitom, 
Que maliiu umii» casteUo, 
E doWiij lio li^-u coTom 
Desalis a qtuQtca aSo— *. 



> U Skculo, dl? 23 Ao abril de 19D2. 
. * D. Baftul de Blnlcao, Toiubulabio rnuTtrofBX b latixo. 

|f. COVAM, 



Apotliíai OTíi Dirionârioe Potiuguaa 



255 



Algarve é o nome de uma casU hoa de figo: — «O mais 
iratiou é o «Herjacote. . . e o Castelhano* — '. 

castelo: castelàrío, Casteleiro 

Mi Tfio mais doas acepções especialíssimas desta pala- 
«TÍdainente abotiadiis. — *A mesma aparência de casaes 
^ ciL-ftetloe, ou torres (assim se chamavam as casas de so- 
. — *. 

■ Castelloâ Be denominavam unti mastros de maçaneta doi- 
com muitos enfeites de fitas e ^Ihardotes» — ^. 
iKiehi é tamtrri» uma peya de moiuho: v. segurelha, 
derivado alutínado castflãrio \ castellum. demínutivo de 
um, a que em português corres)Hiode rasteleiro, é usado 
Jberto Sampaio na monografía ks < tillas • do norte ub 
COAi.: — «08 nossos casiellos tombem nSo foram instrinnento 
pressAo ou rapina, [como nv. de outrus paisc-s im\ quu mais 
ninou o feudalismo] porr(ue serviam de defesa de terras 
ijlos dos castellarios ou castelleiros. delegados do rei> — ^ 

coiítrclo, castrejo, cnisto, críslelo, crasU, crasfóiro 



1V6V0 Dioo. dA-nos oh dois primeiros vocáhulost e detine 
«firu cumo — « castello de orÍ|;em romana » — : cumpro 
lentar «ou pre-romana>. Castrt^o, aim o ffineuiuo Míííre/d.. 
o inclola com a tugnificaçâo do — «natural de Castro- 
reiro • — , Todavia, tanto cajitreja com o castrejo, e assim 
m eroifto e erintelu, são i^iahuente substantivos, com sig- 
loâ análogos, e todos õles muito Ireqiíeatcã na toponímia 



o JottKAi. r)A MAxnl, de 4 do noTcmbro âe 1885. 
PurlDKutiu. I. iJ. 17ã. 

AntõaÍ4 iU CoiuiMA, Lula dr CAufisB, ti |>arti', oip. xiv. 
%n Púrtngalla,!. p. 5t<0. 



ipvUtas aof Dicwniriat 



do Durle de Portugal, outh por t^da a parte os castro 
&s eminéuciaa, como é sabido. O últioio cíUido, como 
locnlidadf^, costuma e8crever*âe erróneamentA chriMello, 
absurdamente tivosse alguma cotma que ver com Chri» 
tanto acoutvccu a sitchri.ftao e sachriniia, \\mv proTPvcn 
sacruin, g náo de ('hrittta. e, portanto, em qualt|u^r o 
devem escrever-se aera o k, mcriatão^ sacrisiut. 

Crânio é pois o mesmo que castro, de tiuo *? im.tiúu-sí 
l'ortugal os monomeatos archaicos, luso-romanos ou pre- 
sto conhecidos por diversos oome^: — castêllo, etuitéUi 
(do latim castrtim)* — '. 

Craíta significa^'a chustro, e é natural que sejs 
latino claastru, de claustrom, do claudore, >eDcei 
formas intermtídias podem reronstituir-se: rlaustra [ 
(cf. aíjosío de Âugustum) [ cragira, cittsia, por dii 
(cf. cravo \ clauuin, e foí/o ] rostrum). 

É vocábulo independente, portanto, de erasto *. 

Crasteiro é adjectivo derivado de crofita, e foi ui 
demamente, conquanto provavelmente coLbido cm diy 
antigos: — «esse que fora prior crasteiro de Saiita-C'ru 

O vocábulo vem do Dictionnaikr postuuajs-piljlj 
J. b&cio Koquete, cora remiss&o a Clausteal ^ 



catana, catanar 



I 



O íiltimo dicionário português publícadot Kõto Diot 
DA iJHauA POBTuauÊSA, de Cândido de FÍi;uciredo, 
seguinte maneira o vocábulo Caiana: — «alfange asiá 



* Ldtc de Vauoneeloâ, PoRTroAL vkhhistoric». p. ii2. 

* Vujtt-w A. A. Corteslo, Sriwluios paba um uiooios 
i'LKTO DA Lí!iui:\ i*»KTr<it:K8A. Coimb», ISOO. 

' Antúbio tio Cumjioíi, Luís D* CamOks, tn <0 Século», 
JQlhn de 190Í). 

* Paria. 18!». 




Ai»oKtilM twa DíeionârioH Portxufucttn 



espuda curva: espuda com bainha de madoirat «m nso 

os tiinòrcá» — , P dá-llie, em dúvida, orijeiíi japonesa. 

Suplemento ao mesmo dicionário [2.* vol., p. 775, col. n] 

i>>ií-âe-1be orijem italiana presumjvel, caitana, femeuluo de 

no, roDtniido de enjiitano, contracç-Ôo que desi^aria «es- 

l«j.ij de capitão». KtecLivamente, PetTÍX-chi ' adiix coiuo desusado 

rocjihiilo nttíixno; todavia, apresenta-nos tauiWui catatw, que 

ÍDe — >!)ortâ di scimílara o di pugnale ^'iapponese> — . 

Bluteau^ no VorABri.ARio pobti,'<h'kz k i.\tixo, díz-DOS: — 

[Catada* catilna. He palavra do JapSo. Yid. Alfange. Terçado. 

o primor vaj em alimpar a Catana com o rosto soreno 

aleiçr*?: Lucena. Vida de S. Krauc. Xav. foi. 473, col. 2)» — . 

Cumpre untar que em Lucena, lugar citado [Liv. vn, cap. 2."], 

acuuiua catana: como. porem, duas liubaâ mais abaixo vem 

erro tipogrãficot «talisfeitos* por ■satisfeitos', e em toda a 

sauiissima obra mais algumas incoerências de acentuarão, 

mester compulsar pacieutemeute essa edição [Lisboa, ÍÕOOj. 

se averiguar se o dito vocábulo é mais ve7^s citado, com 

ou outra acentuação. Nilo o hi;o a^íora porque me falta 

síilo e tempo, e por ser provável que o pr<^prÍo Uhitean, es- 

ipuloi^iasimo como se uos revela em todo o seu famoso Voca- 

lUrio, uão a-^sentaase na acentuação que indica, sem para isso 

mutÍTOij ponderosos, tanto uiain que é «la a certa. 

A acentuação cafthui é corrohiirada pela segunda citação abo- 

itdría, tirada do poema Malaca CoNQuiaTADA, de Francisco 

Sá e Meneses, que traoscre verei, com os dois versos que a 

itecedem no poema: 



[Com poDca ocasião t^ae pn>ciinir3o 
DewobrfrAo seu Hin íangtiinúlont»] 
E DM dorIVo lio luul jii tardo u\:s<j 
Mil eriíes, mil cataoaa Jimprovittu. 

CaNTU III, BST. 49. 



i KATO DUEIOKJiKIO UNlVBRaALE OBLLA LIXOCA ITAUAKA. MiUo, 

17, ti. 



o GBAAn>p. DioctoNABio Poatuciuaz, cbaioflH 
Vieira, reproduz, com rento e soBsouta nuns de inter 
yi>«s dtí Kluteau, motlifícaudo, todavia, a (Irtini^ilo i 
aí VnUma é — • alfanje asiático* — . O meâiiio ft 
diciouaristas ai)t«riori>s e posteriores aos editores 
UiccioxAjaio. omitindo us citações t IranBcreveudo 
cão mais lata de «alfanje asiático >. a qual prova; 
sujerída pelas duas últimas citav<')es, que »e nÂo reífin 

Seria de ioterèsse compulsar toda a literatura pi 
tempo de Lucena e imcdÍHlatnuiite anterior ou poste 
deste curioso termo, que de tam longo no» veio; pg 
tenUtr-me hei com esta, que a]^»roTeitei sera maior ti 

No vocál)ulo Alfauje. para onde Bluteau nos i 
se acrescenta n defiuivão que a elucide; uutes flcoa 
levando talvez essa remissão 03 lecsicc^grafos posterb 
os dois vocábiUos como sint^nimos, pois nos dizem 
desÍi:riRm •• espadas curvas asiáticas». Koquete. quer 
DicTio.vsAiHE PuRTcoAis-FU-oiçAis [1'ans, lt<ò5], a 
a traduár catana por coutelun, quer uo Diccionaru 
[Paris, 1867), em que a defíue como teixodo, supr 
citicayAo de japonê.^, dada e auteutícaila («or BIu 
ontros laiiiluMii (izí^ram; e no Dicoionabio db syxúii 
Cíttana. tjuando d& a síuonimia de espada, díscrita 



maior ou menor artJBcio. os term< 



dio, fl 



itemtíiite aos <lizera ser a catana ■ iim alfanjí; asiático», sem 
[taii-^n (Ifl povo ou povírf dy Ásia que o usassem, mesmo con- 

lút ou nilu, eiD qu» o vocibuln seja japoníis. 

\y. IHez ' imo dá o voc:'ilnilo, nem em italiano, nem em por- 

\H. KOrtinK *. ein o d." 1628, «lã-uos o iLiliano ratutui como 

inurelmiriUe modilicadú tlu um étimo hipotético, capfana, 

a signitícJiçâo de — «casacca dei cacciatori > — , ao que o 

ro Uicc. eau corto modo alude, quando dix no Suplomcitto: 

ide-iignaudo veste do capitão, i-, entre nós, a ospada de capi- 

O NOvo Dicc. às detinivões anterioruieut* dadas, a que nos 
feríinoft, acrescenta i|ue o lermo é também aplicável «is espa- 
dou tlmores. H (Ht^uível que «usim seja; (• lícito, porém, hesi- 
[iir «m admitir e>ua atrilmlção dn nome, nAo só p4)rque xão está 
[ii)onada, ma.<i também porque «aspada- na língua dos tiroores 
dÍ2 fitric, conlorrae u Diw^ionauio pobtioiez-tètcm de 
[Sebaistiáii Maria Apparícío da Silva [Macau, 1889]; e principal- 
|te por í^onirtnoH n fundamento com qne 8á e Meneses deu 
nome à« trepadas nialaiaií. 

(jue u vocábulo é japunès. como afiimara Bluteau e acei- 
Morais, Àd. Coelho e Cánd. de Figueiredo, não há dúrída, 
aewa lln^ia katuna ãif^nítica realmente não Sfí «espada*, 
iftmbém « faca • ; pôííto que este último objecto eeja mais 
|Hi>ecÍ4]mcnte designado por um substantivo composto de ko, 
orÍant;a>. e koUina, isto é, ko-gatana, com o abrandamento da 
faiiruil lio »e(rundo componeule. que é de reg^ra, e por uma ca- 
[tacreãt! injéuua. como a que em malaio se emprega para doBÍguar 
cbave coai o epíteto* de «filho da fechadura» (ának kànehi), 
o delirou como « filho da escaila » fának ta.iu]a). Que o vocá- 
bulo katatia denomina na actuitlidade niio siímenie a espada 
remeute curva japonesa, mas até a espada usual de mu- 



• EtT MOLDO UCBRa WORTBRBUCU DBK ROMANISCniiN' SfHACUISN, 

» r.JtTBi-tíscn-ROMASiscnBfi WiiRTEnoucn, pH'U>rb"irn, IS71. 



uição, europeia, vemo-lo no vocabulário apenso à gramitÍM! 
ponesu <le Seídel ', uiuitu reut^nte, conjuntain^ntt* com lír». tut 
VHtkiifassi (sic: ^^uàkízáci). 

O que o«orre pregiinlar lí se o voi*ubiiIf) ntUma m'!' \-^'* 
português directametit* *lo japonês, ou por Íulenn<viÍo ili.t Ítalo»] 
Tenho como certo que a primeira soluçáo é a única lostinlij 
dAo só pL^a lictiniçâo <io Uluteau e primeira citavão t'oin<iwi 
abonou, mos também atentando nas estreitas relafr)eã ijik aJ 
poi-tuj^eses tiveram com o Japão nos sécnloâ xn e xvii. 

K igualmente ponderosa em favor desta soluçfto a eircuníU»^ 
cia seguinte: Ã traduv^^lo italiana, quási coutemt>oriinea, Ji>>t>n| 
de Lucena, feita pelo i*. I^uis Mansoni, como Luciana 'lu ^'a 
punbia de Jesoa [Roma, Mi>cxni], tnwluz no indicado 
catana por seimiimta, o que testemunha não ter àido 
admitido em italiano o roferido vocábulo japonòs, que oati 
mente passaria de Portugal ao depois para lá, por meio 4i 
terutura. 

Devemos, sem embargo, confe^i^ar que Femám Méndct PifiU' 
chama Kempre trepado (mir) á espada doit jaiM>H.<í. e já ríuMJ 
que Bluteau lhe dá igualmente esta sinonímia. 

Seja como for, o vocábulo por tal modo se uaturalizoii ia. »| 
ilisso já se queixava Francisco Kodrignez L^ho no [tasÃO 
constitui a terceira citação de liluteau, qne deu o sal 
derivado catanada, como «golpe dessa, ou de ontra espada»* 
em sentido figurado, hoje o único iiilgar, como equiv."'":-' "^ 
«censura áspera» ; porque o vocábulo cutmia, no sentido << 
se emprega como termo burlesco. Produziu também pelos me 
o que menos snbido é e não está por emquauto nieuL-iouado «s 
dicionários portugueses, o verbo catanar, que no Uiba-Tejo ijuc 
dixer «ceifar berva> com a gadanha, segundo o que me infoi 
a minha criada Maria do Hosário, natural da Chamusca, e 



> IUrti.ebbh'» Vbrlao. Victtft, P«slc. Lfpbk, p. 184. 
* FoRUOBiSAçlo, ui, « poêsim. 



U", >nní<uUa<lo iml^peodentemeote; e que foi trabalhador rural 
rarn[K>s virinhf»s diifjuela vila ^ 

cancbu; cacbo, cáehu 

Xa Secção Falar k escrrtkb do ' Diário de Noticias > ' ãn 

com os números Dccxin e ddcxti, veein dois artigos 

íreoteit ao primeiro destes vocábulos, o qual ordinariamente 

fftícreve, ã fraocosa o errado. ctUfutcíwM. (.■ita-so ali E. Uttré 

w lhe atribuir orijem aiiiericaua. Com efeito, o graude es- 

>r e lec^ic^gratb francês oxpressa-se do seguinte modo acerca 

I*: — • Oa-ou-tchon ; le r final ne se pronnoce jamais . . . ) ítTYU. 

inrku, noni iiidieo de cett* substance> — , que priuieiro de- 

« Vulgairetueat gomine iSlastique; 3uc coagule du j^ro- 

rfattira. L. arbre de In fnmille dos euphorbiacyes tith^tna- 

ct d*autreti plantes, telles que le tiguier d'Uide, le ja(|uier, 

pi* — • 

Xfl Obtoúiíafia Naoiuxal ' aludira eu eui uota às eãcritua 

lis tí erróueas cautchu, vautehuc, eaouUhouc. e jiroptisera uo 

\\» a nrtog^nitía aportuguesada L'itufha, que luauteuho, coii- 

prefin a este iuútíl galicisiuo algum dos três ou quatro 

que t«mo3 para a mesma substáucia, o adeante ueii- 

10. Km qualquer caso, o c linal, e mesmo o t são erros evi- 

tteSt copiados da defeituosa escrita francesn, iudiscretitmeute 

Uodolfb Lflttz, no fidedigno Diccionario etimolójico de vocábu- 
lebU«ii08 *, trax a forma eu/icho, rt>feríudfr-se a eia eomo estrau- 



* JA pulplicaílci iiVf nrtifTo aa Ebvxsta Lvsitaha, vi, 1900-1901, de 
« n1nt«i CKin pcvjnuniM nltfnfAes. 

> Uvboa. I0O4, p. 174. 

» ItlOí;iOS*RIO ETtMrtt,6jMíf> DE LArt VOflW OIIILESAB tiKRtTADAB 
.KX<I|1AK UiUlJENAií AMBRIUANAB. Sontíui^a ilc Ctlik. liHH*1905, p. I9d. 

bctiçA^ nac aimlii n&o ttíi eonclufilit. O asteruco «gnifles « Ae nm corrento 



ft/« ao9 fHeúmutioM l^n-iui/unet 



jeiía DOS termos sepuioUs: — «* caucho. iníasruliiut 
el jugo Itjrlioso, resinoso de vaiiatí ^tlynliis suduiminciU] 
cuaja cuaudo se espoue ai aire; goma eláslioa. t^ iialuvn 
propiameutí cliilcua, pêro couocida eo las ciudadcs por el m 
uso industrial de la luatexia — Lii voz mbjicatia hnU; «jue 
fica lo mismo, s,e usa solo p&ra la tola eucerada |em 
olt^dih]. Variante: cautchuc, poro usado... l-^riuor/iaiA: 
tíl Stantlarti Dictivnanj ilel iiidio rthurhn. Seguii una 
de llarberuna (|u«i iio piHído roínpvuhur, la via aoriu de la 
de los Índios nunfian de la^í iiiãrgtmus dei Amazoua^» — . 

O primoroso poeta e prosador Kduardo Augusto Vidal. 
sabe, uoiuo poucos uctualiiifntu, a nossa Imgua, ckamoQ a 
ateução, em carta, para a contusão apareuto que qos 
que me referi se fa?. entre o caurhu, ou mueko, th que 
Iral^indo, i* outro voeáliulo, seinclhantt* na forma, eârhu, f^a 
cho. de oríjeiu c sÍ;riiiHi^ado muito divei-sos, e sõlire o i^tul 
Coude de Ficaiho. nas aota3, aos CoMquios dos Simples e d 
da Indía. de Onrcia da Orta. nos diz ': —«O 'cate' de 
« cato ' da PlutrnutcojHUi pofUigut-ia. substancia raais ciíqIikÍi 
pelo nome de caterMu, è ura extracto da matleira da A 
Cnterhu, Wild. (Minumi Cahchu, Liuti. fil.1 uma arvDfp 
lante coinmiim na Índia, mais a leste, nas lernu do Uunnà, 
por outro lailo na Africa Oriental; è Lamheiu obtido esu^ ex 
cto de uma espécie próxima, Acácia iíurtutr Kure., quo ae 
couira iyiialmenle na índia.— «Cato*, a desi^rnav'!" '*i'i 
por Orta. é a natural onliogmpliia portuguvza do seu u 
dusUini, qne liuje escrevem k^ ou katit, bmry dix qne . 
cítfe !íigniíi<;a arvore h rku sueco, donde entechu; mas \\Ã\i i>t4g|^ 
esU affirnia^ão teui fuudiunent4.>. Uuarle Barbosa. . . dã ú uu-aI 
subâiaucia o nome de carlio. que é a desigua^rào tamtl. caiiarilti 
(língua do Canará) e mulava, kwthà, ou kachú: o «cat*», «tt 
pregado em Malaca, segundo Orta, i' uma simples alteraçAo 4 
cate. ou de cacho* — . 



' r«.t u, Lisbuii, la92. II. 7tí. 



AcreâceDiarei algumaâ eonsiderav^ea u este douto comeutário- 
Ko ilioiouário imloatamMUglêa de Nalaiiiel Brica ' encontram-se 
« T<H:àbulos íttíJi, — «lui astriugent vegetable extracL which the 
íítives eat witli betcl-leof — oxtrato vegetal adatrÍDjeiíte. que os 
naturais da índia) cnmdm com n bét^1e> — , e ainda outro vo- 
'e&hnlo parecido, hltk, com a longo e t aspirado cacumíDal ^ 
rfesi^aando «madeira- e «madeiro» (tiniber, block). 

Monsenhor Jtodolfo Dal^'ado traz o vocábulo kàta, (isto é, 

Iteí^nV, tniduzindo-o por «cato. t«rra japôuica». e dá-o como 

f»udo marata, no Diccros-Aiiio komkakI roBTuacKZ ^ e no 

I^iocroNABio portucílt:z-komkanI * tratlu^ cato por A-ât, sem 

mais eitplicição. 

A FkabuagopAa poRTcatTEZA ^, citada pelo Conde de Fica- 
"W. dà-nos a siimnítnia svgiiinte: — < Cachou, fr. — Bíark raíe- 
chu. ÍDgl. — Kuteeku, ali. — Cato; Oitecu, [sic], hesp.»— , o 
ijue oada adeaiita. 

(^iiem deixou o caso perfeita mento averiguado foi o copioso e 
fnidito Glossário de Heurique Yule e Artur Coke Bumell. inti- 
tulado Hobson-iobson, beino a Glossary of Anolo-Indian 

iOUJOqUIAL WOBDS AND PHBAHE8, AND OF KPÍDBEn TKHM8 ^\ 

<0 encho, raterhii. enfe, cat/i ou cacho (em inglês cai^chu, 
ph e Mut) é iiDia substância vejelal, extraída de várias espé- 
de Àcacia, e cbama-se em iudostauo kãt'; mas a forma 
fho provém do sul da índia e é ou o Uímil kãxu, ou o cana- 
Irim i^ lualuio tnchit; [o nilo, kashu, i. e. kãxu, como escreveu o 
[Conde por distracção: uão liá em uialaio o som do x simples. 



■* A BOHANIZBU I£lNDÚSTÍNl ANt> ESOLISII DlCTtONARV, Cnlcaté, 

Í&47. 

> É 001 í piofcridu DO puDio cm qoe iironuneiftiuos o r Ihnt d« caro, e 
ispiraii». 

a liiiboa, IS9J. 

• LwIk». 1í)05. 
» Porto, 1867. 

• Londr«, I?3«. p. 133 (q, v.). 




264 



como em xadres. mas sim uma consoante qne se parKocutf 
eh beirÃo]. 

Traduzi, resumiudo, o que nos diz o Glossário. 

Quanto à estranha denominação f^rrajapónira, veraoíTio 
artigo ser a mignoiTiej'. «eíjuivoco', de Scliríkler, que em 1^ 

pilldicOU a PlIABUACoPKA M KDICO-CHTMICA, e »Í l\^U>'' 

definiu assim esta substância rejetal: — * Catechu. terra f ^ 
genus terras exfttica* — , quando a dita substância, ao d#|wii 
foi importada do Jiipao. 

Temos pois dois vocábnlos diferentes em portugné», cflíM 
cáchu, cate, cato, voz asiática, cxtrato de várias acãcius: 
ou, se quisei-em caucho. voi americana, estrato de várias àirui* 
diferentes, por outto nomo goma elástica. 

Cumpre uào coufimdir iim com o outro na escrita, fomo.íl' 
mesmo modo, so níLo devem confundir ua prnnúnrio. 

O cauchu denomina-se também horrarlm, e guia-\!rf^ 
(=lierxti, e n3o perca, como erradamente se profere: o wà- 
bulo é malaio, ijata-percha, pron. quási ijucta, ou jfata-itcrtAi, 
goma da árvore percha ou « goma de Percha, id r. (JaiDatra*!* 
O nome veio de França para Portui^al. e pani lá foi dr Ii»* 
glaterra, o que explic-a a escrita guita, onde o u vaie pnisstnii- 
mente â português, como ê regru em inglês para o m breve 
sílaba tónica fechada por consoante. Outro tanto aconteceu com 
o sint^nimo goma-guta, que também nos veio de Inglaterra por 
inteiiuédio da França *. 

Ontro nome ainda da borracha, mais conhecido no norte dA 
Urasil, ê seringa, denominando-se as árvores qae a pmduxtn 
geriíigueirax, e o plantio seringai *, 

À orijem de seringa, e bem assim a de borradta nest^ 
tido são deoconfaecidas. 



* 3[arci.'lo Dvrie. Dictionnairb ArvMOLoatQUB des hotb u*0! 

OISK ORIBSTAI.R. Parirt, 187(5. 

' Vixcutidú «1«' Bwiurepaire-Byhan, Diocionabio db vocABfLOi H 



KiLEiROs, Rio á< JaDciro, ltíã9. 



Apo/ilUa» ar.» lHM<itJHfM {ijrlnfftu»a 



ZÍS?» 



Conde d« Ficâlho v lambcio o Qlosâârío citado referi- 
i-M ao livro de Duarte Barbo»!, a respeito de rata, eacfw. 
lie«-o cuidadosameiite, e %í> pude encontrar nele referência 
taeho a páj. ã$9. formando o vocãbnlo composto cackoi/ucho. 

trecho scpiinte: — «outras drogarias que nós não conhe- 
00, e em Malaca e China saom mu\1o estimadas, e tem 
ad« valia, sílícet cachopncho, e mayto encenso que vem 
Xaer» — '. 

Kefere-se aos reino» de Guz»ral« e de Cambaia, e é wm 
ida p^te o passo a que aludiu o Glossário de Tiile & Rurnell. 

1 a seguinte citarão, que Iransfreveii da tradii<,âo in^lnsa de 
K. •?. Stanley, publicada pela Sociedaile Hakluyi, conquanto 
Mldritââ ter feito do orijiuBl que incluiu na bibliogratia, e 
prlo devia conhecer: — 'dni|rs iVom Cambay; amongst which 
re iii a drug wbich we áo uot pimse.^it, and wliich they call 

phii and anothor called caekô* — >. Os acentos são a mais, e 
ersiiu está mal feita, como se vè: a substância é uma só. 
Aatúnio Núuez, a quem também cita. cliuma-Uie cudu) e cate: 
>0 baar do cate. que aqui [Índia] chamam cacho, be em tudo 
10 ho arroz, quanto ao pêso> — ^ 

Confonne Leiincio Kicbard * jmrho/:. (2." termo de mc/to- 
ÚoJ é o nome malaio da /w-rtvi cidreira (tnélitse). 



caadel, cauilidarlu. coudel, acaudêlur; ['iiii>1iIho 

O substantivo cuurliiho já por Bluteau ^ foi declarado caa- 
jismo, dando~lhe como correspondentes portujíiifscs tfitio ou 
fitflo. l-iicusado era ir tam longe, pois da mcâma orijem ro- 



* KOTicnu t*ARA A HiaroaiA b onoonAri* das saçõb» cltra* 

EU, Liaboa, u. 1812. 
« ib. 

■ LtVRO DOS PBHOS DA INDIA, LísboB. 1808, p. 22. 

^CoVBK itB LA LASOUB UALAisfg, Honléiu. 1672, II. (1- 102. 
rOCAfirUAIllO PflRTUaUKE B LATINO. 



jistou o meemo doutí^imo escritor a palavra portu^ii«i<:i 
a que dea por étimo erroneamente d espanholado •-. 
Befine-sy rtnuh-l, nn VcK:Ani'i.Áuif>, ilo modo »egiiÍotc: 
ordtíin. . . del-Ki7 D- Aflouso v os bomenã de armas í 
ros, que serviam a cavallo nos exércitos foram redu 
mando, ou capitania de bum ('capitão que os repartisse i 
ãcU, dando a cada Coiukl viutv. Pelo que ehaniaraiu <•< 
pitnens desta gente Cotideiit, ('oude) Mor. Kste. como porn 
giniento da guerra íicara capitaueaudo a gente de carallrí. d^^^pcá^ 
se vevo a encarre[far-llie a execuvão d;i8 lejs, que se tití 
pam conservar a» Inias iit^-us dos cavallos do Rejoo, e ai^ tfa 
a seu cargo os carallos destinados a cobrir as egoam e para 
effeito (iliiijia buns )ionu'iis a comprar egoas» — , A - 
palavra VaitàelarM é detínida — torticio que tem a sti, ... 
a criação doa cavallos» — . 

Ora, tanto couãel, como eaiulel, como o rmutilho acastell* 
nado procedem de uma forma latina rapítellum \ ta 
Em castelbauo de cajUelío fex-se priím^iro rnuHidh ; 
ítielho), e por contraçâo do ditongo ie em i, cautliUo (cf. 
tellum i fiviieUo \ castillo, e v. castelhano}; em ptirtuL'aíl 
raptello deu catidel. e dêsle provt'm imediaUmente roí 
(cf. touro I taurnm). Portanto, ao casteUiauo caudillo cor 
ponde em poii-uguès Cfiudel. ou cautiet, do último do» quais }in>- 
cede o verbo íwatuMor. empregado pi>lo cronista Hui de *^ 
• Conde, ficai cora estes moíiros. jiorque Ibe conheceis m 
manhas, e acaudelai esta minha gente» — *. 

Do primitivo capul, de que sp derivou o deminutivo capi- 
tellum, resultou o português ca6o, em quãsí toilait u<í suu 
acepções, e deste o verbo acabar, (q. v.). 

O vocábulo capitel (q. v.) tem a mesma orijem e entruu ua 
língua provavelmente por intermi^io do italiano rapitello. 

Nào vejo o 1'uudamenU com o qual o Nt^vo LticcioxiKKi 



* Cr4)xica ob Ki.-Rfti Dom Afonso v, cup. olt. 



ApottUiu aot JíidukàriíM rtuftayuctea 



2>i'i 



s«rem caurlel e seus derivados melhores formas qu« 
cotulrlaria, que são mais portuguesas ainda. 



oauruu 

Çoráhiilo, conforme Yule ii Uurnfill, é o indnstano hmirJ, 
inamta kmmtU, e é na ludia o uojut; dn iim lnizin pequeno 
noo (Oyprae moaeta), que corre como diulieiro oa Ásia 
ioimlt e na África, onde tamltcm se cbama òiUic» ^'/. v.). 
iguradamente. e com certa graya, de^igiia o mesmo que 
(q, V,), isto ê -divida que se uào |>aga', que o mesmo seria 
^ era caurins. 

cavalaria 

ta» siiriiiHtfaíões j^crais, que vêem em todos os dicioná- 

djw PvHiteriai-t rejistadas no Suplemento ao Novo Dicc., 

ncre^euUr esta: — «Das herdades em que se não ins- 

centrofi de lavoira. . , diz-se que audam de cavnilaria» — *, 



cavalbuiro. caval«iro; caval(h|arivu 

primeira destas formas i* castelhana, como o prova u cou- 
palatína Ih pelo // de cabullurium; a segunda ú a corrvs- 
ittt« portuguesa: cf. lat. castclUm { portuííués ranieh, 
haiio antigo nístieUo, moderno MstiJIo (U=^lh). 
[>ufu»ilo entre rttn dos sigiiiticados que tínlia em portU|ruââ 
urOf «o que tem cavalo e nele auda mouUido*. e ratm- 
fidalgo, pessoa de certa cateíToria-, produziu a forma po- 
'eituosa cavalhariça por cavalariça, a qual se deve 



J. (l*8iln Pic&t>, KrnNOQiurHii do Ai.to-Ai.bmtbjo, in Purta- 
«71. 



cautelosamente eritar. pois sâ cavalheiro usurpou al^mn 
acepções do cavaleiro, nunca, a quem vui on auda a rarali».|( 
por isso, chama uin^ém cavaJheiro, vocábulo ésl* qiip em 
tuguí}8 nllo sujerc a idea cavalo em ocasiAo nenhuma. 



cavaqueira 



A palavra cainxca, entre outros significados, dt^signa 
pécie de cooliecido biscouto, duro, muito leve. cuWrtn n 
uma capa de açúcar hraiico om pfl, c principal menti' fahriaulo 
vilu dus Caldns-da-Kaiulia, oui que é a espfciulidad<.> da tfi 
quanto ii doçaria, e que tem o nome de beijinho, qnandn u 
pequeno, isto i^, quÃKÍ do taiimulio de uma rabcva de dfl 
A mulher que os fabrica e vende tem lú o nome de ra 
queira: — «Mais uma vez logradas as casas de posto, cava^i 
ras, lojiis de louça. etc> — '. 

Notc-so que a desigDação se aplica principalmente Sr 
bricaiites, como vemos pela distinção tirita na citaçiln rnln 
iHiqwiras e hjas de huça, não, louceiros ou Inuceiras 



cHxa, caixa 

Como nome de uma moeda de deminnto valor n» 
entras partes da Ãàía, falUi nos dicionários portugui^v». A 
rra, coutbnne Yule & Bumell *, é o tamil kájtu: — «lhe 
logo duas mil caiias» — K 



i Diário db Noticias, de 24 d« outul)ro de 1905. 
» A Cílowarv or Akulu-Indiak words, I^ndres, ISdfl. 
1 AnMnlo Fruncuco OurJim, BATAUUAti UA CuuPAXRtA ue 
LUbúA, 1894, p.!»-!. 



cazembo 

KE t«rmo tia jifric^ Oriental Portuguesa: — *Cazembef oom- 
blilaiite He eiis.itii» — '. 



cnifanlu, rptfardajem 



BbtM neolojismos. que uão 8«Í se clieguram a difumlir-se, 
wuD proftostos pelo vizcorule de (loruche nu Gazeta dos La- 
lOHRs, era tevereíro lie 1883, para ti-aduiircra oa terraos 
fauehard q faucfuuje, isto é, < certo instrumento pan» 
bervu*. e ossa ceifa. 



cemitorio, cemenlerío 

forma alentejana é eementéi-io, talvez por iiiAuéiicia cas- 
iiiaua, e nela w deu a inserção da nasal, por a88Íniila^'!lo 

ti, com» em nutnçana \ uiatiana, roíoparado uo tk)rtu- 
marã. A palavra latina é coemuluríum, « o / por e do 
irtu^'UêH cemitério teve por lim e\itar a liajilolojía centéno 
ttfCt^rio), O vocáfínlo é de orijem doiitJt, ou semi-donta. 

■pifánio Diaz, na Kevista Litsitaxa ^, atribuiu a este 
Btiro, innito comum no sentido de * em comôço de putrofuc- 
^ incapax de comiumo, ou fora de aso», o adjectivo latino 



cediço (^cediço) sodiço 



Ajm-v«>|(i Cuatínho, A oamp^-qa do BarvA, ín «Jornal du Colo- 
\, i» IS dl if^Míto de 1904. 
vul. I, |>. 17Õ. 



am 



ApoaHiai aoi I}ieinfuMott piutUfjufir^A 



sedititius, alterado era setietitiu» | sodere. 
Não advertin porém o doiitfl latinista em que ã forma 
que é já a qae dá B1iit«au ', deve correíipouder outra ma 
tiga era portuffuès, eeie)ãiçn, análo^ à rastelliana r^lin>, 
era vtírne- cedUa, «carne que jfi teui (uniu) clit?Íro», 

Antiiiiio Moraúi e S ilra ^ aduz ura eipmplo, que niat; 
conforma com a veniadeira 8Í*fnificavào de eedico: — «An* 
dito scdiço; mui velho, sabido e trilhado* — . 

O étimo, pois, deve de aor cedttítius ) cedere. «pa 
estar gasto*, como o aponU o l>icíonárío da Acndemia e3{ 
uholíi 3, e coDsegdintemente hA de escrevpr-se com r, c uão com] 
inicial, era poitnguõs. 



cerco 



Além das acepções definidas nos dicioní^noa conheço doi 
de que vou apresentar exemplo: — -lestas r&les são lançi 
com dois cabos ... e são dispostas ou em lintia recta, ou fel 
mando corço» — *. 

— • 08 cercoa. . . consistiam nisto. Por motivo de voto ant 
e depois da Paachoa, a maioria das pessoas d'uma freguesia, 
pendões, cruzes e andores, começava a percorrer os limites 
parnehia. A frente um grupo de atiradores. . . disparava freqoí 
temente, em rojara ao desatio • ~^. 



cerne, ccinar, cemeira, cemandi 

Êâtes vocábulos, menos o último, veero perfeitamente át 
dos no Novo Diucionákjo, e os seus signifícailos síio roais 



VOCAB. PORT. U LAT. 

DlCCIONAKIO 1>A I.INOrA PORTDaTTKEA, LUbot, 1B23. 

Mailri.I. 1800. 

Fi.>niándcz Toiíiii-t, A rnaCA Bit Bitakcos. ih PortaKftHft. L p. 1^ 

RucUa Peixáio, Tartagnlia, i. ]>. 1)24. 



conlieciílofi, re!adoiiamío-se os derivados com o sen primi- 
|cf/-Míf — irt j)ai-te interior (* mais diiru dus arvores» — . 

ultimo foi me submiutsirado por inrlivídno qti« residiu lar- 
[auos na provinria do Pará, especulamlo com a explora^*áo 
iteriuffueirii!', oii ArTore* prodiictoras da borrwht, e me 
qU6 cúrnandi siguitica lá a «borracha mais grosseira». 



cernideira, cernir 

|Xa Beira-naixa ilenoniina-se assim nrau • espécie de caixa, 
10 ou ^rade em 4|Ub trultalha a peQeij'a • *. 
existêut-ia ddste vorábulo em português pressui>Õo a do 
cernir, 'peneirar', como em ca-itelhano. 



cetim, citím 

^■Nta palavra, \mt iiiílui^ucia do vocábulo jfetfa, já em Blu- 

* a[ran,fC(7 i-serita com n inicial, pelo e cora que antes se orto- 

iva, no tempo em que a Hiferença de pronúncia entre « e {* era 

DO reino. Todavia, o t^rande lecMc/><rrafo ainda cita a forma 

if>^ cotu íi delii.i^-uo — «panuo de seda* — e remissão à eicrita 

I. onde llie dá uma etimolojia falsa, a palavra italiana seUi, 

luzindo a oryem behraíca qoo outros uo sou tempo lhe 

miam. 

\w o douto frade uao tem razão é evidente, visto que iteda 
Bo escreveu com », e cetim com c. 
t^a mesma inscrifao vôem-se várias espécies de cetins, dife- 
loi por ej>íteto8, como rWim raso, cetim citão, cetim uve- 
"êht etc. Ram em caâtelbano ú hoje o nome dado ao cetim. 
orijAix) do vocábulo, que maiores probabilidades apresenta 



InltmoAClo do vditor, nattirol <]e AlmcJilo. 

TuCASULARio eotrnrGtin/, k i.atixo, Coimbra, 1712-17*20. 



em seu favor, é o árabe zarrirNiE, adjectivo tUmvitdn ilt- u-m í 
ridaile ile Z<titiiii«, arutn»(U pelo fabru-o de Lais Ifeidos. \. 
pelo meuoâ, a opinião de Henrique Yiil», na segunda «di*; ■ 
versão inglesa do livro do Maixo Paulo Vóneto '. 

Já K. l>ozy, no Ulos^rio, * liavia dito o àeguínte, a pT<i 
da fornid aceitam, castelbaaa, íreqiioutti un Vu>a okl ob.h 
uoBi.^N, de Gonr-ález de Clavijo, como designando um teci<!' ■ • 
vinha da Chloa: — «Cest t*arabo zeitonn}.. . La ville eh 
Tseit-tliOMng, actmOlement Thsi(]an-ti'bon-fou, s^ippelait f'li 
Árabes Zeitoun. On )> fabriqimii deiJ étofTea daniasaÕes de ^ 
et de gatii), ijui iivaietit tine trt^á gmudn réputation et qiu ^. 
taieul lô aom de seitounh V^oyez ibu-tiatouta, iv, 269 • — . 

Em catalão antigo escrovia-se aUeytoni: 

— '311 lt«itl lui dosãer de drap daur domeâipii ai» lo ru > '•! 
vennoy ab les orle.s de atwytoni bluu, ab aenyalâ ileyaU <uii<'U 
brodat ab »»tytia de tercepell venney» — '. 

Xào há, itortauto, a miuima dúvida que a escrita c«r 
antiga com r, não s. A forma usadn por Feniâin Mi*tidez I'ij 
na pEJiEoauíMAt* *, e por outros eaeritores do seu tempo, rrfri 
é devida a assimiIa^'ão do e ao a da ailaba seguinte, como 
mintir, pidir, por mentir, jyedir, e tninino, quo vemos coi 
mente no mesmo autor. 



^ 



chá. ehávena^ plrest bule 

A palavra chá é de oi^em efaiuesa, cooio a planta, e 
muito disseminada nai» línguas BBclavónicas, cai ^ em 



> Tbb Book of Shr M&nuo Polo Ttitt VRSKnAV. LuidMi^ 
cap. ixxxu, p. 224, n. 2. 

■ GLOãSAtR» DieS UOT0 BSPAGNOI^ RT POaTtrOâlA DâttlTil 

1.'aka»d. l-fi'la. líWili. Ktii V, Sbtitni. 

« Inveiit.irl -Ifl Ucy Murlí, i» RisrrB Hisi^AXiQtin, xii. p. 437, 

* MJi. IX, XXI. Ul, XIU, XIV, u, «(<•■ 

* Com «atm Irtni marcada figuro o «om do cA cAstolhauo « portofofai 
nort«, naÁà U. 



>ulgar&, por exemplo. O ontro nome da planta e sua infusão, fe, 
|ii9r è\ti w orijiuasse do termo botânico tbea, latinirâçilo do 
lés ca, iTomo i:reio. quer stja tainbéni cliiiiês diulectjil, como 
im quiisi todos 09 quf* te*?m invtistipido a etimolojia deste 
10 vocAbulo, foi o adoptado, com pequenas excepções, em 

lindas da liltn-opa. quer românicas, quer germânicas. 
Com a palavra rlui vieram do Oriente para Portugal os 
leít daá várias pe^-as do aitarelho em que êle ^ servido: chá- 
é chinêít tamlitlm, èa-vítit, c vasilha |>ara o chá*. Bule é o 
10 httli : ' frasco»; pires, o indostano jiirix, malaío pírioi *, 
ratinho*, cuja orijem ú incerta, mas, com todas as probabili- 
lad^íi, oríejital. 

Kntre lodos os idiomas europeus ó o portuf^u*^ o único a 

ir extas denominações, como é sabido, pois nem mesmo em 

lhano ela.s sào oouliecidus; ai diz-se fe, taza, k'tera. ptatUlo, 

Como a palarra bn\e ò malaia, e pires em malaio existe 

ilmente. e sendo este idioma nos íecidos xv. xvi e xvii, e 

la hoje, de gerul comuuic4i^-âo no .sul da Ásia, é natural que 

|»or seu intermédio os recebêssemos ntís, ou por qualquer das 

^ da índia, para aii quais houvessem passado, o que no. 

II rarece do demonstraçilo. K de notar que ao chã, prrtpria- 

dit«i, ainda bojo se diauia rhá-da-íiulin, especialização 

tu ou proveio du que de lá o recebêssemos directamente, ou 

mtá^ de que |K)r fiuHít se entiMidensn toda a At^ia de (|ue ii- 

lOS conhecimento, em nimo tina iioasas navetraçõeí^, conquis- 

e comércio. Notável é também que aluda hoje se ouça 

ir laratija du China, locução com a qual se dUeieuça da 

rat^jaj tanjerina. 

Que o muhiio foi dos nossos viajantes e aventureiros conhe- 
âdo e praticado prova-se c«m a circunstância de que nas Tebb- 
iaDtM'OK)f de Femám Mtíudez Piuto a cada passo ocorrem 



O ain»l M ded^ua aqui o ng germáaico, úto 4, om » proferido no 
;im) do palati] ilani ootii a nh dl Ungiia. Aplfqne-M «^U notn í»>a voiri- 
dU<lu9 II p. 241-24^, u fKUUfÍM. 
1* 



574 



Apitatilas aot IHcionàrion Piyftuipuaia 



exprestiões, uomns, (|iier priíprios. quer comuna», qae prf» 
se explicam. couquaDto &« retironi íi Ohiua; e exemplo fi 
este passo da mesma iuteressauttsíimn obra: — «e em li 
tOrres ou baluartes lê [os cliius'. bíias goaritaa de dotis 
armados si^bre esteos de ])uo preto, a que elles chaniào Caa 
que quer dizer pao ferro» — *. Ura o vocábulo, ou melbor, 
bulos citados, e que na realidade sii^uífícam • pau-ferro*. tí» 
laios e nilo cbineses: l-àiii. <]>a(i *, e bt^i. ' feiTO*. 

Vnltaiuio ao ríui, a primeira menção desta bebida, t 
feita, na Europa, por Frei Gaspar da Cruz -, por estai- pala 
— 'Qualquer pessoa ou pessc*as que che^iu a qualquer a 
bomein limpo tem por custume oferecereralhe em húa handvji 
lauto b fia porcelana, ou tantas quantas sam as pessoas, com 
a^oa niorDU a iiue rhamam Cba. que he tumalavez rcrmi 
MUI) medifiiial, que i-Iles oustuuiani a beber, feita de bâ 
uiouto de ervas que aiuar^ra tamalavez* — . 

\ote-se que o «uirioso frade ainda uiio eouheetu a 
ciiàvena, visto que Ibe ihamu poicclaiM 

à propósito de chávena direi aiuda que b<»)c ^e ciHi 
com chirara, mas que dantes nilo eia assim. Ainda nu i 
moridade a chávena servia para se tomar o chá. era um 
mais baixo que alto. alur^audo pafa a lAca, e não tinba 
pela chienra tomava*8e o café, e csUi era mais estreita, de fonn 
cilíudrx-a. rom asa, romo a» de agora. 

A tíbaveua chinesa tem dois pires: um em que assenta nud 
largo orifício circular, aberto no meio, onde eucaiia a bOM U 
cbnveua, e outro cheio com que esta se c^bre. ãon-eudi>>«u k h 
bida por entre pIu e a i-bávL'ua, aos goliubos. 

Uluteau ^ deUue rJuivena. que escreve ehavana, sem dúvUj 
a forma mais antiga, do seguinte modo: — «Palavra da Indll 
È como meia chicai-a>— . Isto confirma em certo modo o qa 



1 cttp. xcv. E<livM> r«>liMiJfuQa, I.Íitlio&, IHÍ9, 
* Thatako t>A China, cdii. xiii. IJ^Jina, lV2S, 

" VOUAUULAKIO rOKTUOLBK li LATIMO. 



•a iliíLse. qiip OA aparelhos <lo t-hii. tjilvez nns vip.ssein úa. 

fi i*oiiio ^ Huliulo, aiu(]:i actual iiieiitc! rhaii 1111110» à poroolaiia 

dii Ilidiu». <^iiàiito a rkifurn. é palavra, sej^undú dizem, 

Lna, V. Hluteaii, tgiio a ineiiciuuou im definirão de chávena. 

iu-a no niriHi do ViK-almlãrio f! iio Supleiriento. 

7umpre udvFitir que bnle. como termo do jiria. com a sig- 

lo do < áuDs >. é o cald Oiti (q. v.). 



cbacíua 

[Alio Cornii ' dá'i)08 como élirau duste vocábulo o latim 
t% { aiecttfi, «sPco»* o que nâo parece muito acertado, 
df o douto rmuatitsUi o declarar manifesto (offenhar). 
in>1Íntt Miobardi& de Vasi^ucelos -, para adoçar a pilulii, 

jte a intiuêliría do nome próprío Chachn. vila da província 

rnllM-o«-Montef>, onde, consoiuite a informação de um proprie- 
instruído H 'uhmt du ineítma provinda. no8 diz que ite pic- 
muttri heiM a «-ariie de porco Kulgada e fninada. A>>sini será, 

nida com Ííuo adeantúmoíi: — 

('(iU't oll (f;n) Eiuicipl |iorgia)ii<) a-<pfrst 
l>í ã<«ve licor gU orli tlel vaso; 
Sq*.--chE Amurí íiig-^nAt» fntanlo ui h^yt. 

(TvAo fK>nlio aqui o remato da formosa estanca do Torquato 
por tiâo t«r aplicaçílo ao rji^w sujeito, segando me parece ^ 
^^lofonne o N6vu Diociunábio chacim «tgnitica «porco», 
tdo ahonaçtlo ilo termo. 

castelliiuio existo o vocábulo cecina, com significação pa- 



llRi-KiiniM tiKK wtMAXiHCHBX PiiibOLOoiB, EstnulinrKo» if^i^, t. 

RRTnTA lirSlTASA. Ill, p. 139. 

■ C <Uir itií^iKi lan ritj ricero> — GaavHALiiuuB LiDE]ajT.t, i, :t. 



870 



Aj/HitUtas em Pkimtnrirta I^ortitifu^vA 



wcida, tf cujo aspecto mais se conforma cnrn o étimo 
BÍc(*inu: Mechui: c^ina. por assimUiiçãu da inirial da l*!í 
& da 2.\ 

Coriiu dá como foriua intermediária hipototioa Mi^hina, 
que chttrhiit seria metãtuãts uas coitâOiUites áúâ iliiiiá pniM 
sílabas; mas não explica como ò que de fci Utino proveia 
fúuiimuno tãbto menos admissível, quanto pam o cast^-llrjal 
chia resultou dêle ci. como ura de esperar. Cumpre aIntU iJ 
tir que este fenómeno estaria em circunstãDcias muito àiH 
das que se deram em cJmehar ] ex'9uctiare, pois nesU h 
:is8Íinihivi^o da inicial da 2.^ sílaba A da 1.". ^^ 

AcrestMí ainda ouLra singularidade, a couservaçAo dn|| 
anormal (cf. uinum, caslelliauo vino, português vinho, WM 
tes vToJ, visto que os rocábnlos citjidoâ por Corau para M 
moç^o, bovina e omiA. nunca foram nem sáo uvuldlM 
populares. Siccina daria .fecittha. ^M 

É de notar, apenas talvez como oroentA. que ft terna 
-ína, ora t<ínica, ora menos freqiientenifnte átona. serve nii 
guas eMclavónica.s para de uome>4 do animais se tormareoi i 
tantivos femeuinos que designam a carne deles, como, p^tr a 
pio, em russo hnfanítia, «corue de caraeuro> ] baran^ feh 
« cajD*? de porco » | sviniá. 

?ani que tal Lcrmiua^-ão soja a que vemos em t/utcins, 
necessário, porém, explica satisfatónamente o radical, e «I 
trarmos palavra análoga em qualquer díalecU italíaao oril 
pelo qual pudéssemos jusiiticar a Iransmiásão. 

Averiguado, como me parece estar, que o eeeitia castd 
proveio do laiiui gicrJna, insistamos um tauto nas signifie 
de eecina e de chacina, para nos certilicarmos 86 sio, 00 
idênticas. 

O castelhano, conforme o Dicionário da Academia *, é i 
dt^tinido: — -«Came snlada, enjuLn j seca ai aire, ai sol, 
burno» — . Deste substantivo derivou-se um verbo, 



t HA4rid.l899. 



las carnes y poiíerliis ai huino y ai aire para que enjutas 
iserrcn» — ; e figuradamente: — <Quedar-so uno. por vcjez 

caoEia, ijiuy enjuto de carae» — . 

siilnttniitivo chftrinn [Hirtuj^nès i^ assim definítlo por Blu- 
' : — ' Postas <ie canie salgada, que se guardam, e se con- 
em pipa, tonM, ou outros vasos > — . Deste se deriva utn 

rharitutr. qae Blateau dix significar: — <Sal^r pedaci- 

011 po«t;w de carne, e pnllas em sal do conserva > — . Nio 

IprLtsenta seotido fí^irado no verho; mas no nome acrescenta; 

■"aier chacina em alguí'm. Fazello em postas* — . 

io vfirÍK) rlmrinar dá-nos uma atioiiaçôo: — «Em que cha- 

41 dcfuuiào todas as áortes de ca^as e carnes»^, 
lá. como Be v6, grande diferença nos sicrnifícados. Cecina, 
«ntido natural, quere diwr «carne seca por qualquer pro- 

|*ara se conservar • ; rhanrui, ■ carne cortada «^ salgada. 
Dão, soca. note-se. único fnudaiueuto ideolójico cora o qual 

leríamos racionalmente atribuir o étimo proposto, siocina 
iccuM. Km sentido H^rado diferem iiriinlmentc as sigmiica^ 

do vocábulo custcibano deriva um verbo que expressa a 
de «definhar-se, mirrar >, «perder carnes»; do português 

que expressa o contrário deste, convém salier* « fazer ma- 

camifíoina». 
Depoitf de todas estas ponderações conduo: 
r^ Ceeina, castelhano provém de siccina. 
'^ Chttcina deve tur outro étimo, que exclua a ídoa do 

Chafim, c«mo nome próprio, procede de chaf^im ■ porco*, 
i-«e o ca.40 contrário, é do uomo próprio que resultou o 

É duvidoso que chticina tenha reln^-ilo com chacim, na 
ida hipótfse; presumível na primeira. 

K«sta avori^ar qual seja a etimolojin de ehaoim, se na 



VOCAIIl'L4ltlO rOftTCOrEK E I.ATIXO. 




realidade t«m a siflfiiificnçâo que lhe dá o Novo Dicoiona) 
visUt não estar ali ubotiada. 

6.^ O vocábulo chacina é de orijem ígnorudu. *J 



chafardt.ll 

O Novo Dicc. dá-DOs esta palavra como tratismoutiuuk, 
a sigtiíficaçílo de sajardaiia, quo qo lugar conipotoute 
«biltre». 

Era SHntido muito diverso deste, isto é, no di» • rclwnho 
vemo-la empregada, como própria do Alentejo, no seguinte (numí 
— <uitt chapeo de terra [terreno pouc^ espapso], i|ue nâo li 
cabe dentro ara chafardel de ovelhas» — '. 



fihafaríca, chafariqneiro 

O Novo DiocioyÀnio dá ao primeiro destes voei\bulos d 
acepções: — «loja mav<Hiica; baiuca, taberua> — . Sitbordinadt 
segunda acepçilo ó o termo c/tfifíiríqtieho no passo segointe:- 
« Porto, 11. Com o titulo Aitprehensâo de hutUto faUtfiraà 
— Prisão, lô-se na Voz Publica o seguinte: — «o visinbo purtíi 
pani o Forto. e voltou pouco depois trazendo um cbotariqneir 
emérito. . . » — *. 

Neste sentido usou-se mais recentemente mistureiro : — ' ^ 
protoc^ao que fístÁ resolvido a dispensar aos falsiKcadoros e nttt 
tureiros> — ^. 



■ 3. S. Pirão, EtuNOORAPUIA no ALTO-ALHKTVD, in PuitN|(i 

lin, [, p. 21h. 

* O BUONUMISTA. 'if: 12 ilc junlio lio \S9i. 

* O Dia. de U de ouvenibro Ac 11)02. 



cbalar-se 

K termo de jiria. que quere dizer <escapulir-se>. K uma 
iorma proDominal que uos Aeio do calo ciutlar «andar*. 



dl ama 

O si;;ulHcado especial deste vocitbulo cm Cezirabra vc-âc do 
sej^uiutc trecho: — •ellcs os pescadores do Oezimbra) correram 
sobre ella [a ÍAr^a railiUr] iusultaudo-a, e munidos de chamas 
(fwquetioj paus) parecia quererem envolver a força* — *. 



cbamailii 

Em I^eina, conforme informação do sur. Acácio de Paiva, 
quere dizer * braçado de lenha, que se deita no forno»; — «com 
niAÍa esta chamada fíca n forno quente» — . É um derivado, me 
iparece. de c}iamn, ■labareda-, pela que aUjía abrasando-se. 



chauiho 

í> metmio que banyu*'. < cânhamo >. na África Oriental Por- 
tttgoesa:— • rumam com delicia e sofrcj^idSo o ehatnbo, a que 
no sul so d& o nome de bangue ■ — ', 



> o Skodlo, (k 15 df abril ilv 1000. 

* AuTcdo 4't)iitmho. A CAHPAXHA DO Babi'*, i» < JomU du Colo- 

I», de 30 dr julhu itv ld04. 



cbamiç:a, chamiço, chamiceiro; chafurdo 



Chamira, conforme o Xftvo DiccionArio. tem vári~ - 
ficados, e entre èles o de «carqueja». Chamíço é aM < 
como — «acendalhas; lenha miúda; ramos seco»; tiçAo* — . Quh 
miceiro — «aqtielle que ajmnha e vhikIb chamiço» — . 

Na Bfira-Baixa (Fundão) vJiamiceiro é -o fôgu^*rn nti* 
mete a lenha no forno >. 

Poderia apUcar-se este tenno, amidiaudo-lhe a sígnílicavão, 
para denominar o que em francês so cliama chaaffeur. nos auto- 
móveis, e que o povo, meio a sério, meio gracojuudo. jú aptif' 
tn^Miesou em chafurdo: — «Kmquanto eu ia entretido com* 
travão [do automóvel) o chafurdo entretinha-se a gritar que se 
arredassem» — '. 

clifuno, chamariz 

— «Os reclamos naturaos, chamartjseft OD dusmoi^. como km 
se comprehende. não pa!ísam de uma ave Aft BBpecie d*nt|Ufilt 
que se vae caçar, e que pelos eeus pios ou canto . . . attrae 
outra qne a ouviu ► — *. 

V. reclamo. 



chamuar(e) 

— < Chamuarva ou amújos JecÍW4Ío.t; rapazes da ncsnui pO* 
vo&fâo o idude, que vão juntos a todas as emprezas perígosia, 
que na guerra se duo abandonam. Sfto os chamunres que irau»' 



1 O SectTLO, Suppl emento, d<! 4 do juihu de 19(tt. 
> Joa6 Pinha, ETHNOGRAfuiA AMARAxrmA, A i:iiçk.íti Portag*^ 
lia, u, p. 95. 



Apoaiiiíia fiiin Dúiomiritta JPoHuffUf/Mt 



2H\ 



tam n ferúlo ^lu coiiihuív. . , e que o enierrani quamlo morto. 
ee do lugar do cotiilmte* — '. 

cbaoa 

Eãta formOt Oâtrunba em portu^uúít, pois o remeaiiio de 
'o I plaouin é chã, antigo chãa, é defínlda como si^nitieando 
•planicio 011 caitipioa alajirftda, em Africa> — , uum oficio, 
inado p'.tr Capelo e Ivens. expedido da cidade do Cabo íL 
Sedado dê tieografia de Lislioa, com data de 22 de julho 
1886. 

É, pois, mus um aMtro^N> pura jtmtar aos luaitos que existem 
portngnSs, e tfieni por fonte pritnordial o latim ptanum. 
'luara dircrenti>H séi-ies, que aeria louguissinio coordenar com 
as íis fornias derivadas e suas variadas arepyòtís. Kâsas sérius 
lin^uem-^e pelai iniciais, qiio aqui vou apresentar, exemplift- 
ido cada iima com um vocábulo tipiro: 



forma mais antiga 

píwUTior 

secundária 

recent*" 

rastelhaiia 

italiana 



eh : rJião 
pr: prão, pràmo 
por: porão (q, v.) 
pi: plano 
Ih: Uiano 
pi: piano 



cliangaço 

l&rte do atum menos «preciada para toziubar, isto i^, a 
^11 e o rabo. O termo é raniUt conhecido dos pfmcadoroH, 
[eifOs e gL'ate que negoceia em atum. O cfutjiffttço vale Sem* 
menos que as outras partes do atum, maiH eittimudas. 



i Aitredo CooUnho, A campanha no BARUft bk 1903, m «Jonitl 
Cútoabfl», (lo tu áv agoit^ do UIÚO. 




^ A. 



eliapa; chapada 



Qualquer que sej:i a orijcni dt^ste vocábulo, d>i st-nixi 
•láiniiia met»IÍc», ftilliu delgiida e i-ljiitii>, a cujo «"timo mail| 
rável é uiu klap, ou pfft^ germânico; com o si^mitifado 
de < ordt-nain-a, permissão, ordpnii^-áo, prescrição», é Lermo 

Ítico, devtndo ser o íuHokUuo c'ãp «selo, sinete» — . «A 
so foi publicando por lodo o reino» — *. CliajHuh qaeríi 
«assinalado». 
Como termo de calão moderno ehajmtta. significa •hofeUdto 
— «V^H aquelle gajo? Já em tempos me ileu unia c/uj/W/i » — '.j 
No sentido de «planície alta», o vocálniln figura em U 
os dicionártos. 



cimpôn, cliapel, chapelada 

Qualquer dos dois primeiros é de orijem francesa, rtpre^ent 

[do o primeiro a forma chapeou, actualmente proatmciuda 

pí)rém na idade média lida como cJtoiM?u: o segundo, outri forma' 

da mesma palavra (cf. heau o h^fj- provindo ambas do htim 

^capeUum, deminutivo neutro de cappa, como cappela é de- 

minutivQ feraeniiio. A primeira fomia é hoje corrente [mm -]■ . 

nar «cobertura da cabeça, com fArma e abas*; a segunda de^tiu^ 

um »elmo», como vemos no Suplemento ao Novo DiccionímWí 
que ajmuta vagamente abonação. 

A noçilo de que, a par de chninHt, liavia (i forma cha^ 
prova-se com os derivados chapeleira. «caixa para cbui'i'ii3'. 
■.chapelinho, • chapéu pequeno*, chapeleiro, «fabricante oa ven- 
dedor de chapéus», c}ia}teta(la. «cortesia com o chapéu*. 

Este último derivado é usado freqbeu tem ente num sentido 
que 03 dicionários nílo aponl^jn: «raasso de liMas, deitadas frait* 



* A. Fnndjcu Canllm, IIatalham da Companhia t>m Jaavii. h 
18P4. p. 10*. 

' O âiecrLO. 'le 10 de setwnbro à»' IftOit. 



Apoêtilttã aon íiieifmAfion PhriuguexeM 



3ít8 



vtanieotc nti nina, uo acto elpitnral. iiola aiitorirtado qufi a 

preside-: — «A parte os succssoe .. . como cliapeladus, no 
fio M^í eleitoral ' — '. 

O chapéu tem ilivprsas formas, p é fettfl líe várias substán- 
e conforme umas e oiilra:^ adquire epítetos pelos qiiai^ um 

éa se difnrenva de outro, pelo norne especial que lhe d&o. 
mtMio liá rhfijtéii alUi. ou th rojm tiftfi. mais oii menos fi- 

ricu: chnpúu ih vdvo, que na Ilha da Madeira i^e denomina 
iu itt- (jneiju: ehai}étt á ftcrrnna, duro e cum largai ahas 
idas; chtipvu de pa^íti. <o que por meio de molu» se pode 
r. ficando o tampo ituido íls alias»; chtt})éu armado, «o de 
hicos». i.stu é duas pontas da uUa; cha^fèu de três bkoit, 
u« t«ra abas tríangirlares', etc. 

Vha/M^u de.^ijíua lambem ■ abri;^'it. renjruardo ►. e nesta aeep- 

dizeuios eimiièu de i-.kuva, rkajii-u d/' ml. que dantes se cha- 
mmbreiro. objecto (pic provavelmente importámos da índia, 

?t)ÍQa ou do Japão, onde eram e são maito usados. 
Imfim, t.t este uiu dus voL'iibulos frtnc-eses que desde tempos 
remoto.4 se aportuguesou t> difundiu maiiii fértilmente, pois 

oziu grande número de derivados. 

Tamlièm foi usado em castelhano, como vemos neste retrato 

\m valentão eíipaiihol : 

— l'>J>' cl diii^MS), riNiniri') Ia «.''piMlit. 
Mini ul n<i-<t4iii, fui*)ii-, V liit huhii nii<U — ■ 



pmtnra tidclis.sima lembra outra do pimpão português, 
quem Kduardo Garrido disse na cena cómica, representada 
1864 por José Carlos doa .Santos, A nKNOAi..\: 

— UoiudUi balfai!i]tii um caXi'», 
Qqc h (tida a fiBiitti uTOiucUt 
QiW rajui ilii caiwc-UIr. . , 
E a]«nhtt Anis |x)i)U)>&(— . 



I O Recnri^n, .V 9S ik- nnn-nitiru .Ic IfllX). 



Oiilw vocábulo francfs derivado do mesmo i 
rmi, que deu em português cfiapeirãt), era castelli.i. 
com a siguiíicav&o de • capuz >: 

— Ao ninbni uni cbA|>PÍrAo. 
Qoc iNismATa tudo o |k>to — '. 



cbarabaseo, cbarabasca, clmravosca, diunthaíttiiieinu 
charaviâeal; ebavasco. cbavascal. achavancado 

Os primeiros quatro di^stcs vocábulos, ronfornif <• N<'>t 
DiocionXbio e Su)ili.'raento dúle. designam, como termos 
moutanos, «terra de pouco valor ou estéril*. O último 
deSoido ua inouo^rafia de J. S. Picão, RTHN<'>ft^B\i'His uti 
Ai.KMTKJu, no He^^uiiile pas5o: — * Ha berdadt-â muito ^i 
mcdiaiiaa e pequenas. Itlntre m maiores, algumas roulirc 
pelo augraeiítatívo de ãefeia. ou por tal se denomiuauí qi 
se querem ensandecer. As pequenas distintruem-w polo 
untivo de nmlatécaf: ou cfiaraviscàen, qiiandi^ |!or veiil 
pretende amesquinbal-as • — '. 

Vemos aqui o vocábulo defeca \ latini defensa, f^f 
lhano anti^^o lítftm, uioderao deJuifut. sem o aiiraudunn^utc 
/ em V, que tte deu na forma ;;eral defesa, como acontec«a 
ávreífo ] AtVicuB (ueniuii), e com JCnifivâo | Stepbaous. 

If^ioro a orijem da ]ialavra rlmrut.-wrtt: mas ví-tie qite 
raha.sco é Dorti^joio, com uudun^-a de v em h. por uilu esHt)r| 
nos dialectos transmontanos. 

HA certa analojia de forma entre estes vocalinlos e rhat 
clutftisrtd, de que apenas se diferençam «a sílaba ra que leeuij 
mais, fieudo quusi conformes no sentido, vi^to que chavMcfí(\\ 



) BBTVn HlMPáNIQCB, X. p. 172. 
* BeriiiiriHm Ribeiro, ^,r.i.ooA il. 
> in PortDKalift, I. p. 275. 



isfiiT *t(1aco«, p chavascal, -terreno inrulto. rlicio de hervas, 
(OÍU?ilo*. Km caalfllciim existe o adjectivo vhttl>arnno, <gra^ 
klro. achava$caH&»^ e em cAltl, ou ilialect« cigano de Râ)iaulia. 
j'' ííí. com a si^ínca^Âo de -herva». Parece haver relação 
*ii' Eodoá estes voeitliulrts; por<>ni falti explicar por que leis m 

modifícaudo até che^^iircin à fornia míuã extensa portu- 

charaviscal. 



charucliina =^ oliara China 

Ksta locução é i>eculinr das PerrukdíavOks de Funtám 
lez Pinto, e aíudu d&o foi, que eti saiba. rejÍBtada eni díciu- 
■ts linrtUfíiiPHeít. Ocorre várias vexes naquela fonnosissima 
htvL, e nomeadamente noi» capítulos xlvii, lxii, Avm explica- 
^, e nu cap. i.xxvii por forma, que o seu si^nific-ado tira 
Enauifeiíbo — «abraçaudoo então e pedíndolhe muito» |H>rdõeH ao 
leu modo. que cleít chamam de c.harachina> — . 

Cru. como no cap. clxv o autor, em vo-z desta locu^-Ao, usa 
1^ uma ei|niralentc. — ao modo da China -', e no cap. cxa em- 
)U estoutra locução — ft chara Japão—, aegue-ije que a vox 
ra sí^Tiihiava «modo», ou. como hoje diriamos, «moda*; que 
jína nà» ê adjectivo femenino concordando com chara, mas 
iDC próprio, como Japão, e que a couátruçlo em portQf>iii^'3 ^ 
illrituoíia. pois se elidiu a preposição âe que a sintasjíe pedia, 
IhiD arflntec*u em Síiidre-Dftts por Madre-de-Demi, mas «em 
s liaplulojia, ou simplifica^^âo da repetiçilo consecutiva de d, que 

^ ai., ao substantivo cknra, que, como disse, ainda nilo foi 
•diDÍtido noj) dicionários portugueses, e èle simplesmente o ma- 
lúo tara. «feição, feitio», sendo a supressão da preposição sin- 
malaia. 



< Kniimio PmnciscD Canlíni, inaís cultvronamrnte, diz — *ao raodu sf- 
Vf»* — . Bataluab da Compakdia i>ei Jnaurt, Ltsboa, 1S94, p. Ah. 



880 



Apottiltvt aoA Diriouárion PòrtUffuan 



' i.) t |ialaUl raalaio, quási ti (tiarn). loi imitado eoiu fi""' 
portugut>s, gt^ral otitâo, ts ainda hojt* beirão, iiiinlioto v tiiiusmoff^j 
lauo, quási tr, coma é sabido. Assim reiíreseiitaram <*s 
gueses sempre as cousoautes explosivas fortes, palatinas no« voei-" 
biilos c nomos asiáticos pert«ucentes u liarias que os [K>s8ut 
cfliuo as da índia, o chinos, o japonês, etc. 

Kxtjuplos do malaio t^tra, ritados no voratitilário malaio-frai 
cvíH quf ccmstilui a 2." |rarte do Curso de uialaio dt* UtSnt 
Kichard \ káo m seguintes: t/ira rada Ía.n hfsar, 'a modo 
príncipe > [literalmente, «modo (do) príncipe, que (é) {^nuidv' 
tara hujrU, *ií (inoda^ inglesa», i'ste úUiuin pertVítanipntp 
logo HO usado por Méndox Piulo, h por v\\' aportugiiesadu. 

(laniões. nos Lusíadah -. empregou modo uo mivsmo senUt 
porque ttioiUi ainda então ufto ora moda cá. 

V4.>ftti>l<> u Gmdii vjtu ai) mmlo hÍ8|Mnii. 

l*or aqui sp vi* quo nilo tem fiindauieoto a conjeetnra cxpr< 
i\Q Glossário de lUiniell ^ Xw.W •', que rplaciona esta locuj 
(-x>ia a saudação usual chinesa cin 'cin. 



charão, acharão, (u)charoar« at^haroado 

It Hulistiintivo charão designa em jiortnguês certo vernií 
CIiinsL, e os ohjectíts de madeira com éle revestidos. K pr(í| 
da nossa língua, poif< os outros idiomiis europeus servou)-so 
várias Toruia-s do rot^ábulo Ima. que designa em português oul 
vcrni/.. míiís da tudia. e certa resina ou tinta. 



1 CotJKS TUâOKigUB KT 1>KAT14I;b UIL la ImíXOUS 0031MURC1AI 
PR \' KMZWiVr.l. I>'ASIR, UITK MAI.AUtR, 1872. 

« Ciuito 11. 07. 

3 A Glos^akv op Anoi/i-Indiam woRoa and purabbb. Jax 
lStÍ(3, p. 1&4. 



AjiOKliUu noa Jhcuntdríon i^viuçtmfM 



A palavra nilo é chmeiíia, ou jaiwm-sa, como poderia supíT-sv, 

fwis piisii! em caKt«lli:«io, rharol. que também designa ^ verniz e 

HiiiJciito'* Outrii forma jmrtiiguesa *• ariíarão. qne Be I@ no 

Tit.tiAiHí UA (JiUNA de Frei Gaspar da (Iruz, cap. xiti: — «est«s 

Lsacírdotes] criam cabello e trazem-no no cume da cabeça, arre- 

[■naiJo com um pao mtiíto bem feito. . . envernizado de muito 

\\*»m vemix. que chamam acharam* — . 

De cfuirâo st derivou o verl» charoar. e o particípio passivo 
vemo-lo usado por A. Francisco Cardiui:— «baudejaá cha- 
e douni(Ías> — . Da forma (irhnrão tirou se acharoar, e 
unda lioje dizemos fòUut ariutroada '. 

A titulo ilir curiosidudf aperius. e porque talvez, para estudo 

detido do vocábulo charão e da sua iuiroduviio na litera- 

ira portuguesa, possa trazer al^ma luz. apontarei aqui uma 

tas inscrivões de entre as cento e vinte de vocábulos cbineâes 

:;adoíi em malaío, admitidas por Aristides Marre, e é a seguinte: 

7'citat — Couleur broyúe et détrempée avec de rhuile; tein- 

re, veniis de bois omployõ [mr les Cbinois et quí provieul de 

Tarbre nonim<* rénijaif eu miib)is> — -. 

[{tniitiudo 03 dois ehat-renijás, com a supressão do t, obti^m-se 
arenyá/t ; mas desta palavra composta vítí uma distância 
jrme k foniui charão, «[ue é, repito, inseparável da castelhana 

Xote-se ainda que taratM em malaio quere dizer * bandeja», 
que u mesmo si^uiticado tem rharul na Bolívia : — * Xuestraa 
ituiejas son eu ca^ítellauo Juentes [travessaSi, niieãtros charolcs 
m bandejas* — *. 



» RlTALUAS DA OlIPANTUA DR .7eSTJ8, LUbOft, 18í>l. p. 80. 

S M^LANGEtí ('HARI.Efl UE IIaKLB/.. Xj^Wa, J8i>6. p. 1!13. 

• R. J. CucrVO, ArUSTAClONBS mtiTtCAS ttOHRR BI. LEXaUAJE BO- 

SOTAXO. Bogotá, iSiil, p. 07<;. 



charota 

Al^íiD dos tlois si^inilicailos j.iiiriri]tais d^si* TiKMlniIp.ja 
tado iioa dicionários porttijjueses, o de 'audor-, »? nd« — 
dor semi-circiilar entre o corpo da igreja e a fãbríra do 
-mor* — \ iudirari'! aqui mais o seguiot^ que sem dúrida ytu\ 
do iiriíneiro cítailo. 

Na iUia da Madeira denomina-se charola um Atfyo on 
alia ^iianiei^ida de frutas, hortaliças, docos, ovos o gai 
de viulio. que tigura tios arraiais, ou imp^ivs (q. v.). 

líluteau, uo Suplemento refere-stí à charola cubert* 
— «papel, ou papelão, ao modo de ai^o, ou ahobeda com 
varus atravessadas, t^m que lhe peidavam os rapazes, e com 
andavAo pt^la (jiiarosma cantando (^antigas da Paixilo, jMrqae U 
Vilo nu cbunda iuiagf uisíulins de barru da Paixilo de Christo 

Era também um arremedo de andor. 



cliaspa * 

Kii) Trás-os-Moutos é uma csptMíio do panela ou tacho. 
tampa, baixo e largo. Ali dà-se o nome de panela k que 
três pés, para se lhe acender lume por hatso, ao cootrárv 
citítíqya, que asseata na fornalha e não tem pés. 



chau 



K palarra chinesa, o como vemos do trecho seguinte, expi 
nudaçflo: — -disse a Ãqoiluu que queria chio (que i^ fawr as 
tesias de vasalo a rei. que sAo bom enfadonhas)* — '. 



* BtaUaO. VOCABCLAIUO PORTtrOlTBJÍ B LATISO. 
S BaTALUAS t)A (!OMPANHlA UB 3V3êVS. p. 45. 




t<i* noê DicionãnõH 



Ir 




cheiro, cheiro» 



flste substantivo, do verbo cheirar \ flagrare, que 6 ora 
tz^^ítivo no sentido de -tomar n cheiro ■. ora intransitivo, no 
<M ' deibir cheiro*, tenl duuí» aoepçães que os dicionários aào 
rtJUtani bera. 

Assim o l.'oNTE\ipoKA?fEo b6 DO jiliiral di o vocábulo com a 
4tí;DÍIiraviV.> ih* Miibsláiiriaít aromáticas', qiiaudo em tal ^«^ntido, 
o veraoa empregado no singular pelo Padre António Francisco 
' anliin: — • queimou cheiro» — '^. 

No plural KÍ^iifica êle, em Lisima pelo menos, quatro hervas 
,1 ' oiuática^ i-m|iretr<idas como tempero ua cozinha porluguosa, 
lo é, fialua, coentro, hortelã e segurelha, e diz-se um ramo de 
■irG9. 

A cstttH plaoúifi parece referir-se Gil Vicente no Velho da 
It iiTA, ora no plural, ora no singular: 

^ Vinha ao vuiuu hortctAu 



— a w«vc V o dioiry- 

O Novo DiocioNÁKio <lá ao KÍugular cít^iro a siguUicaçl 
'\i — «ítatsa, hortelan. ou qualquer outra erva aromática, de 
^pplicaçAo culinária • — : nins, pelo nieuos em Lisboa, a detiuícilo 
t* li que apontei. 



cheia 



Africa Oriental Portuguesa: ■fazenda, tecido 



' Batauias ua ('umi'a>hia vk Jwari*. p. 2'M. 
< l>MIvcl«DA F(*rnAndoz das Keriii. iTtxKKARlu dr i-ma vuor» Í 
tUV* lí" ' '■ Linho», l^7í*. |.t. 203. 

II- 



cheminè, chamiti^ 

A forma popular e mais exacta chemtiié. encontni-s? Dum 
documento do xvi século: — «hiia aiiteciímani granilo que Uitn 
hfia fíbemine. . . bfia janela grande peruada com cheraiiie*-*^ 
Antes, MO mesmo documwiU), tuna variítatí-, tanibí^i» fiupular do 
norte do reino: — «Iiúa sala pequena com choiniue- — '. O» 
provem do m que se lho segue. A forma hoje corrente chawiná 
>■ devida a iutiuúuoia da palavra t*hmna; porém a forma : 
chvminé está inai-s prnssima do «eu t^tímo, o fniucõs chi 



cberelo f«= ehertía) 

No Minho dá-se este nome a iim peixe pequeno, que parece, 
corresponder ao que nu sul se cbama çarapttH. 



cbenmdo 
África Oriental Portugueiía: < cesto ■ *. 

chi copa 

Termo da África Oriental Portuguesa : — ^chicojifuf — An- 
^onis armados de azagaia e escudo de rouro ou de palba «ntl^ 
laçada» — *. 



• Auto de )K>ii.<M> iln poKtvU de Sin», ie 24 dr Domnbro da 1Ã3a.t* 
O AuciíB"íi.ooo PORirnuBS. x. p. 101. 

> laiKlt-chno Fttmiaidri dos Ncres. iTUBluaiO DB UUA VlAiiKH * 
Caça dor Bi.Bi>HANTEt«, LUboA, 1S78, p. Sti, 

■ Atercdo Ooatinho, A caui-axha do Barc* m 190*2. in «Jonil 
dfts ColoDbii>, do 30 de JDlho do I9U4. 



cbictin, clíicero, chituredo, colía (Marromeu) 

Eupúotos do L'í*iíto9 (Ia África Oriental Portuguesa ~«cAíí/í- 
retio, rAiWtrti, cúba. vhinm (cestos)» — '. 

AMtvcdo Coutinho - usoruTC fcíití-ero, A torraa preferível 
,|K>rtanU>, conforme a pârríta OKiial portuguesa, será chicero. 



cliicuangné 

ImMuo aqni esta palavra, sem saber ao certo a <]ue idioma 
'nfrícann de Dtrgros ela pi-rteuce, qual a sua pronúncia Qchiciuiti^ 
^ui\, ehicuaíupirêf) e qual a sua l«jitima escrita 0,ehmmfujité, 
^-riciunufítéY). Xo caso de que o w se profira depois do g. mpíhor 
ptni ewrevf-la em portuiruê* clih-nanj/ff^. ou xicHatu;*}^. cou- 
ftimie o som Íniciul 8eja o eh heinln e transraoaUiio (quási tj:J, 
nu o X inicial, de xatlres, por exemplo. 

Kncoíitrci-a defiuidu iio si'^'uÍJit«' pjisw): — «A liase da aliineu- 
tução do iuiligena ua maior purte do Kstado do (!ougo, e também 
no nosso enclave de Cabinda. (; a farinha de mandioca ou chi- 
tttíin;/ué» — *. 

Note-8c o galícíamo inútil cndave, pelo qual [todemos dizer 
•íWíTmv, ou nestfa. 

cbioim 
No P&rtA qnerc dixer «vaidade, basõâa*. 



> GàXwtA DAS Colónias, de IC de deumbro de 1M)& 



chila (oaiota). gila 



{) N6vt* DiocioNÁuio aprraenti as trôs formus. que 
diHa, eUHacaioUi e gila. referindo ik primeira as nutras 
nSo apresenta etimolojia. No peifE^ilissirao Diucionário dt* t< 
chilenas, de Rodolfo I^iiz, que se está publicando '. cacon 
o termo nratfotn como usado no Chile. Kis o qne acerca dele 
diz o douto filólogo: — ■alcayota, u. viilg. de una nicurbitõi 
mejicana cayos frutos sirveo para la preparacion de un dul 
el cidracaynte (Dicc. Ac. cidra acavole) de los espaftole.H /^f '«a 
bttn ficf/nlia Hfluclié). Variantbí*: ttcat/ota eu Gay, IJot. i 
e n 403. Forma faba: alcajuta Gay Agr. n 112: ortojmifia fa 
acuUota. V/vimoiaíjIa: ScRun Philippi, Anales dei Museo 
cional. seg. seccion 1892, dei nabuatl hiln raijiitti . . . sej 
Ra.mos Õ32, en Méjico se dice chilacw/o(e. dei axti^ra ti 
cai/otli* — . 

Cumpre ailvcrlir qu»? uahunil e azU;ra sjio !i infyiiia ling 
e ainda, que ».s palavras ntexicaiius huo idéiitieus. iníis com 
feretit« ortof^afía, sendo o U f o ts iguais a /c, e os dois ti 
primeira deDouiiuav*ão erro tipográfíco cm vez de (/ da m^h 
que em mexicano o suticso de unidade, e se profere como u 
lateral, seguido de / sibilante surdo, sem vogal intermE>dia. 

O nome desta casta de abóbora* hoje completamente « 
matada cm Portugal, veio para cá de Espanha, nutunilm« 
como fruto, trazido do Mt-xico. Vé-se «lue devemos eaç 
chila-caiota em duas palavras. 

Quunto à forma gHa, principalmente usaila em Lis 
provável que seja eufemismo, adoptado para so evitar o ve 
deiro noroe chila, que aí adquiriu o signiticado de *excremi 
humano >, acepção que falta nos dicionários. 



* DiCCIOKARtO ISTlMOU'>JtOO DB LAg VOOW mtLBXAil DBRIVjl 
DB UXanAS tKVfJBNAa AXBRICAXAS. SlU)tÍftgO Íd Chílr, IP0I-1I 

Xmtc.. n.** 15. 




, i'onlbrme Íntnniia\'il<i 

Freitas Brmic", o lunuy da aln»b'ira com (iiic se faz o iliU dtwe 

é mogattf^a, ou tríriulment» bogamja. que Unia aspecto africano; 

aplicaiiilo-ite a dRnoniiiia^'ão chila cawta, ou sini]ilesnit!nt« chila, 
L^iruiDent« ao dore. 
W Km Lisboa também se lhe chama abóbora-chiltí, e abóbora 

moganga. 



e^ ima banda 



Termo da Africa Oriental Portniíueaa: — -Fax ainda parte 
Ido mubilíarío a chinuibanâa (pililo) onde as mulheres r«dnzum 
ft farinha a mupira. u a míijtira-mattgu. as pedras chatas e planas 
|,em (|ue peto attrícto é polvilhada a tnexaeira, das qtiais a infe- 
rior e ti\a tem o nome de limhiu^ o a superior e movul se chama 
vtc^uicana » — ' . 

V. maplra v mexoeira. 




chincho, chinchorra 

— «As bateiras chinchorrm, assim chamadas por serem... 
que maia ne tisam jtara {> Innvameuto da chincha, teem, como 
motiiviros. a particularidade de ser oruaiueutadas, Á proa e & 
I, de varias pinturas e emblemas* —•. 

Chinckti foi, algumas linhas antes, explicado como — «rede 
arrantar pequena » — . 



< 'Aieir«Jii Ointinlt». A oampanha do DarcA bm 1002.1» «Jurtifil du 
^lontei», do je <U juUio •!<.' I1K>4. 

> LoU <\o Ha^lliOihi, Ofi RAKCXM da ria db Avnnto, ín Portoga- 
i, II. p. W. 



chincho, etiincha 

Nos AçOros signihcam '100011)0 v meuiiia, peqnenos-, e tam- 
bém > cousa pequena > . 

Em Aveiro chincha, que deve ser outro rocàhiilo diverso, i* 
o uorae de uma rede, e também, ao que parece, du certo barco 
de pesca. 

chingue 

No Bailuudo: — «chíngues são casas pequenas* — *. 

cbipapala 

Qusdrúped(^ da África Oriental 1'orluguesa, aaúm desrrili> 
por Diocleciano Fernánde?. das Neves: — «Qiialid.ide de iitnmap> 
a que os landins charoam ehipapala. ObservadoH de Innge part.'<'c 
[sicj um Ikií, e efTectivuineute os cliifrea eram exactamente comv 
os dôste animal. O cahello ita pclle ura côr de castanha e carto 
como o dos bois o tinha a erma ú similhau^a dos cavullos, por^ 
mais curta. O focinho o as patas erum como os do veailo* — '. 



chiqueiro 

I^ta palavra é definida iios nossos dicionários como ' pocilgi. 
lugar onde se recolhem porcos» — . 

Todavia, pelo menos no Alentejo, o significado 6 mais reS' 
tríto, como 80 vê da explicação que do termo di J. da Silvi 



1 o Du, Ae 2& do junho de 1903. 

< ItINBBARIO DB VUÍ VIAHBM l CAÇA DOtt 

1878, p. 2>í[)-'<iál. 



kXTKet, L(Jm». 



icào. Da ExNooBArHiA DO Alto-Alesitbjo: — < chiqueiro. — 
irralorío que encerra dois ou três porcos adultos para so irem 
igordiindo a pouco e pouco cora os sobejos das comidas... 

» — '. [V. choco]. 



chisca, chtsco, chisquiiilio, cliiiunho 

O Suplemento no Noto Dicoiokábio dá à primeira destas 
ronnas. como peculiar da Deíru, o signiticado — «petjueiiiua per- 
lo, grtta»— , declarando haver sido colhida no Fimdào. O se- 
[uodo, como termo algarvio, ideutitic^-o com cisco, que deline 
Í.J: — «aparas miiidas, lixo» — . No Porto, como é sabido, 
úUiroa acejtção é a que coitesponde a Cífct) } cínisculiim •. 
le ei.<tfo provém cisqiwiro, que uo Pôito í o iiorae da pá Ipani 
upanba) do lí-xo, a qnul também se denomíua apanhaftor. 
Coliforme os meus apouUmi cotos, chisca, chisco e chisquinho 
[significam todos três <pcda^'o peiiueTio>. 

O mesmo Suplemento acrescenta mais outra forma beirã, chi- 
inho, com o mesmo sijrnifícado de «porção pequena». 



cliitjio. cbitom 

A primeira forma é mais portuguesa, a segunda está mais 

*rto da Bua orijem, a locução francesa chut doncl «caluda!», 

é este o sigitiricado que teem, ou antes, tinham, porque estão 

|iií8i fura de uso. Foram {>ort>m bastante vulgares, e tanto que 

[com a primeira se formou um adújio: — <t^om el-rei e u luquiãi- 

çio, chitflO"!— '. 



> II* PurlaKftlla. i, p. ^u 

■ D Ctrolins Mtchji^Ux d« Viucunwluii, in «Rcrbtii Ltultana». ui, 

' Fronriíeo Adolfo Coelho, A Pbuaouoia do poto PORTraufUI, ífl 

Port niíalin. I. \: Wl. 



2ÍMÍ 



Apattiiaa aon Dteiomárioê I\}Tjití/m*e 




choco (■:= chuço) 

É am masculiuo deduzido da forma fomeniua ch^ça | UU 
>lúkea V adjectivo substauiivado, destoando «arinação. aa- 
laime, ri|>ado>, e cujo ú uos leva a crer que mesmo a foniu 
' Jemenina «e pronunciasse dantes rhfíça, a não tter que a primiliva 
haja sido a maflculina, derivada do neutro plutenm, do mesmo, 
a^jftctivo, substantivado. Cf. põ^o, jx^a. 

Choco ao Alentejo tem significação particular, que se dedux 
do seguinte trecho da Ethnoohai-hia do Alto-Alemtejo, de 
J. da Silva Picão * — «O chiqueiro [q. vj abrange o espaço de 
uns vinte metros quadrados, em parte resguardado por unia 
alpendrada ou choro, onde se abrigam os eet^ões, nome ettpeoitico 
por que se desiguauí os suínos a^im susteutados [com sobejos 
de comida]» — . 



choramingas, choramigas 

Parece-mc fora de duvida que a primeira destas formas é a 
correcta, o a mais popular, quer o seu étimo soja cfiorame. como 
pretende D. Carolina Michaêlis de Vasconcelos, quer chora-min- 
gaSf por chora^mínffuafi, que me parece mais provável. 



choupa, choupo 



I 



Talvez as verdadeiras formas sejam ehõjut, chõjto \ cliípea, 
clúpeum. 

Km três significados dA o Níivo Diccionabio a forma feme- 



■ Rhtikta LcTHiTANA, II, p. 37: J. Leite tle Vnffctncelosi mu jA anta 
diidu por Fn.<i!i.'rívo Diez. 

> Kevista Lusitana, ui, p. 135. 



/«« Biw OfeiohÁlõ» J^rtHffMfM 



297 



f — < {lonta de ferro ou aço; b} peixe eHparoide; r) àn-on» 

lanle ao rhtmpu > — . 

[A t«rceirft aeepção i- o.lutim popUiií*, por raetitese, plopiiH. 

2.* acepção é o latim clup^a, com o mesmo &ii;uiHcatlo. 

iplo da forma uia.sciilíiia im l." acepção é o seguiute: — 

20... Foi isto o bastante para que lhe cravo&ãe.. . ii> 

um choupo que trazia» — '. 

choutar 

Couforaie J. X Núnez, do latim i{oJlutare *: seria pois o 
10 Tocábulo que trotar. 



cfauA 



f— «Ond« mora o cbitá ou governador [uo Auame]» — *. 

cb nanica 

— « Chutmga é o preto que apresenta os contendores a quem 
)lve ai questões, e resume *as siia.s exposições: na B:iixa-Zam- 
fj interprete* — *. 

cbiirlmrrào, tíbooharrào 

loignorada a orijem dèstfi vocábulo dialectal, è incoiiJi a 
ita: — • Levado [».*la .iirin-fidadi.', fui examinar lun inorililo 



* O Ror>KOMlHTA. de '22 de uutubrn ilo lUífi. 

* RavisTA Lusitana, ui. p. S-^õ. 

* Anttiiio FmncMco Carditn, Hatauiah da (Nimi^anhia ub Jesrs, 
->». l«iK. p. «y. 

* Atexeá^y Coutinlio, A cami>anua uo BAitff: km IWÍ&, in «JanuU 
|i*uloniiui>, iV l>t *!•• tvgutlú úv Í'.i'M. 



298 



Ap9ttUa9 aos ZHctoMrío* 



de pedregnlhos que o pastor me indicou, e que era escorí» fi 
charrões, dizia) baveudo inilicios de ter ali havido alírutn for 
para derreter imnerio, o que se explica porque a peqaena d 
ta&cia ha um fWiio, não sei de que luinerio, daado-a« ao sttii 
Bomt! de Fíírrariaa» — '. 

Em castelhano existe o vocábulo rkicharrón, que parece p 
forma ser aumentativo de rhirhnrro, ou rJiirharra, ^cipim* 
que o Diciouário da Academia espanhola > detine do se^i 
raodo: — «(voz imitativa dei ruido do freir) Uesiduo de las petll 
dei cerdo, depues de derretida la mauteca. Dícese tambiéD ài 
la manterá de otros animales y dei sebo. // fig. Carne ú ol 
vianda rHpiemaila. , ; fig. y fam. Persona raujr tostada por 
sol» — . Corresponde nos dois primeiros sentidos :«> qne chu 
raos torte^mos. 

Para conRnnar o pareute^co do voc&hulo portugads 
rtiarrão com o castelhano ckiiharrOn, vemos que a pala 
jfella, que entra na primeira detioição deste, além do eà% 
ficado natural, que tem. de < banha de porco em rama 
adquire btnhéro. coufonne o dicionário citado, os de — «M 
de loa metules fundidos ó sUi labrar — Masa de amalgama 
plata que se obtieue ai beueliciar cou azogue mínerales urgi 
tíferos' — . 

O termo dialectal churharrão, ao que parece mais usi 
uo plural, corresponde portanto ao termo mais gond m 
maiha, 

O primitivo chkiutn-a designa em Espanha tambc^m o 
tnimento que em Portugal ee denomina regn-rega. • 

Ambos 08 termos parecem ter orijem ouoraatopaica, isto 
ser.lu imitação do som. 



< JuMiniin Munnel CorreÍA, ANTiaiTiOAoisa do coxi;iir.BO do íj 

o AL. in «O Arc)i(wlago porta^ís>, X, p. SiOL 
■ Madrid, IA99. 




t« aiijwtivo iiivaríàvpl, que significa 'reles, de pouco pre^-o, 
V conlbnne Júlio Aforeira ', ronfiriDiíndo o qne Dozy 
iropuãcra, o àratie ekui^ chuié [su], xram xuare, derainutivo 
XjU, • cousa >. 

aiMÍtar-se a etimolojia, a escrita deveria ser xué. 




chtilo, chula, chuleira 

I £ termo co^stelhano, que ein português como adjectivo ailqui* 

o fti^iifirado de « ordinário, brejeiro, f|iiàsi obsceno» ; em caste- 
hftdo, porém, designa - moço de matadouro ou de praça de touros, 
ua laoto iifadistatln». No Skculo, de 23 de fetereiro de lUOá, 
Hte a loL-iivÃo à chula, «ao modo dos chulos, ou das chulas»: — 
Frltlmuiuentis Vfslttido com elegância umas vezes, e á chula 
H^rai^, parecia regenerada » — . 

■ Ckula 6 o nome de uma dança « de uma música popular, 
H^e provinciana. Violu ehulfira é unia viola ordinária: — <Aqui 

tilu^niez iio zilozao da viola chuleira > — *. 

('«informe Dozy, chulo, rhuhi A termo de ciganos, mas de 
leni arAhíca xrr,, «raiioz*. É duvidoso o étimo. 



chumleira, chumbada 



]— TautO o IltCCIUMABIO CoNTKMfOHASEO. COmO NòVO DlCG. 

Uo a èst« vocábulo o significado de uinu espt^cie de rede. 
Todavia, nos passos que vão ler-se quer éle dizer « peso de chumbo 
!•: — «Sío lançadas [as petisqueiras] em compridas roças 




> liitrwTA LrsiTASA. ir. p. 2'W. 

> Albi-rto PirtMiit*j|, A PRixctutA db Boivlu, )>. i4. 



300 



AfotttíoÊ aoi DinÊà^írw Brrtmifueaet 



[q. vj, e agiieutadrus por bóias de cortina e cbuiubeírH 
• tem i>e30s de chumbo, ckumbeuoíi * — *. 

No mesmo sentido de • pdso do chumbo» é em\fnpÀtí 
dito artiiio outro derivado de rJitimbo. rhnmbftffa: — «A 
superior tem fluctuadores de cortiça, e a iuferior pesos it^' ^-hm 
chamados chumbtutaa» — . 



churioar 

O ííõvo OirciONARin iinliii êsie vocábulo romo do jí 
com o âi<]^ii) ficado de 'esfaquear*. Nunca o ouvi em Portuj^ 
õ possível que seja Riinples aportii^uesiniieuto do fhiiic^ 
rt7t*T. qne na jiría doi; malfeitores de lá tem n mt-sma signi 
çào. A existir nn calilo português. ^ o cúó espanhol churinar,\ 
rivítdo de chun. « faca -, e que tem utn norue de agente» ilerii 
do verbo, rkurhiarô, « matador >, a-i qual corresponde o 
de jiria francesa chnurhwur, alcunha <h' uma d:w prrwt 
do afamado romance de Kugt-nio Sii(\ IiE-s mvstvhks hk P\i 



chupão 



— *a chaminé ornamental de foste prismático e sdjmil 
ella, caiada tie branco, outra cliamini', de st*cção quadraila. a 
chauiam chupão vm t-odo ir Aleint^^jo e que ttmi por efTeit^i rmU* 
sar a tiragem que a chamiuè oruamenUl uão ulTectua convenín* 
temente. 

Deve accrescentar-se ainda, que a tiragem por meto dos db- 
pões é activiâsima c por isso, ao paaso que não deixa o fauov 



* P. Prm&ndn Tomi», A vawk bm BrAUOOfi, ih PortagalUj 

* U>. p. tJJl. 





rico do t^il modo. que ainda no verão nio aquece 
jte o compartimento em que se Jogueia • - '. 
'dTsnto o substantivo chujtâo. como o verbo /o(fuear são vo- 
ftulos que. uorecem ser adoptados na língua comuui. coro nts 
toH que aqui expressam. 



chus 



Éâte advérbio è antigo, do latim plus, e vemo-lo. por exem- 
, na Demantía dc» Santo Graal,— ^«e era muito leterado, 
a donzela chns» — ^. Ainda hoje é usado na locii^ào ntio dizer 
vwi nem tinis, ou has. 
êQue mus vu hus ê éster' 

t)oix étimos se llie podem atriltiiir, conforme !ie considere 
unljga a primeira ou a se^uda Ibrma. A aceitar-se viug, 
leria ser uma contracção violenta do latim minuB, cora des- 
vão do acento, e portanto pouco provável, existindo na língua 
verdadeiro correspondente menoíf. que ainda assim mio pode 
iftencer às orijeos dela, atenta a cnnsennção do ti medial: 
ceia \ cena). 

Outi-a explÍca^>iÍo aplicável a hus seria que a Trase fosse 

)UÍt>o popular, e recebida em parte do3 ciganos du Kspaiilia, em 

cujo dialecto bus quere dizer <mais'. AHsim, a lo<^uçào sígnifi- 

ria: ^nào dizer mnfs. nem em português, nem em cigano >. 

Fr. Diez ^ dá como étimo, que se pode ver no DiccioNAaio 

Kanua-L KTVitoLomoo de F. Adolfo Coelbo. um vocábulo bus, 

que fle encontra em várias línguas, mas que mio concorda 

o Bentido que tem bus na locução referida. 




Uelu áa Uuhu, Aa chauisk» áubmtbjana^í, Jn Purtagulia, u, 
2 M BBvmTA Lusitana, vi, p. ZZA. 

* ETVMOI,. WrtKTERBrCH DER RUHANIHCBBN SrKACHBS. BONK, 



aos 



Apoãiilat aoê DkiomHm iWii^MeM» 



Exemplo recente do chus e bii^ é o s«f(iiiuW: — «llcctM 
trezentas varadas. . . mas outro... lovou toÍI. sem áner fbia 
nem bua> — '. 

cbuama 

.Tá o I)icctu>fABii) CuNTBMPOKAKRO deii como étimo n Htt 
\ocú\ni\o o l&iiiu celeuíínia; todavia, uilo explicoti i> modo com 
se realizou a evolução. Deu-o J. J. Niiuez na Uktista LrBiTxs 
[in, pãj. 277]: celeusma J cleusvia \ * rJteusma | rkttima 
Caniòe» empregou a forinii alatiiiadii r^Ieunui: — 

« A iiiedonlui colouiim sv levantn • — 

Hojfl faz-se diferença entre ceieutna e cAi*«na, visto qi» 
primein) vocábulo quere dizer «^ta», e o segundo «mulUdánf 



Do latim cibnm proveio eevo, com ê \ í, e v \ b modiíl, 
como é regra ua eroluçio portuguesa do latim vulgar. Ou 
influência lileniria, ou por distinção dialectal que se propaesQ. 
teuiOit fonnajs derivadas do mesmo radical em que 11^'urain * e 
latinos; tais sâo cibaJho, rihaUi, u ciho, o último dos quuií< pi 
rece puro latiuiHinu. CibaUt fui empre^do por Camões nu Cu- 
ção XVI : 

Aqui Protfiie. dv um r&ma mu ontru rainu, 
< (!V>ra o pvttu iMiitíiii^uctiUidu onda rvttadú, 

Cibalo p&n o ninho indo biuc&ailo. 



Qakbta das Aldbiab, do 25 de nur^o du lOOtl. 




Nio sei se ci]faJho, 'porção peqnena*, é ainda um derivado 
le cibum. cora mndança do b em y, como o andaliir, affiielo 
■iparado no ca^t^lliaiio abfielo \ aiiiiluin, e, procedente de Vf 
I português gastar | uaftare, ijornt. de norace. Apresento isto 
|»esaa como simple.s coiúectura, que oferece poucas probabilida- 
les de fter acertada. 

ciciar; cecear, ceceoso 

Evtes dois verbos, diferentes na signific^o, audam geral - 
ite conf^iiididoTt uo8 diciouários, e assim também os substan- 

fâ rixolúnicos deriviulos dtUes, receio e rivio (=cicioJ. 
Ciciar expressa: 1.*^ snssurro indistinto e ténue; 2."^ a fala 
segredo, sera vost, «ao ouvido», como costuma dizcr-so, o 
JcJuti; (pie em francas se diz chtic}ioter. Nesta última acep- 
cinpregnu Alexandre llerculano o substantivo citio: — « assim 
ito melancUoLico e melodioso das virfjens foi pouco a pouco 
^aiiueoendo ate es|)intr no eicio df orações submissas» — *. 
Ooiiiu teruii) dt! fom-Lica, cicio é a auséucía de vi>z, o que 
terminolojia t^^nica, se diz em francês le chuche, em inglês 
trhiniter. 

\i cunsoantcs sonoras, quando proferidas em segredo, sSo 
íiciada». tícando muito seIn(^^lante8 ãs surdas corres poa dentes. 
le modu que cusa tica quàití i^al a cassa, vaso, quási igual a 
Uiro; o mesmo acontece entre Já e chá, quási iguais, proferidos 

Iseji^édo. 
Bm português existem perinaiientuniuote vogais ciciadas, ou 
nicas, todas ha rezes que u (ou o =^u). e surdo e i estão 
^idos do uma consoante surda, quando tinais, ou entre duas 
loten surdas; por exemplo: ^ú^, comparado com fado; ouço, 
kparado com ouso; testar, comparado com distar, etc. 
Ceccia i outra cousa: é o diífeito. ou antes a particularidade 
íproferir o s como ç. K^stc nojtii-, conforme o carácter do cada 



• Rituioo o Prorbttcro, xn. () Monteiro. 



dialecto, tem si gni ti rações mais ou monnâ eía|>«rifíca<lii:^. P 
individuo da Ueira-Alta feceio dosígoa o proferircni-se 05 
os çç, à maneira de Lisbou, e dUo como lá, onde sfto proni 
dos uo ponto em que se profere o r bmndo. o 4|ue lhes dá p 
semelliaiiça com .r, e, em relaçSo ao s, com ./. 

Piírd us indivíduos de Trás-os- Montes, que diferençam « 
e s brando de £, ceceio é não fawr Uú di&tinvão. pronunctan 
como em Lisboa. 

Para os íudívfduos de Lisboa cereiu é a pronúncia hraj 
d(i jf e £ seguidos de consoante, ou finais, com os seus 
alfabf^ticos. em vez dos de x, j que se nsani no sul de Por 
O brasileiro cm geral diz puçtaç. itor pastas, me^moç por m 

O contrario de recaio, é o qne se chama rlmbonran, pa: 
laridade que consisite em pronunciar ns m. como na Iteir»- 
subcacuminais, no ponto em que » brando si» jirntVre. isto é 
como X, % <i s quási como j. 

Ceceio se chama também o defeito, porque e^ita partiu 
dade é individual, de aprosstmar dos dentes a ponta da I 
demaaiadamente. 

Km Espanha ceceo é a pronúncia do c ou do j, tdénti 
diferentes de k, apros^imando a língua dos dentfx. i-omo 
cessúrio para bem arUcnlar aquelas letras em castelhano. 

Chamam lá também nrceo, ou teteceo à prouúucia dos 
dos zz como f portu^u^s, usada na Andaluzia, e nas i 
americanas de orijem espanhola. 

Km português chama-ae cfceoso àquele que pronuncia 
com ceceio. 

cifra, decifrar, zero: algarismo 



O primeiro dt^stes vocábulos foi o de preferência um 
{lortngiiês, autes da influência fniuctfsa em toda a nossa 
tura, mesmo na cículjtira, vai em sessenta anos. O qn»« a 
das pessoas não sabe é que silo ura só e o mesmo vociVbulo 
e sero, que os franceses escrevem eêiv, pronunciando :^tC» 



ÀpíMtiloê aoa Dicionário» PorluguacM 



305 



A palavra é arábica, aira, «vazio, oco», tradução do t«r- 
ttanscrítico xQ.via xiinÍo, que tem a mesma siguiHcaçSo, e 
iWjd <leí4t(;Davu a cifra, ou < uulida^le. ausência de qiiauti- 
le>. lendo só viilor de posiçilo para se localizarem os fiiitros 
irisnios, UA stst«ma de Dumeravão deciujal que os árabea 
prenderam dos índio». Com t'>ste valor passou o vorábulo ará- 
co jtara português e cast«lbano, si^ndo nestes represtítitada a 
is«)aiiti< itiioial por ;■ (re, ri), corno de retrra, na Irauscriyào de 
Iquer dos dois ss arábicos, o leue e o enfático, ou gutura- 
lo. que aqui represento ]ior ^. Das duas línguas hispânicas, 
da forma alatiuada do vocábulo arábico, zcphirum ou ze- 
ijrum. passou a palavra ao fraiicús ciffre, deste ao inglês 
^ e ao italiano cifera, do qual foi transplantado outra vez 
Pratica com a forma fhiffre, arremedo do loscauo vijera, pro- 
íciudo ichijera, pois uo dialGClo veneziano se escrevia zif(efra, 
[se proferia icij^efra, o que estava mais conforme cora o valor 
iuicial arábica e peoin^fular. 
^ Foi Leonardo de Pisa quem no século xu latinizou 68t« roci- 
^■lo em rei}hirum ', e os italianos abreviaram-no ao depois em 
Hro. Udvez primeiramente pronunciado teèro, mas actualmente 
^kVo, que D8 francese» adnptaram, acomodando á sua pronun- 
Bk^^Io a escriUt italiana. Km portu^^oii^s, cnuio rjisse, é provável 
que a forma iéro provenha directament« da francesa escrita, com 

timnda(,-:\n i^Mialmnnte à noiHA leitura. Os alemães chamam-Uu 
//r, tio latim uuUa, 'uaila>. 

Mássimo Fiauúdio. monje f,^re^o do xiv siSculo. escreveu mn 
livro, que intitulou psKP*fip'ORl.\ kat' Induús [Cálculo eutre os 
Indiosl, onde iliz. a respeito dos al(íarÍsmos o se^ÍDt«: — * Há só 
nove fígurus. e são estas: 1 .2.3.4.0.6.7.8.9, e teem também 
outra tigura que cbamauí Tztvn/L, e para os Índios esta nito vale 



* Oonformc I.ibrí, Sistoire de$ Scienca mnihémaUqua en Jtatie. t. II. 
[Hir P. Woi^jiko, MftMOiHHriiTH i.\ PKUfAiUTioN uHH cntmutfl 
Puis, líj<f3, du <|Ua1 ó cilrabiilu viii t^nimle [uirtc íiíti tati^'). 
» 



900 



AjHfstitta aos Ditionúri/ts Ptirtufpieta 



Uínlii, e aá nove ditas figui'as são índicM. e a T7.íp*ka w<:r*VM6 
Uíisira O' — '• 

Portanto, deriíli^ •> xiv sérulo estava u Eiiropii dt» 
si-steib» de numeiu^-:\o t\o^ iadtoít, C0[ii ha roniia.i ural»i< 
diticação das indiaiibã, e das quais com {toqiieuas diítTenvas úndi 
UíiiuiHiK. A ilirti'fnY'U maior ê t\u\s num dou í^ístemas ar. 
asiáiico, o algariaiuo .í ê ligiirado por O, oii ()Uà^i, e a vi.... , . 
um ponto ( • ). Dos árabcã os rci'cl>eraiu os tifrego^, os quai:» r^ 
propagaram peia Kuropa. que ado])tou as formas mau cunóvii 
berherisoas, cousa^^radas de tiui ti vãmente («la imprensa. 

Os romiuios, como nílo ooubea*niiu a cifra, ijiie pola sua íusu^ 
vão entra os outros algarismos indicn o valor di'st«3 no sístenA 
decimal, usavam iiinn ta1>ela qnadricniada, chamada ah.ícii&. 
ábaco (um grugo âuaks), haslante eujcubosa ua rcalidiide. tntí 
iuferior ao uso da ci&a em clareza o facilidade para o cálculo. Kra. 
pouco mais ou meuo:^ como fl ligtira se^iinte, que eJiplícn: 



lOQCHWO IDOOM lOOOQ lÚOO ino 



lU 1 













1 


l 


I 








1 




1 

I ; 


i 






1 


1 




í 1 






1 


3 






•1 


1 

1 


7 




3 




4 


5 ' 




4 




1 






1 ' 


, t 


1 




1 




' 


- — 


— J«_> 






_ 





í Woepliv.tfji}. Wf., p. 1M-ll»4. O twrto cirtí cm gr*:gn; apreventQHi aqui 
' h«'1nutlu lit<TAlmrn(.' . ímbuk correnfa» por ni« fikl- 



ApotUlaâ a'i9 ItieianáríOi fíMrtugHC^ 



807 



Otite 11 

Cinto e OTii 101 

MlIc^trxtQin 1101 

Qain») mil u qcmtp. I'if>H 

Sítí-jcni-í» « trí^ mil o viiuc s i-ino. , Tl>:l()2-"í 

Qiutr«>o«mtiH( e um mil o um . . . . lOIOOl 

L'niiaHhÍM»dfxm(I(*a*iii lOlDIOlJ 

AigarittHo é rocáhiilo tanihêm anihicú, mos doduiddo da 
IS alotinndu atgori.suius, que tin Idado-Média iksignnva 
mi|>4't)dio dM arítmi^icu-. e procudeu do uomu do autor àrab<* 
um di'KS4?s compfínilios '. fijra no sentido de « algarismo • é 
irru afiiuicifsndu; uias i' muito |>*>hutrii('3a com o ai^iiitjrudo 
escritA Piiisiiiática*. ãv «|iio proffidp áacifrar. 



fiíimo 

Êsti* tiTm» (i já uiitijL'0 mi Itii^iia, [toift o vemos ua^i Ordeiia- 
i (■■eli|iinQs, DO Titulo lsix do Livro v;— ■ Mandumoâ que 
Ci^uiuK. ussi homeus como uiuUrtvs. ucm oiitrtLS pessoas, de 
Iquor iiii^lo <|iio Hcjrio, <|ue com olles audurem, nflo eutrem 
DO^s*!» Kv>'nos f Suuhorios»— . 

Qfl Vicenttí. nu Farsa das ('ihakas. imitoa-lhcã o Talar 

tflhsno andalu/a^lo e ístranjolnuio, com o costumado primor 

)|U« «m oi)tn(i> peças rcmcilmi a prouimciu mouri:ícu v a dos 

Toí da fjuiiní, bijiD romo os falarei jirovinciais *. 

CiftanoK desiguani tainliém < Imíiicos pam oji orelhas >, na- 

Im*tnt« paroridoK com os UKadox pidas clg:ma8: — <A8 es- 



I 3i(iLtwIti Detic, Supleinonto ao r)i<-t'<iiúrii> tracavòt du Llttní, tub. v. 
« r. S. Tt (íonçilvK Viana, T)bi'x i-»iis ihí rnosor/ifiiR uuTORt* 
K. L. B*iR«|i>irk [viir IH^Í], m •licrue IIÍ«)<<ini>|ur*, (. vi. p. 13 



aos 



^ApotíHa* 



i aoê íficio"^"'^" Avríu^M-í»*» 



trellas, auoéts, cifjunas, cirviiUs oa ftfo^loriís- — '. O Nmo 
DiccioNÁKio já tiuK o vocáliiilo neste sentido ttspecíal, e à^ 
íiiie-o: — Mirrucadas de um 8<i piugente» — . A definição o \i^wí} 
clara. 

Xa tribos va^^ahundas dos cif^nos receUemm nomtts dirersea 
em cada iiaçúo. 

Os ea|>aDhifis chumuiii-lbcs tjifatwi». isto i^ tyitanofi. «do 
Ejipto*. o uome idêntico llies dilo os inglese;!, tíi/p^u:*. Os &iui' 
ceses denomiuaram-UDs Bohéniitnn, natiiriUmotit« i^fqiio jisra li 
vieraiu, ou disAviain <|ue vinham, da Uoómia. Km ulemdo att 
italiano, em português, zújeuner, siw/ari, cifjano». o nomp é 
étnico dõles próprios, conquanto os de Espaulia, por esempt'). •• 
não usem já, subsUtiiindo-o por einralli^it. 

È pois absurdo designar essas tribos em [Mirtugrurs cum i> 
nomo de but^mios; nâo o sendo menos dtsfarvar a palavra c/yn/M 
em tsigano, pois o italiano singari, alemão sigeuner, oa o m- 
mcno tsigani, com os sons tr iniciais, nada querem dixrr qttft 
difira osscnoial ou acidental mu ate do termo portu;&:u^s, o quil, 
ao ooutriirio do que acontece em francês, ingli}* ou cs{>aiibol. * 
a deuominu^*ão lejiiima dessas tribos, já usada aii^ era frascAs, 
c«in a fi^nna tsiganes, desde que a palavra bohémiew adquiria 
a acepção de ' tuiiaute, eiitúrdio». 

Em português também se chamou ao cigano ejipcio, e fjUar 
nato *. 

cigarro; cigarrinho 

Pur» cigarro, que primeiro quis dizer «chanilo» em porto* 
guSs, como no castelhano ainda hoje, reja-se tabaco. 

Cigarrinfio em Santa Cruz, ilha da Madeira, é o nome d( 



^ o DtA, de 27 de outabro de IDOS. 
> J. L^itc >U Vuoonceloii, TBADivAsa popularbh PORTuanaui, DO 
BftoCLO xruh in «BeriíU Liuitaitk», n. p. 294, fy. t.j. 



ave. ívlvia conipicillaia, conforme Ernesto Schmitx [Die 
tKL Maueibas]. 
Dere ser deminiitivo de ciparra, e aâo, de cigarro. 



ctmeiro 

10 adjectivo já o rejÍHtoii o Nôro DiccionArio 
Na Sertd j>í>rí« cimeira é a «iMítia de cima», por nposiçfto 
trfa da rua, 

cipai(o) 

vocábulo, que designa 'milícia Íiidíjena> na tadia, apa- 
^^^ftcrito por modos verdadeiramente sínt^ulares, entre outros 
tragaote »i/paes, com ,v, som se saher porquê, por exem- 
00 seguinte trecho:— «6ViníoW Jian Raiies... cypae da 
ipanhin do Intnate» — '. 

O vocábulo t' persiano sípahi, sípai, «hoste», que parece 
rir de Asp, « cavalo > ^. Os ingleses escrevem Sepoy, Seapoy, 
9Ípòi, 

cirata 

>vo PicctoNAKiy dá a PsU» vociíbulo como ai^qiificação 
l<espÚ!iv de xairel*, e declara-o desusado. Xo Suplemento 
iVooABriJiRio poRTtrtíCTRs B LATns'0 de Uluteau vem um artigo 
ito longo, pelo qual se podo deduzir, da oitaçíto que fax, 
obsoleto no seu tempo o mesmo ao de Uom Sebastião. No 
»to, vemo-lo ainda eiiipre(;ado no seguinte trecho: — • Esta 
idade [de camaríi^ta df! Sua Santidade;, alem daa hounu 



ru). .W 1 il*- Mbril de 1902. 
VoIp t Bunusll. A OLOsHAnv op Anolo-Iioiian Word», l8Mi 



A. 

prvialicias clú-l)ii> o diruito de inuntar unia niul;i hr.ui- 
cirata vernitdlia. e i'sporas de ouro» — '. Hlllt'l^au iraii > 
Pollts cphii»piaria. José Inácio Koquete, que, na sna «iiuli* 
dado dl" eiKi^iástico de bastante prudivão apropriada. de«r m 
cousiderado autoridade, no I)ictiok.v.uhk i'oiiTuo-us-FaA>i,'A«* 
declara ser a sigaiticoçào de ciraia — <bord d'ime selle* — . 



ciríeiro, cerÍ4?Ín>; círio, círtnl 

A verdadi*ira escrita i? seiu dúvida com i ua pritaeir. 
pois o rocâbiilo quero dizer < tabricauto de ciriix^t». T<i>i — - . 
oscrita com e é muito anti^ c à prouúucia naturalmHUiv * 
devida, pois, como é sabido, uuma svne de sílabos cuja vogsl 
Beja t, sâniPiite o último t<<m ^ste valor; ox das 3ílaha<í antece- 
dentes paaaau) a valer f arirdo ^ conio |W)r evciuplu inilitm, mi- 
nistro, que toda a gente, à uxcej^ção do um pequeuo uúmero tl« 
pessoas que escolbeiu para seu uso prnnimcía^úo ufm-tailu, ai 
nSo profere o / da sílaba mi cora o seu valor allabêtieo. Auttiri- 
raente, mesmo, escrcvia-fio melitar, como so escrevia tr^^úiA». 
que é a verdadeira ortografia da palavra. Em reríeiro. por *♦- 
rieiro, influiu também a palavra ema. risto que os clriH "~ 
e Hilo fabrirado;} d)'sta substancia — «Sabede que lobam 
e Luís MÍz e Gill Frz, e Manoel Qill, cerieiros moradores W 
essa villa de Santarém* — *. 

Cirio tem outra acepção, a de 'romaria*, que provávebueuta 
lhe foi dada por motivo de ser levado ua procissão algniui citiff 
beuto. 




JD^mtUél^ »"B T^itJiiiiáriQ^ Í\irftu/He»e» 



an 



o Noto DiccioxAaio dá ao vocábulo terceira acepçflo, pois 
diz ser noiue <le cact^. 

tjuurta ao«{i\'HO iliferfitLe de toflas «stas, e que uilo pode ter 
mesma orijeni. lê-ãe na Rthnookaphia do Axto âlkiitcjo, 
fe A. da Silra Picão ': — «Oã aiitigofl síloit (círio») ou tiilba? 
lubterraiiuas • — . 

Cumpre n&o coufuudir cirial. * toclieiro portátil em qne se 
o círio», cora cevcaí. «grilo paniíicArpI», do latim cerea- 
I ] Ceres: como aconteceu a um rejedor, a quem o ndminia- 
ídor do coDccIho pedira uiua nota dos cereais que havia cm 
depósito na freguesia, e que respondeu em oficio dAo lhe constar 
liarer outros rtTtnis além daqueles qiní acoiupaubavam Xosso- 
-P:n, quando se ia levar o viíUieo aos enfermo». 



citánia. citaniensc, cidade, civldade 

»te termo de arqueolojia prelúâtónca, o qual desde o con- 
3S0 de lHtí(» em Lisboa, e era resultado dos trabalhos pi-epa- 
itórios e subseqiíeutes cora êle relacionados, adquiriu grande 
lotoriedade. é do seguinte modo descrito por pessoa tam com- 
"petente como José Leite de Vasconcelos, actual director do Mu- 
íu Ktnolójieo, acomodado no editlcio do mosteiro de lielém: 
Outras designações de ruiuas sâo civiãade, cidade e cita- 
. . . À etymologia de citauia tem dado que fazer aos archeo* 
mas ella parece-me simples, salvo meliori: o português 
ladào vem de um derivado latino civUatamis. . .] ura desta 
hiavra podia foruiar-se civitatanm. . . > — '. 

Paru uceibir-se este étimo, que rae parece muito jilausível, 
Ha considerar-se que do latira ciuitatera procedeu primeiro 
úvúiaiie, que ainda persiste neste sentido restrito, e que cíVí- 



1 in PorlagaIU, t, p. 539. 

■ p. 62, CuUrçiy (If Diirid Corraii. Bibliothdoa do Povo k das 

>I.A9. 




Apontii/u aoi iXaVRjitnoc ^rliif«HM 



dflí/í em casUthaiio se reduziu primeiro a cibtiad e dti-nn < 
ciuiUiii, o coiitrárit» ily Paiilus ijue deu Puhh: e a.s.Viiu o«inw 
de c.ividaãr- proveio o actual cidade, assim tanibi'm de uoi n<^ 
Uinia resultou ciUmia. 

Martiiu Sarmetito derivou dèsto substantivo um adjectivo: 
— •firmariam a sua domiua^ào sobre os Ligiires citanieu- 
sea* — *. 

O vocábulo cividade é tambdm empregado por All^erto Sam- 
paio, conjuntamente com cifmiia: — *as ruínas dos opinda. co- 
nhecidas hoje tradicionalmente por civiãades, eitanias, cwsirm 
ou erastoa ► — '. 

Vê-se que são sinónimos, os quais ticam deste ntodo definidos. 



civilista 

l^te ueolojismo foi empregado por Duarte Gustavo Koboredo 
de Sampaio e Mello, num projecta» do lei. apresentado &s CdrtM 
em 1 de março do 1ÍKX). acerca do diviircio: — «Traduziu elle 
[o CoDiao Ctvib] talvez ao tempo da sua publicação a melhor 
obra da legislação civilista até então* — . 






clamor, cramor, cnunaçio 

m 

O DicnioNARio CoNTKMPOBANKtj jii defiuiu esta palavra nata 
sentido especialíssimo que tem no norte do reino: — «ProcÍs«iUk 
de preces em que os tieis vão rezando alto em c6ro> — . K o 
jtardoH da Uretanba Francesa. 

Todavia, a forma, pela qual é conhecida a dita pnxÂss&o. n&o 
é a literária que dá o dito dicionário, mas sim rramol (cf. frol, 
do latim flore) e caramol (cf. caraptnteiro, ])or carpinteiro). 



' Portugália, I, p. 12. 

» As «VltLAS» DO XORTB DB PORTUOAL, íll Portllgalía, I. J.. I**" 



/'trcWÍrfri. 



»1S 



Jlre -estóí* pinfissiVs ti|)U-as T«ja-se Portii<;:aIia, i, páj. (J24 

(i64; — 'Mais Uo qm; us clamores, cranioea ou cantraoe», jicrn- 

m os cercos... vt-stigios menos distantes de reli<?iosidade • — . 

Xa ilba da Madeira ermttítçào quere dizer « clamores, grita- 



clau 



Eíta palavra escocesa (eíann «filbos». •projéiiie») muito 
usada em Inglaterra, onde a tornaram conhecida as afamadas 
liDvela^ de Griíaltèrio Scott, passou tamli^m para Pranya, e de lá 
foi trazida a Portugal por inteniif^dlo d» literatura, menino 
científica, eoni a pronúncia erra<la rUi, sendo que a verdadeira é 
elãjie. 

Se o vocábulo se aplica a escoceses, tem rde caliiraento; o que 
' 4 abuso é truâladá-lo a outras tribos de constituivrto mais ou 
menos análoga k dos serranos da .\lta-Kscócia (Higlilanders). de 
oríjein e linguajem ct^ltica. 

Ací^rca debita expressíLo escrevi eu a nota seguinte na SKLRin'A 
ixaiiBSA OB LKiTUBAs KÀcKiH. aprovada para o ensino du InglOs 
nos nossos liceus, cotuontaudo a expressão the elan of Mae Da- 
ntthJ do teito: — «da ^rrei de Mac-L>onald. . . O vocábulo clan 
! corresponde ao okns latino e designa na Alta-focócia, entre as 

Pnnmilaçífes rpie falam gael, uma «parentela inteira >, um ajunta- 
de faniiliíis <iue obedecem Á aulorídaUe de um único clieíe, 
) appellido cominimi a iodas ellas, piesuinindo-se desceude- 
e um só avwujío. Assim, em Mac-Donald. esse avoeugo 
cliamava-se Oouaid, e Mac aiguíficA « filbos >, «progénie». O vo- 
cábulo elan 6 em inglês appticado a grupos de famílias de cons- 
tituiçAo análoga em outros jiovos, e os franceses já o adopta- 
ram- — *. 

Ora, em português podemos dizer «parentela» ou *grel>, 
ra evitannos o neolojísmo. Km sentido muito semelhante usou 




ListKM, l«)T, p. 230. 



Gabriel do Annuu^io. com reluçSo h rejiilo dos A1»nu<>s •• if 
talvez l(K'al, jKireniado *. 

Quulqiier qu« st^ja a orto^nifia que se »<lopt«, t' uÍMunl 
crever. como O mnito r^muni. o vocábulo í/m j grei. gr< 
com //, O^^y* q"au<ii> se escnívein roín i Ihí \ lex. Ug 
rei I rex, regis. 

claro 



ftste vori.hii]o, como subjuntivo, siçiiitk':i » iiilvi 
tem at-niiiio umito esiitírial no trecho seguinlti: — Aon d 
que e^nstitueui as extremidades das redes, jn-iidein as 
cabos de Utibo, cada uiii com HO ou 4U" do roíitpriíiieutoi 

clises 

É termo de jírra v significu • oHuw • ; dai prort>ilp o 
climr, por ■olbar*. K o caló cltsé «Olho», com desloí 
acento pura a 1.* sílaba. 

coa-das-pichas 

— * Alem destas [redes envolveate» volantes] usam o» 
dores do Moudego uma outra a que chamam Cua dtts pichaiu 

cobri ah a 

No concelho de Vila Nova de Oiirí^m este dcminiiUi 
cobra uptii-u-iíe como uúme uo que chamumos aljavaai de 
isto é, íi parietarta. 



> I.A FlULlA I>'InRro. 

* P. [-Vrniuiilvz Turiiúi. A Vf&CK KM Btarcob, (li Purtugfel 
p. 151. 

1 Portu^alín, l, p. J80. 



AfOêtHm aoa IHcionãrioB Portugiteses , S15 



cocho; copo; coche 

Conforme J. Leite de Vascoiicelos este vocábulo, que serve 
ara desigDar ura «tabuleiro para transportar cal araassada», é 
ma forma latina, cop(u)lum, metátesé de poculum, copo. 
late último será talvez um alótropo do mesmo vocábulo latino 
•oculum, que tivesse antes passado pela forma intermediária 
ójMo, com manutenção excepcional do p intervocálico, por ser a 
[>rma aemi-enidita. 

A palavra coche, «carruajem de estadão >, é porém de orijem 
úngara, koc^i (=eôchi). 



codeâo 

Xo Alentejo significa este aumentativo de côdea «terra en- 
ureeida pela geada > *, 



coicâo 

Xa líeira-Haixa tem este nome « a parte do carro que assenta 
o eixo» *. 



colcha, colchão; còcedra, côzedra, cocêdra, cozédra; coxim 

Os vocábulos 3.°, 4.**, Õ.'' e 6.® são alótropos, foi-mas diverjeu- 
es <IÔ latim culcitra; se porém a acentuação dos dois últimos 
ira na segunda sílaba, o que me parece menos provável, atenta a 
orma italiana cóUrice, cora raetátese, por cólcitre, temos de 



* J. líCitj de Vauconcelos, Ubvista Ltihitana, ii, p. 22. 
' Infunnaç&o do editor, natunil ile Almeida. 



ftaén 



snpor como étimo deles uma fornia diMniuutiva aiiatuhi i^uf 
deâKo cocÉdra. ijom respeito ii queda do /, coufi'oiitc-s« tUm: át^ 
dulcem. 

Cotciíâo é ffluiple^ uiiraeutatirn de coMia. que pressupõe uiu 
violenta absorção d:i siliilta medial n do deniinuhvo. ou *^ 
forma culcíta igualmente diticiiltosa. Krirtiují ' propôo i.. 
que sejam derivados do collocare, castelhano rolhar. 

Coxim será, oegimdo o parecer do mesmo autor, o iatua 
culcitiuum, o que Umbém apreíteuU diliculUadoa. 



colheini 



Esta peça dos arreios daa cavalgaduras veio prorireliiMBli 
de Kspanhii. oude 8« cbama coUera (pron. tolhera) \ fuelbi 
(prou. cuelliuj, 'Colo»; era português deveria dÍ2er-«e rotrira, 
taato a do cavalo, como a do cAo. 

à proLÚucia coelheira ú viciosa, pois o vocábulo nodu tira 
que ver com coelho, que em castelbauo 6 conejo. 




I 



Apostilas aoê Diewnárioa Porlugiieses 317 



cómodo 



— *0 conjunto de herdades que constituem uma lavoira 
designa-se por cómmodo» — ^ 

Confronte-se o emprego do mesmo vocábulo para designar 
08 ' repartimentos de uma habitação >. 



companha 

— «As companhas são grupos de pescadores que se reúnem 
para exercerem a industria da pesca, e se compõem de um chefe, 
o arraes, e dos companheiros» — -. Conforme J. Leite de Vas- 
concelos deriva-se do verbo companhar \ cumpaniare | cura 
+ panis ^ «pão». 

comparança 

Kste substantivo, formado de comparar, como esperança de 
esperar, não vem nos dicionários, e todavia êle concorre popular- 
mente em todo o reino com o literário comparação: o mesmo 
acontece com declareza, a par de declaração. 



compassar 

Eis aqui um sentido muito especial deste verbo: — «Quando 
o atirador queria fazer uso do arcabuz, abria a caçoleta, «com- 



* J. da Silva Picão, Ethnographia do Alto-Albmtbjo, in Por- 
tngalia, i, p. 271. 

* ib. F. Fernández Tomás, A pesca eh Buarcos, p. 154. 

* Rhvibta Lusitana, ii, p. 33. 



9 



pa»tava> a niecha, isto (^, dava^llie o comprimento ãulfiíiesti 
|Hini chegar ú caçoleta, apertava o gatilho, e o tiro pftrtia»— ' 



comlesi^ar. comUíisa. coudessillio 



No S n pi f-' mento a"} NOvo DiccioyÁaio rtMn<>ã o vorb-"' 
fíir, uos scyumtes termos: — *(aiít.) guanhir. |n*tr t-m 1 \ 
(De cofuleçtrj» — , 

Santa Rosa de Viterbo traz ofoctivuiiníutf «urtio .íiiiiuu o svthi 
confiefiíir: — «Ctnardar. l)aqiii Condessa, m CondessUho: j-iuiilft. 
eui que ul^ntmu «msa se guarda.— Conde&dillio: •• iirfsnio fi# 
DrjHtftito, sejnindo I>tiart« Nunes do Líâo» — '. 

Xa realidade, o filíílopo citado por Viterhi» inclui na lista à 
cap. XVII da Uriúkm i>^ i-in<;o» imutimihsí. r..íii.. anliirtv. 
indicado con/iejtsilJio, 

A. A. Cortesão, no Aditamento aos Sintsíniipâ para cm 

CinN*VRTO COUÍ»!,KTO DA I.ÍNOl'A POBTlHiLÈ-SA, <Uz-UOS: — • 

útísaA ou coudi*sáa... [o urcli... condesar, do hisp. irnHd\ 
(do lutim cúiiriíiv. . .) — emendcHie |ua obra):— o arcb. 
itar, dn hisp. nuttteititr. do lalim condere . . .]. Cf. 1" ' 
hisp. rowhttsft {Ao latim eotu/vn-ti). logar onde se puani; 
(Toisa, por exútnpK a despcusu> o ^^uarda-roupa, otc > ~- 

X parte a proocupafilo do antor iléste uUlí-isiran n'iM>MU)iw 
em converter o cjistidhano numa fsp<''cie de rriro pelo ipial • 
latim, o árabe, o germânico, etc. báu de paa,sar paru cliegunin] M 
português, teoria erideuieineute «rrôoBa, pai» o itorlu^uês, M nif 
ó miúâ antigo, ó cont«m|>onUKO do ca.stõlliano em to<! i 
evolu^*i\o, que é maid Del \\unA\ sempre tl.s tVirmaí) íh\i' 
parte Cisie senão, repito, o autor deixou a uluro u orijoni Í6 



' r-rtti(ralla, t, p. ííOl. 

> Ei.roiuARiM i)06 Tenunfl k prasbs Qrn AxriovAMisirrK int mi- 
mo, I.Mi.»», lios. 



ApottUan m/a iHÔQnúriog Poriujjutrtiti 



»1» 



Vofábulo eond^s.m (com *•>•, e nAo r) e Jo v«rbo deste derivado, 

CoiiH) não Uiilio ao lueu ;ilcance ahomifãú iHirtu^^uesa, e aá 
íhú c'a»tvlUiiiJiiii, diUft esUts; — llíoeii i|ii(! uii hMí^Íomo babía 
Ia dia Ihnoíjuu <le rasa de uii uitrcader rico. pau è uiiiiite;^a ê 
(itras cosas, et comiu e1 i»nn, é lo ai oondesiiba, « ]H)nia la 
liei e lii mantecii eii mm jiina> — '. C a mi HÍe»pr<í nie tíenen 
-tiado, I da tiiiirtt eii hueuas cubas euiidesudo ''. 

K claro que roH<IeJisa, no seutidft de • cesta do verjía, de forma 
Urcular ou oval, sem usu. c com Umf*u li^Tiida*. uada t^m que 
fer eom outro vocábulo, ronde^tm, femenino de tohí/c Í comitem^ 



confeito; confetli 

Êsle participio, dn verlw confmer. do qual se derivou o 

r«>rbo cimfeiíar, que produziu rmifeiieirn e canjeittirhí, (uo 

>rte, tlweiro, duritrinf niio esU colijido nos dii'ioniirios, nem 

kmo partiripio, nem como adjectivo; todavia, vemo-lo muilo 

iia enipn-tiailo ne.^tu úlliuia categoria por P. Adolfo Coelbo, 

soiíiiinlí* píLsHo: — «Não sei quando come^^ur^iu a preparar 

Portugal ameintiMti conJeiUu*' — '. 

T^luteau uo me^mo sentido usou ctmfeitwh. 

Coiifrito como siibálantivo, desi^^nundo uma e^Jpfície de pasli- 
la do4:e, ealui-ica, deve ser imÍt:i';ào do ituliauo conjctto, plural 
mfetti, 

(f)m Portugal era uso, e Qão sei se oíuda o é, arremessar 
iijeiton aos noivos, ao Haírem da içreja. e em Itália serrem 
Jlea de proj(-<:til para jugai o enttudo. A moda passou a Tranço, 
ide à imitação se fabricam ans discos de papel de vilrías cOres, 



' BittUoUcH de KatA>r«^ iMtpunulv*. tuinu M, p. 57, col. [.— Calua íí 

* OEKURHTOd blU. AGUA T Ht. VIKO, t«XtO do XltC fiécalo, IM «BCWÕ 

3 A pisuAiiiKiiA iMi POVO roKTDOuÉii, in Poftagalía, i, p. 484. 



3S0 



ApanHloM au» Dicitmárto» I\/rítiíjue*n 



menôs cootundontes e mais baratos que os verdadeiros cai 
ihiliaiios. Vieram para cá os tais discos suhstiiuir os 
p(iptfUnh'}it uiicioDais. e. como aos firaocesbg nílo cbuga a Ut 
para [ironiinciarein correotametite o italiano rofi/t>tfi, 
ram-iio tun ronfeii, jiarviiire que também, |»or s<*r franci 
espalhou em UslKrn, entre a gvute ()ue p^f^s1UI]e de tina. 

A se iiilo t|ueror adoptar o nome niuitu português e tta<lict 
uai jHtjmhnhtíg. o que t«n)os a fazer, u que faz quem qnern íaitt, 
português etu Portugal, é dizirinos confeitos, deãi^udo cutk^ 
êâte termo não s<J os doces, mas a sua imitaçào. tal qual 
03 italianos ao seu omfetio. 

K, a prop<5ãlto dòste siu^lar, sempre desejaria 8al*er m m{ 
que acentuam cotifetti, dii'ão dd singular conJetH, ou evtt/eUit.\ 

i-ougosta, rant^ostji 

Êate vocábulo, cuja forma mais correcta ^ ciniifoHÍa. poi 
a mais nsnal úowjonUt, é um exemplo muito característico 
polissíutese cm portuj^uês. K um composto, por elisOo li' 
linat DO primeiro elemento e da silubu inicial no segumh . ^ 
&CU étimo é canale e angosta *, de que resultou anu 
gosta \ cfínangonUi \ cdangonia J catufoata \ corujosta. por 
em virtude de assimilaçilo da vogal da primeira sílaba ji da 
guada. Cf. para a última destas formas ò contracvílo de ao: 

Coudensa^>ão das várias sílabas de um vocábulo eieiuplifia 
também quelha \ eannlicultí \ canalilha [ canalelha \ càa^ 
lha \ càclha \ caeíha \ queUui, 

consertador 

— * Para as redes de arrasto lia mesmo um certo numen» 
de indivíduos a que cbamam redeiroa, utaUoreu ou coficertudorf', 



* J. LeiUf dií Víneoncílo», Rbtirta Lxtsitasa, iv, p. 27S. 



IHcionârios PartttffHfwn 



321 



olnairameute se dedicam a este serríço uu época de itiíris 
cia de peixe» — *. 

iço aqui inencioDado è o de «consertir e íiicascar» 
iâto i^, de emendi^-las e tinji-las. 
^hre a escrita deste verbo cotm^rtar. de consertus, par- 
► pretérito pa.«iivo de coDserere, difereute de concertar, 
ue derira vonrArtn, < ajuste, combinarão *, veja-se Orto- 
LA Naiionai. *, páj. 121. 

consoar 

ite rerbo. conf^Drme D. Carolina Micha^lis de Vasconcelos, 
hse de cum -f- *«A -f- unare. e eonmaãa, de cum -j- sub 
A -\- ata, sendo -ata a teiiiiJDOçíio femeoiíia do participio 
riio passivo do dito verbo ^. lístanislau Prato propusera 
^uiUt, ao que se opôe a locaçAo de consum, «em comuni- 
I. — «Consoámos por ser dia de quaresma e jejum • — *. 
Dor, como [MxJe ver-se nos dicionários, quere dizer «tomar 
refeição leve, por prei'eito relijioso». 
r asguada, que, couforme a mesma abalisada romanista, 
m de ad -f- sub + uno *. 



conto, conta, contaria 



unidade de contajem de cereal em rama usada em Tiús-os- 
t«8 é a pnusmia, que m couipòií de quatro molhos. O termo 
prío dúfl arredores du Brafrança. O cereal em grão tem p«>r 



P. Fem&wlex TonuLt. A pioboa iom Btarcos, m Portugália, i. 

Rkv»ta I.lirtlTA»fA. I. p. 121, l:t<), III, 3(^2, 3i!&. 
AnUain Fnncúco Ciirdita. BataluAí) da ConrAKHiA dk Je^fs. 
i, 18ÍH. p. «t. 
RSVWTA LuaiTANA, 1. p. 130. -^ 

It 



V12 



AjKtítiilait aoH Dicionário* Pbftugueitâ 



Eiliudade a conta, que é igual a quarenta alqueires, istA 



ifieís hectolitios. 



Uma siugul aridade da niesuia rejião é o uúinero 20. U>[ua4 
como básico para a coutajem, à maneira do vascoiiço otjii 
[^ucês vingt, <Ío diiiumarquès tyve. 

Dêsle modo oiienia dii^se qtmtro veies vinte, em francês 
'tre-vhvfi». em ÍiinAmiín[ws fiirftitulífii/re, * quatro v«ms 
em vasconvo Umntguei, «quatro viutís», de lau(rí «q 

A e^íprossSo Mnta sò hoje se emprega, com a aigníficafAu dl 
mÍlIi:lo>. com referência a dinheiro, equivalendo um conto 
[r^it a ' iim inilhào de róis». 

Itluteau ' iusiâte em que vunio nâo é mais que m/JAòu, eq 
Itonto se diz de réis, e miUtâo, de cruzados, censuraõdo « 
Padre António Vleirii, iiorqiif os diferençou. 

Fernám M^ndez Piutfl - díz-iios: — *.Sâii estas feyraa 
ranças e livres, sem pagarem nenhum direyto, pela qual ca 
[concorre a ellas tanta gente, que se afirma que passa dtt 
j contos de pessoas » —. 

fíQuis o autor dizer «trds milhões de pessoas»? 
Assim parece, se comparaimos esta expressão de número ctn 
[a que se lhe segue: — <K porque, como disser os trezentos 
^bomens que estão em di>pósito nesta prís&o andão todos soltos» 
s6 presos eram trezentos mil» nHo é de admirar que dez v 
|;£sse mimero fosse a ^ente livre que à feira concorria. 
mifí na Oliina, o que deve diminuir o espanto que '>■►- 
itoiuunha concorrèucta. 

Acerca do Umiio cotUo uum sentido especial, transcrevo, pir 
»r perfeita a deliuição o a demonstração da orijfm, o ><>t!UÍiitv 
eolio do notável estudo dv Allierto Sampaio, intitul.ido 1». 
ViLLA8> DO NouTE DR Pobtuoal: — « Os mesmos btíus dosdn 
lAo eram privilegiados senão por gra^a real, pois era o r^i qam 
eontavu ou ftunrava, presciudiudo dos direitos de que faiã 



trei 



VoCAtirtARIO PnRTCr.rRZ B LATUCO. 
Pbreí»ri.na(;Xo, cap. cviit. 



ApoâHÍOâ aat Dicionàríoit íiortugtuKm 




323 






Wírív; estes contos ou kanras, <inde em geral nio entram 08 
ntontomos reaes. rnnleem talvez os germens dos concelhos, ciijoa 
foraes ou cartat^ aeriio taniUeiii dados pela coroa» — '. 

A palavra rimia é muito português», tio sentido de < globo 

queno de vidro, louva, madeira, ou outra substância, furado 

ra se enfiar ► . 

O nome provéni-lhe naluraImpiiUi dos globos d^ssa natureza 

empregados nos rosários, para « rnnlar » maquinalmente as ora- 

es que se vão rexaudo, eorrendo-se as contas a imia e uma 

pelo tio ou cordão em que estio eucarrciíadas. 

Toma, como objecto de enfeite, diversos epítetos que a 
uaiítícam. Aqui está um não colijido:— «Conta de leite: Glóbulo 
e aguta« de còr lciU>sa e azulada. jVmuleto para manter abun- 
ante o leite ás mulheres que criam»—*. 

Cuníann v um colectivo, uraa ou muita-s «enfiadas de i?oíi- 



conridar, convite 

Hstes dois vociibulos tinham dmiles a acepção de « obsequiar, 

>resenU'ar. prosente, l>anqueie*, cuja retiiiuisc«^ncia ainda boje 

ím dia perdura ironicamente: — 'O Taboada, nm haílão ali do 

|Ítio, convidou o Navalbudas, seu coUega, com duas ditas no 

âto»— 3. 

Abonação antip é a so^uiate:^< ainda oje ey de cear bu 
;>cdAÇ0 dessa tua carne, cõ que ey do convidar dous cães que 
lho*—*, 
iíra Rui de Pina, Chòxica i>k Rt^-hei Doh Afonso v, lÕ-se: 
houve aijuelle <iia convite real de vinhos e fruítas, em 



< in PortagalU, l, p. 579. 

* Portugália, i, p. til9. 

» O KitosojiitíTA. do 22 <le n^wli da 1895. 

* Femátn Móndez l*Ínto, PrkumrinavXu, cap. OXOVIU. 



uma notável perfeiçAo, a assi muitas danças e festas em 
noite» — '. 



copa 



Na acepção onliaária copa, como «atrecatlaçãO'. só se 
ao móvel ou quarto onde se põem a resguardo comidas, \i 
OQ trem de mesa. 

No Altíutcjo porém o siguificado ú diferente, como vti 
do trecho seguinte: — «tudo aquíllo está em desordem, 
como a copa (vestuário)» — *. 



copa, copo 

Km Caminha, e provavelmente em outros pont^ do M 
o vocábulo copo corresiwnde ao vaso que maís para o 
denomina caneca. hUt é, vaso cilíndrico, de maior altura 
diâmetro, luimido de asa. 

Como Lermo de ])esca é mna pe^a da rede, e também 
de uma rMe: — «Destes apparellios o mais usado em Bu 
é o C&/ÍO— que serve para a pesca do camarão» — *. 

Copa, pelo que hoje cliamamos copa. taça, vémo-lo em R 
Pina: — <o lufaute Dom Fernando, por melhor justador, T' 
então o grado, que foi uma rica copa, de que fí^z logo mei 
Diogo de Mello » — *. 

Hoje diz-se para ai record, il inglesa, e ufto t/raâo, qm 
uma vantajosa substituição do augUcismo. pronunciado à 
cesa, recór. KntÃo, como actualmente, em uma tav'a o p] 
grande. 



> cnp. cxxxu 

» Jow! da SíIt* Picão, ETiraoGitAPinA DO Ai.to'Al8UTKJO, 
tu^alía, I, [). •'V42. 

" FcrnAndcz Tmiiás, A PB^rA hm IlrARcoo, in PurtugiU*, t, 
* Cr6nica db Ri^tun Dom Afonw v, cap. oxxst. 




ApoatiííU na» /.lieinnAriot Pitriuffucteí 



325 



coração; c<>raçao 

É coBhecido em quási todas as suas acepções o primeiro 
tdSstes dois vnciítitilds. 

Km dois sentido» poréra nilo está colijido, que eu saiba, e de- 

lt]»;m-se dos trechos seguintes: — «Possuímos alguns d*esses 

iB, eora0es como as tecedeiras lhes chamam» — . Sào pesos 

í^e teai-, em forma de coraçío. — « Quando Pkijsints, há dias. nos 

eniiiuoa que a forquilha tem onze paus, a tipogialia partiu um 

leUes. e nâo nomeou o príucípal, — o coração, em que se implan- 

08 detif£>i e o r/iho ^ 

O segundo é um neíílcijisrao, derívailo do verlm corar (^^^cò- 
rar), que tem de ser diferençado do primeiro, porque a prouun- 
jtação do o é diversa, proferindo-se nherU, entinto que o de 
[cororno soa como u: — * Entrcviamos um liacillo que microsciSpt- 
lente revestia a morphnlogia do da peMe^curto, atarra- 
iado, cdraçúo bipolar, espaço branco intermctlio» — *. ílste tre- 
!ho, em que as palavras tmuam acepçCes desusadas, nao é de- 
serto modelo de Iwa linguajem; apesar disso» porém, o vocábulo 
irofíto, por coloração, está bem derivado do verbo eòrar, e 
merece rejisto. Quanto a morphologia, que nao quere, nem quis 
Duuca dizer «forma', mas sim teoria das formas, ou das for- 
mações, não pode, nem deve figurar era dicionários naquela 
acepção. Siu^ilar ú também o epíteto atatraeado, aplicado a um 
orgauisuio s6 visível jior iiiicrosc(ípio. 



coral 



03 dicionários nílo mencionam qne este nome, nflo sò designa 
coral verdadeiro», mas também o falso, mesmo sem aposição 



DiAitiD t)B Noticias, de 7 de deia^iibro ât IDOS. 

Ric&nio Jorge, A pkstb bcikinhia mo Porto, IííÍW, p. 44. 



ApOfttifiM n09 lUrionurin» Ittriuigtuae» 



d^Bto oplteto. que é indispensável que acompaiiliu jtfirula. qoanli 
ela aio é verdadeira. Â^fsiin, aiada eoia epíteLu que o tcâlfi, 
coral fino denota apenas 'imitação do corat verdadeiro», pom 
quatulo denomina uma contaria, corai-fino Maria, qoc se 1b 
num amiiirio publicado no jornal O Kconouista.. de 4 di' no- 
vembro de 18B2. 

coriscar, corisco 

K conhecido o étimo deste verl)o. que poderia sor conãiiifradi> 
como derivado de corisco, quando a verdade é quií se deu o csw 
coQtrário. Coriscar procede do latim corascare. com dlssimi- 
lavão da vo^u) dtona da segunda sílaba, com relayào ao o 'Is 
primeira; coríftc^t ó um uorae verbal rizoUínico, derivado detwi^ 
car, já dentro do português. 

Coriftcú, não só na liairrada. como diz o Nõro Dtocioiti* 
sio, mas tiuubi^m em outros pontos e no Brusil. é o qoe m 
gorai o povo chama iiedra-de-raio. 



corja 



Esta palavra, que actualmente slgnittca apenas, cm v,vu\ 
pejorativo e ofensivo, o mesmo que fmaiuUi', Oj- í\). «qu 
lba> (espanholismo), «turba>. é declarado t«rmo da Índia, c 
a sÍ),'niíicav3o de ■ vinte», no Vocadulauio i*oRTr«rKZ s latiso 
UK Klvtkau (1712). Vé-se pois que h:i doi» néiulos ainda nio 
Uavía adquirido o sentido deprimente que ao depois prevaleeeu: 
— « Sinalou-IIics dez Curjas de cotonías. São colónias lenyo d« 
terra, que serve para vestido. A Corja ho numero de viatfr 
3. part. da Hisl. de S. Domiug. pui;. 3.S7' — . I'. COtonta. 

Era pois corja um dos freqíientes nomes numeratiros, equi- 
valentes aos nossos dúzia, ronio, tuào, etc., tum usados etu 
muitas das liut^uas asiáticas, e nomeiídamente nas do tiul <Li 



ApimtilitA aoã IUfionàrim Portugiusen 



S37 



idia, nas malaias, na japonesa, mas também em pei-siaao, cou- 
|uauio pertencente à gran<ie família árica. 

A etimolojia é questionarei, como vemos no (rlomrio de 
Tule & Burnell '. atribiiindo-sfí-lbe uma orijem teliuga (dra\i- 
Lica), e outra arábica. 

Km Pemám Méudez Pinto ocorre este vocábulo pelo menos 
luas vezes *, e muitas om todos os nossos cronistas da Ásia. 



cornaca 

É antigo já ua lin^a este termo, o qtial 8Ígni5ca «a pessoa 
|U6 vai ciando o elefante >. na bdia. 

Bluteau ti-az o vocábulo, com duas abona^Ocs portu^niesas, 
m inscrição Corkaoa, e eraprega-o também na inscriçfto Kle- 

FANTE. 

o (irlosaário de Yule & Burnell ^, citando o dr. Kost, dá 
)mo lítimo o einirala líiraiva-yuV/ai-n [KílRaDa-NílIaKa], cuja 
lignificaçáo é, segundo declara, «maioral de elef!inte.S'. 

Vê-se pois que mio é galicismo esta palaviii, visto que existe 
ira português ilesde, pelo menos, líiSõ. data da segunda cita- 
lo feita pelos ditos iudianistas extraída da Fatalidade His- 
^BiCA, de J. Kibeiro. Galicismo é a abreviação emnae, que às 
rezes se lê, ftai juins tradix/ões de francês. 

Xa wlivio da História Tiijico-Maritíma, de Ilemardo Góraez 
1« Brito, publicada recentemente na Uibliotheca de Ci.Afwnxis 
iTaouxzES, no toI. xu, duas vezes se imprimiu comam em 
rei de comam, a páj. 82 e 83. 



t A (ii..nfi8ASV OF Anulo Indiam wusps and ruuAfi&), Lundres, 1880, 
1I&. r. corge. 

* PEREtiKtXAÇlO. Cnp. UXUI O CIJCTtl. 

■ A (tLOHSARr oc .\souj IsniAS wuRDa ASD PHKASBs, Londrt% 
18841. 




328 Apostilas aoa Dicionários Portugueses 



corneta 
Como termo de jíria, já antigo, quere dizer «cara>: — 

< Venha cá, senhor malhado, 
Meta a mSo nesta gaveta, 
Dê TÍvas a Dum Migael, 
Senão, parto-lhe a corneta». 

coroa 

— «Todos [os barcos] são de fundo chato — o que é imposto 
pela natureza do leito da ria, de grandes espraiados e cheia de 
bancos de areia ou coroas» — '. 

E esta uma acepção da palavra c(o)roa que os dicionários 
não rejistam, e por isso aqui íica apontada. 

coroca, palhota, palhoça, capa-de-palhas, capa palhiça 

Esta capa, usada tanto em Portugal, como na Nova Caledó- 
nia, como no Japão, donde provavelmente veio para cá no sé- 
culo XVI ou XVII, já motivou esta nota a páj. 170, do livro 
de Jouan Les Iles du Pacifique ': — «Les Japonais et les 
paysans du Portugal ont des manteaux tout-à-fait semblables» — . 

Veja-se um artigo que publiquei, sôbre a língua do Japão, 
no jornal O Século, de 8 de agosto de 1904, no qual me referi 
a este especialíssimo abrigo; v. também a palavra dálmio. 



* Laís de Magalhães, Os barcos da ria de Avbiro, in, Portu- 
gália, II, p. 53. 

' VOI. LXV da BlBLIOTHÈQUE UtILB. 



roroplasta 

K um iieolojisiiio. que Uõclia Peixoto empregou im sua mo- 

logratía intituladu Ah hlariar do Fuadm, tirauilo-o iiucdiala- 

jente do francês eoropiw*te, vocábulo tomado oesta lioíítia do 

rego KOHOPLÁsTÊs composto de Kónos. «moço», e piÁsrfta *, 

fabricante». O siij^iilicudo é «imitjíiiárío de ti>;iirHit de Uarro ou 

.*: — «quando de louceíro o ceraniUita de Prado passa a coro* 

»taâta' — ^. 

cori)0-saiito-de-Pedro-{}oiiviilve2 

Êst« composto polimtJrtico cDcontrase meDciouado por Jitrieu 

te la Graviète: — «ccs lucurs hlouâtrcs et sautillautes que les 

'ortufíais appelaient Corpo Saiito de Pedro Oonsahez. et les 

spagnols Sant-EJmo» — '. 

Nilo sei se vem mencionada por ent^iro a expressUo em 

[qualquer escritor português, mas desigua o Corpo Sauto, ou 

fogo-Sam-Tclmo, a que se refere Camões, noá Lusíadas, Canto v, 

lest. 18: — 

Vi clajsni«nt« vUto o lume vivú 
Qd« a ruaritima tíL-nto ti.'iii p-ir suntu 
Em tcuiiKi dff turmcnla e tento eiijiiirv, 
De tei]i|>eiiti<lu cMom e triate jirunUi. 

corre-caiiiiiiLo 

í-^^a ilha da Madeira é o nome rul^r de uma ave. Anthus 
tririalis, de Liueu *. 



> W. P&pe GRieOHMCH-DRrTíiCHBd WCmTBRBUCH, Braill>TÍci1l«, 1880, 

[t. I. p. 14S7, col. j, t. II, p. «20, col. II. 
» Porlatfalia. r, p. 2-"»0. 

> Lm ANHt.AIK HT I.KH HuLI.ANUAtH 0AN:4 LBH UBRS fULAIRBit. BT 
[VASB La MBR DIW Inogr. ParU, HO'), t.. I, p. U(. 

* P. Ernesto Scbiuitz. I>IB Vúobl Maubikas, 1899. 



330 



ApottUoM íKã Di(io}iãriaa Pariuguean 



corre -costas 

— < chegaram dois corre-costas <)u« andaviím no tícniyo iln 
auctorldaileã na iiraia> — '. É termu braaileiro e desí}(uu lorcu. 



corriqueiro 

Os dicionários dettnera este adjectiro, — « i|ue corre ou cirodll 
lialtitiiatmente; vulgar, trivial'—. Na primeini ac«pçÍo aem i1 
iiííiiiil, nem o vi ou ouvi jamais empregado: no Minho, (xiréai, 
cliama-se corriqueira h pessoa que sai de casa freqtientetaeat».. 



corsa (=eúrfa} 

Ka ilha da Madeira tem êst« nome, ou o de arrasta. * o carrí 
de arrastar, sem rodas» e seriam termos muito aceitáveis jun 
expressar o francAs tralneau \ tralner, «arnutar», qu« já passai 
para cá, com a forma trenó; cS. tnttnâ, ou tremo de trumeeiLi 



corso (=^e6r«a) 

4 

K um italianismo de introdução muito recente^ nome d^ DOC 
rua de grande moviíneuto em Koma: — <aa ruas do r^A>, mh> 
se deliberou chamar-se ao espaço compreheudido entre o loffV 
de Camões e as ruas do Carmo, do Ouro, e Nova do Almadíi » — *- 
Ksta deliberação, que se náo dix por quem foi tomada com 
tamauba autoridade e intimativa, por emqnanto só teve cur><> 



t O Economista, do 1 Ac Mbambro de 1997, «CorrapondeDcU ilo \V» 
d« JftiKÍro». 

* O SsorLO. de 7 do março de 100». 



.isboa, no camaval de 1905. entre certa íjente que pre- 
(le liuu. 1'arece que o termo não pegott, o que oão é de 



cortada 

termo de marinhas, próprio do Aveiro: — «As marinhas 

produzem — muu grado dos criados que desejam a cessa- 

a safra, e tanto qoe nas cortadas do sul da Ília já bouve 

tiva de aUujamenUnf ^ — '. 

;t« aeguiiilu t^nno parece não ler a significayãD uàual. mas 

outra relacionada uom uma acepção especial do verbo 
^ (q* V.). 

cortiça, cortiço, corticeiro 



á o nome da casca do sobreiro depois de arrancada 

Igroudes; cortiço qualquer canudo de cortiça, c não, 

tpo que serve aos enxames de ahdhas. « BhIc-sc o liuho 

a espadela de encontro a beira superior e externa de um 

Iro vertical de casca de sovereiro. chamado cortiço, tendo 

maia ou menos 1 metro de comprimento e O^tS a 0'",4 de 

stro»— *. 

rolão cortiro é «casa de habitação*. 
rlieeiru, 'operário que trabalha em cortiça* e, como 
qoe se refere a essa indústria -, sâo neolojismos, do 
lavenieQto omprê^ío; — 'Tem coatinuado u greve dos tor- 
>5 da fabrica do sr. lUukin. no Alfeite* — '. 



o Br(>:<OMisTA, de 3 de outubro de I8P1. 
PortDííAlla.i, ii. .170. 



Jp«»ír/rip ií«» fPirtonftnin /W/m-jhí»-! 



costume; costuintir 

Conrorme Carlos Kujéuio Correia lia Silva, era 
esU palavra < IríbuLo pago uo rei do I)tu)aié> c fi-.sui 

Costumar, como verbo transitivo, teudo por co 
objectivo uui uome, Toi usado antigamente, u>nio ven 
de Pina: — «Foi algum lauto envolto em CiirDe [o rei 
cuberU úisao custumava sempre vostiduras soltas > — 

Presentemente dii-se cosiumava wtar. 

O emprêg"© todavia do particlpio passivo deste i 
adjectivo, na acepçilo de < usual», perdura ainda: — 
seus armas além das custamadas» — '. 

O costumado, empregada em absoluto, significa 



costumo; trajo, ou traje 

Este vocábulo, que antes se escrevia puMume, sigi 
usauça, hábito*. Muito modernamoute é empregado 
de trajo, ou traje, por galicismo, niío só iniitil, mas 
porque é um desacerto, adquiriu viga imediatamente. 
Deím, Dão só serviu de título a uma colei^v^o de tr^joi 
ses, desenhados por Bordalo Pinheiro com a maior 
o ALiitiu i>E cu8T(iuiM poKTiMiPKZK», raa.H tumbí^m 
classiticar uma coler^ào de hilbotes jiontais com a iu<4s| 
çfto de GmtunteA jMtríto/uettes, Ora, coíiíumes sàQ òon 
moryerados ou devassos; mas nunca tal palavra serv 
nominar traje, c em parte alguma dos dominíos \>o] 
povo entende semelhante nome em tal sentido, oem 



' TmA VIaOKM ao B-tTABRI.KC-IMnSTO PI>RTrai'IW 

HAfrmTA PK Ajiti>á, na cohta pa Mína ru 1i^i»5, I.UUmi, 11 
« Ch('>.mc'a dm Euuiei Do» Aro.fao v. «p. 313. 

> ih, CKp. XXSIll. 



ao$ Diei/márioê Portuguetes 



n%n 



4« escrever na liugiia pátria o empregará. Quem o usa 

;Hlami*Dle deve ter cm ati?nçâo que traje, em francês, se 

me, mau que roakurae é routume, e U portjuto n3o 

liar a confuitilo, que o emprego díèste escusado galicismo 

em portu^iés: — «Ne possé<loiis-DOus pas quclqims riies 

1b eamctértstique de tèle ou tèle grande vile, dea dótaíls 

I «uf \es meurs, les coutumes et les coslumeu d'une 



cota 



termo é dado como transmontano pelo Nôro nicctoxÁato, 

significação de — « lado oposto ao gume da ri;rrameota • —. 

ne puruce que a limitação imposta, quer ao si^nifícado, 

rejião onde o vocálmlo é usado, Rcja exacta. Em Lisboa, 

a minha infância, i^uvi c'h:imar cola h piirte oposta uo gume. 

da faca, isto pelo que diz res]>eito à siguitícaçílo: o com 

h difusflo do termo, vejo que é também empregado em 

pontos, polo seguiute posso: — «A espadela e uma espécie 

oa do madeira, em que se distingue a rútn, o fio ou (jume 



10.— «. 



COttí 



um termo de jiria cidadã, que talvez provenha de propo- 

corrutela do ínglêà cottage, pron. cu('itfjv, e de>ignfl uma 

i»e não ^ a pri^ípria habila^-âo, mas sím outra, reservada 

Hctott wrret4}S, Íih etíCondídaK da família. íiis aqui umu 

pio do termo: — «O rui^ da rua da Gloria é num priuiriro 

baixo. . . tem duas salas exígua.^, mal moliiludas, com 

déCúT» destaa alfurjas próprias para amoroR de ocea- 



nftvoHUurrn, A>! l'i áf iiov^mlíru de 11*05. 
D. Coalho, Inouitria cahbira de riáçto, rscBLAOsai b tix* 
DK «iflirTASOiA» TBíiiH. (fie), III Porlagftlíl, l, p. 371. 
n Ima. .i(! I^ Ue jiinoir» de 1M».V 




334 \Apo*Hla$ Mt Picumârú/t Rnitiffmãea 



cotio (figo) 

Quere dizer <de lodos os dias> j quotidie, e fígurãdameo^ 
«comum, trivial». — «A arraia miúda é constituida pelo «Cotio» 
[figo], que pela quantidade e numero se pode chamar soberano. 
É o figo de embarque que regula por 800 réis a arroba, ao paaio 
que os primeiros [berjaçote, sofeno (?), castelhano e] o beHo 
«Inchario>, por eiemplo, regula por 3000 réis a arroba» — *.' 

cotonia 

Koupa de algodão. Pronuncia-se cotonia, e não, cGtóni\ 
como indica o Diccionabio Contempobaneo; em árabe qutnU. 

cotovia 

Como termo de calão, quere dizer *garrafa>. 

couça 

— *Por couça é aqui [Braga] denominado um morcão [la- 
garto grande] que apparece em alguns cortiços e destroe as abe- 
lhas*— 2. 

couce 

Uma peça do arado: — ^< Noutros typos d'arado em vez dessa 
peya inteira, a rabiça, ha duas ou três ligadas: uma inferior, 
que se chama dente ou coice, em que assenta a relha» — ^. 

Nesta acepção não vem nos dicionários. 



* O Economista, de 5 de novembro «le 18íõ, citando o Jornal da 
Manhã. 

^ Gaziíta das Aldrias, do 2-í i[e fevureiro de 1906. 

3 Francisco Adolfo Cmílho, Alfaia agrícola portuguesa, in Por- 
tagalia, i, p. 407. 



ÁfiO^itM i3M DieumÁrint Poriui/ufêct 



3S5 



coveiro; c&veiro 

Coveiro é indivíduo que tem por ofício abrir as covas, ou 

nos cemitérios, e é palavra qne figura em todos os diclo- 

segundo vocábulo, que se deve diferençar deste pela 

io marcada no o átouo mas aberto, coveiro, é termo 

itejaoo. assim definido por quem mo prestou a informação: 

cabana junto it malbada, onde se guardam os cabritos, para 

lhes ordenharem as mães» — . 



eóvo, eovo, covão; oíivfto; 00^*6; alcofa 

Meyer-Lubke admito duas formas novas latinas cophus e 
\0pha, derívad:is por vía de re^ess&o do latim copbínus, 
rocábulo de orijeni jrrci^a, sondo elas postuladas por certas 
formits populares italianas. 

Além desses dois substantivos devemos admitir igualmente 

lui itdjectivo triforuie, cophns, copha, tTophum, do qual os 

m substantivos citu<Ios buo de ser simples mudança de catego- 

Ka gramatical. O adjectivo a que me refiro tem de supor-ae 

^ara ex]ilicar o adjectivo cúvo, «fundo, concavo», qne se emprega 

1010 qualilicativo de prato na locução prato covo, a qual designa 

Kstremadura o que na Beira-Baixa se denomina /^rt^to yunt/o, 

ao noite prato sopeiro. 

Covo como adjectivo foi empregado por BocAge: 



Esqnentail<i fríji.lo, brutal niHSQUirro^ 
Vagava lif Santari'iu na frtbre feira; 
EU qao tlivisa de lonje eni c'iva seira 
SeQs bane inuAus tten^Hcotí do borro. 



Ao fumenino dóstc adjectivo» cophn, temos de atribuir a ori- 
ím tam disputada da pala\T3 cova, a que se dava a medo como 
timo caua, sem explicar a transformação; como à forma neutra 



336 



Ajiúêtiia» ao0 Iticioiiárion 



eophum m liá de atribuir o sul>sUntivo cMv, meia-esfera d 
vèr^a que serve de gaiala aos galináceos, nos mercados. Qiian 
ao subsUuitivo rOmo, dirtrenU; de ronão, aiiinent-iitivo di* 
tem orijen] no primitiro cophinus. como o cone^pondenti! e 
telhauo citévano (cf. Estêvão, Ksiiban | Stephauus) y o itali 
eòfatto, o que já conjecturara há tantos séculos Isidoro Hi 
lense, e do qual cabanilfu), «cesto alto e cilíndrico > ó um d 
vado, em cuja forma iuãiiíu a }Kilavra cabana, de que ainda 
tiroo cabano, por via de reversfto a um primitivo suposto. 

Vê-se pois que as formas j>opu1areH latinas eophum, ro 
não são já hipotéticas, mas na realidade existiram a par 
cophinuB, no latim vul^r. 

Por outra parte a palavra cofre é de oríjem imediata 
cesa e de iutrodução relativamente moderna c artiticial 
línguas peninsulares, como o demonstra a mudança do n 
em r; cf. pampanus [ pampre. 

Nflo param poré?ii aqui os derivados de eophum, copk 
pois ciistc, pelo mouos, outra palavra que, tendo a mi 
orijem, passou a português por intermédio do árabe; é 
(Ai^-QUFE), que t;»mliém foi parar a França e Itália, talvez 
tal interveuçílo; com as formas couffe e coffa, eo/a, venezí 

Temos pois: 

Grego k6p'inii8 { lat. literal copliínus { italiano eòfa 
cast. r«í'r.'flHfj, port, rôifáu. 

Latim vulgar, rophum. e.opha j port. covo, eóva, 
cueva; árabe qui^e; ital. w/fa, eoja, fr. eouffe, 

Áralie at^ufk j portugutís alcofa. 

Português cfívuo | cahanilho, cabano, cova \ aumentativ 
covão, ocsitono. e outros muitos mais derivados, covinlui, enco 
var, etc, e coveiro, diferente de coveiro, (q. v.J, 



côvodo, côvedo, côvado 

Há multo tempo que este rorábulo no sentido de cotov^loê 
foi por este substituído, conservando apenas a acepção de um 




iss jaotf Díi^ttárim ^ortu^uam 



it*dídu (1« três palmoá, que deixou de ser usada, pelo quê pas- 
sará am breve o termo a ser completauieutc obaoleto. Cõvtjdo, 
casU^lbano eodo, è o latún cubitum. como è sabido, e cwtofêio 
deiDtiiutivo. cubitellum, coin inetiUese da» silabus inédiiís. 
^^viulo na sua |irímitiva accpçilo oticoutra-se, por e:templo, na 
IRMAXUA DO Santo Ctuaxi^ cora a forma covwlo = cfimdo: 
Kntom a lau^nu o mais que pAde e quando cbe^u pret^ da 
fua viu bua m;ío sair do la^jo que parecia ates o covodo. mas 
lõ corpo Dom vUi nada» — '. 



cosin 



Quer como leriuo dt; bordo, quer como vocábulo próprio 
Te teutnis é foxiu de orijem italiana, do mesmo modo que outras 
muitas dições perteucentes a essas duas iiomeuclatunis. Em t«&- 
Eauo corsia, a voxia no teatro, é definida assim por I*. Pe- 
rcebi *: — «lo spazio che uella pl:iti*a d'un teatro ò libero 
Lalle pauohe /bancos>], e piii 8pC'zialm[LMite; quello di mezzo 
'[«o do meio»)» — . 

A forma portuguesa, se nao provêm directamente de qualquer 
dialectal ilutiauu, resultou do coucurso de rs auteít de i. 



i-.0'/.inba 

Este vocábulo e o seu étimo são bom conbecidos: do latim 
\oeina, por coqnina, proveio cozinha, como de cocere, por 
írf, ^c-oser»j que se nao deve coufuudir com cosei' | coosuere. 

Km Caminba, e outras partes do Afiubo naturalmente, a pa* 
tvra rosinlui designa o *fognn da no7Jnha>. 



• Oto Klob. ín € Rbtibta Lusitasa-. ti. p. 34t. 

■ XÒTÚ UUSIOXÀItlO rNITKUdALB UBUUA UNSCA ITALIANA, UíUo, 



crasto: V. castro 



crebar 



Fiáta forma minhota uão é. como poderia supor-ác, meUt 
da usual queOrar, cui& signifíca^ão tem: pelo coutráriu. oaírir 
(feral qiwhrar <* que se deu a mctáteae cora relavio a trc 
mais antipn e mais conforme com o seit éciíuo latino crepai 
conlirmcindo-se a etimnlojia que já se alriliuia a quebrar, O 
por c na sílaba inicial foi mero eipedieut^ orto);rãlico, pan 
evitar a leitura cehrur. 



criar, criado, rriança, etc. 

Quiisí todos 08 dicionários portiijnieses. modernos pflo lueo^ 
escrevem o verbo criar com e. isto é, crear, e, era ronseqbt 
desta orto^nafia, rejistum i<;;nalnaeute ereaãor. ereado, 
creancít. Ôtc. 

Alguns autores distinguem duas séries: Oreor. rr^nt 
rretuhi, creatura, crear/io (do mundo), creançtt por uma piirt«^ 
e criar, cria, erioitor, criação (de ^do), criação (*iiree 
mêstrcaá>). etc. 

Ntmbuina razilo, bisiikica ou outra, existo quo Justifique, 
sequer explique esta distinção licticia: a palavra é tuna úai< 
conquanto o seu étimo seja o latim creare. o focto ú que m 
português o verbo dele deri\'ado é um sõ. criar, qne tem de 
escrito com i, e Dão e, visto que Uiis liu^iajeus rizot 
convém saber, nas que tem o acento no radical, a c^njuj 
sempre com / proferido e nJlo com e: crio, crioM, cria, 
crie, criem. Seria iiois insensato fiibricar irregularidades S] 
tes, que a pronúncia nAo confirma, entre ostas formiu ríxoti! 
e AS acentuadas nas desinéneia-s, escrevendo estas com c veàtaãi 
erear, a'eamon, creai», creeiif, crearào, etc; ou fazendo 



íiid nii csitÍIu lios roílicaii^ rrear. criar, conforme a signiliraçilo, 
ftiari nas liiiguaj^ns ile (It>sitit>r)ria ac4?iitiiiitla. 
Deste modo. a íinien solução é coiiformnr em tudo a ortografia 
>m a pronúncin efectira c que já tifio pode ser alterada, roduziu- 
)-se a iiiD s<.>, eriar. os dois verbos cirar e criar, com todos 
seus dcrírado», afins e fiecsões: ori^uior, criatura, e^unão, 
riança, em razão de rria. 

Devp RílvíTlir-sp ainda que os vocàluilo» crin^o (=^s«rviçal) 
t rrianra nnura tiveram, até lipoca rtíPent*», outra pseriU que 
nflo fosse roíii / iia primeira sílaba, em liarinotiia rom aa correa- 
loudenteií formas i-astellianaâ criado, criunru, (t-riama) • criaçflo, 
lucaçâo>: conquanto nc^ta língua subsist^i a distinção eutre 
tr ft criar, nilo só na oscrila. mas tauiltrm na pronúncia, visto 
|u« em espanhol i> e álono náo adquiro nunca o valor de /. romo 
!nntec.e em portujruêii autes de vojjal. existimlo ali na realidade 
diia? séries, na |iroMÚii<:ia e na es<^rita. as quais se uiio podem 
manter em português por aquela se opdr a tal distinção, como 
viiiií»s: iTfiir, n-ftuU}, rrcnrlor, creulura: criar, criador, CTÍa, 
criadero, crianza, criado, eto. 

('om / se escreveu sempro tambóm criação, no sentido de 
•aves dom^ticas do capoeira», acepçfio em quft vemos o vocá- 
bulo, conquanto ernincamente escrito cora e, no treclio sepuintc: 
- — «A rreav^lo tom sompre papel preponderante nas receitas do 
nma exploraçAo rural* — '. 

l)si termos rrimlo e rrtatla modififiirn-se no significailo. con- 
forme a localidado. por nieio de upítet^fl; por ex.: criath de 
dentro, em Coimbra, criada de saltt, no POrto, correspondem, 
pouco mais on menos, ao que em Lisboa se chama criniín de 
qunriívt, jstn é, < criada que cuida da limpeza*. 

Criado df acMnjfanh/tr vemo-lo enipre}j:ailo, com relaçio ao 
»écul«» xvtiu por António de Camjtos, mus mal eacrit»: ■ — «e o 
faUn crfndo de ammjtanfuir, como então se diria» — . 



» O SBCfUJ. de 23 ilc fcTírehro Jo líM)2. 
I* O Marqitkx UB fnMRAi^ III <(^S«i:n]ii>.ili! U ilf lUutnbtoda 1899. 



Keaear, porém, que se conjuga recreia, deve escrívti-M 
com e. 

cristaltoo 

Esto adjectivo, uAo como termo poético, mas cm pro^ ^t' 
DÍfícando «de cristal», foi empregailo por Aolònio Francií» 
Cartlim, no livro Hatalua» ha Comi'\nhi.v de .ÍBatm: — >Cop«. 
cristalinos de Veneza^ — '. 

criveiro 

Êisie substaulivo, designando o * fabricante de crivos e p»- 
neiras», não está rejistado nos dicionários, mas faz-sjc dêle menfio 
no seguinte passo: — «Estas ratoeiras sAo feitas poios criíej' 
ros. (iiie 83 vendem na praça peloit respectivos preyns de HO 
e 100 róis-—». 

cubículo 

No sentido de «cela», «quarto de dormir*. couTorinc o sn 
significado eui latiti), vé-se no trcclio segnintc das Hata-lhas 
DA Companhia de Jksus páj. 2á2: — «qnatrú cnbiouloâ e an 
refeitório» — . 

cubrír. cuberto» descuberto 

Este verbo é usado no distrito de Br^auç» com umu sUo- 
tasse especial, como se pode ver com os dois exemploti que voo 
dar: cubrír o chapéu, ^cubrir^ (com o chapéu), pflr o rfaapéu 
na cabL^ça ► ; cultrir o aipoie, > cubrir-ae com o capot«, embro- 
Ihar-se uele>. 



* J. Piabú, ETIINOORAPUIA AXARAXTtMA, A Csç». ifl rortttgAll*. 



Sf^siu últiroa siotasse usou José Maria da Costa e SilVt o 
rbo cubrir. oo último verso do poema O espectro ou a Ba- 
)NB9A DE Gau, paráfrase do HEnNxi- FnAscès: — 

4 ILijiiJra CDl>rc o manto, o reUron-ne». 



Do imperativo Áo verbo cubrir forraaram-se vários gabstan- 
TM compostos, tipo muito peculiar das líii^ms românicas e 
ii^tt vitalidade ainda perdura, como com outros muitos verbos, 
or PI.: tfiuivíiar. que »leu guarda-porfun, (fu-arifa-roupa. etc. 
Lma de&sas Ibruiações, que uio foi rejistada, ó a seguinte» 
itada DO Ceará: cobre-peiios, *coura de que usam os campo- 
eses ofi matutos, especialmente os vaqueiros» ^ É feita de 
ouro. 

Em Liiiboa faz-so um doce da casca da abóbora branca, cor- 
a em tiras e co7,ida em câlda de açúcar, a que nas confeita- 
as 50 cbama ahófHrra eubcrta, «de açúcar», entende-se. 

O termo ntherto, uest-e sentido, parece que se generalizou 
m várias rejiôes a outros doces, pois era Aveiro se chama doce 
ilencithprto aquelf -que não è polvilhado de açúcar», em oposi- 
ção a cuIh^Uí no sentido indicado. 



cacuiadn: v. Guquiada 



ciidar 




^^^ 7^08 Açores persiste esta antiga forma, altítropo de cu 
^Mor 1 cogitare: cf. chuivu e chtnHi \ pluvia. 

" CiiU ou rulc ili-ví- flm portufrups ser a escrita desta palavra, 
muito couliecida na Ásia. iitiiiii^ailauifnt^^ no ArqnipiSlugo Malaío, 



ia Cbtuii e na índia. O estimo i^ inctiiio. ]toiã aa» Úmm m w 
lil kãli, «soldado», ontroa o turco íol oa l-ulet *tscn\6u 
m f> nome étnico koll ', Tav»» f>ii povo. no siil da índia. A »• 
ritii coolic é tngleiiada, e, peluii indicíivOíiiã da possível orijem ^ 
loniC; desarrazoada em outra lingua que uÂo seja u b^lt^ na 
qual 00 tem o valor de u. 



eulibeea, curibeca 



feTeDllUln d'eUes, que saibamos pertence à seita dos c»í»- 
„ sabem os leitores o que são os ruJihftuts, a respeito íw 

^guaes a insistência em os taicer influentes e poilerusos nu aniiih»! 
los governadores de Angola, seria asiguerosa, se não fosse ridi- 
[cula-^ Pois são os pacatos e comedidoã membros d*uma a.«ioeiaçiu 
chamada Oreuio Littebabio de Loauda. . . 

Qual seria o governador . . . que se julgasse mai^ se-_ 
|£uro tendo o apoio dos euribecas do qao aâ svmpathias d^ 
í. Thomé?'— ^ 

A forma correcta há de aer curibwa, « nftOi ntUbtra, se 
rpalavni é quimbunda, c-omo parece, pois nesta língua ^ ha 
l&uteíi de a. «, o u, sendo substituído por r brando antes de 



cumcnm 

O Nõro DiooionAbio dcfíuc êsle vocábulo du índia Vot 

tuguesa do modo sôífuiute : — ■ desbaste c èorte de ãrvr - 

*arece uào ser exacta a definição. MoDseulior SebaMi;! 

Dal^ado tradux a palavra concani kitmeri por «boucha», u 

.vocábulo o me.snin Nrtvo Dkx;. decljra-n provincial f alribui-ll 

'como signifícadú — ' mato que so queima para cultivar a 

que elle occuí«iva« — , 



■ Ycja-ae Yulo & Burnvll. A iiUiiiSAitv uf ANUi.o*liiEtlAV wui 
* JoiíNAU UAá dUMUhM, ác 2i (Ití julW ik 190Õ. 



F. X. KruesUi Kernõudez. na sua monografia intitulada Rs- 

DO »AU AOKJUIY B ALPA>'DS(»AS »Â IXDIA PúRTUGUBZA, 

tine eumffim da seguiutc forma:— «í o camp«) da (.nilturii de 
furatui prepanido com a dissipação da matti e adubado couj 
lia de arbustos do mesmo terreno ' — '. 



cunca 

O lormo, que tem outra forma, conca J latim coDcbu, sig- 
íca cm Camiutia <lijela>. 



cupa 

O Novo DiccionAhio diz-nos 8«r o nome de uma plimta 
ítrusileira. Rm Goa é nome de uma qualidade de 9X.h — «Âiuda 
!ia uma outra qualidade de ^a\^ leve e liniíiiitimo, derioiuiiiHtlo 
CMpá, de:ítiiiadu e^iclusivameute para o tuercado de Boinbaim. 
Btv obtum-iie fracciouaudo 08 Uiboleiros em |«i)ueuus dubdívi- 

cuquiada. cueuiada 

Ksta palavra foi rejistnda )>úr Hlutvau. com as abonardes 
ídcvidoít: — (Tt-rmo náutico da índia) Uerio humu Cuquiaila, 
[que entre cUes be appellidar terra por uma denotação do voz. 
larr. i. Dei*; foi. Hl. col. 1»—', 

Kranciafo Adidfo V.Vlbo defmt^a do modo seguiute, aem ci- 
autoridude: — • T. anL Voxes com que uu ludtu se cliaiU&rfti 
povo ás armas e que eram propagadas pelos pessoas que afl] 



< F. X. Rni*>!ito Kcrnonlcz. KuoiMiaN DO hal, ahkahv tt ALrAK- 
^jfaOAit KA lKr>iA |*OHTrnnK7.A, ín «fitU-iitii lU S^idtMlaiIe ò» (íi!Hjgnithu 

* VOCABITLAIIIO roRTt-IttlKX B LATIRO. 



ouviam. Vozes com que no alto mar w anuoriava a approii 
çào da terra. Fig. Gritaria, vozearift» — *, O NOvo Di 
repetiu isto mesmo. No Siiiilemenlo porém dà como preferivd 
escrita curuimla, e como orijein do vocábulo, que os outrM 
mencionaram, o tamil kuXkaia, que nos não diz o que á^nú 

Na edÍç>ão das Décadas da Ásia de Jodo de Barro», feita itf 
3." quartel do sdculo xvin (i. Livro vii, cap. 2). e portanto 4» 
menos fé ijue a que foi vi^Ui por Blitteau, lômoii. nSn obstantl. 
a palavra também escrita com qu, sendo provável que, » t 
pronúncia que se quisesse indicai' fosse com m proffrído, «k 
houvesse sido ortogiafòda com ett, e não com qn, «in qualqusr 
das edições. A citação é: — «acndio tanto gentio... por tza- 
zerem entre si liuma maneira de se chamar a que elles clianuB 
Cnquiada' — . 

Gaspar Correia, nas Lendas da Ikdia (ri, 2, 26), esíTetPii 
cucuymla, e esta escrita não deixa a menor dúvida acerva dl 
prouúncia que se llie deva atribuir cu~ru~Íâ-(ta : — «e o Cú- 
mal.. . mandou dar suas fritas, a que chamam cucuvadas*— . 

Se a forma aicuiada é a certa, a etimolojia proposta por 
Yule & Buruell ' tem todas probabilidades de ser eiacta: 
k&kkuya na Uu^Lia do Malabar, signitica * bradar • {to cry oot); 
conquanto o suScso -ada nAo seja explicável. & falta de am 
verbo cueuiar, que nÂo consta eiiâtisse. e sem o qual a com- 
paração que os abalisadoa indianistas fazem com crkada, df m* 
«puuhaU, não convett^re. pois nesta formação o sufic-so inclui i 
ideíi de «golpe», como de faca, facoíia, e pressupõe um étimc 
portn^ès imediato. Os nossos anti^ros escritores usaram nesti^ 
seutido o verbo aj/upar, «bradar chamando*, denominando &ím 
brado njr»/w;^* pelo que, apupando to<lo8 )»or diversas 
tes • — ^. 

Se porém a forma exacta é mquitula apesar da afl 



I DiCaiONARIO MAXnAf. RTVHOlAmiCO Dl LISaDA PORTTairi 

' flittúriu In^jioiíiaritiiiu, i'n ItittL. uu ci^AiMicua fort., L xl, ] 



de JoAo de Barros, e da alirroa, U? Gaspar Correia* 

o Tocábalo poderia ser portugtiés lejítímo, por<)ue pelo menos 
tm tnais ama lin^^a roínãuica £le existe, e para essa não po- 
deria vir da liulia. tiui proFeo^al ronquiado, e sal)e-»e que o 
itono é a terminação feineuiua nos muis dos dialectos da Pro- 
vença, nmqaiaão, digo. qtiere dizer «cotovia», ein francas m- 
chevis: cf. cJutmartz. uome de are. h de um artificio para chamar 
03 aves, e cuja orijera ó sem dúvida o verbo chamar. O vocábulo 
couquindo está abonado com um verso da Mírèio de Frederico 
tf is trai: 



— O Vinc^n, iii f^i/yhb Hírèio 

D"entit'-mitan ti víírflí Ifeiu, 

P*»í«es lítii viU;, yue! — Vtnc«m't toulnVan-lèni 

S« rerirè rcn lii pbintiflu, 

R, 3tiA an Aiiiuurié c|UÍhA<io 

CoDiac uin; jíhju couqoihaiiti ' 

Deíftonsnuí; U chatonno, v it* \va\h, coontènt. 

O glorioso poeta provençal numa nota a este verso acrea- 
snta: eouquihtulo. (cochevis, alauda criMaía. Lio.). 

O meiímo poeta, no seu monumental dicionário provençal, 

liitulado I/iu TiiBHOR tH')U Fki.ibriqe, aduz as «ei^uintes 

formas do mesmo vocábulo, conforme o^ vários dialectos: cour 

tiaiadOf conquilhado, cncuUado. rur-utado, rourouindo. e cu- 

gullada (cataiiío). côijujada (caâtelbano). e dà-lbe como étimo, 

que é evidente, couquifui [...knj, latim cnculla, cucullatus. 

Cita Buflbn, que empreitou em frnniês rofiuiVadv, vocábulo 

(ue Litiré admitiu como t«rmo de caça. correspondente a alouette 

íuppée (9p.). sem mais deSniçáo. Dem etimolojia. 

Xo PicHOT Trksor. dicionário prorençal-francês, de XaWer 
le Fourvières, vem tambtim amquiado, com o correspondente 
rances euehevis *. 



1 Pari», IKBÍ.Cwitoll, 4. 
« Ariftlifi.>. \WÍ. 




316 ÁpoêHku ao» Dkiohárioã PortHffuesea 



Vê-se que estas formas eouquihaâo, r.ugullnda, e cucuiado, 
poderiam ser análogas às duas abonadas portuguesas, cuquiaàa 
e cucuiada. sem, que estas portanto houvessem vindo da índia. 

Por outra parte, a coincidência pode ser casual, como tantas 
outras. 



curbá 



Em São João Baptista de Ãjudá é uma selha, que serve de 
medida para a venda do óleo de palma, e cuja capacidade é va- 
riável *. 

curral 

Como termo local, vem perfeitamente definido este vocábulo 
na monografia Aa <Vill\s» do Norte de Pobtug^al, de 
Alberto Sampaio: — ^^ na serra do Gerez os gados dest-iuiçara de 
noite eiu nirme!-', glebas ceiTaduri de ])aredes, que só produzem 
centeio; cada curral tem uma cahnna, geralmente redonda, para 
o pastor dormir e cozinhar»^-. Cf. curralorio, em chiqueiro. 



curveiro 

\a FigLieira-da-Foz dá-se este nome a um ^ remoinho de 
água no mar -. 

varava 

líluteau. que só no Suplemento incluiu êsíe vocábulo, es- 
creve-o com s inicial, saraçd. e deíiiie-o assim: — < He hum 



' 1 ';irlii-! Euii-nin (íurreia il;i Silva, Tma viaííbm ah rhtabelbCimexto 
puiiTriíri:z dh S. João Battista dií Aji'dã eji l"^tJÕ, Lisboa, lí?tJl!. 

^ hl Purf u;r;iliit, l, |i. I li!. 



de panuos, que vera de (7aho-Verde, e do MaranhAo, 

como chita, e seriem de oobrir bofelest camas, etc. 

riatncDte são pintados de vermcllio. Os da ludia sâo iiin- 

Ip iiejfro com hordas vermelha:?, vem do 8. Tbnmé e ser- 

Portiiguezas em liij^r de maatos; ba saraça <|ue ciuU 
njil reis- — . 
iDsrren na fiit«gro, exactamente porque a detiniçao nos 

YEíes se afirma que as Cf^ruçjix, qne pela descrição 
uidiam an que hoje diríatmw cuhn-taa, procedem de 
Toiué; notandu-âc pon-ui, que silo usadas uo Ura^til (Ma- 
») e na lodia. Ora, i>on)o em Cahd-Verde não boure 
lin^'ua vernácula, ou este nome foi do reiuo para lã, como 
ra as oiitra.4 rnjiw.H índiradas^. ou a orijem do tenno é da ludia, 
I mabt luUmt^uLe, asiatira. jxirqii^ lirasiWíro mio pode ele ser, 
lo que os indíjciiaii das terras de Santa-Cruz ^ fabricaram 
ri(lo:f de pêuaã de aves. 

, Em malaie existe o vocábulo mrasa, o qual designa um te- 
de itl;;odilo *. 

»ce (Mirtanto que o termo é malaio, ou de qualquer das 
1» d» Ásia. que paríi malaio p;tssasse, como tantos outros; 
seguiu tMiiientí-' a escrita portuj^Ufsa tem de ser com ç, e uão 
f, visto que o .1 dos nomes asiátic4>s, como o dos america- 
's«mpre foi pçlím nossos auiore-s trsnscril/) com r. Kslu 
rrila c oryeni sío confirmadas pela lonua oastelliana rariira, 
pindo a ortografia moderna zarasa, vocãbulu que o DicÍoniÍrÍo 
Academia K^ponliula * deliue aHsim: — «Tela de algodtín muy 
cba, t-an tina como la liolanda y con list^as de colores ó con 
raí c^lainpatlas sobre Tuudo Idauco, que se traia de Ásia y era 
intimada en l!)spa&a> — *. 



L<H>iido Ricliard, (teirns dk r.A ij^xoitr mauaisb, Hunlétu. tã7*i. 
|f. 117, c<il. f. 

fUl/> ortit;.! fui .iiTrMwnUdo, 4 {wr ÍMo estÁ farn tia orduiii iiU'iibt'Iíai, 
i'l*frU- ri'^ Iii-iii.i- /'/, V.). 



3-I-4 



ÁpiMtU't» ftm ItioiouÃrifHi PtirtuBuaa 



dacoma 

— -As raparigas usam uns lirincos gniuden de mi 
chamam daconui* — '. 



daião, adúâo, d<?Ao, difto 

Daião ó díi-ectamcute derivado do francêa f/oj/ra ('^ 
antes, fZoiê>, o qual procede do latim ãccanus, qui* «m 
deveria ter dado r/e^õo. OoDse{;iiiiiteiDent«, a fornis 
f/<'flo é encurtaxDeuto do outra iiittírmi'dia, tleiàn, a 
coutraiu ein diào, que deveria ser a esi-rita portugut 
pior (q. V.), 

O a de adaião é difífil de explicar: — • á vista de 
celebraram os esposoiros cutrc R)-reÍ o a Uainha. naD 
um Daião de Évora, que servia a Kl-rci do seu físifo 

dáiniio 

O Xavo DicoionAkio uâo marca o areiíio neste 
c-omposto jiipoDÔs, o que, sep^imdo o sistema de ar«Dtui 
fica nele usado, quero signifirar a a)íf>ntu:i\'âo ánimio. El 
tua^-Âo ptiréui H errónea. A vt^rdailelra em japiutPs r ,U't\ 
quaudo muito thimiú (dai^miyan). 

Com|)ÕB-:íe o-sta palavra dissílaba de dai, «grande* e 
(n\iô), «excelent*», e no composto o acento tíínico é at 
u sílaba mais longa, a qual é a primeira, por conter di 

DtUmio era o titulo que compotia a um cabo de^ 
cujo rendimento anual exceilesse dez míl cwos (róhii 



* Jornal vás Cor^.NiAS, dr IS ,1í jnllio <Í-' UWS. 

* Uai lio Pina, OitóxiCA de Kt.-nist Dom Akosbo v, mp, 

* r. Êtúi>b ruoNfrriQUB db l* laxoub japonawie, Ur 
81-H. 



Apastitas aoã Didonárioa I^frttégufse» 



349 



|ne a rii|a«za <le cada um, bem como os proventos, tinham 

uiiídailfl a <tiiuntiilade de arroz a qutt montavam us suai 

idas. Os dez raí! cocos da arroz, pi|tiivaliatn a ans vinle e cínc-o 

de réis '. Atõ inuito reeiiatêiiiflnte os funcionário» públicos 

pagoB, pelo meuoâ uominalmeuU', em arroz^ uo .lapão. 

Este vocábulo 6 de introdavi^o roc«iite em português, para 

le veio pur via inrlirecta» provavelmente francesa, por iiiter- 

)ii) do^ iH^riódicos. 

Oi vocábulos japoneses dt; ímportaf&o directa silo poucos. 

iimLre éle» h/msé (q. v.), biombo, bomo, catmia, cfiávena, 

fe)imáo, ikÍnvtno).fHtu\ c poucos mais. Biombo^ rniana A/, v,), 

Itrorum no tesouro comum dn líti^ua; quinxãii. <ln f|Uiit. por 

léncía de qtieimar, é variante a forma qnehián, é ainda 

lo no oripniu. e mfsnm na Africa ítricutul Porlii^Miei^ii; botuo 

emprego muito restrito, rontiuuando a designar -frade bu- 

'»; funé (q. v.h < navio >, só foi empregado com refei'âncía 

Japão *. 

l Objectos que do .Tapílo importámos, mas sem o uonie. são 
[«japona', femeuiiio do aiijectivo jopãn, ■«Japonôs», designando 
inna espécie de <jut]uetão> ou < camisola'; a capa-(le~chuva, 
f^or^çf* (q- ")< ixifii'".'^*, i'*ip'i piiUiira. (|Uf! tantos nomes tem. e 
. que em japonês se diíuoiiiina hanm-ÍráUujtfi, prouuucirtdo hnma- 
iíaiqia; convindo uotar que a palavra kappa. é portuguesa. Outras 
palavras portuguesas, que deixámos uo Jar*ão, sio ]tan, «pâo», 
/íku, 'Uibaco>. beràdu, «veludo*; e {Mucas mai^ serão. 



dala 



DiccioN. CoNTEMPOH\N!iO dá duBS acâpçôes a este vocá- 
lo, que parece de oríjem germânica, do baixo-alemào. pro- 



.f. Hoftuann, JArAAXSCHR SPRVAKi.nRR, líí67, com tinia rcníXo 

* Antv.nio Pr»nrtMo Cunliiit, Batalhas da CourANUiA dis Jbsiís, 
1S9I, I». h-òvU. 



vávelmeute. Gomo termo de bordo, dix ser^*cdlbiL udjaoeutv 
uimalba do uavio, para dar razão á agua* — . o cotn si^nitícaâi 
mais gorai,— *torrono, caminho entre nioiitatilius ' — . O iNô»( 
I>iou. diz. pouco maiK ou menos a mesma cousa. Na última ac 
i^Q é o íni^lè.s (lale. suec-o tia!, (i'ale»; e oAo ê natura) que 
dois si<^ni ficados SBJam dtí um sii vocábulo i^crmánico nrijiuAnoJ 

Xáo ('% pooím, ncnljtinia dfstaa aiírnifimvõ*'». já dadaa, a príj 
meira das quait) lora u{ioiiLíi<]a por Hluteau ', que eu vou 
signar aqui, mas 8im a(|iit^la qUK tt^m rio Põrto, convêm saUa\ 
* mesa de co/iuba. com tabuleiro de pedra, ou lousa >. Neste âi 
tido parocc &er o frauccs dalle, «laje*, a que lambem se atribi 
orijem germáuica *. 

Kmquauto investigaçflo ulterior níko demonstre pertencei 
è.sles trt'3 siiriiificados a um si» rocábiilo, de que sejam deseiir< 
vimeiito ideol.tjico, ilevem Cdes t**r iiiscrii;6t-í «cpHradii'^ \\n,% dicit 
u a rios. 

d and a 

Termo da África Oriental Portuguesa, que no Jornal 
Colónias, de IH de jiilbo de 11K13, vem assim definido: — t 
queuo trapo com que [os iietiros] tapam iw partes» — . 



■laroez, daroês, daruez, darviz. darvízjo, dervixe, dervicbm 

Qualquer das três pritueii-as formas é lejítiinameute portu- 
guesa; dervicke é que ninica o foi na pena dos nossos escritoras,] 
que de perto conhceeram esses frades mocelemanos. 

niiiteaii, citaudo Godinho, Viagem dà Udia^ adut as 
tlarvii, (larvisM, com remissAo a d^roit, onde nos dá mnitt 



1 Vocabulário rORTUonsDS a latino. 

> n. Sti[i[»PT?. DrrTrOKSAIHR fJTXOPTIQtrE D*ftTVllOU>OIR PX«X-| 

Çaisk. Piiris. n.* :iOi>'2. 



Apoítiliu noa Divionát^ím htrlt^utjata 



3^} 



io> que }jurece preferir, abonando-se com a Histobia Umvkb- 
kL de Frei Mntiuel dos Anjos. 
Nilo teiibo à vo.^0 esses dois autores para me certificar se 
.assim escreveram o vocábulo, e se, como suponho, o U ali 
u, ou, pelo contrário, v, como lUuteau o interpretou. O que 
>i é que 3 foniia portii}»nesa anterior é ilaroes, on ilarufis, so 
(nUerpm, que representa a urábica-|>ersiana iiaKtux. A forraa 
lervivhe foi tomada do francês dervir.he, que deve representar 
Monúncia turca do vocábulo, pois é em tarco que existe o v, 6 
lAo em árabe, ou persiano. (Juaiido mesmo, porém, se adoptasse 
prouúuciu turca do vocãimlo, deve ide escrever-se com a?, 
'^vixe. e nâú com fh, que é transcrição francesa, mas uHo pe- 
ninsuiar. do xin do respectivo abecediirio. 

Modernamente restabeleu-se a forma portu^esa dantes: — 
t«in a Turquia t>s seus danie7.es» — '. 

AI>oria>;ues do vocábulo sáo, por exemplo, as seguintes: — «bom 
fiel daroez — darooxcs da casa de Meca» — -. 

data; dádiva 

K sabido que este vocAbulo è ura latinismo, o particípio 

issado passivo do verbo dare. e quere ]foÍ3 dizer «dada>. Com 

Çeréucia u tempo substantivuu-so data. como em ciístelbano 

íeil a Jtfha, forma anti^ correspondente à moderna kecluit 

I de hiH-et; como frrha o era de Jacer, corres- 

íi') facta de facere; ueubuma relação tendo, 

10 poderia tiu{iOr'Se, visto dizermos fecha de carta, com o 

hnr. ou <-i substantivo yí?c/(o, que são pestulnra e pes- 

1 ....... JQju galego i>echar, pecho, diferente de pe- 

mo, de pectare, ■ pagar >, latim bãrliaro muito 



I' EdaciçSii e Ensino», IÔ'JÍ, Do EãPiaiTo oxs okdbxb 



Uz Piíito, PbhrorinaçIo, i-Ap. zxxi e i.ix. 
, DicciosAitio Uallbgo, Burcoluna, lS7»i. 



362 



Afotlilut 409 Dicuntãrw Purlngut^ra 



freqíitfute ua uos^a autigu lejislaçÃo, bem com a sva forma |m>( 
tugue!Ui peitar, peita *, que Ibe correspomle. A fnnna p 
portut;<icsa v tumbém castelbauismo, como já »>ifertiii Vit^rlw * 
quer síguifii|ue 'p3^a>. quer ■ defeito >. 

O vorábulo ilaia, além du ace)i^%'io apontada, tem outras, quéj 
também ita relacionam oom a signílicavào primordial de •coonj 
que sf liá •, coruo ae pode mr no CjNTKMi't»tt\N"Ej: — «datadíl 
aguarde Iwtetões, de impropi^ríos» — e ainda— -porçio» dost'* — 
sendo ósto ultimo o vocábulo gre^^o d6sis, qne significa «dádiva*. 

No soutido de * dádiva' vemos empregado li/ifo. nas Uata-j 
LHA8 D\ Uoui'Ayuu CE Jksus, do Padre António Franc^í 
Cardim — ■divertiu da data» — *, «tocusou a dádiva». 

A forma úúãiva, à qual Frederico Diez * atribui por êlimn 
latim dallua por donatiua, com mudanr-a de acento da 2.' 
para a 1." sílaba, ê pelo povo proiiuuciaila dàvita, ou por ÍD-] 
fluáncia de ãicuUi, ou porque Beja esta a Fonna orijinãría di] 
palavn. qitc UiiibèDi existe em castelbano, e portanto com oul 
étimo, por einquaiito desconbecido: ou porque ua realidade se d( 
uma metátese das iuiciaís daj sílabas postdnivas do esdrúxul( 
como acontece ua deturpaçAo vulí^ar dithfoh. por iliúlogo, eni 
razilo de ao ouvirem mal as duas sílabas átonaa de um vocâbula] 
douto, que o |K)vo uuo sabe ideutiScar com outro da sua lin- 
guajem vemúculu. 

decorar, de cor; decorar, decorameuto, decora^*3o 

O verbo decorar tem dois »Ígnificado<i euteírameute diiítiuto^] 
aos quais correspondem étimos diversos, devendo portajiio St 
parar-se uos dicionários em duas verbas diferentes. 



' Santa K jsa <lf Viterbo, Eluuida&io. 
■ ib, guò vnc. peohoao. 

=> LiaboB, 181>4, p. Uõ. * 

* R-rYMOiAfíiscnBB Wò^torbitch dbr bomaxischiOs 8prach«3 
Bonn, IHHf, u, ti. 



o primeiro, na liagua antiga údÍco, provém da expressão 
'«r de eôr, quer este cór seja o latim cor, cordia, «co- 
, como até multo râceutemento se afirmava, principalmente 
te llie comparar a expressúo francesa par crcur, ou a inglesa 
rt, qne parece tomada íi letra do francês; quer a locução 
tur, cuâtetliana de coro, proc-eda de se iijireuder de memúria 
ourir re(>«tir por muitos uma leitura, um preceito qualquer, 
o opina, se uúo e:<tou eugauado. Rutlno Josc Cuerro, com 
ita probahlidade. Couârmaçâo deste modo de ror seria o se- 
te passo: — «y a los que saben escrivir mando que las escri- 
e wpRU de coro» — *. 
Efectivamente, sendo corde o tema da voz latina e derivau- 
e dele acordar, discordar. nt>te-se« e recordar, que equivale 
piusar peta mem<^r)a>, é uatural que, a provir de cor, cordis 
uyâo ãe cor, de coro, ela fosse de corde. Nem obsta A 
tílojiu proposta a perda do o final de coro em português. 
t|ue a expresstio castelhana de coro, hoje substituída em 
por de memoria, não |>ode ter orijem diversa da purtuguasa; 
r outra parte Gil Vicente empregou for por foro, caste- 
fuer, por fuero, do forniosiitsimo Auto i)a Alua: — 

Diahc — AiniLa i aio pêra a mortv; 
Teropo liá de «rrepvndfr, 
E ir ao ceo. 

Poode-To9 & fur da claiú. 
DotU Mrt« 
Vira To«io parecer. 
Qqc tnl oMCt}. 



B p088Ívc'l mesmo que o francês jtar cteur seja alteração 

ca de par chtmtr, «em cdro>. 
Outra hipótese é ignalineiite plausível: uma fornia latina po- 
Miar for, eoriít, por cor. cordis, daiia orijem uo ituliauo 



* «Carta do Padro Mcrtre PranciKo XaTÍ«r a*» Inuiot Ac lti>ina>, 
m VtMAM DOa Jbsujtau so Oiuhntu, Lúbiw, I99i. 

t3 



ruore, ao francêa c/F4ir, ao portiiguèã eúr ', cssUlhsttO 
«coração»; e a locuçio de coro castclhaua seria outn 
contm, como fuer, píirtugaés/íír, é o latim /oruw. 

U segundo siguitícado do verbo decorar é •ornar*. * 
cede do latim decorare. qoe Já tiufau a mesma si(;aili<^;j^ 
como derivado de decns, decòris, «enfeite'. É voúbalo d* 
orijum ariiticial. relativamente moderno na líniTiia, visto qu 
Bluteuii o uilu inseriu, conquanto incluísse no VwAaiM.iRix o 
substantivo decoro, que, diga-se de paasajem, se deve proouficÍD 
decoro, c nào decoro, visto ser vocábulo erudito, e en 
lermos decórum e mio decôrum, o que já adverte o Supl 
ao ^'Ovo DiccioNÂRio, comparando Colina, palavra douta, csiBi 
forma, de orijem popular; deeáro acentuam Uluteau, l(oquet^«tt. 

O substaulivo de acçiio e resultado, derivado déãte vert 
decorarão; todavia José Leite de Vasconcelos usou 
mento: — «O decoramento do palco precede sempre a cl 
do actor » — -. 

Equivale aqui d^coramento a cenário, italianismo, e Mj 
que os franceses chamam décor, palavra cujo emprego em 
tugués é iraiícismo escusado e moderníssimo. &6 empregado^ 
quem qiiere linjir que desconhece a língua du sua pátria, e 
rulnifute Ibe atribui pobreza, que ió existe |)ara quem a 
estuda como deve. 



defemlcr; delivrar 

Quem hoje empregasse este verbo no sentido do frued! 
dêjendre, «proibir», seria apodado do gulicista; e todavia nem; 
mesma acepção a palavra é pelo menos tam antiga era pM-j 
tuuniHS. rnmo a Cri')sic\ db El-kki Ohm Ai^oxso v, de Rui 
Tina: — «alguus requereram ao Infante licença para aindA Ihetj 



» Gil Vicente. Arro da LcbitíIxia. 
■ POATCUAI. Pae-UlSTORICOt p. 10. 



no oncalço, mo^ o Inlaote o não consentiu* antes llio de- 

Icii, dizendo que os leixassem ir embora»—*. 

Outrn tatiti) «cont^ce com ddivrar. que o croulsU einprpga 

10 «t>nti(lo iln dtUvrer francês: — • Dormiu lil-rei ali a4|iiela uoito, 

so outro dia alejrie o contflute se tomou a Pena-Fiel, e trouxe 

}iiíea o dito conde, cnja ^tiardu encomendou ao conde de Penelus, 

lUtt o leve emquanio mio foi dclivrado^ — *. 



derrete 

Ksta forma verbal snMantivada tem um significado muito 
ísp*>rial no Iin^r de Nossa Senhora das Mercês, concelho de 
íiuira: — < Pelas 3 horas da tarde comevaram cbegaudo as mo- 
}, que 8c disponham a tomar assento no tradicional muro 
lo derrete, esperando ali os seus convernaâos ' — '. 

O 8!^iifira*lo ^ * namoro ', •galanteio>. 



desastrado, desastre. (des)astro&o 

O NAvo IIktioxAbio e o seu Suplemento corrijem o adjec- 
ro de^ash-ado em desctiraâo. a que dfio por étimo e-tCro, 
Ict^ando. em favor da correcvJio. desesirada no Romanceuio de 
íarrett, de^^eMvado e dei*esiraíTumlo em rrauc-ísco XfantiPiI do 
iascimRUto. Xunhaiua abonarão mais antiga apreseutara. e o 
'Tat^to c que nem estas duas, nem outras modernas quo so 
fudeMom aduzir poderiam df^terrar a foiína dt*.^(uttrado, única 
por Bluteau e aprovada- pelos lecsictjtrrafos portufrueses 
«sttriureít a rKte, o inaiur de ti^tdos, (|rie subordinou o adjectivo 
ir/rarifruilo a tiHro na detiuição que deu: — « lufelíce, e em certo 



* ap. «TV. 

* (b, e»p. cr.xxx. 

1 O SaorLO, •[« 23 de oatubr» Oc 1905. 



0. 



odo Desfavorecido dos Astros, ou âcm favorarel EsirvIU*— . 
étirao que repete em desoiftre: — *J)es negativo. . . A outn fk- 
lavra é Astro, que quer dizer eHrelh, e assi Vestutre tiw- 
jorá dizer ^íetn ettrelh* — . 

} E:ita etimolojiii uinda nílo foi desdita por etimdlogo <n vh 
raauisia algum, e é coniirmada por outro :idjecti%'o donruiio Í» 
a^íro,astroso,*\ntif\h*,t»^io em casteJbimo '.como om portupií^ 
e cujo derivado negativo <le>ia^trosa è comparável a deein^uitiif, 

esmazelado, desabada, e ao popular tlesinfeliz, por inftUi, <a 
que o preficso dcs, com aer (tejorativo. nilo implica a i4ei 
oposta à que é expressa polo vocábulo a quo so juuta. 

Ãa abouações moderuaa de Filioto e Garrett basta roa- 
trapor u a>>ona^-ão antiga de Gil Vicente na peça O Vklho im 

bta: — 



Os iiiaiN tem Ijtui dcsastnidu— . 



É ela suficiente para provar que a fnnua deHeMrado i ua 
iifraquecimeuto posterior de RÍlalia átoua, compartirei afantetit 
lor fantasia, cúmera por rámara, popular estijeito por sat» 
feito, easHnheiro por castanheiro, apesar do cantanlm ser d«ir 
Brocábulo inseparável, etc. 

Sem nenhuma dostas rabies, porém, em abono de ser dt.*as- 
trado a forma correcta, e derivada de desnutre, ou de oiin, 
como astroso e desastroso, o simples raciocínio está a indiev 
que de estro, palavra relativamente recente, grega e ultru-literi- 
ria, que jamais desceu ao domínio da linguajem vulgar, onde f 
totutmeute ignorada, se nfto poderia ter derivado, antets da stu 
adopção pelos doutos, um adjectivo antigo, de uso trivial e tflt 

^■NAM, nofl segainte* venos dos DaNirseros dbi. AOttA T mt. tiko. de hofé 
^^i» Moro»;— «antes amnríjclia y aittrosB |affora Qonaeia e ífixuott». ft* 
BHvm HisPAXiqtr», ziii, p. 615J. 





I''>rtiiffUfSe» 



w 



567 



a a ^cnte, por maia rude qae seja. entendeu c entende, etn- 
regou e emjirega, ao^modando-o, há certo tempo, ii mais fácil 
ancbçúo desentrado, imitada por Filinto o Garrett. 

Astro foi vocábulo tam conhecido do povo, pro^-ávelmente 

m a forma astre, do importação francesa, tanto em português, 

mo em castelhano, que operou a transformação do stella 

latino no português (e castelhano) estrela, eHreUa, fazendo que 

estf.la se acrescentasse um r que stella não tinha. 

^las náo fica «i) nlato o improvável ãn étimo estro, que ee 
•ropõe. O vocábulo desastre existe; existiu o verbo ârsasirar, de 
ue desiisfrtulo á o participio pafisívo, que se adjectivou como 
tos outros, a bem dizer, os maia deles: estro é o latira oes- 
rus, vocábulo torawlo do (p-ego oIstbos, «moscardo», «tavão», 
|iie 03 gregos, por metáfora, aplicaram a qualquer estímulo 
lajerado. e depois à inspiração, à veia profética, e dai íl veia 
oétUa, no que os romanos, seus copistas, os imitaram. Neste 
ntido é ou fbi a palavra euearaeha, «hicho-de-conta*, empre- 
gada na América Espanhola, na quadra sep:uinte, que se canta, 
on cantara, para expressar que o entusiasmo se apoderara do 
caotailor: — 



;A)' (]n<! me pica, 
%y q\ic inc Brann 
com aaa patitaa 
k cucancha! 



I 



Kffl locuçSo análoga dizemos em português de um indivíduo 
di$parat4ido, sujeito a repentes, que por veneta diz ou faz uma 
loucura, está eom a mosca, ãen-lhe a mosca; e, desculpem-rae 
os poetas, o estro para os gre^s e para os romanos era um re- 
3>ente, uma veneta, a manifestação do uma faculdade fora do 
normal, uni condito de poucos e de loucos. 

A orijcm da locuçáo está com a mósea pode ver-se em 
Bluteau: o caprichoso é por metáfora comparado ao cavalo pi- 
cado pelo tavão. 

Ora, um indivíduo desastrado, desmanado, como dizem os 



Apoeti 



espanhóis, dei-yeitoíío, não tem Uil ilpfeito, por ter rstr» y-nt 
ueiii o adjectivo se aplicA ]iDptilanneiitp a uni quali|Utr i-fTftWi 
sendo qiianilo êle tem pam verjtar pouquíâsiuio jeito. 

Rxemplo frisante do veiiladeiro valor do (lalavni tU-^OMirí. 
eocootra-se lu» K«guint« passo: — «aJguus vasos de barro, 
maiado, que desastradamente se quebraram*—: uto é. 
desetiido ou ea-malidade. 

Havia do ser curioso o querer explicar esta acoiçio, qnt* P 
mais comum, pelo grego e.ftro ', ••inA-wa», ou -veia iwi-Uca-. 

Não é porunto (Jetnatriuio o individuo falto de atiro. OM 
sim aiiinule a quem falta ludulídarlt*, jvito, ou cujas acções l««iii 
mau resulladú, que nasceu com má t^strèla. 

Desastrado ^guilica também «desairoso-, «mal feiut 4* 
corpo >, e narla disto tem que ver com esiro. vocábulo, 
que a maioria das pessoas, mesmo de mediana cultora 
uhece absolutamente ^ cm qualquer acepção que seja. 

Disse antes que a forma desastre rere1a\'a Íullu(>ncia fnui( 
tanto em poitnííuí'*'. cnmo em castelhano. Kfectivamente. rji| 
em italiiiuo se dí/. disuntro, em que a palavni nstro wû si^fv 
modilicaçAo na rogai tinal, necessário se toma averiguar }H>rqué 
essa alteração se ntauifestou tias duas línguas hispânicas, uu 
quais ao -tim latino correspondo -o. Comparando outros t»- 
cábulos portugueses em que se observa a mesma alleniçio. 
tais como milagie \ miracUum, segre (antigo) ] saecMam, 
monje ] monachum, remos que se produziu modilicaçSo id<'ii- 
tica, o que, por outra parle, eles patenteiam alterayilo de coo- 
soautes, que não é a normal, ví^to que os vocábulos dos ttpM 
graculuui, speculum, sào ijralho. eftpeDio, e mon;ícbum dfu 
primeiro iwJnago ^ (cf. o c-astelliano munitfate, nuituu/uilh/; ou. 
se de segimda forma^no. bá0o(o) \ baculnm. Houve pois ilt* 



« o RcONOMtlITA. <Ii? 2l) rio iii«rço <lr 1^1'^. 

' V. R. Blatvnu. VoCAUfLAKin rnRTrnriut K LATixo. 8apl«tiHU 

* P. CaTolitik Micbni-lis du V«»ouncvlo», ti KBVtSTA LuaiTAVA,' 

p. 174. 




AfioJtíilíi» tíii* IHeionãrioi í\friitfitteset 



* 



fluência que perturbou a evolaçfto uatural, ou aquelas palavras 
nilo provieram directaineute do latim. 

Kutre as línguas romáuicas que uuilicamm em e sardo pos- 

ttínico o u t! a românicos são a íraiice^i e a proveti^al as que 

jjobressaiom: é lójico, [«is, atritmir a essa ]froctí<iúucia imediata 

03 vocábulos milagre, segre, moi\je: e com etoito, tais vocábulos 

aparcc4>io cui francês com as foiToas miracfe, sihíe, e moi\}e 

com a forma nxonge em provençal. Km milagre Jeu-se metátese 

mútua de I' e / (cf. o castelhauo mílagro), e em êegre a mu- 

ança de / em r pai*a formar ditoogo cousoaaiilal português 

cf. yruãe \ ^UiIhii): monje é reprodutivo fiel do provein-dl 

\otufc, como é ovideiite, conquanto baja outra forma, também 

rovençal, mánctjite, e seja talvez licito supor que monge seja 

ais francos que proveu^al. 

Mm português antigo hã a palavra mogo, a qual, conforme o 

'Iluciílârio de Viterbo *, siguilicava * marco divisório», termo que 

perdura no ouitmâstit-t) coro^ríitico, já no singular, já no plural, 

\ò^ ou acompanhado de epítetos, como, por exemplo, Mogo de 

nciães. 

.Iiilio Moreira ' relacionou mogo com mogoie. magote, pa- 
ic&-me que sem fundamento, atrihuindo-lhe um étimo vasconyo 
?í^a, com o mesmo significado, conforme ('rederic* Diez ^, e 
que na reulídittlt; foi admitido uo dicionário de Van Hjs ^ Bu, 
pop^m, estou inclinado a suitor que vvigo ó a forma portuguesa 
do latim nionachuni, e que a aplíca^-ào déi^tti termo a um 
marco ou sinal de divisílo de terrenos, naturalmente pedra 
erecta, é perfeitamenU análoga á que se fêz, em Lisboa pelo 
menos, da pahivm frmlr, a designar uma colaua do pedra, da 



* Santa ÍVi» de \nterbi>, Rt.uciDARio DOS TBttuoK ic pkabg» guB 

ITIOAHK.STR RK tMÀRtO, I.i.-llMia, 1798. 
« lÍKVISTA Lr^lTANA. IV. \y 2t>8. 
S ETVXOLOUIlitJHKíi Wi>KrHllUl-CH DB» ttOUANtSCUKN SfRACURV. 



r.b. 



* DlCnOSíNAlRR BASOITB-FRAKÇAUt, Patlt, 1873. 



ApoHiliJí aoi Dieioftãria* fbrbtgHaaa 



altnra de uni metro, pouco mais ou menos, o cujo renuU 
l«rior arredomlado se asâem cl liava à cabaça tousumda itf 
fraile. Ainda hoje em dia se TÕ«m alguns em ruas. contúreii 
praças, adros, ligados, on não. entre si por correotes At Ui 
A palavra motjo foi ao depois substituída por tiinnjí, fr 
cesa ou provençal, como sej/re, e o adjectiro dele dentado stvpt\ 
ainda usados por Gil Vicente, cederam o lugar aos latiiiLsnae 
século, secular. 



desbulhar, debulhar 

O povo diz desbulhar, os cultos debulhar, forma a qaa: 
Bluteau deu a preferéucia, con<|uajib<-i cite a outra, qnc qit 
desapareceu dos dicioniíríos purtuguesus. Pois é o jKivo quem du 
bem (como (|aási sempre acontece, quando os vocábulos pertet 
cem à sua linguajem habitual). \*Í3to qne o étimo é o laiia 
de-espoliure ou dis-spoltare *, com dois *$ um vez dt> um 
A forma (iesòuVmr corresponde à castelhana despojar, que roa 
outro sentido entrou em português: cf. as acepv^es do veite 
fnmct^s déjtottillerf que tem a mesma orijem. e o portares fiUm 
com o castelhano hijo. 

A simplificação de dexhulhar em defiulhar é análoga ft 
desjHíis, forma auliga, ainda boje a única popular, em dejuM, 
que é a exclusiva literária. Hm castcltiaun, porém, não se oonbeot 
outi'a que não seja detjnu^s [ de-ipso-postea *. 

1). Ca^diua Micbaclis atribuiu a debulhar o étimo de pi- 
leare, que também me parece provável. 

Com desòulfiar é conecso esbulhar { expoliarâ. 



> F. A«ioifu Coelho, DiootOKARm uakual rty)ioi.ooioo da uxavà 

PORT0Ol'EZA. 

< G. Kdrtint;, Latbinisch-rouahibchrs WAiit»kuuch, Pad^H>«ni, 
lii«l,n.<'2401. 



desconfiar, desconfiado 

Na lio^ajein uáual êsle adjectivo querc dizer «que nâo tem 

íofiunfu*. 'que receia ser eujfoiíadn». por uma particuluri- 

le gramatical peninsular, que atribui a participioii pa:<sivo3 

rí^ifír:tç:lo activa, como esquecido, «aquelle que esquece', afrat- 

Ít>, *aqiifile que atr:iií'oa>, eU. Está neste caso o vocábolo 

tonfiíulo. no uso comum de hoje, pois qnere dizer, lulo «aquele 

le qu«in %e desconfia*, mas sim, «quem desconfia», em fninrês 

^fiitnt, partioipio activo de (sf) méfier. 

No uso antigo, todavia, dc>>coH/Íaflo tinha outra acepyâo, 

[oe correspondia ao que hoje dizemos tieseyi^atuuh, deaespernn- 

K e qne em castclliauo ae expressa com o particípio d<;mhu- 

•Í4UÍ0 I dc'€x-ad-fiduciatum, do fiducía, <couliajiva>, o 

itigo fiàza portuguôs: — «chegou muito doente, esteve dcscou- 

lo, recebeu os Santos Sacramentos* — '. 

Hoje diríamos: • esteve desenganado.. 

Kui íij^ntido iuiálo^o U8«:>u-sc tambm desesperado, equivalendo 

ãê»e9perançado, como se rê ueste passo da CnóKtoA de ICl-rei 

Dom Apoííso v, de Bui de Pina: — «K destas Toltau de fortuna 

ique a Rainha D- Líonor viu padecer aos Infantes seus irmãos, 

\tA da esperança que nelles tinha desesperada de todot — <; 

e na «Relação do uaufrájio da nau Sam Tiago >, de Manuel 

Go<linho Cardoso: — tasKcntou o meatre... que se maodaiso 

a4|uella almadío, porque ttoulieBse o que lhe tinha acontecido, 

porqud nflo de^coutluãse de todo» — '. 

Ainda hoje se diz de uni doente, que está etn estado desespe- 

Ttuh*. 



* Ant<iBÍo FniuiMo Cardin, Batalhas da Oompambu dm JMtrs. 
tUb<i«, \6U. p. 05. 

« C«p. LJtXXfV. 

■ tn Bini.. ne iilasaiíus PuftTDOCBzm, rol. XI.IU, p. 11(1, 



W2 



AjinUtt» ri<09 l>ku>itiifÍM roYi*i^H'*" 



desisLõría 



Este pitoresco vocábulo parece ter «ido inrenia ' 
Gaspar da Cruz, oão está colijido em dJcíoQ&rio u- 
eu saiba, e significa «patranhas', «contos»: — « Porque, al^m ds 
que está dito, tem [o» frades budistas na Cliinaj muitas desuto- 
riaa o mtutiras geutilícaã de bonieus que se iurnaram cAti. i 
depois so tornaram em homens, e de cobras que se tomaram a 
homens, e outras muitas ignorâncias > —'. 

desleixado, desdei\ado 

A forma antiga do verbo âeixar era leírar. de laxare^^^ 
san; latino, com vocalização do c em i, como em íieixo j ii* 
xura=íírtíí«m, e palatali/afflo do n em ^, e do 5 i'ra x, pflr 
influência ddsse i, vogal palatal. 

A partir do século xvi prevaleceu a forma deitar, equifs* 
lente à castelhana dfxar, hoje ticjttr [=tit'ii(tr *], qui 
provir de de-laxare, etímolojia que oferece grandes ditiii, 
em castelhano, visto que nesta Vmgna o l entre vogais pemianerr. 

Memíiria das dua:í formas portuguesas leirar e <ifirar. ^ 
03 doi.s adjectivos dcsleirado e dcadeixatto, que t«em, ambof, 1 
BÍgnitieavão de <neglijent«, descuidado». 



deslumbrar 

Ksta palavm, e seus derivados, assim como vislumbn» ato 
de orijem castelhana, visto que é nesta língua, e uAo em {torto- 



( cTrutaduan qao se contam ipuito \\<xt cilenw aa cooíí^ da Chiiw. . • ». 
xxvit. A 1.* wUçlo i do lOtid: acrn-uie tia nolandbuu Je l(í2U,j 
.% 2.*. 

* O tríitib^ilo y ri-prvtnnta oqai a friaitiv)i sarJa [úttctu-paUiât nl 
lio .< c atrt>?ilwii.i nctual. 



ApúiiUan aoa DUUúnãrii^ l*>jrtugue»at 



3fi3 



kêí», (|uu o lalÚQ iuminêm produziu Íumin'e, com mudança 

n cm r, e intercAlaçiio de b entre estas duas consoantes, como 

kUceo com hombre J bominem, em português lume, homem, 

ivihTomc: e digo luntinem, acusativo masculino, porque 1u- 

len.acusattvo neutro, dou lume em português, e não iH>dia pro- 

luzir lumbre em castelhano. 

Mudan^'a de ^fénero ^'ramatical idêntica temos de atribuir 
ituBU |>ara nimiuem, puni explitutrmn» a tbníia rantelliaua 
nmbre. corresjiondeiite à portui^uesa vime. 

Alltíração de n em r com penla da vogal i se deu também 
tm castelhano no \ocàhu\o Jembiut. moderno hembra \ femina, 
|ue em português ^iviféinea \ femena por fcmina. com perda 
lo N entre vogais, (]ue é de regra: cf. cheio, antigo cheo [ ple- 
lam, em cnstelbano Ueno. 

Com âishimbrar se relaciona o castelhano alumbrar, que 
HD [lortugaês é aJumiar. 



desmaio, desmaiar, desmaiado 

Actualmente fhinnaio equivale a âeUquio, e destmaiar a 
iperder os sentidos» o que em francês se diz i>ertin' connaig- 
í^êoanouir. 
Antigamente, porém, desmaiado quis dizer ■desanimado*: 
[ — «Ficou o príucipe Tai senhor do campo com a morte dos re- 
íldes, e elle favorecido do pai, jurado príncipe e herdeiro do 
BÍno, desmaiados os com pcU dores, obedecido e temido de 

|08>— '. 

É este uiiida hoje d siguitícado do inglês diamay, que, assim 
imo as formas híspániciís, parece provir de um radical germá- 
magan, que vive ainda no inglês inay, no alomào mUtfen 
eht, e cuja significação é > poder >. 



* A. P. Cardiín, Batauiab ua CoxPANniA db JKStra, LisboA, }!SÔi, 



'«M- 



fttSMV 



O adjectivo desmaiaâo, com H]i1icavftn a rf>rt>H, k\'<. 
tieavaneeido. «pálido»: — 'Amaratitts 15. Ha úhia. pwr • 
çilo, appareceram em Pascboacs, na margem (limiU do 1 
alguns vaaos de harro desmaiado, que desastradamente 
quebraram» — *. 

Kiiempto de desmaio, «desáuimo*, romo em ínçlês, t^hkmd 
Rui de Pina: — 'E os seus que leixon, como MulH*mm da «n 
pnriida. . . foram postos em grande desmaio. t< cada tim vjw 
pôde se apressou do o seguir, u&o sem grande doamando p m^ 
nlium acordo > — *- 



desmocbar, desmoche 

— ■Cbamam-8e dffttjiochadas ou ewithe-;adas a», ' 
res] em que se decotou o trouco a pequena altura, a 

a 3 ou 4 metros ou no ponto em qne se bifurca, consemn- 
do-&e depois sd os ramos que nascem ua sua parte mais alta. M 
quaes sAo submetUdas a rórt«s peri<^ltco», vindo o tronco a tof* 
mar em ctiua, passados ânuos, uma cubeçu uu grossura bujítJiile 

volumosa e desta mutilação [a eseamonda. q. vj, ainda maii 

do que dos desmoches, arruiu&r muito as árvores e estngari 
madeira» — ^ 

desvíagar 

— -Ã distancia estão occultos o chefe da armada fij. v.]i 
um ou mais ^judaoteá, encarregados do preparar e p6r as rini 
e apaubâr íls aves, a ijue aquelle cuidadrisameote desvisga i* 
azas com terra . . . ó raro que a ave. obedecendo ao chamo [q. v.Jt 



^ O ICOONOUIHTA, A« 20 ái} março d« liíSZ. 

* CrAkioa ob EL-ftBi Dom Aroxso v, cnp. or. 

' GaZBTA das AI.DB1A8, <1« 1 1 dc ItUU^O û 1906. 



AjHtêtihu ao» Ditioivirim PoHuijuixa 



303 



vi, depois de <lar algumas voltus, pousiir no ramo. onde a 
idora vara se lhe prende ás azas, tolbeudo-lbe o võo* — '. 
V. VÍ8B0, 

deúdo 

São já rarus os partícípios em -udo. qne na língua anliga^ 
Lm os próprio» da 2.* conjugação. 
Com valor de partÍcí|iÍos ajwnas me ocorrem tewh p. man- 
túdo, numa frase já feita, atitiiiuada, mas ainda não de tudo 
lesusada:- - * um câo atravessado, tendo e manteudo Ganymedes 
um RdaljíO'— *. !0m Uni de Pina remos ainda ieiuloa^ etle- 
túdos ^. em Feruãm Méndez Pinto reteúdos '", como se v$, 
los derivados do verbo ter. De ontros verbos, vemos co?iAer- 
iia Duma carta de 13()8, publicada na Iíkvista Lusitana: 
i>iAaçuda (lãiás, conhoçuda) conaa seva- — ", e no Alentejo 
'údo l (lebulum, por debitum ''^ italiano tlovuío. 

Com valor de substantivos subsistem alf^ns desses participios, 
)mo provincialismos: mexuda, «papas de milho ' (Beira-Baisnl, 
rtmudo, como apelido. 

Âo mesmo passo que a terminação -wlo é já rara, na for- 

laçfto de participios passivos, ou de adjectivos verbais, tem ainda 

vitalidade em adjectivos derivados de substautlvos, como peludo. 

^de ptHo, ffdjtudu, de feljnt, cubelmh, de cabelo, trombado, de 

ronAa, etc. 

Do participio debutam derivon-so em castelhano deiUio. 
ctualmentu déudo, no sentido de -parente», português antigo 



* Jod^ Pinbo. ETUtfOORAPmA AjiAnAsmrA, À Caça, ín Portnga- 

\ÍA, II, p. 9ff. 

* O SaOVLO. do 6 úe julho d« 1904, BalhiO Pftto. 
> Ceónica de Ei^RKi Dou ArONBO v. cap. cxxst. 

* ti. cap. XXXVII. 

* Pmrborisaçío, cap. ciovi. 
« Vul. ra, p. 2ít4. 
1 ib. Tol. Tin, p. 89. 




ApoHÍ 



Uvido I debiiiini, «parentesco ranito chegailo>t — «f uápv 
le t«r com a raintia divido mui conjunto» — *. 



devasso, devassar, devassa 

l^ste adjectivo, cm sentido material, diz-se do qu^ 'Día 
Injusta bem, está sulto>; é o contrário de />érro, qae àgnifíM 
* preso em demasia, apertado, que se uão move. ou não ceitK 

Ein sentido moral aplíoa-so o adje<Ttivn, jil como tal, ji sot»- 
tantivailo, a pesaoas, a a^stiuiies «soltos, disâoliilos». 

Na Cbónioa se ICi>bri 1)ou Aponso t, de Kiu de Pina» 
ste adjectivo está empregado na acepção de « aberto. Irm, 
'desembaraçado», que perdeu no uso moderno: — «porque ttlo^ 
em que estava era campo devasso e sem dispnsiç^o de se p')4»i 

t defender» — *. Cf. devassar, «dcscubrir, examinar», rf«YW5B.| 
« inquérito >. 



tai 
«st 



diabo-a-quatro, dialirura 



— «Punham antigamente em scena pe^as sacma em que. 
faziam apparecer diabos,., inlitiilavam-ae Pequena dutbrur*^ 
— Grande diahrura... na ifrandi^diabrura. . . era do ri(í« 

fcftpparecerem sempre quatro diabos. . . > — . l'Jsta informação qoe 
é uma detiniçíto completa, 13-fie no jorual O IJuuaok. u.° 13, eh 
tado na 'Ucvistu Lusitana*, ti, pi^j. 128. 

Hoje são freqiientes as expressões o diabo a quatro, ievaàa\ 

(ío diabo, que assim jicaram explicadas. 

H A forma diabo, corresponde ft antiga diaboo | diabolum.' 

Vconi supre.ssúo do l int«rvocálico; diahrura proviam de oatia, 

'forma do mesmo vocábulo diahro \ ãi<ift'lum, com a mudançt] 

de l cm r, normal em portu^iès nos grujKra de cou^oanU^s lali* 



* Rui de Fina, Orúnica db Kl-rri Dou Aponbo v, cap. vxxtr. 
) ctp. cxx. 



(KW j^i^tcnót 



í. (las i|naÍ8 a 2." era i líquido, em pnlavríis de orijem secim- 
liría: \Í8to que, nas mais antigad. oa grupos latinos cl, fi, pi pro- 
luuram rh. qnaudo iniciais, chave \ clauetn. • ekor \ florem, 
{ planum, ou depois de consoante, como macho \ raas- 
í*ltiin, o ih, quando intervocàlicoSf a>elho \ cunicMum. 



dico 



Xa África Oriental Portuguesa, • cabaça que ser^'e de copo * : 
K. caH '. 



diro 



Tfa África Oriental Portuguesa «prato de pau>: v. cal! *. 



discrição, discreçâo 

O DiccioSÀRio CnNTRMPoRANKO foi primeiro, b era de e»- 
snir que fosâc o últiiuo, a dar rábida à segunda destas formas, 
'mandando iforiíru, enlri? panmtuw. (pie ela w'\vi proiiimriatla dit- 
criçào. Í*aru ijuè s« altíMOU a escrita dêííte vocábulo, que figurara 
fiiit«A em todos os diciouáríoii da língua, á o que se D&o sabei 
o i|ue p<>n''ni se sabe o so rã é que tal niudanvn i-' disparatada. 
ICfei^ vãmente, so a pronúncia tem de ser com i, e nÂo com e 
«ordo na scgnuda sílaba, nenhum motivo plaiisjrel milita em 
favor da escrita com e. Este vocábulo dinoriçâo está para die- 
creto, r4>mo jtrofi.tMo para profesno, como procUmo para pm- 
eeituo, coroo iiri/táo para profo, etc, e não creio que alguém 
acoDwIbe a que se ©scro\-a profcmâo, procesmo, prejtão, u|>e8ar 
do e da segunda silaba dos ailjectiros rorrespondeuleã: cf. aluda 



• JOaXAL DAS COUISÍIAB, Jc 4 dfl |ulhú dtf 1W)4. 

> ib. 



sdâ 



ApmlUas nos THeioMArim PorlHgHCKr 



eonfiásão o confesso. nSo obstauto o castclhuno co>^eÂÍ6n. 
logo ao português antigo confessào, que ainda lemos ca 
ORiKAÇÃo ' de F. Méiidez Piuio. 

Estus forniait seguiram a iinalojta de oiitntK, cocdo 
çáo, petição, demistiáa, romissàOf e tantas mais. 

Abouar a forma dittcj-íçào cora autores clássiros Gin 
o que havia de ser difícil era encontrar iieU*» o Imrltariáia 
creçào, que deverá quanto antes ser desterrado da eseril 
ttiguosa, pois a adopção de tal forma ortogn^ticâ patd 
compkta ignoráDcia da bistôria da lingua e do sea de 
vúueuto. 

Como porém tal escrita é um desacerto, t«m-M pro 
na imprei^a diária, onde se toruou já chavilo importinent 
ticusato, quuiKlo iião sofre ainda maior tortura, aleijado 
ereção. 

Outro vocábulo, que na pronúncia do sul, em quo~© 
de sílaba é pulatalizado, se coufuude com ^ste. é deAcriç 
ortografia clássica escrito com p, des^ríprão, do latim d 
plionem ] descriptum | describo. 

Neste porém o preHcso lí ifes-, e não rfw-. V*. A. H 
çátvez Viana, Obtookaj-"ia Xacionai. '. 



dizoubo 



SigniAca «respondão 



docíssimo 



Na linguajem dos cultos o superlativo de doce é dt 
por uma reversão artificial ao étimo latino dulce. No 



' cap. ocxv. 

' U8boi. 1904, p. TSeSa 



ÃpostUúM aos Dicionário» Portugunes 



369 



a forma âocissimas larm\jas do Bosquejo db ci(a viAOitif 

ro iNTBBiOB DA Pasaiivua k dr Prbnambuco '. O {lovo, títitre 

lal se foi a pouco a pouco, desde o sócalo xvi. dífníidindo a 

ia superlativa em -ífsimo, uão conhece essas derivj^^rics arti- 

óats, e de amigo, pobre, por exemplo, forma amiguissimo, po- 

íriffimo, em Teí dos tatinísmoa amicissimo, paupérrimo. 



diJjioo 

Este vocábulo, o qual designa uma espécie de noviço nas 
>nfraría8 búdicas doB bonzoH no Japão, não figura em iienfaum 
licionãrío português, neio tampouco francês, cum a forma dtt- 
ique, Hmprefpidii pelo Padre de Churlevolx. É todavia iieces- 
irio dar-lbe uel^s eabímeuto. visto encontrar-se em autores dos 
;u1os xn, xvn e xvui, que se lhe referiram, avisadamente 
jmanizado, tanto numa. como na outra lioírua. 

Ihna étimos ae podem atrili»ir-lbe. í) primeiro é a palavra 
japonesa transcrita por J. C. Hepbum * cora a forma diigi, a 
que dá a siguitieaçao de — «a boy uuder 16 vears, a chíld — 
moço de mcuos de quinze anos. menino > — . O segundo étimo 
possível é pelo mesmo aut^r transcrito dògakn, e explicado deste 
modo: — «learning or studying together with the sarae teacber, 
tbe same studies. a scboolmat«» — , isto é: «condiscípulo, aluno 
na mesma disciplitia'. 

Ainda que à primeira vista o nSo pare^>a, atenta a forma da 

'palavra, é o segundo étimo <|ue devemos admitir como o ver- 

^4adeÍro, não só em razilo do siguíticado, mais conforme com a 

lefiuiçáo do vocábulo, mas também {lorquc, sendo o k muitaa 

nulo entre vogais, em japonês, nas terminações adverbiais 

-ku, resulta de dógaht, a pronunciarão dogo, por mQ que 



> in O SbcuU), de 8 ilc jtinliu d« 1000. 

1 A JaPANEMB-EnOLIBH. ano EN0U9a>JA1>ANE9B DlOTlONAKY, 

r^quio, 18S7. 
ti 



no 



Afioitão* ao» Dieumãriú* Paríi^tu»€a 



mi se profere ò. forma perfeitatneot* concordanti) com» o tfô^v 
ius^^rto no vocabulário de IB03 ', e de que ae derivou p»ni p«» 
tnguêK o adjectivo dôjieo, como do grego udoos, m dennn 
lójictt. 

O sinal (v), on circunflecso iiiverUdo, foi empregado pd« 
jesuítas portugueses que escreveram gramáticas, vocabulários etCi 
do japonês, assim como outros sinais diacríticos com outnt 
ttpUcaçòes, nas transcrições de vários idiomas asiáticos, ptri in- 
dicar o o longo aberto, risto qne o circnnHecso designavB o o 
fechado em português. Para o u longo nsaram porém ú. 



dolménico 

Adjectivo derivado de dálmai^ ou Aèlmin como eacrtVNfl 
Dr. Costa, palavra. imediaiaiiieut« tirada do franrês, que artifieitl- 
mente a derivou de uma língua céltica, O correspoiídentí portu- 
guês é anta, que designa uma construção tumular pre-hi^ttínca. 



dolõrio 
Em Sam Miguel (Açores) quere dizer «desgosto» '. 

d(imaa, doma 

Bra o antigo nome para designar a semana, do Utõi 
hebdomãdam, no ocusativo. em grego 'rbix'>mada, com o dm* 
mo significado que o latim septimana, que o substituiu, tsto^ 
• sete dias»; literalmente: «relativo a sete». 



< V. JoAo de FmUtB, SuBsioiíia para a 8iBLio<iRAfniA ponrt^ 

aOaSA. RBLATIVA AO RSTCUO DA UXOITA JAFOHSKA, CufQlbn, 1905.ll«ll*> 

* O .SBCtrw), àt ã d« jiUiii> <le 1901. 



ApotHloA ao» DieioHáring l^trtH^uewti 



S7I 



domiívi, domováí 

rn DiccnoNÂRio introduàu-se o primeiro di'steâ vocá- 
[e foi colliido U08 Ki.o(noa Acadruicos, de Ijatiuo Crtelho, 
declaro. Hâtá assim definido : — «espírito domestico que. 
a Diyttiologia iiioscovitOt esti relnndo de além do túmulo 
lumiliu que fuudoa • — . 

mgano manifesto nesta definição, seja ela, ou não, de 
oelho, nia.^ que pela redac^-So é evidentemente traduzida 
h. Há dois vocàliiilt»i russos derivados de dom, «catía*: 
TmòvÚ, •doméstico, canetro*; o outro é domovóh que 
kde a * trasgo», ao elf germânico, às jens {q. v.) do Al- 
eu-8e poi« confusão entre um e outro derivado. 



doninha, d^uioba 

nanto na essência sejam o mesmo vocábulo, deminutivo 
I domina, o uso fe-los distintos, provavelmente porque, 
tigu acentiiafilo dos deminutivos om -inhn rm dupla, 
ida o ú no norte, por exemplo em cbrinha. proDUnoiado 
uvinha \ cova, e como o é do« que sHo formados com o 
, rhvazinha: ou porque este nomo do auimalejo carni- 
s veio dn uorte, com a sua pr^miincia e8|»ecial: desta 
dòniníut, e tam somente esse nome. deve de ser difereií- 
deminutivo consciente de dona, que é donitifia, profe- 
ul com o átono=w, daninha, pouco usado, mas existente. 

termo doninha é indubitávelmeuto um deminutivo 
, no sentido antigo de «dama casada», por oposiçSo a 

1 dominicella, «dama solteira», provam-no a denorai- 
furão ou da doninha em galego, donacintui ', como 



Oirollan Mícha-MÍ» ili» Va-ironccloi, tn RKriflTA LrRlTASA, m. 



m 



Apontiiaa am LhetoHàrvíw l^ortugitaa 



quem iliria tiu [■oitiijíuê:? tionosinho, ç a da <i"aiDb« tm 
telhaiio, commireja, 'Comaiiriíiba'. 

dor. dorído. dolorido, doloroso, doroso 

Do substantivo dor derívanios boje um adjectivo àunÁ 
que tem tauibétu uma forma dolorido, mais prússima da Ul 
dolorem, da qnal tirámos dolorom, mas a que na lía^n 
correspondia doroso, direcUmeuta derUado de dor: — «suis 
tinuas lagrimas e dorosas palavras d^ivam rhiro t«st^mui)lii> 
sentimento do seu coração* — '. 



dona 



K galicismo &ste termo: o portngaès lejitimo é mèdào 
areia). Infelizmente está j& tain arraigado na literatura ger 
para onde inconscientemente passou da ("ientífica iucorrwt* 
falta de vernaciilidade, que será já difícil expunjÍ-lo: — •! 
Àl^sur ao cabo de Sines apiwrece-uos coroada de ini|K>D0iti 
duaas* — *. Eis aqui exemploit de int^dáo: — • Eu Ire Douro 
Neiva avultam os raedôes de A-vel-o-uiar [iJ e. A-vè-Io-marl '; 
mais antigo: — * Vivtjm e&Usa Reys arábios eutie liaras medi 
de área • — *. 

dundum, dundons 

È esta a escrita que couvéra adoptar, no singular e uo plui 
risto ser a única conforme com os bábitos ortogrãtieos pvr 



* Boi de PíDB. Crónica dis £l*reii Pom Afonso r, csfi. xru. 

« Portugália, r, p. CU9. 

' ib. p. íllO. 

* Godinho, ViAUEM DA Índia, 109, citado pur Blat«tii, Voa 



UAT. 



em harmonia com os quais se nflo escreve m aiit«s de d, 

\m linâl se muda em ri ao acrescentar-íte o ji do plural. 

|E«U pftlnvni designa uma espécie de pelouro, ou bala de 

igarda: — «O arsenal de Dura Dum, perto de Caloultát o 

>t8 os da metrópole eonieçaram a fazer pitndej provisões de 

los (^m aquella bala> — *. 

nome já agora está cowo está: mas aquela escrita Dum 
inglesa qiiere dizer damedame na portuguesa. 



dnrãzio 



£ite adjectivo, correspondente do castelhano duramo \ dura- 
am, indica, a respeito de iVatos. uin termo médio entro 

e duro. estabelecendo-se assliu uma gradav^o de rijeza: 
V molar, durázio, duro. 
O quH tf Kiiigular é dizermos de uma mulher para cima dos 

ita que ê «^(i durâiia». e nesta expressão a gradação 
às avessas, \ms a que passou de duraria se deno- 

mndura, estado de moleza a que se segue sorvada ejmdre, 
rata. Fará prosseguimento da singularidade doutos epítetos, 

ia verde não su poite tragar, e faz mal à saúde; o que se 
é fruta nuuiura: exactamente o contrário do que se ape- 

na porção mais formosa do género humano: quanto mais 
e melhor. 



€augnr 



B£st« vocihulo transmontano ', de aspecto bastaute singular, 

B qoe é necesâáíio pronuuoiar-se e em hiato com o a de augat, 

um derivado, mediante o prefícso em, do verbo au^ar \ auga 



> o Hmnctja. de 12 >k jiuii>iro cie lítOi). 

\* A0|fa§<'» M"'|Tn», VnOABfLARHI TKASSMOSTASO ÍMOOAOOITBO ■ 

tAV*)f *" * Ktiviiiu LuAJtaiia >, v, p. 45. 



■\ 



iíli 



ApoKtilnM oiiê DirioHãriag fí>rt*gur»eM 



por ágw$, pronunciav&o inoito usual tambthn em l^isboa, freqtin- 
iissimu ua |>orluguOs falado até o xvii século, confonnc o ^sm 
a eHcrita augu(o)a: o ditongo ou, isto é, o u dejioiíi do 
volveu-se por eco, por inHuéncia proléptíca. assirailavÃo (i l .- 
âiva ao u liquido quo eãtá depois do g, como na forma iH*^tiilai^ 
se desenvolveu um ditongo ài, na palavra sanifue. profend 
sãinffui, em virtude da influência desse /, que substituiu o *' íor 
tiuul. t'onfront^^-st' esta formavAo èatujar coui o aniifío i-uda '| 
correspondente do castelhano afuidir | ad -+- 'n + adder«,ti 
casttjlhano eiiarenar, com o português arear. Vocãltuloa de i*1 
trutura análoga são hem-ai'enturaâo, brnt-aveiiturattra. mh-íi^I 
pretir. em-njtpreíwienlo, nos (|uais se deve pôr uma lioba ilivi* 
ria, para que se n&o leiam be-maveriturança, e^uuiirear, etc: 
— < vendo que o mastro com a grossura e em-a3pr«atoeal 
mares oa p^obrava » — . Morais transformou esto subsiantii 
ensayreamento *. 

A definição dada, loc cit. pela Ubvista Lubitaxa ao t< 
êatigar, é a seguinte: — «(pronuncia-se: im-au-tjar). — Apac 
rera [as creau^as e as bestas: salva seja a comparança!] mola(tii| 
que as faça definhar, ás crean^as por nflo se lhes dar de qi 
quer coisa que nos vejam comer, e ás bestas por Ih* > ' rniíé] 
também um mordo á eutroila de uma porta em q>- ^ "Ql 

uoutro sitio oude estejam acostumadas a comer. Dix-se de 
maneiras: enatujar, uugar e uuyar; e em conlrapusiyio, 
ctivameute: denenauifar. tiesaugar e tiesougar* — . 

Affuar (prou. éUfuár), desaguar sAo os vocábulos comuns, 
efeito nada há pcor que ticar aguailo, ou com a igna na bftet;| 

Xd huy doodjclu mt^or, 
que uu i'«irenuiu fiUiida. 



> Jíui <lc Pina, Crúx. db £l-kki I>om Aroxso v, cap. xxa e LtL 
* r. J. Corno, lEnvisTA Lusitana, vi, p. pT. 



Ap"»tUnM WH ZUrxomiriov Portuguota « S75 



Coin êaguar, reduzido a aguar, coufroute-se o caãt«lIiaDo ena- 
inalienare, símpliticado em alhear, moderuo, mos cuja 
18 antiga era enlhear *. 



eça: v. essa 



eclosão, eclusa 

SAo dois galiciânios modernos e absolutamente imUeis, éch- 
|r<m « êcluse: o primeiro, já censurado no Suplemeuto ao Novo 
iccioNÀBro, é derivado de echre, do latim excUudere; o 
ígimdo imediatamente tirado de exelusa. 

Riu porliij^niè» siío absurdos tais vocábulos, porque o s latino 
ites de consoante permanece nas línguas bispúoicas, como em 
liajio. e de entre as românicas somente no francês moderno 
Lesde o século xvi] éle foi desaparecendo pouco a pouco, Sfodo 
palavras em que ainda ai o vemos cópia recente do latim 11- 
íral. 

8e, ít falta de outro termo, quando o uão houvesse (que liá. 
•çtide. do árabe aitSudk *. - represa de água • ). ainda era admis- 
sível o vocábulo francês, conquanto desconfoime com a índole 
do nosso idioma, por ser preciso nome para construção tam fre- 
qíiente em terra tam regada como a nossa: é absolutamente dis- 
paratado ir-se buscar já feito, e mal feito, um termo abstracto a 
uma língua, cuja forraa^-âo vocabular bastante difere da portu- 
pieua, nas palavras de orijem latina principalmente. Kju portu- 
guês di7-se desabrochar, quer como verbo, pelo francês eclore, 
quer como nome verbal, pelo francês echsivn. Infelizmente, não 



» culhcaih, era Kni ile Pina. Crúsica db Kl-kki Dom Aro.vso v. 
ip. VXKtV. 

* Joiií dv SoiUU, VbSTIQIOS da LISOOA AUABIOA BM PORTrOAL. 



5Ó como termo de nomeiíclatum botánicn, mas tamhtíni dr no- 
inenclatiira zoolnjica, era vez ile nantt^ira, vai-!H! iliíumlind»! 
estravagante palavra: — «Xos dias immediatoe A edofifto (i 
mento) do insecto [gafanhoto] » — '. Quem isto escreTcu mor( 
ceu-se de que ecionão (Ma muito bom latim, e como tal. mút 
apto a substituir por termo mais fino o trivial nascimento {m\ 
nascença], com que o cxpticon; porqne. na realitlade, pirapnr-j 
tuptieses, que só saibam i>ortuguôs, com ou sem latim, swifrj 
Ihante vocábulo ê Terdadeiraraent* uma chanula mal feita. 

È de sentir que os nossos professores e escritores t4ciDNi| 
sejam em ^eral tam pouco escrupulosos ua vemat.Milidnde )U líi- 
guajem, empecendo deste modo a criação e o deseiivolTíiuenU 
de verdadeira literatura cientifica, sem a qual a outra lJt«rstiEre| 
é insufícieute para cougraçar a ciâicia com o idioma n i 
fazer dr'le unia língua culta. O facto é que a èAte respeit" 'iiiriuj 
pode uào quere, e quem quere niio sahe. 



etiu 



O Novo DiccioN.tnio dignos ser edtt uma árvore da 
portugtiesa. mas nfto abona o tenno, nem dã maior i>xplic»(Uj 

Nâo sei que árvore seja. SebastíAo Uodolfo Dalgado, 
DiccroNAHio KosÍK.\Nt-poBTunrEz *, trás um vocábulo. í! 
com l cacuminal, e dà-lbe a signiticação de <cardamomo>. Co 
esse l cacimiinal, que não tem correspondente nas línguas 
Europa, a nSo ser um som análogo em alguu.s dial«*cto-^ 
uavos. costuma também ser expresso por d (e por rj, é ^uim 
que soja a mesma Arvore. 

Garcia da Orta não cita este entre os vários termos im 
para o*cardainomo ^. 



1 o Sbuuix), de í> de janho de líMX). 

* RúinbAim, 1M93. p. Íi9, col. U: íi É ng ^niiánico. 

* COUÒtlVlOH I>OS BI)U*LBa t DROGAS DA lítDU. UsboA, I, U 

p. 174. 



Apostilas aos Dicionários Portugueses 377 

eido 
A orijem deste vocábulo é o latim adítum *. 



eird(s) 

De areola \ areia, por serem as eirós traDsportadas vivas 
nas selhas, envolvidas em areia molhada. O termo não é geral; 
enguia é o nome deste peixe na língua comum. 



eito 



Tem dois significados, com étimos diferentes: eito, «se- 
rie» 1 ictum; eito «lançamento» | iactum *. 

Não sei a qual dos dois se há de subordinar a acepção que 
está definida no Novo Diccionáeio, como termo brasileiro, cora 
a significação de — «roça onde trabalhavam escravos» — . A eti- 
molojia ali proposta actum é improvável, visto que deste pro- 
cederam as formas portuguesas aito e auto. 



ei vigar 

Este vocábulo obsoleto procede do latim aedificare, com a 
supressão normal do d intervocálico, e o abrandamento do /, 
igualmente intervocálico, era v: cí. devesa | defensa. 



» D. Carolina Michaôlis de Vasconcelos, in Revista Lusitana, iii, 
p. 62. 

' D. Carolina Michaêlie de Vasconcelos, t» Rbtista IiUbitana, iii, 
p. 145-147. 



m 



Apostila» aoa Dieiottãrio» ^)rtngiteKcé 



êl 



È esta a forma transmontana do pronome ^le, cujn piorai > 
íi>, por ílcK. O singular el è frequenU em documento» auiii,™. 
bem como aquel. Km cafitelbano álz-w él | ille, e ao plonl 
{ellofi I illos. Km porlu^uAs, tanto a íorma geral, como a espe- 
cial, êk, êl formaram o plural por analojia, eles, eis, já deotn 
^do português. 

eleiçoeiro 




Não direi que este adjectivo esteja muito bera dednsdft 
|:âo substantivo eleição, porque a formarão é mais própria de] 
substantivos (cf. preifoeiro de pregão}, mas ©m todo o caso *1 
expressivo: — «O governo que dissolvera, por motivos eleiçoei- 
ros, 36 camarás municipaes> — '. 



elo 



Do latira ai](D)elIum, forma comprovada pelo cistelbuM 
anillo I anidlo. resultou ãelo ^ contraído depois em eh; cf. nia 
de rãela [ ranella. demiuutivo de raua. 



embala 



Termo do Uailuodo: — «a embala (a libata oade vire O 
soba) • — '. 





embarrar 



Vocábulo transrDontaao, que corresi>ODde ao geral esbairar. 
Vem já DO N'ôvo Diccionàbio, como termo da lingiia comum, o 
que náo ]»arece exacto. 



eml>ondoiro ; empipu 



I É o Dome portugiiêa áú árvore agitnmtada a que os frauceses 

^cbainam baobab. conforme a nomoziclutura cieutilicu, Àdausonia: 
Hl — «Chamarara-lbe por isso a arvore de Ldfan (povoação 
■ que os portu^iestís incendiaram era Timor). Era da familia dos 
baohabii, imbnndeiros u mic-ondós, gigantes vegetaea de que 
abundam todas as uossas colónias tropicaes> — *. 

K preferível escrever com v inicial Aste nome africano 

(niòimth}, visto que o í inicial, com que também se escreve 

português, imbmvhiro, forma ortográfica que adoptaram o 

CoxTBifPOBANBO O O Nõvo Dioc., é prefícso signilicativo 

tas Ungiias cafriais, designativo do plural dos substantivos 

classe ni; como em quimbundo, iriruln, «quiuda, cisto >, itulu, 

cestos • — *. 

Xo mesmo caso de transcríçSo portuguesa em, por m -\- con- 

)aDte, e en. por n -\~ consoante, iniciais, grupos próprios das 

línguas africanas da familia hauta, ou cafrial, esUio outroa 

vocábulos, que hajam de ser adoptados era português, como 

iipipa: — «Fabriciím tumbem uma outra bebida adocicada cha- 

ida m'pipa, resultado da fermentação incompleta da batata 



V. Obtoqrafia Nacional, páj. 256 e 257. 



• Carta db Timor, in cO Hi*cal(t», de I"j ile janoini Ac líXhl. 
» H<>li ClittU-lHin. Orammatica blbmbstar do KtMBfNDr ou LIS- 
\Vk OH Anqula, (ienvbni, lã8íF-l;trjy. pi 3. 

> Azvvpilu Cuatinhu, A cahpaKIIA du DakuiIi hm lj<02, in «Joninl 
Ooloníajt ► Je 30 dt- juUiv Je M"^. 



SâO 




Na Heini-Iteixa siguitica èaie vocábulo 
(le ter encetado», abocitnltar. 



empacassa. empacasseiro 

O XõTo DicGioNÀsio iuseriu ustos dois vocábulos, definindo 
o primeiro — <vacca silvestre das margens do Ganges; liúfaIo> — ; 
e o segundo — <ciivador de búfalos» — . 

Tenho niiiita-s dúvidas acerca da exactidão destas defÍDÍ\':õe5. 
A palavra tmiiacanaa nAo tem feitio índio, mvL& antes africano. 
carriai, e neste caso poderia ter sido pelos portugueses ou por 
bauiaues levada da África Oriental para a nossa índia, se se 
apura.«tH9 que ela fos^e vernácula num e no outro destes dota 
pontos. Ora, na realidade, vmjtactiítsa não è termo conhecido na 
índia, e nem mesmo, ao que parece, em qualquer reji&o da 
África Oriental Portugiietta. 

Coiu efeito, ua língua de Tete o principal termo com qne o 
búfalo w designa ali é nháti '. 

Disse que o termo tem aspecto cafrial, e na verdade é Me 
vernáculo, porém na África Ocidental e n3o na Oriental: em 
quimbundo palcasti ^ o vocábulo pelo qual • búfalo > ó traduzido 
por Jou()uiia da Mata, no plural ./(/la^vwa; «boi selvagem; bâ- 
falo» — '. A 3Ílaba inicial da forma portuguesa emporasrta in- 
dica ser ela touiaila de quahiuttr dialecto do quimbundo, em que 
o p seja nasalizado, fenómeno freqiíeute nas consoantes iniciais 



) Victor Jostf Oonrtotfl, DiCCIOXARIO PORTrOCRZ-CAPRB TETSímB, 
Coimbra. IHOB, p. 81. 

» Enraio db niociONAKio KiMBD!imj*POKTUOCBZ. Lhbon. Io93» 
V. 127. 



le vwábuJos doesa faiuilia de línguas, quando silo substantivos 
iripalniente. 

CoaiQ não é Qatiiriil que o termo transitasse da costa ocideu- 
de Africa, ondu nfio vão os l)auiai)(*8, para a índia Portu- 
lesa, (^ proT^lvel que a vivenda do bicho tiiio seja, nem nunca 
3, as inarjena do Qanjes, como nos diz a definição do NOvo 
>ico., pelo lueuoâ lom ãeuielltuut« iionre. As espivies arricanas 
lesmo sAo difiTeutus das da índia, e de Uxlas as niuis asiãticas. 
A. Kt^viUe. no livro Lks bkuoions des prupli» sos-cvn- 
isÈa ', cita os vocãhnlos tmjitirm.<it e nitpacasíteiro iio âoguinte 
so. que me foi apontuJo )>elo snr. O. de Vasconcelos Abreu: 
« On parle encore dUme sociõtè qiii se serait forinée depuis 
Rebu^me 8ií'cle clioz los Kinitmiindas fsicj sud-ejt feic/J de 
^^Afrique. ft dont les iNulugais appvluieiíi les ntenibro» des 
^mpacafineiros, paro(^ que chaqiie iuitít^ devait sacritíer iin 
emjMfo^m» — . O autor cita K. Hartniaan •, o refore-se à 
lita ^ita como atlvcrsãria da antropofajia. e que deste luodo 
iibstitufra o sacrifício liuniaiio p<>lo de uma rês. 

V, claro que o vocábulo dado aqui como português o nilo é, 
quimbundo, segundo vimos. Por outra parte, a vivenda dos 
povos auibuiuloit, própriatntuitc ilítos, a sueste da A-fríca, se uâo 
erro ti)h>giúíico, uias do autor, serait de sa yart une .•'in- 
úière bévue, a nfto ser que parta da hi|HSte8e. pertilhada em 
Brto MKido jM>r Henrique de ('arvalho ^, de que os jtovos ca- 
friais tivc-ssem vindo do LesU> pura oeste, u que ainda a suesU* 
demorassem naquele século, o quu tudo assenta em coiijcotunis. 
Temos por<*m aqui om passo, que nos submínistra mais 
iina actípçilo do vocábulo empacasse iro. a de membro de uma 
^tta relijiotfíi indijena, que tiuba como credo a aboti^'íio dos <ia- 



1 P»rb, I8H3, p. 113. 

* Lbs pmuplrs dii L'ArRiQt;B (Bibliothèqne 80ÍeBti(l(in« inteittatio* 
le). Puí*. 1880, p. 216 (ij. T.). 

KxPBDIÇlO i'ORTimrREA AO HUATlJlJTVr A. ETHKOORAI'HIA b 
lirrOHI4 TRAMCIONAL, LtiboB, lí<90. CUp. I. |i. 54 C m. 



383 



Apo»tila$ 009 JMcioMárvM rortHffUaei 



LTÍflcios humanos, iiiediaote nma prática riiltuid meDOs rneL 
a substituição da vítima Iiumana por um búfalo, mjiokam. pt- 
lavra cafríal (jue lli« havoria ilado o nome imposto pelos portti- 
leses residentes em Africa, entre os qnaia fosse aqtielf* animal 
)nbecido também por <:ste nome aporto i^upsail o. em|iara»33. 

Parece, portanto, serem inexactas as definições que iIih doíi 
vocábulos nos dá n Novo Dicc., sem aa abonar. 

Kvidente é igualmente que o autor a quem citei, Hartinaiu), 
obteve aquela informação de qa&lquer escritor portugu&ã; ma 
nem Me cita a autoridade em que se fUndou, nem eu a pude 
por emquauto encontrar. 

Concluirei advertindo que J. 1. Itoquete, no Diciomírio p^l^ 
tugUHS francês * Já Inscrevera o substantivo (em)paeaxsa, tia 
termos setfuintes: — <emi>acassa ou paoassa, t. hist, nat. cm- 
pacassa ou pacassa, buffle, bubale du t^ngo». — Nào é pn)váf«l 
todavia que Hastmann fosse lá desencantar o vocábulo, qne dIa 
fifinra nera no Dicioaáno francas de Littré, nem também nu út 
Laron&se. Parece pois que Roquete, sem autoridade, afrance*»!! 
a palavra, que vemos deu como denominação do animal iiu \ína 
Ocidental, e não na índia. 



empapelar, empapelo 

O Xôvó Dico. dã-noR como 9Íç:nílicado de empapfih. nomí 
verbal rizotõníco de empajtelar, 'embrulhar em papel», •> signi- 
ficado— «iuvólacro de papel» — , declarando desusado o voíè- 
bulo. Xesta acepção concreta creio que, na realidade, está fim 
do uso. se é que em algum tempo foi empregado. Na acepçl« 
abstracta, porém, de -acçilo de empapelar >, existe abonaçio. 
colhida provavelmente em Qaj^rante: — *Na oOlcina de empa- 
pello (&ic), havia 5 magnificas machinas de cortar papol • — '. 



1 DiCTIONAIRE r*OltTl*flAIS-FRASÇAI«, Piiria, 1855, 
» i> SKCrLO, d« 2.'í ae abrij lie IWW. 



JpottiioM no% DkionAriot Portugitne» 383 



K«rere-se o articulista íi fábrica de tabacos, denominada de 
íoio Paulos Cordeiro, em Lisboa. 



etn|)ar^'ado 

Xú Kil»a-Tejo diz-se do «trigo amontoado na meda», con- 
>rme informação de pessoa da Cbamasca. 



empenar 

Este verbo antigo, correspondente do caâtelhano antigo em- 
ir, moderno empenar (^ empenar) * é ainda usado em 
l8-o»-Monteã, talrez por influifncia espanhola raiana. Xada tem 
|u» ver com outro empeçar, que o Uontkmposaneo define — 
enredar. . ., pÔr obstarulo. , . topar. . . » — . 

empena, empenar: v. pena 

empolgar 

Conforme J. Joaquim Núuez, de impollirare * \ pollex, 

tollicis, «dedo potegar>: cf. pollicaris, <quc mede uma |>o- 

legadfl * : O próprio adjectivo portugul^a, substantivado, jyolegar 

pronunciado normalmente polgar, e assim pode ser escrito, 

10 o é o verbo. 

encaixe 

Em Sam Mortinho dá-se este nOme à renda. Em castelhano 
enetye. 



* %i\fjiigat n RÍblUnta mirda ^íi^Inl ou dental, o x auteltuno actunL 
> KavuTA Lt;f<tTjiNA, ui, p. 250. 



«Qcalir 



Ko Minho: «engrolar, ferrer mal, e^iiahr, como se diz tm 
Lisboa, carne ou peixe, para se n&o estragar, afim de seretn om- 
nhados ao depois». 

O Novo DiccioNÁEio traz este vocábulo, com definiçlu 
aprossimuda. Âtrihni-lbe ura de dois étimos: latim raUrr, 
que apresenta a ilíficuUIade da permanência do f intenroeàtieo 
(cf, queiite { ciilêutem), que no entanto vemo8 em ccim, 
provavelmente de orijem semi-erudita. Aponta como segundo 
étimo, um hebraico, que n&o cita, remetendo o leitor para 
Pereira Caldas. 

Não se dè esse leitor a semelhante huaca. partindo com todi 
a segurança do seguinte principio: as etimolojias hebraica* d« 
Fereira Caldas, à parte aquelas que toda a gente .s^ahe qti« o 
silo, tem apenas uma utilidade reconhecida, a de servirem d« 
asstmto de riso, se mio de Ustima; porque de três cousas umi 
ó verdadeira: inventou-as para nosso divertimento, esteve wm- 
bando comnosco, ou estava doido quando as publicou. 



encanelar 

O Kõvo DiocionAhio incluiu este verbo, dfludo-lhe tem 
detlnifilo: — «dobrar em canelas ou novelos; fsasx ctneUs cni* 
acauelar» — . 

O vocábulo ivovehs é de mais. pois novcJos nao tíko ratulat, 
e neles enrola-se o fio, nfio se dobra, como nas nwa/Ias ou nuf- 

No trecho seguinte, porém, euctijwlttr tem outra acepçio: 
— • Lamego, 21 . . . o ficarem as videiras sem rebentar foi d*" 
vido a varias influencias atmosph eriças, e na maior parte gndM 
que receberam já no tempo em que a vidu principiara a deseo- 




Aixmtiítu aoK Diei<rnárÍog fiorluffuesa 



Iver para a reb«nUçiOt « que assim ficaram eucanelladas, 
bermo que n'oste caso usam os lavradoras» — *. 
: 



cucaraçado 




No norte do reino asa-se este adjectivo participial substauti- 
o. derivado de caraça, para signiticar o que no sul se diz 
■carado. e ant«s se dizia emmascarath, como vemos do 
ance de António de Campos, Leis de CamOes [Parte n, 14': 
Iam s cavallo, em trage do disfarce, muito gan*ído, masca- 
dos, on emmasorados, como então se dizia» — . 



encardir, oardir 



^ Cardíjia, que pressupõe um verbo carâir, de que t! partici- 
|l pio jmssivo, diz^se da madeira que «steve muito lt>mpo debaixo 

rde água, e apodreceu. Kstu informação fbi-me dada pela sor. 
<J. de Vasconcelos Abreu. Do verljo primitivo cardir »e derivou 
enrunlir, «çujar», boje em dia e desde muito tempo empre- 
gado ao sentido de * lavar mal>, pois se diz roupa encardida 
aquela cm que, depois de lavada, transparece a çujidade ante- 
>r. 
O verbo eardir parece ser afim do adjectivo càrdeo, (q, v. 
avergoar). 



eo doenças 

Tanto o Diociúnario Coxteuporanbú, como o Manual 
rTMOLOoico de F. Adolfo Coelbo, como o Kí>vo Diccionâeio 

Cândido de Figueiredo, são concordes eiii atribuir a este 
;ibulo, como étimo, o latim dolentia. D. Carolina iUcbaêlis 



1 O Economista, de 26 de niuo de lãilL. 



380 



AtMttiia» aot Dicionáriaa l^yrtuyHe»eã 



«plica-0 pelo latira iudul gentias '. Cora efeito, confi--'- 
passo seguinte: — «Vendo Vnsquo da Gama ho <|ii« si- 
sesta feira de Indulgências se (èz à vela — se ínfonnou ái 
daile de Melinde. diante da qual foi surgir dia de Páscoa 
Rf«snrrei\Ílo pela nienbâ> — *. 

I^ta expressão í^egta feira de Induiijeneias volta a <er I 
pregada por tiòis uo capitulo v da ni Parte, citado por lllutcu; 
[Vocabulário, stth v. Endoenças], quu já aponta ^ste òxma, * 
t|ual. apesar de certas diticuldades fouolújicas, é indisputáTtft. Ui 
douto lecsicógrafo acrescenta a forma popular andoencM, altrnjt 
pela influência do verho antlur: — «pelo muito qoe naquelledu] 
[quinta feira d« endnenças' se anda correndo as ígrtyaa» — . 



endróroina(8) 



O Xàvo Dioc., eiu dúvida, dá como étimo a fist« v 
que apoda de chulo, o vaacnn^-o androminae, e como para o 
provar, cita outra forma ant/romina, maLs conforme com o 
lhano andrómina, que uatui-almente passou a Portu^l no 
culo xvu. i) Dicionário da Academia espanlii^l 

étimo o italiano amlirivieni — * subterfúgio > . l ;...-^ 

uàú se Ibe podem dar parabéns pela inreuçáo. 

Examinemos, no entanto, de relance aa dilicnldades 
apresenta o vasoonço indicado, conquanto plausível, e 
meiro foi projiosto pelo fauioso criador da tilolojía va<< 
Padre Manuel de Larramendi. em princípios do século t.^ 
O vocábulo di2-se composto de andré «miilher casada», e iHil 
■ dor, queixa». Ora^ abutre nilo ó andrÓ, e o plural am/rpmw 
teria naturalmente de ser acentuado no ? de min, andremiuoí 



' Revwta Lusitaxa, cti, p. KV), 

i Oiiniifio de Ctúi^, CR^atiuA dk El-ubi Dom Euhaxubl. i, oip. K 



eufarelar 

Ulteriormente eochpra a Tasilla [de liarro poroso] com 
lha áit milho o a^fua, eolloram-a ao fo^^o «, nma hora pa^tRada, 
nderam obtida a vpdu^o. Kstá a bifa enfarellada> — *. 



engar, euguiço, enguiçar 

'O Xôvo DrccioifÁBto dá a este verbo a significação de: 
• habitnar-(se), preferir (ura paâto)» — . 
D. Carolina Michaêlis tratou deste vocábulo num artigo muito 
deduzido, dando-lhe como sij.qiificaçJÍo pn^iiria c primordial 
sguinte: — •eiif/ar-se a altjuma cousa siguiíica avezar-se ao 
é ruim* — , e exemplificou ôste significado com o adi^io: 
— «Bkood-se a velha fUja bredos: souberam-lhe bem, lambeu 
is tletÍo9*—, a que corresponde a forma mais moderna — *Ave- 
1^4^ a velhn aos bredos, etc. » — . 

BO étimo proposto pela autora deata luminosa inquirição, 
^ merece atenta leitura, é o latim iniquare '. Cf. a etimo- 
ojia proponta pela mesma romanista para enguiçar \ iniqui- 
ittre \ ÍDÍ(|Uum, o que parece indubitável, sendo ent/aiço um 
labitaiitivo verbal, rÍzot4nÍco. deste verbo. 

Júlio Comu, todavia, opõe com raxào a esU etimolojia, en- 

[ inlquare, outra, eaecaro, que em latim significa <ator- 

itar», acre8c«ntnndo o seguinte: — somente no caso de se encon- 

a fonna tiifuar, se poderia apelar para o étimo inlqunre ^. 

realidade, a quantidade longa do segando l, torna difíril de 



1 Ibxltt PeilOtU, SonRRVITESCU DA PU3CITIVA RODA l>B OLBIRO 

PoRTCOáL, %H PortURiilia. ii. p. 70. 
Bbtwta LrsiTASA. III. \i. 151-1.14. 

tKAMMATiK UKB POKTuuiBtíEscBJiN SpRACRK. rn < OrondrlM d«r 
elir-» I'l.il->l.)v'ii'>, 2.' f.li(ili), K^triubnrgo, 1»05, |>. 9tít>, nota. 



38S 



ApoêUia» aos Dicicuârio» PortngHetm 



admitir-Be o seu desapurecinieuto, postulado na outn etimol 
a que me rereri. 

(tnguifldo 

Não é claro o sentido dC'ste epíteto, aplicado & Cúrtiçi 
trecho seguinte: — «as cortiças enguiadas não eram por viâ 
rogra impróprias para rollia; somente valiam mcnoâ, por 
poderem ser fabiioadas á machioa du rolha que dispensa o 
dro>— '. 

Ffta no entanto rejistado o rocábulo, se nâo tiA tuls 
tipográfico. 

enha= minha 

No Novo Dkx:ionArio vem apontada esta Ibrma. 
com Gil Vicente. KfectJ vãmente, como proclitíeu. lè-se no 
da Lusitânia»: « 

— Floriâft, enhft BUtu— 

— Gnuudo, «aba filha — , 

como vemos ta na «Faraa do Clérigo da Beira >: 

Que filhi) és de bom pat, 
E tit mie boa tanlher. 

Sio abreviaturas de mni/iu, tua, 

K de notar que eyiha ú pelo poeta empreg.nlo num roí 
com todas os a]>uréu(!ÍaB de anU<;o, Iradícíonul. para ser 
tado, e que os versos são de ciuco sílabas até a última acent 

— Donde vindes, Alba, 
Branca e colurída— • . 



> O ScOULO, de 10 do julho da 1905. 



e <1r enha tem dn ser Blidído, fomo proYárdmcnte o ora na 
^roDÚiicia, t)orque servia apenas de amparo h síluba nka. que 
é íaicial de vocábulos portugueses, f-^ste en/w é pois a redu- 
to de mhifta por pr<k'lise. 

Também no «Auto da barca do Purpitórío» figura o feiíie- 
10 enha, na boca de um larrador. que fala liuguajem arcaica 
Ticiosa: 

E de tndii tiz iu]a«it&, 
Oititn omom ài%, avAntairo: 
L«íxâi ■> cora eoha b^sto. 

Aqui empregou Gil Viccute, como qiiási sempre, a redoodí- 
e o (! de enha tem t-umbtím de ser elidido. 
No Suplemento ao mesmo diciouário dá-se-lbe, porém, mn 
lasculino ettho. que nunca existiu, nem podia existir, pois a 
foriiia masculina é meu. e njio, minho, o que foi deduzido intun- 
fdadamente do fementno. 



enjendrar, gerar 



O verbo enjendrar ó. como arranjar, um galicismo antigo, 
tanto em furtuguôs como em nastelhano; todavia, para o Mgundo 
>dêst«s verbos stímente em português se dá o galioismo. pois os 
:Bflpanh('i)s criaram o rerbo urr<'<flar, que o substitui em quàâi 
[todas 09 suas acepções. Nilo me ocuparei do scgimdo destes ver- 
bos, porque, ft parte escritores pouco esmerados, todos evitam 
o seu emprígo, a nilo ser nos sentidos populares de «coascr- 
tor, compor», ou no transkto de «alcançar», sígnifícados que 
dSo tem o verbo far}Faju/er franc-ís, o qual significa principal- 
mente «arrumar», era sentido natural ou em sentido figurado. 
Na acepçáo du «obter» diz-se em francís (se^ procurer. 

Que. tanto o verbo arranjar, como o verbo ej^endvar são 
galicismo, prova-se com a sua forma^-ao: arranger provtSm de 
ntng, substantivo a que em porlugu^ corresponde o qnáai 



390 



ApMtiUu no» DiàonáriíM PartugutM* 



desusado renque; vê-se, pois. que a este primitíTo oio fírnip' 
ponde aquele derivado. 

O mesmo acontece com et\jendrar. Do latim genus, geof 
ris procedia o verbo generare, de que em português pro 
gerar, com perda do n inlervocálico, e que por Uto se proi 
ciava dantes gerar, que .1. I. Koqnete ainda manda proteru cub 
e aberto, e de que o povo f?z jarar. obedecendo à influéaria qt* 
o r exerc* no e átono que o precede: cf. para \ pêra). Aimh 
hoje a pronúncia geral é gerarão, e não, geração. 

Km francês, de ingen(e)rare fez-se engendrer, como ilt 
gener, generis, «genro*, se ^zgendre, com d iotercaUr 
o » e o )-, que a supressão do e que os separava pdà em 
tacto. Tal d oufóuico niio pertence h fonolojia poriu^esa (tf 
genro), e portanto e7ijetulrar nfio é português, a uflo ser fom* 
plebeísmo, no seutido de «eiijpuliar, aldrabar, fnbrirArmal e mu 
preceito*. 

É pois defeituosa a soífuiute fi-ase: — «As form;is nobrfí... 
que traziam na sua plasticidade evolutiva a possihilidade*de en- 
gendrar o cavallo, o elepbantc, etc.» — *. 

Onde se empregou este verbo afrancesado, deveria ter-«e m- 
crito gtrar, que lhe correspondo na significaçílo e oríjém. 

Não é porém sem exemplo o emprego de tal verbo, em pas«i 
de autores antigos, e Blnteau cita dois^ ambos os quais, todaria. 
conteem a idea subsidiária de artifício, que toraa a obra Ímp(«r* 
feita ou impossível. 

ei^jogtr 

tlste verbo derivado de jogo (=jôgo), vocábulo transmontut 
que quere dizer, como forma subsidiária à% gogo (=gàgo), «seilt 
boleado pelas águas que o acarrearam >, significa uo mesmo dia- 
lecto «empedrar, calçar as ruas com jogos*. 



< O âaouLu, do 20 de ii:tonibro do t90&. 




— ■ A eolaga [do linho] tem por fim dissolver na agua uma 
>ecie de gonuna resinosa, que liga eutrc ãi as tíbras do linho 
4a casca» — *. 

enoque 

No Boletíin da Sociedade de Geografia de Lisboa - ve- 
mos esta palarra, empregada num actirdào municipal de 1862, 
tmuícrito em parte pelo autor do esi-rito, de sumo interesse, ali 
fublii-ado: — <todo o cortidor (stc), que nâo despejar a surrada 

{>ell«8 no rio e não deitar fora das portas de seus euoques 
ao rio aa misturas que D'Êstes se fa»em incorrerá na pena de 
6000 réis, pelo damno que pausará á cidade do mau cheiro > — . 

Vè-se que a traiisorivâu está tnoderuizada na ortogratiat e 
ficamos na incerteza do que seriam os etioques, vocábulo que 
me náo consta haja sido encontrado em outra parte. 



eooz 



TgDoro o signiticado exacto deste vocábulo que aparece nas 
Utalhas da (.'oupakhia dr Jrscs, do Padre António Fran- 
cisco Cardim [Lisboa, 1894. páj. 44], e pode ser erro de lei- 
tura: — -uma enoz de pedra vitorina» — -. Vê-se que é uma jóia, 
um enfeite, com forma especial. 



1 PortugalÍH.l, )). 370. 

■ 17.* Série, 189:M899. p. ItiS— Hkauança b BsHqL-BKENÇA. por 
Ibino doB SonUiH Peruira Lopo. 



enrisUr, eorísle 

O verbo vem em todos os dicionários; não assim o sal 
tivo dèlo derivado, enrUie, que vemos no Beguínte passo kà\ 
Batalhas ]>a Companhia db .Iesus: — «repetiu o algoi v 
riste» — '. Autea dígsera: — «enrista cora elle» — . 



ensara 

Nfto ú o nome verbal derivado de ensacar, que falu DM êr\ 
cionários, a par do en^^aque, uelcs rcjistado, mos um tei 
lUtíca Orienta] Portuguesa, eiija deíuiivãy se \t\ nos trechí 
guÍDt«s: — <A gente de gnerra era dividida em ensacaa. 
maiidadan poloit nuiluhM, os quaes liniiam como auicilis 
Vchicanifo, e o ilanho, autoridades que corresjunidem resp* 
mento aos cazembes, sacheuiiodas e mucatas da Xaml>e-ida<— '■! 
Antes, lé-se: — * Ensacas agrupamento de cj-paes c^mmandAdMj 
por ura cazemfjc, correspondente á companhia» — . 

Na escrita destes vocábulos, para que Ii(|uem portogutw&J 
temos de emendar maltt^^ua, chimíigo, além do al)surdo ry;>aff j 
em cipaÍ9 (q. v.), ou sipaw. 

eusanzorar 

— <No6 bivaqaes, e quando temem Burprcxa [os cipais!, oa 
enfutnroram. ou c^nslniem abrigos ligeiros, com troncos 4e| 
arvorei, ou terra > — '. 

É termo da África Oriental Foriuinicsa. 



• Lbboft, IS94, p. 102. 

* Aievodo (ToulinliD, A caxpanha do Bari'ê ut \W3, ih «Jc 
dAsColonúto, >Ia 13 de ai^Mti dt> liiOI. 

» AliTOfli) CíUlillll-J, A {lAUPAXItA DO DARITA RM 1W>2. tK <Ju 

ãas ColonltbO, de 19 «Ic ag(fbt4) de IVÚô. 



ensarrauliar 
' No Minho, conforme informação pessoal, «oufannscar». 

entrevistar 

Este neolojisrao pretende snbstjtiiir o estrambiítico intenieio 
»glí^. que para cá passou por iulermêUio do frarioís, onde 6 

izlicismo: mas também uAo é portuguús, nem cà é prooiso. 
[nito mais antigos, e mais expressivos, temos vmtar alfftiéM, 

7Utnr-)te com aOjin'm. 

eotnu&o 

Em jiria castelhana enfruchón i|Uere dizer «sabido, ladino». 
lExístem também etUruehar e enírufhatía. O rerbo é assim lie- 
;.6nido no Dicionário da Academia *: — «atraer á uno con disi- 
lalo y en^aflo. usando de artificios para meterle en un ne|>;o- 

Conquanto o termo em Portugal tenha ^andes ressaibos de 
lini;uajem ordinária, direi nie^iio cliula, a yonco e |toucft foi eu- 
iraudo uo uso comum; ainda a&sim aligura-!>e-ine uni lapsus ea- 
llami o seu emjirêgo em eidilo sério, como o vejo uo trecho 
rM^inte. de escritor esmerado:— «O raqneiro honesto tem sem- 
pre ensejo de mostrar a sua boa fé. . . e o vaqueiro intrujão de 
: conhecer o caminho da... Boa Hora [edifício dos tribunais de 
ti^ era Lisboa]* — *. 



1 Miwlríd, tS99. 

* D. Lufx lia Catftn>, i» Diakio or Notioiai*, iU* -iS Hv («yvwÍM M 



394 



Ap09ÍUaa am XHrionáriíi» Finri*igMe»f» 



eavôs 



I^ usado no Miulio, com o significado que no sul damos i 
avesso 1 adaersum, como envés \ innorse. 



enxada 

No excelente estudo de Francisco Adolfo Coelho intitubJ^ 
Alfaia AaKK»>i.A portuoukha. puMicado ua revista Portu- 
gali:i ', vêeiti-se or seguintes epítetos, que diferençam outns 
ivaúa» qualidades de enxadas: enjmia de peto, enxada de pi^ 
careta, enxada larga, erurada de (fttnchofi. 



en xadrez 

É o Doine antigo do ocadrez, que ainda subsiste no adiecti\i> 
participai en.mdieittda: 

— Negro é o pc». 

NcgTo é o rei do enxAdrM— ^ 

Km castelhano é ajedres, antigo axedrez. de orijem imediaU 
utente arábica, proveniente do sánscríto, por intermédio do p«^ 
siauo, que o recebeu de qualquer lio^ia vernácula do ludostStv 

Rtu úlltiua uiiÁlise o vocábulo è luinscrítico: xaTURaAMiu ^, j.-> 
quatro partes (cotiiponeutes de um exército), infantes^ cavaleiro*, 
carros e elefantes. 



' I. p. 3!>0. 

■ Gil Viwntc, AiTo dab Fadas. 

s O nfmtKilo IA. Tale pelo ng germânico, oii bimI pijKtero^paUtal. O w 
cébulu saiisvrftíco pronancin-iK (juiUi coron w orii {Púrtn^i^ ettcr>" 
it)i-haloráH</a, UU> cunforme a ]iroíódia codvcqcíuu&I, cUiMUca n» Eur 



enxalabar, enxalavar 

Ksta rêdc é assim descrita do artigo A pesca em Bi*ajux>s 
|« P. Ferniindez Tomás: — <Uedes especiaes, tendo na boca um 
do ferro, chamadas etxxalavares * — ^ A forma com b ea- 
Dntra-se no 3«^ÍDt6 passo: — lUm pescador, tendo mergulhado 
laís luna vez o seu eívxalaòar» — '. 



enxame 

Bra Leiria aplica-se, em sentido geral e não por metáfora, 
palavra pura designar «grupo de gente qu(> anda rezando e 
rintaudo os passos nn domingo de Páscoa*. Ksta iufonnaç&o é 
lo conhecido poeta Acácio de Paiva, dali natural. 

Como *.' sabido, enxame é o latim examen, «tropel, ajun- 
imento de gente que segnc caminbo>; * etixame de abeUiM * 
sentido especial que o vocábulo adquiriu. 



enxarana 

O KôTO DicoioNÃRio dofinu êâte vocábulo como significando 
• toucftdo de muUiores, principalmente de meretrizes» — , e 
como termo antigo. Num artigo, publicado por Sousa Vi- 
)o, intitniailo As ca3ídki*s na indcstbia k nas TBAniçflES 
>ptJLABB!i poBTuouKSAíí ^ vom trauscrito um documento de 
L4Ô4, no qual entre os de outros objectos está meucionadu êstõ 
i: — «euxaravias de seda e linho* — . 



úi Portn>talia, i, p. lõi. 

O E(»iKOHiMTA, de 2(1 de ontnbro d« IHBS, citandt* o ('ampbIo [>A8 

í, Jc Aveiro. 

l'(frtug»litt, 1, p. UoT. 



ApMtiOvi ftM Dici9nárv>ã Partmftumt» 



O Kliicidárío de Saota Rosa do Viterbo já traz « pal>> 
vra: — 'Taiob«iii se chama Poluina. Kra a tusignia upnÃrua.-j 
das alcoriteíraa. Consistia D'huma Beatilha tie seda cvrtiwttdkj 
que traziam na cabeia, emquacto oão partiam pon o 40> 
t«rro» — . Cita o Livro v das Ordimav^ca, TOqIo 32. S 9". 
onde na realidade se lê o seguinte: — «Em todos m «uo» iÉ 
que alg&a uiulber for condenada, por alcoviteira etn alf^unuste 
penas sobre-dit;iâ [aos •$§ antecedentes], onde não haja marra; 
ou bir degrudada para o Brasil, ti-aga sempre polaina, ou mê 
saravia vermelha na cabeça, fora de sua cana, o mio a traxeodf 
gpja degradada para sempre para n Brasil > — . 

Do texto ciUulo vê-su que a delini^^o de Santa Kosa d^ T^ 
terbo tem dois erros. Primeiro, provável: não se depreende rUn- 
iit«nU» se imlahia é a enxaravía. ou outra peça dp vr-' ■ 
seguudo, certo: a e^ixtiravia era obrígatoria. quando nãi 
uiorte ou degredo, e uâo, como diz, sempre e procedendo o di^j 
grado. 

Conforme Mgiiilaz y Yanffuas é o vocábulo arábico ai. r 

■ faxa para a cabeça», de xauu • liubo del(,'jdo*. O i 
espanhol acrescenta :^ — *Ka la 2.* [Polaina] és el árlabe] ni 
medias» — '. Este último étimo i^ inexacto, mas lojttii 
dúvida, de que polaina equivalLa a e^ixaravia. 



6nió(a) 

f 

1^0 Aisntejo é o nome de uma armadilha de alçapão, pm 
npnuliar perdi7^'s. 

O Novo DiccioNÀRio, escreve enx6(if). e diz ser termo éi 
lleira-Baixa, com sífj^nifica^-âo uuáloga. 1*^ poraível que seja unt 
acepção especial de enxÔ \ latim aeciôla, demiuutivo de ascít* 



■ Ol.O»A.RlU 1*B LAS PALADRAS BSPASOLAS OS ORIOKK OlttKNTAU 

Gmuda, ItU^i. 



eiixovul, í^uar 

FA primeira vista parecem muito (lifereuies estes vocábulos, 

o primeiro portngiiês, o segando oastelliauo prontmcíado uctual- 

aout« aifuar, com a firicativa póstero-palatal siirda do ca^telliauo 

lerno. em vez da dorsal .r do pottiigiiês. 

No castelliaun anti^^o a forma era [>orém axii(v)ar. e o j; 

lha eotÂO o mesmo valor que Um em português. 

EnxoiHtl, oAo se deriva, como diz o Novo Dicuionãrio, do 

Uuuiae: é o arahe ai^-xuao, 'dote>, quer cm dinheiro, quer em 

nas, quer em trem de casa '. No tostameato de Pedro Hodri- 

(1419), publicado na Uevuk UisPA>'iQrs [x, pàj. 230] 

i: «li u leouor rrndfii;uni! uxuar hieu rico» — . 

t) a representa o artigo arábico aIh com a.ssimila^'&o do / 

eaaaoante seguinte x, por esta ser o que em termiuolojia tétuica 

diz letra solar, porque por ela começa a palavra xaMs, *sol>. 

rr.< colares são nessa UJrminolo)ia as que so proferem com a 

lingus, como d, l. ii, r. s, t, x; lunares, as outras. 
Com relação à mudança de ax... em enx... da forma 
irtupieMi, cf. a fonua valenciana enxoivtr, com a ar^onesa 
roviir -f e ainda o castelhano a^^ifre, azada, com o português 
ofre, enxada, Compare-se também «ixwww e exame, ambos 
|o Ifttim examen. Pelo qne respeita ii inserção do t;^ confron- 
igualmente as formas castelhanas loor, har com as por- 
huvor, louvar, dantes loar, de que proveio loa, em 
lilD laudare, e laua, landis; ouvir, }»ortugu^d com oir ca»- 
ilhano [ andire; ffoivo j ^audiuro, etc. Ksto t' intercalar ma- 
ufe«toii-36 uas fornia.^ de orijein latina, depois da «ttiL-da do </, 
se evitar o conflito das vogais, ou hiato: ft esta causa é 



< TtrjViic Eguílaz y Xangwu, OuwAftio ve las palabras bspaSo- 

DJi OKi»BS- (tRiBNTAii, (inaadn, 1686. 

• Pusy ft Eoiçvlniann, Gi.oií8airh db8 hots bsfaohom bt pos- 

)AIS PJklUVM DK L'AKAUIf, LcíiU, lã69. 



30tf 



ApoHtiloê s4t Dicionário» Pnrtuijufítrk 



devida a sim inaerçíio em etucotuil, Cf. ainda viúva, do Útil 
uidna, passando |K>r uiua, vtua, viáa. 

Mulernameute alguns periodiqueiroii, que se enrergoubam 
escrever em português tudo que querem dizer aos lei(»re*, « 
me^am a empregar, em vez de etixoval, a palavra frauc 
trousseau, nas tediosas descri^^^es que fazem de qualquer a 
monto rico, nas qunis nunca também omitem o ridículo oorè 



eólito 

— <em todas as épocas da pre-bisioria se fhbrícaram eotl 
thos, isto I', pe^*as [de pedra tascada] que apreisentam om 
nimo de talha iuteucional » — '. 

O termo é moderuissimo, derivado aitificíalmeute do 
^Eõs, «aurora», e Ln'os, < pedra >, e importa a noçflo de «i 
meiros vestijios do íalho da pedra feito pelo homem *. 



^rmo, ermar, ermamento 

O aabataiitivo ermo seguiu a acentuaçilo grega Énticos, rm 
vez da latina erê'mu8, que ao depois pfU!.-íou a ser Cremai. 
Deste substantivo derivou-se o verbo enfiar, de que por neol*- 
)tsmo se fêz ermamenio, como de armar, armamento: — ■flM 
que nunca houve ermamento coubece-se cora toda a clarta 
dos docimientos da época» — . 

Significa «despovoamento» *. 



* O Ahcudúlooo roRTUOufts, vol. X, p. 407. 

* Albertn Siunpaia, As «TiLtAU» do nortb d« PottTTOAL. in «Por 
tagalin», I, p. 28.J. 



érvodo, íirvedo 

O Xòvo DiccionArio inclni este Tocáhalo, com remissão a 

ieiru, mas acentua nvOdo. o que me parece erróneo, TÍ3to 

a palaira procede do latim arhiítns, t medronho», arbú- 

tm, ' medronheiro ». 

A exiãténcia dí-*ite sutfRtantivo é postulada pelos seus deriva- 

t, erveãeiro, ervedal, que com outros figuram no onomástico 

}ro^rátíco. Érvedo equivale a «medronheiros e do Minho cha- 

i-se-Ihe ervfdeiro. 



eshandalhar, eshaudalha 



verbo eubnndalhav aiialisa-se como eitrant/aihar: eir-hand- 
^ Deuta forma derivou-tte um substantivo rizotôuico, de 

lo, estMnddlíia, que oão fígura nos dicionários: — «Logo ap(í8 
primi-iras chuvas do outoinno procede-se ao que se chama a 
mdaUm âiif morei/tn, que consiste em regularizar as terras, 
lando-as» — '. 

1 coloro se o termo (• geral, ou somente alentejano. 



esbarar 

Tenno tran»ninnt4wo. que sivrnific-a «escorregar*: — «raaa o 
de t'iin:L sentindo pouca força na» milos. que lhe esbaravain > — '. 



> K«Iu lU ilutai. Cultura dos triOabs xo Albutbjo. ín Purin- 
ha li n. 1, 1.. '12Í. 

3 M. l'Vrr.!írA VioíiUAo, O Bboolbihjdnto da UòraairA, <n •Re> 



escada, escadaria 

A paliivin escada não provém de scala eotu DiudAnça dd i\ 
em d, que suria altsurda, pois o scala latiuo daria cm portu^u^; 
estú(a), mas sim de escalada, eeeaada, como já afirmou Júlb' 
Coruu. ' J 

A noção da orgem da palavra perdeu-se porém, visto qiB 
se proDUiitíia escadaria e uão eseàdaiHa: cí. jtáçáo ( palaci»- 
uum. e fqt/ueirõ ou fagueiro, castelbano kaloí/ílrfw *, 

A forma escaada. uão contraída, existiu:^* Et todos desta 
collatíoDtí Levavam as tubolas e a madeira ao Castello,* ft faziam 
o tavoado et aa eseaadaa» — *. Notem-se as formas t^jJ^olw^ e 
iaboado. a primeira com /, e a segunda sem Me. 



escalavrar 

Confoi-me D. Candiua llicliafUã de Vasconcelos *, este v< 
correspoude a um castelljaiio descaUtverar \ calavera \ caluai 
com a auaptictioo. Mas como a calavera corresponde era poi 
guês caveira, sejfue-se (jne e^calatTar seria castelhauismo. at 
a permanência do í, e o adjectivo participial escàvtirado qs 
pressupõe um verbo escàveirar. Maior castelhauismo será alndaj 
descalabro, substantivo verbal espanhol \ deícalabrar. 

Cf. ainda escalvado { calvo. 

O étimo proposto pelo Coitem pobajteo, scalpellare, é 
provável. 



• V. A. R. Gonçálvei Viana, ÊTt-DBs oh Graumairb PORTuOA.uê^ 

< PoBTUOALUB MoxruBKTA HISTÓRICA, Inquiríç0«8 àc D. AfoiUK» 1 
II, p. 41tí, col. u. 

1 IlBvisTA Lusitana, iii, p. 178. 



Apoitilaê aoê Dki<mário$ portugueses 401 

»■ escaleres 

Como termo de jíria, quere dizer «olhos». 

escalfar 

Este verbo significa «cozer em água quente». 
O étimo parece ser ex-i;al(iãum)-fa{ee)re, conforme 
G. Kõrting *. 

escamalhar 

J. Leite de Vasconcelos dá este verbo como pertencente ao 
vocabulário de Trás-os-Montes, e com a significação de «escan- 
^^lhar>. Como este, decompõe-se em es-cam-álhar \ cama, e 
|uere propriamente dizer des-a-cam-ar ^. 
Cf. esbandalhar (q. v.). 



escamei 

* Na língua comum: «banco de espadeiro». Deve ser o latim 

K scamnellum; mas scamnum \ escano. 

., Como termo alentejano significa um moço que avia recados, 
'•pu como lá dizem, mandados ^. 

Há de ser outro o étimo. J. Leite de Vasconcelos sujere o 
latim casmillus, com metátese do s, scamillus, forma para- 
lela a camillus, camilla, «donzel ou donzela, que auxiliava o 



' Citado por G. Rydberg. Jaiiresbericht úbbk die Fortschrittb •^ 

DBR ROMAMSOHBN PhILOLORIB, VI, I, p. 2S8. 

' Revista Lusitana, ii, p. 117. 
' V. Revista Lusitana, h, p. 37. 



Bacenlote nos sacrifícios* *. o qiiR pftnice ponc/i prori^pl. ?({»iv- 
taato, cí. eítmmillo, iiasUllianu. 



egcamondar, escamonda 

— 'No pais só tcnbo visto applícnr muito ^ste tntAmcm, 
[o rlestuoche, q, vj aos freixos e aos p^uides saJgueirf'" -'■ 
potioo aos choupos, og ípiaes de ordinário ado esnim^n 
isto G. desramados ao lougo do tronco» — *. 



esoamudo 

Kste adiectivo, couiparúvel u petuão \ pHo, esjHidaúdo \ »• 
}niiltui, equivalo a escamoso, iuils com nma diferencia^n de m»* 
tido: escamoso qiieie dixer «que tem escamas*, encanuulu, 'ql 
fm muitas (scamus»:— -Setúbal. 20... Peixe maneiro 
mitílo, por isso apropriado para coDSprTas* — *, 
R-fere-se ft sardinha. 



e5caac(a)rar, esdinc<a)ras, cjhransnojo 

È-ste vernn sigiiiHra «abrir cnteiramBUte». 

O OioeioNÁuio Maxuai. ETvuoLoaioo de Francisco Ad<^ 
Cúolho nada diz a respeito da saa ordena; o Kdvo DicoiokíM^ 
dã esta como incerta. Pois não {• muito difícil acartar eom t 
étimo: basta comparar este verbo com o toscano sganyhfrart, 
que i|Ufre dizer -tirar uma porta dos leme**: gani jUt-ri \ cio* 
cer, 'Caranguejo», e (auibõm «varáo de ferro, grade», de e^ 



I ih. 

* GAZirTA D.V9 Al,i»GtAS. A<e ti •!•' iiiAt^t» de Ifi Hl. 
■ O Bw»X»«iHT*, lU 2* '!p ubril .!•• I -^"l 



Innfautivo caucellus procriltMi ainrHo. o t\\'sl« ranruht. Con- 
h'o vni portiigiiL*s <lesigna uiii grtuii|H> de Tcrro com que se prende 
1 madi.'iru ao banco do carpinleiro, e neste sentido já o Voca- 
WL-^nto pottTrnuEz E L\TiNo de Blutcau traz o tentio, 

«."onforine o Suploineiito ao Xôvo Uicc, cbaiua-se igualmente 

r.:rici-o uma — «peça de feri*©, com espigão, ou sem êlle. pára 

Uar nnnia parede oii cantaria qualquer trabalho de carpiu- 

• » — . V. natural que o termo tivesse, ou talvez tenha ainda, 

RÍ^iiflcadi) de 'f^iyiim», como o italiano fjámfhero. De cancro. 

im ft To^al luiaptíctica a entre o c e r, ee formou cáncaro, que 

linda ^ hoje u pronunciarão vulgar de cmirio; e diste cánearo 

íiprivf>n o verbo cscunrnrar, «abrir de par em par», como 

!m italiano de gát^/Uero. sgangiíerare, 

E Babido que o nome do crustácoo caranguejo é forma demi- 
intira, [ cranguejo \ cangrejo, qno è a castelhana o antijía por- 
lufiíue:^, V ciyo éiimo é o câncer latino. 

De cscancrar, forma mais antiga e curta se derivou o nome 

*rhnl enranrra. como o povo o profere em geral, e cnm a vogal 

tnaptuticíi, ímcáncftr{t(sj. que é forma considerada culty; mais 

leturpuda porém que a popular, visto que, a ter-se derivado de 

nrancitrar. deveria prnnunciar-ae escancara, como a 3.* pessoa 

insular do presente do indicativo, eom a i^ual coincidem estos 

tbtitautivos verbais: cf. q faitrico \ fabricar \ fábrica. 

O étimo de ifgangherare foi apresentado por 8ofo Buggo na 
tomania em 1874, e comparou-lhe o português desnigon- 
ío \ e/igtmço \ goiuo; uno lhe ocorreu o verlw escancarar, 
|U« provAvelmeote uilo eonhct-ia, o que melhor corre9]>onde ao 
liaao. 

escandalizar 



tísic verhn latinizado, scaudalizare, do grego srandaU- 

irrx [ i*KÁND\i,osí, 4 embale, pancada, armadilha*, foi euipre- 

ido por Tertuliauo com a aigniticação de 'desinquietar, sedu- 

ir>. Adqtiiriu acepçòos várias naa diferentes línguas para as 

iquau pu^^oii. » »ir) português a de «ofender', que também tem, 



404 



ApeiUila$ am Diritínário» I^nittffuuóB 



Du teve, em ^(aâcão, como vemos na comédia áe Molière, Lk Bóvr- 

usois qkktiluouuk: 

— BoaH boyet qaé chamn ni^ raille. 
Et jé ^9 CHcaniIalisti 
Btf boír ^ nuiins tlt* la r^naíllt; 
Cé qui iii*est 1'n.r lious rL^fiisé *. 

Parece porém que mesmo ao franc&s literárío níio foi tsai 
ulio este siguiticado, iiois o próprio MoLiíne empregou nesse sei 
tiiio o mesmo vorho em t«xto traucês puro: 

— Votra parMM en&n mo soandaUáa, 
Ha mnác, obéímet-niDi — *. 



escapa rate 

Este substantivo uenhuuia relaçilo tem com o verbo escapar. 
Significa um « armário pequeuo *, o que nés chamamos mosffraderA 
011, secundo a termiuolojia afrancesada dos caixeiros, montra j fr.f 
montye, visto qiio mostrador om oastclliauo corresponde ao quej 
em português se denomina balc4o. 

À orijem do vocábulo é o bolaiidès schaprade. prouuocii 
çtfápráde, quãsi ttkapraàe, com a vogal intercalar a, e cujo sP 
guitícado ó «armário de arrecadação *. 

OutroB vocábulos hoiandeses passaram its Hnpiaâ hispáuicu; 
e sem citar os termos de marínlia, apontarei, entro outros, 
nequim \ manken <h<)mBm£Ínho>, (queijo) y/rafo ] pIaaí(A-aaã(^ 
«queijo cliato», por ojiosiçào ao esfáricú, a que chamamos queijo 
flamengo, e que os espauLóis denominam queso de bota. M&unel 
Goiliuho Cardoso cbamou-lhe queijo de framengos ^. 



* Acto V, Ballst dbb NatiOns. 

* RauBHUiMEKT AiT lioi, fKnTr«s, Pariu, 17G0, t vm, p. 16.". 

3 OlBL. DB GLAS8I0OS PORTUGUBZSS, Vg|. XU, p. St. (Fiu 4a 

coly XTl). 



A puluvra prattj significa, do mesmo modo <ohato> ] pta~ 
[tt#, plata, plaium \ grego platús, plateía, pi.att; ehaío é 
maia autiga, da moaroa orijem. 



eecar(a)fuucliar 

Verbo muito popular, com a signifícaç&o d« <e5g(a)ravatar*. 
iva-Ae du uma forma latina 8mr(i)phi4.ne(u)htre '. 



escar(a)meDtar 

Esto verhn t' aiittqíiÍK8Ímo. pois jA foi uaailo pelo trovador 
timlialdo de Vaqufiroa — «Todn "n soy escarmentado* — '. 

A forma com a intercalar é considerada plebefsmo. D. Car 
>lina Míirbaõlís de Vasconcelos atribui-llie como étimo o latim 
nperinientare \ que me parece improvável em razão da mu- 
lança singular do p em r. .Túlio Coma ' considerou possível ser 
vettrtnenttir derivado do ejícarmento ou ejtcramento ^ e este 
»roc«dL'nte do excromentuni. bipóto6« inadmissível, a meu ver, 
ttenta a signiticação. A mim j>arecc-me que a etimolojia será 
verbo latino popular ex-earminitarf j curmiuare ] car- 
len, carminis. «carda*: cf, emqnanto h signilícaçfio, f^ro/- 
to era iKirtugiiê», escamado, em castelhano. 
Otitro (itiuio, que ofereceria iguais, senão maiores probabili- 
tei, seria Carpeutes, < prufeti/^as, adivinhas>, nome derivado 
carmen, antigo casmen. no sentido especial de 'vatictnio*; 



> lÍBVISTA LfBITASA. IV, p. SWÍ. 

> CitAdo por 31ilik y ronUtuU^, Db Loa TitOBADORsa kc EarAfiA. l, 
133. n. II. 

' Rbtista LrHtTASA. III. p. 154. 

* Gat-XUKMH DRIt ar)J|AMM(.-HK!i PlIlUlUXItR, I, p. 778. 

> tavunnitado «m Rui il" rina.CKÒNtcA PR Ei.-itBi Dom Arnimo t, 
Otp. CXiM. 



neste caao teríamos de supor um verbo cannentare freqiifíQ- 
tativo de carminare, 'Vaticinar*, postulado pelo partidplo 4o 
futuro passivo curmínubuudas, empro^ado com valor du adjec- 
tivo. Outro étimo, que já em 1874 foi proposto por Sofo Bug» 
na Romauia, é ex- carpi meu tum \ ex^carpere, por excA^ 
pere, «aiKirlar, escolher do mal o menor, aproveitar». » 

Ris aqui uma abonarão ba^ttanle antiga du verbo e»cari 
tar em castelhano: — «Kt otroiisi teiienios |Mr bien que 
de esta puebla [ICspinar] que puedan escarmentar e peiad 
[piynorare] ' — '. • 

o8car(a* pelar 

Coulbrme J. Cornu do scalpellare. com a auapticticoL 
Toilavia, temos cmpcla do milho, substautivo, que parece ter 
dado orijeiu a èsla verbo. 



escarvar; esgarçar, excttrehar 

ITonforme T). Carolina MicbaHlis de Vasconcelos ^ o primeiro 
destes verbos, que pareoeui formas diferentes de uui ^ primitivo. 
derivar-30-ia de ex-carptiare \ carpere, «carpir, colbèr» 
(cf. caçar de captiare). átimo s»i admissível para ura dos sig- 
nificados, * tiiar a cera das colmeias > ; segundo Krniiug ^, escar- 
char proviria de ex-quartiare, «esquartejar'. O mais uatural 
pois é, con^açaudo talvez as duas opiniões, separar, o pnnieUv 
escarçar, do scguudo, equivalente a esgarçar, e dar a Ôste, bem 
comu a escarchar, o tStimo de KOrtinjí. 



> Jálío I*iiyol y Alon^w, Unn pacl>la un vi sjglo xui, ni « KoTnc liiâp** 
DÍqoc», tdI. XI, ]>. S^tU. (En de \t'òb, i. r. 12:>7). 



• Revista Lusitasa, Ui. IW. 

> LATaiMsou-ttOUAMiaaBBS WOrte:rbi'cu, Paderbom, H&O, lu^ 



3000. 



eâcanimba 

[■litta palarra, que se emprega como motejo com referência a 
)8, usou-a Rocbu Peixoto: — <A torpesa geni^ica de vários 
igueses que carreiam pam o contineuto. do Brasil e da 

a progeQie escarumba» — '. 
O artigo em ipie iam estranho vocálmlo recebeu foi-os de 
ilerAriu é de crítica, violenta mas justíssima, a um livro pu- 
'dicado tíiii Frant;a, act'rca de Pnrtiiiríil. livro em todos os poutos 
ie \tst;t iiiiHf-riimo e ridículo, infelizineute esiTÍto por portii- 
rueses. 

escasso 



QõBio t* sabido, este adiectivo pi-ovím do latim sraraum, 
«ODMguiutcueute deve oscrevcr-ae com ss, t nflo com {•; 
sr. atvMo I adnorsura. 

Como fltibstaiitiTO está empregado no trecbo sepiinte; — 
Ha agora mais trabalbo na ria, porque muitos braços sv ein- 
{ftm na apaulia de escassos» — ^. Ignúro a significação. 



escrivão 



O povo costnmava cltamar, com bastante graça, escrivão tia 
ma ijrande oa comprida ao varredor das ruas. que se servia 
d« uma vassoura de longuíssimo cabo, e a empregava inclinando 
ífiftc sobre o ombro. 



> Cjuiralo 08 Avemo. Ae 8 âx setembro d« \m. 



Mcusa-galâs 



Ksp^ície de embaKaçSo:— «e dCstes [parós] quatro se fixcraa- 
e servirara depois de escusa-gaJés* — '. 



P^ste rerbo tem o significado comum de < afogar apertanr 
as goelas>. O particípio esganado sigDitica «sAfrego, avarento*. 

K um derivado de gana, palavra que parece nfto ser muito 
antiga oa liogua, visto que Bluteau a nio incluiu oo seu Voca- 
bulário. 

Dii-se estar esijaiuião wm fomct e nesta locu^-ao o particípio 
esgmtado tem a mesma significaç&o virtual que o substantivo 
gana, «grande apetite, grande vontade». 

à acepçjlo primordial do \vt\x) esganar, « afogar >, pon-m,- 
não se compadece com tal sígnificuição. Ora, como é trivial esta 
outra iocuçilo ]iopular « »oh ea/tag de lhe arratifiar as ganas d* 
come7' fora», e nela inqueatíoDávelmente a palavra gmia quere 
dizer goela; é desta acepção que i)rov«ím o sigiiiticailo de ejffgatuir 
' apertar as goelas*. £m c<astelliano desgaiuir significa «tirar a 
vontade». 

A palavra gana é de oríjem germânica, muito antiga em 
castelhano, onde ainda boje corresponde a «vontade, desejo >,« 
de Castela provavelmente foi trazida a Portngal. 

De esganar se derivou esgana ■ doença nos càes*. Cí e-<ij'-- 
m\ar-se, eru castelliauo desgatutarge. 



1 Padre Muiacl BernArdex <De4erl9lo da ddadt d* Colombo > (Oi^ilAu), 

in BlBL. DE CLÁSSICOS PORTtlOErBZBS. TOL XLI. p. 92. 




esgufçaro, e&goizaro 

Eâtaã duas formas correspondiam antes a suiço. José Leite 
6« Vasconcelos entende serem de procedência Italiana *, e era 

lano se diz realmente svizen'o: é possível que niiljnini dialecto, 
vero. Ub suíços a si jtrójiriog se cbamam SchivUer, iiroiiuii- 

ido quási xeuiieer. 

Suif;a, corao rertn talhe de tiarba, é o adjectivo Muíça subs- 
ttfitirado, com elipse do substantivo barba. 




eB^icho 

• — « Bateiras de pesca. Ha três typos: o da bateira de Aveiro 

nhavo... e os d»)is typos murtozeiros: a hzhmja e a rkin- 
tAorro (q. v.) a que lambem cbamam ei*ijuicho. Kstas duaa 
Uftereui uma da outra em ser ,i segunda maior e muito m^s 

rqueada e levantada de pr^^a e ré, approxiinaudn-s^ muito dos 

ircos do mar da Torreira » — *. 



esmola, esnoga 

O étimo de esmola ó sem dúvida o latim eleemosyna, vocá- 

lo enteiraraente grego, ELKÈMo»t?NR. 'CompaixAo. di5> ] elbê^, 

ter di.1'. Os trâmites por onde passou taiu longo vocábulo para 

Fcbefçar ao trissilabo actual foram: ele^nosna^ elmosna, (almoftna 

na LivBo dk Â.r.BXANDBR: cf. cast, limostw}, esmohta, exmonl 

fcf. moleiro \ moníeiro [ rnoUnariuvi). Ihi forma fs^mottui liá 

.documento antigo, citado no Suplemento ao Núvo Diccioxàrio. 



* O Archbih.000 poiíTiinrÈH, v, p. ;(. 

> Loiji de MngaUUlvs Ou iiAnor>ti ua RtA db Aveiro, in Portaga- 
lfft,n. p. 61. 



TniusforiiiaçÕes análogas sor)'eu sincujoga. para chi>*ftr à dtna 
medieval esnoffa^ ainda boje em dia usada pelos jiidffin porto* 
gueses: sincujoga \ esnaoga \ esjtoga. 



espada, cspadela, ospadelada. espadilha, espadeiro, espiuicioi; 
espádua: espaldar; vspúlula; csputelu 

Eupada è o latira sjiatba, eui que o th foi traUdo lo 
fosso t I. Deste vocúbalo se derivoa esptulehi^ que além d 
nar uma espécie de remo, a que 03 franceses chamam 
é o notnn de um inetlniineiilo ay^ricola: — "A eifpmlela ê mu* 
espécie de podoH de nindeii-a, em qiie se distinge a rota, o /S» 
ou gumf e o jmnho* — *. 

Efpadfiada procede de cs)Milelar, e fiste de e^patlela. Bif^ 
ãilka, w\ém dí- ser o nom»> dii âs do i^pndoit em vários joga* 
de fartas, denota uma feirameuta própria de tecel&o: — 'Uini 
regoa de madeira clmmada cfipadUha» — ^. Serve para fnrinar a 
urdidura. Deve de ser castelbatiístuo em ambos os sentidos. 

Não são s(>meute estes os derivados du espatia. ou dos seu 
derivados; há muitos mais, que i>odem ver-se nos dicionários. 
Um délos é eipadeiro, «fabricante de espadas >. 

l>e eatpfídeiro. pronunciado eupqdeiro. com a surdo na 2."* sí- 
laba, declaram os mesmos diciointrios derivar-so espadeirada^ 
com a aborto átono da dita sílaba* e que uão siguifica o qw 
sua formação exijiria, a ser verdadeira a derivaçilo, «pancada 
dada pelo espadeiro, ou com. um espadeiro, ou fspadeira, ou 
fiiím espadeiro ou ejfptuie^a». (Cf. cutiliuía, catatuida. punha- 
lada), mas pancada dada com Q espada. ^De onde veio pob 
silalia intercalar -eir-, visto não dizermos espadada, ena 
aberto em e^fpàdeirar, t^pàdeirada, sendo surdo em espadet^of 

O VOCABILÃEIO POBTOOUEZ E LATDÍO do BllltCaU TCSOlve 



• Oktookakia Nacional. LisbuA. IIXM, p. 68. 
» 3 Portugália, i. 37(Í-S73. 



ApoHttln» fto9 Dirionàrúa Portuffuma 



-Hl 



taotas oiitrais dúvidas. Nele Dão está rejistado o substan- 
eapadeifoHn, mas luiicamente eapaldeiràda, que é definido: 
l^u.iudo 3a dii dl* ;>raiKÍia com a t>3]>ada» — . Deriva-se |.h>ís 
irirar, fjipríf dei rada d« etjKtlda, • (tuibros, a>stas • ; e esjtal- 
preitsiipòe tim primitivo e^j/aMeira, ou esjialdeiro, deri- 

como eypahlnr, <)c e^ptiU», *espádua(8)*, e tambfini c/í- 
V como cadeira de fj^paldar, que veio do mesmo Vociihulário. 
seiiit!lli:in^>a de eniuiUla com eajtada, »uprimiu-se depois o L 
08 difereuçava, uo derivado esinUleirada, consetvmiáo-stí 

.u-a, como teria du sê-lo autcs de l da mesma sílaba, fosse 
óu átono; cf. falta, faitar ema fala, falar. 

de notar que esi*àdua, cujmida silo derivados do spatbula. 

iutivò do spatba, o portauto orijiDÂriameutc o mesmo vo- 
Mo. Assim, espádua | spatiuila, com perda do / intervocá- 
|cf. mátjua de macula); espalda \ xpaluta, metálcse de 

ula. como eiipaldar de spalutare *. 

outro derivado artificial e recentíssimo de spatbula, que 
ra eaiptitala, ê e-*p<ikda: — -A espatela è uma tiiboinlia inof- 
va, que 5)crre para abaixar a lingita, atiin de melbor se poder 

pLTgaata' — *. 

eapelir 
Ko Miuho, 'expirar, morrer». 



espera (1) 

'onnfi antiga correspondeu te a esfera, [V. espera, na «Orto- 
1 Xaoíonal», do autor] ^. Formado do spbaera latino, lido 
r«. Koi também o nome do uma peya de arlelbaria *. 



Bkvuíta LpatTASA. m. p. 29ti. 
O Dia, de 2 de julho do I!XM. 
Uám, 1004. f. ã3-t;ô. 



espera (2), esperista 



I: 



Substantivo rixotóDÍco do verbo esperar. Tem rsr 
dos, e entro eles, ó o nome de umi peça do tear. ap^ro 
th órgão do pano *. 

— «Todas as rezes que entre nòs se caça & espera 
sempre feita a nma determinada espécie, o primeiro cu 
caçador, para ser bem succedído, é iropedii por todoA 
possíveis que seja notada a sua prespu^a. . . nesse caso 
rififa, nome dado ao caçador de espera, constrtie... 
de ramos, em que se embu8ca> — -. 

O vocábulo enjtera foi Uimbóm usado antigamente n< 
do * tu^r onde se espera*, «prazo dado>, «sítio j^nst^.- 
encontro » . 

Nesta acepçAo foi imposto a um cabo na Terrv Nora. 
ocasião da viajem de Cflrte Real. í «/«) da Kxprm. dt»n> 
que os inglese» converteram em Cape Spear, • cul>o dn _ 
Ctmipre advertir que o vocábulo inglês ttpear, actualmente |ii^ 
niinciado spíar, era há ixiti sérulon ainda proiuincíado 
Oulraã deuominavõea dadas jielos portiigiiesea a aridrr^"- h 
terreno naquelas parajcus foraiu igualmente alteradait, j.; .. 
formassem sentido em inglês, laia como Cape Race, por / 
RiiíMf, Ferryland )>or Farelhão, ele. '. 



«í 



esperto, espertar, espertador 

O adjectivo esperto, que tom mmtas acepçdos, m:' 
relacionadas com o seu étimo latino experium, \:> 



* Portng&lia, i. p. 374. 

* Joté Pinho, Ethnooraphia Axakaktixa, A CtfB, in PvrtvK^* 
lia, II, p. (»Jí. 

' V. H. P. Biggar, Tiiií totaoms op tbb Cabotv axd op 

IKTS BaAUl TO XORTH AUBRtCA AXD OrBBXLAXD. 1497-1503, Úl <tl^ 

IV llis|MUiIga<t>, X, |). M7, notiu. 



Ápoalitat ao» Dicionárioa PoHugueaa 



413 



•«li» p«R8ÍTo de eiperjíerc, «aconlar». ou com o vorbo esper- 
ar. toTc mu sigtiificatio muito especial, que vemos apootado no 
<iit« trecho:— <KTn me dando autoríeu^'ão para lUeã applicar 
Uíu f/-//<»v rv/wr/fw, intí m farei falar» — '. 

K-'jiir((uÍor é o nome que ant<es sp dava, e o povo ainda dá, 
m *\uf 08 cultos chamam Ue^pertatior «relojo com carrilhão 
ir as pe!tjoa.s n horas certas*. — *Um relojio de horas. 
'u t:a|K'rtador • — *. 



espoviUr, espevitado 

levitar uma vela ou torcida é <coctnr-lho o murnio'. 
>mo a luz depois dessa opera^So tii'a mais viva, dizemos t|in.' 

pcKiixi 6 etij.e>:itaífa quando ú espt<ria em demasia, e Utufua 
wiUtda è * língua desembaraçada >. Ksta iiltima expressão 

é rooderuiL, ptiia a vemos om text<o do xvii século: — 'Ile»- 
leo com grande c«pert*za e língua muito espevitada» — '. 



es(àAr, BBpear 

Como o Terbo se conjuga nas fonnaã ri&otvniiías com i. e 
i ei, dSu há remMio seu&o escrerr-lo sciupre com /. Tudavia. 

que houve confusio com os verbos em -iVir, como aconte 

)ra criar \ creare (q, v.). 
Deu-se portanto confusão eotre fistes doia verbos, de tam 
ííente signifiraçSo, pois o priínein», de orijt*m ^ermánlia, 

dizer •vijiar», e o segundo, coulorme D. Carolina MichuA- 



> AJti>Miío <le ('AmpuH, O M^RQUiss \>n Pombal. 
* .Vntúnio FnuicUco Cardiíu. Bataluas da Cojitaxuia ue Jmlv, 
klu», IH!)(. p. 8Í1. 

António Fnnnico Uardim. BATAiatAs da CoHPAjmrA ok JnfCe, 

lâíl4, p. IA. 



lis de Vascúueelos, derivado do latim ex-panare \ paDiim \ 
designa — >acubar de fíar a estriga que cinjia a rrN:a> 
gundo a detiniçâo do Kôvo DioctOKÀBio. 

O latim paous, ((iio^ria diwr — «a canela de fiado, 
de lã preparada para ee fiar» — *. I>e ex-ji/mare provir : 
e depois expear, que dereria coujugar-se e^rpeía. e nti 
Todavia, euptar, neste sentido, poderia também ser ca^/HiMI»': 
cf. liar j ligare. 

espiga, espigo, esjúí^o. espigiifim 

O primeiro destes votíâbuli>s designa a parte tennij 
liaste de cortaâ ^amlneas em que se eouteem os grAos, 
mentes; as do milho cbamam-se prtípríamente maçarocas, 
que também se aplica ao liabo que está enrolado na roc^ 
ceiro vocábulo, forma aumentativa, quere dizer \una ponta 
cada que se crava em qualquer parte para segurar a peça i^\ 
pertence. Xeste sentido vemos a forma espigo, não rejistad» 
dicionários, empregada nn trecho seguinte: — «no centro da, 
inferior ha um espigo de ferro onde entra a segurelha [q, v^ 
madeira » — . 

K provável que espigo não seja pri^priamente a forma^ 
culina, corrospou dente à feraenina espiga, formação aViii'; 
um-ã\ {i-f. cesto e ceti/a), mas sím, o latim spioulum. •l^-minn* 
tivo de spieum, \ spica, que designava em ktim o : 
alguns insectos, do lacrau, etc. As formas intermediária? loi 
^pigxiluyn, eapigoo: cf. bàgo(o), de baculnm. 

De espiga se denvaram vários vocábulos, tais como 
gu^iro, nome que também se dá no norte ao eanastro (q. v.) oi 
caniço, mormente se é feito de pedra e c^l e não de Térga oij 
Icauaa. 



* RHrif>TA LrsiTASA, m, p. 158. 

* J. Aiit<>niij Raiii.iliio, Magxum lbxicx>n LATr.<«trM bt LcutaI 



Apoxlila» am JHeumàrim rorttt^ueêt-s 



415 



espilruT. espirrar 

A priííiiítru ilestas formas é popular, e mais conforme com a 
jlojia, que v uma fórum latina expirulare por pxjnlu' 
t|. pílula (cf. pirola, que tem a niasma oríjem). A forma 
fintiiiiifliite anterior a eypilrar é espirhir (cf. mfífra [ ineru- 
lCb, p hilro ; birh, que é tamWm 1 pilulum). Eninrrar pro- 
d« assimilarão tio í ao r seguinte. 

espinho, espinha 

'»pinho é o latím spínum (forma de transição espio); eáp{~ 

o plural spina, tomado como siogular femenino, que tem 

^acepções priucipais: o «artabouço ósseo dos peixes», «bor- 

'. No norte, para particularisar este sentido, diz-se eítpi' 

ifirava: — «Nascou-lbe uma espinha brava no hombro di- 

espojar, espojo, espojinbo 

proniuicia popular é expojár, cora o fechado átono. que se 
te era aberto, quaudo é tónico: espOjo, espoja, etc. Oscar 
kobiliii.' - dá como étimo a este vocábulo, que 8ÍgnÍ(ic& <relK>- 
r-fie no pó, como faz o jumento », e daí, < arrastar-se pelo chSo », 
todiare | exspodiare ] spodiíim, ua significação de 'ciuza>. 
xjjinhn, que poderia ser um deminuitivo de espojo, eignifíca 
remoiubo de vento que levanta p<5»: — 'Faltava, porém, uma 
jrova mais convincente i\n que o pó elevado no valle do Orinoco 
elos espojinhos (como aqui rbamanios uo Alemtejo aos remoinhos 
{lequeflos cyclones que aspiram o pó)> — '. 



» Kicnriio Joije, A ruHTB budosica no Porto, |». 4. 

> Boi.RTtM iM SnniRDAi>s UB i;noa»Ai-BU DB Lisboa, ^m 31- 

* < • Sím;i'LO, Jp 10 líc março de 19U2. 



espreitar 

Este verl>o. usíido em português siímenb?, qne eu sail 
rivs-o D. Carolina Michaêlis tl« Vascoucelos de escjtlii 
por expUcitare: Confronte-se empreita, «tecido de palmii 
implicta, por iinplicita, que cúnfirroa a etimolojiu; t£ 
estreito I xtrictum '. 



espremedicinho 

Êate singular demiuutivo, de espremeâiço \ eí*prcmidv{ 
premer, aplica-se a uiu nnímal mais pequeno e eufezad< 
outros da sua espécie, eiu meio dos quais vive. 



esquartejar, esquartejadouro 

Èsie verbo quer dizer partir era quatro quartos. « 
pi>stas». Singularmeute o emprega António Francisco 
tiuiii sentido que é uni contra-senso. e é natural que Ihl 
ocorresse a orijem da palavra: — «ficou o império esquai 
em três partes*—*. 

O substantivo eftquarlejtulouro, feito à semelhança do 
rissaye francês, é recente, mas perfeitamente admissível: ^^ 

— -O sr. Martinho Giiiniarães, vereador da Eazenda mtaio 
pai, propoz aos collegas que o transporte para os esquarU^jadoQ- 
ros, dos animaes que morram na via publica, seja feito om car-^ 
roças da camará, que nâo tenham outra applicação* — ^. 

O tei;mo era já oficial, visto constar do Decreto de 7 de 



> BSVISTA LUSITASA, lU, p. 146. 

' Batai.hah da CoMiMSfftA D« Jkhuh, LiAbiML, 1394, p. 217. 
* o EcoNOUibTA, (k 24 de marvo de ltJíl3. 



J^víSfiVrts «'»« rHrifuttirion Purfuíittcti-H 



417 



^reiro de 1HS7. Ainda bem qae o estrambótico êqitan*t8êage 
lorryu á oasceoça! 



esquilo, esquio 

nome deste formoso animal, que suponho n&o existe 
>ut« 00 nosso país, Úwe ter a iiiesma orijem que o frau- 
fcttreuil, isto é, em latim sc-uiruhts, gcuirolusi, derivado 
s^iOruB, que era o seu nome latino do grego sKtouBos; de 
modo seria estraordinário que o sei- latino produzisse ea- 
A forma é em todo o caso singular, convindo advertir que 
A^icente escreveu esquio, e não, esquilo: 

'PMg nJl» i riirAii, 

Nvin gineta, nctii «Hqaio, 

Ê tun bichinho Tndin <. 

!m castellhino rhama-se-lhe ardiUa, mas também se disse 
luilo, que j»clo l é mais eHjiaiiliol, que portuguí^s. 



esquina, esquiueta 

Como Dome de jdf^o, não colijido nos dicionários, é o francês 
lansq^icnet \ alemão land-it-lnecM, «soldado do milícias, e nome 
de jogo >. V. Júlio Moreira, in Rkvihta Ia*b:tana, iv, páj. á(i7, 
onde vem a abonar-âo de Cajuílo Castelo Uniiico: — < Arranchava 
com vadios uas noitadas das tavernas onde se jogara a esqiiineta 
ê monte» — . Parece a J. Moreira ter bavido a mui provável in- 
luéncia da palavra esquina. 



' Auto i>a8 Fadas. 

Í7 



4\i 



Apoêiilaíi ao» Tiiciuv&rias l\irluij»càes - 



esquioonto, esquino t« 

— 'para apeirtar o fundo das vasilhas ou (Ic.ocngrn^-li 
ein|)regain [og oleiros] um pau aguçado, n enquinole (Baíâo) ou 
esqui iuinte (Villa Secca)» — '. 



essa, eça 

Júlio Coriiu, nos ^Kleraeutos de Filolojia Komànica*^ ', e, 
sei se já antfs dt^li^ D. Carolina MictiarOiít <Ie Vuscoiiceloí 
dicou a etiinriíijiu deste vocábulo, nioilt-riminfiit^ esrrit4i eç* 
errado, como tantos outros. iJeriva-se êle do latim eri 
menino dn partieípio passivo * ersum, di* frijfeif, e sif 
porlanto ' erguida». Com efeito, sio numerosos os vocÃbuU 
que a rn latino corresponde ss em português; tais são trai 
pex.'íoa, liêifsoyo (também erradameut« escrito petvgo). do li 
transuersa, persoua, (malum) persioiím, etc. 

Fernám Miíndez l'into ^ escreveu aquela palavra ooni 
eesm=é>tsa: — «hom cadafalso... e no meio delle húa tribal 
de doze degi-aos com Iiua eessa qmisi ao nosso modo,... « — < 
A i-avjio diístu escriU está em que era neLessiiriu diferençar 
TOcíLbulo do femenino do pronome ff^se, Ciftia, que no sou tem] 
como ainiiu luijf ao iiorle do rfitio, eni proiinnriaílo éifsa. sem 
metafouia do ^ um t'. que se manifestou ao depois no sul, e 
centro, de onde era natural Pinto. 

O apelido Eça, porém, tem de certo outra or^cm, e na 
SEOBiXAÇÃo [cap. ocm] encontra-se escrito com ç, diferei 



< Rocha Poixwlo, SoBRBVirEXCiA DA pRiMrrrrA BODA OB ou 
EU I'oRTi-UAL, ÍH Portugália, ii. p. 7i>. 

> GRrNUntHS DBIt ROHANISCtlBN- PuttwOLOtitK, 1, p. 702. 

» p£KHOiuNAÇio, Lisboa, ItiSu, cap. clxtii- 



%* 



ApoBtiloã aos IHcionârioa Portt^ttfBefi 41!) 
1 * A. ' * , : 

ortanto (]a'4ue1e outro vocábulo. Com ç o escreveram igualmente 
oão de líarros e Diogo do Couto, nas Décadas da Ásia •. 



^ estandal 

— Xanca t.inti}« cstandaes 
Ardero' ante o seu altar. 

Kstes versos fazem pai-te de uma poesia do « Caucioneiro da 
aticana» (a 807), traoscrita por Sousa Viterbo no seu artigo 
a candeias na industria e nas tbadições populares pob- 
BofKZAH *. Parece designar um «renque de velas acesas». 

estanhei ra 

— 'Nas guirlandas e estanheiras lá se vêem os serviços de J» 
obre, arame, estanho, ferro e barro» — '. É um cabide para j 
>u^-a, o que em Espanha se chama e.yiefcra, era Trás-os-Mon- 

estarira 

K urn termo de j iria, que significa «prisão, calabou\'0>. 
Xo calo, ou dialecto dos ciganos de Kspanha, estarão quere 
izer 'preso», estar ibel, «prisão». 



> Já imblicadi» Osto artigo na « líiívista Lusitana>, tii, 1900-1901, donde 
extmí d" i:iiiii kves alterações. F. Míndez Pinto nasc«u em Montenior-o- Velho, 
falecou em Almada. 

* in Portugália, r, j). 3í>8, 

* Joríi; da Silva Picài», Ethnoorapiiia DO Ai-TO Alemtbjo, in Por- 
igalia. I, p. 'WS. 

* i^u]ili:iiK-nt'i ao Novo Diccioxário. 



-lau 



AjiosHtag not JJiCftnúnat iVr^H^M«m 



estatelado 

À este participio adjecUvado de lun verbo egtatfln-< 
Novo Dn:oK)N\Rio orijem incerta. Com poircíi pr'*h;il'ií'il 
explica D. Carolina Miclm^lis de Vasconcelos pela lt>rnu 
de eyiátua, estatuía, de aorte que estatelado estaria por] 
iulado. Seria no ontauto singular que uni verbo, eujii lig 
ção é 'ficar estoudido>, fosse tirado de iiui unvac i|ue 
dizer «fígura erecta, erguida, ein pé» '. Me^^tmo \ntrA t> 
que alterou estátua em estatuía, esta última forma desit^n 
pre « fipiira de pessoa, em pé» e uSo, «estendida nn cli 
A etimolojia, pois, está muito louje d** sftr eviíliMitr. 



estatuário, estatutário 



Nenlium dêittes adjectivos é português, como derivada > 
estatuto. O primeiro, a (jiie ia felizmente deu cabida o Novo. 
cioNÁBio no Suplemento, vc-se bem ser um disparate, ido 
por quem inventado, pois estatuário dcriva-se de estátua, e 
de estatuto; o tioguudo é c^pia do francôã statutaire. 

Se se querc à viva fôrça fabricar ura adjectivo « 
estatuto, deve èle ser estatuto | statutua,-u,-um. 
estatucional: cf. oonatittirional: \ constituição: con 

Pasea-se perfeitamente, porém, sem tal adjectivo, p>^ri|U*>4 
ê de rigor esta fa}>rÍca^-ão rle adjectivos, que caracteriza m( 
uameute o estilo artilicial e Uijpérriíuo do certos cscrítoreSf nl 
que deu orijem ao célebre adjectivo mundial, o aiuda fto 
célebre estadaalf 



Revista LcairjUíA, iii, p. 158. 



esteira, esteintlho 

étimn mais evklente i* o lalim storea; mas nào ge explica 
i,o e (la palavru portii^tiesii, a dho ser que se suponha, o 
violento, uma orijem imediata de iim castelhano estuara; 
ite 1 frueji/e \ frontem (V). 
Leite Vasconcelos snpõe stuíaria. por baplolojía stnria '» 
irta prol ia Itil idade, pois se jiisiiticaría o esiera castclbano, 
leotc. 

derívado esteiraliu) vem assim desoribo Das Xotah etuxo- 

[tcAs DO coKCKLun PA KiouEiBA *: — ^ EsfeiraUios — 

relhos empregados para a pesca da tainha e outros peixes 

lores; coniniíttfin irimia por^^Au de ^iíl^Irus de bunho, liga- 

imas ás onti'a.s> — . O termo uilo está eolijido noâ diinouá- 



vâtope 

»ta palavra ê nissa e entrou em moda. para desi^ar uma 

isíssimu planície naifiiele paí». Nilo era ner«ssária, mus não 

lito inconvenjpntp. K claro que a lV'iam liuacar au franctts 

08 esrritores pnrttifru^ses que a emprej^aram, cora excep- 

le um único \ une saln' perfeitamente russo e a acomiwiou 

bnguêa c«>m a forma ^atepa, cnino etn cãHlelhano ela foi 

la. Cumpre, porém adverUr qtm a palavra russa é stepÍ, 

kciada qiiási sitépt. que é feineaina o tem uni único p, 

f*o» dois com qno os franceses a eufeitaram. sem motivo 

im. Assim teremos de liiiter em português ou a cttrjM', ou a 

le se prefere: pela miulia parte, ati^rada-me mais a entepe; 

lo nenhum o efieppe, que é um barbarismo. 



RsvtsTA LritiTAHA, til, p. 200, nota. 
ín PortatfttliiT. i, p. SSfi. 
jí-ifiiim Ciiti-iiílírri IVilroftii. 



4!!*i 



Apftríilns ant Diâoniirint Ihrit^ftêeaet 



«stiar 



Km Bragança estiar o gado d «pMo à sombra*. 



estojeiro, ãstojeira 

É um Deolojisino muito bem feito, para significar o (AbríoMr 
OD a fabricante de esicjos: — «quando fíilta ti-abalho pan s 
ajuntadeirus, estas vao auxiliar aa gravateiras, liirpina, f tnit- 
jeiras' — '. 

estou-fraca 

— «A Pintaãa, OulUniui da índia, GallnUia da fl* 
OaUinfut da Numida [aliás NumidiaJ, Ktttou Jraea on 
leaffrh, é uma curiosa ave originária da África, pertí*' 
Êunília dos gallináceos» — *. 

O nome provém-lhe de am grito particular, que é a rox 



ICairanjeirismoít 

Km 1ÍK)2 publicou, pela Livraria ediloni Tavants '' ' 
& Innào. Cândido du Figueiredo uui livro iuUtulado 0^ ■. 

OEiniSMOS. 

E!s5e3 estranjeirismos silo o^rtos vocábulos e locuçòt> 
rias línguas, entre elas a latina, que a meúdo se int«ri . 
texto português, elucidados com explicações que aclant 
tido delea. 

NAo li dêases estranjeirísmos que aqui vou d:ir exempiovi 



* AailiHOfiatm de Sunto Anlúnío, in O Ssuimi. \\c'H dvjtiUimlfl 
> Gaskta nxit Ai.DHiAfl, t]« 14 do iiturço ilc liH>>i. 



olhidoâ vm leitura do periódicos principaliiieate ; é dos que «ilo 
mráveis por íoúteis, e que. principalmeDte de locução, fefví- 
laii) na r^svritu hodierna* txn mzão dos traduções tvitus A presiu 
por p«ísnas inábeis, que tendo pouca leitura portuguesa, o ijino- 
rando a índole da llu^i^a pátria e o tesouro da sua linfçuíyeiD, 
iiuo da tricial de que se serve o povo, utilizam a tort« e a 
lir*Íto fxpressdes estraulia^, sem sombras de propriedade ou ne- 
:i«t)il:L4le. 
.^Quando tais esiranjeirismos eram de vocábulos, ^o»é Ináeio 
' as^inalapa-o» por uuia iiiiloziíiba no seu Din:if)NAaio ', 
i;itido-i>s iNim um t"0mentjirio, mais ou niènoa .severo, con- 
intv o seu emprego menos ou mais justificado. 
<'nniipiurei (M^la palavra cstranjeiro. 
Kotmt) já, até na liuguajem oficial, a locuçfto elípkifa ir ao 
ftrunjeiro. marular vir do exíranjeiro. etc. K um galicismo, 
}aB eatranjeira, como substantivo, sem mais epíteto, queru dizer 
o indivíduo eslnuijeiro. que pei-tenre a outra uacÍoiialidade>. 
ím [Mutugnês dizia-se i> fora (do reino), mamlar vir de fura, 
pode, com maior clareza e raeuos ^entaculídade dizer-se: iV a 
fi-fíM ettíranjciroA, numdnr vir de paisfen) eftrunjetrofs), etc 
Apontarei mais alguns estranjeirismos. corrijindo-os. 
1.— Vinho de Ifueellas. é tudo que ha de melhor—*. 
Este galicismo foi, creio, introduzido pelo gracioso comedÍ<}- 
Gervísio Lobato, que por outra («rte era bem português e' 
iculo nas suas engraçad^-i pe^as de teatro. A correcção é — 
pode ner bom. 

Cuja oMfendenria era tudo O que ha de mais humilde e 
Ignorado—'. Correcção: 

— cuja antendencia era. quanto ponitlvel, humifde e iyno- 
rtiila — . 

2íí — Cov\ uma pneumonia tem guardado o leito a Snf* 



> O SBCfLO. <li! 14 -iv ■■ftt.iriKtu il>> U*02. 
' ib., de 1i> ii iiar<iinbr4j tio \'M2. 



434 



Apowtila» aos Z^tCTmiiiríM S^nrtuyutttÊ 



IJ, Mw iHC^t^ào Duarte — '. Deiíiwnde-si! qur am- 

cadon. on mandou arrecadar o leito a taJ seabora, e que \>ami 
a dormir em caiua-de-chao; oir enlilo, que íez uni ^ ■ '^- 

late, mandaiido guardar a raiita. quando maia prt j 

É um galicil^mo, a todos os aspectos rídiculu, pOM nem IfH" •' «ni 
francas Ut, ma» bois de lit, quando é de madeiro, nem ^m tal 
seutido se di?. em poriii',nii>s tjuardar: o que se diz é ^r.- ^ ■ tb. 

3. — já abandonou o leito — , quere dizer em p«] p 

se nào serve dele». A correeviio ixjà se levanUt. 

4. — .4 jalt4t de toda e í/u-alquer n^nnnardo nã>* if^rmtiU 
ajuntar credito — ^ Crédito nfto se ajunta, o que a* ajuat» * 
diuheiro. quando óie sobeja, o que para quási todas as pesso» * 
cousa rara. Correcção: nào permite dar eredito. Traduiiu-se lul 
o francês ajouicr foi. 

5.— engajadas. . . n^ forças *: é o francês cngatféf»; «v 
português diz-se empenhmias, trapada.?. 

Vou em aegiiirueuto apontar uns pnucos de antr^ 
lliidõâ na mesma lulha perivídiou, o uno pui^^iadu. u 'i> 
truduyiio de Inglês. 

6. — os maiy sanguíneos nt<ín>jikilíUí: — em inglêti aM*jmii»e, 
que quere dizer •es)H-iauyados>. 

7. — .1 França e a hífjlaterra tinltam arranjado — (tucl** 
airanged), isto é, eondtituuto, 

8. — O orffuJJiú jtipouez eonaiUue utn lúen^moio tã-- 
naqueUe povo, ipie deira de ser ojtctHif ubjertif d'unia •■ 

{K$o — . Há aqui um auglícismo de sintasse, que torna absolvkf 
mente íiiíntelijtvel o conceito. 

Si.~e nobre elles [os factos consuiuadoa] nejoreiem ■-■■'"' " 
Japão, iijnoriindo tt» pretensõe» da Jinusia (inglêii it/i- 
quere dizer apondo de parte, desatendendo'. Em pÕrtugité» 
ujwtrar si^ifica < desconlie4::er, nâo saber». 



& ih. de 2» de outubro áe lfX)S. 

» O Dia, de 25 de junho &e 1904. 

* DuRio DB NoTiuiAu, dc 27 tie igorto de 1904. 



estregar, esfregar 

Níivo DiocioNÁBio dii, como inservAo própria dêle, o 

fijftrt^ar, com a sipnificaviio fi« — «transferir para um pa- 

tãlitia, etc., com uma boneca embebida em pó de carvAo, (um 

snho picado) » — . 

. Como L-timo oferece-uos em dúvida extergar, do latim ter- 

fum; o extergai; porém não figura nem do dicionário, uem no 

IttphmcnU). 

À edição dos Lusíadas da 'Bibliotbeca Portiigneza > , numa 

lota â estanca 39 do n Canto do po^nia. dii-nos o seguinte: 

— •Kfttreffando. 1.* e 2* ed. Mas he visivelmente erra ile 

|ímpre.ssAo, porque em nenhum author clássico, nem no mesmo 

^amõt!8 [como se èle iiiio fora o primeiro clássico], fora dí^sto 

logar, se encontra similfaaute verbo; e quando o poeta o trouxesse 

^do latira e.vlergere. ou do cj^telltauo e/>tergar. por isso mesiuo 

[ue o introduzia de novo, twcrfveria eMenjar e não cítiregur, a 

de ser entendido. Emendamos por tanto etfrptjamh, como se 

^ê na ed. de F. de Sousa* — . 

Sempre foi-am muito divertidos estes comentadores, que re- 
)lvem as dúvidas que teeui por meio de mciociuíos seus, e'* 
Muendam os textos por couta do autor, com a roais suprema 
;n] -cerimónia. 

Na escrupulosa ediçfio de F. Adolfo Coelho ' a referida es- 
l^a veio impressa do segninte modo: 

— Vencidos v«tii «]o itono e mfll desperte», 

Bocijanili.1 ti niiaiio, se enciHitiii-íUi 

Pellu ant«n.-ks, todoo mal cubertoe 

Contra m ftguiloa ftrea qu^ a^soprarAo; 

Os olbu» contra icu qnt^ror ftbertu», 

Miu eí&fg&ndo [eiitregandu], os membros eistiiaifio: 

R«niediu contra o sono buwar «[tK-rviu, 

Hi»tortiui contAo, cumo» mil rufiirein. 



■ Do Dlario oe Noticias, 18SU, dUtríboiçio gratuita. 



Tefo o <Íonto professor n ciiíiIhiIo ãtt p4r ambra n^ rofitiolA. 
mas infelizmente deu a preferência ji ecfrcffar, que deveria «tai 
ffltrt' o puri'ntese. e fvtrfifar, fora dêle. 

l^uem escreveu a nota que citei, e euja autoria nÍA vi t 
quem {lerteuce de direito, ou de torto, engauou-âo no ntn cv>- 
telliano, pois eMrenar, e nOo, entfrffar, é que se dbc e Ete «srrm 
nesta lin^uii, p é uni freqiienUtivn on de cxiergare \ fXUr- 
gere, «apagar, desvanecer*, ou de e\tercre, < roçar •, isM i 
vxierieare, maia provavelmente do primeiro, udo obâtani* 
ràrioã opiniões em contrário '. Quanto h metátcse do r de -tef. 
é tam frequente, que não vale a pena juãtiticá-la: cf. preiuts» 
a perJHizo, upreiaf, castelhano, e a{/eitar, portuf^uês. 

/;K quem disse ao anotador que o vocábulo seria neolojismo, 
se todos os ilias termos vulgares passa:u a literários ? 

O português efjregar represenia o iatiui ex-fricarr, u 
Heira-ltaisa roçar. Em costelbauo existe fregar, tuas it&o. tf 
fregttr. 

estreloiço 

£m S. Miguel dos Açores significa — •rumor repetitíUD r 
forte»—*. 

i estromento 

É a fornia antíu:» do hiyhutnruh, «documento». 

É já da baixa lalinidade, stiumentutn '. 



> r. Kítrting, LATBixMOR-HOMANiBCaaia Wúrtbrbtch, ISílI. n.' 
2iH8. mu e 7818. 

" O Sboulo. de 5 de julho de 1901. 

> jAHRRaBBRICHT tillKH DIK FoRTKCHRtTTaOBRItOUJUnSCHBSr PlU- 

LOLOOts, Tt, I. p. 119; Rui âc PfDA, Crònioa dv E[/-Rri 1)ox ArnxifO t, 

CAp. UV 



esturião, esturjão 
f 

— ■ Mandaram hontcm um maguitico estuijão, ou esturiAo. 
IWLB vulgarmento coubecido por gõlbo-roi* —'. 



etário 

Extravagante adjectivo: — < Náo ha edadvs poupadas: aa victi- 
vtíetn de t^daâ as classes «Urias, desde ou 2 auuos até 
SO» — '. ,*:Oade iria o autor buscá-lo? 



uuplocomOf eupliícamu 

■ O Novo Diccio.vÃjiro iocliiiii a primeira destas formas, defi- 

ulo-a: — «que tem cabêllo tino e eDcaracolado • — . No Suple- 

lento emendou euptôc*>mo em cuiilôramo, que t*^ra a forma por«, 

lim empregada uo capitulo Lindas e liadas que cscreri para 

Ri.ENEKTr^ DE GuocnAPiiiA Gkrai^ Av M. Ferreira iK-iis- 

l^dado '. Mgumdo a classiticaçAo de Frederico Mnller *» que aiio|f- 

tara «.«ita expressão. O epíteto i homérico kitplókahos, tcom 

bonitos caracóis (de cabelo)'. 



e(u)sra]dunac, t^Kcalduiio, esraldune 



H A primeira destas formas vem no Kõvo Dicgiokábio com o 
M na primeira sílaba, que alguns dialectos vascouços rejeitam: 



» o SlwCf^. de 2<> «1.1 matu do 1900. 

* Kicordu Ji>iií, A rEHi-u buuumca xo Pohto, 1900. p. 55, 
> l.úhMA. ISí'l, ji. âH. 

* (ÍRCXDKtSa DBR SPKA(Il|W|8SB.XHCaAKT, t, t .' pOTte. 



significa, não, como dl/, o mesmo dicionário, <va3couço>, iwniuc 
este adjectivo se uSo aplica íis |>«8ítoua, mas à língua ou ao que 
['Com ela se relaciona, como literatuin, etc, era cast«Iban<* co^ 
mce: mos sim « vascongado *, aplicável às pcsi;ou>^ ' 
trorÍDcias, etc, como o vaupont/ailo ciLstcl}ianú. < »s va 
cliamam-so a si próprios e(u)graUlúnae, no síngutur ^(uífenlfiuná, 
como sujeito det^nniuado de Terbo intransítivo. e(upca}fÍHi 
como sujeito de verbo transitivo. Ora sendo á. rir, 'ac o artij 
^definido, suprimido este. fica a forma efu^^icalxinn pliinil fnurní- 
dunes, qne sflo as usuais castelhaans. mai» espanholadas ru^W- 
(tunú, euscaUunos. Devemos, pois. dixer em portuifUí^s t:<riilJ-,h^ 
^ou CMcaldune, ou cscalduin, plural escftlduitj<: [lareriMiu- ii-' 
i^rivel a primeira das três. À língua, o vawotiço. ehamam-lfao ro#' 
tara, e os nossos antigos esf^ritores deuomiuavam-na hUrainho, 
!« aos vascongados bhcmtiíws, transferínilo o nome do um dí»- 
[lecto e o de uma província a todo o domínio da Eufcalerria, 
)u terra dos vascongados, as VeL^anigaditu, como dizeui ns espa- 
nh<iis. Os francese.H chaniaiu-Uies respectivamente h^ Btu/fnet, 
le bii.tque. i^ Paijs hu/tqui', 

A etimiilojia do substantivo euse^tra está por aventar, c 
Van Kys ' tem razuo em repelir a que foi proposta a mt<do poc 
Guilberuii' de Hnmboldl *, no seu notabilíssiuio escrito ÍntÍiiiU't'> 
< [uvestigavôt» acerca dos babilantes primitivos das Kspitnl.. 
isto é, qno provonba de um verbo eusi, com a siguiticavÂo d* 
< ladrar*, e por extensão 'falar», pois nfto é natural qno <|ri.iV 
quer jtovo desijínaáse a sua fala própria com semelliante u^iij. 
Àb línguas estranjeints, isto é, à castelhana e à francesa, com os 
quais estln era coutado, chamam os euscaldiitins er<lt>rn, que 
couforme Humboldt, 8Í{pitfica, <(a liuf^ua) da terra», por uposi- 
çào á própria, a euscara on vasconça. 



i 



< W. J. nin E;rS DiLTtOlCXAlRB BABQtTS-rRAXÇA», Pari«, 1973. 

* Wilheli» T<m Huiiitwldt, pKOrrNU obr UxTKfrarcuuKOKH Cbrb 

t>IB rKIIKWOIIKER SPANIHKS, ltt2]. 



extiagiiiilor (extintor) 

K nm nRolnjisnifj. que pfideiÍH ser substituído por e.rtinti>r: 
Na doniiiif^o ás ^ horas da lardt? r^aliísa-st; no Terreiro do 

p4 a piperit^ncia dos extingindores I<eixis [sÍc, alíás, I^evis] 

w. Corloden Hoiuan> — '. 



facba 



— «Apooas subsistiram [os braadõís], atravi-s de todo o 

sso industrial... as lumieiras de colmo que do noite 

Ipiinin tios ciuniiilios e logarts iscuroi) v aiuda a.H fachas com 

]ue. para certa pesca, se desvairam os cardumfs ^Cavado, Ta- 

jega, etc.)» — *. 

yacha, femeuiuo ínteressaute de facho, que quâsi uAo é 
isado pelo povo, equivale aqui ao qno também se chama mn- 
itio, ma-4CQliuo de candeia \ latim cuudola, «Teta>. 

A palavra 7«''^ procede do la;im falc(u)la. e o r/ latiuo 

[produziu r/i pnrtuguís. romo se fosse inicial )cf. chave \ ela- 

[peuiK pur estar amparado pelo l (cf. abelha [ apic(u)la). 

7aropre diferençar na e.scrita, como no norte diferençam na 

ronÚDcía, esta palavra, do vocábulo /ara, <cíiita>, de faseia: 

c£ feire \ faacem. 

íacbis 

É muito conhecido este termo em Macau, pois designa as 

[4iiu varetas com que os chineses comem, e que lhes servem de 

To. É palavra chinesa de Cantão, fa-chi, que passou ao japo- 



« o E«JS<>MiflTA, fie 26 do ftiituhp. «lo l^tStí. 

> KocJm PeiívU), Ii.ti'UtNAÇlo rurCLAit, tn PortagBlí*. il, p. SS 



■^«0 




ApovtHuH ao» thctoniirum í^rtuyucm-t 



mis. em que ae profere Jà-n. Os jioituyufsta cfist.umam Ui«ir o 
vocáhulrt no plural, couio é iiuturalissiiao. vistrt nunca sf wiipre- 
gar uma só dessas varetas. Feruáro Méndez Piuto cbama-lhe 
pauzinhos: — «Km suas cortesias sho [os chios} bomeos de uiníto 
primor: nu luodo de vestir, asst homeus como mulheres, uiuvto 
honestos, e muy bem tratados, per que goralmeute se fàMm 
inuytas sedas no reyno; a t«rra é muyto fértil e nniy ahiiodosa 
df mantimentris, frtiyUs, ay:o;is, inuvtu singulares; jardins uiuyto 
frescos, toda maneira iIk montaria e caça: ni\o pOHm inân no 
comer, mas todos geralmente, pequenos e grandes, [comem] com 
dons pavizinhos por limpeza* — '. 

Os malaios denominam o dito talher TiKap (pron. i|iiásí rft^ 

Farei aqui uma observuyAo a uma nola. que, com o numero (^), 
vom na memória de que extratci o passo de Fernám Mciidâa 
Pinto, constante da cartai, qu4: (■ nela o documento L* 

O texto, que lielmunte transcrevo, como lá está. reza assim: 
— *Teiu mais AHey oyto fidalgos de seu conselho inuytíi letra- 
dos e de grandes prudcucias, com os quaêes [tricf despacha Lodoâ 
os negócios do Keino. também estes nuuqiia saé fora da t|0rc4fyn 
cerca por nhilm caso ate a morte, a estes chamão vlâos (5*!.^^^' — - 

A nota(') diz: — «Na tradncfilo hesi>anhnla publicada em 1555 
vem escripto f.lao: «tendo |?1 en eata repuLiciO le muuda 11a- 
mar de qnalquiera prouincia de su reyno en que este y le ui«t<! 
en el targo de Ulao». Ueve ler-se vtao, porque nesse tampo 
se escrevia v por « o w por v» — . 

Informarão errada: o que se escrevia era v inicial por u e v, 
e u medial por v e h. A emenda, portanto, é temerária, lllao 
ou Uliiu deve ser a forma certa, mesmo porque*/ seria gruf» de 
letras impossível em chim. 



* Orí:«ttWio Aires, FbrxIo Mkndkj Pixto, Lisboa, 1904, p. 118. 
s HÂLANGes CHAstEJi UB Hauu&z, Lúáã, liSOtí, p. 193. 



^jMVititiiM noa JUrioiutriíin í\irt\irjufnen 



4S1 



fada, fado. fadar, fadário, fadista 

Fíuh ií o latim faliim, 'destino. ?.m&>\fatla, o plural deste, 
^lAi. No sentido de sortes ventureirmt, «para saber a sina*, foi 
Io por Gil Viceute uo Acto was Fadas, isto é, -auto 
.■ã: » — 

— «Duc uni praier 
A qnwii vi>3 Wm quer, 
E «Lif buoit fii'Us 
NiiB eonraullm-liis » — . 

Sina fq. v.J é também o latim signa, plural de si|;niim, 
[lie os eiípauliiíis dizem sino. 

\}vi jado, no sentido do «siaa'. se í\í:x\\!í ftuUtr. fadário. 

*'{tdú tomou um sentido futalisti para denotar o < deâtino iucon- 

trast.-tvid. o viait fado. descnljia iriuil^ cómoda, invocada pelo 

>vo. jiara disfarçar a ptistlunitiiidade em resistir às teiitaçòcs di^ 

lãn cumprir o dever, nem respeitar o f\ecc>XQ\ foi fado, foi 8Ína!>. 

/'«'/o deaiffua no 8ul a «profissilo de prostituta >, efndisia, 

it rnfirj(>>, ou a<|iiele i[ue fre(|úeiiia assiduamente os proàtíbiilos 

(íirdÍ!];irÍos e pa-isa a viJa ouiu mertítrizes. È êiTO pronunciar-sc 

t oin o rt aberto, visto que nicgui^ju pronuncia fadário, 

i4ui j"iinr. Sin<''aÍmoíí He fadista ^o fainufe e faia, íocàbulos 

itÍLuUoi>u ídentifi cação. 

fagueiro: v. afagar 

Kst« adjectivo significa hoje 'agradável, brando, carinhoso», 
laa antigamenii' queria dizer, como o castelhano halaffilefu), 
■ enganador, traiçoeiro*: 

— « ílst© é fftlso e fiigueiro, 

Sorrateiro, 

Qu.indo rirdes íst< c4q 

[>!vati AfmpK um pao na mÍo> — * 



» Gil Vicente, Auto das fadas. 



Kste tpniio, do fraucês ^íiíem-e ! ital. faetira. ií> roíiitu usaÀ» 
hoje, para designar uma casta de louça, niio transparente, ma 
vidrada, e ])muda uiuicos vezes, a que dantes se cbaman 'Ittofl 
de pó de pedm>, a qual se diferençava da «louça do reino*,» 
ser muito mais tíiia a pasta: — « Kxistem aqui [Coimbr ' 
espe-.ie:! de taíauça: A chaitiada iiiipropriaiueiiTe de \ 
(professor da Universidade, que, quando muito, aperfnçoou 4tj 
fabrico desta louça), e a cbamada ratinha» — '. 

Xiin) anúncio publicado no jorual O âEccLo. do 16 4l 
março désto ano, lê-se o 8ef{uiate:~«A louça é toda em pi^ de 
pedra» — . À parte a ex trava t^áucia, boje ridiculuinente arrwB*- 
dada do rrancõs. de ein]irt>gar a prcpoxiçAo em pura datimiar* 
Inatéria de que uma i-ousa é feib (c Uiio em que o i), temos UjOt 
um exemplo, colhido em tla^^i-ante, da denominação {x^rtui^uvui 
pó âe jiefíra, correspoudente ^ faimv:a, por oposição a /ío 
e a louça do reino, bastante antiga, mas não mtrndoi... ... - 

Léâsíco de André Nemnieb ". 

Quanto a ionça em pó, ua linguajem de toda a gente qi 
fab português, quere dizer «louça desfeita, mais meiída / 
fora em cacos*; pelo que não admira que o anunciante .<,'(' 
como dizia, quáni de graça. 



faina 



Km castelbauo diz-se fáena. e ê termo de bordo, qne sr it^ 
ralizou para significar «trabalho, azáfama», o francês !> 
*o que cada um tem a seu cargo fazer». A palarra i cataUí 
jahena j latim facieuda. plural de facieadum, participio do 



* o .Sbctix», i\t 17 d« mniu du IftOO. 

* WAAHBKLKXtKOS Vi ZWOLF SrilACHKS, HomboriÇ», \1^\ 



itom passivo d» facere, que deu vm portv^és fazenda, em 
t4>)Iiano íuili^o faziejiíia, moderno hnrientia. 
Kto cutilfio n(n) resulta do wl latino, ou romáuico: cf. anar, 

irtuguês andar. 
Uutru foruiíL cutolil do mesmo focábulo v fnpia, na qual ahe 
condeusou om ditougo, com deslocação do acento tónico, como 
obserra do vocábulo castclliauo e no poríiiguêa. 



falaclia 

A verdudoiru detiuiyão deste vocábulo contém-so no seguinte 

i; — -Uezeude, 28. Kscrevem de S. Cypriano, deste conce- 

10... em quaiiti) que m mais paratoa se entreteent a comer 

ttarJui.f tlHdiKí de farmba de caatauba pilada)* — '. Fliii geral 

úie^n nas dvtiuivòes o epitcto pHatla. 

A oríjem désto termo já. foi dadn na Uevista Lusitana ^ 

foliaitcula, ou foliacoa, mas uâo me parece bem segura: íPor 

mxão de // não resultou Ih:' Cf. pUio \ filinm. /ilh/i \ fol- 

ioia. G. jcomo é que -rea deu -Wui no segundo étimo?. 



falsr, parolar, parola 

ito verbo, como o castelhano hablor, antigo fahlar, procede 
lo latim fabulare, que, com parabolare, substituiu na de- 
idência os verbos loqoi e fari, com o último dos quais ii pri- 
leira vista «o poderia supor que o J/ilar teria re]aç:ao. Para 
Eonvenvimeiíto do contrário hasta couriiderar que y^iri é o ínlinito, 
a que corre^tpoude a primeira pessoa do prosente do indicativo 
fateor, 'confesso», de quo procedeu ronlUeor, «confesso-me ■. 
DoH dois verbos /a /'ff^jr/' e i/arabolare provieram os que 



> O RuiifOMiHTA, tic 31 Ar jaoeíro de 1SI>1. 
• voL rr, \>. -iHl. 



Apostila» am DicitmÁriat /W(uy<mr« 



nas UoRiuis românicas, com eícepv^io ilo i-omeno, rr"- - -i-m 
ao loqui líitino: fabiiliire jú vimos que proiltmu^i. 
|iarabol:ire deu o cãtalio parlar, o francês pttrler: cib itaUaaa 
íísistetti atnlios, com ;is formas parUirr. o JhvrlUire. 

Destes vtjrbos se diTivantm, ^u8|lecti^um«^t«•, a fala. d hahía, 
til parla, la favélla ; mas em fraacês, para 8u desiiniar a fah, 
emprega-se pnrulf. \ parábola, que dfu ao (K>rlu;j:uut4 prím>ír<» 
paruvoa, e depois jHilacra, ao easl«llmiio futlabra. e ao ilabAuo 
paroltí. IWste, ou autes do fraoctis pnroler, veio o jKtrtugut'^ pa- 
rolar, cujo substantivo verbal ú jMiroUi (V* v.). 

Fnfn se deuomiuava daiitos, e aiuda não está olísoleio, o q 
Oâ fruiicHStiS cbaiuii'u tirnrU; que, por gaticií^ino inutJl, hã pooM 
tempo é cinprtígado pf^r escritores qii« aS lêem franc^jt, (e s^ 
hm» como o sabem), para desiguar om «lougo (ltsi'un>o-, qon 
na tríbuua, quer principalmonte no tcatm. Kta siíttema aotigo, 
du escola cbauiada romântica, introduzir o artifício des^s i^raadci 
falas, em todos os principais papéis de qualquer comédia, tmpfi- 
ein dos actores, e também dos e.ipectadores: — « A própria U«àk 
quer dizer Afaln de tranco desespero» — ', 

Do verbo falar se deriva nm dos raros participios actinc 
{K^rtugueses que aiuda se empregam como tais; assim. /• 

Deus, voz clnmanif * por eiiemplo. I>ix-se que uma (•■ » 

bvni falante, quando tem verbosidade, facilidade em se exprimir. 

?Jm caslelbaoo, ao coutrãrio, diz-so hien htAlado, eiupifirao- 
do-se o partící]>Ío passivo com valor de activo, ãintass« lainbo^m 
muito portuguesa, como vemos um csqtiectdo, • aquide qu» v^ 
(\uece * , pressentiiío, «aquele que pressente >, eto. 

Outro piirticípio activo é htile \ tonentem: — «e no 
ter^'o assistia por logo tente Álvaro PiroiS de Távora • — *. 
diise luyar-tenenie. 



> Antrtnio do Cain[M>s, O HAfiQi*Be db PoitBAt.» in «O SmoIo», 4b 
da nurvo «le 1899. 

1 tíil Víctmtt-, ACTU DA HlrtlVlRM DB DmiS. 

1 Jcrátàmv ile Muntlufii. Jo».vai>a db ÃriUCA, L 1.", cip. ▼. 



Aposiiiii» itoH Jhrf/nunos l^rluffuats 




435 



tii)i|Ui'jar. faUjuear 

htirioN*.\Rio Contem pnitANKo dcHiic fsto verbo da segiiiute 
)nQa: — «o mesmo que fal<[iiear» — ; e evajalquear Uíx: — » dei- 
tar (a madeira) com niiichado. enxó* — . Todavia, ísUi parece 
lâo Bpr rií.'orosanieute certo, \'isto que .ToBé da Silva Picáo. do 
!U estudo 1'jTHSo«)Kaphia no Ai.to Ai.kmtkjo. estabelece día- 
), que a definirão não faz: — <80 trabalham piu pé [os or- 
pint-eiros], vemol-os coin o macliado, vibrando ^o1[ies ««rtulros na 

I madeira. . . desbastando assim de fah/utjo, para depois aperfei- 
eoarein á enobiW — '. 



falua 



O nome desta embarcação, muito usada no Tejo, parece ser 
'o nieiímo t[uej'alnra emharoaí.ào das costas da Berbéria, o árabe 

»Fet.iiK; neíle caso, porém, Jultta pressupõe outra forma, peLutj, 
com a terminavíio de unidade pqluur. No dialecto berberesco 
H i^ mal 86 ouve. correspondendo em valor à cousoAute inicial 
«las palavras comeyada^ por vogal eiu alemão, e por isso foi 
elíuuuado. 

família 

«e no distrito de Leiria éiít« nome ò. «totalidade da f<fente 
'^tffci*&uma propriedade a trabalbar>, aluda que as mais das 
ir«zes ueubum parentesco tenha com os donos da casa ^. 



familiar, famãial 

Dantes, todos os autores se contentavam cora a primeira 
lestas formas, a única verdadeira, do latim famíliare 1 fami- 



* tu Portugália, í, p. Õ44. 

* Infonuaçíu do sDr. Acácio dv Paiva, dali natnml. 



lia. Modorudincnte, t/s friini.eses. que já loboiu JnmiUrr, Ak 
mc&raa orijem. porque ê9t« adjectiro adquiriu a ac«p^Q 4e 
• trivial', e também i de «confiado, qii« não ii8a dt^fi^réocM «a 
cortesia». loventAram outro adjprtivn iucorr«citssÍiD<i Jninilini. 
impossível em latim, visto baver já / do vocábulo radical (cf. it- 
giilure ■ regula, cora morale | mores), e «ieram-lhe o wi- 
tído de «relativo à família >. Como ora uma ii]('j)rrerçán, sa 
barbarismo, foi lo^ sôfregameute adoptado em pnrtu^és. por 
tópia: — «Pondo em preseuça vasos de egual ondiiluçâo liiKor 
e ornamentação com o mesmo ar familial* — '. Deveria t«r-« 
dito familiar, ou. de família, porque uiio é f^n^ã qne p^H 
cada substantivo baja um adjectivo correspoodeult*. como é iB 
moderníssimo e desnaturai. 

Com maior correcç-ào vemos familiar empregado no - 
trecho no mesmo sentido: — «Como se v6 claramente, : 
da corrente geral das ideas dos publicistas sobre as- 
familiar» — *. A relação expressa é a mesma. 

Se oxtratarmos dos dois trechos aduzidos os adjt-ctiv^s ['ár- 
idos com o suficso -ar, ou -nl, veremos a constância da regra. 
que é: o sulicso lejiiimo é -ol; o l muda-se em r, se o TocáhaUí 
radical contém /: ij/uul, geral; linear, e portanto /amfTuir. 



fuadouro, fonadoiro 

— <E por fim o fatiadoiro é a espátula grosseira tiom que 
[os oleiros] alisam as superGcies ou gravam os ornomeotos • — '. 



> Bochi. Peixoto, As OLARIAS DO Prado, út Portagalitt, i, p. 301]i 

* rrojiHTto àf. lei sAbra o DiTi^rcío, aprrwntado iê Curtes em 18 At 
niiu^o dç 1MÍ)8, prlit rlt-pulsdo Paurtc Sampaio o Hdo. 

* RuClia IVilotíi, S0BHRVIVR.SCIA OA PRIMITIVA SODA DB OUIIW 

SK PORTUOAt,, in Purtagalia, 11, p, 76. 



fanSo 



E^ita palarra, muito frei|àeiit« nos nossos escritores do xtt 

xrii séculos i[ui^ ^e retenraiii à índia, é. conforme o Glossá- 

de Yule k Burnell ^ de origem indiana, malabar e tâtntil 

tnam J sánscríto i-aKa, < moeda >, mas primeiro, <bõlo uo jogo, 

jianda < '. (>s portugueses receberam o termo dos árabes e mou- 

>8 qae faziam comércio uos mares da Índia. Kra de ouro. mas 

depois canbaram-Do também de ouro com muita liga, e mesmo 

le |>mta, Possuo uma destas moedas de ouro baixo; é circular e 

)m o diAmetro de um r<^ul de cobre da nossa moeda actual. 

foã principioíi do século passado o sen valor era deminuto, pois 

kqniralía a dois dinheiros ingleses, isto é, 40 réis: — «Quatro mil 

toena de renda cada anuo, que valem na nossa moeda 400 cru- 

faqui; faquir 

São dois vocábulos diferentes, e com diversíssimas siguifíca- 
i: fitqui, em árabe FaijiE, de piiqe, «saber teoliíjico*, si- 
itíca 'Jurisconsulto • ; faquir^ em árabe ragiR, de iraijan, 
pobreza», que quere dizer 'frade mendicante*. 



farinbar; fannheiro; farinheira 

Km Avfiro j>ste verbn aplica-se aos tabuleiros dos marinlias, 
[quando nelafo sul come^-a a alvejar. 



* A (}r>as3AnT op Anolo^Ixoiam wordb and i<hra8ii8, Ijondrc», 



tãtlO. 



* Xunnter Williams, A Sanhkrit-Exoi.tsh DtortoxAwr, Oesònia, 



187* 



> Lacotui, VniA uo Padre Francwco Xatikr, »2, col. t. 



A acepção de fartiiheiro é difureate: — * Villa Novi dl 
Foxcda, 1. O eaiiido geral das vinhas é regular. O qu« Ua 
apjiarecido por aqui é a moléstia a que dilo o nome <le jary 
nheirw* --'. 

Qualquer destes vocáhulos deriva de farittka. o íodioi as- 
pecto parecido com o dela. 

Farinheira desigua um chouriço feito com gordura de |KWCt 
e farinha ou meolo de ]>âo. 

faro. farum, fera, brfto, farouejar 

Duas orijens se atribuem ao primeiro destes vocábulos: a pri- 
meira, proposta por Júlio Cornu *, é dissimilav'ilo de/iuno. sub»- 
tantivo verbal de frairar ] fragrare. farar, com i*vda d« í; 
cf. rôsfo ; rostrum. Com rclavJio a esse i procedeute dey, d 
etUeiro | iyitêgrum. cheirar \ flagrore \ fragrare. 

A 8<jguuda é apresentada por D. Carolina Mlcbai-lis de Vai* 
concelos, com muito enjenho, mas pouca probabilidade; Jitnt 
' farol >, J grego p*ino8 ^ 

Com respeito a farum, o Novo DicciONinio derira-o 4» 
faro; se considerarmos porém que bodum procedo de 6(w/f. t 
designa o rcpnguante cheiro deste anima], /r/wcíím o «cd - 
carne fresca >, é aceitável o atribuirmos n farum, «rlirií.- . 
fera*, a derivação deste último subãtautivo, que a mesma in- 
signe romancista lhe atribui *. 

O e Àumo de ferum passou a a surdo por mfluóncia do r. 
cf. amaricano por ameriratio, a terminação -ária, j)or -rrw, 
de cutelaH/i, cast cuchillería, para moderno, a par do pernt 
antigo, o qual subiúste no falar desafectado, O r em grande 



) O Ecx>NOinâTA, do 4 de ftgoarto do 14^4. 

* (iRr.NIXtlSO DBR ROMANI8VHBN PUILOLOGIB, EltrubOTgU, HSH. U 

p.772. 

' nwriHTA LrsiTAKA, m, p. 100- 

* íb. p. lôU. 



iro de línguas exerce iiifliiéDcia ua vogal que o precede, e 
elai) a «terceu em laLim, ])or exemplo; cf. corpus, cor- 
íoris '. 

Ko Suplemeuto uo Ni^vo Diccionábio vemos farum. como 
9Ddo splicudo uo Miubo ao «cbeiro do mosto*. Nesta acep\'âo 
fundou provjUelmente Cáudido de Figueiredo para o derivar 
le JartK 

De /aro T^rmou-se um aumentativo, /or/ío, cujo ieva^ farom, 
>u fnron, d«u orijem ao verbo fanmejar, o qual ficou em re- 
lação a esse autnentiitivo, como farejar para faro. 



ftfião 



Rm Viaim-do-(ja.iLelo ouvi dar êate nome a uma atueixa 
ide, sàhte o comprido. 



fiiteixa 

Conforme o Diocionabui GoNTEMPouANEn. esta palavra signi- 
let; — «ferro como a ancora, nias mal?* pequeno, com trea ou 
|o«tro uuhaa para fundear Itarcos menores. // Gancho de Cân- 
'dieiro. / CTteusilio de ferro em fi^rma de ancora eui i^ue se de- 
^udurain carnes para estarem exposlad ao ar. // F. ar. Kkathf 
{tíàka, kliaUéfJ* — . itiuteau, que escreve /«/^xa, dá somente os 
loU primeiros sígníiicados. Km qualquer acepção vê>se poróm 
^que é um objecto com fçauelios ou unhas para aterrar, segurar: 
— - e doze arpeos de abalroar com suas fateixas talingadas em 
cadeíu de ferro» — *. 

O étimo apontado no Conteupobaneo, e que o Noto Diccio- 



> Vfja-M Pndn RoíLuelot, Lbs AKTioVLAnONB iblasdajbbs, Pirns 
>1S. 
^> Pemftn Mtodn Pinto, PsaBOBiKAÇio. CAp. lviu. 



Apontilnã. Rofl Difiõnâriog iV<Hjrw<*t« 



njI&io escrove eatefe, é o que foi defeudido por Poct *, im 4 
traoãcreveudo aa letras árabes por èle apresentadas. Hífiir. !>•- 
pois de uos explicar ser regular a repre^eotaçilo do som da 7.' 
tetra do alfabeto arábico por / nas lin^iiiLs peoiusulareif* U^nniu 
dizendo: — «celui ^le chaiipemenl] du / en x ne Peai pas. miii 
il faut appliquer ce que j*&i dtt dans rintroâ[uction], à «arou, 
que Ia dernièrp cousoiiiie, qu'on entendut mal, est souv^ot rhu* 
gee arliítrairement • — . 

Doclaro que me não dou por courencldo: compreeDdo»iíbrf«t- 
tainente a trora entre t, /, r, n, consoantes boiuor»ráiiira!i: sit 
aceito, ÍL sombra da regra geral qtie fununlnu o abalitodo ar*- 
bista holaudés, que um / fosse tam mal ouvidu, quo 6e rHprr?>tih 
tagite por ^, a nao ser que desse estranbo fenómeno se apreae»* 
tem muitos mais exemplos. 

João de Sousa ^ não traz o vocábulo; Flguílaz v TauguM 
sujere rafAXic, que diz signitirar crucibulum \ isto 4, « 
nho>. 8e tal palavra existe cm árabe, uuo sei: n^^H di i 
que pude consultar não a encontro; mas ainda quando .^..^'^ 
a EÍguíHca;ão de modo nenhum convém. Outro tauto direi A 
FafatxE, a que no Vocabulário úrabe-franc^s de Uelot se dã mim 
correspondente o f rancei Juxée. o que pela sua estrutura mais m 
compadeceria com a palavra portujínesa. 

Deduz-se de tudo isto que as palavras árabes que foDolòjic»' 
mentA puileríam produ/ir a portuguesa fnieixn, ou Jattuxi, iiê 
inaceiiáveiâ em razilo dos setis si^niiticados; e quo a unic-a, aprt- 
seutatla por Dozy. e cuja siguiHcayão se acomoda às do rofJbuU 
portugui?s, tem d« ser rejoitada i»>r aiusa da aiia iiij-om[i3tiliib- 
dade fonética. O ./ só pode provir dus leti-as 0.*, 7.". 20.*, ou 2(i.*, 
o X somente da 13.^ e uão há vocábulo arábico que. com siffã- 
ficaçao apropriada^ satisfaça a tais condições. 



> GLOSfAlKIE OBB MOT8 BSCAliXÚLS BT PORTrOAtS oAsnlto M 
i/Arabb, ÍMÍâ, ItitiO. 

• VUSTIOIOS DA LlHlíOA ARAHtOA HM POKTIJO*!.. 

^ <il.OHAKIO DK (.AS PALABRAS nPAÂOt.Aâ OIS ORIOKK OIUIOTAL. 



SAbre o í<ÍgQÍfícado do vocábulo arábico p»TaixR escreve-me 
o sur. Duvifl U\\Niz qne Dozy, no seu Suplemento aos dicionários 
dá a s«guitit(! detiiiiçtiio: — *sac án papier Aãn» lequel 
tDtít de la pomire et qu*on iittarlie à uu roseaii; mis en 
itact avec le feu, 11 vole dana l'air comme deâ serpents ar- 
le&te» — '. K pois •foguete>. 

fato, feteiro 

Bata palavra é germânica, conforme Freilerico Dinz ': alto 
leuúo antigo fmza, a que nos outros dialectos geruiãuicos cor- 
ipondem formas com t em vez da dúplice z (^fO do alto 
kl^m^n. Parece que nesses dialectos significíi «roupa de vestir ►. 
Na realidade, o vocábulo fafo aplica-se em português a ves- 
I, com excepção dos que se rliamam roupa branca. Antes, 
tr^tn, teve ftígnificados muito diversos, e no de «robníilio de 
coincide ainda coiu o costelbaiio hato, aut«riomieQlo 

f5io. 

Noa seguintes trecboa, ^ldoa extraídos das Batalhas da 
>MPAifUi.\. DE Jesus, do Podre António Francisco Cardim, 
le vor-se a evolução do RÍ|e;nificailo: — «puseram o lato na rua 
lara o coattscar» — , isto é, 'mobília e todo o trem cio casa* '. 
— «fazendo muitas vexavões U')s christíos, para delíeis ti- 

futo e dinheiro>^, isto C; «far^nda» K 
— «registam [revistam) as pessoas e o faU>» — \ 
Em umu a(.:epçâo particularíssima é empregado Ôste vocábulo 
w\o FaJru Gaspar Afonso, na sua castiça e interessante < Rela- 
1^0 da viajem e suc«ss«> da uau tSam Francisco •: — 'caudeia e 



* St^TPUAMENT AVX DICTIONNAlItBB ARABBS, 11, 239 ^. 

• ^VMOIJXtlSCtlBS WOnTBHBUCH »BR ROHAXfSCUBif SPRACHBH, 

I, 1370. u. mtb V. hato. 

> Liiboa, I6»4, t>. 104. 

• i/*H ib. 

* i6^p. 2Sl. 



fogo se tlã ern cada fato. como ellea cliamam ó^ câau «lo qitl 
moram os Seiílioros ioa Ilha espanhola ou Haiti| » — '. 

Fateira, adjectivo, vem no Snplemento ao NOto 1' 
BIO, como termo transmontano, pnr evernplo em arca jt 
«arca para arrecadar a roupa >. V. roupa. 

faxa, faxiua, feiíe, feiíota 

ftste vocábulo representa o latim faseia, 'atado*. « 
tauto deve eriíTev^r-m cotn x. e não. eh. K ualural <ta«4| 
étimo imediato seja^^'^^"'- ^^^ inetâtese de se. em 0*. 
feUe I famiii \)or Jui^cí.-*: cf. pexe. pei.re | fit' 
cem. FíLchui (e iiào, fachhui) é mu deriíndo, pr- ' . . _. 
orijera italiaua, onAe famua, desigua «bra^ailo de leuhs*. 

Arêrca de faxina, como unidade de lenha. e4|nÍTil«ltt] 
60 K. em achas, veja-se o Suplememeuto ao Kovo IhccioKií 
onde se encontrarão outras accjí^wí do vocábulo. 

Faxa, com o significado úb feixe é tratismontano: — «A 
mala tiulia-a em casa no meio de uma faxa de palha* — *. 

Outro termo da mesma orycm, fascis, é fei.rota: — «1 
drilhado ou calcado do pizo conser\"a-8e roeio occiíUo pelas 
e gravetos do piorno que em feixotas. se applica \»ic\ a 
biistifel na lareira'—'. Nao prima por correc^*;\o (jramídieJ' 
exemplo, mas nio tenho outro para o sultÂtituir. V. facha. 

febra; íereni 

F. Adolfo Coelho denominou em português fobuas dv 
TBs as diferentes evolav<>c<s lu^ uiu>^ forma primordial ad<iOÍ| 



« ÍH BlBI.. 1>E ('LA88ICti8 POBTVOUBKBS, Ti)L XLV. \t. 4tt. 
' VII.I.A-RB1AUKNSR, ÍH « O KcuniftiifftU», de 24 tle ftTrteini Í» 
■ J. <U Silva Pieio. ErnstooRArutA do Alto Alkmtkjo. i» P« 
galift, 1. p. 541. 



Ayaatilaa anã Dieionário» Pttriu^r^a 



■H3 



f produundo vocábulos diversos, como pov exemplo remitia e rri/ra, 
aiubos procedenUs do latim regala, Bem a(^imyão de outro 
t elemento de derivação, preticiío, inH(.so ou sutícso, o sò pela ac^So 
' df Iftis foníiticas distintas, exercidas era períodos dieersos da evo- 
luçiTo do uma língua. A este fenónieno dão os franceses o norae 
e ãouhlets, e ns alemães o de scheidefot-men. A denominii^So 
ojo mais lidopUda « a de alóiropo.t, que quere dizer, copio é 
ido, * váriuít, uitidáveis>, e, nu^te sentido parlicalar, «que 
mam dírerçòes diversas». 
Asãim como de um s(J vocálxilo provém mais de uni, por 
efeito do leis fonéticas difHrent««, que nele operaram; do mesmo 
moilo, de duaa ou mais diçõi-s distintas pode resultar um vocá- 
bulo aò, em que se compendiem, se reúnam os sigaíHcados de 
as, porque a operaçiio de leis fonéticas as redu/iu a um único 
rodnto, identidade conseqíieute de foima em uraa dada língua, 
011 em mais, comparadas entre si. Vou relVrir-me aqui somente 
á primeira destas hipóteses, exemplificando-a com o português. 
A palavra fitit' compreende os sígniticodos das duas latinas fidare 
I e filare, e a homonímia é devida, não a processo psicolójico, a 
1 evoluvão de signiHcado, mas à operação de uma lei fonética, 
^UsioVijica portanto, a hem dizer mecânica, a queda normal de d, 
^■oo de l na posii^o fraca, isto i*, entre vogais, era português, o 
que é uma das caracteristica.s que o diferença, com relacfto ao 
latim o a outros idiomas deste derivados. Outros exemplos do 

h efeito dessas leis fonéticas são: -sr, corr«sjK>ndendo an latim si e 
se; prego de plico e praedico: e nâo já eiu vocábulos distintos, 
mas em forma,s divui'sa3 do mesmo vocábulo, »ò de solum e 
Ksolam, amava de amaham e amabat, ete. 
|B Alguns desses homónimos diferença-os a ortografia õsaalf 
com melhores ou piores fundamentos, como vali' e valle, pena e 
Hbmmitm. retrato e retracto, cear e dar, soar e suar, piis e pus; 
^^utros não os diferença, devendo fazè-lo, como eonct^far, conecso 
com perio. e ccncertar. «conijior» (melhor concertar, de con- 
sertus, particjpio pretérito passivo de conserere); outros, con- 
uaato homóuinios na língua literária, não o são em alguns dia- 
ectos, como lenho e laniio, laciía e tojca, nós e no£, pajiso e 




paço, osso e ouço, cozer de * coccre por coqiiere, e oaier d« 
cons(u)ere, e a ortografia usual avisadmncDte os coiuem^ 
tintos. 

Nenhuma língua europeia mais do que a francesa fih^ 
apreseuta desses boinóuiuios; bastará citar as formai »à (»»cnti 
íflua, »aw), Bcnt, eent), e sê (min, taint, nein. seing. oerti, 
cinqí: dez vocábulos reduxidos a dois. 

f, no sentido de L'oniwr>'ar distintas pela eamta forniu uai' 
Ucatlas pela proniliicía, que se dii serem as ortografias elimol^ 
jicas essencialmente conservadoras das línguas literáría^i; • I 

facto que, pelo menos nas pessoas que possuem couli'' ■ '- 

litenirios, essas orlo^Tafias exercem certa inHuéucia n 
de alterações extremas nos vocábulos. 

Quando esse critério desaparece, ou ijuaudo uma tingiu ttrr 
htrga cultura literária antes que êle se manifestasse, o imp^ 
das leis fonéticas determina einpoltrecimeuto no vocabulário, pçll 
produção de muitos homóuinios, e altorafões fnndameu 
íframálica pela confusão do formas anteriormente diversas. 
rívadas de um mesmo radical. No primeiro caso temos Itorooii* 
mia no lóosico. no segundo homouimia na morfolojia da lio 
c esta última tende a imprimír-1)ie carácter diferente. 

r>á-se a estes feu«imeuos de uuiticavAo o nome de nnMiò- 
TROFus. poRUAs 0OIÍVKBJJSKTK5, chamaudo assim àquelas qw 
resulLim de duas ou mais oríjioãrías. Vè-se que dste proceaio^ 
o contnirio do que primeiro indiquei — o de iN.)nUA3 divkrjvx- 
TE9 ou AU'iTmjp(>s, O qual é nm meio efifa'<í de uma lin^ua M 
enriquecer, ao passo que o outro determina a sua dcpaupera^-iai. 
como disse. 

Do mesmo modo que dois ou mais vocábulos ou forioii 
distintas podem, como vimos, pela operaçAo de leis fonL^cicai, 
adquirir na passajem de uma a outra língua, ou dentro da 
mesma Im^a, uma forma única, na qual se resumam ok rigu- 
fícados de todos eles; assim também de dois ou roais vonibuloi 
procedentes de liufruas diversas, pode resultar um que compreendi 
as siguitiiíaçws daqueles de que provvm, Hguruudo fá 
essa operarão fonéticii como nm produto puramente psicol 



evoluçiko do digiitliraflo prímilívo de um deles, o que se eliama 
Idcâeuvolviíucato úe sigi]Ílicaçào>. acrpçOks divkrsas de uu 

íbulo. ou SRUBIULOJIA. BKUANTICA. 

Nautas circuDstáncias creio eu que e$t& o que acima cítcí: 
fuera, fevra, ou febra, ao qual atribuo étimos dístiuLos, cou- 
19 OS seus dois priucipiii» siguiticodos. 

Blutfuu (la-Ihe u se^íuiute súiie de signilícaçíes: — «pbvera, 
f«¥era gu fíjvani, ou (couio dizem os Cultos) Fibra, As levaras 
como buns rios de cnrne que se acliào oas exlnjin idades do 
Igado, doá bofes, ete. Fibra, w, Ftiii. Cie. 

Veverus do a^-ufrão. . . de ul^tiuiad raizes que tem tíbras di2 
lio... 

Homem de fevera: Vid. Alentado. Valente. 
Kevfra, ou carne de fevera. he carne sem osso uem gordura. 
^ulpa, iv. Feni. /Vr.v> — . 

À falta de melhor, poderia liilveK, com grande violência, dedu- 

ír-ác do primeiro o último destes siguirícados, supuudoK» uma 

tpliayílo particular de sentido, como o são os inUTinédios. As!i>im 

feito, quo eu saiba, todos os «timi^logos que deste vocábulo 

ocuparam. 

F. Ad. Coellio, uo seu Diocionabio Manual KnrMOLooico 
uxuuA pouTL-iíUKZA, díz O segníntc: 

— «Febra, (èbra; a parte musculosa dos vertebrados comos- 
iveU. V. Kíbra. Nome de divei-sos tilamentos vegetaes. Filamento 
ttil. Nervo, força, valor. (Lat. fibra)' — . 

O DiCCIONABIO COKTEMPOBAKEO DA MNOUA KIBTUaUEZA. 

|ue dá, aWm de /iííra, três fomiOA^ ffieern, feura, febra, referidas 

úlliina -dJi outrua duas, atribui também a t'>das a elimo- 

latina fibra. 

A última signiticavão de Hluteau é aí dada como 2.*, e por 

^ Ad. Cotílho como 1/. Diez [Ktvm. WòfiTEBauou dkb boma- 

irBCHKN I^ph\chek] n;lo traz este altimo signilícado, e dá couio 

imo de /oArrt igualmente o latim fibra. Korting [Lateixisijh- 

fiiiAKiMniKa WõETRUBinjH, n." 82211. ^ ^ mesmo, e é prová- 

que a ambos passasse despercebida a definição especial que 

lu dá como última. 




4i<J 



Apoêtitaa aon DicionJriwi Fortuq»aieM 



Jotlo de Sousa omite o rocâJmlo ffhra nos VfMTtr)n>s o 
LiNQúA AAABiCA KM PúftTUuAL, tí i! jiorlauUi (Je |ir(^siniiir que 
toiDbC-m Ibe atribuísse orijoni latina. 

Outro taoto podemos dizer de Doz^ e En^cliuann IGlossaisk 

DSS SICTcí ESCAOXOUB KT POBTUtlAIS D^.RTV^:S DB I/AdAHK], COR- 

quauto o priíiitiiro d{'»;te8 oiifiitalistuã lizesse «in outra oira 
iDBn^Tílo do vocábulo arábico do que ine vou ocupar; tc-sr porém 
que o núo coti.siderou r«^pre.si'iit.ado na Península Híspãnira. 

Kgiiilaz >' Yaiij^uaí taiiiliéin u nilo mencíoiiu uo si^u Oi^Muiitj 
Etimológico dk palabbas kspaJIolas. . . de urioen ohitwtaíí, 
e i mHsmo de supor qne o arabista, espitobnl deKcoiihdva o eigni 
Hrado espacial do vocábulo em português, lin^ia que, cora a9 
mais da Peuiiiãiila. foi iucluíUii no Glos^iárirt. 

O latim fibra, pois, tem sido para todos os utimúlogos 
orijem do portu;íUcs fehra, em todas as suas acepfTies. A (rouclu- 
sdo scri>i talvez [ejítirua, apeíur de o 6 medial latino jXTuiauecer 
em vez de se mudar eni v, como devera acontecer, vi»to o vocá- 
bulo ser popular: seria Icjíiima. repito, ati< Tacto positiro que 
iovaiídassc; agora, porem, creio poder domonstrar que já o uiko 

Couvencl-me disio ao ler, com toda a ateii\'ilo que uieroott^ 
um excelente trabalho apresentado ]>or Hermano Âlmqvist ao 
Congresso dos Oriental istas. celelirado em Flstocolmo e Cristiáni 
110 anuo do IH80. Esse trabalho foi publicado no i fascículo doa 
do referido Congresso, que ('«utém a Secção Ueuiítícii: iutii.ub-:ia 
<K)eine Beitril^e zur Lexikogi-Hphio des V'ulgã.rarubiscbeu>, *Pi 
quenos subsídios jiura a lecsicografia do árabe vul;;ar>, título em 
demasia modesto, se o eompararcuos á grande valia desse estudo 
escrupulosíssimo e minucioso, resultado de observações directos 
do seu autor, feitiuí durante uma residência do trinta meses na 
Síria, i-^ipvo, Núbia e Sudão, como ao-lo diz em um breve pre^ 
fácio. 

A páj. 371 e 37ã do fascículo meucionado, no qual a diU 
memória ocupa de páj. 2fíO a 461), vêem dois artigos, subordinadoa 



■ Citada por Almqvbt na mcuvrú a qa« voa já t«fcnr-aie. 




A/i-inttlni aog DÍ£Ío/tnriit» htrtiufHrêoi 



447 



ã ípicTnfe Spciíten. < Uoraiilas '. e intitulados Vrrw futhra e haijta 
tuaimiiifla. denominações viil^dre-i de ^iiiáuiloâ ali usuais. Ilm 
ambos o vocálxili) hahra é <k<[inÍdo como si^íHcando < carne sem 
osso nem gordura» — 'ifui' fett- und i-Hftrhen/reÍe FleUch... 

Viautie sanit os. . . Vtanrh satLx tjrah>fe * — . 

Clierboniieau, no seu Dicíouúrio arábívo-fraiicêíi [Poi-í», 1876) 
di7. a páj. 13t)2: — 'heòar. cliair. Pulpe des fruits » — , e deriva o 
voráluilo do verbo iMÒtir. >umput-er>. acrescentamlo outro vovho 
d<*nv»do, uhabar — «Hre bien eu cliair-—. Condtio que èl« atri- 
bui aos ciitractores an'ibico3 do substanUvo indioado, e de que nAo 
da os jioutos vn^^ais, a iproiiúiicia hehar. porque no aeu IHctoniirio 
rruuoi^sarábioo encontro: — «Tiilpe, s. f. des fruitS' — , depois o 
rocálmlo indicado, expresso cm caracUTes arábicos, também wtu 

ogais, e a sua transcrivão wn letra itálica, hehar. 

Km um lêc8Íco hebraico-iujjlês Vfjo hdfitir, dado como Tocá- 
o arábico, com a âtgnitioavão do— «thm wliich cuts» — o que 

Vê-so pois que é este uni termo de c^rui^aria, a dele:* ocor- 

fine de orijem arábica ovidenlc os seguintes, em português: 

., açout/ue, atctUra, moffarefe. rfs. fora outros mais. 

A defiuivão iMiis do vocábulo hnhar. heliar. hahra, kehra *» 

nforme as proiiuuoiações, dada pelo sr. Almqvist concorda eiD 

oltjto com a aduzida por Itluteau, o tal siguíticaçjlo contínua 

seft pelo menos no sul do reino e em parte do dotninio trans* 

ontano. senão em todo, usuaJissíma, com a pronunciarão mais 

namu febra, como a traz o Dic. do F. Ad. Coelho já ciUdo. 

O autor da Memória, alegando autoridades, apresenta-noa 

também a forma 'hahra. isto t', com * em vex de t (Ti) iuíciaU 

o f|ue em nada inilui na nossa inquirição. Com efeito, quer a 

palavra comece por mna, quer por outra de»tas coniwautes, o 

cto é que, nos vocábulos que do árabe pagaram ao português 





1 Bôbre í, corw-ipondendo na PenítunU HiitpánicA no rajnAB (a,., e) 
ido ou nAo tle 1, tcja-oo Doz> pt Engclmaan, úldusaikh dbs uots 

,eXOU BT PORTVOAIS D^KITlS DE L'ARABB, p. 2li e 27. 



por mera audiç-áo. o/é o representante de qtiiilquf^r d«sscs wiu 
(e tiimbem do ~, ou ; ctstuiliaiio acltiiil = Y), se n vocábulo fni 
inlroduzido no tempo do domínio ou pcrmaiiéDcia de luonros Dft 
Península, sendo osta uma das camctorísticas do que quilqtier 
palnvru áiabc perknce a eâsa prímoiru ímportayíLo, tanto em Por-j 
iii^al, como em l-Jspanha, oude em rastelliano esâeye o prove-] 
nieiílo do / árabe seguiram ao depois o p lutmo inicial na pemiO' 
tAcào para h, ainda jironunciado na Andaluzia o na KstremaiiuriL 
Kspaubola, mas uulo boje no eastelbauo do resto da Kspaoba. 

Digo ser essa uma das caracterisUi-as dos vocábiiloB arábieosj 
pertenrentoa ao fundo das línguas romãnícaít da Península, a ^w\ 
cliainarei de primeira formação, popular ou t'ã[)Oiitúnea. Há da] 
haver outra^s caraL>t«ristica.s fonéticas, maâ aijui uão procurarcij 
4«ti'rmiuã-la^, conquanto me pareça sor êâte o trabalho gãralj 
que há a fa/^r com relação a voiiàbulos hispânicos de IjU 
vcníéucia, os quais podem dívidir-âe em três períodos: 

1.° Popular. Abranjo os que o povo. desdu o viu até 
XIV sérulo, a|)renden de os ouvir à numerosa {^opulaçân mol 
que habitava ua Piminsula: esses c-onstitaem parte essencial 
vocabulário peninsular: tais são quãsi todos os que começam porj 
ai ou a, representativos do artigo arábico, os uomes do lei 
e outros próprios. 

2.^ Literário. Compreende as palavras que os nossos escrít 
rea e 06 espanhóis, que sabiam melhor ou pior o áral)«, inCrodi 
ziram nas línguas bispáuícas, empregando transcrição conscjeni 
ou das suas letras, ou dos vocábulos, conforme os ouviam prc 
erir; tais são xarife, tutjimàu, etc. 

3.° Katranjeiro. O árabe 6 totalmente ignorado, e os vocá^ 
bulos entram por vias indirectas, com sm ti-anscriçÔ«s estrai^eh- 
ras, já capríchoãas, já cientiticas, das linguas donde silo r«^«bidc 
imediatamente. Nesta última categoria estilo incluídos vocábtilr 
como so/â. ahneia, forma absurda, tirada do mau tranci^s atm^^i 
etc. 

Voltando ao nosso tema, devo unda dizer que a palari 
f^% com o sigaiticado que tem o árabe liebm, ftabra, oi 
Jtabar, só existe em português, sendo alheia aos outros idiomas 



IÍC03. Ú fOstelbEuio Itebra, nntigo febra, somente compreende 
três primeiras acepções dadas por Bluteau, as quais todas 
CAdem (Ia latim fibra; assim dÍ£-s«, por exemplo, tabaco en 
ra, ■ laltaco em Ho * ; » dêsto vocábulo se deriva o rf rho 

rar, com a siguíficavão de «BDliar>. 
Direi mais que parece ter-se dado confusão entre os dois to- 
>lU09 Jêvera, de fihra e febru de habra ou hcbra arábico; 
loiumía que é naturalmente moderna, e poderia evitar-se, 
srTando-se essa última forma unicamente para o último si- 
lificado, que coincide com o do vocábulo arábico, morfol<!ijica 
idiHjIdj içam ente, tanto maí» que /efira é no sul a pronunciavílo 
jrrcule, cuuquanto ai se diferem^e perfeitamente e com toda a 
ilaridade b de v. 
Awiuit i>arece-me que nos nossos dicionários há a lazer as 
correcvòea : 

(V. ftvera): carne limpa de osso e gordura, para 
Ito [árabe habra ou hebru, ainda boje de nso jeral nos 
de lingua arábica, e que deve ter passado a portU];;uds nos 
ipos da dominação maometana, como o indica a mudança de 
f. (Cf. rejêm \ RaBK=ra-(en, com h sonoro)]. 



fêvera (ou febra, com o qual se confundiu, e de que dere 
içar-se): nome de diversos filamentos vejetais: filamento 
ele. Cf. o castelhano antigo febra, moderno hebra, « fio ». 
Utim fibra, por mudança de i em ^ (rf. ceth \ cito). 
de h em V, (Cf. livro \ librum), e iutercalaçào de e átouo 
desunindo as duas couituautea conse-cutlvas (ef. fevereiro j fe- 
bruarium) '. 

I^^ vocábulo sujero ainda outra acepção áefévera \ fibra, 
que se deduz do prolóqnio lá vem o fevereiro com a» suas f^ 
toda», no qu.il fêveras equivale a •friajem'. e é palavra 
;i...uudji, com inlluéncia necessária ác fevereiro. 



1 ftíte artigo f.^i já pablit-Aili- nu RevirTA XrsiTANA, il« onde o ci- 
OQm peqar-nos altvriif<'>ca nu redn^fâo. 

10 



450 



ApoBtUoM noa LHcionArxm J\*rtv(jiHiirt 



feclio. fecbar 

Ferko é o latim pestulam por pes»nluin, com nid 
da inicial p vm f, bastante rara; a de stl. pesVitim, era 
perfpitamenle normal [cf. macho \ inaac(u)luul. Ksta cUino- 
lojia, apresentada não me recorda por qnem primeiro, estiadim* 
tida, e para confírmaçilo dela basta citar o i<alego pvfhar, cor- 
respoudoulti ao português yèrAar, e o castelhano pesdito. • fí-cfa«j 
'de correr>t que é o latim pestilh*mf oatra forma deminutivi,] 
paralela ao pessuliim citado. 

Cf. aiaÚA fescoço ^ pescoço, e r. data. 



feijão 

Êstd rocábulo portue:ués representa o latim phasedlam, 
mudança de sulicao, isto ú. -oti \wr -ol: cf. atpahón e 
pafwl. 

l)e um artigo, publicado em tempo no jornal do Lisboa O Ri 
poRTRB <, extrato paru aqui a copiosa nomeuclatara portiigui 
deste legume, abreviando as definições: 

Feijão branco: ou é de veia, ou 8«m veia no easslt 
O feijão de veia é só iKim para saco (para aecar); o feijão 
comer em verde não tem veia. Há também yeí'/Ví« He imra, 
6 o que se enrosca pela rodeiga, e o feijão capão, (jue é o qni 
fica rasteiro ; também se lhe chama carrapato, por ficar 
pequena a planta. 

No feijão branco há também um que é muito graúdo, cbi 
mado calço de panela, pois cada feijão leatende^e que {rixll 
calçar uma panela, que é sempre de ferro, e tem três pés: a dl 
barro e sem ptSs chama-se cfianita (q. v.). 



17<]e janho de 1897. 



^eijão preio díz-se que ú assim por qualidale, outros dizem 
ê det^coera lo. 
|0 ftijão chiciutro ou /rfuUtOio tem este norae provácelmente 
;aer |i«qupao, t; por «ei' muito asado no» roíiveiitos para o 
da portaria. 

/eifão de vqjem hranra é branco eiaquanto tenro, c o 
arro? cbania-se asâim por ser inuito tneiido. 
feijào-ilfi-íttite-scnutnas á o luuiã tomporâo porque dá fruto 
Knianas. K amarelo. 

dm primeií-os a semear-so ua primaveni, porque se o tempo 
»rre bem, perto do Sara João esU carregado de vajeris. Nilo 
Ibento como o daít outras castas. 

\à mais as s^f^ulntes caslau: feijão nijatlo, feijàn-âe-iiiro- 
iichn, feijão voimbrês. feijão vianês, 
[Ãs diferentes qualidades de feijão fhamam lem Trás-os-Mon- 
fiír«. — -Itoa horta! Muita soma de feijão para verde, 
borlali^-a, o inda por cima muita tjradura!* — . 



feira, feirar, feirão, feiraiile 



RubstanttTo feirão não fi^ra nos dicionários, mas sim 
que é o niai» usado no sul, e designa *a pessoa que 
nu quitanda em feira». Na Qazbta das Alpeias, 
licoçào nieusa) do PArlo, e que é um belo repositório de 
IM Tprnácnloa, remos empregado o dito substantivo uo trecho 
linte: — «Não Aeria convonjente levar lá [ii feira de abelhas 
H realiza em Subrado, pr<:>ssírao de Valongo nos diaã 24 e 25 
lo] colmeias moveis, pois os feirões qne concorrem ao 
ido, o que buscam é mel e cora?» — . 
Ví-se por este passo que feirão é quem concorre íi feira 
comprar», entanto que, no sul, feirante (f, como disse, 
íle que ali se estabelece 'para render*. 
}0 ferbo feirar está abonado com o seguinte trecho do Au^- 
im Saktabêm, de Almeida Crurrett: 



— ■fFctnH', í'ini", Iin-li! HiibíVí iriil>'>lT-:i 

Feiremos il*«nioR% 
Que mui ImAvi sSu • — < . 



feitiço 



Em primeiro Ingar cuaipre advertir que esta palavra 
portiij^iés, adjectivo, quer provenha de factíciam I facti 
cere, «fazer», quer de fictieium { fictnm { fin^eri 
bouzo8 uào ousaram a se deLerininar uo que entre si 
nado, que era, segundo depois soubemos, ordenarem huin 
feitiço [linjido]. em que matassem o padre e a núR 
elle>— «. 

Feiiiço. como substantivo, tem três sigDitíracões: 
A primeira é < broxaria-: — *com receio de que Ibi 
feitiço-— =•; e em texto mais antigo: 

— «Se T<j«fia altcu quiser 

Ver os feitiços qae eu (kço » — *. 

A segunda signiíicaçfto é «objecto com que se fai 
ria»: — «À la^rtixa que certo feiticeiro poz uacouceini dâ(i 
de bum lavrador, a qual em todo o tempo, que ali estevt 
moUier, nem animal algum de casa poria, era feitiço 

à terceira é muito especial: — «.0 feitiço ó o 
se fazem os pagamentos aos indígenas [no Zaire]. É 



1 Acto li. 

• Pemim MtndMt l'into. PBRKnHiNAii-Jlo, oap. ocxi. 

* Airredo Cotilinhii, CAMPASn* no Bahuô VX 1902. 
« Gil VÍ«nt... AliTO Dlfl FAOAâ. 

> Blatean. Vocabulauio ponTUBTras ■ waaso. 



Apostilai m» Dícinnúrion POriugufta 



453 



Imiu», nova um peqiieDo balcão junto da porta e toda a co- 
(4^ÍDtoríor tomada por fazendas* — *. 
BO fdolo. sentido ein que se diz, mas ite não prova, ter 
ertrado de português o termo francês féficke, não bá abo- 
Yerdadeiranieuto remucula; em tal acepção o t«rmo usado 
rtagnê!! é manij^nm. Neste pressuposto, pareco-me erro 
ibar frilirhmo o período de con(*ep\'ões rblijiosa» a que 08 
chamam J?ttrhí.tme. 
IHtiço [jTomí\6 feiticeiro, feitiçaria, enfeitiçar, etc. 
« vocábulo feitiço è digno de leitura o qne P. A. de 
reven com o titulo de SupeestiçOes poarufíL-^SAS 
XV, servindo de aclaraçilo a vários dofumentfls que 
*; veja-so também liluteau (Vooabitlabio, hc, cit). 



feitor 

particular, isto ó, o de «fabricante* adquiriu ^sto 

lio no norte do reino: — » Para a obra de encommenda es- 

\ feitores — •, porque oa ha especialistas» — *. É um bom 

para expressar o que os romanos denominavam faber, 



felipina. filipina 

este termo uma mistura de á^a, aguardente bmnca 
ir. A or^em áfmiti nome já de relance foi indicada no 

30 Xrtvo DincioxÁBKi. e é a seguinte: 
rgo do Pelourinho, aí \^h primeiro at^ segando quar- 
séculn paíiKado, existiu uma aguurdeutaria perten(.'eute a 



I < • lio jau Francisco AdIiídío Pinto, in O Economista, dit 19 

m linriBTA Lusitana. iv, p. If" i- Utfl. 

Boehit Ffluotu, Ái (iLAiUAB tio Pdauo, in PortugtUa, t, v-^1* 



>larcos Felipe, que tambi.'m linha por sua couta > 
Pra^a do Comércio, que ao dopoiá passou para as u... ^ 
tÍDho, que lhe trausmitiu o uome, bem como uo do 
Cainòt»; lambam se lhe chamou o botequim da neve. Parew 
BÍdo o Felipe quem deu nome ii felipiím, a que se refere 
no prefácio ik Lyhica i>k .IhAi» Minimu: — «com n cbflnil 
bAcca e o ponch» ou a philippina na raâo* — . 

Seguindo se dei'lara em nota, foi isto eocrito em 1K2Õ, 
em que estaria eui voga o bil botequim. 

feoasco 

Na índia portuguesa femufco c o nome que st- dá :i umct 
ou aguardente, em concani Jeni, nos caractereã dcvanúgrít 
iransliierados p'eNÍ. 

fóndi, eféDdi(m) 



Esta palavra é uma forma abreviada, talvez kTlH.*nse 
voeáltulo turco ejétuli, que é o IratamPtito usual que emj» 
os turcos, como lerrao de cortesia, equivalendo a «senhor». Kt 
usado por Joio Oarvallio Mascarenhas, na * Menionivel x^Ytt^ 
da perda da uao Conceição » : — • Feudi, eu é verdade que tambe 
sou dos que queriam fugir» — '. 

à acentuação, que no texto uão está marcada, é na penút 
tima sílaba. 

É preferível diwr efêndi. Com o sillíc«o -m, eféndim «qú 
valfl a «meu senhor '. 

feno, feneiro 

Em castelhano existe um vocábulo que nomeia o locai ondi 
se arrecada o feno, keno, isto é, henil. Em português cbuot 



■ in BlBf.. DR CLÁSSICOS PORTCOUlUBa. Tol. XIiTU, p. 10i>. 



Aponlila» ao» DicioTtãrioa Pbrltiffutíteâ 



455 



•lhe. g0rolni<^nL«4 jmlheiro. o qtial pr<^priamente devera desifínar 
leU' tMii i|ue se armazeua a pallia, in:i^ ipie altlm <lÍri<io Um 
>s sigiiiticados, corao por eiemplo uos doía «xcorioa seguiu- 
\i — «Os pescadores da costa de Lavos Ijabitauí em casas de 
leira, cb;uuadiis palheiros •; — «i*eIos meados d'este scciílo 
)i]ibo era uma agglomeração de palheiros >^ — <Foi sendo 
la entre as faniiUii;; ricas da Terra ria Feira, iroin para alli 
)mar hatihoH e muitas d*i>Ilas alli construíram palheiros próprios. 
LO principio era iDÓda 8erem feitos de tábuas, depois alguns os 
ionstruiram de pedra e cal, mas térreos» — ^. 

Na exeidente publicação soiiiaiial Ctazeta iias Aldeias *t 

Duin artigo HS>ÍDa>tu por M. Kodrignez de Morais, Ic-se ôste 

treclio: — • arrecadando-as [as plantas] em abrigos, reneiros ou 

Ubeiros apropriados onde se couseiTam os fenos»—. É, sem 

tnvida, um neolojismo, \nsto que nenhum dicionário mencionou 

ti vocábulo: merece todavia ser a<!eito. porque supre uma falta, 

está formado em |>erfeita aualojia com as palarras palheiro, 

ftpi-tjuífiro, otf. 

Ficaremos assim com duas designações diferentes, enteíni- 
lente intelijiveis; palheiro, < armazém para a palba», /e^i«/ro, 
arma/.éui para u feao», do mesmo modo que em castelhano se 
itingue pujar de lietiH. 



fero 



No Minbn tem o sentido de «robusta, válido». — «Tere d( 
a Viauua, onde o deram por fero»* — *. 



Pi-rtagalio, i, ji. 383. 

ib., p. yô. 

Pinho L<>al, Portugal antioo b hodbrno, tii, p. 63* 

d« 2-i de iiiiiiu de VJOò. 

Alberto PimenUl, k princbza u8 BaivXo. 



4»0 



ApontiUiM lu» DicinnAHn^ A»/*a^«««r< 



ferrar, frrnio, frrrftta 

Ferreta é o nome qtie se dii no Míuho ao bico de moUl 4» 
fuso, do peào, etí;.: — «O fuso... o lervo restaDU-, cbamaiU 
ferreta, é de metal» — '. 

Denrtmina-se Jartlo, em geral, a choupa on poula lie ícitt 
dos 7«íitó ferrado.^, e por auulojia o aguiUiSo doa iiiatícUis, se é 
que. neste último sentido, a aoalojia não foi estatielecida pdo 
verbo /«ror. que no norte sipiiRca * picar, morder*. 



ferrejo, forrejo, ferrejial, ferrajial 

Ferroo ou forrejo, no Kiba-Tejo, é < milho em verde, odo 
sachado; e no Algarre parece ter o mesmo sipiificado: — «tte 
ferrejos eetáo excelentes • — *. 

— «As terras que cercam o «monte» charaa-se-lbes ferr»' 
giaes> — ^ 

ferroba 

f]sta forma, por alfarroba, que 6 a usual, Dão vem nos di- 
fiouârios. Kucontrei-a oa «Relaçõo do nanfrájio da nau Santo 
Alberto», de Joio Baptista l^vauha: — «arvoredo com fruta mui 
amargosa da feição de ferrobas- — *. 

É o mesmo vocábulo, isio é o árabe AX-nasuB ^ mas sem i^ 



l Portun«lÍA, t, p. 871. 
' ^> KcuNUMíBTA, de 17 de maio <le lãS3. 

' J. dft Silva Vkifí, Ethsogkaphia do Alto ALBimuo, in Porta-] 
galJB, I, p. 274. 

* l/( UlBI.. DS 0I.ASS1OOS PORTGODUZBS. Tol. XLIV. p. 52. 

» Jofto de Sousa, VbstioiOh x>a usooa arábica vm PoB-nraAL,! 
Li «boa. 183a 




ApoátilOf mta ftieinnárioa {\irin'fitest» 



457 



tigo AL, « com enfi'a(|ijecÍQieDto do a pret4^nico em e: cf. rezào, 
>ru);i popular eii] vtíx de razão. 

Oatra palavra aiilbica, que esporádirameute aparece sem ú 
AL. (|ue em geral a aeomitaiilia. é comoiiin, por alcotno- 
na (Memorável relação da perda ua uao Coaceiçíko*, de 
10 Carvalho Mascareiíliaâ (1627) <. 



fdBCOÇO 

jío Alentejo díz-se feseoro por pescoço. É luna nimlança dia- 
lectal idéntit-a àqimla qiio de peatulum produziu yi?rAo f(^. f-.y 
DH língua comum. V. pescoço. 



fiambre 

Este vocábulo é fastelliano. e uào portuiriiôs [v. deslumbrar]. 
O que é português è a sua e3peeialÍZíi\'iÍo. ao aplicar-se ao 
^esunto. A forma portufíuesa era friatne. derivada, como a cas- 
lana, Áe frigidamen. frigidaminis -. 



fidalgo, Hdalga, f^dalguiiiho 

Como 6 há muito tempo sabido, fidalgo ê uma polissiutese 
do fiího-dc-algo, cujo signiticado próprio se perdeu, a poDto 
se dizer fidiilga e fidttlguinho, em fez de /ilha-d-aU/o, filhhiho' 
^-d-algo. 

Fidnlyuivho dos jardins ^ é o uome que dâo no norte ii 



■ ToL XLvii, p. 4-1, da BiBL. db clássicos portcodbsbs. 
> D. OaroliiiA MicbaéUs de Vasconcelos, in Reviara LuaiTAJiA. Ui, 
i. IdO. 

' D. Carolimi lllIchw!UK de VnscodcoIos. in KsviSTA Lvsitana, IXI, 
170. 



flor i|ue também se chaiuii him iq, rj. .■ blnict, wi bhtft. fran- 
cês, uma das raras flOres, venladeirameDtc azuis, c^r mvito nn 
no reino vejetal. 

Numa acepção muito espi'*'!») é ósle <ieminuti?o emprvgaiio, 
corao vprnos do trecho seguinte: — -Estes macacos são oríuniioti 
da Aracrica do Sul e conlieoidoB no Brozil ])or macaco prego oil 
mico cfiorào, Hntre iióã, sem que saibamos porquê, tem o DMue 
vulgar de Futal(ftiin}to * — '. 

Dissera ant«s, ser o dito qiiadrúmaDO do género Cebns 
(G. fatuelus). O Noto Dicgiokàrio já rejtstou esta denomi- 
nação como sendo de Lisboa, n&o porém com tomiioba itidividiui- 
çâo, e sem a abonar, conquanto a marque como inédita. 



ligle 

É o nome de ura instrumento de venU». feito de metal. O âiiiDO 
é^o francês ophieléide. artiHrialmentw formado de dois vocálinlos 
gregos, ('ip'is * serpente >, klrí.í, klkidús «chave». Pela forma- 
ção parece que o nome caberia melhor ao chamado serjientào. 

À forma mais antí^. o menos corruta, que apareceu cm escrito 
português, foi provavelmente /ujhd. transcrita de um cartaz oa 
programa de 1847, por Joilo de Freitas Branco, em uma daa 
eruditas e substanciosas notícias teatrais que em tempos publi- 
cava no jornal A VANarAUDA: — « Esecutar-se-hfto umas varia- 
ções de Figlid (fii/le, dizemos uite)» — *. 



fígO) fígueira 

A nomenclatura desta apreciadíssima fruta, da qual direi qne 
nada gosto, é principalmente algarvia, pois é ne^e extremo sul 



* o Snoui-o, fií 5 lie narembro de 1905. 
s 1 1 (]« (luiembru tl« ]81>0. 




Apwitiiiia am Dieimtiinng Piyrtugtttaca 



IAptttitiUu ana Dieifínónns Pttrtii^Heêea iô9 

do rfflno qinj a sua cultura e o preparo (1»> fruto seco mais pre- 
domiusm. K extoiísissima, (-opioBÍssima, a eniimeraçilo das sutt 
diferentea qualidades, e não é aqui o lugar para procurar exau- 
ri-lo. Citarei apeuaa alpns i^pitetos, ou menos coohecidos, on 
imporfcitamente definidos:^ «em ablatiro de viagem, o melhor 
figo, o mais acreditado ó o de - comadre » ; vem depois o • mer- 
cador», o mais reies ti o marchante» — *. 

Fiffo tie recheio: contendo amêndoa e canela -. 

O Novo DíociosÀRio, uo Saplcmenlo, inscreveu figueira 

com uma acepção inédita, como própria do Lamego — «espécie 

de verrugas nas bostas» — . íía Gazhta das Aldeias lemos, 

como expedida dos Abcos-de-Val-de-Vez. a seguinte pregunta, 

I com a soluçio dada pelo veterinário Paala ííogueira: — «Tenho 

Hum cavallo de dez a doze annos com fujueiras, que se vâo esten- 

^deodo d@âde a ponta da cauda, pela parte de baixo, até ao ilnus, 

chegando a tolas já ua entrada do intestino. Haverá remédio 

Ira eurar oa ao meuos attenuar este mal? — Resposta^ Péla 

[RÍtuayão das lesões julgo que as flifu^iraa são tumores melâoicos 

denegridos >}, frequentes nos cavallos de cdr clara ou russa 

\l^c]. Kijses tum{^res, característicos da doença chamada mela- 

[nose, sao de natureza umligna. Pe pouco serve extirpá-los, por- 

íque se reproiluzem. . . » — ^. 

Advertirei aqui SBr errâaea a escrita russo, em vez de ruço 
fq, V.), castelhano rucio, adjecUvo que designa cõr, e nada tem 
^que ver com o nome étnico rusm^ afim de Rúsfda, em castelhano 
7US0, Rugia, em russo ross^ lèossía. 



fillni, filha, filhastro, filhastrar 

A palavra filho ou fitha adquire valor muito esppcial em 
iTÍrías acepções, acompanhada ou não de epítetos. Assim vemos 



) o EcuNOMiuTA, âe 5 de ouvonibro <le ItfSd. 

« ih. 

> 1905. p. 249. 



quo filho-do-úlmo em certa aldeia significa «enjeitado:— -Do 
qumu é fiibo este rapa/?— !■: fUbo do olmo. — O pny das cnaii- 
çae #íw pae é aquela Arvore enorme, que ali véa, é o olmo. 
Qimndo a vergonha ou a mísería pode mais que o araor matír^ 
Dal, as creanças são deíwâitadas n'aqucll;i3 pedras quo circum- 
4am o olmo, e lá choramiugam até qm? passe o primeiro larra- 
dor. que as agasalhe em casa e as endireite na vida* — '. 

— * The Jatherle^fs are the mre of Gotl * — *: — Doas é o 
pai dos (iríiíòs — , pater orphauomm [Salmo xLvn, v, 5]. 

FiLuo DA OASA, de«igDa o individuo estranho, nela criado. í» 
vezes nascido: — « via-a»» que ambas [as reclu»a.4 do Aljuhe, em 
Lisboa] se achavam sati-ífcitas com a reclusão... ra«liantes fwr 
serem fíthas da easa> — ^ 

Km jíria fiJhnx âo mosqufho aflo nma cspecialidiíd** witre 
OB larápios: — * Filhos do vtosqueiro sáo pois os gatunos qu© 
ae iutrodiixem no interior das casas^ a occuUas dos seus loca- 
tários > — *. 

>?o Xôvo PTO<unNÀRio (Suplemento I vemos o verbo ftfhns- 
trar, como transinoriiano, com o siguiticado, a meu ver duvidoso. 
<compreeud(T»; a nflo ser qne se ampliasse arhitráriampnte o 
\erho filhar. * colher*. '^ ^H 

Na mesma verba relaciona-se, em dúvida, «ste verbo fionf^P 
palavra castelhana hijastro, que quere di/er 'enteado*. Nio vejo 
a mínima relaçflo de significado entre os dois vocábulos: existe 
relação, mas é formal, ffíjofih-o. daiiLea fijmtro. é o latim /•- 
Uasfrum, citado por Tsitloro Hixpalense, derivado de filinn, 
com ura suficso que se tonmu ppjoralivo. Sobre tal suficso diz-nos 
Miguel Bréal: — « O lugar de orijem está no grego, em que havia 
verbos em -akõ, sem significação depreciativa... deles se 



> António CliAves in O AhHRRorR das grbaxçajs ahandonada*. 

número únko, jnnho lie 1003. 

* Bulwei Lj ttun. Zanomi, cap. liltinio. 
' O SBCltLO, de 2« dtí nbril \U U<0íi. 

* O Sbculo, de ^ de junho de l!M)2. 



rirttvam snbtUntivos cm -A?<Tft&, eomo KROAsrrKR. * trabalhador *. 

Eotre toe snbintaTitivcs ulgtms bá que parecem conter no^o 

[depreciatira: i-athastêh, «o que f;i7. de pai», MírmvsTKiRA. «a 

iqiie faí de m3e», ei.aiabtEb, «a [úrvorf] que faz de oliveira, o 

[zambn,jeiro*. Aos romanos agradaram piilavras destas. Km geral, 

podemos aotar, o que è malévolo passa filcílmeate de um a outro 
^povo. A líu^a latina, porlant^t, possuiu as palavras patraster, 
'filíaf)ter> — '. 



filbò 



Como ^timo para ésle vocálkulo, que, como se aabe desifnía 

itim liulu de farinha de trigo e ovo. frito em azeite e polvilLado 

|46|N)is com açúcar, propus o latim foUióla •, com assiruduçâo 

lo & à palatal ih, isto é, a sua mudança em / átono. D. Carolina 

Micliar-Iis de Vasconcelos pro]»ôe fvUólum '. Baist joUola. 

O que me parece demonstrado é que fVhó, com o aberto e o 

lero femenino. há de provir de um vocábulo latiuu com a ter* 

laç&o -ola, quer feuieuino, quer plural neutro. 

Ora essa forma hipotética tanto pode aer fotUola plural de 

fotíiolitm. dominutivo de foUis, «fole», como folioia \ fo- 

Uum, • fr^lhu >. 



fim 



fòite vocábulo é boje, na língua literária, e mesmo na comum 
da cóuversaçáo, masculino, como o era cm latim. Todavia, pro- 
riucialmonte. mantém aiuda nalguns pontos o antigo género fe- 
menino que tinha. 



Ehai dr S&xASTtgra, Paria. l^Q9, p. 46 « 4 < 



< HbvisTA I.USITAAà. I. p. 211. 

s ib. lu. p. 133. 



Ill2 



ApoKtitu/f aon Dinontirios Pit H u ^ iitam 



Aqui seguem dois exemplos, um antigo, literáiÍA; c o oatn» 
uwderuo, popular: 

— < Sc 08 jóvent;.^ atiiorCí 

Oh maia t«iD tios desastradas > ~ *. 

— «É a 6m do mundo! Deus nos acnda!* — *. [PregvMu 
de Pedroso, concelho de Vila-Nova-do-GiuaJ. 



tios 



íUte vocábulo, no plural, designa • pano de linho usado, d» 
fiado», e em muitos dicionários MU esta licep^o: é o ()utM 
franceses eliaiuam chnrpie. * 

Uutra acepção especial de (ios vè-se ao trecho segnint*. < 
também não consta dos dicionários: — «fuM-^Kmbora verda- 
deiros la^^os, diiTerenvam-so, dos por esto nome conhecidus. «o 
sorem feitos de um só fio de urumo amarello. destempor ■ ! ■ 
presos, cada um de per si, a uma vara de ur^e, cliaui 
alguns centimetros cravada no chilo> — ', 

Servem de armadilha, para apanhar pàssaroe. 

firmai 

Kra uma jóia, feita de metal precioso, ouro ou praU. e adoh 
nada com gemas, a qual servia para prender os vestidos: 

— « Ura firmtX dãa senhora 

Cum rubi 

P«ra o colo de maríi > — '. 



* Gil Vicente, O vaLUO da osta. 

* O Du, á* 24 de maio de 1!>02. 

> Jojtí Piuhu, Etji.nogkai-uu ÂUAJtAxriMA, A Caç«,ii( Portaff»- 
tia, n. p. 92. 

' Oíl ViMIittf, O TKIXM DA ORTA. 




'aa ao9 DicionàriM i^riugueaa 



463 



Rrmao; v. formão 



fíta: tito, de tito 

Esta palavra dizem corresponder ao latim uittii, com mu- 

laiiça de v em /, esporádica em começo de palavra,* isto é, na 

)sÍ^*ào forte; e como em tííscano é vetta. oom e fechado, o que 

va s*^r breve o / da tbrnia latina, o étimo ajioutado é bastante 

laspeito. apesiar dn coiDcidéucia do sigmtieado, pois o i brere 

latino dá e em português. 

TlTAS DE MADKfBA, OH DE OAKPlNTiaBO Sjo as « tlraS > qUB 

^a phiíiKi separa da tábua, c a que também se chama ajiaríts, com 

^■Denos propriedade, pois estas podem ser tiradas a enxó ou outra 

^nerramenta. 

P Vocábulo com a me-sma pronúncia e escrita, mas dtt orijem 

I diversa, é fita, uo sentido d« « lirme >, como em peara fita, termo 
^e firqueolojia pre-bistórica, que se aplica a qualquer pedra arti- 
pcialmente ergiiidii, por oposição a itedra balou^ante, * a que está 
am equililtrio in.stúvel>. 
O termo é tirado da uomeiíclatura vernácula, do onomástico 
local, por exemplo, onde cncootraroos Pêra Fita, «pedra ficsa» 
^(cf. Pêro, a par de Pedro). Este adjectivo fito, fita é o latim 
íictum, fictam, particípio passado passivo, concorrente com 
rixura, fixam, do verbo figere. 

A locufMo adverbial de fito, ainda é usual em Trás-os-Moutes, 
)m a signififavAo de «pítsto a tóiw»: — 'duaa grandes pedras 
istas de pino, ou de fito> — '■ 



' Manoel Perwirs Detwdiwlo, O BROOLHUtiSífro da Mófiibita, ín 
tSíTÚtadc edaoi^^ e eiisiDo>, I4Í»]. 



464 




A7iâar a flaino corresponde ao fraacSs flâner, e eata locn- 
çâo ÊStá abonada em um soneto atiibuído a Boeaje: 



— € Quando hás de coDaentír, cruel foitana, 

Ao ini^ro, de olho azul, de cdr morena, 

O bem de andar a flaino e de ir átnns?»— *. 



■C 



É suspeita a atribuição: este terceto é apenas a repetiçfto, 
nem mesmo a paráfrase, do começo de outro soneto bocajiano: 

— < Magro, de olhos azais, carão moreno, 
Bem servido de pés, meio na altara» — . 

flauco 

Este vocábulo, de que hoje se está por galicismo abusando. 
apenas é português como termo de táctica militar. Em todos 
Oá outros sentidos cumpre, conforme as circunstâncias, empregar 
lado, ladeira, encosta, costado, ilharga, ilhal, etc. 

flauta 

A forma portuguesa é frauta: 

— « E nSo de agreste avena ou frauta ruda > — ■ . 

A forma ftattta atribui P, Marcbot, como étimo flau- 
tare \ Ja ut la 3. 



1 O Economista, de 2â de julho de 1882. 
* LusIauas, I, õ. 

3 JaHHESBKRIOUT iJBKR DIE FORTSCHRITTB DBR ROMAXISCHBX PHI- 
LOLOaiB, (i, I, p. 2S9. 




I>íefonárto8 Portugueses 465 
1"* — 



florada 



O NõTO DicQiONABio define esta palavra como sendo o nome 
B am — «doce de flores de laranjeira» — . Deve ter muito pou- 
} que comer. 

No convento de Santa Anna, de Leiria, dá-se este nome a 
m dfice de ovos que tem a forma de flores. £ portanto esta 
ue lÊe deu o nome, e não a substância de que o doce é feito. 



• , florosa 

Na Madeira (Ribeira Brava) é a mesma ave que em outros 
ontos da ilha se denomina papo-roioco * 



{6 

* 

È uma interjeição que expressa repugnância, muito usual na 
lha da. Madeira, e à qual no continente corresponde phuh, com 
aspirado. 

foca 

No Minho, principalmente na maijem portuguesa do rio, 
gnifíca «buraco». 

focar ' 

Feio verbo! É neolojismo, e quere dizer «pôr em foco*. 
-«Pede-lhe um instante de paragem, para o focar» — '. 



< Ernesto Schmitz, Duo VdOBL Madeiras, 1899. 
* O Sboulo, de 29 de março de 1901. 



4(tã 



ApmtUw fím DiàonárvM Fortuguetn 



foiciuha, foicinbo, roiciuhãu 

« 

Kstão Já coljjidos em dicionários modernoâ of dois pHBttírH 
derivados du foictf, ou fouce | falcem. tuas pflo o ectã yôua-| 
iihão, qut* ò o nome de uiua fouce equivalente b giCualia. e 
com u qual se coifk a palita: — «CoiUt a pulha u foicialilOf-'' 



fole-daa-migas 

Em jiria de inalandrins si^oitica <a barriga*. A tut^u <ia 
Kwuçâo ó muito evideate, para que precise de ser explicada. 

folgazão, folgazões 

liojo em dia Loma-se ua scepv^áo de «divertido, indívid 
que folga, divertiiido-ae'. Autí^aniente, porém, o seotidn rrt 
«mandriiio, desocupado*, exactamente o do francês faifUatJ 
com fundamento na si^j^niticavão pr'''pria do verbo fohjfir, < lú 
li-abalLar»: — »dahi a Ires dias alguns homens fol^az<~(ea. qw 
B&o 0» que ordinariamente davam no mar todo o bom cens* 
lho»— «. 

Ainda hoje o corri^pondeute castelhano holgaeún, koJtfaxo 
lies quere dizer — «persona vagabunda y ocioíia, que do quiei 
trafoajar* — , como define o Dicionário da Academia Espanhol 
seudo ])0i.-í o que hoje chamamos vadio. 

folha, folhedo 



A palavra fõVta escrevo-a cnm circunfleoso para a difert!» 
çar de fol}ui=^ folha, do verbo foUuir, como ilesfvliia^rífjfjuUi 



' o EcoNoui^TA. Ac li (io outubro de 1887. 

> BtBI.. DD CLÁSSICOS rORTrODOZBS, ToL vu, p. ÕO. 



a 



Apostilou aos Dicionários Portugueses 467 



3 âesfolkar, verbo postulado pelo parbicípio passivo siibstanti- 
ido folhado, por exemplo em pastéis de folhado. 

Nâo está colijido nos dicionários o colectivo folhedo, exem- 
'ifíofjt^ no t^cho seguinte:— '< Dizimam-nas [às moscas] . . . com 
auxilio ào folhedo > — '. 

-»fí,: ■ ■ . 

^ ir 

foDtelã 

— *Em Sanhoane, Fontes, Medrões, etc. (Santa Marta de 
ena^uião), para se alcançarem os mesmos resultados [a vedação 
as vasilhas de barro] com a loiça negra de Yisalhães, «para lhe 
ipar KS f&ntellas*, introduzem-se as vasilhas no forsp do pão, 
eíiando-as aquecer até ao rubro; tiradas para fora verte-se imme- 
iatamente em cada uma farello e agua, mecbendo rápido» — *. 



foral, furai 

lia ilha de S. Miguel (Açores) dá-se este nome a uma rua 
}ti'eita ^. <Mas é Joral, oa furai? 



forçura; fressura 

Estranho nome, que se dava às frisas, na antiga nomencla- 
ira do teatro. — «1.° andar das forçuras, preço 2000, 2.° an- 
ar, camárotet, 2400» — *. 



* José da Silva PicSo, Ethxooraphia do Alto Alemtgjo, in Por- 
igalía, I, p. 53!?. 

* Rocha Peiíoto, Sobrevivência da primitiva roda db oleiro 
M Portugal, in Portagalia, ii, p. 16. 

» O Sbcclo, de 5 de julho de 1901. 

* Alvura de 17 de julho de 1771, in CollbcçIo de legirlaçío por- 
i:gueza, 17ti3-1774, Lisboa, 1829, p. 547. 



4^ 



ApõtíUoê aos Dieionàri/M l^^ril^^tllmal 



Forçura é a jironiincia pnjmlar ãvfreyifura [ frirurfi \ /rí- 
xum por fríctuiii ; frigere, 'frljir*: cf. t* rasteltum* a 
lura 1 asar, -assar» *. 

foreiro 

Este substantivo si^ílica «que paa;a iViro-; mr- ■ '- 
segiLÍDU aplioa-se àquele que áe (lireito o recebo. ; 
se com propriedade: — < Rflstello, o nobre, o rico for«iro»— *. 
Temos aqui um caso como o de abeiro. (V. no vocábulo CS 



forjoco, fu^oco 

— «do lado do norte uns buracos oa -fcujocos*, por baixi 
de enormes fragas» — *. 

Como ignoro a orijem da palavra, hesito na escrita. S^ 
aumentativo de furja, por al/urja | árabe Fritos, « (\ 
claro que se deve escrever coro u^ o que, em todo o casO| 
mais seguro. Kote-se que alfttrja é vocábulo diferente de 
que em árabe se diz al-hubu *. 



forma, fíirma 

O primeiro distes vocábulos í o mais moderno, poi: '- '^ 
dicionário latino, proferido com o aberto, como costuniu 
nunciar o o ao lermos latim ao nosso modo; corrcsponde-Ihe eu 
Eastelhano o vocábulo forma de orijem também artilicíal. O m* 



* S. Bngge, ítt RoniAntA, rv. 

* O Sboulo, ãs 30 de maio àe 1900. 

> Albino ão» Santos Pereira ly^po, BRAnARCA R RBUQimUBiVA, # 
■Boltitini da 8ociedad« de Ocogrnpliii «Ic Lisboa», Séiiv 17.*. 1893-06, p, 

* y Rpnaeata b 7/ letra do alfabeto arAbtco,-cqBÍTalt)nt« no i 
IDO actual. 



indo, forma, é de orijem popular, evolutiva, com o fechado, 

10 ora de «apenir, atendunilo-sd a que é loago no latim /vrma, 

fÍMillido SQ conserva tio iialvãna forma, em muitas áas acepções 

IQtt ormpoDdôiu aos dois vocãlmlus portugueses. O segundo era 

castelhano forma, que ao depois se alterou em horma, dife- 

ínçAiido-se bojo yi^riTifi, «fúima* de honna, «forma». 

No y<n'o DicoioNÃBiu (Suplemento) meticÍoiia-»e a locução 
"forma torta, de mau caracter, niim' — . Xiío é exacta: a lo- 
to i^ lie fftrma torta, e explica-se perfeitumeoto. Os çaputei- 
|mru o ralhado, usam de um molde com a contigura^So de 
fl i|ue se chama fOrma, e Uilo, forma. Há uus sessenta 
as f5riuas para. ns dois pés eram iguais, como aiuda o híIo 
105 v*'*P'^tofl de uurOlo, ou de iraaça, nad chinelaa mouriscas, nos 
iAmt rhamados de mouro, emAm, cm todo o calçado barato, 

ria. 
ijuaudo se coiiie^aram a usar as formas desiguais, as pessoas 
lahiiuadas ao;:i ^'apaln^ pan^lhoií, com meuor ÍuclÍnav*âo |)ara 
leutro, e que podiam, indifei-entejneute calçar-sc num ou uo 
katro pé, consideravam -nos mais iucdmodos (e iiarece-me que ti- 
ibam razilo, c digo isto por eiperiêucia. pois em criança calcei 
luitw '/apatos de f&rma direita): daqui proveio o dizer-se que 
uniu pessoa e forma torta >. convém saber: «custa a ajeitar-se á 
ia Tontade, dAo nos entendemos com ela, ora está do direito, 
ira do avesso*. 

fim S. Miguel dos Açores a palavra /ôrniíi a))1irtt-ae ao «bo- 
lo de calça* '. 

forma perdida: — • assaz rudimentares eram os moldes para 

les reproducções (de braceletes de ourÉi pre*n>manos, na Peuín- 

ilu HiMpaiiica], f<'irmas ipie eram [lerdídas em seguida á fundido 

la peça, á maneira do svstema ainda actualmeute usado, Bsstni 

laruado: de forma perdida * — '. 



> • f SbOCLO, âe 5 ^ jalbii do tOOt . 

< HíchHo ã«r</ro, Oa sraoblbtbs D'orBú db Aknozblla. ín Por* 
tdgRlta, u, p. iiò. 



É tslpl «ma ftcepçAo do v m'.ábu lo /tf rma (e nio, Jórma) ênata' 
panljiult) de epíteto, qiiH Julgo itào estar rejutn'!» ncw dicioii&n<». 
6 lue parece looiíçflo tónica. 

fonnãlio 

— < o formalio é nma placa com pinhas d« praU. que s6 )i^ 
no peito rtn cetçbrauiâ> — '. 

formão, (irinfio 

i-)âtas duBã formas, com preferência manifesta dada à pri* 
mcira, designo, nos autores portugueses qac escreveram DnJb^tt 
de Portugal, o que os autores portugueses que moderoílDeute 
escrevem uuma linguajem ciioulat misto de muitos idioQias, e 
ortografia:í exóticas, querem que se chame firman: — «díiégi que 
tinha formão do Oram Turco para poder ir por terra^|Va o 
reino» — •. 

O vocábulo é persiano, píbuan, «ordem», « os portuffueses 
adoptaram-uo por intermédio do árabe, no sentido especial ds 
«carta de recomendação >, ou < salvo-conduto», concedido por 
autoridailes soberanas mouríscas. . 



fnrno, furna 

No Gcrez tem este vocábulo, do latim fnrnum, acepção es~ 
pecial, como vemos do seguinte passo: — «Os • fornos > do Gerez. 
abrigos de pastores onde só muito baixado se peneira* — '. 



* O Dia, de 21 do março de 1002. 

• Bi-jgy lio Cuato, I)AOADA %.', CRp. XV. 

) UsTiuenejflda Capelo fl Leonardo TArrcii, VuúK!^ i skrra uo 

GsnBS B 8UA8 CALDAS BiS, 6RTBHItR0 DD 18S3, M «Boletitn lU Socicilttlo 

de Qeograpbia», 4.* Hórie, p. 5;^. 



Apostila» nn« THcionái-im PitrtugHeaa 



47r. 



I''urtia é com todas as prnhahilídadcs derír&ilo português 4e 

1(0, com ma'liiQ';<i da voi;ul O cm ii, bastauto sin^ilar, atenta 

terminufflo a da palavra. O que ó notável também é a rela- 

o ecttabetecida eaXre ffirno e furna, • concaviílade. algur», • 

ue vemos repetida, por mera coincidência, em uraa líugHft da 

lossa iam. remota, como é o bíilgaro moderno, idioma esclavtS- 

íco 00 qual do mesmo radti-al »e. dt^rívanim j>e.ft, <f4^mo>, e 

'erá, •fuma*: — *À raammõa pode ser precedida de um 

rredor ou galeria que tem o nome Tulgar de furna, Domft 

|ue também se applica as grutas* — '. 



forquilha 

mal da forquilha ou peeira é uma funmculotte do 
flerdígitado, isLo é, um furúnculo entre as unlias do 

a 

O termo peeira vem já rtyistado nos dicionários nest* sentido, 
re(ttBseuta um latim pedaria \ pes, pedis. 



frade, fraire, freire, frei, freira, freirmha 



BMa palavra, do latim fratrem, «irmSo*, adquiriu, além do 

su sentido especial e hoje o prtíprio de «relijioso, perteacente 

uma ordem relijiosa», outros muitos, quásl todos depreciativos. 

ttate modo, fraih era o nome que, em T.ishoa pelo menos, se 

Pa, até data muito recente, a uuâ coluuelos de pedra, ligados, 

não, entre si por cadeias on varões de ferro, e que cncerra- 

iram praças, ou editloios, impedindo a passajem a vefculos ou 

cavalgaduras: vinham a ser uma vedação, mais barata e cómoda 

4]ue os gradeamentos. Quera procurar, ainda os encontrará por 



J. Líítc de VaBcoDwli», Portcgai. pbb-hibtorico, p. 48. 
* Oaxeta das Alosias, de l'> de abril do 190S. 




ai, em qualquer adro de igreja, ou algures. O nome f*ti-1bftà dul» 
^dubitAvetinento (^m nuao do remate, qD« se parecia muito oom 
uma cabeça tonsurada. 

I^eôes lhes chamaram no Porto, e não 8«Í ae oÍBéâ ffat- 
m«m. 

Frade, na jiria dos líidrões, no P«^rlo, quer^ ' 
da pobcia» ', talvez em atenç&o ao cjpotc que l _:i_ _ 
a tocar no cbilo. como o b&bito do frade, ou porque está 
imóvel, como o peão, ou «frade de pedra*. 

K conhecida a denominação que se aplica a uma otftt 
feijão, isto é, feijão frade, ou fradinho. 

NHo è porém somente ao feijílo que se dá semi-Iboate 
ubá; é também ao milho, em certas circunslàncian, como n 
Ter. 

Frade (Leiria) é o ^o de milho que, quando m d«iu 
braseiro, para se comer assado, nflo estoura. '^ 

Freira, oi\ freirinha: chama-se-lhe asaim qnando elle 
ra, tomando forma que lembra uma flor miúda e branca. <1 

É evidente a raz&o destes epítetos: o de freira A de^ 
semelliauva quo se 8upr»s haver cnm a cabeia toucada d^al 
freira j a de frade está em oi>o.siç-ão u eíita. 

Concluí-ae que tais denominações são antigas, (tois faá s«t 
anos que não há frades. 

A lar de frade \ fratrem, tomoa fraire, comparávU 
fratle cdstelhano, com vocalização do t latino em r, ina.^ ^t 
diãâimilaçAo do r du 3.* sílaba para l, e freire, com a to 
procUtica abreviada frei, castelhana fray, e o femenino frt 
que, parece, ri;'to foi nunca usado em Espanha. 

Freira na liba da Madeira é o nome de uma ave, Ostrdj 
mollis, Gould ^. 



> o KcoNOwmTA, de 28 de iíverejro de ISSS. 

' Infonijaçiu dou sars. Ac&cío do Piúra e V. Abrvo. 

* Entesto Schoiítz, Dik VCmrl Madeira 'b. 



Ajitt^lnM am Dieiotiáritvt PortugvenrM 



fragíiriu " 

Kin C«Íml>ni é o nome do moraogo bravo, muito árido, a 
Jresa estianhola, jiois ao moranifa chamam fresón. 

Híití*^ .Scbucbardt dá-nos como termo ]>oriu^ws Jreí>a ', Xas 
Caoária:;, ao tioutrário. nsou-sc moráiufima, ou morUingaitít -, 
sem dúrída uma forma derirada da que em português deu mo- 
rando, isto é, moranicum | uiora. < amora >. 

Temos de eiplicar necessáríamente por intluéncia portiij^tiesa. 
tanto este vocábulo, como coruja \ ali usado, e que em cjist«- 
Ihauo se diz techuja. 

fragulho 



Tomo açoriano: é o nome qife dão nas lUias dos Açores às 
fralda, Talda, fraldiqueira, fraldiqueiro. faltriqueira 



»ures. - 



Bltttoau no seu Vocabulário diz-nos quo a segunda destas 

»niiaB é — «mais épica> — , a outra mais usada. Na linguagem 

tual diátiiiíçue-se em geral falda rff moníe=aha, vertente âe 

>7iUt^ lie Jralâa de vestido, de camisa, etc. 

Tenho dúvida sobre »e são duas formas do mesoio vocábulo 

'orijiuárío. Os etímobjistas dizem-nos que falda, palavra que se 

IBDContra em várias líii];uas românicas, i^ voz f^ermãirica. fahin, 
■ dobra, jirega» \ e a ela subordinam tanto /fl/rfw, coiimyraWa, 
I < K»Bfii4riCBK Studibn, IX, J». H3. 
[ * Joio Uar<]ue.<c8 of 6ut«, On tub anoiknt LASCOCAOaopTBNBfUPB, 
I.ondr«5, 1S9I.P. 2S. 
» iô. p. 22. 

«* r. Kíirtinp, LATBiytscR-ROMAXittcHKs WObtcrhucr, Pa-lrrborii, 
891, D." SIM, c EJage, ETrMou>Gt6CiiRíi WOrtbrbucu dbr DBtrrscBKi 
Spkauhb, Eritrnabargo, 1889, »ub voe. filt e falten. 





AptMUía nnti ÍHdonâriot l\irfMgHc*cá 



im nos exi^licarem como se íntroduiãii oim^le r, t\w m npMi 
tiuda que era outra situBçào, no castelhano falfrigtura, hasa 
udjec.liva de um deiiiiiiutivo fnUrica, ou faUlriea [ fahlra. 
fralda. Ftilfriqaera etii castelliiino qucre dixer •aljÍlM;irft qii««v^ 
trax na saia. ou alm do vestido», e este mesnio s^uttdo tinba 
portujíuís Jrnltliífueiru, como vemos, por exemplo, do Ci 
DA Ueiba, de (iil VMceste: 

— «Diuirt», tende* ▼•>« hi 
Oinhviru nu {raldíquci»?* — . 

Não bã pAttanto motivo para a interpretação < bábitn, talxr*, 
proposta em dúvida para «stp vocábulo im Xftvo IVicciosa- 
Eio, ao al>ouá-lo com este passo de Francisco Manitel du N»-j 
cimento: — «conLis na mão, puubal nu fraídiíjufira. Í»\mài 
em l>euB» — . 

FraUliqueiro. como adjectivo, que no fonieuÍri<> st- íui>-i^:í-i 
tivou naquele sentido especial, quere dizer «o que p4>rt*>itrf i 
fraldica, à JraUla, e assim cão fraldiqueiro » , é o « toU^ pw 
queno, que está sempre no regaço, nu agarrado is shíhíI'. 

Martinho Brederode, na colecçilo de formosas poesia* i&tiiu 
fiada Sm* *. usou a ^oxm& faltriqueira: * 

— <Cartu 4l'am(ir nu fAltríquidra «tijn, 
Raiiivi» de duiv» nsit auftdu uiiLoa » — 



frango 

l-^âta palavra, que designa um «galo novo >, considera-a D. C\ 
rolina MicbarLiii d« Vasconcelos como derivada do /ranro. 
cêa>, o compara esta formação à de galo, que também querei] 



LUbua. 1905, p. 37. 




ÂpmHlaa Oúa Difu/núria» Portt^ne»e9 



473' 



iIa tiália, uu Frao^a». Com respoito à mudança de e em g. 
confronte-s«, como dix, manffa | man(ijca '. 

O simples fflnfronio mostra que é ímprorÂvel o étimo pro- 
ito: vifíto que o « wtavu prec«<li<l(> do vogal em mnnica, é ua- 
ral que o fthraudamdnto do c em g precedesse a i^neda do r; 
lém disso, francum não explicaria y'rã}i(/ão. 



fraseai 

• FroBcal é naquella proviueia [Aleutejo] ama meda de 
ou^jo, em geral quadrangular» — •. 



freguês, freguesia (freguês, freguesia) 

Duas etimolojías tem sido propostas paia este vocábulo, 
ílius tcclesiae, e filius gregis, «tilho da igreja», e «filho 
grei». 

A primeira parece que deve ser rejeitada, em razão do cor- 
gspondento castelhano feligrés, visto como nestu Ungua os gru- 
pos de roDsoaute l dSo mudam este em r, como sucede em por- 
tuguês .(cf. clavo e cratm), e portanto o r de feligrés deve provir 
de r latino. 

■ Temo» pois que filius gregis é o étimo que devemos t«r 
como provável, admitindo que liouve em português metíitese do r 
para a jtrimeira ailaim, freguês por fegréi*. Nào direi que tudo 
esteja bem explicado, pois o oão íica o i de fili~, mudado para e 
em casti-lliaiio, c para t' om português, çom supressão do l me- 
liai. — *05 presbvteros que os dirigem espiritualmente, cha- 



• ItHTtRTA Lusitana, iti, p. Ift;*. 

< DiAKio DB Noticias, dv 21 iK' julbo do 1904. 



niar-lhes-hão seu& filhos, filies eeelesie, tiliçreses, fregueses. le- 
ccQte deDomiuação religiosa— popular» — '. 

Fora lia roliilão crista foi o termo frctjHl.-' usado \%\)i An- 
tónio Francisco Cardim. com roforéiicia aos sectários do budismu; 
^-«Tornou outra vez, accuapauiiiido de outro l.toiiKo q de nl^oiM 
aeuji disoiptilos o frepuesos» — *. 

O termo fretfuff t^m ura siuóuinin, paroquiano, como /r^ 
ffinvitt n teui em iHtróquia, ou, tiAo sei por qutí. parròquia, ilc 
pároco. Ou pàrroeo. O que ^ estranho 6 que. emquaotn em po^ 
in^uês o termo paroquiano se díÍo aplica jnni»i^ ao individao 
qitc compra pur Iiúbito ii:i nie»ma loja de venda, mae úm J reijaí*, 
ocoutece em Eipauba exactamente o contrário, pois lá u freguês 
da loja deuomiua-se parroquiano, maa o freguês, o jtairoquiano 
da mesma igreja di»-se Jelufrés. 

frol. frotido 

Na Rfvísta Lusitana ' dâ-ae com»i metátest' a fi>rma/nj/«/o, 

por florido, Dum texto anterior ao século xv. Xuo liá luetâtese, 

visto, que Jrolido é siiuplesmente o particípio passivo de ura 

verbo frolir. derivado de frol. que era a forma coutem pcfáuea, 

e ainda posterior, do vocábulo que autualmeotu se di^ fhr^ 

• 

frouxel 



Blutean, no VocAnuLAEio portuoubz e latino define deste 
modo a palavra: — «A penna das aves. mais pequena, o mais 
moIle> — . O Dicionário francos de Kmilio Litlrt' dá-uos do ^r0- 
don a definição seguinte: — «1,* Petites plumes à tige grtio. à 
barbules longues et fines, appelêes anssi duvet [peni^em}» ^umies 



> Alberto Sampúo, Ae «Villas» do Xortr db PoRTtrOAt,, in Por- 
tugali*,!, p. 588. 

> Batai.raa da Compakhia db JiCfiirs, LUbou, 1894, p. 22ã. 
» vul. Tiii. p. 212, A Visio OB Tlndalo. 



des oiseiím palmipèdes et surtout par Teifler, anãs mollf*- 
t, qui vit pniKJpalemeDt eu Ulnndo ,. 2.** Vu êdreJon, oiii 
mvre-pi«ilí( fiiit d*é(lre(lou.. . Étyu. du stit^ois «fV^r, espèce 
Toie du Xord, et dun. petit« plnint*. duv«t> — . 

Cottrjadas :ts duas definiçues fntre si e com a iradu^'Jo latina 

qiift da imlavra porlti^^uesa faz Btiiteaii. tnollior auiuiu pluma, 

paroce qu& com frouxel uos poderíamos contentar, ou cora pemtr 

Jttn, prcsoiíidiíido do rraiioés idntlftn, que fwira Frauça è ao 

uirtioit afraucfsado, e para cá ueiu aiH^rtuguesado foí. 

fumeiro 

CoiiKi £1^ sabe, dtíslgna fumeiro a ranie de porco ensacada, 
de vnrhido. e depois tuinada. 

FIÍM aqui uma transcrição que deixa clarissimo o significado: 
— "liiaPlcssA. Vasto com pari! mento abarrotado de comestíveis. 
Ali se armazena o funwiro dos suínos, isto é o producto da ma- 
tança de doze a rinte cabeças graúdas, as melhores que sabirum 
do luoota^io. . . O fumeiro conipreheude: grossas mantas de tou- 
r.iolio empilhado em salmouras próprias, ou em potes de barro e 
caiiotfcs; as varas de enchido, como paioit, chouriças, Untcuiçiist 
I morreUas, cacholeiras e farínheiras, cada qual em soparado, e 

LH suHpensaa por cordas presas ao tecto, formando por este 

lo a parreira ou lutada de carne cheia, previamente defumada 
'008 vaou da chamintí... Rm vasilhas ohserva-se ej^ualmenle a 
mauteiga e os pésunbos e lacÕeA» — *. 

fomó fumo 

R^ palavra abona-se com a < KelaçSo do naufrájio da nau 
Sam Tiago >, de Manuel dedinho Cardoso: — <Ã)>6s estes negros 



> J. da SilvB 1'idto, RTRKouKAPniA DO Alto Albutbjo, in Porto- 
f«lia,i. p. 637. 



aoudirum outros coin um Furai'» seu, que assim cbamani [os ca-] 
fres] SiOS [»Ír] que os governa ' — '. 

Conquanto mais adeante a palavra b« repita, faesito em con-j 
vii(1«rar certa a aoentua^-ilo inaroailu, pois a edição c de ]K)uca ou 
Dpuhuum iVí, nAo só porque^ os erros tipoj^firos pululam nelaJ 
mx^ priíicipahueute em razão de a ortografia ailoptudu ser.] 
quauto pode, arbitrária e incougnieute. 



Assim nos apryseufa o Xôvo Diocioiíàbio ôsle vociilmlo, 
com a nota de compilado pela primeira vez, e uma at>onaçilo U4 
Latino Coelho — «o ludlio de um fuuaragio* — . No .SupleraenW 
ao Hiesmo dicionário deolara-se que, por iuforn)a^'ào obtida. «» 
vocábulo novo ê apeuas um erro de caixa pôr naitjraifto. mas 
que I.atino o deixou passar, auteuticaudo-o portautò. Ê pois 
que os fraueeses deuomítiam eoquille lexioloffique, ' (irullia lees 
C0|^r;iliai >, que Já figurou duas ver^g, e sent Itom niy tigurar 
t«ri'tira. 

Xo Suplemento cbama-se-lbe — «suppflsto disparato» — : r:Poi 
aiuda resta dúvida? O facto de Latino Coelho o li- - ' \.'idoi 

pitssar também u3o está provado, visto que as qu^n ^ ^-i 

letras de naufrágio trocadas em funa-roffio o podiam, ter ndo 
depois de feita por êle a revisão. f 



funé 



Esta palavra ê japonesa e quere dizer • embarcação » : — ci 
ponte leita de barcos que [osjapSes] chamam funêa» — *. 



V 



1 tn BtaU. DB CLAS8tCQi« PORTtTOrSZRS, vol. Xl^llt. p. 04. 

> Anlúmu Franuiiítw Canliin. Bataluas da Companhia db Jaavs 
..VI. 



ÁjimiUaH aos Dicionáriot fíaittffaeÊíS 



470 



fuugueiro, fangbeiro, fragbeiro 

O Novo DiccioNÀRio escrevo b segunda destas formas fan- 

\fft*eiro. isto f', com o u nulo para a proDúDcia: oa terceira 

ilQsrcH as cimalbas no », o que equivale a itifiicar que se prrvDuii- 

cm froífu-eiro, soando ôsse «. Eu, em conformidade com o que 

espiis na Orto^ratiii Xacioiíal ^ Huhslituo pelo acouto gltve as 

ctmalljn:;, com o tiin de denotar que o n eutre (f e e oii / se 

[profere. 

O HPíino nit'ioriári(i remete i\» fauffueiro {dViAs fan^Aeiro) 
lara Jra4jt\eiro. eutendeudo-se pots que íAq a me^nia palavra 
ira diiãs formas; e da última diz, como termo da Beira, o se- 
iinte:-^«pau tõsco e comprido; estadullio; pau era que encaba 
vassoiro com que se varrem as cinzas t- hi-osas do forno, ]>arn 
ste se deitar o pio que se vae cozer: adj. ardente. . . (Ue frá- 
i)»-. 

E ^iosaívpl, e mesmo provável que de frátjna proveuba o 
dJKlivo frarjiíeho. ali abonado cora Francisco Mauuel do Naa- 
cimeuto, o que nos leva a crer que é neolojismo diste escritor, 
que taub&s inventou, com maior on menor felicidade. 

Oqsbo substantivo, o étimo é suspeito, porque frá/fna v uma 
• forja», e nilo um *fônio»; e por outra parte nilo po<le baver 
étimo corauin a fratjàeim e fanffueiro, sendo certo que o último 
proceáede funiculariura | fuuis, «corda» (\funffuairo |/«n- 
yiieÍ7'o I fangueiro -. 



funil, funilaria 

A palavra funil, muito usada ua Estremadura, e menos no 
Dorte onde lhe substituem embmht caslelhano emhnão, é o latira 



Lisboa, 1IJ!)4, p. 9^) e 2U0. 
Ubvista LrsiTAXA. ir, [i. ílt. 






iiijuní/tlc *» pQT iolUniiitniiam. De Junil se li 
./#mt e funilaria, que tjut^íre flij(w uio sò *loj» ■; . .r*l 
Qfts lambem «obra de Auúlcíro', eamo ae ri do trechA siegtiiste: 
— * % iXincorreacij de oatras loiças, porventam a obra de fuiult- 
•íiã em mínima parlo* — '. 

FttíiUaria dtsi>ntii lainbúm a <colecçaio outeira de comlMO- 
inçòea ooiu quo um iudividno se adorna >« eorrespondendn Deste 
t%s^ ^*(]U(^i'in fraucê.-;. tauiWm ^m tom de mo&, S0 cbaua 
^blÁntcrie." 

Funileiro, nflo é i:iDlraiueQt« o «fabricante áp Ainis». IM 
em trtTal o qne tecnicamente se denomina hitu^rõ o 
brmira, por oposição ao loiociro. sem mais b»1u. '^"- 
ein /^z/do, e iiAo em jWta-de-Flamlreji, conM o .' 
o povo mudou em fulineiro, por influência de / 



Furada ' 

ftst* nome de várias terras costuma esCrever-íie ixn vrir-. f»? 
não muilú lVe(|uenteuieDt«, Áfuradn, o que é um éiro, Ti>t<:i ^\^ir 
O a é o artigo, erro semelliaute ao que oig franceiíes filíflesec 
cometem quando escrevem Opofto, por o Vorto. V. \ 
cida que, quando um nome comum passíi a eâpfciu 
nome de terra, costuma acon)(tanbar-Be* do artigo, se pçr outro 
mCâo não está particularizado. Assim, temos <i Áhrigêda, « 
Oraria, o Tramagal, o Ginjal; mas Penafiel, ou raodunft' 
mente Penafiel, Paço-d'Árcm, Porto-de-Mós, etc. * 

Quando o nome comum deixou de e^ar present« h memAni 
do povo, por ae baver tomado ohKoletOf o artiiL^o mnits.*; vints 
elimina-se: usaim, temos Cascai», e ufto os Cktucaijt, A^oia. ttu 
Tez de a Azoia (árabe AL-KaijiiB, «a ermida >}, Valadare*. M& 



> JAUu Corua. Grumdiiihs dbr romanischbk PHiLOLOom, tli» 
\>m, I. p. 770. 
^> Pvrtaguliii, I, p. 366. 



ApoBtilaa aos IHeionárioa iWi^ffawi ;' .^X ■ 



,4' 



Ora furada é um uome comum, o qual significa uma «ea- 
Terna artificial», como bá, por exemplo, na Galiza a chamad» i^ 
Furada dQs Ca(n)8, citada por Yilamil y Castro, como sendo 
uma importante grata pre-histórica. ' '.' . 



».. 



fuselo 



V É um deminutivo de fuso. fjis aqui uma ilefiniç3o minuciosa: 
— « dufefl chapas de madeira . . . presas uma á outra por sete ou 
oito pausínhos redondos de um palmo de comprido... suo os 

I ■ 

fuseola, fuseolo 

Este neolojisrao é feito á iraitaçáo do francês fumioJe. termo 
de arqoeolojia pre-histórica. derivado do italiano fumiòlo, « gas- 
tâo do faso>, isto é, o pedaço de chumbo ou outra substância 
pesada que mantém verticalmente o fio e o ajuda a torcer, posto 
na ponta, ou ferreta do fuso: — *As fuseolas que aparecem em 
grande abpndancia nas minas das citanias, idênticas ás usadas 
domesticamente na actualidade » — ^. Ora, como ninguém dá senie- 



1 Emento Schmitz, I)ih VõGBr- Made[R\'s. 
* Portugália, i, y. òbiJ, 
' Portugália, i, ]>. 317. 
31 



•» 



fura-mar ''^P? 

' f' 
* 
Aos sete vocábulos derivados do verbo furar, no imperativo, 

«omo substantivos, colijidos no Novo Diçcionáhio e seu Suple- ' 

mento, tenho a acrescentar os seguintes nomes de aves: ^ 

jfjtra-fertrrfo; Maileira, «gavião». • •' . 

.1^' 'jura^mar: Madeira, «boeiro» '. 



llmnte nome òs u^»(Uk nu acuiHliditJe. infltmr fòra (Ut-Um 
I* o qiit* ieeuQ ^m portuga(*>s. 
V. gaatao. 



Kltl 



No Relatxhuo da CAMPAifUA "do Baboíc bu iWá *. ft 

^,T ;,. -1, Aztve'io ('oiiiinlio, enconkB-so a sei;uiiit<» «pi 
ii.^.id;i LA Africai Uiieutol Portugoesa: — < na espnranca tie 
futi (faier tofço)> — . Em nota 'Bcresceata-se:> — * Fiãi. ctpk»- 
la > — . 



gaHaitúa, <.nt(lanho, gadaob&r. aj^aiianhar. oiigadauliar, 

esg;i(lHubar, agaUnbar, eâffttanbar 

l)oÍs ^timoa tem sido proiiostos paia n pnb^Ta -^thmit^ 
forma bojo mais usiinl, ou guwinnha, a, que UIuWu dtrii ii |•l^ 
iVrt^m-ia, e que é a casttdbaua: e digo d"- '■ ' • '-"iiiiiiin"?. 
pftiquo o arábico, pelo l)ÍL-Jnuúrio da A"..! i-tla jj» 

postOt Dão merece contíniiviV pois nem Doiy nem EgvíUt A Ybi( 
guas o adíuitirain, \isto \\\\v iiin!ios owiU-iíi o vocÁi- ' 
eulre os muitott de orijem aníliini ii tiu« >>-; w-h^í uLi 
cabiuieuto. 

Aiubos os ditos étimos •.'• se puiiem ver tfin k»viimti * 

O primeiro deles, que F. A'Í"1ím í ..i-lbo parece pr**ft*rif ' '■'' 
ciona f/afianhn com o verbo gantuit\ e é aqueln qut> a »•■ 
deu orijem nas línguas romáuicas, com excepção ão rDmeD^ «■ 
que o elemento germãuico é. a bpm dizi-r. nulo: • w Jk tíla 
■ pascer, pastorear*, que subsiste no alto ali^iiiuo tnúdttmo *< 




outro c uma base voi^l. hivaí, •utiai'. a ulU) uUmiio ino- 
lerno wetzen. Houve tauiht^m qiicm propusesse tSutt/tij; nome 
|rô|>rÍo de cidade na provinciii <hi Ornnadn, tiihs DÍn^iéni lh« 
í<*Ítou. 

[)erlaro t«rminant4«mpnle que nenhum destes ótiinos oferecv fi 
mín ima prohaliilidadfí d» ser o verdadeiro: e mesiQo o que j^ f / 
t«^r n^iTbJdn maior mi>iriicia. e relatVtomi vsier nnmi* de 
Ifaitt a-rricola coui o veiiio ganhar, aprex^uta tantas dificulda- 
les furiéiioaa e ideolójicas, que uos vemos na Dec«ssidado impc- 
dt< rujeiU'b. Com eMUt, ;,couio é que a únrvu língua ro- 
lúuica t\w conservou n íI. o italiano ffíiadatfnare. ■ ganhar «^ é ^ 
]Stam»!nio uquida para a qual o vocálmlo é estranho? !|i^r 
nutni parte, ^sti o dito verbo tanto no portui^nêt; tjanhitr. c<Éio 
liM oastflliatio jç/^iMf^r, perdeu fsse d. porque rozjio o conservaria 
vuni derivado? 

Pelí> que rí>^peíta il parte ideolcijica, riqual relação se bá de 
itubttlwíM' necess&riit 'entre um verbo, cujo sitcnifírodo é • pns- 
orr-ar*, í um subsíantivo d esignando u ma alfaiii aím'<'oIa apli- i/ 
ida A ceifil de herva, ou de mwWt r;IViis u vida lie pastor núo é " 
antittm da do íavradori* 
Vè-» pnrtynlo i|ue ** ■'"'^tp tnn do« numerosos vofAbulos de 
ISO cotidlan<). ruja tirijem é dpscnnheddii. 

l)e giuiliiihu pnHode giuianhur, «ceifar herva», o frannéa 
faurher \ ftaiJ-, -fonce de raím». 

A.fuilr de tftuUtnha, * fuure rí>fad<iura », temos um maiículiuo 

'^atlanho, que ((URro dizer «dedo nurlavinhado>, como «paia ya- 

j^ary trrvhatar*; e eom ffntianho temos nma s^rie de verbos 

irdi' dtTÍvados: cngnãanhiirem-He oh tíetiod eom frio: affadaniutr, 

e*teikler os ijíulanJios para arrebatar - ; esfjadatUutr. • arranhar 

boin os M^ttiihoif*, que por intluènria da palavra t/a/o. criatura 

qaem é muito aplicável o rurbo, Be couverteu em eci/nUinlutr, 

>nio iiffadanhnr. em a/fnfanhav. 

C'"m uiiidanva do // em r. rara mas efectiva (ef. mentÍTa, 

n vuniiiãtt, e « castelhano fHtrihuelti com o pi>rt»í;néíi padiola, 

t\). tem os falurps transmontanos o? participio» engnranhadoít, 

vagarítitliidos. qiif pre.s.-<upúem os verias enyaranhar e m^U' 



rfínhir, e r|ut<reiu UÍ7,«r < oDtorpeíiilns.* tolhidos ns dedos com 
Mo > ; t* o tilimo imediato deles u com certeza ifaâanho *. 



gado, gaUi- 

O Knro DicoionAkio rejísbi a sef^mida desUft formas c«m 
lenno dt* jirla. com a signilit^açiLo de >dÍDlieiro*. 

A iiboimyuo de <|ue ieuho nota i- du priíiiohu. nu moâou 
arepvÃ>^; <• possi\>il, pon-ui, que haja uelii erro ttpogrãtíío, 
(|(ie não posso decidir porque Duuca ouvi nem uas ilptij a natra: 
—í 'Quando nâo haria gade para vinho, meu pae batia-lhe* — ■. 



gadelha, guedtlba 

O DicciONABio CoNTEupoAAKEo rejístfl sômeuto a «««pinda 
destas fornias, o NOvo DtcciONiRro ambas, dando, coimo Bln- 
ie;Lri, a preferencia à primeira. <]ue é a mais usual no povo, e 
tainbi^iu u galega. O que nenhum dos doi» tSit é cunsi^ar a si^- 
nitteavâo de «madeixa de fios», a qne i^uteau se refeiira na 
inscrivào fjtutdhnst de lã, e Roquete ' ti-aduara para francêsS do 
modo seguinte: — «floeon de laine. Guedelhas de seda. ótoíTu de 
8oie peluchée» — . Esta última locução foi empMgada pelo cro- 
niíita Kui de Fina na CbAnica ob Kl-rki Dou Afonso t, des- 
crevendo as testas colebradas por ocasiiio do casamento da ii-mi 
de El-rei com o Imperador Frederico em tina do ano de 1441*: 
— «El^rei... desafiou os cavaleiros para as juntas rÓM^, que 
manteve na rua Nova com condições mui excelentes e de ^ptinde 
gentileza, e assi [foram] propostos gi'ados e empresas mui ricaji 



< Ka RBTiaTA Lusitasa, l, p. 212 tnt«i d«at« Tucibolu, bem ooma 
A^jHníiata, jiarlhur.la, p. 215. 

» O nu, tk 2? de wtcmWo tio 1902. 

■ DlOTIOMKAIKB PUtETtlQAlB-irKANÇAIS. FlirU, 1S5A. 



*■ ^ 



Apontiliu uon Difi 



m4^ 



Voriugutêt» 



«s 



im <|uein raam ^laitU; vi^iise ú lea. e asei melbor jti-ctjiv^ti. 

qtie o loraatt- Dom Fernando veio cora sen» ventiireirns 
>â de guedelbas de seda Hua como ãolvages. em cima de 
)ns cavalos eurestidos e cubert^s de figiiroâ c cures d« Aliraa- 
is conh4*cidas, e outros diformes* — '. 
V^e que foi o que hoje bç chamaria mnscara4a. Jfeio sé- 
:uIo aiilíís houvera nutra em Fninça, tnnib^m por ocasião de um 
lameato entre pessoas da côrt« de Carlos vi. ua qual este rei 
mais cinco seiíhoreã se veãtiram de Belvajetie, cobertos de gue- 
la de linbOrA Tei^-ilo de pêlo, e assim apareceram na sala do 
Ule, onde por ordem do rei se apagaram os hnindòcs, com 
:eio de al^um desastre. O raso porêra foi deí^astroso, e a plu- 
iIb comedia couverteu-se em pavorosa trajêdia, breve, mas 
^Io<JÍlellte)nellt4> dt^scrita pein cronista Froissart. Apesar da re- 
comcudavuo do rei« o duquK de Urleás eulrou ua sala acompa- 
ihndo tle seis bnmens com brandões: tii-on uin das mãos de um 
XkXvA par ver s<^ coubvcia os mascantilos, que viubam presos uns 
duttoH. com excepv^o do rei. que. sendo o primeiro da fileira, 
le soltara para faUr ã duipiesa do Herri. A Iuk da tocba )»e^ou 
Du guedelha de linho de um desses mascarados, guedelba 
|ue estava colada cnrh j>e7. a uma liíuina. e assim perpceram dois 
t>^Tt ali, outros dois ao cabo do dois ilias, uo maior tormento. 
'«rapuu^o o quinto, por<|ue se lembrou de lat^-ar *5hre «i a água 
|Ue estava, em tuiia dorua, ]iani nela kb lavarem copos. 

O que é mais horroroso neste triste caso l' i|UO Frotssart dá 
entendei' que njto foi ?•<} leviandade, nms acaso malvadez da 
irto do duque, o que o levou a chegar a tocba a um dos mas- 
•luando Do-i dÍ7. que o duque foi o culpado, posto que a 
i;ide e talvex a ii;nitrãnria u levassem a nemelhante acto 
de loucura ^. 

-se pois que a palavra ijuvdelha ou yadeUta, não signiãca 
inicamente *cabelo>, mas também toda a iinitH^'iÍo de cabelo ou 



1 oip. exxxi. 

< rHIIOMgriM UR FMOIfUtAKT, líVTí», IV. cap. "."', FarU, Ittâl. 



pêlo, feiU cvm qualquer substância filameaUníat lã, liobOt 
Kdu, por uietiiplo. 

gadi (gaddy) 

\ft inteivs&&iit« inonogratia escrita por F. X. Emento Fvniia- 
ilez. iutituluda O asouiisN do sau. abic^hv e jjuv.s^- 
Ikdta PoKTiiociíZA, ^«Hne-se assim este terinu: — ■• 
um estíiliflecimeato em que s« arrnadara [ficj direitos Mhi 
eiú qiw d*iinia província fosse exportado para outn. Kra st 
na passajíein dos rios» — '- 

Todavia, o termo tem ontra acepçÂo. o' significa » pnlpría 
posto, no passo seguinte: — «Hm uDtit|iiiásimas paut.i 
ras. ronhecidas sob a denomina^i^o de t'a?iiuta/' ' 
de direitos do tHiiijHi do dominante uiouro, quf vig' 
d^os de Salcele e Bardez Sílé o anno de ISll, »pparerv un 
Imposto ipie incide sobre o sal sob o nome de ffaddty — *. 

t> vocábulo está escrito ít maneira tradicioual da índia P4 
tuguesa, usada na trausrriçflo das palavraa iud^jemu, iâlíi é^\ 
para i acentuado, e dd. para o d cacu minai, oonréra latcr. |i( 
ferido no pouto em que proferimos <> r dto rara. O y 
i acentuado, equivalendo a dois ii. como o a. e, o. u> <^ 
se escreviam aa, ee, oo, 

gado criado 

KÍ8 a definiç&o autorizada desta espressíLo: — * quando ê 
quo nu linguagem agrícola t/ado criar/o quer dKor que é da 
voura de sou dono e não comprado pára simples negócio de rai 
chante ou contratador > — ^. 



' ÍH (Boletim ãn S<>eieiliiit(} Jc Gogrftjihia ilr LúboA*, 23.* 
p, 2'iS, nota. 

> i6. p. 2-23, t<>xto. 

* QâZBTA DA5 At.ORIAK, (Ic 37 (te A^t^tu in 1903. 



Apostilíu aos ^vhmiiiiui PortugutK» 



Atàt 



gafa, galar. ^fo. j^feira. piféoi. (gafaria, gaf^ar: 

^afuziho (?), gafanhoto, gafauhSn; Gafanha, Gafaulioeini, 

GufeiH, Giiffie, Gafariíii 

[O s«uttdo rnmiim a IoiIuk t-stes vui'»hutoã parece twr o de 
incfan, ganchoso, engaiK-har--, cotiza qiip já advertira Blirt«au 
ipeito dos jirimeiros' seis, por estas palavras; — «Gapa e Ga- 
Seguudo a etyniDlogia dos quã derivam Gafa do hohraico 
f, que sigaittca eucurvar. cutortar, arquear, lie faoil de eti- 
Ler os diOereiítcs sentidos em que se loiuam osta8 |>ala\i'a5. 
|ne Gnfa^ iustnimento com que se curva a besta, faz lun 
nto stMUíílhaiite à Gafa, ou lepra, doeu^-a que iMicolIie «sner- 
á-xi ui&oí ti pOã. Gafar i'' arrebatar com a±i unhas, e gufar-so 
piolhos, he^ eucher-se d<,'S ditos insectos, que afierrilo na 
le. e am picadas iitolestAo> — *. Isto uos diz uo Suplemeuto. 
10 corpo di> Vot^abtilário dissera: — «Gaka. He o InslruiD^nto 
•wm que -dv curva a verg-a da besta, atú enca\ala na uat — ■ 
■PA&. arrtihatar cuni as iinhaii ou coin iustrumonto a modo de 
w/u. — GAifií. irfproí» im Knferrao de c*»rto género de lepra, que 
lAo 80 eorrue as carue»^ ina^ deixa os dedos das uiíÍoh revoltou, 
lOmo os dtt ftves de rapíua. — Gapkjea sarua do câo. — He mat 
dá nas cabras, pella-as e ao mata ■ — . 
Sauta Kosa du Viterbo documenta o nome ifafo, nâo s/^ como 
lífieando •leproso*, mas também «leproãório, lazareto, hospi- 
onde os leprosos se abrigam, o são tratados* *. 
A. A. Cortesão * cita como orijem do vocábulo gafo portu- 
castelhano </«/» {àe porque nao o contrário?'], e a 6st*' 
• como étimo, mas em dúvida, um árabe acfao. 
Em árabe exête ua realidade o adjectivo AQKao, <encarqui- 



* VncABiTLABtn POftTTGrBZ B LATUiO, ToL IT. e Soplemcato, l 

* Elucidário, Liíbua, 17!I3. 

* Srnsloios paba um dicoioná&io oompusto, Cúimbn, 11)00. 



Ihado. Rontorriílo ', ilo ra<lioal gaimoa, 'omrolher, eui^aniatlhar*^ 
correepondpiite ao hebraico citado,- Kai'ar (kafaf) • vergar, do- 
Jurar» *, e é pM&irrl qDe do ánibe proviesse o TOcúhulo. i3aj'<xT 
. cm galrgo siguifica < arrepouliar, esgadauhai', como fa/cm <j»\ 
gatos». 

f. Adolfo Coelho ^ relacioua (fafo o um copioso maUTiHl d«l 
âtrivados fiom <;«/'«. • traiTn ■ : o iiomçi seria aos lepnmos aplica 
do, eni nutílo do )W>nK'iio camctenHlIco do Uin horrorosa dr>tfu^{ 
tt milo rccurfflu i^evAlta, adauca, como garra de are de rapii 

Atribui K<^rting * orijcm gerniáoica. e nAo arábica, ao tucJ 
balo [jafa, taiiio oast-flliano, «garra, ganchos conin portuguè&j 
QU!i suas váriaw affpçõtís, e dir, que procede dp 'baixo-iiltíraáo íP>/-j 
/ef. correspondenle ao alto-alemâo (/aAcí, «gaifo». l-jfectirain«nt«. ' 
o baixo alomao imssui a palavra ifiiffeU ([fli», coiíf^rroe .loJlo Car-I 
los Dabneit ', qucre dizer: — -espécie d^ gaçcb» "U craque paril 
içar o arrear cousas que estão pendeutes de umu vara^<f-< Comi 
eeU« vocábulos pareceria relaciouar-se uilo áó o ;inrfú portuguê» 
e o garfio caátclbaoo, < ancinbo», roas tambi^m o ca.'^telbun() <ja^\ 
fear, < agarrar cora ancinho >, f/ar/ifui, « garra •■ e ^^rfiiéêr> • i"OQ-I 
bar*, e talvez o português engài{inhar-se, ge^farrv, «t«,, oon-j 
quanto a introdução de r e í aules do/ seja dith-i* 1 ■ íitTarj 
nestas últimas íormas, taulo portuguesas como r;islfi.i ''/<>* 

como a*^ectiro, aplica-se a uma doença da azeitona. i\m Itlui«au| 
descreve iissim : ^ « Azeitona gaía. He a que com iitt nevoi 
SC eugcla na Oliveira, e apodrecendo uella, calie sr-ui st^i vare-l 
jada > ^. 

Os vocábulos gafa, gafar, gofento^ gfffo(h, ol*. aplicam- 
a outras moléstias, além da lepra do boinem, da sarna do câo oc 
da cabra, e do peco das a7«itoua8. como se vO do Liecbo dogiiín- 



H.'1'it:. VoCABCLAIIir. ABAU^fRANVAW, tioífOte, ISflil, p. 000. 6oL 1 

HBaKEw-[i:xo[.ira Lbii''-'^ < -■- 'n% p. t2íi, co\. i. 

DiCCIOSARIO MANlAl, i 'O DA LISOrA PORTOOl 

LArBSMCu-noiiAxiín:un-i UijKi-EiiBifCH. iS9fi, O.** 8546, 3&69>4 
Ff.An-DBL'TscaKs \Vi>»TER-Bii<JH, StTid»und, 1781. 




Ap*>^Uln» «"« tHrinfutrios fVíi-ÍMyiifWí 



llMi 



Apareceu quasi iodos [os gnfanhoto^ gafiido^ (deâtrntdos 
ou afre(?tados de i|nalquer doeaçal ■ — . 

ÍA propósito do DOmo (fajanhoto, dado ao 9iilUio, dii^i qoo 
» l>arect.> aiuda iim ramo da mesma eiâtirpe, e qac Ibe foi dudo 
I raxio da forma gaochosa das patoá deanteiras. Ora, //n/im^wto 
am demirmtivo (cf. perdujoto do radiojil de perais, perdi c-), 
tanto, qae liá um atmieiít^itivo f/ajanhno, que qiiere dixHC ffa- 
fftíjio tjvamhu Ui» • jí outro presaiipòtiiii um priwiitJvo (jafor 
ou <jaj'nnha, qne nílo está colijido, nem postso abonar, mas 
naturalmente existe, visto que o vemos, no onomástico local, 
(ííiJun/M, aldeia do Douro, eom derirudos, como Oajanhâo, 
ua Ií«ira'AIta. e Gt^anhreira, no Aleutojo; 6 João Maria Bap- 
tista rejistA mais Gafanhoto e (rafanhotos '. Í'inbo Leal • 
conta-noíi umas historias a respeito de (iafanba, das quais a 
mais vHrosíDitt >* qoti atites houvesse alj uma gafaria. As€Ím 
será. A. 4* CortesSo adux mais o substautivo gafem, «lepra*, 
)naiido-<»:-^«(^e o fai,'as seer saaom t\e. gafeem ^. Gafejar, 
Madeira o na tatremadura si^uifica, «fervilliar. pulular*. 
BluH^, ftipra. Tudo isto parece provir áe gafa. «garra*. 
É de nntar qrfe saltão se diz em ca^telliano Unigwia. pala- 
. que também dfuomiua a lago:»fn. \ locusta. A snmelliauya 
for qM,^*tfpecial mente com referência hs patas e às turqueses, 
itermiuou a identidade do nome. 
A este respeito me ocorre a uotícia dada por um periódico, 
unia cbuvn de logo.ffm que em Kspanlia tinha devastado um 
ipo. Eram gofauhotos. Parecida com' esta beraardice publicou 
itro jornal uma tradução de um conto castelhano, e o tradutor 
iva-uos esLa novidade estranha: o diabo ú surdo ponjue tinha 
ítala do a mào direita! O castelhano dizia mrão, «canbot-o*, 
ftrque surdo se dia lá norão. Oulro aiuda participava aos seus 

: Ti' ' V 



■ CHOROQRAPHIA HODWÚIA DÚ RRINO DU 1'OBTUOAt., VI, LUbuR, 



■ POnTfOAL ANTIOil S MOUEKNO, i,isi)ua, vol. III. \^~\. 

* SntslDios PARA vià DicoioxÃRio coMFuiT», Coínibn, 1900. 



1pttor4'H qtte e^rbis tropa» etttavain acampadas na,s orelhas do 
Danúbm! O texto espanhol dtúa ortVas, «loaigeiíR», vocúhulo 
que luorfoliíjicainctttt corri^sponde ao portui<iiiÍ9 úiirrlu porqoc 
orelha \ aurÍLMa)la ó um ca»! (.'lhano orpif '^'^ tVfqueutijiji- 
IDOS éítotí priiDores de trodiiViUi! 

Km casteUiauQ t)(ifa teve maior desenvolvimento no sen mo- 
tido naLiiral de <gaut>ho>, i)ue o rorre8)»ondent« portugii/^s: r/fj/<i.f 
qurre lu di^or náo stt nâ liastes, doíi ufttilo^ ticsois, qut? hh wigii- 
rauí nas orelhas, mas, como termo facete, os próprios óculos; 
como nós lhe chamamos, tantbèoi por graça, ctuuialhtis. aludindo 
à orma^ilo ^emiuuda de ferro ou madeira qno se coloca sobre o 
lombo das a^Mnolas, para se lho ia«ter carga. O demiutitivn ga- 
fete quere em castelhano dizer «colchete», qae também se dii 

COTcJwtt'. 

O verbo f/nfar, «agurrar», i* pouco usiidA aelQuImente fttn 
português. B creio ob^wleta a acepção em que aq Pinprei|$& em pt- 
lego áe iuiiiiliinhar, esijndunhar. vulgarm»" • , como 

disse, por iutluència da palavra yato, que i' . .n..., is useiro 

e vezeiro em alimpar e atiar as unhas, seja em que f6r. metimo 
na nossa pele. 

iodemos estabelecer o deâenvolvimento do âeiiltdo da pab- 
vra tjafa um portuguus do modo seguinte: 

Oafa, < garra»: gafar, (gafaniioj, (lafanium, {taJmUioto, go' 

fmr 

«lepra»: gafo, gafado, gafem, gafeiro, gafeirenio, 
gafeirono, gafaria, engafecido 

* »ariia » : gafento 

« doenças nas oliveiras * : gafo. gafar. j/afaHo 

Duvidosos: galfarra, ertgalfinhar 

: ga^fo, e seus derivados. ' 



Outros noEiíea próprios de povoações, derivados de gafo sfto 
Oafes, no concelho de Cabeceiras de Basto, Gafarinij ao d« 
Fonte de Lima, Gafete, no do Crato. 



gaio 



lU do pau muito tlecsível, terminada aa sua parU* âu- 
)r por uinus lufadus, feitas com a própriu vareta vergada *. 



gaio; gftioim 

Madeira {• f> nome da ijaivota, durant« o primeiro auo dú 
ida, conforme a lopíoaa e iuteresâanlu mouogratia d(« Eruestio 
intitulada 1>ie VOokl Madkijus [As aves da ilba da 
leiral. publicada no Anuário de Ornitolojia, rol. x, LH99, que 
vfrzes tunlx} i'itn<lo. paru reunir atjui a rii|u]8sima noinen- 
vulgar. eom taioanlia diliji-ncia colhida \i%\o douto uutu- 
Do ara ralloso estudo. 

ootiltn«nt» o uonití (faio c aplicado a outra avo uiuito di- 
ite. da fivnilia dos corvos, garrulus glaudarius. K sabido 
O vocábulo tfmo, como adjoctivo, siguitica «alegro*, e dessa 
ificiàvilo provém a locu^Ao adjectiva verde-tfaw. -verde claro 

IVO». 

Derivado do gaio, «alegre» parece ser o nome de certo tri- 
>: — <Nào monos elucidativa é a gayosa ou gayosa, fòro (|ue 
Cpagava pelo casamento doa filhos» — -. 



gaiolo, garimpa 

Sio lòiidBimos 6stes doía vocábuloi, sendo o primeiro o mas- 
10 de gaiola, e portanto pronunciado gaiôh (cf. ôvo, óva, 
^pôrta): designa qualquer deles uma armadilha p;ira ca^-ar 



1 J. (la MoU Prei^. Jukbal du OouaiHKOio, de 11 do ofcvatu ile 1005. 
* AlWriu 8ainp«iw, As «Vti.i.AS> no xortb pb rnRTttOAi^ in Por- 
[alia, 1, p. hVii. 



pássarox: — • yaatiía, gaiolo ou grimpa — Teui a fonni d« 
pyrHmidtf ra^Ur de base quadrada e é feita de varas 
umas snhre as outras. se^uiTis por meio <Ie i|iiatn> Vfri: 

raixiiho. também de varas, atadas oii prei^adas nas «xii- , 

des > — '. 

Garimpa é talve?. grimpa, com a vogal a, luiapUciica oa ■ 

tercalar. 

« 

^aita(s), fn>ttada, gaiteiro 



Fra Sarn Migtiel dou Av»Ve8 ijnHmla qoorv diwr *ps^ 
Ibada>, naiur.ilineiite pelo eatrídor que Tuz. 

fim Lisboa sií^nififía «ríiircensao acerba*. 

É um derivado i[^ tjaita. < insIruiiienlA dp vento. i.h 
muito agudo, e é iista circiiusláDfia o futidatm-uto dt# u 
tido» figurados acima referidos. 

fínitfLt se obauiam os orifícios que as t.unpreiiis t 
baixo da bôoa. A suposta explicação de Ulattao. a 1)11 
José .Mariíi Adrião, TbadiçObs poptrr.^sEs oOLRtnAfl \' 
mo DO Cadaval *, com relayfio ao dito mbt^ qut «#ni •M*ta> 
é fantasiosa: — 'iHirquf as lampreias mo pav " 
tefw uns brnvoíii (wtemeihrtiulo a.< (jaita-i, dH 
È natural que em razílo daqueles orifícios Ihts lampreias »r cba* 
masse ffaitw. concorrendo para a aplicação do nomo a forma rv- 
liça do afamado peixe. Suite que nrm r/ait-wi qui*rt<rá poi^ •iitel: 
■•.salití que nv\n lampreias», <l«ti] muito bum aalors \Mtu qutía 
u tiver, quB pela miaba parte (lisi>enso o petisco., 

l'ara ert^dito de Illntcau, a citaçio está errada t ' 
doutíssimo frade escreveu <t vem 110 s«u Vocabulúri» ' 
— * Gaitas se cbamam uns buracos a modo «le Fagote, qoí I 
Lainpreiu tem pelo pescoço, e por serem atpiellaa part«6 dU>or*> 



* So)sé de Pinho, Ktukooiiaphia Auakaktixa, A Ckç«, in PorU- 
gnlia, 11, p. HA, 

' ín «Revista Lottitiuiii*. VI. p. I'i9. 



derdo occasiilo ao adngio, <>Ví/itf cotno gaitas • - Até os bui-a' 

foram tnitisforniíidos i^ni braçm, utribntndn-se falsuincntc ao 
IM iDclhor lecsicógraro n rHi*a inven^ílo de peixes coin brf ços 
traços com buracos! Mtiilji raulo tinliii Aiij^iisto Srhleicli«r 

recomoDdar qut> jamais hc liw«i<f uriíii citíiriin sem ae Ut o 
lofln de escruptilosAinenU a eonferír. 

Krre cada ttm u rontiide por sua conta, maá dão atribti» a 

»Ui os disparatou qiii> Ibe veeio i\ cabeva. 

(taitfiro é o musico que toca jiriíicipulmente a gaita de foles, 
ailjecttvo quere dizer «olegie', «ganidO'. como quando 
108 de iim ví*lho, ou de nina velha, qne sâo //«//fiVfw. Com 
itot taiilo a ^aita ordinária, como a de fol«5, efio instrumentos 

res, e grato? ao ouvido, se dos campos soam; uas cidades, 

mais iim ^uincbn e um ronco importunos, ajuntar aos muitos 
ion'S t' su^iirros que nos ensurdecem u desafinara os uerros. 



^ajo, giya: gajé 



^n tj«rmo3 de ciUAo conliecidos. derírados do calo, ou dia- 
íiv ciyaii'.! de Kspanlia, tjachô. ijachiK pi. gachês. .Se accitar- 
porrig. Aomo completamente averiguado que o eh uli tera o 
mio valor que no» dialectos eastidhnnos. nomoiidamento o aa- 
Ini, TÍslo qiio é dn Audaluzia que para Portugal ve^m em ge- 
ou cifanos, temos de admitir que a tonna passou ao portu- 
por iutermi.Hlio de ciganos orienl;iis, pois ó ai que nrts a 
iDtramos, por exemplo no dialecto dos da Moldo-Valãquia, 
nma ronsoanto medial análoga k portuguesa de (ntj'f tpron. 
ió) •labrKgõ». H provítvel. |)orém, que a ortografia c:isteUia- 
oiioptadu para a escrita do calo, baja confundido, no mesmo 
iboln ch, a forte tch (eh Iwirão ou costeUmnn) e a branda 
respondente '/;. K sabido que na tninscrivilo, mesmo niet<5dica 
^ienti(il:^ moderna, os ambisLa» cspanlMiis Iraiislittrrain por ch 
.*^ letra do alfabeto arnbicot que ae profere i^ na Ásia e j 
If^arruente nos países burbarescos. DAste modo, a forma portn- 
tiiferonyar-se-ia apeuas ua mudança do acento para ai.* 



494 



Aposlilítít niis rUnotíiirioê PailuijuetrA 



sílaba, i) qiw se observa em ontros vocábalos âi. mesma ohj< 
(V. pn-W), 

Qiantn EU) 8ubst;int)Vo abfttructo tfajé, de calAn igiialmeatc^ 
jioUenH èle reprrâeiiUr iirn ftin^iitar (I«(liii:Í<lo do plnrnl aúA gú 
rlién, fie garh*^. Comia de singular que :iltema cora ijiichnn, oi 
niidalii/. lu^i^ratiudo, i:oino si> vê. jmr ei:ein|>lo. ua canti^ru da Coo-] 
trabaudista da Feria de Mitfretia: 



— « fH «I rejijTnardo Ic piMãtera 

á tinis \^ n^agataim, 

quv [«IS djijs e mi cAra 

mu l«i ojois e ml (pichí!» — . 



K mais natural, porém, que a psla\Ta çqjé Mja HÍiiipIe^incn 
detiirpav&o do fraucèR détfajé. * ã«sstím\ivntúti, airttso; d 
desembaraço». 

O significado próprio de ffoehó, femeniuo ^ttchi, em calií 
• rapaz, rapari^ adultos, nào cij^nos»; e em portupu&s a At 
gajo ê «qualquer sujeito a quem o fadista w rafere oom mal 
volcucia': — ^Vês aquelle gajoS' '. 



galão 



O I)iccioN*AUio Contem PouAiíSo dá como quarta ncepçâ 
dí^ste vocúbulo^-gole, cada ura doá saltos que 4^ o liquido ao 
sair de um parpalo ou bocca de vasilha» — ; e como quúita accp 
çjo — «corcovo, salto que o cavallo dá er^eodo as mioa e 
novelando-se » — . Esta última definivil* vem por outras pala 
nu VúCABui.AKio dt> Kluteau, e é com êãte ai>;uiHcado que 
relaciona o modo adverbial, usado em Sam Miguel dos AçõrM 
âe ffalãií, *de salto, de chofre». 



t o SBurtj). de 10 de setí*rabro de IflOO. 



Ayottilftft mi» íhrinniirioí 1'inltvfitrsrs 




Ést* inljeetivo é iduíIm usiulo em portiiguía pura difi' rendar 
tas. ravas ou es|iêci«a, sem i\uv jHir isso se ijueira dizer seni- 
que proviessem du Oalizií. 

Assim dizemos eouvv yaiega: gi^tjn galtija, por oposiyão a 
^htja (fttrrafal (q. v.) que é a mais i,'rada e de melhor sabor, 
mcaog axeda. et4?. 

Com algims nomes, porém designa de certo orijeui, como 
koatece, por exemplo, com Ih^Í (fuleijo. por oposi^-ào ao barromo: 
Faz lemhrar o TaururS hraehi/eero^, ou Oot Uin»fiJrons, co- 
■ido e domesticado desde o aeolithico. . . e approxima-se 
mito do nosso typo actual do boi gah-go» ^^. 

Como tKtl)statith'o, ijak-go dt'sipna mio %ò o Datural da Galiza, 
trímípalmmite de condi^iío humilde, mas UmUém o porUi^aèa 
Io norte, que «xerce os mesteres que dantes eram a bem dir^r 
)rivaUvo3 dos paliiffos verdadeiros, e entre Psses o de aguadeiro, 
lais especiaJUado cora um epíteto tfulego de barril, que A. de 
[Campos empregou no romance o MarquAs dr Pombal neste 
iutido. 

De Galiza d^rívou-st*. além de (jaírgoa. (latim j;;alaeoo3), 
outro adjectivo gaíiziano. (q. v.) em gerezJano. 



galela, galelo 



^M O Novo DiccioNÁRio dá o tenno galelo como transmontamOt 
^■com a sijínificaçào de «gomo da laranja >. Leite do Viísconceloe ■ 
nos sigiiiftcar «escàdea, batros de uva>, e que a forma feme- 
% galela quere dizer » rabisco», e por isso W) dií ir A gateht. 



* Portngalia, l, p. 327. 

» KiMPinos CAMOSiASOS. ]i. 15, iiufa. 



galheta 

O NôTo DicuioNÁBto traz duas Uíscríçòes desta fornia 
1." certSA garrallitbas t^tmo as iií;adas oa mesa para uz«it« < 
vina^e, e uo st^rvi^^o da missa, para viuho e A^a — , e a wli 
8u))ordiiia o termo de jiria, com a sipiificaçiio de ■ bofetada >■ 

A 2." fonna diz-iio$ ser o uoinf dw uma — • trombeta de 
guerra, entre us pretos de Lourenço A{arqu«i.s feita de chifre de 
cabrito. (De galho)* — . 

Que o vocábulo núo c iadijcna vé-so pelo Ih. 

Ora o termo do jiria acitua apontado dAo pode suhordÍDar-se 
a ífaUwtfi, «garrafa»; é preciso abrir i»ara ide ierc*.Mra tusori^o, 
pois é simplesmente o castfilhano gàlleia (pr. gaUuiíí), «boi 
{'ba>, derivado do rraiirt>}i i/nlette, com a mesma si^niifírnrílo, e 
que se diz provir de líalet, «seixo grosso e chato, kdeado pelas 
ãg^a3>, que seria palavra bretã, mas ihítoco deminutivo de gal 
que no francês antigo sipiitii-ara «calhau* '.■ ^ ^ 

Coufrorite-se hritcouto (q. v.J. À^iiu, como botaeha siiínifica 
também, coiiio termo do jiria, «bofetada •, do mesmo modo 
empregou a palavra espanhola, neste sentido figurado. 



galhipo 



I 



— «O isqueiro ter-^ebia ralgarisado principal moo te com oá 
progressos do uso do tabaco; c não obstuute Aè actiuc.s diftposi- 
çue^t problhitivas. ainda a saa utilizavâo subsistu occultameate: < 
romipo uo plaiiiilut barrosão e no Soajo (galhipo em Lindoso) i 
um toro de chifre de bode, vedado com discos de cortiça e is 
cluíudo fanapos de linlio cbamuiícado ou medulla de sabn^o; 
com um tVagmeaio de quarlxo leitoso regional obtBem a faisca 
logo o fugo uecesaario para o fiui]o> — *. 



* E. Ltttrtf. PiCTiONNAlRK DB LA LANOfE FRAJ^CAISB, PlfÚ. 18^1 

' Rocha Ptfitoto, Ii.i.t'MrNAi;lo popttijiii, j» Portagalin, ii. p. UT, 



K tonga a Lrunscrí^rio; contmn ela, {lorém. tiim perfeita t\f-$- 
íriçào do objecto (leiíignado com o nom» <ie vornipo o» yalhipo, 
|ne entendi não dever supriuiir-llie uem uma palavra, e com 

Jit« u]ití'ir rdtão, qtianto é certo ser omisso nos dicionários o 

ínoo íjalhijH). , 

galinlia; galiulieiro; eiigalliiliar 

^OttUuha em uaidado rooDetiria de Ajiidá que valia HB.3 réis 
portrigTieses do cootiuciite, isto é. duzcutos hàzios (q. v.) K 

ApoiítArei aqui os nomes de alu^uinas castas de galiolias. 
triirí*in'vendo-03 do jornal O Século, de 23 de fevereiro de 1902: 

hri^^adora 

de asa de pato 

t\e peito negro 

padiiana ou polaca 

pfipV» 

de pouptt. 

O dertviulo (jalinheiro siguifíca «a capwira das ^linhas e 
lo galo», e y •individuo que vende galiubus». 

No A1aii1«jo o termo (jalinlieiro tem significação menos res- 
ita, como venivs do trecho sepuinie: — Uma casa qualquer era 
|UP pi-iraoitatu e põem a^ aves domesticas do monte ícasalj. com 
RXi-e)>^-ã(i dou pavões e )»aios reacs (gansos), que dormem e iiídi- 
fora úQ ao ar livre e á solta > — ^ 
J. J. Niintz ' cita a forma fjaihhiJta, que diz urcuioa e que 
evplica por assimilação do l à palatal nh da sihtba t4e<,'uinit<. 
M^deniainente iiitroduzin-se o castelhanisroo galinheiro (ga- 
ro), para denotar nos teatros o que antigamente era denouii- 



* (!»rlo« Eiij4^nia Comtjft dii 8{|va, Uma viaobii av «wTAiiBLfiri- 
lesTo roRTiM.uB?, dk S. Joio BArn^TA db Ajuuá bm \Wf. LísIx>a. Xf^^ifi, 

* J. <la Silvii l'Íclo, ETHNoniiAPHiA iMi Alto Alhuteju, »» Forta- 
^ilia, 1. 1>- •iió. 

> Rktista Litbitama, ui, p. 902. 

3t 



41)4 



Apovlilaa aoê Dieítmáriút PifriugnemK 



nttdo vftrnruiiis, isto é, «bancos corridos na última ord«m^, 
vóm saber, ao pH <1o leio, lugares inaÍH baratoii (|ue minfaunt. 

Q verbo engalinhar é fac«to u quere dizer • tomar engiòf 
agasta r-se>. 

gauodeiro; ganância; gunbar, ganhilo, ganbaria, g^intiuxa 

(hiimtleiro é ca:sto1baiiisino muito usado, como noiros 
AlenUjo, e tem a 8Í(piÍrnTHv'ão d» guardador de pido, em 
telhano ifnnaiiero. Aa tjunadr}. que é o mesmo vocabulu qDej 
yoílo iMrtugiiôs, conecso com gaitar, rjankar; conquanto nao 
explique fúriliiiente a oliiiilua^nlo do nh dr^lt" últinio veibu, a 
s^r porque proviesse directauieute, era tomp«>s aiitigoa. dn vu 
cast«lbaiio, do que o subslaiitíro gantuh é apenas o ]>arttcil 
passivo, substantivado como tantos outros: — «um t*mvel Ifll 
i|iio ba aunos trazia inquietos os kvradores c Rauadeinis ' 

Importação directa de castelhano è ganártcia, que o 
rústico em Portugal diz, com maior vernacul idade. 0«nhançã, 

Ganhão ò o trabalhador adventício a jonial: — «Cv 
OANHôKs... dormitório e casa de de^cauço doA •t--— 
moços de lavoim, que constituem a ganharia* — •. 

Aqui, ganhão tem sentido especial, como so v& da definif 
clarÍHítima. Antes, J. da Silva 1'icao abona o l«rmo ganhai 
WK\m empregado: — *A cosinha, cm certas partes, Uimboin !M?I 
de refeitório da gaubaríu e restante pB8soil« comn rarinnl 
ferrador, etc.» — . 

^K gandula, gandum 

^B O K^vo Diocio!t.<.Riu, no Suplemento, Incluiu ambos ii 

I vocábulos, o primeiro como de uso actual em Gaia, na acej 



tu^. 



o Sbculo, âfl G iloMintirii do 1900: «omqMpdAida de AvK 
ETBXooRAPm* DO Ai/TO AumTBJO» in « Pbrtagmlú >. i. f. 



Efaroto, ii'adio*, d Betando vomo antigo, sem dpfíniçSn. mas 
liouaiU) com o Irudio segiiiute: — > quando uu «ra dioruuiigas 
la ausência, em papa arroz da mágoa; agora sou ^uDilnin da 

l»rvgiiiv*a Ánat[ún\Íco] Jorõso. i, \t. 195, (Por i/antum, tjau- 

ioíf" — . 

Km castelhano temos f/andul. que o Dicionário da Aradtítnia 
iài«aDhnIa define dt>ste modo: — «Gaudul. la. (Dtd áv. yaNm;E, 
lajo. ViLléDtvin) adj. fam. Tunante, vagabnndo, bolgazàu. // In- 
riduo de cierta miUcia autijL^ua do los Dioro3 do Granada y 

ÍC4I' — '. 

A otimolojia foi dada |>or Uozv *. o ê uaiiiral que o termo 
iftsse de Kãt>an}iu para cá. 

O uiodenio gandul e o antigo gandum devoro de ser o mesmo 
»rál)ulit, e o siy^nitinado primitivo ô rnni <^ertu/ji o KH^rundo apre- 
itadú no Die. da AcadiMnía Kspanliola. As cousoanU^íi tiuai!4 
|fti Tocábulos arábicos eram^ como adverte Dozy, mal ouvidas e 
>frerara siihstituiçòeg. de outro modo inexplicáveis. 

Pur tongui»;imo não traduzo para aqui o interessantíssimo 
tigo por TVtzy consagrado ao ijandid andaluz e ao ijandur 
)aro, com os suas correspondeu tos femoninos gandutera e gan- 
dum. Pela descrição dos ganduirs o gntidnran vô-se que sfto 
umu espécie de fadistas dt> lá, eniquanto novos e novas, p^ralvi- 
Ihoâ a s«u modo, chibuntes e amigos de se divertirem, mas de 
costumes corrompidos; depois de velhos e velhas fazem-se rutlàes 
e alcovitfiras. 

garrafa, garrafal 

.\ palavra garrafa é também castelhana; maa é sabido que 
OBátii Ungua. como em francês cara/e, 9<í m aplica íis de vidro 
ou cristal, cora rolha de igual substância, que se pi'»em oa loeM 



• Uadrid, 1899. 

1 i;t.'HH.itRR URB M0T8 BHPAONOLa KT POBTCOAIS DARItAs OB 



soo 



ApoititoM /utn PíirioM^rÚM PortuffutMt 



L'oia átçtia ou com vinho, porque a ijarrafa iIb nujarrti 
Dhos « licOT«6 se (leiíominn respectiva me d te batuUa, Ir^utei 

Dozy * ilÍ7-Bf» Her vocábulo <le oríjetn arábica, niu 
rorinu que. segiintlo alirma. nfio vem um ilicicmâriDS cora tal 
gnitícailo, mas roni o de um imjenhn ]i»ra tirar á^ia ilf ^n; 
O radical ò vuuAKa, «tirar »i;u»>^ de {\w {»n)re«ni us » 
tivos yuauF, «copo*, e turk, * púcaro >. 

De gairaja se deriva o adjectivo garrafal, que quer? 
«avultado, grande >, tanto aplicado íl letra, letra ttnrrt^ 
como íi ginja, (/it\ja garrafal. Este último epttvto, lambem bd 
em castelhano, ffuinda garrafal, é muito antigo, pois Bluta 
faz dtíle inen^-ilo, descrevendo esta delinosa fruta do niod» 
guiiiLfi: — «H« maior que aa outras [ginjas], e mais dt>fe. taa 
pé cnrtOt e a oor tira a negro, ilahuino, na Historia udítm 
dax plantas, part t, p. 320 e 221, be de |>arecer que he a 
Plinio chama CerattM [cerásusl Mucedonica •--. 

O epíteto cast^ílbano (guinda garrafal) encontra-se ji l 
cionado por Navagiero (xvi Béculo), que na Detícrífâo de C 
nada, ou como os noaaos escritores antigos Ibe cbunarum ir 
diz ser esceloute a casta denominada guindas gamifalat f 

A ginja mais meúda e acre desigua-su ^iilgarnieutc n» 
nomo de git^n yahga. (V. galego). 

• Garrett 

O apelido inglês do maior poeta nacional depois de Lid 
'CatDõeSt João Ttuptista de Almeida Garrett, est;i receut«in 



* OutssAiKN^nii Mora í»1'aonoi« nt ranTUOAifl Dtiuvl 

LAKAlin, Loi<U, ISCiíJ. lt«prQ»i>oto por V B 19.^ Ictm At) ulfobot'! aráli 
(|uaI é ama AicAttTv aonoiu, c»rrf<<[KJudcnt« A iianlti, Jota ':A^1''llianu 

' Kitcrit:» íin ítolLino: npud Fnuirixro Xavier Sinioiíft, Ditamii 
DHL RBlvu UR iJUAXAh^, Oruiin-Ia, l-'il72, p, 2<ií, (fVpíiviice vii, O U 
obra <]<.* Naviipi-ru è, coiifanau K. Poulrhé-DeLboHc, iIlini.iuoRAFRis 

TOVAOn MN Bg]*AnNR BT BX l^OítTltOAL. »il € KíVUO HÍi>panÍi|iU>, 
p. 2^, 18!tG): li. VlAOiilO PATTO t» SfAUNA BT I» rilAHCIA DAI. 



prnqiiuciaflo de ura modo preUiinios» o qm aenbiiin fuuda- 
ito racional p4ile alionar. Diz-se para aí entre geaLe <|i)e pre- 
vine de instruída, e niniUí vezes o é na realidade, gàrré. O que 
i9 striu (iificil fr>ni dizerem em que se estrilinni e cora que se 
-uduni pum tam unóinaln pronunciarão, O apelido f inglês, e 
à risca se quisesse proferí-ln como nesta lín^a, haveria de pro* 
luL-iur-se fjãret, coui o acento na 1." sílaba, e um i proferido 
segunda. 

S« o nome f5sse franccH, que não á, nenlium francês, ao vê-lo 
írifo com dois tt finais, deixaria de pronunciá-lo gàréte. A ex- 
ivu^nte pronunciarão (jàrré é que não pertence a língua ne- 
mnia conhecida, e srt priraa |mí1o ridícula que é. 
O facto, porifm, é que o próprio poeta sempre prouimciou o 
apelido como se em portu^ês se escrevesse garríie, com a 
rdo na primeira sílaba, o acento tónico na 2.'*, e o / p^rfeita- 
ftuto proferido. Assim lho ouvi eu várias vezes, assim o proDon- 
ivara liados os seus contemporâneos, e entre eles o seu fidelís- 
10 amigo, discípulo, e poeta notável da escola roraáutica Fran- 
o Gomes de Amorim, em casa de quem tive a glória de en- 
liaa a Garrett, sendo eu uma criança de treze anos. 
NSo 6 d« Idmirar este aportu<ri]r>!tainento de nomos estra- 
lo*: tamb>'nl, |»or exemplo, SfiKÁhr, \ínyer e Van Zelln-, se 
«rtu^uesaram na prontiuria em estocUr, maiAr e vamelér; 
ibém nunca ninguém pronunciou cá o nome do conhecido es- 
Tiigardeiro francês ImherUm de outro modo que oãõ fosse im- 
hèrinm; e as;íim iauto^ outros. K hoje em dia que há a preocu|>a- 
(io de se arremedarem as pronúncias estranjeiraa dos nomes, é* 
às vcoes com tanto acírto. como o do glorioso jweta. tam csque- 
gdo jã. que até llir* mascaram o nome, que era heni d<''lc, c como 
o pronunciava e queria que Ibo pronunciassem. Item h porta- 
não com disfarces que o transtornam e afeiam. 

gurroteia, jarreteíra 



A ordem militar a que hoje chamamos i francesa da Jorre- 
ra, foi denoininudu (''arroteia um st^ciilo deptâi* da huu iuâLÍ- 



^luiçâu eui Ini^laternk, em 1341. É imitação proTárcI do oomeio-j 
flés (rarter, que W. Skcat ' deriva do galés fiar. tpvruil-. «ctinela 
da perna*t étimo céltico du palarni bispiioics^ do sipiificado um 
tiinto dilt.^rtínto. 'jarra, dt^ (jiie proívm garroif. A palavni ijart^r.^ 
como a fratictisa _;Virí7'íifc-f ] jnrrH, «cum d;i juTim», quervj 
dizer o que artuiiluieute cliamamos /lya. <a fita com que se se-] 
gurom a-s inúas-, u <]ii<í por H()uel» tempo us prendia ãs r-;tl('as, 
ou ciUvõfls que vinham da rintura ate o joelb». A forma fmnceu 
anti^ía, Jttrticr, está para a ín^Hest rjnrter, corno Jnrtiin parai 
t/arrlen, e é sabido que em francês o tf orijiniirio aiiU^ de n dá.] 
ja, como o e ua mt-snia sítuaçno. chá. (V. jardim). A palavra. 
gar. mais ou monos mitdiricaila, ttm todas as hugua^ e^Uiieas^j 
modernas conserva signiticavÃo análoga, em brct&o tfarr, em si 
cíw.. « perna » , ctc . 

Eis aqui a uboitav^io do vocábulo ^arroteia em i>ortuga^: 
• em Frauça por sua ardideza e bondades foi [áJvaro Vaz d(t 
Almada] feito conde de Abranxea, e em Inglaterra por sua ra-^ 
lentia foi recebido \mv oompanbeiro da iirdcm da Garroteu, di' 
que príncipes cristãos e pessoas de graude uiercciuit-uto são eoo' 
frades » — ^. 

garula 

O XOvo DiccinxÁRio dá ésle vocábulo cnrni) Icriou de jina. 
com a BÍgaifíoav'ão ile — «perua» — . Creio ser gralha l)?r.sicogfÍ-: 
fica, devida a êAro de apouUmento, em ()Q« se loo » por n, poifj 
a este vodUtulo.Hcmpre ouvi dar o BÍgnilicado de < perua . 



garvaia 
Vestimenta rica. V. Iíkviiíta Ll'sitana iil, p. 1-Í2. 



1 A 0OXCI8R CTYMnUHItPAr. DiCTIOXAKY UF TUB EXOLISH I. 
OUAGB. <)rã^a. HS7. 

' Kiii de Pitu, Crónica db Ki<-uiai Dum Aro.stto v, cap. xxxi. 



O NõTo DiccTONÀBio emenda no SupUiueoto gaz para tftU, 
parece-me que teni rar^o; ni> que a^o tem é em atribuir a 
ivcnvào portuguesa a forma íjíis, roín z;é siraplesmeute cópia 
la escrita fnmc^iu. K incerta a urijem do vocàltulo, que é arti- 
ficial: a mais provável é liaver sido fabricado por Vau Helmont, 
isicA tiameugo do xvii século (l»78'l(344), tomando por base 
palavra prega r'Aos, ■massa informe >. A raxiio da inicial g 
ft segiiiute: os liolaudeses e ttanieugos proferem o </ inicial 
10 o actual j ca^telliauo, e ao lerem grej^o d9o êsie valor ao 
Vi ou antepenúltima letra do alfHl>eto helénico, que os romattoit 
wliteraram por rh; a^udo valor tem ela no romaico, ou grego 
lodemo. já o tinha no gre^^o bif^antino. e provavelmente deade 
II ou III 8Ículo da era crista, como pret«ude Frederico Muller *. 



ijwfpiíhar 

Nào |>ense o leitor que esto verbo seja nnia variante de (ittè- 
tar (botas): não é. 

Xum jornal diurío, em que »e dá notícia do fhlecimotito do 

Moinentc pnblii;l«tii l^midio NavaiTO, fozendo-se enteira Jnstiça à 

reínaoulidaUe da linguajem portuguesa, que sempre e em toda u 

lo éle UMQ. uma Oijlima antes, Idmoa com assombro o se- 

jínte pt-riodo: — «Pede |o povo de Portugal] qno |oi govtirniw] 

rrecailem e administrem honradanient« os dinheiros |>ubltco8; 

le os não gaspilbem em despegas inúteis e voluptuarias* — . 

Ku nAo m quem foi o articulista que escreveu ôste descon- 

rhavo. oode pretendeu dar a euti^uder que sabe {'f) frojicòs, con- 

íguiihlo apenas mostrar (jue não sabe pi>rtu^uè^, poíã verbtift 



> GKrxDRISH DRR SPRAUHWlASBNâOHAiT, Vul. Ill, t. [UVirOA. 18S7, 

P.42S. 



nâo faltam, e já aqui, Hoin retloiHir >i <trifli 

bicos (ia peua três: ile^perdiçcTf extravtuja^tctar « efbtn^or.] 
íQue há íli- o povo entfln<ler por aqu."' ' - isa^i 

uem euíoutra eui diciouário algam (< • es-J 

tramhõtico adjectivo votujytttarioé? Al]^ém mais curioso, qiio o] 
liusquo uos vorahiiUrios, <.*a]tacitar-s« há sincpr«ro**nti' de (|oe ol 
ominoso t^ovèruo vai v^m os iliiibeiros {triltlicus uslutielecer lupa^j 
naros para recreio e deleite do? ministros. 



gastâo 



Niu(;tii>m poderá sabtr a ra?ilo por que esta palavra tam por- 
tuguesa foi eliminada em dois dicionários modernos bastante oo-j 
piosns, o CoNTBMPOHAyBo, e o Novo. 

As detinirõcs dadas por Bliitean são como se se^ue: — • GAS-| 
TAM de Uastuo. ou Bordão. (>'rouiate redondo de Lntâo, Pmt 
ou pao, em tino descjiiiça a mio de quem o traz». 

Gastão do fuso. Q bocadinho de chumbo, ou Intuo, que ctihi 
a pontinha do fuso. e ajuda a ton-or o fio. . . Ka mia proi^odia^ 
dei'lar;mdo a si^iiitít-ayfio de Wrtioillmn ilii Itenlo Pweira ^f(t^^ra■ 
ou Mainça do Jtt^o, em algumas partes do Ueiuo se chaniaràl 
assim o ditto gustilo* — . Isto ostii parafraseado: o que Ueotoj 
Pereira diz é o seguinte: — «Vertioilluin. . . « mnw,\t vu n\ai$íça\ 
Ho Jmo ' — . 

J. Inácio lioqnete, no DicriomrAinB poaTCúAis-FBAKç&SBJ 
inscrevfu: — «Gastío, s. m. poninie d*uue canne, — do fitâo»,] 
V. ^faut^ça. — «Maunva, s. f. |K»ijjiuíe; botte d*uuU secs, — da 
fujto, rainure en spiralo pratiquée au hout 1« plus miuce d*uqj 
fliseau il íiler» — . 

Vé-se do tudo isto que maitiça ou mauçn íq. v.} ^ tjuittão à9\ 
fuso SÃO duas cousas distintas. Os dois dicionários citados, se nj 
traxom ynstãn, iiicltifraiu aruhos rwtt^ia, forma que, pelo mei 
com re!a^'ão k hengalu, é a mais usual hojti em dia; mas a rea 
peito de castão th fu-m, deixaram-uo licar no tmtoiro. e o Nôv< 



^ 



&05 



losriAiu eu nutinça <li*c1am-iin8 que é — « remate do fuso * — 

HM (lúer d« que liuio liça o tal remate, pois na bciif^ala, 

•xtmplo. o rciuate de cima é o castão, e o de baixo a pon- 

Ky.m italiano liA dois rocábuloB muito parecidos: um ^ fu- 
la ou fusaròia, o qual si^uifíra < pedaço de niadeini. oa de 
Hmo, com nin buraco a meio, onde as tiatideiras seguram os fu- 
; o ontro fnmiòh oxi ftísaròh — * rosca pesada que se enfia 
rata 011 ferreta [se é de ferro] do ftiso, para que gire com 
ir re^uliiridadf ' — . Qu:ilqu**r dos dois vocáíiulos deriva-se 
friw, pronunciado /«(•«, e nio fuso. \ioU fuso, coiu estn pro- 
:ia é partitrípio passlro do verbo /ôm/íTí; « derreter > '. O atê- 
[oQ goíttãú tio fuso será então o fu^auflo, de que os franceses 
Lm o fteu fumiole, que já pasttou artilicial mente a portn^iès 
a forma erri*iueu fitseoh (q. v.). 



gata, gatei ra 



júu a 

KNIo ê a fêmea do gato que vou mencionar aqiii: é o termo 
IPRvii Miguel dos AçAres tjat/t, que corresponde ao galetra de 
Lúdioa, isto é^ < bebedeira > '. K extraordinária a quantidade de pu* 
kirrtts que existem em português para desi^^mr, mais ou menoft, 
paciusamenle, ê«te vicio, o a nianifest;»ç;lo dele: formariam srf 
por si uiu i'urio8o glo^ário, se (tt^ pudessem aualúsHr tt^Io» por 
bnna, que ficasne patente a orijem de cada um. Tesouro do 
Sautuã uomea pertence com certeza a terra de muitos 1>êbados. 



geio, geada: v. geo 



< F. Ptftrbcchi, N(>vo Duionãrio Ukitbesalb dbllí. unoua rrA- 
O ãRCL<uo. il« & de jaUio de 1001. 



S06 



ApMtiloM ao* Dicionário* /'iiriuffttraéà 

■^ 



Ksta palavra, já detioida uo3 dicionários portugueses, é. romo 
se sabe. o latim diária, «que se vence uua dia>. lU^jistireí 
apenas aqui a locuçilo traasmontaDa ir á ffeira *, <ir para o 
trabalho c|iárÍD>, a qual ooutirma o étimo. 

gemónias 

O Novo DicoioNÀRio acentuou gemonias, e corríjin no SapV 
mento para ffemõnias, mas com corta hesitação. N'ào )iá motirtf 
para hesitar: gemònian acentuou J, Inácio lloquete ^, Francisco 
Adolfo Coelho ^ etc. e adoura qu« o lUccioNAnio Contkhin^ 
SANBo, o qual passou pelas milos de um pt^rito latiuiáta, Sanio» 
Valente, deixasse passar o firro crasso ^em09t/^, devido única 
nieute a qualquer escrt^vednr igiioninte. que iiào sabeudn nem 
menos ler latim, remedou em portag\iés o francês tjéiiionie:'. c.nj 
acento tónico está no /, o que è de regra nesta língua. Como era 
desacCrto divtilgou-se, segundo o costume. 

Em Konia chamaTara-se Geraoníae acalae, ou simplesmente 
Gemouíae, umas escaditriu^ pelas quaí» vT»m com uni gan<rho 
ari'aKtados os supliciado^!, para serem arrojados ao Tibre. Figunir 
dainente, nsía-se esta expressão para indicar 'extremo de^aratú, 
vitupério, castigo, justo oa injusto», iudijido a qualquer, principal- 
mente em oposição a triunfo, ovação que antes se lhe tivessÉ 
feito, ou se lhe houvesse de fazer. 

gooerear 

É veriw que nao vem ap(»ntado em nenhum dicionário, e ci^i 
siguiricaçáo, como se depreende do seguinte trecho, é < gerar 



* RavisTA Lusitana, iv. 268. 

> UlUTIONNAIKB POBTfOAlS-PRASÇAlS. Piri*. 19S->. 

3 DitiCIONARID MAKUAL BTVlIOLOatOO DA l.tNUUA PORTOOUMU 



'• ÁpO0tiiaa aot Dicionários Porlttgueães 507 
■ -'çr* 

* 

— < choravam os Padres por deixarem os christãos fílhos seus, 
que tinham genereado em Christo, e tiraram do poder do demó- 
nio» — *. 

Parece ser neolojismo, adrede fabricado para evitar o em- 
prego duvidoso de gerar. 

genesi, genesim, Génesis, génese 
Gil Vicente usa o vocábulo genesi, agudo, no verso seguinte: 

— « . . . ontro sacrifício ficaram em si, 
Que inat;ar bezerros, nem aves ali : 
Outra maiíi alta oferta soletra 
E oatro genesi » — '. 

Deve ser uma hebraJzação rabínica do grego oèxesis. A outra 
forma genesim é já portuguesa: nasalizou-se o / final, como ou- 
tros muitos de substantivos, tais como marfim, ruhim, antiga- 
mente marfí, rubi, e até de partículas, como sim, assim, por 
■" si, etssi. 

j Qénesis em grego e latim é palavra femenina, mas costuma 
- dizer-se o Qénesis, como se diz o Apocalipse, também femenino, 
com elipse do substantivo masculino livro da, em referencia ao 
primeiro do Velho Testamento, e ao último do Novo, 

A palavra génese, «geração», que tomámos imediatamente 
do francês génese, deve ser proferida cora o acento na primeira 
sílaba, atenta a sua orijem grega, com e breve na penúltima 
sílaba: deste modo fica sendo um aportuguesamento do vocábulo 
grego génesis, como análise o é de análusis. 

genâ: t. jens 



í P. António Francisco Cardiín, Batalhas da Companhia de Jbsus 
KA província do Japão, Lisboa, 1891, p. 77. 
> Auto da história db dbus. 



geo, geio. geoso, pear. ^adn. gtMo 

Do latim gela proveio por et'oluçAM pnrtii^rxa 
I«)stulaiÍo polo Terho gear, substantivo partíripiol jíwÍíi; 
tivo geom. abonado no tri'chi» sepjiiite: — • Pixem di- 
que continna msoavel o aspecto gemi do rainp4^ Ihii 
do fevereiro uorreii o tempo «'streiíiamHnle frio e geí 
O BtilistantiTO gelo e os seus afins e derivados deveiu 
litKniria, atent-a a pi^rmanéiuia do / lattnii íuti-f ■■ 

Há outro vocábulo ijeio. «aocalco». o »)uai > . 
parece ter com o da minha hipótese. 



geolho 

Nfio é. arcaísmo i-iii todo o n-ino câta forma. 
toda a parte foi subaUtuida ^^ov joelho. Kiu Cuiuiiiha, 
é a rónua usual e coiTes|M>ad« ao castelbano hinnio, italiii 
nócchio, fraticcs gcnuu, do latim getiMi.'(u)luiu. À Uxm 
derna joeUio ou provêm de outro deminutiro de genu. j 
cfujlum, como cuido, od foi refuita pela metÀt«ã:e de fQi 
por ageolhar \ geoVio, como é o parccor de quàsi todos o> i 
lojistas. ' j 

Gerez, gereziano 



lí-li 



Do nome próprio Chre» formou Alberto Hampai<» 
gereziano:^ — «como hoje no macisso gereziauo ■ 
íftra, a meu ver gerezifio^ ou gcrcsano^ ou gcraão, não ob 
o adjectivo gali^iano \ Galiza, que tanihftm empregou: — « 



■ O BoOmOhIbta, ãc SG dtf niarv» ik< Iriíia. 

• Â8 « Viu^8> DO NonTB n« PoRTO«Ai..in PorlagAlít 



Apftstiitis ana £tu~imtâi-iia l^rlugw»es 




rm 



gineta; ^áneto, gineta 



p;ih.i^o por Plínio... polo trote d'aQdadi)ni, pertence ao 
linfliriano» — '. 
Ést« íiliinio termo está já consiigrado em piiblicavilo oticial 
láciíla ^ lie l):is[.ittt:t; nutoridude '. 

Disst- qiiu prtíeriria uiilra forma de derivação à que o doiilo 
itor empregou, gereiiano; é possível, porém, que a nossa 
leQcbtura convencional geoMjica, em qne iufolizmente a ver- 
ilidade da tiÍD|7ua tem sido tam pouco respeitada, o obrigasse 

Íucla termiiia^ruo com sabor Uuii atVancei»ado, como o do subs- 
Itivo macisso, francês massif. 
Conforme Bluteaii ', a acepçilo primordial do primeiro dèâtes 
Toc:íbuloâ è — «ravallo de casta liria» — , sendo secundárias as 
de — • c^valleiro, com lanya e adarga, e estribos curtos — , homem 
% carallo > — . 

Seguem i^ste parecer o OiwmNAHio C(»NTEMPonANBo. o Ma- 
:irvAL. BTYMoDooioo, O Jíôvo DiocfioTíÀBio, coiHo já tinha feito 
íntre outros o PuiiTUot;fcs-FRAKc&} de Koquete. Todavia, o pró- 
,prÍo Itiuteau, no SuplemeuLo, referíndo-se a Capitão de gine- 
tes, defiue esta locuváo com ts seguintes palavras: — «responde 
i CBte officio a (ieneral de ('avaliaria do Koyno>~. Vé-se pois 
^ne a acepção, que deu como secundária de ■ cftvoleiro armado * 
primária, sendo a de «cavalo» deduzida desta; e com efe||o 
é em castelhano: — «A esta uocesidad obedeció queJoe 
salmanos toma)^» á sueldo caballeros cristiauos y que los cris- 
es hicieraa lo mismo con ginetes mor<»; estos últimos al- 
rou gran celebridad en la península, tanto en Granada, 
ide los zenetes constituyeroo uno de los partidos m:ui fuer- 
como en Ioh reinos cristíanos, entre los cuales la puluhra 



* Vil. p, 1 1 7. ■ • . i 

> nKCKNMKAMKNTO ORKAI. uO» OjttOd UO OOÍíTINKNT» DO MltNO 
fPOWTVOAU Lisb<j«, 1-H70. p. 30, 61. fí2. 7'J. lOB. 11(1, « pfiMxm,- 
» Voi:A«ri.jiKio poKTUOUUz B latino. 



zenete, uoinbre de su iribu ligemmeiíte inoilifit-utlo ba qufdadd 
como npelatiro de boiubre á caballo, gínelc, ; sl> Uí 
ginetes 6d ia odad media loa cahallos de paseo y camra, 
eu Ua^tilla lu palubra zeneto ba pasado ã su teuj^ua coo ligei 
niodificaciõD ortográfica para designar ud bombre á caballo; si 
uiodo de cabalgar, A la jineta, ba quedado rdmo Oãcuela ú t^pi 
cie de equitación; ginetes se Ilutnabau on la edad media U 
cnhiillns ilp riiiTent y past^ en Cabiluita; aiiuí «te nsabau taitibi'^] 
espui^las, «siribos j pitrales yiuctes *sa los aparej<»3 de cabaUos 
hanta las baailcrítas qua ooronalum Iils Inozjis por debajo de 
lierroa » — ' . 

Kxomt' r*ít,'ufs do çinffc com a ■ " 

fleiro» (■ " "dou» inil *> inton 

corredores, que agora chatoain giaeti>a> 

O vocábul " •■ tctn / 
rcninsula Hisj' /, como o \ 

de zaBAP. £ subido quti o k fu loi^) valia muitas vezes por 
DO dialecto arábito das KspBubas. 

O termo ítineti* veuio-Io luwleruamBU^- - 
Bigaavão de tuna casta de sela: — *b n gii 
denominam as aallas ordinárias* — ^. 

A palavra ijint^fc, gineto, giucUt. bt- 
uome de uiu aulnial carnívoro, i- uulra, Lain > . 
conforme Doxy *. 

O termo qinele, coojO sinííuinio de «cavalo fino», ó hoje 
8as|do em português, o tido por artiticioso; ulp aâsim porém 
castelbanoT no seu seutido primordial, de '<9Vllolro>. 

f 



iilo, u fora O! 

' mudado oi 
te em tjirafti^ 



ntdo cornai 
'•: tarda. 



) Au<lré Qttnânez 3ol«r, ÁBMÓJÊiOé bx Esi-ana. íti « Itovnp Uia{ioí>1 
qne», xtt, p. 301 a MO. 

• Dnarre Galvfio, Cri^nica o^^-fA-RSi Dom Aroseo TlaNRiQaH,] 

C^. liH. 

^ fíOSQUBJO UB VJIAim^BMSNTBHIOU DA FARaHYBA 

PuiuUMBtuo, m 4 o BBcuJ^oT^^^Wjaaho ii« liKM. 

* Olossaire: t>Bs moi x. BsrAOKou ar portugais oAiRiviba 
L*ARABa, Lt-iJa, istt». 



giuja, giujinha, ginjeira, giitjalf guinda. Guinda 



Ao portupucs ginja, de que se derivou ginjitiJia, «aguardente 
101 i\\t» &tí iiiíu-eraram ginjas*, expresâilo análoga à laranjinha 
tnsUeiro, fonnada de laranju. c [que também designa uma 
rilenU aromatizada Mm laranja', corresponde o caat-elbano 
, ...'■<. qne parece ter 6Í<lo tambéui portugiiéí, atento o nome 
Bi Guindais, no Pdrto. dttflignaç&o nnomisiiea qne vera a cor- 
ler no sentido a O (/injal, delrniil-e de liislma. ftinjal 



a «sitio plantado do !finjfiírq§*, comi' j 



.:..!. .! 



hi pinheiros*, ameixial, «pomar de ath> . ote. 

|A orijem j>rct>ujnidu dúâteA dois vocábulos u pfDhlt-mática, 
se i-om õlciB Ae reliicionu iudiiliibtvcluictiti- n francês ntoder- 
O ifuiíffif, e tulvra u antigo ifui.^-nr. n rniiietjf» t*iyiH, O russo 
ãxniii. todiTs 03 quais teem uma nasal, o étimo que se lhe alrí- 
11», o alto-alemúo uati|;o wlhfUi ', não djftesvnta oâsa nasal, 
intrw formas iiniilogas. com a uasal. ou sem tJa. como o ita- 
mcioUi, eiiíitcm diátteuiinailir- por qnási todas os línguas 
siU. iucluíDdtf Oii t^oluvòtiicas, o grego moderno, o ullian{'s, 
knguro. n tiiroo, e pode vr: > ■ 'ior parte delas no Diccio- 



io etimolójico^omeno, de S 



■■wc 



*, obra a todos os res- 



monumental, qae obteve o prémio Volncy, em 1880. 



gii\iibirra %^ 

O Xúvo DiccmxAniti <i;i vocubiilo (jtmjthirra, como de- 
ido uma í^ebida usada etltci o% iudíjenus do norto do Ura- 



V 



^AiSfbiiiVs 



WõaTBBRunii, Psiiutborn. 



fS 7. Kilrtioff, LATsutisCH-l 

>.n.-8H1í-2. . ^ 

* DlCTIONHAiaB p'ttTYXOLW}IB DAC^^-KUMAXK, * Kl.-irirnt« slaTns, 



sil. Há enpmo niHnife?4tx}: nem a palavra t^m o infnor rizlumbn* 
de ]>i;rLoncer a liiiguíiií UDori canas, iitin é uaturaL que Ji'isigiti!i 
qualquer buhidii iailijcua. K âimpleâtiieDte a italianíza^ão, e 
'ela o a|K>rtugue^n]ento do inglís tjinjierbeer, «cerveja de geo-l 
jibrev bebida refrijerante muito roohecida. Birra vva itAHanoJ 
como ben- om ioglès quero dizer «corvfja*, « uestii líujfua .v/i-' 
ger sígoiflca >geQf;ibre'. 



OK. 



gMo, godo (=qôdo) 



rdi^B^ccioxÀBio tf-uos o vocábulo (joão^^va. o aberto. i 
gôão, conr nuóuimo de fjoffo, «simso boleado pulas Af^a^'. t\ 
dÍ7.-no9 »pr termo miuhoto; Ktii Aiooztílo, confonno uota que dali 
me foi retutjtída, a pklavra ^^fl99^ tom " fechado, ap1íca>«o a \am 
ri-los de madeira, qw se mou.>m em o«Dudos de lata termiiiad<ii{ 
em borda na parte superior, para nelet se assentarem mateis,] 
acima dos quais se quere assim evitar que subnn os ratos. R 
gDO de meuftio o termo. 



golilha, goela ' 

O primeiro destes vocábulos é castelhanismo, goUlUt, cx^ 
foOV aiiti^ era golielUt, do ifulella, demjj|gtivo de gttfo: At\ 
qne tamlMÍm jirocedeu o poilu^uês goela, que Ibe corre.ipoii<l»J 
na forma, não portam no si^nifí^o, e que, como se vê, se 
escrever gufla com o, como a|^ sempre se f5z, e não 
com ti, como agora se e.st& on|rafaudo erradamente, e ci 
giave equivoM de poder ser lida a primeira sílaba como a 
guerfa, isto e, sem se proferir 4». Efectivamente, é sabido qrr 
a H breve lalinu correspondMIaato em castelhauo como em, 
portiij^nês, i;, conquanto 'nestoKe ^onuncie bá muito como «..< 
quandrf é átono. N9 Brasil, porém, conservo-so a distinvâo 
ire o e u autes da sílaba predominante. 



golpellia, gorpelba, corh^'lha 

O Novo DiccioxÃRio dá-nos golpelha como alterado de eof 
I, (* oxtixQ yoliielha \ iiulpècula, «raposa»: * 

«FiMirain uinn eoru^lbi». 



Nenhuma diivida há com rela^Ão a esta sei^iinda aoJppJha, 

^van iiro'>edcDtc da fornia latina anotada. Kiiamiuoinos a outra. 

Oaijielha, tjorpeU%a, «alcofao*, parece tercm-se coDfundido 

(m a outra golpeUm, e è talvez «raa a razAo porque o latim 

íArbicnla. doiDÍoutivo do corbís, «cesto*, que deu a forma 

Itif^a f^rbviha, iR^rtVitamente rejíular, produziu o aliUropo ijor- 

t, cora a singular mudança de r em <;r. o a mais singular 

linda de h era /). permutarão rarissinia. rjtfe nem mesmo é com- 

irável a mpito \ tmhiliim, ikhs aqui atí duas surdas * o í 

limilaram ao mesmo gõnero a sonora h. concorrendo mais para 

»isirMÍla(rux enf<')iiira o ser o vocábulo esdrúxulo, e o A per- 

encrr, eoiuo o /, a sílaba lUoua^ 

k moda. cpm referúiioia ao euioval da noiva, usar-se a pala- 

pra firaucesa enrhcille; e quando digo mo<la quero dar a ealnn- 

ler qne o é na linguaji>m avariada dos anrituMos i\<- modistas e 

lodtfftois, o nu dos m^ticiurisUs quê os arremedam, por gulauta- 

on por igaçtfãncla. 

Ora, mrijeitfe quere diwr era geral «açafate, ctjslii b;iâtanie 
g» foni p^*, o inlo me conota que as uoivaii, para apurar as 
^mtda^. ponham uma r^sta :\ dis{H)»içilo daa pusKoas su:uj co- 
ice ida^. 

Aftâim piiRrr<*-m»' quf jufiuhts, mu mitn»s ou en.roiuil sflo 

BiiiiiNi bastunlt; rmu.s piira nau causar vergonlia usá-los; i> se a 

lo o cuflto querem falar num aparador qualquer, cliomem-lbe 

it/A^f. para que toda a gente os entenda. É verdade ifue n 

ic^a fiu partf do curso de instruv^lo secundária; mas ohriga- 

parn todos por lei é somente saber ler, escrever e coutar 



em portagiiès, visl^ str esta. por umqustiLo, a língua da n<*ssk\ 
Umiu. 

goma 

Espik-io de tambor ou batoque [q. v.J na África Oripntal 
l'ortugi»)S!i:-^«0 t/oma e o eínsete 3fto feitos A^ miuluira. de 
forma cyliudro-conira, e com três p(*s, robertoa aô dtt um Iwlo 
com ]*elle de biifalo. veado ou laí^arto, e afÍDados por meio dei 
pequenas pelas de borracha, i|U« se Taxem adherír á pello ond« ' 
sejam |ireeisaa<-tSilo tocados com aa màos e trauitportados ao )«l-j 
COVO do toi^ador» — '. 

<iEui que ae diferençam «utáo um do outroV 



goudão 

Arvore de Timoi — 'U regulo bom i- como a ancri- «ir 

gOHdflo, que dá «ombi-a e frescura» — *. 



goir^tar 

Este verlto, derivado de yomo. ouri-o a ura oticial de ourmA 
a quem dei a consertar o fusilão de uma cadeia de relójio. Pi^ 
guutaudu-lbe eu se teria de ser substituído por outro, rcspOD- 
deu-me: * Vou ver se o posso ifoiíear». B na realidade gongoiHft 
isto é. prendeu ou soldou uma parte do fusilão, Junto à rosca, i 
qne se tiuJia quebrado. 



^ Axevvtlu Ccitliiilio. A cAUfAHHA DO BaruA bn 190Z, in <ioTaú 
d»B Crtlyoiíw», lie li* lie agosto <íc l!K)'i. 

s J. IVivim JArliin, Xotas bthkuoraphicas sonRS ob povú0: 
Tiuua. i*t *PMrtu(rulÍa*, i, p. 3*'>il. 



gordo 

toguSâ, como |)Ara as oiitr»A Hugiias românicas das 
vocábulo é o latim gurduni. o qual, conformu a 
msUva [auiliiií], era juilavra lii^pánica. 
Dão sab« é a qual das várias línguas que na His- 
ilavaia ela pertencia: ao vasoonço de certo ijue nilo, 

fese idioma diz-se (/uicen; céltico também uilo pa* 
ser. 
Ijeclivo tem cm portujjuês acepváo mais restrita que 
ano, onde tamliéiii HÍgnitica «volumoso», como o iu- 
u o franci>s tffos: em portuguf-s quere dizer «que tem 
itária adiposa'», e tanto que diferençamos perfeita- 
ff em inglês fat, de grosso, * refeito >, em inglês sUmt. 



gorgomilos 

ibiilo está hoje quási desusado em estilo sério; to- 
ou três séculos era empre^do 8«m o menor re- 
pelos gorgomiloi) cortados, cheios de cangue, o 
de Jesus» — '. 



got« 

toAfrica Oriental Portuguesa; — *góte (pev» de i»au 
equilibrar as panellas e as cestas)» — *. 



Fr. CaHim, Bataluaa ua Companhia de Jr^i^r. T.íihoft, 
daA Colónias, de 4 àv jnlbo do ItfOS. 



gotejar 



Se Dío é iufonna{!Ao errada, por coftejar, signíficft w\\ 
vorbo • Iftnçar o ar^tmi ao atum * . 

K t(>nno al);arvii), como quãsí lodos os reforout^s 
pe»ca. 

governado, governista 

O primeiro destes vocábulos em jiria qaere dizur • annsdo 
— «O Mencws, que nâo estava governado, isto è, que u&o 
m armii aipim;* ooinsif^o » — '. 

O segundo t* iisadn nn Itrasil coui a sigoíficação de • parti 
rio do governo*: — < Hetiueríinãiitos envolvendo censuras p 
vam sem o inonor protesto da parte dos governistaa» — *. 



gozar, gozo; gdzo(s) 

Parece averiguado, que a palavra gasar costclhaua prova 
de gaudiare \ gaiidium. sciido goee, antigo gaze, um substi 
tivo verbal rizotónico. O português goiar è provável que pioce 
de castelhano, visto que ao au latino corresponde em portuga 
ou, oi (cf. c-oií^a, coisa \ causa), e o vocábulo nunca assim 
escreveu. O plui*»! é gozos. 

Quauto ^gOso, <ra^-a de râes», o rlimo l- gutirum (cauuui 
de quf Laiiibtíui se derivaram o eastulbaiio gosque, com o mw 
siguifícado, « o catalão gos, « cio» em geral. O plural de gi 
«cão», é gozos, e não, gôzús. 



1 O SnocLn. ile 10 do seteinlirú de IWO. 
* Ú EoosouiâTA, de lil du juuho de ItííjJi, CorrcspoodéQdB partiul 
do Rto<de^Mieiro. 



Apogtilnn aús DirionArioã ps.riugueiug 



M7 



gra<lnra 

Tc-rino próprio dft províucta de Tráa-os-Montes, o qual se 
h)>lica geDéiicaniente a toda a casta de feijito:— 'Boa horta! 
[uita soma de feijão para verde,. . . e inda por cima muita gra- 
Inr»' — '. 

grarailho. ^amilo 

Em Caminha é o 'fecho da porta f. O Noto Dicciostábio 
ejist-a o Tocíibtilo. com a forma gramilo. 



grane, grani 

O Novo DiccioNinto dá os dois vocábulos como tendo a 

lesma sijriiifipaçào — «cavallo. liguii» — . e itluc-nos ser termo de 

iria. K propriamente calún de ciganos aliiuilés. e o primeiro 

Lêles (S o que (juere dizer «ciivalo'; o secundo é o femeuinOf 

égua>: em caW granté, pi. grafites, fem. grasni, pi. gramtías. 

provável que o primeiro fosse modificado pelo segundo em 

trtuguèíí, e em caló ou dialecto dos cigsmos espauhi^is hà tam- 

£m o femenino de granié, que é graHi. O s mal m ouve, como 

10 dialecto anthílii/. do caítelhiinn. No dialHcto \\m ciganos ro- 

jeuoK grajiiií'1 qiiere diiter « poldro-, e -ni é um suficso, com o 

|4ial de notneíi uia-snilinos w derivam outros femeninoa. O pri- 

kitivo é gra, qnt* quere dizer 'besta*'. 

gruvanha 
Km Caminha c o nome que se dá à 'rama sSca dos pinhei- 

)S*. 



O RnrOKTGR, de 17 do janho de 1897. 



graxt; engruarT engraxatto 

Hm Liabnu sii^itica uma liúta pruparad» coai que «e M 
lustro ao calcado por meio do fricção com escava. No tiort« quere 
diz«!r «banha'. Num sentido relacionado com t^sU' últiino vemos 
o )mrtii'ipio cntfnuitth. empregado iwr Ãutúnio Francisco Car 
dim: — <trouxo o say uns [tivrost muito engraxados, parçc« ««ti- 
veram ao ftimo>^, isto é, « df^negridos, cujos» *. 

grejò; v. grijó 

grelha, grelheiro 

O íiòvo UiocioNÁiuo marca íi pronúncia grelha, que <1« 
certo é a nomial, vinto aquele e proceder de i latiuo. eratí- 
cula; aásim em [Jsboa devpríaniM pronunciar c/rrí/ja. isto é. f/ní- 
lha, O facto porém (•■ que na capital toda a gente diz iji-eliut. r 
J. I. Koqtiute vuisxm o acentuou tambtJm *. Deii-se pois a menai 
alteração de <» era t^.^ino se observa em einíf/a. antes, fut^i^ja. 

t\. língua românica que possui palavra mais i>arecida com t 
portuguesa, e da mesma orijem. é a catahl, ou<le se i\h (fmetflt 
(pron. tjratlh-fha) ; os ca^ftelhanos chaniam-lbe parritlas^ 

Orelheiro é o o]jprário que tem a seu cargo as yrtlhoi^ 
— «Coutiuuam em greve os operários greUieiros» — '. 

gi^mio, gremial 

A palavra grémio, do latim gremiuui, «regayo*, não é j 
usada sen&o do sentido figurado de « corporação, reunião > c, 
como boje so diz, clube ou ensino. O derivado ffremiat, eni latin 



' IlATALHAH HA COMPANHIA UH Jotr», Lí.-íboA, líjai, p. 74. 
* DlCrWS.tAtttH PO RTCn A IS-I* RANÇAIS, Wris. H-VÍ. 

" O Século, da 2ii <lu ferareiro tlu 190&. 



«clt^iáittico t^reniiale, i^ o nome que se dá a uma espéfie de 

hVenUil, que pertence aos paramentos do sacerdote; em italiano 

^retnhtalf «avental», t* o mesmo vocábulo. (Cf. lomfto era por- 

igiiés, cora lumo era caatelhiino. e an (['■onLnirio. rumo portn^uêa. 

>in runibti em cAstelhuno, e taiiíbêm hnnher. com Uimcr): — 

[sandálias e luvas... fp^emiul e forraalío... o gremial 6 um 

mo que se coltoca sobre os joelhos do celebrante > — ^ 

Grijó. grejd, Igrejó 

K conhecida no onomástico local esta forma, do latim (ec)i;le- 
^lol(i< e deveria escrever-se Grejó. Como nome comum empre- 
tn-o U. Figueiredo Uucrra, no seu inLereniiante estudo Uua 
>AçÃo sfBTERRANKA: — < ^te giijó de Bstêr ainda existia 
>m mpellfto em 154H- — '. 
Tinha n si^nilicado de «capela, ou eniuda >. O género porénr 
«rrado, porque ê femenino, t^titfi tjrejè, e não, SHe {frtjó. 
O NívvA DicciomXhio rejista. como antiga, sem a abonar, a 
)nDa iijvejó, em que se iiâo fí/era ainda a afêreHe do / inicial, 
procedente <lo ti^ \ ec- lutiuo. que lambiam encontramos nos 
^Ofisiuioa de A. A. CorteuAo. sem citação alguma» como siuó- 
Limo de tirijó. nome do povoarão; atenta, jtorém, o sistema rle 
ibiilbo ali Heguidu, o autor que a cita. •■ porque encontrou a 
>rma em qual(|uer documento. V. igreja. 

grima 

Km TrãiHn*- Montes quere dizer •mèdo>: — 'As noites sáo 
éi veKett escuras couio u bocca dHtm lobo, ouvindo-ãe com grima 
(medol o piur dus aveâ agoureutaâ> ~~^. 



I I) \Ux. At -Jl <U' raarçu Ai l!X)2. 

• ÍM PtirlojtalÍB. I, p. (il'.í, 

» M. Ftrrdrtt Deusibula, O itucomiuBSTO oa M'\i'»niTA, »» «Rc- 

Úpía '(*• cIiiiMrrm (• cnsiiiii», ISOt. 




A )>alavra U*in aspecto de í;;ermâuica: em alemão //nmm, 3i^ 
oitica «sanha, raiva», em inglês /yfm, «inedoolío*. 
— Achilleâ himself wiw not moro grim and gory — *. 



K lUiira esta forma mu -wt para substantiTos. J. [if>ttp de 
Vasconcelos exptica-u mnito razoúvfliuente como oríjinada noaiiL 
forma latina gruas, masculino de grua, por rprH(i)ft. qui< \»\^t 
mesma signiticação, e conipai-a-lbe doua, dois \ duos ^. 



guadanba: t. gadanha 



giialdido, galdido, galder. gíiiáW 

Km castelhano existe um antigo adjectivo participai) ffttldud», 
que tom a mesma sigiiifica^-ilo que o português qfti/ahiido. a 
qual devuria tor tido também a forma (faUiiulo, e cuja t<:>i'mini- 
^0. própria dos participios |âssivos da 2.* oonjiit:av'^<^> ^ nn- 
doD na língua moderna para -ido, que pertencia aoe da 3.*; 
cf. tido, dantes teàdo, mexido, dantes mej-udo. etc. 

Esta consideração leva-nos a supor qire o verbo seria gaMer, 
e não galdir, derivado do ra^conço gaidu, « perdido >: — <Sat- 
iliiibu que o gato leva, galdida vai ela» — ^. 

K i>oK.s)Yel também que o rertw em t»ortugiiéa pertcuceaM 
sempre à 3.* conjugação, e em castelhano h 2.\ oomo acontoce. 
por exeiítpÍD, com cair, era castelhano ctter. 

Duarte Núnez do Leão ^ adverte que ê palavra gross«íra< 



» Loni Byron, Vos JrASí. 

" Rkvista Litsitana. III, p. 205, 

3 RifíW. 

* ORIíIEM nA l.IN(i0A PORTUOVESA, caji. xvni. 



le iu> núo deve «lupregar. e Bhiteau. citaudo-a, repeU a recomen- 

Se .ilt^tna ve?. foi usado-o vi^r)H> em outra linpiajcn), ignoro-o 
Bje em dia o seu uso esbi limitado ao purticipio. 

gaurdanapo 

No uao actual sl^Miilira tuna < ti>a1)):i pequena. t|!ie se pòe a 

Ída comensal, para êle mv limpar ". Aiile^í, porém, nsta palavra 
BÍgnava o que boje se denomina lenço de assoar, como se pode 
r oa rubrica da Tala do primeiro frade, no «Aiito dos Fadas* 
Bortes. fado»*) de Gil Vicente: — «.Vssoa-áe c<)m o seu tfuar- 
i4lauap0' — . 

Ant^riornieute. uo mesmo auto, ua fala da Feiticeira, veraoa 
mesmo vocábulo, igualmente uo sentido de lenço, ou puno: 

Qnf n-it» iH-.itc gn.iriluTuipo. 

líluttau ' dá fipMta palavra a etintolojia uiais provável, gaarda 
o francês luippf, qiu! vale o me^nio que TottUiu. \MH'nm\ o j^iiar- 
^iiapo ^erre de guardar — Miáo sà o veãtido de quem romK, raaâ 
iltibem a Toalha da uiesa em que se come* — ; e oicn^scentu: 
E&— <(H AntigoiJ, quando erAo convidados n comer fora de auaa 
^Oí»^, levava rada hum oum nigo o seu guardanapo ' —. 

O que parecerá extraordinário é que è-ite vocábulo só seja 
isado em Portutral. onde nunca .\ toalha da mesa se chamou 
i/íí».' e que, pelo coutrárío, os fraiueses Hie chamem servieife. 
icuíhciindo rutppe na i4ua língua essa ('oalha. A nov^o. porém, 
|n ge^riiuilo compooeute está de todo perdida, vitito que. como 
Ure|t^'!lo aos substantivos compostos cora o verbo gurtTihi, no 
lap**ralivo, este perdeu a aceutuavilo própria no seu primeiro 
[tlemeuto. (V. guarda-peitoj. 



* TOOAaULAItlO rOKTCOUlIZ ■ tATOfO. 



Pelaii citavõea que fiz àe Gil Viceut*. e piUa defituçiif ib 
Bliitean. tíca perfeiUtneate claro o inodo ile ilíxer a^9oe-sf aém 
gutíttlftnapo, em que e.ita palavra tem » íii|jiiiti<-n<,-Jo d^ • If*»^*. 

Toíluvia, /fwtrdanupo j» tinha it iutí,siiiu siguilit*Jiváo "-- —- ^T 
qiie tem hoje. por inoaJoK do siíetilo xvi. risto quô o i" 
suita Oaspar Itanuíii, iiiinia curia. datada de 1551. refenad<Htf^ 
íls refrÍv'Vs (lo rei tlii Ktiópia, esor^veii : — « Kl -rei em s«*i 
nÂo ttfin umihu modo de estado, estu a^eutado vai bn ' 
em bua cadeira rasa de forro cuberta com hum couro, ou mi 
cima th hfia alcatifa; Dào tom mesa uem copa, s^ mente trâi 
trempom uo chão c cm çinia húa (O^mela de pao que i-' • t' 
OQ 20 palmos de roda, e qo meo tem bua maneira d i 
do mesmo pao sem neahúH toalha nem guanlaiia|K). Ãtimplê 
húa mão com .a outra» — '. 



Ruarda-peito 

É eonsiderdvel o número dos nomes eomi^istos com o iuipi>np 
tivo do verbo tjuarâur, (fuarda, e am substantivo a|»Agto cani' 
seu fíompleineiiio objectivo. Xo^ nomes desta formação, tain frt' 
qiionte e ainda tam \ivaz nas línguas românicas, cada um d 
elementos conserva ft sua aceutuaçáo prOípria. estando, poràn. 
como & de regra nelas, o acento prcdomiuauto na sílaba 
do segundo componcnt-e. Kxccpvões a esta regra, r^ms. 
vimos em ijiMfflatutpn. explicom-se pelo facto de se hav^r 
dido a noçAo do sigiiifii^do do íieg^undo elemento. Xo pií 
caso devem escrever-se com linha divisória a mostrar a ind 
déncia mauifcsta dos componentes: no segundo cumpre rMitir m 
dois eleiuentos, sem a luiho, em uma só palavra, com um ú 



' i» MisbQbs ooíi Jbsuitas sio ORiBxra, Lúboi, IS8-*. p. J06. 
Cutnpltft**)' lu nbrrvutar&a, d«aiuii iti pilMvras, « tis dou rorrec^'^» n 
dentcA, riun o mttn par» raMi a irieHa. 

Ou tvitví^ tniiutf.-rit'jii lomm ruivcUtxíntv mal cufÕJidv*^ 



kio. tnarcíido ou não, conforme os preceitos de acentuação 

ica seguidos por cada iiin '. O incsiiio ae deverá fazer, ainda 

IttHtido o primeiro cleiueoto seja stibãtantiro e o segundo adje*:- 

ÍTo, como era giiarda-mor. visto o prmieiro componente cou- 

}Vf9X a 8U» acentnaçilo. 

AlfOirurei aqui o Tocálnilo couipoãto, só incluído no Novo 
rioxÃRio, « que servi- di? epigrafe a i>ste arti^'0, //««fv/a- 
►: — *A cavallo os feirantes, vindos de longes terras com os 
rimitiVos trajos Sfirtnnejos, isto ú, o chapou de copa inamilhir 
couro, a vestia ou ijihmi, tjnttnia-iifíHo e j^uardas tudo também 
KelQsivamente confeccionado de couro curtido» — '*: fahri- 
seria melbor, visto o autor ser em geral vernáculo na Bua 
[O^etu. 

guarda-sul. guarda-!u>1eti-o 

O primeiro dentes vocábulos está rcjistado cm todos os dicío- 

e o UíiiialissimQ. 

O seí^iindo é um derivado sui generis: signiHca «fabricante 

ífitarda-ffóiíf. feit/> à imitação de chapeleiro, fabricante de 

|tttapL<us t, stnnbreireiro, fitbriaitite de ííomhreiros, no sentido 

itígo de «umbcUas* ou • sombrinhas >, e uão no do castelhano 

kctoal mmbreru. cujii sitrriilicado é «chapéu para a cabeça»: 

• K«miiu a classe dos operários guarda-8oleiros> — ''. 



guccho 
Km Sam Miguel dos Açores quere diiwr «novilho' K 



> V. OhtOorafia Nacii>n\i-. lio iialor. Lisboa, ll>0|. p. 31-'í. 

* Faltiie^^, nOfmi'KJO IIK UMA VIAJBM Ml IXTHKIDK DA TaRAUVBA 

I im PaRNAHBttou. in «O Svcnl»*, ilo H dv jimhu iIa IímK). 
" ii Sbcuu). do 'i-t do outubro de lli02. 

* O SacCl/y, <le & de jlillio ds 1001. 




<Do gutitro (casa oiidu os rapastes e .as8ic»iuu [raparigas], « 
reúiiPni jiaru dunnir)» '. 

K termo da Átrtea Oriental PonigiiâRa: ita citarão refcrt-ft 
a AtarroDieu. 



guilboche. guilhote, guilbocbé. giiilhochi 



- O Núvo DicciONÃJiio ídcJbíu o vocáljiilo francas tfwVnckf, 
ortotirafaJo à portuifucsa, e no Suplí*metiU> dfrliiroij [. ■''■ i' 
ffuiUwchK K t>:ttu. na leulidutlo, a forma Uitudu pelos \n\< ' 
ourives, c desigua um desenho formado pelo cruzatDeoto de U* 
Dhas paralelas, com outras igualmout« )uralelas, espóHe de. i'n- 
xadrezamento: — *Uiiro grariido a guillioclié, pratu j^ravadi i 
gnilhocbi^» — *. 

I^te subittanlivo não ó mais que o participio passíro do f-«rtiú 
ffuillochfr. a que se atribui orijon bislónca. <> uouit* ãe cwrtfl 
sujeito, de apelido fiuiilot. que pinvoe tfr sido iuvoutado pun 
o caso 3. 

O denenho iissim formado mio se cbama cm francês tfttillwhé^ 
mas sim, (jaiHochi». 

gtiinda: v. ginja 

guinde 

Na índia Hortugiiesa — «bacia de lavar a cara — *, 

O termo, segundo Monsenhor Kodolfo Dalgado \ é lArata. 



I JoRXAi. DAS Coi/>NiAs. de 30 dií mftio do IIK^. 

» PnOflRAMA DA EXPtMIlViO DK OURIVBSARtA DO PôRTO. IH «Coi 
mercio ilo Porto», d« 7 do «mrç<> do lífôit. 

' Ilcnriíjní' Strtppers. DrcTioKNAiRB srxomqPB D'ATrMOLoo 
raâNgAtRE. Pari», 2/ ed., n,** ■íltSS. 

* KifviKTA Lusitana, vi, p, SI. 




tm 



brra (iravidico. canarím ou tiilo. No Dicionário Marata-porlii- 

cs de Siiríají Anatida ttau, a palavra oÍniií, ein dovaiiúgríco,* 

trnus1it4!rãvão< e que Iranscivvn para aqai, tem n seguinte 

iflDif&o, que pouco bo coaduna coin o dito eniprôf^o do vocábulo: 

• Vftzo da agoa, uzado para trazer agoa sagrada. K vazo de 

rriga grossa, e pcsco^-o e boca estreita e pequeua. 2. Assim 

chatna também a um \'azo du figura do bule> — '. Kstranba 

finivân! Hii de ser caso dificulU^o o lavar-se alguém niiiu bule. 

nuuia pirrata, aparvdbo »6 coiDp}U'áve) aos luvutório^ usados 

hospedarias rusãas, e que são excelente fábrica de guleírões 

quaudo não de quebrar cabeças. Jiio teem válvula na 

,, que está munida de um orifício, o qual, posto uui pó etii 

pedal, na base du lavatúrio, despeja contiuuumunte a água 

m dentro Ibo cai do uma bica, á altura do uariz de umti p^oa 

le est>'ja do pó: ('urvadu a pessoa, basta-llie levantar a cabeça 

u afHiubar na testa um beijo da bica. que Ibe podo deixar 

leiDÓria perdurável do esquisito invento. Agradável surpresa, 

le ali esperd o riaiidunte! 



fíuirlaoda. grinalda 



I 



A forma prímitiva deste vocábulo deve ter sido a primeira, 

[ae, como vamos ver, ainda subsiste: a segunda é resultado do 

mctátesos acumuladas, guir- para (fri-, e -lan- para -iial-, 

vocábulo parece ter viudo para as outras línguas românicas 

forma italiana fjuirlanàa, de orijem gennáuicji, aluda uão 

*rfei^moute explicada. 

17^ esta palavra, já uuma, já noutra das formas apontadas, 

Í árias a(!epçu«8. 
EU aqui uma, que nào está rejístada: — «Nas gairlandas 
t Suriajt) Aiinntia Rjiu, Diccionakio maratha-poktuqubk, coorde- 
»do cunfonne o Diecitmario iiiaratbii-in)$luz de J. I. Mul«5Vdrtb, 1. 1 [e ttnico], 
Nova Go«, 1879, p. 314, ool. ur.'» 



5ã6 



Ipõm 



OM 



trtmffumi» 



[cabMes e catanheiras] IA st* vt^ra [vi>emj os s^rvi^wi dr « 
ftrame, estauho, ferro ti barro» — '. 



guisa, ^isiaho 

O primeiro dêsUs dois uoinos úa ares é na Matlnn {?Á 
Mmús), aplicado ao roquinho (q. v,): o se^iodo ao ahihf, {tt\ti 
iiuntfllits, Lin.). 

habitat 

Êsttt^ termo, quo do frand>8 adoptámos, é o latim liabil 
3."4)essoB do presente do indic-ativo do vnrbo habitarc. « 
mfica, portanto, *babit:i». 

K usudo niuderiiisHÍiuaiaent« para deíiigtiflr a rir^nda hkb^ 
tiial de uma espécie, vejetal ou animal: — «O carallo. ^'ibaii 
por Pliiiio... perteuce ao typo gallixiajio, cujo habitat ewr 
prebende todo o uoroeste da peuíusulu IHtspáuica]» — '. 

Com vaottyem seria substituído por vnvudtt íste «tnt* 
gaute Dome, que só tem em portuv:uês ontro anólogo. t»rob« 
forasteiro, deficit, e não menos arrevesado. 



bagi, axi, hagiaco, ajiaoo, axiuro 

Couquanto. sem dAvida ueobuma, o k seja redundante, c I 
segunda escrita, que aqni dou. seja a única certa, i^om 
adoante indico, trato da palavra nesta altura das Ah.-^>«>^» 
porque assim a vejo escrita no teito com que a abono, ■ > ReU- 



' Ju*^ Ju SíliA PicAi». EnrNoORApnu i>o Alto Ai.i£htkjo, ■» Ftr- 
tngAlIft, t. p. S3tí 

* Albvrto âaDipúo. Aa < Villab» du Sobtb dh PokTiriiAt.. rn P*r- 
rujfnlU, I, p, 117. n. *. 




Apnslilfvi noa DicumArift fftt-tuguesea 



527 



lo da viajem e sures» da tiao .S;im Francisco-, do Padrt» 

la-^ipar Afouso:^'enm tudo o comer, cousa geral em todas as 

Indius. lia de rir á mesa cuherto d« hagi, que é a sna piíuenta 

vermelha, que lá ba de muitas costas e feições. K porque os 

y gnlos. ou cabeças delia, que vem cutrc a carne cosida ou guisa- 

da« trazem jã quebrada a sua nrtude, como elles [oa uaturaes 

das Antilbas] ciiidaiB.... mandam pOr outra crua em pratos 

pela me8a, roíuo em ^iileiros, que masii^m e comem . . . como 

. . tivessem :i.s liug^uiis e ^ar^.mUis lndrilUadaS' — '. 

O Novo DicciojíArio traz o vocábulo erradamente aceutuadOt 

i, e o CoNTKHPOBANKu de.stígurado euteiramerite na prouúncia 

i (!) que Ibe atribui. 

Eis o que a re^^peito da forma castelhana moderna aji nos 
Kodolfo Lenz. doutíssimo autor do DicciONAitio icrmoLÓJipo 

LAS VOCÊS CHlIvENAS DERIVADAS DR LKNíRAS 1.VDÍJENAS 

tBBiCANAs. cuja jtublicaçào aiuda infelizmente nâo está con- 

rluída: — 'la planta i el fruto de la misma que se llauian eii 

}pafta > pimieuto > i ' gutndilla> [i. f. jinjínha, *pÍmeutúo>]/'CVi- 

tum anmttun). ... La palabra njí. antiguamente axi. vieuc 

Haiti i perteneoe a la lengua taino de la família lingiUstica 

los arnak. . . Los índios peruanos tlaman el aji uchu.. . ; los 

Chile ihai>i>~^. 

Ksta escrita thapi represeuta a pronúncia trapi, com um r 

fricativo sunlo. como o do inglês try, ou o r tiual de sílaba, 

muito usual no Itrasil: a moderna forma castelbaua aji profere-Re 

)ui o j castelhano actual, mas a antiga uxi prDuunciava-se com 

valor do x inicial ftortugnês de xadrez, por exemplot e o 

jnto tónico foi sempre e é no í, e não no a. 

Bxplica-se que o Novo Dmx:. errasse ua accutuaçfto que dá 

vocábulo, conquanto pudesse vê-lo com a verdadeira quer no 

icionario da Academia Espanhola (aji), quer no Vocabulário 



■ in BiBL. DB CLAãStons PUKTnorsxKA, vdl. xr.v, p. 80 (Aiu do xvr 
« Santiago de Chile, t!)OI-t!»>S, p. 126. 



haveres 

finte intinito siil>st4intívado no plural, além de signifícar «poé- 
ses, ben«*, tera o sentido eSpeciuI, popular, de «U:$(iun>ii «al- 
tos»: — 'O povo acreditava que procurávamos hovern tBtnr 
dido8> — *. • 

liatixe 



h esta a forma portujíuwsa, oii se quisereui artxv, ib -"i"" 
arãlúca Haxix, qiit! quere dÍ7.er uma casta de cânave, i|ii 
tos da África Ocidental Portuguesa chamados ambundos deoan^ 
uam Uamha. v que é inebriante, qu.iudn fumad:!. ()s ' 
eaureveni Imcluriíe. os ÍnglesB.s futskfívh, i* os ali*ujài'S A ' 
V, em harém. 

Ilidira 

Assim se deve acentuar esta pala\*ra. que também st leittm 
ktijira, e poderia ortogiafur-se tjira: era ffrabe e i i ; 
sonoro inicial, que aqui tmnsorevo por k: qaeru ili i 
A pronúncia ejira, é francesa. Màrmol. ReòeliôH de hn M*>ri»- 
eoa. escreveu hi-xara^^^hintra •, 

Este vocábulo perteuce aos fiuti do 2." perioílo a que mi? «* 
feri eui harém. 

herdade 

Assim é definido este termo, com reluvâo ao AltsDteJot — *Cí, 
catiipus do Alemtejo, aparte os arredores das povouçdeSt sftOk lA 



1 PartD^ftlin. I. p. 13. 

' r. I>iuj \ Eiiííoliriiinn. Cii.o^isAinB DE8 MOTfl bspaOxou ITT ro»- 

TOUAM UAkIVIM (iK ].'AKAI)B, Lcuia, 1809. 




ia quasi totalidade, divididos em grandes tractos de terreno, 
lue se deucmiiiam herdades* —*. 



Hererõ, herrero 

Utqu ra^iL iiidóniitii du kWxcw Ocidental, qu« ieni dado qne 

ixer aos aleiailes, é deaoniinmla dn.s HerefÓH. nome que dão a 
priíprios (Otft-hereró). 
Este nume, nu pena doí< nossos jumHlÍHia.s, transfornioii-se ein 

orrerot. •fcrreiroH» em i!sp;inliol. roíii tmiis nirt r. e niudiin^-a 
|tt ai'ent.0 ti^nico pura a pftiijltiirm sílulia. Í.>iíiíai\udi> us^íiii o 
le dos valentes negros, trataram dii lho explicar, e num jor- 
nal se escreveu que provavelmente êlo llies viera de unia povoa- 

Ln espanhola, chamada Hetreros, e i\\é a localizariíin na pro- 

tucia de Ávila. 

Escolheram mal: Havendo uadn menos de Atrua localidades 
jiCste nome entre Ávila e Çamora. povon^íões e sítios de várias 

itígoriaâ, tinham leito melhor se dessem os tais pretos como 
kriandos de um despovoado deuoiuiuado Herrcros, na proviu- 
la de Segóvia, explicando deste modo o seu despovoamento: os 

itigos habitantes expatríaram-se, e para os não conhecerem tín- 
irani-se de preto, o silo esses os actnais Jfirreroit : jÁ se vâ, na 

)miAo dos ditos jornalistas, que teimHm em assim crismar os 
^srenSs, sem o consentimento destes, atrihnindo-lhe:í habilidades 

le, ai>e8ar de enfarruscados eafres, ídes nao teeiu, pois uáo 

)D8t4i qiie jamais se si n^ula ri /rissem pela sua perícia no ofício 
te Vulcano, como os ciganos no de caldeireiro. Ksta extravagante 

Icunha, como era ura desitropiisito, criou lama, e hoje até era 
ivros e relatórios se lê. Ora, bastava consultar-se qualquer mo- 
lesto compendio de geografia ou etnografia da Africa, para se 



l J. (Ill iSilva rifio, RTRKUORAfHIA 1X1 AUTO Al.BJlTEJO, »« PoTtO- 

[ali«. I. i». 270. 



sua 



Apówtiías o»« IHfWHárion P^^rtu^uatM 



corrÍg'ir o érm: e s« qui»*síipm obru mais nutorhadft. a» 
uma visla <K' oUios jara o Uiciouario Guogrttfico át Viri 
SaiutrMartin ', que nào é nenhuma obra rara, desfar-se-ia ol 
gaiK» roín muita facilidii»io. Aqui fica emendado. 

Cj)ii.*[n tiver euríosidadu de su mfurmar mais a pfMvi' 
Uuguu quL' falam os herenía, c qne nâo è ca-stelhano de Ávíh,' 
ver com muito proveito um vtdmuitd da colecção HarlleU 
escrito por A. 8eidel. nnilc fticontrará gramáLicas ila^ Ui 
ochihereró e oxiiuiunyu, amb»s cafriais. 



Iietera 



Ê uso escrever picte vorábiiln hetaira^ e hetaíra^ de qiu n-j 
sultaiii as pronúacias, erniueas ambas, ftàira c eitiira. 

O vocábulo é grego 'ktaIua, proferido hvUiira, prr: 
mente, no grejro antigo, etúra, no moderno. Km latuu 
betuera. prouuticíado vtéra, so exuftirfs*^; mas o quf exí^ 
nm derivado betaeria, pron. eiérUir correspondente uo 
^ETAiuíA, • confraria relíjiosa ►. Ura, assim como dn U 
spliaera ] (írego 3P'AtRA. se formou em português e.9ftra 9\ 
francês sphh-e. é evidente que em portug«t''3 de betaera 
(k)et^ra, e em francas deveria ter rosuluido heUiire, sem Ãpi 
uo », ou heière, e nuuca hHaín, que o um barbarisrr " 
roce-mc loucura rematada imitar, por capriebo, u bui 
francês. 

Hetrra quere diíer aotuahueute •cortesã, pro^tidita ac aíu» 
coturno >, com sua cOrte de basbaques, o:; quaía Ibe reudi-m ■ <iti> 
ou lhe pagam o estadão, conforme as suas posses. 




homem 

^No calao lios ladrões do Píirto esta palavra, se(niida de uin 
jto. clusuilicu os ajiiigos dos baveres do prAsáiiuo, pelti sií- 
^ maneira: homem de rjinlenhó, • gatrnio de casas • ; hotnetn 
«pituno de al^heiras*; homem de salto, 'ladrão de 

homeòLropo 

um neolojismo, deriva<Io artificial do grego 'omoIos, «8&- 
iante>. e tropos, 'mauoira>. ^ 

[Serve n ti*nno pani designar o qrie pa denominei formas 
iverjeuteH, isto é, uiua kó furina ri'-sultante, eiu virtude de 
fnnfíticas. de dois ou mais i^liinos diferentes, como pena 
leuoa e poenu, lallnoii, vindo, das formas antigas vtido e 
>, B primeira participio passivo, a sei^nnda gerúndio do 
fiV. antigo vTir. O funõineiio contrário dunoiuina-st^ aló- 
lOfl, ou formas diverjcntes, qnandn de um sò étimo re- 
vooáhiilns diversos, difíTunvados, ou iiAo, no Bimtido, em 
ide de leis diferentes de ai omodaçíio, ou porque entraram 
igua vm período» distintos; por exemplo, nutlhn, uumrhtt, 
t, mácula. LíHloti (jiiatro procedentes do latim macula. 
ÍV. a palavra moleiro. 



bompim 

«Nova Goa. 29 de setembro [de 1897J... Os parias ou 
innpiíiít [^ir], que faz«m os despojos e outro» misteres idênticos, 
itA completamente separada de todas ' — -. 



' O KcwNíiMíBTA. lie 2^ .1.Í rcvereirií t\v 1885, 
■ i> tieuuLu, lie 21 do uutabro de 1897. 




Rstu palavrii veio para |KirtugU(>s do francV-g, qne a recehmi, 
soguudo se ulirnia, <io mongol, ou lin^íiia lartàrica dos inogon». 
Marcelo Devtc ilÍ/.'Uoa .ser Urtara, e qm: um lurco H ordu. o <]u« 
não explica por que razáo Be ha de eâcrever com k inicial; ia» 
h em francês serve só para evitar a li^a^íio cora a palarra pr^ 
cedente, pois He diz la horde. e uáo Vhorde. 



hortejo 



Deminutlvo de horto. — *No hortejo que cerca a casa um 
terreno diminuto > — *. 

— < ijuniido o hortejo se reduz a proporções miuiuias. tdai 
o uorae do quinchoito » — *. 



hiicfaa: V. ichão v ucha 



hóspede, hóspeda 

Contra a regra geral dos adjectivos em -e, que sao «lé- 
formes. os substantivos eBtSo sujeitos a muitas excep^'ões; aâSTm 
a palavra hóspede forma o fernenino em -n; — < Ksta conta ett 
feitii sem óspeda» — •'. Os editores aclararam este pas;<o do Uo- 
rKiKo i>A viAuEM i)K Vasco DA (jAMA com a Dotu se^^uínie: 
— «delonuinar uma cousa que di^peiide do con8cutÍmeiit<i ou 
vontade de outrem» — . 



' Portugnlift, I, p. 20»: Ah oi.aria8 do I'hado. 
* i6., p. Õ47: ETUNOGUAruiA do kirco Albmtkjo. 
■ LHbuu, 1801, p. lUO. 




Diz-nos o Novo DiccionArio que houcá é o nome que se dá 

fdcbimbo usado pelos baniimcs. Ora, Monseubor Itodolfo Dal- 
* transcreve uká e iraoslitera huH-4, isto é, kuHã, pelo 
a ítrt-nirrafiii i>ortiii|rnesa, se o nome é usado por portugueses 
oa índia, tem de ser (h)aeú. Km qualquer oaso, o diUinjíc ou da 
primeira sílaba é inadmissível. O dicionário que cito na nota (') 
declara ser vocábulo arábico, e aqui está a raziio do hou-, r«*nie- 
dado do francês por escritor insciente, mas ciihi^'f)sn de finjir que 
sabe. Marcelo Davic, com efeiUí. traz o tcrruo houca, deste modo 
deSiiido: — «Pijie turque ou per^ane peu diffèreute du uargbiló 
(Líttró). l>e Tarube houípia. ou si Pon voiit du persau hmuiqtt 
[a proauhúiação diveije. sendo a persiana mais parecida com así 
«aropeias], vaso, bocal, et spóolalemeut: «the bottle tbrough 
vhifj] tbe fumes paus whea smoking tobacco* (Rictiardson), le 
flacou oíi passe Ia fumi^e du tabai- avaut d'arriver à la boucbe 
du fumeur»— ''. 

^1 Â palavra hulha é copiada do frano-ês houiUe. de orijem 
incerta, como se pode ver em Stappers ': é uma feliz adopção, 
pois, conquanto jã tivéssemos a locuçilo snbstantjva carvAo i>k 
PEOBA, nâo poderia esta servir para expressar acepções especiais 
que tem hulha, nem pmduítir derivados necessários:^» A hulba 
líquida [á^a], quer provenha dos mares derretidos, quer das 
2.'eat«8 » — '. 



bulha, buUieira. bulbeiro 



^at 



^_ I DlOCtnNÂRin KoMKANl-rOHTVOfBK, p. -Viô, col. I. 

^H ■ DiCTIUNNAIRU ÉTVMULOOlgUS-DKH 3101» d'uKI01.VID ORIBNTAUS. 

' DiCTIONSAlRH SVnOI-TIQlTB l>'ÈTVMOI/Dr;ia riUXÇAIBB, Pari:), 

n." 5R(t2. 

* DiAk[0 UK ^'0TICIA8, ilc (J iií uulubru de \dOS. 





— <0 fim das hulbcirus [minas dt' carvuo de pedr».'^'. 

— «08 jaãgos liiillieiros reconhetnioà uesl« jiaíS' — *. 



hurí^n) 

Como já advertiu Dozy ' com reapoito ao co^telbano, osU 
palavr» pHssou i*!:) línguas da Península Hispânica púr mtertn^ 
dio dti francês hauri, e \\a&\va innittis a léÂoroveii) cã, itu)K>l)do 
injénuuinenLe ser puríssimo àrahe. O facto i t|uv, eiD oonfomii- 
dado com o qm^ nos dizi*ni o mt-snin I)o7.v o .Mureclo iJevii! *, u 
árabu iiauaA, que dariu eui português haura, ou melhor ,/i>urÃ, 
é o nome que dão u uma das mulheietí do paraíso de Mafoma; 
o plural é iroa. Deste plural fiiemm os persas hchi. acreacío* 
Und<Hlhe o tsulicso do unidade, e a^sim aumentado fitttiitoii o r»- 
cábulo ao turco, regres*iaado ao depois ao árabe, ^\\w lhe ajnntAi 
o seu suticso próprio de unidade £, tbnnando arnrK, pronunciado 
hurui, que é já a forma empre^íada nas Mii. e vma noitib. 
Kui português poiltMuo-t poi-i escrn-ver hurJ, tiii huvitt. 



burra 



£sta inteijeivAo rejo do francês hourra, para o portngui^» d* 
Isente fíua, porque o [>ovo a uão coubece. Ksti'i muito pni moda 
Uiis saudações e saúdes, em qu« ê rc{ielida com uma sun.saburía 
ciwmopolita, que produz tédio. N&o creio que jamais venlia a 
vu]}íariz3r-so. 

Os franceses dizem que ela lhes veio da Rússia, nAo com O 
ei^oativo caviar, mas provavelmente por intermédio daa tropu 



< > O EoosoMtsTA, de 18 ile jnlho de IHS-V 

o tiU)8SATnn DBS Ho-ra RSPAONOLe dt pdrtuoais dArivês db 

L*ARABE. L«ÍJil, ldtf9. 
* Op. (M'Í. 



Apostilai ao» Dieionârioê PoHug\teaes 537 

loscoritas que com os aliados entraram em França e chegaram 
té Paris, após o destronamento de Napoleão i. 

Existe de facto em russo a inteijeição urá, a que se dá como 
rijem a expressão exclamativa u rai, <do paraíso», étimo im- 
rovável, visto que, exijiudo a preposição u genetivo no nome 
ue reje, a exclamação deveria ser m raia, e não, u rai, no 
cnsativo. 

Como na palavra horâa (q. v.), não é fácil de explicar a ini- 
ial k, que os franceses lhe acrescentaram e não soa, mas que os 
igleses na realidade profereni. 

É claro que esta interjeição nada tera que ver com o subs- 
intivo urro, do verbo íirrar \ ul(u)lare (urlare \ urlar), 
■rrar, por assimilação. Do verbo latino ululare talvez também 
roviesse, como forma diveijente, uivar, em castelhano aullar; 
f. o francês hurler, que tem esta orijem. 



i 



EMENDAS 



abismo 

Tào é na vei-sio grega do Velho Testamento, obamodã dos 

Setenta, que o adjectivo àbussús, correspondente a inanis da 

^ulgata. está empregado. Noa Setenta o versículo citado reza 

úm: 'É vk ufc í:n àuhatos kaí akatask.kúastos. Knt*ontra-se 

dito vocábulo na versão Judaeo-Greco-13arbara, edi(-áo 

ira existente na universidade de Ocsúnia, confomifi o qne se lê 

10 erudito nrtigo Iíihlk, da PENNY-Ovci,op.KniA. 

Citei de memória, desatendendo o cordato conselho do Au- 

isto Schleicher, isto é, o de se coorrontarera sempre as citações 

"^antes que se mencionem: e quando reparei no ?rro já nSo era 

_^ tempo de o remediar, por estar feita a tirajem da fôlba. Aqui 

tca euieiidailo. 

A forma aviífuo, pnr abismo, do latim abjrssus, fígura uum 
Mto anterior ao século xv, A visã<i dk Tijndalo *. 



acenba 

Dou aqui mais uma abouaçào antiga da prioridade da forma 
crpílrt. em castelhano: — «e el caraino adelante fasta nana de 
jbrcados e dende derecho ai ayefla de8ertida> — *. 

Compre advertir que na época a que pertence o trecho snbsia- 
ia ainda a diferença entre f e ^ em castelhano. 



* in <RcvisU titóitAiift», Tiii, p. 247. . 

* Júlio Puyol y Alonttu, \Js\ pi'eula bk bl sinr^ xiir, in «Boras 
[ÍHpanii^ue >, xt, p, 2^' ; U'xto lU puebia. on < carta de poroAçAu >. 




iilraDç-ár 

Coulornie U. Menémlpz Piílal ', v u coinhiDação, ftu como tb 
cliartiu, fusíií) áv iíwalceare, por mlcalcetiie. de qiir resul- 
tou primeirn anmlçar, e depoin nlcmtrar, em virtude de mela' 
tese eutre o Z e o m. Pa forma htcnireare proveio o sul><tan- 
tivo r't2oi(5nico enailço. pomo o voiiios iia locução itortapar*! 
iV ntj encatro de ahfu^m, suhHtantivo que pr(!tssuf»ò« a exifl^dcia 
do um verhrt enctilçar, já rejistado por .í. I. Uoqaotc * otn j/ov 
tQgUi'8, mus que do mesmo luodo existia em castelhann. 

ulcorAo. almhtar, alinenara 

Eis aqni uma atioiiaçílo bem característica da [lalavni afajrâo 
QO »etttído ãe < tArre»:— «piíra o ^ul ilti Itarr» |>r)u<'ipal, que 
cliumuTti do Alcorfto. por raxilo de uma tdrre ou pirâmide tt 
que parece serve de divisa i»ara conlieeinK'tit<» da barra - — '. 

Os eãpanhóiã chamam nlmrnar. etu p<jrtu^uês ahm-tiarfi. h 
torre da mesquita. V. Oa-rooRAriA Nacional *, a propósito de 
minarete e nlmetmra (q, v.}. 

V. também doiít artigos publicados na f<Mha litorúria do jor- 
nal O Skiutu) ptdo siir. David López, e uru {W iiiiiu. uog diai 
2f) de março e 9 dV^3 de abríl deste ano. 

JoiSo Carvallm dn Mascareiíha-i!. na Nova nKHt:BH.Ão DA 
DADK DB Aboel (U>21|. cbamu-lhe niiuplesuieule //Jrir; — «H 
verá dentro nesta cidade roaÍÂ de vento e dex mezqiiitaâ Iwfl 
lavradas, limpas, com suas alampadas e esteirns. Etttre ns quaaj 
ba oito fraudes que tem suas torres mui altas> — . 



* Kamlal hlrmbntal dh oramAtioa mtiTòaiOA iasi*A$oia 

2.* cdiçío, TiUàrul. 190.1. p. 123. 

» DlCTION.VAlKB l'URTnOAI8-FnA\-<;Alrt. Varii, 18-5Í. 

* Antúniu FrwcUw Canlím, n*TALtuf} da (.'omi*axiua iib Jw 
Liíboa, ISH, p. Iõ8. 

* Lisboa, 1!>a4,p.í!24e 334. 



ApastUfiê ao» DicuinártHn PurtugueAcã 



òil 



alia, Alea. oléa 

O Pádro Manuel llerDáriJez ca ■I>eãcrição da cidade de Co- 
ibn» (Ceilào) usa a foniia aha: — <Em lu^ar de ausmoÍAs se 

irvt\a\ di^ aUas. Alea é todo o elefaute sem deaUi*, quer seja 

Iftclio, (]iii'r at'ja temea' — '. 

Mas. ^dtí7c ler-se álea, ou al^a? 

al(]uílur 

J. Oorau deriva alquilar de elocare, mediante prolepae, ou 
)iiáQcia antecipada do /. De elocare veio com certeza altt^ 
far. conl mudança do e Inicial em a-, e Múhre esta jirt^ft-roucía 
le a como IniiMul veja-se tainliéiu do mesmo romuiií^Ut a iiti- 
aima Gramátiou bistt^rlca poilugueàa (^Obammatik dgapobtu- 
tiKsiscHKN SpRwHK, ítt •Gruiidriss der roíDanisclieu Philolo- 
;ie>, 1, Straãburgo, lâOii. páj. unO e U49J. 



alva 



Dá-se èíiLe nome a uma exteiiítão grande de areal, poeirenta, 
10 diíttritx) de Leiria, .Ura de Paiaias. Ksta frognesía i notável 
quantidade enorme de fomos de cal ^e ali traballiam '. 

bailadeira 



Kis aqui uma abonaçào dàsâioa do vocábulo: — «uao poucas 
baiUuleirua que os Pagodes pura este éffeito (de solenidades re- 

tUjiosas) sustentam» — ^ 
< in BfBL. QB CLAâSlCOâ PORTUarBS&S, \'<t\. XLI, p. 79. 
' Infonnaçilo Am snr. AcAcio iif PaÍT». natural <le líflirià. 
' Pii-ln' MiuiUtfl HernirJoz, < I)e«rivío da ciiluiJ»; do Coluiubu ►, ín BtBL. 
PB VI.ArWli:08 fOKTUUtntZRS, Tol. XIA, p. 107. 




bisalho (bhelho) 



A pájinas 151 apontei o vocábulo hinelfu), com a rpfip«ftJT> 
ahona\*ão. Pi»r«ee-ine. porém, que )m frro tipojínífico, fl qu« s 
fonim verdudtítra c btmlkú, que HhiUau. iio seu VttCABrhjUUO. 
iletiitiii do modo scjoiintc: — *He um atado, em qup vem da 
índia partida de diamantes brutos* — . A palavra fífrura em 
(|Ui!isi UkIo.s Oi dicionários p4irt4ip]es«-i, ora escríUi com i». nn 
com I, e ií»U autorizada por muitos escritores uossos, entre w 
qimis citarei aqui Itemardo tióraez de Brito, • Memorável reb- 
i^a da uao Coucei^âo». pa.mm, e tiomeudamente a |>ájíiia& 39 

(toI. XliVII da lílBLIOTHKCA HK CLÁSSICOS POHTnLlUEZEMl: - * pof- 

que DiLqnelIa nito rinham infinitos diamantes, e todo» mnitn bons. 
e os mais dídles de roca velba. . . R pnr èsk respeito de haver 
muitos... empre^'aram os merciídores quanto dinheiro tmhaiQ 
uelles. maudando-os naquella uao, os quaes vinham entregues 
aos officiaes: elies oâ coseram consigo cuidando de os escapar, o 
desta maneira deram os mouros com elles, tomando ao piloto 
graude quantia de bisalhos mais que a todos» — . 



• bruxa 

Em abono da hipótese que formulei de qne haja relafSo entre 
o vocábulo bruxa e o verbo bmxuhar. como denominações val- 
orares dos fof^os fátuos e do seu aspecto, aduzirei aqui um passo 
interessante da Htiói»!^ ohientai, de frei Joilo dos .Santos: 
— 'Ao lougo do rio de Çtifala e de Cuaraa se crium infinitos bi- 
chos como escaravelhos pequenos, cujo rabo lhe luz de noite 
como braaa viva. dos qua«8 lambem ha neste reino. Estes, tonto 
que vem a noite, se levantam em bandos pelos ares, e síio tantos, 
que alumiam quasi todo o ar, b la/em espanto a quem n;lo tem 
noticia do que í<to é, como ou sei que fizeram a certos pessoas 
estrangeiras nestas terras, uma uoite escura i|ue dormiram ao 



deste rio, oâ quaea fugiram com medo para a povoação dos 
cuidaudo que eram feiticeiras' — *. 



bulb 



[Ao que no competente lugar ficoti dito acérea deste vocábulo, 

ípVão de iiidivídtio da imlicia sí-cií^ta. devo acrescentar que 

germaiiia, ou jíria castelhana, bttlio ú sinónimo de sojúón, 

\0y maisiin. deuiiuciautc'. A fornia antiga era bufo. exis- 

|p também o vorbi) bufar, «denunciar, malsinar» '. 

'arece, portanto, que oeste sentido o vocábulo terá orijem 

castelhana. 



cacique 

[ — «o inni)-]o araba ua primeira volta do caminho, era qual- 
aldeia sertaneja de cacique politico > — '. 
rata uma al>onação do termo Mcique, no seu sentido figu- 
lo. PUI |H)rtiif?uè9, e que nos proveio de Espanha, onde ê fre- 

fít«!> vfzfs emprepido em tal aeepçAo figurada. 
2 



caimtilho 



Sdbre esto voi;ábulo escreve-me o Prof. R. Meuendez PIdal, 
22 do março deste ano. o sofíuinte; — «Las paJavnis rnnuto, 
tanuliUo. canutero, nunquc están R-feridus cn cl Dicc. de la 
AciJemia á caftuto. etc, son las formua boy corrieiítes y usada» 
por todos, de modo que laa fonuas con ti rienen qncilando anti- 



(lAbúA. 1^91), Livrd I, &IJI. XXIII. A 1/ piliçâo v Jn ItiOd. 
* r. Rufiei Snlil|b9, El dsu»ci>bntb khi>anoi.. lbnodajs, Ma«lrid, 




nt:i(bi4 t'ii hora de frente vieja O oldeaiin. Yo áesàt mi infuoíl 
sii'ui|irf oi cumct furuias corriíiuti'.-* Ias r-in m • — - 

À definíçfto dada uo U>xt« cumpro ai?r(*sceutar: ' d» ouro. 
pruta ' ; aoâ canudÍDfaos de vidro dú-se d« prefcréucia o oome ^1 
vnlrilhoií. 

Km KtpnQa n puU\Ta cauutHh atiruDJe todos é^ftes signiti( 
dc»i, segundo também me ioCuirmu o tuosmo douto romaiiíatA. 



cliapão 

O Kòvo DiooioNÀRio hHvin jà reiiatado Òste nome da rhi 
mine no Alentejo, como tamlicm pn^iprio de 'Crás-os-Moutes. 

Nio resta a menor dúvidii do que é imialmfínt^ conheridn 
termo com tal siguíhcação uo iiortv do r«ÍDO, visto qiic* 
acepção sorve Ia para metafórica meu te designar o -ramo do ri 
tanheiro que cresce verticalmente, romo se vé do seguinte (Hiã 

— «uma podu que (aos castatiliciros] Ibes tira t'>daâ os vurj^i 
teas nascidas no po e ao Iodro do tronco, assim como os ramc 
mal situados e os que crescem a pnimo (ckujrífeg), que ai 
vem muita mitriçflo> — . (Gazbta pa» Ai.i>bias, de 20 de 
de 190()K 

cigano, cigana 

As formas pnrtugue^ui diste nome étnico tiíem, sòhn 
demais u;íiadaa por outras doçõhs. meiimo em relaç&a ft «\\t 
crita, a vantajem de ser as lutiniuidas. ompri^gadas por :iuÍoi 
que escreveram em latim, como vemos diM ir(<chos seguini 

— «populos K^yptiacos ut vulgariter apiicltantur Oíruuok ' 

— «multa alia similia officía et serriíutis miniateria obenut 



1 Matii» Corrino (147ti), tiUân por V. Han^v)*. nit noa mrmi 
ETVTAft ÚRViK i)in UNnARtsCBHK xinurNBH. «n XvUs Ja hulti^nie â>i 
úitcmafioiíal iln OmntalÍrt«R (iBitS). u I'ArtÍ<', p. IIS. 



ApiMtilÊÊ.Húa DicionànoM Vwiuguatâ 



545 



gani cl Oiagonic > — . O segundo trecho é extraído da rulu^fto 

Ide ura missionário italiano (l(i79> *. 
K A fornia espanhola ifitaiio, foi uivada i^tii um texto «ast«lh»ao 
QO siUinlo xvii: — «si pet'õ Woysen en matar ã un Gitauo» — K 
K evid«'ntB que nt^ste pHsso ijttano qiiere dizier <eji]K'ío>, e 
n&o, 'cigauo*. 

corpo-saoto 

É interessante esta referência ao fenómeno: — «no meio desta 
}nia e aHiçào nos apareceiauí umas oandeinlias qno toijaâ foram 
stas pelas vergas o muâlro?:, e bordos da nao; ao qiiu, segundo 
inaruantcs, chamam o Corpo-Santo* — '. 



duna 



Nest« aitigo interpretei a dcnomina^<íio toponímica, ordinária- 
t^nle i':ii'rità Ami-tf-fnar, como swido A't:/*'lo-mar, o que já fi- 
\x% ua Ortoobakia. Nacional ^ O snr. Alberto da Cunha 

ipaio. na sua erudita monogi-afia As t><'ivo.\H mabÍtiuas du 

fOBTE DK PoHTUtíAL, dc^iíâz a uiiuliii conjcctiira. que se fun- 

naqiielia escrita usual, declarando: ... Na ortografia 

le »Abre-mar» o erudito autor [José Fortesl. abandonando a 

los letrados • A-vcr-n-mar ■ . ou «Avê-lo-raar>, preteri» a livâo 

povo, que pronuncia do primeiro modo com o sonlido claro 
le • Abra-do-mar', angra ou barra* — ^ 

Fica a<í.-!Íin feita a correcçilo, que nãn coutciKie ('om u iluu- 
riua dn artigo. 



1 ti., p. y!>. 

• RbVISTA LmiTANA, Tllt, p. 2(H. 

> Henrique hixi, < Ik-kçAo «la riatrvDi e nanfragio do nao Sjiit Paiiln», 

|$G0), in fílHI.II»THK4'A UH CTLAliídl^M IHIItTUairEZBS, r<tl. XLU, p. <^''. 
« LUbort. l!»(i|.T'"-IO. 

* in Purtu^iilia. it, p. 214, nota *. 




Além de niediio, pode taoiihém usar-«e medo f=méffo). cmm 
fez Jeri5uiino de Mendoç», ua suh • Joroada d<j Africa* 
xando mni depr&saa a r^va, se subiu pur uns medos de areia > — 'i 



gafo 



L'iu amigo da lilstriemadara espanliola. provÍDcía de Hadajoi 
ilí/-inõ qtie é ali vulgar o vocábulo cafuifoie, em vez do 
telhuito comum hnfjmta ou mlíamautm. para dfsi<ínat o <jf. 
Jaiihulo 011 naUão. Xo vooábulo estremunho d^u-se [mís ali 
raetâtese das cousoante» das duas prímoinis ailalmâ. tjnúafote. 
]>or ffitjanote, e ao depois a C4>iitaminaç2o da palavrt cínut\ 
.*cuuu*. em virtude da qual o ff iuicial passou a c. 

Xeolojismos iudividuais são com certeza ijafeirar e gn/rin 
fflo no treclio seguiote: — *l*óde vacciuar o reato do re)>aufa( 
jde v'i>'lo laoijero] mas a vacciuafSo. ou. antvs pafeiravão tei 
quáí^i tanto (terigo como a doouça natural [besigasl. Ua iodavii 
^autn|^'ew em gafeirar»^*. 



gajo 

É natunil i|ue a forma yoju seja derivada, i>or induçâ< 
enada. dess'outra forma ijnião, íjub parece, mas não é, auiue-n- 
tativa, e está mais pnWima de gachòn: visto que no Bmsil, i*< 
Hirme o Diccionakio db vocabdlos beasilsiboô, do Vizcond< 
de Beaurepaire-Koban, de oude passou para o N<^vo Dicv. 
exjdicayão, ida ò — 'titulo obsequioso de que' u^m os Cigan< 
para com [>eâsoaâ r-xtraohas à sua raça. Meu gajão equivale 
meu senhor, ou cousa eemelhaute» — . 



' m BiBL. DB CLAssuoa poRTrtirmzBií, vol. xxxix, p. 17. 
* ÍÍA2HTA OAJà k\.\ymsB, dtí 3 <ic Jiiwubrt' ili.' 10O5. 



índice ilfabétleo e remissivo dis furmas e dos vocábalos mencionados 
H tfxto do 1 nkw, referidos a cada epígrafe 



aa : V. asado 
abada : aba 
àbaila: aba 
abadeju : bacalhau 
abunar: abano 
abandonar: Estranjciriiinius 
abeberar: arrasto; baforeini 
abibc : bUbis 
abotinado: abozínado 
abnuoar: blasonar 
acaecer: caída 
acalentar: caída 
acaadfllar: caudel 
aceite : cabide 
acerado : campa 
acfaorSo: charão 
achavascado : charabaseo 
aço : campa 
acordar: decorar 
açorear: assorear 
adaião : daiSo 
aduana : alf&nde^ 
afiístar : alcíxar 



atittitl^M'!') : aimnii^iiiido 
;tfii>r:iiii)r: liliafa-Uir 
»f<.<)?ir: .'i)iiit'.ir 
afunili'!»: iibi.ziíiiuUi 
-nií;t: iirrinl; ii/.iii)i:i^'':i 

íitriílujiM]! : '•iil;iiiili;i 
u^ratiuihar: •;;iilaiiha 
iL^iialn: á};ua 
rtH^iiiirili-iiti': à^iKi 
á>;iii:i: arri.'líi|nias 
afunila: Oalaiiibá 
a>íílist;i: i't;fHa 
a^iiiDil: alt'r"'HM; 
iub';tii : a;ítiili' 
aipo: Áyrt'} 
aito: lAto 

ajanlinar: iiriiiazJni 
aic>i'lliar: fj-nilhu 
tijunr: iiiX'.iv;il 
dlíiitio, iilaiiiitila: azinhaga 
uliU-afT.ir : iiMo:i}?int',' 
alconiuiiia: fcrroba 
alfarriiba : fi-mba 
alfavaca: «•.■Ijrinha 



^^H ^4$ Aptiitititfi no* 


Etítiouàrio* Pttfiutfwm» ^^^^^| 


^^^ alforje: foliai» 


-aiinEluu ^^^^H 


* ulfttrJH: foTjocu 


aiwlo : aiMi rear ^^^^H 


alg(Mi : camueo 


V:U : areucu ^^^^H 


nlpuor^e: aro*){i) 


amiti: arvJtc» ^^^^^H 


ol^riiiiUr: aljofitina 


ar^la: amiaz^ ^^^^H 


al{««rcf) : alf^ça 


arma : annii2>Am ^^^^H 


ttlitMtriíii: nlinaiitira 


aniwuc^oar : «nnax4m ^^^^H 


uliniM^ju ; lirtiiaihMu 


uniuinlu: arcainha ^^| 


almeúi : febra 


arraia: acluiila; arT)tt(s) ^^| 


aliii(i{cá!: iitabcFtf 


Arraial, arraialrtrd: artii^») ^^H 


ftlmfiifc: Ataliefc 


arraiyjar: tnjemtmr ^^^^^Ê 


almotula: aljufuna 


Arrlapi : arrÍt>(K> ^^^^H 


nlOlropo: noincdtrupo 


&A-«lc-m<)*ai: cágado ^^| 


ftlTtrwi : arfpjui 


a»]u r ili* ^^^^H 


^^^ aluifuer: alijnilí 


Mi^iii>t<|<ir: (irrvto ^^^^H 


^^H alumiar: dL^^lauibrar 


Atiiuada: oiiDau^da ^^^^H 


^^H alra: camisa 


a«uct4 : nrranoii,'» ^^| 


^^H amaailbo : irUatu 


nMro, aittrtiMi: dfWkstrado ^^M 


^^B amiclsúraa: dodâsimo 


alacAdnr ; an-juta ^^^^| 


^^H aioortígtudo: ap^iui^uado 


alambur: bétda ^^^^^| 


^^H anebo : oaelio 


atnr:ApoU ^^^^H 


^^H andocoças ; eiHlocnças 


uU^uíAt: atauua- ^^^^^Ê 


^^H aDOÍro: oa<I>i 


ánffUa: úiia^r ^^^^H 


^^H anjinho: ulnta-nt^gra 


aal'» ^^^^H 


^^H anta: ilúUai*tn 


aralunche; Aludo ^^^^^| 


^^H aoudavoruduit 


arorií^iir : ap>uif^tiul^i _^^^^| 


^^H apnnluidur: cliisca 


aT«Mo: eorét ^^^^| 


^^H apara: flta 


arí '" IKTi1oii-la.«^^^^H 


^^H i^Aiador : aparar 


vista ^^1 


^^H apvrtar: entravar 


arlto : ttntetiwitt 


^^H ApocalipTie: guaegf 


aT4. a?A: arriú(a) 


^^H apoquentar: bi<b« 


axi, aiiac»; b^Í 


^^H apopo : tuquÍA<1d 


axorca: aiaMú 


^^^ft aqao«(!r: (Ulda 


«rtéor.' «óioral 


^^K i(qntlB: catiimlHt 


asuciki : atalMítt 


^^^^^ a(|àísrii: av'Qi*t« 


axcinulo:. campa 



Apoêiilns aoa Dicionários Portugueses 



549 



uevo, Azevedo : azevinho 
uinho : azinhaga 
izongar : avelar 
uongne : açoagae 
Azoia: Farada 



bacalaiba: bacalhau 

bacliarel : bacalhau 

baço : babela 

báculo : bago 

Badajoz, Bodalhouce : arago^s 

badejo : bac^ilhau 

bogo : dciíastrado ; espiga 

bajular: baboajar 

balde (de) : baldo 

bangne: chambo 

baobab: embondeiro 

barata : carocha 

barba(8) : bigode ; canicinlio 

baroque: barroco 

barraca: espera 

barranco: barrDOO 

barrfirento; bombo 

barril : caneco 

bastarda : ginete 

bastos : saco 

batata: seinilha 

batota : bilhafro 

bcbedouru : arrasta 

Belcuace : alcoucc 

beliche : cáinam 

bem-avcnturança: caugar 

beijaçote : cotio 



berrão : bilbafre 

besco : bescate 

bèvebra: baforeíra 

hihelot: brinco 

Bit' : barulsta 

bilro : espirro 

biombo; bonzo, c&gado, dáiniio 

biscainho : euscaldtinae 

bisco : biscato 

biscouto : galheta 

bispo : bubela 

bobèche: aparadeira 

boccarra : cangarra 

bodega : adega 

bodum : faro 

bogalho : bogacho 

boémio.' cigano 

bofetada : galheta 

botanga: chila 

bolacha: galheta 

biduta: bcjoga 

bondoHO : haplolojía 

bonzo : dáiniio 

bordão: burro 

borracha: cauchu, cerne 

bote : iiatel 

botciiiim: adoga 

bovina: chacina 

braga : calceta, canicinho 

bu^-al: buço 

btiena: arrenega 

buhonero: fofarinheiro 

bujio: burro 

bule ; chi 

bua: ehus 

buz: braços 



550 



Apostilas aoi Dkionãrion Portt^ueses 



cabaça : afogar 

cabana: cova 

cabano: cora 

cabeludo: dcóiio 

cabillau: bacalhau 

cabo : caudel 

cachimbo : cachimba 

cacho: cauchu 

cachorro : burro, cacho 

caco: cacho • 

caçoula: caço 

cadaneiro : aneíro, cada 

cadeia: calceta 

caiiíta: chila 

(■ai|ninL: bruxa 

caixiifi': as-;oliio 

çalainal'.'iiue : i,':iiiibui,-ii 

calainbu<.'i>: Ciilaiiibá 

calíEo; boitc 

calças; bradas 

calii: ealfii) 

cambas: caiitaduiira 

caiiiv<!': Jizi;iti' 

i,:aiia--í ro : espif^Li, i.'s])Íjrut.'iri.i 

i."iiii'fla: rscaiii-arar 

iMiicri): ■■st.Míicarar 

i.aiidi'ia : íUcIim 

caiitlci^im: castiçal 

caiii.-la: bafia; cadeln ; L'si;aiii:<ir.ir 

■■aiijrallias; '^M\í 

cuif,M-t.i; i-M:i^,'.>st.i 

Caii<i;o-Xiiiiá: bouzu 

caiiliaiiraço; bolliú 

cánliamo: cáiiavu 



caniço : canastro, espiga 

canivete : crabelina 

canoa : banheiro 

cantaria : areisca 

cão: burro 

caoutchouc: cauchu 

capa: coroca; dáimio 

çapata: braga 

capitel: apanha; candel 

cara: carranca 

caraiiiol: clamor 

carapinteiro : algaravia, carabelina 

carcaça : canastro 

caranguejo: escancarar 

carapau : chcrelo 

carcanda: Ciilombo 

carda: asolajfiii 

cardeal: bacalhna 

cárdeu: avcr^Mar, encardir 

cardir: encardir 

cargo: char<»IU 

caridoso : bondoso 

carimbo: caloiubo 

oariiioar; carrapiço 

carpi;la: escaifalpelar 

<;arr(.'jar : acarrojar 

Cascais: Furada 

cassungo: almandrilha 

Gistaiiba: azinhaga 

castanhola: batata 

castàii: giístão 

castelhano: aragoí'8 

canli(c)llo: caudel 

castri): citánia 

catana: "cágado 

cátaro : abalador 



Apostilas aoB Dicionários Porlvguese» 



551 



cavalo : barru 
cavidc : cabide 
cecear: ciciar 
cedo ; fevera 
cega-regd : chucharrio : 
cciiiitcrio: arrencg.i 
cenário : decorar 
cista, cesto: bacio, espiga 
cevo : cibo 
cliabancás : ciciar 
chada : achada 
ehafardo: carniceiro 
chalacear: caço 
chaleira : bui 
chama : achar, bombaçi 
chaniinti: boiíibaça 
chançarel : bacalhau 
chilu: chana; diab» 
chapek-iro: guarda-sol 
chapéu : chafa vasco 
chato: cscaparate 
chavascal : charabasco 
chave: facha 
chavelho : apanha, cabeça 
chávena: chá 
cheda: cantadoura 
chefe: cacique 
cheio: deslumbrar 
cheirar: cheiro, faro 
cheiros: segurelha 
chicango : eniíaca 
chícara : chá 
chii;harrón : chucharrão 
chiqueir<j : curral 
chisseiro: chicua 
chituredu : chicua 



chola : cacho 

chor : diabo 

chuchar : chacina 

cidadão : aldeilo 

cidade : cítánia 

cinzete : goma 

cipai : ensaca 

círieíro : candeia 

cisco : chisca 

cividade: citánia 

chainante: falar 

claustro ; crasto • 

coidor: arrasta 

coalhada : asada 

coba: chicua 

côccdra: colchSo 

coco : carranca 

coelho: colheira, diabo 

cofre: cova 

cognome : alcunha 

coireleiro: cada 

coisa: aquela 

colgar : colcha 

coniaca: cornaca 

coiiionia: ferroba 

compostouras: apanha 

conca: cunca 

concerbir : consertar, fêvera 

conde : condessa 

confeUi: confeito 

confesso, contissSo : diacriçio 

considerar: bondoso 

consiilamento: abatador 

cimstitu.ioiíal : estatutário 

copejar: g'tti;jar 

copo: câmara, cocho 



552 



Apostilai 009 IHcionános Portuguesa 



cor: decorar 

corbelha: golpelba 

coTd&0'C carreirfi» 

cordeira: carapaça 

cordoeiro : bacalhau 

comicho : cabaça 

eornipo: galhipo 

coroca : bedem 

coser : besoaro, cozinha 

cotovelo : c6vado 

cotovia: corja 

coDdel : candel 

cova: cdvo, doninha 

cõvodo: cõvado 

cozedra: colchão 

cozer: besouro, cozinha 

cramiiçào : clíimor 

cr^imol: chimor 

crariíiii: carubelina 

cruaila: cnquicuk 

cri:jtâo : abafailor 

crível: novel 

cuberto : cobrir 

cacuiada: cuquiada 

cnidoíio: boniloso 

curaãillo: avergoar, bacalhau 



dádiva: data 
debruçar-3t' : bniçoa 
dedareza : coinparança 
decoro : decorar 
dedal : hcâouro, bondono 
defi^sa : charabiiiico 



deitar aloi^je : aleixar 
deixar : desdeíxado 
dente, dentista : absentista 
derviche: daroês 
desabar: aba 
desagaar:SaugaT 
descafda: caída 
deitcarregar: carregar 
de-8criçSo : discríçSo 
desongAoado : desconfiado 
desengunçar : escancarar 
desesperado : desconfiado 
desesperançado : desconfiado 
desinfeliz : demiitrado 
desinquieto : desastrado 
desniazcLado : desastrado 
dOíi]>ojar: deiibulhar 
douvanoc.ido : de^naio 
iU»to«ilo : liinido 
diálogo : data 
tliária: geira 
discordjir: decorar 
dívida: data 
divido : daádo 
doçaria : confeito 
doce : culcbão 
dois: grou 
donzela : doninha 
doSL' : data 
dugá: avcrgoar 



êador : õaugar 
eaglv-icoud: calambÀ 



Apostilas aos IHcionãrioa Portugueses 



553 



E^: essa 
egnariça : asneira 
eiró(s) : arri6(s) 
eixo : apanha 
ejipcio : cigano 
ejitanato : cigano 
era : faiança 
em-a<ler : èaugar 
em-asprar: eaugar 
emborcar : borco 
cmbuijar: buço 
empipa: embondeiro 
empreita : espreitar 
encabeçadas: dcãmochar 

encarriçado; carriço 

encher: achar; cacho 

encinzeirado : acínzeirado 

encrave: enclave 

eugadanhar: gadanha 

engalfinhar: gafa 

engalinhar: galinha 

engaranhadu, engaranhido: gadanha 

engelhar : avelar 

engonço : escancarar 

engraxar : graxa 

ensogadara : 'cabeça 

enteiru: faro 

entrevado: arredar 

enveja: bojo; grelha 

enxó: enxoval 

enxame : enxoval 

enxofre : enxoval 

enioval: golpelha 

esbuUiiir : desbulhar 

esuarneror : caço 

CNcangalliar : canga 



eacano : escamei 
escoltar: ascoitar 
escumalha : chuchairfio 
esfera ; hetera 
esfregar : estregar 
esgadanhar: gadanha 
esgaiçar: escarçar 
esg'ttaahar : gadanha 
esgraminhar : ancinho 
e^moga : esmola 
espádua : e:jpada 
espalda: espada 
eap.itela: esjtada 
espear: esp'ar 
espelho : dcsiístrado 
espera: apanha, -arrasta 
espet«ira : estanheira 
espigtieiru: canastro, feno 
esquecido: falar ■ 
esquerdo: arriú(s) 
estadoal: estatutário 
estanheira: casa 
estantígua: bruxa 
estatura : estatelado 
estrela ; desastrado 
estro: desastrado 
exame : enxoval 
exército : enxoval 



fábrica : cantiga 
íabricu; escancarar 
facatla: cui|aiada 
facho : tacha 



554 



Ápoêtilas ao8 Dicionários Portugneaes 



fada : cabaça, fadu 

fogaeiro : afagar, escada 

&ia : fado 

&iante : ^-io 

falaise»: arribas 

falda: eirada; fralda 

fdlanttí : falar 

íaltríqueira: fralila 

fangiíeiro : fungueiro 

farinha : cabuça 

favaca: alfavaca 

faxa : fachu 

fecha, fechi): data 

feérico: ancestral 

íeijao : frade 

feixe : faxa 

ffíl|)inlii: di-údi> 

fijiiit-ii: dosltiinijnir 

ícta: Íat» 

ícrn-ini: luTorú 

ferro: caiiipii 

íi;vor;i: feliM 

fevTrirw: W\>T.\ 

ti;ir: í'i'bra 

iibni: ftíbra 

fiililj:'i: ítpani}?!!;^!"; b"iiil"-io 

íilhúi^s): ln;lliO(s) 

físticj: íilfi'p^ti;^i> 

liui!;i: ilosC-iiiíiiiiU) 

llaiiieng» : t'scii]i;irati; 

fi)<^'j-fãtui.i: hrusa 

fugiieur: cIiuikio 

fi.d{c)t,'o: oarroyar 

fidfXar : i.':irr''i:.ir 

for: íii.'ií'irnr 

fruilc: ilcs.istni.lu 



fragueiro : fangneíro 
franiengo : escaparate 
franganote : assobio 
frecheiro : brejo 
freixeal : azinhaga 
frente : esteira 
f resa : fn^ría 
fressura : forçara 
fome: dàiinio 
funil : candeia 
fuma : forno 
fuueola : giistão 
fuso: gastão 



B 

(/ahoiui: biicalliau 

jíiiiiu : líaniideiro 

gafaiiliDto: jjafa 

iffifus: <rAfa 

gafoira: '^aÍh 

galdid>>: giialdiílo 

galfiirni: frafa 

galiiilia: ostuu-fraca 

galiziano: "íali-g'!, gerezianu 

giihi : frango 

gana: esganar 

gaiibar: gaiianha, ganadeiro 

garfii : gafa 

gariuiiia: gaiulo 

garra: garmteia 

garrnÍL': garroteia 

gastar: cibo 

gatu ; burrif; raraiiuça; gadanha 

gatiiiii: farajiii^-a 



Aponlilas aos Dicionários Portugueses 



553 



Eça: essa 

^nariça: asneint 
«ir<í(8) : arrió(8) 
eixo : apanha 
«jipcio: cigano 
«jitanato: cigano 
em : faian^vi 
em-ador : êaugiir 
eiD-asprar: c^u^r 
emborcar : borcu 
embalar : buço 
empipa: embondeiro 
empreita : espreitar 
encabeçadas: desiiiochar 
encarriçadti : carriço 
encher: achar; cachu 

encinzcirado : acinzcirado 

* 

encrave: enclave 

cngadanhar : gadanha 

engalflnhar: gafa 

engalinhar: galinha 

eiigaianhado, engaranhido .- gadanha 

engelhar : avuhir 

engonço : escancarar 

engraxar : graxa 

en:M)gaãara : 'cabeça 

cnteiro: faro 

entrevado: arreilar 

enveja: bojo; grelha 

cnxú : eDxoral 

enxame: enxoval 

enxofre: enxoval 

enxoval: golpelfaa 

eitbalhaT : dctibalhar 

escarnecer : caço 

«itcangalliar : canga 



escano : escamei 
escoltar : ascoitar 
escamalha: chucbarrfto 
esfera : hetera 
esfregar : entregar 
esgadanhar : gadunlia 
esguiçar : eacarçar 
e^gitanhar : gadanha 
cagraminhar: ancinho 
esnoga : esmola 
esi)ádua : espada 
espalda: espada 
esp.it*;la: espada 
esiH-ar: espar 
espelho : desastrado 
espera : apanh:i, arrasta 
e.spettiira: estanheira 
e!i|iigiieiro: canastro, feno 
esfioecido: falar 
esquerdo: arriii(s) 
estaãoal: estatutário 
estanheira: casa 
estantígua: bruxa 
estatura: estatoLido 
estrela: di'«istr.ido 
estro: desastrado 
cxauiu : t-nxoval 
viército : enxoval 



fábrica: cantiga 
fabrico: escancarar 
facada: cai|uia<Ia 
facho : tacha 



::ij 



ERRATAS ESSENCIAIS 





«! 




Xinbs 


ÊRO 


Correcção 


12 


vocábulo 


vocábulo 


19 


notabílissima 


Dotabilissima 


4t 


existência 


existência 


11 


iucluiu 


incluiu 


13 


daquella 


daquela 


16 


fron 


frora 


24 


trompeta 


trombeta 


11 


vtniem 


vintém 


23 


longe 


lonje 


22 


arrenegada, 


arrenegada 


18 , 


e passim, torqiiês 


turquês 


19 


fruto e 


fruto, e 


2 


vemos 


vemos 


16 


trouxemo-la 


trou38emo-la 


21 


peor 


pior 


11 


esse 


esse 


última 


DlCTIONAIHE 


UlCTIONNAIBK 


7 


quais 


quais 


20 


coxa 


coixa 


18 


arábica 


arábica 


31 


Tangere 


Tánjere 



ó.-.s 



Apiifttihif (ii>s Tiicioiulrtos Portugueses 



Pújina 


Linha 


ÊITO 


CoiT«oç9o 




201 


31 


ABABE 


AKABE 




202 


13 


alqáhira 


alqaãíra 




206 


16 


esse 


esse 




213 


21 


salgueiro)» — . 


j^ salgueiro) >. 


* 


232 


30 


qui 


que 


t 


233 


6 


cetim 


cetim 


237 


4 


inglezea 


ingleses 


# 


238 


2 


separadas -^ 


separados 




246 


26 


u 


ou 


" 


255 


23 


cora 


como 




262 


3 


palavra 


palabra 


#, 


275 


18 


Coin' 


Cosi 


282 


19 


cappela 


cappella 




299 


22 


quer 


quere 




319 


9 


verga 


verga 




331 


5 


E tenuo • 


É termo 




33ti 


2 


galináceos 


galináceos 




* 


32 


cofovèloa 


cotovelo, 




» 


33 


de um, 


de uma 




303 


8 


uimeu para 


a uiraen por 




368 


20 


iirtifícial 


artificial 




378 


10 


contraido 


contraído 




382 


10 


HiLstemann 


Hartmaun 




> 


penúltima 


DlCTIONAIHE 


DlCTIONNAIHE 




407 


17 


Ignoro 


Ignoro 




411 


2 


espaldeiràãa 


espàldeiráda 




415 


12 


parti cularisar 


particularizar 




416 


12 


quer 


quere 




417 


7 


latino 


latino, 




437 


4 


ta mui 


tamil 





l 



Aj)08til<ui aos Dicionários Portugueses 



559 



Linha 


Erro 


CorreoçSo 


3 


SEUÀXTICA. 


SEMÂNTICA 


3 


dois 


três 





Anua 


Ãna 


9 


desigfaa 


designam 


lõ 


dicionários 


dicionários 


25 


t ktino em r 


t latino em i 


1 


filies 


filios 


2 


em ^. 


UD 


14 


porque 


por que 


20 


menos, 


menos 


3 


ignoro-o 


ignoro-o; 


4r 


Porupiesa; 


Portuguesa; 



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