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Full text of "Apostilas aos dicionários portugueses"

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A. Fí. GOXCÁLVE/ YIAXA 



.APOSTILAS 



AOS 



DICIOXÁRIOS PORTUGUESES 



TOMO II 




He.' 



LISIÍOA 
|.I\ i:\l:lA CLÁSSICA El)rn)UA-A. m. tkixkiiía \- ('.''•'' 

20, TBAVA DOS JlE.STArHAI)iiJli;S, 20 

L<JOf) 



'OSTILAS AOS DICIONÁRIOS PORTUGUESES 



Pf>U 



A. 11. GOXÇÁLVKZ VIANA 



\ 



^^^1 




1', 


w 



1 1 1 1' ; • — ' . '1- 



N 




'OSTILAS AOS DICIONÁRIOS PORTUGUESES 



POR 



A. K. GONÇALVKZ VIANA 



/ 



"^ 



APOSTILAS AOS DICIONÁRiOS PORTUGUESES 



ichão 

íl-itt' termo, que o Xúvo Dkk^ionáhio rejista eonio anti;^'o. 
íttii ;i si^fiiiticaçfio de lueilidii itinerária asiática, t" (liferenle de 
'!n'í irhão. ipití iiudii tem de asiático, jmis é português, deri- 
ad'« d-» latim medieval Uutica, que deu hufhc em Iraneésí, 
■uha viu «•astelliaiio, em portiiífuês {h)iich(f, e ([ueria di/er 
.irt-a d<.> \Mi> e ila íarinlia-». (.'oiiíbriue Pie/ ', o vocábulo será 
ifr.iiáuico, e íi. i.'aioliua Micliaídiá c do mesmo parecer -. 

De urha procedem itchcfria íq. t\) e h-hdo. por iichào, com 

imdaiiya de «. alísolutameute átono, para /. pov ser pret/uiico u 

"■ai antes da consoante palatina vh. palatalizm/ào (pie se não 

u i-m nrharia. porque, sendo rsle uni trissílatm oosítono, tem 

rtito Kecuudário na silalia inicial, ({uc por isso não foi atenuada. 

ucha e ucharia. 



ich() 



K comparável a icluio este vocábulo, que procede de iistiú- 
ii . e no qual se deu igual mudança de n em /; et", hm-hn. 
i<rna uma armadilha para apanhar caça meúda. 



KTVMOLOOIHCHBfl WõKTBRbirCH DHR líOMANlSClIKN' Sl'ÍtA< II ):N. 

lÍKVISTA LrSlTAXA, I, \>. '^i^'u 
-VUL. U. 



^ — ^^^^^^^^^^^^^^^^1 


^ '* 'í .»>«# Ch4i">uíirtí»i fí^rtupHtani ^H 


^^^H Ê termo *1» Ananif. c «ijfníticm ao que ptreci*. «ocerd^l 


^^^^ j;.-; ; ' ;íntaiico cora esU rlgui-a wrniu* letrado*, 

^^^ h... j 


1 


^^^^^B tfloiro, i4onro 


1 


^^^^^V N'6v«> Dit^oi^NÀJuo* no Suplemento, dá-Dos ^t« vor-ák^| 


^^^pcomo anti^t'. «bona-o cflm Vi*»! Fortunato d« Sum l)i>a>-4Miti^| 


^^^^ »■ He -viniloan)-, (liwn<lo ser tu^B 


^^^^ < pní^rio autor reroulit^te qu«i '*^| 


^^H UtÍDO. e t^ õ parikipio do f^it\m> du VK^o^| 


^^f^ yvUto K tii -^ (' iU> Vrrbt^ i*(V,*|^^H 


^H |,^ff^..i.. , ,,,, n Latindo: sio vwíVbani^l 


^^^^ «1 1 ;e]' fjtK* hftjfi Hi4>i ?itn:)Hcado quo i\ qiinJqH 


^^^B fl 


^^^^^^ u-uyH 


^^PIH^U (lo ttxlo M^l 


^H' Ulidftde pr*idnt;liva rie nnvoa viicàbolos, limitautlosç o cnipi^| 


^H dfttta:^ {(» '111. mmmo a*-' ;-9 




^^E^ li. já, ii h«n <liwr, seriílo forra.i .úM 


^^^^^K ^H 


^^^^^. È ttrriAú d A Hrasil. * d«sif{aa kn\i\ »jf3hiu\^\'Ao fuit» n^^^f 


^^^^^H|i> ro*; tMijkuoaniiii u'uiuu CiuiAa, MD^| 


^^^^l^^í' i^iiMí*? •.'<u-i<[uiiiu <tt? nm nó iTuideiro, toF^i!mDra1«*'^H 


^^^V ' rAiJHM PA CbvrAKniA (H^l 


^^^^^H OA pAi*(ir»A|^H 


^^^^^^^^^P.>1N AV ( lOI 1 ll>' liit_>vOI* l**-10, I^^H 


^^^^^^M # ■ ^^1 


■ 



AimutiOm nm IHLionário* itrriwjufíteK 



llí» ic**adoit t\t\ gíciílo passiido u eíciitw dé^te vocábulo foi 

i, r uiiu roíD 'r íniciftl. ProIVrimio-se n c inicial âtono nor- 

(ittte I. como em fitHjío. eletiàuriu. tn^i/ut'r, eto.. coriside- 

qnr. se tal ortognifía era acerUda. por se enufonuar com 

|i»turraft latioa.^ de qae estas derivam, se de\Ha restabete- 

' • !.i* Uíí (Mitnis em i|ue um / inicial corresponde apii- 

• f laiiiio iiii uie-íiiiii sitiia^-fio, ooncorr^idi» uiiida a 

^mllft Cmtirt^a com e para s« asseutar em tal regra. Por 

niit>.'i s»« n^fonnoii tamliém aw-st^ritade outros vonábuloBs 

i'jttal, ttioiit. etr„ (|ue pasjioii a ser «'</»«/, vdmie, vtc, 

^1* eia latún sflo aequslis, aetas, isto apesar doB bábitos 

kÍ4U>t) diiriLDte xim poucos de séculos de literatura, e com o 

futiiUai^nUi d*» que «f* era et|MÍvalente a c. 
|iftlathi iV/rr/Vi fTtni sempre orto^rrafada iífieja, vonfotuw. a 
aei% » oa refurmailores enteuileraiu que ela deveria aujei- 
S * ' lias nutras; p roínn em lati;» w escreve «felij- 
í*i_ -s t^fiUvi', iijiesar de cnj espiinliol ser if/iestn. os 

emeiMlafAuí if/y^/a para egreja. Emeuilaram lual, porque 
:i em tal dição »> e do latim ecclesia, 
- iTintt itjrt-ja aimrere etu ilocumentos medicTOs 
rit^, escrita ei/tfrtm, que anteoe<leu a aotual portu- 
íffT^, 9 castelhana iffléJtia. 

: ' f' '■!■< peuihsulures correspímiie \i c Intiim, 

i"-põii dl' roíisoaute {f(. Uuju \ laou;*, 

) Vaecat. se^nie^se que ou nu latim popular a palavra soava 

|tim f 6ÍaJelo. ^ uiin rfun (•(•, e as.^itn roujertnra Meuéndez 

* tfOQi ^^iii*o fuudameiito, tiâo obstante os exemploii que 

Ml u primfiri» r do ^ri)|>n ef ae vocalizou em i. como em 

vr t flft^rare aoontereu ao g, como em /rrVo | facturo 



MtASVkli MJM*WSThU DM «HAMÀTKA IIIMT<iKI 
It 1VQI. I». 4«. 



■1,1. 



AftwitUas 00» IHeionários Portugneati 



88 den com o ineâmo c. Daqui resultou h forma portii^'u| 
eitjreja citada. t:orapi:ovadu por dezeuas de docuineutos* e; 
lulniitida no abundantíssimo glossário de A. A. Cortesilo *, 
juntamente com eitfleija. rauis litoral com rtdaçAo ao sen úi\^ 
mas que nfl*» («de sei- cousidpiada caíttelbana ciu razão do j. 

KsHe ditoiiga ei inicial oindeuãou-ae ao depois em i. 
aconteceu com Ittês, aotes JSin^s \ Agnes *, com JtiM 
unUs Eidãin \ Kg:iLanÍH ^ ] E<j'tauia. com isento. aH 
ehento * | exemptum=É'/'j»eM/iim, com o popular irò(s) j 
1*15 j arctíh, « medial, com Hção { Uctiouem {cC eltnç 
ortvei de crnivif, e proviiviOinente i*om urisc*» \ nrcisco. Nilo l 
difícil, com alguma paciência, encontrar muitoi; mai» exempi 

.lodo ilibcíro, em nota a pãjinas \'ò\l da sua excelente 
MíOTA Ci.ASsic* % impugna esta explicaváo claríssima, por 
acoita rui Drtogrufiy Xacional " para os vocábulos igreja, H 
e, SC me não engano, primidro projioõta por J. Leite de Vasc 
cclos, e depois perfílhatla por outros romaiiiijtaâ poitugue 
entre í-les pelo autor dos Scnsimíts. 

O vrudito acttdttmico liiiuíilciro opõe a esta doutrina ul 
conjecturas, que não Hxz «m que se estribem, e pelas quais 
plica que o ei inicial de eigreja è eco do et da sílaba segui 
Da qual, uote-se. não existia ua forma antiga eip-eja, nem eí 
na nioderua tff*TJn. eco. aásimila\'Ao pi*ogre.ssiva (inilucso regi 
HÍro Ibe cbama), de que uSo dá mais exemplos. O Nôvn Dt 
nírio abona também a forma (jrrja. iia qual sr di-pn^eiide 
a fsrril-a ('íiii''i fif, rj i- crnflii: (jpveria escre^ec-so irrejó, 



> BUBStDKW PARA UM D2CC10NÍRI0 OOUPtBTO DA LINQUA 1'0 

(ilTBSA. Cdiínbm, 1900. 

> 7rf. ib. 

* J. Leite de Vtttconuclus. Kbi.ioiOkb da LuBrrANiA, tt, 1905, pJ 
n> *i no» SiBStuioa NirlnnKa. 

* A. A. CoHrrfÂu, íitnBSfDioB, oudtf se pode ver & dcviíla aboToçtd-l 

> iUtí-ae-Jan<úru, JeO:>. p. 13:1, notA. 

* Uflboa, 1!«U. ji. 74, ":.. 94, 97. 



ftMttr Umbém ift^cjõ rejistad;) iin m^suio Dicoionàkxo, o qne 
prnuúticiii dn r«ino <& íudifereute, pois o e átouo antes de 
àu\ irtti O valor de i. 

I Ohh relii\íão a In^n | Einês | Agnes. diz-nos qut? o y <;£'jv- 

by {kmIp 8i»r al^iuDfl vck õrro (Ir tniiiscriçSo por g, suiwsiçflo 

-nituita; niiis como, por outra jiarte. uilo aliança 

[•ro, o i|up \\w biivia de ser liifícuUoiío, deixa suin 

iliaK^ii H fonna Eínêa. ou procura aualisá-la pela »egtiíute 

1(1 raçiie^ que teriuui por ba:íe Enhez. forma inven- 

\'\ wttí do Apnes, e de que proviriam Enie^, que 

fcK'm náa existe, e afinal Ehkêa, Hm que lois íbuèticas reco- 

cidu e romprovndas ae ampara para tais deduçiíes, como 

ires influências Jus It-lras s. x. j, u que se refere 

• - tiLiuliiíiii O qmt nú» ignoramos e nos u;io diz. 

1 palarra reino stap^ie do mesmo modo que de regDum, 

, que (lào está documentado, e deste rL-sultassem 

.: i^uií* reiuo; isti» é, exactamente o eontnirio do que 

•'. poia se o tih <mi ti palatal, qu** dix ser igual a n -f- ^ 

o t\nf> ^ inexacto *, procede muitas vezes du hí, como 

^fi^iuru. ou de nr, como em vinha \ uinea, não 

■ • ucudi-mico de imitar um exemplo imieo. irrefutá- 

rlt f»«, procedente de nh. 

-'• n« inesm» uotu de esemplos rel>U:it*adns ot» 

i roíitracção de ei em /. convém siilier Eint''s, (itijó 

.nrí. Uehascados. od uâo. Bâo verdadeiros: os primeiros 

ilura, AV;i^9 como forma obsoleta da actual In^a, o 

|p • -IH) substantivo comum fq. rj. mas nomo nome 

I Kcclesiola: quanto ao teriyte pode vê-lo 

íéro DiomoXik Ri(^ de Cindido de Figueiredo, a páj. 775, 2* 



> V*]m-^ i(u«l((n<>r tnuiio ão fonétkn: nA 6 uma coiuwuití lULiiat pro- 
"* riirlail'^ jwtUrriof <!'> palaUí duro; o M é 

í I 1 1 < :,i ciirii » |HinU da bnf^n nau g«i:girw; 
> ítt^w 4* f« -f- i ped« pr^dutir 4 n pabttal. que fiçiirtniofi {lor nJt. 



.Ifmsiilnt noif JHnonârioM Pafhtgtu^ãei 



col. (lo vol. I. e ouvi-lo a toda a gente, culta ou inculta, i-in 
boa, onde não há ninguéo] que o desconheça ou o estranhe, 
geral c freqtiente èh é. 0& trôs exemplos citados diz-nos ainj 
o eiudito anotador que são raros. Não sâo: todos os vocjibul 
iuiciados por cv, se profereni usualmente, não como ei^, . ., 
sim como is. tais: e.teinplo, ectUeito, examt', etc.» (cf. iaent 
centenas e centenas deles enitim; e em todos o ia inicial é cfl 
densa^*ão, coutracçilo de ei.", procedente de /vv, com voealizaç 
do c, Uto fundu-^e em leis fomíticaa luuito conhecidas para qi 
seja necessário indií^á-las: a^ explicações abstrusas, a ipie nos 
ferimos, foram excojitadas expressamente, cada uma para sa 
hipótese, e para wxaU nenhum facto similar. 



ilha, Inaua; immlar. isolar 



Esta palavra é indulntàvelmeuto derivada do latim insull 
mas por i^vohiçiio niuito especial, e do i)uo tatvex mio haja outlj 
exemplo em |M:»rtiii,'iit''s, prim-jpjlmeute se atendermos ao alótror 
hifitíi. perfeitamente re{,'ular e corapanivel a rcfjt4a ] regula 
mngoa j maculo. Gm castelhano di/-s« i^ía. 

Vé sabido que este termo t4?m no PArto um significado par 
cularissimo, corresponilente iio de pátio ym Lisboa, u que no Dj 
czoKABio CoNTEMPORANKO ú assim detÍDÍdo: — «espucio de 
cercado de pequenas habitações para ^ente de poucas posses < 
Xo jornal O StiorLO. do 14 de agosto de 1899, vem uma rei 
réucia a Csses bnírrinhos, apartados da serie de prúlios que fo 
main as roas e vielas da cidade: — «Uma das tristes curiosi^ 
des do porto silo as Hhti^, corredores estreitíssimos» — . 

O vocábulo V muito antij^o na Iíu^oju nu sua acepção nat 
ral, e é possível que, em vista da suu fbrmuçilo anómala, êle 
de orijem latalã. 

Como termo de'calio. ifha do »umiço é o «cemitério». 

Quanto à palavra intttui. que parece ter sido sempre a 
çao restrita de • ilhota, ilhote eui rio*, nílo há m<imória ou do 
mento de que alíçnma vex signiticasse ilha, no mar. 



AponHIfu aos IHcionàrio^ lhrluguí»f» 



- 'A liarra do sul do rio Minho, chamada — i>ortugu€»a — « 

n almu eutre a inBua do Castello e o rabedello * — '. 

litrt» escritorí*!» preferfin inò-nlar, como verbo a isoJar, 

r, deixar *(*, desacompanhado >, por ser galicismo o se- 

pioAo. Galicismo, oa uíto, porque a forma é mais italiana que 

^a, jtoiíi, em toscano que se diz isola, por «ilhii-, entanto 

'"* -''s o nome é í/ff, antigo hifi, entendo que já não é 

irar paUviik taiu usada e tam expressiva; infuhtr 

e içuultnvnte neolnjisnio, e em tatim seria barbarismo. 



ilhtf(s) 

iK Carolina Michaêlis de Vasconcelos - já identificou Cste vo- 
^^tnln rom o francês (filUt, sendo ambos, assim como o catalilo 
pie', o riíitelhano ojeie e ojal, ^casa aberta em ronpa», o ga- 
»l, iawntki derivadas de ocnlum. •■'•Iho'. |>or meio de 
^■iiBcMfi. A forma primitiva portu^niesa há de ter sido»f/ió. 
1 dUktf, C(^o o ou u inicial ae converteu em i, como o de ucha, 
forma derivada irhtut (ii. i\), ou em ífhô j osiiúla, plural 
■\i»tt(>lum ; ostium. «abertura da porta, o intervalo deiíado 
(«n ela * '. e não propriamente a peça ou peças de madeira ou 
:4uhtftÃncia com que esse intervalo se tapa, ou cerra, ou 

Âisbu ilhò <• um buraquinho, que ^e abre, um •fiirhtho 
rwioQdos cAron com tanta propriedade lhe chama a escritora 

uio outro» substantivos de estrutuni auáloga. tais eiró. 
t ptiTo acreícenta-Ibe um a no singular, e a este -es [mra o 
i7A^, Hhoiieii. forniam que também vemos escritas. 



• TArlngalU. l. p. <tU. 

" CitvurrA LrsiTAXA. i. j.. tt».». 

- i. K <Hr»lin Paini-^nil. Sysmxtmks latiks, Pariu 1853, n." 19tí2. 



iluminador 

* 

Como termo de tbeatro, Dão apontado nos dicionários, sij 
fica um ' individuo que tern a seu cargo acender as luMS*. 



miS, iman; iniiun, imumot eiuamo 



Um vocábulo escrito usualmente iman, e pronunciado hnat 
tem áwis signiliravões eoteiramente distintos, e para qualqufl 
delas é erriínea a escrita e a pronúncia cuovenuional, ito 
que o fK>vi> DUO conhece nem uma nem u outra, e a palavra' 
estrautia para êle. 

Coinevarei péla primeira que o Novo Didcionàbio apunta, 

Nesta arepçâo o vocábulo provém do francês nhuini, 
Utiiu adamanteiu. acusntivo do adamas, 'diamante», e ^s 
dissilabo francês, que actualmente se profere èn\ã, pronuncíuvan 
autus em tri*^ silalias aimauf =^ aí-mã. Ora. coiuo o acen 
tiíuico, tanto lio francês ainuint. cnmo no latim adamantei 
recai na sílaba -mau-, é evidente o erro de o passar para o t 
tman, como lamliiMn o é pronunciar o » distintamente, em 
de se uasitlizar com êle o a. A pronúncia, pois, c a escrita 
tuguesas devem ser inUi, o a todo o tcmj>o é tempo de se faz 
a currecvito, visto que a palavra nunca foi, nem é popular. 

(I outro iman ou tmnm é niai:; moderno ainda, e bã hesita^ 
(-tio em pronunciá-lo coui o aroutu na primeira, ou na se^^unda 
sílaba. Ã escrita com n é absolut^menie errada, como o ó ft 
acentuaçilo na juimeira silubii: a palavra é arábica e tninscrevív-a, 
confúime o método aqui adoptado, du seguinte forma* aímau. 
cuja pronúncia é imáãmr, 

O maiH que prid9reiii|B fazer, paru contemporizar com a forma 
afrancesada da palaviti, é acresceu tarmos-lhe um t final, lendo 
imume: o mais cordato, porém seria regressarmos à forma an* 




^po¥tiÍa» aoi 'Dithuário» J\rrtuffueitrM 



b{a (kortugnesu imamo, qne Uluteuu * rejjgta. ilando-lbe o sigui- 
ftcido em cerifi modo exarto do— ■principiil z^ladoí* da lei do 
Uiifiun)!* — ', ou a t^scrita iníiis desviada emmno. dos iiossoá 
wInUM autigo:i. Ãásioi. tic4iri^Qj 03 doiã vocálmlús laiii perteita- 
BMte distintos na pronnuciaçdo e na escrita, como o eão na 
ficando un mesra4) tempo reilo;; iiiubos. V. si'\l)re 
'■ ;.j...Lj a IJBTtKJaAFiA Nacional, do autor ^. 

imajiDaria. iiDagioeria, imaji^tioa 

O Xôvo Dkxiiixahio rejiata uo Siipluiiieiito a lorma imtufi- 

Hrriií com u se^uíníe iuterprotaçãn coujfctuial: - «piwlucto da 

.Hvâo? pliaiitat«íu? capricho? — v iiboaa o vocábulo com tiin 

d*» Vida nu AiicEnispo Dom Fuei Hauthmimicu dus MÀa- 

•1- Fivi l,\i\ti dl' Sousa: <capa de l»rooado de três alto» 

roit d*í imaginaria» — . i^ucrc díz-cr a palavra «figuras 

.kí liordadas. oa pintadas >. o que em francês se dedoraiiia 

"■'^ í i'^e que imwjinàrio p o fabrirante de imttfjens; 

: Ml) paru liu»ÍUir u*y suutidu drslc \'ijc:ibii1o. 

idj**cUvu imajHico é um infeliz upúlitjisnio. |h)Ís d(> ima* 

! iuiii},ro, iiiia^iniâ), o qui' si? poderia d(*rivar fora 

.1 uidlior hnajintco: — <e os [azulejos] da fnuida de 

Seuhura do Cabo, em Cezirahra. constituem a mais adora- 

*ri n^rrmentaffto iroajotioa da lenda » — *. 

impedido 

£iU particípio pattaivo do verbo imjmlir aplica-sjo. liubstau- 
rfii. tt praça qae está afastada, do serviço yí^X9\, para licar 



rUfinHZ m LATINO. 

^, M&MoiRK sra 1.9& Syf«i cko^kks kt lus 
^N*. FiirtH. ItíTtl, ^. ti«; «oflkíim», ericiimi*tf. 
^...-^. ..04. p^l40. e nou. 
• PortasalU, 1, ji. JJ90. 



ApoÉtilait ftoê Dktonàrioi Pwiugutftet 



ao de iitu oficial, ua iiiiulidade de camarada, como íaml 
se diz. 

Em jíria de fadistas quere tlizer «amáxia': — «La 
OorAa e o impedido. Aquillo è que b um governo* — ^ 

império, imperador 

Nas ithas dos Açòreã assiiii se deiiomiua «a casa aru 
pa*i a ocasião, onde. uas festas do Bspirito-Santo. se coloc 
wiroa num altar, depois de ter sido bcuta na igreja. A cor 
geralmeute de ]>rata, e rematada por uma pomba. O indiríd 
que G escolhido [>ara levar a coroa à itjreja chama-?e hnperaiJ^ 

Esta infonnaçíio foi-me prestada pelo escritor UodritfO AIvm 
(jruerra. natural da Ilha do Pico. e couliccido autor de primoro- 
sos coutos, referentes ao Arquipélago, publicados ua revista li' 
terária do jornal O Século. 

— • O vestuário varia de império para império, segundai 
rapricho do imperador, ou do eostumier' — *. 

Imperador se denomina a personajera principal, adornada i 
coroa e manto, que fi^iiia numa procis.são« que sai do niostc 
de Xossa Scnliora da Vitíiria (Batalha): — «Batalho. — Este ; 
Dão hn imperador sendo organisada uma commissão, a fím 
levar a efteito aquella festividade» —'. 

impuza 

Nilo sei a orijera, nem o significado exacto d^ste vocil: 
que vi empregado, como usual em Í.'astelo-«le-Vide, no tr 
seguinte: — «o mal que atacou os gafanhotos seja justame 
a/|uelle parasita (a impuza)» — *. 



* O SEfiri-o. .Ih , , .ie líKlI. 

* O fÍBcrijO. dl' li «lejunhii (\c llKK^. 

* O Sbcuijo, lie 20 du aguírtu de IW!. 



AjMíMtiiaM ao9 Dieionúrion PtyflugueMtíl 



It 



innjito. inepto (apto) 



a I)icx:iaxARio L'oxtkmi'oran*ko rejistou amhoH ê.ites vorà- 
rom síj;nifir4-i(òeâ utiiilogas; nms o primeiro 6 um harha- 
ntUt «íotiiii, pnr tima rí-jrrii cnnhpciíhi em mortolojía latina, 
a de utii radical sk vntVuqueoe lmq e tius sílabas fectia- 
4u por conBoante, ou antes d« r, e 6m / Dai; outra» sílabas aber- 
tas (|U{ti]do di*^i*s radicais se formam derivados por prcrteso: 
'*■'■*■■ miMin, n idea oposta a aptn, aptum em latim, õ inrph, 
im, e nào, inaplinn. 
SemeLbuutemt^ute^ de 1'aoio, factum temos conficiOt con- 
ni. dp capio, captum, incipio, ioceptiim. de casttim 
mm, em português rasto, tnci"*bt, t? riAo iurmto. 
Y3» aqui um tixemplo em português, no qual &e pretendeu 
'ir conceito, e nada mais se tez ijue uma tautoloíia: — 
.'■ (unlquer modo bito-de produzir abortos na soriodado [meni- 
Das M(irad;\« cm convento], ou seres ineptos ou seres íuuptos • — '. 
ft mnit^t duvidoso que quem isto escreveu tivesse idea clara do 

fl|r <)uería evprímtr. 
de \ 



inyo, de^in^-o; iude/. 



O irabfitaiitivu rizotfínico m',v>i do verbo hi^ar \ indiciarei 

bUa «m tferal dos diciouárius português**». D. Carolina Micha^lis 

de Vasooncelua cita uma frase, de inutber de Valpaâsos a quem 

' f>'rída A dificubliide que bá em exterminar os gérmenes 

daniiibos: — * sempre fira inço> — , isto è * rest<), 



U Núvo IhixioKÀBio rejistoa o termo, como algarvio, no 



> o ÍJBCfJU>, ilu 24 ^\v f^r<-i8t0 lie líKK). 

xxtx, p. 0()7-in7, V noiiie«<liitii«nt«. p. G08 « «tlO. 



sentido especial de— « vpfriíUes que na ceita, ou era outro co^ 
se deitam illesos para fnictiticarem c reproduziíe m-sc - 
finiviio citada pela ilustre escritora a quem nic releri. coujiintA-' 
Hwnta ciiin miiitíssiinas e preciosas erudivões, uo artigo apoot 
em uota. 

iJeithico, substantivo verbal de fleítinçar, ê o nome <}aa 
Trás-os-Moutea se dA ao pente ', (|iie geralmente se cliai^ 
penfe-turúdo, -para limpar a cabeva*. cahendo-lbe êaie úUti 
uome por o intervalo entre <]ente e ilHute. muito del^^adoa, ser] 
queníssimo. 

O íHiuio primurio de inçar v (miiim) index, -o Avo qua] 
cobfca em qualquer lugar certo, para que a pilínha siga ac 
lugar a postura^ cm vez de a dispersar em sítios recôndit 

l>e index, no ucusativo neutro, derira a rnesma e«'rÍtora 
palavra indei. nndc*, ou tíndee. cunlorme as localidades, usada 
no mesmn sentido em portugai>s, ou substituída jtor aninkiuiotj. 
 deslocavão do acento da primeira pura a segunda sílaba af 
senta certas dificuldades. *' certo, mas nãn invalida, a meu 
o étimo proposto, principaluieute porque a par existe a foriua 
guiar thtdrs, dela inseparável^ com referência a ésae ^tinio. 
acuaitivo comnm indícem tam pouco explicaria essa desloca^ 



índigo, anil, anileira 

Muito jço<l*niament€ introdnziu-se na linguajem científtc 
termo indiífo para designar a planta, a droga e a cCr. R ' 
em portngués se chamou anil, quási desde os inícios da liugniT* 
xuas principalmente depois das nossas relações marítimas cou 
Oriente, quando ôste termo arábico ali conlinnou o sou uâo ^ 
português. 

O termo in^igo principiou, creio eu, n usar-se para desip 
uroa das cores do prisma solar, porque assim tlie cbumaram 



ih. p. 613. 



frvKMM (itufigo, pronunciado êdigò), visto que os coustituiiiios 
jmi» mrslri^ etu l.<wloa us desproiM^sit^s. 

[Ciimo *« tratuvii de còrea itii|K>i-ou a inlIiiémTÍa do aroo-iris. 

do arco-da-velhu! ^ueiii ]»riai4?iro empregou cá aquele 

é pr«ivávf'I que \^fm soiihe^íse que c(\r ora aanim em 

nfft i|pDt)inÍtiudii, ntt escrita. noUv-se, porque Imuhéui lá não 

do vul^o. 
N'a (hhzwvK i>is Aldeias ' surje porém umu novidade: jn 
^l4 é étufijfo, é intUgo, a rimar cora umbigot K tanto, que quero 
'U foruju extnivaganto, para que todos assim leiam, 
i-.-iudfv-o no ^rro, foi routra os ['rincipioa de uceutuuviío 
mÍBUciosi«uiiiuia adoptados na dita puh]icai;ilo, -pois a pm- 
MCM ittíUíHi re;stiltaria jú de o vocábulo uâo ter aoeuto marcado, 

yr' • mípcrllua a marrafiU». Nilo se pode levar o erro ft 

I. .ttioo, poií em duiw rolunus o jieouU) no segundo i 

\iv\nf. as vezes que a [nilavru foi repetida, nada menos de 
náo e!Ji-api>u alguma du curtt;i. Os potico.s dieiouá- 
|ii . iiieui a palavra imUijo acentuam todos o primeiro 
tudícarein que o vocábulo ê esdrúxulo, como oonvtím que 
apenas forma diverjente de ímiieo. isto é, «dus íu- 
.... anihico e anihií/o}: sendo imica excepção o Oicxiio- 
in» Manctaí. Kr\utMA>oic(} de Fmneísco Adolfo Coelho, oudc, 
tAm crn^iM^ nem pademiw supur o coDlrârio. por í^rro tipo^i-á- 
larec*' a acêutua^*ílo indttfo. A planta chama-se anileira, 
palavra mfHÍeriia. 
Uotn sio^ularídade ê o emprego que se faz, ijíkitiesma uti- 
|mblK-av^'> periúdifu. du termo violHe. para traduzir o 
no/W. qaatidi) ii palavra portuguesa usada em to<ln o 
BV por quem nil» ftatte fraucí^s ó rúiro. para todos os matixeâ 
\cf)it eatre o u£ul e o encarnado: violete não é nada. e viôleUi 
- iiip de uma Hor. 

irem eíltw turiueucias do arco-da-velhu, difundir- 
lilo em brere nos Un*08 sérios, em vez das expressões portu- 



1 Ar ISdfagtiftod*' luas. 



M 



ApOÉtilaM (los OicionárioM Portugrieneii 



guesas itnrth. mnl, rOr tir romà, as palavras frannesas tjrí 
bleu e j/rffta/.us quais Itom seria Hcaj^spin detiiiitiviniieiite, (*on 
o índigo e o violêie, a esmaltar ;i liUruiura barata e o estilo 
cainpauudo e almiscarado dos folhetiuistas e noticiaristafi 
Jorutús diários. 

Anii é a imlavm arábica ak-kil, deorijem indica: nJl, <i 
ferrete » . 

iudiina 

K termo da ÁlViía Oriontal 1'ortnguesa, e In^lpsa. pvrtí 
ceiite a »ma das liniJiiiis calViais ali faladas: — * ítuluna — graiw! 
chefe eutre o^ zulos. Os ingleses chamam iuduna^ a todos 
chefes na AfricA Austral, embora não sejam ziilos» — '. 



Íngreme, ingrirae 

Há ialvex dois anos. iin] filiílogo estranjeiro. qtte se ocupa do 
ustudo do português, proguntoií-nie por escrito como se deve- 
ria pronuiiiiar este vocábulo, se com o aceuto oa primeira, ou na 
segunda sibiba. Nunca tinba iwusado om semelhaute cousa com 
a devida atenytlo, e solicitada esta para o caso, tive de resjiou-. 
der-lhe coiu um subterfnjio — que os doutos dir-em Íngreme, e ©"* 
povo, hupimc: e muis uão disse, porque uada itiiiis sei. oem 
achei nus meus livros explícuvão que valesse a pena compendiar, 
com exeepçAo de uma a que já vou referir-me. l)i»s«-Ibo ainda 
que a orijem desta palavra. (|ue eu soubesse, stimciite portuguesa,' 
c enteiraincdtc <lt\sconhecida. 

Dom líafaí^l Hluteau, uo st*u preciosíT Vocauui-^rio pohtu- 
ousz B LATDfo, tra^ a palavra INGUKMK, de que não dít a aceo- 
tua^>ào, ao contrário do que fax us mais dus vexes, em três acop- 
y(M« distintji^, duas naturais í a terceira titruruda: — • muj' 



% 



Axcredo CoatJnhn, A campamía ix» H\nx't, r.v VMi. 



Apo/ttiOu ao» DirifmárioH Púrtuguese» 



lâ 



íimlo t* difficiiitoso de sobir (fallando de camiulios, lascadas); 
i)f>: aijtadli] qiie oâo tem dantes, mai uioa ru\x, a 
■í <*í»oIa iioqufDa' — ; e por fim, a terceira —* No sen- 

val o laesmo, que Nu, ilespojado du toda a 4fleiçilo, 
I anwr próprio > — , e aboua-se com Frei Tomé das Chagas, 
< tif:\s K-tiHiTCAKS, t. II, 107. 

I^ani ile.su aee|tvãi> tigurafla uma abouu^ilo d« que tomei 
Mti nas minhas l(^itura.s: — «G sem embargo de tudo ist« o 
t*irif 'Fnincisff) Xavier] se embarcou uesla mesma jiao para a 
; •; bem diftereute do que niivera de jr se fora cam 
1^1 1 "\ra, mas elle licou em Malaca, e a não toy toda por 
'erd do capit&o. e dos seuá apaniaj^ruados [q, vj, e com capi- 
t;.- [.r.4o de sua mio, e o padre foi iiiírreme. sem autoridade 
•nuituo, lis esmolas do coutiumestre, e sem levar outra cousa 
I ma t\m só bua loba ijue levava vestida ■ — '. 

A primmra- acepção p*>rdura ua liii^ua inuderna, a terceira 
t^^M*»-»*, i-fitúi eu: ignoro Sf a segfirida subsiste. Xada posso 
.n-r quanto à etíraolojia. 

Iju »|ui aJiouavões do .tentido material do vocábulo: — • iu- 

^ -fí mato iii);re»ie e espes:<o que estava na ladeira 

jtdo de todo muito iu^Teme» — *. 

nVo intfreme esiste ua America evpauhola, pelo meuos 

iT r na Itoliria, l"jui a forma imjrimo e o si^iticado de 

— -iii*Ow de*4Jii|iaraiJo ' ^. A respvito dele diz-uos Kuliuo José 

»í — La vo/. i/rima vale desazou, miedo, espanto, y entre 

^ »r usa vD rru»e5 como ^ da grima ver tunto deÀpíltarro '. 

II irrinja*: «•stf com|dem"'nt4> en ffiíma cn Itlerfa 

II *e lia roDvectido eu el adjetivo Hr/tnuo y < estaba 

liárbEU-o & todas laces» — *. 



r>Ttuun M-mãKt Pintu, PbrrukinaçIo, cup. (tcxr. 

•icj Miuítimii- . in ^iBU DB clássicos pottTrnyB- 
i. Jiu, 11. <J7. * 

\ K.li'^ rrui I Ilíjw, \m:Ks idA&As B« 1'nii.B, HAntiAifo, 1ÍK.VJ, 
' ' - to)tiM titiTMv^ Honiit: ei. Ltesoi ajk boootamo, ho- 



lii 



Aj/antittM aos Dieionúrioà J^trtu(ftitseS 



\J AteiiU a existê ncia do aiijeclivo iaiitorm« iriffienic em 

tiiguóíí. cora fiigiiitirayrio nnúloga, como vemos pelo passo *!« Pa 
regriíiuçâo âdu/ido. é claro que o douto bi^punista uflo t«m ri 
na i'('iisui'a, forun também iiifí puiecí» que a não tem na orlj 
que dá ao vocábulo: o que. ^feja diU). raríssimas vezes Ibe sue 
Por outra parte grima nfto é palavra portuguesa, e niio é JAÍ 
que de m-fjrhiirt se fomiaase iiifffinto com deslocaçào do ac 
iujustificada. O adjectivo »• portanto puniusular, oouquant 
Dicionário du Academia Espanhola o não apoute* e uada tem] 
ver com tjrima. 

ingrês, ingresia 

A se^aitida de,st;i8 pabvras quere dizer «linguajem conf 
que Se uuo eutoudc', e é uma forma^áo análoir*! ú íie^ard 
ou alijaravia [q. vj. Antigameute uSo se ilizia iwjUs, ftí 
culta, entrada artiticialmeute ua líugua no século xti, cov 
vemos no» Lisiadas 

— Vede lo dnro Ingtõs qne se nuiiiva 
Rti iln velha tuuitÍKsÍiiiii diliidc 
Qu<! u tiirjic Iiiiiuiclita «-'iiitorisi: - *. 



A forma usual e usada era intjrús, coroo o eram Fmn 
prantar. ao depois Flandres, plantar, como o suo uindu hoj* 
jneffo, citólelliauo iiUeya, branrtj, cast- hlatifo, cravo. cust. clavo, 
latini clauum; u&o é portanto corrutela a palarra iwjrctia, 
— «fala de iugrp.-tes ou ingleses, tala ininteligivel » — . como diao 
DiccioNABU) Mamai, ktvmoi-íuuou de F. Adolfo Coelho, uiaa 
um derivado reg-ularíssimo da forma jmrtugiiosa ])erfeitajiieati(i 
lejitima iw/rõs. visto que os f(rupos de duas consoantes, a se* 
guuda das quais /. ó de adopção artificial, e muito posterí 
oríjenct da língua o awas primeiras ovoluçòes. 



t CftDto ni« evt. ir. 



AftinUlti* itó9 Dicionàrion í\trtuifufíw» 



iubiiliucu 

Tenoo da Áfrioa Oriental Portuguesa: — «O Paielay fei 
«VTÚr jan se agreg:iri.Mii á • g(ieiTQ>' 5(> iiihabacas (monbrâ 
Yf rj nobiva)- — •. 

inhacuana 

' InkitruitfUí — seulior de turrn de um prazo, verdadt^iia 
1 antiga eotre os pretos, regulo suzerano ■ — *. Na Atricu 
jui^-.rul; é caíríal o lermo- 

iiiterestiul 

Í^Ma AiljtHttivo, derivado do substantivo interêsííe, è dado 

Mipo •uittpo DO NOvo DiooioxÃaio, com a sigDÍfícayâo de • íd- 

l«rriíftiro>. tíil \'ict<nte. (tornin. eraprogou-o uura sentidn. qutj 

I.. ...?.. .i....hiim importa a coitâtiru ijue está incluída uo epí- 

<o: — 'pola gloria íuterossal dos coméiciot{> — '. 

invpDyAo 

Invcnv^ríi se í^haniavaio os enildemas e as repmsentavòi»** 
tfiguru^ tnianescas udjuntiiâ a eada cla^e [popular, 

inveruinluiii" 

r — «PurtAuto. em cudu atino n^uma Ana folhas de «raiitoibo* 
d« •s>oiuío> ~a do inventadouro as mais das veze» » — \ 



■ '"•(AS, tlc 17 lie k'ViTt.Mr.1 i\r iniltj. 
"i C\lir.V\UA DO B*KIl!l KM ] í*02- 



ia 



Apotttilwi aos DirionárioM Porltt^tteneê 



invemeirH 

Kiá aqui uuta aivpvâo muito curiosa deste vocábulo, quA 
geral é tomado no senfido de invernia: — -Se a ventuuia, 
rém, é violenta, e com oHa o abaixameuto da temperatiiru coo 
tiieni um fla^ello... uuidam-sv as r^sidi-ncias [eiii Castro-IiUtl 
reiroj para as ioverueira!!, oulras babitavões situadas D'ti 
vallv profundo e abrigado da tormenta. 

[Nota] ('). Alfredo dt» Campos. .Iouxadas km Puhtuoj 
teatro Laboreiro, in «Jornal de viaíçciis e aventurai <!»• t^'i 
e mar», iv, p. ô3, Porto, 1881 » — ', 



J: ji. jota 

Os nossos dicionários iiiaÍ<M'es, saindo sem nfvessiiladi' dfl 
limites da lecsicoLuijiu portu;;uesa, para entrarem nos da tiloloj| 
geril e até da paleografia, dtfuudem. por falta de snticiea 
preparo, doutrinas erróneas, que ao depois se jiropapam, e 
lODvertem qnási eni ussiomas paru a maioria da ^ente, Assij 
fuzem-se longos arraaoados sobre — o Jota e o / romano — . 
díxia Nicolau Tolentino, e a verdade ê que os romanos 
conbeceram mais que uma forma, a dn i, como tambi*in 
diferoui,ara!n nunca o m do t*. escrevendo v em vez dystas dil 
figuras. Qae havia para eles certa distiuçÂo entre i vogad 
coosoanle, como a bavia eutre v vof^ e r consouute, «í fã 
de dúvida, visto que os gramáticos, entre êles l^uintilionoJ 
essas diferenças se referem, e com e-ipecialidade a ri^spcito da 
advertom não ser êle jamais cottsoante em gre^o. Kfectirameii 
niio HiS it / antes de vogal conta por sihilta distinta na métr 
bnléaica, mius receli^ o arvuto t^^nico dt^ntro das leis que u rejfl 
na língua antíj^ se os gramáticos de Alexaiidria formularam 



1 PortiigAlÍM, 1, Os rA^.Hll:lltos do liitokal, p. Hl. 



i t^yrx^, como parece; o que é confirmado ao compurívreiD-s« 

gr^f^os, aceotiiaiios todog, rom os luiiitos que uo sáDB- 

rv«ebrfu o udatti/ou âctíiito prihcipul, <-■ aindu pela 

"inl das paliivm^ nntí^as. qup pcrdiiranim iin ro- 

iiiodfiiio. p'd <(iial lia iiiainria doH fiusos persiste. 

'■< foa^ (jiiv diimos n<> j c ao r uão crain romanos, desen- 

ai» depois: o i o o v, ^latido consoantes, tinham 

..; fLs vaI'»ri'S do / de mitim-, do u de àtjtuí. um portii- 

sím oMjinlif t)itÃ8Í toda» iu lingim:t que liHrdamni o alfa- 

» Itossuiretn j e f, ventadeiras consoantes, diferentes 

'■ ' rescntaçAo delas foi sempre hesiitaiite e promíscua, 

.1 a <e invenlariMn rertoií exptMlientcs ortojjrálicos 

i!iu «usos eilreiuos, «las »« distinguirem. Rticrevia-fle ti im- 

•■nil. f em eomí*fo e meio de palavra para slgni- 

, IS de i:oD!íi>antp e Aí inicial para representar i: e 

M e t'. II figura V «ru a inicial. U, a medial: qnando 

indicar m inieial e^Tevia-^e hu. Isto durou até tius do 

tviti; e ine:4mo quando a dislin^tV) rigorotia entre i v j. 

futiu Jà. ainda nos dicionários íi^iravam em uma única 

ikbétira u « v pm* uuia parte^ i e ; por outra, o (|ue 

■TTar, por exemplo, no Voíalmlãrio de Hluteau. Veju-se 

Ibv a palavra Jftchi, na qual me referi a uma teme- 

> áfiniiavâti u errada couelusno, em nm livro moderno, a re.-v- 

d*» tíFAÍiiiA u e f\ 

jaca réu 

1 l»'rinii pt»puiiir dn teriir» ^f/cí/n; mas iia 
.1 uma rasta de sanliulia, qne i^e Rera iio 
'<ln [«alpií^da} antoii com há\. 



JBgre^ \ik%tú^ jií^^i'^- xágara 



[Hl^ iifxinio di^-no» aer este n nome do avúoar feito 
;Á<<ía- H íe«trita de mai» a deHniVi^P. 



20 



Ayotftiias ntu Dicionárian Ptit-lttffurKM 



Kis O que a ústc respeito se U do Olossário de tennos au 
glo-índicos, lie Y'iiK* & Huniell; ' — • Avú<'iír inascavaiio (ou quásí 
preto), feito (ia seiva Ue várias palmeiras. A tamareira lirav» 
{Phit*níx íit/lveifiiif, Hoxb.l, em iudostauo khc^fir [sic] é a árvor» 
qut' iirincipiilmunte produz o açiuar de palma no On/^irati-, era 
Choroinándol, ti u t)eui dizer a iinieu luvrada jiuru êsjj» Dm cm 
Bengala. . . O coqueiro tanibõm a dá. . . A jagra fabrica-se gfri 
ralraent« em piles pequenos e redondos... A palavra ^a^ra 
[jaggeiy] dão ê mais que uma forma da jialavra arúríir, Bendo 
anibas comiteha do sáuserito xaRKaaii. em coucaui naHurn • — 

Outro escritor inglês ministra niais as seguintes ox]>Iicn(õe«s 
— '.rarlarit, sáusorito, passou às línguas rernãoulas por inter- 
médio do pnícrito sttÁkaru, u delaá proveio o arábico siikKa&» 
deste o tatiu medieval sucara, por ama part«; e por outra 
pulavra índia produziu o grego 3\KK'.\Boy. que deu o latim 
saecharum» - -. 

Ao Dr. Ciaiua Pinto devo a seguinte informação: Jth/ara 
jttfira, açúcai* mascavado feito da seiva do coqueiro (pura), 
também de eana. Kste ultimo é maia ordinúrio. \i,m Goa difr- 
niam-lho go<i. 

Vê-se pois que uiio é feito doa cocos, fruto, mas do cotm^ro, 
árvorft. 

IHuteau deu as duas formas j(vmra e jagra, mas deliuiu, 
em parte erroneamente, decliiraudv-a feita dos cocos, e só iirerlou 
«m dizer quo tambi^m se faxia das palmeiras. 

A forma xátjard. mais exactn, é a que dá Ihiarte Barbosa ', 

Veja-se também a edi^ào, feita e anotada pelo Conde do Fi- 
catbo, dos Colóquios dos swplks e bboiias dà Ikoia, dií 
Garcia da Orta [Lisboa. 1891, i, p. 236, 238, 246;, douda ex- 
traio aqui o essiMHiial: — 'K depois que se tira eatn vasilba da 



* A G^LOSSAaV CP AnUIAJ-LndI.^N fX)LI.0<4UIAl. WORIig ANU PBKArilfiK, 

I.o«dn's, 18Hd. j». íilO. Bol. II. 

* Liàuniau. Sanrkkit-rkaoek. 
' Livro d<! Paarte, ti." vn, tUs Xoticiab para a BiSTOiítA r obo* 

OHAPLA DAS XAÇÕUS ULTRAMAIUNAS, Ltsboa, 1813. 



AfHatittm M<Af tHcioiíáfitm Portutiutrw» 



31 



di muytOt tinim outra de que fazem açucare, einha.ste- 
I »> wl oii n fogo, n 1411»* se vMmns^ jiujrn : e n milbor de todos 
<^- Mias di> MuldivA. e este liâo i^ tAo preto como o das 
•iji • — . Aiitwí a respeito du cura dissera: — «Fazem 
iiiao«ira» tie palmeiras, bumas pêra fruta, e outras pêra 
[^uni* i|UP Lf vinlio juosto: e (|iiaiido \w cozido, diainam- 
\ím; e estas de rum, se as querem pêra iss<), cortam-lhe 
calioií. e utam-lhe alli as vasilhas, donde tiram a cura* — . 
Mau rlaraineute se vè, por esta deacri^-âo. que não é o fruto 
' i* i^í/**". ou aç-ucar de palma, mas a prúpriíi lirvoro, 
auCo a dctiuiyào. tuiito de Uluteau, em parte, como a 
'drtNOra tlicr., nn lotai, é iuexarta. 



joja 



A V..V.I n"--i..N^iiio inclui, precedido do asterisco, sinal de 

lo, e detine-« assim: — '(infantlil]) Nome c^m 

m itciru-tíaixa, faluttdo-se a criauvait. tie designa o fato 

í^ii- ' 1 jajn tu trazes hi>je!> — . João de Freitas 

o IN t- eiud)tJ5simo literato v comediógrafo, na- 

toril lU ilha da Madeira, cita-me, como usddo ali. o mesmo to- 

unm Metiiido imonr.iliável com aquele; pelo quê, ou 

lo dada paru o Xòvo Oror, foÍ erradu. ou mal euten- 

iiipln, 011 então há doiíi vocábulos distintos entre &!, e 

T' •>' reduziram ã mesma formo. Ka Madeira ></<' ^V^^Xfi diuer 

'_ idura». 

• ' conjecturar srthre o étimo, ou étimos da dita 

fanu. 



jalue 



O SòTO IhoDioxiRio relaciona com o Irancê-s^rtMMí', — < nnia- 

'- rdooiiro* — , a palavra anti^n /í/íní=. que tem H mesma 

', dando-lbe coui» vHimo o latitu (fathnutm. corres* 

te a iialliaaam, de gallms. os quais todos signiticam 



Apontilan uuM Divurnàfinu l\ty(H^Hr-^*ii 



< verde aniaielada > : piirece, iiortauto que o epíteto < cAr de ou 
6 pouco adequado. Por outra parte, do latim Kiilbiniira, 
galbum, idêntico ao alemão ffelb e ao inglês yeUow. não po 
resultar iuiedialauienttí o português. yflíiw', porque o g anlcH d< 
dAo passa a j senão em fraucês; íteudn porluato pani o |K>rtugi 
jalne étimo imediato o fraiicès autigo jalne. depois jau\ 
jautie=j{h}r. liojc Jaune -=^jôue. 

1*. em jardim, e sõbru a identidade de gefh. galbiim 

grego K'1^(U)0S, Augusto Ficlu VKRni,KIL'HKNIíKS WòBTEHDU 

DRE liíD-xJEBMAytsoiiEN SpavoíiEN', Gotiogue, 189U, p. 4íí< 
Miguel- Hréal & Aiut<'dio Haillv, J)it>Trio>íXAiaE ín:v«oM>o«j 
LATiN, Paris. Iífí8r>. suh v. flavus. 



janela 

K pm deminuttvo formal, evideute, do latim ianua* * por ti 
o qual faz supor utn» torma ioteimédia innna: c^mo jat 
prou^m direoUiii ou te. não de iauuariuni, mas aini de iam 
rium. por asãimi):içâo do u^ consoante, ao ». A forrua ienx 
riurn existiu uo latim popular, e foi transcrita para grego 

(fKNMAHES '. 

Entre ianiia, * uberlunt da portas e ianuurium, 'janeiV 
não M a miuiioa relavAo, visto que ianuarium se derivai 
Janus. «o deun Jano>, procedendo ésie de Dianus. fnrma 
cutinu de Diaua. 

.Merece a peoA lòr-se, pela disfarçada ironia com que RU 
moteja das duas elymolojia-s fxlravagaiiU*s. pro|K)stas por Man 
de Karia paia este vocábulo, o artigo JANKLLA. no VocAuri 
Hio. Xflo o tmnscrevo fior ser muito longo. 

Km Caminha, »• noutras partes do Minho prnvãvelrnentc, 
nomiimm-se Jínu^his * as [>ortas de dentro das junela^ » e 



' V. Kiiiriscimit .lA)lltI':^l1Rttr(;HT KC* iilH FfMiTãdHKrrTn 

KOMANl!«l*HKN I*I1II.0UIM)IK. V. t, |>. 'A<i'l. 



Apfatiíoi no4 Ihtíhnáruft fííHyjjursfS 



•ii 



« abertura ilftas. ou elas próprias, coriesponilemlo portanto Ast*» 
nctlmlo ao que em east^lbatio ím> chama hojas, « falha» *. 



jfiniiadim 

— »(> tenno tli* ;irr*-'jn;u;ii,';irt a que nos referimos, y o tlocu- 

ftato o /ViV-y mais autÍ;;o que diz as coíidiçòfs v.om que o-; reu- 

4(irM do Estai]» a(Ínuin3ti'ar[iiif os rcflditos pubticoít. ubri^iiii- 

( tender os rinhott oativos do cajury (iirraca. valium e do- 

!... a 6 janttítdhm, [Nota] (*). Janiiadiíu equivale a seis 

fw inii}foii ou 2 rèh de couvenção» — *. 



Japão, japJo. japfles, japoti. ia|Mjna, ju|>ouêá, (a)japouefwr 

A loruia, pi'la qual o nofnc «ia gmiide nayão asiática é oonln*- 

«•iáí> na Rnropa. foi dituudida pelos portugueses n»s séculos xvi 

t XTij. época em qqe ali exerceram comercio e tiveram aljíuma 

cia. Rs8u forma é malaia, t)aPAA\ * e uâo chinesa. 

-iiitrnu: e hAo assim outras muitas ijtie para a Europa 

|H)rlu^nieses transmitidas •', por ser o mahiio costeiro 

« bnsiifl geral uo sul e oriente da Ásia. Kstabelecariím os portu- 

pi»4sf Hseritu pTt'pria sua para t;ris nomes, a iiual predominou 

qiuiito as nossas reinv<tes dururaui. Suhstitulu-a depois noa 

DM jii|>Duese« u e«rrita holandesa, que pela sua paite foi posta 

hinda, suredHido-lhe a inglesa, que é hoje quási a oticial no 

>»rio do MicAdo, para a trauscriyílo europeia, que ali mesmo 

em reluv<'>es internacionais: u é esta transcrição a que. 



* F. X. Knikr«t<i Frmándfz. O RsniMBN i>o nAt. ahkaiiy r alfas- 
k«t XA Iirni4 rnKTfnnnxA. ih • Boletim An SociMndc Ac Ooo^ntphij 

I». «t.* N.rir. y-i-KK 

* U. \n\*i, TaR MHtn nf Srk Mahoo Polo. Lundrex, li»75, p. 234. 
íiapd. 



u 



ÁffitlUas aoH Diehnàrioit Portug^ueen 



iniiis ou menos alt^^nidii e aoonindada iis feijões i\v. cada idiomfl 
prcvalocií na Europa; com e\cet><,^Ao <ia Aloinanha, onde, luaisj 
patríiUicos. mais avisados, e também mais Siibedoros. os seu 
cscrítorcB criaram transcrição sua. devida ao contiorimeiíto 
ud*]uirirani da Iiii};iia japonesa. 

Ali, quem dita a lei nestes assuatos é quem sabe: aqt 
quem ignora. 

Nós, os piimeiros que exrojitámos meio de trasladar as 
UTis japonesas a esrritu romana. at(' met<Mlica e diacritica, 
exactamente aqueles que pusilánímenient-t* iinitamot^, a cso 
sem critério, as escritas estranhas. Triste fadário! 

Foi puMioado no DrABio de Xoticias imi conto, portnguí 
símo na intiAii^tão, estranjeirissinio trás formai em que fi^uC 
a rAdo nomes e vocábulos japoneses, escritos cAprícliosameD 
injílesn. ItasLa perfuntíiria mente folhear ííocarro. ou a Vnw 
Í'.MJUE I*'BANcist^o Xavier. de Joio de Litceua, jiura se 
nhecer. ao primeiro relance de olhos, que to<los aqueles iioiníj 
palavras, empregudoij na dita Dovela, foram colhidos em 
estnmjeira. ou t^straujeirada. e estíio errados pant portugue 
Nem com razão se pode alegar que íurarn tirados <]e ohra 
tuguesa, pois a que ali se dá como tal e simples ci^pj^ e tr 
çflo de escritos dt« procedência inglesa, porque o seu autor nl 
sabia Japonl^. e so em curto modo deu u entender, t-iUve?. iiiTo-j 
ImiUriamente, que o sabia, é para iluBdo acreditá-lo quando 
afirniou. se o afirmou. 

l''arei ainda uma advertência ao leitor que tiver a pncii^ 
de seguir-rae neste desabafo. 

Em uma nota ao nJ* 2 do couto, o qual se intitula A 
TBKi.i.A OB Naííasaki. íd csl, XttUf/afisaipw ou Xam/açaq 
como escreuam tamhem, diz o seu autor o seguinte:^* ,, 
supremo poder era representado [nn JapAo] pelo miVado (im^ 
dor) e [telo sbiogun, shoguu (xogum como diriam os portugõc 
ses)» — . E-iXas palavi-as envolvem uma censura iniquu. pois n^sl 
agora sabemos tnutto menos dessas cousas do que eles sabiauiJ 
porque* a uossa erudiyão aparente è bebida eui livrtnhos frauci 
escritos for Uie tnillion. n três francos cada nni. )) anlnr 



J;>mft/(i« anw lyifintiiurUv» Ptrrlttifueêes 



25 



«»W, niíni ninguém sabe, o qiuí os portugnoseií diziam há trôft 

■ listo qw A esse t«n)po aiuda os {^raruoroues nuo thihain 

' t"!os. e lias palavras pelos nossos pioferitlas então não 

na qui' s*í onçii. licou upeiiu;^ a que se v^. Os pnrtu- 

KM. poU. lido ttubcmoii como diziani; satieuios só que escre- 

m, n (]ue todo o portugiií\s pode lar com acerto; 

•jUe vu não sei conio se bá de ler iia nossa língua. 

«Dl nmíorcs expllcaçôoâ tTira nhur^ar da paciéuriu quo soli- 

íítoi e por 18911 vou limitar-intí a algiimii» considcTações gorais, 

tiTiriiveti} à obra qii« tuenciouei, como. geut^rícn- 

, I tudo o gue a impreusa ]ieriòdica publica, do 

iMA t«rapii para rii, relativa Dicule a |«u'ses estranjeiros; e até a 

maior tAmTi e reHponíiahitidade, incliiiudn tantaií 

.lias devidas à pena de esí-iitoros sisudos e sabe- 

' asiininbi-ados dn mesmo precom^eito: que é supor i[ue 

--v»» aMt<)ret4 antigos nem tinham discernimento, nem diu-* 

! : / I ivão bastíiuit^ pam areitarem na escrita por- 

pertencentes aos vocabulários de outros Ídio- 

Mb: i)iMiidi> a verdade é, que éle^ muito cientemente os escre- 
va dí modo. que ns portugueses os pudessem ler^ corao se íi 
Jfífni Uji|(ua pertencfs^fui. 

tui»(u um tanto luu^auieote em tal assunto, na defeca de 

>fi« putrinjiínio. a recordado que deixámos em todo o 

.•^Mrrevermos tantos íioriios com a nossa escritii: ondt; 

ii oii perdurar. í^ubísístv a n<.tssu mBiiiòiia. e fica re- 

jMit il« nonfíi e«;tada. e do!i nossos feitos. rtPois o autor, que tra- 

Wha MIJO paru vulir-irizar os acto;* heróicos dos portu- 

^J«^v ... i|Ut', popubinzando Tonnns estranjeíra.s de nome» 

!. portujfués UuliaiQ fornia, os desiiacionati/a. e incute, o (|ue 

lio de quem o I&, uma idca deprimente, falsa, da 

i.i.idey ^Se os portuRUesos que sabiam japonas, ou 

ouviam bo .lapilo proferir j-útfumf assim o escreve- 

noi. que direito assiste ao autor para os emendar, fa7.endo tal 

«BMil. I > A própria èpocu um que élea o eaci>.'venim 

. ,.. . 'lOi sua defíHU própria, que a ciência de bojo 

MU fia»ei uoniefi, eu teubo apenas a responda r-lbe i(ue essa 



20 



ApoitÍifa« nns Dhionárin» fijrttiffwate» 



tal ciência è de torna-viaiem: o ja]»0)ips prnitiiiicia jvt-fftoi, rotn 
um n tam {muco perroptível, que riiuitos foimloji^itat) suíttcntuiu 
ser m«^ra nasulir^^ào do u e não n verdadeiro '; assim xó-rpim 
AA exai'taint>Dto, para portujrnfseH, a {ironúnciu japoiti^sn-dn norni?. 
contanto que se dê ao r o valor que tem todas as vmcs qu»' t^ 
inicial, como em xttdrez, xanfe, etc. 

(•Como quere o autor que lhe leiam o sen ahogun, com os 
olhos, ou com a lín^uaV 

^;E quando ler mn vo?, alta. o que faz o leitorado conto ^i&ra 
proferir aquele aleijão? 

O autor, se nrto podia, e vê-se que nilo pode, ter voto cm t.ai 
asiiunto, u que deveria impreterivelmente fa/er era copiar com 
toda!] 119 letras os aonies, como eles foram escritos por portugue- 
ses, visto que ]tara portugueses se escreviam outra vez. Keco- 
meudo à sua perspií^ária o iie^uint^ passo da ohra do Coronel 
Henrique VuUs ver^áo e comentário lio livro de Marco I*aulo 
Vérieto: — «Os nora«s próprios nos textos franceses de Marco 
Paulo estilo escritos vva jçeral ao modo italiano. Npnhunm utili- 
dade vejo em conservar tal escrita num livro inglês, de sorte que 
os expresso em ortografia inglesa, depois de ter averíf^ado qual 
seja a melhor leitura déles. [Polo's jirnper names in the French 
texta are in the nutin formed ou an Italian íashion of spelliug. 
l sce no objcct in prcserving such spelling; in an Knglisb book; 
80, after selecting the best reading of the name. I express it in 
Knglish spelliug. printiug Jíii</n.>iuiu, Vn^hiu, Kerman, instead 
of BníUitcian. Pastciai, Querman, and so on] » —•• 

É isto, sem dúvida, o que se deve í&wr em iodas as versões 
executadas com saber e consciência. K se na realidade assim é. 



* r. pOMiim A ubru capital sijbrv pronúncia j)i[>uiu*sii, <le Km«ãt<j lU- 
carlrt Eíwifili, intihiliiln ErcuB enosÉriQrB dr u.\ lasour jAroN-Aine, 

L(p!iÍH, IMã. 

> TiiB BiíOK >w SBR Mário Polo thb Vrnbtias. oonobusisg thb 
KisnbOM:4 ANU Makvuls op THis Eaiít. nfíwlv traniiltit4.*<1 xnJ vdit«d, with 
nutcN and uthcr íllu^trations bjr Colonel Uenrv Ynlc, Bucond edition re- 
vUeá, Kundon, 1475, i, p. iSí. 



Ap'»titav attn DidanãrwM I^^rtui/umm 



iFQuitii iuai< O rlcHeria ser «nu ohra orijiiial, |ten.saiia era portu- 

"bru assuutos purlu^ue^BS. e cuja iuiissiraa iiiforuiavíio Je- 

ttr Mão |ii'AcuraiÍa em foutos itortiiífiif^as da i>p(H-a a ijii*' o 

^ r*-tV'rt', mt'Siin> {Mirqiie ufuliuiiiuxt outras europeias sv po- 

[«ncimtnir »m tal tempo. Foi isto o qne m feíV Nilo: a 

lo ft está a tleraonsírar: toda a iiiformavSo h^i joeira-Ja 

rrívn ««tratijfMro, de onde saiu eivula de barbarUinos ua 

Winii. manchas ijue se evituriam. se com disceitiiiiiHUtn se liou- 

r«»tn pn>cuniílfl noticias nos escritores portugut^ses coevos, que 

foram pniicos. nem ile pe'|ueii:i autnrjdailt^. 

Kara. rartKsima ê •* uhru saiiJa actualmente^ do3 prelos de 

^ln4)l,'at. qu« em tudo e pur tudo Keja verdadeiramente portu- 

ffBrttt; e è con) tal sisteiria peretn'ÍMO que se cuida espertar o 

imT t* \) respeito ao que é nosso! A^âiin o que .se provoca é o 

i: pftrque o leitor corauai. que nào tem temp> nem hiihili- 

oní ajuizar |K>r si em tal matéria, licu decididamente ca- 

fi- que Oá portuurtieses do chamado período nureo da 

;uru eram uos i^norante:^ desastrados, que ueni sequer 

rserever na nomes que ouviam .^s gentes eoni quem por 

■ > lidar.un, e erravam por obtusidade aquilo era que 

i . -auwMubo miHlerno agora acerta cá de louge. 

})it-^ há que aseim He identificam os nomes escritos ã autit^a 
nm 4 ÀiKt lorma mrMlema. 

-Ma* jnodcrua Aude? iKm Inglaterra, um Krauvu. fui K^pa- 
■ilki. "11 lv;4l:;i. ua Aleuiaubii, ua Holanda, na Kâcau<linávia. ou 
ídckIp? l^da uin di^âtetí puises transcreverá a seu modo os nomes 
nrntM piu airuheto>t. HÍlabúrios ou sistemas diversos do romano, 
^(toiiDant«* nii Kuropn. S^i os |>ortugueses. em conformidade 
ma Aste oovú « intercMtuiule método de propa^^auda. escrevê-los 
I ou seis modos difentnteitt e o leitor escollierâ 
,M i.illjnr possa ler em portuf^uê», |)orque neste idioma 
iio !• ruiiv Uios uúo queremos nós dar escritos, 
ijuem tal fiz d« propósito, ou para isso concorre por igno- 
íirio Mil * >''ucía. corta as ruizes que devem prender ao 
-iiir ,1 . ■ do pansado, para t|ue o rtituro da nação ao 

M 6p ligue iadisioluvelrnente. Onde uào houver re;«)»eito e 



M 



Ayostihts «os Dicionttnini PortuffttvHoi 



íinior no <|ue fomos, em tndas as mauifestaçòM do nosso vij 
ii)tfl{*(-ttial H (Ih iiossii virtude, lííio pode existir vcrdadeini 
triotismo. útil, coinuiiicutiro e strapAttco. 

A escrita iiortii^uesa e o idioma quo lalamos síio feiç 
tam niioioimis, como outra qualquer das que nos diferençam 
uiuis |>OY(>â e um duo fisionomia e ciirúctvr i>ró])rios: e dnr a 
t«nder que atú uisto o estraajeiro se nos avantaja, é acto 
impru(lHiici;t, que todo o escritor deve fazer [Hir nào pralic 
Leia-se portuíçuêa prim*ipíihne»te uo que a PtíMupal respftitá 
D&o 86 ahalatice uiu^uém^ qualquer que seja a uutoríUa<k' e pjj 
iíjio que âupnnhii ter, a emendar de ânimo leve o que os nc 
lizeraiu inuíto pensada e advertidaiueiite. K assim que se pr 
servido valioso â pátria, e nàu de outro modo. 

Por um artifício muito engenhoso os nossos escritores ford 
vam nomes étnicos declinando os de terras para desitmarem^ 
seus habitantes. Kste artífioio que ainda suhsisie, {h>ís ilizeu 
os Chinuít, os Ányohts, os Zomiharet. tinha e tenn a vaut^l 
de evitar a monotonia das mesmas t^ruiinaçàes acentuadas, mi 
repetidas, o que se píwle frtoilineute ajniíuir, se, assiiu como 
zemos o francas, o hifflfis, o lioland^^i, a^resceutanuos o snf 
•ê8 a China. Angola, Zamihnr. e dissermos eKiné». ituf/u 
san^ibardv. 

Ih Japão, portanto, tizerum os nosaos e3ci'itoi'tia o suhstunt 
um Japão, wna jajioa, ou JnfHjim, os japôes, como fízerunij 
Siameít. os jaus. os hrntnás, etc. — ■ Poram muitos <m JapoSn 
que se converteram — ent uma japoa ehristã — há na ilha 
pau preto. Japão [ou saitão], que ó o brasil • — *, Aqui jaf 
o nome de uma madeira empregada na tinturaria. (V. caucll 

De japonês, que c adjectivo, derivi»u-se jú o verbo jr, 
mr. melhor fíira ajajHtnefar : — <0 Japilo rae japoaesauiio 



* Aiilónio FnindsM Cnrdini, Batalraa da CoweANniA oaJa 

1 JORXAI. IIAH i'uljUNIAH. de 2tl dc (Il*t«tnl>r>i <Ic l!MI.-t 



Japotui é o nome de nma espécie <le jiuiucUo. 
I)0tt % sef^uir ft \kia dos ttomm nu vocábulos ijiii* <*ur<intix*i 
BPiite MCiilos no conto u que me referi, explicando, 
fftr rapster, um ou outru que me parw^^u necessário aua- 
Diar ouú a precílto. É o que, para exemplicaçílo, vou fazer com 
» rtlailo título rtíiftím. 

Os japues teem variai espí^cieí de escrita, que melhor ou 

«*!• V áubordínAiti a iluus c^tegoriojí: itleogrúflcu. t'm que 

^ Htriido uo som das palavras, mas ao seu significado; 

ia, em que os vocYibuIos se tí^uram em atençflo ao 

\»>r qu»» ae proferem. Ksta escrita, porém, uáo é alfa- 

^i^ lí íilâÍMca: «ada situholo, ou letra, representa nfto ura 

o|rBi4>Dti) da Hítaha. ma» a sílaba enteira. Assim, este uomo 

"•'■"•1 (ío-gun, • irapítdo militar>| escrere-íie conj quatit) letras 

u: ff$'0~yit-u. A primeirii letra, yí, quaudo eálá seguida de 

.íilaba que comece [»or som vogal, profeie-se como em por- 

<• .V de .Brt#>i7, isto é, como todo o x inicial. ** daipii 

PVt-m qui' J.Í-0 se lê-jui. A segunda sílaba, para o japi>ui^ a 

itt letra da palavra, é gu: a quarta letra, a imica que no 

rompetento represouta um som do consoante sem vo- 

r.r..i.,riiio sem voz, meio ternto eutre o h verdadeiro 

i •■ da vo^'al da letra que o precede, ou quãsi 

o m hnat portugnêj e o rt tinal castelhano de um, un. 

iUk deáta antUiso iniiuit-iusa que a jironúiiria do vocábulo, 

japtiOHíi St» escrev».* com as letniá '42-15-28-48 do seu 

irío de -Ih Ivlras (a 2S. aqui modificada com um sinal para 

fr :u ft não kn) (?, conforme a escrita portuguesa, 

'"• -ia fhoi/ttn, ou .ihoffoon, a. francesa chogoan, a 

ft. 3 tdemã ffciíoijan, a holandetta HJtHfoen, etc, 

■!«« a aiticutav^o inicial, que em portuf^uês se representa c^m 

ictra, r, tem na-s outran Iin>^ua.-> ritíutas <le ser fi^furiída 

duas, t-m ini^lèí* nh, em fratícès eh, ou \m tríís, t-m ita- 

êei, «m alemão tch. Creio qna nilo htivetá pessoa que nâo 

«er a fí^iirav;lo portu^^iiesa a mais simples do toilas: a 

foi jultfAda, que, em rela^^ilo aos nomci» :Ltiàticos, 

tidA* imitada, por largo tumpo eutre as outras nações 



:ri 



Apontiliu ao9 TUrútnáritm Porlugutstm 



europeias, e ainda prevalece erii Frauç^ para a transrrit^lo ild 
anflinita. 

K possível que o leitor me advirta de uma circunstância im»; 
portante: uem todos são obri|;ados a saber Japouês. E eu respoudfl 
que tambi^m o mio sei: estas niintiiMaâ vêem-se em qualquer obr 
adequada, evilando-se deala uiaueira propagar desuiXMtus; e du 
potK. se ninguém ê olirígado a saber japonês, ainda menos o é 
escrever a respeiU» do .lapUo. quattdi) [>ara tal eleito se nA" liabt 
Jitou primeiro eoui o preparo suficiente. Além ílist<i, para se sa 
ber que x. . .o faz ./■« nuo é preciso conhecer mesmo nada de ja 
pohês; ba-ta não i^uorar como em iu^^l^s se lê sho, se inglês « 
Hvrn que serviu de guia. 

Farei luais uma observação: emendo Ntufarnii para Xai 
ffostfujue, dSo porque a escrita e pronúncia SfujtLtsiique 
fossem laiubilm cerlas, mas porqui.' os nossos MScriUJi-fs dos %i 
culos XVI e xviT seííuirara ua trauscrivao do .(/ entre vogais 
prouunciaçâo de ledo, nasalada *, isto é, ng, visto que ali, e 
outros pontos do império, o // intervocálico. em vez de se profer 
como (t // de mtuja em português, se pronuncia corno utj 
mnntja. Ksta tratist^riyão lejílíiiia tem a vautajera de com ida 
evitar o horroroso cactífaton que resulta de escrevermos 
ifo.rímà. deveudo poitauto em português preferlr-sí^Ilie a jtrí^" 
núnuia. também exacta. fangíKvimã. à imitjivào da uossa antiga 
escrita Cangvximaaf m Cango:cumaa, onde o u por i o devido 
ti viziníiau;a tio m (cl. arrunuir. em vez de arrimar \ rinia); 
e ainda |>tirque, em iapon*"*3.' tanto o u como o { são vogais 
fraquíssimas, de tiujbre iudistioto,- e só acentuadas, om geral, 
quando no vocábulo nôn existe sílaba que teuba por vogal a, r, 
nu ".■ assiui se acentuam (fira, Kurõki. Ifô, três nomes agoira 
muito conbecidos. A palavra .rhnò. quere dizer Mlha-, e y^Av. 
escrever-se em separado. f.nnfff^Xitná, *i1bn de Cango*. 

Na Hrrie di» nomes iil^ijailos que passo a emendar, pura p<i- 
derem si^r lidos em |H»itugui's, liá uni, de cuja ideniifiea^-Ao tenho 



t notrilimn.JAeAAN.SCUIClSfHAAKI.RBK, lsti7. 




At*o*liía* aoê Dicionários íhrlugurêrji 



Hl 



AAsjUir: ^ yyfyt^p com dots yy ÍDiciais, que assoitiltrariauí o 

• Saittuáã. KsU âiDjirular escríla talvez provenha da leituia 

"« do H(in de hhinrlut. de Victor Huíío, onde o ^'raude 

■i e jtoeta francês (u^ímiu desbamado, ronliirme os aiiun- 

tva, |ior doiâ géniott portiif^^tieses, que se jimtaram como duas 

- umii iivirK onde o poeta disse que as letras h. k. w nf tj 

''^" rotuântícas. Ao tul nome ijyiya falta pois somente 

r utgiius hh. ul^uns kk e muitos ivw para ticar tima 

Áu Dii ^*ÍDero. Xa realidade, quantaa mais letras incoiigruen- 

ir> '■ improferiveis j^le tiver, mais japonês, isto »'. mais i'si|iiisito 

ee tomará no c^>ureit.o de mniUi g:eute. ufeivouda u bujif^uu^^as. 

A cnlAd«, qae o pniprio autor declarou português.!, de Nan- 

forma qne empreira em uma tarta escrita jtor uma 

... , . jb.-\jefi^ do routo. volta al^nmiis liulias maLs abaixo, a 

4tfnf)niÍDar-«e Sa<fa«aki,^e\xi se dijcer porquê. Ora Sanyanmqui, 

«U Xanffounaque fní sempre a forma usada pelos portugueses, 

*■■*;: que tivemm relav^es com o .fap:^o. c cniqnanto as live- 

K.' Xa ityu^f sii.jí4e portanto é que ê a forma certa, viáto se 

«líxer qu«f a cidade era portuguesa. Por este camínlio ainda es- 

I itd-s Miíkau. Kttlrkut, Kukonilu: r;e porque não 

1- h nhru, Kadíivitf. KeUtz. Aywalat:' 

íie^ae a correçdo dos nomes, de que tomei nota; é possível. 
pnrèjii, qu« outros me escapassem. 



^'vSliinin 

-• if J I .SÍ|))Mitl t 

-«•1 aí milito > 

' ■ ..!•• 

» KiQflu > 

r Hllkjlilti > 

• NugaHKki 

9 Shoçan 

■ TnilruvAma • 

lonkim > 




Vttngtíjcinm 
• Tiai Xiíp^jmn 

> tlaimiailo 

> dáimio. 00 daimiA 
» Ootoutitiui 

^HÍHWiÚ, OQ (^uiúSitl 

> mirtitUi 
" SiltujtiHunqw^ 

> Stimtttiii 
» Sátsuma 

> xogn»» 

> Taico-SuiHtJ 
Ton<fHÍiH 



»2 



Ap^^stiíit (tóg ííieumAriwt PoríagHeiutt 



Terminarei este artigo rom uma referência pessoal, po 
nào tenho outra íi iiiào, que uielhor argumento seja em favor d 
completa naoionalí/jição da cârritu, umpliatido -ASSim o qno aci 
disse do escrúpulo dos alemães em Uil matéria. 

Km VMKi foi publicada ein Lípâia uma ^mátic^ portni; 
ronêticu, que eiu fmucís escrevi a couvite do Ur. t!í»illier 
Viétor, para a sua polec^flo intitulmla Skizzkk t.i£aKNnEB $ 
CHEN, e que se intitula POlíTrOAlS, Phonktiííuk bt piii 

LUUIK. MoRPHOLOtlIK. TKXTEã [140 pújíuas]. 

8egui QU escrita fonética das palavras portuguesas a t 
eriçjlo cientifica mais conhecida n mais ^onerali/.;ida. adoptn 
com grande aprazimento meu. pelo referido director dessa colec'-] 
filo, convém iiiidjer, a da Associação dos profes^fores de bn^uas 
TJVttd, cujo òrg-Ao mensal* é o boletim intitulado MArraE Pnoxlt- 
TjyrE. dirijido pelo I)r. Paulo Pas-sy. de Paris. Kssa transcrição, 
couquanlo de aspecto um iunto etitraulio, pelns cara,ctt!res uotoa» 
e tetras voltadas que empregn, é de facílima inielijência e 1e(' 
tnra. e Um coiupleta que apenas me foi necessário, para exprw- 
mir HdellssiuiiiMieute todos os enmjilicados acidentes «iu pronâncitt 
portu^niesa. iutroduzir duas pequenas modifíca^'ôes de carat-t^tn 
tani copioso é aquele sistema de transcrição, i) livro ^ des 
a circular em (.tuins as uações. 

Km lUÕ') fui inopiualaiueute convidado pela empresa 
tora Laogeuacbeidt, de Berlim, a escrever um iiequeno trai 
de pronúncia poitu^íucsa, pjini servir de introdnvão ao dicio 
rio portugut'3-alenião que a mesma casa publicará talvez ain 
em 19()i): diciouário de uso prático para alemãei» espectalmeut«i 
pois a lín]fu$ portuguesa é com empeabo estudada por milbarefl 
do indivíduos de língua ulemil. já na própria Alemanba. 
Ãustila, já na Suiça, já eiui^Tados ]>ara outros (taíses. ond» 
«stabeleeidos. ou se vão estabelecer, principiando por eatiidi 
as línguas que neles se falam. 

Tive de esciever essa introduçíko em uleraáo; mas a t 
criçâo imposta, ao contrário do que eu supusera, uâo foi u 
ntínlia portut^uesa, que lâ conbecem por escritos uifrua, m 
cientíHca e cosmopolita, que citei, da AssociaçAo dos profd 



lU butraas viva^: mos uma de curacter exolusÍTamenle uacio* 
t-Boila ou Kujtema orto^rtYitíco aleniAo, do qual só me foi 
^- ,t{iart;tr-T»e quando ahsolutameut* faltava símbolo aprossi- 
em U) sisteiuat que pudesse fij^urai diátiiitainente deter- 
1,1 «om portugaès. Assim, tive necessidade de empregar, 
e, o» carad.erea, convencionalmente deiioiniuado.s goliros, 
[nciiU alemfi, p:ira tixlos os sous que coia pequena diferença 
(wmuiis; 0a romanos, pani aqueles enja diferenva ê maior; 
fiji para certas parti^'«larida<le^? de pronúncia portujniesa 
iiueii(4* peculiareâ; e alem dLsto quatro sinais diai^rí ticos, 
Doliecidús em toda u parte. Para expressar aos compotii- 
wçráficos esta diferença de tipos, forçoso me foi escrever 
as d*^ cinni cAres liiversas, vist* não liaver convenv'">es 
Icaii ijue pudessem mancar tautus difereDciações. Foi dí- 
• bem pago (Iste trabalho; mas ficou alemão, e nãn^ 
»J(«io. ou cosroojioliti. 



(}U)gá), janga, jangada 

Êslea dois tocàbulos. jayufa e jmujada. parece qno bSo dife- 

FvruAiu Mêndez Pinto distingne-os um do outro:— «Em- 

11 trva tnil jieroos. e laiilees, v jantras — os cíiimí que 

íiojnnou jior miirinbeiros. . . tinbao feito búajuu^iida 

- de pão», e de tatK)as que puderão aver fts mflos>^*, 

èkjangafla era pois uma embarcação, como diriumos, feita Ix 

V-- • í restos, cosidos, de navio ou embarcação maior, des- 

- pelo lemp'>ral; juntju, ciiibarcavão perfeita, construída 

ItflRA. 

» I>irn::toKAUio ua ordem alfabética inclui somente 
ntnatlft. poudo ao primeiro a anotaçào seguinte: — 
>n. registam jangtt, que su]>[k»uIio sêr palavra que 
trxurttn • — . 



* PRUBOutnAçXo. cap. outiu. CLXStxi. 



Si 



Apoxtihn ftos THriftmii-ifM I^rtuf/unum 



Mas uo Suplemento recousidera. dizeudo; — •Par 
jnfufít tanibèn] õ Wui riH'iua; eutretauto. nos nossos velh 
aicos «ú vpjo jnntfà. CT. Kcrii. Mendes Pinto, IVregr. p. 1 
Xílo se eiiaudo u edição, eiiíta referência a piijíua:!^ núo p 
runiinbai- ^ couff^réucia que se acousellia. Siipoubo ser 
meim, cpit* eião posiuo, nem tenho apota ocasião de hws< 
i*otej;i-lu; a s«^>rinidH, a Holandiami. qnasi sempre correC 
uAo é porém. Já dei da própria Pere^ririavào um trecho 
ííjrura jantjti, v mio jangá, eomo na KoUndiaiia xe acei 
meu ver t':?uieràriainoiite; e liindo-me em que no mesa 
vemos as esfritas seroos (^&eyõ3), o lauloea (=lGulêi 
pediria jungaas (=^jan<jàs), se Janffá. e iiilo jànga o 
fosse. Tenho. pois. al^ documento qiie jirove o contrário» 
verdadeira lorma. jantja. 

Nâo sei a qne língua da Ásia pcrtoricc a palavra 
A oiiirnr jauf/ndn. uâo é, como pareceria, ura derivado ( 
ê f> tAmil-nialaliar .rontjaijam, em outras línguas diav-idi< 
ifiuhwi, fftínffãhi. ti parece ser desta última forma quei v 
português janfintla: rt e /, cacuminais, são quásí id^nticí 
iicametite, pareceudo-se ambos mnito com o r Iene p4 
de cnra, 

O vocibulo, ou seja dravídíco propriamente, ou provie 
Sttnscrito «um -f "«V^ «conjugar, juujir», l* já citado, no 
culo, uo pRRiiM.us MARis Krvthbaei, com a forma bele 
zÀuoARA *, isto é, Eányara. 

Este artijío deveria preceder o de jamuiquim, com< 
a ordem alfabcti<-ii. 

íaqné. jaquet*, jaiiuetii, jaquetAo. jaco 

Náo é derivada da segunda a tercnira destas palai 
qual a quarta é uui auiucutatívo uvideute. Parece se 



» A 0W>8BABV t>Y AnWLO-IxIíIAN líOW.IMJUlAl. WORDS é(l 

siw. LoihUí», 180tí. p. 3W. 



1 



Btamente de uiu ítAQC^!< jíUjnef, ciiJA pmiiiinôíivão iiiiitA, e 
í&f* ilitít — «e*rlo casaco de luiilUeres» — '. Ooujo o autor d- 
lUtii na liiita *'• tr:Miííiii>'>iit:iU(t. |)ri'Siiiiio que o vocúlnilo soja Iti 
bt; nuiití ]uirii o huI do reino é deâcouhecido, ma> o 8u|ileiiiento 
^vo DicoiojíÁRio já o rejiSta. a!><nmii(]<)-o roíii Camilo Cus- 
aoco. 

ultima. f{U'ut'h. i|ue vt»m já eui Ternáni I/i|M!7, *, como se 

tlito SiipU'iiicuto. ipti! A lejista, t' palavra da inifKiria fa- 

r taire/ o lUfinNro di^la primilivo em português, inas do- 

' 'iiúniMu mui)< iititiija (lai|uei(« tVauciis /«//íir/. na ijual 

'iiilo. com'> !n-tnaIinenU', servindo para o comprovar 

1M portuífdt^a H a inglesa jackd. É possível também qne 

nba da foQua feinruinn franoesn jaqucttc. quo deu onjeut ao 

b^ut^s jtuju^ta. Hoje em dia os franceses cliauiaiu jtifjuttte 

ijjBi» Diirf deiiriiiiínamos frafjite, palavra também francesa de 

aleroiV (fraokl. a qual porém é eni Frauda o nome da 

* -irio c|in' d<'í<Í^ntinioN com o iioiue de en.tíicti. Os es- 

' r\am os iinmei' rninci-sex e a aplkíiyâí» drles. uoâ 

iThnR, «casaca*, rlunfuè. > fraque '. Para aumentar a ba- 

'iicítmos nomes aplieados a eousiis tllversaa, Jr<trk, 

roupiio -, e deri\a du tVmicós frw (que é o mesmo 

tfnuki. qiiereudo dizer 'hàhifo <de frade)», ao passo que 

habit ê outro nome para a casaai. 

mau siuf^ular é qm^i o U nnci^íi jutfiwt/t/^} ê uma foi^na d»- 

i*"* «le juqur. qnt* em porLn^íuí'^ i' jíify. i' em italiiiiio ijtaco; 

rto fste iiltimo. em extrema análifie, outra cousa mais que 

irio Jwitw, < Jiicobs uome de um eapitiin, iia- 

>. que ftiíuron por in«>udns do xiv s<'i:ulo, cnn- 

opinou Omaii^e ^. 



ClVVWICA t>B EU'RBI UUU JoIU I, plttlO 11, <:iip. XLV. 

r. Fritlrrio-t hic*. CTVMai/>oiac'-UEM \V08TKHBm'U i»i:u tUiMA*] 



ítíí 



Ajio»tiitíit (utH Divionârim Partui/wiir» 



jiiiiliiD. horto 

A iíste vocáhnio dâo os nossos lec3ic('igrafoâ orijein ffermánic», 
no t|«e acertam, eoutanto que se* nào pretenda sei* essa a uryem 
únediuta, o qiio seria iitadiuíssive). 

 dição gerniáuira que se aponta 'como étimo da portu^çuens 
jardim é o alemão garlen, ou outra forma mais aiiti^ça deatA 
pala\Ta. 

A orijem do vocábulo jarrf/V» é porém o fx\i\\c%sjaríiin, poSa 
é nesta liiiKua que uo </, como ao c, ante» de a. latinos ou gei^ 
mãiiifíos, correspondem J, eh, como om ffeai, iiorlnguês .</««>. 
ehaynbre, poii. camará, t/elhie. port. giúhúia, a|p. Peste modo* 
quando em qualquer palavra portuguesa se vêem eh, ou j por 
c ou g dos vocúbnloa orijinais, é força que se lhe atribua orijein 
imediata francesa; neste caso estão chapou» eharruít, fr. c^w- 
peau, charrue \ lat. capellum, curruca: jatãa \ castelhano 
jaula \ francês tfeôle \ lat. caveôla, por cavenla. a par do 
portiigut*» yaiohi, que talvez provenha imediatamente do italiano 
ifahbioUi j gahhia \ cauea. 

A palavra mais usada no norte, c que vai passando pon 
a língua do sul outra vex (porque antes era geral) é hórh 
{d. horta) J hortus, que eui ultima análise é o mesmo vocá- 
bulo que o germânico citado e o inglês yardp * pátio», formas 
todas reductiveis a um étimo proto-árico (f'arfa, o qual osté 
disseminado por todos os idiumas desta vasta família *. 



1 r, AiijioKtu Fick, VBR^LKTC^B^fnBS WOrterbitch íirr Inuo-hisr- 

UANlflCHlCN Sprachbn. (iiltUinfpn, I Thtiil, s. <'M, ttufi r. i/hirti}, glivrríÂti; 
Frvdvricu Klu^, RTYUOLoniscriEfl Warterbitub der DfsrTBOBRN SpftA- 
OHB, Eiítnuliurgii, 1SÍ>4, fmb v. Oarten ; GaaU«río Skeat, A oonoisk Etvmo- 

I^OGIUAI. DlCTlONAKV OF THB EnOLLSH LANGCAGB, OcsumU, IBti?. vA V. 

garden, yard. 



jaxír 

tatu verbo, que reprps(*ata o latim iacfirOt da 2 * conjugaçílo, 
t innunpitiro, hoje def^tivo, mus iK^rtcuce à flecsíio fraca, com 
' * .*'; antigamente conjuçrava-se pela fiecsão forte, 
. jouvcni, jouver, que Santa Uosu de Viterlio ' 
«mtcs o próprio Ittiitean tomaram pnr infiiiitiro; sendo, ao con- 
itini\ •> futuro do subjuntivo de jaser, como eouher \ roube ] fw- 
Sff ; cúft&rt; Moraes ernonda o t-rro, mas apesar disso, repeti- 
nun-iiu iwtfos: — <.ÍÕUVKIt, íutur. subjunct de jazer »-^'. 

A par. todaria, de jazet' \ iacer^, existe o verbo rctlecso 
---?.% usjidu na ilba de Sara Miguel, no sentido de < estar, 
■'. e qu^é comparável a ficar-xe, qutdar-ne, [«r ficar, que- 
iv, imUiB iutraniíilivufl. 



jazerino. jazerina, jazerAo 

'r - -nbstantivado principalmente no femenino, com 
mtivo coucordautf coUt (df malku), é cousi- 
_4«niilo arábico por Frederico Dicz, como derivado da forma do 
tl^ Arjfi em árabe *. 

i> vocábulo eiiHto em quási todas as línjruaa románic^â. com 

«n-jiçào, jà «e rè, do romeno, porque os l>6cios, ou Moldo- 

ttliístt, Qtiucjk estiveram em convívio com árabes ou mouros. 

►Jíi pí;rtiiifiiés existe outi-a forma, Jaserâo. Cf. tazerSo, fq. v.}, 

f:lui árabe Árjtl cbama-^e A.i>-GazA'iiB, * as ilba^' plural que 



* CuXrnAKIM ff^ r^T :\VKAH QllK ANTtiniAMnKTB 8K ITSARA31. 

* ' -S L1NI<1'A l-ORTlT.tK/.A. RMOWPILADI».. . pOr All- 

oatanU do Rii> Ai Jantíro, l.íiçtx.iii, \if-'l\S, (•i.* udifilu}. 
■ ilf .1 lU' 'ya\\\u dt; 191)1. 
, . . j.íiUHíinicK Wíiit iruttríti meu rhmavi»í<'mb\ Sprachk», 
•«». 1. p. 908. 



deu para o eastelbauo AUfezira», e paia o português li'2h'{i)ti 
e do radical aazB, <retlncso do raar>, deriva-se um adjeeti^ 
oa:&asi, qtie quere dizt?r «insular* e 'argeliuo» '. 



.]e(Ii)ová(b). lavé(h) 

Até investigações muito modernas, que si^ría deslocadu trfl 
ladar ou mesmo resumir aqui, o nomn lin Knte Supremo 
hebraico bíblico era trauscrito Jehovuh. 

Hoje em dia parece estar apurado deftni ti vãmente qu^j 
laveh a lejitima transcriçflo. Poudo do parte análise mais meúá 
o teira^rama hebraico consta, como o nome o ví\á dizendo, de' 
quatro letras, as quais biâttírieameute eorresponaeiu no ah 
dário romunu a iKrK. A asta^ quatro letras, consideradas 
como cousoanlos pela teoria da Massora, arruscentaw-se as 
gais de outro nome da divindade Eloa (Aai.oãi:), que em 
daquele se jirofere na leitura, quando se Ibe nào substitui A& 
nai (A^noNài), que tem a mesma vocalizavào. 

A fornia Jeom, iwréui, está já tam usual, (|tiB seria pedii 
tismo empregar luvè, ou laué, a não ser em livros de pura lil 
lojia semiticu. ou de exejese bíblica. Conforme os comentador 
este nome quoie di7^*r «sempiterno*. 

Veja-se em Rluteau, Vocabvlâkio, mais circunslaneíada 
formação a este respeito, se se uào puder obtê-la em livros 
demos estranjeiros, pois nacionais sAbre tal objecto nfto os 
que mereçam coutiança. 



jejum, jejuno. Jejuar, jejuaute 

O verbo jejuar, que o povo, para evitar a baplnlnjia /q* 
JMir, profere jajuar e jijitar. era antigament*?, c ainda hoje é em 



L. Gallan<l. tiRAUMAlKH lj'ARA&n Rft(H!I.IBK, Vm\*, llKfS, p. \ 



fljD *n ntrtro pouto^ jeJíUtr J i^inuare. O Novo DiccioxÀnto. 
110 Su}>leiii«Dto, abona com Fortuiiato de fíaia Boaventura n 

- -' . ! rjuno. maia conforme com o élimo ieiunum. qno 

AnUtttUi Pritnciâro C&rdiíu ««lufirega o purticipio activo tl»^ 
•anti', foiíio aíljwtivo substantivado, que ainda nâo 
_ _ , „i'irt noa diciounrioíí poilujjufses: — * Fizerain-se cliris- 
tta rfrtM j<*jiiante8. discípulos dos houzOB* — *. 



jpns, íreiís, jfl(s) 

i!tii;i-í. nus tradi\'<Vs populiirns do Aljíiirve, muito 
!. - atributos aos olfes gernuiuiiíos. O substantivo ò 

k"jn#nmo « sínipiT erapregado no plural; pode todavia forniar-se 
lar tffm, jtv\. que Hcarà análogo a bem. a par de hcn.^: 
im duende**, respondiam uns. fadas alliriuavain outrim; 
pnraijt:ula* sustentava muita yent*... e mui principal- 
^^bii* nofl concelbra de Portimúo, T^rros. Aljezur e villa do Ilispo. 
^^Bt bá muitos ânuos, i^ nindii Iinie. fulam das ijen« mijenti* ^*. 
I 1 I*eile il** VaítCMUi-elo», esiieveu jnns, isto è, jõtt, como 
I iiahvm nrtO}(Tufi: — «Xo Algarve acredita-se ua existência de 
f "res chamadas .//w ou Janu que }íozara da virtmle 

...rlit u noutt* no borralho do lar um pouco de liulio e 
ii fncoatrurfm pela mnnhà n liuho fiado tilo fino como 

I iit 1'Xislr rnnu, quc Hévia. no seu Vocinui-ÀHin, 
• H»i)futnU*: — «Ninfa inui^inaria de Ia milídogia 
imj'iiljir. , Xote-se também smut. 'fada>, no dialecto dos ci- 
luw' rowecinfi. 



^«Sl•. 



' im. A" Ml>l'RA9 BMTASTAOAH, Tiiviru, IKMS. \i. ■i4!>. 
..■,.11 .,.1 .. Tinni^irtris i*in>t;LARBs nic l^(»«ri-n\i.. 



A. Thomas, no seu Comentário às Glossas prorenç-ais inêiUtA» 
de um manuscrito dos I)erivatioti«s de Ugúcío de Pisa, r^ 
fere-s*f ao n." 41. que é aãsim concebido: — •Soiipxus... Fan- 
tasma sive viâiim est cum aliquis in principio sompni videt 
foriuaã diversaâ el variuâ et alienas a natura rerum. In hoc gé- 
nero eontinetur ephiulteSf ah epy, quud est supra, et u1l-ei«« 
premeus; inde epliiultes, qiinsi supra prcniens, quia suo pondere 
videtur jrmvart' rt sulTocare donnietitem. — Jfma (foi. 120 'M» — ^ 

Vê-se que jatia, no proveeiçal do j;lossador queria diser < pe- 
sadelo». A. Thomas identiíica o vocábulo com o latim Diana, 
seu cornispoiídente fonético indiscutível, o aduz a forma p*jrtu- 
guesa jâ, já apootada por Meuéndez Fidal, e a asturiana xuim. 
Como, porém, a par de jà, eiiste a foriua jejis. e porque o signi- 
ficado do vocábulo diveije muito quer do latim Diana, quer 
desse provençal jann, jioderiamos, sem grande tautuísia. supor 
aqnele derivado do árube ais, 'génio, démou>, atento o signi- 
ficado. 

jtíruhaça: v. jurubaça 

jibóia ígibtíia) 

h preferível a escrita com J, visto que a palavra não é latina, 
uem grega. 

Como em tupi este vocábulo tem a forma mhoí, é natural 
que a feiçiio que Ôle tomou em ]i0['tuguê» seja devida a iim 
plural Jimtpoia. fabricado por escravos, que para o Brasil fossem 
levados de Angola, pois em quimbundo é com o preficso 7/ qi^e 
se plurali/^m 08 nomes tomados de outras línguas; como por 
eiempht jicoíteila, «cadeiras», de que se servia uma pretita, Ji 
falecida, quando mal se jiodia expressar em português, língua 
que sete unos depois bavia enteirameute ãubstituido o seu quim- 
bundo, que de todo esqueceu. 



I in Bomaiiia, xxxiv. p. WZ e 201. 



ApnatiUiM n/a OiriMtárim Pttrtut/uatat 



41 



Por ser hreve, nfto fi^jn k ((íiitnyHo i1« para tu|iii transcrever 

descrição qac o Padrt? Gaspar Afonso ftv. da tlosco- 

^'nUf, na sua citriosissima « U elação da viajem e su- 

'Vo u niw Sara Francisco^ (lõUG): — * Deixo iis cobras 

4e quarenta poJmoH de comprido, a que os índios chamam gi- 

hiBB, i|ue Hf não tnniiii ilnbnídti/as. podiam .servir du masUreoa 

OH WKis. ou de IravKã uas casna. Tra^^ain ostas um veado en- 

Win», K«m e« lhe atravessar na gar^^ota nem um ossioho de 

ttxhi a sua armação • ~~ '. 

X;lo rrieuos primorosas são a» da preguira e do ^(/íVí. 

jimbuje 

Na Liibda * liá-se êst* nouio. ao que se chama ctiuma, ou 
•wnyiu, e por ^alii-israo muito usado em escritos, mas nào conbe- 
•ãlofiem reconhecido pelo povo, se dí.c tatuajem. 

jtmbo 

Orttt i|uaulidade de raissauga: — • mwaauga gimbo raiada, 
• Uo.. . *200 réifi; misuDga gimbo azul e branco, o Vilo 220 
rtu — >. 

jiugo 

Váii intlavni deiíigna uma espiície d(> cachimbo na África 
•tnpntiil iVrtufínesa; — -fumando bangue pelo seu (/itufu (ca- 
■•) ricaiueiit*' etifeítado ^\^* missaugas- — *. 



'« BlU.. DS CL48S1COB PORTUOUBXBS, VOl. XLV, p. 20. 

irvalliii. ExrBiiH-to ao Ml*atiínv(ta, (Rthtu^gru- 

AnMncio, in " K<^>xo]íibta. de 4 de noveiiibro Av 1H62. 
Aic(»ktji CMaMnhii, A campanha vo Bauuú au Ifl)2, iii «Jornal 
^<'4)9iHi»>.il^30ili)JDlb(id« IsHM. 



42 



AjuiViiliV^i iniH JhctoininoM i^»>-í«-/'cwc. 



íEstará aqui o orijcni <la problemática palavra i»>rlu>íue*a 
cachimbo? (q. v. m tabaco). 

Teríamos neste caso de supor uma forma derivada cafríi 
lujimpi, que ao passar ao portiiíj^'**'» tivesso sofrido u unorruij 
mudança do y om b, modelada portanto por outra palavra, ta 
bera cafrial, carimfjo [q. i\}. As outras a^-^p^ftes de cachin 
seriam, em ta! Iiip<)tese evoluvdo de significado, a nilo ser, o 
eu iíCDoro. que a palam jÍhí/h teiiha outros signifícadoi* ne 
iíugua dos e-AÍre-i. 

joanino 

Assim como n vftih mmweUu», u arquitectura mtiauéjh'»». 
sâo já expressões courtaírradas. do mesmo raodo um artteuliãta 
empre}^ou também jonuiim. )iara designar um estilo urquitecttV 
nico: — «a espaçoso epreja [de Sam Domingos, de Guimariiesj. 
de três navts em cim-r» areos joaninos- — *. K derivado éBte 
adjectivo do nome própiio João iii. de 1'ortugal, como n outro^ 
adjectivo nuintwUno o é de Kl-rei Dom Manuel, Joone er 
forma portuguesa antiga, e ainda camoniana, do nome João. 



joeiro 

f'omo joeira, deriva-se de joio este vocábulo, com iverda 
subjuntiva do ditongo oi:~*'SiO logar onde rahe a farinha 
uo sobrado um orilicio ao qual... se adapta um tnbo de 
que vem tenniuar n'uma peça c\lindrica eli.imada jiteho, 
mada por nnia rede muito eompuota do arame • — *. 



' O Sbci-lo, Ai 23 Je fcvon-iru áe \W2. 

« CosTrMKs AU*ARvios. ín Portugnlin. 1. 1*. 3é7. 



jogral, joglar 

II XúTo Dicm^ioxArio (lá a primeiru destas fornias como me- 
táusf 4a )ii'i;iinilu, qti« diz, com mzuo. sor derivada do latim 
ineoUris. o 1'uclo. )M)r«<iu. t^ C{iie jwjhr não é fornia portu^^uesa. 
DM OMlflhaiia; sendo ;i portuífiiesa lejitiinit jogral \ iocMare. 
MCD A Riitdaiii*A de cl «m tjr. perfeitatneiitB regular, visto nfto 
sea os ditongos d*i consoantes de snhjnntivu }. a 
- u v.ie em r; c^f. re<fra, castelliano' r^vííi, do latira 
lg(u|la. O / final por r *• dissimilaçio de r; t-f. cramol J rla- 
mMrvm, e/roí } florem '. 

'■' ' "itn autor portut^uiM usou da forma jaijhir. u i|iii' iuih 
(j uogo. empregou, cousi-ieutt* ou incoiisiMuiitenieiitii. 
I ruitellianÍRroo ciicuMado, 



jnme, jonieia» jonie, jovuea 

A t«rcWni edivuo do Uiout'>KÂaio do Morui» dãTiio» as duas 
'Itiuu'^ furniita, e o Novo Diccionábiu repete-as e deriva-as em 
'l'itiiU do fraticAs /rm/ mV, que, como ó sabido, significa 'dia, o 
'j*"- Te fttz (Ml ocurrit num dia •, o define o vorAt)uIo do íteguiute 
B«do:— '-vestuário encanududOt que se usava sdbrc a cota de 

Vada bá foinum, na realidade, entre « francês Jttufn^t' e a 
filun de qne hu trata; u forma jonui. niesaio. parece estar 
^'M<U na acentiiAv^ilo, e a outra, jorné(i}a, creio que nunca 

Kltit«au o qne trax (Suplemento) é jome, cem ac^tnto mar- 
eia'). pu« «er* portanto, lido jórne; e, citando Hento Pereira 
■ dÍ4-uos que Ast» lecsicíigrafo o trasladou para lalini 

K Sn witis imbricata, — «qne vai o mesmo, que 



vtt Viattn. tlR-r<:t»»APiA NAOiONAt., I.ilbitik, U)'M. p. 2U 



Capote feito a modo de Unhado, porque no Miuho com janc(» 
ainitóáailoa, e atados com cordéis fazem os Kustico» este ^ener^ 
do defensivo da (íliuvii. Vid. Coroca-—. K pois jnsi» um sino 
nimo a colijir e acrtsceiítar ao3 vários, pelos quais a pnlho^a 
coroca (g. v.) é desiguada. Na idade média deuotnu. scra dúridí 
outra vestimenta, aquela que n NVivo Diccionàeio descreve, ooí 
o Domo evidentemente errado, pois em Itui de Pina i' jV#ríir»j 
qne se lê: — «por armas defensivas trazia o [infante Dora Pedi 
Sí^mente vestida uma cota de raallia, o era cima uma j orne 
veludo cromesim • — *. 

Nada posso siijorir a respeito do étimo dêâte vocábulo, qij 
tem aspecto muito germânico. 

judaria, judiaria, judeu, judia, judas 

O» nossos dicionários trazem o vocábulo judiaria com 
siífuili cações de «ajiiutaitiento de judeus, bairro, arninuiento 
judeus >. Numa destas acep^'õ«?s usou líui de Pina a túrt 
jii«/ffr/rt; — «e a nós outros... será iiuAo que nos vamos 
judarias ou fora do reino, pois havemos ser delle [o infft 
I)om iVdro] pior tratados que judeus > — *, 

Judinria c pelo povo ainda usado» no sentido de «oruoi 
memória do temjM) em que não havia atrocidade, que, pura 
persetjuir e c:(]iolii]r, se nfin atribiiisse aosjuifeu-^. Xo mesmo Sí 
tido virtual de * cruel » usa também o povo o vocábulo Jwie 
qner como adjectivo, quer como substantivo, e o verbo judie 
semelhantemente, quere dizer < incomodar, molestar >, e t-aro( 
■• escaruecer. zombar >. 

O adjectivo judia deve ser de orijera castelhana, visto q^ 
em Bspauho o masculino e judio, entanto que em portuyruÇaj 



» CrAmica DC EL-Rni Dom Amxso v, cip. dxxi. 
A teredra cdiçào ilu Dicionário dt* Morus (1824) cHa crrAdu, i 
jornca. 

« (-KÚNlCA DE BL-RBI DOM AP0>e8O V, cap. I.i, 



^■«1 



ÁpWflittíg tto» JMciottárim PortHgtwKes 



4ã 



<'>•>, do qaat se derivam DattiralQ^nte ^WWfs. f^te adjectivo 
.irciíxQtivjulo. judiu, ficsiguou, ai por lti45, uma vestimenta de 
Uot^m. comprida e justa, com uma sri iihotoadiini muito nunuv 
mxs nllo Untn fomo a das lohas eclesiásticas. Há íjuarcnta 
ainda a usavam ^muitos judeus idosos estabelecidos um 
acompanhada de um hanotinbn como carapuça, ài. judia 
|Bá5Í .s«mpr« d« patii) axul, « tiuha siilo li'aj6 muito da 
pan toda a gt^ute tina viute auoíi iiutes. Ku tivi* imiu, 
mId era muito poquimo. e com ela voe desvanf>cia toflo. Meu 
ai*tor Kpifànio Anirofjo Goiíçulve?^ mandou fazer trus; uma 
'meu irmão, tuais vt-lho que eu dois anos, liilocido era 1857, 
meu pai, lia febre amarela; outra, u tal em (|ue eu me 
jMTOUNTi. p ainda ontra para ai, t-am comprida, o tam estreita, 
I Hioavu i'om Ofi pôs ura peda^*o cada vez tpie subia a 
> i tirada num cahidH alto. che}^ivu ito rbão, e iiielia-nos 
• íotdo v^la nssiro imóvel e oscura, a sobressair das paredes 
id.i-4, i|uc mais ou muuos alvejavam na escuridão do quarto, 
.^:.i íJo annutei'«r. 



|UgO 



— •Nilo lhes parec^) lonpe aos- negros pura virem a élle 
[o Afnial] Tvr os uossos. trazendo muito milho, e bolos feitos do 

hl de uma í^emeute do tamanho e cúr d** nosso milho, chu- 
.i.„ .j delleii Ameixoeirii,. . . e um legume ebamado jugo, quw 
^ do tuuanlto de favas t^equenas» — *. 



jutepe, julepo 

l> NViVit Ilirru.vÃRK.. se^uindrt ura modelo qualquer, diz-nos 
atte estai paJavra ppícéMp drt árabe: — *<ljalab>, ou do jiiir>)u 






■!rt iiii'i Santo AlU-rt'*», por Jofi'j Uii|>t]9tii Lu- 



'iplapa»^. Para portugi^s vein do árabe oulab, qu« na 
sii^nijíca uesta língua, iiem por ela se explica, mas foi tonii 
(lo persa ôulab, «água de rosas». O o ê príiferido na Aràh" 
coino rf^ 110 norte da África como .;, eutauio que a inicial 
termo liui,, em persa, «rosa», se prouuncia, pouco mais 
ineaos como o g pitrtiigiíés antes de a, o, «, O jj por d explica 
pela Ibrnm alatinada iulainum (cf. xivojie [q. r.Ji [ xai 
• bebida*): o e por a era pronúncia muito frequente no ár 
da Peiíínsiita His])ánicB, como o era tarabém a de i. O vocábu 
izcepi/u' apreseutu dn nie.Hiiii> modo jtp por bh arábicos, visto 
em árabe al-zíbid, • paãsa de uva > '. 



jurubava. jerubava 

Intérprete, na Ásia: — 'O caso foi que um jurabaça, fil 
de pais christiios- — *. 

Conforme o (rlossário de Yule Si Buraell ^ eis aqui a or*^ 
deste) vocábulo asiático: — Ksta palavra, cuja si>rnificaçdo é 
térprete, occorre constantemente no diário de Ricardo Coclts, 
feitoria ín<;lesa no .lapíio. . . K o malaio-javaiies junthah 
[daiuhahaio] . -mestre de linguajem •, sendo hiini^n o sánsor 
]i'as&, 'linguajem» — * 

Ai're»''eiila uui trecho de Bocarro * traduzido de fHjrtu^ué 
com díitu de 11)13, no (|ual a forma *'• Jerufmt:». 



* 1*. João de Hoq^n, VBKTIia<M UA LlKOrA ARADIflA BM PoHTUCI4 
UtbuiL 1>>^H. 

' Ant<>ni>^i Prnncucu CiirJimt BaTALUíís HA Coupanhia oa J« 
I.UU..», 1891. p. iiH. 

■ A IJLO:;s\HV ok ASUU>-tMJlAK COLIAíqtriAU vroKPg ANU PlIKAâS 
I.tiii(lrf>t, iMHl. 

* LtaCADA l''^ UA HlâT(»KIA VX ISOIÁ, I.isbuA. 1876. p. 7*2õ. 

A «df^io é àa AcaiciiiÍA líol lU» Ci6nriiui ãn ],UhoA, Knutudu pflo tné 
Tlwumu e tlilijfitt? »>4iilií;RÍcu Rtidri^ ãoM de Lima l^)lnv^, h» muito* anu^ 



^mlila^ uoM IHrivtuirifjê /V>Wi(i/iir.«rjt 



47 



justa 

Gomo termo de jiria dos ladrões da I*órto, quere dizer • fa- 
Rnlt*tide-se bum u eniisa da denornitiaçAo: está chefiada 



Ij^n». 



juslicíiro 



Pm^ vocábulo, como adjectivo, signifíca - amigo de fazer jus- 

iiuo aubàtantivo, portim. em Trás-os-Moutes, quere dizer 

' indisílft-;^' Hoiivp vm tem|ios mna longa de- 

i diiqueJe larariro. e um dos justitreiros (liti- 

mutríf). r:iD5ado ilf tfastur <-ah(>dat*s. dis-st^ zaiigildo a seguinte 

- — *. 

y^a (tuLavra. flamenga ou holaudiu^a (kerkmeHítc, • tuisnA, 
1 de igr«]a*t, qAo um veio de certo oem da Holaadu. nem 
\rvA: foi uo frunct's que a fouios husnir. comn quà.ii tudo 
j*>ui veui pani Oi\. K ooriipU^tauieuW escusada, p^)^. apesar 
Bijgnififavão litcnil, corriispoude ao que cliaiuamos feira, 
af*'mfíl, melltur ainda /(?/>« com armiaí. 
^ iluír*» tanto se pode dizer do nioderiiísaiíno fedioa}, que ê 

ir incír*. p j que eiu português correspoadeiUt couio substantivo, 
I 1 « funçào, como adjectivo, yi?.«ííti?. Pareceu porém íl gente 

dJztír arraial p funrm seria plebeu de mais para que 
, - , }K'Ii>Á lábios uvuLMn^<lt>'> d^*^ damii.s, apesar de elas feini- 
rrm. f-irm Uiteuvãu apurcutemente carllatíva, mus ou realidade 
.1 e foliuna. i'oni éAse mesmo povo de que desdenham; 
1^1-. fmrim. êle vai driíaiido dinheiro para se poderem efec- 



O I{K0Oi.]iiaiiaN'Tii HA AUirHKiTA. úi « Í{.*vii>ta 



;^ t- vii(lw»>, tffUl, 



•18 



AjMwtUatt 



áriúH I^rtmjttcwx 



tuar efisafl festas ao divino e ao liumaiio, e se innnter pr 
para ganhar fama. p dar em qu^ lalar aos joniaes ' 
mondam, e uo hvjhrlife, seíçòes do raaior iiiit^rôsâe :-■ 
moral ! 

Kis aqui uma alioua^fio da palavra kermemst : — «Quandi* esi 
designação de «kermesBe» se lançou ao publico, varim Vin 
proleslurani » — '. 

Poderia ftoiu o miuimo iaconvcnionto esci'6voi'-se à pof 
giiesa quermesse, bo bb entende que a palavra t«m íú raizoB 
funtinâ, que se nao possam extirpar: o que urto creio, pois 
logrou aiudu populurizar-se. não obstante a3 gaitinhuij com 
certos Dolieiaristas dos periódicos a apregoam, no oâtilo Hveoíxi 
adocicado e pret^ncioso que lhes é peculiar, e com que peu8 
aperfeivoai* a língua portuguesa, que nml conhecem. 

Cada um desses, depois d« ter polvilhado de palavras ecti 
vagante». quiUí todas francesas, a sua prosa cheia de solecibmi 
cuida logo ser um Vieira ou um Latluo Coelho, ou ura Ca 
Gastei o-Iiriuico, e de cerflo no próprio conceito uflo se tro 
por nenhum deles. 

Neolojismo, sem dúvida, derivado de onaia). ê arraialelr 
que qiiere dizer o indivíduo que por oGcio se incumbe de inhirn 
as armações dos arraiais e fe^stas populares: — -«por forma aj 
nSo eslaríMu a perder. . . contos e contos de réis por mãoa 
illumiiiadores e arraialeiros • — *. 

O vocábulo ê muito bem feito e diguo de rejisto e empr 
geral. 



l^ja^Henj/mUitiffs. kiõkkenmòddings. çambaquís, sambatjuiâ 

Este termo de arqueolojía pi'e-histórica é uma palavra 
posta dinamarquesa, que se pronuncia aprossimadamente quiõc 



< O BsOTM», dt' 36 (tr marfit ilu IIMXK 
* O Dia. do 2 d*' imvembrn de 190S. 



Ayo0ti(aa a«f Hicionárioi PorUiguran» 



4» 



dundo-se ao d o valor do eu aberto do vocábulo frauc&t 

lãiúríò d« IX Confesso de antropolojia e ftrqiieolojia 
xtiL, 1880) foi adoptada a ortografia fariiltatira 
,'í. roni kiiifí em vez de kjQ '. jior ter 07 valor 
■1 ' / portu^iKis) na lin^tia em que foi publi- 
1 uos ditos eongressoíí. Eis aqui uma dcfi- 
mutto perfeita ila arn^vesada palavra: — < Chamatn-ws em 
^bcoliiJLi ; ''"'< li'jH-mmOihlin.ff!t (palavra dinaiiiar- 

il ivrtos i s artiíiciaes contendo rebotalhos dos bau- 
laa cc^nbas pre- históricas, descobertos â superKcie do 

'pflUarra decorapòe-se era hjôkken, •cozinha», e nUidãing, 

mCnhiitiger, • monturo >. A letra ii è islandesa e sueca, e 

n^itMat pt>is iieKta língua é íiguruda poro atmvessado 

|ra^'o obliqiiu. cnriaudo-o de cima para baixo e da 

tt »'*quer«la. Em norueguês usa-se de um f do outro 

CMD úo «em difereuça de valor.* A transcrição europeia, 

a eitensa e complicada palavra, empregou e em- 

f<i. píir falta do dito o mrtado cm ntulsi todas as tii>ogra- 

dji íhnamarca. 

Mtet refu^ de cozinha e refeições chamam no Brasil 

yiir ' wu estínto /tumlitufuis). vnr;ilmIo polissiuttHicn. 

íton» mns <\uv parece i'star iidutlt-i-ado, sendo }H)rt'm 

cível parte da palavra nftemhiabiguí, «eo'ifiiubar> \ 

pura desejar que a palavra brasileira rambaqui ou 

lyMt »ubíílituf:^e kjòkkenniodilituf, que quem não souber, 

(|ue .seja, dÍQamarquês« não pudení ler. nem por cou- 



tV>MrTii.HiaDu oa uk xs. Sbmios. LUlxm. 1884. 7>«Wm. 

J ■icdu». PoRTfOAL eRB-HlrtTOKlOO, p. ífi. 

' P ; ilc Mi<ntojii, Vo(.'4uri.AUio y rEU>ORo bB t.A 

tIA NIFAKAXt <Ú HA» m«M Tl*PI>, \mXÍt It. p. 2<X)'. VÍciia. l'ttrí>v 1>*I'> 



50 



Apontilfii fiM DiriotHirin* Pm-htgnfMjt 



Kábia 



Êst*! expressivo tflvmn, dija signiíicaçiln <• • TiuMnidia piirn 
ilmlir*. - hnas jnilavras i* ruins obras*, |tar»'ce ser vixàbiilo de 
i-iganosi ravazínba do ^t^ute muito Hi-tificiosa e lisoi^eíni. para 
obt*r o íjiie deseja por meio de palavriado. O vociihiiío ti : 
rejistado no vocabulário cabi-tíspaiiiiol do Krunoisco Muyo '. .u. 
pertencente ao cabi ou dialecto cifi:aiio da Espanha, mas en* 
L'oiitru-8e no romani-írancês de .1. A. Vaillaat *, com a forma 
íaha e a significaçrio, • fala ». 
1*. eui lote. 



labrego, labrega 

O Novo DrcoioNÁHio dã» em dúvida, como étimo a esta pa- 
lurra portuguesa, que em castelbauo ó laòrietfu, o verbo latrar. 
A ser assim, diríamos Itwret/o, e ]i3o consta que em parte al^^mma 
do reino se use r em tal vocábulo. U étimo é descouhecido, [hms 
o latim hipotético laborerus. apontado por Knrttng ^ é for- 
mavão taiii rara. que merei;e jiouca fé. Km qualquer c^so não ae 
resiste à tenta^-ílo de lhe aproijsimar o verbo htirar \ luborare. 

Na Ilha do Fico labretp é um eufemismo de diabo, como no 
Coutitiente o careca, o ma/africo, etc., e tambt^m nos Açâres, 
em geral, quere dizer lohinomnn. 

Labreyo é tambéiu o nome de uma espécie de ai*ado. com 
rodado deanteiro. Eis aqui a deâcrifiio feita por F. Adolfo Coelho, 
no seu excelente e erudito estudo, Alfaia aork!<-)L\ portu- 
ui'KS\ *; — ■ Ksse tvpo, com variíutea, é muito usado na Kstreina- 



' El CiiTANisito. ^Iiiflríd, IsTO. 

* GkAMMAIRK DIALOOroa EJT VOCABCLAIRB UB LA LANOUtS D 

BouâMiBNSOr Cir.Aixs. PnrJ!>, 180-><. 

3 LATEtNíHCH-KOMAMHCuiu) WOktbkbucu, Padcrbom, ItjOl, tk.* 

* Portngulbi. l. ]>. 40S. 



dttn. A iiiveca, ú e^tquerda do guia, *• formada por uma taboa. 

.1 ijiu' w premie o jo^jo 'líunl(>iro. a que neste Cíwo nunca 

lia tenião, foriua um aii;íult>, e iusere-se noUe uma «specie 

■ir ftcM que átíête uo nivt^l da ponta da relha, n qual se channa 

fwrví» para ir cArtaodn a t«rra vnrticaluiente. separando 

'•' do CAinpo não lavi-ado a leiva*que, rortada pela relha 

• inentc. é levantada por esta» — . 

'" ijibreifa é amila o nnnie de uma rede e de uma embarcarão, 

indas DA rÍA de Aveiro '. 

lacba 

'• ' iit<i ;i'* NAvo DictiunAbio dá. como termo da 
llum<: 1 xi^ábitlo, com a aiyniticHyâo <Ie — • ví-rgnnha, brio, 

^fiilohor • — . 

Eu niko Hei n desenvolvimento que na réjião indicada lerá 

wl« n Tiu-iibiiin: quero crer, porém, que foi informação errada: a 

piUíni r termo de jiria, de caIíIo, se quiserem, e foi recebida 

>. pois em calo. ou dialecto deles em Espanha, sigoi- 

intamenle - eastidarle» ; consistindo a Uri es ^•at^^s, <a lei 

- . para as iniilhcieíi priucipíiliuente, na larhti »/« ihtifM, 

'riAM\átU* coqwral *. que vem a ^^^ — »'!'> castigar com homem 

m ra4;a. Veja-se, a t^ste respeito, Francisco Jfavo, Kl 

--NWMO % e Jurje Borrow, Líyí^siks of Spaix ^. 

inàía iarha p«tderã. por ampliaçAoMe sentido, si^iifícar * ver- 

eiiiíha., pudor*; uuncu, porím, «briO' ou «pundonor». 

lacr&o, lacriles; lacrau, alacral 

*í XAvíi I)i(x:ioN\Hro inclui o plural lurrôeít, talvez incor- 
íUk otnno vumus r«r, t dá por sit;nificavAo — • ganchos do 



^uatia, 11, y. tK). 
1-70, 1». 42. 



5« 



Al><tKiUan tvMt IHtiouánoK Hyvtuf/uwev 



ferro, cada um dos quacs uasce de uma chapa em que eutram 
Btf oxtromidadcs da cavilha de atravessar da testa dos reparos 
de cainpimha* — . Aliona-se com Leoui, Diccioííario de Abti- 
LHAEiA, inédito, e conjectura como t-tiiiio lacraus, de lacrau. 
Farece-me que tem razão; mas é necessário supor, a par da forma 
larrau, outra, htrrào, postuladit pelo castelhauo nhu-rãn, plural 
alananes. que em português será lacràes. e nào Inrròes. 

A palarra castelhaua, como a portu^iesa, procedente do 
árabe (\L-)ouBaB, «escorpiílo^ pouteiro de relojio*, também ãig- 
nifica, «presilha, pancho>. Outra forma, como a castelhana, pre- 
cedida do artigo arábico ai., e rejistada por Illuteuu, *} dUictah 

ladainha 

ModeriiameuteT jwr it^orániria ou por pretensão, os escritores 
fantasistas estão substituindo esta forma, perfeitamente portu- 
gueíia, pelo tatiuismo, ou antes francesismo litania, que oflo 
sei como acentuam. \ forma laãninha 6 derivada do latim U- 
tanlu ({ grego litaneÍa) |)ela seguiute série de formas inter* 
médias, umas reais, outras hipotéticos: ledania, que e a forma, 
antiga, leããJa. ladaJa, ImUiinha '; cf. mnho \ mo ] vinum. 

ladino, kdiítho, latiuado 

Ã. segunda forma é mera variante da jirimeira, e mais por- 
tuguesa, mas menos frequente quo ela. O éiiuio é latinum, 
e dôste 86 derivou também hitinmlo. yior *sabudor de latim», 
e como tal, 'douto», empregado pelo cronista Rui de Pina. *. 

I). Carolina Slichaelis de V^asconeelos dii-nos a seguinte 
explicação, perfeitamente exacta, do emprego do vocábulo la- 
dino: — *0rigiualmente applicado ao mouro bilingue, e portaato 



1 RavisTA LttaiTAXA, iii, ji. 2i58. 

' Orõnica de Ki.-Kki Dom ÀKONão v, cap. oxxv. 



iDi^Ili^ut». que além do iwu árabe, on berbeie, &lava o romance 
4* ptíoiíisula, qae nos séculos tiij a xi se ehamariu ainda la- 
liiu), pusou depois a designar tudo rinanto era íntellcotualmcute 

Nu poema do Oide faz-se menção de um moaro latinado, 
iítti,^»^ entendia Ttmumce: 

- (^aoitibt enta f4ilBi4o<liul dixíen Io<t de Carrion, 
V.xk nioru Utlnjulo bien gel» eiiteiidio^*. 



ladra, ladrão 

Xi ria de Atoíío dá>tíe este nome, ou o de mahla, a um batel, 
4« oeompftDbu o barco empregado na apanha e e^nduç&o do 
: — *iH bari*4>H moUceiron trazem a reboque uma pequeua 
-itua (huitohi ou Inârtt) de cerca de 3™ de comprido» — *'. 

Utilrtvj nu veln: 'O argueiro que. a pur lio pavio, faz que a 
'■'li arda irrejfularmetite o se ^iste mais depressa». 

^' - ■ ' ,10. (lut* o DicT. CuNTKMfoKXNKo rejlstou e é 

i! !■ jiiiiH' era Lisboa, deixou de ser indicada no NOvo 
Dnc mn iteguímento a outra ali a|>ontiLda, e que tem com ela 
:;»: — • rehenU) veí;etal, que prejudica o desinvolvimeuto da 
i^iiiU. roubaudo-lbe parte da seiva ' — . 

Su tenbo abonaçAo escrita deste vulgaríssimo e pitoresco 
íivtiiliriíiin da palavra hulrãu. 



ladralr ladrais 

■Tuptt]> <e taipais*, em Trás-OB-Montes. l*roi*ede do latim 
\àUtàU. 



BCTKITA LlTKSTAKA, Hl. p. 2^1. 
* CiM KAKooa u* RIA i>B AvRiKn, in Purtugnliii, ii, {■. ^iH. 



lagaiU) 

Ksta palavra U*m três siguifícações, ou antes acepções tolai 
mente distintas: l.*^ rtiptil. menor ou maior, pois ob nosDos uut 
res aâsim chaninnim, por exemplo, ao y^rz/ív* do Rnuiil; 2.* o; 
lurai de Munturjil e Brotati: 3.* a polpa du perna, e nest« seti 
tido è hoje desusado: — «estando o capitão no oonvós lhe d« 
um pelouro de mosquete na espada, «jue tiulia com a ponta 
chio, e lha (|tiehrou pelo meio, e lhe fez uiua Ferida no ciujidoui 
da liga da perna direita, uiio muito grande, e em continente 11 
deu outro pelouro, da nidsnia sorte na própria poma. miiis acir 
um palmo, quo lh(f Utravessou o lagarto» — •. 

Além dessas significações apontadas nos dicionários, (* iamhéi 
o uorae de um aparelho, rnm a forma um tanto parecida com 
de imi lagarto, qut> serve de apertar as rolhas de cortiça, pa^ 
lhes dar menor diâmetro. 



la grifas 
No caliio dos ladrões do Porto signifíc;! * olhos* *. 



laguínota 

£ o nome de ama arma ofensiva asiática, que mio sei de 
crever nem identificar: — «afora as espiíigiirdas, lanças, fati 
mouoá, laguiuotas, catanas. rodelas c outras armas pequei 
sem conta» — ^. 



' «Mciuomrcl reUçio ila iierdn lU min r^tim^íjçào». piir JoAu Carv 
M(wv«r(,nh&B (l<(27). tu Bini.. hb ('i^haious roitTt'orK/.Ht». riii, p. 21. 

* r. O RcoNoHmTA, Ac S «ie íevereir« cl«r l>íf^->. 

' Pailrc AnUriitu Kriuici»cu Cturtlini. BataUIAS PA COMl'AXHlA l>8 
JBsra, Lisboa. I-^!»!, p. '217. 



Ajt^Miíti to» DicioftâriffH JhtiniftttMeà 



Tamhéni niio saberei dizer o que fosse o fntammio. palavra 
\w vm a«pefto muito japontí». 

A 'lu, 01) há r>rro de a por u iiii priíiiíMra sílaba, seudo 

. itmono, que qnere dizer «cousa diiplíoiída', podendo 
fvr am» aUitarda, ou eutíio a forma é htUnniono, < baste dn baii- 
dein*. A primeira pare(>e-ine ser mais provável. 



laia 



Cotaa v^if tf^rroo é depreciativo e quási grosseito, pareoe-me 
qné mais facilmente proveio de um dialecto de oif^anos (eiu ro- 
miiií exist* laif f=lái] oom o mesmo si^iifioado). do que jrer- 
^^^;..,. •'amo npinaiit oh etiiriolojista». rouquauto, em aleuiAo èle 
■<A foino sufifso. i'om a forma Iri. por exemplo em alJerlei, 
íe- t<Mja a maneira'. 



laidrar 

Km Murco de Canuvezes parece usar-9c esta foruiax bastante 
«w^rular. luu xrt «U iterai. Unhar '. 



lama: 1/tdo 

irti, couM» termo de jiriíi, sigiiiíii-a «prata-, e ê 
%hi lue tem a raenma si^uiticaváo. l'or imitavão se passou 

ilMienur o >Auro> iH>m o nome de lodo. também na mesma 
lt itunos, diferençando- se assim os dois metais pre- 

i.us Miitiiniuiiks em português, mas de (<tíuero f^ra- 
. cQvav* íftctta. femeuiuo, e ourn. ma±iOuliiio. Km 
tjH]jTi;i, inmfí é a uome do metal, e nAo sinónimo de lodo. 



• ISflVtSTA LfAITAIfA. VI. p. SH.1. 



Aposltíaf tion THcintinhou Portuguaet 



lamba 

Este substantivo é tisudo apenas na loou^ão rliorar o lamba? 
«carpir as suat! mágoas». 

Deve ter provindo do convívio com os pretos de Angola, 
cuja b'u|B;ua, o quimbundo, lamba siguitíea < desventura = 
boca dos ainbuudos é muito freqiiente a frase interjectiva tan 
riámif, 'tti de mim!» 

lambujem 

O Novo PukjionArio consigna este vocábulo, que em 
tido natural quere di7«r «jipiloseima', e no sentido fígu 
— «pequeno lucro, que serve de eugOdo a alguém» — . 
acep^'ão adquiriu já uo Rrasil o sígniHeado especial de lut 
• gratifica^íJo»: — «É o processo do pot-de-vins [sic] em Pr; 
da rasca na ousartura em Portugal, e da lamhujptn no Hrasil 

A palavra usual lítmòujem. pronunciada usualmente iantò 
é ura termo de' oleiro» e significa «barro muito fino»í — «O eii 
da.s qualidades apparenles deste iiiducto fez-oos suspeitar 
seria foniiiulo de barro mnitj> tino, a que os oleiros de 
chamam lambuje* — ^ 

lambuzAo 

Nos AçAres denoniina-ne assim o lobisomem, ou hihUon 
da superstição vulgar era quãsi toda a Europa, e que, conformF' 
cada povo, adquire denomina^ilo especial, luais ou menos expU 
vel. É possível que seja mera alteração fonética de lubiu 
com apro$simaçiio ao verbo enhmbuzar, ou u> subatanl 
lamb(u. 



1 Ctirl<>:i Rilwiro. XOTICUS DB ALQUSIAH ICSTAÇfiBS B UOXUMI 
VRB-f!IHTOR1CX>8. 1, \>. 40. 



AptuftiUtv fMi Tficiouãrio» PortttçiiesrS 



111 min a 

O Núvo DiccioKÁiuo, no Suplemento, inclui este vocábulo, 
>ui o signiâcado egp«cial <l6 -cuisílho, quadro*, e dá-o como 
• "itjido (>tn Miranda. Não sei se a informação é certa. 

O CosTRMFOJiAííEo já bavia consignado a acepfào de 'tblba 
«a rbapa que tem gmvada uma imagem», abouando-so com 
Garrrtl. 

Xas Batm-iia^ da Comi-axhh de .Tksus, do Tadre ^Viit^uio 
FTaiicí.ico Ciirdim, « neste sentido que vemos empregado o vocá* 
liulo: — «Abriu duni» laminas, uma do Salvador e outra da Vir- 
-rra"—*. Concordo, pois. que, em Miranda como algures, esta 
[uiUàvra posíia signiHcar < painel, estampa, ou pintura com ciúvi- 
ibi> ■ ; luas uanca o «caixilbo > em si. 



lançar, lance, lanço 

r*o verbo tançar forniaraiu-se os dois substantivos rizotónicos 
/.•j.4^, ■• tmiro. que em iienlidn natural de «acto de lançar-, 
-I- ponro diferem entre si em signiHcaçdo e emprego. 

Acepçdo muito especial adquire a forma lance, acompanbada 
•i«- *''to, como tíirnio de jMíSca de rio, príiprio de Valença, 

Kl, M^> de outras parlos. O seguinte irecbo dispensa mais 

meõda explicação: — «Dizem de Valença: «Realisou-se na se- 
trmida r>ira ultima, no \o*^'Ar de Sayudíles, próximo a esta villa, 
II rbuii^iu ' l^ince úsL Cruz — . in^te antiquissimo costume re- 
cmDif-t$« no ^seguinte: — o pároco da fref^ue/ia dirije-se de tarde 

logir oode w faz a pesca dos sáveis, e abi, com o mordomo 
|ttr t#va a (*rux, mette-se no barco a que pertence lançar a rede, 

erge o rio, e os pescadores largaiu a rt^le. Abordando â niar- 
o pároco tKígue para $u% casa, e os pescadores ficam co- 



» UAtM, 1404, p. 25H. 



Ihendo a rode. O peixe que esta trar. é para o pároco, uifts ^ua 
s€mpre foge da rede» — *. 

O comentário tera suii ^raça: pobre pároco, que peí*deu 
teinpn, à ágiiu íienta e o tiitim, e ticoii a chuchar no dedo! 

No mesmo sentido vemos emprefrado o outro substantivo t< 
bal /«n/Y?; — 'Aveiro, 11... Era geral lanços de pouco valo 
pesca barata euifíui • - -. 

landro 

*• No Alentejo è este o nome da árvore que em outras part 
do reino st* cbuma eioetuiro \ loraiidrum ^. 

r»e uma forma aumentativa, taufhão. cujo teraa será hntfr 
proveio sem dúviUu u imine Uk';i1 AlamiiunL 

laneiro 

Bsta palavra tem aspecto de neolojismo individual; uo 
tauto. aqui a rejisto: — «Casa da lã. ou laneiro» — *. Cora^ 
porém, nf> Alentejo silo freqfientes os castelbauisraos, é posais 
que o vocábulo seja aportuguesamento do castelhano larifto. 

lapão: lapa. lapada 

— «Nome que na serra, eapecialmento era S. SimAo, 
valho de Kei e Jazente. dão á armadilha de caçar teixns 
OfeUes fa.rus). e isto porque, para a fazer, se aenem de UK 
larga e pesada capa de 8chist«. a lapa» — \ 



' O RcoxosaisTA. de 'ilt de iibril de 1889. 

» ib.. de 2.'» .k jonho ile 181*0. 

■ IlKVinTA Lusitana, ii, p. ÍU. 

* Jnsé da Silra PidUi. ETiiNor.KAfHiA bo Alto Alsutejo, in Po| 
tU)C»Hii. I, p. •'i4l. 

<^ Jv9é Pirthu, ETHNOORArHiA Auahantina. a Tiifa. in Portagl 
lU.lt.p. D». 



AjtoittUaM an» l^leionàriot PttrttKjuru' 



.VI 



O vocibulo iapa teia três siriri cações, ÍDcompativeis ooui 

3& átimo: «nomo de um muriãco»; pedra, de oude vem o 

' ' tiiii. 'Ii«iImi1u>, e lapão: v por úHimo <cova, ca- 

1 I lu jiõis ser [lalavius diíertutns que i>,v: fumliraiii etu 

wi\ fnrma cnnvniji^nte. 

K 'ima aKotiiiçà» do tíTCpiro si>rnitiadn: — «Deu a esta 

.. o uuiuí.' do La)))<ii^ Iium hein confuso lahariítto dfllas 

1.S no coraçAo de um duro ujonte» — '. 

laque 

Kati- numerativo. muito frefiíiente no» nossos r.ronistas da 

Ams. ^ aihda hoje luiiito usado na índia Poii,u;i^ncsa roni a 

10 de cem mil. é na Malásia e Zanzihar empregado 

..u ^ 'U' dez miJ, e<iuiraIendo em nialuio (.•ialnk-Muf a ^iopúíu 

bM (lO.lOiK)) e núo a surãius riba (KJO.llKX)). A ]alavra em 

loatouo i^ lak. derivada do sâu.serito uiKsa, «lOíUNX)*. Um 

■as será portanto na Índia cem mil rupúi^. mas em 

h>l ntrs KstreitDíí fU^i mil rupias -. f\\ em leque). 

A rupb equivale a 4õ4) róis da nossa moeda continental; tem 

•m de 5<K) r<*ÍK em prata, metal de que também ê teita, 

<,íii tanto maiti delgada. As rupias antigas eram mais 

e de menor diátiíetro, sendo imperleitisdmos no cunho, 

laquear 

Ndo if duro o ()«ntido cm que All>erto Samimio empregou 
Me Vmím oa «itia douta monografia Ãs « Villas > oo nobtb de 

-!.:—• Por isíM) que nVsta época os a^nas nâo estavam 
.«.^>.. ....a-N n^uj se tiittia i>penido a terra]itana|rt'm ;irtitirial de 



* MinumiA» ivtiit]<iHiAiM Dn \'-jfi, itt «O Arrhc<il<^» portQjifUt^t >, v. 
■ RRri^TA 1.1'ftiTAjtA, VI, I». til o 'Ai', o Yulo 9c Riimpll, A Gi/WBAKV 
«» AftUiiu-IxutAK wOkiM. 1.iiiii1rr«, Ihíhí, mh r. lack. 



flf) 



AffftUfm wm IUcioMta-im l^friuynexfJt 



gi-aude parte de glebas. . . escolheram -se para a iirodiic^'ftn cerea- 
literu os terrenos cora uua certa seccura e de superfície plaoB 
ou quasi, oude o arado podesse trabalhar com facilidade; pois os 
oereaes então usados aão eram cultivados em terras carregadas 
de humidade » — '. 

Parece significar •prender por meio de açudes, enxugar». 

lariao 

No Algarve uaa-se esta forma era vex de leirão, usada no 
resto do reino: é o rato a que os franceses chamam marmotte, 
que os nossos tradutores aportuguesaram em marniofa. nome que 
se aplica em Portugal h «pescada pequena*. O Xòvo Ou*cio 
NÁBio deu cabida ao vocáhulo Marmota, uo sentido em que 06 
franceses empregam marmotie, mas não o tendo abonado com 
antor de crédito, pode rejeitar-se. • 

lariru 

O Nõxo DiocroN.iHio dã-nos este vocábulo, como nome de 
uma moeda na índia. Km outro muito diverso sentido o vemos 
empregado na -Descrição da cidade de Columbo», do Padre 
Manuel Beruárdez: — -Quando estes matos mais se vâo chegando 
a Manar, víio sendo menos frescos e mais infnítuosos em larins^ 
que são umas ánores taiu carregadas de espinhos, (]ue nascem 
de dous em dous, quosi como a olaia de t1ores> — *. 

lala, latada 

Lata, como termo de cAlão quere dizer > litro». Em sentido 
especialíssimo vemos empregado este vocábulo no trecho seguinte, 



' in Purtu^nlia, l, \). ÍÍ13. 

' BlBLIOTl[£C'A DB ULASBIOOS PORTVOUEZKS. l. XU, p. »4. 



Àfte^ifiitti àott Diúlonânoe Poriuguenea 



rejtstado om dicionários pnrtuiíueses: — ■Coimbra. 21... 
grande latadn para domingo, a cla^ssica estnrdi» i^oni 
r» t*)(tudaiiU's d« direito fysttíjuni o poutn das aulas > — '. 
«inianiMiiLe n que os espanb<Ms denominam cenceitoiia. de 
«chocalho '. 

lavadeira 

At? da ilba da MHdeini fmotaciUa melanope} -. 



lavaín^utv; lobri^r 

■ — ;■ dflatefíírastáre" inuriítlM.), rMrr*'>p'iiniiMiif ao luniianl 

.1 de forniii. i^oDíior\uiid<f sowprê a sna estnitura 

.ibicai, e a terminaçilo -gante. Assim, chama-se-lhe lava- 

' . hbaffttnte, lúbeffante, e até. por etimoloji» ^- 

Carolina AliehaiHis de Vasconcelos, ritando as formas su- 

d««le <» néculo xrv, e pode-so diier qiie todas elas silo 

K^ actimtmentt', dà como 1'orm a mn is cnrrpcta luhri- 

abri<riimt *de inrta-côres » ^. AU* muis peifeita iuves- 

parre* podrr acoÍUr-80 o étimo, que, apesar do alegado 

iIpíxu bastante a dfísejar, quer pelo s*5Utido. 

; — - ..- riuirtl('iiica. Ao verbo rubric;ii'f ntribui a 

nata mnuuiUt;! a orijeni de {oíirit/nr *. 

lavaiideira-de-fora 
Ave da íllta da Madeira (moUteiUa aiba, Liu.) ^. 



II Frjis.,\t\MTA, dfl Zti de inuiu d« IH-n. 
"• K niití, Om VOOBI. Maoeurab. 1890. 

• a. 

« RrtMJt» SdimlU. OiK V<'>oki. Madbikas. 189!'. 



•y2 At-j*tií'i.' 'iNt Oi-l-tftrl-i; P"ríH^iK*e* 



lavoura, lavrador 

— ' Por via de regra cada herdade ou ^upo de herdades 
anuexas liustenta uma explorarão agrícola e pecuária, chamada la 
roira. O dono da lavoira conhece-se pelo nome de Im-rador* — *. 



lavradio 

Como substantivo rstá at»oníio pelo seguinte passo:^«Do 
Neiva ao Lima as areias soltas oocupam uma zona de lõOO 
metriiS. havendo nestes últimos séculos coberto os lavradios, e 
fazendo recuar as aldeias — -. 



lázaro 

Ksie vi.càbul" t^ma-se eeralmeute na aoepvâo de «leproso», e 
tamhtím na t\*f tVriílo. cha^uento •. 

Todavia. t?m Kv.^ra pelo meuos. dá-se o mtme de lázai-o ao 
individuo «lue eiii Lisbua se diz iisil>.ui:>. recolhido em um hospí- 
<ÍH. ou asil>. onde (• vestido e mautido. em atenção à sua po- 
breza. r> <{Ut- H sin^atlar e i(iie em Milão denominam também 
htizuri os asilados, «(ue ali trajam umas casacas curtas de pano 
'jr"SS" ••'■r lie i-astauba. »• usam chapéu alto. 

K diivid<'>o se este vocábulo está fuipreirado uo sentido de 
Ifpr"'?".. ou U" de asilado . no seffuiute trecho, parecendo, 
jN>r»^m 'lue " foi nesta seirunda aoeit\';V*: — e puseram fogo ao 
ho>pitaI d't-< pobres e la/iints - -■■. 



> J. Aj. >\\\.\ PiCii". KrHNO»iKAI'HIA l"0 Al.T«i ALtTUTEJO. IN PortU- 
^dli^i. I. p. -71. 

' P.-rtuiralid. i. y. ■■1". 

^ V. .\tit..m-.' Fr.ui.i'.'- '".ir-nju. Batai.h is v \ <'omi*.vnhia db Jbsu^, 



AfMmtiJfta ao» HÚHonArh» Poriuffuefie» 



(3 



lecbia 

'( Nato DiccionArio rejistoti a forma Uichi. paluvra que 
■\'tíU em português, como nome de iiiaa árvore e do seu 
. « deilarou ser voctihiilo rliitiês. No Saplemento acreaconta 
t, (]0R idetititica n Ufrhi. di/eiido ser forma aiiti^m e pre- 

• I A esta. Não i prefvriveL é a úiiica, e se com o epíteto 
_'a :ie 4)uiã rlizor olisoit^ta, é isso uma inexactidão: a pa- 

1 t* sivu, t* lifm viva, em Mut-aii. 

• /tie na aua orijem seja cMliiesa a denonuiia^':lo ningu<'>m, creio, 
*)tMra em diivida. 

Com efeito. Aristides Marre mclui este vocáluilo entre os que 
do ehmC-s piitisarani ao maliiio, e di/.-nos do Iruto o seguinte: 
— 'Fruit 84vnureia/ii pulpe fondante et parfumée de VEuphor- 
hia tiMíi úíis iiaiuralistt^a • — '. 

<}s iiigluses esí-revem l^eehee. ]>íiTa prouuuciarem li^tcki.Voa- 

foriD« Yol« & HunieU, IR duai! forma» diiuesus do vocábulo, //'•r/tf 

'rAí *; 11 nu itinrri\-ria rrspei-livu tnir. dua-? Jihi)niiví>es portu- 

i"". uma de Feruáni Mi-udez l'iuto. para a rama da árvore, e 

I de Garcia du Orta para a fruta, p em ambas elas lerhia 

p M fortim rituila. e que ainda hoje dura. Ai vnmos tamlM'iri duait 

... . .r^^ eslraiijiMruií, o um umlias elas é -.uloptada a forma por- 

• sa: e por ser portuguesa os de cá preferem-Uie uma forma 
(•rnirvrríua, onnforme o luuvávct costume, e apeaar de todos os 

- -eít que lêem estado na China continuarem a cbamar-lhe 

(Quanto ao e por f na primeira MÍlabu. é í^le dissimilavDo do 

' .• cf. iví/n/to ] vicinuiH. 
^ ■'■•■; w)ubei!eram è.tle frutii pela^ suas relações oom os 

Mtríi liinesies. e dt-ramlbe oome semelhante. 



* A 4uw9«Kr or Ax(ílo*I!(pian word((. Lunlres. t^'t> 



leito 



. Trtdos 08 àiciouários iniíliieni neste vocábulo r acepçAo q^ 
tem de «álveo». ou. letio dif rio: nenhum porõui íi dt» feifo 
rua. isto é, o < tahultMro, compnmtlido entre os jiaâseios lut^nij 
e mais ou uieuos abuulado»: — 'Ãs ruas Giurett e do Cun 
teeui, afora os respectivos passeios luteraes, a largura média 
leito de cerca de 7 metros* — '. 

leitor: leit^l 

Além do sen significado cognato do verbo ler, cm lat 
lector e legeve, tom íste vocábulo, mas com outra oru« 
e siguificaviio dift^rentu na Heiru-Baixu. onde se dá este noij 
A uui aui't grosso, i(iie atí iimllieres criadora)< tracem i\o }ieso<i 
enfiado num cordilo, ua críMiva d** ijue evita o quebranto 
leite. 

Neste sentido* ou at deriva directinueute de h^ifr. ou o qib 
mais natural, do latím lactor -ôris { luctêre, -terleite^ 

Um adjectivo da mesma orijcm é leifal. que não fij^irn 
dicionários, mas que vemos empregado no trecho segiimt«*j 
qual faz parte da nt.^tMihu de uma mtw de super.^tivôtts e et 
dices popuiaj'iís:— - Km Ht^iulão j^^qual. (Kirque bá oito] as 
Iheres vúo cbupar em um penedo cbamado j)e<ira leitttt. e 
hes votta^ om redor d'el1e para terem leite» — '. 

^*^ leituario 

Amuleto para conservar o leite e vigor às amas. Ê vocAbii 
semi-erudito. 



* KnpRHSBKTAgXo DOS IJOJWTJLS fitu (lituM raasj »ii ukino. in 1 
Cri,<>. «li* 2.'{ lií! ató-wtii ■!<■ liill. 

■ O Socnu). (k 27 ác aliril tU U»06. 



leixiio 

O Novo DiccioNÁnio traí Gate vocàlmio no sentido um 

jco difvrtfntf (laqiUííe em tine é empregado no pas.so seguinte: 

Cliríst ilirsconhi'<'ia u esistencia ilas ilhotas ou leixões» — '. 

leiiço 

Ao l' '■'^■" liiHliu lenro dl' tifutoar. qiip 'litiites se <'Iia- 

ifU' '■,"> {q, r.), substituem Pin Caminha a «1otntiniii;irrio 

mmto mats decorosa tenço de nuio. 

I^iiho, leoba 

O segundo dústvs vocábulos representa o pUii*al neutro lutíno 
IgBBi como o primeiro o singular liguuni, MnmlMro». Cou- 
■ Ii' iiiiiio femcnino, adiiuirín o valor de colectivo, 
;....iri reijtrito úv < madeira paru queimar», maa dantes 
nttdo uiais lato de 'paus, ramos madeira*: — «barcos car- 
iti& Al» lenba de caneK a qual lenha trn/ia sua foIh»> — *. 

lentejoiíla 

E loiUtini ilerivada do castelhano hntejmtla. demiuutivo de 

■<i. 'lentilha'. Cf. tejolo. do caatelhanô tcjiwío. demiuutivo 

:>jo. rarn'. masculino de ieja. 'telha' | tcg(u)lu. O.; por 

mm-Hiiondendo a tjl, cl latino (lentir(u)la), mostra qm* 

lio um, «omo o outm dt^st^s voeâbulos é de proventúncia eus- 

pbanK etD porluj^u'!'». 

O inemio acontece uoni a palavra tejcuHUio ]. cast. tejtulifhf 



I^tt« át VueanccItM, (iKOttKiLriiiA ua LuatTAXiA. p. 17. nota. 
' fiiiTifínn DA viAOKN DB Vahco da Gama, Liitboa, IHtil, \t, 9(>. 



'Jemimitivo dp tejado, ■tflhadn» coleflivo Je feja: Sfi n vocábu 
fosse portiiiriit'» teria a Inrina felhndllU) \ UUuulo | Ulha. 

I^que. uvimo, abano 

Lfifut'. Neste vocálmlo t'uiiilirain-se Ouas paluvr.i» «livtr 
que tiraram sendo formas L-ouvtTJtíiiteíf, lioineótropos, rouqua 
os aossos dicionários dêem a ambus uma só íuscrição. 

<» primeiro desses vnráhiilos, hoje eni dia mais usado cow| 
forma líiqiff /(/, vj, é pulavru da ludia, 8ic;iiitícu ltX).UUO 'J 
por ext«usào designou uma moeda uomiual de OntiUK e Pér 
a que se rofvrirauí muitos dos crouÍKUi.s diis nossas couquistuâj 
Ásia. Blutean intluin-a no seu Vocabulário, suinjsto lhe nilo dt| 
o valor. No Ariiiii|H'hi),'o Malaio detioui ufio KKJXMJO. mas lO.IHl 
sobre esta palavra rom um bom elaborado aitigo. na ma^iif 
<d»ra de Vule e íiuruell 'A Glossary op ANoto-Js-niAN woi 
AX» rHRA8Es> -. pura u qual remeto n leitor curioso. « c 
lauto maior etupeiUio, quaiilo ali vem compendiada a priucif 
literaturu portuguesa, como acontee» em muita* outros do merimo 
Glossário, verdadeiro monumento di^ erudição, de sagacidíMU 
de bum frilèrio. 

A segunda forma, Ivque. tom dado qne pensar aos dieioi 
ristas. nenhum dos quais, com exce[»ção do último que jã vau 
nomear, Ibe apontou etimolojia certa ou plausível; e oom razl 
pois seria trabalho baldado procurar nas outras línguas romáuiC 
palavra que. de jierto ou de lonje, se parecesse com esta, 
designação de objecto tam trivial hoje em dia, como o ê a V6 
tarola de abrir e fechar, a que os ingleses chamam JoUihuf-fa 
t)s franceses denominara êsle objecto th^cntail, os italianos « 
tiH/Iio, os catalães ventall. palavra sem dúvida de tirifícm latád 
mas de identíftcavio ignalmenti» dificil. Us caslclhauoíí chai 



r. Úl ItETWTA U'^ITA5(A. Vul. VI. ti." I. Mnliar. S. R 

» Lh„,1i.-.. 1.-.; 



AynàíifiM l/l» rHfifftÈÔrirtfi hiriuywsm 



Q7 



\\%íi trf*tmirrt, c nils tliinttis diiYam»s-lhe o notne de ahano ', voes- 
ji^kp qu« hoje dmi^^aa o que os eapaiihóÍH clianiani aventador, 
-p^ríp ijp vpíitarnla tom que se areja e esperta o 
■10 naila se p:irwp com i' • li't|iu' ■ |i)'ii)trtiimente 
rMo, uu «de varvitas*. 

-(* sahe, os iii;{triiiiit^iilos para a<;itar o wx e pro<lii7Ír 

.t-'. »Ao de certo iiiveiivio somente fliínesa ou japonesa. 

iwrio os povos que os mio conhecessem. No dicionário 

B%eau LaroiciLse IlIuBl-ré*^ vem representada tuna cotIecvAo 

rém* fomids de leques, entre as quais vemos o de varetas, 

BroU, e o de roUn;;!" (à t/iroiwtti'). muito usado na índia, 

Jk |inr cicemplo, otide o denoiainani àthOnò. e que con- 

haste em tõrnn da qual gira uiua et^pflcie ilo ban- 

lante uui peipinno movimento de rtdaçào, il feÍ^-:io do 

to u«> noH.su leque, diremos qu« ennhe u Josi^ í^ite de 

n a l»>a fitrtuna tle correr detínitivauienie o vmu que 

etimolojia dt-sta palavra. Xa sua Hhii.oi.ooia Mihan- 

Ra li, páj. 10 e 17) dá-lhe como orijein o nome por que 

[!•• fittii*^nidorv!( pnrtupneses foi conhecido o pnipo de ilhas que 

ir%m a 4ul dii JapAo, e a que os int^icâes clianiaram ao depois 

L«« Ke» (liutfuiu) e mõdernaiiieule Ijcw-Chew (liurhú), os 

fl* UoU'KioQ. I.iou-chou. Liou-Tchou (liuf/uiá, Uitxú. liu- 

.3* qui', tHPlhor ou pior, ronio a.-í dos nossos autores, 

<fi Domen que elas lêem ehi jaiK^nís, l('.|iiii" e chinês. 

U nr. Mie de V^aseoncelos estriba-se, para dar o éiitrfo de leque, 

d(f IVriíáni Mi-ndi*?. Pinti> (Perkíirisai, Ao. cap. '2'2'i\ 

'.(. "luzir cnmpiftando-o. K assim:- -he (a \u\ Key) 

dti cartti que lhe trouxera do Visorre)', a qual me 

dpn, porque u tiuhu já feita, & por retorno [do pro- 

' !-n [bfias arma* ríras, e dons tre^ado^-^ douro, k] 

iWlHo do Fi^ueiredoí no seu Níivo Uiccioxini" da i.jjf* 



* Atewir 1 ailoanAr-': K. A^idfi C<><lho. Pnrtugniia. i. p. M*&. 



tis 



AjMiKtUiiH a'nt JHciitnàrm» l^triugHeuen 



OCA poBTiroyfsA ', iitribiiíu a osta palavra orijein iliiucsa, sem 
dizer qual; no Suplemento, porem, uicliuu-ííe tauibôm u pro- 
por o étimo U^quío, cncoatrando-se portauto com J. Leítci ãv 
Vascouceloâ % spm que um soub«ssy da conjectura do outro, 
poiã n .Sujileiíitfiito :icubou de íinpriiuir-»e em H de janeiro de 
lUUO. 

Parece, ua verdade, certo que o léquio de Fornam Mtiudwt 
Pinto »'■ simplesmente ura ailjeotivo. jior rnuJunfa de catci;uriií 
graumticut, do substantivo étuico, que pelo próprio nome tie unm 
rejião. fazendo-se ôste decliuável, designa 08 seus babitaiited, for- 
mav^ão fretiíieutissima uos nossos escritores, eoran ae vê de Sia- 
mês por (Hivos do Siamc (ou Siam. como eles escreviam), Jitjtt^e» 
por povos do Japão, íirmnás:, Peifiia. por povos de Uramâ (Bir- 
mânia), Pegu, etc; um pouco arcaica, mas não de todo ilesn- 
sada, ftllzmente. poiá são perfeitamente correntes as expressões 
am/óUi9. chhuta. por anjçoleiíses, ciiiueses ou chins, etc. 

empregado k^qtiio como adjectivo concordando com o sutw- 
tuntivo tifHino, ou aoano. como diziam, fácil foi o ãubsianti- 
var-se, suprimiudo-se o vocábulo avano, supressilo que veraoa 
em outras expressões análogas, como hasquhiha em vex de rouita 
barquinha, varsoviana por dansa de Vai'sóvia. breUinfia. ir- 
UimUi por fazendas de Bretanha, de Irlanda, americano por 
rayfo ttmerirano, etc. 

N&o é isto conjectura com rela^-ão ii palavra leque, pois .am 
Lucena (Viua pk S. Fhancisco Xavieb* liv. vu, cap. ix] le- 
mos as seguintes expre89(>es, que se referem aos japoneses: — 
-com um leque, ou abano d'ouro». 

Na Rkvista Lusitana vem abonada, com um alvará d« 
rainbu Dona Taterina, de 14 de novembro de 1561, a locução 
awinu fequeo, isto i*, abano léquiu ''. 



) LúbM, tlfOl). 

» llBVisTA Lusitana, vii, 1902, p. 7l>, unda « rKirindii-» u ctíiao 
pira o Cardeal Snraira (Obras. vul. viii, p. 270)*. mas jn uiitus, iiuii EsTfuos 

DB PUII.. M1KANUB14A, 1 (IODO), p. XVn, tlutjl. 
* V(i\. TUI, p. ;i(W. 



Al>o*Utu» «/•» Dirionârion Pftrlitffuaica 



t;» 



Vi*tiiti< ígaalinvnte por entes pussos que o vocáliiilo ja tinha 

^oihdõ a siia forma actual, mus qut não era tam usual, f|ne 

^lfitrtr iiiic fo.-ise riw^ssnria e\plioaçao. Letjitf foi também 

Turmas usadas para designar os grupos das ilhas de 

fÚQ. 011 Lcquios, sendo estas (rês eseiitas correntes nos uos- 

'' miai»ta.H da Ásia.' 

resfwito à palavra <tò(tno. daut«s afuno. como vimos, 

10-1.1 no imtalíu) luinú, tíom o mesmo signifícailo, b pro- 

wcm dúvida do verbo abanar, avaiuir. por um processo 

[âtríraçân e»tudac]n já por Kj,'gpr, recoiilí^rutinte tratado por 

bl ^ « a (|iic vslv iuvcslif^udor chama -í^ubstantivos postver* 

*^, isto é, formados dos radicais dos verlKis, sem afícsos, e 

ou ac«intuados uu radical» como o são as pessoas do 

4«< {in>sentet tais sjIo em português enredo \ enretlttr, 

vra j jMtiar, lavrar, pti?.; e. couformo a opiuiíio auto- 

sinia d« tiriLQttlo Caris, foram Cdes feitos íi imitação dos 

canius. nota. a )»ar de cantare. notare. o que parece 

ntisfatftnamoute rstn formação p»>iMiliur ihis liii^nias ro- 

« cuja vitalidade perdura ainda. 

Asiim, priis, Ifi/jae parece ter si^nilicado priuieiraniente só o 

Jí varetau», v o U-rmo ahano continuaria u indicar outin qual- 

f\Mfi ei<p4fci« de ventarola^ das nmitas que os nossos viajantes 

fttam encontrar *ni todo o Oriente. Ka pr<ipria índia, além do 

«Ufl4. À qne já me referi e cuja forma e iiointt iiiiiicu bilraram 

fVtrar cã ao uso cojuum, havia e hú leques de outras muitas e 

1 «imas fonntts e substâncias, a começar no descomunal 

no jHitã. escrito pelos ingleses /Ji/n/vi/f c jiuukaw) 

,iíj..ls r^lha do coqueiro, á qual tam minucio?araente 

[rtÍMe Floriano Harreto [I*hai,knas. Bastorá, 1K9H}, esque- 

Mbe todavia muis estu entre as noventa e nove serventias 



• f. BouAMtA. t nrx, |i. ««)-i5õ, julho, 1900. T. tiuiiWm n» incunH 

t n int em dbw ac^rcn il^iwii íiub«tAn1ÍvtNi «m purta^uí-a, t. xti, p. SA 

íjtitt Va^coDctUm no Uvro JA cJtado, INfiLOUfuiA Miranub»a, 



7(1 ApQutila^ aob lUrionàrioH Portugnesc» 



dessa bemdita árvore, providencia do índio, e que, como êle diz, 
(p- 22): 

— Limpa, illumiDa, embriaga, veste, 
aquece, cura, alimenta, abriga — . 

à enumeração curiosa que faz das muitas aplicações que tem 
o coqueiro lembra as que Yule ' menciona na sua edição e tra- 
dução das Viagens de Marco Paulo, a respeito da cana-da-to- 
dia«. 

K visto que citei versos alheios, seja-me licito incluir os se- 
guintes meus, que escrevi num leque, para' o qual, segundo o 
baual costume português, me pediram <um pensamento >: 

Contam que um chim afrontado. 
Há não stfí quantos mil anos. 
Para afujentar a calma, 
Enjenhou êtites abano:». 

P"ra cá veio o granile invento, 
Mas tK\i\ outra serventia: 
Assopra, que nem um fole, 
Calor (lá, <'quem tal Jiriai" 

Se a ])aÍxáo em qualquer homem 
Arrefecr,', a dania, logo, 
Com trèa meneios iluni leque, 
Xuni momento ateia o fogo. 

Abanoíí, como termo de calão, quere dizer «as orelhas». 



> Coronel Henr> Yule The book of Ser Marco Polo thb Vbmb- 
TIAS, ctc, 2.' edivílo, t. i. |>. 'i!»!», n. '. 

» ílste artigo foi já publirado na Iíbvista Lusitana, vii, 19(X)-11M)1. 
com algumas diferençai na redai-vão. 



Apottiln» ftfín Du*iottárÍít» /Vr/í^f«8ííf 



levadigas 

— ' fr^i7pi>ta-s« pomada vivii ou iio lado por haixo do hni^o, 
«tt JuuUt da virilha: l> o que cti uossos aiifcigoii na pandemira 
ai>gn de 134H chanmvaiú n dtV de levadi^as — a dòr que 
iir«titlia iiii arompauhavn a leia^So, a ingoa»- — *. 



l(>vaatatneuto 

— «Cbpgou o padre da respectiva freguezia [Boin Sucí^esso], 
{lara reAlhar a reremoDÍa chamada do hvantamentv tio eorjto, 
ou fiKVJiatarudavâo • — *, 

levaute 

í>t« sahstantivo verbal rixotóbico, de levantar, além tlv ou- 
tra» ac«[iy^eii jà apúnUdas uos dieiouários, tem mais a seguinte: 
— •Se ús ha que dQu oacrupuli^tain [os .senhorios] em aoeiLir 
. i,..^,...i^í, de rendas, propostos para saiisfavão de viugiiuças 

levita, hhita 

M Novo nioctoNÃKiu r«jista a segunda destas fornias, que é 

> a deturpação da primeira, e daudora como termo de 

,....v. ...'fios Hi^Tiifirar «casaca». Nada disto é exacto. A pahi- 

Tra r nistrlhana, Itn-itit. e quere dizer, nÚa - casaca «. maa o que 

d«^u> imiuamoit fíihreeiniacíi. jwis os espanhóis chaiuain íi « casaca •• 



1 Ki^ard» Ji>n:t', A PBSTB HU&ONICA S*> l*n|tTO. HlVi 

' ') .Sbcx^lo, (1(! 7 dv dfwnihro tio ISOl. 

• J(.t<í Aa .Silvià Ptcá^i, KtmkOOKachia i-o Ai.n» .Vi.kmtkju. mi 



frae. e ao «fraque», choque. O termo mio l» de'jíria; foi apr 
dido com os companbiiuj de zantiehi que frequentam lÁâh 
P^iiio todos os anos; é apeiiii!^ um moilo, luaís oti menos ír^tu 
OU fac«to de designar, como disse, a sobreca^nctí. 

A detiniçUo dada pelo Dicionário da Academia Kspunhfl 
ainda que incompleta, é a seguinte: ~ • \'ostidnra moiierna 
bombre, ceAida -à] ciierpo y con manfças, ú modo de túiii 
abierta por delante y abotouadu sobre íl pecbo > — . Faltou-Í 
acresceutar — «cou dos juegos de botoucs» — , «com duas ai 
toaiUiras, ou ordens de botões*. 



lezirfto 

Este vocábulo é empregado, ora como substantivo, atun«ii 
tivo de lezira. de orijem arábica ', ora como adjectivo, ser 
de epítíto ao substantivo carro. 

Como substantivo signitiea: primeiro, uo sul do Tejo, «ter 
uoe inuudados pelo rio, e nos quai» se semeia arrox; seg 
desde a Azauibiija até .Santarém, * grandes tratos de terreno 
culto, uiXii muijeus do Tejo». 

Como adjectivo, diz-se carro Jeeirào um «carro grande 
quatro rodas, usado nas lezírias» '. 



Ibnum 

O Ih inicial está a indicar ser castelliana a orijem do 
bulo, e o povo, para evitar essa consoante inicial, anteoedf 
com um i, e diz Uhanui. Uama o^stelbatio corresponde ao 
tuguês ehamti, e tí como este derivado do latim flamma. 



* r. 8ub r. jtMrlno. 

* r. O ARUHKOI.UOO POllTUOUBS. Vol. VIU, p. I2W. 



.||MWÍtla!i am J}irÍtmàrÍo% Porlui/HrRet 



7$ 



Ibano 

OutTD vocábulo castelhano usado em português oo seutido de 
• 1 ' : mitô na língua áe onde provf>in tem iodas as ac«[i^>(>«s 
du iMirlUf^iiês chão, como éle, derivado do latim plauum. 



libré, livre 

t. esta ama dos palavras IVaucesas (livrée) du maia remota 

kO aa no»3a lin^ua^ pota a empregou duas vezes Rui de 

cotn a sí^iificafilo de ' trajo de cerimonio, acomodado a 

drcoQ^iánfia > : — «Mas a Uainlia e o Infantíí Dom IVdro, 

âtt A ct^rte, vi<ndo-f] [ao iuCuttt.' Doui Aiuiquc] com sua triste 

UrJ» reuovarain com sua vista outros prantos maiorea — *. 

irtíu [o Condestabre, flliio do iiifunto Dom Pedro] 

^ iiHS di! sua ordtman^^u. . . H certo (i';niiiiis, curiílloâ 

e arreios, foi gente umi luzida e mui aparelhada para tkeer 

aai biim serrivo • — -• 



limpo, limpido, limpeza; lindo 

O adJNTtivif limiio d»ríva-ae do latim limpidum. como prova 
[oditelfaaDO limpio. que tem a mc^sma iíi^nitica^-Ao; entanto que a 
a limpido adquiriu a de « limpo e transparente '. e 
'.uilamente a líquidos, c ao cristal ou vidro, quando 
|r na sua arejt^ao cornum c natural; em acepvilo figu- 

>ào «utvirameutti sinónimos ob dois. 
O suliBtantifo derisado liitípeza ainda boje se emprega como 
^'Tiinio de «probidade, lisura', e Uui de Fina usou-o com a 



• CftóaiCA us El-rbi Uojí Ahinso v. mj». iv. 
ií^mp. L.XXXT. 



sigDÍlicaçáo de • {iuicz^ít inoci^ncia' : — «uurifti (lor amor de 

e por segurança de miuha liinue?^ enteiidaes que o digo j>or El-rei^ 

meu seobor. uem que o meto nes:3e couto > — *. 

Sftbre a duvidosa conformidade de étimo entre fhnpo e ?m3 
como pioviudo auiltos de linipidiiiu, vejase o sulistiuirioiso ar- 
tigo de Unfíno José Cuerro ua Rkvue HispAyiQLB 3. no qual o 
douto liiapanista faz tíua a etíinolojia sujeiida por Morais para 
findo, isto ê, tititrtum \ liitimitm | {itfitimum \ legit 
muin: cf. lidtmo, que tem a mesma orijem, e é fonna maiu \\ 
conservada. O ^ntido primitivo de Ihuío seria pois «lejitiM 
puro, casli^'0'. 

Santa Uoíia de Viterl»), no Klncidário, dá como sip^nifícad 
primitivos «puro. perfeita > sem o$ aliouar, declarando serem j 
princípio da mnnarquia. Nilo faltam porém exemplos pura o 
telliario no artigo citado, ile Kutino íluervo, e dõles darei 
a|ienas o primeiro:— ■ K ú lias vergneuça de ser 30 tu mut 
linda / t«mne (>or tu harregana: [Cuí'inica cknebal, i, cap. 51 

Conforme Ciiervo, o desenvolvimento das acepções todas 
$le abonadas para o caatelhano. foi o sc^iinte: *lejitinio, ca 
vellio (criâtslo), puro, nobre de estirpe, estreme, jwrfeito, formo 

yiiautii ao deseiivolvinienlo fonético, partindo nús já da for 
Irrefutável lu^imo. temo.-* tímido, por metútese, e com a supp 
siLo do i da secunda sílaba, [hira se reduzir o vocábulo esdr 
a grave, litndo, lindo. 



liualoés 

Madeira aromática da [udia. ligntim aloés. \\ ua edifl 
dos OoL<>gcios dos siuples r drooas da Inhia, de tiarcia 
Orta. u nota do Ooude de Kiculho ^. 



1 CrOsica ob El-rbi Dom Akonso v, ca|>. oix. 

« vcl. IX. i-, 5-11 (1ÍM>2). 

<^ LÍHbua. lâR2, \'A. 11, p. 00 e seguint««. 



AprtttUa* floS ftirioitâritfi l^trÍN^iirnffi 



A ft>rmH míL^culioa é muito conbecida em três ou quatro 
<ii, qup podem v»r*se em qualquer dicioDário; a tâmonina 

■ •'. uindu in.Sí*rt:i «iii nniilnim. (|nH i'u saiíia. mas usnu-a Cril 
■-.■•* para iK'.sÍL'ii.ir um ]m\f. iia*unilmfnt»' a<|uelt» a que clia- 

líugaester 

KU uqui duas abonav<'ws deste vocábulo, que tom a ãignifíca- 
\v •interprete': — «Aqui ai»parecB uma palavra que foi in- 

■ *:• líf^loa portugueses da costa do uort*i. . . O lingiiester è 
■ > . uiu priíto dos importautes do jwvo do rt'^u!o. em fu- 

t«TTu «stA a feitoria. — Todas as traducções aâo discutidas e 
JM em iM>rtuffuex. (íor meio do linj^uester, que traduz 
rtinjpia ]uirã fioíf a upífofiaçào aos indígenas» -*. 



liaho 



Rita phinta ti-xtil i' iussim dividida em castaâ, com relavâo 
i rultirada em Portugal: liuho galefjo: liubo mouri^o; linho 
liiibn í/í' y«n/, ()ii i/f ///V/í/. )) linho Hw/ir/Vco subdi- 
= .11 liiifao alòertit;u e linho serrano, 

linlio <2) 

£>t« li^nuo alfjarvio equivale ao geral ninfu*. t«udo-8e dado 
A diiBsiuiibvAo de n [tara / inicial, em virtude da nusal pa- 



■ Auto oah Kauas. 

jnli Fnincbwy Antomo l'ititi'. tn «' Ecosomibta. ilo 



latina tia 2* sílaba. Quanto h etimolojia «le ninho, forma 
portuguesa ou galega (nino), poiá em casttíllian» é nUJo. a ma 
adiDÍH8Ível é a dada por .1. Comu ', nidum | nto \ mo \ 
jiho, qu(? lhe compara minha \ mia. (en}(ietmminhado J t^ti 
demonimh, 

lisproso 

Em Caminha, e nflo sei so em outras partes do Minho, n^ 
fiea • escrupuloso ». 

lissa, lisseira 

Siio peças de tear iniuhnto: — «As lisseiras... sflo quati 
regoas bori/ontaes destinadas, dvias a duais, a conservarem ent 
8l uma serie de cor<lera verticaes, chamados lissas» — *. 

livel, ao livel, livelar 

Silo ostas as formas antigas, correspoiid«>ntcs às mod«r 
nwel (q, V.). nivelar, francesas, como jí havia indicado Du 
Nnnez de Ijeflo, e cujo n prooe<le de dissinnlav3o do l final. 
libel(lnn))i como em nefjaiho por Ittfalho, do ligaculiuu. AI 
xandre Herculano ainda ilsou tanto livel, como Itvetar. Ao 
pronunciado òUvt*I, é locução popular, muito frequente. 

Todos os dicionários portugueses acentuum Uvél, com exceo 
yào do Mahtai. ETYMnLooioo de rrancisco Adolfo Coelho, ond 
ê provável que a aceutuayão marcada livel seja erro tipo^-áUfl 
O Xftvo OiccioNÂEio acentua Iket. e no Suplemento hnsca d« 
fender com o uso esta acentuarAo errada. Mas o uso é o contiàrio_ 
do que ali se afirma; o povo diz Uvél. os oRciats de ofício Ih 
dizem, e a gente culta não usa tal palavra, moa sim nív*'l (atod 



l FtOMASIA, t. XI, p. Í»0(l8íí2). 

t portucHÍia, I, p. 874-375. 



AfíonlUoíi tto» IHnutuirioH Purtu^ttmK» 



emitlauieute por nivél), ,j<^iie uso ê 5.sse então (|U(^ se in- 

Para prova «le mu» /irí7 ú u atícnluapáo. e nào, ^>W. basta 
' fui Garcia <li* Ues^juilu a sw^iiite quiiitillia: 

— E Vimilíi 11 1K>(1»TU<BI 

[Uiiilu Dutm LiaUiI, 
Tnni |iruJi.'iito. virtiiosA. 
Tiuii rctl, tiiin tiruiniÍL».*» 
</ovemar Wm por livrl — *. 

t^untiUi ao Hiifuitícado du palavra /úW, h«m como de n/w/ 
■ ■, eiUido no hi^j^ar coinpvtttiito, c ele, sem dúvida, 
- -ii.i ju.^i^ .. !*edri) de Alcalá cmitreí(a nivelatlu ai phmo *, 
fO% traduzir o vorilhulu aráhini iMza.v. -pt^sar', c em úruhe 
raza* (|uere dízyr «inedida de versii*. T. ainda Ortufrafia 

IWTIOSAL ^. 

(^ue s(« diga pois. e se inar«]iie a acentua^-ào de nivel. na 
pnzneira t^ilaba, conquanto er roubam eutc. por ser o nso. adniite-se; 
I ly, 1'rtnlru o iiso. se marque e se acentue Hvel. era vez de 
■.-^.. i' ui;w:eitãvel. V. nível. 



livro do padrão 

— • bvro daft iuquirivões; t»>nibo rejíisti> dil poprifdude, 
o /.Vtro (íí> Pudfíio. loiuo se denominou um dos que cona- 
titiaRun M das inquirições feitaa em Portugal, no tempo de 
llfUD AÍAusn tu — *. 

Coiu «sta eiprctfeKjlo tradu/i o Duouisfhnj-lHutk. inglês. 



1 m-.-blAjíiía. 

<n'MmA AlUBltiO K3t I.STRA CASTKU^KA. «tAilo pur rJiil^* 

-:MrRnTioii OU i.'AirniguiB ur ub L'Kai'AUHH, |K>r Edrfttí, 

> Viani». \Mhfu\, WH, j). Ht:í v It>4. 

. „._ (u li Bi-rkidpj l-^ttcT. Ski-kcta n» hBirrriAH iniímí- 

> rjians, Uièua. 1497, p. 130. 



lo(s). la(s), iao(s)* na(8). 0(8), a(ft) 



É reconhecido, por todos quantos t«ein estudado historie 
mente a lín<rim pontiguesa, qiio o pronome-artigo n(*) a(») 
orijinou, como era qiiási tflílas as líiijíiia:? minUniras. do ]iro«oii| 
lutiii) ilIuiD, illos, ilIa, tilas, v a uuira opinirm di\'orJc'ut« 
em tempos modernos, a i|iie lhe atribuiu, por faiilasí» e tei^rk 
mente, como étimo outro pronome latino, hic, haiic, hoj 
bip»itese iiiiidiiiissivel. Com efeito, havendo n neutro Intin» d« 
parecido diis línguas roínãniras, suttstíttiído ptdo masculino, 
derivando-se as formas, quer substantivas quer adjectivos de 
línguas. uSo do nominativo, mas do acnsativo latino. resnUar 
qU6 o artigo portu^ucs actual o. a, da linifiia liierúria dever 
provir do aciisativo masculino dêsue pronome, isto é. di> hunc 
hauc(!). o quH -ê absurdo. 

Isto diz o raciocínio: mas os factos ainda dizem mais. Xl 
só prormmc e arligo siV> nnia e a mesma pulavra, com a diferenfl 
de o pronome ser endítíco, « o ailigo proclilico. e ainda, dej 
prurjome ter um nominativo sinfruUir êJf, procedente dn latir 
ille; mas casos se dão em que. a< formas eram autes totabnent*, 
id^otivas, e o silo ainda ua tinginijem popular, todas ns Vfl 
que a palavra antecedente $e termina em r. n ou £. e em vou 
uasal ou ditongo nasal, resultando da primeira situuvíio que ó^ 
inicial se mantém, cont perda desse í*. 9 ou z. e na segunda, qs 
Ole se asjjimíla ein n À uasalíza^slo. I)c:ste modo, na linguaj« 
pupular ucidiutuH diferença se fitz entre as formas conesponde 
t«s àquelas duas categorias gramaticais, isto é, entre /'i-ÍokA 
ei loit-iwmen», thto-no e dtlo no-pdo: ao passo que ua liu^ij 
escrita se dirá boje fino o-/u'nt^ com nm biato, que a lio^ 
fiUada nào admitia, e ua bri^a An povo continua a não ndmit 

As formas tj(sj, afs) reÀuUuram ila sitiiavuo do proiiouie-a 
tigo entre duas vogais, pelo qné desapareceu o / medial, como (T^ 
norrn;il em [KH-tu^m^s- Desta tiiaueira iliz-se vi-o por vi-to. como 
se ili/. /to por ///(», castelhano moderno hifo. 

Exemplos da permanência do l orijin.irio dn artigo, dep<| 



AfMUfiiln* I70J Tiirinuárlof Pnriít^ttt^ívt 



7» 



f,rfij, e ÚM. sua couverBâo em n lUpois de nasuli/a^rio, de^-os 
I mÍnjo lia Obtímírafia Xaiiokal ', amU tratei oiirunetaD- 
lldaminte dèstv assunto, c du qual extrairei fiuru aqui ulgiius, 
itaSDÚo mais dois, para me não limitar à cópia dos que ali 
|we$ratci. conquanto êle» fossem muitos, siifiripiities e probantes: 

- Beijo-To l«tt mitu^--* 
VMn los aliMiiitfSi ttoljírlKi gaiu — " 

— IMimimIh In t»Trfl — 

— Vlhd* ív lo Deu» iuen!no — 
*l'i- III v«i |>jrii it vm vni bwn 

— >•' tiji» t'rrâ Iit cjiitiiiilH — 
Entii HoiU' dí? j»niTii.* 

tíf fvtíu lia* pruffcuti — 

- rrtíOiíNni w> ri«us menino * 

— Ei )'i 'IrJii'» Trti, <i Io ilcinú Tíírn — * 

— n (MÍ iiia;i) lulíllio — 

B»ta ãltima furina v pnpidar. e nela mat ou má eâtá por 

X oontnk'vAo nu provóm da juu^'ilo ilit prejiusi^âo ent com o 
rtis» 'm, niNc fonna real. ora a^gini escrita em dootimeatos 

an ilepois pur ser átono. e a preposição passou a swr 

i-f«mrat«Jii por «, i-m ko, rw. e dt^stc. |ior unalojíii, em nele, 
HfiqiwU'. noutro, niffo. nistio. miquilo, etc. 

carttf lhano encoutratn-íte também as formas rtíuVn- 
■ •lii i hiiriom-na). e bk-niio. |K>f hivn lo '"'. 
V^m reâ]M>tto á maneira peln qual o pronome rotijtmto h ou 



• U<Kn. I^(. p. 201». -211 c y!l4-3íM. 

Ill-, FaIWA UOS ALMOUKKVKt. 

*íri# I. n." 1. 

i WVO UX* K.U»A'<. 

^ ViM;Am.*i<A»io UK vuciBH ANTit'(iAUA.s. PuriK, \M% 



60 



AittíttUfU eM9 ZlicioiuiruM l\irtiifftte*c» 



no se bá de esí;rever ligado ao verho, é pvidcnt© qoe a í 
racional, na ortogratiu moderna, é udí-Io a èssv verbo y«\o h 
escrevendo- se huni-la. louva-la. huvam-na. por cxeraplo. 
se esiTeve huvo-a. iato é, deixando o pronome entetro depoit» 
hífen. 

Koi isto (I que fizeram já Alevandre Herrtilauo. Almel 
Garrett, Uorjcs Carneiro, e todos os que autea souberam a orijeui 
dessas formas pronominais. Os antijços juntavam os pronomes 
verbos sem hifon intermédio. 

Se o pronome-artigo fosse o(.i), a{.^). c6mo em tempo ee 
ceituou e ainda se retlecte na escrita usual errónea que p: 
miun; «ícoino se havia de explicar a coexistência de eis 
par de r/7-« (aliás, ci-hyf Não foi nem é |iorUnlo (ima mnd 
disparatada de .v. r inuútil-u. por muiár-a). ou de ,'■ (/i*í-o. 
fê£-(i) em \. ou a adjunvão eufi^nioa de uni n (matam-n-Ot 
rnatum-noj. o que explica estas formas [lortupuesas. 

Não bá hoje iiin único gramátii^o ou leí*sici>gnifo que defi 
semelhante desacerto; e se prevalece, ou se prevalecen, tnm defei- 
tuosa escrita, a ignorância, on o desleixo, vu o receio de alten- 
voes ortográtícas silo a causa, e náo uma teoria qualquer ndo- 
uiil, com que se possa defender semelhante extravagância. 

Às gramáticas portuguesas cumpre explicar a» trírs forrou 
do pronome h. ho. o, e a» das contracções mo, nest^', iio 
etc, e faxer meuçilo das idc^nticas do artigo popular, h, n 
aoa dicionários rejislã-las a todas, justiticando-as com ahon; 
já literárias, já populares, e declarar a ))ri>priedado do seu 
p]'&go adequado. 



(frade) líiio, líio de jardijn 



A esta Hor azul, que. também tem o nome de fÊalgtàw. 
(dos jniuliny). es^Kírialmente no norte do reino, corresponde o i 
em fnuicís se chama hkitef. ou binei, nome que lhe proí 
da cíir, n i|ue também aconteceu com o nome português, cfl 
r>. Tamlina iMichai-lis deixou plenamente avf^riguado no tra 
seguinte: — -A tior campíístre chama-se hío {on frarle-hia) \ 



aoa IHeimiáriog Portugiteta 



81 



udor Tf^itida do mosrao azul qae servia de traje distiuctivo aos 
■ ' - lojo», OHJo padroeiro é o ourives de Limoges Sanctus 
ii-% im Sunto Efotf (com iioiue francez que se popularizou 
«m Portagal)» — '. 

■iiin lòh procede de (8:into) Klòi, que o povo pronuncia 
<t li.];, .-tiro atitUtii, haplolojia de mul-lóÍo, tem a mesma 
lica «uza) da cAr do hábito dos frudes tóíoíi>. 

— T*;rr« du clum* noIto« ifítroll:i'!fts, 
B do liuu eaúuiil'» os cuiipoN lóios — *. 



loja, lójju. lojo 

Três aSo as fonmis couliecidas deste vocábulo, que é natu- 
ral pmvetiha do Haliano fot/f/ia. palavra germânica, forma hi- 
' * 'a laiihltí, em alto alt^mio auti^o hntha ^ O significado 
livo. o que tom em ítaliiiuo, t^ «púrtico», e para esse pode- 
ria r«Mrvsr-ãe a forma mais antiga da palavra, I6jia. que mais 
twlá da italiana. K natural qiiií. em ni7iio de nos pórticos 
;att«>lecerem casas, ou lugares ainlmlaiites de veuda. tomaa- 
«wn oquflsis o nome (In lojaji, ainda ijuando situadas etn qualquer 

tj.-jii i^iii .itij'la j iK-f|i^-áo t;s)ití(:ial de < roiía de batiita|'ão 
vu de v«nda, colncaxla no ri-s-ilo-cbilo», por oposição aoH amla- 
rsf. e à Rtòrtflojfí, que os separa da lojn. 

A formià iojt ^ provável que proviesse do francês Joge, e pela 

i.i.iiiHr» vez, creio, vemo-la empregada no Aviso, de 26 de 

de 17&Ô:— «cadtt uma das trea escadas que sobem da 



• BcTorrA LmiTAXA, ni, p. 170. ITI. 

' JUrtinh.» ilr ItM.ltr*Mlo. O Srr,. LíMbon, ifiO^, p. 130. 

* i). KArtin^;. LiITlSIMSUU-KOMAlílHCElKS WòKTBKItVCtl, P*derWi'ii. 
«►. a." ITtM. 

-Vot» U. 



l<)je... que não eotrem pela porta do corredor que vem pc 
escada da ioje da Kainhu Nossa Senhora»^'. 



lolé 



Este teiTDO Tarcto, (|iie se promuicia IòU\ e signiticra «cbisí 
^'raça*. lomo ijuamlo diíemos isto yiào tnn loU' nenhum, é 
dúvida o cigano lolé, «pimento >, que se encontra no dia]e 
romani, e s? ein](rpj;nii Pm sentido figurado, do mesmo modo" 
com o mesmo útuiio que a ]ialavra sal. querendo dizer timibént 
"graça ou cbi8te>: 

Donde niicen U» mamiiii 
Kb donde Ia u) se crio. 

É sabido como pennutam a todo o momento os vooábuli 
próprios de uns dialectos ci^tios com os próprioã de ontr 
mercê da constante peregrinação dessa raça, principalmente 
oriente para o ocidente, omle tunUis vezes se vêem greis de ci- 
ganos valaoos ou húngaros, couductores de ursos, ursâri, ou 
deireiros, cahleniri, 

topa 

:— <a troco de alguns ^tufate^ de aguardente, algodão el<t| 
(algodio tinto de azul)-—*. V. saguate. 

loução, loaçaiuha, louçaniá 

A última de-stas (lalavras é casttdliana, loçtínja, hoje em dia 
escrita hzítnia. que deriva de lozano. adjectivo correspondii 



I o Avim refei¥-s? ous lugiirts nu tifutru da òjN.'nt, e \tvi na CoLLl 
ÇZO DB LBOtSLAÇXo fOOTCOUSXA, Saplrmimtn de 1750-1703; o «ígntãca 
O, k*>m dúviJn, ha ««^dU <'Eta^'Ãn, « «rAmuroti' » , contu o d>» fruncú» loge. 

' Atevifdu C^uiinlio. A CAurAMiA ho BAKre bu I'Jtt2. m «Jur 
dn.H Ctdonia4>, dí 10 de \\^sia dú \W}h. 



.i}to*litnA noft IHrioHiiríoH Purtut/iteBe» 



Hi 



I «D portQffnêa louçào. Do tema de louçào, cora o snficso -iti. deri- 
]*owe ioHjçma^ louçãhvJia, O jior dissiroilação de naaaia lon^ui- 
d. (|Uí I* a verdadeira forma sul>stantiva pori-nfíiieíía, de que 
oiifVí é HÍu<'>tii(UO. O litiiuo de hiirão é descdiilietidn. e inútil 
rkrn uidirar %r|DÍ na que te<*rii sido propostos, pois iieulium oferece 
hilidadv de ser exacto. 



louro 

ma reproít('nta quutra vocábulos distintos. Corao adjee- 
if -1 .1 um luatiz entre Hiuiireln rhiro e ror de avelã, e que 

I tt Npliai est>eciatiuente aos eaíielos, que os fi-auceses chamam 
Umth, p. tiro e8pittihi'>is rabiou. Como substautivo, é aorae de uuia 
in>'rv. dii latim laurum; de nm macaco, e do «papagaio*. 
N>5V nltim'> sentido é o malaio nún ou m/ri, e era castelhano 
Uifiht^m è usado o vocábulo» com a fonna loro. Ris o exemplo 
4^U puliiTni. com» denomina^no de um simio. — < Kntre elles 
(w bujioff] TimoB alguns de cheiro, touros e mui fermosos, que 
no Ibe tnudindo os ares morrem logo*< — '. 

O étimo de louro, adjectivo, não está averij^uado, e frira 
••*>"*' <itar itó opiniões de Diez ou de Baist, pois nenhuma dela.-» 
a luJDÍma probabilidade. 



louva-a-I>eus 

fol< íttb»tantivo"com|i08to, que no Continente desijpia um 
r im ilba du Madeira nomo da ave que também se 
i pttpinhu *. 



* YêAn l^Mfiar Afuii«j| >R(?lu^-il>i «ta vúijem c kuc<.'S'«í qno tcvn a tiao 
twi Prftfiâ*L<«>*. i« líiBL. DM n^tíiuroíi eoRTrousxRs, voL XLv, (I, 20. 

KnWAtu iJcblIliU. tUE ViKtKL 3LiUBllU!4. 



84 Apostilas tios Dicumários Foriugttueê 



luada 

— < em esta [criaaça] attingindo três ou quatro mezes d^edade, 
dependuram-lh'o [o amuleto, meía-lua] ao pescoço . . . para a 
preservar do quebranto, do mau olhado, e das luadas» — ■*. 

luareuto 

Este neolojismo, que não abona o bom gosto de quem o'in- 
ventou e ainda menos o de quem o emprega a tôrto e a direito, 
parece querer dizer «da côr do luar, ou por este alumiado»: 
— «Na verdura das arvores havia lividez luarenta> — *. 

Pertence ao vocabulário retorcido e afectado dos noticiaristas. 



luco 



Em Marromeu, África Oriental Portuguesa, quere dizer «co- 
lher de pau>. 

luminária 

Como substantivo abstracto é neolqjismo, que vemos empre- 
gado no passo seguinte: — <é uma pagina curiosa para a historia 
da Luminária' — ^. 

lu passa 

— « Jupas.ia. esteira de caniço onde dormem [os pretos da 

África Oriental Portuguesa] > — *. 



* Portupalia, i, ]». G18. 

' O SEtJULO, de 29 de maio de l!il)0. 

* Sousa Vitcrbu, in Portugália, i, i>. 366. 

* Azevedo Ooutiiiht», A campanha do Barué eh 1902. 



lupato 

— •Na prirneira entrevista com a rapariga deve o rapaz dar- 
tte (t lupaío, sigDol* — *. 

£ t«nao de Marromeu, iia África Oriental Portu^esa. 

luzicu 
£m Camiuba <• o nome que dao ao pinlatnpo. 



Inzio 



«t Xôvo Diocroviaio diz-uos ser — «esiMcie de embarcaçfto 
.»»— ; aio 8«i com que fimdamento. pois na 'llelaçio do 
•ia nao Sani 'i'iAgo •. de Muauel Gotliubo Cardoso, vemos 
riMuie {• dado u um barco na Áfrifa AuKlrul: — « Lou- 
T«ruD rtsta de um luzio, que é embarca-lo desta gent« [c-a- 
Sw]'-— . liai» adeanie repete-«e a definivAo nestes termos: 
— 'parliraiD em duas emtuircações com que se ueste rio [Cuama] 
MWfiL a qute fhaniam luxios* — *. 

r 

loxo, luza 

É um adjectivo, cuja signiticaçâo u&o fica bem pat«Dte do 
tnwltó rm qne foi empregada e que ê o sejçuinte: — «Setubid, 5. 
--ÍI p«iie ím jferal tem sido de boa qualidade, isto é, de atfua 
NíM, fomii dizem os poíírudores. A sardinha ^Taude ainda é i^^orda, 
> (ue itdroira n*este tempo, mas 03 t^nteudidos em matería d« 
ynana* explicam isso por ser de lufada* — K 



Jotaxu OAfl Coix>xuii, ile 20 de jalho tl« VJOU. 

I V-lí-^l. IiB CLA!Wli:Ot» POHTOQCBXES. Vul. JILUI, p. 71 e 7<í. 

' ' ■■ .'WiBTA. de tí tle nmrçií de iSííl. 



m 



AjH»(ii<is nos [>iriowlnoH ftríiijrufjw» 



O Último termo carece de explicarão. Quanto ao ht£o. /n 
talvez queira dizer «quieto, sossegado». 

mabiire 

— < sabiam a vender leite [03 cafrea] e uma truta semelha 
ás Dossas balancias. cbamada dos cafrea mabure» — V 

maca 

K provável que este vocábulo proceda do francês hamac, como 
diz o Kòvo DicciíiNÃKtn; 110 que não tem razilo é em supor qii« 
o francas provenha de um cariíit» hamark, visto que. sendn esU 
língua aiULMÍcauii iuiallabctíca, uiu^ruêm pode saber o que slffltifi?, 
caria uela o estranho grupo de letras -cX: em que uma das d| 
é supérflua. 

raa^fl, maçaneta 

Como é sabido, ma<;ã é o nome de uma fruta: tem poi 
outras acepções, mais ou meuos derivadas da sua forma, ou i 
seu^cfaeiro ou sabor, muitas diis quais estão colijidas uos di<l 
nários. Aqui vilo mais algumas, que su[iouho não haverem 
ainda rejistadas em livros dessa espécie. 

Ma\'à-<fo-peito: termo de rarnirarin, que especifica Cfl 
carne bovina de intima qualidade, visto que a Nota imjs 1'BI 
IK)S TAi.Híis Mt'N*icii'AEs a cliíssiticava ua 4.'* da.-se. 

Ma\'ã ilt preh: — « teem outra bebida. . . o Í3LZ-se cora o 
se denomina maçfl de preto» — ', 
• Mnràs dos iiueisit^; pe^as do ti^ar *. 



I <RaUção du niitirn\íi<> dii nito Siuit*» AllHTt<i>, pur JoSo Bitpn<tU. 
VAtiIia (1611). in Hiau iiH i'i,A!Wiivm i><)rtl'GI'B)!1Ií), vuI. XUV, p. M. 
« O Dia. df IS a*í alirií .K* inaa. 
> Portugália, i, p. :J74. 



Afto9tíÍa* no9 Duwmirioa Púrluífurse» 



87 



Mfíé^H^tti: espócie tlu puxador com a forma de maçíl: ornato 
a mesma forma: — «Um chapéu redondo giiarneeido de ma- 
de rctroE ► — *. É am bom termo para substituir o que. 



macabro 

Sem entrar em mais investigações. êst« adjec>tivo veio para o 

tdgui^ do traticèn macubre. De onde os frauoeses tiraraiu a 

wn V que por einquaiito h ponto duvidoso. Opiuam uns que 

o latim (chorei!) Mufchabucoriim. que oferece dificul- 

iaòas fânol<VjicjLi iii.tuiHTáveis; outros que o árabe al-mucjabíb. 

• «Boii iMt*^rio>, do qual se derivou eiu portugu&s ttlmocú- 

«Mr • 1" dos mouros». 

Kmjlío Littré. no sieu raodvlar Dicionário da liugua francesa. 

tm abnuA^^Âo do vocábnln em autor dos princípios do século xv, 

■ ' ■ "lunda-se u faviir do primeiro ctimo aqui iudicailo. o qual é 
..idu recentíMnente por muitos fibUogos. 



macaco: mucacAo 

So* Aç''*rr.í í tim euteuiisrno, que se profere em vez de (itabv ^. 
No caUo dos ludruus do Pôrlo. é. ou era. uma ' libra > ^ 
Muateão enteode-^e que seja ■ macaco pranilc ' . Todavia, 
t? a síi?niíí»'aífl" n« pas!*o segiiiute: — «o macacflo das do- 
vtiwrAii, fi^n^ni uioustruosa. sob-posta ao ortrílo da e^^^reja de Suuta 
w em (juiinurilefi, e an qual o vento dos folies faz agitar os 
^^Taç<)^ abrir « bocca e roncar» — *. 



* o EuoxfmtKTA, dn 27 dp aplcmbn» de lE(ft2. 
■ UVTUTA LmiTA^fA. II, p. 4!*. 

' O EroxoMifiTA, tifl li 'U feT-reint de 1835. 

* Pnrlugali», i, p. ii'l4. 



o nome foi-Ihe ))i)sto, provavelmente^ por ser feio o aspeo 
da tigura, e as dímeusões descomuiiaiâ. 



maçado uro, luaçadoiro 

— < Bate<ae o linho com a maça sobre uma pedra que tu 
mente se chama maçadoiroi — •. 



macamliuze 

— «Os mucuujhuzes (boieiros) indígenas fogem > — *. 
(•Será este vocábulo u orijem da palavra marambário, 
tonho a y 

maçarico 

Na ilha da Madeira è o macho da galinhola \ 

maceirilo 

. — « Assim succede que, nu maioria dos poços de nascentes 
medianas e abundantes, ha um t^liafariz para bebedouro do gado 
grande, como bois, vacoas e egtias, e ainda alguns maceirí>ea 
(gamelues) de madeira para as rezes raeúdas, como ovelhas, ca- 
bras, porc-ofi. A agua é tirada pelos « gauadeiros • [q, v.J {% 
dores dos gados), empregando tauibem o caldeiro e a corda < 



) Forttig;ftliil, I, p. 370. 

> Campakha dos XAUARiunH. i'n o SsxTUi, deíMdengosiodQlSã 

* Enieatu Sclimitz. Pis NW^ubl >[adkir.vb. 

* J. dii Silra Piçfto. Ktbxoorapbia w> Alto Alrmtbio.ím Fort^ 

gulift, 1. )i. 'Mii. 



AjtnÊititvi aon Dicionárirm J^rtugueiít» 



*í9 



macbailinha 

M^m do seu si^uifícatlo aatural, é também o nome de um 
: — «A «luintíi setçflo comprehfudc: legrumcs.,. assim 
I íeijões seccos, gr&o de bico e machadinbas» — '. 



macbambu 

—•O tabao-o, «em dnvida introduzido em África pelos nossos 
acliniutou-se ptíiieitameute em todo o coutioente, 
He&do dicer-se que iiAo ha macharaha de preto em que elle 
B«) irjâ collivado >^*. 



mochila, machira 

fi UrtDO dii (ndía Poríait^uesa, em concani makila, quási 
imiafiarflo yuatrhiía. 

K uma es|iÓL'ie de maca pura transportar pessoas tanto na 
iodJi. coroo na África Portuguesa, a^ienuda por homens, que 
«m eU trarregam. 

Outn forma do mesmo vocábulo é machira: — ^D, Lsatiel e 
Ra filba 1). Kuis:i, íls quão» traziam os escravos rio cnpitilo mor 
âi e««Uâ era i:aclias coucertuilas ao modo de rttdes do Brasil, 
•1 cbiimjim macbirus* — ^. 

:^balo desiguativo da nuichila é rede, omisso neste 
«■tidn 00 "Sovo DiixionArki, couquanto muito antigo na tin- 
(tti. poiíi Èt encontra já em texto dos tins do xvi século, com 
tvMncta ao Rrasilt^^nos vieram nossos padres [da Companhia 



• 41SwCtrr». <1e'^6d(r jaltiodellHMJ. 

■ JoitXAt. vx» Cx>u*itiju», lU 22 Av abril An W)ò. 

* ' ' . it> natifn&jui da nuu Simto Albertu>, p<ir Jofto baplíst» 
Uftel DK CLAMIUm l-OKTL'â1'BZB». Vol. XLIV, |i. 80. 



de Jesus) e irmfirts rleiíemharoar em barcos e levar ma rMes] 
casa, que âào as cadeiras, andas e co(>bes que là ^e uivara* 



tnacombeira, maçom a 

O mesmo que macoineira, palmeira do Brasil ^. 

— < havia palraeiros bravas. .. e outras oom uma fruía, 
em Cuania ebamam macoíuaft, c kIo do tamanho e feiv^o 
peras pardas » — *. 

mudona 

Rstá muit<i om moda, uâo por italiauismo* mas poi 
cesisino, dar este nome ao que os franceses choiuam madon 
do italiano madonna, abrevialura de mia áomut, ■ luinh: 
ohora». C-om aquele vocábulo se denomiaa uma imajem 
Virjera Maria [tintada ou em relevo. K ubsolutauieiite imiti 
ueolojisroo, pois em português temos Noam Setúmra, que vei 
diwr o luesuiii, quer orijuiárianiente, quer nes.sa especial acepçSiS 
Outro ueulojisuio ainda mais repreeusivel, e que usam os escrito- 
res de poucos nieliudreã com reIa^';lo a veniaciilidadei é o hom 
Deu» fie Um iJieuJ, quando u locução portu<;iieía popular, e 
rauito tnais expressiva e formosa, é O Pai do Ctht. que lembra 
a expressão boiuèrica 7*(// //".*■ dm-tVH r doa homnis. pa 
AKDUÔNTE T'BõNTiE, aplicada u .Túpittír. 



Mafuma, Mafamede, Mithomet, Mohámmad, Moliámed, 
Maumettí. Mebemet. Mamede, tuafomitita, utc. 

A forma arábica dôst*? uome. fcrausliterada rigorosameil 
represeiilandfi-se as consoantes por versaletea e as vogaiíi poÇj 



* Padre GA«par Afundo. « ReUfào da rUjom o aacewo ijiw ler« a ] 
I Prancinco. (1590), ih. w\. xt.v, p. 15, 

II iíE('ur-o, tio 12 ilf janeiro de IÍK12. 

* 4 l£t<UçAo lio niiurnljii* Aa niui Kaiitit Alborto», piir Joio Tla|i 
Lavnnbft, in IÍibl. dk ci.ABatcoa i-ortugiibíIM, xuv, p. 7(í. 



ApoãiUnt aoa DidftnàríoM Portui/ucsrn 



Í*\ 



Diisculaii, é unHíikãí). pois eui áraho o uomo do profeta se 
%t com qtiutro lotras e quatro sinais, três para as vogais, e 
ili* rediii>tiruçào no m. Procede do verbo uniia, ' lourar v e 
^^I« um participio p^sivo, que si^itHoa 'louvado».* 
i^m ouve proferir este uome a um árabo recouhece liaver 
ma consoante qnu falta às línguas europeias, e que os 
, jesfs iiiíiíaram gouj o /, do que resultaram duas formas, 
.!!. ua qual SB conservou a ai'entua^'ílo arábica, na 2* sí- 
liha. $uprimindo-se o ri final, e Maftimeâe. em que se manteve 
itaudo uma sílaba, eom sacrifício da acentuação rigo- 
- lae aruhico. líéste se deriva Mtírneâe. 
JíioKàniftl, Miífuimmnil silo transcrições scieulificas; }ffikomet 
forma afníiici^sada. 

Ha tanibi>m a forma Manmet^. que se diria aportu^uesu- 
iBlUto debU. so Oain'K!!j não houvesse umpn^gado como adjectivo 
mujumfttt:- »a torpe seita jmtitmeta'—. 

Mthrmrt v ojoodo tufco de proferir o nome; contanto que 
m lupire o A. 

(*4»niA deriva4los existem em jKirtugwôs os sejíuintes: mno- 
wm»^ tntmm-ctfffno/. muomt^inno. mafomiítta, 
Au primeiras tr^s formas silo conhecidas. » a última dessas 
4 a inttií ponfoniie com a escrita Moámed. on Muhàimwíii 
(MimAMAii. Mafoma, Mafamede, Maumete). mas a menos 
«n portugu»*'^ Mdfumisfn S'í a eucoutr«i até agora uo se- 
pus9o do 'Traindo das batalhas e sucessos do ^^aluão 
SftAi Hamo « da natt (.'bui^att», iIl* M^dcliior KHúcio do Amaral 
'•■•'\\\ — •naquelle beraavcuturado século de mil e du/eiibos 
i| fui que li^vant/JU o Marino Dom Afonso Henrique/.... 
;;o fortíssimo dos Mafomistas* — '. 
Além do adjeclivo triâsilaho maunwto, vemos nos Lcsíadas 
(m, |U) o t«traH.^laho mnoHwfa. 



* im lltttU l>R CLAMIUn^ rURT1'(>i:K?SKr4. Xul, Xt.Vl, fk 21. 



mafiia 

— «Nas palhotas, a um lado ba a maftut (foEfSo), que oc 
sjãte em duus pedi'as chatas, ef^iiaeSt enterradas ao alto, e 
radas entre si cerca de um palmo» — *. 

Mas, (jbá de ler*se mafiM, ou máfita? 

inafuco 

Termo africano, caírial cndeutemente:—< entregou a 
deira portuguesa que tinha em seu poder e que o tenente Ma 
Ihães e Silva restituiu ao mafuco André Loembo» — *. 



raaga 

Em Caminha, e provavelmente em outras partes do lit 
minhoto, dá-se êftte nome às «guelras e tripas do peixe que] 
amanhou >. 

magareb(o) 

No Suplemento ao Noto Dicxtiouábio vem este Tocábn 
abonado com João de Barros, e declara-se que é uma omç 
que oa persas fazem a Deus, ao 8ol-E>0sto. O passo a que se 
referência é o seguinte: — «Dizem os Púrseos que trAs Te7,es ba 
fazer ora^ào a Deoit, pela manhã era nascendo o Sol cha 
Sob, e a secunda Dor ao uido dia, e a tercoira Magai 
sol pústo, porque ellas coutem em si toda los partes do dia> 



1 Aií«rMo Ci)titiDht.i, A taupaiíba vo BARrft bm 1892, in «Jo 
das CulonÍAS >, t1« ^) de jolhu do \d04. 

- O RCONUMIUTA, cir 10 de junlio de lHHit. 
' it^CAUA II, livrn X, cap. vi. 



Apo^titof ao» JHciofiárina FvrtHgiWMrj» 



93 



A palavra indicadu. em àralx* MavRas, quere dizer <po6uto>,^ 
» tem no texto udi a inU-rcalar u mais, separando o </ do r: 
fi arramo l por crajnol j cluiliorem. 



magarefe 

Gmou (luÁsi toUos os termos de carniçariu, d«vc ser de oríjem 

tfibica iainliórn este. Tem a si^iticação de um nome verbal de 

do verbo raRap, «cortar». Couforme informação do co- 

proífador e poeta, pnrtugiií*», castelhano e francês, José 

i, ii;3iiiral de 'ráiyere, ao cortador de açougue dâ-se ali 

ta nniD« derivado, tambóm com o preficso ita-; do verbo sacan, 

<«fOlv». Assim parecei.' que oh mouros em Portugal iiâo usaram 

«, tB»A nqUfXtí. Km (-aâtelbauo di7ia-se em vez de m/njaveje, 

mtiàri/ej por iiilluéucia do verbo matar, e hoje chama-se-lhe 



mogazmi 

Da mesma orijeni que o vw^áhulo português armttstbn (* o 

AibiOft mit'ttii sitio, dn qual os franceses tiraram o seu nuujaxln, 

qv l4Mn a mesma riiguificaviio de * depósito de mercadorias*. 

X palavra pas!u>u (tara inglês com a forma Tnaga^hie. pronun- 

•'('. e nesta língua, além do seu signiticailn usual. 

■ publicação periódica, de caracter literário. c«d- 

ameuaít e instrutivas, e adornada de estampaa». 

i paUvm inglesa voltou, do primeiro quartel do século paasado. 

a ('ViUiipa, iMide cmn e-sta forma actiiahiíeute, ou priuieírn com a 

^c«e3« designou e dfsigna esta mesma espécie de publicações. 

I» ^QÚ) innderDament« se adicionaram artigos e tigiirinos de 

. prmcipulmiMite rcmeniiiitô. 

«a iJba da Madeira o vocaíhulo inglês mãtjasine tomou a 

(•nua mmjniim, no plural matfmim. e designa /iyurino:/ v 

mUfé para talhar peças de vestuário. 



magote 

Conforme .Jiílio Moreira, proviria &3te vocábulo diroctameii 
do casteliiauu nutífute. Miiout* isolado», que seria o vascou 
nttufa, «marco dinsõrío>. Tudo isto me parece proMiMniític 
excepto <[iie mtujotr s(*jn díssitníla^rào de motjnie, que se derive i 
iUtíifv (q. v.) <mouje>, nada teudo o Víiícouço que intervir aq^ 

Cf. o termo /rarfe (q. t\J. 'coluuelo». 



maia 



O Suplemeuto ao Novo Diocionv^rio diz ser o nome 
liugua do lucatâ, ua America do Norte. Melbor tora dizer 
América Central. 

Acrescenta-se qne a ortografia mai/a se niio justitica. ^ i 
mas evplioií-se, uito stVpor ser a castelhana, como poi' t«r 
a autij^a portuguesa, na qual ; átono entre vo)(ais se escrevia ; 
por ser considerado consoante. O que se náo justifica, nem explii 
é a aceutuafão errada, pois se diz maia, e não, »uim. 

mainato 

Dásb este nome ua índia Portuguesa ao individuo que 
u roupa. U termo é tamil, conforme Monsenhor Sebastião 
doltb L>algado '. 



mais 



Este advérbio, do latim raagis, tera em caãtelhano a for 
moit, servindo de advérbio e também de co^juuçSo. equivalen 
à portiignesia max, que è o mesmo vociibido, reduzido por 



* DlALOCTO IXDO^POItTITOráfl Dl OOA, IH «R«VÍSU LOAtOIU». 



AjMtHHa» tto» Dieítmnrina FtiríwjHtan 



fih 



[» ••hucii. Ora« o povo nilo diz matt. o que diz é mais, quer como 

i\ r|oer fomo conjuufiln; cumprindo advertir que como 

,. ..u.í «c usou eni t^pocA rcmotii cAhx. do latim plus, e que 

tempo $nai'i era a forma da coajun^'áo mas: — • K eru muitu 

t»rkdo, miift a donzela cbus> — '. 

uiajor-do-reino 

— «Aleu) ilVstea pontos priucipaes ha ainda uns si^jeitos do- 

"•" '^ ifyre.^ do rfino, çoramandauU'S das giiiirdas di» 

I -.' al};uii!i reiuds o luio dw iiiii major tlf injan- 
í. qtif tkdo corresponde a coiisa alguma» — *. 



mal 



Múl rnlrro: — » Vaccina preventiva contra o mal rubi-o ou 
birdtlbo dns porcos* — '. 
H<tl /yronrtí. — ' As Tiubus vào dando sérios cuidiídos aos 
s, pelo apparecimeuto do oidit) ou fnal branco, nome 
' ■ pí^lofí lavradores* — '. 
ttt fMi ('iuuiuha, u 'inHuí-nV'*'' <>" í?»*'/'/'**' 

maUpio, mclápio 

Nato DiociDKiiiio remete da primeira fiara a se^^uuda 
í»nn&a. da qual tem por cornitela a outra, dando-lbe 

'' ^ - :ibulo niel. que apenas explicaria a primeira 

I' ;m mnir ipie seja mera su|josivíio. Como sigiiifica- 
ilHit-lbfl a de — • variedudfl de pêro doce» — . 



* Oiu KVtb, PeuAHOA u(i Santu Gmaai., in «Kcri^U Lositaim». vi, 

m. 

* J. H. Pmuit JurdiíM, NtVTArt frruNoaitAPUJGAfl sobhh Timor. 

t. p. Ji34. 

" 7^7, in O SKírm.0, il<- 10 de abril Av lOOI. 

* M Ef^»xi>uiATA. ilf 10 dl) julho do IHJH. 



ôtí_ 



AjHJHtHoM ao9 Dicií/riiirtfui htrtnyiK9cn 



A árvore que dá os nuxlâpíon íl^noraina-se maJapetroJ 
veria ser maUtpieiro: — * Possuo uns malupeiros autigo 
8fto mineiros [q. vj» — . 

Tauto maUtpeiro, como nutlapieiro são oidíssos nos díl 
rios tK>rtiigueses. 

A primeim forma, malápio, nas cercanias de liisboa. « 
Sarreim e Malveira, por «xemplo, aplica-se ao lãparo, ou eoel] 
adolescente, como fui informado pelo snr. Martinho de Urederod 
que, com outros termos, o colheu da boca doã v^oi^^ 
acepção. 

muluteca 

No Alentejo, ^herdade («fquena»: — «Aa [herdades] 
nas'dUtiu{i;nem-$e pelo dimiimitivo ile maiafecas ou eh 
coes, quando porventura se pretende amesquinhal-as * — *, { 

malato 

O N6V0 DiccioNÁBio define íste vocábulo como — * 
de meia idade ou de um aimo« pouco mais ou menos» — .J 

A infnrma^ao que tenho (• que no Itiba-Tejo se dâ este] 
ao «bnrregu de um ano, da eria^Ao do ano anterior*. 

malga 

— «As malgas, primeiro vaso que o oleiro do PraíP* 
segue fabricar ê a calote de todos os povo» prímitivoii* 
Se assim é, ;.porque se lhe não há de chamar mahja, 
palan'a c^ilote ter em português outro signifícado? 



■ J*w da 8T1ta Pjcnij, KTnNonRAPiiiA do ALTO-ALBMTAroJ 
tugalíã. I, p. 27-S. 

' HochM Ftffiotu, Att OLAKiAit t>o pRAuo. IH Poftapalja. i. j 




Apoetiiat ao9 Dicionâruiu Porfusueae» 



!>7 



malha, maacha. mangra. luAgoa, maua. máciíla; mela 

ÊstoB seis vocábulos, que adquiriram sentidos entre si diver- 
Xtrm a mesma urij^m, sfio iilótropOíí, lormiu! diverjcntos. quv 
ftrun na ling^iia t>ra diferentes períodos. A mais autiga parece 
maiha \ mar la (cf. tputiho | grae^lum). Mancha, que á 
MHopiinvel a ancho | ampliim. sofreu a nasalização da vogal, 
por influência do m inicial (cf. niãc, em í^^ale^o nai), e em vir- 
tude dtísse amparo do n, o d passou a ck, como âe fosse inicial 
(d chave \ danem). 

Mtiéfoa. (jue ae deve escrever com //<a e uSo //«. atf^nta a cir- 
mMtiucia de o ver)>o ma<foar se conjugar matfóa '. c uào magúa^ 
^Ui) o / intervo<'.áliro, fenómeno muito português, mesmo em 
siUka Atoua (cf. ríf/uf^ | aquila), e é de introdução posterior 
tm outrot» dois aUHropos. Quanto a mácula, é puro latinismo, 
■"^do di> léciiico latino rom tmlas as letras. 

\ accntua^'ao de todos os quatro vocãlxilos é, como a latina, 
ií% jTimetrH sílaba, p4>r ser breve o u da segunda. 

Outn* forma talvez da mesma orijeiu é manifra. a que 

onde o ca8telhiuiu maiufla. como a reipra \ regula cor- 

oode retjla, e que é definida no Novo Dicc. do modo se- 

»: — 'humidade que os nevoeiros deixam nas espigas do 

e qne as iu)[i4^de de se desfnvolvêrem: ferrugem dos trigos; 

Dídftde ou urvalho que prejudica os frutos; * {antigo) qualquer 

i» — . Creio que todns estes significadoa se podem reduzir 

«^í, «niaitclia, nódoa*. 

Como Am mancha, deu-se a ua:^IÍ7.açâo em razão do m inicial. 

ihitm alòtrnpo é wáua. isto é niàifoa sem o g. e conforme 



— <jaerU )H'rili>iir-Uic o Uei Uíníno, 

Que dwttt ^urtt' v> qnÍ8, lhe níii |ior(l4'>i>> — . 
Os LUllfAIIAH, Dl. 130. 



• — Vrtt. ti. 



nu 



Ajiostilas riiu JJichuãrioa Foriuguesrs 



Henrique laag, Traduções popllarks acouianas '. uílo é 
U03 Açores, e está por éle abonado com a seguiute quadra 
jmlar: 

— [EoJ jA não líuíio u quem conta 

Ht:i •!>.' fazvr uinu cuv», 

H« dt' enterrá-las oo ch4o— . 

Não fícum por aqiti os rebentos da palavra latina macnl] 
se acvitanuos a etimolojia dada por K<'^rtiiig - a met/t, o lat 
miujeltti. deiniuutirn de macula: cí. a forma castelhana meí\ 

• 

niathntia, malheiro 

O Xòvo DicctoNÃttio C4)ntém cinco inscrições distintas pa 
este vocábulo, e a meu ror poderiam elas reduzir-iie a troa: m 
Uimhi ] malho, malhada | matitfí. e a .")." do Dwc. — «mata 
L'arvalhos já crescidos. ina.s ainda não adultos '—. 

A estas três acrescentarei duas, citando uiu trecho, qd 
nào sei explicar: — -Aveiro, 16... Na segunda feira, peli 
4 horas da tarde foi lançado [•'ir] á malhada dMIhavo a chalu| 
Modira 1.".—». 

— <Deãde os tempos de D. Diniz que nos uiaaiubos da se 
(de Serpa] foni concedida aos moradores de Serpa pprinis,sS 
para o estabelecimento de fabricas de cera que se denominaram 
malhadas. A malhada era constituída pelo conjuucto du dois 
estabob-ciment^a: uma cerca para respiardo das colmeias, c c«sa 
paru haliilnção do malheiro que é o em-arre^^do do tratamcufa 
das abelhas > — . 

V^-se qne a ace[ifíio restrita em que ali ê tomatla a palav 



< ím • lít^iistK LusituiA», u, p. 44, e notii *. 

< LATBISIífCH-KOM.\NtrtCIIBS WOKTKIIDfiH. rdllorbom, IHOO. 

3 II Kcostnííwr.i, iK- -211 li.' mavy 'K' ]f*9'2. 



ApoMíHoM aos fticiotukrit») Jitrtw/wses 



]t9 



irAdftifri rt>i de*iuKÍ4a d» 4." ajKiutada nn dito diciotiúrio — «ca> 
H Ar past»n*s; curral para gado- — ', 

malhai 

— 'Malhaes sjto buuoos ou calvos de madeira sobre os qiiacs 
stnUin IL.S vaiiilbas iia8 ailegas. Se as vasilhas são toneis. 
Mi «« malliJeít i'iitri> hIIos e os cnuti^iros ou buixete;; de 
án* — '. K tcrnio trausmoDluao. devidainf^nU* abonado roni 
■ triM^ho de carta: — «é preciso tambejn al^nina madeira para 

iiiulbar 

fli/4T '("air im malha ou rí-do*: - «rom tdJa (ródi)| se 
•ecii flu lytva jíiini o toelbo nutUutr á sabida* --'. 

mal bete 



í/o ôr^ãfi da peito *: peças dn tear niiuboto. 



maloca 



^ doi» •>4.^iJtidoâ noH dà o Nôro Diccioxàrto este vocábulo: 
' irraca, rohíTta do ]mlmF.s Rêccatt. habitação de co- 
'"S iiidi^'enas da Aint^rica do Xurte: haiKln de iudí- 
do BruAÍt • — . Nonhuui dos sentidos está abonado. 



-Nrtriiii. Hl' li» de jallio Jp IWW fq. v,). 

:. Nota» tuiHUitftyNTAXK fOfULAit. in 4 A Reviíita». 

ilinhu, RrilxiiOitAriitA AvaKantina. A (^Aça, í» Portugália, 



.'tajpilU,!. p, 374. 




Apoatiíwt ao9 Dicionáno» f\>rtu^ur$eê 



Hil eqiijvoon forçosamente? aqui. Ou a pahtvni iit*rtvncc 
itidios (la Ainériru <Io Nortu. fí U>iii a HÍgnitiuivilo que lhe v 
liuída, correspondendo portanto ao que os \ortamc rica nos 
maiu wigwam: m\ [lerteuoe a qualqui?r vocabulário das lío^ 
indjjenas que uo Hrasil se falam, e que nenhum parentesco ge- 
uealójico toem com as da America do Norte. 

Aceito pois, atú prova em contrário, apenas a segunda acBp- 
çfio, que \*ejo abonada no passo seg^uinte: — «Começa o trabalho 
da conservação do seu tropheu [cabeça de inimigo] iiesU; uieiímp 
local e o acaba mais tarde na sua maloca»^*. É possível p^ 
ri?m que o termo se a])lique paru desi^ar, iiléra de «fracçiio de 
uma tribo de índios bravos do Brasil», também a sua vivenda, 
ou arraial, ficso ou temporário. 

malta, maltês, maltesaria, maltesia 

NSío está averiguada a orljera do primeiro destes vocábulos, 
do qual os outros se derivam, pois a que se lhe atribui, o nomi 
da illm de Malta, nAo merece nem díscussiio nem reparo, eni- 
quanto não f^r historicamente demon^^trada. e duvido que o possa 
ser. SígniticH < matula >, e também casa comum, pousada, casa 
de inalta. 

Mtiltêa 86 chama ao trabalhador rural vagabundo, que vai 
oferecer-sc às herdudes do Alentejo, priucipalmente. K o í|ue os 
franceses dialectanienti> chamam rhvmhietiu. 

Matf.e.tia. íontonne o Diw^kinaiiio CtiNTKMroH.vNKo, é um 
grupo de mali^.feft: mas ua segimda citaçílo com que me abono 
o termo e HMi/í^ífíir/Vi.'— «albergue habitual de mendigos e vaga- 
bundos que, no gorai do Alentejo são conhecidos por maltozes 
— a ma1t«zaria acoita-se em albergue próprio, mais ou menos 
distanciado [da casa de habitavão] * —*. 



* o EOUNOMISTA. >h IH de (lewinbro do 188Í». 
3 J. da Silva PicAo, Ethnoorapbia 00 Alto Albutiuo* m Portu- 
gália, I. p. 640. 



ApoftilH$ <sm JheíOHúrio» J'orítiffHe$es 



101 



J^altfA é i^almeDte o uome que se dá a um ronuosissimo 
[pio. ()« cAr cJDxenta. Bliiteaii ilÍK que é também nome de uma 
lY^i (!<* cios. vindos de Malta. NíLo sei se os gatos assim eha- 

ím vibram tle Ui. 

maluco 

— «A profwísitii de ea^uro ( « casiiiLola ». d*»iiiiiiutivi> ile e/ma] 

ai\3 ()uu ttuthtco no está aittori/^do como demiuulivo de 

$, «00 cii «1 seutido de natural de las Malucas; encuéntraae si 

['t.jfco. bien i's verdad que esotro uo está mal pergeflado» — '. 



mamai tar 

Mzer 'maujoii, montÍIbAo> 
■ nift-ftltfir ' — *. 

mambo 



: — • mammaltar é provávol- 



-' • 3JamlK>. auetoridade catreal, goveruudor, adiniuistra* 

mameluco; mamaluco 

&tâs duud formoií são geralmente confundidas num sõ vocá- 

' Mo. ao qae prednmiua a primeira, com f na segimda sílaba; e 

*'^i.iti4 eU8 aào completamente distintas na oríjem e na signifi- 

^ * pnraoira, i|ui' é a que prúpriamente tem esse e, que 

,L.il ímne apenas paia aiticuliu* f* m, mnmhico. é de 

PU arúbicji. MAMLUK. «escravo» | Nai.aK, «possuir», e quere 

*"T • tem dono». Kra n nome que tmbam os soldados 

I liiLU turca, ao serviço du soldão do Ejipto, e que 



* Rsftnw Jww» OatTTu, AprsTAOioNi» CRCnrAS hohrb bl t.sMtrAjR 
Mrruro, Bogotá. IW\. p. 54». 

I t .. (^ VmCOUwIoí. POKTfOAU i-RB-uisTomro, p. 47. 
• Utinhri, ^AMPAVIIA t>o HAitrli RH 191)2. 



foram espiíigsrdeailos todos jimtoa, por ordem do vic«-ri,M Man 
Ali, em 1811, em razão da sua turbalência, depois de barc 
diirank três sóculos imposto os seus caprichos e a sua iiid^ 
jdiua nus soberanos do Rjipto. A uiibcia era coiniiosta de ind 
duos comprados oa Turquia e no Cáucaso, e or^'ava por Am 
íiomení. 

Uluteuu refere-se-lhe lougamcule, autori/undo-íte c/iui .1 
a citação de João de Barros (2.* Década), e acrescenta; — «j 
livro 8 da sua historia, cap. 4. De incoliif Hianiliae. diz Jo 
Mari^irnipo que ao Bnisil chamâo MameUico ao filho de^ 
Kuropeo, e ma) uej^nt • — . 

Xo Suplemento aduz também a forma vuimalu^o, com ' 
rcucia i^ primeira ace|içfto, «moldado*. 

Assim se foi escrerendo, tanto cá como fora* uniiido-se 
pre as duas formas, como se a segtmda fosse dt<senvoIviia 
du sipifícavilo da primeira; ua hipótese absurda de que 08 : 
baudeirantes e seitanejos do lirasil, meios europeus moios íc 
souÍ)essem alguma cousa da histúria do 1'^ipto inoceletuano. 
ali aplicarem seroelhaute uleuuhu aráhica aos mestiços de br 
e índio, e niSo de hninco e negro, como dissera Bluteau. 

Teodoro Suiniiaio, uo seu v»ÍiosJssimo vstudo u^-érou do i 
HKMito tupi nu nomenclatura coro^rúfica do Hrasil, destrinç 
meada, declarando perenti^rianipnte que o nome de me 
ou. melhor dito. mumalucu. de tá. nada tem que ver coui o 
mamelucos do Kjipto; ])0is, querendo di/.er <mestiyns», ou 
tarados >, é a palavra compõe nheengatu (on tupi) mamá-t 
que se decompõe em mtima. 'mistunir-, e rurti ou Iruiuvi. 
quere dizer 'lirar», significando o composto —« tirado da 
tura» — , ou — * dé proefãenria múrfa* — . 

E acrescenta: — «Não ruro se empregava, entre os tu| 
europeus que falavam a liugua ^eral. o suticso itu. forma 
tracU de vuca ou Irtutca para formur uomus indicativoíij 
orijem ou nascimento do individuo — ^ O r era tupi equí 



t O TUl't NA (tBOHKAritlA NAdtONAI.. tJAIII Fnulv. I!tOt.p. 47l 



r brando |>ortu}íU^s de caro. mesmo ijiiando^iiifial'. em tiijti 
bá / nem rr. 



luatnoa. niãiiioa. Tnaiiininlia. mamiinlm 

— •<)« prineipaes mouuiiieiitos sepiiloiaes dVsta «pocha [pro- 
Ktitríra] . . . silo m antní* e a.s anitUwf ou anfinhafi. qiie pndeni 
tM*rtaK p4ir um montão de torni, cliaiuado pclii pnvo mam- 
fttuiminiui. máinmoii. mamtiiuinhu. mammunha. e aíiida 
tmffvtltttr • — *. 

luanada: maiiadiubu 

l^ta palavra. J|ne s« aplica a rebanho de gado groí^so, como 

■ iHi fttvalo!*. iiio proí*í;de df mpsnniia. pois o s i' letra bem 

era p^irUi^'iu'S, mas. coufonnc .1. Lfite df Vasooni'el<>s *, 

\'mi%nuatii \ manir. tf. janela \ ianuella, /V/m/vVo \ iauuii- 

)m. Maniiditihft, no Minlio, stguitioa «matieheia'. 

mauchna 

it* dicioDãríos dão ésU* vocábulo como siguiticando — < leve 
L.i a!4ÍiUira • — ^ ^ o Nrtvo l>itx\. que traz esta detiiii- 
i-a pinii a pKBKOiiiNAvAn de Kernáni Méude*/. Pinto, e 

:l fiTUKlA TBA.OU'0-MARÍTIMA. 

N* vilíçdo, Iwni incnrreta por sinal, que faz purte da Bibuo- 
' i.i,A!<sir(>r» pi>HTiii;i_'KZKH, veiilOà porém tísta turma com 

rf,_ liií muiUi divfrsfi: — «para deseufiístiai d;i manchiia. 

n;^' »■ iiro peixinho rauitn miúdo» — ^ 



' J. I^t*- ie VEKtonColo*, PoRTtIQAL PKKOIUÍTORIUO. 
' ttoVlifTA I.rMTANA. III. p. *Ít>l. 

' iwl. XLT {rt <1k lfí«t.i. I*a<tr« GiLsiMir AruiMi, « IU'1avAi* «Ia vi^om >' 
^M^i»» ti^VM n MU Sam Fnincitru», p. il. 



104 



ApaiiUIag aon Ijicionàrim PtirtvffuestK 



luuiHluryii ; tnaudurinute, manilaritia 

Como ^8te título de cargo público é empregado pelos europe 
somprc em rclayào à China ou à Indo-C'hina, julgar-se-ia ser 
chinês; creio porém que nunca tal se supôs. A teoria geral, pr 
cipalm«nte professada por esiraiijeiros, è que trunidàrim 6 
derivado do verlm mandar: insustentável dtHitriua, pois 
eictste ua liugua sufícso -hn pura derivar de iittiait/os de verb 
substantivos de ajente. O vocábulo é indico, em indostano mã 
iri. «miuistro>, e a influência do português consistiu em mud^ 
-iri em âari pela influência do verbo inandoí: provávelment 
— «Os soldados o rí^rcaram em roda, fícaiido-lhe no meio e 
suas costas o mandarim regente* — ', 

Um deminutivo de mandarim, inanâarinete parece dcsig 
autoridade de menor categoria:^ — 'O niandarinete que uií ^> 
nlia, indignado contra André, o ameaçou com uma c^iuga be 
pesada > — '. 

O adjectivo mumhrirui dá-se como epíteto h língua, paiu d 
dicar o dialecto literário chiuès, por oposiçilo aos vários dialect 
vernàciilos do Império:^ • aprendendo a língua, antes duas,] 
raandiírina e a própria da terra» — ', 

mandora. banduna 

í) Xrtvo líiccioNÁRio rejiston este vocáculo, sem abonaç 
^én duvido da sua eiistência em português. O étimo que 
atribui, latim pandura. qne é simplesmente o grego pax]x)( 
deu em português bandurra, é possível que por influí'Dcia M 
bica, b por />. 



i P. AutútiK) FniDciso) L^rdim, Batalhas da Companhia i>b Ji 
Usboa, lri94, {1. inõ. 
» •/>., p. 187. 
« ih„ p. 247. 



Ayoalilai aot Dicionários Portuifumen 



Qiiaoto ao r dobrado, confroute-se yuiiarra f kit' Ara, em 

Pê ie d«ii o mesmo feaómeno» ou jior ínfluéjicia tambciu arábica, 

SPD(ln tomados de onrido 05 dois vocábulos, jâ do 

rno, a altftlivílo da antiga distinção entre consoantes 

lobradas âzfb^e que duplicados fossem aqueles n'. 

.1 quem conheci proDunciavu sempre yérrè, e nâo yfrò, 

maneio, maneio 

,0 NúVD DiccioNÀRio acentua como a primeim forma^ eom c 
e define — <peqm>na porfilo de roisas, que pode abran- 
na mio • — . 
J. Leite lie Vasconoclos acentua utxuièh '. 
t poMÍvel qin^ ('\ÍHUni a.s duas pronúncias, como em rasteio 
p rad/h. Em sentido especial vemos empregado o vocábulo no 
iiDlít: — ' Depois de penteada [a estopa] faxem-se d'ella 
,-i„.^ i.ulumes clianiadoíí tnaiieloíf • — -. 



manga 

Mniuii Bio u acepções em que é tomado este vocábulo, de- 
n\.A-. do latira man(í)ca. 

ijã aqui algumas, que uii uào estilo colijidas, ou nào teem 
aboiradaji: 

— • físie apparelho [a arte, ou rede de sardinha) é formado de 
t, de duas redes quadrauj^ibires cliamadas mtimjas.., 
spo«taã de redes de diferentes malhas, que se chamam 
\—tãeaHela, eaçareir. regalo, misena e claro» — ^. 

<Ha até herdades qne a certa altura estreitam bastante, 



RcniTTA I.I^ITAXA. n. II. US. 

r iiti^-Ali», I. p. 571. 

1' K I ittin, \ PBKOA HM HrABCOft, IH Portugalíii, t, p. lâl. 




ptoloDgando-se entre duas visinbaâ. A estes proloa^amentos 
ma-se-lhes mantfas ou atjuilhõejt» — *. Dois excclente-s tormos. 
que mereceriam entrar nu lingiia comuin, para expressar o que 
para aí se (Jenoiuiaa ít francesa enclave. 

Man^an-ile-wlnãò: ave marinha: — * On était entourê 
tnanifOfi de veludo, manches de velours- — -. 

— « Algumas mangai de cavalo » — : • hostes, compunhiai 



manga, mangueira, mangal 

Fruto asiático, que dir^cn ser um dos melhores do mu 
quando é de boa qualidade: os que tenho comido, provávolmí 
por não ]ioHsuíretn este predicado essencial, nuo sabem sen 
resina. 

Conforme Yule & Burnell ^ a [ralavra mmuja foi difuod 
pelos poitugneses, que a rcniedarani do túmil mãn'kai, 
da mauÁjtwna ■ . a qual se chama manmrnm. 

Como em malaio a jialavra dravidica tomou a forma inai»\ 
que na boca do vulgo se profere mantfja, temos daí derív^ 
directamente a fnrma imrtujrucsa. 

Ksia última jiouderavão tem por base o que h este reaii 
disseram os autores do (Glossário, e que não estou liabilítad 
criticar. 

Mmujnl ê uma mat;i de mamptemift ou árvores que 
manga; tem outra signiticavi^o* porém, a de • mata de nutnA 
(q> vj, que é uome de outras án'ores muito diversas. 



> J. Jft Silva Victiu. Eru.N0OKAFiiiA no AtTO^AtKMTKJo, im 
tagnlia. i. {>. 27*). 

' Jiiriou de la (iravícre, I.Bfl Anglais bt vt» Hollandam 

USS MfGKft POLAIRB!^ BT DAN9 I.A MRR DRfl InDKR, Pari». 1K!M). |l. 148. 

* P. Antúiiio Frmu-ixro iVtliiu. Hatauias da i'uHi'AMnA dk J» 
Lisboji, isyi. p. 35. 

* A GiA}ãdAKY ar ANat.ú-I.sbiAií woaud, Londres, 1696, 



Afionti/uii noa DirionAríott hirtugneèní 



lo; 



uman^o, maugueini, mftut^tieira 

' ' Xovo DiociuxÃuiu (]Í2 ser nunujo a vara mais curta do 

miit^ai (q. V.), e o mearno diz Francisco Adolfo ()oelfao, no 

ííio Mancai, etvmouiqioo, a resiMiiU) de mauffiíeira. 

^ rira. 

Júsqnim de Cantro Lobo aHaiiv», )ielo fontrário, que man- 

I e mrinffo são o cahn, ou vara mais ooinpriíla '. Ten» ratito: 

xnxAhnutt mttiujti. • cabo • *. 

Uistíta os noÂSOS dicionários que miiii;./ttít{ vem Ue manffo 
4- «íf. -fjí/. Seria uesse caso mantjal, como de ntDranffo. tnoran- 
fd. O vm-jibulo |iror«de iniediatainenUt do latim maiiuule J nia- 
■' Tiicdiatiti* u consímautizaçàn do u em //«. u pi'qut*na re- 
'►•-ni lOiíi tunmju ou mnnijn J inaitioa. 
OoiUionaotrâiyão análoga é a de miwjiuir \ tiiiuuure. de 
iíp tw italiaiitM fizeram ineunvart'. coro c por «. ao passo qut* 
lu Pfiiiiii.Hiila Hispânica tui prvtrrido o ^rupo ijn para i'\pressar 
a coiunnuntiuiviio do n. 

manj^ue. inanjrii, mangal 

K wmw de várias plautoíí do Brasil, que naila te4<m que vi?r 
\ nuiuijtt da Índia:— 'há á proa uina pvya fciUi dt' niuri^ni. 
uju.j<rirj do Brusil • ^. 



* A li mAflana, a inf hoj, 

ftU' iniuiilo P» an faniitmgo, 
to TÍencs, y yi> me vwj. 

(vqiruncvib), Ki. Piahlo Mc^m), t^uil i iv. 
• II 8iKn:(.o. d.p 2íí Hf wqtabro 'Ic l'.«»I. 



108 



AfHMftila» OM DwiAttâi^OÊ PortuffueM» 



O nome genérico de mangitr rlii-se tiimhém às árvores qi 
teem as raízes na água, à beira dos ríoB. e que em ímncra 
dizem juilétuvteru: — «A repressão no rio, pelas circumataucias 
eepeclaefl do mangal que orla o rio» — *. 

— «Anore que forma nas praias salgadas, nos lodos ala 
gados, junto do mar ou da agua salobra do curso inferior 
rios, matas densas sempre verdes, de um typo particular, dei 
minadas mnntfaes' — *. 



mangustão, mangostHo 

Esta fruta, que todos os que a comerum declarauí ser 
liciosa, dá-se principalment* no Arquipélago Malaio. t? na lio)) 
ali falada chama-se maiiufuiita, ou m/hiiif/st/tn. de onde os 
tugueses, entre íles tíarcia da Orta •', forniaraiii o nome quo 
deram, e do qual as outras línguas europeias derivaram os 

hlste nomo é independente do de outra fruta aHiáUca, 
nHinffa (q. rj. 

O plural dado por Orta ú mango^iàe», talvez porque, esc^ 
vendo mangostam. pronunciaria mangoatâ. 



maiiba 

A esta palavra, que dantes signiticava < babilidade • e actua 
mente só se emprega no sentido de * ardil», dâo-se dois ^\.\n\t 
um, o mais aceito, é o latim manta, conquanto o signiHc 
pouco se lhe acomode; o outro, proposto por KOrting * è o lat 



' ÍA., do 19 de maio lio 1901. 

' Cond.' dt' FicilUlo. PLAÍJTAS PTRIS DA ApRICA l-OHTUOfl 

Liabua. \mi. |>. Itil. 

' CoLlktCIOH DOB BIMHI.BS K l>ROOAi< DA ÍNÍ>IA, LUboB, U. 16 

p. I«l-ltt2. 877-371Í. 

4 LATB.xi»CB*KOMA!íitit;Bi» WORTBRBUCii, Pidt>rbom. 1690. 



mschina. Pani corroborar vsia tftimolojja Umos u fraucès 
tiul^tAl magrucr, «moleiro>, tle nittcbinariíim. 



manhã 

Kd TnU-09-Montes diz-se manhã, como antigamoute, uo sen- 
Mo em que no resto do reino se diz amanhã, isto é, < o dia se- 
poBte àquek» em que estamos». O mesmo acoutece em caste- 
kmo, onde com u meítma »i^uÍtica\-âo se diz maiinua. 



maninho 

tete »lject1vo é aplicado ora u animais, ora a terrenos, e 

• si^itica «estéril»: — * Uma das palavnis com que se 

im os terrenos vagos o iiu-ultos ttutnhiUo • — *. Aqui está 

«•tiTo -iubiitautivado. 

\ fl«r Terdttdeim a etimolojía pro{>osta por G. Baist ^, um 

!j*!I! motiHHn, <raido>, roíTeãpondcnte ao vasconço mamío, 

1' '\\\*í »p tivesse deiivado o adjectivo manninu^, o epíteto 

teria àài\ primeiro aptirudo a iinimais: ainda hoje se diz cabra 

lha,, £♦ at« da mulher estéril, — «que é ínaninhn* — . 



mtmiorru 

Eoeootrei esta forma no trecho que paâso a transcrever: 
^«Talknigo. lâ... desloc^udo-se o hateute do tambor, que 
wnr de tnirào, a manjorra recuou com grande força» — ^ 



■ Ubrrto SuDiioio. Art • Vuxas» do nurtb dk Poktcoal. in Por* 
>.r^Ií«.i. |i. 117. 

' l^rti^Mtiurr fOK BtíMANt)tc:iiEi Ptiiu>u>i;iB, xiv, 1S90. 
- o K< «'NOMiNTA, ilc M ik af;uxtu tli: lHír2. 



110 



Afioftlilait Htm £hii"nàrion FfrtuguetK» 



<; Haveria aqiii erro tipográfico por nvitijurm. que na localidade 
substitua o mais usado abtuitijarra, o qtial é o mesmo vocábulj^ 
sem o artif^ al-? Não ouso afirmál-o. 

A forma nrábieu ó AL-uaGURRK. • o pau torto du atafona 
nora, a que se prende a besta-. 



ma nojo 

Este vocábulo é nsado no Alentejo, e é ca8telhanÍ»rao 
antigo, visto conservar-se nele a :tnti;[fa pronúncia do j cast 
tbano, igual ^ portuguesa; oorrespoude-lhe ua âi^i)ifi(-a(;ão e 
forma molho (=^mõlho), como aquele, derivado do latim mi 
nupTum. «feixe», mais português, porém, visto baver perdid 
o H intervocálico, e o grupo r} haver produzido ih, e uao ,/. 



manta, inantana 
Na ilha da Madeira é o nome que se dá ao - milhafre * '. 



mantedor, mantnwdor 

O se^fuudo destes vocábulos é indubitavelmente castelbaDigoio, 
ao qual corresponde a forma portuguesa uuinteâor, usada pelo 
cronista Uui de Pina: — «para que a dita Infante [0. Uriatiz] em 
soa vida e por seu faíecimento a Senhora D. Felipa sua irmã, oi 
I). JMogo duque de Viseu, e o Senhor Dom Manuel seus filb 
com seus alcaides e eapitáes fossem os sós e principaes mante- 
dores e seguradores das ditas terçarias [territórios ueiitroSt entre 
Portugal e Espanha]* — '. 




■ ErncHlo Schmítz, Die VOuiol Uadkiiub. 

• Ckònica i>E E].'KBi Dom Afonso v, cap. ccvl 




.^mtilaf noa r*Íeio»áritM ForiugnctirH 



111 



Coufonoe Júlio Comiu provihn este vooubulo de natta- 

'm 1 natia *. De todos os títimus propoHtoa é fóite o mais 

«l)stant*í a troca de w inicial em m, a qual niio é 

-, \el, jiodeudo dizer-s*í raríssima. 

Mttntrigttria v wvd Deolojif<iuo bem feito, e ^ignifíca «o local, 

■ !*?cimenlo, em que se fabricam mauleigas ' : — «Nem 

oinott o leite magro uȉ mauteigarias para o fabricar 
t 



mão 



■joihulo, |>or desenvolvimento de si gni ficado, é talvez o 
íiiguês tem maior niiraoro de aceju-ões, já só, já 
\\tí e|>lt*íto8. 
A<|ui vfttio dois, da segunda catogoria, que suponho nâo ba- 

JTsIados em dioinnários, 
;-.. . :...--i>a-Monteíi deuumiua-se mãO'fraHa'sn o que cha- 
Bn riga; mi'io-<la-barca é o «cabo da rede». 

mapira 

— •(Tma bebida extraída de mapira [sorgo] branca, a que 
^inbe*- — *. Álrica Oriental. 

mapA 

^ff Diionié dÃ-SG èoite nome a um bordão, entortado em uma 
|irDUi4 i*fn forma \\t cajado, e coberto de ornatos de prata. 



< tiUrMUIILAA t<HR RO»AXI8('HRN PlIll/tLOdTn. I. )i. 7l>3. 

* f- ■ Je Cúaifi, l/t DtAiuo PB Noticias, d« 10 <le maio tly llKV». 

UAA l.'UU>MAH. ilr> '.Vd t\f iiiaío lie \\^\'A. 



1 1 ti Apontila» aos Dicionário í^rtugttfMEt 



m 

Alaudani-no como sinal de saudação» e usam-DO como 8« fosse 
cetro '. 



niaran merar 

Significa «matar», como termo de jiria: é o cah^ nui 
merar, que tem o mesmo siguiticado: — *Jã o marei, como ntl 
dissesse í^ue já o tiiiba ferido de morte» — *. 

O Novo DicciosÃJtio já rejistou o vocábulo, fiem ahoná 
nem étimo. 

K provável que passasse de fclapauha para cá, pois 
merar, que também significa «morrer. Tenecer», entrou na, 
castelliaua actual com a forma remarar, <ac:abar. morrer j 



marasoa 

O Novo DicoiOKÀJtio declara que esto nome designa- 
riedade de cereja azeda, que serve para o fabrico do mu 
no> — . Xflo me consta que exista em Portugal a variedadíl 
cereja amarga {e njio, a/.eda), áv que os italianos labricami 
mnranqiuno, ou, como mis dizemos, marrasquino, e que se dl 
nomiua em ítaliauo marosca, por amarattca, derivado de mti* 
* amargoso». 

Marosca, com ciUeffin, «cereja», subentendido, quere dt« 
pois «(cereja) um tanto amargosa». 



* V- Carlos Riuéniu Correm da Silva. 1'«a viaoeu ao mtai 
XKNTt» 1'OKTitoreK DB S. joio BAin-iTTA OS AjudX. BU 18(15. 
I8'"ii, \\. 30. 

« o Sb(«.ti.o. Ac Uj .)<. *o(«inlir.. do 1900. 

* \iidM\ S.ilillfl.. El. OBl.lsuirBííT» IISI-AXOL. LbNQUaJB. M^ 



Apaatila» aoM Dieiouiiring Partutfueseii 



113 



marçalÍDO 

r^ste adjectivo popular signitica < pcrteticente ao mós de 
;^>*. e tiSo eatá rcjistado em uenbum dicionário: — ^Lua 
, se pegn a chuva, terao-la para um mez» — *. 

mareiro 

Énc adjectivo, muito usadi) como signitirando <do tnar», 
por opoairao a terral, com relavflo ao vento. nSo figura nos dí- 
fiOBirios, portu^ese»: — «dada a extensão da zona em que sao 
M meamos os efTeitos doa ventos mareiros • — *. 

marfim 

Kcta piaUvra adquiriu modernamente uma acet>ção especiar 

ííimtLf poiu serve para designar uma qualidade de queijo: — 

- realmente primoroso denominado «Marfim», typo Ca- 

duma parceria de agrónomos nossos»—^. 

María-das-pernaa-cotnpridas 
£ nmst expruiUjâo popular engraçada para de.siguur a < chuva '. 

marimbas 

— " Km al^nií pm^os de Sena, e soI)retiido em Tete. ainda 
•-vpaes usam marimbas, íonnadaA com re^as di.^ madeira 



' M .. :;n.i lU Mra[diU, O TIO PRORO. 

I Dr UU* <lf CMtro, jfi DiAiiio ds NoTiciAe, ii(.> 10 de luolu ãe 1900. 
•— Yo«.. O. 



(umas 20) sobre cabaças, sendo o coiijuncto li^ilo e forrnundõ 
uma espécie de ineza, transportada... ao pescoço do tocador» — *, 
Xâo inclui aqui este vocábulo como inédito em dicionáríâs 
portiijriiesfs, mas sim para o explicar. Dizomus marimba9 « uAo 
marimba, porque o vocúbulo monmha. tanto etn quimbundo, 
como em outras línguas cafriaes. quer da costa ocidental, quer da 
oriental dt* Áfrií-a, t* plural, perti-nceudo ii classe dos nomes tj 
náo tendo i>retícso especial no singular, recebem o preticso 
para iudicaçúo do plural, que também poderia ser mirimba. 



mariquinhas 
BIm Caminha dú-se este nome ao mal-me-qnere branco. 

marisco, mariscn 

Como adjectivo, vêmtv-lo na designarão de iiraa varif^dad^ 
truta, na locuyão truta marisca. 

marmelo * 

Gm Sam Mi)rue1 dos AçOrea: bebedeira '. 

ninrni^l, niarnota, mamoto, maruoteiro, niamotal 

Ú Xòvo DiccioyÃHio rejistoii o t«rmo mflmoío, como a 
rtcAJido o ■ homem que trabalha nas marinhas do salat u que 



■ Ax«v«do Coatinhú, A CAJripA.vBA do B&rué sm 1902, tn <Ja 
il&x Cub»nÍnH>, do 19 tltí ugosti» (l-j liHVi. V. HonriíjUC do Carvalho, Expi 

QlO AO MfATlAXTTA, ICtHNOORAPUIA, Ltobua. \^W, p. 5>Íd. 

s OSsouLO, ile5de jnlbode 1901. 



AposHia» ao# £tici*mári(»i /WIi^umac 



115 



Wra fri tom riJaçâo a inarnuta, i\w, cimio o CoNTEVPimANEO, 
r»larwDon c^m mamei <t'Ain|io al.-i;^aflivn-, e 8cm dúvida c 
<rrt4». Outro t«uito uAo ilirei a respeito da relação que estabelece 
Bitnr Hte^ iocábulu8 e mttnui. fH>r manfn. 

MnrtuitHru. Ml individiui (pif aiiuvllia ds talnileiros onde se 
Li ;k1 >, tj]ç:uni em umUos os dioíotiàrios, mm era nenhum 

n-i marnofal, qiit* fni praprppido no segiiinlfi tr*^ 
— .'.„;iii de Avfiiío: Mt Itimpo vario, mas pi'edoniiuan3Q 
n 4i c«nt*ter ínveruoso. tem atrazndo os trabalhos maruo- 
Ufí' — *. yuere isto dizer «os trubuUios das mamnUs». K um 
í*í>lnnimo indiviílua). que o Iec5Ícõ(^rufo tem o dever de lejistar, 
mi> -jiit' '• Item |totuM teliz; lUáfen da preotMipação qtie muitos 
^-iiiured modernos teum de que. a par de o^ida substantivo, liá 
út liâter um adjertivo, bem ou mal formado, que lhe corresponda. 

lua rocha 

• BiLrr«ucoi(. . . atlrahidos pelas bellas espanholas, ou ma- 
' "Vt.tv. oome por que sâo conhecidas» — -. Km Barrancos toda 
'^'utv fala rjLstelhano: t* poãsive] i(ue seja tenuo provineial 
»''|;iiihíd; riâo figura, pon-ni, uo Diccioiíabio dr la Kbal Aca- 
ií'<i\ OB là^ LKiíGUA, ediçào de 1899. ,;.Será detuinntivo de 
Mu' .« '' 

marrar, marrado 

<t >dje<rtiTo partici)iial pressupõe um verbo man'ar, que não 
•B K «liste neste íCdlido: — * Atlinnam-uos que se está ven- 
4/ndn ero varias tabernas da cidade vinho marrado, nbsoltll 
iw-ite impróprio para consumo ' — *. 

Qitd seria o significado do adjectivo é o que uão sei inforn 




rk K<viienwi9iTA. dl! 2S At «bril Ac 1^99. 

ihrn rle lf((K>. 
■ •i «O KiM*nniiiiata»,ila 28do a^i&tu dc1)^88. 



^^ 



116 



ApoKtiífív atm Dicionários ihrtuçueseâ 



Futuro do vorbo nrcnico moer | mãer j maaéroi difei 
de mnnei, jiretériU ilo verbo tmtrrar '. Cf. o ca:ít«1hano qi 
'quererei', ile quet'et\ 

marrucate 

No Ãlonltijú tem este uome o pilo de ceuWio que se dá, 
thado etn água e leite, uos cães e ao gado. 

martelo, inarteleiro 

^«0 puiz usUí cheio de rnixordias, «liiirrotatlo de 
a murtello... Sabem os poderes públicos, porque canh« 
e convivem com os marteleiros» — *. O sentido de vit 
martelo é evidente: quere dizer «vlubo aldrabado >, e a loed 
a martelo j{i pertencia A liugua comum, querendo dizer <ík fôr 
*sem dever ser», 

(baile de) mascarado 

Km Portugal ehama-se baile de mascwas ao que os fraoo 
chamam hal magique, 

No Brasil, ao que parece pelo trecho Be^çuinte, é usado o] 
licismo baile de mascarado: — • Na cidade do llio Preto, 
vincia de Minas Gemei;, houve no domingo do carnaval um 
haile de mascarado * — ^. 



1 D. CaroUnu Miclii^Ud ile YHconcelos, in Rbvibta Lusitaxí 
p. 172. 

■ DiAKio UB XoTtoiAB, «1« 10 de agoito de 1903. 

" O EooNouiírrA, de â do abril de ldã!>, OornspondencU iÍq : 



ApotiUn» am Oitimurinu Pi>ftuffH«9fS 



117 



raascjite. mascatear 

O DiocmsABio CoNTEMPoRAJTEo defioe este verbo como bra- 

tiro. com a significação de — « vpiidpr fazend^ít pplas ruas» — , 

«a/<r. como tAinboin brasileiro, siifuliíeaudo — « vendedor 

it«» — , Nfto dá attoiwvâo. Eis aqui «ma do verbo: 

Bt4} homem |um árabe) disso mais, que andando ba dins a 

ílear í?ni Itapenierim, Kstado do Kspirilo Santo» — '. 

Urfte bem que o verbo prncede do substantivo mascute, e 

' nflo é maiB que n nome da cidade de Mascate na Arábia, 

|n na acep^'âo, primeirument^, de nm habitarito dela. 6 

s, d« um mouro asiiíiíro (jualquer, que oxercc comércio de 

da ambnlanto. 

mascoto 

lia Fula. ferramenta: — «A /u/a é uma operação feita 
cbuma<tos piMes «m mascotes» — ^ 

masmorra, masmorra, matmorra, mataraorra 

M três fortnas a única usada boje c mnsmorra: a sc- 

• -'loíTrt. durou emquanto. ao menos jjráíicaniente, se 

r com rijçor s de v medial, r de n. ss. A última, 

I, é a qoe mais fielmente representa o seu étimo arábico 

' tráneo-, propriamente «silo», on cavidade áub- 

--■■ arrecadam os cereaiu, mas que também servia 

e. k mudança da ' em f e depois em s foi ilevida a nâo 

iipoa portngqoíea os de /m, (cf. o popular htfari^mo. 

ritmo}. Na fonna mafatmtra, que se não tornou vulgar, 

o grupo peret^rino iutercalaudo a vogal n entre o / e o m. 



J O Ecov<*MtirrA, de â(l <!<• nnrcnibro d« l»!)tl. 
fsrtvgalU.i. p. .177. 



118 



Apontiínt aon iJicionàrioa PorhtffíteBen 



His aqui uma l>oa detiniçílo do termo, na sua prímitivu s\\ 
líc^yâo:— «Sito as luazmorras umas cnvas grandes em que õs 
mouros recolhem os cativos de uoute pelos terem mais g«giiro9« 
e tem uma stí boca por onde decem a ellau' — '. 

Oileriam jiortanto das aéjaiutA (q, v.), i|ue eram simpl 
prisões, sem tumunhas cautelas. 

O passo refere-síí ii Harharia. 



massaretti 

DaD^a de pretos, assim chainiida cm Marromeu, ua Al! 
Oriental Portu^niesii ^ 

massolar. massolado 



Nenhum dicionurio traz este verbo, ou o seu particípio, 
duvidoso se a escrita com xx é certa, ou se deverá ser coi 
A 8ÍifDÍfica\'ílo é «quebrar», quebrantar, como so diz em 
lhano. — «8. O Marquez que foi de Távora Francisco de 
Inspector e Director da Cavalhiria du Keino: Morreu rod; 
massolado vivo > — . 

Com esta 8i>briedade se dá noticiji dessa cruel morte íiiflyT 
por instigaçiio do Marquês de Pombal, e mandada eiiHuitar com 
a assinatura do inepto e perverso rei Dom José r. O documento 
intitula-se assim: — • U elação das U pessoas que foram punidas 
IMjla infame conjuravâo contra a Fidelíssima Pessoa e pre- 
cioaissima Vida do nosso beneficentísBÍmo Monarclia o 
Senhor D. José i. Na praça do Cães de Delem, cm 13 de Ja- 
neiío de 1759» — ^ 

(juein se empenha agor» por erijir um monumento ao ferinft 
Marquês deveria erguê-lo ua(iuela praça, dando-lhe por pedental 



1 Jerúoimu Av Mendu^n. Jornada dm Ai^riua, i, cmp. vi. 

• JOKNAL DAtí 0-OLOKIAS. tlp 18 «Ic julho <le 1903. 

* C0I.LHCVÍO [>IE I.COISLAÇÃU PtlKTVUrElZA, l7Jtí-17tf2, p. I 



' ^ |i>3 n(i/.r supliciados, qttc foram reconlicculos inofent4»s 
'..I posterior, tanto ou mais lejitiina, poiá niio Ibi o pa- 
ivir que A diUtii, do qiit* ãqiiula por ipto rnracit condenados íios 
p liiírliaros tormentos. 

,- , ..u .1 adula^Ao Tilissima o i^ervil, para alcunhar de 

K«Q9riceDtii«ttíuio, oum outros superlativos, o aiit<5mato co- 
nailo. wpócie de innuipanso eitropeu, que sóiueute servia para 
:i rlianrela da sua anl^^ridailfi à vont-ide sriprpma do Mar- 
uja nu'MnlrÍa se não lavará jamais tia rtípujíimult* nódoa 
t\Dê aquelas atrocidadt>s iui'it«Ui e já (^xt«mporáui!as llie dcisarani. 
.nr ({w sejam m uervi^oa que i\ uav^o prestou, e por 
■ que fossem, como foram de facto, a um enerjia. e «^ ^fn 
I* tacto administrativo. 
XaqiiuJeí tvmpoâ ominosos a adoração convencional pela 
1 dn rei ora levada a extronio tum insensato, que o tra- 

''.Hpanbol do TUATTATí» DKI hBl.lTT! K DKLLK PKNE, do 

li*A(!m>rit« Ctisar Recearia, no qual todos os caítti^os corporais, 
•rtiiras e as mortes afrontosas haviam sidft eloi|UHnte- 
.;ieua'lo8. dizia nu I'rõlo^:o: — • á fiu ile con.servar il(!sas 
jradaíi personas õ iuuiunídad de los Soberanos, no hay 
i>j« pueita Ilamarse excesiva. Kl suplicio mas estudiado. 
mov inferior para SJitisfaoer la naturaleza de tau expcraldea 
■ . ■* • — '. Svui fsta vilania, nAo irte [M?riuitiriam a ]mblica\'ilo. 
^^■U corante tnidutor. sujeitou-se a alieuar assim toda a in- 
Pwar-ia hpn*'rird da obra imortul do generoso advogado italiano. 

iKx-ítr, nàfi 9ó ern português, mas, pelo menos taml>^iu eui 
feucipâ. mtiitir u bivhtt (tue*' h ver/, por tomar, em jejum, qual- 
^«ff bebida. «Ic^iílicu. em ^eral. 



msta-bicho 



iKATArHJ VK UW DCI.tTUrt Y UH LAS rKNAH, tTAffaddo dd íflllílUlO. 



120 



Apostita» tws Dieionàrim I\>rtuffiu»r!» 



A expressilo passou ã Africa Portuguesa* deDominando-sa^ 
mata^irJio, naturalmente, já, ua bOca de pretos. Desta ar^pçâ 
* oferta dt* bebida ■, passou a locução a adquirir o sipnifieado 
« dádiva >, e é de presumir que os indijenas africanos, oouquan^ 
tulem melhor ou pior português, a empreguem sem saberem 
valor exacto, uem do total da expressão, nem da opoi-tunida 
do seu uso. Assim, denomtua-se ua Áiríca mata-bicho uiu míra| 
mais 011 menos vnliintário, maíí já costumeiro, iudependrutr 
preço da permuta de géneros, ou prestação de serviços. 
Sam Toiné dâ-se este nome a uiu presente de roupa, feito aui 
mente a cada preto contratado para o tmbalho das roças. 

matapulga 

Este substantivo composto, ligado tara intimamente, que i 
primeiro elemento perdeu a acunliinção própria, «ij^nifica cm Tr 
•08-Moutes certa herva do mato, de que se fa7«m vassoura:». 

Assim fui informado ]ior individuo natural de Mirandela, qfl 
profere a palavra mtttqjiúUfd, e nio. nKifu-jttilifu, devendo ro 
seguiutemeule escrever-sc sem linha divisiiría. Veja-se. sAbre 
emprego sistemático do bífen o que diãse ua minlia Obtoobaj 

maticar 

O Novo DiccioNÀRio traz este verbn num sentido em ql 
o uáo conheço: — «dar signal, latindo, (falaudo-se do câo que 
na pista da caça)» — . O siguiticado seguinte está abonado 
expressamente definido: -barrar, rebocar cora barro •: — ■ 
elles que constroem o madeiramento e cobertnra das palhotas»! 
as mulheres que lhes maticam as paredes — MaticatluK — Forí 
das com barro» — *. Ignoro se o termo é só africano. 



* Liabon, VAH, y. Is2, IWJ. o urine ipaliiitínlo & p. 213^ 
' .^kcvkiIu Cuutinhu, A campasoia uo B\ruA km 1903. tn «Jor 
JjM CvliiDÍfts», de dO do junho dv llHH. 



AfinâtiJa* rwí THHonArin» Potiuffnrues 



121 



TTiato, muta 

K«iU fkaluvrA. com dolâ ^neros, qiiu lhe diversiHeam Bubtil- 

a ãi^itieação. è áei orijein até a{E;oi*a itilo Item avfrígiiaila, 

qué Dtlo sei coQj quo fuiiilanieuto os lec^ioú^iafus mais 

stas, Gomo Ibim r.bamou o bra^sileiro Migrais, a eucrevem 

doia ti. Na oriogralia aqui seguida, da (|ual bauí a;j letras 

-'■■• ■- V i para a prominciaçrio, vai escrita com um fuS f 

.--At\ (|iie por este molÍi'ft íura desitaliiiia. 
i/fl/fi implica a idea, mais ou menos explícita, th* « bosque 
M (]Í7.cino>} ;i matado lliii,aco; mato, iiilo sóm^-nte 

. ^Ljial*. mas tambHQ a de • espesí!ux'a (le arbustos 

•• serras alt^s -, e por isso se diz mato rasteiro, para se diíereií- 

(V 4« rftak* tjronifo, que qiiere diz«r < selva basta • d« árvores 

éijmrto alto « di* naáceuça naturaJ, seiu inlerveii^'âo Íntt'ni'ioual 

knnia. MnU^ftoii^o é, como se sabH. o noiíi*^ de uma proviucia 

u BruíI. e o uomo foí-lbt! dado no tompo do s«u dt^scobrimeato, 

io às densa^í ^vhm que a cubriara. 

iiirt Francisco Cardim emjtrcfíou mato uo seutido acima 

- * ficaudo-lhe |t*Ia jiurte do pueute um mato bravo» — *. 

Sa cbJA» dos ladrúcs do Pi^rto, a fjrmide mata tí «Lisboa», 

ia^unflía maia, 'o P>5rtO' ^. 

matula, miiiulat matiili (;-'); matilba 

I de outras, tem duas acop^òc^ diíitintas a palavra ma- 

t m«lbor, hú dua.s diyòes diversas que se reduziram a 

1104 rrniiti fnnna, visto que seria difícil, se iiAo impossível, que 
lo ^oílw^ dftsenvoUimouto de RÍgiiifíea^*HO. ou emprego 

licAva. e não sei se aiuda em qualquer parte do 



> Katalhai* [>a CoMPAXHtA Dic Jesi^a. Lisboa, 1494, p. 2I<'k 



122 



.IpmlilfUt nos DicioHúríoH FbrhufUMfn 



reino significa, -torcida*: — «Muitas alquatifas estendidas e 
cabtiyaes dsiquelles del-Hey muito grandes, e yslavam iiresõ? 
em cima delles Inius candeeiros grandes de ferro com az^ 
ou inuDtuiga, e eâtuvain quatro matulas em cada cuadeeiro. . 
entes mesmos caudceiros costumam files trar^r por tochas* 

fiste treclio oferece ioU^rêsse, nâo só pi'li> vocúbiilu ti 
iiliis ainda [velo eHipr<'go de outros dois ronUral e rnutlefii 
no sentido que teem actualmente: Isto é,mstiçtil (já menciona4o 
uum documento de 1283 * e cujo étimo v desconliecido) no d« 
«snporte para uma luz», candeeiro, uo de dcpt^sito de óleo oti 
gordura, com a competente torcida, que era a muiula. K &ibii 
que em outras línguas románieas a palavra correspondent 
raníieeiia. cattiiefero em castelliano, rJtamteJier em francís. 
exein^rio, designam o que cbauiamo^ castiçftl. O Suplemento 
Kôvo DiccionJIhio rejista mafuh, do uiesmo sentido, mas 
o abona, pelo que stiponlio ser erro tipográfico. 

Kh aqui outra abouavâo de maíuhi com signifícaçuo de < 
cida » : 



— Rnipire8tiu-iiic Ú{t a»iti', 
Qae M 10*? twcft a iiintuU— *. 

<^uanto a outras matulas, mais duas. direi o seguiote; 

MaiuUt, termo brasileiro, definido uo Novo DiccioirJ 
(íomo fiíiruilirando — 'farnel, alforje— é para mim novidade 
ignoro a orijiMn drde. 

Mutulii, do mesmo dieiouário. com o ^ngnificado de — • 
em que se urina > — é vocábulo latino, e deve arentuar-se màU 
(matnlal, o que das Krratus consta. 

Nlngnimi u emprega já, a não ser como termo de arqui*ol€ 

Quanto a mtifnlít, no s«!Utido de «súcia, ajuntamento de 



> ItriTOrHO DA VIAUBM DB VA8(10 DA OAUA. litKboa, 18G1. p. 63. { 

* IiMontiriu Ao xemar^i *lx i^rrjii iU> ísinu M»riii, d*} (iuiiiiii 

O A H{'IIW)IX>0O POltrUGCk:*. X, Wj. 

' OU Vicvnle. Pranto db Maria Parda. 



'*» 



ÂlumUtau aot VMonârtoe TrtrhitfHfíteii' 



123 



istima (• i^rverpa % ê ij^ualrneDie ileitconhecido o seu étimo, como 
1» I* n <lo tuaitlha de cães. e Uinbúin. lio Dorte» de 4iDalfeitoruS>. 
«HaT^rã conecsão i>Dtre os dois vocábulos? 

mauindo 



O Su|d»>[n(Mito ao Xõvo Diociokáhio escreve — •mahundo, 
M ute^ maúndo — . Nem uma uousa, uem a outra: è mauhiffo. 
|JamI de rtuiiuh, ijue era quimbuudo ê o uome do pulex pcne- 
Iriiií ', 011 bicho-do-jH'. Piussou portanto ao jtortufíiiéa rom a 
f"rnia Uo )dunil, em ve/. du do siuguliir. talvez por ser aijuela 
mb fhfqficute. 

maiuuguzo 
— «X^-st^i visita (maxunguzo)' — *. É termo cafrial, usado 



meã, medo 



E:jta lorma femetima do adjectivo meão (do latim mediauu- 

iqa- ! médium, «meio*) é suhstautivado em Trás-os- 

>iiit« 00 scbtidn especial de designar uma peça du mangunl: 

^'Km Trá5-ofr-MoDt(>s dá-se o nome de ra.-fuh a uin gaurbo 

Ifrrpo do maut^oal, e o de meâ u uma das correias» — ^ 



uealhii, mealho (mialha, mialbo) 

- • A raeio do orreiro fq. v.] ha uma pequena cavidade 
vtttíí» entra ama plana de ferro quadrada; í a meaUut — n^este 



i>fii>iuiin lia MnU. RnaaioubDiccionario KiMBi''ííDir-i*ORTunncz, 

ivAL DAA i>)L4}MIAA, (le 'Jl) de junlio ác 1H03. 



[o oireiro] há ins€>rto a^uma peqnena raviílade iirn qiiailradinli 
de ferro denominado mealha * — *, 

Velo que se leti, parece serem uma só cousa o mful/io, 
a mealha. Estuo ambos os vocábulos escritos com ea, conquaa 
certissimamente pronunciados miâlha. míálko. Se procedem dft-J 
mediaculum, assim devem ser escritos: w não, « preferirei i 

mecha 

As imicas acepções portuguesas deste vocábulo, que nos vt 
do francês mèrhe. «pavio, torcida, morrão «. < madeixa», sâo 
três primeiros, ou outros com eles intimamente ligados na sig 
ficação e ua serventia, e jamais o do lUtimo, ou o de 
É portanto galicismo censurável o emprego que desta pala 
se tez no trecho seguinte, a nào ser, o que niio creio, que lo 
mente a palavia mevhi haja adijuirido a signiftca^-ão que se 
atribui nele: — «Na machinu de pentear. .. foruiam-sc as «i 
chas> de linbo» — *. t^uis-se dizer, som dúvida, lus vwmhts. 

Conquanto a »w't/í^ se atribua como orijcra myxa, ou mj^ 
xum, «bico da candeia», estou inclinado a supor que o <^timo 
da palavra fi-ancesa é o mesmo que o da portuguesa nuuUU 
a qual provém de metaxu ou mniaia, isto é, viatarsa, «trauç 
eutranvado s cora vocalização do c cm i e palatalização conso- 
qíiente do ff em jr, e do a em e: cf. seixo \ 9axum=ffarjfMm. 

meda: meda, mPâa 

Xão está Hcsado o valor do e deste vocábulo ua lin^^ua 
mum, isenta de particularidades locais. Quási todos os autor 
se limitam a escrever mMa, deixando ao leitor a faculdade 
pronunciar como lhe aprouver. Outros, porám. como para adv 
tirem quem ler, acentuam mfidn, ou meda, Camilo Castelo Bran 



* J. Niinct, MoiNiiOfl, in Portu^AlIft, t, y. 3S8 o 38!>. 
■ Omrio dh XoTlciAS, de 11 d« junho d<> líXtJt. 



AfíOfitUai nos Difwnáríon Poríngueses 



1*_'5 



arentuava rt»fid/i, como o acentua o Novo Dicoion.íeio, e um 
p«riMico ds Cíiiarda imitado no joraal O BcoNoHisrAt de 10 de 

i>ro de 1HK7, escreveu Villx dk Mêi>a. Na evfelente 
ifAn intitulada Portugália, t^in um estudo refereute ao 

./ú, vemos mala: — • .\iitigaiueute havia ainda as medas 
át kmba, núcleo de pyruroides mouunieutaeâ. que de louje dm- 
naTuo a alteuviln do viaudaiite* — '. Vê-se i|ue no Alentejo, 
ramo ecD geral no sul, preduinioa o f aberto neste vocábulo, ao 
pttso qae no norte o e fechado é t^vez o úiiico a aer nele pro- 

"l". O DicoioNAHio CoNTKMPCiRANEo aceniua niédu: assim 
.u. ,^ .1. Inácio Koquete. e assim (êz K. Adolfo Coelho. Itliiteau 
lio arentua. 

Se a palavm procede, como se diz, da latina m6ta, o er de- 

" "ii sor fechado, i-omo eui cCra [ cera: mas o valor do e, como 

1 ■>, acentuados, t«in outra^í muiULs loi»; a que se sulnirdine, 

pin coueluinu(» que a melhor pronúncia, iâto é, a dominante. 

«rja tnMtt. ( v. medo). 

W K um neolojismo e signitíca «estudo de medalhas*, *colec- 
I (io d« mt»dalhas paru estudo >. A palavra ê híbrida, mas nu 
I reabdade uâo me ocorre outra mais hem feita com que u siihsti- 
I d»; — <a otedalhijitíca portuguesa está actualmente devendo va- 
r ' «^ndoa • — *. 

. umismátiea tem ncepyáo mais lata, pois abranje a meda- 
lliisticir e o (Mtudo da8 moedas. 

mcdiávid, medicâvel (?) 

Xi« é tua descortinar o sentido em que o Padre Antdnio 
Friocisco <!^rdim empregou este adjectivo no trecho que {lasso a 



medalhUtica: numismática 



1 Pidlo, KTnSOORAeHlA no AtTO-AMOHTBJO. 
t|j»ílO l*OUTl'<lUfei*. Vol. XI. I». tíO. 



traiiacreipr: — « No mar d<»ata ilha [de Áiuúo] ho pescniu aquc*I1e 
]trtMÍigio8os caranguejos, í|uo, estando no inar, vivem, comem, 1 
andam oouio quulqiuT outro vivente: tiranilo-os do nmr, fie 
jiedra; são inuilo inodiaveis; alguns levei ú Miiropa, e de ui] 
ajudou o padre Casimiro, então df uo8i>a Companhia de Ji^sfl 
depois cardeal da santa Egreja romana, boje rei de !*nlnnia,^ 
taudo doeute era Loreto, no auno de \iWy> — '. 

O sentido parece eíijir o aígnificatlo íjtie hoje damos a 
diciual»; mas a forma? ri Haverá erro de impressão, ou do có| 
ou de leitura do manuscrita) (o alguus mais se encontram, 
dentes, na edição), e teremos de ler vietUcaveis? 

medo. medorro, niodorro, modorra, madorra. medão, m^dSd 



A seiíimda destas formas l?*se no trecho sejçuint*: — 
reao... formando pequenas e numerosas encostos, portello» e 
wedorros ■ — -. 

A quarta Hgiira no Elucidário de ViterlK) e vemo-la no X6vo 
UicoioNÀJuo:^* (aut.) moute de pedras miúdas ou cascalho, 
(Pítr mcilorra. de nuUh)}> — . A respeito de medo. diz o luesmo] 
dicionário: — • raoute de areia, mais ou menos proloopido, e for- 
mado pelo vento, Das vizinhan^Ms do mar» duna (Cp. metiam) » — J 
De nieflam (isto é, médão) nos Unha dito antes: — 'O mesmo 
que méfto (Cast. médmioh — - ** méilano castelhano ^definido, nr»' 
Dicionário da Academia, assim: — <(Del lat. mvUi liacina) Duna. 
)[ontòn de areua ca.si a tlor de nguu. en paraje en que el uiorj 
ticDOpoco fondo' — ^ ílluteau abona a piílavra medão com 
tores que a empregiiram iio plural meditou, o que nos aho rçaoln 
a dúvida sobre se a acentuaçilo é na primeira sílaba, ou na 
gunda, como a marca I(<K]uete e o plural metÍ6en parece indi 



t Batalhas da Coupaniiia de Josva, LístmA, \íiH. p. 22â. 
■ Manuel Pt^rrcírn L>caí)iiido, O Ubcomíimbsto DAMópRuiTA.ttti 
vímU do Bdacafão * ensino*, 18ftl. 
' Madrid, IS99. 



kiiiif l><Mn.i p Nkm;i luuUaQi OS lueilòes de Avel-o-mar ' — '. 

ntuitfuAo tlii forma wmí/ííí> ho Xôvu Vh:v. ileimtii t|in; o uiitor 

Blua m^nv. .(uiiUvstf a isto a siugiiliiridtul<; áe uo tnesmo 

iiiiiírin SP iuoutuar im/V/o e mfiiln (q. f.y, íí conolmi-se há que 

i.>.-;.l.itl..s ilfi.. piiríi uma vasia mouogratía. 

iii«í<igo. lueótfon, ineogo, mea^o, aiuugo, áiuii^o 

Dl O-Aroltuft Mictiaélís de Vasrouc^loB * deriva a piiitieini 

4hjs (onua» de médio e loculo, rennidos em um só vm^átmlo, 

UuflB a pvrda cnn.s44(|nt^iite uàn sn dii ti, mus Hiiida do /. De 

pu Sr deduziu a tbruia mfiti;/o, timat/o e destu deriva Júlio 

I Curas ' áwwjo, qu« a douta roíuaiioísta lhe \>òc em dúvida em 

a deslooavfio do a^euto. É de aotar tiuu Ulul-eau o não 

-■iMija *rrJ*fi''anieiite. 

<M^ iiucm uii.H di/. c|ue a acentuação que damos agora a este 

tlrt, úittogo, ^. certAr' C)le deiíou há muito de ser vul^oir, e 

■ivel i^ue os litei'atos, t|iie o foram desencantar em livros 

lhe uiudutfsein a aceulua\'do. como tizerani a púntuuo por 

£/ (q. p.y, tt ffitfjrjfr oti muier. que já foi moda acentuar 

e a muitos outros^ que deturpam a seu be!-prazer, por- 

'— >'iunria pojniiur os nilo [iode já corrijir. em ra/iio de 

iMiloeí fora do uso comum. 

T«olio pois toda» estas etimulojias por certast e por L*rrada a 

\. t^rid^ut** que o ca.st«lbaDO titnaffo. «ameaça-, seia. ou uão, 
<«rto o Mimo árulie que llie dilo. é outra p;davra. 

meirinho, mvnit», meriní 

Taato DO sentido do substantivo, «empregado judicial-, como 
» UJMtiro ntt^rinho, Bubstantivatlo^ mririnho. < casta de uva 



GCVUTA LtlMITAXA. til, Ji. U^l 

•riUTSPIUM PKIt HUHAMiíCUB:* raiLOIvOUlC, I. |). 770. 



lis ' AponHltUf nau Dicitmárin» IWtu 



preta da BeíiM-Alta» (Novo DiooioífÂRto), ou ■ carneiro m< 
•iiho». é êstfi vocábulo coutnic^'ão de maior inko. d«miiiiitivd 
vuiior. 

Xa última acepção tem-se-lhe hoje stibstitnido. sem m 
castelhano ineriíio. ifue é a menina palavra. 

Ao tecido feito com lil meiriDha cbamarauí os francc 
vit^ritio (^mfiriítò), que eui títiuitos piLssnu a portuf^ês ca 
forma merim, substituida ao depois por merino. 

Eis aqni três abonafões de meirinho, equi^nlendo amti 
castelhano merin»: 

«Tftiubtbn n^ fii»Tniui'pauo 
Pa U du ordlias ineírinluiii > *. 

E mil utelhtis nieírínhAs *. 

De pardu d« U meirínlm? >. 
Cf. moiral, contracfflo de maioral» 

m«lat melar; remela* remelar 

y\ OiixuoxARio CnxTEvroRAXBO, copíandn outros aiiterío 
_define o rot^hulo nuda romo s^ndo o nome de uma— • doeuça i 
o trigo* — , e — >bcuoa em bnmco D*iuDa «â<.*riturai 
Brideotrmrnte o ^gaificado primordial oâo é Deolmin i 
Morais t Stli-a ^ acre«iceata — «calva parcial > — , *fiilta 
b«lo > e tttiibui-lba or^am espanhola, o casUUuuio mfUa (= 
Oui). que Ido aó nada ad«anta« mas tom poocas prol 
d« t«r passado para cA, com a prooAncia altorada: d 



• !Mríf«c«L»W. 

« \H\ Xiomtr. TKAJtuwteu D* «sska oa Estiiíi.4. 



ftrim I rahafle9'o, edribilho \ esirihiUo \ estribo. Com efeito, 
I paUrra caxUlbaua mtlla tem ns aoef^ões da portii^iesa, e 
àlás deUs a Je hu*'ro. «cova, ]ior fjiltu i\v doiitt'-, por exemplo, 
bem como an de • falhn, mossa -. 

ijiiAoto ao útinio da fnrina castelliatiu (*• da portugutsa). o 
l>ii-ionirin dii Academia Espanhola sujeie malleare. iiiadniissi- 
le! Ibnr^tioamcnU', nào mais, poním, que o proposto por Baist *, 
l;'''i.ii«lla. maceitárel, em razão do sentido. 

t» i|op maioreá probabilidades Umu a seu lavor é um latim 
■ todi/c//", pur rnaceila. tònna demímitíva oonespondonte a 
H<ultt; cf. eateUa por cutula [ ewiela, fieela \ fibella. 
"hiila, ek'. ().h dumiimtivos cm -elliim. -ella enira, ua 
■ -uttí, raros uo latim clássico, mas lorain rrei|uoiitos uo popu- 
cotno o atfísUiri aã líu^ios niniáuicas, qii«i ttuitod herdaram, 
modo. uk^iu dui) formas divorjeates maília. máijoa. num- 
macula, teriaman niais a rcjistar e.sta, mela. cai;ti*Ibuno 
, nnifffffilft: A única dúvida vulÁ rjaqiiellê '/ por r. que 
«em explicarão plausível. Gm todo o coíto, o fúgniUcâdo pri- 
fti'n.. dfl vnráhiilo. tanto mn (►ortu^^uêa, como em rastelbimo 
'le Ur sido « uiídoa •, e assim se explica o que tem o vcrlio 
quaikdo aplicado a Hores ou frdlias. pois dixemos que uma 
está nwltida, quando apresentt mauchas, que indicam 
ar- -.-r -i^-ir. 

U '7, que já foi lembrado ó absurdo, vistu que em 

~í»rtellijuK> se diz. mirt, com ditontro e /, e uào e e ti. 

\a KKv-t'tT\. periíidicii semaniil portuense, tem o .snr. Júlio 

M'.-.tra publicado umas int^ressantissiraas notas sobre siulasse 

if^ e nn miraero de 15 de dezembro de iyO"i deu ii es- 

> de iim trauf^montano, colijíndo e e?íplicaudo a 

UTmns pertencente!^ à pitoresca lin^najem ali eiii- 

■ èies vem n verbo ranfUtr. assim definido pelo 

AniTo fiMIogn; — 'dix-se de uma pipa ou tonel quaodn verte 



* tifm>Í iliutati K'^rtin?. Latbimihob-romajíibohbs WuRTKBnrcH, 
rUvrtMA. \t<v\ u." 3639. 
1 -Vnt. u. 



Ijn 



A}*>'itilfiê rtoí Diriottàfio» Pi»Huffittiíe9 



alguma iioisa. apre»enlaniIo a[>euas hiunedecida a madeira no 
logar por oude sae o vinho, sem que se veja gotejar: Formado 
de retne!^» — . Xào uos dizeudo em que seutido toma í-sto sii 
laotivo, presumo (|ue scju do vulgar de < butnor ressequido 
extremidades das pál)>el>nis e no lutrimal'. Eu creio, pelo 
trário, que tanto o substantivo remela como o verbo re 
procedem de tneUj. na acepção, que. como vimos, é priniord 
de MUiuiclia'. pois o étimo já proposto para remela J laiuell^ 
e inaceitável, atenta a raridade da dlssiuiilaçâo entre / e 
vibrado. V. malha, a páj. 97 (i. n>. 



iiubs- 



'dil 



mel.io. lufloa. melancia, halaucia 

Todos ualjem o que ti um rmlão, e sõbrp a deliciosa fnita 
este tiome desi^a uao creio que baja diverjêncta de opÍDÍ 
Jíi assim niin acontece com a sua fêmea, a nxeloa. 

Conforme o Novo Iíktiosakio l* — 'meluo grande» — . 
oposição a este parecer, vemos ua Gazeta OAã Aldsiab que 
nivhm sào — -variedade de melões pequenos e redondos 
Fur outra parte, pe^ssoa da Chamusca, des^a famosa pátria 
bous melões, onde a terra ê boa e n ijeiite é fuscn. diz-me que 
lá se chamam melwts^ uns melões, grandes ou pequenos, redon- 
dos ou sôltre o comprido, de casca lirauca ou esbranquiça 
listada de escuro. 

Trfs opiniões diversas, a última das quais ê a meuos v; 
SC fuuda na còr ila casca. si*m alusílo a tamanho oii forma. 

hiu relaçúo u melancia, que tomou este uome culto 
substituição do verdadeiro e popular balancia. de oríjeui prO' 
raatica, é evidente que o seu rival, o melão, influiu para a c; 
que í' relativameuti^ moderna, e u&o é geral entre o povo. 

Hstti fruta apou.^a, < aquosa >. assim a ttaptixam os nnae\ 
que Ibe chamam harbm, como outros povos orientais euro; 



1 de A de ago0tu d« litOO. 



^ifinutUmi HíM Oicinnârioi PnrtuffffOfrM 



U\ 



ada de nome de terra para terra, iLs avessas do seu coiupitdre 
i'ie assim se ileiíoiniim, cora pequenas alteravôes *le ier- 
_. .,. eiD tífJas as partes da Kuropa onde èle ae dá, (|Uevo 
r. ond« è\e se cria e se vende, porque dado mio me parece 
« seja em parte nenhuma, [H>r uso e costume. 
\ mriaitriu ciiarnain os espanhnis sandia, nume mouro (|iie, 
Uuu<ln Oozy. qtiere dÍ74'r do Simlc. na Índia, em árabe síndie '. 
lUuu^Q, i|ue já traz a forma, boje tida i>or culca, mefancia, 
fiioil dl' mencionar a pojuilar buUuwin. â i|ual dá por étimo 
r. |ior alusão áâ duas metades em que ela se pode partir, 
<do-«« uo Beutidu da lar^^ira, e remedando assim dois 
de haJanvn. N'enbumu plausibilidade tem a etimolojia, pois 
lhe o\n'»t, entre outras ra//)eii. até o modo, peln qual usualmente 
iMrtJtn Uis melancias, eui talliados, ao comptido, deixaudo-se 
p« n*i meio dela.« o rastch eom a sua guarniviio de |Kivides. 
*" ■ . ..utr" leBlcógrafo sujeriu. porém, até agora qualquer 
■ d, iwra i^st* vocàbul'», sò português. 
'» ém sentido especial, vemo-lo no segiiinte passo: 
— «U que vulgannente chamam mrlíio do cavallo é o sym- 
raia qut' em medicina se cbaiua alopecia [calvície], que tautu 
dl* dp|»arwer ua Kania. Ci)mo no eczema, como mi tinha» — *. 

melejuite, meliante 

A «strrittt ordmária deste vocábulo, cuja siguiíicaç^o è < vadio 
mam tvMttuities, e mesmo lunipio*, é com /; todavia como o 
iftelbano eom^poo dento é niftUttnte. ainda que poiíc^ usado 
Bje no dia, parece que mais correcta ortografia será mcleante: 
- • i {knuci[)io9 dei aiglo dieeisiete no servia [s(e)or, por neixor], 
sbora. á acoinpanur términos duni^rraotes, sino que en la 
de la gentl^ maleaaLc iniciaba cualquier vocativo» — ^. 



1 GUMHAIfUl DK« MOTfl MPAOMOLS IDT POBrfQAIS UfelUT^ OB 
«■ASB. 

* tÍAZVTA PAB AUDKiAã, de 22 de abril 1I0 1906. 
■ F. (b Hmh. tu RKvrig Hispaniuuib, x. p. 240. 



132 



Apottilitâ ito* 2}icú}miri'Mi í\trtuywi>i-it 



melena 

Ttíruid de jíria, que já sb propujíim h ijiktc iíizit < tmiii;;i. i 
madeixas de cabolo». K o vocábulo cigano romani luhma. (luaj 
transitou para a Peuinsula Hispàuic^, provávelmeute ret'.e 
da Grécia; pois cin grego vwUihxn i^=meUíia) 6 o feminino 
adjectivo trifonuf nu^lan, que quere dizer «ue^rro», e parecOj 
usado eiu algum doa muitos dialectos populares romaicos« 
quanto substituído na Ungua comum por tnelanô^f «wlani, 
lanõfi: cf. kah'. que quere di/^r era romani *a alva do olho>" 
è o grego /«//. tenieniuo do adjectivo romaico Aa/dw, katm 
«boms no Ki'ego lit«ral kaiUM. kuflé, kalUn, 'houito». SftQ4 
nierosissitnos os vocábulos gregos eui todos os dialectos ri; 
da Europa, o que prova a longa estada dessaa tribos Lia G? 
antes que se disseininasseui mais para o ocidente, e talve?. me 
pura o oriente, oude receberam muitas palavras esclavóntcají. ; 
das que de lá haviam jii trazido ao virem da Ásia jior t« 
da Uidia, certissimumeute. 



melro, melra^ melriobo; mvrlo 



Eis aqui as várias aplicaçiíes da palavra melro (do loer^ 
lum), e do seu deminutivo meirinho, na ilha da Madeira, com 
designa^'ão das localidades, tudo colhido na int«ressaDte mono^ 
grafia de Krnesio Scbmitz, me VOobl Madeiras [ãs ave« d| 
ilha da Madeira] ': 



Melra-jwrm (Ponta do Pargo e Fajã): turdus meraU 
Melro, ou meirinho: pas.sarin1ia yiequeno que canta. 
Afelro lio rancho (Serra d'Água): pardal. 
Melro de Nosaa Senhora (Ponta do Pargo): pintassilgo. 



» in «ORNITUOt^OClSCHE» Jaurbich». X. ISW. 



A^sUÍM ac» Dicionários I\jrtuffHtisea 



im 



Meirinho das ursea (Estreito e Fajã de Ovelha): abibe. 

Meirinho Jott prrfíiroíf (Estreito): abibe. 

t'' ' ' . íffi serra iPraxeres): abiht*. 

.1- í/o r/ieíita (Serra d'4igiml: abibe. 

Meirinho tio maio (Machico): cigarrinho, silvia conapi- 
-íUati. 

Melrifúio dos riheiron (Estreito): motat*illa melanope. 

MtlnHiiõ de XoHffo Senhor, ou de Xttma Senhora (Fajíl, 
fouta do Purgo, Estreito): antbus Bertheloti. 

MeirinJio de /tapo iHft^mefho (Serra d'Ãuuã): friíi^iila can- 
I h i n a . 

Km Mêrtola. conforiue inforrnaçilo de .T. f.eite de Vasconrelos, 
mrrh, e nílo, melro. 



me n ena 
— •Dun n meneria, pela qual n rei berdavu do villilo sem 

nieD!o, uêor, mSoB 

Siiplfiiit^iíto :io Xí»vo Dk*<*ii>n'Ari() rejísta, como loinias 
%*, ni tróá vivibiiloíi mento, mcor, meo.t: sâo erroá eviíleu- 
pq>r m^nío, m/or. mêoP. ou mestoo o til. que se omitiu, estava 
^i*rito como abreviatura do n, sendo em resultado disso 
'l- .-■....«,> apontadas eotoirarneiite iguiiis ks que uctualmeute se 
«miL. menino, mem/r, menos. Se é uatural que aiptima vez 
psiSthotm as formas rnêor, mèoa, outro t;iDto se não pode utinuar 
com m/^ninú, a que etn castelbano corresponde nino, o qu<* faz 
•apor H». e iião n iuter vocálico, o (|ual produx em castelbauo n, 



i!silo, Ah «Viuvas» do Noktb ob Pohtigal. ih Pnr- 



\M 



ApfultUnH ann IUriomírins J^oitaijurirni 



e ^m português iiJi. depois de /; cí. o portuífiiês jttinn. cod 
castcUiaiio pano [ puuiiuiii, e o português linho com o cu 
lhano //no ! liuum. 



mercador, mercadoria, mercadeiro. mercadaria 

Do verbo mercar se deriva Daturalraeate o substautivo 
Bjeiite mercmhr, etu latira inercator, e desse substantivo 
de produto, mercadoria. Em castelhano temos merrader 
substantivo di; ajente, scudn o de produto menronein. Kiis 
s«m diividu tainl)éni etii português, castelbanismo ou nfto 
forma mercader, ou talvez antes merradeiro, de que se deriíj 
o substantivo de produto mertadarm. por mcreadoriti, que 
encontra no Hotkiro da viagem dk Vasco da Gama: — «1 
nliaiu bigo sua iitcn-.adariu — que tinlia já p^ísto a nierrad 
em terra» — '. 

mcrcantcl 

ílste adjectivo parece ser usado unicamente como epíteto 
bateira, bateira mereanfel, e designa iiraa embarcaçSo que 
ria de Aveiro serve ao transporta da pesca muritima -. 



iuerecunda 

Termo da liuinê Portuguesa: — 'Tahancas sfto aldeias foi 
ficadas com estacada e fosso, que se distinguem das aldeia^i ali 
tas ou mcreeujulwi « — '. 



• UsUa. If<<;i. [.. 74 e 77. 
< V*. LalK d'.' àlogalhilrs. Os bakuoh ua kia db Aveiro, ih Puj 

galia, II, |i. 52. 

• (1 Smrm. .!.- 'J.'í d.- ubril «U- lí)i»2. 



Ap»ftiliiii aoi Itirionárú» FKirtuffueses 



IST, 



merendeira, mendreim, metidreirinba 

Metetidrira, palavra derivTida de merendo. • rcfeivào qut se 
t.Tia pntr« o janlar e u ceia*. pp|o meuoii no português de há 

• nlji anos, si^rnitica una « pfi^ pequeno». De mcreiuieirn, por 
■ iMj.i4 melatiitrso, foruiou-sc mendereira. e coin pt-rd» do e da 
2.* *tiUI(u. mendteira, provincíalisino alioiiadn por unia Imutl pu- 
l»Ucada no Oiario ok Noticias, de 22 de maio do ano cor- 
rratr: — 'Dcpoi:* de ffitas as sole iiin idades da e«p'eja [Nossa Se- 
obatTB da Vitiíria iia Vila da liatiiiha] sairá a grande procissão 
de nriídaíi e iiui>ortanU's • fogaçíis •, onde iriio tanihem bandejas 
com por^nes de meud reírinhas ■ — : «De tempoií remotos se 
'- í'-»la reliififtfa prnriãsiio [da Santíssima Trindade] rnni a eere- 

ij \h\» ' mcndreirinbag >. que tei-âo pouco mais d'uma 
uD^ coda uma. e que todaâ suo bentas antes de para ali irem* — , 

Tfwla a tiotíi-ia ê de muito interesse, (^omo referindo-íte a uma 
fioíta tr,idiri..ri:il. muíto caracterísameute popular. 

mennar 

tlaií- verl»'i. (juje desusado, deriva-o D. Carolina Midiaelin de 
Vatfcooreloti muito bem de minimare *. Os italianos íizeram 
dtf mvsmo latia) vul^r o seu wenomure. A si^uiHcavào i * dí^ 
touiDÍr. cercear*. 

mesquinho 

V rerdadeira forma portuguesa è meziíninho. ronio a raate- 

. t.i é ainda hoje metqnino, e qualquer das duas pronun- 

i-se danteef nuçqttinho, me{quino. prouum-ia^o da eou- 

- final da primeira sílaba, que ainda se c^nsena em Trás- 



D«n«rA Lmn-AKA. iii. p. 173. 



im 



AjMitilaa aot Dicionário* Partuffitett» 



O sigiiiticado primitivo desta piiluvra urúbíca ó * pobre i 
i>oni j^le passou também ao mal^o, eni que miskin se opõe a 
kaia, 'rico». Nestii iit:epcíto o usou Diogo do Couto: — 'por- 
que coiunnieutfí os que morrem nestas nãos são os ine/qtiinhos. 
que vem uo couves, mortos de fome» — '. 

mesta, mesienbo 

O vocábulo menta é pelo Dicionário da Academia Kspatil 
defiuído deste modo: — < Agregado ó reuuiim de los dueilos 
ganados ma.vores v menores, que cuidal>au de su oriauza y poí 
y Vfndíuii para el comuii ubiuslet-imieuto • — '. O adjectivo 
teno deline-o assim: — « Perlenecieute a Ia mesta» — . 

Aqui oa dois vocábulos são dados como antigos, luas actiii 
mente nilo usados na América do sul. 

Não me consta de autor português qiie os empregasse, a 
ser eu próprio, em uma uota à .Seli^xta incw.eâa, aprovada 
uso dos liceus. A uota explica o sef^uiute passo do t«xto inj 

The wild Horsâ: Tlie Mustau^ is another race li roams 

broad prairics o!" . South America...: — «O mesteubo é ouí 
raça: vagueia nos vastos pascigos da América do Sul> — . Kia o 
{|ue disse em nota: — «mesteubo» (isto é, que pertence à mesta, 
corporativo de pastores de gado tran^íiiniante, ou que muda \ivnú- 
dicameiíbe de paslugeus). Ambos os vocábulos são eiipanbóis. o g»i 
dos na América do Sul» — '\ 

metade, meitade, ameitade 

Nilo pode haver a menor dúvida de que a fornia popular 
mais correcta, e a culta uma deturpaçílo dela. Acontece ist 
meúdo com os termos vernáculos: quem os aleija silo os doutoa.. 



A RcUvio iIm natifiréjio da nao Santiag*^. m HiãTotuA Traoioo-I 
ttiTiUA. Luboa, I!104, tT, 11. 
> MB.Irid. IMKt. 
" Gotiçàlvpz V\Mi & Berkele; Cott«r, lti97, p. 79. 



AfhN^lttM ao9 DinonáríoK litriuyutHet 



MM 



O vocábulo proviam do latim medietateiu: siiprimulo o d 

mtorvocático (cf. meto. de médium), tica, eliminada a turniiDa- 

> .i9iial. a foniia tneifate. rta qual prncedí meiftuic. pelo iibrau- 

-^.u-uto í!o sr(»und« d iati^rroculico (cf, vi(vi)ii(uie [ eiiiilate). 

Da írpqút,*ueÍA da adjunyâo do artigo a orijinou-sc outra 

forma fvopuUr. ameifaãe, 

me tal is ia 

O Xôvo OiccioNABio inseriu «ste neolojisnio, de que apre- 
vratit aqni ahonavãn: 

— 'Oa «jí*taMÍ9tas, desde os ourives, como Gil Vicente, ató 
iM niodebi^A forjadoies de ferro e os fundidores de sinoã, os or- 
fanriros e ooustnictores de instrumentos muRÍcos. . . os arra- 
Mttat e tapecviros. . . os admiráveis pintores de vTdVa^as... 
prestarsin n seu concurso á Igreja» — '. 

metara, embetara 

u Xrtvo DiocinvMtio dà eonio iuõdito em obras st-melliantes 

^sl« Tocál>u1o Ifrosiltiiro. que é o nome iudijena do qut^ os i>ortu- 

gocM« ebamaram hotoque. de que proveio a denominação do 

'" ' ■'>r (des dada aoH iudios das ternis dy Santa Ou/., a 

.: :A\\ usar. O Vizconde de Porto-8ftj;uro, nu sua smgular 

k L*0IUO11irK T0LrBA>1BKNB DBB AUKniCAINS TUfIS-CARIBKS 

!t*K AScir.N8 ÍJítvpTiKxa *, em que se acumulou multa eni- 

I ' mal empregada, e nem sempre de l>oa foutp, para defender 

.1,1 lese absurda, descrovt? nieúd;imeute o fwiw/iw, ou meUtra, 

a que Urnbèm chama embetam. e compara-o ao apeudíeulo que 

•• olwenra na ponta do queixo de muitas Hauras esculpidas, 

a<la£ ou pinUdas. ejipcia-s. e parece umu barbita ou pê 



* DiAiiin tiR XoTfciAfl, de 22 de sctenibm ib* imCi. 
Virtu. H7<i, i». itl'. 



Termo de Daorné. É o título do primeiro miaistro ^ 




Termo da Africa Oriental Portuguesa:— ■alimentam-se 
baruístas]. . . rie mexoeira (raillio niindo)« — *. 

luexuda 

K um antigo [larticipio do verbo meter, que se petrificou 
substantivo, desi^iiaudo ua Beira-Baixa «[tapas de milbo*. 

nu"icinbu 

Esta palavra, que repreaenti o latim Tuedicina, si^^Tilfira 
actualmente «i-Iister», porém antes queria dizer < meilicanieiitt^', 
sentido em que ils vezes ainda è empregada, como se vê do trecliu 
seguinte: — «todos os doentes se dispozeram a tomar a mezinha, 
que saborearam com grande fé de cura- -■'. O tekto é <'laro«j 
mais claro seria sem n curófaton do remate, que poderia fal 
crer outi-a a sigiiitica^Ao. atento o valor do tenno no uso corrente. 

No derivado popular meiinhices. ainda prevalece o aniitço 
emprego do vocábulo mezinha. 



» r. Círios Ruj^niu Correi» dn í^iKn, Uma viaoicm ao BrtTAinBL 

UBNT4I l>ú1IT|ini'KX DR 8. JoXo BaPTISTA DU AJt'1'A, Ui^KMt. \<M<i, 

' Azeveito CVintinho, A campanha do HAurlíi km l!'tl2, in «Jo 
(U« (*r>lr>nÍA8 ». de Sff lU- juth» tif \\\i)\. 
■* O SninTU). de ST» de abril de 1901. 



Aptmtila» anê Didonárw» Poríugwnen 



13« 



mica 



fcUn CaminJia dá-s« êstc oome à ■cabra*. 

micho, micha 

U NAto DicciovÂBio refere » |>riuieira à scgimdu destâã 
que «lehne: — < fatia de pão, fabricado de fariabas diversas 
« misturadas* — . É |>onco raais ou inenos o que já dissera o 
•' '-.TKMpoHAXBo. Josê Leite de Vasconcelos, porém, inforinou-mn 
ua Bcini-Alla se denominava mich/t (=mi(.co) * um pio pe- 
<i|Ueno de lonna especial, que se distribuía aos pobres nas por- 
Uria^i »\ns coDventoíí' . 

milandn 

Termo da Africa Oriental Portuguesa, e portauto cafhal: 
— ••íato é causa de qaeAtnes (milandos)» — '. 

Ènie lirni" <í omisso nos dicionários; qiiore dizer ' pleito >: 
— « l>ivorcio V adultério silo vul^'ares sobretudo entre as tribus 
liitou^ o mocoran^s [África Oriental Portuguesa], dando orí- 
}IMn A maior itarte díis questões lioilaudos) dos indígenas- — -. 

No dialecto cafre de Ti-te e muntmlu. conforme o Diociona- 
«m PottTUf>iTE2-C\PEB-TiiTEN8K, do Padre Victor José Cour- 

milano 

.Vjsúm se chama, e não, mUhano, ao 'milhafre- na Ilha da 
Jhl»4eira *. 



• JnKKAf. UAf (Vn-oxijut. d»- IH <le julliu -K' IIK):í. 

* Br^LKTIM PA SOCIKDAOG l>K tÍKIMfltAFHIA HK LiattOA, 3i.* Í«rÍo, 






mildiú* mildío, iníldio. uail-diabos 

A primeira forma v a mais antiga e era a siiopleâ escrita* 
portuguesa rio vocábulo comporto inglês niiMew. o qual, con- 
forme o exceleute diciouário de Carlos Anuandale, quererá dii 
«orvalho de mel-, {hon^y-Hew}. 

Kfert.ivanieiite, o segundo etemeuto, tJeiv, é «orvallio», e 
pode mibsistir dúvida em relaçAo ao siguificado do primeiro, 
duziíla, a definiyíic que d;i este dicionário e a seguinte: — « e-^tra^ 
causado por tuugos minúsiulos em matéria vejetul vi\a, ou e^j 
produtos com ela uianufacturados» — *. 

K pois um bohr ou môfo, que ataca as substáucias vejet 
Vê-se que o rocábiilo adquiriu uma acepção mais restrita 
português, e boje está generalizado com a forma mihlio. iin qiltí' 
se conserva a acentna^ilo t<^níca principal inglesa, com detrimento 
da iudepende'ncia do segundo termo do rompost4\ mas de veras 
aportuguesada ua prouúncia e ua est:rita, como coriv^-m par:i sij 
adopção. 

Eis aqui abouaçòes diis três formas; — -como meio de de^* 
truir nas cepas atacadas de mildiu os sporos de ioverno' 

— «outras enfermidades da vinha, tal o mildio> — ^ 

— • a calda bordeleui. . . ulVicaz paia conihattêr o ml 
dio > — *. 

Mil-dwhoit é uma delurpaçilo faceta e intencional da palaV 

milhar, milheiro 

O siguíticado deste substantivo, especialmente aplicável 
moeda, ou a números ábstract-os. sem substantivo que os ca 
creti?^, pois nesse caso se prefere tniUieiro. é modcrnameB 



' A COSt^lSB DiCTtOSAKV OP TRB RlfQI.IHU I^NOUAOK, 

iSifO. 

• o BcoNOUlsTA. lio 1> ãe outubro do 18f)'2. 

^ * Gaxbta dah Alubus, átí 14 d« ngoato do 1tí90. « iW 13 de t 
.1*1905. 



ÀjMvtiías ann Tilrinuârios I^riuffueses 



Ul 



iiprp{;ado para exjiresAnr o francí^s miilmrd. Às^im, diz-se um 

ihar de francos, |iaru tradnxir-su a expresí^ão fiance^ía nn 

iUiani {dt jraiicfiL \)vA um milhar lUí friuiroíi, de outra quiU- 

quer ronp<la, ou de roíisas ou pe8s<ias, é em portugui^s «mU 

ile^Hii^ mocdaí}. cousas ou |rt?asoaá'; e quem emprega miUmr 

pam Iradazir o fruncè» inUlUtriI ignora um de tiês rudímeutos 

es^ncúi», (111 tiMloá cies juntosi: aritraéticu, português e franeís. 

JJifltarfl (|Uere dizer <um milbur ou milheiro do mil)iõett>, c 

... . _.. . ..^ ^gj,p min^p^,^ expressivsfi pela palavra bUião, coiuo 

'H coui]mu<lios dl* arítiuética: de nuxio <|ue tiu mil- 

>l fU francit é «um biliio, ou mil milhões de fraucos». 

\l''*nrti. i!»m a uuidade (Jrancn) subentendida, quere dizer a 

LuL-^mu cousa. 

NAo eqiouho aqui uenliuma lucubravâo tilob^jica; uo mais co- 

niho vocabulário franca s-p^irtugu es diz-se isto mesmo, e sò a 

'■ ' licutu! i(çjior;inria, ou a mais desarrazoada teima po- 

r o coiiirãrio, 

]*ura dizvr portam a verdade toda.t> caso é que quem escrevo 

' 'í/jír^í. por h-oit miHiuvtU; não faz a luiuima idea da 

qUe inda cxpressiio representa, e repete-a com a mesma 

iéncia com que um papagaio o p<ideria fazer. 

T«nbu taiit« luuior ra^íio em estar caiiacitinlo de que a maioria 

St* servem da palavra milliai'. riMiiedaudo o francos h//Í- 

•t nahviu o valor deste uiuliipii> decimal uessa liuguu, 

«lUJfcoto • certo que uo Suplemcut/) ao Nôvo DiwioxAftio vejo 

:i!a «ítu cj>nfusãii inintí-Iijivid: — «Suscitou alguma dú- 

... ,..<vàM que desU palavra Iquairilliilo] dá o auUir no texio. 

l.llc iahfi que hil dois processos de lèr números. Por um, as 

< -^ 9in deftifTundaH por unidades, milbares, iuilli«>e3. milhares. 

- tuilhurus. trilliòcs. etc: pur outro, designani-sc unidades, 

i> 1.-. i[)jIhr>f>H, biUiões. trilliòns, quatritlíòi^s. etc. Foi a este 

-;.iJudo processo que u autor se acostou» — . No texto dissera 

tiu •• sfiíuintc; — •Milhar: quantidade que abrauge dez cou- 

wtiJui; Quatrillião: Ipop.) mil tniliões*— . 

SAo át'! M* quem pi>s a dúvida fícou elucidado; eu dedai-o 
DÂii rntrnder a explicH^'í&o, maia obscura i^ue os testos. 



inilheira. milheiriça, milheiro, milheiro 

O Novo DiocioNÁBio traz, como denominação de uma 
de uva preta* este vocábulo, coui a termioavão em -ô. rara 
portujoiés. menos porém (|ue ess'outra em 6. que além de avfi, ; 
(fuasi Hgura em numes locais, e dá-lhe como sinónimo tnilkehi 
ao qual, iii)le|ieudeutemet]te de outro milheiro, àiiióitimo de n>^ 
Ihai', atribui quatro sigiiifícudos, e eutre eles ser nome d« dv 
aves: a MtVwiya. ou $ntlfteiriru. e o pintarroijco. 

Na Ma'lfini (Kstri-itot. pon-rii. milheiro r o nome do |tint 
ailgo *. 

milho, milhão 

— * Modern amento' milho nu miJhãa veio designar o moig7v\ 
se tomou o cereal preponderante. Todavia em muita.s tocalidu 
ainda hoje* quando àe dix mtlho, eotende-s^ o miliw ntvoi 



minartte 

Káia palavra, foriuu lurt-a do vocábulo arábico lAtrUáÍNj 
nome de unidade, que deu ao |N)rtuguês ohniara (q. v.), dedi 
ndo de al-mínar, «lugar da lu£> {skyl\ proveio para nóã 
fVaneêe, nu si^nilicaviio de < ti^rre de meiquita*. cuja denoc 
nafio p<»rtuguesa v aiforão. Quando muito pode chamar-se-L 
ahnenara, como féi Alexandre Herculano, isto ê, fo^eira ace 
no alto dos montes, para aviac: — «ebftminés de typos vários. . 
qne semelham miuar«te:í e zimbórios > — '. 



L>ui ViXiu. MfcftKiBáft 

Aii « VlLtJka« DO KOKTB tm PuHTVOAL, M pQ 



. y 

< A 
ISfalis, t]!. t\i. 

' Bo«kk P«Í2«W. <H rAUUUKtM K> UTTOIUL, M P«H«^IlS|] 



Ajioititoi atm THeíonârtOÈ Ptnrhujue»^ 



143 



•rca da forma cuj^telhana aJmitiftr, ou almenrtr dh-nos 

''-•las y Yftnguas: — «Torre fie las inezquitaa desde Ia eiial 

ra et altiiuedaim ai puv^ldu eu la^à lioras d<^ oraci<'>u. Ue tuf- 

y con el arl[iouln] almenâra, que significa Io miaruo» — *. 

'I I>it iotiãrío lia Aradi^Hiia Kn^niiliola aiH'utiia mollior, almiuhlanu, 

ikiirmativa do dniiLo orieoidiãta [farcco teiuorária. não ohstaute 

a reproduvAo do qiie ee lô uo l>iciouáno árabe-frant'ês de 

iSv Bilivrtiteúi Kazimirski : — «MaNARK... 1 Kndroit ou Vou 

*■ -í d(* la hiniíère, endroit oii Toti a alluiiié dii feu. 2 Lau- 

• . 3 IMiari'. fatiai. 4 Miuart^t. tour il'uue Mogqut-t; d'oíi 1e 

marsón ajijwlli' h» iteuplt? i la prière — NAa feu — sabh, Imre 

Uniler-— ■*. 

O siuguUr V que EguíUz y Yauguas, acerca da palavra mi- 

mirrSe em castelhano, uo« die: — * De manârH, pi. de menàra, 

^^um' eu U. jMartiit y euglo.su *ma;^um>, <cande- 

- » 11 -jue Uít pftueii (las caiid«las) • eu P[edí»] de Alcalá ► — ^. 

Vè-se pow t|ue õ duvidosa a acep^Ao « torre >. Dozy. pela sua 

"fiÉjtr. inrtuíndo o» vocáliulos custelhaDos alnftinr e almemira, 

* ' i.Mi ix aivp\*ão d*.* -torro da mezqnita», que Ibe 

irski e Kxuiliu: — *ttlmfinir — ; AtUKNAJi (pied 

4c f«r «ur leqnel ou mettuit des torcbes de ré^iue ou de bois 

' ux |Kmr «'édairer daus les cauipagnes) de tilmenãr, pro- 

'■' 1--US lucis». Actuellnment le synonyiuf» manivar a co 

. jtte, car c>8t selou M. I*aue (MoíUtii Kgvptians, n, 

^lU): -u loug Htuve, vritb a Dumh«r of lainps attaobed to it at 

|rjrt [pwste altcí com t':t'rto uúmero de Iuzps uo tôpo] — . 

u\ (el fuego que se ba/e eu las torres de la costa para 

tvãio* Cob[ârnivias]), de atmeiulru qui dííaigne un Pkare* — *. 



' iSUMARIO OK Vt}VSH SSVAÍIOUM DB OKIOBN ORIRNTAL, Unioa* 
Al, !«<•. 

' ■'M-noKXAlRS ARABB-ntANÇAirt. I'nri». 1860, p. 1306. IHUri. 1371. 
: ••ar*bif<>« dt»a-Of a(|ai tnnnlitt^ndir^. 
' »f . ríí. 
• Ihax k EQpíltuuifi. (íLosaAiKB bBd mot^ caPAONOLS bt i*Ob- 

TTm^M tllkãuvMÉ» UU L'ARAnB. 




Com respeito ao termo portupnès alcorão, pelo qual os no 
oscritores HiitigoH ilesi^niurani a tArre da mezquit;), veja- 
FoLMA MTTEBAUiA do Jomal • O Sfciilu •, de 2ô de março « 
9 de ahríl do ano i>onvnt«, na «[ual David López e eu tratámos 
(iêle. Ao que uli disse acresceu ia rei u seguiutu, corrijitido doU 
lapsos, iiro meu e o outro tipográAiTO, em duas citações qn» uli 
fiz: (» lTi>fKB,ÍHi{> PA Inhia è de Gaspar de Sain Bernardino, i» 
uâo, de Gaspar da Cruí, autor do Tbatajx» i>a China; a edivilo 
das Batalhas da Companhia de Jesus é de 1894, (xxii, p. lõâ^ 
e uão de 1849 (xx. p. 148). 

No Dicionário da Academia (vol. i e único, 17931 define 
ufmrmi do inoilo segiiiule: — • hvfitr alto em forma tlf torre i 
r//«' se préffa a faUa doutrinai do Aiwrrw de Mafoma**, 
A par de outras GÍtaçòe.s traz as sejjuint^fi, de .Toilo de Luceí 
— <0s Mouroâ alt^m de outras MesquiUs aqui tiutiiio bam doíi 
mais famosos Alcorfles de toda a Ásia e Africa* — ; e de Fr 
Gaspar de Sain Henmrdiuo ITtikkbario da Itídia, 9) — «j 
guuda maneira de Alcorão hc o que responde antro elles [MOQf 
á torre dos siuos» — . 

No :irti^o de fMvid Lóppz, acima indicado, declara-no 
douto araliista que o verdadeiro nome da t5rre è ^ahnaa {\ 
erro tipogrúficn inipriuiiu-se utimnti). Om, a respeito dêiite vc 
Imlo, o jã citado t)icii»uiirio de K.iximirski diz-noa:— «sac 
pi. HavAuio |traus]iterado8| 1. toiír, tourelle. 2. chapelle 
chrétieus ou petit couveut de moines clirétiens. ;í. Boimel 
et pointu. 4. Cínie, i^te conique. . . ô. aígte. . . 1 siiuaoa doti 
ít un tas formo conique» — '. Nilo menciona a acopçáo, que 
liópez llie dá. de -torre da mezquita». 

Não tenbo à milo tliciouários árabes de maior autoridade, < 
mo desfaçam a dúvida, a qual porém nada afecta a signitica 
lejílima que o termo alcorão adquiriu em portugu^j, pura de 
nar o que os fiancosi^s, lioni ou mal, diamam niinarvt, 
dspanbfíi^, moderna uun te, ahiwunr, uhuinar. 



' r- 1371. 



ApnttUm ftoit Diriotiáríoff Pitrtuffitegeu 



145 



minhoca 



raiug.Vle 

Termo il« Daoiné: titulo qut! ae dá ao muiisti-o da guerra, 
t^ui* í* também o ul^nz '. 
^K 3í«9 ficooift se Iiã-de ler n vocábulo, tin'nífãle, ou mimjã-le'f 

W Ksta pul&vre 4* indubitavelmente de orijem caírial, pois &o 
' ' , :itra fm ii(*uliuntu dii8 oiitia» líiiiriias da P^^riíiiRula His- 
I ri verdadu, a |>alavra tusielhana nuiio^a. (jiie o Nukvo 
HUtAHio poKTrouí^-RSPASor. * do vizconde de Wildik, 
lueritííria, devemos confessar, dá t-Anno corresiiim- 
■ ..;...iano. o Diciotiurio da Academia Kspanluda coiist- 
i coino termo local, provavelmente da raia portuguesa, 
n verdadeiro uome deste aoêlido em espanhol lombrU. 
r.tn quiínbundo munhura dosi^Mia «verme», e h deminuitivo 
d* ft/KM-yt. •Cííbra*: jinaiitivameiíte iiucria dizer ' comprido >. 
n<m" ainda hoje significa em uma líu^ia da mesma família^ 
•». o '/aiuibur tjuistMíle. ou qiuujufuja. nomes e(|itiva- 

- . ., >iunifieiidu. 

\ inudaiiy-a de u em i em português é devida h at^uiia da 
- 1 B & «oa sitDOfão antes da nasal palatal ah. 



miroiie 



A Ka «entido que esta patavrar com aspecto italiano, tem eui 
parece provir do castelbano mirón. que significa o 
«jdf u\'~ ilizemo.t reiHtrador, *o r|ne eun tudo repara, tpie olha 



* titriuft Knjénio Turp-u «U Silv^t, Tma viaiirm ao bstahelkci- 
•xnti UB S. ioin BArTiKT.\ t>i! AjroA, Linhoa, 18)>H. 

• PasU. Itfffli, ]riut4) IL Nflu vem inclBidu nu yxtiv l, mp-^fioit. 

!•— TOL. U. 



ft'! ApoetilfU nos Ontonttn>>ii Í*i}rlwjHi!ncs 



at^nLiraeiíte e i*nm cnriosidadc». Hii uma pçv« <Í*í Miguel 
vautes intitulada Knthkmks dk los Miiiokbs. 



O Xôro Diociokíbio dA a forma muna, mas corao 
esti^ abonada. su]»nulin (jiih não exista. Manda-nos compar 
VOt-ãlndo roni o persiano mirza. 

A )):ilavni é persiana com certdza, e ê o trataiueuto 
Porr*^9jM^ud^tito a scnhtr em portiigiiés. É alirfviatiira di^ 
ZADE, qiie qiiere dizt«r * tilho do emir», e portanto o actuU) é\ 
na littlina sihiba, como o da maioria das palavras do persa mo- 
derno, couvém saber, mirzá, 

misena 

Partp da nuiaga da rede. 1'. manga. 



rai>tsanira 

Este tenuo, iudubitáveltueute cafrial, siguifica «contas roiatj 
simaa redondas, de louça, ou vidro, de vàriaá cÔrcs-, e é\ 
eolfrtivo. IN»lo sini jirnHrsn mi- rorrespouderia il 2/ classe 
dez estabelecidas por Holi 1'batelain para o t|uimbimdo; 
plurult e o oorrespoudeute prefícso do sin^nilar seria mu-, 
tanto, mti8<aiujíi. no singular, miftsanga, no plural, que tiria 
ser l(irnta't>t4ioo do colectivo portít^niês. 

O mdícal sttiiifn, porôni, no vooubuláriu que remata a ei 
lente gi-amáticn do qnindtundo < do laborioso afrioaoista 
íjiiere diter «achar», que nenhuma relapao pode ter com í*l 



> (ÍK \MMATtCA ttLUMiSNTAR DO KIHBU.SDU 01^ LINQUA UB A» 



^fNinfí/ziJ fínt Diriontirh» I^^rtugiicscs 



U7 



■kk, o qual na dita gramática uão (ígiira. aem também no Di- 
liio d« Jouquim da ^fiita '. 

No DlCClOXARKi POBTUlífBZ-O.XI^GE-TETRSSE, tndUZtdO líolo 

]*iMlcr Viftor .Tose Ooiirtois *, eni-ontm-sc como for respondente 

Áà \4LÍ»tn jK^rtu^íUfftU mUnanga. a teteiise u(ít)mn;iff, que deve 

à H.* clusííe ali estatit^Iecída, e cujo pliiia! será /íííiííjí- 

' ••nrltio díu)ui ser mhs-nufin termo fafriíil. fuliaiido po- 

.rte iuTfStígar n qual idioma dt^stu família êle propriamente per- 

iii Caminha dá-ae o nomo de wistttnuja aos grânulos de 
.. a que cbamamos tfiaujcm. 



niisstnro 

fciit« nnlniUDtivrt, ou adjei-tivii. qiieie dizer »qiie onvc fi*©- 
i|lienteâ vezM inibia': — -K jkhico mitKeho, diz a ^t^nte fana- 
Ur4 - — '. 

uiist^^rio 

XiiA AçOmit t«ni ^^tc vocábulo um sentido muito especial: ó 
ti rreno coberto pela lava, e fiue consena na superficie as on- 
-jiilir«'i«« que tiiilia ii jorra, quando estava em untado lii|UÍdo ou 
|aKto«a *, 

O N<>Vo DiociDNjlnio separa sem razão este vocábulo, que 
■»m dnvliU •'* dr oríjtnn «eniÍ-eriidÍto, da palavra mystírio, que 
rrev»" fom tf~. firlnirrafando aqutdle coni /. 



• KlWACn nX niCCtOKAItfO KIMBlNDr-PORTCOlTKr., LíbIh)», 18í)S. 

.tiitfKtd Jtinlor, Ltrff* or r.AMfie», purte it. 

* y. K. A. P«íríir» Jm C^ixU, Piai«miP(;Io db Ai.orxa hOi.xiNS ou 
•«r».. ..f pouTCOAU Lfjtbuâ. iy<í8, p. 8- r. tumhdin Hcnriíiae Lnng, iTra- 

LAret o^vreauiM». in Bbvuta Lvbitasa, li, p. hÁ. 



14» 



Ap'*sfUtiit fttiê l>u'ionArÍta /VnrfMjrttdKK 



místico 

■ 

No stíntido de 'luuifco bom* è talvez o cato mtV/ô, <bod 
com infliiiínciii dii palavra mhiico. na signiíica^-ílo de • relijifl 
devoto ». Num sotitido iucerto empregou Rui de Pina t»ste sci^uiido [ 
vofábulo no seguinte passo: — «Foi [o infante Dom Pedro, tílh^l 
do l)om Joiio i) príncipe de grande conselho, e foi bem li 
nado e assaz místico em siencias- — '. 

à loouvão hnn latinado corresponde hoje hom latinista. 



iriistureiro 

Este nenlojisino, uiuito h^in f^iU^ designa o traHcante iild 
bjlo, que lu/ misturai! fraudulentas em j^eueroH destinados à 
raenta^fto pública: — «a protecção que está resolrido a disjj 
ao3 falsificadores e mistureiros» — •. 



mial(e) 

^Aie voci'ibulo, de orijem deãcoubecidu, sig^niíiea — <a 
central da roda dos carros, na qual se endudie o eiio*— , 
forme o Novo DiocionAbio *: — «uo rodeiro aixeutua-a 
miul » — *. 

O termo parece que é usual principalmonte no norte do rq 
Como o seu étimo é, por eniquanto, ignorado, preferi 
miui, e não, meitl. Resta saber a forma do plural: ^miui$\ 
mi tiles y 



t CitÚMic-A ne Ki^Riii Dnu Akokmo v, «p. Oxxv. 

* o UiA. Ar U lie noTembro de ld(>2. 

* sub V. meio, [>am a >(iial r^tn<-to em DMtHl. 

* RúdlA Peixoto, À8 OLAIUAB DO PRAUO, CM Poitng«tU, |, | 



Ap<»tiltvi ftoK DicionárioM Prtrtui/UfUfJi 



149 



mó 



TriH }wlavntâ diferentes representa este boraei^ti-opo monos- 
>^o: DO sentido de «pedra de inoiobo», e no particular, 
ftiti Tráç-(Kí-Míintes, de * dente (|iieixa! ■. onstethimo »iií^//i, 
. .atim mnla: no de « ajiinUineuto, volume', o latim molem; 
Oú dl* hhmIo, \vá locu^'ãn plchpíu a mo qtir, v o latim rundiim. 
VM aqui abooaçl^s do se^imdo 8iguitíoado: — * mú. dente quei- 
■'Ur> — *. A dt> terreiro m bem explicita: — ■ l>e feito o 
fuõ dado aos tnigarpdos. montes de pe<lra. é usado em 
I— M-Monte*; na frejíneiia de Outeiro hú no rio Sabor /^•ííI/;í5/-7 
• Biolnbu dii Kó • — -. 



mn^Nida 

£írt« eolíclivo, derivado de moço, é usado em Mtírlola no 
itidn lie «rapaziada*, conforme a iuforraav^o de José Leite de 
Ví^ftiicclo*. 



moçárabe. mozárabe 

i. iiKida n <(*jri)ndii dfslas formas, que è ern^nca: t.;uitii 

•■ (" ^ . «>mo em ca=telhano até a reforma ortogràfioa de 
fÍB< én »^n1o xvin. aempre se escrevea moçtirabe. Hoje em 
eMt«Um>o eacreve-se com r, porqne o ç eedilhado foi banido. 
Ora • pronúncia v com ç e não com i. portugueses. A forma 
l*f*H»ra em «usTitaaaBi. e por raetáte^e de «í era /<■. escrito ç, 
>raitr. i4Ím{ilifif:ando-se desde tempos iiDtiqíiíssimOR o ('=^{' 
;-. cf. cM=tch, hoje em dia^sr. 



7rin^U>U Cociho. ABC &0 poto, p. -x 



ISO 



Api»dUniK WHt PiciomirioH PurtH^furgeit 



mncò 

— ' IÍ08 bornaes jaçuiians e mocós; estes últimos uma cspéi 
de roedores* — '. 
É termo braaileiro. 

moderno 

Nos Açores, <braiido, moderado»; na Ikira-Alta, 
• calado» *. 

moeiro 

Ferramenta, em forma de espada, de que se serve o 
neiro ^. 

moeiite 

fist* termo v detinido no Dicojoxario Contkmpí»ranko < 
siguificojido — «o perno que gira dentro de um furo círcuUr>^ 
Kis uqui uma abonarão do termo, em aplicayão especial: — < 
sarilho] na extremidade opposta, vat^ rtxar-se n'uma grande cl] 
de madeira, que quusi tapa toda a trapeira fq. c.J, o moefUe* 

O termo é algarvio, e uSo sei se geral, aplicado aos moinl] 



moL,'aiuiuha 
Km Caminha chama-^e asítim uma «fagulha' 



t BCMgiTBJO DB l*HA TIAOBM Nlt INTBRIUR l>A PaRAUYRA 

I'NRNAMm'00, in « O í^*i:tito*. ilv 17 ilc junhu lio IfKX). 

* HfsvibTA Lusitana, u. p. òi. 

* V. O Sucui/i. dd lu de junlio ile 11*1)1. qat* tnz o desenbu. 

* J. Xúnvs, Noixuoii. i» VuitM^aUa. l. p. lUSH. 



Apii0tita3 ao» DieinnAriM Porluifueiit^ 



Idt 



móg(o)no, mogueno 



mogo, mouie 

A fnnnu monje deve tt?r proviutJo de urna forma frau- 
OMA mon/ejffej, correspondente à proven^-Hl monetjue. A fonaa 
|«rtagneíui. derivada, como aquellas. do latim inonacbiim, foi 
MMfo \ wóofío t tnóago ' (tf, o.). 

^r Onii[iiiriiitiii'[itH csrtí^vií-s* moi/tf/ o nome da madeira a «jiie 
H ^ fnucescâ cbuinuiu avajou. os espaiibóis caufMi e o» ingleses 
II »ii4í*í;n«y. pronunciado rufwt/ani', e que Carlos Annaiidale ' diz 
^K' ^'ilit aiiioricaiio, é claro que pertencent^o a (jualqttcr dos 

I^F immaá df iiidion da Amêrit^a Setentrional, caboclos, a 

\ .Jinwnte se cbaiua Peles- Vermelhas, ruim tradução de 

íini'Sk4n, inglêít. A forma orijiual do vocábulo parece ser w^Ao- 
W*'. tielo quê adoptfíi na Selhitta isiii.ksx ^, a forma [íortu- 
PMa fHóifjfto. que repreiieuta outra pronúncia do vorãbulo usada 
'j. -^ que é mais portngneaa. A preferir-se porém mog-no, deverá 
' > Kibulo «tcrever-se nwffueno para ficar portu^niès. 

moiral, maioral 

1>U palavra nada tem que ver com nioÍTO, ou numro. 
I * contracçúo de nuiu)ral. como meirinho (q. i\) o é 

! :-'ua DO Alentejo o pastor que em cada rebaubu noutros 
jwuifM governa, manda directamente, e responde pelo serviço 



* D. í^aioUtui Jilicbafliit dr ViutconcMitit, Krviíita LrRiTAKA. iii. 
•'oaruuB DicTioxARY or tiib Enoijjsr L^soiMttio. Lun«lrcs. 



1 IáIhm. )4fiT, p. 1 1*1. 



tS2 



AporíitriH tw» Dieiaitáriog Portu^uegai 



deles: — «Ha dias no sitio da .Senhora do Verde foi morto 
um tiro um moiral de gado> - '. 

A detinição que de maioral deu o Conde de Ficalho, no 
modelar estudo O Kí-emexto arabk na linquaoem dos pasti>-" 
UKH ALEitTE-iANf^s. é a seguinte : — < Mahral é o primeiro jmsUtr 
de eada rebanho — tantus mítioroi^s i^uuutos rel>aiihos — . A pa- 
lavra nada tem de árabe, como é fácil de ver; e a sna origem ê 
jierfeitamenle clara» — *. 

moleiro 



li tam rara a perraaiiéufia de / medial, denamparado, em vj 
cáhulos jK^rtiipieses de orijem latina popular, que a 911a coufl 
va^^ào em ohveiro. olio/il. mtilrs. vnlt^r, prtUh. mula. moleiro^ 
(' outros, requere detido e\ame para ser explicada. Vou tra| 
aqui do último. 

K na verdade, extraordinária em moleiro a perinatièucl&' 
deste L que desapareceu em iiuiis voeâbulos eoníénerí^s: m*i, 
moer. moinha, moinho, mocntia. nâo cit-aurlo monjrm. mie^ 
moderno. 

Supor influéuciu castelhana ou raiana é inadmissível, 
que estes diferenlcit termos devem ter andado sempre aiwocia 
desde os iuícios da língua, sofrendo eonse};;uintemeiite altera^u 
anúloj/as. 

Para e^cplicar, pois, como o latim moltnariuni deu em 
tui^nirs moleiro, emquantfi moipre e outros afins deram im^j 
moinho, etc.. temos duas bipiKe.^es a que recorrer: 



1.* molinarium 
2." 



*raol narium ) ,, . . • 

^ ., . {' moUefro: nmrtro, ■ 
*mon larmu) ) 



A 1.* hipótese supõe simples supressão do i pret^íuico; a 
metàteiíe das consoantes diis tluus sílabaít conseeutiras, -Uni 
-oilu-: a forma resultante será igual, ^moltario, * moUe 



t o GroNOMisTA. de 9 de âctcmbro d<? 1881. 
* in A Tr.idiçIo, I, p. 92. 



AfHt^tiltU «1» DÍcioi*úrio9 I^irtHffttriffS 



153 



p«r assimilando, re(p'esijívu nu l.", progressiva na 2.". de ii a /, 
e (laeda do (irimdro l. as-timila^An oposta à qiití se deu em no 
/rti /o; rw »•>. nn qual itrovnleceu o tij. A raetátcse contrária 
*■ vnlirar no víicáliulo /(í//W/ro \H>r funiieiío, talvez jmr infliién- 
cia dr jtfiha. 

A l." hii»'>i(*si'. todavia, ilaria romo resultado mais provável 
•n.JwWiu, louio nítlfeiro tW ííolitarium, ou tnonneiro, eouio 
rrt de altitrium, poupar áfí palpare, coDàidera^-ão qno já 
uoji 101*^1 a pr^^lerír a secunda. 

\'ilerlK) ' oilu a forma antijTd monffirn em texto do xii sé- 

rjji», o (|ii« roDtiruia a prt»t>ryufia, isto é. que houve iiielàtese do 

•tina- em -nila-, prwiuxiudo-sc as outras aliera^'õ«s já dentro 

Assim as formas sucessivas devpiui tor sido moli- 

:. ..louilarium *monelario * moiiMnrio: monlciro 

f* motUiro): Kor.Eron: permaneceu o í pov estar protejido pelo n; 
caiu HU por titn. porque o gruim ni deixou de ser usual no por- 
• -"PS pntfterior. qu(»r neste vocábulo o consideremos ijíual a <ml, 
^ A !ii Hfrítivameiíte. a vou-al uasal se^fuida de / srt a vemos 
SM juii^áo cozuK'ieute do prefioso en- n primitivos com l inieial, 
OQiDO rrthir/tr. enhntar. e num ou noutro vocábulo raríssimo, 
fítwo em rtjnluiu, [ror exemplo. 1'f. lufu \ hin*ht \ lunula. e 
*•(! d» uai nitri. 
Vit«rbo traz mohUwira ou inoliti/irira no sentido de • moiíilio 

'- - i4o», exemplificando o primeiro com um texto de lôOI. 

-do. portam, que tanln moitihcira. como o ijale^ tnoi- 
nAc/ra. mninheira, sfto derivailos directos de moinho. 

Nwni lettrt Hlentf*i:tiio do século xvi ai)arpce molinhriro. 
-••iiii. em temp<3 me advertiu J. I/eil« de Vascuneelos. Cousidero-o 
(adu da iuflac^oeia* do voeibnlo tfutiiiho no eaatelbano mo- 
rto, t assim se explicaria o mofitihetro citado: niio sAo raros 
raKU'Iluiai«tmo» nus falares do Alentejo, tais romo tjaíut- 
rifo ftf. r.y, ettí, •. 



* Ei.rrijiiuiu, «wA tw. omiluctcírt», 

■ Itílr hrúf^ JA Uí pnbllc4>lfi nfl Rbviuta I.fHiiANA, u, líílíQ-líít>2, 
I/iIO-IkI. qu unto iniitit ciffn«>. 



moleste 

Em Sani Migiiel dos Açores usa-se esta forma sinalar no 
seutido ilt) 'prejuízo*; (lêste inoílo, diz-st» não Jaz molestf, oonio 
no Coiitiueute se diz não Jas mal ou »ão f^/x dúvida! 



inolinetii 

K um demimitivo do ca^telbaiio mofino, que, rom nindaiij 
du fréiitín) i;rumatioat, se usa no Al^arvt^, para dcsí^niar 
■ moinho caseiro»: — 'Também para luoêÇiío deste cereal [mill 
em casa tem quasi toda a gente uma molinota, instrumento con 
tituído por duai) mói de cercA de meio metro de diauietroj 



monbe f'=mòtUu^) 

Nome que na África Oriental Portuguesa se dá iios mes 
ços de árabes e negros cafres, moametanos. que se ocupam 
neífõcio: — «A população é composta de monheu faie), niestif 
de neiçros e árabes • — Na cosia pullulauí munhi^a — Vm dia 
guntnudo-se u um d'esU^ negociantes índios (m«^uhé.s) a c€ 
estava comprando o arroz aos pretos » — ^. 

Fiz três citaf,''Ões, t^das necessárias: A primeira falta arentuf 
y&o. mas cout<>in h detinivíio exacta: a sefçimda e a qu<^ está 
devidamente ai>eniuada para portugueses, é ortográfica; a terceira 
diz-nos a pronúncia, mas mio sei se define erroneamente: os 
gociauLys índios rbaiflivm-se bonimwn. 

O vocábulo, devidanieute nrtografado monhé, vem já no Sui 



' í*«r1 U£»IÍ4, [, p. ;íS7. 

< Jornal oas Chusmas, de 27 de «loMiiibro de VMTl. 



ApMtiítu aou DieiantirirM iWluyuoitat 



155 



Duxioxiftio. Ignoro a etiuiolojia dele, e parece uAo ser muito 
>;«ral a <tcnotuinavão, poÍ8 se não encontra no Dicionário Suaílí ' 
' '' rilo Steerv. onde deveria figíirar. se no Zanzibar fosse 

; .1. 

* Gu «qui uma definiçã» msih ampla do termo: 

— • Dá-fi6 o nome de monhéji. indistintamente, a mouros e 

boneaiwíi, aAsiru como ao8 mestiços de mouro e negro. Os mo- 

nké* verdadeiros vivem em Sofala e Oliiloane perpetuando algii* 

Oftu d*estas familias. sem mistura, o sangue índio de origem > — ^ 



inontambole 



fjíp^ie lio madeira da Africa Portuguesa ^, 



niouUnhào, montanheiro 

A primeira forma é minhota, a segunda, alentejana, e (^ual- 
i|iu*r (Nft» quere dizer «serrano, rústico*. Montnnheiro tem 
mus as seguintes ui'epçòe3: — « <> guia nos montes >: *n campo* 
AJ!S que íive no montct^w hí-rdadc • , c esta últimu vern jA nn 
Noto DiccioKÀBio. 

monte, montarico 

O primeiro vocábulo é assim defiuido por J. da S. Picão, 

ftioRAPHiA 1» Ai^to-Alemtkjo. — «O centro do eommodú 

V. cÒmcMlo] é o «monte • , vocáb()Io'"por que se denomina a casa 



t A HA!cnMH>K riK tiih Swjviiii.t LAKnuAOB, Londres. H7.\ 

* BdiJCTtH IM SociHtiAnn \m GitnnRAeiJiA ok LiflmiA. ^4.* «^rif* 



lõC 



Apúntiias ao* Dictõntirioê I^>rtttffHf$t* 



de habitavão da herdade, u qual casa serve siinultarieainente de 
stíde do firangeio agrícola» — '. 

Montariro: — ■ montes de três a seta casitas baixas. . . twtes 
montaríoos liabitam-itos os ^niardas, pastores, caseiros » — '. 
Vf-SH que no Alt'iiU'jo s. iloiiominavfto monte ô um colectivo*e 
equivale a • grnpo, aiuouload'> ' . 



rooutSs 



conhe- 



cem aplicação a animais, e si^iHcaudo «serrano., v ^^^mv- , 
eido este adjectivo, c do seu emprego são exemplos Mhriio i^*oitU 
IH. porco montH. o« jttvali, paluvra arjbica iiauaLt. qne (|oero 
tjiml«^m dizer «inont+^s» de uaíiai. * inont<" . 

É menos comum o epíteto referido a plantas, mas desta 
aplicavâo é. exemplo o trecho seguinte: — -benjoim amendoado, 
que é leite de certas árvores monteses» — \ 



montílhào 
Conforme Martiús Sarmento, i^ em Espozuude sia<Snimo 

monturo 

— •.Semeiam-se todos os aimos fos ferrajiais] . . . por 
adubados rom os estrumes das cavallarivas e lixo da l)ii)j»ez 
Silo 09 nwnhiros, como se diz em certas escrijpturas do srrend 
mento * — •. 



< ín Partuifulia, i, p. 271. 
« W. ib., ib., p. MO. 
* P. António Francíiscu Curdíiii, BaTALIIAS da Oomi-anbia ub Ji 

< J. lia Silva Picau. ETUxonuAPiiiA un Ai.TO-At.RMTiun. i» Porlj 
galifl, I, p. 274. 



Apit'tUwi am DivionãrioH VttrtugueMvti 



157 



moranga 

K O DOUii^ que eiu várias partes tt^in o morango bravo, que em 
ittribitno se ch^m% Jipsa. emtaiito que o cultivado rt deuuminau] 
TMôn. A etiraalojiii tauto de nujmtufu. eomo de monmf/o parece 

*rr uiti adjiH-livo moranieus. moranica. derivado de mora, 

* amora > . 

niorcet^o 

È n Bome. de iimn peçn do tear; — «para tomar fixa a |K>si- 
fAo d&$ iluAS viu't'tA-; eiu[irega-ãe o morcego, isto é. uma peijtiena 
bute tenoiíiada irutu gancho, e presa uo nutro o&treuio a um 
rjirdei i|ue se li^ja a mu pcMo rfíw cruzeu^ — *. 



mordexi. roordixi. mordixius 

Iv éírt* rt nnine quo na índia PnriUfíTiesa se dava à cólera, 

dome* ali eudOiuica. O vofãljulo é i-áurio. isto é, pertence àa 

■as pnwriticaa, em concaui mod/a)xJ, era marata modxi. 

I. iiiircia da Orta, Ooi.ògrios dos StMpi.RS e drogas da 

IvDiA. Liaboa 18iX)-*Jl, i. páj. átil. 2ti4. :iiiíi, 27n. Orta esi-re- 

ven morxi* V. tomlmin Iíkvista IíUsitana, vi, páj. 82. 



morem 

[►ict^ioNÃRid di\ uma deliniçflo baHÍant^^ exacta 

,ui lio: — < feixe de mato, (jut) no iuverun ae cobre de 

trm qao se queima do verão, para qiio a soa cinza sirva de 

»áu\n> às UsTfíui que se semeiam de cereaes' — . 



Porl«i;«IU,l. p. 37tf. 



i5s 



ApoHtiht* iiM Dicionários Pitrtwjucse» 



Cnmjilftá-lii liei com n trpp.hn se.giiinte:^«entemlendo*s«' qí 
esta paluvra abrande a vegeta^^ão ospoutuQca [luaUiíí, ustevf 
sar^assos]. Ás moreias suo pois os montes ou linhas á'es 
hervas, que depois se desmancham • — *. 

Km Caniiiiha mm-fio t- um itiont^ de mayurocas de milho. 



morilho. murílho, muril. mourilo 

O Xòvo DiocioNÁRio dá èsie vocábulo como trasmonUi] 
deflniiido-o da seguiute maneira: — «pedra ou pfça de ferro, ei 
tjuv se a[>oia u lenha que arde na cozinha, e quejtepani ila 
ralbeira o lar. (De mutvj' — . O vocábulo fruxftMpteiro, que 
dado coDio sinonimo uo mesmo dieiou^rio, é pela sua parte de- 
finido assim: — ^ tiiro de lenha, em que apoiam as achas na la- 
reini; * uteiisilio de feiTo tnrmiido de duas peyas vertiiMes, tra 
vadas por uma barra, donde pende a grainaUieivii: * o me 
que murilho» — . Wse pois que as duas palavras s^imeute 
siuóiiimas em um sentido, cx)iiforine o dit» dicioDãrio. 

Xo soberbo tti-jolio do Hugo Schuchardi, dedicado a M^ 
sufia *. o de que à sua extremada amizade sou devedor pelo 
timado exemplar que possuo, vè-se uma ^fravura ilm moriUio 
muril, reproduzida de luu deseubo que lhe foi enviado 
.1. Leito de Vasconcelos, como sendo de objecto usado em Por- 
tugal. l'omi>òe^e de duas hastes de ferro ligadiís por unia barra 
iuferior, e não superioi* como uo trasfo^Meiro desí-ríto, e logo 
acima de caila um dos dois pés, formados por um oroo com a, 
abertura para baixo. Cada uma das duas hastes érnntiUuía 
nmft capéctf de nirva. oii cadelabro de quatro bra^íOfi. 

Diz-nos O mesmo ab:L]isado professor e ^lossólogo (|ue 
Ksponha, segundo a íjiformaçilo que lhe foi dada pelo hispanú 



■ Portatciilia.l. p. 622. 
• Uru, 1905, p. 5. 



.4jM«ri/a» nos IHnaHãrioti Pi?rtugueie$ 



150 



)l«i*uiilt!X Pidal. objecto análogo, senão pin toila a Bua estriitiim, 
■s im »«rv^utia. se diurna m«>r/7/», í* i|iie o iioiin* Ihu 
!■' i* rcniatp imitar a cahev!i »1^ ii"i "lotiro. ou moura. 
N>m a tniiifa conipeteDt«. 

A *er vprdailpira a etiinolojia, deveremos esiírever muiíUio, 

■ '■•n -.. e não u: o oa realidade, o suficso -í7/io leva-iios a supor 

:iria ("^(loiíhnta, eorroboradu pelo tacto de o ditou^o ou de 
umunt rstar reduzido a o (=uj. em 1*a'^ão de cá se haver perdido 

■ 10^0 dn ninne. fjue om K.s|>anlia estará talvez preeeute a 
f«lp il^ltí se »er>e para designar esse objecto. 

È vfiáenbs que este éliioo excluí o dado pelo Nôvo Durio- 

, e *|Ue temos de rejeitar, era vista da exist»>ucia do vímíá- 

nko iô eiu Kspauha, oude se níio conduide na pronúncia o 

rom it. mu-s ainda na Sardenha, em que se cluuna mo- 

'•: como uos d ir. Schnchardt. 

>ii TltMia-H.iixa Uíia-se uma e^spêfie de Irasíogueiro. íjue ron- 

ftu ■]<>i>. piliLres de pedra arredondados nos topos, e que. 

pit tol EtinAl. ic<! chamam numi^^a: no mais o tranfogueiro 

-te d" de Tríis-ovMout^n. e iH vasilhas (|ue se querem 

,- . ... ..4iue, L'ircnudaui. coain lá. o centro, onde está a lenha 

j jnJer. 



Diorouvo. uioroi<;o 



\u llu<.^J0NÃ8i<) dá conio étimo a este vocábulo, cuja 

■ o é 'montículo., o vasconço tnurun. Tirando o artigo 
• rif, que nâo eipticuria a terminaváo que u palavra toai 

*iv |«*nníu^i7. Km vosconço, porem, existe também mulco, que 
de formas intermediárias, poderá miiiistnir mais jdau- 

■ t. y. Vau K)'S, I>UTÍONN\IUE BAft^LE-KHANV^lH, >-»A 

' muni. 

II Novo DucioNÃnm e»tahelei'e relav^ío posjíivel entre este 
n- ,h.T.. 4» tmirria. mos por mera conjectura. Na reiílidade, oa 
.'.A dois parecem idèuticoií, mojf os suHcsosr que os dife- 
n%i;hTy^m. fícam inexplicado». 



K» 



AjtoMtilas awt Dieiotiárion i^cíiy «(■*'■« 



Dion-ayii, morrayal, morraceini 



Tanto o Diclionabio (.'ontempohaxec», como o Novo Dicrro'^ 
NÀBio deraiu deste vocábulo detíuição satisfatória. Todavia, ooi 
a que se segue é mais explicita, dá-la-hei atjui: — «Os Iiiilii' 
tes dos Concelhos do Seixal e Barreiro foraiu surprebendidos .j 
com ura edital. . . que Ibes probibe. . . iipanbar iiiorruva, ^u 
V€g:etiies iiasi'iilot> uo rio — no verào ê com a apunha dos v 
getaes nascidos nus inorraceiras <\m elles Bustentum o ^ado 

Concliii-ae portanto que a morrara. mnlíço. .y/iív/aíyo 
rapeira, pois» coufonue as rejiões essa vejetaçflo vai mudi 
de nomo, serre niío srl para adubo das terras, mas tiimhtímv 
falta de iiieUiOr. para uliiueutação de t;udos. 

U Novo lliccioNÀuio diferença nuírraf^al tle ui>frniç*'ú 
detínindo o primeiro, como — < terreno, em (pie hii morraçu»— i 
« O Hegiiudo como pnlprío da província do Minbo, com a si^A- 
caçfio de mourfuio. qne detine: — « peijuenu porvíSo de terreno 
arborizado, nas lezírias, ou formando iJhota em meio de um 
rio* — . l>a eita^'Ao que acima tis vé-se que, se assim é na rejL 
das lezírias (HÍba-Tejo>, em outros pontos mffrrawira é siuói 
de muiTaral. 



mor.) moscada, (noz) nozuada 

O povo ainda boje diz nos iwfivada. por i%og mosvada. ist 
cheirando e sabendo a ahiiizcar. Aquela evolnçAo es|^i'ial é dev 
a asHuiilaçâo da inicial do segundo \oeí(bulo fi do primeiro, 
fij^rarem conjuntos para designação de tal especiaria. 

K muito antigu está assimilação, e eí^ aqui nm exemplo: 
«muitos cravoã e cominhos e jinjivre e noz nozcada • -. 



' II Smci-IO. .If Ui Jf junho Ao l!N)0. 

* itiiTKtltli DA VtAOEM OB VARCO UA OaMA, UTíllOfl. XH^ÍX , p. 44j 



míVsco 

Nâro DiccioxÃRio dá este rocáhulo como seudo de jíria. 
a dug^ifiraçilo do -roídio»: — é sabido íjiie fa ladn» Oiral- 
i] tiuba iimu d*aquellas letrus miúdas [artes], como iiunt-a 

iiu neDliuui ^atnno de mosco, seu collega» — '. 

Moscou, Mo&^iivia, moscovita, mosco 

os aerão os vocáhiiios esclavónicos de iin{K>rtaçâo di- 
que «xistain em portii^iõs, pois mesmo os nomes de ulgu- 
jiUuifiw. como pokn. maiurca. craeoviami. provieram ime- 
dt» franrès. pftsto i\\w os dois primeiras adquirissem 
[1 >] uc^nt impilo tuais contorme rom a que tm^m uu Un- 

ida Pol<ínía. íi quul pertcucpm, si;^a)iHcandn o primeiro «pn- 

fnmui Maneou vi também Iraucesa, pois us nossos escrito- 
mtiffoa Ib^ chamaram Moaróvia \ de qne è ainda resto 
iV^o njurtj-fJe-Moftróvía, assim cowio a WarKzami 
i^*>>'i) chamámot; Varmoin. 

'iiidr^z ^'ssHnta anos ipit* a forma frimct^sa Vmcou veio 

Portu^» imde se ajeitaniui ã pronúncia portn^oiesa as vo- 

' tiuAÍ!)í, quM i*m frunct^^ sí- l^-em u, entantn t|u<' nós as U*mos 6. 

litulo de cnriosi<hide apontarei aqui, <'ouio jii o ti/, ua Hk- 

LtwrTAVA \ a oryem da forma francesa Mo»pou, pronun- 

ruÃfio escreve-s« o nome da segunda cidade do grande 

do <Jar. e sua antiga capital, yfuskva: e recaindo o 

tónico sAbre a 2.' sílaba, profere-se rnoj-Xívi, ou míifXíví. 

liativo deste nominativo, fomeniuo, e que desi((ua também 



o If I J<r Ji-zfttibr» «V l!t(U. 

v«l. V. IMl7-l»U!t, |i. TH. 



IU2 



AjfOtiitfti rioH Diciottáriov I^ortttfftteKH 



O rio que banha a famosa cidade, ê Moslfit, proferido tnoçt 
e, que eu lú ouu pronunciar quá^i marluú. 

Ora, como o acusativo é forma comuníssima, baja vista ao 
qnc aconteceu às línguas românicas, as (|uaÍB do acusativo tira- 
ram as fnniias dos vocábulos lalinos lierdados (jHistor \ pas- 
torem), mornieute em nomes de lugares, por designar atjuele 
pam onde se vai. ou se manda, os franceses adoptaram o uome 
russo com a forma 4jue mais fre<|iientcinient^ ouviam; t* da(|iii 
pmveío a uosiia forma Moscou lida, como a \imos escrita cm 
frauoês, e que poderia com vantajem ser substituída por Moscò-^ 
tua, de onde derivámos n\oacovitas, que Luís de Camòos di 
miiioii .]/(wro.v ': 

mosqueiro 

Tem várias significações este vocábulo, derivado de 
fti quais estào rejistadas nos dicionários. Uurei aqui abonaçãoi 
uma dessas acepções, e de outra, que os dicionários' não rejia 
ram aiuda, e que perteuce h linguajem de jiría: — «Polo 
da casa peudcm molhos de folhagem de sabugueiro ou do 
a que chamam monqueiro» — ^. 

— < K para os leitores que não c^nheiíem u gíria da gatu 
gem e a linguagem falada nas enxovias, necessário é dizei^i 
que {iiho é, em calilo. synonymo de gatuno, e mosqueiro od 
ii\'o tem a signilicaçílo de casa » — *. 

mosteiro 

Linfpta monteira ^ a denominuvão vulgar do antigo dis 
críúulo-português de l>in, no qual iuHuJu portanto a língua i 



• KnirL' f.ite miir o Tinaw vÍvp «.•átrnului 
iK-nrj'. Knthcnoa, Moscns «• Livonios. 

LrelAUAJ*. III, ]1. 
• J. (Li SIlvii Picfto, £thnookai*iua 00 Alto-Ai.kmtkjo •" P^ 
f ilin. 1. 1>. 3^.t. « 

■ O SfitirLO, de V'\ ile jatieíro do 190S. 



Apo0tUtt$ miM niriotiárinu Ptn-ittgwitPfi 



1ft3 



■mnijn, que é a gáiiria veniáoula naquela t*ojiâo da titdiu Portu- 
XWBi: — «0e resto, era rigor, t' agoia difíicil marcar a linha 
rtfiUdeJra a que «tf» eirciiuscrfvia o auti^'o dialecto de Diu, vul- 
nmeute fuuliwido jior -língua mosteira» — *. 

Iteaominani-sf! idiomiLs t^fiurios os derivailos de antif^os prá- 
criUe. r portanto aiian-ntadoíí com o sánscrito. e como t^te per- 
baceiteji  rumíliu árica, ou indo-fítiropeia ^. 

raostvnárin. mniistruãrio 

n N'í>v<> Un.x'ioxAaio ruraett; imra monMnutrio que minca 
n, wn ouvi. e que nrio ab*nja: — • reoovaudivse tiequêuttnm^nte 
• mustniarío* — \ 

m mourir, motro: morrer 

P^r \i ,\ÉiVit l)ic-4:ir>N'ÀKU» ri-jislíi T-ste iiitiniln, nmirt antigo, em 
11 tN «Ip morrer, mai como uão abona, lenho ra/òeii paru supor 
k| vir uunra etistiu. t)e um latim morere por mori proveio paru 
' ,o morir, e par.» o portu^uêíi morpr. Kste verbo no 

r outras formas rizot^iniciís. era moiro, ou monra (de 
tfidrj. forma freqíientissima m»» quinheulUiaâ. untre êl«8 Oa- 
C) futuro do vprho nwrer era moerei, que pela perda 
' r da 2-* ailHba. ho converteu «m vHtrrei (cf. O castelhano 
li, fiituro de qttertif, do qual (te dedu/.in o infinito morrer, 
|l*nQá qu« lâAsou a sor básíoa para toda a conjuga^^flo. É assim 
este verbo, cujo rr duplicado somente, entre todas 
românicas, ti^nru em português, no infinita e em toda 
-o. 



Carta •!« IHo, LXti, iit « Diarín de Notioiíu», de 14 Ac dezembro 

r^ »ii*r-f walra^ pnWicaçíHís. Mappa I)rAi.»CTOix»GiíX> oo CosTt- 
iu rvwrvavt». 1'ks(ibdiiio dr itma ciMtiHiKiCAi;.lo «cuuAnxA das 
9VAé, |wf i. LeÍt« 4u Vft»euu»luti e A. K. âuiiçúlvuz Viami, Usbua. 
Bo<ftLA Priíoto, As uuakias tto FuAoo, in rnrlug&liu, 1, p, 2ilA, 



mouro, inoreuo 

íl subida a definição da primeira destas formas, bem com»] 
86 encnutram nus dioiouáriou as dift^rent^s acej^çius em qu 
tomado o vocábulo, t' às quais acrosceuUrei unia:— »A desiíína 
de «mouro» indica aqui [Coura] sempre uma proveuieucia 
i*omaiia»— '. 

Esta especial i'/aç:ln de signitirailo ainda se generaliza neat*oq 
eiUvão:^«-i Castt tia Mouro e Cova da Moura. Coiiío 
sabe, a palavra mouro no nosso povo serve paia desi^mar uftd 
os nionuineutos arruinados, uiiis aqiielles quo, como no caso 
sento, oterevem uma uppureiíK-iu estranha. Õs Mouros foram' 
Península os últimos dominadores, e portanto os que mais 
pressões deixaram; d*aqni a razAo do êlnprefço profuso do 
mo • — -. 

Mtyreno. derivado de moro, e nào de mouro, mostra cl 
mente a sua proveniência directa caslelbana; é, todavia o 
prego dêsle vocábulo eui portuj^aiês uials limitado que na Ur 
da qual o recebemos, em que muitas vezes se aplica aos pxtâ 

É muito usual a expressão antJa mouro na costa, c a 
ria das pessoas que a emprej^am, (jiiereudo dizer que «há mot 
paru se estar acautelado, de sõl>re-aviíio • . não li^a sentido 4J 
guilicaçAo própria deste modo de dizer. 

Do se^^uínte passo da «Memorável relnv^o da |>erda da 
Coucei^íilo» se conbeoe a orijem dela: — -K na cidade que hl 
de l>omar Soluuan arráíz, viram que a t(>rre fazia fumo. que 
sinal que se faz de dia para se saTwr que andam moiipwj 
costa » — *. 



< Albt-rto SauipAÍD, As «VUiLab» do Nobtm db Portcoai*. ín ! 
tngalia, 1, p. li-'!. 

* J. Leite de Vucunock», Portugal rKS-Buroitioo, p. 21. 

* ÍN B(BL. DS OLAStilCOfi PORTUOTTBZHS, vol. XCVH, p. 131. 



AjMMitiltu OiM fíieiofíiirioM t^irtngttemm 



ior» 



raonfa. iiioitu 

<'ouio éiinio propt'ie I>. Carolina Micliaêlis de VascouceloB, 
malta [ matln \ mattula, deminutivo de matta «esteira de 
UhiMi • (?). E inu pouco diividosu o étimo, não fonolójica, mas 
olfijícatiiRnte. A (Ioiit,í<(siiiia romanisia iainbóin lit*.sitii <>in ai^ei- 
ii etimninjia, conquanto a siijira. Km todo o caso, d ainda a 
»r que L«m sido apontada por t*mt)uauto. 

inituve 

— • llbri^m. . . a t><.>ber muave, veneno vegetal tunito ener- 

A respeito da planta lé-se na monografia do Conde de Fica- 
, lb<i, PuASTAH VTKís DA Apuioa PonTuouEZA, O segoínte: — 
> Muave . K frequenti* e geral em muitas re^riõe^ da Africa o 
upreijo de ç^iibHlauoias venenosas nas provais judioiaes, e as es- 
p«cie« que as fornecem, íie nSo podem considerar-se plantas uteh 
DA f^enuina accup^do da palavra, devem pelo menos i-ontur-se no 
DOii]e>r<'> *\iiii p1ant[i.s tixtumii* ~-, 

È rlaro o iKiitia mento do pitoresco e donto escritor, mas as 
çalavra-i atruivoaram-no. 

As plautoa venenosas 8fln mais útris qne iiítiiais. porque útil, 
aoepvâo mniif |^'onuíua, nâo quero di/er « proveiioso>, 
lito < quft se píKle aproveitar, ou usar . : entanto que utnal 
KfniBra > corriqueiro, de uso 1Veqiiente>; e seria tara absurdo 
qoe. ainda nos povos maia bárbaros e remot«>s do ronvivio 
eu. o envenameuto seja pràtien usual, coiiin o fôru afirmar 
^tkv nas xun^íva em que a t>i>ua de morte é aplicada, ela o seja 
t^M <i« UiaLs c a toda u bora. 



■ Awndu Cuntjnho, A camimxha bo BAfttib bm 1902. m <J»m«l 
f^ ' ' niM», de ia àt »(ro«to íli? líiO-l. 
^bt>A, IKrU.p. 1C4. 



1(>6 



ApoiflU/M titm THcionàfioH I*oi-titgueM9 



miicaliua 

— «nas suas mucalinas, que são as nossas deresas> 
Este vocábulo foi empregado pelo Padre Manuel Barradas, 
sua Descrição da cidade de Columbo, da ilba de Ceilão '. 

mueauda 

Termo cafrial: — «De resto o iudigt-iia da costa do norte, 
tem uma coiiliãuyu absoluta no oegociaute, e sobretudo uas su 
nwfítndas (cscripta a lápis ou thiUi irutn bocado de papel 
qualquer imture%a ou tãmuittio), que couítidera como o mais 
guro valor e penbor da quantia que rcprcsííutam » — *. 

A ortograha tem de ser cora ii, mucnnda. e não, mocmv 
porque o prefícso cafrial é mn-, e não. mo-, e nenhum inot 
plauiíível aconselha a escrevermos com o o qae proriuncuiníoa ' 
a não ser que a bist/iria da língua o exija; o que se não dá 
vocábulos afríi^nos, uos quais apenas o -o tinal é preferível aj 
átono, ao passarem [>ara português, com o efeito único de 
evitarmos acentuavão gráfica. 

mucaia 
Quere disier «cabo de tropa» na Zambc/.ia. 1', Azevedo 

tiobo, A CAMPANHA DO HARrÉ EM 1902 ^. 

mucbém 

O Novo DiccioNÃHio jn rejistou este vocábulo e o defi 
do seguinte modo: — « Kome que na Africa Õiieutal iiortujfui 



' Híii1«íríA trAjicú*niHritin)ft, íh Hiklkithkca ub <-la8i»uioh mu 
ODBSaS. XM. [I. «7. 

< Kai.ATOHlO ilujuii V. A. Pitltn. 

' in < Jomal lU» ('ulmii»*. <\v l<t do agiutu do 19(Mi 




AjtoníHnM liou rMeÍQ»àfioM Pnfí»ffHfjtr)t 



ur, 



dá »fí ijiilalé; uoutíeiílo construído pelo muchérn» — . -EU 
«qai uma abonarão colhida onde tantas ee encontram reli^rentes 
àquela rejião: — «estabeleci iíeis esrjnndras de landins, aprovei- 
tando (lAra aâ abri|^ar o» morros de inuekéin • K 



inueur(r)o 

— ' K »"'sle íiraço de mar (jiie se eliamu rio de Angoclie, onde 
vêem desaguar varins mucurrot ou riachos» — -. 

Asfiiiu está escrito, com dois ?r. No Diccionabio poHTir- 
ouEi-CAFBK-TKTKNSK. tntduzidn pelo Padre Victor José Courtois, 
missionário do real l^adroado, p. cuja imcionalidade ignoro, vejo 
que a rifirho se ãú como correspondenttí na língua eafrial da 
Zambézia nuicuru. e a ribeirinho, deminiitivo de ribeiro, Aamu- 
kuro, cora o preficso de demimiiçào ha-, idêntico ao do quim- 
bundo. Temoâ a este respeito de fazer duas coQsiderayôes: a 
prírneira, ê que. m o [*adi'e Courtois é francf^s de nação, ou de 
liu^ua, como parece pelo nome e pelo seu português, e nâo 
nasceu em território provençal, onde. como em toda a Peníuímla 
Hispãuica. incluindo a? Províncias Vasc^ngadas, se faz constante 
e bem clara distinção entre r final de sílaba, o r iut«rvocAlico, 
por uma parte, e /■ inicial, ou rr intervocãlico por nutra; se í 
francês de língua, repito, a »ua escrita com um '* merece pou- 
qoiítsima confiança, a não ser que hzesse, o que não faz, menção 
ex|iressa do valor exacto do r iiaiiuela língua cafrial. A segunda 
é que. ^ na África Ocidental, nas línguas cie pretos, bauto ca- 
friais abai\o da linUa equiuoccíal, como pertencentes a outras fa- 
mílias, ou isoladas, acima dela. predomina o r leue, de caro, 
antes de /". (permutável com / ;inles de outra võgat), facto iio- 
tadu ba muito, e que Já até Oil Vicente observara, e reproduzira 
na Parva Cmcru^o da Bkira. na boca do Negro, a falar crioula; 
vA(* tentos documento rigoroso que nos elucide sAbre se tal par- 



' Campanha nos Na»akhaih. ín «OSoculy *. ile 25'lf aíWsto de ldí>7. 
* JnRNAL DAri Coi^NiA8. i\v <!7 de d«>£^-inbru do X^^YL 



t.l-i 



AjHUttiíni' aos Ou-ioimrum Purtuyucfic» 



tieulnridade sHbstijtte nos dialectos cnfriais da costa oriental. 
portanto, a nào ser por aiidiyíio directa, ou por íuforinavão hd*í^ 
digua, somos incompetentes para decidir qual das tormaât "MH 
curo, ou mucurru v a exacta. Inclino-me todavia a considerar 
e«rta a última, visto aparwíer nscrita por luào de [Kírtiiguéá, na 
citavâo com que encetei èstfl artijfo, e uâo ser crivei que o ouvido 
português se iludisse a úste respeito. Acrescentarei que a uma 
pretita da Zaml>Ó7Ía, quo foi minha criada uns quatro meses, 
sempre ouvi pronuiiriar tutru. e não laru o numeral <tréa*. e 
elA falava meuos mal português, no qual jamais confundia r 
com tf. 

O seu principal embaraço era distinguir peloíi nomes ou 
côre.s que nâo fossem preto, branco e encarnado, o que u&o coi 
seguiu emquanto esteve ao meu serviyo. 



mueles 



Ko calAo dos ladrões do Parto quere dizer «rapé> 



mitesin, nnt^sítn 

É a forma que Marcelo Devic * dã ao termo que era írftí 
conforme u tiausliteraçào aqui adoptada, é Ai.MuaSÍN, de quej 
portugueses tízeram alnwidem (q. i\). mais à letra almuádiri 
que se pode ver nos Vkstioios i>a unuoa arábica e« Píirit^ 
OAi., de Jofio de Sousa, onde se lê: — «Assim se denominai 
Mouro, que cbuma o {>ovu á oração do alto da torre de qualqi 
mesquita. Meu pai ileo-me a Iium Almoadem paru me ensli 
lingoa do paiz, Ckr. do Conde D. Pedro. eap. IS, p, iA9»- 



' o EooNOMíBTA. «V '2S df íovfreiro ■U- 1í<íí.). 

' PurriONNAinE ÉTYMOLOOInrR UKsí MOT8 D*ORIUUNB ORrBKTJI 

VnxU. 1S70. 

» Liíb.i», 1830. 



AfMulUas ntM Dicúmnrim hiftw/unH-B 



IKO 



Os eíip:u]hi^iâ rbainaram-Ibe t> chniniiiu-lhe almiu'flana. X leira 
rRprvseoto por 8 lí a O.** do rospoottvo alfabeto, que pnipria- 
!.„ .<,,.,. jp|. (, çjj,j^ ,|jj (y^ jnglòs de thet/. mas (|ue uns mmnos 

1' como í. e outros como iL prevalecendo eata última 

A prop4>:<ito ili^^st-t* V(n*;l1mi]o IVíinirr-s, qii« emprega i*m portu- 
i|UfrU) t/nnni ;i furui:! própria ithnuttiit^m. farei ura pequeno 

A Ga£Kta das Aldeias, útil puMicav^o semanal, que sai 
lia DO JVtrto, no niiraero conespon-leuto ao dia H> rio setem- 
t»ro tle 194)5. traz uni artigo, h qual se intitula A véspera do 
Rahmadan • dnt). 

íít'úr.'-«;e a Marrocos, e è evidentemente traduzido, uatural- 

iLtnu dl- íraucéíí. Abundam nele vocábulos que tiujem ser arábi- 

an. » w copiaram, mais ou meuos fielmente, do orijiual que 

Iu7iu. Náo reparou o tradutor em que muitos desses vo- 

Iw»ii>9 t4»«m bà séculos formas portuf^uesas. c uão advertiu em 
pi Qw eurapria dá-las em ve/ das fraucesas. pois se lá são i>e- 
r«)Enn;Ls, em ?ortu^'uI. como etii Híspauba, nito o são. Aqui as 
TW Apontar, daudo a fi>rraa errada em que ali tígurum. acoiufiu- 
llada com a competente eorrec^ão, devidamente autorizada. 
(!itp-u p«]a ordem eni que ali estilo. 

Waarete (q. v.j — ahnemira, ou alcarm hj. t'j: líluteau. 
Baqueie; torre. Joiio de Soutta. 

IniftB {\y. ematfío. imamo (q. v.), João de Sonsa. 

muerlm: (ittnatuJfm (q. /■.>. Joilo de Sousa. 

Rahmadan {\y. nhiwdnn |uiiM;izaN], nu A portuifuesa. ra- 

haschich (!): haxire [Haxixj, cáubamo em pó. Novo Diccio- 
vAuo, Hupteme4ito, 

glUniftl ijáeiut, ou (/arifv/a, (q. v.) [yuzuk, yuzik], Bluteau, 
•folo de SouM, Koquete. 

Atevi: hiKtutri(m) [persiano uixKauí]. Joilo de Sousa. 

ItMlia: *tirfi{'ariti(ft) [AL-uu-sasiF.;. João de Sousa. 

sak: fíçtfut^MS (q. v.) [Atr^uii], Kguikz y Yanguu8 iq, o.). 



170 



AptMtiloH aoa DicioHátiot P>ortu^ra«9 




Todos OS (licioaârios portugueses, mas espeoialmente U1ut«au 
(q, V.). João Carvalho Mascarenhas empregou a palavra soco, ca 
coco, (<Nova degcriçâo da cidade de Arjel», in Bibl. de clás- 
sicos P0ETUai'KZR8, Vnl. XLVIl). 

El aluá: [(A)LHai.uK], «a doce», alféloa. Todos os dici»- 
náríos itortufTueses. 

kandjar: ftlfanje [Ajj-n&yaan]. Todos os dicionários p<>rt~ 
jçrueses. 



Já é vontade de escrever em português com palavras fran- 
cesas ou afrancesadas! 

Tndas n^ formas que doa como conectas t«em abonaçnes em 
escritonís porfcuj^ueses, cujas obras esUo citjidas uns lugares com- 
petentes desta nu uos dirionáríoí) e glossários indicados. 

Com excep\'ào de ha.ci.a' todas elas ou são conhecidas e 
pulares, fazendo parte da língua comum, ou foram empregai 
pelos autores portugueses que trataram de assuntos harharesco?. 
e tantos foram, (pm duo é lícito a ((ualquer escritor, media 
meuto cuUo. o desconhecê-los. 

mulato 

(^ue tnuhito. no seutidn de 'cruzado de negro e branca ' 
de -branco e negra*, principalmente, ê derivado de mi/7f>, m» 
prova-o o passo seguinte:— «em um dia se passa este camiii 
era mulatos e asnos* — *. Vè-se pois que é infundada a etimoí 
jia arábica que se Ibe quis atribuir. Como a palavra tnuUUt* 
signifícava < híbrido», no cruzamento de solipedes^ passouJ 
epíteto a pessoas, talvez com seu matiz de desprezo. 

Gil Viceute, no 1'LkEiao da Keiua. emprega mtttatn 
«macho», e mulalinhn por •miilínha». 

Eis aqui mais uma acepção de mulato: — «ns seriadt^rei 



TOX, IJoillljailll, l!»IVi, jt, líl». 



AfiostiUtx anu Dicionárim htrtngur9eit 



171 



cuupoot>zeâ julgam, nos campos de Coiial)i'a, na úrvorea doe dois 
éexoi como pertíDcenies a espwiea differfiotes; dão-lhes uomea 
ilivíímos: rliAtuam iws indivíduos masculinos Chouj)os mitUifou, e 
â'.« femioiuos fhoiipox ordinários» — ^. 

iDuleia 

T«nno da Beim-Uaixa, que se aplica à almofa<la que se co- 
k»cs debaixo da canga do boi. 

muleta 

f^t« demínutivo, tíoso e mconscieute, de mula, tem além de 
iHitn» si^niticadoã, já colíjidos em dicionários, aindii outro e-spe- 
dal. qup uImiio aqui: «empurram [o Imrco) pelo la4]o da proa 
"••^'iT» , um forcado de ferro, i;haraado irutleta • — *. 

mulola 

— «A tnives^itt do Cunene tí fácil de realizar, mas, nma vez 
ontru margem, o terreno é cortado por freqiientes mniolos, 
i*i:U*DAO« areaejf. por oude, ua época invemosa, correm as aguaa 
4o no e qac. presentenii^ote, se conservam boccos * — -^. 

munda 

Tí-rrao da Africa Ocidental Portuguesa, que querc dizer 
• morro.- -A munda do Zurabo»— *. 



' *;*- ■< .\i,i)KiAH. iK- II de rimrvii (Iv 1906. 

' i .' Tiuiia*. A TKsCA Bu BiTA,K0Ofl, in Portugália, l, 

* O sucvtá*. iltf lí d« uutabru At- t'.HH. 

• ■ I Ám:vu^. de 2 dí joUw de 18!»ô. 



172 Apostilas aoa Dicionárioê Portugueses 



Estranho vocábulo é o latino mons, montis, que se repete, 
com a significação de «monte», no vasconço metidi, e no cafre 
munda ! 

mundo 

A locução vestido ao mundo quere dizer <em trajes secula- 
res», ou então, «não amortalhado»: — «Nove senhoras vestidas 
ao mundo» — ^ 

raunumucaia 

É o nome que se dá no canal de Moçambique ao tufáo, como 
sou informado por pessoa que ali passou várias vezes, e esteve 
outras tantas na África Oriental Portuguesa. O vocábulo deve 
de pertencer a uma língua cafrial. 



murcela 

— 'Ensaio e marca de objectos de ouro, denominados mur- 
cellas, cabeças lavradas e africanas»^*. 

O nome murcekis refere-se provavelmente à forma. 
Melhor escrita será marcela. 



murcho 

Conforme J. Leite de Vasconcelos, provém de murc(u)lum, 

deminutivo de mure um, «fraco» ^. 



> o Século, de 2!» «lu março de 1!)0I. 

2 Diário do Governo, de 24 de abril de 1897. 

3 IÍEV18TA Lusitana, iii, p. 277. 



Ajirmtiiaê aoa Itirinnúrio» Portutfwvtfit 



173 



inunaco 

-'Apenad siiltsíãtiram [os brandões de madeira resinosa] 

••4 \\v Indo o proj^resso industrial, pani as viagens nocturnas, 

.^.^ui, persistiíra entre m^s os murracos de vido [q. v.] » — . 

l-ite vocábulo deve relacionar-rie com mundo. 

— *M munaroH, por fiui. ou sejam as casítas de vidoeiro 

t-nmladaá í jA sercas, eiu Ijtndoso » — '. 

Sfrvfui (l(* afi^ndalhiís. 

inurtosoira 

BlU pftlAvro. derivada do nome de lugar Muríosa. útísigu» 
MV embarraçiln naada ua via de Aveiro, a que tuuihêm se 
«fcnoa Uihrftja fq. v./: — •Assim para o serviço das sulinas te- 
BMfl a .taUira: para o trauâ[K>rte dos moliços o moliceiro, para 

Usosporto tinvial da peft<'a niaritiina a bnteira meratnfclípars^ 

1 pewa fluvial os dois typos de bateiras murtozeircut ou lahre- 
gud e a bateira de llbavo* — '. 

inusgur 

K termo alentejano e significa, secundo íuforniaçào fidedigna, 
■ queimar roíii t-ijo o ciibelo, lavar e barbear o couro ilo porco». 

musiquiii 

— ijue vou m«tcilHf( :if{uni 
Km moitíquiiifc — '. * 

^ U) é. cantares, ■múnicas'. 



> Atdtm 1VÍ3i«t<i. tLL,rMJNAVZo popitlar, m Portugália, u. 

■ tMU àe Mj^hSoa, O» DAROOd i>A RIA DS Avbiro, in Purtngá- 
lã. iL p. 52. 

■ Õí) Vlcvntti. O Vnuio da Horta. 



inussoco 

É teniio da África Oriental Fnitnpiiesa. Assim se «Unoral 
o • tributo |iago peloii pretos ilos distritos centrais <le Movuinhi- 
({Ue aos souâ régulos ' '. 

mutra, matrur, mutrado 

No seu Supleiíieuto o NAvo DiocionArio dá-nos o sul 
tivo mutra. com a signifícavão de < sinete »« e abona-o com FÍ 
nnm MtMide*! Pinto. PerecuinaíAo, páj. 9fi e 177. sem referii 
edifao; pelo quê mellíor fora baver citado os capítulos da ol 
|>ara se poder cotejar a abonarão. K porém oiaisso ali o vei 
mntrar, derivado daquele substautivo, e cujo participio adjec- 
tivado vemos empregado na • Uelnçilo do naufr.tjio da na 
Saiu Tiu((i>-, de Manuel Godinbo Cardoso: — «eslava o chapit 
alastrado de moedas de oito reales em ^ninde quantidade, af^j 
muitos sacos que se Imtanim mtifrado/t ao mar* — . 

Note-se o plural castelbuuo realeit, de real, naturalmc 
porque o autor à moeda espanhola se refere, como adeante fij 
quando nos diz — «eseonderam nela [a praia] os reales» — •, 

muiin^n. muxingiiciro 

O primeiro destes vocálmlos 6^ura em rúrios dicionários, 
crito nii«/i/n;f<í. em .duas acepções. Assim, o Contempoean"»^ 
diz: — «Muchinga... sova, tosa, suri-a [tauto simlaimo!) //. 
(Pleb.) excremento, dejecção, urina // P.[orma] bundía] Omi-^ 
cAiw/o» — . Este o com que procedeu míchinga, aliás mixir 
ú o artift^o defíoido, e mi^chiga, jduni] de miuchvja, quore dil 



» Dfcri-to d* 18 de Q«TL-mbM du 18ÍK). 

■ tfl BtDL. DB CIMH81C08 rORTCOrRZBt}, vol. XLUI. p. 30 « 70. 




AfKmtiiat aon í>ÍrÍttnárioti Portmjuoir* 



em quimbundo — ^açoutes, disciplinas» — K e deve de ser aÔm 
áo lorlx) htj-inifit. « injuriar • . 

lí Vocabulário portugckz e latixo de Dom Haiael IJlu- 
toan traz o vncàbnlo muchii^qa com u seguinto defini^'jln — «Se- 
ctfU 00 Limoeiru, cvrcere de Lisboa» — ; e que SECiteiw u&o é 
« moderno /dufrfiiin. luan sim < privada. I:)trma>, vè-se pela de- 
finido dada a ess» palavra iin inesiuo Vonabulàiio. Kste sigiiiti- 
rado pniyce rHlaoíonar-.ie com a se^nda acep(*ão cousiguada no 
■a\>íK<». mas não tenho meio de avori^uar se ela per- 
^«. ■ .,.;iilH*ru ao vocábulo ijiiinibuudo mu.riwfn. ariína apontado. 

Seja cjjino fôr. murintjueiro é oa cadeia do Limoeiro O nome 
*|u« M* dá à aatoridade imediata ao juiz da prísílo. Se èstc nome 
Uw ídi dado p(ir<|ue éle com essas fiinvôes uruiiiiila as de {laiarda- 
•lalrína». ou piprijui- (>le as exercf ou exercia por processos luuito 
li:radntç à tii^utica\-ão que o vocábulo miuringa tem ua línt((ii) 
■nde t( portujíur^ O foi husciír, depende de averi>fuaçôeâ 
. ..., qUf uao tenho meios de lazer agora. K provável que 
tf tenoo mttxiniftí, com a si-^niticação de «pancada», «sova», 
neaw de relaçóps com pretos encarcerados, passasse à jiria de 
B»lf' ' -^ '■ dexta se j^enerali/asse na lingtia comum, como 
La&t*> lermos de calào. 

muzimo 



"IVniio da ÀXríca Oriental I'ortU)íuesa, que quere dizer *áu- 
^iir«, adivinho». 

— «ADUnt de marchar para qualquer empreza de tj^uerra 09 
/niD<* ! iiipre os auj(ures miimoío — . 

A ^ \'>U} miitil, puís que u fornia ■'nfrial ê tanto 

; mtéiimo, como msinw, e a primeira |K>de ser portu<;uesa, o que 

lrf4k com a Sf^uuda, ituprouuuciâvel pura nós, veja-se 

» qut ..-..■ iij tlBTortUAKiA Nacional, (pAj. 229), acêrca das con- 



y-. 



JVtt^Bfta (U MuU, KfUAlO UR DICUIONARIO KIMHl'-!tDi;-rOHTI7- 



17tt 



Ajtn^li/flit niiH rfiriínuirini Vt>ylagHewft 



soHuteã m, n. iuiriais, seguidas de outra consoante, em vocj 
los tirados das línguas afriranaí;, cufriats ou outras. 



muzuDgo 

— • 08 homens de côr e os pretos haptisados querem »<»r 
tados por muninifos. nome que untigauiente st^ dava s<i aos hc 
cos» — *. Km quisuaíle significa «senhor». 

Corresponde èítU* termn de cortesia, na ÁtVica l)rit>ittal 
tiigUP8a, ao mf/ttiift <'U /in;/afui ilo quimbumlo n:i A trica l^ 
dental. 

nahalio 



ÍÕste termo, que já Blut-eau incluiu uo seu Vck;abulario 
TuauEZ E UATiNvju é assim definido por êle; — «Termo do Moi 
He o titnlo do Ministro que he Talieça* — . Do português tira- 
ram os ingleses o seu .Yfiòoò, na opinião de Yule & Hurnell '. 
Outra forma mais próssima do orijíual é Xaiuibo, empregada 
por Fernáni Guerreiro ■'. 

A palavra veio para português directamente do indostaoo 
N*at-AB, que é o plural do vocábulo arábico naisb. «rejedor» 
vice-rei. nomeado |«;lo Gram Mogol». 

o título passou depois a ser aplicado a outras autoridad 
menor importância, e nos tempos da Cumpunhia inglesa 
índias t-quiva1ia, com maior estadão « pompa, ao individuo q 
em Portugal se chamou bra^Heiro. e em Kspanha m^j-u 
(mejimno). isto é, à(piele que enriqueceu na índia» comi 
termos peninsulares querem dizer o mesmo com relaçfio w 
sit e às Américas lOsi^an botas. 



< AurcJu Continhi), A cahtanha no BaruA Wi 1S03. tn ajj 
dw CViloniiut >, lie !• t]« julbo ãe 1<JI)4. 

> A UtOSSARV OP AXGIXtdNblA» WOKDB. lyOOilm, IfSWi, 

» ib. 



MEIIC ttÕH DÍl 



vguam 



nabíufaa 



K no Miabo «seraeute de couve», e por extenaiSo, « semente 
4e qualquer hortaliça >. 

oaâir, Dázir 

K*1j>- {\\vah [iiiliirra.s arúhicns sAo derivadas do niesuin rmlicai. 

v-íiMíí. 'encarar, observar»; nudir, é o adjectÍTO verbal Ka^iii, 

' t«iro*f e como termo de astronomia, rorrespoude, coutbriiie 

•^lo Devic *, à expressão arábica JíaziB AL-saMT, » oposto ao 

^^m O outro v(K'ibu1o é nome de ujeiite da luesina raiz verbal, 
^^ft^iB, com a lonj^o e i breve (ao passo qne Nazi», adjectivo. 
^^^^Ui hreve e / loiíf^o) e quere dizer • in^ípeoUtr • , ou coriiu é 
^^HImo uo Núvo DicotoKÁKio, — < superíiitendeute duH inesqiii- 
^^Ba, e SapreiQO TribimaU — . Assim o primeiro vocábulo deve 
arratuar-M era português tinflir, e o segundo, nàiir. 



nâfego. Dàfrico. nafo 

'■"oforrac í). Caruliuu Michutdi.s de Vasconeelns, derivu-stí 
4ate rocábulo d,e náfreifo \ naufragam >. 

O BÍgnificaito artual ile nóJ?ifo, seguudo <i Nr>v(i Dkícici- 

^xuit. :. - ,qi|,. toiu quadril ou anca mais pequena que a outra 

.;• do cavalloj* — ; e o de luifrifo — «derreado de um 

qflitdnl (ftilando-Tie de cavallo ou jumento) > — , o que vem a ser 

■ '<x, por outras palavras. Xo Uiba-Tejo nufo apUcu-se 

> -isoa qnt' tem um oníbro descuido. 



> PiCTfOKNAIRB lÍTTyHOLOOlQriG PBa MOTlf u'OKlOlNH OlIlKNTALR. 

* RvTUTA LtraiTANA, III, I». 17Õ-177, 



17tí 



AjHt«tÍh}* ao» tHcmnàrlott PoTÍ»gne*fs 



naifa 



Este tiTOJO de ealào, para designar < uavalha de poot 
mola», ê, como se sabe, aportiiguesamento do iuglès kn^ 
que se prommcia ^láif: — «Temos.., a belta da fêmea, 
sua naifa* — *. 

naipe 

Moderiiaineiiie significa este vocábutOf que de Espanha vfi 
cada uma das quatro marcas ou emblemas das cartas de jo 
ouros, copas, esfiada,^ e pautt. cujos nomes uâo condizem cou 
figuras ((ue intitulam, porque essas ligunus siio fnuii-esiis, 
reaur., evurfi, piqiteií e írí/Z^v, * quadrados, corações, lanç 
trevos*; ao passo que os nomes portuf^ueses corresiiondera' 
marcas espantiola^, oroíi (dinlieiros). cííjms (coposí, f^paiia^ e | 
htVftoM (paus), o que já advertiu F. Adolfo Coelho ua Introdu^â^ 
au Dicionário. cbam:tdo de Domlu^^os Vieira. 

Km castcliiano. porém, tmijtes sil» < as cartis de jogar >1 
assim se deiiumíiiunim elas i^^ualriiente em portugut'*», jior 
sido da sua iutroduyão cá. A orijem do vocábulo é descouhocb 

— G trago dWndaluzia 
Naip^]! com que u« wcerdolos 
Arreuirgueiu taJa di»^'. 



naixó 



— -Novu Goa, 29 de setembro, 
õccupam de qualquer industria > — ^. 



Os u&hós, que 



t O Dia, úf 5 de maio de I9rí2. 

* Gil Vici-nto, Arxo da Krira. 

B O Hbculo, de 31 àt outubro de 1897. 



JjMí9tit/f9 rtoê DMoniirios Portuffnejie* 



179 



— •Xov» Goa 29 de setembro. ., nilo ha agricultura senão 
a fl't rjoco e do niuidrenine» — '. 



Em M«rrouieu. África Orieutal Portuguesa: — - lí eutèo cha- 
matlii o Hittuja (lurandeíro L*afrial|> — *. 



Namiuim 

*) Novo l)u«:KiNÁBifi, mh r. Nankim, diz-mw ser - ' t'a- 
VAiia lie ttl^odào ou gan^u aiuai*ella, (jue vinha antigaiueut<í da 
: (ínu preta, jirocedenle liu ('hina *• que se usa eni dese- 
11 BV'- r a^iarvlai) ' — . 

T«DÍ)(i a fazer sAbre èsie rncàbulo as seguintes considerações. 
Pninriramentí', nunkim nào é portiijíufis: a forma porto- 
gMsa é Sonquim, uoiue de uma cidade chinesa, que os por- 
t«Kiie9«s fizcnun coDhcci<la dois séculos autes de quuisquer ou- 
tros rari>[*eus, com exoepçào de Marco Paula Vèueto, que por 
rts antecedeu lú outros doiá séculos e mais. Nenbuuia ra- 
t para se escrever esta palavra com l'. que não e letra 
- ■ -ii. e muito mern»8 chinesa, pois os chins mio teem ul- 

1 lio luuar, nunca se chamou simplesuient*" nanquim 

lin: i \j da China, mas sim, tinia de Xanquiw. O mesmo 
> pod« diwr com retaçAo ÍL fa7^'ndã de algtHlilo, cAr de grão, 
mu d« roalii vivo, que i^e usou muito aí por 1840 a 1850, 



* O Swrvu). 4<* 21 do oatubr» d« 18J(7. 

« JOItHAL VàB CuLON*IA9, >)•• l^H df jnltio ã*^ UKKi, 



principalmeDte para calças: os frauceses cbaniaram-llie nttnkh 
mas em portuguõs denommava-se tfuntfa nçucnrmla, em 
da sua fôr de açúcar inast-avudo. e jiara a diferençar de oj 
tecido, tiimbém de algodão, e do mesmo modo muito coo 
tente, porém mais ordinário, a:£ul ferrete, que se cham&ví 
simplesmente <janti(i, ou tamb('m zuarte, vocábulo este últiraBl 
que provavelmente é a escrita portuf^uesa da palavra holau^ 
sutuirt, «preto». 

De todo o exposto concluo que nílo existe era portugu^ 
nome comum nanquim, u sim o próprio Xan/juím. 



naif/, nareces, narigão, narigada. narigudo 

O vocábulo nariz^ que empregamos no singular, e mais 
ramente uo plural, como os espanhóis e como a forma anf 
portuguesa tutrrres, • venUis • '. nào é o representante do U 
nas, naris, que daria nar(f), mas sim de outra forraii along 
do latim popular narix, narleis, cujo tema nartc- se 
duz nos derivados narufão, uartijíuia, nnritjuàn, com <; pel 
latino intervocálico, como ó de regra (cf. amifío [ amicui 
Na realidade, se os derivados o fossem do português tutris,] 
ríamos nnrizào, luirisnda, nttrieudo. 



nasaf, naci 

O Novo DicxíionAbui acentua e escreve nãttt, o que nl 
certo, e define: — «presidente do syubedrim entre os 
deus > — f o que também não 6 certo. Se o vocábulo, que 
está abonado, foi empregado por autor português, aliás, niSo 
cabimentrt em dicionários portugueses, deve de ser escrito 
ou naci, para mio ser lido nasi: tem o acento na última 



Kbvuta Lusitana, ni, p. 390. 



ApoutilnH a<f9 Dicif>nàrÍQ9 Pkfftuffwvn 



IHt 



Íhebraic:o sfl*.!*, sfislA) e deve definir-se; presidente do sane- 
4rim. e oXu synhedrim, ou eutáo do sin^lric, gre^o »r.TNt.DRioN 
•Wffiào », pulavru que os judeus hebiiuziíraui. 



nasão 



É iiiu moscnliiio formado do feiuenino naum. uome conhe- 
àdo de umu rede. e d« unna armadillia para apanhar pássaros, 
\mt iãux\wn\ m> irhuiuu irainlo (q. v.): — «O ImtirAo tem outro 



natnun. iiiiinui. natro 

*» XAvo DicícionArio dá-nos três formas deste vocábulo, que 
«ffjitua nálruni e define: — «carbnnato de soda pr)'stuIIiza4lo, 
'("t' oTlad á^Mias. «^oulrndo soda carbonatada eui diss4iluviSo. 
•triiAuí depositar evapnrundo-ãe. (Do árabe nathraum. caTbonato 
4» ^i*i,\ njiíiiml)»- . Pela lranscri\'ilo dn iinihe vé-se que esta 
^rffãniyão fnj traduzida de trances. 

1 art*iiUjiiy-âo ú natríin. ou wttruín. o ê inútil marcá-la, 

r^i., o vocábulo ser ocsítono terminado trui n se^ído de con- 

«••uile. O vocábulo arábico é natrux, sem h uenbum, e tem o 

xatf* na última silabu. por ser ii vogul delu lon*{u, se^uidu de 

' MtMonte. As outras duas formas são natro e imtrno, de outra 

IbmM. alAtituida, natro, natroni». 



nauseá-lo 

Xa Madeira empregasse 4>ste adjectivo partioipal como subs- 
Ux)ti>o, com a flii^itíi^açSo de -enjoo». 



PiirtaralU,<, p.:tíf(». 



oaveni, navim 

O N<^vo DiccifjNÀaio rejistou este vocábulo como termo 
ludia Portuguesa, e deíiiie-o: — «titulo de compra feito |ior 
tário» — . Nao lhe dá étimo, o qual provavelmente é o codc 
NavT, que quere dizer 'em uome de>, locução equivaleute a 
substautivo, denominando certa espécie de documentos, por 
melarem por esjsa palavra: cf. aa locuções substantivas iM>rtu>i 
sas acórdão (aronhim oi* etc.). um abaixo fu»Í4j7i(uÍfi, e ont 
semelhantes, como termos jurídicos. 

A forma correcta deveria porétu ser navim, e niOt nau 

neblina 

É castelhanismo por nehrina. que é a forma portuguesa. 
telhauismo semelbanie é clina por crina, 

nechiuim 

— «O que sabido pelos ne^os circunveziulios, trouxeram a 
Resgatar uma semente como alpiste, chamada deUes nec^ 
nim » — ', 

negra-do-pote 
Negra que acarretava ágtia do cha&ríz *. 

negrilho 

O Novo DicgioííAeio rejistou já este vocábulo no sentido j 
< ulmeiro >, mas som abonaçào. 



I c ií«Uçá-i <li» nftufrájio <lii niio Santo AJberto» {ltill)j ítt BlBL 
llLASSIOOll i*uiiTijaL'Bzets, vol. XIJV. p. •^>I. 

* Ant>>nlú dt! Cíiuiiiípa, O MAR<ti'HX oh Fohhai.. 



AjxMttilttH aon úieionàrioê PorÍaguesfn 



ISJ 



Eb aqui. «mu. referente a Trás-os-Montes: — <0 povo da 
^••Crpíla :ftibiu m»s rastanheiros e negrilhos pura se defender das 
«odw* — *, 

Dene, nena 

Xene é termo da Beíi-a-AUa e de.sipia «botieca». como diz 
n Noti) DircioKÁKin. no Suplemento. .1. LeiU' de Vasconcelos 
dta u fem«nino nentt, que define < honeca de pano • *. Cf. me- 
»MW, e o cJisUlhano nino, niiia. cerian^'a>. 



uespera 

jMé Leite de Vasconcelos explioa esta forma, do latim 
«'«pilucD. por diâHímilavSo em n do m. em ra'^o do p da 
ttiibA w^rnínt* ': cf. nembrar. forma antiga de íetnbrar \ mc- 
nrirarr. 

NAsperu japf^uiitaH se denominaram dantes as de c^iata mais 
á^^iiHAda: — «lis pomareíi actuaei), exceptuando as laranjas, li- 
«Mei, lajigerina* e nPsperas japonlcas — '. 



nliancaiuga 

Marrom*íii, Áfrita Oriental Portuguesa: — *nm grande da 
lamilia ili> VAymt. grande que toma o nome de nhancainifa [)>ara 
rntar de caijamtinto] • — "■. 



I H. V^rrnn DeiMWla, f^ RfSOOLHIMRKTO UA MÒPKBiTAi in « HovittK 
» l:»i\MrA LrniT.iSA. v. j». 241. 

' liKVt^TA tCHITANA. tlt. p. 34Ki. 

AtUrtu Han]|iBÍD. As « Vti.LAfl» i>o Xoute ob PoKiTnAL, i» Por- 
* JoiucAt. PAfl ('-oLOKiAH, de tíU (Ic juntto de 11K>3. 



nhanlia 

— « N^hanbiL ú a Jesiguaçilo que os indi<rmiaH ilãn á pr 
~^w vivp amancebada com o branco, e que os mulatos e mun 
tfOK [q, v.J querem que se dè ás suas concubinas > — '. 

Suprimi o apóstiofo entre o w e o A. por uAo ter sienific 
apreciável, e aer um uso irraeioual deste sinal ortogrático '. 

É ])08sivel. pornm. (]up a verdadeira forma seja ettifat 
(Mffítha). 

nboiíha 

ílate adjectivo ftMiiiniiio acrcsceiítu-se ao substantivo tf 
livgua nhonha. para deuotar o dialecto crioulo portuifliês talaUn 
em Maca». 

II vocábulo nhonhn qiiere dixcr ' senhora ^^ de que é 
pav'Âo crioula, talvez, cbiuesa, mas ainda com maior probabilidt 
malaia, pois uestu liugua geral, principalmente a dos í]streit 
palavra portuguesa senhora adquiriu duas formas, luinno 
designar «menina s<dtcira> e nmia (quiisi »o»t/iffy, paru desi^ 
«senbora casada >, e sfio estes os tratamentos que em mal 
respectivamente se Ibes dào. 

O crioulo nuicaísta, lint/tia nlwnha. orijinou^se naturalmea 
entre gente indíjena que falava malaio couio língua [)r<3]»ria, 
como idioma geral de comunicação com estranjeiros, e 
como todos estes crioulos, por base o vocabulário português, 
galado por sintassu iudijena. laediante abolição fie quiksi ta 
as formas gramaticais europeias. 

K de notar que os dialectos crioulos das várias línguas 
ropeias, formados ua Ásia e Africa, foram sempre produzia 



' Azfvrd» Ooutinliú, A tami^aniia do BaruA bh IMOS^ 
* OnTOOKAriA Nacional, Linliiu, I0O4, \k 229. 



Apítí^Ua* we_ IHeifinárins Faríngtêf^es 



185 



|ela ooDkacto de uma língua Hecsiva cora outru amorfa, tstn é, 
MD foriDafl fn-ama ticais, nu entre duas líiij^iias amorfas; jamais 
«tre *\ois iflinmus, ambos de complicada estrutura gramatical. 
KxptDiilog fríHantes deste fenómeDo sâo os vários crioulos por- 
tnpi«M'« da Guiué. e a aus^ência dêssfs crioulos nas ifntis oude 
M ufiomas cafriois, de riquí*:sima estrutura (gramatical, silo falar 
iliB„ «D Africa, a sul da liiihu (^iiiiiunccial. onde oenlium crioulo 
•i pnxluzju. faiando os pratos português relativauietitc tiormul. 



nbnrro 

No ciUflo dos ladrô«9 do Põrto: < um pataco > ', moeda de 
do ralor de 40 réis« que há muito tompo foi retirada da 
lo. 



niul 



O Haplpmentii do Xõvo Diccioi^Áair) rejista a forma nial, 
otwi tRisnmntjuia, com a significação de ■niiibo». K desnasali- 
n{i'> d*» forma mais anti^M vTfiI. ou mesmo dcrivaçào directa 
•I- Intua nidnle j uidus. de que proveio o ca-st^lliauo uhlo. 



nicles 

E*U Mpressao. moia fact-ta, mein caIíIo, designa «consa ne- 
fidiuna*. Hvw ter iddo introdu/Jdit na jiria entudaotesca, 
BttJiDdo ao latim nihil se dava a prouúucia tttíjuil. e a eKcrita 
icbil, atribuindo valor au h medial, e dessa forma procede tam- 
» Tfrbo aniquilar: — «A respeito do tbesouro trefles, biio- 
der. HÚrfe*'— *. 



I 4, de H dl! fíTffTciro i)e Ij^HS. 
1 \, tl<r 21 de frvewiro <l« J8Í»0. 



nivel, nivel 

O DicciOKÁRio CojTTKMPonÂNKo aoRniiiB a primeira doát 
fonnítô nivel, e ê esta a aceutua^âo usual, uâo obâtaute 
erròuea> devida modeniaui«ute a fitlsa aualojia com os adjc 
vos verbais em -ivel, como temivel, jutft.tivel, etc. A areiítuaç 
anti]ça era nivét, corao pede o seu ólimo imediato, o fraucêa 
tigo nivel, niveau (=nifèu}. actualtueute prouuitciado ntt 
Que a acentuação era Jiifél demonstrit-se pelaã rima^ de 
Vicente, com palavras agudas em -el: 

— XoH e*t tempUA bnrhan»! 
Jmharqtiauhii in batel 

Srmper gyo in jtintieia 
Fri-i. i- bfiii |)or nivel — '. 

— Eu nio fui ca onviadu 
Por |iie<iii8f) fiivcl. 
Stfiifii» socorrer ao giido 
Dfls ovelhas de Umel — *. 

U Padre (iaspai' Afonso emprepa já nivel, que com c -rt 
acentuava niv^l. no sentido moderno da palavra, isto ^. no 
antigo Hvt^h — *é esU penha tara rasa e tam igual, quauto 
nlbos se podem estender ao longo do mar, como se a n»tur« 
quisem lagear aquella praia «com regra Tégua] e cora nivel 

A forma portut>uesa ê Uvel (q. v.) do latim libelliiin. 
castelhano acentua-se nivél. dexnivél. 



* Alto da haroa oo Tnpbrno. 

* ArTi> DA Canasbia. 
> 4 R4'lncí(ii iIr riujura « uucedio ^ ato Satii Tiiigo k *n BlBli. u» CL^ 

ailXra PORTlfOUBJUM, v.>l. xuv, p. 90. 



Apottíla* rto* DicionArituf Poriu^uetet 



1H7 



aó 



— « Aa figuras U e 12 fazem comprehender bem a disposi- 
fAo 4«dtas (lissas] c doa orifícios chamados nós pelos quaes pas- 
■ tm Bos da urdidura > — *. 



nuca, noquíiihu (=: nòquinka) 
Km Caminha chama^e nssim ao < iió do dedo >. 

ooda, uddoa 

^ primeira destas palavras não é at>reviatura da segunda: 
■tiTt-senta o latim nota, e a segunda o demimitivo nótula: 
d r^ffua I regula, máijoa \ macula. Temos de escrever 
wWofl, e hAo nòdna, porque o verbo ennoâoar nas formas ri- 
vtVnicag tem à e não u, ennoâoa, e não, ennodua. 

nogáo, uo^l, Dogueiraf nogado, ui5gado 

Todtt «staa formas procedem do radical latino nue-, e n&o 

i noraÍDativo nux, ou do accusativo nucem, que deu no/. O c 

«Ddou em f/, por ser intervucálíco. I'. narigão. 

I doce feito de nozes, amtmdoas e piíiliôes deveria chamar-se 

p, com aceuti) no a, por ser uma forma participial em 

o facto é que no Algarve acentuam, uâo sei com que 

t^ nàffodo, e é do Al^irve que principalmente vem 

rilrilMldn com mel, em ladrillios durissiutos. 



P«riugalia, t, p. tt7<^. 



nora 



Kâte vocábulo, no sentido d« aparelho para tirur água. 
paliivra arábica xaoure. que deveriii produitir em portugu 
nonra, a tião ser a IK." letra, i|ue aqui represento por o, e 
talvez explique o i do castelhano noria, com a meama sig 
ti cação. 

iiotrizio • 

È palurra antiga, roas ainda usmlu no Aleniejo, com a 
uihcayun de 'aio » '. 

novel 

Este adjectivo, de emprego já niro na moderna literat 
portuguesa, e poueo Treqiíeute mesmo na antififa, ]tare«'e niio haf 
descido uunea ao uso popular. Não trataria dele aqui. pois 
nhum int«rêsse oferece, nem poderia dizer nada a seu reypeif 
que se nÂo encontre em «ptalijuer (Uciciiúrío da lin}j;ua. se. 
surpreza minha, o uão visse em puhlitavào muito esmerada, con 
O é a Gazeta das Aldbias ^. acentuado nóivL Ora, o sistenu^i 
gráfico de acentuação usado na afumada publicav'à<> tí o do N< 
DiccioNÀttio. muito raet'Vlico. e que se era alguma fousa peíST 
a meu ver, é por excesso de niarcaçã», que às vezes perturba 
leitura, por exemplo, com respeito ao emprego dos ápices, \ 
sinal de diérese. 

;.Onde foi o signatiirio do urtigo, era que aparece a sing 
forma hólv/. busi^ar semelhante aceutuaç-íloi' An uso cornntn, 
de certo, porque o dito adjectivo lhe não pertence, e talvez uui 
pertencesse. «iSeria a qualquer dicionáriol-' Nos vinte que 



> Kbvista Ixsitana, II, p. 23. 
« áv 13 (ic ii^st« de 1905. 



JyiivlUm fio» í*ÍfíionárioK Pnrtuifueitfii 



199 



•aliei, desde o de filuteuu até o de Cóudido de Figueiredo. coDi- 

' I t . n de Morais, os dois de Hoquete, n de Kimas de 

• Castilho, o de SYtíONVMdy de José da Fonseca, o 

PamòDiro de Jodo de Deus, etc., nfto há seuilo um (pie aasini 

.*-, o MASfAL KTY«oix»íico de F. Adolfo Ooellio; e cum- 

dpolarar que nem por iini uinineDtn è licito »upor que 

1 'iito filólogo assim o profira: visto jiois que lá está o erro, 

éeT« i^ic Acr imputável no» tipo^aíos c aos revisores. Que é cras- 

• ' o írm. deinonslni-i> ii m;iis superticiul análise. O português 

f V ttasLelbaiiu novtt, o ilullaun nmu^}(Ío^, o iViíricês ih/ulvI 

lou nouveauj, o laiim uouelluiu. Adjectivos em que a termi- 

-vel, procedente de -bile latino, exista em jfonu^i&s nâo 

não os TiTliats^ derivados de participios passuiios positivos 

'iiiMs como (tmávrl lainablle). nivef |credil»ite). solúvel 

^ifllubile), móvel (mobile), de amatum, creditum, iiolu- 

tum, e (''sse;* ^ que sao acentuados na vogal temítica, 

' vain, dos ditos purlicipios. j>or ser breve o / de -bile. 

nóefil por ttifvél, e pior ainda, indicar coiu ac-euto mai- 

Ul pronúncia, r- defeito, que nSo deve i)aasar despercebido 

que sv corrija e se não difuuda, o que seriu lastiuio.so; em 

mcrt { novo o suficuo é él j -elliim; o v pertence ao tema. 



novo, novidade 

Ktu l>;iriii u adjectivo novo acresceuta-ne ao apelido, ou al- 
maka, no sentido em que na Ijnj^ua culta se emprega o lati- 
tíÊMK JúMMr: fi o que acontece eui franct^s com jeune. 

O rocibulo nfwidmle, com a ac«p(^ão de ■primícias de fru- 
loi". o que 08 franceses chamam pihneuríf. e já antigo, como se 
»c dn trerbo fieçuintc:— «Nilo deixou contudo de sor a novidade 
[de frutoíi) ainda niaií abundante^ — '. 



Ant^irio Fnuiciaeo Oardãn, Bataluab da Ooupanuia i>b Jnsutí, 
18M, p. 23L 



nozelha 

— «e coroo o comer nilo era muito [na Cafrarial- aproveit 
ram-se |os portugueses] Ue umas raixe&i semelliant^ã a oa 
ctmina(la.s entre Douro e Mtiitio iiozelhas. que eraiu mui doe 
da tei^ào de pequenas uabivas, as quaes se ucharam por 
caminho* ^'. 



nuca 



Este vocábulo dá-s« como sendo provavelmente derivad^ 
árabe nuhao. o que oferece muitas dúviílas. Priraeiraraent 
7." consoante do alfat»etu arábico, equivalente ao actual j cd 
Itiano, c que ti^uro aqui por h, como Hguro a 18.*, que ter 
a palavra, por o. foi ua^ línguas jieniusularea representada porj 
conjuntamente com a i\.'^ e a 'iO.", e não por r. a não ser j^ 
século XV em «leante, jwr trauscriv^^o convencional, e a pa^ 
nucti há de ser mais antiga; em segimdo lugar, o acento 
árabe na última sílaba por conter vogal longa, seguida de 
soante. K possível, porúin, que, como termo de anatomia, o 
cabulo haja sido alatinado primeiro em nueha, pronunc 
nuca. 

ocaiioa, oi'arÍDÍsta; ocar 

O Novo UiccTOXÃRio deriva este nome (que se deu a ' 
instrumento ínúsico feito de barro) do vcrbí> ofíir, que dit 
desusiido u provir de oco. Isto mesmo dissera o Diocio.VASid 
CoNTBMpoR\XEo, ptimeiro que rejiatou o vocâbnlo, com 



* «R«taçAo dl) naafrájio da nao Sunto Albertn», fwr Joiu 
LnvaiUifl Oííll), in BiOL. de clássicos ponruGUEzes, toI. xlit. p. I 

* V., du nuttir, pRi*-); »'aits ds i'iiONY)LOOtB HXBTOai<tm pq 
OAIRB. Líflbon. 1SU2. 



Apontihu aos Dítitínârioíi FitrÍngHrtirfi 



Ií)l 



ftno^a de que niSo deu o verbo oenr como desusado. Ora, o termo 
■ ■'fTona é naoij^míssimo. nâo chega a ter quarenta aoos de 
"K'ifiicia ew portuguíls, jiara o qual veio do Tiro] ituliano 
<no UBS músicos, os ocarinisfaji, que em Lisboa estireram ai 
|wr mil i>itix'eutoA e svteiita e tautoa, u qiifni rliaiuavam ape- 
WHf**. (' tiue deraiu vários concertos nesta cidade. Depois, houve 
tfmlf^in luúsiros |)ortugueses que os imiiaram, e do raesmo modo 
«t íatilularam ocarinisia», conservando o instrumento n nome 
i* uearina. 

à respeito deste instrumento, diz-nos a eucivtopedia Xocteait 
JrtBocssiE iLLUHTRK em resumo o seguinte: — «nrijcm {do nome] 
Vv.iiliecida. S. ocurina foi inventada, aí por 1880, em Búdrío, 
uj iulia, por um taljricaute chamado Joâe Douati - — . 

Por aqui se rè quanto <> infundada a conjectui-^le que o 

:i' provenha do verho orar, que nâo existe em ituííano. K pro- 

i.-i que u palavra pertença a qualquer liialecto veriiáeiílo de 

lula. 4u Ddu foi inventada lá, o que v menos natural, juntamente 

mn II instrumento. 

\'t ForlKt oí-í/r, fora do uso ooinuiu. coiresponde em castelhano 
»^".rtir, milito usado, como hucro corresponde a oro. 

oflciala 

Nm PiVfUi uaa-se Hie femenino de oficial, para desijjnar o 
'|ii* "ni liiítiiía SC chama < costureira de modista». 



otpv 



O Xovi» I>itTiosAHio di/.-no<! que itifto é — «monstro imagi- 
nar» qqe, segundo a supei-stÍç;lo popular, comia gente» — . 
Nilo tíiiste semelhante vocábulo em português; eoo^ntra-se 
frmcés ofjre com aquela aplicação: mos a tal entidade fa- 
chama-)»*' em português jutjtào, do verbo yjfiywir, «comer», 
t i duaum-so dout^m poço (q. v.J. como ainda boje em castelhano. 
(Vro r que onnca se lhe cbaraou cá. 



oja, ojeo 

O vocábulo foi empregado por Oil Vicente para dcsj{jrn&r 
certa ave: 

— Oja. Esitft ftVtf st^gtio um tvinur; 
Traz n nlé itunTobrada» 
Porqui? a c»ila hor& á muilada — i. 

A seu respeito diz-nos lUuteiíu o seguinte: — <Ave de rapina 
do tamanho de frauceUin. no tallio aenielhaute ao falcão. Voa 
com suinina velocidade. Sua cava Ue todo o género de passari- 
nhos. Os caçadores qiie cav^o com estas aves, ntlo as largão: 
mas com etlas põem medo aos passarinhos, que vendo a ogea se 
escoudíMn e co/f-in com a terra, tão espantados e estúpidos. qu« 
se deixilo prender com o laço • — '. 

Estn definiçilo aclara o sentido do terceto de Gil Vicente. 



ola, ola de repudio 

l^te voráhulr) n^ado nii índia portuguesa, cora a siguificaç3i> 
de «fólhu de palma*, v o vocábulo malabar ola que tem a mesma 
signitica^ão. e ao qual ne referiram JoAo de Barros, Gaspar Cotv- 
reia e Garcia da Drta. A respeito dele drJ! HUiteau: — -oka ou 
ollu. folha da palma, na ludia. [V&r. telhailo c cuberta a folhada 
das palma.s, a que chíLUiani ola). Hist. de S. Domingos. 3.* parte, 
piij. 347» — . K no Suplemento acrescenta: — «Ola de repudio. 
()a Naires do Malavar. como se eufadâo de suas mulheres, lhes 
dão bunta ola, como carta de repudio, para fazerem de si o qne 
quiserem* — - Couh, Dec, 7 foi. tÍB4, cot. >í. 



' AfTO DAS f.ADAS. 

* VOCABní.ARIO PORTUOrUZ B LATIKO. 



Ajxt*Uttt% »iií DiríoHãrim T\irtitgHfjie* 



]»3 



X o ierinn ola i-outinua u ser usado na ludia portuguesa, 
lo |n'1ít v<ii>altiilário iinlo-iiiirlu(íiiés. publicado pí»r Monwnhor 
■iMwtUo Kodolfo Jiitlgudo ua HtivisTA LrAiTAXA '. 



olaria, oleiro 

A piklurra latitu olla, •panela*, parece ter desaparecido t>m 
■ -i, dfixundo pori'in, como vestijios indiiliitúveis di» sua 

ia, iH derivados otária e ofcòo; ao pUÃSo ípu» eiu cast^- 

A, II i|util conservou o vueábtilo latino com u forma ofht, 
' «nlriro- stí dix nlfarero. e ■olnriu*. nlfureria. coro 
n fabrico dfi [iiinelas de. baiTo, spndo menos nsado» 
I • especial os termos t)//*?ío u oUfrifi. Alfturru. cou- 
Kifuílaz y Yanijuas. ê o antigo atfnharero, de alfahar. 
iriliíca (Ai.ra'Uii), e acrescenta:— * Los inoroá líranadi- 
. -iiao id plnral díd nODibre de ohcio por td dei lii^ar ú 
en (juo se ejercia; asi en Pedro de Alcalá íuuh/itim 
• hvrreros y heirería». La puertii de Granatla lliinmda 
■ -/n, puerta de los alfareros, resulto ronuinz-idii en Io» 
ca-Ht ellanosj dei «i^do xvi por > puerta dt* laa oUo- 

' atunlecu uni portu;íuê.s. em que dizemos nto r/v* 

, em v»'/. do rua rtíi» Cniiataria*. cuuquunto porem 

1 VI lifiboa nina ma eltaiufida das (Varia*, onde eu morei 

1^4*5 aU< 1857, em qUB buvía, « uito sei se ainda há, nla- 

K ffttiivni al/arfro, cantelbaua, na opiniilo do A. A. Corte- 
> ' Miciiiatra-iie um purtu^niès no nome local A Ifarrlott : etimo- 
jK>uco Teri»ímit. porque sendo -eivo tenninuçAo ronbecidu e 



irU^itUn DR UMt PALAURAS KSI'Aft01<AS DB ORIUBX ORIBNTAt.. 

III» i-ARA-ÇM Dico. UA u. PORT., UoímbrA. inO). 



líii 



Jipoaiilae nim OirionáruMi I^oi-tHgiteitea 



fretlUeutissiinn em português, jmra tlesifraar ofício, profissão, 
era natural ([ue se. desse a di^siinilução do r em /, por cana 
outro r, com a perda do /: e a prova é que de vara se nftoj 
rmrlo, mas vareiro, apesar do r do primitivo. 

Olaria, alt^m de siguiticar a otieiíia oude se faliriouni 
de barro, quere também dixer, eoiuo o castelliano oUeria, acuq 
lavilo, colt'C\'Hft. comércio, de objerlos di- harro: — • *> ')nqiif*rí1 
locat atribuo á olaria de Guimarães uma importância de 
contos niihiiaes » — '. 

V. o vocábulo panela. 



ollial 

A esta palavra, que siguifica ■ vão entre os pilares de 
pout«*. e em outras acepções, que se {Htdem ver no& diciooáf 
• orifiVio». t' conforme. I. Leite de Vasconcelos, o Intini ocnUr^ 
isto é, oclarp. olhar, e ollutl. por ai^ímila^ão. A mesma orij 
leni o castelhauo o;Ví/, «casa em roui^*. 



olhalva, olbalvo 

O |)nrntx\Hio ('oxTKUiMUVNKD diz-nO!i Her olhulrn te 
exclusivo de Leiria — *que desiijua a terra que se lavra d^ 
ve7.es no aiiuo e dá duas novidades ' — . Conforme a iuforu 
de AoHcio de Paiva, natura) daquela cidade, também se 
ulhalco, 

KiSte ultimo vncál>u]o signilicti igualmente * que tero 
com malha.s brauras na» capelas», falaiido-se de cavalos, e 
tuso a elimolojia é evidente. oUw + alvo. 



> \liA\% roixut», Ati OLARIAS no Prado, jn Purtuj;ftlla» l«j 
« Ukviuta I.vaiTASA. ri. i». liy. 



Ápúhiild» no* íficiouárim Ptirtugitt-ttnt 



105 



nlicórnio, licorne, unirórnio 



Ax duo;; |>rimeiras Torinas são cornitolas d» iermira: a »q- 
pumia H rudifco conliecida, e u primeini está diXMiintiiitudu em 
^Q VUwDte. AiTu rivH fadas. 

oliveira 

k t'SÍ4» um d(>ti vocábiiI'>ii eni quM o / tniídiul do lutiiu oliva- 
rU ** Ião .suprimiu em iiortugiiéã. tO^ítíi pi>rmatiéiici» explicit-se, 
min ser populur e evolutivo, pidu iorma oheira \ u1(i) varia, 
lioía ii-^ada rm AvU, à qual se ncresoontnu íto depois a vogal 
fudo ;i idiTítidade com a formíi liitiua mera •■nin- 
1 1/ uiudu evisle coiuo noine de povoavâo '. 
iHityeira pressupõe a esisWnoia de oliva, ou fornia desta de- 
fHadm, que no d(>}Kiis íoi sulistitiiida pvia piíliivni aniliica (tíci- 
M, paia dewgiiar u fruto. A <'*ste respeito lemos ua revista 
^ArtOKBliiii o s^truinte: — rjimtamente com esta [ar^itona] ha 
UhI:! em li(^)i}tidi<d oliva, que et^teve do me»uio modo em u»i» 
ftH o nouii! loponymieo 'ie Modivns v expresso por moln 
^i/f Q'um diplotua* — -. K natural que u foruia portu(^'iiesa 
«ido (ofivan. 



hliiittis. nlunillUM 



A príiueira forma reprt^stíJita u proiiunciuçâo que toda a geute 
à lutlarm. ómnihti^ a ortografia latina, e tamhtMii a {ironún- 
t{ne. «o K<-r btim. damos u este dutivo-alilittivo do plural de 
■ oníni*, «cada uui'* isto é« «para todos*. X palavra 
introduzida como dtMÍgiiav5o do uma earniajem, quo compor- 



1. p. lii». 

IO. \S «VlUAS» DO NOKTB OK POItTUflAL, Í6-. 1. 



1».»^ 



tnvit vi\niis i»essoas, e ta/Ja transporte ile gente de Lisboa 
O Campo tírande. para Belrm. e para Uemfica. O nome v«io à%\ 
Tniuva com o objecto: mas como por essa época, apesar de baver] 
só dois auos de estudo de latim em Portugal, ul^aim se 
mais que aittiabnentc, em que bá set«, deu-se uo vocábiil 
[iroiiuui*ía^'ào hitiua* ao nosso mmlo e iiâo, afran(:e.s<uiaiiie 
umnifuice. f;ouio depois se fez a recephsCj qae ridicidameut 
lé réwpissé, à fraucesa. 

Kuiidoii-se ha uns sessenta anos a chamada Vomimnhia 
Omnihus, que veio a falir quarenta anos depois jmr Talta 
coucorréucia do píiMico. A este respeito K-se uo Kuunomista | 
de 17 de agosto de 1885: — «1834 — Ooncede-se o exclu^ 
e-âtabeleoi mento de doze carruagens denomiuadas umnibn 
Aristides Henry de llarros» — *. 

ópera 

Esta palavra italiana, que dignifica, romo termo de toj 
«peya eom música cantada *, t' simplesment* o plural oper»^ 
latim opus. «obra-, palavra portuguesa que tem a mesma 
jGtn. 

Como é sabido, sâo iuàineri»s os plurais ueutrf»íi em -d inf 
iluzidos nas línguas roniiiniras com» singulares lemenínos, 
fusiío devida ii coíncidêucia das formas em que esse a em' 
ruinação do sint^nilar femouino dos nomes da l." dedinav^o, 
plural neutro dos da 1." e B.". Somente o italiano conservoír! 
raiuiscéncia, já iucouscieiíte. do valoj* daquele a dos ueutrosj 
tinos, pois te ossa ú o plural de Vogito, por exemplo. 

— «Xo primeiro quartel do século xviii ensaiou-se um nòf 
geuero de iieças em prosa e verso, com musica, espécie de jar- 
sitelofif a que davam a pomposa designaçilo de operai por 



' ANNlVBftS.\ftIOS riCl.KBRKS PA HISTORIA POKlTOUttZA. 

* AntOiílu Ac Ciuii|Mi.-(, O Mauqubk db Pomhal. 



òpido 

ÊttU' lernin lie arqueolojia é pouco usado, e é o latim oppi- 

«JQtn. que Hi^iiitirava • fortAleui, liij^ur atbrtalezado > , e uo depoU 

■r •ridudi' p<>(|uena nu vila», respivando-se rirbs para as 

I-. eidade-t. e para Komn. por oxceléiicia: — '. «Segundo 

'■ iiiii M Mploravit*» das ruínas d*íiltíuns úpidos— -Britoiros e 

Mt-ílior fu' diz riféflnilf, citanlo. rastro, misto <q. c), 

For mMiU) U^uUdor r|uv seja aprossimarmoíí de oppiduni 

|auDf da vila de (ihidoit, teuios de rejeitar está etimolojia, que 

ICnivriu iutiiítiva, piirijue h medial não pode provir de pi», uias 

ÓBi. de p. H dX^m drs$o o d medial desapareceu em português, 

[m9 í(K*átiuKí}j de oríjem evolutiva, se em tatím ficava eutro 

oranjino 

K am neolojUmo que se empregou para designar os cidadãos 
I 4t «hnlida Kepública de Orauje, oa África Austral: — «O gene- 
tal nnuigiao.. . « tri»! filhos seus tiraram prisioneiros' — ^■ 

oraago-tango 

A palavra e malaia, óruin utàn, > homem (das) selvas < ; mas 
ftn i*i Tííu> imediatamente do francês oran}/-oufttnif, já errado. 
^uf M.' aportuguesou cum o acrescentamento do o tinal: 

-- O ontii^lnn^t k curdii & bAnn iib&R& 
tVito )(««io« < vtu^ni de inui^liii^a - *. 



J. h. <laf<lÍii-DuTii('Hníl, jiVNOsvMKS latins. Paris, 185!I, n." -'16. 
\lWrt» BAUipui • V- ' Vir.LAS» do N^rtb do Poutugal, íh Por- 

. . J. |L IW. 

>. dv '.*!■ ú' ottuxto de 191)11. 



ÁfHintiUtH «*r/5»ct35 



5wi^ií^i«» 



orcu 



Termo da Íleira-Alta, o qual designa o que mais a norte,] 
a sul, se chama anta (q. v.): — «O nome <le orea por qtu 
designado o dolnien uuma grande parte da Heira-Alta, pare 
nos ser alli [Oliveira do Hospital] desconhecido' — *. 



orchata 

Kst« vocábulo veio do ca.stolbano (>ara português, iM)ma 
prova o cU pelo <je do francês oryeal \ on^e \ hordei 
' cevada * . 

ordenar, ordenhar, ordenho 

Ordenhar (> u forma evolutiva portiijíuesa. antes t/rtlèar, 
littiui ordiuure: ordenar, uiua forma posterior, ou tirada UQ 
lutmte do latim, ou derivada de ordem (cf. armauniar \ ar 
zern). 

Km Caminha u.sa-se ordftiar, com a signitic'a\'âo de < ania 
peixe > . 

*> verbo ordenhar ua acepção mais usual, equivale a mut> 
que o povo diz mujir j mulgere; cf. don' \ dulre. com 
do /. Ordtniiio é um substantivo verl)ul riaotúnioo, derivado , 
ordetilutr, e que expressa acto. acvilo: — «todos os ânuos ml 
de local [o bardo], ficando sempre próximo do monte [casal] 
de modo que da porta principal se veja bem. Convém isso 
ás horas do ordenho, o fi«ss<)al do monte dar noticia da 
gada das cabras» — *. 



I Portitgiilia. t, |>. l>). 

< J. dii Kilvtt Pii'l<>, KTUxoQtupuiA IX) Ai.ti>-Albmtkj(», in 
tuefallH, I, p. M7. 



em orr«íro. 



(ueDiaã de orreiro 



rfrgSo, pi. órgãos 



mu de outros sipiificados que esta (mlavia. do latim ui- 

in, adiiiiiriu em líOrluguÍM. ctimprc rejisUr luai-í iis íJeiíuin- 

ileleriiíiitada^ por epítetos, desi}rnando várias peça^ do tear 

», uo Mínbo: ôrtfão do fiado, ou tlav contais; ôrgãt> ão peito; 

tio jHSno '. 

f0ã0, DO sentido do que lioje dizemos nwtal da voz, foi em* 
ado pplo cronista Kui de Pina: — «.Siuis pulavnis eram sein- 
fm ordenada», e entoadas cnm iniii gracioso orgrâo» — *. 

oriente 

Sm uraa atTpvii'^ muito f*specifil era português ôste viuà- 
alézn da(|ut>]a^ que lhe !ião irniintiiH com outras línguas ro- 
nicttí nas <*orre!>pnni lentes lorraas: desi^a o >tustro natural da.s 
' I i*s». Ksla acepção mio está rejistada em dicionã- 
. k.i .lUa: — «pérolas de um tâo lindo -onente*, assim 
j o poder de dispersão luminosa da superlicie mar^ari- 
• — ■*. 
termo de ourívez, joalheiro e lapidárin, 

OrleSs, orlell 

nlo uinixis rst^^s suhstantivos, o pniprio (trlco-^, e o 
brt-i^. provurilium iimlios do lumu' da riiiadi- fiaucesu 



r Pofttt(EalÍ*.i. 11.371. 

CftòXHU i'K EL*itEi VnM .\roNm> V, ca^. ctixiii. 

BrttvAsuon Ferreira, in hiAitlo i>H X«»ticia8. Jf li <U' junlii» 



Orleanit. pronunciada iictimlmeiíle òrh^ã, {* facto que, uo ito 
da cidade pioferioios um n. que uão pronuDciamos no nome dnl 
eido dvlgado de lâ. que desi^a o segundo vocábulo. 

A raii\f> presnniivel da difereuça estará em qiie. quaoiio^ 
uome da cidade começo» a dizer-se em Portugal, ou ainda oJ 
soava nele em Frauda, ou, escrevendo-se Orleans, se leu cof 
se fosse portuffuês. O uome comum, porém, é muito mais inodefl 
j::á. V adquiriu a forma portuguesa orleã, por traiismissão oi| 
como se reconhece pola auséucía do s &ual. 



orreiro 

— «No fuudo d'este poyo. em uma cavidade aí)erla uaslag 
que o forram, está uma trave que tem o nome de otreim: ou 
áns extremidades doeste, chamada as oreíha^ do otYeiio, 
uma vara de ferro denominada a agulha* — *. 



osso, ossa 

Como em custelLaao, existiu sem dúvida a forma omo^ < 
(a par de lutso. mr.4a | latim ursus, ursa), que J. Inácio Hoqd 

incluiu no NOUVBAU DICTÍONAIBR PORTUaAIS-PRAKVAIS, (Pfl 

1855). 

ostreal, ostreira 

Hoje chamamos ostreira ao local onde se criam ostras; 
t«s chamava-se odreat, forma mais directameute derivada \ 
latim ústrea, -ostru»: — «pérolas... das qnoes toda a 
[do Haiti] em redondo esti c«rcada, ou calcada; porque uo.^ 
delia em redondo vai cingida de graudes ostreaes, em quq 



> Os MniNHOH, 1» Purtttgalin, i. ]i. 3^*8. 



^ tUu cTiaiii, (!iu taiiU altura ilo água, que ás vezes i^usta h vUIa 
iíiH)rgiilbadur»?fi* — '. 



ouriça 

CdufonDfl .1. Leite de Va-sc^ncelnít, ente vocábulo procede de 
Bi&af'irn)a ríri^o \ «rício, forma postulada pelo nome Ericeiru *. 
Mají /jdo «ade veio o / de eiriçof Ku preliro supor que a 
wci ouro intiuíu em eriço, para o inoditícar em ouriço. 



ourives, ounvea, ourivezeiro 

X jar da forma curim-z \ aurificem existiu em português 
íiuiíim iiuriveseiro \ aurificiariuni ^ D iduriil auligo de ouri- 
nt era úuritfezfí: — «E assi como os ourívezes, querendo algufi 

I... o tneí<^ni no rimeuto* — *. 

N*o Àlent«ju dedu7JU'Se do plural ouruyes, uiu siu^ailar 
Wnty. 

ousia 
Conforme D. Carolina Michaêlis de Vasconcelos, do latim 

«bflidÍA \ 

outono 

f«f^ i|ae sentido está empregada eãta palavra no trecho se- 
r^tiii«, qa» a não defíne? — «Algum outoyw datt terras deaapire- 



P* O—pw AfutitM, <K«'JnvAii <i;i vil^;eIll e imoesan da nau Him 

)*. m IIlHU DB ri.(fl§ICnH l*UKrLltII?KZUM, vol. XLV. )l. !IÚ. 
ÍIBVISTA 1.U3ITANA, III. p. 2(i'i. 

nTA J.i;bitasa. V, p. iVJ. 
l.LAi. CoxaHLHniKO db Ei^rbi Thim Hi-autr. Tari-*. lAíí*2, y. iH. 

USVUTA LfftlTANA. ni, p. l'l!(. 



202 Apostilas aos Dicionários Portugueses 



ceu> — ^ Refere-se à invernia nos Açores, e o vocábulo é da 
(jiaciosa. 

outro que tal 

Esta locução pronominal tem por orijem, conforme Júlio 
Moreira, o latim alterum aeque talem *. 

ou vinho 

É difícil de degcortinar o significado e a orijem deste adjec- 
tivo, empregado por Gil Vicente: 

— Vai logo ás ilhas perdidas 
No mar das i)ena!j ou vinhas, 
Traze três fadas marinhas 
Que s.ijani muy escdlhidas — ^. 



pa 

Aos vários significados colijidos nos dicionários e atribuídos. 
com ou sem epítetos, ii este vocábulo, acrescentarei os seguintes, 
que não encontro rejistados uêles. 

pã (ir (iftpar (Bragança): serve para limpar o trigo contra o 
vento. 

pá de carar: corresponde ao h{'che francês. 

pá da eira: é evidente o significado *. 

pA do lahorciro: pá pequena, usada nas marinhas do sal •'•. 



1 o Ki^oxDMiSTA. ily 2'> de foVvTeiro dt; LS>í.S. 
3 lÍKVlSTA LrSITASA, IV, |). 27l). 
3 AlTO DAS FAUAS. 

* Fruni'is-0 Adulfo Ooelhu, Ai-fAiA aíirioola POiiTi'OtTBSA, ih Pnr- 
tu«!alía, I. p. *it(). 

■'■ i) Skuci.o, de IO de juiihn do 191H, ondo vem figurada. 



ApMtiJtif nnH jyin/lAáHtm l^rttumeicB 



'20& 



A fonnu untit^a eru p(ía { pala, com u queda uorniul <lo / 
\iim «utre vogais. 

pacari 

í^'ffundo mforraaçilo jicssoiil c fírterjignii, dá-se. na Índia Por- 
■d vat» uoine ao que uo reino se chama «alpendre, alpeu- 

Xão tenho à minha disposição elementos que me habilitem 
Ji índaj^ar a forma indian;» d;i palavra; sõ direi que uo Diccio- 
«irio eoneuDÍ portu^ês enconiro p'aKariI. com a signífíca^*áu de 
• corola V ' . 

pacbavelão 

— «em reWruo do qual [presente] maudou lojço [o Naii|ue] 
êu ao padre Provincial cinco pachavetf^es que são uns panos 
fmtmàos • K 

paço, passo 

SAfii dois vncàbulos distintos na escrita, e em certas partes 
4« reino tTnLs-o»-Mont^i(, Hcira-Alta, Minho) tamlu-m na pro- 
niocbi, <7omo autes do ãcculo xv o eram era todo o roiuo, e 
OBifliuo 4t^ o XVII o foram em qnási todo. a partir do Tejo para 

Já lu *MiO(,'r(ifia N;icional ^ me ruferi ao t''rro de tomar, 
mmo *e ÍH em al^^umus edições das Ohras de Camões, o vocá- 
hfOii /Mfo por pofiiti nos seguintes versos: 



t K«d«*tr<i Ditlifado, DlCCIONAKIO KONKANt-t*OKTrOV8X. 

Il.ml«. , : , ji. 390. ol. ir. 

I'." Madiu*! Itcniànltfx . «Diucn^'au lU rida<l« Av C«]|miil>ii«, iii 

ptM. I i''OH WIItTfUtTUXEa. t. XLt. |>. 113. 



201 



AjtontUnt aoH JUrionArínH Pnrtutfue-if» 



Paru é •gracejo», e ao trecho de Lucena, ali wluzido para 
prova, acrescentarei este do mesmo escritor, que é muis eipU- 
cito: — «porque o urdiíiario he sobejar o riso e o paço, onde tal- 
tara forcas e |M)der, e desprezar gracejando o inimigo» — ', 



padecer, padecente 

Este verbo tem uma acepção muito especial, a de «ser justi- 
çado >, e jtor isso se dizia o ptuiivrnff, particípio activo gubstantí* 
vado dêsáfi verbo, que em tal acepçáo já era usado uo xvii século, 
como se vè no passo seguinte: — < estava para ir u í)adecer> — ?. 

Femám Méndez Pinto emprega ywí/í^oí»/^ no sentido referido: 
— -o triste padecente * — '. 



padiola 

Esta palavra é defínida por Bluteau ^ como siguifir^ndo 
< instrumento de braços em que pegam dons homens, e acarr^ 
tum pedras, lenha, etc-. 

O DicnoN.AKUi CoNTKMPOBANBij defíne-a melbor: — taboloiro 
quadrado, com quatro braços, um em cada ponta, que serve para 
o transporte de fardos, de terra, de areia, e e levado por dois oU 
quatro homens — , e dá-lhe como ctim'> o castelliauo ;jrtriAi*tfííf, 
que Cândido de Figueiredo ^ aceitou em dúvida, e F. Adolfo 
Coelbo a<lmitiu, hesitando porém em dar-lbe como orijem a qae 
lhe atribui n Dicionário da Academia Espanhola, isto é, par, s«m 



' Joãi> ác Luc-nii. Vida t>o Padrk Francisco Xavier, v. 7. 

* P." Ant<Miio FntH-iiíco Cardim, Batalhas da Compakhia db Jb* 
HUH,LiiibM, I»04. [I. \'M. (K.!>iít]l[59). 

■ PtSR£ORiN'AVÂtf, cap. cxnviii. 

* VlirABn.ARli) PORTUIUTBZ B I.ATtVn. 

* Nftvo líirrioNÁRio da unoita pourrorfesA. 



iKki iliH^Urar m este par é siibstiintivo ou adjectivo, e qiml a 

' em i\\\e foi tomado, para pruduzir n ijuo a Academia nos 

um dciiiinulivi). 

ÍTft I volume da Kpvista LusiUna [1887-89], a páj. 215, 

tntei da expr^íi:«:>o rastelliaua, usadu no dialuvto trantimoutauo 

''íM de l{i<>-l*'rio. à Ia paritiit^h!. como iiucri^ndo dizer 

•nhar a vidu!. vá trabuliiur! >, e identiliquci eâí>a palavi*a 
A espanhola pnrihufh, de qii« é variaute dialer.ta!, dan- 
■■ (■iiiu»* corres pou d entí» quer formal, quer sipiificativo, o 
^■iiL^urs pudinla, 

A díu^uCmu. creio eti» occorreu aíiida que 03 dois vocábulos 

II orijem diferente, suposto apresentara niua perrautaçào 

l*- r f (/. d** que sâtí exemplos todiívia o portu^iit^s tam- 

í '■ >•■'. n fiar tle Winq^ada. i-aátelliauo lúni^mro, hnt/uirtlh. e o 

«iftlhann e prirtugnês mentira, a par do cataUo mentida, in- 

iiututt^ particípio passivo de mentir, sn)>8tautivado. 

.;-uho tauto para n portnguús ptuHol». cuino para o cas- 

jtftrihtwla o étimo que vntiiu propus, o latim paJeála, 

f« piUõla. deminutivo de pala* «pú>. mududo o / paru r em 

' "ano e para (/ em pnrtugm^s, por dissimilaçilo do / da ter- 

..'-; i'f, ainda /W<7«c J jiiila ', tulejar [ ula, 

Acrw«»ntarei qiie a orijem imediata de português padiola « 

' ImHnt»* o ca^lvlliiuio purUinfla. visto que, sr {iiidiofa se 

•• direi'.tumeutv do latim pulvoUi, o ha} haveria ^ido 

do. O mesmo podemos di'M'r i'om rela^'ilo » lamparina, 

pMfíCtf igualmente ser uma acuniodação do catítellmiio lam- 

'"' ■■'• To qutt O primitivo lí Ulmpada \ lampas» -adis, c 

íf. como na outra linj;ua liispánica. A palavra c do 

orijem grega, lampas, genetivo lampádns, e significava 

riiot«*, • brandão*. 

^A foniia popular iKirtut^ue^a ê ahtmpatta, com a prostiHico: 
[ftii provável mento ú o artigo femenino a, que se lho soldou. 
C-nojo Ri« uilvert« O meu amigo Júlio Nombela. nu Ks- 



S» Coma, OauiCDRUd dbk romasuoeisn FBiu>r.ooiB, t. p. ~ô\. 



aoa 



ApontitaH am Dicionárion I^fTiugueKM 



tremiidura espanhola ádo usuais os deininiiiivos em -hio, 
correspondentes a -inho.-inhn portugueses e a -iUo.-ilht < 
nos, e e p^rlauto de presumir que a vocáhulo hmjutrina 
euteiramenie espanliol estremeulio, visto que deminutivos 
-ino, 'iua não são portuírueses. 



[ladixii, (lavã, tmxú 

A priíuelra destas fornias è euteira. era [wrsiauo itUdià 
(padíxar), «monarca-; pnrA ê abreviatura, rom supressão' 
silnba dí. e r título dado aos governadores das proviui-ia-í e 
tros tunciuiiános ãuiieriores da Turquia; hiu<i ê a urahi^avâú 
paxá, porque em árube mio há nem o som, nmn a tetra j?^ 
e.sr.rit;is imàirhah, iiafitsrhuh. jMtrhah, fioseluth, hfirh/ih. tuiACM 
suo bárbaras; quaudo muito, uni trauscri^ão rigorwsa, poder 
e»rrever-âe inuiimh, poMik, visto que a última letra do 
em (HjiViauo tem o valor de h aspirado; como {iort'in o uão 
ramos, è iiitilil esorevê-lo, e raesmo em árube nenhuma aspS 
\'lnt tina) termina a iNilavr:^ hiu:á, e a sua escrita e pronúncia -. 

BAXÁ *. 



papaia, pagaiar 

Como em francês paifaie, ê pagaiu na GuíuiJ uma cftsl 
remo, e paijaiar remai* com <*de *. \H etimolnjistas franceses < 
sideram, i*m dúviíla, <» V'K*«bub> jtnf/aif como ameriraiirt. cara 
A ser assim, o nome português seria talve/, cópia do francês^ 



• r. fíarcía tV Th«v. MíiMOinr. sra i.ka soma pROffues arj 
TiTRiM MrfirL,MAX>í, Pari», l^Tíí, p. 4<1, 11, •44. liil e *õ. 

' {'. E. Corr.'iJI (It Silv». t'M\ VlAtiHM AU ESTABHl.lStíIVIK!<TO 1 
TtTOCRCS LiB S. JuiU Ua1'TISTA OK AJL'DÃ BM lé\iô, Uttb<H, 1':<IJ0. 



pagode, im^odento 

<toiâ ã4^»tido6 foi a primeirti destas palavras emprogadn 
RAMOS escrilnitttí quinliuutistas e seiscentistas, e às veW5 
luesmo autor, iia tnusma obra: «templo»; * ídolo». 
iqni vou pôr exemplos de ambas as acep^niea principais, « de 
Ba« «nbsidJãrias. 

■«Ilie jurava petas alpsircas douradas do seu pa- 
í» — ». 
ttplo: — «pa^de «ííti pui enterrado > — -. 
ioplo: — • 1'oriio se o dia de oje Ibe lizerão comer carue de 
iua porta principal do seu pagode > — '. 
Bplo: — • vim os em cima da cerca do pagode grande 
dos rui?., liu.i luiiito cfliu|iridu carreira de fogos. — *. 
?:— '1:^ nnijiipllt* pa^o se não adorava o patjode Aini- 

- • K esta DHviio [Anaiiiel muito iueliuadu ao culto dos 
e fre^iioaa ({ue tein por .santas, (|ue coui Berem pobres 
âto o i£ue gastauí no culto dos pngodes, e edifioios 
inplos sumptuosos- — ^ 

lalft: — »Xeui fw? pode dizej serujii (ts pugodes autores do 
quando e certo que <)Ua]i|uer pag«'de (ainda o pri- 
<]Ui* S9 Híiãinel teve pae e mãe» — ^. 
|«lo: — ^levando em uma cbarola o pagode» — ^ 

Hftín: — «Tmba este mandarim faulo, sendo gentio, feito 
Bande pagodú, com dotu^'ào de muita:^ rendas de arroz* — ". 



Fctfkira Mrl)il<>t Pinto, PKUKtittlNAVXO. CU]: IX. 

I » • f*Utit. ih^ c4|t. IX, XI »• i.xxvm. 

I* : • t ' 'iiJ'> Fmn-ix-u r^mlim, Bat&i.uas OA CoueAKliiA 

Ti ]». 27. 71, i:;^oí4S. 



20? 



ApusiUfu aos DirioHúrii 



Outros exemplos podem ver-se i-m Yule & Buniell '. 9 
em Uluteau *. de ondtí copio a sejfninte in3críção que é eluci- 
dativa: — «Pagode. TaiuhBm lie moeda de ouro, Ac duas. ou trea 
castas que o ^^^entio da índia labhcu. & por ser cuuhada roíu a 
figura do diabo, foy chamada Pagode. Fiualmente a hun.s peque- 
nos iilidos de porcetlaoa, que vem da China, derílo al^ms o nome 
de pagode • — . 

(Quanto a etimolojia, é ela por emquaiito ignorada. 

Os diversos étimos i|ne teem sido pro^tostos, mesmo o que* 
mais aceitação teve, isto i^ n persiano puTKlIn^:, de vut, «ídoln-, 
e KUDK, »casa>, oferece íraea piobahilidade de ser o verdadeiro, 
(juaoto a mim. toda a iuvesti^açAo ulterior deve partir dV- 
acepi'âo «ídolo», e não, da de -templo». 

Xo .sentido de Miiiajem de idolo', vemolo até empregado 
como demiuiitivo: — «Iam aileante unatro audores com al-runs 
pajfodinlios" — '. 

í) adjectivo pnfffidento, em]»rtígrtdo por Autónio FratHisro 
Cm'dim, equivali' a * paj^ào*: — • c como fosse grande pugodeuta 
e capital inimiga dos cliiistftos» — *^«e pode ser tamhem qno 
a divina semente brote um dia ua terra estéril destes pa^oden- 
tos»— ^ 

É evidente que de pagode, uo sentido de «ídolo*, se deri- 
vou iiatffufento. iio de « idólatra > . 

i*atjoti(\ eomo tí-rmo d*^ ciilàn, ê d« uno muito moderno, e 
signitica «folia, bamhocha, despesa louca*:- .Jii nuo ba *ca- 
baret^s», com «bocks» a 50 cêntimos, com cauções \s pagode* — ^ 

— «Com o regimen de pagode, que tem sido o programina 
dos governos uté hoje» — '. 



» A tíLOSSARV Ot" AS0IA>-|SU1AN WORDS. títv*.. LuiiJr<w, 18>ítí. 

* VOCAKITf.ARIfl INIKTrOITKZ E I.ATIJíO. I". tttitbrilll O SlIplpIDântO. 

■ P." Maniiol ííí:niariifi. « iNíjtr ri(|'iiii iln cidade dn Columbo»» 

BlHI'. DC ULASâKHiH I'UKTL'UL'EKliS, t. XLI, ]>. 107. 

* f " Batalhah da CuuPANUiA DB Íbhiis, |i. 218 e 227. 
" o S»ciii.o, i.« :ín do Hl»ril do U»00. 
' tTf.. dv 15dti»brildâ l'JU2. 



t tuiturui qwe esta a^ep^-Ao i>roTenÍia 'ias fundões que se 

»l"iín lios pngfidf», c qiw ijKlivíditos portuy^ueaes que tivessem 

un IimIíh boiívessuui trazido jnira vú o tcrni», jà no sfii- 



piíi 



!.» ínniia muito porlnj^niesa, fiijas anteriores foram poe. 
ymirr \ {lafriMn. adquire, além dos Vilrios sfiitidos em 
"ie mr Iniuada. uutru:} aeep^*õeá deteraiiuadaa por epítetos, 
»4«»(|ii«ÍH rejiHtn m\\\\ duas, que ainda não vi apontadas. 

■ftu-athrada, uo caliío dos ladrões do Porto; «o ctMiiissilrio 

ia. K 

[pai ihã caijceiros: — *Hio de Janeiro. O meu amigo talvez 

iÍM que ii» 10 biiras da noit^j corr*' aqui nm ^nande sino 

i '\v S. Francisco de 1'uuta. o que indica a hora a que 

"S a focjiar todos os estaiielecimeiíioít que iiilo teeiu 

«wpemL Ohainairi geralnientr a este t<ique — o Aragão 

\t!.].~*\u *' itac (Vvj' cat.reiros. . , a segunda |ilenoininação|. 

t> qur provriu de n^r lujin^Uu hora que os caixeiros acahaiu 

I tarefa da uoit*» — *. 



paiol 



> O porrrt-ipondí-iite castelhano, quer formal, quer ifleolõiico, 

Brta fcmia [»orlu^uesu tí pauot. foino tt^rinc) d(! bordo. Hã n 

tta f>otif)ra, o }utiol da hoUirlui. Para encontrar étimo co- 

t«ii)<« de admitir que primeiro se desse ^ste ooine ao i-e- 

om quw SC arrecadasse a bolacha, ou pào, e supor 

...A pnrtu^iesn antiga fosse paiol de um vocábulo latino 

panioltim ( panin, <pftn-, que com menor aUera^-âo 

em nutidhiuio pamh 



1 1 O Eoo»OMl«TA, il« ^ iln fe¥<n>ir« àv IHSó. 
[-> »fc,r tU 12 ttr af^>«tn <1» 1SK5. 



í!Ht 



ApofitiUm atM DkwHÚviu* iW^iMw» 



país, paisajem, paisajisia, paisista 



A paliara /íí//>-. hoje i^Tleitumenti' naturalizada. f-Mii a 
prema aiitnridade de Alexaiidru Herctilaun, ueiii v veiuácula, 
cem cUsãica. Foi tirada já bá muito do franoAs pm/A J pa^ev- 
gis [ pat^us, •aldoia» e i-orr^spoude-lho em catalfto a foruil 
pa^f(^J9. • ríistioo, wimiwnOs, dos campos-, por oposifio a 
dão. da cidade, urbano». 

jPaií!, no seutido, rejistado por Bluteau, de termo de piai 
*} por èle detinido— < Painéis fiii i\w esUo representados arvi 
dos, prados, fontes, casas de prazer e outros aprazi\eis ubj»- 
do cainpO' — . Aqui o abalisado tilòlogo cídcou; tuelbor fdi 
ter traduado tanto à letni maiftm ife plaisOHCc; < casas di 
creio tui de recreação^ seria mais portugiiês. 

I>e pai^ neste seuUdo se derivou paisinta, qiie Bluteau 
b^in rejista e detíne: — 'Aquelle que tera ceuio para fiugir 
arvoredos. Inuge.s. pradns. funtes e higares euinpestres • - . 

IV'sí<! termo de pintura jío serviu nioderuuniente, referim 
!k ilha de Sam Miguel, o exímio poeta e proi^ador Bnthi&o 
devoto ciillíjr da boa liugunjeui portuguesa: — -mas está hW 
para vir uui )>aisista de génio que o tnislade na tela ou 
folhas de ura livro» —'. 

Neste senliilo, porém, é mais freqiiente escrevcr-se paimji 
visto dizer-se pintuni de itaisajvm, e não. de países: — « [CamõeA 
soube Bei" paysagisla cheio de graudesa e mageátade* — '. * 

A propósito) dos vocábulos iminajem, paht^ista, direí qn* - 
ahsurdíssiiun roriservar-se neles a ortogrnfia francesa com y, virf 
que a sua relaçfio com }HU>f e evidente, e neste uiugut'^m 
lembra de escrever x^\ letra, que se em francês tem uns vizl 
bres de propriedade, por equivaler a dois 11 ^d\A%=pèi'i}, 



• Ô Srcitio, de (J dtí janho de 19*>(. 

• J. Guiueí Muntviru, Cakta ãchirca da Ilha dos AMoum, i 
IMP. I». tí». 



AjHtftihit nnH ÍHcioTifiriwt PnHutftivnnt 



211 



ae aro dos modos de pronuueiar a palavra, essa raz.*»» nSo se 
lú rm píirlnyut^s. 

*f 'irdil è tAiuKóm a [>riiu»uci;i iHMmjcw. visto i|iie nitij^ii^m 
!4 iií-is: ileve proiimn'iar-se paUajem, pahajhiu, em 
KlUbaft, jm\>ti*iii, txa quatro. 



p^jião, pajiio, p:)is;1ii 

prúniincin d«s duas priraeiras formas è ^yâjino. pAjiio. com 
»>r1o iiiL priíneini silnbíi átoua. 1*^ o nome í\\\í'. nas lunríuhas 
!«1 Hv dá B uma ]>ii (rrande. com lon;£0 cabo. 
O Sbdvu», de ]0-de junho de 1901. traz a (igiira dela. 



palangana, pelati^na 

U l)l41CinN*ARIO COKTKMPÕHANRO V Ã illlítavíl» dtd« O NòVO 

CtostAftxn ui;er«veram pellun^aaa, com Jl. e o dv^uiido arhi- 
ama etimnliijia. confundindo ambos miina só di^^iio dois 
ftltalu» JiftMtJilfs: o primfirf O d«?rivudo de iuth". u segimdo, 
l^, é tarabém jKthnffana, como em cuslelhono. onde 
'itizer «bacia áit lavar as mãos>. 



ttubini|UÍn], pa1an<)u<s palanca 

SAto DicctoyXaio diz-no8 que ést« vofábulo velo do páli 

jltía [tirj K K possivel que orijinârfamente seja páli, o que 

! ••onl<»sto, pois niio bá lii^íav at|in para escojitflr 

._ ._ Unguas ãrieas da índia: excursos v divagações 

guanlnra-se para monografias especiais, ou deiíara-se aos 

niftiM. tiiiioos qtie t«('m com{>cii^ncia para tratar de tais 



\ fxmui tratiiilitcnitlA ri^furominientc ú fahUíKA. 



aiisuntos, e uutorifliide parii impor couio rerdudeiriis as suas 
chi soes. 

Quando os poriuj^iieses foram à Uidia, de Oddt\ â«>|íiiD<!ò 
t^xlas iis protmlMlidades, trinisserani talvez «ste termo, pquivulcutej 
a anthy, jii o páli i'stava morto, oxtiiil-o i*oino lju},'ua ve 
cuia, liuvía muitos slVuIos, e portauto nfto podiam ^les ir U > 
rar a palavra, porque da literatura páli uada. ou quáãi 
ooiiheòeram. 

O termo foi empre{;ad(> na pEn&.iRi,N-AvÍo de Fernáin Méij 
Piuto:— (liiiun uils palaui|uíuâ que outros ãaceniotes, seai| 
feriores. levava*» aos ombros* — '. Deve pois ter sido re<'«tíd 
Loriiio do uma língua vernácula da índia |em ÍDd'>stano é pi 
ou dn uialaio, que servia Av. líu^ua ^'eral e ouik* a forma <'oi| 
pondente ê puUudi. iiiíis orijinária naturalmente da In 

K possível tauíbêm que a palavra paliiuque iuttuisso ua foi 
|K)rtugues:t, como opinam Yule & líurnell *, se esta )wlavra I 
ê meranitíutc um primitivo ideado, [wr st* mpòr ftahtnqnim t<A 
dominutiva. Xo emtauto, o vorãbiilo iMihtnqUi- teni várias 
voes bem portu^esas; iio pa^so que imhntjaim rmnca ise 
garízon no continente, a nilo ser em tempos modernos, mer 
o povo ouvir tiOMiear assim o.s nndirroíi, ou tiwhis-, que nos tea 
fiaram em peyas eom cenário oriental. Eis aqui um exea 
vernáculo de ym/rtHi;»^. — -Urpiuizadas as pevas separa 
cordel e distwHím-âe depois em e$tatUw, ou jatUinqu^i*, ou 
os taboleiros situados fora ou dentro do coberto- — ^ Aquift| 
lavra equivale a fnit4fleiia. em sentido geral. 

à prova de paUioque ser termo rulgar, talvtr^ uparen 
rom juihnra. 'padiola*, •estocaria*, é t«r dado nrijem u] 
anexim — ver touros de palanque—, isto è, «a salvo, sem] 
ri|íO». Nas praças de touros j;fl/flH<íUf é a *triuebeira' 



ctl(i. CI.X. 

A GixiasAnv ok .Amolo-Indian words. LomirrA, IS^O. 

Rocha Peíxutu. As ulaiuas do Fuado. ím Portat^alia,^] 



.'l|H)iitô'w fT<w DifioHÓrifM Poftwjuait« 



31 a 



pulhãn 

Ignoro o sigtúHcado de^^ta palavra, que rejo empregada no 
tn(hf\ seífuirtte: — «dos atulores tradirinnaes. grande arraaçào, 
UbUt a» ultu. fitas viH*jaudo. palliAo ^ espelhos falseando e aii- 
w4undo o orat^ft ' — '• 

puUieíra 

A palheira é timn sitnpl<^s pav^a de coltiio de que oa iHr 
- r«*-ra. na muioría dos casos, ]iara caçar os í;rillos. 
lUtroduzein-im nus covas ou buracagf e andam coiu 
iK» redor >—*. 

palheiro 

I til) Kspiniin Aa-^^ i>ste nome ã casa em que se arrecadam os 
cbot» para penca '. 

palito 

[CooqiMuto a indúittría do fabrico iIp palitos seja l»em portu- 

• uorae é forçosamente castelh;inn. /inlito, demiiiutívo de 

. '>« t^fipanhf^ds. por.MM, lioji^ um dia, nos palitotí importados 

Portii^d, V que ji vHo setnlo lá iniiitn nsadoii, ciiamam ptt- 

( -= jtoliihtMj, outra forma deminutiva do mesmo primitivo 

lU'. e qne tatnbt-in tem «utrius acepções, em ^ifíd cor- 

»nt^ ao deniinutivo português paiuinho. 

Cinforue o sen nuiior ou menor acai>atiieiito. os palitos toniuni 

numt^s. quii-ti sfinprt* epítetos. al(runs dos quais se ciu- 

inde pendentemente, com elipse do ãubstautivo. 



* ICtxhi Pnmto. \s iif.ARiAs on l'KAt>o, Í7f Portiigulín, i. p *^V{. 
I. Pinlkt, RrnxoiiKArHiA Amakaxtina. A (>vn> i» PortuicnltA, 



' DuRio ^* Maxhí. iW *í de v?foni1)rfi At JÃ77. 



ApOstUuf rtO» Ihi-innntinx l'iirtugut»t» 



IVfite modo, há: palito frmulo; juiUio àe fÍor oii boràn 
— < assim deuoiuiuaUo em virtude da sua ornamentação iiiaU 
menos esculpida» — '; (i>ah'to) tnai^quejtinfw, com haste pequ^ 
e Win alisado. 

palniiuha(a), [)&liuílha(s) 

ftste doiuiniitiro de palmais), na acei>yiifl de *palinaa 
mãos*, é usado uo modo de dizer trazer nau j)ahntnha9^ su 
t«ndendo-se rfíiy rnâos, e cujo sentido é «tratar com muito c)j 
nhos como a sij^TiificaçJlo uatural das palavras o estii din^larí 
Numa fblhu pcritídica d:t lapital transtormou-se e»tu conceito 
expreasâOt pre tendeu do-sn. porém, conserrar-lhe o valar idâ 
jicn, em Miitrii. que querena dizer exactamente n contrármd 
«pulilíiururu-lhe o retrato. . . trou\eram-uo una palniiUias* 
isto ê, 'dehaixo dos pés». Se acaso nilo foi erro tipogrilHco,j 
é vontade de estraj^ar uma frase tam bonita. 

palmito 

Além das acepções desta formosíssima piilavra. já admit 
nos dieiouários, tenho a acresoenUir uma. r)ue desdiz bastante^ 
todas elas: è o nome qui* ilào na África Ocidental Portuf^ue 
um lat^rto da$ árvores, segtmdo vemos na Kkpedicão poi 
ouESA AO MuATiÃNvt-A, de Heurique de Carvalho. 



paid 



Xa índia Portuguesa pano palò é «pano ordinário», «ra i 
cani t>ahto. ' ourela, ourelo* ^ Diz^e por oposiçAo a pano-l 
que é mais tiuo. 



■ PortQf^alía, l, |>. (i37. 

* O Sncuuo. dv 2^ do M-tcmlirn ilu IHOri. 

" Monaciilior tít'lMi8tiiu BmíIíiIÍo THiIffaflo.lÍKVisTA Lcsitana, vi,\ 



Jjimtitai ttoa Dichnárifts I\}ríuntirw« 



215 



pulpite 

É£te áabstaittivo rizotóuico. derivado do verbo palintar, é de- 
fiiuiln no UirciciXARin Costemj*ou\n'eo em duas iiciípçfles: — 
•^ pali*ita<i;%to, pulsarão úo coruvAo... Prcsfntiinvntn (paiti»'uliir- 
t»i..nt*. ao jo^'o)> — . '» N7n<' DicmoxÁRio resume uinda a defi- 

Ka primeira acepção, de paljiifarm, nunca o vi nem ouvi. e 

qur uiii^íijêni o enipretíii. 
Xa s»«gund;i, t pressentimento», está abonado uo passo se- 

.-: — «mas thvra o palpite d« que uúo »iatara> — '. 
A iHMíliiima das dun<; an'pç<^fã aponUdas pode siibordtnar-sp 
'í^i** viKujbulu ua frase que vou transcrever: — < depois que ao 
• m (as arjilíis] n'uroa proporção de paípite» — *. 
Aqui paljtttf síunifiru • tentativa. experiuientaçíVo, quâ-^i se- 
3r:i p«Ia prática adquirida'. 



palrante 
No calio díw laJn^es do Porto quere dizer -relojo» ^ 



pau ai 



f^ 



. para laa\":ir ao iiiiir estes barcos [njí de fundo chato] 
ftllor^iii'»^ ti.1 praiii irran-lcji ndos (pamips) imu ilire<'v;1o ao 



■ 10 (l* icti-nií.ro il6 1!»'KP. 

to. Aã ni.AitiAH iMi Pu vi>o, in P<irtU);alÍB, i. p. &ti. 
■'[i 'NMMiHTA. íi« iS i\v fevereiro tli? IH^. 
} < iii*ii>lrit TkiuiAs, A 1'BdCA HM HrARCOíi, in Portutfnlíii, i, 



ÍH 



AjymtUai non r>irioiinr'nfs PortH^v^aca 



Deste moJo, há: jtnltfo frisado: palito dv /for ou bordado, 
— • assiia denominado em virtude úa sua urnamentaçao maiíi ou 
menos esculpida» — '; (palito) marqueainho, com baste peque 
e beiD alisado, 

palniinba(s), iialmilba(s) 

Este deminutivo de jiafnuifrtf. ua acep^u') de «palmas 
màos>, ti usado no modo de dizer iraier nojf palminhaUf auh 
t«ndendo-se das mãos, e cujo sentido ó «tratar com muito 
nho>, roíuo a sl^nificaí/áo natural das pabivnt-í o está declaraní 
Numa fúlhii periódica da capital transtormou-st* esta couceituoiia 
expressSo, pretendendo-se, porem, couservar-lbe o valor ide 
jico, em otitm, que quereria dizer exactamente i> eontrárioa 
> publicaram -lhe o retrato. . . trouxenuu-uo uas palmilhus > 
isto é. «debaixo dos pés». Se acaso não foi erro tii)Oi^'álico, j 
é vontade de estragar uma frase tam bonita. 



palmito 

Além das acepções desta rormosísãimu palavra, já admitida* 
noít dicionários, tenbo a acrescentar iima. que desdiz bastautí* de 
todas elas: è o nome que dfio ua Africa Ocidental l^ortugue^a » 
um lagjirto das árvores, segimdo v&mos na KxpHniçAo portit- 
ouESA AO Mtatiânvua, de Henrique de Carvalbo, 



palò 



Na índia Portuguesa pano palò é <}>auo ordinário*, em 
cnni iHihv), * ourela, ourelo • ^ Diz-se por opoái\:ào a pano-b^ 
que é mais tino. 



* PijrtUf^ttlia. I. I». 0'J7. 
« t) Sbcl-ix», do 2'> Ae kctcmbn do IDiift. 

* M»nM>nhor Svbiwfiilu RMttilfo I>»l|^d<>, ItBvtiíTA IrsiT^h^A, < 



pat]>it« 

Ksbe subaUntivo nzotóiiico, derivatln do verifo jHtlpitar. é àe- 
fto UiocJONAJUu OoxTBMPouANEo eui diias acepções: — 
J|titaç«o, pulsaçin do roração... Pre&cDtimentn (pariinilnr- 
nU ao jogo)» — . O Novo Dicvionakio reittime ainda a díífi- 

prízDfim act^pçdo. de palpitaràt}. nunca o vi ueiii ouvi, h 
que ning^iit*!!! u emprcíiu. 
Xa (legurida, ^preii3t:'utiiuento>, (*»tá abonado uo passo ho- 

s-; — *mM tivrra u ptílffi/e de que aào luatant • — '. 
A nenhuma da^ duua acepçiV>fl apontiuias podo sul>ordiuui'-$e 
hiilrt na frase i|ne vou íianscrí-ver: — * depois que so 
|tM arjiliis] n*tiiuu proftorvão de palpile > — ^■ 
Aqui luitpiie sipnitica * tentativa, exjwriínentuçào, quúsi m- 
in» |»eU prática ad<|uirída*. 



jiaiiunte 
Xo calAo dos ladroe:» do PArto quere dizer < relojo » '. 

panai 

— • para lanç^ir ao luar estes harcos [oa de fundo cbato) 
tlocaiD-iM! nu praia <;^rundes rolos jpanaei) ein direcção ao 



* O Hbotui. ilf |i) d« wtfiiitin) Ja I!«kI, 

> RmIu PfUitlu, Atl OUiHIAll l>0 PKAhO, iu l'ort UK»llil. !• (' ^'^^ 

* o Ktx>xoiuuTA. da rt tlf fi-Temro lU JS-W. 

* P. I^vmkudtfx Tamá». A vva\:\ km RtrAUOi»», in l'ortUifnliu> l. 



paucA. pançuda, palanca 



Patica é uma < alavanca de madeira», um • barrote •,« 
caria um derivado desse vocábulo, (|ue se geueralizou muito in 
quo i'\e. U lítimo de pança c sem dúvidu pianea. cora a voçal 
Emaptictica // eiitre o p e o f, palanca, que existe nos fáUin^ 
transnioatanos, talxet por iuHuência das línguas raiauas, nas ijuats 
o / intervociilipo iiRniianei'**, couio em castidhauo. (Y. rAtíi 
castelbatiu ralavera | latim caluaria. 

Outro étimo se propôs para pntanca, o grego p*Aí^cioft, qi 
dou o latim phalauga: a mudauv*^ auorru<il, porém, do g oi 
aoouselba-nos a repudiá-lo c(»mo inverosímil. 

A loru^o adverbial ile fftDirtuia, equivalente a < duma só vez^ 
hoje trivial, foi já culta e literária: — -Arvore velba e torta, qi 
de paucada se nio pode endireitar • — ', 



pauca. pmicar 

Xa índia é um grande abano suspenso no teto. para ar 
tí refrescar a casa. ajitado pelos servos. O Novo DiocioNÁRial 
a fonna puncar. que é inexacta, pois não é muís que utna 
veuyíio de escrita ini^lesa para represenUr o a abert» iicentn 
da forma concuni e indostaua orijiniil i'ãMK'tí. Outras escr 
ioirlesas pura o mesmo Hm suo punknh, ininkaw. Com efd 
iim dos maiores defeitos da ort^^grafia inglesa é niio ter modo^ 
tijfuiiir c1ur;imente a pronúncia do a de fn/her (nem u do a] 
buli). recoiTeudo-se jmra isso a expedientes vários, todos eleaj 
bios. e que iitdiixeni em erro a quem deseonhece esta par 
laridade. 

O Dicionário coiicani-português de DalgaUo dá duas 
miís. ii fitada, eon) o sentido indicado, e píImkv». com a m 



1 V.* Antúniu Kriuiciacu Oirdim, 1Utai*has dk OitaifAXHiA Df 
ava. Uibwi. IS!M. p. 379. 



Apantilwi av» fíieifínàritít J^/rttiffuenvti 



2i: 



Oífèo de < leque > fq. tf./. A palavra é\ ndostana, e, conforme 
Vtilf & BuruolI *, designou primeiro a «veutarola de palma*. 

pua d ilha 

Tem dois sentidos este vocábulo: o primeiro, mais comuiu. é 

'pessiíii vil'; o segundo, castelbauismo (iHimiilhi), )k>iico usual, 

t- (|J2er fMiiuio. o qiní n povo cfiaiua pnnellinha. por iilus:)o 

>vcl íl jtiituhuhít à parte, que se prepara piíra «lot-iit**, se- 

l.i da panela fomum. para n resto da faiiiiliii. 1'. em panela. 

pandoro 

Termo da África Oriental Portuguesa: — «os (fraudes cou- 
«ultauí sempre íw augures, msitnon, por intermédio peralmente 
4e ama velha feitieeira» ou do feiticeiro, pítnd&ro* —K 

pandulho 

O Novo lliíx-ioxÀRici di/.-iio3 ser — < lastro da trallia inferior 
^4l* rMw» — . k uma acepyan, ma* tem outra: 'pedra ^ande 
ynfA a uma corda e que serve de âncora a barcos pequenos >, 

panela, paueleiro 

Krta pala^TB é forma demiuutiva de latim vulirar pnu- 
\ pateta \ patina, que tiulia s)í^)ilicu('ào análoga. Dessa 
%nua rulgar procederam o inglês ;«iu e vÁem&o pfnnne, «sertil ». 



» \ GiJt^-iKH\ uv AvauvIXMA.V woRr'M, Lfindrcd, IHfW, Mnh coe. 
êkêh. 

■ "UliiitKt. A CAMPAXHA Vi> BARUâ KM liN>2. M( * Juniivl 
; ia dv alisto do VMKi. 



Km itflliann temos jiaiieffa, com o m<^snin stiHcso rlominiiti' 
É teiii'>iiu'iio ooinuiu iis líii}íuas romitriicas esta ampliuruo t\af 
palavi'as nioaossilábica^ ou dissiUhieaâ latioas, de sigoitica^Ao 
cDuoreta, (lesifíuando quer objectos, quer plautas, qiiiT aiiiiuais: 
ou porque essas formas, amplimlas em ^'t»rul por siilioso» tlemi- 
nutivoB, eram já preteridas no latim vulgar, particular idade que 
berdaram os idiomas iiovi-latinos, com excepção do ríjido frao- 
cês; 011 porque, perdida n teriniiiaçilo coí^intl latiim. os voc:Íl>ulwi 
ficaram com poufo corpo e sujeitos a coufusáo coui outros, i^ 
por perda igual, e ahrandameutos de consoantes s« reduziai 
formas converjeutes. 

Darei um exemplo hcrii claro dessa ampliuçAn: «/«"! 
ovelha, áe ap)c(u)la e ouic(uHa, demiuutivos de apis eou 
coino o é janela \ iannfla por ianua, o priíueiro dos qiiã5' 
ficaria quási iguiil a ave \ auem. 

Xo sul do reino píniela designa uma < vasillia de barro, di; 
ferro, ou de folho* oude se cozinlia a sopa * ; uo norte, por^m, só se 
dá este nome àquela que se ergae súbre três pés. para se lhe 
meter lenha acesa por Iiai\n. A viísilha que paru tjil Hm se usa, 
por exemplo, em Mirandela, assente sobro a trempe do focrareiro 
011 sObre o lar. dcnomiua-se cfutspa /q. v.K e não tem pés. 

l*m\ela desijrna também a comida principal, a .«o/w o\\ rahh, 
por serem preparados em patwht. e uiio em Utc/to, Jrijtthira, 
etc, e por isso se diz panela de eartie, panela fie ifahnfta. /mi- 
neln de peixe, ou âe jejum : 



— llutTo Witi teniif coin «Iii: 
Qoandu rifn'i« ila artiliL 
Cuiiierá» !(itr<linhji jwsAa<lii. 
Fori|Q ela jxnt» u panfU — *. 

Os espaDhói.s também dizem, do mesmo modo e com a luea 
metáfora, el purhrrit. i- ns franceses, /e puf-ati-feu, fa marn 
fV. pamliuU^ eiti pandílha). 



' Gil Vicente, AfTo i»a Fbiba. 



U> socúbulo iiniifla derivou-se, e bem, panaleiío. desusado 
Ou sul, com H significaçfio de «faliricaiiW do panelas ', mos que 
«iWiste aioda no norte, em Trás-i»s-MoutHs, etc, deãigiiandtt n 
■Mbro^ palavra ruja tor)ua^'úu e sentido são idênticos, j>ois se de- 
nn ie oh, ca:;teÍÍiauo oUa \ latitu olla. < panela >. — «Como 
m Tras-os-Montes, denorainain-se vulgarraeiít© < pandeiros > os 
muniistaí» rústicos dos togares ih Vílla .Sticra e Oonijeira. fre- 
(mm de Goudar, uo cntirellio de Amaraute, e ainda os de I^or- 
<lilk>. freguesia de Aucêde, e os de Paredes, freguesia de Gõve. 
labc» no confcUio de Baia", lítii cada uma das looalidiuies refe- 
itlM i.-4>nsliluem os olyiros venlaiitíiras uorponn^ões, quasi exclu- 
atunente voUdati ao fahríco da loi^:a negra > — '. 

Açiirar innwltt, segundo Morais t^ o nome (|ut' se dá a unia 
^itabdide inferior — «mais baixo que o reesjmma' — *. 

o mesniin lecsírógrufo díz-nns que rceifjtumaá è o nome do 
iar - * feito da primeira escuma > — . 



pango 



í 



—•O marido uo linal do nascimento do 3." filho costuma 
']»alipier maquia ao sogro, dadiva a que chamam pnKtjfo» — . 

iVni.t Au Afrira Oiinitiil Portuguesa •*. 

pano 

^'•tz palavra aplicasse a todos os tecidos tapados, como ge- 

havendo pano de lá, pano <le alf/odão, patm df linho, 

:'iQ, pano de ^eth. Díferençam-se ainda na espessuru, no 

que são tecidos, etc. mediante nomes especiais, ou 

j . los. como p/ino pihttt, pano ctudur, etc. 



* bocha l')iltulu, SoBiteviVKNtUA u\ primitiva nooA pm dlkiuo 
I rtMrnroAi.. \n Portn^dlia, ii. p. 'i- 

■ thCClOXAUO DA I.IK»t'A rORTniiriGXA, Líítbo.l. 1823. 
' Jtm^Al' DAd CutOStAH, d*! 4 Jr julh-i i\i \'MÁ. 



Kiilrt* os de nlgmlao liií um que se ohiiiiui jvtiio i><iUut€r 
éate epíteto provein-llií» il;i iiiarcii jmtetU, i|iie lia/.iain os qnri 
irn[»o)'tãvatiios de Tnglaturra. Outras vozes silo adiuitidús cora nal 
uinDHifl lias terras onde se fabricara, ou fabricavam, corno nrleà enil 
nr/íví,v, /'f/. i\J. hrftanhn im firt-tanka. hnhnuiti na ifotnuda, etc- 

/'í/Wí é também o nome, a par do de Uituja, do jK^dav» de 
zfudii que vários povos selvajens trazetn preso â cinta. Xa Giiiné 
Wirlu^iifsa denomina-se /»«>/« ifa ro»/ír aquele que é !á mesmo 
fabricado, e //íí/ío //>/> í//í eonOi, i> que ti ft:tÍto com seda r ai 
duo, de cíires vivas '. 



pantana. panUmo, páutauo 



(>s doi» vocábulo» priítiviros sio apenas forma fenieni 
masculina de um só, seja qual lor a .sua etimolojía. que não es' 
uverijruada. Qualquer da» duas formas saiu do uso vulgar, fícund 
ajienas como sinal da primeira o modo de di/cr fiar com tudo tf 
IHtnlana. j)or * exirava^aiiciar *. A forma masiMilina perdt' 
de todo na língua vulgar. Vieram de|K)iâ os eruditos, e, itei 
o seu costume, altenuu-na a capric]io, desta vez em jMntaíw'^ 
com o acento t4'>nic-o deslocado para a primeira sílaba, como fiite- 
ram em ãn\a<in (q, v.J. 

Com efeito, em todas an línguas da Peoiu.suta em que êitta 
vocábulo exist*" o acento r na segunda sílaba, pariUnw, em c;LHt«-^ 
Ihauo, jHinttiíio em galego, fmntán em calalào; e o mesmo acou-^ 
tecH fora da Península Hispânica \srtx todos os idiomas que 
suem a palavra: panUino em toâcíino, pmitãn em pieuion 
em romanche. palttin em lombardo, etc. 

à própria tonua sobrevivente, ainda que petrifícada. pa 
eátá a indicar o erro que se cometeu ao reviver-se o voí^ábulo 
tano. 



» C. E. Corn-i» <la Silv». Uma viaurm kí\ iwTAnBi.RrtMicsTo 
Ti'0iTB)5 t>K 8. Joio Baptista dh Ajri>Á rm 144>'>. Lí^bua, )4i}'l. 



pAo, piit^ií 



Erta palavra foi prorávelmeute uo singular auiij^amente 

panem, t* ao ilripois recebeu por i^entMali/jiçào o fljtongn 

qtuiudn este S4> luanitVíttou na língua, ahranjendo palavras u 

nas. que lijiliaiii outras toniiiua^ws nasais: o mesiiio acontece 

i t«rrnLnaçõe» átouas da 3/ pessoa do plural dos verliv)?. -6 do 

'. -íí dn uiais í)uo perfeito, ainda diferentes em aljiuns dia- 

•ulinuitUiis, foitrurò, Utucãrn, cíinio fia castfDiano hmrou, 

mH, DiUji lia liugua geral e ua liturária há muito iufelizuieute 

Ijs era -no átouo^ hoje Cíicrito -nm: hHvamm, de louvou. 

_ (í«UL*niIÍ7itfAa auãlu*^ !<e deu no» plurais de muito» vocábii- 
1b(. que ante.** terminavam «in -rw.f, iimieo. e hoje se pluralisain 
frei|íioiit*^ eru -õf/s. tais como nUlfieif, rilôff/, horfr- 
uUetto.f. viUios. hortchios. eiu castelhano alílcnnoM, 
e, hortetanon: « da mesma maneira, a forma [>opular ci- 
tóie*. i^tr ctddilíiuH, casteUiana rhultuianon. foi buscar a ana- 
do plural em -^e» de quãsi tudoii os polissílabos. 
A pabivra ;ião designa nâo só a «masi^a', mas igualmento a 
icepções que outras línífiia-* difen^uçam; aasira, em 
'Mt-mf refere-ííe ;1 niasáa. loaf. plural ioafvi!'. à forma. 
j"do idt'*ntico a palavra fnoffoc ipio uo centro o sul do 
kii KÍgiiitica maii$ a forma do que a farinha de que o pâo é 
ricfldn, fjiperialí/^i-se nu nnrte. nndp o pão de farinha df inillm 
' maiií u^do, designando òste. Em vascou^^o t;uijliém, por exem- 
f, tí^ut é o 'pri<» de trigo-, nrtó, o -de milho ', e este vocá- 
ft, conforme Guilherme de Hinnholdt. deriva-se de «r//*, «ear- 
htt-, ]iorque príniitivamentÃ' o pão se fahricav» de Hirinha de 
i^le. *)ít romanos tamlo-m fa/.iani n)a.ssa de farinha de cai^tanhas, 
nta, ainda Uí^ada em Itália, assim c^mo tambt^m a de milho. 
Km líishoa di/.finnH ///ií> de frifp. pão dr milho, pão th' cen- 
**ut; em "iUtraií pai-los o cereal desigiia-ae por adjectivos: ptio 
irigo^ pão (de) miUw, pão centeio, u o mesmo so fax com as 
«•mpetíntfis farinhas: ^arinArt v\iiha, farinha triga, etc. 



papel, pu)iolão 

Entra outros si^uiticados que esta palarru t€ia. quer 
(luer acumpiíubníla de epítetos, há uu) muito especial, sindnii| 
dp parfe, (*oino t^rinn Itrnieo tuiitrut, n qui- os rrnnceâe& cl 
luain rOle, Uto v •<> que uma p«rso»ajein de peça de teatro 
de dt7.er ou fazer em cfrna *. 

Deste primitivo dehvaiu-se deminutivos. como imjtriinho, , 
peUfu. para designarem um * pupel piMiuciio, ou de pouc^ 
portÚDcia». on o aumentativo ^mpelão, ijue, pelo contriirio, 
ootu um papel, grande ou pequeno, mas de suma importáncif 
dincil desempenho: — «.Setta da Silva, que tem, o quo se cha 
em ilieatro, um pa|>elai>» — '. 

Fora da linj^^tiajem cêuica, /»/t/Wn(i. em SHitido figurado, 
signa o que por outras palavras se denomímt parlapaf/io, 
roião, jmvpnlho, inijMi-finfi, etc e modernamente se diz snub^ 
inglesa; seai maior neieãsidaile, pois, ainda que muito abundan- 
teá por cá os sujeitos dõste feitio, o povo tem satiido ínvent 
como se vè, nomes paru t4)das as *'sp(íi'ie8 ení que o iri-nero 
reparte, e todas as modalidades ridículas e itiaímodas do 
teeco tipo. tam primorosa e sarcásticamente deKcrita* por 
Iberme Tliackerav na sua conhecida obra Thb Uook op Sico^ 



papo 



Não aei quem foi da lembranvíi desastrada de emendai 
anexim popular ver-ne em jHtpoft de amniut, para. . . jmlpos 
aranha. Preponderou aqui, como é costume, o raciocínio, em 
de obst^rvaçÂo dos factos. A emeuda é inadmissível, visto q^ 
sendo o aueiim popular, uão poderiam entrar n^le palavras 
expressões que o nAo sejam: e palpo é termo muito mtHiemo.j 



■ o Sbuulo. di! ti lU' nuvembni <1« 10(>2. 



Apoêtiítw 009 ÍHcionárioa Pbrtuifucsr» 



22.Í 



inUdilovio artificial qae Bluteuu não rejistoií. porque ati; o sen 

•> havia sido Hdiuitidn na língua, {lois loi colhido uo 

didnnário latiuo: palpuiu. atiin de (lalpíiret cujo 

ifiit* pdjmlur V puuftar; devendo, conseguiutemeute. o 

palfrnjD ler prodn/Jdo poujto, evolutivamente, e uSo, jmiIjm. Km 

Utifu palparc ijiicria dizer -afagar i^om a raão«. e palpuin. 

• a£t^': nu riiiítelbanu pofini-, corres poii d tMiUi formal do pnujtar 

ptTtutfut*'?;, ainda boje em dia tem este siííntiicado. 

C-om relação a ul latino, rorrespoinlijudo a ou p.)rtugué8 e a 
II castelliano. vt outeiro, otero \ altarium. 

A puiavra papo ein composição serve para denominar váiios 

irru. e o mesmo acontece com o seu deminutivo papinho. 

' iLjrfi alucas (|ue mlu fitíurauí nos nossos diciouárius. tmlos eles 

''tdiotl»'^ ti.t moDO^ralia de l'Jnii'sU> Sohmilz, 1)ik A'òuei-. Ma- 

MSXB4S [As ares da Madí'ír3]. já tantas vezes api*oveitada nesta 

/'fi^MHrt/úru ( Kriiluicus ruheculu. Lin.}. 
J^apinho. fem. pitpiuha, id, 
Papinho-avuireh (Ponta do Pargo): canário. 
Pitffitthft-enr/irníifio iKrínjíilla cannahiua, Lin.lí Serra- 



papuas 

Vovíit da Uveánia. Conquanto em Kernám Méndez Pinto 
*«jikju(H à\ii\A vHzus piíputtwt *, quaudo se refere u è:jie nome. em 
. ' s da pKiíF.iiuiNAi.Ãn estií escrito fia/nuiK. isto é» 

j , tjv fosse ffftfnuis. estaria ortograíadu (hhhhi». 

A palavra v malaia, conforme Marcelo Devic. papiui. con- 
itntyào i\v puapúa •, » encarriçado. creapo>, denominavAn moti- 



' f^\}t. xtA e ooxiv: tAiçho nilundíanu. lk*vr <!« ^er^irro tipiijrnfico, doa 

te [MKVnVí rí-iirt-iMiílcr «'Hl W» |iriiiiurt»*i f'íi\-Si». 
.luT1•*^v i.ri!H kt vutit^intijrK i>l-i!-> Motm i>uirtiS'K nRiic?<'rAC.lC 

u-r««.u. 



220 



AiMVttUtu aoa DicionáritMi Purtuffueaem 



voJiL pelos cabelos eacarapinba<los daquelles negros Uu Polinésia. 
Nem ailinirii a airiiiiliii, riiito que lhes foi imposta pelos malaíois, 
cujos cabelos são invariavelmente corredios, desanelados e rijos. 
Bluteau aceutua Papãa'^-, mas dá como étimo palavra dft 
língua deles, que, seguado diz, sí;(uifica ' negro», acrescentando 
que assim se chamam a si próprios, o que não é exacto. Karasi 
vexes as denomiiiuvôes étnicas curais pertencem aos idiomas dos 
povos que designam. 



j>apus(es). I)ubucbe(s) 

Blnteau, no Supleiueuto ao Vooabplabio portcouez h la- 
tino, descreve as?im este calçado: — de que usara os Orientaes de 
hum, e outro sexo; os homens Iraxem Papuses de couro negro, 
ou vermelho, e as mulheres de veludo ou brocado; nem hans 
nem outros tem salto, t«m todos um beiço muito agudo que 
revira para cima. e a parte da sola que volta costuma aer dou- 
rada, niio tem palia, correa, nern rtvella, como todos os Asiáti- 
cos» — . Como descnyuo nada há maia exacto. Os outros dicioná- 
rios portuffueses dão deíiuivtVíS iucompletas. 

A palavra é persiana, papifx. de pa, «pé», e pcx, < cober- 
tura'. Deste vocábub compósito fizeram os árabes, por n&O 
terem p, babux, que passou ao francês baboucken, •chinela». 
para euiiar outra vez ern Portugal assim escrito, maa pronnn* 
ciado (e tamI)Hiii ()rl,o}j;]arad()) huhache. 

Vê-ae que a forma portUf,'ue&a antiga era a mais correcta, e 
procedeu directamente da Pérsia, oii da índia. Hom fAra revi- 
vesse, o que seria lai-ilimo, poii a forma Traucesa babfojuch^s 
ainda uão logrou diviil|rar-se. 



paquota. paqnete 

— «Uma desavergonhada das de lá levou-me para rasa, como 
paqueta, dizia ella. mas era para vender-me a mu sujeito gor- 




Ájtoi*tHa9 ao$ DicionArioti PúrlivjHear» 



227 



»• — '. AteoU a siifiiificayilo de /írt^Hc/í*. *movo de mandados •, 
ere paqueta siguilicar «moça de recados, criada d« fora». 

— «carreiros ou almoeveves, pa|iiete. cavallisla. laiiçaro- 
f— *. 

Pa^/ltete é o titulo de ura formosíssimo couto de D. João da 
'amara, colijido no livro intitulado • Contos > ^i» é nele aplicado 
um recoveiro ou ulviçaroíro. 

Paracleto 

yy líiccioKABio CoNTKMPouANKo. d('sviando-S(! do3 spus an- 
tecessores, acentua Pamckto, talvex por lapso tipográfico, o 
íttal foi repetido no M.vnuai. Etymolooico e no Novo Dtcoio- 
sUm. V. erro: a palavra odo é vulgar, e portanto nilo hd mesmo 
a dèMulpa de vicio inveterado e irremediável. Km latim, onde 
•li. se bem fosse grega, se foi buscar, o acento é na peuúUima 
■iUlia, por s<'r louga, Paraclétus. nome empregado \*ot Tertu- 
l«ii", em vez de Spiritn<! Sanctus. Km grego a fornia é 
mhíklêt.^s, * amparo*, e con<[uanlo proparocsiloua, entrou re- 
gBlirmente no latim o^mo parocsítoua em t^ràn da quantidade 
da penúltima sílaba: cf. Kpicnrus, em grego Kpíkopros, et^^ 
Nio é a acetituaçâo marcada grega que regula a acentnayào 
proferida dos rocáhulos dessa liugua, em latim ou em portu- 
gv«.s mas sim a couhcdda regra de Quintiliano: 

— N'i8 voriihulos de mui< de duas BÍlalias o acento tónico 
&K-se na penúltima, se è longa, e na aiitepeuúttima. se a pe- 
nólUnia é breve — . 

Nos tempos da férula, rapaz (]ue, sabendo ser longo o e du 
ú(Ufto, acentuasse ao ler latim ou |H>rtuguês Parátleio, 
bava como lembrete uma boa palmatoada: é o que mereciam 



< O ViK, >lo 25 dt! setembro <le 1903. 

.1. da Silva Píciio, ETBxonRAraiA vo Alto-Ai.omtbjo, iti Portu- 
{thii.i, p. õll. 
* LUboa. 1900. 



S2» 



ApontilfM lUM Dlciottáríw Pdrlttyuetff* 



OS lecsicúgratbs, ou ou revisores, ou os compositores, (|ue raodtir- 
itairitiutti te«m acentuado assim a palavra, acoust-lhaiido om ênro 
mauifesto e coucorrendo para êle se ticsar e perpetuar. 

parai 

— • A ligar 08 dois extremos dos arredores [q. v.] estáo 03 
parnea, que sAo duas taboas <le meio mptrn de largura. . . coUo- 
cadas verticalmente e um tanto incliuadas para ti'az> — '. 

* parupata (?), parapara 

Termo da África Orieutal Portuguesa:— -toda u noite M 
ouviu na direcção de Ibrahimo tocar purapatas (corno)» — *, 

NiSo sei se haverá erro tipogiâlico: htjfarapara em iiuisAuail* 
signífíca 'tropear», como os cavalos fa7«m com as patas. Supri- 
mido o preficso do infinito, Kca parapara, e não, parapafu, 

parau, prau, )>arò 

Estiis forwas desi^iain embarcaçáo própria dos mares st sol 
da Ásia. Coufurtue Yule & Duruell ^ fuudiram-se, em qualquer 
das duas, dois vocábulos distintos, perteucente cada um a soa 
línj^a, enteiramente desaparentada-^. Vm dídes é malaio. pratt. 
ou pj'tto, ua escrita arábica Iruusl iterada paal*; o outro, malabar, 
paru, «bnrco». 

As escritas portu^^uesas anti^s destes vocábulos variaiUt 
sendo paroo a mais usual : ^ * algús paroos de pescadores» — K 
«K velejando por nossa derrota, chegamos a bua ilha pequena... 



* MuiNHOB, iti Portufialia. i, p. U86. 

' Caxpakha dosXamaskaeíi.iVi «o Seculi»,(le25dtiagoiitode 1897. 

* A GuvsBARV 01» AsOLO-IsDiAS wúBtjs, Londres, l$Bt>,sitò v. prow. 

* Femám Mcmldz Pinto. Fuaicoui.NAÇlo, cap. cxxviu u CXLv. 



'<|(u$e chamava Pullo Hiiilior, donde nos sahio hum paraooem 
ii|BP vintiAn seis hotnetis ha\*05> — '. 

Outras aliiMiav^ítís jiortugiiesíis encontrá-las há o leitor na obra 

I Yuie & Burntdl, citadií. 

As escritas jmraoo e jtaroo indicam as pronÚDcias jHtraô. 

tf»W a priuifirH ujio foi expediente jmra designar jmnhi-o em 

ivliidii fi primeiro o pani expressar o u assilábico. 

. lU) U. Sfri;i lido í*. paratti, o que se quis evitar. 

paiche 

f-dÊtta palavra. (\Ufí Itlateau quis derivar do fraucês churpie, 

anagrania, é. cunlnrme so dcmnustru iiu piihlica^^iio .Iahkks' 

pCb die FíiUTsoHiírrrB deb boiiaVischen Philolo- 

Uiim) purlbiriinu <péle pártioa*, on usada, fabricada 



iiardfjeiro, paiiíieiro, pardeiro, paredeíio 

A ultima desta** fornix^, nào roíiiuM-ida iio sul do reinn, *■ 

da a falsa aiuI<ijÍH com ptiretle, de qne se supôs ser derivado 

>; a tfireaira. panteiro. ú essa mesma com a supressão do 

jnito freqiiente na Sílaba pretónica, quando a presença do r 

fctorci'^ : cf- merecer, i>anrer, proferidos merctt, parcer. 

A primeira forma, parâpetro e a única a dever ser con.side- 

tforrvcta, e é talve'/ a mais geral: o sen étimo imediato, 

ormc J. Leite de Vasconcelos ^. é o latim bárbaro parete- 

^riom. I parirtlnae. • ruínas». 

• Oit casais r^iiengos. . . no século xiii eram todos Varac- 
rn-.idtjft pcU4 constrnoções nuicainejite destinadas a eit]iloraçdo 



Pcrná» U^nAn. Pinto. I'hhrouikaçIo, c»p. cxxvui e OXLT. 
^* LTl. I. j. 2!tl. 
I ■ ftBTIHTA l.rHITASA. VI. p. 70-71, f/. r. 



sso 



Apt^ttiliu ifíê ÍHrúntArioK i\trlwjHftcM 



agrícola, taiu pobres, desconfortáveis e exibas, qne se cliama 
partiteiros, palavra que substituiu ca^o [latino], quando esta « 
nobilitou: — <adhuc modo ibí sedei i^ridenaríus ubi fuit ca 
sale» — '. 

pardeuã, pardês, pardtdbas 

São palavras intcrjectivas, e a prímoira expHra as oa 
duas: a segunda t* abreviação por so usar como enclítica; a tercíi 
ra, eufemismo para — nào jurar em viko o santo nome de Dpds— 
A primeira foi LMnprPíímla por Gi! Vicent*, no Auto dah Fadas 
— • Mas, pardeos, mui bem se guarda » — . A preposição coo 
junta íS per. cujo e surdo se mudou em «, ipialracnte m 
pfir iuHuéncia do r: et para p^lo antif^o t; popular jier 
por ad. 

pardo, pardal, jiurdau, piírdcla, pardoca, pardoa. panUd 

Ou Ostc adJRotívo proveubu, uu não. do latim puilídnl 
deu êle orijem a vários substautivos para denominar aves, dn 
quais parilnl é o protótipo. Km Caminha obama-se-lhy purtUlk 
parfitla na Ilha da Madeira é sinónimo de ragarra (PuffinU 
Kubli. Boje) -; jHtrUfut, em Rerra-d*AKua (Madeira) ^ eqtt 
vale a pardal, e em Porto-Mouiz (Madeira) i^ a Sturna CIB 
tiaca de Gmelin ^. Pardoca é no reiuo a fcmea do ivirdA 
a qual se cbanja pnnlon. cm Pôrto-da-Cruz (Madeira) ^. o *ia 
supõe um masculino pardào: cf. pavoa \ pattio. 

Ma^ pnrdutí tem outroá sigaifícados, que se tifto compiii< 
cem i^va. pardo. J. Leite de Vasconcelos dá este nome ao <ai^ 
chado pre-hislílrico • . Pardau era tacnbém o nome de \ss& 
moeda du ouro da tiidia Portu<;uesa, e neste caso, eoníop 



1 Alberto 8«uipaio. As iVillas* do Noktis i>b roRTvoAi., M 
tagaliii, I, p. 770. 

«14 5 EracBto Sehinitx, Pib VOcbl MAontKAfl. 



ínití k BuiTiell ', deve de ser cormtela, ou portii^e.a ou já vei'-. 
ru [inliu. (lo sánscrito PAiiTãp, 'esplendor >. O valor 
...-iitre .'JUl ff MK) ruis. 

Xa Uba da Madeira iisa-se tinin locução adverbial, formada 

cMd n adjectivo pardo, substuntivudo, em qite persiste a con- 

> «/ j n Iti, por fto í fi o: ti «/ iHiffh, • iw escurecer >. 

ii>o da giiardu líscat, madi^rirnse, ;i (jiieiii u uiivi e estra- 

Úei. M|iÍicou-a do seguinte modo: — entre o diu e a noute — . 



páreas, )>itrias 

y- lU duvidosa orijem e forma-.Vio èáte vocábulo, que. desde 
illus^-aii. IimIos oa leoíiró^TufoH vão detiuítido — <tnlMitit <|ue piiga 
tn ririn>i|itt u outro, em ratilo do reconhecimento e obedion- 
àk* ~. O mesmo douto tilòlogo dú-!he couio t'tinio o latim pa- 
i"^. •obedec<?r>, aiuda o mais aceitável, se bem que a forma- 
Çio fique eni^rmãlica: — isem faxer as /.umhaias [q. r.J, que são 
a iHireM que s« pagam a estes ruis» - -. 

o vocábulo ó tamttt^m caslvlhario, com a forma ftntitut: 
— •iionibrarsti uu alcaide çn» dt*recbo ã Ilevar alzado el peudón 
ttiKODês V satiafacer ai moro de parias seis mil doblas anua- 



pariâ, piitia 

o Xftvi» IhriinwuKt incluiu este vocábulo, que para n<^s 

pmrno do fr<iarès fiana (parui}. com a aceutuav^o mudada a 

'í, e dia; — «homem da tiHima casta dos índios, dizem 



' A OUMWART OP Axolo-Indiam words, liOndreti, 1>ÍH6, Sople- 

■vf Frmdxco i.Vrdiíu, Hatalkah da ConFANUiA db Jk- 

,-. .. >.;iivn(S Solor, Eai'AKi»i.Kií kn Ái^rica. ht • lE.-viii' His|iAn''- 
■».xa. fi. S4t. 



todos os dicciou[áríos]. É í^nro. Pária é mdivídno de qualqq 
casta indiana, ainda da mais nobre, mas expulso delia por 
vícios ou crimes, díyprfzado por tòána an castas e sá receh 
pídos ostrun^eiroíi. qno Ibe aprovtMtaiu o traballio. il)o tan 
parayers, homem expulso da sua classeW — . 

À. parte a (^tíuiolojia, ou ant-es a sua interpictaçiio, e snf 
mindo a declura^rio peremptória de a prímeiru detíniçilo 
erro, a explit^ii^-ito po<U-riu accitiir-se, pois t^spiesaa ost^ntidoí 
i|Uí' a paluvra foÍ em jferal a|iroveitada na Kuropa, como florj 
retórica. 

Defiui\'iIo ri«rornsa do termo, «a acppçAo em que éle é toma 
tiii índia e na Kuropa, pelos índiaiiiíítas mais com[H'tfDt«s, nilo ó: 
e o autor, reconsiderando, revogou no Suplemento a senleDva 
proferida, ficando prevalecente, portanto, a definiçílo qne ren 
lUara como i'rro. Andou de mais. a meu ver. Seja qual fi!i^ 
ai-epvâo em que ura vocábulo é tomado, na língua a que perteil 
por aíjueles que a falam veriiácu Iam ente ou bem a «ibem, tra 
ferido que seja a outra, e bavendo uesta adquirido outro 
outros sí^iitlcados, silo estes, dentro dela, os lejitimos. Na 
dade. rjque importa o valor que tem em tamil o vocábulo, se 
frnnci^a, e, i>or intí-rniódio dèstt» idioma, em |n>i-tuffufs, ninpuí 
lho atribui? Kutendo, pnis, que a sigiiiliL-ação 'expulso da va^Ãm* 
em português, como itui francos, deve manter-se nos dicionãi 
destas liuíjuas, visto qne a« mais das cilavões que abonar 
ermo, para uào serem contraproducentes, o hào de conter 

signilicado. feíto isto. conforme as dimensões e a oatnr 
dos lêcsicos. acrescenta-se a crítica, para elucidar o cootnill 
acõrca do verdadeiro valor da pubivra, e do seu abusivo emprS 

Guteudo conventeiito trasladar aqui. Iraduzindo-o em par 
artigo lio Glossário de termos auglo-íudios, de Yule & liurnell 
que a ísic termo se refere, e elucida plenamente a questiio. 

•Pariah, Parriar. Nome de uma casta inferior de índios] 
sul da [ndia, a (|ual constitui uma das castas maia numero 



> A Glomart or Amolo^Isui^k «OHOfti Lootlres, lif^Ht. 



Aptxftitas noH Diriwntrios IWfu;funm 



•iíia 



tf uAa a mais outuerotia em terras de táraules. A palavra, ua 

iiu fornia nrtnul. qiipie prrtpriamente di7.er • tambor >, O parai 

«• uni bombo, ^iip si> tatijc em certas fimvoe.-J. e os tanjednres 

híffililarioí (limoininunisc parmjar, no áiiijnilar /taiai/an. Xa 

Miáe Ao Madrttitit foriiia esta casta um quinto da poptiIaçAo 

' • «ieíu pruFeem. ainda mal. os mais iU fárniilns iiiie fistâo 

u;o doa mirnpeiis naíiuela^ partes da ludia. Tanto, qiiauto 

M áf tiutras ciMta$ ioreriores em categoria, teem hábitos sórdidos^ 

l>j imrue píitrida e outros repii^iantes alimentos, e sA« 

>^^.i.' dados às hebjdarí. 

íVuio são êlcá oá <|ue mais entram no convívio dos europeus, 
r fn Uno ^^i«^ inellior os et^tudain, o nome Pariah veio a ner 
iiidentdo aydit^avel a toda a part«^ da ]jO|ii)Iar-ão p4>rtenc4^ute íks 
inífriures. e ut^ a denotar os indivíduos espúrios, que a 
MvhQoia rasta estão adstritos; o que ê abuso evidente de exprcs- 
A». vistrt liavtii* difrriintes castas consideradas inforioríts a eles 
turra* de íámiiles, por exemplo, a d"s yapateiros. e a intima 
Ijiudifiros, na Índia portuguesa mainafos. [q. o.J. O Fartnh 
«.^L<i ca«t4H inferiores à sua com o mesmo det^lém que 
iwílífl da< quíí lhe sio superiores. 

•Os Put iíth.i, di/, o Htí*pi> Caldwell, sâo casta anti^. per- 

[ficaiaeute drfinida, diferente das outrofi, e que tem as suas 

•s 08 seus usos pecnliarea. as suas tradií^òes, e « seu 

l.i cnutamiuação das outras cantas, quer inferiores, quer 

à futa. Constituem talveií a casta mais numerosa que 

«tmtf eu t«rniâ de lÂmules. Na cidade de Madrasta orçam 

: " r cento da iiopula^íto índia» . . . «I-Iste escolar, na sua 

dntvidic»'. declara que os paríahs silo provável- 

itf drávidai. mas reconhece que podem descender de outra 

aut^rior, que pelos drávidas fosse avassalada nas terras que 

lUmí! que a acentuação portu^iesa que os dicionários inar- 



• X UOMrAHATlTB (JRAJIUAH OK TH» DUAVIULAN OH SOUTU L\01AN 
I V4WI.T Or LAMOVAOBII. lUlÕ. 



231 



ApoHtita* noH DitUmáriot Portugufsn 



caiii é arbitrária, e oa realidade aâsim parece. {) termo reio] 
França onde se acontiia pariá. Oa iníileses, efectivaraente, 
em dia acentiiaiu jxiriah; mas as escritas pariar, parti 
ÍDdicam uma de duii3 promiDciações diferentes de.sta, e entre j 
paráia, rimando com Jriar, (cf. a íorma tamil parayar). e 
rin. rimauilo com afar. 

Manuel de Melo, uas nuas eruditas e mteres.s;mt.ís8iii 
Notas LEXin()t,o(ncAs ' referiíi-se circunstanciiidaraenle 
doi.s termos portugueses, o anti^^y poieá, e o tuodi*rim /«i 
cuja nceutuiiyiío na úllinia sílaba advoga com a autoridade 
Alpxandre Herculano: — <um pariá da Ruropa passou na 
u iiiin<.M soube i|naes as dura.s condições de eii.stuuciu que iij 
ciedade impõe aos da sua casta» — *. 

Toda a nota é merecedora da inaU atenta leitura, e aa i 
çôes miuuciosiíiSíimas e apropriadas, com que a enriqueceu, 
nientam-ihe a valia, já de si considerável. Todavijt, ciiifl 
advertir que há na sua ar^^umenUiçáo um erro de TactA, e A i 
o moderno pnriú seja o antigo poíeú (q. c). Não ^ assim: | 
teucem a líuguas difereutes. conquanto du luesiua família dt 
dica; .sflo vocábulos enteiramente distintos, que procedera de i 
cais cuja siguiticayAo é totalmente disseniBlbanie. como 
vêr-se comparando este artigo com aquele em que mo 
a \*ò\eà 

(jiiunio W acentuii^>âc jHtria, sem dúvida erróneat temo 
agora de a aceitar, po!n menos como liberdade poctica, pois ; 
acentuaram nos seus metros nada menos de cinco poetas ma 
DOO. que cila e cujos nome.s, cora sobeja raziio. todos acttlj 
como de mestres: António Feliciano de Castilho. Jo3o de 
Pinheiro Clmeas, Teófilo Braga, Papauva, acompanhados 
versfȋ deles; fora outros que nomeou som apoutar documeii 
daquela acentuav^o, a qual foi a que usaram igualmeut«, 
tAudo os exemplos dadoi, e nâo obstanta U aceutuavão cor 



1 Kiu de Jatitdro 188U, p. S5-44. 

* iLLfSTHAgXO, t, p. \Ò7. 



AjioHtilitf anx rUrionãrioH 1'nrtinjuriirn 



2»õ 



áf Alt^xandre Herf^ulano, antes citada, e que provavelmente ijfno- 
nniu. 

— * Todos aqui sáo páreas» — [em Moroto, aldma da parte 
4^ Oale. a sois léguas de Onlumho, cidade da Ilha de Ceilão] '. 

E 1'Iaro que a erra<la acptiluaçílo, i|ue se vf^ no trecho citado, 
^Ittfeada em simples conjerttira. 

-Vo í»idonário da Academia e.spauli'">lu (lH9t>) lêmoa a siugu- 
I;ind;iiie se^iinte. a respeito do vocábulo pariá: — «Del sanscr, 
WR. partiyulkt (!!!), soraetido á la voluutad de oiro» — . 

Isto é ura despropósito evidente. Nem os caracteres devaiiá- 
pico^ ali impressos correspondfm íl traasiiteração que se tíz 
ièles. ]>ois seria Nasaa^axa, lida :\ portuguesa nhaxabluxla, uera 
a traoscrivâo jtaiáyalla é vocábulo sauscrítico. (> meu amigo 
Visi'oiiceIo3 Abreu decifrou o emmaraDhiido euigma. Oa caracte- 
f« 'Içvwiátffioos estão todos errados, o a suposta trauscrição 
tinham o cstií na última sílaba. O vocábulo é paitàiaTT\ (e uào, 
i^a&vaLLA). e quere dizer < suimrdtnado a outrem», na reali- 
"iaiie. de nana, - outrem-, e Aíarra, purtii>í].io passado passivo 
í« raiz íaTT, < ligar > -f- ã. *para com". 

NAo tem fundamento, porém, a imajinária etimolnjta. mesmo 
"íepois de acertJiiÍ*»s os voriíluilos. 

Vt^ja-sc o vocábulo poleá. 



parae 

Como termo dti jiria, «dinheiro*. K o calo pamé, com a 
mesma significação, e cujo acento retrocedeu, como em outros 
vocábulos da mesma orijera: clise^, ffajo (q. v.). etc. O substan- 
tivo /wíwt*' deriva-se de jiarnô (pi. jnityiés), que tanto no cigano 
d« Kspanha, ou cal6, como uo da Homénia, ou romani ', quere 



1 cHiitlúrí» tráj{i:i> nuiríliiuu». in Otub. db CLASsiooa PORTuauB- 
■ V. wu romano. 



tliwr «branco»; sendo provável que i> nome fosse primeiro da4 
&ú liinbeiro em prata, assim como as ]}et;'ãs de ouro ei-aiii aà 
linguajem familiar chamadas /««ívisem Portugal. Km castelhnno. 
conquanto liouve.'ise em tampos uma moeda denominada hhtm 
é provAvel que a expressfio no tvfwt- uno bhiwa. « esUr al^f 
seiu vintém*, seja dfvida a que às moedas de prata se dav^ 
nome genérico de hlutwas. 

paródia 

Ksta palavra adquiriíi moderniimente, entre gente de 
condição, nma acep^i^o muito desviada de todas as que o vo 
bulo, de orijem (;re^. obtivera na liu^^uajem citlto. Kstta ace( 
«dauvu de entrudo*, já ti^nira em rejisto oticial. e deve portii 
ser incluída nos dicionários, com rita^Ao que a ahnne. Ad 
está uma: — ' Nas ruas e logares públicos sâo pn^liibidos os tr 
e niuicuras offeuiáivas da reli.iíiào. da moral c dos bons cn 
mes, bem como as dansns, musicas, parodias e grupos carufll 
Icscus. cujos directores não b^um obtido do governo civil pré 
licença • — '. 

À part« o solecismo, a citação é aproveitável. 

parola 

Ksta diçiio portuguesa è de orijoin estraujeira certiísií 
monte, vitsti que do latira parábola | grego pababolé, 
taram as formas vernáculas paráftora. parâiHKt. ant. e {*aJat 
mais moderna, e ua segimda das (piais desapareceu o / iutervo 
lico P o 6 meílial se abrandou em v; elidindo-se na terceira 
breve átouo da penúltima sílaba, o grupo 61 mudou-ee em 
o r da Hegunda sílaba oonvertousc em h por disstmilaçflo dd 
do gi'up0 rr. 



' DiAhio DO GovKRXO, de 5 de fovproiro do líK». 



AjtOíitilat fW» DifSftfiárimt Portwjneiteê 



237 



sígoifíeudo de pttrola também é muito diferente do d» pa- 
ra. [íAia quvTe dizer -palavras v;^s. palavreado». 

Km itíiiiitiio jxooh sigiiilicu, s-cid sombras dt* motejo, «pala- 
rrs ' B em tmicOf; jtarole quere dizer *fala>. Oa do italiano 
ílirecta mente veio pois o termo ftttroht, oii iiiaift provavelmente 
'■ '''iiicvs. pois em dialecto picardo paroler é * tagarelar*, íí no 
aido 'talar do pa]>o« *, como dizemos. 

Kxwtindo paroUtr, é prosumívpl que parola seja om portu- 

1 substantivo verbal. V. fala. 



parra: porreira, jiarreií-ão 

E desconhecido o lítirao deste vocábulo, que fiifínitíca em 
Qgníí* « fídba de vide*. Como conjectura, a|íenas, admite 
. Kwrtin^ ^ que seja o mesmo que o latim )iarra. «certa ave 
tnjii piar era de maa agouro», como em Pnrtu^^al se diz que o é 
• io mocho. Crê-so que também significasse o *picauço«, e é 
BMa faipiíti*»e que o douto aleiuão funda o seu raciocínio con- 
fieturat, que, traduzido, e em resumo o sííguiute: — -o picanço 
fva *ubir às árvores ujuda-se com o bico, e as vides, para tro- 
fvvm pelas uveiraSt parreii'a6. ou latadas, teem os gavinbos 
ite se afermm a esse ampam — . Xflo di>;o que sim» uem 
. ■ .jit: li falta de melhor, poderá servir provisóriantente a quem 
**• ' 'Uií-iita citiu pouco. 

Em castelhano parra é a * vide •, e não a < fAlha •. e parreira 
A rmulo. 

ra f/r carne ^ o nome que uo Alentejo se dá iiá -eu- 
Afldas de chouriços pendentes do teto». [V. em fumeiro). 

Pitrrt'irào *» uma * mesa côncava era plano inclinado, a qual 
trnnma cm goleira uo tdpo inferior» ^. Confronte-se ooui êate 
«uoieatdtiio o deminutÍTO castelhano ;»nm//a{«. «grelhas». 



> ROSIAXU, IV, \u 4tJU. 

■ LATiBixtiii'U-itO)fA!(ifu:HEM WARTBRTiircu, pA'U>rboru. 1690, a.° 
* J. d» VoU Prego, JN Jornal do Com h nacio, de 1 1 de «ipgto de 1 90á. 



sias 



ApçtUiwt ao» Dicianãrioê I^rtuguctfH 



parro, parracho 

Em Bra^íança dá-se este nome a uni » pato grande < : cf. j 

tíwho. colijido no Suplemeato ao Novo DincioNÂRici, com a 

nifi(;açào de «rasteiro, quu tem pouca altura*, h uui adjectivo 
derivado de parro, com o suficso -aeho \ -ascfujlum. 



parvo, púrviio, párvua, parvuice 



A fornia aiitíi^a, pelo menos a escrita, é párvoo, | paniúlrii 
o que ainda se conhece pelo sulistantivo derivado parvuict.\ e qi 
ria dizer «pequeno», como vemos em Blutuiiu, uo Vocabcxaí 
POBTuouKz K L.iTiNo; a acepção de < néscio > i deduçiko 
rior. ampliaviío de sentido, como a de pobres de e-^jnrito. 

Nas povoações rurais da Estremadura, e uaiuralmeute 
outros pontos do reino, párvtni é uma < parca refeição 
iiua » , o primeiro almoço, petit ãéjeiXner francas, âesayuno 
pau boi. 

Parece que antigamente em Portu;^, il semelhança do 
acontece nas povoações pequenaí? da Kússia Europeia, em 
dtí geut« atiHStudii, havia cinco refciçries diiirias: fHtmut, almS? 
jantar, merencta e cfia: respectivamente: ao erguer da cama, 
pela^ oito horas da manhã, pelas duas da tarde, ao entardecer, 
e à noute. antes da deito: e também como hoje un Rússia, peti»- 
cava-se nos intervalos. Felizes tempos e bons estóinagfw! 

Isto de tomar cJui, e lanche sâo cousas mais recentes, 
tumes esirauj eira dos que vieram ao depois, há uns cinql 
anos 3 esta parte, e as horas de tais comidas e bebidas 
variado muito. 



pascigo 



Conforoae Júlio Cornu, deriva-se de pascui lócum, 
de pasto >; \ paseilogo \ pasiH<joio, com metátese daa 
últimas fíilabas, e deste poêoigoo \ poactifo. 



ApoKtíioM tton Dirionáriftã Portuffttriiai 



3;S9 



CC iMura R metátese a coruteta diútjolo, por diálogo, muito 
ial|pir entre geiítf seini-ciilU. mas que está longe de conside- 
nr-w poro. 

passadiço, passerelle 

Ko jorual de Lisboa O Século disse ao seu proprietário ura 
pUBaJeiro do» caminhos de ferro o seguinte: 

— «No camiiibo de ferro do Minbo e Diuro liá também car- 
T«apí'ns que servem a detenninados comboios que são uiimidas 
il'- roíjjpvteute^ i^iguaeií de alariue, e que coiuinunicauí todas 
wtre si por meio de panscrelleif: on como se deva cbamar a este 
Bfin de i'oniuiuiiiiu^':ío de uma carruaireui com outra ' — ■. 

O dilu píissajêiro duvidou, e coui a ra/ào, da propriedade do 
l»nDt> franc«ã. aplicado a um acessi^rio de carrtiajenã em Portu- 
pt. Mas o modo melbor de denominar a tal comunicavio existe 
tm iiiirtufçuêâ, e toda a isente o conhece, ate por ser o nome de 
BBM rua dr Lisboa, nu fre^ue^ia de S. Jo^e: é pa^íKultço, pala- 
Tn uidito autíga, que Uluteau detine da seguinte maneira:— «Ks- 
! I dor por onde se pasna de hOas casas a outra«» — ; 

itA.VKo assim: — -corredor de communicHção; pas- 

&>f Ánt p;is>aJeÍro ainda nilo serve este vocábulo, tem outro, 

*t«rit«du tjunbúm de passar, de que pode sorvir-se: o pascia' 

lííiívi, qiufl o meitmo Contem i*oua»eo explica dêdte modo: — 

'i^lii um doã de^Tauã... sobre um ielbado. . . para se poder 

oi-Ur p»ir eJle • — . No Novo Dioo. remos, por*?ra, outra acepçilo 

do dito vociíbnlo, também muito coniiecidii: —« larga tira, ou 

[«tfpede (ie t«ía, que ae estende nos pavimentos e escadas, pára 

1*8 passar» — . 

. -..^uto. «m vet de um nome tem dois pura o tal corredor 

los pi>Ql«, f- «e r^ntÃnuar a usar da palavra francesa é porque faz 

ivito gAvto em entrar nos coros dos que, sabeudo dezassete pa- 

U«TaK «iMua UnuMia, mal pronunciadas, e que seriam incapazes 

i» untioar ouma fnite francesa que se entendesse, mio esperdi- 

tfui A oeuiflo de fazer vista com elas, a ti^jir que teem tantas 



ideas, que nem já a lingua que a mâe lhes ensinou rheg 
expressá-las, se uao polvilharem, cora tal granjoia, o st^u ' 
estilo de pútaratuH. 

Outro vocH-ibtilo tam ridículo' ou mais que este, em 
guês, é um estrambótico v tèrrasac (!), cora muitos rr m 
tal qual o burrié — rrié, com que substituem Urrttço, ou A 
que Á^a muit-o mais portuguetiea que aquele é rrancés. 
para lã Ihps foi provávelineute da IV^uiusula ou da Italil^ 
bem, era vez de alarme, melhor seria »viw ou rebatt» 

passado 

Hoje em dia dizemos o ano pwMtlo. o ni/*ji pans 
semmm passada, pelos imediatamente anteriores àqueles ■ 
estamos. Atitiy;atnentp, porém, uão erd tam restrito o eràj 
deste parlicipio adjuotivado, como vemos, por exemplo, ei 
de Pina: — «E neste ano [muito anterior àquele em que' 
uista escrevia] e assi do passado determinou Kl-Rei de 
África»—'. 

passajar 
Dar pa^tAajenrt, pontos em roupa, para a consertar. 



passal 

E conhecido este vocãlmlo, que o Duciottahio Co» 
SAXBo define assim :—< porção de terra cultivada ounexj 
■tidencia do paroebo ou prelado e que faz parte dos seus^| 
mentos. (Antigamente era um terreno de 30 passos)* — . 
é antiquíssimo nu lín^L^ia, como o prova este trecho: — < 
fines temphtres e sepnlierarii dos velhos templos, os ^ 



* Crómiua dr El-rbi Dom Apokho t. ca\*. uLxn. 



AitMiilfúi aoa JJirimtárittí T^ringiwften 



2A\ 



MÍf' vfto-^« estendendo aob a dt<noniíniiçilo passal. uIl^ abrunge- 
tean oiaitaH vexes parte cousideruvi-l da \'\\\a [fazeada]* — '. 



ptiâsant^ 

il>io activo substantivado, t[iie é jtraticiKino uo seu- 

^ jmsmnl, «quem pi»?!sa, irauíeimU'*, vemo-lo 

«mpreiíado em |:M>rtuiíii('S uuiua signiticação especial, talvez ilosta 

l.i, como ae \è ao seguinte trecho: — «e os lioteiu... 

,..;,... por acaso lhos 8obre\enlia jrraude uuinero de pessoas de 

fora. a i^iic elleíi dào o uoiue do pusaantes » ^*, 



passarão 

Ave grande: — • lutorDiam-uos de Mogadouro, que auda ulli 
m {KLMtarão com mu cbocalhu* — ^. 

jMiateurisar. pa^teurisaçilo, pastorizar, pastorização 



Taatíi jMUileurizar. como jKtJtteurUaçào provieram do fraucèa 

'euri^er, ^MiMeurination. e silo neolojismos indispensáveis: — 

tcm-M a esteriliziivíio (do mosto] p<ir diversos meios, como 

i» frio, i> calor. .. inaí; o« meios ni;ii-s práticos sàn a sulju- 

ftçtíú « o aqueclinenio oii iiasteurizaçàf/ em apparellios espe- 

_»mo se bá de. por*ím. pronunciar a 2." silalm, lanto do 
«trbo como do suttstHiittvo dele derivado? 

íà francpíía lui^ftÔrUar, paatÚHzaçwi, ou ii f»ortuj|fuesa. 
gmsietiriíar, ptijtteurisaç/to'!^ Se se adopta a primeira proiiuncuiviio 



' A.[bvrtn SaidimÍ». As * Vn.LAfi> DO North uk Pobtuoal, m í'..r- 
tvgalU.i. p. 5tfJ. 

t O biK. ilu 'i tl>! <k^*?nibr» iW l(l04. 

' AcTTAi.tuAua, in «O Rconomútn», át 19 de junho d« 18ã3. 

* Gasota Das Aldibias, d« S de det«mbro de IfNJS. 



242 



ApontUaa aú* Didonárioti JhrtuffucMs 



como a lejitima. os vocábulos aportuguesados toruar-se húo n 
posiveis lie proferir para todos os portugueses que nào pi'ouu 
ciem muito bem francês, pois o 3001 do eu fniucôd aberto e loa 
é (los mais difíceis do imitar pani todos os indivíduos i-iij cujtj 
línguas ide uào fxista, como uL-(»tit4íce em portugut'S. A ad(t|»tar-i 
o seguudo alvitre, os vocábulos ficarão deformados, não ua e^crit 
ma4 na pronúncia. Parece-me, portanto, que o melbor seria ap 
tugULisá-los ih: lodo cm pa-ihrizar, fia^ttfrUarão, visto i)nfi| 
nome do grande módico francês Pasteur corresponde forn 
mente uo vocábulo português pastor. 

E as3im os mais derivados deste nome. 

pata 

Este vocábulo, qiio sl^uitica pê de animal, sobretudo de q^ 
drtipede. pois nào dixemos c^mo os franceses \tailea tlr tnourí 
]túY exem|do, nem pntas de avett, mas sim péa. é de orijem 
mánica, uàn porém do alto ulemQo ou tudesco, em que ae 
pjiife, mas ^im de qualquer das línguas do ramo denonaini 
baixo-alenião. 

Num seutido uinito especial foi empregada a expressão 
íle elefante no trecho seguinte: 

— «A» melenas e as cal^*a!í de 'pata de elepbímte- des 
pareceram > — '. Sào sei se é neolojismo iodividiml: poputac 
gorai creio que esta expressão uílo é, pois o uome que m 
í»sse tãlbo de calcas, e muito apropriado por sinal, é o ile calrA 
-dc-im-a-fie-sino, por iilarj|;arcm uas extremidades, junw aos pi 
e por outra parte o elefante não é animal tam visto «m Poc 
guK que o seu nome siihminislre compíimvws fimdadas na tiç 
ou partíctilíiridíules das formas dele: — -calças de gauga azul | 
de gan}ra amarella, com bocca de sino» — *. 



' o Sbcitlo, ^v \h (Iv feverctru du 189B. 

* Pint» lie CATviilho, A iitsruKiA do kai>o. Líttboa, lífOS, p. 38. 
crtfvciii-»L< aí a príiaur cis tnyjoa, tipo, luoa o coftanira do fwíista. 



Ajuixtitiui am /Hnonúrins furtitifurjtfii 



343 



]Hil»ca, patuco 

Pa/ara c o Douif* áv iiiuíi moeda aiiiericâua. de prula. de va- 

I lor tftríáffl dt um pum outro Kstado. U Donie, porém, foi de 

Espiíilia para lá. l' uo coiitiiietite desiirnava certa lu^eda. que 

tiii}ia 1)0 i'ui)hn Atílio colunai», pelu (iiit* :>e di/ ijiie n» mouros Ibf) 

rtunuram abu-taqk ou bataqk, >o da jau«Ia>. NAo oferece a 

muimii p rol tal >i lidado o f^timo: cssíis paluvras urábicas são ape- 

íUk mtí^rpretavúo com que oâ iiidivídaos, cuja língua veruúoula 

• ãralie. procuraram explicar o nomo. f. Por(|uê, se a palavra 

line ait dua» arábicas, se Uie baviu do mudar em rastellmuo a 

F farinai para pi* Que os mouros, porque em árabe Dão há p. a 

3u-l.i'*M'íií para h ríimprecnilf-st' perltMljinjerile. e os exemplos 

mudatj;'a abundam: a permtita^-ao cootrária è poréui 

|ÍBíáiDÍ!U)vi!l. p{tU Uílo falta o h iio eastolhauo. 

t*ftfiirtí designava em Portu^ral nma miiedu de brouze, do 
-i- r lie 44.) ré\A, a qual deixou de ter curso bã uits viiitp e cinco 
I UidU anos. 

pataipirro 



,-l. L, - 1 



Ano de Sam -lorje (illia da Maileira) da-se este nome h 
PUI nuíros \mttft^ da mesma Uba se cbama iioviro fij. vj. 



patamar, pataraarim 



Alrm do Etít^nificado imual de patamar, «espado horizontal 
-ada laoço de e5i'âda. {lara o qual abrem ou portas de cada 
df ciisa«>, tem esta forma outros dois, ipie sâo provãvel- 
bU independent<t8 do étimo, ignorado, da primeira, e siio ter- 
ia, isto L\ da índia, amboii rejistiidos uo Novo Iho- 
. . iim, no sentido de <eaibarcavào» no cfirpo dele, o 
0. DO de «correio» uo Suplemento. Qualquer dôstos dois é, 
que w julga, um e n meamo vocábulo, em concaui, paT^uaa, 



244 



ApoHitú» aos Dicumâri/M lytrtuffuonê 



• correio». Todavia, há quem alirmti que no seutMo de *t 
ca\*í*o» é outra palavra, malabar paHnmar, propri amento «iM 
de guu.so>, por alusão às velas que nessa eintiarcayão se luiuii, 
ou usavam '. 

Também se afínua, que patamar im é palavra diversa, u M(K 
lesworth - diz aigniticar, «uoticieiro, alvissareiro» [tidintrs-l)^nj^ 
er], de parra, 'noticia». A forma marata i' paTKMâuí. Cf. o aiw 
lido du uma embarcaç.1o portu^ue.sa, alamáda, que liubam hi 
7Ado com o nonifi de Mexeriqueira. 



patém 

O Novo DiooionAkio, em qne se escreveu e at;entuouj 
t^mi, nilo sei porquO. diz ser este vocábulo o nome de un 
«árvore iodiaua, de tibras têxteis» — . Km c^ucaui c patê,^ 
Dalgado transcreve pãfem no seu Diccionário, e quero dizer 
tcira > ; mas tem ainda outros siguíricados. 

pátio, páteo 

Prefiro a primeira escrita, porque não vejo rnzfio puA i 
a segouda; em castelhano cscreve-se natio e pronuucift-se j 
o vocábulo, conforme D. Caroliiiu Micbuêlis do Vasconcelos, 
rivft-se do latim patidum ; patêre, «estar patente, franc 
aberto • . 

Pátio de biehoft era o nome que dautos se dava ao quei 
fmnceses cbamani nuínftfjerte. JVitio dr romàUtis era o teai 
— «autos e far^'as. . . depois se foram divui^audo peli>s rurr 
jtateos de comedias» — ^. 



* V. \'u\i & Hurii-n, A Glosbauv ok ãnqlo*1iídiax woaD(i,i 
âreê, MiH^, nth vnc. Pattamar, t; Sq^I. p. 842. 

• MAHnJl-rf PlOTtONAKV. 

■ Antiiiiio áe Oun\Wi, D MARqnBZ db PouDal. 



Ajutati/a* ao» Oirinnárío» PurttUfHMr» 



24A 



Cíorto é casMluiiio, fqiiivale a «pAtio»; corrat em KsiraDlia 
'1 'itin ohuuiiiiiios qitinUd, • pátio p6(|iicuo, tc*rreo e S(}m teto, 
m muros tfapias) em torno». 



paio 



r hr feita df>no[iium^'iÍu, niju orij^m é diividosa. Dizem 

i;i3 ser ít ãraixi uat, <ail<Mii>. IViiíin iliivittas, que 

procedente, e sAo estas: riPonitiu se luiidon o 6 em p? 

lúlifaro pato diz-se liátfk ou ittiioh. qiio ^ uma forma derí- 

a qual pressupõe a exisUiicia anterior de pai; o e possível 

ic a escrita árabe bat. com h, jiroveiibu d» falta de p uesta 

ipiA I r. patacaj. Km persa tanibiMo se eliama bat, e é pro- 

ÍTr! qui? os ánibrs Irousse^sem du !'érsiji, Arinéiiia ou índia o 

Wklmiu. e (de perteo^'a ai> iesoiirn das liiif^uas iiricus, f uã» ao 

u ««tmítira». Km armi^uío também se llie cLama itat, ou haã, 

\ o dialecto, da Ktiropa, oii da Ásiu. 

L . -í. designa o indivíduo que liu-ilmeute se deisa lograr: — 

kCn pdto com sorte. Não se trata de qualquer endinheirado 

^H^ que conseguisse aKnal derreter. . . o ^elo d^um cora- 

pâtcda: patola 

O Novn DitxriuNÁHio dedarii querer dizer- < tecido de se- 
— ama das acepções desta forma, que è patola, e iiAo pa- 
Ua e nada U^ni romuium eom a de 0}ut\suf patôhi, a qual de- 
hia tpr nele insorifAo separada. K evaru a deliniçAo, porém 
nuiouta: faitou acrescentar que o termo e o tecido são da 
kdu: e j»or outi*:! part« é talvez, reãtríta t^ni demasia, \Í9to que 
Pat«ui nos diz aer <pano>« sem especificar a matéria de que 
feito; inax pelo seguinte trecho se vê que a jHifola podia 
r d« outra «ubstaucia, |>ois de outro modo IVkrn redundante o 



• O SiBCUU). (Ic 18 di> àfíohífj de 1^2. 



24U 



ÀjmaiUan aiM I hviunárwK l'nt-{ugur<tri 



epíteto (le veda: — *dez boineii^ euvoltos em muitoti cheiru 
enoui^hailos coui patolas de seda* — *. 

O escrilor reft*re-se ao reino do Brama, ou como hoje «edil 
Birmânia. Conforme Vuk' & Iturnell *, o vocábulo é maUbar «] 

canará, ;/íí(//r////. - crrto t<.H'i<l<i di* siMÍa». 



putulea 

Êsfce substantivo, que antes do meado do século fíndo dt 
non o partido ilemocrático em Portiijíal, bo-iii como i|iialí|uerl 
íteus partitiários. pariM-i' ser ulcuiihii dt^juTciatíva deãdenli 
m«!nte imposta })elo!í couservadores. e alusiva à pobrexa e i 
desses piirtidáiioí. Kíd tal hipótese seria o caki imtule, 
tiro*, o qual. ouvi>lo aos ciganos, fos.se aproveitado como torn 
desprezo, (jiie dcpoia He tornou glorioso. Cf. (fiietij:, e 
-eulotte, em francês. Kíh a(|ui uma aboua^^ão da [lalavra:- 
patuleia.^ foram mettidos na Torre de S. .lulião. a c;irgo do 
cereiros inj^lezes » — ^. 

Como disse, a expressfio deve ter jirocerlido de Kspanb 
detiniçíío qu»^ para ela dá o Diccionário d;l Academia ê: -(f 
soldadesca desordenada. '/ (fnm.). (jcnte desl^indada y 
leante> — *. Abona^íio muito apropriada é a seguinte:- 
recluta dur<> mas de cuatro meses: puede suponerse ijue clasei 
gente se alistaria eu unas tropas, cuyo destino era tan Ileno 
peli^^nttí, que iliau á tiorra de iulieles y eu estado penmuient^ i 
guerrH. Mils que tropiís dclrian ser verdaderas patuleas 



' Fcmám Mènik>z Pinto. pEttisOKiNAÇlo, cai*, olx. 

* A tít,0!WAttV or Anoi^j-Ikdmn vrunits, iHinflnti. 1-SStí. 
' KulliAu Fiilu. in O Sk4Utu>, «ie '2ti d: inurçu ilu 191)6. 

* Ma<Íri<I, IHWK 

* Aii>ln> GJinon«!Z S^^lor, Riii>.V!ÍouB8 en Akkica, *» >Ki^>vu<.- 
njqai'». xii. \>. 3il7. K!'f<^ri^-!to •* aQt*ir a ^eiit^ iilistaila rnt 0-at;ttiinha. | 
Hcrvir os &lt-ni(lc*« iiiniirub tui BKrb.irU. t-rii príncíjiiu» du MÍcalu XIT. T«(lii i 
artt)(o ^ du mnítltiidiim ÍuIvkkmc. 



Apontil^tJ* fton Dirionm^io» Bottuffucset 



247 



pau 

À copiosa t^oleevào tie vocábulos compostos com ti>8ie pri- 

Innro rivmento, o classiHcado, e com vários outros ela8si(ic;id(i- 

r*^. h\ sii1»ítiintivoâ aôs, «ii prcefilúlos iIr pr(»po8^'ào. jú mljecli- 

i'rf, cque fórum a«Ímifli'Íos «o N«>v(j IJuvniNÁttio, aLTeHcentarei 

I BUI m 9PguHite9. ficando, com c^rU^za, ainda muitas paru in- 

fviu lír eifjhnfe (Airica Portuguesa): — • páu dt? tdyfaule 
«iprfiíadrt eui tabaado» — '. 

>w» ãe eêcrever (Loureuço-Marques e Moçambique), «poste 
'Ir i.Í4'ir|-;,fo, ; — ^ pr(!ciso qup pntre as duas terras nâo demore 
• --lUiielticimt^iito (los paus de escrever e dos tios de guerra, 
|<imii> us pretos dizem — *. 

fi claro que a^sim dizem, quando falam ]>oriu^'uêâ, ou por- 
'nu» ^<^\m f>3 dí'nnmi«am nesta liujiiua. quando lhes 4 familiar, 
j ]- njDc para ida traduzem (.-xpressõfs dos pr<tprios dialectos 
|lteto4. i|ue tee-m e^tta $iuMiítica^'ilo. 

^M itftfn;fti. pnit mnctia, 'Seringueira». 
A «i^giinda e\pre.sKAn já ÍM\v cjibida nn dicionário indicado, 
r»produzo-d para ctitabeltioer a sinonímia. 
^H ttr ijraile (Kraffamya) ■ tomSo», para w puxar e ^ciar ^. 
iMâtnr um jutu, \\i\ Alentejo, é «romper rom o arado um 
fr^ dirrito de um a outro poulo, íiem a uiinima siunoNÍdade *. 



paul 
U rtimo imediato é padule, nietátea^ de palude ^ 



' O ^wxi4). lie [> ft< uiJECHti» d« lc)95. 
(' TtnjíilU. I, I». tííl3. 

• !<rA LriíiTANA, vif, p. 73. 



248 Apostilas aos Dicionários Portugueses 



paza 

Em Marromeu, Africa Oriental Portuguesa, dá-se este non 
íi «pá de cavar» ^ É provável que seja o plural j?íw, acomoda< 
à pronimcia cafrial. 

pazada 

Esta palavra, derivada de pá e que se profere pàzáãn, co 
servando o valor da vogal tónica do primitivo, por ser forma" 
com o suficso z, dos aumentativos, é comparável a mãosada, 
quere dizer «pancada com pá», e em geral «pancadaria* *. 



pe 

Tomarei nota aqui de mais uma locução em que entra a i 
lavra pé, numa acepção especial, a de certo «passo dado para 
zer cair o adversário' : — < maudou-llie a arma rasteira de eiic( 
tro ao ventre, sem llie dar o tempo de meter um pé» — ^. 

peaçã. peaçaba: v. piaçá 

peai, V. pedal 



peão 

Darei mais algumas acepções deste vocábulo, além das con: 
nadas em dicionários. 



1 .loUNAL DAS C(>LONlAB. (1<I 4 dt' julho df líMJ:!, 

' V. D. ('iirdlina Micliaí'lis do V.oscyncelos. iu Iíbvlsta Lusitana, 
« f) Sbl-itlo, de 10 do si-tembro de litOl). 



A um ponto que fica junto às luós dianiado pi3o... 

fifa [trena a Uilda • — '. 

-•Xas soleiras sâo bem visíveis as ranhuras que entra- 

nm ma oinpanadns, os orirtcios para os pe<>es ou gon7X)s>— *. 

Pew ijíilicisrao í»st*: <Íe ranhura por eiwaive, ou entalho. 
— <l>uro em filif^rana (fina e <li^ pipilo)* — ^ 
Aqui /ííviw parece querer di/er 'ordinário, de rústico*. 

pênr. pear 

O Xftvo DiccioNÁRio rejÍKtB a forma antiga j»ear, «pe- 
rtir« I poenare. K evidente que. se uflo exist« na linj^ua IQO- 
f ■- ' iitig <|e ttdmitir quy f^ssa fonfla antiga era pênr, v nflo 
M ti aiUual tr///* foi primtíini cear ] ironare. 
' < me^mo acontece com outrafí fnrma.< auti;^;^ que teem sido 
'\>i 'iiiwda" ?ewi o til *!il>re a \o^\. a que em lutim se seguia 
I > •)ui' foi omitido, ou porque já o estava nos manuscritos, ou 
. jiic inadvertidameute se transcreveram as palavraá sem êle. 
Xa reprodu^*ão de monumentos antigos seria conveuient-e que 
til, qut* representa o ?i latino, fosse representado por m ou n 
4atre parêntese, i|uau(|o As imprensas laJt^m e, i, u com aquele 
«ul orto^n-ilfico iudis]»ensável; de outro modo a reproducçÂo 
JiS-í.-* tvxtos tii-a falseada como documento da Un^a, e por 
• :\\*' fiM -^entiiio íiutí em tais moaumcutos se quis ex])re.sKnr. 

[►era 

Peru {{(L-t qtwijcat: é uma peça pertencente uo tear caseiro, 
, ni distrito de Viana do Castelo ^ 



• « P«rtagiilfn,i, p. 387e8í^. 

> Pboobaiia para a i»pi»(u;Io db nnsivKSARtA noPõrto, cm 
189:1. 

' V PitrtQgAlia, I. p. 371, <màv rviii uiim iiDriitfiit-littani oumplcu 
rmf^riix « griToru, oam [mlíai^;ilo ilo sitio ijul- ucupa cii*li\ ]h.'Çi(, ■• f\w Mitui 
- «. repro^ozir. 



pechiuctia: iHcliincho, |»ioliini'ha 

Mm San] Miguei dos A\*i'res i^su* adjectivo biforme (jiic 
dizer < pequeuo • . e dele presumível meu te se derivou o sul)sUm- 
tiro pechincha, «lucro pequeno e inopinado*, e deste o vec 
pechinchar, e outro substantivo. pechinrhfirQ. 

O étimo è desconhecido, a não ser que se suponba ter 
adiectivo relação com a palavra pequetw, que em vários pon 
do reiDO se pronuncia ^nqueno, forma preferida por Almel 
Gairett. e nos Av<)res com uma artíenlaçito duâ inicíaert da 
e 3." sílabas, mais fàril de imitar que de descrever, uiaã 
para ouvido iuexperto faz que o vocábulo HOe quasi como 
chnxho. 

Kssa articulação palatina i' igual íi que o t ali adquire dep 
de 7. como em pintor, e fnrma-se em dois pontos do palato dui 
com a lin^iia distendida bomoutatmeute. de modo que conij 
parte posterior twa uo limite [Kist^írior do jtalato duro, e cor 
pãjiua íiuperior. jntit^ à tK>nta, uo limite anterior do mesmo 
lato. aem a minima iutervuução. porém* de i. o que acontece c4 
as consoantes paliUalizadas diis Un^uas esclavóuícas. Xa Kf.vi!?! 
IjUsitana já me referi a esta luirticulariísima articulaçào, 
tratar da funétiea de Ponta-Del^da '. Cunforme a doscriç 
feita por Max Mfiller. exi?íte era certos dialectos poliutigios ar 
culaçào igual, e v um som intermédio rntri' /■ e /. «-(ittin a s4 
tbnuaçiio imlica *. 

A ser funda;neutada a hipótese, o eh de pechincha teria s\i 
uo coutineuie. remMu. imitação imperfeita dessa articuliiçiio 
pronúncia açoriana do vticáhulo pequeno, como pitcJWnko. 
cousa muito parecida. 

O pr()prio étimo de peqtteno esta aíoda muito problemátíc 



I 1 1. p. 23tí. 

* NoiTVKLhttS LKÇONB »L'B LA Sci£Xoa DU lamoaob, Pam. \i 
p. 211-313. 

■ r. KaviaTA LusiTASA, 1. 1, p. 22((. 



peçonlitt 

U. '. ari)li(ia Miclmõlis <ie V;i8POiieeIo8 explica este vocábulo 
por jiitltit*DOÍa «ie 'rrijonhd. menronha (mentira), exercida do 
Ifma p^õ ] lat putionem, 'bebida», de que proveio o francês 
;'"f"^'/i. Mns. neste caso. ^;coino se bà de explicar o h do caste- 
l!i.i( ■ fiotuifiia/ Cumpre íiilvertir ijue nu língua arcaica peçonha 
ii.<: la dizer • bebida venenosa », < veneno >, como o francês poisou, 
t Bào 'Veneno de animal vivo*, como actualmente. Km francês 
f1*ii-f j iiif.vina anipliuvilo c desvio de sentido oom u palavra 
— «Ill ; MiHiiiiui: — «estive tentado para me matar com \t^ 

pi^a), pedalar; pt^at 

táU í'n.!iiniln »• «ra adjectivo latino jiedale i pes. jiedia, 
i|Qf se 4iib!>Uutívou. Alèrn de significar uma peça d» piauu, do 
if)rJo nu da mai|uina de costura, como já rejista o Ni*tvo Dic- 
"VMthf. desíí;ua t<imbem peçu, oti p^^ças especiais da bicicleta* 
»l"* lean^s, e outros mai|UÍQÍsraos, cujo funciouameuto ê determi- 
tíâit' pila aplica^-âo ou iniiviment4> de pé. O verbo pcdaíar. dele 
donvado, é nvoíojistuo recentíssimo e indispeusável, que expresa 
•4ír esse movimento. o« fazer essa aplicíição». 

*J povíi \xiit\ diz ptiial ! ywfi» \ pinliuni, mas sim piai, por 
: [do. o jt/'ftl-íÍtt-jHfte, lato é, a 'peanba de podra em que nas 
•■' fili- :Lsseuta o pot« da água»; Nuo me parece que enj peai 
'_"> :iuinud» piai, cf. ktir:^:^iinr) houvesse condensaçà« do di- 
'' '„- ' áiouo do vociUmIo /xj/fj/: antes julgo ser uma fornia ero- 
i j'ii j. alíitropo, forma couverjeutc, a par da artiticial pedal \ pe- 
^utr { pes. pedis. 



Fvrnám Mt4t<lex Tintu, FioKKaiciXAÇÃi), M)>. vi 



252 



ApuBÍitaM no* I^ioHÚrion Partuyufinv 



É um noiDP de ajenU^ du verho pcrUr. dt-rivado, confnrme 
08 U808 da liniíiia, do seu piírtir.ipio passivo pedido, corao //////- 
(hr \ pulitio \ pulir. Adquiriu, ponirn. Ht& substautivo signifi- 
oado espeeirtl. dií qu*' oí dtciouários nílo reziiui: — «Nas fri'í.nie- 
•/ias do littoral ... ha o costume, tiuuiido algum poacador adoece, 
a família se dirigit' ao paiocho, (|ue nomeia um ou mais indirí* 
duos, a que chnmam pfditlore», e que percorrem as povoiíçõM 
esmolando a favor do doente» — '. «O actual costume dos pedi- 
dores de missius» ^*. 

Mima pedtiia é aquela que há de ser rezada, mediante 
esmolas solicitadas nas ruas o de porta em porta para se pagar 
ao paiirtí. peditório, que uma-í vezes se realiza om virtude de 
promessa ieita em doem.a. outras por Imuiildade. outras em raziio 
da pohre7.a de iiuom pede, outras aiiula por especulação e Ingro. 

pedra: pedregulho 

Eis aqui algumas locuções em que figura a palavra pedra, e 
que não estão ou rejisladas. ou abonadas uos dicionários. 

Pedra anjueirinha: — «pequenina pedra (Í9 feitio de íuna 
lentilha para a extracção doa arííueiros- — ^ 

Pedra baiouçante . — * A pedi-a balouçaule, rochedo enorme, 
pousado sohre outro em certas condições de equilibrío, e oscil- 
laodo a um certo impulso» — *. 

Pedra-de-parar-0'sangue. e também pedra-de-€stanrar-t>- 
-sangue: — 'a à^ta ou sanguinha» — '". 



■ Poitogalin, I, p. 3ft4. 

* O Sbgulo. da 30 de fevereiro <]c U)U2. 
' Portngalía. i. p- t>-l- 

* J. Leite (lo VttSCODCflIo*, PORTUOAIí PRB-IUSTOKIOO, ]». 44. 

* Portun;oIÍtt, I, p. (W).». 



Aftoxllltííi aox DinanãrÚM Ptfrluyiirítri 



Pcdrorâe-raio. oii pedra-ât^irovão : — «O nosHO povo dá o 
oíimi' de p*»(lra3-de-rain ou pednw-de-trnvao ao sfígiiiute: crvstaes 
ác rocha ou ítjmpleâ svíxod rolados (Norte), e instrumeutos pie- 
hiMflrico* (Sul)' — '. 

}*et{f(t-ijráo: aroisca, arenito (q, rj ou ^r('^ -. 

Pfilra-molt: ~ * Si^ local [('ampolide] clmmaiu pedra. moUe 
i()Uflk BSpecie de oalcareo que em regra forma o e):teiUM) trauto 
i» ttrreui» <juh desde líueuos Ayres se exteude até á serra (lo 
Vf^n^iinlft. V-^inelIu denoininução provem de qnc o caicjireo, por 
IíIhí iiaturaliueiite de i-.alor central, não tomou a foriuíi orys- 
Ulliiia perfeita, e nio adquiriu ainda, cou sequente mente, a colie- 
tío e dureza da pedra lioz> — '. 

I*edra òfupoiça se denomina ua Ueira-Itaixa 'a(|uela que 
Gkntinent4! w esboroa' *. 

A paU\Ta pedreifulho, que na língua comiiium sif^nijii^ 
'x!ra grande t^Alta», aplica-fio na Beira-.VJta a um montilo de 



pedreiro-livr© 

Kfdji denomina^ilo característica portuguesa do que h francesa 
» fliama marnn, e ils vezes marão, t^ geralmente omitida nos 
Uiciouários, sem o mínimo fundamento. 

Xão só. historicamente, ela ^ exactíssima, mas. por outra 
f»rt^ na liMjruajem vul^;ar miquiriu a aiguificayiio de -ímpio», 
'l'i'' " nome francês não tem, nem teve Jamais eu] porlutruês, 
IVíf. portanto, ser incluída nos dicionário^i com ns nens iloih sig- 
njfirailiw, c pam os abonar uào faltam autoridades. 

Vs sabido que tnnto pedrciro-liore, como Jranc-nui^vn. como 
O tuglfei ffit-inofton, Silo denominações hoje simbólicas, mas cujo 



J. Lettrt d* VubmíoihwKmi. op. rif., y. U\, 
HagoSchachardt, Krkolihcun SnmíBM, ix. p. 130. 
O EíJosoiíinTA, d<.i 31 d(i íLKosty iU 18SH. 
lnf"rtuiM;á<> <ly i*tlíU»r, niilQral de Almeida. 
i. Ltícu lU YteoufiMlufi, RErMTA Lusitana» n. p. 83. 



254 



ApoatiliiH aoê Dirionários PttrtivjitfMe* 



valor aa idade-média era o de membro de uma associnv^o 
arquitectos e lavrantes de pedra, espécie de comunidade iuteruã-' 
cioDal. à qual lioje dctiuilivnitieuto se atníiuem os planos e es 
ouvão de graude parte das ijírejas de estilo chainaiJo gític 
como, por exemplo, em Portugal, o mosteiro da Uutalha *. 

pega, pegada, pegadeira; pegar 

Kstai palavra, que .se pronuncia com f aberto, ao coutrário i 
pfiffQr «ave», em que o e é fechado, significa, em gera], «apán-' 
dice a (|imlquer objecto, e pelo t{iial êstc se segura » — : *em Iodas 
[as vaííilbasj yv^íís rj^lindricas por a^as* ^ 

Pe(/a: mafí, pe^a do t«ar: — «pega das queixas» — ^. 

/*(:i/n tio anuiu: aravela *. 

/^tryaí/íí;— • Deuomina-se pegaAtt a execuçào simultânea dft 
dois ou três palitos d'mua sd haste» — ^ 

Pefffuíeha; — « o infeliz. . . foi alcançado por uma das pega- 
deirns do sarilho, que o aiTemessou a çrrande distancia-—". 

O verbo jmfar eniprega-se para designar quȒ uiiia planta 
criou raízes, e figuradamente que um uso, uma ínstituiçiio. certa 
moda foram aiioptados preferentemente: — ' ... o novo mercado 
do Campo de SanfAuna jteyvttf como de maneira expressiva d' 
esse pleheismo» — '. 

Nos Açflres pet/ar é «brigar» ^ e em castelhano • bater i 



* S4brc a orijoni da deuauiJnAçSo franc-maçon Tejau*so: Conda ! 
R»ci>iiski. Í>E^ ARTd BS PoKTiuiAL. Pftrin. 1«56, p. 834-â3tí, e taml)*in~ 

AutÇUfito Futicllini, A Aktji;fTISOTL'RA KBLtGtUáA NA BDAD&-Mãl>l A, Lis- 

Ijott, 1»04. 

* Uocltn Pt^ixoto, As oi.akias do Pkado, in Portugiiliii, t, p. 345. 
» Portugália, i, p. 374 (q. v.). 

* F. Adolfo Coelho. Alfaia agrícola portuoukka, ih., p. 408. 

• ib., p. G2C. 

• ODiA.de 8 de jonho de 1905. 
' O SbcL'LO. de I de novembro de 19ÍU. 

• i6,, deS dejnlhu de 15)01. 



pèf(ada 

viwáhulo qiie deve ser marcado com o acouto gmve no 
rto, cotiiiuujito átouo. pura se difereu^-ar de pegada, do 
peyfir, em i|ue o fi è surdo, proviam da forma antiga 
íii, I pedicatH. b quere di/^r -sinal, vwstijio (juo deixa o 
Ê absurdo pronunciar jHUfuda. tendo a {irinieiru sílaba por 
• -tinle. ronio já s<> pretendeu defender, com o único 

u desta ae*nlii)ií'4Ío gráhcii defeituosa. 



pegulbo, pej^oilhul 



(* Alenlojo deâi<!na ó^it*^ sulísUntivn -ovelha oii porco dado 
Idadii, ou parte de soldada ao rabudão [q. v.J». È o latim 
imn e pitruliare, qne provinham de pecus, «gado». 

h t rlnkfiiivstts derivam, portanin, do sentido iiíilural e 

■ '■- liitino?^, e nãu do íi;<iirado e predoiiiinunte, que 
derivados de puculium adquiriram em latim, isto t^, <b«ns 
irtiUrex e inaliemiveis, priqirieiimle ilo rlieule ou t»ervo, e da 
patrono uu ^nhor núo podia dispor legutmente >. 



peitoril 

" >ignJtiaido (?eral é » panipfito •, ma^^ na Beira Alta sigiii- 
(tt— 'Uiu i>t-<|ueno pateo, descoberto, ou coberto por um telhado 
MDfwniio «m quatro coliimnoa de pau ou de pedra, â eutmda da 
prti. íohrtf um lanço de escadas* — '. 

palavra procede de in-cforile \ pectus, pectóris, 
». e eiB castelhano por motáteRe dh-se prciil { petril \ pe- 
le, por < parapeito*, que tem o mesmo significado, mais 



\i. Utte d« Vfcfcçon» lt>s, PonxuaAL paM-HisTOaioo. p. lí>, nota. 



2ÚB 



AyoHÍilas «o» IHcionário» Porhufw^tyi 



peixinheiro 

Na praia du Nazuré deuomiaa-s<> assiic o •almocreve 
rende o peixe >, e que uaa Beiras se cimmu vareiro. 

A etimolojia de peirhifwiro, é peKcinfio (proDunciado 
Lisboa pexinho —pixinho), demiuutiro de peixi, atititío jh 
ii de vareiro é provavelmente u vara ou recovvira em que 
suspensos os cii)>azeâ, o que em Macau se charaa phuja, 
lá é de cauu-da-tndia, e cá de madeira. 



péla 



— « Nesta [ua mealíia. q. v.J penetra por meio d'um esp 
do mesmo metiil [forro] a peh, que t> um madeiro cmu qil 
faces ato ax) meio e d"iilii puni cima redondo, tendo na ext 
dadc superior um ferro que atravessa a m<3 inferior e por : 
de uma -lejíurelha [q. vj, mettida u'uma cavidade, 
superior* — *. 

iV/fl é propriamente uma -bola». V. em pelouro. 

[K.'lunca 

K um derivado especial de pele: — «K celebre aos 
auuaes |do Real Collegio Militar] a lâmoi$a pelanca (carne 
sada^' --. Vc-se que é um i-emio de emprõ^ro muito n-str 
neste seutido. porque pclancaj!, pt'tangas, como di^'rio de miq 
pular, quere dizer «peles peudentes e moles >. 

pelaugaua: v. palangana 



* J. Xúnvz, 0>sn:Misti algarvios, íh Portugália, i. p. 388. 

* O SaouM, tlâ 1 «Iv iiur^M ác 1903. 



Ap*''ilUaM aos JHcionários Portuga 



•257 



peIit*iro 

É t«nnn antigo, que luodernanieote foi substituído por 7W/'- 
oiro: era o individuo que coraiuerciava em pelicas, peles: — *pft- 
HõirM coni o gato paull (^ato bravo) » — *. 



pelouro 

Pfimtro, derivado de pêU, si^ruificava, uos inícios do *mprêfío 

it armait de fogo, a bala de espingurdu, mosquete e outras por- 

UUif. por oposição â pula. que era a de peça do ai-telbavia. pri- 

LfkanuneiJte de pedra, ao depois de ferro. Pflwjrti. pois, era unta 

'ia, ou IimU ptKjui-uu. A orijeiíi do emprôgo desta palavra para 

' dpwi^tiar cada atna das repartições em que o aerviço municipul 

Ir diridif pelos vereadores v^-s^e do se^^uiuU; passo:-- < dava se 

-^Ar iitime a uma bollu de cera, dentro da <(ual se rnettia um 

fouenu paptfl (alvará com a deãixnaviio do que se queria ele- 



petnberar 

- ' fu/fiido los ratVes; suas al^fAzurras e maneando suas 
niu^ a qut' idlfs obamum pemberar* — '. 

Pare«r« fora de duvida que aquilo a que os ditos cafres 

ihfrar. núo sAo a^t armas, mas sim a < v o/ca ria e 

■-< annaji>; e portanto, se o termo é orijiiiúriamente 

iiou-Wf dele um verbo em português, com a compt*- 

w.At desinência do intínitíi da l." conju(:açflo. 



Aiií.iniii tlt <"i«i[r.». Lrlii bis Cammks, \ímU- u. xiv. 
i^iiurdo Kreint «ie Olh-dra, Elkmkntos i»ara a hihtoria i.n vtr-, 
PI» os I.iitn>A. U p< *^i B. *. 

•lo f*'mti>, (R-ltiçâo Ji> nAufrAjio dn nao Suiii Tum*!». in hiiiu ' 
■ ■ I'OUTi:orBZB8, Tdl. xi.in, p. 107. 



■iôS 



Apostilou aos Dicumárian PúrtugtteiKii 



pena, peuha 

Conforme J. Leite de Vasconcelos, este vocábulo deve rep 
sentar uin tatitui piniu, { iTltico jwnn, cabBya, •<-<ibev^>*,: 
qiie procederam pmedo, empena, Penkhe j pennisculae^.i 

São boni<Winios deste vorábulo, isto é, formas couveijenti 
pena \ lutiin poeua, e pena [ laliui peuua. que uas ortogr 
usuais tauibèiu so escreve com dois nn. 

Penha, que tem o mesmo significado que o primeiro indica 
deve provir, na oplDÍão, troni qut' me contonno, do mesmo coa 
tentis3Ímo tíl»ilogo, do pennia *. Ue penha procede iteniui 
i|ue Hm Ham Miguel dos AyAreâ se diz pinasco '. 



penacbista 

— • Nas aulas de Lisboa cbama-se penachUta ao estud 
muis classiKcado de uma aula. . . > — K 

K como SI' Ibu fosse concedido um penacho como dísL 
do seu merecimento. 

pena ia 

K t4*rmo de caliin: — < Um verdadeiro typo de boa e 
lente pessoa, eu) nada ])arecido c(»m o que eUe «ni ao teia|i 
tiommetier o criíne. quando elle usava calças á «penaiai 
^undo a pittorfsra expressão d'unia das testemunhas de acre 
^•ao . — ■'•. Í*or outro uomtí se diiem calças-tír-hôrailf-.-ino. V. j 
pata. 



< Hbviata Lusitana, iv, p. J32 o 278. 

» iO. 

* O 8BCCL0, d« b de jtiUiu de l»Úl. 

* l>iMao UR Ndi-iciAH, dr 1> ilc dezembro do 1004. 
» o Skcuij>. .Ic lô de f(;vor.'iro de lS9t<. 




Apoiftiiai (loi ItU-ionários Púrtugueae» 



2.>o 



p«QICO 

aijiii A rtrijwn i\\w atribuo a Aste nome Piiristico. — 
.., ..valenU* es lu geaemlizai^iõn |tAtrouímica de Pedro, que vn 
Perico» y en *l>on Heilro' uUide ai vaso excrementioio» — '. 

pênsil 

O plural deste adjectivo é p/hisel^, como o Ae fàeil ^ fáceis ; 
narte Núuez de Le:io, porém, usou a forma alatinadn: — «ortos 
llea de Ifahilónin» — -. 



pente, pontera 

A so^unda desUs tViriuu> é a aiitii;», do latim pertinetii 
jtetif»tf peitem \ pcntet» ■*. 

A sejii^unda é mndenia e pode coiupurar-se íií populares nutr^ 
vmt\ por nuvem, homem. 

pêpa 

— • Fíudo isto [certa cerimónia supersticiosa] í chamada 
[ioda a frente, atim de que lantu o regulo como a inin) lhes fxicj 
[uma iiH<|uena por^^ão de pó uas foat«s e na testa (a que diko o 
|Dome de pí^pa)» — *. 

1'ureco que jnípa liá de ser o tal p<í; mas também poderíamos 
apor. e atenta a construção gramatical, com maior razão, que 
tiftfr K depois, aa quem se refere aquele flie.t':f 
O trecho de.-<creve costumes da Africa Orieiít-al Portuguesa. 



* ÍUÍÁtl Salilkui, Er. pRUNOireNTE useASOL, LKNOiTAja, Ma<lrj>U 
Ifti, p. c»5, 

* Oriobu da líxúoa i'UKTrnuicaA. 

> lEtaVISTA LUâlTAHA, lu, p. 380. 

* JoKXAt. PA8 Colónias, de 8 de ^irtcnihro ãt 1906. 



pêra 

Este vocábulo, talvez pronunciado com f aberto, desapi 
do voGibuláíio usual, couserv audo-se iiuicuiDeiitt^ uo onom 
local, com n signifícaçAo dt> «pedra», qao tiubn dnnteit. 
temos Péra-fita, | «petraficta>, Peravana. que .1. U 
Va.scoucelos interpreta por «pedra abana*, íst<> iS * pedra 
cante > '. 

Sobre a perda do d. cf. Pêro por Pedido, e hera | h« 
a par de Edral -. 

perda, perca 

A primeira desta» íormas, que é considerada como a i 
e*itá por pânlitld, correspondeu to ao cn-itelbano in^rdida 
dita ^. e operou-se nela a liapKdojia. ou simpliticavflo, 
tilde da repi^tlvilo do d em du:ui «íílabas oouHecuLivaâ: cl'. 
]ior hondadom \ honãtule. 

A secunda é popular e aualõjica com outros 8ub« 
rÍ7x>tóuicoa, formudos de verbos; este é igual ao pre 
subjuntivo de jtfrdei-, jwrtence poilanto à categoria 
entra » substantivo verbal escoVw. do verbo vxeoítier, v í i 
ao subjuntivo (l." e 3," pessoa Fingnlar do presente) 
verbo. Cí. ifuda (q. vj. 



perequi, perelí 

Ambas estas locuções adverbiais silo usada» por OU 
e nelas persiste a preposição iter. e deu-se o eufra(|ueciiii 
a de aqui. ali em ç." — • Ferequi entrou, pereli saíu»- 



' PoKTfOAI. I'RB-UISTORICO. p. Õ4. 

• Uevista Lvpitana, III, p. 2>i6. 

" J. J. Núaex, Revista Lusitana, ta, p. 2t$6. 

* Auto das Padas. 



Ap*»iHiati ao» DirianiirU» Awíitf?»!*»» 



3tn 



perua: peruana 

A palarra perna, no seu sentido natural. Hçura em várias 
niçãea, t\u^ú todas colijidan nos diciottãrios mais complMos 
irtia|pMc«^. Varei apeuas iueu^'ão de uniu aqui, abonuiido-u, 
a referir a outra locuçilo de sentido obscuro, que no lu^ar 
mpeiente rai expljpudu: — -os dois amigos se liaviara posto na 
■rrí-ndo a boiti correr» — ', 

< '^Kiudente a esta !ocuçíio è tauibéin dar A j/et^tuz. ou 
«< catietwí equivalentes a dar àn tle Vila-Diotfo, [q. vj, 
/Vriiíi unia-se TamliiMn, em seutirlo li^unulo, para denominar 
(tu» aeecâuiArio» i]ue ocujtain pcsi^ão vertical, (*oi)io, por exemplo, 
riKM lie prumo tin" rnsfff/t, e pecn" de j/rumn da frente, que 
p^aí Uo tear -, 

' 'i**rtivo jM-rtuniu (■ diMnrpa^ãn. njitiiralmentG intencional 
f>or preiínrio. lornia antiga do adjectivo plenária, 
nino àe plniárm, que v hoje o único usado: cf. suprimento, 
4>r fupiemento. 



permma, parruma 

Miit4'lhano díz-ííe /«Tri/fíff, áf: perro, «cào». Este vocá- 
tto Alentejo designa — «o pflo feito de farelo, sem fintar, 
ík^o. rlc. para os oAes de p^ado» — '. 

forma anterior há de ter sido perrúa. como a formu 
Pr A uotual culta em todo o reino, e vernácula no sul, 
Ha 1 una. A na3ali'uiçSo consonantízou-se eiu m por 
etft do ti. TOfToI labial, como o m, enitanto que depois de / 
Mttaooantiz«>a em nh, consoante palatitl. como u /. por 



• 0>- '• I0»1« d»*«mbr«ni« IPi-Kl. 

• r-' .,1. p. 374. 

• J.tjÊlUf r|c Vweoncpliw. Rkvihta Luhitana, II. p. 3(1. 



exoiuplo, VIU vinho \ rw [ iiiinim. A forma parruma. 
útono por e átono, t* devida a influência do r. 



persnutar 

No Baixo-Douro usas© ^ste verho uo sentido de 
iíoutos ao rehuaco da castauba» '. 

K sabido que ftouto provem de saltum, -selva*. 



• andar , 



peru, pmutt 

Principiarei por dizer que a fornia popular é pirum, 
cendo que a cultji foi euicnda. baseada ua suposiyilo de 
nome da ave fosse rierivado do geográfico Peru, o que p érro^ 
dente peloá motivos que passo a expor. 

PriniBÍro: a ave pareee que é orijiuâria do México, e i 
certeza o não ti do Herw. para íunie veio depois da oouquitit 

Segundo: A provir do nome próprio, o vocábulo ter-n 
sitio iransiíiitido pelos espaiibi^i;*, pois nenhumas r*Oaí;<íes 
ciais tivemos nunca com o Peru; ora, cm (■itst.elliano a avq 
se denomina peni, mas paw, palavra correspondente á 
pavòo. ave a que os esparilKiis chaiuam pam real, pelo ifl 
actualmente, para a diftM-ençarem do jhiw rotnún. ou 

Terceiro: em indostaiio pmi diz-se jwrfi, cimquantn n^ 
ave seja lá indijena, uem o nome se explique por essa 

E pois. por eniquanto, um eiii),niia a orijeui da ave t* 
nome português, l'. sobre este objecto n (íldssãrio de to 
anglo-iudios de Yule & líuniell *. 

Devo acrescentar que o J*era foi também dmmado J-*\ 
pelos escritores espanhóis do tempo da conquista. 



' J. r,.'itíí flf ViunMncclo^. U&srir.os CAMoNlAXOfl. \f. 49. 
* A Gloshakv t)r Akou)-1ndian woftuei, I.»mdrí», lííStí. 
Tiirkey. 

» Kbvl-e Hisi-ASiQiB, X, p. aw. 



peni leira 

— •penileiras, que sàu vasilhas de um almudt'-— '. Em 
iiiioo é perulero <\ue o Dicioiiárío da Academia Kspanhola 
— < vasijii de barro, aagosta de suelo, ancha de barriga, a 
lia de boca > — . 



pe3ca 

Ko wntido de «peixe, pesicado»* vemo-la iLsado uo treobo se- 
||QÍnte. e parec* ser de.-íipnHção local: — «Aveiro Ki — Kstá com- 
tUjafiit« Hibuu.tto (I iuen:;»d<i de pesca saldada* — '. 



pescoço 

Km castelhano é pc^rueze, que mais propriamente se aplicu 

I rarh*i','o. visto qne para j>esi^o<,'o diz^^m euHlo. que i* *» *'o1o por- 

^íiêii, do latim collum. Pe^co^o pyrece ser vocábiilo composto 

poat + cocceum, adjectivo derivado de cocca, «búzio, 

rh«». [V. Knrtinir, Latkinisch-bomanisches WmTKRDfOii, 

W»Tl>orn, tH90, q."* 1'J72 e 6290]. í'onq«unto a argumeutavâo. 

A qual se procnva justificar esta elimolojia, seja jionca de 

urr, nenliiniia nutra conbeço que possa opor-se-lhe com 

ro^Tit viilumbre d»* prnbabiliilade. 

I>e ptsúo\o se tlerivauí fiefco^tiff. • jKuicada que se d& no pes- 
r^ni a mflo, como castigo*, pearoemhn, «pda branca, de- 
Ikrua br«ncr> e «Iwtirar v> \A\; nas (;oIns das loba^ e batinas*, e 
'm«>»,-/>/>/í, • pescoyo goido>. 



<- 



I BlBt. DB <XAHHICOB POIITfnrnTIBH, vol. X\.V, p. 5)2. 

• o KooMOMiHTA, de 20 de março de 1KU2. 



^in 



Apostilas aos Dicionários PorUtgHcnm 



ptspoDto, pespontai' 

O Novo DicnoNÂRio escreve pofsponh. ponjumf/tr, e por 
manda protiuuciar pusyonh, pitHpoutar. natoralmeute com o I 
daraeuto da etiinolojia que lli« atribui — <pos... -\- ponto*- 
rejista as formas com pes- inicial e abona algumas delas, re 
rindo, iwrém. pesponto a potponfo. do que se depreende que 
esta fornia eonm a mais exacta. Pela minha parte direi que nua 
a ouvi, e que desde Bluieau a forma ú peuponto. A etimolo 
foi provavelmente copiada da que Uie dú o Manital F>rY>ioii 
«ICO de F. Adolfo LVmíIIio, no qual as lonnaif cora pes- nem fij 
rara. Todavia, a ninguém c lícito reformar a pronúncia geral i 
vocábulos usuais cora o fundamento das orijens que lhe atrifc 
Km castelhano é taiiibéni pespuiitnr. pespuntc. e portanto 
formas com poa- inicial silo apòciifoã c inventadas. 



pesqueiro 

— «O espinhei consiste n'uma corda bastante comprida, 
n*uma porção de linhas de pefica, presa.s umas ás outras, a 
estão ligados de distancia em distancia pesqueiros de linha ml 
tina. com um anzol cada um. podendo ter cada aparelho 3(1 
400 anzoes» — ^ 

*R pois am substantivo de instrumento derivado do ver 
pescar. 

pessclilo, pesselista 

PeafteUio é o nome que vulgarmente se dá â letra y (ípsilfl 
— «os dois pp, 08 pcelões e os ph* — '. 



■ P. Feminil» Tom^, A i-isttCA bu Ktauoos» in Portagalíi 
!•. l.'>2. 

* 4) MuMDo, lie 21 de nAvanbro de lí))2. 



Aftcatilat ao» ÍHcion^iríos Portuifuevea 



!'etsefista é o ■indivíduo que defende a manutenção era poi- 

4fbh da lotra t/, para os vocábulos gregos, em que, conforme 

i^noi^Hifia hitinu, é1» figiini*: — •asfunto \íot Ufittnmpto, eoha, 

^w»ié hoje mais tem dado no gôto aos pcelistas>— *. 



petar 

O Xôvo IhcciONABio dâ f^ste vitrbo em doh sentidos, «dizer 
[uieutiras], t> 'sarrujíinar*. 

O natural ê que sejam duivs palavms diversa)*, a fe^nda das 
at» rsU, na atx'pvilo que uli se admitiu, em sentido figurado. 

O sentido uatural, no lilonil do Minho pelo menos, é • mí- 
r». Cí. pitada (q. t:). que pressupõe uni verho pft/jr. de que 
9r iwrá alteravãii dialectal. V, pitança. 



pete 



Ti-niio da África Oripntal I*ortu<iiinsa — <0 pette (annel) que 
i|(íu.*i wtmpre uma manilha de amme amarello* — -. 



peto 



O Novo DicciosíjlBto incluiu este vocábulo como tninsmon- 

I com A significaçilo de — 'machadinha nas cosbui do po- 

— . KfcctivamtMite, na revista Portugália, coiu referi5ucia 

i'...*!.Miiva, fez-fw menção de eiiatila de peto ^. Peto em galego 

i ■ gtirarrtti. 

No Minho e Trãs-os- Montes jwto é < mealheiro * . 



Mrxuu, ittf 21 lia nov^iubro de 1002. 
J • > ^ Oaloxi AS, de iW Jf luaio ile lít03, 

I "lho, Alfaia agrícola purtuoubsa, i, p. S39. 




1> Novo Deccionário rejiston um vocábulo que não existe,; 
petórrita, que dofine — «cavroça de quatro rodas, usada pel 
aiilitfos romanos»—. 

A piilavni é petórfrjiftí. cm littim peto(r)ritum. e nib 
petórrita. Iguoro em que autor português foi colhido o vocábulo 
iiasim aleijado. A defiuivilo pela sua parte tamWiu diIo ê eerU: 
desde o Ski>tkm unocabl-u Cai-bpinus. pelo menoa na oitava 
edif^o do 1758, esta palavra é explicada como sendo o nome de 
um carro de quatro rodas usado pelos (Tátíos bel^^as, e nno pelos 
romaiiog, que só ao depois, por iinitaçfto o adoptaram. 

penca ' 
í^o Norte do reino. ^Corresponde a peàga \ peduca? 

pexote 

K termo dn jogo e siguitica «individuo que joga mal. iwr 
inexpericucia. ou azar coustautc". 

A verdadeira escrita portuguesa deve cousiderar-se esta, a ser, 
como parece, a loíMifilo chinesa pc :rot. • mio sei», termo tambêni 
de jogo, usado em Macau. — «Luiz xiv Toi ura jogador apaixo- 
nado, luas sempre picbote, apesar das diligencias de Ohaniillard 
seu rainisrro e seu mestre de bilhar» — -. 

pe/unho 

Aumentativo de pé. formado pelo demiuutivo pt^zinho. opina 
l>. Carolina Michaí^lis de Vasconcelos, lísía etimolojia é contes- 



» Portng&lU, I, p. 6li4. 

■ O EcoN-úMiâTA, de 30 lie «bril de 13!i2. 



ApottUas fiM DiciíinárioH Pttrtwjuvneji 



267 



táveU visto que se não prontmcía pèzunKo, mas sim perufUto. ao 
pusão que em todo o reino se diz pezinho, com o e aberto do 
primitivo, pé. 

pia, pio 

SirpulUim oavadii em rocha: -'Com o nome de píoM silo 
conhecidas oo Míuho, uo Dnurn e na Heiru-Uaixa, as sepulturas 
abertas» — '. 

t> luasculiiifl pio. no Aleutejot ú um «tanque». 

piava, píaçnbu. piovava, placava, peava, peavaba 

<.'oin divprsatí lísoritas vem este vocábulo nos diferentes di- 
ciouiirios, sendo a forma iimsfspva a que apresenta líUiteau. A 
mais correcta ortí^raíia parece que deve ser /Hnçá( ha), ou quando 
muito f/iíiçá ou piantba, pois nos nomes brasílicos se nào escre- 
veu niincii n/f}. mas sim r. porque qnando o tupi teve literatura, 
desde o século xvi até o xviii. |>or intluéneia europeia, ainda o 
(C portuj^ês imba o valor do s castelhano, ou transmontano *. 

Contbrm« Teodoro Samj>aio, jun/yt ou peavaba ê inn vocábulo 
tupi que signitica, «porto-, e u donominavào— ■ vem decerto 
do coromunissimo emprego nos portos (peaçaha) das cordas teci- 
das com a tíbra dessa palmeira {Attaha fim I fera)» — ^ 

A forma pea{á (pron. piàçá) não é c^rrutela vulgar, mas 
abreviatura perfeitamente correcta em tupi, nos nomes, como 
dst«, compostos: apé, «caminho» e fu;aba, < saída >. 



P 



piar, piela 



!omo termo de jiria quere dizer «beber», e é o calo piyar. 
que tem a mesma sifíuificaçSo. y/^/Víri, «bebedeira> provêm da 
forma intensiva piyelar, piycla, do mesmo dialecto. 



' J. Irfitf lio VaxfOncolOS, PoKTtKtAI. prb-uist<>ric<i. p. 03. 
' r. ORTtJtiflAKIA NACIONAti, LídboA, 1!H)|, p. U.i. 

» O Trin NA Gbíjoihphia Nacional, Sain Paulo, liKH, p. '0(q. *:}. 



À palavra oa reio com os ci^^anoá já da ludia. pois exijj 
ali nas vernáculos áricas. denominadas (jàurioji como termo 
aéhro déâse ramo, nu entrou no dialecto cora outros muitos 
cábulos gregos, quo se observam nele, pois erii tjrego nioden 
como no autí^^o, pio signifíca ' bebo >. 

pica-biirro 

Xonie de nma ave. em fraubi, na ilba da Madeira, sylf 
couspícillata *. 

pioadura 

Ria aqui nma acepção deste substantivo derivado de pie^ 
a qual não dfu ainda entrada nos nossos dicinnários: — '] 
nortp da Kram;a eiiiproga-se muito a palba e o feno picada 
que recebe entilo o nome de ptcaríura» — *, 

K provável que o termo francas, que por este se verteu. 
hirhnrt', de harher, «picar, migar», mas nenhum dicionário lh£ 
aponta esta signiflcaçílo, entre as várias que teui. 



picando 



Cegonha para tirar água. 

picio 

Em Elvas é o carvAo meúdo. de videa ou ramas, para o 
seiro. Km custelhiuio chama-se jiicón. 



1 Rmcst*! Scliniitz, Dm VOfífti. Mauuikah. 

* Doutor G. pKrborj'. CitiAÇlo db gado. traducçIo b ada.PTACIBO 



DR Pacheco Novni». Lihlua. IfftUt. p. 41. 

A tiuduçÀi) c csmcmiU, v quA^ Hcinpro vurnAcuta. 



ÁpQSiitM úm Dif^onário» Portufftteses 



360 



piçarra 

— «Os scbUtos. cujos folbas sam mechauieatiitiute sepuraveis 
teem em português o nome dfl piçarras» — *. 

pichão 

No litoral da província do Miuho dá-se este nome ao 
borracho, ou 'pombo pwjuono». Em caatelliauo tambL»m se diz 
picJiòn, e em galego pivhòn, ou inrhó. conforme oa dialectos, de 
algum dos quais passou jiara INtrtu^. O voc^lbulo castelliano e 
galego i»aret'e provir do frauc^s y^V/wn 1 pipioiiem, «passarito 
]Mfqaeao, que uial pode piar< (pi pare), ('om efeit.o, ^ em frauciys 
qu*) de i» seguido de / assilãbico latino procwlc a consoante pala- 
tal j, que pasNou a oastelbano e galego com a forma rh, {>or nâo 
tereiu o^' francês e português. 

picheleiro 

No norte de Portugal rtá-se Pste nome ao artífice que tra- 
balha em ITilha-de-Klaudretf, e em LUboa se cbaina latocito-ití'- 
-J6iha-i)rancn, e taiiihem funilvirn. K} ptrlteíeiro, cá, trabalha 
em estanho, faz ptchéii^ dést« met^l. 

picbelim 

Teiu (luas acepvóes esta forma, que represiíula provilvel- 
mente dois vocábulos de urijeus diversas: l." «infusa pequena», 
no litoral do Minho; á." — <a carne (do carocho, peuej depois 
de uma iramersâo de quarenta e oito horas. n'uma salmoira 
muito fortCf é lavada em agua doce e secca ao sol; sendo em 



* A. G. G»nçalvdfl GaimarA?», Klembntoh des geologia, p. 130. 



ApogiUns aos T*ÍcinntififtH l^riugucsies 



»cguída exportada para o Alemtejo e sul de Hespatiha. deitai^ 
do DOiac «pichelim» ~~<. 

pico 

Além de outros muitos si^iiilicados já colijidos nos dicion 
rios. aiKiiiUrei mais o que i]o t«vtú s»guíiit« consta, (tniuo noo 
de uiDii ferramenta de oleiro, no norte: — «doseados o amare 
e o jisul, ou o amaretlo v o i'.iri%i>Jito [barros]... procíide-ee 
trtluravilo roíii uiit pivô, ou maço do carvallio, Q*iima pia, i'S( 
cie de couca, obtida u'uma raiz de velha arvore» — *. 

Pho é também o nome de uni peso: — «tem um pico 
('bina cem iiirateis, e cada arrátel vinte onças* — ^ 



piçO 



O Nftvo DintunNÁRiíj dá a êsle termn, que di7 ser de jír 
o ãignilicado <bélK'do-, e uboua-se com uma cautiiía de ma 
nheiros, onde bá estes dois Tersos: 

— E aqnclu ubaa de mtMtK 
Mnl i)ue me n^tuiboa piyú — 

Km coucaní piçH [písõ] quere dizer «doido*, e é possil 
que os marujoH trousseâsem da tudia a palavra, com a siguitíc 
ção • fora do seu juízo*. 

(&) picolea 

Pronunciara ú piciUéia. E locução adverbial do liu»ral 
província do Minho, que significa <à escuta*. 



> IfíHTIlYorxtOiA, |>or Poni Cario» ilv BragAnça. 

* Rocha Peixota, Sobrevivência oa friuitiva roua db olbI! 
K>i PottrtitiAi., I» PortugaliA. ii, p. 76. 

* .António Fr.kni:i«ío Cardim, Batalhau da Comvaxuia db JbsiW' 
Liiibou. IÍJU4, {i. *2>28. 



pijeiro 



^«dehta no ialhathnro, ou pijeiro, o cbapéo ou «tu ramo de 
ralho, e eii]4)iianto existem ali uquelles syrabolos tl*í apropiia- 

■• -.riiem a [ã^rua] desvia» ^'. Ignoro o sij^ilicado de qual- 
-left dois vocábulos, que parecem ser sinónimos, e o autor 

«« define, conquanto os assiuale uo texto para sobressaírem. 



piíupàn 
Como terujo de jiria quere dizer • pimento». 



pimiHilbo 

Conforme D. Carolina Micbaélis de Vasconcelos, êst€ voeá- 
lo vem do latim piui pullum *. * rebento do pinbeiro ». Acrcs- 
nlurvi qup talvez \\qv iiitermédio dt> eiLstelbano ymM/jo/V> uteuta 
circuu»táiicía de U latiuo ter dudo M em português, o que ó 
riiinalo. 

píudi 

Xa Africii Oriental Portuguesa (Marromeu) «esteira». 



pi n d orna 
ia B«ira-BaÍXH, «má mulher*. 



AllKrto í>iunioio, Ás «Villah» do Noktjo d» PoiíTuriAL.tn Pur- 

~* BWaitTA LUHITAMA. UJ, p. 180. 



27â 



AptMiUu avi Ditionárhi ÍW(Hjr*M**>* 



piDga 

Hin Macau vara de caoa-da-tndia. que s-e traz ao ombro, 
se lhe dcpeudurarem objectos uos doÍ!« extremo», como em 
tagul a reatveira dos cabazeiros. 

piíif^e. píngueiro, píiigar, pingo, pinga 

No litoral da província do Minho dá-se ê.Ht« nome ao qae 
Liaboa »e ebiima manteufa de poreo, on banha (derretida). 

Piiiffueiro é o tacho para o pinflo. 

Tanto phujuf* como pimjo V pintja, sào aubstantivoâ der 
dos do verbo pintjar. o qual, conforrae D. Caroliua Micha 
de Vasconcelos, se deriva do latim pen(diícare '. 

O verbo piwjar significa • ir caiudo jrota a gota «. Como re 
intraositivo ptwjar é * chover em gotas pequeuus o inter? 
das*; como verbo transitivo era um tormento, qne consistia | 
deixar cair uo corpo do padecente pingos de resina ou axeit 
ferver: — «e os comeyaram a a^-outiti' e a piíii^ar tanto seu 
dade, qtio dons dellen morrerão logo • — ^. 

Xo mesmo mentido usou-se em K->panha o verbo 
ffar \ prinifue, » gordura, ^/«i/c>»: 

;MitI ímya iin Inti^lm v todnn! 

1j0|m.'. Kl Arciitil dv S^vilIiL, kvtu I, (MC 

líutino José )'ui*rvn, que faz psIa cita^-âo, acresccnlaj 
'Aqui uno de los inUrlot^utores qui^tiera tener á lu mano bi 
y tocino para priugar ai otro (que lo es uua mulata), segi 
uwin7.il antigua Avr aplicar á los esclavoa Hemejante castigo > 



> liBVlHTA lAífllTASA. LU, [•. UK 

• Feritiiiii Mcn Í<r Pint^. PliRWmiNAVlO. «p. CCV. 

> ÀPirXTAClOXDB UBtTIVAS SOBllD BL LBXOUAJB BUOOTOXO. 1 

1881, p. 237. 



AjttatHios (Mi Dirionãfffí» PnrlitffufíKV 



273 



por isto que o verbo phufar era português, nestfl 

■- ■« Ueriva de pmtfo, «gordura», e nfio do verho jun- 

ptfndicar*!. 

Também s« chama jum^o a uma gota de solda para tapar 

>uvu de fb]hii ou kíuco. Pinga é slunuimo de ivlubo», 

ajfin lamilidr. 

piuguó, piu^oó 

O vocábulo, qae é da África Oriental Portugui^sa. prouuucia-se 
ift{iriam«nle pingue: — -Nesta visita o sannilo deve levar uin 
ribo de Icoiha, que deve ser de ma^U-ira boa. camifr, pinifué* — . 
ejcrever-^e itinyoé para se evitar a leitura pin-ijaé. 



piuta (c«ga) 

v.r.XK i>.vs Ai.iíKiAs. de 25 de agosto de IDOB vemos 
d^uoiniuayies do uoiiihó: — • H;» duas espéfies de 
fDtre nós, o Caprimulgus europceus e o CajiH^ 
tUi". que quàsi só ajiparece no sul do (miís. 
luioes das duas espécies síio idênticos e o vulgo 
[aUáJi, dejii^a-aj>j íudiíittnctAmente p4'Ios nomes do 
, Pinta, pinta cega, e fíom noites do uorte do país e 
- !n de Cá váe no aul... Quando porém, ao voar, 
. Ill insecto faz ouvir um zumbido característico quo 
iva o Donie do Ktifple-tíetUo • — . 
Vi» DomM. nem menos, para a mesma ave! 

pintarroixo. pintorroixo, piutorroixa ' 

"Ã fte^Dfla forma ua ílbu dii Miideint desij^n o «macfao», a 
nra n «fêmea», euibuito ipie uo Continente se diz piniat' 



t^>ii*xi'i Schtnits, T)rB VúaKi. MiioniRAS. 
»-voc- a. 



27+ 



AfiOfiila» afí» íyiciíinArion FM-tuffuear^ 



rou'fi. B piíitarroixa, ou pinfo-roixo. pintorroixa: i|iia 
forma correcta sertn pinfo-roixo, pinta-roijco, e não as citi 
pois o t*t:iin(t nào f.*, como propõem o Coxtemporanko *? o MaM 
ETY)ioL(M}i(xi. o substantivo pinta e o udject ivo roixo, mM i 
adjectivo participial phifu (picUim, por aualojía com iínci| 
fcm. pinta (picta). e o adjectivo rotjco (russam) com 
advérbio, como quem dissesse pintaãn, pintada, a roiro. 
via^ u segunda forma eouUuuiital eiplica-r;e por atracção, 
essoutras portuguesissimaa met^t feita, ioda feita, convém 
• metade feita», 'feita na totalidade». 

A forma madeirense é devida á cnteira obliteração doj 
ideoli'>jico de cada componente, e poíle comparar-se a sul 
tivos compostos do tipo tjimrãa-sol. yaarda-sòis, que eqaiil( 
a (fuarda para o sol. f/iuiydan para o ífol, conquanto for 
do imperativo, ou do presente do indicativo doá verbos, 
de um complemento objectivo que lhes restrínje e com| 
gignificavâo. 

Nas formait continentais maÍ8 comunt;, pintitrraixo, p^ 
roixa perdeu-se também a noçílo do valor do primeiro ele 
pinto, pinta, e d natural que a feminina »eju a que deu o^ 
piuta-roij-a \ piniarroixa ] pintarroi.ro, como se o vo 
nfto fosse composto. Outro tanto aconteceu com jfintasíàU 
tassiigo (q. .vj. 



pintassilgo, pintussilvo 

A primeira forma é a geral, a soguuda é própria da U 
Madeira, no Kstreito, em Sauta-Cniz e nos Pray^res. 
silgo d^rabado c o abiòe em Ponta-do-Pargo *- 

r. pintarroixo. 



■ BnwsUi SvbmiU. Die VOoBk Maduiras. 




Aptmtila» Oi)* niciftnáfios PttHlufueseH 



270 



pior, peor, pewr, pioria 

Êstu vocÁlmlo é hoje escrito geruliutínte peior, conquaato 
lingaém o profira pei-ôr. Alguns autores mais escrupulosuií orto- 
gmfain-uft pet^r, e foi esta a maueira que aiiojitei na Ortocka- 
riA N.ii;ioNAi. ', ooudouando p<'/or, « uicncioiíiiniio a mais autiga 
pior. 

Maia atento evunie Icrou-me ao convencinieuto de que é estíi 
fbnou aatigtt a íiuica certa em presença da pronÚDcia actual do 
vocábulo, e da sua evoluvilo etn pnrtuguôs. 

,Cora efeito, quer na fonua arcaica peútr (|>eyôr) o i assilá- 

tico reiiroduzisse o i do latim (peiorem), quer õle ai fosse in- 

troiluzidit para desmanchar o hiato pe-or, o lacto ^ que o / da 

ia eláâsica pior é coudeu-savilo do ei anterior, e conseguinte- 

lent* deve ser restal>elecido, visto niin haver razão hÍst«Srica a 

jttjtJIicar o emprego de e cora o valor de i. Para os puristas exa- 

Jfmliiraeiíte devotos da conservação das feiçõeíf latinas na orto- 

portuguesa será mais racional escrever-se /«?íV»r. que pior; 

', todavia, é qun não tvm motivo plausível com que se escude. 

liazões aiiáio^a:^ militam em favor das antigas escritas riaí, 

l que tem orijem idéutioa: rial, provém de regale, Uai de 

, iwla vooalizaçúo Ao (f em /, de que resultou reial, donde 

', e Uoi deve ter provindo de leial. 

Oh condensavão do ditougo ei em / resultaram pois as for- 

DU3 \ial, rial; real, porém» de res, deve escrever-se real, dife- 

fWiÇ«iido-se assim de rial {rejio), como era francês rM de roynl. 

Uutro vi^ãhulo que antes se escrevia com i é Hão. sendo de 

prraitinir uma forma anterior leiãOt com ignal contracção de 

« (!tll i. 

A palavra íZ/wo, antes (a)daião (cf. arraial) ó mais provável 
9U« tenha oríjem imediata no francé» doyen, cnjo étímo ^ o la- 
tim docanum. teudo-so dado nele a vocalização do r- em / assí- 
liGIco, pnis tloyeu= (iiuU-en ost4Í por duò-i-en j do-ten* 



LUboa, \iiOi, l>. 96 c 107. 



27li 



Apoetilaa aon Difíionáríta PorhtqHcsa 



Sftbre a coutracçio de ei em i veja-se i(p'eja, 
])e melhor formam-se os siihsbntivos mel/iora e melhoria, é^' 
seraelhoutemonte, de phr se formou pioria. que hoje se diz 
piora: — • enfrendcr-so hua líu^ua mais que outra nao bo etRcai 
argunieuto de melhoria oupiurta* — *. V. píÓCs). 

pi6(s){es) 

Como jthr foi precedido da forma peicr, assim piõ teve por 
autecodeutc peròfo), corres i>on dente ao (jastelliano pihueh, qae 
passou a Trás-os-Moutes com a forma pif/àela, que lanibrm é 
diiilenUl cii-stelhana (pí/fiUla): c,í. padiola (q. t\). castelhano jhí- 
rihuela. Deu-se a mesma coudeusa^'ão de ei átono em V átouo. qae 
vemos em pior. (e}irò(ít), etc. O si^'uiíicado deste vocábulo é dado 
no Novo DicoioNÃuio, que o escreve peàt. do modo sejçuiiite: — 
«m. pi, correias que os caçadores de altauaria puuham nos sauooa 
[melhor, çmicos. castelhano antigo cantos, ortografia moderna 
sanrosj do falcão ou do açòr. Cf. Fernandes, Caça de alf^iuiria. 
onde se lê pios. (De peia tiu de pth — ■ Heproduxi por euteiro 
a inscri^-ào. k qual serve de comentário o que acima disãe e que 
não c maiít que a reprodução analisada da excelente nota que 
sobre este vocábulo escreveu D. Carolina Micliaelis de Vascon- 
celos, anterior k publicaçilo do Novo Dicx^ionAbio, na KKVtsTA 
Lusitana ^, e que parece ter passado despercebida ao autor do 
Nôvo Ihcc, pois o íntimo ali demonstrado é pediola \ pede, 
e uâo directamente jjííía mn pé. O /í é, como em eirônfes) pluraL 
duplo, e o substantivo é femenino, e não masculino. 

pirar-8e 

Vocibnlo cigano, no calo de Espanha pirar ou piMarw^ 
«ir-se, camiuhar». E termo de jíria por <fiyir>. 



■ Duurt« Nún»z de Ld&o, Oriobm da linooa portitovbsa, c*p. xxit ^ 
» 1. 111(1895). i>. 180. 



|>ircã 

vocábulo, entre todos os povos europeus úuioameute 

«m fortiigal, é do orijem orieutal. como outros vários que 

p«ças do liparííllio com qtie m sorve n riur (q. /■•>.— 

«ju cheias de inuitos pratos* cada uma acabava com 

pin*. fiuendo «un monte > — '. 



Kôvo DiccioyÀEio declara ser este o nomo de um — 
comestível dos sertões americanos- — . Há aqui erro, 

Hfm o vocábulo tem feitio americano, uem me parece que a 

fta iudicaçào de vejetal seja suficiente. iQue é que se come 
50 lato. a raiid, os folhas, os frutos, ou quê? Ora liisaai, 
Qciado quuM piçã, õ em malaio o nomt> da < banana >; mas 
que jamais fogse empregado em português, e como o 

\ o uão altoaa. inscrevi-o na epígrafe a itálico, para ser rejei- 
como nào p*irtencendo ao vocabulário português autorizado 

ftso ou poi- qualquer escritor. 

pi tufe 

Btifc abroTUtnra do latim cpitapbium. o qual não è mais 
laiioizttçâo lie um grej;o BPirApTdN, de epí, «snbre- e 
• lousa, campa», adquiriu uimMiiticuçilo muito diferente 
que A forma alatinada se atriliui, isto é, ' letreiro era 
No Kiba Tejo ititaje (s «ditèrio, nome ruim, que a 
Be chama': oa iliia de Sam Miguel siguitica «defeito. 



jUlAbid FmncUcu Cunliiu. Bataluab x>a iJoui'anuu dd JioâUd, 



276 



Ajtoftiia» ao» Dicionário» rortuffueaea 



pecha» V Outra forma equivalente é biUife; cf. hUpo { ejiisc 
pura. Tanto hitafe, como pitaje estão já rejistadofl no Nã| 

DiCCIONÁBIO. 

pitaoça, pitada, pitar 

— «As pitançoH, que oulr^ora se estatuíam na maioria 
arreadamentos, pouco so usam boje. Km geral constam 
seguinte: carradas de lenha, de duas a »eÍB no tempo do c6t 
um oit dois porcos gordos, ou arrobas de carne cheia, 
occaaiâo das matanças e fumeiros (Entrudo)» — -. O vc 
parece provir de um verbo pitar, «comer aos ^ucos», 
exiíite em provençal, ititá, e de qu*» piUiâa. deve de ser 
adjectivo partícipia], í>ubstantivado. A palavra ^íi/aHí/í oncontr 
com pequena variação em quási lodaa as línguas românica.^: 
pitada é eichisivament* portuguesa. Cf. pftar (q, v.J, ^tuj 
Minho sigintica «ml^ar». 

pituugáli 

— * as pituugáli (panellas para cozinhar). K termo da ÀI^ 
Oriental Portuguesa > — ^. 

piíica: V. pBÚca 

plateia 

l^te vocábulo, que pertence h nomenclatura especial d'i^ ' 
tros. tigura já no Aviso de áfi de março de 1755: — • m<wti 
bilhete de V. Ex.** com o »eu uome e destino parau Plutea- 



t O Sbcdlo. áe b du jalho de líK)!. 

* J. da SiLrn PicAo. ETHXoOKArHiA dú Alto-Aluitbjo, w 1 
togíilift, r. p. 27!). 

* JoitNAi. DAfl Cou»NLAe. de 30 de julho itc 1904. 

* CoLLKi-vZo DM LBOiNLAÇÀo FOttTriirBKA, do dMainbftTK^ador \ 
iiio Dclgiido ila 8iJvu, Haplomeni» de 17ãO-17G:í. p. HSii. 



P<J 



o étimo desta curttfuiinu palavm portujC^iieRu. a (|ue em cos- 
ibsQo corresponiie /w/po, nio pode ser o latim puluis, de que 
Ivwio o ituIiiLiio i>oIve. porúui »m\ iinm forma i>aralela pui u um 
idrt -4» intenuóiliu5 coujectumU ('uliiu ' puUt { poio \ poo *. 

Creio não tMtar r**jista(ía nos dieionHrio^ ;i flcii mui liarão pô- 

ihulA a certa lou<;a tluu, ma$ não transpurunte. uoine 

:. , ..^itnt*» an <le faiançti, do trances yiiíVHrí*, C|ue todavia 

Wt o DiLo deâtiTrnu: — «Grande saldo de louça Sna (U> pó de 

I Bsb lotação, tani rormiti? in> rorat^rcio. parece nao mt muito 

tp»»iá Diu sò uíjrt fijíura no Vocabulário poutpouez s 
de Blnt«an (1713-1738), raastanjpouco faz parte da no- 
nra pK»rtntçue3a da louv». incluída uo VocalMdãrio de 
*ría5, cm dozti línguas, publicado por Felipi^ Andr^ Nt-m- 
Ib em 1707 '. nu qual rol\jiu loura ãe coziniia, low;a da 
Mt Japáo, louça tfe barro, loura vidrada, louça de en- 



■ «lUr. 



poço. poça. poçada 



luIncUittiro masculino peço tem o o tónico focliado, como 

i» vbto provir do h de puteuro; o feiueniuo poça. o o 

- Tafonia (cf. Ovo. ova. formoso, jormôff a): o plural 

<u ifm o o aljerUA por iyiual motivo (cf. óvm. Jor- 

P» ftoça deríva-«e niu subsítantivo abstracto jfoçada. que 

rejidtam: — < Bragança. 31... Os rios não 

er moer os moinhos; é necessário reprezar 

í*r moor do poçada»— *. 



S. I«ie0 dr Vi»!!one«lo&. Bbti^ta Lusitana, ni, p. 297. 
niméti n." |.'tS(Kt, .In Di.titio i>k Xi>rii-iAR, tU 1 Hp maio de IMi. 
tAAiuw Ltuico.s IH zwOi.i' !ji>RACi![eN, Hnnihurt;». 
lo EflúXoMUTA, ie '2H de agosto de l!ffl4. 



a*) 



Apturiilan aos DinQHnrif>ii Purtugueaet 



poeira 



qaè 



secan 



Que eu saii»a, é o Novo Diccioxàbio o udíco em qne ení 
a[)Oulfula a sigaiiio^çÂo de * areeiro* a êst« vocábulo, pAsto 
Morais e Silva ' já houvesse incluído a de • areia para 
tinta», sobre a qual Unlio muitas dúvidas. O Xôvo Diccutxioio I 
Dão comprova com citavito a acfpvii" innlita i|ue Ibv dá; entrudo 
pois cODTeuíente abonar-lhe a exactidão. Na pEBEOBTJfAçAo. - 
Feraára Méndez Pinto, vera este passo, que se refere à mobília^ 
de um tribunal chinês, e eoulírma aquele st(jcnifícado: — ' lun 
escritorioziulio redondo que tinha n tinteiro e a |K>eira> — ^. 

Era, portanto, poeira ura vaso, pertence da escrevauiuliai | 
cora um p(S qualquer para enxugar a tinta no papel. Km caste-J 
liiano uindu hoje o areeiro fie denomina mlvathra, de mlA 
vado, *8émeas>, que em ttimpo lá se utilizaram certamente paiAJ 
esse fim. 

CcnlirmaçEío decisiva da orijem do vocábulo e^telhaiui| 
salvaiíera é a .««egiiínte: — < antiguamente en lugar de polvos sftl 
u.^aba salvado» pura enjuf^ar y secar lo aoubado de escribir: UÍ 
cual se comprueba por el hecho de onconti-arse en mauusfritwJ 
dei siglo xvT algimus ca°curilias de salvado peguduâ á la&l 
letras » — ^. 



poita, poitada, pouta, poutada 



O primeiro vocábulo cjstá rejistado uos dicionários; nà' - 
o sea derivado poitada, ou pontada: — «Lê-se na Estrella de 
Caminha. . . Os tripulantes de uma das lanchas, logo que Un- 



* I-UhuA, lí<2,S. 

* v.a]i. (Uir. 
> Itoniiio Cubrera, ajtud Ilatino Jiw* Cueiro, ApusTACtosBe CRlTiOáft 

«OBRB £L LENtiUAjE BOOOTANO, BogOtÕ, 1^81, p. 433. 



ApfíniiírtJi atm Dif^nHÒrioM PortufpueMfs 



281 



iraiu a piíitada ao mar, cousidemudo a lauclia seg;iiru, deita- 
nm-w u dormir" — '. 

A poita è um peso amarrado a ura cabo, e serve de ancora. 



pojadouro 

Termo de carniçarta: carue de 1." classe *, tirada da parte 
biLÍM u^ossa da peroa da rês bovinu. 



polaina 

Em francês antigo dizia-se jx/ulaíne n que boje se diz (;ué- 

t. e ohiUD»va-se-lhe assim por ser feita de couro da Polónia; 

cf. (voura fie) Moscôvia. marroquim («dd Marrocos»), cordovão 

(•de *'i»rd«va»>. i) rniucis pouUíiiw parrce ler dado o poriu^uès 

fotaitm. M níto ser que este seja um adjectivo formado já dentro 

" com deslocação do /, para a íiilaba tõnira, /w//í- 

/-' çf. o português bairro com o castelhano báirio. 



polé 

b com cerle/a o motimo vucábulo que o francêa pouUe j po- 
litiia I (pTígo poi.Idion *. Há quem suponha ser au^lo-saxdnia 
a pnlavra e relacionar-se com o 'm^\C'8 to jutll. «puiar». Em 
bano diz-iie polca: cf. port. maré e cast. ittarea: ma.s a par 
' rraiK'*:8 marêe como ótimo imediato, ao passo que 
j l')dt' ser de /loM. polfn, atenta a difcrcnfa da vogal 

titnijca. 



* O Eco-SOHiaTAi do 3 d« ugotrto il« 18!>*2. 

■ SiVTA UOfl FREVifl D08 TAI.BOfl M1'N]C[PABS. 

* JAUiuunBaicniT rúu inn FnitTm:iiittTTn unu RoMAxiMnir-A' Piii- 
EAUMIS, ri, I. p. fôl. 



^2 



ApontUtui anti Dirionárias rhrtuf}uc*í-i 



poleii, en]polear(seK descmpolearíse) 

Para expíicaç-ao cabal dôste tomjo o seus derivados, freqíie 
bes DOS iiosifos escritores tiiiiiibeiitistiis, podendo fácilnieiii« o pri- 
meiro sor cx)ufundido com pária (q. v.). de que difere, traduzira 
aqui, climinaudo as citações de literatura estranjeira, o artigo 
que llie foi consarrmdo no monumental Glossário de termos aagli 
índios de Yule & Burnell ': — «Poleâ, malabar pulítyan, «indil 
duo de casta vil ou irapuni, que polui fjiulji) peln seu cont 
as pesâoas de casta ?íU]]erior, a pequena distancia que est^ 
delas >. De jmh Hzerani os jiortuiíueses os verlws empolear-B 
«ficar poluído pelo contacto de pessoa de casta inferior». 
deFettipolfrtr-se. «purificar-se def«a poluçílo» [ou tarabéin puí 
íjcar-se] » — . 

— A If y lia fífintó tyda, rira o jmbrp, 
De fÃhiilas cunijKJíita se imagiiui: 
Antittd dhs, e «Jmente hum pwio cobru 
As )>art«:K que a cubrír nntura vnsína. 
iHuiK nii>>lus liá ili^ i;i*Tit<*, [lunguc n nobre 
Naireií ehainatloí ntatu, e a nir^noii dina 
Poleií^ luiii pi<r nomo. a <|ufin obriga 
 ley oAd memorar a canta antiga—*. 

Acrescentarei aljjinnas. poucas, considerações minhas. 

Km vez de me guiar pela trauscriçào da estanca camonia 
adoptada pelos autores, corriji-a pela excelente roproduçÃo da 
2.* edivJlo, feiUi por F. Adolfo Coellio. em 1880, beuemérita- 
meute publicada pelo Diakio dk Noticias. Efectivamente uoq 
quanto a cifcaçito por eles feita seja de uma das duas adições 
1572, há nela erros evidentes tais coma rieen, Poleas (aJíi 
Poleaas^/w/fíí-sy misturar, roinos (menos). 



* A 0i/>K9ARY op ANOt.o-lsDiAN woRDS. Londrcs. 1886. 

* Camilos, Oa LchIaoas, vii, 87. 



Os lutoreâ acresceutaran) a versão de Biirton, era que ^ste 
ti!o t-ra<]t]U>r dos LusíndatJ acetituoii erróaeainentf Poleas: 

— Pi>tóM, whotii tbtíir lianghtr Uw contain 
froiu inttriaJngliDg with tlie tughor atraiu — . 

Virín outra literatura portuguesa udequada citaram ou adu- 
m 0% autoras, a qual suprimo, por nada ncresceutar ao que 
tain rlarameiíit^ PxpurfiTai». 

i^ulro ttnffoleaf fijjrura uo Novo Diccionâbio como termo 

DAnoDtunn, com a siguitícação de «arrebatar pelos ares>, e o 

iuvtiriwfmil /irt/í'; ilfuemiutlear è inédito. Estes dois verbos, 

t«em de «)t*r iucluiilos nos dicciouflríos portugueses, conferi- 

i|B« oeJADi os pad80s com que o (irlossário os aboua, iãto á, 

de Gouveia, .7ors.u)a ix> Arcebispo db (toa, D. Fbey 

\ktxixo DK Men-bzks. Coimbra. IíjOCi. f. 97. 

KauuuJ dti Mflo ' já a í-sses vocúhulõs se referiu abouaudo-oa 
outroit trechos que pontualujeute os elucidaram, e de entre 
U^UMis paru liqui traiílado o que coutem o verbo desetfipofear. 
protiome retlerso: 

'Abníâon a todos e (iiieiínoa o pagode, o que elles seuti- 

moito, por ser de muito ^'raude venerarão sua pela oftousa 

ã t-ai religião, e ua reediticu^ilo e piir^a^ão delle (a que 

; rhamain de^ompoleaiM >;aj(taram muito diiibciro e tempo> — '. 

polelu. polilha 

Wi. ?i.. lie traça. Poleh é a forma portuíçnesa correspoudente 

wi pftltlla. que também se usa. e uilo está rejísiudíi 

dirioniiríos. O étimo mah plauMvel é o proposto ]ior Itut^t, 

if/fi. f(»rma femeuinn dt^ puMus. «animal pequeuo e nuvo*, 

Sbinte ãà format» demiuutivaiâ puHella e jmUicíttjla. 



Vr.rA- ^.KXt&)XÀ»uv.^H, Río tlí? Janelro. 1880, |i. a5-3íí. 

<W Conto. DftCADA UfiCIMA. 1. IH, cap. XVll. 



política, politiqaeu'Of polittcauto, politiquice 

Os três últimos vociibutos são derivados do primeiro, p tfl 
três sio tomados à má iiarie. Politiqueiro vetn já r<»jistailoj 
Xòvo BiccioxÁBio, que lhe ucusa o seutido depreciativo 
é empregado. Significa o < sujeito que fa*z da politica pr 
para seu interesse», e a aplicaçán dele í. e deve de ser, umaj 
dadeira iujúria. O terceiro, jH>Uticante. não esU reji±itado| 
de iuveufilo niíiís moderna, iròuico mas nâo vilipendioso: 
dizer o * indivíduo que por paixão se dedica il política, oij 
dela vida, •á^xxi que ciuicameute o taça por exclusivo ínt 
])róprio. conquanto se nilo possa em absoluto dixer desint 
do», pois neubum politico o é. 

Politiquice, toriiio igualmente rejistado no X6vu Dic 
«oOcio de poUtiqítí'iro>. ííão me aocone a memf^ria com' 
abouayào do termo, suposto êle seja trivial na imprensa perid 

K possível que a palavra pclotiquciro ínliuisse db críaç 
teruio iH)Ufiqu^iro. 

Quásí que não valia a pena criar nova denominação par 
tiiiguir us duas prolissòes. porque, na verdade, a diferen\-u 
polidqueiro e pcíotiqimro c ainda muis t^nue na essenci^ 
que o é Du forma, tjquivalem-se tmi ao outro |ierteítaiiiente.| 

O Novo Dicc, rejistando a palavra fiolitiqtwiro. autor 
com um passo do Fabiilario de Henrique 0*Neil, que não 
creve. e uHo pude encontrar uuquelujj iuteresnantes peç«s pe 
nem nas suas curiosas auotaç>òeâ. 

A pájina 019 apontada, é erro tipográfico, ou lapso de 
a citou. 

Dizendo que a ni&o pude encontrar, reíiro-mv ao exemplar i 
me foi oferecido pelo falecido autor; mas nâo creio que dq 
BULARio se tizesse outra edição, além daquela '. 



' hbiboí, 1805. 



Ajtiitiíwi ao» liicifínântíB J^tringHews 



ãss 



poUrouu, poltrão 

<«nivinonte. num jornal de Lishoa '. oomn etiinnlojia, sti- 
eiii carta uma palavra russa híbrida, composta: russa 
ipnficito pui ««u-io». e eslrnulia pelo vocábulo frouc. nu 
^«sim. <troDfi>. ()ue ufio é russo. 

ratA extrava<^áticia respon(l«u-se, em carta também, retu- 
hâe tal flimolnji;», com argumentos uy^ativos. 

vtuno V evítleutenteute o itabann i/oUroruix tflmeuiuo de 

0(w. ua acflpvio de •prejíuiçoso»; cf. em portuj^ufis /ívé-í;»;- 

t>u fireffitir^ira. que também significa uma cadeira de 

ou o qup era francês se denomiua chaise-lowjae. cnn- 

roni feitio diverso. 

o vocábulo lioUroiM. como substantivo, é assim definido 

etròccbi ^: — • Sèg^qola gfJiudo a bracciWi e per Ío piii 

í»; 'cadoini ifrande, de brayos, e quási sempre tilnio- 

treio que >' bastante isto para convencer a todos de que 

|ca a pulavra uQo veio da itussia, mas siin de Itália; prová- 

Dti* coro o móvel, ou a rooda dele. como tantos outros ter- 

|de artes e industrias, e noiueadameute muitos t«rmo8 de 

Itectura, de piuiura. de teatro, de oenocrrafia, de literatura, 

búsica, tabi como: baUiaquim. fjro tesco . esfatura, pitoresco, 

n, jreitco, jtalet} rénifo, pôr em cena (nwHert in scetw) ca- 

a, rihaJia, rufrecho, çonfrnrenar. arlequim, 

i.uo. fíuneto, fíítijin*;n. tcomiionr. rutloio. violeta, 

maestrtf, hatufOr etG.. etc. 

<|iM fie nio sabe ê quando éiite Bub»iiintívo poltrona 

o signitírado que tem liá bastante tempo em portu- 

• vií perdendo, pura ser substituído pelo arrevesado 



• :JA«I. 



í\a ITMTBRâAlJI DBLI.A LINIUTA rTAUAHA, MllAo, 



fauteuil francês, mal prouuneiaJo pelo povo como fòtelfie, 
por lhe uào caber «a boca. No Vocabulário poHTForez e 
f,ATiNO iitf ltluti*ttu, isto é, pnr priacípioâ ito sifculo xvni, f^ esu 
palavra assim detíDÍda: — «sella (Termo de Kstardiota). Hã a 
qae tem o arção traseiro muito baixinho, viiberto com obra 
acolchoada, t* seu urçAo dioureiro peqiieiip. Desta mUa se cahe 
facilineute. d truta mal iis Uásontus dos uavalluiros. Galvào. Tra- 
tado 2 da Kstard. pag. 4r)4» — . 

Má sela para iiiaiidriões! 

Na palavra jtottrão lemos uo mesmo Vocabulário: — «Fraco, 
Piisillaníme. Hé palavra italiana, derivada de polira, que em 
Italiaoo vale o mesmo que Cama, ou Leito, porqae o Poltrão 
também é pregui^-oso, e sobre Fraco. Ocioso, sem querer em- 
prouder cousa aljíuma uâo só por medo do perigo, mas também 
com receyo do trabalho. Seguudo Salmasío PuUrào se pôde de- 
rivar â Pollice tritneato. porque os que nào queriào ir íl guerra, 
para m deolanirem iucapa7^s dos eiercicios militares, cortavAo o 
dedo pollejíar» — . 

Sem acreditar, já se vê« na etimolojia proposta por Salmásio, 
e que estava perteitameute ao gosto da sua época, como a que 
ficou já agora clássicni. póstumo, de post e húmus, não me pa- 
rece também que polira provenha do alemào. antigo ou moderno 
pohier, * almofada», como se atirma, pois não vejo a razão da 
perda do s, e resta ainda provar que poltrone venha de puffrn, 
conquanto este étimo itnediato soja plausível. 

Para iK>rtuguês estas investi^açõe^s são escusadas, bastaud4>- 
uos quo tique enteirameate averiguado, cumo parece estar, que 
tanto poltrona, como poltrão nos vieram de Itália, ou ao mesmo 
t«mpo, ou sucessivameute. 

Km castelhano a poltrona chamou-se ailla (cadeira) ftol- 
trojia, e foi em breve substituído o nome por sitiou, aumen- 
tativo, isto é, * cadeirão >, que em Portugal já se vai usando 
também. 



polveiim 

I Púlvora fiou: — • o morrão (do arcabuz] ... era levado à « ca- 
onde tíslava a pólvora fina, • polvorim » — *. 



poinaleiro 

Termo de Timor: — -Pigarreia Doesta occasião o poinaleiro 
|fritio*iro) certas coisas * — '. 



poriiba, poinlx), pombinho 

Di(.x:aoKAHxo Contemíobaveo rejista este vocábulo, como 
d« arqiiitfcturii, t\w define assim: — <Pa[K) de pomhn, li- 

1 armada dn dmu curvas op[)ostas, sendo a concava em buixo 
_»a»mve\a em cima» — . 

Comn termo de construção de aparelhos vemos o mesmo vo- 
kílii emprpjíado no trecho íie<{iiinte; — «inferiormente a ella [a 
de uleir»>l cruí4am-se duas espessjis rejioas, as pot»i)aíí que 
^3&tit«ra do diíico {telas cravelhas, ou sejoui cuiias espigue- 
ii d' madeini» — '. 
\o sou K(<titido natura] r(^istarei aqui algumas deDoniinoções 
^ítiwiahoií, liflo colijidas em dicionários. 

pomba (lo yruir (Porto Moniz, Madeira) alma ne^ra, ave. 
jiomfiiíUio, jnjmhinfut. pombo bravo (Madeira). 
fftínho-branat. — Madeira. 
pombo-rlaro. — Madeira. 



• PúftQfAlU.I, p, 01)2. 

* foTtagntU,!. p. .'t57. 

' I: li4 I*«ÍSutO, HOBItSVlVHKUlA DA HODA FRUIITIVA DB OLBlim 

irviTUtiAU in Purtttiçalia, li, p. "th. 



2ã$ 



Aywitilafi lios Dieinnãrwn P^frluguena 



pombo da rodia — pombo bravo. Madeira •. 

jtombo-papo: asaiin chamado por ter a faculdade de dilatar' 

Bpo. 

pombo-trombeta: quando arriillia produz um som senitíllinn 
ao de uma trombeta. 

pombtMmnein: com os olbos debruados de vormellio. 

p'>mho-ptdn'neiro. 

pombo- ff rauafa. 

pombo-lcqite : por ter a cauda levautada em leque. 

Itomho-mmhdlhota, ou rodador: quando vai no ar deisa-j 
cair, coruo se ostivesâe morto. 

pomho-nuiriola. 

pombo-viúvo: branco com a cabeça, caada e giiias, tudo pr 

pombo-arcanju: pequeuo e roiío. 

jMmfKt-andorinha, 

pombo-t âmbar. 

pombiy-romano. 

por)ibf>-p^i/(t. 

po mfK/-etnperador. 

jMmbtt-yctim-ta. 

pombo-gunj)a '. 

Em sentido tígurado. pomboft do onjào rf<w conta», e por, 
do orqàtí do pano silo jw^íaíi dn le^r, em número de duas 
cada espécie ■'. 

pombo 

Termo da África Oriental Portuguesa: — «Km caso de adi 
terio tem mais o pombo (iudemnisação dada ao marido) < 
Marrumeu. 



1 Ernesto Schnutz, VtD VOobl Maduiras. 

■ O SKQtTLO, de ã3 ãe feroreiro de I9i)2. 

• Portttgalii, I. p. 374, {q. ».). 

* Jornal das Coloniab, de 4 de julho do ld03. 



AposiSfaa nw MWowíirflj" iVrÍH^fíí» 



£8» 



pouta 

Is cliavelli<»« tJiniliôm so dunomitium ponUts. o que já figum 
" l's; a rtplioíiçào <Ií*sU iliMiitinina^rio. ftnriMii. aos <lí»n- 
|. -nies ti JDt^ita: — «daspoiítas — da torra, dos elefanWtí 

fias, que ficuni voltadas para o solo» — ^. 

ponte 

^ • Inferior ao mastro /*,•. trapeira] c presa tamlieu) ao fre- 
1 ha ontra truve do diumetro do moinho, a que se chama 

pontificado 

^te t«rmo v«mo-ln aplicado, não â admiuistraçâo do papado, 
► a de um hispado. no trecho seguinte: — «JA noRso lllus- 

-■ í*r«Iado corria polo seito de sou pontificado»—^. 

i^-se. ao benemérito bispo de Goa Dom Krei Aleixo de 

i«s«#!i. 1») biifpiuho de nfujroít, como lhe a fidalga mãe cha- 

a Mbi>rba Dona Luiíia de Meneios. ()ue lhe não queria 

ir a acoiUy&o de tam humílinia dignidade eclesiástica, 

altiva « prenunço^a opiuiiio delu. 



ponto; ponto-d'á);ua 

No [Xfuro chainain-iíe pontos os recifes: — «O rio Douro tem 
. . «lícolhos, a que os povos ribeirinhos chamam pon- 



if«>r«dn f*fMitiiih<i. A CAUPANUA. uo Baruií: bm Ií)^^, in <Jurnii] 

u », de IH d<? agiJBtu de líK)f. 
l'.rtoifiilia, J, p. HSt). 
■ O ORiKvrts i'4iUTi :oL'^.8, 111, p. 248. 
> RsrtirrA LcsiTAKA, vi, p. 242. 
1> — Vnt. n. 



290 



Ajtrutlila* (109 fUrioti/iríos S\trÍM*/uatcê 



Pontos, como termo de inaroi^uartu, são o nome de do 
pigos era que rodam as portas doH armárioa, um om cuna 
em baixo. 

A lociivAo ponio-iVágud parece ser pr4S|>rÍa da Guiné 
giiefla; designa, ao que parece, um sitio em que se eurontriíi 
de beber: — <a geute de Varella que defendia um 
ã^agua» — '. 

porão, de priio, de prao 

Todos os dicionários portugueses íucluem e detint^m 
vocábulo, e quási todos assim o escrevem, sem alteração* de 
o de rUuteau até o de Cândido de Figueiredo. Nenhum dêl< 
Ibe aponta a ettmolojta. 

Km reruám Móudez Tinto lêraos: — «se outeudeti logo] 
toda a presteza em alijar a fa;^da ao mar, & saltaudo era 
nn prâo obra de cem homés» — *. l-lsta forma do vocábulo 
já apontada por Morais, l^icerda e em outros dicioDãrioí 
gtieses, como equivalendo a porão: foi, porém, omitida 
F. A. Coelho, no < Contempohajtko >. e no • Novo UicciuxJ 
de Cândido de Figueiredo. U «Grande Oiociovario Pú 
QiTEZ», atribuído a Frei Domin^'os Vieira, o Fortuxués-fr 
de Itnquete, e outros dão o vonábulo prâo como íguul a 
A btiuviío adverbial ile pram ncorre [»or exemplo ciuw 
no Cancioneiro de D»>uj Denis *; ua edição compU-tu, tViíaJ 
douto romanista suíço Henrique l^ang, é essa locução expl 
era alemão por feichtiidi (•fácilraente» K e ffer-n («de 
mente »). Ê pois este vocábulo mais um alótropo. usado coi 
tugués, do latirn plantíjt, para juntar aos já compendiíuloic < 
lhano (castelhano), phno *, e o italiano piatio, com seuti 



* Jornal das 1.'nt4>KiAa, de 2U do abril d>' 1003. 

* PCREtlRINAÇÂO, cap. I.XI. 

* Ut^nriquo ILL»ng, Dah Lirderiiuch dbs KOnu;s Vstvtn rux I 

TUOAL. lUlIe. ISÍfl. 

* lÍKVUíTA LrsiTANA, 1| p. 2(B. 



ApitstUíut (IÕ9 DkioHnrios FortttffHtiaca 



2i>l 



I vmaui nu especiais. Portto é consegainteraeute um des^nvolri- 
^ Bffll'> foiíi^tioo de prão, empregado como «tubstantivc, em sentido 
, «laiiifío u eJião, ou ao itatiauo piano, na acepçáo de « sobrado » , 
l^t. romo hoje dizemos, -andar». 

l^riv»dos do mesmo radical planns sào praino ou plaiuo, 

atro I châairo [ planaiius: 

plAnarins : planas :: plenurins : planas ' 

<'oin relação no o, é êle uma vogal intercalar, ou anaptíctica, 

DO em /('fvfrwVo J fehruarium, yi^r/Tí/ ] 1'ihra fq. v.). 

EfU etimolojia está coDtlrmnda pelo nome próprio Sam João 

Wliorão, acerca do qual o arabista portuífuès David Lõpez 
^|titÍKiiii uma íutere:»suntissimu noticia uo joriiul O SEcru», de 

de março deste ano. Lemos aí, entre outras provas de que 
}Á\p{iriui é uin latim arabizado (al, artigo e porão, por piau um 
tinn) tun trei^bo extraído da notícia da couquista de Santartím* 
bbi:jula nos Momurientos histtíricos de Portugal, o qual reza 

\: — <qae uocatur alplan, eo quod ad comparatio- 
prectpicii tocius cireuitu8 planum uidebatur — *o 
w ctuima alplau, porque em relaçUo ao precipício em 
jiareci! platnci * — . 

Aimla hoje se emprega de prau forma desnasalizada, compa- 

íl ■ /taroit em relação a neráo. o que quere dizer 'a par, à. 

M. K terau. 

Xa exiição cU Hístiíria trájico-marítima, da BiBLioraEOA db 
iDoe I'fjBTi;rtt-KZKM, vol. XI., vemos Irí-s vezes pído por 
(p^. 5íi, 57 e 61): apontarei a primeira:^* não faxermos 
iiu« tirar af*ua do piHo e deitá-la no convés > — . 

De>» BCT erro de revisão, como a páj. 114 babaie, por 

iré fq, V.). 



* V. Theil. DiCTtosNAiRB LATis-riiANÇAis. Pafiii, 1880, êuò coe. 
I |tl<- n j ritta. 

l*UltTttaALIA« UOXUXBNTA UUTORICA, ScríptOTeti, t, p. 9Í, A. 



AyoHtiltai fuy» !ii<ianàrim JhirtuguoKH 



poreo 

Porco ciUiaâo é o nome qoe se dá em Rio Maior iiqiicK^ (]<if ' 
tom no peito uma malha branca, quo pussa por bnixo Ao< 
e vem fechar por cima dos omhros. 

Poico-ilo-mdf, no Brasil, é o uome qutó dão ao golfinbo:- 
monstro marinho, que os mais entendidos denominaram por 
mar ou golfinho» — '. 

Forro-rsfitn. ou porco-ejipinfio: Gil Vicente nsou a prin 
desLis looii\''>es no Aimi ]»as Fai>as. A palavra cspim é ai 
adjectivo «nitorme. como em uva-espim. 

porrào 

Tanto o Diccioxahio Oontkmporan-bo, como o Nitro 
ojonXmu» dixein sitr ti mesmo que inorhi^iie. Creio que 
ambos errados. No Minho porrào é ura «boiào com doaa 
ao passo que o miirimjae é iimn bilha com dois bicos, um 
cada lado. e uma só asa que passa por cima de toda a vusil 
fazendo-lhe arco. 

Na Catalunha o {túrró (plural porrom') parece-se muito 
com o moringue. porque tem dois bicos uo tampo, e ufio no 1 
e uma só asa entre eles; sdo de barro,, de lata ou de 
Km castelhano chauia-se ao moringue botija, e ]>orrón a 
espòcie de moringue de vidro, mas o termo é provincial, con 
declara o Dicionário da Academia *. 

portador 

— <0s portadores, esses, aliviados da carga os cavallo», 
saram a vao o rio » — *. 



* O EooNOuiSTA, de 5 de junho <1« 1&S4. 

' Madrid, lSlt9. 

^ HOtHlVKJU DB UMA VIAPtlSM NO INTKKIOB DA PARAOrBA 

PBHSAMOriro. IH «o SpciiI.o. de '2~ <U maio di' I!KW. 



ApoMtUm ttOM DirionArion Portugunuv 



2Í)S 



A u&o ser que huja a(|ui^um neolojismo de acfjiçfio, é termo 
KnuUciro, pois em Portugal (lixemos carre^affores. 

pnrtulti 

KsKí Ttíoábulo, provàvelmeate derivado de j»orfaf. é eoalie- 
como termo de arquitectura oaiml. Aplicado a edifícios 
no-lo uo Ireclio seguinte: — «no segundo [nudar do moinho] 
ta tombem... uma porta, da (jiial slí pode saliir... por uma 
«cwb de cantaria. .. ebauiam^lbc portalõ^ — '. 

posse 

— •Km Guimarães festeja-se todos os auuoa o S. Nicolau. . . 
[Po8s« tí a «>briyíu;ão em que certiis famílias estão de dar aos cs- 
tixIa&U», Qna ca^^tanhiu para o niagusto, outros lenha para as 
fn^eir&3 • — -*. 

poatiyo 

Tem Hlè adjectivo siguiticado muito especial no litoral da 

Ki>^i>^a ^0 Minho; quure dizer, «do ndopção*, que não é da 

«M»: e assim chamam filho {Hhitiro uo • filho adoptivo». Km Uui 

de Í*iiui, quere díaer -falso, disfarçado»: — *g as outras [cartas] 

'•ruD aeideotaes e postiças, on o mais certo constrangidas >—^. 

pòslo 

Tem. além de outras sIgiiilicaçOcs a de. • raa, sitio de pos- 
■j«n» ♦. 



« x Ai/iARvioR. ÍM PurtugftlU. I, p. aíí7. 

• I_"IM>XICA DK El^KUl l>OM .\K0NH0 T, CII|>. XOT, 

* K, ILutiiiA SiiTiDont4>, OnsBKVAvGBS i C^takia do bnk. d. Euiuo 

IBCAXJUL 



2ti4 



ApoMtUoê a&t Didonârioê iWfHjnteMt 



postura 
No MiDho/a^<r postura é «fazer trejeitos». 

poaual 

— «á sua aluía prlmítÍTa o fetichismo aflora, irresistit 
mente, e verá em cada pedra signaes de ama divindade* e 
pof^ual a arca santa. 

[XotaJ J.ogar onde se guardam as cousas si^radas, louí 
pedras, zagaias, amuletos, etc. > — '. 

poucaohtnho 

Assim escreveram Uluteau e J. Inácio Uoquete, e com pll 
razão, pnis ôstc vocábulo uõo »* um composto de pouco e chini 
que não é cousa nenhuma, senão um demiuiitivo duplo, formtj 
de potiro. e do9 suficsos -acho e -inho. com elimiuação do o : 
do radical, e do primeiro suficso: pouco [ fyoiicacho \ poiícG 
tiAo. O sufícso -acho eucoutra-se em bonacho, do qual prov 
honacheirào, e não bomchflirão. foffacho \ fogo, penacho \ jh 
verdacho | verde., vclarho \ rWrt. e procede de -asc( u Hum. O 
como mio existe poucocho, nem bonochOt nem verdocho,j 
forma pseudo-literária poucochinho, sdbre nao ser u que o 
usa. ií falsa, bárbara e mal feita; sendo apenas de st^ntir que| 
pelo menos, irêa dicioaários lhe tenham dado cabimento, cc 
ou sem exclusão da verdadeira, que repudiam por capricho 
seus autores *. 



■ J. S. Peroira Jardim, Notas BTHNooiupHiCAa sobrb oa i 

PBTfMOn. IN Portugultil, I, [I. onT. 

* \\ J. LeJU? lie VosHTuncfUiK, KaviaTA LrsiTAMA, II, p. 3(9. 



Apfmtilns aog Dirio»nriot/ Bortng»e9t!i 



2Í)"> 



pouclmna 

I>nart« N"únez de Leão * apoota esta forma, metátese das 
»<>autes iuiciais das duas priíuvíras sílabas de choupana. 



poapjio 

Xa Ilha da Madeini dá-se este nome à lioupa, «ave», de 
' 4 forma aumentatira ^ 



pousar, pousa, pouso, pousio, pousada 

jO Verbo ftoiísar procedeu do latim pau»are, por evohiçSo. 

ificado do verbo pausare. era «descansar». O substautivo 

•a, qne o precfMleu, coincide com o grego PAfTBA. o qual se 

do rprho pa(ò, • pAr fim. terminar». K pois natural de 

or (|ue V «ub^tautivo latino seja proveníeutu do gre^o, atenta 

forma «igmática (com 8) que em grego tem exjd)caç-&o 

«f v) e a nílo tem dentro An latim. Deixemos porém 

ít. . ^.■,jo. descabida aqui. 

Dvi htim pausa e pausare pa.isaram amboH para a maioria 

• romáiiicaíí. se mio pam todas elaa; e em portuj^Hís 

-- ' nina deduziu-so outra masculina, pmiso, a qmil. 

acejtyòtís, compreende uma, um tanto desusada, 

aii(L*k aproreitável para substituir o galicismo rtappe, que 

\] '■• entende, e c-om muita ra/.ilo: os broncos stmios tu\» 

!ir«|íamti«i. e não ele que a nío aceita nem a percebe 

«na. Kis aqui um eiemplo desse especial signiíicado: — «e 



< * 'fíinni DA, UXnOA PORTUOfBSA. Câp. XVIU. 

• •tij íScliuiiU, Dul VõOKL Maubihai». 



indo desta mnnf>ini, fazendo muito-s poit.<ns. chagámos ao 
do cabeço» — ^. 

tlm Trás-os-Montes jioti^o é, coinn o ca.'^telbauo po^o, 9\ 
ou «rtepiSsito que fica no fiindo de um vaso», e também 
«fuudo das líguas > : — < Oesaparuce o lameiro e agora i^ aiu 
com arribas escarpadas, pareceudo que não tem fundo, 
barerem luuçado cordas imnieusas, com amarras, mas ai: 
encontraram pouso» — *. 

O femenino pousa emprega-se num particularizai mo 
em Trás-*)*- Montes. A tal respeito diz-DOs o abalistdo til 
Júlio Moreira. documentanUo-se com um trecbo de uma 
de homem indouto, cdni])onès daquela interessuuto e portiij^ui 
sissima província: — «Pocsas. Período em que se costmna diri 
dir o tempo quo m homens do lagar empregam e!n piíar 
mosto. Cada poitaa diu-a 4 borns. Assim, fazer este seri-i^" 
tro, oito oti doze hoi-as diz-se tlar unui pousa, dar dua.» pi 
tro.s pousas» — ^. 

Oxabi o douto escritor nos desite. em vnhune se|)aradOi 
vocabulário das diví>es transmontanas, portuguesas, excluíui 
que só pertencem âs línguas raianas daquela i)rnnnciu, mi 
guadrainilês e rionon;s, já em jri^*í'de jKirte rolijidas e estu< 
pfir .íosú Leite de Vasconcelos na sua obra monumental e 
polosíssima Philolooia uirasdesa *, que é um primor 
todo e de execuvão, como talvez não b^ja nutro, escritíi em 
tuga], ne.*te género. 

Pottíio, como adjectivo, encontra-se no seguinte treei 
<E as excedentes [terras] ficam pousias» — ^ 



> 4HÍ8t<^rÍa trAjico marítima», in RiBL. oo» otAjSSlOOt) roK 
KBB. t. xu p. 74. 

* M. Ferreira DeosiUdo, O Rsoouiiif eyro DA MOprbtta, in « 1 
4e eilticAçiii e «nsini)>. 1801. 

" X0TA8 PiiiixiivOOiUAs, in • RcThttt Lutátum», vol. tx. p. 137 

* I>ow voliiitxM, IiÍHl»>fi, IflOO e IIKU. 

* Portugália, l. j». 275. 



PoHJtaHfí é um uumerativo, usiido nos arredores de Bragança, 
pon o cereal em rama; cada iH>usafiit tem quatro molbos. 

Se o r«real e em grão, o auinerativo é conta fq. v.); cada 

equivale a U) altiueires, isto é, uds quiabento$ litros;. 
I Âilveriirei aqui uma singularidade que se dá uú modo de 
sr duquela rejião. como fui iiifoiuiado. O afimero básico é 
ite, i Hemelhau^a do que acoateee eui Frauva, na Dinumurca, 
ou Províncias Vaâconptda^i. 

*>ít aldtfãos da(|uela3 torras trasmontanas dizem quatro vezes 
vinte, como dizem mesmo sete vezeu rinfe, por -cento e qua- 
renLi • . 

Sdo re^tijioâ de um ítistema de cont^jem menos abí^tnicto 

i)Ue II geral. O [Kivo prefere estes niimerativoK i|ue Ibe fariliiam 

naiN A compreensão rápida de qualquer uúmero. É esta a rarJlo 

iÚÈ ADirular maneira de contar dinfaeÍi*o, que todos nós coiibece- 

koM e naamos e que tanto confunde os estranjcMros: cinco réis; 

4r Hn, quinze réiã; um vintém; vinte c cinco; trinta réis; 

ItiiiU e cinc-o; um pataco; doi^ [vinténs] e cinco: meio tos* 

tiu: meio [tostão] e cinco; três vinténs; três [vinténs] e cinco; 

wttTíta réis; quatro (vinténít) menos cinco; quatro vinténs; 

•|iulru e meto: um tostão menos cinco [réiií]: um tostfio e cinco 

[ni^i; cento e dex; seis Ivinténs] meuos cinco, etc; dois tos- 

lõvs; onze vinténs; doze [vinténs] menos cinco: doze vinténs; 

éoK e meio: etc.: irés to8tõe«; etc; dezanove [viaténs] me- 

tOs cinco; dezanove vinténs; um cruzado menos dez réiSt... 

■MMM cinco réis; um cruzado; quatrocentos e vinte: nm cru- 

tsdo e meio tostão; etc; cinco tostões menos dez... menos 

einc*) rébn; cinco tostões, ou meia c(o)roa; sete tostões; sete- 

|f«Btos e vinte [réis], etc.: dez tostões; um quartinbo, treze 

'lo»tões, etc; dnjs mil réis. etc, etc 

Tfviu ««tait expressões devem figurar em separado nos dicio- 
I Binou, ram o vulor qtte se Ibes atribui. 

f^pabrejei muito de propósito o vocábulo que destirua a uiu- 
Idanyd de nuídade. ou N(7«KnATivo, com relaç^io ao auteríor. 



"1 

298 Ajiostilas aos Dicionários Portugueses 

L 

praça 

Na África orieDtal portuguesa dá-se, ou dava-se ainda há 
trinta anos, este nome às quinta, ou fazendas no Transval 
V. Dicleciano Fernández das Neves, Itinebabio db uma viaguc 

A CAÇA DOS ELBPHANTES *, pOSSim. 

praieiro 

Termo brasileiro — «os praieiros [banhistas?] trataram dé 
aproveitar a ocasião» — *. 

pralina 

É o francês prãiine, que quere dizer « amêndoa coberta dr 
açúcar». O vocábulo foi usado por António Feliciano de GastillM 
na comédia O Avarento, tradução de uma de Molière, Vavart. 

prauclia 

Poderia supor-se que fosse um autigo derivado do francês 
planche: .í. Leite de Vasconcelos, porém, dá-lhe por étiino uma 
form;i latina hipotética, planc(u)la ^. 

pranta 

I 

Esta forma é autiga, e ao depois foi substituída pelo latira ' 
plaufa: mus o povo continua a usá-la, como também emprega ^ 



< Lisboa, 1878. 

> O Economista, de õ de junho de ISM. 

3 JÍBVISTA LUSITANA, I, p. 278. 



ApoMlUoM aot DieionôrioM Poriugucwit 



2!Ȓ> 



nnlar, por plantur e pôr. jA forma secuudária, pois a ante* 
r, dtt mesma oríjem. foi chaniar. Na ilba <la Madeira dão o 
tnt> lie prtmias ãis [>oiitaâ du caua-de-açticar, inotídas na terra 
ra reprodução *. 

prão, praii: v. porSo 



prato, prata 

Kte rocábulo. como adjectivo. ^ o coiihcço usado como epí- 
lie queijo, queijo prato, queijo flameugo em forma de disco, 
■-' -ladí) poios holaadeses platte kaas -queijo chato», por 
ao eKftírico, a que cbaiuamoâ flameuiju. e que os espa- 
deoominaffl quem lie bolti. K provável que a denominação, 
stantf' antijtra, queijo prato seju simples aportuguesamento 
) nome que tem em holandês. 
[K^riírs-Hc nrdin.íriament*i o substantivo prata do adjectivo 
í*latCh, ' chato * ; como porém o femeiíiuo de i'LATt's seja 
]A. t^Mnos de supor, a ser o étimo verdadeiro, que em latim 
itíu um adjectivo parjssíluho protus, prata, pratum, co- 
ito du mascnliuo e neutro do grego. 

prazo 

Uo tatiin placítum. substantivo [placitum, particípio pas- 
pajuivQ d« placgre, e que signifícnva < apra/iinent^'. 

A locuçAo prajo tiado corresponde. íi falta de melhor, à fran- 
retuÍei'fOH.t, e à caAtelhana i'ita: — «Quando elles |os jjo- 
se compeDeti'a33em da vautagura de tornar Portugal 

pruo dado do tourismo cosmopolita • — *. Outro termo foi e 



> IfihfnBAfin do conhecido escntor JoXo de Frcltan Branco, ijiic í nniu- 
t 4a Mjid<eír&. 

n. Lúpex de Moitilonç*. iu O SscrLO, do 4 d« jalliu de IWi. 



é esjma. que deu o uoiue ao Cabo da Kspera, ua Terra 3Í^ 
iiuposto jior Oôit* Keal *. 

prego, prtitgueiro 

Casa de preffíf, ú aquella em que se empresta diulieiro ^ 
peiíliores. O notne proveio-llie de em pregos se defíeudurir 
dautes os objectos empenhados. 

Prego, por elipse do snlisUiiitivo r/ua, tem a mesma 
cação. 

Todos oa diciouários oos declaram que pvegueiro è a 
caute de pregos». Niio e porém neste seutido que veraoa O' 
bulo, empregado como adjet^tivo, na sef<uiute frase: — «uaf 
muito pregueiros' — *. Talvez signifique «ronceiro». 

pre^Mintar, perguntar 

Na minha Ortografia Xacional ^ defendi, a pàj. 135-1 
a escrita antiga pretjuntar, rootra a moderua itenjuntar. 
fundamento, não ^ dos primeiroâ monumentos da língua. O' 
formas populares ifrèffunfnr. progtintar. castelhana prtijur 
inas principalmeute do g mudiul, que de modo nenhum 
representar o c do étimo que so Ibe atribuía, percouctarí, 
que r latino s<^meute pasi^a a g português e espanhol qoa 
está depois de vogal, em vocábulos de orijem (lOpular; de 
que o grupo rc, a sor verdadeiro o étimo, deveria ser rep 
tado por re (cf. eêrm \ circum, fOrca \ furca) e dío por 
como está. 

A estas razões, que me parecem convincentes e perfeitav 



t r. H. P. Iliin^. Tbk vovaííes ok thb Caboth axi» COKTa-l 
TO Nukth-Amkkica anu okkksland, in < R«viii:> tUâpaniqac», x, \\A 
s JiiAqniiu Vicpis, Rblatorio, de 3U (1« set<'mbro ile 1^9. 



.■l/MMÍí//»» «O» THHnnàrio» PorfuffMeaes 



3U1 



; com aa |M!nnutayõea qu« a tílologia romáuica iios eu- 
tna, objftotíi n arinliiiuico brasiltMio .íouo Kibeiro, mn uotíi 130, 
|mu;i iiotávtl Selecta Clássica ', dizeudo que uào tenho rii- 
^B acrescenta: — «também a lei pbonetica da permaneona 
Ff na fti!curr«riria rr nilo t» cotisa jiosiliva; apresentAiiioH de 
bomeuto exiTnplos que merecem ser eírtudados: amargo, itmari- 
puc. sirga, xerga | itt*riea, cargo» — . Xâo entendo em que uao 
Inbo nuio: quer em nmarefo \ amaricus, sirga^ xerga \ se- 
rít», ívw*//(i ] curicuni. o r fsliiva separado do r por /. e por- 
ltait« o c vinha de]iois da vogal; \> me.siuo acontece com torya, 
ifUt nilo procede de torcnla. como ali se diz, mas de toriea, 
W» .í. I^ite de Vasconcelos declarou a respeito da forma mas- 
nlbu correspondente Uirtjo -. 

S<i no Braáil, porííra, a pronúncia usual e despretenciosa é 
fhituntar, e n&o jiréguniar, è evidente que a forma literal ali 
tttD de ser pnijttniar. Kiu Portujrul a escrita é iudifereute: 
UB ()ualqu4tr cíimf a palavra será liflii, como é prouunciadUt 



preguàtação 

O Novu Dict.iosÂaio rejist^u o verbo prtymftar. • provar, 
lihar» ti autorixou-se com António Feliciano de Ciistilbo; mas 
be acrescentou o substantivo verbal prvgusktção, que tem, 
no Utíiijico católico-apoâtóliro-romann, acep^-ilo ospecia- 
n — 'a pre^usta^ilii. . . consiste em irem para o altar duas 
wndo uma d'el]as escolhida pelo celebrante paia u sa- 
íieid, e a nutra im mediatamente ingerida por um dos acoly- 
-'. Parece que em xiuiilqiier cpoca, ou ocasião, se deu teu- 
du propinarão dH vnieno, IVita por qualquer acolito ao 
e «m ra:^o disso foi adoptado este costume estranhá- 



EicvtirTA Iatsitaka. 

O Du. ilfl 3 de março de r.i02. 



302 



ApontiloM aos I>ÍrÍnnário» Pm-twfuenen 



presilhice 

Termo de jiria teatral, que também se cbama cábula, e qn 
dizer •artifício. Já de chavão, com que se eu^noa o ptibUco, 
ser de efeito seguro >; é o tine fnuicès: — «antes lhe pron 
(ao público) sorrisos das presilhices a que o artista [actor] 
agarra» — '. 



preto, apretado; apertar, perto, preto, apretar 

O adjectivo apretado, o qual sigiiilica < iilroolizado para o i 
dos pretos», referido a vinho, está ahouado pelo sej^uint^ tree 
— «tendo-se conseguido que preferisátíui ao álcool d'Hauibu 
os uossos viobos (portugueses], devidaiueate apretados, 
de outra forma os náo queriam beber» — *. 

É um adjectivo com forma de particípio passivo de um 
apretar, que não existe nesta acepçí&o, sendo o seu étimo o a<| 
tivo substantivado prato: ef. apani(ii}ffnado e apiítaào, (^À 

à signiticafão liteiul é «acomodado ao preto». 

G<jual é o étimo do adjectivo prCUiY l^ste vocábulo vi 
em castelhano com a forma prieio. e o Dicionário da Acadruil 
espanhola * detine-o assim: — « color muy obscuro y que casi rt 
se distingue dei negro» — . O adjectivo está a bem diwr 
ali do uso comum, em que só subsiste como apelido. O iii4 
dicionário dá-Ibe jior t^timo o particípio passivo pressus 
mere, sem declarar por que processos, velhos ou novos, o í j 
veio de ss; este étimo, todavia é também atribuido a prieta^ 
sentido de «apertado», tendo dado orijem ao verbo apre 
correspondendo íl palavra perio portuguesa. 



' ODIA. deiadejulliiídolOW. 

' O SEcri^i. fie 22 du noT«iiibro ílc 1^05. 

> Ma>lríd. líS^O. 



P. Adolfo Coelho ' derivu apertar de perto, e Dada nos diz 
o étimn on os iHinios dôste ou de preto. Veremos que na 
de è o mais prudente. 
Júlio Corou - dá como origem de perto um participio passivo 
ííiBlraoto, perctus (?), por perrectus. de pergere, «eucami- 
t"*^ proáeguír*, mas não o relaciona com apertar, nem eom 

%. Menéndez Pidul ^ attrihui a apretíir um étimo, tentador na 
ie, ma« pouco provável, o latim aàpectorare • coucbegar 
eito • (apetrar \ ajfretarj. 

compararmos o verbo portuguêii nptrtar com o castelhano 
'tar, vemos que há uma metiitese de pre para per. e o 

fno acontece com perto comparado a prieto. As formas anti- 
portugnesoâ. porem, sâo preto, apretar *. como as espimlio- 
3 metátese é conhecida em outros vocábulos, tomo j>r(jaÍZQ, 
■■llhano }>n'ji*íeic. pretfuntnr e fier<f untar. etc. 
Btiii eieniplo de preto, por perto, vemo-lo no Rotf.iro da 
[VuoRM OE Y^soo DA Gama. páj. 94: — «começaram a arribar 
i|*lja pcra a terra, e nós que biaraos mais preto delia» — . 
^lu relação ii inetiítese frequente de r, ff. o galego porveito, 
rbano. ajteríar. que se lê uo Livbo dh Ai.kxaxdbe, etc. 
|odo Ui beiro, na sua Selecta Clasbioa ^ em um longo 
aoúrcu dos termos utipo c jtrêio. referidos a raça, inte- 
Qlíssimo na vt-rdade, considera o vocábulo preto como pro- 
MdMle de pletuSt «cheio*, participio passivo de plere, iden- 
tifiauido pr{>to. com preto, perto, e eiemplificando com reais 

f. *reais cheios* por oposição a reata f}raucoít^ isto é, <reais 



* DiDClONAiUO erVMOLOOlOO da LINOCA PORTtrODBZA. 
OrUXIiKIHH llKn KOMAXIBCHRN PUILOLOOIB, t, p. ííOO. 
MAKfAU ELBMKNTAI. UR TtKAMATlCA HlbT<miCIA ]5SI'A!)0^A, Mo* 
mt |>. Ml. 

r. IliocfOSAKio DA AOADisuiA, 9mA foc. Bprotar. 
Bio«WJu)eini, lOOô. tu i»'. 



Kis aqui utn exomplo eastelliauo:— «y acuflô (os diverftf» 
prieios y que «de estos dineros facia» quince dineros vi inara- 
vedi • - ' . 

«Segundo esiii cuujectura. pr^t^) seria o mesmo vocábulo que 
perh, nnÚ'^ forma preto, da qual proviria o verbo aprtfUir. 
apertar: e deste dio<1o apretado «acoiuodiido an preto* 8 apre^ 
(mio. apertaãtí, < coiifhegado » seriam apenas acâpçr>es diversas 
de uma só div^o. 

A esta etimolojia opAem-se as cousiderayòea seguintes, basea- 
das em factos íncoutestúvcis: 

II) de plétus latino uão pode provir «ma forma pricto cas- 
tclhaua, porque a ê longo latino nÂo corresponde nunca /« em 
castelhano, nem / liquido passa a r nosU língua, como acontece 
na [Kirtupiesa; cf. ca*í. claro, do latim olauus, poitu^uèii 
cravo; pUita \ plata: prafa. Além ilisto, o t entre vogais daria d. 

A^ O £ de pertt) é aberto, e a ^ longo latino corresponde em 
português c fechado, quando nenliuuia tei especial, como a pofo- 
oia ou metafonja. perturba a regra: et e£ra \ cfira. 

Portanto, preto^ e preto, perto são palavras distintas, ciyos 
étimos estão por descubrir. 

Advertirííi ainda que em castelhano, ta! como se falou e fala 
e escreve no Oriente da Kuropa. jíjWo designa a «côr negra-: 
— «El era moreno de cara. i sus ojoa pretos > — *. 



pnsâo 



As prisões novas, como a Penitenciaria [de Lisboa] ô conhe- 
cida na gíria dos cárceres > — ^, 



) Júlio Punyi^l jr Alonao, CSA rraBCA bn* bl sioix) xui. íh < Rerne 
Híiip&[uqutf>, XI, p. 294. 

' La Corona db sanurb, roman»o istokioo, apudV,.i. Cnerroi 

AprSTAÍUOSBS CIllTIÍIA3 ãUIIREl BL I.BNdVAJB B01U»TASO, RogotA, 1881» 
p. XI.TII. 

" O Skculo, lie 7 de tietcmbro de 1001. 



ApontitiJ» ao* DitHonArio9 l^frhiffurwK 



305 



, 



pro|iaganda, propagandista; propagação 

Os t<^^lnos são coiiliectdos ao neiítido de < divulgador de uma 
Botríoa qiiali(iiei'. relijiosa ou ciftDtifica >, bem como no da diviil- 
1^0 «Ivf^as duutriíiiis. 

Todaria, começaram já a difimdir-s« ustas expressões com 
tróicia a ttiflústria, a prooossos comerciais, etc. — * Propagau- 
Btati. Prceisam-Si' que deom rufereneiaã das casas oude toem 
ihuilhado. Trata-se na administração do Século > ^ 

íivffrrndas na acepção de «abonaçòes» é anglicismo, felii- 
Bote pouco divulgado por einijuanto. 

Antes propaíjamht era priu(-i]ialmente relijiosa; em outroa 
lttdo9 usiiva-ge propagação. 



prospector 

Neolojisrao recente: — * Prospector de prospector em inglez. 
aigiiaçào fiela qual na Africa Oriental nós conhecemos os pea- 
izadores de ouro> — *. 



pudi5 

— «Uma fruta, a que [os cafres] chamam pudó, que em 
ie toca de azeda, quo lho dá muito hom g^sto, e maduru é 
e saborosa* — ^ 



1 O Sbouu>, do 24 dd dezembro de líiOO. 

* AxcTcdo Covtinlio, A caxpanha do BARrA rx 1002. 

> Histõríu trájieo-imrí tinia, in BtBL. db clAsíhoob poktuoubzbs* 

VOl, XLllI, p. õl. 

ao— VoL. II. 





Km coucani punvé. Conforme mforinaçào iwssoal de M 
senhor Sebastiilo Kodolfo Oaigndo, natural de Groa. é o noi 
de um piíuo que se enrola em tdrno do» ijuadris e serre 
gaiola: só é Dsado pelos homens — «veste casaco de t 
pudvíra branco e trunfa preta >—*, É termo da índia poria* 
guesa. 

paid 

— «eram invenções para grangear caixas [dinheiro] e arroi 
pulo» — *. 

pulpe 

— «Os resíduos da beterraba — o pulpe, depois da eitracçif 
do assucar, constituem uma alimentapão do gado » —^. 

Melhor fora jmIjmi. que o franc«B puli>if, com a extravaganU 
mudança de género gramatical. 



piUpito 

Hoje em dia s6 se aplica este vocábulo à tribuna oude 
orador sagrado faz aa suas prétlicaa, nas igrejas, ao auditório 
anteSt porém, era uma tribuna qualquer; — «[Vasco (rilj fêi od 
outro dia ajuntar no refeitório de Sam Domingos todo o povo 
aquelle que pAde caber, onde cm ptilpito Pedro Ãnes Sarrahodea 



t o íiificri-<t, de l áv. abril de 191)2. 
■ AntMíiiu Fraiicí»co Carilim, Bataluah da Comp anula dh Jmci 
Liiboi. lSD4,p.227. 

' O Secii». de 15 de jolho de líKJO. 



Apmtitaa ao» Diciontíriog ^riuguene» 



307 



rtiilcoQ exn alta VOZ O acordo passailo > — '. Km latim piilpituin 
«palco* *. Cf. o francês /íMyí/írc } pulpitulum. 



púlvego, púvrico. público 

A forma tnaiã autiga é púlvffjo: púuri^o ú jú semi-Bníilita: 
btito pjiteirameute alatinada. 



pimgo 

— 'A iiuiári... que deve vir acoinjuiuliada da sua y)HH(/o 
mlliere^ grandes encarregadas de eusiuarem ao rapaz ou á 
psríga t>9 deveres coDJugaes)» — ^. É termo da África Oriental 

puridade 

U-..ÍO à puridade, «em segredo», deriva-se do signi- 
. le Umu em portugué:} o substantivo, como se vê do pio- 
IrtÍD A quein dizes tua puridatlt', dás Um liberdade. 



pu\ar 

U v«rbrt prttícnr com a preposiç:1o pur. no sentido de <pro- 
wr, ftDitnar. favorecer» é já antigo:—» e porque a pro- 
cii. . . Mtá tam atrasada, mio quis puxar por ela» — \ 



* Boi d« Pírui, Crõxica db Ei^-rki Oou Aponho v, «np, xxxvin. 

■ J. R G&rdiri T>uiiiru)il, Svnonvmkh i.atinr, Puriti, 1853, ii.° 2}<>H. 

* JOKSAL UAH C0tX)](IA8, ilt' 'J(l 'U- juilhu «Ir- ijMKt. 

' AMtiàaia Frvi<Uc(» C-irdiín, lUTAtiiAS da Comi'AXUIA db JrsCS, 



30g 



ApoiftilaJt (toa Dieionárh» Portugueses 



qiiiitlrar, <]uai]ra>lor 

Xoiibiim dicionário apouta a acepção em que este verltu e nj 
sulistaiitivo tjiufíirmhrr, derivado do seu participio, sâo empreg»-] 
dos pelos operários que manufacturam a cortiça: — «onde estar\ 
vam a quadrar cortina... diante de duas Unas largai onm 
cabiam as aparas» — '. 

— <A greve dos quadradores e machinistas da fabricai 
das Lezírias terminou • — -. 

O vocábulo quadrador vum já, cojd referência ã eorti^ji^ Ml 
Inquebito indiisthml, de 1881 ^. 



quart.Ao 

Peça de nrtêlltaria antiga: — -A outra [cousa assinada] foij 
que a pedra do primeiro tiro. que com um quartflo se f&z, deu poij 
um escudo das urmas do Priol, que estava sobre u porta» — 'Jj 

Al^ra deste significado, vemos no Novo Dicc. mais dt 
acepções diferent*vs — *quartji de almude» — e «cavalo poque-j 
no» — . 

K também empregado no sentido do galicismo, boje muit»| 
usado, panneau. que pode igualmente ser traduzido por painel, 
ídeoliijica e formulmeute idiíntico: — ^«as duas principatis [jtortas] 
são de figuras de relêro da!« bisU^rias de seus iufaines pagodes j 
[q. v.=idolos], repí^rtidas por fora om onze painéis ou quar-| 
toes— s. 



> o Dia. de 30 de maio de 1900. 

» O Sbculo, de Ití dtí janeiro dft 1S97. 

■ II purtt;, livro II, p. 21 1. 

* Rui de Pinft, Crónica nu Kl-rri Dom AFOirao t. «p. lxxl 

^ Padre Maum^ Bern&rdesi, «Descrição da ctdado de Columbo», cm] 

BlBL. DE CLASSICOa l'UUTtJ(])UBZ&S, t. XU, p. 106. 



Apwitiius nos Dicifmàriog I^rrtuyueBex 




$09 



quaiTM), quarto, quartio 

É já tempo de aportugueãar de todo este vocábulo que, faz 
mtegraoie da Domeuclatiira mineraliljica, esnrevcndo*se 
rso, sem o f, ou qimrro, se se preterir por estar uiais próssi- 
pronúncia alemã de qimvtz, couvéiu saber ccartçe. Os tí&- 
hóis escrevem ciuzrzo, pronunciando o z qiiási como o nosso 
A' J. (ronçálvi^z Guimarães empregou a forma cstmnjeirada 
ipuirtzo '. o ijue rae admira, pois com o maior escrúpulo procu- 
rou uaiioualizar a uoiueiiclutura geolõjíca. Xo Suplemeuto ao 
TfOvo DiccioxÁBio já se aconselham as duas formas aportugae- 
Ead&s a que me refiro aqui. 



que, que 

Êst-e monossílabo jKirtiiguês é homeótropo, ou resultado de 
rárias formas converjentes, todas latinas, que se fundiram em 
nma úuica: convém saber: 

1." O pronome relativo qiii, qnae. quod, e o interrogativo 
quU; 

2.* A conjun^-HO quod; 

3." A conjunção qiiam. no segundo termo de um compara- 
Uro de desigualdad(> : 

4/ O advérbio aeque, na locu^o outro que tal, alter 
aeque talis ^ 

Que, proferido que, com e surdo, que stí muda era / ua pro- 
núucia antes de vogal, é a forma átona, proi^littca, ou enclitica; 
qufi. com c íecbado, a forma tónica, independente, como nesta 
afamada quadra de Sá de Miranda: 



> Elbmgstos db Geologia, Coimbra, 1897. p. 4, (K^, 07t c jMMun. 
= JiíU-j Moreira, Iíbvista LvâiTAXA, rv. p. 209-271. g. í». 



310 



ApwUiUt* aoê Dicionáfias iVtuywAVM 



— S^íi» cousa* sempre ta v^ 
Qaando blarett. te mando : 
T>e quv fa}m, onde c o què 
E a qa«m, e comu « quando, — 

Cousa singular! Os mesmos conceitos estfto expressos oest«tf 
versos tradicionais e aDóníinos <lo coudada de Yorksbtre. 
norte da Inglaterra: 

-^rU »ví va aceal ali ir^ubLo 

If wlieu tttlkinttya tak cftre, 

Ot urbatiim ya K]iet*n)í, ti whniiim )'n liiiceAki 

An hot., anii vrlu-n m\ wlioer — *. 

A vorsAo literal è: < Poupa-st>-tc qu&si todo o inc(^inodo, se, 
quando falares, tiveres cuidado (em ver) de que falas, a quem. 
falas, e como, e quando e onde». 

queijo, queija, queijada 

A nomenclatura dos queijos uacionnis e a dos estmnjeiroi 
importados é considerável: rejistarei a}>emis aqui queijo cabreiro, 
• feito de leite de cabra», em ateuvúo au euiprKgo de cabreiro 
como adjectivo. 

O femenino queija, na Beiru-Baixa, é o nome que ali dfto ao 
que fliftinamos queijn-de-roner, isto é, muito frescal, e cuja 
cOdea estala e deixa saÍt a massa. 

Queijada é o nome de uma espécie de pastel em que enirt 
leite ou queijo, e cujos iuçrrcdientcs e prt'paro variam de t<?rni 
para terra. Km sentido figurado, como termo de cali\o, quere 
dizer «dádiva de dinheiro >; — «companheira para o sustentar 
(ao gatuno] quando o traòaUto [fiirtos| faltava, e para moer d« 
pancadas, quando a queijada nilo era hastante para unia noite 
de moina [estúrdia] > — *. 



< PBRtODiOAL, dexembro de 1898. 
> O Sbculo, d« 13 de janeiru de 1002. 



AjHtaíiifU noa DÍeitmârÍon J^rlitgiufaeê 



Sll 



qneimã das fitas 

«Oimbra 26. Foi verdadeininiente deslumbrante e uoica 
dl qaeíraa das titãs [que distinguem pelas cores as di- 
ifkuldades]. realizada hoje pelo cui'so do 4.*^ unuo tbeolo- 
k jurídico» — *. 



quente; quenda, queda 

pdo qne quente procede de eaente \ calentem. 

BCEnno processo querida «í coutracçílo de (vjendíi \ ca- 
'. como também queda é contrao^^ão de caída, e aiada 
dU deaetsidUr por • descuido >. 
\qumU% como termo familiar, quere dizer a «cama»: 

— £ cada nm aBnal 

Qae tí roetor-M nn qaenie — '. 



querela, querelar-se 

rela, no seutido usual de «queixa-, c-otno era latim, 
empregado èra Kui de Piua: — « Ajuutavam-se a isto 

ioi da Kaítilia I>oua Liuiior, que. para mais agravarem 
Querelas. di/.iam contra o Infante.. . niuitaa cousas & ver- 
mnito contraíras» — ^ 

SHutiiio de < qiieixar-se » usou o mesmo cronista qiiere- 
^- — «A primeira [empresa] era a necessidade que tinha de 

• remediar ob males e roubos que neste tempo os fran- 



, O Sbcitlo, de 27 At maio de 10()0. 

I Itaravra Lren-AXA. v, p. 5». 

I AeíeÍQ 4* raiva, «n ú Sbciilo, de 11 de aoTcmbro de t!X)3. 

' CiU>inxxA DS Ei^HBi Dom APo:tso v, cap. lxxxu « oxxxv. 



ccses faziam uo mar aos naturaes destes reiooa. ile quf 
inereadoreâ a El-rei muito quereluvani» — '. 

qaete 
Como termo de caliío. quere dizer «gatuno de míisco- (f 

quibumbo 

• Cbapéu altO", em termiuolojia cliula. Parere sfT um" 
bulo híbrido, o português vulgar bumbo, íom o preãcso ao 
tativo quimbuudo Á'i, e é possível que fossem pretos de As 
que o foiíuassem, e o ditiindiRsem. 

Os antigos caiadores preti>s, que estacionavam na 
ÂJuparo, junto ao liossio, tinham qiiási iodos chafi^it-^ 
cabeça, pincel com cabo de cAua, da altura de dois 
ou maia, e a competente iejeUtfia-rasa, c-oni a cal lí<|uida. 

Um preto velho, que exercia t-spertAmentc an funções d«f 
ticeiro, bá seus quarenta anos, usava ch4tpeti'nU0f sobreoasic 
argola de ouro numa orelha. Os pretos sempre foram dev 
desse carapuço: 

— «Xo Uio de Jaueiro havia tamlMm o Boc^^ queima 
-negro que trajava sobrecasaca e chapeo alto...; chef© d^ 
ou quadrilha de capoeiras [fadistas]»—-. 

quico, quicada 

Signilica «chapéu», em geral^ na terminolojia facet4iJi 
cada. a pancada dada por troça em um chapéu: — *\m\ 
um upertAo, que favorece a belta quicada nos chapéus < 



> Crúsica db El-risi Du» Apoxso v, cap. lxxku l> cxxxi 

* Pinto ■!« Citrvalho, Uu^toria no Fado, Lúbu, 1003, p. fti 

* O 8K0ri/», de 7 Je janeiro il« \&TL | 



AyosiUn» rua DlciQuãvinii Portuffuesr» 



di3 



qitiço. quicio. qiiisso 

— <[A roda ilt? oleiro]... compòe-se d'um estrado rectau- 
golar. . . do centro do qual se ergue um eixo, o quisso, para o 
alto»— *. 

Vrefiro a escrita com ç, por me parecer que o vocábulo ó 
D raeâmo que quirio, sendo qiiiro a tomia [K)i'tugiieHa e qiiicio 
a castelbaaa, que para o português passou também: cf. serviço, 
port. e stervicio, castelhano. 

Seria, era todo o caso. uecessãrio ouvir pronunciar o vocábulo 
ft individuo de Tráa-os-Montes, onde se diferenva »■ de .Ví.- medial, 
para se decidir com segurun^-a qual seja a verdadeira ortografia 
da palavra. 

quijila, quezília, qneziU 

A forraa mais correcta é sem dúvida a primeira, que re- 
presenta a palavra quimbnuda kijiUt. < preceito >; todavia a que 
mais se geuerali/ou é a segunda, devendo porém advurtir-se 
que da terceira quesila se derivaram qiiezifcnto, (en)qHesiUir, 
o que prova ter sido ela vulgar algum tempo. <> vocábulo tem 
os siguificados de «antipatia, embirraçi\o», *tran3tôrD0>. 



qnn(e) 

O Xôvo DiccioxArio insere, como inédito e autiquado. este 
vocábulo, que define — «espécie de breu ou betume ua índia 
portuguesa * — . Em árabe dizia-se um ^ mas o termo não tem 
feitio arábico; e como a forma portuguesa ú quil, ou quile, 



■ Portagalia, tr, p. 75. 

* Engcliiiann Ic Dozy, Oi/isíçAiRn dbs mot» bhpaqiíols kt portu- 



v6-se (\\ie trousscmos da índia o vocábulo, couio m árabes 
nbârn teito, sendo êle ou o concani tila, ou o malabar kll qo 
parece ser a forma orijiuária. 



quilolo 

É vocábulo quimbundo que quere dizer o mesmo que o ; 
tugués 'deanteiro» ', e o trances pinrmitT: é derivado de M/m 
«esse», como qnem aponta para êle. 

O vocábulo está abonado no X6vo Diccioííârio, que em dt 
vida lhe attribui o sigaificado de < peregrino», o que uío 
fundamento; a significação própria é: «quem vai na frente». 



quilo vátio 

Escrevo com qu, e nâo l; como assim escrevo tjuiíoijrnmA 
quilómetro, etc.: — «equivalendo um kilovátio a ura cavallo 
vapor e nm terço» — V 

Sobre qu por k, veja-se Obtoobafijl Nacional [Lisboa H 
páj. 82. 

quimilo, queimão 

J. Inácio Roquete, no Dicionário portujcuês franc{'s ^, dh 
^tlte vocábulo asiático, e dá-lhe ooino correspondente cui fVuic 
Tohe-tie-fliamhre. vi como siniínimo portu^ès * roupão»^ atunc 
tativo de roupa, que, na realidade, dignificara daute!< uma M 



> JuAqoiín da HaU, Ensaio OBDiooiovARin KiuBrxDU-foitTtíOC 
IíhIkni, \mi 

> Duato t>H XoTiCiAft, de 6 de outubro d« 10D3. 
* Paris, ISóõ. 



romprida. alúm de ter a ucepçfto, que boje lhe damos, 
«m geral, tuas especialmente o que anda junto & pele: 

~ Vestido o Qumi fero ao modo liiíipano 
Miu franceM en a roapn quo trazia — *, 



«ignificado de roufxt procedeu o termo roupinhas, o 

desi^ara um «corpete, que não passava da einturu>, nilo 

ndo ainda de todo esquecidos o termo nem a sua sigoifi- 

iwõo, ou, por iufluéncia do verbo queimar, qiteimão, ó 

ianieote o roupão que trazem ut^ualmeute os japoneses, am- 

lalar. sem abotoiídura. unido ao rorpo por um cinto, de 

lar^'ui teimas na entrada e caubáo revirado, a^sim como 

pAi e bandas. Km japonês é kimono, de que provém a forma 

Uj^uesa, usada pelos nossOH eiicritores antigos, maâ que de tal 

■'•■■■ se euraixou, que até na África Oriental Portuguesa é 

!.i. As^^im mo afírniou uui otieial de marinha, que trous- 

ujn de Moçambique onde o comprou, acrescentando que ali 

ík venda com esse nome, juntamente L'om outro.n objectos 

É claro que o nào confundia c«ra a cabaia, vocábulo 

desi^a trajo tamlwin asiático, mas que, na opiniílo de Yule 

à Bamell * foi para lá levado pelos portugueses, pois é arábico, 

(Hduk: 




— r.nzftn lio flrm púrpnra lut Cftbtya*, 
Lus(nuu <i4 panos dn tecida «da—*. 



^t*^le o verbo Inutrar. como intransitivo. 
af|ui ubona^-np.s das duas fonnas que em )K)rtngiir's ad<(uí' 
voràbulo jaiHjnõs kimono. (ou quinumo). quimáo, quei- 



t O* I.[}iiUi>A8. II, 07. 

A ÍIL08SARV or Akolo-Indian woitD!). Luiidree, IHUO. 




3lt; 



ÀpottUas nos r>irit/nános PorUiçue^e» 



mào: — *o rico quimão do seu vestido * — queimí5es de sed* 
como os doa japòes ' — vestido um queimio roío a modo de opa, 
recamado de pérolas» — Esta ultima citação é feita por Bluteau, 
em preseava du primeira «divúo du PKKKaBi?iA(,'Ao, que não te- 
nho à vista; e doclara ser — «vestidura de alguns povos da ín- 
dia [isto c da Ásia] ' — , aduzindo igualmente a forma queiínào, 
abonada tambi^m. 



qumcunce, qmnconcto, gutncúnce 

Êsie vocábulo, quo em latim i> qiiincunx ] quinque-nneia, 
queria di'zer «ciucio duodécimos', o dcsiguava também os cinco 
pontos de uma quiua marcada em dado ( ; • : ). e por 6m plan- 
tio de árvores em cinco fíleirast na primeira, terceira e última 
das quais se dispunham cinco, e na segunda e quarta quatro, 
sempre equidistantes, nesta figura: 



Desta íbrmn latiua. cujo acusativo é quincuncem, não se 
pode derivar em português culto senân r/iihim tiee ; sendo por- 
tanto a forma quineóncio, iucluida, mas sem abonação, no Nòto 
DiooionAiuo, o í^alicicismo aportuguesado de quhictmce^ qu«, 
ainda mal, foi usado num trabalho valiosíssimo a todos os res- 
peitos, e em geral correcto e vernáculo ua linguajem: — «um 
pateo commum ladriUado, nilo raras vezes em xadrez ou qain- 
couc« » — '. 



* ' 7ernáni M*!n<]fz Piíiío, PiskbgrinaçJÍO, cap. cxix v CLXvi. 
■ Albartti Samifíiio. As < Vili,a8> do Norte db Portuoal, íh Por- 
tugália . I, p. 10!). 



quingosta (congosia) 

am alótropo de canyostjx, Já rejistado por RIuteau. Qual- 
dfts formas desta puluvra, que quere dizer < caiuiiibo es^ 
p, TJela», representa o latim eauale-angusta J eanle an- 
[ cmt-ftngosta, com perda di) / e do n. 



quiuhauie 



Como termo dt; calão quere dizer «perna*. 

o vocábulo quimbundo Hnamn, «perua ou péi 



'perna 



!>• 



sabido que Dum graade número de idiomas um s<í vocá* 

designa «porna e (ou) pé», e outro «braço e (ou) mão». 

exte caso não 8ó iiaa língua.s banias, mas igualmente em 

|naUio (kákL ttluan), por exemjdo. O mesmo acontece numa 

D» europeia, da mesma grande familia árica a que pertencem 

. o latira e o português, e essa ê o russo, em que notfá 

1 ■ p«' e perua», e ruká. <máo e braço >. 



quiuta. quinta; quinteiro 

segunda forma, que represeuta um adjectivo quintana 

limdo. temoH exemplo em Uui de Pina: — «D. Briatiz. 

toda a frol e gentileza de Portugal que ali foi junta, sábio, 

urau legoa de Moura, junto com a quiutd que dizem du Oo- 

recebeu a dita Infanta Dona [sabei >—'. 
— «Em resumo, as quintas aU-nitejauas, na sua quii-si lotali- 
âiie. quer ^jam accessorio de ht.*rdade. quer constituam prédio 
Mttpendeute. sâo t«rrenos de exclusiva exploração borticola e 
fímifera» — *, 



<hb(>KiCA UB Ei.-BEt Posi Aposso V, cap. ocrx. 

J.daãilv» Picãn, KTH\niiiiAf'IIIA TiO Ar.T^t-ALHMTBLJO, III PurtS- 

, L p. 048. 



ApostUM a09 Dicionáriot Portugitan 




A palavra quinta parece deduzida de quinta, como cumjia 
4le campa (q. v.), de eamiiana. 

Kmprêgo moderno da palavra quinfii vemo-lo no trecho 
guint*: — «As casas com nua quiuU (linguagem da Beira) •- 

Quinteiro ó um dos vários derivudos de quinta: — «i-asaa 

térreos e castellos ou forreu com seus quiuteiros e ein- 

dos> — '. 

Equivale a quintal. 

quipo(g) 

O DicoioNABio CoNTEMPOBANEí) acccutua quipôsj goíaudo- 
se talvez pelo erro cometida por Manuel do Cauto e Castro Mas- 
carenhas Valdez dq Diocionakio Espanol-púbtuoués '; e o lua»- 
mo fêz o Xôvo Dicciosíãiíio, emeadando-o porém no Snplemeato. 
J. Inácio Hoquete e Francisco Adolfo Coelho, com tod^i o dis- 
ceruimeuto, seguiram a ucentua^-ào ospanhola^ quiiM» (s^quqxta)» 
visto que de Kspauba veio o vocábulo, que pelos escritores cas- 
telhanos, que trataram da conquista do Peru, foi divulgado na 
Europa. 

Sobre esto sistema de transmissão do pensamento por meio 
de nós de diferentes cures e em várias disposiçi^es. usado no 
império dos lucas, oude não foi conhecidat ao que parece, outra 
escrita, veja-se Kicardo Aodree, Ethnooraphischk Pahallkls» 
TjND VEBrtLEioiTB *, quc cscrevo quipu (quípu) e traz uma es- 
tampa colorida, a qual representa uma corda cõr de castimba, que 
tem pcrtdeutcft complicadas combinncões de nós e Uiradn^ de 
a>rdéijt, principalmente verdes, mas também encarnados, e àoÍB 
amarelos. 



* J. Leite (le Vattcuncetos, Portiiuai, prb-historicx), |i, If», 
s Portu^Klii, i.p. 176. 

" ÍÂahoa, 18tM. 

* atatg»rd, lti78. p. 194- 197. 



qiiissapo 

ITcnao de Moçambique — 'Respondeu que a uma pataca 
Iréiíl o quis8apo (10 litros) [de arroz]» — *. 



qmssau 
^•Como quissau (conducto) uaaru caça» — *. 



quitanda 

vocábulo é cafrial, e designa «arraial, feira no sírtâo». 
H pura o reino, oudc quere dizer «lugar de venda 

i>n : — »uina pobre vendedeira de capilé com toda a 

Intujda partida e a louça em cacos » — '. 

itiiml)uudo é lifamltt. Bsta mesma palavra em quissuaíle 
Muiáiidrl quere dizer «cama* ^ 

10 Uusio DK Noticias de 2 de junho de 1905, subordi- 
H «pi]u:mfe «Falar e escrever», vemos iim artigo assinado 
(áiididoj do F(igueiredo], cm que se condena com sobeja 
^0 a di.ipunitada escrita Quichote, (|iie proveio do francos 
/ujrÍH>//i*, « parece por ísso mesmo ser a preferida em Portugal! 



(Quixote, i^uijote, Qtitcluífe 



PiAKfo nu XoTiciA^. fie 30 de setembro ilc 1902. 

fci- ■ utiiilii». A CAMi^ANUA uo Bakuâ BJi l!}(>2. in «Jornal 

_|U I .!"• julhaij.' liHi-í. 

O ãm.-iiUi, <lc 27 lie niroít-j <]o 1'NMt. 

Bduariio Stoerv, A (lANDnooit or thr SwAaiu LANOUAOB, Lon- 
^7\ p. 302, cvU I. 



320 



Apostiittt aos DiàoHários fiíringucêm 



Ora, Quichotfe é simplesmeat-e n escrita fonética, adoptada i 
franceses, para que o caiftelhann Quirote não fosse lido kikit 
como o é em iu}?It*s (kuUsot!), ainda que escrito corr*?ctauiea 
O mesmo fizeram os italianos ao transcreverem Chisftuttf. 
que na sua ortografia, 8CÍ equivale a r português ou castelb^ 
antigo, chi a qai do francês e peninsular. No tempo em qo 
obra ca))itjil de Cervautes foi tradu/.ida, quer para francÍ!-. q^ 
para itiiliauo, uíuda ííÍíí> em mania dominante, como agora 
escreverem-se os nomes ostranjeiros fielmente para oa olbos, 
xando aos leitores o encargo de os lerem como souberem ou 
derem. Kssa mania difundiu-se muito depois, e por isso os in| 
ses lêem o nome do hert^i mancbego pelo modo singular 
acima fica indirado; recentemente, por^m, já mesmo em Ia 
terra, há rearçíio contra o absurdo. 

O X castelbano há três séculos tinha exactamente o 
que tem o x português e catalão quando inicial, como em ^oA^ 
caatelhauo antigo a:retlrc^, moderno ujedrez (=^aqedré(;) V 
prova-se com as transeriçòes castelhanas de uomes estranll 
com a toponímia espanhola de orijem arábica, onde èle r«B 
senta a 13.* letra do alfabeto árabe, o xin, com a traDscril 
das palavras árabes feita por IVdro de Alcalá [io priíioípiol 
século XVI *, e com outros muitos documento.-* irrefutávi-ia, 
seria descabido citar aqui. 

l^i cousa perffita e ponlnuInienU* aviMiguadu. 

Por ocasião da reforma ortográfica, concebida « exfcut 
pela Academia Espanhola nos fius do século xviii, tanto ol 
como o jf ge. gi os quais semetbantemente desiguiirani n 
igual ao do j jiortuguês oo catalão, haviam-se ideiititícAdo ni 
som único, o do j castelbuuo actual, frícativu pÕHtero-pab 
surda, proferida entre o véu do paladar e a rai:t da língua, 
Ioga, mas mio id<$ntica ao eh alemão em conjunção com a, nj 



I y= p08t«TO-paUtal frirativa ftanla; r= fcíi^lnil fricttíra «iirdt. 
' VOGAOrLItíTA MtÃBlOO ES LBTUA 0A8TBtkANA, AkT> fj 
ATRBXDBR LIiiBlfAUENTK UK LBNOUA AHÁRtâA. 



JptMtOâê dO* PkwnàríoH I^-ÍM^utWe» 



S2I 



^tgual ú ?.• letra do alfabeto aiAbico. A Acadeniia rojrte- 
nnstantpnKíntí* ísse snm com o j, oii ge, gí, ra-íeiTando 
I o e.Hcusso uúmero de palavra.-í, do oiijf^m ariiticíul luo- 
M, êm que vl« tinlia o valor de es; o mcsino aconteceu ao ç 
* Z, i)i]u He lUitfíiMriun iMn z, ou oiii C aiitt^s de 6, i. Dóítte 
im unifo vrtfãhiilo antigo, inõxitiiv produziu dois moder- 
ftjhlO c próximo {=prôcsimo}. com diferença de signi- 



íf^nado como está o que fica expendido, escrever Qui- 
or Qutjciít^ prova a[Xiuaâ i]ue quei» usa ortografia 
«m um Dome ciistelhaDO usado em português, não sabe 

Bc»»s, Dí^m rastídíiaiirt, uem portug^uès, o que pior é ainda; 

femiWm que uuncu lou, a uão ser nalguma ruim versão. 

Soe o feK. nem iim capítulo sequer do primor da literatura 
Ba. e s«tinente ouviu ou viu citado o livro em algum resumo 
9 \*roi'vi>fi\nd fraucesa. rf fnsaf/v des genf du inon<t/'. 
Á nqui fstou perfeitamcuttí coucorde c-om a doutrina evpósta 
a que me referi, e o que deixo expendido serve apenas 
y^rrolMirar com mais ar^uiuentoâ, pata os qiiaeâ não creio 
|bo<à-lé possa haver uem pretexto, quanto luonos tunda- 
|0« motive re8i>0Bta cotitraditóría. 
iip4*nsi{ 4e sentir liaver escritores, que teem rc-íponsabili- 
cfinbecidas i* podem por isso exercer Intluència de uulo- 
[<|ii« continuem a insistir por capricho ou por cegueira 
uuiiiifeítto e já corrijido por forma, que não deixa a 
naihfd de dúvida acerca do disparate que divulgimi. 
4o livro na sua primeira ediyão, a d» 101).'), t textual- 
■ BL INGENÍOSO | HlUALtíO DON QVI- | XOTE DE 
tNCHi\-, I compueitto por Miffuel Vervaufvs | Smiiyfdrn... 
tÍ>UII>. Por luao do la Cuesta. | Afto HiOb.— ('api' 
rimrru. Que trata de Ifi coudicion, y exer'tÍoio dei 
I hidaígo dvn Quixote de tn Mancha. ~ Isto, ti'anscrito 
a ortografia da Academia, corresponde modernamente ao 
ti — < Kl ini^euioso Hidalgo Don t^níjotu de Ia Mandia, 
{lor Miguel Cervantes Sitavedra... en Madrid, por 
Onerta, ano 1605. — Capitulo primero, que trata d« 



n. 



S2S 



Ápo«Uln» otnt DiciofíárioK PttrtttgueKeã 



la condiciòD y ejercicio dei famoso bidal^^o I)oo Qiiijote 
Mancha* — . Comparada esta modernÍT.ação com a ortogia 
tiffa. ví'-s(; qtie a diferenvii consiste, além ile ac^ttiav&(» niar 
em U por V e j por x em Qatrtttf. j por x «m ejtrviciu, j por 1 
/i£(in, com í, conforme o costume do tempo. Vè-8« tambyui 
o X do castelhano antigo (íorrespondtí a .r em porlugiiê^ 
exeiTicio. como lhe deve corresponHer em QuUtjte. 

O DiccLONABio CoNTEUPcm.v.vHo. upesur da severidade 
dosa e azeda, com que do prefácio invectiva os seus autece 
não sú levou a iimeiísatez a tal ponto, que escreveu qtlichot 
quichotice, mas aU^ por seu alvedrio ttmendoti a ort^>^r:ttia^ 
telbana ao dar a oríjem ilèstes neolojismos: — *QiiitiíoUf 
do protogonista [líif] no livro de Miguel Cervantes intit 
X>. Quirhoie de la Minicha)! ! * — . 

Não há livro nenhum amnn intitulado em espanhol, c4 
fácil averi^iar; inventou-o quem escreveu este dislate. 

A parte do artigo com a qual aílo estou perfeitament 
forme, o que porém náo invulidu a ur«rumenta^'ão dele. 6 ■ 
Cervantes quisesse fazer trocadilho entre a palavra 9« 
«barbot^ do elmo*, ou, como íte dizia em fnincêa. tnrntont 
e o apelido do herói, Qiih:MUi. ou, como este o aceita ii hol 
morte, Quh^aiw el littetio: o trocadilho consiste mais no 
voco entre quixada, 'queivatta», e qw/^ada, «queijftdsl 
— «Quieren dezir que teuia el sohrenombre de Quixaij 
Quesada, (que en esto hay diferencia en lo6 autores que i 
caso esciiven), aunque por conjoturas vorosimtlea se d«i 
tender que se llamava Quixaua... Puesio nombre [Uonin 
}' tan a su gusto a su cavallo, quiso ponersele a âi mian 
eu este peusamiento duro [darò] otros ochos dias, y ai 
viuo a Uamar Don Quixote; de donde, como queda 
tomaron ocasion los autores desta ian venladera hiHtoria, q^ 
duda se devia itamar faixada, y no Queaada. como ot 
sieron dezir. . . *. 



< Parto I, cap. i. 



Àfmiiint ao» J}ieionãri</« 



323 



^.. . Dadme aihricias, buenos soâor«s, de que ya no soy Don 
te de la Maucli-.t, sino AIodso Quixano, a quien mU 
ibres m<? dieron reiíotiibre de Bueno' — '. 
O trocadílbo. pois, está entre quixada v quecaãn, ou, tradu- 
lo em portuguí^s, entre queixada e qitíujadit. Km rast<'lhano 
itemo ura deminutivo de quismla e que o pressupõe, quctta- 
titlfii. designa uni bolo, análogo aos que ein português se deno- 
minam queijatlod, talvez porque o seu elemento principal seja 
'. em castelhano queso, ou em atenção à sua forma dis- 
. como dizemos qu<'tJos de matuuluda, o no Uutbibo da 
TlAUKM i>B Vasco da Gaha * se escreveu queijos ãe açaqwtr 
áe /Miíma: cf. juw i/f arúcar. pàn de cera. 

i^uauto '\\ signifícav^o pntpria de qui.wte, pouco importa 

pura o ca«o que ela fosse bttrhofv do elmo, como eu creio, ou 

V. <urmadura das coixas», como di/em vários dicionários 

Uianos, e entre eles o da Academia; uem a comparação de 

• 'e com o cataliu nt.r/}ie e o francos euijise. prova coíisa 

ilguuia a faror desta inter preta^*ão da palavra castelbaiia, visto 

' 1 I . por exemplo, ao francês puits corresponde em casteUiano 

p020, moderno, po{v, autigo, o uão j>Í2o ou pico, sendo aqueles 

ibvs repri»t(eutaiit£s do latim puteum. 



rJ[, ranilha, rela, arrA 



A fnrma antiga era rán, dissitabo | rana, que bc coudcusou 

moderuament^ ^m tá, como acooU^ccu a toilas as formas em -r»i; 

mnrà ú forma popular, resultante, como arraia, em vez de raiOf 

lho ter soldado o artigo a procUtico. Hmiitka, que tem 

itr^ix'^ muito castelhano, onde é demínutivo de utna, conquanto 

'Jà Hl oíío ase em sentido natural ua língua comum de Espanha, 



Parte II, cap. Lxxiv. 
LUboA, 1661. p.fM. 



é no litoral da nossa província do Miiibo r> nome qiio á« d^ 
• rfl verde». 

li^ht [rann arbórea] é contraoi;ão d« ratlu j rauella 

nibadfio 



No Alentejo o ■ maioral doB pastores >. K o árabe naB Ai<j 
« mestre das ovelhas » : — * Uabadão é o pastor fhele, a cai] 
quem está a fiscalÍ8a\'io e iuspecçáo de todos os reban 
gado lanígero do mesmo dono. Um grande lavrador, 
possuir alguns inilliares de cabeças, divididas em niiinerof^ 
banhos, l«ni ao sen servido imi iiuico ritbadúo. . . Mtiiora 
primeiro pastor de cada rebanho — tantos maioraes quant 
banbos» — *. 

rabaua, rabanada, rcbanada 

No vocabulário que acompanha o erudito estiid** feito 
Monsenhor Seba±;tííio Rodolfo I>al((ado aci*rca do dialecto ii 
português de Ooa, encontra-se a palavra rabana, termo mal 
que desigua uma — •« espécie de atabales» — , do qual s« de 
rit/mnuila. toque de rnbfinay — ; « SerSo obstados toqup^ est 
doaos, taes como rabanadas- — '. 

Deste úlliiuo deve proceder a expreesfio rahnnrjtfn, ou n 
natla de vento, usualt.ssima ein vcx dei rqjfula de oetUo. 

V. rambana, que há de ser o mesmo vocábulo. 

rabanada (rabo); rabanada, rebanada. 

Nesta forma há de haver forçosamente três vocábulos 
tioctos. O primeiro, derivado de rabo, significa « pancada coi 



■ Ciin«]e de Fi(»lho, O blvm»nto Afuaa Sk utJuavAOKM i>o« i 
TOBBâ Al^RUTlMASIOS. m <A TndiçAo>, I, p. 83. 
* RnnsTA traiTAKA. vi, p. â3. 



Apoêtíiaa uos DifionárÍM Portuffuenei 



325 



^bIiO»: o segundo, «rajada (de reuto)»: [w. rabana]. O terceiro hà 
I Mr coãtelhanismo, rehmuuUi, <|ae quere dizer < fatia», on de 
jplo, mcdbada em leite, frita e jtolviltiada de ayikar, a que os espa- 
^Úm dão o nome espí^cial de furr/Ju. e nós o vulgar Aq futia- 
i^imida. ou «tíJhmlii de cortu;»-, e nestii itltimu at-epçâo é 
inclerius^ímo o vocábulo. 

A forma robnuinia, em vez de rehanatlo, é devida à tiifluéu- 
I íBi Jo r: ef. rasijar \ resecare. — *Qrove dos corticeiros. .. 
.}." nuo se medirem as rabanadas* <. 



rabeca. ral>ecão, rabequista; rebeca, rehecão, 
rebequisla; Rebeca 



Tem-se reutilado últimamento, com um calor diguo de me- 
lhor assunto, se reòecn é forma correcta, ou um erro em vez de 
^•'«vri, visto que se diz comummente raftemo. rabequista, e nâo 
nhti.io. rfbequistfa (que também se dizem). 

S#ni pretender aclarar completamente a questão, nem pro- 
DBiK-iar-me a favor ou contra os que sustentam ser a forma rebeca 
«ni Itjilima como tahevn, que todos concordam em aceitar, di- 
fíi a[ii«ua3 que a furma orijinal há de ter sido rctyecn (cf. o fran- 
^ reÍH»:f. e que o « é devido a influência do r, como em para, 
wnnii antiga e ainda popular p{ejrii \ per ad; como em rastjar, 
P"piilar retfijor \ resecare; como era fimuricntio. popular por 
^^ricanrt, Uharal, por liberal; como na terminação -ária do 
^^laria. arfrfharm, a par de correria, bateria, etc. 

Nem íis formas rabecão, rohequisUi invalidam a lejitímidade 
*•* forma rehtca. puis êsLe vocábulo é numõt^imí, touvém saber, 
^■A um 6ú acento, ao jtasso que o ocsítono rabecão, e o tetrassí- 
1^ parocsitono ra}>eqniitta teein acento secundário na primeira 
sibba, separada da predominante pela sílaba átona be. K este 
Todo que explica as formas populares re^ão. rezão, a par de 



i) R<.<iN-oMrtiTA. ilt' líí de !*et^ti]brii "lo IS92. 



atraroar, arra^)ath: os substaiitiros reção. rfsâo sâo moníitl 
nos como rebeca o ó; os derivatlos tem ac«iito aeciimlãiio 
primeira sílaba, e por isto nilo se ealhiqueoeu Unto a vogal 
contacto com o r, oii tncllior, o r nos (lerivailos exerceu a 
iufluéucia especial, de ficsar o valor da vopal coujunta: fuD\*i 
que uáo 8*5 em portugnés. mas em outras línguas, se inauife: 
por exemplo, em todas as germânicas e muito cspocialmeaú? l 
iuglesa, idioma no qnal o r alt^^ra sempre o valor da vogal qã 
o precede ua mesma sílaba, criando um» série cnteira de vog 
que só com ôlo coexistem. Mesmo do castelhuDo actual, «m 
t{)das !ia vogais sSo plpnissonantes, wimcfa a maiiitesiar-pe 
déucia para reduzir u neutro, às vetas nulo, o e átouo quo 
cede o r nos polissílabos; sendo agora frequente, mesmo 
pessoas de esmerado f;ilar, a proiiuncia^-ão hfrtifura. cm vei 
Uterafura, com è, couvi^m saber, e médio, entre aberto e focba 
como todos os ee Dormais caãtelbanos, tóuicos ou átonos. 

Kxiuninemos a quostito por outra lace. 

líluti^au consigna a forma refjeca. a par de rahfie/i, sem 
ticar nenhuma: rê-ee pois que tinha qualquer dela^i por boa] 
cita-lhe como étimo um vocábulo arábico, de que proctxirr 
também (tir}rebil. rehil, rtihel ou rebel. formae; todas rejisl 
no Kluoioabio de Santa-llosa-de- Viterbo. E Uttré ' apontai 
étimo, daudo-o como orijem da palavra france.sa reber. O 
sárío de KDgelmunu & Dozy - incluiu ttrraòil, ina« não 
rflheM. ou mhero: e a meu ver, prudentementf, pois ofer 
muitas dúvidas o tal étimo arábico, «lue em todo o caso n&o 
imediato da palavra portugue.sa, pois dele provieram, como] 
disse, outras formas dívei*sas, todas terminadas em -^ e não 
'FAi. Por outni ^arte, o aleu:ado étimo arábico, auida qua 
fosse imediato e verdadeiro, nada provaria a favor, ou coal 
a ou e, átonos, da primeira silabn; pois se o étimo é Basj 



1 DlCnONNAIRB DB tA LAKOUB PKAKÇAUB, Purís, 18S1. 
* Gf^KSAIRB USB MOTS l»t'AO»OLS BT I^RTUOAH UARr 
l'aiiabb. LcitU. 18(]<f. 



Ap9*ÍÍ(ua nnt Diãonârúm PoftuffUfiaeti 



327 



i togai fírtue, que este vocábulo coqU^ih* é o a á& 2.* sílaba. 

' Kr ItiQK'** H P^^A mesma niaguóni põe em dúvida que se 

ou para «■ : o motivo já o vou declarar, nAo a i>ropóííito de 

ftu refhíM. tnaa de m/í<;/. rfôe/, on (fii}ríthiL 

No árabv peninsutiir o n longo, isto é, expresso pela primeira 

do iibecedãrio. precedida da iiioi;ao ou vogal «...c. o cha- 

jiithu, adijuíria o valtr da ãeifiindii moyão, ou vogal, 

..<; muiifestava-si! nide o fenómeno denomiuado imola, que 

■n se proferir í?. ou /. o que se escreve como a. Quanto 

^-. <:a priui^iu sílaba, mesmo no árabe litoral, variava ela 

£» r f, B poíjerja Iraascrever-se por fr; mais *• com as con- 

normaÍ4, acercando-se porém do a com as guturais e os 

No árabe falado, todavia, mormente no africano, que 

|ue Dià iV&insula Hiápáuica predominou, a primeira vo^al 

trilitero como babab, é, a era provavelmente, nula. ou 

voeal de som indistioto, c^mo o e e o a surdos do por- 

Ircár e Inrw: ou um som intermédio como o do r surdo 

ou catalão. Prirucirameute, portanto, pronunciar-se-ia 

' ou r^il. dando-se ao <? o valor que llie damos em rebelde; 

a r abríu-?e mais. por inHuóncia do r. como ilisí^e, e pasnou 

fiT rf. coni'> iMu fithPlo, e as estritas e pronúncias rtl/fl e 

í, Éacoltativas, s-rm ilisso provo e exemplo. 

I X,H (jue av. contentarem com aquele BaBAU arábico como étimo 

d« rnfifvii. on rvhfcn. tem aqui a expUca\'Ao das duas 

lejítimaij umbus. Para mim rebeca provem do francfis 

rehac, « duvido muito do que este tenha como t^timo a 

[t^irma arábica. A alteração do e por o em rabeca é fenó- 

|ue se jutssou já dentro do purtugucs, e que uns podem 

r« » oatros nAo: o mesmo acontece, por exemplo, com a 

• ru \ aorum, que numa parte considerável do reino 

-j oiro. coexistindo ambas as escritas e amlus as pro- 

í, ^m nenhuma dcdaa ser tida por defeituosíi. 
[pelo t|ní! dir res|>eito ao nome próitrio bil)Iico Jiffteccn. cou- 
|r(<rtir iião ser esta a forma orijiual hebraica, a qnal é, 
a Dotayflo nuwísnretica. BiuetjáK, isto é, ribeqã, prová- 
gte Uissilabo. ou então dúisilabOi ribqá. 



fl2íf 



.-l/wijfíiA/v iiitH liicionúrios J^trtM^urvn 







A e±:oritii e a proiiúnciii Ufíiiéfcjra, são .t:^ da 
Reheefia e ilos Setenta rkbékka, com cr ou kk >!oí»r 
se explicam pela dilijt^Dcia de se querer imitar o vulor 
dn Q, difoieiíte do do k, diiplicaiiilo ('stf. o ijUt* ani * 
lhe dá iitn valor aitrossiuiado ao do t^; tun tíc^iío ;i 
do aceuto do a para o segundo r, proveio provàveUiieut« i 
ênfase. 

Outi-ii questão suscitou a disciussâo s^bre rebeca e ra 
foi. se será licito dizoriuos, & italiaua, violino, Parece-n 
menos, sin^ilur este escrúpulo da parte do artimil imitas qt 
iihuin U'tíin de empreíçai' a Wrto o a direito os mais ídúI 
absurdos estraujeirismos, uoioeadaiuí-nle galicismos, d*; v« 
los, e, o que pior é, de frase, de sintasse e de estilo. ■ 

Mas se quiserem dest^^rrar o« iurinieros italianismoa * 
nero de cmliiw, (pie ahuudauí, como termos de arte, eti 
^és, uào lhes faltará que fazer: ama Rrandt* parte da 
de música são italianos, e eutre os nomes de instnimcnt 
bram-ttie já aqui os se^ruiutí-s: muleta, talvez mesmo n^ 
lonrelo, ti-omhone. Jarfoie. /lauta (o portut^uês « frautaÚ 
oboé (couquanto a palavra italiaua proceda da francesa i 
trompa, etc, os quais todos, com luais outro* que uw ivíff 
rem de momento, de Itália nos vieram com os objecl<>i 
designam. Terão de expunjir também os termos contraiu 
pratM, prima-ilimn («primeira daaia>1, roínjuirga. ribali 
cénico, camarim, iiartitnra. coxia, etc, todos já antigo) 
outros muitos, mais nioderoos. coujuntaiuente com quã^í 
termos de pintura e artes plásticas, iiepito, não lhes 
tarefa, que llh).^ Iiú de faser dar u água pela barba! 

(V. em poltrona). 



rabisca, rabiscar, rabisco 



Como ein rabanada (q. v.J, há aqui duas formas conveijj 
que concorreram produzindo apareutemonte um só vod 
A primeira é de certo uin derivado de árabe, ttiabiura 



ApMtilnit no» f>icv>nárit>» Portuffw^:» 



320 



áÍMío urah')int. e ragno [ araiioa, <arauha>), » quere dizer 
Flraço Cíiufiíso V iuiatelijivel, como os caractereá arábuMis; emfa^oa 
*ie inissits tihaiiiúii Alexandre Herculano a essas ^ratujas. A se- 
gimíla palavra é rabisra \ iai}ii>eur \ nbnsvar ' ; i'f. corisco \ co- 
fittttr I coruscare. 

rabo, rabear; rabiar 

Do vocábulo rabo, acompauhudo de epítetos, forinain-se suba- 
ntiros compostos, moitos dos quais estdo já colijidos nos dício- 
íiríoa. 

Aqni vão mais alguns. 

fustícúr-dc-rabo-de-ifah. ou. -âe-bacalhau era o nome que Sô 
'Liwi por mofa i i^asiira cuj:is abas nflo obe^ani ii frente, ([tiaudo 
u.'.s riu* do séculu xvm coinevou a iisar-se. Ksta deDomiaayão 
daruu at*^ quási meados do século xix entre o povo. 

liatto-forcado. — • Irfs mouctt*8 ^ises que les Portugaís ap- 
• ■ " li ifunalo^ [ttic] 011 ràlx)!? forcniloa, oiseaux iioirs mar- 
s comm» des pies, avec une lougue qurue fenduo» — -. 

Habo-^e-tjuerra: locuçilo usada na Africa Orieutal Portu- 
pu>a: — «Os rnnhotujos e o feiticeiro usam rahn de fftterm, 
ttoA^ de búfalo, quf ^nhresahe nas cerímoDÍas feitas antes da 
gnem. • — *. 

Campre uàu confundir o verbo rabear | rafio, com outro 
"tT^vo. que no infinito se pronimcia da mesma maneira rabiar, 
. ..ar» í raiva, o provavelmente é castelhaiiisnio, rabiar \ ra- 
bta t rabia, em vez de rabiett. A conjugação, nas formas rizo- 
iòcúeju é fiunltiitiva, pois se pvdc dizer, por exemplo rabeia, 
como de raf^-ar. ou rabia, Llmu jK.*va de fogo-*le-vÍKlaí^ chama-so 



< V. J. Ltfiw il-' Viucotirt-lis. RKHrnHiK (iamomanok. p. 4H. 

* Jaririi il« Ia (Iravière, L&í Anolaib bt les IloLLANi»Ats DANA 

tJkC VKKBl {'UI.AIRfíS BT UA.NB I.A HHR DKfi InDI3»>, V&t\», \HV0, fi. 2!Xl. 

« Awncdo Ciiutinbu, A CAurANUA do UariA bu 11K>2, í« «Jornul 
hm C^loniArf». dn \0 Ae oposto df lOÚS. 



3S0 



Ajiontilaê aoi Diclonárioê Pt>rtHy*tett» 



hirha-de-rabear. porque, emqnanto lhe dura o lomi? coteia porJ 
nina e outra parte. Mos, quando de uma pessoa âe dix fartou 
de rabiar f é o mesmo que se 3e dissesse 'fartou-se do mivar^ 
impacientou-se», Dèsle verbo procede ruhÚHto^ casivlliauismo eu 
Tez de rahyosQ. 

raça. arraca, orraoa, arraca. (ur)raque 

O Novo DiccioxÂBio inseriu a forma estranieirada — • 
ou rak* — , que di7. ser — «licAr indiano, misturado com 
açúcar e noz de coco»—. A ser certa a ilffinivilo. Iii*;»iia .1 
droga uma papa, para ser comida rom colhfr, e não. )>ebii 
A palavra i arnliica, AL-onag «suor», e junta com o eptt 
T3MaR. oBãQ AL-^^auaB. «Bf^nardente de palma >. da primei^ 
diátili^:Ao. 

Na ludia Vortuj^nesa, porém, dá-se o nome de arraca, or 
ca, urraea, ttrraqtie ík aguardente distilada do melai^o, da çui! 
e do arroz, uromatÍ74idu ou udn, se^mdo parece. O vocábulo 
fundiu-ítrt para itorte da Asiu e jtaru u Turquia, designando 
pre ajçuardcnte, mas variando a^ suhstAncias de qne ê extraid 
assim como o uome. que foi adquirmdo formas maia ou mtnt 
alterada», mas que n^to vem para o caso citar *. 

Garcia da Orla usou a forma orrfujua: — «Faiem duas ma- 
neiras de palmeiraji, bumas para frutu, e ouints para darem 
cura, que he vinho mosto: e quando é cozido, chamam-lbe t?i-rfi- 

qua destji çurn estilaii) no modo de a]k'oa ardente; e deituiu 

bum vinbo cnmo [a] a^a ardente; e queimam bum piíno molha-lo 
uella, como faz a^on ardente; e e^jta tina chamaii juh, que 
qu«r dizer frol: c n outra ijue fica chamam orraqua, meAtunu»! 
uella |d]eâtoutra alf^uina ponca cantidade» — ^. 



* r. Yale ft Bornell. A Olohbary or Akolo-I5dia3c woruh. t/j< 
dn». WSH. mh r. Arraek. 

* CouMjtrioa uoa eiWLBfi e urooas ua Jxuia, LUbon, 1^91, 



Ap^iilw aoi Didottário» F&rtHffue*e» 



331 



O erii<1iti»3Ín)o comenUdor acrescenta: — < Rtn Goa as orra- 
oudavam arr^udadas, e Simão Botelho ex]>lica que eram de 
sortes: — Çiira que he assy como se tira, orraqiia que be 
cozida hiiu rcz. xaráo que be cozida duas vezes e be mais 
que a ormqiia, por ser- coufeytada — . 
— [Nota]. Ã palavra xarâo vinha sem dúvida do árabe 
mib fícic: xauAo], que signilícnu primitivamente qualquer 
Fíida: e da mesma palavra arábica procederam, ua PeaiDtJula, 
ItesfAanhol xarave, o o português Mitope (q, v,}. (Jrracu era o 
íbico iir/d- /íííVJ. propriamente tntnspiraçáo, e d'uhi ossudaçáo 
' Op seiva da palmeira. Çuni ou fiura é o sanskritíco Suni. com 
^ mesma acepçào» — ', 

raça, racá (maran atá) 

Alexaudre Herculano, uo cap. u da sua novela U Biibo, em- 
pre^ a se^iinte locnçilo, nào portuguesa, que deixa sem ex- 
plicação: — • Gritiindo-lhe com uma visagem d'escaraeo — racra 
fnarftnatha. rocca maranatha > — . Diz-iios apenas, que era 
— « 3cif ncia hebraica» — . Para a ^ande maioria dos leitores 
_«8taâ duas pabivras serão um enigma tam indecifrável, como o 
Slebre versn iudecifrado da Divina Comédia de Dante, o qual 
feito suar o lopete aos comentadores 

— Pape Saton, jiajK! Satan nloppo «; 

OU oft dezasseis versos da fala do õ.** acto que Plauto põe na 
Wca do capitão Hanom na coraídia Pénulo (O cartajiuêxiubo), 
que teem sido interpretados por várias liug^uas. desde o hebraico 
lat^ o vascouço! 

Ris a explicação, que {khso dar, das dua.*! palavras, ou melhor 
Ftrfts. racca inaran/atfM. A palavra raça foi usada uo Evanjelho 



< Ojflíle FicalUo. í&., p. 246. 
• Dbul' IsPBKNO, VII, 1. 



saa 



Apwtilaa aoê Dicionários í\jrtiiffuaicit 



de Saro Mateii» {v. 22), no seguiate preceito: >Qui aatíD 
dixerit fratri suo raça: réus erifc concílio» — . E iiiwa' 
ao sen irmão disser raça, será rcu perante o tribunal — *. 

Maran aia. f]ue parece querer dizer em aramaico < Sf^m 
Senhor vem * [uãnax atú], lisura iia.i fjpisUda dtt Sani fatiloaoi 
Coríntios: — Si quis non amat Dominum Nostrum Jeson 
Cristum, sit anathema, Marau Atba '. — Se alguém oM 
ama a Nosso Senhor Jesus Cristo, seja maldito: Maran aii— * 
É poitj uma imprccavAo, metade ein grego, metade na linguu se- 
mítica falada na Judea no tempo de OriBto, e no de tíani Paulo ^ 

Martinho Lutero, porém, usou outras palavras a que nito deu 
interpretação:— «So Jeraaiid den Uerru Jesum Cliristum nicht 
lieb hat, der sei Anathema, Mitharam Molha»—*. 

Com relação ao nit/i, dizem os suinitjiítas ser um adjectivo 
substantivado, natiã em caldeu, que significa ou «vazio, chocho** 
ou, pior ainda, «cujipido», «conspurcado*, biqA, de um radical 
Raiag, 'Cuspir». 

Devo confessar, porém, que tenho muit-as dúvidas sòhro 
iuterpretação que se dá a Marau atha, ou como quer que seja 
a lição verdadeira. 

rafião 

O mesmo que rufião, de que é variante, devida à influéDCii 
do r: 

— Cm qno fui ninazic«bodo, 
Alcoviteiro provado, 
E atn frade nfífio — >. 



* O texto grego acentua itAií A : ui duiti cr é qa<í ea iiÂo dei onde A. Hof- 
cnlano m foi bu8<»r. 

« Xo tíxtv grego: at tis or p*iLBt ton Kúriok iBsrtfrs K'itisTÒx, 

XTÕ ANÁT*BMA.: HARÀN Ari (XVl, 32). 

» T. Maran Atha, no VocabulArio de Bluteau. 
< l)ii£ HiHFíL, onuR niB OASZR IlEELtoa ScHKtPT; Das Naus Tl 
TAMBXT, Cohinia, isrilt, ]i. lííS, col. ii. 
■ Gil Vi«cntu, Auto das Fadab. 



rafídi. raplm^i 



Xúvn l)u:oroK\Bio inseriu, como iuédito o vocábulo ra- 
L •iefinuidi>-o. sem aboiíaçílo, ooino sigiiifiirjindo: — «membro 
d^ nmus dm seis classes que formam as setenta e duas seitas 
oupilmaniu* — . 

A funna «stá L^rrada. mt.'smi» porque ph n3o é grupo de letras 
oe se empregue para trautíliterar pulavraíi arábicas, à forma 
fttã é rafiíii, era árabe bapíui, que quere dizer «bereje* *. 



raja, rajá 
acentua^^o autiga era rá;Vi; 

— E teni nos gorontatlores 
Rajjus que âiu roedores—'- 

lodemamente acentuam rnjò, e aoresceutam-lbe um k no 
que ^ não i<abe donde veio. pois o nilo tem nas lini^ruas da 
Sv se atender à acentuarão do sánscrito. como fia ne lá 
nhém não tem fundamento marcar neiste vocábulo como 
bã predominante a última: — «Nunca será acentuada a úl- 
k sílaba, nem mesmo quando a única sílaba longa do vocá- 



ntla, ralo 

nta t«rmo, pertenrcnU* à nomenclatura relativa aos moinhos, 
WÊtíun detiuido na publica^'ão Portugália *: — <Ao mastro 



J, D. Belol, VoCADULAIBR ARABB-FRANÇAia, Beimtc, 1893. p. 260, 

Gardft de Bes^nde, Misoblánba. 

0> Ao VaaooQci.'1'fB Abrua, Critao n» MTisftATtTicA a i.isQVA 6AU6- 
ir - "- ' ---íjoA B tAdica, II, tAmo i. LinitiOA, I8d!>, p. 3, citaqilo [Jurgn] 
ftooK or SasskiutI. 
MuiNiios. p. 3S6. 



^s^m 



SS4 



Apostilas no9 Pirionãrios P(friufttie»fm 



3 



ncn tMj li 



que gira sob o impulso do vento e vem du extremidade ÍDtenI 
eutrar por um ferro de ponta coiiíe-a. a que dão o uouie de ugoi' 
Ihíio. n*um nríHcin aberto uo Trccbal cliamadn rata, adbereuffil 
roda dentada, a eutrosu» — . 

É pois ú vocábulo rala o nomo do tal orifício, termo ilgU 
vio, que parece uma forma femeníoa corresponde ut« á ruisci 
liua rah. que deriva do tatim rallum, cujo pluntl ra/^i [»oi| 
ter dado urijum á forma feiíieuiua (cf. formffnfo e ttínnen(u^ 
iada, e que falta nos diciouáríos c«m aquela sif^uitícação. 

Deve tambtím notar-se a acep\':io especial eui que 
pregado o vocábulo (v/nHhão, isto é, na de 'eHpigao». 

Na ilha do Pico, quere dizer «jaoela»: — « Vem do antigo % 
de serem de raW. ou rótulas, quasi todas as janellas» — * 

A palavra rfth. cora o siguiHcado de « rolào», em tw 
Iflo, que sorvo de epíteto a pão, na locuç&o pão de rala. v p 
Dico. CoNTEMPOBASío dsdo como oríjem o adjectivo raio, o <| 
jã Bluteuii fizera, c parece acertado; tendo portanto esse adf 
tivo ralo o mesmo «timo latino que o substantivo honiõnir 
que em último apuro seria, conforme o Dicionário etimolf}} 
latino de Bréal e Baitly ^ rad(u)lum derivado de radei 
«raspar». Outra forma, mus enteira e femenina, radula, flignil 
«ralador', que, como se sabe, è criva-lo de buracot^. 

Todavia, o adjectivo ralo parece vir de rauulua, pois Plaut 
emprega a expressão rauula tuuica, no sentido de «vestimei 
leve», sendo uma forma demiuutiva de rauus [ rauicus= 
cus, no sentido de «fraco». 

Km vez deste adjectivo ralo. vemos empre;íado raro 
rarum). daudo maijem a coulusáo, uo seguinte passo: — i 
sementes que se mettem em uma pequena sacoa de ied 
raro* — K Supomos, mas nAo temos a certeza, ao ler Uto. i| 



* 



1 O SaooLO, de 5 de jalhn (1« 1901. 

* DiOTioxKAriug BTT>ioi.oaiQim latik, ParÍA. 1893, nêb 

* TUimI, DiOTIOXN. LATIS-PRASÇAIB, PanK, IHHU. 

* OAj:m'A DA4 AuDEUAS, <lc i> de sotombro de IV06. 



JLpoiítilaa itos DicioMârios Ihrttégue.teii 



3SS 



« naca pequena tem (]« ser feita de tecido ralo, e aiio« lAro, 
•pn>i-ir)6<i j. i\\\^ se poderia, eoui iimta, ou mnis razAo. coi^ecttl' 
rw' — . 
' O suljectiro ralo, timto em português como em castelhano. 
Um -itimiíicuçilo tíspecial, que se nílo confunde com a de raro. 

t^aunlo a ralo. nome de um insecto, é provavelmente outro 
rocxbulo, pois seria dillcil. ateuU a siguiticaçào, identificá-lo com 
01 iiat4!cede»u:«. 

O f^lirismo raia (rúle). é moderníssimo no sentido de 'es- 
teitor>. e foi iiitrwlii7.ido na avaliada nomenclatura mé<Uca actual. 
da qaal deve ser eipunjido. bem como de um ou outro dtciouá- 
h» que lhe tenha dado cabimento. 

ralhar; rasar 

Dou étimos foram já sujeridos para o primeiro destes verbos 
■ " .iíueses. ijue nio tem siinile evidente, aeufio no toscano /■«- 
, ' zurrar», ou no francês railk-r. «escarnecer». O pri- 
nvirc.». prop<»!fto por .1. Leite de Vasconcelos {;. ratltúare * | ra- 
dula ] rtido, * raspar»; o segundo por J. .1. Xúnez, rahw 
lare - \ rabala j rabo, *esbraveiar>. 

Kcnhnm dèlea salisfax, ú lor^a dixê-lo, quanto ao seutido, 
qur t«in de convir a rafhar, ragliarc e raiUer; aiuda assim, o 
Mgundo. atenta a sí^uirioaçilo que tinha rábula em latim, será 
o mais aduii^ãíveh ' advogado víritador». 

't rerbo radulare explica talvez, mas em muita dúvida, 
roâutr. como pretende Kõrtinj,' ^. 

Cumpre udvi-rtir que no uso comum o verbo ralfiar é intran- 

«Itiro. e que {lortunto, do mesmo modo que uão dísemos yritar 

'«, mas. ifriUtr com nhjuvm, assim também gronâer 

ijf* njtéitH deve traduzir-se, com a propo»i\'âo, rnllutr atm ai- 



V., . ~:.\ Ltr^lTANA, III, p. 295. 
. ih^ ih. 
* LjkTKI5ll<Clt'nOMAIIIHCIIIS<l VTi^inTBRIlCOa. 



836 



Apostilati ao% Dicionário» F»Hngu#»f^ 



ffttíhn, poU é galicismo dízer-se raUiou-me. em y&z de ral 
comido — >7 ma <jrt>nti^. 



rama. ramo, ramalho, ramalhete, ramilho, itunilliete 

Êsifr- vocábulo, que uo seu sentido natural ú uiu colectivo 
ramo, tem a acepção de «falta de preparo para utilização», &p| 
cado a várias substáut:ia,s V4'jetais e ine.smn auiiiiais. e este sigi 
âeado vera já consignado aos dicioDários. — • Cumpre-lbe reti 
a sua seara em rama. até ao dia 31 de acosto. Digo < em rams 
porque o. . . antigo rendeiro dho tem direito de debulhar a si 
deutro da herdade que deixou» — '. 

No calão dos lailrões do Porto rama é «corrente de relójio 
HamnlUo ê demiiuuivo de ravio, como o é ramilho; é 
tanto ludifereute que o duplo demíuuHvo. formado com o siifíc 
-í?/f. St? acrescente a uma ou \v outra Ibrrua: tamnlhite \ ra 
lho, como ramilheie \ ramilho. O que é de estranhar é q 
podendo, íl escolha, cUzer-se, ramo. ramaíheif. mmHhfte 
fioref. ainda haja quem lhe pretira o francês honqucf. 



ramada 

É tíimbéoi colectivo de ramo c rama adquire porém ac 
ções especiais, de que exemplifico uma aqui: — « Às cabaim*; ma 
rústicas, construídas de madeira, com os tectos cobertos 
colmo, piorno ou giesta, chamam-se-lhes [sie] ramadas. Os 
mos « estabulo > e < arribana * . . . são quasi desconhecidos peL 
camponios do Alemtejo • — '. 



* J. Silva Ftcfio, ETHNOORArHiA DO Altu-Ai.kmtkjo, ín PortOf 
Ha, I. 280. 

« O Economista, íc '2^ At ftivcrcim Afs 18*5. 

• J. 8ílvTi Picây, Ktunookapuia uo àlto^Alkutbjo. w Portuf 
lia, I, p. &44. 




IpoBtiioM ao9 Dirianâritm Pnrtntfuafn 



337 



A respeito de esfábnlo nSo é de admirar, visto ser vocábulo 
ortjcni artifícial, copiíido pelos doutos do dicionário latino. 

rnmalde 

— « am dos iiadi-es que lhe entregou um raraalde para quo 
ibeni apresentasse ao príncipe > — *. 

êi^ue t> raimiltie? Õ Novo DiccioNÃnro traz ramahkita 
sentido de — «espécie de musica c dansa populares. (Pruvá- 
intriite^ de Ramuhie. n. p. de uma povoavão nos subúrbios do 

to) . 

É cousa de limnnUle, mas que)' 



ra(m)bana 

O Xõro UíCOiONÁnio diz-nos que rnhann è o nome de cer- 
— < atabales, usados no Malaiiar» — . 

Moiis. Seb;wtiào Kodolto líalgado no l)icci(»NAnio Uoncani- 
eucTEz dá a forma rainhuna com o signílieado de — «tam- 
cúeie - — . V. rabana. 



ramerríto 

Ksta. expressão ainda hoje usual, significa * repetiçfto fasti- 
osa ■. o por exiensiio, «costumeira». 
f) DitTioNAKio (JúXTKMpuiiAííKO detÍUH-a deste modo: — «voz 
iva do som repetido da soUetravão da svUaba rum» — , e 
a cora um passo de Castilho; mas, seguudo o seu costume, 
[o nos cita em que obra. das muitas do ilustre mestre da liu- 
ela fijinira. 




A&tànio Fnuieísco Cai>Uui. Batalham da Companhia ur JBars, 
R. HDi. p. 115. 

12— VOb. U. 



33-^ 



ApoRtila» fiost THcio»iirit*a Pnrtugtmat 



O Novo DiooioiíiHio adopta « dofi-Difão. resumindo-^ 
I)et« a acepção figuraila, •costumeira», que dera o 
nA^*EO, o qtiu ê a mais iisiiai da palavra, actiialiut^nte. 

Que há uma repetiç-uo de som, percebo-o todu a |^iil| 
que ela seja devida ao hábito da soletrarão é o que cer 
mente parecerá singular, viáto qno os vocábulos começ 
sílaba rmn st' limitam a ratrw e seus derivados, e a fwuqfl 
mais, todo» os quais raraã votícs sd luruo em cartillwLv, e{ 
86 soletraram m-mo, e Bâo rfltH-o. 

No Glossário, a todos os respfitoá intercsii:iute e con 
de Yulo & Hurnell ', vemos uma inscrição limn^Ram 
nos termos se^uiutes: 

— « Tbe oommonest saUitatiou betweeu two Bindus 
on tbe road; au invocation of tb<* divinity » : A saudaç 
usual entre dois índioã que se euooutram no cuiiuuho; in 
& divindade» — Segue m-se-Ihe três abonações» a mais aní 
quais i'* de lí»73, n:V) sendo neubuma de escritor portugS 
ligo» o que prova ser a expressão moderna cá, limlo ii 
ainda não (igura no Vocal)ulârío de Bluteau. 

IC pois certo que tal expressão a troussemos da ii<] 
em tempos |M)steriores ao do nosso predomínio lá, por 
se já estivesse divulgada na Índia portuguesa nos wv\^ 
xrn, provavelmente dela teriam feito menção os 
res, e" os eruditos autores do Gloiísório teriam adu7Ído 
portuguesa, como fizeram cAutameute em toda a sua at 
ma obra. 

Por ser muito aprazível e ajudar á intelijéDCÍa do ! 
exposto, coutirmaiido a elimolojia proposta, tradutiinoa 
da terceira abonayáo, que é do século bá pouco tiado. 



• HoliHon J*'Uwn, Bbis« a Oumwarv or AsaLO-lxDiAK « 

•WORD8 ANP rUIlASBS, ANO OP KIXDKED TBRUH. Ij<>U<lre0, I^ 

col. u. r. Iniiit^ni Monnior WillÍAiii^. Modbiin Índia, and tki 
Londres, 1^*79. o Hasi>ik>ok or tub visitok to BeNAniss, 
por M. A. Shcrritm:- 



Apostiíos fim Dieiotulrío» Furtuyantt^s 



S30 



— Em 1869-70, estumlo eu ' no Palácio ile Cristal, vi uo 
kviírio um papagaio verde, tam tloeute e mufcbo que fazia peua 
dlur para íle. Falei-ibe, cltanipi-ílio loiro, fi'/-lbff ft^8hi-s, mas 
Habum caío f%yt dt* mim. LiMubrfi int' euUio th: que jhkIhiíh sor 
algum jutpat * marata [popaUt]. e saudei-o com o Ram-Ramí^ 
àliiulo-Ihe em marata. N*o mesmo iusiaute saiu do marasmo em 
ijue estava, põz-se a saltar e a jingar, respondeu-me trepaudo às 
prados atõ se chegar a mira, e encostou a caíteça iios inis lios 
me tu dedos. 

E daí om deaute. todas as rezes f)Uo eu ia visitã-lo. Hcava 

éle muito contetite e corria paru mim quaadu me aprossimava^. 

êSeria ura papagaio da tudiu. trazido para Portugal por al- 

'goém, vindo de lá, quem nos transmitisse esta expressiva ])a- 

brn? 

A análise dela é a seguinte: o uome limna. que se aplica ò. di- 

rijidado, e é o do herói miticOf persouajem priucipal do {M>ema 

" uma, é pronunciado rám nas líuguas vernáculas, com su- 

.1 da vogal breve final, e quando na pausji, a tcrmiuução 

0m é proferida como ã : dêsto modo, na bdca de um índio Uánva- 

Bánia ada como ramrà, de que se fez em português ranietrão. 



ranjifer, raiijífero 

É bastante singular esta paIa\Ta, que, já se vô, n^o é popu- 
lar, mas de orijem artihcial, introduzida na língua pelos doutos. 
Os espanhóis dizem ratufifero, forma idêntica íi italiana raiiffi- 
fin-o. com a mesma acentua^'âo, mas pronúncia diferente do (/• 

Piindam-se &s três formai num latim, artificial também, 
ra7iyt/erus. 

Os franceses ohamam-lhe renm', os iuglescs reimher, os 
al«miles renntier. que são o mesmo vocábulo que o francês, 



* Sir Ct. Binlwiíful. 

* fK^}nta, com <> a títml nnl9, sÍj(niHca iirú[>riiiinontc «pombo». 



3to 



ApnvlUtiH (log Dicionârion Btirtugncun 



teiulo a mais as ^talavras dfvr, «veado» e tutr. «animais 
na orijeni são pela «ua parte uma sA palavra. As outras Iíd|^ 
geraiánicaa possuem vocábulos, que coacordauí morfolójira ef 
masiolójicaiuMiito com o fmncòs renne. [Kireceiído f|Ut? o èúi 
imediato df-ste, como o do [trimeirn elemento dos dois citiiílft 
inglês o alemílo. seja o sueco antigo reii, que hoje ee enip 
cotnn lermo comuni de dois, especial izando-8« em rfriJjur 
o uiacbo, e mUo para a fiímea {ko, «vaca»). 

V('-se (]ui* h forma latina ai-tificial se deu a mesma dir 
acrescentando-se as sílabas ferns frnnffifprus}, repreiwntj 
vas de fera, vocábulo latino correspondente na forma e uu ^ig 
ticaçào ao alemão fier e sueco (jur, e d© orijem comuia 
estes e com o grego t*êe. 

Todas estas deduções, porúm. não explicam a primeira 
da dição, ranji fcrfo). 

Freilerico Oieií declara que essa primeira parte é o vocÃl) 
que diz ser a um tempo fín^s e Upio, raingo *, o qual deh 
se procurará nos dicioDáríos destas duas línguas, de perto 
ren tidas. 

Foi Qualtério Skcat, creio eu, o primeiro a desvendar o 
tório. Kis aqui o que a tal respeito nos diz em bem poucas, 
seguras palavnis. que traduzo: --«Kefere-se I>iex a um rrti| 
lápico, luas êiite não é mais que a escrita em)n«a do 
renko, «raujífer fánea». A verdaduira palavra lápica pa^ 
nnuje dêst© animal ê paUo. que ocorre constantemente 
ciada a rvhw, «pastajem», e que os suecos. i.iuvind<>-a, or 
mente íiupusenini ser o nomo do animal. Km lápio diz- 
exemplo, phtmit uvtnii rtinohft, *oh ranjiferejf nas trugAS 
ceutar*. e qualquer outra frase semelhante •—*. 

É natural que, por ser o supino reitiGfhetj a últinia 



* EtYMOLOOISCUBS WÒHTEItlIlCU OKIt UUUAMiSCUiaX Sriwfl 

BuuQ. 18<J9, Kub V. ruiglfero. 

• A Dtncihb Etviii»i.<ioi(\i. Dictioxauv or thb Exouanj 
GtTjkOR, ti&túniu, 1SM7, Hnh r. relndeer. 



ApóttittM (í'»« í>it^Ítiuitrio8 ^rtugnates 



841 



im (lii draçAo, ela chamasse a atonçilo <le quem u niiria, perce- 
kidi>lhe o sentido total, mas nAo sabendo analisar o valor de 
cada víioáhulo desta frase, e de outras análogas. 



rapaçaio, rapaceiro 

O primeiro n*rae é próprio de Sani Vicente, o segundo de 
Kstreito (Madeira), para designar a avezita deuominada eiijarri- 
4&0 em Santa Cruz (sylria couspicillata) *. 



rapar; rapa 



O Dk«ionakio m.vkdal rtvmoloqico da línoda POaTU- 
ortZA. e como Me o Novo DicciohAhio, divide o verbo rapar 
Wn iliKis ínscri^*(ws: na pritneir:i declarara-no sinonimo de ra^ipar 
i' dêsU» derivado; na segunda, coin a siguifica^'ào de «roubar», 
díiivado de rapere. 

Xenbama plausibilidade oferecem as etiinolojias, nem a se- 
paração. O vocábulo é mu só, de orijein (germânica rapõn -, • arre- 
atar., e ã acepção de -roubar» é secundária. Opôem-se aos 
^ôuos apontados no Mandal aa considera^'ôe3 ãe^niiuied. De 
^^*ar nio pode provir rapar, porque o s final de sílaba mio se 
pefrJt* em portugucs, como acontece eni francês; rapar uílo se 
■©Hvou de rapere, atenta a permanência do p, que deveria ter-se 
™**<Íudo em b por ser intervocalico (cf. rabo \ rapum), e a mu- 
ffan^.n jg coDjUí,'avílo, pois da terceira latina procedem verbos em 
^'^ ou em -ir portugueses, e não verbos em -ar. 

Mapa é o nome de nm jô^o de rapazes e da peça com que 



»e 



Joga, a qual vem incompletamente descrita no NOvo Dioo. 



' Eniesto Schraitt, DiB Võobi. Madeiras. 

■ G. KOrting, LATBiKiacH-KOMANiscuES WúRTBRBUCH. Paílcrboni, 



^8S0, o.** ««58. 



(Í4i 



Aponiitas aot Dicionário» ParU^ueseé 



Consiste a peça uum cubo de madeira, osso ou marfim. t«iit)i> 
numa face um bico, também de madeira, e oa oposta uma ean- 
peta ou pegH, com que se imprime movimento de rotação fto hird. 
cirando o peão alj^iis segundos até pantr. Kiti oada uma das 
quatro face^ restantes eslá piutada sua letra diferente: i\ p, d. b, 
iniciais dos quatro imperativos tirn, põe, deixa, rapa» o Wtiiint 
do» quais dá o uome iio peão e ao j6go. Distribuídos tentos eiu 
certo uúmcro a cada parceiro, cada um deles concorre para o 
b(^lo com um, e de cada vex que a qualquer parceiro, a seguir, 
cabe jogar, conforme a letra que fica para cima, parada que seja 
a rotay^o do peão, assim Ôle tira do b5lo um t«nto. põe um, 
deiía-o intacto, ou guarda-o todo para si: rapa tmh. 

rapaz, rapaza, raparigo, rapariga 

A etimolojia que apan-ntementc se oferece provável é o la- 
tim rajHUT. rupãcls. A tal étimo opôe-se a pormauéncia do /*, • 
a nenhuma aualojia de significado. 

Dá-se a mesma impossibilidade que já vimos com o verl^o 
rapar, que não jíode provir ilt* rapèrc. O étimo esta portauC^^ 
para averiguar. 

Numas partes do reino (Miranda) díx-se rapm. rapada: 
noutras rapariga, rai/ariga: noutras raparigo. rapasti: na Ks- 
tremadura emfim, rapar, raparit/a. Outro ponto obscuro é o 
modo por que de rapaz se derivou rapariga, 

rapeira, rapilho 

— «A rapeira é o coujuncto de plantas marinbas, algas, etc., 
onde se effectua o desenvolvimento dos pequeninos (leixes e ond» 
se realiza a germiuaçiUi dos óvulos. A rapeira. . . é aproveitada 
em massas euormes pura adubo das terras» — *. 



> O Sboulo, de lÔ de junho de lcí07. 



AjMêtUita aoh DieionArtos Pbrtiitfneftfra 



04.$ 



»A gente maia rude, como os banbeiros e poscadorets. es- 
Irvíi fí pheuomeuo Uizeiído que era o rapilho que iingiii aâ 
».— *. 

Ifclere-se este passo ao trecho <le utnii c/)iTespftnd(Sncia de 
usti) Luso da Sdva. acj>rca do aparecimento de noctílucos 
I »jraa« da praia de' Matozinhos. 



rasrol, rascolnÍHino, raw-oliiiíslta 

O Novo DioctoNABio inseriu o seguudo e terceiro destes ro- 
bulos. bilo |iorém o primeiro. 

A palavra» como a seita, é russa, e em russo ív/aXo/ correa- 
cult' perfeitameule ao vocúIjuIo de orijem ^Tega cimtut (relijioso), 

rt»m saher, < scparaçíto % de 8k"ízrix, «abrir, fender». 

Oé cismáticos, ou acctários que coustituíram o ra-s-cóL igreja 
^ -la ortodocaa, em Uiõy, ua Kússia. deTioininam-:ie lá 
■ '/■. feiíienino raurâlhniçtt. a que íica correspnndeiido o 
•kJMmo rmrolm^Uí. e melhor fôra rascolniia. como Afaro- 
ia. iK»r exemplo. Tanto rascnlnlwto. como rnsmlnish viemm 

França dir^ctameut*, já feitos e prontos, pai-a Portugal, oude 

a a uiudan^-a prÚNia da vogal dual e para o e íj, se acomo- 
mm n aiialojin da nos^a lÍDgua. 



rasgar, resgar 

fioTO dií regifítr, resga e rauito bem, \Í8to que o verbo pro- 
lo latim re-se-care «cortar fora, aparar». Por iiifluèDcia 
a linguu comum formou rascar, cotu mudança do e átouo 
AtoQo. que ilefiois ])a»sou a â nas formas rizoiíSuieaâ da 

içio. Km galego tiimbèm se diz rcfijor •. 



• O Reportbr. HeíSàe outubro ãc \^B. 

« y, KKri«TA LrSITAKA, II. p. i-i « VII, \K 111, 




Apoíifilflt ffOH Diciomirtos PftrlwjHcxcn 



O substantivo rnt^o, uo sentido ile «abertura. ental)ie ■ v 
pregado por Fraooi^co Murtius Sarmento ', ú prova veliii eu t<> pro- 
Tincialisrao do norte. 



rastolho, rastolhice, restolho, restoJliiça 

O N6vo DiccionArio iu-sere as duas liltiinas formas, que 
ua realidade as iiiiiÍ!i uivadas; rastoího taiubéui se ouve. e poYMl 
ser a forma primitiva; nuítolhice está abonado no trecho se 
guint«: — • Passulo o dia In de agosto tem qae e»tar a rasto 
Ihice despejada e ç g^ido fora» — -, 

O tHimo proposto por Júlio Cornu õ stupula. « palha • , con 
influencia de rastriim ^. Cf. o castelhano vaMròjo, o qual desvi 
a hipótese de que a forma correcta seja rcM^^Uto \ resto. 



ratinho, ratiulia 

O nome de rniinko, aplicado ao trabalhador rural quo d 
Minho e principalmente da Beira-Alta acode a proctirar tiu 
bailio e a ajnstar-se para éle no Alentejo e Estremadtira. é j 
antigo, visto que Gil Vicente o emprega: 

— Tor qutttru Imnien* tW recad», 
E (Uixar Uvrnr rutínhiia — *. 

— 6 Onde é o vosso ratirilio? 
Nâo tem o» cheiro» coUiíilos?— 



' (HWKRVAÇuiiâ i ClTAXIA DO SNR. E.MIUO HCBSBR. 

< J. Silvn dn Picão, ErtiNiKiKApuiA oi» Alto-Alg^tuo, in Porta 
galia, I. p. 2S0. 

* GnrKDRiHs iiEii HoMAxiscirRN PuiT^oi^oiE, Eiitruburgo, i, XtSiSt 
p. 726. 

' FaHíjA UOS AutOCKBVBH. 



AjiostUas (lAff DicionAriog Portuijticaeê 



345 



A sigTiiíicaçjlo parece ter sido priuieiraiuente «moço de la- 
fonn- '. 

— « Kxísteiii ;i»[ui (Onínlini) Hmus espwie.s do fiiíança: A chii- 
mada ImprofiriameiítL* d^ Víiiide)Ii. . . e a diauiadu rutiuha>^ — K 



ravina 

[B íialícísmo inútil: em português diz-se barranco, barroca, 
ton-orttl, V. barroco. 
Km fraiiw's araiico ravine d'eau siguilicava «enxurrada»: — 
* Kn cettti annet*, il eut uue telle ravino d^çait que le peuple 
app^^Ilti ín/iibeme, qiiVIle oiiiidit tous l«a chaix ' 



razia, gazia, ^aziva, gazua, gazua 



Modornanieute introduziu-se o galicismo razzia para desig- 
OAr * incuiNão predatória em território inimigo, expedição mili- 
tar •, qiiand" jii oxii^tiam t'Á, dn tempo em que os mouros residi- 
ram em iVirtugalt os três vocábulos tfásua. ga^ia e yaiiva. cuja 
«ryem é a mesma. Oaziia. «chave falsa», em castelhano //«íí^/ííi 
í oulro v'ji'iibulo. Uive/, vajiconço. 

A inicial desta juilavra arábica e uma frícativa souora, isto 
é. acompanhada de voz, pmferida no veu <Ift paladar, ou palato 
lEwlc». A» mais dii« vezes acompanhada de vibraçAo da úvula, de 
in«Nlo que ó propriamente iiin r dui)Íii'iidi>, iivular precedido de 
am g fricativo. mais ou meuo* perccíitível, pronunciado no 
iii««mo ponto. Itepreifento-a aqui por t. 

íH Ounceses, depois que, pelas tentativas e guerras i)ara a 
couqDt^ita de Aijel, entramni em relações frequentíssimas com 



• O VSLBO DA OrTA. 

• O SW.TLO, (l<í 17 du maio «!« líUJO. 

(:*uKu.sigi'fB. lk>KUKL(>iBiG (1072), in Romani», xxxt, p. <tO>*J. 



S4fl 



AjimtlUas anu liiriínuirim Porlutfitntm 



08 mouros biirimipseos. que faliim lun dialectt? arábico. apreu"Íí^ 
rani a jwlavra. e enuio » r Ji; uma parte da Fmiiva iimlar 
também, julgaram ouvir esse r e com ele a transcreveram. Kfl 
Portugal eutroii ela, com essa forrau, pelu leitura de, livros fn 
cuses; mus em vcx de a uoeutuarem razia, ã francosa "ti niííj 
como oft árabeit, fizeram o novo vocábulo esdrúxulo. 

Duas sân as formas ar&bicas e<|uiv alentei; no í^ii^iiiticad 
vazuE. (]ue deu o gàsua portugê:*, e yazie, que deu u frano 
razia, e o português ///«•«/, ffíuiva *. 

Ou porque os mouros da Peniuaula dessem ao y pronúna 
buos gutural, menos semelbante a r vibrado na gar>;aiita. 
inrqne os portu^ue.ses e p*tpniili6i}f, cujo /■ sp proterííi i*L>m 
pouta da língua, nilo podiauí facilmente imitar a cousoaote ai 
bica. o facto é que ela foi sempre representada por // ua Peuí 
8ula Hispúuica, em todos os vocábulos recebidos dos árabe.';, 
que cia ti^urava. Se atendermos a que a cjusoaute ?urda cfl 
res]>ondente m Cjota castelhano actual) a ouviram como /J 
como /' passou para as línguas da Península, somos levados 
crer que, uma e a oiitm, eram rneuos vibradas, meuo* n 
bdcn dos mouros MspanoSf do que o sãn na dos habitantw 
Arábia, KJiptn e Marrocos. 

Km qualquer ortografia a escrita razzia com dois eg 6 
pois não tem em árabe o vocábulo mais que um z na escrit 
na promiucia. 

resl 

Adjectivo que procede do latira regale ] rex. regi 
* rei », e cuja forma anterior foi rfiaJ. com vocaliza^-ão do ff em ] 
como em praia | plaga, pelo què se deveria escrever 
{v. pior). 



' Veja-se Engohiiann & I»iay, Om»rsairr; Jwio de Sousa, VKSTtiiifl 
<tí(30): Egnlljiz v Yangaa<i. íilo»akiu: ManiiUi Dn^xic. ]>u-TiONNAittB, mj 
ÍAS vcma citAtlo». e It. licpdo Stanuaku Ai.vUAiiicr, Lu&dnv, IStfâ, p. ! 
etíO". 



Apoãtilaâ a(M Dieionúnos PorÍaffne»eg 



317 



SuhfiÍ3DÍivado, lieitiunu mu» tnot^da portugaesa. que tem 
variado <le valor e de inetul. sendo actualmeute de colire, e rtipre- 
^ sentando a miMsima parte de ama cor^a de prata. lOOO réis. 
'O plural, como moeda tUi cntita *^ n'/.-*, cnmo moeda venla- 
;<Ieir.i e cunhada, r4'ais, de <ii»> rf'iv « uma fontrac^ílo: cl", era 
' inglês pennjf. plural i^encCf e penyvies. 

O real espanhol (que o Novo Dil-cionábio escrevi»u. com 
'un f tinal a rniús, reate, tanto do corpo da obra, como no 
[Suplemento) valo a i|uarta party de uma peseta. equivalendo, uo 
a 45 réis portugueses. O mesmo Diccionário disc que o 
1, ao citar-se a moeda espauhola. deve de ser reaJea (como 

castelhano). NAo sei em que ^e tunda para preceituar o 
rpluni] cu^t-eihano reáip». em vez do português reais, para um 
\tò vocáhulo real. qup a um tempo pertence a ambas as líneas: 
Ir., uo emtanto, em mutra. 



realejo 

Este deminutivo de rea) é castelhano, e nào portugu&s. 
Oonio a palavra drísi<,raa iiui iustrurueiito. moinho de moer 
luitsica Uie chamou Manuel Ptuheiro Cha^^as, que em Kspaaba 
se chama actualmente oytjanilh. é natural que o nome viesse 
para cá no tempo em que lá ainda se lhe chamava reaÍA^jo, 
nome cuja oríjem parece ter sido o peditório que o tocador fazia 
ao terminar cada peça: Un realejo! «um realziuho!» 



rebanada: v. rabanada 



Eí*Í4í í»ala\Ta castelhana, conforme D. Carolina MicUafdis de 
Vasconcelos, provam de repanata [ pauis, panis, «pào», 
com iutluèucia de pannale, que me parece escusado aduzir, 
pois a peiíiianéncia do n neste vocábulo se explica pela sua 
procedência imediat^i de (Espanha. 



349 



AposUUtH ii'rtt I}Íeiiiftiiru>» PortHi/utvcH 



rebanho 

Conforme -Túlio Cornu ', este vocábulo procede Jo latim 
herbaueuin j herba, ^herva»: cf. relôjio (q, v.J, de horolo 

gÍQUI. 

í] claro que a aoeitavâo do átimo proposto por J. i.unm, 
herhaneum, nos leva a rejeitar a otimnlojia arábica dada em 
dúvida pelo abalísado bispaoiãta KqIído José l.hierro. ruMaiirjui ', 
«multidão*; isto i*, ruBav, visto que a sílaba -un é ali sirnplei 
desinência casual, a qual niHo pasmou aos vocábulos ponin.sutaroft 
dessa oríjem, e é mesmo provável que não existisiie uo àrab» 
vul^r de entilo, como não existe no actnal. 

reboco, rebocar 

É natural que o verbo proceda do nome. se è.ste se dcríra. 
como parece, do árabe RanuQ, nome de produto do vertNf 
Rana^a. «misturar*, e dAo de RaBaKa. •arruinar, arranjar» 

rebolo de neve 

Xa Reii*ii-Hi«xa dá-sp tíste nome à Iiola dp neve que, por • 
para brinquedo, se amassa entre as mãos. 



rebuvado, rebuçar 

Este adjectivo quere dizer «escondido, disfarçado», «tapado 
até o buvo*. 



< Urcndriss DDR Ro«ANi80QKN PniLOf^ciF., I. Eitrasbu^^, 13 
p. 739. 

' Al»i;NTAClOXBa ClltTlCAS SOBRE EL LGNfíUAJ E BOOOTAJfO, Bo^lâi 

1881. 



— ihiríçA niehciro. Este Éiniuial ong&nado 

Caida iiu« aaJa câcooiltdui 
E ète é inaU ctfnliecid» 
R«baçaiio— *, 

Como suhsUntivn dusi^uu uma gulndice ou confeito, embní- 
a4o num pajwl em fonna de sinal de parágrafo (§), doce a 
os e»[iaabrii:í rbamam caramelo. O uoiue que tem euj por- 
Wwi» reio. naturulmeiíte. de estar encoberto coui o papel» 
^ l- nele». 

t "úir.rme l). Carolina MicliaPlis de Va!ici>ncelf>s. rehurar 
'têm lie bítro \ biípceum * [ bucca. «bouU' siguiticamlo 
ib 'taptir a boca», tapar, •encubrir'. 



réhus 






^"* ■ termo, que dusigua um lonogritb aeompanliado de vi- 
lustrativas. é pouco usado em português; lenbo-o eiicou- 



kilo &3 mes por«^ni, couquaiito uõo possa diMe dar abonação, 
*r nSo enfonlie em dicinnários portugueses. Oh friíucesea, que 
asuD. proQimòam-no rfifuirt; com o seu u especial, em eoiifor- 
íAade coin o modo por que lêem n latim, aoentuoudo sempre 
iálabai tiitaiâ. 

Íí6«, temos de o pronunciar h nossa maneira de ler latira, 

O tS. réfm.s. 

EU aqui a orijem desta denominação, traduzida do jornal 

Bkpo KuiiiRio l^iTMUKííCiíf de 2 a 18 de maio de 1S80: — Xo 

HBb XVI ns rapazen picardos tinham por costume, do carnaval, 

tUinir ovrtoa folhetos, que coatinham iaiimerus indiscrívões 

eandaJwuis. Tais folheloíí, com a capa de fórmtilas e emblemas 

ígmAtioos, disfarçavam lUí mais graves injúrias e ditéiios e ti- 



* iKi Vieeiite, Apto oas Faha». 
■ RsrrffrA LcarTAMA. ui. \>. VM. 



nham por título Ok hkbus quak oeruntfb [* Cousas qne i 
ttíceni » ] — . 

Com o attdar doa tempos Ôsseâ folhetos passaraiD u ^ei 
jiados sómeiítti com n-i duas primeiras palavras Ue rebuaJ 
nal o Mtulo resiimiii-sL* apeuas na úUima, Rebas, e comj 
nome se indicava um livro qualquer, ura epigrama, uma uotíi 
quv contivessem alusOes. li^j^uras ou es^pressões, tomad^is eia ; 
tido diferente daquele cm que usualmente âo empregaram. 

recábedo. recabedar 

O Novo DiccroKÁJtio inclui este vocábulo, qne acentai 
cítbêdo. Deve de ser erro, risto que a par insere tAmbtfm 
hito, recnhdo, vocábulos todos óles afins de t'fcíú}(c)tiar. 
como termo antigo, define — «receber por espíísa» — . 

Santa Rosa de Viterbo dá todos est«s vocábulos. « o vi 
com o sentido geral de «receber», e o especial que o 2l 
Uicc. rejistou. Acentuou também recabédo, mas os erro 
acentuavAo do Klticidiirio. precioso atiá.s ])ara o estudo da U 
abundam nele. Recabalar provém de recapitare, e rembeiiá 
recapUum: a própria forma rectiÒdo está a indicar a ví 
deira acenluuyáo. 

recadeiro 

O indivíduo a quem o rei do Baomé incumbe de uma 
sâo '. 

recalar 



• Buscar o nano negreiro o lagar destinado a recel 
carga *>. 



Tr(;i'K7. PB S. JuAii H mti^t \ i>e ãjvdá WH lStH>, Linho», tMfli 



Aji^xiituM ((OS THcitmãrim Furlui/ti-ifitr/t 



r.l 



recahuílo 

I) X6vf> DiccionAhio define do modo soguiute cata ei- 

prví;<iva palavra: — «intervalo sereno, nas grandes ventauias ou 

tftnf)ora»w do mar» — , e abona-se com o primoroso escritor 

ílijíluo Paio, [avBO ixí Monte, pAj. 258. A detiiiiçâo couío ge- 

wu>-A é perfeita; acrescentarei apenaa que, segundo sou infor- 

fir.KJi» por pessoa qne residiu largos anos em Macau, ali se chama 

ffcilmao ao reinauso que se proUuz uo ;tr, quando o oentro de 

QiD tufilo uleanviL um sitio qualquer, remanso que cessa nesse 

tara dt^pressa o tufão prosegue no seu movimento de trans- 



recente. reeeutal 

Existe em português, como em custelbauo. o substantivo re' 
nmial. qut* quero dizer -cordeiro de poucos meses*. Qne ò um 
derÍTAdo de adjectivo recente prova-o o seguinte trecbo: 

— Scnhom Monvcn, ;, trazeis 
Alg;ani cabríto reccnlc? — '. 

Aqui recente significa < nascido de pouco > : cf. recem-najfciâo. 

qu<^ ainda hoje em dia se nsa. 

Km custelbano também, antes que se dissesse rccenfalj em- 
. i-se reeiente como adjectivo, ligado ao substantivo wr- 

érro: 

Prrtlícrún con grui tuicào mucbtis d«Uu4 los B^ntJJud, 
Xuu w |totiícn dar mtiMjo mti(^^rt.-t; nin imrí-loK. , . 
«Trwnnoii rmiio loV"« a Ioh curiltTOA rrfcicntws » *. 



I on Vicíijlí. AfTO nA Fkiua. 

* ruvm» Ae Ff niAn Gonvi^K'x. npwl U. Mi^nt^niloz Vuh}, La l£YIU(UA 

, AVAO Dos JCAK liB Mt>NTUMAYOK, Dtcs<1c, 1903. p. XXVIII. 



;(52 



Apoxtiiaii aos DicionúrioA Portu^H^ars 



reclamo, reclame. pregúQ 

Tem-íe espalhado poios jornais diários; o att* por livro» o t*** 
cáhiUo fi-aiieê.-i la riríaim', fazeudo-o uiasculitio. o réclainc, COí0 
ívconto marcado oa primeira sílaba, o que é iusensato. do in<r 
mento (pie en^.sa paluvrii, por u«:o oii altiiso, ííe admite em {tnrlu- 
guf'3, visto qiio as pessoas qne uào souberem fraucês, I(il6*d9 
tíupor que é esdrúxula, como réplica, por exemplo. 

Esoritores mais escrupulosos repudiam o frauoês refloMt. 
com acento, ou sem ele. masculino, ou femenitio. e 8ubstituem-lli« | 
a ])alavra portuguesa reclamo, que ua sua pittrutura muito s«| 
parece com o dito frmicesismo. Seria lícito o processo, se redaiwtí 
tivesse exaotameute a meáina ou uuáloga siguiliouvão, e em p"r-1 
tugués iiâo liouveãse palavra ou locução para expressar a ideal 
que o vocábulo reclame sujere aos franceses. Ora, couqnaiito 
substantivo reclamo, ou mais antigo rccramo, uiio seja raro, 
sentido de «aliciativo, alicia^^^o. tentação», o seu signitictido pr 
prio e material; designa a ave, que também se denomina du 
mariz ou chamo (q, v.J, e a imitação, com iustrumouto apr 
priado. da voz dela. empreitadas como artifício de coça. K ne 
sentido que disse Cainões: 



— A leds codorniz acode no rccbutio 
Do SBgoi cofadQf qqv « rede estende—. 



Pam trdiluzir ii idea que os frauceses expressam com .-* suai 
palavra récUimv. a palavra piu'tut(UK!<a ê itrajào. do latim prai*-l 
conera; e é também popular a locução servir de ehamaris 
cada a qualquer expediente ou meio visível, pelo qual um lojifttal 
chama tre^^uesia e atrai a atenção <lu público, ou mesmo o lurti-l 
ticio com que nma pessoa qualquer solicita em seu favor o reparo] 
de outrem. —Mulher muito apregoada não está longe de v«a-| 
dida — , disse o I*adre Aut<inio Vieira. 



Apfjvtiln* (MW VirÍMuirioê PnrluffueJiat 



353 



recolliti. recolhimento 



O jíriraeiro sul»stantivo verbal rizotónico. de recolher, como 

emifha, rle encolher, ê por ura correspondente pmposto à secção 

' "'uHio DE Noticias * -Falar e escrever», para traduzir o 

francês ffitriige, com rela\i1o às • cocheiras em que se 

ircK-adam oh automóveis, e nas quais ee vijia pela sua conser- 

Taçío . . 

Piirece-nie excelente, contanto que se lhe antí^píuiha a palavra 
«xíAfrríi. isto ó. cocheira de recolha. 

O íietíundo, além de outros siguihcados, receheu uma acepção 
'.prtioularissima, que se vè no pnsso sfíguint^: 

— ' Us maridos tem certo tfinpo de recolhimento no qual uào 
«mém sair fora nem trabalhar por nâo empecer a criança» — *. 

fiíH! trecho foi-me suhuiiuistrado pelo primoroso escritor 
fi^uardf» Augusto \'ÍdaL em carta datada de 21 de novembro 
'•* IH£K), K o costume que íw franceses chamam couvade, 
*fhtlco>, e Oliveira Martins denominou rejimento. 



recua, recova, recova, recovar 

SSo formas diverjentes a^ duas primeiras, cujo étimo é o 
*fabv BaKBE, que Dozy, criticando Kngelmauu, que acentuara 
**^íi« e lhe atribuíra por étimo BaKiBK, «azêmola» besta de 
^^ga-, declara significar — « troupe de voyageurs montes sur des 
***^tes de somme » — *. 

Nflo ficou em absoluto decisiva a sentença de Dozy. Existem 
™*ia vocábulos, ambos portugueses, réciía e recova, ou recova. 



> de 5 de iiiftrço de 1ÍKJ6. 

■ Siiiifio de Wsconceli)», Chrdsmc.i da Compaxhia db Jrsus. 

' Engolmuiin & Doxy, iti^ãAAntE uk» motr kispaonols et purtu* 



''•Vis líÉlUVaB DE LAR.VllB, LeídR, ISUÍIÍ. 
33 — TOL. n. 



^^^^4 



Alf>ftiill» '"VI J'fLtftttUrt''0 Í<irii(f/N'-ír^ 



Como o úuico vnljçar hoje ^ recua, e niio réc^n-a, conquanto aiiii'-^— 
os vocábulos, recua, (rema) e recova, sejam taiuliém caãtelbanos» 
coiu as mesmas sigui ti cagões, poderemos siipAr qiio réet*a provém 
de RHKBR, com viM-alísa^-ilo do b em u, e i|ue rerovn (-^ recôraP~ 
repriísiíiita o naKtuB, aduzido por Kngeluiunn. K todavia maiji^ 
verosímil que. conforme Dozy. recua o recova sejam ambos m- 
preãentattvoa do árabe BaKDE, tendo a sef^unda forma a ro^ 
anaptjotica o, a desunir o desusado grupo de consoantcã ti\ como 
o de '/r cm akárova \ árabe Ai.QasBE, qim os espanhtíis boje 
erroneamente aceatuam filcmáha, por altárnha, com n por vogal 
nnaptictira. 

Neste pressuposto, refòva seria substantivo rizottínico do veriw 
recovar, de que também se derivam rec-oveiro, * almocreve», 6 r*- j 
coveira, pau de (|ue usam os pexeiros ao oml»ro. para transporta- 
rem um cahm wu cada ponta, costume muito cliiní^s para car- 
regar baldes de água suspensos em uma vara di* cunu-du- Índia, 
que em Macau se chama pinga. 

Aí. Ferreira [>eusdado usou de recua como • caravana»: 
— «firmaudi» recuas de romeiros» — *. 



ré de 



Este vocábulo em composição com outros substantivos desig- 
na, conforme $les são, variedades de redes. 

Bêde fule: — -Pequena rede de suspensão, composta de um 
sacco cozido a um arame»— 3. 

i2í?rfe-;íí!. — «Rede de arrasto de um só panno qne se lança 
perto da praia, e estA presa a duas vai'as de madeira» — *. 



» o REOoi.HiMBsTO UA MòPREiTA. ín » Rfvista de «AncH^-flo « çnsí- 
nu», àt l^^í)]. K tn]v«z ntolojisiun <Ío autor. 
, • Portugália. 1. 1). 381 c8tj'2. 
» ÍA., p. l.Vi. 



.lfM>itUu.f lioa Dieitmárim Portuguaten 



355 



redenção 

-Vo ííntido de «salvaçAo» é muito po]»ular esta [luluvru: — 
•Q«i3rúi feira, ia Ikando debaixo de ura tr«m... uma creanci- 
■i^-ji. A sua redem|M,-iio foi agarrar-se com toda a força a uma 
iàs máíw doB oar&llos • — '. ^ 



redondel 

Kutpécie de capa: — *0 çurttme ou çorame era em geral uma 
ctifui de re5i,mai'do simples, duradoira e barata e fícara muito 
iBbsito do tabanlo senhoril, assim eomo do redondel* — ^. 



redondeza 

Kis aqui uma acepçAo, deste vocábulo, a de -feira', nílo 

eolijida nos dicionários usuais, e com a corapotoute definiçilo: — 

• Outrora as • veâondezaít * feita** dob ^^randes terreiros <ou 

Urrados Iiso:i e abertos • limitavam-se a simples vendas e oora- 

fpTUs de bugi^nga!< c e.speciaríiis, guduit o u^^^u^salbo' ^. 



redor, arredor 

Km portu^ês diz-se ao red^r, rfí redor, em castelhimo alre' 
• detlor ! rotatorem *. Houve pois em português baplolojia no 
vocábulo rededor, como a houve era bondoso, caridoso, por frow- 



< 4> RcOKOMíBTA. de 1 dtí outubro Je ISOl. 

1 D. Carolina Michití>liii de Vasconcelos, Rkviiita Lvsitana, lu, p. 142. 

* O Dia. df! 2 de timio de 19VW, 

* J. Lditâ <lv ViiftCMiiCtilus, ín JEbvista Lusitana, ui. p. 3A9. 



(iodoao, caridaâoso. adjectivos Tormados dos substaotivM 
dade, caridade, mediante o snficso -oso. 

A palavra arredores, era castelbuDO aírededorea, privvím^ 
locuçSo udverhial citiida. Com relaçilo ao re em vci de ro ■ 
latim rotatorem, coufronte redondo [ rotundum. 



regaxa, arregasa 

Nao afiauço que a ortografia seja esta, ou regadm. nrrt 
cha, por ignorar a orijem do vociilmlo, usado no Alenlejo 
denominar a áve que na Rstreiniulura se chama uariv^a. 
aspecto arábico, mas uesta líugiia nílo encontro palavra, ou 
caI que se lhe assemelhe, a nilo ser aaoax. 'tremer>. de qv 
deriva o substantivo «uiioax, ou waRuax; este, porém, coofflj 
Bebt ', é um uome que se dá ao pombo branco. 



regressivo 

l)enominam-se, em nomenclatura glotoliíjica modenuiu 
formas regressivas aquelas que por analojia se deduzem, 
simples, de outras que, sendo primitivas, se supõem deriv 
Assim, deduziu-se aço { aceiro, por analojia com pinheiro 
nho *. 

regueira, règtieira 

— «uma peça.., aguentada no solo por um espeque. 
que se chama regueira* — ^ 

Mas, êqual ê a pronuncia do Tocábnlo. règttreira. de 



* ToCABrLAIRE AR ABO- FR AXÇ A IS, B«írQt«. 1693. 

* y. ROMA>-IA. XXXIII, p. 212, 

* o SsoiTU), de '26 de onttibro de 1901. 



presumir, visto que ua citação vemos aguentar, por 
«ter, on» melhor escrita, aijoentúr. 

reino, reinur, reinação, reiuadio 

íiuhstanfcívo reiíio foi dantes escrito reyiio, quando o y 
jprei^^do pum a suhjuiit^vii do» ditongos. Foi titmbi*m, do 
iruJt» XV em deunte ortog^rafiido com //, regiw, mera fantasia 
miotójica, e oâo pronimcia reul. 

Ett veriw reinar, aiéiu das acHpçòes mais ou menos relaciona- 
HSom o .tentido du «dominar, prevalecer >, bem tiu linguajem 
ipnlar a de ■ (gracejar > , já apontada nos dicionários, e que deu 
nem ao nnlístantivo reinarão, e ao adjectivo reitiadio. 

(a ilha du Madeini reinar usa-:«e no sentido de • raivar, 
rgar», mus parece palavra de outra orijem. 

reiseiros 

Bomalde, perto do Porto, tem ente nome os representa- 
de antos. que se levam íi cena na aldeia por oca-sião da 
los Keiii, em janeiro, o étimo imediato é Reif. 

veita. risa 

tr^s acepções perfeitumeulo distintas esta forma, resul- 

de duas converjentes. A primeira ê antiga, cora o mesmo 

Bcado que a moderna rixa, e proced^íu do latim rixa= 

a, por vocaliza^ílo do c em i, reixa *. e por coudensi^-ao do 

^o ei em i, a fonna moderna rixa. que uíEo é tirada do 

io latino artíticialmente, como o jnova o valor do z: 

9, pronunciado firm. 



t>, Oftrolínn Micluií:*Ufi d« YiiccoDcelos, Rbvibta Lusitaha, iii, |i, 131; 
, Jalio Goma. 



 segunda fornta provém de regula, ou como oati>}â 
tendem de raliia, e tem uma formn díveijente relha, 
pondendo-lbe em ciístelhauo r^a {=reifaj, quer como a 
cortante do arado >» irlha, i|uer como «grude», reixa. 

A terceira ace|>\io, nascida desta, » 'prisiU), cadeia 
caláo dos presos do PArto *, Cf. h seguiuU» cantiga aui 



Eu U^ Tf}\\» p Ia trena 
no tf poujT-y a vorú; 
ja ({■aç no mv ijuitiij pena. 
no mi* bj venpy ú dA *. 



Tii li? gru-l.-' .íii oa-icia 

Já qac uáu tur tínu (h^UM, 
Nàu iiiott Trnhwii cá deixar. 



rejistar, rejisto 

Os espanhóis usam do verbo regigirar e do suhstãnl 
ffistro, como cor rtíspond entes das iiosiías expressões fiscaii 
tar e revista, de liagajeus, |K>r fxemplo. líssas expressõufl 
também portuguesa.s e do seu omprôgo temos a segaintej 
çflo, do século xvii: — « rejiistam as pessoas e o fato- 

Fato está aqui empregado na acepfão de < fazi^nda, 
que pertencem a cada um>. 



relojio, relojo, relojoeiro, relojoaria 

flste vocábulo t«m duas fnrmus, relojio, que se 
maiií culta, e rclnja, que é a popular. 

O ótimo é. como se .sabe, horotoffium, palavra latina 
da grega 'õbolóoiok, «o qne diz as horas», o pela» n 



' o EfíONOMiirrA, ilo 8 de Uvcwiro <\c I88íi. 

' Los Bm>AÍtOLI38 PINTADOS POB Hl MlflHQS, Maillid. 1851, 

" António Fnuicisco Cnrdiín, Bataluab da CrOMPAXHiA íHt 
Lisbum 181M, I». 281. 



bda no relojo-de-sol, e à clé/tsidra, ou reIojo-d'água», nome 

oenle Krego, klkpsídra. 
Km formas portuf{ueBa.s, como na castelhana reloj, doii-se 
ítese entre o o e o r, aniiloga à íjue se deu entre r e e, ua 
vm rettanho (q, v.J, áe berbaueura. 

r«aiu« do supor, para explicar oa derivados relojoeiro, relo- 
ia. outro étimo imediato, convém saber, um aumentativo 

o, de ctyo tema relujtj se derivassem, como cordoem^ e 

arí« I cordão, limoeiro | //tnfío : pois sem êle diríamos 
eifo. rehjaria, castelbano relcjero, rehjeria, como de Uvro 
Iramos livreiro, lixnytria, 
loje chamamos dispertador a um relojo com campaiulia. a 

por certo artifício, que faz pane do seu maquiuismo. 8oa 
Mtridentemente ã hora que por uni fKmteiro especial se marca. 
Dles cbumava-se-lhe retojo espcrtíidor : — * um reloj io de [darj 

com seu espertador » — '. 
^elójifj, ou reUjio de mar, como trai Bluteau, era o espa^i» 
Beia-bora coutado por uma ampulheta: — -e se um mS relojio 
irávamos mão disto [dar à bomba]» — '. 




relva, relvar 



9\i\-?v roíno ctimo a reim o latim berbu. com mctátese 
E pouco provável. Cornu propõe J eliia ] (b)eltiellu. 
rtaliça meúda > '. 

verbo reh.-ar, alrm da acei'^^©. que lhe rojista i* Xovo 
xÃBio. de • cubrir(-se) de relva-, tem no Kiba-Tejo .t de 
oa relva-. 



Anlúníu FrancífKQ Curdiíii, Batalhas i>a Coui*axhia db Jubus. 

l-íVi, p. HO. 

UÍ4t-/ria tn^íco-maiiHinii, ín Uiblioturca dk clahiiicos fortu- 

t XL, p. hl. 
OEtnontias i>bk homaxiscobn Píiilolooib, Gstrasbargo, i(l«^, 



soo 



AjM^til/u no» I)Íci*t»árÍ09 /VrfuflMwr* 



remate, reniaUv 

Conforme D. Carolina Michaílis de Vasconcelos» prov«ftj 
r«— |- nuite, ianao do }ò\*o do xadrez '. 

Frederico Diez propôs em dúvida remacfare par» foiíaM 
Qualquer dos dois é duvidoso, seudo preferível o últuno.) 



remercear 



Parecerá galicismo, viato que remercier em francês 
dizer «agradecer». Xílo i*. ou o é maito antigo, poi* 
euiitregado pelo cronista Rui de Pina. na Crtínica 
Dom Alouso v. O étimo é mcrcú. 

reroualbo 



— «um enxame de' abelhas que tenho ha oito aniiua 
mesmo cortiço de cortiça e qtie uj^ora iippareceu com un 
niiialho ou espécie de farello. que algíiem dh ser couç^fq. t\ 




renda 

Na acepçAo do tecido aberto, é vocábulo iude[)endpn 
ríMrf«; «rédito», pois é o latira rcttna \ rete, <rêdc.; 
supor-se aa formos lute rmedi árias renita, por metát 
consoantes das duas última:^ sílabas, e deste *réniiia, de 
suprimiu o /, para evitar o vocábulo esdrúxulo. 



1 BnviflTA LrurrASA, ui. p. 1K4. 

* KrVMOLOaiBCHKS WAUTKRRITCH UBR RoM.iXISCHlU 8|>I 

* Oazbta dah ALDBiAã, dl* 2Õ de foTcreiro de llK)i>. 



Apoftit*!^ ft/w DictíMário» Poriugutgf» 




m\ 



Cm quási todas ns foruins derivadas se dá confusão com as 
que firoct^tem do verbo remle}.' reiuteira. arretular. etc. 



render^ renda. rendiMro. arrendar 

O verbo reiuUr provém do latim reddore 'restituir», com 
a influpacia do seu contrário em signiíicayâo preheudere, «to- 
mar*. É o que parece averiguado. Do mesmo modo, em francfis 
temos rcntiir, a par de premlre. 

De remier procede o siibstaiitivo verbal rizoti5nioo renda. 
«lucro que se disfruta de capitais empref^ados em propriedade, 
indústria. et<c. *, e ■óuns por part« de quem tem de os satisfazer 
«o proprietário»; e por isso arrendar tanto se aplica a quem dá, 
como a quem toma de arrendamento; rendeiro, porém S(> se dix 
ao segundo caso, emtauto que em francês rentier é aquele que 
dififrula. e náo quem paga: — ^«U dono da lavoira conhect-se 
pelo nome de lavrador, accresc^ntando-se-lbe o sub-titulo de 
rendeiro se aa herdades que disfructa sAo propriedade de ou- 
trem a quem elle as arrendou * — '. 



repicar, repique, repiquete 

Ó NOyo DicuioNÀHio atribui ao substantivo repique, com 
refer^Dcia ao dos sinos, um sentido que pode ser exacto como 
termo provincial, mas o nâo c na língua comum. DcHneo assim: 
— * rebato de sinos, alarma»—. Aboua-se cora Francisco Ma- 
nuel do Nascimento, Vida dk Dom Manijhi., iit, páj. 401, que 
não teubo ao meu alcauce para o cotejar. Ora Bluteau define 
< Kepiqck de sinos. H som dos sinos Imrninnicfi, e aleg^re. como 
se coiiluma em occasiào du festas* — . Ktuetivumunte, as expres- 



» J. da SUt» Picão, Etiixograpuia do Ai.to-Alemtbju, in furtu- 
gfiHa. i. p. 271. 




ApOíitilaíi no» /]íiV(>)»fÍi-iiH PnHwjurMc» 



sÕGS repifjttf ilf sino?', reitiauicm) u/i -KÍnos- itulicHin 
tom de festa, manifestava o feâliva, e asãim o deolarani 
todos 08 dinonários. Ao repiqtte chamam ns frauciwes rar 
de oudo tirámos carrilhão. O Un\ue apressado para avisi 
perif^u denomiua-se tocar a rebata (sonner Palarme): é o q 
franceses chamam le tocnn, <foqt^ ãc rebate». 

Repicar é iterativo de jncar. no sentido de < bater 
o italiano pírchiare. 

O Xôvo Dicc. dá repiqu^te pom a significação de 
dcMra * , que não sei se é lejittma, pois a Dão abona, O Coi 
poEANKo. além de 'ladeira íngreme», diz-uos si^nitírar, 
relação ao vento, — «o que corre todos o» niiuos dur.indo 
em cada um » — . 

Nfto o abona também em nenhum dos dois sentidos; nt 
lUtimo emprego está óle autorizado por Henrique Díax, na 
laçào da viagem e nuufrájio da nao Sam Vaulo*. em quo d 
vezes o emprega: — «se nos mudou o roDto e uos fi^x mil ri 
qnetes — ventos a prazer e com mil repiquet<*s* — '. Snb«t 
com vantajem este vocábulo o franceaismo rtcochete. 



repolga. repolgar, repolho 

O primeiro vocábulo desif^ia uma casta de cogumelos qu 
cria nos custimbeiros, o terceiro urna hortaliça cmíberida. 

A qualquer dos dois atribui J. Leito de Vasooucelos c 
étimo reputUcare, repolfjar \ de que repoUja será aubstat 
rizotiinico. Todavia, repolho, ainda que relacionado coii 
étimo remoti>. bâ de ter outro imediato, que nAo está averí 

<* N'i'jvo DiwiuNXnio inseriu repalegar e repoUgo. iX 
^aff JoUja, f(^l(eigo, fôlego. 



tat 

i 



> BlBL. DK OhABHICOS PUUTttGrKZBS, Vol XUI, p. W I* 4í' 

* nsnsTA LrttiTUiA. in, p. 04. 



^ 



rer 



l^oe o PiGcioNÁBiú (íoNTKMPOHANEo rejistou como portuguús, no 
H-íitiilo de «raspar» o no dt* — «puxar com o rodo (o sal nas 
niiiriabas)» — . E esta tarahèm a sii^niticai-uo de rer. O étimo é 
Mder«. «raspar, rapar*. 

O rerlio parece ser defectivo. usado síinente no mfinito, uo 
[pTiuidio rendo, e no participio passivo rido '. 



resbuimr. rehusuar. rosnar 



l)iLx:ioNÀHio consigna um verlK) reí>buiutr, como 
proTínctal, com o ini^rniticado de * r'ms<mure » ^ que uos nflo dia 
í tjut seja. Abona-SB coui Camilo l ínálelo Uranco. 

lUxbiaxar, se não é erro tipo^*ático. ou equivoco ou iuveaçíio 
dt (amilo, I» metiitese de rebusnar, rrhuziuir^ ca,st«lhauo rc- 
mr J rebucinarv, que é talvez iiimbmu o étimo de roífjinr. 
'ehtuvar, porém, em castelhano, significa «zuirar». Cl ve»- 
r (q, V.) I reifmugar [ reniu^ffar. 



rvntbut-os, ruisbutos. raipulos. mr.bute6. rajaputro» 

Todad estas formjis equivalem a mn só vocúliulo das liutíua.i 
da índia, nljjfúf. em ^Àw^vnio uãúiiiMiTini. * tilbo de rei*, 
tnomtt dv uma ra^-u nobre nu Índia, dedií-iida ò milícia. 
fonna que mais se aprossima da chlssica ê a última da 
ife; a uiai^ portU|<uesa. a primeira, que oferece a vaiitajeui 
fitar um cai^órutou. e é devida ò, assiniilaçAo em sonora do 
^ ao J oryinário das línguas vernáculas. líeisbutos sofreu a in- 
loéu<ia do plural tpíV, de rei. 



r. J. tdtc de ViucoiiRelon, t» RicriaTA [.usitana, tv, \i. 132. 



SÔ4 



Ap/tatUas aon Dicíouáríoê Porlwjuneit 



resgatar, resgate 

Bstes rocábulds tinh^iin dantes a .sigiiitica^-fio de <])enuii- 
tar. permuta», «uegociar, negócio*. — : onde eu resgatei hum 
bainha» '. 

resineiro 

ftstp vocúbulo lí um adjeiítivo derivado de reaiiM. ma* "jõ 
uo uorte se emprega substantivado, para designar < pau. oa Uit^ 
de paus resinosos, que servem de brandão, para alumiar* —:« 
resineiro», melhor que o gamtlo, a silva, a carqueja e a 
forneceram um diu uma lu7 mai» durável e intensa. Csarai 
no norte do paiz faa trinta ânuos, olitendo-se dos toros de 
nheiro» derribados e propositalmento salientes frtra da terra ' 
palmo o mais. Depois du auipiiti^-ão, o toro permanecia no 
preso á raiz, e opportimamente d^slrnst^ido em iat^cas, iitilisara 
depois na vida (Viseira (Famalicão, Ponte de Lima, villa 
Soajo, etc. » — -. 

Outra aoepçAo de resineiro t* a que n^^ultii do seguiu 
passo: — «nem à machada do resineiro convém lá ir tirur « 
gue áquelles gigantes [pinheiros] » ^ — . 

K poÍH tambtMn o nome qm! se dá ao «indivíduo, cuja proti 
são é sangrar os pinheiros, pura lhes tirar a resina». 



resistir 

Este verbo era dantes traji&itivo, como o é em iaglôs to i 
isto ê, ligava-se ao fteu complemento sem preposição: — * 



i Roteiro da tiaubm mb. Va6CO ua Oaua, Lisboa, 1^1, p. li 
' llocliA P«ÍXQti^. A iLLiMiSAÇAo portTLAR, iu Portafi^alia. u, p. j 



<|ttMS Coudtj.-ítabr© e Mestre d'Alcautarii . 
► rmoíiirt para o resistir* — '. 



. t^muram uma liaoça 



resmuugar 

Conforme I>. Carolina >Uchtt("'lis de Vascoacelop, procede 
d» luu rerbo líitino tipotôtico remunftieare \ remitssiia- 
tf^\ mascare 'falar \nn- ^wXx^t ns dmites». inedíaule uasali- 
(lo u por inHuència do m inicial, e metátese do s: te- 
refmitgar \ rcniunyar, Cf. re»hMia}' (q. v.). 



ressio: v. rossio 



restêlo, restela 

! assim dtífinido Aste adjectivo por li. D. Coelho: — « Ao liuho 
4otado cliama-se estupa. a qual se distingue etn resteUu. a 
^^ nhe do sedeiro mais grosso, o íifi/rira a que sabe doti outros 
•riíiros > — '. 

• A denominação vulgar do píMite ó restello. — *. 
Mivado do titulo do Comfe ilo /iV.sM/o, já falecido, grande 
eleitoral e trunfo politico, críou-se um substitutivo 
iTm: — «Em quasi todo o piiiz sâo os resfelhu* que montam 
! awnejam a macbina eleitoral » — \ 



■p Kai <l- Pina, Cn6siOA he Ki.^rbi Dom Afoxso v, cnp. irí. 

^P Rhvikta I.t-HITAXA, lu, p. ISi; r. taiiibi>tn J. Ltfite de Vuiwonceloi, 

HP1008 CaMÚNIAXUH. p. 45, II. >. 

• Ixt»U«TniA OASmUA DE riAVÃO. TRCBLAOBK B TÍSOrDUItA D> 
FASfCIAfl THXTI8 (mÍc/ SO DISTUlCrO DE VlAXNÂ 1>0 CaSTBLLO, 

»rtu)riiIiA. I, p. ^71. 
íK p. 871. 
o SbCDUi» d« *2< do Dorumbni Je 1!>00. 



m 



AptietUa» tvj» Dkionárim JPitrtitgucw^ 



restumeuga. rastiitueoga 

K o peixo meiíilo que n pescador vende para coniprur osa4Z t^' 
boa e preparos para fazer a caldeirada, e ipie, cnmn esta e ^ 
earumia, on *Í8tio pam nova pe^ca», é isento do imposto d? 
pescado ^ 

retjilhist.il 

■ Vendedor a retalho, ou por n]eildo«:-^>torTiã o reUlliim 
responsável pelas adulterações praticada* pelo fornecedor» — *. 

reiauba 

— -Porto 21... Na vitíllu du Cadeia foi ante-bontem pra- 
ticado uui auducioiso roubo. . . o gutuuo. . . abrindo a porta com 
uuia retaubai 



, _a 



teto. repto 



Hojtt dizemos repto, com reversão à tormu laliua freptarej: 
antes porém dizia-se reto: — «e quando de tal reto se escur^a^^. 
que entiio sem pejo poderia para seus reinos partir» — *. 

retorta 



Este substantivo, adjectivado com wwwríVtfí?, em o nome de 
uma dimça no st'ciilo sv: — 'a «retorta mourisca*, dansada por 
damas do payo, em rigoroso tnyo musuluiauo» — K 




DiARtO DO GOVBRNO, do 5 d« setãiiiliro ^ 1881. 

O Dia, lie 17 de «lembro de 1902. 

O Et:f>sOMisT.\, de I.'J <lc jalho de ISíll. 

Uu[ íie Pina, Cròshía hb Ki.-rhi T)um ArftNíK) v, cnp. cxxxtx. 

I). Pe^lro «la Costa dí M.-wed». Prefácio do dnuna Doit Joio ii. 



M «Díatío lio Koticias>, de 10 de dezembro de l!X)l. 



retroceder 

Jfí nifitido outural signifíca este verbo • voltar para trás 

' Ciimiuho \Á auilado >. 

*• Padre António Francisco Cardim emprega-o no sentido 

aiio íle <iiinistatar, voltar ft nOiJião antÍKa>:— *E uiuda 
\\U fttU chapa [provisão rájia) contra uoHsa tiatita lei foi a pri- 
líiPini f« universal, porque as mais só se publicaram na cíirte, 
lu« DiaJiiIou el-rei [do Anaine] prendí^r a t^bristiV» nem nhrigou a 
[Mrocvder • — '. 

revalenta 



N6to DitícioNABin, inserindo este ntvilojisnio, que designa 
[jentrt medicinal, e abonando o seu emprê^'o em portu- 
coiu Camilo Castelo Branco, aceita o étiiuo pr<>|H>sto p«r 
tlio Uttré. «rt»um-|-lens, leutis. O termo é fabricado, Rem 
rida, art^ifícialinente, como a substância, que teve o nome de 
ra!^nUi arobna, e ao depois se chamou em fraucís revates- 
}re />u Bani/, do nnme do médico inventor dela; ma^f tanto 
s como o nutro nome apelativo foram derivados do latim re- 
cere, «reforçar, reavigorar». 



rcveli revelia, rebelde, rebeldia 

forma pnrtuguesa revel provem do latim rebelle, de re- e 
^in« sendo revelia o substantivo derivado dôsto adjectivo. 
. si fora de uso, foram substituídos pelos castelhanis- 
', rebetdtf | reluldur (de rebeUitare, conforme 
j©íte de Vasconcelos •): — «por quanto jà se começara d'en- 



Batauu» da Ooui'ahuia PB Jnsuâ, Lúbm, 1894. p, 104. 

KMWK HlSPAXlQfJB, V, p. 13U 



tender contra os que eram roviMs e desol)edieDt4.*s u sea 
uiNito [tiiitA>ri(lailel * — '. 

Ainda hoje à reivlin é locução juridica, 

(t in(*Nniii íLcontorpii íU) ntih^o íidjeciivo àmiU \ huml 
que f»»i •íub^^tiluido polo castelbaiio humiUiv J humildar a 
«iuj;ir«fpido dhs duas lingiiaia da Peaínsula Hispânica* e 
deriva de* humiliture. 



revolta, rerôlu 



AVj>i//tj. coDi 6 aberto* é o substantivo, rtvítio, 
com i' fvcbado* o adjectivo. 

ÍUk iH^rém, 9ub3t«utir«-se «OMaerruio o meoaie 
— * A colheita do« vsÁWkos aiada «sU teslaute atnfaAa. pdr a 
4m Hhunas obaras. roas prometí* ser rauito boa. As m« 
(nvAlUs) estio jà adiantada» e também tc«m boa apatcacia» 

SaI tir rrróítn:—»Tiim um «alar meoor • 
revolta [iwx^lta], qne oao está coberto e qqa está 
«eflivaia de alafameato > — K 



ribeirt» 

— «WB ribiirta fnai «eoeo aa falafj» 
Mrana. . . pi^aate 4e ^m *—*. 



« O BDMMttwra. * 3S 4t 
> O Cunfia a* 
Tfc iiailii dtiaag. 




M^a 




yUmmãí^oii DUiúnàn^^wniffumn 



riht-irfjs, rihfiró 



Tmno da Guarda: — «Os pássaros, principalmente os ribei- 
IW». jiintaram-se aos bandos» — '. Deve de ser um plural 
bplo, ríVíVííy, de ribeirol, tomado coinn sinífiíiiir: cT. eiyó(»es). 



rmjir. nujer, raujer 

As fonoa*i popiiUires sfto rinjir e rinjfr, mais usual a pri- 
Bttn, e ambas correcta;^, TÍ!*to que príícedem do latim ringere 
^ Teriío;* da 3/ t-íiu.juiíav^^f* latina, em -ere breve, se reparti- 
IIB nas liuguuh hispânica.'', não proenyuls como o cntablo, peta 
* e 4-.* em -fre, -ire. Silo excepç3o. em português os infini- 
(iir, for e trar \ dierre, facere, traUere, ijue serviram 
formar o?* futuros direi» Jttrei, trarei, e os futuros perifrás- 
dirío héi, fá-to hei, irá-lo hei, e bem asaim oa condicionais 
, th'-Ma. etc, 
A forma culta rmtjpr é devida u influt^iria do r. como o ó 
forma popular rmjnr (tf. t\j. O verlio latino ringere 
ra «raiyer os dentes», e também «nilhav>, e dele pro- 
o caatellumo retiir. • contender, repreender». 



robalete 



— «Junto deita [a popa] tem o costado do barco uma sa- 

ici» iIp iVrro. cbamiida robulete- — -. 

É, no (tentido natural, o nome de um peiíce. 



I ' LO, ili,' 20 <lc tnatti i]« 1 JtOO. 
z I r r^rit.iiLO. lie 28 dtt uutubro àa IVOl. 



K7() Aj-^i-í^^ -htM Dirumârin» ^trtiigUMir* 



ro\iir, rftço, ro\-íidoura, ro^-ana 

Este verbo, iln latim rupfifnf. ' profiuziu em i'Ortu'/ii'*s ///i'j 
graude número <le derivailos, tjiiãsi tniios colijidns nos dinir»/j*>' 
rios. Alguns dão niaijein ii elucidações, (jiie tarei mediante ^^'' i 
giins textos qiie as ahonuin. 

— « A herva seca do monte 4|iie i*e ftií'íí (coi*ta). IW o i^",*^ 
de meias é coiusentir qtie alguém rorte u bervn. sendo met.v. 
d'ella para quem fez esse serviço e metade para o proprietaii» 
dojs teiTcuos um que a berva se corta» — '. Transmontano, ilevt- 
vidaineute itlioiuido nmi um trepbo dn larta: — «dã-se u roço d* j 
meias como ucs mais auDos» — ^. 

Hoça: — • Kncontram-se alli [em- San» Tomé] roças (grande*" 
propriedades) correspoudenteíi às imciemlas do México, e "'"'■■ 
r^e cultiva o café, o cacao e a quina. Estas roças sào irasta*- 
plorações > — *. 

(» vocábulo rtn;a foi primeiro um uome verlial de nov-u- ipi"- 
siguitica «o acto de ro^ar, de desbravar*; depois conereti/.ou->t' 
para desi^ar o.* terreno roçado, desbravado». 

Horfuiouru. ou Jonre rorutlonra : — *J)>ivf rtn;ntl(»irtt, ou 
simplesmente ruradóira d'Kvora, coubecida em outms partes do , 
país, do comprimento total, incluindo o cabo, de l^JO. tem al- 
vado qne se embebe no cabo ; serve para cortar mato » — *. 

Roçana. A roçana ras^ra*Ihe a cara d'íilto a baixo » — ". 



rocio: V. rossio 



1 D.CaryliimMicliuílis de V«6c»nceIo(i, Revista IxsitaSa. m, ]i. 1-13. 
*• Júlio SIiiri'ira, Xotab koiikis svxtaxe i>í>rrLAR, /« «A Ilc*- 
vífita*, tie 15 de dezembro de 1005. 

* O EC0S0MI8TA. lie 5 'W lifTOíto ite 1SS.>, 

* F. .\dolfo C-iolho, Alfaia aoricola PORTirarEBA. íi* Purtvjco- 
lia, 1, 1). tiH(i. 

* 3IflTcidÍno de MvsqDÍu, Tio Pkuko. 



.ijMMttitatt QOs DicintMrim l^itringiiemcs 



«71 



-'Ucaudo em term nm dot) cabos ou o^nias da rede^ t|ue 
L w ciiarna roroeiro. e iudo o outro que se chuma mão da barca. . . 
I nim i( ' rede » — * , 



roda: rodallm, rodela, rodete, ri>dízio 

È íste um dos vocábulos portuiíueses que, já só. já acom- 
nbado de epitetoH. tem maior uúniero de aiiepfões. upm to<lus 
'te quais estão colijidas. setido o BicnoNÀBio CoNTKMfoEAPTEO 
UDí dos que Rm maior cópia as compendiou. Aqui vílo al^^uinas: 

RfHht. tfíniio d** talão: uma mntídi» de tostão. No IMrto 
ehatna-se rodhi/ut *. 

Roíin, parceria, turno: Instituição da roda, levada a cabo 
por iuiciativa particular ^. 

Hoila vitfa, azilfunia. K já antiga esta expreHítão: — «andar 
em uma roda viva» — ^ 

Jioda f/í' uarnlhfUi: pev'a de tuna máquina de retalhar azei- 
tonas: — » Pi^ buivo da roila de navalhas * — ^. [V. torvaj. Ke- 
fere-HB a Klvas. 

: rajadas de vento muito frin. 

Modfílho:— • 11'ella [laje de granito, no chào] parte um eixo 
que atravessa superiormente uma vi^m de madeira horitíontal, 
o jugo, e tinda com o rodalho, que é o disco onde todas as 
poií-aa (de barro] se modehim * — *. 



I V. Fertuindcz Tomáct. A rssCA bu Buarcos, í» Portugália, i, 

• O Economista, de íi dt) fcv<»r>jiri) «le Ifíiíõ. 

» A Roda maríTCMA. Ím <i> S«u1u>, de 7 do agosto de 1897. 

* António Francisco ranliiti, Batalhas i>a Coutanuia db Jbsus» 



1»7- 



O RoosoMiftTA, dc it de OQtttbro de 1888. 

Bocha Peixoto, Aa Olahias do Phauo, t» Fortogalia, r. p. 230. 



Apoatihu aos DivMntirw» Portuyufve» 



RoãAu: — í afora 03 espingardas, lanças, fatamonos, lanir »//- 

notas, catanas, rodelas e outras armas {wqaenas sem conta • '. 

Certis-siraiiiiiente se nào refere a escudos redondos, riísto iqi ií<í 
todas as outras annas de que faz rol sâo ofensivas, e nào «_í<.»- 
fensir&s. Trata-se da Cochinchina. 

Rodeie. • Na parte inferior da pella entra o rodête, que e 
uma peV'* circular com ura orifício ao cRntni e stíis mios ** 

Jioilizio. ^ V. estii a espécie tie moinhos dagoa mais em vog* 
nesta proviufia. inas ha tiunbem os chamados de rodízio» — K 



rodriga, rodrigilOf rodrigar 

Fr. Diez dá como étirao a este termo de viticultura o latim 
ridlca, 'lataíla*, com inHutíiicia do nome Uodrifjo *; em ca^ 
telhauo é rodriffón. É muito duvidosa a etimolojia proposta. z>^ 
parte que se refere ao nome próprio. José Leite de Vasconcelos 
com melhor critério, «ujore o deminutivo de rídíca, ridícula» 
de que se derivasse o verho ridiculare, do miai proceda rodtt- 
gar, apesar da dificuldade que oferece, e se confessa, de ro- en* 
Vez de ri-, que porém não é sem exemplo *. 

Há outra ohjec^^iio mais f^rav».' e consiste ela ua permanência 
do ff, que deveria ter desaparecido, visto sèr medial. Assim, a^ 
ria preferível supor para rothiijo o substantivo reticula; demi- 
nutivo de rete, «rede» com as formas iutermódias redujra, ít- 
driga. 

Nem é.ste porém t^ isento de dificuldades; visto que, se em 
portuíTuês os grupos latinos de consoantes, formados com / como 
sulijuutiva, mudam esse / para r, outro tanto uào acontece em 



• AntOiíio Franrijfco Carãini, ojh cif., p. 217. 

> ^ J. Xiinez. Coaririfns Ai-OAUVioa, in Portni^aliat i, p. 3B8. 

* ETVMOI/)(lI8(IHBfl WOKTKRBrCH PBK ROMANUCHBX SeRACHKK, 
II, b. 

> Rbvista LuarrAXAt n, p. 119, g. r. 



AíHfstila» aos Dicionáríoii FortugurtfH 



a7a 



»lliaaft, a riilo ser por dissimilaçao, como peliifro ] peri- 
i(iilliim, a par de siyto | saecalum. 

rofldoruo 

— «E stó excedentes ffcdhus] fícam pousias, disfructaudo-se- 
os pastos e roedornoít e^tm ^^ados manadios, até Ibes cbe- 
■ 3 vez de serem limpas e cíiltàvadas» — *. 

roixo 

Vòr tnUv aznl o carmesim, cõr de violeta oti de lírio. 
Há diversos i-oixos, mjiis ou menos iU'.armÍuados. mais ou 
maus iLZuIados. A estas cores chamam os iVaueezes violei, e os 
í^iinhói» morado \ mora. « amora >. 

Modernamente di/.-se, ou aate^, esort-ve-se por cã vioMa, 

n povo nem o diz. nem conhece o termo neste sentido. 

[Dantes rokco equivalia a «encarnado», como ainda acontece 

castelhano rojo, que se aplicii. por exemplo h cOr do 

iDftule quando este adjectivo deaij^ua propriamente a côr que 
'Ktuulmente denomina, é difícil decidir; mas deve de ser bá 
A\ coiuo testemunha a sogiiiute quadra popular: 

o cravo wiíii tio c«u 
t>i>u na imdm, Hcuu ooEio: 
O lírio, coiu sentimento, 
Logo se rcKtiu du Tuixo '. 

ft i'©speito de violeta as e]ií}^rdfes avergoar e 



S75. 



J. S, PicAo, Etiixogkapula i>o Alto'Âi.butiuo. i» l^orlti^^iilift. i, 



J. hàte de Va^coneelM, Ensaios BnixoaBAfBicos, vol. ui. IJ«boii» 
, p. \i^», DOta. 




874 Âpostitoê ão« Dieumâriõ» Pbtb^fueaeK 



rojAo 



— < O rojilo é maito empregado para enterrar a semente de 
nabo e outras rementeíi miúdas» — '. 



' rojoneador 

— «O facto incontestável é que o primordial toureio portn- 
guez constara apenas de rojoneadorest e os peões eram simplet- 
mente auxiliares *^K 



rAla^ rolinlia 

Este uome na Ilha da Madeira é dado, conforme os sítios, 
a duas aves diferente^! daquela que assim se chama no Conti- 
nente. Km Porto Santo rola ou tolinha é o Oharadius Ale- 
xandrinus, Lineu; no Seixal, rôJa, o Scolopai rusticola '. 



roludor 

— «O próprio froifljcf/ é o rohirlor, como muitos lhe chamam, 
pela simples tradução. Tem a roldana que rola sob o fío [nos 
carros eléctricos]» — *. 



* Fi-lix Peroira, Ab (rKOKOicAR de Virgílio, íh Portugália, i, 

« O Século, iie 21 Ae junho de líKX). 

3 Ernesto Schmitz, Die Võobl Madeiras. 

* Falar e EdCKBTKR, t» «Diário ile Koticias9, de 10 de norembro 

de IWl. 



AifOHtilftíf noH Diânuãríint T*ortHgufw9 



375 



rolduiia. rnldaiiia 

ijoufonne J. Leite de Vasconcelos ^ roldana provem deí'o/«- 
iana. inetât^te de totuhtnti | rotnla. Miu, r,<^n]o se explica 

^^tiufty ~ •*> p^v*^ de crtrreU»! mt de rohhina* — -, Cf., ainda 
^- ..ui. aruiatM e atuluinu, de fato. 



H- '111.1 : nuiuiin: ronjánifo. Roínàiiia. romanizar, romance. n>- 
luariv''. n»iijft!ii'*ínr; nunaiiclip; romaico; romcuo. romcuico, 
AoQKfniu: lioinvlia; Knmes; romaria, romeiro, romeira. Ro- 
mani, romeub». 

T<MÍo« L*9t«s vocábulo». ci|iJ excepção do» dois últimos, ofto 
•-ritre íd estreitamente aparentados, e teem por seu projenitor o 
n*'\nr iJa oidado eterna. línm/i, O se<rimdii, rouutiw^ é iim de- 
rí^U'lo jã latino, f signilioou primeiramente o !ial>itant« ile Konm. 
_aiu it oatunil dela. quer como urbe, quer como na^rão: ciuis Ko- 
iituu!* !«uu>. 'SOU cidadão de Koma*. 

i>» Irívie vocáljiiltw que a este se seguem silo fonnavõe-'* Jmw- 
t*TÍore». ul^umus aiuda latinas, outras formadas dentro dos» idio- 
uuM r|iie se desenvolveram do latim jmpular. 

Jiomtiriu, porém, v derivavilo portuf^iiesa da palavra Roma. 

romo capital da l^eja Cat/dica. e quere rli/.er • ])eregnna^i\o (a 

Ktimak * ; romo tmtwiro é sinriniiiio de «peregrino*, e romeira, 

oouie dado tt mur*.ii que nos oudtros guarnecia a vestimenta 

jíer^rrino. do romeiro, e a que os franceses chamaram pele' 

fif»^, *U pHerin, «pereffriuo». Ésfce nome de pe^-a de rostuário 

Ffe» depiiU passou a designar ucessiírio parecido em outros veti- 

lido». 

Romani tom outra oryem: quere dizer o * dialecto dos 



^ Rbtwta I,rsiTAXA. tu, p. 2S8. 
« roftngiiliià, I, p. Sso. 



QIQ 



ApMlUti.-i aon ttmuivtt ' 



ifli 'ItfiirJir/t 



cigauos do oriente rta Kui-opa. apareutado. com»» íiíi mais, • ■ -"■ 
liu^uas áricu.^ veruáculas do uortc do ludostAo. itríncitmlnifi -'' 
com n sindi. Está hoji» averiguado que os ciganos foram da /ui/f' 
euiotados pelas invasnes dos motores, jii uo xiii século (|uan'l" 
capitiiueados por Jèuguis i.'à, nms especiabueute m» xiv. (H>f 
Taraerlão. Essas iuvasões. como t«ini>estade furiosa, revoWerani 
o fundo <lo mar imenso das populações do norte ila índia, e im- 
peliram íi !*ua siipertície e!*sa tiulmjem [lara a Europa e le6te i 
África setentrional, nomeadamente o Rjipto, de onde por roult 
tem[io se julgou que oh ciganos fossem oriundos. 

RiUHfuho é o uome (|ue se dá ;\ jeringoma português», ei- 
vada de tennns oigano^, ipie eles falam t)iiando nascidos c«, ou 
longamente domiciliados ao nosso terrít^Urio. Nilo é dialecto ci- 
gano e nem mesmo eliegn a ser o que se chama língua mista; « 
português rutra, sem que por isso se llip possa chiunar ./*?*/«. pnis 
não ê artificial: pertence à categoria de idiomas coiTiitos, rntuo 
o andaluz acigauado de Sevilha, por esemjilo ', ^ 

Examinemos agora os outros rocáhulos da epigrafe. 

1>B Roma. já como nome da cidade, já como desiguaçào la- 
tina do Império, procedeu, no latira clássico, como viiiio^. <• 
substautivo-adjectivo romano, nas diferentes ai!ep\v'n*s em que 
foi ou é tomado, liomónico é um adjectivo, deste derivado, neo- 
lojisiuo que em português menos mal traduz n francês roniaH, 
diverso de rotnaiu. «romano, de Roma», e ajdica-se às língua» 
que do latim popular se orijinaram: e. restritamente, denominou 
08 vários dialectos provençais e lemosins do snl da Krauva. a 
que a escola do afamado filtílogo francês Francisco Itayuouard 
suptis uma unidade fictícia e ilusória, da qual tivessem provindo 
os demais idiomas novi-latinos. uaidade. que lioje se reconhece 
constituída apenas por esses dialectos provençais, pelos catalães 
e pelo valenciano. 



7\ 



» Síjbre ns invasíVes dos Tiio^>rc8 Yeja-»e Leio (!abtin. IJíTKODrcriox 
À L^uiSToiRE liE L*AsiK, Piiris, líílifí; e Bòbru o j-umíii/io, F. .\dotfo Coelho, 
Oã ciUANiis UB FoKTriíAi., Lisboa. t8!)2. 



Afiiuitih» noa DicwttArhtM I^rfnffnrêtê 



l-íB também n nome de rumànmift às literaturas em que 

i« a idad** miViia se iniinifr.-ítiirara os idioiíiiw lomAntros. u 

IV^ » chamo» romances, (romunice) ou romoM/íM (roman- 

tJUffl), t» quft são: iUaliiino e seus dialoctos; dialectos iralo-itáli- 

'^\ «ardo; cajítelbauo e a«tuiiano; portuííuês. fíalejío e miran- 

s: provenval, cuUilào e valenciano; francos e valão (na IWI- 

, com Iodas as suas numorostis variedades; o h/dhio. rth 

/■A*', gri^ão. ou curválico ua Sulvii; *> ilirico-roiuánico, e 

|jwr fim o mmewi nos antigos IVincípados DanuMauos. 

liománifu se denomina também a aríjuitechini, momiente 
rplijíosa. que veio a (Ws a chainadii arqiiitertura latina, c pre- 
val(?)'rii entre os séculos viu e xi, antecedendo a f^otica *. 
Rvnutnia ú divilo anti^, de imediata proveniência ^^. bõ- 
vaxía, e remotamente latina. Uoraania. que reviveu raoderna- 
"■"""', mercê dos filóloíços francesos do último qiiurt'Cl do século 
10, nomeadainfiite do doutissímo Gastíio Paris, que a adoptou 
pam intitular a afamada revista trimestral desse nome* consa- 
gnda ao estudo das jinjiruas e litemturas novi-latinas (roínanefj, 
a tpuil tem sempre coutintiado lirio.-iauientti a honrada tradivilo 
que lhe legou o glorioso mestre, há poucos &iio9 falecido. 

O termo JiomAnia designou uo império romano do Oriente 
Ori territdrios e seus bahitiiutes rumnnlzíuhs. e a cultura e iK)lícia 
do nnuido greoo-romano, por ojwsi^-Ao aos Bárbaros,.^ Itarhária 
ftu Barbinie. principalmente com rela^'ão aos povos genuánic<t8 
invasores. Nesta designavilo Románia compendiavam-se todas 
a5 variadas nações avassaladas pelos romanas, cuja língua elas 
bariatn adoptado, deixando esmorecer e perecer os idiomas ver- 
náculos, ao aceitarem as leis e a cívilizavuo dofl seus domina- 
dores *. 

A palavra grega rOmanía d a latina Kcrnanla, com substi- 
tuição do suficso latiuo -ia pelo suticso grego 'itt, mud:mça de 



* r. Augusto Fiuchiai. A akchitkcttha kklkuoba sa bdai>b 
« V. Alcximdre Hercalunn, Hii^nmiA \>v. Portcoal, i, liitniiltu^ao. 



;n.s 



acenliia^^ão. jiortanto. de Románia para Romanúi. Miis qil0 
vocábulo se bà de uceutuar Jionwnia em portugtiês. prnviHiJ 
dennuiiuaçáo italiana Honuujna (^romanha/, »jue se luant* 
na Itália, e em que o h palutul (nh) procedeu de n/ãtouou^ 
de vogal. 

Do vocábulo RõMANÍA, desiguaiido o Império Rrtiuaiio 
geral e ao dejiois o do Oriento (desmcnibrado da autiga vis 
transtendu para liizáucio^ oouvéoi saber, CoustaQtinnpla) deril 
raiu os gregos o substantivo étnico nõMAton, uo plural uúma 
(=romáio8, romáioi) pronunciado já desde a idade média I 
mêos. romèi: e deste substantivo fortuanini o afljectívo romaíkA 
«romaico», eiu francês romtiiquc. uo jjrego actual nôM.vlu 
(—romêihos), com acentuação diferente da anti^, o ijual sc^ 
para designar os belonos ou gregos moderaos, e, por oposiç 
ao ^ego literal, a sua língua (ta hòmaíika), quer «sta s«j^ 
artificial, i|uer a nmni testada nos vários dialectos vernáct 
Aos romanos, propriamente ditos chaiuamui os escritora gr 
RõMAXoí, (lommiõi, romani) e não nõuAloi, heleni2audu daqn 
modo a palavra latina Uouiaui '. que adoptaram. 

Do substantivo ronutnre derivou-se romancear, qae equiv 
a romnniiar. com referência aos idiomas novi-latíiios. oa 
mánicos. 

BoimnicJte ê a língua románUa especial, falada na Sq 
além do francas, do italiano e do alenofto. muito parecida 
03 dialectos galo-itâlicos; é o hiãino. a que os alemiíes 
mam canâUco (chunvâlsch), e i|uem a fala como sua de 
romitinisch (=romáunxe}. ou griaiio (grisun)* 

Rituiétin. outra designaçáo, mas esta geográfica, era o u<i 
da parte da Turquia que coniproendia as antigas pronncís 
Trácia b da Macedónia, em turco Jiumiti, líesde 1H78 que 
fora de «so ^3t« termo de geografia política. 

Rumes eram os turcos europeus. Asãini Ilies cbamar 



1 r. Guttiatt Piiris. Mêlamíiss LRioriffTiqrnSr Pitriít, 1900, f, Ú 



autores do xvi e xrn séculos. Eutru eàses turcos havia 
IgwgOT e outros eurofjeus eickes, isto ê, «renegados», 

— PetíA» fírucf s, AIkias)» e Roínes, 
Qu« truidu dv Bonta q doiiic tem — *. 



ê o idioma, Urabtfm românico, oficial no reino da 
pfnia, e que os alemães denominam vulaoo (wãlsch). Esta 
[ua, evolução da latina, divide-se em tréa dialectos, daco-ro- 
tú, máceilft-romeno e it/tro-ronteno, • romeno da Dácia, da 
ftduuia. díi Istria*. 

(h romenoK cliamuin-llie roímln. também escrito ivmên, ru- 
jbMHHBciado ronu7m> (inellior. romin, com utii / ^utii- 
^IP^Hc o e i>ortugiu>s do te). Os alemães formaram deste 
rtipe rumúnisieh, em franct^s roumain. Um terço quási dos 
BBoit rojijenos é de orijem csclavi^uica, e nesse idioma abau- 
la tfrmus turcos, húngaroí< o albaneses *. K por istt>. em 
t(i modo. comparável ao inglês, linj?ua germânica com larga 
Mo de palavras românicas. 

'" t \'>t jiarecem (|iie fui iiii»ucit>so om dcmusia uo destrin- 
.: liicado prúprio de cada uma destas expreasnes: entendi 

dnii faié-lo. pelo motivo que passo a espor. mos evitando 
li(«cs descabidas. 

IVMritures portugueses, nâo sabendo como hfto de traduxir 
Uiin francês, torceram e ajeitaram-lbe sem maior cero- 
o vocíibulo romaieo. que lhes [Mirecea estar ilevoluto, 
r» apliràvel. Com propriedade, nos gregos modernos, como 
M. K quando digo escritoi-e;*, iiuo me retiro tam S(»uieute 
|ornali«ta9 au(}uimos. Xum artigo de politica estranjeini. 

Ipor escritor de bons créilitos, publicado recentemente 
periódica diário muito lido, vejo que se cUauia roumai- 

UrittAifAs. X. 4W. 

r. A. tW CihAC. OlCTtONNAlUB 1>'ÊTTH01.(>GI1S l>ACO-ROM.\NR, Frail- 

70 o 1^7!', 2 Tolumes, olirn n\]iital xiMjre ^tp atisunto, nimla iiue 




380 



AjumdiftH fifn iitrt'if*iin'ní F'irinij»rsn» 



COS e Rounutiiia ao que os franceses donominarn rotimah* 
Rouiiutnie. 

Ora, já bá bastantes anos F. Adolfo Coelho, com a sua d 
tória e incontestada competência. Ibes chamou, e bem, »■- 
e Itoménia, diferençando estes nomes de romano.^ e Uou 
coni aportuguesar muito vemãculamonte as denominações ^\ ' 
niánicas rmiulnhch e RunUinia, aproveitando uma das ilfi;]- 
ortografias, romAn. A teima uo desacerto, poním, tem coutinuaa 
porque nesta terra todos querem ser mestres e ninguém s»í .•>.. 
jeita de boa mente a conf&ssar-se discípulo. Trazemos todi 
ciência ingénita rln ventre ilas niSeíi! Curioso será ver a bar»-' 
funda que os nossos jornais bfio de fazer, se rebentar a Ruerr»^ 
entre romenos e roínaicos, dando eles este lUtimo nome a am 
08 couteudorcs, indistintamente, como é de esperar da sua 
tasiii. 

Kesumiiido a doutrina exposta, temos: 

1." Jioma, rotnatio: românico, Moniánia, romance, roíjwi»-' 
ceor, 

2.^ romancfie: a língua falada na Suíça romamle. 

'6° Rmnélia: parte da Turquia Europeia: desusado. 

4.° romnio, Uotuênift: o valaco, e a Moldo Valnquia. 

õ." romaico: o grego moderno. 

H.** Rumes: os turcos europeus nos séculos xvi-xvui. 

7.° romani, romenho: dialecto cigano, e poituguês aei 
nado. 




ronca 



— <0 que não gradou foi a lembrança de quem. . . se en- 
treteve a tocar ronca, na igreja, ou tio próximo dos guarda- 
-ventos, que parecia .^iê-lo no próprio templo • — '. 

Kefere-se a Klvas c à mtssa do galo. 



* O TiiAKSTAOASO, de 27 do Je»iubro de 1860, í» «RevisU Lu-i* 
Una>, vol. IX, p. lUV 



Aptatilttí no» DieionAinoa J^rtitgiíeBfs 



38t 



roncai ha 



Cootoría que se veude vm ba^os. aos ma»so8 dêles 



rouda 



Kôvo DrccioNÀBio já inseriu, como inédita, a acepção 
te vocábulo no Minho, — «procissão que dá volta por 
dos pítics» — . 
uquí uiuu abonaçào deste sentido especial: — *No pro- 
Bn dntningi) vem a iradirional rondu d;t l^apinha [a Guimar&eã], 
costuma tnizer coiusigo graude imuiero de romeiros > — '. 



roqueira 

O DzcciovABio CoxTBUPORANBo dcfíuo ésto tormo antigo 
ort^lhiiria do xeguiote modo: — • peça de artelharia que 
irava peloiros d<> piídra» — . 

U vocábulo, ptirt^m, com o tempo, mudou de sijfiiificaçiio, 
ris é dado no século xvni, em documento irrefutável, como 
[ònimn de hacajnart«: — < três bacamartes nii roqueiras. . . 
• - 'it* carreíjadas de (grossa muiii^'ão> — ^. 

hammofte é explicado por Bluteau como desij^mando — 
eruTiDa curta de boca muito larga, que se carrega com muitas 
úêa « quarto»»—. 



* r. Anâiicl'^ ttt O Economista. Jo 4 de novoaibro de 1S82. 

* O SHcrr^o, d« 15 «lu junho (U) 1[XH. 

* GoiJJScçAo ois l.E(»[t*i.Ai,-Ao roRTiroUEZA, L755- 1762, Suplemento, 



?IS2 



AfMtiloK fUiU Dieionãrw» FitrtuifUfítutH 



rociuiuho, roque-iIe-<:afltro 

Xome de luna ave da ilha cia Madeira, oceaiiodro 
castro, Harcourt '. 

rosbife 

É já temjio *le dar tbruia> portiiíiuesa ao vocábulo 
roftiftbeef, ijue nin^íut^in profere à inglesa rou.-tthiíf, e Umto 
quanto adquiriu sigaifícado eítpeciaU muito desnado do que 
na linifua orijinal. onde quere dizer — «carne dt» vaca 
Ora^ mesmo crua, se dá este nome em português a uma 
de carne, como se vê da Xota dos fbeços dos talho» kc 

CIP.VKS. 

roseirista 

O cultivador de roseiras: — «O.,, presidenít^ dii Ca 
Muuicipal do Porto apresentou no paço real o conlieciílo 
ritíttt > — -. 

Vem já no X6vo Dicciokãiuo, mas aâo abonado. 



rossio, resmo; rocio 

A forma antiga é ríWo, a moderna ro»sio, escritA 
mento ror<o; — «nesta camará esta [estáj húa janidla da 
do Kesyo» — *. O étimo é desconlieeido; não è tndavia para de 
nhar o propostu por Cândido de Fi^^eiredu ', iitto è rcj<m, qo 



• Knicíílo Scliiiiitz, Vnsi VOobl Maí>euías. 
3 i) Sscru>, do â5 do outiibru áe IDOO. 
' Autu lie jMsso do cbttdo àe Sini>a, iii •> Aut'iii-x}t.ono roí 

ovkti, X, p. Wh en dv \hii3. 

* Diário db Noucias. do Iti de jaulio dú lOUi. 



At><MliJ<iò a^i Dicionáriw I^tttayut.itcg ZtKi 



iitíimo (ia prorÍDcía do Minho se áh em ve/. de rêMva, que 
atra outros ^tigiiifícuvlos teiii, com a palavm ,W, a accp^í^o ^^ 
f^ftiip de luz«. K necetisário. portou, que tal étimo seja compra- 
do. A Mcrita aiitina rA¥.s/o torna inadmissível o ^tiiuo }-u';ttr, 

«pOíto no XòVO DlCflOXÃKIO. 

A piilitira rocntf com f e uào mt, quere dizer «orvalho», e 
fprovrâ do latim rosfíuum { ros, roris. «orvalho». A pro- 
Biiníia é ríWo. e ndo rocio, como hoje erroneamente se acentua, 
» que se prova, oáo ttó com a sua orijem, ^isto ser lon^o o / de 
Iroselaum (cf. mdio \ sanutíuiira), e pela acentuarão caste- 
lhana rttno. mas ainda pela.^ rimas tios jHiptas anterinrc-s ao s«- 
ciilo XIX, como em i.';miões: 

— Viu vtÀ ilocM ttbcUuis suMiirranJu, 

E apiuihaailu 

O rocio 

Frtaco c frio — *. 

JiUio Coniu, tiando-se na acentuarão marcada nos dicionú- 
i liou port.n(?ueses modernos, ròciú, atrihuín-Uie como étim<^os- 
cidum*, ao que se opõe a ac-entuaçAo antiga e a castelhana, 
rorio. 

rota, rotim» rotear, roteiro, níta, rótan 

O Novo DiccioxÁEio deline o primeiro vocàhulo — *jnnc^ 
com que »« fabricam esteiras e relas de embarcav^o» — . Podia 
acrescentar «e com qne se empalham as cadeiras que dizemos 
l/ff jiítlJiinhft, e que os franceses chamam (íf citnne e os espa- 
nhóis fh rcjíUa, «de rótulas >. Na Índia portuguesa usa-se o 
Terbo roUtir. por «empalhar (C4uleiras)>» e o substantivo roteiro 
por «empalhiidor», ou «palheiro», como me informou Monse- 



' l'ANvln XVI. 

* (ilUNlMlIfíS UBK KOMANISCHKN PlULOLOQtB, 1 (1381). 



3â( 



Apf>9tíía9 aos T>MoytSfÍos Pori^^nrnt^ 



nhor Sebastião HoilolTo [hilgado, natural de (ioa. Nesto sentij 
rota é giiióniiiio <ie lotim. iniLS tunibém (|psí;^na cana-da-la4 
mais grossa, eomn a que eerte para heupilas, e eiti oiit 
acepção, «corda fabricada cora rotim-: — «aiuarraraui-uo 
rota « — '. 

O mesmo diccíonáriú iiifere em diferente iuscrição Rotaq 
como inédito, o diz sor — «variedade de pulmeirud* — ; roas: 
o abona, o que motiva dúvidas sobre a existência de tal noa 
com si-iuelliante significado. Vau malaio ròtan, e nilo, rot 
que não existe, é o rofim. 



roubo, roupa; roupilo, roupeirOi roupeta 

Oa dois primeiros vociibulos que ideolôjicamente, » prime 
vista, parecem eiiteiramente distiutos se uío roíitrários. leein 
última análise a mesma orijem, o alto alemão autigo roub. 
que se arrebatou com rioléDcía», de rouòõn, «uiTebatar». 
radical cncoiitra-^e mais ou meuos representado em todoa 
línguas germânicas, h quasi que em todas as românica*, c4 
excepção provavelmente do romeno, onde o elemento de^a 
jem é a bem di/er tiulo; pelo menos Cihac, no seu munumenl 
Dicionário de utimolojiu daco-romànica *, nuo o incluiu. 

O que nos interessa porém aqui é averiguar a exístéd 
desse radical em {lortuguês. encontrar o elo que preude os 
sentidos, quAsi o|K>stos, e explicar a diferença da inicial da 
guuda sílaba, p em roupa, h em roubar, diferença absolq^ 
meute igual à que se dã em castelhano, e se mantém semel 
temente em italiano e francês, ainda que com outras fórmu 



< António FrftDciuco Cardiíu, Batalhas da CoufAKiiiA dh Ji 

» DtCTIONNAlRB I>'fcTir«0LC»aiB UACO-ROUAXS, 1* portc : ^mQ 

latins, 1870; 2* partú: Elomeiíti sliveu, mftf;var«, tun», grecji-iT)44«ni«| 
Allunaiit, FmncoforU;, 187ÍJ. 



Apa»tílax MM TUcionárífm Pòri-ugurneti 



3«5 



rapiréf robe» rarir (mas antigo, rober), e étimos diferen- 
-■ I latim rapere. 
i . ri}.-!á».' expor todas aa considerações a que dá 
*^ni a f]apstiio, mas essa exposíçílo faonvera de ser lon- 
iinik, e portanto s^ apresentarei re^uinidanicute as conclu 
a que o í>«u estudo me levou. 
'rmcipiarei pela parte fonoiójica. O alto alemão antigo ofe- 
•fiOfl utu étiraoy cuja forma mais simples termina em b, que 
Wí reprtHlnziíio no português roubo, e no castelhano robô, 
«|ue i) ditougo ou (=õa) do v<k:ábulo germânico se con- 
em o (cr tonro, cast. ^7no * lai. taurum, {-Roborou-se 
contra t»tdaí) as previsões, o b de roubo, para que exista 
duas línguas (e uas muis românicas) uma forma como rapa, 
f Digo contra todas as previsões, por isso que os 
koaat«s nitfdiaes tendem a abrandar-se. quando feni'imenos cs- 
itObre elas uAn operam em contrário. 
á assim. A crouolojia dos dois termos u5o é a mesma, 
ãfto du mesma idade; roubo deve represeutar o alto alemão 
rotih: roujHi, o alto alemão mi'dio roup, no qual a cou- 
h 9e converteu em ;> por ser final {rt o genetivo roulíes *, 
^\n calj. rnlvfH. e aiuda mídhor» o catalão amivh, amiga), 
Pis.^^froofi & parte ideoK'^ica. 

M v-icibulo roup dn alto alemão m<idio significa «esbulho-, 
tomada na guerra*, e é imi substantivo verbal de pro- 
deduzido do verbo rouben. que quere dizer * saquear» •. 
Be«ta deduzir cronotnjicameate as acepções da palavra rou- 
ra que n idt^ntilicaçâo fique evideutc entre roubar e 
Hio de ter sido: 
faienda roubada em saque. 
2.' fa:rij>u<la. bens, tK)Sâes. 



r. Ktaitr, ETrMOUHilSClltES Wi'iRTBRllt*C'U D£a DBUTi»CHBN SPUA- 

tior^, \>^i**Ji-, Miih ror. rauben. 
pi<^r, MtTTBi.iiui:iinF:t:TH(:uBS TAtfCHBNívORTRliHUCH, Lípsia, 



I^Vpi- u. 



^o hibito usual dos jesuítas, porque aindu se nfto toruai-a 
Ikría i^sse nome. 

!icaodo o período ou Cise denoniiimda alto nlemão médio 
XI 3iM!ulo, em (\m se coiuíidei-a tenuiiiudo o período do 
lemfto aotigo, e o xvi, eiu que, com a Bihlia de LuteiOt 
a contai' o modeino, segue-se que o vocábulo rouòur 
entrudo uns líiig^uas romániciis em que existe até 
da idade media, c o vocábulo roupa jã uos Sus dessa 
le. 

O-dft-roupa-ffita designa em partes do Minho (Cabeceiras 

i_^8to, por exemplo) <o lobo-, ao passo que criada ou peeira 

é nome que se dá ao hhmtmem fêmea — a sétima de 

afilhas consecutivas, como o lobitonwm è o sétimo de seto 

varõeH, sem nenhuma filha de permeio — . 

egtmdo infonuaçio Hdedigiia, é usada uo Brasil, com a 

roupa-velha. a locuyão espanhola conhecidíssima ropa 

Ir pftra designar, como em Kspauhat restos da came da rês- 

gaí.sados outra vez, e espeeialuiuuie feitos em salada, com o 

npéru da de hortaliças. 

Xa índia l^ortuguesa charaa-se roupeiro * ao lojista que di- 
\ fawfuftro, quo vcude fazeudus, priucipalmcnte de algodão 
Bq. 

^0 Alentejo roupeiro tí o «encarregado da queijeira» — , 
i> di-tínt* -!. d;i Silva Picilo -. 



rouxiuol, roussiuot 

sta palavra tem várias formas, tanto em português, como 
itnis línguas do mesmo ramo românico. Gil Vicente em- 
roUífsinol no Auto uas Fadas: 



S. N. t>&lKado, t> DULECTO iNDOPORTUOuts DH GuA, ró « BcrUta 

l», Tl. p. K3. 

■ BTUKOOitAi-uu iMí Auto-Alemtejo, íu PoTÍQ^alia, í,p. 340. 



— RouMtínol. Eat» are t«m *eu» anioiv» 
Pi» 'a* &owi 

Dtins iiieiwii, uo iiiiiis, no a&o, 
Pur^m uma Min (.■nguno — . 

 forma roíuctnol é devida a ititliiéucia da palavra 
roixo, O povo 00 Snl diz roixinol ou rbxinol. 

Jioti.rin<il fff barro lí o iioinf de uma espticie de a^M 
— «os assobios de Estremoz, e os rouiiooea que apparw eta i 
Lisboa nas festas de Jnnbo, cujo fiom é modelado e 
como succede dos do Prado« por ineio de a^oa ajõtada iwmj 
sopro do tocador» — '. 

Como termo de calão, rouxinol d o apito para chamar 
corro. 

rua, rua-d'árvore8, mfto 

Este vocábulo deve ser de orijem francesa ruf. visto 
sendo o útimo deste o latiiD ruga, não se teria perdido o y. 
deixar vestijio. depois do u acentuado, se directamente houTí 
proc<ídido do latim. 

fíifâo qutre dizer < bomem de rua», e é de adxirtir 
mesma siguitica^^ão e a mesma orijem tem a palavra ca^telfa 
rumu), porque rtut também na CasteU Velba foi usado, 
se ré, por exemplo, no * Diálogo entre Lais Calvo y Xaflo 
âura>: — «Como saleu a las calles... y rua de San Gil> — ^ 

É natural que neja alcimba o nome líuano dado por 
cU da Orla ao seu interlocutor castelhano, nos Coixiqciub í 
SiupLEs E DaoaAs da Íkdia. Uuu de arvores se chama 
portu^iês ao que os franceses dão o nome de allrr, do \i 
atter, • andar >, e qoe por ai traduzem por aUfix, acentuaiido-] 
àlm, por suporem ser latim: ora alea, em latim quere 
«jogo de dados». 



> Rocha Peixoto, As olamias do Prado, ín Partagali«, i, p,J 
" Km BargiM. V. Ravra HinrANiQmi. x. p. 172. 



Ajtostílíu am HiehnArUM TorfHtfitfínes 



389 



rubrica 



O Xòvo DicciONÀBio dá duas iuíentiiações a èst© vocábulo 
- 'Rubrica, on rubrica» — ; e, depois de apreaenUr as dutini- 
k'S, pn>ãât.'gue nestes termos: — 'A pronúncia rubrica tem por 
a prommcia latina [aliás a aceuttia^-ão] ; a pronúncia ríti>rica. 
i>r lu()erliibasuio, tem por si a proniincia eastelhana c, enfro^ 
õs, o uso de alguns doutos» — . Deveria dizer, o capricho, se 
a reolidaio sjo iloutos, porque a aerein-no, ao leretn latiin de 
tfto Dão acwntuarão a prítneim sílaba, mas a penúltima por ser 
BBga. Ura como o vocábulo é de orijem iivHliciul, e nunca des- 
pn ao iiáo do povo. que o mio couhecf. a uceutua^ào latina é 
qiiela qae todos os que souberem, pouco que seja, latim lhe 
|to de dar sempre em português. Além diato. o exemplo caste- 
bano niio colhe, por ser caprichoso, e nâo fundamentado, como 
itttrca tjuitos que em T^spauba avultam; os itjilíaiios acentuam 
librara, como deve ser. Além disto ruòrieti é a acentuação quo 
IímI.w os dicionários, a começar em Bluteau, até o I'no- 
*' João de ]>eus. 
Ko Suplemento, o mesmo diciouúrio amparou a preferéocia 
• fábrica em opinião miufaa^ que expendeu pela sef^uinte 




nsadas as duas formas, mas de\'e-se defender a primeira 

%fití»] que procede da sua analojia com fáhrha, a par do 

'"^ " ' í. K as8Ím t*mos ràhrifa, substantivo, e rubrica 

•loutrina. que já defendi noutro logur, é confirmada 

tíonç. Vianna » - , 

Ora, en nunca, de palavra ou por escrito, confirmei, nem 

uirm-i ^«melbante erro. O que disse foi muito diverso, e aqui 

;io:— A única pronunciaçào que cumpre defender ê u 

^Irta, conquanto se aponte a errada: ruhrka^^X&Úva rubrico. 

" ' ■ foi foita por analojia c^m fábrica, substantivo, a por 

ia. verlMt. — 

^■ti, istu è uma explioaçjlo, e não justificação do erro, e 
wSi menos coDfírma^'ão dele. Todos os erros, vícios 6 desvios 



3Í)0 



Apostilati aoH Dicionárion Ih^rtu/ptar» 



da linguajem («em explicavfio, e a quem traballia Deste ctmfA 
incumlH' citá-Ioíf; inveslijrá-los e ementiâ-Ios. seja. ou náo, adop- 
tado o aea iiarecer e se^niíilo o st'« couselho. )rj o (|ue fii, 

É do meu dever acresceutar que o autor do Xôvo Dr 
kíbio rectiâcou o seu asserto no Dxabio db Noticias de i 
de agosto de 1901. Ft'-lo por seu crédito, como eu ao asau 
me refiro e o explano aqui, para acudir pelo meu. 



nijido, rujir; ruje-nije 

O Kôvo DiccioxÂKio dá como únicas acepfõea di»ste va 
hulo— 'V02 do leão, (fig.) voz prolongada e estridente; hvaini^ 
som cavernoso» — . 

Nenhuma destas definiçòes «e con>padece coro a da intei; 
çâo e substantivo verlial ruje-ruje, aplicável no sussurro 
raujido da aeda por exemplo, o fruu-Jrou dos franct^-íes, iij 
com o emprego que da palavra fêz o Padre Gaspar AlToniiú I 
treclio Beguiut« : — « Com ns frutas ]iodiara também entrar I 
canas tistiilas... as canas pe!nd«MitC's de seus ramos, alij;nmas] 
tK>a e quatro palmos de comprido, juntas muitas dt^Uas de dtl 
em duas, as quaes com qualquer levo viração, dando umas p6 
outras fa7em um suave rugido • — *. 

É evidente que ruiitln aqui con-esponde a «sussurro br 
rauor*. 

O apropriado substuiitivo ruje-ruje, que è muito pupu 
estú modernamente abonado por autor vernáculo:— «âaias wii 
«u^omuiadus, fazendo extraordinário ruge-ruge» — •. 

Vé^e igualmente que o verbo rujir também admite o 
tido particular de «fazer pequeno rnmor, nmjer*. 



* < Kohçflo «1» vi:ijfTii li gurrsAo iI» tiftv Sntii Fnndtuxi». ht Him. i 

CLAM41ROd l'rtUTrnrBZB8, Vi>l. XLT, p. 52- 

=> Pinto ÒA CtinriiUiu. Uutoria do Fado. LúbM, llHXt, p. 5&. 



Aftoniiifift ao» Dirioafl^nnH Pòrluffiifir» 



391 



ruaa 



ííva de innheiro. O Novo Oiocionàbio, do Suplyiuento, 
feat« vooúbiilo a acepvão ti* * barranco » . 



rimus 

Kôvo DiccionjIeio aponta esta palavra e remete o leitor 
rujios. oude a dt-fiiiH: — -caracteres de que se serviam 
scamlinavos. e que se achara gravadoti em rochedos (sueco 
. Ora, se em sueco á, como diz, ruim, é inexplicável a 
1 quí- di'U ao harharismo nittos: 
é a forma certa» em portutíuès e em sueco, mas o vo- 
lú 6 irlandês rnn \ runa. 'segivdo». Nao foram só os ea- 
linavoís que usurim as runas, ]>ois li;i ruuas marcnmiinicos 
n» de 28 caracteres, gtíticíis. em número de 24, ao 
as runas escandinavas são apenas 16. Ksta escrita é 
|rAr»l imit^tvil» da maiúscuhi romana, e as suas formas, sempre 
lorani devidas a que primeiro erani entalhadas em 
OU tábuas de madeira Inauda. tom um punção, ou estilo. 
s^bro osta interessante escrita as duas Be((uÍDt«s obras: 
ílos Faohoann. Das Hccr dbk ScHBtn' ', de que dei ampla 
lui revista O 1'ohitivismo ^ nomeadamente acõrca das 
a páj. 411 do III volimie: e priuoipahneute o estudo 
coosai^rou Kduardo Sievers ua monumental publicação, 
111.'** nEH CÍKRMAsrsi^HKV l*niLri[.oíí !E '*. Aí se citam o» 
em que se lhe referiu Vvtiãncio Fortunato [Caruiina, 
>!«, 19): 

Burbara fra^inei» pingatur runa labellÍB 
Q«n4qne paparas ng\t virgula plana nalet. 






392 AposUlaê ao» Dieionérioê ^artugtÊetea 

<A runa dos bárbaros e8creve-«e em tabuinhas de í 
serrindo ama rarinba lisa para o qpe serve o pqiiro». 

For estes versos se vé, qne, sendo runa a foima lati 
nAo runns oa runum, é erro em português chamar m 
runas. 

rondo 

Em MarromeUf África Oriental Fortognesa, é «bata 
— «Ha um batuque a que chamam rwndo» — <. 

russo, ruBsificar; roço 

Este verbo, pautado pelo francês ntsHfier, quere dixer ' 
russo, converter em russo»:— <Ào passo. <. qne a Bnsi 
mssificando a Mandchuria» — *. 

Não é Manãchuria, mas sim Mat^ária: aquele M 
pelo ds<^ alemão, expediente de que se servem para eip' 
o valor de ãj ou j. 

Cumpre não confuadirt como por ai se faz, russo, natui 
próprio da Rússia, com t^ço \ ruceum, que designa um 
ou a falta dela. 

rústico 
Em Trás-os-Montes quere dizer «robusto» '. 

sábado 

Não é do sétimo dia da semaua que vou tratar, mas s 
acepção última que a este vocábulo atribui o Novo Diccxo> 



1 Jornal das Colónias, du 4 ile julho de 1903. 

* Jornal das Colónias, de 26 de dezembro do 1903. 

" Rkvibta Lusitana, n, p. ll!>. 




ApfutHlftíi (los DicioftArioH Pfrttuffue^M 



303 



e mais uenboin. que eu saiba, admitiu eiu português: — «assem- 
'' ' > Doctmim *h feiticeiras > — . lÓ um tenierãrio aportuiíueaa- 
... „:o do frauLvs mihhttt, mas nfio está ali abouado, uem me 
cooiita \\\w qualquer escritor portu^iés o baja emprega-lo. Ora, 
trxita-ife de uma superstição popular, e cônseguintement« é a 
liupiajem do povo, e us «xpressõeH que Ole entende e de que 
usa. quft podom ser aceitas; e o povo uem usa, nem entende 
g«inelbaDte de5Í<rnação: a expressão popular para indicar e^a 

ilicB da ff^iiniílo de bruxas e ff iticeiras é u.<wmhlea do 

-■". que 00 Norte dizem sumiíhado thnho. Os esj>anb''is cha- 
miini-llie aqueUtrre, vocábulo composto vaacouço. aquerhrre, 

■ elementos Bfto mpicr, «bode», e larre, < charneca •, «des- 
i..»LupadO' *. 

Quanto ao étimo de hiUmuío, o imediato que se aponta é o 
Utim »fíbhntum, e o remoto o bebraíeo xaBÂT, ou mais sim- 
'ida a transcri^-uo. xahbaf. 'descanso»; o nào i^rHuthhnt, 
, , IP na pulavra hebraica não há uiais que três consoauteit 
dír«rsa.s, sendo o b repetido, o dessas três a inicial tem o valor 
do DtítMA X de xadrez: srh é a ortngralia nlemil, xh a inglesa, 
fh a francesa para i^sto som. que os italianos representam por 
*íf, e 08 espiiíihóis truilicionalmente. como nós, por ;r, valor que 
ainda persiste na Espanha, em galego, asturiano, catalão e vaa- 
«•»DÇO. 

sabre 

A palavra é moderna em português, que a copiou do francês' 
ttaftrr, cujo étimo imediato será, como diz o Novo BiccionAuio, 
o aleniilo lauligo] mheU 

O vocábulo mio 1^ nem aleimln, iwm mesmo esrlavi^nico 
(rusiKr ttahiia), mas talvez tartiUioo ^. Autigamente, em vez de 



» \y . .1 vnn Eys, Dictioxnairb uasque;- frança is, Parf», IS73. 
*tdt» TOí* Aker < Larre. 

* V. Fr-t. Khi(:i', Kn*MOLOrti8CHE8 WORTURiiri^ dr» DnuTflCiias 



^bre dízia-Be em português ettfaiut (g, v.). e em f^ral. e^p 
termo que se aplicava, tanto ii de folha direita, como h que or 
mais 0(1 menos eucurvada. 



sacaputos (y) 

— «Sáo estes panos da costa dtr Coroiuandel (aliás. CA 
Tfwiúmlfl] que chamam Bacaputoa pintados, oa quaes ve.4t«m | 
modo de c^ilções» — *. 

A edição do livro do Padre Cardim, onde vem êst« trecti 
está modernizada imprudentemente na escrita das palavras, 
lios uomes peregrinos procurou-se aprossimá-Ios das formas uw 
deruas fraacesas. 

Quem dirijiu a puldica^ao, uliás meritória, das B\tai.iií 
considerava, e Í!;so du a entender, sií lejitinms essas for 
francesas, e linha as portuguesas como corrutas. Ã* vezes 
emendadas a capricho e ií toa. sem a mínima eousidera^íio pel 
orijinais. ou pelas tradicionais. NMo quern atirraar sem provjw.j 
aqui dou uma peijuetia relayilo dos nomes e vociihulos que 
teem duas escritas, ora uma só. evidentemente falsa, porque 
tara ao editor a com)>etéucia necessária para apurar a ver^ 
deiru. 

Pâj. U: Vsuqui por Uftaqui. 
1(»: Yucatar \y) 

• 10: Uyedo por Ypfiú. ou melhor. Ifdo. 

• 10: Macãssá por Mar^i/t/ta (Macáçar). 

• 19 e 46: liberdade por liòeraltílade. 
► 2õ: Van Lie j.m- \'nn hié. 

• 2íi: Pam Achilos por Pnm Achileo, 

• 35: atrancoa i»or w tranco» [q. v.] 



^ pHilro AnttíQí» FraocUeo C^rdlm, Batalhah da CourAxniA 



Apo«tilaa aon DidimArioa Fortttffuesei 



305 



f4j. 44: Aquileo por Afhileo. 

41) f õã: iurubaça par juruhara. 

65: MeaiO poi Afruro ou Miacó [q. i\] 

6tí: xèxi (?) que diz ser latim! 

71: Xaca. 2'-)S Xoca, 277 Xocu <> Exoca, por Axtxía. 
175: attento por a tenio [i/. v.J 
'201 : Paulo Camby por Puh Camity (ou Crmhi). 
^3*J: de alcunha vã (!) por de al/-uttfta Vã. 
241: SõrvJndo jior sfrr/n/fo-^j, 
2Ô1; benjoim, amendoado por benjoim amemloaào, 
255: reino de Peru por de Pegu. 
257: Coromandel por í-horamándei, 
25K: vazella» por varelas. 

Acresceu te iii-se, patsim, baterias, artilherla, ctc. por ôato- 
nrUUuiria, elc„ etc. 

[tm relufâo a Choramándel é esta a forma que usaram os 

^n autores, e a verdadeira, visto que a denomiuuçflo ê Chora- 

'i fni Uiiiil, tí quiTC dizer «reino de Chora» '. CVwo- 

'• deturpavão eiítrauji-ini, que de torua-viajem passou 

ei e He generalizou, a de:^)ieito de aer f^rro mais que reco- 

lot e talvez por isso mesmo. 

— O* dí Cb-íramánílcl vcoílcin 
Simjt filhus c sna» (ilhas — '. 



itaco 

central da rode para pescar sardinha. — «O snco tem 
a circumfereucia de tÍO a 70""" e é composto do redes 



a ITiUc Jí líurnell. \ Gij>e6ARV of AnoloJsdiax woads, Xornlrcs, 



396 ApostUa» aos DieÍonárÍM Bar^Êgúeaa 



de malhas differentes, que o dividem em cjnoo, partes deDonúrl 
nadas — cMtda — meios bastos — meios meinhos — meios tdegr 
— alegras. A bocca do Baco é também formada de redee 
malhas differentes, chamadas muros > — *. 

Este vocábulo n&o está rejistado nos dicionArios na 
que lhe é dada em Angola, isto é, 30000 mil réis em moeda < 
cobre, e o seu peso, que é a carga de um homem. — <A 
is thirtj < mil reis fortes > . . . a saiu of ooppw is exactty 
man'8 load» — '. 



saganha 

— «a saganka ou earranha (carrasca) trasida do alto, 
pastores das vezeiras, no 0erez» — ^ 

VezeirOf conforme o Diccionabio OoirrmipoBAVBO, é <1 
de porcos». 

sagrai, segral, segre 

Sagrai é uma forma antiga, devida à influência do r no 
átono de segral [ sec(u)lare, e não alterada de sagrado, co] 
se diz no Suplemento ao Xôvo Diccionâbio. Do -cl- latino 
sultou -gr-, como em 7'egra | reg(u)la, e o l final por r pro-i 
cede de dissímilaçâo desse r, como em frol j flor(em). 

Segre \ sec(u)lum acusa influencia francesa ou proençili; 
como milagre \ mirac(u)Ium, em castelhano milagro. 



"^ F. Fcrnández Tomás, A pesca em Buahcos, i» Portugália,! 
p. 151. 

■ Húli (.'hatelain, Foik-Tales uf AnuoIíA, Bo.ston e XoTa-Iorqae, ld94j 
p. -288, n. «". 

B liocha Peixoto, A illuminação popular, ín PortiigaU«i iwi 
p. 3t). 



1 



AiKfttiítu ao» Viríonârios }*orUtgucsrs 



Sít7 



sag(u)ate, i^awjtife, ragualt, vagate 

Esta palavra qiiere dizer «mimo. dádiva >;— «presente, es- 
[^bimente o que se dá por occastões festiras - . . . do saQsk. 
■ta* — f. 

t vocábulo. f)iie foi muita? vezes empregado pelos uossos 
l^rooistas dnã coiii|UÍsUs e descobrimentos, passou à costa orien- 
da Âiirica. provavelmente em bdca de banianes, e é lá tam- 
rWm muito nsafio: — «tratim de arranjar um presente (sa- 
1 gnate)» — •, 

— *Qm ^ande çaugate de muytas galinhas - — •'. 
K sabido que fts nossos escritores até o xviii século usaram 
f para a tniník'riçÂo da sibilante apical surda, nilo sií arábica, 
úpmlmvutc de todas as línguas. i|uer asiáticas, quer ameri- 
fcanas, e outro tanto tizeram os espanhóis. Cumpre ter isto era 
ITÚU. 

A forma ^tufaie. aoi^ate, se nào é erro tipográli'!0. vemo-la 
Inaprt^da no trecbo se^inte: — ^<a troco de alguns sagates de 
[i«ruart]eutL\ at^odilo e h}ta> — •. 



sai 



- - Disputei com ura sai (é o mesmo que Bonzo) [no Ana- 



t S«^«vtiiu> R.xioUo Dalgado, Dialbcto nmo-POKTUQiTBZ db Ooa, 
I « BtfVlctA J.q^ltarui*, n, p. 83. 

* Jornal dam Couonias, iU 30 de iiittiu du 1!>08. 
« V- Slru.lfí 1'iiitu, Pbre» III NAÇÃO, cap. ui. 

• AlcrTfilu Coutinho, A CAMPANHA PO BaRUA BK 1 ^2, III < JoniBl ' 

^ CttUnáMM^t <}f I'' 'l*: AK'>sto de IfiOõ. 

0ATAtaiA8 bA ruUPAVHIA 1>R jBflrs, Li»bM, 1694. 



39t( 



Apostila» t7<w DUi^ftàrioii Portugutíiea 



saibro, saihmr^ saibra, Mibruinento. sulbreato 

O sulístautivo mihro vem eoi todos os dicionários e ú 
cado como sígniticaudo «areia grossa; com pedrus à mil 

No passo se^uintti 4*í!t<l iiicliiido o verbo snibrnr. e uií 
tantivo dcJe derivado, e que não figuru uos didímárioí*; 
hramento, surriba profunda para a plantação do bacd 
também o verbo saibrar. Deriva de saibro, e significa, píi! 
propriamente dexfmer o saibro, cortar a terra saihrtrnta. 
tauibem esboiirar, esbou{umento e esbuuçti* — '. 

Nilo se cita o substantivo verbal saibro, que correspo 
esbouçn apontado; vemo-lo porém uo trecho seguiut«: - 
isso a explora\'ào, provocada pelos achados de mmi rec*i 
bra» — ; e acreMenta-se em nota — 'saibrar ó ua regíi) 
nymo de cavar» — •. 

Pertencem à ciiriow» terminoloji» agrícola duriense 
montaau. 

mJanMUqy^', valamaleqne 

Os U0S80B autores antigos escreveram çàlamaleqiWt 
ortogiáfica a «[iiti o Novo Duxuonãrio dá cnm razão a 
réncia. visto que em português, como era eastelhiiuu. at 
culo XTin os ss arábicos foram sempre representados | 
nâo por s. A sauda^^fto expressa por estas duas palavras 
cus, sHi.AM ouK, -pax tíbí-, não é i<ómeuto turca, comi 
dito dicionário, mas de iodos os mocelemaiios. i|ualqu< 
seja a língua que falem, e mais que todos, doa individn 
celemanos, cuja língua vernácula é árabe, como o é 
exproâsáo. 



< Jllliii Mon-im, NOTAH SOHRe fiTXTAXH POrULAR, ÍM «A I 

de lÕ ilc ili^xembro du lOOT). 

* JuȎ Furtes, Xecrupolb luhitaso-komana t^A Lomba 
KANTK). in PortngiilJa, II. p. '^>l. 



saleiro 

[Como adjectivn, aparece num requerimento feito pélosiieffo- 
!í* jtaleirvit, enviado ao Goudo de Cusal-Ribyiro, e itpresen- 
á Camará <los Pares em sesíiâo de 16 de maio dtí 1HS4. 
accprão natural, como substantivo, ê conhecida; aplica-so 
DOine ao vaso em que s« guarda, ou serre o sal. 
formação proprianiente portu^Miesa, de ml, pois a spr la- 
derivada por evolução, nfto Imveria conservado o l iuter- 
iljco. 



salta douro 



iHe para pescar tainbas 



salvar 

lo om que lioje empregamos saudar é desusado esto 
<eríH>, mas não o era antes: — «Tanto que acertam de ver 
quella exalação, arodem todm [os pescadores] ao convés a o 
com (fraudes jíritos e alaridos > — *. 
exalarão é o SanfElmo, do qual Camões disse — tQue a 
gente U>m por itaato> — , 



salve, sal vete 

So pala^Tas latinas, que lêmos sáívè, gaivéfé. 
A primeira é o singular, a segimda n plural, da 2." pessoa 



Vai* de Hll^llt«5, Ou BAKOOH DA RIA DK AVEIKO, ÍH PortogA- 
^1, p. (M. 

Hiãtórm trijirn-marl ti ma, in Uiiii;.. ub CLAueiijus PORT06t;s3SB8, 



403 



ApoêtilíU noâ fiicitmáríoB For-tugfuxet 



(io imperativo do verbo salveo, «estar de sauUo-, e ido o 
cativo de saluus. corao diz o Nftvo DircioNÀuio, 

QuaDdo em 1HK9 deseuiharcarani em MalmO os membros 
Congresso dos Orieatalistus. que em setembro ia celebrar-ee 
capitais dii .Suécia e da Nomega, e3tava o caia adornado e\ 
meio um (Míndão com a palavra latina Sai.vk. 

O I>r. Kt^ru, ao Ut aiiuelii letr*3Íro exclamou: — (-Para qu 
de nós será aquele cumprimentol'' porque é só para um; se foi 
para mais, ou piira todos, tinham pintado SALvurtc! — . 



salvo seja 

Kítta locuç&o muito usada, uo mentido de « Deus nío p4 
mita, Deus o defenda*, era já latina, pois ae encontra eim 
tr<3aio: — «tanquam hoc loco, sahium sit quod tango- 
como se fosse neste sitio, salvo seja (aquele em que estoa 
caudo) • — . 

sambaqui, saumaqni 

= « n yn une autre analogie entre les usagea des Topi» , 
ceux des peuples de I'ancien c^ntiueut dans Cfn monticuleíi 
coquilles qu'ils nnus out laissés sur les cOtes, et que Toa 
nait au Brêsil sous le nom de saumaqui^» — *. 

Ksta forma é menos conhecida que sanAaqui, ou mell] 
çambaqui. viísto que nHo ae usa ft mas ç nas transcrições porta 
gueixas e castelhanas das linguas da America. Ã forma inai& 
correcta, pois. é sem dúvida çatnbaqui^ como a vemos usplica 
por Teodoro Sampaio: — ^Sambaqui por Tambá-qui, poiítn 



* 8ATVU10OK. V. ft ediçfio d« Hc^ain tiaerbe. Paris, 1463, «wnti»* 
nhada Ju trAdu^o fraDccsa. 

■ Yjcon)t« do Portu'St>garo. Lks AiittaiCAm Ttms-CAiui 
LB8 AKCIBN8 EoTVTUSXS, Viona. Iu76, p. 58. 



Apautltaê nna Dicionário» Porlngume» 



401 



inalo de conrfaa», serrindo para designar os depósitos antiquis- 
108. fonnados de fiwc;uí de ostm. de restos de cozinha, de re- 
de Taria,s procedências aoruimiIadDs por um povo sulva- 
que ha^pitou u /.ona littoral mu peiiodo pre-historico» — '. 
"«mo termo genil está já coníiagrado kjukkenmiiihlhuj (q. v.), 
darni hem diticil de ler para quem ignore a língua a que ela 
^rtvnce. o dinaniarquês. e demais a mais v.oin dois erros de or- 
f^rafia. pois a escrita nAo è com o, mas c^m o cortado obtiqiia- 
•nte da direita para a esquerda, e de cima para baiio. O d é 
«CO e alemão. 
Poderia em português adoptar-se o vocábulo cascai | casca, 
Kk fojai j tojo, janval { juncit, ou junco, isto é, um colectivo 
caifr/i. auáÍv;zo a tireal \ areia, com o plural ca.*caii!. K pos- 
tei mesmo que o nome da vila de Cascais lhe provenha dêaso 
Mente, pois e sabido que lã existem lapas, que serviram de vi- 
■-> ' • i FD tempos remotos, o que se reconhece pelos objectos de 
k L pre-bisi.õrica. uelas eucoutiudos. 

f<(ttnhucif. oambuco 

íh uossúâ escreveram ramhuco. o nome da embarea^'ão asiá- 
I. que é em ánihe saiiuui^ 
Vcja-^e salamaleque, çalamaleque. 



samear, semear 

^orma popular, correspondente à culta moderna semear \ se- 

pnare. a que é devida a querer-se manter a integridade silá- 

ilo vocábulo, que proferido sewear degeneraria em (fjumear. 

Per miidm iiiío suuieiulu, 
CoUiido, mt>iitM, »m:isMi(lo *. 



I O Tvn XA GsuoRAeHiA Nacional, Sam-Paulu» 19Ú1, [>. OS. 
> Oil Mmote, ACTO DAB Fadas. 

» — VOL. It. 



Fameuioã 



Bóia em Buarcos: — «A ti-alba interior assenta noll 
Á superior estão presas os grandes bóias, que se cba 
Norte, do ò'al, e Sámenina» — '. 



sandia 

O Novo DiccioxÃBio diz-nos <\\\e este vocábulo, alS 
tuado mndia, é o nome de um nicláo oioxicano. Deve ter i 
informação errada, pois ò-atu/ía. e nâo. sandia, é em casi( 
«melancia*, e nunca foi, neiu é, * melão-. O que em fa*t 
se acentua mtuiw, sandia, na pronúucia. e cunseguinterad 
escreve sem acento marcado, conforme a ortograHa moM 
outro vocábulo, que correaiKinde ao no«so adjectivo sandt 

— Y en xnx ntidios ó látiriocM atnort» 



saQ^'a-mochú 

Armadilha para cavar passuros, principalmente Uí 
ribeira de Travanca, e que consiste em uma vaiii, vvrtpieit 
se prende, curva, a uma estaca por uma ponta, ficando 
livre para se ligar an pinguei por um cordelinho '. 



' P. Feniántl^i Toni4s. \ pksca km HfAiiCos, in Poritit! 
p. i48. 

* Eí(I>roiu\'-U, Jaiupa. 

> V. Stms PídIm, Ethnoouapbia Ahaiuntiua, k Cftcm im 
galía, I, p. Ul. 



ApoÊtUfU aoK Diciouáriofi Portugumfs 



sanjaque. sanjaco, saDJeaoo, sanjiaco 

O Xftvo PirciosÁttio consijína a terceira forma, qiie escreve-" 

QHgtacv. ubouauilo-se com Diogo do Couto — « Nesta batalíia ^ 

Dmo o lUxá doH Turcos, e elegeram outro, que era um iSVin^l 

_ .» — ■*. Condena, e «vím rai&ão, a acuMituayào da última ^« 

na, .tanjídí^o, que deu Morais o Silva. Bluteau escreve mnjavo, ^^ 

oiuuido a forma com Jacinto Freire. Ku, na Selecta de AutoreS^^ 

ffleaes ' adoptííi .-tanjaque, O vocábulo ó turco, (fiamjak) e quere^^ 

er propriamente *esteudarte>, dando-se também este uome ao 

yedor <ie utu distrícto, subordinado a uma província, ou vilakie, 




sáuscrito, flauscrito 

li defendeu pam italiano a acentuação nanucrito. Va»- 
.- Abreu inttiste para português tia aceutuaçSo proparoc- 
ODa mrisrriío (sám-scrito; ante:< escrevera sãoscritoj. , 

Se regalarmos a ado[»ção, em português, de palavras ^9i^Ê 
fu cliRsica da índia árica pelas re^as da prosódia latina, ^^ 
plit:ce do razão, visto qne o mesmo processo seguimos 
as palavras gregas, o ate para as arábicas, não há a meno: 
tiiivída que o vocábulo tem de ser esdrúxulo, visto que a fonn; 
jina] é síSKfTau, com r vogal breve nu penúltima sílaba 3. 
Coro r(»speito à pronúncia da primeira sílaba Utnica ser mo 
$ã, direi que, c^uquanbo esteja averiguado que, pelo menos 
f - .-, a pronúncia marata doa pánditas, ela seja soo, é tam 
^ nossos hábitos iutrcxluzir um ditougo nasal acentuado 



• DOADAS, TU, C«p. X. 

s U ►!>.)*, I8rt7. p. 774. 

1 « Xa EtirD|ia l/^-se o sánscríto com a Accntuaçio Utina» : (.•■ de 

Wloi AlitVU. CUMO DB UTBKATURA SAHSCKlTICA CLÍ6AICA 'b Vli- 

ncA. n I 

r. « ■ iodianA, ifr. 2-3, (|Do difere um tanto. 





Afoitílm am Dki(márÍ09 A^rtiij^Mcir* 



no meio de um vocábulo, que as anulnjías portu^ieãíu exij«iD % 
primeira sílaba sã-, e nilo, sâo; e portanto a e.icríta xan: e mo« 
sam- ou ítào-, que o iudiauista português u$ara uos scu^ [tn- 
moiros trabalhos, e rejeitou ao depois. 

Absurda em todos os poutos de rista é a forma sanscriptof 
por desgraça já ofieialiiíent« usada, nomo se tivesse al^ma cousa 
qne ver com scriptuni latino, e é inútil o escrever k, ffan.tlríUjf 
em vocábulo aportn^esado, visto não usarmos de senielbante 
letra nas palavras trregas que empregamos, pois escrevemos 
acrópole, por exemplo, nilo obstante ser em grego akuópul,is. 

O siguificado do vocábulo sánscnto é « perfeito*. 



Sanselimão, Sam-Selimào 

I^ uma das muitas formas, que por deturpaçilo ou etimolojía 
popular adquiriu a expressão signum Salomonis, «sinal de 
Salomão», sino Saimão, ■ pentágono», ou estrela de ciuco raios: 

— * O SINO 8AIMÃ0 (q. V.) SIGNO-SAMiO, 31ÍÍO-aAMA2ÍC?0, OU SaK- 

selimAo» — ^ 

8aiitór(i)o 

J. Leite de Vasconcelos deu já a etimolojia deste rocõbulo, 
que serve do nome, ua Beira, a um bÔlo comprido que £>e dá ou 
vende pela festa de Todos os Santos, o pão por Detts. É san- 
ctorum, * genetivo do plural da sanctua, querendo portanto 
dizer «dos santos >. 

sanzoro 

— «Ás 11 horas marchou a columna, bivacando junto ao mo- 
curro de Inbaugonc, que servia de fosso a uma das &tce>s do 



t Portugália. I, p. 618. 

y Rbvista Lusitana, u, p. 253, 



oro de forma rectangular, em cujos aDgiilos foram collocadas 
de fogo' — '. Vê-se que eansoro é «arraial oa acampa- 
nto.. 
V. ensanzorar. 

sipao 

Era o pau tambíím cbainado bnisil. O termo veio para por- 
tngiií^ do malaio mpan, e este do malabar xapa^unam, «pau 
venotflhotf de xawi, «ser veriuetlio» *; 

— Ito MlpSo, cbaitibu, salitre e \icaallia3 
LÍK aptircebem caleiros e muralhas — *. 

f' vorcibnln foi tanibem usado por AnttSnio liocarro: — *KsUo 

iM^ta oidatle de Ovà, cubeya do reino de Sião, duas feitorias,. . . 

ro trato que tem uns e outros c de couraraa de voado, peles de 

liii-, aapáo, e moita seda que ali vera de Gbincbeo e Cochin- 

cbiua» — •. 

O vocábulo »ápm, ou mpã, aâpavi. foi tomado como joyjõo 
ipAT vários, e dai proveio cliamar-se ao sápãnja^Mo. supoudo-se 
"if*Ãae realmente do Japao;^ * É [o reino de Camboja] abun- 
de itrroz. e tem mtiito cbarAo, chumbo, cera, alguma ãguiU 
ejapio> — •'•. r. caucho. 



• Awvedo CoQtmbu. A campanha do BahuA bx 1902. in «Jornal 

I ColMiuan*, dl? 1*> lio abril i\v irH>5. 

• Banirll Si Yulc, A GtJJSflAitvoP Akoi^-Indiam words, Londres, 
1684. ntb t. Sappan. 

' Aut*>nin tlif Abreu, I>i»íCKtCÁi> uii Malaca, in «Pamiíso I.usitn- 
M». XI, p. 2(ib.). 

• I>nt!APA 13 i>A Historia pa Aííía, LUboa, \^~0, cnp. i.xx. 

^ .\titonio FfAnduco C'»rJiin, Batauias da Ci>hi>akuia uu Jssr», 
lifboa. 1^4, p. ã5(. 



•406 



ApoatUivi aoM Dicíonârion Portuguenta 



sapeca 

É termo de Macau, e designa uma moeda chinesa de col 
com nm furo quadrado uo centro, o qual 8en'0 para ela ooin ou- 
tras se enHar mim cordão. O vocábulo, segundo todas us proba- 
bilidades, é. híbrido, sendo composto de sa(tu), em màlaio > um', 
e do chinês, dialecto de Cantão, ywi, *cem», «cento». 08 
laios formaram dos dois um, sapeka, «um cento», porque 
realidade as saperfiíi se enfiam aos centos em um cordel, Out 
dizera que o vocábulo é todo malaio, sajtéku, -uma enfiíidai 
tais moedas, e que passou ao depois a desi^ar cada uma de 

Rni S. Migue! dos AfAres «aiieca é uma «repreensão ás 
ra» *, provincittlismo que ]á nu metrópole so usa também. 



sapinbos-de-Ieite 

— «A ckave. De prata. Amuleto com a virtude de curar] 
sapinhos de íeite (aphtas)» — *. 



sarame 

Bairro, arruamento de libatas, ou cubanas de negros 
Ajuda K 

saran^i 

O Novo DiccionAeio aceiítuii sarangài, mas é erro ml 
festo, pois em coucauí é saaátH; pelo quê se conhece que 



» o SiECCLO, lie 5 df julho »ie 1001. 

' Portagalia, i. p. til!). 

> C. E. ÍVirreia dii Silvo. Tma tiaoem ao bbtabbluciubntu vi 

TUQUEZ UB S. Joio BaPTISTA 1>B AJUUÃ BH 18fl5, Li)íb«Ml. KHtíti, 



Affottiia» aoè iJiHonàriMi Burtuguav» 407 



[fl>i escrito para se ti&o pronunciar mranji. e i>ortaiito é nulo 
pruDÚocia. K o nome de uu iustruinento músico na índia 
tngiiesa. 

sarda: v. xarda 



sarilho 

Klvm ílc ontroa aiguiticados, mais oii menos relaciomidos cora 
[a f<nriiia do ^arílbo du mil», qiie consistu um uma vara, com uma 
|enu«ta quãsi a cada tdpo, porpeiidiciilares ama à outra, é tam- 
\%iaa Dom*» de peça do maquinismo dos moinhos:^* O sariího, 
é um pau circnlar, excepto meio palmo a partir da truro, 
Nade enti-am qtiatro outros da grossura d'tim pulso e egualmeuto 
lledoododi: sio os braços do sariUio» — '. 



sarnco 

Na costa de Caparica é o nome de uma rdde de forma e copo 
Irudoadoa. i feiçfio de barrete ribatejano, onde os rapazes arreca- 
jAwn o peixe que podem apanhar, do que salta fora da rede. 
Eeta informação foi-me dada por pessoa de U. 



saudado 

Êtfte vocábulo português, a respeito do qual tanto se tem 

wrriv» ^m prosa e verso, desde o Lbal CoxsKLHErno de El-rei 

'' " Duarte, que antes que ninguém o encareceu, até o divino 

Joíio Baptista de Almeida (jarrett. que Ibe cousagrou os 

quarenta primeiros rersoe do seu poema Camões, foi na sua prí- 



t PoriagJiUit, MoiKaofl, i, p. %j(l 



mitiva totaiA ífoiíiaile j solitatetn (j solum, •s<)>),qui 
tliu sígiiiljcava «soledade» o <deíuiinparo«. Em casté 
vociibulo morfolííjicaiuente oorreliitiro é mledad. «sMidi 
dade > ; mas Qilo ú >íem esetiijilo o seu emprego no sei 
português miulatie, e por nâo menor escritor que o \ 
poeta Luís de Gmigora, mas «m prosa: — «Cuanto es 
ruído de esta corte, tauto ^?. mayor ta soledad que V. 
hace echaudo menos eii todo lugar la piedad y beuevoli 
santo Obispo de Córdoba» — '. 

Na forma actual, mudntle. iiiHuíii. como é sabid 
mtular, talvez por interuiéílio de ninuiatle. prommcia 
que corresponde outra mais vulgar em Lisboa, 



savaua. çavana 

O Novo DiccioNÀBio, no Suplemento, emendou a aci 
deste vocábulo, de mmna, que adoptara no texto, [tara 
comparando-o ao castelhano gáhatm, «leuyol de cama», 
tugnès antigo sáhana. 

A aprossimaçâo é, nn realidade, t«utadora, nas 
apeí<ar de subscrita por Littré, e eu próprio a aceitei nt 
Jnglefta '. 

Ksta pala>'ra nílo é portuguesa, tirámo-la do fnmcès 4 
e veio com as versões de obras da literatura románt 
tamanha vo<;a adquiriram cá. Km trancas mvanne, co] 
definirão dada por Kniílio Littré, é: — *o nome que n 
lha», ua Guiana e em outras partes da Àmeríea se dá M 
e a todas }i& terras baixas que produzem horva para 
dos ^dos ■ ". 



' Cakta ai. It.."*' SnSon Pos Frav Dieoo MARt>0KB8,J 
HiDpaníqao, x. p. 135. 

« A. R GonçálTc» Víam c J. C, Wcrkelpy Cotter, 8«u«0TA i 

RA8 IxnLBSAS PACKIB, p. 27S, D. ". 

» DlCTlOSSAIRE DK LA LAXOUR FRAXÇAISB, Pari», IS 



AposlilaA iifíH Dicionários PoHHij^Wíeg 



4*:n> 



iSeyue-«e íí elimolojia qne lhe alrilmi, o castelhauo mbawi, 
«omparaado-o ao português sal>ena {nVvÁs Kiibema) ', do latim 
«ôtfBíifM, «lenço, toalha», greRO sãbanon, com idêntica signi- 
ficaçAo. 

Nisto w tinha ficado, ató qne Kutíno José Cuerro com um 
<lisí)ipou a nuvem. Na Roíuauía di/nios o doutissiiuo hÍ8- 
íite: — <La semejanza entre uma sábana blanca y nna 
U&sara irerde no es muy obvia que dif;amo6t y sin duda este 
«^rújiulo ha sugerido la idea de refor/ar el fundamento de la 
octáfora: . . .el [diccionario] Hinioldgico de Skeat (Oxford 1882) 
ipauta que la ucepcióu de Uanura proviene dei as^^ecto que 
ifttoe un llano ciibierto de nieve. Quien considere que tal deno- 
Dinaciíii) aparecv por jíriniera vex en las Ísla*í dei mar Caribe, no 
liodri menos de mirar tal expitcaciuu como aetfn' .^amniu» — -• 
Xa realidade, ]danfcieã cobertas de neve na América Central. 
I lo* de latitude norte, ó uma lembrança peregrinai 

A palavra porteuco a nma linj^ua indíjena da Anuírica tro- 
piííil. tí á nnbiinfí, como Ouervo noa diz que acentua Alcedo no 
•eu Dicionário, antes etícrita com ç, çtwtma, depois com z(^=Ç)f 
^'iitut, sdvfind. ou cabana, o que aliás provavam os versos, ci- 
tados, dt; João de Castelhanos ■', onde se rima {firimu eont 
fmtflhtinit. 

F,iy aqui uni mau exemplo do uso deste vocjíbulo em portu- 
%né*, nniii trabalho atiiU exceh?ntt» e quiisi gempre vernáculo: 
— 'Bem !*e p<MÍe dixer que [no território de Angoche] nflo ha 
tona» estvrei-^ . . . que são raras e pouco importantes os sa- 
— *. 

:»; emprego do vocábulo é abusivo, jiois mhana, em fran- 
eê* savtme. é termo das Antilhas e América Contrai que quere 
dixer « prado >, e nio, 'terreno estéril, charneca» . . . 



* A. A. Cort«»ãi>, StTBBlDIoa PARA TM DICCnO!fÀRIO OOUPI.BTO, L'nÍni- 

' *..i- \%x nnoi). p. 12:1- 127. 

^ Ei.CfiiAS DE VAROM38 n>rítTitiUi ut: t.\s Inuias. Mailríil, 15ã9. 

* BoL. 80c. tíeouB. DU LiBBOA, '24.* ftéríe, p. 2>'>õ. 



À locução francesa fiavanca noyéçs corr»>s|M>uiif iia nos*^ 
Africa Oriental a palavra latujim, t? não tâiufu^. caiuo í*U_ 
marcado no Novo Diociionãbio. 

PMo menos assim vemos aceutiiadn a palavni. uniti vw. 
excelente monografia tie Eduardo Lupi, «A região de Angoíhf 
de que acima fíz citação — «planície geologicamente mode 
fomiada [xir iiedimeutações e alluviôea. áa veze» rawnio ain 
periodicamente inundada pelas aguas do mar... Cbamom^ 
essas planieíes em português colonial 'langúas» — *. 

O vocábulo repete-se, mas sem acentuaçfto marcada. 

seara, seareiro 

Este vocábulo, ci^jo étimo não está averiguado, significii i 
uso comum, terra em que germinam cereais; ma» no Alent' 
como ítetiarfi em castelhano, quere dizer especialmente terra ornll 
&les 8ão cultivados por possoa que nio ê o proprietário, e con 
retribuição a mais dos servivos prestados na herdade. O indirid 
que cultiva seara nessas condifrtes charaa-se seareiro: — «1 
tam-uos [os montes] os guardas ou outros creados prhicipalmc 
qanmiciroM [q. v.]. Ás vezes, porém, residem n'eíles cuíteirom 
tranlios ao lavrador da herdade — seareiros que lavram pori 
conta, a quarta ou quinin [isto é, cedendo ao lavrador a qti 
ou a quinta parte dos frutos coibidos] > — *. 

sedão, cerdão 

Com ^sies dois nomos publica a G^zkta d&s Alokias ' 
artigo em que preceitua o modo de curar este acid^ntí'^ 



I Ih. j>. 237. 

< J. da Silva Y\ci.o, Etb.^íoqkapbia do âlto-Aubmtbjo, ih 

tugaltn, t, \K ôíf-i. 

J de 20 iIp maio de 1906. 



ÁpostUas ao» DÍrío»ârion Porbtgtuve» 



411 



lalia que a{iarcco uo porco, e que consiste, como declara 
hima fistula estreita, situada ao lado do pescoço, ao pé das 
Sdtts. entre a trachéa e u vciu ju*rii]ar. com uma mecha ou 

jue áv WTáâ» mais ou metiDs jtroluiulamtíiite encravadas, nrigi- 

Bp uorrímento, inflammavào e Ás vezes gaugrêua>. 

^B Dome é evideutemento tirado de feda, ou de cerda. 

Implanto à diftírente escritíi das sílabas finais de trachêa e de 

tta, nâo a sei explicar. 




segar, sega; sega 

Síffnifica «ceifar», sendo porém de orijem latina, secare, 
cortar ', ao passo que ceifar procede de ceija. palavra derivada 
[ ánbv saip, « estio >: cf. o inglês harveM, «coliíeita» e < ou- 
\, alemão herbid, *out<ino', mas cujo radical harp corres- 
80 latim carpo. «coltiêr>. 

ste verbo se deriva o nome verbal sega, com e aberto, di- 
de ftêga \ lat. si ca «faca» (r*): cf. o italiano sega, <ser- 
• Umn espécie de faca que desce ao nivel da ponta da 
(ftft. a qual se chama nega» — <. O étimo sieu ê muito Ouvi- 
ift)i>. por ser longo o /. Eui Caminha segar significa -cortar», 
m peral. 

negar provém segador, sinónimo de ceifeiro, e de s&ga, 
,que é aumentativo: — «Quando o ící/ão rasga a terra * — ', 



eegévia 
10 termo de caUo. quere dizer «salada». 




K. Adolfu Cuelbo. ALFAIA AORicWLA portuoubsa, f» Portug»- 
o BooxOMUTA, de 15 de oatnbro dí ISi^. 



ApQiHitaM aii9 íUriottArion PòrUigurAfS 



41 S 



seixa 



O Xôvo DicciONÃMO dá-nos dois vocÁbulos diferentes cora 
funoa: 1.° — «representação de lun adem, tiosi brasões dos 
tíos; parte daa rapits do liero que sohreítái lís folhas — 2.*" va- 
ilade de caraiiffuejo de casco awarello e azulado > — , e no 
Fumeiro remeto-nos para seixo, sem nos dizer porquê, ou para 
Nuê. N*o Suplemento acreseeutA terceiro vocábulo, com a mesma 
'forma, a que di por significado — tjiequoiio antílope africano» — . 
[Aliste ultimo sentido a palavra é muito conhecida. 

À primeira acepção temos de acreíceutar a de • jíombo- 
bravo», uo .\Ientejo. 

sejaua 

O Xòvo DionoNÃKio. que inseriu este vocábulo, nilo lhe 
tnarca acentuação grãtica, peb i\uè se deve entender que o cou- 
siilera paroc^itono, 

É fora de duvida, me parece, que é esdrúiulo, séjana, ae 
ee tiver em atenção que em árabe é sígn. Si^j^nifica *pri- 
s3o, cadeia, calabouço de.-ítiuado aos cristãos cativos dos mou- 
ros, como remos uo (ílosíiárío de Uozy & Eu^eluiann. Eis aqui 
uma al>Qnação do te nu o cm portu^^uês: — «Rstaudo na sejaua 
preiws. . . estes fidalgos > — '. 

Ãpareoe-nos escrito com s, e não e, inicial, porque o vocá- 
bulo é dos de segunda importaçílo: veja-se febra. 



sei vela 

K n nome que o Pedro Oaspar Afonso dá a uma, eutre outras 
frutaa das Antilhas, que menciona e descreve na sua «Kelaçiio 



1 Jeránimo de Uendoça, Jornada, ds Âpiuua, i, cap. 8. 



Âp(i»(ila* aos rHcionárin» 'í\jriut}u- h-j. -- 

da viagem e sucesso da nao Sain Fraucisco » : — « SWvelas re*^ 
(lem ás nossas ameixas» — *. 

K natural que o uome procede de selva. 



\ 



seinhrante 

Forma mais auti^ que a moderna sembhmte, e mais cnn' 
forme com a fonolojia portuguesa. 



r 



âemila. semilha 

Xa ilha da Madeira é este o nome que, como em parte dai 
Espunba (semifh), dAo ;*l batata: — «Um correspondente de| 
Boaventura escreve que está sendo abundante a colbeita da se-] 
milha (batata)» — *. 

O uome parece ter ido para lá^de Kspanba, sendo a priíoein 
forma tirada da escrita, e a segunda da pronúncia. 



sencelo, sincelo; senceno, siaceuo 

As duas primeiras formas pronunciam-se com e aberto, .-u 
duas últimas com e fecLado. 

O NôYO Diccioy.vBio dá a última como trasmoutaua. As 
formas em -h são beiras: — «O fenrcHo (neblina) — descendo 
sobre a term parecia o mar que a invadia' — *. 

Como a deliniv^^io, dada uo dito dicionário, de siticelo é «ea- 
mmelo suspenso das árvores ou dos beiraes dos telbados', vè-se 
que bá diferença de significado entre simelo e seficeno* 



i 



< in BiBL. i>B CLíiaaicot* FoRTUorEZEe, rol. xlt. p. óO. 

' O EcoNOMitíTA. <ii! ■'V do atçustú do 1891. 

s M. Fom-irft Deusilado, O Kbcoi.himbnto da Mòpruita, in <^ 

vista de úilucaçãu ã enjuno», 1801. 



Aponiitia nm DieionArios íhriuffuae» 



na 



eeuho, senha 

K a forma portuguesa masculina, correspondcDte a signum, 
imo fenhfi reprnwnta o plural si^na, tomado como feine- 
ino: — *nos di^serara ou rnostraian] o senho de ura [fato. q. i\], 
liie rfaegasii u viute mil vacas» — *. 



seuborio 

Era Lishoft Oste vocábulo significa o dono de prédio urbano, 
|ae o arrenda aos inquilinos. Tem, porém outras acepções, 
alôin desta e da genérica do «domínio»: — «Ao proprietário da 
herdiiilr. (|ue não vi lavrador, fh;ima-sit-llití senhorio» — -. 

— « A maior parte das companhas estão ao serviço de um 
bomeui, o jiaírão ou stmiiono, que ú o proprietário dos barcos e 
tée KfSJide part« das redes » — K 



Stinior 

fUle vocábulo latino é hoje muito usado, por importação, em 

wQtido «âpccial, ua linguajem da gente ilcdicada ao que se cliauia 

iii^U"ta ifjiurf. Como o vocábulo é latino, e além disto as pala- 

^Tma em r formaiu em portu^çuès. como em latim, o plural em 

-Tf* Irf. fior, fitírcn), é barbarismo diíer f>êniorg em vez de «e- 

niarei: — • Poule de aeniors» — *. V. aopor. 



* IV (iftspAr Afitnio. « lE^bçfto tU rtaffcm e micciwn da iuw> Sun Fnui- 
<i«oo>, in nini., PB c;i,A8sir»iB roRTTitirBZKS, toI. xlv, j». 47. 

< J. ds Silva ['ic&ij, EriíNOORAiMiiA 00 Alto-Albutiuo, In Por- 
tagalin, j. p. 'i71. 

1 P. tVrnnniicz Toiuxi, A tk^ca ku Biukcos, ih., |t. 15-1. 

* Kxcni.A Nacional ur Khuoima, IVrcc^ru torneio, 12 do maio de 



separatismo 

— «O cougresao socialista allom&o, embora coadeinnando o 
separatismo uacionalista dos soeialiíitas polacos*- — '. 

A siguificaçflo y; a doutrina, ou opiuiôo politica, *U> <|U*» os 
polacos devem constituir payilo nu federa^ilo \wr si, apart-atid'Vâe 
do domínio das três potencias a que ei^tão ligados, Itússia, Áus- 
tria o Alemanha. 

sequeiro 

flste vocábulo significa, como é sabido, « lugar onde sh seca», 
«cultura em lugar soco», por oposi^-ão a regafiio. Km acejtvão 
restrita vemos a pularra empregada no trecho seguinte: — «Ma- 
nufacturada a loi<;a [de barro], vae a seccar ã sombra, durante 
oito dias, em prateleiras ou .sequeiros» — '. 

Como adjectivo é empregado no trecho seguinte: — «Arcc»- 
de-Val-de-Vez, 30. , . Os milhos das terras eequèircus estio 
luagnifieoa» — '. 



serão, sarau, serão, seroar, seroada 

A forma antiga é seroo, como a lemos em Kui de Pinar 
— < nunca por isso deixou de ir à caça e ao monte, e ter seraos 
e festas» — *. Por iuHucucia do r o e passou a n, como em 
para \ pêra \ per a d. A forma serão não ê portuguesa, mas 
galega, pois é nesta língua que, couforme oa dialectos, alternam 



í O Dia, de 17 Je gaUrabro de 1!102. 

> Bocha Peixoto, SouRnviVBNCiA da primitiva roda db úbamo 
xu Portugal. ín Purtagaíin. i. p. 77. 

» O EcoxoMiaTA, íie S ile agoKio tle 1SÍ»2. 

* CKÓNIOA OB El.-RBl POM ArONSO T, cap. OXI. 



nártoa Porííiffumfn 



1*23 



to que sinah assinar, ensinar e 
-■ de perto com i*ino: neles uao 
iij (I uilo havia escrito, e por isso 

0UÍ9. ' sinal de .Salomflo». pro- 
inte». (|ue se podem vur ant«s, 



iliia ticnhan. 
■n-t «uriíâu, 
. i'orai;ào 
t), uAu ul — *. 



escreve signo-saCi^mão, pronúncia 

tí a evolução do stí^riindo ttírmo 

;i fiopolar. diz-nos (|uo Oste arau- 

ri;luguloã de metal, entrelaçados 

icm ser de outras substAucias, e 

!•• 'ii os há de oito ponta.s, resultado 

triun|t<'iilo : — «e do bojo (o pote] tem 

>le oito pontas * —*. É o que se chama 

11 a iu08uia oríjem, designa um instru- 

mpã (q, V.). A èsie uimc4L ninguém 

utar o g etimoltljico, nem tam pouco 

mr,^ii:i. sineira, sineiro. K porque o não re- 

Tbem! 
uidade so usou signum com esta significa- 
Ito. 1$-se numa uutoriuida revista ^ o seguinte. 



Titf, Airro OAB Papas. 

MMCRir-llT rÚH DIB FOKTSOUKITTB PER ROHAJiiaUUHN PHI- 



I.I* 



Àpo9tilti9 m» Dki^>nArim Ptr/ !/<;«<■»(* 



Gollocam-se na extremidade de nina Tam. . . ou ■maiirtiiw l 
qualqaer linha de pesca > — ^ 



semço 
No fabrico de rendas dá^se êaie nome ao «lavor». 

servitude, servidfto 

A primeira forma é neolcjismo, em Tei de «ervidão, pai-j 
tado talvez pelo francês servitude, mas lejítimD em certo modfc 
atentas outras idênticas, como magnitude, jtiveníude, etc:- 
<0s mesmos indiriduos livres, habitantes d*nma terra alheiíi 
que podiam cahir em servltnde por tnsolvabilidetde — >*. 

Não é muito feliz idea esta de formar adjectivos em -án 
de verbos da 2.* e 3* conjugações, que os pedem em -(vek 
cf. temível, e nSo temavel, de temer. Com efeito, solvabilidade 
pressupõe solvável, que não pode derívar-se de solver. 



séssil, sésseis 

à Gazeta das aldeias emprega um plural fictício dêsto 
adjectivo: — «pequenas espigas sessis, constituídas por dimioi* 
tas flores braucas» — ^. 

Sendo o siugular séssil, do latim sessíle j sessum, ^V^. 
tanto adjectivo formado deste participio de sedeo, mediante^ 
Buficso -lie, e náo -lie, é claro que o plural é sésseis, oomo» 



* Portuífalia, I, p. 3S2. 

' Alberto Sain]>aio, As < Villas> do Norte db PobtogaLi»»*'" 
tngalia, i, \\ 557. 

> Gazeta oab Aldbiab, de 27 de agosto de 1905. 




Apof^tilfi." (i'ty J hn/inun-m forlttifiiesen 



4in 



^ ilúdiJ é tlticteis. Poi a pronúncia ilèste vocáliulo irn francês, 

que se aceutuum kíi última:^ sílaba:-, que euganou quorn 

ifitóle ^rro escrereu. A prosmiia dada noa dicionários é #^mi, e 

vér no mais moderno, i> NOvo Dicc. cuja aceutuaçào é 

j rigorosamente naquela meritúríu publicayiio periódica. 



shevet, lebet, lebat 

O Novo DiociON*ÍBio incluiu ésie vocábulo, que define 

-quinto mes do anno civil dos hebreus» — . 

^iguoro se alguém escreveu 6m portu^ês o nome com estaji 

Nas LivOks elemkntares uk Gk^ioraphia k Chuoko- 

nuu usadas uo reinado de D. Miguel, no lieiíl Co1<yiú das 

da Universidade de Coimbra, a forma escrita, com as le- 

iiebraicas a par, mas sem a vocalizaçAo massorética, é à 

vviubnt ^ [xçBUTJ, e só os judeus alcmàes lêom êsle liome 

proferindo o u posV-voc«!ico como v. Assim, a escrita por- 

deve ser xebet, on melhor xebat. 



siiHUng, xelim 



K o nome de ama moeda inglí'sa, vijésiraa parte da libra es- 
Una, e a que tambrm se poderia chamar aôhio-de-praUt ; 
22Õ réis, ao par. A forma portuguesa á xelim, já rejistada 
Bluteau, que atribui a orijem do uome a um prusso, Ber- 
.0 Schilliufí, de que proviria o nome alemão schiUhuj, 
A etimolojia averiguada porém deriva este substantivo do 
verbo, skilja, -repartir», porque os xclius se podiam fraccio- 
nar em quatro partes iguaes. ])or uns entalhes gravados. 



< Tttj. 84. 



4»» 



Apofrtilaa aos DÍtÍonárÍo9 Ptfríuffuett* 



Si ame 



Natural do reiuo de Siame, ou Siào, na luda-Cbioa 
mie siame e o pai maUvar» — *. 



sidru 

Os espauhí^is chamam v/V/í-a ao * vinho d© maç 
franceses deuoraiuam citlre \ stsd/e. mal escrito com 
que provém do liitim sicéra, em grej^o síkesa. qae té 
bulo liebraíco, e deí^iitiruava uma bebida que embriagai 
não era viuho. 

Os vascongados cbamam-lbe, como nós, «vinho de 
soffardo j ^atjaf «maçil- e ardo «mbo». Em portugu6flj 
-sp-lhe às vezes, modeniamento. fidra, escrito ii frauc 
deve ter-se eiu atenção que naila tem que ver con 
•frate», que é luua forma femenina feita pelo plur 
citra, de citrum. tomado, como outros muitos por 
siugular, atenta a comcidencía das formas. V. sobre a ide 
dos subst. femeaiuos gregos e latinos em -a, e os plurais 
da raeHma terminação, Henrique Sweet, Histobt op xjki 
Londres, 1900, páj. 59. 



sigureza 

É popular em todo o reino este substantivo (por 
derivado de seguro, no sentido de «penhor, caução», e 
gaiiça qnere dizer «onzena». 



Datalbah da Companhia oa Juus. p. 288. 



Apoutiliui ao» Dieitmãrioa PortugucM-n 



■121 



silfo 



O NOva DiocioNÂKio diz-oos que a paldira, quo escreve 

ijtho, é gaulesa. Ora, como do gaulêsf, utj gálio, líugiia céltica 

ida nas Golias no toui])o da conquista romaua. pouco ou nada 

lb«mo*i, podemos st»ra hesitação repudiar esse étimo fictício. 

Aniiandale diz-nos que O vocábulo foi inventado, no xvr sé- 

j>or Paracplso, que lhe dpu aquela fornia helenizada *. 

'^'Éuiu do ar', entidade mítica. 



f»r** nr.-er 



síliqua 

Estft palavra é um completo latinismo. siliqua, tríssílabo 

a penúltima breve, e conseguintemente acentuailo na ante- 

lúHiiDií. É poia errada a aceutuayilo marcada no trecho 86- 

í: — «se transformam em siliquas arredondadas e vellu- 

aqui doifí Srros, um de facto, e o outro de aplicaçfto de 
fmvto^Io. Como disse, e todos os dicionários dizem, o acento é na 
ba H-, tí èate é o de facto; a palavra «'• trissilábíca. porque 
uún pôde roi'mar mais que imia síkba, tanto em latim, 
em portut'ués, e por isto, se a pronúncia fosso siliqua, 
f^c nâo é. conforme o .sistema de acentuaçilo do ííÔ%o Dicoio- 
yÃ&io, seguido nesta excelente publicu^fio, uào deveria o vocá- 
bulo ser acentuado graficamente. Este é o erro de mtítodo. 

simel 



Forma, hoje desusada, do latim símile, 
« de fimilúf simel > — '. 



I semelhante! 



» A CoscisB EsouBH DiOTiusARY, Londrtfs, \i*9*}. 

* (tAZETA DAS Al.DElAS. i]v I-í Uí SgOSto «le IÍW5. 

1 Dnartc Nilnux de Le&o, Oriobm da ukooa PORTtJOtrcsA, cap. th. 



simonie: v. era tabaco 



sinjelo, sengo 

Esto adjectivo é derivado do latira sinyellum J síngulum, 
singuli, «cada um de per si>, de que procedeu sengoa, já aoti-i 
quadOt DO sentido de • cudn um com seu > : cf. anel j anuetlunit 
a par de anuuluin | annnm. * <aro, cjroulo*. 

Na líugua antiga i\\m dizer o que hoje m expressa coma] 
palavra solteiro \ solitaríum: 

— jFois agora estou 8Ínx«U. 
Quí lei in« dais rúa, senhora?—». 

— Prour^sse a Dons: que j& é rnzAo 
De «n nio estar t&m aingelt— . 

—^Coino queres tu canr 
Com fama de prf^içosa? — ■. 

No mesmo sentido se tisa em inglês o adjectivo ahif/U^ qu^ ' 
tem a mesma orijem« o siuguluin latino. 



sino, siua, siual, sinaleiro, assinalar; sinet«; signo, etc. 

Stjw é forma popular, evolutiva do latim signum. que por 
artificio dea & liogua moderna o lalinismo sipto, com o qual 
se relacionam os verbos conniijnar, designar, persignar, com os 
seus derivados, e indigne, iimfinia, etc, todos vocábulos afins. 



1 Mi<ni«l Br^ãl e Anatúlio Baill,v, DlCTIONMAIRB âTYMOLOOKQUB 
LATDC. Paris. !885. p. 13 b 34Í». 

* * Gil Vicontc, Arro da (kdia, Faiwa db Ixèr Purrira. 



eu que o g se profftre; eint;into que «ifial, tm.nnar, ewthiar e 
seaa derivados são aparerilnilos de jierlo coiu .<ino; neles uào 
Íà il proferitio, e univs tumin^in o uâo bavia escrito, e por Uso 
1 4 suprimi. 

r^ latim signiim SuIoihodís, -aiual do Saiomâo», pro- 
de '<in»-.i(rmdo e suas variante.s, que se podem ver antes, 
I sansetímão: 



— Qimtulo ii.'Ioti ntlroH nna, 
Si-in (-uiiipaiiIiU nunliui^ 
Scnúo um sino saroSo, 
Metido nain CDni<;iÍo 
Dç cato pTôUi. nfiu ai — '. 



O Novo DfocioxÂRiOf que escrevia 8lgno-saCÍ)mao, proiiúucía 

íii ' 'ifl do povo lhe dá. e a evoluçáo do seguudo termo 

iKtti-ítrar a interferência popular, diz-nos que este amu- 

é formado por — «dois iritinitíiilos de metal, entrelavados 

«D fnrma de estrela- — . Podem ser de outras substimcias, e 

I <tt tenho um de osso. Tanilt^m ns há de oito ]iont:iã. re.siiltado 

|(fa prnzamenlo de terceiro íriángulo: — «e no bojo [o pote] tem 

tm rvldvo utu aino-mnuio de oito pontas • — ^. È O que s« chama 

Unicamente penf-átfotío tiuplo. 

A palavra itino, que tem a mesma orijera, designa um inatru- 

lutito, « é siuòtiimo de campa (q, v.), Ã. este nunca ninguéoi 

teve B vi*U>idadi' de acrescLMitar o tj etimoidjico, nem tam pouco 

' »• «nas derivados J*ineía, Hneira, sineiro, É porque o uâo re- 

caabecentu, e ainda bem! 

Já na baixa latinidade se usou siguum com esta ttignilica- 
-fk. A tal respeito, lê-se numa autorizada revista ^ o seguinte. 



' Ciil \"ic*nit. Auto das Faua». 

■ JAlIRWnaaiCliT KOr DIB FORTãUBRITTS DBR ROMANlSOltCH PUI' 
. Tl. I. 



que dou aqui tradorido: — «Wíilfio adveiie-nos que ua aut 
OTuçiio que se rbzava quaudo se benziam os sinos, se euipreiza 
proiniscuameute as palavras campana, sigaum* tiiiiioDa 
lum e uasGulum» — . 

De sino Dest« sentido derivara-se sineiro, «o individui) qw_ 
que o toca», e nineira, a «abertura, nas torres, ou cainpanà\ 
onde estão os sinos >: — «Os ladrões entraram pelas f^ineirv 
torre» — *. 

Na Índia portuguesa chama-se aineirv ao cam|>ADArio 
«Grande dia é boje em Goa. .. Illuminaram-iie boje os 9I 
de todas as egrejas e capellas do EsUdo. e us fatbiidíw de 
casas particulares» — *. 

As acei>çõe3 de sinftl são multas e podem ver-s« nos uirl 
res dicionários da língua. Aqui dou uma, que supoubo não 
neles rejistada: — *o desenvolvimento até este termo do cí 
cto (cadilha) de fíos da espadilha tem o nome de n^nal 
Uefere-se à t«ia no tear. 

Deste vocábulo, no sentido de «aviso visível» se deriv 
termo sinaleiro, que denota o indivíduo incumbido por ofído 
fazer sinais: — -ficando a companhia exploradora (doa ca: 
ferro em Lisboa] obrigada a ter... quatro sinaleiros* — *. 

Com a palavra ttinal estão em relação o verbo oAgintiittr, 
participio passivo, ad^jeotivado com a si^oiificafilo de «doi 
insigne-, figura uo primeiro verso do poema Os LurUdab: 

— Aíj umi&fl c 08 bar&es oadnaladoa — . 
Sinete, «carimbo», é o francas si^net, cuja antiga prouii 



« o EooxOMiSTA, lie 10 de noTombn» .1- lHft4. 

* fdem, àe I d» JAneiru <1« 1801. 
> Portugnlin.i. p. 'i7i. 

* O Sbcuui, de i Jc ninrv*! de líW5. 



kJMf. « afio fiinhé. ' como actuulineute, e qne não é maia 
rma forma deminutira de si^niim. 
iwfíÍ<*-coner se deuouiinava o sino que dará o toque de 
twftlliír, a que os franceses chamaram conore-feu, porque a esse 
tiXjue ^ devia tapur o limie em todas as casiis, para acautelar 
niios. 

lá nutro rocJbulo sino, independente deste, e que é o latim 

98, « regaço »t e «golfo». Dôle proveio o portuguiis síh), anti- 

nte ftco, e m/tenda, que è sinonimo e designa a reintrAncia 

«ta, entre doi*i cahos ou pontas de terra. A»!^im. dÍ7.í:i-se ytox 

«ímpio o Sítio tíanjêtieo, como pode ver-se no Suplemento ao 

irio pnrtugiuVlatino de Hluteati. qiie se abona com I>iogo 

. U Novo DiccioNÀaio traz esta acepv"í> autorisada cora 

:au>o de siTu oEBis, do Duarte Pacheco. Veja-se, desta 

Uiere-^aotc obra, a primorosa ediçáo teita por l:!pifánío Diaz no 

iBúlrtÍJii da Sociedadi» de Geografia de Lisboa, 21.* e 22.* séries, 

de 19(J3 e 1U04. que termina ])or um Glossário. 



smceiro 

êin «iní^iiiinio de salgueiro tem, conforme D. Carolina Mi- 
de Vasonncelos a mesma orijeni remota, o latim salice: 
mro I fteiceiro \ í>cifí' \ salice *, como í^thjneiro \ saii- 
*u I aaliee. 



síngulcfl, jiin^ala, cingalo, ciiigalá 

o natura! da ilha de Ceilão, pelo que se deve escrever 
e Dão « inicial. 



vi*. PuMy, PkiTIONNAIRB PHONÍTIQCB UB tA LAS- 
•■ rliin. ISít", ji. 'Í.V1 e 255. 
rWTA LUIMTAXA, lU. p. 186. 



•i2tr 



Apitstiltu tfojt JHcitmária» I\H'tttffucii«s 



Manuel de M^lo ' ilii as .seguintes formas sinôniniaft: átH- 
^alêit, chhufuf^:>; cinifaUa. »inghalês» singhaiu, sinlutht. **' I 
nhntea. o nàn silo iodas. A preferível ^ ríntfttln oii cAíW''». ' 
tantn p»ra a língua, como paru quem u fui» viTDãciiliiint'iili'i 
sendo a primciru foriua u lauií* jtrtíiuinm do nome Ooilio ^slnaut.] 
e a segunda a fjue usou João de HArro:*. 

sinto, sÍDtoígmo, t\\\\j(\, xintotsmo 

O Xôvo DiccioNÁBio dá êfite vocábulo, que deáigna a aatiw 
relijiiio do império do .Tapão. como seudo cm ia|K)nês .«/nííitt- 
K frro tipográfico por 9iniau. pronunciado, conforme os dialecto*. 
úniòo ou xinlòo. que quero dizer •rclijiso verdadeira*, de «n. 
ou xm, «fé, verdade», e tau «adoração». Consiste no culto Tí^n- 
dido aos antepassados heróicos, e a Deus, Kàmi *. É a relijUo 
mais antiga no .lapão; ruas a dominante é o budismo, com vàr . 
rias seitas, « assim era no tempo em que maiores relav>>es tíre-] 
mos com esse iinpí'iio, nos séculos xvi e xvti. Outra? ndijiõe» 
asiáticas teem lá sectários, como o coufucionísnio e o menciismo, 
dos nomes dos filósofos chineses Confúcio « Meneio. O catoli- 
cismo, que ali tíorecpu. mercê da propaganda iniciada por Sum 
Francisco Xavier e continuada fior outros jesuítas, e ainda pelo» 
franciscanos, desapareceu (.oin as persegui\'ôes dn sóculo xvii. 

sirguilba 

— <Â amostra pertence a riscas especialmente cbamad» 
ítirffuilhas * — '. 

É termo de Viana e arredores. 



» Pa Glottica em Portugal. Kio-de-Jant:int, lH7'í^ y. 2íí e 31. notm. 

* y. J. C. Hi*|il)Tirn. F.NaLisH-JAPANRSB AN'[> Japaviísk-Enuush 

PiCTroNARY, mb i: ShUt». e A. Seidcl. Praktiscqb Graumathc dk« 

jAPASnSCttK.S Sl'RACUB. p. 171. 
' PortQgnlid, i, p. 377. 



8ÍSS<$, XisSÓ 

Dicinnávio Concani-portu^ies de Monsenhor Dalgado traz 

vocábulos muito semelhantes, ambos nomes de árvores: 

• pulmelnuha>. c xiso, Dalbergia. Como o x em concauí 

ofere como *, o meio de os distiriícuir em português é es- 

ir o primeiro jswró, oa xíçô, e o segundo, hÍssó, ou c/fó. 

foro OiccioiíÀnio aponta sitifi}. como — * árvore da Índia 
DÍáa» — . K formosamente en^Tino, visto que xlsu quere 
«fhwco». 

skiachromia. (es)ciacromia 

!sta patavTa arrevesada com iim /* no meio, porque em 
«kU querc dizer < sombra >. deve ser redu/ida ao aspecto 
âos os outros vocábulos portugueses em que tigura í^ste vo- 
po, como são âfifíUM, perí^ieios, etc., e portanto cumpre e&- 
!-la e lí-la exriaeromia. ou cianomia: — «outras [estampas] 
'tiUs pido novo processo da skiaohromia, privilegiado pela 



smala, záraala 

%àvo DicoioxÂRio inseriu a primeira destas formas, que 
i: — íconjuucto de tendas de guerra que os chefes árabes 
orUm eomsigo. para uso próprio e do seu sèqntto> — . 
|íAo existe semelhante vocábulo em árabe. 

Aijel o que se Ibc chama é ^emalu: mas a verdadeira 

^ zámola (zaMai.KK que quere dizer <ca.sa>. compreen- 

m^veia e Jjuuilia. A forma- zaMÍLB com o competente ar- 

[al, deu em jwrtugnês azêmola. e em castelhano ttc^mila. 



O SacuLO. de 10 de dcx«iiibro do 1809. 



4S^ 



ApMiUUtH aos J)icÍonário9 I^iríit^ufíieH 



«besta de c»rga>T já tneuciouados por Marcelo Devie S* 
mel, (ai^zaual) que uSo mencionou. 

Provêem todos do radical zaMaL, 'carregar òs costas,] 
lúvaho*. 

soberoa], sobomal 

Rufino José Cuervo, no sou interessantíssimo livro, AíO 

CIONES CRÍTICAS SODRK EL LRNOUAJB BOr,OTANO ', TcUt 

este vocábulo, tanto em castelbano. como ent port,iiçi]CJ. 
falta nos respectivos diciouárioif, e cuja signilica^-iti cí>rrwp 
ao que em francês se diz surmenafff, $nrehar<je. que inodí 
mente se arremeda cá, afioiiiu^riiesaudo-ao em .^nre^arga. 
•uos o douto bÍHpainsta: 

— «Sobernal parece la forma originaria, que represen 
eu latiu supernaUs; su antijiçtiedad la comprueba el Come 
dor (iriet^n, que eutre los refraues trae: «A carga bem se 
o sobernal causa á [si€, aliás, aj queda. — El Portugue 



* DiCTIOKNAIRB ÊTVUOLOOlQtTB DBS UOTB D'ORiaiSB ORr 
Pu-is, 1876, 9UJt V. ItHAI.A, ZitAtJi. 

* Bfigotá, Ifitíl. [>. 508. O Conit^ndfidoT Grego é u c^'l*>bri.' liiintl 
oKpnnbdt ão xvi R^euln, <»tlo('.tor de aiUjios e rifoo», lent? lU univi-nciil 
Siilaiiianra, n nrKpeitu du <)iu'tii «r lerão i:om miiitn pruvoito o» iIoík t 
)iubU«i()<>ti noH voluineti x o xi lU IChtub Hisi>AXigUB, < /^ Com» 
grtxa-t-ilfomtiumtéle Laberinto*, de R. Fiiulch«í Delbo«o, e4L«l 
taicur du Laf/erinto» (r/c Fortunn, tk .loílo de Monu. csjwífie dt« i 
mrutf} iln Diviíu Coinúdia àa I>Atiti-], dn Pjiulo GrotiMac. O nutotr dfl 
miiilo latirii^ju, holRoiícU. hebriíúta, <^ulAhora<lor d» Diblia Pohyiodi. (iiiblfa 
dt' 1514 a 1517 por auUm do Oftrdml Xíim-nox, « coim-nUdor unib^^ 
riíiiiit, Sénecii. otc., »ni Pcniáin XuAn do Vulhn-I^did, oo^oiiiintdu < 
citinn. e qae o 8L>f>undii e8crít>r citodr, {iroroii nAo Ur tido jiiinHls coutl^ 
nl^utiiu, poU foi Cuuiontudor, o nAu, Cuuicndudor, miu niu c»Titl^ 
du ordeiD de 8ADt'Ligu: — * La doDiiènn? íditÍMii du c«jiniii?nUir« <iir 
l'A)ô) jKirte Oiti» sttscription curieiwo : A*:ibariw Ias tr<?ii*iitA5 ,del 
pv«t)i Jotti) de MvDii: ^luiuidH« p<»r Hcrtmiid Snítat de Toledo, rftraíto^i 
urdcu de .Siuitíaf;i> : }' uueudjidju rn ctilii iie^aDiU vniprodon por cl 
couEKOJtDoit. . . »— : (p. 167). 




.■IpofitiUiH ií't9 Úiriítnãrio* J^íHutfUfífru 



^2^ 



caiga bien w lleva, el wh^ruul es la rutis» de parar el que la 
ííeia». SieDiln así, sobornal seria im ejpmpiu de asimilaoiou > -. 

o romeiHJador não entendeu a palavra /jubila do adájio f*or- 
tiisuÀft, e tí^a-lbe unia paríifníse, guiado pela liomoíonia de 
tjtuda, tgca», em castelhano. O vocábulo sobernal é muito 
expressivo, e fôra conveniente ressuscitá-lo em uma e outra lin- 
piia. O seu Intimo cert-o, o adjectivo latino supernate, aduzido 
í^f^r CiKTVo. é um derivado de supèrnus \ super, com a sigui- 
ficafíio de «excessivo >. Acerca de snpernus e superne^ veja- 

' Dirionãrío etimoMjico latino de Miguel Hrêal e Anat^lio 

sobeu. assobear 

Em Trás-os-Montes dá-se este nome a uma correia forte, cora 
• qual se prende a cabe^-alha do carro ao jugo dos bois, dizcndo- 
-^^ rnsubear o carro, por preudê-lo deiíta maneira. Assobear de- 
^Va-/íe de íoheu, como hrear de breu, com perda do u, aubjun- 
**Va do ditougu. Cumpre niio confundir assobear, com assobim; 
^'^fiQviar \ ad gíbUare. 

Bobiote 

É uma abreviatura de assobioít; deniiautivo de as»ohio: — 
* apito de metal ou de madeira > — -. 



I 



sobrado 



— «Com pateo murado, ou sem elle, una ao rez do c!u»o, 
^ulros com sobrados, reúnem em geral alojo soAiciente paia uma 
lavoira mediana» — ' [os montes de 3." classe, pois liá cinco]. 



* DiCTiONNAiUB ÂrvMOLOOiQUK LATiK, Paris, 1885. Hub voe. ftQpet 
« pa&t. 

< Trindade Coelho. ABC i>0 povo. p. 5. 

' JoBé (la SíItu Pic&o, GrusoORAPRiA DO Alto-ãlbmtbjq, in VOT' 
ta;g»li».i, p. asB. 



o vocábulo deve de provir, como opina o Xòvo DiceioVAiiq 
de superatum [ supcrare | super, «sdbre». 



sobresser, sob ressi mento, sobrestar 

O primeiro, evidente composto 'Íii preposição ntítre o ilo veri 
ser, e pelo qual boje se diz itohfeshr, uúo se conjugava oinuoj 
simples ser, visto qae o seu pretérito era sobresseve, no tud 
tivo, sohresgeec-Síie, no subjuntivo, pautados por (mteot:. rsirvf 
havendo um substantivo verbal nobressimeuto. de rjue o »mplj 
carece. Destas três lonnas encontramos eiiemplos em Km 
Pina: — '6 pediram ap^s isso uma hora do sobresúncutu 
haverem seu acordo — a grande pressa mandou adiante o 
chorro com vinte ^rinetes, para que o lufaat« âobrt-suvwHtf 
sua partida — nn<)e também por receios e ditiruldades. que 
creciam maiores, sobreseve alf^uns dias» — '. 

O infinito encontra-se no mesmo cronista: — ^mas quedar 
sobresor até as cortes que serão logo> — '. Nele vemoii ig 
mente o vorho sobrestar uo mesmo sentido, o no mo»mo capíb 
em que empregou mhresimenfo: — * El-rei foi Cí»uselhado 
sobrestevesse e leixa8:íe por eutào a guerra* — ^. 



sobressi 

Este substantivo, formado de uma locu^^So adverbial ASAnel 
pronome reflecso, foi empregado por Aut<íuio Fruuciscu Cari' 
no sentido de «vijilãucia, supremacia», como se depreende 
treoho seguinte, único em que o tcuho encontrudo: — • Níto t' 
o Padre maí.s que desejar, seguro já com taes penhores da 



* OnòinoA DK EL-itttt Dom Arosso t, cap. cxxxvui, OLn e * 

• ib,, cnp. cxv. 



ib., cnp. Cxxxvui. 



Apostilaa aox Dicionários Foríuguesea 



m 



IUe ehm, que fcanto Re declarou, e do vice^rel, que foi o 
ppiíl autor, para que el-rei tanto se declarasse. Touiou o pa- 
[rosse do sítin d:i ridudi', porém voltou pani a aldeia, para 
wJer U íieiu sobresi pri^gar a lei do Seubor dos ecos, e dar 

Íripio 00 niiuisleho apostólico, apesar da idolatria* — *. 
k propõsitrt fia a citação bastante longa, para mais fáoil- 
■ sv jMíder deduzir a siguitioa^-âo deste vocábulo, que em 
|nt*rdiuiu escritor, que eu saiba, tiguiu como subst;uitivo. 
que exiRte e é corrente é a locução sobre si, por exemplo na 
*fp: -í-le já nfto está com a família, vive sobre si», isto é, inde- 
ate. em casa prúprui, uào esta uo mando de ninguém. Por- 
Isem sobressi equivale a «aem ter quem o mande >. 



."ocbilo 

^do Minho: — • Approximando-nos dos tempos actuaes, 

tne^rao no Alto Minho casas térreas cavadiu^ no 

• U cliamadas barracas de suefUlo (sub-ehflo), que ser- 

pura recolher os gados, e também para tabernas, como eu 

u — *. 

rÍAtfj que a forma portugueíia da preposição sub é eô, e não 
atendo que o vncábulo, formado já em português, se deve 
iVer com o na primnira sílaba, 
ff. 9ui«riar. que se uuo escreve suierrar. 



socheio 



piíE o que a respeito deste termo transmoutuDO nos diz Júlio 
fini: — «coHuma abrir-se no fumlo da valia... uma escava 

IWii dn torra não movida, para i|ue esta, [tor lhe faltar o 



BATAtJIAB DA COUIMNHIA I>D JfSSIItí, LUbna. ISI)4, p. 277. 

J. I<ritc lio VascoDccíja, 1'oktl'Oal p kg- histórico, p. *^. 



* 



m 



AjMnUloá ao4 Lhcwhftrut» /■VicíiíyMf*-'-'* 



apoio rta l>as€. a iini forte impulso de fwríw oaia fat-Ument* i 
a valia. É *wsa OJtcava que se chama tturheio nu ííot'/iíio>— * 



soco 



Ê^te vocábulo, com o aberto. *ó<to, diferente de ítfift), 
fechado, «umrru», aprwsiínta-stt-uos em duas acepções no 
Dicoionàbim: como iutvrjeiçâo de repr^va^ao, e como sub 
tivo ilesi^riiando rárias espécies de calçado: dele se derir^ 
outras .subsidiárias, como <snpt>ilái)eo>. «ba.te ijiiadmu^ului 
um pedestal», etc. Xo mesmo dicionário pt>e-se em duritli] 
etimolojia latina soccum, em atenção a que em castelbaQoj 
escreve ziweo [antigo ^uero] o nome que significa < tamam) 
coiTespon dente à segruuda acepção apontada do vooábulo 
em poitu^ués, que o mesmo dicionário declara dever fscn-veij 
coco. Couquauto a objecção uSo seja in contrasta vel, pois »m • 
telhano twuos por exemplo sozohrur, antigo, çoçobtar. 
assiiu se escrevia também em português, e cujo étimo p 
ser sub-auperare; entendo que nas formas íwwm o çocú, 
compreendidos vários vocábulos de orijens independent-es, e 
pondo de iwrte os seus étimos, provados, prováveis, ou incer 
devem por emquauto couiítítuír inscrições separadas, como 
indicar, acompiíubaudo-os de algarismos. 

1. fujco: do latim soccum: ciilçado que usavam os grí^jroS 
que, diferençado do coturno, que era próprio dos actores qaej 
representavam trajédia, servia aos que rt^presentavam come 
oufaraa; por extensão, comédia* assunto de pequena graviíi 

— Mat<íría é de Cotnmo e dSo de Soco, 
E qao a nlnfft aprcndea no imen.4<) Ugo, 
Qa&l lopos nSo souW, ou Deiiiodoco, 
Entrv OH Fcuceâ um, outro em Cartago — *. 



^ VoCAHtXOR TRANSHONTA^fOA, ífl « R«TÍsta LoSÍtaiU», IX* p. -li 

* 08 LrslADAU, X, a. 




ApoãHIaâ ofU» IHeiMiãríoa RtrtugHftea 



iS^ 



?eaaba; ha^e quadrangular do pedestal. 

2. 90co! (brasileirismo) : iut^íijeivílo de reprovaçilo. 

í. coco: toiuanco: pê de porco, em Tnis-Oí*- Montes. 

' '1110 o apítiitamento que tenho sobre esta última acept*iÍo 
I tiiittistnido por e«orito. e eu uão ouvi atuda proferir o 
t^ocahuJo a neahuui trasiuontano que diference uitidaineute o { 
do /i, reuni em dúvida, subníilinados iio número H, dois vocjíbu- 
W que talvez íiejaiu distintos, havendo porUmtii ti-é» palavras 
r>)m n ioieial f, e uma »6 com a inicial c, correspondente ao caj»- 
^♦'lliano sueco. 

soco, çouco 

K»t^ vot.-yhtilo. não rt-jistado nos dicionários portugueses com 

^ f fijínilicado etpecial que vou apoutar-lUe. é outra forma da 

alavm açoiujtw (q. v.), niais moderna que esta, p c^ue, em 

[Idr jMirtu^nôs. se bem que uflo muito castiço, ajteuas encon- 

no ^tfuinte passo da Xova iírscri^ào da cu>ade de 

BEL. de Beruaido Gômez de Urito, ano de 1627: — «As ruas 

da cidade, sendo duas horas de uoite se fecbum, porque 

uma tem duas portas.. . salvo a rua grande do soco, ou 

mercadores e officiãe;»' — *. 

Re.«ta saber se o autor escreveu som, ou coco, à castelbaua. 
o (jue Dão admira, pois abundam os castelbanismos na sua Un- 
^uajtim. ou çoucu, à portuguesa. 

O que se v€ é. que uão reconheceu a identidade doa dois 
vocábulos soco e açQiigm, que t*m a mais o artigo al com o / 
jv^sHmilado íi consoante apical se^ruiute (V. enxoval), vi^sto que 
Doai." adeaute escreveu: — «O renegado Í)otariUi) no gancho, o 
gual eâtd pAsto na porta da cidade que rai para a maiioba 
[praia] e é da fei^-Au de uma escàpola de açougue, em que 
jkpuduram a carne, mas muito maior > — -. 



' íí( BlBL^ UB CLASaiCOH 1'OaTl'Ol'BZEH, Tol. XLTII, p. 54. 

• ih., p, 92. r. ttiud* BluttfttU, Voe. «. v. soco. 

»— VOL. II. 




soeDga 



Fomo para hin;% cuja descripçâo consta do pawo Mjfmul* 
— < St^guidauieiite toda [a louça] reunida (HaíAo) n'U0ia depnt 
ttão de terreno e invertida, amoutua-^e com a lenha e uKi casa 
em uma hora ou pouco mais. Volvido esto curto espaço de 
amortece-ííe a fogueira com terriyo e ubaudODa'»e uma in 
bicaria no rescaldo. 

Nos logares de Gonoar a cova tem, proximamente» três m 
de diâmetro e chama-se a soenga. É em voUa que »c ili^ihl» 
afi vasilhas, ]>riiaMÍro com as boccos pura fnru. depoi«, e ji bi 
tiecoa!!, paru o interi<^r du depressão. A principio a lenha ardet 
centro; depois, transportada p;ira a peripheria, è que a 
para o meio e já com as abertura» parn baixo* — '. 



sofen» 

É uo Algarve o nome de qualidade fina de SgO. C01114 
jectura. í«uponho que o nome lhe veio da locuçiio sô 
«excelente». Para continuar, nu invalidar, este étimo nfiXn\ 
m em alf^nima parto do Algarve fiíui t^e profere fen**, e 
de aojeno «e profere o ou /*, e o e, ^ ou é'. 

9ofi: v. sufi 



sofra (—sofra) 

Esto vocíihulo. que não figuni nos dioionArios ftort 
foi empregado uma vez «ó, e por uni único autor, ao qne parfft 



* Kochft PviXOlO. SODRBVITBNCU DA PRIMITIVA KOOA BB lM.«' 

Xn P0UTUOAL.W Portngtlia.u.p. 7». 



Apiniilfu U09 T^irionãrioH Pnrliiffuaieit 



4S& 



Na •Memnmvel relação (la perda du nao Conceiçilo»*, de 
Joio Carvulhi) Ma^icaipnhaíi (Itíái), lè-se:^ • viudo o seu \ísl~ 
tío ãn jardtiii, achou uo meio da vuaa o !>eu e.scravo descolado, 
^■uulher da mesma maneirat junto delle, e uma sofra, ou 
I^Ru [lostoj com pfin, viuho t.' peisu frito •^. Uefere-se o autor 
I Arjel. ijue v Dude se piis.ia a cena que descreve. Cumpre ter 
m i{tíiii;&o que a liuf^uajeu) de Carvalho Masoareulias está eí- 
nda dv eifpauboHianos, como patrona por «patroa», jJâ/o« por 
• priucadas», etc. 

Protuinindí^-se no Dicionário ãrabe-francís de Augusto Cher- 

tnoau, encoutra-se o vocáímlo sukke, com a definiiào — » 
e de cuir pliée eu torme de >iac pour conteair les provisionR 
l^o^age, et '|ue Í'oii éteud eu guise de uap|>e pour le re- 

Pr'- 

r K o que em portuj^uêa se diaina fanifl, alteraçilo de farfifil, 
jA, roíQo entende .1. Leite de Vasconcelos, do latim farina- 
inro. 
O P.' Belot, no «eu Vociibulário líraíie-francô», dlz-nos ser 
I — «cuir ou Da]ipe sur laquelie ou met les plats, pour uu 



Nenhuma destas definições se casa bera coro a si^itícavâo 
muito explicitaiiiente Carvalho Masi^irenha?» atrihui à i>ala- 
I. e que deve de ser exactii. ('om efeito, no Vocaliulãrio de 
psrth^lemy ' vemos que uo Kjipto a palavra siikrk, que êle 
jnivcreve por çàffm, é o nome que se dá uli à mesa baixa, de- 

tínada ojipcia. que vem a ser lun mocho eru que ii^e colock 
tabuleiro grande, que serve de mesa para a pessoa comer, 
■■cruzada uo cbilo; « na Guia de conversavâo turca de Heiufcze * 
tevAE. transcrito szofra, isto é, sofra, \^\o autor, quere tara- 
i/er • niwa • (iiêch). 



_l W BlBL. DR CLABStCOff POKTlTUltfCKBII, Tol. XLVII, p. 103. 

DiCTiOMKáJHB ARAK&^rRANÇAts, Patís, 1876, 1, p. 460, ool. I. 

^* VoCAftm^mB l'UBAtJÍGOt/>01QirB ARABB-PRAMÇAIS. UpSÍA, 18)37, 

k^ T^ÕRKifummt SpRACBFtínRHR, Upaia, 18S2, p. 254, eol. u. 



Oou] relação à pronúncia do vocábulo, é de prestiaur _ 
sofra aeja a forma exclusivamente turco^ em honnouia com 
aceutuaçAo voeuhtilur preferidu nessa lingua; e que t)s mnur 
pelo coutnirio, u profiram sú/m. ou sôjra, que é o une a e? 
de Mascarenhas parece indicar, e nilo sÓfra, atento o u 
outra» e$críba:i. 



soldada, as^oldadar 

— «A generosidade do monarcha dá-lhe» os meio9 de )-uh^í-J 
tencia em doavòes simples, sem obrigavílo de serviyo militar, 9] 
por isso os asíioMada durante a guerra; d*abi procedeu o 
tume privativo nosso das soUlmiav. depois quantias* — '. 



Boldâo, ftultão; Sudão 



A forma mais antiga que o titulo arábico sultaií, "snltm 
teve eni p^>rtu£rués é mUlào, Nem se pode considerar incorrec^-ão, 
visto que Kicardo Lépsio sustentou que a pronúncia Ifjitiriia d»" 
16." tetra do alfubeto arábica è d ^ não t K 

Cumpre não confundir aotdâo cora Sudão que talvei vím»^ 
para cá da fonna francesa Soudan. que em árabe (suoan) sipii- 
fica «pretos», denoniiiiayão de que proveio a latina Xiffriria, 
Binúnima daquela. 

K ura erro indisculpável chamar Soldao ao Smiuo ou yi- 
ffi-icia. pois nem em árabe, nem em Trances, donde toinaríamM 
o nome, tigiira semelhante /. 



' Alberto Sampaio, As < ViLLAa> do Nortb db Portugal, ín Pof 
taçalia, i, p. ^'f*. 

> Standabd AufUABBT. Londres* Berlim, ltJ63. p. 69. 



Apoitilaa aos Dicionãrioa Portugueses 437 



solfado 

Denomina-se assim o papel pautado à largura da folha em 
ez de o ser à altura, como é usual. 

A denominação provém de as linhas de pauta nos papéis de 
LÚsica, ou solfa, serem comummente assim dispostas, para eles 
• folhearem mais facilmente. 



sòlheiro, sòlheira 

É contracção de' soalheiro, soalheira. — ^no andar existem 
I aposentos de virer, com a escada exterior encostada á fachada 
1 lateral, sòlheira» — '. 



RÔlho-rei 

É em Caminha o nome que os pescadores dilo ao rodovalho. 
— « Mandaram hontem ... ura raagnifico esturjão ou esturião, 
laia vulgarmente conhecido por sôlho-rei> — *. 



soliuho 

— «foram intimados os exploradores de 8 pedreiras... a 
nupender o trabalho de solinho e a explorar a ceu aberto e em 
iegraus> — ^ 

Entende-se que seja «trabalho subterrâneo». 



* Rocha Peíioto, Os palheiros du littoral, in Purtngulia, i, 

* O Século, de 20 de maio de 1900. 

' O Economista, de 2 de agosto de 1^02. 



solipsismo 

Kucontrei êaíe neolojísmo uo seguinte trecho, do qual < 
nos meus iipontameutos a orijem: — *inas o protesUmlífloo é I 
indiflerença, á qual o solipãístno serre de bajte* — 

lilquivule a «egoísmo», de soluiii i* ipse. • m> a iiróp 
pessoa-. 

sombreiro 

Queria dizer dantes «guarda ho1>: — "sombreiro de Mdkí 
como paUio» — '. 

f-; Fim que acepyfto, porém, é tomado o* vocábulo uo w^ 
trecho? — «versões vagíis... transmittidas . , . de geravio 
geração, nas conversas em tomo das fogueiras, no» coMoqu 
doI>aiio dos sombreiros» — '. Conforme vemos no Boletim 
Sociedade de Geografia (24.* Sórie, páj. 240), (í ura rossio i 
brado, onde o régulo africano dá audiência, abrigado por 
tíddo. 

sonave, sonavota 

O Novo UiccionArio, no Suplemento, dá o vocábulo , 
como termo de Fundão, com a signífíoaçào de «v1g&«. 
acresceutar sotiuvoia, «viga menos grossa que a sonave»^ 



sopiar 

No Suplemento ao Novo Diccionário está rejistado o 
tieípio soptatio, como termo de Melgayo, com a siguific^viU» i 



* António Franciaco Cardiín, Batalhas da. Coupa>'iíia dbJi 

* AzvTtodo Coutinlm, A campanoja do BaritA km lOOS. in <Jofl 
d« Colónias», de 'J áa julho de lUO-i. 



(«iitizarii) itm casa». K tvrmo de ciados o v«rbo sopiar, que 
«« ii}ilic& a um * primeiro baptiâmo-casoíro > . Xiida tem portauto 
que ver com sopear, relacionado com jma, e deve de provir do 
ntiuitivo pia, • baptistcrio • . 



sonia 

palavra do vocabiíliírio da germania:— «Es voz de jçer- 
lía, fpit* dcuota la nochc, e quizá.n más bien de aqui venga su 
%ujfic;icii^a. porque de aoche hay uecenidad de cainiiiar á 
tÍMi1ii!i y di^pacio, tanto má« cuauto qu« ftornear es dormir; 
>.ft PS CO» .sueAo, coii calma iiiteiicioiíada y maliciosa> — *. 
! aturai que a sigiiitícuvAo <iue adtjuiriu o vocábulo, assim 
V lins^iias da Peoíiiáulu Hispânica coirto também na Jiria ca.f- 
Mliaaa deaomioada germauia, Dâo seja a primitiva do vocá- 

teniio parece que ê proencol, isto é, proven^'al auli^o, som, 
sorrutra, «escuridade». 

Irft hnlnifl fra tant escura 
Tutuf vi*z « ani tal 8<jniiiru 
Que Inni de jum non hi avia, 
Bi tion un ]iAuc t-nUirn iiiivv^m *. 

Jo provençal moderno o adjectivo, é sourfn) [pron. 8ur/'n)}, 
ro ■* i» íitiljfitiiiitivo. ambos cnm seus durivados. 
catalão, porém, soma, sorfierifi tera o mesmo significado 



Perniniltiz Iriiemi, apuH Rafuol Saltllaii, El ubuscuhnts i»i'AÍiOk, 
1'xiK, Hi'lfii!, líírfC, (). 215. 

* V. Itoiuatiiit, t. Kxxr. p. Mi* (q. a.). O texto citado, ti do xai 
■nU, MDfnrmi' PauIo Mever. quij d<Me publicott ali lotigos extract^os, o ó 

ia P»IWâ>0-MATTHABI KVAXClEr.ItIM. 

XaiHcr d« Fotirviárís, I.oir fiuhot Tkghok, AvJithAu, 1002. 




que em portuguôs e castelhano; e uiefmio n:i ProreD^a pnf* 
que nito é gorai, com n sif^ificavtto antiga. Km (útimn In^Umr. 
o étimo parece que é Saturno, e teremott portauto aqui 
iiliitroiH) il« yufurno /q. v.). 



srtror, sorores 

O NõTO DiocioxAbio, reprovando com raz&o o pliinkl i*<t\ 
propõe sôroreu, apwzar de n vocábulo sor liitinn. e n li^nno* 
lutim sorores. Nenhuma outra acentuaçílo ou forma de plcril 
do vocábulo aóror ó admissível semlo sorores, exuct;uuent« mw 
caraciéres é o plural de carácter. V. sénior. 



8on'olho 
Em Ti-íl»-08-Monte8, «escuridão*. Cf. sortia (q. v.). 



Sortelha, snrlilliu. ^rtrtélia 

Este vocábulo, pouco u.sado uo sxú, i^orrejqjonde na for 
no significado ao castelhano sortija \ .<ortiruÍa '. Formal 
veijente é surtilha, assim como tambt^m exist«í vencflho.Al 
de veiicíUio. de que procede o veriw) deitenreiíciUuir. 

Sorfélia ó uma forma de latim bárbaro feita pela pii 
yuesa gúrtcUui : — • Sortelia (de sors). latim bárbaro, a 
corresponde em portnguèã norlelha, em hespanliol mriija, 
primitivamente, um anoel de caracter religioso « talíi^iB^^ 
nico * — *. 



* J, Lci(c <le VaioíIicíIos, TíEriííTA Lt^iT*XA. ir, p. 374. 

* O CAUX bBorno uo mostbiro db í^ucubaça, in lO AtcIimV 
portDgufa», V, p. S. 



sorunia 

— «a tcrrivd sorunia» ou bauí<ue, que é nosso linho ca- 
ihamo fCauuahis sativa) donde extrabem [os pretos de Ango- 
lhe] a intoxicKute folha para fumar» — '. 

Xa Africa Ocidetilal Portu^çuesa chauia-se-lho Uamhu. que ó 
I quimbundo rimnha, o haxiie (q. v.), muna palavra -. 

Vej;i-.<« ainda o IJicciosabio Rimbí-ndu-portuguez, de Joa- 
da Matii. .tuh voe, liamba. 



«osjsegar, ícssegar 



anti}ía é ftef-seijur \ xen^tcare. freqiíeutativo de 
itdo, «a^tazigiiar», particípio [las^^ado passivo sessum, elimo- 
fcjii proiwstíi por D. Caroliua MichaOlis de Vasconcelos ', e 
^p d(*íitiitivaini»ute aceita i)Or todos os romajiiítiíí* sem excep- 
Çio. Km caíttclhauo é sosetjar. Tanto numa c^mo na outra lín- 
p» hispúnic;! a mudança de e em o na primeira .^íLabu ê devida 
I qne, jteudo a inicial tanto desta, como da fte^nda. a mesma 
Mnmuntv a. para. mauter-xe a iiitegridad» do vocábulo foi o e 
iBudado em o por ser vngal mais sonora. A escrita errónea com 
4 bi devida a confusão com a palavra cego, ou ao desejo de 
4ifen!Dt;ar graficamente da inicial da primeira sílaba a da se- 

^■-•Casinha do abkoAo.— Dormitório e alojo do eucarre- 
^P da lavoira e do seu ímniediato substituto — o sota» — ^ 

' ' Boi., da Sdc. iik Gbogr. db Lisboa, 24.* série, p. 257. 
( l.bboA, 1^9J. 

' BeVlSTA LtTfllTAXA. Ht. [i. I^lJ. 
,i ' J. da 8Ílf A Piíãn, KrHsnnKviMiiA nn Al.rit-Al.KMTRjn. í« Portii- 



sota 



tllM,Klilu.t ■mu /n< ijttiútitiii I*ortM}Uf»e* 



iU 



souta, soutar 

^)uto 4 um - cíistanlieiral >, Uo latim sultum, «selva». De 
^*>ufo provPiu !tmitnr, provincialisuio trasmOQtuno. que quere 
Aiwr «apanhar castanhas» *. ' 

y. persoutar. 

sovaqueiro, sohaqiieiro 

— •Das Tari:tH e-ípedes <le yutuno?' que aqui t«mos ennuu- 

.Ôndo /iic/... uma ha conhecíilH na giria peln epithet4) ile aoba- 

\9*tírQs. . . Nâo se confundem estes gatunos com os de golpe ou 

"* moTo, ou quetes, porque se entregiun tAo sòiuente óquello 

^iprc, (iç furtar [fazendas das lojas], proiindo-Ihes a designação 

* Aigirem sempre com os rou1)o$ debaixo do braço • — *. 



snarabàcti 

-^"^ ura teniio dê grainilica sauítcrítica, que quere dizer o 
^*^o que auapticse, isto é, vogal iutercalar a desuuir consoan- 
^** cionio em porão por jirão (q. v.K 



suasticat sivastika, svantica; Miuvástica 

•A única forma portuguesa, adoptida pelo indianjsta Gni- 
'^•^^■ine de Vasconcelos Abreu, é a primeira, suástica; stvastika 
^ ^"^íílesada; a terceira ê trausliteravão directa do vn<íâbulo sans- 
cntií^o svASTiKA, que se prouuucia porém, na Europa pelo 
metios^ com w e nao v. Desi^ína este vocábulo, hoje muito usual 

noraeuclatura de arqueologia proto-historica ou pre-historicA, 



S. Lvitx de VuKoncelus, RDâPiOos (Ukonianos, p. 4S. 
O Século, dt 23 Je janeiru de ldi>2. 



a figura que «ates se chamava crus gamníía. crnx gamnitta, 
íiito ê, quatro gamas ou oo f?regos, cujo desenho 4 f, m^ 
dos e uuídos petoN hnsos. As vezo» os ângulos silo holesd 
outras vezes a fígum está reltBctida, como se fosse em vè\M\\\ 
e toraa a disposição de dois ZZ, que se cortam imi ao nutro 
neste último caso denomina-se snuvàsfira. É símbolo rrlyi' 
hramànico. O vocábulo tem outras significações, que tmpoi 
mais ou meuos a idea de « eocruzameuto, encruzilbada » *; 
a fuuílamental é «hora sinal', de 3U, «bem- e Asm, «é»,»! 
teutivado. -ente» *: — «K uma ornamentarão pre-hístorio» 
quente uos t?i'^go» e gaiilezes, e que alU*riiau(Io com sHastikA 
forma espécies de grinaldas em alguns vasos funerários ila 
Etruria » — ^ 

Acrescentarei aqui a informa^-úo que em carta de 10 da 
setembro de 19D5 me deu o indiaiiiiita citado. — <Há niaiti ilf 

< vinte anos que me deixei de escrever em nome português l. < 
«escrevo a seraivogal labial com u em português qunndo ê pff 

< cedida de consoante, por u quando é inicial de sílaba, tí\. (<1m 
«dois casos numa só palavra) ^ua/ánt^ara. ..; escrevo s miqí- 
« vogal pulutul por / em qualquer caso, ex. Dnmaianti. Inimi 
*Sãn'a, Váruna, Vttiif, Ciivcra. Párimta, . , K"".Tevo iVruft'! 
<e nílo Párvata, e escrevi suaiánvara, 9 uio. m^aifntivarO'^ 
« uccessÃriumeute escrevo suástica, e uilo fti^fistika. O suástica i 
«símbolo de felicidade, de saudação, de salvação. Tanto ê bi 

< máuico, como búdico. No tempo do Axoca (iii século ao' 
' de Cr.) havia já 4 variedades, pelo menos. . . O suástica t^ umi 

* cruz de ângulos rectos e braços, ou melhor, ramos iguais, '< ^ 
« uado!í por uma busttizinha v(dtadu em cada um no mosm ' 

* tido da direita para a esquerda, ou da esquerda para a direit>< m 
<e em ângulo recto, no extremo de cada ramo. A haste ' 



* Monirr WílUains, A 8AHâKiUT-KNGi.iSH Dictiosa rv, OoMlnia' 1^<^ 
p. Ilrtl, eul, iir. 

* ib., p. 107. coL u. 
' RuchH Peixoto, As olarias do Prado, m PortagallA. l. p-^ 



t 

^■umaa ver^s curva com o ramo, o os ramos enonrvam-se entílo 
fBn pouco, e cortim-se |)t?lo meio como dois S ài. Kstes dese- 
Ijilu)» chegam a form;ir curva fecbadu, a»sim cO 8i a (IoaI tem 
ome de xrivataa, 

> Quando o suástica s^ dfãHilia no princípio do toxlo. e (X^r 

ík esquerda da 1." liubu, as liastvs estuo no sentido da 

|iierda para a direita; quando o suástica eatà no fim do texto, 

haste ii direita do ramo liorí7.onta! está voltada para baixo, e 

uviniento ó da direita ])uru a osíiiii^rda. 
íO vouáliulo sltoitti é femeuiuo e »i)ínifi(.'a « bem-estar », • fe- 
ide » : eu, preíicso. • bem, bom, fácil, muito » ; íi^jÍ*, 3* 
ido presente do singular V«<' 'ser». Como exclamaçiSo 
Ire! • — ». 

xrivatm se derivou talvez, como ornato, a laçada, que se 
erra oa Pedra formosa por exemplo, e que ainda hoje, cora 
perímetro circular, e nAo oval, è motivo muito usual de escul- 

^e desenhos decorativos, com as quatro pétalas primitivas, 
m mais, e o ceutro vazio, ou também alindado, a roseta, 

suberizaçâo 

ncolojiamo. termo artificialmente formado do latim suber, 

*t e signifíca a fonnaçâo da cortiça nesta árvore. — 

'Ooros sobreiros no principio concentram o crescimeuto na 

íubterrànea e pouco desenvolvem a parte aérea, formando 

moita pouco alta, e só passados cinco annos, quando a su- 

■ízaç.lo começa a fazêr-se, é que o caule se apruma e mostra 

em altear-«e> — '. 

sucesso 

O significado deste vocábulo em português é «aconteci- 
>•. eomo é de todos sabido. Modernamente alguns e^crí- 



L* GAZBTA DAS Aldeias, de 9 de Mtenibro d« U>OU. 



i4d 



Aposíilna ao» Dlcionárim J*orUnjMc»f* 



tores afi-Huce^ados teiu u^do do vocábulo com n aignífíca^-to i 
• bom yxito. sucesso almtiiriiulo, ítoiri sucííisso». Qimntn - 
prio este abuso de expressão pôde ver-se ao iicj,'uint« \- 
«Tratado das batalhas e saccessos do galeáo Sani TiaifOf d 
niio Chagas >, de Melchior Estado do Amara) :■ — -achei am 
certidão de Dom Pedro ManutO, que couta o sucesso dc«íi ht 
talha, até o o:aleão ser entregue» — *. í>ra, é hom jiaher-se ^il 
o ancesso foi o galeão português ser afuailado pelo:: holamliue' 



Biicia, suciata, suciar, sucio 



Os dicionários mais modernos trazem já o primeiro ^ 
doií) úUtiuos destes rocábulos; uào assim o se^mdo. umplúivl 
arbitrária, e com aspecto italiaulzado, do primeiro deles*, eqain 
len<lo uo significado ao it^iliunn hamhorriafa. ijue passou I 
piírtui^uès com a tVirma hamhorhftfa, o alterrt\'áo de sentido. 

Eis aqui abonaçào daquele: — «andava em sociatiis noíln 
nas por cates e tabernas >^*. 



sufi, soã 

A forma portuguesa é sufi, como a remos em AntòE 
reiro: — «Ante* que o rejno de Ormuz fosse ganhado por H-n 
Dom Manuel que Deos aja, pagavaò os reis de Ormuz piiriaj I 
Xeque Ismaul ou Suti, como lhe agora chamaõ»— ^ A ffrt 
arábica ú supx. A eíicrita so/i. ou pior styphi, como se fosst i 
tim beloui/ado, proveio talvez da francesa ítophi, quaudo t 
século XXX começámos a reformar, ou uutes a disfarçar os vj 




t in BiHL. va CLAitaioos FORTtrafTinnw, rol vii, p. 41. 

« Pinto àv Carvallio, UmToiíiA uo Pauo. Li><b'^m IOU:í, |l 214. 

• iTINHRAHICi KM QITG SB COXTÊM COMO DA IMUA TRI» f OB TB»« 
A UrnU BBYMO0 DD PORTCOAl*, Linbua. 1821). Cftp. I. 



.IjioiíiUas ao9 Dlàon&ru» J^rtuífWKa 



■147 



purtiiçueses c os noioes orientai.s por pailrõus afraucesados, 
nrtude da mania, conf<r^âsa(laf oii não, de que bastava que 
vousa viesse ile Frauça jiara. por isso uiesuio, ser melhor 
a mesmissiriia eouâa feita cá. l\sía mania, hoje qne mais 
sabe, vai passando Icntaineute. mas ainda tem muitos parti- 
!Íos e devot.os entre us que desejam aparentar muito saber 
pouco trabalbo. 

sujigola 

O NôTo OiccioNÁnio. lio Su|ilemento, acrescentou este vo- 

l]>tiIo, eiicrevendn-4> sugigolla, eí<c-rita em que o primeiro l, nulo 

a pronúncia, é contra a etímolojia, o latim gula, onde 

há roais quo um /. Quuuto ao étimo que lhe atribui, tí éle 

nisMvel, pois sub ^^alia nAo explica a sílaba ;/. A etimo- 

é clara, e da própria definiçiio que n mesmo diccionário dA 

ÍD vocábulo ela se deduz: — » correia i)ue, fazendo parto da ca- 

[heçada. passa por baixo do queijo do animal * — . A forma autigu 

^do verbo que hoje escrevemos e pronunciamos mhJHifar era 

jigar, e o vocábulo de que se trata c um daqueles compostos, 

'eiiienles uas liogiias românicas, de imperativa e substan- 

**■«: Kujiya-ffuhi, «subjuga-gola ». Por simpliticaçrio perdeu-se 

sílaba Hfa-, por concorrer com a silaha seguinte -go-: cf. ôon- 

^^^ por boyidadoso, de bondade, e veja-se Haplolojia. 



(de) sApito 

V] estranho este modo adverbial, visto não existir nem o 

^**^tantivo nem o adjectivo stipih na língua moderna. Kxistiu 

'^***5m esse adjectivo mt português antigo: — «mui euganados nas 

™D^rau^'as de súpetos acreeentamoutos, que cada um para si raa- 



' Bni de Pitin, CkOmca dk Ei.-Kni I)i»m Afonso v. cap. lvu. 



Vê-se pois qu^ o actual íàprto teve por antecedente tuy 
cujo fítimo intuitivo v o subitum latino. A eroIaçAo [lortogBi 
pori^iD. (leve de ser explicada, )h>ís oferei-e duas sin|íubri(Lj' 
a manutenção do ^ e a mudao^ de b em p, iasólíía, visto 
a coutráriíi é a que sempre se observa logo que o p v medi; 
com relação ao b latioc em tal situaçilo, ê sabido que ou \v 
neoe naa formas artifíciais, ou se couverte em v na.s evolutitu»: 
cf. habito, de háhi/um, com haiuào { Haver \ habére. 

Do latim gubitum havia pois a esperar, como torm:i iwrto- 
guesa, mvido, ou quaudo muito mbtth, ò\\ mesmo fúbih, «mu* 
actualmente. É a forma sitpeto que nos dá a explicação: di^^apft* 
recendo o / de suhitum. o /; assimilou-se eui p à roíisoant*- 
i, com a qual ficou em contacto, resultando a forma vmjiííí . 
8Hb'tnm: como porém o ^rupo pt não era, nem é, portutiuk^ 
in terçai ou;se a vogal anaptíetica e. p<*lo que se obteve :■. 
eúpefo do cronista, qne se desenvolve» era supito para m^ ...... ■ 

ter o esdrúxulo, que ile outro modo se reduziria a ffuto. CC at- 
fâmtiifa por aifàndeya cora conto \ corapúium. 



surita 

tufonnam-me que na Heira-Baha «e dA este nome tf: 
«pombo-bnívo*. Km galego suriíia è a <r01a>, Qualquer 
formas i deminutivii, e pressupõe m« primitivo xura. de orijoia 
desconhecida, pois o uAo jK^demos subordinar an latim lui 
que siguitica -barriga da perna >. 



surraipa 

O Suplemento ao NOvo Diccion-àkio insere como iu-Min» 
este vocáliulo» com a sijjnificação de — «sub-solo, constitulilo |"í^ 
uma cAiuada comjmeta de terra dura e saibro. Coibido em •''>• 
veira-do-Jlairro > — . 

Paulo Chotfat dá-o como termo prOprío da Marinha Gnmác 



\ 



Aftoiítilí» iif)» IH<Ãonàr\Q$ Fbrluffuete* 



ua 



(kiinfr-Oí • variedade de arenito [grés] femijinoso, que os frau- 
denorainam ah'oti>* [proti. àliôce]. 
íõ-se, i>oÍ8» que o termt» (' mais geral no reino. 



susto 
mo tenuo de jiria qaero dizer <pâo>. 



Tftbaco, cacbimbo, cliariiti), ci^rro. esturro, fuiuo^ 
rapé. simonte 

uso do tabaco, importado da América para a Ruropa, pro- 
«nte dos ÃJitilbas, pelos espanhóis, propagou-se pouco a 
em todo o mimdo. mesmo entre os povos mais rebeldes a 
'Ufia» estranbus, como os chins, se é que estes o nilo co- 
ibeciaiu já antes, ou os mais apartados dos centros comerciais e 
desviados de contacto europeu, como os africanos. Com pe- 
exctipçõt»s. i|ue niio é meu projuísito averi^juar n<|ui, o 
da ft}\\id preparada, quer i>ani fumar, iiucr para musrar ou 
. 6 cm qulni t<ida a parte o orijinal, trazido para o Velho 
lo com a plunta. e modilicad>i, mas pouco sensivelmente, 
e as part.ii:ularida4les fonética de cada idioma. Provenha 
rm tftbttct* de uma língua americana, como é natural, on 
nma qualquer orijem artificial, o certo é que em Portu- 
l, quando o wo da planta era ainda muito restrito, e o estado 
tiii quf ne aproveitava mais ou nuitios pulveriforme, servindo li 
{ene i pui mente para se tomar pelas ventas, foi ela primeira- 
■mUt conhecida p«Io nome de iierva nanUt, dE^uominavfto que 
oonâerva quando em verde, e que lhe não foi dada, em 
lo &« suas aplicações medicinais, como poderia sapor-se, e 



' JuRlCJkL. Dl 



SOUSNCIAH UATUKMATlCAB rHVSlOAS ■ NATtTRi 



4jtt 




AjXNffifnf titiit fiiriontirioii }\>rtwfnffiM 



mesmo recentes eDciclopedius tem propi^ario, mas sini, em 
do i|iie ae 15 no VocADixi.\aio poBTcat^az latino, do eruíil 
enjeuhoso Ulutesiu. no artigo Tabaco, in fitte, onde se e: 
tram as seguintes palairas:— « Xas boticas, e livros doí* Hmo- 
luriotf, atf^iii dos nomes de que ,jà tizemos tnonçào, tem niuitoft 
outros, u saber, Herha Sattetae Critch, porqne o <^Ard«&) fo 
Sauta Cruz, Núncio Apostólico em Portuíía], foi o prirneini. ipus 
mandou deata hena a Koma» — . l*^ta atínnavilo conlnidii » 
que no começo do dito artigo se lê, isto ót — «as suas p^ídipo* 
soe virtudes [mediciuaisj lhe granjearão o nome de Hfrvi 
Santa' — e r|ue parec« menos aceitiivel que a outra orijem lí* 
nome, que dele copiei, e acima se leu. Transcreverei para aqui 
o que na « Kensta La^itana > * e$ci-eri ac^roa de viírios uomff 
que OH produtos da fí^lhu do tjibnco ieem adquirido em Portugal^' 
conforme o modo iK>r que se utUizani. 

«É de notar que algumas das palavras quo »& relacioamiL 

• cora o uso desta planta, teera em português nomes de dí- 
«tJcil idontiHc4içfto: tabaco, oioabeo, rapé, 8nio>TE. estcu- 
«Ro, etc. 

• Aa três primeiras parecem vozes americanas, não estania 
'Claramente averiguado a ((ue líugiia^i da América |>erteiicein; 
«BAi'í: è provavelmente o fruncêá rapé, «raspado com o n^ 

■ lador», « ralado >, vocábulo que todavia nâo consta h^ja sídd' 

■ em Frauda aplicado ao tabaco moído; esturro tem are* d* 

• provir de esturrar, «fiueimar»; simontk - é um verdadeírt 
> enigma, wm relação h sua nrijem, e, como se sabe. desigim 
«uma espécie de tabaco em jtó, seco e meudíssimo, ao contriri^ 
«do rai»}, que é úmido e de grão mais giosso». 

Acrescentarei que há ainda o e^ubbinho, mais pulverizidi 
que o BsruRRo, e que o rniié, entre outras especificações, 
as subdivisões em grosso, ukio orosso, etc, que sfto perfeíl 



* TUI, 1903-1904. Vocabulário ualaio derivado do pobtuoç 

p. 28. 

' Nicolau Tnluntiim eKruru-u sumonUt. 



ApoMíUiit aoH Diciofuirios Portugttcíirs 



451 



tDtelijjvPÍs, e as pitorescas denomiiiaçòes reserva rfo mett- 

Jltmo/ifrhthi. etc. 

Em Dota áissç mais o seguinte: 

»0 pBfire Brasseiir de Bourbourg, do seu curioso e inte- 
nte livro «PopoL VvH, Ic livre itaeré et les mi/theu de 
iité amérie/iine ',etc.>, diz-nos o seííiiiiite sObre a orijem 
arra cújarro: — <cíq ou ziy: Cest Iv tiibac [na liu^a 

bí da Ajníriea Contrai], Pt par extension le cigare, et 
^ la jtipe. Zuj signitie aussi parfnra, vois, cri lamen- 
_ijr. fiiniyr, parfumer. 0*est óvideminent Torigine de 
uol eiijarro et de uotre dgare* — . 

• Para português, coroo para fraurAs e outras línguas euro- 
voctlbiila procede do castelhano ciffarro, «charuto», 

o Dicionário du Academia espuubola dá coiuo orijem 
[nome comum dum iuí<eoto, eit/arra, (^timo ridículo, que Kôrting 
iNi8t:H-R0MANi80HB8 WòRTERBL-CH, Paderborii, u." Ití65] 
dienU perfilhou. 
«Na realidade um cigarro [ou um charuto] parece-se tanto 
uma cigarra, como um ôvo com um espeto. 

• W. W. Skeat [• A coxcisk ErvitoixioiCAi. Dictioxaby op 
Hnmush líANorAOB'] ilá o vociibulo iuplèK ciV/ar como 
dent« do ca-^elhauo, acrescentando: — « orig[inally] a kind 

'^ from Cuba» — . 
. • o quiche nilo poaaui o som i, é provável que a ver- 
deira escrita do rocábulo citado por B. de Bourbourg seja 
(isto át ifitfj, e utlo ^(y» Consultando os cronistas espanhóis 
\ tempo das conquistas, é presumível que encontremos neles 
que infirmem ou confirmem o étimo do douto Padre, 
B tradutor do Pdpol Vuh, e americauista de grande 
idade •. 

dissera, a p. 15, acerca da palavra charuto, o se- 
it — «inglês shcroof [pron. xaràute]: É palavra támul, e 



> Pirli, 16tfl, p. 48. 



452 



AjtontUaM noa tMeinnàritui FtfHi^utKm 



«desta liugua a receberam. prováveUneiite, tanto os malaioi 
<os portugueses'. 

At' resceu tarei que para cá talvez viesse por interrai-^Ti 
inglês e no século aux. O Dicionário português francês de 
ainda a não traz '. 

Para contirmaçio deste meu modo de ver traoí cre verei j 
a respeito dOste víMjáluilo Cáriílido de Figueiredo escie» 
Diário dk Noticias de 23 de maio último: — «No 
EspRBiTADOR iK) MUNDO NOVO, que 86 pul)licava i»m List| 
princípio do século findo, e qiie era redigido p<ír .Tom 
Uodrigucs da Costa, em o n.* 7. de julho de 1802, a 
desoreve-se um jautar de tufues lisb^^etas. e di£-8e — <h 
faltando charotos. que etn Portugal se cbamilo cigarros i 
mando um eJtarofo iutfiro, ficou de proftiudis- — . 

A forma duirotu representa a leitura feita da escrita : 
sheroot. e charuto a correcção posterior, resultante de 
pronunciar a palíivra como os inglei^es a dizem. 

Pebi citaY'íto vO-se igualmente que cigarro quis dizer ] 
charuto, como nas mais líu^as europeias. 

Ao que fica exposto resta-mé adiciobar mais algumas 
a propósito de rapé. e de c^dúmbo. de que ainda náo 
quo, entre as linguas da Karopiu s«.> om português é us 
quási todas as mais, incluindo a espanliobi, empregam, 
signar este objecto, vocábulos relacionados com o portugu 
e outras teetn pura ele nomea diferentes deste, e do 
cachimbo. 

Km abono da minha coi^ectura. de que seja fiuocés 
rapé, encontro no mais recente dicionário enciclop^o 
cê» * a seguinte verba que passo a transcrever: — • Hãpt I 
german.; ancien haut aliem. rtispôUf gratter) n. f. Pia 
metal hérissêo d'aspéritõs, correspondant á de p<*tit?t troK 
laquelle on niet en poudre gros.sií^re diverges substanc 



' l.*ediçflo. Paris, isW. 

■ >Ioin'BAL' Laroumb tLLLsraA, ru. p, 69, col. i. 



Apfiêtilwf aos f^irionãriítn Ptirtui/u^seJi 



— r^^ 



à /romage, à mitsc/uie.p — K o nosso ralador, bem co-j 
áo. E era seguimento: — «lUpe à tabac. Rape plate doafl 
a» ítervait aiiin^foiíi pour mettre en poiídre Ju tabac»—. 
acoiiipanhada o^-íUi descrição de uma vinheta, que ropre- 
Dta luiia dessas raspadeiras, ou raladores do século xvii. 
portanto que era francês se diria tnhac rõpé, lociiçilo da 
!if t^ttiiaria o adjwtivo como substantivo para portujjuès, 
lõdahiJi.-n i1 nossa pronúncia; cf. Hbrt^ | í/ivec. maré { }na- 

QiuuU) àíi vocábulo ruthimbu, é> já antigo no sentido em 

o empregamos de < tubo e chaminé [vara fumar-, além do 

• fémeu de ^rouzo ou Ieme>, cujo étimo é desconhecido, i^no- 

luesran qual daR acepvões tf a primordial, e até se serílo 

no vocábulo, ou foruiiis convíTJentes, bomeótropos. 

l>iciouário da Academia es|iauiiola traz a torma cucfiimba, 

reiajsftão a iochiinbo, que diz ser voz americana; sem men- 

a que lin^a das Américas ola pertence; o o Diociokario 

rr.ripKDKio msPANo-AMKRicANo ^ iletine caehiniJ)a como 

'jtiia. uteaNÍlio de uso oomúu para fumar tabaco de hoja » — , 

Dilo também «er forma americana, e acrescentando, que o 

foi trazido da índia pelos portug^ucscs, por meados 

I"; o que nos coloca em maior [►eridecsiilade, imos na 

o nume corrente ii. conforme att línguas, diverso, ma» 

diferente de caekimho: era indostano. por exemplo rifam *, 

li hifim, que propriamente se uplic^i à cbamim< do 

nlm, e que timibém significai uma cnrkimhndn. o conteúdo 

[(h.iuilaé. quando se está a fumar, 

llotra hipótese admissível, no caso de o cachimbo de fimiar 

jularni direreiíte d« vnchimho, < jíonzo *. seria Hujjor-lhe 

iiírícamt. cafrial, poi^. na realidade, na Àfríca Austral se 

> a luna etq>écíe de cachimbo o nome de jiii^u (q. v.), e já 



• Bkrcitlnnii, lâ9ff, nih tm: pips. 

* A tii.os.^AKV nr XsatAt-lsbiAS words asd pbrahb», Br Ytde' 




454 



ApoKtiUtK nitít Dicúiruirio» PorlwtHeiíet 



aleguei ser ku um prefícso muito friiqtieute nas Uii|!iiaji 
famíliH bnut^a. 

'reria havido, em tal caso, a troca de ff era b, i»or foafi 
com a |wiluvru portu>^uesa ctíchhnt>o. <f;oazO'. preexuteDU, i 
de orcem igualmente problemática. No emtaplo, \mvt 
DicctioNAHio pouTiTarEZ-OAFKK-TBTicNSK ' que a p.i' 
chimhn, partuyuesii. se dão íoin» c«rnfSfK)iidí»uU'8 tiu ' 
Tete chana e kaximbo, parecendo, portanto que o ?eg:uiido liii| 
não ítejii mnis (|uo a pahivra ))^riuguesa levada para li, pA 
no«so9 coQterráueos, e adoptada pelos preto*. ( > autor do m 
nário confcsi^a* do Prúlogo. ter iucluido palavras portugnenili 
uso no tetense. 

Partindo da hip(Uese que a primeira 3Cep^'âo de ' *"'' 
seja a primordial, e a {taUivra uma única, o vno^iliuli' ' 
com tal iciguítica<^íão. que do português cachimbo se apre 
o turco ôiuuQ, a respeito do qual Marcelo r>evic, no «u 
cioso suplemento ao dicioíiário fraitcês de K. Kittrf^, dix o I 
guint*: — 'OuiBouQUB. Daus liocthor ehoulwuqtw, qui tú^ 
turc tchoiihoúq. tchiboúq, prnprement btUon, taijau, rt 
pipe (cf. tthoUb, bátoti, ba^^ictt^) • — , 

A aceitar este étimo, teríamos de supor ainda que o 
008 viria por intermí-dio de poros cofríais, em que o prefi»<>iJ 
é dfiminutivo, e se de-i.se a uasalisayio do b, kmimhn, rotíJ 
presíiàD da consoante final, e deslocação do acento para a 
tima sílaba, como é próprio destas linguas. Pareof^rae. 
muito excojitado o processo, para que, sem deiuon 
aceite o (itirao, pois nenhmn facto popítivo na historiu íí — ; 
missilo do vocíibnlo se poderia citar, que o abone. | 

Outra sin^ularídiule no uso das palavras que w rflaciifll 
cora o tíibaco (* (jue em castelhano, onde fiinw se diz Ai**^] 
verbo fumar se profere e escreve fumar, com vario» ííití™ 
E sabido que ao tabaco se chama fu mo no Hruzil. 

Acrescentarei ainda alji^nmas palavras acerca do nome '1^ 



I Trailuiidu \tiiU PaÍk Victor J<wí Coartoií, Cohobr*, liíM. 



Apo*t*lan aon DiriotiArioa Vffrtugnaiei» 



45Ó 



t fkuiO!(]t plaata amerícana. CHJo uso e abuso se propaffou em 
o ruun»Ío, no espaço relativamente breve de trezentos a qua- 

mto.-i mios; fio \\\\ii talvez oáo haja outro exemplo, raesmo 
relaçíto ii plantas de muito maior proveito e necesâidadei 

10 a cana de açúcar, a batata, etc. 

\os primeiros teiopos enj que dos nossos foi cotthecido o 
tabaco de fumar, parece que ainda em portuírués nào havia nome 
para o designar uem tampouco ao9 fra^eut^js dele, manipa lados, 
'injfi detiominainos rharufo e eújnrro, O Padre Gaspar 
^ ", na sua uoiÍL*i'isa e bem escrita « líeliu^ão da viagem e 
OTCcesso da nao Som Francisco (1590), referindo-sc a eles diz: — 
< (>e maneira que o fim dos banquetes mui regalados, e a última 

.ria delles, é um prato mui fennoso, cheio de tantos rolos 

caDudiuhos. como elles lhe ehamam, feitos daquellaa 
iiMQ!mu4 folbas [da herva-santa] enroladas, qtiantos sâo os codtí- 
ios. Os quae<i canudinhos acesos por uma ponta, e metidos na 

- . . estão chnpaudu o fumo- — '. 

Refere-se o engraçado narrador igualmente ao iabato tfe 
leirar. mas tanihém lhe ui\o sabe nomes qne o diferencem: — 
«Em lugar de vinho... lhe ^^erve o tabaco, a que nus cha- 
mamos herva santa. .. não ha quem o tire da boca em ftimo, 
ou cIo9 narizes em pó* — . Nilo menciona porém o tabaco de 
mascar. 

.SeraSm Estébanez. uas suas Ekobkas asoaluzas diz-nos o 
-seguinte sObre os vários uoraes vulgares da herva santa: — «Kn 
Iji Kspaíiola Ia llamaron rohttva. eu Nueva Kápatía jusciel, en el 
Peru mi/re^ y tu el Brasil pelo: en Europa, unos la llamaron 
nicosiana, de cierto quidam llauiado Nicot que en la embajada 
qoe de Fraucia trajo á Portugal eu tiempo dei rey U. Scbaa- 
ilán tuvo conocimientA) de esta bierba y tomándola consigo la 
«onnaturalizó en Francia: otros la llamaron hierha regina ó de 
ta cruz: aquellos vulneraria: estotros ^uy^eriMo; pêro los espa- 
ftoles la llamamos tabaco y efeiú: con tal uombre quedi) bautizada 



' in BU1I« DB CLÁSSICOS l»ORTt*ritIEZBS, vol. Xl-V, p. -M C 55. 



456 



ÃpostíUu Ofw Dieiímâriwi jh>rtu/fvem<9 



para íh eíemum, porque los nombrcs qut> bou de vivír 
de dar la genty <le mas autoridad - — '. 

Dasdlia de ca$te])muo^, como díxia Bocage. K clar^ 
palavra que riveu foi tabaco, e não* o efetá, 

Sfibre o nomo brusileiro peto, petitm, peiuuw, petnH< 
nos o Vizconde de Heaurepaire-Uohan. no seu exceleute D 

NABIO DB BRAZILEIBISUOít, Sub VOC. petUITie, petèllia. qQ 

cede do tupi-^uarani petitna ou fwténta, coutorme os dia 
É possível que o temio andaluz. j/itiHo. com qiip «tu 
OH esiiauiióis desiguauí o cúfarrilht ou cttjarro de /taj/el 
nõo o deminutivo de pifo, «apito», mas o d© /Wo, cora 
miloçAo tiim frequente da vogal da sílaba preWmii^i a< 
sílaba acentuada. Sobre o sentido restrito de peio, «ta 
significando «cí);arro>, cf. o malaio roko, o qual do 
modo quere dizer «tabaco», e «charuto* — . 

É sabido (|Ue em espanhol o charuto se denomina i 
puro, ou Sfimente, puro. 

Vários nomes do tabaco pai*a cheirar e fumar eram já 
eidos no tempo de Bocage, como provam os dois t-erc* 
um soneto, dos de esfusioto, como cbaraou Almeida ( 
aoí< improvisos do vate Rlmano: 

D« vido tal. se é víciu, ou iiAo m»- curro, 
E sti totnu ni|i(í, slmonte, cuturni, 
Quiuido quero zangar Altmin nwfaorro. 



Amigo Krv>i Jofio, nAo sejas burro, 
DeixA ror uin (MgArru. sc uio iiiorr». 
True-uiu Imiio já. tm don-te um umrru. 

Com n>]np'io ao vocábulo cachimbo aduzirei aqui o qa 

no DXCCIONAEK» ETIMitLÓJICO DE VOCÊS CHILKNAH DKiU^ 
OB LENOUAÊi INUÍJBNAB AMERICANAS, de Kodolfo t^eOZ. 



Mnilrid. 1890, p. 18, nota. 



ÀpmUhvi ou» Dioitnttirto» Partittfueiiat 



i^l 



e»ti puMicando: — ' -cachimba... talvez es voz dti las Anti- 

lUs. Pichardo i Grauada la creen africana» — . Autes dissera- 

•ww i|u« tanto cachimba como cachimbo sáo ussados uo Peni, 

&|tii(lor, a em Cuba. etc., quer neste fentido, quer no de ca- 

'■fi:— «j»ozo de pequena profíiiididad* — . Conforme o autor 

.:_.'. cachimbo spria voz africana, também usada uo Chile, 

ta» ai t^muiiiiaente substituída por cachimba. Este apareliio de 

fDuur esta |K>réin desusado oa República, pois cedeu o lugar, 

«mn em qmtíi toda a parte, ao cijçiirro. coiu mortiUha de papel, 

vil de pulba de milho, e que ali se deuoraina como em por- 

tabaibo, tabaibeira 

Silo 09 nomes que na Ilha da Madeira se dão ao fruto da 
fijfueini du Barbaria e h pliinta que o jirodu/. <>s espanhóis 
chaiuum-lbes. rejípectivamente, (hiyujchumbu. e ( higíiera khittnbOt 
ou chumbera. V. tuna. 

taban^i. tabaiica 

— « rompendo o iuimigo o fojfo de vários sitios. de dentro 
mutto. que muito denoto rodeia, como que a protegel-a. a fa- 
bant/a de Keruaj?» — -. 

É termo da Guiné Portuguesa. 

*) vociibuJo está já rejistado, com a si^^uiticavâo de <povoa- 
ffto* e a formu tabaiKa em vários dicionários, forma de que dou 
doa* aboDovõt^: — «atacou a tahanca de Cadica na (juiné {KirtQ- 
Bua — '. 
A« tabancais foram imtendiadas* — '. 



^ ã>QÚkt!« de Chile. lf>04-nH).5, i, ii. V,ti. 

■ JuRSAL Dâ.a CoLuviAfl. •!« 'i'.t Jc alrtl de IOOj. 
o KLXixOHiaTA. de (i lie a^tKslo de lííy2. 

■ ili., àe IB áa tctimíbro^r \HH'l 



AptuiíiUt* tmn Diritmárum R»r/ií*7't'>fi 



taberuória 



fiste derivado semi-culto e arbitrário, que porím se ffenor^ 
lizmi, i|uere dizer «taberua ordinária, de pouca iniportincia 
escaa&a freguesia': — 'Frequentara [do BaiinvAIto] uuia tabí-^'^ 
norta, onde se reuniam fadistas e baudurrilhas* — *. 



tábiia-de-stfbo 



K um termo de estaleiro, que equivale a ■ oorrediya * : 
'A quilha du canhoneira foi revestida por uma enorme n>!a. 
que os technicos ebaiuani correffiçn nu tabfM tle »efM» — *. 



tabuleiro 

SíU) iuúinunví as acepvões deste vocábulo, derivado de tabU' 
lorium J tabula, 'tábua». Eis aqui duas. que ine parece n3o 
estarem rejisti»das: — «A espívsyura d'esta |ueve] «ubiu a 13 cen- 
timotros, e o caramelo no^ fítholeiros. qnn são de^iositos quadra- 
dos d'acrua. á maneira de salinas, e onde se colhe o gelo nato- 
ral • — ^. O trecho refere-se a Bragança. 

— «A tolda [q, vj eomiuuinca na parte inferior com rana- 
I j69pecie de telha, tambein de madeira, presa áquetla por um: 
Correias, e á qual se dá o uome de taboieiro • — *. 



kl 



' Pinto de Carralho. Historia no Paik», Lisboa. U(i)3, p. 66. 

' O Sauuix), de 2S do uutubro de 1;H)1. 

^ A ACTttAi.iDADB, de 21 de inarv*» de ISííS. 

* Porta^^alja. i. p. ^íi'i. Moinhos. 



taoho 

Kste vocábulo, como louça de cozinha mais usado no sul do 
rtino ini(? no uorto. onde so llie chama em geral ca^oulíi, era lá 
emprcgudo r,omo nome de luna medida de capacidade: — «Até 
tttui fazía-se a medição pelo nutígo tacho, ou ahimde da Com- 

tbia dos Vinhos, que corresponde a 25 litros» — '. 
— «[Fachuela]. . . tcadrá que ver con tacho, nombre que 
en Cuha á una grau paila usada eu los lugeniosV — Eu favor 
esta idea merece notame que la» Uwhuelas rod de metal y 
^ aplican A usos i|ue requieren la accion dei fue^o. Seguu 
Hicbardo, en Cuba tacliuela es « una espécie de p]ato cou su 
mango. . . para freir íi caleutar» — '. 



tacuara, Uicuará 

i> l>íci:ioNAHir> CoNTKMPORAKEO liniita-8e íi secunda forma, 
detine * taboca «, ou «caua brava*. O Nôvn I>icx?ionábio 
[rnta mesma defiuivito. e, com a escrita Utqitara, outra equi- 
Dte, além de 'pássaro esverdeado». HA razilo para se hesi- 
[íflhrfi qual seja a verdadeira acentuação; no entanto, no 
ho se^inte, rie não ha erro típotfrúKco, o acento é na |>e* 
□a fiílaba: — <Oom faca de taquAra corta quasi t4)dos os 
I»—. É termo brasileiro, docerto indíjeua, mas nào 
[Istado no Teuoro tupi -castelhano, de li. de Moutoya, e iio 
.^ilíulário custei hano-tupi somente vem a forma taquá. *cana>. 
rConiO o sudcso do nomen aj^entis, porém, é era tupi -ára, 
o, -ará, aegue-se que a verdadeira acentuaçio é Uicuára. 



' n Economista, ilo 20 a« maio do 1S88. 

' K. J. CmTVu. Ai»trvrAi:ioNB8 crIticas sorrb bl lknuuajb iw- 

4X0. But,'vtt. USl. p. '^48. 



taful, tafiUaria. tafular, tatulo, tafalu 

Este vocábulo de oruem arábica, e que veio para a Enrop 
no tempo das Í.Vuzadas. está definido por liuibtírto, um dfl 
cronistas da primeira cnixada, uos seguintes termos: -«Thafa 
apud gentiles dicnntur quos nos, ut nimis litteraliter loqti^ 
[para falar mal e depressa, confonue a expressiva frase popa* 
lar) trudanues uocaraua» — '. Litlrt5 acrescenta: — • Hã. coittj 
efeito, em árabe uma palavra taftr, (juv em Freitag está trads 
zida por vir aordenu et s(funlenft » — . R. Doiy nào incluiu o vo 
bulo no (rloasário de palavras espauliolas e itortuguesat derivada 
de árabe. O Vocabulário copiosíssimo de J. B. Belot inscreve 
três fonuas tapíh. TaFíu o turban, a piíjinas 56, e repete 
última a p. 452, com / enfático (t) inicial, dando-lhe como sig 
ficado «pelintra* iqui u'a pa» le snu) ^ 

— «Esta voz [tafiirj m introdnjo en Knropa cuaiido la pri- 
mera cruzada, j sigtiifícaba, segun toBtimonio de Quiburt. trahau, 
pillo. . . Es el caso que ta/toes Ilaniabau á aquella mncbediim- 
bre haraposa y bambríeuU qne acompoúuba ai ojército de 1^ 
{.'ruzados . . . > ^. 

Em |>ortuguês adquiriu, até meados do século xix. este 
cábnlo u signitieação que ao depois se deu a «Janota'. Tnful 
íafula eram as formas masculina e femenína do currespotideuf 
adjectivo; iafulwia o substantivo abstracto derivado deste. 

O desenvolvimento da signitíca\'A<» ^ít^ve de ter f*Ído: • pnri 
tào: vadio: batoteiro: especulador: ricaço: janota». Ê e^ta últii 
ucepç&n que hoje está qu&si obHoleta. a que a palavra tiuha 
unâ cinqíienta ou sessenta «mos. Tafular queria dizer «trai 
com luxo*. 



* Emílio Littr^, Hibtoirb db la laxoub vrásçaibu, i. p. 19% 

> R. J. CuerVO. ActNTACIUSKK ciUtilas HOitui: ul UDiatJ 

BOdOTANO, no(;otá. 1681. p. 64. 



ÁpotitUns aon I}lcionârÍn8 Portntfueaea 



m 



talauqut^íra 

— «O acoiupanbampQto sahe da H};r«Ja. mas eflpera-o a ta- 
lanqueira ou talaaqueiras, que n padrinho [do casamento] 
tem de dewmiíenhiir ilamlo rlinLoiro ;lqiie]les que a apríísfubim. 
Havia o costmue dv a pritiieira tiihuiqneini tt^r uma mt^/a mn 
<|ae estava tun copo com vinho, talaDqueira dos solteiros... 
A$i talanqneinis íiuccedem-se. e o padrinho vae ^taudo di- 
beiro» — '. 



talento, talunte, tento: tenta, tentar 

A. primeira destas palarras é o latim taloatum. do gre^ 

li.oíTíjN*. *balanya. pcisada», e designava certo peso, e certa 

Deda Dominai, equivalente na iirécia a um peso variável de 

sta. com o valor aprosí^imado de nm conto cento e rinte mil 

s. e de eobre em Roma. Havia também o (Mento de ouro, 

»irulú e outros *. 

Do signiticado <pêso>. «valor» passou o vocábulo nas liu- 
|ias românicas a equivaler a «vontade», e dai a «merecimento», 
alor posKoal>. 

A se^'undu, taianie, 'alvedrio*, é o francês antigo talaiii, 
espondente ao moderno tnleni, cuja ortografia parece que foi 
crada para se conformar com o seu étimo latino talentum. 
fr-mcês taíent, como o português fahmte, quis tamluím dizer 
'tlilijéncia, empenho t, como vemos no célebre mote do infante 
tbin Henrique Talant de hieti fere, * empenho em cumprir o 
dever • . 



■ Oarloi Alves. ErmiOGRAruiA Miiunosza, O CâuimeDio eux t«m 
d» HinuiiU, \n rortogalla, u, p. 102. 

* Guilheniie Smitb, A Suallbr Dictionarv or Iírisbk axd Rdman 
AXTKjClTlBft, Lomire», 1871. 



Houve também a fúnna taJenf£. com a mesma sigDiíira* 
ção, e de ambas podem ver-se as abouaf Ôea nos Subsídioa d« 
A. A. Cortesão, e no KcrciDAmo de Viterbo *. 

A paiavru tento. • marca uos jogos, princiítal mente de caiiitó', 
é lambam o latira talentam (cf. quente de caleiílem), nn ^tfu 
seutido material de «moeda, penhor» ou seu eqnivalent*. 

Propenderia a supor que o vocábulo tento, «Uno-, fosse êíll 
mesmo, em sentido figurado, se n&o existisse, cnmo existe, i 
forma correspondente castelhana tiento, com o mesmo si; 
ficado, e que não jmde spr doiivada de taleiUiim, jKir 
que o l iutervocálico latino permanece era caâteUiano (cf. 
liente \ caleutem). O português tento, neste sentido, eoaoj 
castelhano fiení<t, é o latim tcntum, particípio passado paeM^ 
de tenere, de que proveio tentare, •experimentar*, que 
português e castelhano deu o verbo teittar, em todas is tn 
acepções. 

A forma femenina tenta, «instrumento para sondar, tntear* 
tem a mesma orijem. 

A locução adverbial a tento quere ílizer «com cautela^ 
como 80 Vi? do seguínto fiasso das Batalhas da Conipaahiu 
Jesus, do Padre António Francisco Cardim: — «u diuh» na 
Dança forja as tormentas... e havíamos de ir mais a tento' 
O editor mandou imprimir attento. e nem ao menos rep 
cm que o sujeito do verbo é plural! V. sacaputos. 



talbada 

No litoral da província do Minho dA-se âste nome ao 
cínlio*. 



1 V. in «RcvÍKtA Lusitnna», p. 94, a niHfcia dtda por J. Leit* da Vj| 
concelos Aoírca ile uiim tnonu(;rali& ik* FraiidHCO de Ovfilioi JntltaUdA «1 

LnNTOf> KBL IfTTOI TARl VALOU LS8.SICAU, N&poles, 1887, 

■ Lisboi. 1891, p. 17Õ. 



talhar 

Hó uma acep^^âo de taUmr qiio os flicionárjos nflo icjistaD] 
(t|u« éÍ luuito popular, no sentido de 'Utalhur*. como uo se- 
'gdiitu trecho: — <A vbrokxoa das pbdras. Uma pequeua me- 
lillti hIp caracter catholico) rode.ida de pedrinhas de côr, en- 
';.ii\íij<. Amoleto contra as luadas e quebranto. É crença que 
A mpiríU Dinlerolo, pretendendo atacar a creauça, fiia-se nutna 
4w IMídras, e esta partiudo-se, iaVui o mal» — '. 

A espressão talhar o bieho era, o uâo sei se é. técnica ua 

jím das cnrundeiRiã, e no trataineuto do ctihrão, ou zoua, a 

ipie apIicaviiiH jtalfms oUuts queimadas e azeitadas, talhamlo-o 

r<ica, eiiiquanto proreriam, ou antes, engrolavam umas 

■ "iijuroH *. 



talharola 



Termo perteuceut* à nomenclatura da ferramenta do tece- 
Uo. I-í 1UU instrumento para cortar os fíos ou aselhas que fícam 
fatt da trama no fabrico do veludn, fazeudo-jhe assim o pêlo, 
OoDíúte num varão do ferro com imi encaixe onde entra lonji- 
tudiniilmente uma folha aíiadu. 

Empreguei êsie termo inédito, e que me foi ministrado pelo 
mnli.cidn [íoeta e escritor José Beuolie!. para traduzir o vo- 
tMJMiln inglOs trnvet, que tem a mesma signlfica\*Ao ^. 



» PortiígBlU. I. p. tíl!). 

" r. J. L«ite lie Vasconcelos. Bksaios btun chi rapei jcos, vol. Tm, 
P 193-211), onde rciim vúrías dcMas rexos. 

• A. B. 'jonçàlvpx Viann « J. C. Bcrkeley Cytter, Shi-bí-Ta db acto- 
ISOLBHBe, p. 40fl, D. «>. 



■' / ■ vr - 



464 ApostUas aoê Dicionário» PorUiffHeKa 



taloca 

Tenao da Beira-Baixa- que quere dizer «bntMo». Coniò bi 
língua geral existe toca, com o mesmo ou anilogo ingnifi<aifa» 
hareria a tentação de considerar o último como resultido ^ 
primeiro, pela qaeda do l. Todavia, em castelhano encontnoei 
tueca, o que toma inadmissirel a hipótese. 



tamarança 
No Douro dá-se este nome à «raposa». 

táiiíbi 

Solenidade fúnebre em Angola, entre os ind^enas. É i 
quimbundo tambi, que quere dizer «luto». 

tainbió 

Termo da Índia Portuguesa. O Xôvo DiccioyÁnio diz ei 
duvida ser «balde para tirar água». Náo é; é um jarro de cc 
bre. Veja-se Monsenhor S. R. Dalgado, Biccionáeio koíkaxI 
poBTL^GUEz K A palavra coucani tóèe significa «cobre» *. 

tamposa 
Xo calão dos ladrões do Porto « caixa para rapé » \ 



* Lisboa, lâ93, p. 230. 

í i&., ib. 

■ O Economista, de 2» de fevereiro de 18S5. 




ft \ftvo DiccioNÂiiio define a [irimeira destas formas como 
ndo — «^upj) de línguas dravidicas. falada» no sul da 

III. c do ^nal faz parte o oauarim. Alguns dizem tamil»—. 
A lieíini^Mo náo é rigorosa. TámP é o nome de uma dessas lin- 
■s dntvídicas, e por ser a mais culta e que oferece aspecto 
■nifli^ jircaico. aplica-se-Ihe o nome. estousivamente. à taiuilia 
fiiíi-ira. que propriamente se chama ârmúdica. As principais 
llogua<4 de!t.sa família são as seguintes: malabar, támul, ou tá- 
nút. telin^a. ou télu^o; cauará, ou canariíu; raalalala. ou nia- 
l^lim: tulo, ou túluva. 

Ao IikIo são <|uatoi-ze. Kohert-o Cuxt * dá o número de qua- 
mila e seis milhões de almas, para quem aljçimaa das quatorze é 
a lininia veniácula. Literárias são srtraente as (jue mencionei, 
C"a<luauto em todas elas ae hujam puhlicado trechos da Bihlia 
<"! d«s Evaiyelhos. mercê da Sociedade bíblica de Londres ou da 
•filijéncia dos missionários cristãos. A obra primacial sobre as 
ltncii,xs draridicas é a (IramáticA couii>arada de quási t^^das elas, 
*wtii [lelo bispo (.laldwell *. 



tanca 

lermo usado era Marromeu, na África Orientai Portuguesa: 
• com os peitos tajmdos com um peqneno panno. . . amarrado 
^tti iim atilho s que chamam Utnca^~\ V. tanga. 



^ A SKBTrn up tiie modeirn lanovaobs ok TBB EaiST 2?>'l>tB«, 
**'"ír^')s 187A. p. 65, 

' A COSÍTARATtTK OraUMAR OP THE DrAVIPIAN FAMII.V OF I.AX- 

^"^**»s. ltíT5. 

^ Jornal das Colo.sias, <le lií de julh» de llK}3. 
st— ToL. n. 



tancredo 



Dcu-se há poucos annos a esta parte este nome a aiu C30- 
deeiro de iluiuiuar-iio pública, pintado dn hrauco para <iiial á» 
parajem dos carros americanos dos ruas de Lisboa, onde toJiíí 
os mais caudeeiros são pintados de preto. Proveio este umt Jo 
do nm toureiro Iraacéa, que todo vestido de branco fozii, n* 
praça do í/iunpo Pequeno, em Lisboa, estacar os lourofl. josiafr 
dos em preitença da uovidade. 



tanga 

Esta forma reúne duas palavras de orijem diversissima. 

A primeira ê termo de uma língua de negros da Africju taH 
?ez esfriai, e designa o pano com o que se tapam, mais ou meach 
DO regaço, entre a cintura e os joelhos: — «da mesma forma 40* 
quem t;il legislou náo se costumaria á tanga» — *. 

U segundo, confonne Yulo & Kurnell, * é vocábulo ter 
maa de orijem indica, e é o nome de certo pêao de pruu, ett; 
marata t(uitk, em sanscrito TÚKa «peso, moeda de prata». Veja-<> 
iambéiu O uvuo dos VKmya, mkoldah e uoi:U)ah. de AotóOU' 
Nunez (1554) ^. 

Era ffste tumbí^m o nome de uma espécie de papel-morf^ 
turco, corrente na Ásia no xiii sículo. Tatwja quere di?.er «/fl** 
'Teal *, Cf. tança, para a primeira acepção. 



* PiARio OB Noticias, de 21 de abril de U>02. 

' A liLOaSARY OF AsObO-lNDlAS WOUDS, LwlldriSí. Iftiiítí. 

■ StlUHlUlUS f AICA A UtSTOKIA VA IXUIA PoKTUQtTBlU. Uthc*. \S 

poblioiçáo diríjiHa freio aõcÍo d« Academia Iteol dw Ciifoctas. K^tdrifi^ Jt** ' 
Liiim P<»Ilier. p. 25 a 32, JÍ5 e 40-42. 

* V. Líáo Onhun. IsTBOUUírrioN A L*Hit>Tonta db fX^tw^ Vctt0\ 
ST MoNooLH. Pnn», 161)0, p. 41)0, n. 



AptHulihzs aos DicionârÚM J^trtuffueHrx 



m 



taugo 

[(^n^iu passa twio o dia agarmdo ao tango, á uoite de 
[•modos dorme bem * '. 
èqnal é a sij^uifícayão de tango';' «trabalho?». 



toiítaréu 

ía ilha da Madeira aplica-se esta deuoroinaçilo, cuja orijem 
ftuhe(;o. ao < individuo que era outro exerce tentação, atrao 
|iuHu(Índa iiicoutrastável». 

' esta a iufbnna^'ão quo a ta) respeito me foi dada por pessoa 
[nataral, o conhecido escritor João de Freitas Branco, que 
ubrainistrou rárias locuções e termos usados lá, e que uesta 
linclui. 

tape 

iTa índia Portuguesa tape é * barrete >. A palavra é concani '. 



tarde 

hite vocábulo, que é o advérbio latino tarde, adquiriu, 
em castelhano como em português, a função de substau- 
Mm perder a de advérbio, que no francês tard e no ita- 
tardi conserva exclusivamente, 
atroduziu-se modernamente, em italiano e português, maa 



■ Jo«é d» Silva Picio, ETuKUGKAriitA DO Alto-albmtisjo, t» Por- 
]!■, I, p. -M^. 
t!, R Dalg&ilo, DiALBCTO indo-poktuuêb db Goa, in «Revisto 

l>. TT, p. 84. 



46â 



Apostila» aos Dicionânoa Portttfftuitaf 



creio que uáo em ciisklbuno, a lociiçAo francesa //^» taríi, mm 
as formas jnà Uirdi, m/tis tarde, em seiítitln qii« oSo é veraá 
culo, isto é, no de *ao depois»; os escritores escrupulosos p<f 
rém só einpre}^am aqnela locução quando a referência é a boraii 
011 fruoçnes de horas, do ineiitnio dia e nunca ^- o período d* 
tempo i* dias. ou outro maior: convém Raber, Uâam*uo por tjpt^ 
siçj^o a -mais cedo», e não, a «antes>. bèsie modo a locu^Ao 
francesa plus tara tem de ser vertida para bom portu^^íi por 
(av) depoif. quando corresponde a período de tempo que eiCiHÍ» 
um dia, n»8 casos em que fica era oj^siçâo a aute^, como vi 
pois é este o uso que o povo faz dela. Àssitn. por exemplo, 
mos que qualquer^contecimento se deu, com relaçfto a oai 
anterior, dfjtois' r/flP, ou, ao dfpois. 80 entre os dois há ii 
valo de ura dia ou mais. e sõ empregamos mmm fnrde tio 
de haver horas, minutos seg^undos, do mesmo dia a seiíari-Ii 
João veto d-í õ florai devendo vir às tr^i*. veio port;intn mai 
tarde; se tiresse vindo íis duas, chegaria mais cedo ijoe 
hora ajustada. Pelo contrário: João wio no domingo, qu 
devia ter viudo no Biíhado; chegou portanto depois do p 
dado. e nilo. mais tarde que éle, porque se tivesse chegtti 
sexta-feira^ teria vindo antes, e niln, mais cedo. 

Em qualquer das hipóteses dir-se-ia em francês ptwt 
mas creio que se nào deve dizer assim em português eícr 
porque o jh)vo o não diz em português falado, e (^ êle o 
do idioma pátrio, e a éle compete moditicá-lo, e n&o a 
artificiíilmente o escreve. 



taregá, tarefa 



O Novo DiocioNÁnio diz-nos simplesmente que tf — 'fll 
velho, adelo de tarecos» — , o que, quási pela.s mesmas palaf 
já dissera o Oontsupou^jíbo. São conformes ambos coiu o 
NUAii Etviiou>oico em dar como ótimo tareco, sem oxplioin 
jforém, como é que o r. passou para g, e ^ terminação se ffij 
menina, com -a tinaU Nenhum abonou o vocábulo, que nio 
DO reino usa, nem sabe que tenha tal si^uificaçio. Koqufte i 



AytJititas <io9 DiciotiárioH Piirtwjucèe» 



■lau 



in o temio como inédito no Dicionário português-fraDcés, de- 
índo-o:^ » luarchand de vieux meubles» — . Todos acentuani 

Ora, o tornio era usado oo Fegu, e uuo era Portuf^l: o vo- 
mio é do sul da índia, em telinga taratja, «loja de atido»; 
regari, •adelo> '. A acentuação bá de ser tareytU 



tártara Ilha 

rContinuíim toleradas, até tina! extiucvào, as redes deno- 
túas Tariaranhas * — *. - 



tasca 



K«ta palavra quere dizer «taberna ordinária, imunda n e 
fisLe o sif^^nificado ({ue tem iaaca no calo de Rspanlia. do qual 
roveio para a jíria portuguesa, por uieio da convivência, nos 
ris6e8« de ciganos e vadios portufrueses. Depois o vocábulo ge- 
enlizou-s« por intlut^ncia dusteií últimos. 



tauiia, tauxiar 



lies vocábulos sigoilícain o mesmo que ãanmsquhiado, e 
\iinar. nrulicismos modernos, era vez de adamascado, 
Hhubrur. ijutí s;lci as fonn:iã portuguesas corrospoud entes, mas 
|iw especialmente !iie aplicam a desenhos de fundo Uso eio t»- 
Mofi atoalhados e lavrados. Para lavores aniilogos em metais o 
mno é ttíuxuir e tattícM, árabe TauxiE, que deve ter passado 
português, ao xv ou xvi séculos, por interm('dio do comercio 
ttni (M mouros: visto que, se pertencesse ao número considerável 



* V. Yale & ílarncU, A Glossaiíy or Anoi.o^Ixdian wonoa. Lon- 
' DttnUt de n d« mwço de 19U(j. art. 9." 



470 



AftutUnit ao8 Dicionáriofi J^tuffHfíieM 



de vocábulos que eles antes cá deixaram, a forma svria km. 
com ou, como aíougue, de AL-zaug. e duo, iauxia, com o 
tongo au. Em casicthaDO disse-se atat^cia, com o artigo ambieoj 
preficsudo: cf. earcão e azarcãot 



tâvoa. táhua. ttibuiido. tablado, tárola 

Do latim tabula procedeu em português fâvoa, que ao < 
se rcfitrmou em fáhua. de oude se deriva tabuado, A M 
fablmlo, com o sentido restrito do ítaJianismo palco c^iá 
de proveniência cast^lban», poi^ ue.'«ta língua o latim tahulai 
fabla, de t]\ie se formou tablado, mediante o sutie«o -íw/o. 

A |ta1avra Uilniaila. que iiiitigatneiite se pronunciara e' 
creria favoada, ú inii derivado femenino, correspondente àqwJíj 
masculÍDO tabuado, mas empregado em sentido tigurado, u] 
mosmit acep^/âo que o latinismo tíilniltt. deminutivo du tubuli 

Cuni r«lavii» a Uivahi. é o italiano tavola. quu tem a me 
orijem latina. 

teatmda 

FunçOo de teatro:— «Ficaram celebres as theatraãai\ 
Odivtíllas* — *, 



teca 



É o nome de uma madeira da ludia. e também da 
que a dá. A palavra é malaiala. t^hku, conforme Yul« & 
nell, - onde vem abona^':lo ern português, de um maooscril 
Antóniu Hocarro, o autor du Década 13, 



' Antúnio du Ciitnpw, O Marqitbi: dr Pomoai., in «ú Sn^^ 
14 lie nurço A*> ItlUi), 

■ A Gi/OBSARV OF ANr*U}>lKDiA!l woiius. Londr«3, 1>í96.«í(< 
teak. 



ApõittiktM nos Dieionârioa Poriugueges 



471 



o DicciONAHio CoNTBMPOBANBo, 0-Masi;al etymolóoioú, o 
PaosòDico, de Joilo de Deus e o Xôvo Diocionãbio indicam 
ai*4}iit<> na última síla^m di-ste vni;ál>tilo, que p sinónimo de 
iremoftha. Joisé Inácio Ferreira fia]ta, o^)iitudOt ace»tuoii-o nii 
jrimeira: — «O peneiro que geralmente vemos estabelecido nas 
ptíkrías é o peneiro antigo do século xviii, n qual ne tíomi)ôe 
de umu grande caixa de madeira, provida na tampa de um 
tftjãu ou tremonlia» — '. 

Ora. como quási toda a nomenclatura rul^ar emprejiçada pelo 
donto autor da Technolcmia Rural foi por ele ouvida da 
tiftca do quem a usa, c mais provável que u verdadeira aceu- 
ilttçíu do vocábulo «leja na primeira sílaba, como a marca, t< não 
IM sediada como os lecsiertjjrafos a preceituam, sem provável- 
<t t^rem ouvido. 

Neui Itiuteau nem Roqueto o incluíram U03 seus dicionários. 



teia 



K^ita fonua ó compêndio de dois vocábulos diversos. O pri- 
meiro i* teia. antigo tea. ca^itelliano tea j toe da. «archote», de 
^ne proveio o verbo aiear. <espertjirl-se) o Imne». 
> O «egimilo é o antigo tea. castelhano teUi \ tela, atini de 
itar \ telare. 

É com este que s« explica uma acepção especial do vocábulo. 
t4Ívi«<ÍrÍA uas igrejas. lateral geraluieute, como vemos em Kln- 
tftim:— 'Tea em justa» é uma carreyra de t-aboas continuada, 
TsmWin cbamão Tea, bua obra de taboas unidas, com que 
«m ali^úas I^'reja.s, comn na d(? 8. Hoque de Lisboa, ticam oa 
homens separados das mulheres» — . 



TBcaKOLOOU Bpral, Lisbua. ls6d, inrte ii, p. 220. 



Aqui bfitá mnu ahonaçAo moderna: — «as teia? do rorp» 
f^eja e njua teia que tbi construída propositadamente u 
ter^'08 do templo» — *. 

teijfto 

— «Indo a?$iiu em demanda daquelle jírani í*abo (o ibw' 
mentais], e com pasMurn» dellt*, que chamum teijne», ))oa« 
na água» — *. 

tejelão 

Km Coimbra dá-se este nome à bacia de lavar a caro. 



tejolo; tejadilho 

Escrevo este vocábulo com e em vez de ('. o que é rôdife- 
rente para a pronúncia, porque, uilo obxtaiite ^x mai* freqíietiw 
DOS antigos escritores a orto^frnfia tijolo, o seu étimo iir 
è o castelhano tejuelo, derainutivn de tejo, «telho», «caco *.- : 
]bu>t icja \ tegula. Fica desta maneira em concordáum < 
ortografia desta palavra com a de tejadilhof quts sie parece rocé- 
hulo alwolutamente independente em portuguõs, (^ ei^treita; '' 
relacionado com tejolo, visto que em caetelhano, doude tim 
procede, U^jadillo é deminutiro de te/ado, «telhado», ú qual d» 
mesmo modo provém de teja, «telha-. 1*. lentejoula. 

<t líiABio iw GriVEBNO de 2.') de julho de 1U(>5, na tab^-I* 
trimestral de valores minimoít ile várias mercadoria.**. im)irímíi' 
e bem. ttjolo, e nao. tijolo. V. telha. 



\ 



' o SectTLo, de 9 Je agosto rle 19a). 

I itarv Gaspar OariluHi>, * lWÍAi;&<t ãa vliu:mi i* ».Qcrw) nuf ty<c « m* 
Sftiii Frnnciaco». tu Bniu. uh cuAflsicos roRTioiKíw, xlt. p, 12. 



AjMxtií'i» ntM Dicionáritiít Pitrlugui-sea 



ITS 



telha, telhado, tellio 



prcuém do latim te^ula I tegere, * cubrir, 
telha vã à que não leva argamassa, para 
|d: — «A mesma. . , simplicidade na disposição da 
! cobertura a telba van » — '. 
nplo caiitelhano de telha và, teja vana: — < A la 
puerta tiene un homo coii sii teja-vaua, que 
i»J un montÓD de lefla. un carro y varias berra- 
braiiift» — *. 
como substantivo composto, simplificando • alpen- 
I autorizado no Dicionário da Academia espauhohi» 
gfsta a locuçilo á teja vona, <de telha vi>, que 
tro teeho que la cu!»ierta dei t»ejado» — •. 
Sirnifíca propriamente u. ^cubertura de telha •, mas 
jiplíca-se a outra qualijuer, e por isso se diz telhado 

de lousa, tefhadns de indro, etc. 
^U>m taiiihém a sipiiricayào colectiva de «muitas 
lío tabuado a de « muitas tábuas > : — « e para o fa- 
lhado » tijollo no Minho e Donro> — *. 
ê nraa forma masculina, corre siK)ndente á lemenina 
f. rtiftíffw e cahern), e de§i^a um peda^^o de telha, um 
' um pedaço de burro cozido qualquer, que serve de tÔsto 
\\yA. Bm castelhano existem Uimbém teja, tejo, de que pro- 
portumií^s frjulo, e tejadilho \ lejado, 'telhado». 
dilii em tejolo. 



P^irtriiralía, i. p. B2. 

I ru'-'ba. «'uiçjjTOfl im color l>B iiOflA. apud R. J. CutTvo, 
r^.i. 'vbre el Iciiguajo bu}{ut;ino>, Boffittá. XáM, p, 471. 
~ L*U>. lie 23 ilc juUiu de LIKX). 



t«iuba 

— <o passo n^i e despreocupado do cypae. do invejado 
pat», do visinho da raesraa temba*—*. 

É termo da A trica Orieatul Portuguesa, e significa 
ç3o». 

têmpera, temperar, tempera, tempero 

O verbo temperar | teraperare l tempus, temporiíi 
niflca primordialmente «sgnstar, acertar» '« — «aprendesse ^<s 
padres ii concertar e temperar o reloffio». — Advirta-se que 
certar aqui é «acertar» e nflo, consertar^ «compor, emt*n»l!ir| 
Têmpera é nos dicionários definido como — < conãístencia qae i 
dá aos metaes, e principalmente ao aço» — (Coxtkmpobaveo}. 
Tenho, por^ni, ouvido aos artilices chamar-lbe tempera, comO 
subst-autivo verbal rizotúnico femenino do verbo íem}ierar (cC 
e&perOf de esperar J, correspondente ao masculino temft^ro: — 
«se fixa com uma cunha, que atravessa a rahiya e se ( ' " 
tempera» — '*. Xesta eitavãf* o vucãbulo tempera adquiriu 
ticav^o concreta, pois serre para denominar imia pe\*a do arai 

O acto ou efeito de temperar ilvve »er icmpe.ra, v nàu 
pêra. como o acto de fabricar *• o faòri&t, e nâo o fátiruo, 
também se diz o tempero, e não o tempero, k acentuado 
snh.^tântívoí) rizotÓDicos coincide sempre, à parte o valor da 
^al tõiiicji, cf>m a di»s l."' pessoaa do presente do indicativo, 
verboã reãjfectivos. 



■ Atovcto CoQtinliu. A campanha t>o Bakijê bv iM^i. in «Jf^ 
ilftK Culunia(i>, (!(• XM <1« aguittt> tie 1ÍH)Õ. 

' AntOniJ Pmticisco Cardim, Batauias da Comi*a:thi* T»itJ> 
li&bua. IS<>4. ^.m. 

^ F. Adolfo ('.uelbo. Alfaia arricola portuouxka. m PorOÍ^ 
IÍA, 1. r. 4(>8. 



Ayo»iilrtê fioK Dinontli-ioa Portugnctt» 



47.» 



Undal 

o Xôvo Diccionírio fez dua-s inscrições desta forma, e 
creio que teve mzan. PaiHce tur-se dado confusão entre iendal, 
•tiim de trnàa, tender, > estender*, quer com a significação de 
«tnIr|o>, ou de <hriai> (q. v.). quer, no Alentejo, cora a de 
• vanis compridas onde se prendem os fueiros» ', por umu parte; 
^ por outra, a de «hi^r onde s« tosquiam as ove)liaâi>, a que 
o mesmo dicionário atribui como étimo um substantivo verbal 
<*>n/ífl. de ura verbo tonais, c^rresjxi ridente ao latim tondere, 
*tos<|uíar». Pnderia, porém, t^-mlttl uesta acepção, ser mera- 
wieafce um derivado de t&nda, como pontal de posUt. 



teoilba 

Xorae de um tecido, no Minho. <:S«rá dissimilaçílo de 
ielilhar 

tenro, temo; fenw» 

Êítes dois adjectivos diverjem hoje muito na significação, 
pois o primeiro se emprega sempre no sentido material de 
«novo, delicado, melindroso >: e o segundo em sentido moral de 
«compassivo, afável, carinhoso*. Sáo porém a mesma palavra 
latina, o adjectivo tener, tenera. tenerum, no primeiro com 
elisão do e da 2.* sílaba, no segundo, com nietátese das duas 
consoantes nr em rn, correspondendo no significado uo custe- ' 
lhano tiemo (cf. ternera, «carne de vitela»), e ao francês ien- 
dre. com um r/ intercahir, a facilitar a pronúncia (cf, o grego 
anCb ' varão •, genetivo andhòs). 

A palavra francesa tenie, «desmerecido, embaciado», pordm 



' O EcúsouiâTA, de 4 de mato de 1889. 



tem outra oríjern: é o lutini tetrinum \ teter «medonbu' 
correspondeute a tetrlcutu. «escuro. lõbrego>: e seria di&pa 
Udo gaikismo o tradiizir-se e^ufeur i^rne^ por «cÔr tínui 
pois em iwrtuguês se dtz côr tiefhofada, pouco frva.-rfw 
eida. 

k palavra tenro foi empregada onde hoje diríamos 
— * brandas e tenras palavras * — ^, 



tento: v. talento 



tepeti. tipiti (trpitv 

A respeito da príiiieira destas formas farei uma tooi^ citf^ 
fao; — «Osl Ití pressoir du manioc [no Brasil). Figurons-noi^ 
donc un sac en jonc, étroit et lou^, dont le diamètre soit d^d 
vin^^tième de la loogtieiir, se retréfisâant aiix deux • 
dont Tuiie est ferméc. Le tiãsu en eíd tresãé de niuin-K 
rendre bien élastíque et à luí donner une grande faciliU' i>i 
se niccourcir; bien entcndu qu*en se raccourcissaut il aagroía 
beaueoitp de diainMre... lutroduite daus ce sac la pãte dei 
raciue du manioc râpéo d'aTanc(? à Vumpema ', le cylindn' qt" 
avait ^rossi en se raccourcissant, cédant i la force d^iin graai 
poidi! que Ton suspend k sa partie iuféríeure, comuifooi* ^ 
3*alonger et à exercer une pressinn sur toute Ia pilte, de mi" 
níère a Pégouter eutièreujeuU la laíssaut après en éiat d«trs 
inise au four» — *. 



< S. Bagtí*', ín Ritniftník. nr. 

* AntúDio Freaciítco (Jardim. Batauiau da Coupavhia usJi 
p. '2-5, 

' «[K>nríni*; Piocionario dk vocaiiilos brazilbimoii. |>41a ' 
cundf Jc [{tiaurviiiure RuIidu. líJo-df-Juartru. ItíSí'. 

^ Le» AUÉUICAIN4 Tl'l'U-CARIUK8 ST ■•BS ^SOIBXS EOVI^*^ 

Vicomlc lie Riu^Segnro, Viena, lS7tf, p* 52. 




Apontihu aoê DíríoMiírúw Portuffuaes 



477 



Dei por extenso e sem o traduzir ésU trecho, hiistante curioso 

P**!;! ÍTifi>rniavào minuciosa que dá: pertence a uma obra que 

*lií3pítrUni atetiçuo qua-ndo foi pulilicada, mas não tem valor al- 

grum citíntitico, nem o tiulia tue^mo nessa daU. Hasta dizer-so 

^Uf â comparação entre os auti|/os ejipcios, de hà quatro mil 

aaoa ou mais, é feita com oh tupis de ay;ora, ou de liú dois 

ou três séculos, e t|iie se aduxeui para deinonstravilo da tese 

^'ccibulos iis dezenas, jú feitos, nos quais a identidade é atlr- 

Ttttida pela simples coincidência de uma letra, pois o autor nem 

iuda^^Q se d letra ti;,mruría o mesmo som, ou análogo, no tnpi, 

e 1)0 qjipcio reprtrseatado pelos hieróglifos, ou oo capto, núo 

traoricritoí 

Certas coincidénciasi de bdbitos e costumes silo. como é sa- 
^iilo, frequentíssimas entro povos separados pelo tempo e pelo 
espaço, mas em estados de barbárie ou cultura idênticos, e por- 
tanto nada provam. São estes os dois únicos e inanes argumentos 
*líi tvutada ideutificavãc». 

V obra, sem dúrida bastante laboriosa, apresenta certo as- 

rpct<i de aparato, como silo biero»;lifo3. caracteres cópticos, sem 
■^iisl iterava o. como se o alfabeto cóptico fosse familiarissirao 
^ toda a gent«, citações de línguas raramente conhecidas, etc. 
Ma! empregada erudição! 

Kntre outras afirmaçõns singulares cituiei duas. A primeira 
f que o bronze precedeu a pedra no fabrico de armas e ferra- 
mentas; a segunda, que o castelhano moderno htjo, pelo antigo 
fijo. é devida a influência arábica, como se os árabes nílo ti- 
vessem f. e não houvessem quási abandonado as blspunbos. 
quando a mudança se produziu! 

Teodoro Saui])aÍo, no seu interessantíssimo oetudo O Tirpi 
XA Geoobapuia Nacional, escreve ti/piti/ ', que podemos re- 
duzir a tiiiiti. sendo, como diz, usual no Urasil a forma tapttt, 
No tupi a ])rimeira e terceira sílabas tem por vogal o chamado 
1 grosso, análogo ao y polaco, e que eu designo por í, tlpitl, 



Suu*?aul&, 1001, p. 7*;. 



478 



Apostiia» ao» Dieionárioa iWíi^iMao 



seguindo o exemplo de outros escritores, mto que do y mm» 
me sirvo para denotar rogai. O í fica com os ápices (") aailiii:» 
ao 1^, que figura o u francês, poi? este iiltimo é uma vogal \4ní 
a formação da qual concorrem a poMçiio doit bpivi>í como 
o u português, e a posição da língua, como para se proferi 
DO i, pelo contrário, os beivos colocam-se na posição f)o» * 
emissão do i exije, ao passo que a lingna toma a que niiue» 
a emissão do u. isto é, aparta-se dos dente.s incisivos iufemifl 
onde tem a ponta encostada quando se profere i. 

O U é um u com aprossimavâo a i; o « um f com appros^- 
maçflo a u, e que no efeito acústico muito se asseraelbu to ^ 
portnguís de se, tne, ie, otc. 

Na escrita ordinária pode usar-se a ortografia tipiti oa Irpit»* 
sendo a mais defeituosa escrita fepftt. 

No rkildúgu. ou araucano, indicou-se esta vogal por 
maueirus^ sendo à a preferida, ao que parece ^ 



terção, tarçflo, tração 

O Novo OiccionArio incluiu o vocábulo trarào comn 
leto no sentido de— «bocado. fraguieuUi, lineamento, perfil» 
e como avoriano na acepção do — «intrigante, mexeriqueiro* 
No concelho de Santarém fnu^ào (?), ou ferçàn (?) é o 
que se dá 00 porco mais novo da mesma barrlgada, o que 
omisso, no dito dicionário, que ò. forma Urção atribui o sig 
ficado de — «rebento da cepa, que se não corta por oc^ 
da poda> — , eons ide rand o-o como evolução do latim tertii 
num J tertium. 

Cora efeito, torção deve provir de tertianura, coroo te 
(febre) prove'm de (febris) tertiana. 

A forma iru^ào. com o 8Íguifica<lo que t^m em Santarém,! 



> r. R4^<lulfu L*-nt, DiR CBit.RxifirErK LAUTLitttm vsitni.tniB9( : 
MCK ARArKAvmruRN-. •• Estúdios ARi^'aA:iOfl, 3iBliag»>d« Ctiile. 



Ajwultln» aoH T^teianãriot Portu^umeg 



47ÍÍ 



KiioparâVel íl corrutef:! (Tavão por carvão^ vulgarisrao da Eatre- 
tnultira: AeaHo o de fnr<yui por ter^^ào devido a intíuéaciít do r. 
temo *m ^tnra pelo uutigo e aiuda popular i>(i'ha> 6 mtnaviUui. 

Imir-ibilia, qoe passou por meravíf/us, forma a qne José 
kda Costa e Silva dava a preferencia, 
p dicloDários detiDem este adjectivo, substantivado com su- 
iresKão da palavrn tvnto, (vento) ferral, como significando «vento 
a». ?ía índia Portuguesa, alí^m deste significado, tem tam- 
de 'estaçiSo do ano, em (jue predomina o veuto que sopra 
II da terra*:— '• Keioiím om Diu três estações: iovenio, 
e rerâo» — •. 



terral 



tcirar 

te verbo é desusado na línpiia comum, conquanto aterrar 
giaitp ujíímIo modernamente. No Alentejo parece que é usual: 
que tenha chovido. . . e. . . homens com enxadas 
tnm a terra entre aquell»a fieims rle matto. . . para assim re- 
ohrírem of* matto» cora uma camada de terra plástica. í)á-se a 
Liuhalbo o nome de ierrar as moreias» — *. 



terriço, terriça 



icionárÍMS d:\o a forma masculina, e o Contemi-oraseo 
o vocábulo desta maneira:— < terra formada pela decom- 
kStçfto das aul>ãtancía3 animaes e vej^otaes míãturndas com o 
lo ordinário; húmus*—. É o que os franceses chamam ter- 



-> JuAu Herciilnuu d« HuDra, RaLATORlo. ile 1699-1900. 
PortUK&liu. I, [). BSH. 





— 'Aijaelles [os mautimeatos] são guardados em umas tu- 

')■' palUu ou cuaíço, tiouco-coDicas, u que chamuni Heué, 

: jIl:- sobre estacaria para ticareiu isoladas da humidade» — *. 

ííao os cantas ou espiffueirog do Xorte do reino. A itrouiin- 

tíS iudijeiía é tiniè. com o aceuto Mnioo iia 1.'^ silat>a, ma» o e 

final aherto. K termo da África Orieutal. 



til 



< > nome que em português se dã ao siual ( ~ ) com que se 
lesigna a oasalização do ã e do õ, m\is que dantes se usava 
tAiiilim com o i' e o u fê, U), é de orijem espanhola. tiUfe \ ti- 
bnlum. com metÁuse das iniciais da 2.*^ e 3.* sílabas, ttlutu; 
como era roldana de fntuhiud, palavra que para portupoôs 
veio i^'ualweiite do castelhano, como rehehU-, híimiltU- tamlièin 
vieram, pois as formas portuguesaij antiga.") são revel e úmif. De 
orijem castelhana é timhént rol | rohU' \ rolututn \ rotulum. 
<|ae DO português antigo deu rõh, rótulo, e no moderno, de ori- 
jetD artifíciat *. 

tiiihó 

t 

Vocábulo transmontano :— «moléstia cutânea'. Kepresonta 

mndertvudo latino tineola de iitua, como ouuà de vrrlesiola, 
Aljjo de InijeuUi, etc. : — < KstA-se a tratar os leit+ie;* que es- 
tilho com tinhó- — 3. 



' Azrveilu CVuLiuhM. A campasua i>o lUufíi «M 1902. í« •íJjrnal 
iam ColonÍAtt», de >tO d^ jullto do 1904. 

• r. J. Loite de VivscímcoI'»s. RoneTA Ltsitana, m, \k 2HÍI. 

■ Jáliu Uoreíra, Xotas ãuuRSsvNTAXBPOiTLAB, in 4 A RâTÍsta*, 
d« 15 de dezembro de liK)5. 
Jl — Voi« u. 



482 Apostilas aos Dicionários Portugueses 



tinje-barro 

Nome que na ilha da Madeira se dá à ave que também, 
conforme as localidades, se denomina lá caniço, camacka e ci- 
garrinho (q. V.) *. K camacheiro. 



tintilão, tintilhão, tintilhoa 

Em Santa Cruz, na Ilha da Madeira, é este o nome da ave 
que no Continente se chama tentilhão; à fêmea chamam tinti- 
lhoa *. 

tio-lio 

Em Macau é o remo com que as tancareíras governam os 
tancares ou barco». E remo e leme. 



tintojarra, tintonegro, tiutouegra 

O primeiro vocábulo é comum de dois: o segundo, designa a 
< toutinegra' macho, e o terceiro a 'toutinegra* fêmea. São 
usados nos Prazeres, ilha da Madeira •*. 



tiutorroixo, tiutorroixa 

Xa Madeira é nome, resjtectivainente, do maclio e da fêmea 
ihi Jr/nf/illa c(ntunh/)Ki. de Lineu *. 



a J'!.. ih. 
* /'/.. ih. 



ApfíifUtft» aos Dirionáiing Poringueisvs 



48» 



— 'Vé-ae ali [na eipoaiçào de Autiiérpia] uma tipóia (rode), 
cohrrta para garantir dos ardoios ilo sol. e atravessada por um 
tronco, e <|ue os prptos dn pai/, couduzem ao hotnbro. O brunco 
desciínra tresU espécie de liteira, e ó este o uaico meio de 
transirorto ÍDteríor ua prorineia de ÂJQgola« — *. 

O vocábulo não é africano, como se poderia jiilíjar. Conforme 

todas Aá pri>)>abilidades, ú nm termo t|ue na litdia designa uma 

• boiíctt, ou banco de três p*ís. tripode. ou tripeça ►-. Parece ser 

palavra híbrida formada [K>r al^um estranjeiro, somatório de 

,iuaa palavra per^^a ^ipai «três pes», e do indostimo tripad, com 

mesma si^uitioav'âo. É usUi a opinião «xpressa no Ulosãário de 

jYule & Biirnell '. Do inglês teapoy, pronunciado tipòi veio natu- 

Inliiieute n vocábulo para a ludia purttignejía. onde é sin<íuimo 

fde vKifhiht iq, V.). e do lii, como este último tamhtím, passou 

[para a África Portuguesa. 

O Novo J)iccioNÍRio apresenta mais duas acepções novas 
vocábulo tipóia, usadas no Urasil, diLs <|uai3 u última, pelo 
[mennti. — «camisa sem maugas. feita do eutrecasco de certas 
ToreB> — , deve t«r outra orijem. 



tiracolo 

K couhonda a locuyao aílverbial a tiracolo, que quere dizer 
*atraves8ado de om ombro à cintura, passando, por baixo do 
oposto, pelo peito e costas*. O í!ut>stantivo é tiracolo, 
ne de ama correia que assim se dispõe. Kis aqui nma abo- 
io bem antiga do substantivo: — <Àã armas da China sftO] 



> A tÍu>âSARV OF Anoixi-Indias: woRDtí, Londres, lSâ6, »vh voe. 



trevudoa 4e ferro curtos, punho de pau e tiracolo de cordi 

de esparto» — '. 

toallia 

O Novo DiccioNÀBio dá coraí> étimo a tfjnUia a baixa lati- 
nidade toaUa Iqiie é latim Imrbaro. mera latinÍ7,avão artiflcial 
da palavra românica), atrihuuidt-Hllie como étimo romoto nm ger 
mánico twaiiilhi. isto í, thwalja ou §u>alja. Parece 8cr, por fim 
de couUs. uin derivado, foyalia, de toga. Yeja-se a êsle pro* 



1 Donaid Fcrg!Uâ.«>n, LuTTBitti pkom PoKTnottnsB Captivb« dt 
Canton*, Biiinboim, 1902. Aa cnrtibi sAo Ao prliudro qurtrtol «lo xn liccalOf 
o com ik suii publjcuçilu, ((ue i' mtd dúnila nivrítóriíi. pn^iun^li^ o «Uttir, iiu 
hi^n infrodaçAj, pruT&r trni rflo qu« u uarratiTti fdta na Pf3RBOiti3fAi.:£o dl 
Feniâm Méiidez Pinto i filsa. T<>fU n eitrunlm tem po<W rcbuiair-se nu cMi' 
oluíifio w^ninto. a piíjiiui}' '^i'* o ;ii} : — < I iln itnt laonn tti as.sert that Uif? whul< 
perrjjrinat'am íã a lAbrit-ntinn ; liiit 1 itin coDvinciii, frotii intcrriHl vrl* 
den c o , that niuny of tlie íttcidcniá roUttM are pare f i et i o n , anã thax olhíJ 
g«niiinc cnouieh, either took placc bcfore tbe wríter carne to Indiâ* «ri 
forravd no part of hw aditíiiturf*» — . 

Cuntm a in^plraçítu iki R4]iiríti>-SAntr(, n i[Ut> o aal<ir cbiuia i$tirrnai rrj* 
tletifc, nadtt tt^iiho a ujt^r. Din-i ajiôniiJí, purqui* nfir» <' aqui u Iti^rar jprwpriíi 
p&rA a n-rutuçãu do opúticuli), quo << miit> mu libi'I>j difaiiiatório e udioiít», 4i> 
qae orna DtTriia analise crítica-, qae aã «Amt mfMftacitia, o a urtblitrAimg 
faluçhood, cyltjútoA brutais rom que i mimoscada a narratirii do maif ir«-nul 
dos ríiy'ant)^ du ím^cuIu xvi, faríaiti h gluría d$l«, a -sep?n) invvoçrte», como 
obrtis de Júlio Vi-rne nu wculo xix vievuniin Osttf à alHsaiiita c4ttf)ri»m d-» 
ettcrítoret^ cajá fantasia e ••ngenho caUHiim a udmiruvÃ** du todoH o» leilor«ii, «■ 
com diticuldade pudurã» sur cxcodidgs. 

Iadi'peudi?nWiiieato àt> juízo qnv imssa. cum imparcialidade, funnnr-w 
acerca da veracidade rigorosa ie cada uma dan inúmurai pcripécia.s e iiiiniícia» 
narradas na Pi!Ike(ih[nai;áo. T^mo» [miU do jin^forir ^sta aent^nça i\ • 
do ítíu autor: Mu foi mii iwrradwr ttduiligno d** factos cuni iU p^v^- 
acontectuiento!* em que ti^drou, ao mesmo pWAto qae wa priiiiun^su, Dinafro 
c pesdoaliaaimo escritor; ou ent&o é, até o seu t«mpo. o maia aíS<inibn>»o nv- 
m&ncistA qutí jainois apareceu nu mondo, e o maia encantador c justicoiro 
moraliata da sua época. lii^ta I^-lo para formular um déateg doía jtiiios, ua> 
boií lisonjeiros para a sua iiieinória. 



Apostitaa aos Dicionários Forbigutães 485 



pósíto a publitíaçáo Jahsesbehichte fPh dib "PoaTÇíCHBnrrE jjeb. 

KÚMAXISCHEX PHlLOLOalE, VI, 1, P. 291 *. 



tojo 

Do latim tosícum, conforme Baist; maa o étimo é pouco 
provável. 

tolavia 

>'o Minho quere dizer * tolice». 

tolda 

— «A um poste que fica junto ás mós, cliamado pião, ou a 
nina grade de madeira fírmiida fiobre ns chumbeiras está presa a 
tolda que tem a coDíigurafio d'uma pyramiíle quadrangular ia- 
Tertida e é feita de madeira: aqui se latida o trigo» — *. K pois 
ntna tremonha ou têgão (q. v.). 

tnlher 

Laduzido do preseute do iudicativo UiUto \ toUeo [ tolla- 
re I tollére ^* pois de outro modo se iifio podet-ia explicar o Ih 
tm vez de l. Ein italiano tòt/l/prc, coutruídn em forre, significa 
«tirar*. 



* PortngaliB, i, j«. 3fil, MotXHOS, 
" Rbtista Lusitana, iv, p. Vil. 



4â6 Apoatilaê aos Dieionârio» PoHMgune» 



tomadeira 

É tenno da Beira-Baiis, e designa uma forquilha fóia ds 
uma galha, ou galho de árvore, que apresenta já de si a fonsi 
de foiçado. Veja brendo. 



tomate 

O étimo mexicano tomatl, qae se atribui ao nome dMi 
fhito em português, nllo pode ser imediato, visto que neohoBii i 
relações tivemos com o México. O vocábulo veio de Espanha pn 
cá, juntamente com o fruto, que ao depois se tem cultirado ftt 
toda a parte em Portugal, onde completamente se adinatot. 



tombeiíinho 

I 

— «Foi descoberta uma mamôa [q. vj ou tombeirinho»— '■ 
É mais uma designação para juntar às muitas com que em 

Portugal se denominam os montículos artificiais, de terra « 

pedras. V. anta. 

tomento 

K a fibra mais grosseira do linho: — «os filamentos partido* 
e exteriores da filaça, formando o que se chama tomentõti, EsW 
ainda se classificam em tomento,^ de calcar, obtidos durante * 
primeira metade da espadelagem de cada manada [q* vJ • 
iomrntoít de obrar, os formados durante a segunda metade d* 



> Albino dos iSantoâ Pereira Lobo, BkaganÇa b BBxqvBRBN'ÇA« 
1» <Ilok'tim (la Sociedade de fieofjraphia de Lisboa», 17.* wrie, p. 1* 

<189ti-180y). 



Ap09tit<M aoD Diciofuiriofi Vortufiueim» 




IK7 



iWiina operaçio» — •. O vocábulo tomento. qiio nâo sofreu alte- 
'^o. em virtnde da Hnneza da sua estnitura iboética, é o la- 
^Uo tomeutum, n qual designava qualquer «enchimento 
/)ara almolailas ». 



K ^ste um dos raríssirnns vocábulos célticos existentes em 
pnrtuguêâ. Oorrorrae Gustavo KOrting, provóin do cAnihriro hii 
«casei' -. Nrt Minho diz-se tojta tio puphu), por «casca do pe- 
piuo'. 

Na realidade, em galés, ou líugrua cámbrico-céltica do país 
dt Gales. Ajh signifini a «pele ou caaca dos fi-utos» '; e uo Vo- 
cabulário fianc(*s-bretão de Le Gouidcc * dã-se tounen como cor 
respondente ao francês écorce. 



tondinho 

Êâte termo de arquitectura, que designa «moldura pequena 
e redonda na base das colunas*, ó. como quási todos os da ter- 
niittolojia de arles, derivado do italiuno: /omliita deminutivo 
de fomio, «prato»» do latim rotundum. < redondo >, com perda 
4a sílaba única aotetóuioa iuicial, fenómeno nio mro em tos- 
cano. 



> Portugália, i.p. 3»0. 

' LATKIM8CUIGlt*KOHANlHCUB.S WARTKKBUCH. ?ll(ltrboni. 1^90. 

3 (lUiUienae Spíimdl, A Dictionart or thb w8L8H lanouaob, 

Carninrthen. Irl^W. 

« Saint-flrienc. 1860. 



S<mt 4c KBi áãait da Ckna, • do Mn IniitinU:— ■ 
■ rwfci a chixM um» Tíctorit do» teofons > —\ 
Bwdw d« téaiio XXX. c talrcf utes, clMUUTun-«e jvlcrl 
Thnqwmr t mlgwmttte. dSr rowfHnn, m d« Mda 
proeed«at«fl da ChÒM, a ^^ m aspanltóií dMUsafiai 
*ie Mnmila. porqo» m r«ccbcui ilirectuiMat« d« MsúU 
«ade rfco da China. 



topa 

fMiJLt ptimolojia» tecm fftdo propostas para £ste rocábulo. I 
qiieat« noji nossos escritores, príncipalmeote nos do sécolo 
quando se referem à índia e ao Orieute asiÁtíco. e que por ' 
ara upHcado uos uaturaiii que serviam de intór])retc«, por 
aer fiimiliar o |Mírtutr»*^s rrioulo. Este epíteto era sobretmlo 
prio dos que preteiidiani ter asTeadéncia portuguesa. (Ima 
etimolojias que parece oferecer fertas pn>liiibiliJades ■ 
«chapou*, por eles o ustirem, iioitundo oa europeus; luu.i 
com essa etimolojía oão tica explicudu a segunda parte do r4 
bulo. A outra, proposta por Frei Pauliuo de Saiu Bartolomeij 
é doiiharãa, «de duas lioguas, bilingue», e parece prefenvelj 



1 Ahtouio Pnutd»co 0*TdÍin. Batalras PA CoMrANttTA ok Jtcsvi; 

« W^ ih., p. 215. 

" VrAOOio AI.I.B Ik[>ir ORifSN tam. 'ijuvi Ynle A BuimII, A itu»- 



«ARY Or A3{Ot.O-l!ei>tAN WORDfl, LuadHK, ISH*;. 




ApostUaB ttitíi Dieionárinn PortHffuatrt 



189 



— * t«-udo já tomado por expeii^ucia que por topazes ou lín- 
ftOUA chins uAo poderíamos fazer nenhõ fruito ua China» — '. 

— • .Si de nuestra Compartia vinieren alguuos estraugeros que 
DO sepan hahiar pyitugue!*, es necesaric que aprendim a hablar, 
porqne de otra mauera uo arra topaz que lus entieuda» — ^ 

Com rela^*5o ao ^òsto que os indijenas teem de se vestir à 
eiiropeia, ooni o indispensável chapéu-alto, a gente do mais de 
quarenta anos há de lembrar-se do harão de Cabinda, que aí por 
mil oiloccotos e sessenta e tantos passeava nas ruas de Lisboa 
- -'-■\re. de chapõu-alto e luvas amarelas. Depois veio o rei Kala- 

.. também sempre com o referido nliapéu e de luvas cluniH 
de peticti. 

Traa vtí2 apareceu em Lisboa, acompanhando vários landins, 
ama espécie de embaixada, e servindo-ihes de iutèri^irete, um 
l^reto jÀ velho, cabiuda tamhf^m, que fora parar it Africa Orien- 
tal* com» linf^a. e que não lar^uu nunca em Lisboa o cha]>éu- 
-alto. e uma sobrecasaca preta muito rúbida. Falava e escrevia 
p*»rir.içuéd coui bastante facilidade, o (lue, como se sabe, é prenda 
tradicional nos cafres da sua grei. 



tope 



O Novo DjocioííAhio induíii já este vocábulo, na particular 
arepçÂo em que modernamente ê tomado de < enfeite que remata 
Bm cbafiúu, etc. ou outro adúrno aemelbante»: — «Siio todas [as 
ra.<4j t«cidas com lãs do Porto, fazendo a trama, em que se 
os ínpeUf rwlevos e feitios de fácil execu^-ílo» ^. 



^ «Trtdmlo de Imn carta «lo ?n>lre Mustrv Melahior, Cochim, l''>õ8>f 
Í^MK/Cri«t«»vilo Airw-4, KbhmXo Mbvobk PtsTO, Lítilmn, lí)»>4, p. 99. 

* «CVrtrt ilc .Siim PrancÍM^o Xavi^T, de -'i de iiuvriíihn de iri'l£>>, itpHd 
líCIVÍlDKW PAUA A llim.liOnRArillA PORTTOirEZA RELATIVA AO EflTXTDO 

■'A ).i3:Gt'A JAPOXKZA, por Jortlâu A. do Ftvitas, Cuimbra, UK)ú, jj, 7d. 
' ruitugalU, [. p. 377. 



4;íU ÁpoHiiofi ntui DieioTuirtus iA>rÍMy«íwa 



torgo, torga. toro (pr. tóto) 

Tanto a forma masculina cumo a femenina sSo sinânimaít <Ie 
urze. e a tíegiintlíi taniluMu se aplica ^s raízes du une, ú» qtie 
se faz carvão de arruuca. O títimo foi já dado por J. L«ite 
de Vascoucelos: é toricum. toriea, adjectivo derivado de 
tõrum, «toro, nó, grossura». A propósito direi que toro o pro- 
nanciado geralmeute com o aberto, e com razão pois procede 
de u breve latino. 

torna, tornar 

— «As folhas [parcelas de terreno de «ma herdade, 
cultivam alteraadamentc] subdividem-se em tottittf. Tonta 
classíãcaçíLO dada ás fracções de terreno em que se reparte 
folha, por vontade do lavrador, ou por effeito de divisórias 
turaes, ou estranhas, como regatos, ctc. Chama-se-lhe» tur 
[torque cada uma ú lavrada em separado, tornando o arado ou 
charrua ao sitio onde começou» — '. 

Não pode ser mais clara a explicação, pois utt^ i-onteii 
orijein que a denominação teve. 

— « Em [certos] sities [do Gerez] quem primeiro hma [utilíl 
a aiyím, aproveita-se d'ella emquauto a guarda- — '. 

i)i' torjia-fornatt. de torwhtonnt^: — «laes Kào os [terren 
i|ue afloram em certa.s aguas iudivisas, cbamada« de torno-ttirH 
ou de torna-hma^i » — ^ 



> J. Aa Silva Picâu, ErnitooRArniA do Alto-Alsutejo. in Poi 
galfa.i. i«. 27:1. 

* A.lbi'rtu Nnntpnio, As < ViUíAS ■ t>o Nortb db Portuaau m P\ 
tagalía, 1, p. 117. 

» Id.. ih., ib. 



Apontilaa ao» Dicioitãnos Portugwgf^ 491 



tôrnOt tornos 

Este vocábulo foi empregado no sentido de «borbotão» por 
Antdnio Francisco Cardtm: — <e pelos buracos dois tomos de 
sangue' — *. 

torren-Utigioso 

Este extravagante palavrão vi-o empregado era uma corres- 
pondência do Brasil. para O Economista*: — «Apontamentos 
sobremos limites entre o Brasil e a Republica Argentina»: — «é 
acompanhado [sic] de duas cartas geographicas do torren-li- 
tigioso> — . A nao ter havido gralha» a morfolojia portuguesa 
de quem isto escreveu andava a par da sintasse. ^:Será teiTeno 
Utijioso'^ Assim parece, pelo menos. 

torresmada 
Xo Faial usa-se este vocábulo no sentido de «parvoíce» *. 



torre 



— «Castellos ou torres assim se chamaram as casas de so- 
brado» — *. 

torto 

Jtesjxmder torto não significa somente «responder trocado, 
ou errado», mas inclui a idea acessória de desprezo, desaten- 



* Batalhas da Companhia de Jesus, Lisboa, lSíi4, p. lí>ií. 
> de 12 de março de 1H.S9. 

» O Sbcitlo, de 5 de julho de 1001. 

* Portugália, i, p. 178. 



1 



4!)2 Apostilas aos Dicionários Portugueses 

ção para com a pessoa a quem se está respondendo:^ «Estava 
[a presa] evidentemente a responder torto > — '. 

torva 

— * Ã machina [de talhar azeitonas] é simples : consta d*am 
bancOf em um dos extremos do qual está uma torva ou tremo- 
nha» — *. 

tosquiar: v. trosquiar 

(toupa) toupeira, toupeirinho 

É sabido que toupeira procede de um latim taiparia, por 
taipa, que deveria dar em português toupa, que talvez exista 
em qualquer parte do reino, como existe na Galiza, sem que 

o termo haja sido colijido, visto que os espanhóis teem topo. e 
09 franceses taupc. 

De toupeira derivoíi-se um adjectivo que serve de epíteto u 
grilo, de inoilo (|iie o raUí em certas ]mrtes do reino se chama 
grilo foapcivinko •'. como em castelhano gr/Uofalpn, ijue é o la- 
tim t/rt/Uotalpa . 

tonta, toutiço; toutinegni. iutincgra. totineitrra 

.Tnlio (^>rnu já deu a etimolojia das palavras tmita e fonti- 
negra, isto é, caiiite ui^M-a, (■ap'fe nigra. cauiincgra 



» O .Século, .lo '1^ .lo abril «lo l!ti>i. 

* O Economista, d..- 3 iW .jutiií.r.i A'- is-S"^. i-itiiml) um jumal Jt- EItí*. 
J. r. Xorv Doljra.Lj, KsiTuo sobkp: os iiilobites, SuplL-nu-nt-. 
Lisboa, 1838, y. tj4, n. i. 



Ajtostiltt» aoí Diciotiãriog I\>rtHffW9e« 



4ít3 



Icf. cautus I cupitUB). iouUncffra (cf. couto \ cautum) *. A 
imUvra toutiço, signiticiiiido n * alto «la cabeça*, é pois capiti- 
riam, e tonta, que o Nnvn OirnoxÃRio definfí como — «topete, 
rabeca > — . e a que atribui em dúvida como étiiuo tontfí, o que 
i>inadniisfi]vel, è evoluçilo de capita, plural de caput, «cabeça» 
(cf. pimenta \ pigmenta, plural de pigmentuin). 

Itluteau. uo Supleuieuto ao VcjCabulario poktuqukz e la- 
TTXo, rcjistoi) já o substaativn íuuttt, como correspondeute na 
províni*ÍH de Kntre-Douro-e-Minho, a toutiço n» tabeça. 

Em uma uota à Sbleíta »k lkiti^has iniiuksas dissera 
«b:— «black'cap, 'toutinep:ra». õ si^juiticadn dos componentes 
é análogo: cm ingléâ, « carapuça preta », em port. • cabeça negra» 
(lat. capite niyra)' — •. Na Madeiru o macho é deuomÍMiido 
totiiiegro '. 

(juauto A forma tutimyra, que melhor será escrita totineijva, 
cf, apoqucntnr \ pouco, aposentar | pouso. 



toxogum 

K ura vocábulo composto japonês, empregado por António 
Francisca Cardim, que o define ;wáim: — «Toxogum, o grande 
xogum » — ♦. 

trahíil. trahula. trabulo 

U XOvo PiociosABio rejLíta a seguuda e a terceira destas 
)rm&fi. max nilo a primeira, que, cnm a terceira está abonada 
no trecho (teguiute: — «[A rodn de oleiro], ordinariamente do 
Carvalho, raro de nogueira (Haiilo). compõe-ae de um estrado 



> GaincnKtaK dbr bouamklukn Philiiuhhh. i, p. 72ij. 

* |ior Berkelev Cotter e (>oQçálrcz Viana, IíaIkhi, tSt>7, p. 111. 

* Entesto .S>:!hiiiitz, PtB A'^OiiKL Madhiras. 

< tlATALlIAH l>A L'tJMPA&HLA DB JBâUa. Llsboa, lãd4, p. 47. 




rectangular, o trabul ou. ti-abnh, do centro do qnal se ergnq 
uni eixo» — '. 

Ti'íiga-iuaUjo 

O Nô7o DiocioNÃRio, autorizaiido-se com o Digcioxarb 
JcBinico de Ferreira Borfjes, dá como orijein do oomv díí" 
impi)sto — «aluguel do um malho, para cntiMTar a estuca, a iji 
os barcos se amairavam » — . 

Pouco mais ou menos é isto. mas com al<ruma ilíforeií^i^ 
Como há muitos anos tut informadn, os barqueiros traziam dnnt 
conHÍ^'o uma estaca, e com um malho, que também traziam^ 
crararam ua praia, para amarrarem o barco; ou ent&o o ina 
eru-lhes alugado, e para uilo piífçarem í&se uluy^uer. forya 
trazerem-mi. 

Traga-malho ií pois um dos muitos substantivos corapwtos^ 
do imperativo de um verbo» teudo como complemento objectil 
um substantivo. Lajeados que foram os cais, cbnmbar:uii-5e uel 
argolas gm^^siis de lerro, para a amarração dos barcos, media 
o pagamento de certo imposto, o que dispensava os barqueiros 
de trazerem, ou de alugarem o malho, como antes taxiam. hábi| 
que deu o uome ao impotito. 



trajOf trqe 

Qualquer destaíi fornias deve incondicionalmente substituir 
indisculpável galicismo cosiume, (q, vj, que. a par da sua iauti 
dade e de todos os incouveuieutes que ofert<ce, tem mais o dej 
confundir com cotttume, <uso», o que em fí*ancés não acont 
pois neste último sentido se diz eoutume, e n&o, coftttwic. 



* RoebA Pfíioto, SOBRRVITBXOIA OA I*K1UIT1VA aODA DS < 

in PurtngalíA, ti, p. 7ã. 



I 



Apoaiilaa aos Dicionários Portuguesa 495 



O Padre António Francisco Cardim ' usou de trajo para de- 
signar a pele e o pêlo de animais: — «uma côr entre pardo e 
branco, que é a divisa do seu trajo», Jo de certos cães silves- 
tres do reino dos Laus] . 



tramuinha 

Na Chamusca, e provavelmente em outros pontos do Riba- 
tejo, dá-se este nome a um «rato pequeno». 



tranco 

Está este vocábulo definido como «salto que dá o cavalo»; e 
a locução adverbial a trancou como significando «aos saltos». 
Ora, já Bluteau dera a esta locução outro sentido, pois diz — 
«a trancos, com interrup^-ao » — . 

Assim o devemos entender na seguinte frase: — « Pelos muros 
de noute havia fogos a trancos» — ^. 

Quere dizer, « intervalados ■* , e não « a eito » . 



tranvia, tremvia 

O termo inglês tramwaj/ tomou em castelliano a forma de 
tranvia, que também por cá se usa, raras vezes, sendo a desig- 
nação mais trivial {carro-)aniencano. Houve já quem escre- 
resse, forjando a seu jeito a palavra, o ueolojismo tremvia, que 
nfto foi aceito: — < vulgarisou-se a viação accelerada em tremvias 
e nas linhas férreas » — ^. 



* Batalhas da Companhia dk Jkbuh, Lisboa, I^Dt, ji. '2'i 

* 76., p.35. 

' Diário db Noticias, ilo O do ontuhro do iíiO;j. 



4!t4J 



Aj'0<itilnjt ao» /)ieÍonárioK PnrtHffUcwê 



trapeira 

Niio se saUe liem pnríjuê. impetra desi]?na janela iibertãnfi^ 
telhado, e lauiliéin áf/iui-furtívio. outro tenno de difícil fiiili* 
cavào. Atribuem-lbe mais os dicionários o signiticailo d*- Mintu- 
dilha », « é talvez este o primitivo. Km sentido csiwcial vemoí^ 
o dito rncibiilo empregado e detitndo iio trecho se^niut 
«a capoeira que u'uiu dos lados tem uma abertura em 
com o nome de trapeira, pela qual sabe uma trave 
detiomiiinda tJia^tro* — '. 

transe riyíU), trans]itera^>iÍo 

Êste-í dois subiitaiitivos. bem como ns verbos corre«ponfl 
tes, transcrever, frajiífl iterar, oomo termos do glótica e |'al**'j 
grafía, são muitas vexes confundidos, e contudo é necessário (|Ui 
a cada um dèle« se dt'> a acepvío diversa que Ibe convém. C}a-\ 
ma-se tnmsnercr e transcriçào a cxpressilo grálicii do;* ^f^u 
uma líu^ua. iiidopendeutemente do .sistema de e.^critai qn 
usa na sua literatura, quando, mediante certas Gouveiifí)^ 
conhecidas ou explicadas jtor rada traust'riU)r, os yncà 
dessi língua sào escritos por sistema diferente; tiani^criçéi 
cbama também a e.«tcrita metódica de um idioma que 
teuba sua, ou cujo sistema de escrita nilo seja fonético, 
represente as piílavnis pelos sons que as oomj>õein, mas KiiaJ 
outros artifícios, iudepeudentes do modo por qut se ela* 
rem. AftsLin. se qualquer pessoa quiser citar em portugnA^ 
vras cbinesas, por exemjtlo, tem de at^udor à sua pronfl 
unicamente, visto que ua literatura dc^se idioma af 
'sio em geral expressas por sinais^ que pouca ou neubunut: 
ção teem com o modo por que se dizem quando, em vui lU 
críto, ele é falado. 



' J. Xúnez, CoaTtiMBs ALOAKnos, MoiKuoe, ín Portng*!^ 
p. HAC. 



Apogiitas a<M DmoMA$ntui Porluguaiia 



■m 



Ootro tauto acout^ce qiiaudo ciUmoH vocábulos timares. por 

itplo: escreveojo-los eoin letnis portugiiesiiH, representativas 
<](w soiis de que ^sses vociU)ulos oonstum, por í|Uf) nílo iet>m es- 
(Títa pr<1pría. de que usem, os naturais que fulam qualquer dos 
'liiilíctoíí veniáculos. naquela ilha. 

TransUternçào é a passajem de um a outro sistema fonético 
lie escrita, e nela o que ^e trashida, coiu maior ou menor tídeli' 
itade e coufonae o su^teitia que »e íiegue. é a letra, u aâo o som 
que ela represeuta. 

Darei um exemplo que elucidará completamente, a dife- 
rença. Sabe-ae que o grei^o moderno »e pronuncia de modo muito 
diverso de qualquer dos convencionais, ou do averij,mado. que 
tttribniinos ao grego literal quando o lènios. Assim, a palavra 
de grego antigo obío;, «cusa*, trauslítera-se por oIkos. Mate 
hUi vocábulo persiste no grego moderno, e se o quisermos 
traniijiterar reproduziremos a forma antiga otKos: mas se o 
repre<eatarmo^ em letras latinas, regulando-nos pela pronúncia 
que adquiriu, na língua actual, teremos de o transcrever, isto 
é. de escreví-Io ikos, visto que o ot se profere /, e nenhum va- 
lor real tem já o acento circunflecso, que o diference do agudo, 
eoiuo acontecia no grego antigo. 

trave 

— *o Corte de uma pequeníssima fracção da membrana sublin- 
píal [ibs aves] a que chamam trave» — '. 



IravesíM), travessa, travBS, através, atravessar, travesseiro, 
travesseira, travessia, travesso, travessura 



TímIos estes vocábulos procedera, por evolução, do latim trans- 
'ffitani, e outro tanto acontece a atravessar, través, de traus- 



* Oazdta has Ai.bKiA0, de 13 de ftgosto de ll>Otí. 

U-VOL. tu 



verse, etc, rocábulos todos intimameute relacionados uns co 
os outros. 

A palavr.i travesso, conio .«ubstautivo, vè-se no trecho 
guiute: — *lchu — Armadilha a mais couliecidu dos povos 
serra, e por elles mais largamente empregada, tal a simplicid 
da siia fiiotura e o maravilhoso resnltaiio (|ut' tiram do sen eu 
prego. Tem a forma de uma pequena padiola e ti feita de di: 
bastes de madeira íhaazos) do comprimento de U*,4fj a (**,50 \ 
que pregam duiw menores (travessou), formando caixilho qt 
drado de (r.25 a {)'",30 de lado> — *. 

Traoêsítofi se denominam também os de^us de uma escad 
-de-mAo, como se chamam baruos as vergas laterais da dii 
eãcad», ora que os travessos se embutem, ou se cravam. 

(Joui a mudança de valor do e, aberto em ve» de focli 
travessa quero dizer «caminho que atravessa outro, ou ter 
ínvias*. É saiiido que era Lisboa se denomina (ravntsa uin» 
mais estreita, que corta ou atravessa outra ma. que se coo 
dera principal com relação àquela. 

Kis aqui outra acepção da travessa, como termo de jtesca 
— «É o que se faz ainda bojo na penrn tlv iravcsna. (|ue os id 
risqueiros enijiregain nos esteiros rio (.'arvâo e da Tróia. A tt 
vessa é um appareliio de estacadu« isto é, ama rede sem 
nem bóias, segura \yox meio de estacas postas oo fundo 
mar em linha, que atravessa u boca do esteiro. Kmqnaii 
dura o fluxo da man^. a rede está prostrada no fundo » dei 
eutrar o peixe. Ijogo porém que começa o reduxo da maré, 
pescadores levantam a orla da rede. sus]iendendo-a nas cs(a4 
B impedem assim a sairia do peixe* — *. 

Trtwês é empregado nas locuções adverbiais de Iríivéã)^ 
airavéí», que para ter a funçío prepogicional necessita d» 
acompanhado ria preposição f/t': através dos rainiify*, e 



t O Akcuisuuiixi roHTLMiricti, X, p. 18^^. 
* Ju-^r riiiliD, EruNouiufuiA Amarantusa, a Ca9*,wi Purta^ 
lia» II, p. !*^- 



t 



Apnítilwí aoa IHcíonàrioã Poritiffttcuai 



ÍM 



fVií os ctittipoA, que seria piUcismo, à travem le3 cfiampg, 
empre inai?* vtruáculo empreipir neste sentido as [ireposi- 

jtor entre, ou sÍD)pleMiiienttí por, visto que o povo uão 
lece a locução (itravés, mas si5mente ao través, com a signi- 
|hi de «tninrívtfrsalmHiite». 

Travesso, travêsm. com e fechado, é também adjectivo 
lika, «maldoso, buliçoso >. com o substantivo derivado tra- 
}*ra, 

Vravfxseiro é ábuntadu comprida que §0 põp atravesf-ada na 
ceira da cama; travf^fteira, outra quasi quadrada em que «e 
i& a cabeça; mas em Lisboa a esta chama-se almofeidinlia. 
Vravesma, ou vento fraves/tào ê ■ o vento que dificulta a na- 
ç4o, por Ibe ser contrário». 

>atro sentido dado pelos diciouj^ios, não é vernáculo. Para 
oadr o francês iraversée emprega-se, modernamente travessia, 

como vimos, tem sig^niHcado íliverso, isto é, «vento con- 

Ío>, ou travessão *. Ampliou-se d es necessariamente a signí- 

fto de um vocãlmlo, que a tinba bem restrita e definida. 

v/Vi no sentido do franeís traversée é couvencioual e 

< nlo oa linguajem de bordo. <h antigos escritores [>or- 

ie««fi diziam travestfa, e bom fôm que voltasse ao uso comum 

vocábulo em tal acepção. 

Saqui eiemplos do seu emprego: — «Andamos tanto 
em esta travessa, que três meses menos três dias 
Ainò« nella» '. — «Vasco da Gama tinha feito esta mesma 
ressa em vinte dias quando demandava Ciilicut» — '. 
So MíDtido de 'percursii por terra» empregou Kui de Pina 
^palavra: — «E porque se receou de gente que o conde em 



I 



I Hlatnia. Voí:ABri,ARio poKTVGVaz B latiso; F. M^^nd» Piíito, 
mutSÁt:Xo, CL.ILIXI11. 

iciTIBritb l>A VlAOKM OH VaBCO DA GaMA. 

Mtintciru, Carta ao Iix.""* Snii. Tuomaz Xorton, Pa 




500 



Apostilaa aoê Dicionáriod /VíríuyMtJfw 



Ourém tiuha junta, ijuis na<jHetIa travessa Mjgurar auaj 
cora outra j^ente sua» — *. 

Também Btuteau disse, citando Vieira, travessa de \ 
de mar, pelti «acvâo de o atravessar». 



trocho 

È um castelliaDismo o vocábulo trecho \ tractum | trakl 
a que em português antigo cori-esjKtndia tirito, como a ;^ 
castelhano. { pectus, corresponde peito. mâ 

Nem em castelhano actuaimeute. nem em portuguê^l 
íoi trecho usado como adjectivo, mas sim como substantivo. 
a si^íticavão de -parte. por^'ão*. mormente de obra liten 
ou de partitura musical. 

Kxíste todavia em português o adjectivo atreito, qne] 
de ad tractum, e quere dizer, «sujeito», «biibttuadoí 



treítant{e)ontem 

É express&o mnito popular, para querer dizer «o dias 
dente ao de autontem*: — ■ Tresantehontem descobriu 
Joaquina Oon^alves de Marcos... enterrou no quint 
friicto dos seus amores* — *. 



tretoura 
— <0 arado / sem tretoira nada faz» — '. 



1 Crónica db Bl-rbi Pom Aposso v. uip. uxjkXxx. 

* O Sbcclo. (1« ii do junho de IHOO. 

' O EuoNOMíBTA, ào lò de outubro de 1S37. 



Apfwtilan aos Dicionárioa PffttHyHwe» 



SOI 



tribo: tribaf, trihul, tribuis 
Assim 86 e^crena dautes, e era do K<^iiero masculino esta 



— Oa qa«ia o Tribo ilustre destruín — K 

O neolojismo tribal é empregado no trecho seguinte, e quere 

(Tl como ndjecUvo, « o que pertence à tribo » : — «a egualdade 
bBAgraphica, qua&i completa, doí> seus variado» agnipan^eutos 
bae«* — ■. 

Melhor fôra irihul, iribui», visto qne o adjectivo latino de- 
rndo d« tribus (4.* decliuução) é tribalis, tribale. 

Ú incorrecto tribal tbi copiado iudiscretainonte do injílês 
ibat (proii. trúibel), artificialmente derivado nesta lii]f{iia do 
bstatitivo trtbe (pr. traib), que t«m a mesma orijem latina. 



trilho 

— «O instrujneuto consta de três peças principaes: o trilho 
prínmeute dicto, o peote, que ê a vara lixada mais ou menoa 
"ente, e a iivmozfUa, ipie ê o cabeçallio ou tenião, a 
janjem Oí animaes de tiro» — ^. 

trincha 

Alí^-ra dos significados já apontados nos dicionários para êrte 
»i-âbiilo, dá-se-lbe no litoral da provinda do Miubo, o de «cós 
>iLÍa ' . 



1 0«nid4«, 0« LunUuAti, ui. 140. 

» ' Bou HA Soe. DB Gk<mík. I'E I.ihboa, 24.* «'ric, p. 242. 
■ FnscÍMn Ailolf<j Cck'1íii>, Ai.faia aoiiicola roRTUúUBSA, in Por- 
KftIU, f. p. 641. 



r.(t2 



Ap<atiiai aoa DidoHámog P(wtttgw*c.» 



trinchei ro 

K o nome que se díl aos socalcos ou dtigrans Tcitoit nunu 
triDclieira, ou barreira, para jwr eles se subir úu de-scer 



(por am) tris 

Esta locaçílo. muito nil^oirizada, é provávebneuie de oríjom 
semi-douta, tendo pertencido, como badnmeco (vademecum 
primitivamente à jiria estuduuttísca. Em ^ego T*níKS quere 
dizer ■ cabelo >, e naturalmente os «stutiuntes de j^r^^o usavam 
este vocábulo, era vez de «por um cabelo», com a si^ifitraçii 
de <quáiji>. Ainda boje os ingleses se servem da locução to 
hair. como em he íV liJee kiA father to a liair, correspondent 
à nosáa. é <o pai |>or uma ppna>. isto p, com diferença sómenti 
de uma pena, entanto que os ingleses dizem, «cotn :i dilVrí^n^ 
somente de um cabelo». 

A compard^'ão em inglõs tem por base pesjíoa, em português. 
are. O termo tri-n é também usado em castelhano, na locuçM 
adverbial en tm irU, correspondente à portuguesa, {lor um trU, 
e na l^olívia emprega-sd o deminutívo b'mto, equivalente i 
• pedacinho* '. 

tríscelo 

É uma H^ura, variante do suástica (q. v*), que consiste em 
tr6s linhas curvas que, diverjentes de um centro comum, se en- 



* R. J. Caerro, APUNTACION&S CnlTICAS SOBSB SL LSXQrAJB M>> 
OOTANO. Bugotá, I8tí!,p. Òí>tí. 



ApmtilaH AOR DicioHáriot PnrliufueMn 



503 



rwcam em espiral, formando roseta :-r« Começarei pelo triscelo 
e tetniícelo [q. v.J » — '. 

tríz(ia), tiiz 



O Xovo PiocionAbio dá este vocóbulo com a significaiiào 
de ieiericin, de que i* reilufiV» imiiular. 

O snr. G. de Vaáconcelos Abreu apoiíta-me outro signiAcado, 
que deve de pertencer a vocábulo idêntico ua forma, mas de 
outra orijem: «vara grossa*. 

Forma ainda mais reduzida da piUavra íetrrícia 6 triz, apon- 
tada na KeviãTA Lusitana, e usada em várias fórmula», como 
por exemplo — -a triz matou quem quis» — *. 

tronho, irochada 

— • K o mosmo destino jA arcliaico mantém ainda, por econo- 
mia, o emprego do trocbo de urzeim era Terras de Barroso» — ^ 
Iyuere ]»o'\s trocho dizer «graveto». 
2'tvrhath, em Sam Miguel dos Açores significa • pancada » *. 
ím como pancada foi primitivamente golpe dado com a panea. 
alavanca, e de|toiá se generalizou a qualquer golpe, assim lá 
hoiia, primeiramente • pancada com um trocbo», veio a sig- 
uiHcar qualquer pancada. 

tromba 

Além de outros siguilicados deste vocúbulo. encouiramos 
rnuis nm uão rejistado: — •> U est des sigues certaíns auxquels on 



1 FnuiciHro MnrtúiH íianiiento, A artb uycismca, in Piirtof^n- 

l. p. 2. 

» *i>l. VIII, p. sul. 

* Bocha Ppiíutn. [LUrMlSAçio ropVLAK. in Purtugalia, u. |>. ^Itl. 

^ OSíBtTi/). 4it5dejimho do imtl. 



reconnaft qn^on a passe le Cap [da Boa-Esperança] . . . on reuo 
tre alors. . . des trones de gros roseaus flottants — dea trombojt. 
poigiióes de jonca encore gnruies de lenrs raciues» — *. 
O vocábulo é citado como português. 



tronei ra 

O Novo DiccionAbio define esta palavi*a do modo segointe: 
— iiitervallo dos merlòes, por onde so entia a boca do canhão i 
bombarda (De from)> — . K castclhanismo: trovera que aind 
boje quero dizer «fresta», derivado de /;vm. I>o português tro 
derivar-se-ia iroeira; cf. o 'troar da arlelharia>, atroar, etc«" 
sem o n medial. 



tronga 

É, conforme Kafael Salillas -, vocábulo port«nceute à 
aia,* e que de.sU passou ao caio, que o trausniitiria iU) purtuguj 
oude adquiriu sentido depreciativo que nflo tiubu. [>oifi si^ 
cava e sij^nitíca uinda, no dialeto cigano de I->p^nba, siniplt 
mente «auiã/.ia*. 

Em getmauia, e mesmo no castelhano geral, o termo nilo^ 
vilipundioso: 

Y micnte tudo jnvâa 
y trcamicfite To*Ui trwoga 
que prcsonie dv bellezu 
«n donde aula te nonibnín! 

VÀ» aqui uma nhooavão do vocábulo em portngnêíi. no 
tido vilipendioso que se lhe dá — • Nt^ mesmos confiámos d^ 



' Jari«n de U Oravíbre, Laa AxoLAlB UT lb6 Uom.anuais luxsi 

1'OLAIRf» ST I>ANã I.A UKIt DKS InUKS. V.\r\A, IM!I0, t, p. \h'Ít\ 

Quevctlu, UúXAOÚN. in < Kevue HUjwaiiiue», xtu. p. 7t. 



• - 



Ayontiias nos Ttírwuáriún Portitgnr^fH 



■505 



inaiciailaineiit-f uh lomla diula, que se adensou em roltii do nome 
d'ei?ta tronga de viella» — '. 

Kefere-se o autor à decantada Severa. í(iie floreceii jiutea 
do meíido do séoulo passado, e cuja historia meúdamente narrara 
«m obra ant«riflr. 

tropa 

A ace|]^âo de «manada de ^do» vem já rejistada no Novo 
PicvioNÁKio como teni}o brasileiro, mas sem abonuçflo. Kis aqui 
uniu: — "De longe a h>n|^'e, topáramos vaqueiros á testa de 
grandes tropas de gado» — *. Ignoro se o termo se aplica igual- 
mente a outro qualtiuer gado^ que ndo í«ja o racum. 



tcosquiar. tresquiar. tosquiar 

A forma moderna é túsquiur; mas a autiga, que ainda urou 
I Gil Vicente, era tronquiar, talvez tresqumr, correspondente à 
castelhana Iremquilar, derivada de esquilar, que tem o mesmo 
s\gmÚc»t\n: 

— Líarneiro. Este se um amor o cobre. 

Di [tini] a |)t)ucu 60 truiiqain, 
E lo|^ oatro novo se eriA — ■. 

E possível que trosquiar seja firro tip(^àfifo por irea^ 
tiiitfir (cf. troífpaítfte e treiqiafise), fonna que melhor corresponde 
* castelhana. O étimo ó dmidoso, e Parodi * supõe, ou antes 



1 Pinto «itr 1'iirviilho. TIistokia no Fauo, Lisboa. 1903, p. 45. K do 
"•^líio ciícritur, LmiiuA DoffBOs tbjipoií. ISftS. 

3 Ko8ljX*BJO DB DIA VIAUBU NO r.STBHIOR DA FaRABVHA B DB 

^ ^ItXAMHrco. in *0 8eculo>. de S de jnlh«t tlc líKlO. 
■ Arr» líAH Faoaíi. 

« npwtl G. K^irting, Lathimhch-uomanihcueh WoitrioRBrrH, Pailer- 
í, lífíK). n.^TTlí). 



protH^e o ã(l,jecfcn'o squalidaiu. como liiLie d« esquílar, Círni 
tbnnas intermédias, (voréin, sguaiiilum, squadilare, e»^ 
lar, esc^Hor, esquihr, u que se juntou ao du[u:)b o pwí 
iras \ irans. A quedii do l de unia Ibriiia hispânica tra^pd 
é perreitiimeiiití normal em portuguiís, oomo é «ubtdo. qti 
em castelhano éle é intervocálico: cf. saUr eoin sair. 



tniiiiit: V. túlipa 



tsar, (t)çar, tzar, czar, ciarina, (t)çari{i)ça^ (t}çarévi(tkh 



Até f^poca Diuito recente a forma escrita deite titulo d(i 
píTidor du Itússia era em portu^^uós csar, que se lia qH^^sâr^ 
porque assim se escrevia e se proaunciara em francês. Co 
agora ern Fraiiva se começa a pronunciar e «tirever tmr. 
cá chegou a moda, que por francesa foi logo adoptada, potn 
biva que fosse francesa e que fosse raoda. É 6acto que em 
se lê quási trar, e nào é mais que nissificavuo do latim Ctei 
como o título do imperador da Alemunltu Knij*er i* a \!vtmà 
/.avão do grego kaMae, forma heínuizada da mesnia 
mas que em alemfto é o único vocábulo usado para dtsignar^ 
imperador qualquer, da Alemanha ou de outra nação. 

A forma Uar é niemil, porque são os alemilM os únicos j 
com as duas letras ts, ou somente com z, escrevem o dii>^ngo i 
souantal /{-. ri:ito qite em italiano z e ^£ valem por /{:. ua i 
dude. mas também por tfz. (jeneralizou-se o /• da transcr 
alemã, neste e noutros vocátiuloti russos, porque diiraute lau^ 
tempo, 6 mesmo agora, os pr<íprios russos quando escrevia 
escrevem em alemão ou noutras línguas, a (ta- 
mente, adoptaram essa fórmula gnilica para r^pv: 
letra do alfabeto clementiuo. de que, am pouco alterado, bo j 
vem. e no <|ual tem a figura de um dois n nmiúsculf^, untd 
cedilhados, ou aute^ com um til subscrito. 

Cear é forma búngam. \i\ obsoleto, pois boje om dia o 



Picionáriott P^/yringursen 



.%07 



go tç ÃC escreve nessa líníjua, como em polaco, com mn sim- 
ples o. seado o cf apenas iiitado, por arcaísmo ortográfico, paia 
os apelidos antigos, que já assim se escreviam. 

A forma tçar seria a que mais se aprossimaría da pronúa- 
dsçflo que esse u, bem como o cz e o tz representam. Ku pre- 
firo, porém, escrever e pronunciar em português çar, a nfio se 
aerer o melhor de tudo, que seria dizer tmperador, 

A imperatriz t^m o titulo de (t)çari(t)ça, e não o que se lhe 
forjou no resto da Europa, czarina; o príncipe herdeiro o de 
(i)ç-trtH'i(t)ch, e a priuceiía o de (fjçaréima. todos três com 
ac«nto tónico na poniUtima sílaba. Vcjam-so, do autor, Base.s 

DA TUAXSOEIÇÀO DE ffOMKS ESTE-UíaEIBOS *, 6 OeTOGRAFIA 

Xaoioutal *. 

A propiísito de nomes russos, acresceiítirei alviumas palavras. 
A «Gaiela das Aldeias*, no seu número do 17 de setembro de 
190í>. oom a píttiresi^a epig^rafe Os Vocábulos do dia, ofereceu 
aoí leitoreij a» duas palavras russas, que cfline^avani a aparecer nos 
'•TM lis estranjeiros. gosudarstvennaia duma, díieudo ser j>sãe o 
lia tutiira «ussemblea constituinte da representaçilo na- 
fioiíal da Rússia». Conquanto o adjectivo tjosudwstvennaia 
seja .-íuficieatemeute extenso e dificultoso de pronunciar, com o 
&c»ato ua 3." silaba e três depois átouas. e mais o acréscimo de 
i penúltima ser ditongo, o que em português só acontece com 
vertios e complementos pronoiuinnis, como rvmprnramo-lo, 
iiavam-Ho-iaffr etc: apesar, repito, de ser palavra de lé^çua e 
nieia. nAo significa de modo algum tudo aquilo com que se pre- 
t I i.-u traduxi-ln, e aqui se imprimiu entre aspas, t^uere aim- 
1 ■ ncnte díxer «imperial », propriamente «soberana, srn/ior/rt/ » . 
>!<' •fu.-iudar, (pr. ({orudiir) > soberano ». Assim é luai.s simples 
livrarmo-nos de tam estramb ')tico adjectivo, e dizermos a duma, 
nfffemhlea napionaí. que ú » (pie vom a ser. por lira de 
, ainda que por em quanto, memnieute consultiva, se of5r. 



* Ltíboa, !90<f, p. 22-20. pa%aim. 

* I.Wion, IDUÍ.p. 250-25*. 



Acrescentarei que bniii seria que os joruiii!) diárioif explica 
«em estes termo.i estraujeiros que as gazetas põem cm CITCXÚ 
çfio obrigada, ensiuaudo aos leitores um modo, aprossimndo, 
mais não pudesíte ser, de oh lerem, por forma qiie se não difuj 
dam pronunciardes caprichosas em tantas quantas são a« pes^ia$ 
que tentem proferi-los por sua conta e ao sabor das suas prvfv- 
r^icias, lis mais das vezes afrancesadas, <! por isso fun<lain( 
talment* erradas, [wis não hã segundo povo no mundo para dí 
oonjantar vocábulos estranjeiros, como s&o oa franceses. 



tsigano, tsiga^u*, cigano 



São absolutamente imiteis, atém de sunianiente estravi 
tes. estas escritas, em ve/. da portuguesa cujano, autiqíiíssima i 
língua. Acresce que U, e pior U nito sfio grupos pronunciar^ 
e(n porliií^nOs ; [Htis muito se engana quem supuser que o pr 
meiro se lê como o tec da palavra tecetuh, e o segundo comOj 
U de fenoura. Nem a alegação de que cigano é só aplicarei 
rigano de Portugal è verdadeira, pois o nome é genérico, e 
exist«m DO reino as tribos de ciganos que liá em Es[aiiba. on^ 
por exemplo em Granada, êles ocupam um bairro enteiro. o 
baizim; nem aqui fazem vida totalmente aparUdo. cniuo lá. 
pois, o maior número deles vem de fora. principalmente de \nú 
luzia; iLè verses são oriundos da tioménia e da Hungria^ em 
quenas famílias, ou grupos, mos vêem sempre dírectAmente 
M^spanha. Os dialectos mesmos que falam, raras rezes os empl{ 
gam em Portugal os ciganos domiciliados cá, de maneira qtw 
existe dialecto cigano-português. como existe o cigano^e^^^anli 
cbaniudo ealó, 

È admissível, porém, qae aos ciganos de lijspauha, para 
diferençar dos mais. se dé o nomo que em Rs pau lia se Ibes 
de giUsnos (^=ejitano8, do Kjipto), e não pertence à língua dc^l 
é fácil de proferir, e nHo desdiz da tndole do nos.4o idifi 
como também é adoptável a denominação italiana de £íngar 
aplicada aos ciganos músicos, e a outros indivíduos que fu 



Apofííilfu aos Dicionários ^rtuffUf/teH 



Ôl"t9 



rqQPâtros fi inodii dos ciganos lnuiíraios, qtie forHin qnt^m deixou 
ca Osse nome. (luaiido haverá vinte anos derara uns cimcert^s uo 
tvíiLro de 1). Miiria. Advirta-se, porpin, que entre o pessoal que 
conítitiiia esâa or(|Ui'stra appuas havia três oa quatro figuras que 
eiu cigauos, e o rejente o uão era. 

SAbre os cigaung que vivem em Portugal, ler-se-bá com muito 
proveito a obra clásãicu de F. Adolfo Coelho, Os Cioanos eu 
PoBTUGA-i-, Lishoa. 189^. 



tuaca 

O Novo Drigionábio, seguiudo o Cuntkupobaxeo, diz-iios 
ser tuaca o mesmo que eaffu. 

Km sentido muito diverso vemos que este vocábulo é usado 
játa Timor: — * mascando a areca e o helel [if. v.J, ou sorv^eudo, 
pequeuofl goles, o bambu de tuaca (suco da palmeira) vivifl- 
"raiite • — ^ 

tudesco 



K&ta palavra, correspondente ao italiano iedesco. é a roma- 
nização do alto alemão antigo (^iutts^: Designa cm geral • ale- 
mão >. Com referência à liugua, quere dizer tanto o alto, como 
o baixo alemão; o erudito Mauuol de Melo ', porém, Uitou-a 
no sentido restrito de alto alemio, e eu segui-lhe o eiemplo na 

CLASSIKIOAÇAO SrsiUARIA DAS MNOUAS ^. 

í)eve ter-He em aten^'âo que os ingleses chamam Dufch, quo é 
o mesmo vocábulo, ao holaudès, dcuomiuaudo fhrman o alemilo. 



' J. 8. Pereira Jurdini, Notas isTincooiupuiOAs âosaa 06 tuvoa 
tiBTiMoii, i» Pr>rtaKalÍM, t, p. 8'>T. 

» Ha tfLiiTTiCA BM PoKTfOAL, Ilio dt) Janvíro, lál2. 

* Antecede u Mai'Pa DUi.mrroMKiiCúuncoxTissitTHrORTUâuts, 
4«Joi*Uitc do VMConoelos. Lialhw. Iií!t7. [\t. U]. 



prIocipalmoDtB o ilUo alemão, porque ao baiso alemão cliainaj 
usualmente lou^-Dutch, ou hiv-Gçrman. em ulernSo S'ttlé 
ii^utseh, ou PlatUleuUeh. 

tudiUD 

Dá-se esto uome, em Maca», o lamhem o de ílô, a ur 
capucha preta, que v usada pela.s 8euhora3. O primeiro e de 
orijem chineâa, ao que parece^ o segundo é português tnaí^ 
conhecido. As mulheres do povo usam capuchas de cõr, qi 
se chamam caraça:*, prorávelmeote porque as primitivits i^rA^ 
desta fazenda. 

tuieujia 

Kmbartaçào cochinchina; — *e 41 Ihnjrengia, são umas etn- 
barcnçòes mais capazes que as suas galés* — '. 

Kote-se o emprego do adjectivo capai, no sentido de < vajitt 
anaplo*, como em castelhano. 



tulipa, túlipa (?) 

O NôFO DicciONÂHio manda pronunciar tuhpa; Roquefe 
o Manual EryMOLOoico e o Diccionahio pbosodico. de Jc 
de I)eU8 tàlipa. Os espanhóis dizem futijMin, os italianos tul 
puno, e portanto n?lo nos podem servir de guia. 

Bluteau, qne traz o vocUbulOj núo lhe marca acentuaviiq 
Se recorrermos ao seu étimo, que, desde Itluteau até Dozy, 
afirma ser uma paluvm turca, DULsaND, ou persa dui.bund, qii 
provavelmente por iutmmódio do francês hirhnn. deu poia 
português a palavra turbante^ uào ticamos muito mais adea 



t Antúni» FraiicÍMo CanUiii, Datalhas OA (yOMi'AxutA db Jfl 
Lisbon, JSíti. p. 217. 



Apõ»til'U a*H OidntiãrioM ^rtugitdgai 




r.u 



los com relação a como se deva aceutuar; ainda que, a ser o 
o verdadeiro, no que teitho muitas dúvidas, npesar do quo 
" e os leitores já vão vtT, a acentuação mais natural 
>trr fulijta, visto que. não havendo vogal nenhuma entre 
I e o 6 doa étimos, é claro que ela foi neles introduzida como 
tcrcalar (cf. (dc/v,fwa [q. v.] de Aii-QasBB), e portanto ât.ona. 
facto, porém, quo Joilo de Sousa * dá a forma tolipa, e como 
,0 seja tõhfw, <? evidente que o acento tem de fazer-se na 
* sílaba. pAis o b u átonos portugueseâ se uão diferençam 
i pronuncia. K também sinj^ular que ele escreva o vocábulo, 
ue diz âer persa, tl-lipak, o que é muito duvidoso, pois em 
irsiano tulipa se diz lalk. 

Eis atjui o passo de Dozy a que me referi antes, o roais lite- 
klmente traduzido que ó possível: — «tuluand, tulp — A pri- 
eira palavra é o persa dulhamf. ou o turco iWhaná. Kiliuau 
^fep ew duas formas, coQvém saber, como turhatite, e como tu- 
mfa [tulp]. Como nome da tlor, tanto êle como Dodoneu só eo- 
ibecem tulipa; em italiano chama-se iulipano, e é a mesma 
Alavra quo turbante [tulhand]; os europeus deram-lhe este 
ome, iM>rqiie ela, o que também diz Dodoueu (Vrtujdt Botk 
livro das plantas], p. 388 h), se parece um tauto com um tur- 
te quando está aberta de todo. Os persas e os turcos chamam 
flor talek (iaU'k)*—K 

Assim será. Note-se que a palavra holandesa tulp (pr. tStjt) 
10» luva a crer (|ue a tnrma alutiuada se liii de ler túlipti, com 
I acento oa primeira silaba, visto que entre o l e p não há To- 
jal, e a flor predilecta dos holaudesea de lá é qne veio, com o 
tóme que lhe eles deram e os mais povos imitam. V^ê-se também 
Jíc a piílavra e o étimo de João de Sousa não teeni jeitos de ser 

írtos. . 

Veja-S(f ainda o que a respeito de túlipa diz Hluieau. no 

OCAUi:i.AHIO. 



» VWTlGtO» DA U.SOOA ARABIZA EM PoRTfOAL, Usbw, Il*80. 

* R Doiy. Oo3TJíiiLixi;KN, Haia, Istíl, p. ôri e ÍH5, 



Quanto a turhaikte, os uoines antigos em iwrtaguS 
fota, fotic^j 011 hitnfa, como aiuda se Ibe chama na nusãS 

— . . . U iívi dti Mcliadd. . . 

Vem de ricod resHdos Hilaniiiâo. 

Sepunilo ^eaa c-wtmnea <» prinioreu. 

Na cabe^.i iintii Tola giurn*'iMiU 

Dr nufi), e de s<>ia e <Ie algodão tL-cÍda — '. 

— * veste [Santobá Itaii Katies] casaco de taiiná 
/ç. r.y branco e truula preta» — -. 

Uma foiíuu antiga francesa (xri aéculo), (olipan, ^j 
identificar as duas turbtmte e túlipa. 



tumba 

A palavra é. como se eabe, de proveniência latina vl 
mas uáo evolutiva* pelo menos em português, pois de 
porque o u ó breve, deveria ter resultado tomha, como 
liai»o: cf. tombo j tumulum. forma anterior • tômboo, 

Rstá pois no caso de muiulo '. mundum, em italiano i 
K natural que os dois termos tenham oríjem eclo!»iá$tic 
explica a peiíuancucia do h. 

O vocíibulo latino procede do grego títcba, e pela su 
oferec« também a porticuluridade de uo u ^re^ço corr 
u, em vez de y. o que prova a antiguidade da sua adop 
latim. Dão obstante aparecer na literatura semente no 
culo. 

Bm Lisboa o termo adquiriu o sjgnitícado especial d«j 
mortuário', expressão que já o está boje substituindo, 



■ Ofi LrslADAs. n, !>4. 

• O 8KTTI.0. de l (Ic abril dfl IW>2. 

* JL DtfUMUUv.MOTSOBeiCriUKTRAHIM, ín Roínfttili.] 



Ajutstiini aos DicitmiriítA Pi*rtn(fMtnfs 



ma 



fobmo: com pouca propriedade porém, visto que a tuniba era 
Um carro de tWniia particular, que transportava quási d© graça 
ao «luifcério do Alto de Sam João os íKjhres íiilecidos: 

— Seis vinténs p^rn ir na ianiba 
Duis fcíslôes ao |>ailre-cura; 
Um iwtaco \i'rã o zambiiiiiba; 
Qao vompunhii k «cptilluni — '. 

I>^itte emprego do vocálmb provém u acep^rão de, «malaven- 
lonido. pouco afortuuado»: — «Está ou uiLo está com azarV É ou 
« é tumba?*—*. 



tUDU 



K o iiniue americano qne o Padre Gaspar Afonso atribui à 

plfttila espinhosa que os espanlióis cliamam rhumha, (m chum- 

1/tm, e da qual faz uma perfeita descrivilo: — «uma forte e»- 

! em contíVno, de tunas, que são o que nós ohumamoa 

»_.wij^ da ludia, seailo que tem aqueUas suas puas, ou espi- 

Jibos. como grande.^ abrolhos > — ^. 

Aos fruto» chamam oa espaulwíis chuntòo», e os franceses 
11/ à planta (cactus opuntia). \\ tabaibo. 



tupir 

' Coberta então [a louça que esteve a cozer] com as rtichas 
(pinho) V ainda, para tupir, com orgaço (caruma do pinheiro) 



' Acácio de Paira. 

' " SbcuU). de 27 "Itf outubro de lv>Olí. 

« Kffluçio dii ri^jfm « «uc^isso <lu imo Saiii Tiago >, in B16L. OK 0LA8- 

^<% fUKTUOURSas, Tol. XI>T, p. IK). 



ÕH 



Aji-Xjsftí'"' ''"' nicionárioH /V>i*íh'j><' ■■ 



e o itesto do curvAo do lotilia ji pulvensado diie eocv*'"» 
riores, deixas» o vasilhamu uma bora a rescaldAr*— <. 

O veibo lupir (cf. o oastelhano tupir, «entupir*) díTp" 
significar <tíipar os poros, apertar >. 



turista, turismo 

È já tempo de aportuguesai* ua escrita estes vocábulos ijw 
se toruaram. a bem dizer, uuiversais. e cou tanto mair>i' tiuÍo, , 
quanto, a sereui escritos com ou, parecem derivados de /oHfl 
Ijíípez de MeudoDya já escreveu turútnu), e fôi b«m: — «1 
Portugal um prazo dado do turismo cosmopolita • — ■. 



tuta-e-meia 

Quere dizer «preço viU. Ê provável que venha d» expr 
uma nmriUa e mem, que. por muito corriqueira, se reduan] 
baplokijia a uirut cuta c meia. e coro ou sem a supreÀ&lil 
uuuieral uma e |K>r as^imilavãn do r a 7, (Hnui) tutu f 
cf. cataina, por eacattsa, maluio kalntua, feliz asnimilo^^âo j 
nos poupa ura cacófaton. Ktikatun sipnifica «turquôs», 
malaíoH dão este nome à dita ave por causa do bico. 

Macuta» é, como se sabe uma moeda de cobre, q06 
curso na África Ocidental Portuguesa, com o valor de líS i 



taxava, inchava 

Cabeça de tribo, uos povos iudijeuas do Drasil: — • 
[o tndio Durucuru] por anam^ar os deutes [ik cabeça do Ídq 



■ Itoch» PetIOt«, SOBKBVITBIfClA DA PRIMITIVA HOI>,Í bl I 
iPOttTritA!-, ííl PnrtQ({AUa, II, p. 7ti. 

« 4) Skuclo, .!<• 4 de julho de l»04. •* 



tm matou], qne s«rven] pura o parinate vau, com oN|ual o 
%y% o recompensará tMnfo unnos depois» — *. 
offlO eui tupi ujo evUt^ a <!oii.si>ant(í africítta, que se pro- 
Dcia DO uorte do reino, idéDiiru a eh ca.sto)]iano e inglês, mas 
a sibilante .i^ de xadrez, é cora x. e nflo com eh. que 
., i: ser Hgiirada uas palavras brasileiras aportu^iesadas. 
Mas, 'íque i' ^forlnat^^ rau, a que se refere este trecho? 
r. maloca. 

uiNinba 

• 1^ luna friicta de que os pretos luzem uniu bebiíla fer- 
». Tem um caroço do tunianho [do?] de um pócego c^m 
tudoas dentro, da:^ qimes se extrahe tiiiísâimo oleo, de 
osto delicioso * — *. 




ucasse 



tt escrita que devemos adoptar para a palavra mssa 
(pr. ucúcej, qoo quero dizer «ordijuaçào», «decreto». 



uchm ucbaria; ncfaa 

Nòvu DiccioKÁBto inscreveu o vociíbulo hucJut, com a 
[o de — « caixa ou casa era que se cardam gêueros 
nticios. (15. lai. hutica)' -. U étimo está certo, m bem 

a definição; Ê«te baixo latim, ou melUur latim bárbaro^ 
de de um vocábulo Kennáiiico, conforme Fr. Diez e D. Ca- 

Michat-lis (W em icfuui): e com tif!ka uesto sentido se 
í>ua ucharia, que deveria escrever-se com h inicial, em- 



<"' ' >: de dfzenibro de ImMí». 

I JZ djW NVtm. iTINEttARIO DB VUh VIAOEJUI 

I [Mm BitRPHA^TKH, Uitlnn, 1878. p. 230. 



qiiunto so persistir em conservur esta lytrn JmiliK que, ap 
das siniplílicitvòes ortográticaít aqui adoptadas, ainda não uiiM i 
suprimir. O facto, pnrém, é qne, não se escrevendo usualmvDU! 
i4f harta com esse h, uão serei eu decerto, que pugne pela i 
maiiiit^n^fio em acha, tomado neste sentido. 

Cm detninutivo de utha. nesta acepção, é idió (q» vj» 

Há outru «c/m. que eu ouvi na Beira-Alta, e que me 
ser tainitém u^ado na lícira-Baixa; homeútropo do já Mnm 
mas com diferente significado, e outra orijem, pois quero 
-fof,nieÍra>, do latim hipotético ugiia, aíiiii de ustio, uslionii 
(cf. comfmsfão). e a que me referi no «Muséou». era um 
que ali puliliquei em L8H4, com o titulo blTUDKS de Ga^uui 
poRTCOAisK. a propósito dos trabalhos de Júlio Comu, in 
Rnmania» [u. x e xi], sobre o mesmo assimio — morf^ 
fonolojia portuguesas. 

Kste signiticado está abonado no seguinte passo:— *a 
a (jandra ou vara de ui-M branca, colhida depois di tvha (<|1 
mada) na Cabreira» — '. 

Eis aqui abonaçÂo actual do vocábulo acharia: — <0 D^ 
[q. v.J accomraoda em si o easM da lavoira, isto ê, toda a ocb^ 
representada por mantimeutos, forragens, alfaias agrícolas' 



ucsòrio, uxoriano, uxórito 

O Novo OiocioNABio rejistou o barbarismo uxorlanOr < 1 
sinonimo menos bárbaro uxòrico. Kra o seu dever, mas tam^ 
o era, como íez com outros barbiirismns, criticar estes estr 
ticos adjectivos, que desconbe^'o quem usou, por uilo saber 
O adjectivo derivado de uxor é em latim uxorius, « tm\ 
tuguês, coDsoguintemente. ucsôrio, ou uxório, st quiserem. 



■ Rochft Peiíúto, Ir^LtTMTKAçÃo popular, in Portasftlift.i. p>| 
« J. dn Sihft Piclo, ETHKuaRApaiA DO âi.TO<ÂLBarrjuo. in V«t 
galin, I. p. 271. 



Apmitiíav aoê liKtouáríoê ^iM^tugneics 



517 



uivar 

Kin castelbaao díz-se anilar, em italiano uHwe, em fr&ncês 
hurU*r. para designar a voz Inmentusii do cào e do lobo. Para 
A-stos foriiDis é admissível o étimo latino ulularc, a conseguiu- 
temente inútil a hipótesfi de Me>er Lubke que propõe eiulare. 
Com efeito, qualquer delas se explica períeitamente por leis foné- 
ticas cuuhef^idas e eiempliíicada» em outros vocábulos. A fovraa 
portuguesa uuHtr procede de uluUire, mediante a» intermédias 
u(\)i(l)are, uiuar, uivar: cf. louvar \ louar \ laudare, 
PtMtv) I viúo \ viuo t uiudum \ uiduum. 

Â3 formas italiana e francesa provéom de uma diasimila^ão : 
hitler ! ur(u}lnrc | uluhtre. Na castelbiiDa rr/J/ar bá a mais 
iprefíciío ad: adululare ] aduVlare \ aul-Uire \ aullar. 

ungii 

Tambor de honni usado no Daomé. Só se toca para congre- 
ífar M povos para a guerra *. 

urdimento 

No palco do*t tbeatros é o travejamento do teto, e os sótãos 
^ne lhe 6cam por cima. 

uijamantu, uija-manta, jamanta, nja, uge(m), njia, ajo, uga 

É termo do Funchal: — «No dia 14 um nipaz que se ba- 
nhava ia sendo victima de uma urja-manta, que por alli t^m 
«ido vista algumas vezes • — -. 



1 r. C. Kiijéni» Correia <Ia Silra. Tma viagrh ao KflTABVtdMinnKTQ 
ORiTGi*vz DFi S. Joio Baptibta db Ajudí rm 1sú5, Lisboft, 186^ 
) O Economista, de U de agosto de l^ms. 



518 



.ípfígltltu anu Dicionáriog /Vítr/ue*» 



Mas, a que peixe se referiu ({iiem deu a noticia? Kenhum 
dicionário português tem o vocábulo. Koqnel* inseriu uja, cora 
refertmcia a wi/«. que traduz para francês por — « pa!*tcuague, 
tareroude: poiãsou du geare de U raie> — . Dá ainda outras for* 
mas, que são u/je^ ttgem, àjiu, uenliuma á&s quais admitiu o 
Novo DiccioNAKio. o Mancal ETYMOLoaioo inâvria «jw? • 
urge, cora rd*en*noia deste àquele, que define— «peixe da or- 
dem dos o)inu(lri)pteri)rtH)H cartilaginosoft » — , definido qut* ú 
CoNTEMPOHAyEo dá a uje: ao paaso que o Nôro DicciuxA- 
nio diz de nje ser — «pequeno peixe em forinii de mia* — , di- 
zeudo o mesmo dicionário útí Jtwumtn— * peise de Portugal» — , 
não sabemos se pequeno, se grande. l'ara iíluteau ttffa corr«&* 
pondo em dúvida ao latim pastinaca. e assim o tradux 
Fedi"© José da Fonseca no Diccionâbio poBTCtiuEZ-r.ATixo *, e 
J. A. Ramalho, no Maonum Lkxicon -. verte pastiuacii p^>r 
Uffa, dizendo ser peixe venenoso. 

Xo meio de tamaulia confusão t«rao8 ainda que o notieiu- 
rista escreveu urja-manta, com hifen, no que dà a onteuder qwe 
há urjas, que uilo são mantojt. Náo me atrevo a decidir o caso. 



urso, ursa, usso, ftsso, ôssa. Ossa 

O Novo DiccionAhto rejistii no Suplemento a forma onaa, 
e citando .1. Inácio Koquete, diz o seguinte: — < Koquete dà-Uie 
o siguilicado de ur^a^ náo sei com que razão* — . A rozAo é 
evidente: osso, tuQt« em português antigo, como na antiga orto- 
grafia castelhana (ua moderna ostí) ó o correspondente do latira 
ursum, e os.m o femcmuo, latim ursa. K possível que a Serra 
da Ossa signifique < a serra da Ursa». Formas divetjeotes. sinial- 
táneas ou sucessivas sáo, uc^o, ussa. 

Ora, usso, u^ssa eram os nomes usados em Portugal eni- 



' Lí^W. 1839. 4.* edivão. 

: tisbuii, ltjl}>. 



Ap*mtilíii 009 IHúifíttâriv» I\>rtHffHf9f» 



319 



«luanto n't eii^^liu o nuuiial, e dmvavam-se na lurai tu ente do 
latim ursum, ursam: — cf. avesso J adiicr^um, pessoa j per- 
sona, etc- Ui\w é forma mais moderna e artiticial. 

Eis aqui uma abonavão da dita forma asso: — <em est« 
ílbeo ha muitos lobos marinhos, c dolles sam tum grandes como 
iisoíí fsii-f ruuit-n grnndíís- — *, 

A forma unto ti ]>ortauto refeita pela latina. Usso rejistou-o 
Iodaria o Novo DiccionArio, como forma autiga; estraubon-fle 
porém aem motivo a nutra forma, com o inicial. 

O epíteto urso equivale, em sentido figurado, a * pessoa 
desjeitosa. insociável*, como quando se diz fait^' figura de 
Mrjtw; — -Km tenuiuoiojia |universilãria] coimbril dã-se o nomo 
de umo a iodo o estudante classiticado c*)m distine^So nos 
«xaiiies de qualquer laculdude, uns iicton irrandes, como lá se 
dá.— «. 

É uniu ejipecialiai^ãn do sentido figurado dii palavra, e é 
natural que fossem os mhuhis que por enveja o iuvent;issem, 
paru ndiculizarem os que se diferençam dêleSf na ralaceira e 
estroinice que os caruoterí7jt. 



É um termo francês que inutilmente se empregou em ve£ 
*1e oficina: — «á tentrnl elcrfrien. ou â íw/m/, como também há 
(lueui diga, melhor cabe o nome áe f<mh' etertrira» — ^ 

Xâo me parece: ^b»íí? eléctrica seria antes um «chafarii ila- 
minado a luz eléctrica >>. É preferível maiMncial. no sentido em 
que os franceses dirium sonrcf- lUerbique, 



1 líOTBIUO DA VIAGKM OES VaSCO DA fÍAXA, XlJlboa, 18Ht, p. l3. 

* PtARio DK XoTiciAs, »le 1) tW iletembro de 1904. 
^ DlAEltí DB XoTiclAs, Htí 10 de novontbro de 1901. 



520 



AjioatUas ati» DicioníMo» J^tuffuaet 



usura 



Como desffaj*te. gasto, «.*í>, ê íjalicisrao jtorfeita mente di^ipeií- 
sàvel : — « porque ha vestígios de iiíura em diversos imiitos (íii> 
Ídolo].—*. 

Usura em poHuguês é < onzena*. 



vadio, valadio, baldio, baldo, baldar, de baldo 

Este vocábulo, quo se pronuncia com a aberto átouo cd-" 
dio, pressupõe uma forma antiga vaadw, oa qual se tivessi 
perdido uma consoante que separava as duas vogais, o^in 
em aádio \ madio | sanatítium, nàveiro J mmviro ] \fila— 
veiro I »avaleiro \ mvalo (ca^itelhano mhalo), sável. 

áQual foi a consoante que se perdeu? A etimolojia que fi 
proposta, e é geralmente aceita, é uagatiuum. conycso oní ^ 
verbo uagari, que deu em português vafjumr. proceduute d 
uagum. Ora, nao me ocorro outro vocábulo latino, contendo ^^ 
entre vogais al)t«rtas. a, e. o, em que se iterdeâse do t^do, & ~ 
passarem ao português evolutivamente, esse ff que^m latim «t 
parava: uacatinum deveria produzir vaiadio, como plaga p 
duziu firaia, ao passo que pala deu pá. Plwja é vocábulo artí-— 
ficial, copiado do latino. 

Existe em castelhano um vocábulo de orijem arábica, tuthtf* 
(saLaDi { BaLaD «terra, país>), o qual tem desde há muito ^ 
aigniticação de «ordinário, reles». K este o étimo que eu atri- 
buo ao português vadio, cora perda do l, aK^ropo de vahulio. uo 
qual o l pennaueceu, talvez por ter o mesmo vocábulo entrado 
ao depois outra vex na língua. A mesma orijem suponho a huf- 
dio, (q. V.), em que o / permimeceu, por ter havido a suprewíiUi 
da segunda vogal átona de naLaDi. Ainda no Turcifal, como ' 



^ Portugália,!, p. 139. 



ioformado por peftHoa (íileili^na. » palavra vndio se usa no raesmu 
wntido eiu que Òrtlilio é empregado; e em Sun» Tiago do l.*aba 
Verde vadio quere dizer 'trabalhador do campo*. 

— «mas sen» exércitos [doa tártaros] coustariam pela maior 
pftrte de chitiOA vadios e distar^ados >— *. 

Para coufírmar a identiticavito dt? roílto v^m o htkitli espa- 
nhol, temos ainda a forma alentejana hihUo -, notarei por per- 
tencer a uma rejião de Portugal, Elvas, em que o 6 n;lo substitui 
ó V, como acontece no norte. 

JúUo Oornn aceitou o étimo que proponho ■^. 

Com relaçjlo a valadio ser termo de provável importaçfto 
irihícu, confiTont©-se a eipressao hihtuh de valadio. com estoutra 
Hfe/A> moHrÍ»raffo, isto é. • arpamassado>. 
PBt>(! haldio se derivou, mediuntu retrocessiio, haldo (q. v.J 
[frf/j, baldar, de balde. 

vagante 

'dicionários modernos dão úste vocábulo como adjectivo; 
Dío porém como substantivo, sinónimo de «vaga. vacatura *, em 
que o vemos empregado por Aut<íuio Francisco Cardim uo sé- 
ealo xvu: — 'esperando pelas vagantes dos officios» — *. 
^^Todavia, Blnteau inseriu o vocábulo com óste significado, 
rizando-se com Frei Luis de Sousa. 




vale, bale, baile, nálí. vali 

Vocábulo arábico uali, < governador de província-, por 
Dplo, (que se ni\o deve confundir com uáLi, < amigo >, em 



António Fr«ndft(o CArdnn, Batalhas da CnurANUiA db Jksts, 

BavlBTA LnBlTASA. TUI, p. 29S. 

QRUVfíUim [>BK ROMAKitH^HBN PniLOiXMtlB, Estruburgo (1SS4). t* 

Batalhaa da CoMf ANUiA DB Jbsus. LÍKbua, HH, p. 267. 



522 



Apftstitm oojt Dicionário» ÍVwíujií* 



que o a tí I)rt*ve) foi por Alexandre Uerrulano usado com a fur 
tí>aU, sem acento marcado, transcrívão que encontrou nns aaton 
al«miíes ou inglesei que consultou. Nito ú iK)rtu^uer.a 
tíscrita, e a palavra, assim ortografada, será lida cú ou vali, 
quando muito uali, o que é erro. O acento tónico está na 
ineira sílaba, t^áli. se se ler u pruueira letra, ao tnudo tiiro 
t*. uàli. se ela se proferir com o valor que tem em árabe j 
persiano, «, seinivogal, ou rogíil. Em português encoutran] 
ainda as formas hal^?, bayle, haille, no Hotkero oa viaokm 
Vasco ha (íama, poi* exeraplo: — «e mandou nm hniriHin qoe i 
chama Bale — aquele mouro seu feitor e depois ao Bayle — K., 
chegou o haille» — '. 

Marco Paulo Vt^iíeto escreveu este nome com a forma 
(provavelmente báUoi -. 

Assim^ a forma i>orlugueRa pode ser vaíe on vâXi, couson 
tizando-se de todo a inicial da palarra arábica uai.]; como 
fêz com vhir, em árabe vaztB, que é o mesmo vocábulo q| 
aUfiuizil, o qual teve em portuj^uês muitas variantes, do mes 
modo que em outras línguas bispúntcas, sendo as portuguexisj 
mais comuns ijoarii. sem o artijío al. e com este alfoiir. ttU 
zil, (ujiuuU, na última das quais influiu a palavra àjiui. 

Conforme o Glossário de Kn^íelmaim & Dozy ', viar é 
resumo o nome que no Oriente se dá a um membro do conselli 
sendo Grnm-Vizir o 'primeiro ministro», t^uarito íi mudanç.!! 
signiiicado diz-nos: — «A palavra alffitazil ii>x lVuiusul;id»iMgi 
ru/>, o depois o eíAirro, significado que ainda couserra 
Espanha» — . 

V^u-se também Santa Kosa do Viterbo, Elucidário, e 



: Henrii[UL> Yale, Thh iwtOK or ssit Mahuo Hu(.4). . .. Loodrai, IB 
Ii p. 4(JT, oiiili* vem citaJo u líOTRiKO. 

• ltf.OSaAinB PBS M0T8 KflPARSOW BT PORTHOAIS D*«íT*fl 
1.'aIUHU1, IrfÍ«Í(t. liííiy. 



AposUioH «yfr lUrto/nlriog I^iiu^ttai^ 



533 



y Vanjjua^. Ui-osario dk las palabras espaSolas dk ori- 
uiuí oaiENTAii ', em iiue se ãào tndas as formai^ que o vocábulo 
t«ve uns diferentes ]in<;uas da Peuinitulã Uispúnica. 

A. forraa vtsir é moderna em português, jiara o qual veio 
proráveliiieute do frauccs, no fim do svculo xvm. 



valeroso, valoroso 

V,itn formu, eni vez de i^ahroso, como de amor, amoroso, 
^ <li)iida. coufurme a opinião de J. .loaquim Núuez ', a dissimi- 
lnçâo; o niesuio se poderia dizer de temeruso por iemoroso. Eh, 
Cfotiulft, prefiro ver nestas fornias excepcionais infliiííncia de po- 
àertiAii, regularmente derivado de poder: 

— E iqUtfiU'^ qa« iwr ubnu vnleroB»» — '. 



valido; valida 

O sefçundo destes vocábulos sofreu em portuji^uès influência 

i« primeiro, que. como se sabe. significa «quem tem valimento>, 

ivado, protegido, pelo rei». Em turco a forma que tem a 

j ra valnia « uamde, femenin» arãbico do ltau», e quore 

er < parturiente». Emprega-se conjuntamente c^m suUana. 

'1 wídb sfLTAJffK) e dá-se este título à mãe do sultilo. O ti ini- 

*^^1 em turco pronunciase como v. 



Uruii-ia. XSHd. 

USVISTA LtTBITANA. Hl, P- *2»íít. 



valo 



— 'Na Maia uinda hoje (• costume fazerem-»B B>!tas veda^4 
de terra e lon-ào, í|ue se chamam vallos> — *. 

Km latim aallum era um reparo, iima trincheira, ou mi 
feito com paus. 

vara. varear 

O DicctonArio Costempobanbo define o verbo twrmrWBWj 
significaudo -medir ã vara». 

Alem destíi si^nificavi^o. o trecho segtnnte revela outra 
ditVriíHte, mas que tem por orijera, seraelhaiiteraííiite, a 
vara, não como medida, mau como guia pura navegar oa riij 
Aveiro: — « (Xa bateira raercautel {q. v.) o barqueiro) man 
sobre uma^ taboas largos, que se estendem tutenuuiiente 
longo das bordas, e que se chamam taboaft de rarear* — *, 

Vara uo iVlto Alentejo significa «medronheiro*, e a IiwuçS' 
estar á vara deduz-se do trecho seguinte: — • Dító [licrdadt 
que se annuneiam para arrendamento, e que ficara |>or arreo^ 
usa dizer-se: «estão t\ vara» — • ^. K natural que a locnçâo 
venha de qualquer fíinal indicativo, que tivesae esse nome. 

varanda, varandim, vara, varflo 

Já na OsTuaBAFiA Nacional * me referi loninimenle a 
vocábulo, que passou por muito tempo como sendo de orijj 



< Alb«rtu 8amiiaio. As <Vii.las> ck> Norte i>ií Portugal, in P*' 
tugalía, 1, {1. 127. 

* Lui« d« MAicalhiU"». Oa barcos da ria pb AviciKn. in PtirUf^^ 
lia, II, p.òíi. 

> J. da Sih-a Picilo, EraxouRArniA v» XvnuXi.mnmo, in T»r\ 
gnUã, t. p. '^71. 

* LUb«A, 1903, p. 220-222 o 436-437. 



ApoatUa* anu rtinonárinn Poftuffytfscif 



52S 



intiiiuia, quaiido, apuraditâ as coutas, tomin talvez Of* portugueses 
^ue pura a ludia o leraraiD. visto já pertencer ao tesouro das 
Ungufts roínániras da Peiíinstilii Hi.'4pãnioa, antes de dós che- 
irarmos à tndiíi por mar. 

Aos argumentos e citações ali u]ire!)en lados, acrescentarei 
âl^uuias considerações e outras citações, repetindo aqui a mais 
<^4Hacttíriíitica de todas, e que fi^iii'a em um modo de dizer pro- 
verbial: 

— Agora Ytr-mt; oiu Jfiiiau'lji. 
Achti-tiic Um <4tilt>rii<io 
Como gtitu na viiriuuU-^i. 

— •Cercado. . . de duas ordens de varandas [o pátio], como 
^^»-asta de Irades»— ^•, É claro que em lernio já conhecido era 
**«rtugal, nào só porque o autor o nào explica, o que tem j>or 
^^^^siume fazer sempre, quando o vocábulo empregado é peregri- 
*^«. mas ainda porque, referiudo-se na comparação a um claustro 
^^e mosteiro, é evidt^nte que o t*Mmo era técnico para a sua ar- 
^-jiiitectura em Portugal. .-Vlmu ilisto Pinto não se refere aqui à 

-Vodia mas a uma aldeia, caminho de Nanquim, na Cbína, e no 
Capitulo Í.TCX t-oma u empregar o t^rnio. com a relação ao Japão. 
Km Frei João dos Santos lemos tainh/un: 

— «O capitáo mandou logo deitar o esquife [escaler] ao mar... 
e posto debaixo da varanda [da nao Sam Tomé], embarc-ou-se 
nele quem o capitilo quis peia mesma varanda » — ^. Aqui vê-se 
qae ê termo de bordo. 

Cotejem-se ainda Bataluas da Compakhea de Jesus, de 
António Fninciscxt Oardini, pâjs. 50, KO, 82 h MVI *, onde o vo- 
cábulo é sempre empregado como portugniís e conhecido. 

Esta palavra é cone()sa com vara e varão, termos comuns ao 



' Gil Vicenw, Kausa do Jnz da ItsiiiA. 

s Fomikni Méodcz Pinto, PauRfí rinaçAo, cap. Lxxxin. 

3 Etiópia Okibktal, part« ii, 1. 3.°, <np. ooti. 

* LúbiMi. 1894. 



castelliano (vara. vítrôn), no qual existem, a par de hanmtii 
derivados harandaje, baranâilla, barmidado, como em \^r%\ 
guòs exi»te vnratitUm, noine ({uc st^ (In à ^'raiio rio tima jaqi 
pouco stiniil» Tom da luiredc parn a haiidii da ma. 

E pois indubitável que êribe vnráhulo é portuji^uês, j»euÍD{ 
lar, 6 nân indioQO. o que está denioustrado {Xila sua aiitiguid 
e loCuIiíMiçiio. tanto em Tortuíriíl, pí)is Hífura já no línteiro 
riajeiíi de Viwco du (Taiiui (l4i»K|, cniu» tatiibt^m em Kspaiil 
onde Tedro de Alcalá (1505) dôle se ser\iu para tmduxir 
termo urábico '; e f^ra absurdo supor que os portuj^ueses o bi 
vessem apn-iidido na ludia. em Hus do século xv, e tam 
pressa o trausnittisHem, quando ur suas relações primeirai* f 
os habitadores da vasta peuiusulã se iiiuitaram ao trato oaoi 
poros dravidicos do sul, oude não é natural que o vocábulo f« 
vemãculo eutiio. O Koteiro com efeito, rematauilo com uma liai 
de palavras, frases e nomes próprios malabares, nilo o inclui. 
prejL,Mndo-i> no texto |iort.uj^'ués, sem o explicar. 

Todavia, por outra parte, parece Lambíím certo que o voi 
bulo exí^tiUf ou existe em súuscnto, pelo menos na pena do8 
doutos asiáticos que artiãcialmente escreveram, ou escrerem 
neste idioma, extinto vernãculameute há tantos e tantos séciílop: 
havendo ès-se vocábulo twanuNDu) paíísado aos prãcritoc? modi-nuis- 
e não sendo presumível de certo que do i^ortu^uès o tinutiteiii 
estes, pois na tudia a líni^ua de comunicação com os europfl^B 
era o árabe. ^^ 

A existência, portanto, desta diçfio na índia e em línguas 
românicas é fortuita, como semelhantemente o deve de .ser a d( 
tanque e de chai)a em portuguíís o naqueles vernáculos indicai. 

A respeito do vocábulo indiano vuramln diz-nos Joát> Beaniec> 
na sua afanuida « (iramática comparada das lingiuis áricos mo- 
dernas da [ndia> ', e com a habituai grosseria pretsunvo! 



> VocAUiruaTA aràbioo bu letra cástkuiana. 

» A CCMPAKATIVB OftAUMAR OF THB MODERS ARVAN LAJVOVÍ 
OF IXblA, rol. I, ]). irKÍ. 



Aptmtila» aos Dicionário* I^rítt^uetiv» 



527 



^P Tule e Duraell lizenim h justiça derída, o seguinte: — 

^nnitos do» nossos hferateuis [úc\ siibichões em indostduo 
ciiUKÍdtíniin ei^ta palavni como derivada do persiano i3;iKAMUj>a 
(em caracteres aiiibicos], e assim escrevem [como?]. K todavia 
Imni sAnsorito» — . 

^BÃ isto reãpondeinm os doutíssimos eâ4:ritor69 acima referidos, 

|Hdi>-ll)e uma líyrio mestra, depois de Ibe apresentarem clara- 
mente aa difiLMildades que se antolham para a ideutíticaytlo de 
iwtmda ua índia e ua Península Hispânica: — • Fortunately we 
have tn Hlstiop Caldwell * a proof that couiparative grammar 
does not preclude good manners * — íeiizmeute no líispo Caldwell 

I temos a prova de que a gramática comparada uão exclui a boa 
edu cação « — . 

Náo quero de modo nenhum, porque seria (iagrauie injustiça. 

'segar a Bearaes a sua grande com[tctáncia nas linguas e litera- 
taras modernas du índia, mesmo porque em tal ramo a rainha 
incoLiipeténcia é manifesta e consciente; pelo contrário, devo 
dizer ipie a sua obra capital é di^oia dos maiores encómios, pela 

f vasta enidiçuo que revela, e pelo rigoroso método com que foi 

iMecutuda. Fora, porém, desse domínio o célebre antor inglí^s dá 
mostras de pequena habilitação, o que o leva a juízos temerários, 

jqoe parecem iucriveis. Vara prova do que digo o visto que veio 
wnteuder com Portugal, expressa é^íte senhor a sua cereíirina 
upiniAo de cjue a nossa liugua á — tke most mmtjtted ajta- 
hramjfa [dialecto] entro as línguas rumánicas. — Ora, se o autor 
conhecesse melhor a todas ellas, ou mesmo tivesse quaisquer 
i}es das principais, e se além disso fosse dotado de espirito 
daileiramenttí cientitico, prenda que lhe falta e é essencial, 
reconhecido logo depois de escrever este dislate, que o que 

I chama eorruptfd, «rorrompidu*, em i'ez de o considenir como 

II ^ A OOMeARATITB ORAMIiAK Ot^ DkatIDIA-N OR SoCTU InDIAX 
AVILT tiV LANOUAUK», 2.* f!'\\v,^^^, 1S75. 

* A líLOSSART op ANar^o-lNuiAN woROB ANO PHRAflxs, L>>n>lre8, 
i lft«lí, p. 737. col. L 



Ò-33 



AptmtWtji UM Dirionàrio» Ihrtuifufnf* 



deví^ra. cjtpecial e maU ndcantoda evoluçSo com rv^peito 4d 
latim, w coin vi^nhulí. entre as línguas românicas lít«rárias ê 
aplicarei & qiii' é rt^putada. aindu que iujubtamt-titt'. a mai!» i*ulta 
de todas elas. à iríincesa, oude os ¥ocáhalos latinoít foram 
euOurtadíM, martirizados, alterados de modo iQcou)parãr«laient« 
imior do (jiie m [lortu^iie^a. ijtio ao contrário foi l>»sUQte 
conservadora, sendo e8s:a uma' das suus cani^^terÍÈ^ticas. 

(guando estudei a afamada o excelente gramática de Heames, 
ao ler o estnitiliít asserto, e»crevi-lhe à marjem: — for tbone who 
kuow it as little, as the author evidontly di>es — para os que 
&aljt'ra tam pouco dela. coirio o autor fvideiitemeule s;ibe — . 



^ varma 

O XOvo DiccionAbio nâo faz menção de nova acepçio deste 
voeáliulo, (|uo i» n secuinto: — *Rede envolvente de arrasto, mais» 
pequena qUf a twfa [tiâtaj » — '► 



vaiTinca, varela 

tSuo termos inventados, variações do vocáliiilo varão, «liomem *. 
O primeiro é o titulo de uma comédia Os Vauunoas, de L. M. IMaz, 
e cujo sut)'tiluIo é utr mahidos dominados por kli.as. Foi 
aprovada pelo Conservattirio Dramático, rejtresentada no i 
do (jimnásio em 1856, e dada á estampa em 1858 na tipouialia 
da rua da Condessa ao Carmo, em Lisboa. O protagonista cli&- 
ma-se Manuel Bacoco; é procurador de causas, c governado pela 
mulher. 

A comedia tinha coplas, e coro (iual. 

À palavra turuou-se popular naquele tempo. Devo edta m- 



^ P. Feroindez Túmás, A pb90A eu Buarcos, in Portti(;ftlía, i, 
p. 1&2. 



ApoiHlaa aoa Dieionárioê Portugueseê 5SS 



umacão ao oonBvMdo comeditfgrafo e ciíttoo tèftbra^, o sur. Jofto 
e Fni|UÍif'Bnmco. Faltam no Nõyo Diooionábio ob ..Toetibulos. 
Com as três palavras varão, varela « varunea fonnkiftm-se 
rès dísticos engraçado*: '• 

Vario: 
Manda ele, e ela não. 

VarelK. 

Tanto êle, como ela. 

Varunea: 
Ela sempre, e êle nunca. 



vascão 

l^uere dizer «vascougado* — «Fazendo lembrar uma partida 
e vascões que se levantam das montanhas de Navarra* — '. 

O Novo DiccioNÁBio traz vascSes ou vascones [aliás, vás- 
ODes], mas só com referência aos anti^^os. 



vazm 

Como termo de carnivaria é uma parte da i)erna deanteira 
lo boi. junto à barriga, abaixo da pú. K carne de 3.'^ classe, 
enforme a Nota dos preços dos talhos municijtais -. 

veeiro: v. vieiro 



^ Alberto Pimentel, A pkikcb^a db Boivào, p. 217. 
' J. Joaquim Xúnez, Kkvista Lusitana, iii, p. 2yõ. 

M_T0L.II. 



530 



ApqÊUIaa ooê DUwnàrio» JPortugutiaea 



^* 



V* ■ ; .^■'^'^-•- .-*'■-- 

■*.■'•■■ ■/.%"■■ , 

■ ■ " V* ■►.-■- . lenda 

^^te Bnbstantivo verbal do verbo vender provém provável- 
nittte de vendida, como f ^rf:/a de pêrãiãa, em castelhano ^M^r- 
diâg!, e tem isomo or^em os particípios passados passivos latinos 
ii$nd%ia, peralta, 

venerado 

— «O snr. . . . apresenta um casal de faisões Veneraâof, 
unicoB em Lisboa» — K 



j^ veniaga, l)emaga, viuiagas, veniagar 

Kste voeáliulo, que jior mero acuso tem certa seinelliuni;';! na 
sílaba iiiifial com o verlio render, v Ue oiijem iisiiiticii. iniilaii' 
haruii/at/íf, '^migócio, coniricio». O termo maliiio, apnrtiiiíu*^ 
sado, ác t\w. tanto st; serviram os nossos escritores do sóciílo xvi. 
com relavão ao trato comercial com a Índia e o sul e oriente "U 
Ásia, entrou completamiMite na lín»ína comum, «if modo t\nv. 
pela cfúnciíliMifia acima indicada, pouca gente o supne ]M'rei.'riiii'. 

Nem tdi' i' orijináriamente malaio. comiminto da lonmi que 
adquiriu nesta lín^na pritvii'sse a i(ue tem em i>nrtnt:ui""í. Em 
última análisi' v o siínsi-rito \vãNÍ('iaKa » mercador ^ - J wãsiòva, 
*:negócii> ■. 

Uluteau. ifue tanibtMii llie dá a tbriua henia<jn. iwwU coafonue 
com a do malaio, inic não leni '-. já declarara ser termo da índia, 
abonaudo-o cuin .loào de Marrus. Krei Jciàn do^ Santns e Kernám 
Méndez Pinto, Kis ai}ní abonarài» deste último, que é diferente 



1 O Si50rr,o, Jf -Jo d*' fi-v.T--ir-» <li.- IM t*2. 

« I^tmaM FtTfrus-ion, Lbttbrií Fiio.Ml'oiiTr(irESBCArTirBa is Cas- 
tos, Uoiiibaiin, VJ')'!, p. !*, n, <•', q. r. 



úas indiudo:* p^ír Bluteau: — < e b« d«u por bem pago da reuia^ 
%n0 cõçii^o fi7.tfíi»^K K outr» ainda mais moderna: — «Hervas 
medicina*» de que se faz boa viuiaga>-^-. 



veuta. veuta 

O português antigo tíjve o vocábulo ivntã, forma vernAcula 
forres po&d(*u te ao castelhano veritana, cdfltQ t^amjtã a camr- 
patt/f (*l, V.), Dést6 se dcluziu o suposto primitivo venfn como 

•tpceu com cumpã. de que se tirou tampa. Venta ainda hoje 
..'lo, com a sigoiíicavilo do^' vesícula do ruivo [peixe], 
rheia de ar>— , acepção única cm que o vocábulo foi admitido 
no NOVO DnjfioNÂBKt. I-l natural que ant^s de venta se usasse 
wnita. como ein nasttdbiiuo se usa verilaiia, uo mesmo sentido. 



T«ntaiiÍo 

Como adjectivo encontra-se no segiiiute passo: — «De Aveiro 
©ocnmUDicam era 10: O tempo continua chuvoso e vcntanio» — ^- 



ven tarei ro 

lama rul>ríca do Àuro das Fadas de (tH Vicente, é em- 
pregado este adjectivo: — «Daqui adiante se seguem as sortes 
iturviras dos flautes per animaes» — . Silo estrofes pequenas, 
iind«vse aos nomes dos animais, e nas quais silo descritos 09 
costumes de cada ura deles. 



> Pbroorinaç&o, cap. xxv. 

3 AutOm'j FruncUco (^ordiui. Batalhas da Coupakhia db Jmu^, 

* O ECONOMISTA, de 13 de aDVombiro do 1638. 



fi«2 



ApimliUu aoH Diriouárion Pnftmguam 



Km 8Ín(5iumo de aventureiro, corao pode ver-çe em Bliiteau. 
CoiisegiHutt^iueQtu, as tturi^n tieattiretrax aram am jdgo Uu anh* 
no qual cada fídulgo tomava por siin divisi o nome de uma ave, 
OQ dl? nutro animal, onín lun daqueles motes, para os quais (j% 
Vicoute o-^orcveu as Iftnií:. 

Ventureiros eram uas festas réjías os fidalgos qua figu- 
raram nelas de acentureiros, cafaleirof audanies: — «O I»- 
faate Dom fertiuudo veio rom sous vouturoiros vestidos de gue- 
delhas de seda tina? como salvages» — *, 



verbo 

É o latira uerhum, «palavra». |<!ste vocábulo tom duai 
acepv^òes principais em português: •palan'a>. e < itarte da on- 
çflo em que ostà expressa a oo^do praticada ou sofrida pelo su- 
jeito d(íla>. 

É à primeira acepção que se subordina a locução verbo-tVeit- 
eher, por » cousa ou pessoa desnecessária >— como, por exempU. 
no segiiiute passo: — <0 conselho de administração seria... Ía- 
dotinidamente elástico: teria dez, vinte, trinta verbos de e^ 
cber» — -. 

Verbo de eiicher, termo de gramática já hoje desusjido, é 
substituído, na terminolojia moderna, pela deuominaçilo (palavra) 
e-xidefiva, que vem a di?.er o mesmo. 



verde 

— «Os verdes, isto é, os pescadores que vâo pela primeirt 
vez á Terra Nova» — ^ 



^ Knt (Ifl Pina, Crònioa db Eu-bbt Dom Afonso v, eap. ooiicxi. 
s O Shuulo, do '24 do setembro de 190d. 
> O Dia. de U d<; maio de 1908. 



ApottiUu aoe Dicionários Portugtttses 



ver (liai 

rj o nnme de uma hervQ, uAo estando bem definido que ciista 
de herva seja: — «outra herva luuito parecida com esta [o Lo- 
lium italicum] na folhagem (rerde iuzeuie) e também usada 
p4nk prados « pastagens é o LoJium perenné; usada nos arrel- 
T^os 011 p]acii« vertieji dos jurdiu»; é possível qiiti seja esta a 
vertÍMÍ dahi [Feltíaeiras] » — '. 

Há de ser uma gramínea, e mais particularmente lun joio. 



verdugo, verdufrão 

Além de outros significados, já eolijulos nos dicionários. t«m 
i^terdu(/o mais o que se depreende do trecho si-guiute: — * N'uma 
3fo& de barru aunexa á maior dilatação [da vasilha], ou ainda do 
Wbordo, effectuam-se também as depressões digitaes (verdugos 
«n fioudar), já conhecidas* — *. Arnaldo da Gama empregou 
terdxujão, no sentido de <vergào, cicatriz», no Segredo do 

ADE, páj. 59. Corresponde ao que em francês se chama em- 

inte, 

verdurengo 

fciste adjectivo, derivado do siibstantJTo verdura, no sen- 

lí) lie «qualidade de ser verde, uilo mudurn», t' ain('(mmo de 

fyerdoengo, e, neolojisino, ou t«rmo dialectal do Norte; eucoutra- 

-lo uo seguinte passo: — <os eugaços em vinhas fundas... 



' tíARBTA i>Aii Aldbias, tle 7 di* ootubro de IPíWJ. 

* Roclltt Peixoto, SODRBVIVB.NOIA DA PatMlTIVA KOIIA DB lll.ElKO 

Kn PoKTTOAL, tN Portugaltu, 11* p. 77. 



hão de BBtar verilurÈsn^oi, e coaunuDicar ao viulio molU ra-sdn^ 
cia • — ' . 

Nuo está rejistado dos dicionários. 



vergiiPiro 

— ' Para se fuxer [a armadilha uhainada fiantjramffrM, y. >k] j 
toma-ae uraa vara de 1"" de comprimento, o vergueiro, 
bro-aft ficaudo a curvatura para bíiixo* — '. 



verdttica-de-jiedras 

— 'l^ma pequena uiedalha (de caracter catliolico, rrultía 
de jiedrinhaa de cór, enonivadas). Ãjnoleti) contm »s hui'^"\ 

viajaute 



Oa espanhóis chamara viajante, o indivíduo que em fH>rta' 
giiêa se deaomioa aiixeiro ambulante, e em francês mrwfft^ 
vaytufeuí-, por que aos viajantes chauaau] eles riajerf/^. ^'* 
acepç3o castelljana vemos empregado viajante no trBClio ^ 
guinte: — < começou elle. . . coraviabos... a eiplorar os merca- 
dos brasileiros, mandando... viajantes para fazer a maioT pri^ 
pagiinda com mostruários > — *. 



\ 



^ Gazeta das Aldbiab, de 19 de agosto de 1905. 
' José Pinho, Ethnographia ãharantina, A Caça, »n Portoff' 
lia, II, p. í)l. 

í Portugália, I, p. 619. 

* O Século, de 3 de junho de 1900. 




viável, viahilidéíde 

Kstn (lesH.strada polavru é de muito recente iotrodufflo nu 
inguajem dos periódicos e dos relatórios, como a nAo menos 
íxtravA^^nte IncuvHo pur cmnpieUi, contra a qnal se insurjiii o 
raad(! poeta e prosador iiulbão Puto. relíquia preciosa doa 
lempos em que em Portugal se escrevia l>em. É a torto, que 
louca a direito, empregada e às rezes repetida e repisada n» 
iMUio trecho, teado-se já tornado, como a outra, um verdadeiro 
impertinente bordào na pena de vários escrevedores, que a 
Bsatn uum sentido enteiramentc contrário ao que tem em fnm- 
téi, onde se foi buscar, isto é, no de e.veqàirel. Em francèíi, 
VDde também é de moderno emprego^ e mal formada, ai^enas 
ignitica líumthuro, vivedouro. 

No Dicionário de Lttlré *. stímeute numa acepção muito res- 
llta vemos o vocábulo viahle. definido deste modo: — -terme de 
nídecine. Qui prf-seute, au moraent de la naissance, une confur- 
iDUtiou assez rêguliííre et assez de développement pour que les 
fdnctinns ntJcBSHiiires à Tentretien de In vie jtnissent s^exócutcr 
d'Due maniêre phis ou moins duruble. Fo;tus viable. l/enfant 
Mt Dé viable. // Par extension. Ou a toujours ]iensé que les 
ftatmes t^tait^ut pias viables que les hommes. MoimouB, Iníd, 
3Íém. se. ]ihtf». et luaih. Snr. etr, t. i, páj. 72» — , 

Como etintnlojía, para francês, note-se, dá*lhe o abalisado 
logo n latim vitae liabilis. aptf à vivre; muito subtil, e 
inaco provável, ê destinada esta etimolojiu a justificar o barba- 
Tismo. 

Vé-se pois que. mesmo em francês, onde o vocábulo foi 
^Jiliado com pouca fortuna, era êle um termo técnico, peculiar 
'!*'> cii.*acíiis médicas. 

P'>stcríor mente adquiriu este adjectivo um sentido um tanto 
uaíh lato, e o NotrvEAi' Larousse illustkè consigna-lbe, por 



DlCTlONXAIRfS DB I<ANfirK fltAKÇAIlílS, PaHs, 1S81. 



A3tl 



Apottilaa (i'M Dicionúiioâ I^rtttywwá 



ext«nsio, O stgnificmlo de «organizado, combiando por formai 
pode dar&r, produzir ofeiio (ahoiitir)», e autoriza com Gufr 
estii aplirflvÃo do termo. Como étimo, ilá-Iho o qne do LJltl 
cftpioi^ í\uf parece muito ©njenlioao, ujas tanihõra luuiio cfliio 
,tiio^:o duisais e artificial, como disse. A mita, afi^ura-se-mv i|^ 
^e se orijinou da adição arbitrária e errónea do sníicso 'Ohle\ 
nbstaativo r/V. «vida», como «utro vtahh, que uâo vem 
xido. mas é jmstnlado \w\o substautivo viíiftlliit'. mal ilerivi 
também do latim via, e que, conforme o referido dicina 
si(niificu: *bon t^al d*un« route permottaiit d'y cirniler», n qí 
em latim se denominava peruiuíi, e em portuguts «^ difi| 
tran^ttável. 

Escritores nossos, muito lidos na língua francesa e poQi|il 
simo na própria, transportaram pani cá estaj* exprossòes, do 
inosas mesmo em francês. 

Arsénio Darmesteter, na sna valiosa obra La CBÊAt 

ACTUELLE DE MOTS NOUVKAUX DANS LA lí.lXOrE FUANCaE 

expressa-se da maneira seguinte acerca do sulícso ahh: — •! 
suftixe se joiut au thi'>me du partici|H^ présent (participio «ctH 
des verbes, pour indiquer une possibilittS paásive. quand le vo 
Êst actif. et une possibilite active, quaml le verbe est u^C 
Dans Ui lanpue actuello il ost trí»s ftVond, ti sert i» formcr de^ 
nombroux adjectifa. . ,» — wt«Ia langVe actiMiUe ne forme; 
irajectifs eu ítftle qu^avec des verbes actifs, c*est-íiH 
quVUe attacbe à able la si^iticatiou de ce qui peat êtnf 
Ora, que os franceses, cometendo um erro de lingu^l 
acresce utasí«>m o auficao abie ao substantivo vie. «vida». ^ 
pouco lejíUmo; mas que em portuírués se acrescente o sufic 
vel, qne Ibe corresponde no valor, i^ palavra vm, que qurr^ àm 
«cuminho», paro que o derirado tique signiticando «que 
ou há de viver», e insensato; o maia que se poderia diíer I 
vidavel, já bastante ruim, ou vwivel, um nadinbu melhor, 



» Paris, 1877, p,léebO. 



Ájtixttiltis fton I>itnonárii}if /'orítttfnrfcn 



hiti- 



[i« at> menos se derivaria acertadamente de uni tema rerhal, 

ífcS 

Dos Dossos vocalkuláríos o úuioo que o admitiu foi o Xõvo 
iccionArio. que, no emUnto» o condenoa no Suplemento, Me- 
wr seria não o ter admitido, ou coiTÍji-lo de uma vez por '^ 
)daâ, como incapaz de expressar u idea que se lhe atriliui. 

A única acepção jwis, em qne jind^rá euipregar-se o adjectivo 
iável é aquela em rjue o veinos no trecho seguinte: — 'q«e es- 
ndas via reis e uma rede de ferro viária completa approximem 
»I»ovos» — '. 

Neste ÚQicfl emprAgo, todavia, é viável ainda um barbarismo, 
oi» ninguém diz viar estradas por « transitar (lor elas», e o 
Klhor de tudo fOra rec^imbiar para França, de uma vez por 
Idas, este e outroa vocábulos que para nada prestara, e se teem 
■nado chavões e bordões incómodos, aoa quais súmente se eo.- 
WA quem sã não quero dar ao trabalho de aprender a própria 
ín^oa. com aqueles que n falam ou a escreveram bem. Digam 
ÍÚÍ a qnem quer que seja, estranho li leitura de ptrióditos. e 
Hp mil contra ura, em como não entenderá. 
^^ViahiUdmU' estiT empri>|jrado, no único sentido en> que p'vle- 
ii ser iKirtujínôs, uo se};uint<- trecho. — * Aqui. «e a viabilidade 
u caminhos ainda uilo ganhou fóros de argumento pura tam- 
«m coda qual uSo se nMver do sitio onde nasceu, para isso ca- 

' - II .^ a píts»íits de giiipinN' * — ^. 
I - adjectivo, igualmente bárbaro, e incompreensível j)ara 
p«n Raiba somente português, é carroçavel: e repito que o que 
I Writo em português, o ó principal senflo unicamente pura por- 
■guewa, e na língua deles; quem de<>eja usar de locuções trau- 
w, escreva em francas; e se »i\o sabe, ou nSo gosta, ou não 
■^Hle escrever portugnês vemáculo. nAo escreva para o público, 
"ií ninguém o obriga a isso. 

O mijertivo uenlõjico carrocàvel é arremedado do francês 



O StfCtrU). ilc 30 Jo jiLnfau •!» I Wò. 



Apostiliu no« Dicionárioii Forlu^ntèe» 



J3!> 



Ter no trecho seguinte, referente ao norte do pai?,: — «Apenas 
Bubsislirani, através do todo o progresso industrio], paru as via- 
gens nocturnas, como ainda persistem entre nús os murracos 
[q, v.J de vido> — '. 

A fornia anterior há de ter sido vUloft, de que viàoeiro 6 
derivatJo: de outro modo teríamos videiro^ e oão vidoeiro, que 
representa um latira hetulurium. 



vieiro 

Penomina-se a^sim a linha por onde uma pedra se fende 
lutnrahneute quando se lhe dá uma pnnradu. K o que em fran- 
eé:» .He chama le divatje. que já por cá He aportuguesou em 
ciimjnn, palarra inútil, risto que a temos uossa. A melhor es- 
crita devêra-ser veeiro de uenarium [ uena, de onde procede 
veia. e dciíte u forma uia.sculina veio, que corresponde no sen- 
tido ao fiJõH franc*>s, que também já se a^iortu^osou inútil- 
moutc em filão. 

vila^ vilão. 

— • Hesta eraíira a villa. Esta palavra denominou primitiva- 
menU* a vivenda do domhiuif. mas depois iia ItuIiíL. na Gallía e 
ttii Hiàpauia compreheudeii quauto se continha dentro d*um 
K«lio rústico» — *. 

— 'conio as gerações da gente rústica, villàos * viUanuff- 

Saibre viiãoa rei/neyufueiros e viliios iierdaãores v. a obra 
nas noUis. 



^ RifCba Peixuto. Ii.urMiNA^r&o popular, in PortagalU, ii, p. SS. 

* ÂlbiTb) &iin|HÍo, Ae < VtUiAB» DO Norte db Portitoa],, in Por- 
^>>|ftlia.i.p. 124. 

* A^ p. 571 « ST.V 



HO 



AposfiíiiM aoif Dinonnrios fíartuffUfK» 



Na Ilha da Madeira, como é sabido* ftlào é o * iiomem 
campo > . 

(dar às de) Vila Diogo 

JSsta exproMúo qiio ('* jã antiga aa língua, nimca foi 
sada. que eu «aiba, seudo portíiu todos coucordea» porquí w to 
DOU popularíssima, eiu que Mgnifica, ou aut«8, ú equivalente 
«fugir correndo*. 

NiU) encontrei aiuda a e\plit!iiçiio dêst* m'»do de dii 

livrus, iifui «lu revistas ou periódicas nacionais ou es 
ro3, nem em dicionários portu^^ueses ou caatelhanos^ oonqoao^ 
muitos o iuchiatii, e o definam, como disse. 

A frase deve de ser castelhana e t-er vindo para cA juntaniíd 
com outras, aos tempos em quo essa liugua era tam familiar i 
Portugal, que os nossos escritores nela coui|MiDham profias c x$ 
80S, tam estimados era Espanha, como os lá íl-íUm. I' 
locu^'íto é LtitsU'ihaua, por existir uli tiàmliúm. e com íl; 
âcado. O dicionário da Academia *, por exemplo, r«jista-a 6 d^ 
fine-a nos termos seijuintes:— Villadiego. n. p. Coger» ô i 
las de Villadiego. fr. lig. Ausentarse impensadamente de -.u: 
uario por huir de xm riesgo 6 compromiso — . 

As abreviaturas querem dizer <nome próprio, frase figunul»*- 
Vi»-se pois que Vilhuiieífo é nome dí pessoa ou ite sítio. 

Xa ruiilidude. com iisL^' nome há em Kspiuitia uma tÍU m 
província de Leão^ e nm lugar na de Hurgos *: e como neuluui» 
vila ou onlra povoavão ou localidade existe em Portutra' •" 
tenha por nomo Vila-Diogo, segue-se que a locução é siiu[i 
mente traduzida para português, a ele acomodada, e alter 
08 termos, mus nào o signlticado. 



* DtcciosARio UB LA LBNorA oaatisluaxa, por I» R««1 AoiJíi 
VmlríJ, I8!tít. 

•■«nuHAl^tA OENCKAL DB Esi^aSa — DlCCXOKABlM iiia>KK,»t- 

^"^ i'U"ai.o8. audria, lâtí2, j.. 321. ouL ii. 



AposíiliU ao» DirtoHárioíi Portugueses 



541 



jdicadu. vemos 



ela 



diferençu 
orrentf, no verh') emprcjjíulo, que uo nosso modo 
te diiu*r v iitír a. uo t^ãtelliatio tomar (toujar. cog;er). Ein ambas 
ks liagaas a frase c eliptiea, pois não declara aquilo «a que se 
lá», ou aquilo «que se toma'. Conhecesse, p^iróm que há de 
«r um substantivo femeniiio, no plural, em ruxiln do as e do 

Km embaraço na frase portugaeza, a mais que na ca^te- 
. é o verbo que figura uaquela e cujo sentido nJo é ciam. 
isltt que fiar n, pode ser entendido no seu sijrnilicudo primário 
le «outorgar», como ver(jO com dois complementos, o directo 
la cousa, e o indirecto da pessoa a quem; ou como verbo 
"'■■i'(-iMvo acompanhado de complemento circunstancial de ins- 
t. como em dar t) bumha. dar ã manivela, dar á lingiM, 
nos quais, para maior clarvzií. se pode completar a frasA com n 

(vra vWíHiiwntò. tornando transitivo o verbo dar. 
Paremos por emquunto aqui e voltemos Íl locução espanhola, 
Vkus fácil analise, e que, como vimos, é a orijinal, suposto 
para poitujíuês muito idiomáticamcnte vertida por quem de 
|B|p compreendia perfeitamente a castelhana. 
^^pomar Uut de Viiladieifo. ,{Que sulistantivo plural femenino 
^■subentendido? 

^^ffto seria fácil descobri-lo por meio de raolocíuios. porque a 
Ivue cuja sígniticação sabemos é idiomática também, e abreviada 
itra mais completa que nos é desconhecida, 
ra. mas já o não v. 

A uma celebrada peça auòuima intitulada Coukdia ns 

Y Mkubka ', melhor conhecida pelo uome de Oki.iís- 

■i, por assinj se chamar ni^la uma ilas personajeus im|^K)rÍunles, 

Dfio protagonista, e que tirou típica, c/>mo caracterizando 

âcaraente a alcoviteira. No auto dozeno há uma cena. em 

Hemprónio e Parmeno, ambos guarda-costas de Callsto, 




• R^impresiiln publicndii por R Foulcbé-Delbosc », rol. X da soa mefi- 
> Bibliutli**::» HUpuntca. 



542 



ApottÚoê oõt XHãonáriõ* B>rtu0W»9 



travam um diálogo «ntre si, oo f|u:Ll ciidn mu se manifesta fitn 
mamente pusilânime, a os doiâ planeiam fiijir. 

Diz Sempróuio para u com|»aiibeiro: — 'Anda. ao te peueni 
ti esas BospecbaSt anoqua salgao rerdadenis. Apercibcte. a li' 
pruneru boz que oy^res, tomar cal^'a» de VíItadÍ6go> — . 

KeapQnde Panneuo: — * Lcvdo hus donde jo; en uo wravií 
estamos* Calças traigo, y anu borxe^ttieâ desos ligeroa que 
diz«s, para loejor liuyr que otro* — . 

Tor êate diálogo ficamos sabendo já qua! é o ■<••}■■.•'■•'•'• 
fcmeuiuo plural, ()uc uo prokWjuio castolhauo t»âtá eli*l< • 
cenUdo a êle, resulta a seguinte expresitâo: tomar las rtiUtíâ i 
Villadityo. isto «, niiu/utias: e eomn comentArio do outw 
terlocutor, nem calças uem borzeguins, portnnto peri 
pés, doâcalços, para correr mais ft vontade. 

A frase caãtelhana deve pois interpretar-se: — tomar 
pítrntui, & a portuguesa — dar ás pernas, correspondendo tii 
bas a fujir a sete pés. modo de dm-T este último que taiiiN 
carece de expliciição satisfatória. 

Outra expressão, na qual a célebre locução figura, — atou i 
de Vila Diopo — , é c<4isur«ida pelo autor das bcnnMiDADis : 

LDÍOOA '. 

(JoDcluírei cum uma abonação moderna da singular lo 
ç&o: — *o homem, uaturalmeute apavorado decliiiou preforio 
retroceder e dar óa de Villa Diogo» — *. 



vintéra-de-Santo-Ant<Íuio 

— * Moeda du prata do valor de 20 r*>is (do rfinafln 
I). João v). . . Amuleto contra us lucuiwt e qiwòrmito • — '. 



^ $ilve«tre Silv^ríu <U Silreíra t» Silra. Lisboa, 1704. 
s O Dia. do 20 du jonbu «lã l'.K>'i. 
> PurtugklU. I, p. 010. 



VISCO, visgo 

foriuíi muis usual no sul do reino é tftsro, porém no norte 

I^iirecB sír a pieferidu: — «Ha duiw especios de vispo, mus 

usido... t- extriíhulo ]iur iuaceru^'!ào e luvagom da casca do 

urínheiro.. . È conhecido pelo nnme de visgo branco, em 

<l>IW8Í(^o ao de resina que é escuro ou leiremeDt« lUnarel- 

u Mudeira chuum-su visgo & «borraclm», oa (/ttta-2terelia. 



(dnnça de 8ani) Vito 

ara artigo de ítiistínit* interesse, intitulado Os tbemedo- 
PouTUiíAii NO SÉCULO XVI, publicado na revista Por- 
i)^'ttlja 't diz Pedro A. de Azevedo, em uma nota, que este 
wmc, dado ^ coreia, é importado, derivando-se Vih do oleiuilo 
(Vi7. Xtt realidade, tauto a coreu como a epilepsia se deno- 
fiiaun uctualmenti' um ulcmilo (Sankl)'Vtitiian£; niaa da 
kma Veit (=vait) do alemão inodortio nfto se derivaria VitQ, 
hás siin da forma do alemão módio Vit. 

O uome de Uani;a de Sam Vito, porém, não pi;pvóm diroc- 
Uneute, nem do alto alenulo moderno, nem do niedio; é sim- 
lesm«Dte a tradução do latino cfaorea sancti Viti, assim do- 
pminada por !io invocar o nome deste santo, como advogado 

Ítmíurmidade ^. 
O mesmo artigo bá utua afirmação dúbia, expressa por estas 
ras: — < Uma religião dos povos auglo-saxões tirou o seu 



Josri Piobo, ETn.soaaAi'UiJi A3iara»ii.na. A Coça^tn PortagA- 
,p. 96(v« • 

n, p. KW. 

Prvdcrico Kluge, BrvMOLOctiscHBS WOnTRRBixn dbr DBt'Tsciuu« 
, Entratiburgo, ISSÍ>, mh i*oc, Veltstanz. 



511 



Apo»tUn» tu)8 Diciímãrton PortuyurêfM 



nome de to quaker, tremer. Sáo os quakerê im treraodort 
Km primeiro logar, o verbo * tremer ^ é to qunki-, e nàu 1( 
ker; fiuahr é o nomen açfeutis, qup, como v &al>ido, ivi 
em inglês flUticí^aado -er (e menos frequentemente -ar, 
radii-al do verbo, corn ptirdu do e fina}, se o vyrbo nele 
Eiu set^undo litgiir, o Quakerism é uma seita oristõ. n, 
séoulo xvit em Inglaterra, e ditiuidida ao depois uu 
inglesa* e cujos íiectários se intiiiilanim quakers^ «tre: 
on trémulos., e tamltt^m Frfi'rn{.<, •amigos-: não era, pfl 
jiâo especial. Por outra parte a expressão auglú-sax6« 
mais exidiraçao nem refermiria a época, pode induzir o I 
êvro de supor que tul relijiiio era imijil, prilpriu dos pí 
avas.salurauí os celtas em [nglatvrni. ik»s sh^uIo-í v e vi 
antes de se cristianizaram. 



vireiro, viveirista 

O Novo DjccrowAnio deu a deíiniçílo deste voeábu 
relaçito &s marinhas de sal; como, por^m, a 8eguiiit«, 
explicita, aqui a reproduzo: — -Kecebe-se a a^oin salfíada 
collLH'vtlo de tanques cavados no solo, de pouco mais de 
fuudo. O primeiro, chamado viveiro, é muito grande. 
metros quadradas ou mais> — '. 

Vivcirisdi ti o iniUvíduo que cultiva paru venda 
vides, etc., em viveiro. K um neolojismo bem tormado, 
do se>ruinte anúncio: — «Joaquim Dimiel dos-^uutOii, vi 
e viveiriâfca em Bastos. . . » —*, 

vivenda 



Esta palavra, que bojo se emprega especiahuetiic no 
de' -casa de campo >, tinha dantes acejv^es díveríia*. 



I O Sboulo, iIf U) de jaiOio de 1901. 

4 Gazbta das Auukus» de 11 de março de 1006. 



AjiOsíUag aon Dictotifirio» Pttrtuffiifws 



.15 



deSue-a do D^umte modo: — «Domicilio. O lugar, que algiicra 

escolheo para nelle viver» — , acresceiítandí» as locuções sejçuin- 

'tes: «a^tieuUr, ter vivenda em alguma parte •, < buscar em 

l^fuma parte àua vivenda >, e aduzindo em abono deíita iiltiuia 

acisco de Sà [de Miranda]: 

Fez nns fios oatTiM matar 
!*.iss«ju Ji' vivenda ao mar, 
lli>i(ieri!>, natnraf í^ lia U^ira. 

sim, vivenâit é «o sítio eio que se vive-. 

|£ste vocábulo jiodia ser aproveitado para substituir o arre- 
ado habitat, «haliita», cora reten-ncia quer il tiora, quer à 
ftuiia de qualquer rejião, e pareoe-ioe preferírtd a solar, que foi 
«ii)pre<,^do uo Rbcbnsbamekto Gebal dos Gados: — «A raça 
ide vacas ttiríuiut] b(dandesa tem o aeu solar nas ribas do mar 
ia Dorte e do líaUico* — '. 

£ o que t<^z lUuteau, dando o exemplo da sua defíuiçAo, em 
oí do VocABirt^AHio POHTCoiTEZ-i-ATi\o, 6 Butre eles 
. •• bem ouracterítítico:— • Kanoifbr. He o nome de hiim 
animal do Septeiitrifiu nas terras dos Kiuuos e Lapões. He do 
%tio de Veado, ou Corso, mm mais delgado» e de cfir parda. 
P«z sua vivenda entre uercs, e caramelos, de que gosta 
Buito.— . r. ranjiferCo). 

Hoje. qualquer naturalista, ao periilliar esta detenção, não 
'' "" na de substituir a frase que espacejei por Tem o seu 
'■f. Faria mui, visto que o vocábulo portu*,'uôs, a todos 
inti'r[jiTel, á mais próprio e mais fácil de pronunciar, além du 
iititajem de se lhe poder dar plural, o que uâo acontece com 
iuihitiit, Xo sentido de moradia empregou-0 Itui de Pina: — «en- 
(^"meiídaudo os hlbameutos e vivendas de seus criados a aqueles 
wulmrea de Castela» — *. 



^ so Axxo UB 1870. Lisboa, 1875. p. 05. 

* CrOmica UB Ml-kbi Uoh Afokao t, cap. lxxxiv. 

II-VOL. tu 



546 ApostUeu ao» Didonãri^ Fortu^ueêer 



TITO- 



No Àlto-Âlentejo qndro dizer animal de criaç&o: — <e 
a coDcessfto gratuita ou onerosa de lhe consentirem os títos.^i 
Pelo termo <TÍro8> designam-se genericamente os gados 
aves» — *. 



Tizicarmn (?) 

— «Uma [palmara- das.. Ântílhaa] dá uu^' coqninho^ ponm 
maioreft.^iU} Avelfia, com seo focinho, boca, olhos e nariz, *im qA 
Brasil «tftamanii vixicurum»— . . 

É duvidosa esta forma, qae me parece aenbum dicioQám 
ainda njistou, nem mesmo o- copioso Diocionabio dk v<tc^u- 
I1O8 BÍbbilLSiBOS, do Visconde de Beaurepaire liohaa -. 

Digo ser duvidosa, porque nas várias línguas indijffHiu de 
Brasil, nomeadamente no nheengatu ou tupi, vl^- anile 'S eott" 
soante v. Será tddsieurum? Mas esta forma tÉpte J|bÍ0 ^' 
contra, 

vizir: V. váli 



você 

Este tratamento é coutracção polissintética de v&Bsemecê. que 
já o é de vossa mercê. Em castelhano antigo houve boaeé, como 
86 vê no entremos Kufián Viudo: 

— Mi so TraiiipiífTos, es possible sea 
boace tau enemigo auyo — ^. 






1 J. da Silva PicSo, ^TUNOORAPHiA i>o Alto-Albmtbjo, tff Portn- 
galia, I, ]>. 274. 

« Rio de Jantíir.1, 188Í). 

* F. do Haan, iu Rhtitb HrsPANiQtTB, x, p. 24õ. 



Apostilas ao8 Dicionários Portugueses 547 

Outras formas intermédias portuguesas são: vòmecê, voneê, 
erê *. 

volante 
Hêde para a pesca da pescada -. 

voltaria, volteiro, volta 

O N6to Diogionábio, como outros antes, mas com signiíi- 

idos diversos, rejista a segunda destas formas, na acepção de 

instável», entre outras, subordinada pois à significação de 

viUa, no sentido de «vicissitude», e do toscano vicetida, como 

VNDOS nestes formosos versos de Metastásio: — 

Matar vlcende o Toglic 

D*iii8tabil fortuna u stubilu artu; 

Pmto dà, presto toglic, 

"Viena fabbraccia, imie t'abborrtí o parte. — 

Volta em tal sentido é muito popular em português: — 

ConstaDça, minha Constança 

NSo sei qne de ti será : ^ 

SSo acasos da ventura, 

Sio Toltos que o mundo dá. — 

Unto de Cangalho, no seu interessante livro Histobia do 
'ajdo 3, xisou o adjectivo voltário, por volteiro; nâo afianço, 
orem, que nâo seja erro tipográfico. 

Se o não é, temos aqui um neolojismo individual do autor, 



* J. Leite de Vasconccloit, EsquissE d*une dialectolooib roínBf i.»- ». JR 
.IBE, Parie. 1901, p. 129. ' * ">< ' 

• Portniçalia, 1, p. 591. * ,' " .' 
> Lisboa, 1906, p. âO. - ^' .* 



ftoft IHríonárioít Portutfuenes 



MO 



Avul'ai)i principalmeut* em versos, cujos aiiinres 
I, ua verdade, é uma preocupavão infuudada O' 
quais se ouvenit corrijindo-os, o que é cou- 
D& pronúncia dos vocábiiloít, quando o couta- 
da (jue é tida por mais culta. Se éssos versos 
toila a autoridade, da parlo de quem i>ela es- 
B£, para os corrijir; porque em relaçíU) aos de 
éle. se fCn' vivo. ou aljruem por êle. se morto, 
tie cumpre, restabelecendo o rigor do metro, 
que sejam versos, e Dfto prosa, 
autre dezenaH e dezenas deles, apoutarei aqui. 
o, como sempre o ouvi cantar, o que é bem 
«eguiute formosa quadra: 

— Eu tki-tfl um beij<», ovrasitíi*), 
Deite-tc o scguníiit, ãorrÍ8tc(s)j 
Tolys os maia qoe levaí(te(ii), 
Foati' tu que mos pe'lÍ8t^'(8) — . 

14íí do livro citado vem assim transcrito, cnm 
; sílaba, o l.*" verso: 

Deite Din beijo, coraste; 

se emendou corastes, sorristes, levastes^ petltstes, 
ista naturalmente i»ronuncíava, não pos»o atinar com 
que se não enteirou atjuele verso manco. 



voz 



(leotido de • voto » , como o francèa voix, vemos este vo- 
iproirado na Cróníf^ de Kl-rei Dora Afonso v. de Rui 
duas vezes, que uma à outra se coufirmam: — «Ksendo 
seus votos fossem em desvairo por i^ual. que o notifí- 

então aos lufantes e condes; e que segundo 'as mais 



Ap<Mtitaa aos Dicionário» Fortttgitrar» 



vozes fosse o negocio da dúvida determinado» — '. Uefer 
cronista iio coiisellio de rejéneía, que iwr parecer do ídê 
Dom Heurique se estabeleceu durante a TDeiiorídude do Príne 
I). Ãfouso, ficando sua ináe a rainha 1). I^onor por tutor 
tetor, c^mo diz o crooieta. — «Auabaudu o doutor [Diogo AfOD 
sua fala, foi-lhe por um vereador dadas [sícl gravas por ela i 
nome de todos, os quaes eucomendarani logo ao cajiítÂo 
desse sobre o caso a sua voz, que a deu com caut«las e fiintb-^ 
mentos de bomem prudente e mui avisado» — '. 



Xá; xàinxá, xabándar, xabánder; xaxá 

K esta a escrita portuguesa do titulo persiano que eiiuivili 
a « rei. príncipe». xuA. Poderia oscrever-so com h fiaal, visto ( 
ueste uotne a ontepenúltima letra do respectivo alfabeto. Ip 
de Biial, não ê aqui, como quási sempre acontece em árabe, f 
pies sinal de a. como suticso que designa o femenino. e 
qual adoptei a translitera^Ao e neste eseríto ^. Inútil é ^v 
tal adôruo ortográfico, o qual em uada intlm para a proiiiiu 
do vocábulo em português, e que os nossos autores antij 
nunca tiveram em atenção: — «muito roais os que agora tr 
o Xá para a 1'ersia » — '. 

Os franceses transcrevem a letra inicial, que se profere o* 
O X português de xaârei, por eh. os ingleses por «A. os alpiiiáe* 
por itch, escrevendo respectivamente chtth, nhah. Mchah: <íí^^' 
liauos escrevera >*oià: os espanhóis .«í por tradi^'ilo, como o* 
portugueses, tradiçiio que lhes ficou do tempo em que o r IíbIi* 
lá esse valor, que ainda conserva em galege. asturiaoo. cauiláf^ 
e que os seus anibistas e escritores teem louvavelmente inauM 
em livros modernos. 



" V. o Prcficio. 

* Frei JúAii dos Santus. Etiópia Obirxtal. pMU u, 1. 1.*. eaf. l'' 



AymtiJa» an« Vieionáfioa Fnrlitipàetea 



551 



O título de xá veio depois a si^níficat- qualquer fuucionúrio 
no Orieato, que exerce fLicçÓes superiores de mando; assim 
xahttmlrr, ou xabàndar. era ua índia, o «capitjio do porto» 
sendo o s«}riui(]u termo iln coinjwsto o vwábulfi putí^iauo BaNuaE 
' porto de uiar > : uio talando dos xabundareit, nas ' batcus e 
rio8> — *, 

^_ É possível que no plural se acentuasse xabanilárent vbto 

1^ o plural persiauo é xauaxDaBa. 

Nos povos do T)aomá dá-»e o nome de j:axà ao governador 
dos lírauctw -. K provável que a denominaçáo seja a redupli<:a\;1o 
coritnoiíioâu do vocábulo xú, que pelos uiouros llies fosse traas- 
mitid<i. Em iwjrsiano jxlinj-ú (xãHhuáfi), literalraenU', « rei dos 
Teis>, denominação antiquíssima, é o título honorifico dado ao 
monarca. 

laboeo. xabouco 

No Kibatejo ^ o nome que se dá a uma lagoa, ou grande 
IiOça de água. Km árabe xuBaKE significa, se^^undo o Vocabulá- 
rio dn Padre .1. B. Helot ^, «sítio eui qup bá muitas |>Ofas*. 

K possível que um derivado, xanirs, desse orijem ao vocá- 
bulo português. 

xácaru, jArnra 

O Novo IhooioNÁaio inclui a segunda destas formas como 
porttizuesa. equivalente à primeira. Não o é: jácara é mera- 
líiente u ortogmtia mndtírn;i lia antiga torina castelhana xtUara» 
idéatioa á portuguesa .tocara, na pronunciavilo da letra inicial. 
A Academia ÍCspanliola, ao reformar nos tins do século xviii a 



^ AnUnio Fruiciwo Canlim. Bataí^das DA Companhia DGjBsrti, 

■ Carlos Enjéniii Correid da Silva, Uma viaobm ao BBTAUKi.Br[MisNTO 
i'QH'rootrB2 líB st. JoAo Baptista db AjroA bm IStí-j, Uaboa, l«Ofl, 
> VocABUi.AiKB AKAiiK-KKANÇAis, Ikírate, 1893. p. 307. col. (. 



ortografia. uuifio«u em j todos os o^v e todos osjj d» an 
crítu, por ÍS80 que Iiaviaiu perdido a prouúneia anti^. iptal X 
portuguesa, e se tinham identificado em um som. comum a iimlii" 
estas letras, cousoaute fricativ a velar, "urfia, convém iiiii>er. 
proferida por fricção e sem voz do vén palatino, que é o ralAf 
actual do j eastelliano. o qual eu convencionalmente repre^erito 
neste trabalho por 1/ (h voltado). A palavra /fíra/o, \io\n. ajú ? 
portagnesa, e quem a emprega usa iucooseientemcute uma forma 
estraujeira e espúria. 

^ Çguílaz y YangUBs declara ser cácara a palnvra arãliS 
ta:aoaB. que transcreve ./■«'«r ', de uma raiz verbal, a t|ual sif! 
fica •versejar». E singular, porém, que a 18.* letra do aUah 
arábico apareça excepcionalmente fi^rada por c nas Unguaãl 
pânicas. 

K claro que o tenno xàcara, talvez chácara, chacra, 
sit^ificaudo < prédio rústico, fazenda», un Brasil, é outro vo 
buln, cujo t^timo Dão está averiguado, que eu saiba, mas q^ 
pela forma que apresenta nâo tem jeito de pertencer h liag 
Iterai, ou tupi. 



xuja 



— «Para dentro [da ilha de Caipeti ou Cardina] ha 
lierva, chamada xaja, que serve de tinta como nas ilha»' 
pastel • — *. 

xarda, xardoso 

— « O povo lá chama-lhes até [aos cristftos-novos, dcnomi^ 
dos judenn], nos arredores de Bragança, xardómn (isto ê. 



I rtIXJHÁRIO ISTniOt.60100 DB I.M P.UjUlUASBSPAiiOLAaDKOKia 

OKteNTAi.. irranaila. 1H8t!, *ub lyoc. JÃ<:ara. 

» Poiíre Jhfanuel BernArdez, T>csutti<;lo i>a cioadio un Coí»íuio» 
%H Uútvríii trájiuo-nmrítíma de Bernardo Gdmez ile Brito, t, xi.| d* £•& 




^^ xardas. termo que si^ifíca sai*daâ); chama-lhes i^ual- 
íeoto eanitwiriis ou eaniqiieiro», e dia que elles, quaado fal- 
HD, ladram como càes» — '. 

Êia engano de apontamento, e o x inicia] não estará ali 
Conquanto o escritor que cito peja beirão, e uSo deva 
nte oonltindir s com x, é possível que a nota lhe fosse 
iibministrada poi* pessoa do sul, que nao conhece o valor do a 
tirão e trasmontauo. 



xarife, xerife, xerítina, xeri&do 



H Obtoorapia Nacional * já me referi a ^ste vocábulo 
rábico xaKiK, o qual. conforme Marcelo Oevic ^, é o titulo 
âdf» u qualquer descendente de Mafoma por parte de sua filha 
'âtinia, esjíosa de Ali. t> niosmo arabista diz-nos ser um subs- 
ftutiro verbal de ajente do verbo xauapa, «realçar», significando 
«cUoto «ilustre». 

táo de Sousa escreve xarife, coin « na primeira sílaba e 
a que significa— • Nobre. Emiiientf em gloria, e dignidade, 
bblÍQie entre todos» — , e dá-lhe u mesma derivavào, acrescen- 
Wo: — < Entre os Mahometanos. he titulo de muita boniTU e 
S o Principe da cidade de Mecoa, e o rei de Marrocos ^izain 
írt; titulo de jure, j>or serem descendentes dos antigos Árabes, 
por cousftquencía de Mafoma. No Oriento e em Afriwi ha 
ntra qualidade de Xarife-s e síln aqueles que tem visita<lt> três 
BiBs o Templo de ^lecca. que sem estas três visitas nfto podem 
*ar o referido titulo. Os Xarifes do Oriente são conhecidos 
«lo turbante rerdo que só elles podem trazer: Huns e outros, 
■■» aquellas três peregrinações adquirem tal nobreza, que além 
1* grandes privilepos, que Ibes são concedidos, podem apareu- 



J. LcJLe d* Vii8cync«lf>n. Portugai* PftK-iiisTOBioo, p. 1Í3. 

Lbboií. 1904, p.147. 

Saplrmcnto ao Dictonirio francês dí Líttr^, mib voe ehérif. 





Ajtofitilas aos iHciomu-iú/t TnttHiiftu»i:M 



tar-se com as priuieiíus famílias, e os príncipes qâo (laTiilua 
recclicr suas ilibas itor iDulIitres» — '. 

Chérif 6 ortografia francesa, scherif, alemà, n/ieree/an síirrij 
inglesa. O nheiíjf ( -jU^rif) inglís é outra palavra, em atiiíl')- 
-saxão scire-(jen''J\i *, e si^uifica < prefeito*, 'governa^lor civil * 
earjifo punuueute honorífíco hoje em dia. e qne nada tem qu« ver 
com o xarife mocelemauo. 

De thérij fizeram os fraiicosos cfiérifat, i-xarífado ■», Uigoi- 
áade de xarife, e rhérijien, eliérifienne, «xarifino, xariflna*» 
e uão xerifiano, ou xerifiato. como se vê no seguinte trecho; 
— < Nem a for^a. nem a grandeza, nem a fortuna da \ÍIemanha 
dependem de algiium.s coritHts:íões arrancadas ao arian^liico lu ri- 
fiato»^^. Como de príncipe tazemos principaâOf e mio prin- 
cipiato, assim, de j-nW/í', ^rtr/7tfrfo; e.iwW/í«o. como de 7 
hiniòino, dt* Tánjcre, tanjtrino, etc. E visto que jú se eiuLi. i.i. 
o desacerto de shcrif ou chórif, em x^-ife, ou xart/t: couTêra 
conijir também os outros. 

Com relaçiin a qual áeja a forma preferível, xarife ou xerife. 
direi que a prímeira foi a preferida pelos uohsoíí escritores antigos, 
como o Padre João dos Santos na Etiópia Oriental, e já vimM 
que João de Sousa é a que aponta. Hluteau dá as duas. abonando 
a segunda com Joào do liarros [Dkcadas, l, foi. tíO, «ol. 3."]. 

Xo Roteiro da viagem do Vasco da Gama empro(;ou-.<« 
:íiar(fe: — «huum mouro branca que era xarife, que quer diíer 
crcligo * — », 

Na realidade, a primeira moção ou vogal é lida ora como o, 
ora como e, isto é, poderia tigurar-se por íe ^. No imhe falado 



> VnsTJntos oa likooa arábica hvi PrmTroAU lisljoa. IS90, 

* Heorique Sweet, Tub Stituentíj Dictionakv of Anuixi-Saxox, 
Ocsí-nis, I8)í7. 

•"i 11 SBtM7i,0, (Ic 2 d; jalbo íc 1905. 

• Lisboa. líMJl.p. 7:». 

^ V. Guilherme Wri^ht. LBcrtTBKS ON. . . TH6 risMiric Lakqi.-a<mbi. 
Cambridge, ltí»0, p.-75-7S. 



Apoêtiiaê aoif Dicionário» Portugttttea 



555 



em África, é nala. valendo pelo nosso e surdo, o que tnlvez nos 
Crtuduxa :i preferir xerife, j^rijado, xerifino a xarife^ jnrifttdo, 
xarifino. 

A fonna com a. xarife, é devida provavelmente à conhecida 
intíacncia do r no e átono qne o precede ou segtie em portu^tès, 
e d» que sio exemplos ra^ffjar em vez de reugnr \ resecare, 
amaricano, {H)pular por americano, farum J fera, etc: — tUm 
xarífe quG era provedor da sua armada» — ^ 



xaroco, xarouco » 

.Toão de Sousa dá este vncábnlo como português, sem al)0- 

V\o. citando Uluteau, e atribui-lhe como étimo (imediato?) a 
ivra arábica xaacQ, que transcreve xamco. Diz mais que se 
deriva^ «da voz (xautii) xarqui o Na-scente ou Oriente, por 
Mr o ventjí xaroco duquella partv» — -. 

IJhiteau escrevera: — * X\kouco. O P. Bento Pereira dii. que 
é vento da terra, e charau-lhe AUantis, Com nome, que tem ana- 
Ifljia com este, chamão os Italianos Siraro a hum vento húmido, 
á Mi.'ridional, a que os Liitinos oliamilo Xotas* — ^. 

Parece pois haver contradição entre o significado do sirom 
italiano e o do xnroco {K)rtu^niíís. estando éstfl mais conforme 
cora o valor do t^timo arábico, pois. ua realidade, era àmbe xahq, 
6 A\a\Q ê *na8C«nte» ] xanaqa, -uaKcer o sol> { ximut^, <a nau- 
cer do sol •. xaauUa), «vento teste >. 

Mas o ifiroco italiuno, de (|iie fula Khiteiin, com maior «xacti- 
dlo arirocro, ftciloao (pr. xirór-ro, jÍ}ôe-co), não si^niticam 
• fíDlo sul •, ou * vento leste ». mas sim » vento sutíste • ; o nosso 
""ir), n hespanhol mlnno j solanum I sol. ê lesto ou sueste, o 
lUft a[iroKsin)a o vocAhulo poniiisular do citado arábico, na ori- 



' Prfl JuSo liou Santo», EnòeiA ftKiKNTAL, i, 1. 1.*. c»p. x. 

' VlWT10IU« DA LI.NOOA AKAKICA HM POKTUUAI., I.Í(i1)0a, 1830. 
' VoCABrLAKlO IIJKTI-Híf KZ R I^ATíSO. 



jem, tnaít com a me^ao desvio de si^iOcação que sofre» o /'O* 
roço, ou rftvrocíTo. 

A rosa dos rontofi cUamadu do Mediterrâneo, oom o» hm*^ 
em italiano, compreendia os seguintes rumoâ, a comcfjLr pelo 
norte, na ilirec\'«o de leste-snl: trmnojitana (uorte), yretv [aox- 
deate), lenmte (leste), scirorco (sueste), o^tro (sul), liòeccio isn- 
doeste), poiiente (oeste), maestro looroest«). lilâtes oito run^*^ 
subdJWdiani-He em trinta e dois. subdivisões denominadaf^. ^ 
dozu:«seis primeiras coin a desií^naviio composta do* uontf* 
• daqueluís de que eram juterroédius, hvante sctrocco (lcã-sue.4«l, 
por exemplo, e as subiUvíãõe-s deitas ultimai^ com as palavní 
quarta ãi (scirvcco verso levanfe. por exemplo). 

À rosa dos ventos romana, como a grega, tinha só os oito 
rumos principais: Septemtrio (setentrifto), Aquilo (aguião), 
Subsolanus (musceute), Uultiirnus (soão), Auster ou íCt^tu* 
(sul), Africus (sudoeste). í''uuonius ou Zfpliyrut; (ot-itUíi. 
Caurus (norueste). 

Parecc-me, pois, que o nome xaroco. ou, xarouco, em vez 
de designar o vento, oo rumo de leste, como afínuou JoAo de 
Sousji, ou o do sul como pret«ude.u Klnteau, indicava o do sueste, 
entre e^tea dois rumos, como no Mediterrâneo, isto é. o scirocm 
italiano, o vulhinin dos romanos. 

Fattam-me aboua(;ões para confirmar este modo de vor, ftp<>- 
nas baseado em raciocínio, mas que está em barmoaía com õ 
de .T. Inácio Koquete, que tradua x4irouco por siroc: — «vebt 
fiud-est sur la Méditerrance » — . 

Dos nomes italiauos dos rumos passou para português o dò 
norte, na locução perder a tramo nfatut. « desorientar-se » , quA 
talvez viesse para cá por intermédio do francês penfre Ui #fB- 
montane, que sem duvida a recebeu do itíiUwo jfi^ifere In tra- 
montana, e que Moli^re põe na boca de um Chisrâo. pessoft 
episódiea da comédia Le Bouroeois GKKTiLunusut. 

— J^ pcritti In trainontone — >. 



* Acto V, Ballbt d&s Nations. 



Ápo$tUfw a<ys DÍcÍanârÍoê PortuffHfíK9 



557 



Ainiia boje nos servimos das expressAes de suntido auàlogo, 
i/em norte, desnorteado. 

Vejrt-se sobre n termo sirom. Alurcelo Devic, Dictioxnaibk 

£TYMOLOI>1QL'E DE9 MOTS D'uBIi>IN*E ORIEXTALG, ifHÒ. V, SÍFOC '■ 



sarope. sorvete 

Ivste vocábulo é de urijem arábica xurab. « bebida, de 
URasa*, beber, e por especiticação «determinada bebida», como 
caf^. vinho, etc. Ai formas portuinK^i^Hs são duas, sem o artigo, 
ou com o artigo aJí. (ucaioi}e^ alxubab, prouunciiido axjcaròb. 

Marcelo Uevic * relaciona com este vocábulo outro, zurrapa: 
porem u&o só os dois n\ mas a mudauça auormal de ./- iuícial 
«m s. tomam o étimo pouco provúvel. 

Ofereci» ôsle vocábulo uma sinjtrularidade: v a luudauva do h 
em 7^ quaudo em árabe e.sta última letra uão existe, lutluiu na 
permutação talvez a regra formulada por l>ozy ': as consoantes 
liiiai*( eram mal niivida.s. e por Í5so mudadas nem norma certa. 
A lei é eujeubosa, cumpre porém uão abusar muito dela, e 
«Mojitar os motivos d» mudanV'^* 

Gm castelhano alternam as formas de p linal com as de ò 
oa f final, pr^doniidiunío íl-í primeiras: .rarahe, araitive, aii- 
tigsi^. moderna jarahc. toiias elas com e fiual de encosto à con- 
soaute p ou b, desusadas como fínais. 

O francês .v/Ví>/< proviMti da latinizavão sirupun de qual- 
quer das formas peninsulares do vocábulo citado, ou melhor de 
outra forma arábica derivada, xanun, que talvez seja o étimo 
íuKHliato áan formas peninsulares que t^^em o ua 2,* síUba. e 
portanto do português xaroim. 



» Parla, lf<7íí. 

« DrcTiosrsAittR ftTVMOLoniQra nisa mots d'ouioisboribntai.e. 
Pari*. m7t>, mh f>o<\ Slrop. 

' G\jo^9K\íiv: oiw uors nãPAONOLS irr coRTnoAia dérivAs db 
1,'abább, Luidií. 1B69, p, 24. 



55S 



ApottílaM aoa DínonárMU Poríuçueaa 



João de Sousa, ao dâr, nos YBsrtaioe da CJXooa ajiai}K'jl 
sw PoBnroALf a etimologia de xnroins, adin apflyaas x foi 
zuBAB, que tmnsoreve por Xaràlye. Atribui, como é <!»* -' 
.•ii^niticayão « lambedor > à palavra portuguesa, aci< 
— «Também aii^uítica qualquer bebida medicinal» — . Uvi 
porúm^ ter acre»centado que aquela acepçdo o$ptx'úil nilo 
que compete ao vocábulo aráhii^, de qae nio dá u signittui 
geral. 

A palavra sorwte procedeu aaturalmeute da francesa 
conquanto em França se dê ôste nome ao que nós cbs 
cwapiniuida, e não à wpre ou -gelado past-oso*. Fará freu^ 
veio talvez do italiano ttorbetio, que o recebeu de xosbeI, 
niiDcia diida pelos turcos ao vocábulo arábico xurbk. outro 
rivado de xaaaRa « beber >. Para u forma portuguHt<a cotn^ 
contribuiu a relação aparente com o verbo forrer | «orbere, 
qne. a triuníarem as modemissimas teoriító de Alfredo Trombetti ' 
é em última análiííe o mesmo vocábulo qne o arábico. Uut 
forma, usada na Índia, é xarau: v. raca. 



lelim; v. shillhtg 



xeque, xecado 

É esta a forma portu^uom, estabelecida pelos nossos ant 
escritores para o vocábulo arábico xarn, que quere pniprjame 
dizer «anciáo», e por extensão <rejedor, governante». 

Disse estabelecida, e nfto transmitida tmdictuualiuenln 
audivâo, visto que a lUtima letra da palavra, que aqui repr 



» L"i7xrrÁ u'oiuoiNB i>bl UNQtTAOOtO, Bolonha, líKW. p, iSO: 

.OTBBftBBT'*' sono posaibilí ín una railiru finlUnto m fn ilí mm) ?« n' h tuai4 
p^MB uiainero U fanxiono úi roailo, come ncU' iiiducBro|)ftt tnviJii 
= semítico Karab, saraji». 




a ftétima do respectivo alfabeto, e ci^o valor é o do j 
«ftano actual, a sor tradicional a transmissão, estaria repre- 
ada. / como em alfaiate, alface, al-huut. al haí '. 
A escrita cheik ó friuice»», nheUi:, inglesa, scheich, alemã, 
I muitas variaute$, mais ou meuos caprichosas; ao passo que 
óssa triiuHcriçiio foi sempre iu variável, e aindrt é usada pre- 
tciiionto, coru rcferõacia a certos rejedorcs mouros nu Africa 
sntal. 

Os exemplos e provas são de sobra e de todos os tempos, 
relayAn à escrita portuguesa deste titulo mocelemano, já 
!tÍTO, já bonorítíco, a qual se pode comparar ao da palavm 
kiyr, que equivalendo em latim, de oude deriva, ãeniorem, 
llmeotc a 'auciáO', adquiriu tantas e tam variadas signiíi- 
^ 6 aplicavúeii nas linixuas românicas: 

|«e dali se tomou Moló Xeque » — '. 
«Velho sábio e co'o leqne mui valido* — ^ 
• O Xei{ue Ismail Sofi>^*. 
% já moderno, contemporâneo, reterido ft ÀlVica Oriental, 
oa correspondência de Moyambique: — ■ O Xeque eleito tem 
permanec-er, por preceito da sua relij^iâo. 4U dias uo local em 
foi lavado o cadáver do xeque fallecido» — *. A jurisdição 
M autoridade mocelemaua devemos chamar, se quisermos 
Br tal denominaçilo, xecwh, e não xequado, pois o u de 
ue tie não profere, —«a acção politicai... ficou governando 
ipre 08 xequados»— ". 



r k. B, GonfAlrex Viana, Darx kaits db pBoNOLOOíE-nisTottt- 
rtiGAMK, IJHbaa. 1802, p. 10 e 11. 

d» Pina, Cr6ktoa db Kl-rbi Dom Afoxso v, cap. Clxvi. 
kmOM. Os Lusíadas, i, 77. 
t^lhMC" -)■> í'ynt"í, Pê<iaua» da ÁaiA. 
^ II KcoKitMiRTA, (ie íi df julhu lie 1884. 
BoL. 8tHJ. Oboou. 2-1." -«'rif. p. 24S. 



hm 



Apostilai oor IHâottãrios I^írtrií^ucáçi 



xertjia 



Este termo H^ra no Kôvo Dtocionábio 6id diiãs a£*p 
como termo al^rrio: «favinlia dç milho i>Hra papua», e *] 
de millio», Fjiltoii indicar outra: é o nonití de tira baile-de-n 



xeruniê 



^ " O abuso do xenmae mi baiidage — herv^ que os iní 
uaâ filo jVIanicsaJ ftimíim» — *. 



• sicaca 

O Xúvo DicciONÁHio define esta palan-a, que úk ser 
siJeira, coma sigdititiando — «peqnerio cesto com tampa' 
DiGcioNABio DE vogabulob BBAziLÊiaoSj do Yizcondp de l!«* 
repaire-Kohan ^^ diz-nos nev próprio da província de Sam Pa 
íi significar — «pequeuo cesto ou balaio com tampa »^Hâ 
rém outro votábido, de orijem africana, cafrial, Xíc&ea, 
vemos assim definido no Boletim da Sociedaj>e de iíEooai- 
phia: — *>ío Congo.,, quando os mercadores portugueses iaili 
aos longínquos jftimboa commerciar eram-lhes exigidas muitai 
xtmcas... as quaes sfto íom© 'aduanas, alcavallas e rendaa* — '- 



i 



' BOLETI» DA SOCtEDACES DE Ql30OItAl>llIA 1>B LiSbOA, 24.^ Sèát, 

p. 120, 

* Rlí) de Jaaeiro, 168^. 

* 24 * srfrie, (ÍWIIJ), p. 2l(í. ' 




Ajujntilaít íioft DinouAriog prirtiiífur^s 



.'►tíl 



fal>llavSõ entre os poros mussorougos: — «dando ordem para 
1 f'3se o fi>po. bouibardeatidi) os xlmhcqiws ou i)abita^>ões 
ílos povos d'atjuelía localidade' — '. 



Xira?., xirazi 

A primeira palavra i* a íoriiia clãssira portuguesa do nome 
óprio persa \ÍB\z, í|ue erroneamente por aí se escreve Shiraz, 
glftáa, Schiraz, à alemã, ou Chmu, á francesa. A segmida é 
Jjectivo derivado dOsse uorae. abonado com o seguinte 
pmodeniíssimo: — <na t*a]útal. no i>er^*o do .sultanato xirazi 
lo para as bandas do sill da ilha de Moçambique' — *. 



xolo (?) 

y* kon treze de septimalva do quarto auno da era chamada 

(•ei identifícur este nome: jrôfu, confonne o Dicionário 
^inglês de J. C. Hephum ^ quere dizer «faríaha tina de 
». Como uma das preiTot,'ativas do imperador é píir os nomes 
anos, é poâsível que houve^tie Ímpu»to ds^e no de 1647, em 
ae realizou a malograda embaixada, que Dom Joilo xv raau- 
Bair de Lisboa em 1644. em doiíí galeões, em direi^pra a 
lu, onde chegou em fins de maio do 11545. A ela Be refer* 



no dl.' :iO Jt? sítuiiibro de Itífííf, de Joai|aim Viegas do O, 

\í . t.i», de 11 de oov.imbD> dr- 18B'i. 

[ lUtu. Soe. UE Gboor. db I.isroa. '.i4.* sorie, 242. 

oMnio Pranciíici) Curdim, Hataluas da Cúmi'A!«bia dbVbhu^, 

*T6qaÍo. 1897. 
«*— Vou U. 




AjNiíitUfM rws Diriííuários Pitrtuíjwaea 



O douto jesuíta, e o trecho acima citnilo é o tecbo do oWm «e- 
viado de Nangassaquc an embtúxador Gonçalo de Siiiuein dt 
Sousa, despedindo-o sem mais cumprimentos e repndiaudo :i mv 
máe oferecida. 

llepito qiio xofa ticoii para mim um euigma, que não pude 
resolver nem i>ela cronolojia japonoiía da Japvaxsokr Spraak- 
LKK», de J. Hotfinann, nem pela da JAPANscms Goauuatik, 
de Seídel, couquaato ambas elas sejam minuoiosafi a tal rtv<ipeito 

A septhnatva deve de ser a séíiruu ah-fi. ÍHto lí, o p*'tiin.i luès 



xoguin: V. JapSo 



xote 



Abreviatura de caixote. Oá-se este nome em Leiria a mm 
íirca pequena de pinho, cm branco, onde se ^larda a roupt 
vendeiq^e nu leira de agoí^to. Teem tampa e fecUam-âe em 
cliiive. 

A informação ê do sor. Acácio de Paiva, dali natural. 



zabumba 

É esta de^íjtmaçilo que popularmente se dá ao iastromonta 
míiHico de i>ancRda cbamado ixitubn [q. vj, Uiz-nos o Nonro 
Diccu>NÁuio que o termo é africano, o que é muito vapi on- 
}f)to, e pouco provável. ^ 

BluteauAtiUito no Vixabulário como nó Suplemento, dá k rtf 
zabumba valor inteijectivo, sinfinimo de zás! e designutivi» dl 
«dar pancndji», e no SuplíMneiito já lhe atribui este si^nilicadí» 
como substantivo. Como nome de instrumento, que provÁve^ 
mcnt<!,i(0 j.injiuou da interjeição e sem influencia africana, já 
vemos uo Dicionário português-fraucês de J. Inácio Ko(|Qettt 
coma única tradução — < grosse eaisse» — » tendo sido as outnK 



Apostilai aoê Dichuários Portugu^aa -^63 



^rViiitiravões ti omitidos. Com ést« vocábulo pode coiDpnrar-so o 
íiano samlmnha^ que é o nome que em Kspauha se dá ao 
^ae chaiuamoB ronca: — <A nutoridade uáo probibiu, como se 
<K<t8e. o uao de zabumbas u'esta caraeteristica ronda /g. t-J'— '. 
<Quere zfàmtnha dizer aqui «bombo», ou é fonna portu- 
guesa corrt'?poudfnte ik zamhomfm espanhola V 



zambra 

O Xftvo DicoiosÁaio da ^ste vocábulo, emendando-n para 
çaty\bra. Defiue-o: — 'e^^pwie de dansu e música moirisca. que se 
conservou na peniniiula faisi>áuica. espécie de barco raoiriaoo» — . 
Primeirameute» bá ai{iii dois vocábulos diferentes, fundidos 
numa só inscrição. Zamlira. < barco ', nuda tem que ver com 
sambra, < música >; o conforme Kguilaz y Yanguas, a palavra ará- 
bica que lhe corresf>onde é saMaRiK,, coiTuteln de siaLaRiE. do 
g;rego BELLAaioN * (o que uáa é muito convincente, valha a ver- 
dade), sendo o castelhano cambra coutracfâo da primei» forma, 
muis evtensa, arábica. É a êstc segundo vocábulo pois que cabe 
a emenda de zambra para rombra, porque aos ss arábicos corres^ 
ponde (- ua Peuinflula Hispárúca. 

O outro vocábulo é com <, e nilo {', pois em árabe é zaMB, 
^■p zuMR, com o suRcso de unidade zauKC, e signiticji < iustru- 
^leuto miiísico*. «musica festiva», «orquestra», toqueítr como 
dizemos, e também >daQya com música'. 

Que a forma é eanibra e»tá provado pelo Memorial de Fran- 
cisco Niinez Mulfi, era d»»feza dos trajos, líoí^aa, usos e costu- 
mes dos mouriscos do anti^ reino de Granada, suprimidos pela 
pragmática de 17 de novembro de 1Õ67, apesar do;' prometi- 
mentos que se lhes haviam feito apiSs a conquista, e em qua 



> O Sbctlo, d« 1^ de jtmho do líHH. ^ 
liatU, Itf8(i. 




âúi 



Apoatila» aos OicioBárioa Foriítgueneit 



ficara eiupenbada a palarra dos reis católicos Fernando e Isabel, 
que Felipe ii assim desateuddu e doitmentiu setenta e cijico aooe 
depoid. 

Nesse interessantíssimo documeoto, puhUciido na URvrs 
Hispi>aQi;ií ', e uo qual se ímt*iu releróiicias meudi.isima^í a 
esses U8i>s o costiimeâ. que o velho mouro em castelhano amou- 
riscado enaltere, e humilde- aias enéijicamente desculpa, louva e 
advoga, ti^íiiru várias vezvíí u palavra ínmhni. si^inpre escriti 
cOm s iniciul, cujo valor ao caáteUutuo o andaluz de eot^ era o 
do £ arábico e português: — » Ka lo que toca ai tt^r\*í?ro capitulo 
que bahla en las cosas de Ias bodas y plazeres, y zaobraa e es- 
trumcutos delliis y otruâ eosati que eo la dicha preinaticoí coiite- 
nida y aligida. ai alyobispo que entonces fue digo questa prohí- 
sion QO fue pregonada... y demu^ desto oo íue de todo ello 
mas de la zaubia y estruiuentos delia de los seâores 3uquÍsido- 
rea antiguos, y hasta entonces se usaba la sanhra, y estrumea- 
tos delia cousentida por toéos los ulçohispos hasta el al^ohidpo 
don pedro dalua [d'AlvaJ ■ — , 

Em couL-lusAo, há dois vocábulos: çamifra, «barco», prova- 
velmente arábico, mas de difícil identiticaçAo; e eamttra, en 
arat>e zaHRE.com a significação de «orquestra, música, baile 
mouriscos», e actualmente -testa tumultuosa de ciganos». K claro 
que no castelhano actual os dois se confundem numa sú pronún- 
cia, que é em Castela §aj}i}jnt. v ua Andaluzia cambra, ina^ qne 
em português podem e devem ser diferençadoí^ como em caste- 
lhano o foram antes pela consoante inicial, f no primeiro^ r no 
segundo. 

Veja-se sobre lambra o 8u)>staucioso artigo que R. Dozy lhe 
consagrou no Grlossárío ^, e no qual tudo se acha porfeitumeat« 
explicado e abonado. 



* Tol. VI, 1899, p. 221» tpamm. 

> GlOSSAIRB DBS UOTS BâPAGNOLS BT FOBTUaAIS DAujTte 



Apoêlilàs aoa Dicionários Portugueses 505 

zão-afto 
— * Aqui o portuguez ao zãozão da viola chuleira » — * . 

* zaranza 

ÍSste nome, na língua geral é comum de dois, pois tanto se 
diz um (homem) taranza, como uma (mulher) zaranza, quando 
qualquer deles fácUmente se embaraça e tudo faz à toa, e com 
falta de jvíto. Ko Alentejo, porém diz-se zaranzo no masculino, 
e quere dtier «bêbedo». 

arola, zerola, azarola, azerola 

Em árabe o vocábulo é AL-zanua, com o artigo, e dele 
proveio a forma portuguesa com a inicial. Sem o artigo deu 
zerola ou zarola. Cf. zarcão e azareão: — «exemplares de zaro- 
las e pecegos carecas»^-*. 

No Novo BiocioNÁBio introduziu-se um vocábulo acérolo, 
que não existe, e é simplesmente a forma castelhana moderna, 
aceroh (= a§erólo), que designa a azaroleira, chamando-se 
aceróla ao fruto. As formas antigas eram, como as portuguesas, 
azerola, azerolo, com z escrito e pronunciado. A detiuiçào tam- 
bém ali não está certa. 

Zé-Pereira * 

Denominação popular e faceta do «bombo e pífaro», snando 
desatinados^ e timbém somente do < bombo » . 



' Alerto Pimentel, A princbza de BoivAo, p. 44, n. 
» O Dia, de 12 de setembro de 1904. 



566 Apostilas aos Dicionários Portugueses 



zinga-moclu) 

No concelho de Amarante, é o mesmo que àboi^, armadíllu, 
para caçar pássaros > ^ 

O Novo DiooiONÁBZo traz este vocábulo, com a defini^&o de 
« zimbório, pináculo » . ■ . . ^ . 

-zinho 

Actualmente, o acrescentamento deste sufícso composto do 
inficso -z-, e do suficso -infio, como todos os mais, querdemino- 
tivoa, quer aumentativos, em que entra o dito inflcso •£-, fem 
ajuntando-^ ao tema do uome, e no plural, ao tema do plarai 
desse nome, menos o -s com que é formado. DÔste modo, àegrào, 
e grãos, formam-se grãozinho e grãosinhos; d« mãe e mãei, • 
ynãezinha e mãezinluis; de pão e pãeít, pãoginho e pãezhikoi; 
de botão e botões, botãozinho e botôeziniws ; de árvore e árvore/, 
ârvoresinha e árvorezinhafi. 

Antií(!unente, porém, em aliíuus pelo menos, o >■ do plural 
periiiiiuecia: — «Trinta e dons botõeszinhos esmaltados dt liraiu'''' 
e rcixicre [roxicré. ro^iderj » — -. 



zirbeiro 

-V meio (lo^ travessos ainda ha nos icbozes mai:? hetí^ 
ci>nstrui(Ios dois ]íC'([ueiios turnos... 

Aiíora para que o iclioz cace ú necessário preparar o -irhtir*^' 
unm»' qiií* os scrraiiits, especialmente de Anciães, dãn ao IihTíI^ 
onde elle se anua. Para isso interceptam as leiras ou cami'*>~' 



1 V. Jus-- Piíih". Etiixociíapiiia Amarantisa, A Caça. in P^rt ^ 
gjiliii. II. !■. IM. 

- Akciiivo iiisrtutTfO i-oiirríirBz, ii, p. :íSii. 



Áp<i$titm aú» Dicionário» PortHffueiKA 



58? 



tmde as perdizes vão pastar, ou os caniinboa por ellas freqiien- 
lados, com ^(ieãtas nu ui-ze» deitadas apeiui» umas sobre tts 
potras, fonimudo ajísim uma baixa e atabalhoada t>ebe, aberta 
apenas no ponto em que se colloca o iohoz»^'. 



zorreiro 

Éeíte adjeítiro, sem dúWda derivado de zorro. « raposo *, tem 
vtna acepviio <|ue se não compadece facilmente com essa orijem, 
pois <|uere dizer «vngaroao», como já o aponta o Nôvn Diccio- 
NÀaio, iiia>« aplíuido unicamente a homem, quando da citação 
SííuJDte vemos que tambíra se aplicava a aniuiaÍ8:^«como 
[w cães bravos no reino de Laiyil, ou dos Laus] silo muito zor- 
mro«, estwraiu a pé quedo que o cayador os mate» — '. 



zorro 



[ — «Pequeua rede envolvente de arrasto, tendo em loj[ar de 
um pequeno seio chamado copo» — \ 



zuavo, (a)zuago 

[Êrte vocábulo, o qual desi^nia certa milicin francesa, que 
Deiro era constituída por aijelinos, o ainda hoje teui furda- 
lito amouriscado. aportuguesou-ae do fnincés zouave, acomo- 



' Jwfttf Pinho, Ethkooraj'uia AnAftAStTiKA, A Caça, tn Portuga- 
**.ii, [I. 93. 

' Aatúniu Fruncísco Caplitn. Bataijias da Coupanuia DaJasua, 

' P. Pcrnándex Túm&a, A fusCA em BrAKGOB. ín Porta^'tilU, l. 
■ 1*2. 



h&s 



ApitHtilífí ttm DtVíoHririo* i^ríwjm 



daçAo do nftiwe d? uma trib*» berbere iÍeiiomiua<la Zotfii^ 
(proD. zuâua), 

Faz-se menção dela na Nova dfjwbiq&o i>e Aujst. 
João Carvalho Masoaronhas (1621), cora a fórum ai>orli4rue*aiÍi ' 
astitu/Of om que o n inicial ó n arti(;o arábico al. aí.-zc\i! 
(pròn. azsuái^: — «mouros, amigo* e vatíalo* [dos tiinvi-. ti 
Aijfl], a que chamam azuagos» — . _ 

Forma idííatàca se eiicoatra na .TuBNAifA i»k Africa. At' 
Jerónimo de Meudofa, anterior ao autor já dtado, e |M>rUu!J> 
de maior fé: — «Porque seudo [Bom Teodósio, duijuc Uv Bar- 
celoa] cativo de dous Alarves, coroo fosse visto em «eu pí»4ír 
de [por] um wldadn azuago, que pevcebeo em \\m iiK»mi^nto a 
calidudt* da presa. . . porém o azuatío, corria inldailti í-^jiniM. luo 
vido assi da f^entileza do meniuo» — '. 

A palavra cunot^o, como se vê, è emprej^aila primeiro como 
adjectivo, de^nis. cnmo sub:5tautivo. 

No capitulo XIV deste segundo livro dá-uos Jerónimo d« 
Mendoça mais ampla infonuuçjko dêinte nome: — «São est«s Azuft- 
g08 descendentes de cbristiVn! de differentes Daçt^es. que 
tempí) de iim rei dos Merincs, fa/endo muitas obras por 
mandado, lhe prometeo liberdade... náo consentio qne 
viesseiir a terra de clirL^tílos, assinaudo-the terras em qu6^ 
vessem li^Tes» — . 

znnaco 

— <em presença... de muito» mandurin» e zuniteo? da: 
corte [do jViiame] > — ■. 

• zunzum 

lv>te vocábulo ouomatopeico já foi consignado uo XI 
DiccioKÁRio, no sentido de «sussnrro, boato*. O Abciieoi 



« Urro 2.^ (Mp. X. 

* Bat ALUAS DA Coxpaxbu dk Jceus, i>. 183. 



Aptatiltu aos IHcionários Ihrtugurget ' 



SíJ!) 



poBTuauÊs dá a entender ser nome de instrumento músico 
popular, sem o definir: — «um zum-zimi de madeira» — ^ 

Parece-me escusado separar as duas sílabas por hífen, e por 
isso o escrevo eumum. 



zurbada. 

— «Quando as hervas se dobram com as ziirbadas de agua, 
tangidas pelo vento» — K É termo transmontano. 



< t X, p. 379. 

* M. Ferreira Dcoitdatlo, O rkcclhimesto da Mófkeita, in *IÍ» 
Titta de E^locaçSo e Entfino>, \HÍ)\. 



572 



ApottiUu aoÊ DiaSofiârioê Fortujpteaeg 



— ■ " ■ ■' ■ í 

aipo: ápeto 


almeice: atabefe 


aito: eito 


almenara: mtnonfe, miwinii 


ajardinar: armaiém 


almiara: minarrie • 


ajoelhar: geolho 


" almooáTar: Moeafrre 


qjvar: enxoval 


almoço: parro 


alacralt alaeraa, alaerio: lacraa 


alwiiiUà: aQo&ina 


álamo, alameda: axinhaga 


a^fuadem: nmaãfin 


Alandroal: landro 


alÃtaopo: homeótrapo --« 


albertiço: linho 


Alpoxio: porio . 


alcaçaria: muesnn 


«Iteaa: uten ^ 
aluguer: alqvilé ^-* 


aleáfOTa: récoa 


alcorfto: minarete 


ahmíiar: dealitnibnv . 


alcomonia: fezroha 


alTa: oamlBa 


aldea^r: aldeagante 


alTíaaaraa: vale ' . 
âmago: meogo *'' 


aldeSo: pfto 


alea: ma 


amargo: pr^antar 


alegra: saco 


•duaiilho: artesa 


al&ce: xeque 


am&Td: aorel : *• *■■ ' 


alfaiate: xeque 


- ameixoeira: jogo 


alfaujt:: muezzin 


aíiiericano: leque, rabeca, tranTÍa 


alfarroba: feiroba 


amicisiiinio: docíssimo 


alfavaca: cutiríiiha 


amigo : nariz 


alfi.>l<ia: muezzin 


aiuortiguado : apaniguado 


alforje: fuijoro 


ancho: cacho 


alfnrja: fitijoco 


an<la(i)na: roldana 


algar(a)via: ingresia 


ondadi palanquim 


al^iiz: oairaiico 


andoençad: endoenças 


alguazil: vale 


amW: palanquim 


alguerguv: arrió(8) 


ancíro: cada 


alguíilar: aljofaina 


anel: aiiúelo 


aliccra': alfeça 


angola: japSu 


Alijó: tinhó 


anil: Índigo 


Aljezinis: jazorino 


aninliador: inço 


alinanjarra: maiijarra 


aniquilar: nicles 


aliiiafrixa: alinandra 


anjinho: alnia-negra 


aluiazvui : arinazifm 


anta: dólmen 



Apoatiias aos Dicionários Fòrtugueses 



573 



; adoa 
>r: chisca 
ta 

: aparar, aparadcira 
apretar, entregar 
rego 

se: Genesi 
bt: bobo 
tpto 

ucaiada 
caída 
ialambá 
agtiuta 
: rabisco 
arábigo: Índigo 
iupir 

ro, rabeca 
uaorear 
eúoo 

areisco, surraipa 
irmazém 
ifreja 
zerino 
: poltrona 
inazém 
ir: armazém 
: arcaíoha 

rabeca 

"aca 

>: rabeca 

chada, arrió(s), rS 

arraialeíro: arríó(8), igreja, 

ise 

etyendrar 
i metalista 



arrazoado: rabeca 

arredores: redor 

Arriaga: arrió(B) 

asa-de-môsca: cágado 

áscioa: skiachromia 

aspar: cabide 

assemblca: sábado 

assentador: arrasto 

asaobcar: sobea 

assobiar: sobea 

assovio : sobiute 

assuada: consoada 

assuar: consoada 

assueto: arrenega 

astro, astroso: desastrado 

atacador: arrasto 

utambor: bútele 

atar: ápeto 

atear: teia 

atenazar: atazanar 

atreito: trecho 

atroar: troneira 

áugua: êaugar 

anto: eito 

avalanche: alude 

avano: leque 

aventareiro: ventureiro 

aTerígoar: apaniguado 

avesso: envés 

avísso: abismo (Emeuídas, p. 53d) 

avistar: entrevista 

avito: ancestreU 

AVÓ, avô : arrió(s) 

axi, aiiaco: hagi 

axorca: atabefe 

axuar: enxoval 



574 



Apo-la» OOÊ DiàettáriM BartiÊgueaa 



azaroU: aroU 
aiareio :. atabefe 
Mdredo: campa 
•Azeredo: auTinho 
asero: aieriíiho 
anilho: anslun 
azoagnr: arelar 
aiongiie: açongne^ taiuda ; 
Aioía: Furada 
asnago: znaro 
axolóío: lóio 



biàrnches: paptn 

hacttiUAa: bacalhau 

bacamarte: loqMlfo 

bacharel: bacalhau 

baço: bubqlft 

bácalo: baga 

Hadnjoz, Budalhoucc: araggès 

bailrju: bacalhau 

biifTo: diisaatrado; espiga 

buirro: ]>ulaina 

baíxetu : malhai 

bajular: hajoujar 

balaiicia: iiiaburc, melancia, melão 

bal<la<|uíni : pultrona 

balde (.b-): baMo 

bale: valo 

baiiibcichata: súcia 

banilají!: x«.tíiiii; 

banilurra; iiiandora 

bamliirrilha : taboriiúria 

banque: cbaiiibo, rtoninia 

baiiztj : traví-s^o 




mL 



■l»: 



haobàb: embondenro 

barata: earoelia 

Barbaria: Barbárie 

buba(B}: hígode; naiiriíih» 

baroque: barraco 

harquinha: kqoe 

feuiaea: espera 

baiia&oo: banooo 

barreirentes^bialbo ^ 

barril: aanaeo '; j|^ .0 

Wt>rda:gMa^^ 

baatof: nco 

batata: aoniilha '?i.r'* *^''' 

bateria: rabeca 

batota: bilhafre 

baxá: padizá 

bebedouro: arrasta 

Belcouce: akonee 

beliche: cAmara 

bem-aTenturança: êaugar 

berjaçotc : cotio 

borrão : bilhafre 

besco: bescate 

bêvera: baforeira 

bibelot: brinco .• 

bicha: rabo 

Bié: baniísta 

bilião: milhar 

bilro: eapirro 

biombo : bonzo, cágado, dÀimio 

biscainho: eitscaldunac 

bisco: biscato 

bi^coato: galheta 

bispo, bispinho: bubela, pontific;! 

hitafe: pitafe 

boa^í-noates: pinta-cega 



Ajiostil^s fiofi Dii-ioii/'trÍoi Poyliujifsc.t 



bobèche; apandeira 

Mca-de-sino : pate 

bocam: cangaria 
bodega: adega 
bodum: &to 
bogalbo: bogaeho 
òoémio; cigano 
V i gm ng»g jhúa 
bcdbteÉirfÀeta 
bolMliB: galiicta 
bolota: bqjogfk 
bonacbo: poacacfenho 
bondo»: haplolajia, perda 
' bonzo: dáimio 
bordão: barro 

boroa:, pão 

borracha? oaucha, cerne 

boRegnim: Vila-Díogo 

bote: batel 

botequim: adega 

botica: adega 

botoque: metara 

hauçuet: rama 

boTÍna: chacina 

bTagk(B): calceta, canicinho 

brama: Japão 

branco: ingreaia, preto 

brasil: sapão 

brasileiro: nababo 

bretanha: leqne, pano 

broa: {ião 

bnçal: buço 

buetia: arrenega 

buhonero: bofarinheiro 

bajío: burro 

bale: cbá . 



buraca : palheiro 
burrití: passadiço 
bus: chus 
buz: bruços 



cabaça: afogar 

cabaia: quiroSo 

cabana: cova 

cabano: cora 

cabeça, cabeço: telho 

cabeludo : deúdo 

caber: jazer 

cahillau: bacalhau 

cabo: caudcl 

cábula: prosilhice, urso 

caçarete: manga 

cachimbo : cachimba, jíngo, tabaco 

cacho: cauchu 

cachorro: burro, cacho 

cacimba: tabaco 

caco: cacho 

caçoula: caço, tacho 

cadaneiro : aueiro, eada 

cadeia: calceta 

cadeinV): poltrona 

cadela: mela 

çáfaro: serra 

ç-aguate: sagiiate 

civgncho: mela 

calota: chila 

caipora: bruxa 

caixote: adâobio 

cajori: jaumadim 

çalamaleque: salamaleque, çambuco 




calatiibucQ: cnlnmM 
calãu: haste 
calceta, calçias: brngAs 
cal'j: cnláu 
calote: miilgA 
cAlro: L'acalvA(lD 
cãiQara: jardim 

dUQikrím: raliúDa 

çamarra: aamirm 

çiiiut)a<]^ui : kjiikkciunwlãing, aurnbii- 

iiuí 
cambai: cautadoura 
^mbni: zambva 
çambuccj: «ambucn 
camofisf udta - . '^••-^ .... 

canipa: qulntaí, ^VMa Tf 

cancelaTVMUicaTar 

çanc<n: piú 

cancro: etoânoarar 

candeia: fkcbo 

candeeiro: castiçal 

canela: bacia, oadAlo, encanelar 

cangalhas: gafo 

cangosta: congoita, quingosta 

Cango-Xiiiiá: bonzo, Japão 

canbamaço: belhO -^ 

cânhamo: cánavc 

caniço L canaiitro, espiga 

canineiro, caniqueiro : 'xarda 

canivete: crabelina 

canoa: banheiro 

cantivría: areísca 

canteiro: malhai 

cSo; bnrro 



ca//wkhotir : caiicba 
capa: coxnçu; díiaua 
^pHta; braga 
<:apítt.>L upanlta; candttl 
ean: «utrinuiíSL 

CftTftOtvr: s6T0t 

^lazBçn: tiiiTuiii 
Cttmmul: cUmor 
cPkr(a)ptnttiiro: algaraví», 
ãiiri^nça: auiiiatni 
ciLroDgai.'j't: c^^ciincanir 
CJífnpjiii: cberflo "*• 
■^irçniiéa: cAtombo 
carda: ^4eliij<*iu 
CtT<ieah biiCAlhau 
«irdeo; are^o^, eMudir 
^«ardkVÃcardir rf ., ^ 

«cargo: duJEDla "1 . 

caridoso: bondoBO 

carimbo: calombo» jingo 

carmear: óanapiço 
^Arpela: eicar(a)pelar 

carrejar: acarrejar 

carrilhão: repiqae 

cascai: sambaqui 
. Cascais: Furada, sambaqví 

easco: acha 

oassnngo: almtòdrilha 

castanha: azinhaga • 

castanhola: batata 

castão: gastão 

castelhaUb: arogoêa 

castelo: torre 

castiçal: matnla 

ca8ti(e)lU: «aadel . 



Apostila» noa Dichnnrioít Fvrttiyiíeses 



castro: dtAoia 
«aiiula: tOrfe 
catana: cágado 
irátaro: aba£tdcir 
cdtatoa: tata-e-meia 
eauMiiue: candni 
atTáhú: mbeea 
canlheiroi lAila 
.aralo: barro 
cá-vai : pinta-cega 
çiViína: pavanu 
oaviJe: cabide 
cear: pear 
cecear: ciciar 
cedo: févtru 
cega-rc^a: chucliarnío 
ceia: parvo 
ceifii : cogar 
ceinitiTiu: arrenega 
<-eii;i: pultruna 
«.-enãrii»: liecorar 
vvHcerruiln: lat;i'la . 
erni : meda, prctu 
c>>rcu; preguntar 
«.'.Tilfio: sfdào 
i.''j.sir: t<;<ir 
cesta, cesto: bacio, espijíii 

cífvv: cibo 

clLibaiicad : ciciar 

chúoíiura: xácazfc 

cha<la : acbai.li 

chafurdo : cluimiccíro 

chatru: porão 

cbabn-ear: ca(;o 

chaleira: bul(e) 

chama: achar, boiubaça, Ihoma 
87— Vot. II. 



chamariz : prt.'j;ão 

chaiiihn.': riiuiia 

chainiué: limiiha^vi 

chiuiçart-'! : l)aL-aIhuu 

chaiitur: iiraiitar 

chão: ohana, diabo, lhano, poràu 

chairtleiro : guar<ia-íiijl 

chapéu: charaTanco, jardíui 

chanivisoal : mabtteca 

charlatão: ]>oltrona 

charrua : ,iar<.liiii 

charuto : tibaco 

chato: e^caparate 

eliavasco, obavasc-il : charabasi-D 

chave : fiioha * 

chavelha: «i»»nlm, cabt-ça 

chávena: ehã 

clieda: caiitadoiira 

ehofu: cacique ^ 

cheio; ib;^liiTiibrar 

cheirar: cheiro, laro, igreja 

cheiros: se^rurdlia 

chicango : ensaca 

chícara: chá 

chii-karrón: cimcharriio 

Oiina: JapíLo 

chiqueiro: «urrai 

chiaseiro : cliieua 

c)iit«redii: <,-liicua 

choeharrào: chucharnl.. 

chola: cacho 

chur: diabu 

(.'horomándel: s;ii'a]»utos 

(.-houpana: poudiaiia 

chncliar: chacina 

chumba, chumbo: tabaibo, tuna 



. --^c '•- ■ 






^l/;i/ífíi7iiii íí/js IHcimtftrlm iAíríu^iuNCS 



' •otLcrointa: sliificJiroHtía ^h 

.^idftãe: dtánift, meteãe 
etdra: ttãra '-^ 

dgaao: Boma, tf^vHio 

cigarroí tabaco ^ 

dniete: goma >.^ 
dpai: enaaei -a- 
ciiíejio: candeia ' 
eiseo: ehuMt 
- dvidade: ettáaia» iqieMi ^^ 
. damante: fdílt W ■ ^^ 

,'^ ,.eÍaastro.:.aMto 

cUna: nebBna ^||^ . 

clises: paiile' ■- 
coador: arrasta 
•coalhada: asada 
culia : chicna 
côcedra: colchão 
c6co: carranca, jagra, ogro 
» ^ ► íocq : muerítt, sfico 
.V -.jf çàçobraz; aõco 

' cogBoim; alcunha * 
% coircKtro: cada 

coisa: iiquola 

colgar: colcha 

colo: pescoço 

eomaca: cornaca 

comonia: ferroba 

couiparsn: poltrona, rabeca 

compoâtouraa: apanha 
f conca: cunc.i 

■ ..• concertar: consertar, fèvcra 



ConilutOJTO! TTliíloin» 

onfetti: confpfto 

'íjnnfcs3o, contiífsiW : dit^-riíçi 
cuntii ilcrar : bondnsii 
ci>nsoluni<fnti'j': ali<afa<lfir 

. CHinta: pmcirU 
con3tJtucÍ<»n..i1: i<:^tariitári<i 
ciintracL-njkr: poltrona 
çontiíQto: 




j * 




lèdondel 




•ix* . 



r^jgv^^íiCKMba: grigjB* 

-. ' octijfto: cariclfti^elojo 

- corde'ra: carapuça 
cordoeiro : bacalhau 
cordovSo: polaina 
corisco: rabisco 
comicho: cabaça 
comipo; l^lhípo 
coroca: bedein, jome 
corrediçaT tábua-dc-sebo 
correria: rabeca 
cortiço : mosqueiro 
coser: bedoaro, ooiiiiha 
costume: traje 

•' cotovelo: cérodo '» 
cotovia: corja 
coturno: soco 
coudel: caudel 
cova: covo, díiii'nha 
còvado : cAroâo 
coxia : rabeca . '; 
c^izedra: colchão i 






Apostilas ao8 Dicionários Portugueses 



579 



cozer: besouro, cozinha 
crainaçSo: clamor 
cramol : clamor, jogral 
cravAo, carvão: terção 
cravina: carabelina 
craru: preto 
creível: igreja 
crina: neblina 
crivada: cncuiada 
crisma: jimbaje 
cristão: abafador 
crível : igreja, novel 
cuada: Haco 
cnberto: descuberto 
cnidoso: bondoso 
çnra: jf^^, raça 
citradillo: bacalhau 
cnrválíco: Roma 
czar: (t)çar 



dádiva: data 

Dai Nipon: Jap&o 

daimiado: Japão 

dáiraio: JapSo 

deão: pior 

debraçar-BC: braços 

declarcza: comparança 

decoro: decorar 

dedal: besouro, bondoso 

defesa: charabasco 

deita: parvo 

deitar alonje; aleixar 

deixar: desdeiaulo 

dente, dentít^ta: absentista 



derviche: daroês 
de^bado: aba; desastrado 
desabar: aba 
desagaur: caagar 
desayuno: parvo 
descaída: caída 
descarregar: carregar 
descri\;ão: discrição 
deKcmpolear : poleá 
desenganado: desconfiado 
dosengonçar: escancarar 
desenvencilhar : sortclha 
desesperado : desconfiado 
desesperançado : desconfiado 
dosjnço: inço 
desinfeliz: desastrado 
desinquieto: desastrado 
desmazelado: desastrado 
despertador: relójio 
despojar: desbulhar 
desvanecido : desmaio 
deteúdo: deádo 
diálogo: data 
Diana: janela, jons 
diária: geira 
dir: ringir 
discordar : decorar 
dívida: data 
divido: deúdo 
dobrado: janniadim 
doçaria: confeito 
doce: colcliio 
doceira: confeito 
dois: grou 
dono: tono 
donzela: díininha 



580 



Apostilas ao» Dicionários JPortMgtuaes 



doso: data 

dúctil: 8é88ÍI 

dugá: are^oar 
duma: içar ' 



gader: êangax 
eagk-wood: calsmbft 
Eça: essa 
efetá: tabam 

ef^aiiça: aanalim 
egieja, elgreiia: igreja 
tix6(é) : anió(B), igreja, íUió(b) 
eia: lo 

(e)ÍBento: igreja 
•^ixo: apanha 
ejípcio: cigano 
ejihiniito: cigixno 
elche: Bcnia 
cloendro: landro 
Elói: lõio 
em : faiança 
eiii-ader: êaug;ir 
einamo: iiiiil 
em-asprar: êaugar 
embctiira: metara 
cmburoiír: borco 
embu^'ar: buyo, rebuçado 
eiiijn'|i!i: emboiuloiro 
eniiinlear: poloá 
empreita: espreitar 
encabeçaiks : tlesmochar 
encaixe: pcSo 
cncarriçado; carriço 



encher: achar, cacho 

enchimento: tomentií 

eucinieinido : adnsdiadfi. 

eacraTe, endaoe: manga 

cndei: inço 

engadanhar: gadanha 

engalfinhar: gafa 
' èngnUithnrt galinha 

n^^aranhado: gadaaha 

engaranhido: gadanha 

engelhar: arelar 

engolA^éato: pintaHwga 
' JPfí^BÇo: escancarar 

..cngiiiff: graxa 

mlamhuart TwwÃ^iI^ 

«nloAir: molnxo 
tanodovi ii6do* 
evMp: leqvs - 
ensanapiar: aanioio 
ensopara: cabeça 
entalhe: pefio 
enteiro: &ro 
entrecho: poltrona 
entrevado; arredar 
entupir: tupir 
enveja: bojo; grelha 
eniame: enxoval 
enxó: enxoval 
enxíífre: enxoval 
enxoval: golpelha 
ojiítútio: pitafe 
-uria: rabeca 
Ericeira; ouriço 
esbouçar: saibro 
esbulhar : dcâbnlhar 
eacamecer: caço 



Apoatilna noa Dicionários Portugueseê 



5S1 



escangalhar: canga 

escano: escarnei 

esoiacToraia : akiaehromía 

eacoitar: ascoitar 

escolha: perda 

escumalha: chuchamlo 

esfera: hetera 

esfregar: estregar 

esgadanhar: gadanha 

esgarçar: escarçar 

e^atanhar: gadanha 

Csigraininhar : ancinho 

e^moga: eainola 

espada: aabre 

«âpádna: espada 

espalda: espada 

e^jiatela: espada 

espear: espiar 

espelho: desoiitTado 

espera: apanha, arrasta, poaiio, prazo, 

têmpera 
esi>eteíra : estanheira 

espigueiro: canostru, lenu 

càpigneta: pomba 

espim: porco 

espuraa: papagaitos 

esquecido: falar 

esqaerdo; arrió(a) 

estadas: palanquim 

estadoal: estatutário 

eHtança: poltrona 

estanheira: casa 

estantigna: bmxa 

estatara : estatelado, poltrona 

etitrêla: desastrado 

estribilho: mela 



estro': desfistrado 
esturro : tabaco 
étape: pouso 
eiame : enxoval, igreja 
exemplo: igreja 
exército: enxoval, igreja 



fábricu: cantiga, rubrica 

fabrico: escancarar 

facada: cucuiada, cnquiada 

facho: facha 

fivla: cabaça, fado 

fado (e derivados) :.to/í«rio 

fagote: rabeca 

fagueiro: afagar, escada 

faia: fado 

faiante: fado 

falaises: arribas 

falda: espada, frabla 

falante : falar 

faltriqiicira : fralda 

fangiíeini: funguciro 

Furotiiào: ])razo 

£irinli:i: cabeça 

farnel: sofra 

fatia: rabanada 

favaca : allavaca 

fato: roupa 

faxa: faclia 

fecha, ffclio : data 

fcéricn: ancestral 

feijão : frade 

feifjj : igreja 

feixe: faxa 



582 



JjMtilaê aoÊ Dieionárioa JPUtrtiÊffHeÊe» 



fiando: deúdo 

iiAmeai déalnmblrar 

finai &i« 
I fcrrelto: hererd 

ferro: campa 

fetHmtl: kermetãe ' 

ftrera: febra * 

« ^ féverain) : febra 

'* fiar: febra 
^ fibra: febra «jj^ 

flcsa: reixa* 
« . ' fidalgo : bondoso, "flnlfr^" 

flgaeira: tabaibo .. 
• JOio: Teeiro —-*---'=' 

Éhú(B>: b6lhõ(8), iUid(B) 

fio: lo 

fiote: lingaester i^' 
^. fllneq: alíOattco 
■fitiita: dcaconftido 

fivela: mela 

fixo: reixa 

fiamen^o: escaparatc 

flautii: rabecii 

fogacho : jioucacliinho 

fi>t,'o-fiituo : bruxa 

fi)fj'HCíir: cllU|»;Tn 

lõli.'tru : carregar 

fulgar: carregar 

IVilha: nioleiru 

fi>r: ilec<irar 

íúrca: ]pregutitar 

foniiOHO, formosa: jkiço 

fota; túliiia 

fradí': desastrado 

fragiíeiro : fangneiro 

fraiiiengo: escaparate 



Frudet: ingreaia 

finu^anote: assobio 

frecheiro: brejo 

íreixeal: axialnga 

frente: esteixa 
' freaa: fragária 

fresstua: forçara 

firol: jogral,* sagrai 

fmurfrou: rqje-nij* 

ftda: raea 

ftimo: ^baeo 

fonçip: ikemiesse 

iwxii ttimJJD^ • 

fuiil: candâi^' ^ 
. finSairo: inoleii»; tbheleiro 

frima: fenio 

' /wp»o^.'í<g«■tio 



galionâ: bacalhaa . 

gado : ganadelro 

gafaohoto : gafa 

gafar: gafa 

gafaria: gafa, cacimba 

gafas: gaia 

gafeira: gafo 

gaio: jardim 

gaiola: jardim 

gajo: pame 

guMido: gnaldido 

galfarro: gafa 

galha: tomadeira 

galinha: estou-fraca, jardim 

galiziano: galego, gerezianu 



Ap'''^ti/"^ f"i!^ I iiri"/i('li-i"s I'fi-fii;/i(rm-f< 



:^^:l 



*f'*l«.): frango 
í^^^íXii: esganar 
^-*-x^ilra:ucha 
íf-^Uga: X^nqaim 
^^^»ihar: gadanha, ganadciro 
ffifc.^fo: gafa 
í^^^-^timpa; gaiolo 
S-iiim: garroteia 
*Í^^Traio : rabu 
fS-Xjíotn: g.irroteia 
í^^tar: cibo 

Satu: burro, carapaça, gadanha 

Vatam: carapaça 

Sdzira: mnezzin, razia 

Sazua: rutiezzin, nuia 

gázua: mnezzin, razia 

gíada: ge(i)o 

genro: onjentlrar 

gens: jens 

geuM»: gc(i)u 

geral: famUial 

gerir: enjendrar 

gíbuia: jibóia 

ginja: garrafa 

gitantr: (EmiNDAg, p- õUi. tmgano 

goela: ^olilha 

gogo: enjogar, gudo . 

goiro: enxoval 

gom: bacia 

g04ia-^ata: cauchu 

gomtl: bacia 

goraz: cibo 

grado.: cepo 

gralura: feijão 

gralho: desastrado 

gravateira: estojeira 



grei : dan, freguês 

greja: igreja 

Grejó: arrió(s), igreja; tinhó 

grenat: índigo 

ffrés: areísca, pedra, aurraipa 

greve: arrenega 

Grijó : Grejó, igreja 

grilheta: braga, calceta 

grima: íngreme 

grimpa: gaiolo 

grinalda: guirlanda ' 

grísSo: Roma 

gross'>: gordo 

grotesco: |K>ltrona 

grudo: desastrado 

guadanha: gadanha 

Guadiana: aragoés 

gQ:ildir: arriú(8) 

guardanapo: lenço • 

guarda-roupa: cubrir 

guarda-sol: pintarroiío 

guardar: Estranjeirismos 

guedelha: gadelha 

guilherme: alberto 

guinla: garraf-i, ginja 

guitarra: iiiandora 

gutii-i>errha : cauchu, ?iagi, visco 

H 

habitat: pouso, vivenda 
bixixo: mnezzin, soruma 
hera: pêra 
(h)erecha: cada 
herco: adua 
herrero: iiereró 



r 






I 



ar 



-l/toflíí^íiíi AM DiWo7i(in'i)s TòrtHgíKHtiê 






ili!ãlBnil)r*,T, iiviit«(in) 
ooit- ^ardiíu 
hacha: ieltilú. ncha 
(fijujgar: eíílmt>:, h ti r rd 
inie: imacliti 



Mc; KVi 



%. 



é 



k '■ nveigi-iur 

ifliilyiutTft: liiiiiluluita • 

ifitwrar: JEíitmnjnirianwiíi 

IjSfifil: ramniiur 

ilhaota: Ihama 

illiú(s): cflsd 

imau: muetzin 
*■ Jinhertou: Garrett 

iiiibigo: ancinho, índigo 

imbriciulo : breUio - 

império : charola 

incerto: iiMpio 

incluir: caclio 

indfz: inço 

Inês: igreja 

íngreme: apuniguíido 
' ingiiento: iincinho 

insolvabilidadc : servitade 

ínsua: ilha 

insular: ilha 

irlanda: leqae 



jS: jens 

jacaré i lagarto 
janLmtâ; urja-Di»nta 
jikna: }t'n& 
jnntitro: .i»n,slfl 
jauiílla! jiiUtada, piiiH-k 
Jaiii': j:incU 
jnntxr: pan^^ 

.infijiii) : ariiia^ém 
J[irrr-'ti:ica: GaTTOtAl 
jan"; Japâft 
janla: armazém 
javali: candeia, montSs 
jazerão ^ jiaentà^' 
iiriíi: Roma 
joelho : geolho "^ 
jofaina: aljofaína ' 
jogo: enjogar 
joio: joeiro 
josézinho: alborto 
jouver: jazer . 
juncal: sambaqui 
juventude: servitude 



Kaiter: içar 

hiáli: cali 









5:íõ 



ibrega: marto«eira 

■VaaxA-. btóCttto 
Wubaz: lainbuíão 

ik Unchc: paí''^ 

\ UDgto-- «*'''*''* 

\ kBbo: tivera 
/ Iwiuc-.lcqnc 
I laranja-, chá- 

lataAu; fumeiro 

Uvadouro: bebedor- 
UraCr): arrasta, ^e.- 

Uvar: laVca 

'"'••r. bacalhau, pi- 
Ifião, leoa: baça 

lei: freguè* . . 

leitaga: aifo^ 
leiíaf. a^"»^ 

lenteionla: arnoV^) 
lentilha: lentejouU 
leonèi* atago&^ 

Ç le«t:tabcca 



^,,,:cha.a.chaaa ^^^^; ■ 
lUa: Ua.U., -^-- 

Uar:*;'iP^'*^ 
Uberal: rabeca 
YiUé: tabaco 

l^a:Usaa 

U<;iU): igwj'' 
lK.orne:olic»rmo 

Uao, li-eiro: r^o^o 
linear: íanúU^r 
Viu.b.-.UmV'-^ 
ligeira: apanha 
,i,(,)mf»r«:xahc..i 

^'^^^■■'^"''*'''w>re«o.la^«^"^'-- 
l.,brií?.t: Uvagantc 
lodo-.lanva 
- uva: ad.ga ^ ^^^.^^^ 

lombo: caramb.10. . 
lo,u.to:ahHU.t..' 

W«,.: íaVan^^' P« 

ir:;---: 

,.avar^. louvar- V- 

lufAda: VU'> 
lula: m-Aoiro 

lu.no: •^-^«"^'*^'' 
lustvar: .lui"^^"' 



mi: ^•-'■^"^'^" 



t 



■"^|f',*^OT 



íjlpí»síí/rw fios Ffííi&nãriívi Poríwjuefiea 









inJicuKo: bamj. AdsJgainlio 
maçapAu: iLtrgauuw^su 
maloca: e»J^ie^ 
nmvhtn: injui-lu 
macho: burro, caduj, diabo 
trmçan: jHídrciru -livre 
tnàniila: honictitropo 

tft: KDta .-> 

mttf,Lmi--ii; lubríi 

liiagUP-fi: ; febr:i 

ma^Tim: anuaxiím 

niiiiriittuile: sitrvitttiU' 

ijiágon: Iicmwiltroiít», iiii'Ía. 

Hiiiliotrit^r: M.ifi^mft^^^H - 

uiitiijxJÀí rsúístdMi ^^^^^ 

iíil(i)8:'lo .] 

malabar, intlaiaU: tamil 

malapeko: aneiro 

mal-cozinhailo : adega 

nialc^: itiotoiro 

malha: arriú(s), hnmeijtropo, mela 

malhcte: apanha 

maiiialtar, mamua, mamna, mamu- 

nha: anta 
mamão: papaia 
mamite: tcteirá 
manancial: usina 
manclia: honieútropo, malha 
manoquiio: escaparate 
manga: antena! 
manjericão: alfavaca 
manjerona: alfavaca 
manto: almandra 



QiQQtioUno: joanino 
fliKpLtaí cltiimíbcuida 
nuú-ui fttá: twa 
uuTJiirilha: t«rçio 

nmrcu: JLinbaje 

Mtrwi PftuJi» Vtínelia: J^tu 

Muift ift alnuidij» ' , -ft 
nãrinhft: «Oeo f 

iiiimiiimi'1 'imiiiMrllt 
nunoqum: pofadõa . 

HiastiÁmd.ii: >enciura,çiMlú .- _ ' 

niaítte: tT»[idra - ; ' 

ut:*r;iilnttm: hebiídr.mrti >;, 

ttiatilha: lutilub > 

matanu: hare 

iiuu: biK^Jtlliau ^> 

maança: gastSo 

maará: cajori ■• 

Mayiír: Garrett 

mazurca: Huacou 

meada: encanslar, mecha 

meão: cantailoora 

mechero: b"cho, bilhafre ■ 

médào: duna 

mo Ironheiro : érTOda 

meia: pintarroixo 

mela: malha 

mt^lápio: aneiro, malÀpio 

meiga: belfa 

melhoria: pior 

melro; espirrar 

mênagerie: pátio 



Apostilas aos Dicionános Portugueses 



5S7 



''^íQdreir»: merendeira 
^ueiUDo: menlo, neno 
■Dentíra: gadanha, padiola 
mercearia: adega 

merecer: pardeeiro 

merenda: parvo 

merino: meirinho 

meiia: apanha 

mester: meogo 
mestre: caída 
men: enha 

meúl: cantadonra 

mexicano: nababo 

mexoeira: chimabanda 

mexnda: deúdo 

inialha; mealha 

Micado: Japiio 

mico: fidalguinhu 

micondó: embondeiro 

milagre : .desHtrado, sagrai 

milhafre; bilhafro 

minarete: muezzin 

minguar: mangual: 

minha: enha 

Minho: igreja 

míntir: cetiin 

musa; pcdidur 

niistareiro: chalaríqueirn 

modorra: medo 

moganga: chila 

mogo : desaíitrado 

moineau: bacalhau 

moinheira: molt-iro 

moinho; moleiro 

molarinho: bí^aro 

molho: cacho, mauojo 



molinheiro : moleiro 

monhé : inhabaca 

monje: desastrado 

monte: alftjo 

montilh&o: anta 

monuigo: tragaria 

morcela: marcela 

moreno: mouro 

morgue: arrenega 

moríngue: porrão 

mortificar: apaniguar 

nwstacho: bigode 

Mosteiro: arrió(s) 

motejar: caço 

nionco: bobo 

mouriacado : baldio, vadio 

montão: apanha 

moQxão: morraça 

móvel: novel 

mu: amuado 

mnedãin, muezzin: (al)nmadeni 

mula; amuado, moleiro 

maleta: burro 

mundial: estatutário 

mu(n)jir: ordenar 

mnrilho: niorilho 

mus; elius 

muslo: bucho 



naifa: pico 

Xa{n)gassívqui : bonzo, Japão 
naquele, naquilo: lo 
nariz: noz 
navalha: cacho 



58S 



Apostilas aos Difionários Portugueses 



názir: nadir 
necrotério: arrenega 
negro: preto 
ntile: lo 
nerfse, aeste: lo 
neve: xarope 
ninho: linho 
nitíso, nisto: lo 
nivel: hvel 
niza: casaca 
no: Io 

noitibó: pinta(-c^a) 
nopal: tona 
nós : febra 

Nossa Senhora: madona 
■ noz: febra, nariz 
nozo:iila: moscada 
nuvL-m: iicnte(ni) 



n: 1m 

(ibn,>: jmlir.iiia, rabeoa 

lllir.i: n|iiTil 

iH-;ir: ), niMrili;! 

itili'limc;t: :irap>í'S 
OiliaiKi ; lUM-^oOà 
íí/.sv),/ ; iMtTi-irrio 

(jli'irii: |iiui.-];i 
(ilh'i'ir;n ;i/.','iti', iin)li:ir') 
orca : aiiiii 
orLMiicim: iii.'t;iliíiía 
"VLrã'! : aj>anli;i 



orleà: pano 

orraca: jaçra, raça 

osso, 09$a: urso 

oagar: êangar 

ourela: gafo 

oaro: armazém, arrasta 

outeiro: bobo, moleiro, papo 

ouvir: enxoval 

ovelha: pano 

ovina: chacina 

OTO, ovos, ova: gaiolo, ])oço 



pá: vadio 
paçfto: escada 
pacasaa: empacassa 

paceiro: baldio 

pa^o: balditf 

Piíçi'): !irrÍM(s) 

[íaiU-jar: pafUola 

Pai-do-c.iii: mndonu 

pii!-»los-oaixeirus : arai:ã<> 

(nunol: ijnartío 

]i:il;ici,-ti' : iilquitete 

)i Llavr;v: [);tP)la 

l>al'it: ]iiiltrniia, rabfi:.;i 

]ial''t'> : (:as;ii'a 

ILilliaço: ]'ii!tiM[iii 

palltrivn: f''iii) 

]>alliiii;a: lji'4.'iii, conn,-», y>TM. i'-' 

]li-.la 
]ia]itM: iiiiilcir'1 
]iallrirl,\.i ; i-aiuin-hcir-» 
palpu: \K\\i(i 
]p;ni.;a: rritoli') 



Apostilas aos Dicionários Portugueses 



Õ8!) 



l>aricá: leque 

pancaJa: troclio 

]>anela: oleiro 

]iani^uado: a]tanígtiado 

icintana, pântano: âmago, iiieogo 

jiíiyia-finii : pujtel 

paparrutão ; papt-l 

papelinho: confoito 

|iara: pardcus, rabeca, torrão 

paramento : apuranionto 

]jaTãvo:i : parola 

piíretíor: panleeiro 

parontola: clan 

parlapatão : papel 

paro: arrenega 

parola: falar 

paróquia: freguês 

I>arreira: fumeiro 

Iiartitara: rabecii 

pa:$palhào: papel 

passadeira: píuwadiço 

paaserelle: passadiço 

passo: paço 

pau-forro; cliá 

parfto, paroa: bacalhan, pardo, peru 

peai: pelai 

pe&o: frailo 

pe^: apanha 

ptétar: data 

pedal: apanha 

pedinte: idouro 

pedra: areiseo, coridco 

pedrísco: arefsco 

pecira: forquilha 

P^pi: apanha 

peitur: data 



peito: trecho 

peixe: faxa 

peixe-frade: bacalhau 

polangana: palangana * 

pelico: carapuça 

pelotí: carapuça 

peluca: cabelo 

penedo: barroco 

penlia: pena 

penhasco: p*na 

penny, pence: real 

pente: asselajeni, inço 

peor: pior 

peote: trilho 

pepino: bondoso 

pequeno: pechincho 

jtera: pardeus, rabeca, terção 

PeniTana: pedra 

]H'Tcha: cauchu 

perda: venda 

j)erdigoti>: gafo 

pornas-do •prumo : apanhar 

pérola: coral 

pcrrama: amassaria 

perto: ajirt-tado 

pescada, pe.si;ado: bacalhau 

pescar: caçar 

pêssego: essa 

pessoa: essa, uitso 

pctar: pitança 

peto, pcíume: tabaco 

piai : pedal 

piano; rabeca 

]Hca-pau; paparroia 

pidir: cetim 

pigarro: cabeça 





^^B 590 Apotriilíit ma 


Dicionãrio» Pw^m)i%e»n 1 


^ (liniunta: .■utíO(«), tvutA 


prão: chann, porlo 1 


^^H pÍnft'.'MteeA; U'1«gft 


pnuitttt: ingrcsia ^^J 


^^^1 pi^i^cti: |iciia 


prata: |in^l>i ^^H 


^^H pingalim: bni^<ila 


prato: «MApArato ^^m 


^^H |)inlj": azinlufru 


pratl: iHLma ^^| 


^^^K piii1us5Ílgi) : piíihirniíxii 


pregio: redimo ^^H 


^^Hr pip^j: tobucu 


pn'^«M>Íro; e1i>i{titfír<i ^^| 


W piqacDo: pvellincbu 


pn>gutcuífi>: piiltruna V 


^^^ pirv»: cliA 


|irc?inv<1(*jni : aixinhii ^^B 


^^^H piUuU: iriUnvik 


prftmría: p<rrna ^^| 


^^H pitorcaco: pgltruiiA 


preniU: çolp^lha ^^H 


^^V piti(l'i: tuloou 


]frêão: didmçjo ^^H 


^^H pliit;»: vhdiu 


pr<>lo : upn-t»(li> ^^H 


^^m |ilanAli<i: achuta 


prutin-^íatta : rabMa ^^| 


^^H plano: chan&i |iurAu 


pruAo: Júcríçio ^^Ê 


^^^r planurii: achndn 


pruftssu: pntftvttSo ^^H 


^^V phfó: flchnda 


protct^anUtoAo: ftbjianlfl^^H 


^^H puçt>: Qaijtute 


jn^,rimfí: Quixote ^^^| 


^^^B putlu, poditr: Iiii|ue 


put)lÍ(!o: ^^H 


^^H pú-<íc- pedira : fainoça 


plimbi>: u ^H 


^^H pudcruHo: volcroao 


^1 


^^K poíiil, |K)íi>: pe<lul 


^M 


^^^V poUÍDai euxiLHivia 


^M 


^^H pnlna: Md.scoq 


quadrilheiro: catla j^^^Ê 


^^H poleA: iiária, p;má 


qaaxnhiTnt GBtk ^^| 


^^^P polntia: a))úl(>utar, pAo 


quakrr: Vtto ^^H 


^^^^^^ .jwl|Hi: pulpt 


qat-^brari «rrebar ^^^ 


^^^^^^C pombo : aiuuiLa 


qu«ila: fiftf^ii, quont« 


^^■^^^^ jwwpf 7í ; inaçS 


qucifo, qauija, queijada; hfi. 


^^B putcoloBa: obA 


C^UÍXútC 


^^B porU: i^'ulo, tetidal 


qui*iiiiiidoiiro: arrasta 


^^1 VBrtiJ: f*.-n<lul 


qu(,i')iiiiAu: oáçiwW. ilAiuiio«, 


^^H pAHta: initolq 


quolai: up-inliii 


^^H |Kiff]mr: bubu, iiiulcm», jNip^i 


qtWxal: i-achtt|i>t« 


^^H poiuada: conta 


qneixi), «ini^íiaiU: l^nixoto 


^^B praia: real, vmlio 


qQ«>l'a: carif^sU 




. 



Apmtiía$ aog Duionúrios PortuyittiBiíS 



5fll 



*J«elme: bairro 

^^'^•madero: arrasta 

aueníia: qaente 

lUfente: caííia, encalir, talento 

'lUt.'zil(i)a: qniiila 

•lULlõnietro, quilogriínm: qailovátio 

l^niãM: cágado, dáimío 

luinila: embondeiro 



'^Wl: rabeca 
''•*'* •-•lo: rabeca 
"■^^^íw: rabo 
'^«■>>il: rabcía 
*^^ula: ralhar 
^Çío: nbtjca 
'■^-^r: rer 
^*^a: aiinia, arrió 

*^io: arrió 

'^iap^^t^o»: reabato^ 
^^ia*Ja: cadafalso 
^^madSij : muezzin 

^anhum : encaixe 

kraoilha: rft 

tuger: rinjir 

rapa: rapar 

rapíí: tabiio» 

rap.*ira: morriíça 

ra:i^r: rabaiia*.!», rabfca, rinjir 

ntinha: faiança 

ravina: barroco 

vaxar: ralhar 

rayuela: arri>> 

razão: rabora 

real : arrió, pinr 



reais: apretiido 

rcalea: matra 

rL'banlio: relojo 

rebate: repique 

rebeca, Rebeca: rabeca 

rebel: nilwca 

robeldu; mbecii, revel 

rebuçatlo: buço; caraiiibelo 

TfoaiMa: raídji 

revão: rabeca 

rcccj)in»c: ónibus 

ri'Cordav: cnr, decorar 

roeovo: copa 

rede: inifliila 

redondo ; rel^ir 

redrar: arredar 

reespaina: pitnela 

retoni : febra 

re|;alo: nianf^a 

ra/uo: igivja 

resrra: ,i"<;r,i. nivel, s:iirral 

régua: n'i lua 

regular: ariiiazéiil 

rei : íreguén 

reimi: ifrreja 

n-la: .d... ríl 

r.'líiiuias: arrelican 

relojoeiro: bacalhau, relojo 

remela, reinelar: mela 

reiK-ífar: arr ./negar 

ti'A: i\ibi-va. febra 

res^nir: rabei-a. nisgar 

resumngar: resbunar 

rfstôlho: rastiiUi'! 

reteòdii: deiido 

revel: til 



5!K) 



Aposiilat aos Dicionários Portugueses 



|>inionta: amú(s), toata 
piniicoteca: u'iega 
])iaas(;o: pena 
l)ingaliin : bengiUa 
pinho: azinluga 
pintassilgo: pintarruixo 
\f\\t'i; tabaco 
pií|Uí'no ; pechincho 
piíL-s: chá 
pitadu: pitanga 
pitoresco: poltrona 
pitilh: tabaco 
plaga: vadio 
planalto: achwla 
plano: chana, \mTiiO 
planura: achaca 
plató: achada 
poço: Quixote 
jiudii, jiiflsir: \>-<[ih: 
p.i-ili-prilra; l';iiaili;;i 

[inil.Tii,-i>: VilL.TUSO 
]i.>Í,l!. |JUÍ'| : )i.'il;ll 

[ii>l:iin;i: nixar.iviíi 

]i'il,-;i : jiítria, luria 

/"'/. ,il.{ : a|"il,|it:ir, \K\.} 

jMilii.i: 2"'h"' 

]iiiiiil.>i>: apiuthil 

2>iiui['i>i' : m:içit 

j-ircvLiiia; chá 

l><irt;i: iT.iiiIij, tL'ii'lal 

portal : ti-mlal 

pristo: LMÍ'>1'> 

jiiiupav: liiilm, ijiiil.'irii, p.ip» 

p'.m>a'lri; i^mra 

[•imÍ.i: r>':il. vaili" 



prão: chana, porão 
prantar: ingresia 
prata: preto 
prato: escaparate 
prail: parau 
pregio: reclamo 
pregoeiro: eleiçaeiru 
jireguiceiro; poltrona 
preniedeira: apanha 
prcnária: perna 
prenda: golpelha 
preso: diícriçSo 
jíreto: apretado 
primn-dona: rabeca 
pruão: discriçlo 
profesíto: proflpsfto 
protestantismo: absent(o)teo 
jtróximo: Quixote 
públÍ"o: púlTCgo 
pumbi) : \jrac:i 



ipiiiilrilheiro: cada 

i]iiairolt'iro; cada 

ijiniUvr: Vito 

<|U'brar: crebar 

i|Ut-'da: caída, ([Ufntt' 

'l'H'Íjo, ijU'Íja, .jutijada: b.d.i. l-W 

Quixote 
ipfiiiiiid.iiirin arrasta 
i|u i_-:íiiiàu: cágado, dáimi», <liiiii' 
<]ueixa: a|>.tiih;i 
iiu<i\:il: caolmlote 
i]U'i\^ .iu.'ixa«la: Quiiitt-* 
iiu.*l'ia: vaiijr-ista 



Apofitilns aos Dicionários Porti^ueses 



3fll 



nuelnu': bairro 

quemafíem : arrasta 

qaeiula: Linciit*.'- 

qucnto: ciiiilsi, oncalir, talento 

<|Ut.*zil(i)a: riaijil.1 

(|uiLúiiietro, quilognima: quiluvátio 

qiuiiiãi.i; cáguitu, dáiiiiio 

quimla: embondeiro 

Qniu-Siú : 



rabt^l: rabeca 

ralK-lii: rabeca 

rabiar: rabo 

rabil: rabeca 

rábula: ralhar 

ração: rabeca 

nier: rer 

raia: arraia, arrió 

raiu : arriú 

rajiiputr<.i3 : reubutos 

raiiiailii: cadikfalso 

rainndiío: tnut-zzin 

ranhura: encaixe 

ranilha: r& 

ranjer: rinjir 

rapa: rapar 

rape: tabaco 

rap ,'ira : iimrraça 

rae^r: rabanada, rabeca, rínjir 

latinha; faiança 

ravina: barroco 

raxar: ralhar 

rayuela: arri'í 

razj&o: rabeca 

real: arriú, ]ii(jr 



reais: apretndo 
rcales: mutra 
rebanho: relojo 
rebate: repique 
rebeca, Rebeca: rabeca 
r rebcl : rabeca 
rebelde: rabeca, reyel 
rebuçado: buço; carambclo 
recaída: caída 
reçio: rabeca 
recepisae: úiiibus 
recordar: cor, decorar 
recovo: co]ía 
rMe: maohila 
redondo ; reU)r 
redrar: arredar 
reeiípuina : panela 
rofiáni : febra 
regalo: manga 
reijno: igreja 
regra: ji^gra, nivcl, sagrai 
régua: núloa 
regular: aruiaz<íni 
rei : freguêa 
reinu: igreja 
rela; elo, râ 
relíquias: arrelicas 
relojoeiro: bacalhau, relojo 
remela, remelar: mela 
renegar: arrenegar 
rês: cabeça, febra 
resgar: rabeca, rasgar 
resmungar: resbunar 
restolho: rast-Mli'» 
retcúJo: deuilo 
revel: til 



5ÍIL» 



Apoftilaa aos Dieioftârios Portugueses 



rpvistii: Tfjiiíto 

rezito: tVrrtibfl, rabeca 

ribu: arribaií 

rib:ilt;i: poltronii, rabecii 

ricncfu-te: ropiquiíU' 

rixii: reixA 

roc:i:. I>ragii 

rocio: ri's.-flo, rossio 

roixtj : iLVoífToar, iri<Ugo, rouxinol 

rolào: cab.'^M 

roMima: tioué, til 

rolo: til 

romã i_«ji"ir ilej: ímli^ij 

roíiiaiico; líoiiia 

ro lifini: Ií"iiia 

r«niu'liu: líoma 

ruii'.'.!: Imiiiliii 

i(i>.'t,i : ^u:i~lii"i 

ro.-imr: i^. -liiui:ir 

rúfiil.i : ril 
rMuli.ir: iMii)i,t 
r.iii)i.i : l',it >, (jiii.iiiii' 

PiU[.\m : iinilIlfHi 

roU|hiiili;iN: iiuiiiirin 

riibijn : IkmIui. <.i.-ii''.-i 

riii;ii : li^u- íim>. i'il--it 

rutiàn: ratio» 

rtiijii' : K^iiiLi 

ril|i!;i : !:ii[n.' 

ru.-»'j. Iiii>sia: liu'ni'ir.i 



«âhrtift: -SiiViílKi 
saL-ri.'tào: -."islro 



sadio: vadio 
Sagrado: alfa 
saio: trosquiar 
salão: carrcirão 
salitre : rtoleiío s- 
salguoiro: sincciro 
salvar: saudade 
i>aiiiarra: ç:uuarra 
isaiiibaijui : kiokkenmoddiug 
samurai: Japão 
sanedriín : nas.<i 
iíLiitgue: êaugar 
sanguíneo : EíitranjciTÚinioi» 
SaiifElrno: Corpo-Santo. 
íJantig(u)ado : apai^guado 
s:\rau : serau 
.-:ir'l;i : ]n<y< 
s;u>:.isso: iiinrr.iça 
SatsiiiiKi: Japru» 
S;iturn<.t: s.ttunin 
saudar: saudiulo 
.s;uiil(»si) : bomlusit 
sauViísHoa: ãiuistica 
f^aveiro: vadiu 
século: di.-sa<tradii 
.srdcir" : us^idaJL-m 
^^L■d-■u^l^>: bísaro 
s>'ili(;i(; Cediço 
s<.-irral: desastrado 
.*.;grL' : desastrado, sagrai 
seixo ; mei"ha 
séjaiia: iiiasiiiorra 
sejeiro: brci<' 
.semana: dóuiaa 
.si'mt.'ar: saiiii'ar 
seuiiUia: ca>t;tn)iola 



Apostilfis aos IHcionãriog Portugueses 



rm 



aengo: tíinjelo 

sehio: sehiu 

seringa: cauchu 

sestro: arri6 

ttetiin: crtiiu 

siaiiiu: imáiuíou 

ninonU': tabaco 

siniigogn: esmola 

sincclo: Honcflo 

ainéilríu : nassi 

âzio-sainião : annaniunto, arrdica^ 

8Ír^: pn!gajitar 

8»ob: papel 

8ú : febra 

subiote: asHoMu 

sobradu: alojo • 

áobrcstar: sobrossor 

wicial : armaziéin 

soco: muezziti 

sofeno : cutío i 

sofi: !iufi 

i^ga: cabfça 

mIot: vivenda 

aoledade: sauilaile 

solteiro: moleiro, sinjelo 

írtlúvel: iiovi-l 

rtoiublea-ilo-iliabo : balhão, 8ába'lu 

doiiibreireiro : iriianla-^ol 

Buinbroiru : eliaiHÍU, gnanLvsol 

soneto : arrencjíi 

soprano : rabeca 

sorver, 8orvi)te: xarope 

aortsobrar; :íCh:\í 

soterrar: sochào 

soturno; soma 

souto : bobo, persoatac 

88~VoL. II. 



Stocklcr: Garrett 
sudão: lioldit*» 
suíçoi etiguíçaro 
Saltão: Huldão 
KQpito (de): golpellm 
sura : v^ira, jagrft, raça 
surcharge,' sobemal 



tabardilho: mal 
tábua: tá roa 
tacha: febra 
talante: talento 
taiuoeiro: cantadoara 
tancredo: alberto 
t-aiyerino: larife 
tantA; bacia 
fatigas erei: utazanar 
tapet«: alfressei 
tarçilo: ter\;;lo 
tareco : t-arego 
tatwijem: jinibaje, marca 
taxa: febm 
t*ar: pedal 
t^atni : cadafalso 
tejadilho : lentejoula 
ti-jolo: lUTÍú(s) 
telinga: tÃmil 
tt-lngo: tamil 
teiuão: cantftdodra 
temente : idoaro 
temeroso : valeroso 
tempereiro: ujpaiiha 
Tfinudo; dcúdo 
tenuz: atiizaiiar 



594 



Apostiítxa aos l^ititínAriúS Pí/rtu^itenei 



¥ 



tondUliaí caboçA 
tfiitarT tuiootu 
Ivnífl: fftUr 
tento: titti^Dta 

terra japónicii: crtuchq 
írirrnl: rnnrt-nry 
itrremt: paaeadiçu 
li!!ioaro : bcsMUro 
tiniilvieulii: Irílhu 
Uruãa: fiíiflr 

fiiiÍH : ]iiiitiirrujsi.> 
tMjiil : tíiiiihfKjin 
ISanqUJiDr Jii|tiU) 
tcjqne: Kumbm 
taqtiti-umlji>i|Uo: boto 
íorga: (ircguriUr 
tonii«nt4k: ral» 

toro L tOTj^ 

tosquiar: tr<i!íi]uiai 
toue-a: ttWyw 
Jouquíra: Tonquim 
tcjUH): Tijupa 

tra^ ; terção 
trujo. tinijo: ro^NhlM 
tramontana r xaroco 
Itapiche: hangar 

tríir: tinjir 
trnvcíisa: essa 
traTt>jS»fIo; apanha 
trAvoíifíL'ÍTii: aljiigfjida 
treito; trcciíu 



tremoabii: lúgút» 
írfttó: ftrntsta, corua 
lr(ivi>: azevinho 
triíwiro: ajfaeiíiliw. 
truar: irutieira 
trumhone: jKiltrvna, raUoca 
tromljTiilo: deiÀdo 
trtimika: raboca 
trotar: cit\ontar 
trunfa: túlipa, 
túluira: táEiííl 
ttuiit;iiiu ; xarifo 
tarbtinte: túlipa 
tatfl-ç-meÍH: caliiit*? 



Q: P. J 

ugH, uja: qrjaíhaiil* 

qivarv&íírrii 

ulao : farhi 

ama: jwrrmna 

Úmil: til 

unicórnio: nlícúrnio 

urríLcn: j^iuinailtiii. tíwa 

urr:ir: fttitni 

DT^i, uaito: osso « 



v: ir. J 
TAdiu: IiílMío 
vajein: imiiihA 
r^IfLco: líiilua 

vahiilv[>: lialdio 

ViUiZclliir: GaTTL-tt 
vara; T:aiaxid» 



-i 

I 



Apostilaa aos Dicionários Jl^rtt^Heses 



ÕÍÍS 



rarão : barão, varanda 

vareiro: oleiro, peiíinheiro 

Tareta: apitnha 

Tanola: bexiga 

Tarsoviana: leque 

Tasconço, vaaconffado; ewtcnldunnc 

Teio: veeiro, vieiro 

rela: candeia 

velacho: poncachinho 

nlhice: brejo 

«lho: brejo, cacho 

Telhot« : assobio 

Tencilho: sortelha 

Tenta: campa 

Írerdacho: poucachinho 
verdasca: carrasco 
verde-gaio: gaio 
Terdngo: carrasco 
rêrga, vergão: avergoar 
verificar: upaniguiir 
vezinho: lechia 
Tia: viável 
vidraça: iiitítiUí-sta 
vilio: pão 

le: ilesluiulírar 
.0 : hoiiieútropi) 
vhktouro: íduuru 
Tinha: igrt.jii 
TÍnho: cliiiciíia. i)errmiia 
vinte: conta, pi)u.saiia 
TÍntéin: armazém 
I vintena: anuazóm 
í viola, viulota, violinu: pultruna, r.i- 
\ beca 

violeta: avergoar, índigo, roiío 
violete: índigo 



violoncelo: rabeca 

visitar: entrevistar 

viúva: bacalhau, enxoval, uivar 

vivenda: ftídiitnt 

viver: caluetw 

vizir: vale 

vizlunibre: deslumbrar 

volcar: borco 



xadrez: ehicoangaé, enxadrez 

lágora: jagra 

zarau: raça 

xaroi)e: jnlepo, raça 

xcbat: shevet 

xergi: preguntir 

xerife: xarifc 

Xintú: Sint<> 

xissú: sissú 

Xisto: bexiga 

xogum: Japào, toxogum 



2:ibuniba; bombu 
záinala: smaln 
zanibujo, Zambujal: azcit<- 
Zanzibar; JapÕu 
zarcão: azarc&o, tauxia 
zénite: nadir 
zíngaro : tsigaiw 
zombar: caço 
zuagu : ziiavo 
zuarte : Nanquim 
zurdo: gafi) 



!!' 



ERRATAS DO II VOLUME 



Linlias 


Êrrofl 


OomoçOw 


18 


ufttiólnni 


ostiolitm 


<; 


]WÍS, 


pois 6 


2õ 


Como outroá , 


Como a outros 


17 


Vede 


. Vede 


2:» . 


etyiiiolojias 


etimoInjiaH 


21 


loUfffl 


lonjc 


U 


onfTfiihoso 


cnjenholn 


:í("1 


I*aroi:e 


A prinifira parcr'!' 





A última 


A segunda 


Ki 


quiuitiiladc 


qaalidadtí 


11 


c HÍgnifioavão 


si^iiilicaçíln 


') 


latim 


Litino 


2;t 


(tialcctainonte 


dialcctaliiicntt! 


X 


a citaçio 


citavilo 


1(> 


8abiitantívailo 


Miibiítaiitivada 


Ui 


canicterísamcnti- 


caractunzadairii>ntc 


I;J 


não Usados 


Hão asados 


11 


NaZIR 


NAZÍR 


10 


feminino 


fonitiuino 


20 


em -a 


em -itt 


1 


OrleatiR 


Ortiam 


1 


úi ndoíitana 


é indontana 


7 


alvíçareíro 


alvissareiro 


c, 


di> 


dos 



598 


ApottUaa aoã Diàam&rim Púriitgnt»m 


"Hfiaaa 


LtahH 


• 




286 ^ 


** 


6in 6 


em/ 


^ '■■■'• 250 


11 


qoftn 


qnád 


259 * 


% 


railíititio 


enAititieo 




-' " ■ 


Tuna 


deitem uma 


^272 penátttn» 


BOOOTONO 


BOGOTANO 


291 * 


7 ' 


. ^^lenariíis : pUniis 
ÉMite 


plcnarina: pleniu 
escrito 






49<*^^'^ 




apofbnis 


4 


f nu 111 




réstia 


>f^! * 


10 


ftçocntaa 




acentoa 




ífU 


diiitinctos 




distinfiM 
francfis 


*-^5> 828 


1 


fíf^íVír^m, 




Bebe(e)ca 


■-• ' ...iW4 


t)«ã 


6 


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■ A*.:iíi»"íi 


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, ■ ■ 849 


7 


nA2-9^H 




pOs-se t 


t 
1 é 


dialecte 




do 
dialecto 


351 


15 


de 


do 


378 


12 


aSUAtlKDB 


KÕMAÍIKOH 


380 


21 


Moíáo Yaláquia 


M<>l'l»i-V:iláquiíi 


384 


tí 


(liccionario 


dicionário 


3!(7 


2 


duBÍsorio 


deriíiório 


388 


9 


modelado 


modulado 


40!t. -1 U) 


29, 1 


aavane 


aacanne 


413 


12 


scjana 


s^jana 


» 


25 ■ 


Pedro 


Piídre 


41Õ 


2 


E a fornta 


Ê a fur:iia 


417 


15 


{•afará, çnfaro 


çáfara, çáfam 


43tí 


21 


indiscutpável 


indesculiiável 


441 


2 


é nomo 


ó UOKSO 


455 


5 


açQcar 


açúcar 


45y 


7 


Fachuela 


Tadiuelu 


481 


17 


rótulo, e no moilerno 


e no iiiiHliTn», rôt 


41K) 


6 


projinsito 




Iirojuisito 



Apovtilafi noH Dicinhários PuHwjwhch 



h'.m 



Linbai 


ÊITO0 


12 


E o IIMIIIV 


ly 


thuntrod 


2lj 


clhis 


l:l 


riajantf, u 


7 


siirlufsti; 


17 


imrm-stv 


11 


n qual 



CorroocOoB 
E o IlUltK' 

t«atrus 

riajatite uu 

dUilucstc 
iiuluestc 
o qual 



fíxi) á i1isi:n\^à<i <li»s Iritim-s a ciiieiula «It: outruii urruti iitcnuK iiiiiturtun- 
i:s cDiiii) íalta ilu virgulai,-:!') »u a ilu acriito^. om cuiitniilivliu com «i 
1 iltj accrituiu-iii» iis!i"lo rm ti.'Xtn. 



1 



3 tiD5 Q14 HôD n? 



Pc I 



DATE DUE 


MÁV