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Full text of "Archivo dos Açores; publicação periodica destinada à vulgarisação dos elementos indispensaveis para todos os ramos da historia Açoriana"

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ARGHIVO DOS AÇORES 



IV 






Pt 






/O 



PUBLICAÇÃO DESTINADA A VULGARISAÇÀO DOS ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS 
PARA TODOS OS RAMOS DA 



o/ir* 






0>:^ 



VOLUME QUARTO 



1882 - -í - / 

FONTA DELGADA-ILHA DE S. MIGUEL. 
Typ. do Archivo dos Açores 



519571 



Digitized by the Internet Archive 

in 2010 with funding from 

University of Toronto 



http://www.archive.org/details/archivodosaore04pont 



MEMORIA 

DO 

d; JOÂO TEIXEIRA SOARES DE SOUSA 

Erudito Jorgense, Benemérito Aço- 
riano, que por suas virtudes, 
scieneia e caracter, hon- 
rou o nome Portu- 
guez. 



Acabe o tempo já tão triste vida 
Qup em sua morte só tem seu remédio. 
{Camões, SexUna IV.) 

Alma gentil, que á íirme eternidade 
Subiste clara e valerosamentc, 
Cá durará de ti perpetuamente 
A fama, a gloria, o nome e a saudade. 
(Camõps, Soneto, 229.) 

Acabou a existência o Dr. João Teixeira Soares, no dia primeiro 
fie Julho de 1882, pelas 6 horas da manhã, n'esla cidade de Ponta 
Delgada. Graves padecimentos occasionados por uma lesão cardíaca. 
(|ue se revelou pela primeira vez em Fevereiro ultimo, terminaram 
com a morte. Comdemnado irremissivelmente, todos os momentos de- 
corridos desde então foram de alílictivo tormento ! 

A morte, roubando-o aos carinhos fraternos e à aílectuosa estima 
(los amigos, libertou emfim aquella bellissima alma, do misero corpo 
a que nem a sciencia nem os disvellos podiam restituir a saúde ! Mais 
de quatro mezes de constante soíTiimento, foram martyrio penosíssi- 
mo i^ara elle e para todos que o amavam ! 

E, porem, irreparável a perda que os Açores acabam de solfrer com 
a prematura morte de tão conspícuo cidadão. Privou-nos ella dos sa- 
zonados fructos da robusta intelligencia, do Dr. João Teixeira quando 
elle começava a dar forma ás elucubrações de largos annos ! Tarde 
apparecerá um outro obreiro com a idoneidade daquelle (|ue perde- 
mos I 

A individualidade do illustre Jorgense foi um complexo de quali- 
dades de subido valor e d'aptidões variadas. Dotado de um talento 
pouco vulgar, memoria felicíssima, de muita agudeza de comprehen- 
são, os seus recursos eram excepcionaes quando se propunha resol- 
ver qualquer pix)blema histórico. De indofe investigadora, jamais per- 
dia a occasião de saciar a sua innata curiosidade, tendo aletu disso, a 
rara faculdade de nunca mais esquecer aquillo, que uma vez ouvira 
ou lera, por mais insignificante que parecesse. 

A memoria por si só prejudica as outras faculdades humanas, ina^ 
por detraz d'ellas. communica-lhe importante realce e brilho extraor- 
dinário. E" coruo um espelho, qtie anteposto aos objectos os occulta, 
mas que por detraz d^elles os rellecte e illumina. 

Assim na organisação do Dr. J(jão Teixeira Soares, servia esta p;i- 
ra realçar as outras faculdades mentaes. 

A historia Açoriana merecia-llie especial attenção. sem todavi-i 
desprezar o que podesse servir- |)ara abrilhantar o nonif porlugiif/. 



8 ARGHIVO DOS AÇOBES 

OU illucidar iim qualquer ponto importante da historia da humanidade. 
Dos Açores conhecia tudo; o passado e o presente, as pessoas e loga- 
res, os factos públicos e particulares, datas e circumstancias interes- 
santes. Era uma encyclopedia viva, que a toda a hora se podia con- 
sultar sem receio de encontrar lacunas. 

Leitor assiduo das chronicas e dos clássicos, de todos tinha pro- 
fundo conhecimento. De taes leituras recebera as vividas inspirações 
de um acrisolado amor pátrio, que não lhe deixava tranquillo o espi- 
rito sempre (jue via menoscabada a verdade. Possuia tão perfeito co- 
nhecimento das extensas Décadas de João de Barros e de Diogo do 
Couto, que quasi se podia dizer: as conhecia de cór. Abrangia, porem, 
nas suas leituras, as obras Francezas e Inglezas de maior nomeada, 
colhendo d"ellas exacto conhecimento dos progressos modernos das 
lettras, sciencias e artes. 

Vivendo isolado na ilha de S. Jorge, longe do bulicio mundano e 
de quaesijuer distracções, entregava-se exclusivamente á leitura e a 
profundas cogitações de que resultavam idéas originaes e consequên- 
cias maravilhosas de perspicácia. Approximando e concatenando factos 
imolados, coftfdenandít idéas avulsas, fazia de tudo uma synthese, que 
espargia luz aonde dantes só haviam sombras. 

Fugindo (la roliiia siigeitava a historia á critica severa dos fados, 
para de tudo deduzir consequências lógicas, únicas que satisfaziam 
não só o seu amor pela verdade, mas igualmente a natural rectidão 
do seu espirito. 

Newton, interroga de como tinha descoberto as admiráveis leis da 
attracção universal, respondeu: «en y pensant tottjours.» Tal é a força 
da inlelligencia quando se concentra em profundas meditações! 

O meio em que vivia o Dr. João Teixeira, collocava-o em circums- 
tancias análogas, leforçando assim as faculdades raras, com que a 
natureza o dotara. Dextrema modéstia e timidez, fugia naturamente 
das multidões. 

Em Coimbra, no vigor da mocidade, rodeado de centenares d'es- 
tudantes. revelava já a natural tendência para o isolamento; d'aqui a 
resultante necessidade de supprir pela leitura a falta de convivência 
social. 

De tracto ameníssimo, com uma physionomia sympathica, a seu 
pezar aítrahia os circumstantes. principalmente quando por meio d'u- 
ma conversação sempre interessante, melhor lhe deixava perceber os 
elevados dotes do seu caracter, e a inexgotavel mina de seus conhe- 
cimentos. 

A placidez, filha da força physica e moral, o espirito justo e re- 
cto, manifestavam-se n"a expressão bondosa das suas feições regula- 
res. Tinha o typo dum portuguez antigo, d"aquelles cujos nobres sen- 
timentos e acções, tem feito extremecer de enthusiasmo as gerações 
passadas e presentes. 



ARCHIVO DOS AÇORES 9 

O pensamento inicial da publicação do Archivo dos Açores, nasceu 
das conversações que com o nosso prestante amigo tivemos em Julho 
de 1876, no Valle das Furnas, e das idéas que então trocámos a tal 
respeito. 

Appareceo pois esta publicação, cujo fira occulto foi principalmen- 
te servir de estimulo e meio de vencer a inércia do Dr. João Teixei- 
ra em escrever. Infelizmente não lográmos, apezar de todos os exfor- 
ços, obter senão mui pouco, do muito que elle podia dar. Poucas são 
as paginas por elle escriptas, e essas mesmis, pela maior parte, ex- 
traliidas de outras publicações. 

Graças, porem, á illustração, benevolência e amisade do Snr. Dr. 
José Teixeira Soares de Sousa, seu irmão, esperamos respigar nos 
seus numerosos papeis alguns apontamentos, que honrem o seu no- 
me, demonstrando quanto sabia. 

Podemos egualmente dar aos estudiosos a grata noticia de que a 
Memoria sobre a descoberta da Austrália se acha posta em limpo, se- 
gundo o próprio autor nos disse: temos portanto bem fundadas espe- 
ranças de que em breve será impressa. 

Nasceu o Dr. João Teixeira Soares de Sousa no dia 2 de Setem- 
bro de 1827 na ilha de S. Jorge. Poi baptisado na freguezia de Santa 
Barbara do concelho da Villa das Velas aonde então passavam o ve- 
rão seus pães. o Sr. Miguel Teixeira Soares de Sousa e D.Maria An- 
gélica Soares d'Albergaria. Depois de alguns estudos feitos na ilha 
Terceira e duma visita a S. Miguel, matriculou-se na Universidade áe 
Coimbra em Outubro de 1849 nas Faculdades de Mathematica e Phi- 
losophia: tomou nesta o Grão de Bacharel em 1853 e fez Foi-matura 
em 18o4. Durante o seu quarto anno de 1852-1853 frequentou o pri- 
meiro anno de Medicina, mas repugnando à sua natural sensibilida- 
de a vista dos cadáveres, abandonou esta sciencia completamente. 

Conservou-se sempre solteiro, apezar de ter dotes para ser ilm 
exemplar pae de família. 

Até ao Domingo 25 de Junho nutrio algumas esperanças de po- 
der restabelecer-se e voltar a S.' .lorge; porem, na tarde d'aquelle 
dia, sendo accomettido de um violento accesso que lhe fez perder os 
sentidos, voltando a si, pedio fossem chamar o Dr. José Maria Tava- 
res Ferreira, seu contemporâneo em Coimbra, e ás 8 horas da noite 
d'aquelle dia ditou o seu testamento, achando se de cama, no seu quar- 
to do Hotel-Azorian em Ponta Delgada. Dispoz do seu património a 
favor de seus sobrinhos, filhos do Dr. José Teixeira Soares, que o a- 
companhou na sua vinda a S. Miguel donde o enfermo contava vol- 
tar restabelecido, mas aonde infelizmente terminou a vida ! 

Dorme em paz eternamente ! Dorme o somno dos justos, e como 
tal passe o teu nome á posteridade ! 

N.° 19— Vol. IV— 1882. 2 



40 ARCHIVO DOS AÇORES 

Como tributo de verdadeira amisade, de profunda estima e de 
grata recordação, faremos alguns extractos da correspondência, que 
desde 1874 trocámos com o illustre finado, a fim de que nas paginas 
do Archko fiquem perpetuadas algumas phrases e pensamentos do e- 
rudito Jorgense e o publico melhor conheça a natureza de seus estu- 
dos, a actividade do seu engenho, e generosos planos de ser utií. 

Chamámos, porem, a atlenção para a reserva de que frequente- 
mente usava; se tiver vida e saúde. Parece que presentia a prematura 
morte, apesar da sua vigorosa constituição phisica ! 

Ernesto do Canto 



EXTRACTOS DÂ CORRESPONDÊNCIA DO D.' JOÃO TEIXEIRA 
SOAl^ES DE SOUSA. 

Carta de 25 de setembro de 1874: 

Promettia pôr em claro um Nobiliário da Ilha de S. Jorge, para 
o que tinha colhido muitos apontamentos. 

Carta de 26 d'oiitubro de 1874: 

«Parece-me conveniente colligir todos os brazões açorianos visto 
que o Arcfuvo Heráldico do Visconde de Sanches de Baena, abrange 
apenas uma pequena parte d'elles. por causa da perda do Archivo da 
Nobresa, por occasião do terremoto de Lisboa.» 

Carta de 25 d'agosto de 1875: 

«Hecommendo à sua atlenção o que Theophilo Braga diz {na in- 
clusa carta) sobre a venda da Collecção de Variedades Açorianas de 
José de Torres, observando todavia que o seu mérito está muito á- 
quem do que parece derivar-se do numero de volumes, e dos crédi- 
tos do collector. Fallo com conhecimento de causa.» 

Carta de 26 de novembro de 1875: 

«Vi nos registos originaes (da Torre do Tombo) as doações {dos 
Açores) de D. Affonso V, de 1439 e 1449, copiei-as religiosamente. 
São irrefragaveis. Hoje se voltasse a Lisboa faria extrahil-as por pro- 
cesso photographico . . . Estou persuadido não haver na Torre do 
Tombo documento algum, relativo aos Açores, pertencente ao século 
15, que eu não copiasse na integra ou não extractasse ...» 

«Tenho desde 1865 ideada uma Memoria sobre os Capitães Dona- 
tários dos Açores, em que estes e muitos outros documentos tem de 
figurar. Não a tenho publicado por desejar dar-lhe maior desenvolvi- 



ARCHIVO DOS AÇORES 11 

mento, com o fim único de a tornar mais grata aos leitores . . . . e 
para tudo careço ainda estar alguns dias em Lisboa. Eis o elencho: 

1.-'' PARTE — Descobrimento e colonisação dos Açores. 

2.* PARTE— Altos donatários os Infantes D. Henrique, D. Pedro e 
D. Fernando, os Duques D. Diogo e D. Manuel: Fernão Telles de Me- 
nezes e seus successores até o ultimo Duque dWveiro (com relação 
ás ilhas das Flores e Corvo). 

S."^ PARTE— Capitães Donatários de cada uma das ilhas. 

APPENDICE contendo documentos, annotaçijes e illustrações. 

«A esta devia seguir-se outra sobre Gaspar Corte Real, que repu- 
to de grande alcance para a historia das nossas navegações e desco- 
brimentos marítimos.» 

«Que immenso serviço faria a pessoa que publicasse a obra do 
Dr. Fructuoso respectiva aos Açores ! . . . » 

«... A Duqueza de Rorgonha (D. Isabel filha de D. João I) nunca te- 
ve a alta donatária de qualquer das ilhas dos Açores. Foi Rehaim que 
primeiro disse este disparate. Se possuíssemos hoje a Carta de doa- 
ção a Jooz Van Huerter, que Jeronymo Dutra juntou ao processo que 
teve com a coroa e que foi decidido depois de 1580, mais por favor 
ao Marquez de Castello Rodrigo, do que por justiça que lhe assistisse, 
ficaria toda a duvida resolvida. A sentença respectiva refere-se áquel- 
le documento, mas elle desappareceo, com a Chancellaria antiga da or- 
dem de Chrísto em que elle devera estar. A que hoje se diz antiga 
começa apenas com o reinado de D. Sebastião ...» 

«Tendo Jacome de Rruges vivido no Porto por espaço de :20 an- 
nos (Sentença publicada a pag. 28 do Vol. I, do Archivo) e certamen- 
te com negocio importante, é impossível que no Archivo da Munici- 
palidade, não se encontre alguma cousa relativa a elle. Já ha annos 
tinha feito proceder a investigações, mas o Dr. Alexandre Rraga a 
quem o Dr. Theophilo Rraga incumbio d"este negocio, como pessoa 
mais competente para elle, não teve saúde nem vida para isso ...» 

«Gom J. de Rruges veio do Porto, Affonso Gonçalves Raldaia, 
que ali era cobrador das sizas reaes desde 1434, por mercê de D. 
Duarte, a pedido do Infante D. Henrique, como da respectiva carta na 
Torre do Tombo. Também seria bom investigar quando acabou elle 
ali, aquelle cargo. (*) Como se vè na Carta d"e Doação do Infante D. 
Henrique a seu sobrinho o Infante D. Fernando, das ilhas de Jesus 
Chrísto e Graciosa, no anno de 1460 ainda a Terceira estava então 
deserta e sem povoação! A Colonísação dos Açores foi mais tardia e 
demorada do que geralmente se pensa. O atrazo da povoação de S. 
Miguel foi uma das principaes causas por que a Infanta D. Rrites con- 



(•) Tentámos algumas investigações por via do Dr. Adolplio Soares Car- 
dozo, nosso amigo e condiscípulo em Coimbra, que não produziram i-csullado 
algum. 



42 ARCHIVO DOS AÇORES 

firmou a compra feita por Ruy Gonçalves da capitania delia a João 
Soares. A propósito: disse-me o Marquez da Ribeira Grande, em Maio 
de 1865, em viagem para S. Miguel, que no archivo de sua casa ain- 
da existia o traslado da escriptura d'aquella compra. O Marquez inti- 
mou-me então para ir a sua casa quando voltasse a Lisboa, franque- 
ando-me o seu archivo não só para tudo quanto respeitasse á historia 
de seus ascendentes, mas ainda d'essa ilha. (*) Jà em Lisboa me ti- 
nha mandado convidar para este fim pelo Dr. Henrique de Paula Me- 
deiros a propósito de certa pergunta que lhe mandei fazer. Mas não 
acceitei este convite por que não o conhecia e estava muito longe de 
avaliar a affabilidade e extrema bondade do caracter do Alferes Mor- 
do Reino ...» 

Carta de 27 de Novembro de 1875: 

«. . .Não fui bem explicito na negativa de que a Duqueza de Borgo- 
nha tivesse a alta donatária das ilhas do Fayal e Pico. Behaim dil-o e 
marca o anno de I4G0 para a vinda de seu sogro para ellas. Mas Je- 
ronymo dUtra recorrendo mais á equidade de que ao direito, e alle- 
gando os serviços de seu bisavô Jooz Van Huerter, dá a doação feita 
pelo Infante D. Fernando, de que juntou a respectiva Carta. A chrono- 
logia de Behaim confirma este facto, único admissivel, em vista da doa- 
ção que estava no processo ao lançar da sentença, que embora não 
exista em forma authentica no Corpo das Gavetas da Torre do Tom- 
bo, não é fundamento plausivel para se regeitar. E' documento cu- 
rioso de que por sua extensão só fiz extracto. (**) Pelo documento 
que remetto n'esta occasião, se conhece ser exacta a historia da colo- 
nisação da Praia, sobre a origem dos mais distinctos colonos, do Dou- 
ro e Minho. Foi com eíTeito dali que Bruges trouxe os companheiros. 
Comtudo os modernos viajantes nos Açores, vêem nas feições dos 
Terceirenses indícios de origem flamenga ! ! Muito podem os precon- 
ceitos ! » 

«Vou publicar o pequeno Tractado das Ilhas Novas de Francisco 
de Sousa, madeirense; e que é julgado perdido. E' do maior apreço 
a noticia que dá de uma colónia açoriana que por 1520 e tantos se 
foi estabelecer no Cabo Bretão fAmerica do Norte) ...» 

Carta de 27 de Janeiro de 1876: 
«Estimei ver a Carta ao Congresso dos Americanistas sobre a par- 



(•) Pouco depois de receber este alvitre escrevi ao Conde da Ribeira, por 
ser já fallecido seu pae, pedindo-lhe copia da escriptura, mas S. Ex.* em car- 
ta de 1 de Dezembro de 1876, respondeo-me, que apesar de dois dias de bus- 
cas não poderá encontrar a escriptura desejada. 

(••) Foi publicado na integra no Vol. Ill p. 408 do Archivo. 



AHGHIVO DOS AÇOHES 13 

le que os Portuguezes tiveram na descoberta da America. (*) Mostra 
ella que este geríero de estudo começa a ser apreciado entre nós, 
mas que tem sido bem descurado aké agorn, pois que o verdadeiro 
estado d'algumas das mais importantes questões correlativas é ainda 
tristemente ignorado ! Tenho para mim que o eíTeito d'aquella Carta 
no Congresso internacional, esteve mui longe de ser o que seu au- 
ctor se propoz obter.» 

«Quaesquer noticias que me transmitta sobre o resultado das suas 
investigações históricas são-me sempre gratas.» 

«... Também remetto dois números do Jorgense em que pu- 
bliquei uma carta que ha annos dirigi ao Latino Coelho e que elle a- 
preciou ligeiramente, sobre navegadores portuguezes. para offerecer 
ao Luciano Cordeiro se assim o entender.» 

«Persi^^to na idéa de ahi ir no próximo estio. E' uma necessidade 
imperiosa para o meu espirito aproximal-o do amigo pela palavra fal- 
lada. Não desista de me escrever por que n'este ermo e apathia em 
que vivO; as suas cartas me alentam e vivificam (**). 

Carta de 25 de Maio de 1876: 

«Estou no pensamento de sahir para essa ilha no paquete do pró- 
ximo mez.» 

«Heide levar o MS. de Francisco de Sousa para ser ahi publicado. 
Não o tenho enviado por que julgo da maior necessidade fazer-lhe 
algumas annotações, e ainda que é trabalho de poucas horas, não as 
tenho tido com a disposição com que são necessárias.» 

«A gloria doesta publicação recahirá sobre essa ilha, o que é de ri- 
goroso direito. Foi José de Torres quem me deu as indicações para 
obter este opúsculo, morrendo, todavia, sem a certeza da sua existên- 
cia.» 

«Como não folguei de ver a carta de mestre João escripta de Ve- 
ra Cruz em 1500!» 

«Para a vista fica a resposta ao mais que n'as suas me diz. 

Carta de 26 d'Ag'osto de 1876: 

«Estou em minha casa. Trouxe feliz viagem. Fui em um bello dia 
ás Sette Cidades.. Não sei que lhe diga de sitio tão singular, senão 
que não imaginava que em S. Miguel houvesse cousa tão linda. 

«Acho-me com boas disposições para encetar em breve os traba- 
lhos, que trago projectados sobre historia açoriana. Do que fizer lhe 
darei conta.» 



(•) Em francez pelo Sr. Luciano Cordeiro. 

( . • ) Honra immerecida, pois que era eu que tinha tudo a ganhar com 
tão interessantes communicações. 



14 ARCHIVO DOS AÇORES 

Carta de 26 de Setembro de 1876: 

«Remetto a prefacção e notas para o opúsculo de Francisco de Sou- 
sa. Parecia-me bom rectificar o titulo d"este pelo que traz a Bibliothe- 
ca Lusitana. » 

«Desejo muito a nota sobre u livro em que me fallou, que trata de 
moedas, phenicias creio eu, achadas na ilha do Corvo?» 

«Estou a contas com a Memoria histórica sobre os Capitães Dona- 
tários dos Açores, e vem a pello fallar d'aquelle facto.» 

«Também preciso saber a data precisa da morte de Pedro JoséCaa- 
pers n'essa ilha por 1835, por que tenho de tratar delle, a propósito 
dos Donatários das ilhas das Flores e Corvo.» 

«Estou nas melhores [disposições para o estudo e a muito me o 
briga o desejo de ser grato aos michaelenses, que se interessam pela 
historia açoriana.» 

Carta de 28 de Novembro de 1876: 

« . . . . Não me parecií conveniente a publicação de toda a minha 
Carta ao Latino Coelho, mas só do artigo delia relativo a João AÍTon- 
so.» 

«Quanto á nota sobre o Cabo do Britão, insisto na publicação d'el- 
la.» 

«A data, que Agostinho Pereira dAgrella, no seu MS. dá como da 
sentença a favor de Bartholomeu Perestrello, contra Pêro Corrêa é 
exactissimamente a da carta de confirmação da Capitania do Porto 
Santo a favor d'aquelle, que se acha originalmente registada na Chan- 
cellaria de D. AlTonso V, e depois no L.*' das Ilhas, á.^) 

«Também, como Mr. dAvezac, puz todo o empenho em elucidar a- 
quelle facto, não só para a chronologia de Pêro Corrêa, mas mesmo 
para a de Colombo.» 

«Quanto á origem Terceirense do Conde de Bretiandos, também 
me parece boa a sua indicação, em nota, como meio para facilitar e 
completar o estudo.» 

«... N'um dos (ifoximos paquetes enviarei o que me foi possível 
fazer aqui, privado de meios, sobre os Donatários da Madeira aíim de 
que o remetta ao Agostinho dOrnellas, para este o completar.» 

«Prometti ao Supico enviar-lhe para a Persuasão uma carta . . . 
.sobre a descoberta da Austrália em epocha muito anterior á que se 
lhe marca.» 

Carta de 27 de Dezembro de 1876: 

(Respondeo que não queria que o seu nome apparecesse no fim da 
Introducção do Tractado das Ilhas Novas por Francisco de Sousa, ac- 
crescentando:) «seria cousa sem valor e só daria occasião a justos e 



ARCHIVO DOS AÇORES i5 

bem cabidos reparos. Não sou vaidoso, talvez por fraqueza! mas não 
o sou.» 

«Pretendo no próximo anno dirigir d'um modo particular a minha 
attenção para os nossos trabalhos de historia insulana. Sinto-me velho 
e queria não morrer de todo.» 

Carta de 27 de Fevereiro de 1877: 

«... O ultimo estudo que tenho feito, diz respeito á descoberta 
da Austrália. Estou á espera da hora de espontaneidade para a e^cri- 
pta, para começar a redacção de uma serie de cartas sobre aquelle 
objecto, que pretendo fazer publicar n um jornal de Lisboa. Tenho 
muita coisa importante a dizer, e como membro da Sociedade de Geo- 

graphia não quero deixar de mostrar .... áquella que não 

sou servo inútil. » 

Carta de 25 de Março de 1877: 

«... Deixe estar que o não hei de fazer esperar muitos mezes 
por algum trabalho litterario meu, que o obrigue a pensar sobre as 
minhas fracas idéas.» 

Carta de 27 d' Abril de 1877: 

«A minha carta ao Sr. Latino Coelho, sobre alguns navegadores 
portuguezes, não a julgo digna de reimpressão. Tenciono desenvolver 
mais aquella matéria em uma breve Memoria» (Referia-se á revindi- 
cação da nacionalidade portugueza de João Aftbnso. Saintongois, Quei- 
rós á.^.» 

«O projecto de cartas sobre a descoberta da Austrália, mudou-se 
para uma larga Memoria, em que destruo tudo quanto a tal respeito 
se tem dito; apresento idéas novas, dando o seu a seu dono (á Hes- 
panha).» 

Carta de 31 de Maio de 1877: 

(Respondendo ao meu convite de escrever uma Memoria sobre os A- 
çores para o concurso aberto pela Sociedade de Geographia de Rru- 
xellas, dizia:) «Se em trabalhos litterarios não correspondo á sua ex- 
pectativa e de mais alguém, a verdadeira causa está na minha orga- 
nisação preguiçosa e indolente. Careço de grande espontaneidade no 
que faço e esta de raro se casa com a minha Índole impersistente e 
aborrecida. Tenho-me em pouca conta, mas não deixo de conhecer 
que cometto uma grande falta em não expender ao publico, ainda que 
mal, o resultado dos meus fracos estudos sobre a pátria açoriana. 
Penso muita vez n'isto, mas não sei dar-lhe remédio. Será fatalidade 
em mim?l» 



16 ARCHIVO DOS AÇORES 

«... Sobre os estudos recentes do Sr. Major relativos á Aus- 
trália, elles em nada perturbam o meu trabalho. Heredia não foi um 
embusteiro, r,omo elie pretende ... Se não morrer muito cedo, ain- 
da a este e outros respeitos hei de discutir as suas obras e do seu 
patrício Biddle. A questão de João AíTonso prende muito com esta e 
com ella será largamente tractada.» 

«Não me faltam boas armas; se não as souber manobrar, sempre 
hei de mostrar aos entendidos a sua boa tempera.» 

«... Gozo boa sauile. tenho uma vida quasi fradesca e só a pre- 
guiça me não deixa trabalhar, lembre-se d'isto.» 

Carta de 26 d'Outubro de 1877: 

«... Devolvíj o MS. genealógico do meu atrabiliário patrício Ma- 
theus Machado Fagundes d'Azevedo; . . . tencionava fazel-o accompa- 
nhar de um pequeno esboço biographico critico sobre o autor, mas 
não está ainda completo, irá noutra occasião ...» 

«... A idéa de escrever uma larga Memoria sobre a questão da 
descoberta da Austrália, está bastante robusta, assim podesse eu ter 
alguns mezes de mediano., mas perseverante trabalho. Juro ao meu 
amigo que se não estou de todo parvo, hei de fazer obra digna da 
'sua estima. Esta, e a .Memoria sobre Gaspar Corte Real, executadas 
como estão pensadas, derramarão nova luz sobre o exórdio e epilogo 
da nossa Epopeia marítima, e hão de dar prazer aos meus amigos. 
Manoel Godinho fleredia íbi um porluguez benemérito e muito, mas 
infeliz. Não foi um falsario embusteiro! (*) . . .Biddle atacou-nos, mas 
com subido talento e erudição: .Major exalta-nos com uma lógica ab- 
surda, uma rhetoi'ica rasteira e uma versatilidade e desfaçatez mais 
própria de um ... do que de homem medianamente serio ... Se che- 
gar a reduzir a forma litteraria, o (jue penso sobre a (juestão, verá o 
meu amigo, a grande sapiência, consciência e dignidade d'este ho- 
mem!» 

«Estimarei ver o testamento do Infante D. Henrique, o que eu 
queria (jue me exhibissem era um único documento, um único, ante- 
rior à morte de D. João I . . . em que se provasse que o Infante D. 
Henrique tinha tido a menor idéa de viagens e de descobrimentos ma- 
rítimos! Parece que era já tempo de fazer calar a lisonja, e apparecer 
a historia irrefragavel, que nos diz: que a actividade marítima dos 
portuguezes, já estava desenvolvida e firmada antes delle pelas ex- 
plorações no atlântico sptentrional e descoberta de seus archípelagos. 



(') A publicação recente da obra de Heredia: Malaca, a hxdia Meridional e 
o Cathaijo, Bruxclle^í 1882, que fez Mr. Leoii Janssen, demonstra evidentemen- 
te, a asserção: igual opinião niaii;i'!'^i.i M. Ch. Rueieas, no Prefacio da mes- 
ma obra. 



ARCHIVO DOS AÇORES 47 

"Esle príncipe não fez mais do que aproveitar esta actividade, 
dando-lhe uma nova direcção, mais positiva, e menos generosa, que 
eile soube monopolizar e continuar em seu proveito e da ordem de 
que era mestre ! 

«Foi um empresário egoista n'esle theatro da nossa actividade, na- 
da mais. E note se que o foi, depois da morte do pae, de quem nada 
obteve, e só do irmão, cujo filho adoptou, á.*''* 

«Para este campo, único verdadeiro, não vae ninguém, por que lhe 
falta a coragem ! Hei de ir eu, se tiver vida e persistência no traba- 
lho, por que é este o caminho da verdade ...» 

Carta de 25 d' Abril de 1878: 

«... Nunca considerei João Alvares Fagundes senão como um 
simples continuador da obra dos Cortes Reaes ...» 

«Não hesite o meu amigo em qualificar de falsa a carta de Doa- 
ção a Jacome de Bruges, pois eu por mim direi, quando fòr tempo, 
que ella é um documento rediculamente falso. As razões que para is- 
so tenho, são tantas e de tal pezo, que uma vez apontadas, jamais tal 
documento se poderá rehabilitar. Creio mesmo que nunca Bruges 
teve titulo algum escripto da Capitania, como Alvai'o Martins, o não 
teve jamais da Capitania dWngra, nem Gonçalo Velho dessa ilha (S. 
Miguel I e da de Santa Maria.» 

«... Apesar de não ter escripto uma única pagina sobre histo- 
ria, creia que não lenho perdido o tempo em relação aos nossos es- 
tudos favoritos ! Tenho feito um grande trabalho de coordenação, pen- 
sado e adiantado muito. Estou habilitado para redigir de prompto 
três trabalhos, que julgo importantíssimos e que publicados me da- 
riam certo nome. São elles: A Memoria sobre os Corte Reaes; outra 
sobre a descoberta da Austrália, e um estudo sobre a Chroníca de 
Guiné e sobVe o L." I." da Década 1.* de João de Barros, em que di- 
go e mostro coisas terríveis: para a memoria d'estes escriptores, so- 
bre a do Infante D. Henrique, e para a redícula seita dos Infantistas! 
O Infante D. Henrique vale pouco na historia dos nossos descobrimen- 
tos. E' penoso o mister que a crítica tem de exercer sobre este mau 
príncipe, mas ha de exercel-o um dia e ha de ser tanto mais inexo- 
rável, quanto mais tardio vier.» 

«Oxalá que em Major se feche a seita!» 

«Creia o amigo que estar n'este recanto, tão longe da imprensa, 
é que tem obstado a levantar um grito de indignação contra o servi- 
lismo com que em Portugal se tem curvado ante Major ...» 

'«Espero por todo este anno, pòi' os meus negócios em estado de 
me poder entregar á escripta e remessa para a imprensa dos meus 
estudos históricos. Se as minhas esperanças se realizarem e Deus me 
não faltar com vida e saúde, conte commigo, que hei de pagar á pá- 
tria e aos amigos o que lhe devo.» 

N.° 19— Vol. IV— 1882 3 



18 ARCHIVO DOS AÇORES 

Carta de 25 de Maio de 1878: 

«... Quando lhe escassear matéria para o Archko dos Açores, 
podendo, eu irei em seu soccorro. Penso em pôr as mãos na Memo- 
ria sobre a descoberta da Austrália e em fazer todo o exforco para a 
remetter para a imprensa nos primeiros mezes do anno próximo. Es- 
pero que o Theophilo Braga lhe faça um prefacio em francez, resu- 
mindo-a, para que ella possa correr mundo. Se agradar, obterei facil- 
mente editor para outros trabalhos, que conto redigir facilmente. As- 
sim não passarei como servo inútil. Ponho nesta estreia lodo o em- 
penho, por que d'ella dependerá tudo.» 

*(A questão da pertensa Carta de Bruges é assaz complexa, bem 
como a da descoberta das ilhas das Flores e Corvo, para se poderem 
tractar resumidamente em poucas folhas de papel.» 

«Em questões discutíveis não gosto de dogmatismo, mas não po- 
dendo ser explicito n"esta occasião, sempre direi o seguinte: — Reputo 
genuínos os portulanos do século XIV com relação aos archipelagos 
da Madeira e Açores. O attribuir ao Infante a descoberta primitiva 
d'elles, procedeu de lisonja e de ignorância. Azurara, que na parte 
histórica se aproveitou apenas do que escreveo Affonso Cerveira, foi 
mais um habilissimo cortezão. do que historiador severo e imparcial. 
Barros, que o seguio cuidando que o único exemplar, que da Chroni- 
ca d'aquelle conheceu, acabaria nas suas mãos, foi mais do que um 
amplificador rhetorico, degenerou num insigne falsario. O seu extra- 
cto da Chronica impresso em frente d"esta, seria sem commentarios, 
a sua condemnação irremissível. Não houve em Portugal homem pe- 
rante que a historia se tenha tornado mais deturpada e falsaria do 
que o Infante.» 

«Nada teve com navegações, descobrimentos marítimos e colonisa- 
ção da Madeira, senão depois da morte de seu pae, que parece com- 
prehendeu melhor do que os irmãos o péssimo caracter deste filho. 
Comtudo quanto arredados do que levo dito não estão os que tem fei- 
to a historia deste príncipe ! Os doze annos de exforços para passar 
o cabo Bojador, foram apenas um recurso rhetorico da lisonja, que 
um descuido do próprio Azurara patenteou ! ! Pois o que se tem dito 
da Villa de Sagres? ! Há nada mais rediculo?» 

«A verdadeira Sagres aonde está? Quando e para que fini foi fun- 
dada ? Aquelle príncipe não foi mais que um ambicioso utilitário, sem 
a sciencia nem o alcance geographico que lhe attribuem. Aproveitou 
a sciencia e actividade marítima dos portuguezes, já assaz firmada, 
para o simples reconhecimento da continuação d 'um bocado da costa 
africana, desviando assim o génio marítimo da nação para um campo 
mais utilitário, estabelecendo a escravidão africana e convertendo tu- 
do em monopólio próprio. Na Madeira só continuou a colonisação fun- 
dada pelo pae, alterando profundamente o syslema benéfico daquelle, 



ARCHIVO DOS AÇORES 19 

e convertendo Inrlo em sen proveito creanrlo os dízimos A-.'* âc.^. Na 
•família foi um Caim ! A viiilidade e nobreza de espirito, não a tinha 
por ser um quasi eunucho. A adopção do sobrinho, por filho, que in- 
fâmia! pelo modo porque depois falseou esse acto! Publique o amigo 
os documentos d'este acto, que faz uMsso um bom serviço. A entrega 
(jue fez do irmão em Tanger, depois de o arrastar ali, não se com- 
menta ! O seu comportamento com o Infante D. Pedro e com os filhos, 
é sem igual.» 

(A' primeira vista parecem paradoxaes algumas d"estas opiniões, 
mas tem um fundo de verdade irrecusável, que certamente o nosso 
chorado amigo, exprimiria menos acerbamente se escrevesse para o 
publico.) 

Carta de 16 de Novembro de 1878: 

(Accusando o 2.° n.° do Archivo dos Açores, repete:) «... tem de 
certo muito cabedal para continuar por muito tempo esta . . . publi- 
cação. Quando se aborrecer, permittindo-o a minha saúde e circums- 
tancias de vida. eu a continuarei como puder.» 

«Escrevi ha mezes ao Theophilo Braga . . . expendendo-lhe uma 
nova opinião sobre as chamadas: Estancias despresadas ou omittidas 
por Camões nos Lusíadas, sustentando, principalmente com a luz da 
chronologia, terem sido escriptas depois da 1.^ edição d'aquelle poe- 
ma, para serem nelle incorporadas. (*)... » 

Carta de 14 de Junho de 1879: 
«Estive resolvido a ir ahi n"esta viagem, mas approximada a hora 
da partida, falloa-me a coragem pai'a prescindir das commodidades da 
estada em minha casa. e ir arrostar com baldões certos e incertos de 
uma viagem. Ficará para o próximo anno.» 

«No vapor passado escrevi uma carta ao 1.° Secretario da Socie- 
dade de Geographia de Lisboa, chamando a sua attenção sobre a pas- 
sagem de Garcia da Horta, a pag. 57 verso dos seus CoUoquios dos 
Simples, pela qual se prova que foi um padre portuguez, quem annos 
antes de 15G3, fez a primeira travessia d'Africa, desde a costa fron- 
teira á ilha de S. Thomé até Sofalla e Moçambique, isto em correcção 
á aífirmativa do explorador Serpa Pinto e da Imprensa Portugueza. 
Não me respondeu. Só sabemos arguir preferencias contra os estran- 
geiros ! ! A(]uelle facto é assaz honroso para a nação, e dos nossos 
modernos escriptores sobre o assumpto, nenhum o accusou ainda.» 

«... exija o que vir que lhe posso fazer, por que tenho a mi- 
nha vida inclinada ao estudo, salvo os accidentes ordinários delia e 
os próprios da velhice, que já me tem os pés de portas a dentro.» . 



(.) Este artigo foi publicado no n.° 6 do Velense, de 23 de Fevereiro de 
1880. 



20 ARCHrVO DOS AÇORES 

Carta de 16 de Novembro de 1879: 

«. . .Quanto ao assiiinptu sobre ijiie M. Harrisse pede esclarecimen- 
tos e o amigo me consulta, que lhe poderei eu dizer ! meltido n'este 
recanto, e quando só depois da minha estada em Lisboa, em 1865, 
soube que Colombo casara em Portugal?! Comtudo por mostrar meu 
reconhecimento notei alguma coisa, que vae dentro do seu escripto.» 

(Depois de tratar de alguns pontos relativos á familia de D. Fi- 
lippa Moniz mulher de Christovam Colombo, diz:) «... em quanto a 
Pêro Corroa, conforme um antigo MS. da Graciosa, veio áquella ilha 
com a familia em 1485, retirando-se poucos annos depois para Por- 
tugal, onde morreu, por 1498 ou 99, e foi sepultado na capella de S. 
João da egreja de N.* S.^ do Carmo de Lisboa, para onde foram de- 
pois levados os ossos da mulher. Na Torre do Tombo só ha a seu 
respeito um único registo, o de 1458 no L.° das Ilhas, acerca da ca- 
pitania da ilha do Porto Santo. Nada mais. Apesar de expulso da 
Capitania do Porto Santo em li73 e de ter sido favorecido pelo In- 
fante D. Henrique elle não obteve a Capitania da Graciosa, de seus 
successores e descendentes adoptivos, mas sim de D. João II, quando 
por morte do Duque D. Diogo, as dadas da coroa e especialmente a 
Graciosa e Terceira reverteram a esta; isto n'aquelle supra referido 
anno de 1485 em que veio para a ilha, ou no anterior, em que o Du- 
que foi morto. D. João II por Carta especial de 1 de junho de 1489 
fez doação destas duas ilhas a seu primo D. Manoel ...» 

«Vou mudar de theorde vida, dedicar-me quasi exclusivamente 
ao trabalho de escrever e verei se em junho próximo lhe levo cousa 
que captive a sua attenção por alguns dias.» 

Carta de 17 de Novembro de 1879 : 

«Desejo, sendo possível, saber, se na Hist. Genealógica da Casa 
Real de D. António Caetano de Sousa, se acha a data em que D. Af- 
fonso V, creou o Condado d'Atliouguia na pessoa de Álvaro Gonçalves 
dAthayde. E" este um esclarecimento que desejo obter ...» 

«Agradeço a oíTerta da Carta do Dr. Monetário, que ha muito de- 
sejava ver. A sua data, porem, combinada com a chronologia Colom- 
biana tira-lhe muito o mérito. Lá se avenha o Dr. Monetário com os 
críticos. » 

Carta de 14 de Junho de 1880: 

«... Estive n'a resolução de sahir para ahi n'este vapor, mas, 
mau fado meu, deixo de o fazer. Careço sahir daqui. Estou, porem, 
velho, pesado e com accessos de hypocondria que me encommodam 
e impossibilitam, por vezes de sahir até de casa. E" o que me acon- 
tece ha duas semanas. Por mais projectos que faça, ao approximar- 
se a occasião, só sei pensar em encommodos e perigos ! » 



AKCHIVO DOS AÇOKES 21 

«Espero, porem, em Deus que ainda uma vez e a ultima, ahi irei.» 

«... Quando carecerá da minha cooperação no Archivo dos Aço- 
res ? » 

«Sobre o Vulcão de 1580 n"esta ilíia, o texto de Monte Alverne 
carece de grande correcção quanto á topographia . . . Queria visitar 
a principal localidade da manifestação do phenomeno. que vi ha mui- 
tos annos, e que fica quasi sobranceira a esta minha residência, mas 
falt.i-me a coragem. Parece-me que não será ainda para o N.° 7 do 
Archivo, que isto será necessário.» 

«A idéa do Centenário de Camões, (de que o Dr. Theophilo Bra- 
ga ha já 4 annos me fallou) vingou de um modo estrondoso, e supe- 
rior decerto, á expectativa d'elle próprio.» 

Carta de 14 de Julho de 1880: 

«... Do vulcão de 1580 n"esta ilha remetto a narrativa em la- 
tim e uns versos.» (*) 

«Do desabamento que aqui houve ultimamente na ponta do Topo, 
remetterei relação que já pedi ha tempo. (**) A ponta oriental da 
Ilha é muito sugeita a isto. Por occasião do terremoto de 1757, hou- 
ve n"este sentido cousas ainda mais espantosas.» 

«Sobre a passagem de Camões pelos Açores no seu regresso, di- 
rei, que por mais de uma vez tive pensamento egual ao seu. Apezar 
do facto geral de tocarem nos Açores as náos vindas da índia, não 
me parece que a náo S.'* Clara. n'aquella viagem tocasse, Couto enca- 
rece a brevidade da viagem desde Moçambique, mencionando a de- 
mora em S.*^ Helena. Se tivesse tocado em outro qualquer ponto não 
deixaria de o dizer. Demais: um dos fins da vinda pelos Açores não 
era só o auxilio das correntes marítimas, era também o amparo que 
achavam na Armada das Ilhas, que as vinha aqui esperar. Mas o tem- 
po da vinda d"ella era mais tarde e não em principio d'abril. Assim 
não tinha a S.'^ Clara rasão de vir n"aquelle tempo pelos Açores.» 

«... Agora mesmo proponho ao amigo Dr. Theophilo Braga a 
offerta da Memoria sobre a descoberta da Austrália pelos hespanhoes 
em 1545. E' um trabalho consciencioso, e que contém importantes fa- 
dos novos sobre o alcance das grandes navegações dos Hespanhoes 
no Pacifico, navegações que foram iniciadas pelo nosso Fernão de Ma- 
galhães e sustentadas ainda por outros portuguezes.» 

«Fazendo justiça á Hespanha, sustento era boa parte a nossa glo- 
ria.» 

«A questão da descoberta da Austrália, uma das mais importan- 



(•) Impressos no Vol. II, p. 192 e 193 d'este Archivo. 
(••) Infelizmente nunca se efFectuou a remessa. 



22 ARCHIVO DOS AÇORES 

les na historia das viagens e descobrimentos do século XVI, toma u- 
ma face nova, e, a meu ver, solida. Apezar de escripta com rapidez 
e em forma de apontamentos, segundo a sua indicação, vae dar um 
volume de 200 a 2o0 paginas.» 

«Se o Dr. Tlieophilo acceitar a offerta, em breve começarei a fa- 
zer-llíe remessas para a imprensa.» 

«Desejo que elle a faça proceder de um prologo em francez, para 
maior divulgação. Se este meu trabalho tiver boa acceitação, seguir- 
se-lhe-ha logo a Memoria sobre Gaspar Corte Real, e outra contendo 
vinte e tantos capítulos de observações criticas á Chronica de Guiné 
de Azurara; é este um trabalho audacioso e novo.» 

«Remetto o summario da Memoria sobre a Austrália, por que só 
por elle, me poderá fazer algumas indicações sobre o assumpto. » 

(O summario é tal como se segue:) 

Descoberta da Austrália pelos Hespanhoes em 1545. 

I 

«Alcance das navegações e descobrimentos marítimos dos portu- 
guezes e hespanhoes em ll9i. — O Tractado de Tordesilhas.— A gran- 
de difflculdade, no sentido puramente marítimo, do reconhecimento 
do Oriente pelos Portuguezes consistio em chegar até Moçambique. 
— D'ali em diante, até ás Molucas, caminharam guiados pela navega- 
ção dos Árabes. — Vasco da Gama attinge Calecut na costa occidental 
do Indostão em Ii98.— Diogo Lopes de Sequeira reconhece iMalaca 
em 1509— Albuquenjue conquista Malaca e manda reconhecer as Mo- 
lucas por António dAbi-eu e Francisco Serrão em I5II.— Descripção 
d'aquellas ilhas.— Demora-se Serrão nas Molucas até sua morte em 
I32I.— Sua amisade e correspondência com Fernão de Magalhães. — 
Sua errada apreciação da longitude das Molucas, supposta situação 
d'ellas nas demarcações de llespanha. — Magalhães passa-se ao servi- 
ço de Hespanha.— Audaciosa empresa deste navegador, e viagem de 
circumnavegação da não Victoria.— Conflicto que d^ella resulta entre as 
Cortes de Portugal e da Hespanha sobre o domínio das Molucas. — 
Expedição de Loaisa pela via de Magalhães. — Expedição enviada da 
Nova Hespanha e costa do Pacifico em seu soccorro, sob o commando 
de Alonso de Saavedra. —Capitulação de Saragoça sobre o negocio 
das Molucas, 1529.» 

II 

«Novas expedições áquellas regiões, partidas da Nova Hespanha, 
Grijalva e Alvaredo em 1537: Ruy Lopes de Villa Lobos, em 1542. 

«Ruy Lopes envia a pedir soccorro á Nova Hespanha, Bernardo 
de la Torre, pelo hemispherio do Norte, que arriba depois de um 



ARCHIVO DOS AÇOHES 23 

longo percurso. — Torna a enviar ao mesmo fim pelo hemispherio do 
Sul a D. Imgo Ortiz, Alferes mór da armada, no Galleão, S. Joani- 
Iho, que sahe de Tidor em ? de Maio de 1545.— D. Inigo Ortiz, de- 
pois de descobrir a costa oriental da Nova Guiné levado pela corren- 
te equatorial do Pacifico, descobre e reconhece a costa oriental da 
Austrália até aos "10 grãos austraes.— Outros pilotos Hespanhoes, ain- 
da no mesmo século estendem o seu reconhecimento mais ao sul e 
descobrem também o Estreito que hoje se denomina de Torres.» 

III 

«Continuação das grandes viagens dos Hespanhoes no Pacifico. — 
Qoelano descobre uma das Ilhas de Sandwich. 154á.— Cabrillo des- 
cobre a Nova Califórnia, 1342. — Miguei Lopes de Legaspi inicia a co- 
lonisação hespanhola nas Filippinas, 1564. — Aboim Mendanha de Nei- 
va descobre as ilhas de Salomão, 15G8.— João Fernandes (portuguez) 
descobre a Nova Zelândia.— Francisco Gali, outra vez Mendanha e Pe- 
dro Fernandes de Queiroz (portuguez).— Idéa de um continente aus- 
tral. João Rodrigues Coutinho (portuguez. irmão do nosso ameníssi- 
mo Chronista Fr. Luiz de Sousa) morre em uma expedição ás Ilhas 
de Cambale.» 

IV 

«A Ilha de Java, a Java maior e a Lucach de Marco Polo. A 0- 
phir-biblica. — As ilhas do ouro conforme as tradições dimanadas e 
recolhidas no sul da ilha de Sumatra. — Tentativas do seu reconheci- 
mento official nos reinados de D. Manoel e D. João III. — Reminiscên- 
cias d'ellas nos passageiros da náo S. Paulo em 1561. — Recrudes- 
cência d"esla legenda nos fins do século XVI.— Manoel Godinho Here- 
dia; defeza do seu caracter contra as injustas agressões do Sr. H. Ma- 
jor.» 

V 

«Os Mappas francezes de . . (?) e outros. — Expedições france- 
zas para o Oriente na primeira metade do século XVI. — Systema se- 
guido pelos portuguezes, hespanhoes e francezes no descobrimento 
de novas terras. Nenhum valor positivo, mas apenas systematico, d'a- 
quelles mappas. -João Affonso navegador portuguez ao serviço da 
França; e a sua Hydrographia.y 

Carta de 14 d' Agosto de 1880: 

«... A resposta que dei na minha ultima sobre a passagem de 
de Camões pelos Açores, foi ditada pelo que na occasião me occor- 
reu. Depois pensei, reflecti e mudei d'opinião. As manhãs dos dias 21 



24 ARCHIVO DOS AÇORES 

O 22 de Julho, empregnei-as em escrever uma breve memoria sobre 
o assumpto, sentlo o que mais me custou o precisar as citações. Não 
a remetto agora ao meu amigo, a quem é destinada, por que me não 
foi possível fazel-a pôr em limpo. Os argumentos em que me fundo 
equivalem a uma declaração positiva de Couto, de que elle na não 
S.''"* Clara e depois o resto da armada passaram pelos Açores. Mas 
Camões veio de Moçambique e passou pelos Açores na S.^^ Clara 
ou na Fé? Sigo esta ultima opinião.» 

«Porque não mencionaria o Dr. Theophilo Braga na sua Bibliogra- 
phia Camoiwana o Soneto de Fructuoso em louvor de Camões, que 
vem a p. 430 do Vol. I. do Archivo dos Açores?» 

«A propósito direi que muito folgaria ver publicado no Archivo lo- 
do o Livro V, das Smdfides de Fructuoso, que é breve, precedido de 
um estudo por aquelle escriptor, em que apreciasse Fructuoso como 
poeta, rotnancista e muito notável discípulo de Bernardim Hibeiro e 
de Christovam Falcão.» 

«Talvez que d'aquella historia dos dois amigos se podesse fazer 
brotar luz sobre a vida do Heródoto açoriano. Alma de poeta, e de 
poeta namorado, teve elle de certo. Tenho para mim que o nome de 
Saudades que deu á sua obra é imitação e respeito pelo mestre. Quan- 
do ha annos vi aquelles capítulos sobre a Verdade e Fama com que 
elle começa, publicados na obra de Álvaro Rodrigues de .\zevedo, lo- 
go o tive por discípulo de Bei'nardim, mas o índice d"aquelle L.° V, 
publicado no Archiio é que me veio confirmar e ampliar grandemen- 
te esta ídéa.» (*) 

«Agradeço a nota cartographica sobre Alonso de Santa Cruz. Pre- 
tendo approveital-n convenientemente debatida, como merece. Tem 
graça o tal cosmographo hespanhol ! Pedro Niuies mandando forjar 
cartas mentirosas para se venderem aos marítimos estrangeiros. (**) 
Seria Pedro Nunes algum adulteiador ? Seria como F. que forjou fa- 
ctos e documentos com a mesma facilidade com que F. fazia tambore- 
tes. Não o depenei por dó . . . Talvez fizesse mal em dei.xar de dizer 
a verdade inteira que em taes casos é de bem seja conhecida.» 

« . . . E" preciso ractificar o erro de data da lisla dos estudantes 
dos Collegíos dos Jesuítas, na pag. 17, Vol. II do Archivo. E' uma 
grande heresia na nossa historia litteraría e religiosa. Os primeiros 
Jesuítas em numero de 4, um dos quaes foi S. Francisco Xavier, só 
deram entrada em Lisboa era 30 de maio de looO. Appresse-se o 
meu amigo em oíferecer uma correcção no numero seguinte.» 



(•) liilelizmcnte os desejos do autor da carta, não poderam ser satisfeitos 
por não existir, em logar conhecido, copia d'a(iuelle Livro V, e não ser accessi- 
vel o MS. original ! 

(••) Refere-se ao que diz Navarrete— 0/)msc?//o5 T. II, p. 84, na biographia do 
dito Alonso de Santa Cruz (vej. p. 247 do Vol. II do Archivo dos Açores.) 



AHCHIVÕ DOS AÇORES 25 

«A propósito do documento (de pag. 24 do Vol. 11 do Archim) re- 
lativo a Ambrósio dAííiiiar Coutinho, indicarei uma engraçada his- 
torieta, que a respeito d'este homem, que Couto (lualifica de /idah/o dr 
f/rmidi' industria, conta elle: na sua Década 9. cap." 26. pag. mihi 
219, a respeito de uma rifa (jue elle fez na Índia, a prisão que ali se 
fez, para por este meio se desfazer facilmente da fazenda que levou, 
ijuando em 1574 ali foi por (Capitão Mór da armada d'aquelle anno. » 

«No próximo mez enviarei umas breves notas sobre o Vulcão de 
1580 n'esta ilha. Não me esqueci do que prometti sobre o desaba- 
mento de um lanço de terra no Topo ...» 

Carta de 14 de Setembro de 1880: 

«... No próximo paquete remetterei copia do termo d obilo do 
Bispo D. António Vieira Leitão: é curioso.» 

«... A memoria sobre a passagem de Camões pelos Açores es- 
tá, como disse, escripta e irá logo que seja posta em limpo. Accres- 
ce-lhe uma observação curiosa sobre a antiga e errada pronuncia do 
apellido Camões, em Camoez: d'ahi vem o pêro camoez !» 

«A pretensão de meu quinto e sexto avô. o Sargento Mór de to- 
da esta ilha, Amaro Soares, versava sobre a dada de certos empre- 
gos de justiça, cuja propriedade lhe foi com effeito conferida n'aquel- 
le mesmo anno de 1626.» (*) 

Carta de 18 d'Outubro de 1880: 

« .-. . A desgraça (*«) de D. Rodrigo da Camará, ultimo Conde 
de Villa Franca, teve causa politica, e disto ninguém me tira. Havia 
estado cinco ou seis vezes em Castella e era muito acceito a Filippe 
III. Na acciamação de D. João IV em S. Miguel, teve as conhecidas 
reservas. Senna Freitas, na M-^moria sobre o intentado descobrimento 
de uma ilha &^ diz que elle para vir em 1648, (se bem me lembro) 
governar essa ilha, teve de vencer intrigas palacianas. Mais de 20 ân- 
uos viveu o desgraçado (^onde encerrado; primeiro na inquizição e de- 
pois no Convento de S. Vicente do Cabo, no Algarve, onde morreo 
em abril de 1572, miseravelmente ...» 



(•)Rofere-se a iiina iiiinha coininanicação de que na l)il)lioHiei-,;i do Muzeu 
Britânico, de Londres, Bibl. Ed. :)23, foi. 135 e 161; e 324. foi. oS e 100 existiam 
umas cousultas do Couselho d'Estado sobre umas pretensões do dito Amaro 
Soares, Sargento Mór da ilha de S. Jorge. 

(••) Ser prezo e processado pela Inquizição em 1651. 

N.» 19— Vol. IV— !882 :{ 



26 ARCHIVO DOS AÇORES 

Carta de 13 de Novembro de 1880: 

«... Agradeço muito o exemplar da carta de Francisco Caldeira 
de Brito; é um documento curiosissimo ...» 

«... Não envio o trabalho que fiz sobre a passagem de Camões: 
por que o rapaz que o havia pôr em limpo, não tem podido vir, por 
doente.» 

«Ha dias escrevi outro estudo critico sobre os Doze de Inglateria, 
sustentando a veracidade do caso. e combatendo a authenticidade do 
Catalogo que hoje conhecemos e que parece fôra forjado pelo 2.° Con- 
de da Ericeira, D. Fernando de Menezes. Aponto ali, alguns casos se- 
milhantes entre porluguezes e mouros, assas notáveis.» 

Carta de 15 de Março de 1881: 

«... Tinha resolvido não escrever ao meu amigo sem lhe re- 
metter a Memoria sobre a passngeju de Camões pelos Açores jw seu re- 
gresso da índia. Posta em limpo, remetli-a o mez passado ao Dr. Theo- 
philo, com mais duas monographias, uma sobre os Doze de Inglater- 
ra, e a outra comprehendendo o Cancioneiro maritimo doesta Ilha. 
para que a lesse e a remettesse neste vapor ao meu amigo, para 
quem expressamente a tinha feito. Responde-me, avisando a recepção 
de tudo, que diz elle, vae entregar á publicidade. De certo não atten- 
tou bem no que eu lhe disse I . . . . Conclui ha dias a iranscri- 
pção de lodos os extracto^ e provas necessárias para a Memoria so- 
bre a deseoberto da Austrália, pelos hespanhoes. no estio de 1545 no 
galleão S. Joanilho, capitão D. Inigo Ortiz. Falta-me agora a redacção, 
que é trabalho que facilmente effectuarei, logo que me appareça a ex- 
pontaneidade precisa. O Dr. Theophilo quer publical-a na Era Nova. 
mas é trabalho que dá para um livro, e que se não pode abreviar. 
Tenho entre mãos um outro trabalho interrompido ha um anno. São 
uns vinte capítulos de Observações sobre o Infante D. Henrique e A- 
zurara a propósito da leitura da chamada Chronica de Guiné.» 

«Verei se no próximo vapor lhe remetlo o capitulo relativo a pro- 
var que esta foi retocada depois, e muito, da morte do Infante em 
1460. Alem dos argumentos, philologicos, emprego os chronologicos, 
que são incontrastaveis. Quero, em vista d'elles, ver se o meu amigo 
presiste em me contrariar ...» (*) 

«O trabalho sobre Bento de Góes é excellente (no N.° 9 do Archi- 
vo dos Am^es). Mas noto o silencio do Dr. Caetano d'Andrade a res- 
peito de Diogo do Couto, que nos fins da Década 12, tracta doeste 
celebre viajante e dos paizes que percorreo, opinando todavia pela 



(•) Longe de mim tal pretensão ! Unicamente expuntia duvidas, com o in- 
tento, de ouvir o mestre, e de estimular a inércia do amigo. 



ARCHIVO DOS AÇORES 27 

existência do Cathaio independentemente da China. São capitnios di- 
gnos de transcripçJío ou peio menos de honrosa menção. Foi o pri- 
meiro escriptor portiiguez. secular que fallou de Góes. (1) 

'< ... Se ao meu amigo approuver depois de concluido o Catalo- 
go dos Bispos d\\ngi"a. far-lhe liei umn Addcnda et Corri(jenâa, e pa- 
ra que o resto d'est i folha de papel não vá em branco, dir-lhe-hei já 
sobre dois prelados o seguinte:» (São os esclarecimentos a respeito de 
D. Manoel Alvares da Costa e D. Fr. Lourenço de Castro impressos 
no Arcltivo. Vol. II, pag. 372 e Vol. III, pag. G7j. 

«Hoje fecho por aqui. pedindo ao meu amigo me envie uma lista 
dos portuguezes cujas biographias se encontram nos Opúsculos pos- 
thumos de D. .Marlim Fernandes de Navarrete.» 

Carta de 15 de Abril de 1881: 

«Apreciei muito a nota sobre a Chronica de Guiné, mas quanto 
não folgaria saber se os e.xemplares da Bibliotheca de Muuich e de 
Madrid tem o retracto do de Faiis? ...» 

«Quanto ao que se diz na Clironica do Conde D. Pedro sobre Gon- 
çalo Velho, lembro-me de me dizer José de Torres, que a chronolo- 
gia da actividade ali referida se oppuLilia ao que d"elle se diz com re- 
lação a S.^* Maria, cl) O meu amigo deslindará este ponto.» 

«Eu não creio na actividade marítima do Infante (fora do que diz 
lespeito a Ceuta i em todo o tempo da vida de seu pae.» 

«E' isto objecto de um ou mais capítulos, das minhas Observa- 
ções.» (3>) 

«Remetto ao meu amigo seis exemplares do ultimo numero do 
Velense (xV." SS) em que vem um artigo meu, commemoraudo a accla- 
mação de D. João IV, nesta ilha. ^4) e a segunda edição do Folhe- 
tim sobre as Estancias omittidas por Camiões. Em um dos exempla- 
res vae aquelle artigo emendado, para o meu amigo usar delle co- 
mo quizer.» 

Carta de 13 de Maio de 1881: 
«... Para me não privar da satisfação de receber noticias suas 



(1) Não cabe ao Dr. Caetano cfAiidraLle a responsabilidade da lacuna apon- 
tada, mas sim, ao Padre Brucker, autor d'aquella erudita moriograpliia. 

(2) José de Torres de certo se eí[uivocou, por (jue na dita Clironica nada 
se encontra, que confirme a sua opinião. 

(3) Com a devida vénia tínhamos citado um lacto que contrariava esta opi- 
nião: era o apontaJo por Diogo Gjaus de Cintra nas Relações de Valentim 
Fernandes, sobre Gonçalo Velho ter sido enviado em 1416, pelo Infante D. Hen- 
rique, observar as correntes do Cabo Não. 

■ (4) Reproduzido no Archico, Vol. III, pag. 181. 



á8 ARCHIVO DOS AÇOKES 

no próximo mez, lhe escrevo esla: pois que me escassea assumpto 
para ella.» 

«Voltarei ao que disse com relação á opinião de José de Torres. 
Este era accêso partidário da originalidade da navegação portugueza 
no atlântico septentrional. Queria elle ver na Carla de licença para a 
povoação dos Açores, ao Infante, em 1439. um acto immedialamente 
subsequente á descoberta destas ilhas: e era para destruir o que se 
diz do descobrimento de S.'^ >]aria em 143á. que elle pretendia, que 
n'este anuo, e cerca d "elle, Gonçalo Velho, segundo o testemunho de 
Azurara, se achava de tal modo occupado com as cousas d Africa, que 
não tinha podido vir aos Açores. Parece-me ter expendido o pensa- 
mento de Torres.» 

«Antes e muito da descoberta de Gonçalo Vellio. creio eu serem 
os Açores conhecidos dos navegadores, portuguezes, calalaens, italia- 
nos Ã.^ Mas originalmcníc descobertos e em tão recente data (14''í:^ 
a 1439) é o que aguardo ver provado.» 

«Quanto ao (jue |)enso sobre a activiíJade marítima do Infante, em 
vida do pae. é porem um pouco largo e que expendeiei conveniente- 
mente, se tiver vida e saúde. A historia do grande utiUtario de Sa- 
gres, está tão prevertida, como a do próprio Sagres! Não sei qual 
d'ellas mais vergonhosamente í» 

«Estimei saber o que me diz de Pedro Fernandes de Queiroz (*) 
O anno passado encetou relações comigo um Sr. Z. Consiglieri Pedro- 
so, professor do Gurso Superior de Lettras. Insta-me para que lhe 
recolha aqui contos populares. Estou velho para isso. Comtudo quiz 
dar começo á colheita publicando-a no Vclmse. para ver se assim ob- 
tinha, que os rapazes que ali escrevem continuem o trabalho. No nu- 
mero de 8 de maio coirente sahiu o í." conto, e continuar-se-hão. 0- 
portunamente remetterei uni exemplar. Diz-me elle. que tem ahi u- 
ma sobrinha, e alguns contos ahi recolhidos ...» 

«Para satisfação do meu amigo, dir-lhe-hei que trabalho quanto 
os meus annos e encommodos o i)ermittem. Tenho entre mãos um 
trabalho mui importante, de que oportunamente darei conta ao meu 
amigo. Não tenciono levantar mão delle, apesar da preguiça do í"*- 
creventc. Por ora só lhe digo isto, [)or que a tanto me obi iga a leal- 
dade que lhe devo.» 

«João Rodrigues Coutinho figura na minha Memoria sobre a Aus- 
trália. Embargo o que o meu" amigo diz d elle (**) sobre o anno e 
morte em Angola, offerecendo-lhe o que a seu respeito diz o Bispo 
de Viseu, Lobo. na Memmia sobre Fr. Luiz de Sousa: no vol. 2.° das 
suas obras p. 103 e 104.» 



(•) Ter inventado e uzado da distillação da agua do mar, para dar de bebiT 
á tripulação do seu navio, durante as suas largas navegações no Pacifico. 
(••) No Archivo dos Açores Vol. II, p. 326. 



ARCHIVO nos AÇOhKS í2í) 

Carta de 25 d'Agrosto de 1881: 

«Da minha abslenção das cousas politicas é o meu amigo hôa tes- 
Ipuiuiiha ...» 

Carta de 14 de Setembro de 1881: 

«... Agradeço o seu cuidado ppla minha saúde, (|ue. gragas a 
Deus, tem este verão sido muito mellior. do que o foi no frio e hú- 
mido inverno passado ...» 

«Remelto os Jorgenses, em (|ue se imprimiu a Memoria do P." .Al- 
berto Pereira Rei, sinto não poder agora deparar com a copia, de 
«jue me servi, (pie não ha muito tempo \)\\i de mão, com notas, ex- 
trahidas. da (>orographia Poi tugueza, do Mappa de Portugal e da Or- 
denação, para lhe remetter. Ouerendo-a [)ublicar' no Archiin, deve 
mandal-a rectificar pelo exemplar existente na Livraria da Academia 
das Sciencias. donde foi copiada, por que a copia não me merece 
confiança, pois tenho lembrança de ler no texto o que não apparece 
neste . . . No entanto farei por descobrir as notas e noticia que es- 
crevi sobre o auctor. Vão mais alguns números do Jorgense e do Vt- 
leme por conterem coisas que gostará de ler ...» 

«No Veleme comecei a publicar uma serie dartigos que espero le- 
var até 30, com o titulo de Coisas Cnuioneanas, leia-os e moslre-os ao 
Sr. José do Canto. Haverá nelles vislumbre de novidade e plausibili- 
dade? ...» 

«Em tendo occasião hei de redigir-lhe um artigo sobie a Estatua 
Equestre do Corvo, em sustentação de Góes. com novos e importan- 
tes factos, sobre apontamentos que ha mezes coordenei." 

Carta de 13 d'Outubro de 1881: 

«O P.*" Albeito Pereira Rei, não é nome supposto icomo o aucUrr 
do Diccionario Bibliograpliico desconfiara.) Ha aqui repetidos docu- 
mentos da sua existência e vivenda, por largos annos. Como não ha 
pressa, em tempo remetterei uma nota a seu respeito, A.* ...» 

«Os trez primeiros documentos do N.° 13 do Archiro são impor- 
lanlissimos. Convém muito fazer explorar este veio dos Livros de 
Thomar.» 

«Porque não ha de o meu amigo tentar adquirii' do Conde da 
Praia da Vicloria a Fénix Angrense do P.*" Maldonado ? Isto é que va- 
lia bem a pena de publicar. O quadro que elle traça da sabida, apóz a 
capitulação de D. Alonso de Viveiros, da Fortaleza d Angra, é um 
primor ! Que respeitável e sympathico caracter-, vencido apenas pela 
fome ! Tudo é pequeno e lillipuliano em torno delle ! A publicação 
da Fénix seria um relevante serviço á historia açoriana. E" um livro 
escripto com tanta superioridade e tino litterario. que talvez seja úni- 
co na nossa lilteratura. sua contemporânea.» 



30 ARCHIVO DOS AÇORES 

Carta de 18 de Novembro de 1881: 

«... Há dias que faço cama. obrigado por um defluxo p por um 
frio glacial. Espero no próximo paipiele enviar a nota sobre o P." Al- 
berto, que suspeito natural da Urselina, d'esta ilha, por viver ali e 
nas Velas bastantes annos sem emprego, e ter ali havido no ultimo 
quartel do século XVH utn individuo dos seus apellidos, Domingos Pe- 
reira Key, se me não lembro mal. Em dois ou três processos de to- 
madas de contas de legados perpétuos, na .\dministração do Conce- 
lho, ha bastantes quitações de missas de sua mão e punho. Em tem- 
po pedi uma. que remetti ao Innocencio Francisco da Silva, em prova 
da existência real do tal sugeito.» 

Carta de 15 de Dezembro de 1881: 
«Desta feita vae tudo o que lhe posso dizer sobre o P.® .\lberto 
Pereira Rei. Elle mesmo vae à sua presença o mais pessoalmente 
que hoje o pode fazer, com a sua assignatura ! qiiod testetur riscisse, 
como (iisse Plinio. Vae lambem o Sermão pregado no Carmo de Lis- 
boa, nas exéquias de D. Fr. Barlholomeu do Pilar, por Fr. João de 
Santiago. Está troncado. faltando-lhe o epilogo. Tem merecimento e é 
opúsculo raríssimo, senão único: ao menos Innocencio não teve conhe- 
cimento real de outro, conforme em carta md disse. Parece-me por- 
tanto digno de ser reproduzido no Archiro. bem como as censuras e 
epigrammas. ijU'' o piocedem. O amigo o lerá no devido recato por 
que não é meu, e mo devolvera (|uando o julgar conveniente: bem 
como o caderno das (juitações de missas, que vae junlo com elle.» 

Carta de 14 de Janeiro de 1882: 

«Verei se me é possível, no próximo vapor ou uo immediato re- 
metter-lhe mais uma ajuda para as annotações ao opúsculo do P.® Al- 
berto. Também logo que possa escreverei a promettida nota em sus- 
tentação da existência histórica da Estatua Equestre da Ilha do Cor- 
vo. Ha factos históricos importantíssimos, (jue devem ser conhecidos 
e apreciados, para que a estatua equestre tenha nma solução racional 
e justa.-» 

«Esta Ilha do Corvo, disse-me em certo tempo o Drummond. é o 
pigmeu sobre as muralhas de Tiro! Parece-me que linho razão.» 

Carta de 15 de Fevereiro de 1882: (Ultima \) 
.... Para as annotações do P.'' Alberto, não me he possível re- 
metter'o que desejava, mas só um peijueno extracto de Heitor Pinto 
em confirmação do que disse com respeito ao preceito da Ordenação 
sobre bodos públicos, que os do Espirito Santo eram vulgares em 
Portugal no século XVI.» 



ARCIIIVO DOS AÇOKES IM 

«ll;i poucas semanas cuidei em escrever a pensada Memoria so- 
bre Gaspar Corte Real, mas desviou-me disso outro trabalho. O meu 
estudo versa apenas sobre escriptura e não sobre cartographia, por 
falta primaria d'esla. O í|ue notei de mais antigo, mas ua verdade de 
pouco valor, é o que sobre o assumpto diz José Silvestre Ribeiro, nas 
Resoluções do CunveJIio d' Estado Vol. 13 [). '202 e seguintes: e a cu- 
riosíssima nota de Varnhagem sobre o Altas de Fernão Vaz Dourado, 
impressa no T. III da Geographia de Vrcidhi, p. 494 e seguintes : 

«Quanto ao Cabot é mui importante o que tenho a dizer, princi- 
palmente em refutação ás altrevidas asserções de Biddle, que até a- 
gora tem, com grande vergonha nossa, passado como texto ! Nem o 
espaço nem a occasião. são oportunas para dizer mais. Tendo saúde, 
espero ter em poucos mezes occasião de redigir a memoria referida, 
por que a matéria foi em tempo estudada, e só agora careço refres- 
car idéas e fazer redação. ElTectuando-a pode o meu amigo mandar 
ahi fazer a impjessão, se o levar em gosto. Recebi do Sr. José do 
Canto a mimosa oííerta de uma traducção ingleza do \.° Canto dos 
Lusíadas ...» 

«Não tenho continuado a fazer- lhe a remessa das Coisas Camone- 
anas, por que saem muito cheias de erros lypographicos que as de- 
turpam muito e as tornam indignas de oíTerta. Em vista da perfei- 
ção dos trabalhos lithographicos n'essa Ilha, lembro a conveniência de 
publicar no Arc/iiro, a Carta que desta Ilha levantou em 1825, o Bri- 
gadeiro António Homem de Noronha, acompanhada da descripção que 
desta ilha elle publicou na Revista dos Açores Vol. I p. H3. Tenho 
daquella um exemplar pertencente a um amigo meu.» 



(Aqui ficou interrompida, pela doença, esta interessante corres- 
pondência, que a morte fatal não permitte jamais contínuar-se ! ! ) 



q^^ 

^ 



COLI.ECGÂO DE DOCUMENTOS 



RELATIVOS ÁS ILHAS DOS AÇORES 

( Fitrahidos do Arcbivo da Camará Municipal de Ponta Delgada ; 



Capítulos do Regimento de 26 de Junho de 1507 sobre 
a exportação do trig-o da Ilha de S. Miguel. 



...Por outro capitólio nos Jazeis sal)er (^ue os officiais da governança 
(las camarás das villas d'esla ilha tem por costume, tanto (pie vem o 
tempo (la ceifa, terem maneira como logno vendem seu pam que co- 
lhem e despois em camará ordetjam (pie os lavradores nem outra ne- 
nhuma pessoa vendam mais liiguo a mercadores nem outras pessoas 
sob grandes penas e isto por (jue os [)ovres lavradores por bem 
de suas provisões tam cedo recolher suas novidades e despois por bem 
das ditas posturas não no podem vender e os dam em menos presso 
aos mesmos ofeciais (pie fazem as ditas posturas os ijuaes despois no 
tempo das novidades lho tomam e revendem por grandes pressos e 
por isto ordenão em cada hum anuo e he em grande dano da prol 
commum, por si vendem e tiram ha liberdade a cada um de vender 
o seu próprio. .\ isto respondemos i|ue avemos por bem ijue cada 
um tenha liberdade de vemler o sen em qualquer tempo que quize- 
lem e lhe convier e não lhe possa sav pedido novidade pela camará 
pois pelo que se poderia seguir emconveniente algum da provisam 
da terra se toda a novidade se hduvesse de vender: por que a isto se 
proveja hordenainos e mandamos, que vos com os juizes e hofeciaes 
e três ou (juatro homens boõs do povo loguo como a novidade se co- 
messar (Tapanhar e em tempo que se possa saber pouco mais ou me- 
nos o i]ue cada hum pode aver de sua novidade ho orseis e vereis a 
soma do pam seria justo e nesse(;ario fiquar na terra para a poder 
abastar até ho novo, respeitando a jente que poderá haver nella e 



AnClIlVO DOS AÇOHES 33 

dando folga para aos que a ella podem vir de fora, e feilo disso ver- 
dadeiro e justo horssainenlo lio inais que se possa fazer, repartiram 
a dita soma por cada lavrador e povo da ilha segundo que verdadei- 
ramenle e sem afeiçam a cada um o que couber e pelo que pode 
colher e pela soma (jue ha cada um se liordeuir que leixe na terra, 
será constrangid(j |)ara o loixar e vender nella a quem o quizer com- 
prar e todo com as penas que bem vos parecer e acordardes, e todo 
ho mais que sobejar poderá cada hum vender a qualquer tempo que 
lhe convier e não lhe será nisto posto postura nem defeza algQa e 
lerão para ello liberdade por que liassi o avemos por bem, em este 
modo \u\yn já provida a terra e os lavradores nãu receberão agravo 
e isto se faça ein cada um anuo e asi mandamos que se guarde. Ho 
qual apontamento estava amtre outros muitos apontamentos damtre 
os quaes hos ditos (?) tirei, estavam assinados por eirei D. Manoel 
que santa gloria haja. com vista de dom António e paçado pella chan- 

cellaria. com os sinaes de AíTonso Gomes (?) e Pêro Lopes 

feito em Abrantes aos vinte seis de Junho de quinhentos e sete. 

(L.° 4.° de Rogisto da Camará de P. Delgada, foi. 47 verso, tras- 
ladado aos 2õ d' Agosto de 1528, pelo escrivão Bdchior Roiz, concerta- 
do com o Tabelliãn Affonso Gonçalves, e assignado pelos- Vereadores 
.João Roiz e Domingos Affonso.) 

Abaixo temem nota ter sido publicado ao Juiz Atfonso de Mattos e aos Ve- 
readores Manoel Vaz e Manoel do Porto e a Bartlioíomeu AtTonso, procurador do 
Concelho, no anno de 1329. 

Cliamava-se trigo do eixame a este que ficava para consumo da terra, locu- 
ção viciosa qne o costume consagrou; com mais propriedade se deveria dizer 
exame do trigo, como do alvará acima se ve. 



Alvará de 17 de Setembro de 1514, que manda os Capi- 

pitães das ilhas dos Açores- obedeçam ao Corregedor 

o Bacharel Jeronymo Luiz. 

Nós eirey fazemos saber a vós capitães, ouvidores, juizes, varea- 
dores, fidalgos, cavaNeiros, escudeiros e homens bons e povo das mi- 
nhas ilhas dos açores, que nós enviamos ahi por nosso corregedor 
com alçada a essas ilhas o bacharel Jerónimo Luys segundo o vereis 
pelos poderes que leva do dito officio, e por quanto da ilha em que 
elle estiver ade mandar executar suas sentenças o mandados asi nas 
outras, vos mandamos que cumprais e façais enteiramente com|)rir e 
d.ar a enxecução às ditas suas sentenças o mandados asi como em 

N.° 19— Vol. lY — 1882 5 



34 ARCHIVO DOS AÇORES 

elles fôr contheudo e o fareis [como) se elle presente fosse, na dita 
ilha onde a tall sentença e mandado for para se enxecutar. sem em- 
barguo de previllegio que vos lemos dado por serviços, e lhes nã<» 
cumprirão senão as sentenças e mandados que por nós forem assi- 
nados, por quanto em este caso o avemos por derogado, e cumpri-o 
asi. Feito em Lixboa a dezasete dias do mez de Setembro. Damiam 
Dias o fez, de mil quinhentos e qualorze. 

E estes serão aquelles que elle por bem de seus poderes e alça- 
da elle pode mandar, O qual alvará hera assinado por eirei nosso se- 
nhor e não era passado pela chancellaria. 

(L.° 4." de Registo da Camará de P. Delgada, foi. 23 verão, trasla- 
dado pelo escrivão da Camará João Roiz. em 1519.) 



Alvará de 23 d'Agosto de 1518, em que se declaram por 
suspeitos os Desembargadores das Ilhas, nas cau- 
sas sentenceadas pelo Corregedor Jerónimo Luiz. 

Nós eIrei fazemos saber a quantos este nosso alvará virem, que 
por algOas causas justas que nos a iso movem, por isto avemos os 
desembargadores das Ilhas em nosa casa da sopricação ver todos os 
casos de Jerónimo Luis. Corregedor em as nossas Ilhas dos Açores, 
asi nos seus próprios como em todas as apellações e egravos que dan- 
te elle vierem ao dito desembarguo quaesquer causas e parles que 
sejão e mandamos ao Regedor da dita casa que quãdo os ditos fei- 
tos, agravos ou appellações vierem dante o dito Corregedor ou que 
a elle toquem dê para isso outros desembargadores, que dello ajão 
de conhecer asi como ho farião os das ditas Ilhas se suspeitos não 
fosem, aos quaes por este mandamos que disso nã(» tomem mais co- 
nhecimento das sentenças (?) do dito Licenciado Jerónimo Luis que 
dante elle venhão, leixem conhecer aos que ho dito Regedor para is- 
so ordenar por que nós babemos asi por bem e hos damos por sus- 
peitos como dito he. Feita em Lisboa ía vinte três dagoslo, André 
Pires a fez. de mil e quinhentos e desoito. 

(L.^ 4." de Registo da Camará de Ponta Delgada, foi. H.^ 



ARCHIVO DOS AÇORES I{5 

Alvará de 23 d'Agosto de 1518, regulando o modo de dar 
os terrenos para cazas. 

Nós eirei fazemos saber a vós Capitães das Ilhas dos Açores, nós 
somos enformados que quando se as ditas ilhas começaram a povorar 
e depois se ordenou e apropriou aos differentes (?) concelhos certa 
contia de terra e chãos para nelles fazerem casas os que nas ditas 
ilhas qnizesera morar e povorar. e quem servir os ditos capitães por 
serem pessoas poderosas e que tem a jurdição, darem elles os ditos 
chãos. a seus criados e pessoas outras e a quem (juerem fazer bem, 
e mais daquillo que ão mister para suas casas, em tanta maneira que 
vão dar e dão de foro a outras pessoas, o que a nós não parece bem. 
e a que mandamos prover, por este mandamos aos ditos capitães ou 
pessoa outrem a que a dada dos ditos chãos por direito pertença, que 
d"aqui em diante não dem nenhum chão senão a pessoa que na terra 
e chão que lhes asi derem, ouver de fazer casa para sua própria vi- 
venda isto sem (?) lhe darem mais que ouver mister e pareça bem 
para a dita casa de sua vivenda e algum quintal ou esto e graneis 
para seu pam, sem o poder afTorar nem fazer outro partido delle, e 
se o afíorar ou fizer outro algum partido delle por este mesmo caso 
o perderão e se darão a outro com qualquer bemfeitoria que nelle 
for feita para nella aver de morar, e bem asi nos apraz que todos os 
chãos que até à feitura deste, se elles ainda não forem aproveitados 
em casas, se tomem ás pessoas que os tem e dei.\ando-lhe o que ou- 
ver mister para suas próprias casas, graneis e quintal, e visto como 
dito he. se ainda as não tem feitas o mais que ficar se dê a quem 
ouver mister para nelle fazer casas e graneis e quintal segundo aci- 
ma he declarado e ouver de uzar como dito he sem pagarem foro al- 
gum nem outra ninhuma cousa as pessoas a que asi forem dados e 
os tenhão. E mandamos aos Capitais das ditas Ilhas asi o cumprão, 
e quando asi o não fizerem, mandamos ao noso Corregedor -delias 
que depois de prequavidos os ditos capitães e não o fazendo nem cum- 
prindo este nosso alvará como se nelle contem, elle dito corregedor 
o façais cumprir entimando-o. e o trelado delle mande assentar nos 
livros das Camarás das ditas ilhas para saberem que asi temos man- 
dado de se cumprir. 

Feito em Lixboa a xxiij (28) d'agosto, André Pires o fez, de 
mil e quinhentos e desoito. Eu Johão Roiz escrivão da Camará que 
este Ireladei do próprio mandado dElrei nosso Senhor por seu al- 
vará assinado e passado pela chancellaria. 

(L." 4.° de Registo da Camira de Ponta Delgada, foi, 7 verso.) 



36 ARCHIVO DOS AÇORES 

Alvará de 1 de Setembro de 1518. para o Capitão de S. 

Miguel, continuar a dar as terras sem embargo do 

Corregedor ter authorisação para o fazer. 

Nós EIrei fazemos saber a quantos este nosso alvará virem, (|ue a 
nós enviou dizer o capitão da ilha de Sam Migel que elle linha por 
sua doaçam o poder dar as terras da dita ilha a quem lhe bem pa- 
recer e segundo as ouverem mister, e que elle nos disse lhe tinha- 
mos dado alvará e provisões conforme a dita sua doaçam, e que sem 
embarguo de tudo. o Corregedor Jerónimo Luiz se metera a dar as 
ditas terras, dizendo que era por meu mandado: e por que o que nis- 
so lhe tínhamos respondido seria por imformaç.io não verdadeira e 
sem elle dito capitam ser ouvido, e nos pedia que lhe mandássemos 
guardar sua doaçam e provisões nossas, e ser quem do dar das di- 
tas terras de nós tinha, e visto seu requerimento nos praz disso e 
por este mandamos ao dito corregedor e a outras quaesquer justiças 
e oíiciaes e pessoas a quem tocar. (|ue leixem o dito capitam dai as 
ditas terras segundo o por a dita sua doaçam e provisões nossas o 
pode fazer sem lhe irem á mão em cousa que em contrario d'isto te- 
mos passado pelo que sem embargo disto avemos no dar das ditas 
terras como se nella contem. Feito em Sinitra ho primeiro dia de Se- 
tembro, André Pires ho fez, de mil e (luiiilientos e desoilo. 

(L.° 4° de Registo da Cfimina dr Ponla Prh/adfi. fhl. 42.) 



Ordenação dos Navios da índia, 1 d' Abril de 1520 

D. Manoel d." A quantos esta nosa carta de ordenação virem fa- 
zemos saber que por quanto somos certeficado que das uosas náos 
quando vem da índia se tirão muitas mercadorias, e cousas antes de 
serem levadas a nosa casa da índia, conlia nosa defeza e Regimento, 
as quaes cousas se não achasse quem as comprase, guardase e ven- 
dese não averia quem as quizesse tirai- e por iso sei' cousa justa por 
o muito deserviso que diso se nos segue e asi averem graves penas 
aquelles que as sobreditas cousas ouverem e somente guardão como 
os propios que has trazem e tirão de nosas náos contra nossas de- 
fezas. pello qual ordenamos e poemos por lei e mandamos que qual- 
quer pessoa de qualquer calidade e condição que seja que algua cou- 
sa que da índia venha de qualquer sorte, que for possuidor e se ven- 



ARCHIVO DOS AÇOHES ^37 

(ler ou comprar antes de asi ser trazida e posta na dita Casa da ín- 
dia, posto que aquelle que as tiver ou as trouxer ou vender tenha li- 
cença nosa para as poder trazer e sem delias pagar direito algum, 
encorão pena de perdimento de toda sua fazenda asi movei como de 
raiz e mais seja quatio annos degradado para os nossos lugares d"a- 
lem; e o capitão e mestre da nosa náo ou navio se provar que algua 
cousa se tirou antes da tal náo ou navio de que for capitão ou mestre 
ser ancorado e pousado (?) davante a dita cidade {de L?.s6oa?jpagua- 
i'á o capitão a valia d'aquella cousa ou cousas que se provar que se 
asi tirarão da náo ou navio em qne vier por capitão e antes de sei' 
asi ancorado e [wusado deante a dita cidade: e o mestre em quatid 
dobro e quando bi não houver capitão, se este ouver mestre pagara 
o dito mestre ancorado como o dito capitão. Item delTendemos e man- 
damos que ninhuas pessoas das (]ue vierem nas nossas nãos e navios 
da índia, ou náos de mercadores que por nós sejão fretadas, não 
saia em terra em ninhua Ilha a que venhão ter so pena de perder, 
peio mesmo feito, todo seu soldo e ordenado que de nos aja daver e 
mais toda sua fazenda que na tal náo ou navio trouver e alem disso 
ser degradado dois annos para os nossos logares dalém, e açoutado 
sendo para em que ha dita pena d'açoutes caiba. E somente sairá 
bua pessoa de cada náo ou navio com asinado do capitão que na tal 
náo on navio vier para este aver todo o que fòr necessário asi de 
mantimentos como de qualquer outra cousa que necesaria lhe seja. e 
este quando asi sair será buscado, loguo em saindo, pelo noso Con- 
tador ou Corregedor se em a tal Ilha estiver, ou pello nosso almoxa- 
rife, não estando bi Contador nem Corregedor para se saber se leva 
consigo alguma cousa, e sendo-lhe achada se proceder contra elle com 
as penas sobi editas: e mandamos aos Capitães (ias Ilhas. Corregedo- 
res, Juizes. Justiças delias a que as ditas náos ou navios da índia vie- 
rem ter que [)rendão e mandem prender aquelles que em terra saí- 
rem das ditas náos e navios para serem punidos e castigados "segun- 
do forma desta nossa ordenação resalvando aquella que da náo ou 
navio sair em terra com alvaiá de licença do Capitão para proqurar 
e aver as cousas de que tiver necesidade o qual alvará a tal pessoa 
sempre guardara para por elle dar conta de sua saida e se não pro- 
ceder contra ella, salvo sendo-lbe achada algua coisa, como dito be. 
e não ho comprindo asi. os ditos Capitães. Juizes e Justiças manda- 
mos que carreguem sobre elles qualquer culpa em que forem acha- 
dos os sobreditos que asi sairani em terra contia nossa defeza e mais 
|)ague cada hum trezentos cruzados. 

Item defendemos e mandamos a quahpier capitão ou mestre de 
náo ou navio da índia que asi ás ditas Ilhas vierem que não estem 
bi mais tempo que até tomarem os mantimentos ou qualquer outia 
cousa que necessária llie seja para sua viagem não pasí^ando porem 
a dita estada de três dias salvo tendo necessidade tal ijue não possão 



38 ARCHIVO DOS AÇORES 

asi fazerem, posto Iragão manfJado do Capitão iVIoor que trouxer a 
frota para o averem de esperar tão bem por acharem novas que an- 
dão corsairos na costa ou em qualquer outra paçagem do caminho 
que ouverem de fazer das ditas Ilhas para estes reinos por que sem 
embarguo de todo queremos e mandamos que siga sua rota e faça 
seu caminho para Lixboa o mais em breve que poderem e quem o 
contrario fizer perdera lodo o seu ordenado da viagem e sendo pella 
ventura pessoa que não aja de aver soldo da viagem nem ordenado 
e que estivesse na índia e somente viese na tal não ou navio por ca- 
pitão ou delia trouxer o principal encarguo sem ordenado algum, 
perdera para nos tal soldo ou ordenado de hum anno do tempo que 
estivese na índia, e mandamos ao esprivão da tal náo, ou navio que 
faça assento em seu livro dos dias que estiverem nas ditas Ilhas e se 
mais se deliverão que os ditos Ires dias que mandamos e que ficarem 
a mais; pelo que para o sabermos e se proceder contra os culpados 
segundo forma desta nosa ordenação e a meilade de todas as penas 
aqui contendas, e avemos por bem que sejão para quem as cumpra 
e a outra para nosa camará, porem maniíamos ao noso Chanseller 
Moor que a mande pobricar em nosa chancellaria para a todos ser 
notório e se não alleguem inorancia e ao noso Juiz dos nosos feitos 
da índia o gurar [sio qu'í em tudo cumprão e bem asim manter em 
execução as penas delles naquelles que nellas encontrarem. Dada 
na nosa cidade dlívora ao primeiro dabril, Jorge Pires a fez, anno 
de mil quinhentos e vinte. Assignada por eirei nosso Senhor p trela- 
dada da propia por Johão Roiz escrivão da Camará. 

L." :/.'* de Registo da Camará d£ Ponta Delgada,, foi. 24 nerso.) 

Esta ordenação é aquella de que se tracta no Ke^>irnento de p. 29 do '.)." \o- 
lume d'esle Archmí. 



Alvará de 20 d' Abril de 1521, nomeando o Licenciado 
António de Macedo, para Gorreg-edor dos Açores. 

D. Manoel por graça de Deus Hey de Portugal .... fazemos sa- 
ber a vós Capitães, Juizes. Vareadores, Procuradores. Pidalguos, Ca- 
valleiros. escudeiros e povo' das nossas Ilhas dos Asores. que nós pe- 
la confiança que temos das letras e bondade do Licenciado António 
de Macedo e sentindo-o asim por nosso serviço o enviamos por nosso 
Corregedor a essas Ilhas dos Asores asi e pelas maneiras que ho de- 
vem ser e como sempre foram os outros nossos corregedores nas di- 



AUCHIVO DOS AÇORES 3Í> 

tas Ilhas e com aquelles poderes e alçada que leva por iioso alvará 
por nós asinado e nelle he conteúdo e que por ele vos será apresen- 
tado e notificado em Camará, porem vollo notificamos assi e vos 
mandamos que ho hajais poi' nosso corregedor dessas ditas Ilhas e o 
leixeis uzar do dito oííicio de Corregedor e poderes e alçada que com 
hele leva e lhe obedeçais e cumprais Áeu regimento, e mandados na- 
quellas cousas, em que elle por bem de seu Regimento de Correge- 
dor bade prover e intender e aí.sim naquellas em que lhe damos po- 
deres e alçada sem lhe nisso sef posta duvida nem embargo algum 
por que asi he nosso serviço e queremos que hele tenha de vos man- 
tenimento em quada um anuo com o dito oííicio oitenta mil reis os 
quaes por esta mandamos aos Veadores da nossa fazenda que lhos 
disponhão em cada hum anno em quanto no dito oíTicio de Correge- 
dor servir, em qualquer nosso almoxarifado das ditas Ilhas para que 
delle haja bom pagamento, o qual António de Macedo jurou em nos- 
sa chançallaria aos santos avangelhos que bem e verdadeiramente ser- 
virá e uzará do dito oííicio, guardando nos inteiramente nosso servi- 
ço e ás partes seu direito. Dada em nossa cidade de Lisboa aos 20 
d'Abril," Dioiíc Paes a fez: anno de 1524 annos (assignado por eirei 
com o visto de Dom Anionio, Chançarel Mór.) 

(L.** 4." de Registo da Camará de P. Delgada, foi. 27. t 



Alçada do Corregedor António de Macedo. 

Nós eIrei fazemos saber a vos Capitães, Ouvidores, Juizes, vreado- 
les. oficiais, fidalguos. cavalleiros, escudeiros, homes boõs e povo das 
nossas Ilhas dos Açores, que por avermos asi por muito nosso servi- 
ço e bem de justiça pai"a se melhor poder ministrar e servir em es- 
sas Ilhas por minha pessoa e direito das partes, ordenamos emviar 
la com nosa aisada o Licenciado António de Masedo. do qual confia- 
mos que as cousas de justiça fará e sirva como a todos seja guai^da- 
da e feita e nós sejamos servido em quamto la estivei' e lhe damos o 
poder e aisada abaixo decrarada. 

I Primeiramente nos casos crimes lhe damos poder e alçada em 
todo até morte natural e sobre escravos somente e neste e em quaes- 
quer quazos ficaram lendo fim e se daram em locaçam por juizes, 
e mandamos até a dita morte natural como dito he sem mais dele a- 
ver outra apelaçam nem agravo em casos crimeS; das pessoas dou- 
tras calidades dos ditos escravos para cima dará apelações e agravo 
para nós. 



40 AKCHIVO DOS A€0I{E8 

I Lhe damos poder que possa degradar e eiiiprazar fidalguos ca- 
valleiros, escudeiros, (juamdo por suas culpas com direito achar que 
devem ser condenados uas ditas penas de degredos e emprasameutos 
hos quaes degredos serão para as partes dalém até dez aunos somen- 
te, e assi poilerà apenar hos sobreditos em penas de dl.° [direito) até 
a comtia de truiita cruzados hos quais dará ha enxequção sem apla- 
cam nem agravo. 

I Nos feitos eiveis lhe damos poderes he alçada até comtia de vin- 
te mil reis sem dele aíé ha dita soma aver unis aplações nem agra- 
vo e queremos e nos praz que até ha dita comtia faça em ele fim e se 
dem á enxequção suas Sentenças e dahi para cima dará aplacam e a- 
gravo para nós. 

I Lhe damos poder que possa dar cartas de seguro em quazos 
de resistências (? > e feridas habertas sem embargo dos trinta dias 
nã(j serem passados e mesmo em (juazo de morte, posto que hos 
seis mezes não sejão passados. 

I E ho mesmo lhe damos poderes que possa dar cartas de segu- 
ro terceira vez depois de hos seguros deles tomarem e os quebra- 
rem, esto por qual(|uer qiiazo em (jue hos quebiarem. 

I Se alguas aplações de feitos de justiça vierem das hoiitras Ilhas 
a ele has poderá despachar formalmente (juabendo em sua alsada e 
(juerendo has partes vir ho dito António de .Macedo. 

I Por que sempre nos praz que hos despachos das cousas das 
Ilhas sejão com toda brevidade despachados avemos por bem, e que- 
rendo as partes, que alguas apelações ou agravos de cada hua dessas 
Ilhas que iiaja de vir seguir, louvar-se no dito António de Macedo pa- 
ra lá por elle serem ouvidos e despachados nos feitos das ditas apela- 
ções e agravos, tome ilelles c.^" (conliecimcnío) e ouvidas as partes has li- 
vre e despache como com justiça lhe parecer sem mais outia apelaçam 
nem agravo, e isto se entendera não passando da alsada que lhe da- 
mos assi no sivel como no crime, por que quando em maior comtia 
de dinheiro, ou calidade de pessoas no crime forem não averá isto lu- 
gar e isto louvando-se todas as partes assim reos como autores nele 
dito Amtonio de Macedo: porem no sivel avemos por bem que faça 
nele lim em (]ualquer comtia que for, sem mais apelação nem agra- 
vo louvaudose as partes uelle. 

I Porem vos notifiquainos por este presente, ho poder e alsada 
(jue assi lhe damos e vos mandamos que dele ho leixeis huzar em to- 
do e por todo como haqui he decrarado e lhe não ponhais a iso du- 
vida nem embarguo a!gum por que assim ho avemos por nosso ser- 
viço e bem de justiça e mandamos ao dito António de Macedo que 
deste poder e alsada que lhe asi damos huze emteiramente asi bem 
como dele comfiamos. Feito em Lisboa aos vinte diasdabril, Diogo (?) 
Pais (?) ho fez.. de mil e quinhentos e vinte hum. 

§ Lhe damos poderes, que conheça de todalas causas novas sem 



ARCHIVO nos AÇOKES 41 

iinltnrgiio de pelo Regimento e onleiíaçílo os Corregedores, não po- 
derem conhecer delas e o qne acima dizemos acerqua das apelações 
e agravos, decraramos qne se enl^^nda na maneira seguinte: S. (sa- 
ber) (jne todas fjas apelações e agravos da ilha em (jiie hele Correge- 
dor estiver em qnamto nela for presente vam a ele direitamente, das 
apelações das outras Ilhas iram a elle pela maneira sobredita S. Quan- 
do as partes ambas forem contentes e dos agravos, por que não se 
IragSo se não por hua das partes, poderá o dito Amtonio de Macedo 
conhecer delles e despachalos ipiando (juer que ha parte agravante 
lio requerer e por isto (jue acima digo que terá alçada sobre pessoas a- 
te morte natural avemos poi' bem ipie isto se não entenda senão so- 
bre escravos .«íómente. lios quaes apontamentos heram assinaiios por 
*'lrei nosso senhor e passados pela chanceleria. 

§ Por que somos emformados (pie ho poví) dessas Ilhas recebe 
opreção eni lhe levarem os (Corregedores seus feitos de hua ilha pa- 
ra a outra avemos por bem e vos mandamos que não leveis nenhuns 
feitos de hua ilha para outra salvo sendo crimes de muita sustamcia 
e que vos pareça que haja uessecidade de se levarem e irem com- 
vosco. 

§ Avemos isso mesmo por bem e vos mandamos <jue não tomeis 
t-onhecimento nem emtendais em nenhuns feitos que já forem findos 
por sentença dos Capitães ou de seus ouvidores, salvo sendo uessesa- 
rio para desagravar outros feitos. 

I Nos praz e queremos que não mandes citar nenhuma pessoa, 
por christão novo nem seja demau.lada se não na villa honde viver 
ou de cujo do termo for. p(jr que nsi av 'mos por noso serviço, ou até 
cinquo léguas. 

I Primeiro que huzeis da jurdiçam na Gamara de cada VHIIa, mos- 
trareis hos poderes que de nos levais e na Villa homde cada Capitão 
estiver ira ha Camará para ver a pubriquaçam dos ditos poderes e não 
estando hos capitães na primeira vila em que chegardes lhe manda- 
reis notificar' para que venha estai' á dita pobriqiiaçam. Simão de Ma- 
tos ho fe?, sete de maio de mil e quinhentos e vinte hum ânuos. Os 
quaes apontamentos eram asiuados por Sua Alteza. 

I Nos eirei fazemos saber a quantos este nosso alvará virem que 
por a muita confiança que temos do Licenciado António de Macedo 
que nos serviços de (}ue ho encarregarmos nos servira e dará de si 
bõoa comta ho enviamos por noso Corregedor às nossas Ilhas dos .\s- 
sores e por alguns respeitos que nos movem praz iios que elle aja em 
qiiamto no dito carrego nos servir, de assinaturas dos feitos que de- 
vão ser uaipiela própria forma e maneira que lio sam e levão por no- 
so Regimento nossos desembergadores. do qual Regimento ell levará 
o trelado assinado per ho nosso chamçarel m oor e asselado de nos- 
so selo |)ara por elle servir, e irio levará da«; ijitas assinaturas mais 
que o que por elle mandamos que se levem, porem lhe mandamos dar 

N." lí)-Vol. IV— I88Í2. fi 



42 ARCHIVO DOS AÇORES 

disso este alvará por nos asinado pelo qual poderá liuzar e levar has 
ditas assinaturas como dito he. Mandamos aos Capitães. Juizes e Ou- 
vidores e todos outros oíTeciais e pessoas das ditas Ilhas que lhe não 
ponham a isso impedimento algum. pf)r que assim no§ praz. Feito em 
Lisboa a vinte e quatro dias do mez de abril, Diogo Jacome ho fez. 
de mil e b.*^ (õOO) e vinte hum annos. 

(L." 4.*^ (Ic Rt^gisto iln Camará de P. Delgada, foi. 28 a Hl rimo.) 



Alvará de 8 de Maio de 1521, que prohibe o Capitão de 
entrar na Camará. 

Juizes, Vareadores e povo do concelho da Villa Franca do (lampo 
da nossa Ilha de Sam Migel: Nos KIrei vos enviamos muito saudar: 
n(fS soubemos ora como o capitão d'essa Ilha vai estar nas Camarás 
dessas villas delia sendo contra nossas defezas, que nenhus capitães 
não vam ás camarás por (jue nos o não avemos por nosso serviço 
ho (jue mandamos (|ue loguo lhe uoliíiijueis da nossa parte que a cer- 
to tempo nos emvie quaesquer provisões nossas que tiver para ir 
ás ditas camarás e posto que tenha as ditas provisões, avemos poi 
bem (|ue quando a ellas for não tenha mais de bua so voz como qual- 
quer dos oíTiciais das ditas Villa>, e as ditas [)i'ovisões nos mandara 
mostrar de nosso capilam: e tanto que lhe esta notificardes, a fa- 
reis treladar no livro da Camará dessa Villa e a mandareis ás outras 
Villas dessa Ilha para saberem como lhe asi mandamos e a trelada- 
rem isso mesmo em seus livros das Camarás: e posto que lhe concede- 
mos as ditas piovisões todavia avemos por bem. que não tenha mais 
que bua voz como dito he. Fsprila (escrita) de í.ixboa a biij iS) de 
maio, Simão de Matos a fez. de in2i annos. 

(L." 4." (ic Registo da Camará di- PoiUa Delgada, foi. HH rcrso.) 



Alvará de 1 de Julho de 1521. para o Corregredor Antó- 
nio de Macedo vir á ilha de S. Miguel, fazer certa di- 
ligencia sobre as atafonas que o Capitão é obriga- 
do a fazer em Ponta Delgada. 

Corregedor António de Macedo, nos eliei vos enviamos muito sau- 



AUCHlVtl DOS AÇORES í.t 

liar. Aiiilre o Capilãu da illia de Sain Migell e os moradores da Ponta 
Delgada ha diferença sobre certas atafonas que o dito Capitão por huas 
seiUenças he obrigado de as dar feitas em certo tempo: e por que o 
dito Capitão diz que as tem feitas e os ditos moradores di^em que as 
não fez: e nós (|ueremos saber o certo disto por vós, vos manda- 
mos (]ue loguo tanto que esta virdes se na dita ilha não estiverdes 
vades a ella e vede ha sentença que por ho dito Capitão foi dada a- 
cer-qua das (htas atafonas e asi os alvarás do mais tempo i\ue lhe de- 
mos alem do tempo deciarado na dita sentença, que vos ho dito Ca- 
pitão mostrará, e assim vede as ditas atafonas que o dito Capitão diz 
(|ue tem feitas e as bestas com (jue hão de moer e o tempo em que as 
aipiabou e fari-is auto de tudo em que decrarareis o tempo que as a- 
cabou e assi o tempo dos dilos alvarás e sentença e alem dos ditos 
autos, nos enviareis por vosa carta dizer ho que ouvires asserqua dis- 
so, e feito no lo enviareis com ho trelado de tudo o que virdes que he 
nesseçario para sermos certo da veidade para tudo vermos e sobre o 
caso mandarmos o que nos bem e justiça parecer, e isto fareis com 
os escrivães dante vós estando eles a tudo presente e dando fé do 
que virem: cumpri-o hasi com toda a deligencia por que cumpre hasi 
a nosso serviço. Feito em Lixboa ho primeiro dia de .lulho, André 
Pires o fez, de mil e b*^xxj (lõ21) anos. 

[L." 4." de Heqisto da Camará de Ponta Delgada, f. S2.) 

A péssima e ii-regulai-issima letra do escrivão Belchior Roiz dá logar a du- 
vidas f|ae se indicaram com os pontos d"iiiterrogação. 



Carta de D. João III, de 3 de Março de 1522. permittindo 

se desse a Agostinho Imperial o traslado d'uma 

Carta de D. AíFonso V, a favor da ilha de 

S. Mig-uel. 

Dom Joam por graça de Deus rei de Portugal aos que es- 
ta nossa Carta virem fazemos ha saber que ha nos dise Agostinho 
Imperial que a ele compria e era nesesario aver da nossa Torre do 
Tomijo o trellado de hum previlegio (|ue foi dado á Ilha ú^ São Mi- 
guel, pedindo-nos por mercê que lhe manilassemos dai' nosso Alvará 
para lhe ser dada a mesma nossa caita em publica forma: e nos vis- 
to seu reijuerimento e a nesesidade que nos afirmou que do dito 
previlegio linha, nos haprouve a velo e lhe mandamos dar nosso alva- 
rá por nos assinado e é este de que o seu teor tal he : = Nos KIrei 



4Í ARGHIVO DOS AÇORES 

mandamos a vós Hny de Pina noso croiiisla [sic) mór e guarda moí- 
da nosa Torre do Tombo, ou a quem voso carego tiver que deis a A- 
goslinlio Impirial ou a seu serto recado o Irelado de quaesquer pre- 
vilegios das nossas ilhas dos Asores que nos requereo, o qual lhe da- 
reis assinado por nos he aselado quom o selo das nosas armas para 
Fazer emteira lee, cumpri-o asi. Feito em Lixboa a três de Marso. Si- 
mão de Melo (?) a fez, de mil quinhentos vinte dons. 

Ho qual alvará foi apresentado a Tomé Lopes noso esprivani da 
Camai'a que por noso mandado tem careguo de guarda mór do dito 
Tombo he em compiimento delle fez buscar em o dito Tombo ho dito 
previlegio por Fernão das Naves (?) que na ausência do esprivam do 
dito Tombo serve o dito oficio, que ho busquou e achou em ho pri- 
meiro livro das Ilhas, do qual o teor tal he: 

Dom AHonso {scijua cractawentfí a Carta de 20 d Abril de 1447 qw 
foi publicada na pag. 6 do primeiro volume doeste Archivo) O qual pre- 
vilegio asi achado no dito livio e o dito Agostinho Imperial nos pydio 
por mercê (pie lhe mandássemos dar o trelado delle em hua nosa 
Carta, poi' canto lhe era nesesario e se entendia dela ajudar, como di- 
to he tí nós a seu requerimento querendo lhe fazer graça e mercê lhe 
mandanjos dar em esla nossa Carta hasi e pela maneira que no dito 
livro ê estante e como esla faz mensão e asi mandamos que lhe dem e 
facão dar tão comprida fê como ao próprio do dito livro ()or canto foi 
com elle concertada sem duvida nem embarguo algum que a elo po- 
nham. Dada em a nosa cidade de Lisboa vinte dias de Marso. ielrei o 

mandou, a que tem careguo de Guarda Mor do dito Touíbo. 

Fernão das Naves (?) (jue por Bastião Tomaz esprivam do dito Tondio 
a fez. ano do nacimento de noso Sui'. Jhu Xp." de mil (piinhentos e 
vimle dous. Tome Lopes fez este trelado que treladou de hua Cai ta de 
pergaminho com selo pendente: a qual estava asinada ao pê por To- 
me Lopes e registada na chãoçalaria. e íiquou a(]ui este Irelado na 
(>amaia desta Villa tirado da propia, a (piai proi»ria leva Salvador A." 
(Affonso) (jue vai por procurador d'esta ilha a Portugal por lhe la 
sei' nesesario ao que vai requerer. 

(L." 4." d£ Registo da Camará de Ponta Delgada, foi . 101 verso. j 



Alvará do Bispo do Funchal, nomeando João Pacheco, 
Visitador das Ilhas dos Açores. 1523. 

Dom Diogo Pinheiro por mercê de Deus e da Santa Madre Igreja 
de Roma Bispo do Fumcball e Primaz da índia do Conselho delrei 



AttCHIVO DOS AÇOHKS 45 

nosso Suf. e seu desembargador do pa^o e petições, priol de Santa 
Maria dOliveira da Villa de Guitnarães d,\ a (pianlos esta nossa car- 
ia de comissão e poderes virem saúde em Jesus Clirislo, fazemos sa- 
bei' (|ue confiando nós na bondade e desciiçam de João Pacbeco, Ca- 
pHlIão dElrei nosso Snr.. Vigaiio e Ouvidor por nós na Ilha Terceira 
na parte dWmgra (jne nisto o faça bem como cumpre a serviço de Deus 
e nosso e por bo (jue delle conhecemos no carrego que de nós teve 
de Vigário Geral nas partes da Índia onde a Deus nosso Snr. e a nos 
fez muito serviço, ho fazemos ora nosso Visitador em todas as Ilhas 
dos Açoies para o qual lhe cometemos nossas vezes e poderes, e que- 
remos que nze na dita visitação assim e pella maneiía (|ue nella u- 
sou Vasco Afonso, ipie Deus aja no tempo que por nosso mandado vi- 
ziton as ditas ilhas |)or que assi o avemos por bem e descai rego de 
nossa consciência (jue o dito João Pacheco ho fará na maneira que dito 
he no espritual e temporal e por esta nossa carta encomendamos e 
mandamos a todos os capitães, corregedores, ouvidores e vigários e 
oficiais nossos e pessoas assi ecresiasticas como seculares, em virtude 
de hobidiencia e sob pena de e.xcumunhão que obedeção ao dito João 
l*acheco e o conheçam por nosso visitador e cumpram seus mandados 
om todo o que a nós locar, por quanto asi o avemos |)or bem. Ho 
(jnal jurou em nossa chancelaria de ho fazer bem e verdadeiramente 
sobre o qual nós encarregamos sua consciência e desencarregamos a 
nossa. Dado em ho mosteiro de Sam Bento da Paz da (lidade de Lis- 
boa sob nosso sinal e sello. aos xij (12) dias do mez de Fevereiro. 
Simão Alveres por António do Canto, ho fez, de mil b.'' xxiij (1523). 

[L.^ 4." de Retjido da Camará de P. Delgada, foi. 36 verso.) 



Alvará de 2 de Setembro de 1524, sobre a eleição da Ga- 
mara de Ponta Delgada. 

Eu Ehei fasso saber a vos Ruy Gonçalves da Camará Capitão da 
minha ilha de Sam Migel. que eu sam enformado que os ofeciais da 
Villa de Pomta Delguada tem hu meu alvará para que elles por si. 
sem o Corregedor nem Capitão possão enleger em Camará seis bo- 
rnes bons para regimento da Villa, e por ()ue eu não hei por bem (jue 
ahi aja hos ditos homes |K)r serem lira(Jos dalguns lugares de meu 
Reino bonde os avia, vos mando que não consintais que se a dita en- 
leição fassa dos ditos homes. e aos ditos ofeciais ma!ido histo mesmo 
(|ue ha não fassão: somente se fará enleissão de Juizes. Vreadores. 



4(5 AKCHIVO nos AÇOHES 

Procuradores dos misteres para rei|nerereni por parte do povo miú- 
do o que tofjuar a sua justiça, a qual euleissão faram segundo for- 
ma das minhas liordenassões com lio Corregedor quando hi estiver 
ou com vosco se o Corregedor hi não estiver, sem embarguo de qual- 
quer provisão que tenhão para fazerem .a dita enleissão por si sem 
vos nem o dito corregedor serdes presentes, e vós mandareis pobri- 
car este aos ofeciais da dita Villa, e pôr ho trelado delle no livro da 
Camará delia |)ara se saber como ho asi tenho mandado, e se cum- 
prir enteiramente. feito em Évora a dous dias de Setembro, Cosmo 
Roiz ho fez, de quinhentos e vinte quatro. 

.\o Capitão da ilha 
de Sam .Miguel .... 

rL.° 4." ãc Rf'f)is(n da Ounara (k Ponta Delgatia, foi. S7. trasUuki- 
ila por Belchior Hniz. Escrirão da Camará, rõnccrlada com Pêro Ve- 
lho^ Tabclliani, e os Juizci f Vareador Fernão do Quintal. Ah aro ( ? ) 
Pirrs f fíuf/ Va: ( ? i 



Alvará de 1 de Setembro de 1525. para se dar aposenta- 
doria a António Borg-es, Contador. 

Cu KIrei mando a vos Corregedoí". vareadores e oticiais das mi- 
nhas Ilhas dos Assores. que em «juamlo .\ntonio Borges, Cavaleiro 
Fidalgo de minha caza, andar nas Ilhas de baixo. ( * ) servindo de 
Qomladoí' a que hora vai, lhe prestareis de graça camas, pouzadas 
asi como se deu a António Riquo e a Pêro Leitão que lá servirão a 
(iita Oomtadoria e embarquaçõis e todo o mais que lhe for necessário 
|)aguará segundo costume e estado da terra. Notifico- vo-lo ha si. Fei- 
to em Tomar ao primeiro dia de Setembro, Vicente Fernandes o fez, 
lo25 anos: e eu .lorge de Figueiredo o fiz e.screver. O qual Alvará 
hera asinado por eirei nosso Sr. 

(L." 4° de Rpf/isto da Camará de P. DeU/ada, foi. 41.) 

De Autoiíio Borii'L'.>í já áe tratou no pi^iineiro volumo ifestc Archiio, jj. 116 o. 
2â8, o no terreiro vo|. p. .38, 41. e ii. 



I-) Esta designação relere-.-ie ao> dois grupos eeutral e occiílental dos Aço- 
res, e mostra que o seu uzo é (l'antiiia data einpreífado. mesmo nfficlalmHiite. 



AHCHIV(» \n» Atuiu. 



Carta de nomeação de Fr. Marcos de Sampaio para Ouvi- 
dor de S. Mig-uel. de 13 d'Oiitubro de 1525, pelo Deão 
e Cabido da Sé Vaga do Funchal. 

.Mestre .Niiiii) Caiu adayam da Sé da Cidade do Fiinclial. piovisoi 
e vignariu jeral e as deuidades, coniguos, cabido da dita sé a ora a- 
vaguamte; a quamlos esta nosa carta for mostrada, saúde em Jhas 
Xp.° qne de todos hé verdadeira salvação, fazemos sabei . que con- 
fiando nós na bondade e desquerição de Marquos de Sam í^aio vigua- 
rio da igreja princi[tal da Villa Fran(|ua do Campo da Ilha de Sam 
Miguel que lio fará bem de modo como compre ao serviço de Deus. 
ho damos hora por ouvidor do iclesiastirjuo em toda a dita Ilha de 
Sam Miguel asi e pela maneira que ho elle dever ser e como foi Frei 
Simão Godinho seu amtessesor e isto fará bem. por quanto eirei noso 
Sni'. he disso contente segundo ho vimos por hua caila que nos es- 
preveo, e por esta mandamos em virtude de obediência e so pena de 
escominhão. a todollos moradores da dita Ilha e pessoas eclesiasli- 
quas como seculares e ofeciaes eclesiastiquos (jue lhe obedesão e cum- 
prão seus mandados e do seu serviço, outro não. Ho que confirmare- 
mos (sí^) jurar aos santos avangelhos que bem e verdadeiramente sir- 
va ho dito oficio guardando ho serviço do prellado e ás partes seu di- 
reito segundo has instrncções: em testemunho de verdade, lhe man- 
damos dar esta nosa carta. Dada na Cidade do Funchal aos treze dias 
do mez de outubro (?), Francisco Vieira esprivão ha fez de mil b'^xxb 
annos {lò2ò] E pollo adayam estar doente assinou por elle Vasco Pi- 
res, tezoureiro, que tem seus cairegos. em n(jme do cabido. Lucas Al- 
vares proto-notario e chantre, presentes em o dito Cabido, e vae sel- 
lada com o sello delle. Em quanto a sé for vagua dará apellacam e a- 
gravo para este Cabido nos cazosem que o direito outorgua. 

(/>." 4." de Registo da Camará de P. Delgada, foi. 40.) 

Esta rarta i^ aquella a que se refere a nota 6 de pag. 65 do Vol. \l, d'este 
Anhiro. 



Carta de provimento de Ayres Pires Cabral, Corregedor 
dos Açores, de 28 de Março de 1531. 

Dom Johão por graça de Deus rei de Poitugal à.' faço saber a 
vós meus capitães, ouvidores, juizes, vreadores e ofeciais. fidalguos, 



Í8 ABCHIVO DOS AÇOUES 

cavalleiros. escudeiros e povo das minhas iltias dos Asores e a (jiiais- 
(jiiei' outros ofeciais e pessoas a quem esta minha carta for mostrada 
e o conhecimento delia com direito pertencer, (jne confiando eii das le- 
tras e siencia do Licenciado Ayres Pires Cabral avendo respeito aos 
servisos que delle lenho recebido e espero receber e que de tudo ho 
que ho encaregiiar me hade servir bem e fielmente como a bem de 
lie justiça e meu serviso'"con)prir, querendo-lhe fazer graça e mercê 
tenlio por bem e ho envio hora por meu Corregedor ás ditas Ilhas asi 
e pela guisa e maneira que ho elle dever ser e ho era o L.''" Domin- 
guos Guarcia que ho dito oficio antes delle tinha, com ho qual a verá 
de mantimento e hordenado em cada hum anno hoitenta mil reis pa- 
gnos ha custa de minha fazenda e porem mando aos veadores delia 
que lhe facão assentar' os ditos oitenta mil reis nos livr-os da dita fa- 
zenda e lhe dêem provisam corno delles averá em cada hum anno bom 
pagnamento: e mando aos ditos capitais, ouvidores, juizes, ofeciais e 
pessoas a (jue esta minha Carta for mostrada e ho conhecimento del- 
ia |)ertencer qrre hajais daqui em diante ho dilo L.*^" Ayres Pires por- 
Corregedor' drs ditas ilh.is dos Asoits e o leixeis servir e huzar' do 
dilo oficio segundo forma de seu regimento e dos poderes e alçada 
(jue tinha e com que servia ho diU> Dominguos Guarxia e em lod(j lhe 
obedeçais e cumprais seus juizos e sentenças segundo forma do dito 
regimento e alçada como tfito he sem a ello lhe pordes duvida nem 
embargno algum por' que nssi Ihi; faço do dito hoficio merxê na ma- 
neira sobr'edila. lio qual L.''" Ayres Pires jrrrará na minha chançalla- 
ria. aos santos avangelhos que bem e direitamente e sem rrenhuma a- 
feição sirva e huze do dito oficio guardando em lodo ho servisso de 
Deus e meu e o direito das parles. Fernão da Costa ha fez em Pal- 
mella a xxiij (.2?) de mar'ÇO> ^nno dd nacimento de nosso Sr. .Ihus 
Xp.° de mil i]uinhenlos trinta e hum ânuos. A qual caria em per'ga- 
minho era assignada por eirei 

(L." 4." (ie Heyisto dxi Camará á^ Ponta Delgada, foi. õl.) 



Alvará de 31 de Julho de 1532. permittlndo a Gonçalo do 
Reg-o, Juiz dos Orphãos. fazer-se substituir. 

Couí^e de Linhares primo amigo, segundo voso car^eguo de cham- 
xarel mòr do rnestradij de nosso Snr. Xp.'" Jesus Chnsto) temos e 
ei por bem que Gonçalo do Reguo. juiz dos orfaos na Villa da Pomla 
Delguada ponha por si pelo tempo de dois ânuos somente hiia pessoa 
auta ^apía] que por' elle sirva ho dito otricio de juiz dos or^fãos na di- 



ARCHIVO DOS AÇORES 49 

la Villa e seu termo a qual pessoa que hasi pozer amte que comese 
ha servir lio dito oficio dará fiaiiiça á vallia delle e avera juramento 
em camará que bem e verdadeiramente ho sirva, guardando em tudo 
meu servisso e aos orfaos e partes seu direito. Feito em Lisboa aos 
trimla e hum dias do mez de Julho, ho Lic.*^" Hieronymo Luiz o fez, 
de mil e quinhentos trinta dois annos. (assignado por eireij 

(L." 4.^ (k Registo da Camará de P. Delgada, foi. ô7.) 



Alvará de 22 d' Agosto de 1532, concedendo 400 cruzados 
para as obras da Egreja de S. Sebastião de Ponta 

Delgada. 

Eu Elrei fasso saber a vos Jorge Nunes, rendeiro que fostes hos 
annos passados das reradas das Ilhas dos Âssores, que eu hei por bem 
fazer esmolla à Yilla da Ponta Delgada da Ilha de Sam Migel de qua- 
tro sentos cruzados par.i ajuda das obras da igreja de Sam Çabastiam 
da dita Villa, os quais lhe hão de ser paguos em quatro annos, cem 
cruzados cada hum ano de que ho primeiro pagamento ade ser neste 
mez de setembro do ano presente de quinhentos e trymta e dous e 
asi dahi em diante em cada um ano até serem cumpridos os ditos qua- 
tro anos, e por que eu fasso esta esmolla á dita Villa com tanto que ho 
povo d"ella guaste nas ditas obras mil cruzados por cada cem cruzados 
d'estes quatro sentos, serão obrigados os Juizes e Vareadores, Procu- 
radores e Oííiciais da dita Villa de mostrar cada ano certidão do meu 
qomtador das ditas Ilhas e do Padre Mestre Afonso de Tolledo de co- 
mo ho povo guastou os ditos mil cruzados pella dita maneira: por 
quanto hei por bem que elles tomem a qamta da despesa delias. Eu 
vos mando que do dinheiro que sois obriguado paguar do derradeiro 
ano de vosso arrendamento deis paguas ao Recebedor das ditas obras 
elegido pelos ditos juizes e oííiciais, os ditos cem cruzados cada ano 
por ho dito tempo de quatro anos; mostrando vós de cada anno ao 
tempo que lhe ouverdes de fazer este pagamento certidam dos ditos 
qomtador e mestre Afonso de como tomaram (jomta do dinheiro 
que o povo nas ditas obras despendeo e acharão ter guastado os 
(Jitos mil cruzados por cada cem cruzados destes quatrosentos, como 
ilito é. E por esta com ha dita certidão e conhecimento do dito Rece- 
bedor feito pelo escrivão do seu careguo e asinado por ambos em 
que declarem que lhe fiquão os ditos quatrosentos cruzados carregua- 
dos em receita, mando a Martim Mendes que hora tem careguo de 
Feitor das Ilhas que vollos tome em qomta e paguamento de vos.»<o 

N." 19— Vol. IV~I882. 7 



50 ARCHIVO DOS açorb:íí 

arrendamento, e hos qomtadores que lhos levem em despeza ao dito 
Feilur sendo-Ihe carreguada em receita. Cumpri-o hasi. Manoel da 
Costa ho fez, em Lisliooa a vimte dous d'aguosto de mil e quinhemtoí' 
e trimla e dous {1532.) 

lio qual alvará trasladei do próprio que estava assinado por Elrei 
nosso Snr. ao pé e passado pela chancellaria. 

(L." 4° de Registo da Camará de Ponta Delgada., foi. 57 verso, 
aonde foi trasladado pelo escrivão Belchior Roiz e assignado pelos Jui- 
zes, Amador da Costa e Lourenço Mendes, Manoel de Matos de Novaes 
vareador, Ayres Lobo, Tabeliam, em 1533.) 



Alvará por que Elrei mandou dar prata para a Egreja de 
S. Sebastiam de Ponta Delgada, 1532. 

Marlim Mendes, mando-vos que façais logo fazer para a igreja de 
Sam Çabastiam na Villa de Ponta Delgada da Ilha de 5am Migel hum 
calliz dourado de (juatro marquos de prata, e um Irybollo (77mnÒM/o 
de cinquo marquos e meio de prata e hua custodia de cinquo mar- 
quos de prata: e tanto que esta prata for feita a entregareis ao Padre 
mestre Afonso de Toledo que a hade levar para a dita igreja e por 
este quonhecimento e assento de hum dos escrivãis dessa caza do que 
despender na dita prata e feitio delia mando aos qomtadores que vos 
levem em qomta e o que nisso montar. Manoel da (^osta o fez, em Lis- 
boa a vinte de julho de mil e quinhentos e trymta e dous. Fernão 
d 'Alvares ho fez escrever. E cobrareis do dito mestre Afonso conhe- 
cimento razo de como de vos recebeo a dita prata em que se obri- 
gue de vos enviar outro em forma do almoxarife da dita Ilha de Sam 
Migel de como lhe fiqua carreguado em receita e por extenso o dito 
recibo em forma, vos será levado em qomta. 

Para Martim Mendes que faça logo fazer para a igreja de Sam Ça- 
bastiam da Ponta Delgada esta prata asima decrarada e a entregue 
ao Padre mestre Afonso de Tolledo e que com seu conhecimento e 
assento de hum dos escrivãis da caza lhe seja levada em qomta o que 
nisso despender. Ho qual allvara eu escrivão trasladei do próprio al- 
vará que estava assinado ao pe por Elrei noso Sn.*" com vista do Com- 
de e passado pela chancellaria .... e o sobscrevi com Amador da 
Costa, e Lourenço Mendes, Juizes, e Manoel de Mattos, Vareador, eu 
Belchior Roiz, Escrivam da Camará, em 1533. 

(jL." 5." de Registo da Cqmara de P. Delgada, foi. 59.) 



\RCHrVO DOS AÇORES 5< 

Traslado de um conhecimento de Martim Mendes, Thesou- 

reiro. 1532. 



Veriade que o P.® Frey AfTonso mestre nam recebeo do Thesou- 
reiro Martim Mendes os dois pontificaes contheiídos em um alvará que 
fiqua em mão de Martim Mendes por que lhe dá outras cousas muitas 
que se no dito alvará contem. Foi lhe dado este para lembrança do 
dito Thesoureiro para quando lhos der se romper este. Feito hoje o 
derradeiro de Setembro de 532 {1532) annos. Ho qual conhecimento 
eslava hassinado por Martim Mendes e por Belchior Carvalho e foi 
corrido e concertado com os ditos Amador da Costa, Juiz, e Manoel 
de Mattos, vereador, e Belchior Roiz, escrivam. 

(L." é."" do Registo da Camará de P. Delgada, foi. 60.) 

O P.' mestre, Frey AtTotiso de Tolledo, é aquelle que Qgura na narrativa de 
Fr. Luiz de Sousa, sobre a subversão de Villa Franca do Campo, pag. 271 do 
primeiro volume d'este Archivo. 



Alvará de 29 de Julho de 1534, nomeando o Dr. Francis- 
co Toscano, Contador em S. Miguel e Santa Maria. 

Dom Rodrigo (?) Loboo, amiguo. ei por bera que ho Doutor Fran- 
cisco Toscano que hora envio por Corregedor as ilhas dos Asores na 
repartisão que apartei com a ilha de Sam Migel sirva tão bem em 
oficio de quomtador da dita repartisão e tenha a jurdisão que por 
meu Regimento tenho dada aos comtadores das comarquas do qual 
lhe será dado o trellado asinado por vos, notifiquo-vo-lo asi e mando 
que lhe deis juramento que bem e verdadeiramente sirva ho dito oficio, 
guardando em todo meu servisso e ás partes seu direito e por este 
mando ao esprivão e offesiais dos qomtos das ditas ilhas que fiquarem 
na dita repartisão e asi aos almoxarifes (?) e recebedores e a quais- 
ijuer ofeciais de minha fazenda da dita qomtadoria, que ho ajão por 
qomtador e lhe obedeção e comprão em todo seus mandados que ha 
o dito oficio pertencerem e a meu servisso comprão sem a isso ser pos- 
to duvida nem embarguo algum por que hasi o ei por bem e nos praz 
deste se faça assento de como lhe foi dado juramento por vós; este 
hei por bem ()ue se guarde posto que não va passado pela chansalla- 



02 ARGHIVO DOS AÇORES 

ria sem embargo da ordenação em contrario. Dioguo Lopes ho fez em 
Évora a vinte nove de Julho de mil e quinhentos trinta e quatro. Eu 
Damião Dias o fiz esprever. 

(/i.° 4." dfi Registo da Camará de Ponta Delgada, f. 67.^ 

A 4 dAgosto seguinte, prestou juramento, em Lisboa, perante Dom Rodri- 
go Lobo, Vedor da Fazenda. 

A 11 de Setembro de ISíH estando reunidos em Caniara, os Juizes Gaspar 
Peidomo e Pêro Pacheco, os Vareadores Lourenço Mendes e António Lopes e o 
Procurador do Concelho Pêro Gonçalves, se apresentou o Dr. Francisco Toscano 
e lhe foi entregue a vara por Avres Pires Cabral, ex -corregedor. 

{No dito L." 4.0. foi. 6-9.) 



Carta de D. João III, separando as ilhas de S. Miguel e 

Santa Maria da Correição d'Angra, e nomeação do 

Corregedor o Dr. Francisco Toscano, em 2 d'A- 

gosto de 1534. 

D. João &.'' Faço sabei a vós capitães. Juizes. Vereadores, procu- 
radores, fidalgos, cavalleiros. escudeiros e povo das ilhas de S. Mi- 
guel e Santa Maria, que eu por assitn o sentir por muito meu servi- 
ço para que has cousas de justiça sejam adminisliadas como a ellas 
convém, e com aquella presteza e diligencia que a qualidade delias o 
requerem, quiz apartar as ditas ilhas da correição de todas as ilhas 
dos Açores e as quiz fazer correição por si, segundo será declarado 
na provisão que vos disso será apresentada: e por confiar do Dr. 
Francisco Toscano que em todas as cousas e cargos da justiça de que 
o encarregar me servirá bem e como até aqui tem feito nas cousas 
de que o tenho encarregado, por lhe fazer graça e mercê, o envio ó- 
ra novamente por Corregedor da correição das ditas ilhas acima no- 
meadas, o qual oíFicio elle servirá segundo forma do regimenlo delle 
e minhas ordenações, e por seis mezes. que começarão do dia que 
tomar posse do dito officio: servirá pelos poderes, alçadas e provisões 
que tinham por onde serviam o Lic.*^° Ayres Pires Cabral. Domingos 
Garcia e António de Macedo, corregedores de todas as ditas ilhas: e 
passado o dito tempo servirá pelas que lhe eu enviar, e com o dito offi- 
cio haverá de seu vencimento e ordenado oitenla mil 7s. por mmo, pa- 
gos á custa de minha fazenda: notifico- vol-o assi e mando a todos em ge- 
ral e a cada um em especial que hajaes ao dito dr. Francisco Toscano 
por corregedor da dita correição e ilhas acima declaradas como dito é, e 
lhe obedeçaes em todo o qne vos de minha parle e por de justiça e 



ARCHIVO DOS AÇOKES 5.'{ 

meu serviço mandar, e cumpiaes em todo seus mandados, [tiovisões 
e sentenças, e saiais com elle e sem elle de noite e de dia a quaes- 
quer horas que vol-o elle mandar e requerer sob as penas que vos 
elle pozer as qnaes serão executadas nos corpos e fazendas daquelles 
que assim o não cumprirem e a isso nigligentes forem, e alem das- 
sim as ditas penas serem executadas tocaria isso com outras mais se- 
gundo a qualidade do caso merecer, e mando aos Yeadores de minha 
fazenda, que lhe mandem assentar os ditos oitenta mil rs. nos livros del- 
ia para lhe serem lançados no caderno do assentamento das ditas 
Ilhas: e mando ao almoxarife ou recebedores da dita ilha de S. Mi- 
guel, que do dia que o dito Dr. Francisco Toscano tomar a posse do 
dito officio em diante lhe dêem e paguem os ditos SOj^OOO rs. em ca- 
da um anno aos (juarteis delle por inteiro, e sem quebra alguma, pos- 
to que ahi haja. e posto que lhe não seja enviado o caderno do dito 
assentamento, e por esta e tão somente sem tirar outro e sem em- 
bargo de minha fazenda, e por traslado delle. e com seu conhecimen- 
to mando a meus contadores que lancem em conta ao dito almoxarife 
ou recebedores, o que lhe assim pagar, o qual Doutor Francisco Tos- 
cano juraiá em minha chancellaria aos santos evangelhos que bem e 
direitamente, e como deve, sirva e uze do dito officio guardando mui 
inteiramente meu serviço e o direito das partes. Reymão da Costa a 
fez em Évora a dom d' Agosto, anno do nascimento de Nosso Senhoi- 
Jesus Christo de 1534 ânuos. 

(L." 4.° de Registo da Gamara de Ponta Delgada, foi. t)2.) 



Alvará de 3 cfAg-osto de 1534 (a que se refere o Docu- 
mento anterior.) 

Eu eirei fasso saber a vos Capitães. Juizes, Vereadores, e povo das 
Ilhas de são Miguel e Santa Maria que por se ver que a correisão de 
todas as Ilhas dos Asores era tal que hasi por causa do mai- que 
«muitas vezes a isso não dava luguar. como por ser mui grande para 
hum soo Corregedor, e elle por as ditas causas hi não podia admenis- 
trar as cousas da justiça em todas as dilas Ilhas dos Asores como a 
cada hfia eia nesesario. posto que nisso pozesse toda a deligencia, 
por que poi estarem tam allongadas huas das outras, quando o dito 
Corregtdoí' acodia a umas ho não podia fazer ás outras, que delia ti- 
nhão muita nesecidade. asi por os ditos respeitos, como por outros 
muitos, que para isso ouve de muito meu servisso e bem das jus- 
tiças e para que a todos melhor se possa admenistiar. quiz apartai 



54 ARCHIVO DOS AÇORES 

as ditas l.has acima nomeadas em huma sò correisam por si e eo- 
caregiiei de Corregedor delias ao Doutor Francisco Toscano por confiar 
delle que nisso e em todo o de que ho encareguar me servira bem e 
como ho tem feito nas outras cousas e careguos de justiça de que ho 
te ora foi encareguado e me sérvio, ho qual Doutor Francisco Tosca- 
no servira ho dito oííicio segundo forma da Carta que de mim leva 
e comprirá ho regimento que hao dito oílicio he dado, e minhas or- 
denações inteiramente, e por (seis) mezes que comesarão do dia que 
tomar posse do dito officio em diante: huzará do poder e aisada e das 
outras provisões que tinham e huzavam o L.**" Ayres Pires Cabral e 
Dominguos Guarcia e António de Macedo que às ditas ilhas foram por 
Corregedores: notifiquo vollo asi a todos em geral e a cada um de vos 
em especial, para que saibais o que hacerqua diso tenho ordenado e 
daqui em diante ajais o dito Doutor Francisco Toscano por Corregedor 
na dita Correisão e ilhas aqui nomeadas e lhe obedesais em todo que 
o dito oficio toquar segundo forma de sua carta e provisõis e outras 
que hapresenlará, tamlo que lhe forem enviadas e asi segundo forma 
(lo dito Regimento e minhas ordenaçõis e por quanto pelos ditos res- 
peitos e outros motivos o ei asi por bem de meu servisso; esta man- 
dareis trelladar nos livros das camarás de cada uma das ditas Ilhas pa- 
ra estar por lembransa e se saber o que ha cerqua disso tenho man- 
dado e ao dito Corregedor dareis e fareis dar sua aposentadoria e 
cazas e camas de ipie para elle e para os oíleciais da dila coreição, se- 
gundo forma do Regimento daposentadoria e como se deu aos ou- 
tros Corregedores passados, por (jue asi ho ei por bem. Reiraão da 
Costa ho fez, em Évora a três dagosto de mil quinhentos Irimta e qua- 
tro. 

(L." 4.° de Registo da Carnara de Ponta Delgada, foi. 60.) 



Provisão sobre o peso do Pastel, de 8 de Setembro de 

1535. 

Acerqua do pezo para o pastel, sobre quevos esprevi que vos en- 
formaseis das camarás dessa ilha, quão proveitoso seria para booa a- 
recadação de minhas rendas, e vos emformastes segundo vi pella di- 
la carta que me asim esprevestes e achastes que não era nesseçario 
a ver peso, mas ei por bem que se faça acerqua do dito pastel como 
se até qui fez, vista a emformação. 

Este apontammto foi trasladado do próprio que apresentou o Dr. 



AlíCHlVO DOS AÇOKES 55 

Francisco Toscano, junto com outros que reccbeo feitos em Évora aos 
8 de Setembro de lõ3õ, pelo escrivão da Camará, Belchior Roiz, e con- 
certado com Gaspar Roiz Vareador. 

(L." 4.*^ de Registo da Camará de P. Delgada, foi. 69.) 



Capitulo de uma Carta regia acerca do talho da Carne, 

1536. 

. . . . Asi vos sprevi que essas villas sobreditas com a da Ribeira 
Grande nie enviarão pedir lisemça para se cortar a carne a quatro 
rs. o aratel como tinha concedido a essa villa de Pomta Delguada por 
que por bem do Regimento se não podia cortar mais que a três rs. 
que por essa causa corrião os guados a essa villa, e elles carecião de 
carne; vos mandei que hos ouviseis todos com hos da Pomta Delgua- 
da e soubésseis o prejuízo que disso poderia receber a dita villa, e 
fizésseis ajuntar e tomásseis enformaçam de todos e que os dessa vil- 
la de Pomta Delguada dizem que por ser grande e nella aver mais 
jente que em todas as oulras villas e por os carregadores a maior 
parte do anuo estarem nella e hi se fazer a carregaçam dos pasteis 
e os guados se criarem nas outras villas mais que nessa por ser cai- 
ze toda a terra delia aproveitada de pastel e terras de pam, para que 
ella aja provisão e as carnes se traguão a ella, tem nesecidade de 
cortarem mais um real por aratel que as outras villas por que se ho 
não tiverem não virão os guados a ella: e as mais villas dizem que 
por o presso ser ahi maior e ellas crião os guados e os não comem 
por se todos hirem a essa villa de Pomta Delguada, e vos parece que 
por todas estas razões nas ditas villas se devia cortar a dita carne a 
três rs. e meio o aratel; e avendo respeito ás razões que asi alegão, 
o ei asi por bem, em quamto eu não mandar o comtrario. João Roiz 
a fez. Évora a vinte nove dias de maio de mil e quinhentos trinta seis. 

Trasladado da própria enviada ao Dr. Francisco Toscano, e concer- 
tada com Duarte Ferreira, Tabelliam, em <539. 

(L.° 4.'' de Registo da Camará de P. Delgada, foi, 83 verso.) 



56 ARCHIVO DOS ACOHES 



Carta de provimento do Dr. Manoel Alvares para servir 

de Corregedor em S. Mig-nel e Santa Maria, de 3 de 

Novembro de 1539. 

Dom João por graça de Deus rei de Portugal A/' .... faço saber 
a vós m«íu capitão, juizes e ofeciais. fidalguos, cavalleiros, escudeiros, 
e povo das miuhas ilhas de Sam Migel e Santa Maria que por eu con- 
fiar do Doutor Vlanoel Alvares que has cousas da justiça fará asi bem 
e direitamente e como deve e cumpre a servisso de Deus e meu e 
a bom despacho das parles o envio a essas ilhas por Corregedor asi 
e como ho elle deve ser e com hos poderes e alçada que de mi leva: 
e porem vollo notefiquo asi e mando a todos em geral e cada um em 
especial e asi a quaesquer outros ofeciais e pessoas a que esta mi- 
nha Carla for mostrada e o conhecimento delia pertenser que ajais 
ao dito Doutor por Corregedor d^s ditas Ilhas e lhe obedeçais e em to- 
do comprais seus mandados, juisos e sentenças, saiaes com elle e sem 
ele ãs oras i|ue vo-; elle da minha parte mandar asi de noite como 
de dia sem nisso poerdes duvida nem outro nenhum embargno e sob 
as penas que elle pozer: pelo que hasi o ei por bRm de justiça e meu 
serviço, com ho qual careguo aviara o mantimento (jue lhe por outra 
minha (^arta, que tirará de minha fazenda, será decrarado: o qual 
Doutor Manoel .\lvares jurará na minha chansellaria aos santos a- 
vanjelhos ijne bem e direitamente sirva ho ilo oficio, guardando 
em todo ho serviç) de Deus e meu e o direito das partes. João Roiz 
a fez em Lixboa a três dias de novembro de mil quinhentos e trinta 
nove: Sebastião da Costa a subscrevi. 

Ao Doutor Manoel 
Alvares (Corregedor 
das ilhas de S. Migel 
e Santa Maria. 

1 L.* 4." ih' Hfffisfo da Camira (^ Ponta Ddyafki, foi. !^0. > 

Prestou juramento o mesmo Doutor Manoel Alvares em Lisboa a 5 de Fe- 
vei-elro de 1540 na Relação, perante o Regedor; e toinou posse em Ponta Delga- 
da a â4 de .VIaio de 1340 tendo ileseinbircado a âl (1'este inez e aposentado-se 
na caza de Gaspar Ferreira. 

(Dito L." 4." de Registo, foi. 91 e m.) 



ARCHIVO DOS AÇORES 57 

Alvará de lembrança do Infante D. Luiz, para tomar por 

Cavalleiro de sua casa António Alvares, morador em 

S. Miguel, de 18 de Novembro de 1540. 

Eu Ifante Dom Luiz á.'^ faço saber a vós André Alvares de Mene- 
zes (?) meu Mordomo raór, que eu filho ora novamente por cavalleiro 
de minha naza agousenlado a António Alvares morador na Ilha de Sam 
Migel o qual será hasenla lo em meus livros para me dele servir 
quand(j me nesseçario for seu serviço e entam lhe farei aquella mer- 
cê que me bem parecer e por esta roguo e encomendo aos Correge- 
dores, Juizes e Justiças d'elrei meu Snr. que sempre pelo meu o fa- 
voreção e lhe guardem seus prevelegios e liberdades hasi como os 
guardam aos outros cavalleiros de minha casa e para sua guarda e 
minha lembrança lhe mandei dar esle meu alvará. Feito em Lixboa 
aos desoito dias do raez (ie Novembro, Lourenço f?j Melo (?) a fez, 
de mil e quinhentos quarenta ^na)s. Assiqnado pelo Infante e visto 
por André Alvares. Trasladado do próprio a vinte de Maio de 1541, 
por Belchior Roiz, no L.° 4.'^ de Registo da Camará de P. Delgada, foi. 
.98 verso. 



Carta de provimento do Licenciado Gaspar Touro, para 
servir de Correg-edor nos Açores, de 17 de Julho 

de 1543. 

D. Johão por graça de Deus rei de Portugal Faço saber a 

vos Juizes, Vereadores, Procuradores e quaisquer outros ofeciais, fidal- 
guos, cavalleiros. escudeiros e povo das correições d "Angra e da Ilha 
de Sam Miguel e de todallas outras villas e loguares das ditas ilhas, 
que por confiar do L.*^" Gaspar Touro que nos careguos e cousas da 
justiça de que ho encareguar me servira bem e fielmente e aminislra- 
rá a justiça ás partes como até qui tem feito nos careguos de que ho 
tenho encareguado, ho envio hora por Corregedor das ditas Ilhas e 
logares delias, ho qual oficio elle servira segundo forma de seu regi- 
mento e de minhas ordenações e alem disso huzará do regimento, 
poderes e alçada que de mi leva, noteficovolo hasi e mando a todos 
emjeral e a cada hum de vos em especial que o ajais por Corregedor 
das ditas Ilhas e lhe obedesais e comprais suas sentenças e manda- 
dos em todo o que ele por meu serviço e bem da justiça vos mandar 
saindo qom elle e sem elle, de dia e de noite, a cavalo ou a pé a 
quaisquer horas e da maneira que vos elle mandar sob as penas que 
vos poser que dará á enxuquasão {e^xecução) naquelles que nellas en- 
corerem segundo forma do Regimento e de sua alçada e alem disso 
lhe será dada outra qualqu^^r pena «jue por direito merecer segundo 

N.° 19— Vol. IV— 1882 8 



58 ARCHiyO DOS AÇORES 

a calidade do caso for. qom ho qual oficio ho dilo L.*^" avera aquelle 
manlimenlo que lhe por outra minha Carta, que tirar de minha fazenda, 
será decrarado. Ho qual L.*^° jurará aos santos avanjelhos na minha 
chasellaria que bem, verdadeira e fielmente sirva o dito oficio guardan- 
do enteiramente meu servisso, e à partes seu direito. António Amri- 
ques a fez em Sintra ha desasete dias de Julho de mil e quinhentos 
qorenta e trez. Bastiam d.) Costa ha fez sprever. 

(L." 4." lie Registo da Camará de P. Delgada, foi. 108 veiso.) 

O mesmo Lie."*" Gaspar Touro foi provido no cargo de Contador da Fazenda 
n'aquellas ilhas ou togares, em que não houvessem conladores, por carta de 21 
de Julho de 1543, registada no dito Livro a folhas 117. 



Alvará de 29 de Janeiro de 154:3, sobre a cultura do Pas- 
tel na Ilha de S. Miguel. 

Eu eirei fasso saber a vós doutoi Manoel Alvares Corregedor e 
Contador da Ilha de Sani Migel e a outros quaes quer meus ofeciais 
e pessoas a quem o conhecimento desto pertenser. que Lourenço Vaz 
Lialdador dos Pasteis dessa Ilha deu ora uns apontamentos em minha 
fazenda feitos por elle. amtre o^ quais se dizia que pelo Regimento 
que he feito sobre o apanhar do pastel da dita Ilha era ordenado 
darem-se cada anno três apanhaduras, e em alguas terras quatro sen- 
do nesseçario por causa do visso do dito pastel darem-se em loda^ 
as terras quatro apanhaduras por que fazendo-se asi seria muito me- 
lhor e com mais proveito. Os quaes apontamentos forão vistos na di- 
ta fazenda e o dito Lourenço Vaz e outros ofeciais que já estiverão na 
dita Ilha ouvidos ácerqua disso e com mais emformação que se to- 
mou do casso de todo foi dada razão pelo Barão dAlvito, Vedor da 
minha fazenda, por isso que bonde ho dito Regimento diz que em cer- 
tas terras nelle nomeadas e outras semelhamtes se dem quatro apa- 
nhaduras. que em quaisquer outras e segundo o tempo for e o pastel 
estevesse maduro se dem as ditas quatro apanhaduras cada anno, sen- 
do asi neseçario; e visto por o dito Lourenço Vaz e pelos mais Lial- 
dadores, pelo qual ei por bem e mando que daqui em diamte se fassa 
asi como aqui he praticado e se dem as ditas quatro apanhaduras na 
maneira que dito he. 

Em outro apontamento dizia que no granar dos ditos pasteis que 
fazem nessa Ilha se não guarda a Regimento: acerqua disso enformado 
pella qual rezão se não fazem da perfeiçam que devem ser. e queren- 
do a ello prover ei por bem e mando que daqui em diamte o dito 



ARGHIVO DOS AÇOHES 39 

Regimento se lea em Gamara aos lavradores e lealdadores, os quais 
serão para isso chamados para se comprir como nelle he coQteudo. 
Esta Provisão se registará no Livro dos comtos d'essa Ilha e asi nos 
Livros das Gamaras delia, para se saber como asi ho tenho mandado, 
se comprirà posto que não pase pella chansellaria, sem embarguo da 
ordenaçam em contrario. Luiz (?) Fernandes o fez em Almeirim a 
vinte nove dias de Janeiro de mil e quinhentos e quorenta e três. 

Para ò Gontador da Ilha 
de Sam Mi gel. 

íassinado por KIrei, com vista do Barão.) 

( Trasladado no L.' 4.° de Registo da Camará de Ponta Delgada foi. 
123 verso, pelo sen Escrivão Belchior Roiz, consertado com o Vareador 
Manoel Vaz Pacheco e com o Tabellião Fernando Affonso, aos 17 de Ju- 
lho de 154Õ.) 



Alvará de 30 de Julho de 154:7, nomeando o Lic.*^" Gon- 
çalo Nunes d' Ares, para Contador da Fazenda em S. 
Miguel e Santa Maria. 

Eu elrei fasso saber a vos corregedor, ouvidor, juizes, vereadores 
e ofeciais das Ilhas dos Asores a quem o conhecimento desta perten- 
cer, que eu mando á comarqua da ilha de São Migel e Santa Maria 
por qomtador de minha fazenda ao L.'*" Gonçalo Nunes d'Ares, pelo 
qual vos mando a todos em geral e a cada hum em espesial que em 
quanto elle servir o dito careguo de qomtador lhe dareis e fareis 
dar pousadas e camas, estrebarias para elle e para os seus, de graça, 
e mantimentos, navios, barquos e bateis, bestas e todo o mais que lhe 
comprir vos ele requerer por seu dinheiro, que paguara pelo estado 
da terra, o que huas e outras asi comprireis sob pena de dez cruzados 
a metade para os cativos e a outra metade para quem no acusar: os 
quaes mando que loguo se dem á execução e este meu alvará se 
cumpra posto que he feito depois de um anno e não va passado pe- 
la chasellaria, sem embarguo da ordenação que despoe em contrario. 
Jorgeannes (?) de Freitas o fez em hos trimta dias do mez de julho 
do anno de mil quinhentos e qorenta e sete annos. 

{L.° 4.° de Registo da Camará de P. Delgada, foi 1S8 verso.) 



COLLECCÃO DE DOCUMENTOS 



RELATIVOS ÁS ILHAS DOS AÇORES 

( Eitrahidos do ArctuTo Nacional da Torre do Tombo 1 



Petição da Gamara de Ponta Delgada e Alvará de 15 de 
Maio de 1551 para conservação do cano d'ag'oa. 

Eu el Rey faço saber a quaintos este meu alvará virem que os Jui- 
zes, Vereadores e procurador da cidade de.Pomta Delgada da Ilha de 
Sam Mygel me fizeram a petiçam de que ho theor he ho seguinte:== 
«Dizem os Juizes, Vereadores e procurador da cidade da Pomla Delga- 
da que à dita cidade vem huu cano de augoa de que toda a gemte 
dela se mãotem e de que tem muyta necesidade por não terem outra 
e o cano per omde vem foy feyto com muyta despesa e alguas pesoas 
muytas vezes de noyte escomdidamente quebram o dito cano pêra 
tornarem augoa pêra omde querem e não tem de ver com as penas 
pecuniárias que se põem pelos acordos da cidade e tãobem quamdo 
por yso os demamda o procurador do concelho vem com sospeyções 
aos Juizes e dilatão as causas e como quer que sam demandas do 
concelho nunqua hão fim e quebrara o dito cano e dão muyta perda 
à cidade: pedem a V. A. aja por bem pasar hua provisão em que po- 
nha algua pena crime a quem quebrar o dito cano e mande aos Jui- 
zes que tirem Inquiriçam sobre yso de seu oficio semdolhe nomeadas 
testimunhas por parte do comcelho e proceda a prisam contra os que 
achar culpados e declarão que são postos de pena per acordo da Ca- 
mará quynhentos reis da cadêa.» 

E vista a dita petiçam, avemdo respeito ao que nela os ditos Jui- 
zes, Vereadores e procurador dizem, ey por bem e mamdo que qual- 
quer pessoa a que for provado que quebrou o cano de que na dita 
pytiçam se faz memção pague pola primeira vez mill reis e pola se- 



ARGHiVO DOS AÇORES 61 

gunda vez pagará deus mill reis e pela terceira vez pagará dons mil! 
reis e seja degradado hum ano fora da cidade e seu termo as quaes 
penas pagara da cadea a metade pêra quem no acusar e a outra a- 
metade para as obras do dito cano, e nellas entrara e se entendei a a 
pena dos b*^ {500) rs. do acordo da camará: e mamdo aos Juizes da 
dita cidade que o façam asy apregoar pêra ser a todos notório e não 
poderem alegar inoramcia e ey por bem que quando quer que lhe for 
requerido ou denunciado pelo procurador da dita cidade ou per qual- 
quer outra pessoa do povo dizemdolhe que o dito cano fíby quebrado 
o vam ver e facão diso auto com hum laballiam e perguntem atee 
seis testemunhas que lhe forem nomeadas ou tiverem por enformação 
que do dito caso sabem parte e achamdo algOa pessoa culpada a prem- 
dão e procedam no caso sumariamente ate final semtemça sem dela a- 
ver apelação nem agravo e este alvará se registará no livro da Cama- 
rá da dita cidade, o qual ey por bem que tenha força e vygor como 
que fose carta pasada em meu nome sem embargo da ordenação do 
livro 2.° titolo XX {20) que despoem que as cousas cujo efeyto ouver 
de (Jurar mais de hum anno pasem per cartas e não per alvaraas. O 
doctor João de Barros o fez. em Almeirim aos xb [lõ) dias do mez 
de mayodejb^ e Lj anos (^õí5i).=-Conficertada João da Costa. ^Ccm- 
certada. Pêro dOliveira.^Pero Gomes. 

{Arch. rtac. da T. do 7.. Liv." 4.° dos PrivU. de D.JoãolJl, /. 82 r.°. ! 

A foi. 16 V." do mesmo Livro se encoDtra outro alvará sobre o mesmo as- 
sumpto feito pelo mesmo Dr. João de Barros, em Lisboa a 10 de julho de 1549, 
dispondo quasi o mesmo com a differença de que a pena imposta era por cada 
vez que fosse provado o crime a qualquer pagasse mil reis da cadea. metade 
para o concelho e a outra metade para os captivos. 

{Nota do Sr. J. I. de Brito Rebello.. 



Alvará de 23 de Maio de 1551, a favor de Gaspar do Re- 
go Baldaya. 

Eu el Rey faço saber a quamtos este oieu alvará virem que por 
allguns justos respeitos que me a iso movem ey por bem e me praaz 
que Manuel da Camará do meu conselho e capitão da Ilha de São Mi- 
guel nem o seu ouvidor da dita Ilha que ora hee e ao diamte for não 
emtemda em cousa allguua de justiça que tocar a Gaspar do Regno 
Balldaya. cavaleiro da ordem de noso senhor Jhuu xpõ nem a seus ii- 
mãos nem filhos nem a seus criados que com elles viverem nem aos 
Irmaãos das molheres d(» dito Gaspar do Reguo e de seus Irmãaos. das 



tíi ARCHIVO DOS AÇORES 

ipiaes cousas de justiça que aos sobreditos ou a cada hnrn delles lo- 
car, conheceraa como ouvidor da dita Ilha o Corregedor das Ilhas dos 
Açores que tomaraa delias conhecimento e ouvidas as partes as delre- 
miiiaraa como ffor justiça damdo apelação e agravo nos casos em que 
(•i)iiber assy como o avya de fazer o dito ouvidor do capitão: notelicoo 
asy ao dito capitão e seu ouvidor e ao dito corregedor e a todas as 
justiças, oficiaes e pesoas a que o conhecimento dello pertemcer e lhes 
mando que o cumprâo e guardem e facão inteiramente cumprir e guar- 
dar este alvaraa como se nele se (sic) contem sem duvida nem em- 
barguo allgum (jue a ele seja posto porque asy o ey por bem, e este 
(juero que valha e tenlia força e viguor como se fose carta feyta em 
meu Jiome per mym asyuada e pasada pela minha chamçelaria sem 
embarguo da ordenação do segundo livro tilollo vimte que diz que as 
ousas cujo efeylo ouver de ouver de durar mais de hum aimo pasem 
per cartas e pasamdo per alvaraas não valhão. Manoel da Costa o fez 
em Alineirym a xxiij (27) dias de mayo de jb e Lj {lòõl)\ e esto se 
emtemderaa e cumpriraa asy em quamlo o eu ouver por bem e não 
mandar o contrario. =Comcerlado, Joam da Costa. ==Comcerlado, An- 
tónio Viera. =Pero Gomes. 

i4rc/i. nac. da T. do T., Ltv. 4." dos Privil. de D. João IIL f. 235.) 

De Gaspar do Rego ha uma (>arta a p. 232, do Vol. I deste Archim. 



Carta a Elrei da Abbadessa do Mosteiro de Jesus, da 
Praia da Ilha Terceira, 1551. 

Senhor. —Kspantarseha vosa alteza de men grande atrevimento e 
teporlarmoha a innorancia pois nau tem de mim nenhua noticia, e vi- 
vendo en lugar tan remoto, e mais tendo já escrito a vosa alteza ou- 
tra vez, duvidosa, se por meos pecados, nam seriam dadas minhas 
cartas a vosa alteza, quis tornar a escrever como desconsollada pidin- 
do muitas vezes misericórdia como a rei e senhor noso que he, e que- 
ro que ocupe lio tempo que em tão proveitosas e nesesarias cousas 
gasta em ouvir meus trabalhos, e prolixas desconsollações, mas como 
pella divina providencia, vosa alteza nos foi dado pêra emenda e 
remédio de nosos agravos ne (sic) necesario, que nenhuã pesoa ainda 
que muito pouco mereça, seja de tamanha mercê e favor excludida, e 
(|ue sua justiça, e equidade a todos se comunique, e por esta piedosa, 
e geral obrigaçam que vosa alteza tem a todos os seus ouvir e pro- 
ver lhe tornarei a recomlar ha tribullação em que estou posta, e pêra 



ARCHIVO DOS AÇORES (iíí 

que milhor me emtemda convém que lhe dee de mim conta. — Eu sam 
(SOU) filha de dom Joham de Noronha que ora vive na ilha da Madeiía. 
e no Mosteiro dessa ilha me criei, e fiz profição com outras minhas ir- 
mãas honde todas estávamos consoliadas, e ha hi serviamits ha ho se- 
nhor pella milhor maneira que podíamos. Dona Breatiz de Noronha mi- 
nha irmãa depois da morte do capitão seu marido hordenou fazer huu 
moesleiro pêra freiras pêra nelle agasalhar suas filhas e ouve hua le- 
tra de Roma pêra me tirar da dita casa da ilha da Madeira por abba- 
desa desta casa, e minha irmãa Antónia de Jhu por vigaira. e a ou- 
tra madre por porteira. Hobedeceo a madre abbadesa da ilha da Ma- 
deira ha letra, deu-nos licença, e viemos todas três para edificar esta 
nova casa. e a reformar polia bondade do senhor cuja aquella empre>a 
hera. fizemos tanto que aproveitou noso trabalho em aquellas novas 
plantas, e as ensinamos ha todo ho que hera necesario peia serviço 
de noso senhor, e honra da relligião. e depois de aver oito ou nove 
anos que em meu oficio permanecia por me parecer que ja sem mim 
saberiam viver, e servir ho senhor, aceitei per houtra lletra do papa 
hir a reformar outra casa na ilha de Sam Miguel honde estive alguns 
tempos e com ajuda de noso senhor aproveitou minha hida alguua 
cousa, e hagora avera dous anos que ho bispo de Lora (* ) que veio 
visitar estas ilhas, e hera visitador desta casa me niandou buscar 
por muitas divisões, e cousas que nesta casa em que hora estou se 
alevamtarão, como elle dará emformação a vosa alteza se delle ha qui- 
zer saber ho que lhe peço polias chagas de Jhu xpõ noso senhor e 
por amor da sua bemdila madre virgem Samla Maria que dele se 
queira emformar, e saber a verdade por que saberá delle tanto que 
polia obrigação que ha ho senhor Deos tem porá cobro nesta casa ha 
qual ho demónio hora tem tanto de sua mão que temo acabar ho que 
começou por que nem ellas tem obediemcia a prellado nem a mim me 
reconhecem por abbadessa antes sou delias mui ofemdida. e afrontada, 
e emjuriada com palavras mui emjuriosas de maneira que ha dous 
mezes estam desobedecidas, e não vão ha ho oficio divino nem ha ni- 
nhúa comunidade vivem como isentas, dão e tomão cartas sem licensa. 
fallão polias genellas e fazem outros muitos desmanchos, e vai isto de 
maneira que me trazem polias audiemcias, cousa tam fora, e defesa 
de nosa regra sem terem castigo de ninguém mas antes não fallão de 
fora alguns membros de satanaz que toda esta tempestade movem, e 
me perseguem porque atalho algíjs começos danosos, e neste alevanta- 
mento nam sam todas que muitas tenho comigo que sam servas do 
senhor, e me ajudam a sentir, e chorar meus trabalhos que mais não 
podemos fazer porque sam ellas poderosas na terra porque as princi- 
paes deste allevantamento sam minhas sobrinhas irmãas do capitão 

(•) D. Baltha/ar d'Evora, de que ^e tratou atraz, no Vol. I a pa^'. 201 e iio 
Vol. n a pag. 132. d'este Archivo. 



64 ARCHIVO DOS AÇORES 

ilesta terra como toiio mui inteiramerile ho bispo de Lora pode de- 
zer a vosa alteza, e isto lhe escrevo por que tenho perdida toda a es- 
perança de socorro se vosa alteza nos nam vai porque ninguém ousa 
de fazer justiça delias sentindos (sic) todos quanto serviço seria de no- 
so senhor fazella, estaa isto neste estremo, e eu pêra me sair desta 
casa pêra a ilha da Madeira donde vim e deixar esta casa em poder 
delias, e cuido que das que comigo sam nenhQa ficará por que sam 
delias mui injuriadas, e desconsolladas. e por estas cousas tirou Do- 
mingi)s Ho.nem já suas (ilhas tenii) nesta casa tanta rezam como vo- 
si alteza p)de saber p)r ho dito bispa de Lora. e cjmo a meu Rei 
e sánhor lhe digo que o re nédio desta casa he qiiautro (sic) ou cinco 
m)lheres, manlallas ha hos m:)steiros de Sam Miguel, e trazer outras 
tantas dos mesmos mosteiros para aqui porque sam muito virtuosas, 
e on isto poderá noso senhor ser servido, e esta casa asesegada, e 
nam se destruirá ho que noso senhor ha pranlado, por cujo amor lhe 
torno a pedir misericórdia que o senhor ha aja com vosa alteza. Es- 
crita neste CDnvemto do m)sleiro de Jhíj da ilha Terceira da villa da 
Praia, de quinhentos e cincoenta e huQ, no mes de Julho. — Joanna da 
Cruz, abbadesa deste mosteiro de JhQ. 
(Sobreescripto) Pêra elrei noso senhor. 

{Arch. me. da T. do T., Corp. Chron. Pari. l.\ maç. 86 —n.'' 97.) 



Carta a Elrei do Dr. Luiz da Guarda, Corregedor dos A- 
çores. de 16 de Março de 1552. 

Senhor.— \fo.nso Capiqa3, moço da camará de V. .\. veo este in- 
verno pasado ter a estas Ilhas per seu mandado a carregar o triguo 
tjue os rendeiros heram obrigados a dar a V. A. e veo ter primeiro 
a esta Ilha de Sío Migael estanio eu na Ilha Terceira: e aqui em vez 
de lhe deixarem carregar o dito triguo lho tomaram e sobre iso o a- 
frontaram com pedradas e ao contador, de maneira que lhe foi nece- 
sario hirse desta cidade onde lhe foi feita a dita afronta e foi ter á 
Ilha Terceira onde eu estava e nella sem ofensa algua elle e o conta- 
dor Manoel Pachequo carregaram todo o triguo de V. A. que avia na 
villa da Praia e na cidade dAngra ficando algum que pareceo necesa- 
rio pêra cousas de serviço de V. A. de maneira que na Ilha Terceira 
não ouve pesoa que erguese os olhos ao dito Afonso Capiquo era 
(|uanto eu nella estive: dahi se foi elle e o contador ás Ilhas do Fayal 
e São Jorge pêra carregarem o triguo que la avia onde outrosi lhe 
resistiram asi na Ilha do Fayal como na de São Jorge: e porque o dito 



ARCHIVO DOS AÇOHES ih> 

CO mia dor fez de Indo autos -que eu uão vi que cuido que lem manda- 
do a V. A. não fiz nenhua cousa no dito caso ate ver o que V. A. 
manda que niso se fa(;a o dado caso que nestas Ilhas este anno aja 
muita necesidade de triguo e seja mais caro iW) que ha muitos annus 
que nellas se vio que vai a cem reis o alqueire com tudo he muito des- 
acatamento cada dia apedrejarem hiun feitor de V. A. e em verdade 
(jue são dinos de algum casliguo. e alguns que nesta cidade foram 
|)resos se livram perante mim do dito caso. V. A. poderá mandar o 
<|ue lhe parecer seu serviço. 

Aos vinte e dons dias de fevereiro, este que pasou á tarde, chega- 
ram ao porto desta cidade hum galeão e híja não e hua zavra de fran- 
sezes e ancoraram nelle e tomaram hum batel de pesquar e tomaram , 
delle hum homem que meteram no galeão e mandaram no dito batel 
dous franceses a terra os quaes me apresentaram hua certidão de Si- 
mão Gonçalves capitão da Ilha da Madeira na parte e jurdição do 
Funchal asinada por elle e aselada com o seto das suas armas cujo 
treslado a V. A. mando, em que dezia que o capitão do dito galeão e- 
ra Monseur Jaques e que pasara pella dita Ilha sem fazer nenhum des- 
aguisado antes muito boas obras e de boa e verdadeira paz como V. 
A. milhor pela dita certidão pode ver. pedindome os ditos franceses 
que lhe deixase fazer aguada ua dita cidade trazendo algumas pipas 
que loguo lhe deixei encher dagua as quaes loguo tornaram ao dito 
galeão e querendose ambos tornar mandei a hum delles que fiquase 
em terra ate trazerem o português que tinhão no galeãu que tomarão 
no batel, o qual loguo trouxerão e tanto que foi em terra mandei le- 
var o francês ao dito galeão: esteveram aquela noite ancorados, pela 
manhã pareceo hum navio hua legoa desta cidade que vinha da Ilha 
da Madeira, como o viram alevantaramse e levar-am-no com signo e a 
outro que vinha da Ilha Terceira os quaes roubaram: ao da Ilha da 
Madeira levaram trinta e cinquo pipas de vinho e ao da Terceira leva- 
ram quatrocentos cruzados em dinheiro que hum homem mandava a 
esta Ilha a hum mercador pêra daqui lhos pasar nur leira pêra o rei- 
no e a^i levaram certos quartos dazeite e outra muita fazenda: hum 
dos navios veo aqui ter roubado e o outro foi ter á Ilha Terceira: di- 
zem que se vão á paragem do Corvo: o galeão he muito grande e se- 
gundo meo parecer e de muitos que o viram é mais comprido que o 
galeão São João que se perdeo no Brazil: dizem homens que nel- 
le esteveram, que vai muito artelhado e leva muita gente: escrevo is- 
to a V. A. pêra que saiba i|ue andam anlre estas Ilhas franceses e 
proveja como for seu serviço. Noso Senhor acrecente a V. A. muitos 
annos de vida com muita saúde. Desta cidade dAngra («) oje xbj [J^J) 
dias de março de 1552 annos — O doctor Luís da Guarda. 
iArch. nac. da T. do T., Corp. Chron. Part. l.'\, maç. 81, n." ISl.) 

(•) Não pôde ser An^ra, mas sim Ponta Delicada, não só pelo sou ciMithcu- 
ilo, mas ainda pelo da seguinte Carta. 

N.*' 19— Vol. IV— 1882 \) 



66 ARCHIVO DOS AÇO» ES 



Carta a Elrei, do Corregedor Dr. Luiz da Guarda, de 16 
de Março de 1552. 

Senhor =- Aos ciiKjuo dias do mes de feveieiío que pasou chegei a 
esla cidade da Ponta Delgada a fazer correição nesta Ilha os três me- 
ses que V, A. manda que a ella venha e achei a terra Iam alvoraça- 
da contra o Licenciado Manuel Nunes, ouvidor do capitão, que não fiz 
pouquo em na asosegar e não me espantei do desasoseguí» ( * ) que 
achei, porque estava o ouvidor tanto em não querer que ouvese nesta 
Ilha outra justiça de V. A. que linha mandado aos Juizes desta cida- 
de e de toda a Ilha. (|ue não obedecesem a meus mandados nem ás 
cartas mandatoreas que eu por bem de justiça das outras Ilhas lhes 
mandase e asi foi ijue mandando eu o anuo de cinquoenta da Ilha 
Terceira hua carta aos Juizes desta cidade per que lhes mandava (|ue 
noleficasem a Lourenço Castanho (que ao tal tempo servia de escri- 
vão do carrego de João Simão, feitor de V. A. nestas Ilhas) que me 
mandase as culpas que livese de hum homem, que o dito João Simão 
prendeo na cidade dAngia, pêra seu livramento: sendolhe a dita carta 
apresentada responderam que a não guaidavão pi»i' lhe ter mandado o 
dito ouvidor que não comprissem meus mandados senão os três mezes 
que aqui estevese por correição e (]uando aguora aqui cheguei pêra 
nesta Ilha fazer correição avendo dous dias qun estava nesta cidade 
o dito ouvidor não quis deixar a vara e andava com ella dizendo que 
a não avia de deixar e que eu não podia servir de corregedor pois 
pasava de três anos (jue o hera e não mostrava nova provisão de V. 
A. peia tornar a servil' mais tempo: pelo que prendi os ditos Juizes e 
ouvidor e mandei ao procurador de V. A. nestas Ilhas que viese con- 
tra elles com libellos e piocedi contia elles e condaneios em degredo 
pêra Afriqua, e apelei, no que me parece que fiz justiça vista sua des- 
obediência e conservei a Jurdição de V. A., mandei ao dito ouvidor 
que dese residência por pasar de três annos que servia o dito oficio, 
e por me elle pôr sospeição comecei a dita residência com o Juiz mais 
velho desta cidade em (juanto delerminase a dita sospeição per huma 
provisão que de V. A. pêra iso tenho a qual sospeição foi julgada que 
lhe não heia sospeito e tirando devasa com o Juiz sobre o dito ouvi- 
dor e pei guntando por testemunhas os Juizes, vereadores, tabeliães e 
escrivão dante elle e o procurador de seu auditoreo e algQas pesoas 
outras da guovernança conforme ao regimento, prova-se pella dita de- 
vasa o dito ouvidor levar peitas e fazer outras cousas mal feitas em 
seu oficio de que se ha de hir livrar ao Reino: e porque eu não poso 
estar nesta Ilha mães que ate o fim do nses de abril conforme a doa- 



(■) Vid. a Represei Ilação da Cainai-i di» I^ Deljiada a ]). 430. vol. 3.» d'este 
Aflitivo. 



ARCHIVO DOS AÇORKS 67 

cão do ("apilão e tão bem he necesario (jiie iiip va á Ilha Terceira es- 
perar as nãos (ia lodia que com ajuda de iioso senhor este anno ham- 
de vir e asi as rnaes armadas de V. A. e será grande inconveniente 
esta Ilha fiquar somente na guovernança dos Juizes da terra. Vosa A. 
deve mandar ao capitão que com brevidade proveja de ouvidor ou pro- 
ver V. A. como for seu serviço. Noso senhor acrecente a V. A. mui- 
tos annos de vida com muita saúde. Desta cidade da Ponta Delgada o- 
je xbj {16) dias de março de 1552 annos. 

O DocTOR Luís da Guarda. 

I Sobreescriptn) A el Rei noso Senhor=:do corregedor das Ilhas dos 

Açores. 

^Arcft. nac. da T. do T., Corp. Chron. Part. 1^. maç. 87— n." 182.) 



Carta a Elrei de Manoel Pacheco de Lima, de 19 de Mar- 
ço de 1552. 

Senhor- Eu sirvo V. A. de ouvidor com careguo de capitão por 
Manoell Corte Reall nesta sua capitanya da cidade dAmgra ha ja a- 
nos e por minha resydemcia ser tall, que vista no desembarguo foy a- 
provada por boa. V. A. ouve por seu serviço que eu tornase a ser- 
vyr o dito careguo como ora syrvo. Acomteceo ora que aos xxbj {26) 
dias de fevereiro deste presemte ano. pasaram á vista da baia desta 
cidade dAngra cinco vellas corendo de mar em fora comlra as ilhas 
debaixo e pela imformaçam que ca temos das gueras apregoadas am- 
Ire França e Castella e pellos synaes e gente delas foy meu parecer 
e doutras allguas pessoas que do mar emtendem. serem francezes, co- 
sairos, e por aqui nesta cidade estar o allmyrante de Castella que 
vindo das Antylhas se deixou aquy ficar com ssoma de ouro e prata 
esperando por armada, comsyderando eu nestas nãos de França me 
veo ha memoria que podaria ser se o fosem averem imformaçam per 
algum batell ou navio da terra (^ue tomasem como este tesouro aqui 
esta e ajumtamdose as cinquo vellas que pasaram com outras, pode- 
ryam cometer a fazer sallto nesta cidade e por que. senhor, quando as 
taes expyrações vem nas cousas da guera. se ade prover nellas amtes 
cjue venha o tempo, provy lloguo em se guardar e vigiar ha cidade 
de noite e por alem da guarda e vigia que fiz de gemte e quadrilhas 
pareceo ser necesareo porese allgua artelharia prestes e apontada em 
estamcias, a (|uall por estar a careguo de Pêro Annes do (]amto e se 
nam podia dar sem elle, lhe fiz lloguo a saber do dito caso e o que tinha 



C8 ARCHIVO DOS AÇO K ES 

asemtado a hua qiiimta sua homde eslava pêra que viese ou manda- 
se dar a dita aitelharia o (|iiall lloguo veo e elle e o contador de V. 
A. que he meu sobrinho e os juizes e vereadores e pesoas da guo- 
vernança da cidade praticamos o caso asy e da maneira que ho eu ty- 
nha comsyderado e pareceo a lodos miiylo serviço de V. A. ha cidade 
se guardar e vigiar de noite e de poerem duas estamcias dartelharia 
e estarmos asy a bom recado ale sabermos que frota era aquelia que 
passou e lambem recado do reino e de V. A., e feylo asy lodo o que 
se asemtou, de que mandei fazer hum auto que com esta vay: aos 
xxbij (27) dias do dito mes de fevereiro emlraram neste porto duas 
caravellas portuguesas que erão das caravellas que vimos pasar as 
quaes nos deram nova como as cimquo vellas (jue vimos pasar eianj 
framcezes. a saber: as Ires delias hua gnaleaça e hua naao grosa e 
hõa pataixa as quaes vinham muito armadas e traziam muita gemle 
e que com ellas que hos llevavam tomados eram cimquo, e que de- 
pois que lhe roubaram biso que llevavam os alarguaram dizemdo que 
aviam de vir tomar augoa ao porto desta cidade e llogo ao domynguo 
pela menhã vymte oito dias do dito mez. amanheceram as dilas três 
vellas de França defronte da bahia deste porto desta cidade e a nao e 
zabra cometeram a quererem emtrar no porlo e a gualleaçn ficou de 
mar em foia e vimdo estas duas asy (pie parecia que queryam vir a 
ssorgir lhe atiraram de terra dois tiros com hHa espera, as quaes 
vistos os tiros sribaram pêra o mar e a naao e gualeaça foram de 
mar em fora coremdo ao lomgo da ilha comtra a praia, e a zabra foy 
após híla caravella que vio hir ao llongo da terra, a quall como vio 
que ha hia allcamçando sorgio defromte de hum porto que se chama 
ho porlo do Judeu e a gente com seu fato e vellas do navio fogio pe- 
ta terra e deixaram o navio asy deserto careguado de pescado que 
vinha da pescaria, e llogo chegou a zabra a elle e o llevou á guallea- 
ça que dizião ser a capitania, llevandoa poseram bandeiras e fezeram 
synall que fosem a bordo: o mestre da caravella e Ires homens da ter- 
la foram lia e lhe pediram a caravella, e o capitão lha mandou dar e 
tomaramlhe o bafell e dezoito pipas dangoa e allgum pescado, e de 
noite se apartaram delles e ruinca os mais viram: dizse amdarem ao 
redor desta ilha. nós temos nosa ordenança de vegia, e porque todo 
asy pasa o faço saber a V. A. pêra que em todo proveja como foi 
sen serviço. 

O capitão Manoel Corte Reall me mandou ho ano pasado a esta 
ilha hum regimento e ordenaçam que V. A. mandou fazer acerca das 
armas que todos seus vasallos seram hobriguados a ter e do ilamça- 
mento delias as quaes aviam de vir do reiío e ale ora nam vieram: 
havia no allmazem de V. A. certas espinguardas e alcabuzes. pratica- 
mos Pêro Annes do Camlo e o comtador e eu que seria bem e servi- 
ço de V. A. pêra que as livesem llimpas e prestes pêra quamdo con)- 
prise que se allguas pesoas dos moradores da cidade as quisesem to- 



AHCHIVO IXtS AÇOHtS (U) 

uiHi' lhas (Jesem com obiiguaçam de as emlregaarem (juando lhas pe- 
direm, e asy se fez e muylas pescas as tomai am. faço saber a V. A. 
todo asy meiídamenle peia que em todo proveja o que ao diamte se 
Iara acomlecendo cousas desta callidade. Ho umi immemso e eterno 
Deos ha vida e estado reall de V. A. e da Rainha e pryncipe iKtsso 
senhor acrecemte peia seu samto serviço amem. Escrita nesta sua ci- 
tlade dAngra da ilha Terceiía aos xix {19 > dias de março de jb' e lij 
{ 1ÕÒ2) anos — o criado de V. A. 

Manoel pAGHEQid dk Lima. 

fSobreesvríptn) Pêra eirei noso senhor=do ouvidor da cidade dAii- 
íiia de cousas de seu serviço. 

(Arc/i. nac. da T. do 7',. Corj/. Chnni. Ptirt. l.\ nnir. 87, ik /.V-V. i 



Alvará fazendo mercê de 250^000 rs. de juro a D. Ál- 
varo de Castro, Capitão das ilhas do Fayal e Pico, 
em troca da dita Capitania. Fevereiro de 1553. 

Kn el Rey faço saber a quantos este meu alvará viíeiii (pie eu te- 
iilio feito mercê ;i dom Álvaro de (-rasto fidalguo de minha cassa, da 
capitania das ilhas do Fayal e do Pico com duzentos e cimcoenta mil 
reis de juro. a saber: o (|ue reinderem as remdas delas que perten- 
cem aos capitães e o mais per hum padram de fora, pelo que ey por 
bem e me praz que não querendo o dito dom Álvaro de Crasto a ca- 
pitania das ditas ilhas do Fayal e do Pico e alargando-ma dentro de 
seis annos que se começaram da feitura deste meu alvará em diante, 
e assi a remda delas que pertence aos capitães e o mais que de mim 
them per padram de fora de lhe f.izer mercê dos dilo^; duzentos e cim- 
coenta mil reis de juro em cada hum anno paguos no meu feitor das 
ilhas. E de demtro dos ditos seis annos lhe fazer mercê doutra cou- 
sa equivalemte aa capitania das ditas ilhas somente sem a remda 
delas, e para sua guarda e minha lembrança lhe mandei dar este meu 
alvará o qual queio que valha e lenha força e vigor como se fose car- 
ta feita em meu nome asinada por mim e pasada por chancelaria, 
sem embargo da ordenação do 2.° I.° tit. 20 que diz que as coussas 
cujo efeito ouver de durar mais de hnm anuo passem per cartas e 
passando [)er alvarás nã(t valham, e posto que este não seja passadn 
poi a dita chancelaria sem embarguo da ordenaçnni que o conlrairo 



70 ARCHIVO DOS AÇORES 

dispõem. Pantaliam Rebelo o fez em Lixboa a (*) <Je fevereiro de l5o3. 
Alvará de dom Álvaro de Crasto para vossa Alteza ver. 

iÁrrh. nac. da T. do T.. Corp. Chron. Pari. i'.\ maç. .91- n.'^ 70.) 



Carta a Elrei, de Manoel Pactieco de Lima, Ouvidor da 

Capitania d' Angra, de 31 de Setembro de 1553, im- 

formando a respeito de uma armada Franceza. 

Senhoi — Ao mar damtre estas ilhas veo ter hua armada de Fran- 
ca (|iie dizem ser a (]ne fez a emtrada na ilha da Pallma a qnal man- 
don hna zabra á ilha do Faiall a saber novas da terra e darmada de 
Castella homde estava e na dita zabra veo hum homem portngnes qne 
diz (jne tomaram na ilha de Samta Maria a qnem o dito capitão de 
Framça tinha feito grandes promesas se lhe lornase com recado o 
ipiall homem nam (jnys tornar na zabra e se deixon ticar em terra e 
a zabra se foy sem ele. o (]ual homem veo ter a esta cidade dAmgra 
homde nos den imformação ao corregedor e Pêro .\nnes do Canto e 
a mym de como a dita armada era a que deu na Pallma e que vinha 
buscar a armada de Castella a quall armada de (3astella estava ao tem- 
po que a zabra cheguou na ilha de Sam Jorge, no porto das Vellas 
honde lhe foy llogno dado avi.sso da dita armada de França, com bre- 
vidade se apercebeo de alguas cousas e se fez llogno ha vella dizen- 
do que se hia sua via ao (^orvo a guardar a frota que esperava de 
Peruu. a que era enviado, e diz (jue fez ho caminho e via pela pró- 
pria parajem homde lhe diseram que andavam os francezes: até oje 
nam se ssonbe mais se ouve amlre eles illgum recomtro de guerra, 
os francezes diz (]ue eram oito vellas. e as castelhanas sete, todas 
hfias e outras gduito armadas, de muita gente e armas e artelharias. 

Foy, senhor, muito boa a lembrança que fez das armas por virem a 
Iam bom tempo e comjumçam. E nesta capitania as tomaram hos mo- 
radores conhecemdo a mercê que V. A. nos fez a todos em aver por 
seu servyço que as trouvesem e esta feita muita gente darcabuzes e 
espinguardas, assy nesta cidade como na capitanya da Praya, e asy 
dizem que he em todas as outras ilhas, asy que nos tomou ja a nova 
desta armada de França em boa comjumçam com armas pêra nos po- 
dermos defemder e ofemder a quem nos vier buscar, e tanto que nos 



(•) O dia ficou em branco, ou porque se passou outro alvará com outra da- 
fa, ou porque não chegou a dar-se execução a este. 

{Nota do Sr. J. L de Brito Rebelto.) 



AKCHIVO DOS AÇOKES 71 

tuy dada a dila nova desta armada amdai' de redor deslas ilhas nos a- 
jumtamos lloguo juizes, vereadores, corregedor, Pêro Annes do Canilo 
e eu, e se proveo em todo o que oom|)ria a ^ervyço de V. A. peta 
guarda e defemsam da teria e cidade temdo nosas vigias e estancias 
dartelharia como ja outras vezes fizemos e nesta ordenança estaremos 
até avermos nova do (jue he feito desta aunada ou que via llevou. O 
inuy piadoso senhor Deus acrecemte^^a vida e reall estado de V. A. e 
da Bainha e pryncipe nosso senhor j^era seu santo serviço amem. Es- 
crita nesta sua cidade d Angra ao deradeiro dia de Setembro de 155IÍ 
anos. lio criado de V. A. 

Manoell Pachiíquo Dii Lima. 

(Sobre(\scripto) Peia el rey noso senhor, de AJanoel Pachequo de 
Lima ouvidor da ca[)itania dAngia. de cousas de serviço de sua alteza. 

icota) Manoel Pacheco de Lima, ouvidor da capitania dAngra — se- 
tembro=Anno 53— de hua armada franceza. 

(Ardi. mic. da T. do 7'., Corp. Clivou. Parf. i.^, mar. 91 -n.'' 21.j 



Certidão d'exame do Bacharel António Tavares, de 22 
de Setembro de 1554. 

Item. em Lixboa a xxij [22) de setembro de L^54 foy examinado 
o bacharel Antonid Tavares natural da Ilha de São iMigele mostrou o 
titulo de seu graao que lhe foi dado em Salauianca e foy aprovado pe- 
los desembargadores do paço abaixo asynados em Lisboa-=Gaspaj-. =^ 
Dom Simão-=Franciscus=Franciscus.= 

Tem uma nota ao lado que diz=foi por juiz pir-A Tavira — e outra 
(|ue ú'\z= finado. 

(Arrli. nac. da T. do 7'., Sala M.— csf. d- n." 870 -f. lOU v.""} 



Certidão d'exame do Bacharel Sebastião Velho Cabral, 
de 19 de Julho de 1556. 

Item— em Lixboa a xxix \2h]áç jidho de l^iod foi examinado o ba- 
chaiel Hastiãd Velho (:al)rall naturall da cidade dAngra da ilha Ter- 
ceira o (inal mostrou o tilnlo de seu graao de Hacharel cm Leix (|ne 



rz 



ARCHIVO DOS AÇORES 



lhe foi dado em Sallamanca e prova doito cursos na universidade tÍR 
Coymbra e foy aprovado pellos desembargadores do paço abaixo asy- 
nado=Gaspar=Franciscus=Alvide. 

Diz a nota á margem: foy juiz pêra Allmodovar com a jnrdição dos 
padrões. 

(Arch. nac. da T. do T., Sala M-est. fj—n." 870— f. UH r/) 



Alvará de 7 de Julho de 1557, confirmando a compra de 
umas casas em S. Miguel. 

El] el Rey faço saber aos que esle meu allvara virem (jue Gaspar 
Hoyz allfayate mor;idor na cidade da Pomta Delguada da Ilha de Sam 
.Vligel me enviou dizer que o Licenciado Gonçalo Nunes dAres que 
foy contador de minha fazenda na contadoria da dita Ilha lhe veinde- 
ra e arematara em preguão o ano de b'^ lij (552) por preço e comtia 
de seis mill e dozentos e cimijoemta reis o terço de huns chãos que 
foram de Joaii) Paeez, (jue foy allmoxaiife do allmoxarifadu da dita Ilha 
a (|ue foy tomado e metido nos próprios delia por dividas que ticon 
devemdo de seu recibymento os quaes bj ijl rs. {6^250 rs.) o dito Guas- 
par Hoiz logo paguara e emtreguara a Symão Roiz Rebelo que sérvio 
de allmoxarife do dito allmoxarifado sobre o qual fforão careguados 
em recepta segundo era declarado em hua carta teslemnnhall que di- 
so tirou damte o Licenciado Lourenço Corea, comtador (*) que ora lie 
da dita comtadoria asynada por elle que apresemtava: dos quaees 
chãos os outros dous terços herão delle dito Guaspar Roiz pedyndo- 
me que lhe mandase pasar provisão de vemda do dito terço. E visto 
seu requerimento e a dita carta testemunhall per que consta o dito 
(iuaspar Roiz ler paguos e emlregues os ditos bj ijl {6''S2õO) reis ao 
dito Simão Royz allmoxarife e serem sobre elle careguados em rece- 
pta lhe mandey dar este allvarà de vemda do dito terço dos chãos que 
forão de Johão Paeez iou Alvarps?) e se tomou pêra minha fazenda e 
meleo nos próprios, e parte, da bamda do levante com Ruy Pereira, e 
tio norte com chãos de Manoel Allmeida (?) e da bamda do sul com 
(Ultra (sic) rua pubrica e do poemte com casas de Manoel do Porto: 
e isto peio dito preço e comtia de bj ij L^"* (6é250) reis por que 
lhos vemdeo e aramalou o dito contador Gonçalo Nunes: a quall vem- 
da aprovo e ey por boa e quero e me praz que o dito Guaspar Roiz 



(•) O Licenriado Loun^nço Corrêa foi também .luiz de Fora por Alvará de 
â4 de Outubro de 1534. 



ARCHIVO DOS AÇORES 73 

tenlia e aja o dito terço dos chãos pêra sempre pêra elle e todos 
seus herdeiros e os logre e pusaa como cousa sua própria que 
he asy e da maneira que tem e posue os outros dous terços e 
como a mim pertencia e portamto mando ao dito contador da conta- 
doria da Ilha de São Migel que dê a pose do dito terço dos chãos ao 
dito Giiaspar Roiz e lho deixe ter e posuyr pêra sy e seus herdeiros 
como dito he e quaes quer outros meus ofeciaees a que este for mos- 
trado e o conhecimento delle pertemcer que o cumprão e guardem 
como se nelle contem e o dito contador porá verba no Livro dos pró- 
prios da dita comtadoria no asemto do dito terço dos chãos que asy 
foy tomado ao dito Joham Paeez de como se vemdeo ao dito Guaspar 
Koiz e he seu e lhe pasaraa diso sua certidão nas costas deste que 
teraa por tilolo do dito terço do chão que comprou e este allvara ey 
por bem que valha e tenha f jrça e vyguor como se fose carta feyta em 
meu nome per mim asynada e pasada per minha chancelaria sem em- 
bargue da ordenaçam do segundo Livro titolo xx (20) que diz que as 
cousas cujo effeito ande de durar mais de hum anno pasera per car- 
tas e per allvarás não valhão. Dioguo Lopez o fez em Lixboa a bij (7) 
dias de julho de jb'' Lbij (/õ/57) -E eu Duarte Dias o fiz escrepver— 
Diziam os risquados— Regimento— x. — Comcertado, Pêro dOliveira — 
fomcertado, Sebastião (?) da Costa. 

{Arch. nac. da T. do T., Chrmc. de D. João III, Lii\" LIV, f. 318 

rt^rso.) 



Sentença de 1 de Março de 1553, a favor de Joane An- 
nes de Góes, da Ilha do Fayal. 

D.)m Sebastião d-.^ A quantos esta minha carta virem faço saber 
que Joane Annes de Góes mfirador na ilha do Fayal me enviou dizer 
per sua petição que servindo elle de Vereador da dita ilha no anno 
de jb e Ib (1)55} um Simão Miscarenhas quiz carregar camtidade de 
trigo pêra fora contra regimento da terra e que elle suplicante lho im- 
pediu como justiça e por impedimento o dito Mascarenhas lhe resistiu 
com armas e palavras em xxbj (26) dagosto do dito anno de que fez 
autos com um Lazaro Dias tabellião e o prendeu e pêra se livrar da 
dita culpa elle Mascarenhas, um Marcos Dias, tabelião do publico e ju- 
dicial outrosym na dita ilha [lassou um instrumento falso e deu nelle 
fés falsas o (jual lhe passou em vimte e oito dias de julho de b e Ibj 
{056} o que todo foi em prejuízo delle supplicante por lhe danificar 
sua justiça dizendo (pie era suspeição intentada ao escrivam com <jueni 

N.o i9_Vol. IV— 1882. IO 



74 ARCHIVO DOS AÇORES 

fez os autos e inquirições e no anno de jb e Ibj {15õ6) fez uma pro- 
curação a Rosa ifAndrade, moradora na ilha pêra seu marido Fran- 
cisco Dutra sem escrepver dia nem mez por que lhe deu de perda 
bem cem mil reis, e fez mais no anno de b e Ij {551) sendo elle Mar- 
cos Dias escripvam de um feito dantre Pêro Gaspar e Gonçalo Annes. 
na ilha moradores, tirou folhas do dito feito e melteu outras em con- 
trario do que tinha escripto e no anno de b r ix {549) deu fé que cilá- 
ra André Pires Goularte pêra um feito antre elle e um António Dutra 
não estando elle ao tal tempo na ilha. como se provará por o feilo 
que deu fé em contrario dos autos de que estava escripto. Item no 
anno de b e Ibij {557) em um feito antre Gaspar Homem e o dito An- 
tónio Dutra estando publicada o juiz delle que não recebia uma apel- 
lação a uma das pnrtes respausou {raspou) o— não— . e ficava - apella- 
ção recebida—: e tirando a parte instrumento agravando-se delle tabel- 
lião lhe pagou as custas por que se calasse: pelos quaes erros e cada 
um delleso dito Marcos Dias perdia <is ditos olTicios e eu os podia com 
direito dar a quem minha raeicê fosse: pedindo-me o dito Joane Annes 
de Góes que lhes fizesse delles mercê por quanto era auto {aptrí. |)era 
os servir; e visto por mim seu dizer e porem confiando delle dito Joane 
Annes que é tal que no que ho encarregar me servirá bem e fielmente 
como a meu serviço e bem das partes cumpre e por lhe fazer mercê 
tenho por bem e lha faço dos ditos (jíTicios se assim é que o dito Mar- 
cos Dias fez os ditos erios e por ele >e perdem pêra mim e lhos eri 
com direito dar posso a esta mercê lhe faço per- virtude de rrm meu 
alvará per mim assignado e passado per minha chancelaria do qual o 
trellado de verbo ad verbo é o seguinte: — Desembargadores do paço. 
amigos, eu hei por bem de fazer mercê a Joanne Armes de Góes. mo- 
rador na ilha do Faial dos oíTrcios de tabellião do publico e judicial da 
dita ilha se assim é que Marcos Dias cujos, diz, que os ditos oíficios 
são os perde pelos erros coutheudos na dita petição, o qual Joannr 
Annes foi examinado e havido por auto pêra os servir pelo Licencia- 
do Braz d'Alvide do meu conselho e meu desembargador do paço e 
esto me praz assim não sendo o dito Marcos Dias ja acusado por- ca- 
da um dos dilos erros ou culpado nelles em alguns autos ou devassa> 
ou inquirições judiciaes, marido-vos que ao dito Joanne Annes pasès 
carta em for^ma dos ditos oíírcios pagando primeiro os direitos orde- 
nados e porem não havendo hi outra prova dos ditos er r-os pêra o di- 
to Marcos Dias haver de perder os ditos oflicios senão srra confissão 
posto que os elle pela tal confissão |)erqua estão per sentença julga- 
dos por perdidos não haver'á o dito Joanne Annns por virtude da dita 
carta os ditos oíficios e err poderei prover delles a qualquer outra pes- 
soa que houver por l^em. Balthasar- da Costa o fez em LisLioa a quin- 
ze de fevereiro de jb e Ibiij {1558). — E porem mando aos Jrrizes da 
dita ilha do Fayal e a todolos outros officiaes e pessoas a que esta 
carta for mostrada e o conhecimento delia pertencer, ijue sendo pe- 



A.BCHIVO DOS AÇOKES 75 

ranle elles citado o dito Marcos Dias o ouçam judicialmente e o dito 
Joaiiiie Annes, tirando sobre o dito caso inquirição judicial e indo pe- 
lo feito em deante como é ordenado, e achando que é assim como o 
dito Joanne Annes diz e que pelos ditos erros ou cada um delles o di- 
to Marcos Dias perde os ditos oflicios o julguem assim por sua senten- 
ça definitiva dando apellação e agravo ás partes nos casos que com 
<lireito couber e sendo o dito Marcos Dias condemnado que perca os 
ditos officios e não querendo apelar nem agravar da dita sentença vós 
apelai por parte de minha justiça e não mettereis em posse delles ao 
<lilo Joanne Annes até primeiro mostrar provisão do caso dapellação 
e mostrando-o então será meltido em posse dos ditos officios e lhes 
deixareis seivii' e delles usar e hiver as remias, direitos, proes e pre- 
ralços a elles direitamente ordenados sem duvida nem embargo algum 
(|ue lhe a isto seja posto e não havendo hi outra prova dos ditos er- 
ros pêra o dito Marcos Dias haver de perder os ditos officios senão 
sua confissão posto que os elle pela tal confissão perca e sehão (sejam) 
julgados por sentença por perdidos não haverá o dito Joanne Annes 
per virtude desta carta os ditos officios e eu proverei delles a qual- 
quer outra pessoa que houver por bem e esto me praz assim não sen- 
do o dito Marcos Dias ja accusado por cada um dos ditos eiros ou 
culpado nelles em alguns autos, devassas ou inquirições judiciaes. e 
sendo o dito Marcos Dias condemnado em perdimenlo dos ditos offi- 
cios sel-o-ha mais em dous mil reis. os quaes fareis entregar ao dito 
.Joanne Annes pelos pagar de ordenado delles os quaes entregou ao 
recebedor de minha chancellaria perante o escrivão delia que os so- 
bre elle carregou em receita como pareceu per seu conhecimento em 
forma assignado per ambos na qual chancellaiia o dito Joanne Annes 
jurará aos Santos Avangelhos que bem e verdadeiramente e como de- 
ve sirva e u.se dos ditos officios e cumpra e guarde os regimentos que 
<lella levar guardando em todo a mim meu serviço e ás partes seu di- 
reito. Dada em a cidade de Lisboa ao primeiro dia de março, el Rey 
nosso senhoi- o mandou pelo Licenciado Brás d.Alvide e por Dom Gon- 
çalo Pinheiro. Bispo de Viseu, ambos do seu conselho e seus desem- 
bargadores do paço e petições. Roque Vieira o fez, anno do nascimen- 
to de Nosso Senhor Jesus Chrislo de mill b e Lbiij° (Í5õ8) annos. E 
eu António Vieira a fiz escrever. —Não faça duvidas os risquados &.* 

(Arch. nac. da T. do T., L." 1." dm Doac. de I). Seb., f. Ô2 v.") 



76 ARCHIVO DOS AÇOBES 

Alvará de 2 de Maio de 1558, concedendo á Camará da 
Ribeira Grande a imposição sobre o vinho e carnes, 
com applicação aos concertos da Matriz e do enca- 
namento das agoas. 

Eu el Rey fago saber a quamtos este meu allvará virem que os 
juizes, vereadores e procurador da villa da Ribeira Grande da Ilha de 
São Miguel me escreverão que o povo da dita villa era obriguado re- 
pairar a Igreja Matriz delia de allguas cousas que nella esta vão pêra 
fazer e era necesario acabaremse e asy tinhão necesydade de trazer 
á dita villa per canos hua agoa de que todos bebem e que a dita a- 
goa vinha per hum reguo que não hera acabado e hera necesario a- 
cabarse e concertarse e que o concelho da dita villa nam tinha a ren- 
da nem dinheiro pêra fazer as ditas despesas pedyndome que ouvese 
por bem concederlhe imposyção no vynho e carnes que se venderem 
na dita villa pêra do rendymento da dita imposyção poderem fazer e 
repayrar as ditas cousas e amte de niso prover mandey ao ouvidor 
do capitão da dita Ilha de Sem Migel que se enformase do que asy 
desião e se tynhão necesydade de fazerem as ditas obras e quanto 
se averia mester pêra ellas e se tynha o concelho allgum dinheiro pê- 
ra as faser e se erão todos comlenles de se lançar a dita imposição 
e que de todo fizese auto e mo envyase e me escrevese seu parecer, 
ao que foy per elle salisfeyto. E visto o auto que acerqua diso fez e 
sua imformação ey por bem e me praz conceder á dita villa a dita 
imposyção no vinho que se nella vender atavernado e na carne que 
se vender aos arateis. a saber: dous ceitis niais no quartilho de vinho e 
outros dous ceitys no aratel de carne alem daquillo por que se vender 
e esto por tempo de cimquo anos soomente e do rendimento da dita 
imposyção se farão as obras acima declaradas e não outras allguas: e 
mando aos Juizes e Vereadores da dita villa que lancem a dita imposy- 
ção e facão fazer um lyvro ao escripvam da Camará pêra lecadação 
delia e o procurador do concelho receberá o rendimento delia de que 
se lhe tomará conta cada ano ate se acabarem os ditos cimquo anos 
per qiie lha comcedo e os ofeciaes que guastarem o dito rendimento 
ou parte delle salvo nas cousas sobreditas o paguarão de sua casa ao 
concelho e ey por bem que este allvara tenha força e vyguor como se 
fose carta feyta em meu nome pasada pela chancellaria sem embarguo 
da ordenaçam do Livro 2.°, t.° xx— que defende que as cousas cuj(» 
efeito ouver de durar mais de hum anno pasem per cartas e não per 
allvaras. O doctor Joham de Bayros o fez em Lixboa a dous dias do 
mes de Mayo de jb'' e Ibiij" {1558) annos. Diziam os risquados— por— 
e—Remdas.— Concertado, Pêro dOliveira— concertado. Roque Vicente. 
(Arch. nac. da T. do T., Chanc. de D. Seb., Lir.'> l."* de Prir.Jol. 
189.) 



AHCHIVO DOS AÇOHES // 

Alvará de 12 de Novembro de 1560. nomeando Almoxa- 
rife da Villa das Lages da Ilha do Pico, aquelle que 
casar com Maria Dias Gularte. 

Eu el Rey faço saber aos que este alvará virem (]ue eu hei por 
bem e me praz fazer mercê a Maria Dias de Brito, ama do principe 
meu senhor e pae que santa gloria haja, do cficio de almoxarife do 
almoxarifado da villa das Lageas da ilha do Pico que vagou per fale- 
cimento de Francisco Soares, e isto pêra a pessoa que casar com Ma- 
ria Dias Gularte (y/c) parenta da dita ama sendo auto (apto) e sufli- 
ciente pêra servir o dito oíTicio a qual pessoa antes de casar se virá 
apresentar aos vedores de minha fazenda pêra verem se é auto e a- 
chando que o é lhe passarão disso sua certidão com a qual lhe man- 
darei per virtude deste alvará passar carta em forma do dito oíTicio 
com declaração que o terá e servii á em quanio o eu houver por bem 
e não mandar o contraiio |iagando primeiro os direitos oídenados. 
E por sua guarda e minha lenibrança lhe mandei dar este alvará. 
Diogo Lopes" o fez em Lisboa a xij ( 12 ) dias de novembro de jb e Ix 
{1560). 
(Arch. nac. da T. do T., Lir. 6.^ da^ Mm-ps de D. Seh.. f. 245 r.") 



Nomeação de Belchior Gonçalves, para Alcaide da Vil- 
la da Praia na Ilha Graciosa; 1561. 

Eu el Rey mando a vos corregedor das Ilhas dos Açores que vos 
informeis se é Belchior Gonçalves, contheudo na petição atraz escripta 
do marechal, meu amado sobrinho, culpado nas devassas que se tira- 
ram sobre os oíficiaes da justiça da villa da Praia da ilha Graciosa o 
tempo que elle serviu de alcaide da dila villa, e achando que não é cul- 
pado nas ditas devassas passareis disso vossa certidão nas costas d"es- 
ta com a qual hei por bem que o dito Belchior Gonçalves possa ser- 
vir f) dito oííicio de alcaide outros três annos sem embargo da orde- 
nação em contrario e isto sendo elle apresentado pelo dito marechal e 
acceitado pelos aíTiciaes da Gamara da dita villa, conforme a ordena- 
ção. Jorge da Gosta ( o fez ? ) em Lisboa a xxiij (23) de outubro de jb 
Ixj {156V. Manoel da Gosta o fez escrever. 

{Ardi. nac. da T. do T., Lir. 6'." das Doaç. df I). Seh.. f. 428 r.°) 



78 ARCHIVO DOS AÇOBES 

Carta á Rainlia, de Jorge Mendoça. de 6 de Julho de 

1565. 

Senhora.— Vosa A. bera vyo a voinlade e o zelo que tenho em 
servir em tudo a eIRei noso senhor principalmente por Vosa A. ter 
cuidado da sua criação: heu chegei a estas ilhas a três de Julho e 
antes que surgise me derim novas que andava hua nào no Piquo e 
no Faial: fui ter com ela e a trouxe a esta ilha a qual a fiquo fazendo 
prestes pêra ha mandar ao reino poios perigos que aqui pasão: vem 
bem caregada que Iras simquo mil quinlaes de pimenta e seis cem- 
tos quintaes de drogas: as outras nãos ficavam á carega. heu espero em 
noso senhor que Iodas amde vir. que são seis nãos por que a pimenta 
coria com aver muita nos armasens ? portos? e massa cravo'! e dom 
.\mtam desejar de asertar no serviso dei Rei noso senhor e de V. A. 
As mais novidades da Imdia nam nas escrevo a V. A. por mamdar es- 
te omem da Imdia que as dará a V. A. Noso senhor vida e real estado 
acresente a V. A. por muitos anos. Desta ilha dAngra aos seis de 
Julho. 

JoHGE DK Mendoça. 

íSobreescripto) á Rainha nosa senhora. 

(cota) Rainha — lo(j5 -De Jorge de Nlendoça de bj (6*) de Julho. 

(Arch. nar. da T. do T.. Corp. Chron. Part. S.\ maç. 18—102.) 



Carta de 10 d' Abril de 1566, sobre fabricas nas Igrejas 
das Ilhas dos Açores á custa da fazenda real. 

Fernão Cabral, eu El Rei vos envio muito saudar. Eu lenho assen- 
tado que se ordenem fabricas á custa de minha fazenda em todas as 
egrejas dessas Ilhas dos .Vçores que forem de minha obrigação pêra 
as ditas igrejas poderem ser melhor providas e repairadas do que lhes 
for necessário, e para isto poder aver eíTeito hei por bem e vos mando 
que vos informeis e saibais muito no certo quantas egrejas de minha 
obrigação ha nas ditas Ilhas, e aonde cada hua estaa. e se estaa em 
povoado, se fora delle e o nome do lugar em que assi estaa. e o mo- 
do do edifício delia, e a fabrica que lhe será necessária, e quantos fre- 
guezes tem, e a que rende em cada hum ano, e se tenho eu obriga- 
ção á fabrica e repairo das capellas mores das ditas egrejas somente, 
o o povo ou freguezes ao corpo da egreja ou se toda esta obrigação 



ARCHIVO nos AÇORES 79 

hp minha ou do dito povo e freguezes. e da posse e costume que nis- 
t(t ha, com todas as mais particularidades e declarações que vos pare- 
cerem necessárias para bem do dito assento e limitação e fabricas, da 
(|ual informação fareis fazei' hum caderno muito bem declarado pondo 
cada egreja com suas declarações e titulo per si assinado per vos, e 
ao pé de cada hum delles poreis vosso parecer acerca da conthia que 
se deve ordenar de fabrica á igreja nelle coutheuda conssideradas as 
cousas acima ditas e inviarmeeis logo o dito caderno cerrado e sellado 
e será entregue na mesa do despacho da mesa da consciência e or- 
dens o que assi comprireis com diligencia. Gaspar de Magalhães a 
fez em Lixboa a x (10) de Abril de iSfiO annos-= Sebastião da Costa 
a fez escrever. «O Cahdeal Iffante.» 

E no Hegisto não diz mais. e estaa assinado pello dito Provedor 
Fernão Cabral. 

E na informação que estaa escripta no dito Livro que o dito Fei - 
não Cabral inviou ao dito senhor Rei por elle assinada sobre a deli- 
gencia que fez por bem da dita provisão estaa hum capitulo de que o 
ireslado he o seguinte — Por costume já muito antiguo as capellas mo- 
les e sanchristias são da obrigação do Mestre, e os corpos das igre- 
jas dos freguezes, e assi correo sempre e corre. 

E não diz mais no dito capitulo do qual passei o tresladf) e da di- 
la provisão por bem do despacho atras. Em Lixboa a xiij (IS) de Ou- 
tubi'0 d e607.— Ruy Diaz de Mene:zes. 

(Arch. nac. da T. do 7'.. Sala M.—t>st. 6'.^- vol. 871— f. Oti.j 

Esle Livro é u primeiro dos chamados — Baios— da mesa da consciência e 
iirdens, do Registo das Provisões, &.% e o único que foi recolhido á Torre do 
Tombo. 

{Nota do Sr. ./. /. de Brito RebeUo) 



Carta a Elrey. da Camará de Ponta Delg-ada, de 29 
d Abril de 1577. 

Senhor= Em onze dabril ano de 77 {lõ77}ío\ dada nesta Camará da 
Ponta Dellgada híla provizão de Y. A. em que nos manda que com o 
Juiz de fora mandasemos per' certidões o dinheiro qire nesta ilha he 
fintado pêra as fortefrqações desta cidade e o que delle he gastado 
e se se deve ainda allgum e (|irant(» he. (juein o deve e a rezão que 
ha pêra o não pagar e se ha allguas pessoas (jire peia nam pagar te- 
nham provizão de V. A. e lhe enviemos o trellado delias de modo 
(|uef aça fee por asi comprir a serviço de V. A.: e querendo nós com- 



HO ARCHIVO DOS AÇORES 

prir o não podemos fazer sem ver os Livros dos lançamentos da dita 
ilha os ijuaes estam em poder de Gonçallo Jorge escrivão das forle- 
íiiiaações ao quoal logiio no mesmo dia mandamos notefiqar pelo 
escrivão da camará os trouxese a esta camará pêra delles se tirarem 
as certidões que comprião ao serviço de V. A. como nos mandava per 
•Ima provizão que pêra iso tínhamos ao (|ue respondeo que tinha so- 
perior que era o ouvidor do (Capitão e que os nara avia de trazer a 
esta gamara sem seu mandado e loguo mandamos ao escrivão da ca- 
mará que fose a casa delle ouvidor e lhe disese que nós da parte 
de Vossa A. lhe mandávamos reijuerer maudase a G)açallo Jorge 
trouxese os Livros a esta camará pêra com elles satisfazermos a hua 
provizão de V. A. que pêra isso tinhamos ao que respondeo lhe íises- 
sem petiçj^o e que a despacharia como lhe paressese justiça e com 
esta resposta do ouvidor o Juiz mandou ao escrivão da camará note- 
tiquasse a Gonçallo Jorge com pena de degredo e dinheiro e de ser 
emprazado trouxesse os livros a esta camará e indoselhe fazer a dita 
noletiqação veio a esta camará Fedro Martins (?) escrivão da ouvidoria 
do Capitão e disse que Rui Gonçalves da Gamara nos mandava dizer 
que era emformado que mandávamos a Gonçalo Jorge escrivão das for- 
lefiqações que trouxese os Livros a esta camará os qoaes elle tinha 
em seu poder pêra fazer deligencias que V. A. lhe mandava e (jue 
acabando elle de as fazer elle mandaria loguo a Gonçalo Jorge que 
trouxese os Livros; o que ate oje não tem feito pello (jue não temos 
satisfeito a provizão de V. A. como se verá pellos autos que diso se 
tizerão de que vai o irelado autentiqo pelo (jue se verá que a deligen- 
cia se não deixou de fazer por nosa cullpa, mas por nos não darem os 
Livros, o que faremos tanto que nos forem dados e pedimos a V. A. 
(jue ate não ver estas diligencias não mande dar despacho neste nego- 
cio. Porque somos emformados que manda V. A. ir Pêro de Maeda 
mestre das fortifiqações pêra delle ser emformado das enposibilidades 
desta nova fortefliação qne he comessa ia: pedimos a V. A. em nome 
deste povo aja pur seu serviço darmos licença pêra desta ilha man- 
darmos hum procurador á custa dos concelhos delia que seja homem 
nobre com quem V. A. se posa também emformar e elle requeira 
em nome desta ilha o qu* mais seja serviço de Deos e de V. A. Nos- 
so senhor o Real estado de V. A. por muitos anos acresente. Escrita 
nesta cidade de Ponta Dellgada aos xxjx (2.9) dabril de l/lxxbij (1577i 
António Botelho escrivão da camará a fez. O juiz de fora não asinou 
por ser na ilha de santa Maria a serviço de V. A .=\Ianoell Alvarez 
(?)=Jorge Nunez Botelho ==Diogo Fereira=Anlonio Roiz=Francisc(» 
Fernandes==Manoel Pirez= 

ÍSobreescripto) A ell rei nosso senhor^da camará da cidade í\a 
Ponta Dellgada da ilha de são Migel. 

(Arch. nic. d'i T. ihi T., Corp. Cliron. P.irt. i:\ miç. Ill—n.'' 2S.) 



.\RCHIVO DOS AÇOKES 81 

Carta de Merca do Titulo de Conde de Villa Franoa, feita 
a Ruy Gonçalves da Gamara, em 17 de Junho de 15S3. 

Dom Felipe à.^ Caço snber aos que esta carta virem que havendo eii 
respeito aos muitos serviços e merecimentos de Rui Gonçalves da Ga- 
mara do meu conselho Gapitão da ilha de S.Miguel e aos que espero 
receber delle e de seus descendentes e por folgar muito de por estes 
tí outros respeitos lhe fazer honra, acrescentamento e mercê que nelle 
bem cabe, assim per todos estes respeitos como pela qualidade de sua 
pessoa e casas, crendo que sempre me servirá conforme a sua obri- 
gação, me praz e hei por bem de lhe fazer merece do titulo de Gonde 
de Villa Franca da dita ilha de Sã() .Miguel pêra ter o dito titulo em 
sua vida, e quero que d'aqui em deante se chame Gonde delia e goze 
de todas as honras, preeminências, prerogativas. auctoridade, privilé- 
gios, graças, liberdades, mercês e franquezas, que hão e tem, e de 
que uzam e sempre uzaram os Gondes destes meus reinos, assim co- 
mo per direito, uso e costume antigo lhe pertencem, dos quaes em 
tudo e por tudo quero e mando que elle inteiramente use e se (sic) 
possa usar e lhe sejam guardados em todos os autos (acíos)e tempos 
em que por direito e por uso e costume deva delles usar sem mingua- 
mento nem duvida alguma que em ello lhe seja posta, porque as>im 
é minha mercê, com o qual titulo de Gonde o dilo Ruy Gonçalves da 
Gamara terá e haverá de assentamento em cada um anuo o que di- 
leitamente lhe pertencer de que se lhe passará provisãíi em minha 
fazenda. E por firmeza de tuio o que dito é lhe mandei dar esta car- 
ta por mim assignada e passada per minha chancellaria e selkida com 
o meu sello de chumbo. Dada na cidade de Lisbia, dezesete dias do 
mez de junho, Lopo Soares a fez. anuo do nascimento de Noso Senhor 
Jezus Ghristo de jb e Ixxxiij (1583). 

{Arch. nac. da T. do T.. L" 8.° das Doac. de Filip. I, f. 124.) 



Carta de 25 dOutubro de 1601, confirmando a anterior. 

Dom Filipe à.^ faço saber aos que esta minha carta virem que el 
rei meu senhor (1) que santa gloria haja, antes do falecimento de Ruy 
Gonçalves da Gamara. Gonde de Villa Franca, que Deos perdoe, que 



(1) Faltam as palavras— í/)a!Ír<?— segundo a formula usual 

{Nota do Sr. J. I. de Brito Rebello.) 

N.° 19-Vol. IV — fSÍTá. H 



82 ARCHIVO DOS AÇOHES 

foi do seu conselho, e capitão da ilha de S. Miguef, tendo considera- 
ção a seus muitos serviços e merecimentos e por folgar muito de lhe 
fazer honra e acrescentamento e mercê, assim por estes respeitos co- 
mo pelas qualidades de sua pessoa e casa houve por bem pelos mes- 
mos respeitos e pela satisfação e contentamento que tinha de Dom 
Manuel da Camará seu filho mais velho casar com dona Leonor de 
Vilhena filha de Dom Fradiqae Henriquez, seu mordomo e de Dona 
Guiomar de Vilhena sua mulher, de fazer mercê por seu falecimento 
ao dito Dom Manoel do titulo de Conde da dita Villa Franca em sua 
vida, de que lhe mandou passar alvará de lembrança feito em Lisboa 
a dezesete de junho de mil e quinhentos oitenta e trez pêra do dito 
titulo se lhe fazer carta em forma tanto que o dito Conde seu pae fa- 
lecesse, e porquanto o dito Dom Manuel me mandou ora pedir o cum- 
primento do dito alvará por o dito seu pae ser já falecido me praz e 
hei por bem, por todos os respeitos conlheudos nesta carta que me 
são tão presentes como é razão e pela boa vontade que tenho ao dito 
Dom Manoel e por esperar delle quê toda a honra e mercê que lhe fi- 
zer ma servirá sempre como aquelles rft^ (1) que elle descende sempre 
o fizeram aos reis meus antecessores, de lhe fazer mercê do titulo de 
Conde da dita Villa de Villa Franca da ilha de S. Miguel em sua vida 
com todas as honras, preeminências, prerogativas, auctoridades e pri- 
vilégios, graças, liberdades, mercês e franquezas, e tudo o mais que 
hão e tem e de que usam e sempre usaram os Condes destes meus 
reinos, assim como por direito, uso e antigo costume delles lhe per- 
tencem, dos quaes em todo e por todo quero e mando que elle junta- 
mente use e possa usar e lhe sejam guardados em todos os autos (a- 
(■tos)e tempos em que de direito e por uso e costume delias elle deva e 
possa de tudo usar sem duvida, nem minguamento algum por que assim 
é minha mercê, e mando aos Vedores de minha fazenda que lhe façam 
fazer carta em forma de assentamento com o dito titulo de Conde, 
segundo ordenança, e por firmeza de tudo o que dito é lhe mandei 
dar esta carta por mim assignada e passada por minha chancellaria 
e asellada cora o meu sello pendente. Luiz Falcão a fez a xxb (25) di- 
as do mez de outubro, anno de Nosso senhor Jesus Christo de mil e 
bj^^e hfi (1601) E eu o secretario Christovão Soares a fiz escrever. Diz 
nas antrelinhas — fazer= Chistovão= e risquei=Lopo= Concertada, 
Pêro Castanho. 

(Arch. nac. da T. do T., Liv. 10." das Doaç. de Filip. 11, f. 103 v.".) 



(1) Esta partícula falta no legísto. 



{Nota do Sr. J. I. de Brito Rebello.) 



AHCHIVO DOS AÇOBES 83 

Carta de 12 de Dezembro de 1601, fazendo mercê a D. 
Manoel da Camará, Conde de Villa Franca, da ten- 
ça de 102^860 rs. 

Dom Filippe cV/ faço saber aos que esta minha carta virem que 
eu hei por bem e me praz que Dom Manuel da Camará a quem lenho 
feilo mercê do titulo de Conde de Villa Franca da ilha de São Miguel 
em sua vida lenha e haja de minha fazenda cento e dois mil outocen- 
los e sessenta reis de assentamento cada anno com o dito titulo de 
Conde, que é o assentamento ordinário que com elle ha de haver, 
e portanto mando a Dom Fernando de Noronha Conde de Linhares, 
meu muito amado sobrinho, do meu Conselho do estado e Vedor de 
minha fazenda que lhe faça assentar os ditos cento e dous mil oito 
centos e sessenta reis nos livros delia, e de vinte e cinco de outubro 
de seiscentos e ura em deante que lhe fiz mercê do dito titulo de Con- 
de levar cada anno em parte em que delle haja bom pagamento, 
constando-lhe primeiro por certidão nas costas desta do escrivão da 
matricula dos moradores de minha casa, de como o dito Dom Manuel 
não ha de vencer mais do dito tempo em deante a moradia que ven- 
cia em minha corte por lhe fazer mercê do dito titulo de Conde, e por 
firmeza do que dito é lhe mandei dar estacaria por mim assignada 
e asellada do sello pendente. Balthazarf?) de Sousa a fez em Lisboa a 
xij {12) de Dezembro de bj' e huu (1601). Sebastião Pereslrello a 
fez escrever. 

íArch. nac. da T. do T. Liv. Z."* das Doaç. de Filípp. II, f. 289 v".) 



Carta de 1 de Julho de 1628, fazendo mercê do titulo de 
Conde de Villa Franca a D. Rodrigo da Camará, fi- 
lho de D. Manoel da Camará, para si e seus des- 
cendentes. 

Dom Felippe á.^ Faço saber aos que esta minha carta virem que 
iia vendo eu respeito a Dona .Maria Continha, filha do Conde da Vidi- 
gueira Dom Francisco da Gama, almirante da Índia, do meu conselho 
de estado, e gentil-homem de minha Camará, haver servido de dama 
à rainha minha sobre todas muito amada e muito prezada mulher, e a 
se ter tratado, com licença minha, casamento entre ella e Dom Ro- 
drigo da Camará, filho do Conde de Villa Franca, Dom Manoel da Ca- 



84 ABCHIVO DOS AÇORES 

mara, que Deos perdoe, e estar effeiluado o dito casamento, se ao' 
serviços do dito Dom Rodrigo, merecimentos e qualidades que concor- 
rem em sua pessoa, e a como por tudo é razão que receba de mim 
honra; acrescentamento e mercê, e por folgar de lha fazer, tendo por 
certo que sempre ma conhecerá e servirá conforme sua obrigação, me 
praz e hei por bem de lhe fazer mercê do titulo de Conde de Villa 
Franca, de juro, nos descendentes deste matrimonio, a qual mercê lhe 
faço alem das mais que pelos ditos respeitos lhe tenho {feito'!) e cou» 
ella haverá e gozará de todas as homas, preeminências, prerogativas. 
auctoridades, privilégios, graças, liberdades, mercês e franquezas que 
hão e tem e de que uzam e sempre uzaram e devem uzar os Condes 
destes meus reinos, assim como de direito usam e antigo costume 
delle lhe pertence, das quaes em ludo e por tudo quero e mando que 
elle use e possa uzar, e lhe sejam guardadas em todos os actos e tem- 
pos em que com direito, uso e costume, deva usar e gozar sem duvi- 
da nem mingoamento algum, e com o dito tilulo de Conde haverá o 
assentamento que lhe pertencer, de que se lhe passará provisão no 
Conselho ee minha fazenda, e por firmeza de tudo o que dito é lhe 
mandei dar esta carta por mim assignada, passada por minha chan- 
cellaria e sellada com o meu sello pendente. Dada na cidade de Lis- 
boa ao primeiío dia do mez de julho. António Corrêa a fez anno de 
mil e seis centos e vinte e oito. O secretario Christovão Soares a fez. 
escrever=Concertada, Thomé Pereira de Andrade. 
(Arch. nac. da T. do T., Liv. 22.'' das Donc. de D. FUipp. III, f. 122) 

No mesmo Arch. Nacional, L.^ 31.'' das Doaç. de Fiiip. II. f. 345 
?'.", se encontra uma Carta de D. Filippe G.**, (idêntica á de D. Filippe 
2." de 12 de dezembro de 1601, impressa atraz a p. 83 d'esle vol.) 
mandando fazer o assentamento de 102j$18C0 pelo titulo de Conde de 
juro a D. Rodrigo da Camará, desde o I.** de julho de 1628 em dean- 
te, em que lhe foi dado o titulo de Conde de Villa Franca da ilha de 
S. Miguel, e era o mesmo assentamento que tinha o Conde D. Manuel 
da Camará seu Pae, não devendo mais vencer desde o dito dia a mo- 
radia que tinha até ahi. Carta em forma. Luiz de Lemos a fez em 
Lisboa a 13 de dezembro de 1629. Sebastião Pereslrello a fez escre- 
ver. 



Oarta a elreí da Camará da Villa das Lages, da ilha do 
Pico, fazendo vários pedidos, de 30 de Junho de 1586. 

Apontamentos das cousas que os (-ficiaes da Camaia da Villa dai 



AKCHIVO DOS AÇORKS 85 

Lages em nome do povo pedem a sua Magestade lhe faça merco con- 
ceder como por sua carta pedem. 

11. pcimeiramenle pedimos a V. M.'''' nos faça mercê de mandar 
ao capilão e governador desta ilha Jerónimo Dutra Corte Real que 
nesa coiie reside (pie se veidia comprir com a //obiigaçHo de sen car- 
go e rizida nestas ilhas donde he capilão peia nos reger e </overnar 
porque com elle todos seremos conformes e estaremos prestes pêra 
morrer em defensam desta ilha e en todo mais no serviço de V. Mg.'''' 
porque como não temos cabesa que nos reja e governe estamos em 
muito perigo de sei mos entrados dos luteranoi^. 

II. que vindo elle nos faça V. M.'''" mercê por esta ilha df> Piíjno 
estar pobre e sem nenhuas aimas de nos mandar dai' sem {100} ai- 
cabuzes com todas as monições; e sem (100) lansas e sem {100) pi- 
ques e outras tantas espadas porque sem estas armas não poderemos 
defender a terífl porque (» outro verão pasado com muito trabalho e 
|)erigo noso acudimos a defender dos luteranos que em alguinas par- 
tes quizeram entrar com bastões e ás pedradas como he notório. 

It. lambem pedem a V. iVl.*''' por quoanto nesta ilha do Piquo ha 
muitas criações de gado e ha muitos homens vadios que não querem 
trabalhar e vivem puramente de furtar e roubar pelos matos os gados 
e pêra ese efeito se vam a fazei' casas de palha pelos matos e lá vi- 
vem [)era mais a seu salvo furtarem e não serem vistos o ()ue he cau- 
sa de grande destruição dos gados e das almas sem lhe poderem va- 
ler pelo que se se não atalhar em pouqos tempos se perderá tudo o 
que é grande prejuízo de vosa fazenda e do bem comum e dos solda- 
dos que V. M.*^^ tem na ilha Terceira por se sustentarem dí»s gados 
que vão desta ilha o mais do tempo, aja por bem que o capitão dela 
ou seu ouvidor com os oficiaes da Camará com os homens da gover- 
nança tomando emformação dos que isto fazem sem mais outra ordem 
de juízo os desterrem por serio tempo fora da ilha até lerem emmen- 
da ou que lhe mandem que venhão a morar dentro na vila porque 
desta maneira arcarão donde trabalhar por seu jornal. 

II. pidimos mais a V. M.'*'' aja por seu serviço que as devaças que 
se tiram cada anno dos que compram trigo pêra tornar a vender e 
dos que cação com redes e pêz e burel e almassega e outras couzas 
que a lei mande que se soem a tirar se nam tirem por a ilha ser tam 
pobre e não poderem os homens viver doutra maneira o que he gran- 
de opresão pêra o povo. 

II. Mais pedimos a V. M.'^*' nos faça meicê de aver por bem que 
os almotaceis que emlegem em camará sirvam lies mezes assim como 
tem concedido à ilha Terceira e á ilha do Fayal que he ludo bua capi 
tania porque como ha poucos homens nobres nam acham quem sirni 
d-.'* outros se escuzão por privilégios de maneira que dão mnitft tra- 
balho. 

II. Pidimos mais a V. M.''" ijuh pnr ;is igrejíK» desta ilha serem po- 



8t> ARCHIVO DOS AÇORES . 

bres e os moradores dela V. M.**^ como governador e perpetuo admi- 
nistrador do mestrado de xpõ (Christo) tem obrigação de as favorecer 
pois resebe os dízimos, aja por bem de conceder que as igrejas e be- 
nefícios não servidos, o rendimentos (sic) deles sejam pêra as fabricas 
peqenas das ditas igrejas. A 30 de junho de 1586 annos. 

(Arch. nac. da T. do T., Corp. Chron., Part. í.^ maç. 112~n.^ 14.) 

As syJlabas ou palavras em itálico substituem as que se não podem ler, por 
deterioração da margem da folha. 

A' margem do 2.» § diz luna cota — Diogo Velho. — A' margem dos 3.", 4." e 
5.» lô-se— Pêro de Seixas;— Ao lado do ultimo ainda se distinguem as palavras-- 
. . . com . . . Bispo dAngra. — 

{Notas do Sr. J. I. de Bi ilo Rebello.) 



Alvará de 7 de Julho de 1586, para a Gamara da ilha de 

Santa Maria, receber por mais 5 annos a imposição 

sobre a carne e vinho. 

Eu el rey faço saber aos que este alvará virem que avendo res- 
peito as causas que os oíTeciaos da Camará da ilha de Santa Maria a- 
iegão uo treslado do capitólio da carta que me escreverão escrito na 
outra mea folha atras e vista a deligencia que o provedor da dita ilha 
indo a ella por coreição em absencia (auzencia) do provedor das ilhas 
dos açores per meu mandado fez e me enviou com sua informação e 
parecer acerca do conlheudo no dito capitólio ey por bem e me praz de 
('onceder aos ditos olTiciaes da camará por tempo de cinco annos mais 
alem do tempo que lhes ja foi daiio a imposição da mesma ilha, nos 
vinhos e carnes (*) e ysto pêra a despesa que se faz na obra da agoa 
que a ella pertendem trazer, e para o repairo dos lázaros <jue ahy ha, 
o que as.sy me praz pela ordem e com as lymitações que se conteiu- 
na provisão ou provisões que sobre a dita imposição lhe são concedi- 
das e não em outra maneira, com declaração, que os juizes da dita 
ilha de Santa Maria facão embaicar os ditos lázaros pêra o ospital da 
villa de villa Franqua do Campo da ilha de Sam Migel. omde darão 
l)era sua sustentação quinze mil reis cada anno de rendimento da di- 
ta imposição, visto como pela dita informação constou não aver na 
ilha de Sant;» Maria ordem pêra se poderem repairar, e andarem me- 
tidos pelas casas na conversação (ia gente sem ouvirem misa nem se 
sacramentarem, e o dito ospital de villa Franqua ser muito acomoda - 



■) No 3." vol. d'este Archivo p. 458. 



A.RCHIVO DOS AÇOKES 87 

tlu pêra o aposento dos ditos lázaros e em hua noite se poder passar 
de hria parle a outra: e mando ao provedor das ilhas dos açores e em 
sua absencia ao provedor da dita ilha de Santa Maria indo a ella per 
coreigão que ora são e pelo dito tempo forem e aos ditos offeciaes da 
camará e as mais justiças e pesoas a que pertencer que pela manei- 
ra sobredila facão a dita despesa e ordenem com que o dinheiro da 
imposição se arecade de que o dito provedor se informará e proverá 
na forma das provisões sobre esta concessão ja passadas as quaes 
juntamente comprirão e assy este alvará como se nelle contem sem a 
ysso ser ptjsta duvida nem embargo algum o qual me praz valha, te- 
nha força e vigor posto que o eíTeilo delle aja de durar mais de hum 
anno sem embarguo da ordenação do segundo livro litollo vinte que 
o contrario dispõem, e bem assy mando aos juizes e officiaes da ca- 
mará, justiças e mais pessoas da dita villa de villa Franqna que indo 
os ditos lázaros da ilha de Santa Maria no modo aqui declarado, os a- 
ceitem e recolhão logo no dito hospital sem alteraçam alguma em con- 
trario como convém que seja pêra o que lhes será levado o treslado 
autentico deste alvará. Pêro de Seixas o fez em Lixboa a sete de ju- 
ho de jb*" e Ixxx bj {1086) 

Arch. nac. da T. do T., Liv. 1.'^ de Privil. de Vilipp. 1. f. JfJ2 , 



Alvará de 23 de Março de 1587, sobre o lançamento d'u- 

ma finta de 2:500 cruzados, destinada á construcção 

da Ponte da Ribeira Grande. 

Eu el Rey faço saber a vós provedor das Ilhas dos Açores ou a 
quem o dito cargo servir que vista a emformação que me iuviastes e 
vos mandei tomar a requerimento dos offeciaes da camará da Villa 
da Ribeira Grande da Ilha de Sam Migel sobre a ponte da dita villa 
que foi levada com o teramoto e he muito necessária fazerse de novo 
no lugar omde esteve a ponte antiga da qual ficou parte dos alicer- 
ses por a de que se servem ser de madeira e estar nelles asemtada 
como me escreveis ey por bem que a dita ponte se faça de novo no 
iugar em que estava a ponte velha pela traça que com voso pare- 
cer os ditos offeciaes da camará asemtarem e por tanto vos mando 
que tanto que este alvará vos for apresentado t\içaes logo poer 
em pregão a obra da dita ponte e receberes o menor lanço e mais 
seguro não excedendo a contia dos dous mil e quinhentos cruzados 
que no modo abaixo declarado me praz de conceder por íujla pêra 
:! dita obra. o qual lanço recebereis com as cJausullas ordinárias de 



88 ARCHIVO DOS AÇORES 

se não chamarem a engano nem lesão nem poderem acerqua disso 
alegar cousa algua e com as mais declarações e obrigações necessa- 
lias, e tanto que a dita obra da ponte estiver orçada (?) no dito l.in- 
ço, fareis fazer disso hum termo cm que vos asignareis com os mes- 
tres que a tomarem e assy com os ditos oíTeciaes da camará no qual 
termo se declararão e especeficarão as ditas clausullas pêra que se 
não possa alegar em favor dos ditos mestres da ubra cousa (|ue os 
releve de a fazerem e acabarem de lodo conforme a seu contrato, pê- 
ra a qual ey por bem que se lance fintas pelos moradores ^r dita 
villa (ia Ribeira Grande e seu termo que ahy tiverem suas fazendas e 
rendas e assy pelas pessoas que na dita villa e termo tem as ditas 
fazendas e rendas posto que não sejão nella moradores e ysto até 
conlia de dous mil e quinhentos cruzados que pela dita informação 
constou serem pêra este eíT<iito necessários, teni) respeito que os 
(]ue frequentarem mais a passagem da dita ponte paguem mais que 
os que tiverem por ella menos serventia, a qual finta se lançará na 
forma da ordenação e tempo de Ires annos por igual parte em cada' 
hum delles, e na camará da liita villa da Ribeira Grande se elegerão 
duas pessoas abonadas e de confiança pêra que durante o dito tem- 
po de três annos sirva hum de recebedor e depositário do dinheiro 
que se for arecadando per virtude da dita fi;ita e outro de escrivão 
da receita e despesa do dito dinheiro e cada hum terá seu Livro con- 
certado e asinado pelo vereador mais velho da dila villa que ao tem- 
po for e terão ambos as folhas numeradas e asinadas por elle e no fim 
de cada hum dos ditos dous Livros faraa o dito vereador fazer hum a- 
senlo em que se asinara no qual declare quantas folh is forem e como 
são todas numeradas e asinadas per elle tudo conforme a ordenação, e 
o dinheiro da dila tinta senão poderá dispemler em outra cousa algua 
mais que na obra da dita ponte que he o pêra que somente a conce- 
do e vós dito provedor como a dita obra se acabar de todo tomareis 
conta do dinheiro que foy entregue ao dito recebedor e deposilairo 
e vereis o seu Livro e o do dito escrivão e cotejaiio hum com o outro 
e mais papeis sabereis se se lançou a finta e fez a despeza na maneira 
neste alvará declarada, e o modo que se niso leve e se se fintarão 
mais que os ditos dous mil e quinhentos cruzados e achando nisto al- 
gus comprendidos procedereis contra elles como for justiça dando a- 
pellação e agravo nos casos em que couber, e o dinheiro da dita fin- 
ta fareis arecadar com muita brevidade e pêra ysso dareis a ordem 
que virdes que he necessária posto que seja fora de vosa jurdição da 
qual finta ipie asy for lançada não será escusa pessoa algua das so- 
breditas de (Qualquer calidade e condiçam que seja e assy como o di- 
nheiro delia se for arecadando se yrão fazendo os pagamentos aos 
mestres da dila obra na forma de seu contracto: o que comprireis com 
«leligencia poríjue assy o ey por meu serviço, e todo o conteúdo nes- 
te alvará se fará por vossa ordem e autoridade e fazendose em ou- 



AUCHIVO DOS AÇOIIES . 89 

Ira m.ineira sorã de ueiiliiim elTeilo, e pelo irabalho que os dilos re- 
cebedor e escrivão nesle negocio híío de ler, nlo levarão cousa algQa 
e somente serão escusos de pagai- na diia (iiila, e primeiro que nelle 
comecem a entender e servir lhe será em camará dado juramento dos 
santos evangelhos ijue o ITação bem e verdadeiramente de que se fa- 
rá asento per elles asynado e este alvará (juero que valha posto que 
o eíieito delle aja de durar mais de huu) anuo &. l*ero de Seixas o 
fez em Lixboa aos xxiij (23) de maiço de Ixxxbij {1587). 

(Ardi. nar. da T. dn T.. Chanc. de Filip. /, Lio.'' 1." de Priv.J. 163.^ 



Alvará de 5 de Maio de 1583, conoedendo á Gamara da 

Ilha de Santa Maria, por mais 5 annos a imposição 

na carne e vinho. 

Eu El Rei faço saber aos que esle alvará virem que por mo assim 
enviarem pedir os otFiciaes da Camará da ilha de Santa Maria em bum 
dos apontamentos que por seu procurador m<í foram a preseiiitados 
hí por bem de lhes conceder por tempo de cinco annos mais alem 
do tempo que lhes ja foi dado (*) a imposyção da mesma ilha nos vi- 
nhos e carnes e isto para o repairo dos lázaros que ahi ha que as! 
me praz pella ordem e com as lemitaçõis que se contem na provisão 
ou provisões que sobre a dita imposição lhes >são concedidas e não 
em outra maneira. E mando ao provedor das ilhas dos Açores e em 
sua ausência ao provedoí- da dita ilha de Santa Maria indo a ella por 
correição que ora são e pello dito tempo forem e aos ditos offeciaes 
da Gamara e ás mais justiças e pesoas a que pertencer que pela ma- 
neira sobredita façam a dita despesa e ordenem com que o dinheiro 
da imposição se arecade de que o dito provedoí' se informará e pro- 
verá na forma das provisõis sobre esta concessão ja passadas as quaes 
inteiramente comprirão e asi este allvara como se nelle contem sem 
a isso ser posta duvida nem contradição algiimi o qual quero que va-" 
lha á-.'^ Pêro de Seixas o fez em l^isboa a cinco de maio de mil b' 
Ixxx biij [1688) 

(Arch. nnc. da T. do T., Liv. 2." de Priml. de FUip. I. /. 87.) 



(•) Vid. atraz |)ag. 86 d'oslo volume, c aliantc p. 90. 

N." 19— Vol. IV -1882. lá 



90 ARCHIVO DOS AÇOHES 

Alvará de 15 de Julho de 1539, á Gamara da Ilha da 
Santa Maria, sobre a imposição da carne e vinho. 

Eu el Rey faço saber aos que este alvará virem ijue eu ouve por 
bem per minha provisão (*) conceder aos oíTeciaes da camará da ilha de 
S.'^ Maria por espaço de cinco annos mais a impossição da mesma ilha 
nos vinhos e carnes e isto pêra a despeza que se fazia na obra da a- 
agoa que a ella pretendiam trazer e para o repairo dos lázaros que 
ahi avia com declaração qne os juizes da dita ilha de Santa Maria fi- 
zessem embarcar os ditos lázaros para o ospilal da villa de Villa Fran- 
ca do Campo da ilha de S. Miguel omde dariam pêra sua sustentação 
quinze mil reis cada anno do rendimento da dita impossyção por cons- 
tar per informação que deu o provedor da dita ilha indo a ella per 
correição em ausência do provedor das ilhas dos Açores não aver ne- 
la ordem pêra se poderem repairar os ditos lázaros e andarem metli- 
dos pelas casas na conversação da gente sem ouviíem missa nem sa- 
cramentarem e o dito ospital de Villa Pranca ser muito acomodado 
pêra o apousento dos ditos lázaros e em hOa noile se poder passar 
de huma parte aa outra como mais tompridamente na dita provisão 
he declarado e por os oíTeciaes da camará da dita ilha de Santa Ma- 
ria que nella forão o anno passado de mil b*^ e Ixxxbiij" {1588) me 
enviarem pidir per sua carta ouvesse por bem que sem embargo da 
dita provisão os lázaros não fosem levados ao dito ospilal da dita vila 
de vila franca por quanto fora pasada sem serem ouvidos e de hua 
ilha aa outra avia bem vimte legoas de mar que era causa de os não 
poderem prover e de por isso assim os enfermos como seus parentes 
receberem grande desconsolação por se passarem ás vezes muitos me- 
zes que não avia passagens antes fosem sustentados em sua posse e 
os lázaros da dita ilha de santa maria estevessem nella como sempre 
esteverão, pois ahi estavão com o resguardo devido e se lhes acudia 
com a confissão e communhão e outras obras de caridade necessárias 
seus tempos e com o mais pêra sua sustentação mandei antes de nisso 
lhes dar outro despacho per minha carta ao doutor Xpovão iChristovão) 
Soares de Albergaria coregedor das ilhas dos açores que se informase 
ouvindo os ditos offeciaes da camará e asi o povo com as pessoas da 
governança e me escrevesse o que achasse e huns e outros respon- 
dessem com seu parecer, ao que satisfez. E visto seu requerimento com 
a informação do dito coregedor per que constou aver na ilha de San- 
ta Maria antigamente casa particular de lázaros que se desfez e que 
dahi em diante os acommodavam na terra como podião seus parentes 
e amigos e eu passar a dita provisão com a declaração que acima se 
refere e como estando os ditos lázaros na dita ilha de Santa Maria en- 
tre seus parentes serião milhor curados e visitados, ey por bem que 



(•) Vid. atraz pag. 86 e 89. 



A.RCH1V0 DOS AÇOKES 91 

sem embargo da ilita provisão por que eslà mandado que os enfer- 
mos do dilo mal sejam embarcados e levados ao dito ospilal qne nes- 
ta parte somente me praz qne se não cumpra nem tenha força nem 
viçor al2[um os ditos lázaros não sejam tirados da dita ilha de Santa 
Maria e nella se curem daipii em diante em (]uanto o eu assy ouver 
por bem e não mandar o conlriirio com declaração (jue os offeciaes 
da Camará da mesma ilha serão obrigados a mandar fazer pêra os 
ditos lázaros bua casa particular que lhes sirva de recolhimento em 
que estem e os curem aas suas custas e do dinheiro que eu pêra is- 
so lhes concedo da liita impossyção com todo o resguardo necessário 
e que convém que haja em doentes de mal tão contagioso pêra que 
não nificionem os sãi).> no que lerão e farão ter muita vigilância. E man- 
do ao provedor das ilhas dos Açores e em sua ausência ao provedor 
da dita ilha de Santa Maria indo a ella per correição que hora hé e 
ao diante for que lome conta aos ditos officiaes da camará ou aa pes- 
soa que por sua ordem correr com as porções e recoltíimento dos di- 
tos enfermos do que assim com elles se despendeo e saiba se em e- 
feito se gastou tudo o que lhe fou dado em despesa vendo os livros e 
mais papeis que forem necessários e assim se cumprio em todo este 
alvará e achando que se guardou a forma delle leve em conta o que 
montar na dita despesa e em outra maneira proceda nisso conforme a 
seu regimento e minhas ordenações e cumpra inteiramente este alva- 
rá como se nelle contem o qual também cumprirão todas as justiças, 
officiaes e pessoas a que for mostrado e o conhecimento pertencer sem 
duvida nem contradição alguma e será registado no livro da Camará 
da dita ilha e o próprio se terá e porá no cartório delia em boa guar- 
da para era lodo tempo se ver e saber que o ouve assim por bem e 
se fez por meu mandado e quero que este alvará valha á.^ Pêro de 
Seixas o fez em lixboa a xb {15) de julho de mil b'^lxxxj (1) 

{Arch. nac. da T. do T., Liv." 2.'' dos Privil. de FUipp. I, f. 86.) 



Alvará de 15 de Julho de 1589, á Gamara da Ilha de San- 
ta Maria, sobre as eleições da Gamara. 

Eu El Rei faço saber aos que este alvará virem que os oíTeciaes 
da Camará da ilha de Santa Maria me enviaram certos apontamentos 



(l)Esqueceu ao oFfici il que o registou pôr um —x— adiante do— j— pois a 
data, segundo o texto do mesmo alvará, deve ser— 1589. 

{Nota do Sr. J I. lie Brito Rebello.) 



92 ARCHIVO DOS AÇORES 

entre os qnaes veio hum de que o Irislado he o seguinte: -= outro- 
si pedimos a vossa mageslade aja por bem que as elleições nesta ilha 
corrão de são João a são João por respeito que os oíTeciaes que sai- 
rem em cada hum anno guardem trigo para lodo o anno que hão de 
servir e será a lerra milhor provida de tudo. = E visto seu requeri- 
mento e avendo respeito aas causas que no dito apontamento allegão 
ei por bem e me praz que a eleição dos ditos ofteciaes da ('amara que 
cada anno se faz na dita ilha por dia de janeiro se faça daqui em di- 
ante por dia de São João Baulista de cada hum anno e que as pes- 
soas que na dita elleição forem elleitas para os oíTeciaes e cargos do 
concelho os sirvauí do dito dia de são João (I) ate outro ta! dia do an- 
no seguinte asi e da maneira que ate agora os servirão de janeiro a 
janeiro. E mandí) a todas as justiças oííiciaes e pesoas a que o conhe- 
cimento disto pertencer que cumprão inteiramente este alvará como 
nelle se coutem o quall se trasladara no Livro dacamara da dita ilha 
e o próprio se poerá no cartório delia em toda boa guarda e quero 
que valha &.^ Pêro de Seixas o fez em lixboa aos \b(ío) de julho de 
mil b'=lxxxix {1589) (2) 

{Arch. nac. da T. do T.. Liv. 2.** de Priril. de Filip. I. /. 86 r.*) 



Alvará de 9 de Dezembro de 1589. authorisando os con- 
tractos feitos para a fundação do Convento de Santo 
Agostinho. d'Angra. 

Eu el Kei faço saber aos que este alvará virem (jue o prior e pa- 
dres do comveiito de Santo .\uguslinho da cidade de Angra da ilha ter- 
ceira me enviaram dizer por sua petição que por o mosteiro que da 
dita ordem estava principiado na dita cidade estar algum tanto delia 
afastado e longe para a devoção do povo tinhão asentado de edificar 
seu mosteiro na hermida da invocação de nossa senhora dos Remédios 
que estava na dita cidade nas dadas (?) de António Pires do Canto já 
falecido que ora erão de Manoel do Canto de Castro neto de Estevão 
Pereira de Mello com quem estavão concertados, como tutor do dito 
Manoel do Canto por ser lugar para issf» mais perto e acomodado e 



(1) Esta palavra falta no registo. 

(2) Esta data deve ser a]niesma do docutneiito anterior, como em noia a el- 
le mencjoriáinos. Devem ser ambos resultado da mesma resolu^•ã') da Gamara, 
decididos ao mesmo tempo'e registados cm seguida um ao outro. 

{Notas do Sr. J. I. dp Brito Rebel/o./ 



ARCHIVO DOS AÇORES 9H 

donde os pregadores da casa não terião tanto trabalho quando fossem 
pregar an Sé e a onlras igrejas da eidade. E pedindome onvesse por 
bem mandarlhes passar provisão asy para poderem fazer sens Cdotra- 
tos como para se principiar e ir continuando a edificação do seu Mos- 
teiro no dito sitio: e visto sen requerimento com a dilligencia (|ue a cer- 
ca disso per meu mandado fez o doutor X[)ovão(CAm7orão) Soares de 
iMbergaria do meu desembargo e corregedor das ilhas dos Açoies e me 
enviou com sua infoi mação e parecer, e como por ella constou ouvir o 
dito Estevão Ferieii a de Mello tutor de Manuel do ('anto de Castro 
seu neto oiííão menor e ser o dito Kstevão Ferrtira em nome do di- 
to Manuel do Canto contente (]ue os ditos prior e [ladres ediíiíjuem seu 
convento na dita ermida ficando a elle seu neto a capella para se en- 
terrar e o direito de padroado e dando pelas terras que ouverem fo- 
ra da Igreja e^Adro por lhe serem necesarias para o dito eíTeilo e of- 
ficinas da casa outras equivalentes e não perder o menor por este 
modo nisso cousa allgua ey por bem querendo fa/.er meicè por esmo- 
la aa dita oídem de Santo Augustinho visto como o que os ditos pri- 
or e padres pretendem he em favor da religião christaã acrescenta- 
mento da dita ordem e melhor commodidade sua sem prejuízo de par- 
tes nem do dito Manuel do Canto de Castro nem de seu morgado e 
subcessores delle na maneira sobredita do lhes dar licença para que 
possão fazer sobre o contendo neste alvará e crnfoime a elle seus 
contratos na forma cnstnmada para o que ey por suprida a idade ao 
menor como se fora mayor de xxb (26) annos e asi me praz que os 
ditos prior e padres possão edificar e fazer na dita ermida e sitio seu 
mosteiro conforme a seu intento e ordem que !hes for dada e pelas 
terras de que tiverem necessidade fora da dita Igreja e adro que lhe 
serão dadas darão a Estevão Ferreira de Mello para (» morgado de 
seu neto Manuel rto Canto de Castro outras terras equivalentes as 
quaes o dito corregedor fará estimar por dons louvados sem sospeila 
e que bem o entendão ajuramentados aos santos evangelhos liuD em 
qye Estevão Ferreira de Mello se louvara pelo dito sen neto. e outro 
em que o dito prior e padres se louvarão per si ou per seu prociu'a- 
dor e sendo os ditos louvados em desvairo tomarão um terceiro o 
mais a prazer das partes que poder ser e sendo a dita estimação fei- 
ta no modo que dito he e dando os ditos prior e padres ou o procu- 
rador outras terras equivalentes aaquelas que asim lhes forem dadas 
e o dito corregedor fará de todo os autos necessários e meterá de 
posse das ditas terras aos ditos prior e padres ou a quem lhes para 
isso por seu asinado nomearem para se fazer o dito mosteiro e oíTi- 
cinas e lhes dará o treslado autentico dos ditos autos e este allvara 
será tresladado nas ditas escrituras que se se hão de fazer dos ditos 
contratos e escaimbo [)ara sempre se ver e saber que se fez tudo poi- 
minha licença e bem asim mando ao dito corregedoí- ou a (juem seu 
cargo servil- e a quaesquer outras justiças oíliciaes e pessoas a quem 



94 ARCHIVO DOS AÇOKES 

este allvara for m JSlra.io e o conhecimento delle parlencer (|'ie o cuinr 
prain guardem e facão inteiramfínte comprir e guarvlar comi nílle se 
contem o qual quero que valha &.* Pêro de Seixas o fez em lixbja a 
ix (9) de Dezembro de mil b" Lxxx ix (158.9). 

(Ardi. nac. di T. do T., Lív. 2." de Privil. de Filipp. I, f. 92) 



Alvará de 29 de Maio de 1592. á Gamara da ilha de San- 
ta Maria, sobre as bandeiras e tambores do conoelho. 

Eu el Rey faço sab.ir ai)s qui este alvará virem que avendo res- 
peito ao que os oíliciaes da camará da ilha de Santa Maria dizem no 
apontamento que entre outros me enviaram de que o traslado vai a- 
Iraz escripto: e vista a informação que acerca do contiudo no dito 
apontamento se ouve pelo Licenciado Francisco Simõis da Cunha juiz 
de fora na cidade de Po:ila Dellgada da ilha de Slo Miguel por que 
constou as rendas do concelho da dita ilna de Samta xMaria estarem 
applicadas e gastarem-se em coisas necessárias á conservação da re- 
cepta delia e comprarem-se te ora das ditas rendas as bandeiras e 
tamb)res da milicia que desbaratavam e (juebravam acinte os capi- 
tães em outros usos fora da milicia por entenderem que á custa do 
dito concelho se lhe darião todas as vezes necessárias. Ey por bem 
que as ditas bandeiras e tambores se facão das rendas do dito con- 
celho como te qui se custumou com declaração que tendo o juiz de 
fora da dita cidade que ora he e ao diante for informação que acinte 
rompem as bandeiras e quebrão os tambores £m cousas que não 
forem da milicia as fará pagar aos culpados no que o juiz de fora te- 
rá muita advertência e procurara que aja nisso todo o resguardo de 
maneira que a camará se não queixe nem tenha rezão de se aggra- 
var e mando ao dito juiz de fora e asy aos oííiciais da camará da dita 
ilha de Santa Maria que ora são e ao diante forem e a quaesqner ou- 
tras justiças oííi íiaes e pessoas a que o conhecimento disto pertencer 
que lhes não ponham e isso duvida nem contradição alguma e cum- 
prão inteiramente este alvará como se nelle contem o qual se regis- 
tara no livro da camará da dita ilha de Santa Maria e este se poerà 
no cartório delia em boa goarda para em todo tempo se ver e saber 
que o ouve assi por bem e quero que valha d.^ E do teor deste al- 
vará foi passado mais outro para irem por duas vias de que esta he 
a 'primeira cumprirse ha hun somente. Pêro de Seixas o fez em Lix- 
boa a xxix (29) de maio de jb' Irij (i,5.92).— Riscou-se=-em tudo. 
[Arch.jiac. da T. do T.. L.° 2.'' dos Privil. de Filip. I, f. 246.) 



ARCHIVO DOS AÇOKES 95 

Alvará de 3 de Outubro de 1592, concedendo uma finta 

de 200^000 reis para se acabar a obra da egreja de 

S. Pedro de P. Delgada. 



Eu el Rei faço saber aos que este alvará virem que avendo res- 
peito ao que dizem na petição escrita na outra meia foltia desta folha 
os fregueses da igreja collegial do bem aventuiado apostolo São Pe- 
dro da cidade da Ponta Delgada da ilha de São Miguel vista a infor- 
mação que se ouve a cerca do conlheudo na dita petição pelo corre- 
gedor das ilhas dos Açores per que constou os ditos fregueses serem 
obrigados por vizitação do prelado fazer nova igreja que tinham prin- 
cipiado e a capella mor quasi feita e o relavolo pêra o alltar e ser 
necessário acabarse a obra que era de muito custo e o povo pobre e 
que sem se fintarem as fazendas dos ausentes que eslavão na dita 
freguesia seria grande trabalho e opressão acabarse a obra e nunca 
teria fim ey por bem de lhes dar licença pêra que per ordem do pro- 
vedor da dita ilha de Sam Miguel possam por tempo de três annos 
lançar finta na forma da extravagante té contia de duzentos mil ca- 
da anuo pêra com elles se fazer e acabar a dita igreja conforme a 
traça que pêra isso está dada na qual finta contrehuirão todos os di- 
tos freguezes e assi Iodas as fazendas dos seniioryos que na dita fre- 
guesia e seu lemite estiverem posto que as pessoas cujas forem sejam 
moradores em quaesquer outros lugares e delia não será escusa pes- 
soa allgúa das sobreditas de quallquer calidade e condição que seja 
por privilegiado que seja e cada hum pagará soldo á livra o que lhe 
couber segundo a possebelidade e fazenda que tiver e do dinheiro da 
finta averá recebedor e escrivão com livros em que per adiçõis se as- 
sente o que foi fintado, e se arecadar e despender na obra da dita igre- 
ja que serão as pessoas que nomear o dito provedor, e por este tra- 
balho não levarão cousa allgua, e semdo dos ditos freguezes somente 
serão escusos por respeito dos cargos do recebedor e escrivão de pa- 
gar na dita finta. E mando ao dito provedor que faça contrebuir a to- 
dos nella no modo sobredito e tome conta da dita finta como se aca- 
bar a obra vendo os livros e saiba se se despendeo o dito dinheiro em 
outras cousas mais que na dita obra que he o pêra que somente dou 
esta licença e achando que se fez a finta e aplicou o dito dinheiro 
conforme a este alvará o leve em conta e em outra maneira proceda 
nisso como he obrigado por bem de seu regimento e minhas ordena- 
çõis e cumpre e guarde e faça inteiramente comprir e guardar este 
alvará como nelle se contem o qual lambem comprirão quaesquer ou- 
tras justiças oíljciaes e pessoas a que for mostrado e o conhecimento 
pertencer, e quero que valha e tenha força e vigor d.'. E do theor 
deste allvará foi passado mais outro pêra irem por duas vias de que 



96 ARCHIVU DOS AÇOKES 

este lie a primeira cumprirselia hum souienle. Peru de Seixas o fez 
em Lixboa a Ires áe outubro de mil b' Irij (1592.) 

(Arch. nac. da T. do T., Lw. 2.'' dos Privil. de Filip. 1, f. 161.) 



Alvará de 14 de Novembro de 1592, concedendo certos 
privilegrios á Misericórdia da Ilha do Pico. 

Eu el Rei faço saber aos ijue este alvará virem que por fa/er mer- 
cê por esmola á confraria da misericórdia da Villa das Lages ilha do 
Pico ey por bem por mo assi enviarem pedir por sua petição o prove- 
dor e irmãos que ora são da dita confraria que elles e os que adiante 
nella forem gozem e usem de todos os privilégios e liberdades de (jue 
gozam e uzam por minhas provisões e dí)S Reis meus antecessores o 
provedor e irmãos da confraria da misericórdia da cidade dAngra da 
ilha Terceira e ilha ilo Kaial e isto naqiiellas cousas que se poderem 
aplicar á dita confiaria da misericórdia da ilha do Pico somente e eui 
quanto eu assi o ouver pot bem e não mandar o contrario. K mando 
ao dito provedor e irmãos da misericórdia da dita ilha Terceira e ilha 
do Faial que lhos dem os Ireslados autênticos dos ditos privilégios li- 
berdades provisõis pêra delles usarem na maneira sobredita e bem a- 
si mando a todas minhas justiças oííiciaes e pessoas a que este alva- 
rá for mostrado e o conhecimento delle pertencer que o cumpram 
guardem e facão inteiramente cumprir e guardar como se neile con- 
tem o qual <<e registará no livro da mesa da dita confraria da mise- 
ricórdia e este próprio se porá no cartí)rio da casa em toda boa guar- 
da pêra sempre se ver e saber (jue o ouve eu assi por bem e este 
quero que valha á/\ Francisco de Figueiredo o fez em lixboa a xiiij 
{14) de novembro de mil b'^lxxxxij 1692). Manoel Godinho de Castel- 
branco o fez escrever. Riscou-se=pio. 

{Arch. nac. da T. do T., Liv. 2." dos Prwã. de Filtp. L f. 16S.) 






ARGHIVO DOS AÇORES 



LIVRO DO ALMOXARIFE 

DE 

(1527) 

íA f. 1) Livro fia receita e (iespe^a que o contador António Bor- 
ges mandou do que se carega Sí)bre Joham Tavares ()ue ficou por all- 
inoxarife em ausência de Diogo Nunez por ir dar sua conta a fazen- 
da deli rei noso senhor feito em xiij {13) dias do mes de abryll 
de 7 b.*" xxbijj(/527) annos. 

Anno de J b*^xxbij {1527) 

(A f. á) Receita das dyvidas que Diogo Nunez allmoxarife lleixou 
deli rei noso senlior pêra as aver de arecadar Joham Tavares que fi- 
cou encaregado no ilito carego de allmoxarife por elle ir dar sua con- 
ta a fiizenda deli rei noso senhor e se caregão aqui em receita sobre 
elle pêra as aver de arecadar pêra o dito senhor. 

Anno do nacimento de noso senhor Jhã xprj {Jesus Christo) de 
niill e quinhentos e vinte e sete annos aos treze dias do mes de a- 
brill do dito anno em a villa da Ponta Delgada da Ilha de Sam Mi- 
guel por o senhor António Borges que por especiall mauiladí» delirei 
noso senhor tem cirego de contador eni as Ilhas <l)s açores foi man- 
dado a mim escripvão abaixo nomeado que por quanto Bastião Roíz 
e,scripvlo do aljinoxarifado era doente e n im podia servir, que eu fe- 
zese este livro pêra nelle aver de caregar em receita sobre Joham Ta- 
vares que ora tem carego de allmoxarife em ausência de Diogo Nu- 
nez por ser em Portugall a d ir sua c )uta ()era aver de arecadar as 
dividas a ellrei noso senhor as quaes estam em hum auto que em 
meu po ler hn e mandou (|ue a> Irella le a pii e as caregue sobre o 

N.° 20-Vol. IV-l8Sá. I 



ÍJ8 ARCHIVO DOS AÇOKES 

dito Joliam Tavares e eu Afonso do Poito escripvão dos coníos que 
ho escrepvi e assinou o contador, a saber: aquellas que o dito Joham 
Tavares achar serem devidas. Nom faca duvida no riscado que diz: 
— qua— que eu escripvão o tiz por verdade. — António Borges. 

(A f. 3) Em os dilos treze dias do mez de abrill de J b*" xxbij {íô27^ 
annos se carrega aqui em receita sobre João Tavares que tem care- 
go de allmoxarife as dividas e cousas que Diogo Nunes allnioxarife 
íleixon que deviam a ell rei noso senhor as quaes tirei de hum aulo 
que em meu poder he que foi feclo aos vinte e sette dias do mez de 
outubro de J b' xxbj (1^526) annos e eu Afonso do Porto qne o es- 
previ. 

í\) dividas da armação icairegamento) que foi arremlada a João Alva- 
res do Sall. 

Ascenso Gomez deve resto de um assignado, por uma 
escrava que comprou a João Alvares do Sall, dois mil e 
quinhentos reis 2^^500 

(Tem uma nota que diz=pasado mandado de penhorado) 

João Lopes, feitor do capitão, ja defunto deve por um 

assignado, seis mil e (juinhentos reis 6?5i3CK) 

(Diz uma uoldi^mandado) 

Bartholomeu Godinho deve de uma escrava da dita ar- 
mação e por um assignado, dez mil reis 10dOO(> 

(Tem nota ()ue ú'\í= manda do) 

(Af. 3 v.°) João dArruda. por um conhecimento de duas 
peças de escravos da dita aimação, deve quatorze mil reis 1 4^000 

Diogo Pereira por duas peças de escravos da dita ar- 
mação, dezoito mil reis 18/5000 

(Diz a fíoia=mandado) 

Diogo Dias, do Nordeste, deve por um assignado de 
resto de uma peça de escravo, três mil e trezentos reis . 3f>300 
(Diz a nola=mondado) 

Amador da Costa deve de um assignado por escravos 
que houve da mesma, dezesetle mil e quinhentos reis . . I7^S300 

(1) D'aqui por diante vai pôr extracto salvo as partes que se julfiareni inte- 
ressantes, nas quaes se declarará ser copia. 

{Nota do Sr. J. I. de Brito Rebello.) 



ARCHIVO DOS AÇOKES 91) 

vKiii iiola (liz-se: aiiioslroii (jytaçuo de como pagou a Dio- 
gno Nunes, nom se pasoii disto conhecimento á fazenda.) 

(A f. 4) Affonso (1(í Sampaio, cura da Igreja d Alta Bre- 
lanha, por iim assignado tpie eslá em poder de Diogo Fer- 
nandes escrivão do eclesiástico, seis mil e quinhentos reis i)Ò^Oi) 

AíTonso Dias, morador no Fayal, por um assignado de- 
ve de uma peça de escravo, setle mil reis . . . , . 7^000 
(Diz uma noía==niandado) 

(A f. 4 v.*^) Dividas da arrematação de Bartolomeu Go- 
dinho do anno de 1525. 

Fernão Camello e Pêro Camello seu filho devem das 
(iuas armações que o contador Bartolomeu Godinho lhes 
arrematou no anno de 1525, dusentos oitenta mil sette 
oentos cincoenla reis i80?5>750 

(El rei concedeu esperar por 225^000 reis para o an- 
no de 1527 por todo o mez de agosto, sendo ja passado o 
tempo de entregar os 55.^750 reis. Tem uma nota no alto 
do termo que (\'\z=mcm(lado=e outra no fim delle que diz: 
= desta somma se passou certidão pêra a fazenda de 
2053$Í750 r.* por quanto da mais quantia mostrou quitação 
()ue foram entregues a João Tavares, i 



(A f. 5) Gaspar de Viveiros deve de parte da armação 
dos escravos de 1525 que lhe f()i arrematado por Bartho- 
lomeu Godinho, dez miz reis lOiíiOOO 

(Umas notas de António Borges dizem que na f. 55 da 
despesa de Diogo Nunes se vêem estes 10^000 rs., e ou- 
tra diz que estão carregados sobre João Tavares, por os 
haver entregado por elle, Gaspar de Viveiros a Luiz Fer- 
nandes, feitor que foi na Ilha. — Uma nota de João Tavares 
diz que foram pagos ao feitor de que este lhe entregou co- 
nhecimento.) 

(Copia) It. se mostra pella conta que Diogo Nunes al- 
moxarife fez com Jorge Nunes a qual fez com Gaspar de 
Freitas tahelliam e se achou ficarem devendo, a saber: 
Domingos Affonso e Jorge Martins e Fernandf) Eannes cin- 
(joenta e cinquo mill e b*^ e cinqoenta reis lE b'" L reis 
'50^550 reis), dos quaes pagou Jorge Martins ao almoxa- 
rife Diogo Nunes dez mill reis e amostrou Bertollomeu Ro- 
drigues hfia quytação de oito mil rs. que pagou em ceva- 
da e por hõa quytação que Domingos Affonso amostrou 



100 AUCHIVO DOS AÇORES 

por que tinha pago cento e cynqoenla e oytu inill e seis 
centos reis por oníde coube a esta conta os oyto mi II e 
quinhentos reis e os cento e cincoenla mill reis na conta 
da arníiação em que elle teve a quarta parte com Pêro Jor- 
ge. Fernão Camello e Gaspai' de Vyveiros a qual era assy- 
gnada por Diogo Nunes e feita por Bastião Uodriguez asy 
ficam devendo os sobreditos segundo mais decrarado esta 
no auto que em meu poder he vynle e oyto mill ix*" L reis 
os quaes se carregam aijuy em lecepta ^8)$í»50 

(Notas: de Bustião Rodrigues de 20 de setembro de 
1528 diz que se passou certidão a Diogo Nun'^s de como 
João Tavares tinha recebido esta quantia d.HIe Bastião 
Boiz: outra de João Tavares declarando que os recebeu: 
outra de 14 de setembro de 1531 declarando que se pas- 
sou certidão disto a Diogo Nunes. 

(A f. 5 v.") João Fernandes, de alcunha- dedinhos — 
morador que foi em Ponta Delgada, ja defimto por (jue 
deve quatro mil e quinhentos reis por um assignado 43§500 

(Diz em nota mandado) 

Pêro AíTonso. irmão de AlTonso de Sampaio, deve nove 
mil reis de uma escrava íÍí^OOO 

Iguez Martins molher que foi de Fernão Martins mora- 
dor na Alagoa, de resto de uma esciava qualio mil e qui- 
nhentos reis íí$o00 

(Em nota, diz B.^"' Boiz passa?' certidão dislo a Ignez 
Miz. cm 19 de setembro de 1528 e em 14 de selendjro de 
1531 a Diogo Nunes, e declaração assignada por João Ta- 
vares de os haver recebido.) 

(A f. 6) Marlim Annes, morador em Ponta Delgada, de- 
ve de uma escrava onze mil e duzentos reis H<51200 

(Em nota. declaração de João Tavares de o^ haver le- 
'•ebido. e de Bastião Boiz de tei- passado cet tidão a Diogo 
Nunes a 19 de setembro de 1528.) 

Duarte Pires, alcaide do mar moiador em Ponta Del- 
gada, deve da sua metade dos escravos que arrematou do 
refugo, (poi^pre a outra metade deir a Gil Aííonso e a Pê- 
ro Velho) cinco mil cento e trinta reis 5?>130 

(Em nota, diz João Tavares haver' recebido quatro mil 
íeis, e Bastião Boiz diz haver passado certidão a Diogo Nu- 



AHCHIVO DOS AÇORES 



lOI 



nes em 19 (ie Selembni de Ií)28 e outra em 14 He setem- 
bro de 1531 poi" atiuella itão ter entrado em conta. i 

Gil AlTonso deve da sua parte do refugo que lhe deu 
Duarte l^iies mil e seis centos e^cincoenla reis .... Ij5í650 

(A f. 6 v.") Pêro Jorge deve do resto da sua parte da 
arrematação dos escravos do anuo de 1525, dezesetle mil 
dusentos íeis 17?5!áOO 

(Em nota, escripla e sulíscripla por Afonso do Porto e 
assignada poi- João Tavares, diz este havel-os recebido: 
Bastião Rodriguez faz declaração igual ás mencionadas a- 
Iraz.) 

(A f. 7) (Copia) titulo das dividas que devem a eirei 
noso senhor do iriguo que Diogo Nunez almoxarife recebeo 
e lleixou estas dividas as (juaes se carregam aquy sobre 
João Tavares (jue tem carego de almoxarife aos xiij (IS) 
dias do mez de abryll de J l/xxbij annos (1027) e asy dos 
ramos das meunças e escravos. 

Gaspai Vaz morador em Santo António, mostra-se por 
«un assignado dever de vinte alqueiíes de trigo do anno de 
1524. mil reis Ií$ÍOOO 

Fernando Eannes, carpinteiro, morad(»r em Santo An- 
tónio, mostra-se por um assignado dever por vinte alquei- 
res de trigo do anno de 1524. mil reis lí^OOO 

(A f. 7 v,**) João Gonçalves, alfaiate, mor ador nas Fei- 
leiras, mostra-se por um assignado ficar obrigado a pagar 
por António Juz.irte. do ramo das ovelhas, cinco mil e oito 
centos reis 5}$ÍH00 

(Declai^a João Tavares tel-os recebido e Bastião Roiz 
haver passado certidão a Dioeí» Nunes em 19 de setembro 
de 1528.) 

Fernão Gonçalves, o amo, que Deos tem? deve de es- 
cravos por um assignado. trinta e nove mil reis . . . 39j3*(KX) 

(Declara João Tavares haver recebido 5)5000 rs. de Luiz 
Galvão; e Bastião Roiz faz declarações idênticas ás das (ou- 
tras verbas.) 

Marcos AíTonso Moreno, mostra-se por um apontamento 
e item dever de um escravo, seis mil e cpiinhentos reis . Q0OO 



102 ARCHIVO nos AÇOKES 

(A f. 8) Joio Tavares (o mesmo que serve de almoxa- 
rife) deve do reslo que ficou devendo da sua parte da ar- 
rematação do ramo dos beserros do arrendameulo passado 
sessenta e cinco mil reis Oof^OOO 

(Em nota poi- letra desconhecida =- he pasado conheci- 
mento em forma desta conlia a Oioguo, Almoxarife da ilha 
de Sam Miguel pelo qual conhecimento lhe foram lançados 
em conta estes bdi (Oõi^GOO) reis, Uioguo Nunes= parece 
a declaração feita já no reino.) 

Amador da (]osta deve do ramo das ovelhas do anno 
de 1524 e 152r3 que se acabou pelo São João de 1526, trin- 
ta mil reis :{0M)0(> 

(Declarações ao lado dizem (jue pagou a João Tavares 
1 1:^700 por nove moios de trigo que lhe foram tomados 
para os logares d'alem. 

(X f. 9) Pêro Diaz e Bailhasar Royz devem sele moyos 
e trinta alipieires de trigo, como rendeiros dos bens ilos 
próprios (|ue S. A. tem na ilha no limite de Sanio António 
I pertencia ao anno de I52GJ 

(Dizem em uotas:=Hecebeo João Tavares este trigo, asi- 
gnada por AlTonso do Porto, outra nota. diz que foi vendid»» 
e vai a f. 17. Bastião Roiz declara (pie passou certidão do 
pagamento a 19 de setembro de 1528.) 

João Luiz, morador na Maia, deve sele mil e duzentos 
reis de seis moios de trigo (|ue o almoxarife lhe vendeo do 
anno de 1525 7<52()(t 

(Em notas declara João Tavares que recebeo estes 
7^200 rs.. Bastião Roiz que passou certidão disso a 19 de 
setembro de 1528.) 

lA f. 9:V.") Álvaro Pires, cavaleiro, morador na Villa 
de Ponta Delgaila, deve de um escravo dez mil reis . . I<);>00(> 

(Em notas diz João Tavares que recebeu esle dinheiro 
por mão de Joi'ge Nunes: Bastião Roiz diz que passou cer- 
tidão disto a 19 de setembro de 1528. e outra a 14 de 
setembro de 1531. • 

Pêro Riiiz e Pêro Velho, rendeiros dos próprios devem 
das renilas das lerras da Villa de Ponta Delgada do anno 
de 1525. vinte e cinco moios de trigo dos propiios de Sua 
Alteza. ' . 

(Em nota diz-se— pêra arrecadar.) 



\RCH1V0 DOS AÇOHES l(Ki 

(A f. 10) Peru Hoiz e Poio Velho, deveii) do anno de 
lã^li {\i\^ rendas dos [iropiios (Je sua Alleza (|uatio moios 
de trigo (jiie JoHo Tavaies lecebeo. 

(KIii nota diz-se (iiie a venda deste trigo vai deanle: 
Hastião Roiz diz qne passou certidão a 19 do setembro de 
loi8 e outra em 14 de setembro de 133 IJ 

Bastião Baibosa, fidalgo, «'(rador na vylla de l*onla 
Delgada deve dez moios de liigo dos pioprios <le S. A. 
do anno de 1525 con.o consta por um asinado. 

(Uma nota ao lado ó\z— mcndado.) 

(Copia) Pasado certidão e conhecimento peraa fazenda 
destas adições airaz a treze dias de abryll de J b*" xxbij 
1527) anos, entregue a Jorge Nunez, e nom se pasou no 
conhecimento ixxF {7õi^000)"re\$ da dyvida de Fernam Ca- 
mello nem xbi] b*^ {17ij>ò00) rs. d Amador da Costa por os 
ter pagos a Diogo Nunez, e do mais se pasou que sam 
esta soma ao dyante escripla 550í$i380 

(A f. 40 v,°) Tliomaz Gonçalves, rendeiro da terra que foi de An- 
tónio Godinho, alm »\aritV que Deos haja. que está no limite da Maia. 
pagou três moios de tiigo do rendimento do anno de lò26. 

(Em nota diz João Tavares que a importância do trigo vai adian- 
te lançada em receita e Bastião Roiz que passou conhecimento delles 
em 19 de setembro de 1528.) 

\Copia) (verba lançada no fim desta pag. por letra difTerente e 
igual á do termo de f. 12.) 

«Vai o dinheiro de comtado que Joham Tavares recebto dês f. 3 
te quy— cíxxxbííj i 188í:<(M)0) rs. os quaes lhe vam adiamte f. 12 care- 
gado.s em recepta porque dos— ííijíb Ixxx (éõõòOSO) rs. pêra compri- 
mento dos h]" riij Ixxx {64H^080) rs. que sobre ele foram careguados 
em recepta per lembrança se lhe nam faaz recepta ao dito Joham Ta- 
vares, pelos não receber e os arecadar o allmoxarife Diogo Nunez se- 
gundo tudo mais decraradamente se mostra adiamlp f. aleguadas, on- 
de tudo vay decrarado.» 

(A f. 11) Devem os rendeiros dos próprios de S. Alteza da Acha- 
da dos Machados, trinta e oito moios e meio de trigo, a saber, do 
casal que traz Afonso Fernandes sete moios e meio: do casal que tr^az 
Vasco Affonso nove moios e meio: do casal que traz Fernão Leitão 
dezeseis moios e meio. e pela terra que lhe tomaram, saber, 1'ero Mar- 
tins da Ribeira Grande, sobre a qual andam em demanda perante o 
('orregedor António de Macedo, e o Contador António Borges lhe 



104 ARCHIVO DOS AÇORES 

rnandou descontar dois moios, pelo que se lançam só qnalorze e meio: 
o do casal de Diogo Annes cinco moios e meio; e do cerrado que 
raz Fernando AfTtnso maio e meio. 

(Em nota diz Bastião Roiz que passou certidão a Jorge Nunez ren- 
deiro desta somma de trigo (jue pertence ao anuo de 1527.) 

A. f. II V.") Mais se carrega sobre João Tavares cinco moios de 
irigo que deve pagar João Kabelo, rendeiro da terra que está no li- 
mite da Mtia e foi de António Gidinho. almoxarife que Deos haja. do 
anno de 1527, a obrigação tem Bastião Roiz. 

Também são lançados em receita desenove moios de trigo, (pie se 
devem arrecadar dos rendeiros dos próprios de sua Alteza das ter- 
ras que trazem no limite de Santo António, por (jue se abatem trin- 
ta moios de ipie fez mercê por doação a Fernão d'Alcaçova de ter- 
ra correspondente a elles. deste anno de 1527 

(A f. 12) Mais se lançam em receita noventa moios de trigo que 
se devem arrecadar dos rendeiros dos próprios que Sua A. tem na 
villa da Ponta Delgada do anno de 1527. 

(No resto da pag. tem o seguinte termo por letra igual á da f. 10 



icopiã) Vai ao lodo o dinheiro desta Recepta per lembrança tpie 
carregua ssobre Joham Tavares dês folhas 3 te 10. bfTu] Ixxx rei^ 
(b'4Sé080} que ficaram por arecadar a Diogno Nunez almoxarife da 
Ilha íle Sam Miguel ao tempo que veo dar sua comta a estes contos. 

Dos quaaes b¥p7i~ Ixxx (64Slf>080) rs. não carreguam ssobre o di- 
to Joham Tavares mays que cemto oytemta e oyto inill reis e dezoyto 
moios e meio de triguo que se mostra receber das ditas dividas de que 
pasou conhecimento em forma ao dito Dioguo Nunes que estaa na li- 
nha da comta que lhe foy tomada pelo comtador Gaspar Godinho 
omde lhe sam levados em comta os ditos cl.xxxunj {188W-)) rs. e 
xbiij [18] moios e meio de Irign, e se carregam aqiiy mais dez mil 
reis que havya de receber de Gaspar de Viveiros, por comta. 



(Af. 12 V.") Os jijj^ ib Ixxx {4ôõij>080) rs. que falecem pêra compri- 
mento dos ditos l)fnij Ixxx {043^080) is^. que sobre o dito Joham Ta- 
vares f()ram carreguados em rece[)ta per lembrança deu deles comt.» 
com entregna o dito Dioguo Nunes tpie at-.ab>u darecadar os ditos res- 
tos e dividas, por sobre elle estar c-írreguad ) em recepta t:)do o di- 
nheiro das armações domde (k ditos restos e dividas sairam. como se 
vyo per cerlidani do comia lor Gaspar Godinlio que tomou a comta 
ao dito Dioguo Nunez na qual d(ít'rara não ser levado em conta ao di- 
to Dioguo Nune/. mais que os ditos clxxxhiij (188^003) vá. em dinhei- 



AHCHIVO DOS AÇORKS 105 

ro e xbiij \JS) moios e meio de trigo de (jiie o dilo Joham Tavares 
passou conhecimento em fornia ao dito Diogno Nunes e por tamto 
se nam carreguam em recepta ssõhre o dito João Tavares mais- que 
os ditos clxxxbiij {1S8'S000) rs. e xbiij ■ 18\ moios e meio de triguo 
que se mostrar somente receber das ditas dividas, segumdo se tudo 
mostra pela dita certidam do dito Gaspar Godinho feita a xxb i2ô) 
dias doiitiibro de b''xxxbj òSh') a (|ual certidam fi(|ua a(juy coscy- 
ta (sic) acostada a esta meia folha. 

Vai ao todo o Iriguo dos propios que foy carregado em recepta 
per lembrança ssobre Joam Tavares dês f. 9 e 10 do ano de b^xxb 
e l/xxbj {Õ2Õ e 526') xxxix {39) moios e moio fios quaes o dilo Jo- 
ham Tavares nom recebeo mais que os xbiij i /8) moios e meio airaz 
decrarados por í|ue os xxj i2i) moios (|ue falecem recebeo Dioguo 
Nunez almoxarife como lambem decrara a certidam acima por sobre 
ele Dioguo Nunez serem careguados em recepta e deles ter dado com- 
ia com emtregua. 

Vai ao lodo o triguo dos propios do ano de b*' xxbij (027) que 
foy careguado em recepta per lembrança sobre Joham Tavares de que 
hade dar conta, cento cinquenta e quatro moios e meio. 

(A f. 13) It. Em xxbj {26) dias do mes de Janeiro de mil e qui- 
nhentos e trinta anos se carregou aqui em receita sobre Joham Tava- 
res novemta mil! reis (jue Jorge Nunes rendeiro destas Ilhas deu a 
Jurdam Jorge, prioste, pêra pagamento das ordinárias dos benefeciados 
das Igrejas e capellanias desta dita Ilha de Sam Miguel do anuo de 
mill e quinhentos e vinte e seis annos os quaes ho dilo Jurdam Jorge 
pagou aos ditos benefeciados segundo "se contem no Uvro das ordiná- 
rias e quitações que ho dito Jurdão Jorge deu ao dito João Tavares o 
quall esta encostado no livro onde estam os asinados per que se mos- 
tra receber o dilo Jordam Jorge os ditos Tí- {OO-SOOO) reis do drto ren- 
deiro. 

(Entre as varias notas pouco importantes diz uma=lembre Jorge 
Nunez adiante f. 19, vam— ij (2) adições de dinheiro deste Jorge Nu- 
nez que hamde ir todas per hQa adição.^ 

II. mais se carrega aqui sobre o dito Joham Tavares cinco moios 
(^ue recebeo do dito reniieiro para pagamento das ordinárias novas 
que ho dilo senhor tem feito mercê— saber— a Bastiam G)nçalves ra- 
çoeiro e tezoureiro da .\1aia hum moio de trigo e a Joham Luis te- 
zoureiro da villa do Nordeste outro mnio de trigo e António da Mata 
esprivam do llealdador três moios de trigo os quaes o dilo allmoxa- 
rife recebeo delle rendeiro ho ano deyb' xxbj < Íõ26 
de o asynou. (\) 



e por' verda 



(1) Não olisluiilo faltariMi) aqui as 1'. 14, lo v Iti, parece-inc que não tazciii lai 
N." 20-Vol. IV— 1882. 2 



106 AKCHIVO DOS AÇOHES 



(A f. 17) II. Km dez dias do mes de maio de quinhentos e vinle e 
sete anos se lança aqui sobre Joham Tavares seis moios de trigo dos 
próprios de Santo António que vemdeo a Joiíam P'avella (^?)a rezam de 
mil e oitocentos reis o moio que se amonta dez mil e oitocemtos reis 
o qual trigo se vendeo. Com o contador António Borges asinon aqui 
o dito Joham Tavares d." 

It, Mais se carregam sobre o dito Joham Tavares seis mil reis de 
três moios de tiigo que vendeo do trigo dos próprios dei rei nosso 
senhor a Fernam dAllvares (?) pedreiro morador nagra grande (?) e 
ho dito Joham Tavares asinou. 

(Diz imia nota no alto: Aqui em leceila trinta mi! reis que (es em 
vemda destes xbj (Ití) moios de trigo pela maneira abaixo decrarada 

os ditos xbj {16) moio> lhe vam adiamte f. 20 lançados em despe- 
sa.) 

(A f. 17 v.°) It. Se carrega aqui em receita sobre Joham Tavares 
allmoxarife setle mill e dozenlos reis de quatro moios de trigo que 
vendeo dos próprios do ano de mil e quinhentos e vinle e seis anos 
das terras da Ponta Dellgada. o quall vendeo a mill e oyto centos 

1 eis o moio a Joham Keruandez em que se montaram^ os ditos blj 
íTSOOO) reis o qual trigd vendeo com consentimento do contador An- 
tónio Borjes e assynaram aqui A.* 

It. Mais se carrega aqui sobre o dito Joham Tavares seis mil reis 
de três moios de trigo (jue vendeo dos próprios do ano de'7~b'' xxbj 
/.'526')que recebeo da terra que foi de António Gordo (?) (ou GodinhoT) 
— saber -de Tomaz Gonçalves a dois mill reis o moio em que se mon- 
tarom os ditos seis mil reis o qual trigo vendeo por consentimento do 
contador e assinarom. 

Os (piaes xbj {16) moios de trigo o dito Joham Tavares vendeo 
pelos preços acicna decrarados e portanto lhe careguei em recepta 
sobre o dito Joham Tavares na volta desta folha xxx iSO^OOO) reis 
(|ue montou na dita venda e os ditos xbj (jf6'i moios lhe vam adiante 
t. 20 lançados em despesa. 



ta, porque seriam as brancas de que falia o teniio de encerramento, que por não 
lhes darem importância as cortaram. O termo de encerramento diz que tem o 
livro 22 folhas escriptas em todo ou em parte, e as que o livro tem até alii são 
25, mas descontando as 3 primeiras em que ha só, rosto, e termos de aberturas 
ficam offectivamente 22 para as verbas da receita e despesa. Parece-me pois 
o livro complelo. 

{JSota do Sr. J. I. de Brito Rebello.) 



ARCniVO DOS AÇOUKS 107 

(A f. 18) It. Em xbij [17) dias do mez de selembio de b'' xx biij 
{028) anos na villa da Piuita Delgada perante mim esprivão conheceo 
e confessou Joham Tavaies allmoxarife que foi que recebera de Si- 
mão Roiz do Nordeste cinco mil reis á conta do dinheiro (|ne elle Si- 
mão Roiz tinha recebido dos espravos darmaçam (jue foi arrematada 
a Joham Allvarez que forom dados em pagamento a Diogo Nnnez qne 
foi allmoxarife e oia sam carregados sobre o dito Joham Tavares &." 

(Verbas on cotas) Sam a(jiii carregados em recepta sobre o ditu 
Joham Tavares cento e sete mil duzentos e vinte reis pela maneira 
abaixo declarada. =Bastiain Uoiz declara haver passado certidão des 
la verba. 

It. Mais no mesmo dia confessou lei- recebido de Pêro Allvares 
vendeiro morador em Villa Fran |ua quatro centos reis de resto de 
hum espravo da dita armação que era da lo etn pagamento no dito al- 
moxarifado e por verdade que elle Joham Tavares recebeo a dita so- 
ma assinou e eu Bastiam Roiz o esprevi. 

( Rm nota diz Bastiam Roiz ter ()assado certidão desta verba a Dio- 
go Nunes a xix (19) de de 1528, e que passou outra a 14 de 

setembro de 1531 p.)r se nlo encontrar a outra que linha levado.) 

(A f. 18 v.°) II. Mais 1)0 mesmo dia xbij (17) de setembro de 
b^xxbiij (.-528) anos conheceo e confesou ho dilo Joham Tavares tet 
recebido de Gaspar (]amello sete mill reis reslo do que devia darma- 
ção que lhe foi arrematada e a seu pai por Bertulameu Godinho que 
servia de contador a ijual armação foi carregada sobre ele Diogo Nn- 
nez allmoxarife e por verdade ho asinou e eu Bastião Roiz que ho es- 
previ os quaes sele mil reis pag<)u p »r s;íu pii. a qual! armação era 
do ano de b*^ xxb (525). 

(Em nota diz Bastião Roiz haver passado certidão desta verba em 
xix {19) setembro de 15iá8.) 

Mais confessou ler recebido d\llvai"o Roiz recebedor dos pi'oprios 
d Achada, quatro moios de trigo do rendimento das terras d Achada 
do ano de mil e quinhentos e vinte e seis e eu Bastiam Roiz que ho 
escrevi. 

(Em t)ota faz Bastião Roiz tlecl.iraçÕHs iguaes ás antecedentes.) 

Mais dise t)ue recebeo d Allvaro Rap >sso novecemlos reis de que 
o dito Allvaro Mendes Raposso morador em .Vllta Bretanha deu em 
começo de pagno do que devia. Eu Bastiam Boi/, (pie ho esprevi: o^ 
(piaes M)oios de trigo devia a ehei noso senhor d(» ano de bxxh 
- 1525.) 

'Em nota fa/. Bastiam Roiz il(M:lara(,'.ã(t idêntica ás antecedentes.) 



i08 ABCHIVO DOS AÇOBES 

(A f. 19; II. Em xxiiij (24) dias do mes de setembro de b' xxbiij 
(1528) anos na villa da Ponta Dellgada da ilha de Sam Migeil ronhe- 
ceo e confessou Joham Tavares que sérvio de allmoxarife tio anno de 
b*^xxbij 1027) ter recebidc» de Jorge Nunes rendeiro trinta e dous mil 
e seis centos e quarenta reis para pagamento da moradia e cevada de 
Amlonio Borges que |tie ell rei mandou pagar nesta ilha de Sam M\- 
gell segundo tem por hum allvara dei rei nosso senhor que está Irel- 
ladado em poder de mim esprivão e eu Bastião Roiz que ho esprevi 
e ho dito Joham Tavares assignou. 

It. mais conheceo e confeSí;ou ter recebido do dito rendeiro trinta 
e nove moios de trigo pêra pagamento de huma mercê que ellrei 
nosso senhor fez a Catarina de Betancor moradora na ilha da Madei- 
ra =de doze moios cada hum ano e foram pagos per elle 

allmoxarife em dous pagamentos: a saber: ho ano de b*'xxbj {526) no 
mes doutubro e do ano de mil e quinhentos e vinte e sete doze moi- 
os e por cada ano que se montam vinte e quatro moios, e assi mais 
conheceo e confessou ter recebido os ditos xxxjx (89) moios Lope Anes 
pêra Catarina de Betancnrt vinte e (juatro moios e assi mais pêra pa- 
guamento de quinze moios que ell rei nosso senhor fez mercê ao pre- 
guador de Villa Franqua frey Affouso de Toledo que fazem em í>oma 
dos ditos xxxjx ['W) moios de trigo, e eu Bastiam Roiz que ho espre- 
vi e ho dito Joham Tavares assinou. 

(A f. 19 v.") (Em nota diz Bastião Roiz=passada certidam destes 
xxxjx {S9) moios de trigo;— e pela outra letra da repartição dos con- 
tos ou o que quer que seja=Jorge Nunes=que era o nome do ren- 
deiro I 

It. mais conheceo e confessou ho dito Joham Tavares ter recebido 
do dito rendeiro setenta e cinquo mil duzentos e triíita reis que pagou 

que se amontam nos de xxbj e xxbij (526* í^ 527) anos; a saber: 

110 anno de b'xxbj (526) quarenta e hum mil e quinhentos e trinta e 
no ano de l/xxbij (527) trinta e três mil e setecentos segundo se 
mostra per hum caderno e itens feito per Afonso do Porto, esprivão 
dos contos que se tirou dos livros do rendimento do trigo e cevada 
desta (?) ilha os quaes paguainentos e quitações estam escritas no 
livro dAfonso do Porto como sam paguos per mandado delle allmo- 
xarife segundo todo elle allmoxarife disse perante mim esprivão e 
asinou e eu Bastiam Roiz que ho esprevi. 

(Em nota diz Bastião Rois=pasada certidão a .lorge Nunes ren- 
deiro=e pela letra do costume-=na Recadaçam da conta de Joham 
Tavaies vay posta a 2.*' verba.) 

lA f. iú) {Copia) Sam aqui levados em despesa ao dJto Joham 
Tavares dezaseis moios de trigo por venda que delles fez e ho di- 



ARCHIVO DOS AÇORES 109 

nheiío [xiique os vendeo lhe ficam atraz neste cadeiiu» 1". 17 (.arrega- 
<l(ts em recepla com as tleclarações dos pregos por que os vendeo. 

A f. :áU v.°) ( Copia) Sam aqui levados em despesa ao dito Joham Ta- 
vares que tem carregue dalmoxarife na ilha de Sam Miguel. 

Entregou João Tavares a Luis Fernandes feitor que 
foi nas ilhas dos Açoies no anno de 1527 vinle e três mil 
e quinhentos reis. sendo oito mil e quinhentos reis por con- 
ta do que deviam a el rei nas ditas ilhas, e no dito anno 
entregue a 28 de agosto, e quinze mil reis por conta do 
ramo dos bezerros, segundo se mostra por certidão do con- 
tador Pêro Lopes, dAngra, (jue tomoíi a conta aos erdei- 
ros de Luiz Fernandes, feita a 23 de outubro de 1536 . H^òdíK) 

Ordinárias do anno de 1526. 

(A f. 22) A Jordão Jorge, benefeciado, pagou cinco mil 
reis de oídinaria do anno de 1526 que acabou pelo S. João 
de 1527, e isto para pagamento dos benefeciados que lhe 
foi entregue como prioste e de que passou conhecimento 
a 28 de fevereiro, sem declaração de anno 5ò000 

A João Luiz Mergulhão, benefeciado. da sua ração do 
mesmo anno de 1526, de que passou conhecimento a 28 
Je fevereiro, sem declaração do anno. dois mil e quinhen- 
tos reis • 2^500 

A Vicente Annes, raçoeiro, da sua ração do dito anno. 
de que passou conhecimento a 28 de fevereiro de 1527. 
dois mil e quinhentos reis , . . . 2^500 

A Fr. Francisco. Thesoureiro. do dito anno de 1526, de 
que passou cqjahecimento a 28 de fevereiro, sem declaração 
de anno. dois mil reis '26000 

(A f. 22 v.°) A Álvaro Aimes. Capelão de Nossa senho- 
ra das Neves, (Relva) de sua ordinária do dito anno de 
1526, de que passou conhecimento datado dí» ultimo de 
fevereiro, sem declaração do anno, dois mil e quinhentos r.' 2j>50{) 

A Braz Pires, cura da igreja das Feiteiras, de sua or- 
dinária do dito anno. de que passou conhecimento a 4 de 
março de 1527, Ires mil e quinhentos reis .'{^500 



HO ARCHIVO DOS AÇOKKS 

A João Rodrigues, cura de Santo António, de sua or- 
dinária do dito anno, de (]iie passou conhecimento a 7 de 
junho de 1527, quatro mil e dusentos reis 'ií$í200 

A Peio Garcia, cura da Igreja de Nossa Senhora da 
Luz, (Fenaes) de sua ordinária do dito anno de I5á6. de 
que passou conhecimento a 2 de maio de 1527. oito mil 
reis HíJOOO 

(A f. 23) A Ignacio Dias. benefi-ciado em Nossa Senho- 
ra da Estrelja, (Matriz da, Ribeira Grande) (\e sua ordinária 
do anno de 152(). do (jue passou conhecimento a 2 de maio 
de 1527, (juafro mil reis 4íSÍ000 

A Fr. Simão Pires, cuia e capelão de Nossa Senhora 
da Anunciação iLogar d'Achada) de sua ordinária do dito 
anno. de que passou conhecimento a 21 de maio de 1527, 
dois mil reis 2^000 

A .loãu Garcia, cura da egreja de Villa Franca do (^am- 
po, de sua ordinária do dito anno, de que passou certidão 
a 26 de fevereiro ije 1527. cinco mil e dusentos reis . . 5j5200 

A Diogo Madeira, ecónomo, de três quartos do dito an- 
no, de que passou conhecimento a 12 de março de 1527, 
seis mil reis 0^(000 

(A f. 23 V.") A Manoel de Castro, beneficiado na egre- 
ja de Nossa Senhora dos Anjos. {Agoa de Pao) ile sua or- 
dinária de 1526. de (]ue passou conhecimento ao 1." de 
março de 1527, quatro mil e dusentos e cincoenta reis Í.-5250 

A Adam Vaz, beneficiado na egreja dAgoa do Pau de 
sua oídinaria do dito anno. mas achando se então doente, 
recebeo por elle o referido Manoel de Castro, de (pie ^as- 
.soii conhecimento, com essa declaração ao 1.° de março de 
1527. dois mil e quatro centos rei< 2^i0() 

A Sebastião Fernandes. Capelão tia igreja da Lagoa, 
de sua ordinária do dito anno de ()ue passou conhecimen- 
to a 27 de abril de 1527. quatro n)il reis , . . . . 4r>()00 

A (ionç.illo Pires, ecónomo na egreja da Lagoa de sua 
ordinária do dito anno. de (jue passou conhecimento a 27 
de abril de 1527, quatro mil e dusentos e cineoenta reis . 'ié^õO 



AHCHIVO DOS AÇOHES I \ I 

(A f. 24y A Beinaldu Froes, de sua ordinária du anuo 
de 1526, de (jiie passou cunhecimenlo a 29 de ahril de 
1527, dois mil e cem reis ... - 2)$Í100 

Ao dilo Bernaldo Fioes, mais de sua ordinária, de que 
passou conhecimenlo a 2 de maio de 1527. dois mil reis . 2)$Í000 

A Nuno Gonçalves, cura do"Bom Jezus (fíabo de Peixe) 
de sua ordinária do anuo de 1526, de que passou conheci- 
menlo, feito por Bastião Rodrigues, a 27 de Julho de 1527. 
quatro mil e dusentos reis ij5í200 

(A f. 24 v.") A Kodrigo Alvares, cura do Faial, de sua 
ração do dito anno de 1520, de que passou conhecimento 
a 15 de agosto de 1527, quatro mil reis 4;$ÍOOO 

A Bastião Gonçalves, raçoeiro e Ihesoureiro da igreja 
da Maia, em parle de pago da sua ração do anno de 1526, 
de que passou conhecimenlo, feito por Affonso do Porto 
escrivão dos Contos a 18 de junho de 1527, Ires mil reis. 3;$000 

A João Luiz, raçoeiío e thesoureiro na igreja da villa 
(lo Nordeste em começo de pago da sua raçam do dito an- 
uo, de que passou conhecimeiito, feito por Affonso do Por- 
to a 15 de junho de 1527, dois mil e tresentos reis. . . 2^300 

A Pêro Fernandes, cura que foi da igreja do Porto 
Formoso, dt sua ordinária do anno de 1526. de que mos- 
trou certidão em como serviu, e passou conhecimenlo feito 
por Affonso do Porto a 12 de junho de 1527, três mil e 
quinhentos reis 3?5Í500 

A Diogo Madeira, cura do Nordeste em parle de pago 
de stja ordinária, do referido anno. de que passou conhe- 
cimenlo feito por Bastião Boiz a 4 de junho de 1527. seis 
mil e quinhentos reis. Oj^íSOO 

{Segue-se aqui o alvará e verbas relativas a António Borges, já publi- 
cados a f. 41 e 44 do S." rol. d'esíe archivo < 

(A f. 26) Fm dez dias de maio de 1537 se lançou 
em despesa a João Tavares a quantia de oito mil íeis (|ue 
mandou pagar a Fernão d'Alvares, pedreiro, (jue fez a (]a- 
pella da Maia, o (juaj pagamento foi feito p!)r Alvan» Roiz 



112 ARCHIVO DOS AÇOHES 

dois mil reis em dinheiro, e seis mil reis por Ires moios 

de trigo 8^5(000 

(Em iiola diz-se que tudo se mostra [)elo traslado da 
arrematação que foi feita ao dito Fernão dAlvares pedrei- 
ro, por Barlliolomeu Godinho que ao tempo da arremata- 
ção era contador, e conhecuneuio de Fernão d"Alvares de 
ler recebido.) 

No mesmo dia se lançou em despesa a quantia de dois 
mil reis (|iie pagou a Fernão Leitão das despesas que fez 
nas inquirições da demanda que traz Pêro Martins sobre 
as terras dos próprios de S. A. da Achada do Machado, 
por Pêro Martins dizer que lhe pertencem e foram lança- 
dos por ordem do contador 2?50(;() 

(Diz uma cota ao lado— Fernão Leitão mostre por cujo 
mandado se fez esta demanda) 

(A f. 26 V.") No mesmo dia se lançam em despesa du- 
sentos reis que pagou a Francisco Fernandes de virar o 
[)astel dei rei nosso senhor nas luihas (ou trilhos ?) . . j^áOO 

No mesmo dia se lançou em despesa a quantia de cem 
reis que se pagou a João Fernandes por levar a Villa 
Finança os livros que foram a Portugal i5í|(M) 

No mesmo dia se lança em despesa sessenta reis qne 
pagou a Hamalhão de certa diligencia que fez em ir a Vil- 
la Franca i^060 

No mesmo dia se lançou em despesji cento e cincoenta 
reis que pagou a Pêro Dias do feito dAlfandega . . . <$ÍL50 

Mais se lançou em despesa seis mil e oito centos reis 
que pagou a António Borges, Contador, de sua moradia de 
cinco mezes que se começaram ao primeiro de outubro de 
1525 2té fevereiro seguinte, sendo mil reis por cada mez 
e um alqueire de cevada por dia, segundo consta do alva- 
rá de elrei e certidão atraz lançados 0?>»80() 

1 Segue-se aqui o traslado do AIntni de António de Ma- 
cedo, já publicado no 3." rol. deste auchivo/j. 3,9.) 

(A f. 28 v.**) Mais se lança em despesa a (juanlia de 
trinta e três mil e oitocentos reis que pagou a António 
Borges, contador de sua moradia e cevada e contos que 



AHCmVO DOS AÇOHKS 1 \'^ 

ttMii ele maiiliinenlo com o olHcio de i-oiilar, dt" (|ne dtMi 

ijiiilaçrio no livro das ordinárias :{I1-S80() 

. Km nola diz Bastião Uoiz (|ue passou conhecimento a 
Jorge Nunes desta i|uantia: e poi' letra do oHicial tiue to- 
mou as contas tem a seguinte verba =0s qiiaes xxxTíj biij'^ 
{SSt$800} reis pagou ao\lilo António Borges que lhe mon- 
tou aver de sua moradia e cevada de dois annos que 
iiomeçaram per dia de Satn João Bautista do anno de Ij' 
xxbj {1020} e acabaram per outro tal do anno de b'xxbiij 
(1Ô28) a rezãí. de J reis {li>000 r/) por mes e ahpieire de 
cevada por dia. coino se viu per alvará dei Hei noso se- 
nhor e certidão de Fernão de Seipieira escrivão da cosi- 
nha, que eslá atraz 1. 2o.) 

Mais no dito dia á4 de setembro de loá8 se lançauí 
em despesa vinte e quatro moios de trigo que pagou a 
Catharina de Betancourt e foram recebidos por Lope An- 
nes, seu procurador bastante, por virtude de uma carta 
patente de mercê que el lei lhe mandou passar e está no 
livro do Tombo. 

(Em nota diz Bastião Boiz ijue passou conhecimento a 
Jorge Nunes, e por letra do oiriciai que tomou as contas diz: 
—O qual pagamento o dito João Tavares fez por virtude 
de uma procuração que Mem de Brito fez a Lope Anues. 
e dons conhecimentos do dito Lope Annes de como recebe- 
estes xxiiij (24) moios de trigo, a saber, xij (12) do a- 
no de b' xxbj (õ26) e os outros xij (12) do anno de l/xxbij 
(027) á.") 

Mais se lança em despesa quinze moios de trigo que 
pagou a Fr. AlTonso de Toledo, pregador, de (|ue el rei 
lhe fez mercê nor uma carta cujo traslado está em poder 
de Bastião Roiz. 

(Em nota diz Bastião Boiz que passou conhecimento 
desta verba a Jorge Nunes: e o oíTicial que tomou as con- 
tas diz:=-=segundo se tudo mostra pelo trellado de um al- 
vará dei rei noso senhor por que fez mercê dos ditos xb 
(lõ) moios, de trigo o anno de l/xxbij {527) ao dito mes- 
tre Allbnso. pregador, no qual decrara (|ue per ele e sen 
conhecimento se levem em conta, e per liua (piitaçam do 
dito mestre AÍTonso em que confessa ter recebido (is dilos 
xb ilô) moios de trigo do dito João Tavares, feila pei' Mar- 
cos Dias taballiam na dita Ilha a 29 de agosto \Ui Lj27.) 

(A f. 29) Mais se lança em despesa vinte mil c qualro 
centos reis do ramo dos beserros do ai rendanieiilo passa- 
do de Simão Fernandes Pinl(j e seus parceiros de (|ni' es- 

N." 20-Vol. IV— 1882. :! 



114 ABCHIVO DOS AÇORES 

te e João Alvares do Sal foram remissos e eram devidos 
ao escrivão Bastião Roiz de sua ordinária dos annos passa- 
dos, de que houve uma sentença contra João Pinto que 
está em poder de Affonso do Porto; Bastião Roiz declara 
que os recebeu 20áí400 

Mais se lança em despesa sete mil e seis centos reis 
do ramo dos beserros que pagou ao dito Bastião Gonçal- 
ves (ou Roiz T) e lhe eram devidos dos annos do arrenda- 
mento de Simão Fernandes Pinto e de João Pinto de que 
houve sentença contra este de vinte e oito mil reis, que 
foram pagos ao dito João Tavares por virtude da dita sen- 
tença 7í51600 

(Em nota do oííicial que tomou as contas, di/.-se. com 
relação a estas duas verbas:=( Coja/o) O qual pagamento des- 
tes XX iiij' (20H0O rs.) e dosbij bj' (TéàVO) rs. abaixo nes- 
toutro assento o dito João Tavares pagou ao dito Bastião 
Roiz que lhe montou haver de seu mantimento e ordenado 
de escrivão do almoxarifado e Alfandega da Ilha de Sam 
Miguel que lhe ficaram por pagar os annos de xix {lõl9) 
XX {1520) xxj (152 li xxij (ió22) e xxiij (7525) per esta ma- 
neiru, saber, W\ {VièOOO) rs. em dinheiro e biij {0000) 
rs. de quatro moios de liigo a rezão de ij*" {200) rs. o moio 
e ij'' {200) rs. de dous pannos da mesa e os 17 iòtWO) rs. 
de papel, tinteiro, boceta, e comtos que tem ordenado aos 
ditos ofícios, o que tudo mais decraradamente se vio pelo 
Irellado de uma sentença que o contador Diogo Nunes 
deu contra João Pinto e pelo trellado de um mandado do 
dito Diogo Nunes porque manda ao dito João Tavaies que 
do dinheiro do ramo dos beserros pague ao dito Bastião 
Roiz os ditos 28*50U0 rs. feito a õ de março de I5i8. 
Bastião Roiz passou quitação a 7 de outubro 1528.) 

(A f. 29 v.*»; Mais se lança em despesa onze mil esetle 
centos reis (|ue pagou a Álvaro Lopes morador na Villa da 
Lagoa de nove moios de trigo que lhe foram tomados no 
anno de 1528 para provimento dos logares dAlem, de que 
.eram feitores Manuel Martins e Estevam Callado e a (jui- 
laçam ficou em poder de AíTonso do Porto. Feita esta 
declaração por Bastião Roiz a xiiij (14) de setembro de 

1531 wytm 

(Ao lado tem esta cota: —Este dinheiro faz a despesa de 
João Tavares e os ix (.9) moios lhe hão de ser carregados 
em receita na cabeça do trigo.) 

No fim da pag. tem o seguinte encerramento: 



ARCHIVO DOS AÇORES 115 

Tem este caderno vinte e duas folhas escriptas em par- 
te, e em lodo, e as mais brancas (jiie eu contei em Évora 
a vinte de outubro de mil quinhentos e trinta e seis annos. 
Rodrigo Fernandes. (*) 

(A f. 43) Estas sam has ordinárias dn todas as Igrejas 
desta ilha de Sam Miguel comem a saber: vigairo cape- 
lãees reçoeiros tizoureiros. 

Da Igreja de Vila Franqua tem ho vigayro de sua ordi- 
nária dons moios de trigo, duas pipas de vinho, dois mill 
íeis em dinheiro e dous mar(|uos de prata das misas dos 
Infantes. 

{Por leira dirersa) Tem recebido Joam Gracia da ordi- 
nária da dita igreja cinqno mil e dozentos reis dês ho pri- 
meiro dia de setembro da era de quinhentos e vinte seis 
até todo março de vinte sete. 

Item quatro reçoeyros que cada hum tem oyto myll 
buj rs \ 8^000 

Symãoo Gonçalves, beneíTycyado bílj rs 8^000 

(Nota) E' pago pelo almoxarife. 

Pauios Pacheco, beneficyado biij rs 8^000 

Hum padre que chamam o Madeiía, que serve de yquo- 

(•) Apesar de não ser exacta esta conta, porque esta ultima f. é a 29, e des- 
contando ainda as que faltam i4, IS, 16, que naturalmente eram brancasi e de- 
duzindo ainda as duas primeiras que não tem contas, ainda assim tem 24, ou 
antes 26_e segue ainda a f. 31 os sofíuintes termos, faltando a f. 30: 

«E X (10^000) rs. que lhe sam lançados em conta ao dito .loão Tavares por 
outros tantos que lhe atraz f. o são em recepta que Gaspar de Viveiros íicou de- 
vendo de resto de sna parte darmação dos escravos que lhe foram arrematados 
l)er Bertolomeu Godinho em o aimo de b^^xxbij (527) os quaes Trs. o dito Gas- 
par de Viveiros entregou pelo dito João Tavares a Luiz Fernamles, feitor e rece- 
bedor que foi das dividas dei rei nosso setilior na ilha de Sam Miguel o dito an- 
no, por cinquo moios de ti-igo a rezam de 1] {2è000) rs. o moio, se^iundo decrara 
o assento do livro da receita do dito Luiz Fernandes f. 4, onde os ditos (10^000) 
sam em recepta na conta do qual está luua verba per letra do contador Gaspar 
Godinho que diz como foi passado mandado a Diogo Nunes destes (lOWOO) rs. 
jiera sua conta a xx {20) de juidio de b'xxxiiij {534) por sobi'e eie serem ca. re- 
gados em recepta e delles ler dado conia, e assim por também serem carre- 
gados em recepta sobre o dito Luiz Fernandes leitor, se levão a(|ui em despe- 
sa ao dito João Tavares. 

"E Tf rs. {2^000) que pagou a António da Junta? escrivão do aldador dos 
pasteis da dita ilha de seu mantimento com o dito ollicio do anno de o26 co- 
mo pareceo per seu cordiecimento leito pi>r Bastião Uoiz esci-ivão tio .Almoxari- 
fado a 21 de agosto de 1528; f. II do dito caderno. 

(Contas e receitas dos Almoxarifes, mar. 4." //." 3, Ardi. unr. <h( T thi T.) 

(Nota (h) Sr. ./. /. de fírilo llebello.) 



Ill) AKCHIVO DOS AÇOHES 

iiymó { ecónomo) W\ V'^ 8j$ÍOOO 

[Em Nofa) Dey a Afonso Madeira, seis mil reis de Ires 
(| liar (es uiuaiím) Í)J rs 6;^000 

Roque Prego, que serve de ycoiiyino iTíTi rs SjÇlOOO 

Ho tezoureyro, (juatio rnyll e quinhentos reis e hum 
moyo de trigo ííl] h*^ rs 4?S»500 

«Da Igreja da Pomle Dellgada<'=(A f. 44; Tem tio cape- 
líío de sua ordynarya, dous moyos de trigo, duas pypas de 
vynlio. dous mil! reis em dynheyro BJ rs 6a$ÍOOO 

Três reçoevros tem cada hum de ordynarya cinquo mill 
reis , . ." " iri-SOOO 

Jurdam Jorge, heuefyciado 17 rs. Ti^OOC) 

Joam Luys, benefycyado 17 rs S)$iOOO 

{Verba por leira differenk) De dois )|uarles {quartéis) 
lem Joham Lois. dois mil e (piinhentos reis 1] \f rs. . . 2)$Í500 
Vycente Amies icouyuH», 17 rs Oí$iOl)0 

(Por letra diversa) Tem Vycente Anes de dois (juartes, 
('/uarteis) dous mil e quinhentos reis, Iflf 2i$500 

Frey Pramcysqui) que serve do tezoureyro. quatro mil 
e quyulieutos reis e hum moyo de tryguo, iT7j b*' rs. . . ijíiSOO 

( Verba idêntica j Tem recebidí» frey Francisco da tisou- 
raria, dois mil reis. Tf rs 2^000 

«Da Igieja da Rybeyra Grande=(A f. 43) Tem ho cape- 
iam doys moyos de tryguo, fluas pypas de vynho, dois myll 
rreis em dinheiro, 17) rs ' ^ B-JÍOOO 

{Verba idem) e pago Manoel Koiz, de todo pelo almo- 
xarrife. 

Tem (\uu^ benefyc}ados com cynqno myll íeis cada 
hum. Aiildiiio LIopez, beneficyado,!! rs Oí^OOO 

liiacvo Dias, benefycyado e tezoureyro teui cym(|Uo myll 
ireis e da lestiurarya ho que se achar por verdade e com 
iiiim moyo de tiyguo, T rs dj^OOO 

A Igreja dAgoíi de I*ao lem hum capeiam e dous be- 
nefycyados e tezoureyro. Tem ho ca[)elam de sua ordyna- 
rya dous moyos de tryguo e duas pypas de vynho e dous 
myll reis em dynheiro, BJ rs. . G?>0(JO 

Joam de (]aslro {tem por cima Manoel de Castro) bene- 
fycyado e tezoureyro (em de seu benefycyo cynquo myll 
reis e três myll e qiiiiihemlos da tezourarya e hum moyo 
de trigo, FtíiJ IV rs 8{$500 



AKCHIVO DOS AÇOHKS H7 

\ Em nota por outra letra} Tem recebido Manoel de 
(jaslo. de dois qiiarles {//Harfcis) da sua neçã e lisora- 
lia. (juatro mil e dozeiílos e I ireis ííl] ij' I i0õO 

Oulro raçoeiro 'por cima tom Adam Vaz\ cyiiMiio mill 
reis. 1) rs \ . . . oéOOl) 

[Pela mesma letra t/ite eítcrereu o nome i' que é a de 
todas as outras tiotas) lem recebido de dois (jiiarleis. dois 
mill e (luinhentos reis. Ti b*^ rs áf>50t) 

A Igreja da Vvlla dAlagoa lem hum capeiam e hum re- 
çoeyro que he lezoureyro. Bastiam Fernaudez, capeiam, tem 
duas pypas de vynho dous moyos de trigo e dous mill reis 
em dinheiro, hl reis 6í^00() 

(A f. 47) Ho padre iconymo tem de sua ordynarya a- 
• luylo que em verdade se achar. 

A Igreja do Bom Jhu {Rabo de Peide tem ho capeiam, A- 
fonso Gonçalves de seu mantymento e cera. (Em nota ^ tem 
irecebido de mim Fernande Anes por Afonso Gonçalves 
cura. cinquo mil rreis. M] is 5)^000 

Santa Maria da Luz, dos Fanays tem Pêro Gracya de 
sua ordynarya e per;) cera e azeyte. yEm notai tem rece- 
bido de mim. xl rs IIÓOOO 

Nosa Senhora das Neves. [Relva) das terras do Conta- 
dor. Tem ho capeiam, sete mill reis. TT] rs TéOOO 

(Nota) Tem recebido dois mill e quinhentos reis e com- 
peçou de servir o primeiro dia de setembro de quinhentos 
e vinte seis. 

(A f. 49» A Igreja da Maya tem hum cura e hum re- 
çoeiro. Ho cura da Maya tem de sua ordynarya. 

Bastião Gonçalves, reçoeiro he tezoureiro da egreja da 
Maia, tem de sua ordinária oito mil reis com a lezouraria, 
blíj rs 8^000 

'A nota diz-} Tem recebido sele mill reis de Tomas 
Gonçalves que tinha cargo dos dyzimos ... . . TjSlOOO 

«A Igreja da Madre de Deos do Fayall.)'=Ho cura Ro- 
drigo Alvares, sele mill reis de sua ordynarya . . . 7>00() 

fCom um recibo de Rodrigo Alvares de haver recebido 
a ordinária do S. .Ioã(» di loáfi a í27, assignadf) a 25 ide 
jimho'>) de 27. 

«A igreja do Porin Fíumoso.»--- It. tem o capeiam da 



I 18 ARCHIVO DOS AÇORES 

dita iííreia de sna ordinária três mil e quinhentos reis, 

ii] b^ ' 3^500 

Recebeu de mim, Ires mil e quatro centos reis. 

«A egreja da Achada. »=Tem ho capeiam de sua ordi- 
nária ( está em branco ) tem recebidos, dois mil e quatro 
centos reis, do rendeiro, ij' iiij'" rs 2^400 

«A igreja do Nordeste»= (A f. 54) It. ho cura tem de 
sua ordinária um branco) Recebeu Lope Annes por seu ir- 
mão do rendeiro. Ires mil e seis centos reis, u[ b'f rs . :j;$í600 

It. ho reçoeiro he tesoureiro tem de sua (sic) oito mil! 
reis. com a tesouraria, bui S^ÍOOO 

Recebeu do rendeiro, dois mil e cento e vinte e cinco 
reis, Ij j^xxb rs , i^l25 

.Mais recebeu quinhentos reis por (sic) de Simão Fernan- 
des, quinhentos reis, 1/ rs í5>i>00 

Mais dei a António Pirez, escrivãíj, per' hum conheci- 
riu'nto do dito Joam Luis dozentos reis áláOO 

Ho cui'a de Ponta Delgada: está por receber' Ioda esta ordinária. 

«Joídam Jorge, bent'liciado»==(A f. o 'n Digo eu Jordain Jorge que 
é verdade que sam pago de cinquo mil rreis da minha ordinária do a- 
no de Sam João de vinte e seis até sam Joam de vinte e sete fui 
pago por mim mesmo do dinheiro que me foi enlrege para pagamen- 
to dos crerigos como priosle: e por verdade asiney a(jui hoje hoilo 
de fevereiro=Jordam Jorge. 

«JoamLoys. bHnefycyado=(A f. oi v.^iDyguo» eu Joam Lois Mer- 
gulham, benefycya:lo, (|ue he ver-dade que recehy de Jordam Jorge 
pryoste, dons myll e quinhentos reis de dous quarles {quartéis) que 
que tenho servidos da mynha reçam de Sam Joam de myll e quinhen- 
tos e {vintel) sete e porque asym he verdade qire recehy os ditos 
duus myll e qrriíiherrlos reis asiney M\uy oje vynte e oyto de feberey- 
r'o=João Luys Mergulhão. 

«Vycente Anes, iconymo»=(A f. 55) Digno eu Vycente Anes que he 
verdade que receby de Jordão Joige ptyosle, dous myll e quinhen- 
tos reis de dous (juartes (qnartvis) da mynha reçam (lo ano de sam 
Joam de myll e (juinhentos e vynte e seis que core a sam Joam de 
myll e quinhentos e vynte e sete e porí]ue asym he ver^dade que os 
receby os dytos dous myll e (jrjinheulos reis asynei aijuy oje vynte 
he oyto de fevereiro da sobr-edita era.=Vincpntius Johanes. 

«Frey Françys(iuo. tesoureyro))=(A f, 55 v.°i Dygiio eu (Trey Fran- 



AHCHIVO DOS AÇOhKS 119 

cysiiuo (]ue lie verdade que leceby de Jutdam Jorge piiosle. doiis 
myll íeis de dous quartes (quarleis) (jiie lenho servydo da lezourarya 
do ano de vynie e soys gne core a San» Joam de vynte e sele e por- 
que asym he verdade que receby os dylos dous mil! reis asynei a(|uy 
oje vynte e oyto de fevereyro=Frey Francisco. 

«A igreja do Contador» =Allvare Anes capeiam. Dygoeu Allvareanes 
capeiam de nosa senhura das Neves (Relm) que he verdade que re- 
cehy de Jordam Jorge priosle, dous myll e (juynhentos reis da my- 
nha ordynarya que "tenho servydo de setembro convém a saber do 
primeiro dia do dito mes ale dia de nalall do ano de mil e quinhentos 
e vinte e seis ale sam Joam de vinte e sele e porque asim he ver- 
dade que recebi os ditos dous mill e quinhentos reis, asinei aqui oje 
ho deradeiro de febereiro=Allvare Anes. 

«A igreja das Feileiras»=(A f. 56 w") Diguo eu Brás Pirez cura que 
ora sam da igreja das Feileiras que he verdade que recebi de Jor- 
dam priosle, três mill e quinhentos reis da ordinária da dita Igreja 
os quaes dous quarles {fjanrteis ) sam de sam Joam da era de mill e 
quinhentos e vinte e seis que core a sam Joam de quinhentos e vinte 
e sete, e porque asim he verdade que recebi os ditos Ires mill e qui- 
nhentos reis asinei atjui oje quatro de março da dita era. ---Brás Pi- 
res. 

«A Igreja de santo António» =(A f. 58) Joam Roiz, Capeiam. Digno 
eu Joam Roiz cuia de santo António que recebi de Jurdão Jorge iiij 
(4ii>000) e duzentos reis de minha ordinária deste ano que se começou 
per sam Joam dey b' vinte e seis (1526) e se acabara em vinte e se- 
te em outro tal dia e por verdade asinei aqui oje sete dias de junho 
de vinte e sete annos=Joanf) Roiz. 

«A Igreja dos Fanais» ==(A f. 58 v.°) Pêro Garcia, Capeiam. Diguo eu 
Pêro Garcia cura na Igreja de nossa Senhura da Duz do lemile dos 
Fenais termo da villa da Ponta Dellgada que he verdade que recebi 
do padre Jurdam Jorge, beneficiado em a Igreja de sam Sabastião da 
dita vila, oito mill reis em parle de paguo de minha ordinária deste 
ano que corre de 15^6 annos até este de 1527. de sam João a san 
João e por asi ser paguo asinei aqui oje a dous dias de maio de 
1527 anos. Pêro Garcia. 

«A Igreja do Bom Jhuu, de Rabo de Peixe» =(A f. 59jAITonso Gon- 
çalves, Capeiam. Diguo eu Fernande Anes que he verdade que recebi 
por virtude desta (juitaçam do padre de Rabo de Peixe sinquo mill e 
quinhentos reis e porque he verdade asinei aqui oje onze de março 
de quinhentos e vinte e sete. = Fernande anes. 

«A Igreja da Ribeira Grande» = (A f. 59 v.°,60 e CO v.°) Manoel Roiz, 
Capeiam, Frei António Lopes beneficiado, Inácio Dias. beneficiado e 



120 ABUHIVO DOS AÇORES 

tezoureiro. Digo eu ínacio Dias benpficiado em Nosa Senhora da Ks- 
trela da igreja da Ribeira Grande,^e eu recebi de Jurdam Jorge be- 
neficiado e priosle, que ora são mj rs. (áéOOO) em começo de pago 
de minha ordinária asi do beneficio como da tisonraria: a saber: do 
anno que corre de sam .loham do b'xxbj 'õ26'i ale ho_ano de b'xxbij 
(õ27i e por que asi he verdade <iue recebi hos dilos iiii reis [4^000) 
asinei aqui oje dous dias de maio de b''xxbij ^õ27\ Inácio Dias. 

«A Igreja de Porto Formoso. »= (A f. 61) Diogo Machado lecebeu 
por Pêro Fernandes, cura, três mill e b' {-SéòOOi rs. ijue tenho^quila- 
çam dambos de dois. 






INFORMAÇÃO DOS PORTOS 

DAS 
ILHAS DOS AÇORES 

Primeiramente ni\ Ilha ila Madeira na villa de Machico ha hum 
porto muito bom omde podem emtrar demtro navios o (juoall segundo 
lenho emiendido não estaa providij como cumpre aos tempos daguo- 
ra pollo (luoall faso esta llembrança. — Dos mais que na Ilha avera que 
creo serão poucos tirado o da cidade do Fumchall se devião tão bem 
prover porque o em que menos se tiver por elle farão o mall piratas 
e ereges que lhes não faltarão traidores que o saberão mui bem. 

A Ilha do Porto Santo se deve mandar pòr remédio nella por que 
a vejo de maneira (jue fasillmente a podem entrar asi polia pouca 
jemte que tem como por ter muitos Ilugares omde podem desembar- 
car. 

A Ilha de Samiguell omde ha vimte e dous annos que não estive 
segumdo tenho emtemdido não estaa mais provido nella de artelharia 
que a cidade da Ponta Dellgada, porque tem outros mais portos on- 
de se pode mui facillmente desembarcar e fazerse mall em toda a 
terá os decllararei aqui todos com as calhetas que na Ilha ha onde 
se Ião bem pode desembarcar. 

Tomando a Ilha polia primeira terá imdo de Portugall que se diz 
o topo do Nordeste estaa huma povoasão que se diz a villa do Nor- 
deste que estaa mui alta do mar. tem huin porto ainda que áspero e 
porem surgem alli navios e desembarcão em lera. — Dando volta á Ilha 
polia banda do sull imdo ao ilomguo da terá estaa lloguo hum porto 
que se diz a povoação villa omde se pode mui bem desembarcar ha 
huma povoasão alli pequena. 

A diamte cimcoou seis lleguoas estaa Villa Franca povoasão de qua- 
ro centos ou quinhentos vezinlios. tem himi porto que foi da villa que 
se soverteo omde se pode luui bem desf^ubarcar á vomtade e lloguo 
adiamte tem bua calheta que he o porto 'ia villa daguora omde care- 
guão e descareguão as mercadorias. 

Adiamte obra de mea llegua de Villa Franca estaa huma ribeira 
(jue tem himia praiha > praia \ no mar omde po lem desembarcar e 
irem mui facillmente a Villa Franca. 

Adiamte obra de duas lleguas estaa hiuiia pituUa de lera (|ne 
llamsa ao mar (|ue se diz a ponta da gualle (ponla da (jalln.úaí parte 
de lleste delia estaa huma calheta omde se pode deseml^arcar e irem 
a villa dAuguoa do Pao povoasão de trezentos vezinhos. 

Adiamte obra de huma lleguoa estaa hum pi>rt<) que se diz o por- 

N.° ^20-Vol. IV -1882. 'i- 



Í22 ÂRCHIVO DOS AÇOHES 

to fios Carneiros, este he muy imporlamte porque he todo terá cham 
eiu-lle ha povoasHo rJe pasamte de dozentos vezirihos e llogno alli jum- 
lo a villa dAllaguoas de trezemtos ou (|uatrocemtos vezinhos e dalli 
podeni ir a Ponite Dellguada muy facillniente porque não ha mais de 
liuma lleguoa e todo terá cham e em meo muylas quintas e muy ri- 
(.gg—e atravesando deste porto á banda do norte que he a outra 
hamda do mar pouco mais de hua lleguoa e lera, sem grotas nem ri- 
beiras estaa a villa da Hibeiía Gramde povoasão de quoatrocentos ou 
quinhentos vezinhos e anites que a ella chegein hum pouco estaa hum 
Ilugar que se diz a Ribeira Seca de pasamte de cem vezinhos com all- 
guas quintas em torno, ricas. 

E deste porto dos Carneiros avera huma lleguoa a villa dAuguoa 
de Pao ouíde podem ir muito bem por ser lera sem grotas. 

Amlip esta lleguoa que ha do Porto dos Carneiros a Pomte Dell- 
gada estaa hOa praia mui boa e em lera cham omde se pode mui bem 
deseml)arcar e Iloguo alli jumto (pie todo se chama Rosto de Cão es- 
ta hua calheta onde se pode tãobem desembatcar tãobem muito a vom- 
tade e neste Rosto de Cão ha muitas íjuimlas e mui ricas e não he 
dalli a Pomte Dellgada hum quoarlo de lleguoa e lodo lera mui cham 
e defronte desta praia e calheta pod<^m estar os navios suilos a sua 
vomtade sem a artelhaiia da Pomle Dellguada lhe fazer nojo por 
(|ue em meo bota ao mar hum moro de lera que encobre a cidade. 

No outro cabo da Ilha na bamda do oeste uo lopo delia estaa hum 
porto (pie se diz os Mosli-iros omde surgem naviíts e desembarcão. 
neste não estive e segumdo emtemdo tem lera mui a Ita sobre elle. 

E dando vollta polia bamda do norte eslaa hum Ilugar de pasamte 
de cem vezinhos que se diz os Fanaes da Pomte Dellguada o quoall 
tem luia calheta omde ja fez navio de cem toneis podem alli mui 
bem desembarcai-, em torno deste Iluguar ha muito boas quintas c 
dalli mea lleguoa estaa (^ulro Iluguar do seu tamanho que se diz Ra- 
bo de Peixe ijue tão bem lia muilas quintas ricas e outra mea lleguoa 
deste Rabo de Peixe estaa a villa da Ribeira Grande e todo isto lera 
mui chan. 

Deste Iluguar dos Fanaes atravesando ao snll á cydade da Pon- 
ta Dellguada avera huma lleguoa e mea sem grotas nem ribeiras e 
em meo muilas quintas. 

Adiamte ha hum porto que se diz Porto Fermoso que estaa no 
nieo da Ilha da bamda do norte e asi como tem o nome asi o he por- 
que podem estar demtro delle cem navios e não lhe faz nojo mais 
que o norte, tem a lera dambas as bandas que botão ao mar all- 
gum tanto alltas, e o Ilugar que se diz Porto Fermoso que lera de 
pasamte de sem vezinhos estaa em allto no cabo do porto da banda 
de lera dalli mea lleguoa por terá cham esta o Iluguar da iMaia de 
pasamte de dozemlos vezinhos pêra outra banda deste porto esta a 
Ribeira Grande obra de hua lleguoa e mea e no meo ribeiras e gro- 



AHCHIVO DOS AÇOHIÍS [^2'A 

las de lera liiiiy allta, esle he o descurso da Ilha de Samigtiel (jiie 
não pomdo reinedeo ni^lo facillmemle a podem emlrar. 

A Ilha Terceira não lenho visto delia mais que a cidade dAiigi-a 
(|ue estaa bem em oídem e adianle Ima llegiioa a villa de sam Sa- 
haslião omde alli eslaa limn poilo (|ne se diz do yinleií. não sei este 
como esla. adiamle outra llegiioa eslaa a villa da Praia nobre e rica 
lem hna grande praia omde se pode miiy lacillmenle desembarcar pa- 
rese deve estar provida semdo cousa Ião imporlanle. 

A Ilha de são Jorge e a do Pico e Faiall (jue estão jumtas segum- 
do entemdo não são piovidas semdo cousa niny imporlanle porque 
na Ilha de São Jorge eslaa hum porto (|ue se diz das Vellas omde po- 
dem estai' os navios toilo o ano pollo abiiguo que tem da Ilha do l*i- 
co, desta ilha não sçi outro porto que tenha somente hum (|ue se diz 
o Topo omde nunca estive deve ser cousa de pouca importância, dn 
Pico não sei nada por que nunca sahy alli em lera deve ser' de [)ou- 
ca importância porque he ter'a eslerill. 

A Ilha do Kaiall lem a villa dOrla que he a principall povoasno 
que ha em toda a Ilha, esta tem hua praia detVoínle e pegado com a 
villa que he hum miiy bom desembarcadouro e Mogno alli jumto huma 
i'-alhela gramde ipie se diz Porto Pim omde caregão navios pegiiados 
com a ter'a ci'eo ijue eslaa isto mui desemparado ja tenho esprito ''.s- 
rripto) aserca diso allguas vezes he mui necesario proverse nisto. 

Tãobem tenho avisado allguas vezes da Ilha das Flores não sei n 
que niso será feito, não queira Deus nem o permita eu saiha verda- 
deiro do que aserca diso ja lenho esprito. 

As duas Ilhas de Samta Maria e Graciosa nestas não estive sey 
que cada hua delias lem hum porto e que com mui pouca cousa se 
[)odem guoardar que não desembarquem nellas. 

Llernbr^o que se não lenhão em pouco estes neguoceos porque ser- 
tefico que todo se hade apallpar por piratas e ereges. 

E asi que se proveja a Ilha de São Tiaguo e a do foguo porque 
lhe ãode dar volta sem duvida nenhuma. 

{No cerso da 2.'' pag. tem esta única nota da mesma letra: emfor'- 
mação de allguns portos das Ilhas. — Sp//í lugar, nem dia. ninn anno. 
nem assignatura alguma, letra do meado do sec. XVI.) 

\Arch. nac. da T. do T., Cartas Missiras, maç. -5.'', ri.'^ .-38. i 

('orno por Alvará iIi! 8 de Marco de latw se participou \w Capitão \laiioi'l 
da (Gamara que Tlioiuaz Benedito viuíia a S. .Mi.iiuel [tara la/.er as tbililicu(,u('s 
necessárias para a sua defeza, e por outro de 12 de Dezemttro de 153'} se tiulia 
eivado a receita de 2 por cento sobre a exportação com a|)plicação á ohra da 
Fortaleza de Ponta Delj^ada, parece que a data d'esta intbrniacão auonyma esta- 
rá compreliendida (miIhí os aunos de lo5:{ e lot)?, attendendo-se ao (lue uVIÍa 
se diz — de não se poder bater o areal de llaslo de ('.ão com a artillicrin dr Pon- 
ta Delgada. 



AÇOEIÁNOS EM yiFRICÂ 



( Documentos ) 



^oslo Dias Ximeiíes 

í Terceirense 1 



Armado cavai leira por Nmio Fornandes d' Al/ia/jdc na tomada d'Aza- 
mor. Carta de confirmação dr 25 de Janeira de 1514. 

Dom Manuel, etc. A (Hiamtos esla iiosa carta virem fazemos saber 
que por parte de Joham Diaz Xemenez moradoí' na Ilha Terceira nos 
foy apresentado hOn alvará de Nuno Fernandez i Ij do noso consellio 
e Capitão e Governador da nosa cidade de Çafini em o qual! se con- 
tinha antre as outras cousas que por seus merecymeiítos o fizera ca- 
valeiro e asy nos fora servil- na tomada da nosa cidade dAzamoor e 
visto por nos seu requerymento por lhe fazermos graça e mercê tee- 
mos por bem e lhe confirmamos o dito alvará e cavalaria e manda- 
mos a todos nosos corregedores juizes e justiças oficiaes e pesoas a 
que esta nosa carta for mostrada e o conhecimento delia pertencer 
que lhe cumpram e guardem todolos privilegyos, lyberdades,homrras. 
graças e mercees que são dadas e outorgadas aos cavaleiros sem lhe 
nyso ser posto duvida nem outro embargo por quanto nos lhe con- 
firmamos o dito alvará e cavalaria per esta que lhe mandamos dar 
por nos asynada pêra a ter por sua guarda. Dada em a nosa vila dAI- 
meirym a xxb (25) dias de janeiro, André Lopez a fez. ano de nos(» 
s.""" Jhu xpõ (Christoi de mill e b' e xiiij (1514.) 

(Arch. nac. da T. do T.. Lir. XI de D. Man., f. S) 



(1) E' o famozo Xuno Fernandes (["Atliaidc 

[Nota (lo Sr. J. I. de Brito ReMto. 



ARCHIVO DOS ACÕHKS 12.") 



II 

€>ofiçalo Dias 

( Michaelense 1 

Armado cavallrirn por Ruf/ Barreio, na tomada dAzamor. Carta de 
coit/iniidcão de 20 de Junho de 1614. 

Dom Manuel, etc. A (juamUis esta nosa carta virem fazemos sa- 
ber que Gonçalo Diaz. morador na ilha de Sam Mignel nos apresen- 
tou hum alvará do duque de Bragança meu muyto amado e |)rezado 
sobiinho per' que foy feito cavalleiro em a nossa cidade de Azamor' 
por Ruy Bareto a quem elle deu logar que o fizesse por ser com elle 
na tomada da dita cydade e nos pedio por mercê que lho confirmase- 
mos e avendo nos respeito ao servyço que na dita yda recebemos do 
dito Gonçalo Diaz e como he pesoa que cabe nelle esta honrra e por' 
lhe fazermos graça e mercee temos por bem e lho confirmamos e 
queremos que da(|uy em deanle goze dos privilégios e liberdades de 
que gozam e devem gozar os cavaleir-os de nosos regnos, e porem 
mandamos a todollos nosos corregedores, juizes e justiças oficiaes e 
pesoas a que esto pertencer e esta nosa carta for mostrada que o a- 
jam daquy em deante por cavalleir^o e lhe cumpram e guardem e 
lhe façam cumprir e guardai' todolos privilégios e liberdades qire se 
guardam e devem guardar aos cavalleiros de nossos regnos por qire 
asy nos praz. Dada tm Lixboa a xx {20\ dias do mes de jurrho. António 
Fernandez a fez. Anuo de noso senhor Jhuu xpõ > Christo^ de mill e b*^ 
e xiiij (1514) annos. (1) 

{Arch. mu-, da T. do T., Liv. XI de D. Man., f. 38 r.".) 



(1) Esta car'ta está no fegisto escripta da iiianeira como a que se sefiue, o 
porisso para ser entendida foi transcripta da anterior, conferida a Pêro de Sousa 
de Santarém, feito cavalleiro pela mesma facção. Por occasiâo da tomada de Aza- 
mor foram feitos cavalleiros prande riuaiitidado de indivíduos, uns pelo próprio 
duque, outros por I). João de Menezes, por D. Bei-nardo, Camareiro-mor, por D. 
Manoel de Távora, por D. Francisco, filho do bispo (TEvora, outros pelo mencio- 
nado Ruy Marreto, e não me recordo se por mais aliiuem. Os registos estão chei- 
os. 

{Nota fh) Si-. J. L (tf Brito Rrln-tloJ 



126 ARCHIVO DOS AÇOUES 



III 



Pei-o Aniles 

( Michaelense ) 

Armado caralloiro por Riiij Barreto, na tomada d'Az(niior. Carfa de 
confirmação de 20 de Junho de 1014. 

Dom AJaiiuel ele. outro lall piivilt^gio de cavalleiro em foiína a 
Pêro Annes, escudeiro, moividor na ilha de saiu Miguel feylo por Riii 
Bareto em Azamor. Dada em Lixboa aos xx (20) dias do mes de ju- 
nho, António Fernandes a fez, anno de noso Senhor .Ihu xpõ f Chris- 
10) de 7 W e xiiij" ilòU) 

Ar eh. nac. da T. do T.. Ur. XI de D. Man.. /. SS r.". 



IV 

Triístão Pirew 

( Michaelense ) 

Armado earalleiro [xn- Hut/ Barreto, na tomada dAzamor. Carta de 
eonfirmação de 5 de setembro de lõl4. 

Dom Manuel ele. Outra tal confirmação de Cavalleiro em forma a 
Tristão Pirez, morador na Ilha de sam Miguel feylo em .Vzamor per 
Ruy Bareto \)w mandado do duque de Bragança 'e etc. Dada em Lix- 
boa aos b [õ) dias do niís de setembn), .Vnriíjue Homem a fez, ano 
de y b*^ e xiiij'^ 1514.) 

[Areh. nar. da T. do T.. Lir. XI de D. Man., f. òò.) 



■'«•^i-o llaiioel (Pavãof 

( Michaelense ) 

Armado cavalleiro por Ruf/ Barreto, capitam de Tanijcr. Carta d" con- 
firmação de 26 de Maio de lõlô. 

Dom Manuel etc. A quanitos esta nosa carta vyrem fazemos saber 
.jue por parte de Pêro ManutI morador na nosa yllia de são Miguel 
nos foi apresentado huu alvará de Ruy Barreto dò nosso conselho em 



AHCHIVO DOS AÇOHÍCS 1^7 

<\\w cerlefkiuava (jue estando elle por capitão em nosa cidade de 
Tanjere íizeia cavaleiíí» ao dito Pêro Manuel pelo merecer segimdn 
fomos certo polo dito alvará e per estormento e yso mesmo de como 
serviu la cõ arnjas e cavallo o tempo que temos hoidenado |)ydyndo- 
nos por meiçee ipie lho confirmasemos e nos visto sseu recjuyiymen- 
lo e (|uerendollie fazei' graça e mercee temos por bem e o coníirma- 
mos e avemos por confirmado e queremos e mandamos que elle goze 
de todollos piyvylegios. liberdades de que gozam e devem gozar os 
cavaleiros e desa maneira Hie sejão guardados sem duvida nem embai- 
go que lhe seja posto poique asy he nosa merçee. Dada em Lixboa a 
xxitj (2(f>'i dias de maio, Diogo Anrrullio a fez, de b'' e xb \1515.) 

(Ardi. iHic. da T. do T.. Liv. XI de D. Man., f. 119 v.") 



VI 

André Manoel (Pavão) 

( Michaelense ) 

Anilado carallriro por Bni/ Barreto, capita iii de Tanijer. Carta de con- 
firmarão de 26 de Maio de 15 lí). 

Dom Manoel etc. Outro tal privilegio de cavaleiro dado a André 
Manuel, morador na ylha de S. Miguel, pelo mesmo Buy Barreto, na 
mesma cidade de Tanjere. Dada em Lisboa a xxbj \26) de maio, fei- 
ta por Diogo Anrrullio. de 1515. 

{Arch. nac. da T. do T., Liv. XI dr I). Man., f. 120.) 



VII 

Álvaro Pir«'!>i 

( Michaelense ) 

Armado caradeiro por Nuno Fernandes de Athaide. capitão de Çafim. 
Carta de confirmação de 2() de maio de 1515. 

D. Minoei etc. Outro tal privilegio de Cavaleiro a Álvaro Pirez 
morador na Ilha de S. Miguel, feito por Nuno Ternandes de Athaide. 
(lapitão Çafim. Dada em Lixboa a 2(5 de maio de 1515, feita por Dio- 
go Anrrulho. 

{Arch. nac. da T. do 7'.. Ur. \l de I). Man., f. 120.) 



1:28 ABCHIVO DOS ACOKES 



VIII 



Ciaspar Manoel (Pavão) 

( Michâelense ) 

Annado caraUeiro por D. Vasco Coutinho, capitão dArzUla. Carla de 
confirmação de 26 de maio de 15 lò. 

D. Manoel ele. Outro tal privilegio de cavaleiro a Gaspar Manuel, 
morador na íllia de S. Miguel, feito pelo Conde D. Vasco Coutinho, Ca- 
pitão dÂrzilla. Dada em Lixboa a á6 de maio de lo lo, feita por Dio- 
go Anrrnlho. 

(Arch. nac. da T. do T.. Ur. XI d<> D. Manod, f. 120.) 



IX 

níoK;o ]\iiiioM 

(Michâelense) 

Armado carallciro por Huij Birrrto, em Tan-jer. Carta de confirmação 
lie 19 de abril de lõlO. 

Dom Manuel ele. Aquamtos esta nosa carta virem fazemos saber 
(|ue por parte de Diogo Nunes morador na nosa ilha de sam Miguel 
nos foy apresentado huu asinado de Ruy Baiieto em que certificava 
o fazer cavaleiro polo merecer em estando por capitam e governador 
da nosa cidade de Tamger pedimdonos (|ue lhe conlirmasemos e man- 
disemiis guardar as liberdades dos cavaleiros da quall cousa a nos 
praz porem o notefieamos asy a todos nossos Corregedores, juizes e 
justiças ofieiaes e pesoas a que esta nosa carta for mostrada e o conhe- 
cimento delia pertemcer e lhe mandamos que ijuardem e cumpram (j 
façam daqui em deanite comprir e guardar imteiramente ao dito Dio- 
guo Nunez as homras, liberdades, privilégios e priminencias dos ca- 
valeiros por que asy he nosa meree. Dada em .\lmeirim a xix (19) 
dias dabrill. Afonso Mexia a fez. anno de mill e b*" e xbj (1516.) 

Arch. nac. da T. do T. Lir. XXV de D. Man., f. 49 v.") 

Este Dio.iio Nunes parecê ser fillio de João Hoch-jiiues da Gamara 2." Capitão 
Donatário de S. Mi;iuel; o f|ua[ Dio.iiO Nune-;, diz o Dr G. Frui^tuoso. no L." 4.°, 
Cap. 67 fias Saudades da Teira^ que foi para a Africa e lá niorreo. 



AKCHIVU DOS ACOHKS i:29 



X 



(Terceirense) 

Armado caralleirn, por D. Francisco de Castro, no Cabo de Gué, em 

1Ò19. 

Dom Joliain ele. A iinamlos esta miiilia caria virem Ifaço saber 
(ine por parte cie Afonso Anties da (^(jsla morador na minha Ilha Ter- 
ceira me IToy apreseinlado hOn alvará de ijiie ho leor he o qne se 
segntí=Dom francisco de (Jrasto capitão e governador desta vila de 
Santa Crnz do Cabo de Gué comemdador e alcayde mnor da vyla de 
Segura. íTaço saber aos i|ue este men alvará vyrem como em três dias 
do mes de novembro de myll b'' xix < lõlff) emtrey com ban<ieiras 
temdidas e líny tomar hu Ingar (jne se chama Itabez omde lomey 
oytemta e quatro almas e muito despojo gado em ijne entraram mui- 
to boas cousas de ouro. prata, e poríjue Afonso da Costa o iTez mny 
bem a(|uelle dia e asy ho ter sempre muy bem ffeilo em todallas que 
se aserlou eu íTi/. cavaleiro por (|ue ho ele muy bem mereceo e 
pêra sua guarda e minha leuibrança lhe dey este sob meu synal e 
selo das tninhas armas. Feito na dita vylla aos xbiij (18) dias de 
ITevereiro, Francisco do Rego o fez, de jb^xx dõJOf annos=Pedindo- 
me o sobredito Affonso Anes da (](jsta que por quanto elle me servira 
com armas e cavallo em a dita vila de Santa Cruz per espaço de hu 
anno e asy hera de boa geração e tinha fazenda pêra poder manter 
a cavalaria tio qne me fez certo [ter hu estromenlo pruvico e cer- 
tidam do escripvam dos comtos da dita vylla < li lhe confirmase o di- 
to alvar I e ouv.vse por bem que llie fossem guardados lodos os pre- 
vilegios, graças, homi'as, lyberdades que tem os cavalleiros, e visto lo- 
do por mim, querendolhe íTazer graça e mercee lif» ey asy por bem e 
lhe comífirmo e ey por confirmado o dito alvará e quero e me apraz 
que ele dilo Aflonso Anes goze e gouva de lodolos [irevilegios, gr-a- 
ças. h(»mras. lyberdades de que gosam e devem gouvir os cavaleiros 
j)orem mando a todos os meus desembargadores, corregedores, jui- 
zes e justiças officiaes e pessoas a que esta minha carta líor mostra- 
da tt o conhecimento delia perlemcei* que cnmpi'ani e guardem e Ifa- 
çam comprir e guardar C')mo nela he conlheudo sem duviíla nem em- 
bargo algum ipie a ello seja posto p )ri|iie .isy he mynha mercee e 



(1) StMiiln AlTonso Annes, morador na illia T(!i'ceira, c tendo sorviílo tMii 
Santa Cruz, não se pcrccht' txnii so aqui devia iU/rr—illifi—c >i: a faziMida (|ii«' 
tinlia(.'ra n'unia uu n'outra pai-tc 

(^l)|l( lio S;-. .7. l (Ir liiitn Rehcllo.) 

N.'^ :2()-Vol. IV- 1 88-2. 5 



130 AKCHIVO DOS AÇOHES 

eslo será se elle tyver armas e cavalo segumdo fforma de minha 

ordenaçam. Dada em a minha cidade de Coymhra aos [13) dias do 

mes de setembro, Geronimo Diaz a ííez, dey 1/ xxbij {lõ27) annos. 

{Ar eh. 7)0 c. da T. do T.. L." XI de Donç. de D. João 3. \ f. 39.) 



XI 

Pero cl*Kvoi*a 

(Da Ilha Graciosa) 

Armado cavalleiro, por Gonçalo Mendes, em Çafim. Carta de confirma- 
ção em 1526'. 

Dom Joham per graça de Deos e etc. A (jiianlos esla minha caria 
vyrem faço saber qne per parle de Pero dKvora morador na ilha Gra- 
ciosa me foy apresentado liQu alvará de (jne lio Iheor he o que se se- 
gue = Gomçallo Mendes Çacolo lidalguo da caza dei Hey noso se- 
nhor capitão e governador desta cidade de Çafim, faço saber aos que 
esle meu alvará vyrem que he veidade (jue eu íiz cavaleiro a Pero 
dEvora por aquy servir de maneira que mereceo sello e p(»r sua guar- 
da e lembrança lhe mandey dai' esle meu alvará per mym asyiiado, 
e do meu sello (ò/c) feito per mym Álvaro Vaaz page do sõr capitão. Da- 
do em Çafim a vynte dias do mez de junho de mil! e quynhentos e 
vynte e cinquo annos. =Pedindome ho sobredito Pero dEvora qne por 
quanto elle me >yrvyra em ha minha cidade de Çafim per espaço de 
seis meses e asy em a vylia de Mazagão elle e liHu filho seu com ar- 
mas e cavallo st^te ou oyto meses e a.sy sei- de boa geração ho que 
lodo me fez cerlo per estormentos lhe confyrmase ho dito alvará e 
vysio tudo por mym querendolhe fazer graça e mercee ho ey por bem 
e lhe confirmo e ey por confirmado o dito alvará e quero e me praz 
que elle dilo Pero dEv(jra goze e gouva de todallas graças, previlegios, 
liberdades de que gonvem e devem gouvyr os cavaleiros, poiem tio no- 
tyfiquo asy a todos meus corregedores, desembargadores, juizes, justi- 
ças e oficiaes e pesoas a que esla mintia caria for mostrada e ho co- 
nliecimento delia pertencer e lhes mando que em todo e per todo ho 
leixem gozar das lyberdades e graças sobrethtas e em todo llie cum- 
pram e guardem e façam coniprir e guardar esla mynha carta como 
nella he contheudo sem duvida nem embarguo alguu que a yso seja 
posto f)or que ;isy he mynha mercee e esto seja se elle tever armas e 
cavallo sygundo forma de mynha hordenação. Dada em ha mynha vyl- 
la de Santarém aos seis dias do mes dagosto. Jeronymo Luís ha fez. 
de myll e quynhentos e vynte e seis annos. 

{Arch. nac. da T. do T., I/r." Xí dos Doac. de í). João 3.°. f. 2 v.'') 



ARCHIVO DOS AÇORES 131 

Xil 
Pero AnnoM <lo Caiilo (I) 

Carta de privilegias concedidos a Pcro Annes do Canto, de 18 de se- 
tembro de 1527. 

Dom Joham ele. A vos meu norregedor jnizes e justiças das vil- 
las (la Comarca e correiçam das Ilhas dos açores e julgados delias e 
a outros (juaesquer oficiaes e |)esoas de meus regrios e senhorios a 
que o conhecimento desto pertencer per qualquer guysa que seja a 
esta minha carta ou o trelado delia em publica forma for mostrado 
saúde: façovos saber que (juerendo eu fazer graça e mercê a Pere- 
annes do Camto fidalguo de minha casa por quamto está prestes pê- 
ra nje servir na guerra com seus cavallos e armas quamdo lhe per 
mim for mandado vysto huu alvará per mym asynado tenlio por bem 
e mando que d'aqui em deanle sejam priviligyados e escusados to- 
dos seus caseiros etc. — em forma. Dada na minha cidade de Coimbra 
aos dezoyto dias do mes de novembro, RI Rey ho mandou pelos dou- 
tores Braz Neto e Lu is Teixeira Lobo ambos do seu conselho e des- 
embargo e seus desembargadores do paço e pytyções. Semeão Por- 
tuguez"a (Tez, anuo do nacimeiito de uoso sõi- .IhaO xp~» de mill e 
b*^ e xxbij (1527) annos. 

{Arch. nac. da T. do T.. Lir. Xí das Doar. de D. João S." f. 6) 



Carla de brazão d' armas por serviços em Arzilla. em 28 de janeiro 

de 1589. 

Dom J(3am etc. A quãtos esta minha caria vireu) faço saber que 
Pêro Anes do Camto fidalgo de minha casa me fez a saber (jue por 
quãto ele tem armas de nobreza de sua geração dos do Camto que 
pelos muytos serviços ([ue me tmha feito e esperava de fazer primcipal- 
menle no segumdo cerquo dArzila i^) quamdo a leve ceripiada El Uey 
de Fez e ocupada a praya do Arecyfe com muitas bombardas ele foy 
dos prymeyros ipie vieram ao socoro da dita vila com hu navio ar- 
mado e com muita gemte e deseml)arci)u com muyto perigo e risco 



(1) Vid. |i. Wo vol. ;5." (reste Arrliira. 

(2)0 segutirlo ceri'0 (1'Arzilla foi (mii l*)0'.)--Daiiiirio de (iocs — Clnon. ih' I). 
Manoel, 2.-'' pai1e, cap. 28 c 2í). 



132 AHCHIVO DOS AÇORES 

fie sua pesoa e tamlo que entrou na vila o conde dom Vasco (I) ca- 
pitão delia lhe deu logo hum baluarte que o defendese com os da 
sua companhia cõtra os mouros e o soslivese no qual entríiu e botou 
per força algus mourds que nele eslavão onde peleyandn defemdeo 
sempre o dUo baliiaite ate que fdV o mais socoro que fogiram os 
mouros: pedimdome por mercê por a memoria de taes serviços se não 
perder amtes aver galaidão pêra (|ue outros movidos com tal desejo 
facão o semelliãte lhes fizese mercê de lhe dar armas de nobreza no- 
vamente per ele ganhadas pêra as mesturar com as suas da sua ge- 
ração o que vimdo eu ser causa justa não tão somente com graças e 
favores e mercês satisfazer cõlentai sua vida mas aimda poi- boõ ex- 
empro e de virtuosos serviços e sua mais gloria agalaidoar a ele Pe- 
reanes do Camto e aos que dele decêderem cõ outros prémios e 
homras que desta moitalidade sejam isemtos e por tãolo semdo eu 
em conhecimento de certa sabedoria que ele tê servido a^i como ele 
diz fazendo sempre como boõ e vii tuoso que ele he e pelo amor que 
por suas virtudes e sei viços lhe tenho eu de meu moto príiprio cõ a- 
cordo e justo parecer dns do meu cõselho e de Porlugall meu prin- 
cipall rey darmas lhe dou novamente armas de nobreza pêra ele e pê- 
ra seus decemdemtes pern tod(j seMí[)re pêra as poder ajuntar cõ as 
suas: a saber: hu escudo vermelho cõ hn baluaite de piata^lavrado de 
preto e nele quatro bombardas de sua cftr cõ o pe do escudo de prata 
cõ seu elmo e paquife e timbre das armas que de sua geração tem as 
quaes armas nesta carta vam pimtadas e por meu expreso mamdado 
o dito Poitugall meu rey daiinas as ordenou e logo registou em seu 
livro do registo das armas dos fidalgos cõ sua cota darmas que dos 
mesmos synaes lhe dou segundo se contem em hu meu alvará que 
aquy vay tresladado e he o seguimte: 

Ku el Rey faço saber a vos bacharell António Roiz rey darmas 
Portugall que avemdo eu respeito aos muitos serviços que tenho re- 
cebido de Pereanes do Camto fidalgo de minha casa e aos (jue dele 
ao deamle espero receber e asy a seus estormentos que me apresen- 
tou nos quaes se continha que a segunda vez que el Rey de Fez veo 
a cerquar a minha vila dArzila o dito Pereanes do Camto fora dos 
primeiros homens que acodiram ao dito socoro com hu navio de gem- 
te e sayo em terá com muita afromta e perigo de sua pesoa pela ar- 
tillieria dos mouros que lhe tiravam da terá por lhe defender a des- 
embarcaçam omde tamto que foy posto em terá foy pelo comde dom 
Vasco. Capitão da dita vila posto no baluarte que chamam o Tamba- 
ralam omde esteve biij [8) dias cõtinos defemdemdo a entrada aos 
mouros pelo ijual serviço e pelos muitos que delle tenho recebido ey 
por bem e por folgar de lhe fazer mercê lhe acrecentar nas armas 



(1) D. Vasco Coutinho. Conde de Borba. 



AHCHIVO DOS AÇdKKS 133 

de seus avous da liuliageni dos do C.amto no e.^cndo das ditas armas 
hum haluarle de piata com sua arlilliaria e por tamto vos mamdo qne 
lhe façaes fazer o hrasauí das ditas armas e lhe paseis diso caria 
eui forma segumdo a hordenamça na qual ira tieladado este nu u al- 
vará: noteficovolo as} e vos mamdo que asy ho cumpraes. João Royz 
o fez em Lixboa a xx {20) dias de janeiro de ~J [f e xxxix {lòSOv. e 
este se guardara posto que nom pase pela chancelaria; Bastiam da 
Costa o sobescrepvy. 

O qual escudo, armas e syuaes posa trazer e traga ele Pereanes 
do Camto e todos seus decendentes em todos os lugares de liomra 
em (jue os nobres e amtigos fidalgos sempre as costumaram trazer 
em tempo dos mui esclarecidos reis meus progenitores e com elas 
posa emtrar em batalhas, campos, doelos retos e escaramuças e des- 
afios e exercitar com ellas todolos outros autos lícitos de guera e de 
paz e asy as posa trazer em seus firmaes. anéis e synetes e devysas 
e as poer em suas casas e edeficios e leixalas sobre sua própria se- 
pultura e finalmente se servir e homrar e gouvir e aproveitar delas 
em todo e per todo como a sua nobreza convém com o (jue quero e 
me praz que aja elle e todos seus decemdemtes todalas homras, pri- 
vyllegios, graças e meras iimrch'^ isemções e framquezas que ham e 
devem aver os fidalgos nobres e damligua linhagem e como de todo 
sempre gozaiam seus antecesores e porem mamdo ao dito Fortugall 
meu rey darmas e aos que depois delle descemderem (]ue registem es- 
tas armas em seus livros pêra em todos os tempos serem ávidas e 
aprovadas por veidadeiras e lhes leixem lograr e pesoir como cousa 
sua própria e a outros algums nam: e mamdo a todos meus correge- 
dores, desembargadores, juizes e justiças ofeciaes e pesoas a que 
esta minha carta ííor mostrada e o conhecimento delia pertemcer que 
em todo lha cumpram e guardem e ffaçam cumprii' e guardar as 
homras, privillegios, graças e mercês e framquezas e ysemções que 
de direito Jhe pertencem como se guardam aos antigos e nobres fi- 
dalgos de meus reinos sem duvida nem embargo algum que lhe em 
elo seja posto por que asy he minha meice e por lembrança e firme- 
za lhe mandey dai' esta carta asynada por my e selada do meu sello 
de chumbo. Dada em a minha muy nobre e sempre leall cidade de 
Lixboa aos xxbiij [28) dias de janeiro, Âmtonio d"Olamda ofeciai da no- 
breza per meu especiall mamdado a fez. ano do nacimento de noso se- 
nhor Jehu xpõ de ~ \f e xxxix i lô39) anos. 

[Ardi. imc. da T. do T.. Lir. 27 da Clianc. de I). João S.", f. 4.) 



134 AMCHIVO DOS AÇOHES 

XIII 

( Michaelense ) 

Armado camiUcií-n, por Luiz Loureiro, rm Çafim. Carla rk confirma- 
rão de IS de março de 1539. 

Dom Joiíain ele. A ;|iiantos esta minha carta virem faço saber (jiie 
por parte de Tome Roiz morador na vila da Ponta Delgada da minha 
ilha de sam Mignel me foy apresentado linm alvará de Luis Lonreiro 
li lalgo de minha casa capitão ipie foy na minha cidade de Çafim em 
o (jual se continha (jiie por o dito Tome Koiz o fazer bem de sua pe- 
soa (jnan lo o Xarife Rey de Maroqnos teve cerijuada de mar a mar 
a dita cidade e por seu merecymento ijue o merecya o fuera cavalei- 
ro segundo compridamente vy pelo dito alvará pedindome por mercê 
qne lho confirmase e visto per my seu re juerimento e o dito alvará 
e como fez certo per duas testemunhas (jue me apresentou duas tes- 
temunhas de fe servir na dita cidade com armas e cavallo mais do tem- 
po ordenado e ser pesoa que o merece (|ueremdolhe fazer mercê ey 
por bem e confirmo e ey por confirmado por cavaleiro e quero que 
daqui em deamte ele dito Tome Uoiz goze de todalas homras, priville- 
gios. liberdades e fram"|(iezas ipie tem e liam e de i|ue gozam e devem 
gozar os taes cavaleiros per mim confirmados e mamdo a todolos Cor- 
regedores, ouvidores, juizes, justiças e oíTiciaes e pesoas de meus reinos 
e senhorios a que o conhecimento desta pertemcer e esta minha carta 
for mostrada e que muy inteiramente a cumpram e ITaçam cimiprir e 
guardar pela maneira que dito he sem duvida nem embargo algum 
(jue a ello seja posto asy he minha mercê e elle dito Tome Roiz se- 
rá obrigado ter armas e cavallo pêra meu serviço segundo forma da 
hordenação, João Chamoro a fez em Lixboa aos xiij(i5) dias de março 
ano do nacymenlo de noso Senhor Jhu xpõ i Christo) de ]~ b*' e xxxix 
(1Õ39) o (|ual Tome Roiz vav este presente ano aa índia. 

íArch. nac. da T. do T.,'C/urm: de D. João S.". L.'' 27 f. 22 r.'\) 



XIV 

^uno FernaiKles 

( Michaelense ) 

Armado caraUeir o, por António Leite, em Mazayão. Carla de von/irma- 
cão de 18 d Abril de 1ÕS9. 

Dom Joam etc. A ipiamtos esta minha carta virem íTaço saber que 



ARCHIVU DOS AÇOHÍÍS 13o 

por parle de Nuno Fernandez morador na vilh (l;i Ponte Dellgada da 
minha íllia de Sam Migell me foy apresemtado liu alvará de António 
Leite capitão e goveinador da cidade dAzamor e da villa de xMazagão 
em o qual se continha ITazer cavaleiro ao dito Nuno Fernandez por 
seu merecimento e por servir com elle dalíerez do guião e bandeira 
quamdo era necesario e compria a meu serviço segundo compiida- 
menle vy pelo dito alvaia pedindo p(jr mercê que lho confirmase e 
visto pei' mim seu requerimento e a prova (|ue deu de seu serviço e 
da calidade de sua pesoa querendolhe fazer mercê ey por bem e o 
confirmo e ey por confiimado por cavaleiro e quero que daqui em 
diamle elle dito Nuno Fernamdez guoze de todallas honras, privilé- 
gios, liberdades e ITramquezas que tem e ham e de que gozam e de- 
vem gozar os taes cavaleiíos per mim confirnjados porem mando a 
todolos corregedores, ouvidores, juizes, justiças e oíliciaes e pessoas 
de meus reinos e senhorios a que o conhecimento desto pertencer e 
esta minha carta íTor mostrada que mui inteiíamente a cnmprão pela 
maneira que se nella contem sem duvida nem embargo algCui que a 
ello lhe seja posto porqile asy he minha mercee o qual Nuno Fernam- 
dez será obrigado ter armas e cavalo pêra meu serviço segundo for- 
ma da ordenação. João Chamoro a fez em Lixboa aos xbiij '18) dias 
dabrill, ano do nacimento de noso senhor Jhu x." > Cftristo) úe "J b'' 
e xxxix {1039.) 

[Arch.nac. da T. do T.. Liv. XI das Doaç. dv D. João 3.\ f. 39.) 



XV 

Manoel da Camará 

Filho do Capitão donatário da Ilha de S. Miguel. Serviços no Cato de Gué constantes da: 

Carta de D. Guterre de Monroy, de 2 d' Abril de 1541, parficipando a 

perda da vdla de Santa Cruz, do Cabo de Gtté, e da parte que 

na defeza leve Manoel da Camará. 

«Sor.— Depois da chegada de Manoel da Camará ao socoro. en- 
trado Dezen)bro escrepvi a V. A. por Joam Miz. Alpoen que a yso em- 
vyey numa caravela darmada de que ca tinha necesydade e pelos 
dous moradores per quem lhe tão bem escrevy e niamdey dizer quã 
pouco enpedimenlo a vimda desta jemle fizera pêra deyxar vyr 
avamle a obra dos mouros da força do pico e vila e questoulra nosa 
senão podia soster como se cheguavam a nos cõ suas cavas e bas- 
tians e como linha certa nova de vyrem cymquo bombardas mais gm- 
sas que as (jue ja estavão e outras e a.^y (|ue não vierão cu .MmikicI 



I3G ARCHIVO DOS AÇ0I5ES 

(la Camará os dozenlos homens que me V. A. escrepveíj ijue me mã- 
(iava cõ ele nê mais de vimta dous criados de V. A. que erão os que 
ou uiandava pedyr por que os mays erão de Manoel da Camará de 
jemte de bem que era a (jue me mais comprya, como se agnora bem 
mostrou. 

E asy me escrepveo V. A. que os outros cemto pêra compri- 
menlo dos irezemtos que me dezia que com ele mandava viryão 
loguo apoz ele e asy me mandava fazer prestes o galyão São Joam 
com outros navios e pareceme que dezia cõ mil homens e eu escre- 
pvy a V. A. lemdolhe tudo muyto em mercê beyjamdolhe per iso as 
mãos e que ho galyão estarya muy bem no |)orlo e pela nova que li- 
nha de fazeiem eslamcyas fortes pêra os mouros poiê sua arlelharia 
tão perto que era asaz craro seu preposylo e determinação |)era com- 
bater a vila como loguo fizerão e eu cada dia esperava poresta arma- 
da e pola da Malagueta que me dela tãobem escrepverão ijue V. A. 
mandava vyr e i;omtudo vemdo (jue yslo tardava mamdey quatro na- 
vyos hus apoz outros e que mnyto memiamenle dava coiuta a V. A. 
do trabalho e risco em (jne estávamos e a necesyilade estrema de to- 
dolas cousas pelimdolhe mnyto (pie t|uizese mamdar sot:orer e prover 
em tudo e tomar concrnzão no da vila o que eu não devia decrarar 
mais nem dizer não sabendo seu prepi)SÍto senão que eu com meus ti- 
Ihos e cryados acabaryamos nyso sem muica ver reposta de V. A. e 
vem lo isto e ho crecymeiíto dos mouros e de suas obras pêra se a- 
cheguarem a nos e ho entulho da cava «jue mostrava vyr e ho dano 
que nos fazião cõ sna artelharya e [)orque seryão mortos e ferydos 
mais de do/emtos homens dos nosos mandey outra vez a Ilha da Ma- 
deira e a (lanaria peilyr socor<) de tudo e asy a Çafim por pólvora 
de que tynhauKJS muyta necesydade e de todas (jutras cousas com 
que pndesem acodyr: e de nliQa parte nos socorerão bem. creo que 
não serya p(.i uão terem [)era ysso mny boa vomlade. 

A artelharya dos mouros estava tão perto como escrepvy alguas 
vezes a V. A. que erão nove bombardas uuiy grosas afora as que ti- 
ravão do pico e outra artelharya mais meuda e es[)imgardarya que 
se uão pode crer quanta era e nos combaterão vymla dous dias de 
dia e de noiíte deribamdonos todo ho alto do castelo e cubelos de 
fjra domde nosa artelharya primcipal jugava de luaneira que noia 
ceguarão toda somente algua do cobelo de Tannnaraque e da tore do 
facho cõ se lepayrar e fortalecer per vezes e com nmyto risco e tra- 
balho porque daly se lhe fazia muyto dann. 

A quimla feira vinla dons do combate a dez de marçi) nos acome- 
terão a emlrada pelo emlulhoda cava (|ne eslava ja no amdar do mu- 
ro jnmbt da poria da traição cõ quamio o snmiamos por denitr(j cõ 
minas e era donde a nossa artelharya lhe uão podya fazer dano nê 
hos podíamos descnbryr cõ a sna artelharya e espimgardaiya e as no- 
sas açoleas razas e os symliamos picar no muro peripie se abryo a 



ARCHIVO DOS AÇORF.S 137 

poria (la Iraiç.id e por hy os fizemos afastar a sua ciisla e nos oiive- 
inos nosa parle e logiio a sesla feira |)ela maiiliã nos tornarão a C(jm- 
l)aler pelo mesmo lugar cio emtnlho com muita jemle luzida e miiy 
hem armada p de capacetes dourados e eslamdo nos asy cometendo 
cõ sua artelharya e a nosa do Facho que lhe fazia muyto mal e por 
nosos pecados se acemdeo o foguo imma celha de pólvora de que a- 
relientou a tore cõ toda artelharya domde moreo Rodrigo de Carva- 
lhal meu jemro que nela estava e seu irmão cõ trymta e sele homens 
que cõ ele estavão dos mylhores que havia na vila e cõ tudo se ara- 
daram os mouros cõ muyto dano recebydo e nos lãohem. 

E ao sábado em amanhecendo nos acometerão per muylas parles 
cõ escadas e o prymcypal pelo emlulho domde não liuhão trabalho na 
emtrada cõ muyla mays jemle tamta que eles cõfesão pasarem de cem 
mil mouros e turcos cõ muylas hamdeyras de ceda e destas bandey- 
ras puserão Ires na çolea da tore da (nenaje domde pelyava Manoel da 
(Gamara e em as pomdo ele tomou duas per sua mão e a outra se 
qupymou e os mouros mortos e deytados fora da çolea muylas vezes 
e algus turcos: e na mayor força disto me vyerão dizer que se lam- 
çava tnuyta jemte pelos muros ao mar e (|ue avya traição num cobelo 
e alevamtada hua bamdeyra bramca a (]ue loguo acody deyxamdo Ma- 
noel da Camará na tore da menaje que era ho mayor combale e dom 
Afomso meu filho domde acabou e dom P^rancisco meu sobrynho e pro- 
vy no da vyía lio mylhor que pude senão ao da jemte que se avia 
lamçado ao mar ipie muyla (Jeia cheguava ja aos bateis das caravelas 
(|ue hos vinhão recolher que fuy muy gramde mal e asy não se che- 
guarem as caravelas mais a lera peia tirar aos mouros que nos cora- 
balião e as escadas da parte do mar porque eles o podyão muy bem 
fazer e não doutra parte e aos mouros que sobyão pelas cordas per 
omde se hos nosos lamçarão e se isto tudo não fora lenho por muy 
certo que nos larguarão aquele dya e pelo dano que de nos recebyão 
de que amdava o mar limlo em samgne dos mouros porque a maré 
enchya ja naquele tempo e deve V. A. tumar muy estreytas contas dis- 
to e porque não fizerão vyr loguo a terá os baleis de duas caravelas 
que cheguarão a (juymta f'3yra bua e a sesta outra que erão as que 
tinha mamdado a Çafim e a ilha da Madeira e porí^ue se forão lognu 
aquela noite do porto sem (juererem saber de nos nada ponjue loguo 
ao outro dia vieião mercadores que lhes [íuderam hyr falar. 

Deve V. A. de crer ipie nesta jemte se lamçar ao mar a (|ual loy 
muyla foy a prymcipal causa de nosa perdição e asy o dizem os mou- 
ros que cõ ver lõgir a jemte lhes deu lodo o alrevymeuto e aiiitiga 
cousa he vemdo fogyr os emyguos tomar miiyli» mais esforço cumlra 
eles e dobrarlhe o coração e asy o lizerão ponpie cnlravão e snlivãn 
de maneira ipie não aproveitava mat;ii- numero dt-ics nem lainçalus 
pelo emlulho e escadas mortos porqu*,' logun cnliavãn e snbyão do- 
lirados e tomavão os mortos pHla> pernas e afastavanos par;t eiilra- 

N." -iO— Yol. IV- 188:2. O 



138 AltCHIVO DOS AÇOHKS 

rein e por isto ser cousa Ião desacustumada dos mouros parece cra- 
ro qiie a fogyda dos nosos lhe dava esle atrevymenlo e por esla ne- 
gra fogyda se cliegnaram amholos íillios do xaiife e o alcade Miimeii 
[sk) d) Ioda a jemte diamle iiianidanido a todds (pie emlrasem senão 
que lhes corlarya as cabeças porque einlravão ja mal pelo muylo da- 
no que recebyão e hos homens que se lamçarão ao mar merece mny 
bem castigados e mandalos buscar pelo reyno e a ylha da Madeyra 
pryncipalmenle os que tiuhão estamcyas de (]ue me tinlião dado sua 
meiiajem. 

Temdo provydo no da vila o (jue pude como ja (hguo a V. A. me 
torney ao castelo domde achey meu li lho morto e Manuel da Camará 
maltratado de foguo e com a rodela despedaçada e ja cõ poucos ho- 
mens porque se lhe forãu a nior paite deles e os (pie ficarão eiam 
seus e algils cryados de V. A. e meus e nos ajumlamos pêra tornai- 
mos a dar nos mouros que entravai) per outras parles domde lhe não 
reseslião e os cometemos e achamdo mny poucos homens cõ nosco 
pêra yso e Iam poucos que seryão sete ou oyto e hil deles era Amto- 
iiio da Costa que hora la vay domde ouve esa pedrada nos demtes e 
eu fuy ferido numa perua duma azagaya e Manuel da Camará na mão 
da rodela de lifia seta: e nisto se pos loguo amtre nos num baril de 
pólvora (pie nos acabou de desbaratar então nos saymos pêra dery- 
liar a poinle da cava a vila e se começou de fazer e forão lamlas as 
espimguardadas e lamças daremeço que senão pode deribar por sermos 
mnyto poucos e serem lamcados ao mar e recolhYd(i> pelas casas honi- 
de emfim os matarão e algus demtro em arfpias e jiipas damdolhes 
os moui'os seguros das vydas e desejamdo eu acabar lorney a dar nos 
mouros e Manuel da (,"amara e os metemos pela pomle malamdo al- 
gus e forão lamtos sobre nos (|ne em nos lecolhemdo a porta da vila 
nos tomarão de cançados e mortos a Manoel da (Gamara e a myni e 
por nos conhecerem nos não matarão o ipie naipiele tempo não fazi- 
ão a nynguem: pode crer V. A. (pie este dia resistimos ale dozemtos 
liomens a cem mil mouros e turcos (pie sabeui muy bem a guerra e e- 
les confesão morer deles mais de Ires mil e muytos ferydos e quey- 
inados em (pie entrarão algfis alcaides e homens priílicipaes e outros 
mouros dizem em segredo que moierão muitos mais e os casyses 
diz que amdavão ja requeremdo tpie se alarguase o combale e-eii 
creo (]ue se fizera se a jemte se não lançara ao mar. 

E com quamta falta tínhamos de todas as cousas pêra nosa ajuda 
e de não termos mantimento e tudo ser contra nos sayba V. A. muy- 
lo certo que foy esta vila tão defemdida e pelejada cõ a pouca jemie 
(pie hasyma digno a V. A. que dos romanos pêra (jua nunca se vyo ou- 
tra vila nem castelo e por qut isto asy he tenho algu comtemtamento 
lembraiidome doutros lugares inuyto mais fortes e cõ mayor defensão 
se (lerão a partido e esle tão fraco sem nenhQa esperamça de salva- 
(;ã() se fez nele o ipie se não fez em outros o que se vee per obra: e 



AUCMIVO DOS AÇOhKS \'M) 

algus I nicos coiiilão se acharem em treze combales de lugares e cida- 
des miiy lorles em iiiie emtroii Rodes e Castelo Novo folgiiara miiylo 
(|iie os ouvira V. A. como os nos ca ouvimos pêra saher (jiie cousa 
são os hoiis portugueses e vasalos e duro o combale e peleja ale ca- 
sy sol posto. 

De mim alembro a V. A. (|ue me cativarão e paso de sesemta a- 
tios e em seu serviço e a meu filíio dom Jerouyuio e (pieyioado e a 
uiyuha lilha (jue simlo mais (|ue Ioda myulia forlnua c a uieii sobrinho 
dom Ijiis e asy algfis criados. (|ue hos outros me matarfio ipie forão 
mais de vimle e perdy toda minha lazemda podenidoa salvar, e asy a 
perdeo Manoel da Camará a (|ue V. A. lem muy grande obriguação 
de lhe fazer muyla homia e mercê pelo que em liido U'z de que eu 
são boa leslemntdia. 

Algiias [)esoas deslas que agnora calivarfio são i'esgualadas que 
parece ipiys noso senhor abryr caminho fora do costume da lera e 
porque cumpre acodyrnos V. A. cõ cedo porque (pjamlo mais tarde 
será pyor e asy o parece ca alguas pesoas que ho emtemdem. e a 
Amrique Vieira que he o prymcypal homem pêra eslns cousas e he 
mnylo desejoso de fazer serviços a vosa alteza como lhe lenho escri- 
plo algiias vezes e a quem mnylo a mester nestas [)arles pêra cou- 
sas de seu servyço por que lem pêra yso abelydade e esperyemcya 
cõ estes dons irmãos, e ele he o ([ue resgnala os mais dos cativos a- 
sy fidalguos como a outra jemle e he tão bom homem que foy acome- 
tido pêra lhe o xarife dar seguro de sua molher e filhos e toda a sua 
casa tomandose a vila e ele o não quis por ser bom servidor e leal a 
V. A. e resgualou sua casa por mil e setemta onças moslrãodí) o 
xarife que lhe fazia nyso mercê e favor as quaes pode muy uja! pagar 
porque perdeo toda sua fazemda na vila V. A. lhe deve fazer nyso 
mercê e em outras cousas mayores ainda que eu sey que sem ymle- 
rese servira a V. A. mas isto he obra de miserycordia. 

Amtonio da Cosia feyloi' ijue foy de V. A. vay la e se resgualou 
ele H sua molher que ca tica [)or nove cemtas omç^s com fiamça de 
mercadores e foy pouco pêra este nome de feylor em que ho xaryfe o 
lynha folguey dele hyr la porque poderá dar muy meuda conila a V. 
A. do que ca he pasado como (]uem ho vyo e dos cativos pêra lhe V. 
A. fazer a mercê (jiie seu servyço for e ele que o merece. Noso se- 
nhor guarde e acrecemte a vyda e muy real estado de vossa alteza: 
de Tarudamte a á dabryl de loil anos. 

Beyjo as muy reaes mãos de vosa alteza. 

POM QoTERPy^E. 

[Àrch. mir. da T. do T.. Gar. 2^, mar. U—n.'^ 16.^ 
Ha uma iiut;i iio sobroesfriplo por Iciiu de r.jHpar Alvcz lic I>()n>.i'l;i. ■^•'- 



440 ARCHIVO DOS AÇORES 

guiKlo pareço, que diz assim «Relatase à perdição do cabo de Gué e cativeiro de 
dõ Gotere, lie notável e atlie quy valor de capitão e nõ plus ultra, justificandose 
bastantemente cõ o rey a quem escreveo esta carta por ser senhor de sy c não 
sogeito a nenhum vasalo como oge se nota em quem o não sabe sor.» 

(Nota do Sr. J. I. de Brito Rebello.) 

Foi impressa nos Annaes de D. João III, por Frei Luiz de Sousa— Livro V, 
Gap. X, aonde, alem da omissão d^uma linha, se encontra a orthograpliia alte- 
rada. 

Sobre o cerco do Cabo de Gué ou Aguer, pode ver-se a Chron. de D- João 
in, por Francisco d'Andrade, 3.* parte, Gap. 26, aonde erradamente marca a data 
de 15.'i6 em vez de 1541. 



XVI 

Manoel FeriiaiKl*'» Cabral 

(Terceirense: 

Carta de cavaUeiro, pelos scrricos prrstados cm Azamnr, cm 1542. 

«Porque nesta cidaile vive liuiii Miiiiuel Fernaiidez (>aljral iialural 
dela e nela casado dos principaes da terra bom cavaleiro experimen- 
tado na gerra e vyvya [riria\ em Azamor ao tempo (|ne se ílespejou e 
tem servido vossa alteza em Africa muitos annos e liee nmito apto e 
perlemcenite pêra servir o dito oíicio de anadel m(ir dos arcabnzeinis 
e espingardeyros nesta cidade dAngra e também pode servir etn toda 
a capitania, nos pareceo bem fazelo saber a V. A. pêra se servir dele 
no dito carrego por (jue hee muito pêra isso e por ser da terra e sa- 
bermos ter toilas as calidades necessaiias para o dito carrego e que 
nele serviraa bem pedimos a V. A. (pie lhe faça dele mercee.» 

[Extracto da Carta que a Camará d' Angra escreveo a EIrci, a 2 
d Outubro de 1Õ5S, Arcfi. Nac. da T. do T.. Corp. Chron. P."^ 1.' 
viaço 91, n." 28.) 

A este mesmo Manoel Fernandes Cabral recuinmendou Pêro Annes do Can- 
to, em sua carta de 1 (1'Ontubro de lo^i^: atraz no vol. 1." p. i:i7 (feste Archiro. 



ARCHIVO DOS ACOKIÍS 141 



XVII 

•lotio €la Kílva <lo Canto 

(Michaelense) 

Comnwnda de João da Silva da Canto, de 20 de fevereiro de 1551. por 
servir dois annoa em Ceuta. 

Dom Johão á-. A quantos esta minha carta virem faço saber qiie 
o samto padre Leo decimo concedei» per snas bulias a ej Rey meu Se- 
nhor e Padre que Samla Gloria aja que se podesem tomar pelas rem- 
das das Igrejas destes reinos vymle mill cruzados de remda se fizese 
e criase tamtas commendas ila ordem e cavalaria de uoso senhor JhCi 
xpõ (Christo) quantas parecese que da dita remda se poderiam criar 
e fazer (pie hos Reis destes Reynos podesem nomear aas ditas co- 
mendas (Cavaleiros da dita ordem que na guera contra os infiéis pela- 
jasem o tempo que pelos dilos Reis fose ordenado ou em outra ma- 
neira na dita giiera tivessem bem servido e amtie as Igrejas nomea- 
das na dita copia dos vymle mill cruzados de cuja remda se fizeram 
as ditas comendas foy nomeado à Igreja de Coja no bispado de Co- 
ymbra e de todas suas remdas foy feita comenda tirando sesemta ciu- 
zados que foram apartados e deputados pêra em cada hum ano se da- 
rem da dita remda ao reitor e priol da dita Igreja e o mais que pelo 
Regimento feyto anlre os comendadores e Reytores he oídenado e 
semdo ora a dita comenda vagua per fallecimento de dom Vasco d'E- 
ça comendador que delia foi ultimo posuidor avemdo eu respeito aos 
serviços que na dita guerra a noso senhor e a mim tem feytos frei João 
da Silva do Camto cavaleiro profeso da dita ordem e fidalgo de mi- 
nha casa e a tei- servido por minha provisão dous annos na cidade 
de Ceyta a sua custa e despesa pêra vemcer hua comenda segundo 
vy pela dita provisão e pei' húa certidão do capitão, contador e oíTi- 
ciaes da dita cidade ho nomeo a dita comenda de Coja e ey por bem 
que elle a tenha e aja com todas as rendas, foros, direitos e per- 
tenças (|ue lhe de direito pertencem tiranido os ditos sesemta cruza- 
dos cada ano que sam reservados pêra o Reitor e o mais que pelo 
dito Regimento he ordenado como dito he e per esta mando ao con- 
tador da dita ordem que lhe de logo a pose da dita comenda e de 
Iodas suas remdas. foros, direitos e pertenças e lhe leyxe tudo ter e 
aver arrecadar e pesuir sem lhe niso ser posto duvida iiem embar- 
go algum pnr(]ue asy he minha mercê e o dito frey .loham da Sylva 
será obrigado de demtro de oyto uiezes piimeiros seunimles mandar 
pagar- em corte de Roma os dereytos ordenados a see apostólica e ti- 
rar srra provisão em forma e per esta peço muito por' mercee ao sam- 
If) padre (pre aja por' bem de lhe mandar pasar' a dita piovisão na 



liá AKCHIVO DOS AÇOhKS 

t|Utí fíira tnenção como he provido da dita comenda pei' verlude desta 
minlia nomeação e a dita minha provisão per que sérvio a dita co- 
menda e certidão do capitão e oficiaes da dita cidade de Cepta foy 
Indo roto ao asynar desta que por firmeza dello lhe mandey pasar e 
o dito frey Johão da Sylv.i mostrara certidão de Manoel da Costa es- 
cripvam da camará da dita ordem de como esta íiipja registada no Li- 
vro do registo das cometidas qne pêra yso mandei fazer. Adriam [.n- 
cio a fez em Almeirim a xxb {25) de fevereiro do ano do nacymento 
de noso senhor Juh xpõ (Christo) de 7 b*" e Ij [15;j1}. Amdré Soares 
a fez escrever. Nam faça duvida a emtrelinha que diz — provysão~por- 
<|ue se fez por verdade — Comcertada, Pêro d'Oliveira — concertada, 
Joam da Costa. 

{Arch. nar. da T. do T , Ur. IV dos PrivU. de D. João .V.°, /'. Õl r.". 



XVIIl 

Fr. António Pires «lo C:;anto 

(Terceirense) 

Serviços feitos contra os infiéis. 
(Extracto) 

(^arta da Commenda de S. Cosma de dWzere a Fr. António Pires 
do (]anto pelos serviços leitos na guerra contra os infiéis por estar 
vaga pelo falecimento de António Lopes Bravo, abbade, que delia fo- 
ra ultimo po>suidor. O qual António Pires do (>anto renunciou a Co- 
menda de São Domingos de Jermello do arcebispado de Braga de que 
era provido, por um instrumento [)nblico de rennnciação feito em Al- 
meirim aos 4 de agosto de lool pelo tabellião João Taborda. E a 
carta <jue ele tinha da dita commenda foi rota ao fazer desta Óc. Dada 
em Almeirim. António ile .Mello a fez a 8 de agosto de L-)51. — André 
Soares a fez escrever. 

[Arch. fiar. da T. il'i T.. Lir." IV dos Privilégios dfi U.João S.°, f. 



NOTAS DOS PARTICULARES DANGRA 

PELO 

?: MANOEL LUIZ MALDONADO 

iVota I.' 

Do rendimento do vinho atavernado que gasta Angra 
commumente na roda do anno. 

Venderam-se iias tavernas da Cidade d Angra no anno de 1693 
conforme o rol do medidor do Concelho 1:463 pipas de vinlio. He a 
medição de cada uma destas pipas, de duzentas e vinte cinco canadas 
(|ue vendidas umas poi outras a 50 rs. impoila cada pipa em ll)$i250 
rs., (|ne multiplicadas por 1:463 pipas, mostra-se dai' o producto de 
16:458)§i750 íeis. (]ada pipa d 'estas alem das 225 canadas tem mais 
commumente 40 canadas. por[)osta esta maioiia em cada pipa vem 
a dar mais 2^000 rs. em cada uma das 1:463 pipss ou 2:920d000 
rs. e couí o producto de i6:458?5)750 rs. prefaz o total de 19:378?5t750 
reis. 

Alem do vinho vendido nas tavernas ha o consumo dos pr-oprieta- 
rios. Conventos d-, que segundo o calculo de pessoas rasoaveis, mon- 
tará junto com as 1:463 pipas a cima ditas a 3:000 pipas consumidas 
cada anno em Angra, o que junto ao que se fornece ás frotas e ai rua - 
das, bem como o que se exporta para o Brazil e outros paizes. sobe 
a 5:000 pipas. 

]>'ota 3 "^ Kpitome Aiigren$«e. 

Rendimento dos Açougues particulares d' Angra, com 

privilegio. 

O açougue dos clérigos tem privilegiadas do imposto da 

respublica 18 arr'obas 

O mosteiro da l^sperança ( freiras i 10 « 

O « das Fieiras de S. Gonçalo 15 

O '» " « da Conceição 12 « 



íif-i 



)i) 



lii AHCHIVO DOS AÇORES 

Transporte o5 arrobas 

O mosteiro das Freiras de S. Sebastião das Capuchas . 6 « 

O Convento de S. Francisco i5 « 

O « da Companhia de Jesus 3 « 

O * da Graça de Santo Agostinho (3 « 

O « de Santo António dos (^.apnchos .... 4 « 

89 « 

O açougue do concelfio consome ordinariamente . . . 1)0 « 
Os açougues particulares alem do gasto ol)rigado mais . 150 « 

Mostra-se gastar a (]iilade dAngra precizamente cada .semana a di- 
ta (juanlidade de 329 arrobas de Carne, de vacca, (jue se averigua ser 
o menos preço 000 rs. a arroba, o rpie monta I98;>000 rs. (pie mul- 
tiplicados pelas 4W?) seuianas do anuo moniain a 8:702^000 rs. 

Não entram n^esta conta os compromissos que se pagam aos mar- 
chantes (jiie vem a ser a razão de l);>0()0 rs. por cada arroba !?'?i das 
(|ue dão em cada semana, e só nos açougues, privilegiados montão 
estes compromissos em mais de 0()0:)()00 rs. como é de crer: que va- 
le o gasto d este privilegio na roda do anno o melhor de 12 contos 
de reis. 

Porcos. 

Começa a matança dos porcos, em Angra no mez de Outubro a- 
té ao entrudo que são o mezes, uelles matam-se, conforme os que 
cobram a impozição delíes nas vendas e taveinas. seis centos até se- 
te centos porcos que se vendem ás libras. Cada poi'CO destes vale rrm 
por oulio dois mil íeis. o (|ue inonia a I:'t00r5000 r'S. 

Arrematou-se o dizimo dos porcos em Angra em l(J98 por- 1 70^)000 r"s. 
« '< « da Prava « < 167:5000 . 
dos leitões . .' 5á:$000 .< 



Soinma o dizimo 389í$ÍOOO " 

ou valor' total 3:890^.000 rs. 

Ha nas cinco parochias d'Angia=S\ Conceição. S. Pedro. S.'' Lu- 
zia e S. Bento— 2:162 moiadoi'es. i*i Não ha casa de subsistência (!) 
(jrre do Natal ao Fnlr inlo não deixe de matar 2 ou 3 porcos com o 
que compirlada a largiresa (ririis com a [)ijbr'eza donlros se averigua 



(•) l'r()vav('lini'i)t(' (|iuz dizer Ibgos, puis (['oulri tbníia falha a (ioiita. 



ARCHIVO DOS AÇORES l'l5 

matarem-se em Angra nos ditos meses 2:000 porcos, alem dos das 
vendas e tavernas. O menor valor de cada porco é de 3^000 rs. nns 
poi' outros, assim acharemos a somnia de 0:000:í>000 ou o total de 
7:400j$i000 rs. juntando-llie o valor dos ipie vendem nas tabernas. 

l<:i»ilonie <la Illia T«>^rc4^ira. 

Carneiros e Cabruns 

Não tem Angra açongne dedicado a estes géneros de carne. 

Por imformação dNpielles qne tinhão razão de saber, como pes- 
soas que uzão desle trato, dizem começa esta matança d'estes gados 
no mez dAbril depois de N.* S.* da Ressureição até ao fim de No- 
vembro. Nestes 8 mezes se matão em cada um delles a melhor de 
GO a 70 carneiros, o qne nos 8 mezes somtna pelo menos oOO 
cabeças. Cada carneiro vale nm por outro oOO rs. o qne produz 
250í5ÍOOO rs. 

Nos mesmos 8 mezes gastam-se 1:000 rezes cabruns que a 400 
reis cada uma montam a iOOr>000 rs. 

Caças. 

Abunda Angra com grandeza em todos os géneros de caças agres- 
tes e domesticas, em todos os tempos do anuo, com admiração dos 
forasteiros, porque facilmente a achão, quando vão pelas portas e ruas 
da Cidade, basta que as esperem nas entradas em que não falhão 
d'esta ou daquella parte com abundancias ^sic). 

Hé quazi incrível as muitas gallinhas e frangos, que quotidiannameu- 
te se gastam nos hospitáes, conventos, mosteiros, e enfermos nas ca- 
sas particulares, e quazi geraes dAngia, sem que a estes se dê 
de comer senão gallinha sem outra nenhuma edieta {sic). Alem do que. 
é cerio, que todos os que são afazendados a tem por jantar e 'cêa: 
com o que he de crer, que passa este provimento de mais de cem 
gallinhas no dia ijue no anuo vem a andar por 36:000 gallinhas, com 
vantagem. Em caso de duvida por excesso, advirta-se que não há em- 
barcação que venha ao porto clAngra, que se não proveja com este 
género daves em abundância, e nesta consideração se declara o com- 
puto verdadeiro 

Hé o preço das gallinhas de 100 rs. que nas 3fi:000 importa em 
3:GO0:$O0O rs. 

Não he menor o gasto de caças agrestes=coelhos=perdizes=co- 
dornizes e aves do ar em todo o decurso do anno e.\ceplo em tempo 
de quaresma, e destes géneros se provêem todos os dias os Conven- 
tos, Mosteiros e cazas grandes dAngra nas viandas do jantar e cèa: 
com o que é crivei não desiguala ao gasto das gallinhas inenos a ter- 
ça parte 2:4006000 rs. 

N" 20 - Vol. IV— 1882. 7 



146 ARCHIVO DUS AÇORES 

Nota 3." — Republica <l*.4ng^ra* 

Rendimento do pescado em Angra. 

Foi arrematado o anno de 1694 o dizimo do pescado da Capitania 
dAngra por João Gouvêa por 220^000 rs., forros para S. Magesla- 
de 22í$ÍOOO de redizima. 

2j$i200 rs. de um por cento que com 9?$Í790 de propinas aos mi- 
nistros importa em 253^990 rs. para a qual é necessário o rendimen- 
to de 5:500?$Í400 rs. 

Serão os lucros e gastos desta airecadação 50(^000 rs. que cor- 
respondem a 500í$ÍOOO rs. o que prefaz no gasto na roda do anno a 
quantia de 6:000í$;000 rs. 

Rendimento dos moinhos d' Angra. 

Tem Angra lá moinhos na sua famosa ribeira; que vem a ser a 
sua maior grandeza na opinião commum de todos os forasteiros, que 
viram e correram mundo. São contíguos com a Cidade, e tanto que o 
ultimo delles para a parte do Oriente eslá pegado com os muros da 
cerca de S. Francisco, e pelo Poente corresponde a maior parle del- 
les com o bairro de Santa Luzia, com o que vem a ficar quazi entra- 
nhados em a Cidade. 

Rendem para o Capitam Donatário, como senhor das agoas da 
Ilha. 

Arrematados na forma seguinte=-com a condição que os carretei- 
ros delles servirão ao povo. vindo-lhes buscar a suas cazas o trigo e 
entregar-lho moido em farinha sem por isso pagarem coisa alguma 
mais que a maquia de cada alqueire que levam geralmente todos 
os que moem, e neste proceder são tão deligentes os carreteiros que 
pedem muito por mercê se sirvam delles, dando-lhes o trigo para a 
moenda pelo interesse de terem sempre o moinho occupado: e no que 
toca a fidelidade, os aperta a republica com aspereza, e com ser as- 
sim não perdem occasião quando a acham a seu talante. 

Os moinhos d'Angra foram arrematados em 1694 a saber: 

meios alq." 
l.^-O moinho da Janella por Sebastião Roiz pelo preço de 
20 */2 alqueires por semana: para o que é precizo moer 3 
moios e 28 alqueires 3—28 

5—28 



ARCHIVO DOS AÇOHES 147 

' moios âlq.' 

Transporte 5 — 28 

á." — O moinho da Cova arrematado -por André Dias a pre- 

de 20 alqueires por semana correspondentes a . 5 — 20 

.'i.°— O moinho do Picão arrematado a Manoel Fragoso - 

por 19 */2 alqueires correspondentes a , . . . 4—22 

i."— O moinho do Rego a Ambrósio de Sousa— por 19 al- 
queires ou 4 — 14 

0.°— O moinho da Madeira a Francisco Ferreira — por 19 

alqueires ou 4 22 

()."— O moinho da Calçada a João da Costa — por 14 al- 
queires ou 3 — 44 

7.°— O moinho Novo a Manoel dWlmeida — por 16 alqueires 

^/4 ou 4 — 24 

8. "—O moinho de S.João de Deus ao mesmo — por 16 al- 
queires e 7^ ou 4 — 24 

9."— O moinho do Áluro a Nicoláo Machado — por 8 V2 al- 
queires ou . 2 — 16 

I0.°— O das duas portas a Manoel Fernandes Carvalhal — 

por 16 V2 alqueires ou 4 — 16 

11.'' — O moinho da Calçadinha a Manoel Raposo — por II 



V2 alqueires ou 3- 



12.''— O moinho da Fabia (?) a Manoel Fernandes— por 16 

alqueires ou 2— 6 

Somma de trigo moido por semana . . . 48—0 

NB. o author errou nas operações e diz que sommavam em 51 
moios. Os 48 m3Íos multiplicados pelas 52 semanas produzem 2:496 
moios. Cada um d'estes doze paga a um carreteiro e sustenta uma 
besta, que com o azeite da Candea que arde toda a noite e com os 
lucros do moleiro, preciza 6 alqueires de tiigo por semana importam 
para todos os moinhos no fim do anuo em 60 moios e 40 alqueires 
que sommados com os 2:496 moios acima prefazem o total de 2:557 
moios. 

Apendix. 

Rendimento dos moinhos da Ilha Terceira. 

llá no logar de Agoalva 8 moinhos que foram arrematados em 
1694 a Manoel de Freitas por 80 "2 moios por anno o (|ue corres- 
ponde a ter moido 1545 moios. 



148 ARCHIVO DOS AÇOHES 



S. Sebastião. 



Ha nesta villa trez moinhos de ponca substancia pois que não 
moem senão certos dias da semana com a agoa nativa que se apro- 
veita em um paul para este menisterio: foram estes moinhos arre- 
matados em 1694 por António Machado Pereira, de Agoalva por d 
moios e 50 alqueires de trigo por anuo o que corresponde a ter 
moido 89 moios. 

Quatro Ribeiras. 

Os três moinhos, ainda que de pouca substancia, moem todo o 
anno, foram arrematados no dito anno de IG94 por João Homem Lobo, 
de Agoalva por 18 moios e 15 alqueires de tiigo por anno, corres- 
pondentes a moerem 30^ moios. 

Total: Moinhos dAngra 2:557 moios 

'( d' Agoalva 1:545 « 

« de S. Sebastião ... 89 « 

« das 4 Ribeiras . . . 302 « 

4:493 

O que leva a crer que são precisos cada anno 5:000 moios de tri- 
go pelo menos, e a não ser milho grosso, de que se mantém a maior 
parte da pobreza seriam precisos muitos mais. 

TVola 5" 

Dizimos do trig-o da Ilha Terceira, preços porque foram 
arrematados no anno de 1693. 

Capitania d 'Angra. 

Feiteira — a Pedro da Fonseca morador em Agoalva por 
Villa de S. Sebasliam— a Manoel Pereira morador na Ri- 
beirinha por 118 

Santa Barbara— a Manoel Ferreira Pires da Ribeirinha por 
Calheta— a Manoel do Couto moiador em Angra por 
Raminho— a Manoel Vaz morador nos Regalos |)or . . 
Ervagem— a João dAzevedo morador em S. Bartholo- 

meo por 

Quinta de Manoel do Canto— a Matheus da Fonseca . . 

456 



()0 


moios 


118 


1/. (. 


20 


« 


38 
3 


« 



ARCHIVO DOS AÇOHES 149 

Transporte 456 moios 

Para a redizima 50 « 

De um por cento . . 4 V2 « 

Para propinas 21 « 

531 V2 « 
O que corresponde á produção de 5:315 moios alem dos lucros. 

Capitania da Praia. 

Mostra-se ser arrematado o dizimo do trigo da Capitania da Praya 

a saber: 

.. moios— alq.' 

Porto Martim— a Antão por 141 — 

Villa Nova— a João Roiz por 131 — 40 

Ramo grande— a Mallieus Ferreira, das Lages por 280 — 
Altares"— a Manoel da Costa, da Cidade por . . 09—45 
Ervagens— a Balthazar da Costa, da Serra por . 34 — 

656—25 

De redizima 72— 2 1/2 

De um por cento 6 — 33 ^2 

Para propinas dos ministros 29 — 11 

764—12 

O que corresponde á producção de 7:642 moios. 

A produção dAngra e Praia juntas monta a 12:957 moios não 
incluindo n"esta orça, os ganhos, carretos e conducções por quanto a 
estes se applica o dizimo dos milhos, centeio, e cevada que andam an- 
nexos ao trigo, com o que, é de crer que uns annos por outros a I- 
Iha Terceira produz 13 mil moios com vantagem, que multiplicados 
por 12?$(000 rs. preço de cada moio de trigo, já desde alguns annos 
importa tudo em 156 contos de reis. 

Mota a." 

Relação dos preços porque foram arrematados os Dizi- 
mos das Miuças d'Aiig"ra em 1694. 

Frangãos— por Francisco de Mello por 26!5íOOO 

Porcos— por António Paes por 170)^000 

Linho— por Aleixo Ferreira por 58/^000 

Meuças, de Santa Barba— por Bernardo Pereira . . . 100??Í000 

354^000 



150 



AHCHIVO DOS ACOHES 



Transporte • • • 354^000 

Legumes da Cidade— por Balthazar oleiro . por 15^000 

Telha— por António Jorge « 14^000 

Bezerros— por Sebastiam Vieira « 127j$ÍOOO 

Inhames — por André Fernandes, pedreiro . . . « 44?5ÍOOO 

Madeira — por João d"Azevedo « 6!$ilOO 

Miuças— de Raminho por Manoel do Conto . . . « 9í5í800 

Quinta—de Manoel do Canto pelo dito Manoel do Couto « (30?5iOOO 

Sumagre — por Francisco « 13;5iOOO 

Mel— por Bento Coelho « 7?$Í300 

Cordeiros— por João Machado « 100^000 

Miuças da Calheta— por Manoel do Couto . . . « 60W0 

« da Feiteira— por Francisco Cardozo . . . « 48^000 

Pescado— por João de Gouvêa « i20?>000 

Miuças da Vi lia de S. Sebastião— por João Lobão . « 47^000 

Somma 1:125^200 

Da redizima Hr)f$í022 

De í por % il?5252 

Propinas dos ministros 49?SÍ871 

Total 1:301^345 

Relação dos preços porque foram arrematados os Dízi- 
mos das Miuças da jurisdição da Praia no anno de 1694. 

Miuças — do ramo grande por António Gouçalves Paes por 85í3Í500 

Frangãos — por Manoel Roiz « 28^000 

Porcos— por António Gonçalves Paes « 107)5iOOO 

Pescado— por Manoel Cardozo « 47á'000 

Bezerros — por Francisco Rebello < 77^5^300 

Miuças de Porto Martim— por Braz Vieira sapateiro « 80?5íOOO 

'< dAgoalva — por Balthazar Raposo, oleiro . . « 60f$>000 

« dos Altares — por Pedro Fernandes . . . . « 76«j>000 

Mel— por Bento Roiz « 4W0 

Linho— por Manoel Cardozo, alfaiate « 147^000 

Madeira— por Manoel Machado « 4á»000 

Inhames— por Balthazar Raposo « 34!$ÍOOO 



810r5000 



ARCHlVd DOS AÇOHES 151 

Transporte 810W0 

Cordeiros e Cabritos, pão, leite, e queijos— por João 

Dias por 59^000 

Pescado do varadouro— i)or João Gonçalves . . « 4j$ilOO 

« da casa da Salga— por Manoel Mendes . . « WO 

Somma rs 873^500 

l»a.a a redizima » 97)$1055 

« um por cento « 8?$1735 

« propinas dos ministros .......& 38)5(875 

1:018^165 

« ganhos e despezas 200í$i000 

Total reis 1:218^165 

Este dizimo corresponde a 12:181?$Í650 rs. 

Wota S." 

Relação dos preços por que foram arrematados os Dízi- 
mos do trigo nos Açores. 

Ramo da Illia de H. llis;uel em 1003. 

moios alq." 
Ponta Delgada— por Francisco da Silva Ribeiro pelo preço de 202—15 
S. Pedro (?)— por António de Gouvêa « « 102 — 
A lagoa— por José Pacheco « « 53 — 
Ago"a de Pão- por Manoel Ferd.' de Sousa « « 34—25 
Villa Franca — por Manoel Ferreira « . « 126 — 
Povoação e Fayal — por André Vieira « « 22 — 25 
Nordeste— por Manoel Lopes « « 42— 
Achada e Fenaes— por Manoel Bettencourt e Sá (da Ci- 
dade) pelo preço de 61— 
Maia e Porto— por Manoel Teixeira « « 61—15 
Ribeira Grande— por Manoel da Costa « <■< 202— 
Rabo de Peixe— por Manoel da Costa Gama « « 163—45 
Capellas— por Manoel Pereira, oleiro « « 98—40 
Costas (;?) — por Domingos Cabral (da Relva) « « 125 — 45 

Somma 1:294- 

Para a redizima 143 

« um por cento 13 

« os ministros 53 

Total 1:503 



152 ARCHIVO DOS AÇORES 

O que corresponde á produção de 15:030 moios. 

Andam annexos a este dizimo do trigo, o do milho, cevada, cen- 
teio que se applicão aos gastos e conduções d"esta cobrança pelo que 
se calcula que vendidos os trigos a preço de 12r>000 rs. preço por 
que corre ha muitos annos importa o total em 180:360;)000 rs. 

IVota ».» 

Relação dos preços por que foram arrematados os Dízi- 
mos das Miuças na Ilha de S. Miguel em 1693. 



Cidade— por Francisco Fintado d"Oita . 

Linho -por Manoel Carvalho .... 

iMel e leite —por Manoel Cabeceira 

Lenha e madeira — por Manoel Cordeiro 

Alagoa— por António Gouvèa 

Agoa de Páo— por Domingos da Hocha 

Villa Franca -por António Tavares 

Linho da dita Villa -por António Furtado Rebello 

Lenha e madeira na d.' Villa — pelo mesmo acima 

Mel e leite « « — poi' Francisco Luiz 

Assucar « « « António F. Rebello 

Frangãos « « « Francisco Luiz 

Fenaes e Achadas— por Domingos de Frias 

Nordeste— por Manoel Lopes Teixeira . 

Ribeira Grandi;— por Manoel da Ojsla Gama 

Linho « « « « « a . 

Lenha e mel, na R. Gi'ande— por Francisco Luiz 

Frangãos. « ■< « « « 

Fenaes da Cidade— por Aleixo Roiz 

Capellas,^^S.^" António eRretanha— por .Mano^d da Silva 

Miuças da Costa (w')— por Francisco Botelho da Relva 

Cabras — por Manoel Pereira, sapateiro 

Bezerros — por Pedro de Sousa 

Ovelhas- « João dAlvedo da Cidade . 

Porcos - « Manoel Ferreira Sousa 

Telha — « Manoel Tavares Rico 

Somma 

Para a redizima 

« um por cenin 



por 



os ministros 
Total 



070r)000 

lG7-$k000 

1 0^5000 

:{27ái500 
I m'iOO 

:ioO:>ooo 

55^000 
12^^000 
10..>500 

i:]f>0()0 

í)>i00 

2905.500 

GOí^íoOO 

(iOlWO 

:ní>5.000 

8^3800 

diOO 

180r>000 

281áío00 
225^000 
1336000 
loOi^OOO 
1965.000 
88a.o00 
LU 00 

i:253dOOO 

Í7 15.333 

45Í713 

1885.709 

'i:9 17-581 o 



AKCHiVU DOS AÇOHES 153 

Que correspondem á produção no valor de 49:178^150 rs. 

Calculados os lucros em 8^0)^000 rs. correspondem á produção no 
valor de 8:200^000 « que juntos aos dízimos das Miuças alraz reis 
V9:17861õO, eaoa do trigo 180::i()0áí600 rs., prefaz 237:738!$ÍI50 rs. 
valor total da producção da Ilha de S. Miguel. 

IVola IO.' 

Dízimos do trigo, preços porque se arremataram nas 
Ilhas dos Açores em 1701. 

moios alq ' 

Os da Ilha Terceira . 1:112 

■< « « do S. Miguel 1:294 

v« « « « Jorge 149-23 

« « «do Fayal 277—27 

« « « do Pico 130-55 

a « «da Graciosa . . . ■ 108—20 

« í. « « de cevada 183—40 

Somma 3:255 — 45 

Correspondentes com os devidos augmentos a 36:478 moios de 
producção. 

Não se nomeam as Ilhas de Santa Maria, Flores e Corvo por pei- 
lencerem seus dízimos a particulares, mas calcula-se que renderão 
tanto como S. Jorge e Fayal, o que laz com que se calcule a produc- 
ção total dos Açores em 40:000 moios annualmente e os ditos 40:000 
moios de trigo a 12!$í000 rs. importam em 480 coutos de reis. 

Mota II.' 

Grandeza das Ag"oas d' Angra. 

Distam menos de um quarto de legoa dos confins d Angra, na 
paite do seritrião ( Scplentrião) ao pé diima alta serra, varias fontes 
nativas, quasi umas com outras communicadas, com poucos passos de 
distancia, e conio sejam as mais abundantes das (uuilas que ha na Ilha, 
(incorporadas formam uma grande riheira, que occupa uma l)iaça de 
largura: esta desde sen principio se despenha corrente á ('idade, íi- 
CHido-lhe cm todo inferior sem padrasto algum ijiie a inipida: tão ac- 
comodada emfim a este mini.sterio tão essencial á vida, que parece se 
confirmar a natureza em tudo o (jue pudera appeteccr o maior dese- 

N." 20 -Vol. IV— 1882. ,s 



154 ARCHIVO DOS AÇOHES 

jo das creaturas. Apenas que esta ribeira faz entrada nas moradias 
d Angra coaieçam nella os doze moinhos de que traclei na nota 4.'\ 

São as agitas d'estas fontes, a meu parecer (como quem as expe- 
rimentou) as da maior suhstancia de toda a Ilha em quanto ao regai- 
lo, tão frescas e saborosas que esse vem a ser o seu maior defeito 
pelo muito que naturalmente se appetecem, e como o comtempera- 
mento de sua cilidade (qualidade 'h lie quasi frio. em summa não 
deicham de ser nocivas áquelles que com demazia se mettem n"ellas. 

De uma d estas fontes a mais copiosa, que se diz do Pecegueiro. 
se proviau) antigamente os moradores da (Cidade: e como estas agoas 
eram dign;is de toda a estimação, sendo no anno de 1605, em que e- 
ra corregedor da comarca Leonardo da (^unha servindo na Republica 
d'Angra de Juizes ordinários Ruy Dias de Sampayo, Francisco Madru- 
ga e Vareadores da Camará, Vital de Heltencourt o velho. Luiz Ho- 
mem da Cosia. Manoel Machado e de Procurador do Concelho, André 
Fernandes da Cêa, pareceo fazer-se ocanocjue se diz=ieal=trazendo 
aquellas agoas desde o seu nascimento por alcatruzes llié á beira da 
Cidade, que contesta com o moinho novo aonde existe a arca em que 
as ditas agoas se repartem. Até áqiielle logar se acham mil cento se- 
tenta e quatro biaças: cuja obra foi rematada em vareação de 10 de 
Outubro de 1005 por Ralthazar Fernandes em preço de \tViOO rs. a 
braça, com obrigaçãit de pôr á sua custa os alcatruzes, que tem mais 
de palmo de diâmetro. levislos pelos oíficiaes da Camará, abetumados 
e encalados com a segurança e fortificação necessárias. Custou a o- 
bra d'este cano até ao logai referido 5:105<>600 rs. 

Provê este cano dagoa TA chafarizes [)ublicos correntes com abun- 
dância, a maior parte d'elles de duas bicas de mais dum aimel d a- 
goa a saber na freguezia da Sé 10, na Conceição 8, em Santa Luzia 
3, em S. Bento 2, em S. Pedro, 2 ' aliás somtnão 2ò e não 28) São 
estes chafarizes tão contíguos uns aos outros que não distam mais 
d'um tiro de mosquete. 

Provê outros este cano, a saber: os oito Conventos e Mosteiros 
dAngra com tal fartura e abundância que todos tem nos seus claus- 
tros um chafariz de '\ bicas, outro no refeiloiio, dois e alguns trez bi- 
cas nas cercas. As sacristias da Sé e Ojnceição (>'/c ) e destas a- 
goas que lhe sobram a uma e outra sacristia, se approveilam muitas 
casas nobres quasi com desperdício. Finalmente o mais que é de ad- 
mirar, não haver casa em Angra de maior substancia (]ue não lenha 
chafariz, em seu quintal, com tamanha superfluidade, que conunimi- 
cam as sobras a outras em que podia ser escuzo este regalo: tanto 
assim, que ha lua sem ser das principaes, em que se acham 7 e 8 
chafarizes com a circumstancia que muitos o tem ã vista em rua pu- 
blica: com o (|ue não parece excesso o dizer-se, que provê o cano real 
das agoas dAngra mais de duzentos chafarizes públicos- e particula- 
res, e estes correntes em todos os tempos do anno. com o (pie se 



ARCmVO DOS AÇORF.S 155 

moslr;i estar Angra coiilaininada dAgoas. e não poniiila Deus, se 
corionipão como hoje, já quasi, se experimenta. 

:\ola ■«." 

Lenhas do lume, do gasto d'Ang'ra. 

Iluma das grandezas dAngra, em (|ne pouco se repara, sendo tão 
digna de ser noloria. é o ga>t() de lenha. (]ue se diz=do lume=: e 
na verdade, não fora Angra o (pie é. a não possuir com tanto commo- 
ilo o que tem: não por que a industria dos homens o fizessem (sic) 
mas por que os realces da natureza o dotaram (sicL 

Poz-lhe Deus as agoas em logar proporcionado para (pie (fellas se 
valessem em tal forma, que vem a ser esta grandeza maior com que 
excede as mais cidades do ultraimr. E sendo es(e provimento um 
dos essenciaes commodos da vida humana como alimento delia, para 
(]ue não faltasse em nada, lhe poz a natureza lãobem os mattos e le- 
nhas para o fogo tão conliguos. que se pode dizer, que as tem á por- 
ta, por quanto nos fins da Cidade começam os primeiros. 

Jazem (sic\ estes mattos no cerlão da Ilha, servem-lhe de margens 
as terras lavradias, que correm todas em circunferência á beira mar, 
entranhadas ao centro menos de meia legoa, e nestas lavranças se a- 
chão as parrochiaes, de tal forma que não ha freguezia parrochial na 
Ilha que não enteste com o malto. 

Parece na verdade alimenta esl(^s mattos a divina Providencia, por 
que não só delles se tira em lodos os tempos do anno a lenha do 
lume para o gasto de todos os lavradores e moradores da Ilha, mas 
tãobem toda a abiguaria de que necessita para a cultura, como são 
os arados, trilhos e grades, sem que haja parle que vedada seja, nem 
prohibida por parte do Senhorio, com o que vem a ser communs a 
tíjdos. E para que se entenda melhor esta grandeza se hade suppor 
(|ue são poucos ou quazi nenhuns, os lavradores em toda a Ilha, que 
alem da renda e trigo que pagão -eos senhorios, por seus arreuíia- 
mentos. não lenham a pensão de certo numero de carradas de lenha 
posta na cidade, com o que se prova bem e verdadeiramente a abun- 
dância de lenhas e madeiras (|ue tem a Ilha. 

He Angra a que faz maior gasto, e para que se entenda, o tpian- 
lo impoila, deve suppor ipie conforme os livros e roes de confissão 
das (pialro parrochias da cidade se acha haver 2:104 moradores i/o- 
í/ojs.?! gastando cada um uma carga de lenha por semana, que assas 
fica a orça diminuta por (pie ha muilas cazas em Angra (jue lhes não 
bastão cinco nem seis. Multiplicadas 5:2 semanas pelos ditos ^2:\('d 
prefazem II2:i2l cargas e vendendose cada carga por oitenta reis. 
[)reç() commum que ora corre, dá o producto 8:í){):^>!)4() rs. 

São compostos estes mattos de algumas madeiras, e sujiposto w^io 



136 AfiCHIVO DOS AÇORES 

sejam as de maior conta, servem comtudo para barrolaria, forros, e 
armações de casas grandes. Tiram-se estas madeiras com largueza em 
todos os tempos, em qne se faz um grande dinheiro. 

São as principaes madeiras e as de maior substancia, a dos Ce- 
dros, que a serem vedadas não ha duvida se poderão tirar delias 
grandes interesses, pela boa calidade que naturalmente partici|)ão por 
sna incompatibilidade. Acharn-se a maior parte destas madeiras, e da 
maior conta de baixo ( ? ) de huns fragamentos, que chamão moledo, 
este tão tenro que não passa a mais de cobrir o tronco, por modo de 
limo na agoa, e para o acharem se valeuí os fragueiros do cabo do ma- 
chado, e pelo som que notão o descobrem. Querem alguns dizer, que 
estes madeiros procedem originados da raiz de que nascem, por a- 
lastrados na terra aonde crescem e engrossam sem que necessitem 
da posição d(» ar. Outros dizem que ab initio da Ilha, por velhos, ca- 
hiram dando logar a outros troncos da mesma espécie, que para mon- 
tarem foi precizo que os suffocassem. e assim o mostra experiência 
por que commumente se acham em rumas huns sot>re os outros to- 
dos incorruptos. 

De outra casta de madeira constam os matlos da Ilha. como são os 
sanguinhos. páos brancos, (|ue chamam cerne, de que muito se ap- 
proveitam os lavradores para a fabrica da cultura. Finalmente se 
houvera encarecer o proveito dos matlos da Ilha Terceira e dizer o 
quanto vai a lenha e madeiras que delias se tirão em todos os annos 
sem se experimentar falia, não fora excesso aíVirmar valia [m\o mais 
de 20 contos de reis. 

[ExtrahuJo em 1875 dum MS. do P.'^ M. L. Maldonado em pod^T 
do Sr. Luiz Pacheco de Lima, da Cidade d' Angra. ^ 






CORTE-REAES 



CAPITANIA D' ANGRA 



DOAÇÕES E CONFIRMAÇÕES 

I-I74— 158-2 

Documentos) 

Dom Felipe ele. Façd saber aos que esla carta virem que \h)v par- 
le de D. Chrislovão de Moura Corle Real genli! homem de minha ca- 
mará do meu conselho d eslado vedor de n)iuha fazenda, me fui apie- 
senlado hu alvará de lembrança asinado pelos governadores que lu- 
ram de ctcstes (sic) reinos em que se continha que o Snõr Rei dõ lièr ique 
meu tio que Deos tem. avendo respeito aos serviços de Vasqueanes 
Corte Real e aos de seus passados de que descende e assy a mandar 
a Africa com o Snõr Rey dom Setiaslião meu sobrinho que santa gld- 
lia aja, Manoel Corte Real seu tilho que o herdava e moreo na bata- 
lha ouvera por bem de fazer mercê ao dito Vasqueanes das capitanias 
da ilha Terceira da parle dAngra e da ilha de Sam Jorge e dos direi- 
tos que lhe pertencem conforme a*s doações (|ue o dito Vasqueanes 
linha e isto pêra a pesoa que casar com sua filha mais velha cagan- 
do ella com pesoa que o dito snõr nomease. e a pesoa com que ca- 
sase se charaase Corte Real, a qual mercê lhe o dito sõr Rey meu 
lio fizera a xiiij (14} dias dagosto de mil b*^ Ixxix (lõ79i como con- 
stava de húa portaria de Sebastião Dias fidalgí» de minha casa que es- 
tava nas cosias do dito alvará e porque por a dita portaria se não 
passou provisão da tal meice em vida do dito sõr Rey os governado- 
res lhe mandaram dar disso o dito alvará pêra por elle se |)assarem 
cartas de doações em forma das dilas capitatíias e direitos depois do 
falecimento de Vasqueanes á pessoa que fizer certo ser casado e re- 
cebido com sua filha mais velha conforme ao diio alvará (|ue foi feito 
em Almeirim a dezasete de fevereiro do anno de J b' e l\xx 1;')S0\ 



138 AKCHivo nos açohks 

com o qiiiil me foi mais apresenladu a carta de doação (jiie Vasqne- 
anes linha da capitania da ilha Terceira da parte dAmgra de jniu de 
que o trellado delia de verbo ad verbo he o seguinte: 

Dom Amrique ele. Faço saber aos que esta caria virem (|ne por 
parle de Vasqueanes Corte Real filho mais velho (Je Manoel (]orle Re- 
al (pie Deos perdoe me foy presenlada hua caria do snõr IW\ meu 
sobrinho que samta gloria aja, por elle asinada e passada pela chan- 
cellaria da qual o trellado he o seguinte: 

Dom Sebastião ele. A quantos esta minha carta de confirmação vi- 
rem faço saber que por parte de Manoel Corte Reall do meu conse- 
lho me foy apresentada hua carta dei Rey meu senhor e avoo que 
santa gloria aja, per elle asinada e pasada pela chancellaria de (pie o 
trellado he o seguinte: 

Dom .lohauí ele. A quantos esta minha carta virem faço saber que 
por parle de Manoel Corte Real fidalgo de minha casa fillio mayor de 
Vasipieaues Corte Real que Deos perdoe, me foy apresentada hua 
minha carta de confir/nação per luim asinada e passada pela chancel- 
laria de que o lehor tal he: 

Dom Joam ele. .\ quantos esta nossa caila virem fazemos saber 
ipie por parte de Vasqueanes Corte Reall do uosso conselho nos foi 
apresentada hua carta dei Rey meu sor e paibe que santa gloria aja, 
da (piai o Iheor tal he: 

Dom Manoel ele. A (piantos esla nossa carta virem fazemos saber 
(pie de parte de Vasqueanes Corte Real fidalgo de nossa casa e vee- 
(lor delia nos foi mostrada bOa carta per nos asinada em sendo du- 
que de (^ue o Iheor delia tal he: 

Ku dom Manoel Regedor e governador da ordem e cavallaria de 
nosso snõr Jhu \\)h du(pie de Reja snõr de Viseu, Cyovilhãa. Moura e 
Serpa snõr das ilhas da Madeira, ilhas dos Açores e de (]abo Verde 
condestabre por el Rey meu snõr de seus Reynos. A quantos esta mi- 
nha caila virem faço saber que por parle de Joam Vaz Corte Reall fi- 
dalgo de minha casa ine foy apresentada bua caria do duque de Vi- 
seu que Deos aja. de (pie o lehor lai he: 

Eu o diiijue faço sabei- a (juanlos esla minha carta virem e o co- 
nhecimento delia pertemcer que por Joam Vaz Corte Real fidalgiio de 
minha casa e capitão por mym na minha ilha Terceira na parte dAm- 
gra me fty apresemlada lifia carta da dita ca[)i[ania a (|ual em meu 
nome lhe foy dada pela ilTanle luinha shra e madre sendo minha le- 
tor e curador da (jtial carta o Iheor de verbo ad verbo he este como 
se ao deante segue: 

l'Ài a Iffante D. Beatriz, tetor, e curaJ<)r do S^-nhor Duque meu'tilho ^c. 
Faço saber a quantos esta minha carta virem, que havendo eu por informação 
estar ora vaga a capitania da Ilha Terceira de .lesus Christo, do dito Senhor 
meu tilho, por se atfirmar ser morto .lacome de líruges, que até ora teve, do 



AliCIIIVO DOS AÇOKKS 151) 

qual ha muito tempo que alguma nova se nâo ha, posto que já por muitas 
vezes mandei a sua mulher, que a verdade dello soubesse, e me certificasse, as- 
signando-lhe para isso tempo d'um anno, e depois mais; a qual em alguma 
maneira com todalldS diligencias que nisso fizesse, me não trouve dello certidão 
alguma: pelo qual havendo eu por certo o que me assim é dito, e esguardan- 
do o damno que é, a dita ilha estar assim sem capitão que a haja de reger e man- 
ter em direito e justiça pelo dito Senhor, e como em ello pela dita causa se la- 
zem algumas cousas que são pouco serviço de Deus, nem do dito Senhor meu 
filho; determinei prover a ello poi descargo de minha consciência, e serviço do 
dito Senhor. E considerando eu d" outra parte os muitos e f^randes serviços que 
João Va^ Corte-Reah fidalgo da casa do dito Senhor meu filho, tem feitos ao 
If/ante meu Senhor e seu padie que Deus haja, e depois a mim e a elle. e con- 
fiando de sua bondade lealdade, e vendo sua disposição a qual é pêra pcder 
servir o dito Senhor, c seu entender e boa descripção pêra a dita ilha governar 
c manter em direito e justiça, em galardão dos ditos sei ricos lhe fi^ mercê da 
dita capitania da ilha Terceira, assim como a tinha o dito Jacome de Bruges, 
e lhe mandei dello dar sua carta antes desta. E porquanto a dita ilha não era 
partida amtre o dito Jacome de Bruges e Álvaro Martins ouve por bem de a 
partir antre o dito João Vaz e o dito Álvaro Martins e a parti pela Ribeira 
Secca, que é áquem da Ribeira de Fr. João, ficando a Ribeira de Frei João na 
parte d'Angra e da dita Ribeira Secca pela metade da dita ilha até outra 
banda, como se vae de Sueste ao Noroeste; e partida a dita ilha pela dita ma- 
neira, mandei ao dito João Vaz que escolhesse, e elle escolheu na parte d'An- 
gra, e deixou a parte da Praia, em que o dito Jacome de Bruges tinha feito 
seu assento; e a mim prouve dello, e lhe ei por feito mercê da dita parte por- 
que doutra mandai dar carta ao dito Álvaro Martins. E me praz que o dito 
João Vaz tenha por o dito Senhor a dita parte e a mantenha por elle em jus- 
tiça e direito: e que morrendo cUe isso mesmo fique a seu filho primeiro ou 
segundo, se tal fôr que tenha o cargo pela guisa sus:i dita, e assim de descen- 
dente em descendente pela linha direita e sendo em tal edade o dito seu fi- 
lho, que a não possa reger, o dito Senhor ou sçus herdeiros porão hi quem a 
reja, até que elle seja em edade pêra a reger. Item me praz que elle tenha em 
a sobredita ilha a jurdicção pelo dito meu filho e em seu nome, do eivei e 
crime, resalvando morte ou talharhento de membro que disto venha appel- 
lação ou aggravo presente o dito Senhor; porem sem embargo da dita jurdic- 
ção, a mim praz, que todos meus mandados, e correição sejam hy compridos. 
assy como em cousa propia do dito Senhor. Outrcsim me praz que o dito Jtião 
Vaz haja para si todos os moinhos de pão que houver na dita ilha de que lhe 
asi dou cargo, e que ninguém não faça hi moinhos, somente elle. ou quem lhe 
aprouver, e isto não se entenda em mó de braço, que a faça quem quizer, não 
moendíí a outrem, nem. atafonas não tenha outrem, somente elle. ou quem 
lhe aprouver. Item me praz que haja de todas as serras d^igca que se hi lizc- 
rem de cada uma um marco de prata, ou em cada um anno seu certo valor, ou 
duas tahoas cada semana das que hi costumarem serrar, pagando porem ao 
diti) Senhor o dizimo de todas as ditas serras^ secundo pag;uii das (uitras. 



160 AHCHIVO OOS AÇOKES 

quando serar a dita será: e isto haja também o dito João Vaz de qualquer 
moinho que se hi fizer, tirando vieiros de ferrarias, ou outros metaes. Item me 
praz, que de tod )s os fornos de pão, em que houver poya sejam seus; porem 
não embargue quem quizer fazer fornalha pêra seu pão que a faça, e não 
pêra outro nenhum. Item me praz que tendo elle sal pêra vender, que o não 
possa vender outrem, sãmente elle, dando-ò elle a rezão de meio reall de 
prata o alqueire, ou sua direita valia, e mais não; e quando o não tiver, que 
()> da dita ilha o possam vender á sua vontade até que o elle tenha. Outro- 
sim me praz, que de todo o que o dito Senhor meu filho ouver de renda 
em a dita ilha, que elle haja de dez um de todas suas rendas e direitos que 
se contem em o foral que pêra ello mandei íazer. K per esta guisa me praz 
que haja esta renda seu filho, ou outro descendente per linha direita, que o 
dito cargo tiver. Item me praz, que elle possa dar per suas cartas a terra da 
dita ilha, forra per ho foral, a quem lhe prouver, com tal condição que ao 
que der a dita terra a aproveite até cinquo annos, e não o aproveitando que a 
possa dar a outrem e depois que aproveitada fôr, e a deixar por aproveitar 
até outros cinco annos isso mesmo a possa dar. E isto não embargue ao 
dito Senhor, que se hi houver terra pêra aproveitar que não seja dada que 
elle a possa dar a quem sua mercê fôr; e assim me praz, que a dê seu filho 
ou herdeiros descendentes que o dito cargo tiverem. Item me praz que os vi- 
sinhos possam vender suas herdades aproveitadas a quem lhes aprouver. Ou- 
trosim me praz que os gados bravos possam matar os visinhos da dita ilha, sem 
haver ahi outra defesa, per licença do dito capitão; resalvando algum logar 
cerrado em que o lance o senhorio; e isso mesmo me praz que os gados man- 
sos paçam por toJa a ilha trazendo-os com guarda que não façam damno, e se 
o fizerem que o paguem a seu dono, e» as coimas segundo as posturas do 
Concelho. It. per esta minha carta peço ao Senhor meu filho, que depois que 
prazendo a Deos, em edade fôr, lha confirme e aja por boa, e assy a façam 
seus herdeiros, e sobcessires, quando a elles vier; porquanto da dita capita- 
nia lhe fiz mercê pela maneira e modo sobredito em satisfação, e contenta- 
mentí) do muito serviço que tem feito, como dito é. E em testemunho dello 
lhe mandei dar esta minha carta per mim asinada, e asellada do meu sello. 
Dida em a cidade d'Ev ira, a dous dias do me/, de Abril, Rodrigo Alvares a fez, 
anno de nosso senhor .lesus Christf) de mil quatrocentos setenta e quatro. (•) 

A ;jiial r,;\\V,\ vista por inyin ;i cy ()or inny Ima e me praz (|ue se 
i^mnpra e i»iiar(ie cnfiio ciii elln lie coiillieiiilo por(|ije não sDineiile es- 
la mas loilo o p^*la ijila llíaiile minha silra feilo sei que foi mui bem 



;•) >'()s Annaps ila Ilha Terceira por F. F. Oruininorid T. J, p. 493. foi im- 
presso esto documento, cfn coiirorinidadt' com o trashido do Liv. I, do Begisto 
ila r.amara (rAiiLira tbl. 2W. comdiíTeroiicas de ortlioiiraplíia. e al;uuma> omissões 
ou altericões essenclaes para o sentido. "O P.^ António Cordeiro na Hist. Insula- 
na IÀ\. Vi, ('-a|i. ÍI §§ i:{ a 17 (leu ã luz nm texto ein parte? mais exacto do qw 
o de Urummon<l. mas viciado n'nm áó> seus elementos principaes. tpial a dat;i 
ipie (li/ ser \W\, em vez de li7V. ipie t- a verdadeira. 



ARCHIVO DOS AÇOKES 161 

leito e í\ sempre por mim inteiramente ser guardado e peço por mer- 
r*^ .1 eirei meu senhor ipie pêra mais segurança do dito João Vaz e de 
seus herdeiros pelas cousas (pie ao diante depois podessem vir lhe 
fonlirme esta carta e terlho ei muito em mercê. Feita em a minha 
villa de Moura aos três dias de maio. Álvaro Mendez a fez, anno de 
nosso senhor Jliu xpõ de mil e quatro centos e ovtenta e três annos. 
[1483) 

Pedindome o dito João Vaz [)or mercê que lhe confirmase a dita 
carta assy como nella he contheudo e visto per mym seu requei')- 
menlo e querendolhe fazer graça e mercee pelos muitos serviços que 
tem feitos ao Ilfante meu senor e padre que Deos aja e a mym espero 
(|ue ao deante fará tenho por bem e lha confirmo e ey por confirmada 
assy e tam inteiramente como em ella faz menção e por firmeza del- 
l(t lhe dei esta carta per mim asinada e asellada do sello de minhas 
armas. Dada em Santarém a seis dias do mes dabril, Rodrigalvares a 
fez, finno de md quatrocentos ovtenta e oyto. {1488\ 

Pedindome o dito Vasqueanes por mercê que por quanto o dito 
Joam Vaz Cortereal seu pai era falecido e elle he o seu filho maior lhe 
confirmasemos a dita carta como nella hera contheudo e visto per 
nos seu requerimento ipierendo-lhe fazer graça e mercê temos por 
bem e lha confirmamos e avemos por confirmada assy e pela manei- 
ra que se nella contem, empero quanto he omde diz que morrendo 
o dito Joam Vaz a dita capitania fique ao dito seu filho primeiro ou 
segundo, se tal for declaramos e queremos e nos praz que o filho 
|)rimeiro do dito Vasqueanes e assy de seus descendentes se enten- 
da aquelie que á ora de sua morte ficar vivo e quando o filho pri- 
meiro não for de tal sizo e entendimento que deva governar a dita 
Capitania emtam queremos e nos praz que a aja o filho segundo na 
maneira em cima declarada e porem mandamos que asi se cumpra 
e guaille muy inteiramente assi e pela maneira que se na dita carta 
13 nossa confirmação he contheudo sem lhe a ello duvida nem embar- 
guo algu ser posto porque assy he nossa mercê. Dada em Évora a 
dons de julho, Francisco de Matos a fez, anno de mil e quatrocentos 
noventa e sete. [1497) 

Pedindonos o dito Vasqueanes Cortereal que lhe confirmasemos a 
dita carta e visto per nos seu requerimento e querendolhe fazer gra- 
ça e mercê temos por bem e lha confirmamos e avemos por confir- 
maila assi e da maneira que se nella contem e assim mandamos que 
se cumpra e guarde. Dada em a nossa cidade de Lixboa a (juatro dias 
do mes de setemltro. Jorge da Fonsequa a fez, anno de Nosso Senhor 
JhQ Xp." de mil (piinhentos xxij ilõ22.) 

Pedindome o dito Manoel Corte Real que por quanto o dito Vas- 
queanes {a)\W Real seu pay era fellecido e elle era o filho mais ve- 
lho baram lidimo que per seu falecimento vagara e que per direito 
sobcedia á dita ca|)ilai!Ía da ilha Terceira com sua jurdiçam rendas e 

N.° t20 - Vol. IV— 1882. 9 



162 ARCHIVO DOS AÇORES 

direitos assim como a seu pay tinha pela dita minha caria de confir- 
mação que nesta vai encorporada ouvesse por bem lhe mandar dar 
dello hua doaçam e visto seu requerimento lhe mandei dar esta pela 
qual quero e me praz que elle dito Manoel Corte Real tenlia e aja e 
posua a dita capitania de juro e derdade pêra sempre com sua jurdi- 
çam rendas e direitos assi e pela forma e maneira que a o dito seu 
pai tinha e posuia pela dita cart i e se nesta contem e porem mando 
a todos os corregedores, juizes, justiças e oíTiciaes a (|ue for mostra- 
da e o conhecimento delia pertencer assi a cimipram e guai-dem e 
façam comprir e guardar sem duvida nem emharguo algu que a ello 
seja posto porque asi he minha mercê, Valério Lopez a fez em Lix- 
boa a três dias dagosto, anuo de noso senhor Jhu xpõ de mil b' 
xxxbiij {1538) annos e eu Damião Diaz a fiz escrever. 

Pedindome o dito Manoel Corte Real que lhe coufirmase esta car- 
ta e visto seu requerimento (|uerei)dolhe fazei' graça e mercê lenho 
por bem e lha confirmo e ey poi' confiiniada com declaração que 
quanto á jurdiçam usará do conllinudo em outra carta que com esta 
llie mandei passar. Dada em Lixboa a xxj (21) de março, Manoel 
Franco a fez, anuo de tnil b*" e Ixxbij [1077) e eu Duarte Diaz a fiz 
escrever. 

Pedindome o dito Vasqueanes Corte Real í|ue ponjuanlo elle era 
o filho mais velho barão lidimo tjue ficara per falecimento de Manoel 
Corte Real seu pai como constava de hua certidão de justificação que 
outrosim presentava do licenciailo Loui-enço Coriea do meu desem- 
bargiiojuiz dos negócios de minha fazenda e das justificações delle e 
que conforme a dita carta nesta tresladada .sobcedia o contheudo nel- 
la ouvese por bem lhe mandar passar a elle outra em seu nome e 
visto seu requerimento com a dita certidão de justificação (juerendo- 
Ihe fazer mercê tenho por bem e lho confirmo e ey pòr confirmada a 
dita carta per sobcessam asy e da maneira (]ue se nella contem e 
mando que se cumpra e goarde inteiramente. Dada na cidade de Lix- 
boa aos xxbiij (28) dias do mes de novembro, Gonçalo Ribeiro a fez, 
anno de nosso senhor Jhu xpõ de mil e quinhentos setenta e oyto. 
João de Castilho a fez escrever e esta se registará no livro dos re- 
gistos da Camará da cidade dAmgra e se passarão certidões nas cos- 
tas desta de como se assi registarão. [Iõ78) 

Pedindome o dito dom Xpovão {C/iristnram) de Moura Corte Real 
do meu conselho destado veedor de minha fazenda gentil Homem de 
minha camará que por quanto o eu nomeara pêra casar com dona Mar- 
garida Corte Real filha mais velha do dito Vasqueanes e elle era ca- 
sado e recebido com ella como consta de hua certidão de justificação 
disso que outrosim presentava do licenciado Lourenço Coirea do meu 
conselho desembargador do paço e juiz das justificações de minha fa- 
zenda ouvese por bem de lhe mandar passar carta de doação em seu no- 
me da capitania da ilha Terceira da parle d.\ngra de juro conforme 



AltClIlVO nos AÇOKES 163 

ao (lilõ alvará de lembrança e a carta que Vasqueanes Corte Real seu 
sogro delia tinha. K visto seii requerimento com o dito alvará de lem- 
brança de que a cima faz menção, certidão de justificação e a doação 
(|ue seu sogro da dita capitania tinha e outro sim avendo respei- 
to aos muitos e mui continuados serviços que o dito dom Christovam 
de Moura Corte Real me tem feitos e a > lugar em que mos fez e faz 
e a seus merecimentos e por uiiuto folgar de lhe fazer mercê como 
he rezam e o merece ey por bem e me i)raz que elle tenha e aja a di- 
ta capitania da Ilha Terceira da pai'le dAngra de juro e herdade pê- 
ra sempre com sua jurdiçam rendas e direitos na forma e mimeira 
eui que a tiveram e pesuirão o dito seu sogro Vasqueanes Corte Real 
e as pesoas que dante delle a tiverão e possuirão e milhor se em di- 
reito elle tudo pode milhor ter e aver, e mando a todos os correge- 
dores ouvidores, juizes, ofTiciaes a que esta carta for mostrada e o 
conhecimento delia pertencer que a cumprão e guardem e façam in- 
teiramente cumprir e guardar como se nella contem sem duvida nem 
embargo algum por quanto por esta ey por metido de posse real e 
autoal da dita capitania a(» dito dom Christovão de Moura Corte Real 
e por firmeza de todo llie mandei dar esta carta por mim assinada e 
asellada de meu sello pendente de chumbo a qual se registará no 
Livro da chancelaria da correição das ilhas e no Livro do registo da 
camará da cidade dAmgra e de como se assi registou se pasarão cer- 
tidões nas costas delia. Dada na cidade de Lixboa a vinte sete dias 
do mes de junho. .Migel da Costa a fez. anuo do nascimento de nos- 
so sõr Jhu xpõ de T b' e Ixxxij {lõ82) António Moniz da Fonsequa 
a fiz escrever. 

(Arch. nac. da T. do T.. L.'' 3:' de Doac. de Fdippe I, f. 246.) 



Doação da Alcaidaria do Castello d' Angra, e da da ilha 
de S. Jorg"e a João Vas Corte Real. de 19 de Maio de 

1495. 

Lu D. Manoel Regedor, e Governador da ordem da cavallaiia de 
nosso Senhor Jesus Christo, Dnqiie de Reja. Senhor de Viseo, e da Co- 
vilhã, de Viila Viçosa, Senhoi- das ilhas da Madeira, e ilhas dos Açores, 
e Cabo Verde, condestavel por LI Rei nosso Senhor de seus Reinos d. 
A (luanlos esta minha carta virem, Faço saber, que J(jão Vas Corte 
Real, Fidalgo de nossa casa. e capitão por mim da ilha Terceira da 
parle d Angra, e d.i minha ilha d(3 S. .leorge. me disse em como na 
carta das ditas capitanias (jue de mim tem, lhe não tenho dailo a Al- 
caidaiia mor do Castello, que está feito da dita parte d"Angra: nem 
da dita ilha de S. Jorge: nem isso mesmo dos direitos das ditas Al- 



i64 AKCHIVO DOS AÇOHKS 

caidarias, posto que elle até agora este nessa posse de os levar, pe- 
dindo-me por mercê, que novameute lho outorgasse todo. E visto por 
mim seu requerimento, querendo-lhe fazer graça e mercê, lenho poi- 
bem e lhe faço mercê daqui em diante das ditas Alcaidarias mores, e 
dos direitos delias, e assim pela maneira que elles com direito e jus- 
tiça se devem levar nas ditas ilhas para elle. e para todos seus hei- 
deiros, e descendentes, pela guisa, e maneira (|ue elle de mim tem 
as ditas capitanias: e i>to sem embargo de nas cartas delas ditas Al- 
caidarias os ditos direitos se não entenderem lhe pertencei, e ficaiem 
de fora. E porem mando aos meus Almoxarifes das ditas ilhas, que 
admittam de posse das ditas Alcaidarias mores, e dos ditos direitos 
delias, e elles e os moradores das ditas capitanias, e qnaesquer ou- 
tros a quem esta pertencer lho deixem todo têr, e haver, e possuir 
assim como por direito devem e sem lhe nisso, e em outras porem du- 
vida, nem embargo algum. E para guarda, e firmeza dello lhe dei es- 
ta carta, assignada por mim e assellada com o sello de minhas armas. 
Dada em Évora a 19 dias do mez de .Maio. João da Eonceca o fez, 
anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Chrislo de 1495. O Du- 
que. 

(Drummond — Anu. da Ilha Toraira, Tom. I, pag. ^()\- Edira/n- 
do do Livro 1." de Registo da Cawara dAngm. foi. 321.) 



Doação da alcaidaria mor da fortaleza de S. Sebastião 

na cidade d' Angra, a Manoel Corte Real. 

25 d^Outubro de 1576. 

D. Sebastião por graça de Deos Hei de Portugal e dos Algarves. 
daquem dalém mar de. Ac. Faço saber aos que esta minha carta 
virem, que havendo respeito aos serviços que me tem feito .Manoel 
(lorte Real do meu conselho, capitão da capitania da cidade dAngra 
da ilha Teiceira e aos que aos reis destes reinos, meus anlecesores 
fiseram a(|uelles de quem elle descende e por folgar de lhe faser mer- 
cê: Hei por bem, e me praz de lhe faser, como de feito por esta pre- 
sente carta faço. doação e mercê da alcaidaria mor da fortalesa, que 
se ora por meu mandado faz na dita cidade, para defensão do porto 
delia: da qual alcaidaria-mor lhe assim faço mercê para elle, e para 
seus herdeiros, filhos e successores a que por bem de sua doação vier 
a successão da dita capitania da cidade dAngra: para que a dita al- 
caidaria-mor ande juntamente com a dita capitania no successor delia: 
e e,u mandei dar o regimento delia ao dito Manoel Coite Real da ma- 
neira que ha-de ter na guarda e defensão da dita fortalesa; da qual 
me elle e seus successores, que succederem na dita capitania-mor 



ARCmVO DOS AÇORES 105 

farão preito e menagem, segiindí» foro e costume (3e meus! Reinos. E 
portanto mando ao corregedor das ilhas dos Açores, e ao piovedor 
das ditas ilhas, (inal(|uei'*delles, (|ue com esta minha carta fòr ref|ne- 
rido, (jue mostrando o dito Manitel (j\\\e Real nas costas delia certi- 
dão de Miguel de Moura do meu conselho, e tneu secretario, de co- 
mo me tem dada a dita menagem, na maneira que dito é, lhe dem a 
posse da dita alcaidaria-mor. e cumpram e guardem inteiramente es- 
ta carta como se nella contem, a qual se registará no livro de meus 
próprios da contadoria da dita cidade dAngra. e no da camará delia, 
para pelos ditos, registos se ver e saber como tenho feito esta mercê: e 
por firmeza dello lhe mandei dar esta carta por mim assignada, e as- 
sellada do meu sello pendente. Gaspar de Seixas a fez em Lisboa a 25 
dOutubro do anuo do nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de 
loTG. Jorge da Costa a fez escrever. Rei = D. Manoel de Portugal. 
(Drummíjud— i4/?/í. da Ilha Terceira, Tom. I, p. CGO.) 



A Tença a D. Joana da Silva. 

a Fez em 10 de Setembro \lò24) mercê a Dona Joana da Sylva mo- 
Iher de Vasqueaiies Cortereal, Veador que foy de el-Rey Dom Ma- 
noel, de duas mil coroas de tença. — vai cada coroa 120 reis: são 
240íí5iOOO reis... 

(Anuaes de D. João IH. por Fr. Luiz de Sousa — pag. IM.) 



Mercês a Manoel Corte Real. 

«A seu fdho Manoel Coitereal, confirnjação da saboaria preta e 
branca das ilhas Terceyias em 15 de Setembro.» {1524) 

«Em 2 d'Abril {1527) carta a Manoel Corte Real de toda a fazen- 
da que foy de Pêro de Góes da Ilha Terceyra, que perdeo por matar 
sua mulher (1) mal e como não devia.» 

[Annaes de I). João 3°, por Fr. Luiz de Sousa. pag. Il'i e 208.) 



(t) Iria Corto |{cal, (illia de .lofio Vaz Corlc Heal o Maria Ahaiva. 



[66 ARCHIVO DOS AÇOUES 



Carta de 22 de Maio de 1534, dando licença a Vasco An- 
nes Corte Real para fazer um pisão em Ang-ra, ape- 
sar da opposição de Joanna Dias. 

Dom Joliam ele. A qiiamlos estn minha carta virem faço saber 
que Vasquo Anos Corte Reall do meu consellio m enviou dizer que el- 
le he capitam da Ilha Terceira da parle (lAmgra e tem os direytos 
dos moynhos que se fazem e sam feylos em húa ribeira que per a 
dita villa dAmgra pasa e por (jue na dita vilia avia huu pisam de hua 
Joana Diaz e seus tilhos e o dito pysam não abastava ao pitvo. elle so- 
pricante niandou fazer na (hta Uibeyra outro pysam e tendo ja muyta 
parte feyla a dita Joana Diaz lhe veio com embargos dizendo que ho 
nam podia fazer por que lhe fazia nojo e também por que era julga- 
do pela dita ribeira nam fizesse alguém nada sem licença do meu al- 
moxarife e.sem licença do ca[)ilam e (jne elle sopricante nam tinha 
minha licença por o que nam [)odia fazer o dito pysam e ipie vistos 
seus embargos em relaçam se julgou (jue visto como o dito pysam e- 
ra necessário á villa que elle sopricante o fisese e onvese primeiro 
licença minha pêra o fazer e poique os direitos das moendas da dita 
villa sam delle sopricante como capitam e o dito pisam (\) he muy 
necesaryo e tem ja iielle feylu miiyUi gashj me pedia por mercê que 
lhe dese licença pêra o fazer acabar por salysfazer ao regimento e 
sentença que dyz que se nam posa fazer cousa alguma na ribeira sem 
licença do meu almoxarife e do capitão e visto per mim seu dizer e 
pedir e asy a dita sentença que perante mim apresentou ey por bem 
e me praz de lhe dar e de feylo dou licença que possa fazer o dito 
pysam conforme a dila sentença: notefico asy aos Juizes e oficiaes da 
dita villa e ao corregedor das Ilhas dos Açores e a todalas outras 
Justiças, oficiaes e pesoas a que esta mintia carta foi- mostrada e 
mando que asy a cumpra. Dada em a cidade dEvora aos xxij {22 i 
do mes de mayo anno do nacimento de nosso senhor Jhu xpõ i Chrís- 
fo) de myll b'' xxxiiij (InSé) annos. 

{ArclL nac. da f. do T.. Lir. 20 de Doar. dr I). João III, f. 108. > 



Provisam de 12 cVAgosto de 1534, a pedido de Vasco 
Annes Corte Real, sobre os poderes dos Correg-edores. 

Dom Joham etc. Faço saber a vos meu correged'tr couí alçada nas 
ilhas dos açores na correiçam da ilha Terceira que Vasco Anes 



(1) O rogislo Icm por eiifjiiiiu)— /j/7rí/«. 



ARCHIVU DOS AÇOHES 167 

Coite Heíil capitam da flita Ilha da paite d.Vmgra me enviou di- 
zei' que ell Rey meu senhor e |)adre (\ue samta gloria aja pasara hua 
provisam pêra os corregedores das Ilhas dos açores per que lhes 
mandava (|iie estamdo na capitania dAmgra nom sospendesem o ou- 
vidor da capitania da Praya que era na mesma Ilha e (jue hyndo de 
hua capitania pêra houtra nain levasem os ÍTeytos comsiguo nem re- 
vesem os ÍTeytos que per os houvidores dos capitães fosem fymdos 
sem meu especiall mandado [)edindome lhe fizesse mercê doutra tall 
provisam pêra vos e visto seu requerimento e asy a forma da dita 
provisam de que foy mostrado o irellado em publica forma ey por 
bem e vos mando asy a vos como aos corregedores que hapos vos ás 
ditas Ilhas em correigam forem e quando na dita Ilha Terceira este- 
verdes por quamio nella ha duas capitanias que estando na capitania 
da Praya nam conheçaes dos feytos e cousas outras da capitania dAm- 
gra nem sospendaes o dito capitam nem seu lioiividor de sua jurdi- 
çam nem façaes hyr a vos hos feytos ssalvo estamdo na dita capitania 
dAmgra por quanito por fazer mercê ao dito capitam e escusar opre- 
sam ao [)ovo o ey asy por bem e esto em quamio eu outra cousa nam 
mandar em contrario. Fernam da Custa a fez em Évora a xij ii2; dias 
d_agosto, .inno do nacimento de noso sõr Jhu xpõ {Jesus Christo) de 
j~ b*^ e xxxiiij {1034.) 

{Arch. nac. da T. do T.., Lir. 20 de Doaç. de D. .Mo III, f. 136.) 



CAPITANIA DA ILHA DE S. JORGE 

Alvará de 20 de Janeiro de 1559. isentando de exame os 
Ouvidores do Capitão da Ilha de S. Jorge. 

Ku el Kei faço saber a quantos este meu allvara virem que por 
alguns justos respeitos que me a iso movem ey por bem e me praz 
que o ouvidor que Manoel Corte Real do meu conselho e Capitão da 
Ilha de são Jorge tiver posto ou daquy em diante poser na ilha posa 
nella servir o dito oficio de seu ouvidor posto que não seja examina- 
do pelos desembarguadore^ do pago sem embarguo da provisão que 
el Rey meu senhor e avô que Santa Ciioi ia aja pasou per que ouve 
por bem e mandou que os ouvidores dos capitães das ilhas fosem ex- 
aminados pelos ditos desembarguadores do paço. e isto em quanto o 
eu ouver por bem e não mandar o contrario: iioteficoo asy ao Rege- 
dor da casa da suplicação e ao governador da casa do civH c a todos 



168 ARCHIVO DDS AÇORES 

meus desemberguadores e a quaestjuer outros oficíaes e pesoas a que 
o conhecimento desto pertencer e lhes mando que deixem servir o di- 
to seu ouvidor na dita ylha e usar inteiramente de sua ouvidoria pos- 
to que pelos (Mtos meus desemharguadores do paço não seja examina- 
do sem embarguo da dita provisão e em quanto eu ouver por bem e 
não mandar o contrario como acima he declarado sem niso lhe ser 
posta duvida nem embarguo allgum por que asy he minha mercee e 
este (piero que valha tenha força e viguor como se fose carta feyta 
em meu nome asynada per mim e asellada do meu sello pendente 
sem embargo da ordenação di) :2." livro til." :20 que diz ipie as cou- 
sas cujo efeyt(» ouver de durar mais de hum ano pasem per cartas e 
pasando per allvaras não valhão. António dAgyar o fez, em Lixboa a 
XX (20) dias de Janeiro de b*" lix {1559) Pêro Fernandez o fez. 
(Arch. nac. da T. (h T.. Lir. 7.° fins Privil. dr D. Srh., f. 224.) 

Os docuniontos relativos ;'i í>apit;iiii;i do S. .Inri>r, cstiirn impressos no Vol. 
III d'este Archiio. 



CAPITAMA DA PRAIA 



Doação da Capitania da Praia, a D. Christovão de Mou- 
ra, de 14 de agosto de 15S2. 

Dom Philippe etc. faço saber aos que esta rainha carta virem que 
por parte de dom Christovão de Moura meu gentil homem da cama- 
rá de meu conselho doestado e veedorde minha fazenda me foi apre- 
sentado hii meu alvará per mim assignado perijue lhe fiz mercê da ca- 
pitania da villa da Prava da ilha Terceira por estar vaga pêra miidia 
coroa per falecime4ito de Antão Maitins Homem (jue delia foi o derra- 
deiro capitão e ultimo possuidor por delle não ficar filho varão que 
na dita capitania o succedesse e assi me foi apresentado o Ireslado 
lie Ima carta de doação delRei dom João meu senõr que santa gloria 
aja per que Cí)nfirmou a dita capitania da villa da Praya ao dito An- 
tão .Marlinz tirado do Livro do Registo da chancellaria da ordtmi de 
Nosso Senhor Jhu Xp.° por José iFAbreu escrivão delia e assynada pe- 
lo doutor Belchior do Amaral do meu conselho meu desembargador 
do paço corregedor de minha corte e chanceller da dita ordem da quall 
alvará e carta o Ireslado he o seguinte : 

Eu El Rey faço saber aos que este alvará virem (pie avendo respei- 
to aos muitos e mui continuados serviços que me tem feitos dom Chris- 
tijvão de Moura meu gentil homem da camará do meu conselho do 



ARCHIVO DOS AÇORES 169 

oslado 0. vedor de minha fazenda e aos seus muitos merecimentos em 
todas -as cousas de que o encarreguey e especialmente nas que tocão 
a estes reinos assi do tempo que foy meu embaixador nelies como 
depois que tomey a posse fleles fazendo e procurando tudo o que 
lhe mandei pêra beneficio dos mesmos Reinos de que me tem dado 
aquella boa conta que eu delle esperava conforme a grande confiança 
que delle lenho e ao muito contentamento que sempre tive de sua pes- 
soa e serviço pellos quaes he razão que receba de mim mercê e por mui- 
to folgar de lhe fazer, avendo lambem respeito aos que oje em dia me 
faz e aos que espero que ao diante me faça e pella boa vontade de que 
por tudo lhe tenho, me praz e ei por bem de lhe fazer mercê da capita- 
nia da vila da Praya da ilha Teceira (]ue ora está vaga pêra minha co- 
roa de juro pêra sempre pêra elle e para todos seus descendentes se- 
gundo forma da doação que da dita capitania tinha o derradeiro pos- 
suidor delia e da lei mental nos casos em que ella conforme a dita 
doação pode e deve ter lugar da qual capitania lhe mandarei passar 
outra tal doação em forma e ijuero e me praz que este valha lenha 
força e vigor como se fosse carta começada em meu nome passada por 
minha chancellaria e selada do meu sello sem embargo da ordenação 
2." livro titolo XX (20) que defende e manda que não valha alvará 
cujo efeito aja de durar mais de hQ anno e de todas as clausulas de- 
la e valera outro sim posto que não seja pasada pela dita chancelaria 
sem embargo da ordenação do dito 2.° L.^que o contrario dispõe. Lopo 
Soares o fez em Lisboa a iij (3) de desembro de mil b*^ e Lxxxj 
(1Õ81) {*) 

Pedindome o dito Xpovão ( Christovam) de Moura ouvesse por bem 
de lhe mandar passar carta de doação da dita capitania da Praya de 
que pello dito alvará liesta incorporado lhe tinha feito mercê e visto 
per mim seu requerimento e o dito alvará e respeitos nelle declara- 
dos per que lhe fiz a dita mercê que me são tão presentes como he 
rezão e por muito folgar de por tudo lhe fazer mercê de meu próprio 
motu poder real e absoluto me praz e ei por bem de lhe fazer 
mercê da dita capitania da Praia pêra elle e pêra todos seus descen- 
dentes e successores barões lidimos per linha direita mascullina se- 
gundo forma da ley mental assi e da maneira que se contem na dita 
provisão e na dita carta nesta incorporada que he conforme a doação 
que o dito dom Xpovão iChristovam) de mim tem da capitania da di- 
ta ilha Terceira da parte de Angra e como por ella a tinha o dito An- 
tão Miz {Martins) per cujo falecimento ficou vaga pêra minha coroa e mi- 
Ihor se com direito milhor poder ser e encommendo e rogo aos reis 
meus successores que em tudo a mandem sempre comprir e guardar a- 
si e tão inteiramente como nela se contem e mando ao corregedor das 

(•) Este alvará foi publicado por Druinmond na Mem. Hist.^ da Villa da Praia 
p. 35, extrahido do L." l do Registo da Camará da referida villa. 

N.*^ 20 -Vol. IV— 1882. 10 



170 ARCHIVO DOS AÇORES 

ilhas dos Açores e aos juizes e vereadores e procurador da villa da 
Praya e das camarás dos outros lugares da capitania delia e assi a 
todos os officiaes e pessoas a que o conhecimento pertencer que ao 
dito Dom Christovão ou a pesoa que pêra isso tiver sua bastante pro- 
curação dem logo a posse da dita capitania da vila da Praia com to- 
das as jurdições foros, rendas e direitos que por esta carta lhe 
pertencem de que se farão os assentos necessários a qual se regista- 
rão (sic) nos livros da correição da dita ilha e das comarcas da dita 
capitania de que os officiaes a quem pertencer passareis suas certi- 
dões nas costas delia pêra em todo tempo se saber como assi lhe te- 
nho feito esta mercê e mando a tf^dos os fidalgos cavaleiros escudei- 
ros homens bõos e povo da dita villa da Praya e dos outros lugares 
da capitania delia, que ajão ao dito dom Xpovão de Moura por capitão e 
lhe obedeção e cumprão inteiramente seus mandados e nos casos em 
que são obrigados a o fazerem que hus e outros cumprão e guardem 
inteiramente esta carta como nella se contem a qual por firmeza de tu- 
do lhe mandei passar por mim asinada e sellada com o meu íello de 
chumbo pendente. Dada na cidade de Lixboa a xiiij {J4) dias do mes 
dagosto. Lopo Soares a fez, anno do nacimento de nosso senhor JhH 
xpõ de mil b'' Ixxxij {lõ82) e o dito alvará incorporado nesta carta 
foi roto ao assinar delia e não se mostra por ella que fosse regista- 
do em parle algua. 

(Arch. nac. da T. do T., Liv. 4.\ Doac. de Fdip. I, f. 72.) 



Alvará para se dar posse das capitanias da ilha Tercei- 
ra. S. Jorge e da Praia a D. Christovão de Moura 
Corte Real, de 1 de Julho de 1582, com uma apos- 
tilha de 21 de Junho de 1583. 

Eu El-Rei faço saber aos que este alvará virem, que D. (Christovão 
de Moura Corte Real, meu gentiltiomem da camará do meu Conselho 
de Estado e Vedor de minha Fazenda, me enviou a dizer que eu fize- 
ra mercê a D. Margariíla Corte Real filha de Vasque Annes Corte 
Real, que Deus perdoe, para a pessoa que com ella casasse, das 
capitanias da cidade d'Angra da ilha Terceira e da ilha de S. Jor- 
ge, assim e da maneira que as tinha e possuia o dito Vasque Annes 
Corte Real seu pae por suas doações com a qual D. Margarida elle 
D. Christovão casara com minha licença e eu lhe tinha mandado pas- 
sar cartas de doações das ditas capitanias em seu nome e que assim 
fizera mercê a elle D. Christovão de Moura da capitania da villa da 
Praia da mesma ilha Terceira que estava vaga para minha coroa pelos 
respeitos declarados na provisão por que lhe fiz a dita mercê, e que 



ARCHIVO DOS AÇORES 171 

por ora estava para partii- a armada que mando ás ilhas e as doações 
das ditas capitanias se não podiam acabar a tempo que pudessem ir 
nella e lhe era necessário mandar tomar posse das ditas capitanias: 
e para arrecaiJação das rendas delias me pedia houvese por bem de 
lhe mandar passar provisão para lhe ser dada a dita posse para as 
ter e possuir, e dentro d um anno appresentar nas ditas ilhas suas 
doaç,r)es: e havendo eu respeito ao que assim diz e por muito folgar 
de lhe fazer mercê, por seus muitos serviços e merecimentos, o hei 
assim por bem e mando ao corregedor das ilhas dos Açores e aos 
juizes e vareadores e procuradores da cidade d'Angra da ilha Tercei- 
ra e das mais villas e logares da dita capitania, e assim aos juizes e 
vereadores das villas e lugares da ilha de S. Jorge, e ;i quaesquer 
culras justiças e officiaes-e pessoas a que o conhecimento desto per- 
tencer, que a pessoa que com este meu alvará lhes presentur procu- 
lação bastante do dito D. Christovão de Moura Corte Real, dem a 
posse das ditas capitanias da cidade dWngra e assim da ilha de S. 
Jorge com todas as suas jurisdicções rendas, foros e direitos assim e 
da maneira que todo teve e possuio o dito Vasque Annes Corte Real 
seu sogro por suas doações que estão registadas nas camarás das 
ditas capitanias, e conforme a ellas, e lhe deixem tudo ter e possuir 
com declaração que elle apresentará dentro d'um anno as doações 
das ditas ca[)itanías e as fará registar nas camarás delias. Pelo mes- 
mo modo hei por bem e mando ao dito corregedor e aos juizes e 
vereadores e procuradores da villa da Praia da dita ilha Terceira e 
mais logares da dita capitania da Praia e a quaesquer outras justiças 
oíTiciaes pessoas a que pertencer, que á dita pessoa que mostrar a 
a procuração bastante do dito D. Christovão de Moura dem a posse 
delia com todas suas jurisdicções. rendas foros e direitos, assim e da 
maneira que a teve e possuio o derradeiro capitão que foi da dita ca- 
pitania por suas doações, e segundo forma delias cujo registo authen- 
lico se apresentará com este alvará e com a mesma declaração que 
dentro d'um anno appresentará a doação da dita capitania e a fará 
registar nos livros das camarás dello. E por este mando a todos os 
fidalgos cavalleiros escudeiros, homens bons e pessoas das ditas ca- 
pitanias da cidade d'Angra e villa da Praia e ilha de S. Jorge, que 
hajam ao dito D. Christovão de Moura Corte Real por capitão delias 
e lhe obedeçam e cumpram inteiramente seus mandados, assim e da 
maneira e nos casos que são obrigados fazer, e que uns e outros 
cumpram inteiramente este meu alvará como nelle se contem, posto 
quH não seja passado pela chancelaria nem registado em livro algum 
sem embargo da ordenação e de qualquer regimento ou piovisão que 
haja em contrario. Lopo Soares o fez em Lisboa ao primeiro dia do 
mez de Julho de 1582— Rey— Hei por bem e mando que este alvará 
se cumpra e guarde como nelle se contem posto que no tempo em 
que se houvera de apresentar e cimiprir seja passado: e oulrosim hei 



172 AKCHIVO DOS AÇOKES 

por bem que vindo alguma pessoa com embargos a se dar a posse 
das ditas capitanias jurisdições e direitos reaes, foros e mais cousas 
pertencentes as ditas capitanias, que sem embargo delles mettam em 
posse ao dito D. Christovão de Moura ou seu procuradoí- e os em- 
bargos com que vierem a dar a dita posse se remetterão ao juizo dos 
meus feitos da Coroa, porque ouvidas as parles se determine como 
for justiça, e esta postiiha se cumprirá posto que não passe pela chan- 
celaria sem embargo da ordenação do 2." L." til. 20, que o contra- 
rio dispõe. António Moniz da Fonseca o fez em Escurial a XXI i21'\ de 
Junho de M. D. L. XXXIII i lõ83) — Rei —Fedro Barboza — Huy de 
Matos de Noronha. 

(Drummond — Ann. da Ilha Terceira, Tom. I, pag. lOi - Extraiu - 
(lo do Livro i." de Registo da Camará d' Angra, foi. 8õ7.) 



Doação e confirmação a D. Clirístovão de Moura das da- 
das dos officios de tabeliães nas Capitanias d'Ang'ra, 
Praia e Ilha de S. Jorge, de 3 de Dezembro de 1584 
e de 16 e 17 de Junho de 1586. 

Dom Filippe por graça de Deus rei de Portugal e dos Algnrves 
d'aquem e dalém mar em Africa senhor de Guiné ele. A todos os 
corregedores, ouvidores, juizes e justiças e ofllciaes e pessoas de meus 
reinos e senhorios a (jue esta minha carta lestemunhavel for appresen- 
tada e o conhecimento delia com direito pertencer: Faço sal)er que 
Dom Christovão de Moura Corte Real meu gentilbomem da camará 
do meu conselho de estado, veador de minha fazenda, me enviou di 
zer por sua petição que eu lhe fizera mercê da dada dos olTicios e da 
serventia delles na Ilha Terceira, como parecia da carta e |)OSlilha 
que oíTerecia. me pedia .lhe mandasse passar em carta lestemunhavel 
para a mandar por vias e receberia mercê, como tudo mais compri- 
damenle na petição era conlheudo, e vista por mim a dita carta e 
postiiha, por tudo s°r são e sem vicio, nem borradura nem cousa 
que duvida faça, por mim assignada a dita carta e passada por minha 
chancellaria e com o sello pendente de minhas armas reaes em chum- 
bo, mandei passar tudo nesta minha carta lestemunhavel da qual (► 
treslado de verbo a verbo é o seguinle: 

Dom Filippe por graça de Deus rei de Portugal ele. Faço saber 
aos que esta minha carta de doação virem que havendo respeito aos 
muitos e mui continuados serviços qne me lem feito Dom Christovão 
de Moura do meu conselho, gentilbomem da camará, veador de 
minha fazenda, capitão de toda a Ilha Terceira, e da Ilha de São 
Jorge, e aos seus muitos merecimentos em todas as cousas de que o 



AHCIHVO DOS AÇOUES I7){ 

encaneguei e em que delle me servi, especialmente na quietação des- 
tes mens reinos, assim no tempo que foi meu embaixador nelles, co- 
mo despois que tomei a posse delles, fazendo e procurando tudo o 
que lhe mandei para íjeneficio dos mesmos reinos, de (jue me tem da- 
do aquella boa conta (jue eu delle esperava, conforme a boa confian- 
ça que delle tenho, e ao muito contentamento que delle sempre tive 
de sua pessoa para calidíides e serviços pelos quaes é razão (]ue re- 
ceba de mim mercê, e por muito folgar de lha fazer, havendo tam- 
bém respeito aos que hoje em dia me faz e aos que espero que ao 
diante me faça e poi' a vontade (jue por tudo lhe tenho me apraz e 
hei por bem, por todos estes lespeitos de lhe fazer mercê, como de 
feito lha faço por esta presente carta, (pie elle e todos seus descen- 
dentes que succederem nas capitanias da cidade dAngra e da villa 
da Praia da dita Ilha Terceira e da villa da Ilha de São Jorge, segun- 
do forma das ordenações e doações que delias teiU; possam dar e 
dêem d"aqui em diante para sempre nas taes capitanias, os ditos oífi- 
cios de tabaliães do publico e judicial e escrivães d'almotaçaria e ctui- 
tadores dos feitos e custas e inquiridores, e assim poderão dar mei- 
rinhos damte os seus ouvidores que isto se até agora o costumou 
haver nas ditas Ilhas, aos quaes elles capitães delias pagarão á sua 
custa seu mantimento e de dois homens que os ditos meirinhos se- 
lão obrigados a ter para os a companharem. sem para isso lhes ser 
dado de minha fazenda coisa aigmna. e também poderão dar escri- 
vães dante os ouvidores, e assim alcaides da dita cidade dAngra e 
villas da Praia e São Jorge e alcaides do mar e meirinhos da terra, 
e isto havendo os já na terra e doutra maneira não, e outro sim po- 
derão pôr nos ditos logares almoxarifes e escrivães e oíFiciaes que 
lhe arrecadem as rendas, que elles capitães tiverem de minha coroa 
nas ditas capitanias, e não outras algumas, e isto no modo e maneira 
em que por bem do regimento de minha fazenda se arrecadam e exe- 
cutam e as rendas que a elle pei tencem com tal declaiação que quan- 
do se fizerem os arrendamentos das ditas rendas se declare aos ren- 
deiros nas esciiptmas (|ue se lia de fazer execução nelles contoime 
as que os meus Ihesoureiros e almoxarifes fazem pelas dividas que 
se devem á minha fazenda os (|uaes olficiíts atraz declarados, o dito 
Dom Christovão e os capitães seus descendentes, a que as ditas ca- 
pitanias vierem segundo forma das doações delias, darão e proverão 
para sempre como dito ê, por suas cartas feitas em seus nomes e as- 
signadas por elles ás pessoas que (juizerem. e lhe bem |)aiecer. sen- 
do aptas para as servir, sem mais se virem t^xaminar nem (irar ou- 
tras de minha chancellaiia, e isto em qualijuer modo e maneira (jue 
os ditos oíTicios vagarem e elles lhes darão regimentos por onde sir- 
vão, que serão em Indo conformes aos (|ue em minha chancellaria se 
dão aos outros similhantes ofiiciaes das cidades e villas de meus rei- 
nos e seniiorios e assim lhes darão juramenlc» em forma que bem e 



I7i AKCHIVO nos AÇOHES 

verdadeiramente sirvão, sem mais virem jurar na dita diancellaria, 
sem embargo da ordenação do segundo livro, titulo das rainlias e in- 
fantas, (jne manda que os que tiverem poder de dar os ofíicios os não 
dêem por suas cartas e assim que defende por almoxarifes, por que 
de minha certa sciencia, motu próprio, poder real e absoluto, a hei 
[)or revogada, para que não prejudique em coisa alguma a esta doa- 
ção, antes quero e me apraz que sem embargo da dita doação, e de 
quaesquer outras ordenações, leis e direitos, que haja em contrario 
se cumpra esta minha doação em todo e por todo, tão inteiramente 
como nella se contem posto (jue as ditas, ordenações, leis e direitos 
sejam taes que requeiram fazer- aqui expressa menção e derrogação 
delias, sem embargo da or^denação do segundo livro, titulo quarenta 
e nove. que diz que se não entenda nunca ser derogada ordenação 
alguma se da substancia delia se não íizer expi'essa mensão e de- 
logação, sem embargo que dizenr (|ue a geral derogação não va- 
lha, e outra sim me apraz e hei pur bem de fazer mercê ao dito 
Dom Christovão que elle e seus descenderrtes, que descenderem nas 
ditas capitanias na maneira sobredita possam prover d'aqui em di- 
ante os serventiaes dos ditos oífi^ios acima declarados por virtude 
desta doação e a dada da propriedade e isto na forma em que os 
corregedor"es das camarás dos meus reinos o podem fazer, conforme 
a sua pi"ovisão que o senhor- Dom Sebastião meu sobrinho, que Deus 
tem, sobre passou e que terão em seu poder, o ir^eslado con- 
certado e assignado pelo corregedor das ilhas dos Açores a quem 
mando lho dè para o dito etfeito, notefico-o assiru a lodos os meus 
desembargadores e ao corregedor e contador das ditas Ilhas que ora 
são, e ao diante forem e a quaesquer outras minhas justiças e oííi- 
ciaes delias a (|ue o conhecimento pertencer e mando-lhes que dei- 
xem ao dito Dt)in (Christovão e a seus suecessor^es, que segundo for- 
ma de suas (loações succederem nas ditas capitanias, uzar de tudo o 
que aqui é declarado nesta carta de doação e lha cumpram e guardem 
e façam inteiramente cumprir e guardar como nella se contem senr 
a isso ser posto duvida nem embargo algum, por que assim é minha 
mercê e ser-á registada no Livro da Gamara da cidade dAngra e da 
ilha de São Jorge pelos escrivães d'ellas de quem elles passarão 
suas certidões nas costas e por firmesa de tudo o que dito é lha 
mandei dar por mim assignada, [)assada por minha chancellaria, e se- 
lada do meu selo de chumbo. Lopo Soares a fes em Lisboa ao pr'i- 
meir-o dia do mez de novembr-o, anno do nascimento de nosso se- 
nhor- Jesus Chiisto de mil quirrhentos oitenta e quatro. EIrei. — Miguel 
de Mouia, Simão Gonçalves Preto. Pagou cincoenta e trez mil reis, 
em Lisb )a a treze de desembro de (juinhentis oitenta e quatro e 
aos officiaes. somente onze mil e sete centos e dois reis. Gaspar Mal- 
donado. 

Hei por- bem e me apraz por fazer merxê a Dom Ghristovam de 



AHCHIVO DOS AÇOHKS 175 

Moiira, pelos respeitos a cima declarados, qiie estando elle ou sens 
successores ausentes das ditas Ilhas, as pessoas que por elle ou seus 
descendentes servirem de capitães nellas possam prover, os ditos 
ofíicios, as serventias delles que vagarem nas ditas ilhas, pelo mes- 
mo modo que elle ou seus descendentes os poderão prover se es- 
tiveram presentes nas dilas ilhas confoime ao que está declarado 
nas dilas doações e esta [)ostilha me apraz que valha e lenha força e 
vigor como se fosse carta feita em meu nome e por mim assignada e 
passada por a minha chancellaria e posto que por ella não seja pas- 
sada sem embargo da ordenação do 2." livro que o contrario dispõe. 
Roque Vieira, a fez em Madrid a desaseis de junlio de mil quinhen- 
tos outenta e seis. EIrei. Pedro Barboza, Rny de Maios ele. 

E visto tudo por mim a dita carta sem vicio, nem boriadura. nem 
cousa duvidosa e por mim assignada e com o sello pendente das mi- 
nhas armas, a mandei passar nesla minha caita testemunhavel, á 
qual mando se dè Ião inteira fé e credito, quanto com direito se de- 
ve dar a própria doação e partilha, que mando que seja registada no 
livro das camarás a donde cimiprir, e nas costas se passará certidão 
dos ditos registos do que não haverá duvida nem cítntradição por 
quanto assim o hei por bem. Dada nesta minha cidade de Lisboa 
aos dezasete dias do mez de junho de mil quinhentos oitenta e seis. 
EIrei nosso senhor o ujatidou pelo doutor Paulo Coelho, fidalgo de 
minha casa. desembargador e corregedor com alçada dos feitos e cau- 
sas eiveis em sua corte e casa da supplicação, eu Luiz Lopes o fiz 
no oíTicio de Francisco Ribeiro.— Anno do !)ascimento de nosso se- 
nhor Jesus Christo de mil quinhentos oitenta e seis. Pagou duzentos 
reis.— Paulo Coelho. 

[Copia do Dr. João Teixeira Soares, Torre do Tombo. L." 11 foi. 
70 das Confirmações Geraes.) 



Posse da Capitania da ilha de S. Jorge a D. Manoel de 
Moura Corte Real, aos 24 de Julho de 1615. 

Anno do nascimento de nosso senhor Jesus Christo de mil e seis 
centos e quinze annos, aos vinte e quatro dias do mez de jjilho do 
dito anno. nesta villa das Velas, desta Ilha de São Jorge, na camará 
da dita villa, estando ahi juntos os ofliciaes da dila camará a saber. 
os juizes ordinários André Dias Boto, e Manoel Pereira de Lemos e 
os vereadores António Pires Elorese, António Pereira Simões e o pro- 
curador do concelho Barlholomerr Dias Penalva e o |)rocrrrador' dos 
misteres Pêro Lorrrenço, e sendo assim tambinn presentes o capilfu» 
mór Antorrio Garcia Sarmento e o ouvidor .^ccidai v alni(»xai ilc João 



176 ARCHIVO DOS AÇORES 

Teixeira e o capitão da artelharia Manoel AíToiíso Barreiros e outras 
pessoas da governança da terra abaixo assignadas, iogo alii apareceu 
Gaspar de Freitas da Costa cavalleiro fidalgo da casa de sua mages- 
tade e seu capitão do numero, em nome e como procurador bastan- 
te do senhor Dom Manoel de Mom-a Corte Real. conde de Lumiares 
commendador mór da ordem de Alcanlar;i, como constou de uma bas- 
tante procuração que appresenlou e requereu aos ditos oíTiciaes que, 
conforme a doação que appresentava. tinha sua magestade feito mer- 
cê ao dito senhor conde da dita capitania desta ilha que vagou por 
fallecimento do senhor Dom Christovam de Moura, marquez de Gas- 
tello Rodrigo, seu pae que santa gloria haja como da dita doação ma- 
is largamente constava, pelo f]ue pedia e requeria aos ditos officiaes 
lhe dessem posse da capitania desta ilha, em nome do dito senhor 
conde, conforme a dita doação, assi e da maneira que a tiveram e 
possuíram os capitães passados seus antecessores e visto pelos ditos 
officiaes a dita doação e procuração, mandaram que em tudo se cum- 
prisse, e logo deram a posse da dita capitania ao dito Gaspar de Frei- 
tas da Costa com loda^í suas jurisdições, libeidades e direitos assim 
e da maneira que se contem na dita doação e tiveram os capitães 
passados e melhore se com direito a poder haver, e para mais cor- 
loboração e firmeza da dita posse lhe deram logo na dita camará 
o primeiro log ir e o houveram por impossado nelle e em todos os 
mais direitos e jurisdições (|ue por respeito da dita doação podia ter 
e haver na dita capitania a qual posse e logar o dito Gaspar de Frei- 
tas da Costa acceitou em nome e como procurador do dito senhor 
conde seu ('onstituinte, de que de tudo mandaram fazer este auto de 
posse que lhe deram e tomou sem contradicção de pessoa alguma 
em que assignaram os ditos ofliciaes com o dito Gaspar de Freitas 
da Costa, estando presentes por testemunhas Melchior Barreiros, o 
moço. e Francisco Fernandes Balieiro e Constantino Paes escrivão do 
almoxarifado, que assignaram c^jtn as mais pessoas da governança 
ipie foram a tudo presentes e maniarain que a dita procuração e a 
doação >e registasse no livro desta camaia para (]ue a todo o tempo 
constasse delle tudo. E eu .loão Dias da Bica escrivão da camará o 
escrevi e assignei. João Dias da Bica. Gaspar de Freitas da Costa, 
André Dias Boto, Manuel Pereira de Lt^mos, António Pereira Simões, 
António Pires Floies, João Teixeira, Anlonio Garcia Sarmento, Ma- 
nuel AfTonso líarreiros. BarlholDmeu Dias Penalva, Pêro Lourenço. 
Melchior Barreiros. Francisco Fernandes Balieiro, António Gonçalves, 
Contador, Simão Marques Cardozo. 

A procuração a ([ue se refere o documento supra, assignada pelo Conde o 
Condessa de f^uiniar, foi feita em Lisboa a 'i íTAbril de lOi,') por Gonçalo de 
Sousa. 



ARCHIVO DOS AÇORES 17" 



Rendas do marquez de Castello Rodrig-o, doadas a seu 
sobrinho D. Luiz de Portugal. Alvará de 8 d'Ag'osto 

de 1651. 

Eu Kl-Rei faço saber aos que este alvará virem, que havendo res- 
peito ao que se me representou por parte do Conde de Vimioso meu 
muito amado Sobrinho, Gentil homem da camará do principe meu 
muito amado e presado filho, almeirante destes reinos, filho do mar- 
•|uez d' Aguiar, que foi do meu conselho doestado, á cerca de lhe con- 
ceder a administraçam das rendas e bens do marquez do Castello 
Rodrigo seo lio ausente em Castella: e respeitando a boa vontade, que 
tenho ao dito Conde, e aos serviços e merecimentos do dito seu pae: 
Hei por bem de lhe fazer mercê delia, e que logre em sua vida tudo 
o que 'resultou da dieta administraçam, pagando todos os encargos 
delia, e mercês que estam feitas a algumas pessoas sobre as mesmas 
rendas, com declaraçam que nam entrarão nesta administraçam os 
juros, tensas e commendas, nem a Quint.i de Queluz, e seos casaes, 
nem as casas do Corte Real, nem a capella mór do Convento des- 
ta cidade com todas as pertenças de cada uma das dietas cousas: 
nem o dinheiro que os Religiosos do dito convento tiverem recebido 
a esta conta, como já na dita administraçam que tinha concedido ao 
dito marquez seu tio se tinha expressado. Pelo que mando ao desem- 
bargador Joam Correia de Carvalho juiz do tombo dos bens confisca- 
dos, e sequestrados dos ausentes, lhe dê e faça dar, ou ao seu pro- 
curador, posse da dieta administraçam para a ter na maneira acima 
referida, passando-lhe para isso as ordens necessárias: e este alvará 
se cumprirá tão inteiramente como nelle se contem, e valerá como 
carta, posto que não passe pela chancelaria, e seo eíTeito haja de du- 
rar mais d'um anno, sem embargo das Ordenações em contrario. João 
da Silva o fes em Lisboa a 8 d' Agosto de 165! annos. Fernam Go- 
mes da Gama o fes escrever— Rei — Rui de Moura por resoluçoens de 
S. M. e decreto. 

Rens do marquez de Castello Rodrigo. 

As Capitanias das ilhas Terceiras S. Jorge, Faial, e Pico, que 
poderão render liquido um anno por outro 1:280:000 em 418 m. e 
:]0 a. de trigo. A renda do sabão branco e pieto da ilha Terceira e 
S. Jorge anda arrendada em cada um anno em 60:000 rs. 

(l)rummond— -.í/pm. Histórica da Villa da Praia, pag. '^S—Ertra- 
hido do Livro de Registo da Camará da Praia. foi. 212.) 



N." 20 -Vol. IV— 1882. 11 



FORTIFICAÇÕES NOS AÇORES 

EXISTENTES EM 1710 () 
Illia Terceira. 

A fortaleza de S. Jnam Baiitisla. sohre o porto, e cidide: hé Bispa- 
do. Tem a grande peça Malaca de (iU livras, veyo da índia. 
O castello de S^ Sebastiam. sobre o mesmo porto. 
O Reduto das Laginhas na costa. 
O Forte de Santo António. 
O Forte na Ponta dos Coelhos. 
A Fortaleza da caza da Salga. 
O Forte das Cavallas. 
(J Fortmi das Caninas. 
O Reduto da Greta. 
A Fortaleza de Santa Catliarina. 
O Forte do Bom Jesus. 
O Reduto do Pesqueiro dos Moniuos. 
O Reduto Novo. 
O Forte de S. Francisco. 
() Forte de S. Fernando. 
U Forte de S. Bento. 
O Forte de Santo António. 
() Reduto de S. Jorge. 
O Forte de Santa Catharina. 

O Forte de Santo Antam no meyi» da Bahya da Prava. 
O Forte de Nossa Senhora. 
O Forte de Santa Ciuz no Porto. 
O Forte da Cíinceiçam. 

A Fortaleza do Espirito Santo na Ponta do Facho. 
O Forte do Bom Jesus da Trindade. 
O Reduto, que se diz do meyo. 
O Fortim do Negrito. 
O Reduto de S. Matheus. 
O Forte de Nossa Senhora do Pillar. 



(•) Do T. I, pag. 300-306, das Memorias Militures. |Mir Aiiliniio «lo Coulu (te 
Castelto Branco, Amcsterclani, 1719 PuMiiadas »■ dada^ ã In/ \m- .António de 
Novaes, capitão de granadeiros. O autor foi Capitam (\e Mar o (incrra e Sargen- 
to Mor da Batalha; estava em Angra aos 30 de oiituhro de 17 lo iin qnc escrc- 
vco a carta ao editor, que precede as tiita* Memoiins. 



ARCHIVO DOS ACOhES 179 



Ilha de S. Mig*uel. 



O Caslello de S. Uvas, sobre o Porto, e cidade. 

O Reduto de Santa CJara. 

O Hediito de S. Pedro. 

O Reduto de S. Roque. 

() Fortim de S. Caetano. 

O Reduto da Villa da Lagoa. 

O Reduto (la Villa de Agua de Pau. 

O Reduto de S. Francisco em Villa Franca. 

O Castello do Corpo Santo, « « 

O Forte de Tagarele. 

O Forte Velho. 

O Reduto de Jesus Maria José. 

O Reduto no logar da Povoaçam. 

O Reduto no logar do Fayal. 

O Reduto do logar da Maya. 

O Reduto do lugar do Porto Formoso. 

Dous Redutos no logar dos \Josteyros. 

nha do Fayal. 

O Castello de Santo António no lugar da Cruz, sobre o porto. 

O Reduto de Santo António. 

O Forte da Roa Viagem. 

O Fortim do Rom Jesus. 

O Forte de Nossa Senhora, da Conceiçlo da Alagoa. 

O Forte de Nossa Senhora dos Remédios, do pé da Rocha. 

O Forte de Nossa Senhora do Rosário da Ribeira. 

O Forte da Vera Cruz do Corpo da Guarda. 

O Forte de Nossa Senhora da Ajuda no baixo. 

O Forte de Nossa Senhora da Esperança no comprido. 

O Forte de Santa Catharina. 

O Forte de S. Pedro na boca da Ribeira. 

O Forte de Santa Lusia no pé da Rocha. 

O Forte do Espirito Santo da Laginha. 

O Forte novo na ponta furada. 

O Forte de Santa Rarbara na Carasca. 

O Forte de Nossa Senhora das Angustias. 

O Reduto da Patrulha. 

O Reduto da Eyra. 

O Forte do pé da Cruz entre os montes. 

() Forte de N. Senhora da Guia na poeta da Giela. 

O Forte de Jesus Maria no Forno da í>al. 



180 AHCmVO DOS AÇOKES 

Ilha de S. Jorge. 

O Forte de Nossa Senhora do Pillar e Sam Joseph. 

A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceiçam. 

O Reduto de Santo António sobre o Porto. 

O Reduto de Santa Cruz sobre o Porto. 

O Reduto de Sam Joseph sobre o Porio. 

O Forte de S. Miguel o Anjo da ponta da queimada. 

O Forte do porto da Fajan da Ribeira do Nabo. 

O Forte do Porto da Urzelina. 

O Reduto das Manadas. 

Os quatro Redutos do Porto da Calheta. 

O Forte da Ponta do Topo sobre o mar. 

O Forte do Porto, e os Redutos da Fajan de S. .loam. 

Ilha do Pico. 

O Forte de Santa Catharina sobre a Bahia. 

O Reduto da Santíssima Trindade da Barra. 

Dous Redutos da Madalena, e a arèa larga, e S. Roque. 

Ilha Graciosa. 

O Forte de Pesqueira. 

O Forte do Corpo Santo. 

O Reduto de Santa Catharina. 

O Forte de Nossa Senhora da Victoria. 

O Forte de Affonso do Porto. 

O Reduto do Carapacho. 

O Reduto dos Canaes. 

O Reduto de Joam Dias. 

O Reduto da Folga. 

O Reduto da Arêa. 

O Fortim da Rocha. 

Ilha de Santa Maria. 

A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Villa sobre o Porta. 
O Forte sobre o Porto. 
O Forte no cabo da Villa sobre a Bahia. 
O Forte sobre meya Bahia. 
O Forte na ponta donde se anchora. 

O- Forte de Nossa Senhora dos Prazeres, da F'iaya, e os dous Redu- 
tos. 
Os dous fortes na Ribeira da parte de \m\o, sobre o mar. 



ARCHIVO DOS AÇOhES 181 

Ilha das Flores. 

O Forte do Espirito Santo, 

O Forte de Nossa Senliora da Conceição. 

O Foite de S. Francisco. 

O Forte de Santo António. 

O Forte de São Francisco Xavier. 

O Fortim de São Caetano. 

O Fortim de Nossa Senhora dos Remédios. 

O Fortim de Nossa Senhora do Rozario. 

O Forte de São Sebastiam sobre a Ribeira da Cruz. 

Ilha do Corvo. 
O Forte de Nossa Senhora dos .Milagres no porto da Calheta. 






PIRATAS NA ILHA GRACIOSA 

Como entraram os ingleses nesta ilha e a perda que fy eram em jGgi. 

Em sabbadí) em (]ue se contavam 12 de Novembro de 1089, deu á 
costa uma Batlanda liigleza, com quatorze bomens na Villa da Praia, 
desta Ilha, n (piai arrematai-am trez irmãos, os Padres António Fogas- 
sa, Sebastião Corrêa e o Capitão Aleixo (Corrêa, por quatrocentos mil 
reis, e pela carga que trazia, ijue dizem ser bacalbau: e quando foi 
n pagai-lbe deram quatrocentas patacas, engano que fizeram entre si 
com o Escrivão da ;irremalação: vendendo lhes os mantimentos por 
dobrado preço, do que corria na terra, tanto que os quatorze ingle- 
zes, por espaço de três mezes, gastaram o valor da arrematação do 
seu navio ou barlanda. Km sexta-feira. em que se contavam 10 de fe- 
vereiro de l()í)l, lançou ferro no porto doesta Villa uma Barlanda, di- 
zendo em um despacho que só traziam seis homens, e de carga a- 
zeiles e bacalhau, e encontrando-se com os irmãos Fogassas lhe pe- 
diram uma amarra para assegurarem a Barlanda. por saberem lhes 
íicára do Navio, ou Barlanda que naquelle porto (ier'a á costa, e que 
mandassem a bordo trez ou quatro barcos para trazerem bacalhau, 
por sei- de noite, onde facilmenl;' se furtavau) os direitos; o que não 
poderia ser. tendo dado já entrada estando guarda a bordo. 

Foram os quatro barcos com a amarra, em chegando, fingindo 
os queriam brindar em rernuneraçãíj de seu trabalho, os recolheram 
debaixo da escotilha ás pancadas, e valendo se dos mesmos barcos 
[)elas onze horas da noite lançaram em terra trinta e cinco homens 
armados com espingardas, [)islollas e facas de ponta de lança, que 
mettidas nas bocas das espingardas para se defenderem faziam lan- 
ças en) caso que a [)olvora lhes faltasse. Encontrando no porto o mei- 
rinho da Mfan lega. o acutilaram de sorte que nas primeiras o mata- 
ram: e por toijos que trazia a Barlanda seriam quasi cincoenta. Os 
moradores da villa que ouvirauj os clamores do meirinho, logo se au- 
sentaram, por onde, entrando os inglezes livremente na villa foram a 
casa (io Thèzoureiro da Igreja e lhe pediram as chaves, levando com 
sigo mil dos barqueiros. (|ue dissesse era para darem a Santa Unção a 
uinHufeTuio H logo lhe deu aschaves. e sentindo o rumor das armas fu- 
giu logo; e o iruíão do Thèzoureiro que deu as chaves levaram preso á 
igreja. Logo foram prtMidendo os Ca[)itães da terra, levando por lin- 
goa ao ban|ueiro. cjue por remir sua avexação os chamava, dizendo 
a cada uma das portas a que chegava lhe dessem uma palavra, por 
que assim lhe importava, e fazendo prizão da Igreja, nella os tiveram 



AHCHIVU nos AÇOHES IS^'» 

até au loiíipei' da lua: nt-sst' leinpo Mtltiii se tia piisãd um mogo que 
muito de madi ligada foi dar aviso aos moiadoies da Yilla de Santa 
(iiuz, do que na villa da Praia havia succedido, onde logo se locou 
a I eliate, e mandando o Capitão maioi [lòr em oídem a gente armada 
caminhou com duzentos homens imiito de manhã, para a dita villa da 
l'raia, e o l'adre Guardião de São Francisco, b^rei Gonçalo da Puri- 
íicação, consumindo o Senhor d(» Sacrário e escondendo a poma e 
mais cousas da Sachrislia, os acompanhou coni os seus Frades, e 
prezumindo (jue os herejes lei iam já rcubado o Sacrário, acharam sei' 
verdadeiro. Pustos em ordem, ijue parece foi desordem e para os 
hereges foi boa, chegando ao (initadouro, monte ijue divide a jurisdi- 
ção de uma e outra villa, fizeram Conselho, como melhor dariam as- 
salto nos inglezes: por ultimo accoidar.ini em fazei em uma trinchei- 
ra de pedra solta, para assim impedirem para a sua villa a passagem 
dos inglezes, sendo que o Padre Gnardino aconselhava que tal trin- 
cheira não fizessem por ser incapaz para fazer lesistcncia. mas que 
fossem com as duas peças de artelharia que levavam para o adro da 
Krmida de Nossa Senhora da Guia. onde intiiucheirados facilmente 
os cercariam: porque carregando as duas peças de baila miúda, fa- 
zendo pontaria, os barcos que estavam no porto vaiados em fileiras, 
a tiro menos de um mosqueie, íis fariam em pedaços, e. sem remé- 
dio algum, ficariam os herejes em terra entiegues ao castigo que sua 
culpa merecia. 

Não foi acceito o conselho, e foi castigo do ceo pela sna soberba, 
cavilações. ódio. vinganças, presiim|)ções de Fidalguia com escândalo 
de vicios, e torpezas de que eram nctados sem emenda, por ser gen- 
te indómita, que não admitte razão alguma senão a da conveniência: 
fizeram a trincheira, alli se accordaiam de avi^a|■ o Capitão maior 
daquella villa da Praia, onde estavam os herejes. para os avisar [)oi 
onde os comelleriam, mas como elles estavam senhores de toda a villa 
e dos cantos de suas ruas. intrinchenados nos adros da misericórdia 
e da Ermida de Santo António, fazendo cara á gente daquella villa e 
da villa de Santa Cruz. dOnde lhe vinha o soccoiro. tomaram todos 
tal medo, que se não attreveiam a inveslil os mais ijiie nina vez sem 
forma, [)onine vendo cahir um dos (pie iam na primeira fileira, logo 
todos fugiram pelas paredes, saltando, escondtndo-se nas vinhas, e 
por casas, dando Jogar aos herejes de acataiem de saquear o que 
deixaram nas Igrejas, e nas casas. Neste temp-o levaram os prisio- 
neiros para o porto, e (js mesmos nobres e capitães da villa serviram 
de mariolas, fazeiído-lhe carretar ás costas loiícinhos e roupas, o 
mais (|ue tinham saíjueado. e isto descalços e despidos do modo (jiie 
das camas os apanharam: vendo (x hereges (pie se lhe acabava a pól- 
vora e a l)alla, accordaram |)edir (piaiti'l para (pie nesta detença (pie 
haveiia de parte a parle sahisseni iiicIIihi do poi lo: |Mir (pie ;uile> de 
manhã tinham já [xi^lo a bordo a poma c mais prata da igieja ma- 



184 AKCHIVO DOS AÇORES 

triz e das Ermidas. Soltaram o Capitão António Corrêa, e o manda- 
ram entre guardas pedir o bom quartel que sem repugnância lho de- 
ram, e dando-lhe o dito capitão azos para que o investissem o não fi- 
zeram, antes deram tempo para se partirem os lierejes com o que 
tinham saqueado e com parte da gente da villa de que de noute fi- 
zeram preza a saber: os Padres António Fogassa e Sebastião Corrêa, 
e seu irmão o Capitão Aleixo (Corrêa, e vendo os da terra que os 
barcos iam um tiro de mosquete os arcabusaram sem lhes fazerem al- 
gum damno mais que com uma bala de quatro libras, com que lhe fi- 
zeram um rombo na proa da balandra, e querendo pôr o fogo segun- 
da vez na mesma peça, o não consentiu o capitão maior d'aquella 
villa da Praia, e descompondo de palavra o que por sua curiosidade 
tinha feito a pontaria primeira, não quiz continuasse com a segunda, 
e mandando a um artilheiro, dos pagos, que borneasse a peça e fi- 
zesse pontaria: succedeu que ao pé da muialha. cahio a baila, e a 
barlanda se levantou, deixando por mão as amarras e quasi em 2V ho- 
ras sa juearam e se foram com o saque. Na segunda feira seguinte 
houve rebate em toda a ilha dizendo terem os herejes lançado em um 
porto da jurisdição desta dita Villa da Praia cem homens armados, 
que já vinham sa(jueando toda a ilha, sendo falso, e foi causa de 
maior medo, para fugir a maior parte da gente para as furnas do 
mar e caldeira da dita villa da Praia, e foi o caso que como os here- 
ges se não deram ainda por bem pagos do seu navio, botaram em 
terra um dos Ires irmãos, o Padre António Fogassa com partido de 
lhes mandar diisentas patacas c (jualro pipas de vinho por resgate 
dos dois irmãos: como o dito Padre lhes faltasse á promessa pois só 
lhes fazia negassa com umas pipas vazias, largando todo o panno com 
seu enfado se firam: os dois irmãos o Padre Sebastião Coriêa e o 
(Capitão Aleixo C>orrèa, como desesperados do remédio se botaram ao 
mar pelas portinholas da Barlanda, no Sul do Pico e Fayal, e no Fayal 
sahiram mortos. Os mais piesos que levavam f>ram botar na ilha do 
Fogo, de Cabo Verde, o:ide estava o seu Bispo de Vezita. que logo 
os chegou a si e à sua custa embarcou para a ilha Teiceira, com al- 
guns ornamentos que os herejes levavam' da igreja matriz e mais er- 
midas da villa. Os hereges chegando á costa da Mina, encontraram 
uma Fragata de tjuarenta peças inglezas, e tendo entre si diíTerenças 
sobre a repartição do que levavam doesta ilha se accusaram uns aos 
outros ao Capitão iiiglez, (]ue com processo formado os enforcou, dei- 
xando só dois com vida até chegarem a Londres, onde foram enfor- 
cados, perdendo alma e vida pelo desacato que fizeram ao Santíssi- 
mo Sacramento, só por lhe levarem a poma, e por os mais desacatos 
e furtos que nas Igrejas fizeram, e também foi castigo dos morado- 
res da terra, passando de seis mil pessoas de confissão, trinta e cin- 
co herejes lhe saquearam a villa concorrendo toda a gente da ilha. 



ARCHIVO DOS ACOKES 18?) 



Como os moradores exduirmn os mouros querendo entrar n'esta ilha em 1 62'i 

Sendo o capitão maior desta villa de Santa Cruz, Manoel de 
Quadros Machado, e capitão maior da villa da Praia, Gaspar Velho 
d'Âzevedo, em 19 de maio de I6á3. chegaram a esta ilha, oito fra- 
gatas d'Argel, e ancoraram onde chamam AíTjns) do Porto, e está 
uma Ermida de Nossa Senh )ra da Vicloria, donde comeltendo duas 
vezes com Barcas e um Patacho para botarem gente em um cães fei- 
to pela natureza, os mora lores da ilha com tanto valor lhe resistiram 
fjue não pideram entrar, sem morrer pessoa alguma, nem ainda fi- 
car ferida. Vmha n'esles navios um capitão, natural doesta mesma ilha. 
o qual sendo resgatado em Argel pela Redempção geral, veio para 
Lisboa onde co n as esmollas que tirou, manlou fazer umi imagem 
de Nossa Senhitra da Victoria que hoje está na Ermida que fez o po- 
vo, nella viveu hermitão. e mjrreo como hermitão. 

(Papeis do Dr. João Teixeira Soares, extracto da Chronica de Mon- 
te Alcerne, segundo parece,) 



EGREJÁS E MISERICÓRDIAS 

NOS AÇORES 



Alvará de 22 de Fevereiro de 1592. Privilégios da Mise- 
ricórdia da Ribeira Grande. 

Eu El Rei faço saber aos que este alvará virem que por fazer 
mercê por esmolla á confraria da misericórdia da villa da Ribeira 
Grande da Ilha de Sam Miguel ey por bem (jue o procurador e ir- 
mãos que ora ssão da dita confraria e aos que ao diante nella forem 
gozem e usem de todos os privylegios e liberdades de que gozão e 
usão per minhas provisões e dos Reis meus antecessores o provedor 
e irmãos da confraria da misericórdia desta cidade de Lixboa e isto 
naquellas cousas que se puderem aplicar á dita confraria da miseri- 
córdia da villa da Ribeira Grande somente e em quanto o eu assi ou- 
ver por bem e não mandar o contrario mando ao dito provedor e ir- 
mãos da misericórdia desta cidade de liixboa que lhes dem os Iresla- 

N.° áO-Vol. IV— 1882. 12 



186 ARCHIVO DOS AÇORES 

tfós autênticos dos ditos previlegios e libeidades e provisões pêra 
deíles usarem na maneira sobredita e bem assim mando a todas as 
justiças oííiciais e pessoas a que este alvará for mostrado e o conhe- 
cimento pertencer que o cumprão e guardem e facão inteiramente 
cumprir e guardar como neile _se contem o qual se registará no Li- 
vro da mesa da dita confraria é este próprio se porá no cartório da 
casa em toda a boa guarda pêra sempre se ver e saber que o ouve 
assi por bem e quero que este alvará valha e tenha força e vigor co- 
mo se fosse carta feita em meu nome per mim assignada e assellada 
com o meu sello pendente sem embargo da ordenação do segund ) 
livro titt.'* ( sic ) que o contrario dispõem. Pêro de Seixas o !ez e^u 
Lixboa a vinte e dous de fevereiro de j b*^ e Iriij (1593). E do leoi' 
deste alvará foi pasado mais outro pêra ir per duas vias de que esta 
he a primeiía comprirseha bua somente. 

[Arch. nac. da T. do 7'., Liv.'^ 4° dos Priril. de Filipp. 1.*^, f. 21v."< 



Alvará de 31 de Outubro de 1592, concedendo uma finta 

de 200^000 rs para as obras da egreja de Santa 

Barbara das Nove Ribeiras da ilha Terceira. 

E el Hei faço saber aos (|ue este alvará virem que avemdo respei- 
to ao que dizem na petição atraz escrita na outra tíjea desta folha o 
vigário e freguezes da [)em aventurada santa Barbora do logar das 
Nove Ribeiras da ilha Tei'ceira e vista a informação que se ouve acer- 
ca do contiudo na dita petição pelo [)rovedor da comarca da dita ilha 
perque constou a dita igreja ser muito baixa, peíjuena e velha pêra 
ra tanto povo e que não se lhe acudindo cayria mui em breve e con- 
vinha que se crecemtasse e levantasse como per visitações estava pro- 
vido se fizesse |)ara caberem os freguezes e que custaria a dita o- 
bra mais. que os ditos freguezes não poderião sos pagar por sua po- 
breza sem contribuiiem as fazendas dos senhorios ausentes que na 
dita freguesia e seu limite eslavão ey por bem de lhes dar licença 
para que per oídem do dito provedor possam em dous annos lançar 
finitas na forma da extravagante té contia de dozentos mil reis em 
cada hum dos ditos dous annos pêra com elles se fazer o crecenta- 
mento e mais obra> da dita igreja conforme as ditas vezitações na 
(jual finta contrebiiirão todos os ditos freguezes e assi todas as fazen- 
(las dos sefihdfyos que na dita hegiiezia e seu lemite estiverem pos- 
to que as pessoas cujas forem sejam moradores em quaesquer outros 
lugares e delia não será escusa pessoa allgua das sobreditas de quall- 



ARCHIVO DOS AÇOUKS 187 

quer callidade e conrlição qne seja por priviligiados que sejam e ca- 
da huiii pagará soldo á livra o (|ne lhe couber seguudo a possebili- 
(lade e fazenda que liver e du dilo dinheiro da fiiila averá recebedor 
e escrivão com livros em que per adições se assente o que foi íinta- 
do e se recadai' e despender na dita obra que serão as pessoas que 
nomear o dito provedor e por esle trabalho não llevarão cousa allgua 
e sendo dos ditos freguezes serão somente escusos por respeito dos 
cargos de recebedor e escrivão, de pagar na dita (inla e mando ao 
d to provedor (|ue faça coutrebuir a todos nella no modo sobredito e 
t( me conia da dita finta como se acabar a obra vendo os ditos livros 
e saiba se se despen leo o dito dinheiro em outras cousas mais que 
na dita obra que he o pêra que somente dou esta licença e achando 
que sç fez a tinta e se aplicou o dito dinheiro conforme a este alvará 

leve em conta e em outra maneira proceda nisso como he obrigado 

1 er bem de sen regimento e de minhas ordenações e cumpra e guar- 
de e faça inteiramente cumprir e guardar este alvará como nelle se 
contem o qual também cumprirão quaesquer outras justiças ofíii^iais e 
[ essoas que for mostrado e o conhecimento pertencer e quero que 
\alha A.*. E do teor deste alvará foi passado mais outro pêra ir por 
duas vias de que este he a primeira, cumprirseha hum somente. Pê- 
ro de Seixas o fez em Lixbo.i a xxxij (SI) de outubro de mil b'' Irij 
(1Õ92.) 

{Arch. nac.da T. do T., Liv. 2,° dos Privil. de FUipp. i:\ f. 162. í 



Creação e confirmação da freguezia de N. Senhora d'A- 
presentação no log-ar das Oapellas, de 18 de Novem- 
bro de 1592. 

D. Manoel de Gouvêa poi- mercê de Deos e da Santa Madre E- 
greja Romana, Bispo de Angra e ilhas dos Açores, do Conselho de S. 
Mageslade á.* Aos que esta nossa Carta de creação virem saúde em 
Jesus (^hristo Nosso Senhor, que de todos é verdadeira saúde e sal- 
vação: fazemos saber que visitando nós a ilha de S. Miguel, entre as 
mais necessidades que nella achámos, foi ser mui necessário crear-se 
uma nova parochia no logar chamado as Capellas, entre a fieguezia 
lie Nossa Senhora da Luz do logar dos Fenaes e a freguezia de San- 
to António no termo da cidade de Ponta Delgada, por os moradores 
do dito logar receberem grande trabalho e desconsolação no ouvir dos 
oíTicios divinos e na administração dos Santos Sacramentos, assim por 
estarem longe das ditas freguezias como por serem aos cminhos mui- 



i88 AHCHIVO DOS AÇOHES 

tu fragosos e trabalhosos e de muitas grotas. Ao que nós havendo 
respeito e querendo nisso prover como somos obrigados houvemos 
por serviço de Nosso Senhor e desrargo da consciência de S. Mages- 
tade, crear-se uma nova parochia no dito logar das Capellas entre as 
ditas freguezias para nella se supprirem as faltas e necessidades que 
os sobreditos passam de que fizemos relação a S. Magestade, e o di- 
lo senhor movido de piedozo zelo, que especialmente sempre teve ao 
bom serviço do culto divino das egrejas deste bispado como Mestre 
e governador (jue é da Oídem e Cavallai ia do Mestrado de Nosso Se- 
nhor Jesus Christo de cujo padroado é insolidum, houve por bem 
dar seu consentimento de creação da dita nova fregnezia por um al- 
vará, cujo traslado de veibo adverbum é o seguinte: 

Eu EIrei como governador e perpetuo administrador que sou da 
Ordem e Cavallaria do Mestrado de Nosso Senhoi- Jesus Christo, fa- 
ço saber a vós reverendo P." D. Manoel de Gouvèa, bispo dAngia, e 
do meu conselho, que pela visitação que fizestes na ilha de S. Miguel 
o anno passado de quinhentos e noventa e um {1591) achastes haver 
necessidade de se crear uma parochia em o logar chamado as Capel- 
las, entre a freguezia de Nossa Senhora da Luz, do logar dos Fenaes 
e a freguezia de Santo António no termo da cidade de Ponta Delgada: 
pelo (pie vos enconimendo creeis a dita parochia nova freguezia de 
Nossa Senhora da A[)resenlaçrK> no dilo logar das Cai)ellas, e o vigá- 
rio que d'ella fòr haverá em cada um anno de mantimento ordenado 
vinte e cinco mil reis á custa de minha fazenda que é outro tanto co- 
mo tem nesse bispado similhantes freguezias, e para assim creardes 
a dita paiochia vos dou meu consentimento como Mestie e Governador 
(|ue sou da dita Ordem: e da dita creação e erecção mandareis passar 
vossa carta com o traslado ileste alvará que se poiá em guarda no 
cartório do dito bispado. Luiz Gomes o fez em Lisboa a 11 de Julho 
de mil quinhentos ní.venta e dois. Jorge Coelho d'Andrade o fez escre- 
ver -Rei— 

O qual alvará era assignado por S. Magestade, passado~pela chan- 
cellaria da dita Ordem, verdadeiro e sem vicio nem suspeição alguma, 
e por virtude delle e pela autoridade (jue a nós é concedida havemos 
por bem de cr'ear e erigir ora novamente a dita freguezia em uma 
ermida da invocação de Nossa Senhora da Apresentação, como de feito 
|telo theor desta nossa carta a creâmos e erigimos inperpetum e lhe 
assignàmos e limitámos [)aia freguezia delia partindo pela canada 
do concelho (jue vae da canada de"joão Baldava ao caminho da cida- 
de de Ponta Delgada, e da banda da freguezia de Santo António pe- 
lo gr-otilhão do salto (|ue é o meio da grota de Lucena e a grota de 
Marlim Vaz partindo ariiba por entre a fazenda de Hieronimo Luiz e 
a que foi de Jorge Nunes, dentro nos (inaes limites e repartição pô- 
de haver setenta r cinco f(njOi> pouco mais ou menos e a todos os di- 
los fieguezes (jue assim temos limitado a dita nova parochia pela ma- 



ARCHIVO DOS AÇORF.S 181) 

iieiííi íUMiiia declarada liavemos d agora para sempre' por desmembra- 
dos o desobrigados de suas aniigas parochias e (jueremos e assim 
lh'o mandamos a todos em geral e a cada nm em especial e aos mais 
(jue daqui em diante cresceVem na dita fregnezia e limites d"ella já 
declarados sob pena de excommnnliãg que daqui em diante acudam 
á sua nova parochia de Nossa Senhora da Apresentação e nella ou- 
çam missas e os ofTicios divinos e serão curados e sacramentados se- 
gundo uso e costume das mais panichias deste nosso bispado e ha- 
jam e reconheçam ao vigário (|ue uelIa confirmai mos e ao diante fôr 
provido na dita egreja por seu vigário e pastor e em tudo o que a 
seu cargo locar lhe obedeçam inteiramente. Ao qual vigário e aos 
mais seus successores assignamos de mantimento ordenado para sua 
susleutação vinte e cinco mil reis cada anno. que é o mantimento que 
S. Magestade por suas provisões ha por bem que de sua fazenda ha- 
jam os vigários de similhantes egrejas deste l»is[»ado, (pie lhe ser?o 
pagos as duas parles em trigo e uma em dinheiro, como se pagam 
os ordenados dos Ministros ecciesiasticos e mais vigários deste bispa- 
do, e lhe concedemos outro sim todos os |)rivilegios, liberdades e 
honras que aos vigários de similhantes egrejas são concedidas jnnta- 
menle com os encargos e obrigação delia. E esta será registada no 
livro dos registos de nossa chancellaria e dos tombos das egrejas da 
ilha de S. Miguel e da dita parochia nova de Nossa Senhora da Apre- 
sentação para a lodo o tempo se saber desta sepaiação e nova crea- 
ção. Dada em Angra sob nosso signal e sello. António Alvares Ran- 
gel, nosso escrivão da Camará a fez aos onze de Novembro de mil 
quinhentos e noventa e dois. E quando por visitação nossa ou de nos- 
sos visitadores nos parecer, por evitar os mesmos ou outros incon- 
venientes, estender mais os lemites desta freguezia. o faiemos pare- 
cendo-nos serviço de Deos e menos oppressão dos freguezes. Datum 
ul. Para Vossa S." R.'"^ ver— Ao sello— 20 rs. — Sampaio - Rangel. 
Pagou 770 rs.-Recebidos— Sampaio=Recebidos— 100 rs.- Almeida 
=Registada no livro dos registos da chancellaria a f. 85 — Rangel=-0 
Bispo dAngra = Cnmpra-se— a 18 de Novend^ro de noventa e dois 
\ 1Õ92) Ascencío Gonçalves. ==0 qual traslado de creação e confirmação 
da egreja de Nossa Senhora da Apresentação no logar das Capellas 
termo desta cidade, e eu Pêro AíTonso. Escrivão da Alfandega fiz tras- 
ladar da própria que fica em poder do dito vigário Francisco Tava- 
res, e vae na verdade tal como a própria a que me reporto, e con- 
certado comigo e com o Escrivão abaixo assignado hoje a T^ dias do 
mez de Dezembro da era de 9i'\ annos. * 1593^ 

o 1." vifiario l'."" F"raii("isco Tavares, Foi aiiresenlado poi' rarta rc^iia ilc II 
(lo .luliio de lo92 o confirmado ijor carta (k- D. Manoel de (JouvOa, hispo d'An- 
gra, de 12 de Novembro de 1592: tomando posse a 2i de Dezemliru do iiiesnio 
anno. 

L. 8." lio Ritj. (ia Al/aniifíia ilc /'. Ihlf/dila.ff. H a ^'. 



100 ARCHIVO nos AÇORES 

Alvará de 19 d' Abril de 1593. concedendo á Misericór- 
dia de P. Delg'ada arrecadar as suas dividas como 
as da fazenda real. 

Kii el Rei faço saber aos que esle alvará virem que vistas as cau- 
sas que o provedor e irmãos da confraria da misericórdia da cidade 
da Ponta Delgada da ilha de Sam Migel alegão na petição escrita na 
outra mea foHia desta folha e por lhes fazer mercê por esmolla ey 
[lor bem que daijui em diante as dividas da dita casa da misericór- 
dia se recadem e executem assi e da maneira que se arecadam e exe- 
culão per meus executores almoxarifes e recebedores as dividas que 
se devem a minha fazenda conforme ao regimento delia e aas mais 
provisõi^s que sobre isso são [)assadas o (|ue asi me praz obrigando- 
se a isso os devedores e seus íiadítres e abonadores e sendi» con- 
tentes que se proceda contra elles na execução e recadação das di- 
las dividas da miserícitrdia como os ditos meus almoxarifes e execu- 
tares e recebedores proceiiem na execução e recadação das dividas 
de minha fazenda e que de todos elles se possa executar e recadar 
Indo o (jue per encerramento de conta (içarem devendo na forma que 
se recadam e executam as ditas dividas (|ue se devem a minha fa- 
zenda e como os ditos meus executores almoxarifes e recebedores per 
bem do regimento de minha fazenda e das mais provisões de que a- 
cima se trata podem recadar e executar as dividas que a ella perten- 
ce porque o mesmo poder e jurisdição que elles pêra isso tem dou e 
concedo pêra a arre('adação e exfcução das ditas dividas da miseri- 
córdia naijuillo que se achar que se está devendo e mando a todos 
meus desembargadores, corregedores, ouvidoies. juizes, justiças, of- 
(iciaes e pessoas a que este alvará ou o treslado delle em publica 
forma por autoridade de justiça f(jr mostrado e o conhecimento per- 
tencer (|ue eu) todo o cumprão, guai-deu) e facão inteiramente cum- 
prii- e guardar como nelle se contem sem lhes nisso ser posta duvida 
nem contradição alguma e será tresladado com a dita petição no li- 
vro da dita confraria da misericórdia onde os similhantes se costu- 
mam tresladar e este próprio ficará no cartório da casa em toda boa 
guarda para sempre se ver e saber que o ouve assi por bem e que- 
ro ipie valha como se fosse carta á.* [)iogo de Barros o fez em Lix- 
boa a dezanove de abril de mil e b*" Iriij [lò9H] K do teor deste al- 
vará que he a primeira via se pasou mais outro pêra ir por duas 
vias cumprirseba hum somente. Pêro de Seixas o fez escrever. 

Arch. mie. <hi T. dn T., Ur. 4." dos Priril. de Fiiipp. 1. f. 17.9. \ 



Finta de 5:000 cruzados para a egreja de Santa Clara de 
Ponta Delgada, de 26 de maio de 1595. 

En el rey fiiço sabpr a vos provedor dos residos e órfãos da illia 
de Sam Miguel (pie aveiido respeito ao (|iie na petição alraz escrita 
diz Franciseo Fernandez vigairo da igreja de Santa Clara da cidade 
da Ponta Delgada e visto as cansas <pie allega e vossa informação e 
parecer ey por bem e vos mando ipie dentro em três annos piimei- 
ros segnintes na forma da oídenação façaes lançar finta de conlia de 
cinco mil crnzados pelas fazendas dos freguezes da dita igreja e pelas 
propriedades qne esliveiem dentfo na dita freguesia posto que seus 
donos não sejão nellas moradores |teia com os ditos cinco mil cruza- 
dos se poder fazer o corpo da dita igreja e a lorre dos sinos confor- 
me a traça que para isso esta dada e a dita finta se lepattirá nos 
ditos Ires annos tanto em hunm como em outro porque com isso se 
dará menos opressão aos fregueses da dita igieja e vos tomareis con- 
ta da dita finta se se lançou de mais conlia que da sobredita ou se 
se gastou o dinlieiíd delia em ontra cousa senão nas obras da dita e- 
greja e achando que se fez nisso o (jue se não devia procedereis con- 
tra os cidpados como for justiça dando apellaçam e agravo nos ca- 
sos em que couber e este alvará cumprireis inteiramente como se 
rrelle contem o qual quer-o ipie valha tenha força e vigor' posto ijue o 
effeito delle aja de durar mais de hum anno sem enbargo da orde- 
nação do t2." livro til. XX (20< em contrario. Migel Couceiro o fez 
em Lixboa a xxbj (26) de maio de mil b'' Irb i /õ.9õi. Fero da Costa 
o fez escrever. 

(Arch. nac. da T. ilo T., Liv. 4." dos Prird. dr Fdiji. I. /. 8;'^ 



Consulta sobre se reformar a Igreja da ilha do Fayal. 
de 23 de março de 1599 • 1 > 

Hieronimo dAbreu. Vigarif» da Igreja de Nossa Senhora da Cra- 
ca do logar do Fayal. termo de Villa Franca da Ilha de Sam .Miguel, 
fez [)etição a V. Magestade n'esla meza (jue no mtv. de oirlnbro de 



(1) Ha er'i"() iTe-sto titulo. A (Consulta não (' sotirv a lurcjii da ijlia ilo Ka\al 
mn^ sohre a do topar rio Fayal, na ilha de S. Mieiu'!. 

iNíilti do Sr. J I ih- HiHii l\rlii'llii.\ 



lí)^ ARCHIVO DUS AGOHES 

97 forão os inglezes á dila ilha com uma iinrlerosa armada, e que eu- 
Ire muitos excessos que fizerão foi ijueimarão a igreja e capella, e 
sancrestia do dito lugar, de maueira que tudo ficou abrazado, e que 
por no dilo logar uão aver outra Igreja, em que se possa adminis- 
trar os sacramentos aos freguezes padecem muita falta delles. Pelo 
(|ue pedem, a V. Mageslade havendo respeito á muita necessidade 
que disso tem lhe faça mercê de mandar passar provisão pêra que o 
feitor de V. Magestade da dita ilha possa mandar reformar a dita Igre- 
ja, capella e sancristia com a brevidade que for possível. Enformou o 
bispo d" Angra que esta Igreja de Nossa Senhora da Graça do lugar 
du Fayal, da Ilha de S:im Miguel, fora ipieimada dos Inglezes e que 
lhe parecia que devia V. Magestade mandar (]ue á custa de sua fa- 
zenda se reíizesse, como mandou fazer a quatro da ilha do Fay.d pela 
traçí e no lugar que pjrecer melhor ãs pessoas a fjue V. Mageslade 
cometter esta obra. Pareceo que esta Igreja deve V. Mageslade ser 
servido mandar refazer com a brevidade que fi)r possível á custa de 
sua fazenda no lugai' e pela traça (|ne parecer mais conveniente, con- 
forme ao parecer do bispo e feitjres (la fazenda de V. Mageslade. 
visto haver sido queimaila pelos inglezes, e as informações (pie sobre 
o caso se houverão dos bispos de Leiria, e d' Angra. Em Alcouchete 
23 de março de M. D. Ixxxx biiij (1599.) 

r. d) T.. Ur. 1.'' <las Onísnll. d( M<'s. da Come. v Oni. j. 14 r.^ 






ARCHIVO DOS AÇORES 



DONATÁRIOS DE SANTA MARIA 



Da vida e feitos do illustre Fr. Gonçalo Velho Commen- 
dador do Castello de Almourol e primeiro Capitão da 
Illia dç Santa Maria e depois da de S. Miguel pe- 
las desoubrir ambas e (segundo alguns dizem) 
algumas outras dos Açores. 

O muito illustre e valoroso cavalleiro Fr. Gonçalo Velho commen- 
(iador (*) fio Castello de Almourol que está junto do grande Rio Tejo 
junto da Yilla de Tancos, foi da nobre e antiga geraçlo dos Velhos 



(•) Azurara, na Chronica do Conde D. Pedro de Menezes, pag. 602 do T. II. 
(los Inéditos, publirados pela Academia Real das Scienrias de Lisboa, quando 
no Capitulo XXXV tracta de como D. Sancho de Noroniia foi a Ceuta no anno 
<le 143o, entre as pessoas notáveis nomeia em quarto logar a Gonçalo Velho 
Commendador d'Almourol, e Ioí;o na pagina seguinte i^efere algumas palavras 
(|ue attril)ue ao mesmo Gonçalo Velho. 

O mesmo autor na pag. 435 diz: -Nom he razão que deixemos fora deste 
registo hum nobre fidalgo, que era criado do Infante D. Henrique e que ao dian- 
te íbi Commendador das Ilhas dos Açores e de Santa Maria, que sam no mar 0- 
ceano e do Castello d^Almourol que he da ordem de Christo ao qual chamaram 
Gonçalo Velho, que estava na couraça que vai para Barbacote lem Ceuta) com 
oito Beesteiros, e hum seu Escudeiro, que o bem acompanln u • • Gon- 
çalo Velho (p. 436) como vio que ora soccorrido tornou logo á (]oiraça. onde a- 
cjiou jaa um Mouro sobre o espigão do muro. ao qual muy em breve fez leixar 

iiom somente a parede mas a vida e d'alli foi ferido Gonçalo Vellio 

(! outros com elle.- Isto passou-si- em 1418 como se vv na pag. 418. .Va pagina 
4Í)3 entre os cavalleiros (|ue serviram em Ceuta por Í4â3, inclue «Gonçalo Velho 
que depois foi Commendador da Ordem de Christo.- 

O (>apitulo IX L." II pag. oO.t a 515 lio mesmo Azarara é lodo consagrado a 
Gonçalo Velho, que ainda então não era Commendador, parecendo que os fa- 
rtos ali referidos são anteriores a .1425, (expresso no C,;q). XÍII). .Vli se descreve 

N.° 21 -Yoi. IV— 1882. i 



i94 ARCHIVO DOS AtíOKES 

OS quaes nos Reinos de Portugal são fidalgos miiilo principaes de Cot- 
ia d'armas, e de solar conhecido, e sempre servirão os Reis passa- 
dos nos niilhores officios de sua caza: hum dos quais chamado Rutj 
Velho foi Commcndador de Ahnourol e Estribeira mor d'aqneUe Rei/ D. 
João de boa memoria o 1.° do nome o qual Officio por elle ser jd ve- 
lho do tempo que EIReij reinou, trocou pela Commenda das Pias e Besel- 
gas: e parece que fez EIReij mercê a Frei Gonçalo Velho seu irmão da 
dito Ruy Velho, da Commenda de Almonrol, o qual Gonçalo Velho 
{*'\ era da caza do Infante D. Henrique e Ião privado seu, e acceito a 
elles pelos serviços que elle e seus avós linhão feito ã Coroa, e a el- 
le dito Infanle e pelo que conhecia das parles e esforço, saber e pru- 
dência do dito Fr. Gonçalo Velho que determinando descobrir estas 
Ilhas dos Assores, não achou outro mais sufliciente em sua caza a 
quem commetesse o cargo de conza de lauta importância como esta 
hera. senão a elle: o que basta somente para i)rova de quem elle he- 
ra e podia ser. E como atráz tenho contado, o mandou o Infante da 
Villa de Sagres do Algarve onde então estava a descobrir a Ilha de 



conio Gonçalo Velho ompreliendeu surprehendor de noite os Mouros (^ lomar-lhes 
Gibraltar a convite de dois irmãos Joíiam e Gonçalo de Saavedra, o que teriam 
eíTectuado se o ^uia não tivesse errado o caminho. (>ontOeni traços caracteristi- 
fos os seguintes treelios: 

«Gonçalo Velhc assy como era de grande coração assy avondava em forla- 
leza corporal." 

«Gonçalo Velho acompanhado (Palf^uns . . quizera subir, onde rocebeo 
huma ferida por acerca do olho, por (jue lhe ao diante conveio perder gram 
parte da vista, e Ibi derriba com um penedo . . . (uidc lhe fez grande |)rovei- 
to a defensom de sen escudo, em que recebia a nuiitidão das seetas e ped:-as, 
que lhe de cima eram lançadas. >- 

Resumindo as datas conhecidas da Vida de Gonçalo Velho vè-se (|uc: este- 
ve ua tomada de Ceuta em 141o; foi e.xplorar as costas d^Ah-ica alem das Caná- 
rias em 1416: (1) esteve em Ceuta em 1419 a 1423 e talvez mesmo ató 1425: 
em 14:H e 14:í2 andou na descoberta dos Açores: em 14:í5 voltando a Ceuta, já 
era Commeuilador da Ordem de Christo: em" 144:{ D. Atfon.<o V lhe fez certa mer- 
cO: (2) em 1444 ou 144o CJ) se oceupou na colonisação da dlia de S. Miguel: em 
1455(4) vivia nas snas ilhas, provavelmente em St.-^ "Maria; nnalmenie ein 1460 
lhe foi imssada a carta acima, em (|ue se lhe determinou a jurisdicção, que ile- 
via uzar na sua ca|)itania. 

(•,1 As palavras em itálico, estão por letlra dilíerenle, no MS. Saudades da 
Terra do Dr. Fructuoso. 



Ml Xa iiifiuniia ilo l)i. Sclicmcller- ÍV/íc;' \'i(li'iili)ii Fernandes, paií. ID na fíelação ili- Didiin 
(loincs, SfVliz que: >ino aniin de lUfi iiiandou o infanle It. Henrique o ííerieroso cavalleiro Gonçalo Ve- 
lliii alem das ilhas Canárias, jior desejar conhecer a causa das ijrandes correntes niaritimasl e que 
chet-ando Gonçalo Velho junto á iJhia ao loirar chamado (ena alta em cuja.'! costas só se viam areaes 
voltando annunciou ao Infante de.scoíjrira um niai- lrani|uillo aonde sempre reinava vento nor- 
te rijo, e se encontrava tirande copia de pescíido >• 

|2) Isenção de paparem dizima por .i annos os moradores dos Açores, mercê a doncalo Velhii 
l-onimendador das ditas Ilhas 'Arcliiro (hjs Açores Vol. I. \>. .■>.; 

'.Tl Aziíraia Chronim de Guiné jiafí. 380. 

'ii N'este Archim Vol. IV paií. 321 em que .se manda a tiimcaln Vellm qne deixe |i:irtir .loão de 
l.isliua. perdoado tio dearredo a que fíira condemnado. 



AHCHIVO DOS AÇORES 195 

Santa Matia e niio acliaiiilf) da |)iiinL'ira viagem senão somente os 
baixos de áspera penedia a (]ue chamou ííj Formigas pela razão já 
dita se tornou ao Algarve, donde depois foi enviado pelo mesmo In- 
fante ao mesmo descobr-imento, e desta segimda vez achou a Ilha 
a que poz nome de Santa Maria pela achar em seu dia de sua As- 
sumpção a ir> dAgosto do anuo do Senhor de l'i3:2 no tempo que 
reinava ern Portugal D. João de Boa Memoria, 1." Rey em n." e i." 
do nome. como já fica dito. E certo eu tenho para mim que ordina- 
riamente não faz Deos tal mercê de mostrar hua só Ilha nunca des- 
cobeila a alguém senão a pessoa que tenha grandes partes e vir- 
tudes: (pianto mais muitas ilhas como se (bz (|ue quiz mostrar a este 
valeroso (^apitam como irei contando. Assim que a primeira que achou 
foi a de Santa Maria, e tornanilo ci)m a nova do novo descobrimento ao 
Infante elle lhe fez mercê delia fazendo-o o seu Capitam e Governa- 
dor, com o qual cargo depois de mandar lançar gado e outras cousas 
nella o mandou a povoai a e cultival-a o que elle fez com grande sa- 
ber e diligencia trazendo comsigo a Nuno Velho e a Pêro Velho seus 
sobrinhos, filhos de hua sua irmãa que erão ainda meninos, e fez cul- 
tivar e povoar a Ilha de nobre gente tratando-a com muito amor e go- 
vernando-os com muita brandura, pela qual razão era de toda obedeci- 
do e muito querido. E indo outra vez ao Reino o tornou o dito Infante 
a mandar descobrir esta Ilha de São Miguel por sentir d"elle que para 
tudo era. O qual obedecendo aos mandados e rogos do Infante alcan- 
çou de Deos acliala, como direi adiante quando delia particularmen- 
te tractar e fez-lhe o Infante mercê da Capitania delia juntamente com 
a da Ilha de Santa Maria ficando Capitam de ambas: mas por ser en- 
tão mais povoada a de Santa Maria que primeiro fora achada rezidia o 
mais do tempo nella, e lá morava. E tornando delia ao Reino dar in- 
formação do que nella fazia e havia, e por ventura de outras conje- 
cturas que sentiria de haver ao redor, perlo destas, mais Ilhas: ou 
por isso ou pelo que o Infante linha entendido de as poder haver o 
tornou a mandar ao descubrimento delias: e comummente se diz (ain- 
da que em seu lugar direi o que outros dizem e sentem por mais cer- 
teza) que vindo o dito Frey Gijnçalo Velho a esta empreza mandado do 
dito Infante, descobrio primeiro a Ilha Terceira: e depois a de São 
Jorge, e a Graciosa com que o Infante lhe ficou mais afeiçoado fazen- 
do-lhe cada vez mais mercês e favores, quando o vio diante de si tão 
dilozo bem afortunado descobridoí- de tantas Ilhas: de ipie se espera- 
va accrescentamento e grande provimento: e bem do Keino: e logo o 
enviou com alguns navios cariegados de gado de diveisa sorte, para 
o lançar nellas antes de se povoar, por que multiplicando na terra os 
povoadoies que viessem a ellas passados alguns tempos, achassem já 
mantimentos, e instiumentos, para se poderem ajudar delles, tpiando 
a beneficiassem e a cultivassem: pelo que quando depois ElHey D. 
AÍTonso, 12." Rei de Portugal, ri." do nome. deu licença (pie todas se po- 



196 ARCHIVO DOS AÇORES 

voassem no anno de 1449 (*) pela fertilidade e fresquidão que della.^ 
se contava, e por estas cousas que já nellas havia folga vão de vir a 
ellas, e principalmente gente muito honrada e nobre de que todas 
se povoarão em poucos annos. 

Andando os homens nestas Ilhas roçando os espessos mattos e ca- 
çando, não com açores nem gaviões nem outras aves de altanaria as 
outras aves que nelles havia, senão com as próprias mãos com que 
as tomavão sem trabalho, por ellas não fogirem pelo pouco uzo que 
de ver gente tinhão; e beneficiando a teria semeando-a de trigo, ce- 
vada e centeyo. e de diversos legumes armando e tecendo suas cazas, 
como fazem os curiosos e cuidadosos passarinhos, entre o alto alvo- 
redo; temperando com aquellas saudades dos mattos e novas e estra- 
nhas Ilhas as que tinhão de suas terras naturaes, donde vinhão huns 
com determinação de tornar ás que deixarão, outros de viver e mor- 
rer nas que novamente acharão e povoarão: apostados com a quella 
colónia de novas leiras, esquecer as saudades das suas antigas. K 
estando no anno di 14(50 o felicíssimo capitão das duas primeiras I- 
Ihas na de Santa Maria onde tinha seu principal assento, occupado 
com o mesmo cuidado do mar. com machados e fouces roçadores ro- 
çar e cortar as empinadas arvores e com enxadas, e fogo, extripar e 
dessipar e destruir suas grudadas raizes. e romper as terras com o 
curvo arado exprimenlando das sementes <jual niilhor fructificava. 

Do primeiro Alvará que se acha e sabe, mandar-lhe o Infante do 
Heino para o norte do governo d"estas Ilhas que erão suas e princi- 
palmente destas duas de Santa Maria e São Miguel de que o fizera 
Capitam e Governador, direi a(jui por ser couza antiga as palavras 
antigas todas finalmente notadas que são as seguintes: 



Jurisdicção concedida a Fr. Gonçalo Velho. 

«Eu o Infante D. Henrique Duque de Viseu e Senhor da Covilhãa: 
mando a vós Fr. Gonçalo Velho meu cavaleiro, e Gapitão por mim 
em minhas Ilhas de Santa Maria e S. Miguel dos Açores (jue lenhaes 
esta maneira as siiso escripta á cerca da justiça e feitos civis. Vós man- 
dareis aos Juizes da terra (pie oyção as parte*^ que em litigio forem, 
as mandem vir prezente si. e lhes facão cumprimento de direito, e 
se das sentenças que os juizes derem quizerem appellar, appellem 
para vós. e vós confirmai as sentenças dos Juizes, ou as corregei 
(piai virdes que he direito, e se de vossa sentença elles ijuizeiem ap- 
pellar vos lhe não recebereis appellação, nem lhe dareis salvo instru- 
mento de aggravo ou carta testemunhavel para mim com vossa res- 



(•) Aliás 14:U>. loiíid ciiiist;! lío piiiiieim (iociimcnto puhlirado no Voi. l tles- 
te Arrhhii. 



Anciiivo DOS AçonES 107 

posta, e enlão eii denunciarei o que vir que lie direito e vos mandarei 
o que façais porem vós não d^^ixareis de mandar enxuqnatar {execu- 
tar) as ditas sentenças posto (|ue com os instrumentos ou cartas teste- 
munháveis a mim venlião; e se for em feilo crime em (|up algum ou 
algua faça o que não deve. e por que mercçrio [)ena de justiça vós 
mandai prender, e a[)enar em dinheiro e degradar para onde vos 
prouver e mandar açoutar aquelles que o merecerem, sem dardes pa- 
ia mim appellação. E se for feilo tão crime por (jne mereça morte, 
ou talhamento de niemhn». vós mandareis aos Juizes que dêem a 
sentença e os julguem, e da sentença que derem appellem por parte 
da justiça e enviarão a mim a appellação. e de mim hiiá a caza de 
El Rey meu Senhor, e eu vos enviarei a denunciação que delia vier, 
e outro sim liavizareis aos moradores dessas Ilhas, que não vão com 
nenhuns aggravos nem appellações nem instrumentos, nem cartas 
testemunháveis a nenhua justiça, se não a mim (lu a meus ouvidores 
por que a jurisdição toda he minha civil, e crime, e de mim hirão as 
appellações das mortes dos homens e talhamento de memhros á Caza 
de El Hey meu Senhor, por que vós nem outro alguui Capitão tem 
poder de malar nem de mandar talhar membro e nos outros cazos 
vós tende á maneira susodita: e qnal(]uer (jue o contrario fizer e 
em isto uzurpar miidia jurisdição pagará por cada vez e cada hum 
mil reis para minha chancellaria. E outro sim se o Tabellião de 
si errar em seu oííicio por falsidade vós o suspendei do OÍTicio até 
me fazerdes saber o erro como he e vos eu mandar a maneira que 
terdiais. E outro sim sereis avizado que se a essa Ilha forem Diogo 
Lopes e Rodrigo de Bayona sem vos mostrarem minha licença, que os 
prendais e lenhais bem prezos até mo fazerdes saber", e vos mandar 
como façais e mos enviai prezos á minha cadeia. E quanto he ã inquiri- 
ção qire cá enviastes, vós vede lá o ffito e determinai como virdes 
que he direito: cumprirrdo todo assim, e pela guiza que por mim he 
mandado, sem rielle por^des outra briga irem embargo por' que assim 
he minha mercê. Feita em minha Villa de Lagos a IO dias de Maio. 
João de Ciorizo o fez. Airno do Nascimento de 1470.» (I) 

ludo-se depois d"ali a alguns armos ique não podião ser' mrritos) 
destas Ilhas o dito Fr. Gorrçalo Velho para o Heirro pedio as para os 
dois sobrinhos (|ue a ellas tr^ouxera comsigo meninos e nellas deixava 
feitos já homens o Nrrno Velho e Pedro Velho cm idade e discr-ipção 
([ue bem as podião governai', fazendo ronia (jiie hiiiii ficaria por (Ca- 
pitão de hõa. e oiilro da oirira: por (jiie elle como se criara na Coile 



(l) (loiíio o liiriíiik' I). Heiii'i(|iK' iiiorreo cm l'i(iO nfio pode ter íissílmiikIh em 
l^TO o (lociiiiieiito siipiM. 

P^stc iiKSdio .loão (lorizu li^iii';; como Icsleiiumlia m» Icstiuiiciild iln liiliiiilc 
I). Ilciii'i(|(ic. impresso no Vol l, iiíil;. .'!:!() ireste Arrhirit. 



198 AHCIIIVO DOS AÇOhES 

ás abas dos Reis e gramies senhores; e a iialiireza também o cha- 
mava, hia determinado de largar as ditas Capitanias, e contentar-se 
com estar ao bafo dos Heys como sempre estivera, e servil-(is em Ve- 
lho, como fizera em mancebo. Mas [)r'0[)undo-lhe o Infiuite diante ou- 
tro seu sobrinho que em sua casa tinha e os muitos serviços (jue del- 
le tinha recebidos, e como era também seu sobrinho, filho de outra 
sua irmãa. pareceo-lhe bem ao dito Vi\ Gonçallo Velho a razão do in- 
fante e fez-lhe a vontade acceitando a mercê <]ue lhe fazia para seu so- 
brinho que se chamava João Soares de Albergaria, e mandandoo cha- 
mar o Infante lhe fez mercê diante de seu tio Fr.rionçalo Velho por 
sua livre vontade: e volnnlaria renunciarão da Capitania das (htas 
Ilhas de Santa Maria e São Miguel: e beijando o dito João Soares h)- 
go a mão ao Infante por esta mercê que lhe fazia, ficou Capitão elei- 
to delias e depois confirmado por sua carta patente que lhe disso foi 
|)assada por mamlado do dito Infante, e assignada por elle. 

Alem de ser ceito indicie da muita virtude, e do grande e esforça- 
do animo deste filicissimo e [)iimeiro Capitão (|ue foi destas duas pri- 
meiras Ilhas dos Açores pelas achar e descobrir a ellas: c (segundi» 
alguns dizem I as outras três «pie já disse; mais certa prova he ainda 
do grande valor de sua illustre pessoa deixai as, e largal-as livre e 
liberalmente em sua vida. como quem não dei.xava nada, pois mais 
magnânimo se moslra ser o liomeu) em largar e tiar o (jue tem, e 
possue que em acceitai' e tomar o (jue lhe oflerecem. Assim ficou es- 
te felicissimo (Capitão de boa memoria no Heino em serviço dos Keys 
e Infantes que tanto amava, vivendo ainda alguns ânuos, e depois 
de muito velho Fr. Gonçalo Velho, sendo-o na idade como no nome 
e custumes. acabou seus bem empregados annos de sua vida com a 
morte (|ue a todos leva. dando sua alma a Deos que tão ornada e a- 
companhada de virtudes e boas obras lha deu para por ellas funda- 
das nos merecimentos de sua sagrada paixão lhe dár no ceo icomo 
cremos que dem a sua gloria. 

As armas do brazão deste (Capitão Fr. (i )nçalo Velho e de sua 
progénie dos Velhos de que todos os de.Ncendenles delles gozão, as- 
sim os do Reyno como os dVstas duas Ilhas de St.* Maria e S. Miguel. 
6 de outras partes donde os ha: são hum escudo com o campo ver- 
melho, e nelle cinco vieiras (h)uradas em aspa. com sua merleta de 
ouro por diviza, e não tem elmo coiu o mais (pie agora se costuma, 
por que parece (pie não se custuinava naipielle tempo antigo, senão 
somente o escudo com as armas nelle, as quais armas dos Velhos, são 
as dos illustres capitães da Ilha de Santa .Maria (|ue trazem e tem de 
seus antepassados, e principalmente d"este 1." Capitão da mesma Ilha 
Fr. Gonçalo VellK», e estão pjstas na Igreja de Nossa Senhora da As- 
sumpção da Villa do Porlo da dita Ilha' na Capella de Duarte Nunes 
Velho que delles descendia: mas depois vi outras da mesma manei- 
ra no l)razão de Mathias Nunes Velho Cabral com elmo aberto guar- 



ARCHIVO DOS AÇOHES 19ÍI 

necido de ouro, patjiiife de ouro. e vermelho, e prata e purpura e por 
lymbre hum chapeo pardo com hua vieira de ouro na boida da volta. 
(jue he o timbre dos Velhos. 

{Gaspar Frfnlifiixn, Satidaclps da Tirra, Lir. S." Cap." 12.) 

Era Gonçalo Velho, o ram(>so commendador de Almourol, e pii- 
meiro capitão (pie íoi da ilha de Santa Maria, e desta de Sam Miguel, 
tão valente de sua pessoa, que mandando el-Rey dom Joam correr lou- 
)os em Evoi a, mandou elle tazei' um cadafalso para levar a vel-as umas 
sobrinhas suas, dona Cecília, e dona Cathaiina, e outras parentes. Es- 
tando já o curro cerrado entiou elle com as sobrinhas, e passando com 
dous pagens, que iam diante para o cadafalso, estava para se correr 
um louro, poderoso e bravo: mandou el-Rey o lançassem no curro a 
Gonçalo Velho, que ia passando com as sobrinhas. Tanto íjue o touro 
entrou no curro foi arremettendo a elle: recolheu com o braço esquerdo 
para traz aos pagens junto das sobrinhas: e chegando o touro já muito 
perto abai.xando a cabeça, e fechando os oIIk s conjo costumam paia 
o acommelter. tirou elle d um terçado, que levava na cinta, e dando-lhe 
um golpe no geijilho, junto dos galhos, no logar onde lhe dão quando 
os matam derrubou-lhe a cabeça, de maneira que cahio o tcjuro por ter- 
ra perneando. e acabando a vida. Alimpou o terçado no mesmo touro 
com muita (|uietação. dizendo: Os rapazes que cá vos mandaram, outro 
tanto lhe íizeia eu, se cá os apanhara. Levou as sobiinhas ao cadafalso. 
Joam Roiz da Gamara, quarto capitão desta ilha de Sam Miguel, conta- 
va pela ouvir na corte, onde andava, esta historia miudamente. 

Sendo este Gonçalo Velho commendador de Almourol, como era 
muito privado da casa do infante dom Henrique, que mandou descobrii' 
estas ilhas: e brigando certa hora com uns fidalgos da casa do mes- 
tre de Santiago, que foi antes de dom Jorge, filho de el-Rey dom Jo- 
am, (outros dizem que do mesmo dom Jorge, o que parece não ser 
este) sobre qual delles era maior senhor, — se o infante dom Henri- 
que, se o dito mestre de Santiago: affrontados elles das palavras, 
que Gonçalo Velho lhes dissera, indo elle para a sua commenda de 
Almourol, acompanhado de vinte homens de cavallo. fora outra gente 
de pé: recolheu-se em certa pousada . e passando de noite resava 
vésperas, e completas por umas horas : atiraiam-lhe |)or um liuraco 
da porta com uma besta: e o quadrelho lhe deu. e pregou nas oras 
|)or onde resava. sem lhe fazer damno algum. Chamando então pelos 
criados, sahio com elles a cavallo buscando os contrários, sem os po- 
der achar: sónuMite sendo já manhã viram uns signaes das ferradu- 
ras, e tro|)el dos cavallos. (jue se iam recolhendo, por de dia o não 
ousarem acommelter. senão de noite com espias diante: por conhece- 
rem do dito Gonçalo Velho ser tão valente, e esforçado de sua pes- 
soa, que não podiam delle tirar o mellior, ro>to a rosto: e por isso 
o foram acommetler á traição de noite. 



-200 ARCHIVO DOS AÇORES 

Era Gonçalo Velho de tantas forçaS; que pndia espremer um ho- 
mem, e esminçal-o entre as mãos; alem (l'isto muito animoso: pelo 
que, foi de noite no alcance, buscando aos seus contrários, o que, 
d"alguns foi taxado, e julgado por temeridade. por(]uo fora possível 
serem tantos seus inimigos na cilada. ()ne o puderam lomar aquella 
noite. Mas o grande esforço, animo, e valentia, (pie tinha, o fez com- 
metter, sem estimar, nem temer aquelle perigo. E por serdesta (]ua- 
lidade e de tão boas partes, era muito privado do infanle dom Henri- 
que, e foi enviado por elle a descobrir eslas ilhas de Santa Maria, e 
Sam Miguel, (jue descobrio. e foi feito capitão delias, trazendo com- 
sigo aos ditos dons seus sobrinhos. Pedro Velho e Nuno Velho. Tor- 
nando para o reyno por não se conlentar viver em terra eima, se- 
não na corte onde se criara nas abas dos príncipes: fizera os sobri- 
nhos capitães, um duma, outro doutra ilha, mas o infante acabou 
com elle, que fosse capitão d'ellas outro seu sobrinho, (]ue andava em 
casa do mesmo infante, chamado Joam Soares de Albergaria, (ilho 
doutra irmã do dito Gonçalo Velho, e irmão da dita dona Violanta. 
mulher de í3iogo Gonçalves de Travassos; atraz dito. O qual feito de- 
pois capitão pela renuncia de seu tio, que ficou em Poilugal, onde 
falleceo sem ter íilhos. veio moi-ar a eslas ilhas, governando-as com 
muita prudência e deligeiícia. residindo princi|iahnente o mais do tem- 
po n:i ilha de Saiila .Maria, por ser mais povoada na (|uelle tempo. 

[Livro IV. Cap. III ilas mesmas Saudades da Terra, de pag. 23 a 
■Jò. I 



Confirmação da capitania de Santa Maria. 

Dom João tV.' Faço saber aos que esta minha carta de confirma- 
ção e reformação virem que porparte de Brás Soaies de Sousa fidal- 
go de minha casa me foi apres.^ntada hõa carta dei Rey Dnm Phelipe 
de Castella de que o treslado é o seguinte: 

Dom Phelippe á-.'' Faço saber aos (jne esta minha carta de confir- 
mação per successão virem que por parle de Brás Soares de Sousa 
filho mais velho barão lidimo de Pêro Soares de Sousa já fallecid(» 
me foi apresentada hua minha carta por mim assinada e passada poi- 
minha chancellaria da qual o treslado he o seguinte: 

Dom Phellipe á-. Faço saber aos que esta minha caria de confir- 
n»ação per successão virem que por parte de Pêro Soares de Sousa 
fidalgo de minha casa. filho de Brás Soares de Sousa ja falecido me foi 
apresentado hua carta dei Rey meu Senhor e avo. que santa gloria 
haja, poi' elle assinada e passada pela chancellaria da qual o tresla- 
do he o seguinte: 

Dom Phelipe d-.' Faço saber aos que esta minha carta de confir- 
mação virem que por ()aite de Brás Soares de Sousa fidalgo de mi- 



ARCHIVO DOS AÇOHES 201 

nha casa me foi apresentada hua carta do Senhor Rey dom Sebastião, 
meu sobrinho, que santa gloria liaja por elle assinada e passada pela 
chancelaria da qnal o treslado he o seguinte: 

Dom Sebastião A.'^ Aos (]ue esta minha carta de confirmação vi- 
rem faço saber que por parte de Pêro Soares de Sousa, capitão que 
foi da ilha de Santa Maria me foi apresentada hua (;arta dei Hei meu 
Senhor e avò que santa gloria haja por elle assinada e passada por 
sua chancellaria da qual o treslado hé o seguinte: 

Dom João á.'^ A quantos esta minha carta virem fíiço saber que 
por pane de João Soares de Sousa, filho de João Soares, capitão que 
foi da ilha de Santa Maria me foi apresentada hua carta dei Rey meu 
Senhor e padre que Santa gloria haja de que o theor tal he: 

Eu o duque faço saber aos que esta minha carta virem que por 
parle de João Soares cavaleiro de minha casa e capitão por mim na 
minha ilha de Santa Maria me foi apresentada hua carta da infante 
minha senhora de que o theor tal he: (I) 

A qual carta vista por mim eu a confirmo e hei por confirmada 
assi e pella maneira que em ella é contheudo sem outro embargo 
que hus e outros a ello ponhão. Dada em a villa de Torres Vedras 
a vinte e quatro dias de jimho. Pêro Lopes a fez. Anno do nascimen- 
to de Nosso Senhor Jezu xpo {Christo) de mil quatro centos noventa 
e trez. (1493) E eu João da Fonseca escrivão da fazenda do dito se- 
nhor a fiz escrever e snbscievi: (2) 

Pedindo-me o dito João Soares que por quanto elle era filho mais 
velho do dito João Soares seu pay e a dita capitania lhe vinha per 
successão lhe confirmasse a dita carta, e visto per mim seu rcíjueri- 
mento e querendolhe fazer graça e mercê tenho por bem e lha con- 
firmo e hei por confirmada assi por successão. A qual carta elle man- 
dou entregar nas confirmações pêra lhe a ver de fazer assi per suc- 
cessão o anno de quinhentos e vinte e dous {lò22) e se lhe não fez 
senão agora que o requereo e pagara a chancellaria da confirmação 
da dita carta por não ser pello dito senhor confirmada e mando que 
assi se cumpra e guarde como nella se contem. Dada na cidade de 
Lixboa a trese de março Aiies Feinandes a fez de mil e quinhentos 
e vinte e sette. {Iò27) (3) 



(1) Refere-so á Carta de Doação pela Infante D. Beairiz de i;i de .lulho de 
1474 impressa no Vol. I, p. 15 d'este Archivo. 

(2j João Soares, morreu por 4499. 

(3) N'este mesmo anno foi-ÍÍKí concedido o seguinte Brazâo d^ii-mas: 

«Portuí^aí, Rei d'ai-ina-í prim^pal d'Elrey Nosso Senhor. Faço saber aos que 
esta certidão virem qne João Soares de Sousa. íidalf^o da casa rio dito Senhor e 
Capitão da Ilha de Saiila Maria me fez inlbrmayão como elle descendia por linha 
direita das iiol)r(!s linlia.ucns e antigas fíeracões dos Sonsas e do-; Velhos, a sa- 
ber: da parte de seu pac João Soares Velho, qne lierdon esta Ca|iilania de Gonça- 

N.° 21— Vol. IV— 1882. 2 



Í02 AKCHIVO DOS AÇ015ES 

Pedindome o dito Pêro Soares de Sousaijue por (juanto elle era 
o filbu mais velho de João Soares de Sousa seu pay como constava 
da certidão da jiisliticação do doutor António Vaz Castello do meu 
conselho e mdu desembargador do paço, juis da.s justificações de mi- 
nha fazenda a cjue a dita capitania direilamente peilencia per succes- 
são lhe confirmassse a dita carta junto seu requerimento e a certidão 
(|ue apresentou (|uerendolhe fazei' graça e mercê tenho por bem e 
lha confirmo e hei por confirmada com declaração que elle usara da 
jiirisdicção desta ilha conforme a carta que consta lhe mandei passar 
e assi usara (]as declaiações e limitações (jne se derem á ilha da Ma- 
deira e com esta declaração mando (pie se cumpra e guarde inteira- 
mente assi e da maneira (pie .Ne nella coiilhem. António (lat valho a fez 
em Almeirim aos sete dias do mes de desembro, anuo do nascimen- 
to de nosso Senhor JesQ Xjjõ {Chrísloi de mil quinhentos setenta e 
Ires (JÕ73): e eu Duarte Dias a fiz escrever. E o ouvidor que tiver 
nesta capitania sendo letrado será examinado primeiro (|ue sirva pel- 
los meus desembargadores do paço e não o sendo será pelo Corre- 
gedor das Ilhas, e constando per ceilidão de (pi.ilquer destas pessoas 



lo Velho que íbi Capilíio da lUla Iliia c Coiiimeiídador de Alinourol por ser seu 
l»ai'enle mais cliegado, e foi do tronco e piiiM-i|)al (Testa íierarão dos Velhos, e 
da parte de sua mãe D. Branca de Souza, (|ue loi (ilíia deJoínj de Sousa Falcão 
(|ue Ibi Qdalfio muito lioin^ado e do tronc(j (festa Ijidiaj^em dos Souzas, pedindo- 
me elle .loão Soares de Souza, (|ue para mrmoiia de seus antecessores se não 
perder e elle jiouvir e uzar das lionras das armas (]ue pelos seus merecimentos 
de seus serviyos panliaram e llie loram dadas, lhe desse esta certidão das ditas 
armas (|ue assim por direito ihe pertencem. O (|ue visto seu re(|uerimenlo ser 
justo e como eu sam certo e ceitidcado elle descender por linlia direita da par- 
te de seu pae da iiiiha^em dos Velhos e &,\ parle de sua mãe da nobre linha- 
gem dos Sousas por ser iilha de João de Sousa Falcão, que íbi bem conhecido 
ser do tronco (Testa hnhaiiem dos Sousas: Eu como Ftey (Tarmas jirincipal (|ue 
sam, e Juiz da nobreza, lhe mandei dar esta certidão com as chtas armas com 
seu hrazão elmo e tind)ie e paíiuile como a(|ni são devisadas, e assim como 
Mel e veidadeiramente se acharam devizadas e registadas nos livros das armas 
(|ue em meu |>oder eslam. As quaes armas são as seguintes a saber: o campo 
esquartelado: o primeiro (Tazul com trez vieiras douro, e ao segundo esíiuar- 
tehido e o prinuMro d(! I^irluga! e ao conlrario. de vermelho, e un a (juaderna 
de crescentes de prata, e por dilTereni-a uma llor de liz (T(juro, elmo de prata a- 
herto, paquile d'ouro e a;.ul e por timbre um cliapeo preto com uma vieira d'ou- 
ro. As qnaes armas possa elle trazer e S(>us descendente-:, e goiívir e uzar de 
Iodas as honi'as, graças, previlegio<. isenções e fran(|ueza-:. (|ue hão e devem 
haver os nobres e antigos fidalgos. 12 cotno ile ludo gonvirão e uzarão seus 
antecessoi'es. E por (irmeza de tudo isto lhe mandei dar esta certidão assignada 
por mim. Feila em IJsboa aos \hiij dias de .lunlio de hxxbij ií8 dt' Juiihi) ile 
l~>27) aunos. 

I'(írtugal Key d'armas. 
Loflitr dii nssiiitiafiirti ou liren'. ininteliriirel.) 

Ksti- I!ra/.H() i|U() não si' cin-ijiitra nu Arc'iir:i HiTiililin Hi-íif.ún/iai, pelo Viscotidc de Sanchrs 
(Ir Kncna, to: coiiiaiio cni IS7.") do iicr-iaininiio uriííiiial i-m poder do fallcfido sr. .loão Sori"i".s dt' Soii- 
s:i Cauto 1' .^ilinipwiipic. d'i'sla i-,:dadc de l'oiila Deliíacia. 
.Io."io Soaiv.s dl' Sonsa, morivn a 'í di' janciío de l.iTI. 



ARCHIVO DOS A(:OI<ES 203 

<1p como lie apto e sniricieiíle e tem as (|naliila(les ijiie se re(|uerem 
p( (lera servir e em outra maneira não. I > 

K pedindome o tiito Braz Soares de Sousa (jiie por quanto elle 
era o filho mais velho barão lidimo ipie íicou por falecimento de Pêro 
Soares de Sousa, sen pay. a quem dircitamenlc peilencia a capitania 
da Ilha de Santa .Maria contheuda na carta nesta Iresladada ouveííe 
()or bem de lha confirmar e visto sen requerimento (jueiendo lhe fa- 
zer graça e mercê tenho por bem e lha confirmo e hei por confirma- 
da e mando que se cumpra e guarde inteiramente assi e da maneira 
que se nella contem a qual por firmeza de tudo lhe mandei dar por 
mim assinada e assellada com o meu sello de chumbo pendente. Da- 
da na cidade de Lixboa desaseis dias do mes de julho, .Miguel da Cos- 
ia a fez anno do nascimento de nosso senhor Jesu Christo de mil 
(juinhenlos noventa e quatro. ^15.94) Eu Rui Dias de Meneses a fiz es- 
crever. (2) 

Pedindome o dito Pêro Soares de Sousa por mercê que por 
quanto elle era o filho mais velho barão lidimo i^ue ficou por falleci- 
mento de Brás Soares de Sousa, seu pay, como (Xjiistava por sentença 
de justificação do doutor. . . da Silveira do conselho de minha fazen- 
da servindo de juis das justificações delia lhe pertencia a capitania da 
ilha de Santa .Maria contheuda na carta nesta incorporada que por 
elle teve o dito seu pay ouvese por bem de lha confirmar e niandar- 
Ihe pasar outra em seu nome e visto seu retiuerimento e a dita sen- 
tença de justificação e reposta do procuradtjr de minha coroa que 
não teve a isso duvida e querendo fazer graça e mercê ao dito Pedro 
Soares de Sousa tenho por bem e lha confirmo a dita carta e hei por 
confirmada por successão do dito seu pay pêra ler e haver e posuir 
a dita capitania da Ilha de Santa Maria assi e da maneira que o dito 
Brás Soares de Sonsa seu pay a possuir pela dita carta e conforme a 
ella com declaração que usara da jurisdição daquella ilha na forma da 
caria (que) juntamente com esta lhe mandei passar e delia usara com 
as declarações e limitações que se puserem ua capitania da ilha da 
Madeira e com esta declaração mando se cumpra e guarde inteira- 
mente esta minha carta assi e da maneira que se nella contem que 
por firmeza de tuilo mandei dar ao dito Pedro Soates de Sonsa [tor 
mi assinada e sellada com meu sello pendente. Dada na cidade de 
Lixboa a vinte seis de junho, .Marcos Caldeira a fez, anno do nasci- 
mento de nosso senhor Jesu xpõ ( Christo) de mil e seis centos e vin- 
te e o\U).{1628^ Eu Rui Dias de Meneses a fiz esci"ever. ííí) 

(1) Pedro Soares, iiiorrcu ;i .'{O (l'a;i0sl() úi' líiSO roín tcstamoiito apiintvadii 
a SS do fevereiro de 1579. 

(2) Braz Soares acotnpaiiliou o Infante D. Luiz nu jornada de Tunis. (Hht. 
Gen. da Casa Real, T. XII, p. 460.) 

(3) Pedro Soares de Sousa fez teslanicnto approvado aos 14 de fevereiro de 
16.34. 



201 ARCHIVO DOS AÇORES 

Pedindome o dilo Braz Soares de Sousa que por quanto elle e- 
ra filho mais velho barão lídimo que ficara por fallecimenlo de Pedro 
Soares de Sousa, seu pay a que direitamente pertencia a capitania da 
ilha de Santa Maria e mais cousas da carta nesta tresladada lhe man- 
dasse passar carta de confirmação per successão e visto por mim seu 
requerimento e sentença do doutor Francisco Leitão do meu conselho 
e meu desembargador do paço. juis das justificações de minha fazen- 
da e reposta do meu procurador de minha coroa que não teve duvi- 
da a se lhe passar a dita carta, liei por bem e me praz de fazer mer- 
cê ao dito Bias Soares de Sousa que elle possa usar da capitania, ju- 
risdição e mais cousas da dita ilha de Santa Maiia per successão do 
dito Pedro Soares, seu pay com declaração que não usara delle sem 
primeiro ter idade cumprida de vinte e sinco annos e entretanto pro- 
verei a administração da capitania e jurisdição da mesma ilha confor- 
me a elausulla da doação e os corregedores farão as elleições dos of- 
ficiaes na forma da ordenação e os confirmarão como hora se faz em 
quanto não houver outra ordem e melhoramento ou doação e com es- 
ta declaração mando (jne se cumpra e guarde assi e da maneira que 
se nella contem e pague de mea annala da mercê desta confirmação 
per successão ao thesoureiro geral delias des mil dusentos e vinte rs. 
que lhe foram carregados no livro do seu recebimento a folhas du- 
sentas como se vio per certidão do escrivão de sua receita e por fir- 
meza lhe mandei dar esta carta por mim assinada sellada com o meu 
sello pendente. António Marques a fes em Lixboa a onze de outubrít 
anuo do nascimento de nosso senhor Jesu xpõ (Christo) de mil e seis 
centos trinta e nove. ( W.39 ) Eu Duarte Dias de Meneses a fiz escre- 
ver. 

Pedinilome o dito Braz Soares de Sousa por mercê lhe man- 
dasse confirmar e reformar a dita carta e visto por mim seu requeri- 
mento querendolhe fazer graça e mercê tenho por bem de lha confir- 
mar e reformar e hei por confirmada e reforujada em meu nome e 
mando que se cumpra e guarde assi e da maneira (^ue se nella con- 
Iheu) e pagara o direito novo .se o dever e por firmeza de to(]o llie 
mandei dar esta minha carta por mim assinada e sellada com o men 
sello pendente. Dada na cidade de Lisboa a Ires de julho, Torcalo de 
Freitas Rebello a fes, anuo do nascimento de nosso Senhor Jesu xpõ 
(Christo) de mil e seis centos quarenta e sinco. ■J64õ) Eu Damião 
Dias de Menezes a fiz escrever. — El Rei. — 

(Árch. nar. da T. do T.. Liv. I das Doaç. de D. João 4." /. S42. 

Braz Soares Conimendador de S. Pedro do Sul e de Sarda Maria, sérvio em 
Africa e iia Restaurayão da Bahia, Calleceu na guerra de Pernambuco, sendo Ca- 
|)itão d"Infanteria, no anno de 16IH. 



ARCHIVO DOS AÇORES Wt) 

7." Donatário— D. Luiz de Sousa Coutinho. Kxlincla a li- 
nha dos donatários de Saiila Maria pela rnorle de Braz Soares de 
Sousa, fez D. Aftonso VI inercè d ella a I). Luiz de Vasconcellos de 
Sonsa. 3.° (>onrfe de (^astello Melhor, qne naí-cen em KVM) e inoiren 
em 13 dagosto de I7á0, por cai ta tie Doação de T.\ de Maio de 
l()67. {Torre do Tombo. Doações Geraes de D. AlJonso VI, L." 20. foi. 
WH v.") 

A Júris tli(;íi() dos donutaiios das illuis linha sido allerada |)('lo scf^uinlc do- 
cumento: 

Havendo leito de muitos annos a esta pai-te, na muita real eonsiderãeão as 
mais injustas impressões os numerosos o excessivos Cructos das desordens ab- 
surdos e delidos que nas ilhas Terceiras vulf^armente clinmadas dos A(,'ores (1) 
se tem multiplicado cada dia com mais excesso pela falta de respeito (jue he in- 
dispensável nos majiistrados. e da boa administracã(j da jusliya, sem a (jual não 
ha união christam nem sociedade civil (|ue possãò subsistir, sendo as notórias 
causas de todos os referidos males o acharem-?e as sobreditas ilhas sem algu- 
ma regularidade no poverno Civil e militar sem outro ministro de letras que 
não seja um corregedor, que ordinariamente não passa da Cidade d^An^ra, e de 
nenhuin modo pode extender o beneíicio da sua correic'ão a tantas tão populo- 
sas e tão distantes ilhas, sem outros juizes qne não sijão ordinários, nos quaes 
sempre falia a indispensável instrucção e comnmmmente são parciacs por paren- 
tescos e amisades tias mesmas partes que ilevem sentenciar como julgadores; e 
sem outro governo ou guarni(;ão militar que não seja o de Capitães niores e Ca- 
pitães dordenanças, as quaes sendo muito úteis ao tempo em que Ibrão funda- 
das quando os Capitães empregavão os rendimentos das referidas ilhas em de- 
fenderem das invasões dos inimigos e dos piratas com suas próprias pessoas e 
com as gentes f|ue pagavão para aquelles serviços, são actualmente ineíicases 
para a defeza das terras depois que na Europa se estabelecerão exércitos e re- 
gimentos pagos, com a disciplina que hoje se pratica, e depois que os Capitães 
(las mesmas ilhas abandonando as inteiramente as deixaram expostas, conver- 
tendo na sua particular utilidade as rendas por sua naturesa sujeitas á defesa e 
segurança das referidas ilhas, sendo da minha intlispensavel obrigação como 
rei e senhor soberano fazer administrar justiça ainda aos que a não pedem e 
nmito mais aos meus vassalos das referidas ílhas, que com tantos clamores a 
tem requerido tão repetidas vezes na minha real presença, pelas secretarias 
d'Estado e Tribunais superiores, e devendo com motivos [no urgentes como os 
sobreditos fazer muito mais na miidia real attençào a causa publica de estabe- 
lecer entre os meus vassalos das referidas ilhas, a paz e a justiça do íjue direi- 
to particular dos donatários delias no que as suas doações iniplícão contradição, 
com a segurança publica e com o bom governo económico das mesmas illias e 
e dos seus hahitanles: sou servido íjue José Francisco da Crnz Alagòa do men 
Conselho e de nnnlia Real Fazenda juntamente com o Desemhar^^ador Hartholo- 
meu José xXunes Cardoso Giraldes de Andrade tomando conhecimento dos litulos 
dos .<obreditos Donatários que tiverem direito para sei-eni conservados na posse 
dos ben.s contheudos nas suas respectivas Doações e separando nelles por mua 
parte os qne forem c()nsi^lentes em utilidade ou rendmienlos de privilégio^ ex- 
clusivos de moendas, de fornos e de sal ou de reiídas de dízimos e redizimas.por 
outra parte os que forem consistentes em jurisdições e nomeações de magistra- 
(k»s e oílicios d(> justiça ou fazenda, i-eservando as sobreditas rendas a favor dos 
Donatários rpie as tiverem por jn-tos titido<. e da mesma sorte as nonieaçõe- 



h l»('viii (JiziT II coiiliiiriíi, ist(p f: il.(is \ciircs viiIl';iiiii('Ii(c <ii:iiiiii<his ti.t T)Tri'ii-iis 



Í06 ARCmVO DOS AÇOHES 

lie almoxarifos, oscrivães eoíTicios (l'ai'reciida(;ão dos dízimos e direitos roaes a 
favor dos mesmos Donatários, e os litulos de marquezes, condes, barões ou se- 
nhores de terras onde taes titules houver, incorporem na miid)a real lazenda 
todas as outras jurdições sem excepção alfiuma, por que contudij ainda n'esles 
casos da indispensável necessidade |)ul)lica que os referidos Donatários tem leito 
das obrigações e do claro conhecimento em que me acho das contravenções 
com que llie forão doadas as tei-ras que possuem: Hé muito conforme á minha 
real benignidade contemplar os sobreditos Donatários em (|uanlo he possível, c 
o bem commum dos meus vassalos o pode permittir. Hei por bem que os sobre- 
ditos Conselheiro e Procurador da minha Heal Fazenda ouvindo os referidos Do- 



tlll WO ^JV^ll 0\, I ll\. II V/ V-- 1 I »/V Ul tlUV^I l-llt III I I H iH I (V (I i I tl/yV I J Vlfl VJU 1 i I I W VJ \f'^ I »„ IV I 11.11^ n MJyt 

natarios e concordando elles ou seus procuradores á vista dos titulos ((ue a- 
presentarem e dos direitos nue cada um (Telles tiverem, a racionavel e justa es- 
timação das jurdições que llies licarão cessando por esla n)inlia real providen- 




Í.WS. ili) f)r. Jodit Teiírirn Soairs.) 



8. " Donatário AíFonso de Vasconcellos e Sousa. 7. " 
(lonrie da (>alh(Ma: íiliiodo niiierior: nasceu a 17 de Janeiro de IO()'t: 
foi coníirniado na capilania por caria de 23 d'Agosto de 1725: mor- 
reu a 2 de Fevereiro de \l'.\'t. 

9." Donatário José de Caminha Vasconcellos de Sou- 
sa, i." (ionde de (^astclio .Melhor. |)(ir caria de 7 d"aiíi)><lo de 1728. 
1." .Marl^nez de (lastello .Melhor em I7()(). nasceu a Kí d agosto de 
I70G. foi coiihrmado na capitania [)or carta de 21 dVmluhro de \1'.Ví. 

10." Donatário - António José de Vasconcellos e Sou- 
sa, 2," Margiiez de Caslello .Melhor, nasceu a lo de Fevereiro de 
1738 e morreu a O de junho de 1801. Koi confuinadi) na capilania 
por caria de 11 de julho de 178G. ChdmrUarin de D. Mnrin l.'\ L." 
2õ, foi 27ii v.\^ 

11." Donatário -Aífonso de Vasconcellos, 3." Marquez de 
(Caslello .Melhor, [)()r .Vivará de 2i de Março de 1803. fillKJ do ante- 
rior, nasceu a 23 de Juoho de 1783 e morreu a 27 d Agosto de 
1827; succedeu ao Pae na Capilania a C de Junho de 1806. {Chan- 
rell. de D. Maria l.\ L." dos Ofpcins Menores 49. foi. Vi2 p.\) 

12.° Donatário— António de Vasconcellos e Sousa Ca- 
minha Faro e Veig-a. 't." Marquez (Je Caslello Melhor e 8." Con- 
de da Calheta, na.sceu a 13 de .Março de 1816 e morreu a 26 de Ju- 
lho de 1858. Succedeu a seu Pae na capilania em 27 dAffosto de 

1827. 



DONATÁRIOS DA YILLÁDÂ PRAIA 

DA 



• Jacome de Bruges. 

Jacoine de Bruges éia uatuial do (londado de Flandres servidor 
do Infante D. Hen!i(|ue, viveu em Ourense na Gallisa donde passou 
foni Helena Gonçalves e filhos a viver na cidade do Porto, por espa- 
ço de ^U ânuos. Dali passou á ilha Terceira. 

A (>arla da Donatária da Terceira a Jacome de Bruges pelo In- 
laiite D. lleurii|ue tem a data de 2 de Março de 1430 em Silves, 
comprehende tola a ilha, e por Jacome de Bruges dizer gue não ti- 
nha fdhos legítimos varões de sua mulher Sancha Rodrigues, foi-llie 
concedida a successão de sua tilha maior. Foi do Porto que Jacome 
de Bruges, se dirigio a colonizar a Terceira, trazendo colonos de Vi- 
íjuna, Guiuiarães e dAveiro. A (]arla diz: 

«Eu o Infante D. llenri(|ue. Regedor, e Goveiiiador da Ordem da 
Gavallaria de N. Senhor JESUS Cluisto. Duiiue de Yizeu. e senhor da 
Govilhãa. faço saher aos (|ue esta minha carta virem, (jue Jacome de 
Bruges, meu servidor, natuial do Condado de Flandes. veyo a mim. 
e me disse, gue^por quanto desde ah initio. e memoria dos homens, 
se não sahião as Ilhas dos Assores soh outro aggressor senhorio, 
salvo meu. nem a Ilha de JESU Cliristo, lerceyra das ditas Ilhas, a 
não souherão povoada de nentiiuna gente (jue até gora Insse no mun- 
do, e ao presente estava erma, e inhahitada: (pie me pedia por mer- 
cê que por(|uantii elle a (pieria povoar, (pie lhe fizesse delia mer- 
cê e lhe úe^í^i" minha Real authoiidade |)ara ello, como senhor das 
Ilhas. E eu vend(» o (pie me asim pedia, .^er serviço de Deos, e hem. 
e proveylo da dita OrdíMu. (|uerendo-lhe fazer graça, e meicê. me a- 
praz de lha outorgar, como ma elle pedio. E lenho por [)eni, e me a- 
praz ipje elle a povoe de (luahjuei' gente (pie lhe a elle a[)rouver, 
(pie seja da Fé Galholica. e santa de N. Senhoi' JESF Ghristo: e por 
.-er causa da piinievra povoação da dit;i Ilha. haja o dizimo de lodos 



i208 AUCHIVO DOS AÇOBES 

OS dízimos, que a Ordem de Chrisío houver, para sempre, e aguelles 
que de sua iteração descenderem: e lenha a Capitania, e governança 
(Ih dita Ilha, como a tem por mim João Gonçalves Zargo na Ilha da Ma- 
deyra. na partte do Funchal: e Tristão na parte de Machico, e IVres- 
trelo no Porto Santo, meus Cavalleyros: e depois delle a (Qualquer 
pessoa i]ue da geração dell^^ desceniier: e a hajão assim pela guiza 
que a estes (Cavalleyros a lenho dada, e que da dita Ordem a hão: e 
quero que elle tenha todo o meu poder, e regimento de justiça na 
dila Ilha, assim no eivei como no crime, salvo que venhão por appel- 
lação de ante elle os feytos de mortes de homens, e talhamenlo de 
memhros. que resalv(» para mim. e para mayor alçada, assim como 
nas ditas Ilhas da Madeyra, e Porlo Sant*.. K me apraz, por algus 
serviços que do dito Jacome de Bruges tenho recebido, por quanto 
me disse que elle não linha filhos legítimos, e somente duas filhas 
de Sancha K(jilriguez sua ujulher, que se elle não houver filhos va- 
rões da dita sua mulher, t\iie a sua filha mayor haja a dita Capitania, 
e os que de sua geração descenderem, e não havendo sua filha may- 
or filhos, havemos por bem (|ue a filha segunda, que depois da morte 
da primeyra licar. possa haver- a dita Capitania para filhos, e filhas, 
netos, e descendentes, e ascendentes, que das ditas descenderem, 
com aquellas liberdades, e poderes, que aos ditos Capitães tenho da- 
das, por que assim o sinto por serviço de Deos. e accrescenlamenlo 
da Santa Fé (>alliolica. e meu. pelo (hto .lacome de Bruges povoar a 
dila Ilha tão longe da terra firme, bem duzentas e sessenta legoas 
do mar Oceano: a qual Ilha se nunca soube povoada de nenhuma 
gente que no mundo fosse ategora: e rogo aos Mestres, e Governado- 
res da dila Or lem (jue de|)ois de mim vierem, (pie facão der. e pa- 
gar ao dito .lacome de Bruges, e seus herdeyros. (]ue delle descen- 
derem, a dita dizima do dizimo, que a dita Ordem na dila Ilha hou- 
ver, como lhe por mim he dada, e outorgada, e não consintão lhe 
ser feylo sobre ello nenhum aggravo: e peço por mercê a EIRey meu 
Senhor, e sobrinho, e aos Reys que delle vierem, que ao dito Jaco- 
me de Bruges, e aos herdeyros (pie dcdle descenderem: facão pagar 
o dito dizimo á dita Ordem do (jue na dita Ilha se houver, e que lhe 
lação pagar a dila dizima do dito dizimo aos Mestres, ou Governado- 
res da dita Ordem, como lhe por mim he dado. e outorgado para 
sempre, em todo lhe faça ter. e lenha a dita mercê, (pie lhe por 
mim he feyta. E por segurança sua lhe m;mdey ser feyta esta minha 
carta, assinada por minha mão, e sellada do sello de minhas armas. 
Feyla em a Cidade de Silves, a á dias do mez de Março. Pedro Lou- 
renço a fez, anno do Nascimento de nosso Senhor .lESU Christo de 
mil e (pialro centos e ciucoenta ânuos.» {1400} 

'P.® António Cordeiro — Hísl. Insulana, pag. ií43. > 



ARCHIVO DOS AÇOKES 209 

Trouxe comsigo seu filho Gabriel de Biuges, casado com D. Isa- 
bel Pereira Sarmento filha de Gonçalo Pereira Roxo e de D. Maria 
Saimento, Foi seu companheiro Afi^onso Gonçalves Baldaya. Jacome 
de Bruges fez assento na parle da Praia. 

Em 2á dagosto de liGO o Infante D. Henrique fazendo doação 
nas ilhas Terceira e Graciosa a seu sobrinho D. Fernando declara-as 
ainda despovoadas. 

Um facto notável e até hoje discutido e negado até por alguns 
historiadores, mas que hoje podemos asseverar d"um modo irrefraga- 
vel, foi a vinda de Álvaro Martins Homem e seu assento em Angra 
como capitão d'esta parte da Ilha em tempo de Jacome de Bruges, 
com o qual concorreu na ilha por espaço dannos tendo com elle de- 
bates sobre os limites das respectivas capitanias. Álvaro Martins veio 
para a ilha pelo anuo de ii72 {ou 71?). Como conciliar este facto 
com a doação de toda a ilha a Jacome de Bruges? 

A Carta dada a este não estará alterada na copia que hoje se 
nos ofTerece ? 

Se o foi, alem d'aquelle facto como explicar a exclusão da descen- 
da de Jacome de Bruges, da successão da Capitania por falta de filho 
varão lídimo? 

Que motivo levaria o Infante D. Fernando a rasgar aquelle diplo- 
ma, sendo elle aulhentico. dividindo a ilha em duas capitanias, con- 
servando Jacome de Bruges na Praia, onde fizera assento, e dando 
Angra a Álvaro Martins Homem? A demora no começar a povoação e 
a lentidão no progresso desta? A capacidade da ilha para aquella di- 
visão? 

Mas em qualquer dos casos por que conservou elle as capita- 
nias de Santa Maria e S. Miguel em uma só pessoa Gonçalo Velho 
Cabral, que para a colonisação e progresso d'esta ultima ilha pouco 
concorreu: e por que deu a do Fayal e do Pico juntamente a um só 
capitão Joz Dutra ? 

Quaesquer que fossem os fundamentos, tão pouco lhe merecia o 
respeito pela carta de seu tio e pae adoptivo o Infante D. Henrique ! 

Demais se a Carta de doação era authentica, por (jue motivo se 
acham nas doações a Álvaro Martins Homem e a João Vaz em 1474, 
clausulas contrarias ás da carta que hoje conhecemos? 

O impudor e a injustiça da parte dos altos donatários chegaria a 
tanto, que uma senhora denegasse justiça a uma órfã, e não hou- 
vesse no paiz tribunal que restituísse á filha de Jacome de Bruges 
os pretendidos direitos? 

A mercê do Infante D. Henrique a Jacome de Bruges, qualificado 
apenas de seu servidor, da filha lhe succeder na capitania, é bastan- 
te extraordiuaria e parece pouco motivada. 

A intimação a Sancha Rodrigues para dar conta de seu marido 
sob pena de devolução da capitania para a coroa parece deveria ter 

]S.o 21— Vol. IV— 1882. 3 



210 ABCHIVO DOS AÇOHES 

produzido o effeilo d"ella allegar os direitos de sua filha e evitar a 
substituição de seu marido na capitania, por João Vaz Corte Real. 

Jacome de Bruges houve dois filhos, Gabriel de Bruges, já men- 
cionado, que na Capitania morreu em vida de seu pae e Pedro Gon- 
çalves, que depois pretendeu revindical-a da mão dÂlvaro Martins. 

De Gabriel de Bruges temos conhecimento por uma justificação de 
nohresa processada na Villa da Horta em Setembro de 1342 a reque- 
rimento de Álvaro Pereira Sarmento filho de Gaspar Garcia Pereira 
e neto de João Garcia e de Isabel Pereira viuva de Gabriel de Bru- 
ges, filho de Jacome de Bruges com o qual só vivera 4 ou 5 annos. 

Entre as testemunhas produzidas appareceram iorge [aliaz Jubs • 
Dutra, Capitão e Governador das justiças nas Ilhas do Fayal e Pico 
e Pedro Affonso, seu escudeiro. Jobs Dutra disse: «que elle conhece- 
ra Isabel Pereira de cujo filho Gaspar Garcia Pereira fora padrinho 
da pia, ser primeiro casuda com Gabriel de Bruges, e com elle esti- 
vera casada quatro ou cinco annos, segundo mandamento da santa 
madre Igreja, e neste tempo se chamava D. Isabel Pereira, e depois 
que fallecera o dito Gabriel de Bruges seu marido, o dito seu pae Ja- 
come de Bruges se fora para Flandres e deixou na ilha por seu lo- 
gar-tenente um Fuão de Teive. e depois de ido nunca mais apparecera 
e a Infante D. Brites dera a Capitania a dous criados seus, João Vaz 
Corte Real e Álvaro Martins II(>mem, e a não quizera dar a uma filha 
do dito Jacome de Bruges, que casara com um Paym, inglez, e de- 
pois viera para estas Ilhas João Garcia avô paterno do justificante, o 
qual casara com a dita Isabel Pereira e nunca mais se chamara de 
dom.» Antes de Jobs Dutra, tinha dito o mesmo, Pedro AÍTonso seu 
escudeiro. 

Pela mesma justificação se vê que sendo João Garcia Pereira, ne- 
to dum filho segundo da casa da Feira, nenhum motivo tinha Isabel 
Pereira para casando com elle João Garcia deixar de usar do Dom de 
que usara em vida do primeiro marido, só se para isso teve apenas 
em vista a posição social e simplesmente pessoal de ambos. 

Não é crivei pois que uma senhora ião qualificada fosse dada em 
casamento a um filho bastardo de Jacome de Bruges. 

Que diremos portanto da clausula da carta de doação a este em 
que diz não ter filhos legítimos? 

Alem d'isto como dissemos, houve Jacome de Br uges duma outra 
mulher outro filho por nome Pedro Gonçalves, que pretendendo, co- 
mo legitimo, revindicar a Capitania da Praia, possuída por Antão Mar- 
tins, teve sentença contra, o que tudo melhor se verá pela própria 
sentença. (I) 

Foi este pleito discutido no tempo que medeou entre a morte de 
Álvaro Martins (1482) e o encarte de seu filho, reu demandado. 

{{) Impressa no Vol. I, pag. â8 d'este Archivo. 



ARCHIVO DOS AÇOHES 2H 

Por este diploma se vê que um lai negocio foi, e com razão, ira- 
ctado anle o desembargo do DiKjiie, alto donatário da Ilha, e que o 
sen c(uso foi rápido. Como |)ois explicar o prolongamento e dilação 
do pretendido pleito da filha de Jacome de Bruges, contra a mesma 
laniilia dos donatários da l*raia, qne se diz só veio a terminar por 
um casamento eífectuado em 1521 ? (\) 

Acrescentaremos alguma coisa sobre a origem authentica da Car- 
la de Doação a Jacome de Bruges. 

O Dr. Fructuoso tracta delia nas Saudades da Terra e dali a 
copiou Fr. Diogo das Chagas no Espelho Christalmo. 

Francisco dOrnellas por occasião de requerer a capitania da Praia, 
allegou descender de Jacome de Bruges e juntou copia d"aquella 
Carla passada por um tabellião da Ilha Terceira, sem que se declare 
donde foi extrahida. E' porem de notar que segundo o antigo uso os 
tabelliães passavam muitas vezes certidões e publicas formas de ins- 
trumentos não authenticos e mesmo de escriptos históricos particula- 
res, como Drummond refere nos Annaes da Ilha Terceira a propósito 
dos escriptos genealógicos do P.® M. L. Maldonado. 

Diogo de Teive depois da imputação de que assassinara Jacome 
de Bruges, fazendo correr voz de que sahira da ilha, dizem que su- 
cumbira de desgosto preso em Lisboa. Parece-nos isto mais luiia len- 
da que outra coisa, para tornar Jacome de Bruges victiraa de toda a 
qualidade de atrocidades. 

E' na verdade pouco verosímil que a primeira pessoa duma po- 
voação como já era a Praia em 1472 (2) anno em que se verificou a 
sabida de Bruges, esta tivesse logar de um modo tal, que não fosse 
notória e patente a todos, ou que a sua não realisação não fosse 
igualmente percebida ! 

Pretendese que Diogo de Teive ainda exercia o logar de Capitão 
em Agosto de 1475. dando terras de sesmaria em partes que desde 
o anno anterior pertenciam á Capitania d'Angra(3)e para isso se fun- 
dam em um imbróglio de sentenças tiem cunho de authenticidade e 



(1) Diz-se que a composição consta da Escriptura de dote (Drummond— 
Ann. da Hha Tercnra T. I pa^í. 98.) em i521, o que não pode ser, visto que em 
1533 já um filho de Diogo Paym e de Catharina da Gamara tinha procuração 
de seu pae para o representar no inventario de Antão Martins, como vimos 
no próprio inventario. 

(2) A data do desapparecimento de Bruges em 1472, é conforme com o que 
se diz na Carta de doação de 17 de Fevereiro de 1474 e preferível a de 1475 que 
se deduz da sentença contra Fero Gonçalves, a pag. 32 do Vol. I, d'este Archivo. 

(3) Bem podia João Vaz demorar-se em vir para Angra, e Diogo de Teive 
••ontinuar exercendo as funcções de Capitão até elle chegar ! A impossibilidade 
real provém de na Carta de Doação a Fernão Telles, de 28 de Janeiro de 1475, 
se dizer que Diogo de Teive já era fallecido. {Notas da Redacção) 



212 ARCHIVO DOS AÇORES 

cujo contheudo deslroe os factos, que d'ellas em parte se pretende 
derivar. (1) 

A assignalura de João Vaz na mesma carta de dada, torna-se in- 
compatível com a de Diogo de Teive, na qualidade de Capitão. (2) 

Demais a sentença em que aquelle facto e data se expendem não 
pode ser acceite por outra incongruência que encerra, pois que Diogo 
de Teive já era morto áquelle tempo, como veremos quando tractar- 
mos da capitania da ilha das Flores. (3) 

João Vaz rescindindo aquella dada a João Leonardes, para favo- 
recer seu filho Gaspar Corte Real, lançou uma grande sombra sobre 
a sua reputação, todavia o seu nome toinou-se recommend;ivel na 
historia da Capitania. Em seu tempo tomou esta um grande incremen- 
to em sua população, cultura e riqueza. 

Por sua ausência ou impossibilidade deram terras em seu tempo, 
seus filhos Gaspar e Miguel Corte Real. (4) 

{MS. do Dr. João Teixeira Soares.) 



Doação e confirmações da capitania da Praia. 

Dom Johão etc. A quantos esta minha carta virem faço saber que 
por parte de Antão Martins Homem (")) filho de Álvaro Martins capi- 
tão da ilha Terceira me foi apresentada hua carta de que o theor tal 
he: 

Dom João etc. A quamtos esta minha carta virem faço saber que 
por parte de Antão Martins (6) capitão da ilha Terceiía da parte da 



(1) Refere-seás sentenças a favor de João Loonardes. (Drunimond— i4nwíw?s 
da Ilha Terceira. T. I, p. 496.) 

(2) São modos de vor. Podia nmito bem ser que checando depois de 1474. 
confirmasse as doações anteriores, referendando-as com a sua assignalura, co- 
mo documentos legaes dados no Ínterim. 

(3) Alíude á Carta de 28 de Janeiro de 1475, (impressa a pag. 21 do Vol. 1 
d'este Archtvo) em que se diz ter já fallecido Diogo de Teive. 

(4) Gaspar Corte Real deu terras por Cartas de 13 de Janeiro de 1484 a João 

Pacheco e sua nmlher Branca Gomes, e de 2 de Janeiro de 1497 a João Vieira. 

Miguel Corte Real passou cartas a Pedro Annes do Poml)al em o de Junho d(^ 

1487. e ao dito João Pacheco em 10 de maio de 14S8. 

{Notas da Redacção.) 

(5) (6) Estas duas conOrmações pelo mesmo rei não podem ler sido feitas 
ao mesmo individuo: a primeira deve ser a Antâu Martins filho d'Alvaro Mar- 
tins (2." capitão da Praia, contando Jacome de Bruges por 1.°); e a 2.^' a Antão 
Martins filho do primeiro Antão Martins, estando em lai ciso errado o registo 
ou por erro do official d'elle, ou da chancellaria da Ordem de Christo. ou de cer- 



ARCHIVO DOS AÇOHES 213 

Praia me foi apresentada hua carta dei Rey meu senor e padre que 
santa gloria aja em sendo duque fl) outra da líTante Donua Hreatiz 
minlia avó que Deos tem de que o tlieor tal lie: 

«Eu a líTante donna Brializ tutor e curador do sennor duque meu filho 
etcFaço saber a quantos esta minha carta virem e o conhecimento delia per- 
tencer per qualquer guiza que seja que consirando eu como antre Jacome de 
Bruges e Álvaro Martins capitão da sua Ilha Terceira de Jhu Xp." íJer^us Christo) 
sempre houve alguns debates por a terra da dita Ilha não terem de todo partida 
e ora por me ser certificado o dito Jacome de Bruges ser morto e a sua 
capitania ficar devoluta ao dito Senhor meu filho por elle não ter filho lidimo 
barão segundo forma da sua carta fiz Mercê delia a João Vaz Corte Real fidal- 
go de sua casa e por querer escusar antre o dito João Vaz e Álvaro Martins 
os ditos debates ouve por bem repartir a dita Ilha pêra cada hum aver em 
sua capitania a metade delia segundo a tenção do Iffante meu senhor, que 
Deos haja hera. E conformandome com huma pintura que delia foy tra- 
zida ao dito meu senfior e em a qual elle tinha começado a riscar a partilha, 
e também avendo informação per homens da dita Ilha, que por alli milhor, que 
per outra parte se podia partir a parto polia Ribeira Sequa que he a quem da 
Ribeira de frey João ficando a Ribeira de frei João á parte de Angra e da dita 
Ribeira Sequa pela metade da dita Ilha, até á outra banda, como se vai do No- 
roeste ao Sueste e partida a dita ilha pela dita maneira mandei ao dito João Vaz 
que escolhesse e elle escolheu na parte de Angra e deixou a parte da Praia 
em que o dito Jacome de Bruges tinha feito seu assento e agora querendo 
eu em nome do dito Senhor meu filho fazer mercê ao dito Álvaro Martins, 
por conhecer quanta despesa tem feita na dita ilha e pelo serviço que tem 
feito ao dito meu Senhor, e conhecendo sua boa disposição pêra reger a dita 
ilha em direito e justiça, e fazer crecer a povoação delia, como a serviço 
de Nosso Senhor cumpre, lhe faço mercê da dita capitania da parte da Praia, 
e me praz que elle dito Álvaro Martins a mantenha pelo dito Senhor meu filho 
em Justiça e Direito. E que morrendo elle, que isso mesmo fique ao seu filho 
primeiro, ou segundo se tal for que tenha o carrego pela guisa suso dita: e as- 
sy de descendente em descendente per linha direita, e sendo em tal idade o 
dito seu filho, que não possa reger, o dito Senhor ou seus erdeiros porão ahi 



tidão extraliida di'llu. Sctido liotavel (|U(' não se encontra rejjislada esta doHt;âo 
nem na cliancellaria de l). Manoel, nem na de D. João III: pelo menos ainda a 
não deâcobri. (•) 

(1) Eram n)uito fracos em chronnlogia e lii>toria os escrivães de l). João III. 
A Carla é de D Diofio dmiue de Vizen, em nome de quem a Infanta D. Beatriz, 
sua mãe, tutora e curadora, tinha leito a |)artillia e doa(:ão. O iiiie me parece c 
<jne em toda esta don(;ão faliam dnas conlirmai-ôe.-: úv D. Manoel: nma como dn- 
(jue e outra con)0 rei. mas jx-lo ineno-: a segunda. 

\Ntit(tx do Sr. .1 I ih' Biitn Hrhfllo.i 

('] Com a devida vpiiia (ijjsci vur<hiii).- a(i si. biilo ItcLellu que não limivi' niiiliiiin .Aiitíln Ma liii> 
lillio d'()ijln). como pe vera na serie (!os rloiialaiios ijne adiante se scfine. 



214 AHCHIVU DOS AÇOBES 

quem a reja até que elle seja em idade pêra a reger. Item me praz que elle te- 
nha na dita ilha a jurisdição pelo dito Senhor meu filho, e em seu nome do 
eivei c crime, reservando morte ou talhamento de membro, que disto venha 
{!) presente o dito Senhor; porem sem embargo da dita Jurisdição a mim 
praz que todos os mandados do dito Senhor, e correição sejam hy com- 
prit^os, como em cousa propia sua e outro sy me praz que o dito Álvaro 
Martins aja pêra si todos os moynhos de pão que ouver na parte de sua ca- 
pitania, e que ninguém faça hy moinhos senão elle, ou quem a elle quizer, e isto 
não se entenda em mó de braço, que a faça quem quizer, não moendo a ou- 
trem; nem atafona não tenha outrem se não elle ou quem elle prouver. Item 
me praz que aja de todas as serás de agoa, que se hy fizerem de cada huma 
hum marco de prata em cada hum anno, ou seu certo valor ou duas taboas ca- 
da >emana das que hy se costumarem serrar, pagando porem ao sennorio o 
dizimo de todas as ditas serras segundo pagão das outras cousas que serrar a 
dita serra e isto aja também n dito Álvaro Martins de qualquer moinho que se 
hy fizer, tirando viheyros de ferrarias, ou outros metaes. Item me praz que to- 
dos os fornos de pão em que ouver poya sejão seus, porem não embarguem 
quem quizer {fa^er) fornalhas, pêra seu pão, que as faça, e não pêra outro al- 
gum. Item me praz que tendo elle sal pêra vender o não possa vender outrem 
somente elle dandoo elle a rezam de meio real de prata o alqueire ou sua di- 
reita valia, e mais não; e quando o não tiver que os da dita ilha o possáo ven- 
der á sua vontade até que elle o tenha. Outro sy me praz que de todo o que 
(j dito Senhor meu íilh j ouver de renda na dita ilha, que ele aja de dez hum, 
de maneira que as rendas e direitos que se contem em o foral que pêra ella 
mandei fazer por esta guisa me praz que aja esta renda seu filho ou (2) ou- 
tro descendente per linha direita, que o dito carego tiver. Item me praz que e- 
le possa dar per suas cartas as terras da dita ilha forras pelo foral delia a 
quem lhe prouver, com tal condição, que aquelies a quem ell; der a dita terra 
a aproveitem até cinquo annos, e não a aproveitando, quj a possa dar a ou- 
trem, e depois que aproveitada fôr, e a deixar por aproveitar até outros cin- 
quo annos, que isso mesmo a possa dar, e isto não embargando ao dito Senhor 
que se hy ouver terra pêra aproveitar, que não seja dada, que elle a possa dar 
a quem sua mercê for; e assi me praz que a áè a (3) seu filho e erdeiros e 
descendentes, que o dito carego tiver. Item me praz que os visinhos e mora- 
dores da dita ilha possam vender suas erdades aproveitadas todas a quem lhe 
prouver. Outrosim me praz que os gados brabos possam matar os visinhos 
da dita ilha sem aver hy outra defesa e isto por licença do capitão e almoxa- 
rife, reservando algum lugar cerrado em que o lance o senhorio; e isso mes- 
mo (4j me praz que os gados mancos pacem per toda a ilha, trazendoos com 



(1) Faltam ai(iil as palavras — apelarão r agravo -coino se lé nos documen- 
tos análogos. 

(2) Falta a conjuncção— oí<— no registo. 

(3) A proposição — a -está demais, assim como deviam estar no singular as 
palavras erdeiros e descendentes. 

(4) A redacção pede aqui — outrosim, ou, isso mesmo, mas por lapso só es- 
tá no registo — isso — que não faz sentido. 

(Notas do Sr. J. 1. de Brito fíehello.) 



ARCHIVO nos AÇORRS 21S 

guarda que náo facão dano e se o fi^erenj que o par^uem a seu donno, e as 
coimas segundo as posturas do Concelho e por certidão dello, e de sua segu- 
rança lhe mandei dar esta carta assynad i por mym e aselada do meu sello, a 
qual peço ao dito Senhor meu filho, que depois de ser em idade a aja por boa 
e a confirme. Feita na Cidade d'Evora a xbij (77) dias do mez de Fevereiro. 
Rodrigo Alvares a fez^ anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo 
de mil e quatro centos Lxxiiij {14-4) annos. — E por que o dito Álvaro Martins 
tinha feitos certos moynhos na parte de Angra os quaes agora devem ficar ao 
dito Joam Vaz, prazme que seja com tal condição que elle faça ao dito Álvaro 
Martins outros tantos e taes na parte da Praya, ou lhe pague aquillo que per 
'uramento de homens bõos fôr alvidrado, que nos ditos moynhos o dito Álvaro 
Martins poderia despender.» (1) 

Eu o duque ele. Faço saber a quantos esla minha caria de con- 
íirmagão virem e o coníiecimento delia pertencer (jue vy esta caita 
acima esciipta per que a líTante minha .^^enhora sendo minha tutor e 
curador em meu nome fez mercê da capitania da parle <la ilha Ter- 
ceira a Álvaro Martins pêra elle e seus íilhos e descendentes segum- 
do na dita carta se contem e por quanto o dito Álvaro Martins he fa- 
lecido a mym praz confirmar a dita carta a Antão Maitins seu filho, 
escudeiro de minha casa e porem por esta presente lhe confirmo as- 
si e da guisa que ao dito seu pay foi dada e me praz que a dita car- 
ta se lhe cumpra e guarde sem nenhuma duvida nem embargo feita 
em minha villa de Moura a vinte e seis dias do mez de março. Álva- 
ro Mendez a fez, anno do nascimento de nosso senhor .lesus Christo 
de mil iiij Lxxx e Ires. (1483) 

Pedindome por mercê u dito Antão Martins (]ue lhe confirmase a 
dita carta e visto por mim seu requerimento querendoihe fazer graça 
e mercê tenho por bem e lhe confirmo e mando que se cumpra e 
guarde assi e polia maneira que se nella contem. Gomez Paes a fez 
em Lixboa a dez doutubro de mil b'^xxix annos. (Iõ29) 

Pedindo-me o dito Antão Martins (í2) por' mercê que por quanto elle 
hera filho mais velho que ficou por falecimento do dito Álvaro Martins 
'3)seu pay a que a dita capitania avia de vir lhe confirmase a dita car- 
ta per' subcessão e visto per' mim serj requerimento querendo-lhe fazer' 
graça e mercê tenho por bem e lhe confirmo a dita carta per subces- 
são e mando que assim se cumpra e guarde como nella he contheu- 
do. Diogo Lopez a fez em Lixboa a trinta dias de janeir'o anno do 
naciraento de nosso senhor Jesus Christo de mil b*' xxxiij i lô33) an- 
nos. 

(Arch. me. da T. dn T., Liv." 4." das Doac. de Fdip. I. f. 72. 



(1) Este documento ditTere em partes do tjuií Druinmoiíd publirou 110 T. 1, 
pao. 490, dos seus Ann. da Ilha Terceira, extrahidn do Liv. [ iol 70 do Reiris- 
ro da Camará da Villa da Praia. 

(2) E' rom elTeito Antão Martins da Camará. 

(3) Filiio de Álvaro Martins 2." do nome que não cliegon a ser capitão. 



210 ARCHIVO DOS AÇORES 

A sprie (los Donatários fin Villa da Praia descendentes, de Álvaro 
Martins Homem, segundo o P." M. Luiz Maldonado e outros escriplu- 
res da Terceira, foi como se segue: 

II Donatário — A-lvar o Martins Homem casado com Ignez 
Martins ('.ardoso; failecido antes de 2(i de Março de i483, veio pa- 
ra a Terceira em tempo de Jacome de Bruges, e se estabeleceo na 
[tarte dAngra. 

III Donatário -Antão Martins Homem, filho do anteceden- 
te, (|ue casou em 1483 na ilha da Madeira com Isabel dOrnellas fi- 
lha de l*edro Alvares da ('amaia e de (^alharina dOrnellas. Antão 
Martins fnz testamento ern 21 de maio de 1530. '{) O inventario por 
morte de Antão Martins, começou-se a 23 de setembro de 1532. 



(1) To)iilaj3;:4>'iito «lo Antão llarliii!« ■lonicm : 

"S;iil)am os i|uaiilo> a prosiMitc cédula vlrcin, como cu Antão Martins, Capi- 
tam ifesta Vllla da l^raia, em olla morador, estando em todo o meu sizoeonten- 
(limenlo perlelto e de saúde determinei ininlia cédula e ultima vontade em a ma- 
neira seiiuinle: 

Primeiramente encoinentio a minha alma a Deus, meu creador, que de n i- 
da me rormou, (|ue elle por misericórdia e piedade me perdoe meus pecados, 
não olhando a meus iTierecimentos, mas uzando cnmijio de sua clemência, e 
tomo para advogada e intercessora em meu transito d'esta vida para a outra a 
Virjicm iXossa Senhora (pje por mim seja rojiadora aiitre o seu hento íillio, por 
cuja intercessão eii mereça peniâo de meus pecados e o logur (los eleitos para 
(lue lui crendo. 

.Mando ([ue <|uaiido Deus me levar d'esta vida para a outra meu cor|X) seja 
enteri-ado em a r.npella Mayor (festa e^reja da Santa Misericórdia d'esta Villa 
(fonde sou Irejiuez; c elejo C nomeio por meu testamenteiro a minha mulher Isa- 
hel (fOrnellas, a (|uem encarreiro a cura de minha alma, e que lai"á por ella o 
(|ue ella (juizera (jue fizesse por a sua, e por sua morte, ella nomeará de meus 
lilhos homens um (|ue o seja por a maneira (|ue o eu a ella ora deixo. — Declaro 
a meus filhos e d'antre niinha nmllier por herdeiro^ eiu tneus hens, como meus 
filhos lefiitimos, e verdadeiros (|ue sam; e a meu filho Álvaro .Martins por her- 
deiro (fa Capitania e morí.;ado e rendas d'ella, como meu lillio legitimo mais 
velho (|ue é, e ro;.;o a Deus (|ue com a minha heiícão a lofire e possua, assim 
como cu a herdei e possui de meu pae, e lhe deixo a elle e aos outros filhos a 
minha ben(;ão. encomendando a elle em es|)ecial e a cada um em ^eral minha 
alma. (jue cada um se lembre (fellat:omo meus filhos que são, e assim lhe re- 
comendo e mando que sempre sirvam e lionrein sua mãe como é razão, espe- 
cialmente. . a meu filho herdeiro a quem n.ando que lacam por ella como a ra- 
zão o obrijía e porque confio em elles que o farão como di;;o, não me alargo 
n'esle ponto mais. 

Declaro, (pie é minha vontade que minha mulher seja herdeira de toda a 
minha terça, movei e raiz, que ella a possua em sua vida, e a gaste por minha 
alma e por sua morte ella ordenará da sua lerca e da minha testamenteiro que 
com as ditas terças nos faca bem [)or nossas aímas. n'a(iuillo que lhe a elle pa- 
recer ser mais se"viço de Deus, e descanso de nossas consciências, e mando e 
rogo a meus fillios e filhas que elles ajustem e favoreçam minha terga para que 
pague minhas dividas e fique para me fazerem bem por rainha alma para o dian- 
te segundo (' minlia temjão e o tenho dito a minha mulhíM* em a qual eu confio. 



ARCIIIVO DOS AÇORES 2|7 



IV Donatário - Álvaro Martins Homem, cisou com D. 
Beatriz de Noronha, filha ihi D. Joíío de Noronha, da ilha da Madei- 
ra, que dolon sua filha com 900;5000 reis, por escriptnra de 9 de 
Maio de 1513 feiía nos Paços da Ribeira em IJsboa. Drnmmond— iw- 
naex da Ilha Terceira, T. 1, pag. 01), diz (jiie Antão Martins renunciou 
n'esle sen filho a Capitania, renuncia ipie foi Cijnfirmada por elrei 
ern 10 doninbro de 15:22. Parece ter faliecido pouco depois de seu 
pae, e por isso não se encartou. 



(]ue licando cila inteira ella ordene como praticado temos, e por isso poíío a 
meus fillios que a ajudem a. . .e pagar para que minha terça fique para minha 
alma. 

Mando a m.inlia testamenteira que ella em sua vida, de meus bens moveis, 
me gaste trinta mil reis, em dinheiro, em a maneira seguinte, a saber: a meu 
enterramento se me fará um ollicio de nove licgões com responsos e laudas, 
para o qual ajuntará todos os clérigos e frades d'esta jurdição e dirão missa 
rezada cada um e a sua missa cantada e ladainha no dito ollicio, e dará a cada 
um d'elles um tostão de esmolla, de missa e ollicio, e me olTertarão trinta al- 
queires de li-igo e trezentos reis de pescado e um meio quarto de vinho; em as 
missas rezadas se offertarão com pão e um quartilho de vinho, e outros taes of- 
flcios da mesma maneira se me farão ao mez e anno, somente em logar de pi- 
pa me olTertarão ao mez e anuo uma novilha de 2 annos para cima, as quaes 
Qovilhas e trigo e pão cosido, não entrará na conta d'eátes trinta mil reis; e 
assim me dirão um annal de missas rezadas e um trintario cerrado por mi- 
nha alma e assim todas as semanas de um anno me dirão três missas pe- 
sadas pela ahna de meu pae e de minha mãe, as quaes missas e trintario, 
comprirá minha testamenteira dentro de três aunos, depois de meu falleci- 
mento, estas missas e trintarios dirá meu íillio Pêro Alvares, e seudo elle oc- 
cupado as mandará elle dizer por qualquer clérigo ou frade que elle quizer to- 
das ou parte d'ellas, ou as que elle não poder dizer, e por que ao presente a 
mim me não lembram dividas que deva, somente na Ilha da Madeira, e não sei 
quanto é, e não me lembra se o paguei, mando que não sendo pago se lhe pa- 
gue o que se achar que lhe devo, a qual pessoa a que acima penso que devo é 
Brites. . .(Cansadif!) e assim se achar a outras pessoas que devo dinheiro ou ser- 
viço de creados ou soldadas, ou quaesquer outras cousas, se pagarão, e por ((ue 
andando o tempo eu poderei tomar ou dever alguma coisa que me ora não lembre 
mando que se pague a quem quer que seja que lhe deva e seja crido por seu 
juramento até quantia de 600 reis e por que eu poderia dever a defuntos ou 
pessoas de quem não sou accordado nem serão ouvidos . . . mando que se dè 
á Mizerirordia d'esta Villa da Praia oito mil rei.s, á qual mando dar isto por es- 
molla somente por modo de restituição e divida que podia dever a muitas pes- 
soas, e ella os haja recebidos pelas almas de (juaesquer defuntos, ou vivos que 
achados não forem, e isto se pagará dentro de três annos, e lodos os meus ves- 
tidos, que achados forem por meu falecimento e assim camisas e calçado se da- 
rá a pobres por amor de Deus, e todo este acima dito pagará minha molher nos 
dias seus, e o que mais remanescer de minha terça logrará por honra de sua 
pessoa e minha em sua vida, e por seu fallecimento, por seu testamento declara- 
rá e ordenará testamenteiro, que a perpetuamente gaste por nossas almas como 
dito é, a renda de minha terça, e lhe declarará salário. . .e todo o mais que lhe 
a ella bem parecer por que eu a ellejo. . para m*o fazer e confio que o fará con- 

N." 21-Vol. IV— 1882. l 



218 ARCHIVO DOS AÇORES 



V Donatário— Antão Martins Homem, filho do preceden- 
te, casou em Portugal com D. Joanna de Mendoça, filha de Henriq le 
Pinheiro, Alcaide Mór de Barcellos. A carta de confirmação da Capita- 
nia com data de 30 de Janeiro de 1533 mostra que succedeo legalmen- 
te a seu avô do mesmo nome, e por isso não apparece a confirmação 
de seu pae. De facto no inventario do avô em 1532 já figura D. Bea- 
triz como viuva, e nos autos foi. 6 está uma sua procuração, feita na 
Villa da Praia aos 10 de setembro de 1532. 

Como Antão Martins não deixou filhos varões vivos ao tempo da 
sua morte, e um seu irmão António de Noronha seguio o partido de 
D. António Prior do Crato, extinguio-se a linha, sendo a Capitania 
doada a D. Christovão de Moura; como se vê no numoro XX d'este 
Archivo, p. 1C8. 



forme o serviço de Deus e descarí^o de nossas consciências, com este entendi- 
mento, que miulia le.vça é que seja raiz ou cousa íirme que i-enda perpetua 
{mente"^) que se ordoiie d'('lla o que se ífella poderá fazer em sacrifícios d altar 
em perpetuo sem nunca poder ser vendidos nem empenhados, somente ir por 
linha direita masculina daíiuclle filho que minha mollier nomear ftara adminis- 
trar, e quero que (juando houver lilho senqire jtroceda filha, e deslallecendo li- 
nha masculina descendente como digo, então vá á linha femenina, e tanto que 
houver filho macho logo torne ao masculino, e sendo cousa que Deus não man- 
de que minha mulher d'esta vida para outra vá ah iniestado ou não tenha no- 
meado administrador por alguma causa ou por não rjuerer então ficará com a 
administração da minjia terça meu filho Pedro Alvares, e d'ahi por linha direita 
masculina descendente como acima tenho declarado; e por aqui liei por queí)ra- 
dos quaesquer outros testamentos e cédulas (jue antes aesti' tenha feito, e não 
quero que valham, somente que hei por firme e valioso d'este dia por todo o 
sempre, e por de todo me apraz e este iínpAr ultima vontade, o mandei escre- 
ver por meu fiel escrivão e roguei a Lopo Hoiz taheliam n'esta Villa que o es- 
crevesse e assignei. Feito lioje 21 dias do mez de Maio de 1530.» 

Foi approvado no mesmo dia na dita Villa da Praia da Ilha Terceira de Je- 
sus Christo nas casas de moradas do Sr. ('apilão Anlam Martins, óc; testemunhas 
presentes Domingos Homem, Ruy Cardozo, João Luiz «Sc.; pelo Tahelliam Lopo 
Roiz. 

(O inventario original de que se extraído esta copia, em 1877, pertíMice ao 
Snr. João do Carvalhal da Silveira, da Citlade d'Angra.) 

Este testamento foi aberto na Villa da Praia em 5 de dezembro de 1531 pe- 
lo Juiz, Pedro Alvares da Fonseca, a quem foi apresentado por Álvaro Martins 
Homem, Domiugos Homem e Pedro Alvares da Gamara filhos de Antão Martins, 
fallecido. 

Do mesmo Antão Martins 1." do nome, é o seguinte e curioso documento: 

Carta de dada do torras na ilha Terceira a Uomingos 

Homem. 

"A quantos esta carta de dada virem, Antão Martins fidalgo da casa d'elrei 
nosso Senhor e capitão por sua senhoria em esta ilha Terceira na villa e jurdi- 
ção da Praia: faço saber que eu dou ora novamente com João d'Ornellas da Ca- 



ARCHIVO DOS AÇORES 219 



mara, outrosim Qdalgo da casa do dito senhor, almoxarife que ao presente é 
i)a dita villa e seus termos a Domingos Homem meu tio uma terra e mattos ma- 
iiinlios a qual jaz no logar das Quatro Ribeiras e que parte peia Ribeira Gran- 
de e com uma íajam de Fernão Pires e com Fedro Alvares do Porto do Judeu, e 
tia outra parte pelas capitanias a qual terra que lhe acima damos em esta ma- 
neira, convém a saber, a que for para pão que elle a roce e aproveite até o ân- 
uos primeiros seguintes, segundo forma do regimento d'elrei nosso senhor, e a 
(jue não for para isso lha damos em fatiota {pliateosim) para creações de seus 
iiados e com tal condição que elle dè caminhos e serventias por ellas ao con- 
celho, aquelles que lhe necessário forem , a qual lhe damos com todos os bis- 
coutos e lajans que se dentro destas confrontações estiverem e não cumprindo 
elle os termos desta carta, que a dada seja nenhuma e o dito senhor a possa 
dar a quem a aproveite ou quem seu cargo tiver, e cumprindo elle assim lhe íi- 
(lue toda em tatiota para elle e quantos d'elle descenderem e elle a possa vender, 
(lar, doar, trocar, escambar, aforar, arrendar e fazer delia e em ella o que qui- 
zer, e por bem tiver como de cousa sua própria izenta que é, e por esta roga- 
mos a todos capitães e ofíiciaes que depois de nos vierem que achando elles 
que o dito Domingos Homem cumprio as condições desta nossa carta lha cum- 
pram e guardem e façam inteiramente cumprir e guardar esta nossa carta as- 
sim e pela maneira que nella é contheudo ora, e ai não façaes. Dada n'esta villa 
da Praia da ilha Terceira de Jesus Christo sob nossos signaes aos 26 dias do 
mez de março. João da Fonseca, tabelliâo n'esta villa a fez por mandado do dito 
'■apitão, annodo nascimento de nosso senhor Jesus Christo de 1504 annos. 

Antão Martins. 

{Copia do Dr. João Teixeira Soares.) 






GylPITylNiyi DO FyiYAL E PICO 

D. ÁLVARO DE CASTRO IV DONATÁRIO. 
( Documentos ) 



Lembrança das pessoas que pediam a El Rey remunera- 
ção de serviços que haviam feito á coroa. 

Dom Álvaro de Castro tem huu alvará porque lhe Sua Alteza fez 
mercê ria Capitania das lllias do Fayal e Pico com duzentos e cinco- 
enta mil reis de juro e que não querendo o dito dom Álvaro a dita Ca- 
pitania e renda e alargandoa dentro de seis ânuos lhe faria mercê 
dos ditos duzentos e cincoenta mil reis de juro pagos no feitor das 
Ilhas e lhe faiia mercê dentro dos ditos seis ânuos de cousa equi- 
valente á capitania das ditas Ilhas somente. 

Pede a alcaydaria mor de Terena e larga a dita Capitania. 

(Arch. nac. da T. do T., Gav. 2\ maç. 10- nJ 6^ 

Esta relação ou ementa das pessoas que tinham pretensões na corte, deve 
ter sido feita depois da morte de D. João III, e durante a menoridade de D. Se- 
bastião. A este pedido satisfez a regência como se mestra pelos documentos se- 
guintes. 

{Nota do Sr. J. l de Brito Rebello.) 



Confirmações das Capitanias das ilhas do Fayal e do 
Pico a D. Álvaro de Castro, 1559 e 1560. 

Dom Sebastiam etc. A quantos esta minha carta virem faço saber 
que por parte de dom Álvaro de Castro do meu conselho me foy dito 
que el Rey meu senhor e avô que sancta gloria aja conssiderando os 
muytos e grandes serviços que linha recebidos de dom João de Cas- 
tro seu pay viso Rey que foy da índia e asy no cerquo da fortalleza 
da minha cidade de Dyo tauí iuqjortante à segurança da índia que 
estava cercada avia r)yto meses conliuos e em grande aperto pellos 



(•) Dos Donatários da familia de Jobs Van Huerter se tractou no Vol I, pag. 
152 e seguintes. 



ARCHIVO DOS AÇOHES 221 

capilHes deli Rey rle Camhaya Rey mny poderoso nas ditas parles 
com liuii iiuiy grande e grosso exercito de gente, moniçoes e arti- 
llieria em que enlravão muitos turcos e todas as outras nações de 
gente mny exercitadas e experimentadas na guerra e cousas delia ao 
(piall cerquo em qne llie já eia queimado em huu baluarte a que os 
inimigos por hnas certas minas poserão fogo dom Fernando de Cas- 
tro seu íillio que elle linha mandado ao socorro da dita fortalleza não 
somente o dito dom Joam de Castro acídio em tempo de inverno cm 
que naquelas parles pela navegação dos nisres delias se fizerão em 
moniçoes era delicil e podei emsse elles navegar mas ainda com mui- 
to esforço lhe (ku batalha na qual os venceo e desbaratou como em 
iodas outras cousas que se oferecerão na paz e na gerra em todo 
tempo que nas ditas [lartes o sérvio e teve cargo de seu capitão mor 
e viso rey delias em que comprio inteiramente com o que devia a 
sua obrigação asy no que pertencia fazer huu bem xpão (rÁr/ò/ão) co- 
mo no "que convinha obiar huu e.^forçado cavaleiro e bõ capitão e 
hu fie! e verdadeiro vassallo de seu Rei e senhor nas quaes parles da 
índia faleceo servindo S. A. e com todo seu contentamento, pelo que 
avendo S. A. a todas estas cousas respeito e como he cousa justa e 
devida aos Reis na satisfação dos serviços dos taes vassalos perpetua- 
rem a lembrança delles asy porque se segue disso verse em todos 
tempos que compiitam com o que eram obrigados no gallardão dos 
serviços que lhe forão feito- como pello bõ exemplo que diso rece- 
bem os mesmos vassallos para fazerem outros semelhantes olhando 
que ao dito dom Allvaro de Castro como filho mais velho do dito 
dom Joam erdeiro de seus merecimentos e serviço^; era razam sello 
lambem da satisfaçam delles e asi mesmo avendo respeito aos muitos 
serviços que o dito dom Allvaro lhe fez no cerquo da dita fortalleza 
de Dio indo a soccorro delia com tempos contrários primeiro que o 
dito seu pay fosse, metendosse na dita fortalleza com a gente e so- 
corro que levava com muito perigo de sua pessoa e assy em todas as 
mais cousas que sobcederão nas ditas parles em quanto seu pay as 
governou e asy em Afriqua e nestes Reinos e na índia onde já linha 
ido outra vez e andando muito tempo em qne deu de sy em tudo a 
conta que se delle devia esperar ouve por bem e lhe fizera merrè 
por bua sua doaçam de juro e eidade para lodos os (jue delle des- 
cenderem por linha direita mascullina segundo forma da ley mental 
das capitanias e jurdições das Ilhas do Fayal e do Pico e de lodallas 
villas e povoações que nellas avia e ao diante oiivese com dozentos e 
cincoenta mil reis de juro e erdade nos quaes entrariam as rendas 
(pie entam as ditas capitanias rendiam e o mais averia na fazenda de 
S. A. por padrão de fora que lhe disso mandaria |)assar o (|ual jun» 
da demasia alem do que as rendas da capitania das ditas Ilhas ren- 
dessem averia sempre o dito dom Allvan» e seus descendentes posto 
que as ditas capitanias a elle ou pello tempo em diante rendesem os 



2Í2Í2 AKCHIVO DOS AÇOKES 

ditos ijM. (250H000) reaes ou muito mais, as quaes capitanias vaga- 
ram per falecimento de Manuel Dutra que delias foy o derradeiro ca- 
pitão segundo que todo está milhor e mais declaradamente he decla- 
rado na dita doiçam e asi mais que sua alteza fizera mercê ao dilo 
dom Álvaro de huu seu allvará cujo treslado he o seguinte: 

(O almrá a que. se refere a carta supra, está impresso a pag. 69, 
Vol. IV, deste Arcliivo.) 

Pedindo-me u dito dom Âllvaro que por quanto elle dentro dos 
seis annos declarados no dito allvará não quizera a capitania das di- 
tas Ilhas do Fayal e Pico e malargarn com a renda delias lhe fizesse 
mercê doutra cousa equivalente á capitania das ditas Ilhas com a ren- 
da delias conforme o dito allvará o que visto per mim e como o dilo 
dom Allvaro com outorga de dona Ana dAlaide sua mulher me re- 
nunciarão a dita capitania das ilhas do Fayal e Pico com as rendas 
delia segundo vi per hua publica escriptura feita per Gaspar Borra- 
lho taballiam piihlico na villa de Sintra a bj (6') dias do mes dagosto 
de mil b" Lix {1'jô9) e avendo respeito às cousas e razões pelas quaes 
ell Rey meu senhor e avoo (jue santa gloria aja lhe fez a dita mer- 
cê e ao dito allvará (jue em favor delia lhe pasou avendo asi mesmo 
respeito aos serviços que me o dito dom Álvaro de Castro tem fey- 
tos e aos que espero que ao diante faça ey por bem e lhe faço mer- 
cê pêra todo sempre para elle e todos os (]ue delle descenderem por 
linha direita mascollina segundo forma da lei mental, da villa de Fonte 
Arcada e seu termo com a jurdição crime e eivei delia reservando pa- 
ra mim correição e allçada e os direitos das jugadas que na dita villa 
e seu termo a mi pertence aver tirando os direitos das sisas e as 
rendas das terças e asi ey por bem que o dito dom Allvaro e seus 
socesores se possam chamar e chamem senhores da dita villa e que 
tenhão a dada dos oíTicios e tabeliães das notas e do judicial enque- 
redor, contador e destribuidor da dita villa e concelho e asi dos oílicios 
de juiz dos órfãos e da camará e dailmotaçaria da dita villa que forem 
de minha dada e de (jue o concelho <lella não estiver em posse de 
dar per suas elleições para os quaes oíTicios quando vagarem o dito 
dom Allvaro e seus descendentes segundo forma da lei mental que a 
dita villa e concelho socederem por virtude desta doação escolherão 
pesoas antas {aptas) e lhes passarão suas apresentações para que 
com ellas venhão tirar cartas de confirmação dos ditos oílicios asina- 
das pelos meus desembargadores do paço e passadas pela chancella- 
ria mor do Reino e pêra que ajam de servir os ditos oílicios confor- 
me as minhas ordenações da qual chancellaria levarão seus regimen- 
tos asinados pelo chanceller mor e asi mais me praz que o dito dom 
Álvaro e seus descendentes confirmem a elleição dos juizes da dita 
villa per si ou per seu ouvidor e asi mais me praz que asi os ditos 
oíficios que o dito dom Allvaro de Castro e seus descendentes per 
virtude desta doação podem apresentar como os juizes ordinaiios 



AHCHIVO DOS AÇOKES 22^ 

da dita villa e concelho que daqui em diante sayrem per elleições do 
povo em cada huu arino se possão cliaiuar e chamem por elle dom 
Allvaro e por seus socesores no senhorio da dita villa e asy ey por 
bem e me praz que o dilo seu ouvidor conheça dos agravos e apel- 
lações e asi ey por bem e me praz de fazer mercê ao dito dom All- 
varo e seus descendemtes segundo foima da lei mental, dos quintos 
do concelho da Orta e Paredes que ao presente rendem cinquoenta e 
dois mil e b'' {ô2^500) rs. e asi dos foros do concelho das Paradas 
de Souto que ao presente rendem cinquoenta e oito mil reaes asi e 
da maneira que me pertencem e para mim ategora se arecadavão os 
qnaes averá com o cresciíuenlo ou diminuição (|ue nelles ao diante 
oiiver e ei por bem que possa ter e tenha allmoxarife pêra arrecada- 
ção dos direitos reaes e lendas dos ditos concelhos de que lhe asi 
faço mercê o qual allmoxarife conhecerá das causas e duvidas que se 
moverem sobre os ditos direitos a qual doação e mercê asi faço ao 
dito dom Allvaio de Crasto pêra elle e todos seus socesores barões 
lidimos segundo forma da lei mental de meu próprio moto livre 
vontade poder Real e absolluto sem embargo de qualquer direito ei- 
vei, grosas e opiniões de doutores, determinações ou capitólios de cor- 
tes que em contrario do conlheudo desta doação aja e posa aver por- 
que todas quero que contra esta doação se não entendão nem nella 
ajão lugar e neste caso as derogo e ei todas por derogadas sem em- 
bargo da ordenação do L.° 2." lit." 49 que diz que se não entenda 
por mim derogada ordenação se da sustancia delia não fizer expreça 
menção por que de minha certa sciencia poder real e absoluto quero 
e ei por bem que esta minha carta se compra em todo como se nella 
contem e por ella mando ao regedor e governador das minhas casas 
da supllicação e eivei e aos meus desembargadores do paço correge- 
dores, juizes e justiças de meus reinos que asi o cumprão e guaidem 
e facão inteiramente comprir e guardar sem duvida nem embargo all- 
gum que a ello ponhão e mando ao corregedor da comarca de Lame- 
go e aos juizes, vereadores homens bons e povo da dita villa e con- 
celhos e quaesquer outras justiças e oíTiciaes a que esta minha carta 
for mostrada e o conhecimento delia pertencer que dem logo a posse 
da dita villa de Fonte Arcada e seu termo, e de todas as rendas delia 
e dos ditos concelhos ao dilo dom Allvaro e lhas deixem ter e haver 
arecadar e pesuir e delas usar des o primeiro dia do mes de janeiro 
que embora (em. boa hora) vira de mil bM^x (í.56'0),em deante segundo 
lõriua desta doaçãí» e milhor se o dilo dom Allvaro lodo com diíeitd 
milhor poder ter. aver. arecadai' e pesoir e amtes d'.» dito dom Allvaro 
nsai da dita jurisdição mando que esta caria se iegist(> no livro dos 
meus próprios da ccuiiarca e contadoria da dita villa pelo escrivão dos 
contos delia e asi nos livros da correição delia e no livro da Camará 
da dita villa prio escrivão delia para se saber j)or os ditos regitos em 
todo tempo c^mo lhe fiz mercê da dila villa com sna jiirdição e diiei- 



224 AKGHIVO DOS AÇORES 

tos das jugadas delia e Jos foros dos ditos concelhos na maneira so- 
bredita e na fornia de como ha de usar da dita jiirdição e arecada- 
ção dos ditos direitos e de como esta carta asi for registada nos 
ditos livros pasarão os ditos escrivães suas certidões nas costas 
delia e asi porá verba nos Ikros é> minha fazenda como de Janeiro de 
Ix {1560) em dianle o dito dom AUvaro não hadaver mais a capitania 
e rendas das ditas Ilhas e se ão darecadar pêra mim por ma ter re- 
nunciada e eu lhe fazer por isto a mercê sobredita e a doação perque 
el rei mm senhor e aro fez mercê ao dito dom AUvaro da capitania 
das ilhas do Fayal e do Pico e rendas delia de que acima faz menção 
foi rola (1) ao asinar desta e asi mesmo foi roto o allrara aciína in- 
certo. Dada na cidade de Lixboa a xb (/.o) dias do mez de dezem- 
bro, Pantalleão Kebello a fez, anno do nascimento de noso senhor 
Jhu Xpõ {Chrisio) de mil b*" lix {1059). E a mercê que por esta 
doação faço ao dito dou) AUvaro de Castro para elle e todos seus 
sucesores per linha direita mascollina ijue a dita villa de Fonte Ar- 
cada erdarem e socederem, a sabei': que os seus ouvidores conheção 
dos agravos e apellações e que os oíTicios que per virtude desta doa- 
ção podem apresentar como os juizes ordinários da dita villa e con- 
celhos se chamem por elle dom AUvaro e por seus sobcesores no 
senhorio da dita villa ei por bem ipie aja efeito e se cumpra e guar- 
de como se na dita doação contem sem embargo da ordenação do 
2." L." tit.° i26 parafos. E não conhecerão. E se pellos outros, a qual 
para este caso somente ei por derogada ; Pantalliam Rebello, a fez 
em Lixboa a xxbj [2()) de janeiro de mil W Lx [11)60). {Seguem-se as 
resalvas das entrelinhas e emendas. =- (>oncertada, António dAguiar = 
Concertada, João da Costa = António Vieira. 

{Arch. nac. da T. do T., Liv.'' 8.° das Doag. de f). Seb., f. 9 i\\) 

Dom Sebastião ele. A quamlos esta minha carta virem faço saber 
(|ue el Rey meu senhor e avo cpie santa gloria aja fez mercê pei' sua 
doação a dom Álvaro de Castro lilho de dom J(jão de Castro que foy 
Viso-Hey nas parles da índia da capitanya das Ilhas do Fayal e Pi- 
co a (^ual capitanya o dito dom Álvaro ora latguou per lhe eu fazei' 
inerce pêra elle e lodos seus erdeiros descendentes por linha mas- 
colina segundo forma da ley mental da villa e concelho da Fonte 

(1) A doação, de (]ue nesta carta se faz mengão, não se acha registada em 
l»arle alguma das chancelarias, mas pode-se reconslruir pelas bases e forças 
desta, que é mais que natural fossem' copiadas da outra, e vendo-se a que depois 
se passou a D. Francisco de Mascarenhas desta mesma capitania, e também co- 
mo premio de relevantes serviços, tera-se perfeito conhecimento do contexto da 
de D. Álvaro de Castro. Falta a data, mas essa deve ser a mesnri do alvará, 
011 muito próxima. 

íJVoííf do Sr. J. l. de Brito Rebello.) 



ARCHIVO DOS AÇORES 245 

Arcada com as rendas delia com declaração (|ue se a dita villa e 
concelho lhe não valese o que lhe valião as ditas Ilhas o prefaria 
per outra renda á custa de minha fazen(]a e por ora por se achar 
por maça que se fez de seis ânuos, (^ue as (htas Ilhas rendiíio duzen- 
tos vinte e dois mil reis cada anuíj e em Fonte Arcada lhe forão da- 
das dozentos mil reis ey por bem e me praz de fazer mercê ao dito 
dom Álvaro de xxT] rs. [22^000) de tença de juro pêra sempre pêra 
elle 6 todos seus erdeiros descendentes per linha mascolina segundo 
forma da tey mental pêra cumprimento oos ditos duzenlus vinte e 
f'ois mil reis que as dilas ilhas rendião cada anuo os quaes xxTj 
<22S000) de juro começará a vencer do primeiro dia do mes de janei- 
ro do anno presente de l)*^lx (560) em deante que he o (empo em ijue 
começou a vencer as ditas rendas de Fonte Arcada que se lhe derão 
em rp (200^000) rs. cada anno como dito he os quaes~xxTÍ (22S0J0) 
rs. ey por bem que lhe sejão asentados no ahnoxaiifado de Pinei e 
pagos per carta geral pelo rendimento do ramo das >yzas da dita vil- 
la de Fonte Arcada e por tanto mando ao recebedor das ditas sizas 
que ora he e ao deante for que do dito janeiro em deante per esta 
soo carta geral sem mais outra provisão minha nem dos veedores 
de minha fazenda faça pagamento ao dito dom Álvaro dos ditos xxij 
{22é000) rs. de juro aos quartéis do anno per inteiro e sem que- 
bra algiHiia posto que ha hy aja e pelo treiado desta carta que será 
registada no livro do registo das cartas geraes do dito almoxarifado 
pelo escrivão delle e conhecimentos do dito dom Álvaro mando ao al- 
moxarife do dito almoxarifado que os tome em pagamento ao dito re- 
cebedor o que lhe asy paguar e aos contadores mando que pelo dito 
treiado e os ditos conhecimentos levem em conta ao dito almoxarife 
o qut^ nisso montar e aos veedores de minha fazenda que lhe facão 
asentar os ditos xxlj [22'SOOO) rs. no Livro dela e levar em cada huu 
anno no caderno de asentamenlo do dito almoxarifado e pêra firmeza 
de todo lhe mandei dar esta pasada pela minha chancelaria e aselada 
do meu selo de chumbo. João Alvarez a fez na cidade de Lixboa a xij 
[12) dias do mez de setembro de 'J b*" Lx {1560) eu Álvaro Pirez a 
fiz escrever (resalra de entrelinhas) Concertada Roque Vieira. == Con- 
certada Pêro dOliveira. 

(Arch. nac. da T. do T.. Liv. VII das Doaç. de í). Seb., f. 128.' 



Doação das Capitanias das ilhas do Fayal e do Pico, a 
D. Francisco Mascarenhas. 1573. 

Dom Sebastião etc. Faço saber aos que esta minha carta virem 
que avendo eu respeito aos merecimentos de dom Francisco Mascare- 
nhas do meu conselho e aos muitos serviços que me tem feitos asi 
nestes reinos como nas partes da índia onde per muitos annos me 

N.° Í2I— Vol. IV— 1882. fí 



226 ARCHIVO DOS AÇORES 

sérvio e aos que espero que ao deante me fará e especialmenla ao 
que me fez na defensão da cydade de Chaul que no ano de b*Lxx 
(1570) esteve sercado nove meses por Nisamaluquo'^. rey mui poderoso 
naquellas partes cõ trinta e cimquo mill homens de cavalo e cem mill 
de pee jenle escolhida de muito tempo pêra esta empresa e muitos 
alyfamtes e grande canlidade de peças dartelharia da qual cidade e 
defensão delia elle foi capitão mor no tempo do dito cerquo e a de- 
femdeo com muito esforço comprindo em tudo com o que devia fa- 
zer huu bom e esforçado capitão não tão somente defendendo a ci- 
dade, mas ofendendo os cercadores e matandolhe muita gente e ven- 
do e concyderando eu como he cousa justa e devida aos Reis na satis- 
fação dos serviços dos taes vasaios perpetuarem a memoria deles asi 
por que se veja que comprirão com ho que herão obrigados no ga- 
lardão dos serviços que lhe forão feitos como pelo bom exempro 
que diso recebem os mesmos vasaios pêra fazerem outros seme- 
lhantes por todos estes respeitos e por muito ffolgar de fazer mer- 
cê ao dito dom Francisco ey por bem e me praz de lha fazer co- 
mo de feito por esta presente caria de doação faço das capytanyas 
e jurdições das ilhas do Fayal e do Piquo e de todas as vyllas e 
povoações que ora nellas ha e ao deamle ouver as (piaes capyta- 
nyas ora estão vagas por se jnllgar e detreminar por semlença dada 
no juizo de meus feitos da casa da supricação que eslavão devolutas 
e pertenciam á coroa de meus Reinos e esta mercê faço ao dito dom 
Francisco em dias de sua vida e de huu seu filho maior barão lidimo 
(]ue ao tempo de seu falecymenlo tiquar e de huu seu neto nutro si 
barão lydimo e mayor que do dito seu filho fiquar e sendo o dito seu 
filho maior inabel que segundo forma de direito não deva nem posa 
erdar as ditas Ilhas nem ter o governo e administração delias em tall 
caso virá á sobcesão e erdará as ditas capytanias. jurdições e rendas 
delas o seu filho segundo e o mesmo se comprira no neto, das quaes 
capitanias elle dom Francisco e seu filho e neto usarão asi e da ma- 
neira e naquelas cousas que o capitão da Ilha da Madeira na parte do 
Funchal usa e tem per sua doação e cartas outras asi no fazer das 
eleições como em todo ho mais que hao dito capitão da ilha da Ma- 
deira pertence e usara da dita jurdição per mim asi no crime como 
no eivei resalvando morte ou talhamento de membro por que nisto 
dará apelação pêra quem pertencer e avera o dito dom Francisco 
Mazcarenhas e o seu filho e neto que das ditas capitanias ouverem 
de sobceder todos os moinhos de pam que ouver nas ditas Ilhas 
e nhua pesoa não poderá nelas fazer moynho algum nem ter atafonas 
pêra moerem a outrem nem pêra si somente o dito dom Francisco 
e seu filho e neto ou quem lhes a elles aprouver somente e porem 
poderá quem quizer ter mo de braço não moendo a outrem com ella. 
Itera averà todalas serás dagua que se ahy fizerem ou forem feitas e 
lhe darão em cada hua huu marco de prata em cada huu anuo ou 



ARCHIVO DOS AÇOHES 227 

sua justa valya ou duas laboas cada semana das que se ahy costu- 
marem a serar pagando porem o dizimu a mim de todas as ditas se- 
rás segundo pagão das outras cousas e o mesmo averão o dito dom 
Francysco e seu tilho e neto de qualquer engenho que nas ditas ca- 
pitanias se fizer tirando vieyros de ferarias ou outros metaes. Item 
avera o dito dom Francisco, e seu filho e neto todos os fornos de 
poya que ouver nas ditas Ilhas e ao diante se fizerem e nhQa pesoa 
poderá ahy ter fornos de poya senão elles salvo se alguém quizer ter 
fornalhas pêra seu pam somente com tal condição que não posa co- 
zer a outrem nynguem. Item averá o direito de vendei' elle so sall 
em quanto o tiver sem outrem nas ditas Ilhas o poder vender salvo 
quamdo o dito dom Francisquo ou seu filho e neto o não tiverem e 
será obrigado a dar o alqueire de sall a meio real de prata e mais 
não. Item avera a redizima de todos os dizimos, dereytos, foros e tre- 
butos que a mym nas ditas Ilhas pertencem e ao diamte pertencerem 
per qualquer maneira que seja. Item o dito dom Francisquo e seu 
filho e neto que nas ditas capitanias sobcederem, segundo forma des- 
ta doação poderão dar per suas cartas a terá das ditas Ilhas forra a 
quem lhes aprouver com tal condição que a pesoa a que derem a di- 
la terá aproveyte demtro em cimquo annos e não aproveytando no 
dito tempo eles a poderão dar a outrem e asi mesmo poderão dar 
a terá das ditas Ilhas que ja foy aproveylada se seus donos a deixa- 
rem daproveytar pelo tempo de cimquo anos. Item nhQa pesoa poderá 
matar os gados bravos sem lycemça do dito dom Francisco e de seu 
filho e neto salvo se for em algum logar çarrado semdo hy lamçado 
por seu dono. Item me praz e ey por bem que pesoa algíja não posa 
trazer nas ditas Ilhas criação de gados sem lycença delle dito dom Fran- 
cisco e de seu filho e neto salvo os moradores das ditas Ilhas do 
Fayal e do Pico. Item outrosim não cortara pesoa alguma madeira nas 
ditas Ilhas nem a poderá cortar sem lycença delle dom Francisco e 
de seu filho e neto senão a que for necessária pêra a vivemda dos 
moradores das ditas Ilhas e bem asi me praz de lhe fazer mercê de to- 
dos e quaesquer outros direitos, prerogativas e jurdiçõesque ahos capi- 
tães pasados pertenciam do que estivesem de pose e tivesem c;irla ou 
doação alem das cousas acima declaradas e porlamto mamdo a todos 
meus desembargadores, corregedores, ouvidores, Juizes e Justiças e asi 
aos vedores de minha fazenda e aos outros oficiaes delia e a quaes- 
quer outras pesoas a que o conhecimento disto pertencer que dem a 
pose das ditas capitanias, rendas ejurdições delas ao dito dom Fran- 
cisquo e lhe deyxem tudo ter, lograr e possuir asi e da maneira ijue 
nesta carta de doação he declarado sem lhe niso ser posto duvida 
nem embargo algum por que assi he miha mercê e rogo e encomen- 
do aos Heis destes Reinos meus sabcesores que lhe cumprão e guar- 
dem esta minha doação como nela se contem porquanto he em re- 
muneração de tantos e Ião bons serviços feylos a mym e á coroa destes 



228 ARCHIVO DOS AÇORES 

Reinos. Dada em Évora a dez {10) de março, Gaspar de Seixas a fez, 
anu do nascimento de noso senhor Jezus xpo {Christn) de mi! qui- 
nhentos setenta e três (1673) Jorge da Costa a fez escrepver e esta 
minha caria se registara no Livro dos meus próprios da contadoria 
das ditas Ilhas e nos das Camarás das villas e povoções das ditas capi- 
tanias pêra se saber como lhe tenho feyta doação delas da maneira 
que nela se contem de que os escrivães a que pertencer pasarão sua 
certidão nas costas desta— (com resalva das emendas). = ÍAm]cer\aádi 
Joam da Costa=Comcertada, Antíniio dAguiar, 
(Ardi. noc. da T. do T., Liv. XXIX de doaç. de D. Sebastião, f. 200:) 



Confirmação da Capitania do Fayal e Pico a Jeronymo 
Dutra Corte Real (*) de 15 de junho de 1582. 

D. Filipe d.* Faço saber aos que esta minha carta virem que por 
parte de Jeronymo Dutra Coite Heal que foi capitão das ilhas do Fayal 
e do Pico me foi apresentada uma Carta do Snr. D. João meu tio, 
que santa gloria haja na qual vão incorporadas outras, de que o tras- 
lado é o seguinte: 

D. João óc/ A quantos esla minha carta virem faço saber que poi 
parte de Manuel Dutra Corte Real (segite como na pag. 158 do Vol. 
I, d'esle Archko.) 

Pedindo me o dito Jerónimo Dutra Corte Real que por quanto poi 
sentença de minha Relação da (]asa da Supplicaçãí) dada no caso de 
revista fora julgado que as Capitanias das ditas ilhas do Fayal e do 
Pico lhe pertencião lhe fizesse mercê de lhe mandar passar carta em 
forma delias, e visto seu requerimento, e a dita sentença: Hei por 
i)em e me praz que elle tenha e haja em dias de sua vida as ditas 
Capitanias e as possua com todas as rendas e foros, direitos delias e 
jurdição do eivei e crime, assim e pela maneira (jue pelas cartas 
(|ue aqui vão trasladadas as tiveram e possuíram os ditos Manuel Du- 
tra seu pae e Joz Dutra seu avô com declaração que depois do falleci- 
uiento delle .leronimí» Dnlra virão as ditas capitanias a seus descenden- 
tes, que delle ficarem por linha direita masculina e as não poderão ha- 
ver os ascendentes nem trans\ersaes que é confoíine á lei mental e «> 
que nas doações dos capitães da Ilha da Madeira é declarado e sendo 
caso que por fallecimento delle Jerónimo Dutra ou de seu descenden- 
te, ultimo possuidor que pela dita maneira succeder nas ditas capita- 
nias, fiquem dous filhos mais e acontecend(j que o filho maior não te- 
nha sizo e entendimento pêra bem as poder reger e governai-: liei por 
bem i|ne o filho segundo (jue do dito ultimo possuidor houver prece- 

(•) .\u Vdl. I. 1». [Wi-{lT^ se Iractou dos [irioieiros doiuitiirios do Fiival e 
Pico. 



ARCHIVO DOS AÇOKES 22í> 

da ao dilo filho maior e succeda nas ditas capitanias, e mando a to- 
dos os meus desembargad(»i'es, corregedores, ouvidores, juizes, justi- 
ças a que esta miiilia carta for mostrada e o conhecimento delia per- 
tencer e assim aos juizes, olliciaes da Camará e povo e assim mais 
justiças e oíTiciaes das ditas capitanias do Fayal e do Pico (]ue lhe 
dêem a posse delias e hajão por seu capitão e lhe deixem haver, lei 
e possuir, governar e usar de tudo o que nesta carta he conlheudo 
e declarado sem lhe ser nisso posta duvida, nem embargo algum poi 
que assim é minha meicê. e esta se regislarà nos livros das ditas 
Camarás pekts escrivães delias de que lhes passarão certidões na^ 
costas delia e por firmesa disto lhe mandei dar {sic) por mim assina- 
da e assellada do meu sello pendente, João da Costa a fez em Lisboa 
a IT) dias de junho, anuo do nacimento de N. S. .1. Christo de mil 
l)*" Ixxxij (lõ8'J) (*) 

{Chcmcellaria de Filippe I, Doações L.° 6', f. í 16 r.°— iiS.) 
(MS. do Dr. João Teixeira Soares.) 



Doação das Capitanias das ilhas do Fayal e do Pico ao 

Conde de Lumiares. D. Manoel de Moura, de 16 de 

dezembro de 1614. 

Por alvará passado em Madrid aos 27 de outubro de 1607 haven- 
do el rei respeito aos muitos merecimentos de Christovão de Moura. 
Marquez de Castello Rodrigo, houve por bem de lhe fazer mercê que 
vagando alguns bens da coroa em que possa fazer mercê lho lembre 
para mandar o que houver logar, e para lembrança d"elrei lhe man- 
dou passar o dilo alvará. O Conde de Lumiares por fallecimenlo de 
seu pae o Marquez de Castello Rodrigo pedio por cumprimento do 
dilo alvará as capitanias das Ilhas do Fayal e do Pico que ora esta- 
vam vagas para a coroa por fallecimenlo de .leronymo Dutra Corte 
Real de (jue não ficarão filhos varões. EIrei havendo respeito ao di- 
to Alvará de lembiança, houve poi' bem de fazer mercê delias ao 
Conde de Lumiares D. Manoel de .Moura Corte Real. em sua vida so- 
mente, nas (juaes ilhas lerá tudo aquillo que tinha e teve o (iito .le- 
ronymo Dutra, d.'^ Dada em Lisboa aos 16 de Dezembro de 1614. 

' Cliancfllaria de Filippe II, L." (?;, foi. 114 v.") 
> MS. do Dr. João Tf^i.reira Soares.) 

(Continua. < 



{•) Foi estíi (Mi-lii publicad;i jm-Io si-. A b. lia Silveira Marcdo na W/.s7. ihis 
(jiifitrii Tlhfix. T. I. pnii. 3fi.^. mm a data ilc ITÍSÍ), imii viv de !."ÍS2, romo ;iciin;i 
-(• adia. 



domínio hespanhol nos açores 

E 

D. ANTÓNIO PRIOR DO CRATO * 



Carta de Fr. Braz Camello, guardião do Convento de S. 

Francisco d' Angra, a Catharina de Medicis, de 5 de 

Junho de 1581. 

(Inedila) 

Mui alta e puderosa Snora. 

Duas causas me obriguam a estas breves regras fazer a V. A. ha 
primeira he avisada saber ter nesta ilha Terceira hu collegio de ca- 
pellães e súbditos filhos do nosso p." S. Francisco e oradores de S. 
A. que ordinariamente não cessarão ao Snor clamar pague ho verda- 
deiro amor que a esta nação portuguesa mostra ter: 

A segunda manifeslar-lhe a fé e lealdade deste seu verdadeiro va- 
salo que ha esta ilha chegou com dous omês mortos e des ou doze 
feridos que na jornada se lhe oíTereceo peleijar con duas nãos caste- 
lhanas, he ho mar hos apartou ben contra sua vontade, ho qual veio 
por manda(]o de V. A. con o recado da vida dei Rei nosso snor don 
António por via do seu embaixador António de Brito Pimentel, o qual 
foi recebido com cânticos he louvores dados ao Snor, he con a ban- 
deira de xpo íChristo) pellas ruas allevanlada ho que creio que não 
foy mandado da terra senão do ceo: chegou hij vernes (sexta) o qual dia 
nos representa xpo {Christo) Jhus morrer pêra remir ho género huma- 
no he creio por certo que este portador vasalo de V. A. antre as oulo 
he as nove. podemos dizer que cahio do ceo e não foi partido de 
França, pois que en tal dia he tempo estava no ultimo termo esta 
lerra pêra se dar ou destruir por não termos recado serto da vida 
dei rei nosso snor, pois que direi a V. A. da prudência he saber he 



(•) Continuado do .3.' vol. pug. 278. 



ARcmvo nos açores 231 

lealdade de tan verdadeiro servo e vasaio António Escarlin que len 
amostrado ho animo valeroso pêra poder amostrar a vonlade do seu 
interior ao serviço de V. A. ho que creio haver nelle muito mais per- 
feições pois que en todos os periguos a donde se possa aventurar ha 
vida nisso amostra mais valentia he vontade. N'esta cidade dAngra 
estando anchorado cheguou hu gualeam de Porlugual por mandado dei 
Rei Felipe o qual en si era temeroso he nelle vinha hu governador o 
qual de força era temeridade cometerse, ho que seu capitão António 
Kscarlin não temeo mas antes cometeo a querer tomal-o, he por não 
no consentirem não no elTeituou do que elle ficou tan aguastado que 
asi propio fazia mal. he tudo isto julgamos de ser verdadeiro vasa- 
io he animoso no serviço de V. A. pello que temos esperança de sua 
parte nos manar seremos restituídos das treições a el Rei nosso snor 
cometidas, e poderemos guozar do nosso Rei e snor cuja vida o Snor 
aumente a V. A. pêra que delia nos mane o favor pêra que elle pa- 
cificamente possa guozar aquillo que de direito he seu, pollo que não 
cansarei con esta família que ha carreguo tenho de pedirmos ao Rei 
do Ceo gratifique na gloria sua a V. A. deste premio o qual não se- 
rá pi(|ueno. Desta sua cassa dAngra oje a 5 de junho. (*) 

Frei Bras Camello, Guardião. 

Súbdito he orador de V. A. indino, 
Sohscripto— k' Rainha Madre nossa snra. 
{Bihlioíhcque Nationale de Paris, Fonds port. 6'fí. foi. õH'54 r.". 



Carta da Camará d'Ang"ra ao Rei de França, Henrique 
m, de 6 de junho de 1581. 

( Inédita) 

Chrislianissimo muyto alto poderoso e excellentissimo Snfior. 
O eterno e poderoso Deus Snuor Universal dos céus e da terra per- 

(•) Este 6 todos os sojiuitiles documentos exfrahidos dos MS. da Bihlioteqaf 
\atiovnle di' Paris, foram copiados por intervcinjão, c debaixo da inspecção de 
M. Alfred Morei Fatio, illustre Professor da Erólr des Lfttifs de Arj-el, encar- 
reirado de coordenar o Cataloíio dos Manuscriptos Hesf)anlines e PorlUí/uezes da 
mesma Bibliotlieca, de í|U'.' a i.^ parte está já impressa (^ a restante em via de 
publicação. A M. Morei Fatio os nossos sinceros agradecimentos, por tão effi- 
f-az coadjuvação. Ernesto do ('anto 



^32 ARCHIVO DOS AÇORES 

metíu pello aver assim por bem de castigar com asoute (ie perseguição 
oReyno de Portiignal, do qual ao presente hera possuidor el Rey dom 
António nosso snor que temos sabido (jue ao presente está posto em sal- 
vo no Reyno de Vossa christianissima magestade e corn henino e real fa- 
vor sen nos afirmão poderá muylo cedo o ditto nosso Hey ser restetuido 
em seus Reynos e Real estado, do qual com desonJem de treyções. 
forças e tirannias foi injustamente isbulhado ds todo seu Reyno: nã 
íicou em sua lei, obediência e lealdade mais que esta ilha Terceyra e 
outras cinco ilhas pequenas da sua comarca que estão neste mar o- 
ceano, todo o mais Reyno e Ilhas nos aíirmão que sam occupadas dos 
espanhoes, e isto por ellas se lhes darê sem resistência e porque le- 
mos sabido de serio que o dito nosso Rey e Snnor dom António está 
posto em com o real favor e ajuda de Vossa christianissima magesta- 
de poder ser restituido em seu Reyno para dalii como Irmão em ar- 
mas de vossa christianissima magestade o poder sempre servir como 
o obrigiia a tal amizade e nos seus vasalos e postos na lealdade de 
sua obediência e que sempre tivemos fee e esperança desse Real so- 
coro de vossa christianissima magestade faremos o mesmo, pelo que 
pedimos umilmenle a vossa christianissima Magestade nos queira dar 
emparo de seu Reyno até o tempo que o dito nosso Rey o possamos 
ser emparados de todos os adversairos que nos por esa rezão quize- 
lem ofender, pelo que sempre com umilde coração pediremos mise- 
ricordiosamente a nosso Snor que neste mudo com muytas prosperi- 
dades e nos ceos com gloria eterna dê a Vossa chiistianissima ma- 
gestade o paguo de tantos Rês e Mercês grandes que a nosso Rey e 
a nos per sua comtemplarão Vossa christianissima magestade tem fei- 
to e faz e que esperamos nos faça: escrita em camará na cidade de 
Angra da ilha Terceira de Jesu Chrislo a 6 de junho de 81. (1681 
Matias de Tolledo= escrivão da camará. 

Kr.*^" (OU LOURENÇO) Alvarks. .A.ntomo Vaz Torrado. 

Rraz Dias Rijdovalho. F." Diaz do Carvalhal. 

[outroií (Itids assigvatnrm yue sp não putcndem.) 

Sobscripto: — Ao chíistiauissimo e poderoso Rey de França. 

Da camará da cidade de .\ngra da Ilha Terceyra. 

[Bibl. Ndf. dl' l*(iris. Fnmls jiorl. W, foi. 2H-24 ?\". 



ARCHIVO DOS ACORF.S 233 



Carta da Gamara da Villa de S. Sebastião, ao Rei de 
França; de 9 de junho de 1581. 

(Inédita) 
I. J. M. 

Christianissimo Rey. 

Os giiovernadores da Villa do Mártir S. SebasUru) da Ilha Terzei- 
ra de Jesu xpo (Christo) ho presente anno de octenta e hum obrigan- 
do nos a miiyla obrigação em que a Vossa Magestade toda esta Ilha 
e sens membros está pelo recolhimento e real benevolência com que 
rescebeo ao sereníssimo Rey e natural suor nosso Dõ António nos 
paresceo descente e consentâneo, pois cõ outros serviços já não 
podemos pagar ao menos per esta mostrarmos a Vossa Magestade 
nossos ânimos quam gratlos são a tão magnânimas e heróicas mer- 
cês que nos faz e tem feito, e assi a real Irmãdade cõ que Iracta a 
Ellrey nosso Sõr. São ellas em si Christianissimo Hey de tanto pezo 
que nossos fracos ombros nõ podem com elle: soomentô com ho co- 
rassão. e olhos cheos de lagrimas louvar ao Summo Deus e pedir lhe 
cõ piedosas preces guarde e prospere vossos reaes estados de Fran- 
ça pois com elles lhe fazeis tantos serviços como são restaurar hos 
regnos de Porlugual e restituir Ellrei nosso sõr a sua real coroa, e 
pois não temos outra cousa de maior preço que esta a damos e offre- 
cemos a Vossa Magestade confiados a aceptareis cõ a custumada 
benignidade respectãdo que quem da ho que tem cumpre em parte 
com a divida. A Phillipe Stroctio coronel geral da Infanteria francessa, 
screpvemos mais largo, cremos que pois elle he feclura de tão Chris- 
tianissimo Rey e sõr dará informação a Vossa Magestade do que na sua 
lhe rellatamos, nõ mais. Ho alto e poderoso Deus pague por nos e 
ponha Vossa sacra Magestade onde seus christianissimns e reaes fei- 
tos merescê: amen. Scripta nesta Camera da Villa do Mártir de S. 
Sebastião desta Ilha Terzeira de Jesu xpõ {Christo) sob nossos si^na- 
es e sello delia e sob scripta per seu scripvão a nove de Junho de 
quinhentos e oitenta e hum annos. 

Sebastiam Ruiz, scripvam da Camará ho subscrevi.— Diogo de 
ToLLEDO.— Francisco (?) de (?).... (?) — Balthazar Vaz — Luiz 
Valadão de Moraes. 

(BibL Nat. de Paris, Fonds porl. 66. foi. 25-28. > 



N." 2i— Vol. IV— 188i2. 



234 ARCHIVO DOS AÇORES 



Carta de António Scallin, a Catliarina de Medicis, Rainha 
Mãe do Rei de França; Angra 13 de junho de 1581. 

(Inédita) 

Madame. 

Ayant eslé emploié pour monsieur dEstrosse a tous ses aílaires 
par la condnicte deux fois de ses troupes francoises qni alloient au 
secours du Roy de Portugal estant de relonr la dermere fois me com- 
menda le dict sienr d'Eslrosse de venir a ses isles des Essores, Ma- 
dére avecques de ses lettres el de Tembasadeur du Roy de Portugal 
nonimé Anthoine de Brite Pimentel pour les gouverneurs des dictes 
Isles estant arivé le dixneiifíiesme de may en lisle de Tresière aulx 
essores je seus comme lisle de Madòre, lisle de Sainct Michel et de 
Sainct Marie avoient eslés rendues a lobeisence du roy dEspaigne par 
les mesmes portugais des dictes Isles sans aulchune contraincte mais 
tant seullement par faulx donner a entendre leur disant que le Roy 
de Portugal estoict mort el hors de loutte esperence et le mesme 
lengaige couroict a toules ses aullres Isles la premiére qui est la 
principalle, la Tresière, Sainct George. la draciose. le Picque. le Foyal, 
lisle de Corve et lisle de Flour lesquelles estoinet pretles a se readre 
par la negosiation de beaucoup de traictres des Isles mesmes. II 
avoinct desgea tant gaigne sur le demeurent du peuple par faulx donner 
a entendre que si il ne fussent arivé le mesme jour que je arivis 11 
estoinet perdus et rendus a lobeissence du Roy d'Espaigne pour la 
grande division qui estoict entre eulx. Quoy congnoissant le grand 
interest qui estoict de perdre ses Isles qui sout de si grande impor- 
lence filz entendre a tous les messieurs et gouverneurs et capitaines 
de ces Isles et au peuple eu general pour leur donner couraige que 
jectois ycy mande de votre part pour savoir deux tout ce que ils au- 
roinct de besoign du royaulme de vostre magesle pour leur conser- 
vation et qui n'auroinct faulte de secours pour leur aider bientosl a 
remettre leur Roy passiíTicque dans son royaulme le quel secours es- 
toict desgea tout presl couíluict par monsieur d'Estrosse qui estoil le 
nombi'e de irente et deux naviíes quinze milles arfjuebousiers les 
quels navires chargés de grandes provissions et admunitions pouí 
survenir a la guerre. Qui pour le regard de leur Roy et principaulx 
de son royaulme estoinet arives de France a quoy ne failoict quils 
fussent eu doupte aulchunemenl et que la seulle cause (jue je navois 
aporte de ses lettres estoict que je seues qu'il estoict arive a bor- 
deaulx. Je despechie ong courier mais je neus loisir de Tatendre pour 
locasion du temps que se presentoict estre bon pour meptre a Ia voil- 
le et pour leur donner ceux daventaige leurs assurier que le dict 
Roy de Portugal estoit arivé en France a quoy leceurent ung grand 



ARCHIVO DOS AÇOHES 235 

conlenleineiil de la bonne allience s"aseiirai)t que puis que cela es- 
loici iiaiiioiíicl faulte de moieiís ny de secours depuis arive eii ceste 
isle je leur ay faict beaucoiipt de service et gardes qiii ne se sont 
perçus par trois ocassions qui se sont presentées comme eulx ines- 
mes eii poiíiont rendre lesmoiíigiiaige a vostre mageste. Jenvoie de 
par de la deux g^ulilliomines dr la dicte Isle que je prins il y a qual- 
tre jours averques une caravelle arinee en guerre maudée du Roy 
despaigne les(jiiels genlilhomLies venoinct pour rendre les dicles Isles 
;t lobeissence du Koy d h]spaigue romnie se voyt par les letlres que 
les dicls geuldliommes porloiuct. Tous les chambres royaulx des ses 
dicles isles ont vollue quils fussent envoye de par de la par devers 
leur Roy pour en faire sa volloinpté. II esl bien requis et necessaire 
pour la onservation des dicles Isles et pour la garda des ílotles (|ui 
viendront des Indes de Portugal faire diligeuce denvoier icy une ar- 
mee d une douzaine de bons navires bien armes dhommes et dadmu- 
nitions avec(|ues la plus grande deligence que faire se poura pour ce. 
II ya desgea trois navires armes a Saincl Michel en guerre pour le 
service du Roy dEspaigne. El six que uous avons euz advertissemenl 
quilx acouslre a Lisbonne pour envoier ycy pour tacher a sa patrou- 
niser de ceste isle et des ílotles qui pouroinct advenir il esl neces- 
saire duser de grande deligence pour ce que lafaire se requier pour 
voir ses grandes negosliaiions el grands manimens de traisons qui 
sont parmy ses dicls geus de la pari du Roy d'Espaigue qui a este 
la cause que trelous en general mont requis pour le service du Roy 
de Portugal el conservation des dicles Isles demeurer ycy avecques 
eulx pour les instruire et commender jusques a ce que le dict Roy 
de Portugal aye pourveu qui . . . lendroit priere Dieu. Madame. — 
Vous donuer en parfaicle sanle longue bonne et heureuse vie. faict a 
lisle Tresiere a la Ville d Engre ce trezeiesme jour de Juign mil cinq 
centz qualre vingt ung. 

Votra três homble et afessionné vasal. 

Amoine Sgallin. 

Sobscripto^k la Reyne Mere du Roy de France. 

(Bibl. Nat. de Paris, Fond^ port. 66. foi. 46-47 c.'^ 



(Traduccão da Carta anterior) 



Senhora. 



Tendo sido empregado duas vezes por M. dStrossi. na conducção 
das suas tropas francezas, enviadas em soccorro do Rei de Portugal 
(D. António) e achando-me de volta, fui novamente encarregado pelo 
mesmo senhor Strossi de vir a eslas'ilhas dos Açores e Madeira, com 



^36 ARCHIVO DOS AÇOBES 

algumas cartas suas e de António de Brito Pimentel, embaixador do 
Rei de Portugal, para os governadores das ditas ilhas: cheguei á ilha 
Terceira, nos Açores, aos 19 de maio, e aqui soube, que as ilhas da 
Madeira, de S. Miguel e de Santa Maria, se tinham rendido á obedi- 
ência do Rei de Hespanha, por vontade espontânea de seus habitan- 
tes, induzidos por falsas noticias, de que o Rei de Portugal era falle- 
cido, e com elle perdidas todas as esperanças. A mesma linguagem 
corria em todas estas ilhas, de que a primeira é a principal, Tercei- 
ra, S. Jorge. Graciosa, Pico, Fayal. Corvo e Flores, as quaes esta- 
vam prestes a render-se pelas negociações de muitos traidores das 
próprias ilhas. Os quaes tinham já ganho tanto no animo do povo, 
com as suas falsas noticias, que se eu não chego n'aquelle dia, tudo 
se perderia, e se submeterião ao Rei de Hespanha, em conse(jnencia 
da grande discórdia que entre os povos grassava. Reconhecendo o 
grande valor da perda destas ilhas e a grande importância delias, 
fiz saber a todos os senhores, governadores, capitães e aos povos em 
geral, para os animar, que tinha sido enviado a(|ui, por parte de 
Vossa Magestade. para saber o que careciam para sua conservação, 
e lhe prometter soccorros para ajudar em breve a restituir o seu pa- 
cifico Rei ao seu reino, o qual soccorro estava já prompto a vir com- 
mandado pelo Siir. Strossi. e se compunha de trinta e dois navios com 
15:000 arcabuseiros. e grande copia de provisões e munições bastan- 
tes para a guerra. Disse-lhe mais, que quanto á chegada a França 
do seu Rei, e das principaes pessoas do reino, não deverião duvidar 
por forma alguma, pois o único motivo de não trazer cartas delles 
provinha de que sabendo da sua chegada a Bordeos. lhe enviara lo- 
go um correio, cuja volta não tinha podido esperar, por que o vento 
se pozera de feição favorável para partir e mais depressa lhes asse- 
gurar, que o dito Rei de Portugal tinha chegado a França; pelo que 
ficaram muito contentes, e certos de que não lhe faltarião os meios 
nem os soccorros com tão boa alliança. Depois que aqui cheguei te- 
nho prestado muitos serviços e protecção, bem reconhecida em trez oc- 
casiões, que se oífereceram, e de que poderão dar testemunho a V. 
M. estes povos. Envio dois fidalgos d esta ilha. que aprizionei ha qua- 
tro dias, com uma caravela armada em guerra, mandada pelo Rei 
d'Hespanha, os quaes vinham com o fim de fazer estas ilhas entrar 
na obediência do Rei d Hespanha, como se vè pelas cartas que tra- 
ziam. Todas as Camarás destas ilhas quizeram que elles fossem man- 
dados da sua parte, perante o seu Rei. o que faço para lhes satisfa- 
zer a vontade. Para a conservação destas ilhas, e guarda das frotas 
que vierem das índias de Portugal, se pede e é bem necessário, tra- 
ctar de mandar o mais depressa possível para aqui, uma armada de 
uma dúzia de bons navios, bem guarnecidos de gente e de munições. 
O Rei de Hespanha já tem em S. Miguel, em seu serviço trez navios 
armados: em Lisboa, tivemos noticia, que mandou apromptar mais 



AKCHIVO DOS AÇOBES 237 

seis, destinados a subjugar esla ilha, e as frotas que a ella vierem. 
E" portanto necessário empregar toda a diligencia, como o objecto 
requer, a fim de evitar as grandes negociações e manejos de trai- 
ções, que entre estes povos prepara o Rei dllespaniia, por cujo mo- 
tivo todos em geral instaram comigo, para me demorar aqui, y.tara ser- 
viço do Rei de Portugal, conservação destas ilhas, e para os instruir e 
commandar emquanlo o dito Rei não mandar quem ... o logar. Pe- 
ço a Deus, . . . Senhora, vos dê perfeita saúde, longa, boa e feliz vi- 
da. Feita n'esta Cidade dWngra aos 13 dias de junho de i58i. Vos- 
so muito aíleiçoado vassalo. 

AnTOMO SCALIN. 



Carta de António de Brito Pimentel, á Rainha. Mãe d'El- 
rei Ciiristianissinio (Henrique III). Tours. 6 de Julho 

de 1581. 

(Inédita) 

Cristianissiraa Magestade. 

Oje 6 do presente chegou das ilhas recado do navio que vossa ma- 
gestade la mandou de mõsieur de Strosse e foi de muito efeito sua 
ida como vossa mageslade saberá por esa carta dos governadores 
da cidade dAngra nom quis tardar em avisar a vosa magestade pelo 
guoslo que sei que terá de saber de quanto efeito foi o ir aquele na- 
vio dar animo aquela gente e espero em nosso Síior pelo meio de vo- 
sa magestade nos fará Deus muitas mercês. Noso Snor a christianls- 
sima pessoa de vossa magestade guarde vida e real estado prospera- 
mente 6 acressenta como pode. A tours a 6 de Julho de 1581. . 

António de Brito Pimentel. 

Sobsaipto—X' muito alta e muito poderosa e creslianissima Rai- 
nha *May delrey cristianíssimo ele. 

(Bihl. Nat. de. Paris. Fornis porf. HC. foi. 52-50.) 



á38 ARCHIVO DOS AÇORES 



Carta de Fr. Pedro da Madre de Deos. á Rainha Mãe: de 
Angra 15 de setembro de 1581. 

(Inédita) 

Sfiora. 

Eslá esta ilha Iam obrigada a V. Magestade que nun^ua deixaraa 
de ser lembrada pêra sempre encomendar a nosso Sõr o Keal eslado 
de V. Magestade por(|ae veio a esta ilha António Escaliin, e da parle 
de V. Magestade nos animon de maneira cõ nos oíferecer favor e 
ajuda de V. Magestade que se isto não fora esta ilha estevera agora 
entregue a Piíilippe: junto a isto dizemos que queria estar com nos- 
c-o pêra nos ajuJar c :)m ) té agtra fez. p)rque deste porto foi tomar 
papeis ao mar a prolugueses que vinham cõ falsidade entregar a ilha, 
e os preudeo e por via do governador desta ilha mandou a esse reino 
de França, foy a ilha do Corvo agardar as naaos da índia para as tra- 
zer a este porto, agora nestes sobresaltos que levemos do imigo o 
elegeu esta ilha por mestre das cousas da guerra, no que mostrou 
tanta habilidade e esf()rço que Ioda esta ilha eslava animada d'elle 
porque era tam solicito na vigia do mar e da teria que de noyle 
nem dormia, nem de dia descansava, lambem preudeo huas pessoas 
ausentadas que levantavam voz para Philippe. lambem tomou no mar 
os avisos que Philippe mandava a seus capitains. em tudo tinalmente 
luoslrou tanto zelo que (Jiziam os homens ijue era (ilho de El Rey l)õ 
António, agora que o inverno lançou daqui o imigo se quiz ir a V. 
Magestade dando-nos sua palavra de tornar sendo Vossa Magestade 
disso servida: nós o não quiseromos deixar ir pelo muylo amor que 
todos lhe linhão. todavia como sua ida era pêra ir visitar a V. Mages- 
tade, e peia receber mercês por Iam heróicos serviços que nesta ilha 
fez a V. Magestade que o mandou, lhe permiltimos embarcarse pêra 
liedirmos a V. Magestade lhe remunere o que suas obras eslam me- 
recendo, e nos rogaremos sempre a nosso snor pela vida e estado de 
V. .Magestade. Scripta em Angra dia 15 de setembro de 1581. 

Fr. P." da Madre de Deos. 

Sobscripto=X' Sereníssima Regina .Madre delrey Chrislianissimo 
de França ele. 

Do padre fr. P.** da Madre de Deus. 

Bihl. Nat. dp Paris. Fornh porl. 6h\ foi. 48-51. 



AHCIIIVO DOS AÇORES 239 

Carta d'Ajnaro Lopes da Costa, Vigário Geral d'Angra á 
Rainha Mãe. de 17 de setembro de 1581. 

(Inédita) 

Snora. 

Quizeiii ler outra suíTiciencia pêra cõ palavras dizer a V. Christia- 
nissinia Magestade os miiytos merecimentos do Capitão Antonyo Es- 
calim o qual veio a esta terra em tempo que estávamos em muito pe- 
rigo que cõ as boas novas que trouxe do soccorro que el Rey dõ An- 
loiíio tinha aparelliado nesses Reynos cõ o favor de V. Magestade e 
juntamente cõ o muito esforço que na defensão desta terra mostrou, 
nos acrecètou o anin)o para nos defendermos: e por que queria eu 
(^ue esta verdade fosse notória a V. Magestade deste animo e amor 
cõ que o sobredito capitão António Escalim procedeo: e de minha o- 
brigação hé fazello a saber como parte do officia pubhco e que o vy 
cõ meus olhos em todo o descurso do tempo quando elle qua esteve, 
tomey este altrevimento para dar testemunho desta verdade: e assi 
como me ey por obrigado de o fazer assi. tão bê me não desobrigo 
de em meus sacrifícios e orações pedii' até nosso suor augmenle a 
vida cõ perfeita saúde a V. Magestade Christianissima para hos fazei' 
a todos muytas ms {mercês) e ajudar a remir e libertar a vexação que 
Portugal padece. Em Angra aos 17 de Setembro de 1581, 

Amaro Lopes da Costa. 

Sobscripto — A" Serenissima Raynha May dei Hey christianissinío de 
França. 

Bibl. Naf. de Paris, Fonds porf. 66, foi. 49-50 v.\) 



Carta de Francisca de Christo, abbadessa do convento 

de N. Senhora da Esperança d'Ang'ra. á Rainha Mãe 

do Rei de França, de 17 de setembro de 1581. 

(Inedi ia) 

Snora. 
Temnos tão obriguadas o que nos conta do muito que V. Mages- 
tade tem tomado a sua conta nosa liberdade ijne dexadas outras mui- 
tas obriguações a que lhe estamos sojeitas bastante he isto pêra mui- 
li» de propozito dezej;w tiõa muy abundante copia de palavias pêra 



240 ARCHIVO DOS AÇORES 

bem nesla gratificar a V. Magestade as ms. (mercês) e esta ilha Ter- 
ceira e particiilarmenle este nosso convento de Religiosas tanto conti- 
nuamente recebe porque prosoposto que seja próprio a V.. Magestade 
fazer o que pede e he própria a sua Real condição maiormente em 
hua matéria tão necessária e em que mais se espera satisfação e in- 
teireza da verdadeyra justiça que seu real estado professa: todavia a 
V. Magestade he próprio o uzo de quem he e o que sua fama apre- 
goa: e a nos o cudado de as gratificar (juanto em nos he asim pello 
que por este respeito e outros a V. Magestade devemos: como tam- 
bém pello que nos consta do muito serviço que nisto fazemos a el 
Rey noso shor Dom António pello que bem creio não será estranho a 
V. Magestade este atrevimento assim pelas causas asima como tam- 
bém por se olferecer hum tão certo portador como he o capitão An- 
tónio Scalim criado de V. Magestade cuja partida para essa corte não 
pouco alvoroço n(»s causa asim pello muito esforço que sua assistên- 
cia nesla terra causava como tãobem pella muita consolação que tí- 
nhamos em ver nelle hum zello tão afervorado em lodos os neguocios 
importantes ao serviço dei Rey noso snor, e certo que sua lealdade 
neste caso bem mostra o muito que elle de si promete neste neguo- 
cio pelo que asas ficamos sentindo sua absencia. m.is como elle se- 
gundo diz não sofre a absensia dessa corte e dos serviços de V. Ma- 
gestade não ouve cousa que o movesse a dexar de pessoalmente as- 
sistir a V. Magestade e a seus serviços mas como lemos entendido 
que V. Magestade ao presente de nenhus outros mais se sirvira que 
dos que nos possão resgualar e livrar de nossos imigos com menos 
trabalho sofremos sua partida pello que lemos tãobem de confiança 
em o que elle em nome de V. Magestade faraa asim pelo que de sua 
condição he como tão bem pello que confiamos que sabe que não sa- 
tisfará muyto a V. Magestade pello muyto que sabemos ter mostrado 
em o dezejo de nosa quietação e soceguo de hum Rey tão tirannica- 
mente opremido de cuja oppressão ficamos certas ser mui cedo livre 
per meio do muy valeroso braço de V. Magestade cuja vida com 
agmento de seu Real estado noso suor acrescente por largos annos. 
Desta cidade dAngra da Ilha Terzeira oje xvij í 17) de seplembro de 
mil b*^ Ixxxj [JÕ81) anuo 

Serva e oradora de V. Magestade. 

Francisca de Xp.", Abbadeça. 
[Bibl. Nal. de Paris, Fonds port. 66, foi. 56-56 v.'^.) 



ARCHIYO nos ACORKS 241 



Carta de Fr. Manoel Marques, franciscano, ao Rei de 
França, de 18 de setembro de 1581. 

(Inédita) 

Pois O soberano e eterno Deos se não despresa ser louvado de su- 
as crealnras. antes a Iodas por pequenas (jue sejlo manda llie facão 
e dê louvoi'es por as mercês que delle recebem não temerei ser no- 
tado de atrevido por querei' escrever a Vosa Magestade sendo emlre 
os frades menores destas ilhas o minimo, postcj (jue em o oITicio que 
indinamête tenho seja o maior. Este maio passado eslavainos os leaes 
portugueses postos ê nniita angusí/a e pfna por não lermos novas 
certas delrei noso Sõr. Chegou a esta ilha Anloiiio Escalim vassallo 
de Vosa Magestade o qual de nos foi recebido como Anjo do ceo, e 
cõ muita rezão pois por elle soubemos o que lauto dezejavamos e nos 
certificou dos dezejos que Vosa Magestade tem de noso resgate e 
do efeito em que o tem posto, que cõ isto sentimos deixo á contem- 
plação de ânimos agradecidos, pois (jue nê lingoa diser, nem palavras 
explicar, nê penna esci'ever o pode. O (pie afirmo he dezejarmos to- 
dos ser de muilo mereciment(j ante Deos para delle podermos alcan- 
çar- miiy longos anos de vida a Vossa Magestade cõ muila paz e 
quietação para defensão de sua egreja e empai'0 da nação portuguesa, 
não se tornar logo António Escalim não foi culpa sira por-que todos 
lhe pedimos (|uisese ficar cõ nosco alee se irem os imigos que espe- 
rávamos. Elle o fez. E em o tempo que os imigos nos teverão em 
cerco e elle na terra esteve se mostrou tal em todas as cousas da 
guerra e paz que bem claro conhecemos ser criado de Vosa Magesta- 
de e posto que em figura e sí)mbra, bem vimos nelle o que em Vosa 
Magestade tínhamos que se elle não soubera ser muilo não estevera cõ 
nosco quãlo esteve nem fesera quanto fes. Vosa Magestade lhe pague 
por nos, porque ainda que elle fesese o que devia, bem sabe que dá 
Deos a vida eterna aos que fasem o que elle manda. E esta familia 
toda em seus sacrificios e orações pedira sempre a nosso Sõr faça vo- 
sa Magestade hu grande Monarca em o ceo pois ja o tem feito tã 
gr-ande em a terra. Desta sua casa de Sã Francisco da cidade d' An- 
gra aos 18 de setembr-o de iriHl. 

Indino orador de Vosa Magestade. 

Erei Manoel Marques. 
(Bibl. Nat. de Paris, Fonds port. 66, foi. 57-58 v.".) 



N." 21 -Vol. IV— 1882. 



242 ARCHIVO DOS AÇOKES 

Carta de Frei Simão de Barros, á Rainha, Mãe do Rei de 
França, Angra 27 de Setembro de 1581. 

(Inédita) 

ChtistiaDíssima Mageslade. 

Como hQa das grandíssimas parles que esta ilha pêra se conser- 
var na devida fidelidade a seu Rey nuãl {natural) seja a cuidadossa 
dilligencia com que V. chrislianissima Magestade lhe acudiu no tempo 
da maior incerlesa e desconfiança que nella avia inviando a estas par- 
tes o Capitão António Escaiim pareceo me que faria o que não devia 
se de tam grande bem como he o nome eterno que aos moradores 
dAngra pêra sempre fiquaraa em todo o mundo não testemunhasse 
ser V. Christianissima Magestade o autor, e este enviado seu hum 
fidelissimo ajudador. Este titulo se lhe pode daar: e tam leais serviços 
como os seus soo Deus e a chrislianiss: benignidade de raynha calho- 
lica poderaa remunerar: que quanto os nães. inaturaes) desta ilha com 
o grandíssimo sintimento que lhes fiqua de ver que se aparta delles 
por tam justificados respeitos cuydão que lhe tem bem paguo e hão 
que tal zelo como o seu ainda de Rey tam excellente como o nosso en» 
liberalidade não poderaa ser assaz premiado. Disto poderá disser 
muylo se me parecera que em cousas bem notórias podia aver algQa 
duvida: e alem disso não estivera de caminho para esses reynos 
aonde confio em nosso Síir. darei mui largua conta do muyto que se 
lhe deve. Nosso Sfir. o real estado de V. Chrislianissima Magestade 
prospere e acrescente como pode: dAngra a 27 Setembro de 1581. 

Fr. Simão de Babhos. 

Sobscripto—X' Christianissima Raynha, May do Chiislianissimo Rey 
de Frãça. 

{Bibl. Nat. de Paris, Fonds port. 66. foi. 61-62v.\) 

D*este Fr. Simão de Barros tracta o Dr. G. Fructuoso na parte impressa no 
Yoi. II, p. 401 doeste Archivo. 



ARCHFVO DOS ACOfiES 243 



Carta d' Amaro Lopes da Costa, Vigário Geral d'Angra^ 
ao Rei de França, de 27 de Setembro de 1581. 



(Inédita) 



Snor. 



Não queria ser notado de atrevido sendo de tão poucos mereci- 
mentos de escrever a V. Magestade Christianissima, mas como he 
para fallar verdade e dar a cada hQ o seu que he obrigação de quê 
lê ofticio publico como ca tenho: não cuido poderei ser culpado antes 
julgado de V. Magestade por home que faz o que deve. António Es- 
calim veiu ler a esta ilha Terceira em hQ tempo muito forte por que 
jaa nos começavão os imigos de chegar á ilha onde elle cõ sua che- 
gada deu muito esforço á gente desta terra e assi perseverou muito 
uesle preposito em tanto que nunqua deixou de gastar lodo o descur- 
so do tpõ (tempo) que qua esteve em fruito dei Rey Dom António: e 
tão affeiçoados lhe estamos todos que tomáramos por partido ficar 
qua em nossa companhia: V. Magestade Christianissima lhe deve agra- 
decer este zello e diligencia e avello por muito esforçado capitão e de 
muito nome: Sou obrigado de minha cõsciencia dizer a noso Sõr que 
tudo pode de muito dem si a V. Magestade para que sempre lhe faça 
muitos serviços e a nos as mercês que esperamos, cuja vida o mesmo 
Snõr acrescente por muitos annos. Ameo. Em Angra aos 27 de se- 
têbro de 1581. 

Amaro Lopes da Costa. 

Sobscrypto~-\o ChrisUaoissimo Rey de Frãça meu S.*'^ 

Do Vigário Geral dAngra. 

{Bibl Nat. de Paris. Fonds port. 66, foi 60-63 v.") 



244 ARCHIVO DOS AÇOHES 



Copia de carta de Don Lope de Figueroa Maestro de chim- 
po general, para Mateo Vazquez de Leça. secretario 
dei Rey nosso sr.. de la Islã de San Mig-uel a los 13 
de ag-osto de 1582 quando el marquez de Santa Cruz 
vencio la batalla naval a la armada de Francia y dei 
rebelde don António de Portugal Prior de o Crato. 

(Inédita) 

Quiero dar a V. M.'*'' la iiuva buena de la vitoria que Dios nos a 
dado de la qual podemos a sii deviria majeslad dar muclias gradas y 
mercê delias sua majeslad y a quien selo pago rpie es la gloriosa 
Santa Ana en su dia aviendo la mantenid». en sn Ingar (piiriendo el 
papa hazer otra cosa y con todo esso mea ...(*) el general de fran- 
ceses y su alnjiianta con el conde de . . . y ties galeones los mejo- 
res de su armada y en dos oras la nueslra no pudo socorer me por 
restar sotaviento y ai cavo delias el capitan Oipiendo vin(j sohre la al- 
miranta y le entro en la popa y tome» despojos y por yrsele de nri 
canonazo sn nao a tbndo le fue Inerça retirar se y Inego llego Galar- 
ca nave Viscayna y me empeço a socorer algo que me yzo ailo pro- 
veclio. Estas y algunas que peleaion trayan companyas viejas las mas 
y que an recevido liarlo daíio y seria lastima que se acabase esta le- 
nadura desta jenle y alíin un navio de los que peleavan comigo se 
empeço a ir a fondo y alli junto a [iii se Uu\ y otio se me desabordo 
y una nave Viscayna con la compania de Don .Miguel de (>ardona de 
las viejas la degollo annijue perdio harta jente de su compania la de 
Brisa empeço a desaferarseme y se fue médio hondida. Estrozi peleo 
comigo aijordado quatro oras largas echome tanto fnego que cinco ve- 
zes se me ardio el galeon en bivas llamas y tantas se remédio y lla- 
mando que se rçndian a su majestad. y que le qnerian servir mande 
no les tirasen y ai capitan Pedro Kosado quito dos arcabusazos sin 
oiro viejo altierto sirvio siempre que retirase a Eadrique o areno y 
oiros dos soldados que entraron en la nave de Slrozi por que en la 
mia no quedavan treinta sanos y como veyan su estandarte aborda- 
do comigo acudian todos sus vajeles y de refresco me combalian y 
entre ellos uno echo jenle de refresco a Estrozi con que se me des- 
fere y se salio de mi y el marques de Sant.i Cruz que por ia armada 
andava dando calor a lodos y refrenando conn) de tan gran capitan la 
dei enemigo y viniendo me a socorer Ia abordo y ella se le defendio 
un rato y le mato y hirio jenle hasta que le entro que eran ya cin- 
co oras de combale con que se acabo Ioda la vitoria y su armada aca- 



•) Lacuna do manuscripto. 



AHCIIIVO DOS AÇOHES iíJ4í> 

ho fie hiiif Ioda la que piulu y don António en un palaxe que el an- 
dava a(|nelliis dias antes. 

Los franceses pelearon como cavalleros y tnniieron como crislia- 
nos lo mas acertado en esle caso nolo se mas qne esloi tan cansado 
de sacar muerlos y eridos con ima mar ai cielo y conlanlas descomo- 
didades. For tiaver se (jnedado el ospital y los mas de los cirnjanos 
(jtie Dios save lo (|ne se passa aini(|iie el marijnes manda soccuvr todos 
los lieridos lo inejo!' qne pnede, yo quisiera lener aqni la encomien- 
da de los bastin)ientos para acaballa si la armada viniesse seria bnen 
tiempo para muchas cosas qne salimos lan desproveydos qne no lo o- 
so pensar ni escrevir yo enbio a suplicar a V. .Mag.''" por algunos de 
los qne an seivido a su Mag. en este galeon con ()ue uie dare por 
pagado de mis servicios. en aver (juedado con la vida pai'a poder ser- 
vir a su Mag.'^'' mas no en estos trabajos porque la vida se me acava 
sin beridas pnesto que siento que de la salud ya no ago casso si este 
invierno no reposo bolgaria que su iMajestad les liisiesse md. {mer- 
cvd) sin pleyleallo pnes a su grandesa y servicio conviene nueslro se- 
nor ... de su mano. 

Los franceses pelearon como cavalleros y murieron como crislia- 
nos ame parecido crueldade y pesado en el alma y a Ioda la jente de 
guerra. 

{Bibl Nat. de Paris, Fonds eap. lõO, foi. 30-81.) 



Copia de carta de Don Álvaro de Baçan primero marques 
de Santa Cruz capitan g"eneral dei mar oceano por 
El-Rey nõ sr. para el Illm.° sr. Don Rodrigo de Cas- 
tro, Cardenal Arcebispo de Sevilla. quando el afio 
de 1583, expug"no la Islã Tercera con vencimiento de 
los franceses que en ella avia de presidio con los re- 
beldes portugueses. 

(Inédita) 

111.""* Senoi— Em vano sirvierou todas las diligencias que llegado 
a esta Lsla bize con la gente delia, da qual con" la obsiinacion que 
siempre y resuella de pelear, fiados en la grau fortilicacion de la ter- 
ra y en el buen socorro que tenian de franceses no quisieron admi- 
tir ninguna persona de las que enbie con el perdon general antes les 
liraron de los fuertes mucbos canonazos y aviendo considerado que 
siempre yva en crecimiento su obslinacion resolvi salir con la gente a 



á4C ARCHIVO DOS AÇORES 

tierra el dia de la bieii aventurada Santa Ana por aver sido el mismo 
en el qiiel ano pasado venci la balalla a la armada de Francia y des- 
pnes de aver pneslo la gente qne ordene saliesse en Ia primera des- 
inbarcacion en barcas y vaseles qne traya para este efeto fni con la 
galera capitana con la ipial y las de mas (jiie me scgnyam Mogno a 
una cala por donde me parecio qne delo fortificado era lo mas apro- 
posilo por aver fondo para poder llegar a la bateria con las galeras 
mas cerca que en olias partes de la islã y asi enpece a bater Ires 
fuertes que alli tenian con sus irincbieras bien reparados como lo 
suelen hacer franceses y con la bateria que la capitana hizo y aver 
le rompido de nn canonazo una pieça de las maiores y muerto le un 
artillero y ellos lanbien batian la capitana y los demas que yvan lle- 
gando con gran deligencia y a este tiempo sh desembarco parte de la 
jente la (jual aremetiendo a los fosos y trincheras a unque en elles pe- 
leavan con mucho valor los enemigos se las ganaron los nuestros y 
los franceses se retiraron y aviendo yo salido en tierra di orden se 
liiziesen luego dos esquadrones de los espanoles y alemanes por ve- 
nir ya el socorro el comemJador mosur de Cheanes (Chastes) que era 
general de la infanleria francesa con su gente y Manuel de Silva con 
la porlugesa y los cavallos (]ue avia en la ysla aviendo se recoxido to- 
da la gente que se retiro y la que mas havia en la ciudad de Angla 
todo este dia esluve con el exercito a la frente dei enemigo travando 
siempre escaramnzas y batiendo siempre los esquadrones con ocho pie- 
ças que los franceses liayan de artelleria en su campo y seis que yo 
yse desenbarcar y tau caldamenle que fue menester que yo mejorase 
três ve<es con los esquadrones y por dar calor a los nuestros que esca- 
ramuzasen con los franceses apretadamente y por que de su parle te- 
nian el agua y mucha jente mucha nesesiilad delia fue fuerça el dia 
siguiente ganar se la y ansi se hizo aremetiendo ganando les tambien 
el artelleria y a la retirada de los enemigos y en los fuertes y trin- 
cheras que en la desenbarcacion se les ganaron y en las escaramuças 
perdieron mas de 100 ombres de mas delos que despues degollaron 
los muchos y aliando los deramados por la campina vine en segui- 
miento con el exercito a la ciudad de Angla aviendo ordenado a las 
galeras veniesen tambien a envestir larmada francesa qne estava en 
el puerto que avia traydo el socoro de Francia como se hizo tomando 
treinta naves caravelas galeones de la armada de don António y fran- 
ceses los que quedaron se retiraron a la montana y con ellos lodos 
los porlugeses que ninguno se quedo aqui y viendo esto y que siem- 
pre estuvieron en el esquadrou peleando y que ninguno asta agora 
se me a venido a reducir ai servicio de su mag.'**' concedi ai exercito 
y armada três dias de saco y assi procediendo contra estos rebeldes 
y lo mismo será de los franceses que aviendo les echo el castigo que 
♦^1 ano pasado Vs. 111.™=' save an querido bolver a este contraviniendo 
a la paz que ai entre su mag.**^ y el crislianiss." rey de Francia. 



AHCHIVO DOS AÇOKKS 247 

Escrita esta asta aqni entro el general de los franceses nn solda- 
do con color de entendei' los nuiertos y prisioneros qne yo l^nia y 
aviendo se ablado algiinos capilanes diciendo le qne piies venian co- 
mo cosarios y...yo los avia de haí»rcar a todos como el ano pasado el 
lespondio qne niosiur de C[)m)e<'(Chnstes) era herniano dei dn(|ne de 
Q\sa {Guise) cunado de la Reina de Francia y qne vénia con patenie dei 
rey institucion firmad;i de sn mano de lo que havia de hacer en defensa 
destas yslas y nislo ello. los maestros de campo y t(jda la gente prin- 
cipal dei exercito me piílieron con mucha instancia les isiese gracia 
de sns vidas dandoles enbarcacion para Fiancia en lo qnal yo nonca 
quise venir asta que vi la patenie y eslucion porque aviendo se me- 
tido Don Pedro de Padilla a tiatar deste negocio se las embio el ge- 
neral y el me las dio y visto ser asi y que todo el exercito lo deseava 
y pedia con mucha volunlad cnndecendi a hazer gracia de las vidas 
con que se me rendiesen y entregasen todas las armas pifaros y tam- 
bores como lo y sieron a los quatro deste viniendo todos de la mon- 
tana adonde estavan recoxidos y tanbien se rendieron los portngeses 
que a sido cosa no vista o lendir-se un exercito que estava ai oposi- 
10 dei nuesiro dei que e quedado con mncho conlentamiento por la 
autoridad y repiUacion que se a ganado con ella nacion liizo hazer jus- 
ticia de Manuel de Silva que era general de don António y governador 
en estas yslas y de Manuel Erradas {Serradas) que era capilan general 
dei armada de don António que es el que saqueo a Cavo Verde y Ar- 
guiu y de los capitanes y oíiciales desta ysla que avian echo grandes 
danos robôs y crueldades a castellanos y tambien se aorcaron muchos 
franceses y ingleses que se havian prendido antes que se les hisiese 
la gracia las demas yslas me \inieton a dar la íbedieucia y jurar a 
su mag.''* por sn Rey y senor natural sino fue la dei Fayal que por te- 
ner quinientos franceses por guarnicion dentro a cargo dei capitan 
Carlos hijo dei presidente de Is cancelleria de Bordéus no se quiso 
rendir ni dar la obediência como los demas y ansi enbie dos mil y 
qumientos soldados con el maestre de campo Agostin biignes de Çaia- 
te embarqados en las galeras yabras y pataxes y con todo a don Pe- 
dro de Toledo marquez de Villa Franca para que procurase alianar 
aquella islã como lo hizo haviendo escaramuzado con los enemigos y 
degollados muchos dellos, los qnales conforme a la orden que yo le 
di in caso que uviese concierlo rendieron la bandera armas pifares e 
a tãbores y asi se hizo. Uexo en estas Islãs dos mil soldados para la 
guarda e defensa d ellas y por maestre de campo a Juan de Urbina e 
queuto dar a Vs. II Im/' cuenla tau particular de l(tdo lo susedido por 
que se lo que se holgara asi por lo que toca ai servicio de su mag.'^'" 
como por ser yo tan su servidor. Guarde unestro senor la III.'"* per- 
sona de VS. en ei acresentamienU» que yo deseo, de la ciudad de Aii- 
gla en la ysla Tercera a beiíite y siete de agosto de I58ÍÍ. Beso las 
manos de VS. lll.™^ Don Álvaro de Bacan. 



Í48 



ARCHIVO DOS ACOHES 



Relação das pessoas da illia Terceira agraciadas por D. 
Filippe II. 1581-1602. 



1381 



TRIGO: moios TENÇAS: reis 



-Frey António Varejiio, Fiinila<lor do 
(Convento <Je S. Agostinho, dAngia 
Lopi) Gil Fagundes .... 
1582—06 Novembro em dianle. 

Lniz Alvares (Cónego) . . . . 

Melchior de .Magalhães. 
Álvaro Luiz ..... 
Luiz .Monrato ..... 
IS83— Hedro Alvares Cabral . 

Anlonio Hibeiro. .... 

D. Maiia da Camará, vinva de João de Bel 

tencorl. o degollado 1 1) 
Fili|)|)a de Vasconcellos, viuva de Panlaleão 

Pnvs 

Anlonio Vaz (>hama .... 

Pedro Fernandes dAgnillar 

Joi-ge Dias .... 

SiinfK) Gonçalves, Chanceller d'Angra 

Francisco Vaz (Cónego) 

Antónia Vaz, viuva de Gaspar Estaco que 

morreu em França 
Custodio Vieira Hocarro 
Manoel da Silveiía Borges 
.lorge de Lenjos Bettencourt, o foro de fi 

dalgo, o habito de Christo e . 
Matheus Pires .... 

Maria Serrão, tilha do Lic.*^" Petiro Serrão 
Francisco das Neves 
1584— Heitor Colonel .... 
Rodrigo Fernandes .... 
Isabel Diniz, viuva de Pedro Alvares (2j 
Álvaro Pires Ramires 



I Tença 2();500O 
í Moradia 12á>0(X) 
155000 
15*5000 
156000 
15í»000 
15^000 

100^000 



20W0 
40^1000 

1-2Í.C00 



45áiOOO 
30.5000 

aOíjíooo 

lOO^JlOOO 

lOWO 
20;5iOOO 



40:5000 
15^000 



35 



569;5ÍOOO 



(1) Com direito ilc testar 50^^000 rs. da dita tença, a lavor dp sua filtia D. 
Margarida. 

(2) Com direito de testar 20^000 rs. e 2 moios de trigo, a lavor de sua ti- 
lha Margarida Dias Pereira, mulher de Sebastião da Costa Corrêa 



ARGHIVO DOS AÇORES 



249 



Transporte .... 

1384 — João Cordeiro, Piloto mór das galés . 
Catharina Pires, aiulher de Diogo Vieira Pa- 
checo 

Amónia Gomes, viuva do tabellião Jacome 

de Trigo {com faculdade de testar) . 
Barbara Cabral, filha de Manoel Fernandes 

Cabral . . . . ' . 

1383 — Manoel Quinteiros, Sargento Mór da Praia 
António Pacheco de Lima 
Catharina Sanches . . . . . 
Gaspar Homem Sodré (por serviços de seu tio 

João Luiz Homem, Vigário) 
Antónia á<\ Silva, mulher de Francisco do 

Canto 

1386 — D. Antónia da Silva, mulher de Francisco 

da Silva 

Gaspar Homem da Costa, com o habito de 

Christo 

Isabel das Neves, viuva de Belchior Aífonso 
Isabel Diniz, filha de « -< 

e poder de testar . . . . 

Marthi Vaz, filha de Melchior Affonso, que 

morreu esquartejado 
Antónia Vieira, filha do anterior 
Manoel Mourato . . . . 

Estevam Ferreira de Mello, habito de Chris 

to, foro de fidalgo e . . . 
Ao mesmo Estevam em 1389 
1388— Francisco Homem . . . : 
Thomé Diniz, por serviços de seu pae Bar 

tholomeu Fernandes das Neves, o habi 

to de Chisto e . . . . 
Diogo Paim da Camará, o habito de Christo e 
1389— Gaspar Cardoso, P.** e Licenciado, um be 

neficio e 

Manoel Fernandes de Cêa 

.leronymo Fernandes de Cêa (irmão do an 

terior) 

António de Mello e Castro, filho de Pedro 

de Castro do Canto, habito de Christo e 



N." 2I-Vol. IV— 1882, 



TRIGO: moios 
33 



TENÇAS; reis 
. 369W0 



40;$1000 

mooo 

13í$í000 



20íí00u 

I3ái000 

40^000 

13^000 
30,^000 

13W0 
I3ôiOOO 
lO^SlOOO 

30j$ÍOOC) 
30ÔÍ000 
10^000 



20^000 
20^000 



30?$!000 
30í$ÍOOU 
20,$ÍOa) 



«4 



1 :026??!00() 

8 



Í250 



AKCHIVO DOS ACOKES 



TRIGO: moios 



Transporte 

i589 — Heitor Homem da Costa, hahilo de Christo e 

Francisca de Boim, viuva de João Lopes Fa- 
gundes 

Jeronymo Pacheco, cónego 

Ruy Dias de Sam Paio .... 

Francisco Vaz. cónego .... 

Isabel Diniz, viuva de Manuel Jarome Trigo, 
com poder de testar em Maria Diniz, sua 
filha ....... 

Henrique de Bettencor. habito de Christo, 
pelos serviços de seu pae Francisco de 
Bettencor e 

Manoel de Rego Borges .... 

Domingos da Costa, capitão 
1602 — João do Canto de Vasconcellos, habito de 
Christo e 



64 



TENÇAS: reis 
l:026?^000 

. 20;$Í000 



30TO0 
20íi000 



20^000 
ISííiOOO 

mooo 

20/5iOO() 



70 1:IG3;$>000 
(Drummond— ^ww. da Ilha Terceira, T. I. p. 688.) 



Tença ao P.' Jerónimo Pires da ilha Terceira, 1584. 

Dom Fellipe &. Faço saber aos que esta carta virem que avendo 
respeito a Jerónimo Pires clérigo morador na ylha Terceira proceder 
bem em meu serviço no tempo das alterações delia e a sua mãy e irmãs 
padecerem por yso muitos trabalhos e afrontas e serem saqueados 
de quanto tinhão e elle ser preso no aljube e a dita sua mãy íalle- 
cer e querendolhe fazer mercê ey por bem e me praz que elle tenha 
e aja de minha fazenda em cada hum anuo dous moyos de trigo de 
tença com obrigação que sostentara as ditas suas irmãas os quaes 
dous moyos de trigo começara vencer de xbiij (18) de Junho do anno 
passado de b*= e Ixxxiij {õ83) em diante em que lhe tiz esta mercê 
com declaração que iria na armada que o mesmo ano avia de ir a 
dita ilha: notefficoo assi aos vedores de minha fazenda e lhes mando 
que lhos façam asentar nos livros delia e do tempo em diante despa- 
char em parte onde delles aja bom pagamento constandolhe primei- 
ro per certidão autentiqua de como ele foi na dita armada e porque 



AKCHIVO nos AÇOHKS 251 

desta mercê lhe foi passada hiia |)i)tlari.i fnila no dili) tempo que diz 
c,ue p''fdeo antes de se fazer obra por ella sendo caso ijue apareça 
em algnm tempo não avera elfeilo e seia obrigado a entregalla a 
Irancisco Serrão ipie ora corre com os ditos despachos do reino pêra 
a romper porquanto lhe passí)ii outra com salva poi- que lhe mandei 
passai' esla carta por mim a>inada e sella la do meu sííIIm pendente. 
João de Torres a fez em Lixboa a xxb(:í-'>) de setembro, anuo do nas- 
cimento de nosso senhor Jlul x." [Chn.sto) de ~Y b*^ Ixxxiiij (1584) eii 
Diogo Velho a fiz escrever. 

{Arch. nac. da T. do T., Chanc. de Filip. /., Liu. 8.^ foi. 83 i'.°) 



Alvará de 22 de Fevereiro de 1597, para a Gamara da ci- 
dade d' Angra. 

Eu el Rei faço saber aos que este alvará virem que por me en- 
viarem pedir os oíOciaes da camará da cidade d Angra da ilha Ter- 
ceira e vista a informação do desembargador Christovão Soares de 
Albergaria que foi corregedor das ilhas dos Açores e para que com 
menos opressão e trabalho do povo e moradores da dita cidade se 
satisfaça a despesa dos alugueres das casas que estão ocupadas com 
a gente da guerra que na dita cidade reside e que eu per minha 
provisão tenho mandado se pague aos donos das ditas casas fintan- 
do-se para isso os ditos moradores e os ausentes que tiverem fazen- 
da na dita cidade e seu termo no que recebem muita moléstia e ve- 
xação ei por bem de conceder impossição na dita cidade de Angra e 
seu termo nas carnes, vinhos e azeites, para se pagarem os alugueres 
das ditas casas e farseá exame com o corregedor das ditas ilhas do 
que importar o dinheiro dos ditos alugueres para confornie a isso 
se computar o que se deve pagar por arrátel de carne, canada de 
vinho e azeite, durando o tempo que as ditas casas estiverem com 
soldados do presidio, e sucedendo que alguas os não tenham por se 
tirar parte delles na forma em que se forem aliviando se pagara a 
impossição pelo tempo em diante para que assi a primeira não fique 
perpetua e a tudo assistirá sempre o dito corregedor para milhor 
ordem e não se fará em outra maneira e o rendimento da dita im- 
possição se não poderá despender em mais que no pagamento destes 
alugueres das casas no modo (1) sobre dito e o escrivão da camará 
da dita cidade será escrivão da dita impossição e de tudo o mais que a 



(1) Falta esta syllaba no registo. (Nota do xr. ./. /. de Brito Rebello.) 



252 ARCBIVO DOS AÇORES 

ella tocar e se fizer per bem deste alvará e terá hum livro numerado 
e assignado pelo dito corregedor no qual escreverá em titulo apartado 
per si a recepta do dinheiro da dita impossição e em outro titulo 
apartado a despesa que delle se fizer no pagamento dos ditos alugue- 
res e no principio do dito livro se trasladara este alvará para se saber 
como para isso somente concedi a dita impossição, e o dito correge- 
dor tomará cada anno conta do rendimento delle e saberá como se 
despendem e achando que se gasta em outras cousas não levará em 
conta o que se assi não despender no dito pagamento dos alugueres 
das casas. E mando ao dito corregedor que ora he e ao diante for 
que proceda neste negocio com toda clareza e boa ordem de ma- 
neira que em todo se guarde o que per este alvará tenho ordena- 
do, e o cumpra e faça cumprir como nelle se contem e será tamben) 
registado no livro da camará da dita cidade de Angra e este próprio 
se poerá no cartório delia em toda bôa guarda pêra se ver que o ou- 
ve assi por bem pelos respeitos e na maneira sobre dita, e quero que 
este alvará valha A. Pêro de Seixas o fez em Lixboa aos xxii (22) de 
fevereiro de mil b*^ L r bij (1597) e do Iheor deste alvará que he a 
primeira via se passou mais outro para ir por duas vias comprirseha 
um somente. =Concertado, António d Aguiar. 

(Ai'ch. noc. da T. do T., Liv. 2." dos Privil. de Filipp. L /. 233 v:" 



Copia da carta dos Estados Geraes das Províncias Uni- 
das da Belg-ica ao Governador, Juizes e Conselheiros, 
das ilhas da Madeira e Açores; 1609. 

Illustris Domine, Spedabiles Clarissimique viri. Mcrcatores unítarum ha- 
rum Provinciarum in insulis Tercera S.' Michaelis et Madera per institores 
suos mercaturam exercentes nobis exposuerunt Hispaniarum Regem hujus an- 
ui mense Júlio illuc quendam delegasse qui diligentis;ime inquirat de illis qui- 
bus post annum i5g8 cum subditis nostris commercium fuit cum auctoritate 
procedendi adversus noxios cujuscunque fuerint nationis ad confiscationem ea- 
rum mercium quas in praesenti possident, possederunt aut ad aestimationem 
earum, eo amplius libros eorum inspiciendi ut cum quíbus mercaturam exer- 
cuerint cognoscat, sententias aliorum judicum in favorem mcrcatorum eorum- 
que institorum latas retractandi eumque apprime operam dare ut mandatum 
suum in Madera exequatur, quamvis suprad. unitarum harum Provinciarum 
mcrcatorum institores vobis ostenderint quam damnosa illa inquisitio futura 
sit. Quam ob causam supplices nostram opem imploraverunt ut pro ipssis apud 
vos intercederemus ut ab hac novitate (quae libero commercio et quarto indu- 
ciarum articulo contraria est) desistatur, quam petitionem. cum aequissima 



ARCHIVO DOS AÇORES 253 

sit, ipsis recLisare non potuimus, eo magis quod in nostrae ditionis provinciis 
id sedulo agimus ut induciac quam fieri potest cxactissime observentur, non 
permittentes inquiri in illa quae durante bcllo facta sunt, ut commercium eo 
liberius essct veraque amicitia inter utriusque partis súbditos (ut est pactum 
induciarum) conservetur: ab omni enim ratione alienum foret tempore iudu- 
ciarum illa quorum delegatus ille judex mandatum habet refricare, cum tem- 
pore belli fuerint omissa aut neglecta. Quamobrem summopere vo s rogamus 
ut, rationibus omnibus bene consideratis, id agatis quo mandatum diéli Dele- 
gati revocetur aut saltem ab executione desistatur, donec Hispaniarum rex 
per archiduces Áustria; de mole et consequentia rei instructus aliter disponat, 
sin aliter certi estote inchoatam amicitiam commerciumque summo vestrarum 
et nostrarum Provinciarum damno, quod illibenter videremus, dirutum iri, 
quocirca haac res vobis ceque atque nobis curae sit. Rogantes Deum Optimum 
Maximum ut vos in protectionem suam recipiat. Data; Haga; Comitis in Hol- 
landia 23a novembris anno 1609. lan Oldenbarnevelt. 

Vobis addictissimi 
Ordines Generales Provinciarum Unitarum Belgii. 
Mandato Dominorum Ordinum prcedictorum. 

Aersen. 
1 6og. 

(Sobrescrito) lUustri Domino, Spectabilibus clarissimisque viris, gubernato- 
ri et judicibus sive consiliariis civitatis de Funchal et insula; de Madera. 

{Carta original na Bibliotheca National de Paris, Fonds port. n. i3,fol. 
5~(>-5';'] v.»; copiada por Mr. Alfred Morei Fatio.) 



(Traducção da Carta anterior) 

Mui illustre Sr., honrados e nobres Sr.' 

Os mercadores das nossas Provincias-Unidas que por meio de se- 
us caixeiros commerciam na ilha Terceira, S. iMiguel e Madeira, nos 
representaram que o rei das Hespanhas em julho do corrente anno 
enviara àquellas ilhas um juiz encarregado de proceder com todo o 
rigor a uma devassa contra as pessoas que depois do anno de 1598 
tiveram transacções commerciaes com os nossos súbditos, com auctori- 
dade de punir os culpados, nacionaes ou estrangeiros, confiscando- 
Ihes as mercadorias que actualmente possuem ou possuíram, ou 
procedendo á avaliação das mesmas, vistorisando-lhes os livros para 
conhecer com quem commerciaram, trancando as sentenças dos ou- 
tros juizes publicadas em favor dos mercadores e de seus caixeiros: 
e que o dicto juiz desenvolvia na Madeira a maior actividade no cum- 
primento do seu mandato, não obstante a representação que á vossa 
presença fizeram subir os caixeiros dos mercadores das nossas l*ro- 
vincias-Unidas sobre os damnos de uma tal devassa. Não tendo sido 
attendidos, recorreram á nossa intervenção, supplicando-nos inleice- 



Í254 ARCHIVO DOS AÇORES 

déssemos por eiles junclo de vós, a fiin de desistirdes de similhante 
medida original ( qiie se oppõe à liberdade do commercio e ao arl." 
4.° do convénio para a suspensão de armas). E sendo justissima a 
sua petição, não podiamos recusar-lhes os nossos bons oílicios, tanto 
mais quanto nas províncias sujeitas ao nosso domínio curamos com o 
maior zelo de cumprir e guardar quanto possível os artigos do con- 
vénio, não consentindo se tirem devassas sobre os f.iclos praticados 
durante a guerra, promovendo assim a liberdade do cnmmercio e a 
amizade entre os súbditos da vossa e da nossa nação, segundo o pa- 
ctuado no convénio; pois seria fora de toda a razão renovar durante 
o convénio o que no tempo da guerra foi omittido ou posto de par- 
le. Pelo que instantemente vos pedimos, que, bem pesadas todas as 
razões, vos empenheis para se revogar o mandato do juiz, ou pelo 
menos, para se desistir da sua execução, até que o rei das Hespa- 
nhas, informado pelos archiduques de Áustria sobre a gravidade e 
consequências de similhante medida, a revogue de todo, ficando vós 
certos de que aliás, mào grado nosso, a amizade já em via de come- 
ço e o commercio entre as duas nações desappareceriam inteiramen- 
te com gravíssimo e mutuo prejuízo, circumstancia que a todos nós 
deve merecer toda a allenção. Rogamos ai» Todo Poderoso vos tenha 
em sua guarda. Dada na cidade da Ilaya na Hollanda a 23 de Novem- 
bro de 1600. Yan Oldenbarevelt. 

Vossos amigos dedicadíssimos, 

Os Estados Geraes das Provincias-Unídas da Bélgica. 
Por ordem dos Senhores dos referidos Estados. 

Aersen. 
1609. 

{SubscriíHo^ Ao mui illustre Sr. Governador, aos honrados e no- 
bres Juizes ou Conselheiros da cidade do Funchal e da ilha da Ma- 
deira. 

(Trad. pelo Sr J. P. da Costa.) 



CONQUISTA DÁ ILHA TEÍ|CE1R 

PELO 

Lleenci.ul ) Clirisloval llosqiiera de Figueroa 

Auditor Geral da Armada e Exercito dei Rey Católico * 

(Extractos) 

Foi. 10 v.°) «Despiies que don António de Portugal, Prior de Ocra- 
to, hijo no legitimo dei Infante don Lnys, con tirânico titulo de Rey, 
dado por algunos de sus naturales, y so color de defensor, y prote- 
ctor de los Portugueses, congrego gran copia de deudos, amigos y 
allegados, que por ser unos inclinados a novedades, y otros públicos 
delinquentes, y sediciosos, y otros de humildes y oscuros linages, pro- 
curando de acrecenlar sus haziendas y nonbres, y darse a conocer 
por este camino, en esta confusion y revolucion de Reyno, conspira- 
ron contra la corona Real, devida por derecho divino y humano ai 
Rey don Filipe segado nuestro senor. haziendo esta gente rebelde 
brava diligencia en reforçar y ampliar esta liga, unos publica, y otros 
secretamente, con sus haziendas, consejos. y personas: y viendo que 
cada dia mas, por fallarle la justicia a don António, le yva faltando el 
poder para passar adelante en sus delerminaciones. acordo de valerse 
de fuerças agenas. invocando el auxilio de gente Francesa, los mas 
dellos piratas, y públicos robadores, y diferentes en religion, con que 
tanto Dios se ofende, en que vino a degenerar a la comun opinion 
dei Christiano y Católico nombre de sus progenitores, y a traer de 
Francia en su favor a Filipe Stroci, que vénia por general de sn arma- 



(•) Comentário en breve Compendio de Disciplina Militar, en que se escrive In 
jornada de las istau de los Açores. En Madrid, por Luis Saiiclies: Ano 1596. Uni 
volume em 4.°, com 4 foi. innumeradas no principio, e 184 foi. numeradas só no 
recto e mais duas de indece, sem numeração. Enire as folhas 71 e 72 tem uma 
gravura de maior formato, que representa o desembarque no Porto das Mós. É 
obra rara e mui apreciada na parte histórica como esrripta por teslemuiilia pre- 
sencial dos factos; o aulor porem querendo ostentar erudlcjão escusada, corta a 
caria momento o íio da narrativa, para intercalar largos períodos de insuportá- 
vel Gongorismo, períodos que em proveito do leitor se supprimíram. 



256 ARCHiVO DOS AÇORES 

da: contra quien el Marques de Sanlacruz, Capiían general, consignio 
aquella tan sefialada vitoria ei aiio passado de nuestra redencion de 
1582 que con veynte y cinco navios, con que se hallò cerca de Punta- 
delgada, le represento ia batalla; donde fue el Francês vencido y muer- 
to, y toda la de mas gente niuerta, desbaratada y rendida, y echada 
a fondo, con una tan gruessa armada de 63 nãos de alto borde: con 
que no solo pensava ser socorro y conservacion de las islãs, pêro 
quitarles remotamente el mar a los Espanoles, como el mesmo Filipe 
Stroci lo escrivio a la camará y regimienlo de la ciudad de Angra: 
con que se defendieron y pelearon bravamente, como valientes solda- 
dos, hasta que no pudiendo resistir la fúria de los nuestros, assi los 
que fueron a fondo, como los muertos, fueron mas de mil y dozientos 
hombres, y muclios mas los que tuvieron lugar para escapasle huyen- 
do en sus naves rotas, destroçadas, y quemadas: sin los presos y ren- 
didos, de quien se hizo aquella notable justicia en médio de la placa 
lie Villafranca de la islã de San Miguel: y aunque rigorosa aí pare- 
cer de algunos, fue importante, porque en algunas ocasiones deve 
ser el Capitan general áspero, e inexorable executor de las severas 
leys de la guerra, de cuya crueldad piadosa (que assi se puede 11a- 
mar) pande la salud de los exércitos, amparo de las republicas, y la 
conservacion de los estados. Estas vitorias Navales merecen inmorlal 
renombre, porque (Como dize Vegecio en su libro de las cosas de la 
gueira) ninguua cosa ay mas cruel, y digna de temerse, que la batal- 
la de mar, donde los hombres, sobrepujandose a si mesmos en es- 
fuerço y osadia, mueren entre el fuego y el agua. Y por ser poços 
los navios, con que el Marques en aquella coyuntura se bailava, por 
non aver Negado a tiempo la armada que se avia juntado para esta 
jornada en el Andaluzia, de diez y nueve navios, dos galeones, doze 
galeras, y dos patajes, y por estar la armada dei Marques mal para- 
da de la batalla, y con mucha gente muerta y herida, y falta de pól- 
vora y cuerda, y el tiempo muy adelante, y porque todas estas cau- 
sas estorvarou el desígnio desta empresa, para acabar de sujetar y 
reduzir aquellas islãs que estavan rebeldes, haziendo relacion dei es- 
tado destas cosas a su Magestad, dexò en la islã de San Miguel dos 
mil y quinientos hombres de guarnicion, a cargo de Agustin Ifiiguez 
de Çarate, Maestre de campo de aquella islã, y tomo la buelta de la 
ciudad de Lisboa: donde llegò a 15 de Setiembre, con su felice y vi- 
toriosa armada, haziendo salva á su Magestad, que le mirava, con or- 
denado y agradable estruendo de pieças de artilleria, y arcabuze- 
ria, que levanto lo> ânimos de los hombres. y fue recebido con aplau- 
so universal de aquella ciudad, y de Ioda Espana. A quien su Mages- 
tad trato con su Real acogimiento, honrandole con palabras dignas de 
tan alto Rey: por que a las vitorias se le siguen las gracias y honrai 
publicas: y mejorandole despues en la encomienda mayor de Leon. Y 
como fuesse de tanta importância para la quietud y sossiego de los 



ARCHIVO DOS AÇORES 237 

reynos de Portugal, y para quietar los vários desígnios de algunos 
reynos estrangeros de dudosa correspondência, el poner fln a esta 
empresa, con mas determinacion y cuydado que hasta aqui, y allanar 
esta gente, y poner termino a las insolências y ofensa que a Dios se 
liazia, y que se yva cada dia mas desenfrenando, con la ordinária co- 
municacion de los estrangeros que receptavan, alterando, y desassos- 
segando a los naturales con maios consejos, y peores obras, mando 
su Magestad, que se aprestasse otra armada para el ano siguiente, y 
que a entrada de Primavera, el Marques saliesse con ella a allanar la 
islã Tercera, con las de mas circunvezinas, que estavan alteradas, 
que eran el Fayal, el Pico, la Graciosa, la islã de san Jorge, y de 
Flores, y la dei Cuervo. Y para esto se juntaron en el rio de Lisboa 
muchos baxeles, que non tanto por el numero, como por la diversi- 
dad, no creo que se aya visto semejante armada en estes reynos: y 
por esto hare brevemente relacion de los navios que hizieron la jor- 
nada, que son los siguientes. 

Cinco poderosos galeones, el galeon san Martin, que es la Capita- 
na desta armada, y san Filipe, y san Francisco, con otros dos dei 
Marques: nueve naves grandes Arragocesas, três naves Catalanas, 
três Venecianas, três Genovesas, una Napolitana, ocho naves de Gul- 
puzcoa, que sirvieron en la armada passada con muchos Vizcaynos, y 
Guipuzcoanos, gente de tolerância y tidelidad; siete naves que entra- 
ron en el rio de Lisboa por fm de Mayo, juntamente con las ocho, 
tambien Guipuzcoanas, seys patages de Guipuzcoa, ocho patages de 
Castro, quinze zabras de Castro, quatro caravelones Portugueses, pa- 
ra llevar cavallos, nueve caravelas de Alfama, para lo mesmo, siete 
barcas chatas, para desembarcar infanteria: de mas de otras veynte y 
dos velas, que el ano passado quedaron en la islã de San Miguel, to- 
dos navios grandes y fuertes, y bien armados, de muchas salmas, al- 
gunos de mas de mil y quinientas toneladas, y el menor dellos baxa- 
va poço de quatrocientas. Demas desto fueron de grande ornamento 
y fuerça dos galeaças que vinieron de Itália, a cargo la Capitana de 
Juan Ruyz de Velasco, y la Patrona de Peruço Morano, gentiles baxe- 
les de remo y vela, adornados de mucha artilleria, y gente de guerra. 
Vinieron juntamente doze galeras Reales, sacadas dei numero de las 
de Espana, a cargo dei Capitan Diego de Medrano, soldado de mucha 
determinacion y esperiencia, a quien su Magestad hizo merced dei 
abito de Santiago; y las demas galeras, que las trayan a Cargo Capi- 
tanes exercitados en naval diciplina: y todos estos baxeles que he 
referido, seran ciento y três. Las galeras, venian bien armadas y pro- 
veydas de chusma, marineria, y soldados que en ellas tienen sus pla- 
cas, y muchos pertrechos, que por ser ésle camino desusado para 
galeras, y no aver sustentado estos mares este género de navios, 
por ser baxos de costado, largos, celosos, y propios para costas, es 
cosa para estimarse cada dia en mas los ânimos de los Espanoles, 

N.° 21-Vol. 1V-J882. 9 



Í2l58 AKCHIVO DOS AÇOHES 

que siempre con nueva osadia y esperiencia de constantes pechos, 
van acrecentando su nonbre: demas de que el ano passado se avia 
intentado esta carrera, y para ello don Alonso de Baçan, trayendo a 
su cargo la armada dei Andaluzia, de que se ha hecho memoria, con 
gran diligencia y solicitud apresto ocho galeras, y ias puso en derro- 
ta desde la baya de Lagos, bien reparadas y prevenidas, para qual- 
quier sucesso, y no pudieron passar adelante por la aspereza de los 
mares, y contrario tiempo que les hizo: que no dio poço temor enton- 
ces ver estos baxeles tan largos, que muchas vezes se sumergian has- 
ta el arbol en aquellas sobervias ondas dei Oceano, y los remeros 
de proa hasta la mediania, quedavan banados dei agua salada que se 
agotava por las rejolas de las galeras: negocio que parecia impossible 
poderse hazer jornada en ellas, no porque el uso de las naves largas 
con remos no aya sido muy antiguo en la mar, que desde el navio lla- 
mado Argos tienen su principio.... 

Foi. 13 v.°) «...diferente cosa de la navegacion deste hinchado gol- 
fo de las Yeguas, que aun para navios redondos y veleros es espanto- 
so. Y entretanto que llegava el tiempo para que á toda la infauteria, 
que por las ordenes dei Marques se esperava se les diesse embarca- 
cion, se cargaron los bastimentos en general, con las prevenciones de 
municiou que se podian ofrecer, tiniendo en todo la providencia ne- 
cessária, Y porque en las jornadas que se hazen por tierra de ene- 
migos. no solamente suelen cegar las fuentes, pozos, cisternas, y a- 
tossigar las aguas, pêro agostan los campos, destruyendolos, y dexan- 
do de sembrar las tierras, encerrando con tiempo en sus fuertes, o 
lugares cercados y fortificados, todos los frutos, y mantenimientos que 
pueden para sustentarse, y que quando el enemigo llégue, no hálle 
cosa de que pueda aprovecharse para refugir» de su necessidad: assi 
previniendo el Marques a esto, se entregaron a los oficiales de las 
naves seys mil sacos, cinco mil mochilas, y quatro mil odrezillos, pa- 
ra Nevar consigo cada uno vino y agua, y otras cosas menudas, pa- 
ra remediar la presente necessidad de los soldados. 

LIegó el Maeslre de campo general don Lope de Figueroa con su 
tercio a la ciudad de Lisboa, y luego se dio orden para que todas las 
companias se embarcassen, y assi se embarco don Lope con el tercio 
de três mil y quinientos y ochenta y dos hombres: y luego don Fran- 
cisco de Bobadilla con su tercio de dos mil y quinze soldados. Y de 
las companias que salieron dei Castillo de Lisboa, a cargo de don 
Juan de Sandoval, por Maestre de campo delias, se embarcaron sete- 
cientos y setenta y nueve soldados, demas de quatro companias de 
Andaluzia, de dozientos y onze soldados, y mas quinientos y quaren- 
ta y dos hombres, que vinieron de la ciudad de Oporto, y três com- 
panias Italianas, que venian en la galeaça Capitana, con dozientos y 
catorze soldados: y el Conde Geronymo de Lodron, Coloner de mil y 
setecientos y veynte y cinco infantes: que sou por todos nueve mil y 



ARCHIVO DOS AÇOKES 259 

dozientos y sesenta y dos, y jnnlandolos con dos mil y trezienlos solda- 
dos dei lercio dei Maestre de campo Agiislin Iniguez, que quedaron pa- 
ra servir, de los que dexó el Marques el ano passado en la Islã de San 
Miguel, y se hallaron en la balalía, seran por todos onze mil y qui- 
nientos y s^^.senta y dos, repartidos en setenta y una vanderas, demas 
de la companhia dei capitan dou Félix de .\ragon, de soldados Portu- 
gueses aventureros, y gente luzida, que venian a su costa en la nave 
Santa Maria de Iciar, y eran ciento y treynta hombres: y fuera desto, 
cincuenta cavalleros particulares, ochenta y seys personas entreteni- 
das, sin la gente de mar de los galeones, nãos, galeras, y galeaças, 
y otros baxeles, que serian três mil y ochocientos y veynte y três, 
con baslimentos para cinco meses. 

La mayor parte desta infanteria era escogida, por ser gente exer- 
citada, y soldados viejos, diestros, y bien disciplinados y entre ellos 
mil y dozientos y quarenta mosqueteros Espanoles, que poças vezes 
se han visto juntos en tanto numero; y los mas de los Capitanes se- 
nalados, pur averse bailado en muchas ocasiones en servicio de su 
Magestad, assi en Itália, como en los estados de Flandes, rauy luzidos 
en los adereços de sus personas, y en todas armas, en lo que a cada 
uno le tocava: y en lodo avia el Marques proveydo con tanta conside- 
racion, que demas de las armas que la infanteria llevava, le parecio 
embarcar otras muchas de respeto, y con ellas las municiones sigui- 
entes. 

Ochocientos y dos quintales de pólvora, en todas las naves, pata- 
ges, galeras, y zabras, trezientos y seys quintales de piomo, sesen- 
ta y ires barriles de balas de arcabuz, y de mosquetes, dos mil y 
dozientos y cincuenta quintales de cuerda, quatrocientos y seys arca- 
buzes, con sus adereços, quatrocientas y ochenta y quatro picas, mas 
de dozientos mosquetes. Todas estas armas fueron embarcadas en três 
naves, de mas de la pólvora y municiones que avia en la islã de San 
Miguel, de que adelante se haze memoria. 

Yva en esta real armada, en un galeon que se acabo de armar 
en el rio de Lisboa, de que he hecho mencion, don Pedro de Toledo 
Marques de Villafranca, hijo dei famoso don Garcia de Toledo, Capi- 
tan general de la mar, que assi en la naval, como en toda militar di- 
ciplina, dexó ai mundo un exemplo de valor e industria. En el galeon 
capitan venian don Pedro de Padilla, comendador de Medina de las 
Torres, de la orden de Santiago, cavallero de esfuerço y consejo, Go- 
vernador y Capitan general de Oran, don Luys de Borja, hijo (iel Du- 
que de Gandia, don Alonso de Idiaquez, de la orden de Santiago, hi- 
jo de don Juan de Idiaquez, dei Consejo de estado de su Magestad, y 
que sucedio ai Marques en la encomienda mayor de Leon, don Pedro 
Ponce de Leon, sobrino dei Marques, de la orden de Calatrava, dun 
Filipe de Córdova de la orden de Santiago, hijo de don Diego de Cór- 
dova, primer cavallerizo de su Magestad; don Luyz de Sandoval, co- 



260 ARCHIVO DOS AÇORES 

mendador de Puerto llano, sobrino dei Marques de Denia, el Conde 
de Villafranca en el Reyno de Portugal, con su hijo segundo, don 
Jorge Manrique,de la orden de Santiago, veedor general desta armada, 
don Juan de Sandoval, comendador de Carrion, de la orden de Cala- 
trava, hermano dei Marques de Denia, don Francisco Pernot, comen- 
dador de Esparragosa de Laris, sobrino dei Cardenal Granvela, don 
Pedro Ponce de Leon, Marcelo Caracciolo, cavallero dei reyno de Ná- 
poles, don Alonso de Carvajal, hijo dei Conde dei Villar, Virrey dei 
Pyru, don Godofre de Mendoça, comendador de Guadalherze, de la 
orden de Calatrava, a quien su Magestad hizo despues merced dei ti- 
tulo de Conde de Lodosa, don Rodrigo Manrique, don Alonso de Ro- 
jas don Garcia de Cotes, don Francisco de Guzman, don Juan de Cas- 
telvi, criado de su Magestad,- de la orden de Calatrava, don Alonso 
de Torres, fidalgo dei Reyno de Portugal. Vénia en esta armada don 
Juan de Benavides Baçan, sobrino dei Marques, Doctor en santa Theo- 
logia, Chantre y Canonigo de Salamanca, y administrador dei hospital 
y enfermeria deste exercito, con titulo de inquisidor, a quien despues 
se le hizo merced de capellan mayor de la capilla Real de Granada; 
don Christoval de Erasso, cavallero de la orden de Santiago, muy ex- 
perimentado en mar y gueria. Capitan general en la carrera de las 
índias, Juan Martinez de Recalde, dei habito de Santiago, a quien su 
Magestad hizo merced dei cargo de los galeones, que andan en guar- 
da de las costas de Espana, y navegacion de las índias, Juan de Hor- 
bina, cavallero de la orden de Santiago, el Capitan Juan Venegas 
Quixada, teniente de Capitan general dei artilleria, don Gabriel de 
Lupian, cavallero de Cataluna, cuya es la galera Lupiana, don Hugo 
de Moncada, hijo dei Conde de Aytona. deí habito de Santiago, sin o- 
tros muchos cavalleros, cuyos nombres no escrivo, porque en el dis- 
curso desta historia se haze relacion dellos en muchas ocasiones, pues 
es justo que se nombren los que en servicio de Dios y de su Rey ha- 
hazen en la guerra lo que deven. 

Para que brevemente se levasse esta armada, y todos se alistas- 
sen, el Marques mando que las naves saliessen a vista de Belen, que 
será media légua de Lisboa, para que alli se tomasse muestra y se 
acabasse de aprestar lo necessário.... 

Foi. 18 v.°) «Y para el buen govierno dei que tenemos delante 
dio el Marques estas ordenes y breves instruciones, sacadas dei nu- 
mero de las militares, y de la prudência legal, para que assi la gen- 
te de guerra, como la de mar, se rigiesse y governasse por ellas. 
Que todos los soldados y personas que vau en el exercito, sirvan y 
acudan debaxo de sus vanderas que les han senalado, sin salir de la 
orden que se les diere, a pena de ser castigados a arbítrio dei Mar- 
ques. 

Y supuesto que el fin de las leyes y constituciones bien ordena- 
das, es, que Dios con culto decente sea reverenciado, pues el arte de 



ARCHIVO DOS AÇORES 261 

la guerra eslá en obedecer a Dios, y armas sin Dios, no venceu, y 
con el miedo de las penas se refrenen los atrevimientos de los hom- 
bres, y que la inocência entre los maios biva con seguridad, y la in- 
solência de los atrevidos, y el uso que tienen de delinquir, se dome 
con el espantoso castigo, comiença desta suerte la primera orden. 

Que ningun soldado se descomponga en obra. ni en palabra. en 
desacato de Dios nuestro senor. ni de la Santa íglesia, y ministros 
deila, a pena de ser gravissimamente castigado. 

Que ningun soldado reniegue, ni blasfeme dei nombre de Dios nu- 
estro sefior, ni de su benditissima Madre, y el que tal hiziere, sea 
castigado a quatro anos de galera. 

Que ningun soldado entre con violência en los templos ni monas- 
terios, ni toque a la sagrada custodia dei santíssimo Sacramento, ni 
relicários ni imagines, so pena de la vida. 

Que ningun soldado, de qualquier calidad, sea osado a renir pen- 
dência vieja, ni avengar injuria que otro le aya hecho por lo passado, 
durante la jornada, y un mes despues. a pena de la vida. 

Que ningun soldado cambie armas, sino que sirva con las que le 
han pagado, ai que pica, pica, ai que arcabuz, arcabuz, sin aver pri- 
mero licencia para ello, so pena de que será castigado. 

Que ningun soldado se desmande, ni aventaje. sin orden de Ia 
cabeça que Ilevare, sino seguir sus capitanes con grau orden, a pena 
de que será castigado. 

Que ningun soldado vaya amancebado en el armada, a pena de 
galera, y a ella cien açotes en torno dei armada. 

Que ningun soldado grite, pidiendo picas, ni cuerda, ni diziendo 
que se le ba acabado la pólvora, sino que lo diga a los oficiales que 
Ilevare, ni soldado passe palabra, sino fuere por orden de su Maes- 
tro de campo, o Capitan que Ilevare, por la confusion, y ser causa de 
desordenes por un soldado mal entendido, so pena de galeras. 

Que ningun soldado juegue los vestidos, ni armas, ni juegue so- 
bre su palabra, a pena de três anos de galeras. 

Que ningun soldado pida licencia para passarse a otra compaiiia 
durante la jornada. 

Que ningun soldado se retire estando peleando, diziendo que le 
falta algo, a pena de galera, y que ai herido, que lo retire uno solo 
hasta el agua, y que los marineros lo recojan. y que el soldado bu- 
elva a pelear. 

Que todos los Capitanes lleven por escrito la orden que han de 
tener. y que no salgan delia sin orden dei Marques, y dei Maestro de 
campo general, y de los Maestros de campo, sucediendo diferentes las 
cosas de la orden que llevan: dexando en su fuerça las leyes dei de- 
recho comun. que tratan de las cosas de la guerra, que el Auditor 
usará de ellas conforme a la diversidad de los casos, ya su tiempo y 
lugar. Y despues desta se les dio a la gente de mar otra orden. para 



262 ARCHIVO DOS AÇORES 

(]ue la guardassen, por ser importante para la biiena governacion de 
la armada, que dezia desta manera. 

La orden que es mi voluntad guardeys y cumplays todos los Ca- 
pilanes, maestres y oficiales de las nãos, que van en esta felice ar- 
mada de su Magestad, que Dios conserve y dê vitoria, que os man- 
do que no salgays delia, ni por descuydo se déxe de cumplir. 

Que quando el galeon San Martin, en que va mi persona, y va 
por Capitan desta armada, hiziere sena! con una pieça de artilleria, 
que será ssnal de partir, os apercebireys, de manera que en tocando 
la trompeta, lo hagays, sin perder tiempo. 

Que ninguna nao passe adelante de la Capitana de dia ni de no- 
che, sino que tenga cuenta con el veleja-, y que cada dia a la tarde 
Teguen a tomar orden y nombre a la Capitana, y para entender si se 
les ha de ordenar, o mandar alguna cosa: y que no se embaraceo 
unas con otras. pues saben el inconveniente que es desaparejarse, o 
hazerse otro dano: y si por caso forçoso, no pudiere tomar nombre, 
sea el suyo Santiago de Kspana: y que no se tire pieça de artilleria 
ai tomar dei nombre: 

Y si a caso (lo que Dios no permita) corriere algun tiempo fortui- 
to, tenga cuenta con la Capitana, que pondra de mas de su fanal or- 
dinário, otro, y si cambiare de camino. pondra dos fanales mas dei 
ordinário, y tirará una pieça, que en este tiempo tendra três fana- 
les: y quando los lleváre, cada nave pondra una lanterna, en parte 
que se pueda ver, por el peligro de envestirse, y no pudiendo dar 
vista a la Capitana, bolviendo el tiempo a lo bueno, bolvera a lomar 
su derrota y camino, que de antes llevava ordenado de la Capitana: 
y no lo bailando, yrá siguiendo su viaje y derrota a la islã de San Mi- 
guel, haziendo siempre buena guardiã por la mar. 

Que quando el galeon Capitana pusiere vandera quadrada en el 
castillo de proa, vengan todos los maestres ai galeon con las barcas, 
y no haziendo tiempo, y aviendo mar, vengan a parlamento. 

Que cada nave Neve siempre de dia e de noche su gente en la 
gavia, para descubrir los navios y hagíin senal con una vandera, há- 
zia donde los descubrieren: y siendo armada gruessa la que descu- 
brieren, hagan senal con dos vanderas, y cada nave baga la mesma 
senal, para que venga a noticia de la Capitana, y de todas las de- 
mas. 

Que en caso de necessidad se haga seiial con alguna pieça de ar- 
tilleria, três vanderas de dia, y de noche con três lumbres y una pie- 
ça, de manera que se pueda ver y entender, y esta sea la seiial, y 
se dará orden de socorrer su necessidad, procurando arribar la buel- 
la de la Capitana: y no pudiendo arribar sobre la dicha nao que tal 
necessidad tuviere, las nãos que mas cerca se hallaren delia, la favo- 
rezcan y socorran, hasta que la Capitana llegue, porque en el camino 
se les ordenará la forma en que se han de poner. 



ARCHIVO DOS AGOKES 263 

Que aviendose de pelear, han de lener ciienla coii lo ordinário 
que se suele liazer, de apercebir sus iombarderos, y baldes, y medi- 
as botas, con agua y vinagre, como es costunbre, con todos los demas 
reparos que se hazen, assi dei faxamento de las nãos, vonetas. y ve- 
las viejas, y mantas mojadas. para la defensa dei fuego que se suele 
arrojar, mandando assi mesmo, que ninguna persona. de qualquier 
calidad que sea. ni Capitan. Alferez, ni Sargento, se vaya abaxo ai ti- 
empo dei pelear, con achaque de la artilleria, sino que este cada uno 
eu el lugar que le toca, pues en el artilleria ha de aver persona di- 
putada para aquello, y aquella residerá y assistirá con la artilleria. 

Que se tenga gran cuenta con el fuego. 

Que si surgiere, o ancoráre en alguma parte, no salga nadie en 
tierra, ni vaya barca, ni batel, ni otro género de barco en tierra. sin 
licencia de la Capitana. 

Que todos vayan en paz y concórdia, y no se rebuelvan unos con 
oiros, ni causen rumor ni alteracion, que es de gran inconveniente, 
ni nadie eche mano a ningun género de arma en el navio que fuere, 
so pena de muerle, ni los soldados se empachen con los marineros. 
ni con la gente mareante. 

Assi mesmo ordeno y mando, que en el tomar de las raciones, de- 
xen los soldados darias a los que llevan a su cargo las vituallas, sin 
que baxen a las tomar ni escoger por fuerça, como otras vezes lo 
han hecho, y para esto se halle el Sargento, o algun Cabo de esqua- 
dra de las dichas conpanias, por que no se haga algun desconcierto. 

Todo lo qual aveys de guardar y cumplir, por lo que os es caro 
el servicio de su Magestad, so pena de ser muy bien castigados, ca- 
da uno segun su calidad y delito. 

Y aviendo ya passado dos dias, que fue tiempo que las galeras vi- 
niessen. para juntarse con los navios, y salir en conserva con esta 
Real armada, el Sereníssimo Cardenal, Archiduque Alberto, llegó en 
la galera Real a ver la armada y gente, y con su felicíssima llegada 
confirmo en los ânimos de todos las esperanças dei buen sucesso, y 
otro dia siguiente por la manana, que fue vispera de San Juan. (23 de 
Junho) bolvio en la mesma galera, acompanado con el Duque de Gan- 
dia, Capitan general dei Reyno de Portugal, y despidio esta armada y 
exercito, con la bendicion de Dios, concediendo gracias y perdones en 
nombre de su Santidad. Y assi el mesmo dia salio el armada de la bar- 
ra, con levante fresco en popa; y tendidas las velas de los navios yvan 
nadando, con aquella seneridad y gallardia. que los antiguos juzgavan 
por buen aguero, y senal prospera de salud y felicidad. como por es- 
to geroglifico se denotava en Ia moneda dei Èmperador Adriano. Es- 
forço este viento fresco hasta médio dia. que casi no duro mas de 1(» 
que se pudo tardar en salir de la barra, con que todas las naves sa- 
lieron. sino fue una levantisca dei Capitan Rusco de Marco, que poi 
aver tocado en los cachopos, no quedo para poder proseguir su viaje: 



264 ARCHIVO DOS AÇORES 

y assi bolvio ai rio de Lisboa a repararse. Aqueila noche primera uvo 
calma, y por no poder seguir la armada camino largo, por defelo de 
liempo, amanecio cerca dei cabo de la Roca. Luego el dia signiente de 
san Jaan {25 de Junho) uvo liempo maestral, que hizo alargar la arma- 
da, comoquin^e léguas, llevando la proa por Poniente leveche, y a los 
veynte y seys (26) dei mes, navegando con viento mas largo, y corrien*- 
do con norte, duro toda aqueila noche, y amanecio el dia con el mesmo 
tiempo, y por aver tomado fuerças la noche siguiente, (27) con mas vien- 
to dei que hasta eritonces avia corrido, amanecio el armada desparzida, 
y el navio de António Ronco vino a perder el timon, y fue necessário 
passar la infanteria a la nao Juliana, y a los patages: y le fue forçoso 
ai Marques, rebolver, llevando por delante la galeaça Patrona, y re- 
coger la armada, y entretenerse: aunque no se perdia jornada, hasta 
dexar alijada y sin gente la dicha nave, Mamada Santa Maria de la 
Gosta, para que tomasse la buelta de Lisboa (si pudiesse) y visto que 
las galeras seguian bien su viage, y que navegáran mas, si no se les 
uviera dado orden que fuessen en conserva con la armada, luego a 
instancia dei Capilan Medrano, les dio el Marques licencia para que 
se alargassen, y hiziessen su viage a la islã de San Miguel, y assi 
tomaron su derrota, y navegavan de suerte, que dentro de poço espa- 
cio de tiempo se perdieron de vista, y la armada de alli adelante fue 
siguiendo su viage, con vientos escassos, hasta que eu Miercoles, seys 
1^6') de Jiilio. se descubrio la islã de S. Miguel, por la parle dei Norte, y 
el dia siguiente, estuvo la armada cerca de Punia Delgada, y anduvo 
varloventeando hasta los catorze, (14) que surgio el Marques en la 
villa de Villafranca, con ocho navios, porque el resto avia surgido a 
vista de Punia Delgada, que está Ires léguas de distancia por la mar: 
y por aver corrido viento Pouiente, a (juien los dei Mar Oceano lla- 
man Ueste. fue forçoso estar en este puerto la armada, por ao ser ti- 
empos a propósito para yr a la Tercera, y entre tanto se fue reha- 
ziendo de agua, y de las demas cosas necessárias. 

Reforçose aíguna gente por los lugares desta islã de San Miguel, 
que es de muy buena vista y agradable a los ojos la monlea, y dis-- 
posicion de su assiento y casas. Hallaronse bueuos refrescos y agua; 
y la islã es muy grande, que lendra de largo, de Levante a Ponien- 
te, cerca de diez y seys (^^) léguas, desde cabo de Muro hasta monte 
Gordo, y de ancho en algunas partes, será lo mas quatro (4) léguas, co- 
mo en el parage de Villafranca, y en otras dos (2) léguas, como en el 
derecho de la ciudad de Punia Delgada: y finalmente lendra Ireynta y 
ocho (38) léguas de circuylo. La parte que mira ai Mediodia, es muy 
fértil, y mas habitada, porque por la parte dei Setenlrion, aunque el si- 
tio de la poblacion, que llaman la Ribera, es grande, tiene poça ve- 
zindad. La parte que buelve ai Auslro, començando dei Levante, y 
dei cabo que llaman el Morro, corriendo la costa hasta Poniente, tie- 
ne diversas habitaciones. La primera es la villa de Villafranca, que 



ARCHIVO DOS AÇORES 265 

está veyiite y cinco millas dei .Morro, lugar de quinientas casas. Otra 
se llama Agua de Paio, la tercera la Laguna, todos lugares de poços 
moradores. La quarta es la ciudad que se dize Punta Delgada, mayor 
que los demas lugares, que tiene un pequeno fuerte a la parte dei 
Poniente, y algunos cabos o promontórios, como Punia de Garça, y 
otros, hasta Pufiete, donde los Franceses en el ano antes desembar- 
caron, para saquear la islã. En el ano de mil y quinientos y veynte y 
uno (aliaz 1522)u\o tanta inundacion, que procedio dei agua de una 
montafia, que anegó el puebio de Villafranca, con muerte de cinco mil 
personasry elanode mil y quinientos ysesenta y s\ele.i aliaz lõ6S)reben- 
taron en dos lugares desta islã dos montafias, con grande estampido, y 
salio delias un rio de fuego házia la mar, arrojando por unas partes y 
otras canlidad de piedra pomez. que aun aora se halla por muchos lu- 
gares, y lanço por la vanda de la mar un terremoto tau grande y es- 
p.iutoso de ceniza, que reprimio toda aquella parte de la ribera, y se 
consolido y continuo con la tierra, por ser aquel suelo cavernoso, y 
dar lugar ai ayre, para que entre facilmente por el, que este espiritu 
levanta llama por las partes donde ay matéria de sufre, o otro be- 
tun combustible. Y assi se hallan en esta islã algunas aguas hervien- 
tes de olor de sufre, y unas aberturas, o voragines, que contino hi- 
erven con espantoso estruendo interior: cimo se dize dei monte Etna: 
y aun lienese por cosa cierta, que las aves que passan por cima 
caen muertas, como los antiguos dizen dei lago Averno. Avrá en es- 
ta islã mas de dos mil vezinos, y hombres de mucho trabajo: tienen 
hermosas campinas de trigo, y pastel: labrase algun açúcar, y cose- 
cba de miei, y frutas de la tierra y huerlas de pie. Ay abundância de 
ganados, principalmente de ganado mayor, que es de buen manleni- 
miento, porque el carnero es duríssimo, y de mal nutrimento: ay mu- 
cha caça. En todas estas islãs jamas se han bailado serpientes, ni es- 
corpiones, ni otros animales ponçoiíosos de qualquier calidad .... 

Foi. 25 v.°) '< . . . Tiene buenas aguas claras y delgadas ay falta 
de piedra para labrar la cal, importantíssimo material para edifícios. 
En frente de Villafranca está un isleo bueco a mil passos, que despe- 
jando su entrada, y limpiandola, podrian seguramente invernar algu- 
nas galeras en un seno que se baze de mar en aquel médio. Enfren- 
te de la costa de .Mediodia desta islã, seys léguas de distancia, fue la 
vitoria que el ano passado uvo el Marípies, quando desbarato y rindio 
toda la armada de Framfia, como ai principio se hizo memoria. 

Luego fue et Veedor general desta armada y exercito delante en 
una falua a t(»mar muestra ai tercio dei Maestro de campo Agustin 
Iniguez, y a prevenir la embarcacion en las doze galeras, que avian 
llegado a la ciudad de Punta Delgada, y en otra barca yva juntamente 
con el Miguel de Aguirre, contador desta armada y exercito, y vee- 
dor de la artilleria, y el capitan Juan Venegas Quixada, a prevenir el 
artilleria, y mulas, para tirar lo? perlrechos. y para llevar y guiar las 

N° 21-Vol. IV.— 1882. 10 



Í2i66 ARCHIVO DOS AÇOKES 

municiones y maestrança, y aprestar las barcas, y otras cosas impor- 
tantes para esta jornada. Saludaron las galeras con gran regozijo ai 
•Marques con mucha artilleria, y fue grande el contentamiento que re- 
cibio de verias, por aver llegado buenas y sin lesion, ni desgracia, 
cosa de que se deven dar infinitas gracias a Dios, que en tan gran- 
de armada, y de tanta gente, y en navegacion (aunque no muy larga) 
peligrosa, assi por la hinchazon de los mares, como por los inconve- 
nientes de las penas, no aya ávido menoscabo en la salud de la gen- 
te, y en la sanidad de los baxeles, demas, de la quietud, sossiego, y 
paz universal que uvo, assi entre soldados, como en la demas gente 
de mar, que desde que se hizo justicia de un hombre en el rio de 
Lisboa, a vista de toda la armada, por aver muerto a otro en su na- 
vio, no forçado ni compelido por ley de guerra, sino voluntariamente, 
cosa que con mucho rigor se castigava en los exércitos, conforme ai 
rescriplo dei divo Trajano, no se procedio en toda esta jornada con- 
tra persona alguna delia, ni consto de delito, que es dichosa suerte, 
y aun cosa gloriosa, regir una ciudad, o un exercito, con tanta quie- 
tud, que no aya necessidad de pena ni castigo, y que no se oyan tor- 
mentos, ni lamentaciones de delinquentes, y esto es mas divino que 
humano. 

Bien mostraron las galeras su buena fortuna, pues entraron en el 
puerto de Villafranca en Domingo três (5) dias de Júlio, y desde que sa- 
lieron de Lisboa, parecio aver tardado menos de nueve (.9)dias. Hallò 
el Marques quando llegó a la islã de S. Miguel, diez Portugueses, que 
fueron presos en úiez (10) àe Junio, los quales avia embiado Manuel de 
Silva, governador, y capilan general de las islãs que estavan a devo- 
cion de don António, para que fuessen espias, o prendiessen, o lle- 
vassen consigo algunas personas de nuestras islãs, por informarse dei 
estado de las cosas de Espana, oficio que suelen hazer en tierra las 
cenlinelas perdidas en la infanteria: y aviendo ávido a las manos a un 
vezino de Nordest, lugar de la islã de San Miguel, teniendolo preso, 
para llevarlo a la Tercera, y aviendoles sucedido tiempo contrario, y 
viendose con precisa necessidad de bastimentos, el hombre que fue 
preso, que era su nombre Bartolome Lopez, les aconsejó y persua- 
dio, que abordassen a tierra, para socorrerse de algun baslimento, 
de que sustentarse en la jornada, y proveerse de agua que les fal- 
tava, porque no pereciessen de hambre y sed, con cierta seguridad 
fingida: y por su industria y aviso acudieron algunos soldados, y assi 
fueron presos los diez Portugueses, y aviendoseles tomado su decla- 
racion, concordaron todos eu ella. y dixeron lo siguiente, y assi se 
pondra aqui, por la misma orden que la liizieron. 

Fueles preguntado, quantos Franceses avia. Dixeron que avia mil 
y quinientos, repartidos en esta manera. En la islã de la Tercera do- 
ze companias de Franceses, a cargo dei Capitan Carlos, que es hijo 
dei Presidente de la Chancilleria de Burdeos, y una de Ingleses. En 



ARCHIVO DOS AÇORES 267 

Ia dei Faval ciento y cinciienta Franceses. En dos nãos y dos carave- 
las, qu;itrocientos Franceses embarcados. En la nao Vizcayna, que to- 
mo la armada Francesa ai General Pedro Peixoto, el ano passado so- 
bre la islã de San Miguel, que era de Ochoa de Ârriola Guipuzcoano, 
de trezientas toneladas, y era entonces Capitan delia Melchor Botello 
Português, dozientos Franceses, y con ellos el Capitan Pedro de la 
Cruz Francês. Otra nao Inglesa, Mamada San Jorge, de dozientas to- 
neladas, y en ella un Metelo Francês con su compania de dozientos 
soldados. Una caravela, de que era Capitan Lalamon Português. Otra 
caravela, de que era Capitan António Vaez Português. Eslos quatro 
baxeles andavan en corso, escurriendo las islãs circunvezinas a Ia 
Tercera, y llegando hasta los quarenta, y quarenta y dos grados es- 
perando Ia nao de la índia, que tenian nueva que dexó de venir el a- 
no passado, y otros navios que por alli aportaron. Dizen que de la 
gente de la dicba islã Tercera, demas de las doze companias de Fran- 
ceses, avya treyiita y seys de infanteria de Portugueses, y una de 
cavallos, las diez y ocho delias en la ciudad, y las restantes reparti- 
das por la islã: y que la manera que tienen de poner las guardiãs 
es esta. Entra cada dia una compania de Franceses en la placa de la 
ciudad, donde tienen cuerpo de guardiã, y desde alli la embian a ca- 
sa dei Capitan general Manuel de Silva, y a la casa de la moneda, 
que en la dicha ciudad ha hecho dou António, y que de noche no ron- 
(lan los Franceses, sino los Portugueses: de los quales entran três 
compaiiias de guardiã, que ocupan las dos fortalezas, que estão den- 
tro de la ciudad, y las sobre rondas son tanbien Portugueses de apie 
y de acavallo. 

La forma que tienen en repartir Ia guardiã delos desembarcade- 
ros, es. En la dicha ciudad, três companias de Franceses, y una de 
Ingleses, demas de las diez y ocho de Portugueses, y estandarte de 
cavallos. 

En la casa da Salga, que es donde desbarataron y degollaron Ia 
infanteria que llevó don Pedro de Valdês, una compania de France- 
ses. En la Playa três companias: en los Altares Ires companias, en 
Puerto Judeo una. 

La gente Portuguesa so se sabe como está repartida, pan acudir 
a defender estos desembarcaderos, donde estan estas companias de 
Franceses, ni en la orden que está la demas de apie y de acavallo, 
fuera de Ias treynta y siete companias arriba dichas. 

Que la fortaleza de S. Sebaslian, es un castillo fortificado sobre el 
puerto, assi a Ia parte dei mar, como a Ia de tierra, con una murai- 
la de veynte y quatro palmos en alto, que se ha hecho de poço tiem- 
po aca, con su fosso sin agua, y su puente levadiza, que tiene mucha 
municiou de guerra dentro en el castillo. porque le han visto Ilevar 
parte delia, tiene una bobeda a la parte de tierra, que sale a la mar, 
a Ia boca de Ia qual está hecha una esplanada, en que estan siete o 



268 ARGHIVO DOS AÇOHES 

ocho pieças de arlilleria. y un cafion de balir: y desta esplanada ai 
agua quinze braças, y a lo alto de la fortaleza otras tantas: tienen 
para cubrir esta arlilleria cestones terraplenados, y en lo alto de ar- 
riba ay siele o ocho verços. 

A la punta dei Brasil han hecho olra fortaleza, a nianera de fuer- 
le, cerrada con muralla de piedra y cal, que tiene nueve o diez pie- 
ças de arlilleria, la mitad de bronze, y la mitad de hierro colado: 
cada pieça tiene su ceslon de tierra para cubrirse, y en ésla fuerça 
cabran dozientos hombies: está la una de la olra dos tiros de ar- 
cabuz a la vanda dei Ueste, y en médio delias se haze otro fuerle. 
que han puesto por nombre san Bento, y ay de uno a otro trinchea 
de tierra, de nianera que va toda la gente cubierta a las defensas. A 
la vanda dei Uesle dei Brasil, ay otio fuerte que se llama el Zimbre- 
ro, tiene seys pieças de arlilleria, y está cubierto por la parle de 
tierra. 

Declararon, que dos meses antes que ellos fueran presos, fueron 
dos fidalgos a la Tercera, que dixeron venir dei Beyno. y fue publi- 
co, que yvan con embaxada, o recaudos de su Magestad para don An- 
tónio, que el uno se llama Amador Viera, el qual ha hecho desservi- 
cios grandes a su Magestad, acusando algunas personas que estavan 
en la islã, que aviendoles sacado con pecho fingido, lo que tenian o- 
culto, yva adenunciar dellos a Manuel de Silva, de los quales han jus- 
ticiado algunos, y enganava a todos facilmente, para que se le descu- 
briessen, con dezir que el avia de bolver ai Reyno, y que queria lle- 
var por memoria lodos los servidores de su Magestad; de entre los 
quales saben. que hizieron justicia de Melchior Afonso, labrador. que 
lo arrastaion y hizieron quartos, y pusieron su cabeça en una jaula 
de hierro en la placa, y el pregou dezia, por traydor ai Bey su se- 
nor, y que queria dar la lierra a quien no le pertenecia: y a Francisco 
Gil Piloto tambien ahorcaron: y ai vicário de la Villanova tenian pre- 
so: y ésle Amador Viera está entrelenido cerca de la persona de Ma- 
nuel de Silva, y anda muy en orden, y puede mucho: y el compafie- 
ro, que se llama Magallanes, sirve en una nave de soldado. Que la 
gente de la islã está en delerminacion de defenderse. Que esperan de 
Francia mil hombres de socorro, y que lodos los pagamentos se ha- 
zen a los Franceses, cada veynte y ocho dias dei mes, y en no pa- 
gandoles se amotinau. La moneda, es de cobre la mayor parte, y pa- 
ra la fabricar, han deshecho quantas bacias y vasos de cobre ay en 
las islãs, y aora lo esperan de Flandes, para hazer moneda dello, por 
que no ay moneda de plata de la vieja. ni de la nueva. Corre una 
moneda de oro, que antes valia cinco tostones, {ôOO reis) y han la 
subido a cinco cruzados (2^000 reis) y una moneda de cobre, que en 
Portugal valia três reis, que es lo mesmo que Ires maravedis, han la 
subido a diez, {10 reis) y la de Ires blancas a cinco maravedis: pêro 
cada una destas ba de ser marcada por la casa de la moneda, con 



ARCHIVO DOS AÇOHES 269 

la figura de iin açor, y olra moneda que lian hecho de cobre nueva- 
mente, con el habito de Santiago en elia, val!e quatro veyntenes, 
que sou odienta maravedis, y esta moneda es tan grande como media 
moneda de las que valen en Portugal três blancas. Tienen de pan y 
pescado seco de loque tomaron en Arguim. y de lo demas ay falta. 

Dixeron. que en la villa de la Playa que es junto a uno de los des- 
embarcaderos de la Islã, se quemó una casa donde avia cinquenta 
quinlales de pólvora, aunque en otra parte tienen mas de sesenta. 

Declararon, que la carabela en que venian. es la que tienf Manuel 
de Silva prevenida, y que nunca la a dexado salir dei puerto sino fue 
para que ellos viniessen, y sospechase que la quiere para yrse quan- 
do se viere apretado. Y resolvieronse en dezir que estava la Isla muy 
fortificada y que avia en ella siete mil hombres de pelea, y se espe- 
rava de Olona un gran socorro por momentos. Y assi el Marques, por 
tener de su Magestad orden particular, para que por su ausência ò 
falta quedasse esta armada a cargo de don Chrisloval de Erasso, de 
quien tanta satisfacion tenia. dando credito a estos hombres, se en- 
cendio tanto en el desseo de llegar a las manos, por gozar dei buen 
sucesso que ai presente se prometia de la vitoria, y por abreviar el 
tiempo. y escusar muerles y sangre, con su esfuerço y deteiminacion, 
que se entiende que si se hallara entonces a visla de la Tercera, hi- 
ziera lo que Octávio César (que Ciceron alaba tanto) que sin esperar 
decreto dei Senado, tomo sobre si la guerra contia Anlonio. por no 
darle lugar Ia brevedad de la ocasion a determinar de espacio lo qne 
se avia de hazer por que muchas vezes la neressidíid haze licito, lo 
que no caso que la buviesse. seria ilicito. Y assi ay tiempos en que 
las tardanças y acuerdos danan, ora sean las cosas grandes, o peque- 
nas, por la dificultad con que vemos muchas vezes que restaura la oca- 
sion perdida. Y condecendiendo a esto Cornelio Tácito, vino a dezir, 
que no avia de dar lugar a dilacion, quando la madurez (que en las 
mas cosas suele ser tan acei tada i viene a ser mas danosa que la le- 
meridad: pêro esto piincipalmente se entiende en discórdias civiles. 
en las quales ay mas necessidad dei hecho, que dei consejo: poi' 
que qualqniera mal quando comiença, facilmente se ataja. pêro des- 
pues de envejecido se haze robusto: y quede por regia, que la famo- 
sa hazana se ade pensar con mucha advertência, antes que se ponga 
por obra, porque despues no ay pensar sino executar. Y esto nos en- 
seíia Júlio César y aun el reportado Quinto Fábio Máximo hablando 
con su hijo. 

Ponese aqui esta declaiacion destos hombres. aunque es muy cor- 
ta y falta, para lo que adelante se verá, pêro ai tiempo que se hizo, 
no dio poça lumbre ai Marques, que desseava saber cosas de aquellas 
Islãs, para los designes de la joiuada. Y assi el Capilan ha de procu- 
rar sabt^r todas las coíbas, aunque sean menudas, dei exercito dei e- 
nemigo, a imitaciou de .l(i.Mie (jue nos Ic rnscna. Liegó en la galoia 



270 ARCHIVO DOS AÇOKES 

Capitana el Marques a Piinta Delgada, a dar orden en cosas necessá- 
rias, principalmente en la embarcacion de los dos mil y trezientos 
hombres, que parecieron en la muestra dei Maestro de campo Agus- 
tin Iniguez, y aviendo ya embarcado en las doze galeras los sol- 
dados deste tercio, y mas cien quintales de pólvora, y otros cien- 
to de cuerda, que avia en la diclia Islã, mando el Marques jun- 
tar a consejo, dond^ se resolvio la parle donde se avia de dar fondo 
en la Tercera, y acerca de otras cosas particulares, que importavan á 
la jornada. Y estando ya en diez y nueve {19) de Júlio, amanecio con 
calma, y sin liazer muestra de tiempo legitimo, y despues desto en- 
trando ya el dia, hizo demostracion de viento fresco, y haziendo senal 
con una pieça el galeon San Martin, çarpò el ferro, y viro las velas, 
y el Capitan Hodrigo de Vargas, persona de mucha esperiencia de 
mar, llegò en una fragata, dando ordenes por toda la armada, que se 
hiziessen presto a la vela, sin esperar a la Capilana, por no perder 
punto de tiempo, y de alli a una hora bolvio viento Sudueste, tiempo 
contrario para nuestro viaje, y anduvo la Capitnna con toda la armada 
dando bordos todo aquel dia: y luego la noche siguiente sobrevino 
viento Sur, y dobló el Marques la Islã de San Miguel, para seguir 
el camino deiecho de la Tercera: y el Viernes(2.3 de Julho) serian las 
cinco de la tarde quando la descubrio el armada, de que no recibio 
poço contento la gente de guerra: de suerte que se gastaron en es- 
ta jornada desde la Islã de san Miguel, por ser el tiempo contrario, 
quatro dias, viaje que con viento prospero se haze en una singladura, 
que es navegacion de veynte y quatro horas. 

Luego el dia siguiente. como a las nueve de la manana. Sábado 
veynte y quatro (24) de Júlio, el Marques con toda su armada junta 
llegò a vista de la Tercera, y acercandose el galeon ('.apilana lo mas 
que pudo házia tierra, por la parte de la Playa, a la viila de San Se- 
bastian. cerca de la ciudad de Angra, para poder dar fondo fronlero 
de la islã, que por aver mucha hondura por aquellas partes, le fue 
forçoso ponerse a tiro de mediano cânon, y assi fueron llegando poço 
a poço los navios, hasta poder jnntarse toda la armada. Luego de los 
ires fuerles, començaron a jugar algunas pieças de artilleria gruessa. 
que por estar en punto de mayor elevacion, passaron la balas por alto 
ai galeon San Martin, y dieron algunas por buen espacio de la otra par- 
te, y el galeon no respondio: y lo mesmo hizieron los de mas navios: 
y bailando sesenta braças de agua dieron fondo, y de alli a poço, mos- 
irandose por la parte de la Playa las doze galeras, y viniendo jun- 
to a tierra, para reconocer aquella vanda de la islã, los de tierra les 
dispararon algunas pieças grandes y mosquetazos, y alcanço una bala 
de un falconete de quatro libras en la galera Peregrina que mato 
un forçado, y quedo la bala cansada en la mesma galera, a quien las 
galeras respondieron en forma de escaramuça, con algunos esmeri- 
les, y mataron três hombres de apie, y uno de acavallo, de los poços 



ARCHIVO DOS AÇORES 271 

que parecieron en la tierra por aquella parte, por que como estos 
navios son baxos. y la tierra alta. y las balas llevavan un poço de 
buelo, disparandolas por plano, corriari en ras de la tierra, y assi las 
galeras hazian mucho efeto: y se vino a eutender de veras, quan de 
importância eran estos baxeles para ofender a los de la islã, confor- 
me a la disposicion de la tierra: y assi las galeras vinieron a juntar- 
se con toda nuestra armada. Y queriendo el Marques hazer diligencia. 
y prevenirse para los desembarcaderos, porque la gente con mas co- 
modidad lo pudiesse hazer mando, que el Capitan Miguel de Oquen- 
do, persona de experiência, y conocimiento de mar, y el Capitan Ma- 
rolin, hombre de importância y servicio en estas armadas, fuessen a 
sondar, y tomar fondo a los desembarcaderos de la islã, y reconecer 
el mejor surgidero, para que informassen de todo, como mejor eslu- 
viesse a la seguridad dei exercito. Y como fuesse el Marques bien 
instruto de la voluntad de su Magestad, y la disposicion de su animo 
Real, para admitir a todos los que se quisieren acoger a su clemên- 
cia, como a verdadero refugio de su salud, para librarse de la pena 
de la rigurosa justicia, aviendole dicho, que como tiene las fuerças 
el Marques para castigar a los maios, assi será justo tenga la facultad 
para usar de benignidad, con los que arrtpentidos de su yerro, se a- 
cogieren a su misericórdia, y principalmente por entender el desseo de 
su Magestad, y cumplir sus mandamientos, y por ser el Marquez de a- 
nimo piadoso con gente humilde, como deve serio el Capitan, puso de su 
parte por muchas vias toda la humana diligencia para atraer los ânimos 
desta gente desseando escusar muertes, y derramamientos de sangre: 
que no es menor loor en los grandes Capitanes, vencer desta mana- 
ra, que por fuerça de armas: y assi ni Âlexandro Magno, ni Anibal, 
ni otro de los famosos Capitanes de Ia antiguedad, llegò a la excelên- 
cia de Scipion, por aver conquistado a toda Africa, juntamente con la 
lengua y con las armas, y no se lee aver intentado empresa, que no 
fuesse justificada: y jamas mostro a los enemigos la potencia de los 
Romanos, y la grandeza de sus exércitos, que no fuesse para combi- 
dar con su clemência, y no derramo sangre en el campo, que prime- 
ro no derramasse lagrimas en el templo. Cumpliose aqui aquel capi- 
tulo dei santo decreto, autorizando las palabras de S. August. que si 
los enemigos ofrecen ai principio satisfacion ai Príncipe, obligado es 
a recebirla, y levantar los reales. La razon es, por que la guerra no 
se trata por voluntad, sino por necessidad. y pues la satisfacion se 
ofrece, antes que se ponga mano en el negocio, han de cessar las ar- 
mas, pues donde ay concórdia no son menester. Y assi el mesmo con- 
tra los Maniqueos afirma, que no se han de temer que mueran en la 
guerra justa los -que han de morir, porque se ponen los ojos en el 
bien por venir, que consiste, en que senoreen en paz los que han de 
bivir. Y aqui vino a justificarse mas esto caso. pues sin esperar el 
Marques esta prevencion de parte de los enemigos se adelantó en o- 



á72 ÂRGHIVO DOS AÇOHES 

frecerles toda paz, sossiego, y conservacioii de vidas y hazieiídas, 
guiatidose por la orden (jue nos muestra aqiiella sagrada diciplina mi- 
litar de la divina Escritura, diziendo. Si quando llegares a entrar en 
la ciudad por armas, combidares con la paz ante todas cosas, y reci- 
biendola te abriere las puertas, todo el pueblo deve ser salvo; y te 
recoaocera y servira: pêro si no quisiere paz, y lomare contra ti las 
armas, entrarás la ciudad, y aviendote Dios heclio senor delia, enton- 
ces passarás a cuchillo a todos los varones, dexando con vida a las 
mugeres y ninos y animales, y repartiras todo lo demas que bailares 
con los de tu exercito. 

Serian pues couio las três de la tarde, quamlo el .Marques man- 
do llamar a un Sargento enlretenido, por nombre Manuel Gonçalez 
Uabelo, (]ue le parecio ser a propósito, por verle tan inclinado a esta 
empresa, y ser Português de nacion, a quien se le encargo, porque 
tenia el Marques particular gracia en elegir personas a propósito: que 
es gran suerte dei Capilan general, y estúdio, en conocer la suficiên- 
cia de sus soldados, guardandolos para las ocasiones de importân- 
cia. Diosele nua fragata bien esquipada de marineros, con su vandera 
blanca de paz, (jiie esta senal ba ijueda lo basta oy ile la antiguedad, 
(jue poniendo unos velos blancos en ramos de olivas, sinificavan se- 
guridad para tomar puerto. Llevava consigo este Sargento un trom- 
peta, con d().s ediclos: uno en leugua Espanola, y otro en la Francesa, 
en mucbos traslailos, para los fuerles, y para que llegasse a noticia de 
lodos, donde de parte de su Mageslad les olVecia perdon general 
a los de las islãs, con una carta dei Marques para .Manuel de Sil- 
va, donde le exortava, que no perseverasse en esta rebelion, y 
pues eslava a liempo de ganar la gracia de su .Mageslad,y escoger su 
sossiegi), y la qiiielud de todas a ijuellas islãs, y vezinos delias, que 
ti)masse el mejor camiuo, que era bolver con tiempo ai servicio de su 
.Magestad, como a senor y Rey natural de todos, y que no permi- 
liesse, (jue por su causa sobreviniesse la ruyna de tantos, (|ue no te- 
nian mas voluutad y determiaacion, de estar a la mira de lo (pie el 
bazia, para dexar su mal propósito, y pedir misericórdia: y el edicto 
dezia desta manera. 

Don .Vlvaro de Baçan, .Mar pies de Santacruz, comendador mayor de 
LeoQ, (]apitan general desta armada Real y exercito, por el Rey don 
Filipe nuestro senor, a todos los vezinos y moradore.s, estantes y 
babitantes en 'a islã Tercera. y en las demas circunvezinas, assi natura- 
les, como estrangeros. Bien saben que su .Magestad Cotolica, siendo co- 
mo es sucessor legitimo de los Reynos de Portugal. índias Orientales, y 
de las demas islãs, y partes comprelien^lidas eu su corona, y que avieu- 
do de ser reconecldo y obedecido por tal soberano Hey y senor de todos 
los naturales (lestos Reynos, desviandose deste recon(icimiento algunas 
destas dicbas islãs, admiliendo en su compania gentes, assi diversas 
en naturaleza, como en costumbres y religion, ban conspirado contra 



ARCHIVO DOS AÇORES 273 

la Mageslad Real, e incurrido en crimen lese Maiestalis. divina y hu- 
mana, dignn de exemplar castigo; con todo esto su Magestad, movido 
de zelo Christianissimo. y usando de su acostumbrada clemência, por 
servicio de Dios nuestru senor, y por evitar efusion de sangre, en to- 
do lo que en si fuere, considerando que cada dia crece la obstinacion y 
desorden, y el desservicio que a Dios se liaze, por las muchas inso- 
lências de los rebeldes, y desacatos a su Magestad, y a su alto nom- 
bre, y que ya es negocio que incumbe a la Real conciencia la breve- 
dad dei remédio, para quitar de delante de nosotros un bivo exemplo 
de desobediência, aviendose procurado por todas las vias possibles el 
remédio, y aora idtimamente usando de suma benignidad, concede y 
haze gracia a todos los vezinos de la dicha islã, y las demas, de per- 
don general, otorgando juntamente con las vidas seguridad de bienes 
y haziendas, assegurando demas desto, que no seran dados a saco por 
alguna manera, antes seran amparados en sus comércios y sossiego, 
con tal que sin hazer resistência alguna, se quieran rendir y sugetar 
a su obediência, como a senor y Rey natural, admitiendo y dexando 
desembarcar en tierra, a toda la gente que viene en esta Real arma- 
da, o la parte que me pareciere, a mi voluntad. Y demas desto en 
nombre de su Magestad ofrezco, que a lodos los Franceses, y los de- 
mas estrangeros. de qualquier estado y condicion que sean, que qui- 
sieren salir de la dicha islã, e yrse a sus tierras, o adonde por bien 
tuvieren, les dexaré salir brevemente, con sus haziendas, armas y 
ropa, y les dare embarcacion, si de su voluntad quisieren entregar 
los fuertes que en su cargo y poder estuvieren, desamparando llana- 
mente la islã. Y assi yo el dicho Capitan general, en nombre de su 
Magestad, y por su Real palabra, prometo cumplir y guardar este edi- 
cto publico, en todo y por todo, porque es la determinada voluntad 
dei Rey nueslro senor, que assi se guarde y cumpla: con protestacion 
que hago, que no guardando, cumpliendo y obedeciendo todo lo en el 
contenido, si perseverando en dura obstinacion, se esforçaren en pas- 
sar a delante con sus intentos y desesperacion, siendo ya mayor Ia 
culpa, por aver procedido de su voluntad, y no de fiierça que se les 
aya hecho en este caso, ni de miedo, ni otra cosa que les pueda aver 
estorvado, mas que su mal propósito, contra su Rey legitimo, y usan- 
do dei poder que su Magestad me concede en este caso, desde luego 
los doy por enemigos rebeldes contra su Rey y senor, y como a sier- 
vos de la pena que padecieren, les protesto, que los danos públicos 
castigos de sangre y fuego, muertes, y devaslaciones que uviei'e y 
se recrecieren, sobre todos los que no acudieren a dar la (obediência 
y reconocimiento a su Magestad, y perseveraren en su obstinacion, 
no será a cargo de la M. Real, ni a cargo mio, sino a culpa de los 
tales: y para justificacion desto, y confusion de su maldad, y perpetua 
deshonra, les hago este mandato, para que permanezca y biva con el 
tiempo una gran demonstracion de misericórdia y justicia. Fecho en 
N-" 21-Vol. IV.— 1882. H 



274 ARCHIVO DOS AÇORES 

el galeon Capitana desta armada, nombradn San Martin, sobre la 
Tercera, a 23 de Júlio 1583. Don Álvaro de Baçan. Por mandado de 
su Senoria Illuslrissima, Andres de Morales.» 

Diligencia fne de miiclin aciierdo, y piadosa determinacion, donde 
se mostrava la Cliristiana intencion dei Rey Católico, y usando de su 
clemência en el perdonar, se exercitava acto de prudência y astúcia 
militar; porque en virtud destos perdones se dava reposo a los natu- 
rales.y ocasion para declararse los que quisiessen acudir con sus perso- 
nas a la parte de su Magestad. Y el edicto en lengua Francesa íaun- 
que mas breve) contenia la mesma sustancia que el Espanol. Y assi 
partio este Sargento con estos recaudos, y haziendo la fragata su ca- 
mino con mucha diligencia, no uvo Ilegado a la mitad de su jornada, 
quando dispararon los enemigos contra ella cinco cânones gruessos. 
y con todo esto se les acercava, hasta que llegó a tiro de arcabuz, y 
le redoblaron muchos mosquelazos, de suerte que le fue forçoso ai 
Sargento dar la buelta ai galeon San Martin, de donde avia salido.No 
se dexará de dezir, quan mal parecio, conforme a leyes de guerra, lo 
que los enemigos liizieron, por ser un uso prejudicial para el género 
humano . . . 

Foi. 35) «...Y visto porei Marques la determinacion desta gente, 
para mas justificacion deste negocio, [larecio que convenia. que el Au- 
ditor general hiziesse informacion de todo lo que avia sucedido, y as- 
si recibieron muchos testigos en este caso: y como sea tau limitado el 
tiempo que ay para tener por estos mares navios grandes y galeras, 
el Marques se resolvio en dar dentro de dos dias la batalla, y en- 
tre tanto esperar si los de las islãs acordavan alguna novedad. em- 
biando recaudo, o resolucion acerca dei rendirse, o admitir nuestra 
gente, y obedecer lo que el Marques les avia mandado. Y por no per- 
der punto. mando juntar a consejo en el galeon, donde se halló don 
Pedro de Padilla. don Lope de Figueroa, y don Francisco de Bobadi- 
la, y don Christoval de Erasso. Y una de las cosas que de aquella 
junta resultaron, fue, lo que se deve hazer primero que se conquislen 
las províncias y ciudades, que saliesse en una fragata el Capitan 
Miguel Venesa, para que reconociesse la islã, por parte de la costa 
brava. Y por otra se le dio orden a Pedro de Venesa su Alferez, para 
que corriesse la vanda de la playa: y assi lo hizieron, y dispararon 
contra el de los fuertes de la marina nnichos mosquetazos, que aun- 
que alcançavan, no hizieron dano. Y por otra parte fue el Capitan 
Rosado, con otras personas, para que lo viesse todo. y considerasse 
lo que tiene mas difilcutad. y está mas fortificado, y donde ay menos 
defensa, y mas fácil desembarcacion. trayendo con la relacion su pa- 
recer en cada cosa de las que viesse . . . 

Foi. 36 v.**) «... Y bolviendo a nuestra historia, se acordo, en que 
fuessen las galeras y piuaças, para que a media noche hiziessen 



ARCHIVO DOS AÇOHES 273 

ciierpo de armada, a tocar arma falsa por Ires puestos ai enemigo,. 
para iii(|uiertalo, y divertirlo, y que con este desassossiego no enten- 
diesse por donde se avia de acometer que los ardides y cautelas son 
licitas despues que la guerra fue reduzida a arte: y assi se hizo: y a 
media noche, siendo sentidas las galeras por los de tierra, se oyo 
locar arma muy apiiessa, y se disparo artilleria de ambas partes: y 
el dia siguiente de maãana mando el Marques ai Capitan Medrano pu- 
siesse en orden su galera Capitana, para salir en ella, y assi se em- 
barco, y con el don Pedro de Toledo, y el Maestro de campo don Lo- 
pe de Figueroa, don Pedro de Padilla, don Francisco de Bobadilla, 
Juan Martinez de Recalde, don Christoval de Erasso, y Juan de Horbi- 
na, y otros cavalleros, y fueron lo mas cerca de tierra que les parecio, 
para reconocer por sus personas el sitio, como Capitanes de tanta ex- 
periência y nombre; y los enemigos les dispararon muchas piegas de 
artilleria y mosqueteria, y reconocieron desde la villa de San Sebasti- 
an, hasta três léguas la buelta de la ciudad, passando una légua mas 
adelanle, con muclia advertência, que esto es embiar exploradores, 
como los que fueron a Canaan, y a Jericó, y como acuerdo de mucha 
importância, será bien se escrivã, como el Sábado en la noche a hora 
de las diez, embió el Marques en una barquilla dos portugueses de los 
dichos diez hombres de la Tercera que eslavan presos, y llevaron se- 
ys traslados de los edictos, para que por alia los publicassen, y assi 
se parlieron la buelta de la islã, y se quedaron en ella. Estratagema 
es de buena consideracion, quando un exercito es grande, luzido, y 
copioso, no rehusar el Capitan general, de que aya de parte de los e- 
nemigos algunos que lo vean, y puedan llevar a los suyos la nueva de 
su fuerça y poder: porque de alli suele nacer en ellos miedo de sus 
contrários, por aver concebido en su imaginacion tanto terror de ar- 
mas e impetu de soldados .... 

Foi. 37 v.") «...Y todos estos estratagemas, si bien se consideras- 
sen, escusarian muchas muertes, si los contrários con humildad lo mi- 
rassen. Llevaron estos hombres una carta particular dei Marques para 
Manuel de Silva, y tanbien les dio el Auditor general otra exortatoria. 
o apologretica, que hablava con los vezinos de las islãs, desta mane- 
ra. 

«A los de la islã Tercera, y las denias circunvezinas, el Licenciado 
Mosquera de Figueroa, Auditor general desta armada y exercito. 

Qulsiera no lener ocasion de entrar dudando, como Veturia ma- 
dre de Coriolano, ciudadano Romano, y perseguidor de Roma, (juan- 
do llegando ai campo de los Volscos que traya a su cargo, le dixo la 
gran Matrona: ílijo, antes que me abraces, quiero saber si vengo a 
ver hijo, o enemigo. Pues no quiero, senores, persuadirme, a que 
sean os Portugueses tan pródigos de su fama, y tan enemigos de su 
sossiego, que siendo Espanoles, y aviendo derramado por el mundo 
su nombre con tan honrosas vitorias, mostrando su valor belicoso, as- 



tlQ AHCHIVO DOS AÇOKES 

si contra los infieles cercanos, como contra naciones remotas y apar- 
tadas dei Oriente, aquistando riquezas con inmortal renorabre de es- 
forçados y religiosos, ayan (no se si lo diga) querido de su voluntad 
hazerse guerra a si mesmos, y fiar su pátria y su honra de los co- 
munes enemigos: que verdaderamente no le hállo nombre a tan ciega 
determinacion, y a consideracion tan lemeiaria, ni bailo injuria que 
pueda igualar a la que essa misera tierra, y todos los naturales delia 
han recebido, y esperan recebir, dexando para sus decendienles ma- 
culada perpetuamente su memoiia, y estragado su credito. Ó cruel 
malefício, ò pensamientos de hombres, a quien parece que va desam- 
parando la piedad! Es possible que querays assolar essa pátria donde 
nacistes y os criastes? En gran desventura de estado ha puesto la vida 
a los ancianos, pues veen con los ojos tan miserable espectáculo, y no 
puede la pesada y ílaca vejez darles lugar para defender su vida y 
honra con las armas, ya que no valen los consejos contra tan atre- 
vida y desobediente juventud. A quien diremos que abristes la puer- 
ta? a Yuestros deudos? a vuesiros naturales? a vuestros amigos? a 
gente que vino a conservaros en vuestra religion, paz, qiiielud, y tran- 
quilidad? o a una gente estrangera, sobervia, fiera. destemplada, des- 
honesta, inclinada a assenchanças, ingrata con los amigos, impia con- 
tra los mayores, cruel con los humildes, y a todo género de peisonas 
desagradable: que ha deshonrado las virgines. vituperado las madres 
de familia. saqueado sus casas, robado sus haziendas, alterado su re- 
publica, y fo que mas es, han profanado sus templos, y derribado sus 
edifícios, y violado los sepulcros, en cuyas imagines y esculturas se 
representa la honra de los que estan guardados enellos, que qualquie- 
ra cosa destas bastava para averse lodos conjurado contra estos pú- 
blicos enemigos. Y si esto no les ha movido, deviera moverles para 
convertir las armas contra ellos, verse frente a frente con nuestra ar- 
mada, siendo toda una nacion, un deudo, una provincia, un nombre 
de Espafioles, una religion, un Rey natural César Chrislianissimo, a- 
dornado por todas partes de clemência: que por la comunicacion que 
lienen con nosolros, pueden estar bien informados de su gran poder: 
y por el perdon general que se les ofrece, amparandoles en sus vidas, 
haziendas, y sossiego, puende acabar de persuadirse, quanta sea su 
misericórdia. Y por las varias naciones dei mundo que han visto 
sujetas de sus exércitos, de que estan llenas las historias, podrian 
ya darse por bien informados dei valor de los Espanoles. Y una de 
ias causas que mas les avia de mover, para revocar dei camino sus 
mal endereçados propósitos, era ver quan de nuestra parte vienen 
para pelear contra ellos, y derramar su sangre, muchos de los suyos. 
rauchos de sus parientes y naturales: que no es esta poça confusion 
par-a desbaratar sus intentos, y para retraerse de sus malas obras. 
Quiero traeios a la memoria lo que Augusto César hizo generosamen- 
te, quando aviendo huydo el temeroso y afeminado Marco António en 



ARCHIVO DOS AÇOHES 2// 

seguimiento de sii amada Cleópatra, que no teniendo esfuerço para 
siiírir el concurso y tropel de los enemigos. desamparando a los suyos. 
tendio las velas de purpura, y mostrando a sus contrários la popa de 
oro, dio a huyr vergonçosamente. Y viendo Augusto César, que des- 
pues que bolvio António las espaldas, los suyos todavia peleavan, que- 
riendo ablandar su corage, vino a dezirles, Hermanos, por quien. y 
contra quien peleays? dandoles a entender, quan poça o ninguna obli- 
gacion tenian de pelear por el Rey, o Capitan, que los avia desampa- 
rado en el peligro, y avia huydo. Y quanta menos la tenian de sus- 
tentar la gueria contra los Romanos sus próprios naturales y deudos, 
a quien aora me parece que vays imitando en esta inconsideracion. 
qiie aviendo os desamparado vuestro António, como el otro a los suyos, 
y huydo torpemente, mostreys todavia vuestra pertinácia, quitando a 
vuesiros entendimientos todo buen discin-so, tomando las armas con- 
tra vosotros mesmos, en desacato de la clemência de nnestro César, 
digna de mayor gloria que la de Augusto, porque procede de mas al- 
tas causas, que traen su origen dei cielo. Muevaos a compassion, ciu- 
dadanos, el ver puesta entre fuego y sangre vuestra amada pátria, 
ver derribados por el suelo Ids edifícios de vuestros mayores, y las 
casas y famílias, que tanto amparan y dessean las leyes que se con- 
serven, donde vuestros passados bivieron, y donde estavan esculpidas 
y dibuxadas las armas de su linage, porque quereys verias arruyna- 
das y escurecidas ? Podremos dezir. que las llamas. dei fuego, la in- 
feccion dei ayre. los terremotos espantosos, aunque abrasan. matan y 
deslruyen. a algunos perdonan, y otros escapan por su diligencia dei 
peligro deste infortúnio, quedando algunos bivos entre los muertos. 
que aunque atemorizados, ai fin se hallan libres dei naufrágio que vie- 
ron padecer a sus padres, amigos, y p.irientes. Pêro quanta será 
mayor vuestra inhumanidad, si vieremos que por pertinaz desobe- 
diência padeceu muchos que la dessean dar a nuestro Rey Católico. 
y por temor de vuestras injusiicias sufriran la muerte, y otra mayor 
que perder la vida. quando quedando con ella, se vean carecer por 
vuestra culpa de todas aquellas honras, que aun despues de mueilos 
dessean los hombres que se conserven, como es la pátria, la exem- 
pcion publica, la autoridad de las famílias, sepulcros, y religiosas me- 
morias de los passados. Seaos exemplo desto el gravíssimo Empeia- 
dor Constantino, que estimando en mucho los nombres y honrosos tí- 
tulos ganados por antiguedad. no consentia que se vendiesse la casa 
donde murio el padre, donde crecio el hijo, teniendo por negocio las- 
timoso no ver por las paredes delia fixados los retratos de los mayo- 
res. y por un caso digno de mayor lastima, verlos quitados, o arran- 
cados de su lugar. No querays ser para los ()ue biven un horren- 
do espectáculo, y para los que estan por nacer un temeroso escar- 
mienlo, y que de padres a hijos. y de hijos a nietos (si (|uedaren al- 
gunos) o en los perpétuos escritos de las Chronicas, (|ueile sieni[tre 



278 ARCHIVO DOS AÇOKES 

l)iva la memoria rle la jiislicia y de vuestra rleslealtad, la commisera- 
cioii y clemência de parf.e de nueslro Rey Christianissimo y Católico, 
la ingraliUid, desacato, y rebelion de parte vnestra. Y assi executan- 
dose el justificado castigo, se ciimpliran las santas e inviolables leyes, 
con tjue se sirve el verdadero Dios sol de justicia. Salvador y glorifi- 
cador de los hombres.» 

El Domingo signiente i2õ de Julho') mando el Marques Mamar a 
consejo pleno, y jiintandose en el gale on San Martin, resulto de alli el 
(lia que seria la desembarcacion, y la forma delia, como adelante se 
dirá mas largo. Luego a las seys de la tarde el Capilan Marolin passo 
por toda la armada con orden, para que cada nave aprestasse una 
barca con los esmeriles que uviesse. para que con las (Jemas barcas 
chatas, que estan fabricadas para el ministero de la desembarcion. se 
juntassen, y ayudassen a echar la gente en tierra: y ya que començava 
la noche a escurecer, com^íuçi) una de las nãos dei arinaila. por ser vis- 
pera dei bienavenlurado Apostolo Santiago ( *) patron nuestro a liazer 
salva de arcabuzeria: a la qual respondieron algunos de nuestros na- 
vios con la mesma salva, y para regozijar esta fiesta incitandose eu 
iin instante unos a otros, uvo algunos soldados que se subieron a las 
gavias de las naves, para disparar los arcabuzes, que con la escuri- 
(íad de la noche parecia hermosamenle el fuego, porijue se derrama- 
van por el ayre mil estrellas: y luego acudieron las galeras haziendo 
lo mesmo, y algunas delias desparzian cohetes tau altos, que parece 
(jue quedavau asidos en la esfera dei fuego, y pronosticavan los lu- 
minares de nuestra vitoria. Y pareciendoles a los de tierra, que estas 
muestras (]ue se hazian. mas eran para hazer demostracion de la 
fuerça de nueslra gente, que por otro respeto, por que i)ara ellos no 
era vispera de Santiago, ui entendieron que por esta razon se hazian 
aquellas salvas y regozijos, por no aver recebido la reformacion de 
los diez dias dei calendário nuevo, que su Sanlidad dei Papa Gre- 
gório XIII mando publicar en la Iglesia universal, el ano antes de o- 
chenta e dos, {1582) (jue lo ordeno assi la Iglesia, por regular la 
cuenta dei curso celestial, c informe a los aspectos en que estavan los 
cielos, (juando nuestro Redemptor .lesu Christo padecio en la cruz. 
para que la Pascua dei Cordero se celebre en el devido tiempo, por 
escusar el inconveniente que se daria andando errailos en el, fuera de 
la puntualidad dei Concilio Niceno, desde el qual los efiuinocios se a- 
vian anticipado estos diez dias dei assienlo lixo, que Dionísio a- 
via estabelecido, como despues se entendio, aviendose entrado en las 
islãs. Assi movidos los enemigos de diferente cuydado, por que la a- 
legria de los soldados, suele desanimar muchas vezes a los contrários, 
por la costa de la mar se pusieron en orden como dos mil hombres. 



(*) Ha aqui e(|uivoco manifesto, por que sendo o dia de Santiago a 25 de Ju- 
lho a véspera forçosaiiUMilo deve ser 24, como o próprio autor diz atraz, p. 270. 



ARCHIVO DOS AÇORt> 279 

esparzidos por la frente delia, y dieron três salvas de arcabuzeria, 
que ocupavan mas de media légua, disparando de quando en quando 
algunas pieças de artilieiia, que drnias de las que avia en los fuettes, 
que miravan nueslra armada, Iraxeron oiros dos cânones mayores. 
que arrojavan las balas de la otra parte de nuestias naves, y seria la una 
de la noche, dia de Santiago, quando las galeras embiaron todos los 
esquifes por la lengua dei agua con arcabuzeria, y ellas les yvan a la 
cola, y tocandoles arma, dispaiaron 24 pieças, para inquietar ai ene- 
migo: y a eslas dos cargas no acudieron con respuesta. Y aviendo da- 
dobuelta las galeras para juntarse con la armada, entendieron en a- 
trincbearse por las proas, con su faxaraento y pavesada para su de- 
fensa: y assi amanecieron dia de Santiago puestas en orden. Y como 
«viesse ydo el Marques por su persona a reconocer con los ingenie- 
ros, y afgunos mas que llevó consigo, lugar conveniente para Ia des- 
emíjarcacion. hallò a caso quando yva corriendo aquella costa, la bar- 
ca desamparada, en que avian ydo los dos hombres que salieron dei 
galeon San Martin, con los recaudos, y protesto, y carta para Manuel 
de Silva. Y en tanto que nuestro Capitan general va corriendo y re- 
conociendo la islã, será bien ípues ay algun lugar) tratar un poço dei 
assiento desta islã, y de las dificultades desta empresa, y sitio áspe- 
ro, y de otras cosas concernientes a geografia y chorografia delia, y 
pues estamos a vista, hagamos algnna consideracion, contentandonos 
con las cosas que nos diere a la mano la estrecheza dei tiempo, y fal- 
ta de sossiego: porque ya sabemos que es cosa cierta, la mayor par- 
te de la noticia estar en saber el Capitan escoger los lugares para 
combatir y dar el assalto, como dize Plutarco de Timoleon. que junto 
ai rio Crimessio, por esta veutaja vencio con cinco mil infantes, y mil 
cavallos, sesenta mil Cartagineses: y Cleomedes en otra parte ai Ca- 
pitan Arago. Todo esto consiste en saber elegir lugar a propósito pa- 
ra acamparse, y hazer trincheas, y plantar artilleria, entendiendo bien 
la planta y dispocion de la ciudad, y los lugares fortificados y fla- 
cos delia: lo qual viene a hazer mas difilcutosa la empresa, por no 
dar lugar para poder aventajarse el Marques ai enemigo. antes pelear 
contra el todos los elementos, el mar. el fuego. la tierra. y su gente. 
de suerte que viene a ser esta islã. no solo inexpugnable. pêro ina- 
cessible. Y como no se ha hecho tan particular memoria destas islãs 
por los escritores y geógrafos, como vemos de las demas de Kuropa. 
que no solo por relacicjn historial leunuios noticia delias, pêro por di- 
versos disenos y descripciones las conocemos y tratamos, caminando- 
las por las escalas de las millas. y midiendolas a passos, esla fue la 
causa de que se procurasse con lauto escndio y diligencia, inquirir y 
saber lo que ay en ellas: (pie de todo ha lenido culpa la falta de curm- 
sidad de los nàlurales, y el descuydo de los Castellanos en el tiempo 
que las trataron y conversaron, biviendo los Ueyes aniecessoies de 
su Magestad, que de aqui ha nacido lodo este trabajo y dilicnllad 



280 ARCHIVO DOS AÇORES 

que aora se ofrece: por que regulando las tierras, y considerando las 
cosas notables delias en las cartas y descripciones particulares, se 
escusan e-stas diligencias de tanta obscuridad, duda y peligro, como 
solia usarlo Júlio César, y otros Capitanes famosos de la aoligue- 
dad, y como reíiere Adriano dei inviclissimo Emperador don Carlos 
Quinto, que passando dos vezes por Africa, aunque llevava consigo 
muchos homhres platicos de la tierra, con la ordinanaria consideraci- 
on de las cartas y descripciones que llevava, estava tan diestro y ins- 
truto en el conocimiento de la tierra, y sus entradas, passos y rios, 
que todo lo sabia, con conocida ventaja, mejor que los ijue para este 
ministério llevava consigo: como se vio dando su parecer, antes que 
llegasse cerca de los lugares por donde se avian de hazer mas como- 
damente las jormdas, y en la empresa de Tunez. 

LIBRO SEGUNDO 

Foi. 40) En el gran mar Atlântico, o Occidental, liizo mencion Pedro A- 
[)iano en la segunda parte de su cosmografia, aviendo tratado de la di- 
vision de la tierra. y dei sitio y descripcion de las índias y mundo 
nuevo, en la enarracion de las insulas, de siele islãs, que son la de 
Santa Maria, de San Miguel, la de Christo, que es la Tercera islã que 
fue descubierla mIb donile liene esle nombre) el Pico, el Fayal, San 
.lorge, la Graciosa. Y lo mesmo escrive Abrahamo Orlelio en el teatro 
dei mundo, aunque Gemafrisio siendo de nuestro liempo. parece aver 
tenido poça noticia destas islãs, y assi en su Mapa universal no les 
da nombre mas (|ue a seys. Y Geronimo Uuscelo, sobre la ge"grafia 
lie Tolomeo. en la discripcion de la Tierra Nueva de Bacallaos. pone 
ocho, acrecentaudo a este numero la isla de Flores, Andrea Thevel no 
excedio destas en su cosmografia: pêro Geronymo de Chaves, cosmó- 
grafo de mucha opinion, natural de Sevilla, hizo entera relacion del- 
ias, anadiendo a la isla de Flores, la dei Cuervo, que son por todas 
nueve. No se hizo memoria ai principio de mas que de las siete, por 
que estas se descubrieron casi todas juntas, el ano de mil y quatro- 
cientos y quarenta y dos, \alirís 1432-39) por un Flamencoí*) aunque se 
dize, que la de San Miguel fue descubierta dos anos despues, y que pas- 
savan baxeles entre la de St. Maria y S. Miguel, y la de S. Miguel no 
se dexava vei'. aunque es lan grande, y aun mayoi' que todas: pêro no 
jerà dificultoso de creer, por los espesos nublados que rodean siempre 
esta isla, queopueslos a nuestra vista, causan una grande y confusa som- 
bra. Al tiempo que se descubrieron, estavan inhabilables de hombres 
y aun de animales, solamente avia gian copia de aves, tan bovas que 
venian a ponerse sobre las lanças de los hombres que las Irayan en 
las manos, y muchas vezes se abalançavan como simples mariposas 



(O Vid. Vol. I, pag. :^ t' 82 d>ste Archivo. 



ARCHIVO DOS AÇORES 281 

a las llamas dei fiiego. tanto que despues para caçarias y sustentarse 
delias, con fiiego las armavan, que verdaderamenle la hermosura y 
resplaiidor dei las atraya y quemava las plumas, y facilmente las ma- 
tavan. Y en el ano de mil y (piatrocientos y quarenta y quatro, el Rey 
don Âlonso dio licencia ai Infante don Enrique su tio, que pobiasse la 
islã de San Miguel, y tas demas. Tiene esta ista que tlaman de Jesu 
Christo, y comunmente Tercera, a la ciudad de Angla, que los Por- 
tugueses escriven Angra, que quiere dezir ensenada, que se haze en- 
tre la punta dei Brasil, y el castillo de San Sebaslian, házia la puerta 
principal de la ciudad. Es lugar grande, y de mas de dos mil vezi- 
nos: tiene Iglesia Catredal, y en ella está la silla Obispal. Es mucho 
el comercio con las índias Orientales y Occidentales, por ser escala 
importantíssima para el refresco y refugio de sus armadas, por lener 
en si agua en abundância muy delgada y saludable. hermosas cam- 
pinas de mucho trigo, cevada, y pastel, que es de mucho valor, y se 
provee Flandes, e Inglaterra, y Espana. Cogese miei, y los animales 
crian con facilidad, y assi las vacas y temeras son de muy buen nu- 
trimento. Ay conejos, perdizes, y gran copia de codornizes, como en 
la islã de Delos, que llaman coallas. Carece esta tierra de animales 
ponçonosos, que no los lleva ni produze. semejante en esto a Ingla- 
terra, que por secreto de naturaleza no los cria, ni lobos, ni otro a- 
nimal de rapina, aunque cria zorras, las quales esta islã no las lle- 
va. ni jamas se han visto en ella .... 

Foi. 42) «... Azeyte falta, y la cosecha dei vino es mucha, y no 
bueno. Está esta islã treynta y nueve grados de altura: estiendese de 
largo, de Oriente a Poniente con doze millas, y aunque es áspera 
por todas partes, es habitada toda por su torno, aunque por la parte 
dei Mediodia es mas poblada, y frequentada, por causa de las playas. 
Viniendo por la vanda dei Poniente, está la ciudad de Angra, abriga- 
da con un seno de mar, y no por esto segura de vientos. Junto a es- 
ta ciudad está la fortaleza, que mando fabricar el Rey don Sebaslian, 
y seys millas házia Oriente, el puerto que llaman de las .Muelas. y 
San Sebastian, pueblo de poça habitacion, três millas mas adelante 
de la Playa, que es el lugar mas acomodado para desembarcacion que 
ay en toda ella, y casi se continua con la punta de la sierra. que es 
el ultimo cabo que mira ai Oriente. Y despues dei, bolviendo ai Se- 
tentrion, está otro lugar, que se llama Agua Alba, y en esta parte ay 
aldeãs de poça consideracion: solamente a la parte dei Occidente está 
la vezindad de los Altares. Tendra toda Ia islã de circuito poço mas 
de doze léguas, y por algunas relaciones que tiene su Magestad, se 
le dan diez y seys léguas de a três millas. Y considerado el sitio del- 
ia, y el rigor con que se muestra por mar y tierra, viene a hazer di- 
ficultosa esta empresa, mucho mas de Io que comunmente se piiede 
juzgar, por juntarse algunos particulares, que no se tiene noticia a- 
ver concurrido tantos en otras ocasiones: [(Orijue considerado el tama- 

N." 21 -Vol. IY-1882. líá 



282 ARCHIVO DOS AÇORES 

no desla islã, y ser tan habitada y frequentada de gente acostumbra- 
da a trabajo de ordenada milicia, que en los moradores delia se hal- 
lan seys mil hombres de pelea, exercitados de muchos anos antes en 
militar diciplina, por la continua moléstia que siempie han lenido de 
cossarios, manejando toda suerte de armas, práticos en seguir las or- 
denes y obediência de sus Capitanes y oficiales: rodeada naturalmen- 
te de altas penas, que con facilidad impiden la desembarcacion ai e- 
nemigo. Y nos devemos persuadir, que todo lo que se puede consi- 
derar, lo tienen considerado y prevenido, poniendo toda su diligencia 
y cuydado, en defender la entrada, y oviar que ninguno de los nues- 
tros pueda poner pie en su tierra: y los lugares (que son poços) por 
donde se pudiera saltar en tierra, los han de tal manera proveydo y 
fornecido, assi en hazer trincheas, abrir fossos, alçar fuertes, cortar 
los passos, plantando artilleria por todas parles, y apercibiendose de 
oiros pertrechos, reparos, y preparamenlos, en três anos de tiempo, 
que conlino han esperado nuestro acomelimienlo, con ordinário conse- 
jo de platicos Ingenieros, y esperimenlados Capitanes. Y porque se 
l)ongan todos los inconvenientes, que apuntó Tiburcio Espanoque en 
lengua Italiana, que escrito y dilatado por mi en la Kspanola, se dio 
ai Sereníssimo Cardenal Archiduque Alberto, estando yo en la ciudad 
de Lisboa sirviendo a su Magestad en sus galeras y aimada, dire lo 
que resta brevemente, pues el tiempo da lugar para ello; que de mas 
desto otra dificultad tiene esta empresa, en averse de seguir contra 
gente rebelde, no por fuerça, sino de su voluntad, contra su legitimo 
Rey y sefior, estando como estan briosos los enemigos y ensoberve- 
oidos. por el sucesso que uvieron quando rompieron la gente de don 
Pedro de Valdês, promeliendose nuevas esperanças, perseverando to- 
davia en dura obstinacion: pues ni las rotas navales, ni los castigos 
públicos que han visto, y les amenazan, son poderosos para doinar 
su furor, ni para hazerles retirar de mal obrar, antes con insolências 
y desverguenças. y publicas predicaciones procuran ofender la iMages- 
tad dei Rey nuestro senor, embiando navios para robar y saquear a 
Caboverde, y otras partes, a fm de llegar a este puerlo y tomar len- 
gua. Exemplos son todos estos de gran pertinácia y desesperacion de 
ser perdonados, y es claro argumento, en que nos quieren mostrar, 
que hasta la mueite avran de defenderse. Tampoco se tendra noticia de 
que aya ávido empresa contra Islã tau abastada de mantenimientos. 
no solo suficientes para sustentar los naturales, pêro para toda la gen- 
te estrangera que alli estuviere por largo tiempo, como han hecho 
hasta aora, y hazen: de suerte que podremos dezir, que es una forta- 
leza, en la qual está recogido mucho trigo, y bastimento, para todos 
los que la defienden. Tampoco se avra visto conquista de Islã de tan- 
ta importância como esta, porque de rendirla resulta, venir a escu- 
sarse el trabajo, y grandes costas de preparar cado ano una gruessa 
armada para assegurar las flotaS: que con tanta riqueza de plata y o- 



ARCHIVO DOS AÇOKES 283 

ro vienen cada ano de entrambas índias, las qnales forçosamente lian 
de traer por alli la derrota: y estando esta Islã en el estado en que 
esta aora, se vendra a hazer un perpetuo acogimiento de ladrones que 
se atreveran á venir cada dia con gruessas armadas, como este ano 
passado lo liizieron, los quales teniendo la Islã Tercera en su favor, 
uvieran por ventura alcançado lo que desseavan, si en tiempo no les 
atajaran sus desígnios. Demas desto para entralla tiene necessidad de 
baxeles de remo, los quales nunca navegaron tan adentro por estos 
mares, ni se atrevieron jamas, y en ellos parece por muchas razones, 
que Cijnsiste el buen sucesso de la empresa que lenemos entre las 
manos, estando tan lexos de tierra tirme. y sin tener puerto, forçan- 
do a qualquier suerte de navios a que esten en tanto peligro, y que 
no puedan navegar sino dos meses en el ano, Junio y Júlio, hasta 
mediado Agosto, por ser lo mas dei tiempo estos mares gruessos, y 
fortunosos, y innavegables, que siempre se ha de andar dando bor- 
dos en ellos, por estar lexos de tierra. Tambien es la empresa es- 
traordinaria, por ser socorrida de Príncipes poderosos, y que no po- 
nen el blanco en otra cosa sino en esta pretension, proveyendo esta 
islã de armas, y soldados viejos: los quales es de creer, que vienen 
para defenderse bravamente, por que por los exemplos de los castigos 
que en los passados se hizieron, no esperan aora los presentes menos 
que muerte vergonçosa de nuestras manos. Embiaron estos Príncipes 
estrangeros cantidad de navios, con tan poderosa armada, como el a- 
no passado hizieron, y visto el sucesso, se podra creer que seran 
mas firmes y determimdos en socorreria, por vengar el dano recebi- 
do, obligando a nueslra armada, demas de ocuparse en la expugna- 
cion de la islã en tierra. a estar proveyda en mar de gente, y lo de- 
mas, para qualquiera acontecimiento. De lo que se ha referido se hal- 
lan ai presente en esta islã mas de seys mil soldados de la propia 
tierra, sin que entren en este numero cerca de otros dos mil de las 
islas convezinas, como se entiende que se abran prevenydo, las qua- 
les tambien van perseverando en la mesma rebelion, y con los mil 
Franceses que alli ai presente se hallan, y con los que se entiende 
que vienen, en mucho numero, los quales se han levantado y apres- 
tado, y embarcado en Francia, y conduzido. Todas las sobredichas 
causas sou de mucha consideracion, por las preparaciones de las fuer- 
ças. que para el buen sucesso deste negocio se ayuntan con la mu- 
cha prudência dei Marques su Capitan general, las quales cosas, de 
que por menudo se ha hecho relacion, se podrian muy bien confor- 
mar, haziendo discurso con los exemplos de otras empresas, que en 
nuestros dias se han ofrecido: aunque para dezir la verdad, no de 
tanta importância, ni tan dificultosas, y una delias a mi parecer, de- 
xando otras que se podrian representar, es la empresa de Malta, que 
aunque en ella no me hallé presente, he procurado infoniiarme de 
sus particulares .... 



284 AHCHIVO DOS AÇORES 

Foi. 46) «...Al piinto que el Marques bolvio ai galeon capilana, 
dio orden en tanto que se tomava resolncion en el acometer mas aco- 
modo de los soldados en la forma de la desembarcacion, senalandoles 
capitanes que avian de yr delante en la primera barcada,y que en el- 
la yria su persona juntamente con la dei Maestro de campo general, 
para que el Marques diesse orden de palabra de lo que de improviso 
se ofreciesse, viendolo todo por vista de ojos, assi en la desembarca- 
cion, como en el batir de los fuertes y arremetida, dando orden ai 
Maestro de campo, y a los demas que siempre avia de tener cerca 
de su persona: y mando proveer a los soldados que se avian de des- 
embarcar con sus vanderas de bastimentos para três dias, ordenan- 
do que los Capitanes de las naves sacassen consigo en la piimera bar- 
cada, en las mesmas barcas de infanteiia, cuerda, polvorn, y piorno, 
porque no faltasse. Proveyo que los mesmos Capitanes de naves, bi- 
ziessen desembarcar bastimentos para otros diez dias, despues de los 
três, y que de respeto uviesse en cada tercio los gastadores, con pa- 
las, espuertas y picos, para lo que de antemano se ofreciesse. Ordeno 
luego ai Capitan .Juan Yenegas Quixada teniente de Capitan general 
de artilleria, que en quatro pinaças llevasse pólvora, balas, cuerda, 
y con alguna artilleria de numero seguido. Y aviendose adelantado 
un ingeniero, y algunos Capitanes con el, dixeron, que el puerto de 
las Muelas les parecia mejor desembarcadero, aunque tenia un fuerte 
con sus trincheas, mas fornecido que el dia antes avian visto con el 
Marques, el qual ya eslava informado deste desembaicadero, por u- 
nos Portugueses que fueron de mucha importância para este efeto, y 
Iraydos ai galeon San Martin: y aun ai principio se pensn, que avian 
querido estos aconsejar mal, por la aspereza que se via en el lugar, 
pêro ai Marques le parecio de menos peligro vencer en esta ocasion 
la dificultad de 'a naturaleza, que los peligrosos reparos dei arte.... 

Foi. 47) «...Y assi para proceder el Marques en este negocio mas 
atentadamente, imitando a Quinto Fábio, ordeno que fuessen los maes- 
tros de campo don Francisco de Bobadilla, y Agustin Iniguez, y el 
Capitan Geronimo Frãces, Tiburcio Espanoque, y Juan Baptista Caira- 
lo ingeniero. para tomar la ultima resolucion. . . . 

Foi. 48) « . . . Y en tanto que esto por aca se proveia, el dia si- 
guiente los dos Portugueses que avian salido dei galeon San Martin 
en el barco con los recaudos dei Marques, para que llegassen a noti- 
cia de todos, aviendo tomado puerto en la islã. uno de ellos se los 
puso en las manos a Manuel de Silva, que por aver sido grande ami- 
go de don António, y de los primeros que congregaron gente, dando- 
le nombre de Rey en Santaren. don António le tenia mucha obliga- 
cion: y assi quitando dei cargo de governador a Ciprian de Figueredo. 
lo embio por el mes de Março, desde Francia, para que se encargas- 
se de las Islãs, con mayores títulos como parece por una patente que 
le dio escrita en pergamino, con prerogativas y nombres ambiciosos. 



ARCHIVO DOS AÇOKES 285 

hazieniiolo Conde de Torresvedras, de su Consejo de estado, veedor 
da fazenda, lugar leniente general de todas las islãs dei mar Oceano, 
estados de Brasil, Caboverde. San Thome. la Mina, y de todas las 
ciudades, villas, y fortalezas, y tierras, y senorios de Afiica, Etiópia, 
y Cabo de Buena Esperança: con poder para hazer meicedes, dar o- 
hcios, y quilarlos, poder balir moneda, y atender a la jurisdicion e- 
clesiastica. con la presentacion de benefícios, y hazer justicia. Avien- 
do pues leydo Manuel de Silva el protesto, y abriendo la carta parti- 
cular dei Marques, no gustó mncho delia, por parecerle que el Mar- 
ques le tuviesse en reputacion de rebelde, y la escondio con los pro- 
testos. Y llegandose házia la puerta de la carcel. donde eslavan pre- 
sos algunos Castellanos, moleslandolos con dura prision, por el ódio, 
y aborreciraienlo que tenian a este nombre.y por pareceries que por 
esta razon avia algunas culpas en ellos, y que fuera inconveniente 
dexarlos andar sueltos por la islã, les dixo: Contentos estareys, Cas- 
tellanos, de que vuestra armada está tan cerca. Y haziendo donayre 
de los protestos, bolvio a dezir riendose: Pareceme que esto mas se 
escrive por tentar que por justiíicacion: porque estoy informado, y 
aun se cierto, que no vienen en todo esto que veis quatro mil hom- 
bres de guerra. Ya saben los que aqui vienen, que cosa es venir á 
la Tercera, y bolver con las manos eu la cabeça. Yo prometo quan- 
do ellos buelvan las espaldas, de daros libertad. Los afligidos pre- 
sos no respondieron. como hombres que sabian a donde Negava la 
crueldad de Manuel de Silva, que poços dias antes avia mandado exe- 
cutar castigos estraordinarios en algunos, y especialmente en Mel- 
chior Alfonso Portugues,que por ser dela parte de su Mageslad, le man- 
do dar cruel tormento, haziendole calcar unos çapatos de cuero bana- 
dos en azeyte, despues de averle raydo las plantas de los pies, y lle- 
gandoselos cerca dei fuego, dava con el bravo dolor sentibles gritos. 
y morlales singultos, con que atemorizo los hombres, y despues lo 
mando arrastrar, y ahorcar, y hazer quartos, y poner la cabeça en 
una red de hierro en la placa publica a la tone dei relox; que no a- 
via persona que le osasse dezir mas de aquello que podia sei' de su 
gusto; que esta es la perfeta tirania. A Juan de Betancor, que descu- 
brio el animo por parte dei Rey Católico don Felipe, lo tuvo aspera- 
mente preso, y para condenallo a muerte. A otros dio tormentos de 
garrucha, y a otros unzidos como bueyes de baxo de yngo. mando 
açotar pubíicamente por las calles, con aquella nueva invencion de o- 
probrio. . . . 

Foi. 51 v.") «...Y assi de todos estos pareceres y reconocimiontos 
y justa consideracion resulto la determinacion dei Marques en resol- 
verse de acometer por una ensenada (pie haze el mar, como una lé- 
gua dei lugar donde era el surgidero de Ioda la armada, dos léguas 
de la ciudad de Angra, que llanian Porto das Moas, (|iie aca dezimos 
de las muelas, y por otro nombre los ancianos llanian el cerro de la 



Í86 ARCHIVO DOS AÇORES 

cotitienda, como pronostico dei sucesso. Contento este puerto ai Mar- 
ques en conformidad de lodos los de su consejo, por muchas razones 
(jue para eilo se hallaron, que qual(|uiera delias hazia bien conside- 
rada esta determinacion. La primera que íe movio. fue, por que el 
desenibarcadero era capaz para llegar á un tiempo todas las barcas en 
que yvan los quatro mil soldados, que estavan embarcados, y á pun- 
lo para la desembarcacion primera, y trás esta olra que la assegura- 
va, porque no avia mas de un fuerte á la mano yzquierda de la triu-' 
chea; y el traves dei fuerte, por sei' la trincliea larga, no podia ha- 
zer tanto dano, como en las demas que estavan vistas: y porque este 
puesto vénia a ser en la mitad dei cainino que ay de la ciudad de 
Angra, hasta la Playa, y assi vénia de mas lexos el socorro, que avia 
de acudir de estas dos partes mas principales que otra alguna de to- 
da la islã, que fue discurso de muclia importância. Y la otra razon, 
porque en caso que los Franceses defendiessen la entrada, se les 
podia acometer tambien por la vanda dei islote a la mano derecha 
de la entraria dei puerto, por aquella parte y lugar peynado, porque 
estava tan baxo, que con solo nu troço de escala se podia subir, y 
siendo necessário acometer por estas dos parles, vendria a divertir- 
se el enemigo, para hazerle retirar de la defensa dei fuerte y trin- 
cheas. Y olra avia, (y no de menos importância) que era, no estar 
lexos dei armada este desembarcadero para este efecto. Aqui se veri- 
(ica con quanta razon se Mama entero y perfeclo el parecer, a quien 
se llegan y juntan pareceres de muchos; porque lodo lo que el hom- 
bre imagina y trata va perdido, sino se reduze a consejo, que en es- 
ta mulliplicacion está la salud, y Io que a la republica conviene. El 
Marques salio á prima noclie dei galeon San Martin, y llevando consi- 
go los cavalleros que en el avia. passo á la galera capitana, para que 
alli con mas facilidad se diessen las ordenes que eran menester para 
el efeto que eslava ya tau cercano, y para que lodos se aprestassen 
y apercibiessen para la hora en que se mandasse levar. 6 tocar arma; 
y en poço espacio de tiempo cada uno se fue á su galera, ó barcon, 
con la demas infanteria, que estava ya desde Ia manana embarcada 
hasta el fm dei dia que duro la embarcacion: el infante con sus ar- 
mas, y el mosquetero y arcabuzero con Ias suyas adornado cuerpo y 
cabeça, de suerte que las galeras y Ias barcas que las rodeavan, no 
se parecian, porque estavan quajadas de gente y de armas: unos a- 
via que reposavan, y oiros de mas bivo cuydado, proveian su con- 
ciencia dei remédio importanlissimo para su salvacion; porque no fal- 
lavan religiosos de Ia orden dei glorioso san Francisco, y de la Com- 
pania dei sanlissimo nombre de .lesus, que alli trabajavan en servi- 
cio de Dios, lo que sus fuerças pudian: porque siempre es justo 
que aya copia de sacerdotes en los exércitos, como se lee en el tex- 
to sagrado. A este tiempo se otorgaron algunos testamentos, que 
aunque en parle erau defectuosos, se suplia todo en virtuil dei pri- 



ARCHIVO DOS AÇORES 287 

vilegio de los soldados por el rescrito dei Divo Trajano: porque ii- 
nns se hizieron por cartas, y otros por simples memorias dexavaii 
instituydos fierederos, no dando lugar para mas el tiempo, ni la oca- 
sion, ni la necessidad: a imitacion de los Romanos en los exércitos, 
que primero qne se pusiessen las celadas. y que se cifiessen la ropa, 
o segunda túnica con su espada, liazian sus testamentos, estando, co- 
mo dizen. el pie en el estribo, y nombravan herederos delante de 
três, o quatro personas, por ser expedicion. Y aun despues se ie per- 
mitia ai soldado escrivir el testamento cou su sangre en el escudo, y 
quando se bailasse en mayor estrecho, sinalando en la tierra: y aun 
de palabra, se guardavan y cumplinn las ultimas disposiciones de los 
que morian. Uvo algo desto en esta jornada, donde se observaron los 
testamentos militares, tambien como otros que con justa solenidad 
de ultima volunlad se avian otorgado en la paz. Y es justo que res- 
plandezcan hasta el dia de oy los privilégios, que con leiras de color 
de purpura, establecio en favor dellos el invicto Emperador Júlio Cé- 
sar, y Nerva que estendio sus privilégios. 

Despues de aver el Marques ordenado, mando que se amatassen 
las lumbres de las galeras, y las cuerdas de los arcabuzes, porque no 
se divisasen por los enemigos. y que no se disparasse, ni tocasse ca- 
xa, ni hiziesse rumor, y assi començo a aquella ora a reynar sobre el 
mar un profundo silencio de todos, que no se oia sino a ratos el cru- 
xido sordo de las armas, quando para descansar se movian. Anduvi- 
eron don Francisco de Bovadilla, y Agustin Yniguez maestros de 
campo toda la noche,. proveyendo que no se quedase algun barco a 
trás, para que las galeras los remolcassen a todos, y ya que serian 
las dos de la mariana començó la galera capitana a çarpar. y palpan- 
do los remos en el agua, todas las demas hizieron lo mesmo, trayen- 
do con mucha orden remolcando los barcones, pataches, y pinaças. 
que no podian series de provecho sus remos, si las galeras no los 
traxeran, a causa de la mucha gente que en ellos avia cargado: por 
que de la primera desembarcacion eran quatro mil infantes de van- 
guardia de los tercios de don Lope de Figueroa con su compaiiia de 
soldados viej(»s de la Liga. con senalados capitanes. Pedro Rosado. La- 
çaro de Islã. Agustin de Herrera, Miguel Ferrer, Pedro de Santistevan. 
Diego Coloma,"Don Juan de Córdova, don Bernardino de Çuniga, Mi- 
guel de Benesa, Sancho de Solis. don Juan de Bivero, y su Alferez. 
Cavalleros particulares, don Hngo de Moncada, don Pedro llenriquez. 
don Gabriel de Lupian. don Godofre de .Mendoça. don Luis Venegas. 
don Álvaro de Benavides. don Juan de Granada, don Rodrigo Ponce 
de Leon. Marcelo (^aracciolo. don Geroniino Çapala. don Bernardino 
de Mendoça, don Diego de Bagan, y el maestro de campo don Fran- 
cisco de Bovadilla: con los (Capitanes don António de Paços, capilan 
Castellani. Juan de Texeda, (jue liazia oficio de sargenio mayor en 
todos los tercios, Diego de Cardenas Sotomavor, Bustamanie de ller- 



288 ARCHIVO DOS AÇORES 

rera, Jiian Fernandez de Luna, Diego de Oviedo, y con ellos yvan los 
cavalleros don Felipe de Córdova, y don Alonso de Roxas, don Gon- 
çalo de Guevara don Francisco de Benavides, don António de Solis, 
don Fernando de Toledo, don Franciso de Guzman, don Geronimo de 
Rivero. don Jnan de Rnytron, don Pedro Enriquez. el Capilan Melchior 
de Sparça, don Jnan Gallo. y el Maestro de Campo Agnstin Ini- 
gnez de Zarate. con el capitan Diego Suares de Salazar, don Chrislo- 
val de Acnna. don Juan dei Castillo, don Fernando de Ribanco, Antó- 
nio Florez, Pedro Ximenez de Heredia, Christoval de Paz, Hernando 
Pacho. Francisco Calderon. Pedro de Angulo, y el Alferez Xaramillo, 
de la compania de Pacho, y don Geronimo de Gongora. don Garcia 
de Cole. don Juan de Sandoval, que hazia oficio de Maestro de cam- 
po, a cuyo cargo estan las quinçe companias de Portugal, que salie- 
ron dei castillo con los capitanes Geronimo Francês, Manuel de Ve- 
ga, António Serrano, Diego Valiente. don Juan de Mendoça, don Juan 
de Medrano, Sancho de Bullon, don Juan de Lanuça, don S;uicho de 
Escobar, dou Eslevan dei Aguila, Juan de la Rea. Francisco de la Ro- 
cha, Martin de Herrera, el sargento mayor Gaspar Çapena, y con el- 
los don Pedro Ponce de Leon, don Juan de Castelvi, don Francisco de 
Rorja, Onofie Vernegal, don Rartolome de Amaya. y el Conde Gero- 
nimo de Lodron. con los capitanes. el Conde Nicolo. el capitan Carlos, 
y el sargento mayor Curcio, y aveutureros don Francisco Pernot co- 
mendador de Esparragosa de la orden de Alcântara, y Mos. de la Mo- 
ta. Lúcio Pinatelo, con algunos Italianos, y el capitan fray Vicencio de 
Afliti, y aveutureros, .Miguel Coxa, cavallero Napolitano, don Félix 
de Aragon, con una copiosa compania de Portugueses. Ya serian las 
(juatro de la madrugada, en piinto (]ue se aclarava el ayre, de suerte 
que se pudiesse ver lo que se hazia, quando llegó el .Marques en sii 
galera capitana a tiro de arcabuz, cerca de la cala y ensenada por 
donde se avia de arremeter. LIevava en ella a don Pedro de Toledo 
Marques de Villafranca, y a don Lope de Figueroa, don Pedro de Pa- 
dilla. don Jorge Manrique veedor general, don Juan Manrique, hijo 
dei Duque de Najera, el comendador don Luis de Sandoval, don A- 
lonso de Idiaquez, don Luis de Rorja, don .\ntonio Manrique. Juan 
Martinez de Recalde, don Pedro Ponce de Leon, el capitan Juan de 
Horbina, Miguel de Oquendo, don António de Portugal, Diego de Mi- 
randa. 

{Contt7iúa.\ 



ARGHIVO DOS AÇORES 



domínio hespanhol xos açores 

E 

D. ANTÓNIO PRIOR DO CRATO 



CONQUISTA DA ILHA TE1|^GEIRA EM 1583 

PELO 

Licenciado Cliristoval Mosquera de Figueroa 

Auditor Geral da Armada e Exercito d'el Rey Católico 

(Extractos) 

(Continuado de pag. 288. > 

Foi. 33 v.". ...Y aviendo apercebido a todos para la ocasioii en que 
se avia de dar el assalto, se fiie ilegaudo la galera capitana con las 
demas, que por todas eran diez. porque la galera dei capilan Mun- 
guia, y la Vitoria, que restaVan dei numero de las doze, estas anda- 
vau inquietando por otra parle a los eneniigos, por la vanda de la 
Piava, donde estavan nueve navios prevenidos, pai'a buyr en ellos los 
que pudiessen, ai liempo de la mayor necessidad. Salto la gente con 
impelu. y de improviso, que assi se ha de hazer pudiendo, por co- 
ger desapercebidu ai enemigo, en tanto que las fuergas estan divisas, 
y antes que vengan a unirse. Y descubiertos los nueslros por los e- 
nemigos, luego hizieron diversas senales, con abumadas, y llamaradas 

N.^ -22-Vol. IV— 1883. I 



290 ARCHIVO DOS AÇORES 

de pólvora, pidiendo socorro por aquella parle de un cerro o monta- 
na alia, donde tenian una campana que lafiian a gran priessa, y á tre- 
chos avia otras que se correspondian para el mismo efeto. Comença- 
i'on a disparar canonazos de los fuerles mas cercanos. y trincheas. y 
quanto los enemigos disparavan, tanto mas los nuestros se les acer- 
cavan: y visto por el j^iloto mayor de las galeras, dixo (bolviendose 
ai Marquesj que mirasse que estava tan cerca, que echarian a fondo 
su galera: a quien respondio el Marques: Pues acercaos mas, y quan- 
do esso fuere, aviendo encallado la galera, no nos ahogaremos: seme- 
jante ai dicho dei Espartano, que diziendole un capitan suyo por ate- 
morizarle, que las saetas de los Persas cubrian el Sol, respondio, Me- 
jor es esso, porque pelearemos a la sombra, Palabras de capitanes 
dichas en oportunas ocasiones, los han hecho inmorlales, porque en 
ellas se descubre el vigor dei animo, y assi la fama entre los hombres 
no procede de la naturaleza, ni se sigue delia, porque trae su origen 
de la virlud, que es ganância y premio suyo. Entonces envistio el pi- 
loto, hasta que el Marques se les opuso a cuerpo de galera, y des- 
pues de aver esperado de los enemigos algunos canonazos, que lira- 
van a cavallero, aunque passaron las balas por alio, siguiendo punto 
de mayor caça, porque algunas plataformas estavan de suerte en los 
fuerles de los enemigos, que no podian pescar sin peligro de perder- 
se las pieças, por ser necessário inclinarias muchopara baxarles el 
punto: aviendo assi mismo disparado muchos mosquetazos, el IVIarques 
mando que diesse fuego la capitana, y Mamando a Dios, y a Santiago, 
que assi lo ha de hazer el General quando acomete, mirando su gen- 
te, començo a disparar pieças de proa, sacres. esmeriles, y cânon de 
cruxia: y luego las demas respondiendo con espantosos truenos, cau- 
saron tanto temor y estruendo, que hizieron placa por la parte por 
donde se avia de acometer, y las culebrinas, o cânones de cruxia, e- 
chavan balas de quarenta libras, y pusieron algun temor a los enemi- 
gos. y de alli a poço, en tanloque las barcas se acercavan, dieron 
fuego por la vanda enemiga, y disparanm nuevas pieças. Y visto que 
de nuestra parte se detenian en responder, para que con mas breve- 
dad se hiziesse, el Marques que estava en j)ie, como lo ha de estar 
el capitan general, ordenando en las ocasiones que no le obliguen es- 
tar a cavallo, salto desarmado, passando por médio de todos, hasta el 
arbol de su galera, para encargar con mas instancia la diligencia a 
los artilleros, liaziendo en esto el verdadero oficio de General, que no 
solo consiste en saber mandar, y dar las ordenes, pêro en cumplirlas, 
como lo trae el jurisconsulto Marciano tratando de las cosas de la guer- 
ra. Aunque no dexo de dar el Marques muestra de cierto estremo de 
atrevimienlo nacido de fortaleza natural, puesto caso que en ella uvies- 
se entereza de animo, sin desassossiego ni turbacion en su persona. 
que moralmente le deflende en lo que hizo. pues sabia e! quan obli- 
gado está el capitan general á tener particular cuydado de su perso- 



ARCHIVO DOS AÇORES 291 

na, poniendo en ella aquella guarda que es necessária para que no le 
ofendan los enemigos. . . . 

Foi. 57 v.'') ... No passo mncho espacio de tiempo, que luego se 
disparo la artilleria y con ella los cânones mayores de ias galeras, y 
uno desencavalgò una pieça grande de hierro colado de los enemigos, 
que era la que mas dano podia hazer, y una pelota de los enemigos 
que defendian la trinchea, llevó la cabeça ai limonero de una barca 
chata que traia remolcando la galera Fama, con arcabuzeros de la 
compania dei capitan Venesa, antes que llegasse a lierra, de suerte 
que los que en la barca venian, no lo sintieron, por yr el timonero a 
popa: pêro sintieron que la barco se delenia por venir sin govierno. de 
suerte que pudieron otras passar adelanie. LIegaron brevemente las bar- 
cas a tierra, donde saltaron los Espanoles con grande esfuerço entre a- 
quelias lajas a los lados de los fuertes: algunos ponian el pie seguro en 
una piedra, para escaparse de la resaca, que era grande: otros que 
no podian esperar esta coyunlura, se abalançavan, y se sumergian, 
de suerte que el agua les cubria hasta la cinta, y con la resaca que- 
davan luego esentos para salir. Echóse ai agua animosamente con sn 
vandera, por aver encallado la barca, Francisco de la Rua alferez de 
don Francisco de Bovadilla, y trás el el capitan Luis de Guevara, y Ro- 
drigo de Cervantes, a quien despues aventajó el Marques: y assi ran- 
chos salieron de las barcas mojados, corriendo agua salada de entre 
las ropas y las armas. Y como para Espanoles no es cosa nueva sufrir 
Irabajos, seguian con toda vehemencia su empresa, y se vio, ayudan- 
dose unos á otros, que sin aprovecharse de escala, ni aver derribado 
cerca, ni desmantelado trinchea (cosa maravillosa) como si subieran 
por el ayre. siendo las trincheas derechas, y sentadas sobre piedras 
como mas de media pica, se vieron soldados encima delias, dignos 
por cierto de la gloria de las coronas murales. Y presupuesto que los 
esfuerços extraordinários espantan á los enemigos, y quanto con mas 
impetu y rigor se haze, tanto raayor miedo los ocupa, como sucedio 
á Jonathas y á su escudero, que atemorizo con su assalto el campo 
de los Filisteos, mucha razon tuvieron los antiguos de poner prémios 
á los primeros que se arrojavan en semej;mtes peligros. Viose luego 
una vandera de Castilla, y assi subieron todos por lugares asperissi- 
mos y dificultosos; y aunque los enemigos cargavan con brava fúria 
para resistir á los primeros impetus, assi con balas como con artifí- 
cios de fuego, y entonces con una olla que arrojaron quemaron un 
cabo de esquadra' dei tercio de la Liga, los de fuera de tal suerte o- 
fendian con arcabuzes, picas, y mosquetes, que dieron lugar paraque 
subiessen mas soldados. En este assalto se hallaron por la parte de 
dentro de la Isla três vanderas, una de Franceses, > dos de Portugue- 
ses, que llegavan á dozientos; hizieron los Franceses gian resistên- 
cia, pêro duro poço, por ser pocu el numero. Fueron mnerlos de la 
parte de fuera mas de veynte soldados, y de la parte de dentro mu- 



292 ARCHIVO DOS AÇORES 

rieron algiinos, y el capitan Francês llamado Berzino, hombre mu\ 
platico y estimado entre eílos, á cnyo cargo estava el fnerte mas prin- 
cipal de aquella parte que defendia, y las Irincheas que alli estavan. 
Luego llegó á la defensa una de las dos companias de Portugueses, 
donde combalio, aunque con temor, por el espanto que avian conce- 
bido de la artilleria: y la otra hizo alguna, aunque menos resistência: 
porque aviendo oydo sonar las campanas de! arma. y no venir socor- 
ro, y viendo morir sus companeros. desamparo la trinchea, y quedan- 
do solos los Franceses que alli avia, fueron muertos algunos. y no 
pudiendo resistir el impetu de los Espanoles, bolvieron las espaldas: 
y assi en menos de una hora fue el Marques senor de aquellos fuer- 
tes, con menos sangre de lo que se pensava. Luego que los Casiel- 
lanos vieron otra vandera en la trinchea, començaron a dar senal los 
ministriles de la vitoria, llamando a la senora Santa Ana, en cuyo 
santo dia el ano passado uvo el Marques la famosa vitoria Naval con- 
tra Franceses cerca destas islãs, con que se regozijo nueslra armada, 
y se animaron los demas para saltar a tierra. con la mayor presteza 
que pudieron. Estos dos alferezes se senalaron en aquel assalto, el 
uno dellos es Alonso de Xerez, natural de Málaga, dela ctjmpafiia de 
dou Juan de Bivero, y el otro Xaramillo de la compafiia dei capilan 
Pacho, que fueron los primeros que enarbolaron vanderi en las trin- 
cheas. y luego con ellos la vandera dei capitan Solomayor. y la dei 
capitan Flores. Y pareciendole ai Marques que no era tiempo de es- 
perar mas, salio en un esquife, con su gnion, y algunos cavalleros 
de los que venian con el en la galera, en otra barca: y aunque no es- 
tava la tierra en todo segura, aspirando a sus mayores desseos dei 
servicio de Dios, y de su Rey, no baxó los ojos ai reparo de su salud: 
y assi empenando su persona, para que los demas le imitassen, teni- 
endo atencion a que el Capitan general mueve con su exemplo, se a- 
delantó por llegar a tierra, y tanbien porque via que la infanteria yva 
desembarcando a toda priessa: y aviendo puesto los pies en ella, hin- 
có las rodillas, y humillado ante un crucifixo que llevava consigo, en 
manos de un frayle de la orden de S. Francisco, hizo oracion. y le 
dio gracias por la gran merced que a todos avia hecho. . . . 

Foi. 60 V.") ...Y luego se acabo de echar en tierra la primera desem- 
barcacion, para que por todas partes se tomassen las montafias, y pas- 
sos, y atajos dei campo, ordenando en todo lo que mas convenia, para 
mejor conservacion dei exercito: y porque el esfuerço y rara opinion de 
don Francisco de Bovadilla maestVo de campo, presupone ser superior 
en toda ilustre empresa, no quiero dezir qne fue el primero que puso 
pie en tierra de los enemigos, saltando en ella con peto y morrion lige- 
ro, aunque aya ávido otros que se le adelantassen en el subir de la trin- 
chea: y de los cavalleros cortesanos aventureros se senaló don Felipe 
de Córdova, que arremelio con el maestro de campo de una barquil- 
la en que yva, y el capitan Juan de Texeda. y el capitan Yicenie (^as- 



ARCHIVO DOS AÇOliES 291] 

lellolin, y su alferez Velasco, y don Geronimo Çapata Osório, qne yva 
en la barca dei capilan Ferrei'. Quando el Mari]nes eiilró rn la tier- 
ra. Negando a la avanguardia de! esqnadron, le dio el maestro de 
campo don Francisco de Hovadilla razon de lo qne se avia hecho has- 
ta aquel pnnlo, el qual lo formo confusamente de Iodas las naciones. 
por la brevedad, y por estar prestos conlia el socorro qne parecia, 
pêro no fue menester, porque los Franceses, y Portugnezes no se a- 
cercarun, antes hizieron alio en una monlafinela cerca de San Sebas- 
tian, y los que avian dexado las Irinclieas por donde se entro, no bol- 
vieron contra los nueslros, antes alargaron el passo para jnntarse con 
ellos: y assi visto el lugar que dieron los enemigos, lo tuvo el Mai- 
ques para que se ordenasse el esquadrou, con las naciones juntas en- 
tre si, y separadas unas de otras, porque con esta orden por experi- 
ência se vee estar los exércitos con mas guslo. y ayudarse con mas 
esfuerço en las batallas: y de la suerte que se ha de procurar por el 
Príncipe que se conserve en bien la republica, assi el General lia de 
usar de médios, con que se conserve en amor el exercito, porque de 
nlra suerte dififíultosamente se goviernan. A don Francisco ordeno el 
Marques se fuesse a la avanguardia de nueslra arcabuzeria. porque 
se començava a calenlar la escaramuça con los enemigos, y le quedo 
encargado diesse ai Marques aviso de lo que se fuesse haziendo. La 
escaramuça se encendia con mas fúria, y la fortuna, como lo tiene por 
costumbre, jugo con ambas parles, porque aunque eran los. Francescíí 
poços, ganaron una vez a los Espafioles las primeras trincheas y casi 
llegaron a las segundas, hasta que mando el Marques, que |)or evitai 
desorden, entrassen Alemanes con picas, para resistir la fúria dn los 
Franceses. Fue herido en tierra despues de desembarcado el capitan 
Pedro Rosado, soldado viejo dotado de constância, de un arcabuzazo 
en un musio. de que ai fin de Ires dias murio en la ciudad de Angra: 
y aviendo sido don António de Paços el piimeio de los capilanes que 
llegaron a la piimera trinchea con esfuerço y determinacion. salio he- 
rido con dos arcabuzazos en el braço y en la mano. y su alíerez Pclro 
Hernandez de Ramada se mostro animoso ai acometer, enaibolando su 
vandera, y a este tiempo Luis Campuçano de (^.ardenas, alferez dei capi- 
tan Sí.lomayor. Aqui murio Onofre Bernegal. hidalgo Valenciano, que sa- 
bendo con don Juan de Sandoval. cavallero de muchn brio. de un nios- 
quetazo que le dieron por médio dei estômago, sus amigos Ip coiio- 
cieron muerto. Fue herido en la escaramuça el capilan Pedro de Saii- 
listevan en una pierna, y fue dei numero de los ()iiineros capitanes 
que acomelieron: Y Manuel de Vega capilan y soldado viejo, aviendo 
disparadíi contra el muchos arcabuzazos que le dieron en las aiina> 
Inertes, fue herido de uno que descafio el braço izipiierdo: y ^^\ capi- 
lan António SeiraiKt. avieiuhile hecho dano un arcabuzazo. y con iin 
picazo en el i'Oslro, rodeado con sus vendas, fue di^ scrvirjo cii l.i 
prosecucion de la guerra. Alli Ine iniieito iiii saigciilo de la (•oiiipa- 



áUi ARCHIVO DOS AÇORES 

nia fiel capilan Paclio en la barca, antes que saliesse a tierra, de uii 
arcabiizazn en el pecho. y herido ai desembarcar el capilan de los a- 
venlureros Portugueses, don Félix de Aragon, que fue de los primeros 
capitanes que se mostraron desseosos de nombre y fama, como se e- 
clió de ver en el acometer, salio con un balazo en un ombro, y otro 
en un muslo, y alli cerca fue muerto su alferez ai pie de la muralla, 
o Irinchea por la vanda nuestra, y hirieron su sargento Diego Sua- 
rez, que assi como estava herido, echó mano de la vandera. y entro 
con ella sobre la trinchea con muchos y buenos soldados Portugue- 
ses, que alli osadamente pelearon. Luego que llego don Lope de Fi- 
gueroa maestro de campo general, le ordeno el Marques formasse los 
esquadrones con sus mangas de arcabuzeros y mosqueteros, y nues- 
tra gente de la avanguardia se yva multiplicando y mejorando con los 
enemigos. En las primeras mangas yva don Pedro de Toledo, que des- 
(lenando todo lo que es descanso, tomo á su cargo la dificultad y el 
peligro: y por olra parte don Pedro de Padilla, con muchos cavalle- 
ros y capitanes de experiência, que se avian juntado de la primera des- 
embarcaciou. dando muestra de su experiência é industria. Cada uno 
(lestos dos cavalleros llevó por si arcabuzeria para hazer espaldas,,á la 
nuestra, que yva desmandada cargando ai enemigo. Ya tambien Ue la 
parte de los enemigos acudia mucha gente de socorro escaramuzando: 
y fue necessário salirles ai encuentro con algunos arcabuzeros, y se pu- 
sieron en campana, bien retirados de la marina como mas de media lé- 
gua, donde lenian todo el niervoy fuerça de su exercito: y assi con mu- 
cha destreza los Franceses davan cargas en los nuestros,y las recebian: 
que en esto dei escaramuçar tienen agilidad y presteza, y los prime- 
ros impetus y arremetidas sou de mucha demostracion. Los nuestros 
|)rocuraron ganarles algunas trincheas que tenian, de donde hazian 
uuicho dano los enemigos, porque Ioda aquella tierra, no por indus- 
tria de guerra, sino por la costumbre que tienen los labradores, está 
atravesada de trincheas, o vallados liechos de piedra de mamposte- 
ria, y sirven de cercados de sus sementeras, o cortinales, y de térmi- 
nos y limites de sus tierras. Estos hazian mucho ai caso para ofen- 
demos, hasta que los nuestros se las fueron ganando: y el Marques 
estando en la frente de sus esquadrones, acordo mejorarse dos 
vezes con los enemigos, por dar calor y animo a la arcabuzeria acer- 
candoseles nuestra gente, y ganando tierra: y a este tiempo ya se 
yva juntando la infanteiia de la segunda desembarcacion, y venian las 
vanderas de los Alemanes puestos en orden marchando como gente 
muy cuydadosa en la militar disciplina, y la demas infanteria Espano- 
la, y Juau Venegas Quixada por la orden que avia dado el Marques, 
hizo traer sus pieças medianas de artilleria de las pinazas. para dispo- 
nerlas en los lugaies que mas de provecho fuessen contra los esqua- 
drones enemigos, avisando se traxessen municiones, bastimentos, y a- 
gua. para refiescar la gente, que con el calor dei dia, y la falta de agua 



ARCHIVO DOS AÇORES 29.^) 

que avia en la campana sufrian Irabajosamenle la sed: y assi fue ine- 
nester sacar barriles de los navios en abundância, aunque esto no bas- 
tava para mitigar la grau necessidad en que eslavan los soldados can- 
sados, y aquexados de las escaramuças, que fueron lan bravas, y tan 
constantes, que desde las seis de la manana que se travaron. dura- 
ron todo el dia, sin cessar un punto: para esto fue necessário refres- 
car muchas vezes aquellos lugares de las escaramuças, con arcabuze- 
ros descansados, que nuevamente entravan y salian, teiiiendo de fren- 
te los esquadrones enemigos, y un poço atras formado nuestro esqua- 
drou, y juntas todas las vanderas en la balalla. que ocupava toda h 
parte dei campo, lo mejor que pudo hazerse en aquel sitio, porque 
no pudo quadrarse de terreno, por aver algunos cerros, y canadas, 
(jue lo impedian. Pêro la industria dei maestro de campo general hi- 
zo todo lo que le toco, con mucho estúdio, diligencia, y astúcia, en 
prevenir à los designos dei contrario, como persona que sabia mny 
bien de quanta importância sou los silios en las batallas. Tenian los 
enemigos ocho pieças de artilleria en el campo, con que hazian dano 
en los nuestros, haziendo algunos acometimientos en vezes, con gran- 
de estruendo y griteria, que ai parecer davan muestras de querer 
cerrar, pêro en esto siempre detenian la rienda. y quando los nuestros 
se disponian á la resistência, luego se retiravan. por la experiência 
que tienen de la conocida ventaja que los Espanoles hazen en esta 
suerte de batalla con las espadas desnudas: y por aver entrado en el 
campo con la avanguardia capilanes y soldados viejos, acoslumbrados 
y diestros en escaramuçar, como fueron algunos de los tercios que al- 
li se manifestavan, dei tercio de dou Francisco de Bovadilla, el Capi- 
tan Bustamante de Herrera, Dou Juan de Luna. Luys de Guevaia. 
Barrionuevo, y Oviedo, y con Rosado, que quedo herido, como se ha 
dicho,el capitanlsla, y dou Bernardino de Çuniga. Solis. y Venesa. y 
oiros muchos de las companias de dou Juan de Sandoval. don Sancho de 
Escobar, Geronimo Francês, Juan de la Rea. Diego Valiente, Martin 
de Herrera. y Çapena. dei tercio de Iniguez, y con el Chrisloval de 
Paz, Pedro Ximenez de Heredia, Francisco Calderon. Angulo. Biban- 
co. y el sargento mayor Iturbide: y de los cavalleros avenluieros, dou 
Luís de Borja, don Alonso de Idiaquez, don Juan Manriqne, don Hu- 
go de Moncada. don Garcia de Cote, don António de Portugal. Tod(»s 
estos cavalleros. y soldados que eíitraron con la avanguardia. con o- 
tros de que se haze mencion en este comentário, acudieron a su mi- 
nistério con mucha determinacion y puntualidad. y alli se hallaion don 
Diego de Çuniga. don Geronimo Árias de Virves. don António de So- 
lis, don Gonçalo de Guevara. don Juan de Buylron. don Alonso de 
Rojas, don Juan de Agreda, don Luis Venegas, don Pedio Knrii|ne/. 
don Bernardino de Mendoça, don Godofre de .Mendoça. (hm Juan de 
(^astelvi. don Pedro Pí)nce de Leon. Geronimo de Valdenania. Lnis 
Calero, don Juan de Pisa. don Francisco Perrenoto. y Mos. de la Mo- 



296 ARCHIVO DOS AGOHES 

la. {\[\e avian entrado con el Conde de Lodron, don Pedro dei Agiiila, 
(lon Félix de Guznian, el Capilan Esparza: y de los Italianos Lúcio Pi- 
fialelo, Ludovico Aflito, Marcelo Caracciolo, Miguel Coxa, que alli fue 
herido. y Vicenzo de Aflito: entonces acudio una tropa de cavallos, 
(jue se desmembro de su esquadrou de cavalleria paia animar á los 
suyos, y con ellos vénia por caudillo un frayle acavallo, recogido el 
habito, y con una lança en la mano, provocando á los demas para que 
atropellasseu, y matassen nuestra infanteria, exortando á sus arcabu- 
zeros, á que tuviessen firme, y que peleassen que ya les vénia so- 
corro: y poço tiempo despues se vieron algunos mas frayles a pie con 
la infanteria, (|ue liazian sus entradas en las escaramuças, y de los 
arcabuzes salieron beridos algunos de los nuestros: lerrible espectá- 
culo, y digno de ieligioM)s, donde la passion viene á predominar á 
toda consideraciou Chrisliana; que las personas eclesiásticas no se de- 
ven entremetnr en las guerras .... 

Im)I. 6o v.°) ... Avia en una montanuela que cerca se mostrava, 
una luente con abundância de agua, la (piai los enemigos procuraron 
guardar y defender de los nuestros, advirtiendo lo muclio que impor- 
tava, por la necessidad que vieron que nuestra gente tenia, por aver- 
se gastado el agua que sacaron de los navios, y lener necessidad pre- 
cisa de agua fresca, de ijue alimentarse en el lerrible calor de aquel 
dia. por ser en el ardiente Júlio: y aunque ai principio fue ganada 
poi' algunos de nuestros arcabuzeros, acudieron despues tantos Fran- 
ceses a la defensa de la fuente, que ya parecia que no peleavan por 
olra cosa, y les fue forçoso a los nuestros retraer el passo de aquel 
lugar, por ilaqueza, y poça consideracion de visonos: y uvierales llega- 
do socorro, sino pareciera averse adelantado aquella manga á la mon- 
tanuela sin orden, como despues se entendio por las palabras dei 
maestro de campo general; negocio por donde no merece premio, an- 
tes deve ser castigado el que lo haze, aunque el sucesso sea prospe- 
ro, por avei" sido sin orden: siendo tau importante en los soldados, y 
capitaues la obediência, como el esfuerço. pues esta es el niervo de 
la disciplina militar, y de semejantes exemplos estan llenas las his- 
torias, divinas y humanas: y el derecbo tratando de las cosas de la 
guerra agramente lo castiga, assi por el antiguo ediclo, que por ser 
(íe tanta importância se junto con las leyes de las doze lábias, como 
por la disposicion de Modeslino. Y como los enemigos calaron nues- 
lia necessidad. pareciendoles que toda su esperança y nuestra ruyna 
estava en la falta de agua, poi'que verdaderamente sin cuchillo mue- 
ren los soldados, donde no la aya en mucha abundância, y assi las fu- 
entes han de ser defendidas y guardadas, cargo tanta gente dellos 
en aquel sitio, que por todo el dia no se trato de nuestra parte de 
aconielerles. Y visto esto, escaramuçando con orden se entretenian 
los nuestros, gastando de los contrários, y comiendoles su gente po- 
ço ã poço. Ya avian ijuedado heridos de los soldados Portugueses de 



ARCHIVO DOS AÇORES 207 

niieslra parte, Pedro de Acuna, Manuel Morato, y Olivera, vezino de 
la Islã de sari Miguei, y aqui fue muerto dou Pedro Nino de Bustos 
de un balazo que entro por médio de la frente debaxo dei morrion que 
Nevava. Mostiose aqui el Capilan dou Fernando de Andrade cavallero 
dei Heyno de Galizia, diestramente jug3ndo de una pica. que aunque 
le desampararon ciertos visonos, quedaron con el algunos Espanoles 
soldados viejos, que con notable agilidad andavan en las escaramu- 
ças, enlravan, disparavan, y salian, y estos lances hazian muchas ve- 
zes: y se vio un soldado índio Geniçaro de la compania deBustaman- 
te de Herrera, que en poço espacio de liempo. quanto duraria cargar 
y descargar el mosquete, subiendose encima de una trinchea, mato 
quatro Franceses, y despues mostrando que caya de un arcabuzazo 
de los contrários junto a la trinchea por nuestra parte, dio otra carga 
a su mosquete y salio a lo claro, y haziendo punteria en un Francês 
que andava mas orgulloso en la escaramuça, lo derribo, y fue acom- 
panando a los quatro 

Foi. 67) . . . Aviendo ya passado buena parte dei dia, como a las 
três de la tarde, los enemigos recogieron hasta mil vacas, con intento 
de desbaratar con ellas el exercito, acordandose de quando lo hizieron 
en la casa da Salga con los trezientos hombres. Y no se huvo pensa- 
do por los enemigos, quando luego por orden dei Marques el Capitan 
Pedro de Heredia, Teniente de! Maestro de Campo general, aviso a 
los Sargentos mayores que diessen orden a las mangas de arcabuze- 
ros que no disparassen contra las vacas, ni les resistiessen quando 
llegassen, antes le abriessen camino, y les diessen passo sin desorde- 
narse el esquadrou, y que luego hecho esto tornassen a cerrar las hi- 
leras como se estavan: y tienese por cierto que los enemigos calaron 
sy entendieron este ardid, y sagaz consejo dei Marques, porque des- 
pues se resolvieron en no liazerlo, pareciendoles que no avria en es- 
ta ocasion tan prospero sucesso como en la passada. Desto podran 
entender los Maestros de Campo quanto importe que los exércitos no 
esten tan vezinos, que los unos puèdan entender los designos ó de- 
terminaciones de los otros, como nos lo enseiia el libro de los Be>es. 
Aunque otros dizen, ijue antes esto se intentasse, les parecio a los 
Portugueses consultarlo con Monsiur de Chatres, y el, assi por lo que 
entendio, como por ser soldado experimentado, y que sabia quan ex- 
ercitados en buena disciplina eran muchos de los dei Real exercito, 
fue de parecer que en ninguna manera se hiziesse, dizendo, que no 
avia para que darles carne a los enemigos de que se sustentassen, 
porque tenia por soldados viejos a los Espanoles que alli veuian, los 
quales sabrian usar de toda industria y buen termino en la ocasion... 

Foi. 69) . . . Pêro llegando a ponerse esto en execucion, no la de- 
xó salir Ia artilleria dei fuerte, que lo defendio, o porque no enten- 
dian los dei fuerte que efecto podia tener aquello. o ponjue los ami- 
gos se dexan con los infortimios, y se mudan con la variedad de la- 

N.° 2^2 -Vol. lY— 1883. 2 



298 ARCHIVO DOS AÇOBES 

suerte: o Io mas cierlo seria, porque ya era tiempo que la fortuna de 
Manuel de Silva declinasse, y se pusiesse termino a sus desbaratados 
intentos: y assi hallandose burlado, y bolviendo atras, no uvo lugar 
entonces de poner en salvo su persona, porque la voluntad de Dios 
le guardava, para que su castigo fuesse exemplo de otros. Gastose to- 
do ei dia sin cessar hasta la noche, en las escaramuças de una y otra 
parte, y de los nuestros saldrian muertos y heridos mas de quatro- 
cientos hombres, como despues parecio por la muestra que se hizo 
de la gente de todo el exercito: y un Português de a cavallo, que a- 
largo la rienda, y se dexo venir á todo correr, de los esquadrones 
de los enemigos, encaminando á donde el Marques estava, dio nueva 
que avia muchos muertos hasta aquel punto, y entre ellos gran nume- 
ro de heridos, y que de un mosquetazo quedava muy á peligro de 
muerte el teniente de Manuel de Silva y sobrino suyo, y algunos ca- 
pitanes Franceses: y que toda la gente, assi viejos, como mugeres, 
no entendian en otra cosa, sino en ocuparse en llevar á los heridos 
de su campo á medicinarlos, y curar dellos, y en venir cargados de 
refrescos, de pan, agua, vino, y de otras cosas regaladas para esfor- 
çar los soldados que escaramuçavan, de manera que toda suerte de 
personas se puede dezir que peleava, cada uno acudiendo ai oficio ó 
ministério que le tocava, como los que divididos en vandos assistian a 
los desafios de los gladiatores. Passaronse á nuestra parte algunos 
Portugueses (aunque poços) y entre ellos algunos esclavos. y á estos 
por sentencia se les dio libertad, porque no solamente los transfugas, 
que son los que se huyen de los esquadrones de los enemigos, y dei 
poder dellos, no an de ser prisioneros, pêro los esclavos por premio 
han de gozar de la libertad de que carecian. 

Visto que declinava el dia, y que la porfia de las escaramuças no 
podia dexar de aver hecho dano en ambas partes, don Juan de Bena- 
vides Bazan administrador, embio personas que recogiessen los enfer- 
mos que avian quedado heridos y maltratados de las escaramuças, y 
algunos enfermeros con esclavos de las galeras que los traxeron: u- 
nos venian como muertos, tendidos en tablas, y otros estropeados de 
las piernas ó braços se quexavan fuertemente, y otros abrasados los 
rostros con barriles de pólvora ó frascos, quemados por poça adver- 
tência de visonos. yvan desconocidos, inflamados, y horribles, que con 
el buen recaudo dei hospital, y con la vigilância y cuydado de los 
médicos de la armada, y particularmente dei Doctor Christoval Perez 
de Herrera, á quien su Magestad despues hizo merced dei titulo de 
Prolomedico de las galeras de Espana, y con la buena cura dei Do- 
ctor António Perez y los demas cirujanos, casi todos alcançavan sani- 
dad, y murieron muy poços. Y esta piedad y Christiana virtud tam- 
bien se estendio á curar y remediar los Franceses y Portugueses que 
se hallaron heridos y dessangrados entre los nuestros, que fue obra 
hasta de los mesmos enemigos agradecida y alabada: que en caso de 



ARCHIVO DOS AÇORES 299 

necessidad estrema no ay consideracion de enemistad, ni aiin de infl- 
delidad, ni diferencia de religion, por que el objecto deste beneficio 
es la obligacion que tenemos por parte de la naturaleza humana, y 
assi no se ade seguir el dicho de Hipócrates, quando escriviendo á 
los Abderitas, dize, que ygualmente peca el que cura á los enemigos, 
como el que sana por interesse à los amigos; por ser lo primero con- 
tra caridad, á que nueslra Christiana religion nos obliga que corres- 
pondamos. Alli fiie traydo entre los heridos médio muerto don Diego 
Ramirez Segarra, cavallero de Sevilla, que acabo la vida dentro de 
poças horas, y peleo valerosamente. Tiburcio Espanoqae, cavallero dei 
habito de S. Juan, exercitado en las Malhematicas, mostro con esten- 
dido discurso, y mucha advertência y puntualidad la descripcion des- 
ta Islã, assi en lo que toca a la Cosmografia, como a la Geografia, 
con toda particularidad de lugares, que por ser negocio que no lo pi- 
den estos comentários, se cumplira con poner aqui no mas de una 
demostracion, o diseno dei assalto y desembarcadero de nuestras ga- 
leras, zabras, y barcas, dexando de pintar nuestra armada, que que- 
da en el lugar de que ya se ha hecho mencion, y los esquadrones y 
escaramuças que adelante avra.... 

Foi. 7â) ...Ya el sol se ausentava, y se nos vénia a mas andar a- 
cercando la escuridad de la noche, y los Franceses y Portugueses to- 
davia estavan gallardos y en resolucion de pelear, y seguir pertinaz- 
mente sus designos, sin querer atender, ni acudir a la obediência 
Real, y sin querer dar oydo a las gracias y perdon general que el 
Marques tes ofrecio; que se entiende y tiene por cosa cierta de la be- 
nignidad dei Marques, que no les faltara, aunque en aquella coyuntu- 
ra lo pidieran, puesto que no estava obligado por ningun fuero a el- 
lo; porque aviendo venido los enemigos en rompimiento, siendo como 
fueron apercebidos, teniendo el Marques tanta razon de castigarlos, 
no estava en tiempo de dexar la pelea, aunque su enemigo se ofreci- 
era a la emienda, segun la opinion de muchos Teólogos y Canonistas, 
por que ya estava en obligacion de proceder contra esta gente, como 
contra culpados, y a vengar las injurias, y castigarlos como a delin- 
quentes, y querer el Marques admitirlos a este tiempo, es mucha be- 
* nignidad, y prueva de insigne clemência. Era de su natural el Marques 
afable, y blando con los inferiores, y conpassivo y agradable con los 
prisioneros y rendidos y desseoso de reduzir á los que via yr mal en- 
caminados, porque no creciessen sus culpas. Con ningun género de 
gente fue sobervio, ni á nadie trato con desden; que es una cosa as- 
perissima, donde se rompeu y desbaratan miserablemente los espiri- 
tus generosos. Pêro confiados los enemigos en sus conocidas passio- 
nes, y en mil y setecientos Franceses, y cien Ingleses que teniaii, de- 
mas de mil que avia de antes que llegasse este socorro en la Islã, y 
el resto de naturales, que vinieron á hazer casi nueve mil hombres 
de pelea, y por general dellos el comendador Mosiur de Chatres, ex- 



300 ARCHIVO DOS AÇORES 

perto en militar disciplina, hermano dei Duque de Joyosa, de la san- 
gre Real de Francia, que fue casado con herniana de Luysa de Lore- 
na, muger de Henrico tercero, Reyna de Francia, todos se moslra- 
van con determinacion de pelear bravamente, y morir, segun parecio 
por las escaramuças que avian durado todo el dia, que aunque lo a- 
via visto passar assi el Mosiur de Chatres, no estava tan confiado, 
que en lo por venir no hiziesse las conjeturas que en lo passado, pa- 
reciendole no aver de tener este negocio mejor sucesso que tuvo la 
entrada en la islã, por la poça confiança que tenia de la gente de 
guerra delia, y por averla juzgado por falta de constância en sufrir 
trabajo, que el como soldado, y que lenia voto en las cosas de guer- 
ra, luego que llegó de Francia, y reconocio el sitio de las Islãs; sus 
fortificaciones, presidio, municiones, y bastimenlos, dio á entender no 
ser poderosa la Islã para defenderse, y que todo le parecio poço, y 
aun el numero de los soldados mt-nor, y menos esperimentados de lo 
que pensava, y aun la Islã no tan áspera e inacessible como le avian 
encarecido; y assi retirandose con Manuel de Silva, quiso informarse 
bien dei, en que ponia el fundamento de su defensa: pêro el, ciego 
de su passion, engrandecio tanto el numero y el valor de los natura- 
les, que no solamente se ofendia de que no se le creyesse punlual- 
mente como ello dezia. pêro dava á entender que la gente Francesa 
era supérflua, por ser poderosa la muchedumbre y fuerças de los 
suyos para defender la tierra, y pelear con la armada dei Rey Cató- 
lico, y assi Mosiur de Chatres descontento y no persuadido, determi- 
no remediar y prevenir las cosas lo mejor que pudo, de suerte que 
si le fuesse possible con industria, pudiesse suplir las faltas, y desve- 
lar su desconfiança: y teniendo esto delante de los ojos, no perdia 
punto en el cuydado de la guerra, sobre cuyos ombros ya parece que 
estribava la reputacion y peso de aquella jornada: lo qual hazia ya el 
por la conservacion de si mesmo desconfiado de buen sucesso: lodo 
este dano nace de la division y desconformidad de los capilanes, por- 
que faltando la union en las volunlades entre ellos, no pueden con- 
servarse los exércitos. Esluvo aquella noche todo nuestro campo cer- 
rado con Irincheas, que eran las que avian ganado los nueslros en lo 
ultimo de las escaramuças á los enemigos: con que nuestro esqua- 
dron quedo mas assegurado para la noche siguiente: y assi el preveni- 
do capitan nunca se ha de acampar en lugar abierlo, por el peligro que 
desto se puede seguir, como se lee en el libro de los Reyes. Y avien- 
dose reforçado las mangas de los arcabuzeros y mosqueteros despues 
una hora de aver anochecido, haziendo senal las caxas. tocaron los a- 
tambores á recoger, y fueron retirados, para que cerrassen, y abri- 
gassen el esquadrou. Por la parte de la vanguardia avia cinco mil ar- 
cabuzeros y mosqueteros. y en la relaguardia seyscientos arcabuze- 
ros, para no poder ser ofendidos por ninguna parte: lo qual se hizí» 
entonces con mucha presteza y diligencia de los Maestros de campo: 



ARCHIVO DOS AÇOKF.S 301 

y toda la noche se gasló en estar alerla, locandose diversas vezes ar- 
Ina, aunqiie muclios de los nalurales con la escuridad de la noche se 
avian salido dei esquadron. y liuydo á la montana, hasta qne amane- 
cio. Y ya que aclarava el cielo, se resolvieron de romper ai enemigo: 
que aviendo nef^.essariamente de ser, es de gran ventaja el acometer, 
aunque sea mayor el numero de los contrários, como se lee en algu- 
nas historias. Començaron las mangas de los arcabnzeros á moveise. 
y a travar niievas escaramuças, y los enemigos acudieron á disparar 
sus pieças de artilleria, y a todo esto el exercito Espafiol se fue me- 
jorando, y començaron á marchar sus esquadrones, y las mangas que 
yvan adelante, á dar cargas en los contrários, con tanta priessa y fú- 
ria, que fueron retirando á los enemigos á buen passo, y en prosecu- 
cion de su victoria los Espanoles por particular mandado dei Marque> 
yvan siguiendo cu^rdamente el alcance, y con orden, sin salir en co- 
sa de los preceptos de la disciplina militar, por los inconvenientes que 
resultan de Io contrario, como nos lo ensefia el Sábio Rey de Castilla: 
y encendendidos en la gloria de vencer, y alentados con el frescor de 
la mafiana, que podia entonces templar la sed: aprelaron de suerte á 
los Franceses, y Portugueses, que desampararon la fnente que con 
tanto cuydado guardavan, y perdieron el artilleria, y la villa de san 
Sebastian, que está dos léguas de la ciudad de Angra, y corriendo á 
toda fúria, aunque perdidos, desbaratados, y desordenados, fueron se- 
guidos (como se ha dicho) con orden: que assi nos lo ensena la Ks- 
critura, quando los hijos de Israel seguian á los Assírios que precipi- 
tadamente huyan: y se emboscaron en la montana, y trás ellos se fue- 
ron todos los mochachos, y mugeres de la villa, desamparando sus ca- 
sas, y pobres haziendas, y huyendo dezian que aquella Islã pertene- 
cia ai Rey Feíipe, y que era razon se le restituyesse: de que quedo 
admirado y como atónito Mosiur de Chalres, oyendo y viendo lo que 
passava, y le fue necessário determinar otra cosa, y á passo ligero 
movio tambien su gente. El Marques se esluvo quedo entonces. has- 
ta ver en que parava aquella huyda, y assi lo deve hazer el capitan 
en la guerra, que no ha de segnir los vencidos enemigos. antes ha 
de quedar en el lugar de la vitoria en guarda de su honra, esperan- 
do á los suyos, para alabarlos y recebirlos. si fuere la fortuna pros- 
pera, y darles esfuerço y ampararlos. si fuere contrario el sucesso: 
por ser de grandíssimo peligro la mucha cólera de la nacion Espafui- 
la, porque la fúria en el acometer y seguir las vitorias, suele desor- 
denar los exércitos, y aun ser' buenos sucessos y no esperados á los 
vencidos. . . 

Foi. 75 V."; ....Y pr"osiguiendo niiestra liisti»ri;i. viose tan necessi- 
tado Mosiur de Chalres. que se retiro á la monlafia de iiueslra Serut- 
ra de Guadalupe, donde le avia infor-mado Manuel de Silva qire avia 
un lugar fuerte en que poder entrenerse. hasta qw llegasse el irivier- 
rio, y a la armada dei Rey Católico le fuesse forçoso partirse: pêro no 



302 ARCHIVO DOS AÇOHES 

hizo caso Mosiur de Chatres destas traças de Manuel de Silva, por- 
que en otras que el avia dado mas bien encaminadas, quando entro 
en la Islã, no quiso concordar con el; porque entonces el Francês 
quisera que en el principal castillo esiuvieran las municiones y vi- 
tuallas recogidas, para que si por ventura los Espanoles saltassen á 
tierra por partes no entendidas, bailasse su gente lugar proveydo 
donde reiirarse, gastando el tiempo, basta que se viesse forçado el 
Marques á partirse con su armada; pêro estava el Silva tan íuera de si 
de sobervia, como las mas vezes acontece á los que no saben que co- 
sa es governar, que lo que mas ie dava gusto era la adulacion, el a- 
labar sus pareceres, y que todos Ie reconociessen, y con temor ser- 
vil Ie acalassen; que este es el veneno de Príncipes. El Comendador 
Chatres llevò delante de si toda la mas de su gente que pudo. por 
salvaria, entreteniendo con escaramuças á los nuestros, que se les a- 
cercavan. Y visto que aquel negocio ya estava deshecbo, y quitado el 
obstáculo que impedia nueslra jornada, mando el Marques marcbar el 
exercito la buelta de la ciudad de Angra, que es el pueblo mayor, y 
ilemas veziíidad y comunicacion de todas estas Islas de los Açores. 
Y aunque la infanteria estava aquexada de sed desde el dia antes, 
no consinlio que la gente se desordenasse y reparasse en aquella fuen- 
te, y assi les suspendio este gusto para la ciudad de Angra, dizien- 
doles que estava cerca; todo por no perder tiempo, y saber aprovechar- 
se de la vitoria, porque en ocasiones precisas no ha de dexar el ca- 
pilan general comei' ni bever á los soldados, si por esto se Ie puede 
impedir un buen sucesso. Y en tanto que el exercito vencedor ende- 
reçava házia la ciudad, que seria poço mas de três léguas, queriendo 
el Marques prevenir á todo con el cuydado que se requeria, conforme 
ai estado de las cosas, mando que las galeras embisliessen con el ar- 
mada Francesa y Portuguesa, que estava en el puerto de Angra. Fuese 
el Marques de avanguardia á la ciudad porque como tuvo aviso, que 
assi el lugar como sus fuertes estavau sin gente de los enemigos, se 
adelantó con quiuientos arcabuzeros, para ocupar los fuertes antes que 
el enemigo lo pudiesse bazer, y para oviar que no huviesse desor- 
denes, ni sacrilégios en las Iglesias y monasterios de monjas y fray- 
les, y assi se les puso guardiã en ellos; porque don Pedro de Toledo 
se encargo de amparar y mirar por un monasterio de monjas, y don 
Alonso de Idiaquez, y Juan Martinez de Recalde; y Juan de Horbina 
por otro: porque el cuydado principal ha de ser, que la santidad dei 
templo uo sea profanada: y no ha de a ver menos vigilância en esto, 
que en la solicilud de !a defensa dei pueblo, que de aqui resultan to- 
dos los buenos sucessos de la veneracion de la Iglesia universal, en 
que consiste la paz de todo el pueblo Christiano. Y entre las cosas 
necessárias para la conservacion y buen sucesso de un exercito, que 
escrive Xenofon que son quatro, abundância de bastimentos, salud en 
los soldados, sciencia dei arte militar, obediência y orden; que los pro- 



ARCHIVO DOS AÇORES 303 

veedores tienen cargo de lo primem, y de Ia sanidad los médicos, a- 
provechandose de Io que alcançare su voto en la calidad de los sitios 
para assentar los reales: y la sciencia se adqniere con la disciplina y 
la historia, y lo que es obediência, con la observacion de las leyes, de 
las qnales no se ha de passar por alguna manera, por ser el peligro 
grandíssimo, y assi es el castigo rigoroso. Aqui se olvido este autor 
gravíssimo de Ia observacion de Ia religion. que nosolros como Ca- 
Tolicos devemos colocar en el primer lugar. Puedese considerar, 
quan bravamente, y sin descansar un punto se peleo en el campo, 
pues se halla por cuenta averse gastado en solas las escaramuças dei 
primero dia y dei siguienle, de nuestra parte docientos y treynla quin- 
tales de pólvora, y en el exercito de los enemigos trezientos y ochen- 
ta, si entrar en esto Ia pólvora que se distribuyó por las piegas de 
arlilleria dei campo, y la que Ias galeras en Ia bateria gastaron. . . . 



LIBHO TERCERO. 

Foi. 77 v.°) ....Ya seria despues de médio dia, quando començo 
a entrar el exercito en la ciudad de Angra, sin hallar resistência, ni 
persona que osasse parar ^Ili, porque los viejos, mugeres, y mucha- 
chos, y esclavos, todos estavan retirados por los montes mas cerca- 
nos y mas ocultos, cada uno conforme ai temor que le sojuzgava. La 
retaguaidia se lardó en llegar. y fue la causa venir la infanteria a- 
quexada de sed. y cargada de armas: y assi três soldados murieron 
en el camino de sed y cansancio. Y don Gaspar de Caslilla hijo dei 
Seiíor de Gor, queriendo vencer su gran sed con excesso de agua 
que bevio, vino á rebentar camino de Angra; y mas dano uviera, si- 
no favoreciera el cielo á tan buena coyuntura, en médio de aquel ar- 
dor y irabajo con un nublado que se opuso ai sol, refrescando el ex- 
ercito con algunas roziadas de agua que liovio. y duraron poço mas 
de media hora, con que se alento y conforto la gente, que tan cansada 
y desalentada yva. LIevava á su cargo Ia retaguardia el Sargento 
mayor dei tercio de don Francisco de Bobadilla. que ya el maestro de 
campo dei estava en Ia ciudad. Concedio el Marques saco por três dias, 
reservando Iglesias y monasterios con grave pena: porque los luga- 
res sagrados han de ser guardados por los capitanes: y han sido 
castigados los que les han perdido el respeto. como se halla en mu- 
chos lugares de la Escritura divina .... 

Foi. 78 v.°) ...Hallaronse algunas casas de mueble y menaje en 
este saco, y algun dinero escondido y soterrado: pêro todo lo mas dei- 
lo era cierta moneda luieva que don António avia mandado batir pa- 
ra que corriesse en las Islas. toda mal;i moneda y baxa. algunos conid 
doblones de oro ligados con plata. semejanle a ía compostina, (|ue los 
antiguos Ilaman eleclro, que estavan subidos en Ias Islas á cinco cru- 



',]0\ AUCHIVO DOS AÇORES 

zados. y tendrian como seys reales de oro, y Io demas era plata; y 
otras de cobre cubiertas con laminas de plata con excessivo valor de 
á veyiilicinco reales castellanos; tostones dei peso de un real castella- 
110. avaluado á médio cruzado; monedas de cobre descubierto de las 
de Portugal, doblado el valor delias, cosa que no podia durar ni per- 
manecer; de una parte las armas Reales con dos açores á los lados 
con sus pihuelas y capirotes, y en el reverso de las monedas sus em- 
presas, en unas el habito de Christo, en otras el de Avis, y el de 
Santiago en otras, y en monedas de cobre menores, una esfera gi- 
rando, con una letra en torno, que dezia (IN DEO) y los estrangeros, 
si traian panos, o municiones, se los compravan, no con precio de nu- 
merada pecunia, sino con permulacion de pastel, o açúcar, o especie- 
ria, dando compensacion de otras mercaderias de la tierra, que pare- 
ce que resucitavan aquel mas que lodos antiguo contrato, y comercio 
dei derecho de gentes segundario. retrocediendo de la espécie de gé- 
nero. Y echavase de ver demas desto que era perfeta permutacion 
la que corria, por ser excessivo, y no proporcionado el valor delo que 
se dava, por lo que de fuera se traia, lo qual no passara assi si á di- 
nero se comprara. Vino desta manera á consumirse casi toda la mo- 
neda vieja, de los Reyes antecessores de Portugal, con los ensayes y 
ligas de>la moneda adulterina y falsa, porque nu nus espante la mo- 
neda que en tiempo de los Cônsules se cunó en Roma, que parecio 
grande excesso aver echado la oclava parle de metal a la palia cen- 
drada, como refieren autores: y assi quien en la Islã lenia alguna, no 
osava usar delia, ni descubiirla, porque Manuel de Silva para este e- 
felo se la tomava, o para lo que a el le parecia, y assi entre si mes- 
mos se consumian y acabavan. La casa donde se batia y iabrava esta 
moneda, se vio abrasar, ai tiempo que la gente de guerra entro en la 
ciudad, y puso a lodos en sospecba de mayor dano, y vino á ser, que 
entrando en ella el Âlferez Martin de Ribera, de la compania de don 
.luan de Bivero, poniendo el pie sobre una labla, se hundio un poço, 
y ai instante se prendio con fuego un barril de pólvora que alli avia 
cayendo una cuerda encendida que estava en cima de la trampa, y se 
empiendio con el fuego la pólvora de la profundidad. y el salio solla- 
mado de alio a baxo, aunque no peligrò su vida, y un soldado que 
tardo mas en librarse de a quel fuego, salio tau abrusado. que se su- 
po aver muerto eu Angra. Sospechose aver dexado alli los enemigos 
con arte alguna mina encubierta, para mayor dano dei que despues 
parecio. Eslava esta Islã casi arruynada y perdida: no avia comercio, 
porque aunque se usava, como é dicho, ei contrato de la permulacion, 
esta no se restringe á comercio. Faltava la comunicacion de las ar- 
madas de las índias de Castilla: que ordinariamente dexavan buena 
cantidad de plata, y moneda labrada por aquellas Islãs, en trueco de 
los refrescos que se les davan, Assi mismo faltava el cultivar las tier- 
ras, para coger y gozar cada uno de sus frutos. No se pagavan las 



ARCHIVO DOS AÇOHES 305 

deadas, y los acreedores eraii defraudados, vieiído á sus deudores 
sefiores de las possesiones que compraron con dinero ageno; donde 
avia puerta abierta para hoinbres sediciosos, tiranos, y sin concien- 
cia: y ya en estas Islas corria el infortúnio, que refieren los historia- 
dores en el tiempo de las guerras civiles. Y assi se puede afirmar que 
les fue provechosa y necessária esta jornada que el Rey nuestro Se- 
fior mando con tanta brevedad se hiziesse, assi por esto, como por- 
que esta gente Francesa, turbando lo divino con lo humano, corron- 
pia cada dia mas la buenas costumbres de los naturales, introduzien- 
do novedades, y mostrandoles tibieza de religion: y por otra parte el 
mal exemplo de los frayles y clérigos, que tau distraydos andavan de 
su recogimiento y sossiego de espiritu, sembrando perpetuamente o- 
dios y enemistades capilales contra el Rey nuestro Senor y sus súb- 
ditos, y sacando desta ponçofia dotrina de pecados, la predicavan y 
ensenavan publicamente a los niiios, y en este error los criavan. Hal- 
lose en este despojo cantidad de esclavos, que la mayor parte dellos 
andavan, como en las índias hechos cimarrones por los montes, de- 
fendiendose de los soldados que querian hazer pres;i en ellos. Uvo al- 
gunas vanderas destos negros captivos arcabuzeros. y mosqueteros, 
que peleando como bárbaros, compertinacia y brutalidad, no dexavan 
de hazer dano. disparando los arcabuzes tan amenudo y desordena- 
damente, que á muchos les rebentavan en las manos. Hazian este ex- 
ercício á vista de sus senores, que ellos mismos haziendo soldados a 
a sus esclavos, y poniendolos en este estado militar, contra todas 
las leyes que lo prohiben, no solo eran contentos de privarse dei do- 
mínio, pêro dei derecho de patronazgo que en ellos tenian, dando les 
licencia para que professassen la guerra, y que peleassen, haziendo- 
les por esto libres y privilegiados, conforme a la dispocion dei Empe- 
rador Justiniano, en el libro duodécimo. Y otros con facilidad fueron 
iraydos a la ciudad, aunque mucha copia dellos avia por los monaste- 
rios recogidos con sus senores. que se avian retraydo por escaparse 
dei primer impetu de los soldados, principalmente en dos monasterios 
de monjas de la orden de S. Francisco, que el uuo se llama S. Gon- 
çalo, que por ser de la parle dei Rey nuestro Seiior estas religiosas, 
les dio el Marques de parte de su Magestad alguna recompensa por 
los trabajos que passaron, porque se huvieron con ellas los vezinos 
inhumanamente, assi en no proveerlas de cosas necessárias para su 
sustento, como en averles quitado y quebrado el conduto de la agua 
que entrava en la casa para provision dei convento. Harto mayor 
crueldad que la de Olofernes, que quando cerco la ciudad de Betulia, 
mando cortar la caueria por donde entrava el agua a la ciudad; y as 
si no les quedo a los pobres sitiados mas que un delgado manantial 
a raiz dei muro, donde con receio y a hurto humedecian los lábios 
con algunas gotas dei agua que podian alcançar con ellos; que lo de 
aqui no fue contra enemigos, que les podian ofender, sino contra per- 
N.° 2i>-Vol. IV— 1883. 3 



306 ARCHIVO DOS AÇORES 

sonas religiosas, y algunas de vida incnlpable, y siri qnedarles algun 
socorro, con que pudiessen, aunque lassadamente, suslenlarse. Y si 
a eslas religiosas les quitaron el agna, a los religiosos de la Compa- 
nia de JESUS les cerraron las entradas de la casa. dandoles dos ve- 
zes en la semana lan lassada la comida, que si Dios claramente no 
les diera libertad con Ia traça que el les encaminó. que fue su divino 
socorro, como el de Eliseo, de los hombres no podian esperar menos 
que la muerte. Y dei oiro convento era su vocacion Santa Maria de 
Esperança, cuyas monjas se inclinaron mas descubierlamente por en- 
tonces ai nombre de dou António: y avia tanta gente en ellos, assi de 
hombres como de mugeres, que fue necessário dai- orden que luego 
se desocupassen, y assi se sacaron los esclavos que no eran de los 
monasterios, y las mugeres se les dio licencia para que saliessen se- 
guramente, y algunos hombres que estavan eu esta alleracion mas 
culpados, fueron presos, y Nevados a la cadena, donde se procedio 
contra ellos, y fueron castigados conforme a sus culpas, como adelan- 
te se hara mencion. Luego que enlró el Marques en la ciudad, man- 
do abir los carceles, y quitar prisiones á presos, y se les dio libertad 
á muchos que alli estavan esperando nueslro buen sucesso. Ilallaron 
alli algunos Castellanos presos por solo el nombre, como fueron 
Juan Agustin de Ávila, que fue preso un ano avia viniendo por fa- 
tor de su Magestad a S. Miguel, á quieu el Marques hizo merced 
dei oficio de proveedor en la ciudad de Angra, y á Domingo de In- 
saurraga, que vénia de Tierra firme de aviso, avia un ano: y á Diego 
Garcia que le prendieron viniendo de aviso a don Pedro de Valdês, y 
ai capitan Juan Aguirre, que aviendole embiado el Marques el ano 
passado a reconocer la Islã de San Miguel, le prendieron en un pala- 
che, y saliendo de aquella dura prision â gozar de la libertad tau des- 
seada, no le consintio su suerte, porque entrando con fúria los Tudes- 
cos saqueando el lugar, y pensando que era de los enemigos, le ma- 
laron, sin poder remediarlo: y dos mugeres, madre y hija, que ve- 
nian de la Florida, en una nave vizcayna, y el alferez Carrion, y un 
sargento Gulierrez, y Juan Lopez, y mas Ireynta Castellanos que 
traian trabajando en los fuertes, y diez y nueve Portugueses, que es- 
tavan presos por Castellanos (que assi dezia el libro de las entradas 
de la carcel). Tomaronse catorze navios de la armada de Francia. de 
que vino por capitan general Mosiur de Chatres: eran quatro naves 
Francesas, y dos Vizcaynas, y quatro galeoncetes, una caravela latina, 
dos navios Ingleses, y una urca: mas se tomaron que avia en las Is- 
lãs, diez y seys navios, una nave Vizcayna. y otra Portuguesa, y las 
demas caravelas: y estos vaxeles fueron los que hizieron la armada, 
con que don António embio á Manuel Serradas, Português, para sa- 
quear á Cabo Verde, y Arguin. Contra toda esta armada ordeno el 
Marques quando entro en la Islã. que ciertas galeras estuviessen a 
la mira, porque no hiziessen huyda los enemigos en ella: que parecio 



ARCHIVO DOS AÇORES 307 

mnclia confiança dei Martiiies. no querer (aunijue fuera con dissimu- 
lacion) dar lugar ai enemigo para que dexasse la tierra, anles que 
desesperado, cobrasse animo para defenderse, En estos navios se hal- 
laron mas de novenia pieças de artilleria de hierro colado y bronze 
r-nlre pieças y bersos, y todo esto mando el Marques, se llevasse a la 
fortaleza y casa de munician de la ciudad de Angra, y mando se guar- 
dasse con la de mas artilleria, que serian catorze pieças encavalga- 
das. con algnnas balas y pólvora, que en ella avia. Descubrianse so- 
bre la pnerta dei muelle, que sale a la mar, en una estancia en la 
muralla seys pieças de artilleria, y en la muralla alta, junto a la casa 
de la Compafiia de JESUS, avia olras cinco pieças, que bazian traves 
ai puerto, y guarda vau el desembarcadero: y en un fuerte llamado 
sant Bento, que se corresponde con el castillo de sant Sebastian. avia 
seys pieças de artilleria. y en la Irinchea que vénia desde este fuer- 
te a la ciudad, dos pieças; y en un fuerte llamado santo António, que 
esta a la punta dei Brasil junto a la ciudad, avia ocho pieças de ar- 
tilleria. Hallaronse en torno de toda esta ciudad, desde el fuerte lla- 
mado la Punta de S. Mateo. y passando de alli á otro fuerte llamado 
Porto da Cruz, basta lo ultimo, quarenta y quatro fuertes, treynta y 
nuo de fabricas, y treze fuertes qne se cierran con llave, incluyendo 
en este numero las fortalezas y castillos. Y áse de advertir, que to- 
dos los fuertes cerrados tenian, ó fuentes dentro, ó pozos, ò algibes 
de buena agua, para sustentarse, con toda municiou, y pervencion 
necessária: y todas las pieças de artilleria que se hallaron, serian co- 
mo dozientas y noventa y três; que no se tiene noticia averse ganado 
en una jornada sola tanta cantidad de artilleria, como se á visto en es- 
ta. Hallose mucha provision de balas divididas, y enramadas con ca- 
denas, o alambres, que por donde entran, rompeu con espantosa bate- 
ria. .\via muchas quarterolas de pólvora, y hallaronse algunas de aquel- 
las armas arrojadizas, que los antiguos llamavan plialaricas, que eran 
unas astas con-hierros fuertes para herir. y por dn dentro estavan 
liuecas, y cargadas de resina, y cierto betum combustible; piedra su- 
fre, y estopas, y azeyte, que abrusava con pegajosa y vehemente lla- 
ma lo que locava, y algunas ollas de fuego artificial cubiertas, y con 
sus cabos, y muchas bombas de fuego. aiquitran, alcrevite, alumbre, 
salitre, aconito, ó rejalgar, y otros materiales, que no sou de poça 
importância ai tiempo dei menester en la guerra. 

Aquella noche despues de aver entrado el exercito en Angra, en- 
tendio el capitan Pedro de Ileredia quartel maestre, y el capitan, y 
sargento mayor Juan de Texeda, usando por su parte de su acoslum- 
brada diligencia, en que se cerrasse el campo por todas partes. Y to- 
do se hizo con tanto fundamento, que se gastaron en estas centinelas 
y prevencion onze companias de infanteria. Y ya que se cumplieron 
los três dias senalados dei saco, y las presas que entre los soldados 
que ganaron la tierra y pelearon, se avian dividido: costumbre anti- 



308 ARCHIVO DOS AÇORES 

gua en las guerras, que trae su origen de la sagrada historia; luego 
el Marques movido de compassion, de ver el trabajo y hambre que la 
gente de la Islã padecia por la montana, donde estavan retirados y 
escondidos (que estas eran las palabras dei bando) mando, que se pu- 
blicasse perdon general, y que los vezinos se viniessen a la ciudad. 
y a las casas donde solian vivir, con seguridad de la vida. Y aviendo 
sido informado, que andavan los vezinos juntamente con los France- 
ses, á cuyo favor se avian acogido, que declarava, que no viniendo à 
presentarse personalmenle quarta feria en todo el dia, los dava por 
no perdonados, y que los castigaria con lodo rigor. Publicose en pri- 
mero de Agosto, con estos três dias de termino; y demas de la huma- 
nidad de que se usó con estos hombres, fue acuerdo necessário, para 
remediar la presente necessidad de las Islãs, porque era grande la 
esterilidad de bastimentos, y las sementeras ya estavan secas y sazona- 
das para segar, y no avia quien las derribasse, trillasse, ni cogies- 
se. Y teniendo atencion a esto, y que el Auditor General tenia ya en 
prisiones la mayor parte de los culpados, y que los que faltavan se y- 
rian siguiendo en ausência por sus pregones, el Marques mando que 
cada uno de sus capitanes. alferezes, y soldados, que avian sido en es- 
ta rota, manisfeslassen y enlregassen las vanderas, pifaros y caxas, y 
todas armas: y assi venian algunos (aunque eran poços) á cumplir con 
este bando, porque el temor que avian concebido era grande, y pa- 
reciales mayor, regulandolo y proporcionandolo con su culpa, aunque 
despues por las averiguaciones que se hizieron en el discurso dei ti- 
empo, se hallaron algunos Portugueses naturales que guardaron leal- 
tad, y que siempre estuvieron á devocion de su Magestad: pêro la 
fúria y mayor numero de los contrários, no les dava lugar para des- 
cubrir la virtud escondida de su animo. 

Ofrecieronse entonces muchos pleytos entres partes de soldados, en 
matéria de presiis que se uvieron en el saco, por averse concertado 
algunos camaradas entre si. de reduzir á comunidad todo Io que ca- 
da uno tomasse á sua ventura, de suerte que el que no bailasse mo- 
neda, ni otras manubias que poder traer a particion, no por esto avi- 
a de ser echado de parte; que es cierta voluntad informe, que el de- 
recho llama innominada, que se suele y acostumbra usar entre solda- 
dos de conformidad. aviendose de entrar una ciudad, donde se enli- 
ende que á de aver saco; y este es un pacto reciproco que entre ellos 
se haze. Y fue necessário todo el rigor de la justicia, para que des- 
pues los que se hallavan prósperos con sus presas, diessen partes del- 
ias a los que no luvieron suerte. 

En tanto que estas cosas passavan, estavan los Franceses, como 
Ires léguas de la ciuda de Angra, retirados en los montes, como se á 
dicho, con demostracion que hazian de conservarse en aquella defen- 
sa, ó ganar en ella muriendo perpetuo nombre. Y aviendose recogi- 
do á un sitio fuerte, en los dias que alli avian estado, se avian forti- 



ARCHIVO DOS AÇOBES 309 

ficado, y hecho Irincheas de tierra, piedras, y fagina, y no eslavan por 
entonces mal reparados, porque tenian assi de agua, como de otras 
cosas, todas las comodidades de mas importância, para conservarse al- 
gunos dias; y pareciendole ai General de los Franceses, ser mas se- 
guro negocio para ellos, tratar de algun médio, porque demas de los 
muertos, el Marques tenia presos en las galeaças muchos Franceses. 
para hazer justicia dellos, determino de embiar un soldado Francês 
á cavailo, que sabia hablar Espanol, con color de querer saber los 
muertos que avia, y los prisioneros Franceses que el Marques tenian 
y con una carta para don Pedro de Padilla, para que tratassen bien 
á cierlos capitanes Franceses, que estavan presos, y informarse si 
eslavan vivos, y saber dei, si era el que avia conocido en Malta. Y 
aviendo con algunos capitanes dei exercito, le dixeron, que viniendo 
con el animo que traian de alterar el sossiego dei Reyno, y robar 
lo que no era suyo, que el Marques los avia de mandar castigar gra- 
vemente a todos, como hizo el ano passado. A lo qual respondio el Fran- 
cês, que el Comendador Mosiur de Chatres, y Governador de Diepa. 
era hermano dei Duque de Joyosa, y capitan General de todos ellos. 
y que el vénia con patente dei Rey, y con instrucion firmada de su 
mano, de lo que avia de hazer en la defensa destas Isias. Y aviendo 
oydo esto los maestros de campo, y mucha gente principal, acudie- 
ron á dar parte ai Marques, pidiendole con mucha instancia, les hizi- 
esse gracia de las vidas, dandoles embarcacion para Francia: en lo 
qual el Marques jamas quiso venir ni condecender, hasta ver la paten- 
te, y instruciones originales. Y aviendo tomado la mano don Pedro de 
Padilla en este negocio para favorecerlos, y considerando como gran 
soldado, que aviendo los cercados de venir á manos dei enemigo, quan- 
to mas tarde es peor, uvo los papeies originales y se los traxo ai Mar- 
ques; y visto ser assi, y que de su parte dellos vinieron tantas cartas, 
y mensajeros, y que todo el exercito lo desseava. y pedia con mucha 
voluntad, les hizo gracia de las vidas, con condicion que se rindiessen. 
y entregassen, con todas las vanderas, y todo género de armas. Di- 
xosele ai capitan general de los Franceses, la merced que el Marques 
les hazia en concederles las vidas, y el embio ciertos soldados France- 
ses ai Marques, suplicandole, le dexassen salir con sus armas, vande- 
ras, y atambores, y sacar juntamente ciertos Portugueses, nombran- 
do entre ellos a Manuel de Silva: y que les dexassen llevar la artille- 
ria, que avian iraydo de Francia, que eran mas de cien pieças, y lo- 
dos sus navios y bastimentos, pues traian patentes dei Rey, y de la 
Reyna su madre. Y no queriendo el Marques dar oydos á nada 
desto, salio con su campo á desbaralalles: y despues de aver embia- 
do con otras nuevas importunaciones, un poço mas humildes, se re- 
soivio el Marques, a instancia de dnn Pedro de Padilla. y de don Lo- 
pe de Figueroa, y dei Conde de Lodron, y de oiros cavalleros, que 
rindiendo los Franceses las armas y vanderas, quedando para ser 



310 ARCHIVO DOS AÇOHES 

castigados muchos Franceses, que de antes estavan presos en las ga- 
leaças, se les diesse embarcacion a los soldados rendidos, sin entrar 
en este numero soldado Português. Acudio el Marques con tanta bre- 
vedad á esto. por considerar el niucho riesgo que corria la armada, 
de esperar tiempos inciertos en mares tau remotos y tormentosos: 
que en esta coyuntura le convino usar de la solicifud y prevencion de 
Alexandro Míigno, que pergiuitado. como avia podido en lan poço 
tiempo acabar empresas de tanta grandeza? respondio. que no dila- 
tando cosa. Considerando con esto, que con las patentes originales 
(|ue estos soldados traen de sus Reyes, vinieron á sueldo de su Rey. 
y que cun este color se quiereu escapar deste nombre de pyralas, 
auuque sus designos no teniau otros tines, pêro aora no es tiempo 
de repararse eu apurar este punto, y assi don Pedro de Padilla, y el 
veedor general don .lorge Manrique. y el maestro de campo don Fran- 
cisco de Bovadilla. con orden dei Marques salieron ai campo de los 
Franceses, (jue ima légua estava dei nuestro. donde avian baxado: y 
puesto delaute de todo el esciiadron el (>omendador xMosiur de Cha- 
tres reparandose un poço. hizo alto. y con ponderado semblante habló 
algunas palabras en lengua Francesa, diziendo, que el aver venido á 
aquel estado de rendirse. y tener poi' bien que sus soldados enlre- 
gassen eu su presencia las armas, no avia sido por falta de animo 
para defenderse, y hazer basta morir lo que devia, sino porque con- 
siderando, que estava en aquella Isla, donde todos los principales de 
su exercito eran muertos. y beridos, y sin esperança de socorro, y 
que mas era temerário intento, (pie esfuerço y osadia perder las vi- 
das peleando, donde ni estavan en punto de ganar glf»ria, ni de 
liazer servicio â su Rey con esto, que por estas razones y por otras 
que no podia declarar, avia temado aquella resolucion de entregarse, 
en cumplimieneto de las capitulaciones y palabra que avia dado, y as- 
si lo bazia: y mirando a los cavalleros que en este auto assistian. hi- 
zo su acalamiento y passo adelanle, el qual ya apercebido de discreta 
prevencion. poço antes que llegassen allugar donde todos avian de ren- 
dir las armas, se despojo dei cosselete que traia, y lo embio ai Mar- 
ques, quedando con sola la espada, el y algunos Mosiures, y luego 
los alferezes llegaron cou sus vanderas inclinadas y recogidas y las 
riudierou. y entregaron, que fueron diez y ocho de las viejas de Fran- 
cia, cou dos mil y dozientos bombres por una parte, y por otra treyn- 
ta y seys vanderas Portuguesas, con mil y ochocientos soldados, que 
en estas se hallarou algunas letras indignas de toda disciplina militar, 
y agenas de plalicos y valientes soldados, porque cada capitan de in- 
fanteria puso la letra 6 empresa, ò pintura, que le parecio á su jui- 
zio apassiouado mas á propósito, 6 para su desseo, ò pensamiento, o 
vitupério de nuestra nacion, que por ser emblemas sin alguna sustan- 
cia ni artificio, no se baze aqui memoria delias. Passaron los atambo- 
res, y assi mismo yvan entregando sus caxas ya sordas y destempla- 



ARCHIVO DOS AÇORES 311 

das, con los pífaros, con todos los demas instrumentos que dexavau 
en manos de los nuestros, y desarmandolos uno por uno de sus mos- 
queies, arcabuzes, picas, y alabardas, y de todas armas, se apartaron 
despojados de Ioda la gloria soldadesca, y casi de^íconocidos. por es- 
tar desautorizados, y carecer dei ornamento de sus personas. qupda- 
ron en una profiuida tristeza, annque el Marques por su natural hu- 
manidad no permilio que passassen por las hazes de nuestros esqua- 
drones. Era negocio que movia á grau compassibn mirarlos, porque 
demas de venir avergongados y rendidos (que es ultima calamidad pa- 
ra los ânimos que sou amigos de gloria) venian rotos y maltratados; 
y como el semblante es una callada habla dei coraçon. por el manifes- 
tavan su congoxa: con lo qual se juntava el venir desfigurados por la 
hambre y falta de sueno. que avian tenido en la campaua: y tuvose 
cuenta, que casi toda la gente mas bonrada de los France^es llega- 
ron lastimados y heridos. . . 

Foi. 89) . .'. Por la ciudad yvan mucbos Franceses y Portugue- 
ses, entrando delante dei exercito dei Hej Católico desarmados y siri 
orden: y deste lastimoso espectáculo resuító para todos una conside- 
racion de la justicia, y un exemplo para ânimos indómitos y desobe- 
dientes. Estendiose un gozo grande por todo el exercito, con un sem- 
blante reverenciai, y buenos pensamientos, viendo un sucesso tau 
bonroso, y no menos de reputacion. que tanto se deve estimar en la 
guerra, por la magestad Real. y gloria de su General, con que se lii- 
zo tau ilustre y clara la vitoria. Venian juntamente mucbos de los nalu- 
rales de las Islãs rendidos, de aquellos contra quien no se avia proce- 
dido; cosa que estoy por afirmar no acordarse las bistorias, que se aya 
visto un exercito jiinto, proporcion tan uumer^oso, y tau opuesto ai nu- 
estro. y tan sobrado de armas y municiones encastillado en tierra 
montuosa y fortificada, que assi se aya domesticado, como el que de 
los nuestros oy se á visto. Pioveyoles Pedro de Heredia Marchai de Lo- 
gis, en un quartel separado dentro de la ciudad, a todos los France- 
ses de alojamiento, y dioseles lo necessário que avian menester, tra- 
tandolos muy bien. y seualoseles casa, donde fuessen curados: y el 
administrador don .íuan de Benavides Baçan, les embio médicos, y ci- 
rujanos, dei hospital Ueal dei exercito, mandandoles pr-oveer las me- 
dicinas, y dietas necessárias: y assi el capilan general con los demas 
cavalleros Franceses, fuer on regalados dei maestro de campo general, 
y de los demas personajes dei exercito, porque los prisioneros an ile 
ser bien tratados: y no como bizier'on los Filisteos com Samson: y fue- 
ron tan castigados de Dios, porque bazer lo contrario es crrreldad. Y 
el Comendador Mosiur de Cbatres, con los demas Mosiures, maestros 
de campo, y sargentos mayores. fueron á besar- las manos ai Marqires: 
el Comendador de Cliatres. Mosiur de Esgaranirraipies, el sargento 
mayor, capitan .Iiian IJatista Sernigi, Italiano, el capitaii Hasilo, Cas- 
cou, el capitan Hernan, Prevenzano, el capitan Euys Miimlij de Volicr- 



312 ARCHIVO DOS AÇORES 

ra Italiano, el capitan Labavat, Gascon, el capitan Champani, Italiano, 
tíl capitan Linerola, el capitan Breiuto, Provenzano, el capitan Permi- 
net, Francês, el capitan Jabino. Francês, el capitan Lasta, Francês, 
el capitan Gamipit, Francês, el capitan Lagrava, Francês. No ay memo- 
ria de los oficiales muertos, mas que fueron como setenta heridos, 
sin los presos, que fueron mas de ciento; aunque a mi parecer, de 
mil Franceses que avia en la Islã Tercera, y mil y setecientos que lle- 
garon de socorro, y quatrocientos que vinieron dei Fayal, y cien In- 
gleses, que sou por todos três mil y dozieutos, sacandose dos mil y 
ilozientos remlidos, los demas, que son mil, seran los heridos, pre- 
sos, y muertos. 

Por la muclia gente que vénia con ellos de los nuestros, fue ne- 
cessário que el Marques saliesse a la sala antes de la pieça donde 
estava, (|uando llego Mosiur de Cliatres. á quien el Marques recebio 
y trato com muy alegre semblante. Y cierto viendo esto vine á consi- 
derar, que los hechos de guerra tanto son mas gloriosos, quanto son 
mas conformes á virtud, que este se halla bien encarecido en la his- 
toria sagrada. Y assi quiriendo humillarse como prisionero, le alço y 
abraço el Marques con blando acogimiento, y haziendole sentar, co- 
mençaron á platicar d*^ diversas cosas: y el Francês se mostro dis- 
creto, y persona de tolerância, y dissimulacion: porque el valor dei 
liombre no se echa bien de ver sino es en ocasiones como esta, 
en que se inuestra: como en diferente caso lo dixo Jepte a los capita- 
ues, ó príncipes de Galaad. Luego se dio orden como se despachas- 
sen três naves Guipuzcoanas, y un patache. en que fueron mil y seys- 
cientos hombres con su general. Quedaron en Angra el maestro de 
campo y otros dos capitanes por reheues en poler dei maestro de 
campo don Francisco de Bobabilla. hasta saber que las naves uviessen 
llegado a la provincia de Guipuzcoa, ai puerto dei passage, donde a- 
vian de desembarcar, para que enlrassen en Francia. Escrivio el Mar- 
iiues a Garcia de Arze que les diesse passo, y despidiessen el navio 
y patax en desembarcandose. Aqui'se echará de ver la puntualidad de 
que se deve usar en la guerra, como se á visto averla tenido el .Mar- 
ques con los enemigos en el concierto de la paz que hizo con ellos, y 
como lo cumplio, aun con mayores circunstancias de las que puso: y 
si matar ai enemigo con sus próprias armas es gran gloria, se podra 
considerar quanta mayor será darle la vida. y perdonarle y dexarle 
con ella, como lo hizo el Marques este dia. Y assi se advierta, que 
de la suerte que el vencedor está obligado a cumplir lo que promete 
ai vencido, seria error manifiesto dezir, que el concierto de la paz, 
que hazen los enemigos constrenidos por necessidad, no ay obligacion 
de guardarlo, porque es dar en tierra con todo el edifício dei dere- 
cho, y militar disciplina, queriendo violar el fin por el qual se guer- 
rea, que es la paz. Quedaron hasta seyscientos Franceses, que se re- 



ARCHIVO DOS AÇORES 313 

partieron por las naves de la armada, para darles embarcacion en la 
costa de Espana, en navios de Franceses, ó Ingleses. 

En treynta de Jnlio se avia publicado otro bando, en que e! Mar- 
ques prometia, que a la persona que prendiesse á Manuel de Silva, y 
lo traxesse, se le darian quinientos cruzados, que valen cinco mil rea- 
les Castellanos, y con promessa de mas merced que se le haria, sien- 
do Português el que lo descubriesse. Y aviendo embiado con gran di- 
ligencia diversas personas, a que corriessen la sierra, y Ia campana, 
un Pedro Sanchez, soldado visono. lo descubrio, que estava en una 
cueva escondido. Y no uviera Manuel de Silva escogido aquella mani- 
da de tan poça seguridad para su salud, si sus propios naturales no 
le uvieran desfondado la barquilla que tenia prevenida para en ella 
acogerse ai tiempo 'que se viesse desbaratado, y sin remédio. Y no 
dandosele á conocer, le promelio veynte cruzados á este soldado, por 
que lo llevasse a la ciudad, diziendo que era un vezino de Angra: y 
viniendose con el. los encontro en el camino un barrachel dei maestro 
de campo don Francisco de Bobadilla. Y aviendole manifestado una es- 
clava negra que traia consigo, pensando ella por este aviso alcançar 
libertad, fue preso Manuel de Silva, y sabido que era el Conde de Tor- 
resvedras (que assi le llamavan, como se á referido) el barrachel lo 
quito ai soldado, y poniendolo en la silla dei cavallo, lo llevó, a la po- 
sada dei Marques, y don Pedro de Padilla lo entrego en la galeaça 
capitana à Juan Ruyz de Velasco, capitan delia; donde fueron presos 
otros culpados clérigos, y frayles. que andavan en abitos indecentes, 
con las barbas crecidas, que fueron alborotadores públicos, y avian 
predicado entre los ofícios divinos, la razon que tenian en seguir esta 
causa de don António, y defenderia con armas, prejudiciales ministros 
en la Iglesia, para que la gente popular nunca se quietasse, ni supies- 
se en lo que errava ni acertava, ni que camino deviesse seguir en tal 
conflicto. Entre los presos avia un clérigo en abito corto de estudian- 
te, Mamado Juan Sobrino, que fue de la Compania dei santíssimo nom- 
bre de JESUS, y los religiosos de la casa, viendo que este hombre 
les inquietava en aquella tranquilidad de vida que professan, lo ex- 
pelieron de su compania. Este predicava de ordinário, y movido, ó es- 
timulado de passion por las cosas de don António, se descomponia 
con palabras y gestos indecentes. Fue lambien preso un frayle llama- 
do fray Simon de Barros (*) predicador, que fue gran solicitador de los 
negócios de don António; de quien siempre hizo gran contiança, que 
fue a Francia, y pidio socorro a la Reyna madre para esta Islã, y se 
lo dio por intercession dei Duque de Joyosa. y de Mosiur de Riiselio, 
y de otros cavalleros Mosiures de Francia, los quales an ayudado, y 
dado aliento siempre a los negócios de don António; y assi por la 
continua persuasion deste frayle, embio la Reyna madre á estas Islãs 



(O Vid. a Carta (roste, a pag. 242 d'este Volume. 
N.° 2^2 -Vol. lY— 1883. 



314 AHCHIVO DOS AÇORES 

á Mosiur de Chalres, con el socorro de mil y selecientos Franceses, 
de que se á hecho memoria: y por maestro de campo á Mosiur de 
Campis, con oiros cavalleros y capitanes de Francia, que acudieron á 
esta empresa, y dieron calor á ella. Por algunas cartas que el Rey de 
Francia, y la Reyna su madre avian escrito a la camará y ayunta- 
miento de la ciudad de Angra, ya avian estos príncipes ganado la be- 
nevolência a las Islãs, y aun adquirido el amor y reconocimiento de 
vassallos, con diferente intencion de la que los Portugueses pensavan, 
porque verdaderamente el Francês entendia apoderarse destas Islãs. 
y una carta que se hallo entre los papeies dei Coriegidor Ciprian de 
Figueredo, de las que se escrlvieron ai regimiento, dezia desta mane- 
ra, buelta en Espanol. 

(Carta do Rey de Fravça á Camará d'c/lngra, de i5 de Julho. iS8i.) 

REY. 

a Caríssimos y amantíssimos, por la gracia de Dios Rey de Fran- 
cia y de Polónia. Recebi nuestras cartas que me embiastes llenas de 
lodo bien. y de verdaderos y claros ânimos, pues quisistes. conforme 
a lo que Dios manda, conservar vueslra pátria, que es la cosa á que 
los bombres en todo el mundo son mas obligados que a otra algu- 
na, y para mejor efetuar esto, me pedistes socorro: y siendo assi, que 
los Reyes anliguos nuestros antecessores de gloriosíssima, y comen- 
datissima memoria, quizieron siempre y con muy entera volunlad a- 
costumbiaron socorrer y ayudar los afligidos, no queremos nosotros 
aora dexar perder este tan excelente loor, que por lodo el mundo 
causará ser nuestra fama estendida y celebrada, por lo que (como 
vosolros vereys) hallareys siempre en nos. para vueslra conserva- 
cion, todo socorro, y correspondência conveniente y necessária, y os 
ayudaremos con todo nueslro poder. Tuvimos mucho contenlamiento 
por saber que el capitan António Scheling, [Scalin) se avia bien y 
con verdadera virtud y esfuerço en essa Isla, ai qual mandamos que 
persevere y eslé, hasta que en breve liempo embiemos una persona 
de mucha autoridad. y calidad. y entretanto rogamos ai senor Dios. 
que á vos. amicíssimos, y caríssimos mios. os guarde y prospere en 
salud en su divina gracia. Escrita en S. Mors hesfossez. diez, y seys 
de Júlio, de mil y quinienlos y ochenta y uno. Rey de Francia. y de 
Polónia. Enrique.» 

Todos estos Franceses viníeron con patentes de su Rey, como pa- 
recieron en poder dellos y las ínlencíones y designos dei Rey de Fran- 
cia bien las sospechava y temia don António, como parece por muchas 
cartas que escritas de su mano se hallaron en poder de Manuel de 
Silva, diziendole y advirtiendole, que usasse de artificio con esta na- 
cion Francesa, y que diesse á entender, que la gente desta Isla sufre 



ARCHIVO DOS AÇORES 31o 

mal la deinasiada moléstia, y que assi convendria entretener la mayor 
parte dei exercito Francês en las naves, y no dexar saltar à tierra 
mas de las cabeças principales, encargandole en todo el artificio y ciiy- 
dado, por no dar á entender este receio y flaqueza a los Franceses, 
por ser gente inquieta y sobervia. Aqui se puede considerar, como 
una de las cosas mas erradas en que caen los pueblos ó províncias, 
Hstà en servirse de capitanes eslrangeros. confiando dellos toda la hon- 
ra de su exercito, y republicas, porque deste error á resultado, muchas 
famosas y florentissimas ciudades, no aver echado de ver su daiío, has- 
ta que se hallan destruydas y assoladas con perdida irreparable, y es- 
te fue el principio de la diclinacion dei Romano Império: y assi lo que 
mas importa, á de confiar el capitan de los suyos, porque no le su- 
ceda lo que á Demétrio, quando sus propios soldados se bolvieron 
contra el en favor de Antioco. Fue despues este frayle á Inglaterra, 
y con el António de Vega, vezino de Lisboa, y la Keyna de Inglater- 
ra no quiso darles ni ayudarles con cosa, sino solamente les dio en- 
trada para poder traer artilleria y municiones pagandolas: ayudavales 
el Conde de Lestre, y el secretario Valsinguen, y un Judio medico Ma- 
mado Ruy Lopez, que salio huyendo de Portugal, de la fúria de los 
Castellanos: y por estos y oiros tau senalados servicios, era este fray 
Simon muy amado de dou António, y en muchas cartas que le escri- 
ve firmadas de su nombre, le encarga la perseverancia en el continuo 
hervor que siempre á tenido en persuadir estas Islãs, y sustentar, y 
atraer á su devocion cada dia mas gente: y entre muchas cartas que 
le escrivio. una delias dezia ilesta manera, buelta de lengua Portu- 
guesa. 

(Carta de D. António a frei Simão de Barros, 14 de Julho da iSSi.) 

«Simon de Barros, yo el Rey os embio mucho á saludar. Recebi 
vuestra carta, y por ella, y por la informacion que tuve dei doctor Ci- 
prian de Figueredo, entendi con quanta inclinacion y lealtad aveys pro- 
fessado mi servicio, lo qual os agradezco mucho, y á ello tendre la 
alencion que por tales servicios se deve, y por ellos yo os hare la mer- 
ced y honra que vos vereys muy presto, por la brevedad con que es- 
pero partirme á restituyr mis reynos, y librar á mis vassallos de Ia 
servidunbre dei Rey de Castilla. para que assi les pueda mostrar quaii 
bien les pago el riesgo y trabajo que por mi an passado, de que vos 
en particular tendreys la parte que se os deve por vueslros servicios: 
ruego os mucho que lo continueys con vuestro buen animo, y ayudeys 
á defender essas Islãs, porque á ellas solamente (juede el nombre de 
verdaderas y leales, y vos por autor de tal obra, a las quales mando 
socorrer y proveer. como por vos, y por otras personas é sido avisa- 
do. Escrita en Estepuy, catorze de Julio, de mil y quinientos y ochen- 
ta y uno. Rey.» 



316 ARCHIVO DOS AÇOHES 

Declaro que andavan en servido de don António, algunas personas 
dei reyno de Portugal, don António de Meneses, Juan Corrêa de Sosa, 
Tomas Cachero, Manuel de Brito, Diego Botello, Manuel Fernandez. 
todos estos vezinos de Lisboa, y Juan Rodriguez de Veja, y Diego Ro- 
driguez, de Setúbal, y Rodrigo, de Santaren, y Gaspar Diez, Canonigo 
deEbora, y Baltasar Limpo, Dean de Braga, y Simon Afonso, y Cons- 
tantino de Brito, y Geronimo de Silva, vezino de Viana, y António de 
Brito Pimentel, todos estos le seguian, aunque no se acompanava si- 
no de três ó quatro por las ciudades de Franrja, y de los principales 
Ciprian Figueredo, corregidor que fue de la ciudad de Angra, que 
sustento en aquella Islã la parte de don António, y assi le escrivio al- 
gunas cartas la Reyna madre, agradeciendole el cuydado y buen zelo 
con que llevava adelante las cosas de aquellas Islãs, y una delias, que 
fue bailada entre sus libros en Angla, traduzida de lengua Latina 
en que estava, dezia desta suerte: y algunos querran dezir que estas 
cartas son fingidas, haziendo los Portugueses á estos príncipes auto- 
res y protectores desta rebelion, para dar color a su gravíssima cul- 
pa, pêro de la manera de proceder que se á tenido, podra juzgar el 
que leyere esta escritura dei propósito dei Francês, y de Ia intencion 
de los nalurales de las Islãs, y no avra necessidad de quitar culpas 
a unos, para cargar en otros, por que aunque los designos eran di- 
ferentes de los Franceses en querer dissimuladamente apoderarse 
con las Islãs, y de los naturales en defenderias para eIRey que ellos 
llamavan, en realidad de verdad el fin era todo uno para lo que toca- 
va ai Rey Católico, que era negarle, y impedirle por todas vias, y de- 
fender con armas lo que de derecbo le pertenece. Dezia pues la carta 
desta manera: 



{Carta da Rainha Mãe, a Cyprião de Figueiredo, de \ 6 de Julho de i58i.) 

«Caro y buen amigo, Ciprian de Figueredo. Nos Catharina por la 
gracia de Dios Reyna de Francia, madre dei Rey. No nos pudo llegar 
mas agradable mensagero que el que nos as embiado, con el qual nos 
escrives que estás determinado, y con constante resolucion, de per- 
manecer hasta el fin en la fé y fidelidad que tienes con nuestra pá- 
tria, cuya honra y conservacion te deve ser mas amada y recomenda- 
da que ninguna otra cosa, porque es conforme á razon. Avemonos a- 
legrado mucho de entender, quan bien se aya ávido por alia el capi- 
tan António de Scheling, ( Sca/m) y podeys prometer de mi parte, y 
estar ciertos, que nuestro amado senor y hijo, está dispuesto para 
todo aquello que es vuestro amparo y consolacion y nos acudiremos 
con el favor y buenas obras en las cosas que se os ofrezcan, y en tan- 
to suplicaremos ai Criador, caro y buen amigo, que te tenga en su 
santíssima y digna conservacion. Escrita en S. Mors Desfossez, a diez 



ARCHIVO DOS AÇOHES 317 

y seys de Júlio de mil y quinientos y ochenta y un anos. La Reyna de 
Francia, madre dei Rey, Calharina.» 

Y juntamente con esta otra carta dei Rey don Enrique su hijo, 
que tratava de la mesma matéria por este estilo, en conformidad de 
su madre. Hallose entre los papeies deste frayle un libro de muchas 
cosas que yva escriviendo, en que seguia cierta ficcion de historia fa- 
bulosa en lengua Portuguesa, donde tratava de la ruyna dei gran rey- 
no de Lusitânia, lleno de razones y discursos en ódio de nuestra na- 
cion. Y entre las veras halle esta carta, que por ser á propósito pa- 
ra nuestros designos, y que va dando luz á este comentário, me pare- 
cio traduziria para este libro, la qual el Parlamento de Francia escri- 
vio a don António, diziendo assi. 

(Carta do Parlamento frauce^ a D. António.) 

«En ningun tiempo pudieramos tomar esta empresa con mas cier- 
las, esperanças de que no nos saldra de las manos sin en fin que des- 
seamos, sino en este, que os representará a los ojos vuestras proezas, 
y hazanas tan gloriosas como nos tiene persuadido la fama de vues- 
tras vitorias, y no dará lugar a que os olvideys de vuestro grande a- 
nimo; pêro desseamos que os olvideys eternamente dei yerro que los 
poços deste consejo hizieron en vuestro servicio: ellos lienen ya el pago 
de su codicia,y á nosotros dareys por galardon de nuestra verdad y le- 
altad el no averos aceptado el socorro de las gentes Septentrionaies, 
que sabemos que en vuestro nombre se apercibe, pues está entendido 
dela experiência que dellos se tiene, que puesto que en algunas oca- 
siones fueron leales a los Emperadores, á quien en las guerras pas- 
sadas sirvieron, despues tuvieron por ellos mas cierto el dano, como 
enemigos que siempre fueron. Este reyno está todo puesto en armas 
en vuestro favor, y la sabia, y magniíicentissima Reyna tiene dado or- 
den para que se haga una poderosa armada, cuyo socorro con mas 
razon deveys aceptar, que el que Marco António tuvo para acometer 
á Agusto César, con el que le dio la Reyna Cleópatra, de quien la 
nuestra deciende, y á quien en todo se aventaja. A ella tiene el Rey 
dados los poderes necessários para el efeto desta obra, y ella tiene á 
nos cometida la execucion: y por lo que á su ser y estado importa el 
secreto de la voluntad, con que á acudido a las cosas de vuestro ser- 
vicio, justamente lo deveys guardar. Venid con brevedad, para signi- 
ficarle lo que en ello quereys que hagamos; Dios os conserve, ác.» 

Llego á esta sazon á juntarse con la armada el navio que avia to- 
cado én los Cachopos, a la salida de Relhlen, como ai principio se 
ha dicho vino con la compania de don Miguel de Cardona, dei tercio 
dei maestro de campo general, y con otra compania de Garci Lasso 
de la Vega. 



UI8 ARCHIVO DOS AÇORES 



ENTRADA EN EL FAYAL. 

A este tiempo einbio el Margiies desde la ciadad de Angra á don 
Pedro de Toledo Osório, Marques de Villafranca, a la Islã dei Fayal, 
«^tie esta Ireynta léguas de la Tercera. con doze galeras; quatro pata- 
ches, diez y seys pynaças, navios que fueron de muclia importância 
en esta jornada, y algunos baj-cos y barcas, y sobre ellas dos mil y 
quinientos hombres. infanteria de dift^rentes tercios, con el maestro 
de campo Agustin Yniguez de Çarate. y los capitanes Juan de Sala- 
zar, Miguel Ferrer, don Christoval de Acufia, don Estevan dei Aguila, 
Hustamente de Herrera, Juan Fernandez de Luna, Miguel de Benesa, 
Sancho de Solis, don Juan de Lanuça, Sanclio de Bullon. Luys de 
(luevara. Pedro Pardo de Aguiar. Martin de Herrera, y el capilan 
(larlos, con cienlo y cinquenta Alemanes, y cavalleros avenlureros, 
don Hugo de .Moncada, don Gabriel de Lnpian, d(jn Juan Manrique. 
don Gonçalo de Guevara. don Geronimo Çapata Osório, don Rodrigo 
l*once de Leon, don Juan de Acuna. don António Ent'i(]uez, don Ge- 
ronimo Honquillo, Juan Fernandez Galindo de Qninones. Diego de Mi- 
randa; y para las cosas de mar, los capitanes Miguel de Oquendo, 
Rodrigo de Vargas, Marolin, don António de Mendoça, que en esta 
jornada traia á sn cargo los pataches y pinaças, y Tibnrcio Espano- 
que cavallero dei abito de S. Juan. Y passando don Pedro de Toledo 
por las Islãs de S. Jorje, y dei Pico, llegó cf)n su armada a la vista 
lie la Islã dei Fayal. Islã fnerte, que tendra nueve léguas en torno. 
Llamose esta Isla ai principio de su fnndacion Nueva Flandes. porque 
fueron Flamencos los que la poblaron, y cultivaron. como parece por 
la gente que en ella se halla. y lo atirma Gaspar Vopelio en su des- 
••ripcion universal, y Juan Baptista Urient. qne dize aver sido los que 
liallaron estas Islãs, nalurales de Brujas, y assi ay algunos linages al- 
li de Brunos, y Utreques. Quando Nego don Pedro, seria poslrero de 
Júlio, y surgio en la Isla dei Pico, que está dei Fayal casi una légua: 
y luego embio don Pedro nn Português natural de aquella Isla. hom- 
bre conocido, y de los mas caudalosos delia, servidor de su xMages- 
íad, llainado Gonçalo Pereyra, con el protesto de parte de su Mages- 
tad, en una fragata con seys mosqueteros. y algunos marineros, los 
quales le llevaron. y dexaron en cierto desembarcadero, cerca dei 
puerto de la Riberina, y se boivieron a la galera capitana, la qual sa- 
lio luego a reconocer parte de la Isla. y llegaron hasta la punia de la 
Riberina. donde avia im razonable surgidero ai parecer, y desampa- 
rada de gente aipiella trinchea: pêro los enemigos como vieron que 
la galera acostava por aquella parte, acadieron con priessa ai socor- 
ro. Disparo la galeia capitana quatro pieças, y luego se bolvio á juntar 
con la armada, y otro dia signienle salio don Pedro de Toledo con el 
maestro de Campo Agustin Yinguez. Miguel de Oquendo, Rodrigo de 



ARCHIVO DOS AÇOHES ,'il!) 

Vargas, y Marolin, á recono^er torla esta h\a, en la galera capitana. 
a la qual siguio olra galera> aviendo doblado una punia, que haze h 
Islã, mas abaxo de las Feiteras: salio de la galera eu una fragata a- 
companado dei ingenierO; y de otros gentiles hombres, y se fueron 
con ella cerca de tierra, y la galera en su seguiniientu: llegaronse a 
la marina dos 6 três de los enemigus, a los quales desde la fragata 
se les hizieron senas, si queriau venirse á nosotros, mostrandoles una 
vandera de paz. Mas viendo que se perdia tiempo. dou Pedro se bol- 
vio a su galera, y luego se ecbò a la mar nn mancebo dei Fayal I*or- 
lugues, y se vino uadando házia la galera, y este dio la nueva de la 
maldad dei governador, que con su própria mano avia muerto á Gon- 
çalo Pereyra, que fue el mensajero que llevò los recaudos de parte 
de su Magesiad para que entregasseu la Isla: y assi el delito deste 
governador fue atrocissimo, pues quebranto la ley natural, contra la 
fé que se deve guardar con los enemigos inviolablemente. desde la 
inslitucion de la humana naturaleza, y dei principio dei primer sacra- 
mento delia, como se colige de las leves humanas y divinas, pues co- 
mo la guerra, y el derecho de los enemigos, naciesse. no dei primer 
estado de la inocência, mas en el segundo ya depravado, no se mudú 
por esto el derecho primero y natural de la guerra, y observacion 
de la fé: y assi maltratar embaxador, es culpa grave, quanto mas dar 
le la muerte porque su oficio se encamina á médios de paz, y condi- 
ciones razonables que se deven aceptar. Dio noticia este mancebo que 
se vino a la parte dei Hey Católico, en particular dei numero de los 
enemigos, y de otras cosas que el pudo saber: y assi passo y prosi- 
guio don Pedro, reconociendo lo que restava de la Isla: y aviendola 
circundado toda. hallaron en el puerto de la Riberifia nuevàmente dos 
vanderas en aquella irinchea. y juntandose las dos galeras con toda 
la armada, se resolvio el lugar por donde se avia deacometer el dia 
siguiente: y luego se dio crden á dos galeras que remolcassen dos 
pataches grandes, y otras dos barcas vazias, y que fuessen á tocar 
arma ai enemigo en la parte dei puerto de la Reberifia, y que no la 
tocassen hasta las dos de la madrugada. Y a las onze horas de la no- 
che çarpó la capitana. y las demas galeras, y fueron tierra á tierra. 
porque con la claridad de la luna no pudiessen ser dtscubiertos de 
los de! Fayal. que estavan á frente: y en doblando una punia que ha- 
ze la Isla dei pico. tomaron la buelta de la mar, hasta ponerse en 
frente dei lugar donde avia de desembarcar nuestra gente: y a este 
tiempo avian ya llegado las dos galeras con la ordcn que se á dicho 
á tocarles arma. aviendo repartido el tiempo, de suerte que pudieron 
estar ai amanecer en el desembarcadero. Llegaron a la parte que lla- 
raan las Feiteras, y tomandolo nu puco mas abaxo. porque forco á 
ello la fúria de la corrienle, començaron las galeias á disparar con 
raucha priessa, y nuestra gente a desembarcarse c()n alguna dificullad. 
por ser el desembarcadero muy fragoso. Kstavan a la defensa cincuen- 



320 ARCHIVO DOS AÇORES 

ta soldados, que hizieron poça resislencif, y assi se fue desembarcan- 
do la infanteria; y el maestro de campo Aguslin Yniguez salio a la 
(^ampaua, y començó á formar esquadron, y algiinas mangas de arca- 
buzeria, y mosqneteria, y entrando en la tierra, yvan los enemigos 
retirandose: y ya avria nueslra gente marchado como una milla, y 
passaron las mangas un arroyo grande, y puestos de la otra parte se 
descubrio la gente dei enemigo, que toda junta estava fortificada en 
una montanuela, y como descubrieron los nueslros, hizieron los ene- 
migos ademan de querer venirse á confrontar con nuestro esquadron 
pêro luego hizieron alio, y embiaron dos companias con sus vanderas, 
para que travassen escaramuça con nueslra manga sinieslra, donde ve- 
nian los capilanes Miguel Sans de Benesa, y Ferrer, y en la derecha 
vénia el caipan Flores. Travada la escaramuza, los enemigos lo hazian 
animosamente, de suerte que en todo aquel liempo no se conocio ven- 
laja de una ni otra parte, porque de ambas uvo muertos y heridos. Y 
aviendose ordenado por don Pedro de Toledo, ai doctor Perez de Her- 
rera Protomedico desta armada, hiziesse retirar a los que avian si- 
do heridos en las escaramuças, para que los curassen en las galeras, 
no solo sirvio el doctor en su ministério, pêro resistiendo aios enemi- 
gos, para que no acabassen de matar a los caydos, los defendio con 
la espada, y el fue herido de un arcabuzazo en un hombro, que por 
averselo dado por causa tau piadosa. merece particular memoria en 
este libro: aunque con otras obras de caridad que vemos hechas por 
su industria y orden, ya viene á ser esta la menor, como se muestra 
en aquella grande empresa de la reformacion y amparo de los pobres 
mendigantes destos reynos, y alvergues que se fundan en las ciuda- 
des de Espana, en tiempo dei Católico, y Christianissimo Rey don Feli- 
pe segundo nuestro senor, encargada esta obra á la singular discrecion 
y christianidad de su Presidente de Castilla digníssimo, el seííor licen- 
ciado Rodrigo Vazquez Arze. Y por estos y otros servicios dei doctor 
en esta jornada, le hizo su Magestad merced de renta de por vida. 
Sobrevino en esta coyunlura el capitan Juan Fernandez de Luna con 
una manga de mosqueteros, y cargando sobre los enemigos, los hizi- 
eron retirar con mucha priessa, juntandose los Franceses con los de- 
mas de donde avian salido; y algunos Portugueses, que todos se re- 
cogieron a la sierra, y el esquadron enemigo se començó à retirar y 
se esparzio por el campo el ganado mayor, que tambien traian con- 
sigo para usar lo mesmo que los de la Islã Tercera, en cuyo socorro 
lenian parte de sus esperanças. Nuestra gente marchava á buen pas- 
so, y cargando sobre el enemigo le hizo retirar, aunque guardando á 
ratos buen orden, se bolvian à los nuestros con animo, y escaramu- 
çavan. hasta que se recogieron á dos montaiiuelas, que éstan sobre 
la fortaleza principal, nonbradas las montanas de la Senora, donde 
se encastillaron y entretuvieron la mayor parte dei dia, peleando con 
brio hasta la tarde, que los nuestros cerraron con ellos con tanto im- 



AHCHIVO DOS AÇOHES 321 

pelii y faria, que les hizieron desamparar el campo. Quedose un Fran- 
cês en el pueslo en que estava, esperando el tropel de los nuestros, 
y tomando el arcabuz par la boca, cerro con uno de nuestros solda- 
dos, y le dio un tal golpe, que dio con el muerto en lierra: pêro al- 
punto uno de los nuestros castigo su temeridad, y respondiendole con 
otro, lo derribo á sus pies. En la otra montanuela mas adelante quir 
siera el enemigo entretenerse, y assi precurava por todas vias contras- 
tar a la fúria Espanola, porque bien entendian ellos, que en aquella 
montaria principal consistia toda su defensa, considerando que el cas- 
tillo estava a la lengua dei agua, y ai pie de la montana, de manera 
(|ue le era superior, hasta tjue don Pedro de Toledo acordo sacar dei 
esquadrou cincuenta picas, y ai capitan Calderon con ellas, y que se 
juntassen con parte de la arcabuzeria, que eu la primera montanuela 
estava con el capitan Ferrer: y á todo esto haziendo rostro los enemi- 
gos, salieron ai camino, hasta que de alli á poço rato, llegando alas 
espadas, y sintiendo la ventaja y fuerça de los nuestros, vinieron á 
desamparar la montana, y guarecerse en la fortaleza. Aqui un Fran- 
cês, ó desdenado de la vida, ó con impaciência de dolor. ó iuviJioso 
de la temeridad dei otro de su nacion, no se quiso retirar, y calando 
gallardamente una pica, puso el rostro contra un cosselete Espanol, 
(]ue vénia delante, el qual esperando tambien se apercibio, y se le o- 
puso, y á vista de muchos hizieron un campo cerrado, y avienio ju- 
gado un ralo de las picas, el Espanol de un bote de pica dio con el 
Francês muerto en tierra. Pulo este soldadj EspafuI aceptar el des- 
afio, porque aun todavia durava el conflicto de la guerra, y no se 
avia tocado ã recoger, porque de otra suerle no puede el soldado, 
aunque sea provocado, pelear por desafio, sin orden y licencia de 
su capitan dei exercito: y en el campo de los Romanos sin licencia dei 
príncipe era vedado determinar questiones por armas, pêro en tan- 
to que el calor de la guerra durava, se permitia. Ya los Franceses 
estavan recogidos eu la fortaleza, y pidiendo á don Pedro les conce- 
diesse algunos partidos, y le entregarian la fuerça, se les nego, y as- 
si se vinieron á contentar con las vidas, sacando cadauno lo que tu- 
viesse vestido, y entre todos treyuta espadas para la gente particular. 
Hallarouse dentro quatrocientos soldados Franceses, que fueron los 
que se rendieron con seys vanderas que entregaron, y algunos Por- 
tugueses, entre los quales estava António de Guedes, Governador de 
la Islã por don António; y no pudo en aquella coyuntura ser preso, poi- 
ser de noche. Avia en el castillo poços bastimentos, con diez y seys 
pieças grandes de artilleria, sin algunos esmeriles y pólvora y muni- 
ciones, de mas de otras quarenta pieças que se hallaron en los fuer- 
tes, los quales se rindieron, salvando las vidas a los Franceses: y o- 
tro dia mando don Pedro echar bando, que ai soldado que preudies- 
se al*governador. se le darian quinieutos ducados, y seys de vputaja: 
y en el mesmo dia fue preso, y traydo a la galera capitana, de donde 
N.« 2á-Vol. IV— 1883. -i 



3Í2 ABCHJVO DOS AÇOHES 

le sacaron para hazer justicia dei, corlandole la mano, coti que hizo 
aquella barbara injuria, dando la muerle ai embaxador que le combida- 
va con la paz por parle de su Magestad; y arrastrandole, y con muer- 
le de horca, en la mesma que el lenia hecha para jusliciar a los que 
fuessen de la parle dei Rey nueslro Senor. Con esle castigo procuro 
don Pedro salir dei Fayal, por cumplir lodo lo que eslava á su cargo, 
y bolver á junlarse con el Marques, que desseava con Ioda brevedad. 
anles que se le bolviesse el liempo, acabar las cosas de la guerra en 
las Islãs, por dar la buella con su armada enlera á Espana; que assi 
lo deve hazer el solicito capitan, navegando siempre á vista de lo por- 
venir, y previniendo a lo que puede suceder, anles que llegue, porque 
noie coja desapercebido; como lo ensefía aquel famosíssimo capitan 
Josué. . . . 



LIBRO QUARTO 

Foi. 103) . . . .LIegó con la nueva desta vitoria ai Marques, el ca- 
pitan don Gonçalo Ronquillo, y quedo por Governador de la Islã dei 
Fayal don António de Portugal. . . . 

Foi. I05j . . .se procedio contra las Islas en general, y contra 
los culpados ausentes, llamandolos por edictos y pregones, con citaci- 
on de estrados, conforme á derecho. Fulminaronse tanbien processos 
contra los presentes culpados, que anles que se publicassen los ban- 
dos de seguridad, avian ya sido presos en la carcel. Y tomadas sus 
confessiones, y hechos sus cargos, y ratificados tesligos por parte de- 
la justicia en el termino que les fue assignado, y recebidos sus des- 
cargos, cumplidos los plazos, las causas ya conclusas, se prenimcio sen- 
tencia en un cadahalso grande que eslava armado en médio de la pla- 
ca de la ciudad de Angra, y despues de aver locado á bando los a- 
tambores, se divulgo con publico pregon, y visto el processo de la 
causa, seguido por promotor fiscal contra la Isla Tercera, el Fayal, el 
Pico, S. Jorje, la Graciosa, el Cuervo. y contra los vezinos y morado- 
res de las dichas Islas delos Açores, y aver negado la obediência ai 
Rey don Felipe nueslro senor. siendo legitimo Rey natural, y en prese- 
cucion desto aver admitido en su conpania gentes de diversas nacio- 
nes, robadores, y piratas, y aver conspirado contra la Magestad Rael, 
queriendo resistir á su justicia y aver defendido con armas la entrada, 
en aquellas Islas, que son de su corona de Portugal, fueron de deda- 
das las dichas Islas, y cada una delias por rebeldes, y convencidas de 
aquel delito, y fueron condenadas en perdimienlo de los fueros, graci- 
as, libertades, exempciones, inmunidades concedidas en su favor por 
los Reyes enlecessores de su Magestad delos reynos de Portugal, y 
de los próprios, y haziendas, y oiros privilégios, de que pudieran a- 
provecharse y valerse, sino uvieran cometido el dicho delito de rebe- 



ARCHIVO DOS AÇORES 323 

lion, y desobediência. Y António Soarez, fator que fue dei Sereníssi- 
mo Rey don Sebaslian, y ai presente era juez de la casa de la mone- 
da, y Baltasar Alvares Ramires, desembargador, y Domingos Pifiero, 
y Jiian Gonçalves Corrêa, desembargador, y los demas cnlpados en es- 
te delito, tambien ausentes, fueron condenados, á que donde quiera 
(|ue fueran bailados, fueran presos y traydos a la carcel de la ciudad, 
y en la placa publica ahorcados hechos quartos; y fueron demas d es- 
to condenados en perdimiento de bienes, aplicados para camará y fis- 
co, y que sus hijos y nietos no pudiessen tener ofícios Reales. Demas 
(lesto contenia el bando, que la moneda donde se hallase el nombre 
de don António, Prior de Ocrato, como falsa, mala, y aduUerina, fues- 
se publicamente quemada, y que no corriesse por alguna manera, 
y que ninguna persona usasse delia, so pena de muerte, Pregonaron- 
se en voz alta las sentencias y delitos segun costumbre militar an- 
tigua. y de los Romanos imitada, como lo refiere Sparciano en Seve- 
ro, y en lugar de aquella trompa que se solia locar, se ordeno que 
fuessen caxas, por aver sido toda aquella jornada de infanteria. 

Y despues de averse publicado el bando, avia en el cadahalso un 
brasero, ó tina de fuego encendido, y el capitan Andres de Vega, al- 
guazil Real desta armada y exercito, echó en aquel fuego monedas de 
oro, plata, y cobre: y hecha esta solenidad, toda la infanteria, y gen- 
te de guerra y mar, de que estava llena la placa, començaron à arro- 
jar en el tablado a la parte donde estava el fuego, toda la moneda de 
don António, que en su poder tenian, de tal suerte, y en tanta abun- 
dância, que sin perdonar ai oro ni plata, por una y otra parte parecia 
que llovia moneda, que duro mas de media hora el arrojaria copiosa- 
mente, que fue un espectáculo de consideracion, y una consideracion 
de la íealtad y amor que los Espanoles tienen a su Rey, mas que c 
trás naciones, pues las cosas que en el mundo an hecho de tanto ries- 
go, y peligro, y muerte, no nacen sino dei ardiente amor, zelo, y fi- 
delidad con que le sirven y reverencian. 

Contra Manuel de Silva se hizo y fulmino processo, y estando pre- 
so en la galeaça capitana, fue necessário hazerle cierta conminacion 
de tormento, y vino à declarar algunas cosas, que fueron de mucha 
importância, y por ser á tiempo, se les dio facilmente el remédio. 
Defendiase con querer dezir. que el nr> avia juraio otro Rey sino á 
don António, y que guardando la religion dei juramento y omenaje 
que hizo ai dicho don António, que no merecia nombre de traydor. Y 
aviendole preguntado, si sabia que el Rey nuestro Senor era Rey de 
Portugal, y por tal Rey natural era jurado y obedecido en todos los 
reynos de Portugal, respondio que no lo sabia, por bivir en Islãs re- 
motas y apartadas, y otras respuestas frívolas é impertinentes. Hizo- 
se justicia de los culpados, el mesmo dia que se quemó la moneda, 
y para esto los Alemanes se pusieron en esquadrones. y tomaron las 
entradas de las calles: y don Juan de Sandoval, á cuyo cargo estavan 



324 ARcmvo dos AçonES 

las companias de Porliigal. traxo a la placa á Manuel de Silva con do- 
zienlos arcabuzeros. LIegó ai tablado como a las Ires horas despues 
de médio dia, cubierto de negro, la cabeça descubierta, y antes que 
se executasse en el la justicia, bolvio la cara ai pueblo para hablar, y 
luego se puso todo en comun silencio, y alçando las manos ai cielo, y 
ofreciendo a Dios aquel castigo puLlico que en el sí' liazia, y la igno- 
minia que padecia el nombre de Manuel de Silva con aquel escar- 
miento y exemplo, hablo por espacio de media hora algunas palabras 
piadosas y bien ordenadas por descargo de su conciencia, dandose 
por autor de tantos males como avian sucedido, y pidiendo perdon a 
su Magestad. por averle desservido, inquietando sus reynos. y a los 
padres, madres, y mugeres, cuyos hijos y maridos padecieron y aca- 
baron las vidas en aquella jornada, y escaramuças; y bolviendo el 
rostro á una y otra parte, dezia a los naturales de las Islas, alçando 
la voz, que el se confessava por el mayor instrumento de las calami- 
dades que avian padecido, dando á si la culpa de toda la destiuicion 
universal; que por nuestro Senor Dios le perdonassen, pues en tanto 
dano como el avia causado, entendia, que padecer aquel género de 
muerte, y arrepentirse de sus malas obras, aun no era suficiente re- 
compensa, si de parte dellos el perdon no le viniesse. Aviendo dicbo 
estas palabras, y otras desta suerte, liincò las rodillas en el tablado, 
y luego se executaron en el y en los demas las justicias siguientes. 

Manuel de Silva, Conde que se intitulava de Torresvedras, gover- 
nador, y capitan General de las Islas de los Açores, por las culpas y 
delitos de que fue convencido, y íueron [tor el confessados, fne degoí- 
lado, y la cabeça puesta en la placa a la torre dei relox, y colgada eu 
el lugar y en la jaula donde el mando poner la cabeça de Melchior 
Alfonso, Português, porque dixo, que era su Rey natural el Rey nues- 
tro senor. Quitose en sn presencia antes que el muriesse. la cabeça 
de aquel hombre que hizo malar sin culpa, y fue llevada á enterrar 
honradamente. Parece que permilio Dios que se cumpliesse una pala- 
bra que Manuel de Silva dixo. que fue como pronostico dei caso pre- 
sente, que despues de aver hecho justicia desle hombre, suplicandole 
algunos de la Islã que diesse licencia que se quitasse de alli aquella 
cabeça, respondio el, Quitarse á quando se pusiere la mia: dando á en- 
tender lo que nunca pensava hazer, que ai parecer devia el enlonces 
de estar bien olvidado de los justos juyzios de Dios, pronuncio contra 
si esta fatal sentencia. Fue con licencia dei Marques sepultado hon- 
radamente, teniendo atencion á su noble sangre. Manuel Serradas, 
que esluvo en Francia, y vino con Felipe Strozi el ano antes, y salio 
despues desto por cspilan General de la armada que fue á Cabo Ver- 
de, y Arguin, que saqueó hasta los ornamentos y custodias de las 
iglesias, fue degollado, y condenado en perdimiento de bienes. 

Amador Viera, que aviendo sido embiado a las Islas por el Rey 
nuestro seíior, para mantener y sustentai en la fidelidad. a los que 



ARCHIVO DOS AÇORES 32o 

eslavan de parte de su Mageslad, y reduzir a sii devociou los que 
pudiesse, y calar los auimos de algunos, despues de bien inforuiadn 
de todo. lo relevava y descubria á Manuel de Silva, para que fues- 
sen castigados los que eran servidores dei Hey Católico, como lo lii- 
zo con brava execuciou. A este se le corló la cabeça [)or traydor. y 
fue condenado en perdimienlo de bienes, y bijos y iiielos infames. Do- 
mingos Uzel, juez ordinário que fue de Angra, provaronse contra el 
muestras publicas contra sn Magestad y mando bazer justicia de mo- 
chos, por indicios de que eran leales, especialmente de Melchior A- 
fonso, y Juan de Betancor, cuyas sentencias íiimó en que se les cor- 
tassen las cabeças: provose y confessolo, fue ahorcado. y condenado 
en perdimiento de bienes, quedaron sus hijos inhabiles paia ofícios 
reales. Y dela mesma forma Pedro Cote. capilan. de don António, y 
publico amotinador, y Bernardo de Távora, capilan que fue de una 
galera, y ai presente lo era de infanteria. Y Anton Bai roso, alborola- 
dor, que incito a tomar armas contra los que seguian la i)arte dei 
Rey nuestro seuor. Y Árias de Porras, capitan de una compania amoti- 
nador, y Gonçalo de Pita, capilan de infanteria y alcayde de la forlíi- 
leza de S. Sebastião, y Maleos Diaz Pilatos, que quando llegó don Pe- 
dro de Valdês a la Islã, entro este en la ciudad con una cabeça de nu 
Castellano asida de las barvas: fue publico que comio bigados de 
Castellanos, brava muestra de aborrecimienio y vengança, como Ijí- 
zieron los Eliopolitas con el diácono Cyrilo. Baltasar mulato y prego- 
nero. que echava en los bandos palabras desacatadas y escandalosas, 
Domingo de Toledo, capitan de una fortaleza de Oporto. Gaspar Al- 
varez Chichero mareante, que yva y vénia á í^rancia en las naves de 
don António, y llevo presos á aquel leyno dos personas que vinierou 
de Lisboa con caitas para la camará para que se reduxessen. Gaspar 
de Gamboa, corregidor de la ciudad de Angia, António Malela. alfe- 
rez mayor de la ciudad y guarda mayor: todos estos <le que se á he- 
cho memoria, fueron condenados á muerte, y en perdimiento de bie- 
nes: y António Gomez, merino que fue de la aduana, solicitador de 
bazer y aprestar las armadas, y juritamente proveedoí delias. } Thome 
Gomez, que era su oficio jiroveer el campo de los enemig(»s de todo 
lo necessário, alborolador contra su Magestad. con malas y insolentes 
palabras: Manuel de Acosta, que servia á don António, publico amo- 
linador: estos Ires fueron condenados en ciei las penas coiporales, y 
diez anos de galeras á cada uno dellos. Y oiros fueron condenados 
[lor sentencias en veiguença publica, y destierios. 

Despues desto fue piso Domingo Pinero, juez que fue de aqnt'l- 
las Islas, y uno de los que fueron condenad(is en au^encia y rebeldia. 
Hallaronio encubierto con abito de muger a las diez horas de la no- 
che, queriendose embarcar en ima de las naves de la armada, paia 
venirse en Espana, y oiro dia fue ahorcado como los drnias de (|u<' se 
ã hecho memoria. 



;JÍ6 ARCHIVO DOS AÇORES 

Y porque don António avia hecho mercedes à algunas personas, 
por servicios (que el dezia) a la corona de Portugal, de muchos abi- 
tos de Christo, y de algunas tenças, que es lo mesmo que gajes, o 
renlas de por vida, se mando echar bando, que ninguna persona Ira- 
xesse los dichos abitos dados por don António, so pena de muerte, y 
assi algunos que los tenian, oydo el pregou se los quilaron. 

Tuvose gran cuenta en el proceder eu este negocio, como se vio 
por los poços de que se hizo justicia, siendo tantos los culpados, por- 
(jue parecio que procediendo contra niunero tan grande y excessivo 
a la pena que podian merecer sus culpas, no se pudiera escusar uu 
grande estrago, y aun dano irreparable: y aunque el crimen era tal, 
que casi á todos cotpprehendia el rigor de !a pena, se echó mano de 
los principales culpados y cabeças, que son los qae se presume que 
an estragado la republica, y no se alargo la mano á mas, porque ay 
casos en que es saludable cosa exceder de la comission de su prín- 
cipe: y mayormente confiando de su clemência, pues en poços se pue- 
de liazer en castigo que se deviera hazer contra muchos, templando 
con esto los bandos y su severidad. y condenando a los deraas en 
penas mas moderadas. 

Y assi se procedio en todo contra esta gente con mucha templan- 
ça, no conforme a la gravedad de las culpas, ni como en la guerra 
se requiere, y pide. . . . 

Foi. lii) . . . .Bolviendo pues a nuestra historia, fue preso en la 
Isla el Capitan Pedro ile la (^ruz, famoso, y conocido cossario, y cruel 
verdugo de Ivspanoles, que exercitando este inhumano y abominable 
oficio, passo a las índias de Castilla doze o treze vezes, con las nãos 
que pudo suyas, y en compania de otras Inglesas, y Francesas, y en- 
tre muchos robôs, é insultos que cometio, llegó a la ciudad de Vera- 
gua, y rio de Chagre, y robjndo alli todo el oro y plata que halló, 
tístuvo dos dias saqueando la ciudad, y peleando con la gente delia, y 
matando muchos de los que pudo aver a las manos, aunque los mas 
se retiraron a la montana, por cuya causa en esta jornada y en otras 
recibio nolable dano el ayuntamiento de los mercadores de la casa 
de la contratacion de Sevilla, y teniendo atencion a que este delito 
requeria ser castigado con mucha demostracion para publico escar- 
miento, y en la parle mas ofendida, se dexo la execucion de la 
justicia para que se Nevasse a efeto en el rio de la dicha ciudad, 
y assi fue traydo de Angra en una galeaça con prisiones a Espa- 
na. Declaro este por su confession, que era Montafies, y vassallo 
dei Rey nuestro Senor, aunque los Portugueses lo tenian por Fran- 
cês, como parece por declaracion que ai principio deste libro hi- 
zieron los diez Portugueses que fueron presos, y el lo parecia, por- 
que hablava espedidamente la lengua Francesa, como quien avia tra- 
tado y conversado muchos anos con esta nacion. Luego que llego la 
armada dei Marques de buelta de la jornada, se hizo justicia deste 



ARCHIVO DOS AÇORES 327 

liombre sobre el rio de Sevilla Guadalquivir, y despues de averle da- 
do garrote, fue colgado de un pie en una entena de la galera Leona, 
antiguo castigo de los facinorosos en las armadas, con nn letrero que 
se puso por la parte de fuera de la popa. que declarava sus delitos: 
y assi mismo era costumbre antigua, no solo publicarse la sentencia 
y castigo con pregou, pêro poner titulo, en el qual por escrito se con- 
tenian las culpas dei delinquente: y su condenacion. 

Ocnrrieron en aquella sazon muchos pleytos con los soldados, de 
matéria de manumissiones. ó libertad de esclavos, que fueron muchus 
mas de lo que se pnede creer, acerca dela libertad que intentaron los 
esclavos, que a los mas dellos por librarlos sus primeros senores de 
Ia nueva captividad en que avian caydo por ley de guerra en el tiem- 
po de las presas, se presentaron ante el Auditor general con públi- 
cos instrumentos, como escrituras de libertad, cartas particulares, y 
otros recaudos en virtud de los quales cada uno pretendia su dere- 
cho: y fue tanta la variedad que en esto uvo, que conrurrieron ^consi- 
derandolo con curiosidad ) todas las diferencias que leemos en Ias leyes 
de los Romanos, acerca de las libertades, algunas (y no poças) de las 
escrituras eran falsas y simuladas, retrocediendo en la fecha de ellas. 
como despues por averiguaciones se halló: y passados los três dias 
dei despojo, sabendo a luz algunos esclavos que estavan escondidos, 
y se escaparon de ser presa de la gente de guerra, pretendieron sus 
senores tener recurso a ellos, y reduzirlos ai yugo de la passada su- 
jecion, y pusieronlo por obra, sin acordarse que ellos mesmos les a- 
vian puesto las armas en las manos, y con ellas la libertad, porque 
varonilmente peleassen: que como se ha dicho en el libro tercero. por 
leyes de guerra se les devia, como a personas que estavan ya autori- 
zadas, y gozavan dei privilegio y nombre de soldados, dandoles sitio 
en el esquadron, y lugar en las hileras; que semejantes actos tie- 
nen fuerça de testamento hecho en prestncia dei pueblo. 

Foi. 126 v.°i .. . .y por no ser mas largo en esta matéria, lo mas 
quedo determinado por ei Auditor general, y lo que no dio lugar el 
tiempo, fue remetido ai juez de Angra, que hiziesse justicia. Luego 
mando el Marques se juntasse la camará de Angra, para que repre- 
sentando la voluntad dei pueblo, con el Corregidor que fue elegido 
nuevamente, y los Regidores, y los demas oficiales. unanimes jurassen 
ai Rey nuestro Senor, por Rey y Senor natural, y assi fne jurado, y 
para desmostracion desta soleniadad, salio la camará por la ciudad 
con trompetas y ministriles, y fue recebida por la gente con tanto re- 
gozijo esta musica, y a tiempo tan oportuno, porque se desseava. que 
parece que desde entonces començó a descansar de las moiestias que 
avia padecido.... 

Foi. 127) ....desla suerte los vezinos de aquellas Islãs recebieion 
con mucha suavidad el blando império dela nueva justicia. con quieii 
está acostunbrado a sustentar el pesado yugo. y lo sacude dei cuel- 



'MH AHCHIVO DOS AÇOHES 

lo. El dia que se hizo esta publica justicia eu la manana, ya avia en- 
trado don Pedro de Toledo, con las galeras y armada vitoriosa dei 
Fayal, dexando Mana esta Isla, y la de san Jorge y el Pico. LIegó el 
Alferez Gerouinio de Valderrama, que en virlud de la patente, é ins- 
Irucion que llevó dei Marques, cou la protesta para las Islãs de Flo- 
res, la Graciosa, y el Cuervo, las de.xó reduzidas ai servicio dei Rey 
don Felipe nuestro Senor, a quien se le entregaron las llaves de las 
ciudades y fortalezas, y muchos pueblos que con sus poderes embia- 
(on personas para hazer el mesmo juramento, y solenidad ai Marques. 
Vinieron en las galeras algunos presos, y un vicário dei Fayal, 
qiie entre los oficios divinos en lugar de dotrina predicava la razon 
que teniau de defender el apellido y corona de don António, dando a 
los Caslellanos los nonbres y atributos, que se suelen dar a los infie- 
les, hombre envejecido en aborrecimiento. y muy favorecido de don 
António, con carta particular, para que fuesse obedecido y respetado 
en la Isla. Y vinieron con el oiros dos frayles dei Fayal. y lodos los 
mas, que eran cnipados, y eslavan en Angra en prision en su mo- 
uaslerio, se sacaron, y con el Juan Sobrino, y F. Simon, y se pusie- 
ron en las galeras, para que se llevassen á Kspana. Y assi no avien- 
do, ya que hazer para las galeras, antes que mudasse el tiempo, por 
.«^er este puerto de Angra una eslacion. 6 mar abierlo sin alguna se- 
guridad, mau 16 el Mar(|ues tocar á leva, y dentro de un dia ç.arpa- 
ron y salieron con buen liempo a los onze de Agoslo. y las perdimos 
de vista. Con ellas yva don Pedro Ponce de Leon sobrino dei Mar- 
(|ues, con las carias, relacion, y recaudos de la niieva de la vitoria 
de todas estas Islãs: y el ano passado fne este cavallero el que entro 
en la ciudad de Lisboa con la nueva de la vitoria, que el Marques, 
luivo contra la armada Francesa. Yva con el Barlolome de Aguilar y 
Anaya secretario dei .Marques, con las patentes, ordenes, y cartas de 
los Reyes de Francia: y ai diclio Aguilar \úw despues su .Magestad 
merced dei cargo de Secretario de los despachos de la gente de guer- 
ra de Portugal y mar Oceano, y lo continuo hasta que lo fue de la 
armada y exercito de su Magestad y a este tiempo avia hecho merced 
á Andres de .Morales, Secretario dei Marques, de 300 escudos de ren- 
ta, y 600, de ayuda de costa, tjuando llegó con la nueva a su Mages- 
tad, de que ya avia nuestra gente desembarcado en tierra de enemi- 
gos: que tr;ixó cartas dei .Marques, escritas desde la campana. Assi 
inismo liizo su Magestad merced de cienlo y ochenla escudos de ven- 
tajas cada mes. para soldados, y personas que se senalaron en la jor- 
nada. Y passados algunos dias, hizo mayores mercedes a muchos ca- 
valleros aventureros, y soldados, que en esta empresa le sirvieron 
sin sueldo con sus personas, que a estos se les deve hazer merced. De 
los semejantes liaze particular distincion la sagrada Escritura, y assi 
se les dieron encomiendas, y hábitos, y cargos de calidad, y rentas 
situadas en Ilalia, y en olras partes de sus Heynos. 



ARCHIVO DOS AÇORES 329 

Despues desto mando el Marques se recogiesseii a las naves ai- 
gunos Portugueses, que aunque eran culpados, por averse ellos pre- 
senlado despues dei bando, tenian seguridad de la vida; y por enten- 
der, que era saludable y conveniente a las Islãs transponerlos en Es- 
pana, y no dexarlos en ellas, la camará ò ayuntamiento dio copia de 
lodos los que se devian sacar para que el Marques lo mandasse, y 
se les apercibio se aprestassen luego para embarcarse en las naves 
de la armada la buelta de Espana. Y assi se recogieron lodos los que 
fueron alistados, y con esto quedaron las Islãs con mayor sossiego: 
maravilloso remédio para que se pierda la memoria de las cosas pas- 
sadas, desarraygar la ocasion de las inquietudes: y assi ninguna cosa 
conviene tanto ai que govierna reyno ó província, y a la autoridad de 
su cargo, como procurar ante todas cosas, que las republicas se con- 
serven en paz; que no le será dificultoso, si bive con cuydado de que 
los maios se castiguen. y las ciudades se limpien de los sobervios y 
vagabundos, y escandalosos, y de hombres de palabras libres, iafor- 
mandose por médios ciertos, con recatada prudência, de todo lo que 
en general, y en particular en la republica se haze, en que se puede 
desservir a Dios. y à la Magestad dei Rey. Y porque el galardoa es 
buena obra, que liberalmente se ha de dar a los que fueren buenos 
y leales en el servicio dei Rey en la guerra, y lo deve dar el Rey, ó 
el Capitan dei exercito a los que lo merecieren, ó a sus hijos; porque 
de la suerle que el castigo constrine a los maios para emendarse. as- 
si el galcirdon obliga a los buenos para ser mejores, antes que el 
Marques partiesse hizo merced a las biudas y huerfanos que queda- 
ron, por aver Manuel de Silva muerto a sus maridos y parientes, y 
averlos desterrado a Francia y a Inglaterra, y averles algunos acaba- 
do las vidas en la carcel por aver sido de parte de su Magestad, de 
algunas ayudas de acosta, con espectativas de mas merced que su 
Magestad les haria: y fueron distribuydas a Isabel Narvaes muger de 
Melchior Afonso, que le fue mandado cortar la cabeça, como está di- 
cho por Manuel de Silva, que se le buelva su hazienda, y se le repa- 
re su casa, y se le den quatro moyos de trigo ai ano fqae haze cada 
moyo como quinze hanegas de (lastilla) de renta por su vida y por 
la de sus hijos, y cien cruzados por una vez: y ai Alferez Juan Car- 
rion, con Domingo de Irrauraga, (jue fueron afrentados publicamente 
con yugo en sus servizes, y a la viuda de Gonçalo Pereyra, a quien 
mataron en la Islã dei Fayal llevando el perdon general, y a la Aba- 
dessa y monjas de San Gonçalo, y a oiros, que serian por lodos Ireyn- 
ta y siete casas derribadas, con muerles de los sefiores delias y per- 
dida de sus haziendas, se les dio a lodos renta de por vida de trigo 
y dineros, mandandoles reedificar sus casas, y dislribuyendo por ca- 
da una conforme a su estado y servidos y liempo que avian padecido, 
á arbítrio dei Marques. 

Demas dei oficio de Corregidor, (jue el Marques nombró para es- 

N.° 22-Vol. IV— 1883. tí 



:J30 AHCHIVO DOS AÇOHES 

la Islã, crio juezes y vreadores, que es lo mesmo que Regidores eu 
la ciudad de Angra, que fueron ulgunos honrados Portugueses de los 
que llegaron a la tercera con el armada en servicio de su Mageslad. 
Dexó demas deslo dos mil soldados de guarnicion en la Tercera, a 
cargo dei Maestro de Campo Juan de Urbina, sobrino dei famoso de su 
nombre. Quedo este cavallero tambieu por Governador de las Islas, 
persona de valor para governar en paz y en guerra. Quedo proveydo 
alli por Capitan de infauleria don Pedro Ponce de Leon. sobrino dei 
Marques de la Guardiã. Hizo merced ai Sargento Miguel de Vergara, 
por aver peleado aventajadamente con los Franceses, y Portugueses, 
de 6 escudos de ventaja particulares. 

Resulto de la coufession y declaracion que Manuel de Silva hizo 
en el tormento, adveitir de una armada, que se hazia en Francia se- 
cretamente, un navio en cada puerto, porque menos se sintiesse, con 
dos mil hombres, para tomar la Islã de Santo Domingo, que saldria 
por fin de Seliembre. El Marques embio luego a dar aviso en dos pa- 
laches deste negocio, y en las demas partes de las índias, para que 
demas de que esta nueva llegasse a su noticia, y estuviessen aperce- 
bidos para qualquier rebato, supiesseu tambieu que estas Islas esla- 
van por de su Magestad, para que pudiessen venir por ellas los de 
las Índias con seguridad, como de antes lo hazian, porque viniendo 
libres deste receio, frequentassen aquella derrota, y bolviessen a sus 
comércios, y comunicacion como solian, que en ningun tiempo á ávi- 
do ocasion para eslimarse en tanto esta nueva como en el presente, 
por estar tau trabajadas estas Islas con la tirania y vexacion de los 
eslrangeros. y poça compassion que hasta entonces avian tenido del- 
ias los naturales. . . . 

Foi. Iíi3 v.°) ...Duro esta navegacion veyule y siele dias, por no 
aver ávido mas que dos dias de buen viento, hasta que en treze de 
Setiembre se descubrio el Cabo de san Vicente, y por aver sobreve- 
nido alli viento mas rezio de lo que era meuester, por estar las na- 
ves cerca de tierra, todas amaynaron las velas, y corrian a arbol se- 
co, por el riesgo que pudiera aver, llegando de noche, y por costa 
peligrosa, ya la dilacion de los dias engendrava corrupcion en los bas- 
limenlos, y esta muchas enfermedades en los soldados. Llegó toda la 
armada en lera, sino fue un patax que se avia perdido, y anegado 
con algunos cavallos, aunque salvo la gente. Luego que yva sosse- 
gando el temporal, amuraron velas, por ser necessário (a causa de 
ser el viento corto para nueslro viage) yr a la bolina: y este viento 
llevó toda la armada a vista de Lagos. Luego otro dia llegó el Mar- 
ques con los demas navios dei cabo de S. Vicente, y toda la armada 
junta, y entraron en la Raia de Cadiz. y dieron fondo, y acanonaron 
velas, que dando ya los soldados en libertad, con la licencia que se 
!es dio. y desatados dei juramento que tenian hechc» que les obliga a 
assistir a la guerra. . . . 



ARCHIVO DOS AÇORES 331 

SONETO 

DE Miguel de Cervantes Saavedra. 

No a menester el que tus hechos canta, 
O gran Marques, el artificio humano^ 
Que á la mas sutil pluma y docta mano 
Ellos le ofrecen ai que ai orbe espanta. 

Y este que sobre el cielo se levanta, 
Uevado de tu nombre soberano, 

A par dei Griego y escritor Toscano 
Sus sienes cine con la verde planta. 

Y fue miiy justa preoencion dei cielo 

Que a un tiempo exercitasses tu la espada, 

Y el su prudente y verdadera pluma: 

Porque rompiendo de la invidia el velo. 

Tu fama en sus escritos dilatada, 

Ni olvido, o tiempo, o muerte la consuma. (»i 



ELOGIO (**) 
Consagrado d la posteridad. 
(Traducção) 

Álvaro de Baçan, primem Marques de Santacruz. ComeniJadnr 
mayor de la orden de Santiago, en el reyno de Leon, de la hatalla 
naval de Lepanto Principal Defensor, terror de los Moros. espanto de 
Piratas, esplendor de Capitanes Christianos, despnes de sus dichosis- 
simas jornadas contra infieles, assi á Franceses, como á Ingleses, y 
i\ todos los rebeldes dei vando de don António, combatió. domenó, 
sujeló. Traxo á la obediência para su Rey las Islãs dei termino de 



(•)Fol. i77 v.°. 

(••) Foi. 181 v», em lingua latina, gravado em uma pedra no Palácio dei Vi- 
No. pertenciMíto ao Mari]aez de Santa Cruz. 



332 ARCHIVO DOS AÇORES 

Lusitânia, y despues deslo fue (do ninguno liegó) gran Capitan ge- 
neral dei grande Oceano, su termino desde la China hasta el nuevo 
mundo, y por sus prósperos sucessos fabrico esta memoria ilustre 
para los sucessores, y vino a suplir con industria en este lugar la a- 
menidad v frescura que le falto por naturaleza á primero de Enero 
de 1585. ' 

Concluídos os extractos da obra de Mosquera de Figueirôa, não deixaremos 
de notar a presença de duas personagens celebres, na Conquista dos Açores. 
Lope de Vega e Cervantes. 

O primeiro fez parte da armada do Marquez de Santa Cruz, quando contava 
somente 15 annos! O seu nome illustre, não apparece na minuciosa narração 
do Licenciado Mosquera de Figueirôa, mas é ellc próprio que accusa a sua pre- 
sença nos Açores, na — Epistola ó Metro Lirico, a D. Luiz de Haro,nos seguintes 
versos: 

«Ni mi fortuna muda 

"Ver en três lustros de mi edad primcra 

"Con la espada desnuda 

»A1 bravo português en la Tercera, 

»Ni después en las naves espanolas 

»Del mar inglês los puertos y las olas. 

No Huerto Abandonado (diz o Sr. Domingos Garcia Peres, de Setúbal, a quem 
devemos estas indicações) ainda Lope de Vega ó mais explicito. 

Miguel Cervantes de Saavedra, o immortal autor de D. Quichote, também 
esteve na Conquista dos Açores. (•) 






(') Ticknor, Hist. do Litt. Esp., T.IL 



BIBLIOGRAPHI/ CylMOí(EAN/l 

IDOS A^QOI^ES 

Poi- occasião e posterior ao C'E:\TiI]V.4RIO. 



ESPÉCIES OMITTIDAS 
I 

DISTRICTO DA HORTA 

I 
ILHA DO FAYAL 



111 — Pablicaeões periódicas: 

8—0 Fayalense. 

N» 46—24." anno— 19 de Junho de 1881.— No artigo— Noticias de Por- 
tugal, refere-se ao centenário de Camões a propósito do de Calderon de la 
Barca.— Festejos em Hespanha em lionra de Calderon de la Barca:— n'este 
artigo importante allude-se em vários periodos ao centenário de Camões: 
notáveis paralellos de que resulta a primazia para a festa portugueza. 



'Mií ARCHIVO DOS AÇOKES 

II 

ESPÉCIES ACRESCIDAS 

De I de Janeiro de )88o, a 3i de Dezembro de 1882. 

I 

DISTRICTO DA HORTA 

1 
ILHA DO FAYAL 
III — ^l*iibli<-açôeH p4>rioclicaH: 

8-0 Fayalense. 

N.» 4—26." atino— 27 de Agosto de 1882. -No artigo— S. Jorge— refe- 
rindo-se ao Velense de 2o do inez anterior traz alguns apontamentos bio- 
grapliicos do Dr. João Teixeira Soares de Sousa, alludindo aos seus estu- 
dos sobre Camões, desgraçadamente interrompidos pelo falecimento do dis- 
tincto açoriano. 

lU -O Grémio Litterario. 

N.° 47 — 1 de Junho de 1882. — Conclue o discurso recitado no sarau lit- 
terario do Grémio em 10 de Junlio de 1880 pelo sr. António Lourenço da 
Silveira Macedo, começado a publicar no n." 46 (e não 4o como por erro 
lypographico se disse a pag. 61) de 15 de Maio de 1882.— Contra-annuncio 
do sarau e exposição caiMoneana. 

N.° 48-15 de Junho de 1882— Publica um soneto do sr. Moyses Ben- 
Saude (de Ponta Delgada) ao Marquez de Pombal, por occasião do centená- 
rio, referindo-se a Camões no |)rimeiro quarteto. 

X." 49—1 de Julho de 1882.— Garrett: Discurso proferido no sarau rea- 
lisado pelo Grémio Litterario Fayalense, a 10 de Junho de 1880, em com- 
memoração do tri-centenario de Camões. 

K' do Sr. Maximiliano d' Azevedo. 

N." 50-15 de Julho de 1882.-0 Dr. João Teixeira Soares de Sousa. 
(Artigo necrologico em que menciona vários trabalhos do (;horado escriptor 
c entre elles os folhetins camoneanos). — Falia recitada na noite de 10 de Ju- 
nho de 1880, no sarau litterario commemorativo do festejado tri-centenario 
de Camões, realisado na sala da Camará Municipal da Horta pelo Grémio 
Litterario Fayalense. 

E' do Sr. Francisco l»eixoto de Lacerda Costa Rebello, pae do dislincto 
|)oela que assigna com o nome litterario de Ernesto Rebello. (Ernesto de 
F^acerda Lavalière Rebello.) 

Bibliographia: Segundo e ultimo addilamento ã Bibliographia camonea- 
na dos Açores, por occasião e posterior ao centenário. (Corrige a omissão 
dada no sen n." .37, de 1 de Janeiro de 1882 e apontada a pag. 61 do Opús- 
culo.) 



AHCHIVO DOS AÇOHES 335 

11 

ILHA DO PICO 
Villa de S. Roque 



PiiblicaçõoH periódicas. 

86— (13 Al O Picaroto. — Semanário instruclivo e noticioso, i 
paginas a 4 coluninas. Typographia Pícoense. 

N.° 17—6 de Agosto de 1882. — N'uma local sem titulo dá ronta do <»•- 
gundo additamento á Bibliographia Camoneana dos Açores 



II 
DISTRICTO D ANGRA 00 HEROÍSMO 

I 
ILHA TEKCEIRA 

1 
Angra do Heroísmo 

IV — l*iiblicaçu«^H perí4»«ii<*aN. 

Í1--0 Athleta. 

N.» 140— 26 de agosto de 1882.— Follielim: Cidadãos illuslres — Kscri- 
ptores c investigadores modernos. Dr. João Teixeira Soares de Sousa. 

E" transcripto do Commeicio de Portugal. Refere-se aos estudos biogra- 
pliicos de Camões pelo Dr. João Teixeira. Attribue-se este artigo ao Sr. Au- 
jiusto Ribeiro, terceirense. Escreveu algumas inexactidões, que em logar 
mais azado e de espaço apontaremos. (Livro do centenário de Camões nos 
.\cores.) 



3.36 ARCHIVO DOS AÇORES 

III 

ILHA DE S. JORGE 
Villa das Velas 

■'iililicacões periódicas. 

IA— O Velense. 

N" 63—10 dtí Julho de 188â.— A propósito do bi-centenario de D. Bea- 
ti'i/C de Mello, fundadora do hospital da villa das Velas, reíere-se aos dois 
centenários de Camões e Pombal. 

Este numero é tirado a tinta de cor. A primeira pagina é de frontespi- 
cio: o artigo lommemorativo, único d'este numero é a duas columnas. O ti- 
tulo não é o ordinário d'esta folha, mas sim o mesmo que sérvio no cente- 
nário do poeta. 

N.» ()4— 23 de Julho de 1882.— Necrologia do Dr. .loão Teixeira Soares 
de Sousa.— Transcreve os artigos da Época e da Persuasão. (Vid. adiante) 
Os authores de todos os artigos referem-se aos estudos monographicos 
do finado— CoíSrts camonianas. 

Este n'imero traz cintadas de preto as quatro paginas. 

N." 65—8 de Agosto de 18'82. — Continua a transcrever artigos das fo- 
lhas periodi('as Açorianas .sobre o falecimento do Dr. João Teixeira. Em um 
(l'elles(F. M. Supico- Vid. adiante Per.sitasão) occupa-se o seu author dos 
trabalhos do sábio finado sobre a biographia de Camões. 

N.» 67—8 de Setembro de 1882.— Transcreve do Commercio de Portugal 
(I artigo biographico do Dr. .loão Teixeira Soares, já mencionado n'este o- 
pusculo. (Vid. Athleta.) 

N.° 68—23 de Setembro de 1882. 

N." 69—8 de Outubro de 1882. 

N.° 70—23 de Outubro de 1882. 

N.o 71—8 de Novembro de 1882. 

N.- 72—23 de Novembro de 1882. 

N.« 73—8 de Dezembro de 1882. 

Transcrevem o artigo d'este Archivo (Vid. adiante) — A' memoria do Dr. 
João Teixeira Soares de Sousa, devido á penna do redactor d'esta publica- 
ção periódica, Sr. Dr. Ernesto do Canto. 



ARCHIVO DOS AÇORES 337 

in 

DISTRICTO DE PONTA DELGADA 

I 

PONTA DELGADA 



1%'— Opúsculos: 

77 — Segundo e ultimo addilamento à Bibliographia Camonea- 

iia dos Açores, por occasião e posterior ao centenário. 

Continua a paginação até pag. 68. Descripçâo, a mesma que se encontra 
a pag. 47 do Opúsculo e 313 do 3.» volume d'este Archivo. 



Ill — liitograpliias. 

87 — (46 A) Reproducção de uma carta do Dr. João Teixeira Soa- 
res de Sousa, de 14 de Janeiro de 1882, sobre diversos escriplos ca- 
inoneanos. dirigida ao A. d"este opúsculo. — 4 paginas, com a nota im- 
pressa — Reproduzido por João Cabral. Lith. Lusitana. S. Miguel. 

Tiragem de 29 exemplares que foram até hoje distribuídos atw -f- 
guintes: 

1— Dr. António Augusto de Carvalho Mouteiro. 

2 — José do Canto. 

3 — Dr. Ernesto do Canto. 

4— Dr. José Carlos Lopes. 

5— Dr. Adolpho Soares Cardozo. 

6— Annibal Fernandes Thomaz. 

7 — Carlos Cyrillo da Silva Vieira. 

8— Manuel Èuzebio de Sousa. 

9— António do Rego Santos. 

10— Gabinete Portuguez de Leitura no Rio de Janeiro. 

11— Thomaz José Rrum Terra 

12 — Francisco Maria Supico. 

13— Gabinete de Leitura Marquez de Pombal. 



IV — Publicações periódicas: 

o4— O Açoriano OrientaL 

N.° 2469— .30 de Julho de 1882.— Dá noticia do exemplar da cdigão Bic 
dos Lusíadas pertencente á camará municipal de Lisboa— papel, encader- 
nação e custo. íXotícia extrahída do Diorin df Xotidas ii.".N892 di' 26 de .fu- 
nho de 1882.) 

N.° 22 -Vol. IV— 1883. 7 



338 ARCHIVO DOS AÇORES 



55— Archivo dos Açores. 

N." 18— volume 3.°— 1882.— Segundo e ultimo additamento á Bibliogia- 
pliia camoneana dos Açores, por occasião e posterior ao centenário de Ca- 
mões. 

N." 19— volume 4.»— 1882.— A' memoria do dr. João Teixeira Soares de 
Sousa, Erudito Jorgense, benemérito açoriano, que por suas virtudes, scien- 
cia e caracter, honrou o nome portugez. 

Reproduz parte da correspondência do sábio finado com o redactor v 
proprietário d'este Arrhivo, o sr. Dr. Ernesto do Canto. Ha referencias a Ca- 
mões om varias d'eslas cartas, assim: 

Na de 16 de Novembro de 1878, escreve sobre as estancias despresadas 
ou omittidas (artigo depois publicado no Velense: Vid. 27, n.° 6 e 33 a pag. 
16: e reproduzido com correcções do A. na Época. Vid. adiante esp. 89 (6(» 
A.) 

Na de 14 de Juidio de 1880. Diz "A idéa do centenário de Camões (di- 
que o Dr. Tbcopbilo Braga lia já 4 annos me fallou) vingou de um modo es- 
trondoso, e superior de certo, á expectativa d'elle próprio.» 

Reproduzo este trecho na sua integra por que demonstra chronologica- 
mente que a iniciativji do centenário não foi do Gabinete Portuguez de Lei- 
tura do Rio de Janeiro, como parece pelo relatório da Directoria, noanno 
de 1878. Resulta da aflirmação do Dr. João Teixeira que já em 1877 o Sr. 
Dr. Theonhilo Braga pensava na n>alisação d'esta festa nacional. 

Na ue 14 de Julho de 1880, escreve .^obre a passagem de Camões pelos 
Açores, em resposta a este problema histórico que lhe foi proposto pelo Sr. 
Dr. Ernesto do Canto. Decide-se pela negativa. 

Na de 14 de agosto de 1880, niodilica esta opinião. Inclina-se a que 
Camões effecti vãmente passou pelos Açores na nao Fé. 

Escreveu sobre este ponto uma pequena memoria publicada em os n."' 
8 e 9 da Era Nora e reproduzida no Archivo dos Arares (Vid. Esp. 55 n " 
13 a pag. 24.) 

Este estudo faz parte das Coisas Camonianas., consoante a ultima orga- 
iiisação que o A. deo a estes folhetins, e por isso será reproduzido na Epo- 
ra, com o outro estudo também publicado na Era Nova sobre os Doze d'In- 
glaterra- 

Na de 14 de Setembro de 1880 torna a referir-se à memoria sobre a pas- 
sagem de Camões pelos Açores. Falia da etymologia de Camoez (pêro), que 
depois foi tand)cm objecto de uma breve' memoria publicada no Velense 
(vid. Esp. 27 n." 36) reproduzida com correcções do A. na Época, f." artigo 
das Coisas Camoviatias. (Vid. Esp. 89—60 A.— n.° 33.) 

Na de 13 de Novembro de 1880, desculpa-se de não ter enviado o seu 
trabalho sobre a passagem de Camões pelos Açores: e allude ao seu estudo 
sobre os Doze d'lnglaterra. 

Este ultimo trabalho foi publicado na Era Nova, n.° 10. E' o 16." arti- 
go Coisas camonianas. 

Na de 15 de Março de 1881, falia ainda no artigo sobre a passagem de 
Camões pelos Açores. 

Na de 15 de abril de 1881. refere-se á remessa do Velense em que foi 
publicada a segunda edição do folhetim sobre as estancias omittidas. 

Na de 14 de Setembro de 1881, refere-se á publicação das Coisas Camo- 
nianas, no Velense. 

E por ultimo na (derradeira carta, de 15 de fevereiro de 1882) descul- 
pa-se de não ter continuado a remetter os Velenses em que seguio a publi- 
cação das Coisas camonianas, por estarem muito eivadas de erros typogra- 
pliicos. 



ARCHIVO DOS AÇORES 331) 

E' este numero do Archivo altamente interessante para os eollecciona- 
dores^ não só pelas referencias directas a Camões, mas ainda por conter u- 
ma nota dos sérios trabalhos sobre historia de um dos maiores amigos do 
poeta. 

88 (55 A)— O Binóculo. 

N.°o— 15de Junho de 1882.— Na Bibliotheca: Caricatura, espirituosa aos 
dois centenários. 

60— Ecoo Michaelense. 

rí.° 620—9 de Setembro de 1882. --Reminiscências do Oriente — Macau 
— Gruta de Camões. 

Artigo assignado — Agar. 

89 (60 A.) A Época. -Editor e proprietário J. da E. (Júlio da 
Encarnação) Machado. Quatro paginas a três coliimnas. — Typ. Impar- 
cial. 

N." 25—24 de Junho de 1882. - Bibliographia: Janta Geral do Uistricto 
de Ponta Delgada. Sessão do anno de 1880. (Vid. 2.° Add. Espec. 8o (79 A.) 
a pag. 65.) Transcreve a proposta do membro da Junta Geral, Sr. F. M. Su- 
pico, na sessão de 31 de Maio, sobre o centenário de Camões. (Vej. Gazeta 
da Relação n." 2056, Espec. 61 a pag. 28.^ 

N.o 27—8 de Julho de 1882.— O Dr. .João Teixeira Soares de Sousa. (A- 
pontamentos biographicos) por J. A. Botelho Andrade.— Extrahe da Perstm- 
sao um artigo necrologico sobre o mesmo escriptor açoriano, por F. M. Su- 
pico. 

Este numero da Eooca é cintado de preto em todas as paginas. E' todo 
dedicado ao Dr. João Teixeira. Nos dois artigo? citados referem-.se seus au- 
thores aos trabalhos do Dr. João Teixeira sobre Camões. 

N.° 28 — 15 de Julho de 1882. • - O Dr. João Teixeira Soares de Sousa. 
Continua a transcrever os artigos da impren.sa michaelense sobre este illus- 
tre açoriano. No artigo extraindo da Persuasão e assignado Evens (Henrique 
das Neves) allude-se também aos estudos camonianos do sábio linado. 

N.° 29—22 de Julho de 1882. 

N." 30—29 de Julho de 1882.— Reproduzem do Velense. n." 13 de 10 de 
Junho de 1880 o artigo commemorativo do centenário, (Vid. Espec. 27 a p. 
16) correcto e emendado pelo A. 

Este artigo e todos os seguintes são publicados na Epucd sob o titulo 
geral: O Dr. João Teixeira Soares de Sousa. 4) 

N.o 31—5 de Agosto de 1882. 

N." 32—12 de Agosto de 1882.— Reproduzem o primeiro artigo - Coisas 
catnonianas, pablicado em primeira edição em o n.° 6 e reproduzido em o 
n.° 33 do Velense (Vid.), correcto pelo A. como todos os seguintes.— Este ar- 
tigo foi e é dedicado ao Sr. Dr. Theopliilo Braga. 

N.» 33—19 de Agosto de 1882.— Segundo artigo. Coisas camonianas, do 
Velense n."' 36 e 38 dedicado n'esta nova edição ao Sr. Dr. Ernesto do Can- 
to 

N.° 34—26 de agosto de 1882.— Terceiro artigo. Coisas camonianas, re- 
produzido do Velense n." 42 E' dedicado ao A. d'esfe estudo: vem precedi- 
do de uma nota a respeito das dedicatórias. 

N.» 35-2 de Setembro de 1882. 

N." 36—9 de Setembro de 1882. 



340 ARCHIVO DOS AÇORES 

N." 37 — 16 de Setembro de 1882.— Quarto artigo Coisas camonianas: K 
dedicado ao Sr. Francisco Maria Supico. — Prioieira edição no Velense n.° 4:i. 

N.o 38_23 de Setembro dp 1882. 

]\\o 4() — 7 (|g Outubro de 1882. — 'Quinto artigo — Coisas camonianas. E 
dedicado ao Sr. José do Canto. Primeira edição no Velense n.° 44. E' notavel- 
mente acrescentado com a transcripçâo de períodos de Barros e Garcia de 
Orta. 

]N.° 41 — 14 de Outubro de 1882. — Sexto artigo — Coisas camonianas. E' 
dedicado ao Sr. Camillo Castello Branco. Primeira edição no Velense r\.° 4") 
de 8 de Outubi-o de 1881. 

N.° 42—21 de Outubro de 1882. 

N." 43—28 de Outubro de 1882. 

N.» 44 — 4 de Novembro de 1882. — Sétimo -árligo—Coi.ms camonianas. E 
dedicado ao Sr. Dr. António Augusto de Carvalbo Monteiro. Primeira edicãn 
no Velense n.° 46 de 23 de Outubro de 1881. 

N." 4ri— 11 de NoYend)ro de 1882. 

N." 46—18 de Novembro de 1882. — Oitavo artigo— Coísas camonianas. K 
dedicado ao Sr. Francisco Ramos Paz, Rio de Janeiro, distincto collecciona- 
dor.— Foi notavelmente alterado pelo A.— Primeira edição no Velense n." 48 
de 23 de Novembro de 1881. 

Do n." 45 em diante é esta follia impressa na tvpograpliia da Rua do 
Botelbo. 

N." 47—25 de Novend)ro de 1882. 

N.° 48—2 de Dezembro de 1882. — Nono artigo — Coisas camonianas. E' 
dedicado ao Sr. Dr. José Carlos Lopes. Foi acrescentado pelo A.— Primeira 
edição no Velense n.° 49 de 8 de Dezembro de 1881. 

N." 49—9 de Dezembro de 1882.— Decimo artigo— Co?sa.ç camonianas.- 
E' dedicado ao Sr. Dr. Adolplio Soares Cardozo, colleccionador camoniano, 
condisci|iulo e amigo do A. — Primeira edição no Velense n.° 51 de 8 de Ja- 
neiro de 1882. 

N." 30—16 de Dezembro de 1882. 

N." 51—23 de Dezembro de 1882.— Decimo primeiro artigo— Co/sa.s ca- 
monianas — E' dedicado ao Sr. Annibal Fernandes Tbomaz, colleccionador 
camoniano, sincero e sympatbico admirador do A.— Dois desentranhadores 
lie riquezas arcbeologicas.— Primeira edição no Velense n.° 33 de 8 de Fe- 
vereiro de 1882. 

N.° 52 — 30 de Dezembro de 1882. — Duodécimo artigo — Coisas camonia- 
nas: (numerado 11 por erro typograpl)ico). E' dedicado ao Sr. Joaquim d"A- 
raujo. distincto colleccionador de documentos do centenário— Primeira edi- 
ção no Velense n.° 54, de 23 de Fevereiro de 1882. 

Continuam n'esta folba estes artigos camonianos do Dr. João Teixeira: 
seguirão outros, reproducção de opúsculos raros attinentes ao poeta, e ou- 
^tros inéditos. Será tudo tombado na Bibliographia de 1883. 

(M — Gazeta da Relação. 

N." 2234-8 de Julbo de 1882.— Na cbronica: Noticia de ter a sociedade 
Amor da Pátria (maçónica, do Fayalj distribuído por dois alumnos da esco- 
la nocturna dos Flamengos (sustentada a expensas da mesma sociedade) 
o premio camoniano de 10^000 reis. 

(iâ- A Persuasão. 

N." 1068—5 de Julho de 1882.— Necrológio do Dr. João Teixeira Soares 



ARCHIVO DOS AÇOHES 341 

de Sousa — por F. M. Supico — Moi'te do Dr. Teixeira Soares por Eveiis (Hen- 
rique das Neves). 

Em ambos os artigos se relerem seus AA. aos estudos cainuiiianos di» 
finado 

Reproduzidos na Época (Vid. Esp. 89— (60 A) -ii."' 27 e âS — (c uo Ve- 
lense n.^Mli e 6o de 2;? de Julho e 8 de Agosto de 1882. Vid. Esp. 8:5.) 

63— A Republica Federal. 

N." 124—5 de Setembro de 1882.— A Peregrinação á Senhora do Saniei- 
ro (Parallelo posto aos cortejos civicos pelos directores catholicos do norte 
de Portugal) 1 e 2 d'Agosto do corrente anuo. 

Em folhetim: é de Gervásio Lobato e transcri]ito do Ckcidente. 



H 
VILLA FHANCA DO CAMPO. 

I*iibli<*çõesii periuflíca»*. 

(56— A Liberdade. 

N." 204—2 de Setembro de 1882. — Noticias — A da inauguração da phi- 
larmonica de Vilia Franca do Campo denominada Camões em 23 de Agostd 
anterior. 

Apontamos esta espécie fieis au nosso preposito de lazer notar as insti- 
tuições que se devem nos Açores á celebração do centenário. Estes factos 
ficam na historia da civilisação dos povos. " 

III 
VILLA DA RIBEIRA GRANDE 

K*ul»lioit<;Ô4'M |><>riodic*ai<i: 

(i8— A Estrella Oriental. 

N." 36— 1:{." anno— 11 de Agosto de 1882. — NtiHciji do cxetnpiar dos 
Lusiadas de Biel pertencente á camará de Lisboa. 

Reproduzida do Açoriano Oriental /'Vid. Esp. Tiii n." 216!) oii do hiarin 
de Noticias n." 5892, de 26 de- Junho de I8S2. 



,'i42 AKCHIVO DOS ACOHES 



NOTAS. ESCLARECIMENTOS E ERRATAS 

a) No longo espaço que medeia da publicação do segundo e ultimo addita- 
inento á Bibliographia, somente podemos encontrar uma espécie camoniana do 
arfhipelago, anterior ao centenário^ e essa mesma já notada em um de seus nú- 
meros:— é a seguinte: 

7—0 Noticiador. 

N." 52—28 de Julho de 1853— A Gruta de Camões e des|)edida de Ma- 
cau. 

Artigo continuado do n.° 50, tombado a pag. 68.— Ainda promette con- 
fiimação, que não encontrámos. 

b) Errata importante. A pag. 61 do Opúsculo— Esp. 10-0 Grémio LitU-ra- 
rio, n.° 45, lea-se 46. Por mais cuidado que empregássemos na revisão Ibi-nos 
inipossivel evitar estes e outros erros. Os de numeração são tão importantes 
para futuros estudos, que pedimos aos rolleccionadores queiram emendal-os 
desde logo nos seus exemplares. 

c) Depois da publicação do segundo e ultimo additamento deixou de existir 
mais: 

áo— O Echo Praiense. 

d) A paginação citada neste artigo relere-se á do opúsculo. 

Ponta Delgada 10 de Fevereiro de 1883. (•) 

.losK Affonso Botei.uo-Andkade. 



(•) N'esta mesma data se lez edição em separado de 50 exemplares, com im- 
meração seguida á do segundo opúsculo. 



mmm m açores 

( Continuado de pag. 506 do Vol, lU ) 



ANNO DE 1719? 

Erupção submarina que muitos confundem com a seguinte : 

No mar a 15 legoas a oesle de S. Miguel no logar do volcano de 
I()38, irupção. que produzio nm ilheo, o qual, segundo o celebre 
viajante, Mr. Fleurieu, se achava a 7 ou 8 legoas da Terceira, era 
quasi circular, tendo 3 legoas de diâmetro; desappareceo em 17i23. a- 
chando no logar onde existira um fundo de 80 braças. Calculou-se 
que a quantidade de matéria projectada por este vulcano, que forma- 
va o ilheo, excedia muito á que durante os últimos 2:000 annos tem 
sido lançada pelo Vesúvio ou pelo Etna. 

(Folhinha da Terceira para o anno de 1832. pag. 91-92. i 



XXI 
ANNO DE 1720 

ERUPÇÃO NA ILHA DO PICO 

O Horroroso, e lamentável vomito do Vulcano da Ilha do Pico. suc- 
cedido em Fevereiro de 1719 (*) se repetio com mayor violência na 
noite deste dia do anno de 1720 (**i rebentando por dezaseis boccas 



(•) Aliás 1718. 
(••) 10 de .liillid 



344 ARCHIVO DOS AÇORES 

nas faldas do Pico, por detraz do cabeço do Soldão, que he hum Po- 
vo daquella Ilha. Occupou perlo de huma legoa em quadro a inunda- 
ção do fogo, devorando todas as quintas, vinhas, e pomares, que havia 
n aquelle território. Consumio trinta propriedades de casas, cujos mo- 
radores salvarão as vidas fugindo precipitadamente. Toda aquella inun- 
dação acabou o seu curso precipitando-se pelas rochas no Occeano; o 
(|ual querendo rebater a violência do seu opposto, se alterou de ma- 
neira, que cobrio, y salgou com as suas escumas huma grande parte 
daquella Ilha, com grandíssimo dano das famílias, que a habitão: por- 
(|ue o sal das escumas, e a grande quantidade de cinzas, que conti- 
nuarão em arrojar de si as boccas do Vulcano, e o vento lança sobre 
as terras, desliuirão as cearas, os frutos, e os pastos; o gado pere- 
ceo (juasi todo. Todo o terreno, por onde o fogo passou, ficou sem 
terra alguma, e como huma charneca de pedras queimadas, incapaz 
de nunca produzir fruto. Até à Ilha de S. Jorge, que fica oito legoas 
distante, fizerão as cinzas considerável prejuízo. 

[Anno Histórico— pelo P." Francisco de S. Maria, pag. 190.) 



Memoria do vulcão que rebentou no logar do Soldáo subúrbio da villa das La- 
ces do' Pico. 



Em os 10 dias do mez de julho de I7áO, tendo no dia anteceden- 
te havido grandes tremores de terra, e observando-se nas nuvens um 
signal poucas vezes visto, e o encontrarem, ellas impetuosamente umas 
contra as outras em mudança de vento, pelas nove horas da noite 
rebentou fogo por cinco boccas no logar do Soldão, subúrbio desta villa 
das Lages do Pico, e por estarem aquella hora lodos recolhidos leria 
havido muita victima a não ser uma mulher que sahindo de casa e su- 
bindo a um alto e avistou o fogo e gritou áquelles povos para se sal- 
varem, o que elles logo fizeram retirando-se todos para esta villa, on- 
de foram protegidos e consolados continuando o fogo a devastar im- 
inensas campinas, formando um extenso myslerio, cobrindo em toda a 
ilha as searas dardentes cinzas que as fizeram seccar, resultando uma 
grande esterilidade, morrendo muitos animaes suffocados, e andando 
todos atordoados pelos vapores sulphures terminando finalmente a ac- 
ção do fogo a 18 de dezembro do dito anno. De vários caplivos remi- 
dos o recemchegados, d'Argel a esta villa, pessoas fide-dignas, cons- 
tou que naquelle Reino no 1." dia de fevereiro de 1718 se sentiram 
violentos terremotos, que os povos abandonaram as casas e se retira- 
ram para o deserto, pedindo aos Christãos que rogassem ao seu Deus, 
que socegasse áquelles tremores. E para tudo constar aos vindouros, 



ARCHrVO DOS AÇORES 345 

fis esta memoria hoje aos 2i d outubro de 1722. O vigário Mathias 
Cardoso Machado. 

{Extrahida do archivo da Matriz da villa das Lages do Pico, e im- 
presso por A. L. da, S. Macedo, na Hist. das Qtiat. Ilhas, p. 478.) 



Escriptores e obras que tratam d'esta erupção. 

Santa Maria (Fr. Agostinho de) Sanctuario Marianno T. 10, pag. 282. 
Gazeta de Lisboa, de 31 d'outubro de 1720. 
Fayaletise—Anao 17 — N.° 2. 

Vilhena Barbosa (I. de) no Universo Pittoresco, jornal d'in3trQCção e recreio, 
Voi. III, de 1841, pag. 131. 



XXII 
ANNO DE 1720 

ERUPÇÃO SUBMARINA ENTRE AS ILHAS DE S. MI- 
GUEL E TERCEIRA. 



No dia 10 doiitubro de 1720, vio-se da Ilha Terceira, a alguma 
distancia d'ella sahir do mar um grande fogo; alguns maritimos, que 
foram observal-o, por ordem do Governador, descubriram a 19 do 
mesmo mez uma Ilha, que não era senão fogo e fumo com uma pro- 
digiosa quantidade de cinzas, lançadas ao longe com um estrondo si- 
milhante ao do trovão. Houve ao mesmo tempo um terremoto, que 
se fez sentir nos lugares circumvizinhos; e observou-se sobre o mar 
uma grande quantidade de pedra pomes, principalmente ao redor da 
nova Ilha (*). Estas pedras viajam, e algumas vezes se encontram no 



C') Buffon. Corograph. dos Açores. Accarsio das Neves. Urcullu. Panorama 
Boid. todos referem esta erupção divergindo pouco. Quanto ás datas, temos en- 
contrado alguma descrepancia. È mnito provável, que fosse no mez de Dezem- 
bro, em vista da solicitude, com que logo no mez seguinte, Janeiro, a Camará 
providenciou. 

N.° 22— Vol. IV— 1883. 8 



346 ARCHIVO DOS AÇORES 

meio mesmo de grandes mares (1). A Historia da Academia do anno 
de ilti tratando d'este acontecimento diz: que depois de um terre- 
moto nesta Ilha appareceu 28 legoas ao largo entre esta Ilha, e a 
Terceira, uma torrente de fogo, que deu nascimento a dois novos ca- 
chopos. E no volume do anno de 1722 acha-se a seguinte relação d'a- 
quelle successo. 

«Mr. Delisle tem feito ver á Academia muitas particularidades da 
nova Ilha entre os Açores, de que nós não tínhamos dito se não uma 
palavra em 1721 pag. 26. Elle as tinha tirado de uma carta de Mr. 
Montagnac, Cônsul em Lisboa. Um Navio, em que elle se achava an- 
corou a 18 de Setembro de I72I diante da Fortaleza da Cidade de 
S. Miguel (Ponta Delgada) da Ilha do mesmo nome; e eis-aqui o que 
se soube de um Piloto do Porto.— Na noute de 7 para 8 de Dezem- 
bro de 1720 houve um grande tremoi' de terra na Ilha Terceira, e 
na de S. Miguel, distantes uma da outra 28 legoas, e sahio a no- 
va Ilha: observou-se ao mesmo tempo, que a ponta do Pico, que d'el- 
la distava 30 legoas, e que antes lançava fogo. se tinha abatido, e o 
não lançava mais; porém a nova Ilha lançava continuamente um gros- 
so fumo, é elTeclivamente ella foi vista do Navio, em que estava Mr. 
Montagnac. O Piloto certificou, que a tinha lodeado em uma Chalupa, 
aproximando-se a ella o mais que pôde. Da parte do S. elle lançou a 
sonda, e enfiou 60 braças sem achar fundo: da parte do Occidente a- 
chou as aguas muilo mudadas: eram de um branco-azul-verde, que 
parecia de baixio, e que se estendia a dois terços de legoa, e ellas 
pareciam querer ferver: ao N. E., que era do lugar, onde sahio o fu- 
mo, achou 15 braças d'agua: fundo de área grossa. Lançou uma pe- 
dra ao mar, e no lugar, onde ella tinha cahido, vio ferver a agua 
com impetuosidade. O fundo era tão quente, que derretia duas vezes 
successivamente o sebo, que estava na ponta do prumo. O Piloto ob- 
servem ainda desta parte, que o fumo sahia de um pequeuí) Lago, 
bordado de uma duna de arêa. A Ilha é quasi redonda, e baslante- 
mente alta para ser v/sta de 7 a 8 legoas em tempo claro. Sonbese 
depois por uma carta de Mr. Adrien (2), Cônsul da nação Frauceza 
na Ilha de S, Miguel, datada do.mez de Março de 1722, que a nova 
Ilha tinha diminuído consideravelmente, e estava quasi á flor da agoa: 
de forma que não havia apparencias. de que ella subsistisse por mui- 
to tempo.» (3) 

Effecti vãmente esta Ilha desappareceu pelas fins do anno de 1723: 
não devendo haver dúvida sobre a sua apparição; porque além de mui- 
tos Escriptores fazerem delia relaçilies concordes, até se tirou o seu 
desenho. 



(1) Transact. Philosoph. Abr. vol. 6." part. 2.^ pâg. 154. 

(2j Aliás— Claude Andrieu. 

(3) Traduzido de BuíTon, Premes de la TheoHe de la Tetre, art. XVIL 



ARCHIVO DOS AÇORES ^347 

Sendo a camará rle Ponla-Delgada avisada de vários lugares d'es- 
la Ilha, e pelos effeitos, que de lodos eram conliecidos, de que na dis- 
tancia de 14 leg. da ponta da dita Ilha, (28 legoas ao largo *) arreben- 
tara fogo, de que se viam suas praias juncadas de pedra vulcânica, ao 
passo que algumas pessoas aflirmavam, que se divisavam alguns mon- 
tes no horisonte, onde precedentemente se não enchergavam, asse- 
verando outros, que isto não passava de penedia arrojada ás praias 
pela erupção vulcânica; e outros alfim confirmando com affinco a pri- 
meira asserção: á face do expendido a Gamara tomou o arbítrio de 
se reunir extraordinarimenle: e em vereação de 2 de Janeiro de 1721 
accordou, que se escrevesse, como de feito escreveram, á Gamara da 
Cidade dWngra, significando-lhe o cuidado, em que estava a de Pon- 
ta-Delgada de que o volcão tivesse sido na Ilha Terceira, para se fa- 
zerem as necessárias diligencias, a fim de que no caso de se reconhe- 
cer, que era Ilha novamente apparecida, se dar disto parte a Sua 
Magestade. E outrosim, por Accordam do mesmo dia, tomou a reso- 
lução de obrigar Filippe de Sousa do Amaral, Gapitão da Galera — 
Santa Luzia — que se achava ancorada no Porto daquella Cidade, a 
que fosse demandar a paragem, onde se viam os ditos montes, entre 
esta Ilha, e a Terceira, com intuito de se dar parte a Sua Magesta- 
de do resultado da investigação; encarregando igualmente d'esta com- 
missão ao Patrão da Ribeira João Pereira, fazendo-o embarcar na di- 
ta Galera por ser Pratico e intelligenle da náutica, ao qual se lhe re- 
commendou, que examinasse com toda a individuação, se eram somen- 
te pedras, que o fogo tivesse arrojado, ou se era também terra, para 
que logo do que achassem, se dar parte a Sua Magestade; sob o jura- 
mento de não reveUarem o dito Descobrimento a Estrangeiro algum fi- 
cando o Gapitão da Galera obrigado a vir lançar o dito Patrão no lu- 
gar dos Mosteiros, depois de effeituaia a exploração, com a commi- 
nação de que faltando ao que no Termo se obrigava, pagaria da ca- 
dea 500 cruzados, e seria castigado conforme parecesse á Gamara. E 
porque as viagens do mar são muito incertas, e poderia acontecer, 
que depois da investigação feita sobreviesse algum temporal, o que 
era de esperar n'aquella estação, impossibilitando os exploradores de 
regressar ao Porto daquella Cidade, e forçando-os a arribar ao de 
Lisboa, os auclorisava a dar conta a Sua Magestade. em nome da re- 
ferida Gamara, assim do que achassem, como da maneira com que 
ella se houve n'estas diligencias: obrigahdo-se a Gamara a remunerar 
esta Gommissão pelos bens do Concelho, visto a dilligcncia não ser 
com outro intento, que attender á conveniência do Real Serviço. Subtra- 
hindo-se a esta determinação da Gamara o Gapitão da Galera=Santa 
Luzia=a dita Gamara, de accôrdo com o Governador da Ilha, o remet- 
teu, debaixo de prisão, para o Gastello de S. Braz. D'ali elle dirigio 



(•) Não se entende esta explicaç^ão do Sr. S. Freitas. 



348 ARCHIVO DOS AÇORES 

á Camará o seu Protesto concebido nos seguintes lermos. «Diz Fili- 
pe de Sousa do Amaral, Capitão da Galera por nome=Santa Luzia 
= que está ancorado no Porto desta Cidade, para fazer viagem à Ilha 
do Fayal, com escala pela Terceira, na forma das Ordens de seus Cons- 
tituintes, e de presente preso no Castello desta Cidade por ordem des- 
te nobilíssimo senado, com fundamento de que elle supplicante recusa 
hir fazer experiência, e exame, com o dito navio, na terra, e fogo, 
que dizem, apparece entre esta Ilha, e a Terceira, e porque esta 
diligencia é^^muilo incerta, e perigosa, e elle supplicante a não pode ex- 
ecutar, emlazão do perigo, que pôde acontecer assim ao Navio, como 
á gente delle; e por se achar segura em Inglaterra a carga, e Navio 
em dez mil cruzados, e não poder divertir de viagem nem obrar coi- 
sa alguma contra as ditas ordens, que do contrario resulte em gran- 
de prejuízo delle suplicante, e perda da fazenda dos Particulares: ler- 
mos em que não pôde ser obrigado a hir fazer a dita diligencia e exa- 
me, pelo perigo a que se expõem. — Pede a V. Mercê Sr. Capitão 
Juiz Ordinário, como Vereador mais Velho, e Presidente deste nobilis- 
mo Senado, e aos mais Srs. Vereadores, e oíTiciaes do dito Senado, 
lhe façam mercê mandar, que seja solto o supplicante, havendo-o por 
excuso de hir fazer o dito exame, visto as razões que allega; e do 
contrario, que da rectidão de taes se não espera; protesta elle suppli- 
cante haver todas as perdas, e damnos, que possam acontecer, por 
quem direito for; assim a respeito do Navio, e carga; como do seguro 
feito em Inglaterra para se lhe repartir, pagar, e compor toda a per- 
da e damno, que lhe acontecer, e sobrevier; e que se lhe mande es- 
crever este Protesto, e delle dar-se-lhe os traslados' e certidões que 
pedir para sua descarga, e defeza. E Receberá Mercê.» A Camará, 
avaliando os argumentos do Protesto, accordou em vereação de 3 de 
Janeiro, que se lhe pozesse o seguinte =-Despacho=«Não havemos o 
supplicante por excuso da diligencia, que por accordam deste Senado 
se lhe encarregou, por ser muito do serviço de Sua Magestade, que 
Deos Guarde, a que nenhum vassallo deve faltar, maiormente quando 
dos perigos, que considera o supplicante affectadamente, se pôde li- 
vrar, pois que o não obrigámos, a metter-se nelles, senão a que de 
fora veja. e examine, se os montes que novamente se descobrem en- 
tre esta Ilha, e a Terceira, é terra, ou somente pedr;), que o fogo ar- 
rojasse, para do que se achar, se avisar ao dito Senhor: e quanto ao 
Protesto mandámos, se lhe tome, e delle se passem os traslados, que 
o supplicante pedir, fazendo-se menção no accordão do theor desta 
petição, e resposta, para de tudo se dar conta a Sua Magestade, que 
Deos Guarde, ele.» Replicou o Capitão da Galera: «Que visto não o 
haver por excuso este nobilíssimo Senado da diligencia, e exame, que 
se lhe encarrega, por ser do Serviço de Sua Magestade que Deos 
Guarde, não duvida obedecer: para o que deve ser solto da prisão, 
em que está; e para sua descarga se lhe devem passar as certidões. 



ARCHIVO DOS AÇORES 349 

e traslados dos Protestos, que tem feito; pedindo o mandassem sol- 
tar, para hir seguir as ordens, que Itie der este nobilissimo Senado.» 
==Despacho— «Visto o supplicanle estar promto para fazer a diligencia, 
que se lhe tem encarregado, mandámos, que seja solto, para que com 
toda a brevidade, que o tempo lhe permittir, a vá fazer na forma do 
Protesto que se lhe fez.» 



Trotesto da Camará ao Capitão. 

«O Capitão Francisco de Mello Raposo Cabral, Tenente dos Fortes 
de Rasto de Cão, e Juiz vereador na forma da Ordenação, por ausên- 
cia do Dr. Thomé Godinho, Juiz de Fora, e os mais vereadores da 
Camará desta Cidade, mandámos ao Escrivam da Camará delia, vá á 
prizão, onde se acha prezo, Filippe de Sousa do Amaral, Capitão do 
Navio Portuguez Santa Luzia, que se acha neste Porto ancorado, e lhe 
proteste toda a dilação, e demora, que fizer, em não hir na diligen- 
cia, que se lhe tem encarregado, para levar a João Pereira. Patrão 
desta Ribeira, a examinar o que apparece entre esta Ilha, e a Ter- 
ceira se é somente pedra, ou se é terra: e a não fazer logo a dita di- 
ligencia, se lhe protesta haver por sua pessoa, e bens, e vida, e se 
haver, e ter por inconfidente havendo algum prejuízo do serviço de 
Sua Magestade, cujo zelo somente nos move a fazer a diligencia, pa- 
ra se avisar do que se achar. Camará de Ponta-Delgada 3 de Janeiro 
de 1721. Joze da Costa, Escrivão da camará o escrevi=E se lhe de- 
clara, que não tome mais pessoa alguma desta Ilha para a dita diligen- 
cia, senão a que lhe está ordeuaúa.=-^ Cabral = Carreira = Bicudo. >^ Ao 
que o Capitão respondeu: «Estar prompto para hir obedecer ás or- 
dens do Senado, tanto que o tempo lhe desse lugar, com declaração 
de lhe darem certidão desta obrigação.» 

(Bernardino J. de Senna Freitas, Mem. Hist. sobre o intentado des- 
iribrimento de uma supposta ilha, pag. 1 00-106. J 



Escriplores e obras que Iraclam desla erupção. 

Codronclii (Baptiste) Commentarius Bonon. T. I, pa^í. 20o. 

Forster (Tliomas) Carta a Mr. Macliin sobre a ilha voicanica, que appareceo nos 
Açores em 1720; no Vol. .32, paíi. 100 das Philosophical Traiisactions 1722 
aonde se acha um desenho da mesma ilha; igualmente no Abrtdgement 
(das mesmas Transactions; Vol. VI, parte II, pag. 203, da edição de Lon- 
dres de 1734. Com estampas. 

Atkins (John) A Voyage to Guinea, Brazil and the West Indies — Londoii 17:5."). 
pag. 28. 

Araújo e Mendoça, obras cit. extractaram os textos de Btifími e do Amio fíistor/- 
co acima reproduzidos. 



350 ARCHIVO DOS AÇORES 

XXIII 

ANNO DE 1755 

EFFEITOS DO TERRAMOTO DE LISBOA 

NOS AÇORES 



S. MIGUEL — I (ie Novembro — Tremores de Terra, ao mesmo 
tempo que Lisboa era arrazada. O mar sobe pelas ruas de Ponta Del- 
gada, estragando muitos edifícios. 



(Agricultor Michaelense. 2.-^ serie p. 196.) 



ILHA TERCEIRA -No 1." de novembro deste anuo fatal, das í) 
para as 10 horas da manhã aconteceu a quasi total ruina da famosa 
cidade de Lisboa, procedida de um horroroso terremoto, que demolio 
a maior parte de seus edifícios, padecendo os templos mais sumptuo- 
sos, e palácios magníficos: e por fim poz o elemento do fogo a ultima 
mão a este grande e tremendo feito, que se tomou por castigo. 

Em todas as ilhas dos Açores se alterou o mar áquella mesma ho- 
ra, e nesta ilha Terceira houve uma enchente, que nas partes mais 
baixas do sul entrou por terra dentro, lançando nella muito peixe de 
diversas qualidades. No Porto Judeu subio o mar a altura de 10 pal- 
mos, na rocha mais elevada. Em Angra entrou até á praça chamada 
dos Cosines, hoje — praça velha — ficando os navios boiando em secco, 
por se retirarem as agoas quando quizeram fazer o accesso, e no reflu- 
xo levou o mar as muralhas da alfandega, muitas madeiras que por ali 
estavam, assim como todos os barcos varados no Porto de Pipas. 

Acha-se a fl. 211 do livro dos óbitos na egreja matriz da villa da 
Praia a seguinte declaração: aEm sabbado 1.° de novembro dia da 
festividade de todos os Sanctos do presente anno de 1755, pelas nove 
para as dez horas do dia e a tempo que se cantava missa de Tercia, 
estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três con- 
tinuas marés ficando quasi secca a sua profundidade por largo espaço, 
e nunca visto de pessoas de maior edade: e com estas três elevações 
insólitas entrou pelo porto desta villa, innundou a lagoa delia, chama- 
da o paul da Praia, e todo o seu areial, desde o dito porto até o lo- 
gar da Ribeira Secca, demolindo 15 casas a fHndammtis,Q. entre ellas 
a ermida do Apostolo S. Tiago, sita no logar do Porto Martins: are- 



ARCHIVO DOS AÇORES 351 

ando terras e vinhas, derribando paredes, que ficaram cravadas nos 
prédios de seus donos, que com grandes despesas as não reslituiram 
ao anliguo estado: nem em muitos annos produziram os fructos que 
antes rendiam: neste admirável e inopinado acontecimento, que seria 
castigo da Divina Justiça contra os depravados costumes dos homens 
se recorreu logo á Divina Misericórdia, com preces em todas as egrejas 
6 mosteiros desta villa, e no dito dia saio em procissão a milagrosa 
imagem do Sancto Christo da casa da Misericórdia; e no 3.° dia se 
fez segunda procissão por toda esta villa. com assistência do clero, e 
mais communidades delia: e ainda se continuam outras deprecações á 
Senhora dos Remédios, Rosário, e Piedade, para que por sua interces- 
são possa alcançar de Deus Senhor nosso e Christo Jesus seu filho a 
suspensão deste castigo e a reforma na vida dos homens.» 

«Deixo escripto neste livro a fatalidade deste caso sempre memo- 
rando, e não menos do que já aconteceu na mesma villa em 24 de 
maio de 1614, que sempre será lembrado: e permitta Deus que de 
um e outro se lembrem os homens, para comporem os seus procedi- 
mentos, e acções, regulando-as sempre pelas leis do mesmo Deus, e 
sua egreja.» 

«Neste naufrágio lamentável falleceram Matheus Teixeira pesca- 
dor, marido de Ignez da Conceição, morador desta villa. que no dia 
seguinte foi achado defunto, e sepultado na egreja da Misericórdia. E 
tabem falleceu Simão Machado Evangelho, marido de Rosa Maria que 
não appareceu depois da innundação; D. Catharina Theresa mulher 
de Ignacio Paim da Camará, e Anua. menor, que se diz filha do mes- 
mo, e Josefa Antónia, famnia dos ditos, que todos três naufragaram 
na mesma casa, em que no dito tempo assistiam em o logar do Cabo 
da Praia; mas ainda casa pertencente a esta parochia.» 

Outro assento, e de não menos importância achei no 1.° do tom- 
bo da egreja parochial de Sancto António do Porto Judeu a fl. 304 : 
eis-aqui o seu contexto: « — //? poderitatem — Em dia de todos os San- 
ctos do anuo de 1755, pelas 10 horas do manhã, pouco mais ou me- 
nos, aconteceu nesta ilha um enchente e vasante de maré extraordi- 
nário, e cá nunca visto, que no porto deste lugar chegou o enchente 
à altura de dez palmos de rocha, e varou até o direito da fortalesa, 
principalmente três marés, e depois as seguintes foram moderando 
os accessos e recessos, até que foram ficando no seu natural pelo de- 
curso da tarde. Na cidade foi esta cheia mais notável porque chegou a 
entrar a cima do portão, e levou o muro do raminho do matadouro: e o 
vasante foi tanto que chegaram a apparecer as ancoras da amarração 
dos navios, perigaram 3 ou 4 homens, que quiseram acodir a barcos, 
e delles está um enterrado no adro desta egreja, que saio neste porto. 
Na villa da Praia ainda mais notável poique chegou com muita força 
ao paul, onde deixou enxurrado algum barco, e com grande admiração 



352 ARCHIVO DOS AÇORES 

levou um de carregação por delraz da fortaleza, por cima daquelles 
grandes calháos, e sempre direito, com três homens dentro, sem pre- 
juizo attendivel.» 

«Ainda que neste logar e nesta Ilha se não sentio terremoto, foi 
a causa desta cheia um que no dia e hora houve na corte e cidade de 
Lisboa, que durando o espaço de 8 minutos poz em terra com total 
ruina quasi toda a corte, e edifícios sumptuosos delia, e ao mesmo 
tempo se conjuraram os 4 elementos porque a terra com aquelle moto, 
nos nossos tempos nunca vistos, o ar com notável vento inquieto, a 
agoa com a cheia extraordinária e nunca vista, o fogo que incendian- 
do toda a corte, o que succedeu em muitas partes delia totalmente 
reduzio tudo a cinzas, em que se perdeu todo o precioso, e quantos 
corpos que ainda estavam vivos, que presos debaixo das ruinas não 
poderain fugir, assim de homens como de mulheres se abrasaram: 
que se reputou o numero, á 1.^ consideração, a 30 mil pessoas, que 
nas ruinas, fogo e cheia morreram, depois com melhor exame, e por 
falta nos roes da egreja se disse serem mais de 50 mil. Proh dolorl 

«Chegou este terremoto e cheia, não com notável espanto em 
França, Castella, e Roma, e conseguintemente nos mais estados da 
Europa; porem no império Othomano se sentio muito principalmente 
no Salé, Maniquez, e Marrocos, e em outras muitas cidades, e provín- 
cias suas com que morreram tantas mil pessoas, como também nas 
grandes cheias de mar, tanto no terremoto do dia 1.° de novembro, 
que não foi lá o maior, mas no do dia 18 do mez, que indo de Man- 
(juez para outra cidade fugindo muitos com camellos e mulas carrega- 
das do mais precioso, se abrio a terra e desappareceu e subverteu 
tudo, e em cerco em que estavam 16 mil judeos só 8 escaparam; e 
estas e outras muitas que aqui se não podem relatar vieram e as vi 
escriptas em uma carta que enviou o guardião do convento de Mani- 
quez ao seu commissario de Castella.» 

Finalmente sendo tão notável o estrago feito por esta enchente na 
costa ao sul da ilha, que alem de levar muitas casas, entulhar cerra- 
dos, obstruir estradas, derribar fortificações, não achei menção algu- 
ma delle nos livros das camarás, que tão pouco se fazia caso de trans- 
mitir á posteridade o conhecimento de taes fenómenos. 

(Drummond— i4nw. da I. Terceira, T. II, p. 262 a 266.) 



ILHA DO FAYAL— Chegou porem o dia 1.° de novembro sabba- 
do e pelas 10 horas e meia da manhã estando o tempo muito sereno, 
de repente cresceu o mar além do costume e da mesma sorte vasou; 
continuando assim mais duas vezes, augmentando porém progressiva- 
mente; de sorte que na terceira enchente chegou aos moinhos dagua 



ARCHIVO DOS AÇOKES 353 

tia ribeira Conceição na altura de 8 palmos, e depois vasou tanto que 
os navios quasi que locaram com a quilha no fundo do mar, ficando 
depois manso como dantes, tendo levado d'arêa vários barcos e um 
bergantim que estava varado entre os montes; mas felizmente ninguém 
morreu. 

Correu logo o povo espavorido ás igrejas, partindo a collegiada 
da Matriz e apoz etia as corporações religiosas a camará e todos os 
principaes para a Praia do Almoxarife a buscar a veneranda imagem 
do Senhor Santo Christo que trouxeram em devota procissão para a 
egreja da Misericórdia onde esteve por três dias em laus perenne, 
concorrendo o povo a preces publicas e o mesmo se praticou nas mais 
egrejas, para onde foram passando a sacrosanta imagem e assim con- 
tinuaram em exercícios de devoção e piedade até 25 de janeiro de 
1756 em que chegou navio de Lisboa e se soube então, que no mes- 
mo dia em que nesta ilha houvera as enchentes á mesma hora um 
violento terramjto arrasara a maior parte da cidade de Lisboa den- 
tro em 8 minutos perecendo mais de 40:000 pessoas. 

(Macedo— //?sí. das Quat. nhas,T. I, pag. 230-231.) 



XXIV 

ANNO DE 1757 

TERREMOTO E ERUPÇÃO SUBMARINA EM S. JORGE 



Memoria do castigo que o .\ltissimo Deos Senhor Nosso mandou 
a esta Ilha de Sam Jorge por castigo das culpas dos moradores da 
mesma Ilha em os nove de Julho de 1757 ás onze para as doze da 
noute amanhecendo para o Domingo que se contavam dez do mesmo 
mez. 

Foi castigada esta. Ilha em o dia de Sabbado á noute ás horas aci- 
ma ditas com grande terremoto que nesta Villa somente arruinou os 
templos e casas ficando iltesos da morte os moradores delia pela di- 
vina Misericórdia do Altíssimo Deos, mas para nos mostrar os gran- 
des favores e a grande misericórdia (jue uzou com nosco este divino 
juiz foi descarregar o golpe da divina justiça em as villas da Calheta 
e Topo e nos montes, ficando arrasada a villa da Calheta sem que fi- 

iN.° 22-Vol. IV— 1883. ií 



354 ARCHIVO DOS AÇORES 

ficasse somente huma casa, nem aonde se arrecolhesse o Santíssi- 
mo Sacramento pois o tem em o campo debaixo de umas arvores: 
e na villa do Topo succedeu o mesmo e somente ficou huma ermi- 
da da Virgem Nossa Senhora da Ajuda bem arruinada, e não ficou 
casa alguma, e fazendo juizo prudente e averiguação a respeito dos 
mortos que padeceram debaixo das ruinas dizem que em toda a Ilha 
falleceram nove centas pessoas, que permitia a Divina Misericórdia de 
Deus estejam todas à sua sancta vista; e para que haja lembrança do 
castigo e emenda nos vicios pelo tempo adiante e no presente me re- 
solvi a expressalo em este Livro por ser o mais publico como também 
declarar as pessoas da governança que existiram neste tempo— Hera 
ouvidor e vigário desta matriz o Licenciado Jerónimo de Sousa Ca- 
bral, Beneficiados, o Revd." Damião de Sousa Soares— o Revd." Fran- 
cisco da Silveira Machado — o Revd.° Lourenço Teixeira Flores — o 
Revd." Jorge José de Sousa Cabral o Revd.° João Teixeira Machado 

— o capitão mór Gabriel Acasio Pereira de Sousa — o Sargento mór 
Francisco José de Bettencourt e Ávila— Juizes e Vereadores o Capitão 
Manuel dAzevedo e o Capitão Ignacio Soares de Sousa — o Capitão 
Nicolau Teixeira Machado— o alteres João de Sousa de Quadros. João 
Teixeira Machado — o Procurador do Concelho Francisco Xavier Macha- 
do. De que fiz esta lembrança que me assigno aos i9 de Julho de 1757 

— Eu Gaspar Gonçalves Bolo, escrivão da Camará o escrevi. G. G. 
Bolo. Declaro que feita averiguação de novo sabe-se que falleceram 
mil e trinta e quatro pessoas, eu sobredito escrivão que o escrevi. 

{Livro 3." do Reg. da Camará da villa das Velas, foi. 25 t;.".) 



A ilha de S. Jorge não he mais do que huma alta serra, ou espi- 
nhaço agudo, a que dão 12 léguas de comprido, e de que pende pa- 
ra os dous lados norte e sul hum costado muito Íngreme, retalhado 
de espaço em espaço por profundos vales, e quebradas, obra das a- 
guas, e dos fogos subterrâneos. Também tem muitos mysterios. Em 
9 de Julho de 1757 hum terremoto, que deixou nas ilhas dos Açores 
memorias tão horrorosas como em Portugal o do 1." de Novembro de 
1755, e que fez a sua maior impressão na de S. Jorge, esteve a pon- 
to de a parlir pelo meio no lugar, onde he mais estreita, e fez pere- 
cer a maior parte dos habitantes de huma freguezia. Por effeito de 
outras semelhantes catástrofes tem desabado para o mar considerá- 
veis porções da mesma ilha, e em compensação lambem em alguns 
sitios a lava, correndo da terra, tem augmentado a sua superfície, 
formando excrescências para o mar. 

(José Accurcio das Neves — Entreíenimentos cosmologicos, pag. 
236-237.) 



ARCHIVO DOS AÇORES 335 



Noticia do terremoto das ilhas dos Açores em lySy. 

Angra, 2 de septembro.— Na noite de sabbado, 9 de Julho do pre- 
sente anno de 1757, pelas onze horas e três quartos se senlio em 
toda esta ilha um abalo de terra, que dudaria dois minutos, com o 
qual ficaram arruinados quasi todos os edifícios, alem dos Templos. 
Destes, os que experimentaram maior estrago n"esta cidade, foram o 
collegio da Companhia, o convento de S. Francisco, Capuchos, e o mos- 
teiro das religiosas da Conceição. 

Principiou o abalo por elevação, com uma notável violência, em que 
pareceu subir a terra mais de três ou quatro palmos; e cahindo logo, 
principiou por elevação em um moto vibratório, de oeste a leste, que 
a durar mais um instante não Qcaria edifício algum em pé, sepultando- 
se todos nas ruinas. 

No dia seguinte repetiu o tremor, pelas dez horas da manhã, e qua- 
tro da tarde, com egual movimento, que o primeiro, mas menos sen- 
síveis. Os moradores se retiraram dos campos. Hoje se acha a maior 
parte d'elles recolhida às suas habitações. 

Na ilha de San-Jorge, distante d"esta doze léguas, se sentio o mes- 
mo abalo, ás mesmas horas: porém com muita maior violência, de 
sorte que conforme o exame que se tem feito, ficariam sepultadas nas 
ruinas mil e cincoenta e três pessoas. 

Ao norte desta ilha, distancia de 100 braças, pouco mais, se le- 
vantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras. Appareceram todas 
na manhã do dia 10. É navegável o mar entre as ditas, e a ilha. Nas 
fajans dos vimes, San- João e Cubres. se moveu a terra, voltando-se do 
centro para cima, de sorte, que n"ellas não ha signal onde houvesse 
edifício. Destes três logares correu a terra ao mar, e n"elle fez vários 
baixos. Em outras partes da mesma ilha correram grandes pedaços, 
e se acham separados delia, no mar, em pequena distancia, conser- 
vando suas arvores; e em um delles uma casa, cujos moradores não 
experimentaram na separação moléstia alguma, antes a não sentiram, 
nem conheceram separada senão o dia seguinte. 

Monte-formozo, que fíca a les-sueste da ilha, se partiu e correu 
metade ao mar distancia de 90 ou 100 braças; que faz uma grande 
ponta por elle dentro. 

Da ponta da Ilha, chamada Topo, que fica a leste, correndo dis- 
tancia de nove ou dez léguas pelo sul da ilha, não se acha uma só 
casa em pé até á villa da Calheta; e em toda esta longitude se abriu 
a terra, por ser montuosa, e se despenhou mais de um quarto de 
légua, correndo e voltando-se os montes. 

Alguns logares desta ilha eram por terra incommunicaveis: hoje. 
porém, por causa da corrida, e despenho da terra, rodam carros de 
uns para outros, pela planície que fez na costa do mar, sendo antes 



336 ARCHIVO DOS AÇORES 

altíssimas rochas. No logar do Norle Grande saiu a terra ao mar em 
uma ponta, mais de r.ento e cincoenla braças. 

Vivem os moradores d'esla ilha quasi lodos nos monles abarraca- 
dos. Continuam n'ella os tremores, e as rochas estão continuamente 
cahindo, porque a terra se abriu em fendas profundas, que em partes 
tem mais de uma braça de largo. 

A ilha do Pico, pela parte que corresponde á de San-Jorge, expe- 
rimentou o mesmo eslrago, mas com morte somente de onze pessoas 
em três Jogares. 

No primeiro terremoto houve enchente do mar nesta ilha Terceira, 
que correu de oeste para lesle: na Graciosa de sudoeste: na ilha do 
Fayal houve tremor com enchente menos sensível: em a de San-Miguel 
e Santa Maria, tremor somente: na das Flores e Corvo. nada. 

E' o que presenceei em parte, e o que se examinou de testemu- 
nhas fidedignas, em abundância. 

Vem na Colícção de Memorias Litterarias para a Historia de Por- 
lugaU por Fr. Vicente Salgado, pregador geral, anno de 1770 — MS. 
da Bibliotheca de Jesus, annexa á da Academia Real das Sciencias de 
Lisboa, Gab. 5, E. 8, N.° 49. 

{Revista dos Açores, n.® 90, T. I, pag. 337.) 



«Ás M horas e meia da noite do dia 9 de Julho de 1737 houve 
na ilha de S. Jorge um espantoso terramoto, que fez os maiores estra- 
gos (sendo repercutido na ilha Terceira) na Fajã dos Vimes e povoação 
que lhe ficava próxima que ambas rahiram correndo até ao mar, pe- 
recendo toda a gente que nas casas estava, e sendo este aballo no sah- 
bado, logo no domingo se acharam junto do adro da egreja 128 pes- 
soas mortas entre as quaes o Vigário da freguezia e ouvidor assim 
como o cura: foram estes os corpos que por eslarem mais fáceis se 
desaterraram, que depois se extraíram muitos outros corpos, ficando 
outros que se não puderam tirar, e se achou faltaram entre todos mil 
pessoas, sem diíTerença de 4 ou 5. Também este terramoto chegou 
com grande força á ponta da ilha do Pico. onde cahio a egreja e casas 
que por ali havia e morreram alguns indivíduos.» 

{Apontamentos do Dr. J. Teixeira Soares) 



Em 10 de Julho de 1757 a Camará do Topo mandou um barco a 
Angra participar ao governo o acontecido na noute anterior pelo ter- 
remoto: que maton 125 pessoas: das quaes 84 foram sepultadas em 
2 valias no adro da Matriz: 50 ficaram sepultadas nas ruínas, e uma 
cunhada do Capitão Caetano' Silveira Leonardo, freguez do Norte Pe- 
queno, ainda recebeu os sacramentos e foi sepultada na egreja. 



ARCHIVO DOS AÇORES 3.")7 

No mesmo dia mandou noutro harco o procurador do concelho e 
escrivão da Camará tomar posse das fajans ao pé das rochas, feitas 
pela occasião do terremoto ! ! 

(Apontamentos de José Joaquim Borges, copiados pelo Dr. J. Teixei- 
ra Soares.) 



Carta regia ao Capitão General dos Açores, que se refere ao terramoto de i~5y 

em S. Jorge 

Diniz Gregório de Mello de Castro, do Meu Conselho. Governador 
e Capitão General das Ilhas dos Açores: Amigo. Eu ElRey vos en- 
vio muito saudar. Sendo-me presente pela conta do Juiz de Fora 
da Ilha de São Jorge em data de dezenove do mez de Setembro 
próximo precedente: Que tendo havido no termo da Villa da Calhe- 
ta huns grandes baldios, chamados, o Fajam dos Vimes, e o Algar- 
ve, pertencentes hoje á caza de Caetano da Rocha Sá e Camará da 
cidade de Angra: haviam sido de longíssimo tempo tomados de ar- 
rendamento aos ascendentes do sobredito Caetano da Rocha por al- 
guns dos moradores da mesma Ilha: e por elles reduzidos de er- 
mos, e incultos a povoados, e frnctiferos, em commum beneficio da 
população, e da agricultura: Que desde o contrato primordial dos pri- 
meiros colonos, havendo decorrido mais de cento e cincoenta annos: 
e crescido no espaço delles o numero de famílias, e a cultura das 
terras, fundaram huma copiosa povoação, e com ella edificaram hum 
templo á sua própria custa, no qual pela distancia da parochia se ce- 
lebravam todos os OíTicios do Culto Divino, e todos ministérios paro- 
chiaes: Ç)\\q havendo sofrido os estragos de hum teriemoto. ha dezoi- 
to annos, e com elle a desgraça de lhe correr hum monte próximo, 
e quasi contíguo a abafar, e cubrir de penhascos a povoação com 
morte de hum grande numero de pessoas: com o resto das que so- 
breviveram, tornando a anímar-se, reedificaram a mesma povoação, e 
construíram outro novo templo: Que em todos aquelles terrenos, que 
antes haviam sido agrestes, e incultos, se viam agora grandes cultu- 
ras de hynhames. vinhas, pomares, e terras de lavoura: E que de- 
vendo por tantos motivos aquelles moradores ser conservados no an- 
tiquíssimo arrendamento, em que se achavam desde os seus mayores: 
eram agora inquietados e perseguidos por' hum António Sylveira Fer- 
nandes da referida villa da Calheta: o qual com maligna e deshuma- 
na cubica, passando á Cidade de Aniira. conseouíra do actual proprie- 
tário dos referidos terrenos, a titulo de mais avultada renda, celebrar 
pConi elle huma escripíura de arrendamento: e trazer com ella huma 
procuração bastante para expulsar dos mesmos terrenos, e povoação 
todos os colonos, e fundadores delia: e que em numero de cento e 



358 AHCHIVO DOS AÇOHES 

trinta se achavam já citados para despejo. E porque: nem a equida- 
de natural deve sofrer, que os descendentes dos primeiros adminis- 
tradores de huns prédios, então incultos, hajam de locupletar-se ago- 
ra com os suores, e trabalhos dos actuaes, e antigos colonos delles ; 
(jue não só os fizeram passar de infructiferos a férteis; mas que fazen- 
do nelles o seu estabelecimento permanente os chegaram ao estado 
de huma povoação numerosa: nem cabe na ordem da justiça, que ha- 
jam os mesmos colonos de ser expulsos sem gravíssima offensa da 
humanidade; que até se faria intolerável no caso, em que cabendo nas 
forças dos que succederam aos antigos senhores dos referidos terre- 
nos o indemnizallos das avultadíssimas despezas, que nelles tem fei- 
to; por se dever contemplar o publico incomodo daquelles fundadores, 
e o seu também já publico interesse muitas vezes superior ao de hum 
interesse particular: Conformando-me com o parecer da Meza do Des- 
embargo do Paço em consulta de vinte e Ires do corrente mez de 
Outubro sobre a referida conta: para que áquelles opprimidos colonos 
cheguem os efeitos da minha paternal protecção, e da minha in- 
deffectivel Justiça contra a barbara cubica dos seus oppressores: Sou 
servido ordenar-vos, que fazendo logo pôr hum perpetuo silencio em 
todas as causas, que contra os mesmos colonos se hajam intentado; fi- 
quem desde logo manutenidos, e conservados nos referidos terrenos, 
e povoação, sem outro algum reconhecimento Dominical, que não se- 
ja o estipulado no Primordial arrendamento delles, reduzido a hum 
censo perpetuo: sem mais alteração, augmento, ou renovação; e sem 
dependência de outro algum titulo, que não seja o desta Minha Real 
Providencia: e o de mandares que seja registada nos livros da Gama- 
ra da sobredita Villa da Calheta, para perpetua memoria de que as- 
sim o ordenei. Escripla no Palácio de Nossa Senhora da Ajuda em 
vinte e quatro de Outubro de mil sete centos setenta e cinco. 

REY ! • ! 

[Logar do Sello) 

Para Diniz Gregório de 
Mello de Castro. 

Registada a foi. 6 do Livro Novo de registo doesta Villa da Calheta 
de S. Jorge, dia 21 de março de 1776; em auto de Camará com assis- 
tência da nobreza e poro, B. Silveira Machado Escrivão da Camará. 

(Do original, existente nos papeis do Dr. João Teixeira Soares.) 



ARCHIVO DOS AGOHES 359 



Escriplores e obras que trataram (restes successos. 

-Da Catástrofe succedida na ilha de S. Jorge— Lisboa 1737— Opwsrw/oda Livra- 
ria de D. Francisco Manuel, no Maço de Papeis Vários, N.° 78. 

-Relation du Terrible tremblement de terre, qui vient d'arriver dans les iiesdes 
Açores, dépendantes du Royaunie de Portugal. Paris i 757. (Provavelmen- 
te traducção do anterior.j 

-Henry hvcoq— El emenís de Geologie et r'Hydrographie 1839, pag. £01. (Confor- 
me o Mercvrio de Madrid, de Dezembro de 1757.) 



XXV 

ANNO DE 1759-1760 

TREMORES DE TERRA NO FAYAL. 



No dia 24 de dezembro de 1759 pelas dez horas da manhã houve 
um grande terramoto, e como a coliegiada da Matriz estava na egre- 
ja sahio logo com uma procissão de preces, a que se ajuntaram as 
communidades religiosas. Continuaram porém os terramotos até ao 
dia 4 de janeiro de 1760, em que houve um terramoto pelas oito ho- 
ras e um quarto da noite, que obrigou quasi todos a desampararem 
as casas pedindo misericórdia: pelo que resolveu o provedor e mesa- 
rios da santa casa da misericórdia a recorrer á egreja da Praia á ima- 
gem do Senhor Santo Christo para onde se dirigiram áquella mesma 
hora acompanhados da coliegiada da Matriz e communidades religio- 
sas e immenso povo a buscar a dita imagem, que lhes foi entregue 
pelo reverendo vigário da dita egreja e ouvidor ecciesiastico o padre 
Matheus Rodrigues. Nos dous mosteiros das religiosas correram es- 
tas ao coro e mandando os syndicos, capellães e confessores abrir as 
portas para no caso de precisão sahirem, responderam que não fugião 
senão para Deus. e pedindo que se lhe expuzesse o Senhor, se dedi- 
caram a devotas [)reces. Pela uma hora. depois da meia noite chegou a 
procissão que a communidade dos jesuitas foi esperar com os hombros 
descobertos, dissiplinando-se e entrando nas egrejas das religiosas e 
i^6colheu-se na da Misericórdia. Continuavam ainda os terramotos; mas 
menos intensos. Lembraram-se então de recorrer como noutras occn- 



^Í60 AKCHIVO DOS AÇOHES 

siões ao divino Espirito Santo, promettendo soccorrer os necessitados, 
e levantar impérios, de beneficência em toda a ilha. No dia 5 de ja- 
neiro se ajuntaram os irmãos da Santa casa com os oíBciaes da camará 
|)ara que a santa coroa se exposesse á devoção do povo junto á imagem 
de Christo: e que se festejasse sete domingos seguidos coroando em 
cada um delles um vereador, o provedor e mesarios da santa casa e 
(jue a coroa seria levada da egreja da Misericórdia para a da Matriz 
acompanhada pela camará e corporações religiosas onde se cantou a 
missa ao divino Espirito Santo, depois da qual tornaria a coroa para 
a Misericórdia, acompanhada pelo santo sendo levada debaixo do pa- 
lio pelo reverendo vigário. Tomaram os irmãos da misericórdia a seu 
cargo o tirarem esmolas dos principaes. para nesses dias esmolarem 
os necessitados, para isso sahiram a pedir encorporados com seu ca- 
pellão. Continuavam com tudo os terramotos acompanhados de estron- 
dos subterrâneos. No dia 6 deste mez sahio da egreja da Misericór- 
dia procissão de preces com a imagem do Senhor Santo Christo, e a 
i^orôa do Divino Espirito Santo e dirigiose á egreja de Nossa Senho- 
ra das Angustias, donde regressou para a da Misericórdia, orando à 
porta ao immenso povo o padre Fr. João da Conceição, Franciscano. 
Continuarainse as preces por nove dias; no fim das quaes sahio ou- 
tra procissão da Misericórdia com as mesmas imagens, com direcção 
á egreja de São João, pregando á porta o reverendo padre Francisco 
de S. Caetano, Franciscano, demorou-se a imagem por quatro dias no 
rôro das religiosas era laus perenne orando nesses dias os reveren- 
dos padres Fr. Francisco Xavier, Fr. Francisco de Santa Maria, e Fr. 
João da Conceição, havendo continuamente disciplinas e jejuns. 

No quinto dia foi conduzida a santa imagem para o mosteiro da 
Gloria, onde se demorou por três dias, orando os padres António Pe- 
reira da Silveira, Fr. Francisco de Santa Maria e Fr. João da Concei- 
ção. No quarto dia depois fi)i a sagrada imagem conduzida para a e- 
greja de S. Francisco, onde também se demorou três dias, pregando 
os reverendos padres Fr. Francisco da Epiphania, Fr. José de S. Ja- 
cintho tí Fr. João da Conceição. No quarto dia seguinte foi a sacro- 
santa imagem conduzida á egreja das Angustias, onde também ficou 
|)or três dias. orando os padres Fr. Angelo de S. Thomaz de Aquino, 
Fr. João da Conceição e Fr. Manuel dos Anjos. No quarto dia seguin- 
te finalmente voltou a miraculosa imagem para a Misericórdia acompa- 
nhada da Senhora das Angustias, que no mesmo dia regressou à sua 
egreja onde orou o padre André Luiz Pedro. No dia 30 deste mesmo 
mez foi conduzida a sagrada imagem em solemne procissão para a sua 
egreja da Praia, para ahi se cumprir no I.*^ de Fevereiro o voto feito 
por occasião do fogo do Pico acompanhada pelo senado, collegiadas, 
e communidades e irmandades, entrando na passagem na egreja da 
Gloria e no I." fevereiro depois da funcção vollou para a cidade por- 



ARCHIVO DOS AÇOHES 361 

ijne ainda os terramotos continuavam, e correndo as ruas da cidade 
se recolheu á Misericórdia. 

No dia 4 de fevereiro começou a collegiada da Matriz a fazer as 
suas preces, que duraram por cinco dias em cada um dos ijuaes sahia 
a collegiada á egreja da Misericórdia e alii celebrava uma missa can- 
tada, em memoria das chagas de Christo. acompanhada pelos irmãos 
do Santíssimo, e nas tardes havia preces e lições espirituaes, e á noi- 
te meditação e oração mental. No dia 5 de fevereiro pelas 9 horas da 
manhã sentio-se um violento terramoto, que impellio todo o povo á e- 
greja da Misericórdia, na porta da qual pregou o reverendo vigário 
da Matriz José Furtado de Mendonça. Seguio-se no dia 10 a commu- 
nidade de Nossa Senhora do Carmo com as suas preces por cinco 
dias, concorrendo diariamente á Misericórdia, pregando lá no ultimo 
dia o padre Fr. José de Santa Rita e Silva. No dia 16 de fevereiro 
sahio a santa imagem para o mosteiro de S. João, e ahi se demorou 
até o dia 5 de .Março continuando os exercícios de penitencia e pregan- 
do alli os padres Fr. Angelo de S. Thomaz de .\quino, Fr. João da 
Conceição e Fr. Sebastião do Livramento. .\ 6 de março, meiado da 
Quaresma, foi a santa imagem para o mosteiro da Gloria, onde este- 
ve até á tarde de quinta feira santa, em que sahio na porcissão, que 
a irmandade da Misericonlia costuma fazer, e voltou para o mesmo 
mosteiro. Tinhão diminuído muito os terramotos: mas no l." d'abril 
continuaram mais amiudados, e no dia 2á das cinco para as seis da 
tarde sentio-se um muito violento, e apoz elle mais dois, o que obri- 
gou os habitantes a abandonarem suas casas e recorrer ao convento 
da Gloria pedindo a imagem do Senhor Santo Christo, repetiram-se 
mais dois terramotos e continuou a terra a tremer por espaço de uma 
hora. Estava a communidade reunida no còn) de roda da milagrosa 
imagem a quem dirigiram as mais ardentes supplicas, e com muito 
custo annuiram a entregar a imagem ao capellão da Misericórdia, que 
acompanhado de immenso povu correu as ruas da villa em ferverosas 
preces, e depois collocaram a santa imagem no altar (]ue servia de 
dizer missa aos presos na praça em frente da cadea temendf) entrar 
para as egrejas que ameaçavam ruina. Subio então o padre Fr. Fran- 
cisco de S. Caetano os degraus do pelourinho e de ahi orou eloquen- 
temente á multidão, que commovida com a eloquência do orador se 
prostaram aos pés dos confessores que ahi se achavam, e entre lagri- 
mas e soluços confessaram as suas culpas, reconciliaram-se com os seus 
inimigos, promettião prompta restituição e emenda, e assim levaram 
toda a noite, continuando os terramotos. .\s religiosas do mosteiro da 
Gloria abriram toda a porta regrai e chamando confessores, todas se 
confessaram, e passaram toda a noite em exercícios de penitencia: e 
as de S. João sahiram para a cerca levando as imagens do Senhor da 
Columna e Senhora da Soledade, que collocaram com toda a reveren- 
cia sobre um altar que erigiram debai.xo do palio (jue levaram junto 

N.° 2ii-Vol. IV— 1883. 10 



362 AKCHIVO DOS AÇORES 

a uma figueira debaixo da qual todas se acolheram, até que no dia 
seguinte se mandaram construir barracas para as religiosas se abri- 
garem; e uma para os officios divinos. No dia 23 fez-se outra procis- 
são com a Santa Imagem que outra vez se collocou no mesmo logar,. 
orando em seguida o reverendo vigário da Matriz. No dia 24 come- 
çou-se uma novena com missa de manhã e ladainha com preces de 
tarde na egreja da Gloria; celebrando-se ahi com toda a solemnidade 
no dia 3 de maio a festa da invenção de Santa Cruz, missa com ser- 
mão ao Divino Espirito Santo, coroando a Imagem de Nossa Senhora do 
Carmo que para lá fora em procissão. No dia quatro satisfez a irman- 
dade o voto que tinha feito ao Divino Espirito Santo coroando o pro- 
vedor á missa cantada, pois era o ultimo dos sele domingos, repartin- 
do-se pelos pobres muitas esmolas de pão. carne, vinho e roupa, além 
de muitas, que os irmãos foram levar de noite pelas casas. Continua- 
ram os terramotos o mez de maio precedidos dum estrondo subter- 
râneo; mas felizmente cessaram no mez de junho, lendo durado seis 
mezes. No dia 8 deste mez celebraram as religiosas da Gloria de tar- 
de umas solemnes vésperas, a que assistio o senado e toda a nobre- 
za; á noite houve illuminação no mosteiro e em todas as casas da pra- 
ça; e no dia seguinte celebrouse uma solemne missa a que orou o 
Revd." P. M. Fr. João da Conceição: de tarde houve Te-Deum, e em 
seguida sahio a Santa Imagem em solemne procissão para a egreja 
da Misericórdia: onde no dia IO se celebraram solemnes vésperas, t^ 
á noite houve illuminação geral e no dia seguinte missa sftlemne a 
que orou o padre Fr. João da Conceição e de larde Te-Deum, e foi 
conduzida a imagem para a sua egreja com um immenso concurso da 
Camará, aucloridades, communidades, irmandades e muito povo: e as- 
sim terminaram as preces. 

(Macedo— //ísí. das Quatro Ilhas. T. I. pag, 493-498.) 



XXVI 

ANNOS DE 1760-1761 

TERREMOTO E ERUPÇÕES NA ILHA TERCEIRA- 

No centro da ilha Terceira, e em hum dos pontos mais elevados 
delia existe huma caldeira denominada a furna do enxofre, pelo mui- 
to que contem, a qual he a boca de hum vulcão em actividade. Eu a 



ARCHIVO DOS AÇOKES 363 

vi ha mais de vinte annos, e teria nesse tempo humas quarenta bra- 
ças de diâmetro junto ao seu fundo, que não he de grande profundi- 
dade. Lança fumo, gazes, e enxofre mui puro por hum grande nume- 
ro de respiradouros, no meio doí quaes existia huma abertura de ca- 
pacidade muito mais considerável, e que expulsava maior quantidade 
destas matérias, e principalmente gazes, acompanhados de hum su- 
surro subterrâneo, e de calor intenso. Todo o fundo da taça se, acha- 
va molle, e em alguns sitios reduzido a polme: apenas havia alguns 
carreiros, que tinhão assas consistência para se caminhar por elles ; 
havendo grande cuidado em se ir tenteando o terreno com bordões. 
O que eu levava, excedia a minha altura: e comtudo em partes en- 
terrava-se todo, sem lhe fazer grande força. As matérias volcanicas 
alli accumuladas, humas seccas, e pulverulentas, outras humedecidas, 
betuminosas, ferrugineas, etc. apresentão grande variedade: dislin- 
guera-se principalmente o enxofre, huma substancia esbranquiçada 
semelhante ao alvaiade, e algumas matérias coloradas, de que os pin- 
tores se servem para as suas tintas. As exhallações sulfúreas, atacan- 
do-me a cabeça, não me permittirão demorar-me muito neste lugar 
desagradável a todos os respeitos, excepto o da curiosidade. 

Abaixo da furna, e era pouca distancia começa o mysterio velho, 
que he huma antiga corrente de lava: e junto a elle se formou o mys- 
terio novo na erupção de 1761. 

Pelo anno de 1760 a furna cessou de fumar, e esta cessação foi 
o preludio da catástrofe. Começarão grandes terremotos em 22 de 
Novembro, e continuarão com muita frequência até 14 de Abril de 
1761, em que a terra tremeo mais que nunca; e assim continuou 
com pequenos intervallos até o dia 17 do mesmo mez. em que pela 
manhã arrebentou o fogo por de traz dos Picos gordos, com estron- 
dos subterrâneos semelhantes a descargas de artilheria. 

Veio fogo por baixo do chão arrojando a terra até o indicado sitio 
do mysterio velho, e ahi fez nova explosão em 21 daquelle mez de 
Abril, na distancia de uma légua do lugar dos Biscoitos, na occasião, 
em que o povo ia em procissão com a coroa do Espirito Santo para o 
lugar do fogo. Esta segunda explosão durou oito dias, lançando ao ar 
com pavoroso estampido pedras de extraordinária grandeza, e copio- 
zos chuveiros de arêa, que abrangerão a quasi toda a ilha: junto ao 
foco se formou hum pico de mediana grandeza, todo composto de es- 
corias volcanicas: e ao redor deste outros mouticulos mais pequenos, 
compostos das mesmas matérias. A freguezia dos Biscoitos ficou deser- 
ta; porque todos abandonarão as suas casas, levando comsigo o que 
poderão; e os Parochos mudarão o Sanlissimo Sacramento para a 
igreja das Quatro Ribeiras, 

Esta mesma segunda explosão produzio três correntes de lava. A 
primeira, que terá 100 braças de comprido, e trinta de largo, toman- 
do a direcção do oriente, parou em um lugar denominado Chamnia, 



364 AKCHIVO DOS AÇOHES 

O qual ficou funiegando por alguns annos. A segunda, que lerá iOOO 
braças de comprido, e 30 de largo, dirigio-se para o occidenle até 
huma quinta, que hoje he do Conde de Subserra, donde lançou huma 
liugua para o norte até onde se chama o TomvjaJ. Finalmente a ter- 
ceira, e maior correo para o norte, dividindo-se em duas, das quaes 
huma foi parar no sitio do Vimeiro, e a outra foi dar no sitio áo Jim- 
calitilw já mais branda; porém assim mesmo invadindo hum arrabal- 
de do lugar dos Biscoitos, destruio Tl casas, e parou perto da igreja 
da freguezia, cousa de 500 braças longe do mar, tendo de comprido 
mais de huma légua, e em alguns lugares 1000 braças de largura. 

Ninguém pereceo, porque lodos liverão lempo de se porem a sal- 
vo. A corrente das lavas era assas tranquilla: de forma que segundo 
ouvi contar a pessoas daquelle lempo, andando o povo em procissão 
ao redor delia, acontecia accenderem nella as tochas, quando se apa- 
gaviio. Nos primeiros tempos a agua das fontes daquelles silios junto 
ao mar tinha hum ardor como o da malagueta. 

Quando visitei estes silios mais de 40 ânuos depois da erupção. 
os montes de escorias, e arèas volcanicas com a sua côr em parles 
negra, e em outras vermelha afogueada, trazião ainda á imagiuação 
huii) vivo retrato das horrorozas scenas. que os produzirão. A lava en- 
durecida se achava já coberta em grande parte por diíTerentes musgos, 
e algas, e principalmente por aquella, que os Naluialistas chamão Roc- 
cella {Lichen fruticniosvs. solidus, aphylus de Linneo) e que entre nós 
he mais conhecida pelo nome de iirsrla: por ser a mais usada na pre- 
paração de huma massa do mesmo nome, de que muito se seivem os 
tintureiros. A colheita mais abundante da ursela faz-se nas ilhas de 
Cabo Verde, igualmente volcanicas como as dos Açores. 

(José Accurcio das Neves — Entretenimentos cosmologicos, pag. 
247-252.) 



«Já no anno autecedente se notou que a furna do en.rofre, na cal- 
deira desla ilha. deixara de fumar', o que parece fora preludio da se- 
guinte calamidade. Em 22 de novembro de 1760 começaram a sentir-se 
nesta ilha grandes e violentos tremores e continuaram com frequência 
até 14 de abril em que tremeu a terra estranhamente, coutinuando 
até 17, com pequenos intervallos. Pela manhã rebentou o fogo entre 
o pico gordo, e a serra de Saneia Barbara, com trovões subterrâneos, 
similhautes á descarga de artilheria grossa. Veio o fogo revirando a 
terra lentamente ate o sitio denominado— mistério velho— onde fez 
nova explosão a 21 do mez. uma legoa distante da freguezia dos Bis- 
coitos, no logar denominado— o Chama— (appellido de seu antigo pos- 
suidor António Vaz Chamai. Durou 8 dias esta 2.^ explosão, lançando 
ao ar com estrondo horrível pedras de extraordinária grandeza, e den- 



ARCHIVO DOS AÇORES 36^) 

SOS chuveiros de areia, e cinza que estenderam por toda a ilha. Al- 
guns pequenos montes se levantaram ao pé do foco: e a freguezia dos 
Biscoitos ficou inteiramente deserta, levando os moradores comsigo 
tudo o que possuiam de maior valor: ficou-lhes então servindo de e- 
greja parochial a de Saneia Beatriz das Quatro Ribeiras para onde 
foram transportadas todas as alfaias, os vasos sagrados, e o Sanctis- 
simo Viatico. 

Desta explosão sairam 3 correntes de lava em differentes direcções: 
uma delias dirigio-se aos Biscoulos, onde consumio 27 casas, indo ter- 
minar já bem perto da egreja parochial, que era da invocação de S. 
Pedro. Felizmente não morreu pessoa alguma nesta horrorosa catás- 
trofe, e conta-se que o fogo liia moendo tão devagar que alguém do 
povo, andando em procissão, chegou a accender as tochas nelle, quan- 
do se lhe apagavam. Houve um concurso geral dos povos da ilha a 
visitar estes lugares, com procissijes e muitas supplicas e preces, sen- 
do as mais consideráveis com as coroas do Divino Espirito Sancto, 
motivo por que o rico morador dos Biscoitos Mathias Silveira votou 
e edificou uma ermida junto de suas casas, ao lado da estrada, e des- 
de logo se considerou segura toda a freguezia, cessando a lava. Con- 
taram-se outros successos, como sempre acontece, dignos de occupar 
a devoção dos povos, mas que a brevidade me não consente relatar. 

x\inda se conta por mui notável o temporal que no dia 29' de se- 
tembro do anno em que vamos de 1761 houve na ilha, por effeito do 
qual ficaram derribadas muitas casas, e arrancadas muita quantidade 
de arvores, dentro e fora das povoações; succedeu-lhe immediatamen- 
te uma chuva copiosíssima, que fez encher, e tresbordar as ribeiras 
prodigiosamente.» 

(Drummond — Ann. da I. Tcrcpíra. pag. 288-290.) 



XXVII 

ANNO DE 1800 

TREMORES DE TERRA NOS AÇORES. 



wNo anno de 1800 as ilhas dos Açores, e principalmente a Teicei- 
ra; onde eu então lesidia, forão muito agitadas com teiremotos. O 
|)rimeiro abalo: hurn dos mais violentos, aconleceo pela hunia lioia. c 



366 ARCHIVO DOS AÇORES 

Ires quartos depois do meia dia. No Castello de São João Baptista, 
junto à cidade de Angra, estava-se celebrando a festividade deste San- 
to na sua igreja, com o Santissimo Sacramento exposto, e a Custodia 
cahio do Throno. Em toda essa tarde houve repetições com interval- 
los, que algumas vezes não excedião a dez minutos, e das oito para as 
nove horas houve o abalo de terra mais violento de todos. Eu já me 
achava abarracado no meu quintal, como praticarão todas as pessoas, 
que para isso tinhão commodidade; e nunca vi as arvores tão agitadas 
pela impetuosidade dos ventos, como naquelle momento o forão pela 
força do terremoto. Os ramos alternativamente se curvavão para a 
terra, e se levantavão para o ar, o que pmva que a direcção dos mo- 
vimentos era vertical: mas o que se me figurava sentir debaixo dos 
pés erão impetuozas correntes de gazes, que com diversas repetições 
f.izião entumecer a terra, e passavão adiante. 

Por toda aquella noite, e por muitas semanas successivas continu- 
arão os tremores, passando mui poucos dias, em que se não sentis- 
sem alguns; e observei constantemente, que no mesmo instante em que 
o vento passava ao nordeste, começavão os tremores, e cessavão logo 
que o vento mudava de rumo. Somente deixarão de sentir-se com a 
entrada do invírno. 

(José Âccursio das Neves — Entretenimentos cosmologicos, pag. 
á90-291.) 



No presente anno de 1800, no dia 2i de Junho á 1 hor. e 10 min. 
da tarde senlio-se hum violento tremor, que clara, e distintamente co- 
nheci ser na direcção Norte Sul, não causou prejuiso; até ás 2 hor. 
e 2i min. continuei a perceber quatro aballos. 

A's 3 hor. e 10 min. outro. ^ 

As 4 hor. e 4 min. outro. 

A's 5 hor. e 16 min. outro baslanlemente sensível, e cuja duração 
foi não menos de 15 segundos: em todo este tempo estive com o reló- 
gio na mão. 

A's 7 hor. e 57 min. outro. 

As 8 hor. e 20 min. outro: este foi violentíssimo; fez aballar todos 
os edifícios; o terror não me deixou conhecer a direcção; estava á ja- 
nella com o Major Engenheiro, e sua mulher, e apenas cada hum cui- 
dou em livrar-se do perigo a que estava exposto: porém depois, ven- 
do a posição em que ficou a cruz, que está entre as torres da Sé, e 
notando a direcção, em que cahirão as pedras, que estavão nos ângu- 
los das mesmas torres, fiquei persuadido, que os movimentos tinhão 
sido combinados de N. a S., e de E. a O. 

Antes deste tremor três minutos pouco mais, ou menos, notei, que 
estando o mar perfeitamente tranquillo, fizerão as ondas três estam- 
pidos seguidos, e tão violentos, que me sobresaltarão. 



\RCHIVO DOS AÇOHES 367 

A's 9 hor. e 35 min. alé ás 11 hor. e 25 senti quatro tremores, 
sendo todos precedidos de estrondos do mar, os quaes toda a gente, 
(|ue naquella occasião eslava no largo do palácio, percebia muito bem. 
e de tal sorte correspondia, que ouvido o estrondo, predizia-se o 
tremor. 

No dia 2o ás 5 hor. e 35 min. da manhã sentio-se outro baslanle- 
menle extenso, mas de brando movimento. 

Ás 9 hor. e 35 min. outro. 

Ás H hor. e 27 min. outro. 

Ás 2 hor. outro. 

Nos dias 26 e 27 houverão 6 tremores, mas pouco sensíveis. 

No dia 28 ás 9 hor. e 30 minutos outro bastanle sensível. NB. não 
fico pela exactidão da hora, pois que desde o dia 23 não ajustei o re- 
lógio. 

No dia 29 ás 2 hor. depois da meia noite, dizem tremera por Ires 
vezes, e com Ímpeto, porém eu não senti. 

No dia 2 de Julho á \ hor. e 31 min. houve outro bem sensível: 
não pôde dizer-se que nos dous dias antecedentes deixara de tremer: 
a terra sempre esteve convulsa, e assim continuou. 

No dia 3 á meia noite, estando para me recolher, senti estrondos 
do mar semelhantes aos que havia sentido no dia 24. fiz notar isto ao 
Padre Capellão do Excellentissimo Senhor Conde de Almada, e com 
eíTeilo ás três horas houve hum tremor, que muita gente sentiu, e que 
fez acordar o Senhor General. 

Julho 4, ás 6 hor. e 30 min. da manhã houve outro. 

Julho 5, sentirão-se alguns, eu porém não, mas para me certificar, 
dahi por diante atei huma bala de chumbo de peso de seis onças, a 
hum fio, que prendi ao postigo da janella, que. por serem as paredes 
bastantemente grossas, não aballavão com o andar das pessoas: e com 
effeito respondia a todos os abalos da terra. 

Julho 6, ás 9 hor. e 30 min. houve outro. 

Julho 9. ás 2 hor. e 22 min. da tarde outro muito sensível. 

Julho 10, ás 7 hor. e 45 min. da tarde outro semelhante. 

Pessoas ha que aíTirmão haverem sentido alé ao dia 18 alguns 
tremores, eu porém os não percebi. 

Julho 19, ás 6 hor. e 25 min. da tarde tremeo sensivelmente. 

Julho 22, ás 3 hor. e 15 min. houve outro tremor muito sensível. 

Julho 28, ás 8 hor. da tarde outro bastante giande. 

Julho 30. ás 11 hor. e 45 min. da noite outro muito sensível. 

Julho 31. ás 6 hor. e 4 min. da tarde outro bastantemente gran- 
de. 

Agosto 12, á I hor. da tarde outro muito forte. 

Agosto 25. ás 3 hor. da manhã outro tão forte. (|ue foi seiítidd 
por toda a gente. 

Agosto 28, ás 9 hor. e 30 min. outro, mas muilo peijueno. 



:J68 ARCHIVO DOS AÇOKES 

Agosto 30, ás 7 hor. e 30 min. da tarde outro em porto Marfim, 
distante três léguas de Angra, sentio-se também na Agoalva. 

Setembro 3, ás 7 horas da tarde, passou toda a tarde em peque- 
nos tremores, e ás 7 fez hum maior. 

Setembro 4, ás 7 hor. da tarde correspondeo outro semelhante ao 
antecedente. 

Depois deste dia não senti mais movimento algum, não obstante 
haver quem diga, haver tremido algumas vezes, mas como huma só 
pessoa não faz certeza, julgo ser engano. 

(Luiz António de .Araújo— Mew. Chronologica, p. 17-20.1 



Às 3 horas e meia da tarde do dia de S. João, 24 de junho, tre- 
meu a terra com tanta violência, que uma grande parte dos edifícios 
desde o lugar de Villa Nova, ate á villa de S. Sebastião, sofTreram 
grande ruina. principalmente nesta villa, e muitos delles ficaram as- 
solados: mas não perigou pessoa alguma, por se terem acautelado lo- 
go que começaram pequenos aballos. Observou-se que o impulso vie- 
ra da parle de leste. Em todo aquelle dia e noite sentiram-se repeti- 
dos tremores, precedendo lhes o estampido do mar: e foram conti- 
nuando quasi todos os dias até ás 7 horas de 4 de setembro, em que 
houve o ultimo. Julgou-se eíTeito de algum volcâo rebentado no mar. 
No dia immediato foram observadas as furnas do enxofre que estão no 
centro da ilha. notando-se ali o acharem-se crestadas as plantas mus- 
gosas, junto dos respiradouros por onde saia o fumo. Também achei 
noticia de que no dia 20 de dezembro pelas 8 horas da noite, houve- 
ra um grande aballo, que foi seguido por outros mais pequenos: e fo- 
ram estes os. derradeiros do anuo. Logo que succedeu o mencionado 
terremoto de 24 de junho, começaram na cidade e villas muitas pro- 
cissões e penitencias do povo, supplicando a Deus e á Virgem sua 
mãe o exterminio daquelles flagellos. Para este religioso concurso 
prestaram-se os mesarios das casas de Misericórdia, na forma do sem- 
pre louvável costume, levando com a maior veneração e respeito as 
imagens do Senhor Santo Christo, a do Sr. dos Passos, e outras da 
devoção dos povos. 

iDrummond — Aíin. da I. Terceira, T. III, p. M9.) 



DOAÇÕES E CONFIRMAÇÕES DA CAPITANIA 

DA 

ILHA GRACIOSA 
±50'7-V73^ 

A D. Fernando Coutinho e seus successores. 



Dom Felippe á.^ Faço saber aos que esta minha carta de confir- 
mação virem que por parte de Dom Fernando Coutinho marichal de 
meus Reinos filho do marichal Dom Fernando Coutinho que Deos per- 
doe me foi apresentada hua carta dei Rey meu Senhor e avô que san- 
ta gloria aja por elle assinada e passada pela chancellaria da qual o 
treslado he o seguinte: 

Dom Felippe &^ Faço saber aos que esta minha carta de confir- 
mação virem que por parte de Dom Fernando Coutinho marechal do 
meu Reino filho do marechal Dom Fernando Coutinho que Deos per- 
doH me foi apresentada húa carta dei Rey Dom Sebastião meu sobri- 
nho que santa gloria haja por elle assinada e passada pela Chancella- 
ria da qual o treslado he o seguinte: 

Dom Sebastião á^ Faço saber aos que nsta minha carta virem que 
por parte de Dom Fernando Coutinho marichal de meus Reinos me 
foi apresentada hua carta dei Rei meu Senhor e avô que santa gloria 
aja por elle assinada e passada por sua Chancellaria da qual o tresla- 
do he o seguinte: 

Dom João, por graça de Deos, Rey de Portugal e dos Algar 
ves, daquem e dalém mar em Africa e senhor de Guiné e da conquis- 
ta, navegação, commercio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da índia A. '. 
A quamtos esta minha carta virem faço saber que por parte de Dom 
Fernando Coutinho meu amado sobrinho filho de Dom Álvaro Couti- 
nho que Deos aja marichal que foi de meus Reinos me foi apresenta- 
da hua minha carta per mim assinada e asselada do meu sello pen- 
dente de que o treslado he o seguinte: 

Dom João á-.* A quantos esta nossa carta virem fazemos saber que 
por parte de Dom Álvaro Coutinho nosso marechal nos foi apresenta- 

N.« 22-Vol. IV— 1883. H 



370 ARCHIVO DOS AÇOHES 

da hua carta dei Rey meu Senhor e padre que santa gloria haja de 
qne o Iheor tal he: 

Dom Manuel, por graça de Deos, Rey de Portugal e dos Algarves 
daquem e dalém mar em Africa e senhor de Guiné e da conquista, 
navegação, commercio de Etiópia, Arábia, Persya e da índia á.* A 
quantos esta nossa carta virem fazemos saber que por parte de Dom 
Álvaro Coutinho, filho de Dom Fernando Coutinho nosso marichal que 
Deos haja nos foi hora apresentada hOa nossa carta por nós assinada 
e asellada do nosso sello pendente de que o Iheor de verbo ad ver- 
bum tal he como se segue: 

{A carta a que se refei^e a supra, está impressa nn Vol. I, pag. 52 
e 55 d'este Archivo.) 

E pedindonos o dito marechal por mercê que lhe confirmássemos 
a dita carta e visto por nós seu requerimento querendolhe fazer gra- 
ça e mercê temos por bem e lha confirmamos e havemos por confir- 
mada e mandamos que em todo se cumpra e guarde inteiramente co- 
mo se nella contem sem duvida nem embargo algum que ello ponham 
porque assim he nossa mercê. Dada em a nossa cidade de Évora a 
vinte seis (26'i dias de fevereiro (de 1524). Marcos Roiz a fez, anno de 
mil e quinhentos e vinte e quatro. 

E pedindome o dito dom Fernando Coutinho por mercê que por 
quanto o dito marichal Dom Álvaro seu pae era fallecido e elle era 
seu filho barão lidimo mais velho a que a successão da dita ilha Gra- 
ciosa direitamente pertencia (pie lhe confirmasse a dita carta e vistr» 
seu requerimento e por elle ser o filho barão lidimo mais velho que 
do dito seu pae ficou e por folgar de lhe fazer mercê ei por bem e me 
praz de lhe confirmar como de feito confirmo e ei por confirmada a 
dita carta por successão do dito seu pay com todalas clausulas, condi- 
ções, declarações nella contendas e por tanto mando aos juizes, justi- 
ças officiaes e povo da dita ilha e a quaesquer outras pessoas a que 
esta carta for mostrada e o conhecimento delia pertencer que ajão o 
dito Dom Fernando daqui em deanle por capitão da dita ilha e lhe o 
bedeção em todo e cumprão e guardem inteiramente seus mandados 
em tudo o que por bem de justiça e governança delia mandar e o me- 
lão em posse da jurisdição e rendas da dita ilha assim e pela guiza 
que lhe todo pertence e o dito seu pae o havia e possuia por virtude 
da dita carta e melhor se o com direito melhor poder aver e possuir 
sem lhe nisso ser posta duvida nem embargo algum porque assim he 
minha mercê e a carta do dito seu pae que nesta vae tresladada foi 
rota ao assinar desta que por firmeza dello lhe mandei dar por min» 
assinada e asellada do meu sello pendente. Jorge da Costa a fez, na 
cidade de Lisboa a desaseis yVh dias do mez de abril, anuo de mil 
quinhentos cincoenta e dois (1552). Manoel da Costa a fez escrever. 

Pedindome o dito Dom Fernando Coutinho por mercê que por quan- 
to o marichal Dom Fernando seu pae hera falecido e elle hera o seu 



ARCHIVO DOS AÇORES 371 

filho barão lidimo mais velho a que a successão da dita ilha Graciosa 
(lireitamente pertencia que lhe confirmasse a dita carta e visto seu re- 
querimento e por elle ser o filho barão lidimo mais velho que do di- 
to seu pae ficou e por folgar de lhe fazer mercê ei por bem de lha 
confirmar e ei por confirmada com tal declaração que quanto a jur- 
dição usara conforme a outra carta que lhe com esta disso mandei pas- 
sar e com esta declaração mando que se cumpra e guarde inteiramen- 
te assim e da maneira que se nella contem. António Carvalho a fez, 
em Évora aos vinte (20) dias do mez de abril, anno de mil quinhen- 
tos setenta e três (1673). Eu Duarte Dias a fiz escrever. 

E pedindome o dito marichal Dom Fernando Coutinho que lhe con- 
firmasse esta carta e visto seu requerimento e querendolhe fazer gra- 
ça e mercê tenho por bem e lha confirmo e ei por confirmada e man- 
do que se cumpra e guarde inteiramente assim e da maneira que se 
nella contem que por firmeza de todo lhe mandei dar por mim assi- 
nada e assellada com o meu sello pendente. Dada na cidade de Lix- 
boa a quatro ^'4) dias do mez de setembro. Miguel da Costa a fez, an- 
uo de mil quinhentos noventa e três {1598). Eu Ruy Dias de Mene- 
zes a fiz escrever. 

E pedindome o dito marechal Dom Fernando Coutinho que lhe con- 
firmasse a dita carta e visto seu requerimento querendolhe fazer gra- 
ça e mercê tenho por bem e lha confirmo e hei por confirmada e man- 
do que se cumpra e guarde inteiramente assim e da maneira que se 
nella contem e por firmeza disso lhe mandei dar esta carta por mim 
assinada e assellada com o meu sello pendente. Dada na cidade de 
Lixboa a sete (7) de julho. Man-os Caldeira a fez anno de mil e seis 
centos e vinte seis {1626). Eu Ruy Dias de Menezes a fiz escrever. 
{Arch. nac. da T. do T., Confirm. Geraes, Liv. XIV, f. 223.) 



Dom Felippe &.^ Faço saber aos que esta minha carta de confirma- 
ção virem que por parte de Dom Fernando Coutinho marechal de meus 
Reinos filhos do marechal Dom Fernando Coutinho que Deos perdoe 
me foi apresentada hQa carta dei Rei meu Senhor e avò que santa glo- 
lia haja por elle assinada e passada pela chancellaria da qual o Ires- 
lado he o seguinte: 

Dom Felippe &.^ Faço saber aos que esta minha carta de confirma- 
ção virem que por parte de Dom Fernando Coutinho marechal de meus 
Reinos filho do marechal Dom Fernando Coutinho que Deos perdoe me 
foi apresentada hQa carta do senhor Rei Dom Sebastião meu sobrinho 
que santa gloria aja, por elle assignada e passada pela chancellaria 
da qual o Ireslado he o seguinte: 



372 ARCHIVO DOS AÇOHES 

Dom Sebastião á.^ Faço saber aos que esta minha carta virem que 
el Rei meu senhor e avô que santa gloria aja passou hQa sua carta 
por elle assinada e passada por sua chancellaria do modo em que os 
Capitães das ilhas aviam de usar de suas jurdições de que o Ireslado 
he o seguinte: 

Dom João, por graça de Deos, Rey de Portugal e dos Algarves 
daquem e dalém mar em Africa e senhor de Guiné e da conquista, 
navegação, commercio de Etiópia, Arábia, Persya e da índia á-.*. A 
quantos esta minha carta virem faço saber que eu passei bua carta a 
cerqua do modo em que os Capitães das ilhas cada hum em sua Ca- 
pitania avia de usar da jurdição da qual o theor he o seguinte: 

Dom João á-.* A quantos esta minha carta virem faço saber que 
el Rei meu Senhor e padre que santa gloria aja tinha passado hCia 
carta perque declarou o modo em que os capitães das ilhas cada um 
em sua capitania avia de usar da jurisdição nas ditas ilhas da qual o 
theor tal he: 

Dom Manoel &.^ {É a carta impressa a pag. 20.9 do 3.° Vol. doeste 
Archivo, sobre a jurisdição dos capitães das ilhas.) 

E vista por mim ei por bem que posto que a tal provisão acabasse 
por fallecimento dei Rei meu senhor que santa gloria aja por dizer que 
se guardase em quanto fose sua mercê todo o conteúdo na dita carta 
se cumpra e guarde assim como se nella contem em quanto eu ou os 
meus successores não mandarmos o contrario e mando a todos os ca- 
pitães das ditas ilhas e corregedores delias e a cada hum em especial 
que assim o cumprão e guardem e facão mui inteiramente cumprir e 
guardar e a mandem registar nos livros das chancellarias de suas co- 
marquas e nos livros das camarás de cada cidade, villa e lugar delias 
pêra se saber como os ditos capitães ande usar da dita jurdição. Álva- 
ro Fernandez a fez em Évora a vinte dois {22) dias de março de mil 
e quinhentos e trinta e seis (1536) anos. E por quanto na dita carta não 
foi declarado que quando algumas pesoas foram mandadas meter a tor- 
mento pelos ditos capitães ou seus ouvidores se devem de receber 
apellação ás partes ou apellar por parle da justiça quando as partes 
não apellarem e bem assim se quando algumas pessoas se chamão a 
ordens e for pronunciado pellos ditos capitães ou seus ouvidores que 
devem ser remettidos a ellas se apellaram por parte da justiça ei por 
bem que nos ditos cazos e cada hum delles os ditos capitães e seus 
ouvidores recebão apelação as partes quando apelarem e quando não 
apelarem sempre por parte da justiça posto que os cazos porque as 
partes sejão accuzadas sejão taes que caibão em sua alçada e quando 
for pronunciado que não remetem as ordens a pessoa que se a ella 
chamar não serão obrigadas apellar por parle da justiça e porem que- 
rendo a parte apellar, receberlheão apelação posto que o cazo porque 
for acuzado caiba em sua alçada e quando algumas pessoas se chama- 
rem a imunidade da egreja os ditos capitães e seus ouvidores terão 



AhCHlVO DOS AÇOBES 373 

nisso a maneira que por minhas ordenações he mandado que tenhão 
os corregedores das comarquas posto que os cazos em que assim as 
ditas pessoas se chamarem a immunidade da egreja caibão em sua al- 
çada e com Iodas as ditas declarações nesta carta contendas e decla- 
radas mando que se cumpra e guarde como se nella contem em quan- 
to eu ou meus successores não mandarmos o contrario e mando a to- 
dollos capitães corregedores ouvidores das ditas ilhas e a cada hum 
em especial que assim o cumprão e facão inteiramente cumprir e guar- 
dar e registar esta dita carta nos livros das chancellarias de suas co- 
marquas e nas camarás de cada cidade, villa ou Ilugar delias pêra se 
saber como os ditos capitães ande uzar da dita jurdição e ao correge- 
dor das ilhas dos Açores mando que de como esta carta lhe for apre- 
sentada e se registou da maneira sobredita me envie sua certidão que 
se emtregará a Daraiam Dias escrivão de minha fazenda e isto se suar- 
dará assim sem embarguo de quaesquer rloações e provisões que os di- 
tos capitães tenhão em contrario por mim confirmadas e por flrmezade 
lodo mandei passar esta pêra as capitanias das ditas ilhas dos Açores 
por mim assinada e asellada do meu sello pendente. Aires Fernandez 
a fez em Almeirim a vinte e três (23) de março de mil quinhentos qua- 
renta e nove {1549) annos. E mando que esta caria se Ireslade nos li- 
vros das relações das cazas da supplicação do eivei pêra se pello dito 
treslado nas ditas relações saber a maneira em que os ditos capitães 
per virtude desta carta hão de uzar da jurdição nella conleuda da qual 
carta mandei passar esta a Dom Fernando Coutinho marichal de meus 
Reinos pêra conforme a ella haver de uzar da jurdição na sua Capita- 
nia da ilha Gracioza que enteiramente se lhe cumprirá da maneira que 
se nella contem e em outra forma não uzará da dita Capitania. Dada 
na cidade de Évora aos vinte (20) dias do mez de abril. António Car- 
valho a fez, anno de mil quinhentos setenta e Ires (lô73r. e eu Doar- 
le Dias a fiz escrever. 

Pedindome o dito marechal Dom Fernando Coutinho que lhe con- 
firmasse esta carta e visto seu requerimento e querendolhe fazer gra- 
ça e mercê tenho por bem e lha confirmo e ei por confirmada e man- 
do que se cumpra e guarde inteiramente assim e da maneira que se 
nella contem a qual por firmeza de todo lhe nuindei dar por mim as- 
sinada e assellada com o meu sello pendente. Dada na cidade de 
Lixboa a Ires (3) dias do mez de setembro. Miguel da Cosia a fez an- 
no de mil quinhentos noventa e Ires (1093) En Ruy Dias de Menezes 
a fiz escrever. 

E pedindome o dito marechal Dom Fernando Coutinho que lhe 
confirmasse a dita carta e visto seu requerimento querendolhe fazer 
graça e mercê lenho por bem e lha confirmo e ei |)or confirmada e 
mando que se cnuipra e guarde inleiíamenle assim e da maneira ()ue 
se nella contem e por firmeza disso lhe mandei dar esta caria por 
mim assinada e assellada com o meu sello pendente. Dada na cidade 



374 ARCHIVO DOS AÇORES 

(Je Lixboa a quatorze {14) de julho. Marquos Caldeira a fez, anno de 
mil e seis centos e vinte e seis {1626). E eu Ruy Dias de Menezes a 
íiz escrever. 

[Are. nac. da T. do T., Confirm. Geraes, Liv. XIV, f. 225 v.") 



Doação a Luiz Mendes de Elvas. 



Dom AíTonso A.'' Faço saber aos que esta minha carta de doação 
virem que por parte de Luis Mendes de Elvas do meu Conselho e Con- 
selheiro de minha fazenda me foi apresentado hum meu alvará por 
mim assinado e passado por minha chancellaria e hua carta de doa- 
ção tirada da Torre do Tombo de que tudo o treslado hum após ou- 
tro he o seguinte: 

{é o alvará acima e segue assim:) 

Dom AíTonso &.'' Faço saber que por paile de Luiz Mendes de El- 
vas foi apresentado ao guarda mór da Torre do Tombo huma provi- 
são feita em meu nome passada pela chancellaria nas costas de huma 
sua petição de que o treslado he o seguinte — Diz Luiz Mendes de El- 
vas do Conselho de V. Magestade que a elle lhe he necessário o tres- 
lado das cartas que se passarão ao marichal Dom Fernando Coutinho 
da capitania e alcaidaria mor da ilha Graciosa e suas jurdições que es- 
tão na Torre do Tombo nos livros de registo da chancellaria: pede a 
V. Magestade lhe mande passar provisão para o guarda mor da Torre 
do Tombo lhe mandar dar o treslado das ditas cartas na forma custu- 
mada. E receberia mercê. — Despacho — Na forma ordenada. Lixboa cin- 
co de março de seis centos sessenta e seis (1666). — Rubricado pelo 
doutor João Velho Barreto e Rego. 

Dom AíTonso d-.'' Faço saber a vos guarda mor da Torre do Tom- 
bo (jue havendo respeito ao que na petição aqui junta diz Luiz Men- 
des de Elvas do meu Conselho e visto o que allega: hei por bem e 
vos mando que façaes dai' nos [sic) livros que estão na Torre do Tom- 
bo os traslados das cartas que na dita petição faz menção os quaes 
lhe fareis dar na forma ordenada e conforme a ordem que mandei pas- 
sar de como se hão de dar semelhantes traslados ás partes conforme 
assim el Rey nosso senhor o mandou pelos doutores João Velho Bar- 
reto e Rego, Manoel de Magalhães e Menezes, ambos do seu Con- 
selho e seus desembargadores do Paço, António .Marques a fez em Lix- 
boa a cinco (5) de março de seis centos sessenta e seis {1666). Pê- 
ro Sanches Farinha o fez escrever. Em cumprimento da dita provisão 
se buscaram os livros da Torre do Tombo pelo escrivão delia que es- 



ARCHIVO DOS AÇORES 37S 

ta sobescreveo e nos livros dos registos da chancellaria do auno de 
noventa e três até noventa e seis, de confirmações, escrivão Manoel 
da Costa e outros, a foi. 238 está a carta de que o treslado he o se- 
guinte: 

Dom Felippe &^ (é a de Felippe 1° de 4 de setembro de 1593 in- 
cltiida na de D. Fernando Coutinho, e segue:) 

E assim mais e no dito livro f. 141 está outra carta de que o theor 
tal he: 

Dom Felippe &.* {é a outra de Felippe 1° do dia anterior, incluida 
na da confirmação da jurisdição a D. Fernando Coutinho, e segue:) 

E não dizia mais nos registos das ditas cartas de que foi pedido o 
treslado por parte de Luiz Mendes de Elvas do meu Conselho que lhe 
mandei dar em esta minha carta a que se dará tanta fé e credito co- 
mo ao próprio livro de que foram tiradas e com elle concertadas. Da- 
da na cidade de Lixboa el Rei nosso senhor o mandou pelo doutor 
Aires Falcão Pereira, guarda mor da Torre do Tombo, Manoel Pache- 
co de Sousaa a fez, aos sete (7) dias de março de seis centos e ses- 
senta e seis (1666). E vai escripta em dez meias folhas com esta. Eu 
João Pereira Sotto Maior a fiz escrever. Aires Falcão Pereira. 

Pedindome o dito Luiz Mendes de Elvas lhe mandasse passar car- 
ta da dita capitania e alcaidaria mor da ilha Graciosa com as jurdições 
com que a tinha seu antecessor como constava do regimento que (»fe- 
recia tirado da Torre do Tombo e dando de tudo vista ao procurador' 
de minha coroa não teve a isso duvida: hei por bem e me praz fazei - 
lhe mercê de capitão e alcaide mor da ilha Graciosa que foi de Dom 
Fernando Coutinho assim e da maneira que elle a possuia com decla- 
ração que da renda delia pagara cento e cincoenta mil rs. {150*^000) 
que tem de tença e de que fiz mercê a Sebastião Corrêa de Cervella 
em sua vida, tudo na maneira referida no alvará nesta encorporado de 
que dará homenagem segundo ordenança e costume de meus Reinos 
e uzará e será obrigado a cumprir e guardar o Regimento acerca da 
ordem que se hade ter da guarda e defensão da dita ilha e uzará e 
gozará de todos os privilégios, liberdades, izenções contendas na car- 
ta nesta tresladada e naquella forma e maneira que nella he declarado, 
porque de tudo hei por bem que elle uze e se lhe cumpra e guarde 
inteiramente assim e da maneira que forão concedidas e outorgadas 
ao ultimo possuidor delia; pello que mando a todos os dezembargado- 
res. corregedores, ouvidores, juizes, justiças e pessoas a que perten- 
cer e ao povo da dita ilha que tenliâo ao dito Luiz Mendes de Elvas 
por capitão e alcaide mor delia e lhe deixem haver as rendas (|ue lhe 
tocarem constando que me tem dado a dita homenagem e cumprão e 
guardem e façam cumprir e guardar esta minha carta como se nella 
contem, a qual se assentará no livro das mercês que faço e se regis- 
tará nos da Camará da dita ilha de (|ue os oliciaes a (|!ie pt-ilericei' 
passarão suas certidões nas costas delia (jue poi firmeza de tndo llic 



376 ARCHIVO DOS AÇORES 

mandei dar por mim assinada e sellada com o meu sello de chumbo 
pendente e deu fiança a pagar os novos direitos que constar por cer- 
tidão do provedor da fazenda da ilha do rendimento desta capitania e 
alcaidaria mór da ilha Graciosa como constou por certidão do thezou- 
reiro delles serlhe tomada a f. il9. Dada na cidade de Lixboa aos 
dezasete (J7) do mez de dezembro. Manoel Ferreira a fez anno de 
mil seis centos sesenta e seis {1666) Jacinto Fagundes Bezerra a fez 
escrever. — El Rey. 

Arch. nac. da T. do T., Liv. das Doaç. de D. Affonso ^.°, f. 78.) 



Doação nova, a Pedro Sanches Farinha. 



Dom Pedro, por graça de Deos, Príncipe de Portugal e dos Algar- 
ves daquem e dalém mar em Africa e de Guiné da conquista navega- 
ção de Ethiopia, Arábia. Pérsia e da índia A.* como Regente e gover- 
nador dos ditos Reinos e senhorios faço saber aos que esta minha car- 
ta de doação (feita por mercê nova) virem que por parte de Pedro 
Sanches Farinha do meu Conselho, secretario do despacho das mer- 
cês e expediente me foi presentado hum alvará por mim assignado e 
passado pela chancellaria do qual o treslado he o seguinte: 

Dezembargadores do Paço, amigos; tendo respeito aos serviços que 
Pedro Sanches Farinha do meu Conselho, e meu secretario de mercês 
e expediente tem feito de vinte e quatro annos a esta parte e parti- 
cularmente aos que me fez, depois de occupar o dito oíficio de secre- 
tario, em satisfação de todos: Hey por bem fazerlhe mercê da capita- 
nia e alcaidaria mor da Ilha Graciosa que vagou por falecimento de 
Luís Mendes de Elvas para a ter em sua vida somente: Pelo que vos 
mando lhe façaes passar carta de doação nesta conformidade ; na 
qual se tresladará este alvará que mando se cumpra e guarde intei- 
ramente como nelle se contem, e pagará o novo direito se o dever na 
forma de minhas ordens, .\ntonio Marques o fez, em Lixboa a dezoito 
18) de maio de mil e seis centos e setenta e quatro (1674). Francis- 
co Pereira de Castel Branco o fez escrever. Príncipe (*). E assim mais 
me foi aprezentado o treslado de doação, tirada dos livros dos regis- 
tos da chancellaria, que se passou a Luiz Mendes de Elvas de que o 
treslado he o seguinte: 

Eu el Rey, faço saber aos que este alvará virem que por se acha- 



(•) Este alvará está registado no Liv. 31 de Doar. de D. Affonso VI, a folhas 
4:í V.». 



ARCHIVO DOS AÇOKES 377 

rem providas as alcaidarias mores de Moreira e Penedono que se no- 
mearão a Luiz Mendes dElvas do meu Conselho e do de minha fazenda 
por portarias de dezanove (Í5) de dezembro de seis centos e sessenta e 
dois (1662) e vinte e seis {26) de fevereiro de seis centos sessenta e 
três {1663) e querer se dê cumprimento aqiiella mercê tendo respei- 
to aos serviços por que lha fiz e ao que hora me representou: Hey 
por bem fazer-lhe mercê de Capitam e Alcaide mor da Ilha Graciosa 
que foi de Dom Fernando Coutinho assim e da maneira que elle a pos- 
saio com declaração que da renda delia pagará cento e cincoenla mil 
reis que tem de tença e de que tiz mercê a Sebastião Corrêa de Lor- 
vella em sua vida: mando aos meus desembargadores do Paço lhe façam 
passar carta de Capitão e Alcaide mor na forma referida, pondose ver- 
bas nos registos dos primeiros despachos que não tiverão effeilo. E pa- 
gou de novos direitos trinta reis que foram carregados ao Thezoureiro 
delles a f. 80 do livro de seu recebimento. Manoel do Couto o fez em 
Lisboa a sete (7) de abril de mil e seis centos e sessenta e seis {1666). 
Jacinlho Fagundes lieserra o fez escrever. = Rey. 

Pedindome o dito Pedro Sanches de Farinha lhe mandasse passar 
carta de doação da dita Capitania e Alcaidaria mór, e visto seu reque- 
rimento e não ter a isso duvida o procurador da coroa e por lhe fa- 
zer mercê: Hei por bem e me praz de lha fazer da dita Capitania e 
Alcaidaria mór da Ilha Graciosa que vagou por fallecimento de Luiz 
Mendes de Elvas para que a tenha, haja e possua em dias de sua vi- 
da somente, como se declara no alvará de dezoito {18) do presente 
mez de maio nesta tresladado: e de hua e outra cousa me fará preito e 
homenagem na forma da ordenação: segundo foro e costume destes 
Reinos e uzará e será obrigado a cumprir e guardar o Regimento da 
ordem que hade ter na guarda e defensão da dita ilha. Pelo que man 
do a todos os desembargadores, corregedores, ouvidores e justiças, 
officiaes e pessoas a quem o conhecimento disto pertencer, e a todos 
os moradores e ofjiciaes das camarás da dita ilha Graciosa que C()nstan- 
do por certidão posta nas costas desta de Francisco Corrêa de Lacer- 
da do meu Conselho e secretario de estado de como Pedro Sanches 
de Farinha me tem dado homenagem na maneira que dito he, lhe 
dêem posse da dita Capitania e Alcaidaria mor, e por Capitam e Alcai- 
de mór da dita ilha o hajam e conheçam e lha deixem ter e delia u- 
zar, e de todas as jurisdições, preeminências, previlegios. liberdades, 
e izenções, e haver e arrecadar todas as rendas, foros, direitos, pre- 
calçose interesses que lhe direitamente pertencerem: assim e da ma- 
neira que tinha e levava o dito Luiz Mendes de Elvas e lhe foram con- 
cedidas na carta de doação nesta incorporada que se cumprirá intei- 
ramente como nella se contem: e por firmeza de tudo lha mandei pas- 
sar por mim assignada e sellada com o meu sello pendente de chum- 
bo e se registará nos livros da camará da dita ilha e se assentará no 
livro das mercês que faço e pagará primeiro os novos direitos se os 

N.^» 22-Vol. IV -1883. lá 



378 ARCHIVO DOS AÇORES 

dever na forma das minhas ordens. Dada na cidade de Lisboa a irinla 
de maio. António Marques a fez, anno do nascimento de nosso Senhor 
Jezus Christo de mil e seis centos e settenta e quatro. Francisco Pereira 
Castello Branco a fez escrever— o Principe — O Marquez mordomomor 
prezidente. Por alvará de S. A. de 18 de mayo de 1674 e despacho 
da meza do Desembargo do Paço de 25 do dito mez e anno. João Velho 
Barreto (do Rego). Pagou outenta e sete mil e sessenta {87&060) reis 
e aos officiaes nada por quitarem seus direitos. Lisboa 31 de julho de 
1674. Dom Sebastião Maldonado. A f. 112 do livro da receita dos di- 
reitos novos ficam carregados ao Thesoureiro João da Rocha cincoen- 
ta e quatro mil e quatro centos e setenta e cinco 54^475) reis; e a 
outra tanta quantia deu fiança; que tudo faz a quantia que deve, as- 
sim das doações, como da renda da alcaidaria e capitania desta ilha. 
e a fiança vai no livro delias a f. 98.— Lisboa 21 de Agosto de 1674. 
Jerónimo da Nóbrega de Abreu.- Joam da Rocha.— Concertado, Ma- 
noel Pinto. 

{Arch. me. da T. do T.. Liv. XIV das Doac. da D. Affonso G."", 
foi 112.) 



Doações a Rodrigo Sanches Baena Farinha. 

Houve S. Magestade por bem (») tendo respeito a haver deferido ao 
dito Rodrigo Sanches Baena Farinha por portaria de 20 de fevereiro 
de 1705 com a mercê da Alcaidaria mor da Ilha Graciosa para seu filho 
Manoel Joseph e hora representar falecera da vida prezenle tendo so- 
mente tirado os despachos em seu nome a que tendo S. Magestade 
consideração e ao mais que por parte do dito Rodrigues Sanches se 
representou: Ha por bem fazerihe mercê da Alcaidaria mór acima re- 
ferida que em seu filho não chegou a ter eífeito pondose nos despa- 
chos que se houverem passado e em seus registos as verbas e decla- 
rações necessárias de que lhe foi passado alvará a 18 de julho de 1707. 
E por hua postilla ha S. Magestade por bem que o alvará acima es- 
cripto passe pela chancellaria sem embargo de ser passado o tempo 
da ley e delia em contrario e a postilla foi feita a 13 de Agosto de 
1708. Pedindo a S. Magestade o dito Rodrigo Sanches Baena Farinha 
lhe mandasse passar carta de doação da Capitania e Alcaydaria mor 



(•) Este documento é precedido da nota seguinte: 

Rodrigo Sanches de Baena e Farinha disserão ser filho de Pedro Sanches 
Farinha. Tem titulo no Livro 9 dei Rey D. Pedro o 2.», foi. .ITe, vem do Livro 25. 
foi. 50. 



ARCHIVO DOS AÇORES 379 

e visto seu requerimeato e resposta do procurador da coroa a que se 
deo vista e não teve a isso duvida e por lhe fazer raercè: Ha S. Ma- 
geslade por bem de lha fazer da dita Capitania e Alcaidaria mor da I- 
Iha Graciosa que em seu filho Manoel Joseph não chegou a ter effeito 
para que a tenha, haja e possua em dias de sua vida na forma do al- 
vará de 18 de julho acima trasladado e de hQa e outra cousa para 
preito e homenagem na forma da ordenação segundo foro e custume 
destes Reinos e uz;irá e será obrigado a cumprir e guardar o regimen- 
to da ordem que hade ter na guarda e defensão da dita Ilha e man- 
da S. Magestade a todos os dezembargadores. corregedores, ouvido- 
res, justiças, oíBciaes e pessoas a que o conhecimento disto pertencer 
e a todos os moradores e oíliciaes das Gamaras da dita Ilha Graciosa 
lhe dem posse da dita Capitania e Alcaidaria mor e por Capitão e Alcai- 
de mor da dita Ilha o hajão e conheçam e lha deixem ter e delia uzar 
e de todas as jurdições, preheminencias, previlegios, liberdades e isen- 
ções, e haver arrecadar todas as rendas, foros, direitos, percalços e 
interesses que direitamente lhe pertencerem assim e da maneira que 
tinha e uzava Pedro Sanches de Farinha, seu Pay, por cujo faleci- 
mento vagou a dita Capitania e Alcaidaria mor e lhe foram concedi- 
das na carta de doação que nesta vinha incorporada de que lhe foi 
passado carta a 26 de dezembro de 1708. — Depois do alvará acima 
vinha encorporada nesta carta a que está registada no livro 1." das 
Doações da Ghancellaria. foi. 109, passada a Pedro Sanches Farinha. 

{Arch. nac. da T. da T., Livro 2." das Mercês de D. João V, foi. 



Dom João, por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves da- 
quem e dalém mar em Africa senhor de Guiné e da conquista nave- 
gação commercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &.^ Faço saber 
aos que esta minha carta de Doação feita por mercê nova virem que 
por parte de Rodrigo Sanches Baena Farinha me foi apresentado hum 
alvará por mim assignado e passado pela chancellaria do quall o trel- 
lado he o seguinte: 

Eu El Rey, faço saber que tendo respeito a haver deferido a Ro- 
drigo Sanches Baena Farinha por portaria de vinte (20) de fevereiro 
de mil sete centos e cinco {1705) com a mercê da alcaidaria mor da 
ilha Graciosa para seu filho Manoel Joseph e ora me representar fale- 
cera da vida presente tendo somente tirado os despachos em seu no- 
me e tendo eu consideração ao mais que por parte do dito Rodrigo 
Sanches se me representou: liei por bem fazerlhe mercê da alcaida- 
ria mór referida que em seu filho não chegou a ter a effeito pondo- 
se nos despachos que se houverem passado e em seus registos ver- 
bas e declarações necessárias, pelo que mando aos meus desembar- 



380 ARGHIVO DOS AÇORES 

gadores do Paço que nesta conformidade lhe facão passar carta da di- 
ta Alcaidaria mor na qual se trasladara este alvará que se cumprirá 
como nelle se contem e valerá posto que seu eíTeito haja de durar 
mais de hum anuo seu enihargo da ordenação livro 2.° titulo 40 em 
contraiio e pagou de novos direitos trinta reis que se carregaram 
ao thezoureiro delles a f. 26 do livro 2.° de sua receita e se registou 
o conhecimento em forma no livro primeiro do Registo Geral a f. 334 
v.^.~- Joseph da Maia e Faria o fez, em Lisboa a 18 de julho de mil 
sete centos e sele (i7í>7).— Manoel de Castro Guimarães o fez escre- 
ver.— Rey. 

E assim mais me foi apresentada a carta de doação que se passou 
a Pedro Sanches de Farinha de que o Ireslado he o seguinte: 
Dou) Pedro d.'* {Esta caria está inipirssa atraz o p. 076*.) 
Pedindonos o dito Rodrigo Sanches Raena Farinha lhe mandasse 
passar carta de doação da dita Capitania e Alcaidaria mor e visto seu 
requerimento e resposta do procurador da coroa a que se deu vista e 
não tem a isso duvida e por lhe fazer mercê. Hei por bem e me praz 
de lha fazer da dita Capitania e Alcaidaria mór da ilha Graciosa que 
em seu filho Manoel Joseph não chegou a ler eíTeito. para que a te- 
nha e haja possua em dias de sua vida na forma do alvará de dezoito 
de Julho nesta tresladado e de huma e outra cousa me fará preito e 
homenagem na foi uia da ordenação segundo foro e costume destes Rei- 
nos e uzará e será obrigado a cumprir o Regimento da ordem que 
hade ler na guarda e defensão da dita Ilha pelo que mando a lodos 
os Desembargadores, Corregedores, ouvidores e justiças oíTiciaes e 
pessoas a quem o conhecimento desto pertencer e a todos os mora- 
dores e íifficiaes das camarás da dila Ilha Graciosa que constandolhe 
por certidão posta nas costas desta de Diogo de Mendonça Corte Real 
do meu Conselho e secretario de estado de como o dito Rodrigo 
Sanches Raena Farinha me tem dado homenagem na maneira que 
dito he lhe dou posse da dita capitania e alcaidaria mor da dita 1- 
Iha o hajam e conheçam e lha deixem ter e delia uzar e de todas as 
jurisdições, preeminências, privilégios liberdades e isenções e haver e 
arrecadar todas as rendas, foros, diíeitos, percalços e interesses que 
direilamtMile lhe pertencerem assim e da maneira que tinha e levava 
Pedro Sanches Farinha seu pay por cujo falecimento vagou a dita ca- 
pitania e alcaidaria mor e lhe foram concedidas na carta de doação 
nesta incorporada que se cumprira inteiramente como nella se contem, 
por firmeza de tudo lha mandei passar por mim assignada e sellada 
com o meu sello pendente de chumbo e se registará nos livros da Ca- 
mará da dita Ilha e se assentará nos livros das mercês que faço e pagou 
de novos direitos do honorifico cinco mil e seis centos (5^600) rs. que 
se carregaram ao Thezoureiro delles a f. 13 do L.° primeiro de sua re- 
ceita e se registou o conhecimento em forma no L.° 1.° delias a f . 5 a 
pagar em termo de seis mezes o que dever da mercê referida. Dada 



ARCHIVO DOS AÇORES 381 

na cidade de Lisboa a seis (6') de Dezembro. Joseph da Maia e Faria 
a fez, anno do nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de mil sete 
centos e oito (1708). Grátis. Manoel da Costa Guimarães a fez escrever. 
El Rei.=Joseph Galvão de Lacerda=-Manoel Carneiro de Sá=Manoel 
Lopes de Oliveira, Ctianceller môr=Pagou trinta e outo mil e trezen- 
tos {38^300) rs. da jurisdição desta capitania e do honorifico e renda 
de alcaide mór cincoenta e quatro mil duzentos e sessenta (54è>260) rs. 
e aos oíTiciaes com o cordão treze mil e setecentos ( 13^700). Lisboa 
24 de Janeiro de 1709. E ao escrivão do Paço cinco mil quarenta e 
oito (õé048) reis.=lnnocencio Corrêa de Moura. =Concertada. Joseph 
Corrêa de Moura. 
(Arch. nac. da T. do T., L." l.'' das Doaç. de D. João V, f. 302 r.") 



Doações a Pedro Sanolies Farinha de Baena. 

(Incluindo a Alcaidaria Mór da ilha do Fayal.) 

Dom João por graça de Deos Rei de Portugal á-.* Faço saber aos 
que esta minha carta virem que por parte de Pêro Sanches Farinha de 
Baena me foi apresentado hum alvará por mim assignado e passado 
pela minha chancellaria de que o treslado é o seguinte: 

Eu El Rey faço saber que tendo respeito a me representar Pedro 
Sanches Farinha de Baena, fidalgo de minha casa, e eslarlhe julgado por 
sentença do juizo das justificações do reino a acção de requerer as 
mercês' das alcaidarias mores das Ilhas do Fayal e Graciosa em que 
por portaria de onze(ii) de outubro de 1713 se concedeo huma vida 
a seu pae Rodrigo Sanches de Baena Farinha que por ter falecido lhe 
fica pertencendo como seu filho e successor de sua caza a dita vida: 
Hey por bem fazerlhe mercê (alem de outras) das alcaidarias mores 
das ilhas do Fayal y Graciosa, ficando por estas mercês extincta a vi- 
da que nas referidas alcaidaiias mores tinha o dito seu pay Rodrigo 
Sanches Farinha pela dita portaria de onze {11) de outubro de 1713. 
a qual se rasgará e em seu registo se porá a verba necessária, e a 
margem do registo da portaria por onde este alvará se obrou, se po- 
rá também a verba necessária: pelo que mando aos Desembargadores 
do Paço que sendolhes apresentado este alvará por mim assignado e 
passado pela minha chancellaria lhes facão passar cartas em forma das 
ditas Alcaydarias mores, nas quaes cartas se Iresladará este alvará que 
se cumprirá como nelle se contem e pagou de novos direitos sessenta 
reis que se carregaram ao thezoureiro delles a foi. 295 do livro 20 
de sua receita e se registou o conhecimento em forma no livro 17 do 
registo geral a f. 340 v.". Lisboa 30 de setembro de 1733 annos.= 
Rey=Antonio de Castro Guimarães o fez escrever. Joseph da Maya e 
Faria o fez. 



382 ARCHIVO DOS AÇORES 

Pediudorae o dito Pedro Sanches Farinha de Baena que conforme 
ao dito alvará lhe mandasse passar cartas das ditas alcaidarias mores 
e visto seu requerimento e resposta do procurador da minha coroa 
que não teve a isso duvida e por fazermercè ao dito Pedro Sanches Fa- 
rinha de Baena: Hei por bem de lha fazer (alem de outras) da alcaidaria 
mór da Ilha do Fayal, ficando por esta mercê extincta a vida que na re- 
ferida alcaidaria mór tinha o dito seu pae Rodrigo Sanches Farinha pela 
dita portaria de onze {11) de outubro de 1713 para que a tenha, haja 
e possua em dias de sua vida, assim e da maneira que os alcaides mo- 
res tem as mais alcaidarias destes meus Reinos e como direitamente 
lhe pertence e pide pertencer, da qual alcaidaria mór elle me fará 
preito e homenagem na forma da ordenação, segundo foro e costumes 
destes Reynos e lhe será dada posse delia pelo corregedor da comar- 
ca das ilhas dos Açores, ao qual mando e a todas as mais justiças, 
«jíficiaes e pessoas a quem esta minha carta for mostrada e o conhe- 
cimento delia pertencer que constando por certidão posta nas costas 
desta do meu secretario a que tocar como o dito Pedro Sanches Fari- 
nha de Baena me tem dado homenagem e assim pelo auto de posse 
de como lhe he dada na maneira que dito he o hajam e conheçam por 
alcaide mór da ilha do Fayal e lha deixem ter e delia uzar, haver e 
arrecadar todas as rendas, foros e direitos, percalços e interesses que 
lhe direitamente pertencerem, assim como tudo tinham e levavam os 
mais alcaides mores que antes delle foram porque assim he minha 
mercê e lhe cumprão e guardem inteiramente esta carta como nella 
se contem, a qual se registará nos livros dos meus próprios da conta- 
doria da dita comarca e assentará no livro das mercês que faço para 
em lodo o tempo se saber como fiz mercê da dita alcaidaria mór ao 
dito Pedro Sanches Farinha de Baena, e por firmeza de tudo lhe man- 
dei passar a presente por mim assignada e sellada com o meu sello 
de chumbo pendente e pagou de novos direitos o?^600 rs. que se car- 
regarão ao thezoureiro delles a foi. 151 v." do livro 21 de sua recei- 
ta e deu fiança no livro S." a foi. 292 a pagar de todo o rendimento 
que a dita alcaidaria tiver e registou o conhecimento em forma no li- 
vro 18 do registo geral a foi. 97. Dada em Lisboa Occidental a dous 
{2} de janeiro de 173i annos.=EI Rey.=Por despacho do desembar- 
go do Paço de 23 de novembro de 1733. Gregório Pereira Fidalgo da 
Silveira. António Teixeira Alves. António de Castro Guimarães a fez 
escrever. Joseph da Maia de Faria a fez. Joseph Vaz de Carvalho. Pa- 
gou 16)^800 do honorifico e deu fiança aos direitos da chancellaria que 
se liquidarem dever da renda que tiver com esta alcaidaria mór e aos 
ofliciaes quatro mil e cem (MlOO) reis.= Lisboa Occidental 4 de Fe- 
vereiro de 173i=Como Vedor Innocencio Ignacio de Moura=Concer- 
tado Innocencio Ignacio de Moura. 
(Arch. naç da T. do T., Lie. 122," das Doac. de D. João V, f. 4 y.») 



ARCHIVO DOS AÇORES 383 

Dom João, por graça de Deus Rey de Portugal á-.^ Faço saber aos 
que esta minha carta virem que por parte de Pêro Sanches Farinha 
de Baena me foi apresentado hum alvará por mim assignado e passa- 
do peia chancellaria de que o tresiado he o seguinte: 

Eu El Rey á/ Faço saber que tendo respeito a me representar Pe- 
dro Sanches Farinha de Baena fidalgo de minha casa e estarlhe julga- 
do por sentença do juizo das justiGcações do Reino a acção de reque- 
rer as mercês das alcaidarias mores das Ilhas do Fayal e Graciosa em 
que por portaria de onze de outubro de 1713 se concedeo huma vida 
a seu pay Rodrigo Sanches de Baena Farinha que por ter falecido lhe 
fica pertencendo como seu filho e successor de sua casa a dita vida: 
Hei por bem fazerlhe mercê (alem de outras) das alcaidarias mores 
das ilhas do Fayal e Graciosa, ficando por estas mercês exlincla a vi- 
da que nas referidas alcaidarias mores tinha o dito seu pay Rodrigo 
Sanches Farinha pela dita portaria de onze {11) de outubro de 1713 
a qual se rasgará e em seu registo se poz a verba necessária e a mar- 
gem do registo da Portaria por onde este alvará se obrou se porá tam- 
bém a verba necessária. Pelo que mando aos meus Desembargadores 
do Paço que sendolhes apresentado este dito alvará por mim assigna- 
do e passado pela chancellaria lhe façam passar cartas em forma das 
ditas alcaidarias mores nas quaes se trasladará este alvará que se 
cumprirá como nelle se contem e pagou de novos direitos sessenia 
reis que se carregaram ao thezoureiro delles a f. 295 do Livro 2." de 
sua receita e se registou o conhecimento em forma no Livro 17 do 
Registo Geral a foi. 340 v.".=-Lisboa Occidental 30 de setembro de 
1733.=Rey.=Antonio de Castro Guimarães a fez escrever. Joseph da 
Maia e Faria o fez. 

Pedindome o dito Pedro Sanches Farinha de Bahena que conforme 
ao dito alvará lhe mandasse passar cartas das ditas alcaidarias mores, 
e visto seu requerimento e resposta do Procurador da minha coroa 
que não teve a isso duvida e poi' fazer mercê ao dito Pedro Sanches 
Farinha de Baena: Hei por bem de lha fazer (alem de outras) da al- 
caidaria mór da Ilha da Graciosa ficando por esta mercê extincta a vida 
que na mesma alcaidaria mór tinha o dito seu pae Rodrigo Sanches 
Farinha pella dita portaria de onze {11) de outubro de 1713 para que 
a tenha, haja e possua em dias de sua vida assim e da maneira que 
os alcaides mores tem as mais alcaidarias mores destes meus reinos 
e como direitamente lhe pertence e pode pertencer da qual alcaidaria 
mór elle me fará preito e homenagem na forma da do livro da orde- 
nação segundo foro e costumes destes Reinos e lhe será dada pos- 
se delia pelos corregedores da comarca das ilhas dos Açores ao qual 
mando e a todas as mais justiças ofíiciaes e pessoas a quem esta mi- 
nha carta for mostrada e o conhecimento delia pertencer que constan- 
do por certidão posta nas costas desta do meu secretario a que tocar, 
como o dito Pedro Sanches Farinha de Baeria me tem dado homena- 



38i 



ARCHIVO DOS AÇORES 



geme assim pelo auto da posse de como lhe he dada na maneira que 
dito je o hajam e conheçam por alcaide mór da dita ilha Graciosa e 
lha deixem ter e delia uzar e haver e arrecadar todas as rendas fo- 
ros e direitos, precalços e interesses que lhes direitamente pertencerem 
assim como tudo tinham e levavam os mais alcaides mores que antes 
delle foram porque assim he minha mercê e lhe cumprão e suardem 
inteiramente esta carta como nella se contem a qual se registará nos 
livros dos meus próprios da contadoria da dita commarca e se assen- 
tara no hvro das mercês que faço para em todo o tempo se saber co- 
mo hz mercê da dita alcaidaria mór ao dito Pedro Sanches Farinha de 
Baena, e por íirmeza de tudo lhe mandei passar a presente por mim 
assignada e sellada com o meu sello de chumbo pendente e pagou de 
-novos direitos cino mil e seis centos <:õ^S600) reis que se carregarão 
ao thezourein. delles a foi. 151 v.» do livro 11 de sua receita e deu 

fltUfJ^rr '7 "-l '^'"''■' ^''- -^^ ' ^''^'''^' lodo o rendimento que 
lyer a di a alcaidaria mor e se registou o conhecimento em forma no 
hvro 18 do Registo Geral a foi. 97. Dada em Lixboa aos (2) dous de 
janeiro de \j,U annos.-EIRey.-Por despacho do Desembargo do Pa- 
ço de -23 de. novembro de 1733. Gregório Pereira Fidalgo da Silva. 
António Teixeira Alves. António de Castro Guimara-es a fez escrever 
Joseph da Vlaia e Faria a fez. Joseph Vaz de Carvalho. Pagou 16í5í800 
do hononhco e deu tiança aos direitos de Chancellaria (lue se liquida- 

í'^Tní'7''K T^^ ''"V!''.'' '^"^ ^'^' alcaidaria mór e aos officiaes 
ít^W[). Lisboa Oocidental í de Fevereiro de 1734. Como Vedor Inno- 
cencio Ignacio de .Moura. 

{Arch. me. d'i r. ih r., Ur. 122 de Doaç. de D. João F, /". õ v.\) 

Pallectíndo Pei-o Sanches Farinlia Baena em 18 de Fevereiro de 1737 preten- 
dtío sua u-rnã D. Izabel There/.a Farinha Baena, casada com D. Fernando d'AI- 
meifla, ser provida na capitania da ilha Graciosa, mas debalde. 

{Nota é) Dr. João Teixeira Soares.) 






ARGHIVO DOS AÇORES 



os CORTE-REAES 

IMeMORIA j-IlSTORlCA * 



Capitulo i 

A família corte real, sua origem e descendência. 

Os Corte-Reaes são um ramo da antiga família dos Costas, que o 
Dr. G. Fructuoso (1) pretende ter origem em Reymão da Costa, um 
dos cruzados francezes. que em lli7. ajudaram D. Affonso Henriques 
a conquistar Lisboa. Com eífeito em 1154 havia um Gonçalo d;i Costa, 
que com a sua assignatura, alem das de vários personagens, conlirmou 
a escriptura do Couto do Mosteiro de Semide, (2) O mesmo nome appa- 
rece no Livro manuscripto das Homilias de S. Agostinho, do .Mosteiro 
de Santa Cruz de Coimbra, aonde com outros foi no dia 4 de dezembro 
contar o ouro d'Elrei, como refere o Fr. António Brandão: accrescen- 
tando, que na Doação feita pela Camará dAlvito ao Chanceller de D. 



(•) A presente Memoria compõe-se principalnieiite dos elementos, que pelo 
iiunrosG convite de Mr. Henry Harisse, tivemos de coiiigii' afim de lhe Ibrnecef 
noticias para a (composição de uma sua Memoria sobre os Corte Reaes. Como, 
porém, alguns dos documentos encontrados são assas importantes para não de- 
verem ficar ignorados dos leitores portuguezes. aqui os publicámos para os vul- 
garisar. Longe de nós a idêa de entrarmos em coiiipetencia com o illustre criti- 
co. A tout seignetir, tout honneur. K- '- 

(1) Saudades da Terra, Liv. VL cap. 9. 

(2) Frey Ant. Brandão, Monarchia Luiitana, T. Ill, p. 25;j. 

N.° 23-Vol. IV -1883. I 



386 ARCHIVO DOS AÇOKES 

Affonso (1248-1279^— Esleveanes— se encontra o nome de— Marlin^i 
IMen da Costa, Alcaide dEvora. 

Na Carta de Foral da Ega (3) feita em i23I depois da assignatu- 
1 a de D. Sancho II, rei de Portugal, e da de D. Simão Mendes, Com- 
mendadoí de Thomar segue-se a de : Frater âomniis petrns cosiam 
comendator pahimbaris (D. Fr. Pedro da Costa, Comendador de Pom- 
bal.) 

Na impossibilidade de fundamentar tal linhagem, tomam os genea- 
logistas mais conspícuos, (4) para tronco do ramo dos Corte-Reaes— a 
Vasqueanes da Costa, cavalleiro muito honrado, morador em Tavira. 
no Algarve. 

Fernão Lopes, nosso primeiro chronista, (5i na lista das pessoas 
(jue ajudaram o Mestre dAvis (depois D. João Ii a defender o rei- 
no das aggressões castelhanas diz: «do Reino do Algarve, de Tavira... 
VascoeanVes pay de Vascoeannes Corte Real.» O que prova não só a fi- 
iiação, mas igualmente qual foi o primeiro que usou do appellido Cor- 
te Real. 

Vasco Annes da Costa, leve de sua mulher três filhos: 

— Vasco Annes Corte Real, que segue § 1 

— Gil Vaz da Costa, « « | II 

— AíTonso Vaz da Costa, que parece ser o Afoin Vasques 

da Costa, armado Cavalleiro em Africa no anno de 
1435. segundo a Chionica de D. Duarte de Menezes-, 
pag. 69. 

§ I Vasco Annes Corte Real. 

São confuzas as tradições sobre a origem do cognome — Corte 
Real— de que Vasco Annes foi o primeiro a usar. ao que parece co- 
mo distincção pessoal e honrosa. A tradição conservada na familia, 
exposta por Jeronyjiio Corte Real, está concorde com Fernão Lopes. 
Eis como o poeta descreve seu trisavô: 

wAquelle em Portugal antigamente 
»Já Vasqueanes da Costa foi chamado, 
»Do corpo, e membros forte, muy valente. 
)>De coração feroz, e animo ousado: 



(."í) Alex. Herculano, Portugaliae Momimenta — Leges et Consitetudines. \oi. I 
l>. 622, in fine. 

(4) D. António de Lima e Xisto Tavares, Nobiliários MS. 

(5) Chronica de D. João /, Parte I, cap. 159, {i. 31.3 



ARCHIVO DOS AÇORES -587 



wDe geração antiga descendente, 
) Fronteiro mór do Algarve intitulado: 
3)Era também, (que nada então iho tira) 
«Alcaide mór de Silves, e Tavira. 

»A este dotou a madre natureza 
oDe forças admiráveis, e possantes 
■íí Tanto, que na mundana redondeza, 
«Nenhum se lhe iguallou, despois, nem anle; 
»A quebrantar qualquer grande dureza, 
i)As fortíssimas mãos erão bastantes: 
«Acompanhado andava d^escudeiros, 
')Nas armas esforçados, e guerreiros. 

')EIRey Dom João primeiro de louvada 
«Memoria, lá em Tavira desterrado 
«O tinha, por que aquella, que julgada 
'•)P()r molher se lhe deu com real mandado, 
wNunca vista foi mais, nem mais achada: 
sOlhai, que faz hum animo afrontado, 
»0 que do Rey não pode alli vingarse, 
«Quer sem razão à raisera tornarse ? 

'■:Huns dizem, que a escondeo de raiva pura. 
»Por fazer desprazer ao sogro imigo: 
«Outros dizem, que a pos em prisão dura, 
aEm cárcere secreto, por castigo: 
■) Outros, que lhe deu logo a sepultura: 
•)Desta opinião sou eu, e assi o digo: 
)Pois escondida, ou presa, ou sepultada, 
«Nunca atégora foi já mais achada. 

a O Rey do caso infando pesaroso. 
«Doido do fim triste da innocente, 
«Que inda que foi coberto, e duvidoso, 
»Toda via a verdade estava urgente: 
«Manda o Rey neste caso criminoso, 
•')(Avenda que foi nelle delinquente) 
■vQue se ponha em Tavira, como digo. 
')E de alli não se saya por castigo. 



388 ARCHIVO DOS AÇORES 

»Nesla tal conjunção, aqui aportarão 
»Dous fortes, e animosos estrangeiros, 
»E ante eIRey Dom João se apresentarão, 
«Dizendo ser de França aventureiros: 
«Logo juntos os dous desafiarão 
»0s seus nobres, e insignes cavalleiros: 
»Mas nenhum respondeo ao cartel posto. 
«Mostrando disto eIRey grande desgosto. 

»Hum daquelles, que alli estava presente, 
»Que Magriço d'alcunha se chamava, 
«Varão forte, e nas armas mui valente, 
»Ao Rey da boa memoria se chegava: 
«Com animo indignado, e peito ardente. 
)»A cólera movido, e fúria brava: 
«Estes de longe os traz, disse, orgulhosos, 
«Nome dos Portugueses tão famosos. 

«Grande infâmia seria, se tornassem. 
«Sem levar a reposta merecida, 
«Porque, se no mundo isto publicassem. 
«Ficara vossa corte escurecida: 
«Pareceme, senhor, bem que levassem 
»0 pago da demanda assi atrevida: 
»E não se vão gabando dentro a França, 
«Dizendo que tememos a sua lança. 

»Mandai, senhor, chamar com brevidade 
«Esse fronteiro mór, que desterrado 
))Lá em Tavira está, cuja bondade, 
»Cujo valor nas armas estremado: 
»Que sabendo do caso a qualidade, 
«Virá, e este cartel será acceitado: 
»Eu serei o segundo sem referta, 
«Que a victoria co elle tenho certa. 

«O conselho aceitou o Rey prudente. 
«Faz ao Fronteiro mór saber o estado. 
«Em que fica o seu Reino alli ao presente, 
«Pellos varões fortíssimos reptado: 



ARCHIVO DOS ACOHES 38!) 



))Que não tarde, mas venha em continente, 
»Que espera ser por elle remediado: 
»Ao caminho se pos, e em breve espaço. 
»A Portugal chegado, entra no paço* 

«Vindo diante do Rey. os que trazião 
»Tal demanda, outra vez a propuserão; 
«Mas do varão insigne já sabião 
»As forças, de que espanto receberão: 
»Em secreto ambos já se arrependião, 
• Pouco espaço suspensos estiverão, 
»Que aquelle, em quem Magriço diz, confio, 
»A elies chegando aceita o desafio. 

«Grande rumor se ouvio naqueila gente, 
xDespois que o desafio se aceitou: 
«Hum murmureo confuso differente 
«Pello concavo tecto resonou: 
))Mas logo em alta voz o Rey potente 
»A gente alvoroçada assossegou, 
«Voltandose ao fronteiro mór dizendo. 
»0 que ficarão todos entendendo. 

«Corte, em que tal varão custuma acharse, 
«Que em preço, e alta fama assi a enriquece. 
«Sempre Corte Real deve chamarse, 
bPoIs com tão justas causas o merece: 
»E pois que só por vós pode affirmarse, 
«Que meu estado, e Corte se ennobrece, 
«Fique Corte Real vosso appellido, 
»Pera que tal valor seja sabido. 

«Quando este forte Rey Cepta tomou, 
«Este varão illustre foi primeiro, 
«Que á pura força o alto muro entrou, 
«Das nãos saltando em terra o derradeiro: 
«Hum Mouro valentíssimo encontrou, 
«Escolhido entre mil por mais guerreiro, 
«Que o braço, e largo alfange levantado: 
«O acomete com fúria, e denodado. 



:]00 ARCHIVO DOS AÇORES 

».\las o Corte Real nada se espanta, 
xQue outros mores perigos já passara, 
«Cerra co elle ao tempo, que levanta 
»0 golpe, que hum penedo espedaçara: 
«Cuida o Mouro fendelo até a garganta, 
«Mas o misero nisto se enganara: 
«Porque do Portuguez famoso, e forte 
«Recebeo improvisa triste morte. 

«Fica nos fortes braços enredado, 
»Com força tal, que o Mouro quasi espira, 
»E o corpo todo em peso lavantado, 
«Cabeça a baixo, os pés altos lhe vira. 
«Já pelos ares vai precipitado, 
«E aquelTalma indignada, ardendo em ira 
«No abismo vai arder negro, e profundo, 
«Saudoso das dillicias deste mundo. 

{Naufrágio de Sepiilveda, Canto XIII.) 

(lomez Annes ilAzurara 16) conta que na toma(Ja de (]euta em lilo 
o infante D, Duarte saltou em terra com Vasco Annes Corte Real e 
outros «e batalhando com os mouros que estavam na praia os fizeram 
recolher á praça pela porta de Almina, e o primeiro homem que foi 
ileniro com elles, foi Vasco Annes Corte Real.» 

D. António de Lima, e alguns outros genealogistas allribuem a el- 
lei D. Duarte, a mercê do appellido honorifico, explicando-a pela ga- 
lhardia e luxo, com que vivia Vasco Annes, Fronteiro Mór do .Algarve 
e Alcaide Mór de Tavira e Silves. 

Na assembléa de pessoas notáveis, que se reunio em Lisboa aos 
() díjutubro de 1381, para prestar homenagem e juramento de fideli- 
dade ao Mestre d".\viz, esteve presente «Vasqueanes Corte Real» por 
Tavira (7) 

Vasco Annes, não é de suppor tivesse menos de vinte cinco annos, 
ipiando esteve na assembléa de 138i. deve portanto ter nascido antes 
de 1359, e contar provavelmente mais de 56 annos, no assalto de Ceu- 
ta. 

Soares Toscano (8) incluio Vasco Annes na lista dos Doze dlngla- 
terra, e posto que se duvide tanto da authenticidade dalguns nomes 



(6) Parte III da Chronica de D. João I, (continuação á (ic Fernão Lopes) Cap. 
pag. 208. 

(7) Monarcfiin Luzitana, Parte VIU, Cap. 23, p. 614-616. 

(8) Parallelos de Principes e Varões niustres, Lisboa, 1623, p. 100, t"ap. Sõ- 



ARCHIVO DOS AÇORES 391 

delia, como da realidade do desafio, nem por isso deixa de ser mui 
honroso para Vasco Annes, figurar seu nome entre os dos famosos ca- 
valieiros a que se atlribue o desempenho de tão árdua empreza. 

D. António de Lima diz: que este Vasco Annes foi cazado com uma 
filha de Luiz Affonso (9) da qual não houve filhos, mas teve illegiti- 
mos: 

— Fernão Vaz. A) que se segue. 

— João Vaz Corte Real § IIL 

— Izabel da Costa, casada com Henrique Moniz, que rece- 

beo em dote a alcaidaria mór de Silves, e a transmit- 
lio aos Monizes, seus descendentes. (MS. genealógico 
por Fernando de Moraes Cabral, e D. António de Li- 
ma, no Titulo dos Monizes.) 
A) Fernão Vaz, sérvio em africa com D. Duarte de Menezes, Conde 
de Vianna e com seu filho o Conde D. Henrique. (10)D'elle faz menção 
a Chromca do dito D. Duarte (11) em vários logares, a começar do 
cerco de Alcácer em 1458. até novembro de li61. 

De uma preta teve: António Corte Real, que foi Patrão mór na Ín- 
dia, e lá houve illegitimos : António Corte Real casado com Antónia 
de Sá, filha de Henrique de Sá, Alcaide Mor de Meira, com filhos 
sem geração: e Fernão Vaz Corte Real, que morreo num combate. 

I II Gil Vaz da Costa. 

Gil Vaz (ou Vasques) da Costa, filho de Vasco Annes da Costa, ba- 
talhou contra os mouros em Ceuta, aonde por seus feitos mereceo a 
honrosa distincção de ser armado cavalleiro pelo Conde D. Pedro de 
Menezes no dia 5 de janeiro de 1429. na mesma occasião em que dis- 
pensava igual honra a seu filho D. Duarte. (12) Em 19 de março 
de 1434, partio de Ceuta acompanhando o mesmo D. Duarte, n'uma 
cavalgata e correria contra os mouros da serra de Meiequice (13) 
ou de Meigece. (14) Apezar de Azurara contar (15) que Gil Vaz 
tornara a ser armado cavalleiro, (em 1435) parece ser erro do copis- 
ta, e dever antes ler-se, como no logar parallelo: (16) «Afoin (Affon- 
so?) Vasques da Costa -irmão de Vasqueanes Corte Real.» 



(9) Enganou-se D. António de Lima, confundindo este Vasco com o homo- 
nymo, filho de Gil Vaz da Costa § II, como se deduz de documentos da Torre do 
Tombo, adiante publicados. 

(10) Nobiliário de D. Ant. de Lima. MS. T. I. 

(11) T. III dos Inéditos publicados pela Academia Real das Sciencias de Lis- 
boa, p. 170, 179,182, 264 e 274. 

(12) Chronica de D: Duarte de Menezes, Cap. IV, nos Inéditos, T. III, p. lS-20, 
e no T. II, p. 564, em que os mesmos factos já tinham sido narrados. 

(1.3) Na citada Chronica de D. Dvarte, Càp. V, p. 29. 

(14) Como se diz na Chronica do Conde D. Pedro, T. II, p. 578, dos Inéditos. 

(15) T. II dos Inéditos, p. 609. 

(16) T. III dos Inéditos, p. 69. 



392 ARCHIVO DOS AÇORES 

Não se comprehende a razão porque os descendentes de Gil Vaz 
da Costa uzaram do appellido de Corte Real, que só devia pertencer 
aos filhos de Vasco Annes Corte Real, primeiro do nome. (17) 

Gil Vaz foi cazado com uma D. Filippa de quem teve : 

— Vasco Annes Corte Real, que se segue: 

I - ^ TT ' I De que se tractará no Appendice. 

— joao vaz^ \ 

— D. Violante da Costa mulher de Diogo Lopes de Carva- 

lhal, segundo o Ms. genealógico de Fernão de Moraes 
Cabral. 

Vasco Annes Corte Real, primeiro filho de Gil Vaz, foi cavalleiro 
da casa d'elrei D. AlTonso V, e seu Armador Mór (18) durante mui- 
tos annos. Prestou grandes serviços em Africa de 1457 a 1471, pelo 
que recebeo muitas e repetidas mercês do mesmo rei, que demons- 
tram ser-lhe muito aíTecto. (19) Casou com Mór Annes, filha de Luiz 
AíTonso Painho, e de Leonor Vaz: os quaes instituíram uma Capella 
para Gil Vaz, seu neto, já nascido e alguns de seus irmãos, quando 
em 1471 ou 72, falleceo Leonor Vaz, sua avó, a qual tinha casado em 
segundas núpcias com Diogo Vaz, irmão deste Vasco Annes, como 
consta dos Documentos XVI e XIX. adiante. 

Vasco Annes e Mór Annes tiveram os filhos seguintes : 

— Gil Vaz da Costa, que casou pouco antes de morrer com 

Guimar Serram, de quem leve : 

— Tristam da Costa, casado com Catharina Affonso, filha de 

Estavam Vaz, de quem houve : 

a) Gil Vaz da Costa, Alcaide Mór de Lagos. c. s. 

b) Vasqueancs Cortí- Real, casado coiri D. Isabel Contreiras s. g. e 

segunda vez com Leonor Mendes, s. g. 

c) Mecia da Costa, secunda mulher de António de Miranda, de Tavi- 

ra; s. g. Mais duas freiras. 

— Vasqueanes Corte Real, casou com Mecia Vaz, irmã de 

sua cunhada, íiliia de Estevam Vaz, s. g. 

— Pêro Vaz Corte Real, Escudeiro fidalgo de D. João II, 
em 1484, (T. II, p. 180 das Prov. da Hist. Genealógica) 
foi casado com D. Simôa. filha de Álvaro Pessanha, e 
tiveram filhos: 

— Vasqueanes Corte Real. Escudeiro Fidalgo de D. Manoel, 

sérvio na índia com Diogo Lopes de Sequeira, (l. c. T. 
II, p. 362 e 364) foi casado com D. Joanna filha illegi- 
tima de D. Pedro de Noronha, Alcaide Mór d^Almeida, 



(17) João Agostinho Pereira d'Agrella, Genealogias da Ilha da Madeira MS., 
T. m, p. 45o v." diz; «este appellido pertencia exclusivamente a Vasco Annes e 
a seus descendentes, mas os collateraes também o tomaram por bizarria». 

(18) ArmadDr Mór era aquelle que tinha a seu cargo guardar as armas da 
pessoa do rei. (Manoel Severim de Faria, Noticias de Portugal, p. 35.) 

(19) Vid. Documentos III, IV e seguintes. 



ARCHIVO DOS AÇORES 39ÍÍ 

s. g. E segunda vez com D. Brites de Mello, viuva de João 
Viegas, e fillia de Ruy de Mello da Cunha; c. g. 

— Miguel Corte Real , de sua mulher D Genebra, tilha de Jorge 
Viegas, de Tavira, teve tilhos e íilhas, c. g. 

[ — D. Maior, casada com João Vaz da Costa do Carvalhal. 

I — Fernão Vaz Corte Real, casou com Jobdila (ou Judith) de 

Góes, filha de Lanceiole Teixeira, de Machico. na ilha 

da Madeira, e liverau): 

— Pêro Corte Real, marido de D. Isabel, filha de Affonso Vaz 
Ichão, Commendador de Cacella, c. g. 

— D. Maior, segunda mulher de Manoel de Mello, fdho de Lan- 
cerotede Mello, que depois da morte d'este casou com D. 
Francisco de Noronha, Commendador de Casavel, viuvo. 

— João Vaz Corte Real, casou com Beatriz Falcão, filha de 
Lopo Rodrigues Falcão, s. g.: e segunda vez com Ignez 
Ferreira filha de Afl"onso da Costa, Alcaide Mór de La- 
gos, da qual houve: 

— Vasqueannes Corte Real. 

— Mecia da Costa. 

— Maria da Costa, segunda mulher de Francisco da Cunha, e 
depois primeira do Commendador de Casavel. 

— Fernão Vaz Corte Real. filho illegitimo de Vasco Annes, ca- 
sou com Joanna Viegas, filha de Gil Raposo, de quem te- 
ve: Branca Viegas mulher de Pêro da Fonseca Moniz, de 
Faro. 

— D. Anna Vaz, segunda mulher de Ruy de Mello da Cunha. 

— D. Mecia Corte Real, segunda mulher de Álvaro Pessanha, 
filho natural do almirante Carlos Pessanha, e depois 
primeira de Franci.sco de Mello, Commendador de Ca- 
savel. 

— D. Violante da Costa, que casou com Jorge d Oliveira, (i- 
Iho do Craveiro da Ordem de Christo. 

— D. Filippa, casada com Ruy de Mello Pereira. 

— D. Leonor da Costa, segunda mulher de Diogo Ferreira 
Bochim. 

Parecerá talvez inútil e escusada esta longa serie de non)es pró- 
prios, cujo valor intrínseco só será reconhecido, por aquelles que se 
dedicarem ao estudo dos documentos originaes. tomandoa como guia 
indispensável no reconhecimento da identidade das pessoas. N'Hnia 
família em que os mesmos nomes se repetem tão frequentemente, to- 
dos os esclarecimentos são úteis para destrinçar a inevitável confuzão 
entre os liomonymos. 



N.» 23-Vol. IV— 1883. 



394 ARCHIVO DOS AÇORES 



I III João Vaz Corte Real. 

João Vaz Corte Real, íilho áe Vasco Annes Corte Real, primeiro 
(lo nome, foi Porteiro mór do Infante D. Fernando, pae delrei D. 
Manuel, e depois Capitão Donatário dAngra, na ilha Terceira, em 
1474 (20) e da ilha de S. Jorge em 1483 (21) 

Viveu em Angra, com grande estado, applicando-se ao desenvolvi- 
mento do commercio, e á construcção de obias de interesse geral, co- 
mo: f)i'Liíiciçr)8s. canalisaçlo d aguas e alfandega. Eliíicou á sua cus- 
ta, a capella mór do Convento de S. Francisco, com um jazigo para 
sua família. (22) 

O Hospital dWngra foi instituído aos 15 de maio de 1492 por João 
Vaz Corte Real e mais confrades mencionados em um compromisso 
por elles ordenado, (|ue foi confirmado por D. Manoel aos 3 de agos- 
to de 1508. i23) 

Quando se veio estabelecer em Angra, trouxe sua mulher Maria 
Abarca, (ilha de Pedro Abarca, fidalgo de Tui, a qual dizem raptou 
em uma de suas viagens. Com ella vieram seus irmãos Pedro Abarca 
e Izabel Abarca que ambos ali casaram. (2i) 

O governo de João Vaz, na sua Capitania dAngra, não é izento de 
censuras, pelas violências que exerceo contra os colon