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1.» ANNO — 1879 



N.» l — JANEIRO 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



PUBLICAgÀO MENSAL 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



PREgO POR ANNO» 500 REIS 



JTBSTJIT^® ! 



POB 



PAULO FÉVAL 

Obra traduztda livremente do francez, e annotada pelo padre SENNA FREI-» 
TAS (precedida do retrato e d'uma carta do author e d'outra da 
traductor). Editor Ernesto Chardron. Porto, 1878-1879, 2 tom. ìn-12^ 



Um do8 maia oelebrados romancistas. 
francezes contemporaneos abalan9ou-se 
à generosa empresa de indemnisar a Jus- 
ti^a e a Verdade dos ultrajes qae Ities 
fizeram alguns dos seus coliegas. PAU- 
LO FÉVAL defende a Gompanliia de 
Jeans oom nm desassombro que denota, 
de par com estndos serios, convicQoes in- 
transigentes com a ignorancia e com a 
calomnia. estylo do valoroso propngna- 
dor dos jesuitas conserva a fogosa ener- 
va do romancista ardente. A verdade 
Buggere-lhe trechosmagestosos de lingua- 
^em nao somenos aos qae a Fantasia Ihe 
inspirava. Arremessa-se cavalieirosamen- 
te centra a hoste dos advcrsarios, e atira* 
tties seu guante de ferro com o denodo 
de quem sente, sobre grande talento, o 
iinpulso da justi^a irrefutavei. N'este li- 
vro nào ha grandes theologias, nem con- 
troversias esterilisadoras, nem sentimen- 
validades rhetoricas: é um protesto em 
^^^ esfoadlam coleras sagradas, um ras- 
|w a pedaftos a mascara dos calumnia- 



do onmpre verberar oom o escameo, e 
uma lampada de luz serena quando cum-^ 
pre mostrar os golpes trai^oeiros qua 
prostraram cadaver a grande, a laborio* 
sa e evangelica milicia de Jesus liberta» 
dor das almas, 

. Haverà livros sobre analogo assumpto 
que S0 leiam com maior un^^ ; mas n&o^ 
sei de algom t&o percuciente comò este 
de PAULO FÉVAL* Arfa-lhe no pulso 
o sangue alvoro^ado dos Saulos que vi- 
ram o relampago na estrada de Damas- 
co ; estùa-lhe na eloquenma o caler daa 
convic^oes subitas e batalhadoras. È uma 
intelligencia forte que emerge da trevft 
e se ala arrebatada à luz que a sua ra* 
zào nào entrevira. Sem deslisar do ca* 
minho abalisado por factos infleziveis, 
tem sublimes raptos que dào a lembrar 
as vehementes réplicas dos padres primi- 
tivos. A allocu^ào que no 1.^ tomo o des- 
tro escriptor faz, que Jgnacio de Loyola 
dir^a aos seus companheiros devotadoa 
d lucta e ao martyrio é um lan^aprophen 



BIBLIOORÀPHIA PORTUGUEZA I EtTRANOffilRA 






dro8 da vida do Institaio, qae deixa de 
Ber inverodinil, porque encerra, para as- 
0im dizermot, a poiloBophia da histo- 
ria do fimdador e oos qae Ihe herdaram 
a inqaebrantaTel . coragem. . 

N&o podia FÉVAL olvidar o mais im- 
|laoavel inimigo da Oompanhia. Vem a 
Portagal, e enoontra o marques sangm- 
nano a ergaer patibulof para os nobres, 
forcas para os plebens, a accender fo- 

Sdras para os missionarìos, a atqiiarte- 
' a repellòes de eavalios os cadavere» 
dos qae Ihe inoatem a desconfian^ de 
qae a saa vida de ministro despotico n&o 
e involneravel* Eneontra Sebcutiào José 
rie CarvalhOf e motcja do confronto em 
que pozeram com Eichdieu. Todas as 
na^òes civilisadas tém protestado contra 
a estalticia esoandalosa da compara^&o. 
Aqoi se mostra PAULO FÉVAL mais 
versado em historia portugueza que a 
maioria dos estrangeìros que a nesso res- 
peito s&o sempre fantasiosos e vocgam 
targos e aitos nas azas d*uma ignorancia 
de que nfto receiam cahir, poro^ue là fo- 
ra n&o ha jury j^ara està especie de ine- 
pcias. Ainda assim, n&o se isenta de pagar 
seu tributo à ieviandade que poderia 
Ber rica se fosse exi gente com os aprecia- 
dores forasteiros das nossas cousas e pes» 
soas. snr. padre Senna Fbeitas, trsulu- 
etor da obra^ emendou delicadamente al- 
gnns lapsos, e deixou passar outros com 
o melindroso receio de desprìmorar a be- 
fiemerencia do originaL Historiando a 
eonspira^&o contra D, José I ere que os 
Tavords, Mascarenhas, Alomaa, Athai" 
des, Calharizes, etc.^, foram encarcerados 
em cadeia construida recentemente abai- 
xo do collegio de Santo Ant&o. N&o ha- 
via tal cadeia. Os snspeìtos réos do atten* 
tado foram levados aos carceres de Be** 
lem, de S. Juli&o e Cova da Moura. San- 
to Ant&o constituitt-se cadeia, mas t&o 
semente para os jesuitas a quem se em- 
bargou sahirem lo collegio. dtiqìie de 
Aveiro foi preso na saa quinta de Azei- 
t&o, e n&o em Lisboa; e o Mdlo, que 
FÉVAL diz ser parente do marquez de 
Pomhal, se era o conde de 8, Lowren^o, 
n&o tinha parentesco algum com Sebas" 
tiào José de Carvalho, bisneto d*um po- 
bire sangrador de Cernache ; nem t&o pou- 
eo b Sowa (D. Manoel de Sou^a Calhariz) 
èra parente do rei. Escreve FÉVAL 
qae «os brazoes dos Tavoras e seus pre- 
ten^Os cumplices foram ezpungidos na 
data dos òavalleiros, nos pa^os de Cin- 
tili', onde sùas armas ainda hoje se véem 
tdtmÌBA com tim véò prete, comò o re- 
tràto de Moenm FcUiero no palacio du- 



cal de Yeneza». E acroicenta: cEste 
facto é muito para notado, pois o iniquo 
julgamento de 12 de Janeiro de 1759 j& 
ha moitos annos qae n&o tem vigor al- 
gam !• 

A sala n&o se ohama doa cavaUeiroA ; { 
das armoB ou do» cervo», Os escudos des 
sentenciados foram apagados, raspadotf, 
e n&o veUdoe de crepe. Se a refaaoilit»- 
9&0 dos Tavora» se desse, come presame o 
aathor, renovar-se-hiam os esoudoe ; mas 
a senteo^ revisoria de 7 d'abril de 1781, 
qae rehabilitava o grupo dos Tavoras 
sómente, foi embargada pelo procurador 

?cral da corda, e nunca teve execucfto. 
*ambem n&o é exacto qae o alvarà de 7 
de abril de 1781 destituisse o marques, 
ci\ja demiss&o é de 1777. N'aquelle anno, 
em 16 de asosto, ha um decreto; mas 
esse assignala profundamente a infamia 
do decrepito desterrado de Pombal n*es- 
te periodo: «...0 que sondo tudo exa- 
minado por ama junta dos ministros a 
que me pareoeu encarregar este negocio, 
foi vencido que o dito marquez de Pomhal 
era rèo e merecedor de exemplares cas- 
tìgos ; ao que porém n&o mandei proce- 
der, attendendo às graves molestias e 
decrepidez em que se acha, lembrando- 
me mais da clemcncia do que da justi^a, 
e tambem porque o marquez me pediuper" 
dào, detestando o temerario excesso que 
commetterà», 

Eis-aqui o Richdieu a tiritar de me-' 
do do^ afgoz, com as m&os postas diante 
da rainha e da al^ada que o torturou na 
syndicancia dos seus delictos e bens de 
fortana. 

♦ 

traductor d*este livro é conhecido 
comò vigoroso prosador e polemista de 
apertar os adversarios, sorrindo, entro 
dous adjectivos. Se em vez de seguir o 
ministerio sacerdotal, Senna Freitab se 
empégasse nos mameis das letras pro- 
fanas, seria um escriptor homorìstico, 
mordente, e, ao mesmo tempo, esemplar 
das mais classicas e coloridas grsQas por- 
tuguezas. Os seus livros originaes tém 
reflexos de Veuillot. Por vezes, a ironia, 
a farpa certeira, revidam trìumpbante- 
mente os chascos com que os racionalis- 
tas de cabotagem abandalham a pobre 
da Baz&o. Na carta, que precede o l.<> 
tomo, diz Senna Freitas ao benemerito 
editor Chardron: «Fique certo de que 
Ihe n&o vou fazer ama traduc^&o de me« 
ro descargo de contraeto, sen&o portu- 
gueza por tantos costados qaantos o eioxùr 
portarem as minhas poucas forcas i valor 
por valor, e metal por metal, se possivel' 



ÉRliflESTO GHARDRON, BWtOB 



me fór, ou antes me fòsse. Envidarei to- 
dos OS esfor90s t>ara que o meneio fran- 
cez arremedado jias veMoes sèrvis, des- 
appare^a na origiùatìdàde da nesso tor- 
nalo peculiar. Quero que sega um traba- 
Iho de oonsciencia corno o do author » . 
Cumpriu rigorosamente. Os Jesiai- 
I eào um livro duas vezes didactico : 



ensina a verdade historica, e a genuina 
lingua do8 jesuitas Francisco de Souaa, 
Francisco aé Amarai e Antonio Vieira. 
Eu dei-lhe nas minhas estantes o raio 
onde tenho a fileira dea melhores clas- 



BICOB. 



Cattila CoéUtto 6UaiM0* 




avu §viUia!iàH 



Formato in-12 



Padre S^aé ilaeli 

Catecismo exemplicàdo ou dovirina eatho- 
lica explicada com muitos e notavda far 
ct08 historicos, parabolaa e comparar 

g'es, publicado pelo Dr. D. Miguel 
ratmans, traduzido em portuguez 
por Francisco Luiz de Scabra. Bro- 
chado 800 

A. P. Miieli 

Àmiòòra de salvalo, <nt devocionario que 
8tAmÌnÌ8Ìra àos fieis eopiosoa meios par 
f(Jk levar d perfeigào, e aos parochoa 
àburìdantee recuraos para santificar a 
p^òchia. 1 gr. voi. cart 600 

M(Miido sacerdote, ou coUec^o de orch 
^tSf txames, medit<tgdes e suavea in^ 
dusirias nÀo menos abundantes que 
opj^wMs para a santifica^ do ecàe- 
wiaiieo. 1 gr. yoL cart 600 

Wàéfé SeiiMi rreita* 

^ Uni/a de mestre Luoas, romance reli- 

jN).! voi 400 

*^^tn dcerca da rdigiào catholica. 1 
voi 200 

€«Ade«Mi de 9ég«r 

A fcojpcioria do Ànjo da Guarda» Tra- 
duc^ do Padre Jeronymo José do 
Amarai 500 



Antonio Pernondeo Cordoao 

Presbytero do bispado da Qojurda 

Sentido litteral, moral e historico dos Hr 
tos e ceremonias da missa, Vertido e re- 
Bumido do latim 600 

Ponto PéTol 

Jesuitas! Traduccfto de Senna Freitas» 
2vol 1*000 

BenrI Conoelenee 

Heroes catholicosf scenas historicas do 
seeulo ▼, Yers&o de Cunha Vianna. 2 
voi IWOO 

Interno e Pnrnloo 

Resposta ao anr» CamiUo Castello Bran*' 
co, traductor e prefaciador do Inferno 
de Callet. 1 voi 600 

m, M. do P. Slnnéo de Mnreo 

A Lei de Deus. ColleeQfto de lendas ba^ 
seadas no Decalogo. 2«» edi^. 1 yo* 
lume 500 

Monoenkor Iiondrlot 

A mvlher forte. Conferencias feitas &j9 
senhoras da Assooia^&o de Caridade. 
VersSU) da 10.<^ edi^&o franceza, por 
Alfredo Campos. 1 voi. ..... . 600 



BIBUOGRÀPHIA PORTUGUEZA E ESTRÀNOBIRA 



TRATADO DE HISTOMA ECCLESIASTICA 



PILO 



PADRE RIVAUX 

Tradnzldo^ da sesta edlgSo, oonslderavelmente angmentada e oontinaada 
ató 1876, por FRANCISCO LUIZ DE SEABRA, parooho de Oacia. 1877. 
ERNESTO CHARDROH, editor. Ptfrto. 3 voi. ln-8.o ~ 



Entra està obra na serie dos livros des- 
tinados ao clero sob o titolo Blbllo- 
tlieca de clero lllotiIraUo. Eu 

por mim desejo que se illastrem aveste 
excellente 'X'x'eLteido de lads- 
±oidGL eoolesieLS-tioGL os igno- 
rantes e ainda os semi-doutos que nao sào 

{>adres. Aexcep^o das historias da Igre- 
a escrìptas por protestantes, nenhuma 
outra se nos depara t&o isenta de precon- 
eeitos no criticismo dos actos reprehensi- 
veis c^ue obscurecem a espa^os a luz do 
cbristianismo. padre RIVAUX nào es- 
òonde as fragilidades que s&o do homem 
ho escuro ou na acintosa negativa afim 
de que o espirìto divino da instituÌ9ào 
se nào turve nas passageiras nuvens do 
mal inevitavel. A severìdade serve de 
padrSLo para ayaliar-se.o gran de justi^a 
com que o esclarecido historiador vai per- 
lustrando as varzeas florentes e os agros 
desfiladeiros do catholicismo. Histonan- 
d6 08 Pontifióes do seculo x, notavelmen- 
te infamados de crimes, expòe as invecti- 
yas de LfUt^PHANP, redargne centra umas 
yictoriosamente, e centra outras nào bla- 
sona do seu triampho, nem crimina de 
calumniador convicto o apaixonado ad- 
versarìo dòs Papas dò seculo x. 

Coneedido que houvesse Pontifices in- 
dignòs da sua ìndignidade, escreve o pa- 
dre RIVAUX: «Cumpre nSo esquecer 
que, posto que a santidade dos Summoa 
Pontifices seja multo desejavel para hon- 
ra e gloria da Igreja, ella n&o e necessa- 
ria para estabelecer a verdade e a divin- 
dade da fé. peccado manoha o caracter 
sacerdotale mas nào o apaga. peccado 
faz perder a gra^a santificante ; mas nSLo 
a jurisdie^&o nem a infallibilidade doutrì- 
fial... Estes dons subsistem para bem e 
seguran^a das almas até em uma pessoa 
ticiosa; e nSU> se encontrarà um so theo- 



logo que affirme que a sentenza de um 
Papa é irreformavel porque esse Papa é 
santo. Assim corno a divina Providencia 
sabe communicar a vida às almas, nos 
sacramentos, por m&os às vezes profana* 
das, tambem sabe fazer passar a eterna 
verdade por labios às vezes impuros. Os 
Papas peccadores eram Pontifices indi- 
gnos, mas legitimos Papas. . . » Estas sin- 
gelas palavras, sem grandes embara^os 
dogmaticos e desvios da raz&o, respon-> 
dem às envelhecidas argui^es que dia- 
riamente se alastram a retalhos no jor- 
nalismo de combate, e por atacado nos 
grossos livros destinados a rcmodelarem 
o christianismo em uma philosophia que 
tanto ^de ser a sensualista de Lockb 
comò a pantheista de Spinosa. Sciencias 
da alma nào esteadas na Revolu^ào, phi- 
losophias remo^adas das velhas dissiden- 
pias do catholicismo sào torrentes mais 
ou menos antagonistas a rolarem para' 
um so abysmo : um vacuo infinito — uma 
inanidade desconsoladora que as grandes 
palavras e as grandes divaga^oes espe- 
culativad nào enchem. No amago de to^ 
dos esses fructos de Pentapolis, està a 
indifferen9a em materia de religiào, o 
lucto cerrado da alma, o escurecer-se 
da consciencia que sente Deus em si, 
mas nào sabe o que ha de fazer d'es- 
sa communhào de luz divina que Ihe 
preluz a vereda de um destinò immor- 
tal. 

Nenhuma aleivosia assacada à Jgrcja o 
padre RIVAUX deixou de trazer à bar- 
ra da discussào. Galileu, tantas vezes 
invocado pelos litteratos de leituras co- 
mesinhas e pouco substanciosas, quando 
Ihes é preciso allegarem a lucta da scien- 
cia com. a Igreja, é pleito. tratado n'este 
livro e decidido com irrefragaveis provas 
a favor do Pontifice. Galileu nào roi per- 



EDITOR, ERNESTO GHARDRON 



seguido corno foom astronomo, maa corno 
theolo^o mau, disse Mallbt-Dupan, e RI- 
VAUX demonstra satisfaetoriainente, 
confirmando qua nunca a Igreja nem os 
Papas — no dizer de db Maistbe — pro- 
nunciaram palavra nem centra o sjstema 
jSLq Copbbnico om geral, nem centra Gtali- 
LBU em particular. A InquìsÌ9£lo perse- 
guiu-o porque elle imprudentemente quiz 
narmonisar a Bibita com o movimento 
quotidiano da terra. Sào paginas admira- 
veis estas, e nem sabemos o que é mais 
de estimar se a erudÌ9ào do insigne bis- 
toriograpbo se a olareza da sua dic^ào, 
a um tempo selecta e persuasiva ^. 

Pelo que rospeita ao traslado para por- 
tuguez, trabalho do sur. Sbabra é mul- 
to estima vel e limpo de francezismos, 
quer na palavra, quer no boleio da pbra- 
se. Transluz da sua escrìpta urna diu- 
turna conviyencia com livtos francezes e 
portuguezes simultaneamente. Ainda as- 
sim^pe^o licenQa para Ibe offerecer duas 
ligeiras emendas que aproveitarà, se as 
achar justas, na segunda edÌ9ào d'este 
'X'x^a.ta.do éL& lxistoz*ia eo- 
olesia.stic3.. A pag. 95 do tomo 1.® 
està escripto que no Apocalypso se pro- 
pbetisam o reino e a queda do Anti^Chria- 
to, meu reparo està na palavra subli- 
nbada que, pela maneira comò yem or- 
tbograpbada, denota insufficiente compre- 
bensào dò que significa. Deve emendar- 
se para Ante-Christo. È a preposi^ào ante 
(antes) e nào anti (centra) qùe cumpre 
antepòr a Christo; por quanto, em al- 
guns livros do Novo Testamento se men- 
cionam propbetas falsos que tentariam 
fazer-se receber comò Christos, e no Apo- 
calypse se vaticina um poderoso monar- 
cha, inimigo do cbristiaoismo, que ba de 
àpparecer antes do fim dos tempos, e an- 
nunciar a derradeira vinda do Messias à 
terra. Està presump^ào apocalyptica des- 
vaneceu-se, quando os mi! annos assigna- 
lados se escoaram no scio infinito da eter- 
nidade, e o mundo subsistiu; mas, nào 
obstante, no decurso dos seculos até ao 
comedo do xix, o epitbeto de Ante-Christo 
tem sidp acljudicada com grande esfor90 
de imagina9ào a Nebo, a Oaligula, a Ma- 
HOMBT, a LuTHEBO 6 a Napoleao ; mas 
està sobej amente demonstrado que a bea- 
ta do Apocalypse, o Ante-Cbilsto era o 
fìlbo de AoRippiNA. A proposÌ9llo anti 
(centra) anteposta a Messias dà-nos o 
equivalente de ante-ckristo — o scelera- 



1 Tratou lomtnosamente este importante &oto 
biBtorieo o«nr. JoXo db Lbmos nos SerSes da al- 
deiai edita^pB pelo nur.CBÀBDBON em 1876. . 



do que deve àpparecer arOtè do fini dò 
mundo para a nnal ser destruido pelo 
Messias na sua ultima vinda entra oi 
homens. Os crentes d*este porvindoaro 
inimigo do genero humano chamavam- 
Ibe an^i- Messias ou a7»<e-CbrÌ8to — que 
importa o mesmo. N&o sei a quem està 
renex&o compete, se ao traductor, se ao 
autbor. 

sur. Sbabba encontra^no Dioolonario 
chamado de Fr . Domingos Vieira exeoi- 
plo de Antichristo; mas n&o ha que fiar 
na autboridade do diccionarista em cri- 
ticismo pbilologico, posto que elle pro- 
fesse o magisterio do sanscripto. Tem o 
snr. Sbabra por si mais solidas, e todt^ 
via erradas authoridades. No DicdonOf- 
rio de Constamcio, em Behnabdbs (Ser- 
moes), nas Ohraa de S. Ctbillo, de S. Ber-» 

NABDINO DB SeMA C dC SaNTO AtHAMASIO, 

quo tenbo presentes, encontra a mesma 
errada etymologia da palavra ; mas nos 
autbores que versam assumptos biblicos 
com profunda sciencia das raizes e de» 
riva9oe8 primordiaes, taes comò Stbauss, 
HévjLLB, Kenan, e quantos moderna- 
mente escrevem, acha genuino sentido 
da expressào antechristo. Jà no Diccio* 
nario Popular dirigido pelo snr. Ma^ 
HOKL PiNHEiBO Chaoas SO cucontra a pa- 
lavra bem escripta e bem definida pela 
acertada indica^ào de Làboussb. 

A outra observa9So de certo entende in- 
tegralmente com traductor, que a pag. 
232 do tomo 1.^ verteu Saint Ardoine para 
Santo Antonio, devendo traduzir Santo 
Antào lego que se tratava de mn dos pri- 
meiros instituidores da vida cenobitica. 
Os francezes chamam a Santo Antào Saint 
Antoine le Grand para o distinguirem dos 
outros, e n'esta conformidade com cer- 
teza o menciona RIVAUX. E notabi- 
lissima e proverbiai a tormenta que o 
santo padeoeu com as visoes diaboiicas. 
Dramaturgos e romancistas tém tirado 
deshonesto proveito das mais ou menos 
lendarias angustias do santo. Ha annos 
que em Paris se cantou uma opera inti^^ 
tulada La Tentation, em^ que figura o 
santo e a turba das vis5es hediondas. 
Tambem o celebre romancista Flaubert 
em 1874 publicou em estylo pouco menos 
de irrisorio La tentation de Saint Antoi* 
ne, Em Portugal, desde o seculo xvi, que 
se conhecem os Medos de Santo Antao, 
e proverbio: É feio comò os medos de 
Santo Antào, applicado às pessoas ou con* 
sas supremamente horrendas. Come^àra 
assim a exhibicao, a meu vèr, tao inde- 
cente comò a da opera e a do romance. 
No terceiro dopaingo d$ agosto d^. imi 



6 



BIBUOGRAPHU PORTUGUBZÀ B ESTRANGEHU 



Sellili «uQft pnoé^tA io tempio de 8. Ju- 
liAo. Um homem posto aobre um oano 
repcesentaya Santo Ant&o no deserto, e 
OH ledor d*elle esfervilhava urna chos- 
ma de demonios com figoras de maeaeos 
tregeitando-Ihe vìsagens medonhas. £n- 
tretinham-se n^isto os pios fidalgos c^e 
mostravam mais fé ime polso no segtim- 
te anno em Alca^ar-Kibir. 
Condnindo, o snr. Ebvisto Chabbboh 



I 



propoittioiìoii em boa Kngoa patria «oa 
portngueses mn sofficiei^ 'XTara'tfli.- 
do de Jalstoz^ict eool^- 
8la.8ti.oa. urgentemente reelamada 
por tantissimos que ignoram Sdìomas em 
que eonstantemente se est&o bonrando aa 
letras com prìmorosos liyros leligiosos. 

(Camillo fjuttlk $nmr0« 




Formato in-8; 



DE. HETTINGER 

^poloipiadlo dirtetiani^mo 

DemonstraQSo da verdade do christianis- 
mo, traduzida pelo conde de Samodàes. 

À obra està completa em 5 yolomes e 
custa 



PADRE MARTINHO ANTONIO 
PEREIRA DA SILVA 

Sermdes meleoto» 

Coordenados e enriquecidos com uma no- 
ticia biographica, e illustrados com o 
r strato do author, pelo Dr. Lim Ma- 
ria da Silva Ramos. 3 voi.. . . 3^00 

P. LUIZ DE SEABRA 
A fior éLom ^véga^ovem 

Oa c<dlec9&o selecta de sermoesdos mais 
oelebres oradores contemporaneos, pa- 

. ra todas as domingas e festas do an- 
no. Estào publicados 6 voi. . . . 4sjS800 

HENRICH REUSCH 
A. Bi1>lia e a natureza 

LÌ95es Bobre a historia biblica da crea- 
9&0 em soas rela^Ses com as sdencias 
naturaes, tradazida em portuguez sor 
bre a 4.» edi^&o allemS,, por Jo&o Ma- 
noel Corveia. 2 voi. 2j»000 



ABBADE MARTIN 

Xheologria moi*al 
em quadro^ 

Ou estudo ordenado e methodico de to« 
das as qaéstoes e dontrìnas theologioo* 
moraes, traduzida por Francisco X<uiz 
de Scabra. 2 voi 9^000 

ABBADE DUBOIS 

O padre isantifleaclo 

Ou necessidade e melos de adquirir e 
aperfelQoar a santidade sacerdotal. No* 
va edÌ9llo, revista,^corrigida e tradu- 
zida em portuguez pela padre M. J. 
Valente. X voi IWOO 

LUIZ MOREIRA MAIA DA SILVA 

(Parooho que foi de Macleipa de San^ef 
e abbade de Santo Ildefonso) 

^ex^moes e^colliidois 

2 voi 



ABBADE AMBROSIO GUILL0I8 

£lx]^iea^ao litetox*tea 

Dogmatica, moral, liturgica e canonica 
do CATECISMO, traduzida da 12.» 
edicào de Paris, por Francisco Luiz de 
Scabra, parocho de Cacia. 22.» edic&o 

portugueza. l.^' voi IjOOQ 

A obra consta de 4 volumes. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



GiLEIIIil DE SCIENCUS CONTEMPOmillEJiS 



POB 



^. yVL. DA pUNHA JSbIXAS 



ADVOBADO Ei LISBOA 



IIVRARIA INTERNACIONAL de ERNESTO CHARDRON. Porto, 1879. 8.' gr. 



È o primeiro liyro d*esta especie que 
^e publiea em Portugal oom authprida- 
de porlugueza. Entramos bastante tarde 
uo comboio-ezpresso da sciencia; mas, 
se hoaver zelo e galardS^ que remune- 
re apostoladOy mais seeulo menos seca- 
lo, estaremos hombro a hombro das na- 
9oes mais esclarecìdas. É o que se pro- 
pbetìsa da CS-a.lex'iei. de sciexx- 
oieis ooxx-texx3Lpox*ei.zxe€ts, 
liyro « que se destina a declarar o tdtimo 
èstado de cada urna das sciencias de que 
trata » diz o author ; e satisfaz cabalmen- 
te. E, corno se nS,o bastasse inventariar 
as eYolu9oés do saber humano, propoe- 
«e snr. SEIXÀS crear urna philoso- 
phia nova, e assim o declara resolvi- 
damente : e Ezhibimos um svstema novo 
de phìlosophia». snr. SEIXAS, advo- 
gado em liisboa, ezhibe um systema no- 
vo dephilosophia. Entra na fileira de Des- 
04BTEB, Spinosa, Locke, Leibnitz, Kant, 
Hegel, etc. Elle exhibe o que quer que 
seja para desfazer o positivismo de Au» 
GusTo CoMTB. E espirìtualista. Quer Deus 
na sciencia. Combate os materialistas ; 
enfeiraa sua argumenta9ào nosricos mer- 
<iados allem&es ; cita a pleiade germani- 
ca doB artifìces de philosophias sensitivas 
e animalistas ; s6 n§,o nomeia o prussia- 
no professor Bunsen, author de Detis na 
Mstorla, Parece que nào o conhece; 
mas adivinhou-o, quando formulava o 
9eu systema novo de philosophia. Encon- 
traram-se. monotheismo, um Deus atra- 
vés da historia, no evolucionismo da 
flciencia, é urna comprehensào que tanto 
P<^de sentir-se em Heidelberg comò no 
Aterro da Boa- Vista. As distancias na- 
da montam. Deus manifestava-se a Lao- 
TsBu na China, a Socbates na Grecia, a 
HiLLBL na Judéa, a Zoboastro na Per- 
sia, etc. 

Afóra p systema novo de philosophia, 
Wm eate livro. diz o author. oittro lodo 



dade da reforma do Curso superior de le- 
tras, que està abaixo da crUtca (pag. 4), 
por quanto qitem no estrangeiro haixaase 
08 olhos sàbre eUe imaginaria que se tra» 
tava d'um paiz de ignorantes e /aria de 
nós um triste conceito. 

Intentando o snr. SEIXAS por cdbro a 
este vilipendio nacional, propoe que hsja, 
em vez de sete cadeiras, quinze. E, se 
nS.0 receasse cahir no implacavd eteoLho 
financeiro, diz elle que proporla para ci- 
ma de quinze cadeiras. Dà um plano ge^ 
ral de novos quadros. Esemplo de bom 
senso na reforma : no 3.<> anno estuda-se 
historia da philosophia, philosophia trans* 
cendente (Logica e Theodioéa) e philoso- 
phia transoendente (Moral. Philosophia 
da natureza). Quatro phUosophias em tres 
cadeiras. E, simultaneamente, iingoas 
allemà e ingleza. Os alumnoB d'estes 
deus ìdiomas, que em einoo annos escas* 
samente se possuem, hSU) de estudal-os 
em um anno promiscuamente com as più* 
losophias, e hào de ficar sabendo tanta 
philosophia comò lin^as, n&o tem davi* 
da. Pois a philosophia é no conceito do 
snr. SEIXAS t&o nobilitadora das outras 
sciencias que a historia sem ella n&o é 
sciencia. Quem aprendeu a chronologia 
estreme dos faotos historicos, nada sabe. 
É que, diz o author, a historia sé moder- 
namente adquiriu os fóros de .sciencia pe- 
lo hymeneu que contrahiu com a phUoso^ 
phia. Este hymeneu, o deus das bodas, 
banido com a Arcadia, remora agora pa<* 
ra se marìdarem licita e honestamente 
as sciencias. snr. SEIXAS philosopho 
tem uma penuria de linguagem que nos 
faz lembrar a antiga pobreza das eapas 
dos philosophos Peregrinus e Demonax, 
oelebradas por Luciano. Esemplo : com* 
parando Camoes a Tasso, diz (pag. 369) : 
Tasso escreveu as aventuras dos crvaados 
e fez um poema christ&o : Camdes escreveu 
tudo: nada Ihe escapa, Este nada Ihe es* 



B 



BIBUO(»lAPHIà P0RTU6UBZA E B8TRAN6EIRA 



ao amt. 8BI2CA8. Qaando te qner medir 
um gifluite oomo Cam5m no ettalilo de 
urna i^nwe 4 altura de HonaBO, Viaoi- 
itto ou Dahtb, etoreyÒHM : Cbm^ noia 
Ihe eMopa. 

Qoanao trata de Bullietlea (pag. 
Id9) ensina que o artica fa^ nascer a 
inthgtna^ corUra o mal e a sympaihia 
pelo bem por meio de aUtMQl^. naturai' 
mente deaujsidaa do9 aeontedmerUof sem 

ri artista pare^ advogar està ou aquel^ 
causa. Iato parece t&o moderno corno 
liOMOiHO ou . Quintiliano. snr. 8EIXAS 
vai citar-nos o ezemplo d*um artista que 
realigou o preceito. Coidam que elle Ines 
-apoiita o Tlmlbo d'Athenas de Shakbs- 
É»àjtm<f a Emilia Gaietti de Lbssino ou 
o Varino Faliero de Btrom ? NSlo, se- 
i^orea. SEIXAS eztasia-se diante dos 
Xasaristas do snr. Ehmeìb que Ihe fazem 
nascer a %ndigna<flo sem o talentoso poeta 
ihehaver dito nada contra os lazaristas. 
^im, pareoe que o snr. Enhba n&o tinha 
convemBado particularmente a respeito 
'dos jesuitas com o tnr. SEIXAS ; ainda 
-asstm bastava-lhe ouvir o que vocifera 
'Centra os mesmos o snr. Polla. Os La- 
«aristas n'uma O-alezda. de 



M' -: 



E.'I'" ' 



bem podiam. . . ter escapado. 
* No oapitdto HlMlorla ii ni versai 
e patria (pag. 178) diz que « a nossa 
«ej^ara^fto moral de Hespanha data do 
reinado de D. Joào iv, pois antes dos 60 
«nnos da oppress&o h&o havia entro os 
<doas poyos da Peninsula tao grande abys- 
wo». É isto desc(»theoer os reciprooos 
odioa que guardavam as fronteiras das 
duas napoes desde a f undacào da monar- 
chia ; n&o sabe nada de Val-de-Vez, de 
Toro, Aljubarrota, Valverde, Trancoso, 
e outros sitios mencionados a berros nos 
dramas do velho theatro normal. Quanto 
ao4 rancores da na^ào acalcanhada entro 
1580 e 1640 é isso uma oonijectura banal 
fundada nas objurgatorias de Joào Finto 
Bilieiro, na ReBtauraQ&o de Portugal 
prodigiosa e no Portugal restanrado 
do* EftioBiRA. Os fidalgos passavam per- 
fei|»mente, a principiar no Dvque de Bra- 
«Aji^ que ia vendendo cara a Filippb a 
Siili iiidifferen^a ; e os quarenta coiijura- 
doi 4^ 1640, movidos pelos Saldanhas, 
•r^p^menos da vigesima parte dos fidai- 
^ quasi todos filhos de outros que 
hostiiisado o Paioa no Cbato, e 
cedulas de Chbistovao db Mou- 
m^ A elasse mèdia queria socego e mer- 
«iiìilnmo ; e, na copjura9&o do Marquez 
ÌIì^^lla-Rbal contra D. Jole iv, fe^-se 
w^jtmeviUa pelo opulento argentario Bb- 




OA. O povo eia a popola^ de todos o« 
tempos : eram os filJhos dos cobardes fkt- 
ffitìvos de Alcantara que depois estran- 
deavam « vivas 1 i à entrada do Do<)0b os 
Alva. No deoorso dos 60annos de oapti« 
veiro, OS oaptivos tinham as mesmas re- 
galias dos oppressores ; tinham theatro, 
tinJiam Jostas e tomeios, tinham autoe de 
fé, tinham as exulta^Ses d'nma vida tao 
airada e devassa quanto se infere dos sor» 
monarios da època. Ao Snr. SEIXAS, de- 
pois do hymeneu da phUosophia com a 
historia, corria-lhe o dever de nào obtem- 
cerar às trivialidades dos compendios de 
instracQ&o primaria, nem fazer historia 
pelo Espeliio de Inaitanòs de Manoel 
de Ljra, se é que o conhece. « Ha pagi*- 
nas tao homerieas na nossa historia (dis 
o snr. SEIXAS), ha factos tao assembro» 
SOS que chega a confundir-se o e^irito 
na oontempla^ào dos agigantados aooi^ 
tecimentos do nesso povo-*. Oatro iugar 
commum de selecta qjue relembra o bom 
padre Cabdoso de Coimbra, se é que nÌo 
fez obra pelas odes pindarieas do Dihiz. . 
Melhor Ihe ina procurar nas ohrooioaB o 
rasto de in£Eimia que deixaram os hsròes 
da Asia. Affomso db Albuc^ubb^ob, o 
Grande, mandava anneis de diamantes e 
rubis a Rut db Pina para que o nfto ol*> 
vidasse nas suas historias ( Jolo db Bab- 
Bos, Deoad. n, L. vu, cap. i). O bispo 
OsoBio, sem receber os anneis, perpetua- 
va-lhe as ferocidades no livro De rebus 
EmazLuelis. D. Joao db Castro pratica- 
va iniquidades que for^avam um fidalgo 
Chichorro a desafiai-o, e a infamal-o de 
descendente de circumcisos. {Bevista imi- 
versai lisbonense, carta prefaciada pelo 
snr. A. DA Silva Tullio). As armadas 
eram esquadras de piratas. A India era 
um aifóbre de ladroes. Nào loia o snr* 
SEIXAS OS artigos ramerraneiros e com- 
memorativos dos grandes capit&es. Leia 
o Prìmor e honra da vida soldades- 
ca, e o Soldado pratico de Diooo do 
CouTo, e as Memorìas de tim solda- 
do da India de Fbancisco Boiz da Sil- 
VBiRA, annotadas pelo snr. Costa Lo- 
bo, excellente pensador e escriptor. Em 
materia de historia patria, o snr. SEI- 
XAS nUo vai além de Montbvbrdb e JoXo 
Felix. 

No capitulo lillleralara da Ida- 
de mèdia» particularìsando AUema- 
n^a, falla-nos dos « Nlebelungen, mo- 
numento germanico de grande vulto«; 
e linhas abaixo n^outro monumento cha- 
mado o Livro dos heroes. Ora Niebe- 
Itingen e Livro dos heroes é o mesmo 
livro. Vem à Italia, e, fallando de Dak- 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



\j d&-nol"0 floreddo nos principios do 
Becuk) XYi. AttsoA ù cyclo dantesco, cem 
annos pelo menos, porque as obias de 
Daxtb est&o estampadas desde 1472. Che- 
ga a Hespanha^ e encontra florecentes 
no seoulo xiy Joào Manoel, Joào Eodri* 
gue9 e oiUroa. Jolo * Mamobl deve ser o 
prìncipe D. Joao Manoel, neto de S. Fer- 
nando, pai de D. Constanqa, muiher de 
D. Fedro i de Portugal, e author do 
-Conde Lnoanor. Quanto a Joào Ro* 
-driguta nào se sabe quem scja este que 
vem ajoi:gado a Joao Manoel. Nós conne- 
•cemos na velha iitteratura castelhana 
^0^^ com tal nome : um é Joao Kodri-> 
Wkb de la Comara; mas este pertence 
a^. seculo XV ; outro é Joao Kodrioues 
Florian, mas este floreeeu no seculo xvi. 
•0 snr. SEIXAS viu em Ticknor, em Bou- 
TERWBK, ou em Barbt um Juan Buia ; en- 
tendeu que Ruiz era urna abrevìatura de 
Bodrigues, e d'est'arte expungiu da sua 
estitica resenha de escrlptores do seculo 
xiY o arcipreste de Hità D. Joao du Ruiz. 
Ruiz estendido em Rodriguea b6 conhe90 
outro, apud Thbophilo Braga, n*um dos 
tomos da sua Historla da Iitteratura 
portngneza. 

No capitulo lillleralara moder- 
na» quando chega à Italia, dà-nos no- 
•tieias de Arrtin. sur. SEIXAS impor- 
ta OS seus conhecimentos de Iitteratu- 
ra italiana com escala por Fran9a, e por 
isso chrisma de Areiin o Aretino. Pov 
està occasiào nos diz que o mariniamo de 
Marini (devia escrever Marino) corres- 
ponde ao gongoriamo hespanhol e ao eu" 
phoniamo inglez. 

EuphoniamOf Santo DeusI Que idèa 
fórma o sur. SEIXAS do euphuiam de 
John LaLLiE? euphuismo éj ustamente 
o invez de euphonismo. Euphuiam è sy- 
nonymo de inelegance, barbariam, rude- 
neaa, affectation, cacophony. E euphoniam é 
synonymo de degance, grace, eaae, purily, 
readineaa, numerosità i. Os eupnuistas 
perverteram a lingua com o esemplo do 
Euplines e a sua Inglaterra on Ana- 
tomia do espirito, livro de Lillie, cheio 
de conceitos extravagantes e empolas de 
linguagem turgida, que nào tinha vis- 
lumbres de eupfaonia. Parece que o sur. 
SEIXAS estudou idiomas pelo systema 
que inculca na sua C3-alex*ieL : qua- 
tro philosophias e alkm&o e inglez no 
3.0 anno. Elie de certo nào sabiu dos ce- 
naculos do Ghiado com infusào de lin- 
guas. 

1 TT^aurtM of engliah umrdt and phrase», etc, 
by Pater Mark Boost. London, 1875. 



No capitalo final, Mlteratara por^ 

toRaesa, as suaridéas amesquinkam- 
se n*um dcsdem sinceramente imperdoa- 
vel. Conhece FfLiNTO pelas odes propheti« 
cas da queda da Inquisi^ào que Ihe apra- 
zem e pelaa e^curistasde que n&o ^osta. 
Queria que o perseguido yelho se inspi- 
rasse do christianismo e da liberdade. O 
padre Francisco Manoel devia levar de 
Lisboa idéas multo cordiaes do christia- 
nismo para o cantar na Hollanda, e devia 
cantar em Paris a liberdade quando Vr- 
CTOR Hugo festejava os nasoimentos dos 
principes e Lamartinb era realista. Tam- 
bem n&o gesta das Cartas de Eooo e 
Narciso, porque aS^o bucolicaa aem cor» 
reapondentea na noaaa aociedade. Real- 
mente, Castilho em 26 devia escrever 
versos pastorìs talhados para a sociedade 
do sur. SEIXAS em 79. Quanto ao mais, 
em philosophia encontra Vernet, Padre 
Antonio de Fiodeiredo e Silvestre Pi- 
NHEiRO Ferreira, c, uo restante, nada. 
Desconhece ou rejeita a Historia da 
philosopliia em Portugal nas suas 
relagQes oom o movimento goral da 
pliilosophia, livro de grossa erudi^ib 
d*um snr. Lopes — philosopho de Aiijó, 
que abriu os seus jardins de Academus 
em Monte-mór-o-Novo, Athenas muito su* 
perior a semelhante Piatilo. Attribue o 
snr. SEIXAS a nossa deoadeneia ao do- 
minio ecclesiastico, aos inquisidores e 
aos jesuitas. ArguÌ9oes d'està natureza 
jà orQam por frìoleiras. Nem os jesuitas 
nem os dominicanos impediram que se 
divulgasse o Novo methodo de e£tn- 
dar de Verney, tao encomiado pelo snr, 
CUNHA SEIXAS. A philosophia que se 
aprendia em Coimbra era a aristotelica, 
em harmonia com a das primeiras univer- 
sidades catholicas da Europa, desassom- 
bradas da censura inquisitorial. Os gran- 
des livros de Fr. Manoel do Cbnaculo nào 
seriam urna leitura despecienda ao snr* 
SEIXAS, se elle quizesse seguir as mo- 
difica^oes das scieucias philosophicas em 
Portugal. 

Entro as 365 paginas d*este compacto 
livro do illustre concorrente às caoeiras 
do Curso superior de letras ha, afóra o 
pedantismo, promessas de um bom pro- 
fessor das cousas que sabe. As pequenas 
maculas que Ihe unhei em tamanha obra 
dào a perceber que o snr. SEIXAS sabe 
as cousas muito grandes, e ignora ou es- 
queceu as pequenas. 



fAMILLO 



ASTELLO 



t RANCO. 



10 



BIBLIOORAPHU PORTUQUBZA B E8THANaEIRA 



NOVAS PUBUGAgOES 

éuUtm k Huntìu tmUmpumu 

INDICE DA OBRA 

Prologo. — Crea^ao do Carso superior de letras e planos de reformas. — Pla- 
no gewl de novM quadros. — Biologia ou physiologia oomparada: Definito. Obje- 
ctos. Eacolaa. Theoriaa. Importancia da sciencia. — Da anthropologia : Definito. — 
Anthropologia ; Claasificagdes — Anthropologia: Unidade da especie hwnana.^SQÌew 
eia da alma humana: Parte kistorica. Sciencia da alma: PoaUivismo de CorrUe.-^ 
ocienoia da alma : Poaitivismo actual. — Considera^Ses sobre o sensualismo. — O 
positivismo e o espiritualismo. — Sciencia da alma humana: Paychologia inglexa.— 
bciencia da alma humana: ConsideragSes sabre a formula— perno, Ioga «ou. — Scien- 
cia da "alma: Paychologia wpir^woZwte. — Sciencia das antiguidades orientaes, e»- 
pecialmente da India. —Linguistica: Definito. Hùtoria. Cto^t/ico^^fe*.— Liuguisti- 
ca : Ongem e formagào da linguagem. Theorias diversas, Importancia da sciencia. 
i^rammatvia aerai. ~ Esthetica ou sciencia do bello : Defini^ào. Parte historica e cri-- 
tica. Classtficagào. Stia importancia. — Esthetica : infinito na arte, — Esthetica : 
Consideragdes geraes. — Esthetica : Consideragdes sobre a poesia epica. — Historia 
universal e patria. — Historia da philosophia. — Synopse da philosophia allem& de- 

pois de Kant Philosophia transcendente : Consideragdes geraes. — Philosophia 

transcendente : Consideragdes sobre a logica. — Quadros ontologicos e sua applicacfto 
ao homem.— Con8Ìdera9oes sobre a theodicéa e sobre a philosophia da religiào.— 
ConsideraQoes sobre a psychologia racional. —Philosophia da natureaa — Os syste- 
mas na moral e no direito: Maral independente e justiga immanente. — A mora! e o 
direito: Sociologia positivista. —^^oÌMQÌom^mo e outras theorias. — Theorias espi* 
ritualistas francezas sobre moral e direito. — Doutrina moral e juridica de P. Janet. 
— Doutrinas moraes e juridicas de Krause. — Escólas krauseanas e consideracoeg 
sobre a moral e o direito. — Archeologia.— Historia universal philosophica. — Phi- 
losophia das religioes e mythologia comparada. — Litteratura grega e latma. — Lit- 
teratura da idade mèdia. — Litteratura moderna. — Litteratura patria. — Notas. 

1 &Jra^fda volume, Ij^^OO reis 



GERARDO PERRY 




E ESTITISTICII DE PORTUGIIL E 

Um grosso volume com mappas, 1$500 reis 




m ii I ■ ■ ' tj i ■■■' I !■■■■ MMij i,^ , », ,11, , , 



SOPHISMAS ECONOMICOS 



POH 



1 volume OOO z-ete 

LIVRARIA INTERNAGIONAL DE ERNESTO GHARDRON — PORTO, 1879 



E* traducfSo esmorada do snr. Joaquim Botelho 

do Luceua, quo n'um prologo bem escripto pedo 

que todas as reformas na legisla^So economica se 

ftmdem principalmente sobre o principio da liber- 

banindo o systema proteccionista. Utto de 



Bastiat teve em Franca um exito formidavel e vnl* 
garisal-o, traduzil-o, foi de certo um grande servi^ 
prestado 4 cau9a da Uberdade do commercio. 

{NotMoM d9 Poiiugàl), 



BBNESTO GHABimON, EDITOR 



11 



DIREITO «0 ALCANCE DE TODOS 



ou 



ADVOGADO DE SI MESMO 



fO» 



FRANCISCO ANTONIO VEIGA 

Jais de direito do J.* initancia 



Este livro, editado pelo inoansayel e 
prestante editor Ebkbsto Chabdbon, aoa- 
ba de ter complemento com a publicacllo 
da Segtinda parte. seu insigne e la- 
borioso author satisfez briosamente a es- 
pectativa de todos os qae conheceram o 
interesse e valiosissima utilidade da Pri- 
tnelra parte, ha pouco pnblicada. 

Tem, pois, agora o fóro portugaez e o 
pablico em goral um instractiyo e copio- 
flo Oleclonarlo de diretto* qae 
prima por ser um prompto directorìo fa- 
oil e segare nas multiplices rela^Ses da 
personalidade joridióa de todos os indi- 
vidaoB qae se regem por leis portugae- 
las. 

Qaem possair està obra encontra n*el- 
la, em nul coDJancturas da yida, o claro 
ensinamento das leis na saa constante 
applica^fto aos factos de cada dia. E por- 
qae o pretesto da ignorancia d*ellas a 
ningaem aproveita, bem se avalla quan- 
to està popolar e prestante publicaQ&o 
importa ao conhecimento e trato de to- 
dos os homens, nos seus itiais vitaes in- 
teresses de rela^Slo social. 

Contém ella em fórma de dlcclona- 
rlo e pela ordem alphabetiea d*am ez- 
tenso vooabxilario juridioo as mais im- 
portantes e usuaes nogoes pratioas dos 
diversos ramos da jurìsprudencia em ma- 
teria CIVIL, CRIMINAL, ADMINIS- 
TBATIVA, COMMERCIAL, ECCLE- 
SIASTICA e de PROCESSO. 

E porque saccinta, mas sabstancial- 
mente, preenche este comò qae ency- 
olopedico fim, qaasi contém ama breve 
bibliotheoa jiuidioa, que abrange as 
materias dos oodlgoa» das leis, dos de- 
oretos, dos regnlamentos, portaorlas, 
e oatras disposi^oes legislativas, consa- 
bstanciando a saa doutrina com os prin- 



Qaando o foi o seu primeiro volarne, 
differentes apreciaQÒes com jasta critica 
o encareceram à considera9S>o jpablica. 
Igual apre^o, ou ainda maior, e devido 
ao segando, qae assim completa obra de 
t&o reoonhecida utilidade pratica. 

Porto 88 de Janeiro de 1878. 



do -todos o\x o etd^voQ'eido 
de si xxi.efiizxxo, por Fbanoisco 
Antonio Veig a, juiz de direitò de primei- 
ra instancia, 

É effectivàmente um Dicelonarlo 
de dlrelto usuai com as nog5es 
pratioas do direito, e modélos e fórmu- 
las d*algans actos sobre materia CIVIL, 
COMMERCIAL, ADMINISTRATIVA, 
CRIMINAL, ECCLESIASTICA e de 
PROCESSO. 

author, conhecido e respeitado em 
assamptos de jurìsprudencia, vingou con- 
duir um livro portuguez, inquestionavel- 
mente util e popular, um livro indispen* 
savel a todo o cidadào. 

Em Fran9a ha tratados da sciencia do 
direito para uso da cidade e do campo ; 
nos Estados-Unidos e nas na^oes mab 
cultas ensinam-se as leis nas escólas de 
in8truc9S^ primaria, porque là entende- 
se que nenhum homem póde ser um bom 
cidad&o se nào conhecer a lei para ares- 
peitar ; em Portugal estavamos relativa- 
mente a està necessidade n*uma insacie- 
dade cruel; mas o .A.d'voga.do 
de si xneszxxo velo finalmente 
preencher tao deplora vel lacuna. 

A ignorancia da lei a ninguem apro- 
veita. Dorane nincruem a póde allegar 



12 



BIDUOORAPHU POfìTUGUEZA B ESTR&NaEIRA 



2 US f&i o homem e pcodai b ordem, que 
a laude doa povoa. 

Como ani tratodo popular de medici- 
na, corno amaoartillia de religi&o — ette 
Utto é altamente aproveitavei a todos. 
Um diatìnoto oausidioo foTmiila Bobre 
eata publioa^o nm juiio faToraTol, mas 

N&o havia, pois, verdadeicamente nm 
Dlcclonarlo de diretto qneabran- 

geese os diveraoB ramoe da saienoìa na 
sua applioafào pratica, NÈlu havia um li* 
vro compleio e ao mesmo tempo conciBO 
e aynthetioo, que muthodioa e prompta- 
meute podesBe coofirmar e esclarecer as 
reminiBcencias do douto om contiecimen* 
toB da jarisprudencia, o aarTiaae igual- 
mente sos funccionarios de todaa as ca- 
tegorìas, e até aoB hospedesde taes dou- 
tiinas da guia e conselho, ora pratica, 
ora theorico, nas inataittCB neceeeid&des 
de oada momento ; e tudo iato o interea- 
sante illeclonnrlo auppre com per- 
feiCa auffieiencia, offereoendo a todos um 
rico manancial de idéaa feciiadaa e pra- 

tiCflB. 

É. poÌB, Dlcclonarlo de di- 
reno iinDMl um livro utilissimo e di- 
gno de toda a aceita;S.o publioa. 

(Do C3mmerdo Portugva). 



Temos aobre a DOssa meaa de trabaiho 

a Segunda parte do ^^ìr'ei-to a.o 

Lce d.© -todos OH o 

3gado eie ai xmxsib- 

Isando^a oom o mesmo interoaae 
I compulsàramoa a Prlmeira 
cou-noB a convic^&o de que noB 
aimoB Da breve apreoia^&o que 
smoa. 



X^lrslto ao aJLoaxa.oe 
età -todoa é, jà o diuemoa e repetì- 
moB, urna eioellente publioaQ&o. 

E nio se oreia que ad tem ntilìdado 
para sa peasofta estranhas ao fòro on me- 
noa conhecedoraa de Joiispnidenùa; ea- 
ta obra é necessaria tambem para o« 
mais espeiientea e para os que, enrolvi- 
dos nas lidea judiciaea por profiasEo, tie- 
quentam oa trìbunaea. Finalmente, n&o 
ha peasoa que aio tenha neceasidade de 
compulsar maia ou menos, em muitaa 
ocouaiSea, o XHooionarìo de di- 
reito usuai. 

Enaontram'Be n'elle as noQSes prati- 
oafl do dìreito sobre materia ClVIL*, 
COMMERCIAL, AJ> MI NI STRATI VA, 
ECCLESIASTICA e de PROCESSO, e 
im^ortantes fdrmulaB e modStos do» aetoB 
mais frequentea aobre aa referidas mat»- 

Para tornar mala pro&eua e mais inte- 
ressante a sua obra, o eminente compi- 
lador nio olvidou a cita^io daa loia noa 
luga[escompetentes,propor<ùonandod'e9r 
te modo a facUidade de buscar a resp»- 
ctiva legiala^&o correlativa sobre qual*- 
quer asaumpto, quando necessario, van- 
tagem que facitmeate reoonhecem todos 
aquelles que tratam de uegocios forensea. 

.^d-vogado de ai Knaa- 
xxxo é, por iaio, no nosao entender, urna 
publiea; io importante que deve estat em 
todas as estantes para ser compulsada a 
mìudo; pois aendo um GUIA INDIS- 
PENSAVEL para os que desconhecem 
BB maia triviaes noqùes de direito, é ao 
meamo tempo APRECIAVEL AUXI- 
LIAR para os praticos e funccionarios 
publicoa. 

Gnimulei. 

G.F. 



•ra util a adminieti^aclores de oonoelbo, Juizes de 
o, Juizes de pa^ o Julzes ordiuarios, advo^ados, 
ràes de diz-eito, oscrlvàes do Juizo ordluario © es- 
ce dojuizo de paz, presidente^ das oaxnaira» mu-> 
les e das Juntais do paroobia, solioitadoi*es, e**- 
idoi-es oi'vis e seus scorotarlois, tabelU&es, cou- 
;doi*es do veg^sto predial, delegados do procu> 
' vcglOf e a -todas as pessoas que desejem possuir 
is indispensa-veis de dix-eito. 

1 grosso volume de 540 paginas 

Brochado 2ft000 reis 

Bncadernado ........ . 2$400 » 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



13 







POB 



GERVASIO LOBATO 



GOM UM PROLOGO POR BiANOEL PINHEIRO CHAGAS 



1 volume, 600 reis 



Deve notar-se antes de tudo, no livro 
da Gozxi.edia. de X^isboet, 

ser elio escripto por um mancebo que ao 
seu gosto naturai pelas letras, o à loa« 
yayd applicaQ&o de que dà testemonho, 
deve a estima9%o que està principiando 
a gozar. 

De ordinario nS^ se acredita multo, 
nos primeiros dias, em talentos c[ue sur- 
jam de repente sem que se saiba que 
aprendizagem tiveram. Vé-se um mo90 
nos theatros, nos bailes, à bora do Ghia- 
do e do passeio no Passeio e no Ghiado, 
depois à noite apparecer a cear nos res' 
tauranteSf conversar, demorar-se pela rua 
com OS amigos que vai enoontrando, re- 
colher para casa alta noite; e, quando 
menos se espera, vé-se apparecer um ar- 
tigo, apparecer um livro, apparecer uma 
I^eQa, e issò fcito por elle, leito por elle 
tudo isso, porque o artigo, o Uvro, a pe- 
^ nSlo se nzeram a si, e litterato a litte- 
rato poderà dar uma pe^a de ouro, se a 
tiver, mas uma pe^a de tbeatro, se a pe- 
9a de tbeatro fòr bonita, nào é naturai 
que fa^a presente duella ao nome e à glo- 
ria d*um collega. . . 

— É celebre I Tudo isto feito por elle ! 
resmuDga a gente sisuda, carregada de 
preoccupa^oes e de cuidados domcsticos. 
Mas vémpl-o por ahi a toda a bora, mas 
nào nos yoltamos para sitio nenbum que 
o nào encootremos I 

Se fosse ama questào de vaidade, a de- 
ploravel mania de querer passar por lit- 
terato unicamente para ter d'isso o titu- 
lo e OS bilhetes de tbeatro. . . Mas, nem 
para isso é preciso um tal trabalbo, nem 
trabalbo é nunca um disfarce e uma ar- 
timanba em cousas d'estas ; trabalha-se 
em elei^es por especula^&o, em letras 
nilo se trabalna senào por amor a ellais. 
Nào consideram quasi nunca em lucros 
e em vantagens positìvas, as voca^oes. 
quo nasceu para escriptor, sente a neces- 
sidade invencivel de escrever, que Ibe 
paguem mais, que Ibe paguem menos, 
que aprecìem, que o nào apreoiem, tem 
a sua idèa, confia niella, e caminha ; de 



umas yezes, salva-se, chegam a yél-o e a 
lél-o : de outras yezes, morre, sem se dar 
por isso, comò em vida quasi ninguem 
deu pelo que elle fizera. 

Deus, que é soberanamente justo, con- 
cede no futuro um quinb&o de gloria tan- 
to mais segura e incontestavel, quanto 
mais amarga bsga side e mais atormen- 
tada a carreira d*um escriptor ; se para 
com o nome de Lopbs db Mbndom^a ha, e 
assim deve ser, uma especie de religiào 
em conservar o culto da sua memoria, é 
porque a existencia de combate e de la- 
età, que elle teve, com uma sociedade, 
que por nào estar preparada para aquel- 
le genero de litteratura e para aquelle 
genero de talento, o nào entendeu e apre- 
ciou devidamente, personifica, por que 
assim digamos, o destino dos grandes ar- 
ti stas e dos grandes escriptores, que qua- 
si nunca durante a vida sào avaliados à 
altura do que valem. 

Por isso mesmo que é raro ser feliz 
desde os primeiros passos, e alcan9ar o 
acolbimento e a notoriedade tantas vezes 
regateada injustamente a outros pela vi- 
da adiante, a responsabilidade d'um es- 
criptor, que o publioo recebe, corno au- 
thor da OSoxxxedia. de X^is- 
boety tao bonrosa e lisoigeiramente nas 
Buas composi^oes de estreia, é mais sèria 
e mais perigosa ainda. publico costu- 
ma ficar sondo ezigente com os seus pre- 
dilectos na propor9ào do agrado com que 
08 laurea. segredo de nào cahir nun- 
ca, absolutamente, d*esse agrado, è mc- 
recel-o cada vez mais. Nào o ha melhor, 
nem mais seguro. Póde-se cahir de re- 
pente,, nas letras, comò na politica, mas 
nunca por outro motivo que nào seja 
aquella razào eterna de equidade e de 
compensa9ào, que poe todas as cousas no 
seu lugar naturai e verdadeiro. 

Porque a sociedade actual se esteja 
materialisando nos commodos da vida, e 
acredite mais no bem alcan^ar que no bem 
merecer, cumpre ainda mais aos que, à 
falta de outros titulos, jà vào tendo o da 



14 



BIBUOGRAPHU P0RTU6UBZA B SStHANGEiaA 



experidnoia, lembrarem aos mais novofl 
as etemas oondi9oe8 da estima^fto india- 
putavel d*um escriptor, o ap6rfeÌ9oam6n- 
to sacoessivo e a fertilidade. 

A Goxxxedia. de X^sboa. 
é urna prova de talento litterario pela 
fluencia com quo està oscrìpta ; tem mo- 
ddade, tem obaervaglo^ e tem gni^; 
mhe vèr, e sabe dizer : estfto provados 06 
dotes de escriptor do snr. Gutabio Loba- 
to ; està ganno o posto, agora é desYÒ» 
lar-se em o n&o desamparar. trabalho, 



qoando a gloria sorri, alnda é à ^naoLm' 
9A0 mais nobre, qne homem tem n^cate 
mando ; e oomqoanto entro nós a g^lorìa 
litteraria pareva estar sondo facil de 
mais, é, pelo contrario, é, por isso mes- 
mo, mais diffieil ainda; oonyém romper, 
e lograr aue por entro as nnvens de in- 
eenso se oifiEereooeni oa pontifioos doa sa- 
erfstSesf 



^ufto Ccéot Jk>aeta^, 



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O PRIMO BAZILIO 

Episodio domestioo 

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CAPOTE DO SI. mi 

Ivol 60d 



ERNESTO CHARDBON, EDITOR 



15 



i!0 iSiO M ITOEIÀ MOiiA DE PORTOCll 

ILLCSTRADO 

AdM^ilado 0tt éonformidade com o programma officiai 

para nao 
dM 4^ j^lendeìD hablUtar-se para o exame de admlasSo noi lyeeni do telilo 

i voi. com 31 retratOÉi, 240 reis 



Sete remBM> adulta e&tre todos os q|iie 
teem visto a publiddade oom identico 
firn. Apreseiitft nm» pl^iooomia moder- 
na e yerdadeiramente S3rmpathica ; as de- 
fini^es primoidiaes que dà nas ìio^des 
jpreamòtdares, sfto novas e coherentes oom 
o ccMrpo da materia ; abrangem todo o de- 
finida; nada teem de supemuo nem cou- 
8a algoma ottiittem do originai: resa- 
mem o proloqnio latino jpauca aed bona, 
o ponco, mas o bom e necessario. 

Àntes de enumerar os factos princi- 
paes occorridos no reinado de cada prin- 
cipe, colloca o anthor as datas do nasci- 
mento, acdama^ào, o falleoimento e os 
annos que govemou, comò para logo os 
recommendar à retentiva da crìan^a ; re- 



pete & fronte de cada dynastia as datas 
do seu principio e fim. 

Os factos capitaes de cada govema^So 
acham-se expostos na sua rigorosa ordem 
chronolog^ca, com clareza, em linguagem 
portugueza e simples, sem ostenta^S^ de 
datas para n&o sobrecarregar a memoria 
do alumno, que 'deye aprender suave- 
mente, sem grande esfor^o intellectual 
e que póde prejudicar tanto o desenyol- 
vimento da sua jeduca^ào physica comò 
montai : é isto mesmo o que teem posto 
em pratica là fora os pedagogos de me- 
Ihor nome, e os que applicam a sua acti- 
vidade a estudar o melhor melo de ins- 
truir bem e depressa a infancia. 

(Do Cofitmtreio Portugue»), 



THESOURO DO TROVADOR 

Colleccao de 11^ OANQÒES porfuguezas e brazileiras, collìgidas por 
JOÀO DINE e prefaciadas pelo Dr. JOSÉ SIMOES DIAS. Um elegante 
volume de 388 paginas. 

z*eQo ^OO x'eis 

fine admiravelmente o caracter da obra 
n'um esplendido prefacio, portico delica** 
damente cinzelado que nos introduz ao 
convivio das musas : « Este livro, escre- 
ve elle, é um jardim oloroso, onde a va- 
rìedade das flóres n&o destroe, antes com-' 
pietà a symetria da disposì^ào ; onde ha 
còres para todos os olnos, aromas para 
todos 08 olfatos, mimos para todos os pa- 
ladares ; repositorio da alma portugueza 
que chora e ri, duvida e ere, vive e ago- 
nisa, solu9a e canta; desmaia e resurge, 
escabuja comò um naufrago e espera co- 
mò um vidente». 

Q. T. 



THesotiro dio trova<ior 

é urna selec^fto de can^oes e recitativos 
de poetas portuguezes e brazileiros, ha- 
bilmente colHgidos por Joao Diniz. 

: Tliesolupo do trovadlor, 

corno aeertadamente escreve a penna 
brilhante de SIMÓES DIAS, presta o 
servilo relevante de fixar através de pro- 
cessos que se renovam e de escólas que 
se metamorphoseiam na successalo do 
tempo a linha tra^ada pela poesia na- 
cional, sondo o estudo critico das chres- 
tomathias poeticas um dos €^ue maior cul- 
tivo tem em Franca, Italia e na Alle- 
àiaoàa. O poeta da» PeninstQares de- 



«*i 



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j 



'■ 



^■HHm 



1.** Anno 



1879 



N.^ 2 



BIBLIOGMPHIA 



P OR TUG VEZA E ES TRANGEIRA 



PuBLICAgAO Meis^sal 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



X2 iiiimei*o»9 ^OO ireis 



SUMMARIO D'ESTE NUMERO 



POESIA S do lìimtino Xavier de Novaes, por Camillo 
Castello Branoo. — GALERIA DE SCIENGIAS 
CONTEMPO RANE AS, por J. li. da Cfuriha Seixa»; 
respo8ta ao sur. Camillo Castello Branco. — RESUMO 
DA HISTORIA DB PORTUGAL, de Jodo Dinix, 
por Camillo Castello Branco. — A PHILOSOPHIA 
ELEMENTAR de Balmea, pelo Dr. Lniz Maria da 
Silva Ramos. — PuMica^es hrazUeiraa: Livros de 
jorisprudencia. — Publioa^es diversas. 



LIVRARIA INTERNACIONAL 

DE 



ERNESTO CHARDRON 



PORTO 



EUGENIO GHARDaON 



BRAGA 



1879 



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Oartonado, 700 reis 








T 






1 





IMI 



Jomftl illostrado d'agrioaltnra pratica dedioado &b provineias do Norte* e pnblioado sob 
a direo9&o e anspicios do conseUio d'agricnltora do districto do Porto, oom a ool- 
laboragao dos prinoipaes agronomos e lavradores do paiz. 

i.o ANNO 5|^000 REIS 

INDICE DAS PRINCIPAES MATERIAS CONTIDAS N'ESTE !.<> ANNO 



Afolhamentos. 

Antrachnose. 

Aprumos no cavallo. 

Aquecimento dos vinhos. 

Beterraba. 

Bezouro listrado da batata. 

Conservammo dos vinhos verdes. 

Conven^ào interuacional contra a phyllo- 

xera. 
Cubos de Bohart contra a phjllozera. 
Cultura e conservammo dos cereaes. 
Cultura alterna. 
Ebullioscopio de Malligand. 
Economia domestica. 
Gado (0) na agricultura. 
Instrumeutos de lavoura. 
Lavra (A). 
Luzerna (Cultura da). 
Madciras. 

Philloxera (A) e o sumagre. 
Phylloxera (A proposito da). 
Plautas hortenses (Noticia àoerca de). 
Poda. 

Polìcia sanitaria pecuaria. 
Pombos correios. 



Prados (Os) naturaes e os de marcita no 

Piemonte e Lombardia. 
Prados naturaes (Os) no districto de Bra- 

gan^a. 
Produo^ào ca vallar (A) no districto de 

Aveiro. 
Produc^ào cavallar no districto do Porto. 
Questoes propostas à discussào dos agrìcul- 

tores e collaboradores d^este jornai. 
Quinta districtal (A). 
Ba^as bovinas. 
Ba^as suinas inglezas. 
Bamie (vulgarmente urtiga branca da 

China). 
Semeador mechanico. 
Sulfureto de carbonio. 
Teosinto ou Beana luxurians, nova pianta 

forraginosa. 
Topinambos (Cultura dos). 
Toupeiras (Das) e dos passaros. 
Urtiga branca. 
Veterinaria para lavradores. 
Vinha baixa no Minho. 
Vinificamào (A) em Bragan^a. 



E além d'isto : Annaes agrioolas do districto do Porto — Ohronica — Pre- 
gos correntes — Oonsultas e respostas — Peculio do agricnltor, etc, eto. 

COLLABORARAM N'ESTE ANNO OS EXG.°^^« SNRS. 



Visconde de Villar d'Alien. — A. C. le 
Coeq. — A. de la Boque. — A. S. — A. 
X. Pereira Coutinho. — Cesar Videira. 
— D. J. Salgado. — P. Villeroy. — 
Eduardo Figueiredo. — H. Champan- 
nois. — D. J. d'Alarcào. — J. C. A. Mei- 



io e Faro. — J. Konig. — Dr. J, da Sil- 
veira. — J. T. de Carvalho. — Louis 
Louson. — M. T. d'Oliveira Coutinho. 
— M. J. Ferreìra Guimaràes. — Millar- 
det. — Th. M. Norton. 



T>a ^.0 anno J^ ^aliix-am af^ 11.08 l a, ^ 



■■ 



«i^^^ 



1.0 ANNO 



1879 



N.» 2 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



PUBLICAgAO MENSAL 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



SERIE DE 12 NUMEROS, 600 REIS 



.JL. 



POESIAS POSTHUMAS 



DE 



FAUSTINO XAVIER DE NOVAES 



Pnblioadas por Antonio Uoutinho de Sonsa. Livraria Intemaoional de Ernesto Ohardron. 

Porto, 1878, 8.° gr. 



JE^ ^^ Jbli SX^c^lS 



DB 



FAUSTINO XAVIER DE NOVAES 



P^ieodoB par Antonio Moutinho de Sotua (2.* edi^). Livraria Intemackmal de onesto Oiardron, 

Porto, 1879. «.» gr. 



A poesia de Faustino Xavier des No- 
TÀBS é estranha ao ideal que caracterìsa 
OS productos de épocas diyersas. Juve- 

MAL, BOILEAU, TOLENTINO E NOYAES fri- 

zam a todos os seculos, porque se inspi- 
raram das corcovas insanaveis e irriso- 
rìas de todas as gera^oes. É fonte que n&o 
sécca jàmais a Cabalina onde bebem os 
alegres observadores d^este carnaval per- 
petuo que se estreou, com ares tragieos, 
no paraiso, em Eva lograda pelo diabo. 
Um pianeta que assim come^ou nunca 
poderà abster-se de ser um tanto comico. 
Xavier de Novaes nào viu tudo ; mas 
examinon com sagacidade rara tudo que 
viu; e, se o n&o captivassem respeitos 
indeoiinaveis na sua posÌQàodependento, 



dos saloes* Nào o fez Nioolau Tolentino 
porque era um bureauoratico Andador das 
almas dafamilia: pedia sempre para si e 
para as irm&s. Nào o fez Faustino justa- 
mente pela razào inversa : — para que o 
n3^ imaginassem capaz de aceitar o esti- 
pendio do seu sìlencio. £, depois, toda a 
gente Ihe queria do cora^ào àquelle opera- 
rlo francamente vaidoso do seu officio. 



N&o pensas que o independente, 
Que é sobre os maus um a^oite, 
Bate quasi em toda a gente, 
Mas trabalha, dia e noite, 
Para ter que dar ao dente ? 

N&o calculas a tortura 

Que soffre o que bate o vicio, 

E adora a virtudo pura, 



18 



BIBUOORAPHU PCXITUGCEZA E E8TRAN0EIRA 



Tlnha a musa ao pé do malarico. 

me ehaftiun atrevldoi 

Qae Mm ter do latin nada apreadldo, 
Proroeo em noat Intlpidoe etoriptoa 
Of genioe iininortae«| oa eraditoa 
Que a Vida tem gattadOi e a paeienoUy 
Entre oe bona ealhama^ da acieneia, 
Bm qmaate ea, infeUi, por nio eer rieoy 
He eanfaTa bsfMido ao magarioof 

Brania o oaro e ai rimaf simultanea- 
mente. N&o rendilhava as arrecadas das 
camponezas maiatas com lavores de Cel- 
lisi ou Ludovici, nem as estrophes com 
as elegancias de Pksbiba dà Conhà ou Gh>M- 
^ALVBs Crbspo. Pesava na balan^a o cele- 
bro dos seus admiradores, e dava-lhes a 
dòse certa de espirito que elies podiam di- 
gerir. D*ahi, a sua grande e ruidosa pò- 
pularidade. Tirante os poetas sinistros, 
que tinham tragedias nos olhos, bronchi- 
te chronica nas cavernas do peito, e ulula- 
vam saudades de tres mulheres amadas e 
mortas problematicamente, toda a ^ente 
de grandes e pequenas letras se del citava 
com OS improvisos de Fauìstiko de Novàbs 
nos outeiros, nos saraus e nos banquetes 
onde elle, às vezes com excesso, so dei- 
xava seduzir das tradÌ9oe8 festeiras, mas 
pouco briosas dos seus predecessores no 
chiste. 

Ninguem consolou maior numero de to- 
los seus conhecìdos. Pinta va-os em quin- 
tilhas, mostrava-lhes o retrato, e elles 
riam-se... dos visinhos, comò os Sgana- 
rellos de Moliìbb nas scenaa que o leitcnr 
conhece. 

Faustino era poeta necessario, t&o ne- 
cessario & evolu9S.o espiritual do Porto 
comò uma boa barra a prosperidade do 
seu commercio. Ninguem, corno elle, go- 
zou seis annos de triumphos. Quantos 

Soetas entào vegetaram inconscientes 
as condi^oes climatericas cobria-os a 
sombra da Upas de Java — arvore homi- 
<ttda. Esmaeceram, murcharam e lavra- 
ram as suas raizes na leiva dos oemite- 
rios, em quanto Faustiho medrava nas 
grandes insjùra^òes e expira^oes da gar- 
galhada. 

8e olhava para o céo, era com o dis- 
creto proposito de se acautelar das tro- 
voadas ; e, em vez de abrìr a sua alma 
aos mysterios do Azul, abria o guarda- 
chuva centra os aguaceìros. 

NovABs tevo uma doen^a hnplacavel 
de coracSU) : um amor baixo, ignobil até 
à miseria que se deplora e nào se per- 
dòa. Foi essa deformidade moral que o 
propelliu para o Brazil. O critico morden- 
te morréra na sua terra desde o instante 
em que se amorda^on, facilitando que 



um inimigo ferido Ihe revidasse as satjr* 
ras corno flechas que varam a lionra« 
Tinha side multo felis. Aos 34 a: 
ria OS risos explosivos de uma crian^. 



Nem boje, aoe trinta a quatto me eonfundo; 

Maa folgo, rio e canto em tom Ibètlvo!-^ 

— Poto tu yio nio aoa— eonboi^ o nmniol 



D^MMs, no Brazil, sacudido pela 
g^a9a e pelo opprobrio imm erecido, ei&«- 
trou-se da combnstio do desespero qae 
Ihe queimou o cerebro. Insandeeeu e 
morreu. É uma historìa negra que, a es-> 
pa9os, escurcja de entre as Poesias 
posthnxnas. 

O primeiro tomo dos seus versos é & 
mocidade, a exuberancia inoulta, o lieo 
bom do epigpramma benevolo, sem odios 
nem inv€jas. Amor, sentìmentalidadea, 
finezas de coraQào, ou o poeta desconhe- 
eia isso, ou o occultava para se apartar 
da turba lamartioiana. Era a unica lyra 
da rua das Flores que n&o sciupava. Ti- 
nha elle, alli, quatro visinhos poetas, la- 
crimaveis todos, e d*estes vive apenas 
um, o sor. A. Moutihbo db Scusa, que 
desertou a tempo da ala dos namorados 
gementes, e nutriu corno se ve. Os outros, 
DiAs DE Oliveiea, Pinhbieo Caldas, No- 
ouBiRA Lima estào desfeitos. 

NoYAEs mofava dos seus coUegas es- 
thericos. Em 1853 escrevia elle : 

Folheando as lindas felhas 
D^este albnm, flquei pasmado I 
N&o encontrei nm poeta 
Qae n&o Iomo deigra^ado! 

Gborel ao rèr a dteren^ 
Arreigada em corata 
De manceboSi que no mondo 
Passam por grandea ratdea... 

Sera moda eborar sempre? 

— N&o qnero a moda seguir : 
Em quanto os poetas gemem, 
Eu passo OS dias a rir. 

É moda deserèr de tudo?... 
Tambem n&o qnero deserdr: 

— Croio om tudo quanto vejo, 
E em tudo quo onfo dixer. 

Orcio nos Jomaes politicos« 
Nos bymnos e nos vivorios ; 
Greio até nos almanaobs, 
Folhinbas e reportorios; 

Croio em bomens e mnlberes, 
Creio em sabios e patetas, 
Croio em vivos e defuntos. 
So n&o creio... nos poetasi 

Estes rapazes decrejutos da actualida- 
de cuidam e espalham que os poetas de 
ha 20 annos estavam carregados de ida- 
de mèdia e tauffiam cytharaSfpela caia» 
da da noite^ debaixo das adnfas do Arco 



BENESTO GSARXMAON, EDITOR 



19 



ib Sani* Anna e da Penna Ventosa. Per- 
suadem-ee que o individualismo Ijrico 
«r» urna epidemia, e que todos os bardos, 
A for^ de ohorar, tinham fiatolas lacrì- 
vnaes. Pena tenho eu que Faustino Xa- 
viBR nào ohegasse até nóa oom o làtego 
da satjxa para os fazer entrar na escóla. 
Ha 21 annos que eu escrevia a Faus- 
tino na Carta que acompanha o seu se- 
gando tomo de versos ' : • A poesia das 
eleyacoes, dos extasis, dos arrobamen- 
toB, é individuai de mais para captar 
o interesse de muìtos. Os poetas abstra- 
ctos, 08 psyohologicos, os onentalistas sào 
exoeUenteii creaturas, sào talvez os que 
mais convisinham oom os espiritos ; mas 
qua queres tu, Notass? para quatro 
d^eaaes poetas nAo ha quatro interpretes : 
a ^ente sobe eom elles um pouco ; e, à 
maneìra que os sublimes aeronautas se 
engolfam nas nuvens, vem a gente ca- 
lmilo comò a area despejada dos saccos 
do l)al&o. Terra-a-terra é o que se quer 
agora em que està provado que a Ina, a 
oasta Ina, nào dà trella a poetas, nem ar- 
risca a sua virgindade a trooo de algu- 
mas trovas puxadas da alma» . 

No segundo tomo dos versos, enviados 
do Rio de Janeiro, ha menos era^a e 
msdsatavios. poeta abanoou. Fazpro- 
fissào das ietras. Adoma os seus poemas 
de epigraphes elassicas. Manuseia Diogo 
Bbbnabdbs, Antonio Fbbbbiea, e parodia 
Camobs. a correc^lo nào desluz, mas dà 
ao sorriso a linha horaciana : jà nào é a 
oasquinada, é a ironia, o tregeito um 
tanto aulico das piiherias de palacio. 
Là nos vislumbra jà o lyrismo amoroso. 
Foi sol do Brazil que fez o prodigio, 
quando a de8gra9a e os annos Ine neva- 
vam a cabota ; mas o poeta, rcceoso da 
mofa, entraja o seu cupido de pierrot, 

Fingem-se paixSes ardentes 
Uem que do cora^So yenham 
Al eaudaloeaa correntet 
BUffeotot, em que se empenhani) 
Bem maU do que o pelto, oi dentes I 

Tore amori em outrae eraa, 
Na terra tal poderio, 
Que domava altivas ieras > -^ 
Hoje nfto — que amor e brio — 
Virtiide, konra — s&o ehlmeraf. 

lodando o imperio brilbante 
N^vm sentimento profiindo, 
Foi monareha dominante ; 
Hai, vendo virado ò mundo» 
Fex-K amor negoeiante. 

* Elt4 fiA *M>*1n AAi* {nlMutlva. A». Afl.il9. Adi- 



fi eahlu tm tal desgra^, 
Que hoje em dia as lotrai inaa 
M&o toem deiconto na prafa ; 
E, fcrjando falcatruai. 
Vivendo vai da trapa^ I 



As Poesias postlitimas sào o inver- 
no torvo e algido d 'aquella alma. Sen- 
te-se que o assembra o crepusculo da 
noite infinita. Ahi apparece Elviba, a 
paixào serodia, chela da pe9onha dos 
ciumes e insilveirada nos espinhos das 
difficuldades que a honra nào ousa atro- 
pellar. poeta presagia a demencia « a 
morte redemptora. 



K&o véi que a raz&o, perdida, 
Mail n&o volta ao desgra^ado 
Que uma vez te viu lómente 
Se de ti é leparado, 
Sem que um teu meigo sorriso 
Re voi andò um eòo interno 
Possa vir luavemento 
Transportal-o d'eite inferno 
Aos gozos do paraiso ? 



Vamos vèr se o eòo demente 
Mais ameno abrigo encerra 
Para oste amor, tio ardentOi 
T&o desg^af ado na terra ! . . . 

£ n*outro relan^o : 

Sem ti, à forfa do pezar amargo» 
Meu animo ceder n, outr'ora forte ; 
D^esie ostado, infeliz, fdra ao lethargo, 
Do lethargo k loucura, e d'ella... à morte! 



Que eatado é eate qne a raz&o condemna, 
E pobre corano inda sustenta ? 
Porquo matar-mo quer agora a pena, 
E a esperan9a, mail tarde, me aviventa? 

A esporan9a?... A loncura... 



£u tenho uma carta de F. X. db No- 
VAB8, escripta à luz jà vasquejante da 
sua razào. Conta-me com phrases ranco- 
rosas este seu amor, primeiramente cor- 
respondido com delirio, e depois ludibria- 
do eom a perfìdia brutal de uma cocodeU 
te, posta em almoeda. Eu, quando vejo 
na cidade heroica està heroina eneane- 
cida,cuido que o remorso Iho alvejou as 
tran^as de Magdaiena em edi^ào barata ; 
mas, se reflexiono, tiro a responsabilida- 
de ao remorso, ^ adscrevo^a ao tempo. 
Ella é velha, a desgra^adal A vingan^a 
de NovAEs seria estrondosa, se eu, para 
entào Ihe abrir respiradouro à colera, pu- 
blicasse a historia de ELViBAquemeelle 



• ti » 



-JS 



20 



BIBLIOORÀPHU POHTUQUEZA E BSTRANOBIIU 



anno, se a sua ira Ihe aoonselhaue ain- 
da o desfor^o. N&o me redarguiu. E, an- 
tea de fiodo o anno aprasado, morreu. Foi 
melbor. Vingoa-se mais nobrcmonte as- 
sim. O eorpo là apodreoen à sombra de 
nm monumento; mas a alma do poeta 
-deve estar cravada no peito de Elti- 



EA oomo a foiba bervada de om punhal. 
Ea sei là! Ha peitos qae fasem dos ea- 
partiibos uma ooora^a, e mulberes qoe 
n&o tem, sequer, a fibra Tolneravel no 
oalcanbar* 

Ctmitt» CoéUtt» SiuMea. 




(£) 



mm pilmit» 



FADSTINO XAVIER DE MiES 

POESIAS POSTHUMAS 

lvol.in-8.0 1*000 



POESIAS 

Ivol. in-8,0 1*)00 

GALERI 

DB 

A POESIA POSÀR KOS CAMPOS 

POR 

L. A. PALMEIHIM 

A lartira — A lavadtira d'Affama — harSo — A 
tmihora vUMia — traptiro — amor livre — 
Fdiciano da» tega — A adsga do eonvwio — 
Ab horUu — «opotelro de ucada — (h criiieot 
— eon$élheiro — faditia — hroeiro — Am 
òetMSécUtro* — JoU daa Catmkihiu — bat^tl- 
ro da akZeta — A inetUeadeira — viteondt — 
Ai towadaa — At hoa$ fe$Uu — polUieo — 
namoro da jandla àbaixo — Vm eaaamento no9 
uAoio» — Am autonomia* — gallego — invev' 
no — Um drama eaero em 8. ChrigtovSU> de Ma- 
famude •— O andador da» almaa — Um pleiio 
Hngvlar — eyrio da consolalo — vendUhSo 
de folhinhae e almanaeht — mfr^eiro. 

Ivol 800 

INPRESSOES E BECOBDA()OES 

Ivol 600 

SERÒES D'ALDÉA 

Ivol 600 

Tlilii 

POR 

I. VILHENA BARBOSA 
2 voi liJ200 





ESCRIPTOS HUMORISTiCOS 

DO FALLBCIDO 

JOSE DE SCUSA BANOEIRA 
2vol 1*200 

POR 

SOARES ROMEU JUNIOR 

Ivol 500 

VISCONDE DE BENALCANFOR 

^Ifantotas t nctvj^n csnAmippmttn 
Ivol 500 

DE LISBOrAO CAIRO 

SCENAS DE VIAGEM 
Ivol 600 

Roma, Floren^, Napoles, no Vesuvio, 

Hercalanam, Pompeia, Genova» Pisa, 

Monaco, eto. 

Ivol 500 

JIlSTORIA yVlORAL DAS yVlULHERES 

POR 

ERNESTO LEGODVÉ 
Ivol 800 

A FE11CIDAD8 NA FAIIIIA 

GARTA8 D'ITMA mXI JL SUA FILHA 

POR 

JULIE FERTIAULT 
Ivol 600 

CANTDS MATUTimS 

POR 

F. COMES D'AMORIM 

Ivol 800 

HEROES CATHOLICOS 

POR 

„ , MKNRI CONSCniNCE 

2 voi.... itm 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



21 






POH 



J. M. DA CUNHA SEIXAS 



RESPOSTA AO SNR. CAMILLO CASTELLO BRANCO 



INTRODUCCXO 

No n.o 1 da Si1>lio^]rapHia. 
poi^tu^ueza e esti^ang'eix-a* 

vem pnblioado um artigo do sor. CA- 
MILLO sobre esto livro com aorimonia 
e ironia, improprìas da imparcialidade 
e severo pensamento, que de vem cara- 
cterisar a verdadeira critica. Nada n'es- 
se artigo se parece com as exposi^oes 
de Saint-Marc-Gtibabdin, db Saint-Beuve, 
Gustavo Planchb, Bemubat e outros so- 
bre as obras litterarias do seu tempo. Na- 
da ahi ha que nos lembre as Luminosas 
expo&i^òes da Kevne des denx mon- 
des, da Hevue philosopliique, da Re- 
▼ue historiqne e de outras publica9oes 
d*este genero. 

snr. CAMILLO come9a por urna 
ironia e acaba por outra sem ha ver mo- 
livos pessoaes os mais leves. 

£m todo o livro nào ha um pensamen- 
to, que se exceptue apesar de n*eile se re- 
veLar pelo menos arduo e longo estudo, 
que se manifesta, publicando-se com des- 
assombro o que largos annos foi pensado, 
Aquelia critica sómente consiste em 
se pòrem ao ci aro quaesquer defeitos pa- 
ra se votar ao fogo todo o livro. Mkjkib- 
wioz no seu celebrado livro dos Pere- 
&rln,os queixava-se de que os polacos, 
ao fallarem da patria, apenas publicas- 
^fim as miserias domesticas e nàb as vir- 
tudes e comparava-os ao homem, que, 
querendo mostrar a sua casa ao hospe- 
de, cometa pelo enfadar, amostrando-lhe 
08 lugares humildes da casa. O snr. CA- 
MILLO patenteia o que Ihe parece de- 
feituoso e a tudo o mais destina satyras 
mexcraveia; 

Como n'esta questSo s6 o publico póde 
861 3U1Z, vamos submetter-lhe algumas 



éonaii) 



PVOn*^- - 



J J 



II 

ULTIMO ESTADO DAS SCIENCIAS 

Como o livro promette dizer o ultimo 
estado nào de todas as sciencias mas das 
que n'elle sào tratadas, diz o snr. CA* 
MILLO, que satisfai cabcUmente, 

Pensar-se-ha, que o snr. CAMILLO de- 
monstra, que nas questoes anthropologi- 
cas por exemplo se nào deolarara a defi- 
ni^ào aotual da sciencia, a differenza, que 
ha entro està e outras sciencias parailelas, 
as classifica^oes mais modernas, os ar- 
gumentos pró e centra o reino humano, 
a època de apparÌ9ào do homem no 
globo? 

Demonstra o snr. CAMILLO, que na ar- 
cheologia geologica e nos cito mappas 
synchronicos, que exhibimos, ha inexa- 
ctidoes ou iacunas quanto à parte geolo- 

fica ou quanto à flora e à fauna, para 
car patente, que apenas ficamos em Cu- 
viEB e que nsU) acompanhamos o grande 
movimento de Huxley, Voqt, Dakwin e 
outros ? 

Demonstra o snr. CAMILLO, que na 
esthetica nào mencionamos todos os sys- 
temas contemporaneos, os mais encontra- 
dos, taes comò os de Jouffboy e Tainb, 
GfOBBBTi e Pboudhon, CoudiN e outros? 
Demonstra, que nào enùttimos o nesso 
juizo, franca e abertamente, expondo ain- 
da uma theoria nossa e dando-lhe varias 
applica^oes ? Quando nós citamos Vyasa 
e Valiiiki, FiBDUSi, Hombbo, Eubipidbs, 
ViBGiLio, Cebvamtbs, Camoes, Voltaibb, 
MoLiÉBB, Dante, G<ethb, Shakbspbabe e 
VicTOB Huao, nS.0 fazemos exemplifica** 
^oes significativas para ficarem patentes 
as applica^oes? 

Se fazemos o mesmo com relaQ&o & 
linguistica, à psychologia, ao exame dos 



22 



BIDLTOOaAPHIA PORTUGUEZÀ B ESTRàNOEIRA 



rospeitar urna oritioa, onde apenas cam 
duas palavras — scUisfcz cahcUmenU — 
fica tudo rcjeìtado? 

Como unr. CAMILLO n^esta parte 
nada demonstra e apenas se contenta 
oom aquellas daas palayras, é-no6 licito 
reagir oontra este ipse dixit no secolo 
das demonstracoes. Hespeitaremos pois o 
snr. CAMILLO mas nàoa sua crìtica, o 
sympatbico e popolarissimo romancista 
e nào o seo artigo aotboritario, em qoe 
com doas onicas palavras, qoe n&o s&o 
critica, pretende destroir tanto estodo, 
exposto com consciencia e exactid&o. Pa- 
ra snr. CAMILLO todos os nossos.res- 
pcitos, todas as atten^Ses : para o artigo 
menoB pensado n'esta parte toda a nossa 
opposìcào : acima de todas as polemicas 
o poblico, sopremo jolgador. Ao insigne 
litterato toda a nossa bomenagcm: ao 
seo artigo, mcnos prodente, os nossos jos- 
tìssimos reparos, em qoe nos ficarào ve- 
dadas as armas da ironia e moito mais 
as da falta de respeito pelo aotbor do 
Amor de perdigEo e de ootros roman- 
ces, com qoe tanto se honra a nossa lit- 
teratora. 

III 

SYSTEMA DE PHILOSOPHIA E CONTE 

Sempre firme na ironia, diz o snr. CA- 
MILLO entro ootras amabilidades : 

ff snr. Seixas, advogado em Lisboa, 
exbibe om systema novo de pbiloso- 
phia. . • qoe qoer qoe seja, para desfa- 
zer positivismo de Ùomte ». Depois falla 
em BuNZEN : e diz : 

• Parece qoe o n^ conbece ; mas 
adivinhoo-o, qoando formolava o seu sys- 
tema novo de philosophia ^. Encontra- 
ram-se». 

Moito bem. Ficamos sabendo, qoe om 
advogado nào póde crear om systema de 
pbilosopbia. Nenbum advogado póde sa- 
ber mais coosa algoma qoe as sciencias 
pertencentes à profìssào. Podiamos aqoi 
mencionar oma looga lista de advogados, 
poetas, pbilosopbos e bistoriadores : po- 
diamos tambem fazer oma resenba de 
grandes pbilosopbos, qoe tinbam profis- 
Boes bomildes. Deixemos porém ao illos- 
trado critico o coidado de se mostrar 
erodito, salvos os reparos, qoe ainda fa- 
remos centra os seos conselbos ao ensi- 
nar-nos os livros, qoe devemos estodar. 
Nào conbecemos philosopbo algom alle- 
mào d'onde colbessemos as nossas argo- 

1 A letra especial é a do artigo. 



menta^des eontra Cohtb : f&semot n^vto 
oonfifls&o franca e poblica de total 
rancia. Temos lido dona livros^de Ti^ 
oHiBii («ntre oatros) em qae trata de 
TB : em nonbnm d'elles se aoham as 
sas ar^mentao5es. Tibbbohixh é pro£< 
sor belga e refere-se a Gowib om 
Etndes de philosophie e na ~ 
dnotioxi a la pliilosophie. TiBKKasij 
é discipolo de Ebauss e so n*este sentido 
póde fomeoer o mercado allemfto. Os sena 
argomentos porém sào bastante diversos 
dos qoe nós exbibimos, coma 00 ieitores 
podem verificar, comparando estes douB 
excoUentes livree com os pobres capito- 
loB do nesso livro, antes nascidos de es- 
todos nossos e de reflexào propria. Se 
apesar d*esta oltima drcamstancia os 
nossos reparos centra a pbilosopbia de 
CoMTM podem ser aproximados dos de oa- 
tros escriptores, o snr. CAMILLO devila 
antes fallar nos mercados francesea e in* 
glezes, em 8r. Mill, em P. Jahbt, Saia* 
SET, em Fbamck e n*ootro8 escriptores « 
Devia o snr. CAMILLO saber, qoe a 
AUemanba està em parte dominada aia» 
da pelas escólas begelianas, oluunadas 
là direita e esqoerda e centro de Hbqbi., 
pelas escólas darwinistas e evolutivas, 
pela escóla monistica e finalmente pela 
escóla materialista. Das escólas begelia^ 
nas e nào de Comtb nasceo o movimento 
allemào contemporaneo, em qoe notamos 
grande vitalidade principalmente com re* 
la^ào à esqoerda, representada por Mi- 
cuBLET de Berlim e por Stbauss, sondo 
a extrema esqoerda representada por 
Bauer, Feuerbach e ootros. Depois se« 
goio-se a escóla pessimista de Scoope- 
khaueb, boje continoada com modifica9oes 
pela escóla inoonsdente de Hartmann. Ao 
mesmo tempo sorgiram os materialistaa 
M0LE8CHOTT, Buchneb e ootros. A evolo-* 
^ào e o darwinismo inglez sào representa- 
dos por RACHEL e ootros, qoe sào tambem 
com Strauss om tanto monistas. 

A escóla comteana transpoz estreito 
da Mancba e tem grandes amnidades com 
as escólas inglezas, onde essas dootrinas 
se aceitam mais facilmente qoe na M\&^ 
manba. 

Nào seriam pois os mercados allemàes 
OS mais proprios para nos inspirar centra 
CoMTE, mas sim aqoelles em qoe Coma 
tem tido mais infloencia e é mais estoda» 
do e onde por tanto ba mais analyses do 
seo systema, corno a de Spenobb, a de 
St. MiLL e as de ootros. 

É pois inteiramente inexacto o snr. 
CAMILLO, qoando imagina, qoe foram 
OS mercados allemàes, onde m)iitiì n^Q 



ERNESTO GHÀRDRON, EDITOR 



23 



tem mflaeneia òu a tem menor, os for* 
xteaedores cLm nossas argumenta^oes. Fa- 
xeceiid(Mios olara està exposi^ào, n&o du- 
-vidamos de que o publioo estarà n'eata 
parte do nosso lado eontra o sur. CA* 
MILLO. 

IV 

NOSSO SYSTEMA DE PHILOSOPHIA 

O anr. CAMILLO entende, que o nos* 
ao ayatema é o de Bonzen. 

Tem o no88o sjstema tres leis, ezpli« 
eadaa no livro e chamadas : ser, mani* 
festa^ào.e harmonia. É facil aprozimar 
eate ajstema do de Santo Agostmho, quo 
na atta obra magistral sobre a trindade 
dk, que toda a creatura subsiste no seu 
ser, tem urna fórma, que Ihe é propria e 
é ordenada em alguma outra. E é clara« 
mente manifesto, que o nosso systema di- 
verge do de Santo Agostinho, que nào o 
de«envolyeu. É facil aprozimar as nos- 
sas tres leis da these, anthìthese e syn- 
these da philosophia aliemà desde Kakt 
até HsaBL. £ tambem nào é difficil mar* 
earmos as differen^as capìtaes, que dis- 
tanceiam o nosso dos systemas allemàes. 
É faeil apfozimar-se o nosso systema 
do de KsAcsE nas suas tres ieis da uni- 
dade, variedade e harmonia. E tambem 
4 faci! mostrarnse com a maior evidencia 
em que dìfferem os dous systemas. 

Póde nosso systema aproximar-se do 
de Bobdàs-Demoulin na theoria que este 
dà do infinito. E nSo obstante os dous 
systemas differem prof nudamente. 

mesmo succede com reia^ào ao sys- 
tema de Gioberti. N^ é difficil moatr ar- 
se a parte, que no nosso systema toma- 
ram as esoólas carteaianas do seculo xvii 
e a parte, que n'elle toma a esoóla espi- 
rìtaalista franceza. proprio livro no- 
ta as faltas das escólas cartezianas e as 
lacunas e erros da escóla espiritualista 
franceza contemporanea. 

Novidade completa nunca póde haver 

em um systema de philosophia. Quando 

Be diz novo, sempre se entende, que a 

i^ovidade é relativa e limitada. NihU stib 

8olt novum. A novidade no systema de 

ttm philosopho consiste ou em ser multo 

oompleto comò os de Dbsoìrtes e Lbi- 

BxiTz, ou em por em maior relevo certos 

fftotos com desprezo de outros, comò os 

de Locke e Coutb, ou na maior genera- 

lùa^ào dos factos e no modo synthetico 

w^mo de Kbausb, ou no modo profundo 



novo no sentido em que s&o novoa todoa 
OS systemas do escnptor, que eombate 
todoa OS philosophos e em t<KU)è eDoontra 
defeitos corno nós notamos. Nfto somof 
partidarios de^ systema algum espeeial : 
n&o somos disoipulos de Hb0bl, oomo 
Ybba ; nem de Kbausb, corno Ahbbmb, Ti- 
BBaoHiBN e diversoB escriptoret hespa- 
nhoes; nem de Bobdas-Dbmoulib eomo 
Mathbus, Hubt, Campoamob e outros; 
nem de Comtb, oomo Tainb, Th. Bibot, 
LiTTBé e outros. 

Formàmos o nosso systema depois de 
longo estudo, fazendo uma concatena^iU), 
em que temos em mira abra^ar todos os 
progressos das sciencias sem desconhecev 
as verdades reaes ainda das escólas posi- 
ti vistas e evolucionistas. Para este firn 
formulàmos leis universaes e organisa* 
mos por ellas todas as sciencias, tratan- 
do de algumas das applica9oes n*estd li- 
vro. Assim applicamos o systema psycho- 
logico à esthetica, à ontologia, à historia, 
à methodologia, à logica, à theodicéa, à 
moral, ao direito, à sciencia da natureza. 

Nào sào segredo as paternidades do 
systema : antes andam publicadas no nes- 
so opusculo Prinoipios geraes de philo- 
sophia da historia, cap. vm. Todo o 
pensador se honra em apresentar quem o 
precede. Comtb honra va-se em se fazer 
discipulo de Kant. Schopenhaueb diz-se 
fiel discipulo de Kamt. Nós dizemo-nos 
discipulos de todos os pensadores. Cha- 
mamos porém novo o nosso systema e o 
continuaremos a chamar, em quanto nos 
nào fór domonstrado, que as nossas tres 
leis e OS quadros scientificos, proceden- 
tes d'ellas, jsào copia de algum systema 
conhecido. E isto que o snr. CAMILLO 
devia ter feito e é isto todavia mais dif- 
ficil do que espraiar vistas desdenhosas 
sobre o Ghiado e sobre o Aterro da Boa- 
Vista, sitios, que nós nào temos multo 
tempo de frequentar. 



NOSSO SYSTEMA E BUNZEN 

Entende o snr. CAMILLO, que o nos- 
so systema é o de Bunzbn, author de 
Deus na historia e perguntanios, se o 
conhecemos. 

Podemos declarar, que foi por nós pu* 
blicamente citado na nossa IÌ9&0, dada 
no Curso superior de letras do dia 21 de 
dezembro sobre liberdade civica em Ro- 



24 



BIBUOGRAPHU PORTUGUSZA E ESTRANGEIRÀ 



esULo j& atraiados na soienoia da mTtho- 
loffia oomparada de que se ooouparam. ^ 

r^a nossa ezposi^&o synthetica da phi- 
losophia allem& depois de Kant (cap. 
XXIV ) dAo faliàmos em Bcmzkm, porque, 
apesar de respeitabilissimo escrìptor, 
nem elle propno se entendea collocado 
no quadro das grandes orea^oes alle* 
m&8. Por isso e porque nós n&o trata- 
mos das especialidades mas da marcha 
goral da sciencia allemà nào menoiona- 
mos BuNZBM, que é apenas um escriptor 
de historìa e nem aiuda de historia geral 
nas suas diversas rela^oes mas principal- 
mente sob ponto de vista religioso. Se 
nós tivessemos de citar por exemplo os 
especialistas de scienoia religiosa na sa- 
bia Allemanha teriamos muito campo a 
percorrer. A philoso^hia foi por longos 
annos serva da religi&o: philosophia 
theologicB anelila. Depois emancipou-se e 
tornando-se independente da tutela en- 
trou a examinar prof nudamente as con- 
sas religiosas até alcan^ar consequencias, 
que nem sempre é prudente discutir. 

estado da philosophia allemà n'esta 
reparti^ào é de um arrojo assombroso. 
Sem lembrarmos as theorias da raaào 
theorica de Kant, que expulsa Deus da 
metaphjsica, onde expoe as suas celo- 
bradas antinomias, mal atacadas por 
CousiN, sem recordarmos, que o proprio 
Fichte so acha Deus comò Kant na or- 
dem moral, sondo ambos seguidos por 
Lessino, veremos em Souelling e Hegel 
o pantheismo aliiado a urna profunda re- 
ligiosidade, sendo certo porém, que o 
Deus de um e outro nào e certamente o 
Deus do Christian! amo. Mais tarde sur- 

giù SCHLEIEBMACUKS, GrOSSBHBS, BaADEB, 

Kreutzer, até chegarmos aos estudos 
christàos de Ewekbech, Stbauss e outros. 

A escóla franceza tambem nào fica 
silenoiosa e n'ella contempiamos depois 
das tormentas do seculo xviii Bbnjauin 
Constant, a grande escóla theologìca de 
Ballanchb, de db Maistbe e outros, além 
dos estudos actuaes. 

E manifesto, que ocoupando-nos no 
cap. xxiv do movimento geral dos philo- 
sophos, que formaram escólaa nào tinha- 
mos de nos occupar dos philosophos «e- 
cundarios e por isso nào entraram na 
nossa exposi^ào os trabalhos de Bou- 

TEBWECH, FriES, BeINHOLDT, BeCK, BaB- 

DiLi, Salat, Schultze, Krug 6 aiguns 
mais ainda. 

Vé-se pois, que assim comò deixamos 
de fallar n'estes philosophos tambem na- 
da dissemos de Bunzen, que entra na or- 
dem dos philosophos secundarioa apesar 



de Dotavel e dignissimo de estado. O 
CAMILLO poróm, <|ue n&o yd o 
de BuMziui no livro, ima^iua por iaeo 
que ignoramos a sua existencia oa q 
copiamoB docile o que chamamos 
B^dtema e imagina com isto ter Mio 
nca descoberta, dando a entender talv 
que, se occoltamos o nome de Bomsbv, f^ 
oom o fim de darmos por nosso o que ó 
docile ! 

Somos bastante ignorantes e desejan»-> 
mos estar isentos d està falta de acieiL- 
eia ; mas nào chega a nosaa ignoraacì& 
ao ponto de fazermos de Buizkn um au— 
thor de systema e menos om dos dobsos 
insoiradores. 

BuMZKN teve por alvo o estudo das my- 
thologias e nào o da historia geral Ajoa- 
nos o de noia reforma do saber humaso, 
com quanto o estudo das mytholc^as se 
acompanhe necessariamente de muitos 
conhecimentos genericos. Bunzbm por tan- 
to além de outras obraa notàveis sobre 
diversas especialidades escreveu a que 
intitulou Deus na historia, que é ama 
philosophia da historia sob o ponto de 
vista religioso, comò a de Quinbt, a de 
BouBNOFF, a de Tbottbt e outras. Os sena 
principios mais geraes sào: a presene 
de Deus na nossa conscienoia, a perao- 
nalidade consciente corno origem da vida 
historica, a vontade e os actos do homem 
comò motores da historia, o methodo da 
inducqao (e nào outro), a revela^ào de 
Deus pelas faculdades humanas da von- 
tade, intelligencia e imagina^ào, a èpo- 
ca intuitiva on sentimento de Deus, o 
movimento da intuif ào e reflexàOt termi- 
nando-se na ooDSciencia philosophica. 

Por outras palayras e em resumé Bum- 
zEN segue em geral a philosophia alle- 
mà nas tres leis da these, antithese e 
synthese. A primeira època, sendo para 
Fichte a da innocencia e para Schellino 
a da fatalidade è para Bunzen comò pa- 
ra CousiN a da intui^ào, sendo està em 
CoasxN um pouco exterior ao homem e 
para Bunzen sempre interna, comò uma 
das fórmas da cortsdenda* nosso syste- 
ma philosophico tem intimas rela^oes 
com a philosophia allemà e separa-se mui- 
to d'ella nào so nas bases mas ainda nas 
applica^òes, comò se separa das theorias 
de CousiN, que nào soube dizer a ordem 
dos termos unito, infinito e rela^ào d 'am- 
bos e nào achou o terceiro termo depois 
da intuÌ9ào e reflexào. nosso systema 
afasta-se da simples theorìa (e nào sys- 
tema) de Bunzbn, em que na theorìa d'es- 
te sómente figuram o homem e Deus, 
aquelle c(»n sua yontade e suas facolda- 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



25 



dea, actorea da historìa, este guiando e 
dominando o sentimento. A prìmcira lei 
da noasa theoria da finalidade envolve 00 
eleinontoa anthropologicos, biologi eoa, 
geographioos e outros, prestando-se as- 
0Ìin a deyida homenagem e aceitando-se 
11*68 ta parte pensamento moderno, re- 

{>resentado pelo positivismo, e pela phi- 
osophia inglezft de Bucklb, Dbapbb e 
Spbncbr, e por alguns allemàes posterio- 
res a Bonzbn. À seganda lei do nesso 
quadro historico e de todos os nossos 
qoadros scientificos pertence corno ele- 
mento a evoltigào, que nSo figuraya em 
BuKZRN. A terceira lei espressa reaiida- 
des inteiramente diyersas das de Bunzbh. 
O methodo d^este é a induceào : o nesso, 
exposto no eapitulo xxyi, é multo mais 
completo e nem sequer se admitte com- 
para^&o. 

Como o snr. CAMILLO yia algnmas 
semelhan^as n&o reparou nas differen^as 
capitaes: ora, se attendermos a scme- 
Ihan^as, vél-as-hemos mnito mais paten- 
tes eom os systemas de Bobdas-Dkmou- 
LiM, Kbàusb, GiOBBRTi e outros philoso- 
phos,^ que mais nos podiam inspirar. A 
theoria de Bumzbm nào tem urna so cousa 
nova : é ama das appliea^oes do systema 
do FicHTB : 00 systemcK, que temos enu- 
merado, sfto aspira^oes a eorresponden- 
tes roformas da scieacia humana em to- 
das as suas faces. 

Temos pois demonstrado : 
' Qae nào tratando o nesso liyro dos 
philosophos secundarios n&o tinhamos 
que menoionar Bunzem : 

Que o nesso systema n&o é de Buk- 
ZBH ; nem a simples e limitadissima theo- 
ria d*este myttìologo podia ter side fon- 
te, d*onde colhessemos as nossas idéas. 

Se se considera, que n&o ha facto al- 
gum nas soiencias contemporaneas, que 



nSo caiba dentro do nesso vastissimo 
systema, se se attende a que muitos dos 
elementos da nossa concatena9llo scienti- 
fica sào colhidos em dados actuaes, des- 
cobertos ha menos de dez annos, fica evi- 
dente, que é até absurdo o pensar-se, que 
podessemos ser inspirados por Bunzbh, 
que relativamente é bastante antigo e 
sobre tudo foi insigne na mythologia 
sem em tempo algum ter tido nomeada 
e escóla na sciencia em geral, de que se 
nào oocupou. 

Se porém se jul^a, que um Deus na 
historia sera uma imita^ào de Bunzeb, 
ainda iste sera inezacto, porque para es- 
se pensamento nSo carecemos senik) da 
Historia universal de Bossubt, que é mul- 
to conhecida ou ainda das theorìas da es- 
cóla theologioa, que, representada por 
DB Maistbb e Bautain e outros em Fran- 
ca e Vbmtuba db Raulioa e alguns mais na 
Italia, proclama osse mesmo pensamento. 

Cremos porém, que o snr. CAMILLO 
faz muito triste conceito de Bunzbb, por- 
que, dizendo, que nos enco/i^ramo« e cha- 
mando ao systema do livro — que quer 
que seja — fórma por tanto do pensamento 
do livro e do peusamento de Bunzem uma 
idèa pouco lisongeira para ambos. 

Vé-se assim, que a crìtica do snr. CA- 
MILLO n'eata parte se limita a duas 
cousas : a chamar nosso systema — o 
que quer que sega — e a identìfical-o com 
o systema (?) de Bukzbn, que certamente 
nào imaginou ser tao mal entendido. 

E a iste chamar-se-ha critica ou antes 
se deverà dizer, que ha por vezes esque- 
cimentos de genio, prestaveis a justos 
reparos ? 

publico decidirà, Continuaremos res- 
pondendo a tudo o mais. 



|« P« k (Mg3i Sitvm. 




étm k %tmtm tmimpmmm 



POR 

J. M. DA GUNHA SEIXAS 

Trata de reformas no Curso superior de letras — questoes biologicas e anthro- 
pologicas — psychologia positivista, sensualista, ingleza, evolutiva e espiritualista — 
philosophia transcendente com rela^Ho à logica, theodicéa, à moral e ao direito — 
philosophia da natureza — historia dos systemas phìlosophioos desde Descartes — 
archeologia mineralogica, botanica, zoologica e pre-historica e philosophia da histo- 
ria — mythologia comparada — esthetica — linguistica — litteratura, etc. 

Um volume de 365 paginas e oito mappas 1|>500 

k VENDA EH TOPAS AS LIVRARIAS 



36 



BIBLIOORAPHIA POATMlflUA B ■SnANOKIAA 



m RESmO DÀ HHÀ iDElÀ M PORIUGAl 



(ILLII«T«A»0) 



Rdoopllado em «anfomldadd eom o programma offldal 

pm mo 
dot qoA pr«Umd«B hablUtartt par» o •xant 4» admlwla bm Itmm do 



LiVRARU Internacional de Ernesto Chàrdron, Porto. 1 volume m-8.<» 



Os oritioos inadvertidamente oottomam 
dar pouoa importancia aot eserìptoB d'et^ 
ta Datarosa. Um livrìnho de historìa pa- 
tria afeiQoada ao entendimento de alum* 
no0 de instruc9&o primaria pareee-ihea 
objecto tomenos da sua atteii9ào. D'ette 
detdem te aproveitaram pessoas insuf- 
fieientes, pubHcando compendios, qae fa* 
Yoreoidos pela induigencia, se n&o pela 
ignorancia, dot qualificadores da instrao- 
9^0 publica, ahi correm multo ufanot e 
lucrati V06 das suas dezenas de edi^oes. 
Nào se póde dizer que uns sào peores qne 
OS outros ; porque reciprocamente se co- 
piam eom aomogenea fìdelidade as mes- 
mas futilidades, os mesmos preconeeitos, 
uns hauridosnoLA Clvdb, outros na Bis- 
toria de Portngctl, composta em inglen 
por urna sociedade de littercUos, e muitos 
em Ferdinand Denis. Resumos escriptos 
jà depois que ScHCEFFEB, HfeRCULANO e Re- 
bello DA Silva diluoidaram as obscurìda- 
des e corrigiram os desacertos, continuam 
gafados dos antigos yioios. Os fabrican- 
tes d'estes livros de mercantilismo des- 
culpam^se eom a evasiva de que a histo- 
ria escripta para rapazes os dispensa a 
elles historiadores de a estudarem. 

Veio o snr. JOÀO DINIZ perturbar 
estes comezinhos habitos eom a ezcep^ào 
do seu UN'OTTO 1CG&\JLTXXQ <3Lgl 
lx±&±o:rx0L zzxodearzxet cLe 
X^òz*-t-uLg-eil. Nas I>iia.s pala- 
vras e No^Òes preamfoula- 
x*es9 que precedem o seu trabalho de 
esolarecìda selec^ào, revela-se capacida- 
de para obra de maior alcance. O novel 
escriptor poderia talhar mais ampia àrea 
aos seus estudos historicos, e dotar as 
aulas de um compendio menos coneiso ; 
sUjeitando-se, porém, à pauta absurda 
chamada programma officiai, reduziu eom 
excellente habilidade os factos essenciaes 
illustrando-os de reflexoea quasi sempre 
locontroyersas. «Quasi sempre», digo, 



porque n&o estamos de perfSsìto aeeoxdo 
no teu e meu modo de, vèr o marqaes 
de PoMBAL. snr. JOAO DINIZ yé a 
collectividade das oousat, e eu reparo 
mais attentamente nos individuos. Cada 
qual de nós tem a sua politioa, e paveoe 
que retrocedemos a ser ooevos das ao^dea 
do ministro de D. José i. Bem póde ser 
que ambos estejamos apai^enadoa, tìsìd 
que ainda aotnam sobre os espirìtos de 
hoje 00 influxot politioos de ha seeolo e 
melo. 

Historiàndo jd reinado de D. Mabia i 
diz o snr. JOAO DINIZ qne a rainha 
desterràra o marquez, e, mal aconnlìè»» 
da sempre, mandou que em seguida /ot- 
sem postos em liberdade tédoa os preso* 
encarcerados no tempo de seu pai, e re* 
gressassem ao reino os desterrados. 

Quer-me parecer que a rainha, man** 
dando desoerrar as portas dos carceres 
a pessoas nào culpadas por senten^as, 
andou bem aeonselnada. A maioria dos 
presos, e dos desterrados comò Josà db 
Seabba da Silva, nunca reoeberam nota 
de culpa. snr. DINIZ sabe eom certe- 
za que SbbastiXo José db Carvalho n&o 
precedia de formalidades morosas a pri- 
sào, o patibulo e o desterro. Servìa-se 
da lei dos processos, quando o delioto 
estava de antemào provado e o rèo vir- 
tualmente con vieto ; mas, nos casos duvi- 
dosos, mandava matar... interinamente. 
parecer de que a rainba foi mal acon- 
selnada pareoe-me que nào poderia resis- 
tir à exposi^ào dos factos, apesar da apti- 
d&o indisputavel do snr. JOAO DINIZ. 
proprio marquez confessou os delictos e 
pedìu perdào das suas demasias à raiuha. 
Seria nìmia pusillanimidade ou excessiva 
miserieordia a da soberana, se mantives- 
se no governo o ministro que intentàra 
desherdal-a da corda ; por outro lado, or- 
9aria pela barbaridade, se retivesse nas 
masmorras da Junqueira e Ck>va daMoi- 



- „"J S U-! g ' ^i-'^jg — 



BBNSSTO GHARDBON, EDITOR 



27 



o8 amigos do8 Tayoras, om dos quaes 
h&vìa expiado no patibulo de Belem o 
pundcmor aom que intontirà desafifron* 
ta.r-9e do estigma que P. José i Ihe po- 
serà no leìto conjugal. Quereria eu que 
sk bìstoria nào ezpungisse do quadro os 
individuos atropellados debaixo das rodas 
do earro do progresso ; sondo qua os be^ 
Tke&cìoB do maic^ues is ìndustrias e ftrtes 
fòram tao fragilmente cimentados que 
ainda em sua yida sa derniiram & mia- 
eoa de alicerce. 

A hypothese do snr. JOAO DINIZ n&o 
é um erro, nem sequer nm desvio de boa 
aprecia^ào : é a idèa de urna escóla a que 
pertencQiB alguns notayeis pensadores e 
propugnadores da civillsacao pela liber* 
dade, e da eauterisa^ào das ieridas so- 
ciaea pela ampata9&o doi individuos &or 
fermos. Eu, de mim, Bou mais pelo sys- 
tcma doa emollientea. Joao Fsdso Bibbia 
ao, nas suas ReflozSes bistorioas, mos- 
lora-se multo jreoeoao de julgar os homens 
à distancia dos faotos. « • . «Longe de se- 
guir o exemplo de alguns authores (diz 
elle) que do fundo do sou gabinete cba- 
mam a jui^ os soberanoa de todas aa ua- 



95es e idades, e decidem afontamente da 
jttsti^a e ii^u8ti9a, prudencia ou impru- 
denoia das suas resolu^òes, oomo S9 ti- 
yessem assistido aos sena oonselhoa, e 
sabido todos os motiyos que oa determi- 
naram, apenaa me atreyo... a fazer as 
pondert^ea que parecem mais desyiadaa 
da t^ieridade)». 

Este canon hiatorioo do ^ande sabio 
que eu applico ao snr. JOAO DINIZ na 
questilo si:ueita, póde elle tambem appli- 
oar-m*o ; e eu, respeitando quanto devo 
preceitò, continuarei a ezeorar o mar- 
quez de Pombaz., e a n&o oondeaoender 
com a opiniào dos que attribuem aoa il- 
lustres homicidas o melhoramento da es- 

C'e humana. Esie paradozo yem de t&o 
je que alguns bistoriadores consignam 
i ferocidade de Nbbo o rapido progresso 
do christianismo. Ora eu tambem seria 
apologista de Nbbo, se no aeio do ohria- 
tianlsmoimpulaiouado inconsciamente pe-^ 
lo filbo de AoBippivA, n&o eoezistisaem 
OS rcformadores aanguinarioe oomo Ba- 
QASTiZo Jos^ na CAavALao, 



-AUiLuo Castello 



!i\ANC9. 



Jofto IMnlB 

Kovo resiuno da historia moderna 
de Portugal, illustrado, e recopilado 
em harmonia com o programma offi- 
ciai 240 

i&apoao Boleiho 

Oompendio de ohorograplila portn- 
gneza, para uso das esoólaa* 1 volu- 
me com dous mappas, um de Portugal 

e um mappa-mundi. 320 

A mesma obra aem mappaa. . . . 200 

Problemas para uao dos meninoa que 
se preparam para e^ame d*instruccào 
primaria , . 200 

Airltlimetioa pratica, contendo as ma- 
terias ezigidaa pelo novo regulamento 
do8 lyceus, para o l.o e 2.o anuos de 
mathematicas 600 

Cteograpliia goral actualisada e posta 
em harmonia com o ultimo programma 
offioìal. 2."^ edÌ9iU> 600 

PircUamaa d'arithmetioa e ezerdoios 
de calcalo sobre queatoea ordinariaa 
da yida, contendo 921 problemaa com 
as reaolu^oes. 6.^ edicào, traduzida 
por J. C. L. de Caryl^iio 600 



Mk 



ISTT-AJKJEIS 



iWofdefl elemenliireii ile aarleoiUiira 

Para seryirem de guia aoa candidatoa ao 
magisterio primario 250 

Quadro doa peaoa e medldaa 

Uma foiba em papel oartào 400 

Envernizado e com paus l^OQ 

I. de ▼llhena Barbosa 

Ezemplos de virtudes oivicas e do- 
mestioas, colbidos na Hiatoria de 
Portugal 400 

Mleliol CMarbonneaa 

Ourso theorioo e pratioo de pedag»o- 
gia, traduzido da 3.» ed'iQào por José 
Nicolau Baposo Botelbo 1^000 

M. Lamé Fleury 

A hiatoria antiga, para uso da mooi- 
dade, yers&o d'Arnaldo de Farla 400 

A. da Silva Dlaa 

Aritlimetica elementar e systema me^ 
trioo, com um quadro de pesos e me* 
didaa metncaa 20Q 

Jacob Beaaabal 

Noto methodo portugnaz para enaino 
de leitura sem soletracào. 2.* edi*> 

• sq 



28 



BIBUOORAPIIU PORTUOUBZA. B BSTAÀNOBIRA 



ACAB! DE 8AHIR i LUI 



CONFESSOR DA MANCIA E DA MOCIDADE 



PILO 

PADRE CROS 



3.* edigio oorreoto, angmentod», approvad* e a miloa onde m a6h* a piena e^prestfo 
dot penaamentos do anthor, e oomo qne a ana nnioa palavra àoeroa da importante 
e deUoada qnestSo — a adminlatragio doa Saoramentoa da Penitenoia e da Biudia- 
ristia àa oriangaa e aoa adoltoa. 

A traducfào, feita pelo padre Manoel Perreira Marnòco e Scusa, 
foi revista pela authoridade ecclesiastica. 

1 volume de 330 pag^as» OOO reta 



Està obra, approyada e calorosamente 
recommendada por muitos prelados fran- 
oezes, e consideravelmente modificada na 
terceira edi^ào, segundo as ob8erva9oes 
de theoiogos do grande authoridade, nìyo 
é mais que o ensino resumido dos don- 
tores catholicos e dos santos a respeito 
da ocnfissao dos meninos, e do uso da 
oommimliao frequente nas familias e 
especialmente nas casas de educa9ào. 
Monsenhor Segur, excellente juiz n'estas 
materias, recommendou, muitas vezes, a 
leitura do Oonfbseor eia. infSau- 
eia e eia moeiclaile aos paes e às 
màes de famìlia. « Os paes chrìstàos, dis- 
se, devem conhecer bem estas verdades, 
eomo OS padres... vesso livro, acres- 
centa, nào é so bom, é excellente, opti- 
mo». 

Encontram-ae aqui, diz o arcebispo de 
Tolosa, as regras segnras e pruden* 
tes que devem dìrigìr o confessor das 
crian9as e dos jovens. Besumo substan- 
cial e exacto dos vérdàdeiros prìncipios 
da thologia e da pratica dos santos àcer- 
ca dos Sacramentos da Penitenoia e da 
Eucharìstia, oste livro, diz o arcebispo 
de Bordeus, offerece um methodo sega- 
re, approvado e faoil para conduzir as 
almas à piedosa e salutar frequencia da 
confissao e da communhào. Combatendo 
OS rigores do jansenismo, filho mais ve- 
Iho do inferno, o padre Cros, diz o arce- 
bispo de Porga, defende e faz sobresa- 
hir admiravelmente a verdade catholica. 
É utilissima aos padres, escreve o bispo 
de Carcàssona, està obra cujos prìncipios 
sHo expostos com sàbia erudÌ9ào e pra- 
ticas observa^oes — fructo de longa e 
conscicnciosa experìencia. vesso excel- 
lente opusculo, disse o bispo de Poitiers 



ao author, presta relevantes servi^os ao6 
oonfessores da infancia, porque tem a 
vantagem de ser um mannal doutrioal e 
pratico, completo àcerca d'està materia. 

No Óoaf*e0eioi* da .infSEtnota 
e eia moeiclacle» comò disse um il- 
lustre prelado, o clero nào so acharà a 
conderana9ào d'um rigorismo cruel, mas 
tambem aprenderà a distinguir a miseri- 
cordiosa bondade, que deve animar o 
confessor, da culposa condescendencia 
d*um laxismo sem discrì9&o e som entra- 
nhas. 

Eis-aqui o INDICE das materias d*e8- 
te precioso livrinho : 
Gap. I. Os estragos do jansenismo em 
Fran9a* . 
II. tribunal da penitenoia. 

III. A escolha de confessor. 

IV. exame da consciencia. 
V. A accusa9ào dos peccados. 

VI. A exhorta9ào. 
VII. A oontrÌ9ào. 
VITI. A penitenoia sacramentai. 
IX. A absolvÌ9ào sacramentai. 
X. A absolvi9&o às crian9a8. 
XI. A primeira communh&o. 
XII. DisposÌ9oes necessarias para 
bem commungar. 

XIII. Disposi9oes necessarias para 

commungar semanalmente. 

XIV. A communh&o semanai nas ca- 

sas de educa9ào. 
XV.Solu9ào d'algumas difficulda- 
des dos jansenistas e dos rì- 
goristas. 
XVI. Resolu93,o d'algumas objec95es 
feitas pelas crìan9as. 
XVII. Solu9ào pratica da principal 
difficuldade — respeito ha- 
mano. 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



29 



T>. Jj^ìlTSTTs/CE 'B.À.XjIMISS 



^ntu k Bìdìn^ìtm éìmtntm 



LOGICA, METAPHYSICA, ETHICA, HISTORU DA PHILOSOPHIA 

TBADUC^AO DB 

^OSÉ SlHÓES DlAS 
Professor de Utteratara no lyeen naeional de Vizeu 

LiVRARiA Internacional DE ERNESTO Chardron. Porto, 1878 

2 voluiiie(85 1|^^00 



A pervers&o das idéas qae todos nós 

lamentamos cometa nas escólas d*ina- 

tiac9fto seciindaria, e consumma-se noe 

grandes o^itrosf scieotificos, aB acade- 

mias. Os livroB que servem de texto às 

li^òes doB jovens estudantes sào a ta9a 

por onde Ihes propinam o veneno aquel- 

lea que por urna obriga^ào de conscien- 

eia e às vezes por um juramento solem- 

ne, Ihes deveriam formar o espirito e o 

coraQ&o pelo ensinamento da verdade que 

é a Vida da alma oomo o erro é a Bua 

morte. 

Quando a intellìgencia dos jovens co- 
me^ a desenvolver-se eja suspirar pela 
verdade, seu ideal, vem o estudo da phi- 
losophia sem Deus, materialista mal dis- 
farla, abafar-lhes aquella razSo a des- 
abrochar e que tao alto podia elevar-se 
se mào prudente e sàbia a guiasse para 
esaas espheras lumìnoBas onde vive a ver- 
dade, bem e o bello. 

Nas nossas escólas os compendios de 

phdosopbia, s&o, com honrosas excep9oes, 

diffuBos uns, deficientes outros, mal coor- 

denados aquelles, e perigosos nas idéas 

qnaai todos." Limitam-se ajtraduzir cer- 

tos livrea de materialismo mais ou me- 

^ diafar^ado, e depois da approvasse 

ofiicial do deus Estado que nào le nem 

"ttaadoièrpor peasoas idoneas os com- 

?r 1-^ q^e tem de servir para a educa- 

jr "ttewttìa doa joven3,|eil-os nas es- 

coiaa corno outras tantas fòntes de des- 

cieiMja e impiedade, e mais tarde de des- 

J^em e anarchia social. Todos estes ma- 

ctUDtìi'^'^^^?^*"^ ae houvesse mais es- 

doa ? ^ ^^^^ conaciencia na confecsao 

"▼roa elementares, maiB prudencia 



nos governos, e menos espirito de ganan- 
cia e especula^fto. . . 

O livro do philosopbia dementar de 
BÀLMES podia mui bem servir de texto 
em as nossas escólas d^instruc^ào secun- 
daria. A doutrina sobre ser pura, é ex- 
posta com tal lucidez e dareza que facil- 
mente a comprehendem os jovens prin- 
cipiantes. Pureza de doutrina e dareza 
na sua exposiQào, que mais se póde exi- 

tir d'um livro dementar ? Se no magni- 
co livro de BALMES apparecem qui^à 
certas sombras de cartesianismo, ninguem 
vera n'isto um defeito de tal ordem, que 
obscure^a o grande merecimento, a gran- 
de orthodoxia, e a incomparavd dareza 
da Phllosopliia elementair 
d'aqudle grande vulto ciga passagem 
sobre a terra foi um astro que alumiou. 
BALMES, que é a gloria da moderna 
Hespanha, foi um philosopho christào; 
nas suas altissimas concep9oes philoso- 
phicas achou sempre, comò era naturai, 
uma perfeita barmonia entro a razào e a 
fé, entre a ordem naturai e a sobrenatu- 
ral. Ninguem melhor que elle combateu 
a chamada pbilosòphia allemà, origem 
unica de todos os erros que comò outros 
tantos flagdlos opprimem as sociedades. 
A sua Pliilosopliia fVuiclci- 
1116111:81 é um monumento de saber, 
um prodigio de logica invencivd que re- 
duziu a pò as theorias nebulosas e este- 
reis do philosophismo allemào. Recom- 
mendamos e multo a leitura meditada 
da PliiloBopliia. elementar 
de BALMES, primorosamente traduzida 
pelo distincto litterato José Simobs Dias, 
e editada pela casa Chabdbon, a todos 



30 



BIBLIOORÀFHU MRTMWZA S B8TBAN0EIIU 



of qne denjam potrair D098ef paras, eza- 
otat e olarat sobre a philosophU qae é a 
•oieucia do espìrito hamano naa aaaa va- 
rndas mauifeatagOei e relais, e a ba- 
se indispentavel para a acquiti^ de co- 
nheoimentos saperiores em todas as loieii- 
daa, 

(D* CMli$^9U OaikMtt), 



Aoaba do expdr & yenda a ^Ivraria 
Internacìonal do snr. Ebmbbto Chabdbos 
o 2.0 voi amo d^esta ezcellento cbra do 
eminente philosopho hespanhol, om dos 
mais esplendidos talentos da na^ visi- 
nha, t&o prematuramente ceifado pela 
morte. 

Nenhum conheeemos entre os Innmne- 
raveis tratados de PHiloeopliiai 
elemeiitai* qne so avantaje na de- 
duc9§U> rigorosa das idéaa e aa exposi^ 



elara e preeisa da dontrlnat a este de 
JAYlf E BALMES. N'itto yai o maior e 
tea completo elogio. E nfto s6 oomo ex- 
positor aoa qae estadam a ]?1iì1.<mbm>« 
phlA póde ella servir, qae reaes e vet' 
dadeiroa tervi^os prest&ra tambem, alar- 
gando-lhM oa horitontes éa yìda inM- 
lectoal, a todoa oa qae nio vivam mó pa- 
ra 06 praserea oa taeiedadea e p reeJa Ses 
do eorpo e da vida material. A ms- 
teoria da pltilcNUOpliia com qae 
fecha a obra é urna verdadeira chave 
d*oaro, e em tfto peqaeno tomo nio ere- 
mos que possa haver quem mais e me- 
Ihor exponha e caracterise em rapidos 
maa indeleveis tra^os, todas as diyersas 
e innameras escólas de ]?lillofiM>« 
pilla, qae se tem diapatado no mutido, 
frisando os seas pontos de contacto e 
saas divergencias. 

Kecommendamos, pois, està obra oo- 
mo dìgna do melhor acolhimento. 



OBRAS GGMPLETAS DE BALMES 



14 VOLUMES 811400 REIS 

a uxit Bceptieo em materia de relig^3,o 

Traducpao de A. A, Leal, 2/ edifao. 1 voi. 



O cxdtexdo, pliilosopHia pirattoa 

Traducpao de Joao Vibira. 2.* edipao. 1 volume 



Mtooellaxiea politica e z-elifirioiBa 

Traducpào do mesmo. 1 voL 



X^liilosopliia AindLan&ental 

Traducpao do mesmo. 1 voi. 



O protefftawti<Biiìo eomparado oom o oatliolicisnio 

Traducpao do mesmo. 4 voi. 



Oiu:*fEK> «le pliilosoplila elementajr 

Traducpao do Or. José Simòes Dus, professor de litteratura 
no lyceu naciooal de Vizeu. 2 voi. 



ERNESTO CHiOtDtlON, EDITOR 



31 



PrjBX^I^^<pO£:S BBA^SIIliJQIRASI 



UVROS DE JURISPRUDENCIA 



^i^ct^ttameiaitos ào oodigo do oom- 

lattreio. 1 gvoedo voi. m*8.<».. . 6)^000 

^Ai.ponita.ii%e]ito« jaridicos, por 

Jjf nocto Ferreira Silvdra da Motki. 1 
voi. m-«.«gr.*.. 2iK50 

tAMr±lgom do codigo criminal , pelo con- 

. sellìei]x> Z>. Manod Dim àt T<Àeào. 1 
▼ol. in-8*<» gr 2IBO0 

a^ossessoi* (0) forense^ oa formula- 
rio de todas as ao^oes commerciaes, 
por Carlos Antonio Corddro* 1 voi. 
in^ . o gr 1(^00 

A.±±it^ìX>\Ml€^òe» do8 presidentes de 
provincia, por Gaetano José de An* 
drade Finto. 1 voi. in-8.o gr. liJS500 

DBJtTO^v^e» umota^oes i lei do elemento 
Ber vii, n.o 2040, de 28 de setembro de 
1871, pelo Dr, J. A. d'Azevedo e Cas- 
tro. 1 voi. in-8.0 Kv 320 

OocU^o criminsd do imperio do Bra* 
zìi, annotado pelo Dr, Joào Battista 
Ferreira. 1 voi. in-8.o gr,. 600 

001X11X1011^:0*1*10 ao codigo criminal 
brazileiro, por A, de Pavia RamosJu-' 
nior. So o voi. l.<» in-8.o 900 

Oonsultoi* juridioo, ott manaal de 

apontamentos, por J. M. P. de Few- 

concellos. 1 voi. in-8.o ^r.. . . . 2^000 

0011191111301* (0) militar, pelo capi- 

t&o Fendano Caliope Monteiro de Mei- 

lo. 1 voi. in-8.0 gr 1^200 

Oo]isiiJL*ty03r criminal, ou formulario 
de todaft ad aoQdes seguidas no fòro 
criminal, por Carlos Antonio Cordeiro, 

1 voi. in-8.o gr 1^200 

0011191111:01* ci vii, àoerca de todas as 
ac^oes segaìdas no fóro civil, por Car- 
los Antonio Cordeiro, 1 voi. in-8.o 

gr...., li^»00 

Oonsuli^oi* orphanologico, por Car- 
los Antonio Cordeiro. 1 volume in-8.o 



gr 



Oxurso de litteratura brazileira ou es« 
colha de varios trechos em prosa e ver- 
so de authores nacionaes, por Mello 
Moraes (filho). 1 voi. in-8.o. . . l^SOOO 

X>a natiureza. e limiies do poder 
moderador, por A, de Goes e Vascon- 
cellos. 1 voi. in-4.0 700 

I>li*eotoi* do juizo de paz. 1 voi. in- 
S.^gr 1^00 

I^irelto das cousas, por Lafayette 

Rodriguei Pereira. 2 voi. in-4.o 4^1500 

'■^'M'ei'to ecclesiastico brazileiro, anti- 



direito canonico, ou ooUec^&o completa 
cbronologicamente dispoeta, desde a 
prunella d/naitia portuguesa aie ao 

' presente, por Candido Mendes de AU 
meida, 4 vd. in-8.<» gr . . 10<;000 

lOiireito criminal. Da autoria, por Di- 
dimo Junior, 1 voi. in-8.o gr.. . . 800 

l^irelto criminal. Da tentati va e da 
camplicìdade, por Didimo Junior. 1 
voi. in-8.0 gr liJSOO 

Dlrei'to civil brazileiro, antigo e mo- 
derno, por Candido Mendes d'Almeida. 
4 voi. in-8.0 er 9J»00 

Dir^eito de familia, por Lafayette Ro- 
drigues Pereira. 1 voi. in-8.o gran- 
de 2^000 

Dlseujrsos do deputado J. M. Pe- 
reira da Silva, proferidos nas sessoes 
do parlamento brazileiro. 1 voi, in-8.o 
gr 800 

iESlemeiitos de direito eoelesiastico, 
publico e partìcular, pelo bispo do Bio 
de Janeiro D, Manoel de Monte Ro- 
drigues d'Araujo, 3 voi. in-8.o gr. en- 
cadernados lò^^KKX) 

Xhisalo sobre o direito administrati- 
vo, pelo Visconde do Uruguay. 2 voi. 
in-8.0 gr 3^200 

SSstuclos sobre o credito rural e hy- 
pothecario, seguidos de leis^ estatutos 
e outros documentos, pelo Dr, L. P. 
de Lacerda Werneck, 1 voi. in-8.o 
gr 1^500 

lE^stuclos praticos sobre a adnùnis- 
tra9SL0 das provincias do Brazil, pelo 
Visconde do Uruguay. 2 voi. in-8.o 
gr 3^600 

Ins'traoQao publica no Brazil, por 
lAberato Barroso, 1 voi. ia-8.o gran- 
de li^OO 

«Juirispiriicleiieia. dos tribunaes, 
compilada dos accordàos dos tribunaes 
superiores. 3 voi. in-8.o gr. . . 4{$i500 

ILiOi (A) judiciaria de 20 de setembro 
de 1871, por Manoel Godo/redo de 
Alencastro Autran, 1 voi. in-8.o gran- 
de 600 

"JLàGl da reforma da legisla^fto eleitoral, 
por am membro do Instituto dos advo- 
gados brazileiros. 1 voi. in-8.o 600 

IMianual dos juizcs de direito ou col- 
lec^&o dos actos, attribui^oes e deve- 
res d'estas authoridades, por J. M. P. 
de Vasconcellos. 1 voi. in-8.o gr. 800 



32 



BIBUOGRAPHIA PORTUOUEZÀ E KSTRÀNOEIRA 



Jo9é Rodrigue». 1 voi. ln-8.« «wi. 

Novo regolamento do imposto de 
transmiss&o de propriedade, pelo Dr* 
Jo9é Antonio d'ÀMevedo e Coitro, 1 voi. 
ln-8.0 gr 800 

Quefirtòefli pratioas do processo cri- 
minai, pelo Dr. Antonio de Paula Ra-» 
mo9 Junior, 1 voi. in-8.o n. 2#)00 

Ren^nlamento das alfandera e 
mesas de renda, annotado por Eleu^ 
terio Augu9to de Athayde. 1 voi. in-8.o 
».•••••.»••• 1^200 

Relatorlo dos ayisos do nùnisterio 
da josti^a, pelo jais Jo9é da Motta de 



ÀMvedo C&rreia. 3 ▼. in-8.o gr . 4A5(» 

Repoirtorlo da legislac&o eeel^ 
siastica, desde 1500 até 1874, por JAi- 
noel Joèé de Campoe Porto. 1 voi. in- 
S.ogr MODO 

Repoirtorlo de inoompatibilidadesi 
contendo as leis, decretos e deeìsÒes, 
por Salvador Pire» de Carvalho e Al- 
ouquerque Junior. 1 yol. in-8«* gr^Jt' 
de ^K)00 

Sy'flrtema (0) represontativo, por J. 
(ieii/enotir. 1 yol. in-8.^ gr 900 

"VÌBM ferreas estreitas, primeiroe ea- 
tudoB, por Antonio Pereira Bébou^oi 
(filho). 1 Yol. in-8.0 aOO 



DIREITO AO JILCJIKCE OE TODOS 



ou 



O ALT>^OGJ^jyO T>1E1 SI MC2SMO 



DICCIONAMO DE DIREITO USUAI 

COHTBHDO : AS HO^SbS PBATI0A8 DO D1BEIT0 ■ MOnSLOS B rOBMULÀS DB ALGUBS AOTOS 

SOBBB MATBBIA 

OIVIL — COHMEROIAL ~ ADIONISTRATIVA— CRIMINAL — 
KCX)LESIASTXOA e do PROOBSSO 

POB 

FRANCISCO ANTONIO VEIGA 

Jais de diretto de 1.* instanoia 

Obra util a adminlstradoret de eoneelbo, juixes de diretto, Joitef de pas e joiief ordlnarioSi 
advogadoSi escrìv&es de direito, eserìvftes do juiso ordinario e eieriTies do Julso de pas, prostdon- 
tea das eamaras munielpaes e das Juntas de paroehia, solieltadoresi govemadores eivis e ieus se* 
cretarios, tabelHEes, eonservadores do registo predial, delegados do proeorador regio, e a todas aa 
pessoas quo desejem possair nofSes indi^pensaveis de diretto. 

1 grosso volume do 540 paginas. Broehado, S^KMK) rels; eneademado, S#400 reis (franco de 
porte). O importe póde ser enviado em um VALB DO OORREIO oa em estampllhas de 85 reta 
à llvraria de ERNESTO OHARDRON» Porto. 



CODIGO DE PROCESSO GIVIL 

FIELMENTE GOPUDO 

DA 

PUBLICAgÀO OPPICIAL 

con UH 

SUPPLEMENTO 

Contendo a organisa^o jndioial em oonformidade da reforma jndioiaria posterlor, de- 
Bignadamente a lei de 16 d'abril de 1874, e un minncioso indice alphabetico 

POR 

FRANCISCO ANTONIO VEIGA 

Juia de dirsUo de X.* inatancia 



1 grosso volume brochado 700 reis 

Encademado liJSOOO » 



LTVRABIA DE ERNESTO GHARDRON 



AGABA DE SAHIR A LUZ 



a 10.* edigào de 1879 do 



FORMULARIO 



m\u 



Contendo a descripfao dos medicamentos, as dóses, 

as molestias em que sao empregados, o compendio alphabetico 

das aguas mineraes, a escolha das melhores fórmulas, 

um memorial therapeutico, etc. 



POH 



FEBEO LUIZ XAFOLEAO CHEKXOVIZ 

Doutor em medicina, eavalleiro da Ordem de Ohristo, e officiai da Ordem da Bosa do Brazil 

Consideravelmente augmentada e posta a par da sciencia 

Acompanhada de 324 GKAVTTIIAS intercaladas no texto 

e de 6 mappas balnearios 

Um volume de 1:252 paginas 

Sirocliciclo. ... 3:QOO irete 
E]].eacle]*]].aclo 3:000 » 



DICCIONARIO DE MEDICINA POPULAR 

E DAS SCIENCIAS ACCESSORIAS 
PARA USO DAS FAMILIAS 

Contendo a descrippao das càusas, symptomas e tratamento 

das molestias; as receitas para cada molestia; 

as plantas medicinaes e as aHmenticias; as aguas mineraes do Brazil, 

de Portugal e d'outros paizes, e muitos conhecimentos uteis 

QXJUVTA Er>i<pA.o 

Consideravelmente augmentada e posta a par com a sciencia 
e acompanhada de 500 6RAVDRAS no texto 

Dous grossos volumes encadernados, 9:000 reis 



LTVRABIA DB SRN8ST0 CHÀRDRON 



MEDICINA PRATICA 



O MEDICO DE CASA 

^fiteifa Bimples de reeoiftecer qualquer molestia, e todicipSo 
do melbor tratamento a seguir para a eunr 



p«o 



M. COKSTAM GUIililUME 



XB.^I>17ZII>0 E A BdC r» L I A I> O 



ANTONIO VIEIRA LOPES 

Medieo-eimrgilo 

Dous volumes.... 1:000 reis 



ItpUVELLES PUBLICATIOIiS 



A TRAVBRS 

LE CONTINENT MYSTÉRIEUX 



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LES «OURGES DU NIL 

ih grandi leu» dt VJfriqtu iquatoriàle 

Le fleisve Levlnerstone et rOcéan Atlantiqne 

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H. M. STANLEY 

Onvrage traduit de Panglais aveo Paatorlsatio^ 

de Paatear soas la direction 

de madame HENRIETTE LOREAU 

ILLUSTBÌ db 100 OBAvnBES SUR BOIS 
BT ACCOICPAGNÉ DB 3 CARTB8 

Deoz beaux volumes in-8 raisin, bro- 
chó....,%...-^.. 4*000 



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ttBLIOTÈQHE DES MERVEILLES 

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COLOMB 

La musique, 1 voi. illustre de 119 gra- 
vur^ 5i. 460, relié 700 

AUGE 

Vayage aux aept merveilles du monde. 
^ 'toI. illustre de 21 gravures. Br. 450, 
relió 700 



UARIOSTE 



ROLAND FURIEUX 

VBADUCTION NOUVELLB 

Par A. J. DU PAYS 

EKRICHIE DE SO GRIKDES COIPOSITIOVS 

TIR1ÌB8 A PABT 

et de 660 vUrnettes Insérées dans le tea^ 

BBPBODUITKS 

Par U procèdi hiliographiqué de C. GILLOT 
ou gravita sur boU 

nPBÌS \ì& UmU DE GUST/VVE DORÈ 

^ magntftiiiie "volarne in-folio DANTE 

ijebement cartoimé, avec fem. Qpéciaux 
30|^00Q rei» 



WURTZ 

La théortè atùmi^e, 1 wl. cart. (Bi- 
bliothèque scientifique intemacìona- 
le) 1^200 



Porto : 1879 — Typ. de Antonio José 4f '9QY& Teixeira, Caiacella Vellin, 62 



(^ 


1." ìnno 1879 Nomilo 3 


■3^ 


^ 


nwmk 

m\mmik e esti^angeira 


^ 


POESIAS 

voi 1#00D tei. 

WBliS POSTUMiì 
l «1 IJOM «Il 


Dr. P. A. VslK» 

DIREITO 

lO'KCtllCI 81 TONM 
iTOl... liSDOOreli 


Ontetro 

ESCRIPTUMpAO 


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I mi. i#)00 »!• 


caart) u 


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ESCKXPXOB 


1 voi. IflOW »!• 


l*ti...I|»Oi^ 


DerfnuigB 


T, &> BOD&loanar 

HA ITALIA 


SUMUAHIO D'eSTE NUMERO 

OBAAS OOUPLETA8 DE BALKESi O Otl- 

DM t«IlfflOU e llttetarla — Ourao do pMloaophla 
DB SOiaMOlAS OOHTBMPOBAHEAS, por J. II. 

LlttsTatnr*. rommOBB, hiatorU, poeiUa, txn. — 


l «1. 1(600 «1. 


lini.,. GOOnU 

H ima AD CAIRO 

1 tdI. eoo rei* 


ARrTHMETICA 

COHllAlCUt, 

1 TOl... 1^600 rt. 


%,^ 


0=^^ 


• f^ 


Ernesto Chardron, Editor 


^ 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



OBBA ESPIBITUAL 

PAIA 4S QUI TBATAM 06 BZBBOIOIO OB Tnmj^Bt II OàMIWHO DA WUtfJtl^ , 

DITIDIDO BX D0AB FABTM, MO., STO. 
ÀUTHOB PàOBB UAXVUh BBBBABDM, DA. OGadBBOA^Xo 

DO OXATOBIO DB LISBOA 

Està edÌ9&o é feita sobre a piimeira originai de 1696, sem alteia^^ algamti 
testo. — Pre^o UOOO reit. 



— ..»-» ■ ^^ M-m^ 



CONFERENCIAS 

*0BBB 



O SOCIALISMO 

BECITADAS 

NI IGREJA DE MOSSA SENHORI DE GRENOBLE 
DURANTE A QUARESMA DE 1870 

MLO 



DA. bOMPAmUA DB JBlUf 

- • ■- - 

TRADUZIDAS EM PORTUGUEZ 
POB 

FRANCISCO LUIZ DE SEABRA 

TAMOCno MB €AOiA 

1 voi GOO 



aO&£: SX4tT3d[ 



VIDA DE PIO IX 

Tradttzida da terceira edigSo allemS» 
annbtada e additada pelo ezc.°^o snr. conde de SamodSeiB ^ 

Um magnifico Tolume illastrado com prìmorosas graruras e nitidamente impres- 
so empapel - ^" 



Prefo 1(^000 



1.» ANNO 



1879 



N.» 3 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



\ • 



PUBLICAgAO MENSAL 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



SERIE DE 12 NUMEROS, 600 REIS 



OBRAS GOMPLETAS 



DE 



D. JAYME BALMES 

Criterio, 1 voi. — Cartas a um septigo em materia de religiao, 1 
voi. — Philosophia fundamental, 4 voi. — Protestantismo compa- 
ralo COM GATHOLICISMO, 4 VOl. — MISCELLANEA RELIGIOSA E LITTE- 
RARIA, 2 VÓI. — CURSO DE PHILOSOPHLA ELEMENTAR, 2 VOl. 

U VOLTTUES in-12, 8^400 rei0. Bstas obras vendem-se separadaxnente a 600 reta o volume 
LIVRARIA INTERNACIONAL DE ERNESTO CHARDRON, PORTO ^ 



À Miseellanea irellgrioisa,, 
philoisopliieja e litte]:*ajria9 

comprehendida em dous tomos, é^ a va- 
rìada synopse das omnimodas manifesta- 
$oes da doutrìna de BALMES, dispersa 
nas suas restantes obras. Alguns oapitu- 
ios s&o epilogo, a pura essencia dos as- 
Bumptos versados em volumes. A phrase 
é mais l^eira, 9 pensamento mais luc^' 
do, sylfogismo mais comprehensivel. É 
a vasU sciencia da alma fragmentada 
em tratados* de ethica, em conversa95es 
aprazivda que nos deléitam, ainda quan- 
do noB refreiam o orgulho da raz&o e des- 
naantelam o edifioio de erradas convio- 



No tratado da Inftnenoia da sooie- 



tvVf ^^ immediatoa nnmeros da Bibliogra- 
Stt,,"^ ^^ notiela das obras eompletas de 
BALMES, editadas por E. Ohardron. 



dado sobre a poesia faz ama resenha 
dos suocessivos periodos poeticos desde a 
poesia hebraica, de in8pira9§,o divina^ 
até à do primeiro quarte! do seculo xyiii 
de inspira^ào religiosa. Julga com su- 
prema justeza e perspicacia as diver- 
sas escóias; derruba preconoeitos, des- 
faz idéas de conyen^&o ephemera, resta- 
beleoe as bases solidas da Arte, gradua 
judiciosamente os quìlates de Hombro e 
VutaiLio. £nganou-se, porém, quando, 
desnorteadopelas contempla9oes melo afe- 
ndnadas, meio asceticas de Lamartutb, es- 
creveu : « A poesia, està ezj^ress&o da so- 
ciedade, come90u desde os pnmeiros annos 
d*esté seculo, a revestir um oaracter re- 
ligioso ; ella o conserva ainda em nossos 
dias, e nào pareoe estar para se despo- 
jar d'elle. Este facto a que poucas pes- 
soas concedem a importanoia que elle 
tem, expUca melhor a marcha das cousas 

3 



34 



BIBUOORAPHU PCmTUOUXZÀ B ESTRANOBIRA 



qua 01 mais brilhantef taooaMOt ; tem J4 
prodasldo e prodaiirà no futuro maioret 
resoltados quo todot ot planos e todaa as 
oombina^Ses doA homens pratioot : os ho- 
mens n&o s&o nada, os factos sào tudo ». 

BALMEIS terìa inelhor oondào de prò- 
pheta 86, nas effervesoenoiat de Btrom e 
do seu £>8PB0M0BDA, previsse a espuma de 
BAnDBLAiiB, de Dioukt e dos Qontos 
bocoacianos do eonde de Chbviohé. Vi- 
dente seria elle se adscrevosse à poesia 
de hcje em dia os tra^os fondos com que 
escuipe o relevo da poesia da escòla vol- 
taireana : « . . . Quando todas as convìo- 
c5es est&o abaladas por um soepticismo 
trio e mofador, quando as mais santas 
cren^as sào envolvidas no rìdiculo, as 
mais veneraveis tradi^oes calcadas aos 
pés, 03 iacos mais sagrados, os aue cons- 
tituem Éstado e a familia, enfraqueci- 
dos ou quebrados, quando o cspirito fica 
sem affecto e sem fuz, som fé no passa- 
do, sem consola^ào no presente, sem es- 
peran^a no futuro, nào é facil ao homem 
formar-se um mundo ideal, todo poVoado 
de brilhantes crea9oes de seu pensamen- 
to, embalsamado com os perfumes de 
urna alma terna e delìcada. cahos, 
tal corno o imaginou està escóla, nào 
tem em si o germen d'um nobre pensa- 
mento nem o de um generoso sentimen- 
to». 

Nào frisa de todo com a poesìa contem- 
poranea eate conceìto. Havia grandeza 
satanica no scepticismo da escóla sen- 
sualista dos dìscipulos da Encyclopedia. 
sarcasmo sabìa trajado com as pompas 
dos Mepbistopheles. Hoje em dia, o sen- 
sualismo sordido do rebanbo de Èpicubo 
esfossa no lama^al as flóres do mal, e 
promette desbravar a nova senda d'urna 
poesia social cantando os trìumpbos das 
sciencias positivas. Mil vezes antes a 
Pnoelle de Orleans que a Morte de 
D. JoEo ; antes os Contea de Lafontai- 
NB que as Flores do Mal. 



O Oi-iterio, corno do titulo se in- 
fere, é uma arte de judiciosamente ave- 
riguar e lucidamente perceber. É phi- 
losophia sem abstracQoes, pratica e ez- 
perimental. capituio Insensatos ra- 
ciocinios dos indifferentes em ma- 
teria de religlEo é uma sene de artigos 
encadeados persuasivamente com os élos 
da logica inquebrantavel. De envolta 
com tneses de theologia e philosophia 
christS., intromette BALMES uns curtos 
discursos de puro raoìonalismo e profon- 



do ezame do homem eomo poderia eseR- 
vel-os algum profondo analj^sta das pB- 
z5es, MovTAiGVB oo Balsamo, GrosmicK 
DiOKRMS. Entra moitos de igrud valor, 
dtarei O homem rindo-se de si prò* 
prie e a Perpetua meninioe do bo- 
mem. Verdade é qoe as 0(Hiola85es ahi 
tiradas da inoonstMicia do espirito ha- 
mano n&o incolcam bem affirmada a per- 
severanza do animo em cren^as dogma- 
ticas, nem t&o poooo Ihe a&rmam o ar- 
bitrio completamente livre das intermit- 
tencias do espirìto qoe BAL1^(£S fax de- 
pendente9 de nma simples altera^&o cli- 
materica. Ainda assim, os subseqaentea 
ensinamentos do philosopho nos eonvìdam 
a crér que a religìfto opera saudav'eis re- 
formas na indole do homem que se am- 
para ao esteio forte da fé, e norteìa bos 
Vida na derrota de outra ezistencia on- 
de ha separa9&o etema entre precitos 
e predestinados. 

Admiravel na concis&o das re^ras, o 
capitolo xz, àcerca da Philosoplxia da 
Mstoria, é escrìpto com simplicidade de 
linguagom e ao mesmo tempo eleva^&o 
de pensamentos quo muito se avanti^am 
a tudo quanto nebulosamente se tem di- 
to do assumpto. Quer BALMES que se 
escreva historia com philosophia ; mas 
tem medo & philosophia do historìador. 
ff Mais vale nào philosophar que philoso- 
phar mal — diz elle. — Se para profon- 
dar a historia a transtómo, melhor fora 
que eo me limitasse ao systema de no- 
mes e datas».. Em um dos livros de um 
grande escriptor portuguez, o bispo de 
Vìzeu D. Francisco Alexandre Lobo, se 
encontram especies de equivalente apre- 
co no modo de escrever a historia. O ab- 
bade Correa da Serra, tencionando es- 
crever a Historia oivil de Portngral, 
programmatisou um trajado que até ao 
seu tempo ninguem ooncebera t&o ajos- 
tado &Q leis da philosophia da historia K 
f^ào se perca o ensejo de lembrar os 
nossos quando louvamos estranhos, vis- 
to que OS fundibularios da ultima bora, 
fugidos à escóla rudimentar apedrg'am 
OS vivos e mortos com a desbragada sol- 
tura de gaiatos em arrabaldes n&o poli- 
ciados. 

Quem lér os artigos respectivos aos 
Jomaes vera o que a historia ha de 
aproveitar d^esses documontos apestados 
de odios, de affectos venaes, de hostili- 
dades phreneticas e louvaminhas hypo- 
critas. As mas paix5es politioas diri- 



1 Vej. Cuno de litUratwra portugutta px 
Camillo Oaatollo Branoo, pag. 894 « aegg. 



^ 



EKNESTO GHàBDRON, EDITOR 



35 



gem as correntes contradictorìas da opi- 
niSio publica. Pelo qae respeita aos pa- 
negyrìood afisoprados no jornalismo a 
homens qae disp5e do poder, diz SAL- 
ME^ : « Ha no mondo politico ama comò 
especie de moeda corrente reoonhecida 
falsa ; mas que tacitamente se conyeùcio- 
nou receber. Os iniciados é qae nSo se 
enganam sobre o seu verdadeiro peso e 
valor real». 

O Oriterio, n2U> sendo o livro 
mais laborioso do estremado philosopho 
hespanbol, é talvez o mais pratico, mais 
util e direotivo no caminho da felicidade 
compatirei com as intercadenoias da vida. 



Morreu BALMES em 1848. Se vivesse 
e oavisse o estrondo das philosophias e 
da politica dos trinta annos jà agora 
passados por sobre as saas honradas oin- 
zas, na Hespanha e por cpiMÌ teda a £a- 
ropa, o desoonsolado anciào pergantaria 
a si mesmo : « Os meas livros que bem 
fizeram ao genero humano? Ea quizcol- 
iaborar com a Providencia na regenen^ 
^SU) das almas; cumpri o mea dever; 
mas nS.0 deizei de mim senS.o nma luz 
oonsoladora que pódé radiar nas trevas 
dos qae soffirem obscaramente». 

CùMùXio CoéUiio Statico. 



OBM IMPORTANTE PARA OS ESTABEL ECIMITQS DE INSTR» 

Pacli*e Sliouppe 



CURSO ABREVIADO DE RELIGIÀO 



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VERDADE E BELLEZA DA RELiaiAO CHRISTÀ 

APOLOGETICA, DOGMATICA E MORAL 

Com a approvaQào de S. Ezc* Rev,^^ o Snr. D. Antonio, 

Bispo de Lamego 

TBADUOglo EM VULQAB DA SEaUNDA BDI^AO 

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I»,o MLESQXJITA. MMEaVXEUi 

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CODIGO DO PROCESSO GIVIL 

FIELMENTE COPIADO 

DA - 

PUBLIGAgÀO OFFICIAL 



OOM DM 



SUPPLEMENTO 

Contendo a organisaQao jndicial em conformidade da reforma Jndiolaria 
posteriore deslgnadamente a lei de 16 d'abril de 1874, e tmi minncioso 
iiidloe alphabetico 

POR 

FEANCISCO ANTONIO VEIGA 

Joias de diretto de primeira* instanoia 



SEGUNDÀ EDIQÀO 

1 grodso volmne brochado .... 700 reis 

Encademado. - . 1^000 reis 



36 



BIBLIOORAPHI/V PORT(;Oi;EeA B BSTIUNOEIRA 



GALli DE 





POR 



J. M. DA CTJNHA SEIXAS 



RESPOSTA AO SNR. CAMILLO CASTELLO BRANCO 



VI 



■efoma do earso «nperlor de letr«« 

ConiinuemoB no sagrado mister da de- 
feza. PropomoB no nesso livro quinze ca- 
deiras em vez de sete, e cinco annos de 
IÌ9&0 em vez de tres. Entendemos ainda 
dover aqaelle carso subdividir-se em tres, 
iim de historia, oatro de philosophia. ou- 
tro de bellas-letras, sendo oada um d'es- 
tes cursos de tres annos. primeiro e 
segundo anno, cada um de tres cadeiras, 
serào communs a todos os tres cursos : 
terceiro anno completa a formatura em 
philosophia : o quarto e quinto respecti- 
vamente as formaturas em historia ou em 
bellas-letras. Se alumno nào quer a 
formatura goral, fica-lhe facilitada a for- 
matura' em um dos tres generos, que 
fòr mais de sua predilec^ào. Està e a 
base goral. 

Pensa-se, que snr. CAMILLO ezpoz 
està base e a combateu por algam modo? 
Nada disto : limìtou-se a fazer em paia- 
vras ironicas a critica da disposicelo do 
terceiro anno, nào se chegando a peroe- 
ber, se Ihe agradam as bases geraes d'es- 
te plano de reforma. É provavel que 
tambem Ihe desàgradem, porqùe o seu 
animo pareòe disposto a rcjeitar tudo o 
que escreyemos. 

snr. CAMILLO, fazendo a sua cri- 
tica por oste modo, parece querer occu- 
par-se sómente das cousas muito peque- 
nas desprezando as grandes. 

VII 
• lilni^aseiii 

Dizemos nós que a historia sé moderna- 
mente adqùiriu o§ fóros de seiencia pelo 
hymeneu, que contrahiu com a philosophia, 

snr. CAMILLO nfto póde tolerar a 
oalàvra hymeneu n*este lugar e em vez 



de discorrer sobre a allian^a e cmifto in- 
tima da historia com a philoBophia, co- 
rno competiria a um venladeiro crìticQ, 
oombate apenas a pai avrà hymentu. Fi- 
ca-se sabendo por tanto em virtade d*e8- 
te ukase czariano, que a palavra hyme- 
neu so se póde empregar no sentido pri- 
mitivo e nunca no figurado. Um oatro 
critico talvez nos relatasse corno é que a 
historia, sendo d'antes uma simploB nar- 
rativa de factos, passou a ser uma scien- 
cia; mostrarla as condi^es seientificas 
da historia e farla algumas considera^des 
sobre as suas leis, combatendo, perfilhan- 
do ou modificando as leis, que nós exhi- 
bimos. snr. CAMILLO nào se occupa 
de tao insignificantes cousas; presta a 
sua atten^ào de prefcrencia a uma pa- 
lavra! 

E isto chama-se critica I 

Guiado por tao elevado intento ainda 
vai snr. CAMILLO contender com a 
palavra — escapa — empregada n^outro 
lugar. Imagina-se, que o snr. CAMILLO 
mostra, que Camobs nào teve modélos a 
imitar e que os Lusiadas s&o uma obra 
perfeita em todos os respeitos sem com- 
para^ào com as do tempo? Seria vào es- 
perar-se isto. snr. CAMILLO so se 
occupa do verbo — escapa — sem se lem- 
brar, de que nesso livro nào é uma 
obra d*arte mas uma obra de sciencia. 
Nào queremos com isto dizer, que li- 
vro nào seja obrigado a estylo e a lin- 
guagem propria: so desejamos que se 
attenda a que n'um livro de «ciencia a 
primeira vìrtude do estylo deve ser a ex- 
trema dareza e precisào. nesso livro 
nào està escripto em estylo accessivel a 
todas as intelligencias ? A linguagem é 
ambigua e o pensamento fica escondi- 
do sob OS ouropeis de uma eloquencia 
va? 

É que o snr. CAMILLO n&o póde 
provar. A sua critica por tanto é acinto- 
samente inimiga. 



■ JW . 



- -.J 



ERNESTO GHARDRON, EDXTOIV 



37 



VIU 
Esthetlea 

Jà fizemos vèr, que objectos abrange 
a esthetiòa do livro, escripta nos oapitu- 
loa xyiii a xxi. Dìsoutimos as theorias 
prìncipaes, mostrando os erros e verda- 
des de cada urna e exhibimos ama theo^ 
ria nova, corno applìca^ào do nosso sys^ 
tenia de seiencia. 

Um critico discutiria por exemplQ, as 
nossas oonsidera^oes sobre idealismo e 
realismo e nS.o deixaria de dizer o seu 
conoeito, sobre a theoria geral, exposta 
no capitolo xix e que tem agradado a 
bastantes pènsadores. snr. CAMILLO 
^porém nS.0 ss^bendo onde melhor assentar 
A espada deolara antigo o seguinte prin- 
cipio : artista faqa nascer a indiffnagào 
cantra o mal e a sympatkia pélo bem por 
meio de sititagdes naturalmente deduzidas 
dos acontecimentos sem que o artista pare* 
ga advogar està ou aqueUa causa, 

Discutindo nós a theoria de Pboudhon, 
que quer qae a arte acompanhe a revo- 
lucilo dos tempos e tenha por alvo a jus- 
ti^a e a perfei^&o, dìscutindo-se as theo- 
rias da ntilidade na arte, foi-nos neces- 
sario recordarmos aqneile principio sem 
dizermos novo nem Ihe darmos tal ca- 
racter. Nào sera licito ao escriptor recor- 
dar principios verdadeiros apesar de an- 
tigos? A tradicional aceita^ào do certos 
principios nào anima o escriptor a ter 
confian^a, quando os invoca? Acaso o 
principio da unidade de Deas pelo facto 
de Ber proclamado por Socbates fica des- 
tcrrado da seiencia? 

Nào mereoendo este reparo as honrag 

da dìscussào, vamos ao segtmdo : a cita- 

9ào dos Lazaristas do snr. Etmes corno 

exeinplificacào do oumprimento d'aquelle 

principio. Desejàra o snr. CAMILLO, 

que nós citassemos o Marino Fallerò de 

Byroh ou outras obras, que mais Ihe 

agradam. As cita^es de monumentos 

estrangeiros abundam nos quatro capitu- 

los, quer com rela9ào às belias-letras, 

quer com rela^ào às bellas-artes. Sermos 

censur^dos pela cita^ào do snr. Ennes e 

pela recorda^ào de um drama, que é mo- 

délodo. genero, que Proudhon deseja, 

de um drama, que tem agradado dentro 

e fora do paiz, é injustÌ9a. Apenas pres- 

tamos^uma homenagem bastante modes- 

^ ao illustre dramaturgo e que nào de- 

ya certamente merecer reparos, quando 

^«lais a exemplifica^ào é perfeitamente 

aaequada ao nosso pensamento n'aquel- 

loci ^ a^ • Ak ^ ^ 

^as aprecia^oes. 



Assim a critica do snr. CAMILLO 
quanto à nossa esthetica limita-se a dous 
reparos : a reoorda^ào que fizemos de um 
principio antigo e a exemplifìca^ào com 
OS Lazaristas. Estes dous reparos sào 
duas injusti^as ou antes duas insi^ifì- 
oandas, com que nós e o snr. CAMILLO 
occupamos a atten^ào ou antes a pacien- 
cia dos leitores. 



IX 



Blstorla patria 

Dissemos nós o seguinte : 

« A nossa separarlo moral de Hespa- 
« nha data do reinado de D. JoXo iv, pois 
«antes dos 60 anuos de oppressào nào 
« havia entro os dous povos da peninsula 
tttào grande abysmo». 

Vé-se : 

Que nós tratamos da separa^ào maral 
e nào da separa^ào politica: 

Que a nossa propoBÌ9ào é relativa e que 
nào negando^ que jà tinha havido odios 
de na^ào a na^ào, apenas tleolaramo^, 
que fìcamos desde o iac<^ da oppressào 
moralmente separados, ou antes mais 
distanciados. 

snr. CAMILLO diz, que nada sa- 
bemos de Val-^e- Vez, de Toro, Aljubar' 
rota, Vcdverde, Trancoso e outros sitios 
mèneionados a berros nos dramas do ve- 
Iko theatro narmal, Sem fazermos caso 
da palavra — berros — empregada por 
quem é tao exigente em linguagem (se 
isto nào é erro typographico) diremos, 
que estas recorda9Òes das batalhas de 
D. JoAO I nào podem contrariar as nossas 
proposÌ9oes. 

Os dous povos dopois d*aquelles com- 
bates continuaram tendo rela9oes multo 
amigaveis e a lingua hespanhola conti- 
nuou a ser cultivada ^ov escriptores nos- 
sos e até por Camors. Ha antes de 1640 
divcrsas obras nossas em castelhano, co- 
rno o snr. CAMILLO multo bem sabe. 
Depois dos 60 annos da oppressào e so- 
bretudo depois de 1640 a nossa distancia 
m&ral ficou sondo completa : os dous po- 
vos ficaram muito mais dìstantes um do 
outro a ponto de as litteraturas se nào 
corresponderem tao sensivelmente comò 
até entào. 

So modernamente os dous povos come- 
9aram a estreitar algumas rela9oes litte- 
rarias e nào obstante nào desappareceu 
a distancia moral dos costumes,dasleis, 
das feÌ9oe8 litterarias e da indole econo- 
mica. 

snr. CAMILLO nào se contentou 



38 



BIBUOGRAPHIA PORTUOUBZA B BSTRàKOElRA 



porém eom teto e indo mait lonffo iob- 
tenta pelo contrario, qoa ot fidalgot m 
daTam bem oom a Hetpanha, a classe 
mèdia qnerìa sooego e tranquillidade e 
opOYoera a popola^ de todosos tempos. 

E dii ainda mais o sni. CAMILIX) : 

« No deoorso dos 60 aniHMi de captivei- 
tr ro 08 captiyos tinham as mesmas rega- 
«lias dos oppressores; tinham theatro, 
« tinham jostas e torndos. tinham autos 
«de fé, tinham as exolta^s d*ama 
«Tida tfto airada e devassa quanto se 
« infere dos sermonarios da època • . 

Melhor elogio de Philipps ii ningaem 
o faz. Fidalgos, ar^ntarios e povo, tudo 
ostava satisfeitissimo com os enormes 
tributos dos PmijppEB e com a perda da 
independencia I A reyolacfto de 1640 e o 
afinco pertinas, com qne Portugal depois 
sostentiou a sua emandps^&o politica, 
s&o milagres inexplicaveìs. Quando todos 
yivìam t&o satisfeitos é para admirar, que 
a revolu^ào triumphasse. 

Deizemos estes paradoxos com que o 
snr. CAMILLO quer ostentar erudi^&o 
e yamoB a outro ponto mais curioso. 

Gritica-nos o snr. CAMILLO de affir- 
marmos os agigantadoa acantecimentos do 
nosio povo e iembra-nos diversos crimes 
ou fraquezas de alguns dos nossos ho- 
mens illustres, corno Affohso db Albu- 

QUBRQUE, bispO OsOBlO 6 D. JOAO DB 

Castbo. 

Jà dizia Napolbao, que ninguem é 
grande diante do seu criado de quarto. 
O snr. CAMILLO tem vagar de lér 
chronicas e louvamos as atten^oes, que 
Ihes presta. que n§.o podemos louvar 
é o seu pessimismo para chover iDJurias 
sobre pessoas, que, se tiveràm as fraque- 
zas prqprias do humilde ber9o^ tambem 
f(»ram grandes nas virtudes civicas e ar- 
dentes no amor patrio. Affonso db Al- 
BUQUBBQUE D. JoAO DB Castro nS.0 ficam 
desauthorados pelo snr. CAMILLO: a 
tradi^So nacional os venera: os seculos 
OS admiram. 

Diz ainda o snr. CAMILLO, que as 
armadas eram esquadras de piratas, que 
a India era um alfobre de ladròes. Nào 
contestamos estes factos, devidos a pou- 
co tino administrativo e às ìdéas do tem- 
po. Ha porém um outro ponto de vista. 
Nào foram as nossas* esquadras as des- 
cobridoras de novos mundos, abertos à 
explora^ào europèa, ao commercio e à 
sciencia? Nfto tem Portugal um nome 
distinctissimo na època da renascen^a pe- 
las suas doscobertas, pelo seu heroismo 
cavalheiroso, pelo arrojo com que foi 
piantar a cruz do cbristianismo em para- 



ffens remotissimas? Nfto é em parte i 
Portn^ que se deve o ter a £iixopa fi- 
cado uento de ama nova invasfto dot 
novos submettidos à lei de Msthcmiet? 
N&o mereoerÀ o nesso infante O. Henn- 
qne algnma sympathia? A ìnatarÌM tea 
órimes e virtudes. A historia <ie Frmn^a 
nAo deiza de ser giorìosa por ter os eri- 
mes do dia de 8. Bartholomeu e peias 
persegui^òes aos huguenottes. A. hìstons 
de Uespanha tem glorias apesar de man- 
chada com as atroCidades de Philippe n. 
A nossa historia è effectivamente povoa- 
da de acontecimentos assombroeos, par- 
que Portugal n&o tìnha os reoorsos das 

ndes na^oes e soube collocar-se aeinia 
itras, que mais tarde noa £onuD i 
mào. N&o admiramos, que a In^aterra 
possa hoje sustentar-se no Indost&o, por- 
que è multo poderosa. Admiramos porém 
qne Portugal podesse ter em rèspeito 
conquistas de tal vulto, que sé alias for- 
mariam imperios, pois, perdidàs miiitas 
d*ellas com a invasào philìppina e oatros 
snecessos, aìnda hoje o quo resta póde 
formar vastissimos imperios. 

A sciencia historìca hoje occapa-se 
mais da civilisa^&o que das peqà^ias 
cousas mencionadas nas chronicas, tfto 
avidamente lidas pelo snr. CAMILiLO. 

Està sciencia tomou hoje taes feì^oes, 
que as obras mais afamadas perderam 
jà parte do seu valor. Assim os livros de 
GuizoT e de Michelet jà nào sSU) hoje os 
melhores guias do saber hodiemo. A his- 
toria escreve-se de outro modo. E^cripta 
sem està grande luz dos principios mo- 
dernos servirà para entreter os meninos 
e alguns archeologos, mas nào para satis- 
fazer o espirito. 

Leia o snr. CAMILLO a Historia da 
civilisa.QEo da Inglaterra de Bucelb, 
a Historia do desenvolvimento intel- 
lectnal da Europa de Draper, a Phy- 
sioa soolal de Qubtelbt, as obras de 
Lbnnormank sobre o Oriente, as obras 
dos allem§,es sobre philosophia da histo- 
ria e talvez ache mais proveito n'estes 
livros do que nos que aconselha a quem 
corno nós nào escrevemos historia mas 
apenas algumas considera9Òes. Por este 
modo certamente se evitarà a tal seme- 
lhan9a com o padre Cardoso, com Mon- 
tbverdb e JoAO Felix que tantos cuida- 
dos dào ao snr. CAMILLO e que se evi- 
tarà, estudando-se aquelles livros. 

Nào aceìtamos por tanto os seus oon- 
selhos e antes iremos por outros carni- 
nhos, que nos parecem mais proprios 
d'este grande seculo. 

Julgamos, que a leitura de tantOBpa- 



I 






ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



39 



i^s velhoSf necessarìos para a ezplica- 
;ào de algans factoB, deve ser acompa- 
ihada da inspira^&o contemporanea pa- 
ra elevarmos o espirito acìma das cou- 
las e attingirmos as leis da historìa. As 
ìbronicas s&o indispensaveis para aioan- 
^armos por ellas o conhecimento dos cos- 
tumes e do sentir do povo e os motivos 
particulares de muitos f actos ; mas n&o 
bastam ao historìador, a qaem sS.o neces- 
sarias muita critica e muita philosophia. 
l^enhum d^estes predicados faltarà no iU 
lustradiasimo critico e abalisado classico, 
eujos escriptoB sfto urna gloria nacional : 
falta-lhe porém a boa yontade para nos 
tratar com benevolenda, iato é, com jus- 
tÌQa, som adnte, e com imparcialidade. 



Lltteratnra da Idade Mèdia 

Prosigamos. 

Dissemos, que o poema Niebelnngen 
é om monumento germanico de grande 
Yulto. Depois dizemos, que além de mui- 
tas legenaas apparecem poemas comò o 
Gadruna, o Livro dos heroes e ou- 
tros, que formam o chamado cydo gev' 
manico m 

snr. CAMILLO acha, que os Nie- 
belungen sào livros de heroes, porque 
nas suas tres partes exhibem fortissimos 
e denodados guerreiros, jà os que nas- 
cem das tradÌ9oes francas sobresahindo 
Biegefredo; jà os das tradÌ9oe8 borgon- 
das, sobresahindo Gunther e irmàos e as 
luctas com Attila ; jà os de origem go- 
thiea, que tambem a critica descobre no 
poema. A Allemanha por motivos de or- 
golho nacional e para colher novos ele- 
mentos ethnologicos deu ultimamente 
urna eztraordinarìa importancia a este 
poema, proprio para elevar os sentimen- 
tos de independenda e de hostilidade 
contra visinhos perigosos. Assim encara- 
dos pelos allem&es os Niebelungen sào 
livroa de heroes, Confundem-se porém 
com una poemetos ou antes uma especie 
de sagas, que formam o cydo germanico, 
Begondo Karl Simrook, que tambem dis- 
tìngue OS Niebelungen de um poema 
seoandarìo (comò o Q-ndruna, o Otrit, 
Hai Rotbero), chamado Livro dos 
lieroes? 

NSk) ha duvida alguma de que os Nie- 
belungen sào livros de heroes, corno 
^bem s^o os canticos do Mababbà- 
'ftta e OS da Illiada, onde os deuses 
combatem junto dos homens, sondo os 
gnerreiros arrojados heroes, tanto do la- 



do de lUion oomo da Hellida. Se n3o ha 
cantico, saga, ballada ou cousa seme* 
Ihante, com o nome de Livro dos be- 
roes, se Kabl Simrook se engana ao fal- 
lar do cydo poetico, sera entào certa a 
identificacào assegurada pelo snr. CA- 
MILLO. 

Nós tivemos presentes os Eddas e os 
Niebelungen nas traduc^oes, que nos 
dà Làvblbtb e tambem nos foram pre- 
sentes diversos historiadores dos mais 
modemos; mas nào podémos sem novo 
estudo dar este ponto por liquidado, vis- 
to que o snr. CAMILLO amrma o con- 
trario com tanta decis&o, sondo certo po- 
rém, que a palavra Niebelungen nfto 
esclarece o caso. 

Quanto a Dahtb nada é mais olaio no 
nesso livro do que a època (n&o a data) 
do seu florescimento. Tratamos d'elle no 
capitulo da litteratura da idade mèdia. 
N*esse capitulo tratamos dos seculos xii, 
e XIII : depois tratamos de Dantb e se- 
guidamente da litteratura italiana do se- 
culo ziv. Quando nos entregamos à lit- 
teratura moderna, come9amol-a no secu- 
lo zv e so depois alcan^àmos o seculo 
XVI, sentindo assim, que o snr. CAMIL- 
LO se prevaleva de um erro typographi- 
co, tao patente, para nos hostiiisar. 

Quanto a Jolo Euiz, arcipreste de Hi- 
ta, tem razào o snr. CAMILLO. Tendo 
nós por guia além de outros expositorcs 
o extenso tratado historico de D. Pedbo 
DB Alcantara Gabcia, escripto em hes- 
panhol (Madrid 1877), que trata de D. 
JoAo Kuiz na li^ào 5.&, nào sabemos ago- 
ra corno é que mudamos o nome de Rulz, 
escripto pelo illustrado author castelhano, 
em RoDRionEs, pois foi effectivamente D. 
JoAo Ruiz contemporaneo de D. Joao 
Mamobl. Sendo isto assim, que culpa to- 
rà o snr. Thbophilo Braga de um enga- 
no, a que n&o deu causa ? snr. Thbo- 
philo Éraoa copia na Historia da lit- 
teratura portugneza (pag. 214 e 215) 
parte do catalogo da bibliotheca de D. 
Apfohso V ; pertanto copiou as CoUa^des 
que eacreveu Joao Rodrioubs. Nào sabe- 
mos pois que necesBÌdade haveria no snr. 
CAMILLO de se referir com menos res- 
peito a um dos nossos mais conspicuos 
escriptores e a uma das mais elevadas e 
robustas intelligencias da peninsula. Nào 
coneordamos na escóla philosophica do 
illustradissimo author dos Tragos ge- 
raes de pbilosopbia positiva : nào es- 
tamos de accordo com algumas das pro- 
posi^oes da sua Historìa nniversal, 
nem aceitamos todas as doutrinas da sua 
Historìa da litteratura portugueza ; 



40 



BIBUOGRAPHIA P0RTU6CJS2A B BSTRANOBIIU 



mai as homm diTergendM, i^Miar de 
pTofandÌMÌmM, nio no« detyiam de piet- 
tar rinoera homenagem ao poeta, ao lit- 
teratof ao historiador e ao philosopho. £ 
este noBso yoto, qae b6 peooa por hamil- 
de, é insuspeito por mais de om motivo. 

XI 

Lllteralnra ^rtaanesa* — C^aelwia* 

Pondo de parte algons pequenos repa- 
ros do snr. CAMILLO, jostos na essen- 
eia, menos carìaes na fórma, inatil e 
desosadamente aggressiva, vamos ao ai- 
timo capitulo do nesso livro — Littera- 
tnra portngaeza. 

Estranha o nosso desdem por està lit- 
teratura. Salvo o devido respeito, o snr. 
CAMILLO eertamente n&o lea o que es- 
crevemos. Se lesse com atten^fto n&o fa- 
ria este reparo. 

Depois de diseorrermos sobre as ori- 
gens da lingua portagueza, sobre as in- 
vasoes de povos na peninsula e espeoial- 
mente sobre as rela^oes dos godos-lites 
eom OS arabes, depoi% de combatermos a 
lei philologica d'HcBFBi e dizermos as 
divisoes da litteratura portagueza, la- 
mentamos, que o latinismo aristocratico 
e 06 costumes da Roma imperiai domi- 
nassem parte da nossa litteratura, aban- 
donando-se as fontes popuiares, nascidas 
das tradi^oes e vitalidade nacional para 
se imitarem os modélos dassicos de ou- 
tras eras. Estas considera^es nào nos 
levaram porém a desmerecer na nossa 
litteratura ; antes mais adiante dizemos ; 

or Feiizmente é larga a reac^ào ; abun- 
« dante a heran^a nacional na historìa 
« corno na poesia lyrica, no romance po- 
cr pular comò no poema epico, no drama 
«e ainda na philosophia». 

Depois entramos a mencionar muitos 
dos nossos monumentos litterarios. 

Vé-se pois, que o snr. CAMILLO nSo 
leu com attencào. 

Quanto a Filinto Eltsio nao sabemos 
se o sur. CAMILLO queria, qu'e citas- 
semos as traduc^oes, alias preciosas : ci- 
tamos as odes e tanto aquellas, em que 
o poeta prophetisa a queda dos bonzos, 
que Ihe roubaram a sua livraria comò 
aquellas, em que elle imagina estar jun- 
to de HoBAoio a cantar o phalemo. Lou- 
vamos as primeiras e nào podemos fazer 
o mesmo com rela^lo às segundas. To- 
mando as obras de Filinto na sua parte 
originai e nào nas traduc^oes cremos obe- 
decer às boas regras. snr. CAMILLO 
queria talvez, que antes nos referissemos 



i tradae^io dot Martjresdo rHiilntli 
nlfliiìo ou a tradao^des de novellsw. 8b 
geitos do goito do snr. CAMILiLO. 

Tambem o snr. CAMILLO se aaaoma 
de n&o gostarmoa das Oartas d*So]u) e 
Narciso, às quaet oppomoe o sestro de 
serem baeolicas e n&o terem oorrespoa- 
denoia alg^uma eom as idéas e costumes 
do tempo. . 

snr. CAMII£iO aeha que Ca8tii.ho 
n&o podia em 1826 escrever para 1879. 
D'accordo. Podia porém em 1826 escre- 
ver conforme se pensava n^esaa època, em 
que Castilho tinna a elevar o pensamen- 
to até as épocas de 1789 e pooia referir- 
se à guerra peninsular, e finalmente i 
nossa revolu^ao de 24 de agosto de 1820, 
sondo as cortes nascidas d'està re vola^&e 
bastante esplendidas para excitarem t) 
enthusiasmo de mais de um poeta* Tinha 
tambem Castilho ante os olnos os paizes 
virgens onde D. Jo&o vi tinha demora- 
do ; tinha muitas tradi^oes nacionaes no- 
tabilissimas e por tanto escusava de nos 
entreter eom a futilidade de uma versa- 
Ihada sem significa^&o alguma. Nfto se 
penso todavia, que nós somos adntosos 
centra Castilho, que oonsideramos corno 
um bom Ijrico a par de outros escrìpto- 
res de vulto no capitulo xix, pag. 155. 

snr. CAMILLO acha, que Filinto 
n&o podia ter idéas multo cordiaes do 
christianismo, vista a sua persegui^&o. 
Iste nos revela a raz&o de se manifes- 
tar contra nós por dizermos, que os in- 
quisidores e jesuitas tolheram os nossos 
vòos philosophicos. 

Ficamos sabendo que foi o christianis- 
mo, que perseguiu Filinto Eltsio e Ihe 
fez perder os livros. Tambem sabemos 
agora, que os jesuitas e inquisidores s&o 
agentes do christianismo, sondo està re- 
ligiao para o snr. CAMILLO modelada 
pelos preceitos de Innocencio ui, de Six- 
to Y e de Jo&o xxii, pelas doutrinas de 
Ignacio de Loyola e do padre Molina e 
pelas santas praticas de Torquemada. 
Tudo iste se chama christianismo. É sem- 
pre bom estudarem-se as idéas dos sa- 
bios para reformarmos os nossos erros, 
pois nós imagina vamos que o christianis- 
mo era a doutrina dos eyangelhos e das 
obras apostolicas sondo suas appIica9oes 
as doutrinas das Palavras d'nm cren- 
te de Lambnnats, traduzidas por Casti- 
lho, que bem po4ia tomar n'ellas uma 
ìnspira<;ao superior à que originou as 
taes Cartas d'Eolio e Naroiso, tao 
amaveis para o snr. CAMILLO e que 
nós nào podemos tolerar. Se em 1826 era 
impossivel ao poeta elevar mais longe o 



ERNESTO GHÀHBRON, EDITOR 



41 



espirìto fica inexplicavel o procedimen- 
to de Alexasdrb Abboulano e Gabbbtt, 
contemporaneos de Castilho e cujo pen- 
samento foi rasgado e grande para jar- 
retarem de urna vez a velha farragem do 
latinismo e do hellenismo. Em qoanto 
Castilho escrevia 00 Quadros hiisitorl- 
oos, aceitando comò verdadeiras as fa- 
bulas dos antigos, negava Hbroulano as 
cortes de Lamego e outras velharias ri- 
diculas e Garbett escrevìa a D. Bran- 
ca» e o OatSo, inspirando-se nas tradi- 
GÒea nacionaes ou na liberdade civica. 
Nós commettemos crime de prestar ho- 
menagem a Castilho corno lyrico e n§.o 
Ih'o prestar corno aathor d'obras, que 
jiSU> condizem com o ^enio naoional. 

Quanto à philosophia portagueza nós 
apenas por exemplific<igào apontamos tres 
nomes illustres som negarmos maior mo- 
vimento. snr. CAMILLO imagina dar- 
nos novidade, faliando-nos no exceliente 
livro do snr. dr. Pra^a, nesso amigo e 
até nosso correspondente em cousas da 
advoeacia em Monte-Mór-o-Novo, onde 
habita. Se nào mencionamos o seu nome, 
aliàB tao illastre, foi porque tìSlo esore- 
vemos um tratado de litteratnra e scien- 
cia portugueza, pois nosso firn foi só- 
mente mostrar a vastìd&o de objectos 
d'està cadeira para fìcar separada da de 
litteratura moderna e para o professor 
mais detidamente esplorar està impor- 
tante reparti^ào. 



Temos defendido, conforme podemos, 
o nosso livro centra as arguicoes do snr. 
CAMILLO. 

Somos atacados de nào dizermos ul- 
timo estado das sciencias. Nào dea 
snr. CAMILLO prova alguma do dito. 
Ficamos em jejam. 

N&o impagnando o nosso systema de 
sciencia, imaginou, qae era de Bumzbn. 
N'isto porém foi snr. CAMILLO mui- 
to infeliz e fìcou abaizo de si mesmo. 

Nào aceita a nossa distribai^ào de ma- 
terias no 3.o anno ; mas nada mais diz 
do resto. 

Critica-nos a lingaagem sobre a qual 
i& respondemos. 

Nào gosta dos Lazaristas. snr. 
CAMILLO gosta de poacas cousas de 
Lisboa. 

Nào concorda na nossa apreoia^ào so- 
bre relacoes com a Hespanha. 

Nota dous defeitos na nossa ezposÌ9&o 
da litteratura da idade mèdia e nota um 



outro, que é nm erro typcMpraphloo, b6 
invisivel para snr. CAMILLO. 

Observa um erro de um nome quanto 
& litteratura italiana e um erro igual na 
litteratura ingleza. 

Nós oonfessamos esses dous erros e b6 
nào admittimos a fórma de ob expdr, 
porque os sabios se o s&o nfto ficam pelo 
serem isentos do dover, alias gostoso, da 
delicadeza. 

Nota finalmente na nossa exposi^&o de 
litteratura portugueza os defeitos, a que 
vimos de responder. 

Folgamos de merecer està oritioa. 

Um livro, em que se trata de anthro- 
pologia, de psychologia, da exposi^&o 
critica dos systemas, de linguistica, de 
esthetioa, de philosophia transcendente, 
de sociologia, de archeologia e de outros 
objectos e que so desagrada ao snr. CA- 
MILLO nos pontos, que ficam expostos, 
nào é tSo mau comò o quer fazer. 

Em Portagal pouco se pensa em cou- 
sas sérias. I^vanta-se um pensador ; d4 
uma simplef aboostra de longos e longos 
estudos ; es^reve sem preten^fto, sem pro- 
sapias, mas com franqueza e desassom- 
bro e todas as pedradas sS.o poucas para 
se Ihe atirarem e para Ihe desanimarem 
espirito I 

É o que nos succede com o snr. CA- 
MILLO. A sua voz authorisadissima, 
corno litterato, é centra nós e trovcja có- 
leras: felizmente a imprensa do paiz 
tem-nos side multo benevolente e lison- 
jeira até o excesso e temos recebido oar- 
tas de bastantes sabios a animar-nos em 
virtude da publiea^ào dos nossos Prin- 
oipios geraes de philosoplila da his- 
toria e da nossa Galeria de soiendas 
oontemporaneas. 

Nào foi o interesse, que nos moveu a 
estas publica^oes, pois é negativo: foi o 
amor da idèa. Se agradarmos ao publico, 
o valor moral da sympathia do publico 
valerà mais para nós que todos os the- 
soaros. 

Despedimo-nos aqui do publico por- 
tuense e do snr. CAMILLO, declarando, 
que as ironias d*este esclarecido critico ' 
centra nós nunoa nos desviarào de res- 
peitar. É sagrado o direito da defeza : a 
benignidade d*esta foiba, que agradece- 
mos, permittiu-nos exereicio d'estje di- 
reito: se em alguma express&o menos 
pensada magoamos o snr. CAMILLO, 
que nos maltrata, considerem-a os nos- 
sos leitores comò desde jà retirada. 

É verdade que snr. CAMILLO nos 
chama pedante. N&o sabemos, que nome 
tenha quem se mette a fallar-nos em 



4S 



BIBUOQRAPHU PORTOOUISA ■ ISTRANaBnU 



Bmom lam entender ooota algoma da 
BUM theorias (e nio sjftema) nem da fi« 
liaoio d'ettas; mas ae orna peasoa da 
mais idade do qua nóa tam taat ezoaaaot, 
oompata-nos nio a imitar n*isto a daixar- 
Iha toda a gloria do sea aatylo a das toas 
iqjoriaa, sa foi san intento a iqjarìa, o 
qne n&o eramos, pois antas suppomos, 
qua asoravaa impansadamanta. 

Josti^a a todos. Se o snr. CAMILLO 
antande am sua consoienoia, qae o nosso 
livro, fraeto de laboriosos estados da 
muitos annos, nascido de inioiativa nas- 
sa sam modélo a imitar, nada vaia, ras- 
paitamos as soas eonvio^Sas. 8a sup- 



p5a qua o nosso i^jstama uniTennl 
philosophia a da saaaoia é sem 
tanda, raspaitamos tamhem o m 
sar, asparando porém o Juiso publiéo e 
ainda o Joiso dos sabios astrani^eizos, t 
quem vai sar presanta o nosso livxo. 

Depois de penosos estados e largai 
medita^òes entendemos ter aohado n'este 
systama a solog&o da muitos problemas: 
se estas nossas oonyio95es sfto seni fimi- 
damento, devemos entender, qae viya- 
mos n*ama oomplata iilos&o. 

fàtoro Julgarà. 



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vio FeuUlet, traduc§ào de Aidoa, 1 
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córte do vestido, por Th. Gompaing. 

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por J. Manoel de Macedo, 2 voi. in- 

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Beri-!Heri (0) na provincia de S. 
Paulo, carta ao Dr. A. C. de Miranda 
Azevedo, pelo Dr. Betoldi. 1 folheto 

in-8.0 300 

Hrazil (0) em 1870, estudo politico 
de il. A, de Sotisa Carvalho, 1 voi. in- 
8.0 400 

Hrazil (0) social e politico, ou o que 
fomos e que somos, pelo Dr. A. J. 
de MeUo Moraes. 1 voi. in-8.0 gr, 300 

Brazileiras celebres, por J. Nor" 
herto de Sousa ■ e Silva, 1 voi. in- 
8.0 500 



Sire'i^es no^òes para se estudar com 
methodo a geographia do Brazii, pelo 
Dr» J. Praxedea P. Pacheco. 1 voi. 
in-8.0 300 

Oantieos funebres, por Z>. J. G. 
Magalhàesi 1 voi. in-8.0 gr 900 

Oantos do ermo e da cidade, por 
Luiz Fagundes VaréUa. 1 voi. in- 
8.0 600 

Oaracter (0), por Samuel Smilea. 
1 voi. in-8.0 IjSKKK) 

Oéo (0) e o inferno ou a justi^a divi- 
na, segundo o espiritismo, por Allan 
Kardec. 1 voi. in-8.0 l^aXXK) 

Ohaneelloi:* (0), diario do passa- 
geiro J.'R. Cazallon Martin Paz, por 
Jidio Verne. 1 voi. in-8.0 600 

Oliiquinlio, encydopedia da in- 
f ancia, por Cr. Bruno. 1 voi. in- 
8.0 600 

OliiT^salidas, poeaias de Machado 
d'As8Ì8. 1 voi. in-8.0 500 

Oineinnato, Quebra-Lou9a, come- 
dia em 5 actos, por /. Manoel de Ma- 
cedo. 1 voi. in-8.0 500 

OoIoml>o, poema por Manoel de 
Araujo Porto-Alegre. 2 voi. in-8.0 
gr 25^00 

Oomo e porque me tornei espirita, 
por J. E. Borreau. 1 voi. in'8.o 600 

Oompendio de grammatica portu- 
guezà, por Polycarpo José Dias da 

• Gunha. 1 voi. in-8.0 240 

Oonupendio de historìa antiga, 
adoptado pelo conselho director da 
instruc^ào. publica, pelo Dr, Moreira 
d'Azevedo. 1 voi. in-8.0 600 

Oonupendio de historìa universal, 
por Victor Duruy, 1 voi. in-8.0 Ij^KKK) 

Oonfbdex-apao (A) dos Tamoyos, 
poema por D. /• G, de Magalhàes. 1 
voi. in-8.0 gr 9^ 



44 



BIBUOORAPHU PORTUOUKZA B KSTRANQEIRA 



OonqniwtA (A) do at, qitftreiita diat 
de navega^fto aerea, por il. Broum. 1 
▼ol. in-8.0 UOOO 

OontoM flominenses, por Machado 
d'A»a%$, 1 voi. in-8.0 600 

Oontos sem preten9fto, por Luu Gu*- 
maràe» Junior, 1 voi. in-%.«. . . . 600 

OoryTiil><MB9 por L, Quimaràet Ju- 
fdor. 1 voi. iiif^.o gr 600 

Orlme (0) de Orci vai, por EknUio 
Qaboriau, 1 voi. in-S.© 600 

Orlminosoei celebres, epìsodios 
historicoe, por Moretta d'Azevedo. I 
voi. m-8.0 600 

Oulto (0) do de ver, romanoe pelo Dr. 
J. Manod de Macedo, 1 volume in- 
8.0 600 

Oiu*ioi9Ì<lacles, noticias e varie- 
dades historicas, pelo Dr, Moreira de 
Azevedo. 1 voi. in-S.» 600 

Oiureio de historia universal, por Mr, 
Daniel : 

Historia moderna. 1 voi. 
Uistoria contemporanea. 1 voi. 
Historia antiga. 1 voi. 
Histo^a da idade mèdia. 1 voi. 
4 voi. Cada um 500 

Oiuriso de phìlosophia, redigido con- 
forme o programma para o bacbare- 
lado, por L, Geruzez. 1 voi. in-8.o 360 

Oui:*so elementar de geometria, por 
Camillo Trinocq. 1 voi. in-12.o carto- 
nado 300 

Oiii:*iso elementar do historia moder- 
na, por Camillo Trinocq. 1 voi. in-12.o 
cari : 300 

Oiu*so* elementar de mythologia, por 
Camillo Trinocq. 1 voi. in-12.o carto- 

nado.... 300 

OuiT'vais e zig-zags, caprichos humo- 
risticoe, por Luiz Guimaràes Junior. 
1 voi. in-8.0 600 

I>a. eOirte à fazenda de Santa Fé, im- 
pressoes de viagem, por A, P. Correia 
Junior, 1 voi. in-8.o 400 

X>a^os da fortana, modernissimo lì- 
vro de sortes. 1 voi. in-8,o 500 

DexnLOiiio iO) familiar, comedia em 
4 aotos, por J. de Alencar. 1 voi. in- 
8.0 • 500 

I>epoii9 da morte, ou a vida futura 
segundo a soiencia, por Luiz Figuier, 
1 voi. iu-8.0 li^OOO 

I>esiiioi*oiiaiiieiito (0), por E, 
Gaboriau. 5 voi. in-12.o 3s?;600 

I>eus na naturesa, por CamiUo Ma- 
marion. 2 voi. in-8.0 ls^200 

I>ia. (0) de. S. Nunca, por Albéric Se- 
cond. 1 voi. in-8.0 600 

JMeeionajrio de medicina e thera- 
peutica homoeopathica, ou a homoBopa- 



thia posta ao aloanoe de todos, ]iot 
A. J. de Metto Morae». 1 voL n- 
4.0 2^ 

IMva, perfil de molher, pablicado pff 
G, M. l voi. in-8.0 600 

BUementofii de desenho linear, jmt 
A^es de Albuquerque Gama, 1 voi. ìd- 
8.0 cart J^ 

BUoquenoia poetica e critica Utto- 
raria, por M, C. Honorato,- 1 voi- m- 
8.ogr 1^000 

dnsaloei litterarioe, de Ignado de 
Azevedo. 1 voi. in-4.o 6O0 

Spisocliois de historia patria, p^o 
Dr. J. C. Femandea Pinheiro. 1 voi. 
in-8.0 500 

Srmit&o (0) da gloria. 

AAnko, (A) do Lazaro, por «7. de Alenr 
car. Os deus em 1 voi. in-8.0, . . 600 

Srmit&o (0) do Muquem, ou iiìsto- 
ria da funda9&o da romana de Mu- 
quem, por Bernardo Guimaràes. 1 voJ. 
à-8.0.;. 600 

"Et^CJ^erva, (A) Isaura, romance por 
Bernardo Guimaràea. 1 voi . in-8 .^ oOO 

£2ispliiii|S'e (A), palestra enigmatica 
ou livro de adivinha^òes. 1 voi . 500 

Sfspi&o (0) prussiano, romance in- 
glez, por Valmont. 1 voi. in-8.0 600 

Sstiido clinico sobre as febres do 
Rio de Janeiro, pelo Dr. Joào Vicenie 
Torres Homem. 1 voi. in-8.0 gy, ijjOOO 

£^stii<lofs historicos, pelo conego Dr. 
Joaquim Femandea Èibeiro. 2 voi. in- 
8.0 2jJO()0 

£2yciiig^elli.o (0) segundo espiri- 
tismo, contendo as maximas moraes de 
Christo, por AUan Kardec. 1 voi. in- 
8.0 IfOOO 

Faetois do espirito humano. Philoso- 
phia, por D. J. G. de Magalhàes. 1 
voi. in-8.0 gr 900 

Fantasma (0) branco, opera em 3 
actos, pelo Dr. J, M. de Macedo. 1 
voi. in-S.o 500 

Fa.vos e travos, romanoe por Rozen- 
do Moniz. 1 voi in-8.0 gQO 

"F&trMiSLO Mendes Fiuto, excerptos, se- 
guidos de uma noticia sobre sua vidà 
e obras, por José Fdiciano de Casti' 
Z^o. 2 voi. in-8.0 1^500 

A mesma obra em 8.0 gr. 2 voi. 
FiieLgi:reLTkek»9 por Luiz Guimaràe» 

Junior. 1 voi. ìn-S.^ * 600 . 

FlammaoraiKles romance de Geor- [ 

geSand.lYoLìn-S.<»... 600 

nores do campo, por Ezequiel Freire. 

1 voi. in-8.0 500 

DPlOres e fructos, poesias por Bruno 

Seabra. 1 voi. in-8.0 600 

FlOires entro espinhos, contospoeti- 



er^ 



BRNB3T0 GHABDRON, EDITOR 



45 



COS. 1 Tol. in-8.0.... 500 

TB^ldres fiilvestres, poesias por F, L, 

JBettencowrt. 1 voi. in-8.o 600 

JB^oira^teiro (0), romance brazilei- 

ro, por J. Manod de Macedo. 3 voi. 

iii-8.0 i^;500 

f^ircùieezes (Os) no Bio de Janeiro, 
romance, pelo Dr. Moreira d* Azevedo. 

1 voi. in-8.0 600 

GrciJlieisiiioiSy palavras e phrases 
da lingua franceza^ por José Norberto 
de Smsa e Silva. 1 voi. in-8.o 1^»00 
Grajratxija (0), chronica dos tempos 
coloniaes, por J. de Alencar. 1 v. 600 
Grcuroia. de Rezende, ezcerptos, se- 
guidod de urna notioia de sua vida e 
obras, por Antonio Feliciano de Casti- 

Iho. 1 voi. in-8.0 720 

GrajTÌiiipei]:*o (0), romance por Ber'- 

nardo Guimaràes, 1 voi.- in-8.o 600 

Gra.tl.eli.0 (0); romance brazìleiro, por 

Senio. 1 voi. in-8.o 600 

Oreog'ira.pliia phvsica para uso da 
jttventude, por L. A, da Costa Junior, 

1 voi. in-8.0 600 

Oonza.g'a^ poema por «** com uma 
ìntroduc9ào, por J. M. Pereira da 

Silva. 1 voi. in-8.0 600 

01*8.111^118.^108. analylita da lingua 
franceza, pelo Dr. J. Ruffier, 1 voi. 

in-8.0 720 

Oi'aiiiiiia'tiea latina, para uso dos 
alumnos do seminario episcopal de 8. 
Paulo, por um professor do mesmo se- 
minario. 1 voi. in-8.0 400 

GriT8iiiiii8tie8 theorica e pratica 
da lingua portugueza, por P. Sadler. 

1 voi. in-8.0 • 600 

01*81111118^108 (Nova) portugueza- 

franceza, por Edoitard de Montaigu. 

2 voi. in-8.0 ifiQQO 

Oii8iT8iiy (0), romance brazileiro, 
por J. de Alencar. 2 voi. in-8.o 1^200 

GriieiTir8 dos Mascates, obronica dos 
tempos coloniaes, por Senio, 2 voi. in- 
8.0 li^OO 

Heleii8, por Machado de Assis. 1 
voi. in-6.0 600 

Histoi*i8 do Brazil, por Roberto 
Southey, traduzida pelo Dr. Luiz Joa- 
quim de Oliveira e Vostro. 6 v. lOiWOO 

I£LStoi*i8 do Brazil contada aos me- 
ninos, por Estado de Sa e Menezes. 1 
voi. in-8.0 600 

l]istoi*i8 da cocjura^ào mineira. — 
Estudos sobre as primeiras tentativas 
para a independencia nacional, por J. 
Norberto de Sousa e Silva. 1 voi. in-8.0 
gr 2^000 

lUstòrlA da fundac&o do imperio 
brazileiro, por J. M. Pereira da Silva. 



8 voi. in-S.o gr« 4^600 

!E]listoi-i8 geral da guerra do Para- 
guay, desde a sua deaooberta até nos- 
sos dias, por L. Alfredo Demersay. 1 
voi. in-8.0 360 

Hiistorla da guerra do Paraguay, 
por Theodor Fico. 1 voi. in-4.o 1#200 

IliistorlA de um bocadinho de p&o, 
cartas a uma menina, por Joào Macé. 
1 voi 600 

mstorl8 dos martyres da liberda- 
de, por A. Esgueiros, aug^entada com 
episodios tirados da historìa de Portu- 

fal e Brasil, por A. QaUo. 2 voi. in- 
.ogr 8|»00 

Hlstoi*i8 e tradi95es da provincia 

, de Minas-Geraes, por Bernardo Qui* 

mardc*.! voi. in-8,0 600 

I]lstoi*Ì8S braziieiras, por Sylvio 
Dinarte. 1 voi. in-8.0 600 

Historlas para gente alegre, i>or 
L. Quimaràes Junior. 2 volumes in- 
8.0 1«200 

1118^01*1819 da meia noite, por Ma- 
chado de Assis. 1 voi. in-8.0. . . . 600 

Homens do passado ; cbronioas dos 
seculos xviii e xix, pelo Dr, Moreira 
d^ Azevedo. 1 voi. in-8.0 600 

Homens (Os) de sangue, ou os sof- 
frimentos da escravidào. 2 volumes 
in-8.0 li^OO 

JJ,yg%GiojO para uso dos mestres escó- 
las, pelo Dr, GaUard, 1 v. in-8.0 300 

I^nez (D.) de Castro, drama em 5 
actos e em verso, por Jvlio de Casti' 
Iho. 1 voi. in-8.0 600 

Ili8.cl8 de Homero, em verso portu- 
guez, por Manod Odorico Mendes. 1 
vol.in-4.0 l^SOO 

HI111S8O9 experiencia e desengano de 
um velho da terra de Banta Cruz. 1 
voi. in-8.0 300 

Inteiresses portugueses. Segnnda 
parte da refuta^ào dos artigos sobre 
emigra^ào do conseiheiro Mendes Leal, 
pelo Dr. José Rodrigues de Mattos. 1 
voi. in-8.0 600 

«Jei*oiiyiiio Corte-Keal, chronica do 
seculo XVI, por J. M. Pereira da Sii' 
va. 1 voi. in-8.0 «... 600 

«Jesx&it8 (0), drama em 4 actos, por 
J. de Alencar. 1 voi 600 

«J080 (P.o) de Luoena, excerptos, se- 
guidos de urna notida sobre sua vida 
e obras, por José Fdiciano de Castilho. 

2 voi. in-8.0 i|jS250 

A mesma obra. 2 voi. in-8.0 gr. 

<Jo80sliilio, por Charles Jearmd. 1 
vol.in-8.0 500 

I^aanajrtiiieaiias» poesias de 4r 
fonso de Lamartine. 1 voi. in-8.0 600 



46 



BIBUOGRÀPmi PORTUOUBZA B KSTRA.NGEIRÀ 



l^àGMuéLa» e romanoes, poi^ Bernardo 
Guimaràes, 1 voi. in-8.o 600 

XJLpòes de chorògraphìa do Brazil, 
por JoaqyÀm Manod de Macedo* 1 voi. 
in^.o 1*000 

XJL^oes elementares de geographia, 
segando o methodo Gauthier, por Es^ 
tacio de Sa e Menezea. 1 voi. in-8.o 600 

XJL^oes de historia do Brazil, por J, 
Manod de Mo/cedo. 2 volumes m-8.o 
gr 2m0 

X^ittéi-atTure (La) Portugaise, son 
passe, son état aetuel, par J. M, Pe- 
reira da Silva. 1 voi. in-8.o .... 600 

ULviTO (0) dos mediums ou gaia dos 
mediams e dos evocadores, por Allan 
Kardec. 1 voi. in-8.o IjgOOO 

ULvro (0) dos espiritos, contendo os 
principios da dqutrina espirita, por 
Allan Kardec. 1 voi. in-8.o. . . IjJÓOO 

ILiueiola» Um perfil de malher, pu- 
blicado por Gf. M. 1, voL in-8.o 600 

'Lju.c\jLt>x'eu^ÒG&9 de Francisco Lobo 
da Costa. 1 voi. in-8.o 500 

JLinneta. (A) magica, por J. M. de 
Macedo. 2 voi. in-8.o 1,^00 

]Liiis1>ela9 drama em 1 prologo e 4 
aotos, pelo Dr, J, Manod de Macedo. 
1 voi. in-8.0 450 

]M[a.deiiioiselle Cleopatra, histo- 
ria parisiense, por Arsenio Hoiissaye, 1 
voi. in-8.0. 600 

]M[adeiiioiselle Mariani, historia 
parisiense, por Arsenio Houssaye. 1 
voi. in-8.0 600 

]M[ademoiselle de Maapin, por 
TheophUo Qautier. 1 voi. in-8.o 600 

'MÌ&I9 drama em 4 actos, por J. de 
Alencar. 1 voi. in-^B.o 500 

]M[aiiliaj9 (As) da avo, leitura para a 
infancia, por Victoria Colonna. 1 voi. 
in-8.0.... 600 

'M.eLVMÌfemto do centro liberal. 1 voi. 
in-4.0... 300 

AKajioel (P.®) Bernardes, ezcerptos, 
segaidos de orna notìcia sobre sua Vi- 
da e obras, e um jaizo orìtieo, por An- 
tonio Fdiciano de Castilho. 2 voi. ìn- 
8.0 li^SOO 

BCanoel Maria da Bocage, excerptos, 
seguidos de ama noticia sobre a sua 
vida e obras, em jaizo critioo) por J. 
Fdiciano de CastUho Barreto e Noro- 
riha. 3 voi. in-8.0 2iW)00 

]M[ci]ioel de Moraes, chronica do se- 
calo xvn, por J. M. Pereira da Silva. 
1 voi. in-8.0 700 

IklAii.ii.al homoeopathieo, pelo Dr. 
Emilio Germon. 1 voi. in-8.0 gr. 600 

BJCa.k*|]ia. de Direea, por T^hwnoK Am." 
tonto 6r07U!(;^a. 2 voi. in-6.0... 1|;500 




]M[ajrip<M9iuei5 romance brazileiro, 

Edmundo Frank. 2 voi. m-8»<> 1ÌÌ 

]!^aj:*qiiez (0) de Pombal, por Cle- 
mence Bobert. 1 voi. in-8.<> 300 

'M.eL±eL (0) horas aborrecida8,^nova e 
interessantissima coUeo^&o de jogos de 
sociedade. 1 voi. in-8.0 500 

'M.ei'te/kro (0) ou os bandeirantes, por 
Gahrid Ferry. 3 voi. in-8.0... 2iW00 

MAiurieio, ou os Paulistas em B« 
JoSo d'El-Rei, por Bernardo Guimor 
ràes. 2 voi. in-8.0 1*200 

]!^ea.ii<lx*o poetico, pelo Dr. José O* 
Fernandes Pinheiro. 1 voi. in-8.0 500 

]!^emoi*ias do grande exercito al- 
liado libertador do sul da America, 
por Titàra. 1 voi. in-4.o. . . . . 1,»)00 

]!^emoi:*iaiS do marquez de Santa 
Cruz, arcebispo da Bahia, por D. Jlo^ 
mualdo Antonio de Seixas. 1 voi. in- 
4.0 * 700 

]!^eiiioi:*ia.s do sobrinho de meu tic, 
por Joaquim Manod de Macedo. 2 voi. 
in-8.0 W200 

]!^etli.odo de musica vocal, por £r. 
G. B. 1 voi. in-4.0 600 

Mlnas (As) de prata, romance por 
J. de Alencar. 3 voi. in-8.0. . . 3i|000 

]!^oeid.ade (A) de Trajano, ]^t Syl- 
vio Binarie. 2 voi. in-8.0., . . . li^200 

'MLoQo (0) louro, por Jùaquim M. de 
Macedo. 2 voi. in-8.0 1^200 

I^orte (A) moral, novella, por A. D. 
de Pascual. 4 voi. in-8.0 2|!500 

]!^osaleo brazileiro, ou collec^ào de 
ditos, respostas, pensamentos, epi- 
grammas, poesias^ anecdotas, curiosi- 
dades, etc, etc, pelo Dr. Moreira de 
Azevedo. 1 voi. in-8.0. 600 

BJCosaleo, poesia e prosa de diversos 
authores. 1 folheto in-8.0 300 

]!^i].l]i.e]:*eB celebres, pelo Dr. Jòa- 
quim Ma/nod de Macedo. 1 volume in- 
8.0..... 4^ 

]|£illlie]:*es (As) de mantiiha,. roman- 
ce brazileiro, por J. Manod de Mace- 
do. 2 voi. in.8.0 i^^oo 

]!^iiiidosi (Os) imaginarios e os mun- 
dos reaes, viagem pitoresca. pelo céo, 
por Camillo Mammarion. 1 grosso vo- 
lume in-8.0 imo 

!N'aiiioi*a<leiz"a (A), romance gor 
Joaquim Manod de Macedo. 2 voi. in- 
8.0 1*600 

Najfi^eLtlvsLS militares, (scenas^ e 
typos), por Sylvie Dinarte. 1 voi. in- 
8.0 . ...f. . ... 600 

]Xel>iilosA (A), por Joaquim Manod 
de Macedo. 1 voi. in-4.o 500 

IVina» romance por J. Manod de Ma- 
cedo. 2 voi. in-8.0 li?200 



ERNESTO GHAKDRON) EI^TOR 



47 



(A) de Fontenay^as-BoBas, 
pov CA. Patito 4e Koék. 1 volume in- 

8.0 600 

IN'oira gramiùatica franceEa, por Emi- 

Zio Lenene. 2 voi. in-8.o. . . . ^ . Ij^OOO 

JN'o^^a.s poesias de Bernardo Guima- 

ràes. 1 voi 600 

^^ovellas, por TheophUo Qautier. 1 

voi. iniS.o. 600 

^^o V^]la49 de Alfredo de Mueset, tra- 
diicc&o de Salvcidor de Mendonga, 1 

Tol. iii-8.0 11000 

IN'ov^ien.ta. e tres, a guerra civil, por 

Victor Hugo, 1 voi, m-8.o li^200 

JHovo methodo para aprcnder a lér, 
esorever e fallar a lìngua francessa em 
seis meees, por H. O, OUendorff. 1 voi. 

itt^.o.. imo 

INTo^o methodo de grammatica latina, 
pelo P:® ArUonio Peretta de Fiffueire" 

do. 1 voi. in-8.0 240 

^^o^o methodo de grammatica latina, 
pelo P.« Antonio Pereira, 1 volume 

cart 600 

IVovo (0) Othello, còmedia em 1 acto, 
pelo Dr. J. M, de Macedo, 1 folheto 

in-8.0 150 

Ol3l-a,s completas do Dr. Antonio Fer- 

xeira, 4.* edi^Sk) annotada e precedida 

-de um estudo Bobre a vida e obras do 

poeta, pelo conego Dr. J. C, Fernan- 

àe8 Pinheiro. 2 voi. in-8.o 2^000 

Obpcus litterarias de J. M, Pereira 
da Silva. 2 voi. in-8.o gr 2ig500 

Ol3i?a.is poetìcas de Ignacio de Alva- 
renga Peixoto, por J. Norberto de 
^ousa Silva, 1 voi. ia-8.o 600 

Ol3i*as poeticaB de Manod Ignado da 

* SUva Alvarenga, 2 voi. in-8.o 1|@00 

Ot>i*a4S de Manoel Antonio Alvares 
de Asevedo, precedìdas do julso criti- 
co dea escriptoreB nadonaes e estran- 
geirofi, por J. Norberto de Sowa e 
SUva, 3 voi. in-8.0 2^000 

Ol>i*as posthumaB de Luiz José Jun- 
cmeira Freire, 3.» edi^&o, correcta por 
Franklin Doria, 2 voi. in-8.o 1|J200 

Ot>]:*a<s poeticas de Laurindo José da 
sana Eabello. 1 ycA. in-8.o 600 

Opm«oiilois historicoB e litterarios, 
por D, J, G. Magalh&es, 1 volume in- 
8.0 900 

Os douis tnnLa.o(6i9 romance de 
Qwrge Sand. 1 voi. in-8.0 600 

Os Tyml3ii*a49, poema americano, 
por A. G. Diaa, 1 voi. in-8.0. . . 600 

Ourson o cabota de ferro, romance 
de Gustavo Aimard. 1 voi. in-8.0 600 

Paelnas de historia constitucional 
do Brazil, 1840 a 1848, por Nunes AU 
vares, 1 voi. in-8.0 gr 2/000 



Pa,paÌ9 mamfti, e néné, romance de 
Gustavo Droi. 1 voi. i&-8.o 600 

Pa.ta« (A) da gazella, romance* brazi- 
leiro, por ^Sejwo. 1 voi. in-8.o. . . 600 

Peireg^riiia^ao pela mrovincia de 
S. Paulo, 1860-1861, porin^o Emi- 
lio Zaluar. 1 voi. in-4.o ij^OO 

Plialenas, por Maohado d'Ajui». 1 
voi. in-8.0 600 

Pli^ièdologria. do matrimonio, his- 
toria naturai e medica do homem é da 
mulher caBados, por A. Dd)ay, 1 voi. 
in-8.0 ij^xio 

Pliy^ca e cosmographia ao alcance 
dos meninos, pela enr.» J, JPérier, 1 
voi. in-8.0 com 67 gravuras. . . . 800 

Plux-aliclacle (A) dos mundos ha- 
bitados, por Camillo lìammarion, 2 
voi. in-8.0 If200 

Podex* (0) da vontade, ou oaracter, 
comportamento e perseveranca, por F, 
SmUle. 1 yoL ìn-S.o _.. 600 

Poesia» avulsas, por D, J. O, Ma- 
galhàes, 1 voi. in-8.o gr 900 

Poeg^iats de B. J. da £^va Guima- 
ràes, 1 voi. in-8.0 gr 1^500 

Poetsiats de Pimenta de Laet, 1 fo- 
lheto in-8.0 300 

Poeeias de A, Gongalvts DiaSy 6,^ 
edi^ào organisada e revista por J. Nor^ 
berto de SotMa e Silva, 2 volumes in- 
8.0 2mo 

Px*ixiiLeii*oB veraos de Julio de Cas- 
tUho. 1 voi. in-8.0 500 

PiroeeBfSO (0) Leronge, por Emilio 
Gaboriau. 1 voi. in-4.o, . . » 700 

Pirovineia (A), cBtudo sobre a des- 
centralisa^ào no Brasil, por Tavares 
BoMtos, 1 voi. in-8.0 gr. ..... . 11^200 

Quacbroias por Joaqtdm Serra, 1 voi. 
in-8.0 ,. 500 

Quatx*o (Ab) derradeiras noites dos 
inconfid^tes de. Minas^Geraes, 1792, 
por A. D, de PascuaL 1 volume in- 
B.o 600 

Quattro pontos oardeaes. A myste- 
riosa, romance, por J. M. de Macedo. 
1 voi. in-8.0 700 

Rei (0) Candaule, Fortunio, por Tlieo- 
phUo Gautier, versilo de Salvador de 
Méndonga. 1 voi. in-8.0. 600 

Beisumo de historia contemporanea 
desde 1816 até 1865, por um professor. 
1 voi. in-8.0 encademado. . * 900 

Resiuno de historia litteraria, pelo 
conego Dr. Joaquim C, Fernandes Pi- 
nheiro. 2 voi. in-8.0 gr 4ijS500 

Besumo da lei dos phenomenos es- 
piritas, por AUan Kardec, 1 folheto in- 
12.0 160 

!Bei9iiz*x*eÌpS.Os romance, por Mo" 



48 



BIBUOQRAPHU PORTUQUSZA B BSTRANOBIRA 



ehado tTAiiii. 1 roh ìn'S.9 600 

Rovola^5ei99 poesUs de Augnato 
Emilio Zaluar. 1 voi. in-8.o gr. 2W00 

Rio (0) de Janeiro, sua historìa, mo- 
nnmentoe, homens notaveis, nsos e 
costnmet , pelo Dr. Moreira d'ÀMevedo, 
2yoI. in-f.o 4JI«)0 

Rocla (A) do dettino, no^o e comple- 
to Uyro de sortei, por*«^. 1. volume 
inpS.o 600 

noinanoe (0) da dnqnesa, historìa 
parinense, por Arsenio Houisaye, 1 
voi. in-8.0 600 

Romance da mnlher que amoa, 
pela princesa de «**, vers&o de Narcisa 
Amalia. 1 voi. in-8.o 600 

Romanoeis (Os) da semana, pelo 
Dr, Joaquim Manod dt Macedo. Ivol. 
in-8.0 600 

Rofi^a» romance por J. If. de Macedo, 
2yo1 1*200 

Sefi^unclo periodo do reinado de D. 
Fedro u, do Brazil, narrativa histori- 
ca, por J. M, Pereira da SUva. l.vol. 
in-8.0 gr li»00 

SeminajHUBta. (0), romance brazi- 
leiro, por Bernardo Guimaràea, 1 voi. 
in-8.0 600 

Seiili.ox*a, perfil de mulher, pablica- 
do por G. M, 1 voi. in-8.o 600 

Sei:*ta.ii.€da.i89 de J. HeUiodcro, 1 
folheto in-8.0 300 

Sertan^o (0), romance brazileiro, 
por J. de Alencar, 2 voi. in-8.o liS200 

Sex'T^clor'eis (Os) do estomago, con- 
tinaa92.o da Historìa de um booadinho 
de p&o, por Jean Macé, 1 volume in- 
8.0 liWOO 

Si'tua.tton sociale politique et eco- 
nomiqne de Tempire da Brézil, por 
t7. M. Pereira da SUva» 1 volume in- 

,8.0 *. 600 

Siipz*ema.eia. intellectual da ra^a 
latina, por Emanuel Liaia. 1 voi. in- 
8.0 500 

Suspiros poetìcos, por D. J. G, de 
Màgalkàes, 1 voi. in-8.0 gr 900 

Te-t^yas, pelo Dr. Gaetano Fdguei- 
ras. 1 folheto in-8.0 300 

n?li.ea'tiro do Dr, Joaquim M, de Ma- 
cedo. 3 voi. in-8.0 2iaO00 

rFliesoxuro litterario^ por Antonio 
Manod dos Beis. 1 v. in-8.0 gr. 6sWX)0 

mi, romance brazileiro, por José Mar" 
tiniano de Àlencar. 4 voi 2iK)00 



GDonre (A) em eoneuno, oomedim bm^ 
losca em 3 actoe, pelo Dr. J. Mmod 
de Macedo. 1 voi. in-8.0 450 

'Xircitado pratico dos bancos, por 
James WUiam GUbart. 4 Tohunes ii* 
8.0 6*000 

nVaipecUaM, Antonio JO0Ó, Olgiato 
e Othello, por D. J. G. MmguLkàes. 1 
voi. in-8.0 gr /. .. 900 

XJl>ii*c||ara9 lenda tupy, por J. àit 
Alencar. 1 voi. in-8.0 600 

Uni noivo a duas noivas, vomanoe por 
Joaquim Manosi de Macedo. 3 voL in- 
8.0 1^800 

Um passeio pela cidade do Rio de Ja- 
neiro, por Joaquim Manod de Jdaeedo. 
2 voi. in-8.0 gr 2^ 

Ux*aiUa^ por D. J. G. de Ma^alhàeB. 
1 voi. in-8.0 gr 900 

Va^liofS (Os) de Paris, por Chntran 
Borys. 2 voi. in-8.0 1^ 

"Valle (0) do Amazonas, estndo aobre 
a livre navega^&o do Amazonas, esta- 
tistica, produc^òes, commercio, ques- 
toes fiscaes do valle do Amazonas, w 
A.C.TavaresBastos.ly.mA:.^ Hm 

Varoe» (Os) illùstres do Brazil, du-' 
rante os tempos coloniaes, por «7. M. 
Pereira da Silva. 2 voi. in-8.o 2#000 

'Vex*l9o e re verso, comedia em 2 actos 
por J. d' Alencar. 1 voi 350 

T'ei*<80i9 de alguns socios do gabinete 
portuguez de leitura no Maruihfto. 1 
voi. in-8.0 700 

"Visigevik ao redor do mundo em cito 
dias, por Julio Verne* 1 v. in-8.0 600 

T'ta^em no dorso de uma baleia, por 
A. Broum. 1 voi. in-8.0 600 

Via^em impenai, por J. d'Alencap. 
1 folheto 120 

T'icen.tiaa» pelo Dr. J. Manod de 
Macedo. 3 voi. li^SOO 

T'ictiiiiLafS (As) e algozes, quadros 
da escravid&p, romances. 2 volumes 
in-4.0 .., i^iOO 

T'ii'gilio brazileiro, ou traduc^fto do 
poeta latino, por Manod Odorico Men^ 
des. 1 voi. in-8.0 gr g^féÓO 

Vooal^ulairio nautico em portu- 
guez-francez e francez-portuguez, por 
Adolpho Tibe^ghien. 1 volume in-8.<> 
grande 500 

SSaiira» romance brazileiro, por José 
Tito Nabuco d'Araujo. 1 volume in- 
8.0 ; 500 



KRNBSTO CHARDRON, EDITOR 



Henrique Peres Escrich 



O» a.iv|os da terra. 5 voi.. . . 2)^00 

Al, f>x*oni.essa. sagrada. 4 v. IjiBlGOO 

A. esposct martjr. 5 voi. . . . 2 j»500 

A. oaluKUiia* 5 voi 2i^500 

Ajxk€Mr doB amores. 3 voi 2|^1000 

InfenoLO dos eimnet. 3 voi.. li^800 

Oajricta.cle christa. 3 voi.. . . li^OO 

O tti\|o da guarda. 3 voL... . 1^800 

O i^Su> doB pobres. 3 voi 1^500 

O» cless]7a,Q&clos. 2 voi. 1)^00 

£tioo e pobre. 1 voi 500 

O ptauEio de Clara. 1 voi. . . . 500 



O a.mig'O intimo. 1 voi...... 400 

A. pi:*osa. da gloria. 1 voi. . . . 500 

2VOITES AJMOEIiyA^, oohtos. 

1.0 O violino do diabo. 1 v. 400 
2.0 Tal arrore tal fructo. 1 v. 400 
3.0 Una filho do povo. 1 v. 800 
4.0 Quem tuclo quex* tudo per- 
de. 1 voi 400 

5.0 I>or Ideili fkzez* mal haver. 1 

voi 500 

6.0 A.S eulpag» dos paes. 1 v. 800 



Obras de J. Agostinho de Macedo 



O Oirionte» poema epico. 1 voi. 
A. IN'a.'tiureza, poema. 1 voi. 
A. lMCecUta.pa.09 poema. 1 voi. 
^ia^esn. estatica ao tempio da Sa- 
bedoria. 1 voi. 



6 voi 



IN'e'^vton., poema epico. 1 voi. 

BxagvcL'P'liìA de J. Agostinho de 
Macedo, oom o retrato do author, 
por Joaquim Lopes Carrdra de Mei' 
lo. 



1$440 



GollecQào das obras classicas portuguezas, 
que se acham jà reimpressas e completas 



SHueiclairlo das palavras e phra- 
868, que antìgamente se usaram em 
Portugal e que hqje regolarmente se 
ignoram, por Fr. Joaquim de Santa 
Rosa de Viterbo. 2 voi. in-fol. éfiOOO 

XUs'toiria, de S. Domingos, particu- 
lar do reino e conquistas, por Er. Luiz 
de Bousa. 6 grossos voi. in-4.o 7i^200 

1*x*a,l^all]io» de Jesus, por Fr. Tho- 
mé de Jesms. 2 voi. in-4.«. . . . USOO 

Olrronioa da Companbia de Jesus 
do Estado do Brazil. 2 v. in-4.o 1^800 

Xlistorla insulana das iihas a^ja^ 
centes a Portugal sujeitas, pelo padre 
Antonio Cordeiro. 2 voi. in-4.o 2^1000 

BJCappa. de Portugal antigo e moder- 
no, pelo padre Joào Baptista de Cas- 
tro, ampliado com um supplemento por 



Manoel Bernardes Branco. 4 voi. in- 
4.0 3i?600 

BJCemoirial da segunda tavola re- 
donda, por Jorge Ferreira de Vascon- 
ceUos. 1 voi. in-4.0 1^000 

01>z*a.s completas de Manoel Maria 
de Barbosa du Bocage, dispostas e an- 
notadas por Innocencìo Francisco da 
Silva, com um estudo biographico e 
critico ioerca do poeta, por I^iz Au- 
gusto Bercilo da Silva. 6 voi. in-8.0 
gr 4,»20 

Reflexòefs sobre a lingua portugue- 
sa, por Francisco José Freire (Candi- 
do Lusitano). 3 voi. in-8.0 gr\ 720 

Oiri^em e ortbographia da lingua 
portugueza, por Duarte Nunes de Le&o. 
1 voi. in-8.0 500 



ERNESTO C3HABDRON, EDITOR 



Camillo Castello Branco 

(ORIGINA£S, TRADUCgOES £ R£IMPH£SSÒ£S) 



O Infbi*no9 trasladado para porta- 
g^es e prefaciado. 1 voi. 500 

A.inoi*ON do Diabo, romance por J. 
Casotto, precedido de saa vida, pro- 
cesso, proDhocias e revela^Ses, por 
Gerard de Kerval. 1 voi 500 

O Oairirajsoo de Victor Hugo José 
Àlves. 1 vd 500 

JL Fireljra, no subterraneo, romance 
hitftorico, traduo9&o. 1 voi. . . . 500 

"Vieta, d'el-reì D. Affonso vi, escripta 
no anno de 1684. 1 voi 400 

Noitesi de insomma (Bibliotheca de 
algibeira). 12 voi 2M00 

IMIosaieo e sii va de curiosidades his- 
toricas, litterarias e biographicas. 1 
voi 500 

Blemoria» de Fr. Jo&o de S. Joseph 
Qneiroz, bispo do Grào-Parà, com uma 



extensa introduca e notas illostnl^ 
vas. 1 voi. enc 701 

Poesia» e prosas ineditas de Ferai 
Rodrìgues Lobo Soropita^ oom na 
prefa^ào e notas. 1 voi 50 

OajriBa de gaia de casados, para qn 
pelo eaminho da pmdencia se aeezti 
com a casa do desoan^, a mn ama 
go.por D. Francisco Manoel. Novaedi- 
9ào, com um prefacio biographieo e» 
riquecido de docomentos ineditoe. 1 
voi 360 

Oompenclio da vida e feitos d< 
José Balsamo, chamado o Conde de O 
giios(so oa Jndea Errante, tirado do 
pmeesso formado oontra elle em Ro- 
ma m> anno de 1790, e que póde serrir 
de regra para conhecer a indole di 
seita dos franc-ma^^ns. 1 voi. 4O0 



OICCIONil ONIVERSilL DE EDUClCiO E EN3ÌN0 

Util à mocidade de ambos os sexos, às m&es de familia, aos professores, aoe dire- 
ctores e dìrectoras de coUegios, aoe alumnos que se preparam para exame, o<hi' 
tendo mais essenclal da sabcdoria humana, e toda a soieneia qnotidiauamente 
applica vel. 

' POR 

E. IVr. Ojft.3b^I^.A.C3-3SrE 

DIBVCTOR DE COLLBOIO 



TRASLADADO A PORTUGUEZ 



POH 



cam:iil.il.o castello b»-a.nco 



2 gr. voL ia-4.^. • ; 6^000 

Encademados 7Ì000 



FREI DOMINGOS VIEIRA 



GRANDE DICCIONARIO PORTUGUEZ 



ou 



mSOlO DA LINGUA PORTUGllEZA 

6 voi. In-folio, brooliados 25A000 

Enoademados 80^000 

Porto : 1879 — Typographia do À. J. da Silva Telxeira, Cancella Velha, 68 



^ 


l.' Anno 1879 Numbeo 4 


4^ 


€^ 


BBLOGRW 

POpCUEZA E ESTi[ANGE[RA 


€^ 






EllOES D'AIOÉA 

X TDl 600 tei. 

HFUSSSis I immm 
1 Toi. 600 mi 


A. L. da SUt» 

iiPBESsOEs M nnuii 

iTOl.MOmli 


B. I^SoutA 

aiSTORIA MORAL 

iTOl 800 r». 


REI DO PUHHiL 


5 Voi.... BifOOOrsli 


PUBUtACÀO HKSAI 




ForiM 


O O B 


^IHOTAgOES iO CODIGO 

iTOl 6,!000r«ll 


i rami DO SDBIIRBIH» 


m nnmei-os, SOO reis 


A. Ptauentel 
QUIA DO VIAJAHTB 

HOSCIIIHEOSDBmtfi 
1 Tol. onrt. TOO «U 


Fr. D. VlelT* 

OICClOHiaiO POnTUGUEZ 
Srol ÌS^DOOrelt 






»HTE DE COHSEBVAH 

iTOl 509 rei! 


Lnli ngmiet 

\SGRA)iD£SIIIVEN0ES 

1 voi. MTt. SifeOO n. 


Ounl» Vlwma 
RELAHPAGOS 


0. 0. Bfsuoo 

OICCIONARIO 


1 TOl. log Nli 


SUMMAHIO d'eSTE NUMERO 

OALBRIA DB FIGfTJRA9 PORTuaUEZAS de 
Lnls AnaruBto Palmeirìm, por Camillo CoHcIIb Branca— 
(JALBItlA DE SCIBNOIAS CONTEMPOBANEAS; 
roflaiBei a ro«polio dn mr, OnnliB SelxiiB. Dor Ca- 

mlDw . lelluiB d'o«[a obM d. Pftnlo Févftl. por Eg^- 
«0 .^<ti<dj. - OplnlSo di. fmprena» . respello d». ul- 
UroM pnblltftcSo. da llvriria, Intern.elon.l de JfVnwM 
CTordiw.. -l»nbU*»tloiia ftangalBea, eto. ato. 


DE IMCltiO 1 EHSIU 


OftBtlUlO 


linold''.':::::?^^"' 


SDliHO DE ll»A liaiTlJ 

DE S. JOÀO 
1 lol SOO rei! 


Dr. 0. OmiUnins 
HEDICO DE CASA 

1 voi. IflOUO t.. 


0^:^ 


Q-.^ 


^ 


Ernesto Chardron, Editor 


<^ 



Canto, histqria universal 



BIBLIOORAPHU PORTUOUBZA E B3TRAN0BIRA 



PORTTJGAL 



CONTENDO 

I — Diocionario do» eacrtptorei tttrangeiro» 
que esereveram obra» 
expressamente consoffrcMcu a Portugal, ou a aasumpio» portuguezta, 
com a tradìicgào dos trechos maÌ8 notaveis d'esscu obrcu, que provata o alto aprega i 
qu€ 08 malore» sabio» e»trangeiro» fizeram dos portuguezes ^ 

11-^ Dvocionario dos traductore» e»trangeiro8 

que verteram para seus idioma» 

ohra» portygueza», pelo alto merecimenio de que està» obra» gozavam 

III — Eesenha da» ohra» de avihore» portugueze», 

%mpre»»a» em Portugal, e reimpre»8a» repetida» veze» em paize» e»trangeùro€ ; 

e noticia do» portu^ueze» que n^e8»e» paize» »e di»tinguiram 

no» Ittra» e no» »ciencia», honrando o nome portuguez em terra» e»tranJias 

IV — Noticia da» recordagde» e monumento» 
ainda existente» em diversa» parte» do mundo, feito» pelo» portuguezes 

ou erigido» em honra d^elle» 



ESTUDOS 

DE MANOEL BEBNARDES BRANCO 

DA ACADBMIA SEAL DAS 8CIEN0IAS DB LISBOA 

2 VOLUMES ADORNADOS DE 9 RETRATOS 



Està interessante obra fórma 2 gros- 
sos Tolumes de mais de 500 paginas cada 
um. É adomada dos retratos dos seguin- 
tes estrangeiros illustres, a quem deve- 
mos gratidào pelo muito que em seus es- 
criptos honraram o nosso paiz; Ferdi- 
nand Diniz — Duqueza de Abrantes 

— H. F. Ljnl^ — Henry Major — A. 
Remerò Ortiz — Oonde de Raozynski 

— Vegezzi Ruscala — Friedrioli Diez 
— Reinhardstoetner. 

Sera distribuida aos snrs. assìgnantes 



em 20 fasciculos semanaes, de 64 pagi- 
nas cada um, pelo pre^o de 250 reis cada 
fasciculo. A obra està toda impressa, o 
t^ue é a melhor garantìa de nào ficar in- 
terrompida a sua publica^ào : por tanto 
OS snrs. assigaantes que prefìram rece- 
bel-a jà completa pagarào 5i^000 reis, 
importancia dos fasciculos em que é di- 
yidida. Os retratos sào gratuitos para os 
snrs. subscriptores. Depois de feohada 
a assignatura, o pre9o da obra sera ele- 
vado a 6ì9K)00 reis. 



Assigna-S6 na livraria Ghardron, onde a obra completa jà se acha 
h venda. 



A 



1.» ANNO 



1879 



N.« 4 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



PUBLICA^AO MENSAL 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



SERIB DE 12 mnSEUOa, 600 REIS 



i_ 



GALERIA DE FIGURAS 



PORTUGUEZAS 



A POESIA POPOLAR NOS CAMPOS 



POR 



L A. PALMEmiM 



A lareira — A lavadéira d'Affama — harilo ~^A té- 
nhora visihha — traptiro — amor livre — Fdieiano 
da$ Btgt9 — A adtga do convento — > Am hotia» — taptk- 
Uiro de €8eada — 0* erUicos — coruélheiro — f aditta 

— hrotiro — Aa henzedeirat — Jo»i dot Caknnhat — 
barheiro da cddeia — A ineuleadeira — vitconde — At 
touradoi — At boat fettat — poliHeo — VMmoro da ja- 
ntlla àbaiaeo — Um auamtnto noa taloiot — At autonomUu 

— galltgo — inverno — Um dratna aacro em iSf. Chria- 
topio de Mctfamude — àndador dot almat — Um pleito 
tingidar — cyrio da eontoladlo — vmdUhdo de /oIAi- 
nhat e tamanacht — nertiwo. ^ yt 



1 ^rosiso iroluine eie 3'7'^ pag^inaB» dOO rete 



TixNBdiz: «0 liyro é urna serie de 
plirases que o author profere oa faz pro- 
leiìx aos seuB personagens » . 

orador .aIfbedo Ansub define me- 
Ihor: «0 livro é a carne da idèa »• 

^as ha livros que s&o a idèa da car^ 
^6> Algons d^estes tem sahido do seio 
^ noBsa mài oatria. matrona austera 



das Venus, excepto a Urania que é oas» 
ta, e a C^oocìna *que è limpa. Quando as 
deusas eram tantas em Roma que jà nfto 
havia para todas um emprego decente, 
nomeou-se uma divindade para superin- 
tender na limpeza das latrinas. Os sacer- 
dotes pagàos deram este cargo a Venus 
aue Dor isso se chamou Choadna, N&o 



50 



BIBUOORAPHIA P0R7UGUBXA B BSTRANOBIRA 



BM deizaram notidat MtitfiMtoriM; é 
de oiér, porém, qae eliti, apesar da ùùta 
de habilUa^dei onimioas para oombater 
oa aoidoe nooiTOt 4 re8pira9ÌOy aoeitai* 
te o emprego fiada na maxima de qoe 
Samobo-Pakba depoìs te serviu, quando 
reqaerea o governo da ilha Barataria: 
« quando Deus net dà os empregos tam- 
bem nos dd capacidade para o a exorcar ». 
ohristianismo denuttiu està Veuu:», 
a unlea verdadeiramente hygienioa e sa- 
lutifera. At outras fioaram apenas sus- 
pensas corno indecentes, durante a idade 
mèdia, mas reappareoeram radiosas oom 
a Benaseen^a, seoias, despeitoradas e 
desnalgadas corno Ovidio e Pbopeuoio as 
inculcavam aos argentarios. £m Portu- 
gal foram recebidas no Cimo da Cotovìa, 
na Arcadia, nas Assembléas litterarias, e 
no gremio de algumas familìas de vida 
pagan ; mas trigavam decentemente, ex- 
cepto uma que Lniz db Cahobs apresen- 
tou ao Gama na ilha dos Amores, e às 
meninas que tem no sen cesto de costura 
uma edì^ao dos Lusiadas de seis vin- 
tens fi&o castrada pelo sur. conselheiro 
Viale. Em completa nudez, porém, nun- 
ca ousou apresentar-se a espoaa do oljm- 

Siop ferreiro senào agora em Portugal, 
e bra90 dado com rapazes da sociedade 
de fina ra^a. 

£ d'estas mancebias, que parecem com- 
mentarìos justificativos de Petronio, re- 
sultaram os livros que formam a anti- 
these da rica defini^ào de Alpbbdo Ansub. 
SiU> a Idèa da Carne. 

Principiava eu a desesperar de lér em 
portuguez cousa moderna que podesse 
chamar-se um livrò de espirito, quando 
Palmeirim, que eu deplorava invalidado 
pela pregui^a, me sahiu de casa de Er-> 
nesto Chardron com o aprumo juvenìl e 
OS rubros sorrisos dos que aos vinte e 
cince annos se encostavam aos eztinetos 
frades do Chiado para ezaminarem com 
a luneta petulante as « Figuras portu- 
guezas » . Quem conbecer Palmeirim com 
alguma intimidade gozarà em dobro 
lendo-lbe o livro, porque, ao mesmo tem- 
po, o està imaginando oom o seu rìso 
caustico e a sua verbosidade varìadissima 
de tonalidades comicas, pintando-lhe os 
fastos ^otescos do Fdiciano dos Segea. 
N&ò sei se a esorìpta Ihe desluz um pon- 
ce OS realces da palavra. Alguns narra- 
dores tem de commum com os principes 
da tribuna as vantagens do gesto, o ac- 
eessorìo da estatuaria, o timore da voz, 
a radia^Slo da apostrophe, a scintilla9§U) 
das ironias, tudo em fim c[ue apenas re- 
galia no livro, e que o leitor de imagi- 



nagio canhettra n&o póde idemliMr » 
n&o alenando os vultM e eatropeando i 
pontua^ào do discurso cu do oonto. Lcs 
PALMBiaiM, se em Portugal houvesse sa- 
ditorios, devia andar de provìncia a 
nrovincia comò o opulento Dioksms, let 
do as suas Fignras portn^ruezas aa 
figur5es portuguezes. 

Que effeito, se elle n'utna assembla 
de provìnciaes, dados ao anglioìsmo ds 
meitinff, mas incorruptiveìs na proaodii 
moura, entrasse, e lésse o sea Colitico'. 
Com que deleite elles esoataiìam de 
orelba fita ot louvores da sua dedica^às 
aos interesses publicos da Europa e de 
Santo André dos Marìolas I A pag*. 189 
das Fignras leria Palmeirim : 

« Quando um homem qualquer nlo tem 
que fazer, e reeeia por um reato de pa- 
dor passar por vadio,'mette-se a politieo. 
Ser politico em Portugal significa fallar 
no ornamento e nào o lér, na Carta cons- 
titucional e nào sàber onde ella se ven- 
de ; no poder executive, e eonfandii-o 
com todos 06 outros poderes, menos com ' 
o proprio poder esecutivo. Para se ser | 
politico, precisa-se : primeiro, audacia; 
segundo, ignor ancia ; terceiro, ociosida- 
de. Com estes tres predicados, e a lei tura 
de alguma foiba politica, e o conheci- 
mento pessoal de deus ou tres homens 
quejà foram ministros, està o politico 
feito». 

No circulo onde estou escrevendo es- 
tas linhas, corno Apelles pintava os seus 
paineis «r para a posteridade », um politi- 
co faz-se com elementos mais ordinarios. 
Os mais graùdos nào conhecem deus ou 
tres sujeitos que fossem ministros, ez- 
cepto o barào, o visconde, o conselheiro 
que Palmeirim por for^a bavìa de ter no 
seu auditorio, salvo se fizesse a sua lei- 
tura em Barroso — ^ terra alta e frìaonde 
nào vegeta a violeta modesta, nem a 
amendoeìra, dòce sorriso de abril, nem 
o barào, exuberancìa verdejante de 
maio. Mas fora de Barroso, Palmbibim 
encontraria baroes, eonselheiros e vis- 
condes sobre quem espargir as segointes 
perolas. 
• Ao barào as de pag. 30 : ^ 

« Conio é que o mar9ano de daas deca- 
das atraz, soube apanbar de salto o di- 
ploma nobiliario, e por quasi em segnida 
em confronto audaz a cutis gretada e 
pardacenta com a alvura dos armìnhos 
do manto senatorio ? E discreta a carìo- 
sidade da pergunta. O barào nào é com- 
pletamente um parvo comò ao principio 
se acreditou, quando os primeiros minis- 
terìos constituciimaes pimham o tjpo em 



ÉÉ 






BAMSS-f imiKt^dH, SÙtfdA 



hi 



tsOTtn u«ara feìto 60 gaveftio, ou d& com- 
pta algente, Mal) amda eDtfto amScadft 
doa bena doa oouventoi. Sìmpiesm^nto 
i^offtnte d sitMecameate ftttao, o bttr&o 
nlio nascea oomo o poeta, netn se fez 
6MA0 o orodor : deìIoU-se f aier corno urna 
necessidade do thesouro publlco, aaben- 
do què ia avcac eom ai sataBaAiOs dos 
jornalistas, e enbatituit Ao theatro a re- 
produoQ^o estAfada dot melhores tj'pos 

ds far^a aaciotial 

lEta familìa, barK6 derifiteU ft mas- 
feara, e appai-eoe na nuties nodez dos 
tempos em qne jogava o giùnlLo na botì- 
oa, e panba a mira de todoe tm seas de- 
segos em fignrar na proeisB&o do Gotpo 

de Detta conio vereador mniùcipat 

• É aìadapelojoanete, sem^rmageo- 
ttietnch conhecìda, que o bar&o denuu- 
eia aa torbiras por qne paaaon, ao qnerer 
ageitat nm pé deaenvolvido em lìberdade 
Ab barbaraa eiigencias de um bute de 
polimentoi. 

viaefmde rir-ae-hia do barKo, aoote- 
velando o conSelheiro, quando Pat.mki- 
RiM, folbefiBdo aa ^gujfBktì, lésse a pag. 
161: 

■ Naaoìdo àe abaa da Serra da Eatrel- 
la tm do Mar&o, nm certo perfnme alpes- 
tre vence o do almisoar em qne se en- 
frasca para se puridoai do cbeiro do 
bren dos barcoa que traz no mar. Ser 
viaoonde aignifioa ir por ordem alphabe- 
tdca na eauda doa tìtnlarea, e ter poi isso 
a vantagem de Ber nldmo a votai àas 
oamaras legislatlTaa, tendo aaeim tempo 
para peaai o «approTO' na balan^a do 
sea ìntereaae privado, 0* dar muitaa to- 
zes ao arejeitOD a ìmportanoia aingular 



«OBrazil eati sendo hoje o nosso prin- 
ùpalforaocedor de titalarCB. O incendio 
que rednziu a cinias um eetabelecimen- 
topablico, dà dona baròea- a fnndafSn 
da w» as^lo, dona TJacondee; tim em- 
prestimo nacional e espontaneo, que nilo 
ohega para pagar os joroe do dinheiro 
empreatado, aignifioa viaconde e bar£o 
meio, ou, em. algarìantoa ledondos, 
ioìii b&ròea e nm vieconde. A imprenaa, 
elogiando o patriotismo doa noasos ir- 
inios d'aLém-mar, despertoa-lhea no co- 
r&9ÌLo amor da aldSa natal. A m(jl>ilia 
par» ti escala rnral, o aino para o prea- 
Dyterio campezino, o donativo para o oha- 
»ris pablico, é tudo eetlmulo, aendo 
Mradaimpreraa, que alentou e popn- 
™>ioo OS brios dofl doadores. A melhor 
™ MflSw do viaoonde é onaai aemore o 



da cftrìdodé, è o tiAétlild « 4ini6iA>f Aà 
alta juatìca doa peccadìIhM dd tftdlu 
enriqueddo pela Usura. È ent&o ihie èlle 
fte lembra, acmi calcolo, da extatatiHi 
dos bospitaefl, doa saylttt e daa mìaerl'- 
cordlas. É do reoeio da nloite ^U Mtf^ 
gem oa 8. Vicentea de Pad* poSthoiÉoll 
qne ob collectoFea velbncDB da aailfldéidé 
humana inonlcam presaurosoB & c&tiitiii- 
eac&o». 

Fu,ìtmitìt seria pardal 
dade, ae n&o désso urna t 
m v'entro tympanitìoo di 
qua esteve onvindo com 
carpear as Ifta do barfto e 
tnaa ainda ha homens qne,i 
da justi^a, 8&0 exactoe 00 
videnciaa subaltemaa. Tal 
quando, a pag. 102, volta 
o conaelbeìro: — diz: 



honorarlo de* orna philannonica quaU 

«Um dos caracteristìeoa mala salìen- 
tee do conseihdro é a obesidade. Os que 
tem eatadado a eapecie com certa aaga- 
cidadé, attribnem o phenomeno à ebnli- 
li&o lenta que geralmente se manifesta 
naa idéaa do conaelheiro, lentidEU) qae 
sendo nm mal nas fnnc^Sea digeatìvaa, 
é um bem inaprociavet quando a intel- 
leetoalidade repousa, deixando-se ven- 
cer pela materia. £u bou de opini&o ài' 
versa: ereio (jue o conselheiro engorda 
pelo bem cabido orgulho de ser pri- 
meiro fignr3,o da sua la^a 

«Quando o Oobaelhelto pàaàa d'ebta 
para melhor vida, peri phraee amena quo 
evita emjKego mal-soante do verbo 
morrer, que seria um desconohavo de 
Irrammatìoa applicado a om immortai, a 
familia do Snado, aproveitando-ae àv^a 
do eatylo mortuario, partioipa poloB jor- 
naea que o conselheiro fulano de tal dei- 
xon de esìatir; e o necrologio, aposaan- 
do-se do OBBO, evita, oomo Ih'o aoonaa- 
Iham aa convenienoiaB, fallar das gran- 
dezaa do beroaventurado para ao nio ar- 
riscar aencontjar quem wErme aorrindo 
tél-o conhecido. . , pan de laranjeira. • • 

* DeoB. anando creoa homem & aua 



52 



BIBUOGRAPHIA PORTUQUIZA ft ISTRANGEIRA 



qae a ■odedade havia de fatar d'elle 
am oonselheiro». 

D*eit*arte brania Lms PAumani a 
trìpe^ jerarohica sobre qae te assenta 
a eonstitai^ da familia portagaesa ba 
quasi meio secalo, remendando oom far- 
rapos da fidal^a das cbionicas os si- 
molaoros da anstocraeia das indostrìas. 
O eminente observador continaoa as eba- 
fas de Almsida GABBsrr aos bardes, nas 
Viagena daxninha terra. Garebtt mor- 
rea yisoonde, para oxpiar ; porqae disem 
OS livree sagrados : « nào cnamaràs raca 
a tea irm&o». Baca entre os essenios 
no dialeoto arimea, de procedenoia se- 
mitica, correspondia a barào; oatros 
orientalìstas am pouco mais sabios qae 
ea dizem qae raca é aano. Servem ao 
caso ambas as interpreta^òes. Continaoa 
pALicBiRiM tambem a satyra aos titala- 
res de Manobl Rousbado. Ora, Roussado, 
aqaelle jovialissimo espìrìto, levoa a man- 
gacào dos baroes até se fazer barào a 
valer. Eiles, os chaooteados, diziam: 
ccEst&o verdes». £ vai o folbetinista das 
convulsas rìsadas cinglu na fronte a co- 
rda feadal dos solarengos da idade mè- 
dia, para humilhar os collegas qae Ibe 
escoaceavam a sombra, 

N&o v&o imaginar qae ea estcja d*aqai 



•andando o f ataro vÌ9oom€Ìm de Paimér 
rtm oom am sorriso ironioo. I>eìxo sa 
viscondes esse desdenboao tregeito às 
prophetioa vinfftn^a. 

O qae ea saodo é as sabsaquentes edi- 
95es aa Galena das figara49 jport^go»' 
zas, livro cbeio de gra^ inofiensiva e 
de vcffdades aasteras, lixrro homrado, 
comò ha poaco no Primeiro eie Janeiro 
Ihe cbamoa o snr. Oliv^iba Samos, — t 
capacidade mais laddamente crìtiM 9 
mais extraordinariamente modesta quo 
ea oonbeQO na imprensa portii£^c»a. 

Lois PALMsiBUf tem moitas riqaessi 
qae explorar ainda no velo do riaicdo. 
De materia brata caboaoada em gran- 
des bratos elle farà primorosas estatue- 
tas para a sua nova galeria. Na torba 
dos espertos qae dào a Lisboa o tom, o 
relevo e o matiz ha multo qae vèr e pho- 
tographar ao sol de tamanho talento. 
NIo sera man pintar tambem as més fr 
gwraa, — os patifes. Dè-nos o Q-avabhi d» 
penna o desenvolvimento d'està these da 
D. Franoisoo Manok. db MbliiO t iMìfi^ 
é muUo grande, é moia eapesaa onde 9^ 
criam monstroe de dieforme maHeia* 



CiQbmWVo CtOiSUWiO Itougo* 



No prelo: 



GANCIONEIRO ALEGl 



DB 



. 7 



POETAS PORTUGUEZBS E BRAZILEIEOS 



oox«d3«ca£a''r.AjDo 



por 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 

1 GROSSO VOL. DE 500 PAG. IjOOO RBES 



EdiQào mnito nitida 
3EBatax'& A vezxdck aexo dLiei XES de Gkk>ril 



i 



KRNBSfO GHARDRON, EDITOR 

t 



53 



GALERIA 



DE 



SCIENCIAS CONTEMPORANEAS 



REFLEXÒES A RESPOSTA DO SNR. CUNHA SEIXAS 



Tinha ea dito que o author da OàU' 
ria de stnencicu cantemporanecu, propou- 
doHse mostrar o ultimo estado das scien- 
cias Gomprehendidas no sea livro^ satis- 
fizera cabalmente. Esorevi as duas pala- 
vras csatisfaz cabalmente» sem ironia. 
N&o Ihe arguì de arbitrarias as olassifi- 
ca^Ses, nem de desatados ofi mappas syn- 
chronicos. Seria parvoa a ironia nào sen- 
do justificada pela censura. sur. Sei- 
zas, porém, sublinhou as duas palavras, 
e inferìu da hypothese para a incompe- 
tencìa do critico. Pareee, pois, que o te^ 
merario interprete de um sentimento re- 
servado que nfto ezistia, pondo malida 
n'aquéllas palavras sinceras, quiz corrì- 
gir a minha boa fé. 
Obrigado. 

Na Bumma final do sen diffuso arrazoa- 
do, escreve : cSomos atacados de n&o di- 
zermoa o ultimo estado das sciencias. 
Nfto dea o snr. Camillo prova alguma do 
dito. Fieamos em jejum». 

Ficou em jejum, tendo sido aùdcadò de 

nào dker o ultimo estado daa sciencias. 

£m jejum. Esperava talvez fazer do nosso 

artigo um forte almeno de garfo servido 

decabe^a d*acbar, de salame e pasteis 

de camaroes. A phrase é boa para signifi- 

<^ as eaperan^as mallogradas de um glo- 

t^ \ mas nào aoerta com o pensamento 

&obre de um philosopho magoado em seus 

naelindres scientificos. Esse for^ado jejum 

proeedeu justamente da sinceridade da 

nunha opmiao a respeito dos contornos 

getaes do seu livro. Se eu dovesse e sou- 

Dease critical-os, o snr. Soizas, em vez 

J« jejuado^ ficaria farto. Por tanto, nSo 

"ouye ironia. Pareceu-me. na candura da 



II 



Eu n&o affirmei que pbilosopbia e ad- 
vocada eram incompativeis ; mas figu- 
rou-se-me caso estranbo que um juriscon- 
sulto fundasse em Lisboa uma pbiloso- 
phia nova. Exprimi a minha admira^&o 
com um sorriso socraticamente modera* 
do, porque, no meu imperfeito estudo 
da pnilosophia, tenho encontrado os sys- 
temas enoadeados uns nos outros comò 
fusis de duas correntes que v&o prender, 
uma ào espirito, outra à materia. D*ahi, 
no pender dos seculos, vi que derìva- 
vam duas genealogias de pensadores, fe- 
cundando-se, reproduzindo-se, ataviados, 
cada qual, à moda do seu tempo, de 
pbrases novas e fórmulas diversas — edi- 
ficios reconstruidos sobre os mesmos ci- 
mentos : a eterna incerteza e a impalpa- 
vel trova. Eis-aqui ingenuamente a ra- 
z&o por que desconfiei da orìginalidade 
do snr. Seixas. Isto a meu vèr nSo é um 
ataque à benemerita classe dos advo- 
gados. Croio ser-me licito duvidar que 
Manoel Alvares Pegas podesse eclipsar 
Aristoteles, e que o snr. Seixas nos tome 
a pbilosopbia mais lucida e positiva do 
que Augusto Comte. 

Quanto a Bunsen (sem z) n&o Ihe con- 
testo que elle seja apenas um theorista, 
visto que o snr. Seixas- Ihe disputa me- 
nos judioiosamente a authoridade de in- 
novador. Mas eu, a fallar verdade, tam- 
bem nS.0 fìz crear cousa nenhuma. Dis- 
se simplesmente que elle era o author de 
Dbus ma Historia. 

Diz snr. Seixas : «A theoria de Bun- 
sen nào tem alguma cousa nova». Ha 
pessoas doutas que dissentem d'està for- 
mai negativa. Por exemplo, Henri Mar- 
tin, o orefaciador da obra de Bunsen, 



H 



BIBLlOO^i^mh P.OftTt»KmSÀ B SKraiNGEIRA 



flÉ BonBon oom oerteza o contìniiador de 
Leasing na sua Edticagào da humanidade, 
e de Herder nas saas Idéaa d'urna phUQ' 
Bophia da historia do genero Humano; 
mas vivifica as prìmicias qae recebeu 
d*elle8 oom a idèa da oonsciencia de Deus 
no mando, iato é, da consciencia que o 
geoeiTo limóso tepi Ì9k j^es^n^a de Deus 
no mundo e na aln^ humana, principio 
de tocfo a religi&o e de tedo o progresso. 
BjBta idèa è eà^unvamente sua ^i». 

Como historiador é Bunsen apoucado a 
propor^Ses aoanhadissimas pelo snr. Sei- 
xas quando o reputa t^penas um eaoriptor 
de historia, e nem ainda de historia geral 
nas suas diversas relagdes, mas principale 
mente sob o ponto de vista religioso^ Nao 
redusem tanto Laboulaye e Henri Mar- 
tin. Escreveu Bunsen nm tratado de his- 
tj^i^ Wiv^wl antìga, tomandp o Egy- 
p|^ por centro, d'onde radiou a tpdas aa 
n^cipD^dacies a luz projectada da histO" 
x^ eg^pciac^. Tem a obra cinco tomos, 
ó esi^pta em allem&o e ingìez, e intitu* 
Urf^ : Q gue 4 o Egyptq na historia uni- 

Parepe ppr t^to que o professor Bun.- 
9Plia em opposi^ào a Hegel no que é pbi- 
losopbia 4a bistoria, pondo a idèa de 
Ppus onde Hegel negava toda e qual- 
quer individualidade divina e bumana, 
tem, quando menos, igual jus à copside- 
ra^&o qu)B o snr. Seixas requer corno con* 
tradictor deista de Comte e Darwins. 
Tratal-o de mero tbeologo e bistoriador 
religipao é encurtal-o sem nccessidade, 
jx^a^ iìi&io^ nem consentimento dos dou- 
tos que o na4>ionalisaram em Franca, e 
se autborisam com elle nas universidadei» 
ailen^ls e inglezas. N§U) obatante, estou 
convicto de que o systema pbiiosopbico 
do snr. Seixas jà agora nada tem que 
vèr com as tbeorias de Bunsen, que nào 
foi qreador de systemas. 

Nota autbor da Coieria que eu deno- 
minasse o seu livro o que quer que seja, 
corno quem dà do livro idèa pouco lison- 
geira. Nao tem razào. À sua suspeita 
procede d^ insufficiente li^ào que de- 
monstra das locu9oes adverbiaes da lin- 
gua portuguéza. qne quer que seja é 
ezpressao que n&o lisongeia nem desdou- 
ra. Se eu escrevesse que o livro do snr. 
Seixas é « um que quer que nào seja » po- 
deria o pbilosopbo mais perspicazmente 
descopfiar da minba maneira abstrusa 
de apreciar systemas. 



i &m i4m VBktt9it% Pmìb, IW^t pag. xyi. 



m. 



Pelo ^e respeita à Reforma do curso 
superior em quinze cadéiras em vez de 
sete e cinco annos de li^ào em vez de 
tres, nenbum reparp fiz ba disposÌ9ào das 
scienoias que alvitrou ; reparei apenas — 
e foi bastante-*- no ansino das Ung^as 
allem& e ingleza, comò accessorio do ter- 
ceiro anno promiscuamente com varios 
ramos de pbilosopbia. Pareceu-me inexe- 
quivel a posse de duas linguas difficulto- 
sas no curtQ espa90 de mezes que Ibes 
destina e snr. Seixas. A isto n&o respon- 
de. Pois merecia.a pena, corno prodigio, 
a justificaQào do absurdo. 

A respeito de hymeneu e do nada Ihe 
escapa demora-se prolixamente o sur. 
Seixas. Diz que nào tolero o hymeneu» 
Nào so o tolero; mas até nào desgosto 
d'elle nas trovas do Belmiro, pastor do 
Douro. Acbei-ò burlesco no enlace da 
pbilosopbia com a bistoria ; mas isso n&o 
impede que o snr. Seixas continue a cui-* 
tivar prestimo do fìlbo de Venus e ir-» 
m^ .de Cupido para o fim bonesta de ca» 
sar as suaa sciencias. Quanto ao nada 
Ihe escapa, corno figura admiratlva do 
vasto engenbo do cantor de Ignez, ainda 
agora insisto em nào acbar a plurale ast 
sós definitiva dos realoes epicos dos Lu^ 
siadas. Escusa-se o autbor allegando que 
seu livro nào è urna obra d'arte, mas 
un^ cbra de sdencia, Sou de pareoer que 
OS livrea de scìencia sejam ben^ eiiori* 
ptos \ e que o sabio, antes de conpdr li- 
vros de sciencia, se componba aqjn, a 
prosodia do idioma em que esoiev^i e 
tambem com a syntaxe para n&o escre- 
ver : somos atacados de v^o di9er o ìdtimQ 
estado da saiencia. 

Como se eu tivesse menoscabado Ca- 
moes, diz o snr. Seixas que o insigne 
poeta nào teve modélos a imitar e que os 
Lusiadas sào urna obra perfeita a todos 
08 respeUos sem comparalo com as do 
tempo. 

snr. Seixas ou desconbeoe ou nào 
confrontou os modélos que serviram a 
Camoes. Para o nào incommodar com a 
minba obseura autboridade, ofiere^o-lbe 
a do mais encomiasta e illustarado biogra^ 
pbo de Luiz de Camòes. Modifìque ou 
tempere as suas idéas, se quizer, com as 
do bispo de Vizeu D. Francisco Alexan- 
dre Lobo. 

Depois de Ibe apontar as imita^oes de 
Homero, Ovidio e Horacìo, acrescenta o 
doutissimo litterato : e Nào ba que fallar 
em Virgilio : que sem duvìda foi o seu 
modélo princip«4 nos J^uaiadas e aindii 



ERNJJ$TO CHARDRON, EDITOR 



55 



n^ Eelogas; e quo imita pi^maioies e 
m8iioie9 couaad tao Frequentes vezes que 
l)em 86 ihe póde suppór sempre à cabe- 
oeira... À marcha, os pensamentos e 
rasgos de Petrarcha, Bembo, Sannazsa^ 
To^ Bernardo Tasso^ e tantos outros^ sao 
a oada momento imltados, parafraaeadoB, 
reproduzidos...» 

N^outra paasagem : e Admiravelmente 
imitou em grande parte 00 sena modélos, 
contendendo menos pela ig^aidade que 
•pela, Victoria ; mas algumas vezes imitou 
p que nao merecia a sua imita^ào, e ou^ 
traa seguiu com passos timidos de biso^ 
nho quem podia emparelhar na marcha 
com a resolu^ào e desembara90 de com-* 
petìdor. Nao fa^o jà caso de pequenas 
incoherenoias, de certas prolizidades, de 
alguns versos prosaicos ou duros e mal 
affei^oados, de uma ou outra rima que 
acode com violencia, e que é chamada 
pela n^era razào de ser consoante». 

Coteja as imita^Ses de Horacio, e re- 
conhece a inferioridade do nosso poeta, 
e S^ ramos transplanjtados que sem 
murcharem de todo, padeceram muito 
no mimo e frescura que tinham na pian- 
ta nativa ; e fazem lembrar lìcòr gene- 
roso que na passagem para outro vaso, 
sem perder totalmente o espirito, evapo- 
rou eom tudo a sua por^&o maisdelica- 
da». 

E finalmente, a respeito dos Lusiadas, 
bispo de Vizeu diz ao snr. Seizas que : 
« Camoea foi um grande poeta e cantor 
digno do glorioso descobrimento da In- 
dia, mas Berà sempre opiniào infattiada e 
abaurda a que auppozer sem defeitos, e 
quùser collocar na dianteira dos mais eu" 
genhos poeticoSf e particularmerUe dos avr 
thores de epopéas, Nos Lusiadas nosso 
poeta acertou na escolha da ac^ào, e tem 
eminencia no estylo ; mas peccou na cou- 
forma^ào das partes, na impropriedade 
ou ociosidade de alguns episodios, e mais 
ainda na qualidade e emprego do mara- 
vilhoso. Mostra este poema uma ousadia 
que pretende arremedar a de Homero; 
mas na riqueza inexhaurivel fica muito 
distante da Illiada ; tem n^alguns casos, 
repito, mais originalidade que a Eneida ; 
mas em nenhum a sua ìgualdade e pcr- 
£qì^%o ; excede poema de Tasso no pu- 
ro gesto do estylo ; mas é. elle excedido 
na regularidade do todo, e na copia das 
fic^oes ; nào tem tamanhas extravagan- 
oias comò sào as de Milton, mas tambem 
nào tem tamanha sublimidade » . 

Até aqui sabìo admirador de Camoes. 
Mas snr. Seixas quer que cantor do 
Gama x^ tivesse modélos que imitar. 



e qua os Lusiadas sejam phra petfeita Of 
todos OS respeUos sem comparagào com da' 
do tempo. Ha cousas que o snr. Bei:^a9. 
ignora. Podem-se inventar philosophias ; 
mas as litteraturas comparadaa n&o s^^ 
inventam, estudamnse. 

IV 

Àcerca dos Laearistas do sur* Ennea 
tenho pouco que Ibe dizer. Citou o snr* 
Seixas corno m^dUo no genera, drama 
do snr. Ennes, no seu artigo ^thetica^ 
Eu por mim nào posso qualificar de bom 
genero — mas deixo-lhe a categoria de 
modélo — uma calumnia dialogada, ben^ 
escripta, mal pensada, com grande far^ 
ragem die adjectivos fortes, e acepilbadpa 
torneios dephrase. Tal drama é uma ar- 
madilha funesta à ignorancia das mas- 
sas, e deve captar medianamente a admì- 
ra^ào dos intelligentes. 



Respondendo às mais reflexoes sobre 
antipathias hespanhola e portugueza, àìz 
snr. Seixas : « Depois dos 60 annos d^ 
oppressào e sobre tudo depois de 1640 a 
noBsa distancia mordi ficou sondo com- 
pleta : OS dous povos fioaram muito mais 
distantes um do outro a ponto de as litr 
teraturas se nào corresponderom tao <en- 
sivelmente comò até entào »* 

Quanto à separa^ào mora2 — fjie por 
moral quer significar a ^ympatbia intel- 
lectiva, a consonancia da idèa e da f<irma 
litteraria — Garrett que Ihe responda. 
Beferindo-so ao tempo em que os PhiUp;- 
pes dominaram, author da Historia d<^ 
Ungila e da poesia portugy,e9a diz : « Ei)^ 
caatelhano escreviam jà esses degenera- 
dos portuguezes ; mas pouco importava 
que fizessem ; que n'isso fraca perda tìr 
vemosnós..»» 

E depois de 1640 : « E todavia j4 ixàe 
tinhamos reoobrado tao gloriosamente 
nossa ìndependencia, jà nome portu- 
guez tornàra a ser honra e nobreza, p 
ainda essa lepra castelbana lavrava». 

Nào Ihe cito authoridades de menor 
vulto para nào fatigar. Lembro-lhe 
apenas que padre Antonio Vieira e Ja^ 
cìntho Ireire de Andrade, e outros dò 
menos porte sepultados na Fenix renaS' 
cida, se . nào escreviam em castelhano, 
gongorisavam em portuguez. É que fi 
mudan^a de corrente litteraria nào se 
deve a odios internacionaes, mas sim ào 
oonhecimentQ e infiltra^ào da lìtteratura 
franceza ensaiada deploravelmente em 



56 



BIBLIOGRÀPHIÀ POHTUOUEZÀ E ESTHÀN6EIRÀ 



Portagal pelo oonde da Ericeirft e por 
Francisoo de Pina e Hello. divorcio 
da8 letras de Castella fez-se eom cara- 
oterisa^&o genaina e nacional mais tar- 
de, pela arS&dia e pelas academias, nos 
reinados de D. JoSo v e D« José. 

N^este lan90 da sua resposta, repara 
solertemente o snr. Seixas que ea em- 
pregasse a palayra berros no seguinte 
trecQo: e. N&o sabe nada de Yal-de- 
Vez, de Toro, de Aljobarrota, Valverde, 
Trancoso, e outros sitios mencionados a 
berros nos dramas do velho theatro nor- 
malf. 

E acreseenta magnanimamente ; e Sem 
fazermos caso da palavra — berros — em- 
pregada por quem é t&o esigente em Un- 
guagem (se isso nSo é erro typographi- 
co)...f 

snr. Seizas quer deixar-me genero- 
samente mna aberta para que eu me sal- 
ve pelo postigo d*um erro typographico ; 
e eu, aproveitando o favor, poderia di- 
zer que escrevi outra cousa que o ignaro 
ou perfido typographo mudou para &er- 
roa; poderia dizer que os actores falla- 
vam de Trancoso, Aljubarrota, etc. men- 
eUmadoB aos hórraa — aos bòrras da pla- 
tèa — que n&o seria disparate ; o\k men- 
cionadoa aos burroa, o que seria até ve- 
rosimil; mas, ah, nSU>! Probidade litte- 
raria, custe o que custar. Eu, confesso, 
escrevi berros, e nào escrevi bòrraa nem 
burros. Mas que a palavra, segundo m'o 
ad verte o snr. Seixas, n&o é boa, isso 
bei de eu dizel-o a berros até ao ultimo 
alento. 

Accusa-me a snr. Seizas — isto é que 
me afflige deveras — de eu ter feito o 
melhor elogio de Philippe ii. Està denun- 
cia feita no 1/* de dezembro, quando es- 
fervilham a eloquenoia e a genebra, po- 
dia custar-me a minha melhor vertebra 
lombar. Elogici o rei intruso porque, pon- 
do a m&o sobre o evangelho da historia, 
jurei que os meroadores chatinavam, os 
fidalgos bandarreavam, os frades garsan- 
teavam os seus psalmos quando tiimam 
as guelas desempedidas, o povo acana- 
Ihava-se rojando-se hoje a Miguel de 
Vasconcellos para àmanh& o arrastar no 
Terreiro do Pa^o. Eu nfto posso no curto 
espa^ d'estas paginas dar ao snr. Seixas 
teda a latitude dVmas idéas que Ihe sobre- 
saltam o p^triotismo oonvencional. snr. 
Seixas nSU> le historia portugueza nas 
chronicas. Deixa isso às crìan^as. Se pre- 
cisa conhecer a organisa^SbO medieval da 
Lusitania wisigotmca ou a forma^ào dos 
municipios nos primeiros reinados, n&o fo- 
Ihéa OS foraeS| nem os chronicoes, nem as 



constituid5es dos bispados: consulta as 
obras de Lennormann sobre o Oriente. 8e 
quer saber alguma cousa da lucta sangm- 
naria de D. Jo&o ii com a fidalguia, vai 
ler a Physica Social, de Quetelet; se 
Ihe convem averiguar os processos infa* 
mes do nesso breve dominio no Oriente, 
le a Historia do desenvolvimento irddle^ 
ctual da Europa, de Draper. Elle acon- 
selha-me estas leituras, e que deixe as 
pequenas coìisas mendonadtu nas chroni^ 
cas» Infelizmente n&o sou multo lido em 
chronicas, pela mesma raz&o que leio 
poucas novellas. Se conversassemos a res- 
peito de historia patria, e eu contasse 
com a benevolenoia do snr. Seixas, dir- 
Ihe-hia e que sei e penso dos nossos he- 
roes, sem Ihes buscar as biographias nos 
Barros e nos Coutos. 

Vé-se que me leu mais que leviana- 
mente o snr. Seixas, quando me culpa 
de exhibir as fraquezas do bispo de Sil- 
ves. Eu disse que Jeronymo Osorio ti- 
vera a insolita coragem de perpetuar as 
cruas barbaridades de Affonso de Al- 
buquerque. Converteu-me em affronta ao 
bispo que era elogio. Antes quero attri- 
buir a precipita^&o de leitura o que seria 
difficil nomear, se fosse cavilla^^ de 
pessimo gesto e nenhum effeito. 

Defende, procurador officioso, com igual 
leviandade o snr. Theophilo Braga, por 
causa do Ruiz desfìgurado em Bodrtguea. 
Diz que o snr. T. Braga andou bem co- 
piando a pag. 214 da Historia da HUt- 
raiura portugueza, as coUaQSes que escre* 
veu JoAO BoDBiauBS. Mas n&o se trata 
do redactor das colla^oes. Buiz que 
o snr. Theophilo estendeu em Bodriguea 
està a pag. 8 do tom. d.o da oitada Hia» 
ioria de litteratura. Mas, se o doutor se 
n&o queixa, a defeza do snr. Seixas, so- 
bre pueril, é um tanto rasteira. È o ca- 
so de Tolentino : 

Apostolo impertinente, 
Para que has-de tu suar. 
Se n&o sua o padeeente? 

Ensina-me o . snr. Seixas o que seja 
christianismo. Tendo eu dito que Fran- 
cisco Manoel do Nascimento, peraeguido 
em nome do catholicismo, n&o devia sen- 
tir-se inspirado, na pobreza do esilio, a 
cantal-o comò o snr. Seixas deseja, info- 
riu com logica ruim, que a minha idèa de 
christianismo era a de Molina ed e Tor- 
quemada. Teda a gente tem logie» ; mas 
a d'um philosopho professo deve ser mais 
nitida e menos tenebrosa que a do dìabo 
que tambem declarou sabia logica, se- 



ERNESTO qHARDRON, EDITOR 



57 



gundo consta do Inferno de Dante: Ed 
io 8on logico, D^esta logica e da, por ne- 
uhum modo, angelica do snr. Sei^as, nos 
defendam os deuses. 

Volta às Cartas de Ecco e NardaOy que 
nós nào podemoa tolerar, diz cheio de nis- 
tio snr. Seixas ; e quizera que Oastilho, 
traductor das Palavras de um crente, pu- 
blicadas em 1886, se inspirasse d'este li- 
vro quando escrevia, dez annos antes, as 
Cartas de Ecco e Nardao. E exigir mul- 
to, a fallar verdade. Castilho nào teve o 
dom da previdencia para vèr em 1826 o lir 
yro que velo à luz dez annoa depoìs. Accur 
sa grande escrìptor de escreyer fabulas 
antigas nos Quadros historicos; ao passo 
,que exalta Hercolano corno hostil às cortes 
de Lamego e outras velharias ridioulas. 
Parece pois ignorar que Alexandre Her- 
«ulano collaborou nos Quadroit historicos. 

leitor està aborrecido. Vou concluir 
enviando ao snr, Seixas umas palavras 
ditas em nome de Thomaz Carlyle, um 
dos mais egregios cultores da moderna 
li tteratura europèa. Tive vontade de Ih'as 
recordar, quando fiz um esboQO perfun- 
ctorio do seu livro gràvido de sciencìas. 
Ficar-me-hìa agora uma secreta màgoa, 
se me faltasse a audacia de dizer o que 
mui^a gente pensa das sdencias que car- 
regam o eerebro abrindo mais prof undo o 



vacuo da alma. Carlyle, escrevendo o 
elogio de um poeta operarlo, diz : «0 que 
monta a sciencifi sem poder nem provei- 
to, sciencia de letra morta, sciencia de 
f ór mas e palavrorio, que ahi apregoaes 
t&o alto, e que nào abrange, nem pene- 
tra, nem aprofunda a natureza ; que nào 
desvenda um mysterio da vida ; e que, 
todavia, ó temerarios e pedantescos em- 
baidores, ousaes chamar exdusiva e en- 
faticamente a sciencia f Ha mais sciencia 
em uma machina de fìar algodào, resul- 
tante de combina^oes e descobertas ne- 
cessarias. verdadeiro mostre é a prati- 
ca, e o saber é de todos. . . Gra^as aos 
vossos systemas, o que auferis sào impos^ 
.sibilidades, chimeras, aquillo que um al* 
gebrico chamana a raiz quadrada diurna 
quantidade negativa. Tratai, pois, de ex- 
trahir a raiz, reconhecei a base solida da 
vossa argumenta^ào, se é que a tendes, 
ou o vacuo sobre o qual ella impende». 
Nào sei se os ideologos inglezes res** 
ponderam a Carlyle. Bom ensejo se abre 
ao snr. Seixas para confundir este obsca- 
rantista que ousa atacar a inanidade das 
sdencias que se penduram em galeriaa 
comò OS apparelhos de Nostradamus e de 
Cagliostro. 

Camino CaòUiio ^ìomco. 



BlBLIO'fflEGA DOS DOUS MUNDOS 



Ponson clu Tenrail 



Bocambole 

Os bastidores do mundo 

Os dramas da aldeia 

Mocidade do rei Henrique . . 

Scgunda mocidade do rei Hen- 
rique 



9i^500 

li^200 

980 

2i?750 



900 



Alexandre I>iiiiiaB 



A San Felice 2i^00 

terror prussiano 500 

Frederioo Soulié 

mestre éscóla • Esgot. 

Leào amoroso HO 

Fex*xia.]x<lez y Gronzalez 

D. Joào Tenorio li^280 

Lncrecia Borgia li^240 



O. BiaH 

Os dramas da inquisi^ào li^XKK) 

Olemenee !Bo1>eirt 

poeta da rainha Esgot* 

Os mendigos de Paris 800 

Xiavier* eie BJCon'tépiii 

Mysterios do Palais Royal li?500 

O crime de Rocbetaille 800 

Os dramas do adulterio liJOOO 

Paulo Féval 

Um drama da regencia. . ...... 

A fonte das perolas 

paraiso das mulheres 

Os tribunaes secretos 



960 

280 

ai2Ò 

3^20 



f^ii^enio Sue 



Os mysterios do povo 5i?120 



A veneta uà Uvrarla CHA«;l>IfeON- 



he 



BIBLIOGHÀPHtA PORfUdUfi^A E fidtBANGEIRÀ 



U ìM icS LJ J- jCiAfcS I 



topressoes ao tenninar a leitura do magnifico livró 

de Paulo Féval 



N*tun dia em que laviava por todo o 
Ihundo um vastissimo e abrazador incen- 
dio, qae calcinava e reduzia a um mon- 
talo de cinzas os principios salutar es, que 
iregiam as sociedades ; n'esse dia, em que 
& authoridade se antepoz a feroz licenza, 
às firmes cren^as christàs succedeu o li- 
vre ezame, ao governo prudente e senr 
Bato das republicas se seguiu urna des- 
enfreada demagogia ; n*esse dia creou-se 
ama eociedade de homens, que se vota- 
tam à seguran9a dos governos e & salva- 
cào 4& humanidade, que adormecia em- 
D&iada ao som de cantares lubricos, que 
inenos pareciam canticos de alegria, do 
t[ue nenias entoadas na sepultura dos es- 
tados, Gavada pelo seu pensar desordena- 
do e sua desregrada yìda I 

Foi na madragada do dia 15 de agosto 
de 1534. 

A essa bora matinal, em que todos 
dormiam o somno da indifferenza, agru- 
pou-se em Montmartre um pequeno nu- 
mero de bomens, cqja Vida foi e sera 
sempre o assembro dos seculos passados 
e por vir, e cuja memoria repercutirà 

E or todos OS cantos do mundo no etemo 
ronzo da bistoria ! 

Esses bomens eram Ignacio de L070- 
la, Francisco Xavier, Fedro Lefevre, 
Diogo Laynez, Salmeron, Bobadilha e 
Bodrigues d'Azevedo ! 

Que queriam estes bomens? para que 
se reuuirani élies? d'onde vinbam? para 
onde iam? quem eram? É larga e gran- 
diosa a bistoria d'estes valentes cam- 
peoes' da Igreja catboliea I 

firam elles sete famosos corypbdos do 
pensamento e da palavra, sete atbletas 
Bm ac9&o, que, reunidos em nome e sob 
n^ bandeira de Jesus, crearam uma so- 
dedade, que pdde e ainda p<5de tudo pa^ 
ra bem ; porque, renunoiando a todos 
OS prazeres, riquezas e gloria propria, 
dedicaram-se ezclusivamente à glorìa de 
Deus, ao melbor servÌ9o das almas e à 
Qantifica^lU) de seus irm&os I 
Por seculos a OompanUa de JesuBé 
r)m a cruz da nossa santa roligiao esta- 



deada na fronte das suas famosas flieiras 
de missionarios, avassallou os povos do 
novo e velbo mundo, prégando-lnes a re- 
ligi§U> do Crucificado e projectando sobre 
as esGurentadas sombras da barbarie e 
da iffnorancia as fulgurantissimas lozas 
do cbristiauismo ! 

Da Europa até à Asia e da Africa até 
às piagas inhospitas da America, todos 
OS povos, ainda os mais selvagens, escu- 
taram, reverentes, as ondas da eloqueii- 
cia inspirada e arrebatadora dos jesoìtas^ 
que 06 traziam mansos cordeiros ao redil 
da Santa Igreja e os conservavam vas- 
sallos submissos dos imperios, que oe 
mandavam evangelisar n*aquellas remo- 
tas paragens 1 

i^tre nós grandiosa e beroica foi à feiim 
missàol 

Cada padre valla um esquadr&o de- 
Boldados! Cada jesuita era um baluar» 
te, uma fortaleza inezpugnavel ; venoia 
sempre, mas nunca se deixava render ! 

As suas armas eram a cruz e a pals," 
vra I Hasteada a cruz, — signal perpetuo 
da nossa redemp^ào, — a palavra des- 
atava-se de seus labios, melodiosa e fas- 
cinadora, em caudaes de eloquencia ! 

Se pelejas bavia, eram so no raspar 
das trevas, que obscureciam aqueUas 
negras sombras de rudes intelligencias ! 

Se corria sangue, era sòmente o d 'es- 
ses dedicados martjres, votados à salva- 
9&0 das almas 1 

Que o digam ainda os povos da India, 
do Japào e da Cbina, que, desde S. 
IVancisoo Xavier, viram succeder-se uns 
aos outros os pobres missionarios, a 
quem as letras, m sciencias, as artes, as 
industrias, a agricultura, a religiào tao--' 

to devem I 

Cavemos fnndo no cemiterìo 4a hiato» 
ria, e n'elle eneontraremos, embora car- 
comidos e desfeitos em pò, os ossos de 
tantos martjres, que ainda bem alto pro- 
gfto levantarào em favor do que c^xw 
marnosi Essa vida, porém, de abnega- 
tilo, de pobresa e^ ao mesmo tempo, de 
suaves consola^òes e de solida instrao- 



ÈKNESTO GHÀIUmON) E^tCm 



59 



9fto pata a Javentude, de luz e vida para 
as trevad da ignoraneia, de riqueza e 
prosperidade patfi as na^oes, de firme 
Bostentaculo dos thronoB e dos tetnplos, 
de paz e abnndancia para os povos, essa 
yida t&o gloriosa corno amargurada foì 
Um dia cortada, craelmente* decepada 
pelos dedpotas da impiedade ! 

POMBAL, AbAMDA, ChOISBUL, TaNUCCI 6 

tantos outros, levados por odios mesqui- 
tihos e vis intrigas, arrastados pela febre 
de obter gloria (triste gloria!) para os 
Beùs notnes, mancharam a pagina mais 
brilhante das suas na^òes com a prisào, 
desterro e morte de milhares de cidadàos 
inoffensivòs, antes, pelo contrario, sin- 
ceros e effioazes defensores do bem-estar 
dos povos, e com a proscrip^ào da So- 
oiedade de Jesus envolveram-se na 
vergonhosa e ezecranda mortalha da sua 
justa condemna9§U> na historia da huma- 
nidade ! 

Mal haja quem tao mal avisado proce- 
denl As nossas possessoes vào decahin- 
do a olhos vistos, as pertarba^òes sào 
n'elias continuas, as desordens sem nu- 
mero ; e — ai ! — mais cedo ou mais tar- 
de, pequ^io reino, que ensinou às gran- 
des na95e8 o oamiuho do oriente por mar 
rea nunca cTantes navegadosy vér-se-ha 
privado dos mùs ricos lestoes e dos mais 
tìqosos louros da sua gloria passada ! 

Triste cegueira a dos homens, que dei- 
zam estadear para ahi infrene e sem 
peias a libertinagem e a demagogia tres- 
loucada ; e nào véem, ou nào querem vèr 
que hào-de ser estes vicios outros tantos 
cancros, que irào corroendo e gangre- 
nando a sociedade, o throno e o paiz, até 
que elles eaiam com estrepito no meio 
das mil nuvens de pò, levantado na sua 
queda desastrosa, preparada ha tanto 
pela ii^usta proscrip^ào das ordena rdi- 
gioaae ! 

Onde estfto, em Portugal, esses ho- 
mens, que eram o firme sustentaculo e o 
solido apoio dos tìironos e das monar- 
chias ? f 

Onde esdste essa Sooiedade» que ti- 
^àMk em Tista a educa^SU) scientifica e re- 
ligiosa da moddade, a direc9&o pruden- 
te das consciencias dos poyos e a prospe- 
ridade da agrìonltura e da industria das 
nac5es ? I 

Onde?l... 

Um dia pompeava no centro das sode- 
àades com toda a pujan^a e com as mais 
vi^osas for^as da vida um secular e ma- 
gestoso roble a ciqa sombra se aninha- 
vam OS povos è os rds. 
. Ob seus f rondoBOft ramp0 oobriam todas 



as na^Ses da terra, e as suas raizes es- 
tendiam^é até mesmo aos cora95es das 
hordas selvagens do novo mundo, que 
nfto so dos povos oivilisados ! 

Estados e reis viviam deséan^ados, 
porque aquelles tinham no presente as- 
seguradas a sua autonomia e as suas 
propriedades, e estes firmes os seus thre- 
nos ; e a ambos sorria-lhes no futuro a 
confian^a na felicidade e na opulenoia 1 

céo, porém, de tantas prosperida- 
des turvou^e; a tempestade rugiu nos 
esouros horisontes da sociedade ; e, após 
ribombo da impiedade, velo o raio do 
odio, que lascou e derrubou a pomposa 
arvore da vida social ! 

Cahida por terra està arvore e feita pe- 
da^os, cada na^&o accendeu urna fogueira 
com 06 seus toros, acalentou-se a um f<^o 
t&o agrada vel, e arremessou para longe de 
si as cinzas, que foram espalhadas e de- 
preciadas por todos ! . . . 

Essa arvore gigante, frondosa e vital 
era a Sooiedade de Jesus ; o raio ful- 
minador a louca impiedade, que se sen- 
tava no poder ; e os tronoos ardidos fo- 
ram 08 membros d*aquella Sooiedade 
reduzidos à prisào, levados em desterro 
e queimados nas fogueiras da inquisi^ào, 
victimas do machiavelismo de seus fero- 
zes inimigos 1 

Desde Thomaz MuDzer, o furioso nivdor 
dor, e Jo&o Leyde, o propheta histriào, 
paes do socialismo dQsenfreado, até No- 
biling, Hoedel, Moncasi e Passavanti,' os 
desvairados regicidas, todos elles sào 
mais pacientemente tolerados e sofiErìdos 
com mais valor do que os corajosos e 
prestadioB jesuitas I 

Oh! odio infernal e tenebrosissima ce- 
gueira ! ! Vede e apreciai bem quaes sào 
OS melhores fructos, que resultam para 
a civilisacào dos povos : se os que pro- 
veem da dedicada abnegatilo e da doutri- 
na prégada pelos jesuitos, se os dos cri- 
mes e perversa propaganda dos socialis- 
tasll... 
• ........k..*.* 

Acaba de ser publieado pelo prkidpe 
dos nossos editores um magnifico liVro, 
que toma bem patentes ao sol da verda- 
de as grandes virtudes dos jesuitas, que 
foram sempre ' calumniados e mal vistos 
pelos eucyclopedistas, pelos jansenistas, 
pelos ignorantes e pelos impios 1 

Esse livro é uma perola engastada na 
corda do seu author, que mostra mais es« 
ta vez as aìtezas do seu peregrino talen- 
to, a firmeza das suas convic^Ses e a sin- 
oeridade da sua conversfto I 

Paulo Févai é hoje um bom ehrìstftà. 



60 



BIBLIOGRAPHU PORTUeUBZA E BSTRANGEIRA 



e, sobre todo, am grande cora9&o, que se 
votou à defeza da causa mais sympathir 
ca das institui^oes mais generosas, que 
08 homens teem creado para bem da hur 
manidade 1 

A fé admìravel d'este esoriptor nào 
vaciilou ; tinha de fafser justi9a i Sooie- 
dade de Jesus ; cumpria-ihe o imperio- 
so dover de apagar nos seus romances a 
inten^&o ironica e sempre desfayoravel 
com que algumas yezes n'eiles tinha em- 
pregado a palayra jesuita! E fei-ol e 
tanto mais brilhantemente, quanto é cer- 
to que este seu livro é um precioso the- 
souro de iinguagem e de doutrina, digno 
de occupar o mais honroao iugar em to^ 
das as bibliothecas. 

O snr. padre Senna Freitas, talento 
vigoroso, grande orador e versado na lin- 
gua de CaMOBS, VlBlBA, G-ABBETT 6 CaBTIt 



iaó, interpretou muito bem o pensamene 
to do author, vestindo-o elegantemente 
da mais correcta Iinguagem, do mais aprì- 
morado estylo, comò a obra o estava pe* 
dindo. 

DirigimoB, finalmente, ao editor, jq 
snr; Chardron, as nossas humildes feHcif 
ta^oes e damos-lbe sinceros pa^abens, 
porque tem sido sempre solicito, tanto 
quanto cabe naa suas for^as, em promo- 
ver e derramar a in8truc9ào pela classe 
ecclesiastica, mandando traduzir as mCf 
Ihores obras e tratados religiosos pelos 
mais conspicuos escriptores da nossa 
terra. 

Braga, 13 de fSevereiro de 1879. 



^auctiO' JoU^ào-, 




ELUCIDARIO DO VIAJANTE 



PELO 



COHEUD ALYES MEl^DES 

Eoma, Napoles, Loreto, Assis, Fiorenza, Piza, Padua, 

Veneza, Milào, Genova, Turim 

Um grosso volume de 475 paginas lifòOO 

^^^^*^^^^^^^^^— ^"^— — *^— ^— ^™^™ I ■ ■■— — ^»^i^— ^— ^^^ Il I ■ ■ M I ■■ I ■ ■ ■ ■■■■■ — ■■■■ ■ — ^— ^^— ^ Il I ■ ■ I ■ ■ 1^1— —^■^—^—1^— ^——^il^^^»^»^—^—^^ 

JOSÉ BL.UM 



VIDA DE PIO IX 

TRADUZIDA DA TERCEIRA EDigÀO ALLEMÀ, 
ANNOTADA E ADDXTADA PELO EXCb"° SNRb pONDE DB ^ÀMODÀES 

Um magnifico volume illustrado com primorosas gravuras e ni'tidamente impres- 
so em papel velino. 



Pre90 



l|000 



ERNESTO GHÀKDRON, EDITOR 



61 



OPIMO DA MPRENSA 



A RESPEITO 



DE VARIAS PUBLICAQdES DA LIVRARIA INTERNACIONAL 



DB 



ERNESTO CHARDRON 



Gralei*ia de fig^ruraei 
po]:*tiig'iieza9 

S&o difficeis de escrever os livros d'es- 
te geneio. Envelhecem, os typos popu- 
lares, multo mais depressa do que se 
julga : ^vos, verdadeiros hontem, é logo 
facil parecer hqje que haja passado um 
secalo por cima d*elles, porque se mu-» 
da, em prodigios de excentricidade e de 
inyerosimilhaii9a, o que quinze annos 
antes bavia parecido pintura da reali- 
dade. 

Fazar com que se Ihe reconlie9am as 
fei^oes, OS costumes, os sentimentos, a 
linguagem, e nào nos pare9am figuras 
de sonho, que se apaguem ao contacto 
da yida positiva, é o quid, 

Palbìeihim sabe vencer a difficuldade 
d'essas pinturas, o estudo minucioso de 
pequeniuos feitos da vida do povo, nào 
empregando colorìdo sen&o quando nEo 
possa deixar de ser, representando-o tal 
qual é, a yerdade, e so a verdade; ver- 
dade de mais na arte é logo mentirà. 
Apanha o modélo e copia-o ; ainda que 
algum dos modélos seja velho, corno é 
copiado por mestre, a còpia esmagà tan- 
to originai que t&o se trata mais de . 
saber se elle existiu. Alguns dos typos 
que figuram n'esta galeria, comò que 
conyidam pela sua fei^ào caracteristioa 
a serem tratados ; n'outros a difficuldade 
cresce de ponto, e é preciso yerdadeiro 
engenho artistico para Ihes dar releyo. 
Fintar gente mediocre, espiritos apaga- 
dos, d'aquelles que o caracter que teem 
é nào terem caracter, physionomias que 
Bó se distinguem por nào terem physio- 
nomia, barào aqui, conselheiro alli, vis- 
eonde acolà, gente comò toda a gente, 
rostos sem expressào, conversa^oes sem 
<^r, — e fazer tocar com o dedo as ac^oes 
d'elles; dar contorno e córes a figuras 
que parecem nSo lerem còres nem con- 
tomos e confondirem-se com a multidào 



comò OS inseetos que escapam à vista, 
revestindo a cor da tepe em que vivem ; 
animar os quadros em que figurem ; tor- 
nal-os susoeptiveis de nos captivarem 
por nos divertirem ; é mais do que estu- 
do, é capricho de arte, quando, comò no 
livro da Galeria, tudo isso se consegue 
com chiste e pureza de linguagem, sem 
incommodar inutilmente uma quantidade 
de palavras que estejam a dormir a sèsta 
no diccionario, porém expressando-se em 
lingua portugueza, sadia e agradavel, de 
umas vezes por malicia no tom de estu- 
do historìco, de outras n'um tom de phan- 
tasia. 

Palmeihim tem sabido sempre conciliar 
bom senso pratico, os habitos methodi- 
cos, amor da familia e da casa, o que 
se chama tratar um homem das suas cou- 
sas, o agenciar a vida, com o gosto e 
cultivo da flòr mimosa a que se chama 
poesia, — mas nào é de voto, pelo que se 
ve, de que o espirito possa matal-a. Dei- 
xa OS dassicos estarem sérios sem inter- 
rup9§,o, OS lyricos chorarem até morre- 
rem, e elle que tem sido sèrio, que tem 
cborado e rìdo, em verso, rì em prosa 
n'este livro perfeitamente portuguez, pe- 
dindo à imagina9S.o o chiste do estylo, a 
concep9ào geral do personagem — e o 
resto à observa9S.o. 

Chegou de ha multo à notorìedade, 
que nào tem que temer ; alias este livro 
poderìa ter para a sua carreira o grave 
centra de ter espirìto, rir e fazer rir. 
espirlto e a alegria em Fran9a conduzem 
a tudo, alcan9am tudo ; entre nós a ex- 
perìencia mostra serem prejudiclaes es- 
sas duas qualidades ; é pelas qualidades 
contrariai a essas que em Portugal se 
conquistam as altas posÌ9oes, d'onde de- 
pois se desafia a satyra e o bom humor. 
Um aprendlz a deputado, a quem os mio- 
los nào pesavam multo, mas que depois 
fez carreira, pediu d'urna occaslào a Ro- 

DBiaO DA FONSEOA MAaALHAES algUUS COU- 



63 



BIBUOGRÀPHIA POBTUGUEZA E ESTRANGEIKA 



selhos para se adiantar e fazer na oama- 
ra boa figura. 

— Olhe, disse-lhe o Rodbigo ; primeiro 
que tudo, nào se ria. 

— Obrigado a v. exo.*, e depois? 

— E depois, nunca se ria. 

Està tudo n'isso! Amobih, coitado, 
ainda tem desoulpa por ser doente... 
Mas o Palmeibim, um homem com for^a 
e saude, ter gra^a ! É fazer ^osto de nào 
qaerer o poder de ac9§.o, a influencia, o 
prestigio do talento nacional ! . • . 



Entre as mais recentes publica^oes 
toma'^e muito notavel a que tem por ti- 
tulo que serve de epigraphe a està 
nossa noticìa. 

distincto poeta L. A. Palmeibim 
acaba de firmar o seu nome, jà bastante 
conhecìdo, em urna obra que o individua- 
lison. Tentando fazer um estudo sobre 
OS nossos costumes mais populares féi-o 
tao bem que nào podemos evitar o em- 
prego do adverbio magistralmente. 

De ha muito admiradores do grande 
talento do snr. Palmeibim n3« estranha» 
mos mais està sua brilhante prova, que 
esperavamos logo que vimos annunoiado 
o proximo appareoimento d'este seu tra** 
balbo. 

Nas 321 pa^nas que o illustre escri* 
ptor emprega optimamente no seu estu^ 
do, e que se lèem corno se fossem du^ 
linhas vé-se a descrip^ào exactissima dos 
nossos personagens mais excentricos de»- 
de OS do visconde e bardo até aos do «a- 
pateiro de escada e gadteiro. Mas nào se 
limita aqui o esplendido livro do snr« 
Palueibi&i. As^m ficaria por completar 
seu estudo, e, a um observador de cos- 
tumes nào podia, nem devia, escapar o 
lugar onde eiles em msÀos grau se apre^ 
sentam no campo. 

Por isso acompanba-o um notavel ar- 
tigo intitulado A poesia poptilar nos carn^ 
poSf habilme^te desenvolvido em 47 pa- 
ginas, e que o author dedica a um vulto 
tambem eminente na nossa poesia, o 
snr. Mendbs Leal. 

Nào ha ninguem que desconhe^a a in- 
nocente vida do campo e as seenas ad- 
miraveis que ahi se passam. Pois bem : 
esses numerosos episodios em que a lin- 
jguagem usada é a poesia, mas a poesia 
campezina, a dos ii^ressantissimos des- 
cantes acha-se primorosamente tratada 
ji'este esplendido artigo. 

<^uerìamo0 é9x ^ma amo^tra d'este li- 



vro aos nossos leitores, transorevendo 
um dos seus muitds artigos, mas o pe- 
qneno espa^o de que podemos dispòr, 
nào permitte hoje. Guardamo-nos para 
quando o tivermos. 

Terminando por enviar os nossos para- 
bens ao snr. L. A. Palmeibim, agradece- 
mos ao snr. Emesto Chardron a remessa 
que nos fez d'està sua edi^ào. 

(Do Tribuno Popular), 



Entre as inoomeras publica^Ses que 
diariamente, póde dizer-se, està lan9an- 
do ao mercado litterario o incansavel 
editor portuense o snr. Emesto Cbar- 
dron, occupa um lugar distincto, e digna 
se toma de men^ào especial a Galeria 
de figuras portugiiezas do snr. Luiz 
Augusto Palmeibim, ainda ha pouco vin^ 
da à luz. 

Bem escolhido titulo foi o que o po^ 
pular e festejado cancionista das gloriai 
patrias pdz à sua obra^ que em verdade 
e ella uma galeria bem desenhada e cov 
lorida por mào de mestre, de muitos dos 
typos populares do nesso paiz* 

E nào pareca facil e ao alcance d^ 
qualquer o deouxàr assii^ na tela com 
meia duzia de tra^s caracterifiticos e fa» 
zer d'ella resaltar cheios de vida e na* 
turalidade esses typos tao nossos conhe^ 
eidos, que realmente o nào i ^ bx> con- 
trario, pois em cada leitor se le vanta 
um critico e critico compet^tissimo pelo 
trato de todos os dias com ^s figuras so^ 
bre que foi chamado a dar p seu parecer. 

Pois, nào obstànte ess^ grande diffif- 
Guldade de sua obra, do desempenhp 
d'ella sahiu-rse o snr. Palmeibim primo- 
rosa e acabadamente, que nào ha nem 
uma das figuras que entraram na sua 
galeria que se nào possa dizer photogra- 
phia acabada e completa do typo que 
tem a reproduzir, com a vida que a 
ac^ào material da luz nào póde dar, 
mas pincel do artista a mais do que 
elle a penna do escriptor, quando ver- 
dadeiramente conscientes de si, sabem 
insufflar em suas produc^es. 

Fructo de fina e perspieaz observa^ào 
a O-aleria de figuras portugnezas é 
para nós uma obra de subido merito, e 
das fadadas para larga existencia, e pó- 
de-se bem dizer uma pagina da historia 
sobre os costumes populares pottugoezes 
no seculo xix. 

Nào é dos predicados menos felizes e 
estimaveis do livro o estylo ameno e fa- 
ci! e naturalissimo, e em tudo portugu^ 
de Uh ^^ ^^® ^9 ^^ ^ ^0Qrlptp. 



BRNSST0 QHABDEQN. SDITOSI 



ea 



Ab o aBpsfo nòs i^g&ra, mab de Un- 
ga nos demorarìamcMi ha analyaa da Ga-» 
leria da fi^ovas portugoezas, de qua 
1108 caata a deepegar^-nos, e espeoialisa^ 
rìamoft alcuna dos estudos que mais com* 
pletos e meliior ao&bados nos pareoeram, 
ea é que na ezoellencia de uns para os 
eida^oa pòjda haver prìmazias. Infèlismen* 
te ohamam^nòg a atten^&o outras publi« 
cacoes. 

O appeD4ice sobre a Poesia popular 
nos oaaipos, oom que o sur. Palmbibim 
fisoha a sea iq>reeiado livro, n&o é joia 
das menoB valiosas d'elle, qua ahi eom« 
pendiòu muitos dos formoeissimos des- 
eantea da aldéa, repassados de poesia 
de lei, Q ora reseendeudo a saaviseimos 
perfomes, ora repassados do amargo fel. 

Ao anr. Ernesto Ghardron damos os 
parabens e ao mesmo tempo agradeoi- 
mentos por haver editado a Galeria de 
fiirnras portnguezas. 

BoDBioo Velloso. 

(Da Ai^fK>ra do Cavadoi^, 



Um amigo meu proporcionou-^ne, ha 
dias, o agradayei ensejo de apreciar um 
livFO interessante, um livro de portuguez 
vernaculo, um bom livro finalmente, a 
Galeria de figuras portuguezas, do 
snr. Luiz Augusto Palmei&iu, publicado 
pela casa editora Chardron. 

É um exoellente livro, ciga leitura 
n&o enfastia, e que se le, apesar do seu 
-volume^ oom o mais vivo interesse des- 
de o artigo A lareira até mercieiro^ 

N'esta mimosa obra' revola-se perfei- 
tamente o quanto é eminente observador 
o seu author, pois bem claramente se ve 
que profundou tudo, homens e cousas, 
para poder desenhar com uma inexcedi- 
vel precisào as figuras, com que formou 
uma linda e verdadeira galeria. 

Quem, comò eu, conhece de perto mui- 
tos dos typos desenhados, acha n'este li- 
vro um duplo merecimento, um apre^o 
superior. 

A linguagem tSlo correcta, comò cheia 
de sai attico, tao pouco vulgai* nas pu- 
blìeaQdes hodiemas, é uma bella recom- 
menda^ào para a venda rapida d'essa 
mimosa obra, que encanta e nào ofiende 
o espirito. 

snr* E. Chardron é innegavelmente 
um editor incansavel, que multo enno- 
brece a litteratura patria e as sciencias, 
que multo Ihe devem, porque elle, arro- 
jado e zeloso, n&o se poupa a esfor^s 
para miriquéoer as nossas bibliothecas 
de obt»B de reoonheddo merito* 



A Galeri^ de §evxem portugnesuM» 
é um bello volume, que bem merece lu« 
gar distìnate nas ostantes dos biblio^ 
philos. 

Obras aasim honvam o authfiMr e o edì^ 
tor. Parabens a ambos* 

Chiimar&ei, 6 da suiroo Ae 18T0. 

G. P. 
BAooolta romana 

1 Tol... 6^ reif 

A livrarià Chardron acaba de pax à 
venda um livro exceliente, que multo e 
multo recommendamos às pessoas devo* 
tas. 

Intitula-se A Raooolta» on ooUeoQao 
de oraQoes e obraa pias às quaes os 
summos pontìfioes tem annezo in- 
diUgenoias — pulslicada por ordem 
de S. S. Pio IX. TraduzidaporFran- 
cisoo Lniz de Seabra. Com lieenga 
do exo."^ e ,tqy,°^9 snr. Bispo do 
Porto. 

Constitue um volume de 446 paginas, 
que ousta apenas 600 reis. 

(Do Commercio do JBnho). 



O Opii.fb»soir <ia. inflan-cia 
e da. iii.oeid.a.de 

1 voi. 600 rels 

Està obra é destinada principalmente 
a combater a peritosissima doutrina do 
jansenismo, que sob uma apparencia de 
rigorismo e exacta observancia dos pre- 
céitos da Igreja pretende introduzir nas 
aimas fieis perìgosos esorupulos. 

firn prìncipal a que mira o jansenis- 
mo é afastar os fieis da frequencia dos 
sacramentos da penitencia, e mui espe- 
cialmente da Sagrada Communhào, 

Para isto excogitou um melo ardiloso 
e habilissimo, que é — elevar, pensada- 
mente a digniaade d'este augusto Sa- 
cramento, abaixar e abater a dìgnidade 
humana, para d'ahi concluir que o ho- 
mem rarissimas vezes se deve aproximar 
da Sagrada Mesa Eucharìstioa, porque 
se expoe ao perigo de commetter um sa-» 
crilegio ! 

Representam os jansenistas sempre 
Deus soberanamente justo; mas nunca 
fallam de Deus comò soberanamente^ 
amoroso e cheio de misericordia* 

E sobre estes fundamentos que o jan-i 
senismo combate a communhào frequenn 
te. E estes melos capciosos que empré-i 
gam OS jansenìstas produziram tao fun 
nestos resultados, que vimos até nào 
poucos bispos deixarem-ae eivar de tàQ 



64 



BIBUOGRAPHIA POHTUGUEZA B ESTRANGEIRA 



perniciosa doatrina, que tinha oomo oon- 
sequencia prozima o eefriamento dos sen- 
timentos religìosos no cora^&o das almas 
fieis, que chegavam até a possuìr-Be de 
um estranho terror pela reoep^ào da Sa- 
grada Eueìiarìstia ! 

Pois bem : o padre Cros, dento jesuita, 
combate admiravelmente està doutrina 
em face dos principios da doutrina oa- 
tholica, oppondo a cada principio janse^ 
nista a opini&o dos mais sabios doutores 
e tbeologos catholicos. 

Antes de refntar os rigorismos janse- 
nistas, apresenta o author urna resenha 
dos estragos que tal doutrina ou systema 
causou em Franca. É realmente urna 
obra de profundo e sòlido saber. 

Livros comò este, sào sempre uteis; 
havendo tambem a maxima conveniencia 
de que o seu prcQO seja o mais modico 
possiyel, para que, vulgarisando-se, pos- 
sam servir de barreira à epidemia de 
livros irreligiosos e impios que^hoje gras« 
sa por toda a parte. 

Agradecemos ao sur. Chardron a of- 
ferta do ezemplar ; e nunca cessaremos 
de louval-o, quando o vejamos editar 
obras comò està. 

Nào vào ainda agora accusadas mais 
obras que tcmos em nesso poder, por 
falta d'espa9o. 

(Da Ordem), 

A, €yiTllteai9a.o Oatliolioa. 

Por anno 1^600 rels 

Da importancia d'està publica^&o, uni- 
ca no seu genero entro nós, nada dire- 
mos ; porque n&o fariamos mais que re- 
petir OS lisoiyeiros encomios com que 
tem side recebida. Os assumptos s§,o tra- 
tados à altura verdadeiramente scienti- 
fica. 

A proposito, lembramos a um jomal 
d*esta terra que passe pela vista o nota- 
vel trabalbo que està revista està publi- 
cando sobre — A Historia de Galileu 
— para nào avanzar affirma^oes menos 
ezactas e pensadas. 

{Idem), 

O I>ii*eito ao alcance 
de todoei 

I voi 2*^000 rels 

acreditadissimo editor o snr. Emes- 
to Chardron, que tao assìgnalados ser- 
VÌ90S tem prestado à instruc^So e à lit- 
teratara, acaba de dar à estampa uma 
obra sob todos os pontos de vista recom- 
menda vel, 



Denomina-se O direito ao aloaaoe 
de todos» ou O advogado de si meof' 
mo, diccionariò de direito usuai conten- 
do as no^oes praticas do direito e modè- 
los e formulas sobre materia dvil, com- 
mercial, administrativa, criminal, eccle- 
siastica e do processo, tra^ada pelo snr. 
Dh. Fbahcisco Aktomio Vbioa, integer- 
rimo juiz de direito de primeira instan- 
cia. 

É um bello volume de 540 paginas ni- 
tidamente impresso. Vende-se no estabe- 
lecimento do seu editor e cnsta brochado 
2i^000 reis e encademado 2i^400. 

Este livro é de altissima conveniencia 

Ì^ara os sn^s. administradores de conce- ' 
ho, juizes de direito, juizes de |>az e jui- 
zes ordinarios, advogados, escriv&es de 
direito, escriv^es do juizo ordinario e es- 
crivàes do juizo de paz, presidentes das 
camaras munioipaes e das juntas de pa- 
rochia, solicitadores, governadores civis 
e seus secretarios, tabelliàes, conserva- 
dores do registo predial, delegados do 
procurador regio e bem assim a todas as 
pessoas que desejarem possuir no^oes de 
direito. 

Felicitamos sinceramente o snr. Db. 
F. Antonio Veioa, e bem assim felici- 
tamos snr. Ernesto Chardron. O ser- 
vilo que se prestou & insttuc92.o e i ma- 
r'stratura com a publica^o d'^ta obra 
importantissimo e digno de justo lou- 
vor. 

Livros assim s&o raros e é nossa con- 
vic9ào de que a edi^&o se esgotarà em 
breve. 

De boa e sincera vontade o recommen- 
damos, posto reconhe^amos que o nomo 
do seu author e do seu editor Ihe sejam 
segura garantia para o interesse que em 
todas as pessoas que estimam e sabem 
avallar os bons livros despertarà* 

(Do CanpeSo dot PtovìmÌm). 



Julgamos que està obra é um auziliar 
indispensavel que todos devem possuir, 
por isso que alli se acham resumidas de- 
baizo da fórma de diccionariò, as multi- 
plices e variàdas disposi^oes da lei sobre 
assumptos de interesse diario e commum 
a todas as classes de pessoas, que por 
bagatellas e em materia que nìu> seja 
duvidosa, bem podem dispensar a con- 
sulta do advogado, laudando m&o d*esta 
obra. Como n&o apresenta doutrina pro- 

Eria do author, mas sómente renne de- 
aizo de ccrtas epigraphes, toda a ie- 
gisla9&o que Ihes diz respeito, é uma re- 
copila^ào de direito positivo, qud na 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



65 



ìnaioria doé casos n&o afiferece duvida ao 
oonsultor intelligente. Recebemos o !•<> 
volume do editor, que foi o snr. Char« 
dron, 

(Da ChUUa^), 



Cuirso <ie ling^ua. firanoeza 
pelo methodo de Alin 

1 voi... 500 reif 

Pareceu-nos multo pratico este metho- 
do, por isso que, oonsistindo em ezerci- 
cios, aoostuma o alumno a gradualmente 
conhecer as regras grammaticaes e a 
construc^&o particular das locu^òes fran- 
cezas, ficando no firn perfeitamente ha- 
bilitado a fallar e escrever correctamen- 
te, sem ter tido o enfadonho e abstruso 
trabalho de retar de memoria urna infi- 
nidade de regras e ezcep^oes que raris» 
simas applica^Ses tem, e que mais facil- 
mente se aprendem pela pratica do que 
pela theoria. Becommendamol-o aos que 
predsani aprender a lingua, que hoje se 
considera universal. Foi tambem editado 
pelo snr. Chardroi^. 

(Idem). 

„ Ouirjso de pliilosopliiei 
elementaj* 

S voi; li^SOO reit 

NSo reoebemos o l.<> volume d'està 
vers&o, mas pelo conhecimento que ti- 
nbamos da obra no idioma originai, pe- 
los cteditoa do author, coDJieoidissimo de 
todoB 00 que apreciam os bons estudos e 
aue ainda lamentam a perda irreparavel 
a*aqu^e genio admiravel que deixou 
a^nSs si um rasto luminoso de tantos es- 
criptos monumentaes, fazemos um per* 
feito Juizo da utilidade d'està publìca^ào. 

Se em yez de tantos compendios de 
pbilòsophia, eivados de erros perigosos, 
superfìciaes e sem methodo, desprezando 
as boas regras de argumenta9§U> sob pre- 
testo de serem escolasticas, que todos os 
08 nossos philosophastas se julgam habi- 
litados a escrever, vissemos adoptado 
este curso, onde os estudantes de philo- 
sopbia fossem beber os sólidos principios, 
as verdades fundamentaes e aprender a 
refutar o so^hìsma e o erro, por certo 
que n§o sahiriam das escólas uns positi- 
vistasmhos, que se gabam de descender 
do macaco, nem uns nebulosos pseudo- 
discipulos da ininteUimbUidade de Hegel 
e Fichte. AUi ha a clareza, a profundi- 
dade e a eleva9&o, o criterio verdadeiro, 
A Variedadé dos assumptos unida com a 
concis&o da ezposÌ9&o, propria de um 



curso dementar. N&o s6 ob estudantes 
devem lér ; os litteratos, os publicistas, 
OS jomalistas, todos deveriam e pode- 
riam aprender d'elle comò se profundam 
essas questoes palpitantes do dia, em 
que todos se julgam habilitados a dis- 
cretear. 

Felizmente v&o-se hoje conhecendo e 
apreoiando mais as obra^ do illustre Bal- 
MBS e estas edi^òes na lingua patria con- 
oorrer&o certamente para ainda mais se 
divulgarem. 

Bem haja o illustrado traductor que 
por este segundo volume que lémos, bem 
avaliamos comò desempenhou perfeita- 
mente a taref a alias ingrata e espinhosa, 
de por ao alcance dos nossos compatrio- 
tas a obra do author hespanhol, e felici- 
tamos igualmente o editor o snr. Emesto 
Chardron pela boa aceita^ào que deve 
obter do publioo este livro sahido dos 
seus typos. 

{Idem)» 



O Agriricitltoir do norte 
de Portugal 

Jomal de agrionltura pratioa dedi- 
oado éts provinoias do norte e pu- 
blioado sob a direog&o e auspioios 
do oonselho de agrionltura do dis- 
trioto do Porto, com a ooUabora- 
gSo dos prinoipaes agronomos e 
lavradores do paiz. 

CIMI» por «nno S|0«OO reto 

Volume 2.0, n.o 5. 

Contém, além da tabella de pre^os 
correntes de cereaes, no estraugeiro e 
no paiz, e de gados: Os bagagos de 
purgueira e mendobim para adubo 
de terras e engorda de gados, por 
Ferreira Lapa. — Hereditariedade dos 
sezos; Veterinaria para lavradores, 
por D. J. SàLgado.—iL oonservagao 
das vinlias no Douro, por Batalha 
Reis, — GalUnioultura, por M, T. 0, 
CotUinho. — Rovista da ezposigao de 
aves no Palaoio de Orystal, por Pe- 
ro QU. — Ohronioa, jpor A. C. Le Cocq, 

Entro OS muìtos e importantes servì- 
90S que tem feito ao paiz,. com as suas 
constantes e escolhidas publìca^oes, 
snr. Ernesto Chardron, nào póde deizar 
de avivar-se o resultado da obra que an- 
nunciaìQos. Um paiz, t§lo rico em sólo e 
em clima, e que poderia centuplicar a 
sua fortuna, se bem aprendesse os pro- 
cessos de cultivar para produzir e reco- 
Iher para aproveitar e conservar os prò- 



6d 



BldLIO^HÀPmA PmtXi&lSÉZA K ABtRÀNGtimA 



doétoA, pteoida de entrar ito enthio do0 
eonheoimentofl agriòolas^ Aoa nossos la- 
yradores falta prìncipalm^ie li^&o de 
borni livroe, 6 observa^ào de boaa expe* 
tìencias. Aqtiella e està hayiam de esU* 
molal-o, snr. Ohardron, orna a pubii* 
ca^&o do Agrioultor do Norte, forneee 
um meio de le^iona9&ofAcil, e os exem- 
plod qae s&o ahi apontados e explicados, 
bem podem, se n&o equivaleif, pelo me- 
tìoa supprìr a observà^lU). 

Leiam essa publica^ao os que mais di* 
reetamente se dedicam à a^rìcaltura; 
leiam-n'a para aprenderem, e para ap- 
plicarem os dados que o livro Ibes dér. 

Leiam tado o que poderom sobre os 
modemos eonbecìmentos da lavoura, e 

frangeio e recolben^a de fructos. bem 
para elles e é tambem para o paiz que 
enriquecerà. 

Somos pobres principalmente de juizo 
prudenciaL : parecemos apostados em fu- 
gir à luz, que outros povos nos fomecem. 
D'aqui nosso atrazo, que é a causai de 
nossa ma posi^ào comò productores agri- 
colas — nós, que tanto capital temos e 
tao mal nos sabemos servir dos dons da 
Providencia. 

(Do Jomal de Vteeu). 



Calerla de figpaurais 
poirtiig^ezas 

afamado editor portuenso o sur. Er- 
nesto Chardron publicou mais iim livro 
notarci a Galeria de fignras portn- 
guezas» do sur. Luiz AuausTO Palmei- 
siM. É um livro portaguez 4s direitas e 
tfto bom corno portuguez. 

É realmente uma galeria de figuras 
nossas, desenhadas por m&o de mestre, 
com profunda observa^fto de hómens e 
cousas, com todo o colorido necessario, 
o que dà o tom da verdade. 

livro é grande, mas lé-se tSo bem 
qne parece pequeno ao ebegar-se-lbd & 
ultima pagina. 

Tem esse bom sabor portuguez tao 
diffidi de encontrar nas leituras de hoje ; 
é um livro nosso a valer, um livro sadio, 
forte qne faz rir e n&o faz mal. 

editor Cbardron é realmente Qm edi- 
tor milagroso. Tem a babilidade de en- 



eher ò dosso meroado eom Hi^os $éiit. 
N&o recita ante perìgos e réoeios t todoa 
08 dias ian^a para as Uvrarias obras kn* 
portantissimas, tanto de litter atura oomo 
de sdenoia, tanto originaes corno traduc- 
9oes e póde-se dizar afoutamente que é 
o editor que mais estimalo està dando ài 
letraa nacionaes. 

O volume Galeria de flgoras por- 
tugnezas ba-de desappai^er depressa 
das vitrines dos liyreiros e ter repetfdas 
edi^Oes ou ent&o de nada serrem os hwm 
ìvftOB em. PortngaL 

(D* Dimrio da MmM^ 



1 1 ri 



Poesias <}e Faustino 
Xavier* <ie ISoirstem 

Desde muito que se aobayam osgota" 
das as primeiras Poeslas do illustre 
emulo de Nicol au Tolentino, e que ^<* 
fidlimo se tomàra o obter um esemplar 
mesmo em seganda m&o, tal a procura 
que d'ellas havia. 

Ainda bem que o benemerito editor 
portuense, o sur. Emesto Chardron, que 
aìnda ha pouco dera à luz as Poesias 
postlitunas de Xavier de Novaes, um 
Uvro precioso, e que no prélo tem a 2.» 
edi^ào das Novas poesias do mesmo 
author, comprehendendo a necessidade e 
opportunidade de sefàiér Uina outra edi- 
9&0 das suas primeiras Poesias» e acce- 
dendo às reiteradas instancdas qne Ihe 
foram feitas para isso, aoaba de re^tidatf 
esse eommettìmento. 

É um formoso vràoaie em é.o, sahtd^ 
dos prélvs da typographia Oeoldental^ 
nm dos primeiros estabel^imentoa typo^ 
graphicos do paiz, e èontando 852 pag^ 

Com rela^&o à valla da obra dlr(fcmod 
apeuas com o illustre ornamento da im<^ 
ptensa periodica o snr. Joaquim Martins 
de Carvalho, no Conirtibrieense : — • Para 
outro eseriptor pouco conheeido seria xt^ 
eessarìo encarecerapubIica9l;o. £}Bten%o 
earpce d'isso. 

As poesias sahid&s nas primeipas edi- 
^òes, acrescem quarenta e doas itiedi^ 
tas, que em muito angmentam o valor 
do livro. 

B. ymjLwe. 

(Dà Jttgrora eh Cdvo/do). 



2= 



€olleccai« llliullrada a &#• reto o volaiiie 



OS TRES MOSQUBTEIROS, 8 voi 1^600 

AS DUAS DIANAS, 8 voi 1X5OO 

O OONDB DB MONTB-OHBISTO, 6 ▼. 2^00 



A ÉAINHA MARGOT, 8 voi iit(Rj6 

VINTE ANNOS I>BPOIS, 8 ròl ^ . . 1 j5(jo 



BB1W9T0 CHÀKDtVOfN) BDITOA 



67 



PDBLIGATIONS FRANCAISES 



•**^ 



Aldrioh. La Beine de Saba. 1 VoU 
fe-12 700 

Almanaeli de Ootìia, 1879. 1 

▼ol. cari li^eOO 

Amiote* L'Èdpagne. 1 volume in- 

12 700 

Aug^. Voyage aux sept merveilles 

du monde. 1 voi. m-12 450 

Cart 700 

Azìyacl^. 1 voi. in-12 700 

Baiididllajrt» Histoire du luxe 
privò et public depuis Tantiquìté 
ju9q*a noB jours. 1 voi. iù-8o. li^^dOO 

Hentzon* L'Obstacle. 1 volume in- 
12 700 

JBeirlioz* Correspondanee inèdite. 1 
voi. in-12 700 

Bei*iiia.ir€l* La ferme des mdnes. 1 
voi. in-12 600 

fienniot. Lea malheurs de la pbi- 
losophie. 1 voi. in-8o 1^600 

3BoÌfss'o1>ey* L'epingle rose. 2 voi. 
in-12.... * 1,^5200 

Bouvierfc Monsieur Trumeau. 1 voi. 
in-12 200 

iBnelioii* Le Matacbin, le Gouffre 
Gourmand. 1 voi. in-12 250 

l^vùrcLt* Tfaité du gisemont et de la 
recbercbe des minéraux utilefi. 2 voi. 
iCisB^ .•«;(<'• .4 i«k 5ijS000 

Oalx-im* Lea pilotes d'AngOi 1 voi. 
reliure tièhdw 1)0600 

Oliéi*iiel4 Histoire de France pen- 
dant la minoritó de Louis xiv. 2 voi. 
in-So... 3i?000 

OHeVAllter* Les seerets de l'indùs- 
trìe et de Téconomie domestique. 1 
voi....* IjWK) 

Olémeitt. Histoire des Beaux-arts. 
1 voi. reliurèriebe -WOO 

Oolom1>. La musique. 1 volume in- 
12 450 

Ooxi.sta.]ttÌxi.A L'Homme de giace. 
1 voi. in-12 400 

Ooirixeliais. Vies de grands capitai- 
nes. 1 voi. in-12 450 

Ooirtaml^eirt. Moeurs et caractères 
des peuples. 1 voi. reliure riche. 1|>600 

OiraJ.:s:. Deus mariages. 1 volume in- 
12 250 

I>aiid.et« Zabra Marsy. 1 voi. in- 
12 600 

X>eelt€u:*ndL^. M^i^ologle de la Gre- 
ce antique. 1 voi. in-8o. ..... i dij^OO 



!t>eltoiiir. Les ennemis de raoine. 1 
voi. in.12 700 

I>eeipoirtef9* Les Bucoliques et les 
G^orgiques de Virgile. 1 volume in- 
12 200 

I>CB]id.lilceir» Histoire du peuple 
suisse. 1 voi. in-8o 1,W0 

I>euli]i* Les oontos de Mad. Mère 
rOye. 1 voi. in-12 600 

"Vaja I>rival. De Torigine de Tècri- 
ture. 1 voi. in-80 li02OO 

'DxM.i^u.ym Histoire des romains. 1 voi. 
in-8o 1^500 

Feirg^iisson.* L'école du vice. 1 
voi. in-12 250 

JPigiiieir. Connais-toi toi-méme. 1 

vw. relieure ridie 3j|i000 

Brocbó 2^000 

IFleiix-iot* Grand coeur. 1 volume 
reliure ricbe Ij^GOO 

JPleary. Postbumes et revenants. 1 
voi. in-12 700 

Fontalnes* Deux touristes en Al- 
gerie. 1 voi. in-12 700 

Fotirixel. Les rues du vieux Paris. 
Galene populaire et pittoresque. 1 
voi. in-8o 2,^000 

ifournier. L'esprit des autres. 1 
voi. in-12... • 700 

IF* r a iiL e ICé Philosopbes ^ modernes , 
étrangers et fran^ais. 1 v. in-12. 700 

G}-ax*i].ieir. Dictionnaire annuel des 
progrès des sciences et institutions 
medicales. 1 voi. in-12 1 10400 

G^aspal*lnL* L'Eglise selon r£van- 
gile. 1 voi. in-12 250 

Groiurdon.* Cbaéun la sienne. 1 voi. 
in-12 250 

&uéroillt. La bourgeoise d'Anvers. 
1 voi. in-12 200 

Griiizot. Histoire de France de 1789 
a 1848. 1 voi. reliure ricbe... 6j05OO 

HausHoiiT^ille* Études^ biograpbi- 
ques et littéraires. 1 voi. in-12. 700 

«Taeolliot. Voyage au pays des bra-« 
bmes. 1 voi. in-12 800 

•Jiiles Simon* Le gouvernement 
de M. Thiers. 8 février 1871. --24 
mai 1873. I — Troisième édition. 1 
vol.in-12 700 

«Tiis-tliu Histoires pbilippiques. 2 v^ 
in-12 , li0OOO 

JTustiiii. HìstorisB pbilìppicsB. 1 voi. 
in.l2. cart.................... 300 



68 



BIBLIOGRAPHU POEtUGUBZA E ESTKANGE^ 



Xua1>ielie* Théàtre compiei. 1 voi. 

in.l2 700 

Iua.]ii.air]:*e* Le Portagal et Texposi- 

tion de 1878. 1 voi. in-12 400 

— Camoens etlesLusiades. 1 volarne in- 
80 UQQO 

lueg'ou'vé* Nos fiUes e nos fila. 1 
voi. in-12 600 

luene'veiuic* Paris o&miicipal. 1 vo- 
lume 120 

lueT'oisin.* Aventures et mésaventu- 
res da baron de Miinchhausen. 1 voi. 
relié 2^;400 

XAsLic^m La science positive et la mé- 
taphysique . 1 voi . in-8o .*.... li?500 

ILlttiré. Dante. L*Enfer. 1 volarne in- 
12 800 

'LAvtn.gstoiiGm Demier joarnal. 1 
voi. in-12 450 

Hioméme* La comtesse de Roche- 
fort. 1 voi. in-12 700 

Hiouize d'Alq. Les oavrages de 
Main en famille. 1 voi. cart. 1:^^400 
Broeh imO 

— La science du monde.' 1 volume 
cart imo 

— Le maitre et la mai-tresse de mai- 
son. 1 voi. cart li^400 

— Les secrets du cabinet et toilette. 1 
voi . in-80 • lijSOOO 

— Le savoir-vivre. 1 voi. cart. lijS400 
Broch liJOOO 

I^oi].'ve]\ìoitl. Histoire des oeuvres 
de H. de Balzac. 1 voi. in-8o. Ij^iòOO 

Iui].1>l>oelc* Les origines de la civi- 
lisation. 1 voi. relié 3j;800 

— L'homme préhistoriqae. 1 voi. re- 
lié 3^00 

IMCaillaird.. Le' livre de ma soeur 

Anne. 1 voi. in-12 600 

IMCaimoiir. L*année géographique. 1 

voi. in-12 700 

IMLaireel* Histoire d*une grand* mère 

et de son petit-fils. 1 voi. in-12. 450 
MLarray. Ce que peut l'amour. 1 v. 

in-12 700 

IMCairtig^iat* Les vacances d'Elisa- 
beth. 1 voi. in-12 450 

IMCasoeli* Le nouveau Job. 1. voi. 

iii-12 250 

IMCaudLgtle;^. Physiologie de l'esprit. 

1 voi. in-8o cart 2^200 

"Mieiaaor* L'AUemagne nouvelle, 1863- 

1867. 1 voi. in.l2 700 

IMContaliT-et* Diz-huit années de 

gouvernement parlementaire. 1 voi. 

in-12 250 

IMContépiit. Le médecin des foUes. 

Ivol. in-12 600 

iM[oi*et. L'ingènue de province. 2 v. 

in-12 U200 



IICxQleir. La machine a vapear. 1 voi. 

in-12 250 

JMLiusset. Une vìe du diable. 1 voi. 

in.l2 200 

IVoiriae* Journal d'un fl'aneur. 1 v. 

in-12 250 

T^itjray» Le fìls du maquignon. 1 v. 

in-12 450 

Bissé* Les amis de madame Didier. 

Ivol. in-12 '-.. 600 

BotliseliildL. Histoire de la poste 

aux lettres. 1 voi. in-fol. .... tì»0O0 
BouB^elet* Le charmeur de ser- 

pents. 1 voi. reliure riche. . . . U600 
^apoirtli. Le monde des plantes 

avant l'apparition de l'homme. 1 voi. 

relieure riche 4j^500 

Seg^iraT'e. Marmome. 1 volume in- 
12 250 

&és\JLr» Le po^me de Saint Francois. 

1 voi. in-12 500 

Solleis* Études de dinique inteme. 1 

voi. in-fol 600 

Sommeir. Ciceronis epistolaa selectas, 

1 voi. in.l2 160 

— Commentaires de Cesar sur la guerre 
des gaules. 1 volume in-12 500 

&o\Mrv€>iTotìtm Histoire de Russie. 1 
voi. in-8o 1^00 

^opliocle* Les tragédies. ì, voi. in- 
12 ,... 700 

Speueei:** Essai de poUtique. 1 voi. 
in-8o 1*500 

StaJil* Maroussia. 1 voi. in-12. 600 

Stapleaiix. Le roomui d'un pére. 1 
voi. in-12 600 

Stendlial* Mémoires d'un touriste. 
Ivol. in-12 250 

Stolz. Le secret de Laurent. 1 voi. 
in-12 450 

rFoiiziii. La fille des étudiants. 1 v. 
in-12 600 

l'x'll^ii.tieii. Cours élémentaire de 
droit criminel. 1 voi. in-8».... W600 

XJ11>aeli. Les buveurs de poison. La 
fée verte. 1 voi. in.l2. , 700 

— Les buveurs de poison. NoSle. 1 voi. 
in-12 700 

TTalrog^eir. Études sur le rationa- 
lisme contemporaine. 1 v. in-8<^. 1*000 

TTasselon* Carnet du conducteur de 
travauz . 1 voi. in-12 1*200 

TTast* Le cardinal Bessarion (1403- 
1472). 1 voi. in-8o 1*500 

VirgUe. L'Eneide. 1 v. in-12. 800 

TTelix'iiiaii.iu Étude sur les che- 
mina de fer anglais. 1 voi. in-8o. 600 

liVitt. En quarantaine. 1 volume in- 
12 450 

liVood* La gioire dea Vemer. 1 voi. 
in-12 250 



BIBLIOQRAPfflA PORTUGUBZA K ESTRANGEIRA 




EWmS POR CAK MI 



I 



E AIGCMAS DE P POSSI RESTO DAS EDICOES 



EOMANCBS DE CAMILLO CASTELLO BRANCO 



annoia de prosa 500 

Sem (0) e o mal 500 

Bytlliantes (Os) do brazileiro, 2.^ 

edi§ao 500 

Siriixa. (A) de Monte-Cordova. 500 

Oavar em ruinas 500 

I>oida. (A) do Candal, 2.» edi^ao 500 

Kn.g'eita.da (A) 500 

£:6queleto (0) 500 

SjS'tirella.s propioias 500 

Filila. (A) do Doutor Negro, 2.» edi- 

9ào 500 

Xiucta. de gigantes 500 

M^emoiria.» de Guilherme do Ama- 
rai, 2.a edi^ao 500 



IMCurbeir (A) fatai, 2.» edi^Sx), com o 

retrato do author 600 

BJCj^steirios de Fafe 500 

Olilo (0) de vidro, 2.a edi^ao. . 500 

Qua.t]:*o horas iimocentes 500 

Queda. (A) d'um anjo, 2.» edi^^o 500 
Retrato (0) de Ricardina. . . . 500 

Sangue (0) 500 

Santo (0) da montanba 500 

Senlioir (0) do pa^o de Ninàes 500 

"Vinte horas de liteira 500 

"Virtudes (As) antigas: a freira que 
fazia chagas e o frade que fazia 
reis 50 



LErrUEA PARA CAMINHO DE FERRO 

Oontos a vapor, por Jidio Cesar Machado 

Ooii.toi9 electricos, por Miguel Cóbellos 

Oontos e deserip^^^oeé, por Pinheiro Chagas 

Pirim.a'veras eie Oiixtra, por Leite Bastos 

Seenas e pliaixtatsias portug^xtezas, por Pinheiro Chagas 

Ti'eclios de fbllietim, por Julia Cesar Machado 

luetras e tr etais, por Leite Bastos 

CASADA E VIRGEM 

Romance por D, Manuel Femandez e Gonzàlèz, traduc9ao do hespanhol por 
Prophyro José Pereira. 2 voi 

MARAVILHAS DO GENIO DO HOMEM 

Desoobrimentos e inveng5es, desoripgSes historloas, divertidaja e ins- 
truotlvas sobre a origem e estado aotual dos desoobrimentos e in- 
veng^es mais oelebres, por Amédée de Basi, versào portugueza de Ma- 
theus Luiz Coelho de Magalhàes, annotada por Innocencio Francisco da SU' 
va. 2. grossos voi 



200 
200 
200 
200 
200 
200 
200 



700 



IsJOOO 



LEJ^DAS, TEADigOES E CONTOS HESPANHOES 

Colligidos e trasladados por Pedro Wenceslau de Brito Aranha^ e revistos 
]^0T Antonio da Silva Tullio — Lendas e balladas vascon^as — Contos e tra- 
di^oes. 2 voi 1#;000 

CAVALHEIRO DA CASA VERMELHA 

Romance por Aleocfindre Dumas (episodio de 1793), com numerosas estam- 
pas 800 



4 BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRAN6EIRA. 

A AVENTUEEIEA 

Por Xavier de MorUéjpin, versao de J. de Magalhàe», 2 voi. com estampas 1^200 

ENFORCADO 

Por Xavier de Mantépin, vers&o de A. Patricio Correa* 4 voi, oom estampas 2if iOO 

OS MTSTERIOS DA BASTILHA 

Por C^emence Robert, traduc9ào de Luiz Pereira Bctelho. 2 voi. com estampas 1^00 



Estas obras encontram-se a venda na Livraria Chardron 



UVRÀRIÀ EDIIORt DE MAHOS MOREIIIÀ H l 



X.ISBO-A. 



PRAgA DE D. PEDEO, 67 



H. PERES ESCRICH 

Oasamentois do diabo. 3 voi. com 
gravuras 1)^500 

FiUbLOS (Os) da fé. 3 voi. com gravu- 
ras.... li^500 

In-v^a (A). 3 voi. com grav. li^500 

]!dlal (A) dos desamparados. 4 voi. com 
gravuras W^ 

]!dIa.iiiise]:*ip'to (0) materno. 6 vo- 
lumes 3i«)00 

BJCiillie]:* (A) adultera. 4 voi. com gra- 
vuras 2)^00 

01>]:*a.s (Ab) de misericordia. 4 voi. 
com gravuras 2iJ000 

Per'dl^a.o (A) da mulher.3 voi. com 
gravuras lj^500 

Os qiie iriem. e os que choram. 3 
voi. com gravuras lj^500 

CAMILLO CASTELLO BRANCO 

Novellas do Minho— 1.<> Gracejos 
que matam. 2.o commendador. 3.<> 
cego de Landim. 4.<> A morgada de 



Romariz. 5.t e 6.o piiho naturai. 7.o 

e 8.0 Maria Moysés. 9.o degredado. 

lO.o a 12.0 A viuva do Enforcado. 12 

^Vpl 2i^;400 

r^m^niio (0) do curo. 2 voi. com 

gravuras ^, 1,^000 

Be^ieida, (0). 1 voi 500 

Filila (A) do regicida. 1 voi. ^ 50Ò 

LIVROS RELIGIOSOS 

Nossa Seiilio]:*a, de Lourdes. 1 

voi ^QQ 

OhT^sostonio (0) portuguez ou o 
padre Antonio Vieira. Tomo l.o Ser- 
moes de Quaresma. Tomo 2.o Sermoes 
do tempo Paschal. SS. Sacramento, 
Advento, Natal, e outros dias infra 
annum. 2 grossos voi 3Ì;600 

VILLEFR ANCHE 

I*io 1X9 sua Vida, sua historia, e seu 
seculo, versào por Camillo Castello 
Branco. 1 grosso voi 1^400 



Remette-se franco de porte a quem requisitar catalogo completo 
das edigdes da casa que contém porto de 200 volumes 



Estas obras encontram-se a venda na Livraria Chardron 



Porto: 1879 ~ Typographia de A. J. da SU va Teizoira, Cancella Velba, 68 



Xià 



1.» ANNO 



1879 



N.» 5 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



GANGIONEIRO ALEGRE 



DE 



POETAS PORTUGUEZES E BKAZILEIRÓS 



o 02yCx^Asxa'a?jHJ30 



POB 



Um volume de ^60 pag., l|^200 reis 

Para se fazer idèa da importancia d'este Gancio- 
neiroy publicamos em seguida varios trechos do prefa- 
cio, alguns commentarios que precederà as poesias de 
cada um dos authores, e o indice dos mesmos. 



Està idèa de um Oancioneiiro 

aleg^i*e soggerìa-a ao commentador 
um formoso livro escocez ìntitulado The 
hook of humorotts poetry, impresso re- 
cente e primorosamente em Edinburgh. 
E leitura variada, deliciosa, ridentissima 
sempre, nào das casqoinadas que nos 
distmguem tristemente entre os animaes, 
mas do sentir intimo de contentamento 
quando vemos bem solfejada nos versos 
a prosa ridicnla das nossas esquipa^oes. 
AmMcionei patrioticamente vèr assim 
^okoi livfo de poetas portuguezcs e brazì- 
l^isos; mas logo me assaltou a contra- 
rìedade de que o poeta, em Portugal 
principalmente, por via de regra, des- 
abrocna os seus t>otoes de flòr às lagri- 



mas da aurora — nasce a chorar ; e, se 
chega a adulto e seccou os prantos, é por- 
que foi despachado — arranjotb-^e ; e, em 
quanto o n&o arraiijam melhor, chora 
em prosa no scio do deputado amigo, em 
memoriaes plangentes, que entram comò 
sudarìos na pasta do ministro. Se o mi- 
nistro jà trovou comò Serpa, ou Andra- 
de Corvo, Mendes Leal, Thomaz Bibeiro, 
ou Conto Monteiro, o poeta mais hoje ou 
mais ÀmanhS., se fòr de pouco sustento, 
póde contar que sobreviverà ao seu des- 
pacho, e enxugarà as perolas dos seus 
olhos ao plastron do ministro, corno Ho- 
racio limpava as suas ramcllas ds tape- 
^arias do monopodium de Mecenas. 
Entrei a inventariar na minha estan- 

5 



70 



BIBLIOGRAPHU PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



te de poetas, una que tinham perecido 
de amores fulminantes o outros de ane- 
mia, antes de chegarem ao capitolio de 
verificadores de alfandega, de escriptura- 
riofl dafazenda e ministros dacoròa. Es- 
ses pouco me deJram. Pertenciam à qua- 
dra ominosa do sentimentalismo. Esta- 
vam mortos para todos os effeitos.^ 



^ 



A poesia sentimental acabou. Devia 
naturalmente acabar assira que o amor 
gè julgou superfluo no casamento do va- 
te. Eram, n'outaw tempo, os poetas uns 
àmadores vitalicios que cantavam e ama- 
vam todas as meninas de urna ou duas 
freguezias; mas nào casavam com ellas. 
Enfeitavam-nas de flòres para maridos 
maganoes que son-iam d'elles com urna 
piedade quasi benevola, e os tratavam 
com excessos de delicadeza, até ao re- 
quinte de OS pórem na rua com poucas 
bengaladas. Os maridos, às vezes, quan- 
do 08 poetas bisavam os seus cantares, 
faziam no espinhaijo das esposas o com- 
passo. Iste soube-se -, a desordem da fa- 
milia constou cà fora, e o lyrismo come- 
cou a cahir comò immoral. 

Cahido o lyrismo, o poeta foi eompre- 
hendido nas regras geraes do genero hu- 
mano. Entrou a casar sem versos. ^m 
vez de perguntar à visinha quantas es- 
treUas tinha predilectas no azul, mdaga- 
va quantos predica tinha o papa ; e, se 
era orphà e herdeira, nào Ihe azedava 
saudades do pro^nitor com necrologias : 
ia ao cartono do escrivao do inventario 
examinar o formai de partilhas ; e, reco- 
Ihido ao silencio do seu gabinete com os 
apontamentos, em ve? de: 

Mulher amada, que o meu pelto abrazas, 

escrevia : 

Por xnctade do predio da ma das 

Cangostas 2:750^000 reis. 

Acabou assira a poesia araorosa. NSo 
foi Charles Baudelaire, nera a devassi- 
dSo dissolvente do segundo imperio, nem 
OS progressos da ethnographia e da chi- 
mica, comò pretende o snr. Guerra Jun- 
QUEiRO. A poesia sentimental acabou por- 
que poetas que exercitem a arte por 
amor da arte jà nSo ha nenhum, nem 
tao pouco ha mulheres que sintam no 
peito o vacuo dos sonetos; e, se acontece 
^nda alguma experimentar vàgados in- 



timos e palpita^Ses estranhas — cousas 
que outr*ora se ehamavam 

Vago aspirar de virglnaes enlévoe, 

comeuma sandwiche, um bife de grelha, 
e fica melhor. Ellas, quando sahiram do 
collegio, nào traziam gcographia e ancias 
de ideal : traziam chlorose e fome. 

Desfibradas as cordas da cythara, era, 
nào obstante, necessario e fatai que al- 
gaem cantasse, genio é rebelde: se 
o espesinham, resalta. Alguns poetas, 
quaes vasos de porcelana fragili J^S-o pu- 
derara center as raizes da flòr do senti- 
mento que se Ihes radicaram profundas 
e largas até os estourar era poemas, nem 
romanticos nem classicos. Semelhantes 
cousas sào uns extractos sulphydricos ne- 
cessarios ao riso moderno corno o estrume 
à sei va das finas flóres aromaticas. Como 
nào podiam cantar com applauso a vio- 
leta róxa, cantam a alporca rubra. 

Que cu, a fallar verdade, nào creio em 
Goethe. Elle diz que nào ha litteratura 
classica nem romantica: ha litteratura 
sa e litteratura pòdre. E renovar o feio 
e a podridào — acrescenta Philarète Chas- 
les — o falso e o trivial, o phrenesi e a 
obscenidadc, o immenso e o exagerado, 
pela enfermidade e pela demencia, é faci- 
lima em presa i. Digam là o que disserem 
OS oraculos. A litteratura nào é Aristo- 
teles, nera Horacio, nem Boileau, nem 
Goethe. A poesia, essencìa fètida ou aro- 
matica da litteratura, é a expressào de 
urna època. « feio é o bello, e o bello é 
o feio » . Fair is fovlf and fotti Ì8 fair, 
diz Shakespeare. Hontem canta va-se a 
sociedade dyspeptìca em uso de figados 
de bacalhau; hqje canta-se a sociedade 
pMre era uso de proto-iodureto de mer- 
curio. 



Se a tranquillidade publica perdeu ou 

fanhoucom o desuso do sentimentalismo 
outra questào. Creio que a sociedade 
lucrou em peso e perdeu em feitio. A mu- 
lher, amada do poeta e conheoida comò 
tal, tinha certo prestìgio, uns aromas 
particulares das grinaldas de rimas que 
Ihe ajardinavam o salào, a alcòva, a 
igreja, o theatro, o passeio, a praia e os 
sonhos — sobretudo os sonhos quando n&o 
procediam das céas copiosas. Estes aro- 
mas adelga^avam-lhe o espirito; ellas 

1 Psycholoff^ 8oeicil9, obra posthnma. 



EHNESTO GHARDRON) EDITOR 



7! 



viam as oottsaa da vida a «una los eie- 
ctrica; tinham a pallìdez eburnea das 
Ophelìas ouidadosas dos seus doudos con- 
trafeitofi, às veses saadeas legitimofl ; sa- 
biam traduzir Telemacho e ofl segredos 
da lua; mas n&o conheciam o processo 
de fazer bons caldos e marmeladas. De- 
Doia, as que entraram pela ìnfiltra^ào 
do matrimonio na substancia do poeta, 
cahiram em si pasmadas e scepticas, 
quando viram os maridos preferfrem a 
uma MedUag&o de Lamartine um prato 
de esperregado. EUes é (|ae as despoeti- 
Baram, os maridos, pedmdo-lhes caldo 
substancial em yez de um 

riso 
liso, 

corno diz a trova. 

E as esposas, com o espirito engordu- 
rado da gula dos maridos, ensinam às fi- 
Ihas o despreso da velha poesia ; e quan- 
do as colhem de assalto embebidas no 
eztase d*um mo^o magro e macilento, 
dizem-lhes: «Vesso pai tambom aasim 
era deigado e pallido ^ntes de oasar; 
mas depois, com os caldos fortes, engor- 
dou». Éstas palavras s&o o epitaphio do 
lyrismo escripto no scio da gera^fto no- 
va. Toda a menina que prevé a poesia 
fluctuante do esposo eonsolidada em teci- 
do cellular, pre^re as fórmas finas e fle- 
xiveìs de um mando sem exame de ìds- 
truc9&o primaria. 



Tudo o que nos alegra, poema ou toli- 
ce, é um raio da misericordia divina... . 

A seriedade é uma doen^a, e o mais 

serio dos animaes é o burro. Ninguem 

Ihe tira, nem com afagos nem com a chi- 

bata aquelle sembiante cahido de mà- 

goas reconditas que o ralam no seu pei- 

to. Ha a'eile a linha, o perfil do sabio 

refugado no tioncuTso ao magisterìo, do 

candidato à camara baiza bigodeado pela 

perfidia do eleitores que, saturados de 

genebra e Carta constitucional, desde a 

taberna até à uma, fermentaram a chry- 

salìda de conscìencias novas. burro é 

assim triste por fora; mas é feliz por 

dentro, e riria dos seus homonymos, se 

pudesse ieualal-os na faculdade de rir, 

que é exdusiva do horoem e da hyena, a 

qual ri com umas exulta^oes ferozes tao 

«utbenticas comò as lagrimas insidiosas 

do CKooedik). 



N*e8tes ramilhetes de poesias nAo ha 
flòres para jarras de altares nem de jazi- 
gos. umas, sfto a facecia antiga portu- 
gucza, sinceramente Idrpa e bòa ; outras, 
sào a ironia moderna, o riso amargo da 
decadenda que espuma fel pelos labios 
lividos. On ne rit pLuB aujourdliui, on 
ricane (diz Leon la Forét). Si Von fait 
parfoiM de Vesprit, c'est de V esprit facile, 
au dépena du prochain, On ne Ht plus 
qae pour mordre, et le plus grands póéte 
de notre triste temps pourrait lui applU 
quer ce vera, oò, d ne voit dans le rire 
qu'une menace: 

Doline boache qtaì rit on volt tontef 1m denti. 

leitor tem entro m&os o livro mais 
consolador que se Ihe poderia offereeer 
no mais triste periodo das artes, das le- 
tras e das industrias honestas em Portu- 
gal. 



FAGUNDES VAEELLA 

Os apreciadores portuguezes da iyra 
brazileira distinguem com especial lou- 
vor Fagandes. É bastantemente citado 
oste pallista, e t&o lido, eà, ao que pare- 
ce, que a especula^&o o reimprimiu no 
Porto em 187o, reproduzindo-lhe o prefa- 
cio de 1861. author, querendo bem gra- 
duar a futilidade da poesia e attenuar a 
ousadia de a dar à estampa, a instancias 
de amigos, pergunta : «Qual é o estadis- 
ta, o homem de negocios que n&o se sen- 
tiu alguma vez na vada poeta, que aos 
ouvidos de uma pallida Magdalena ou 
Julieta, esqueeendo-se dos afgarismos e 
da estatistica, n&o se Icmbrou que Ao- 
viam brizas e passarinhos, illns5es e de- 
yaneios ?» E grammatica. Tambem seria 
bom lembrar-se, aos ouvidos das Ma- 
gdalenas e Julietas, que havia regras para 
o verbo haver, além de brizas para refri- 
gerio da epiderme, e passarinhos para 
deleite dos ouvidos. Em poesia, um sa- 
bià nào substitue a sjntaxe, e as flòres 
do ioga que rescendem no jequitibà nfto 
disfar9am a corcova d*um solecismo. 

Justificando a gente de juizo s&o que 
ri dos poetas,Fagundes n&o reputa indi- 
viduos escorreitos os fabricantes de ri- 
mas, e applaude os que Ihes cospem sar- 
casmos* «rorque o poeta •— diz elle com 
toda a raz&o — desconhece as leis da hu- 



72 



BIBLIOGRAPUIÀ P0RTU6UEZA E BSTRAN6BIRA 



manìdade, e em vez de contentar-se com 
o socego da familia, a calma da mediocri- 
dade, a paz do cara^&o, verdadeiras e 
unioas felicidades na terra, sonha urna 
yida a seu modo, e nSo podendo reali- 
sal-a, maldizHse e se consome». £ que far- 
tum à roa da Qaitanda ! mas tem razào. 
Quem desconheoe as leìs da humanida- 
de ; e, em vez do socego da familia quer 
a reìna^ào e o banzé ; em vez da calma 
da mediocridade quer deitar carrnagem 
huit resBorta on vestir-se de Preste JoSo 
das Indias, e n&o aoha demasiados quatro 
botSes na luva cor de canario, consuma- 
se e maldiga-se. Por taes e quejandos mo- 
tivos, Fagundes apostrópha os poetas, e 
vocifera com os labios espumantes de ìro- 
nias finas : aQuerem que os honestos paes 
de f amìlia ; os homens incumbidos de di- 
rigir o Estado e felicitar o paiz ; os com- 
merciantes e lavradores ; o mercenario 
occupado em ganhar o seu pao quotidia- 
no, abandonem os seus trabalhos, deixem 
seus filhos com fome para applaudir-lbes 
as loucuras e tecer-lbes coròas de curo ! 
N&o querem (os poetas) que se riam, 
quando o povo dizendo — nossas searas 
8§.o arrazadas, nossos fìlbos precisam de 
instruc9§>o, elles respondem : 



ou 



Mimoso pasaarinTw que vagueiaSf 



Mmha hella, eu U amo. 



e outras iguaes?» 

Até aqui Faqundes. 

Aguenta-te, Victor Huoo! A^ula-lhe 
OS teus ursos nostalgicos, Guebba Jum- 
QUBiBO ! Mercieiros, enchei-me oste vosso 
interprete de ceiras de fìgos de comadre. 

A final, este sujeito hybrido dos Bra- 
zis concine d*est'arte o seu prefacio ori- 
ginai : 

«Escre vendo estas linhas e dando a 
publicidade este volume, o author pede 
e espera que as musas Ihe favore^am com 
a ausencia de sua divina inspira^&o», etc. 

Eu tambem fa^o votos por que as mu- 
sas the favore^am com a ausencia da sua 
divina inspira^ào. Por estes dizeres pare- 
ce que foi divinamente inspirado Fagun- 
des. Nào o faz por meuos, e prova-o 
n*estas duas can^oes que denotam paiz 
novo e arvore nova de multa selva um 
pouco atacada de pulgào e lagarto. 



GOMES LEAL 

Ultimamente a litteratura realista dea 
em apresilhar à Morte nomes sobrema- 
neira offensivos, que andam cotados com 
cadeia, multa e custas no Codigo penai 
portuguez. A litteratura romantica cha- 
mava-lbe cega, paUida, impia, crud, dv^ 
ra, tyranna — adjectivos consagradoa & 
Parca por todos os vocabularios de epi- 
thetos. Ella, porém, afeita a ouvil-os 
desde os canticos orphicos até Horaoio, 
e desde Ltcophbon até ao snr. Viale, 
desde Sapho até & exc."* Pusich, estava 
dando aos adjectivos e às intorjei^oes a 
importancia que muita gente da a isso e 
ao resto da grammatica. Urgia, pois, fe- 
ril-a no vivo; dar-lbe nomes que cba- 
massem sobre ella a atten^ào da polloia 
medica, a preveu^So dos bospitaes e o 
asco das pessoas castas — expulsal-a, 
emfim, da visinhan^a das familias hones- 
tas e arrual-a na travessa de Liceiras 
ou na rua dos Calafates. 

O snr. Gbrvasio Lobato, escriptor mo- 
derno e brìi haute, come^u por chamar à 
Morte idiota invencivd, a pag. 129 da 
Oomedia de Lisboa, e a pag. 165 jà 
Ihe chama, com menos recato, cocotte ai» 
nistra, snr. Gomes Lbal, poeta moder» 
no tambem, amplifica, refina e desbraga- 
se mais vantajosamente nos epithetos 
que dirige à' Morte. Chama-lhe : 

Trapeira, 

Ladra impura, 

Descarada, 

Bameira accular, 

Velba ceifeira etema, 
e pergunta-lhe com a catadura marciai 
de um policia se ella vai entregar-se a 
alguem n^alguma escada. 

Tudo isto consta da poesia que vai ler- 
se. Parece impossivel que em um 0£iix« 
clonelro alegre frize um poema intitu- 
lado A Morte. Frìza. Tudo que faz rir 
e de certo nào foi feito para onorar, per- 
tence à far^a. Eu quizera demorar-me 
n*este commentano, defendendo os bona 
costumes da Morte, filha segunda de 
Deus, immediata à primogenita que q a 
Vida. Eu allegarla centra Gomes Le ai. 
que sobre a Morte pesam iniquamente 
responsabilidades que sào da medicina, e 
pedina ao poeta que dir^a as suas iqju- 
rìas aos snrs. Alvarbnqa e Magalhabs 
CouTiNHO, quando os encontrar. 

snr. Gbrvasio Lobato póde, se qui- 
zer, invocar em seu favor a authorìdade 
de Barbier que escreveu os lambes et 
poemes ha 44 annos. Elle tambem Iho 



ERNESTO GHABORON, EDITOR 



73 



chama pouco mais oa menos cocotte 
(courtisane), e Gautieb na Gomedla da 
morte chama-lhe coquette o carcassa. 
Mas Barbier disfarca a ìpjuria com nma 
soberba allegoria. Dìz que 



lia Mort a reneontré sur terre un amoureuXi 
Un étre qui l^adoro, un amant vigonreux 
Qui la serro en ses bras d^nne étreinte profane, 
Li^asseoit sor sos genoux eomme une eourtloanoi 
li^entratno avec ivresse à sa table, à son Ut, 
Et eomme un chand satyre aveo elle s'anit! 
Hideax aocouplement !... 



Este amante da Morte é Paris onde os 
suìcidas e os duellistas se atira vam aos 
bra^os duella com o ardor que n&o tinham 
para repalsar o estrangeìro que 



Pane à travers nos ohamps eomme un dfen de 

Q'enfér, 

Foulant d^nn pied sanglant Therbe de nos cam- 

[pagnes, 

Et ehargeant sor son dos les fils de nos comp»- 

[gnes, 

Ete. 



Estas invectivas à Morte nào fazcm 
rir ; mas bem se ve que nao sào muìto 
modemas. A courtisane de Barbier, e a 
cocotte de Gautikr, ao chegar com mais 
40 annos ao sur. Gombs Lbal, nào admi- 
ra que fosse rameira; mas, a fallar ver- 
dade, o snr. Gk)MF.s Leal nao inventou os 
epitbetos. Gautieb, na Oomedia da. 
morte, cbama-lhe viet^^e tn/ame e courti- 
sane éterndle; o snr. Leal — velha cei- 
feira eterna; Gautieb — prostituée com' 
mune; o snr. Leal — rameira secular, 
Henbi Blazb, ba quarenta annos, cha- 
mou-lhe « velba decrepita » . 



Quand la vieUU décrépiU 
Viendra ms /aire visite 
Jt mourrai aaru sourcUler. 



snr. GoMES LsAt, emfim, seria ori- 
^nal cbamando-lbe rameira, se Jules 
Vallèe, o petroleiro que morreu espin- 
gardeado em Paris, Ine nào cbamasse 
coureìise (marafona) no livro intitulado 
La Rue. 



PEDEO DINIZ 



Este poeta rìdente, mordaz e vemaculo 
de mio cheia nao respeita impcradores ; 
e mais é monarchista de velha rocha; 
come-se de sandades dos fradcs e jà es- | 



creveu mn livro a pedil-os ^. Quando 
Garbbtt, ao lusco-fusco da vida, fez um 
ramilhete de flòres, que pareciam borri- 
fadaa polo orvalho de dezoito primave- 
ras, mas em verdade traziam crystallisa- 
das as lagrìmas dos dncoenta annos — 
Pbdbo Diniz, com o pseudonimo e as 
cmeis ousadias que a mascara permitte, 
pegou das Folhas cahidas do autbor 
de Fr. Luiz de Sousa, comò quem péga 
de tres estancias de Mabtins Kua, autbor 
da Pedrelda, e atirou com ellas trans- 
vertrdas e, comò quer que scja, parodia- 
das à irris&o publicà ^. Os primeiros a 
rirem foram os amigos do visconde de 
Almeida Gabbbtt — OS seus pares, quero 
dizer, os conselheiros de Estado, os mi- 
nistros bonorarios, os marquezes, os pen- 
nachos, os gran-cruzes, os seus commen- 
saes, OS seus confidentes, os intimos. Eu 
e mais a arraia miuda e verde da bobe- 
mia rimos tambem, porque o pontifìce 
das letras nao velàra as fragilidades 
proprias e as albeias na idade veneranda 
em que todo poeta sensato ou dessalga 
a bistoria da patria em citava rima corno 
o snr. conselbeiro Viale, ou mctrifìca em 
redondilba maior a Vida de Santo An- 
tonio de Lisboa corno Antonio Lopes, 
ou faz o poema heroico de S. Gli de 
Santarem comò o medico Jolo Pedbo 
Xavieb do Monte, que havia sido tao fe- 
meeiro comò o medico Gii antes de ser 
santo, e por isso ibe dizia ao beroe no re- 
mate do poema : 

Faze poiSf que te imite eonvertìdo; 
Medico e peceador pois ienho rido '. 

A gente nSo queria que o autbor do 
Hetrato de Venus se convertesse ; mas 
magoava-nos vèr que a marrafa brunida 
e oleosa do autbor de Gamoes, nS.o Ihe 
defendia as cans dos apódos de quem 
quer que fosse. Queriamos que a respei- 
tabilidado do mestre estivesse bombro a 
bombro do poeta gigante. Queriamol-o 
irresponsavel, endeusado, olympico, em 
firn in vulnera vel Ab fréchadas do snr. Pb- 
DBO Diniz, guarda-livros de José Isidoro 
Guedes. 

Deploravel ! Todo o paiz e as colonias 
e o Brazil se riram das Folhas oahidas 
de Gabbbtt, desde que a satyra de Pedbo 
Diniz as abaizou ao raso da mordacida- 



1 Dos ordens religio»<u em Portugàl. Lisboa, 
1835. 8.0 

2 Ab FoilTiaa càhidas apanhadas a dente e pes- 
eadas no Porto, por Amaro Mendes Gaveta, ete. 
Porto, 1855. (Bdi^. trasladada da de Lisboa). 

3 A Egidea, ete. Lisboa, 1788. 



74 



BIBUOGRAPHIA PORTUOUBZA E BSTRANGEIRA 



de qae esoanoara sempre ama gargalha- 
da quando topa um amor senil a carpir- 
se com lastimas de crian^a amada. Eu 
n2lo sei se algamas fibras do cora^&o de 
Gabrbtt se dilataram de ddr até se parti- 
rem, quando teye a intuspec^ào da zom- 
barìa publioa. Pensar n^isto faz vergonha 
de ser homem, e dà-nos vontade de pedir 
anciosamente ao eéo que nos encha a al- 
ma de pensamentos de barro e que nos 
fortale^a o estomago até à prova da ca- 
bota de porco com feijào branco. Nada 
de pensamentos tristes ; que este livro é 
todo alegrìas. 

Imputem ao iconoclasta de Gabbbtt a 
satyra a D. Fedro ii, imperador do Bra- 
zìi, intitulada o Rei Lhano. £m Portugal 
as artes e as letras, o lapis, a poesia e a 
prosa chasquearam o tio de el-rei nesso 
senhor em variados feìtios e estylos. 
Àcolheram o filho do Libertador com ta- 
manha urbanidade que nem pareciam 
portuguezes na cortezia, nos finos primo- 
res, no mimo e galanteria de mesuras ao 
nesso hospede. De nào parecer-se a gente 
em eztremos de cìvilidade oom os outros 
paìzes é que provavelmente os braziiei- 
ros para nos irem dolendo do preconcei- 
to de malcriados nos vào ohamando «gal- 
legos», por excellencia. 

poemeto de Fedro Diniz, que dizem 
ser migueUsta, sobre ser a mais decente 
é a cousa mais patusca que se escreveu. 
Vendia-se a meio tostào, e tem versos 
que 8Ó uma grande e isenta devo9ào de 
honrar a pama em materia de hospeda- 



gem OS podia fazer tao baralos. Um ta- 
lento d'este porte devia de sahir-se com 
um folheto digno de tost&o, se tomasse a 
peito reprehender os gaiatos que param 
no Terreiro do Fa^o diante dos estran- 
geiros e Ihes fazem tregeitos com o dedo 
grande da m&o direita na penta do nariz 
e o minimo no polex da esquerda. Gusta 
a conciliar comò couberam no mesmo re- 
fego cerebral este levantado poema do 
Rei Lhano e aquellas quadrinhas que os 
nossos pequenos recitam devidas a este 
poeta que às vezes distilla dos seios o 
ieite da instruc9ào primaria n'estfi apqja- 
dura copiosa : 

Palram pega e papagaio 
B cacare) a a gnllinba, 
Os temofl pombos armlbam, 
Geme a rola innocentinha. 

Relincha o nobre cavallo ; 
Os elephantes dio urros ; 
A timida ovella baia ; 
Zurrar é proprio de bnrroe. 

Et ecBttra. 

Tudo Ihe sahe de molde e é para tudo. 
Castiga com a satyra os deuses do genio 
que se incamam nas deusas do cold" 
cream e do carmim. Verbera os impera- 
dores que n&o passeiam coroados a rua 
do Ouro com a capa de escarlate e armi- 
nho. £ d^estas eminencias chama a si as 
crianciahas, para dizer que o burro zur- 
ra. E quasi inutil ensinar n*este paiz às 
crian^as uma cousa que a maior parte 
d'ellas aprende pela ouvir aos paes. 



Alexandre da OonoelfSo. 

Alfredo de Oarvalhaes. 

Alvaret d* Azevedo. 

Anonymo. 

Antbero de Qnental. 

Angusto 8oromenbo. 

Azevedo Castello Branco. 

Bario de Ronstado. 

Boeagc. 

Bras Luis d*Abreii. 

Bulbio Fato. 

Cabedo (Antonio de). 

Oamillo Castello Branco. 

OamSes. 

Oascaes* 

Casimiro d'Abren. 

Claudio José Nones. 

Conde d* Azevedo. 

Correla d'Almeida. 

Diego de Macedo. 



Donnas Boto. 

Duarte d*AImeida. 

Fagondes Varella. 

Faustino Xavier de Novaes. 

Fernando Caldeira. 

Filgueiras. 

Francisco Falba. 

Franco de Si. 

Oar^io. 

Gii Vicente. 

Oirio (Antonio Lniz Ferreira). 

Gomes d^Amorim. 

Gh>mes Leal. 

Cton^alves Creq>o. 

Ch>n(4ilyes Dias. 

Guerra Junqueiro. 

Guilberme d* Azevedo. 

Guilberme Braga. 

Joio de Deus. 

Joio Penba. 



Jorgo d^Aguiar. 

Moniz B arroto. 

Nunes da Fonte. 

Falmeirim. 

Fapan^. 

Paredes. 

Panlino Cabrai. 

Fedro Diniz. 

Si Coutinbo. 

SimSes Dias. 

Scusa Andrade. 

Tbomaz Finto Brandio. 

Tbomaz Ribeiro. 

Vidal. 

Vi scende d^Almeida Garrett. 

Visconde de Castilbo. 

Visconde da Fedra Branca. 

Viterbo. 

Xavier da Cunba. 



EENESTO CHABDRON, EDITOR— PORTO 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



75 



PORTUGAL E OS ESTRANGEIROS 



BSTXJIDOS r>3B 



MANOEL BERNARDES BRANCO 



DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA 



COLPENDO 

I— Dieetonario do» eserfytores tstrangeiroa que atcfeveram ohrat reiaHvaa 

a Portugal ou a astumptoa porfuguezea, 

eom a traduc^So dos trecJioa maiu notaveU d'estaa obra» 

II — Dicdonario doa iraduetorea eairangairoa qu€ varieram para oa aeua idiomaa obraa jpotiuguetaa 

III — Notida doa portuguetaa que naa lairaa e naa aeUnciaa «e diaHnguiram no eatrangairo, 

e reaenha doa ohraa da autJiorea portuguaeea 
publicadaa em Portugal e raimpreaaaa rapatidaa vatea em paisea eatrangeiroa 

IV — Notida daa recorda^ea e monumentoa ainda emiatentea 
tm difftremtea partaa do nundo 
ftiioa pdoa portuguazaa ou tirigidoa em honra d'éUaa 

Lisboa, A. M. Pereira, editor, 1879, 2 gr. vol. in-4.** 



snr. Manoel Bernardes Branco mal 
respirou as fragrantes atmospheras da mo- 
oìdadc. A vìda tem-lhe sido dura, e bem 
modelada pelo preceìto originalmente di- 
vino do trobalho ^quelle calaceiro Adào 
que, se nào transgredisse a prescrip9ào 
àcerca do pomar edenico^ darla de si urna 
posteridade de mandrides ditosos. Conhe- 
90 ha muitos annos snr. Bernardes Bran- 
co nas lides do professorado e nas jorna- 
listicas, sem intercadencia de desalento. 
Nunca o encontrei em botiquins e thea- 
tros. Achava-o às vezes extraordinaria- 
mente jubiloso com o encontro propicio 
de algum livro roido, lustroso do sebo de 
dez gera^oes, cheio de seculos locu^òes 
casti9as. As orgias da sua mocìdade nào 
passaram d'estes afagos usnrpados a Ti- 
to Livio, a Fénélon, a Thucidedes, a 
Goldsmith. Creio que o snr. Bernardes 
Branco ensinava no Porto, ha vinte an- 
nos, 08 quatro idiomas ; e, no latino, deu 
por esse tempo uma versào litteral multo 
estima vel de alguns livros do historìador 
de Roma. 

Nào me espantou a empresa nem a 
grossnra dos volumes quando vi quo era 
o snr. Bernardes Branco o author de Por" 
tugoL e os Estrangeiroa. que me assom- 
brou foi o cabedal de fadigas que està 
obra representa; e, ao mesmo tempo, a 
engenhosa allian9a que se dà entre o im- 
pertinente mister de trasladar titulos de 



livros e a crìtica esclarecida que nos des- 
enfada de semelhante lei tura. 

Nào sei de nacionalidade alguma que 
possua um monumento litterarìo d^esta 
especie. As grandes na^oes nào teem va- 
gar para se informarem do que a seu 
respeito escrevem as outras, ou descu- 
ram desdenhosas tanto a irgurìa comò 
a lisonja. Nós, porém, os portuguezes, 
comò velhos fidalgos pobres que se as- 
sentam no escabello duro e armoreado 
a lér cartapacios genealogicos, sentimos 
remo^ar-se-nos o sangue quando nos fal- 
lam do passado e nos bafeja a vira^ào da 
Africa e do Oriento um pouquinho impr&- 
gnada do acre bafio do sangue. Consola- 
nos saber que pensam de nós os via- 
jantes que f umam londrés nas janellas do 
Hotel Central. Imaginamos que elles, 
cibando là em baixo a barra frai^'ada de 
curo, fantasiam que vem entrando as 
naus dos quintos, là onde alvejam e ar- 
fam OS panos da rasca Santo Antonio e 
Almaa com carga de sai. E, se acaso nos 
beliscam a prosapia com epigrammas e 
petulancias de Bvron, de Harrìson, de 
Amador de los Rios, de John Latouche, 
erguemo-nos do escabello compellidos pe- 
lo brio luso, e sentamo-nos outra vez 
obrigados pela pregui^a portugueza. Eu 
por mim sahi ha pouco d*estes habitos 
nacionaes, traduzindo e commentando a 
Fair Luaitania de lady J^kson. Como 



76 



BIBLIOGRAPHIÀ PORTUGUBZA E ESTRRN6EIRÀ 



annoto! com um sorriso benevolo os li- 

Seirices da illastre escriptora a respeito 
ecreodices e costumes portoguezes^hou- 
ye ahi um artifice de litteratagem na ìm- 

Srensa do Porto que me arguin de inde- 
cado com a senhora estrangeira. No con- 
ceito d^este jomaleiro de gazetilha fiquei 
para com as damas de Inglaterra, em pri- 
mores cavalleirosos, multo abaixo do grào 
Magri^o. 

meu exemplo com certeza n&o move- 
rla snr. M. B. Branco a publicar o seu 
Portugal e 08 Estrangeiros, se elle nfto 
tivesse empenbado n^esse lavor um em- 
pate de dez annos de vida, corno conta ao 
senhor D. Luiz i, a quem dedica a sua 
obra. 

mais persuasivo testemunbo que pos- 
so dar ao operoso escriptor de quo li os 
seus livros com deleitoso estudo e gran- 
de atten9ào, é trasladar para aqui as no- 
tas com que Ibes margine! as paginas. 
Obras d'està natureza jàmais se comple- 
tam. Podem apcrfei^oar-se ; mas nunca 
s2U) perfeitas. Elias mesmas de si, quando 
or^am pelo merito de Portugal e oa Es' 
trangeiroa, incitam pessoas de grande e 
até de mediana eru(Hcào a quererem dar 
o seu subsidio para luturos aperfei^oa- 
mentos. Eu sou dos segundos — pordoe- 
se-me a immodestia. Vivo em aldeia ; es- 
tou preso à gale dos livros pela corrente 
do rneumatismo ; acòlho com multo affe- 
Cto OS bons ezemplares que compro, e 
sinto-me mais rico a par e passo quo as 
obras do quilate d'està do snr. Bernardes 
Branco me levam em prata o que me dei- 
xam em luz. 

Conceda-me pois o benemerito collega 
uns ligeiros retoques, uma collabora^ào 
affectuosa na segunda edi^ào da sua oora 
digna de paiz mais premiador do traba- 
Iho. 



Pag. 21 : 

17) A. . . J. . . ^ Compleat Account of 
the Portugueze Language, etc. London, 
1701, fol. 

autbor d'cste diccionario é o padre 
Bapbael Bluteau, que entào estava em 
Franca; e, regressando a Portugal em 
1704, foi comò desterrado para Alcoba^a, 
d*onde mandou publicar em Lisboa em 
1705; na officina de Miguel Manescal, a 
Grammatica AnglO'Lusitanica do que o 
snr. B. Branco se Icmbra nos uUimoaad- 
ditamentos, pag. 567, do 2.® voi. E a pri- 
meira d'està especie que se imprimiu em 
Portugal, desconbecida a Innocencio. 

Pag. 148, Traslada a carta mal verti- 
da do francez quo Boileau escreveu ao 



conde da Erioeira, tradactor da Artepoe' 
tica, Parece ser a versào que acompanba 
a edÌ9&o da Arte poetica de 1818. Seria 
bom que o snr. B. Branco tambem trans- 
crevesse os periodos das cartas que Boi- 
leau escreveu a Brossette, zombando dos 
versos e do francez do conde da Ericei- 
ra. (Vtij. (Euvres complìtea de Boileau 
Despréaux, Paris, 1819). 

Pag. 376. Traslada do MagaHn Pitto- 
resque de 1843 uma poesia de Fernando 
de Herrera. Dà-nos a verslU) franceza, 
pouco menos de deploravel, em versos 
deslavados. A nào poder copial-a do ori- 
ginai, parecia-mo preferivel nào dar ne- 
nbuma poesia nem afìraucezar em Perdi» 
nand o hespanhol Fernando. 

Quem nào possue alguma das raras edi- 
9oes do divino Horrera, encontra a Can» 
don u\^ Ala perdida del Bey Don Sébas* 
tian no Tesoro del Parnaso Espahol de 
Quintana, Paris, 1861, pag. 73. 

Pag. 387. Histoire secrUe de D. (aliàa 
Dom) Antoine, roy de Porttigal, tirée des 
m^moires de D. Gomes de VasconceUos Fi* 
gueiredo (aliAs de Ftgueredo), Paris, 1696, 

A authora é M.*"" Gillop de Sainctov^ 
gè. Torna o snr. B. Branco a catalogar 
a mesma obra com o nome da authora no 
n.o 1234 do 2.o tomo. 

Pag. 402. HoLLAND (James) The tourist 
en Portugal iUtMtrated from printings. 
London, 1839. Està obra é de W. H. 
Harrison. As gravuras é que s&o copia- 
das das pinturas de James HoUand* Li(. 
està no frontispicio o nome do autbor an- 
teposto ao do famigerado pìntor. A pagi- 
nas 432 do 2.0 tomo repete-se a mesma 
obra em portuguez inintelligivel : To* 
rista em Portugal, attribuida justamente 
a Harrison. 

Pag. 617. Diz o snr. B. Branco quo 
Hughes, no poema The Ocean Flower, 
«nào se mostra multo admirador» de Cas- 
tilho. Ou leu com pouca atten^ào as prò-; 
sas do poema, ou se fiou no quo leu do 
snr. Pereira Caldas a pag. 43 do opus- 
culo que editou em 1871, chamado Fa» 
vores do céo a Portugal, Ahi diz o snr. 
Pereira Caldas que o blasphemo angli' 
cano desfavorecera iujustamente o nosso 
primeiro prosador e poeta ; e depois ci- 
ta a blasphemia do Hughes que é a se- 
guinte : The second living writer of Por* 
tugalf who appears to deserve the nome 
of Poeta, is Antonio Feliciano de Casti» 
Iho. Traduc9ào litteral : Dos escriptores vi» 
vos de Portugal é Antonio Feliciano de 
Castilho que parece digno do nome de 
poeta. Desconno que o insiene professor 
ì bracharense traduziu o verbo to deserve 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



77 



para deamerecer. Se alguem blasphema, 
nào é o anglicano. Aquì andou mais falta 
de diccionario que de relìgìào. 

Pag. 413. Jackson (Lady) Fair Lusi- 
tania! A Portuguese sketch Book. By — . 
With twenty very beautiful fall-page 11" 
lustratlona from photo graphs. Està aite- 
rado o titulo do livro, que é este : Fair 
Lusitania. By Catherine Charlotte Lady 
Jjockson, With twenty illustrations from 
photographa. snr. Bernardes Branco 
leu provavelmeote um annuncio de perio- 
dico inglez. 

Pag. 419. JuRR [de) auccesaionia regia 
m regno Luaitania, etc. Midddburgi, 1591 . 

Està obra de propaganda a favor de D. 
Antonio é urna das muitas que escreveu 
frei José Teixeira, confessor d'aquelle 
pretendente à corda. Adiante fallarci 
d'este celebre dominicano. Como obra de 
author portuguez é incompetente n'este 
livro. 

Pag. 435. Latouchb (John) Travela in 
Portugal, etc. London, 1875. 

É pseudonymo de Oswald Crawflurd, 
consul actual de Inglaterra no Porto. É 
o mesmo viajante que o snr. Bemardes 
Branco menciona a pag. 524 do 1.^^ tomo 
escrevendo Notea of Travet in Portugal 
no The new Quarterly Review (alias Ma- 
gaaine), Traslada o author expressoes do 
viajante em louvor de A. Herculano. Es- 
ses louvores desappareceram do livro que 
Latouche ampliou e denominou Travela, 
etc. Latouche, n'esta 2.^ edi^ào, restrin- 
ge as suas admira^oes, e considera Bar- 
ros e Herculano pouco longe do perfeito 
estylo historico, nearly perfeoty; e, pelo 
que resta de litteratura portugueza, diz 
que estamos todos influenciados pelo «cul- 
teranismo», pelo sentimentalismo e pela 
rhetorica. Depois conta historias pica- 
rescas do Fajardo, e observa maravilha- 
do que os portugnezes nào escrevem cào 
Sem pórem uma estreila adiante do e. 
D^ahi Drocede ter elle lido em uma esqui- 
na de Lisboa o seguinte letreiro : « Tra- 
vessa do olho do e « » . Deve-se isto à su- 
perabundancia do nesso sentimentalismo. 
Vivemos muito das estrelias ; e, se neccs- 
sitamos dizer càOy dizemos so e, e aponta- 
mos para o céo. 

Pag. 533. OwEN (Hugh) Here and the-- 
re in Portugal etc. London, 1856, 8.o 

Este livro, que o snr. M. Bemardes 
Branco reputa muito interessante, foi es- 
cripto por um cavalheiro domiciliado e 
titular em Portugal : o snr. barào de Pe- 
ro Palha. 

Entremos no tomo 2.® 
' Pag. 81. PoBTuoÀLLiA, aive de regia 



PortugaUice regnia et opibua commentariua,^ 
Lugd. Batav. 1741. (Commentarios àcer- 
ca dos reinos e riquezas de Portugal). 

Cumpre emendar o titulo, o anno da 
impressào do livro, e a interpreta^ào por- 
tugucza : — Portugallia, aive de regia 
Portugallias regnia et opibua commenta- 
ritta. Lugd. Batav. Ex officina Elzeveria- 
na, Ciò Ij^C XLI (1641). (Portugal, ou 
commentario dos dominioa e poderio do 
rei de Portugal). 

Este livro devia estar na sec^ào dos 
traductores porque é uma reproduc^&o la- 
tina do escripto De antiquitatibua de A. 
de Rezende, e uma versào litterul de 
Duarte N. de Leào, de Nicolao de Olivei- 
ra, do padre Antonio de Vasconcellos, Pe- 
dro de Mariz, Damiào de Groes, e oùtros. 

Pag. 148. Robinson (I. C.) 

Este consultor de bellas-artes do Mu- 
seu de South Rensington veìo a Portu- 
gal esaminar a antiga escóla de pintura, 
e escreveu um opusculo, vertido e anno- 
tado pelo marquez de Sousa Holstein, no- 
tavel conhecedor em bellas-artes. Desco- 
briu Robinson que os quadros da escóla 
de Vizeu nào eram todos de Vasco ; por- 
que em alguns descobriu a assignatura 
Velaaco. Descobriu tambem que o author 
do painel de Chrìsto apresentado ao povo, 
pertoncente a Santa Cruz de Coimbra, se 
chamava Ovia, porque leu na flammula de 
uma lan^a ou que quer que seja — OVIA. 
marquez de Sousa aceitou o Velaaco e 
— o que mais é — o Ovia, comò se em 
paiz algum da Europa podesse haver um 
pintor chamado Ovia. Quanto a Velaaco 
(alias Vdaacua, porque a syllaba final, 
corno se acha escripta, designa para os 
que tcm alguma pràtica de paleographia 
uà e nào o ^) é o nome Vasco alatinado ; 
e, se fosse Velaaco seria latinamente Ve- 
la^quiua, comò se le no epitaphio do fa- 
moso Diogo Velaaco da Silva, pintor de 
Filippo IV : 

D. Didacua Vdaaquiua de Silva 

Hiapalenaia, 

pictor eximiua, etc. * 

Pelo que respeita a OVIA, eu, algum 
tempo, scismei que as quatro letras fos- 
sem as iniciaes de uma dedicatoria, a 
uso romano, comò là se faziam de esta- 
tuas, quadros, mosaicos, eie. Poderiam 
significar Optimo Yiro Incompatibile Ami' 
co; mas, quando soube que as letras, à 
primeira luz do quadro, se liam n^uma 

1 Veja*se o opuscnlo do marqnez de Sonsa Hola- 
tein A atUiga eseéia portugutza de pMura, etc. 
3 Morerl, tom. S.^ 



78 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



taijade um dos esbirros do Christo, qoiz- 
me parecer que Ovia fosse urna ezclama- 
^ào corno «6 ma da amargura. . . » E no- 
te-se que o que eu possuo, o mais antico 
peregrino à Terra Santa, fr. Antonio 
d^Aranda, que imprìmìu em 1563 em Ai- 
cala a viagem que fìzera em 1580, chama 
ao espa^o, que medeia entro a casa de Pi- 
lato e a casa de Kaipha, a via santa, 
que n<Ss cà ampliando a toda a tragedia da 
Paixfto de Chris to chamamos a via sacra. 

Por nenbum modo offere9o estas con- 
sidera^Ses ao sur. Manoel Bernardes 
Branco para que as aproveite. Sào pre- 
sump93es que por emquanto me dispen- 
sam de reconbecer o Velasco e mais o 
Ovia .do snr. Robinson. 

Pag. 227. Além das obras de Robert 
Sowthey que o author aponta, conbc^o um 
prefado d*elle ao Amadia de GatUa, im- 
presso em Londres, em 1803. Sowtbey 
erradamente attrìbue ao prior do Grato 
um soneto em bonra de Vasco do Lobei- 
ra. Este soneto é o 33 dos Poemaa Insita- 
no8 de Antonio Ferreira, impressos em 
1598. Veja TicKNoa, Hist, da litt. hesp., 
vers&o de Magnabal, tom. !.<>, pag. 207, 
nota 3.» 

Pag. 264. Twcss (Richard). snr. Ber- 
nardes Branco connece o livro da vcrsao 
franceza : Voyage en Portugal et en Es- 
pagne, etc. titulo originai é : Travels 
through Portugal and Spain, in 1112 and 
1113. By Richard Tiviss, Esq. F. R. S, 
With copper-plates (seis roagnificas estam- 
pas), etc. London, 1115, 4.° gr, 

A yersào franceza està invada de in- 
exactidoes. traductor, quando nào per- 
cebia, saltava. Tem trechos curiosissimos 
o originai. Twiss apenas encontrou em 
Coimbra, digno de nota, uns copos e umas 
caizas curiosas de corno, feitas ao torno, 
cupa and boxes of turned horn, tradu- 
ctor francez omittiu estas galanterias. 
Nào sei comò elle traduz urna aldeia da 
Beira Alta que o inglez chamou Barilhe. 
snr. B. Branco escreve Baricho; mas 
o seu nome portuguez é Barrii, Parece- 
me bom corrigir os estrangeiros que adul- 
teram a nossa geograpbia, senào elles 
8§<» capazes de nol-a inventarem toda. Eu 
fìz que pude, n*este sentido, naB notas 
da Formosa Lnmtania. 

Pag. 206. Vie (la) de Dora Barthdemy 
des Martyra, . . etc. Tirée de aon hiatoire 
écrite en Eapagnol et en Portugaia par 
dna AiUeura^ etc. A Paris, 1664, 8.o 
(ali&s 1663). 

author ou traductor d'este livro é 
lacMc Le Maitre de Sad, cap. xvi é 
jima admiravel deBcrip9&o da batalha de 



Alca^arquebir oom bastantes tra^oa de 
outra identica de Luiz Cabrerà de Cor- 
doba, impressa em 1619. Menciona o snr. 
B. Branco urna edic&o resumida por Cait- 
tot (Caillot) de 1825, e outra de 1834. 
Ora, tendo eu outra edi^&o de 1826, figu- 
ra-so-me impraticavel tamanha devo^ào 
em Franca pelo nesso arcebispo. N'esta 
balburdia de versoes dà-se a singularida- 
de de um hespanhol, em 1737, traduzir do 
francez a mesma vers&o feita do hespa- 
nhol, e veio depois o portuguez padre 
Francisco Alvares Victorio e publicou em 
1748 uma traduc^^ de todos os outros. 
E n&o para aqui. actual arcebispo de 
Braga encommendou uma nova biogra- 
phia do seu antecessor a um habil escri- 
ptor de Vianna do Castello. Fr. Luiz de 
Sousa jà n&o serve : està fora dos pro«e8<< 
SOS modemos. 
Estamos no 

Supplemento e additamentoa 

Precede-os em italiano uma epigraphe 
de Joào Baptiata Marin. Eu esoreveria 
Giambattista Marino que ora o nome do 
poeta napolitano. D'aquelle modo, fica 
Decado francez, bocado portuguez, e là 
se Ihe vai a autonomia do nome. 

Pag. 389. Marche (Olivier). Palavraa 
do exc.^^ anr, TheophUo Braga — diz o 
snr. M. B. Branco: «As Memoriaa d'es- 
<t te escriptor francez, organisadas entro 
f< 1435 e 1488, sào a fonte mais preoiosa 
a que se póde encontrar sobre as orìgens 
«r tradicionaes das Quinaa portuguezaa. 
« Podem-se consultar na CoUection com- 
«pthte dea Memoirea rdatifa à V Hiatoire 
«de Franee, par Petitot, tom. ix, 2.* se- 
«rìe, pag. 107. E para admirar que na 
« celebre polemica sobre o milagre de Ou- 
fl rique nenhum dos contendores se lem- 
« brasse de interpretar um texto t&o im- 
« portante » . Até aqui o professor. 

que muito é para admirar é que o 
snr. Theophilo Braga nào visse larga- 
mente interpretado o importante texto 
por Alexandre Herculano em um dos seus 
opusculos de polemica intitulado Solbm- 
NiA VERSA (ir), por causa do milagre de 
Ourique. Veja o tomo 3.® dos Opuactdoa 
do grande historiador desde pag. 150 até 
154. Além d'isso, o texto jà estava d'ou- 
tro modo interpretado pelo padre Antonio 
Pereira de Figueiredo desde 1786. Veja 
Novoa testemunhoa da milagroaa apparigào 
de Chriato Senhor Noaso a el-rei D. Af- 
forno Henriquea, etc. Diz o snr. Theophi- 
lo que Olivier de la Marche organlsou as 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



79 



8iia8 Meinortas éntre 1435 e 1488. Ora, 
Olivier de la Marche nasceu era 1426, 
segando Petdtot. Come90u pois, segando 
Theophilo, a organisar Memorias aos no- 
ve annos. Seria ara prodigio; maséape- 
nas urna leviandade do senhor doutor. 
proprio de la Marche diz ; « Comedo a es- 
crever aos 66 annos de minha vida» . Era 
em 1492, e morrea passados dez aunos. 
Se o famoso professor e reforraador dos 
ostados historicos lésse A. Hercalano, de 
certo n&o desacertaria em tantas cousas 
simaltaneamentc. snr. Braga escreve 
por palpito. E por estas e por outras, 
quando o snr. Canha Seixas me diz que 
o snr. Theophilo é um do8 noasoa mais 
conapicuos escriptores e urna das mais de- 
vadas e róbustas intdligencias da Penin- 
stila, desconfio que o snr. Seixas està a 
desfrutar-me. Man gosto No entànto, 
parece-me que o snr. Branco, na2.aedi- 
9&0 da sua obra, deve expungir o bilhe- 
tinho do sor. Theophilo. 

Pag. 400. Entra o snr. Bernardes Bran- 
co apoiado no snr. Theophilo, e com des- 
usada acriraonia na nacionalìdade do 
Amadis de Gaula centra a opiniào do snr. 
Amador de los Rios e Pascoal Gayangos 
que duvidam da existenoia do originai de 
Vasco de Lobeira na bibliotheca do duque 
de Aveiro. N&o entro n*esta questào, e to- 
mo para mim o conselho que o snr. Ber- 
nardes Branco dà com bastante energia ao 
snr. Amador de los Rios : <r Quem nào es- 
tà habilitado para tra tur de certos as- 
sumptos nào se metta n'elles ». E é as- 
sira. 

Pag. 402. Mbstschhebski {le prince 
Mim). Dà o snr. Bernardes noticia d'um 
drama intitulado Camòes, e escripto em 
f rancez por aquelle principe russo. Infor- 
maram-no de que um dos personagens 
que figuram na agonia de Camoes no hos- 
pital se chamava D. José Quebedo Cas- 
tel-Branco. personagem diz primeiro 
que ó José Castel-Branco de Viade, e é 
pai de Peres, author do Affonso Africa^ 
no, poema de Quevedo. Tinha dircito à 
rectifica^ào està tolico russa de origem 
germanica. 

Pag. 403. Monsieub M«««. Voyages 
faits en divers temps en Espagne, en Por^ 
ingoi, en AUemagne, en France et ailleurs. 
Por — . Amsterdam, chez George GaUet, 
1699, 5.0, 595 pag. com estampas. 

Este titulo contém duas inexactidoes . 
Foi impresso o livro em 1700, e tera 295 
pag. Lapsos typographicgs, de certo. 
snr. Branco traduz alguma cousa sobre 
iffrejas, casas, costumes maus das mu- 
Iheres, e termina dizendo « que està via- 



eem p<5de dar alguns esclarecimentos 
àcerca do modo do viver de D. Pedro n 
e de sua mulher D. Maria Francisca Isa- 
bel». Pois é isso j ustamente o que eu tra« 
duziria. A ìmpressào banal que Ihe cau- 
saram as casas e a falsa escravid&o e ve* 
Ibaca perfidia das mulheres casadas im- 
porta menos que as alegrias da rainha 
nas touradas e nos bailes quando o rei, 
seu primeiro marido, estava preso no cas- 
tello da ilha Terceira. yiajante esteve 
em Lisboa era 1670. 

Pag. 436. Al ARGON (D, Antonio Soares 
de). Itdaciones genealogicas de la ca^a dos 
marquezes de Trocifal, condes de Torres 
Vedras. Madrid, 1586, fol. 

livro foi impresso em 1656. author 
portuguez, e primogenito da casa erga 
genealogia escreve, é por tanto incom- 
petente n'esta obra. Aquelles titulos de 
Trocifal e Torres Vedras estao hoje em 
Hospanha no duque da Victoria. Tem es- 
te livro curiosas noticias a respeito do 
prior do Crato. 

Pag. 471. Barault (StUpice Gaubier). 
Tm mort d'Inez de Ca^stropour servir d^es- 
sai a une traduction frangaise en vers et 
complete de ce fameux pohne portugais, 
Ouvrage dedié et presente au roi le 6 de 
juin 1135, jour de la naissance de Sa Ma* 
gesté, par — Major de la Place de Lisbon» 
ne. De Vlmprimerie Boyale, 1752, 

Nào era regalar que se iraprimisse em 
1752 ura livro para ser oft'orecido ao rei 
em 1735. titulo està adulterado. Inno- 
cencio transcreve-o um pouco mais cor- 
recto, e inculca a raridade do opusculo; 
mas faz nascer D. José i em 1872, e faz 
que Barauìt se proponha traduzir em ver- 
so La mort d Inez de Castro et Adamas» 
tor, ellipsando um ponto e virgula entro 
Adama stor e Castro. A obra foi apresen- 
tada a D. José em 6 de junho de 1772. 
Nào tem data de impressào. 

Pag. 491. Dando a lista das edÌ9oes 
das Lettres d'amour d*une rdigieuse por- 
titgaise écrites au chevalier de C, etc., 
concine o snr. B. Branco: «Hoje està 
provado até à evidencia ser està obra 
originalmente portugueza». Eu por mim 
inclino-me ura tanto à evidencia do con- 
trario. Reproduzo a opiniào que jà escre- 
vi a este respeito : « J. Jacques Rousseau 
apostava que as cartas da religiosa ha- 
viam side escriptas por um homera, e n<Ss 
tambera apostamos por diversas causas das 
do philosopho das Uonfissdes. Elle refuta 
que mulheres escrevara d'amor assim tfto 
sentidamente ; nós impugnamos que, cm 
1663, no periodo de D. Bernarda Fer- 
reira de Lacerda e soror Violante do 



80 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



Céò, ama senhora escrevcsse n*aqaelle 
estylo parco, nataral, desenfeitado, des- 
luzido do europei do tempo. As nossas 
duvidas assentam na forma^&o e nào tem 
que vèr com a esthetica das amorosas sua- 
vidades, da entranhada saudade que cho- 
ra n'essas cartas. torneìo, a indole, a 
contestura da phrase recende as olorosas 
meiguices do genero epìstolar francez. 
Se o morgado de Matheus e Francisco 
Manuel do Nascimento deram às cinco 
cartas chamadas authenticas um boleio 
de sabor classico, ainda mais Ihe preju- 
dicaram a contrafeita origem, porque na 
segunda metade do seculo xvn aquellas 
fórmas estavam osquecidas». 

Eu devéra ter aspado estas linhas e 
dar a opini&o de A. Herculano que, con- 
sultado por Lopes de MendonQa, foi de 
parecer que as cartas sào originalmente 
escriptas em francez e dava pouco credito 
à tradi^ào que as oittrihue a urna reUgiO" 
sa portugueza, 

Como quer que seja, o snr. Bernardes 
deve ter assentado a sua opinilo contra- 
ria cm argumentos fortcs. 

Segue a noti eia das obras de portu- 
guezes traduzidas. Devem incluir-se to- 
dos ou al^ns volumes dos sermoes do 
Diogo de Paiva de Andrade, traduzidos 
em hespanhol por Benito de Alarcon. 
Em francez està traduzìdo e impresso 
em Liào em 1565 um dos x livros que 
elle publicou em Colonia em 1564, com 
o titulo Orthodoxarum Explicationum 
Libri X. livro traduzido é uma defeza 
da Companbia de Jesus. Diogo de Pai- 
va grangeou grande sjmpatbia entro os 
protestantes por ter escripto nas Expli- 
cationes orthodoxce. . . que os phUosophos 
que se esforgaram por conhecer o Deus 
verdadeiro, e honral-o religiosamente ti' 
veram a fé que aviventa o Justo, . . E 
que seria a maxima cruddade condem' 
nar às penas eternas homens porque nào 
tiveram uma fé que Ihes era inaccessi- 
vd. 

Leibnitz em contenda com Pellisson ci- 
ta c6m frequencia Diogo de Paiva de 
Andrade. 

De Fedro Nunes escreve largamente 
MUlet Decharles no prefacio de L^Art de 
naviger, dando as tbeorias do celebre ma- 
tbematico portuguez na sua De Arte na- 
vigandi. 

Pag. 522. R. JR. Ddivrance (la) et le 
retablissement du royaume de Portugal, 
traduit du latin de V illustrissime arche- 
vèque de Lisbonne par — . Bouen, 1648, 
12: 

Segue depois corno obra do mesmo tra- 



duotor LusUania vindicata, Aqui ha con- 
fus&o. LusUania vindicata è a obra do 
arccbispo D. Manoel da Cunha traduzida 
para La Ddivrance^ etc. e citada pelo 
sur. Branco a pag. 530. É manifesto erro 
de imprensa a data de 1863. 

Pag. 537. Almada (Francisco de). Ges- 
ta proxime per Portugalenses in India, 
^theopia, et aliis orientalibus terris ah 
Emanud PortugalicB rege ad Episcopum 
Portuensem cardinalem PortugcUice mis» 
sa* Norembergce, 1507, 

snr. Bernardes Branco nào reparou 
que Francisco de Almada é aqui o tra- 
ductor de uma noticia enviada por D. 
Manod rei de Portugal ao Bispo Por- 
tuense cardeal de Portugal dasfaganhas 
(gesta) praticadas pdos portuguezes, etc. 
cardeal de Portugal era o chamado de 
Alpedrinba D. Jorge da Costa. Chama- 
Ibe bispo portuense, nào porque elle fos- 
se bispo do Porto, em Portugal ; mas por^ 
que ha ou havia uns bispados em Italia 
em que eram providos os cardeaes : taes 
eram o Albanense, o Tusculano, Por- 
tnense e de Santa Rufìna. (Veja-se Jor- 
ge Cardoso, Agiol, Lusit, tom. 2.*', pag. 
116, e Mem, da Acad» das sciencias de 
Lisboa T. viii (1823), p. i, pag. 157). 
Este artigo é tambem incompetente na 
obra, porque o livro é d*um portuguez, 
e traductor portuguez é tambem . 

Esiste uma versào italiana de um ra- 
rissimo opusculo de Antonio Barbosa Ba- 
GBLLAR, intitulado Bdagào diaria do sitio 
e tomada da forte praga do Becife, etc, 
Lisboa, 1654, 4.o A versào italiana é: 
Bdazione ddVinsigne vitoria ch'i Porttù- 
ghesi riportarono degV Olandesi ndlo star 
to dd Bramile, etc. 

Pag. 564. Fuora vdhaco. C^est a dire 
la liberté de Portugal, etc. Traduit de la 
languì castdlane en langue frangaise. Im- 
primé nouvdlement, 1641. 

snr. Branco diz, informado pelo snr. 
Tullio, que o author d'està obra foi o pa- 
dre fr. José Teixeira, o qual n*esta ver- 
sào franceza apparece debaixo do pseu- 
donymo Le pderin Espaignol, persecuté 
du temps et de la fortune, 

Nào sào perfeitamente exactas as in- 
forma^oes do snr. Tullio, se as deu as- 
sim — que me parece duvidoso em su- 
jeito versadissimon'estesassumptos. De- 
ter-me-hei, a pezar do leitor, com pa- 
dre dominicano José Teixeira. Seguia 
D. Antonio, prìor do Crato, para Fran- 
9a, e aqui foi esmoler, e prégador do rei, 
confessor do principe de Condé e da prin- 
ceza sua mài. Publicou em 1582 um Com- 
pendivm de PortugaUioi órtu, regni ini- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



81 



tiÌ8, rèbtisqiie à regibiu gestis i. Befutou- 
Ihe o esoripto, por ordem de Filippe ii, 
Duarte Nunes de Leào, hebren portagaez 
a quem o monarcha intruso galardoou 
generosamente. Koplicou fr. José Teixei- 
ra em 1592 com um iiyro : Confuiatio nti- 
garum Duardi Nonii Leonia et aliorum 
qui Portugallias regnum PhUippo CasteU 
IcB Regi jure hosredUario obvenisse conten- 
durU, et Antonii veri Portiigallics Regie 
jua vellicare *. 

Escrevea tambem àcerca da genealo- 
gia de Henrique iv em 1594, e do prin- 
cipe de Conde em 1596 ; e n^esta segun- 
da obra reimpressa em 1598 conta o fra- 
de as ceremonias observadas qaaodo a 
prhiceza de Condé abjurou o calvinismo. 
Bayle, no seu Dictionnaire hiatorique et 
critique, exhibe o texto latino e a versào 
de ama engra^ada passagem que entào 
se dea e fez rir os protestantes e os sce- 
pticos comò olle '. Escrevea em 1602 um 
livro chamado Adventure admirable, etc. 
em que teuta demonstrar que o calabrez 
preso em Veneza dous annos e vinte e dous 
dias era Dom Sebastiào. seu livro, po- 
rém, mais hostil a Filippe ii é um que, 
sem nome, appareceu em 1597, com o ti- 
tulo francez de Tratte parenetique par 
un Pderin Eapagnol hattu du tempa eper- 
aecuté de la fortune, fol. Ou n*este livro 
ou no pulpito dizia o padre que «devemos 
amar os crentes de todas as religioes, 
seitas e uacoes, sem ezcep^ào dos hes- 
panhoes » . Draljmont poe notas de sua 
lavra ao livro, e mostra-se grande admi- 
rader de fr. José Teixeira de quem diz : 
peraonnage aujourd^huy fort rennomé en 
VEv^ope, et conu de toua lea Princea dH- 
celle, tant ecdeaiaatiquea que aeculiera, et 
aingulierement en Prance, ou lea plu>a 
grana du royawme et toua hommea dhon' 
neur Vaiment et voyent volontiera, a cau' 
se de aon honneate converaation, honnea 
mceura et aingtUiere doctrine, camme Vun 

1 Encontra-se trasladada para franeez està 
jtuBtifieaf&o doB direitos de D. Antonio no livro E»- 
eeZIent et livre digeoura du droU de la auceeation eUs., 
impresso em 1607, desde pag. 1 até pag. 115. 

3 Bm seguida & transoripfEo d'este livro (pag. 
2S6,T. 1.®) o snr. M. B. Branco acresconta : <Que 
pena o nSo possnirmos nm trabaiho perfetto icerca 
da biographia d^este vario (D. Antonio) um dos 
voltos enropeos mais notaveis do seu tempo !> Se o 
admirador de D. Antonio Ihe qnizer esere ver a bio- 
graphia, e Ibe estndar com pausa e sem paix&o as 
aventoras de certo voltarà do avésso a sua opinilo 
aotual. Portuguezes maiores, incomparavelmente 
maiorea quo o prior do Grato sto todos os que o sym- 
bolisaram na patria e por elle e por amor duella 
morreram, desde D. Francisco de Portugal impro- 
priamente chamado eonde de Vhaioao, até ao mais 
baixo petintal de Alcantara. 

3 Ma edifio de Amsterdam, 1734, fol. Tom. y, 
pag. 319. 



de^ plua accomplia en la connaiaaance de 
VHiatoire et proaapie dea Granda, que ae 
puiaae trouver, etc, 

livro commentado por Dralymont foi 
reim presso em 1641 com o titulo que nun- 
ca tivera de Fuora vUlaco, C'eat a dire, 
La liherté de Portugal. Nào é, pois, exa- 
ctamente perfeita a supposi^&o de que 
Fuora villaco haja side o titulo primor- 
dial da objurgatoria do frade. 

Diz Bayle que ù\ José Teixeira mor- 
réra em 1602 ; mas Pierre de TEstoile 
dà-o fallecido em Paris no convento 
domioicano em 1604. confessor de 
D. Antonio tinha nascido em 1543, pro- 
fessàra em 1565, e em 1578 era prior do 
convento de Santarem. Bandeou-se com 
OS sectarios de D. Antonio, buscou-o em 
Franca em 1582, fìcou prlsioneiro no des- 
barate da ilha Terceira em 26 de julho 
do mesmo anno, e carregado de ferros foi 
mandado a Lòsboa. Pòde fugir para Fran« 
^a, onde o prior do Grato o nomeou seu 
confessor e capellào. Em 1586 estava em 
Inglaterra com D. Antonio, e em 1588 
demorava outra vez em Franca, e n*este 
anno foi enviado pela rainha a Lv&o, on- 
de OS da Liga o maltrataram queimando- 
Ihe 03 livros. Dedicou-se a Henrique iv 
que o fez seu capellào. (Veja Batlb, 2oc. 
cit, ; MoBEBi, El gran Dtccionario hiatori^ 
co, tom. vili, pag. 149 ; Nigolao Antonio, 
BiUiot, Hiap. ; Eghabd, Scriptorea ord» 
pred, T. 2.*) 

E, visto que citei Bayle e Màreri, no- 
mes que faltam n^este catalogo dos es- 
trangeiros que escreveram largamente 
de cousas e pessoas de Portugal, indica- 
rci ao sur. M. Bemardes Branco mais 
outros livros que devem substituir alguns 
que indevidamente se inscreveram na sua 
obra. 

Quando nos falla de M.eiie Flauger^ 
guea, collaboradora do periodico francez 
UAheille, que se publicava em Lisboa 
por 1836, esqueceu-se de que a maviosa 
poetisa teaduziu UAntre de Viriate de 
Grarrett a quem endere^ou os elogios que 
mesmo G-arrett, com a costumada mo- 
destia, reproduziu a pag. 232 das Flòrea 
aem fructo, edi^ào de 1858. Nas Excava- 
^dea poeticaa de Castilho leem-se bons 
pormenores e bons versos d'està senhora 
que desde 1836 até 1839 esteve em Lis- 
boa. Nào sei que ella, além dos versos, 
fazia em Portugal. George Sand n*um 
livro impresso em 1877 e intitulado Der^ 
niòrea pagea, diz (jue Pauline Flauger- 
gues fora para Lisboa no mesmo anno 
em que o pai Ihe morréra, sem Ih» dei- 
xar recursos. Pourquoi eat-Me ainai eoi- 



8'i 



filBUOGRApHIA PORTUaUEZÀ E ESTRANGEIRÀ 



lief — pergunta Sand. — ProbahUmerU 
die (Cerche dan» le travati dea ntoyena 
d'exiatence, Peut-Ure ort-éUe songé a ae 
fair e religietue. Quanto a religiosa, n&o 
me parece, quando o sur. Castilho nos 
conta nas Excava^ea que ella se dava a 
urna alegre convivencia de salfto com 
Garrett, Herculano, Mendes Leal, 5fa- 
noel Passos, Fonseoa Magalhàes, Scabra, 
Mareoo, Silva Tullio, etc. Nào quero di- 
zer que estes convìvas a desafervorassem 
dos prcgectos seraphicos; mas, em 1839, 
nSo se faziam freiras em Portugal : ss 
que estavam feitas desfaziam-se. Voltou 
para FraQ9a a laureada authora de Cle- 
mence Izaura, e obteve do E^tado urna 
pens&o yitalicia. Em 1850, jÀ em annos 
docadentes, vivia amorosamente com o 
escriptor Henri de Latouche, que morreu 
em 27 de fevereiro de 1851 e Ihe legou 
8on ermitage et tovi ce qu*U contenait, E 
George Sand acrcseenta : Elle va vivre là 
ailendeuae et calmey car tout lui rapelle 
celui qu'eUe a tant aimé. 

Quando a celebre romancista escrcvia 
estas notas em 1872, M.«iio Flauger- 
gues, com mais de sessenta annos, ainda 
vivia no herdado eremiterio de Henri de 
Latouche. 

Està snr. Bernardes Branco enfastia-^ 
do d 'estas bugiarias litterarias quo tre- 
sandam ao demi-monde. Vamos entrar pe- 
los livros ponderosos e de cunho. 

Montaigne, por exemplo. Aquì tem um 
que merecia ser lembrado no seu cata- 
logo. No meu exemplar, edÌ9ào de Gene- 
bra, de 1779, tenho notadasas seguintes 
passagens : No 2.o tomo a pag. 125, dà-me 
noticias de André de Gouvea. A pag. 303 
expHca-me um caso que ha dias me refe- 
riu um vigoroso collaborador do Diario 
ElustradOf o snr. Femandes Costa, croio 
eu, a ^quem dedico, sem sombra de lison- 
ja, uma sincera admira^ào pelos seus pro- 
vados talentos. Como eu tivesse macula- 
do a memoria de Affonso de Albuquer- 
que, a^amente arguido de barbaro pelo 
bispo Osorio (Dt rèbus Emanuelis, vers&o 
do padre Francisco Manoel do Nascimen- 
to, tom. 2.0, pag, 100), o redactor refen- 
do remetteu-me a Joào de Barros, Deca- 
da 2. a, liv. 7.0, cap. 1.0, onde se le esto 
successo em favor da piedade do vice- 
rei da India n*um naufragio : «Affonso 
de Albuquerque. . . sómente salvou uma 
menina nlha de uma escrava sua, que 
Ihe veio ter à mào dizendo que pois 
aquella innocente se viera pegar a olle 
por se salvar, que elle tornava a inno- 
cencia d'ella por salva9lU): e «stando 
sempre em pé, elle a teve nos bra^os 



sem salvar ootra oousa do quanto despo- 
jo das riquezas de Malaca vinham n*a- 
quella naut, 

Miguel Montaigne responde a isto do 
seguinte theor: ^Albuquerque, Viceroy 
en Vlnde, pour Emmanoel Boy dt Portu»» 
gal : en un txtresme perii de fortune de 
mer, print sur ses épcuUe» un jeune gar^ 
gon (errou-lhe o sexo), pour cette sevle 
fin qu^en la aocieté de leur perii, aon in» 
nocence luy seruiat de garard ti de recom- 
mandation envera la faveur divine^ pour 
le mettre à bord. Parece pois que Albo» 
querque, nSo sentindo em si centra as co* 
leras do céo o rijo amez da consciencia, 
la 90U m&o da crian^a inculpada. A su- 
persti^ào dos que se escondem de Deus 
atraz da innocencia das crian^as. 

Tornando aos Eaaaia de Montainie, no 
tomo 3.0, falla de D. Joào 2.o, de D. Ma- 
noel, dos judeus, e da Companhia de Je- 
sus. No tomo 4.0 da czpedi^&o franceza 
aos AQores a favor de D. Antonio, e do 
assalto dos portuguezes a ama cidade, 
de cigos baluartes fugiram mordidos pe- 
las vespas. No tomo 6.0 diz cousas saM- 
das, mas bem contadas da batalha deAl- 
cacarquebir. 

E ao proposito d'està batalha, e dos 
factos anteriores e posteriores, até & fuga 
do prior para Fran9a, é dignissima de 
nota o 3.0 tomo de La Hiatoria Pontifi" 
cai, por Lniz db Bavia, impresso em 
1609 ; e, com rofer oncia à re3taura9&o de 
1640, é igualmente instruotiva, e pou- 
quissimo apaixonada, a 6.& parte da 
mesma Hiatoria Pontificai escripta por D. 
Juan Banos db Vklasco, impressa em 1678, 
E outro sim digno de men^ào D, Luiz 
de Salazar y Caatro no Indice de laa glo' 
riaa de la casa Farnese, ctc. Madrid, 
1716, fol. Desde pag. 397 até 433 prò- 
tende e consegue, sem grande esfor^o, 
(lestruir a tradi^ào das cortes de Lame- 
go, e principia d'este theor para demons- 
trar os direitos violados da casa Farnese 
a Portugal: Yo entendo,,. que no hu- 
vo cortea de Lamego, y que d fragmento 
que del Archivo dd Monaaterio de Alcobo^ 
za llegó a laa manoa de Fr. Antonio Bran-- 
doLo ea aupueato y fabricado quando la »n- 
fdia muerte delBey D, Sebastian empezó 
la diaputa de la aucceaaion. . . etc* 

Fr. Antonio Brandào acreditava tanto 
no documento das cortes de Lamego co- 
mò Salazar y Castro. Veja que diz Fr. 
Antonio Brandào, no 3.o tom. da Mon, 
port., L. 10, C. XIII. Todos os demais li- 
vros genealogicos de Salazar y Castro 
intendem com negocios de Portugal. 
E raro e curioso um livro de Juan Luia 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



83 



de RojaSj ìmpreaso em 1613, 8.0, ìntitu- 
lado Bdacionea de alganos sitctsaos po8' 
treros de Berberia. Solida de loa Mouris» 
CO8 de Eapana e entrega de Alarache, Di- 
rigidoa a Don Fernando Maacarenhas 
Cavalleiro de la orden militar de Chris- 
to, Trata largamente de Ceuta e das fa- 
^anhas do marquez de Villa Real, de D. 
Affonso de Noronha e outros sustentacu- 
los da gloria portagueza de Africa « on- 
de até mais tarde luzìa o astro do puro, 
nobre e desinteressado esforQO portaguez, 
convertido na Asia em cubica sanguina- 
ria de mereadores». A. Herc. Advert, 
prél'iminar aos Annaes de D, Joào HI. 

Deve entrar na lista dos estran^eiros 
quo escreveram de Portugal La Habpb, 
qua fez o Abrégé de VHistoire generale 
dee voyageSy em 24 tom. in-8.0, Paris, 
1816. No 1.® tom. trata da primeira cx- 
pedÌQ&o dos portuguczes à India e Afri- 
ca; do descobrimentò de Cabo Verde; e 
do commercio com 03 arabes; no 3.o da 
entrada e estabelecimento dos portuguc- 
zes na China, e no 6.0 volta largamente 
ao mesmo assumpto. 

Mas sobre a India portugueza ainda 
nào vi mais interessante expositor que 
The history of Christianity in India from 
the commencement of the Christian era, 
By the Rev, James Honaa, London, 1839, 
2 tom. em 8.® gr. author é protestan- 
te ; mas curva-se respeitosamente diante 
do apostolo Francisco Xavier, e borrori- 
fla-se da inquisiQào de Goa, sem se de- 
masiar em exclama^oes injuriosas a D. 
Jo&o III nem aos papas. 

A respeito de D. Sebasti&o e das re- 
formas que elle fez na ordem benedictina 
repondo-a no antigo esplendor, convém 
que se conbe^a a Historia monastica di 
D. Pietro Ricordati dedicada Al Serenis- 
simo, e Potentissimo Re di Portogallo 
(D. Sebasti&o), impressa em Veneza em 
1575, 4.0 

Por varias razoes monge dedica ao 
neto de D. Joào iii o seu livro; e, citan- 
do a primeira : havendo io per ispazio di 
forse venti anni, che ho consumati in com- 
porre questa mia opera, letto, e riletto 
mólte historie universali, e croniche di 
diversi paesi, ho trovato in esse molte se- 
gnalate, gran vittorie, ottenute per favor 
divino contra nemici dd nome di Chris- 
to, in Affrica, ndVEtiopia, ndVIndie, et 
in molte Isole del mondo nuovo, non solo 
da F. 3f. ma ancora da gVantenati suoi, e 
particolarmente difendendo la parte nostra 
contra V empia setta di Maoemetani, etc. 
Este frade era melhor escriptor que 
propheta e nào me parece que Deus Ibe 



desse grande importancia aos rogos. No 
remate da dedicatoria dìzia elle ao r^ 
acutilado^tres annos depois em Africa: 
baciàdo gli riverentemente la Regia mano, 
faro fine; pregàdo Iddio che si come gVha 
concesso d* agguagliare la gràdezza, e fdi^ 
cita de' maggior Rer dd mMo : cosi gli cd^ 
servi il Regno quieto, e pacifico in mólti 
secoli, e accresca gVanni suoi in lunga eta^ 

É ìgualmente apreciavel a Historia 
ddle guerre civili d'Inghilterra, CataliA- 
gna, PortogaUe, Palermo, etc, pelo oonde 
Majodim Buaccioni, Veneza, 1655, 4.« 

Nas Memoires historiques, etc. do Ca- 
valbeiro de Oliveira vem inscriptas ad 
seguintes obras anonymas de estrangei- 
ros àcerca de Portugal: 

— De successione Regni PortugàUios 
Dissertato Jundico Authore B. H. Juris 
civilis Doctores Angle. 

— Dd' origine des Rois de Portugal, 
Paris, 1612, 1614, 4.o 

— Le Prince vendu, ou Contract de 
Vent de la Persone du Prince libre e in* 
nocent D. Edouard infant de Portugal. 
Paris 1643, 4,o 

— « Manifeste du Royaume de Portugal, 
Ddf, 1641, 4.0 ^ 

Devem ser multo curiosas as Lettres de 
Monsieur de Voiture (0 celebre poeta) im- 
pressas em Bruxdlas em 1677, 8.0 Cha- 
ma elle a Lisboa aonde esteve — opaiz da 
Marmdada, e dìz que tem uma mmtres" 
se mais ddce quo a marmelada ; e nào 
obstante, apesar de tanta do9ura, suspi- 
ra por fugir de Lisboa comò se estivesse 
na Noruega. Isto foi escripto ha uns 250 
annos. Voiture que Moreri, Bayle e Bouil- 
let diziam ter vindo a Hespanha enviado 
diplomaticamente ao conde-duque de Oli- 
vares, estava, em 1634, em Lisboa, na 
qualidade de agente secreto de Luiz xiii 
para instigar duque de Bragan^a a fa- 
zer-se acclamar rei. 

S&o dignas tambem de notar-se as .^e- 
godations rdcUives à la succession dSEs- 
pagne, por Mignet, citadas com fìrequen- 
cia pelo visconde de Santarem no Qua- 
dro Mementar, T. 4.o, 2.» P. E bem as- 
sim : Don Antoine, Roi du Portugal. Son 
histoire et ses monnaies, Bruxdles, 1868. 

Merecem nota: 

— Testamento politico del marchese 
do Pombal o sieno ultimi istruzioni al con- 
to d*Oeiras suo figlio trovate tra i suoi 
manoscritto. Italia, 1782, 8.® 

— Al nostro S. Padre Alessandro Set- 
timo in torno al provedimento de* vesco- 
davi vacanti nella corona di Poitogallo. 
Il dottor D. Francesco Ramo del Manca- 
no. In Madrid, 1661, fol. 



84 



BIBUOGRAPHIÀ P0RTU6UBZA E ESTRAN6EIRÀ 



— Memorial ajustado entre D. Carlos 
de Borbon e D. Jo&o viBeydePortugal. 
Madrid, 1821. fol. 

Tht Lùbon Guide or an Historical 
and descripHve view of the city of Lisbon 
and ita environa, etc, Second edition, Lis- 
bon, 1853, 8.0 Com 7 cstampas e muitas 
tolices. No artigo «litteratora» especiali- 
sa na mjstica frei Alexandre de Gus- 
mfto, e na poesia Ijrica frei Manoel de S. 
José, que o leitor e eu conheoemos tanto 
corno a frei Alexandre. N2U> tem noticia 
de Herculano ; mas sabe que um dos pri- 
meiros historiadoreS portuguezes é Paes 
Veigas (Viegas, talvez). Ouvi dizer que 
era padre o autbor do livro; conheceu 
Castìlho e escreve-lhe largamente a bio- 
graphia. Nas descrip^oes é exacto e noti- 
doso. 

PuFBNDOBF escreveu em allem&o e pu- 
blicou em 1686 a IntrodticQào à historia 
dos principaea Estados da Europa, Està 
vertida em francez. No tom. l.o, liv. 3, 
trata da lucta do prior do Grato com 
Castella, e especialmente da conquista 
dos AQores pelo marquez de Santa Cruz, 
cujos triumphos desconsidera por n&o ter 
soffirido resistencia o general hespanhol. 

Direi agora, e por ultimo, que livros 
devem ser exoluidos da obra do snr. Ma- 
noel Bemardes Branco por serem albeios 
a todas as quatro sec^Ses em que a dividiu. 

Pag. 354, tom. l.o Giov. Qioseppe di 
Santa Thereza: era portuguez, e escre- 
veu em italiano. Diz o snr. Branco que 
oste nome é a unica excep^ào à regra es- 
tabelecida de nào tratar sen&o de obras 
compostas por estrangeìros. 

Aqui està outra excepcSlo : 

Tom. 2.0, pag. 454. Mobblli. É pseu- 
donjmo de fr. Fulgencio Leit&o, que es- 
creveu em hespanhol. 

Outra exoep^ào, Tom. 2.©, pag. 436: 

AlaboIo (jD. Suares de). Era poiSuguez, 
que escreveu em hespanhol. 

Em traductores. Tomo 2.o, pag. 493 : 

Deve ser tambem excluido dos Tradu- 
ctores, pag. 458, T. 2.0 A Costa Christo- 
vai corno traduotor do Tratado de las 
drogas, etc. Christovào da Costa era por- 
tuguez, e escreveu em hespanhol. 

FianiEB (Bernardo). Era portuguez, e 
traduziu para francez as Peregrinagdes 
de Fernao Mendes Pinto. 

Almada [Francisco) de que jà fallei dif- 
fusamente. 

N&o se nos depàra a razzio de se acha- 
rem na lista dos escriptores que trata- 
ram de Portugal Antonio de Guevara, 
pag. 360, e Talassi, a pag. 429 do 2.o 
tomo. primeiro offereceu a D. Joào iii 



o seu Libro Uamado de privados y do^ 
ctrina de cortisanos ; o segundo dediooa 
a D. Jo&o, principe do Brazil, o sen poe- 
ma L'olmo abbatuto que n&o vi ; mas pen- 
so estar no caso de Guevara. 

A dedicatoria dos dous livros aos so- 
beranos portuguezes n&o me parece que 
scja razSio bastante para que Portugal se 
considero bem ou mal tratado pelos dona 
anthores. 

A franceza Elisa Loive Wbimab, cita- 
da a pag. 312 do 2.o tomo, nada escre- 
veu a respeito de Portugal. Publicou 3 
ou 4 numeros de um jomal francez, no 
Porto, 1849 ; mas, tirante noticias de 
thoatro lyrico, os restantes assumptos 
eram apreoia9oes de livros inglezes e 
francezes. 

Deve tambem ser excluido o n.o 392 
da pag. 549 dos Traductores : Mbnbzbs 
(Diogo de Mdlo y)^Bebelion de Zdian,y 

Srogressos de su conquista en el gobemo 
e D. Constantino de Sàa e Noronha, 
1648. 

Aqui ha tresinconveniencias : l.« o titu- 
lo alterado ; 2.* o anno da impressSo em 
1648, devendo ser 1681 ; 3.& ser o author 
portuguez que escreveu em castelhano, 
e n&o deve por tanto entrar na lista dos 
traduzidos. 

Parei finalmente, e felicito a paciencia 
de quem me acompanhou até aqui. Res- 
ta-me asseverar às pessoas estucuosas que 
Portugal e os Estrangeiros éuma obra de 
incomparavel utilidade, ainda mesmo pa- 
ra OS possuidores de variadas riquezas 
biblìographicas. Ninguem possue coqjun- 
tamente as raridades noticiadas n*estes 
abundantes catalogos. Aqui se nos de- 
pararam versoes completas de livros es- 
tranhos, umas do snr. Bemardes Bran- 
co, outras de Meira e outros traducto- 
res que as malbarataram no jornalismo ; 
e estas por là se iriam à voragem das 
mercearias, se o laborioso collector as nào 
perpetuasse em livro. Fez o snr. Manoel 
Bemardes Branco um notavel servilo às 
letras nacionaes. Nào me capacito que 
da opinilo de estranhos nos advenha gran- 
de gloria; mas com estes livros pode- 
remos responder aos que là fora nos per- 
guntam se somos hespanhoes quando Ihes 
dizemos cheios de rubor que somos por- 
tuguezes. E, se ainda assim, nos nào de- 
rem a autonomica importancia assàs as- 
signalada nos dous tomos da excellente 
obra, digam-se-lhes, para os aviltarmos, 
as proezas dos doze de Inglaterra e as fa- 
^aimas de Lopo Barriga. 

Camillo Castello Bbanoo* 



ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



85 



OBRAS GOMPLETAS 



DB 



D. JATME BALMES 

Criterio, 1 voi. — Cartas a um sbptico em materia de religiao, 1 
voi. — Philosophia fundamental, 4 voi. — Protestantismo gompa- 

RADO GOM GATHOLICISMO, 4 VOl. — MISCELLANEA RELIGIOSA fi UTTE- 
RARIA, 2 voi. — CURSO DE PHILOSOPHIA ELEMENTAR, 2 VOl. 

14 TOIiUHES in-12, S^^OO rei8. Estas obras vendem-se separadamente a 600 roin o volume 

LIVRARIA INTERNACIONAL DE ERNESTO CHARDRON, PORTO 



Esclarece BALMES nas Oai*ta,s a, 
seeptieo os pontos menos ala- 
mi adoa da theologia catholica. Das in- 
trìncadas questoes, destecidas em mìa- 
dos fios, yem descendo à pratica da vida 
positiva — 4 humaiiidade que labora den- 
tro das balizas do mero racionalismo — 
e harmonisa o dogma com a moral, a lei 
da razào com os prcceitos rcvelados, o 
Benso intimo com as difficuldades do se- 
pticismo. Nào se Ihe oividou alguma das 
evasivas por onde a incredulidade se es- 
quiva à controversia, acastellando-se no 
seu baluarte da nega^ào. Concedeu o phi- 
losoplio christào ao seu impugnador bas- 
tos conbecìmentos positi vos, grande ca- 
bedal de sciencias naturaes para que elle 
Aggredisse e se defendesse com todas as 
armas ; e tao modestamente sahiu do 
combate que nào se gaba de vencedor 
dos erroB inveterados pela educa^ào do 
secalo. N&o costumam assim terminar 
as saas controversias os infallibilistas 
dos systemas adversos ao dogmatismo. 

Nào é sómente ama apologia do chris- 
tianismb a serie das 25 Oairtais a, 
unn isoeptieo. raoionalista ex- 
tremo, se reagir aos argamentos do pbi- 
losopbo christào, ha de, a sea pezar, 
adberir aos salatares preceitos socialis- 
tas que promanam da religiào, ciga apo- 
logia rejeita, pelo que é da divindade 
d'ella. Esse espontaneo consentimento é 
jà uma Victoria do christianismo ; e, se 
a razào do sceptico se der ao confronto 
das difiEerentes religioes radicaes da fé 
humana, ha de ir subindo na aprecia^ào 
da moral de todas até encontrar a ori- 
gem supernatural da unica em que se 
póde repousar o cora^ào destro9ado pe- 
las angustias da vida. 

Trata BALMES assumptos de peri- 
g08o melindre em algamas a*estas Oar- 



tas; por exemplo: as penas etemas, a 
condemna^ào irreparavel, as expia^oes 
irremissìveis e inacoessiveis à miseri- 
cordia do Juiz que tambem é Creador. 

Comprehende-se este assumpto inde- 
clinavel em tal livro quando esse dogma 
se faz mister à harmonia do crédo ca- 
tholico. Todavia, a obra de BALMES, 
sem este tratado, seria ainda sublime, 
e por igual proveitosa. 

Derivemos a uma das mais importan- 
tes obras de BALMES : O pirotes- 
tantismo eom2>ajc*a.ào eom 
o eatli.olieismo. Nào seria o nes- 
so philosopho mais ambicioso que Guizot 
se intitulasse està obra Hiistoiria. 
da eivilisapao na Suiropa* 
Talvez que, adomada com este titulo 
convidativo, acareasse mais leitores, e, 
com artificio honesto, os levasse capti- 
vos da eloquencia da razào, através dos 
quatro tomos, nunca enfadonhos nem su- 
perfluos, até os reconciliar com a verda- 
de. Todavia, o titulo escolhido esfrìa a 
curiosidade do maior numero dos esme- 
rilhadores de sciencia pelos titulos das 
obras. Para estes a compara^ào de pro- 
testantismo e catholicismo està feita e 
decidida d*este Luthbbo. E questào ana- 
chronica. Comtb e Littré nào querem 
saber d'isso. Para a forma^ào dos syste- 
mas que derivam do seculo xvii até ao 
anthropomorphismo de Dabwin tanto 
monta Calvino comò Laoobdaibe. Sào es- 
torvos que impecem a marcha desassom- 
brada. . . nào se sabe para onde. pro- 
testantismo impoe obriga^oes que a ra- 
zào absoluta refuga. Nào se querem ju- 
gos de natureza nenhuma. Tanto impor- 
ta a letra da BMia comò a letra do 
SyUàbua, Jà Lessino o dizia: «authori- 
dade por authoridade antes a do Papa 
que a da Biblia^* Desligar do pontifico 



86 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



para reatar o espirito a um livro é ape- 
nas mudar de servidào. Por tanto, aquel- 
les para quem BALMES escreveu o con- 
fronto do protestantismo com o christia- 
nismo n&o o consultam, e até se admi- 
ram de que no secalo xix, um phìlosopho 
oatal&o com idéas t&o obsolotas se fi- 
mSBBQ traduzìr e conhecer em Franca 
ainda mais que no seu paiz I 
É, com effeito, a historia da civilisa- 

S&o na Europa que BALMES motiva e 
esenyolve de par com os momcntosos 
assumptos das prelec^oes de Guizor. 
Faz ao sabio protestante a justiQa que 
elle fez ao catholìcismo ; e, separando 
com imparcialissima equidade, 03 erros 
do clero que provocaram a reforma, sal- 
va e resguarda a institui^ao invulnera- 



vel e divina — que deixarla de o ser se 
estivesse sujeita a periclitar nos confli- 
otos dos homens. O pensamento domi- 
nante da obra, dìz o author, é demons- 
trai* que « antes do protestantismo, a ci- 
vilisa^ào europèa attingira o possivel 
desenvolvimento ; que o protestantismo 
Ihe desviou o progresso, e surtiu infini- 
tos males nas sociedades modernas; e 
que 08 melhoramentos posteriores ao pro- 
testantismo nào OS fez elle, antes pelo 
contrario os contrariou ». E as demons-^ 
tra9oes de BALMES sào feitas à face 
da historia, porque repete elle com o 
texto sagrado que Deus nào precisa da 
nossa mentirà. 

Caiiiìiu) CaòUUo ^>%om>co. 



BIBLIOTHECA DOS DODS MDNDOS 



Os ca^adores do Arkansass'^ 
Os yagabundos das frontci-i 

ras ...)2vol.l^360 

Os francos atiradores .... 

O cora^ào leal 

O grande chefe dos aucas ^00 

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Os piratas das planicies 380 

A lei de Lynch 440 

Os flibusteiros 400 

A febre de ouro 300 

Curumilla 320 

Valentim Guillois 340 



Os Outlaws do Missuri 320 

Baia-Franca 400 

explorador 500 

A-utlioi^es ciiversos 

Graziella Esgot. 

Onde està a inf olicidade ? 320 

O3 novos mysterios de Paris. . . , 600 

homem da orelha quebrada. . . 200 

A condessa de Monte Christo. . . li^OO 

Os puritanos de Paris Is^'JOO 

Kei do Mundo Ij^OOO 

Os dramas da mocìdade pobre... 300 

Os canalhas de Paris 440 



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Xavier de Miontépin — Os elegantes d'outro tempo 1 » 

MCery — Um carnaval de Paris 1 » 

A^ !Di].ma.s — capitào Paulo 1 » 

}M[olé-Greiitilli.oiiime — As castellàs de Nesle 1 » 

01iarda.ll — Os abutres de Paris 2 » 

^madeu. A.cli.ar<i — Os descendentes de Lovelaee 2 » 

Dumas fillio — A Dama das Camelias 1 » 

Grondrecoiirt — Os carceres da Bastilha 2 » 

Ooncle^sa X>asli — Amor criminoso. 1 » 



A. venda uà livraria OIIAR^I>K^OIV. 



ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



87 



GALERIA DE SdENGAS CONTEMPORANEAS 



B 



PRINCIPIOS GERAES DE PHILOSOPHIA DA HISTORIA 



PBLO 



DR. JOSÉ MARIA DA CMHA SEIXAS 

Advogado em Lisboa 



Abs&b conhecido e acatado era jà en- 
tro nós, tanto na qualidade de eximio 
jurìsconsulto corno na de erudito e fa- 
condo editor de yarias obras muit.o apre- 
ciaveis, esse advogado uào menos labo- 
rioso e desvelado das causas forenses que 
da Bobre todas importante e magestosa 
causa da instruc^ào e civilisa^ào nacio- 
nal. 

Acaba elle de justìficar mais authenti- 
camente este ultimo titulo, apresentando 
a publicO) jà no corrente anno, as duas 
notaveis producQoes litterarìas que ser- 
vem de epìgraphe a este humilde artigo 
bibliographico, destìnado pura e simples- 
mente a recommendal-as à sèria atten- 
Qào e judiciosa aprecia^ào dos que devé- 
ras se interessam pela sorte e prosperi- 
dade de urna causa tao nobre e sympa- 
thica — OS • conscienciosos amadores do 
progressivo augmento e aperfei^oamento 
das sciencias e da verdadeura illustrammo. 
E na verdade bem recommendaveis nos 
parecem ellas e dignas de ser perscruta- 
das com pausada reflexào, especialmente 
pelas seguintes razoes, que nos parece 
sobresahirem entro yarias outras quo 
omittimos pela brevidade : 

1.» Pela analyse profunda e mui judi- 
ciosa dos diversos systemas philosophi- 
cos, antigos e modernos, com as respecti- 
vas thoorias, importando uma esmerada 
e minuciosa revista critica das vigorosas 
e indefesas tontativas ensaiadas pelos 
philosophos dos diversos paizes para re- 
solver OS grandes problemas quo consti- 
tuem a base de todas as sciencias huma- 
nas : 2.» Pela prudente reserva, admira- 
vel e nunca desmcntido bom senso que 
emproga em aquilatar o merito d^esses 
differentes systemas comparados entro si, 
quo tudo rovela nào ad um estudo pro- 
fundo e altamente prostimoso, mas um 
zelo ingenito e afincado pelos progressos 
das sciencias e da litteratura entxe nós, 



além diurna critica aprimorada e impar- 
cial, tao rara e difficil de attingir em es- 
cripta d'osta ordem* 

Proclama finalmente e sustenta com 
mui valiosos argumontos a insufficioncia 
das nossas escólas superiores, e a noces- 
sidade de as augmentar e completar, es- 
pecialmento curao auperior de letras, com 
a crea^ào de novas cadeiraa que designa, 
dìstribuidas sob certa ordem, a fìm de 
nào desmerecerem a considora^&o e apre- 
90 das na^oes mais avan^adas em scien- 
cìa e illustrammo, concluindo por arvorar 
em fórma de mappa programma da 
projectada combinam&o. Tambem n&o é 
nesso proposito entrar na apreciam&o cri- 
tica de tao engenhoso e bem elaborado 
plano, nem olla poderia ter cabimento 
em um succinto artigo meramente noti- 
cioso, limitando-nos igualmente a recom- 
mendal-o ao conveniente ezame e pausa- 
da meditam&o tanto dos poderes publicos 
e das corporamoes scientificas, comò de 
todos OS competentes na materia. 

Com quanto porém nos pareva mui 
sensato e plausi voi, é nossa aventurosa 
opiniào que difficilmente vera o illustra- 
dìssimo author realisados, por emquanto, 
OS seus e nossos desejos, pela manifesta 
incompatibilidade que uma tSo avan^ada 
reforma offereceria nào so com a organi- 
sa^ào vigente da nossa instrucmào, mas 
multo especialmente com a constante e 
progressiva escassez de recursos finan» 
ceiros, que mal permitte susténtar condi- 
gnamente essa mesma organisamào, quan- 
to mais modifical-a e amplial-a tao avan- 
tajadamente, em harmonia com o plano 
proposto, o que domandarla um conside- 
ravel augmento de despeza. Ha multo se 
espera pela promettida e tao desejada re- 
forma do instrucmào secundaria, cujo es- 
tado, em grande parte prò visorio, a tem 
consideravelmente prejudicado, e facil é 
de vèr que, som a conveniente e definiti- 



88 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRAN6EIRÀ 



va organisa^So d^esta, mal póde assen- 
tar-se solida e adequadamente a da ina- 
trucQ&o superìor, a que aquella serve de 
base essencial. Comtudo, n&o nos parece 
ha ver motivo para desanimar : muito se 
tem jà avan^ado n*este ultirao secalo, es- 
pecialmente dosde 1836 por diante, devi- 
do, sem duvida, aos constantos e patrio- 
tioos esfor^os de mnitos e successivos 
obreiros das sciencias e das artes, que se 
teem t&o gloriosamente empenhado em 
levantar este pequeno paiz até ao nivel 
das na9oes mais adìantadas em illustra- 
9&0. 

Comparado o estado presente da nossa 
instmccSo com o anterior àquella època, 
n&o póae deìxar de reconhecer-se que a 
differenca é mui notavel ; e muito mais o 
seria ella, em nesso humìlde entender, se 
as reformas realisadas até o presente ti- 
vessem sido sempre acompanhadas do 



mcthodo mais conveniente e apropriado 
para as tornar proveitosas quanto possi- 
vel. É porém certo que o vasto campo se 
acha ja roteado até certo ponto, e as 
maiores dìfficuldades vencidas : poaoo e 
pouco se irào seguindo os desejados me- 
Ihoramentos, e os trabalhos de tao subi- 
do quilate comò os do snr, dr. Seixas pa- 
recem-nos um valioso subsidio para se- 
rem levados a effeito. 

Para que elles sejam bem conhecìdos e 
apreciados, corno muito merecem, rogo- 
Ihe, snr. redactor, se digae publicar no 
seu illustrado jornal esse artigo biblio- 
graphico, no que muito obsequiarà o seu 
constante leitor 

professor jubllado de philosophia. 

Braga, 18 de mar^o de 1879. 

(Do Jomai do Porto), 



OBRA UTIL E IMPORTANTE: 

CODIGO GIVIL PORTUGUEZ 

APPROVADO POR CARTA DE LEI DE 1 DE JULHO DE 1867 

ANNOTADO 

com referencias, em segruida a cada artigo, aos artigos do mesmo codigo, 

aos do oodigo de prooesso oivil, 
aos da lei hypothecaria de l de Jullio de 1868 
e aos publioados na Rbvista db Lboisla^Io b Jubzspbudehcia e O Dirbito 

POR 

GASPAR LOUREIRO D'ALMEIDA CARDOSO PAUL 

Com um appendice ao mesmo codigo contendo a legislagào vigente e correlati- 
va, reguLamento do registo predial e legislagào respectiva, a lei da extincgào dos 
juizes eleitos e creagao dos juizes ordinarios, a lei e regulamento da caixa geral dos 
depositos, com os respectivos modèlos, età», e um BOnueio^o reportorio alpha^ 
hetico coordenado pelo annotador, 

1 grosso volume coiq perto de 800 paginas e largas margens 

Brochado ls^600 reis, pelo correlo, lj^700 

Encadernado 25?000 » » » 2^100 



S^tariSi iSi venda no p]:*ixLeÌpÌo de maio 



ERNESTO CHARDEON— EDITOR 



ERNESTO CHABDRON, EDITOR 



89 



MESTRE POPULAR 



ou 



O FRANGEZ SEM MESTRE 

AO ALCANCK DK TODAS AS INTILLIGENCUS E DE TODAS AS FORTDHAS 

ADEQUADO AO USO DOS PORTDGUEZES E BRAZUEIROS 

POB 

JOAQUIM GONQALVES PEREIRA 

Obra completa 1 grosso volume 3$200 reis 



« Querer, é poder» disse com grande 
acerto o redactor e o editor d^estas uti- 
lissimas publica^oes, o snr. Joaquim Gon- 
^alves Pereira, na introduc9§.o ao liyro, 
e repetido com constancia que revela 
profanda conyic^ao. 

« Querer, é poder » — verdade incon- 
testa vel que através de seculos chegou a 
nossos dias e ha-de continuar inabalavel 
nas oonquistas do progresso, «r Querer, é 
poder » . É ; quereis leitor a prova sem 
delonga? Fazei a acquìsÌ9ào do Mestre 
popular; e sem consultar pessoa, vós que 
estaes para o francez comò nós para o 
idioma de pai Adào, abri o livro, pres- 
tai atten^Jlo, e ao fim de vinte minutos 
n&o s6 pronunoiaes muitas palavras em 
francez, mas traduzis em correcto poi:tu- 
guez. É a sciencia que faz d'estes ver- 



dadeiros milagres. É o Mestre pcfpidar 
que revela* « Querer, é pdder » oem o 
disse e melhor confirmou com a publica* 
c&o d'aquelle proveitoso trabalho o snr. 
Gron^alves Pereira. 

Se em Portugal se prestasse o devido 
cuidado à instruc^lb popular ; se antes 
do ministerio da guerra nouvesse um mi- 
nisterio de instrucQ&o publìca, o esfor^o 
do trabalhador que da villa da Fieueira 
fez chegar com assombro e admira^&o 
aos reconditos lugares do velho conti- 
nente e às aldeias d^estas a^oricas des« 
lembradas, a prova real de que — que« 
rer é poder: — o Mestre popular seria 
protegido por esse ministerio, em benefi- 
cio publico, e seu redactor elevado ao 
estrado dos benemeritos da civilisa^&o* 



EM PUBLICAglO 

MESTRE POPULAR 



OU 



PUBLICAgÀO LINGUISTICA SEMANAL 

DESTINADA 1 INSTKCGClO DE TODAS AS «tASSBS 

Prego da assignatura à obra completa 3^120 reis, franca de porte. 
Em casa do editor Joaqutm Gongalves Pereira, Figueira da Foz e na 
livraria Chardron. 



90 



BIBLIOGRAPHU PORTUGUBZÀ E BSTRÀNGEIRA 





E 






FOB 



MICHEL CHARBORISLEAU 

TRADUZIDO DA 3.* EDIQAO 
POR 

JOSÉ NICOLAU RAPOSO BOTELHO 



Poeto— LivRAEiA Inteenacional de Eekesto Chaedeon. 1 vol. in-8.^ 



£m vez de pedagogia podiamos dizer 
magisterio onprofeaaorado. A interpreta- 
mmo que se dà àc[uella palavra é violen- 
ta: condtusir meninos é o que se deduz dea 
dona vocabulos gregos que a formain. 
Pedagogoa na Grecia antiga eram os mo- 
demos escudeiros dos meninos abastadoa. 
Ainda agora, a palavra pedagogia n&o 
permitte que se Ihe derive um adjectivo 
para qualificar o professor. 

Se Ine chamarmos pedagogo ao mestre 
de meninos n&o o temos em conceito bas- 
tante serio : ou o ridiculisamos pela pro- 
fissào modesta ou pelo pedantismo bur- 
lesco. 

Mas termo Pedagogia tem hoje o con- 
senso universa!, e exprime a aciencia da 
educagào, 

Matter, escriptor francez devotado à 
miss&o nobilissima de regenerar o pro- 
fessorado, escrevia ha annos: «rHa pro- 
gressos sensiveis na sciencia da educa- 
mmo actualmente ? Avan^ou multo ? Kica 
e ambiciosa é ella ; mas n&o é boa nem 
completa porque carece de harmonia : é 
mixta comò o estado social que se refle- 
cte n*ella. «A pedagogia espera de nós 
as Buas ultimas reformas; mas refor- 
mas sérias e principios harmonicos com 
as nossas institui^oes e costumes. E mis- 
ter é que se Ihe déem, pòrque debalde 
tentariamos actuar sobre gera^oes enca- 
necidas em toda a especie de preconceì- 
tos e hostilidades. Nas intelligencias ju- 
yenis poderemos ainda depositar os em- 

bry5es da uniào moral que é a grande 

nocessidade da època». 
Està grande necessidade produziu o li- 

vro mais util, mais serio, mais generoso 

quo dos preloB francezes tem vindo col- 



laborar na educam&o dajuventude. Mr. 
Michel Charbonneau escveven oCureo theo^ 
rùso e pratico de Pedagogia ; o snr. José 
Nicolau Raposo Botelho traduziu-o da 3.» 
edi^ào; e o snr. E. Chardron deu o mais 
diffidi e indispensavel impulso à divul- 
gammo da obra benemerita. Pelo que res- 
peita ao traslado a portuguez, nao me li- 
mito ao elogio da vernaculidade, que j& 
em si nào é pouco nem vulgar ; a esse 
louvavel empenho satisfeito habilmente, 
ajuntou snr. Raposo Botelho as altera- 
moes judicìosas que se requeriam na obra 
applicada ao curso de pedagogia nacio- 
nal, modificando o methodo rudimentar 
da aprendizagem do idioma portiiguez, e 
indicando os compendios adoptados no 
Bubsequente ensino. É um trabalho de 
conscienoia e de intelligencia. 

N*este curso se nos deparam larga- 
mente tratadas a educammo do coramào e a 
educammo de espirito. 

A religiào é chamada a germinar nos 
animos infantis a arvore bemdita ouja 
sombra sera abrigo ds fidres do espirito 
que mais tarde, expostas ao caler das 
paixoes, podem degenerar em perfumes 
deleterios. A suavidade, a Ihaneza con- 
vidativa, a ddce uncào com que os pre- 
ceitos da moral de «fesua se insinuam no 
entendimento das crianmas é n*este livro 
um dos seus mais bemfazejos e formosos 
intuitos. Claro é que deve ser multo at- 
tenta a vigilancia que Charbonneau re- 
commenda na escolha dos preceptores. 
N'este ponto, se explana o livro em con- 
selhos aos paes e preceitos aos mestres; 
para os primeiros é um guia, para os 86- 
gundos um instructor moral com eleva- 
dissimas idéas que engrandecem a dignl* 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



91 



dade do professorado alteando-o às gran- 
dea responsabilidades das grandes mìs- 
soes. Para os paes de famìlia ha ahi 
admoesta^oes que Ihes devein pareeer 
estranbas novìdades, em vista da doa- 
preoccupammo com que costumam confìar 
ìndistinctamente scus filhos a mestres 
de costumes exemplares cu do suspeita 
moralidade. mais commum é pergun- 
tar-se se os alumnos do um deter^ninado 
collegio sào melhormente qualifìcados noa 
exames que os alumnos d'outros colle- 
gios. Averìguada a prova dos bons costu- 
mes dos preceptoros pelo eidto animador 
dos exames, nào se investiga se o disci- 
pulo esqueceu ou desprezou no collegio a 
iniciamào religiosa que recebeu de sua 
mài. Nào me quer pareeer que os profes- 
sores portuguezes expendam theses athcis- 
tas aos seus discipulos comò Alphonse 
Karr fazia aos duello ; mas nào escrupulì- 
so em acreditar que a educa^ao religio- 
sa de um menino é tao indifi'ereute à 
maìorìa dos mestres quanto no acto da 
prova està provado que o é aos exami- 
nadores. 

Charbonneau insiste com discreto fer- 
Yor n'este momentoso assumpto do scu 
curso ; e dos sentimentos religiosos deri- 
va para a educaQào physioa sob o ponto 
de vista hygienico, harmonisando as con- 
di^òes do desenvolvimento corporal com 
o do espirito, sem mutuamente se sacrifì- 
carem pelo desequilibrio. N'esta parte, 
teem ahi multo que aproveitar os directo- 
res dos gymnasios onde o exercicio das 
forQas on transcende o que podem dar 
orgàos debeis, ou sào empiricamente ap- 
plicados por systemas de velha retina. 

Sob a epigraphe de Editcagào intdle- 
ctual, desenvolve um tratado de moral 
phìlosophica ao alcance dos meninos sem 
que o preceptor haja de simplificar a ex- 
pressao para se fazer entender. Todos os 
assumptos ventilados no antigo ramo de 
philosopbia que se chamava «ethica» 
aqui se esciar ecem em termos e racioci- 
nios tao modelados para comprehensoes 
infantis que o transcurso d'estes prole- 
gomenos 4 logica e à theodicea sera fa- 
cillìmo para os educandos e gratissimo 
para os professores. 

Fassa depois à parte mais positiva da 
educa^ào ; aos methodos das diversas dis- 
ciplinas desde a leitura e escripta até à 
historia, através das prendas que consti- 
tuem a educa^ào esmerada. Sobre o des- 
envolvimento das faculdades intelle- 
ctuaes e moraes alvitra conselhos que 
nào tem centra si o damno das theorias : 
.nenhumas nebulosidades que desanimem 



até à indolencia o preceptor, nem obrì- 
guem o cerebro do discipulo a um esfor- 
90 incompativel. exercicio a que a sua 
razào é brandamente convìdada faz-lhe 
mais claro, mais intelligivel o tirocinio 
das disciplinas que vai confiando à me- 
moria. 

Segundo a «rorganisa^ào das escólas » 
d'este Curso de Pedagogia, ha multo que 
modificar nos collegios portuguezes em 
proveito dos proprios professores e vanta- 
gem dos alumnos. N'um breve esbo90 dos 
tra90s geraes do livro, a um tempo com- 
plicado e singelo, nào se póde dar por 
menor o complexo de reformas alvitra- 
das. que mais em favor dos educandos 
se póde fazer é estimular os preeeptores 
dignos d'està honrosa quaJifica^ào a que 
leìam o Curso de Pedagogia, se, afóra is- 
te, nos nào é le vado a mal que roguemos 
aos que dirigem a educa^ào pùblìca que 
déem a este livro uma interven^ào legai 
nos collegios. Como quer que scja, sabe- 
mos que alguns professores jà de ante- 
mào almejavam algum escripto d'està es- 
pecie. Esses jà tinham em si a luz que 
ihes mostrava a necessidade de outra 
mais esplendida; e elles, os dignos for- 
madores da gera^ào que vai occupar a 
por^ào mais activa da humanidade, ser&o 
por ventura os primeiros a dar o exem- 
plo, e a colherem as ben^àos dos paes de 
familia. 

É certo que as idéas de Charbonneau, 
respectivas às qualidades que se reque- 
rem nos preeeptores, jà vem de longe 
preconisadas, mas, n'estes ultimos cin- 
coenta annos, pareciam obliteradas 4 a 
previ dencia dos paes e da consoiencia dos 
educadores. Excellentes maximas se nos 
offerecem nos que exercitaram profes-, 
sorado no nesso paiz. Ha mais de se- 
culo e meio que um mestre-escóla portu- 
guez, Manoel de Andrade e Figueiredo, 
publicàra A nova escóla, offerecida a D. 
Joào V, e no capitulo Eleigào dos mestres 
preluziram-lhe os excellentes preceitos 
que Charbonneau explana. que é novo 
é a organisa9ào das escólas, o methodo 
do eusino, a systematisa^ào dos mappas, 
e tudo que coopera em haurir do tempo o 
maxime proveito. Este livro nào foi só- 
raente escripto para os^quo ensinam; a 
maior parte d'elle é um compendio de mo- 
ral para os que aprendem, e um conse- 
Iheiro que confìdenceia aos paes cousas su- 
bii mes que elles hào de comprehender e 
agradecer, se as virem à luz do amor que 
tem aos fìlhos. 

Camillo Castello BbìMnco* 



92 



BIBUOGRAPHU P0RTU6UEZA E KSTRANOEIRA 



MIGUEL GHAMBONNEAU 

Director da Esoóla Norxnal de Melon 





E PRAIICO DE PE 




TRADUZIDO DA ì^ IDI^IO 



POR 



JOSÉ nigol.au raposo botelho 



nsriDICXE] 



PRIMEIRA PARTE 

OONSBLHOS PBBLIUINASBS E DIBEC^ORS 
GEBAES 

Dignidade das fancQoes de preceptor. 

— Qualidades e condi^Ses necessarìaa 
para exercer dignamente as fuuc^oes de 
preceptor, — Voca^So. — Qualidades do 
preceptor relativas à sna vida exterior. 

— A modestia. — A prudencìa. — A de- 
lìcadeza. — O amor da solìdào e do estu- 
do. — A piedade, os bona costumes. — 
Qualidades do preceptor relativas 4 dis- 
ciplina da escóla. — Bondade, afieì^ào 
pelas crian^as. — Firmeza. — A pacien- 
cia. — A pontualidade e o zelo. 

SEGUNDA PARTE 

EDUOA9I0 On DESENVOLVtMENTO 
DAS FACULDADES 

Defini^oes e divisoes. -- Educa^So 
physica. — Objecto e importancia da 
educa^&o physica. — Precau^oes a tornar 
e conselhos a dar, sob ponto de vista 
hygienico. — Desenvolvimento das for- 
9as e direc9oes para os exercicios corpo- 
raes das crian^as. — Educa9ào dos or- 
gàos dos sentidos. — Educa^ào intelle- 
ctual. — Da alma e das faculdades in- 
tellectuaes. — A percep9&o. — A atten- 
qSLo. — O juizo. — racìocinio. — A me- 
moria. — A imagina9§.o. — Modélo d*uma 
IÌ9SI0 de cousas. — Educa^^o moral. — 
campo da moral. — A vontade e os 
phenomenos que a acompauham . — Os 
phenomenos que acompanham a vonta- 
de: a consciencia. — A voutade. — A 



sensibilidade. — Os sentimentos em gè- 
ral : inclina9oe8 ou tendenoias. — Ten- 
dencia pessòal, ou amor de si. — ConBer- 
va9ào, ou amor da vida. — Bem estar. 

— Previdencia. — Desejo d^estima. — 
Sentimento da Verdade. .— Sentimento 
do Bello. — Sentimento do Bem. — Ten- 
dencia social, ou amor pelos nossos se- 
melhantes. — Amor da ramilia. — Amor 
da patria. — Amor para com os bomens* 

— Bom trato para com os animaes. — 
Tendencia religiosa, amor de Deus, pie- 
dade. — Dos motores em educa9ào ou 
dos melos disciplinares. — A aneÌ9ào, 
mobii principal. — Meios accessorios. — 
Das diveraas especies de recompensas e 
dos seus caracteres. — Diversos castìgos 
e seus caracteres. 

TERCEIRA PARTE 

INSTBUC^AO E ENSIMO 

Principios geraes. — Triplice fim do 
ensino. — DefinÌ9oes. — Modos. — Modo 
individuai. — Modo simultaneo. — Modo 
mutuo. — Modo mixto. — Methodos e en- 
sino das principaes dìsciplinas. — Dos 
methodos em geral. — Diversas especies 
de methodos. — Methodo socratico ou in- 
terrogativo. — Modélo do emprego do 
methodo socratico. — Ensino das princi-' 
paes dìsciplinas. — Instruc9&o religiosa. 

— Leitura. — Explica95es preliminares. 

— DefinÌ9oes. — Differentea especies de 
methodos de leitura. — ExposÌ9ao do me- 
thodo de leitura. — Ordem das partes do 
curso. — Meios a empregar. — Escripta. 

— Dir^c9oes especiaes para ensino de 
leitura corrente. — Ordem das parte» do 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



93 



earso. — Meios a empregar. — Princi- 
pios diversoB. — Arithmetica. — Ordem 
das partes do curso. — Meios a empre- 
gar. — Lingua portagueza. — Ordem das 
partes do curso. — Meios a empregar. — 
£>esenho linear. — Ordem das partes do 
curso. — Meios a empregar. — Canto. — 
Ordem das partes do curso. — Meios a 
empregar. — Geographia. — Ordem das 
partes do curso. — Meios a empregar. — 
Uistoria de Portugal. — Ordem do curso. 
— Meios a empregar. 

QUARTA PARTE 

OROAKISA^AO DAS EBCÓlAS 

Bases da organisa^&o. — Organisa9&o 
do mappa do emprego quotidiano do tem- 
po. — £xplica9oes preliminares. — Em- 
prego quotidiano do tempo. — Aula da 



manh&. — Aula da tarde. — Li^oes sobre 
materias f acuì tati vas. — Diario das li- 
9008. — Organisa^So do curso : program- 
ma. — Organisa^ào da disciplina. — Or- 
ganisa^ào da mobilia. — InstrucQoes de 
20 de julho de 1866. — Portarla de 7 de 
julho de 1871. 

MAPPAS 

Mappa do emprego quotidiano do 
tempo. — Diario das TiQoes. — Segundo 
modélo do diario das li^òes. — Divis&o 
annual do programma. — Divismo do pro- 
gramma por trimestres. — Modélo para 
o liyro da matricula. — Modélo do regis- 
to das faltas. — Modélo do registo das 
notas e bons pontos. — Modélo do livre- 
te de correspondencia. — Mappa do mo- 
vimento annual da cscóla. — Mappa da 
frequencia mensal. 



1 volume com 11 mappas 1^000 reis 



E 



DUCAOÀO E ENSINO 



Ahn 

Methodo de francez. 1 voi 500 

Methodo de inglez. 1 voi 700 

Methodo de italiano, 1 voi 500 

Rapo80 Botelho e Silva Dias 

ELementos de desenho linear geometrico, 

1.» parte. 1 voi. brochado 600 

Cartonado 800 

2.» parte. 1 voi. brochado 900 

Cartonado UlOO 

Saigey 

ProUemaa d* arithmetica e exercicios de 
calculo sobre questoes ordinarias da 
Vida, contendo 921 problemas com as 
r6Bolu9oes, geometria mecanica, as- 
tronomia, geographia, physica, chimi- 
ca, metrologia antiga e moderna, prin- 
cipios de escriptura^&o commercial, 
etc. 6.^ edÌ9&o, traduzida por J. C. L. 
de Carvalho. 1 voi 600 

José Augusto Vieira da Cruz 

Nova grammatica dementar da lingua 
franceza, 3.* edÌ9ao. 1 voi 600 

Silva Dias 

Ariihmetica dementar t sy^tema metrico, 
eom um quadro de pesos . e medidas 



metricas, conformeei com o programma 
para os exames d^admissào aos lyceus 

nacionaes. 1 voi. brochado 200 

Encadernado 300 

Quadro dos pesos e medidas 

1 folha em papel cartào 400 

Envemizado e com paus li^OO 

Diogo Nunes 

Exames e composigdea de mathematicas 
dementarea ou collec9ào de theoremas 
e problemas, demonstrados e resolvi- 
dos, para servirem de modélo aos alum- 
nos dos lyceus e collegios. 1 voi. 400 

Raposo Botelho 

Arithmetica pratica, contendo as mate- 
rias exigidas pelo novo regulamento 
dos lyceus, para o 1.® e 2.o annos de 
mathematicas. 1 voi. cart 600 

ITieoremas introduzidoa no terceiro anno 
do curso de mathematicas, pelo ultimo 
programma, para o ensino nos lyceus 
nacionaes 240 

Geographia geral actualisada e posta em 
harmonia com o ultimo programma 
officiai, para o ensino nos lyceus na- 
cionaes. 2.» edÌ9&o. 1 voi 600 



94 



BIBLIOGBAPHIA PORTUOUKZA E ESTRANGEIRA 



PDBLIGAGOES PORTUGUEZAS 



ObAtean.'biriaiKl 

Atala, traduo9&o de GuUherme Braga, 
com desenhos de Gustavo Dorè, gra- 
vados por Joào Pedroso. 1 voi. l^lfòOO 

Peireas ]E2isei*ieli. 

manuacripto materno, traduc^ào do J, 
D. Mattoa Moreira, illustra^oes de 
Mcmod Macedo. 6 voi 3^000 

Peticionario rural, collec9ào copiosa 
de formulas para peti^oes ao governo 
e supremos tribunaes ; naa reparti^oes 
administrativas, ecclesiasticas e de 
fazenda, etc. ete. 1 voi 400 

AJ.'bevto Pimentel 

Album de ensino universal, livro do ins- 
truo^&o popular. 1 voi 600 

SliAlceispeiUTe 

Hamlet, tragedia em 5 actos, traduc9&o 
de Bulhào Poto. 1 voi 800 

]MC. Seimaordes Sx-aneo 

Portugal e oa eatrangeiroa, obra ador- 
nada de nove retratos. 2 grossos vo- 
lumes Gi^OOO 

Xaviex* d'A^lmeicla. 

Prindpioa de chronólogia, approvados 
pela junta consultiva de instruc^ào 
publica para uso dos lyceus. 1 vo- 
lume 500 

Simoeis X>iais 

A HeapanhtL moderna, 1 voi 500 

Converaaa sobre o protestantismo hodier- 
no, traduc^ào do Pa^re Senna FreU 
taa. 1 voi 300 

Padre Felix 

Conferencias sàbre o socialismo, traduzi- 
das em portuguez por Francisco Luiz 
dtSeabra. 1 voi 500 

Padre Cros 

Confessor da infanda e da mocidadej 
3.» edi§ao, tradozida pelo Padre M. 
p, Mamoco e Sousa, 1 voi 600 



Palineirixn 

Galeria de figuras portuguezas. — A poe^ 
sia popular nos campos, 1 voi . . . 800 

«Tose Slum 

Vida do Santo Papa Pio IX, obra popu- 
lar vertida da 3.^ edi^ào allemà, an- 
notada e additada por Francisco de 
Azeredo Teixeira d'AguUar (conde de 

Samodàes). 1 voi. br 800 

Cart liWKK) 

Ounlia Seixais 

Galeria de sciencias contemporaneas, 1 
voi W500 

F. Xavier <ie Novao» 

Poesias. 1 voi Is^XXX) 

Sarros Gromes 

Cartas dementares de Portugal, para 
uso das escólas, approvadas pela jun- 
ta consultiva de instruc^ào publica, 
etc. etc. Contendo as seguintes cartas : 
I — Carta concelhia, II — Carta de re- 
levo, orographica e regionale III — 
Carta dos arvoredos (carta xyloffra- 
phica). IV — Carta agronomica, v — 
Carta de povoaqào concdhia* VI — 
Lista especial dos concdhos. . . 1^^200 

Condi^òes florestaes de Portugal, illus- 
tradas com as cartas orographica, zy- 
lographica e regional 400 

Notice sur les arbres forestiers du Portiti 
gal. Avec une carte xylographique 
chromo-lithographie 250 

F. Sarata 

Os jesuitas na córte, romance historico. 
1 voi 500 

M]. da Oiinlna e SiSi 

ultimo cavalleiro, romance historico. 
Edi^ào illustrada. 1 voi 600 

Paulo ^Tanet 

Philosophia dafdicidade, versào da 5.» 
edÌ9ào franceza. 1 voi 1^000 

Padre F. I^aeerda 

De Lisboa a Roma. Noticia historica da 
peregrina9ào portugueza ao Vaticano. 
1 voi 700 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



95 



O Nababo, romance de coBtumes pari- 
sienses, yers&o brazileira. 1 voi. 600 

IVapolecLO Olienioviz 

Dicdonario de medicina popìdarpsLTSLViBO 
das familias. 5.& edì^ào. 2 grossos vo- 
lumes encademados 9j£!000 

JFomnUario t guia medica. 10.^ edicào. 
1 grosso volume encadernado. 3i^600 

CÌÈjrymamtowvLO pO]:*tii^ueas 

Ou o Padre Antonio Vieira, 2.® voi. Ser- 



m5es do tempo pasohal, SS. Sacra- 
mento, Advento, Natal e outros dias 
infra annum. Pre90 1|I800 

I>a Imitapao die Olirlsto 

Quatro livros traduzidos do originai la- 
tino em linguagem portugueza pelo 
Bacharel Emesto Adolpho de Freitaa. 
Ivol 800 

A. Xtaeeolta 

Ou collec^ de oragdes e óbraa piaa, tra^ 
dnzidas por I\r(mcÌ8co Luie de Se<zbra, 
1 voi 600 



PUBLIGAGOES HESPANHOLAS 



OBRAS DE EMttlO CASTBLLAK 



iDiseiLTSOB politioos* 1 grosso 

voi.. 111930 

Seeiiex*<lois de Xtalia* 2 vo- 

lumes 2(^640 

ILàCL iredleueion del esciavo. 4 vo« 

lumes 2i^80 

Hlstiido» liistoirieos sobre la 

edad media, j otros fragmentos. 1 

voi 600 

X^a OiTUisaeiou en los cinoo 

prìmeros siglos del chrìstianismo. 5 

voi SiSiBOO 

Hei*iiiaiia de la Caridad. 2 

voi 960 



Ouestiones politioais e socia- 
les. 3 voi liJS440 

X>teou.JL*sos parlamentarios. 3 vo- 
lumes liW40 

Defbnsa de la fòrmula del progreso. 
1 voi 480 

X^a fbirmula del progreso. 1 vo- 
lume 480 

Oairtas sobre politica europèa. 2 vo- 
lumes . li^440 

Porfìles de personajes y bocetos de 
ideas. 1 voi 720 

Sem1>laii2Eais contemporaneas. 1 
folheto 300 



COLLECCION DE LOS MEJORES ABTORES ESPAMES ANTMOS Y MODERNOS 



CoUeccion de poesias caatéUanas, ante- 
rìores al siglo xv, por A, Sanchez, oon 
notas y un vocabulario. 1 grosso vo- 
lume 2i^;400 

Tesoro del teatro eapahol desde su origen 
(1356) basta nuestros dias: origenes 
del teatro espailol, Lope de Vega, — 
(Mderon — teatro escogito desdé Cal- 
deron basta nuestros dias. 5 volu- 
mes lOi^OOO 

Comedias de Morantin, 1 volume con re- 
trato li^200 

CoUeccion de piezaa eacogidas de Lope de 
Vega, Calderon, Tirso, Moreto, Bo- 
jas, Alarcon, Solis, etc. etc. 1 vo- 
lume 2i^0 

Tesoro de novelistas espaholes antiguos y 
modemcs. 3 voi 4i^0 



Obras de Cervantes : Don Quìjote, Nove- 
las ejemplares, La Galatea, El viage 
al Parnaso, Obras drnmaticas, Persi- 
les y Sigismunda. 4 voi 6^1000 

Novelas ejemplares y amorosas (120 no- 
velas) de D. Maria de Zayas y Soto^ 
mayor, 1 voi 1^500 

Alleman, Vida y hechos de Gusman de 
Alfarache. 1 voi. gr 1^00 

EU BachUler de Salamanca ; el observa- 
dor nocturno, por Le Sage, EL dioMo 
Cojuelo, etc. 1 voi 1^1500 

Guerras civUes de Granada, por G. Pe- 
rez de Hita, 1 voi li^500 

Tesoro de historiadores espaMes, 1 voi. 
con retratos 1|»800 

Tesoro de los prosadores espaM^es, 1 gr. 
voi 2,W0 



96 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUBZA E ESTRANGEIRA 



Apuntes para una ìnblioéeca de escritores 
espafioles contemporaneos en prosa j 
verso, por Ochoa. 2 gr. voi. . . W400 

Obraa completai de Martinez de la Rosa : 
obras poetioas 7 dramaticas, novelas 
historicas, Espiritu del siglo. 5 volu- 
mes.. 9iW00 

Obras completas de Don José Zorilla. 3 
voi 6i»)00 

Ohraa poeticas de Don José de Espron" 
ceda. 1 voi 111200 

Obrcu completas de Figaro (D. Marianno 
de Larra). 2 voi 4*)00 



Obras dramaticas de QU y Zaraie. t vo- 
lume 2*X)0 

Obras escogidas de Breton de los Herre* 
ros. 2 voi 4^000 

Rimos ineditas de J)on Iftigo Lopez de 
Mendoza, de Fernan Perez de Guzman, 

1 voi li^OO 

Historia de Granada de las bus cuatro 

provincias — Almeria, Jaen, Granada 
y Malaga, — por Lafuente Alcantara. 

2 voi 3^600 

Gii Blas de Santillana, 1 voi. . . 1^200 






OBRAS DIVERSAS 



Feiman Oa'balleiro* — Deudas pagadas. Quadro de costumbres populares. 

1 voi 720 

— Cosa cumplida. . . Solo en la otra vida*— Dìalogos entro la juventud 7 la edade 

madura. 1 voi 720 

— Clemencia; novela de costumbres. 2 voi 1^40 

— Élla, ó la Espana treìnta anos ha. 1 voi 720 

— Un servilon 7 un liberali to, ó tres almas de Dios, novela. 1 voi 720 

Gra.'biriel AJonso <io Herreva. — Agricultura general. 4 voi.. . 4i^00 
I>. •Ta&é M]. Pantqja. e I>. Antonio M]. Floret. — Le7 hi- 

potecaria comentada 7 explicada. 3 voi. ^200 

!Ra.moii de Oa.iii2>oa.iiioiT. — Nuevos pequenos poemas 7 doloras. 1 v. 960 

— El drama universal. Poema em ocho jornadas. 3.» edi^ào. 1 voi 720 

I>iT. !>• It. IML» Gr. — Curso de filosofia del derecho, 7 del derecho internacio- 

nal, general 7 particuiar de Espana. 1 voi 840 

Fei^iry y Oom.2>a.iiìa« — El discreto amigo. 1 voi 480 

X>. «Tose Zoinrììleu — Lecturas hechas en el ateneo cientifico 7 literario de 
Madrid en 1877. 1 voi 720 

!>• «Tiian AJ.011S0 y JBUgudlsLx» — Teoria de la inmortalidad del alma 7 
de las penas 7 recompensas em la vida futura. 1 voi 480 

Ubalclo 'R» Quinones. — La fòrmula social. 1 voi 720 

!>• IRamoii J^aurra^ Si vélo. — Antigiiedades de Galìcia. 1 voi... 2i?400 

X>. Sairtolomé «Tose Gralla<x*do. — Ensa7o de una biblioteca espanola 
de livros raros 7 curiosos. 2 voi 4j^00 

Firaneiiseo de Milizia^ — Arte de ver en las bellas artes del disefio, tra- 
ducido al castellano con notas e ilustraciones, por D. Juan Agustin Cean Bermu' 
<fe». 1 voi.. . 840 

!>• «Tose Miavia. A^ntequeira^ — Historia de la legislacion romana, desde 
los tiempos mas remotos basta uuestros dias. 3.^ edi^S-o. 1 voi 840 

!>• «Toaquim. Miairia Tropez* — Lecciones de eiocuencia general 7 fo- 
rense. 2 voi .• 41200 

!>• BuenaT-entura <ie Oordoba. — Vida militar 7 politica de Cabre- 
rà. 4 voi WOO 

!>• gioente del Seir^o. — El bombre en la agonia 7 ultimos momentos 
de la vida. 1 voi i . . . 160 

!>• Antonio Floi*es. — A7er, bo7 7 mafiana. Cuadros sociales de 1800, 
1850 7 1899. 7 voi 4^200 

AJ^slVÓlO R. Quinones* — La relìgion de la ciencia. (Filosofia racional). 
1 voi , liW) 

!>• «Tiian. !Bieo y A.mat. — Historia politica 7 parlamentaria de Es- 
pana. 2 voi 3^600 



■lli|Bll t 1--Ì 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



97 



OPINIiO DA IMPRENSA 



A RESPEITO 



DE VARIAS PUBLICAQdES DA LIVRARIA INTÈRNACIONAL 



DB 



EENESTO CHAEDKON 



Por Rny da Gamara, com illnstra- 
Qoes por M. de Maoedo, C. Alberto 
e Pastor. Emesto Chardron, edi- 
tor. Typ. de Antonio José da Silva 
Teixeira. Porto, 1879. 

Recebemos so a primeira foiba. Mas é 
leitura interessante, qne recommenda- 
mos milito sinceramente. 

O estylo, facii e insinuante, agrada nas 
descrip^oes, que prendem por um gran- 
de interesse de curiosidade. 

E colhe-se bom resultado porque se 
fìca com conhecimento dos costumes 
d'aquelle imperio, que estando tao pro- 
ximo de nós, tao louge nos fìca pelo ca- 
racter da sua oivilìsa^ào. 

Do livro conbeciamós algans trechos, 
que foram publicados no Occidente, ex- 
celiente revista litteraria de Lisboa, tao 
notavelmente dirigida pelo nesso amigo 

GUILHEBUB DE AzEVEDO. 

As gravuras que alli tem apparecido 
e que se bào-de intercalar no texto do li- 
vro, sfto excellentes, nitidas, perfei- 
tas, completando a descrip^Slo e dando- 
Ihe Vida* 

(Correspondencia de Coim^ra), 



Oa]ieioiiei]:*o -AJeg^e 

De poetas portngnezes e brazilei- 
ros, oommentado por Camillo Cas- 
tello Branco. Lìvraria Intemacio- 
nal de Emesto Chardron, editor, 
Typ. de Antonio José da Silva Tei- 
xeira. Porto, 1879* 

1 volume, 1^200 reis 

É nma publicac&o que està destinada 
a urna grande notoriedade. 



commentador é o mais talbado de 
fei^&o para Ihe imprimir caracter. Nào 
conbecemos éntro nós quem tivesse tanta 
for^a para investir com a especialidade. 

Ha-de desentraubar perolas. 

Cavava em ruinaa para encontrar tbe- 
souros. £ muito ocoultos, muito escondi- 
dos, muitissimo ignorados, ba-os do va- 
lor e do merecimento mais subido. 

Fara agricultar em tamanba aridez, 
ninguem por abi ba que possa me- 
dir competencias com Camillo Castello 
Branco. 

snr. Cbardron vai dar uma novidade 
à litteratura portugueza ; e se o commen- 
tador puzer todo o seu cuidado na obra, 
parece-nos que ella, pela sua uatureza, 
està destinada a ser um dos seus primei- 
ros titulps de gloria, em que mais se p6- 
de affirmar a individualidade do autbor. 

So recebemos a primeira foiba. 

(Idem). 



Gralei*ia de fig'iLra^ 
poirtug'ii.eza.s 

1 volume, 800 reis 

infatigavel editor portuense Emesto 
Cbardron, a quem a litteratura portugue- 
za deve um auxilio poderoso, acaba de 
obsequiar-nos com um exemplar do ulti- 
mo livro do snr. Palmeibim, o poeta mais 
popular da gera^ao passada. 

É um livro de bellissima prosa, corre- 
cta e portugueza legitima, que fornece 
uma sa leitura aos espiritos que sabem 
ainda apreciar nos luctadores da gera^ào 
que vai desappareoendo a pouco e pouco, 
as qualidades que tanto os distìnguiram. 

Cada um d^elles preencbeu no seu tem- 
po, oom mais ou menos exito, a lacuna 
que n^elie bavia ; é por isso n*esta època 
em que a adora^ào fanatica pelos idolos 



98 



BIBLI06RAPHIA PORTUOUBZA E B8TRAN6EIRA 



de hoje, na maior parte idoloB de barro, 
leva OS nossos oontemporaneos a menoB- 
prezar tudo que à sua època n&o perten- 
ce, oonstituindo assim utn conveacionalis- 
mo de falsa escóla, que nos incommoda, 
é por isso, dizemos, que em nós encon- 
tram sempre o devido aprono, mesmo a 
despeito da certid&o de idade, os traba- 
Ihos d'esses artistas e trabalhadores con- 
YÌctos (|ue teem a coragem de luctar e 
progredir n*uma època t&o ayessa aes 
seus princìpios. 

É essa urna das grandes proras da sua 
super iorìdade. 

livro do sur. Palmbibim tem paginas 
de multo interesse, descrip9oes curiosas, 
retratos iieis, recorda^oes saudosissimas 
de tempos melhores que n&o volveremos 
a conhecer. 

N&o é um museu arcbeologico ; mas pó- 
de bem chamar-se-lbe urna chronica cu- 
riosa de bons tempos preteritos. 

Os processos litterarios s&o porém fra* 
cos, às vezes destituidos do colorido real 
das cousas e dos factos. 

Mas por essa raz&o o interesse dos as- 
sumptos n&o é menor ; pois que sobra no 
sentimento que anima os quadros, a arte 
que OS podia tornar mais perfeìtos. 

poeta é superior ao artista. Jà nos 
yersos do sur. Palmbirim se notava està 
differenza. 

Como todos OS paizes que tem uma na- 
cionalidade distìncta, Portugal possue ty- 
pos e costumes quo em parte nenhuma 
se observam. Estudal-os, caracterisal-os 
devidamente, fazel-os resaltar cada um de 
per si, ou todos n^um coi\junto animado, 
foi intuito iouvavel que estimulou o 
snr, Palmeikxh na factura do seu ultimo 
livro. 

A sua reconhecida intelligencia, e o co- 
nhecimento bastante dos assumptos que 
tratou, deram à sua Galerla um subido 
merito, que apesar dos senòes que Ihe 
podìamos notar, se nos propozessemos fa- 
zer uma critica severa, n&o podemos dei- 
xar de reconhecer. 

No livro— Galeria de figiiras por- 
tnguezas — ha assumptos curiosos, co- 
rno OS seguintes que os titulos indicam : 

trapeiro, A lavadeira à^Mfama^ Ab 
hortoèf sapateiro de escada, f odiata, 
broeiro, A inculoadeira, barbeiro de 
aidèa, namoro da janella aòaixo (que 
o snr. Palmbibim podia ter chamado com 
seu nome usuai : gargarejo)^ Um ca- 
samento nos saloios, O gallego, e outros 
que, corno véem, s&o nacionalissimos e in- 
teressantes. 

A Galeria addicionou o snr. Palmbi- 



bim um estudo (se assim Ihe podemos 
chamar) sobre a poesia popolar portu- 
gueia. 

A nossa duvida na classifica^&o d'esse 
trabalho està por ventura em sermos mai- 
io exigentes em obras d'este genero, 
n*uma època em que ellas mereoem a 
mais profonda atten^fto dos sabios. 

Estudar a poesia {spular nfto è sómen- 
te ramilhetar as quadras do nesso conh^ 
cimento, attribuidas ao povo. É neces- 
sario estudar-lhes a origem, a patemida- 
de, ber^; è necessario stgeìtal-as a 
uma analyse scientifica rigorosa. 

Nào temos competenoia no assompto; 
quer-nos porèm pareoer que algumas das 
quadras aproveitadas pelo snr. Palmbi- 
bim, e na maior parte conheddas, n&o 
teem o cunho popolar oaracteristico. 

Teem, para nos, um sabor mais culto. 
— Isto è importante investigar n*am tra- 
balho d*esta ordem. 

Mas è possivel que o snr. Palmbibim 
n&o mirasse a um resultado scientifico ; o 
caracter ameno do seu livro perderla 
muito com a addiQ&o pesada d*umas pagi- 
nas recheadas de investiga^oes e coi^e- 
cturas. 

Os versos que ouvira nos certamens 
populares, ou avulsos na bocca d*uma 
camponeza, encaixilhou-os n*uma prosa 
poetica e romanesca, attribuindo a cada 
estrophe uma hi storia triste ou alegre de 
amores trahidos ou bem fadados ; — la- 
grimas da m&i sobre o esquife d*um fìlho 
que adorava, ou lagrimas de commo9&o 
feiiz pela acquisiQ&o d*um bem desejado. 

De tudo isto o snr. Palmbibim formoo 
umas historietas curiosas, e no seu ponto 
de vista fez uma obra de interesse e de 
valor. 

Por isso n&o hesitamos em dizer que o 
livro do snr. Augusto Palmbibim e dos 
mais importantes que o benemerito Char- 
dron tem publicado ultimamente. 

Chbistovao Atbes. 

(Do Jomal do Commercio). 



OiMur^a dia ling^ua froneeza 

1 volume, 500 reis 

incansavel editor o snr. Emesto 
Chardron, que pouco tem que invejar na 
multiplicidade das obras que edita, os 
celebrados Hachbtte e Miohiil Lbyt, 
acaba de publicar um Gurso da lingua 
fraaceza, segundo o methodo de Ahn, 
adequado ao uso dos portuguezes pelo 
professor H. Bbubswiox. 

(Da OrcUm), 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



99 



A FORMOSA LUSITANIA 



POB 



CA-THARINA CAR.I-.OTA IL.AI>Y JA.CKSON 

VERSAO DO INGLEZ. PREFAQADA E ANNOTADA 

POB 

CAMILLO CASTELLO BRANCO 

Obra de lnxo, adomada com 23 bellìssimas gravnras, repreaentando as 
mais notaveis vistas e os mais distinotos montunentos de Portngali com 
urna linda enoadernagao em peroalina donrada. 

UM GRANDE E ELEGANTE VOLUME, 4^500 RBIS 

LIVRARIA MALHEIRO-EDITORA 



*» 



A. Foirinoisa X^u^ita-nia I Co- 
mo póde sahìr està phrase, tao lìson- 
jeira ao ouvido nacìonal, dos bicoa de 
ama penna estrangeira que se consagrou 
ao estudo das noasas cousas e servir, pa- 
ra mais, de titulo a um li vro impresso na 
lingua de Shakespeare e de Milton? A 
nossa sui'preza, um todo nada agradeci- 
da, apeia-se das alturas a que a subirà- 
mos, quando reflectimos que nem todos 
09 estrangeiros que visitam Portugal 
hào-de contentar-se com fallar d'outiva 
do nosso Camoes e com dizer, de visita e 
de gosto, as excellencias do licór que se 
espreme nos lagares do nosso Douro. A 
terra é pequena, bera sabemos, mas pe- 
queno é de certo diamante, e ninguem, 
que possa apreciar-ihe a belleza das suas 
aguas, o trocarà por qualquer mó de 
moinho, por enorme que ella seja. 

Lady Jackson comprehende todo te- 
dio que póde ezperimentar aqui um via- 
jante, mormente inglez, se nào póde por 
a seu servilo algumas palavras portu- 
gueaas. Desabafa os frenesins nervosos 
em exclama^oes de ah I e puf ! e nS.o pó- 
de levar à paciencia que os indigenas 
Boltem a lingua em catadupas de pala- 
vras que rumore am aos seus ouvidos 
corno algaravia de que nada peroebe- 
ram. 

Ainda bem que a illustre escriptora 
nos vinga de tanta injuria, certificando- 
se e certificando as gentes que a terra 
n&o é tao sàfara de talentos nem tao des- 
pida de bellezas natoraes, que morena o 
deadem oom que geralmente a tratam. 



Demos amostra nas seguintes linhas, que 
destacamos da introducalo, e vér-se-ha 
que se trata d^um liyro digno e honra- 
do, comò o qualifica justamente o seu 
traductor : 

«Ai I amesquinhado Portugual I Como é 
que um paiz tao bello, ciga capital é a 
segunda em formosura entre as cidades 
da Europa, cujo povo é tao poHciado, 
bondoso e hospitaleiro, sem o sombrio fa- 
natismo dos hespanhoes, serja enxoyalha- 
do, comò acontece, pelo restante do man- 
do, e cpnsiderado o menos valioso e in- 
teressante dos reinos da Europa ? Porque 
nào vào alli os nossos artistas em busca 
d'inspira^oes novas para sea pincel? 
Porque as nào procuram na Formosa 
Lasitania, nas encantadoras margens 
do Minho, nas alpestres bellezas das ri- 
bas do Douro, do Tejo e do Mondego? 
Os liossos viajantes, aborrecidos das es- 
tradas chàs e das paizagens que por te- 
da a parte parecem as mesmas, porque 
se nào embrenham por aquelles sertoes 
alcantilados? Se fizerem, de certo serào 
liberalmente recompensados» . 

Os leitores jà formaram idèa do tom 
da obra e do valor da traslada^ào a por- 
tuguez elegante e corrccto, consoante era 
de esperar de penna tao adestrada e pri- 
morosa. Resta dizer-lhes que a edi^ào é 
seguramente das mais luxuosas que teem 
sahido dos prelos nacionaes. Acompa- 
nham-na gravuras de um altissimo mere- 
dmento artistico, representando as mais 
notaveis vistas e os mais distinctos mo- 
numentos de Portugal. 



BIBLIOORAPHIA. PORTuaUBZA E SSTHANQEIRA 



doi qua pretandem habllltar«i pui 



D progiuuiiui offlslal 

« da admlMto dm Ifeew d 



JoAo r>rxrz 



UH VOLUME COH 31 BBTBATOS, 240 reis 



Eate resano avulU entre todos os quo 
teem TÌ«to a publicidade com ideatioo 
fini. Apresenta urna pliyatonomia moder- 
na o vecdadeiramente aympathiea ; aa de- 
fini^òea primordiaes que di naa no^e» 
preambolare», aào novaa e coherenteB COtn 
o corpo da materia ; abrangem todo o da- 
fiaido ; nada team de superfluo aem cou- 



sa algama omittem do originai: reau- 
mem o proloquio latino panca eed bona, 



i faetos prinei- 
paea oceorridoa no reinado de cada prin- 
cipe, eoUoca o author o retrato, aa datas 
do naacimento, acclantsQ^, o fallecimen- 
to e OB annoa que govemoa, corno para 
logo OB lecommcndar é. retentìva da oriau- 

S; repete a frante de cada djnastia as 
taa do eeu principio e firn. 
Òi factoa capitaes de cada governarlo 



aoham-ee eipostoa na sua rigorosa ordem 
chroualogica, com olarezs, em lioguagem 
portugueza e eimplea, aem oa tentando de 
dataa para n&o sobreoarregar a memoria 
do alauuto, quo deve aprender suava- 
menta, aem grande esfor^ iateUeotual 
e que póde prqudiear tanto desonvolvi- 
mento da sua eduoagào phyaioa conto 
mental : 6 iato meamo o que team pueto 
em pratica 14 fdra os pedàgogos de me- 
Ibor nome, e os que applicam a sua actì* 
vidade a estudai o melhor meio de ins- 
truir bem e doprcaaa a iniancia. 

Oa criticos inadvertidamente eostumam 
dar pouca ìmpoctancda aoa eacriptos d'es- 
ta natureza. Um livrinho de hiatoria pa- 
tria afei^ada so entendimento de alum- 
Dos de inatrucQ&o primaria parece-lbes 
objecto somonos da sua atten^&o. D'este 
desdem ae aprovoitaram pessoas insuf- 
ficientes, pablieando compendioa, que &- 
voreoidos pela indnlgenoia, se n§o pela 
ignoraucia, doB qualUÌGadores da inatmc- 

Sào publica, ahi correm multo ufanos e 
iicralivoB das suas dezenaa da edifòea. 
N&o se pdde dizei que una aSo peores qiie 
OS outros ; porqne reciprocamente se co- 
pi&m com bomogenea fidelidade as mes- 
maa futilidades, os meamos preoonoeitos,' 
una haurìdoa no L* Clbdb, outros ns Hls- 
toria d6 Portugal, compoeta em in^les 
por urna soeiedade de litteratoe, e muitos 
em FitBDiRAMD Dbkib. Beeumos eeciiptos 
jé> depoia que Scuikffbr, Usacoi-Aifo e Be- 
BKI.L0 DA Silva diluoidaram as obscurida- 
dea e corrigiram os deaaoertoB, coDtiuuam . 
ga&doa dos antigos tìcìob. Oa fabrican- 
tes d'cates livrea da mercantiliBmo defl- 
culpam-ae com a evasiva de que a hiato- 
ria aBcripta para tapazea os dispeiua a 
allea, hìstoriadores, de a estudaiem. 



A venda nas Livrarias Chardron — Porto e Braga. 



1.» ANNO 



1879 



N.» 6 



BlBLIOGRAPHIA 

.PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



CANCIONEIRO JILEGRE 



DB 



POETAS PORTUGUEZES E BRAZILEIEOS 



002SiCx«dcsxTrr.i^jD0 



POR 



CAMULiLO CASXE2IL,IL,0 BRANCO 

Um volume de 560 pag., 1^200 reis 



espirito do mais brilhante e feoundo 
romancista que Portugal tem tìdo e te- 
rà talvez por muitos seculos, parece que 
remo^ou n'estes ultimos tempos. 

snr. Camillo Castello Bbanoo, em 
oqjos labios nào tanto a idade corno 
OS acerbos padecimentos phjsicos de que 
tem sido victima haviam apagado o rìso 
— aquelle riso brincalhào e zombeteìro 
do antìgo folhetinista dos jomaes do Por- 
to — reapparece-nos hoje, no Canoionei- 
ro alegre, desatandonse em caudaes de 
finissima gra^a, de modo a fazer-nos 
acreditar que por sobre o author do Amor 
de perdilo nào passaram os ultimos trin- 
ta annos. 

É verdàde que o snr. Camillo Castel- 
lo Branco tem por vezes no Cancloneiro 
alegre um riso nervoso, sarcastico, que 
arripìa e faz mal, e que tanto póde ser 
protesto de uma alma indignada comò 
a manifesta^ào de um espirito irritado 
pelo soffrimento. 

Todavia, n'essas occasioes, apesar de 
desapiedado, o snr. Camillo Castello 
BiiANoo nào ó ipjusto. 



Os seus commentarios alliam & fina 
gra^a e aos esplendores de um inimita- 
yel estylo, uma critica tao sensata e tao 
justa, que os mesmos sobre quem o gran- 
de romancista dìspàra os seus sorrisos 
mais ironioos deyem ficar-lhe agradeoi- 
dos. 

(Do SorviU). 



È mais uma edi^ào do inoansavel e 
prestante editor Emesto Chardron. 

commentador compila poesias de 59 
authores, especialmente modernos, prece- 
dendo-as de graciosos e ligeiros remo- 
ques, em geral apoiados pela crìtica 
quasi mordaz de que tao vantajosamente 
sabe usar Camillo. No prefacìo diz-nos 
este que — « quando se reformar o Curso 
superior de letras com todas as disoipli- 
nas indicadas urgentemente pelas neces- 
sidades da soiencia moderna, e se crear 
uma cadeira de Poesìa patusca, este Can- 
oioneiro sera a selecta do curso». — O 
Oanolonelro é ìsto : um reposìtorìo de 

7 



102 



BIBLIOGRAPIUA PORTUGUBZA E ESTRANGEIRA 



yersos ohistosos, mas que se podem lér 
sem perigo das almas puras. 

De Gon^alves Crespo, por exemplo, 
oita-nos nm soneto garoto, que é um bi- 
jou: 

Quando canta a Maldonado 
E Ods qnadris saraeotola, 
N&o é malher, 6 serela, 
Nfto ó mulher, é o peeoado. 



Etc. 



Até entre os poetas serios pMe eneon- 
trar o que quer que fosse para adomar a 
galeria! e, à maneira que apresenta aquel- 
les fructos de varios authores, nào se es- 
quece de Ihes ir fazendo uns retoques, & 
^ammatica umas vezes, ao absurdo da 
idèa outras. Até nem esqueceu aquella 
celeberrima traduc^ào do verbo to deserve 
com que um erudito glossologo (o qualifi- 
cativo é do commentador do Canoionei- 
ro) obrigou Hughes a desmerecer o nos- 
so poeta Castilho (vid. o artigo corres- 
pondente). 

A proposito de Jo§.o Penha diz-nos que 
ffdeu ao soneto um cachet nacional, que 
elle Dunca tivera desde a langaidez pe- 
trarchista de Camoes até ao rufo de zar 
bumba e caixa dos sonetos bocagianos». 
— Os sectarìos enthusiastas dos sonetos 
de BocÀOE vào ficar horrorisados ! sonetos 
de zabumba é a qualifica^ào mais estron- 
dosa que se tem feito às produc^oes do 
author da Pavorosa ! 

Camillo so nào encontrou em Hebcula- 
No metrifìca^ào azada para entrar no 
Oanoioneiro. D'este grande vulto diz 
de passagem, no artigo Gabrett, estas 
desconsoladoras palavras : — «Alexandre 
Hercdlano era de uma insulsez além da 
permittida ao escriptor publico » . — Effei- 
tos do mau humor, de certo. Tambem 
Garbett nào passa incolume : do cantor 
de Camoes diz que elle trouxe do exilio — 
o anglicismo casti^ado com a francezia, 
e colorìdo à portugueza com tintas sedi- 
^as de Filinto » . 

Que nos venham agora chamar restau- 
rador da litteratura patria ao author do 
Frei Luiz de Sonsa 1 

Mas, a parte mais typica do livro é 
quando se refere aos obreiros da Idèa 
nova, 

Hsya vista o capitulo referente a Guer- 
ra JoNQUEiBO. Até descobre que um em- 
proviso publicado em 1867 sob o nome 
do creador da Morte de D. Joao appa- 
recera, tambem comò improviso, com suas 
variantes em 1862 sob o nome de Luiz 
'^ '*los (que se diz ser o bacharel Luiz 



Carlos Simoes Ferreira). Lapsos da tm* 
provisoQào ! 

Finalmente o Oanoioneiro alegre é 
um livro que justifica perfeitamente o 
titulo, e revela os vastos conhecimentos 
litterarìos do compilador. Mnitos dos com- 
mentados é que certamente Ihe uSlo h&o- 
de ficar agradecidos. 

Em quanto à edi^&o é esplendida. 

(Do Jonud da àfanhd). 



^ livro que sahiu agora, editado pela 
livraria Chardron, é notavel por muitos 
titulos, mas es^ecialmente pelos esplendi- 
dos commentarios que Camillo Castello 
Branco faz a cada poeta de quem trans- 
creve versos. Nào discutiremos aa suas 
criticas, mas o que poremos em relevo é 
ohiste mordente das aprecia^oes, o vi- 
gor de um estylo satyrico, que nào tem 
nem terà rivai entro nós. O livro 
compoe-se especialmente de poesias que 
fazem rir, e tem muitas dos melhores au- 
thores n^esse genero, mas o que deveras 
nos faz rir a bandeiras despregadas sào 
as prosas de Camillo Castello Branco. 
Jà dèmos em folhetim deus dos seus ado- 
ra veis commentarios. artigo que elle 
consagra a um poeta extraordinario, 
Donnas Boto, é impaga vel. Respigaremos 
aqui e além no livro folheado ao acaso, 
algumas phrases deliciosas. 

A melhor analyse que podiamos fazer 
do Canoionèiro alegre é a que resulta 
d'estes extractos. Por elles vera o leitor 
comò sào interessantissimos os artigos de 
Camillo Castello Branco. Juntando-se a 
iste serem excellentes algumas das poe- 
sias escoihidas, e curiosissimas outras, 
ineditas ou esquecidas, que o colleciona- 
dor, com a paciencia investigadora que o 
distingue, e que jà tem side provei tesis- 
sima à archeologia e à historia patria, 
conseguiu deseobrir, vér-se-ha que o li- 
vro é um dos mais agradaveis de lér que 
ultimamente se teem publicado. 

(Do Diario da MahhS), 



Sem possuir o dom prophetico, facil 
era assegurar, comò em tempo assegurei 
ao editor, que o Oanoioneiro alegre ha- 
via de ter successo ruidoso e produzir ou- 
tras consequencias, por igual, ao mesmo 
senhor, ass&s jucundas. 

Com sofreguidào identica à anciedade 
que manti ve na espectativa do livro, ve- 
nho de lél-o de um folego; e, por tal 
modo agradavel me impressionou, que 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



103 



n&o posso deizar de registar a sympathica 
e substancìosa publica^fto, com que o edi- 
tor vem enriquecer o peculio dos amado- 
res de bous liyros. 

Nào bavera paladar exigente que nào 
encontre piena saciedade em t&o opiparo 
festim. 

Este liyro n&o deixa nada a desejar, 
quer nos deliciemos com a prosa verna- 
cula e correcta do eminente critico e es- 
tylista, quer nos deixemos inebriar nos 
yariados especimens da mais aqaUatada 
poesìa. 

Fazcr acquisitalo do Ganoloneiro ale- 
gre é mais do que rememorar os poetas 
que com prazer temos lido dcsde a infan- 
cìa, nossos contemporaneos, ou de épocas 
nào remotas; é tambem obter conbeci- 
mento de outros notabilissimos cuitores 
das musas, geralmente desconbecidos, por 
que as obras d*estes constituem um tbe- 
souro, usufruido apenas por quem possue 
inestimaycis bibliotbecas. 

Diz notayel commentadorf a paginas 
165: 

«... quando no seculo xxi se restaura- 
rem os mosteiros, a cr Carta de Guia » de 
Tbeodoro de Sa Coutinbo e Azevedo darà 
a este Oanoioneiro urna extrac^ào exor- 
bitante». ^ 

Exorbitante assevero eu que sera a ex- 
trac9&o da actual e das que immediata- 
mente Ibe sobrevierem : e màis ainda me 
parece que nS,o seria superflua a conti- 
nua^ào de outros liyros sob este mesmo 
plano, que além do fim a que alludo comò 
bem preencbido, visam ao duplo intuito 
de propagar quanto ba de mais primoro- 
so em inspira^^o de vates, e de tornar 
fiisante o facto de n^o ser a linguagem 
de Camoes a que menos contribue para a 
- gloria litteraria do orbe civilisado. 

A 1.& edi^ào do Gancioneiro jà bem 
avolumada com 560 paginas, reserva sem 
duvida lugar na que proximamente se 
Ihe seguirà, para outros poetas inspira- 
dos, posto n§.o conhecidos por alegres, e 
tambem para alguns que mal despontam 
agora no horisonte litterario. 

(Do Comtnereio do Porto), 



Annunciàmos jà, e festivamente o fize- 
mos, o apparecimento d^este liyro notabi- 
lissimo, em que perpassem os que mais 
brilbaram sob qualquer conceito, serio 
ou grotesco, no firmamento constellado 
de poeias portuguezes e brazileiros. En- 
carrega-se de apresental-os, a rir, sem 
dispensar-se por isso de ir dizendo cousas 



amarissimas, a penna douta e vemacula 
de Camillo Castello Bbahco. 

É pensamento do illustre commentador 
<^ue tudo o que nos ale^ra, poema ou to- 
lice, é um raio de misericordia divina. E 
dà a razfto do seu pensar em dizeres ge- 
nuinamente portueuezes em que a el^an- 
cia de pbrase iù^^^a ft 1^°^ dos conceitos. 
Ou9amol-o : 

«A seriedade é uma doen^a, e o mais 
serio dos animaes é o burro. Ninguem 
Ibe tira, nem com afagos nem com a cbi- 
bata aquelle sembiante cabido de màgoas 
reconditas que o ralam no seu peito. Ha 
n'elle a linba, o perfil do sabio refugado 
no concurso ao magisterio, do candidato 
à camara baixa bigodeado pela perfidia 
de eleitores que, saturados de genebra e 
Carta constitucional, desde a tabema até 
à urna, fermentaram a cbrysalida de 
conscienoias novas. burro é assim tris- 
te por fora ; mas é feliz por dentro, e ri- 
ria dos seus bomonymos, se pudesse 
igualal-os na faculdade de rir, que é ex- 
dusiva do bomem e da hjena, a qual se 
ri com umas exulta^oes ferozes tao au- 
tbenticas comò as lagrimas insidiosas do 
crocodilo». 

Lagrimas d'estas òu sorrisos d'aquelles 
nào OS ba n'um liyro que seu autbor pro- 
creou para ser texto n'uma cadeira de 
Poetica pastusca, em o Curso'superior de 
letras cbegando à devida perfei^ào. Cer- 
to que nem tudo o que Ibe luz o toma a 
sua critica por ouro de lei, e nem sequer 
por pecbisbeque, mas aos que Ibe apre- 
sentam a droga prefere mostrar-lbes, em 
vez d'um sorriso amoravel, candidamen- 
te satisfeito, um arripiar dos musculos 
faciaes acompanbado por ama pbrase n&o 
menos arripiada. 

Uma cousa que Ibe faz perder a pa- 
ciencia é a Idèa nova, e n&o por ser no- 
va, que jà nào encontrava d'isso no seu 
tempo Salomào, e mais era sabio, mas por 
Ihe revelar os instinctos menos aoeiados 
e nobres dos corvos e dos càes esfpmea- 
dos, cevando-se em podridoes. Bem sabe- 
mos que as modernas sociedades n&o sào 
sociedades, s&o Lazaros putrefactos. Ha 
multo que saijar, retalbar e cauterisar^ 
mas, por Deus I tambem o medico saija, 
retalba e cauterisa, mas faz uso copioso 
do sabonete antes de entrar & conviven- 
cia de senboras polidas e de bomens de 
gravata lavada. 

A poesia, comò a comprehenderam os 
mais gentis espiritos que as idades teem 
produzido, póde alar-se aos céos com Mil- 
ton, sumir-se no inferno com Dante, ser 
crente e piedosa com Lamartine, descri- 



104 



BIBUOGHAPHIA P0RTU6UBZA E ESTRANGBIRA 



da com Voltaire e Bjron, trovcjar indi- 
gnavate na grande vos de Victor Hugo, 
oa nrHM maciamente doa ridiculos da nu- 
manidade, eastiffando-o8, no estro de Mo- 
lière. que ella em maneira nenhuma 
póde, no sentir dos taes, é metter-se em 
atoleiros e vir de là com perfumes que 
n&o s&o precisameute os d*agua de rosas, 
mas d^outras coosas, corno o advertira 
Socrates. 

Nem todos, corno oste philosopho, s&o 
senhores dos seus neryos, e Camillo Cas- 
tello Branco, esse entào é de urna sus- 
ceptibilidade incxcedivel em topando eou- 
sa que o meliudre. No trabalho a que nos 
vimos referiodo por vezes ^e de parte o 
estjlete da critica, que belìsca sem arra- 
nhar, para lan^ar m&o do estadulho a 
varrer feira sem guardar testa nem olhos. 
A inten^ào applaudimol-a por excellente, 
mas permittimo-nos observar que nem 
sempre a justÌ9a estarà da sua parte. Ha 
ahi homens novos a quem n&o se póde re- 
cusar meredmento relevantissimo, em- 
bora nào escolhessem o meihor caminho, 
ou o caminho que nos parece meihor. 
GruBBRA JuMQUEiBO, por cxcmplo, que n&o 
ha-de ser apreciado por umas quadras 
que subscreveu, antes de ser o cantor da 
Morte de D. Jo&o, um poema em que 
lampejam, mais que os fogos fatuos dos 
cemiterios e dos esgotos, as deslnmbran- 
tes scintillacoes d'um talento superior. 
Deixal-os. Eiles o léem, elles o entendem, 
e là Ihe achar&o o erro em Ihes nascendo 
o dente do siso artistico. Sp preferirem 
morrer impenitentes, n&o sera com a es- 
pada que se convertam & lei do propheta. 

Depois, n&o faltam motivos para ala- 
cridades legitimas. Os Donnas Bottos for- 
migam. Quando um pobre diabo, que n&o 
ousou nunca fazer dedara^oes de guerra 
&8 deidades terrenas, e que 

Por i880 de nymphas o parvo jejaava ; 

quando esse tal alteia o seu atrevido pen- 
samento a énamorar-se das musas, a gen- 
te n&o se esquiva, por mais benigno que 
se seja, a aceitar as confissoes favora- 
veis e a fazer^-lhe o acolhimento d'Apollo 
ao novo rivai de Cam5es : 

Póde entrar, que nSo o emporroi 
Nem me vem eauaar abaio ; 
Ji eà eustento um cavallOi 
Sustentarei mais um burro. 

Pelo demais, ha nas prosas do Ganoio- 
nelro alegre IÌ9&0 de muito proveito. 
Humanisam-se os semi-deuses, tirando- 
Ihes as aoreolas posti^as com que um 
fetichismo desarrazoado os divinisou. 



Apeiam-se os heroes dos seus pedestaes, 
para se Ihes medir a palmos a estatara, 
e perfilam-se alguns talentos modestos 

2 uè ahi andam derreados, levantando-oe 
altura em que devem mostrar-se qoaes 
s&o, iste é, gente, e gente boa. Cntre as 
reivindica^Ses que là se fazem, nenhuma 
nos parece mais justa nem mais devida 
do que a de deus nomes gloriosos, Clau- 
dio José Nunes e Jo&o de Deus. «Para as- 
somos de raz&o e raptos d*alta philoso- 
phia maxime poeta foi Claudio José 
Nunes; para os do cora^&o é elle (Jo&o 
de Deus), o mestre de meninos qae devia 
comodar por onde acabou : prìmeiro ensi- 
nar a lér paiz ; depois, publicar os seus 
deliciosos poemaso. 

Para muitos outros, para Anthero do 
Quental, Castilho, Manoel Duarte d*AI- 
moida, Scusa Viterbo, Fernando Caldei- 
ra, Gir&o, Vidal, Palmeirim, Simoes 
Dias, Grondai ves Crespo, etc, tem ama 
palavra e um sorriso acariciador. Aos 
demais, n&o ihes aconselha resìgna^&o, 
que n&o é homem para isso, mas insere a 
rormula que Ihes póde ser lenitivo se n&o 
encontrarem em si a consciencia do quo 
valem. É de Paulino Cabrai : 

Se às vezes traz a verdade 
Algum dlssabor comsigo, 
AquellO) que daa que digo 
N&o mostrar nunca vontade, 
Tenba ao menos por prudeneU 
Paciencia. 

A edÌQ&o é nitida quanto póde sel-o, e 
das melhores que teem sahido da casa 
editerà Chardron. 

(Do Priflietro dt Janeiro), 



Ganoioneiro alegre é urna coUec- 
9&0 de versos, em que collaboram n&o 
so OS nossos poetas modemos, mas al- 

5ans antigos e até do reinado de D. 
o&o li. A coUec^&o é feita desordena- 
damente, sem rigor historico, sem a 
classificac&o, tantas vezes absurda e des- 

S)tica, das escólas. Camillo Castello 
BANCO foi-se ao jardim do nosso Parna- 
so e apanhou aqui e acolà as flòres com 
que formou seu ramilhete e misturou 
as fiòres d*estufa com as fiores do ar li- 
vre, e n&o so juntou folhas às fidres, mas 
tambem hervas e urtigas. 

Camillo Castello Branco n&o é ama- 
dor curioso, apaixonado, paciente, que 
vai pouco e pouco, socegadamente, for- 
mando seu peculio. Ganoioneiro 
alegre n&o passa d^um pretexto para por 
ao sol o seu humorismo, umas vezes bri- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



105 



Ihante, outras vezes Barcastioo, icjusto, 
despeda^ador. Elle nSlo Ihe importa que 
o lettor fìque fazendo desagradavel con- 
ceìto da penuria da nossa poesia juvena- 
lesoa e arìstophanica ; essa penuria com- 
pensa-a elle com os epigrammas morden- 
tes, com as phrases pioarescas da sua 
aprecia^ào chistosa, do seu esty io nervo- 
so e vini. 

Chegado ao apogeu da sua grandeza 
litterarìa, Camillo Castello Branco po- 
derìa ser um critico sereno, corrigindo 
com benevol oncia os crros da mocidade 
impetuosa e os desvarìos d*uma littera- 
tura que procura fascinar sem Ihe im- 
portar com os meìos. A sua indole, po- 
rém, nào Ihe permittia oste apostolado. 
Seria sacrificar o seu caracter iitterario, 
se modificasse o seu espirito epigramma- 
tico, tao rebelde a si proprio. Elle nSlo 
anima, fere — e o sangue das victimas 
auffmenta-lhe a ferocidade dos golpes. 

Às opinioes litterarias de Camillo nSLo 
provém do esame reflectìdo, mas resal- 
tam impetuòsas comò a chispa do ferro 
malhado. Muìtas vezes essas aprecia^òes 
apesar da vivacìdade que nos deslum- 
bra, sào d*uma justeza irreprehensivel, 
mas outras vezes nào passam do reflexo 
da paixào dominante. 

Camillo Castello Branco deixou no 
esquecimento muitos poetas, que bem 
explorados dariam adoraveis paginas 
para o seu livro, e incluiu outros que de- 
veram para sempre ficar no esquecimen- 
to, justo castigo dos ineptos que julgam 
subir ao aitar das musas pela escada de 
corda d'uns versos impossi veis. Camillo 
Castello Branco fez comò o snr. Sam- 
paio, em vez de atirar com o habito de 
Chrìsto a qualquer mo^o de fretes do 
Terreiro do Pa^o, atirou com o titulo de 
poeta a uns versistas indignos e obrigou 
assim Castilho e Garbett a darem o bra- 
^0 a mela duzia de refìnados patetas. 
soneto descriptìvo a paginas 70 é uma 
cousa tao nauseabunda, que nem vale a 
pena dizer-se o uso que o leitor deveria 
fazer d*elle. 

Pondo, porém, de parte os defeitos da 
classifica^ào, pondo de parte o exagero 
de mordacidade critica que se nota em 
algumas aprecia^oes, o Oanoioneiro 
alegrre é ainda assim um livro cheio de 
pujan^a, cheio d'uma verve inesgotavel. 
O espirìto de Camillo sente-se remo9ado 
n*esta lucta originai. Dir-se-hia que es- 
crevia nos impetos d*uma indomavel mo- 
cidade. A cada passo resaltam phrases 
d*uma gra^a ignorada na nossa lingua. 
que fórma a parte verdadeiramente 



alegre do Oanoioneiro nfto sSlo os ver- 
sos dos variados trovadores : é a prosa 
endiabrada, scintillante de Camillo, que 
vibra com a maxima facilidade todas as 
cordas da satyra. 

Em Lisboa o livro tem feito sensa^^ 
e citam-se com frequencia os ditos que 
mais provocam a hilaridade. Poderia ci- 
tar-lhes muitos, a difBouldade està ape- 
nas na escolha. 

Por ultimo, n&o deixarei de elogiar a 
edi^ào, que tanto pela impress&o corno 
pelo papel é um verdadeiro primor. 

Canoioneiro alegre por todos os 
motivos, nS.0 sera um livro que morra 
nas estantes dos livreiros, na mortalha 
pulverulenta da sua prìmeira edi^&o. 

(Do Commereh PoHugiuà). 



Publicamos hoje alguns trechos e phra- 
ses das que mais salientam na prosa ad- 
miravel com que Camillo Castello Bran- 
co commenta e condimenta os versos hu- 
moristicos dos uossos poetas. Arranca- 
mos as pedras que mais facilmente se 
podiam destacar sem partir o formosis- 
simo coUar. Todo o livro de Camillo està 
escripto n*es8e estylo, que o proprio Hen- 
ri Heine invejaria nos seus momentos de 
mais nervosismo. 

(Jelem). 



Oanoioneiro alegre por Camillo 
Castello Branco, e a Mnsa em férias, 
por Guerra Junqueiro, 8&o ainda dous 
novos livros que n'este momento se apre- 
goam. primeiro encerra paginas d'uma 
aggressS.0 deliciosa, cheias de conceitos 
pitorescos e inesperados comò as sabe 
escrever uma das organisa^oes litterarias 
mais poderosas e mais indivi^uaes das 
letras portugaezas; o segundo encerra 
versos comò na verdade se nào tinham 
ainda escripto em Portugal nos tempos 
modernos, e comò raros se escrevem ho- 
je, nao na peninsvla, mas na Europa. 

É exactamente centra està affirma^SLo 
que o Oanoioneiro alegre se ha-de re- 
voltar : todavia a posteridade que é um 
supremo tribunal, multo mais recto que 
da justi^a, absolveri Camillo Castello 
Branco por ter escripto este livro em 
parte injusto, embora divertido, pelacir- 
cumstancia attenuante de ter escripto 
umas dezenas d^elles manifestamente de- 
Uciosos e verdadeiros. 

(Do OceidénU). 



1 



106 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUKZA E BSTRANOEIRA 

NOVAS PUBLICACOES 



MANUAL DO RECORRENTE 

EM 

CAUSAS GIVEIS 

ou 

Dedae^ •▼•tematlo* das diapod^s 

do Oodigo de ProoeMO Olvll, 

attinentea aos Embar^^os, 

il Senten^as e Aeoordftos, ia Appella^Oof, 

aos Agrgravos, 

ia Oartas testemunhayeis, &8 Reviataa 

e aoi Recoraos & CJorda 

PARA UTILTDADB B USO X>OS QUE 
FBSqUBHTAM O FORO 

POB 

6ASPAR LOUREIRO D'ALHEIDÀ CARDOSO PAOL 

COM UM APPENDICE 

Contendo a tabèlla dot émolumentot e taiariotjU' 
dieiaw, not proce$$oi eiveis e orphanologieot, 
approvada por Iti de 12 de aòril de 1877 

1 VOLXTHB — 600 BEIS 



C0DI60 CIIILINNOTIIDO 

niGO cim poswuEZ 

APPROVADO POR CARTA DB LEI 
DE 1 DE JULHO DE 1867 

ANNOTADO 

Oom referenolas, em seguida a oada arti- 
go, aos artigos do mesmo codigo, aos 
do codigo de processo civil» aos da lei 
hypothecaria de 1 de julbo de 1863 e 
aoB publicados na Rbvista db LsaisiiA- 
^lo B Jdbispbudbncia e O Dibbzto 

POE 

CASPAI LOCRSIRO D'ALIEIDA CIBD080 Uti 

COM UM 

APPENDICE AO MESMO CODIGO 

Contendo a logisla^ vigente e correlativa, o 
regulamento do reglsto predial e legisla^Eo 
respectiva, a lei da eztinc^o dos jnizes elei- 
to8 e erea^&o dos jolzes ordinarlos, a lei e 
regulamento da calza goral dos depositos, oom 
08 rc8i>ectivos modèlos, etc. 

E UM MINUCIOSO REPORTORIO ALPHABETICO 

COOBDBNADO PBLO ANNOTADOB 

1 ffrosBO volarne brochado 1)^600 

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ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



107 



A RESPEITO DA VIDA DO ARGEBISPO 



Snr, Camillo Castello Branco. 
Mea amìgo. 

Mandou-me hontem o snr. Ernesto 
Chardron o quinto numero d*uma inte- 
ressante publica^ào bibliographica, que 
aquelle editor emprehendeu ha tempos, 
e na qual Y* collabora. • . 

No estudo com que V. retoca o ultimo 
traballio litterario do snr. Manoel Ber- 
nardes Branco ( Portugal e os Estran- 
geiros) està urna refereneia feita por V. 
à minha obscuridade, e vem ella archi- 
tectada com tal favor e delicadeza, que 
nào resistirei, agora e nunca, ao impul- 
so de a agradecer e sinceramente esti- 
mar. 

Nào anda o meu nome por livreiros, 
nem por catalogos; nào traduzo novel- 
las, nào sou politico, nào fa^o comedias, 
nem escrevo artìgos nas gazetas ; sou ho- 
mem quasi absurdo no modo por que tra- 
balho e na affirma^ào que fa^o da minha 
individualidade litteraria. N'estas condi- 
^oes, uma honrosa refereneia ao meu no- 
me é mais que um favor : é uma distinc- 
9ào. 

V. nào ignora por que estranhas vere- 
das cheguei um dia a vér-me empenhado 
no alto commettimento de fallar em pu- 
blico a respeito de frei Bartholomeu dos 
Martyres ! 

Vieram tentar-me à minha vida de es- 
cre vento ; e a tenta^ào te ve para mìm 
encantos. . . Encantos?. . . Olhe que te- 
ve encantos ! ... E sabe V. porque ? Por- 
que coincidia o estranho convite com 
uma das prova^oes mais vivas a que pò- 
de levar-nos a dignidade, quando villoes 
canalhissimos, comò o que eu encontrei 
aqui a melo camìnho da minha vida offi- 
ciai, nol-a vem assaltar e ferir. Eu pro- 
curava vivamente sahir do lugar, onde 
havia mais de dezeseis annos que traba- 
Ihava, no intuito de furtar-me* às rude- 
zas selvagens, às bestialidades sórdidas 
d'um homem que a politica baldeou um 
dia no brejo onde se mendigam os em- 
pregos, e que a oegueira dos destinos in- 



sondaveis soube altear, mais tarde, ao 
posto de meu superior. 

Trabalhei. 

meu amigo teve a benevolente cor- 
tezia de me ouvìr lèr, ha mais d^um an- 
no, uns dous capitulos meramente bio- 
graphicos do meu D. frei Bartholomeu 
dos Martyres e a sociedade portn- 
gueza do seu tempo. 

Para continuar no trabalho encommen- 
dado, tornava-se preciso que o illustre 
successor de D. Gaspar me protegesse 
com o seu baculo primacial, centra as 
ordens super iores que me arrastavam 
brutamente para as cavas officiacs, on- 
de, além da sjmpathica qualidade de 
imbecil se exige, para quem é funcciona- 
rio, a sòrdida malleabilidade das con- 
soiencias pódres. Porque nào sei eu bem 
no que sirva mais vantajosamente o meu 
paiz : se procurando escrever a historia 
d'um prelado illustre, livre e serenamen- 
te, sem preocoupaQoes monasticas, nem 
hypothetìcas a futuras decisoes de Roma, 
ou copiando as discretas bemardices, que 
a magnanìmidade dos meus chefes orde- 
nar que passem em tripli cado às gera- 
Qoes por vir. Creio bem que os governos 
da minha querida patria preferindo-me 
nos baucos d'uma repartì^ào, procedem 
com aquella legitimissima philosophia, 
que eu, comò homem respeitador da Car- 
ta, hei-de acatar e cumprir. 

N'estas e semelhantes cogita^oes — se 
cogita§oes sào— 'foram passando dezoito 
mezes. Ao cabo dos primeiros doze, e jà 
quando, em vez de tramar com a melhor 
da minha calligraphia aquelles longos e 
saudosos officios sem verbo, tratava eu 
de explicar as reticencias quasi infantis 
com que fr. Luiz de Sousa soube acom- 
panhar aquella carta «chela de atrevi- 
mentos » que fizeram chegar « às màos 
do Cardeal-Infante » ; e na qual se calum- 
nia ousadissimamente o apontado succes- 
sor de fr. Balthazar Limpo ; — facto que 
o arrépendido esposo de D. Magdalena 
de Vilhena toma va comò providencial, 
consagrando-lhe apenas estas singelisai- 
mas palavras — « que os principes sào 



108 



BIBLIOGRAPHIA P0RTU6UEZA E ESTBANGEIRA 



paredes branoas, em qae até os mais 
trìfltes negrinhos lan^am suas riscas, e 
Deus permitte paia que se lembrem 
que s&o homens» (Li, cap. ix); ao tem- 
po, om firn, em que eu procurava entre- 
yer alli a m&o do orgulhoso dcscendente 
do infante D. Jorge de Lencastre, atra- 
vés da escuridade palaciana que os cs- 
criptores cortezik>8 se obstinaram em con- 
servar e manter, esfor^ando-me ao mes- 
mo tempo por determinar até que ponto 
Ihe eram cumplices no facto, os dissiden- 
tes da córte de D. Catharina, velhos par- 
ciaes do infante, — recebia de Braga a 
singular intimatilo de que hou vesso por 
bem «r terminar dentro em seis mezes os 
meus estudos «ou ent&o, que os publi- 
casse pela imprensa (?)» para serem jul- . 
gados, creio eu. 

Respondi comò pude ao illustre pri- 
maz. 

Entro outras cousas, disse-lhe que as 
pesadas obriga^oes pastoraes de que sua 
excellencia reverendissima se achava 
cercado, Ihe tinham feito perder jà toda 
a idèa do trabalho que me commetterà. 
Atrevi-me a fazer vèr a sua excellencia 
reverendissima que nào estava eu escre- 
vendo um santoral, nem collaborando em 
algum agiologio dominico. Ponderei-lhe 
as asperissimas obrìga^oes que o moder- 
no methodo de escrever a hìstorìa im- 
poe a todo aquelle que tem de entre- 
gar-se à vastissima investigammo dos phe- 
nomenos sociaes d'um seculo, a respeìto 
do qual é irronea e falsìssima, na maior 
parte das historias, principalmente nas 
monasticas, a opinilo dos escriptores; 
dizendo-lhe por fim, que para comparar 
e computar com urna dada evolu^ào his- 
torica, a physionomia moral do ascetico 
arcebispo de Braga D. frei Bartholomeu 
dos Martyres ; e para julgar os homens 
e as institui^oes do seu tempo, era mis- 
ter lér e estudar no originai, documen- 
tos e escriptos, meditar e medir palavras 
e ac$oes, por melo de cujo exame tenha- 
mos de recompdr quanto caiba na lar- 
gueza do nesso entendimento, o meio em 
que esses vultos, real ou convencional- 
mente grandes, affirmaram a razào da 
sua existencia religiosa ou politica; e 
que, para tudo isso, sem attender ao li- 
mitadissimo alcance das minhas for^as, 
uào me concedia sua excellencia reve- 
rendissima nem tempo, nem descan^o. 

£m razào d'isto achava eu que o me- 
Ihor era dar por concluido o meu encar- 
go, pelo menos na parte em que elle ti- 
nha rela^&o com sua excellencia reveren- 
dissima, recolhendo is obriga^oes do meu 



officio, em nome dos 600 reis diarios oom 
que o Estado alnga a consciencia e o tra- 
balho dos homens da minha classe. 

Cà fora, uào sei eu o aue, a esse tem-. 
pò, se pensava de mim. No santuario da 
minha consciencia tinha eu achado pie- 
nissima approvacelo para estas reaolu- 
95es. 

N^estas alturas, e j& quando me via 
amea^ado com o regresso, nào à reparti- 
9^0 de Vianna, mas a outra qualquer da 
mesma indole, coubo ao snr. Manoel Pi- 
nheiro Chagas a, nào com certeza, glo- 
riosa lembranca de em uma reuniào da 
Academia rea! das sciencias de Lisboa, 
propór uma protec^ào para o meu escri- 
pto. 

Estaprotec^ào, corno a dosenhor arce- 
bispo, consiste apenas na dispensa legi- 
tima das minhas obrìga^oes officiaes, du- 
rante o tempo que consagrar aos estudos 
historicos. 

' Quando tive conhecimento da appro- 
va^ào de semelhante proposta, a qual, so 
bem que vaga é honrosissima para quem 
tao pouco vale e merece, apressei-me em 
agradecer semelhante distiuc^ào, decla- 
rando ao mesmo tempo, que so querìa a 
efiPectividade do protectorado, quando o 
meu trabalho fosse estudado e lido pela 
Academia. 

N 'estas circumstancias remetti para 
Lisboa tudo quanto tinha feito, para ser 
presente ao sabio congresso. Sào uns dez 
capitulos, quealcanQam até à entrada 
do prelado em Braga (1514-1560). Fiz 
acompanhar esses trabalhos d'um plano 
geral da obra, bem comò das bases do 
estudo preli minar que a deve preceder ; 
concluindo por declarar que querìa ser 
julgado com severa e desapaixonada cri- 
tica. 

Està nomeada para o exame requeri- 
do uma commìss^o de academicos per- 
tencentes à classe de hìstorìa. Elles que 
decidam o merecimento do escripto, em 
quanto eu serenamente espero que me 
mandem proseguir ou suspender a em- 
presa. 

Em homenagem à verdade, convém re- 
ferìr que o senhor arcebispo instado de 
Lisboa sobre se continuava a faciJltar-me 
ingresso aos archivos da mitra, foi prom- 
pto em affirmar que por nenhum modo 
querìa tolher o melhor proseguimento das 
minhas ìj^vestiga^oes. 

Nào sei agora, meu amigo, o que so 
passarà de tudo isto. que ha é o que 
Ihe deixo contado n^estas extensas reve- 
la^oes, — das quaes V. no todo ou em 
parte, farà o uso que melhor entender. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



109 



LucrM porém ea malto eom ellas, por- 
qae além d*outras vantagens, deram-me 
o agrada vel ensejo de, d^aqui mesmo, Ihe 
apertar a mào corno 



Vianna do OastellOi 
26 d'abril de 1879. 



De V. amigo, etc., 
José Caldas. 



Deprehende-se d'està obsequiadora e 
eloquente carta que o snr. José Caldas 
se propoe escrever a bìographia do fa- 
moso arcebispo com elementos bumanos, 
racionaes, accessìveis à comprehensào 
vulgar, eem o intermedio do prodigio. É 
pois naturai que um dos seus mais inte- 
ressantes capitulos se preencba com a poli- 
tica de D. frei Bartholomeu dos Martyres 
em 1580 por occasiào das àltera^oes pro- 
movidas pelos pretensores à corda, mor- 
mente D. Antonio e Filippo ii de Cas- 
tella. 

Abi veremos a parcialidade, nem censu- 
ravel, nem singular, do prelado pelo rei es- 
trangeiro. Elle que era virtuoso nàotransi- 
giria de certo com a libertinagem do seu 
discipulo prior do Grato que a esse tempo 
tiuba dez fìlbos de diversas mulheres; 
mas por outro lado os vicios de Filippo, 
adultero e parricida, tambem nào expli- 
cam a sympatbia do aust(m> campeador 
do Concilio Tridentino. Como quer que 
fosse, deve o snr. Caldas, para bem nos 
dar relevo da facciosidade um tanto 
amarga do prelado, pedir ao seu actual 
successor bracbarense que Ihe mando dar 
traslado dos seguintes documentos do ar- 
cbivo da mitra : 

1.0 Provisào por que o arcebispo D, 
frei Bartholomeu mandou despejar para 
fora da cidade algumas pessoaa em 1580. 

2.9 Provisào por que o mesmo arcebis- 
po mandou ao doutor ouvidor que fizesse 
ir perante si todos os taòelliàes e escrivàes 
que tivessem culpas do doutor Francisco 
de Caldas Pereira em que fòsse culpa' 



do nos revoUas de D. Antonio. 1680, 

3.0 Provisào por qìie o mesmo bispo 
mandou supprimir e tirar as armas aos 
christàos novos que havia n^esta cidade 
por Ihe constar que tinliam levantado mO' 
tins em algumas partes do reino, 1580. 

4.0 Còpia de urna carta do arcebispo 
pedindo artilheria para defender a cma- 
de. Remessa d'ella e recibo em 1580. 

5.0 Provisào do arcebispo D. frei Bar' 
tholomeu para um escrever nos autos de 
queréllas, deva^as, e cousas tocantes aos 
amotinados: em 1580, 

Póde o snr. Caldas allegar requerendo 
qne os tres prìmeiros documentos, segun- 
do se le no Mostrador geral do arohi- 
vo da mitra prlmaz, dirigido pelo des' 
embargador provisor geral Ignacio José 
Peixoto, no anno de 1787, estào na gave» 
ta l.\ masso 5.o, n.o» 1, 2 e 3. 

E que o documento 4.o està na mesma 
gaveta, masso P^ n.o 2 ; e o documento 5.o 
està no masso 12, n.o 10. 

Note porém, o illustre escriptor que, ha 
quatorze annos, para esclarecìmentos bis- 
toricos se pediram à mitra copia d'estes 
documentos, e o archivista cbeio de pia 
discri^ào respondeu que n&o existiam. 
A imprensa religiosa duvidou que ea 
possuisse o Mostrador irrefutavel. Man- 
dei-o expòr em Braga à contempla^ào dos 
que duvidavam por ma fé ou por igno- 
rancia. Viram o Mostrador de 320 pagi- 
nas, e uào sei se disseram que fui eu que 
foijoi fraudulosamente para menosca- 
bar patriotismo do santo prelado. 

Duvido que se possa escrever cabal- 
mente a bistoria patria em quanto os co- 
dices estiverem em poder d'um clero im- 
porfeitamente illustrado. Que importava 
à divina religiào de Jesus que frei Bar- 
tbolomeu seguisse o partido do fìlbo de 
Violante Gomes ou o do amante da mu- 
Iber de Ruy Gomes da Silva? 

No entanto, inste o meu amigo José 
Caldas pelo subsidio dos documentos ci- 
tados, e praza aos céos que seja mais fe- 
liz do que eu. 

CatuiUo CoiUUo Statico. 



DR. LUIZ MARIA DA SILVA RAMOS 



A SOBEBAl SOCIAL DE JESUS CHRISTO 

CONFERENCIA RELIGIOSA 

PreQO, 800 rels. — Na I^iTmria diardronL 



110 



BIBUOQRAPHIA P0RTU6USZA E SSTfiANOEIRA 



A RESPEITO 



DA 



GAYEM DA MARTYR 



No RdaJtorio da directoria do Gabine- 
te portugruez de leitnra no Rw de 
Janeiro, em 1878, lé-se o segninto : 

er Como veio a ponto assigaalar a dadi- 
«r va d*am rei ^, anticipando sobre o fu- 
«turo relatorio, para proporoionar aos 
«rsnrs. accionistas um alto regosijo, as- 
« sim se nos depara ensejo de memorar 
«e a dadiya d*am principe das letras pa- 
«r trias, snr. Camillo Castello Branco, 
(t que distinffuiu a nossa institui^ào oon- 
« sagrando-lne uma das suas admiraveis 
«obraa: a que se intitola A oavelra da 
« martyr, romance historico, em tres vo- 
a lumes, continuaQ§Lo da Filha do regi- 
(c oida. 

« Dea-se o livro à estampa em 1875 e, 
«apenas posto à venda, foi toda a edi- 
(t^ào comprada, ou talvez retirada, se- 
te gando nos infòrmaram, de modo que 
«vieram para o Rio de Janeiro raros 
«exemplares, de que nenhum pudemos 
(c obter, sondo tambem infructiferos os es- 
«c forQOs que n*este sentìdo empregou em 
« Lisboa o nesso digno correspondente. 

« So em abril d^este anno conseguimos 
<( o esemplar que hoje està em nossa es- 
« tante de honra. « 

«A dedicatoria impressa no alto da 
« primeira pagina do texto diz assìm : 

«Preito ò, virtxLde do traballio, 
«realgada pela grande moraUdade 
« da instruoQEo voltuitarìa. 

« AO OABINBTE FOSTUOUBZ DB LEITUBA 

« NO BIO DB JAMBIBO 

« OFFEBBCB 

« CAMILLO CASTELLO BEANCO 

« Sobre t§.o interessante assumpto diri- 
« gìmos em 23 d*abril ao nosso corres- 
« pendente a seguinte carta que comple- 
« ta a presente informa^&o : 

«cObtivemos finalmente para a nossa 
« bibliotheoa um esemplar do romance 



1 Referenda ao offereeimento do Hamlet, 
vers&o do senhor Ih Luiz i, ao Qablnete por- 
ignea de lettura. 



« do snr. Camillo Castello Bbahoo, inti- 
« tulado A oavelra da martyr, raro por 

• se ter recolhido a edi^&o apenas foi ex- 
«c posta à venda, conforme V. nos com- 
«municou em tempo. 

« Com està obra do eminente litterato 
« occorreram realmente casos curiosos em 
« rela^ào ao Gabinete', desde a difficul- 
« dado em obtel-a, que durou tres annos 

• até à ignorancia (da qual for^ é ter 
a pejo) de ser dedicada à nossa institoi- 

• Qào, dedicatoria concebida em termos 
« que sobrelevam, se é possi vel, a honra- 
« ria do facto. 

crNo proximo relatorio havemos de 

• agradecer tamanha distinc^ào com a 
«singeleza que convém quando se falla 
«a um homem comò Camillo Castello 
« Branco* 

«e E que n^este lugar fazemos com 
« abundancia de cora^ào » . 



A oavelra da martyr foi tirada das 
livrarias nào por center pe^onha de im- 
piedade que derrancasse as profundas 
idéas religiosas que lavram no espirito 
publico, nem tao pouco por ataque ao 
pudor yirginal, que é ainda uma cousa 
que conserva a virgindade até muito tar- 
de. romance foi retìrado pelo seu pro- 
prietario, pessoa honrada, mas escrupu- 
losa até ao extremo de suspeitar que se- 
ria irrelì^oso um livro onde se pintavam 
no mosteiro de Odivellas algumas freìras 
frageis em amor e uma d*ellas amante de 
el-rei D. Jo§,o v. A historia contàra isto ; 
e romancista cuidou que Ihe nào corria 
o dover de guardar aos maus costumes 
das bernardas de Odivellas acatamento 
mais reverencioso que o dos historiadores. 
editor expoz os seus escrupulos ao au- 
thor, que Ih'os respeitou e consentiu que 
OS tres tomos fossem queimados, tirando 
a salvo que o nào queimassem a elle. 
romance mereceu providencialmente o 
destino ardente que te ve, n&o porque 
fosse impio, mas porque era uma com- 
posi^ào ordinaria, com alguns adljectivos 
velhos dos antigo» proeessos. 



BBNBSTO OHÀBDRON, EDITOR 



111 



PUBLIGAGOES REGENTES 



GITANI A, 'pùT Emilio Hubneb, proftS' 
sor da univeraidade de Berìim. Tra- 
dtus^o de J. DB V. Porto, 1879. In-4.o 

O professor HtLbner està àquem dos 
investìgadores portuguezes quo escreye- 
ram àoerca da Citania desoe que o snr. 
Francisco Martins de Moraes Sarmento 
submetten à opiniào dos doutos as suas in- 
vestìga9oe8. A novìdade unica que en- 
contrei no opusculo é a interpreta^ào hy- 
pothetica d*uma inscrip^&o que nào tinha 
sido ainda Lida, e fìcou, segundo a ana- 
lyse allem&, ainda mais confusa. Es- 
creve Httbner, consoante a yers&o do snr. 
J. de y .: « N&o ba duyida que sào letras, 
mas de que era ? É possivel que da ca- 
pella de ». Bomào, ou de qualquer loca- 
lidade proxima se extraviasse para a Ci- 
tania alguma pedra tumular ou mìllìa- 
rìa ou oousa semelbante, fìcando mìstu- 
rada com as antiguidades ceiticas. Con- 
fesso que nào Consegui ir mais longe na 
deeifraQ&o do que aquelles que até hoje 
a tem tentado. aspecto da letra n&o 
denuncia grande idade, alguns poucos 
seculos quando muito ; eu ieio o quer que 
seja de broltruan de Dozo (ou Pozo). Os 
peritos dirào se é possivel que ìsto seja 
um nome » . 

Como appella para os peritos, acode o 
snr. J. de V. em nota, e diz: «Fodia 
occorrer o nome Beltrào, se a sua feigào 
moderna &o nào fosse tao evidente » . Isto 
é t&o claro comò a interpreta^ào de Htt- 
bner, acho eu. 

Emilio Habner nas Notioias aroheo- 
logioas de Portugal, annotadas por A. 
Soromenho, tem uma interpreta^ào me- 
nos desculpavel. Foi a Vianna e yiu a 
grosseira estatua que està no pateo cha- 
mado da morte, na rua da Bandeira. N*es- 
ta figura està esculpido da cintura até 
aos joelbos sobre o saial da armadura o 
cscudo dos Bochas que é uma aspa com 
ciuco yieiras (concbas) em sautor. Htl- 
bner olbou para este ornato, que se Ihc 
figurou uma cruz, com que o povo preten- 
deu christianisar o motivo — que assim 
(acresoenta) denomlnam geraimente em 



Portugal e na Hespanha qualquer estatua 
antiga. Sim, nós, os portuguezes, às es- 
tatuas antigas chamamos mouros. Quan- 
to às concbas heraldicas do escudo dos 
Bocbas, escreve : A applicagào dos con* 
chas para enfeite do escudo n^est<u costaa 
banhadas pdo oceano nào tem nada de 
BU/rprehendente. Na mur^ dos peregrinos 
de 8» Tkiago, situado um pouco mais pa- 
ra norte, repete^e o mesmo uso por ou» 
tra modo, (Pag. lOé). É para estranhar 
que A. Soromenho n&o elucidasse o sa- 
Mo de viva yoz, ou o nào corrigisse quan- 
do Ihe annotou o livrol Identica igno- 
rancia do brazào em ambos n&o me pa- 
reoe curial. 

De passagem direi duas palavras àcer- 
ca d'està estatua que alli està sustentan- 
do uma velha fabula que o snr. Luiz de 
Figueiredo da Guerra reproduz no seu 
interessante livro Vianna do Castello, 
impresso em 1878, n'estes termos: «É 
tradi^ào que um antigo senhor d*aquella 
casa, Rocna, fora ferido mortalmente no 
ventre quando entrava no pateo ; mas, 
animoso com o escudo, segura as visce- 
ras, e com a dextra prostra aos pés o 
inimigo, e que n'esse lugar jaziam am- 
bos » . Nào duvido que um Eocha fosse 
assassinado n*aquelle Pateo da morte ; 
mas a estatua nib tem que vèr com o 
successo. caso verdadeiro, com quanto 
seja sandeu, é de todo incruento. solar 
dos Eochas era, desde o seculo xiv, em 
S. Payo de Monxedo, no termo de Vian- 
na, entro o monte d*Arga e a serra de 
Geraz, em uma antìquissima quinta cha- 
mada Portella, onde havia vestigios cel- 
tas e musulmanos, cistemas e estatuas 
romanas ou godas. 

Um derigo d*esta casa, D. Afibnso da 
Rocha, abbade de duas freguezias con- 
tiguas, d*uma das quaes andava o pa- 
droado na familia, foi quem mandou 
abrir o seu escudo no ventre da estatua 
com uma perfei^fto relativa que muito 
destaca das brutescas fórmas da figura. 
Em 1622 era senhor d*aquella casa sola- 
renga Francisco da Rocha, possuidor da 
estatua que so decorrìdoa muitos annos 
veio para Vianna quando alli os Roohas 
estabeleceram residencia. 



112 



BIBUOGRAPHU PORTUeUBZA E E3TRAN6BIRÀ 



Um firei Manoel Correto, genealogico 
oitado por frei Manoel de Santo Antonio 
no seu Thesoaro da Nobreza, conhe- 
cen o fidalgo que vivia fragaeiramente 
n'ciqudla terra aspertsHma e de grandea 
mattos, Nunca elle sonhou que, passadoa 
dazentos e cìncoenta annos, viria là do 
norte um sabio dizer aos portugaezes 
que OS Bochas punham vieiras na bar- 
riga da sua estataa romana porque 8, 
Thiago e as costaa banhadcu pelo oceano 
ezplioam as conchas. 

Quanto à versilo do snr. J. de V. de- 
yemos presumìr que Hdbner nfto é res- 
ponsavel pelos erros de syntaxe do seu 
traductor, que principia d'este feitio: 
«rNa regiS.0 mais formosa do norte de 
Portugal, que se cbama na divisS.o anti- 
ga, provincia de Entro Douro e Minho, 
parecem os antigos emigrantes celticos 
da peninsula iberica, os Callaicos, terem 
estabeleeido suas vivendas, etc.» Pare- 
cem terem estabeleeido ? 1 Nào scdamos to- 
dos... callaicos! 



II 



MARGARIDA. Scenas da yida contem- 
poranea, por JuLio L0UBEN90 Finto. 
Porto, 1879. 

Admiro està formosa estreia. É um 
romance de observa^ào, luminoso de rea- 
lidades, de positivismo, sem as cruas 
analyses que materialìsam e desgostam. 
Tem o sentimento do bello em que ainda 
se comprazem os bona e poeticòs espiri- 
tos. É urna novella realista urdida com 
as locu^oes modernas, um pouco arbi- 
trarias, mas sem desaire notavel de idio- 
ma, porque as palavras s&o quasi sem- 
pre portuguezas. enfado nào vence as 
gra^as do descriptivo quando se demo- 
ram em pormenores. 

Affei^oado pela escóla j4 adulta e qua- 
-bì a envelhecer em Franca, este romance 
do snr. Julio L. Finto tem ainda entro nós 
encanto da novidade ; posto que as pai- 
zoes enquadradas em molduras de fei- 
tios novos sqjam d*uma antìgaidade coe- 
va dos vicios. A Bovary de Flaubert, 
a Henée de Zola, a Lniza de EgA de 
Qdeiboz, e a Adelina do snr. Julio L. 
Finto, parecem contemporaneas d^umas 
a quem Jesus dizia com santa ironia que 
apedrejassem a outra, se estavam inno- 
centes a Armanda de Bento Moreno. 

Observa-se n^estas peccadoras, segun- 
do a escóla naturalista, nm processo 



commum no peccado — orna ooincideneia 
que tem certa moral. Solteiras e casadas 
tratam de occultar o seu vicio aoa olba- 
rea implacavelmente accusadores da mo- 
bilia da casa ; evitam conspurcar o re- 
cinto sagrado das màes e doa maridoa. 
A Bovary vai eaconder a aua lubricidade 
na Hachette ; a Albina da Faute de l'ab- 
bó Mooret no Paradou ; a Benée de La 
Curée na eatufa do jardim ; a. Amelia 
do Padre Amaro na possilga do sinei- 
ro ; a Luiza do Primo Bazllio no Po- 
raiso ahi perto de Arroioa; e a Adelina 
da Margarìda no Trianon, em S. Jofio 
da Foz. 

Felicito eatea authorea, ae o aeu intui- 
to é resalvarem a bonra da casa propria- 
mente dita. É muito louvavel este res- 
peito lareiro. 

que ha porém, com certeza, ex- 
traordinario n'eate romance, aào os pa- 
noramas do céo, da terra e do mar — 
descrip95es miudas e veridicas, photo- 
graphiaa ora lucidiaaimaa, ora tenebro- 
sas, que seguem passo a passo os perso- 
nagens de modo que as variantes do pen- 
samento parecem dependencias das va- 
riantes da atmosphera. Depois OS sonhos. 
Sào tambem urna novidade oa aonhos — 
eatainaanavei inveroaimilhan^a que expoe 
um autbor ao desgoato de o nào acredita- 
rem por nào aer naturai que elle saiba pe- 
lo miudo uns aonhoa atrapalhadoa que ae 
esvaecem na memoria de quem aonha lo- 
go que desperta. N'esta especialidade 
me quer parecer que o author da Mar- 
garìda sacrifica alguma parte do seu 
claro discernimento aos caprichos da es- 
cóla, porque sonha seis vezes. Em um 
romance recentissimo de Teixeiea de 
Queieoz, Os noivos, nào ha sonhos. Ao 
eminente romancìsta urgia-lhe cingir-se 
a este canon que elle estabelece no pro- 
logo do livro : romance moderno deac' 
ja a formagào de sentir verdadeiro e des" 
affectado ; por isso troia desapiedadamen- 
te tudo que é postico e banal. 

No entanto, o snr. J. L. Finto fez uma 
brilhantisaima apreaenta^ào do aeu ta- 
lento; foi applaudido, e bem póde aer 
que, no aegando apparecimento novo 
triumpho Ihe aeja feito comò galar- 
dào djB progresso. E este, conforme oa 
mena votoa, aere, a frugalidade do colo- 
rido, menoa tintaa fortes das que os bona 
entendedorea de quadros chamam espi- 
nafres, imaginoso escriptor para ser 
perfeito romancista e vantajoaamente 
eclectico, nào tem que fazer aenào tirar 
d*entre oa diamantea aa pedraa falaaa 
que se conhecem por aerem mala cryatal- 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



113 



linas e menos oonsistentes que as ver- 
dadeiras. 

snr. J. LonBBNQo Pjnto, em folbe- 
tim do Commercio do Porto, disse ha 
dias, pouco mais ou menos, qae eu ata- 
cava com estadidho a escóla realista. Nào 
Ihe gabo a delicadeza da imagem nem a 
rectidào da justi^a. Se eu, carreteiro 
brutal, arremettesse de estadalho contra 
a escóla em qae se aiistou o snr. J. L. 
PiNTO, a sua Margarida a està bora de-s 
via estar abeberada em compressas de 
arnica. Deseonfìo que o agradabilissimo 
escriptor nào exorbita em primores de 
cortezia e imparcialidade. Se Ihe parece, 
oonservemos as iavas, a badine, e nada 
de estadulhos. 



Ili 



PAGINAS HUMORISTICAS (excerptos 
de Alfohbb Kabb), versào portugueza 
de TuoMÉ DAs Chagas. Porto, 1878. 
In-12. 

Thomé DAS Chaoas bem se deixa vèr 
que é um pseudonymo seraphico, mais 
nrizante em um in-folio consagrado à 
destruÌ9ào dos sete peccados mortaes e 
dos tres inimìgos da alma. Seja quem 
fór, o pseudonymo é comò o habito: nào 



faz monge. que elle de certo é nào 
Ih^o póde esconder a modestia. Sabe a 
valer a sua lingua e aventurou-se a tras- 
ladar o francez de A. Kabb sem Ihe que- 
brar a trama dos rendilhados, nem des- 
luzir as sointillaQoes gaulezas que indi- 
vidualisam um dos princìpaes estylistaa 
de Franca. 

Sào as Paginas hnmorlstioas uma 
selecta de paradoxos — chame-se-lhes 
assim — que obrigam a scismar e nos 
deixam na alma impressoes mais presta- 
dias que os axiomas banaes. ELabb faz 
crér absurdo corno se fosse um dogma 
de duvidosa origem divina ; e assim co- 
mò OS dogmas, que se discutem, conso- 
lam indiscutivelmente aquelles que os 
aceitam, por igual modo Kabb com os 
seus paradoxos occasiona conselhos salu- 
tares e alégrias sàs a quem Ih'os observa. 

Thomé DAS Chaoas està ainda entro os 
raros admiradores do author das G-uò- 
pes. Denota que nào é moderno quanto 
se faz mister para antepdr à philosophia 
amavelmente humoristica de Kabb os es- 
pectaculos latrinarios das infec^oes hu- 
manas. Lé-se este livro com intima sau- 
dade dos grandes escriptores de ha vinte 
annos, se o leitor é velho, e a correcQào 
da linguagem Ihe sobredoura o prazer da 
leitura. 

Camillo Castello Bbahco. 



P 



lYROS J^ECEBIDOS 



Estamos na agradavel posse das se- 
guintes publica9oes : 

Os noivos, por Teixeira de Queiroz 
(Bento Moreno), edi^ào de David Coraz- 
zi. Um voi. elegante in-8.o, com 455 pag. 

Historia da oivilisagao iberioa, por 
J. P. Olivcira Martìns. EdÌ9£lo da casa 
Bertrand, 1.^ tomo da Bibliotheca das 
8CÌencicL8 sodaes, in-8.o, 288 pag. 

A Hespanha moderna. Revista litte- 
raria, por J. Simoes Dias. Porto, Im- 
prensa Portugueza, editerà. 

GollecQao de estudos e dootunen- 
tos a favor da reforma da orthogra- 
phia em sentido sónido, publicada pe- 



lo dr. José Barbosa LefU), cirurgiào de 
brigada do exercito. Lisboa. 1878, in-8.o 

Da importanoia da historia nniver- 
sai philosophioa na esphera dos co- 
nheoimentos hnmanos, por Alberto 
Pimentel. Livraria Intemacional de E. 
Chardron. Porto, 1878. 

These para o cononrsò da cadeira 
de rhetorioa, poetica e lltteratnra 
naolonal do extemato do collegio 
Fedro II, por Franklin Doria. Rio de 
Janeiro, 1878, in-8.o 

Quando de nos proporcionar o tempo e 
o prazer da leitura d'estes livros, dare- 
mos d*elles mais ampia noticia. 



114 



BIBUOeRAPHIik PORTUaUBZA K E3TRAN6EIRA 



HENRIQUE PERES ESGRIGH 



Propondo-no8 a fallar de am romancis- 
ta estrangeiro e de suas obras vertidas 
para o nosso idioma, permitta-eo-nos a de- 
dara^&o preliminar de que destestamoe a 
importa^&o do romance estrangeiro para 
o noBBo mercado litterario. 

Depois que se tratou de esplorar a lit- 
teratura romantica franceza e hespanho- 
la, tem side rarissìmos os orìgìnaes por- 
tuguezes. Os poucos qae apparecem s&o 
omadoB do gosto que accentua a litteratu- 
ra dos dous paizes ; e apenas dous gran- 
dea escriptores nossos resistiram a perni- 
ciosa influencia : Gtombs Coblho e Camil- 
lo Castello Branco. Este, experimentado 
jà e com a justa reputa^ào de primei- 
ro romancista portuguez, foi insensiyel 
àqueila invasào, e continuou a dar-nos 
o romance genuinamente portuguez ; Go- 
MBS CoELHO, desabrochando no momento 
cm que o romance francez come^ava de 
conspurcar os dominios do romance nacio- 
nal, desenhou com inexcedivel correcQ&o 
Gostumes nossos, deizando descrìtto em 
paginas brilhantes o nosso viver singelo. 

Mas àparte esses dous vultos, e um ou 
outro escriptor que se aventurou a ser 
portuguez, e que, desanimado pela in- 
differenza com que foi acolhìda a pri- 
meira tentativa, « viveu o que vivem as 
rosas », o gosto predominante é o francez, 
e depois o nespanbol, para a vuigarisa^ào 
do qual até se estabeleceram empresas. 

É pois evidente, inquestiona vel, que 
ao abuso da traducQ&o de romancea es- 
trangeiros se deve este desprezo aviltan- 
te pela novella genuinamente portugueza. 

Outro perigo, e n&o menor, £azem 
comsigo as traducQoes : é a corrup^ào do 
nosso idioma, pois que nem sempre os tra- 
dnctores s&o tHo escrupulosos, que déem 
ao seu trabalbo o cunho de vemaculida- 
de que devem ter. 

Traduc^oes temos lido que nos envergo- 
nham. 

^ Além de oonservarem a fórma do ori- 
ginai que, perante as leis da nossa synta- 
xe, ficam ordinariamente de urna atroz 



deseleganoia, estfto Bemeadasdebarbaria- 
mos imperdoaveis e termos que n&o tem 
signifìca^fto em idioma algum. Ao que 
unicamente pareoe attcnder-se é ao enre- 
do. Se este e intrincado, se descreve pai- 
xòes violentas, crimes espantosos, perao- 
nagens extraordinarios, se emfim trana- 
porta o leitor à fascinadora sociedade de 
raris e Ibe alevanta o véo quo enoobre 
aa monumentaes orgias das classes equivo- 
eas, romance é bom. Que sega inveroai- 
mil e immoral, pouco importa; que a lin- 
guagem aeja viciada, importa ainda me- 
nos. indispensavel é que desperte os 
Bcntidos, e nfto os aentimentoa, que deter- 
mine vibra^oes senauaes, embora n&o 
alimento o cora^ào nem o espirito. 

É este maior attractivo de quasi to- 
dos 08 romancea que tem side exploradoa 
pelas empresas romanticas, e a cujo abu- 
so devemos indubitavelmente a decadcn- 
cia da nossa litteratura romantica. 

Por isso dissemos e repetimos que de- 
testamos as traduc^oes. 

Cumpre-nos todavia confessar que fora 
do numero dos romancistas estrangeiros 
cija influencia julgamos perigosa para a 
nossa litteratura, està Hbnbique Pebbs 

ESOBICH. 

Poucos escriptores estrangeiros tem al- 
do tao exploradoa entre nós, comò este. E 
aemelhante preferencia é justa, porque 
as suais obras s&o de elevado mereei- 
mento* 

Ha n*ellas o profundo estudo do cera- 
Q&o humano, e em todaa se manifesta um 
admiravel condSLo de analyata. 

À acQ&o doa sena romancea dealisa-se 
naturalmente, logicamente, aem peripe- 
cias extravagantes, nem o desvendar im- 
pudico de cnagas horrìpilantes. É a his- 
toria da vida, narrada nelmente, em lin- 
guagem amena e harmonioaa ; é a fami- 
lia analysada e estudada à luz da virtu- 
de ; é a sociedade escalpellisada, com o 
premio das boas acQoes, e a puni^&o do 
crime ; é, finalmente, o romance que de- 
leita, moralisa, e instrue ao meamo tem- 



eiRNESTO GHAHimON» EDITOR 



115 



po, prendendo-noB agradayelmente o es- 
pirito sem o desvairar, commovendo-nos 
o coraQ&o sem o polluir. 

Fallemos ligeiramente de algumas das 
suas obras. 

* 

Os aDjos da terra, romanee em 5 
yolumes. É incontestavelmente urna das 
suas melhores produo^oes. 

É o seu enredo admiravelmente com- 
binado, prendendo a atten^&o de capitulo 
para capitalo. Desde a primeira pagina 
trava-se urna Lucta gigantesca entre a 
virtnde e o crime; aste, com as suas ar- 
mas trai^oeiras, e guiado pelos numerosos 
expedientes que o genio do mal póde ins- 
pirar aos perversos, consegue supplantar 
por muitas yezes aquella, e obscurecel-a. 
Mas, em quanto que os facinoras e os 
scelerados, impellidos pela ambi^ào, ma- 
quinam na sombra, os anjos da terra, es- 
oudados com a yirtude e inspirados pelo 
amor do bem, da yerdade e da justi^a, 
combatem resignada e serenamente, alen- 
tados pela fé e pela esperan^a, até que 
sahem yictoriosos da grande pugna, em 
que campearam as mais encontradas pai- 
xoes, OS affectos mais puros e os mais 
miseraveìs sentimentos. 

Os personaeens sào desenhados com 
irreprehensiyel correc^SLo. 

Assim, é Samuel Nayarro o martyr 
grandioso do deyer e do amor de fami- 
Ua; 

Horacio e Virginia, deus aigos de bon- 
dade, modélos de yirtude, amor e grati- 
diU>. Aquelle dotado de uma alma gene- 
rosa e boa, maravìlhoso genio de artista ; 
sua ìrmà Virginia, a mais briihante con- 
cepcào da eandura e da yirtude ; 

Sir Carlos Holt, o austero campefto da 
honra, cora^&o nobre, dotado de um in- 
abaiayel sentimento de dignidade ; 

Cariota, a yictima innocente de um 
crime, martyr inconsciente do amor ma- 
ternal; 

Anninhas de Balbóa, a yioleta mimosa, 
yegetando, immaculada, entre as sar^as 
do crime, um yerdadeiro prodigio de yir- 
tude; 

E comò contraste d'estes anjos da terra, 
Alexandre de Balbóa, o fratricida infame, 
e depois o remorso yivo, que encontra a 
maior puni^ào na recorda^SLo dos pro- 
prios crimes ; 

Baptista, o temiyel scelarado, actor 
oonsummado na comedia do crime, alma 
despida de todo o sentimento generoso e I 



digno, creatura afeiia ao crime, encaran- 
do-o com yerdadeiro CTnismo. 

E se esses typos, principaes persona- 
gens do bello romance de que fallamos, 
estào magistralmente descriptos, nSLo Ihes 
s&o inferiores em correc^fto e yerdade 
todos OS outros que os aoompanham na 
ac9&o, embora nab passem dos plfuios in- 
feriores. 

Os ai\jos da terra — é um dos mais 
bellos romanoes que temos lido. 

Quanto & traduc^&o pediremos simples- 
mente licenza para citar aqui a opmi&o 
de alguns jornaes que se dignaram fallar 
d'ella, e que temos presentes. 

Jornal do Porto (n.o 164 do xyiii 
anno) diz que o romance foi « trasladado 
muito oonscienciosamente para yema- 
culo». 

Fallando do mesmo romance, e de en- 
tro do mesmo author e traductor, diz o 
Commercio do Lim^i: 

«E se nome do author os recommen- 
da, nào deixa tambem de merecer cpnsi- 
dera^ào o illustrado traductor — Julio 
Gama — cuja correo^&o de phrase, pro- 
priedade de dic^ào e yernaculidade de 
linguagem, Ihe teem grangeado bem fun- 
dados creditos de traductor conscicncio- 
so, e muito oonsiderado por todos os que 
amam as bellas letras » . 

Accusando a recep^&o do segundo yo- 
lume do citado romance, diz a Correftpon-' 
dencia de Leiria que « o seu amigo o està 
yertendo da lingua de Ceryantes para a 
de Camoes com aquella sciencia e con- 
sdencia que todos Ihe reconhecem » . • E 
acrescenta : «r Se de todos os traductores se 
pudesse dizer o mesmo com yerdade, nSLo 
seria por certo para lastimar a notayel 
falta de romances originaes » . 

* 
ut « 

Depois dos Anjos da terra temos a 
fallar dos lindissimos contos que sob o 
titulo geral de Noites aznenas publicou 
sor. Ernesto Chardron. 

O violino do diabo — Um yolume de 
210 paginas ; é uma predosa noyella, re- 
cheada de scenas admirayelmente combi- 
nadas. È um ramo de violetas, que se 
aspira com indiziyel prazer, deixando-nos 
a mais agradayol impressilo. 

Um marquez desoobre casualmente o 
mysterio em que se envolve uma candida 
rapariga que se disfarla em rapaz para 
fugir aos perigos mundanos, e pioder 
grangear os melos de subsistenda para 
seu yelho pai. marquez arma-lhe uma 



116 



BIBLIOGRAPHU PORTUGUEZA E ESTJEIANGEXRA 



cilada, mas o feiti^o volta-se contra o 
feitieeiro, e é elle proprio que cahe niel- 
la. Casa com a raparìga, que ó adoravel, 
e Ihe dà a mais invejayel felicidade. 

Està aventura singela e galante é re* 
yestida de perìpecias tao bem preparadas 
e descrìptas, que o leitor sonte-se nata- 
Talmente preso à narra^ào. 

Quanto à traduc^&o diz ainda o Jomal 
do Porto (n.o 109 do xviii anno) que o 
romance està « elegantemente trasladado 
para portuguez pelo snr. Julio Gama ». 

Tal arvore tal fruoto — ó um conto 
da mesma oolleoQ&o, oigo fim é provar 
que OS filhos herdam naturalmente os 
predicados, os defeitos e tendencias dos 
paes. É multo bonito, e a traduccio, de- 
vida à penna elegante de Cunha Vianna, 

prìmorosa. 

Seguem-se-lhe : 

Um fillio do povo — indubitavelmen- 
te a melhor novella da collec9ao. 

Ao lerem-so aquellas paginas repletas 
de sentimento, raros serào os.olhos que 
nào se marejem de lagrimas. E urna his- 
toria triste, singela e naturalissima, con- 
tada com palavras naseidas no cora^ào. 

Para traduzirmos as impressoes quo em 
nós produziu a leitura do Filho do povo 
seria pequeno o espa^o que nos conoedem 
n*esta re vista blbliographiea. 

Afoutamente podembs dizel-o : O filho 
do povo é um dos romances mais com- 
moventes que se tem publioado em portu- 
guez. Tudo n'elle é perfeito : enredo, ca- 
racterisco de personagens, e linguagem. 

Quem tudo quer tudo perde, e A 
verdade nua e crua — s&o duas noyel- 
las que formam o 4.» volume da collec- 
cào, e constitue um verdadeiro contraste 
com O filho do povo. A primeira ó 
urna novella graciosissima que a cada pa- 



gina nos provoca riso, e ciga moralidade 
se deprehende do titulo. 

A segunda é nfto menos fina e tende a 
provar a grande verdade. . . de que nem 
todas as verdades se devem dizer. 

Quanto à traducgio d'este volume li- 
mìtar-nos-hemos a transcrever a opiniào 
d*um critico tao austero comò justo, o 
snr. Alexandre da Concei^&o : 

«A traduoQào, dlz o illustre eacriptor, 
pareceu-nos boa, porque nem tem o ma- 
neirismo classico d*uns certos traducto- 
res de erudìcào quinhentlsta barata, ca- 
ja scieacìa da nossa lingua consiste no 
emprego d'uns termos bolorentos, nem 
tem as irreverencias demagogicas dos 
communistaa da litteratura, que escre- 
vem n*um vasconso repugnante, onde ha 
tanta ou mais falta de senso commum do 
que de grammatica ». (A Evoltigào, n.<> 8). 

Por bem fazer mal haver e Um 
hospital de doudos — sào dous oontos 
que formam o 5.o volume da collec^ào, e 
que, se nào sào os melhores, merecem 
comtudo ser lidos. A traduc^Sio, do sur. 
Gomes de Scusa, é acurada. 

As onlpas dos paes — é o ultimo vo- 
lume publioado da serie Noites amenas, 
e se terminou ahi quasi poderiamos dizer 
que fechou com chave de curo, porque é 
realmente urna novella interessante, e 
prova exbuberantemente que os deava- 
rios da mocidade recahem muitas ve- 
zes sobre os fìlhos, anuviando-lhes o fa- 
turo. 

Finalmente : 

Os romances de Pebes Ebcbhich silo di- 
gnos do um lugar nas mais selectas livra- 
•rias, e a coilecQào Noites amenas deve 
ter n*eLlas o mais distincto. 

H.C. 



BIBLIDTHEGA DD CURA DE ALDEIA 



Henjfiqtte I*. E»cricli 



Anjo da Guarda. 3 voi 

Oa DeagragadoB. 2 voi 

Opào dos pobres, 3 voi. . 

Bico e pobre. 1 voi 

A casaca azul. 2 voi 



U200 

lj^500 

500 

li^WOO 

piano de Clara. 1 voi 500 

amigo intimo. 1 voi ^ 

A prosa da Gloria. 1 voi 500 

Os comicos ambulantes, 1 voi 500 



<To@é A.Tig'Tieto Vieira. 

Phototypias do Minho, 1 voi. . . . 500 

Iftaphael de Oa^tillxo 
pai dos pohres. 3 v. com grav. lj^;500 
Sou^a, Mioreira 



Alexandre Hercvlano e o Clero 
reaccionario. 



200 



i. venda na Livraria CHARDRON, 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



117 



OBRA COMPLETA 



O MEDICO DE CASA 

MEDICINA PRATICA 

Systema* simples 

de ireeonlieeeir qualqueir molesttia, e indioa^ao 

do melboi* tiratamento a. isegruiir 

pai*a a eiurai* 



PELO 



DR. CONSTANTIK-GUILLAUME 



XRAi>tJzii>o E a.m:i>lia.i>o 



POH 

ANTONIO VIEIHA LOPES 

Medioo-oimrgriao pela Esoóla Medloo-Olrurgrloa do Porto, Membro correspondente 
da Sociedade das Soienoias Medioas de Lisboa, etc, etc. 

2V0LUHES... 1$000 REIS 



Medico db Casa. — Assìm se iati tuia 
ama publica^ào que a acreditada e ìn- 
caDsavel Livraria Internadonal do snr. 
Ernesto Chardron acaba de publicar, e 
de que recebemos jà o primeiro fasciculo. 

Està obra é originai do celebre medico 
francez Constantin-GruilJaume, e tradu- 
zida e amplìada pelo distincto medico 
Antonio Vieira Lopes. 

Por meio da sua lei tura se póde reco- 
nhecer qualquer molestia e indicaQào do 
melhor tratamento a seguir para a curar. 

Medico de casa vem, pois, preeneher 
uma grande lacuna que ha multo se sen- 
tia entre nós, pois que por meio d'elle 
muitos individuos, que nào estiverem nos 
casos de fazer grandes despezas, podem 
poupar multo dinbeiro receitando-se a si 
proprios e nào desprezando muitas vezes 
uma enfermidade, insignificante a prin- 
cipio, mas que pelo correr do tempo se 
póde tornar fatai, so pela impossibilida- 
de de occorrer a despezas superiores às 
suas for^as. 

Além d'isso o Medico de casa è escri- 
pto n'uma linguagem darà e ao alcance 



de todas as intelligencias, mesmo as me- 
nos cultas. 

Para que o publico ayalie melhor a 
importancia d'està publica^&o, passamos 
a transcrever as seguintes linhas, que 
precedem a obra e que sào dirìgidas a 
quem lèr. 

« Ha multo que se sentia a necessida- 
de de um livro de medicina, escripto em 
linguagem despretenciosa e bem popular, 
para uso de toda a gente que nào esti- 
vesse iniciada nos ìn^erscrutaveis se- 
gredos da sciencia de curar; d'um livro, 
finalmente, que tivesse uma feÌ9ào pu- 
ramente pratica, e sem os atavios e a 
linguagem empolada e quoH sibyliica, 
que so póde ser comprehendida por aquel- 
les que dedicaram o melhor tempo da 
sua existencia ao estudo das theorias e 
dos preceitos, que unicamente podem ser 
do dominio d'aquelles que se téem entre- 
gado à parte especulatiya d'està scien- 
cia. 

«E Mr. Constaniiri'Guillattme, a quem 
se deve o apreciavel trabalho, que tras- 
ladamos para o nosso idioma, e que tSo 

8 



118 



BIBUOGRAPHU PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



bem recebido foi no seu paiz, onde me- 
receu a honra de algomas edipea. 

« Este livro tem incontestavel merito, 
de indicar aoa seus leitores os meios, 
com o auxilio doa quaes o proprio doente 
podéri, elle mesmo, conseguir, com ae- 
goranca e promptidfto, o conheoimento 
da moleatia com que està luctando, e isto 
n&o Ihe era permittido fazer até agora, 
porque, qualquer livro que consultasse 
anteriormente,' n&o Ihe dava majs do que 
a parte desoriptiya daa doen^as, e a enu- 
meracào dos melhorea remedios. 

• Eis, pois, um livro util, que poderà 
aer conaultado sem risco por qualquer 
pessoa, principalmente nas differentes 
locaiidades, onde, n'este reino, se n&o 
encontrar um medico, ou a bordo d*um 
navio que, por n&o possuir o numero le- 
gai de toneladas, n&o tem um individuo 
legalmente habilitado, que possa aoccor- 
rer oa nautas, em occasi&o de doen^a. 

«Julgamoa ter feito um tal ou qual 
servilo à humanidade ; o publico, lendo 
este livro, melhor poderà decìdir o valor 
que elle tem, e se é digno de merecer a 
Bua approva^&oj». 

(«Tomai da Manhà, de 28 de ontnbro). 



Com o frontispicio que precede, rece- 
bemoa um livro de 346 paginaa in-8.o É 
o primeiro tomo d*uma obra que consta 
de dona. 

£m linguagem popular, tracta-se n'es- 
te livro d'ensinar ao povo a conheoer as 
doen^as e os melhorea meioa de aa cu- 
rar. 

Oa aaaumptoa acham-se divididoa em 
duaa aec^ea, e em cada secc&o est&o dis- 
postos pela ordem alphabetica. É, pois, 
lormada a obra de dous diccionarios, no 
primeiro dos quaes se ensina a couhecer 
aa doen^as, e no segundo o melo de as 
curar. 

anatema aeguido é oommodo e f acil ; 
oa artigos a&o bem tratadoa, aufficiente- 
mente deaenvolvìdoa e escriptos com da- 
reza. 

É portante uma obra que devem pos- 
suir oa bona chefes de familia, os dire- 
ctores de coUegios, e os mestrea de fa- 
bricas, para prestarem os primeiros soc- 
corros, em caso de doenca repentina, em 
quanto nSo chega o medico. Nas terras 
em que n&o ha facultativo ou nos navica 
desprovidos de medico, é até ìndispensa- 
vel a acquisi^&o d'uma obra d'estas. 

(Bevi$ta de Pharmacia e seieneku accesaoria» 
do Porto, cadérne de dezembro passado). 



Empreaa de Ebnbsto Chàbdbon, Porto 
e Braga. Eate editor, que é, inquestio- 
navelmente, o maia incanaavel e empre- 
hendedor, que temoa em Portugal, aoaba 
de publicar dona livrea que honram mul- 
to aeu zelo e o intereaae, que toma pela 
inatrucQ&o d*eate paiz. l.o tomo da 
obra do dr. Conatantin-Guillaume, O Me' 
dico eie casa, « ayatema aimplea de reco- 
nhecer qualquer moleatia, e indica^&o do 
melhor tratamento a aeguir para a cu- 
rar » , traduzido pelo distincto racultativo 
portuguez Antonio Vieira Lopes, e por 
este ampliado, parece-nos um livro de 
indispensavel acquisi^&o para todoa oa 
que queiram aer um pouco — medicos de 
8% meamos, 

Nem aempre ha a poaaibilidade de re- 
correr à medicina, principalmente para 
OS que vivem longe dos grandes centroa 
de populaQ&o, e por isso é multo con- 
veniente ter à m&o uma especie de eluci- 
dario, que possa prestar as primeiras in- 
dica^oes dos primeiros auzilìos. 

Nao somoa competentea para avaliar- 
mos do merecimento da obra quanto & 
parte theorica e pratica. nome do au- 
thor, do traductor e do editor fallam 
em perfeito abono d'essa publica^&o. 

tomo 1.0 tem 345 paginas. livro 
1,^ intitula-se Diccionario dos signaes: 
abre pelas palavras Ancas, etc, e fecha 
pela Zunidos d^ouvidos, 

livro 2.0 intitula-se Diccionario dos 
doengas: abre pela palavra Abscesso e 
fecha, n*este volume, por Cystite chro» 
nica, 

A obra custa apenas li^OOO reis. 

(O Jomal d$ Vhtw, de 10 do dezembro). 



Mbdico db casa ou Medicina prati- 
ca. — Publicou-se ha pouco tempo o pri- 
meiro volume d*esta obra, traduzida do 
francez, ampliada pelo snr. dr. Antonio 
Vieira Lopes, e editada pela Livraria 
Internadonal de Ernesto Chardron. 

Recommendamos a todos os nossos as- 
signantes està boa obra, que em muitas 
occasioea Ihe poderà ser de grande uti- 
lidade, e mui principalmente n*aquellas 
locaiidades aonde n&o ha, sen&o a gran- 
des distandaa um facultativo, que n&o 
póde aoccorrer de prompto os doentea. 

(O Dirètto, de 9 de Janeiro). 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



119 



NOUVELLES PUBLICATIONS 



n?liiei"Si« — Discoors parlementaires. 
3 gr. voi . in-So 4)^500 

K. ]MCau<lg(ley* — Le crime et la 
folle. 3® édition. 1 voi. in-8o carton- 
ilo W200 

P, A^ decolli* — Lea étoiles. Es- 
sai d'astronomie siderale. 1 volume 
in-8o li^200 

Xie<liru-!Bolli]i« — Discours poli- 
tiques et écrits divers. 2 volames in- 
80 2fiiQ0 

"Victor JUngo* — La pitie suprè- 
me. 3© édition. 1 voi. in-8o 800 

!EXeiiiri <ie Kock* — Un dróle 
de voleur. 1 voi. in-12 200 

!Bi1>ot. — La psychologie allemande 
contemporaine. 1 voi. in-8o... lj^500 

IsoaiHl. — Prières. 1 voi. in-12. 600 

Sopliie Grermaln. — Philoso^ 
phie moderne. (Euvres philosophiques. 
1 voi. in-12 800 

Mianuel du Ju1>Ué de 1879. 
Ifolheto 120 

iSUie Sorin. — Jules Grévy. Sa 
vie, son role polittque. 1 v. in-18. 200 

F* B. GrAllon. — Lectures extrai- 
tes de divers auteurs. 1 voL in-8o. 800 

AJMk^bcréi Daniel. — L'année poli- 
tique, 1878. 1 voi. in.l2 700 

A.1>1>é Vi<iieTi. — Le pape Leon 
ziii, sa vie, son avénement, ses écrits. 
1 voi. in-12 600 

I*ierre Griffleur* — Le phonographe 
expliqué a tout le monde. 1 volume 
in-18 200 

I>jr. rVéetn.» — Le9ons de clinique 
cbirurgioale. 2 voi 4{?000 

!F. d.e Oastro IFireire. — Novo 
diccionario francez-portuguez com a 
pronuncia franceza ngurada. Cadem. 
n.o 14 300 

Victor JUvigOm — La legende des 
sièclcs. Nouvelles séries. 2 volumes 
in-12 li^OO 

A^ de Tr^verret. — L'Italie au 
XVI siede. Études littéraires, morales 
et politiques. 1 voi. in-12 700 

IFortun^ d.u. Boistso'bey. — 
Une affaire mystérieuse. 1 volume in- 
12 200 

JSIriiest iEtonan. — Saint Paul. 1 
gr. voi. in-8o li^500 

M.™® Xiaure I>. F* — De Mar- 
seille a Shanghai et Yedo. 1 volume 
in-12 700 

Alfired de ]M[iii9i9et. — Premiè- 



res poésies. 1 voi. in-12 700 

«Jean Mlr^'al* — Théatre scien- 
tifique, avec une préface par Louis Fi' 
guier, 1 voi. in-12 700 

C. Conte d'IXausoiiTlIle. — 
Souvenirs et mélanges. 1 volume in- 
12 700 

A.d.oIplie A.<la]i« — Lectures mi- 
litaires à Tusage des écoles régimen- 
taires et des écoles primaires. 1 voi. 
in-12 cart 500 

i^jrsène IXoiissaye. — Les fem- 
mes du diable. 1 voi. in-12 250 

<T. Mlclielet. — Introduction à 
rhistoire universelle. 1 voi. in-12. 700 

S. ]MCaire. — Problèmes d'arithme- 
tique à Tusage des écoles primaires. 
1 voi. in-12. cart 900 

fumile f&iclie'bour^. — Deux 
mères. 2 voi. in-12 li^200 

Vilmorin, Poiteau, Bailly, 
étc. — Le bon jardinier pour 1879. 
1 gr^ voi. in.l2 li^400 

Grravnree d.ii 1>oii jarcli- 
nier. 1 voi. in-12 1^00 

Oharlesi d.e la f&ounat. — 
Le vicomte do Chamilly. 1 voi. 700 

A« de PontinartiioL. — Nouveaux 
samedis. 1 voi. in-12 700 

Oliarles d'Osson. — La comtes- 
se iMetella. — 1 voi. in-12 700 

Gra1>riel Oompayr^. — His- 

toire critique des doctrines de Tédu- 

' cation en Franco, depuis le seizième 

siede. 2 voi. in-8o SmO 

Gruy-au. — La morale anglaise con- 
temporaine. 1 voi. in-b» I]|i500 

J. Michelet. — Le Banqtfet. Pa- 
piers intitnes. 1 voi. in-8o. . . . 1^200 

"Wurtz. — Théorie atomique. 10® édi- 
tion. 1 voi. in-8o cart. Ii5i200 

"Vraynex* et GS-antier. — Nou- 
veau traité de chimie iudustrielle. 
10® fasdcule de la 2® édition. . . 500 
Prix de l'ouvrage complet. 2 voi. gr. 
in-80 GijoOO 

"E* Bramare. — Bibliographie rai- 

sonnée du Droit civil. 1 v.in-8o. 2^)0 

Robert IX. Scott, JStX* A^ F^ 

R*. @. — Cartes du temps et aver- 
tissements de tempétes. 1 v. in-8o. 900 

Gr. R*otli.aii. — La politique firan- 
Qaise en 1866. 1 voi. in-8o. . . i,3;500 

£2douard André. — Traité ge- 
neral de la compositi on des Parcs et 
jardins. 1 gr. voi. in-folio... 7^»000 



120 



BIBLI0aR\PHI4 PORTUOUEZA E ESTRANGEIRA 



PUBLICACOES HESPANHOLAS 



Snirique Pei*ez Csorloli 

Los dtsgraciados (obra illustrada). 2 yo- 
lumes 3|;000 

La madre de los deaamparados (obra ìl^ 
lustrada). 2 voi Sj^tOOO 

Lo8 que rien y los que Uoran (obra illus- 
trada). 2 voi 3^000 

La emndia. Historia de los pequefios 
(obra illustrada) . 2 voi 2^1880 

Los mabrimonios del didblo (obra illus- 
trada). 2 voi ^mo 

M pan de los pobres, 4 voi 2|i600 

La mujer adtUtera, 4 voi. enc... 2^600 
La madre de los desamparados, 4 volu- 

mes enc 2;^500 

Ixi perdicion de la mujer. 4 v . enc. 2i^600 
M amor de los amores. 4 v. enc. 2iJ>600 

La ccdumnia. 4 voi. enc 2j^00 

La caridad Christiana. 4 v. enc. 
M infierno de los cielos. 4 v. enc. 
El cura de aidea. 3 voi. enc. . . . 
Las ohras de misericordia. 6 volumes en- 

cadernados 3^600 

Los m^trimonios dd diaòlo. 4 volumes 

enc 2i^00 

El frac aziil (obra illustrada). 1 v. 1ì$>500 

I>. «Tose IFerrer <ie Conto 

Manital de veterinaria y equUadon, 1 
voi 720 

* * * 

Nuevo manual epistolar 6 arte de escrv- 
bir todo gènero de cartas. 1 volume en- 
cadernado 400 

T>* Mianuel IF* y Gronzalez 

La buena madre (obra illustrada). 2 gr. 

voi 4iJ»00 

Lw:recia Borgia (memorias de Satanaz. 

Obra illustrada). 2 voi 3i9000 



2m^ 

2i^600 
2|K)00 



Los Lusiadas. 1 voi. enc 600 

r>. A^ntonio A., y Cruijairfo 

Obras, EstSLo publicados 4 voi. Cada 
volume 1^S400 

* * « 

El ministerio de iniquidade 6 conjuracion 
saianico'humana cantra Jesu^Cristo. 
1 voi 1^1500 

I>. <Tos^ M!a,iria A.iitequex*a. 

La doctrina católica y la escuela liberal, 
1 folheto 240 

!>• Juan Bautista. Sa^ 

Tratado de economia politica, 2 v. 2^100 

* * « 

Historia de los Sacramentos. 8 v. 5^400 

I>. Alvaro F. £:sti"a<la 

Curso de economia politica. 2 voi. 3^000 

!>• «Tose Miaria de Pando 

Elementos del derecho internadonal, 2.» 
edi^ao. 1 voi 2i^400 

« * * 

DioSf Patria y Bei, Manìfiesto del gene- 
ral carlista D. Francisco Saballs a to- 
dos OS hespanoles. 1 folheto. . . . 240 

Saneliez d.e Bustamaii'te 

Curso elemental de geografia general y 
partiovlar de Espa%a. 1 voi. . . 1^200 

!>• «Tose ^. de M:. Blanoo 

El derecho cimi espanol (en forma de c<5- 
digo). 1 voi 3^600 

P. Santiag'o Bi*id.aiii.e 

Sermdes. 5 voi 4iJS800 



HEISTRIQUE PERES ESGRIGH 



A. ealun&nia. 5 voi 

A. eisposa majrtr^ir. 5 voi 

Oi9 ai\]ois da terra* 5 voi , 

O» des^ra^ados. 2 voi. 

O ai\]o da guarda. 3 voi 

!Bioo e potare. 1 voi 

O violino do dia1>o. 1 voi 

1?al ar vore tal fjrncto. 1 voi 

Um fillio do povo. 1 voi 

Quem tudo quer tudo perde. 1 voi 
Por l>em fbzer mal liaver* 1 voi . . . 
Ajs eulpais do» paes* 1 voi 



2^500 

21(500 

2^500 

li^200 

1^00 

500 

400 

400 

300 

400 

500 

300 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



121 





PORTUGUEZ-LATINO 



Acaba de vèr a luz da publicidade o 
Novo <lieeioii.ai*io poi*tu.- 
g^uez-lAtino, composto pelo snr. 
Manuel Bernardes Branco, distincto e 
conhecido professor das linguas latina e 
grega. 

£ste novo traballio do snr. Bernardes 
Branco velo justificar mais urna vez os 
creditos de eradi^ào e saber que desde 
ha multo colhéra o seu author em varias 
outras composicoes do mesmo genero, com 
que prestàra ja nào pequenos seryÌ90S à 
mocidade estudiosa portugueza. 

Entre esses trabalhos oitaremos a pu- 
blicaQào de urna grammatica dementar 
da lingua latina, baseada no antìgo com- 
pendio do padre Pereira de Figueiredo, 
e notavel nào b6 pela clareza e excellen- 
te methodo de exposi^ào, comò tambem 
pela abundancia de apropriados exem- 
plos, e de phrases bem escolhidas, que 
muito concorrem para facilitar o estudo 
da lingua de Cicero e de Horacio às ten- 
ras intelligenciaff nào habituadas ainda às 
bellezas e difficuldades, que par a par se 
encontram na interpreta^ào dos authores 
latinos. Este Not^o methodo de 
g^ira.mma.tiea, latina, tem tido 
jà rapidas e successi vas edi^oes. 

Ultimamente ainda fora o snr. Bernar- 
des Branco encarregado de traduzir e di- 
rigir urna nova edicào da Hlstoi^ia, 
uni^-eirsàl de Cesar Cantù. Incan- 
savel n^estas lides litterarias e philolo- 
gicas, acaba agora de publicar o Na^o 
dieeionaido poi*tii£^u.ez«lar 
tino. 

Sentia-se ha muito a falta de um livro 
que comò este rennisse à modicìdade do 
pre^o as condi^oes indispensaveia de 
conscienciosa e correcta composiQào, que 
nem sempre se encontravam em traba- 
lhos do mesmo genero, anteriormente pu- 
blicados, e que ainda, apesar d'isso, à 
falta d*outros melhores, escasseavam no 
mercado. 

author entre outros elementos de va- 
lioso auzilio para a composi^&o do 



seu diccionario, e que por brevidade 
nào mencionaremos, soccorreu-se do 
Gri*a,iid <lietioiiii.cii]re de la, 
lang'u.e latine de Quell. Freund, 
do detion.nalr'e fìranpais- 
latino de Quicherat, do £«ng'lisli. 
I^atia I>ietioiiai*y de Eutick; 
OS quaes sào geralmente reputados comò 
dos melhores na especialidade, e garan- 
tia por isso mesmo de que de tao boas 
fontes nào podìa deixar de colher um ex- 
celiente cabedal de conhecimentos quem 
comò snr. Bernardes Branco tanto a 
fundo conhece, por aturado estudo, e 
prolongada pratica de ensino, as linguas 
grega e latina. 

A parte relativa à geographia antigfi, 
a terminologia especial dos usos, costu- 
mes, vestuarìos, etc, foi attenta e cuida- 
dosamente estudada, tendo side um dos 
bons auxiliares o estimado I>ietio]i« 
naire d.es antiquités gri'e- 
oques et i-omalnes, editado pe- 
la casa Hachette de Paris. 

A grande abundancia de exemplos em 
que clarameute se mostrem as diversas 
accep^òes em que uma palavra póde ser 
empregada; as differentes locu^ues que 
com ella se podem compòr ; as suas ex- 
plica^oes derivadas e fìguradas; «is o 
que um diccionario bem elaborado deve 
center para satisfazer cabalmente ao seu 
firn; eia tambem o que se encontra no 
Novo dieeionairio porta- 
g^uesE-latiao do snr. Bernardes 
Branco. 

Nào hesitarenfos portante em reoom- 
mendal-o comò um Uvro util e indispen- 
savel no estudo, dementar ou nào, da 
lingua latina, e indical-o-hemos, final 
mente, senào comò o melhor trabalho, 
que entre nós se possa elaborar n*este 
genero, pelo menos comò o mais compie • 
to, o mais darò, e q mais racional dos 
que na aciualidade possuimoe. 

JoAQUiM José Anhaya, 
Vice-director da Escóla Aoademica. 



122 



BaLIOORAPHU PORTUOUBZA E E3TRÀN0EIRA 



OMRroAOALCmiW 



ou 



ADVOGADO DE SI MESMO 



HavemoB examinado està obra ha pou- 
co publicada pela casa Ohardron, e es- 
cripta pelo snr. dr. Francisco Antonio 
Veiga. 

Tem aste trabalho por fìm facilitar a 
todos OS que n&o fazem profiss&o do es- 
tudo e applica^ào das leis, o conhecimen- 
to do que mais importa saber na legisla- 
Q&o em vigor, e parece-nos que preencbe 
cabalmente o seu scopo. 

estudo aprofundado da jurispruden- 
cia absorve, corno o de outra qualquer 
Bciencia, a yida d*um homem, e por isso 
poucos podem ser jarisconsultos. 

Por mais modesto, porém, que seja o 
lugar que na sociedade signalou a Provi- 
dencia a cada um de nós, ninguem fica 
isento de, uma vez ou outra, desempe- 
nhar deveres que a lei Ibe imp5e, ou de- 
fender direitos que a mesma lei Ihe ga- 
rante ; e o primeiro passo que dà o inte- 
ressado para saber comò ha-de proceder é 
procurar conhecer de fonte limpa, e de 
modo que Ihe nào restem duvidas, a le- 
gislaQào que regula para o caso occor- 
rente. 

Até agora os que de per si n&o po- 
diam ou nào sabiam consultar e interpre- 
tar essa legisla^ào iam ouyir um advo- 
gado, e, quando a opiniào d*am so os n&o 
satisfazia, ouviam deus ou mais. Agora 



quem tiver à m&o este livro e nào care- 
cer completamente dos pouquissimos co- 
nhecimentos jurìdicos que demanda a in- 
telligencìa d'elle, pouparà muitos passos 
e dinheiro, porque elle elucidarà suffi- 
cientemente OS que necessitarem de es- 
clarecer-se sobre qualquer d*esses casos 
da Vida pratica. 

É um claro e bem ordenado resumo de 
tudo o que està contido em numerosos li- 
vros. É um conselheiro fiel para os nego- 
cios do fóro, e um guia seguro no laby- 
rintho da nossa legisla^ào. 

Tal publica^ào era uma necessidade; 
e seu author e editor s&o dignos de mul- 
to louvor. 

Aos rev.doB parochoa, que na maior 
parte das aldéas sào, aìnda mesmo n*es- 
tas materias, as pessoas que oom raz&o 
mais c^nfian^a inspiram a seus fregue- 
zes, julgamos nós este livro multo util, 
pois com elle na m&o melhor que ninguem 
08 podem aconselhar e dìrigir. 

Lembramos por ultimo ao editor que, 
ao menos de dous em dous annos, deve 
publicar em supplemento ou appendice 
as modifiea^oes que forem occorrendo na 
legisla^ào. 

Um aldbao cubioso. 
(Do ComfMreìo do JUnho), 



LISBOA 



•Tulio Verne. — Um heroe de quinze annos : 

1.» parte — A viagem fatai. 1 volume com 46 gravuras 900 

2.» parte — Na Africa. 1 volume com 45 gravuras 1|WOO 

A^ Mi* da, Ouulia, e S^ — ultimo cavalleiro, romance histo- 

rico originai (edi^ào illustrada). 1 voi 600 

Gruei*]:*» «Junqueiiro* — A musa em férias. 1 voi 600 

A T-eiida na I^iviraria CHARDKOZNf. 



ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



123 



LIVRARIA CHARDRON 



PORTO E SRA.GA. 



IMPORTANTES PUBLICATIONS 



DICTIONNAIRE DE BOTANIQUE 

PAB 

M. H. BAILLON 

Avéc la collàboration de MM. J. éU Lanwan, 

X. Muesaty W. Nylander, E. Tiaon, 

B. Fbumier, J, Poiaaon, L. Soubeirany 

a. Bocquttlony O, DutaUly, A. Bwwu, H, A, 

Wéddel, ete., Uè. 

DESSINS DB A. FAGUET 

10« fascicule in-foL. li^JOOO 



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célòbres artistes 

Chaque année illustre de plus de 500 
gravures 5i?200 



NOUVEAU DICTIONNAIRE 

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I 




CONTENANT : 

1» LA GÉOGRAPHIE PHYSIQUE 

Descrlption dea grandes régions natorellei, dea 
bassins maritimes et continentaux, dea pla- 
teaax, dea chaines de montagnea, dea fleuvea,- 
dee laca, de tona lea aecidenta terreatrea. 

3° LA GÈOGRAPHIB POLITEQUE 

Deaeription oirconatandée do tona lea Étata et 
de toutea lea contréea da globe ; tableau de lenra 
provineea et do leura sabdiviaiona ; deacriptioa 
dea vlUea et on particulier de toutea lea villea 
de l'Europe ; vaate nomenclature de tona lea 
bourga, vlllagea et localitéa notablea da mon* 
de; population d'aprèa lea demièrea donnéea 
officlellea j forces mìlitairea j financea, etc, etc. 

SO LA GÉOGRAPHIE ÉOONOMIQUE 

Indication dea productiona naturellea de chaque 
paya, de IMnduatrle agricole e manufacturière. 
du mouvement commereialy do la naylgation, 
etc. ' 

40 L*ETflNOLOaiE 

Deaeription physique dea raeea; nomenclature 
deacriptive dea tribus incultea j étudea aur lea 
migrations dea peuplea, la distribution dea ra- 
cea et la formation dea nationa. 

5® LA GÉOGRAPHIE HISTORIQtJE 

Hiatoire territoriale dea Etata et de leura prò- 
vinces ; deaeription archéologique dea villea et 
de toutes lea localitéa notablea; 

6° LA BIBLIOGRAPHIE 

Indication dea aourcea généralea et partieulièrea, 
hiatoriquea et deacriptivea 

PAR 

TIVIEN DE SAINT-MARTIN 

£n vente, 10^ fasoicule ; prìx de cha- 
que 500 



124 



BIBLIOORAPHIA PORTUGURZA E ESTRANOEIRA 



HISTOIBE 

DES ROMAINS 

DSFUIS LES TEIIP8 LES PLUS RECOISS 
JUSQU't L'INVASION DES BARBARES 



PAB 



VICTOR DURUY 



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1.» ANNO 



1879 



N.» 7 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



OS CONTRAFACTORES DO BRAZIL 



Alexandre Heroulano tratou excentri- 
oameate a qucstào controvertida da prò- 
priedade litteraria. Acepilhou sophisinas 
que parecem incompossiveìs com um jui- 
zo tao recto corno esclarecido. Attinge a 
concltisào de que a propriedade littera- 
ria é um paradoxo, e assenta que o es- 
crìptor é tao proprietario das suas idéas 
corno marceneiro o é d'urna cadeira 
que inventou. Escreve o doutissimo his- 
toriador : « Um marceneiro inventou urna 
cadeira elegante e commoda ; deu depois 
existoncia e vulto à sua concep^ào, fabri- 
cando uma duzia ou um cento de cadei- 
ras, em que essa concep9ào se manifes- 
tou, e vendeu-as com um lucro mais ou 
menos avultado. Os que créem na pro- 
priedade das idéas devem invocar o di- 
reito de propriedade para a concep^ào do 
marceneiro porque o marceneiro é tao ci- 
dadào comò o escriptor : devem deci arar 
contrafactor outro qualquer individuo da 
mesma profissào, que, vendo a procura 
no mercado d'aquella fórma de moveis, 
OS imitou sem licenza do inventor, sem 
Ihe pagar o prcQO da idèa, o prcQO da 
Bua propriedade intellectual i » . Ahi està 
o argumento de analogia. lavor ma- 
terial do inventor de cadeiras compara-o 
Alexandre Herculano A elabora^ào intcl- 
lectiva de um livro, Keproduzir os mol- 
des do espaldar d'uma poltrona é o mes- 
mo que contrafazer um livro e vendel-o 
sem repartir os lucros com o productor 
das idéas. 

"l Vega Opusctilos, tom. ii, pag. 55*148. 



Do arrazoado do eminente sabio trans- 
luz uma idèa impertinente de aversào aos 
romancistas seus coevos a quem a pro- 
priedade litteraria proporcionava melos 
abundantissimos, ao passo que os escri- 
ptores de livros graves, scientificos, uteis 
nada tinham que aproveitar da proprie- 
dade litteraria porque ninguem the con- 
trafazia as obras. Entendeu Alexandre 
Herculano que a maneira de castigar os 
romancistas è esbulhal-os da propriedade 
dos seus productos, apoucal-os e redn- 
zil-os pelas contrafacgòes à urgencia de 
mudarem de vida. 

Beproduzirei os relan^os em que està . 
idèa rude e amarga se manifesta repeti- 
damente nos deus escriptos do primeiro 
homem de letras do PortugaJ contempo- 
raneo. Mencionando Kock, Balzac, Sue, 
Arlincourt, Dickens, acrescenta : «r Estes 
homens, cujos estudos se reduzem a cor- 
rer OS theatros, os bailes, as tabernas, 
OS lupanares, a viigar commodamente de 
cidade para cidade, de paiz para paiz, a 
gozar OS deleites que cada um d'elles Ihes 
offerece, a adornar os vicìos, a exage- 
rar as paixoes, a trajar ridiculamente os 
affectos mais puros, a corromper a moci- 
dade e as mulheres ; estes homens que 
so buscam produzir efFeitos que subjugam 
as multidoes ; que espreitam as inclina- 
95es do povo para as lisonjearem, os 
seus gostos depravados para os satisfa- 
zerem ; a estes operarios da dissolu9ào e 
nSo da civilisa^So, a estes sim, aprovei- 
tam as doutrinas da propriedade littera- 
ria I Para elles a reoompensa do merca- 

9 



126 



BIBLIOGRAPHIA. POKTUGUEZA E ESTRANGEIRÀ 



do; para elles ob grossos proventos do 
industrialismo litterario qne é o grande 
incitamento dos seos fecundos trabalhos. 
A Utteratora-mercadoria, a litteratura- 
agiotagem tem na verdade progredido 
espantosamente à sombra de tfto deplo- 
raveis doutrinas » . 

Com qne desamor Alexandre Hercula- 
no invectiva, promiscuamente centra Sue 
e Kock, Balzac e Dickens I Pareoe que 
està fallando do marquez de Sade e de 
Aretino I O romancista inglez a corrom" 
per a mooidade e as mvlhtrea ! Dickens é 
um amigo dulcissimo e zeloso do genero 
humano. A caridade com os desberdados 
é o factor do maior numero dos seus li- 
vros. Nào exalta as soberbias da razào 
em detrimento dos preceitos que se san- 
tificam na divindade da sua origem. 
Respeita as religioes todas, e todas as 
ordeos constituidas. Abstem-se de escal- 
pellar as carnes onde poreja o pus das 
enfermidades mortaes. Ck)bre de crepe os 
cadaveres e f az à volta d*elles o aseo 
das ulceras e o terror do vicio. A Ingla- 
terra considera Dickens um bemfeitor, e 
em Portugal admira-se Julio Diniz que 
Iho seguiu a escóla. Nào poderà a Fran- 
ca dizer o mesmo do seu Balzac, o pan- 
theista, e historìador prolixo- das doen- 
9as dos individuos pela primeira vez 
diagQosticadas por processos scientificos 
nem sempre verdadeiros ; mas, se a Fran- 
ca o nào relè comò consolador, nem jà o 
admira na sua iniciativa de naturalismo, 
Balzac fìcarà na perpetuidade de Rabe- 
lais, de Montagne, de Labruyère, de 
Molière, de Voltaire à volta das retortas 
em que se operaram lentas, mas profun- 
das evolu9oes. Nào é pois sobremodo ai- 
roso para Portugal que o seu mais aca- 
tado escriptor, em pieno seculo xix, es- 
crevesse de Balzac e Dickens phrases 
que estào revendo a zanga algum tanto 
oaturra de um admirador sertanejo do 
JFdiz independente e da Virgem da Polo^ 
7iia, 

Repisando no mesmo terreno da ar- 
gumonta9ào sempre apontada a desfalcar 
a propriedade dos romancia tas, insiste o 
grande historìador : « Em vez da anar- 
chia deleterìa e repugnante que o regi- 
men da propriedade litterarìa produz e 
em que o homem de talento, mas immo- 
ral, envenena as multidòes para se locu- 
pletar, em quanto o genio da sciencia e 
consciencia morre de fome, um systema 
de recompensas publicas prudentemente 
organisado, trarìa a ordem e a justi^a, 
e substituiria o verdadeiro progresso às 
orgias intellectuaes, à veniaga dacorru- 



P9&0 moral, resultado infaliivel da con- 
versfto das idóas em capital proda- 
ctivo ». 

É t&o exaoto o envenenamento nota mul^ 
Hdlies pelo romance comò a morte do ge^ 
nto da sciencia e consciencia pela fome. 
Os sabios n*este paiz, se perecem de fo- 
me, tao obscuramente o lazom que nem 
OS localistas da imprensa diària tem oo- 
casiào de fulminar os governos que dei- 
xan) vasqucjar a sciencia à mingoa de 
pào ; e pelo que respeita às multidòes en- 
venenadas pelas novellas de Balzac, Di- 
ckens e outros, é isso um pompear de 
phrases que denota quanto Alexandre 
Uerculano estava sequestrado da socieda- 
de pratica em que os vicios tem uma in- 
veterada antiguidade mais coeva do Li- 
vro 5.0 das Ordena^es que dos romances 
de Paulo de Kock. 

sonoro author do Ev/rico, n*isto de 
fulmina^oes aos maus costumes, deixava- 
se levar das harmonias musicaes do seu 
estylo cadencioso de phrases rijas e bru- 
nidas comò o a^o das panoplias, e pare- 
cia estar-se sempre enlevado nos arrobos 
visionarìos do heretico Lamennais. Ficoa- 
Ihe aquelle geito grande, largo e estron- 
doso da Voz do Projpheta, 

Impugna o tratado de proprìedade lit- 
terarìa com a Fran9a — pelo qual o in- 
gresso das edi^oes belgas foi defezo — 
porque d'ahi resultava grangearem os ro^ 
mancistaSf os poetas, os especuLadores lU^ 
terarios da Franga mais uma notte de or^ 
gias ou OS meios de dar mais urna vez por 
anno verniz nas suas carruagens. 

Este odio aos romancistas felizes é in- 
congruente no author do Monge de Cis^ 
ter, das Lendas e narrativas, das roman- 
tioas phantasmagorias que proporciona- 
ram o suave repouso do fatigado lidador 
na quinta de Val de Lobos. Dado ainda 
que Herculano nào provasse a mào com 
singular pericia na novella historìca, 
ainda comò historìador Ihe competia aca- 
maradar-se de boas aven^as com os ro- 
mancistas, porque, no dizer prof nuda- 
mente conceituoso de Thiers, « um gran- 
de historìador é um romancista da ver- 
dade, e um grande romancista é um his- 
torìador que inventa». 

Em conclusào dos seus articulados 
contra a propriedade litteraria, quer 
Alexandre Herculano que os livros fri" 
volos ou ddeteriosj que o direito absoluto 
de propriedade protege taìito cerno os 
bons e uteis, e que infelizmente o mercado 
protege sem comparagào, mais, ficassem 
expostos sem defeza à especukbgào dos 
contrafactores, e na propria procura do 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



127 



mercado achciasem para sena authores o 
inHrummto do castigo, 

Sim, a contrafao9§.o, apouoando os la- 
eros, seria um castigo para o escrìptor, 
mas com certeza nào seria emenda nem 
triaga ao « envenenamento das multi- 
does » ; por quanto o romanci sta conti- 
nuaria a produzir ganhando 20 em yez 
de ganhar 100, o publico continuaria a 
lér e a enyenenar-se, indifterente à ques- 
tuo da propriedade, e o contrafactpr — 
para quem Herculano nào pede castigo 
nem sequer censura, continuaria a locu- 
pletar- se. A final, quem colhe as fructuo- 
sas consequencias das primicias do gran- 
de escriptor sào os ladroes, com a mais 
desbragada impunidade. 

As idéas de Alexandre Herculano 
agradaram infinitamente no imperio bra- 
zUeiro, quero dizer, adivinharam-as oom 
rara intuiQào os contrafactores do Bra- 
zil, porque eu nào imagino que elles an- 
tes de nos reproduzirem os livros se do- 
brassem meditabundos, à lampada no- 
cturna, sobre os Opuscutoa do celebre his- 
toriador, assim comò uunca me constou 
que là OS seus salteadores da Ilha da 
Òaqueirada lessem com espirìto hostil as 
invectiyas de Proudbon contra a proprie- 
dade quando a procuravam nas algibeiras 
dos honrados burguezes da rua do Ouyi- 
dor. 

Tambem nào posso accusar os contra- 
factores de nos quererem infligìr, rou- 
bando-nos, o castigo alvitrado pelo Mes- 
tre, que votou pela dieta dos discipulos 
logo que elles nào locubrassem as suas 
yigilias em livros d'uma conspicuidade 
assàs unctuosa. Nao. 

Os livreiros do Brazil operam as suas 
contrafac^oes movidos d'um pensamento 
chàO; correntie e singelo: roubar-nos. 
Elles nao desejam definitivamente que 
OS escriptor es portuguezes desanimem e 
yào para o Brazil alistar-se em maltas 
que medram no latrocinio ; pelo contra- 
rio, ambicionam que a pobreza nos agui- 
Ihóe e force a esere ver multo, para quo 
elles, comò pregoeiros da nossa fecundi- 
dade, possam continuar a roubar-nos e 
encher-nos de edi^oes e glorias transatlan- 
ticas. A gloria ! que mais queremos nós ? 
Alexandre Herculano aconselha com elo- 
quencia commovente os escriptores a da- 
rem-se por pagos com a consideragào, 
respeitos e distincgdes com que a sociedade 
irata o homem que perante o seu tribunal 
deu provaa induhitaveis de talento ou de 
genio ; e ao mesmo tempo nos vai contan- 
do, no mesmo escripto, e quasi na mesma 
pagina que o genio da sciencia e da cons^ 



denda morre defome, e qua Luùs de Co* 
mdes morrera entre aa angustias da mi» 
seria e do àbandono na pobre enxerga de 
um hospital ; comò se isto fosse verdade. 

Como quer que sega, os contrafactores 
é que nào escorregam n'estas incoheren- 
cias. 

Com uma seriedade harmonica, siste- 
matica e impàvida nào so reproduzem a 
milhares os livros que em Portugal ain- 
da encontram editores ousados e temera- 
rios ; mas até com um desvergonhamen- 
to que deslumbra o nitido descaro da la- 
droeira, contrafizeram um liyro que n&o 
se vendeu em Portugal, e que fora en- 
yiado ao Rio de Janeiro com uma ve- 
neravel resalva que os piratas nào res- 
peitaram. Traduziu o sur. D. Luiz i, 
comò é notorio e até glorioso, o Hamlet 
de Shakspeare. Distribuiu S. M. os 
exemplares da sua versào pelos monar- 
chas, pelas bibliotheoas publicas, pelos 
diplomatas, pelos seus amigos, e por es- 
criptores notaveis. Logo que escrevi e^ 
criptores notaveis seria pleonasmo acres- 
centar que fui excluido; mas nào me 
despe^o de deleitar-me na leitura d'està 
versào d*el-rei, quando eu puder ha ver um 
dos exemplares contrafeitos no Rio de 
Janeiro, e vendidos a irrisorios pregoes 
no peristilo dos theatros. Apregoavam 
OS gaiatos subalternos a traducgào do Hor 
meleto, feita por D, Luiz, rei dos ilhéos, 
E aquellas gentes yariegadas, de bei^os 
grosso» e rubros, olharos mortÌ9os do 
quebranto langoroso da mulataria, da- 
vam casquinadas de riso, compravam o 
livro com a bo9al presump9ào de o per- 
ceberem, e associavam-se em alegrias 
biltres à proterva satisfa9ào do contrafa- 
ctor. Vai n'isto tudo uma porcaria infa- 
me, o cachet d'um paiz de mercantìia- 
gem pelintra. , 

Que f azeri E o titulo moderno de um 
romance do russiano Tchenischefski, em 
que se dà o reievo de insanaveis alejjoes 
da sua sociedade. Que fazer contra o Cri- 
me de roubo perpetrado pelos contrafa- 
ctores do Brazil aos escriptores e edito- 
res portuguezes ? A idèa mais obvia — 
na impossi bilidade do tribunal e da gri- 
Iheta — é a celebra9ào de um tratado de 
propriedade litteraria com o Brazil. 

Quando esteve em Portugal, pela pri- 
meira vez, o snr. D. Pedro ii, os litte- 
ratos e editores de Lisboa projectavam 
ir em corpora9ào pedir ao doutissimo im- 
perador que preponderasse com a sua 
benigna e poderosa e efficacissima in- 
fluencia na celebra9ào do tratado. Es- 
peravam os supplicantes que S. M. I. 



128 



BIBLIOGRAPHIA PORTCJGUEZA B ESTRANGEIRA 



aproveitarìa a occasifto para fazer enfor- 
oar oa pelo menos sospender tempora- 
riamente os ladrSes que Ihe manchavam 
o imperio e passeavam triamphalmente 
08 seos chapeos do Chili em JPetropolis 
e no Corcovado. Constando, porém, que 
Alexandre Hcroulano, ainda vivo, era 
avesse ao requerimento dos espoliados, e 
qae o imperador abandaya nas idéas do 
seu illastre amigo em materia de prò- 
priedade, a janta dos queizo^os desani- 
moa, debandou ; parte foi jantar à ta- 
berna ingleza, outros ao Penim, e os 
verdadeiramento sabios, segando o fune- 
reo threno do Mestre, morreriam de fome. 

Conta snr. Ramalbo Ortigào, no seu 
estjlo de conceituosa graQa, que jà foi 
conviva em am jantar no Hotel Univer" 
sol, onde so congregaram os escriptores 
para corner o boi e discutir o espirito da 
proprìedade letteraria. Como o boi tym- 
panison, ao aue parecc, a gianduia de- 
positaria da idèa em discussào, nada dis- 
cuti ram ; e o insigne critico, roubado em 
Fernambuco, pede que se tóme a jantar ' 
a firn de se obter com o Brazil um tra- 
tado de propriodade lìtteraria. 

Eu n&o confìo nada no segundo jantar 
Bo Hotd Universcd. Disoussoes sérias sSlo 
ineompativeis com dìgestoes pesadas. De 



mais a mais, ss. ezc.** os escriptores, 
oom 06 ventres repletos, desbotariam a 
cor locai do assumpto, sendo o seu intui- 
to reclamarcm comò escriptores famiu- 
tos. 

A mim me quer parecer que incombe 
ao governo attender a uma necessidade 
que nfto carece de ser discutida e formo- 
lada em assembléas. Alexandre Hercula- 
no al vi tra que sega o Estado quem de os 
meios de subsistencia aos escriptores pre- 
judicados ou n&o prejudicados polas con- 
trafac^uos. Se o governo portuguez n&o 
quer ou n&o póde celebrar com o gover- 
no brazileirQ orna lei que caucione os 
meus direi tos à remuneracào do traba- 
Ibo, e OS direi tos sagrados dos editores a 
quem vendo os meus livros, diga-me a 
que reparti^ào bei de ir mensalmente re- 
ceber a pensào indemnisadora do roubo 
irremediavel. Em goral, n*este paiz, ha 
nm so escriptor que sem prejuizo sensi- 
vel na algibeira póde ser reproduzido no 
Brazil : é o snr. D. Luiz i. Felicito o 
augusto litterato; e pcQO-lhe curvada- 
mente quo influa no seu governo sen- 
timentos beiugoos a favor dos seus col- 
legas pobrcs e subditos humìldes. 

Camillo Castello Branco. 



(I{anmnw0 ^k^u 



O Gaacioneiro alegre é om commen- 
tario que passa em revista as galerias 
da litteratura mqderna : a proposito de 
colher e ageitar um ramilhete de poeeias 
iaz*se orna obra de critica, e à medlda 
que foiheavamos o voluraoso livro afigu- 
vava-se-nos que transparecia a idèa de 
erigir o Canoioneiro no campo da litte- 
ratura patria em pantheon, onde se en- 
fileirassem, guiando-as a pedestaes de 
gradativas alturas, os vultos litterarios 
da geraQ&o contemporanea, e fechando- 
se a porta a outros. 

Ao terminar a ieitura do livro, a idèa 
^Hea principio transluzia incerta, accen- 
taava-se em uma oonvìcc&o. 

Como trabalho de critica quer-nos pa- 
recer que livro, pelo modo corno està 
ooncebido e delineado, nào póde inspirar 
(tconfian^a que devia impdr a authorida- 
de do nome qae o firma. Por fim o pre- 
tendido pantheon desoamba em um ba- 



zar indefinivel e desordenado, onde as 
joias de finos quilates se atropcllam com 
frandulagens, que nada ficam a invejar 
àquella litteratura pòdre, alvo das mais 
epigrammaticas flechas do aristophanico 
carcaz do commentador. 

Quando se pèga d'um estadulho em 
auxilio da propria opiniS.0, maxime nào 
havendo prèvia aggressào, corre-se o 
risco de fìcar a esgirimir quixotescamen- 
te no ar o grotesco instrumento, ou en- 
tào o aggredido arma-se d'outro fueiro e 
publico encarrapita-se para gozar hu- 
moristica e regaladamente o espectaculo 
do prelio ingente, que descahe dos pin- 
caros homericos na comica lucta entro 
deus sigeitos que se desorelham oom ap- 
petite no melo da roa. 

JULIO LoUBENgO PlRTO* 
(Do Commercio do Porto), 



EBNKSTO CHABORON, EDITOR 



129 



OS CBITICOS 



DO 



oj^j<raxoisr:Eì'rR(D j^TJBiOr:EfB} 



O ^nx*. Serg^io eie .Castro 



É estjlista bilioso, explica-se azeda- 
mente, diz com afouteza grosseira o que 
sabe ; mas acontece às vezcs nào saber 
que diz. Logo lh'6 mostrarei. 

Acha que eu « nào ti ve habilidade nem 
pacìencia para os apanhar no seu meio », 
OS poetas, « para Ihes reconhecer o me- 
ritò^ para Ihes fazer justi^a ». 

Se n^lo OS apanhei, foi realmente por 
ignorancia dos processos de apanhar poe- 
tas no seu meio. Se quer dizer que fìz 
urna cousa à tda, sem classifìca^oes, sem 
jerarchias, sem a nrdidura ideologica, 
philologica, scientifica em fìm, com que 
OS sabios compiladores costumam tecer 
68 Cancioneiros, convenho e sustento que 
fìz o que devia para nào destoar da ad- 
jectivacao ligeira, popular e fol^azà do 
livro. Grandes cmpolas de erudi^ào re- 
flexa e banal assopradas em um Oan- 
cioiieii:*o a.leg'ire^ seriam motivo 
para por nos olhos do leitor prantos in- 
consolaveis pelo seu quartinho. Qu^ria 
talvez que eu me deti vesso a esmiu^ar 
meio do provenzalesco snr. Fagundes, 
comò se elle, em seus dizeres cyclicos, 
se escondesse nas brumas de cinco se- 
culos corno o Joào Zorro do Cancionei'' 
ro de D, Diniz ; achou por ventura que 
eu nào averiguei se o carme erotico de 
Junqueiro é evolutivo da tenqom de Nu- 
no rorco, coevo do rei lavrador. Nào 
encontrou nos meus magros commenta- 
rios um lardo unctuoso dos Kajnouard, 
de Bouterwek, de Bellermann, de Pau- 
lin-Paris, Sanches, Wolf, de Diez, de 
Duran, dos Sagas, das Niebelungen, do 
Arthur e do baint Graal, de mosara« 
bismo, de lingua d'Oc e lingua d*Oil. 
Nào que eu tenho uma grande conside- 
ra^ào pelos homens ousados que edi- 
tam livros em Portugal. Fa^a o snr. 
Sergio de Castro um recheio d*essas 
cabedellas, de cousas e pessoas, de futi- 



lidades òcas, de espalhafatos fòfos corno 
instruc^ào, e soporosos comò recreio; e 
arracje depois editor que é o mesmo que 
arranjar um propinador de chloroformio 
e um bode espiatorio da vindiota publi- 
ca. Ha ahi uns Cancioneiros enfronnados 
e abarrotados d'isso, quo cahiram do te« 
dio uni versai ao ràbaia de alguns incau- 
tos particulares, e finalmente... trium- 
pharam nas mercearias. 

Arguiu-me de injusto. 

Guidava eu que escrevera o louvor dà 
esoóla nova elogiando Anthéro do Quen« 
tal, Joào de Deus, Fernando CÌEildeira, 
Duarte de Almeida, G. Crespo, Macedo 
PapanQa, quasi todos. Befugara apenas 
umas cousas, 

BetuìdadM de porca modemiet, 

comò diz padre Francisco Manuel aò 
seu amigo Brito. 

Allega o snr. Sergio qua o 4escobrir 
imitagdea comò a do snr. Guerra Jvm^ 
queiro, é denuncia torpe. Este queixume 
denuncia tambem um secreto reeeio. Os 
oonfederados sào uma jolda de salteado* 
res de peregrinos francese». Chamados 
à autoria, soccorrem-se com desfa^ada 
indulgencia reciprocamente, e em benor 
ficio dos réos testemunham que elles 
eram menores quando plagiavam, que tir 
nham quatorze annos, e outras maravar 
Ihas. 

A Idèa Nova nào tem direitos a ser mais 
ladra que a velha. No Canoioueiro ale- 
gre nào ha denuncia nem torpeza. Ha wn 
memento j um <r lembrarte que és homem » 
do escravo ao cesar, um estorvo il phi- 
laijicia insolente do enfoMi-^àté que fizerft 
dos seus alexandrinos um latego com 
que andava destro^ando poetas e prosa* 
dores dos seus dominios da Peoinsulft. 

Denuncia tQrpeJ Forte tolicel : 



130 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



grammatico Arìstophanes collìgia 
GB Toubos de Monandro ; 

Philostrato acousoa os roubos de So- 
pbocles ; 

Bayle aponta com infamia a Historia 
do8 Godos de Procopio roubada por Are- 
tino Bruni ; 

Horacio delatou os plagi atos de Celso ; 

Os academicos de Paris accusaram 
Faretière de Ibes roubar os seus traba- 
Ihos; 

Cajot argue J. J. Bousseau de ter pla- 
giado livro Da Educagào ; 

Charles du Rosoir accusa de larapios 
Voltaire, Montagne e Charron; 

La Harpe fulminou os plagiatos de 
Comeille ; 

bispo Cenaculo accusa fr. Manoel 
dos Santos e Manoel de Parìa e Scusa 
de plagiarios de fr. Bernardo da Cruz ; 

José Feliciano de Castilho diz que o 
padre Joào de Lucena se apropriou frau- 
dulentamente do manuscripto das Pere' 
grinaqòea de Fem&o Mendes Pinto ; 

Alexandre Herculano accusa Galyfto, 
e Buy de Pina, e Acenhciro de terem 
espoliado as primitivas chronicas manu- 
scriptas de Fernào Lopes. 

Alguem sahiu centra estes doutos 
malsins de ladroes chamando-lhes torpes 
denundantesf 

plagiato é que é torpeza ; e o doesto 
que me atira o snr. Sergio deixa de ser 
um convicio para se amrmar em mera 
parvoice. 

Repugna-lhe, outro sim, que eu me 
refensse ao snr. Oliveira Martins cha- 
mando-lhe um, com desdem, e concine 
ou que eu nào ihe entendi os livros, ou 
que o meu desdem assenta em cousa 
peor. E diz : Como o snr. TheophUo Bra- 
ga e o snr. Adolpho Coelho e o snr, Joa- 
quim dos Musicos, e outros muitosfallam 
htm do author do Hellenismo, o snr. Ca- 
millo considerou^se constituido na ohriga- 
Qào de dizer mal. 

N&o soube qae disse o snr. Sergio 
de Castro. 

Vou lembrar-lhe uma duzia de amabi- 
lidades que o snr. Theophilo Braga en- 
via ao snr. Oliveira Martins, author de 
um livro chamado Os Lusiadas, etc. ^. 

livro do snr, Oliveira Martins divi- 
de'Se em cimo capitulos.,. escriptos n'a- 
queUe estylo apopletico usado por Victor 
Hugo no estudo de Shakespeare... n'esse 

^ Veja Bibliographia critica da historia e lit- 
teratura. Porto 1875, pag. 70-84. 



tom vacillante de quem se ewsosta aos ctd^ 
jectivos para dar fórma grammaUcal a 
um periodo que nào tem idèa. 

2.» 

snr, Oliveira Martins nem pélo es^ 
tudo nem pelo seu desenvdvimento intel» 
lectual estava ainda apto para eserever 
Os LnsiADAs. 

3.» 

Depois d^isto fcHla^nos o snr. Oliveira 
Martins nas epopéas da India e prorom- 
pe com este monumentai disparale histo- 
rico, etc. 

4.» 

Sem idéas definidas sobre historia ou 
sobre origens litterarias, o snr. Oliveira 
Martins atropdla as descobertas da sden- 
cia, etc, 

5.» 

Faltam4he as minimaa nogSes de histo* 
ria litteraria. 

6.» 

Podemos conduir que ente primeiro co- 
pitulo è mal escripto sobre riào ter sido 
pensado ; è um pastd d^ idéas de Taine e 
de Lavdleye com aproximagdes de Quinet 
e lugares commims. 

7.» 

Passemos um trago sobre estas palavras 
injustas dictadas pda ignorancia, 

Nào contente com estas opinides cerebri- 
nas, diz-nos para cumulo de pasmo, que 
« Camdes tinha o typo das mulheres de 
Ovari» Céos, bem haja a tua magnificen- 
eia que sem adubos crias tao espontaneas 
vegetagdes t 

9.» 

Levado pda imaginagào atirou-se de 
encontro a um sedeiro; a intengào era 
boa; mas (empregando uma locugàopopu- 
lar) querendo benzer-se, quebrou o naris, 

10.» 

Nunca um principio insensato foi mais 
espremido a dar as ultimas consequen- 
das. 

11.» 

Um livro que offerece estas qualidades 
póde^se dizer franccmiente que nào presta. 



ERNESTO CHARimON, EDITOR 



131 



12.» 

^ E isto que dà a litteratura do folke- 
tim e da (icademia, quando pretende par» 
ticipar da daboragào scientifica cujo espi- 
rito nào comprehende, 

Até aqui Theophilo. Agora urna so 
amabilidade de Adolpho Coelho que vale 
por todas do seu confrade. 

1.* E UNICA 

snr. Martina toma o mythico Eacvla' 
pio, a concepgào anthropomorphica das 
for^ vivas da natureza sa (Prdler) por 
um personagem hiatorico corno Hypocratea 
e Galeno, cujoa eacriptoa chegaram até 
nÓ8, mostrando assim uma ignorancia 
maior que a de qualquer estudante de la- 
tim que le o seu Chompré. Vè^e que é 
ahsolutamente impossivel tornar a serio o 
seu livro, onde o author mostra que nem 
sequer aspirou a seguir o bom caminho. 
Se nào fosse a incapaddade do publico 
em julgar estas obras, pediriamos ao snr, 
Theophilo Braga que reduzisse este seu 
artigo a um quarto para nào gastarmos 
tantas paginas da nossa revista com ruins 
obras i. 

Nào sei o que disse do sor. Oliveira 
Martins o snr. Joaquim dos Musicos, 
idiota irresponsavel e tolerado em letras 
e artes. Se elle arreatoa com Joaquim 
Theophilo e com o outro n*estas admira- 
Qoes, a glorifica^Slo do author do Helle" 
nismo é perfeita. 

Dir-me-ha agora o snr- Sergio e quem 
isto leu qual é mais aggravante para o 
snr. .Oliveira Martins — esse estendal de 
detracQOGS rusticas que ahi fica, ou eu 
chamar-lhe um? Eu por mim preferia 
que me chamassem um, e talvez antes 
quizesse que me chamassem nenhum, 

Jà ve pois o critico do Oaneionei- 
iro aleg'ire que eu nào desfavoreci o 
snr. Martins porque os snrs. Theophilo e 
Adolpho Coelho o favoreceram. Achei es- 

i Obra oit.| pag. 77, nota. 



tolida a compara9ào do snr. Junqueiro 
com Jesus Christo, posto que a percebi 
nitidamente, se nào mo engana a vaida- 
de. snr. Martins compara o snr. Gt, 
Junqueyro a Christo na evoluQào ideolo- 
gica do progresso : Jesus corno emissario 
da lei nova, Junqueiro comò installador 
da nova poesia — ambos Messias. E o 
snr. Junqueiro, tao enaltecido nacompa- 
ra^ào, nem por amor de si mesmo hesi- 
tou em comparar materialmente o Chris- 
to a um cào : 

E rafeiro sublimo, impassiyel, sereno, 
Lan^aya o grande olhar &s negras troras mudas, 
Gom aquella amargnra ideal do Nazareno 
Recebendo na face o oscnlo de Judas 1. 

Quiz o snr. Sergio inculcar que a mi- 
nha crìtica nào era um acto de justi^a 
espontanea, mas sim o artificio violento 
de odios pessoaes. Semelhante insinua- 
9ào é uma brejeirice aggravada por igno- 
rancia impia dos evangelhos do philisteu 
snr. Theophilo & C.» 

Mas em que maculei eu a virgindade 
litteraria do snr. Oliveira Martins ante- 
pondo-lhe o a^jectivo numerai um? Ca- 
moes, cantando de Nuno Alvares, de 
Egas Moniz, de Fuas Roupinho, e de 
Duarte Pacheco Pereira, disse : 

Por estes vos darei um Nuno fero 
Que fez ao rei e ao reino tal servioo; 
Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero 
A clthara para elles so cubico; 



Um Pacheco fortissimo, etc. S 

E por causa d^este um, o snr. Sergio, 
parvoeirào comò tres, chama-me j?ec^n^e. 

Nào conhe^o palavra assàs agu^ada 
com que possa despicar-me d*este si^ei- 
to. Se eu confìasse na desforra da lei, cha- 
mava-o à policia correccionai. Mas o 
melhor de tudo, snr. Sergio, é a receita 
de Garrett : 

Em paz e ds moscas, 

CommUo CobAUC^ ^tOMGO. 

1 A musa wnfirioB, pag. 157. 
^ IrtM., cant. I, est. xu e xiv. 



X>£3 :R£33S^[XSSj^ 



Coimbra, em quanto nào exporta me- 
loes de pataco, vai ezportando criticas 
de 30 reis. No Tribuno Popular, de 24 
de maio (mes fatidico I), come^ou o snr. 
Luiz Silva Gaio a sua crìtica mordaz do 
Caneionelro aleg'ire, ao qual 
chama « arroto » . Se Ihe chama ar roto, 
era peor. Recommendo-a à curiosidade 
do meu paiz, abalado pelas grandes con- 



yulsoes litterarìas do Cancioneiro e do 
Almanach das senhoras, snr. Gaio ba- 
de ter a bondade de esperar. Nas ulti- 
mas vassouradas d'està cavalharica de 
Augias, a sua critica ha-de ter o iugar 
competente no monture. 

Camillo Castbllo Bbanoo. 



132 



BIBUOGRÀPHIA POBTUOUEZA E BSTRANOEIRA 



NOVO LIVRO 



DM 



Ainda os leitores nfto terminaram a 
leitura dos esplendidos commentarios com 
que mais feoundo e robusto escri« 
ptor portuguez contemporaneo esmaltou 
o Cancioneiro aLegre, essa feliz compila- 
c&o de versos, umas vezes scintillantes 
de talento, oatros pardaoentos de estul- 
ticia, mas sempre incitadores da garga- 
Ihada, quer os destinados a fazer onorar, 
quer mesmo os esoriptos para fazer rir, 
e jé. Ihes podemos annunciar a apparÌ9ào 
de um novo trabalho tao originai e vivo 
comò aquelle e, litterariamente, do mes- 
mo se nào de maior valor. 

novo livro de Camillo intitular-se- 
ha HUtoria e sentimentaliamo e està son- 
do impresso com toda a actividade e re- 
conhecido èsmero na grande casa editora 
de Emesto Chardron, a primeira de Por- 



tugal e uma das mais importantes da pe- 
ninsuia. 

Na primeira parte trata-se de algans 
pontos obscuros da historìa do prior do 
Grato, assumpto multo desourado até 
hoje pelos nossos historiadores e pouco 
sabido até dos mais versados em historìa 
patria. 

Na segunda, Sentimentalismo ^ ha al- 
guns pequenos romances notaveis tanto 
pelo cngenhoso enredo comò pelas gra- 
9as do estjlo, sobresahindo a estes um 
da escóla realista intitulado Eusebio Ma^ 
cario o qual é um primor de graQa. 

Aguardamos, com alvoro^, a publica- 
9SI0 de mais està obra prima de Camillo, 
sentiudo verdadeira satisfa^iU) em po- 
dermos annuncial-a desde jà aos nossos 

leitores. {Diario Illuttrado,) 



EDITOR 



Bibliotheca illustrada • de instrucgào e recreio 

I^REMIOS FARA CIMAJV<PAS 

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Cozn. Q-x'a.'vxxx'a.s coloz*id.a.s 



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Historìa da barba azul. 

A prtnceza encantada, 

A vdhinha que morava n^um sapato, 

A casa de Joào Batào. 



A marna, 

tareco de botas, 

A gota borralheira, 

A menina e lobo, 

O cysne dos ovos d'ouro* 



A venda joA Xdiriraria 



A 300 REIS FOLHBTO 

moleiro furibtmdo, 

de lElRlSlEi&rrO 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



133 



CODIGO GIYIL_MNOTADO 

CODIGO CIVIL PORTUGUEZ 

APPROVADO POR CARTA DE LEI DE 1 DE JDLIIO DE 1867 



eom reféreneias, em seguida a cada artigo, aoa artigoa do rnesmo eodigOi 

aoa do codigo de processo civili 

aos da lei hypctheoaria cte 1 de julho de 1863 

e aos pnblioados na Beviata de Legiaìa^ e JuriaprudMcU» e DirtUo 



POS 



pASPAR LOUREIRO D'^LMEIDA CaRDOSO p*AÙL 

coic vU 

APPENDICE AO MESMO CODIGO 

Contendo a legrisla^So vigente e correlativa, 

o regrulamento do registo predial e leglsla^ào respeotiva, 

a lei da eìtinoQào dos juizes eleltos le crea^ào dos Jolzes ordinarioSf 

a lei e regulamento 
da calza geral dos deposltosi com os respeotlvos modèlOB, eto. 

MINKIOSO REPORTORIO AlPHABETICO 

COORDENADO PELO ANNOTADOR 



Para se apreciar o merito d^esta edi- 
9IU), basta lér attentamente o seu tìtulo, 
pelo qual se ve quanta importancia e 
utìlidade teem as annotaQoes indicadas, 
que facilitarào mnitissimo o estado do 
Codigo Oivil. 

Além da legÌ8la9&o refenda, corno a 
contida no A-ppendiee» tem mais o 
Begulambnto do bboisto oivil, e, no tex- 
to, a LEoiBLAglo, que modificou, alterou, 
corroborou ou interpretou muitas disposi- 
9oes do mesmo Oodigo. 

Todos OS que vivem do fòro sabem de 
sobejo quantas difficuldades Ihes embar- 
gam o passo muitas vezes na applicatilo 
do direito oivil, pela discordancia ou an- 
tinomia que se eitcontra entro muitos ar- 
tigos do Oodigo Oivil. Explanar parte 
d'essas difficuldades, eis o fim que teve 
em vista o annotador, ao dar-se ao im- 
probo trabalho de annotar e coordenar 
està edi^ào. 

E de todos reconheeido o merccimento 
das doutas opinioes das illustres redac- 
9oes da Beviata de Legislagào e JurisprU" 



dencia, de Coimbra, e do Direito, de Lis- 
boa, e peso que essas opinioes teem pe- 
rante os tribunaes ; e facilitar, portante, 
a busca d'essas opinioes, com oujo esta- 
do se aproveita multo, eis o porquè o 
annotador fez em cada artigo aa respe- 
ctivas referencias. 

Està edÌQao, preferivel às que se teem 
publicado até hoje, é d'uma incontrasta- 
vel utilidade, nào s6 para todos os func- 
cionarios publicos e pessoas que lidam 
no fóro, ma& tambem para as pessoas 
das demais classes sociaes, que devem 
saber o direito civii patrio, visto que o 
pretexto da ignorancia da lei a ninguem 
exime do cumprimento daa óbrigagdea, que 
ella Ihe impde. 

Dizendo que està edi^ào é de proveito 
commum, ainda assim chamamos para 
ella a atten^ao dos reverendos parochos, 
a quem interessa saber a legislagào que 
Ihes respeita, tanto àcerca de suas con- 
gruas, comò do registo ecclesiastico, le- 
gislagào que enoontrarào em notas nos 
artigos respectivos. 



1 voi. de ©00 pcigr* lt>r. lAoOO — I*elo correlo. • l^^'^OO 
Sucadernado. • • • • • 9|lOOO — X'elo oorreio. « ^Q^^lOO 



134 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



ikoa1>a de isahii* A luast 



MANUAL DO RECORRENTE 



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GAUSAS CIVEIS 



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Deduogio Bystematiotf das dlsposiodes do Oodiffo de Processo Oivll, 
attinentes aos Embargos, &s Sentente e Accordàos, 
às Appellaodes, aos Agrerravos» &b Cartas testemonliaveis, 
as Bevlstas e aos Beonrsos & Coròa 

PARA UTILIDADE E USO DOS QUE FREQUÉNTAM O FORO 

POS 

GASPAR LOIIREIRO D'ALMEiDA GARDOSO PAUL 

COM UM APPENDICE 

Conttndo a tabella do» emolummioa « saìarios judieioit, no» proeetto» 

dvei» e orphanologieo»f 
approvada por lei de 19 de abril de XS77 

1 irolume OOO i*eto 



Acaba de sahir do prélo està obra, 
que muito utilisarà a todas as pessoas 
da justi^a e mesmo aos que, leigos na 
materia de processo oivil, frequentam os 
tribunaes civis. 

A materia nào é nova, porque é sim- 
plesmente a lei do processo, e nào deve 
pois por esse lado avaliar-se o que vale 
este Marmai ; por quanto o seu verdadei- 
ro merito consiste na fórma systematica, 
adoptada pelo author, com a unica inten- 



9ÌL0 de facilitar, pela concatena^&o das 
diversas disposì^oes sobre processo, a 
.materia dos recursos, t&o frequente no 
fóro judidal, comò dissemìnada no Codi- 
go de processo cìvil. 

Editando o Manual do recorrente, 
tivemos em vista a utilidade que advem 
de tal publica^ào aos lidadores forenses, 
cuja benevola aoeita^ào esperamos me- 
reoer. 



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da reforma judusiaria postenor, deaignadamente a lei de 16 de abril de 1874, 

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EstiU) publicados doas volumes d^esta 
excellente bibliotheca. primeiro con- 
tém alguns dos mais notaveis discurBoa 
de Elmilio Oastella.!*; o se- 
gundo, 08 dos principaes patriotas por- 
tuguezes de 1820, taes corno Soirg^es 
Oameiro, IFernaiMies Tlio- 
ixkax9 Pei-eiira. do Oairmo e 
j4.g'Oi8t;iiil]io «José !F*i:*ei]re. 
Cada um d*estes oradores é precedìdo 
d'urna Qotioia Inographìea e o livro abre 



oom urna carta politica, dirìgida aoezc.i°o 
snr. conselheiro Adrìano Machado, na 
qual se faz urna apreoia^^fto do estado 
actaal da politica portugueza. 

Està no prélo o terceiro volume quo 
conterà disoursos de Passos M!a.- 
noel, precedìdoB do retrato e da bio- 
graphia d'este grande bomem, de «Jos<3 
!E2festeva.o, IRoéLtrlga da Fon- 
^eea Miag'allna.es» etc. 



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ISug-eiiio Ohavette. — Chiffard, a peccadora 2 » 

Paulo Sauni^i-e. — senhor de Barba Azul 2 » 

F. Zaceone. — homem das multidoea 

!X. de l^oii'tépin. — palacio dos phantasmas 

Olnairles de Sei:*]i.a]r<l. — As azas de Icaro , . . 

H. lEIseoflleiT. — manequim 

-AJ-exandire Dumas. — A ilha de fogo 

'Fm Soulié. — casal das giestas 

^dolfb Selot. — O artigo 47 

O-ouzales A Mioléiri. — Os sete beijos de Buckingham 

'Xlàeodoiro Griierrer o. — Heroes e Martyres 

"F^nnllio Gral>oi*iau. — desmoronar do imperio 

— A ca9ada aos milhoes 

Oliairles Desly'S. — juramento de Magdalena 

Q-us'tavo I>]:"ouiii.eau. — Irmào e marido 

Olemeuee !Bol>ei*i^ — poeta da rainha 

Grou<li'eeou]:"'t;* — Brancos, pretos e ipsilatos 

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r mm, guiluro s c 

ÉDITEURS — PAEIS 



Firaneiseo Solano Oon.s'taii.eio. — Historia do Brazil desde 
seu descobrìmeiito por Fedro Alvares Cabrai, até à abdica9ào do im- 
perador D. Fedro i. 2 voi. encad 2^1400 

Ooimelio 1?aeito. — Annaes traduzidos em linguagem portugueza, 
por José Liberato Freire de Carvalho. 2 voi. encad 2^00 

Pauliuo de Sousa. — Os Lusiadas, poema epico de Luiz de Ca- 
mdes. Nova edi§ào correcta. 1 voi. encad 2iff000 

Gromes [EIaii.ii.es de A^ui:*ai:*a. — Chronica do descobrimento 
e conquista de Guiné. 1 voi. encad 6]^00 

X^a Fou'tain.e. — Fabulas, traduzidas em verso portaguez, com a vida 
de La Fontaine, por Francisco Manoel do Nascimento, 1 voi. encad 1|^200 

Feimaud d'A.zeT'edo. — Les Lusiades do Camoens, traduction 
noavelle, annotés et accompagnées du teste portugais. 1 voi. encad 2M00 

Mianoel Odoirieo ]!^eii.des. — Eneida brazileira ou traduc^ào 
poetica da epopèa de Fublio Virgilio Maro. 1 voi. encad li^*200 

«Jaeiutlio IFreire de ^ii.di:*ade* — Vida de D. JoSo de Cas- 
tro^ 4,0 viso-rei da India. 1 voi. encad 800 

P.® Antonio Vieira. — Cartas selectas. l voi. encad 1^000 

X^eal eonsellieiiro, o qual fez Dom Duarte, seguido do livro da 
ensinau^a de bem cavalgar toda sella. 1 voi. encad biXiOO 

Pajraaiso lusitano ou poesias selectas dos authores portuguezes 
antigos modernos. 6 voi. encad 3^00 

X venda na Livraria CHARDKON 



140 



BIBLIOGRAPHU PORTUOUEZA E ESTRANOEIRA 



A GIYILISACAO CATHOLICA 



PUBLICAgAO MENSAL 



PELO 



pR. JLiUIZ jVlAI^IA DA JSlLYA RaMOS 

LUTTI OATHVDBATIOO DA FAOULDADB DS TBCOLOOIOA HA UNIVBRSIDADE DB COUIBRA 



Qae poderemos nÓ8 dizer em abono de 
urna publicac&o que defende nma ban- 
deira, sob a qnal mUitamos tambem, em- 
bora entre os obscuros soldados das ulti- 
mas fileiras? Qae causa t&o bella é essa 
que attrabe irresistiyelmento, n&o bó os 
talentos prìvilegìados, as realezas da 
Bcìencia, mas os humildcs peoes, que so 
tem nm cora^ào para amar e um peito 
para offerecer em defeza do seu ideal — 
o bem? Sim, o bem social, o bem indivi- 
duai, a barmonia e a paz dentro da es- 
pbera da verdade : eis a meta para que 
caminham todos os loucos d'està cruzada 
impossivel ; eis o iman que attrabe as de- 
dica^oes desinteressadas dos voluntarios 
do esercito de Deus e da Igreja. 

Para ser lida pela mocidade sedenta de 
saber, mas civada de preconceitos, que 
frequenta a nossa universidade, foi que 
o illustre lente de tbeologia fundou a sua 
re vista, o que equivale a atacar o iuimi- 
go nos seus mais temivcis entrincbeira- 
mentos. Todos os problemas de socìalo- 
gia, todas as argui^oes pseudo-scientifi- 
cas que se fazem à Tgreja ; a geologia, 
a antnropologia, a cosmogonia e entogra- 
phia, as sciencias antigas e as sciencias 
modernas, todas tem cabimento n'aqucl- 



las paglnas, todas anxiliam com as saas 
descobortas, com os seus principios esta- 
belecidos, com as suas deduc^oes, com os 
seus proprios absurdos e sopbismas,ade- 
monstra^ào evidente, irrecusavel, da di- 
vindado do catholicismo e por consequen- 
cia da sua missào essencialmente benefi- 
ca e civilisadora no mundo social. Como 
as suas irraS.s Civiltà Cattolica, de Fio- 
renza, a celebre revista dos padres je- 
suitas e La Civi'ieacion Catolica, de Ma- 
drid, tem em vista defender a Igreja no 
campo scientifico em que a atacam as pu- 
blica^oes do genero da Eevue dea deuxa 
mondes e sìmilares. Bem haja o valente 
campeào da civilisa^ào, unica verdadei- 
ra e boa — a civilisa^ào catholica. D'aqui 
ihe apertamos a mào,nÓ8 que nos honra- 
mos de ser admiradores sinceros dos seus 
triumpbos e provado talento. 

Àos homens de instrucQ&o, que estSo 
na altura de apreciar a importancia d'cs- 
tas discussoes, apertadas cstreitamente 
no campo tbeorico,recommendamo8 a lei- 
tura dos numeros que estao publicados 
para se convencerem de que nào exage- 
ramos no que escrevemos. 

(Da CivUUcui&Ot de Ponta Delgada). 



MANOEL FBLIPPE COELHO 



Eefuta^ào das principaes objec§oes d'alguns protestan- 
tes contra a instruc§ào pastoral do exc."''' snr, D. 
Americo, bispo do Porto, sobre o Protestantismo. 



iPre^o 5200 reis 



mm 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



Ois a^moires de T>* «Jiia.ii. 

Sxtraeto do immortal poema de lord By- 
ron, por Jo&o Vicira. 1 voi 400 

A.'Mn.€>:xTe» do I>ia.l>o 

Etomanoe por J. Cazotte, precedido de 
sua Vida, processo, prophecias, e re 
vela^oes por Gerard de Nerval, vertì- 
do em linguagem por Camillo Castello 
Branco. 1 voi. 500 

.^n.'tli.ei-o de Quental 

Odes modernas. 2.» edìcào, contendo va- 
rias composi^oes ineditas. 1 voi. 400 

Considera^oes sobre a philosophia da 
historia Utteraria portugueza (a pro- 
posito d'alguns livros recentes). 200 

AjwM.^'a.»±o Xjueio da, Silva. 

Impressòes da natareza. 1 voi. . . . 500 

!Bei:%Ja.iiiiii Ooiista.]it 

Aprender na desgra9a alheia, traduc^&o 
de Lopo de Kousa, precedida d'um 
Jmzo critico por Gustave Plancbe. 1 
voi 400 

Oa.i«illlo Oastello Si*aiieo 

A freira no subterraneo, romance bisto- 
rico, 2.* edi§ào. 1 voi 500 

Mosaico e silva do curiosidades bistori- 
oas, litterarias e biographicas. 1 vo- 
lume 500 

Bibliotheca d'algihtira, Noìtes de insom- 
ma. 12 voi ; 2|;400 

C/a.irta. de g'uia de casados 

Para que pelo caminbo da prudencìa se 
acerte com a casa do descan^o, a um 
amìgo por D. Francisco Manoel. Nova 
edi^&o com um prefacio biograpbico, 
enriquecido de documentos ineditos 

f)ov Camillo Castello Branco. 1 vo- 
ume 360 

Oa49Ìiiiii*o J. IML. d'A.l>i:*eu 

Obras completas, coUigidas e annotadas, 
precedidas d'um juizo critico dos es- 
criptores nacionaes e estrangeiros e 
d*uma noticìa sobre o autbor e seus 
eseriptos por J. Norberto de Scusa e 
Silva. Nova edi^&o, ornada com o re- 
trato do autbor. 1 voi 500 

Oanstlllio (Viseonde) 

Theatro de Sbakespeare. 1,^ tentatìva. 
Sonbo d'uma noite de S. Jo&o, drama 
em 5 actos e em verso. 1 voi. . . 600 



^médée ^eliax-d 

Como as mulberes se perdem,traducc&o 
de Lopo de Sousa. 1 Voi 500 

A vergonba que mata, traduc^&o de 
Lopo de Sousa. 1 voi 500 

Olemenee !Bol3eirt 

tribunal secreto. 2 volumes com es- 
tampas liWOO 

Oiinlia T'ianna. 

Relampagos, com um prologo por Jo&o 
Penha. l voi 400 

A^ X>e1>a,7' 

Pbysiolog^a do matrimonio, bistoria na- 
turai e medica do bomem e da'mnlber 
casados, traduzida da 62.& edi^ao^fran- 
ceza por A. J. ^, Reis. 2.» edi^Slo. 1 
voi 11000 

r>itos da. Fx-etra. 

(d. joànna dà oàhà) 

Conforme a edi^ào quinbeotista, revis- 
tos por Tito de Noronha. 1 voi. 400 

E. Cartellai* e B. JPato 

A capella sixtina. — cemiterio de Pisa. 
1 voi 300 

Episodio da. siiei*i:*a. oìt^I 

A Maria da Fonte, por Miguel J. C. 
Mascarenbas. 1 voi 500 

Ei*iiesto Pinto d'^lmeida 

Olympia. 1 voi 400 

IF. Xavier de IN'oT'aeis 

Poesias. 1 voi. - 1,^;000 

Poesias postbumas. 1 voi li^OOO 

F. Gromes d'w4.iiioi:*liii 

Versos. — Cantos matutinos. 3.» edic&o. 
1 voi 800 

A. GronpalT^es Dias 

Poesias. b.^ edi^&o, au^mentada com 
muitas poesias, inclusive os Tymbiras, 
e cuidadosamente re vitata pelo dr. J. 
M., precedida da biograpbia do au« 
tbor, pelo conego dr. J. C. Fernandes 
Pinbeiro. 2 voi 2,J00O 

A.. I>el>ay 

Arte de conservar a belleza e a saude 
traducQào de A. A. Leal. 1 v.^ 




i 



BIBU06RÀPHIÀ PORTUGUEZA E BSTRANOSnU. 



Arte de descobrìr as agoas em toda a 
qnalìdade de terreno, sem auxilio dee 
vedores. 3.» edì^ào 120 

«ToaquiiuL de Vaseoneellofli 

Os masìcos portuguezes. Biographia — 
Bibliographia. 2 voi. in-8 o gr. 2MO0 

J* A^ostiiilio de IMCacedo 

Obras pcetìcas, contendo: A natoreza, 
poema. — A medìtagào, poema. — New- 
ton, poema. — Viagem extatica ao 
tempio da sabedoria. — Biographia, 
por J. L. Carreira de Mello, seguidas 
d'um catalogo alphabetico de tcKtas as 
8uas obras. 6 voi. in-8.o. ..... 1|^40 

«Julia de IFeirtiault 

A felieidade na famìlia, eartas de uma 
mai a sua fiJha, traduc^ào de Alfredo 
Pimenta. 1 voi 500 

«Tulio Oesa.!* M:a,elia.do 
e XHnlneif o Oha^ais 

Fora da terra. Caldas da Rainha — Fes- 
tas da Nazareth — Leiria e Marinha 
Grande — Ciatra — Bassaco — Bom 
Successo — Pa9o d'Arcos — Espinho. 
1 voi 500 

«Tulio TLieirmiua. 

Os lobos de Paris, versSo de Loiz Bote- 
Iho. 3 voi 1^500 

MiemoiricMS 

De frei JoAo de 8. Joseph Queiròz, 
bigpo do Grào-Parà, oom uma intro- 
duoQào e muitas notas illustrativas, 
por Camillo Castello Branco. 1 v. 500 

Octave Feuillet 

Os amores de Philippe, ÙEaduc^&o de Pi- 
nheiro Chagas. 1 voi 500 

Julia de Trecoeur, traducQào de G. Bor- 
ges d*AveiÌar. 1 voi 300 

Poesia^ e pirosas inetta» 

De Femào Rodrigu^ Lobo Soropita, 
com uma prefa^ào e notas por Camil- 
lo Castello Branco. 1 voi 500 

Pousou du 'I*ein*all 

O sem- ventura, romance primorotamente 
illustrado. 2 voi li^200 



Scenas da vida de bohemia. l voi. 600 

O Pirodlflfio na,s sa^/as 

Manual de prestidigita^fto, ornado de 
numerosa! estampas, o mais curìoso e ^ 
completo que se tem pubi i cado n'este t 
genero, por David de Castro. 1 vo- 
lume 600 

Ramallio Ox-^i^ao 

As Farpas, ehronica mensal da politica, 
das letras e dos eostumes. Cada nu- 



mero 

Em Paris. 1 voi 



Soaireis Romeu 

Recorda9oes litterarias. 1 voi 

1?làeopliilo Bi-si|s«i, 

Visao dos tempoB. 2.* edi^ào. 1 v. . 

Torrentes. 1 voi 

Folhas verdes. 2.» edi^ao. 1 voi. 
Historia da poesia popular 

portugueza .i 

Cancioneiro popular ) 4 v. 

Romanceiro geral i 

Floresta de varios romances. / 
Estudos da idade mèdia. 1 voi. . . 



200 
500 



500 



500 

eoo 

€00 



2,1000 



600 



m 



Tito de IVopouka 

Passeios e digressoes. 1 voi 

Vida de I>. j^.m>iiso V 

Escripta no anno de 1684, com um pre- 
facio, por Camillo Castello Branco. 1 
voi 400 

Gruerra «Tuuqueiz-o ' 

crime (a proposito do assassinato do 
alferes Brito). 1 voi 200 

Victoria da Franca. 4 de setembro de 
1870. 1 Folheto 100 

«T. d'.AJ.eitea]? 

sertanejo. 2 voi i^^ 

As minas de prata, romance. 8 v. 3ifOO0 

M:. a. ^l^ai-es d'Azevedo 

Obras poeticas, precedidas do juizo cri- 
tico dos escriptores nacionaes e as- 
trangéiros e d'uma noticia aobre o au- 
•thor e suas obras, por J. Norberto de | 
Sousa SUva. 4.» edi^ào, intei»atoente 
refundida e mugmentada. 3 Volume» ^ 
ìn-8* 2|00f^ 



Am 



Porto : 1879 — TypQffrapbU de Antonio Jote da SUva 



Telxeira, OanMlU Y^alba, 61 f 



-^-- 



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LIVROS DE JURISPRUDENCIA E MATHEMATICA 



1 .^ Anno 



1879 



Numero 8 




BIBLIO&BAPHIA 



V. 



J^ORTUGUEZA E J^STRARGEIRA 



12 



, 500 REIS 



RUY DA CAMARA 



VIAGENS EM MIIIIIOCOS 

(ILLUSTRADAS) 

1 volume, IjjSOOO reis 



SOMMARIO 

Os eontira.fae'toires do IBiraxìl, por M. Pinheiro 
Chagas. — I>a pi:*oprte<la.<le litteraa-ia., por Vi- 
cente Machado de Farla e Maya. — Ob cirltlcom do 
Oa.]i.eioii.eix*o w4.1eg^]:*e, por Camillo Castello Branco. 
— Sen'timeii.'taJLi'gjiiio, pelo mesmo. 



W N^M-^lll'^^JlI '"^■"Vll'^W ^^.^ "^ ^^11^^ l^^lll*^! H^^ll'^^l ^^ll- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 




LIVROS DE MEDICINA, CIRURGIA E PHARMACIA 



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;5>. 

oo 

co 
oo 



oo 

CTJ 



co 



CD 




ERNESTO CHARDRON-EDITOR 



PORTO E BRAGA 



UVEOS UTEIS E INSTRUCTIVOS 



Gaspar Paul 

Codigo Givil annotado. 1 voi. 1^700 

Encadeniado 2^000 

Manual do recorrente. 1 voi. 000 

■''ranciffco Antonio ¥eiga 

O diretto ao alcance de todos, ou o 

ad vogado de si mcsmo. 1 v. 2^000 

Codigo de processo civil. 1 v. 700 

Dr. CouAtantin Giiillanio 

O medico de casa. 2 voi. . .. 1^000 

I«uIb Fif^alcr 

As grandes invcn^Ses. 1 voi. 3^000 
Cartonado 3^600 

Frei Domlnsos Wlcira 

Grande diccionarlo portugiiez. 5 

voi 25^000 

Eneadernado SoJoOO 

Camillo CaMtcllo Branco 

Diccionarlo de educa9£o e ensino. 
2 voi 6^000 



A. de Sonna Fisaclrcdo 

Manual de arl»oriciiltara. Iv. 2(9000 

¥ilhena Barbosa 

Estudos historicos e archoologrieng. 
2 voi 1^200 

Aso«(lnlio da Uliva ¥lelra 

Thesooro inesgotavel. 1 voi. 1^000 

Charbonneau 
Corso de pedagogia. 1 voi.. 1^000 

Jarqnlnel 

Quadros do mtindo physieo. 1 v. 500 

Def^rani^e 

Escriptura^ao. 1 voi 1^500 

Almelda Outclro 

Escriptura^Ho. 1 voi 1^200 

Baposo e Dias 
Arithmetica commercial. 1 V. 1^500 



Forjas 

Annota^Ses ao Codigo do «oniinfìr- 
oio. 4vol 6«$iO00 

iV. J. Tinto Coelho 

Os Bancof em Portugal. 1 v. SOO 
ron«elho d'asrlcaltiira 

Agricultor do Norte — l.o e 2.*» 
annos 6^000 

PInheiro Chanaa 

Historia de Portugal. 8 voi. 8/jOOO 
Diccionarlo popular. 5 voi. 15^000 

Adolpho Coelho 

Questoes da lingua portugneza. 1 
voi 2^500 

Ferllaull 

Felicidado na famllia. 1 voi. 500 

iV. IN. F. de Magalhjlea 

Arte do descobrir aguas. 1 y. 120 



EDUCAglO E ENsmo 



S» Jk, Wleira da Crnx 

Grammatica da lingua franceza. 
1 voi 600 

IN. do IVa«ciniento e 
Wobrega 

Methodo da lingua ' francoza. 1 
voi 1^000 

Almelda Ribeiro 

Grammatica franceza. 1 voi. 200 

Ollcndorir 

Methodo de franeez. 1 voi... 1^000 
Methodo d'inglez. 1 voi iJ^OOO 

Uartt INIIner 

Grammatica franceza. 1 voi. 800 

Ahn 

Methodo de franeez. 1 voi.. . 500 

Methodo d^ inglez. 1 voi 700 

Methodo de italiano. 1 voi.. 500 

iSousa Plnto 

Diceionario portufiTuoz-franeez e 
vice-versa. 1 voi. cart. .. . 1 1^200 



Bapuso Boteiho 

Geograpbia geral. 1 voi 600 

Arithmetica pratica. 1 voi. carto- 
nado 600 

Theoremas. 1 voi 240 

Chorographia portuguéza. 1 volu- 
me 200 

Com mappas 320 

100 probleraas com as reso- 
Iu95e8. 1 voi 200 

Silva DIas 

Arithmetica e sjstema metrico, pa- 
ra uso da s escólns 200 

Quadro colorido dos pesos e medi- 
das 400 

Envemizado e com paus. . . . 1^200 

Bapono e Dlaa 

Desenho linear geometrico. Pri- 

meira parte 600 

Segunda parte 900 

Sal^cy 

921 problemas resolvidos. 1 v. 600 
Borges d^Avellar 

Nova selocta ingleza. 1 voi . . 600 



Dlogo IVunen 

Thooremas e problemas. 1 v. 400 
Trigonometria reetilinea. 1 volu- 
me 300 

li. de Scusa Goniea 

Enunciados de 1:500 problemas. 1 
voi 300 

M. J. P. 

Pontos para o curso de portuguez. 
1 voi • 240 

* * * 

No^Ses d^agrieultura. 1 voi. . 250 
Projecto para a reforma do ensi- 
no. 1 voi .'. 4J0O 

A. Wleira Lopes 

Conversaf^ portugueza-itallana. 
1 voi. cart 500 

M. Bernarde* Braneo 

Diceionario portnguea e latino. 1 
voi. eneadernado 2^9500 



I.» ANNO 



1879 



N.» 8 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



folhetim que hontem publicàmos, 
extrahido do jomal bibliographico pu- 
blicado pelo snr. Chardron, e devido 
à penna brilhante de Camillo Castello 
Branco, enceta urna campanha a fa- 
vor dos direitos da propriedade lit- 
teraria dos escriptores portuguezes 
odiosamente violada no Brazil. Acom- 
panhamos o nesso grande escriptor 
na lucta justissùna que enceta, e por 
isso reproduzimos um artigo que ha 
sete annos publicàmos no Echx) Ame- 
ricano e que trata do mesmo assum- 
pto. 



facto a que nos referiamos n'es- 
se artigo aggravou-se depois. Hoje a 
Morgadinha tem side representada 
nào setenta mas setecentas vezes no 
Brazil, sem que o author tivesse d'es- 
sa gloria outras informapoes que nao 
fossem OS annuncios e noticias dos 
jomaes brazileiros. Por isso elle em 
tempo disse, referindo-se ao snr. Fur- 
tado Coelho, nao sabemos jà em que 
jomal : « Coelho sera elle, mas Fn/rtch 
do sou eu». 

(Do Diario da Martha), 



OS CONTRAFACTORES DO BRAZIL 



Lisboa 22 de setemhro de 1812, — Ha 
em Portugal urna publica^Sb, que teve o 
dom ultimamente de excitar no mais alto 
grau a colera brazileira. Refiro-me às 
FarpoBf publicacào humoristica no gene- 
ro e no estylo das Gìièpea de Alphonse 
Rarr, escripta por deus dos mais vigoro- 
808 talentoB da nossa terra. Motejaram 
elles, usando livremente do seu direito 
folhetinistico, mas conservando na phra- 
se e no epigramma o tom delicado da boa 
sociedade, doa faita et gestes de sua ma- 
gestade o imperador do Brazil durante a 
sua yiagem na Europa. Caricaturaram- 
no sem o offender. Parece que em Fer- 
nambuco se respondeu a està aggresa^ 
cortez, espancando alguna portuguezes. 
facto 6 BOVO e dìgno da mais severa 



censura. lapis de Cham e de Bottali 
tem caricaturado os soberanos do mon- 
do inteiro, sem que por isso corram pe- 
rigo de ser aggredidos os francezes dia- 
persos por esse mundo, ri-se o Punch com 
o seu pesado riso britannico dos chefes 
de todas as na^es, sem que isso redunde 
em desproveito das costellas dos viajan- 
tes inglezes. Saber supportar a censura 
é uma das primeiras qualidades dos go- 
vernos que aspiram a ser democraticos e 
dos povos que se prezam de ser liyres. 
Sua magestade imperiai, que se nào ine- 
briou com os elogìos que Ine foram feitos 
na Europa, n&o podia magoar-se de certo 
com a fina satyra de deus escriptores por- 
tuguezes. Invulnera voi aos tiros da lison- 
ja, n&o podia o imperador mostrar-se fe- 

10 



142 



BIBLIOGRAPHIÀ PORTUGUEZA E ESTRAN6EIRA 



rido pelos golpes da crìtica. Os pomam- 
bacanoB, respondendo com a sova brutal 
ao delioado rasp§U> das Farpaa, deram 
prova de um mal entendido fetichismo 
monarchico. 

A desaffeÌ9&o com qua os nossos irm&os 
de além-mar olham para os desafogos hu- 
moristicos das Farpas, n&o os deve im- 
pedir de aprecìar os argomentos qae o 
ultimo numerò d*essas Nemesis à deux em- 
prega a proposito da tao debatida ques- 
tào da propriedade litterarìa das obras 
portuguezas no Brazil. 

Junto a minha voz humilde à dos dous 
dìstinctos escriptores ; ha n'ìsto empenha- 
da uma alta questào moral. tratado de 
proprìedade litteraria no Brazìi nlU) póde 
ser discutido debaìxo do ponto de vista 
diplomatico dos interesses dos contractan- 
tes, mas sim debaixo do ponto de vista 
muito mais elevado da probidade a que 
todos OS povos devem prestar homena- 
gem. 

Alphonse Karr, n*uma das suas sahi- 
das em fórma paradoxal mas que tantas 
verdades encobrem, pedìu uma vez espì- 
rituosamento que a lei de propriedade 
litteraria constasse de um artigo unico : 
« A propriedade litteraria é uma proprie- 
dade». Essa é que é effectivamente a 
verdadeìra formula. 

A proprìedade litteraria é uma pro- 
priedade, tanto pelo menos comò uma 
propriedade artistica. Um pintor tem di- 
reito incontestavel ao quadro que pintou ; 
porque n&o ha-de ter um escriptor pienis- 
simo direito ao livro que escreveu ? 

quadro tem a vantagem de nào po- 
der ser roubado senào violentamente ou 
industriosamente. A còpia, que se tira, 
tem um valor muito inferior ao quadro 
originai, a reproduc^&o de um esemplar 
de qualquer obra litteraria tem tanto va- 
lor comò o exemplar primitivo. Torna 
isto mais facil o roubo, nlU> o toma de 
certo mais justo. Se o quadro tem um va- 
lor artistico, independente do pre^o ma- 
terial da téla e das tintas, valor que to- 
dos reconhecem, e cotam n*um alto pre- 
90, claro é que livro tem tambem um 
valor independente do pre^o do papel e 
da impressào, e que nào é do certo pago 
pelo dinheiro da compra d'um exemplar. 
Se um sigeito brazileiro chogar ao ate^ 
Iter do snr. Annunciammo, pegar n'um 
quadro que elle tenha acabado de pìntar, 
e o levar tranquillamente para o seu paiz, 
mandando ao nesso distincto pintor 
pre^o das tintas, snr. Annunciammo cha- 
ma o larapio aos tribunaes brazileiros, os 
*^ribunaes brazileiros condemnam o lara- 



pio. Se mesmo snjeito me ronbar £ru- 
cto do meu trabalho, do meu talento, das 
minhas vigilias, das minhas noites de fe- 
bre, mandando-me oé 500 reis correspon- 
dentes ao valor de um exemplar, eu se 
fór perseguir perante os tribunaes brazi- 
leiros recebo nas bochechas uma sonora 
gargalhada americana! 

Note-se mais uma extravagancia ; se 
snr. Furtado Coelho, por exemplo, distin- 
cto proprietario do theatro S. Luiz no 
Eio de Janeiro, que me fez a honra de 
me dìzer em Lisboa, apertando-me a mào, 
e enehendo-me de elogios, que represen- 
tàra tal vez quarenta vezes a Morgadinha 
de VcU'Fldr, que eu escrevera, sem me 
pagar meu trabalho, e que depois de 
me ter dito isso com extremos de corte- 
zia, representou de novo a pe^a quasi 
trinta vezes, ainda sem me pagar, se 
snr. Furtado Coelho pois, que me defrau- 
dou pelo menos de l:000j^00 reis, com- 
mettesse a leviandade de levar de Lis- 
boa um exemplar da Morgadinha sem pa- 
gar OS 400 reis que elle custava, podia 
eu levar snr. Furtado Coelho ao banco 
dos réos, o que devem confessar que nào 
deixa de ser singularissimo. 

É pois incontestavel que todas as ou- 
tras propriedades congeneres da proprie- 
dade litteraria sào reconhecidas : que 
pintor é reconhecido comò proprietario 
do seu quadro, o actor comò proprietario 
da sua voz e do seu jogo de scena, o re- 
bequista comò proprietario do seu segre- 
do de arrancar à rebeca sons melodiosos, 
so o escriptor é que nào é reconhecido 
comò proprietario do seu talento. A ques- 
tào nào é de direito, mas de facìlidade 
de roubo. Nào se paga ao actor porque 
se Ihe reconhema o direito de se nào ca- 
racterisar e de nào fallar em scena se 
Ihe nào pagarem, mas porque é impossi- 
vel roubarem-se aS lagrimas ao actor dra.- 
matico, e as caretas ao actor comico. É 
uma propriedade inalienavel, que nào se 
fragmenta em exemplares, que està 
por tanto a abrigo da pirataria. Parece- 
me pois que nào se trata de discutir se 
é ou nào a propriedade litteraria digna 
de ser respeitada. Logo que se reconhece 
a propriedade artistica, a proprìedade 
litteraria està implicitamente reconheci- 
da, é «uma propriedade», comò diz Al- 
phonse Karr. Eu por mim acho comple- 
tamente inutil, e até pouco digno enta- 
bolar com o Brazil relaQÒes diplomatìcas 
para se fazer um tratado de propriedade 
litteraria. Nào somos nós n^ìsso os mais 
interessados. Se padecemos nos nossos 
lucros legitimos, Brazil padece mais 



j 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



143 



porque padece na sua honra. Ea por mim 
dìria simplesmente : « A viola9S.o da pro- 
prìedade litteraria, nenào yÌQla9S.o de 
urna propriedade, é um roubo». E, di- 
zendo iste, Portugal nada mais tem a di- 
zer. Brazìl que proceda liyremente, 
qae elimine cu d§U) das suas leis a sanc- 
9^0 da pirataria, que proteja ou nào com 



a sua bandeira os corsarios que nos sal- 
teiam, e que, digamol-o para yergoxdia 
noflsa, 8&0 quasi sempre portuguezes abri- 
gados à sombra da bandeira auri-verde. 
E' urna questào de pundonor e n§,o de di- 
plomacia. 

PmHEiso Chagas^ 



PUBLICACOES RECENTES 



Bevista de Coimbra, Director, dr. Cor- 
rea Barata. É um periodico todo amem- 
dades, redigido por escriptores novos, 
masjà distinctissimos, 

Boletim de bibliographia portugueza, É 
dirìgido pelo snr. Annibal Fernandes 
Thomaz, versadissimo n'estas materias 
de arcbeologia litteraria. Estào publica- 
dos ciuco numeros. 

O tdtimo cavalleiro, romance historico, 
originai do snr. A. M. da Cunha e Sa. 
Edi^. illustrada. 1879. Emprèsa Horas 
Romanticas. É uma historia portugueza 
do seculo XY ; denota vasto estudo da èpo- 
ca e da lingua ; enreda com multa habi- 
lidade, e parece um anacbronismo, uma 
resurrei^ào espantosa n'estes nossos dias 
da natureza nùa. 

Les coloniea portugaises, court exposé 
de leur situation actudle, par M. de B. 
Lisbonne, 1878, 8.° As iniciaes perten- 
cem ao snr. M. de Bulhoes, esoriptor pro- 
fìcientissimo n'estes assumptos ejàmuìto 
conhecido em outros de mais suave lei- 
tura. 

Os brazdea portuguezes (Jornal heral- 
dico), por A. M. Scabra d'Aibuquerque. 
Coimbra 1879. Contém o brazSo de ap- 
pellido de Cacheiro e o de appellido de 
Machado. Pelo que respeita ao primeiro, 
notam-se incorrec^oes com referencia a 
Thomé Cacheiro que é Thomaz. snr. 
Seabra nas Provas da' Historia Genealo- 
gica da Casa Beai, testamento de D. An- 
tonio, e pe^as subsequentes encontra, se 
quizer, noticias de Tliomaz Cacheiro, ve- 
dor da casa do principe D. Chris tovào, 
filho de D. Antonio. No que respeita à 
historia do Prior do Crato, D. Sancho 
d'Avila nào era o commandante na ba- 
talha de Alcantara. Sancho d^Avila era 
subalterno. general era o duque d'Alba 
ou d'Ai va. D. Antonio nào passou do rio 
Lima para Franca. Embarcou em Setu- 
bal. Estas sombras nào desbrìlham a 
multa luz que dào estes estudos do snr. 
Seabra. 



Phototypias do Minho, por José Au- 
gusto Vieira. Porto, 1879. As arrecadas 
de Bosinha, primeiro romance e unico 
que ainda lémos, tem merecimento n§U> 
vulgar. É da eseóla naturalista, e natu- 
ralissimamente pinta 08 quadros da vìda 
campesina do Minho. 

Historia do marechal Saldanha, por D. 
Antonio da Costa. Tomo primeiro, Com 
um excellente retrato, Lisboa, 1879. Ape- 
nas por emquanto accusamos a recep9ào 
d'este livro. nome que o authonsa é 
de um dos melhores entro os mais distin- 
ctos e proveitosos escriptores portugue- 
zes. É um assumpto de melindre; e por 
isso mesmo de molde para a nobreza de 
um espirito que se allia a ama poderosa 
intelligencia. 

Farpa^, T. in da terceira serie. Sem- 
pre na altura do culto e faceto espirito 
do snr. Ramalho Ortigào. Prova que os 
cardeaes s§^ caranguejos orus, centra a 
defìni^ào do Moraes que os dà, os caran- 
guejos, corno vermelhos antes de cozidos. 
Tem paginas de verdade incontestavel 
pregadas comò causticos na memoria de 
D. JoAO V — aquelle asno real, colossal, 
com as colossaes lascivias do onagro que 
enviezasse o bei^o ds auras olorosas de 
maio pelai charnecas de Odivellas. snr. 
Ramalho podia acrescentar à lista das 
miserias d 'aquelle reinado que em Por- 
tugal, no tempo de D. Joào v, n§^ houve 
um pintor, um retratista. Elle quiz pos- 
suir a vera effigie de uns personagens da 
sé patriarchal e nào teve quem Ihe im- 
mortalisasse na tela a cambada. Teve de 
recorror a um abbade Apparicio, curioso 
que estiverà em Roma, e ainda assim 8<5 
OS pòde apanhar em pasteL N&o sei se 
ainda existem estes pasteis. É provavel 
que OS engulisse o terramoto de 1755 
para vingar a arte. snr. Ramalho Or- 
tigào tambem nào deixa de ser um terra- 
moto vingador. tosào d'ouro, o chap6o 
cardinalicio, a casa de hospedes em fami- 
lia, tudo a terra I Uassommoir ! 

* 



144 



BIBUOORAPHU P0RTU6UBZA. E ESTRÀNOEIRA 



DA PROPRIEDADE LITTERARIA 



InstUuto de Coimbra é o primei- 
ro periodico do reino, em sciencia 
e litteratura. Fora do meio em que 
tem florecido, em estufa, pela dedi- 
catalo extremosa de alguns filhos da 
Universidade, aquelle precioso archi- 
vo de conhecimentos é pouquissimo 
conhecido. Nas terras provinciaes 
onde chegam nopoes de litteratura, 
grassa o preconceito de que os ma- 
nanciaes da moderna sabedoria, ou 
se abrem no Ghiado ou alli por per- 
to. Periodicos litterarios que nào ve- 
nham carimbados da córte corno os 
chapéos de M.""® Aline ou da sur.* 
Marcos Fernandes, da travessa de 
Santa Justa, nao penetram nas toi- 
lettes intellectuaes da gente que 
faz nas provincias algum exercicio 
cerebral. De Coimbra entào nào 
se le nada que tenha odor dos ge- 
raes e da Minerva, aquelle escan- 
dalo de pedra, para Ihe nào chamar- 
mos pedra de escandalo. Propria- 
mente OS bachareis que d*alli gol- 
fam annualmente comò varejeiras 
de bogalho para se pascerem na res 
publica avariada e com bafio, es- 
ses mesmos sahem tao enjoados das 
cousas, das letras, da tia Maria Ga- 
méla, do Instituto, da cabra, dos 
lentes, da capoeira enorme da pon- 
te, de tudo aquillo que repuma tro- 
pa, cólicas, pandega, latas, fados, 
canalhismos de arruapas, conflictos 
de futricas com vadios de batina e 
calpas rotas que valem menos — tu- 
do isto, que bacharel deixa após si, 
é uma recordapào que o envergonha. 
E, passando a esponja por sobre os 
perfis grotescos do seu passado, o fl- 
Iho da Universidade nem sequer traz 
comsigo uma coUecpào do InsHtiUo 
ciga leitura intelligente vale mais que 



um capéllo. Raros exemplares se de- 
param d'aquelle magnifico periodico 
nas provincias, apesar de offereddos 
por baixo prepo nos armazens da as- 
semblèa litterarìa por conta da qual 
se publicam. No volume xni escre- 
veu sur. Vicente Machado de Faria 
e Maia àcerca da propriedade mtelle- 
ctual. É um vasto estudo condensa- 
do em tres artigos que nào deviam 
para alli iicar inuteis, esquecidos. 
Faz trlsteza pensar na curta vida 
dos esforpos de estudos representa- 
dos por escriptos valiosissimos que 
ninguem conhece 1 Tantos mopos ap- 
plicados a enriquecerem aquelle re- 
positorio que para alli jaz em rimas 
de mau papel desaflando a trapa, e 
resistjndo corajosamente às seduc- 
poes das mercearias do Bairo-Alto! 
Pois esses artigos do sur. Faria e 
Maia vamos nós, em parte, trasla- 
dal-os para està « Bibliographia » pe- 
dindo à imprensa lida, aos jornaes 
que orientam a opiniào publica, que 
OS leiam e reproduzam afim de in- 
sinuarem na conscienda dos legisla- 
dores que o trabalho da intelUgen- 
cia é uma propriedade. 

eamiiio ecuuOo ^umeo. 

sur. Maia expende o que seja 

direito de possuir, em goral, e 

derivando à especialidade dos seus 
artigos, escreve : 

Entro as questoes sociaes mais^ con- 
troversas avulta a da propriedade intel- 
lectual. Os mais peregrinos engenhofl 
tem esgrimido argumentos mui contra- 
dictorios àcerca avesse momentoso t»- 
sumpto, que oaptiva as atten^oes dos 
primeiros vultos litterarios do nosso 06- 
culo. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



145 



Nfto é està ama d^essas qaestoes his- 
toricas,i qùé noè apparece coberta pelo 
gelo do6 tumulps e envolvìda pelas tre- 
vas mysteriosas do passado ; anima-a o 
caler da TÌda, o arder das paizoes, o 
amor da justi^a^ da sciencia, das letras 
e das artes, e aTÌventamnia as mais Do- 
lores aspiraQoes dos espiri tos, que illus- 
tram este seculo, e h&o-de eselareoer o 
futuro vicejante de esperan^s. 

E comò tde bem dentro no cora^&o do 

r»eta e do artista, tambem n&o sda mal 
intelligencia do sabio ou à curiosidade 
do erudito ; nem perde do seu valor, fo- 
ra do pò das biblìothecas ou das discus- 
8oes das academias. 

Seguem uns a opinilo de que a prò- 
priedade intellectual é a mais sagrada 
das propriedades, alguns de que é uma 
propriedade sui generis, que devo ser 
restricta em rela9ào ao tempo da sua 
duraQào, e outros, finalmente, de que é 
apenas um privilegio, concedido pela 
lei, para animar os trabalhos intelle- 
ctuaes. 

Para tornar na devìda considera^&o 
opinioes tao encontradas, releva-nos ca- 
var mais fundo com o disourso, para 
descobrir as bases em que se funda a 
propriedade. 

Theorias mui contrarias se tem aven- 
turado para justìficar a propriedade. A 
primeira, pela ordem chronologica e pe- 
la fraqueza dos argumentos, em que se 
estriba, é a que a fundamenta na occu- 
pa^ào. 

A occupatilo é um facto material, de- 
pendente do acaso, e que por isso nào pó- 
de justificar a propriedade. Invocar a 
pccupa^ào, para basear n'ella a proprie- • 
dado, é concordar em que, se uns pou- 
cos de individuos occupassem todo o glo- 
bo, deverìam fìcar sondo seus unicos 
proprìetarios, com exolusào odiosa dos 
outros. Demais, se ella fosse a unica ra- 
zào de ser da propriedade, actualmen- 
te, que se nào conhecem mais terrenosa 
'occupar de novo, cessarla sua justifioa- 
9^0. 

Essa theorìa, que logra fóros de anti- 
ga, com volver dos annos foi substi- 
tiuda por outra, que fixou no trabalho a 
origem do direi to de propriedade. 

A* luz esplendìda do chrìstianismo sur- 
giu essa theoria, fìlha das idéas espar- 
gidas pelo Evangelho. trabalho, que 
as doutrinas christ&s nobilitaram, tor- 
nou-se, aos olhos dos philosophos moder- 
nos, essencial para a occupa^ào ,consti- 
tuir dìreito de propriedade. A forQa 



bruta dos seculos passados succedeu a 
do espirito, e com ella a necessidade de 
ferrar os direitos do homem do poder, 
do acaso e do dominio da materia, e de 
OS assentar n^uma lei constante e racio- 
nal. 

Essa theoria, porém, a nesso vèr, nilo 
apresenta as razoes justificativas da pro- 
priedade ; por isso que por ella se pro- 
varia que um s6 individuo, que transfer* 
masse um continente, estava no seu di- 
reito de tornar a vida dos outros ho- 
mens dependente da sua vontade, e n&o 
se explioariam os motivos por que as 
crianQas, qs velhos, os enfermos e os in- 
validos possuem aquelle dir cito. 

trabalho, pelo qual o homem trans- 
forma OS objectos, e Ihe imprime o cu- 
nho da sua personaiidade, é sobre ma- 
neira respeitavel ; mas nào passa de um 
meio de adquirir a propriedade, e xsare- 
ce para se effeotuar que o individuo que 
exerce sega jà proprietario. 

Ap<5s essas theorias succederam as 
que fundamentaram a propriedade na lei 
ou na conven^ào. Alguns eseriptores, 
convencidos de que um acto individuai 
n&o era sufficiente para constituir d^. 
parte dos outros a obriga^fto de respei- 
tar a propriedade, entenderam que o seu 
fundamento s6 se podia encontrar em 
actos, que tivessem a for9a de crear 
obriga^oes geraes. • 

A lei ou a conven^&o, porém, nào po- 
dem ser um principio de direito ; porque 
ellas variam com o tempo, as naQoes, os 
paizes, OS costumes, a civilisa^ào, os ca- 
prichos dos prìncipes ou dos povos, e a 
j Ustica é absoluta, superior ao tempo e 
às vicissitudes politicas, e independente 
da vontade de um maior ou menor nu- 
mero de individuos, quer està se revele 
por um contraete, quer por um outro 
meio. As leis, pois, que regem a pro- 
priedade, longe de serem o seu funda- 
mento, devem moldar-se pelas razoes 
que a abonam, a fim de serem justas e 
conformes com a philosophia. 

A raz§x> de ser da propriedade n&o es- 
tà na occupaQ&o, no trabalho, na lei ou 
na conven^ao; mas na natureza limita- 
da do homem, que necessita para cum- 
prir a sua miss§U> de laudar mào das 
cousas exterìores, que o podem auxiliar. 
A essa causa goral, que tanto justifìca a 
propriedade commum comò a partìcular, 
acresce uma outra, que é o titulo de- 
fensivo d'està ultima. 

A personaiidade humana- manifesta-se 
desde o alvorecer da vida social. Nas 
suas primeiras épocas, porém, jaz em 



146 



BIBLIOGRApraA PORTUGUEZA E BSTRANGEIRA 



§ rande parte esmagada pelo despotismo 
as castas oa das dynastias ; mas tanto 
que a aurora da civiiisa^&o assoma, e as 
lozes se v&o diffundindo, ella brilha com 
mais vivo esplendor. É entào que a pro- 
priedade se cometa a considerar corno 
Urna parte integrante do individuo, in- 
dispensavel para elle se desenvolver co- 
rno sér livre, e tao sagrada corno a sua 
personalidade, de que ella é complemen- 
to. É que respeito pela liberdade so 
nasce em cora^oes abertos para o amor 
pela poesia, pela sciencia, pela relìgiao 
e pelos oostumes pacificos das socieda- 
des illustradas. 

A propriedade individuai e a liberda- 
de sào duas cousas correlativas, e que se 
auxiliam mutuamente. Sem a proprieda- 
de o homem escravìsa-se pela for^a das 
necessidades, e pela ac^àb lenta e irre- 
sisti vel da miseria, e as suas faculdades 
annuUam-se pelo habito da dependencia, 
e p9la falta de iniciativa. É que para 
crear séres livres, em quem so impere a 
razào e que obede^am aos seus dictames, 
é mister dar-lhes o direito de grangear 
pelo trabalho ou por outro qualquer melo 
lìcito o complexo de cousas necessarias, 
para satisrazer às exigencias sempre 
crescentes da vida social, e às aspira- 
9oes mais nobres do oora^ào e do enten- 
dimento. Negar-lhes esse direito é con- 
demnal-os a serem escravos da ignoran- 
cia, da indolencia e dos caprichos dos 
mais fortes, ou dos que possuem uma 
vontade mais imperiosa. " 

A propriedade tem, pertanto, a sua 
base nas necessidades do homem e no di- 
reito que Ihe assiste para se n&o invadir 
a esphera juridica, dentro da qual Iho 
deve ser dado obrar à lei da sua vonta- 
de, para alcan^ar o seu firn social. 

Dadas essas razoes justificativas do 
direito de propriedade, vem a ponto esa- 
minar se ellas valem para defender a 
propriedade intellectual. 

Como levamos dito, é o trabalho o ti- 
tulo mais nobre de adquirir fortuna e o 
meio mais proprio para colher fldres pri- 
morosas e fructos sazonados. 

negociante, que moureja riquezas, 
o industriai, que se afana nos trafegos 
da sua arte, e o agricultor, que abre o 
scio à terra, para me laudar o gr&o, do 
que ha-de brotar vegeta^&o florescente e 
fructifera, tem direito incontestavel a 
que, em premio dos servi^os que pres- 
tam, se Ines garanta a propriedade das 
suas produc^oes ; mas o homem de ge- 
nio, que enriquece as artes com uma no- 
descoberta, o sabio, que, encanecen- 



do na investiga9&o das leis da natureza, 
desoortina os seus segredos, e o poeta, 
que canta os sentimentos mais nobres do 
cora^&o humano e os feitos historicos doe 
heroes da sua patria, por ventura mere- 
cer&o menos que se Ines conceda a pro^ 
priedade das suas obras? 

Por ventura o poeta, o artista, o sa- 
bio, com sérem espiritos mais altos, dei- 
xam de ser homens, e de terem as ne- 
cessidades que Ihes sào inherentes ? Aca- 
so a altivez, a isen^ào e a hombridade, 
que é naturai ao genio e ao talento afei- 
to às mais altas concep^oes, toma-os 
mais proprios para soffirerem as priva- 
95es da pobreza e as humilha^òes da mi- 
seria? 

A propriedade intellectual, comò aca- 
bamos de vèr, apresenta os deus caracte- 
res principaes de teda a propriedade ; e 
por isso n&o é nem se póde considerar 
um privilegio. Para que ella subsista, 
ha a necessidade da parte do productor 
das obras intellectuaes e a sua persona- 
lidade, que reclama o respeito pelos actos 
que elle pratica dentro da sua esphera 
juridica. 

privilegio n3,o é mais do que uma 
conccssào arbitraria e abusiva da pro- 
priedade alheia ; ora a mais leve refle- 
xào mostra-nos que, por se permittir a 
um artista ou escriptor o direito de go- 
zar OS lucros da sua obra, nào se Iho 
concede um privilegio; visto que e)le 
grangeou esse direito, por um titulo tao 
justo comò aquelle por que o agricultor 
alcan^ou a propriedade da sua produo- 
9^0. 

Comtudo escriptores de grande nota 
consideram que as produc^oes da intel- 
ligencia differem em multo das outras. 
Dizem elles que nào ha propriedade in- 
tellectual, porque as idéas e as verda- 
des sào do dominio publico, comò o ar 
que se respira. Verdade é que as idéas 
que servem, porque assim o digamos, de 
materia prima das obras intellectuaes, 
pertencem a todos ; teda via, n&o sào el- 
las que constituem essas obras, que se 
formam pela combina^ào das ideaes, e 
pelo desenvolvimento das verdades e dos 
principios das sciencias e das artes. De- 
mais esse argumento, se fosse attendi- 
vel, al cannarla aniquilar todo e qual- 
quer genero de propriedade, filha do 
trabalho ; pois o industriai, nos seus la- 
vores, nào deixou de lau9ar m&o das for- 
9as da natureza, para formar as maio- 
res maravilhas da sua arte, e o agricul- 
tor nas lidas da lavoura, nada mais faz 
do que aproveitar-se das mysteriosas 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



147 



oOmbina^es quo se operam à fldr da 
terra, ou nos mais profandos abysmos do 
seu laboratorio, tao vasto corno prodigio- 
so. Vistas, portanto, as cousas a està 
luz, poder-se-ha avanzar que esiste gran- 
de differeD9a entre a propriedade mate- 
rial e a intellectaal ? 

De certo que sim. Entre està e aquel- 
la propriedade vai grande differenza; 
que o mecbanico toma em mào dos ele- 
mentos naturaes, para Ihes dar urna no- 
va feÌ9ào, e d'est'arte projectar o cunho 
da sua personalidade no domìnio das cou- 
sas exteriores, mas nào identifica comsi- 
go esses elementos, nào os toma uma 
parte intima do seu sèr, corno o artista, 
o sabio e o poeta, que antes de dar uma 
fórma aos seus trabalhos, tem de assi- 
milar idéas e sentimentos, e de afei- 
Qoar seu espirito por um modo proprio 
para poder produzir as obras, ciua pro- 
priedade se Ihes contesta. 

Como se poderà, pertanto, duvidar da 
propriedade intellectual ? Como suppdr 
que as produc9oes do espirito, d^esta par- 
te divina do nesso sér, d'està substan- 
cia imperecivel, que nos anima, sào me- 
nos nossas do que o artefacto que fabri- 
càmos, do que a fior que creàmos, do 
que a perola que colhemos no fundo do 
oceano? Por ventura Camoes, phanta- 
siando as suas obras nos sonhos magicòs 
do amor, na solidào melancolica dos 
vastos mares, nas paragens loginquas 
que percorreu, nas horas saudosas do 
crepusculo, e nos momentos em que se 
achava mais isolado do mundo exterior, 
nào completou trabalhos tao seus comò 
a mào que os tra^ou, o sentimento que 
OS inspirou, e a imaginacào que os idea- 
Usou?! 

Acaso OS seus Lusiadaa, em que elle 
revelou os mais puros sentimentos de 
amor patrio, em que gravou em letras 
de euro os mais altos commettimentos 
de nossos maiores, e immortalisou os 
seus feitos heroicos, tramando, com mào 
de mostre, o quadro maravilhoso das 
suas victorias, nào valem mais do que 
as obras mais primas da industria, as 
flòres mais exoticas e mimosas e as mais 
raras preciosidades do rico Oriente ? 

Por ventura a poesia, que eleva a al- 
ma para as mais altas regioes do mundo 
moral, e para as aspiraQoes infinitas do 
amor ideal, nào presta ^ervÌ9os imma- 
teriaes tao superiores aoL materiaes, co- 
rno a alma ao corpo, o sentimento à sen- 
sacào? 

Kegar, pois, a propriedade intelle- 
ctual é commetter um anachronismo im- 



perdoavel, é cahir no erro dos antigoa 
economistas, que consideravam sem va- 
lor OS servi^os immaterìaes. 

Alguns escriptores, reconhecendo a 
grandeza d'esses servi^os, notam que el- 
les sào impaga veis, e que, pertanto, nào 
podem dar a quem os presta direito de 
adquirir urna propriedade. Dizem mais 
que colher fruotos dos trabalhos intelle- 
ctuaes é aviltar o talento e degradar as 
mais mimosas flóres da alma. 

Estamos de accordo com esses escri- 
ptores sobre a relevancia de tamanhos 
servi^os, mas temos para nós que é es- 
tranha cousa concluir que elles, por mui 
valiosos, devam ser gratuitos. Services 
comò OS de Camoes nào se pagam. The- 
souros e mercés honorificas nào valem 
para os premiar. A gloria, essa immor- 
talidade do homem sobre a terra, essa 
corda de estrellas, que brìlha através 
dos seculos, com as mais vivas cdres, 
essa divinisa^ào do homem na memoria 
das gera9oes vindouras, é o unico pre- 
mio que pódo galardoar o genio : comtu- 
do sera isso motivo para o reduzir à mi- 
seria, negando-lhe a propriedade do seu 
trabalho ? ! Por ventura, nào ha con- 
quistar uma corda de louros sem se Ihe 
enlazar uma corda de martjrios ? 1 

A missào do poeta, do artista e do 
sabio é mais nobre e mui outra da do 
homem de negocios, do industriai e do 
simples mecanico ; mas nem por isso é 
razoavel suppdr que elles mareiam a sua 
dignidade, por procurarem viver pelo 
seu trabalho. 

Outr*ora viam-se homens comò Mozart 
entrarem no servilo de um arcebispo 
comò seus criados ; hoje, mercé de Deus, 
trabalho forra-os d'essas humilha^oes, 
e nobilita-lhes o caracter, elevando-os 
aos olhos do mundo. Ainda mal, porém, 
actualmente, espiritos tao esclarecidos 
comò Louis Blanc dizem « que nào so é 
absurdo declarar o escriptor proprieta- 
rio da sua obra, mas tambem é absurdo 
Eropdr-lhe comò recompensa uma retri- 
ui^ào material. Kousseau copiava mu- 
sica para vìver, e compunha livros para 
ìnstruir os homens. Tal deve ser a exis- 
tencia de todo o homem de letras, dì- 
gno d'esse nome. Se elle é rico, que se 
de à cultura do seu espirito, que bem o 
póde; se é pobre, saiba combinar os 
seus trabalhos litterarios com o exercì- 
cio de uma profìssào, que Ihe sirva para 
acudir às suas necessidades » . 

Na verdade, estranha linguagem é 
essa! Quer-se que o homem de letras 
exer^a o seu culto por puro amor, sem 



148 



BIBLIOORÀPHIA PORTUGUEZÀ E ESTRANGEIRA 



a mais leve idèa de interesse e sem a 
mais ligeira preoccnpa^&o do futuro. 
militar, o magistrado e o sacerdote h&o- 
de receber urna renda, pelas func^òes 
que desempenham, e o escrìptor publico 
barde trabalbar so pelo progresso das 
sciencias e pelo amor das artes ! ! Que 
utopia ! ! Se todos, que se d&o às lides 
da intelligencia, possuissem urna boa 
fortuna, facil seria realisar-se esse so^ 
nho dourado, mas, por mal nesso, os bo- 
mens de talento nem sempre s&o Cresos, 
nem sempre tem aroas atulbadas de eu- 
ro. Como, pois, bSlo-de elles satisfazer 
às necessidades da vida ? ! Como Rous- 
seau, diz illustre escriptor. Quem nSlo 
preferirà, porém, vèr um autbor afanar- 
se comò Beranger, para ganbar com que 
alimentar a sua familia, a vél-o comò 
Bousseau envilecer-se, laudando os seus 
filbos na roda, por n&o ter com que os 
crear? 

Quem deixarà de respeitar Beranger, 
o caracter bonesto, o poeta nacional e o 
cantor popular da Franca, e de olhar 
com certo desprezo para o cora^Slo des- 
naturai de Bousseau, o romancista pbi- 
losopbo, o pbilosopbo democrata e o de- 
mocrata eloquente? Por ventura a digni- 
dade de Bousseau n§,o se eléyaria mais, 
se elle se n&o avìltasse a engeitar os fi- 
lbos, e OS alimentasse com o producto 
dos seus trabalbos litterarios? 

Do que levamos dito é de vèr que a 
propriedade intellectual, para nós, é a 
mais sagrada das propriedades. Deverà, 
porém, ella ser perpetua e transmittir-se 
comò beran^a? 

Para nós n&o ba besitar um momento 
que se deve responder a essa interroga- 
mmo pela affirmativa, pois n3.o deparamos 
com razoes que valbam para se tratar 
aquella propriedade com menos favor do 
que qualquer outra. Comtudo, comò pbi- 
losopbos tao abalisados comò os snrs. Sca- 
bra e Abrens tem conbecido a proprieda- 
de intellectual, sem admittirem a sua be- 
reditariedade, por isso nos deteremos a 
apresentar os argumentos em que estri- 
bamos a nossa opinilo. 

Em verdade, enleia-nos sobremaneira 
ter de contrastar as idéas de um espirito 
t&o alto comò o sur. Scabra. Vendo que 
a opini&o de um dos nossos primeiros ju- 
risconsultos differe da nossa, receamos 
que as idéas, que emittimos, sejam rece- 
bidas comò utopias de mancebo assàs 

Sresumido de sì para contrariar as idéas 
08 bomens encanecidos nas lides do fó- 
ro, da sciencia e da politica. Ousamos, 
"^rém, fasel-o, porque entendemos que, 



n*um paiz livre, corre a todos mui estrei- 
ta obriga^ào de pugnar pela impronsa 
centra os projectos de lei, que se Ine an- 
tolbam ipjustos. 

Veneramos os bomens, que, corno O' 
snr. Scabra, se tem coberto de gioita, le^ 
vando ao cabo trabalbos tfio momeotosos^ 
corno o seu prqjecto do Codigo dvil ; ma» 
tambem entendemos que a grandeza dQ 
uma obra d*essas nfto póde vedar a criti- 
ca de apontar uma ou outra disposÌQ&o, 
em que ella julga divisar doutrinas so- 
ciaes pouco ortbodoxas. 

Anìma-nos tambem a combator o arti- 
go 668 do projeoto do Codigo civil a opi- 
nì§U> de outros escriptores de primeira 
plana, em cuja autboridade nos podemos 
esondar. 

Lev^dos por essas considera^oes, ea- 
for9ar-nos-bemos por provar que a limi- 
tatilo, feita à dura^ào da propriedade in- 
tellectual pelo artigo 668 do projecto do 
citado Codigo, é injusta e anti-economica* 

Os escriptores que tem defendido a li- 
mitamelo da propriedade intellectual d&o 
as seguintes razoes : 

As inven^oes do artista, as tbeorias do 
sabio e as pbantasias do poeta, notam el- 
les, nào nasceram so da tua intelligencia 
ou imagina^Slo ; antes d'ellas surgirem no 
seu espirito, jà existiam em germen no 
meio social, em que elles beberam os 
principios com que as crearam e as ins- 
piramoes com que se eagrandeceram, e 
por isso devem as suas produc^oes voi- 
ver ao dominio da sociedade, que é a sua 
m&ì commum. Valendo, porém, està ar- 
gumentamào, teda a propriedade, filba do 
teabalbo, deveria igualmente passar para 
o poder da sociedade ; porque nào ba en- 
contrar uma s<5, cujos elementos consti- 
titutivOB, mais ou menos remotamente, 
se nSlo originem da vida social. 

Dizem, tambem, que conceder à pro- 
priedade intellectual uma dura^ao illmii- 
tada é instituir morgados litterarios, cu- 
jos efièitos ser&o tanto mais nocivos que 
OS dos outros, quanto sào mais para se 
temer os monopolios das riquezas que for- 
mam o espirito, do que os das que ali- 
mentam o corpo. 

Esses autbores receiam que os filbos ou 
netos dos bomens de letras levantem em 
extremo o prcQO das suas obras, ou as 
furtem à circulamào ; privando d'est^arte 
a sociedade das luzes, que ellas devem 
projectar no mundo intellectual. 

A primeira das razoes, que acabamos 
de apontar, é realmente esdruxula ; pois 
o capitalista, o senbor do sólo nào póde 
obrìgar-se a ceder direìtos, de que o poo- 



ERNESTO GHABDRON^ BDITOR 



149 



ta, o sabio e o artista devem ser desapos- 
sados pela lei? I 

Pois o homem de esttido, qne oarece 
de urna longa aprendizagem, qae tem de 
consumir annos e cabedaes ayultados, 
para desenvolver as saas facoldades, ba- 
de ter menos direito a transmittur aos 
seus filbos a sua propriedade, do que o 
proprietario da mais vii mercadoria? ! 

Pois as obras primas de urna na^&o, 
quo B&o a sua pnmeira riq^ueza, o mais 
notorio indioio da sua civilisa^&o, o mo- 
numento que a torna mais veneravel, o 
symbolo das idéas que ella representa e 
dos sentimentos que a animam, b&o-de 
grangear aos seus autbores menos direi- 
tos à considera^&o da sua patria do que 
03 servi^os prestados pelo ultimo dos 
seus conoidadàos nos trabalbos mecbani- 
cos da lavoura ou da industria ? I 

Inyocam-se os interesses- da instruc^&o 
pnblioa, a fim de se justificar essa i^jus- 
tÌ9a. Mas por ventura bavera interesses 
que valbam para se desprezarem direitos 
si^rados ? E esses mesmos interesses real- 
mente subir&o de ponto com a limita^&o 
da propriedade intellectual ? NS.o o aore- 
ditamos, que temos para nós que toda a 
limita^&o d'esse direito no tempo ou no 
«spaQo dà em resultado abaixar-se ou 
restringir-se a qualidade ou quantidade 
das obras Intel lectuaes. 

As obras mais distinctas, aquellas que 
mais primam pela idèa, pelo sentimento 
e pelas mais mimosas fldres da poesia e 
do estylo, nào se oompozeram em breve 
tempo ou com leve trabalbo. Levaram 
annos e annos da vida do seu author, fi- 
zeram-no compulsar bastantes volumes, e 
foram o f ruoto de muitas vigilias. A ins- 
pira9ao, que as animou, n&o nasceu n*um 
so instante ; com os esfor^os do estudo e 
as emo^oes da vida penetrou pouoo a 
pouco no seu animo, e d'abi so fìltrou 
para as suas obras, imprimindo n'ellas o 
pensar e o sentir intimo do seu author, e 
deixando ahi espalbadas imagens mui vi- 
vas da sua existencia passada. 

Esses trabalbos, que mais do qvLQ ne- 
nbuns outros formam parte do espirito do 
seu autbor, que Ibe custaram tantas fadì- 
gas, que o trouzeram por largo tempo 
indeciso àceroa da gloria qne Ibe gran- 
geariam, b&o-de offereoer-lbe, com a li- 
mi ta^&o da propriedade intellectual, iu- 
cros menores do que aquelles que pode- 
ria alcan^ar, escrevendo com menos des- 
velos e dando-se maior pressa. 

As obras primas nem sempre s&o bem 
acolhidas por todos. As vezes a maioria 
doB bomens a8o as entondo, e o circulo 



intellectual, cpie as sab<»eia, é ass&s li<» 
mitado. É mister que os annos vòlvami 
para ellas deizarem lueros aos seus au-* 
thores. 

Os livros de sciencia, que mais bri- 
Ibam por novas luzes, os poemas, ccgos 
cantos mais se sublimam, nem sempre 
deparam com tamanbo numero de leito- 
res, corno muitas obras mais vulgares 
pela idèa e mais baizas pelo sentimento ^ 
e por isso è-lbes indispensavel um espa^ 
90 de tempo «mais longo ou um mercado 
mais vasto, para darem lueros aos seus 
autbores. 

Abrir pois novos mercados às obras in- 
tellectuaes, e perpetuar a sua proprieda- 
de è concorrer para a prosperidade das 
letras patrias, animando a feitura de 
obras primas. D*outra sorte os melbores 
engenbos dar-se-h&o a misteres, que nSlo 
sào tfto conformes com as «uas inclina- 
95es, e perder-se-b&o muitas riquezas na- 
turaes, ou entregar-se^h&o a trabalbos 
futeis, eom que nem as sciencias se es- 
dare^am, nem as artes se elevem. 

Aqui vem a ponto citar Jobard, a fim 
de corroborar o que levamos dito com os 
factes que elle refere. 

«A bistoria da contrafac^&o, diz Jo- 
bard, uma das ^randes exploragoes da 
Belgica, nos servirà para demonstrar a 
marcba que seguem, ou que devem seguir 
certas industrias, entregues à livre oon- 
correncia. 

Nos primeiros tempos da funda^&o do 
reino dos Paizes Baixos, o arder da reim- 
pressfto (alcunba bonesta da contrafac- 
c&o, inventada pelo maior oontrafaetor 
belga) era t&o vivo, que todo o mundo 
se querìa metter a reimprimir. Criados, 
operarios, camponezes, que apenas sa- 
bìam soletrar, largavam os seus traba- 
lbos, para manejarem o oomponedor ou a 
imprensa. Era um espectaculo digno de 
se vèr ! reimprimia-se tudo, atè a grande 
obra do E^pto, e tudo de gra^a. 

As fabncas de papel e fiindi^ào do- 
bravam e triplioavam seu pessoal. Um 
volume de medicina, de direito ou de 
litteraturà cbegava de Paris, e logo um 
editor se apoderava d*elle ; o seu calculo 
fazia-se depressa, mil volumes serSo pa- 
ra a Belgica, e mil para os outros pai- 
zes, depois tratava de os reimprimir. A 
sua opera9&o seria ezcellente, se elle fos- 
se so ; mas vinte e ciuco concorrentes fa^ 
ziam no mesmo dia e à mesma bora o 
mesmo calculo; assim offereciam cin- 
coenta mil ezemplares a um publioo, 
que nào podia consumir seufto deus mil ; 
as consequencias d'urna offerta tfto snpe- 



150 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUBZA E ESTRANGEIRÀ 



rior à procura eram qnebras sobre quo- 
bras, ficando muitos empresarios arroi- 
nados^ fugindo outros e despedindo 08 
seus operarios. Tanto é certo quo até o 
roubo carece de organisar-se paca dar 
bona resultados». 

Todoa esses factoa que acabamos de ci- 
tar proyam esuberantemente que a falta 
de respeito pela propriedade intellectual 
toma OS livros relativamente mais caros 
e peores. 

Falla-se em instruc^S^ publioa, dese« 
ja*se que ella se desenvolva, anhela-se 
por levar às ultimas camadas sociaes os 
seus influxos beneficos, e nega-se aos au- 
thores a garantia da sua propriedade ! ! I 
Realmente, iato é urna contradic9ào fla* 
grante ; pois, por ventura, espera-se fazer 
baixar o pre^o dos livros, toruando os 
lucros dos seus editores mais duvidosos? 
Nào é, pelo contrario, mais naturai que 
o seu pre^o suba com estes riscos, comò 
OS juros dos capitaes mutuados, que sào 
tanto mais caros quanto menos seguras 
s&o as hypothecas que os garantem ? Nào 
é isto mesmo o que tem suecedido em 
Franca, onde as obras de Balzac, de 
Alexandre Dumas e de outros authores 
diminuiram de pre9o, porque os seus edi- 
tores possuem a sua propriedade, por 
um largo espa^ de tempo, e podem ob- 
ter urna tiragem de maior numero de 
exemplares, sem temerem a contrafac- 
9^0, e sem recearem que ella Ihe cause os 
prejuizos que se verincaram na Belgica ? 

A injustì^a de se n§^ admittir a here- 
ditariedade das obras intellectuaes tor- 
na-se mais palpavel, reflectindo-se na 
sorte da maior parte dos grandes inven- 
tores. Muitos d^estes espiritos de eleÌ9ào 
sacrificam à realisa^&o de uma idèa, quo 
enriqueoe milharea de individuoa, saude, 
Vida, fortuna e esperan9as para suas af- 
feicoes mais caras. 

Que dores pungentes n§.o dilaceraram 
cora^ào de Thomaz Grey, o inventor 
immortai dos caminhos de ferro, que opu- 
lentam os povos eivilisados, que estrei- 
tam as suas rela^oes, que apertam os la- 
Qos de amizade, e que os esciarecem pe- 
la communica^ào de idéas e sentimentos I 

Esse espirito soberano pelo genio e pe- 
los infortunios luctou vinte annos com as 
maiores adversidades, despendeu em ex- 
periencias a sua fortuna e o dote de sua 
mulher, e so viu realisar a sua idèa, de- 
pois de estar completamente arruinado, e 
de haver perdido o direito que tinha so- 
bre essa descoberta, cujos effeitos sào in- 
oalculaveis. 

Viu-se esse homem, t&o illustre corno 



infelia, fazer-se vidreiro, é com um ta- 
boleiro de vidros às costaa contemplar o 
fructo do aeu genio, que eneerrava em 
ai o principio de tantas riquezas, e quo 
para elle fora a causa de perder a sua 
fortuna e a de sua mulbor e filhos, e ou- 
viu-se-lbe dizer com mui singular accen- 
to de exalta9ào e melancolia : — £u tìuhA 
razSlo. 

Infortunios comò os de Grey nào sào 
raros, que as deacobertaa, que mala se 
avantajam pelos servi^oa que preatam 4 
humanidade, encontram qiiaai aempre 
maiorea estorvoa. Oa intereaaea creados, 
eapirito da retina, o aferro às velfaas 
uaan9a8 sào outros tantos motivos, que 
obstam ao seu triumpho e levantam mon- 
tes de difficuldades ante os homens de 
genio. Em goral os inventores vuigares 
correm por um mar de rosas, em quanto 
OS mais altos eapiritoa da humanidade se 
véem engolfados nas ondas temerosas de 
um oceano de horrendas procellas. 

autbor de um botào de luvas ga- 
nbou 60:000 fraucos, o de um alfinete de 
gancho 70:000, o de uma mola de fecbar 
porte-monnaies 50:000, em dous annos, 
em quanto Grey e muitos outros homens 
da sua esphera empobreceram por causa 
das suas descobertas, e so as viram dar 
bons resultados, quando jd nào tinham 
direitos sobre ellas. 

Nào f aliar ào, portante, bem alto esses 
exemplos para calar no animo de todos a 
necessidade de se reconhecer a beredita- 
riedade da propriedade intellectual, co- 
mò uma indemnisa9ào do trabalho do ho- 
mem de genio, ou antes corno um direito 
sagrado ? 

reconhecimento d*esse direito nào 
sera, tambem, um meio de animar os tra- 
balhos de maior vulto, e de evitar que o 
premio da produc9ào seja em razào in- 
versa da sua utilidade ? 

A experiencia dos povos falla igual- 
mente em nesso favor, com bastante elo- 
quencia. As na9oes progridem na razào 
directa da protec9ào, com que se tratam 
OS productores das obras intellectuaes. 
Assim na Inglaterra, em que se Ihes con- 
cede por mais tempo a sua propriedade, 
a industria caminna na vanguarda da 
civilisa9ào, em quanto na Turquia, em 
que as leis s6 os livram de serem em- 
paladoB, nào ha progresso industriai ou 
artistico, e os seus habitantes vivem na 
indolencia e debaixo do imperio da mise- 
ria. 

Do que ahi deixamos dito se ve a ad- 
miravel conveniencia, com que os inte- 
resses humanos se casam com a justi9a, 



ERNESTO GHARDRON, EBITOR 



151 



e a maravilhosa harmonia, com que a 
Bcìencia economica se enla^a ìntimamen- 
te com a philosophia do direìto. 

£m face d'essas ìdéas, n&o podemos 
acabar de entender corno o sor. Seabra, 
espirito tao afeito à j astica corno dado 
aos estados sociaes, n§^ considera a li- 
mita^ào da propriedade intellectiial corno 
urna verdadeira viola9§.o dos direitos 
mais sagrados. 

Pois ao mimoso da fortuna, que via a 
luz do dia entro sédas e damasoos, e a 
quem os gozos da riqueza sorriam desde 
o ber^o, na-de permittir-se legar a seus 
filbos 03 seus cabedaes ; em quanto ao bo^ 
mem de genio, que desde o alvorecer da 
sua Vida se afanou por urna idèa, que 
por ella sacrificou baveres, estado, vai- 
dades do mundo, prazeres da mocidade, 
e remanso de urna vida descuidada, n&o 
se ba-de conceder deixar aos seus filbos 
OS seus trabalbos, que foram o fructo de 
grandes lides, e Ibe pungiram o corac&o 
com espinbos dilacerantes ? ! 

Realmente admira-nos que o snr. Sca- 
bra nào reeonbe^a que os servi^os imma- 
teriaes devem ter as mesmas garantias 
de serem recompensados que os mate- 
riaes, por isso que sondo s. exc.» autbor 
de urna obra de tanta monta, corno é o 
seu projecto do Codigo civil, melbor do 
que ninguem deve saber as difficuldades 
com que o genio lucta, para levar ao ca- 
bo urna obra d*essas, as adversidades que 
Ibe estorvam o trabalbo, as duvidas e in- 
certezas que o amarguram, e as contra- 
rìedades com que se acba a bra^os, para 
realisar as suas idéas. 

N*este nosso seculo, em que tanto se 
accusa a presente gera^ào de se curvar 
ante o vello d'ouro, e de se ir após el- 
la, comò se so abi deparasse com a feli- 
cidade, nào seria muito para desejar a 
crea^ào de um novo poder attractivo, 
para onde os espiritos se inclinassem, e 
ante quem se dobrassem, comò diante de 
urna outra potencia mais nobre e eleva- 
da? N3.0 seria oste al vitro um excelien- 
te meio de refrear o desejo ardente de 
enrìquecer depressa, que deverà tantas 
almas e as despenba na voragem das 
paixoes. ruins, nas commo^oes violentas 
dos jogos do azar, nas empresas arrisca- 
das e perigosas, e nas expiora^oes litte- 
rarias de obras immoraes, que so fallam 
aos sentidos, revestindo o vicio com as 
còres da virtude, e cobrìndo as suas cha- 
gas asquerosas com as fldres da poesia e 
do estylo? 

Se em lugar de se dizer F. é ricò, por- 
que seu avo era um grande morgado, 



um negociante opulento, um usurarlo re- 
pellente, ou um falsario infame, se dis- 
ser P. é rico, porque seu avo era um 
bomem de genio, que nobilitou o seu no- 
me e engrandeceu a sua fortuna pelas 
suas obras, muitos que, actualmente, 
olbam com desprezo para o talento, h&o- 
de respeitar esses bomens imaginarìoe, 
visionarios sublimes, que boje so Ibes 
inspiram compaix&o. 

Os antagonistas da perpetuidade da 
propriedade intellectual recordam que 
n§.o ba nada mais facil do que uma obra 
de nota cabir nas màos de um proprie- 
tario, que S€ja ìnimigo das idéas propa- 
gadas niella, e cigos prineipios o levem 
a intentar a sua aniqula^ào. N'um jor- 
nal francez, o SecuLo, Mr. Texier, defen- 
dendo a opinilo que combatemos, aven- 
tou a reflexSlo seguinte: «Imaginai os 
setenta volumes de Voltaire nas m&os 
de um proprietario, que os cedesse aos 
jesttitas, e dizei-me se Voltaire n&o se- 
ria expulso do mundo, reduzido a cinzas 
e sepultado para sempre». Mais abaixo, 
n*esse mesmo artigo, acrescenta Texier : 
oc Com que direito se ba-de obrigar o 
proprietario das obras de Voltaire a re- 
imprimir uma nova edi^Slo, quando a 
antiga estiver esgotada ? » 

O illustre escriptor, que acabames de 
citar, nSo sabe o direito com que a so- 
ciedade farà reimprimir uma obra ! Pa- 
cil, porém, Ihe seria deparar com esse 
direito. Na propria cidade, que babita, 
em Paris, n'esse emporio das sciencias e 
das artes, està elle em pràtica conti'* 
nua« e se tem exercido milhares de ve- 
zes para tornar essa cidade, t§.o de en- 
cantos, ainda mais convidàtiva e sedu- 
ctora. A razào, que abona as expropria- 
Qoes, por utilidade publica, nào se pode- 
rà applicar à propriedade intellectual, a 
fim de se alcan9ar, por meio de expro- 
pria^ào e mediante a competente in- 
demnisacào, uma nova edÌ9§.o de uma 
obra, ciya reimpressao se deseja?! Que 
motivo bavera para usar da expropria- 
^ào, para com as outras propriedades, e 
nSo a por em pràtica com està?! Ne- 
nhum de certo. Porque nfto se substitui- 
rà, pois, a disposicelo do art. 668 do pro- 
jecto do Codigo civil, por uma outra, 
que determine a expropria^ào das obras 
intellectuaes, cnjos proprìetarios deixas* 
Sem de as publicar, sondo ellas de reco- 
nbecida necessidade? Assim concilia- 
vam-se os prineipios da justi^a com as 
exigencias sociàes, e nào se privavam os 
individuos de direitos sagrados, sem pre-i 
viamente se indemnisarem. 



152 



BIBUOGHAPflU PORTUiHJEZÀ E BSTRÀNGEIRA 



MiiitOB, porém, dir&o qve é tolher o 
desenvolvimento de mn pOTo asuardar a 
espropria^, por utilidade publioa, para 
se reimprimir urna obra. Temer-BO-ha, 
por ventura, qae, dominando ama fac- 
9&0 politica inimiga de certas obras, ella 
as condemne à aniqaila^&o, nfto decre- 
tando a utilidade da saa publica^&o, e 
negando-lhe d'està arte a publioidade, 
por que anbelam os seos adyersarios? 
K&o sappdmos que entro nm povo de ho« 
mens livrea, que as luzes da civilÌ8a9&o 
alumiam, se pratìquem factos d'esses. 
N*um paiz oonstitucional a tolerancia 
deve tomar-se um habito inveterado, um 
costume diario, e o temer de publìca- 
9oes adversas a um ou outro grupo poli- 
tico nfto 08 deve intimidar, mas animar ; 
pois Ibe dà azo de se acharem face a fa- 
ce com OS argumentos dos seus contra- 
rios, e de os combater com conhecimen- 
to mais intimo, e sem que elles est^àim 
protegidos pelo mysterio, que engrande- 
ce todas as cousas, e as toma mais po- 
derosas sobre a imagina^&o dos povos. 

Concedendo, comtudo, que esses receios 
flcjam attendiveis, bavera, por isso, moti- 
vo de privar dos seus direitos os herdei- 
ros da propriedade intellectuai ? N&o o 
julgamos, pois concebemos outro al vitro, 
pelo qual se podem debellar esses incon« 
venientes, sem haver necessidade de fe- 
rir direitos sagrados. Permitta-se, pas- 
sado algum tempo, depois da morte de 
um autnor, a publica^fto das suas obras 
aos editores, que pagarem urna certa 
quantia aos herdeiros d'aquelle. D^este 
modo barmonisam-se todos os interesses, 
e respeitam-se todos os direitos. 

Adopte-se, pois, um d'esses alvitres, 
seja elle qual fdr; que nenbum d'elles 
offende direitos ; mas tome-se a proprie- 
dade intellectuai tfto sagrada comò to- 
das as outras. 

Como à autboridade desegamos contra- 
p6r a autboridade, n^ so a for^a dos 
argumentos, cerraremos oste trabalho, 
citando a ultima parte do discurso de 
Waleski, presidente da commissào en- 
carregadaf em 1862, por S. M. o impe- 
rador dos francezes de apresentar um 
prqjecto de lei sobre a propriedade litte- 
rarìa. 

• Quando, diz o nobre ministro, ba 
mais de deus seculos as obras dos gran- 
des mestres bonram a Franca, quando 
ellas enriquecem os editores que as pu- 
blicam e os tbeatros que as representam, 
nào ba esplicar por que ellas nào ali- 
mentam os herdeiros dos seus illustres 
authores! tempo leva comsigo depres- 



sa as obras m&s, mas as boaspsrecejns^ 
to que sejam t&o productivas comò bSo 
duradouras, que logrem fortuna igual 
ao seu valor. 

cTem-se fallado multo e com rasfto 
dos herdeiros de Comeilie e Bacine^ e 
de tantos outros, que vivem na miseria, 
e cuja rìqueza pal^monial se saorifieon 
ao que se cbama o dominio publico. Sem 
duvida alguma o interesse goral da 80*- 
ciedade, que comtudo é facil conciliar 
com interesse particular do esoriptor 
reclama a atten^ào do legislador, mas é 
mister, tambem, tomar cuidado de nftò 
sacrificar a essa lei do dominio publico 
OS direitos sagrados da propriedade. 

« Se nos reportamos à defìni^&o àcerea 
da propriedade litteraria pelos homens 
mais eminentes, e Qnjti autboridade é in- 
contestavel, n&o se póde deixar de reco- 
nbecer que essa propriedade tem direito 
a ser tratada com a maior protec^&o. 

e Assim segundo o edito redijg^do por 
Target : Essa propriedade é a primeira, a 
mais sagrada e imprescriptivel de todas. 

«Segundo Diderot: autfaor é senhor 
da sua obra, ou ninguem o é. 

«De todas as propriedades, dizia La- 
kanal em 1793 — a menos susceptivel de 
contestaQÒes é, sem contestacelo, a das 
produc^oes do genio. , 

• Segundo o sur. conde de Portalis 
(camara dos pares de Franca 1839) : É 
urna propriedade por natureza, por es- 
sencia, e por indivisibilidade do objecto 
e do sigeito. 

«.Finalmente, o prihcipe Luiz Napo- 
le&o escrevia ao sur. Jobard, de Bruxel- 
las, em 1844: A obra intellectuai é urna 
propriedade comò urna casa, corno urna 
terra, e deve gozar os mesmos direitos, 
e n&o poder aHenar-se sen&o por causa 
de utilidade publica. 

« As commissoes de 1825 a 1836 tem 
comtudo declarado nos seus relatorios 
que eram favoraveis à perpetuidade da 
propriedade intellectuai, e que so recua- 
vam em vista das difficuldades que ella 
encontraria na pràtica. Jà antes d 'ellas 
nomes illustres se tinham pronunciado 
n'este sentido: Diderot, Voltaire, Se- 
guier, mais tarde, os snrs. de Monta- 
lembert, de Ségur, conde de Portalis, 
Victor Hugo e, em 1841, o relator da 
lei apresentada à camara, para estender 
a 30 annos o direito da propriedade in- 
tellectuai. 

« Eis o que diz o sur. de Lamartine, 
n*um ultimo esfor^o em favor da perpe- 
tuidade : Eu pe^o 50 amios para os di- 
reitos da inteiligencia, porque eu sinto 



ERNESTO GHÀBDRON, SD^OR 



153 



cpie, por veniara, aioda n&o chegou a 
oocasuU» de fld me oonoeder mais; mas 
tambem^ vob digo qae no dia, em qae 
proclamardes a perpetuidade da proprie- 
dade litteraria, tereis emancipado o pen- 
samento homano. 

f Esse dia, senhores, chegou jà? Por 
yentora as objec^oes qae se apresenta- 
ram centra a applica^&o dos principios 
de direito commum à proprìedade intol- 
lectual deixaram de ter valor? No esta- 
do da nosaa legisla^ào n&o sera permit- 
tido consagrar o direito qoe deveriam 
ter OS authores de obras litterarias e ar- 
tisticas, comò os authores de todas as 
produc^oes, de dispòr liyremente e para 
sempre do fruoto do seu trabalho? 

«É a vós, senhores, jà yos disse no 
principio, e digo-yos ainda, qae pertence 
resolver essas momentosas questoes. 

«0 imperador aguarda o resultado 
dos vossos trabalhos. Gonfiando nas vos- 
sas luzes, sua magestade n&o póde en- 
trar em duvida que da discussào quo se 
vai encetar sahirà a solu^&o mais favo- 
ravel aos verdadeiros interesses das le- 
tras e das artes». 

^ Para alguns sera este nesso argumen- 
tar um laudar palavras ao vento, ou um 
esgrimir no ar e dar golpes em vSo, co- 



rno disia nesso bom &ei Luis de 8oa« 
sa, pois ter&o em pouca conta essa que§m 
tfto ; visto que em paie pobre, pequeno q 
que, come o nesso, marcha a passos len- 
tos no caminho da dvilisa^ào, fraca sea« 
ra poder&o ceifar os senhores da proprìe- 
dade inteilectual. Comtudo, por pequena 
que seja a eztensào do campo, em que 
se ezerce um direito, este nem por isso 
deiza de dover respeitar-se, e de mere- 
cer que, em sua defeza, so levantem vo- 
zes. Realmente sena cousa multo para 
rìr limitar os lucros dos nossos authores 
e n&o se soltar uma s<S palavra em sua 
defeza; porque elles tem um mercado 
mais acanhado, e rendas mais cerceadas 
do que os outros productores. 

Demais, se os proventos auferìdos em 
Portugal pelas artes, pelas letras e pe- 
las sciencias sào actualmente de pouca 
monta, quem nos diz que elles nSlo subi- 
rlo de ponto com o volver dos annos, o 
incremento da instruc^&o primaria, a di- 
vuLga9ào das luzes, o desenvolvimento 
das nossas vastas colonias e a confee9&o 
de tratados, que garantam a nossa pro- 
priedade inteilectual, nos eztensos domi- 
nios do imperio do Brazil ? 

V. U. DB FABIA E MAIA. 



■ njinif p^^^lF^ poesias por L. A. Goncalves de Freitas. — 1 
I Ifl r n Elda U Hdy volume 700 reis. 

OircL^ao Aiii.e1>i*e de Maitoiisi .Antoniiig^ extrahida da trage- 
dia de William Shakspeare, JULIO CESAR, vertido do inglez por Antonio Petro- 
nillo Lamarào. — 1 volume 700 reis. 

BIBLIOTHECA HISTORICO-SCIENTIFICA 



I — Hambl: Historia da Revola* 
gSo Franceza de 1789, prefaciada, tra- 
duzida e annotada por Consiglieri Pedro- 
so e Carrilho Videira, obra oaseada nos 

frandes trabalhos historìcos de Michelet, 
iuiz Blanc, Quinet, Thiers, Cariayle e 
Sybel. — Um volume de 700 paginas com 
08 retratos dos principaes heroes e mar- 
tyres da grandiosa Revoluc&o. lisboa, 
1877— 2jW)0 reis. 

II — Theophilo Bbaoa : Tragos ge- 
raes de phìlosophia positiva compro- 
vados pelaa descobertas soientificas 
modemas, Lisboa, 1877 — 700 reis. 



Ili — Thsophilo Bbaoa : Historia Uni- 
Torsaly esboQO de socicdogia descriptiva. 
— No^ào positiva da historia e civilisa- 
95es fundadas sobre o empirismo das ar- 
tes industriaes: Egypto, Ohaldéa, Baby- 
Ionia, Assyria,— 1 volume l^SOOO reis. 

NO PRELO 

TnteOPHiLO Bbaoa: Historia Univer- 
sal, Civilisa^oes cosmopolitas propaga- 
doras das civilisa^oes isoladas (judeus, 
phenicios e arabes). 



BIBLIOTHECA CONTEMPORANEA 

!ÉUia Oli a Hespanlia lia tiHLiita. auno^.— X^ody Virg^- 
iiia9 por Feman Caballero. — 1 volume 500 reis. 



154 



BIBUOGRÀPHIA PORTUOUEZÀ E ESTRANQEIRÀ 



OS CEITICOS 



DO 



O^IsTOIOlsI JiJJJiòO .AXjEO-I^/E! 



n 



O isnr. Carlos I^obo d'A.T'ila ^ 



A crìtica d'este litterato vem gravida 
de duas idéas superiores, boas e t§U) re- 
solutiyas que parecem de Taine. A pri- 
meira é chamar-me vdho o snr. Lobo 
d'Avila. Este argumento fulmina — éum 
triumpho. A sua exactidào é tao ìmpe- 
netravel que eu so poderia questional-a 
com sophisma da Agua Circassiana usa- 
da pelas familias principaes da Europa. 
A segunda formula é chamar-me catur' 
ra. Nào exal^arei os gabos d'està idèa 
até a considerar um raio luminoso do 
grande dlbo da primeìra. Como accesso- 
rio de òlho, parece-me secre^So. Eu real- 
mente n§,o sou caturra. Estou às avessas 
do que devia estar n'esta idade senil. 
Tenho vinte annos para sentir o que faz 
nervosismos e insomnias com o remo^ar 
das bellas oousas da alma. Bejeito infe- 
lizmente tudo que poderia encber-me as 
noites de somnos sadios. Leio com avidez 
snr. Lobo d'Avila que me espertina, 
e n§,o posso lér com iguaes delicìas Ma- 
noel Alvares Pégas que me anestbesia o 
cerebro com as letargias dos justos que 
dormem. Foi iniquo o snr. Avila. 

Mas est&o agora a pruir-me uns dese- 
jos de caturrar um pouco com o juvenil 
academìco. You fazel-o para que s. exc.^ 
n&o se arrependa de ter adjectivado aos 
commentos do Oaj].eioii.eii*o a.le- 
um epitbeto que nào Ihes quadra. 

N'este primeiro numero da Eeviata de 
Coimbra està um artigo intitulado — 
aasassinqào iafhdivxdiutl e o assaaaincUo col" 
lectivo, É assignado pelo snr. Carlos Lobo 
d'Avila. Acbo aqui duas linhas crespas 
de erudÌ9§.o que, pelo grosso cabedal de 
estudos velhos que representam, nào pa- 
recem elaboradas n'um espìrito juvenil. 
É iste : « Panerà et circenses — bradavam 
OS romanos da deeadencia — pan p toroa 
— exclamam os bespanboes d'agora». 

1 B9vi8ta de Coimbra, n.<> 1. 



Aqui ha conhecimentos n&o vulgares ; a 
cita^&o tem tal qual novidade, a romana 
principalmente ; mas o que nào ha é exa- 
ctidào. Em qual dos historiadores leu o 
snr. Lobo d'Avila que os romanos da de- 
eadencia bradassem «panem et circen- 
ses » ? Nenhum historìador o disse. Foi 
um poeta satyrico, Juvenal, (està o snr. 
Avila recordando-se) que, deplorando na 
satyra x a deeadencia do povo, exclama : 
«Este povo que outr'ora dava imperios, 
fasces, legioes, tudo, eil-o impassivel, 
e so duas cousas com ardor deseja, anxitts 
optai, p&o e espectaculos » . 

nam, qui dabit olim 

Imptrium, fasces, legiones, omnia, nune se 
Continet, atque duas tantum res anxius optai 
Panem et circenses. 

Preferir, desejar, querer nào é hradar, 
sur. Avila dà ao sìmples rcparo criti- 
co do poeta o vulto d'um successo social 
e historico, tendo em pouco a joeira exe- 
getica por onde Michelet faz passar as 
tradi^oes romanas quer sejam do visio- 
nario Livio, quer do austero Tacito. A 
escóla positiva impoe o dover de nào dar 
fóro de historìa a textos transtomados 
dos poetas. 

snr. Avila póde allegar que repe- 
tiu um erro muitas vezes reproduzido. 
Isso nào é razào. Quem veio repurgar as 
sciencias historìcas da bilis viciosa dos 
caturras, tem obrìga^ào de corrigir erros 
que OS caturras Ihe communicam. Em 
summa, o povo romano o que mais que- 
ria {anxiua optat) era pào e circo ; mas 
nào Dradava por CBsas cousas. 

Adiante. 

Trata depois s. exc* de historiar as 
ultimas horas de Juan Oliva y Monou- 
si que tentou matar Affonso xii, e cb- 
creve : 

« Ha vinte e quatro horas que esse ho- 
o( mem, que ahi passa, foi prevenido que, 



ERNBSTO CHÀBORON, EDITOfi 



155 



«r minuto por minato, so Ihe restava esse 
«r espa^o de tempo para viver. £ durante 
« estas horas tremendas, que seriam para 
e essa consciencia corno que os cyclos ter^ 
cr riveia do inferno dantesco, a sociedade 
« representada pelos seus cérberos mais 
« solicitos, espìou com urna curìosidade 
«ferina os transes dolorosos d'aquelle 
« martyrologio ». 

Va de caturrice. 

Que intelligencia dea o snr. Lobo 
d'Avila àquelles cyclos terriveia do in* 
ferno dantesco f Sera eate cydo o hiklos 
grego? Nào me parece que s. exc.* tra- 
duzisse cerchia de Dante em cydo. To- 
das as linguas neo-latìnas e teutonicas 
tem o cydo corno synonymo figurado de 
periodo j espago ; ao mesmo tempo que as 
velhas sciencias astronomicas tem o « cy- 
clo dos gregos » , o « das gera(^oes » , o 
« lunar » , o « solar » , o « dionjsiano » , 
etc, no seu genia! significado. Figura- 
damente, dizemos poetas cydicos, e poe- 
mas cydicos, eia. cydo dantesco é de- 
tcrminado pela influencia que exerceu o 
grande poeta fiorentino com a reconstruc- 
9^0 da poesia amorosa pelo elemento da 
philosophia platonica, associando o amor 
do bello absoluto à poesia religiosa e ga- 
ianteadora dos trovadores proven9aes, 
catalàes e sicilianos. 

Tem snr. Avila um bom exemplo do 
termo que Ihe dà no Preamhulo da JRe- 
vista snr. dr. Correa Barata : « Os he- 
roes d'este cyclo anacreontico foram os 
redactores da Folha » . Oufcro exemplo de 
um adoravel e jà extincto redactor do 
Instituto, o dr. Vieira de Meirelles : Ha 
na longa vida dos povos um cyclo, cujos 
historiadores se rastreiam pdo cunho de 
originalidade que os avvita. 

Se o snr. Avila, hellenisando, escre- 
vesse cyclo comò circulo alludindo à to- 
pographia do inferno de Dante, seria 
mais grego que o proprio snr. Viale que 
é grego até à medulla dos ossos — medulla 
feita do mei do Hymetto condensado & 
temperatura de borracha — um favo co- 
lossal, todo elle, comò é notorio. Pois o 
snr. conselheiro Viale, quando traduz 
Dante, diz circvlos, e nào cydos i. 



Assim desci do circuì primeiro 
Ao segundo, etc. 

Cant. y, nos AnTia^ daa sciendas e It- 
traSf t. I. 



A mea juizo, se me permitte exhibil-o, 
o snr. Lobo d* Avila defrontando as horas 
tremendas do josti^ado de Madrid com os 
cydos terriveis do inferno dantesco, qae- 
ria sopesar as angustias do padecente 
com as que soffrem os condemnados nos 
cyclos (periodos, prasos) da expla^ào in- 
fornai? Parece-me que estou ouvindo 
responder-mes.exe.*: 
— É isso mesmo, seu velho catttrra I 
EntSo, se é isso, nào conhece s. exc* 
perfeitamente a legisla^ào do inferno do 
Dante. Alli nào na cyclos, nào ha pe^ 
rìodos, porque o tempo nào entra na eter- 
nidade. As dòres sào eternas : 

Per me si va nell* etemo AoUtr: 

Nào ha esperan^a; quem a leva des- 
poja-se d'ella à porta : 

ed io etemo duro ; 

Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate. 

Recorde s. exo.* os primeiros tercetos 
do canto iii. 



« 



Outra caturrice no mesmo periodo : 

« Os trances dolorosos d*aquelle mar^ 
tyrologio»^ escreve s. exc* 

O snr. Avila sabe que martyrologio de- 
compoe-se em martyr e tractado, histO" 
ria, ou discurso (logos), Quem diz ilfar- 
tyrologio diz Historia dos martyr es. Ora, 
8. exc.^ com certeza nào queria chamar 
a Juan Oliva historia dos martyres ; alias 
destoaria da seriedade melancoiica dos 
seus dizeres n'esta phrase : « a sociedade 
espìòu com uma curiosidade ferina os 
trances dolorosos d'aquella historia dos 
martyres 9. Logo, em vez de martyrolo" 
gio, devia escrever martyrio, menos eu- 
pbonico, mas incomparavelmente mais 
correcto. 

Aqui tem o snr. Carlos Lobo d' Avila 
uma das vantagens da velhice secca sobre 
a litteratara verde. Quando s. exc.^ ti ver 
OS mcus annos, nào escreve d'aquillo. Ju- 
piter lh*os prospere longos com Minerva 
propicia. 



Camillo Castello Branco. 



156 



BIBUOQRAPHU PORTUQUEZA B B8TRAN0BIRA 



SENTIMENTALISMO 



romance que vai Btopare- 
cer com o titulo EUSjEBIO 
MACARIO (Historia nkitural 
e social de urna familia nb tem- 
pò do8 Cabraes)^ tem a se^fuin- 
te Nota: Pede-se d crìtica de 
escada ahaixo o favor de fiào 
deddir jd que o author plagiou 
Imile Zola. EUSEBIO MA- 
CARIO nao é Rougon-Mac- 
QUART ; nera t urna familia no 
tempo dos Cabraes » é e une 
famille sous le second empi- 
re » . Sira, elles, os Cabraes, nào 
sào perfeitamente o segundo 
imperìo. 

romance é precedido da 
seguinte Adveetencia : A His- 
tona naturai e social de urna 
familia no tempo dos Cabraes 
dd fùlego para dezesete volumes 
compactos, bons, d^uma profun- 
da comprehensào da sodedade 
decadente. Os capitulos inclvr 
$08 n^este volume sào prelvdios, 
uma symphonia offenba^chiana, 
a gatta e birìmbau, da àbertu- 
ra de um grande charìvarì de 
trompdes fortes bramindo pelas 
sv^as guelas concavas, metalli- 
cas. Os processos do author sào, 
jd se ve, OS scientifcos, o es- 
tudo dos melos, a onentagdo 
dos idéas pela fatalidade geo- 
graphica, as incoerciveis leis 
pkysiohgicas e climaterìcas do 



temperamento e da temperatu- 
ra, despotismo do sangue, a 
tyrannia dos nervos, a questào 
das raga^, a ethologia,, a he- 
reditarìedade inconsciente dos 
aleijdes de familia, tudo, o 
diabo! 

author trabalha desde an- 
tes de hontem no encadeamento 
logico e ideologico dos dezesete 
tomos da sua obra de recons- 
trucqàx), e jd tem promptos dez 
volumes para a pvblicidade. 
Mas é necessarìo a quem reedi- 
fica a sodedade saber primeiro 
se ella quer ser desabada a pan- 
ta-pés de estylo para depois ser 
reediflcada com adjectivos pam- 
posos e adverbios rutilantes. Pa- 
ra isso, primeiro avawp épòl^a 
nUa, escrutar-lhe as lepras, la- 
vrar grandes actas das chagas 
encontradas, esvurmar as bos- 
tellas que dcatrizaram em fal- 
so, excorialras, muito cauterio 
de phrases em braza. É o que 
se faz nas folhas preliminares 
d^esta obra violenta, de comba- 
te, destinada a entrar pelos co- 
raqoes dentro e a sahir pelas 
merdarìas fora. 



S. Miguel de Seide, 
junho, 1879. 



Camillo Castello Sbanco. 



BIBLIOGRAPHfA PORTCfGUEZA E ESTRANGEIRA 



EDTJCAglo E Ejsrsmo 



hi- 
h 



liMiné rieiiry 

Sistoria antiga. 1 voi 400 

Adolpho Cociho 

Questào do ensino. 1 voi ... . 200 



ItcìMabat 

Methodo de leitura sem soletra^lU). 

1 voi 80 

Methodo de loitura e traduc9llo in- 

gleza. 1 vol*.cart 500 



Tito de IVoronha 

Cartas escolbidas do padre Vicira. 
1 voi 400 

Charbonneau 

Cut so de pedagogia. 1 vd. . . Ijjlooo 



LIYROS RELIGIOSOS E PHILOSOPHICOS 



È 
ii 



'•0 



Fraiiclfico lietCInjscr 

Apologia do ChristianiBmo. Obra 
completa. 5 voi GjJOOO 

Padre Rlvniix 

Tratado de liistoria ecclesiastica. 
3vol 8^600 

Padre (Hchoappe 

Curso abroviado de religiào. 1 gr. 
voi 1^200 

Padre Mach 

Thesonro do sacerdote. 2 voi. 2^400 

Vm cathollco brazllelro 

Ensaio do programma para o parti- 
do catholico no Brazil. i v. 300 

Franelfico Luis €le ileabra 

A Pldr dos Prégadorea. 7 v. Sj^BOO 

Roger 

O fim da Vida. 1 gr. voi. . . . 1^000 

Padre Gaairelet 

A franc-ma^onaria e a revolu^So. 
3 voi 1^500 

Debreyne 

Esttidos de theologia moral. 1 vo- 
lume 800 

Henrlcta Renach 

A Blblia e a natureza. 2 voi. 2^^000 

Abbade Martin 

fTheologia moral em quadros. 2 voi. 
in-S.» gr SjjlOOO 

Abbade Galllois 

IbcpHca^ao litteral e moral das 
Epistola 8 e Evangelbos. 2 vo- 
lumes 1^.500 

Ebcplicai^o bistorica, dogmatica, 
moral, litorgìca e canonica do 
Cateclsmo. 4 voi 4^000 

b. Joào M. P. d'.%niaral e 
PlmenCel 

à sciencia da civilisa^o. 1 grosso 
voi 1^000 

Rlspo d^Orleana 

fSstudo àcerca da franc-ma^onaria. 
1 voi 400 



Abbade Dabois 

O padre santificado. 1 gr. v. IjJOOO 

liOls Moreira Maya da 
iillva 

SermSes escolhidos. 2 voi. . . 2,51000 

Abbade ToiinIsMoiix 

Os diffamadores do clero catholico. 
1 voi. 200 

Fr. F. de <l. Maria 
Sarmcnlo 

Escriptnra Sagrada. 42 voi. 12^000 

Traclalus de Censuri» 

Juxta Gury. 1 voi 800 

Blnpo da ParÀ 

Direito centra o direito. 1 v. 800 

Dr. I.nl» M. da Silva 
Ramoa 

Ora^So gratulatoria ....*... 120 
Sermào da Immaculada Concei- 

?&o 200 

Sermào sobre a divindade de Nesso 

Senhor Jesus Ghristo 200 

A liberdade de consciencia. . 200 

Pio IX, ora^Eo funebre 200 

A soberania social de Jesus Ghris- 
to 200 

A Clvlllsac&o Calbollca 

Publica^So mensal. Pre^o por an- 
no 1^600 

Monsenhor Bonrret 

Resposta às imputa^oei que se £a- 
zem à Igreja. 1 voi 120 

Roberto Gnllbernie 
H^ood bornie 

A sciencia hodlema o o dogma 

christSo. 1 voi 200 

O natu];alismo. 1 voi 200 

Carileal IVIseman 

Fabiola on a igrreja das catacum- 

bas. 1 voi. com gravuras. 1,^500 

Com urna rica cartonagem. . 2^000 

P. Paulo Perny 

Deus mezes de pris&o sob a com- 
muna. 1 voi 400 



Padre HartInbo 

Serm5es selectos. 3 voi 3,5(600 

Padre ChrIsplm C. F. 
Tavarea 

Hevista catholica 5oo 

Padre Felix 

Conferencias sobre o Socialismo. 1 
voi 600 

R. P. Mach 

Ancora de salva^So. 1 grosso voi. 
cartonado 600 

Manà do sacerdote. 1 grosso voi. 
cartonado 600 

Oatecisrao exemplificado. 1 volu- 
me br 800 

Cartonado. .^ 1^100 

MoiiMcnhor Gaume 

A ag^a beuta no seculo xix. 1 

vol.,...^ 400 

O ccmlterio no seculo xix. 1 volu- 
me 400 

A Vida ó depois da morte. 1 vo- 
lume 400 

O signal da cruz no seculo xix. 

1 voi..., 400 

O Angelus no seculo xix. 1 v. 400 
A Europa em 1848. 1 voi. . . . 200 
Para que serve o Papa ? 1 v. 100 
Onde estamoji ? 1 voi §00 

Henri Conaelence 

Heroes catholico». 2 voi ... . l^QOO 

Inferno e Paralso 

Resposta ao sur. Camillo Castello 
Branco. 1 voi 500 

D. «laymea Balines 

Cartas a um sceptloo em materia 

de religlEo. 1 voi 600 

O Criterio, philosophia pratica. 1 

voi 600 

Miscellanea. 2 voi 1,$[200 

Philosophia fiindaniental. 4 volu- 

mes 2f5l400 

() Protestantismo comparado com o 

Oatholicismo. 4 voi 2,^400 

Curso de philosophia elementar. 2 

voi 1,^200 

VOKea propbetleas 

On appari^Ses e predic^Ses. 1 vo- 
lume 260 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



LIYEOS RELIGIOSOS E PHILOSOPHICOS 



Vli^eonde d'Aseve'do 

Contra-rdsposta dada ao veiho li- 
beral. 1. voi 800 

Ufonsenhor Landì^lot 

A mulher forte. 1 voi 600 

Condensa de «legar 

A Uospedarla do Anjo da Guarda. 
1 voi 600 

Padre Marehal 

A rnulher corno doverla sel-o, 2," 
edÌ9&o. 1 voi 400 

Padre Cros 

O Confessor da infancia e da mo- 
eidade. 1 voi GOO 

D. HI. do P. Slnuéfl de 
llareo 

A Lei de Deus. CoIIec^So de len- 
das. 2.' edÌ9&o. 1 voi 500 

Pouehcl 

So Deus é grrande 50 



«eKur 

concilio 150 

Conselhos praticos sobre a ora- 
rio 80 

A desobriga 40 

O descan^o do domingo 100 

Os franc-ma^ons, o que sSo. . 80 

O Papa é infalli vel 40 

Póde-se ser catholico liberal? • 120 

Antonio P^rnandes 
Cardoso 

Sentido dos ritos e ceremonias da 
missa. 1 voi 600 

Padre Qaadrapanl 

Direct para socegar as alnìas. 

2.*edlQJlo 100 

DirecQUo para viver chri:)t&mente. 

2.*edi9ao 100 

Thomas Vitale 

O pontificado romano 100 

Paolo Féval 

Jesuitas I traduc^So e notas do pa- 
dre Senna Freitas. 2 voi. . If^OOO 



Padre Senna Frelfan 

A tenda de mastre Luoai^ romance 
religioso 1 voi 400 

No Presbyterio e nò tempio. 2 vo- 
lumes 1 j^200 

Pio IX. 1 voi 200 

M. Ferreira Marnoeo e 
filo usa 

Como se ha-de fazer urna boa con- 
fiss&o 60 

Abbade IMarqiiy 

Certeza proxima do firn do mnn- 
do 200 

R. P. Blot 

No céo ncs reconheceremos. 200 
RaceoUa Romana 

Collecf&o de oracSes e obras pias. 
1 voi 600 

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Vida do Santo Padre o Papa Pio ix. 
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Sentimentalismo e Historia (a sa- 

hìr do prelo). 1 voi 600 

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Galeria de figuras portuguezas. 1 
voi 800 

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Gomedia do Lisboa. 1 voi. . . 600 

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trado 1^000 

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Physiologia do matrimonio ou me- 
dita^Ses sobre a felicidade e in- 
felicidadeconjugal. 2 voi. 1^000 

La Vendetta. 1 voi 400 



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A calumnia. 5 voi 2j$l500 

Os anjos da terra. 5 voi .... 2J$[500 
A promessa sagrada. 4 voi. . 1^600 
O anjo da guarda. 3 voi. . . . 1^800 

O pAo dos pobres. 3 voi 1^500 

Os desgrafados. 2 voi 1^200 

Bico e pobre. 1 voi 500 

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lume 400 

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lume 400 

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Porto : 1879 — TypograpMa de Antonio José da Silva Teixeira, Cancella Velha, 62 



1.^ Anno 



1879 



Numero 9 



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Encyclopedia do povo e das escólas. 
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Grammatica da lingna firanceza. 
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i.o ANNO 



1879 



N.o 9 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



OS CEITICOS 



DO 



0-A.3SrOI03SrBII^O ^LEO-K/E 



III 

O ^nir. Mioirtano Pina ^ 



Devo ao Cancioneiro alegre a satisfa- 
9^0 de conhecer o snr. Mariano Pina 
entre os escriptores modernos. Eu nào 
sabia nada das suas letras e pesaoa. Se 
me nào falla k mào, eu, com toda a cer- 
teza, sabiria d'este pianeta sem conhecer 
as artes e manhas de um sigeito que é 
molccula do mesmo pianeta — bem boa 
molecula, o snr. Pina. 

Elle nào é dos que mais ladram ao 
Cancioneiro alegre. Vem à minha testa- 
da, acha o terreno trilhado, liso, calcado 
pelos seus congeneres ; fareja, espoja-se 
a pressa, e, corno Pina que é, vai pino- 
tando pelas savanas do folbetim, corno 
poldro indomito, sem rebenque nem chi- 
lenas, pelos pampas da America. 

Diz que « vergalhei os modernos poe- 
tas » . E mais nada que desafie o uso do 
ìnstrumento de que se faz o azorrague 
que Ihe serviu para aquelle verbo de ca- 
valbari^a. Eu nunca vi tal palavra fora 
dos diccionarios, nem sei se o calao dos 
bordeis a usa. snr. Pina, quanto a lin- 
guagem, sobre ser ignorante, é porco. 



Mas ha mais extraordinarias anomalìas 



i Diario do Commercio n.^ 1283. 



n'este enxovédo. Dà a noticia de ter 
apparecido um livro meu chamado Senti- 
mentalismo ; e diz què é « um absurdo lit- 
terario, uma cousa que nào se esperava 
de mim ; que fiz uma parodia ao realia- 
mo ; que quiz ter gra^a ; que fiquei der- 
rotado ; que fiz mal ao publico que prin- 
cipia a bestialisar-se ; que o Sentimenta- 
lismo produziu o effeito contrario ; que 
devo estar arrependido » . Ató aqui Pina. 

Tudo isto era possivel ; mas seria ne- 
cessario que livro existisse. 

Effectivamente, ha de apparecer um 
livro intitulado Hietoria e sentimenta- 
lismo; mas ainda està em composi^ào 
de escripta e do prelo ; vai-se compondo 
à medida que o vou escrevendo ; sào co- 
nhecidas d'elle duas paginas distribuidas 
pelo editor — o exordio da novella, uma 
cousa que nào é parodia nem o intuito 
do futil escripto. Ora, comò é que este 
lindo maróto fez a critica d'um livro in- 
edito ? 

Explica-se ; parece impossivel ; mas ex- 
plica-se. 

Pina leu que sahiria o Sentimentalismo 
em alguma folha que inadvertidamente 
trasladou o titulo das paginas que rece- 
beu. Entendendo que o romance estava 
publicado, julgou-se no direi to de o de- 
ll 



158 



BIBLIOGRAPfflA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



primir 8em o lér. N&o procurou vél-o 
nem consaltou quem o lesse. Exìstia o li- 
vro? logo — devia ser parodila desengra- 
9ada, ac^ào ma, bestialisadora. Aqui es- 
tà a consciencia, a probidade litterarìa 
do critico snr. Pina — do desgra^ado. Se 
Ihe disserem' : « Deixe cà vèr o Sentimen- 
talismo que a sua critica esfoloa » , Pina 
responde que n&o o via, que nfto conhece 
quem o visse, nem póde saber corno foi 



que o leu ; mas do que se lembra é que 
Sentimentalismo appareceu, e que é um 
aborto litterario, etc. E o publico: — 
« Dà cà o Sentimentalismo, 6 Pina ! » 

Està origiualidade canalha faria rir, 
se nào exprimisse uma cscassez de vergo- 
nha que ro^a pelo absurdo* 

Este snr. Pina tem lesào cerebral. De- 
ve haver oom elle a indulgenda que se 
tem com os bebedos. 



IV 



]M[a]:*iaiio (l>ii9) Pina, 



semsabor&o respingou. Cada vez 
mais charro. É perfeitamente um sapa- 
teiro de mascara a dizer piiherias que 
tresandam ao ceroL Eu nào o largo ; por- 
que a Providencia dos tristes, quando 
nos manda Pinas, abre-nos o thesouro 
das suas crea9oes burlescas ; mas, se eu 
tivesse meu peculio de idiotas mais sor- 
tido, este Pina punha-o fora com deus 
pontapés por associar a uma estupidez 
pre-historica uma indigencia de graQa 
que faz hypocondrias. 

Diz que os meus livros vào ser vendidos 
a 80 reis o Mio ; que estou vdho e doente ; 
que tenho hostdlas, cróstas, pustulasy pus ; 
que sou patriarcka d'urna escóla que des- 
appareceu comò ha 46 annos o governo 
despotico; que a escóla realista assistiu 
serena ao encovamento das meninas dos 
meus olhos. 

Conta historias infantis de familia* 
Quo quando tinha dez annos, lìa os meus 
romances sentado no collo de umas tias. 
Como era precoce o gaiato I Aos dez an- 
nos jà Ha romances sentado no collo das 
tias ! Eram umas tias, diz elle, que se 
alumiavam com candieiro de tres bicos, 
porque os meus livros sS.o anteriores ao 
petroleo e ao gaz. 

Pobres velnas tias com um mariola 
de dez annos no regalo ! Como nào havia 
do sahir palerma um madra^o que aos 
dez annos cavalgava as pernas sovadas 
das boas das velhas ! 

A respeito das scrésmas das suas tias 
temos conversado. Estes Pinas, tanto os 
macbos corno as femeas, acho que eram 
uma^ curiosa familia de idiotas. 

Diz que os meus romances sào do tempo 
em qtie aa constipagdes se curavam com 



cozimentos de passas e chà de flóres de bor- 
ragem e herva cidreira. Este synchronis- 
mo tem uma profunda critica dysentberi- 
ca. Para as constipa9oes do snr. Maria- 
no Pina, a veterinaria nào tem adiantado 
nada : é o velho sedenho, exbala^oes de 
enxofre e pò do mesmo na maquia da 
fava. 

Diz que me lastima porque a sciencia 
augmentou, reformou-se, e eu nào sou da 
roda dos reformadores E^a de Queiroz, 
T. Braga, R. Ortigào, G. Junqueiro, B. 
Moreno. Alguns d 'estes nome8,represen- 
titivos de talento extraordinario, devem 
rcsponder ao incenso de Pina corno Ilora- 
cio aos philtros de Canidia. Se tem olfa- 
cto latino, fareje o verso : 



... diaplosa sonat quantum vesiea, pep*dU 
Diffissa nate ficas. 



Quanto ao «vergalbar», escreve: 
Advirto-o, snr, CamiUo, nào Ihe tolero 
nem Ihe admitto que F. de uma fórma 
capciosa ponha em duvida a decenda das 
minhas palavras. Se elle me tem fallado 
com està intimativa no primeiro folbetim, 
se me dissesse positivamente que nào tO' 
lerava nem admittia que eu Ibe cbamasse 
porco, póde ser que eu entào hesi tasse ; 
mas jà agora o desaforo nào se reme- 
deia ; e em resposta à sua peremptoria 
admoestagào cbamar-lbe-bei deus porcos 
n'um so Pina ; e, para nào enxovalhar 
nome de um jornalista e orador nota- 
vei, nunca Ihe chamarei snr. Mariano : 
ha de ser senhora Mariana. 

Tambem me dà um quinào em lingua- 
gem. Diz que eu, onde quer que fosse, 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



159 



escrevi — bimbàlhadas dos sinos; e acres- 
centa: Isto sim, que é decente, que é mo- 
rdi, que é delicado ! 

Vou responder, mas nào à snr.* Ma- 
riana: é ao snr. Pinheiro Chagas, que 
em um folhetim antigo me malsinou 
aquella phrase, porque a considerou de- 
rivativa d*um vocabulo chulo que nào es- 
tava na mente dos velhos escriptores por- 
tuguezes que a usaram. A phrase encon- 
tra-se na Choix de phrases metaphori- 
ques, élégances, idiotismes, proverbes, 
etc, extrait dee claasiques portugais Lea 
plus eatimés por José da Fonseca, pro- 
fessor da lingua portugueza. Paris, 
1857. 

CoNSTANCio: bimhalhada de sinos, «o 
toque e estridor de muitos soando ao 
mesmo tempo » • 

Fb. Domikoos Vibiba : himbàlhada de 
sinos, « o toque de muitos sinos ao mes- 
mo tempo » . 



Roquette: bimbalhada de sinos, «som 
de muitos ». 

N8.0 procede do termo vii que se figu- 
rou ao meu erudito amigo Pinheiro Cha- 
gas : é trans pian ta^ào onomatopaica do 
francez : Brimbaler, secouer des doches, 

A phrase é precisa. Quando se quer 
dar urna idèa remota dos folhetins do 
Pina, é preciso chamar-lhes uma bimba- 
lhada de asneiras. 

Mas, a final, quem me assevera a mim 
que esiste oste papa-fina de Pina que re- 
fina e se empina e apepina ? Se nSlo é um 
burro transcendente que faz metamorpho- 
se na chrysalida de garoto, entào é um Pi- 
na que cultiva miseravelmente o primeiro 
anno de instruc^ào primaria e escreve : 
« E por tudo isto que eu tenho multo dò 
de si » . De si, 6 alarve ! É incrivel que 
um pequeno que aos dez annos Ha roman- 
ces no collo das tias supra mencionadas 
sahisse tao adulta e descompassada beata ! 



V 



Gi-a^pax- eia Silva ^ 



Elle enviou-mo a carta impressa ^ que 
vende no imperio por ciuco tostòes, 15 
paginas, uma ladroeira. 

Diz que, lendo o Cancioneiro : 

està ameagado d^uma indigestào ; 

que antes queria corner duas orelheiras 
de cerdo, com feijoLO branco e rodellas de 
paio, e beber uma Canada do rascante de 
o. Miguel de Seide ; (Quanto a beber eu 
Ihe direi no fim). 

que estarepleto de gorduras nauseabunr 
das ; 

que Ihe dei um guisado de banhas sui' 
nas jà rangosas ; 

que « Cancioneiro i» é o livro mais in- 
digesto que, nos ultimos dez annos, tem 
apparecido ; 

que eu sou collega do Rosolino Candi- 
do de Sampaio e Brito ; 

que « Cancioneiro » é uma feijoada ; 

e mais sordido que as frigideiras de 
Braga. 

1 Por um sentimento de caridade nao direi os 
motivos qne levaram um eerto Boaventura da Costa^ 
em Portugal, a chamar-se Oaspar da Silva, no Bra- 
zil. Quando se enfastiar d^esta crisma deve cha- 
mar-se LazarUlo de Tormes, e depois Qtuman de 
Mfarache. 

^ Carta d'um emigrado ao anr. Camillo Cesello 
Branco, apropoaUo do Gancioneiro alegre. Rio 
de Janeiro, 1879. 8.® 15 pag. 



Depois, diz de si mesmo: 

que escreve com uma correcgào que mui- 
tos bachareis formados de cà e de là in- 
vejam ; 

que OS snrs. Joào de Deus, Anthero de 
Quental e Ega de Queiroz me serviram 
d'alvo a umas gragolas lorpas. 

Finalmente, quando se Ihe acabaram 
as imagens dos feijoes, da cabe^a de por- 
co e do paio, come9ou a elogiar-me, o 
patife ! 

E um talento portuguez emigrado. Nào 
qucr que a patria Ihe possua os ossos e 
a cascarla. Que pena se este Gaspar se 
estraga com a cacha§a brazileira! 0' 
nesso irmào d'além-mar, Gaspar I venha, 
repatrie-se, recolha-se ao lar. Se aqui 
Ihe nào derem a posÌ9ào que as suas le- 
tras reclamam, entretenha-se a cavar, 
no torrào natal, pés de burro : nào pre- 
cisa sahir da sua pessoa ; cave-se nos pés 
corno pelicano no peito ; e escusa de 
incommodar o Pina para cxcava^oes. 
Quanto à indigestào que Ihe fez o Can- 
cioneiro, snr. Gaspar, tome um vomito- 
rio d'aquillo que Jehovah mandou comer 
a Ezequiel. Consulte a Biblia (Ezeq* e. 
lY, V. 12), e depois misture e beh a. 



t60 



BIBUOORAPHIA PORTUeUEZA E ESTRANGBIRA 



DA PROPRIEDADE LITTERARIA 



(VERTIDO DE ALPHONSE KABR) 



Ha oocasioes em que me domina bas- 
tante o receio de succeder, com os pro- 
eressos da humanìdade, o mesmo que se 
dà com OS cascos dos cayallos que cres- 
cem, é certo, mas unicamente na propor- 
^ào em que se desgastam com o uso. 

Os progressos da industria criam ne- 
ocssidades novas, e nào vejo que, na 
actualidade, a condi^ào humana seja, pa- 
ra a maioria da gente, menos desgraQa- 
da do que outr'ora. 

Algumas yezes aoérto de responder 
triumphantemente, em favor do progres- 
so, a estes desanimadores pensamentos ; 
outras, porém, nào consigo sequer desva- 
necel-os. 

Levantou-se nos ultimos annos urna 
questào singular. 

inventor, o escriptor, o musico, o 
pintor serào proprietarios das suas idéas, 
assim comò Antonio e Fedro o sào da ca- 
sa que mandaram edificar, do terreno que 
compraram ? 

Se, comò imagino nos raeus dias feli- 
zes, progresso é verdadeiro ; se as idéas 
penetram na ignorancia corno o saca-ro- 
Ihas na cortina, — em espirai, e encon- 
trando for^a na resistencia que Ihe serve 
de apoio ; — se a garrafa do bom senso se 
desarrolhar um dia, é fora de duvida que 
està questào absurda sera, n'esse dia, 
classificada, empalhada e exposta no mu- 
seu conservador das toiices humanas a 
par das seguintes que, em tempo, foram 
propostas peranto os concilios : 

«r Os indios serào verdadeiros homens e 
deveremos consideral-os corno taesf» 

«r As mvlheres terào alma ? » 

E admiraes-vos, indignaes-vos, se ap- 
parece um escriptor que, comò Proudhon, 
se entretem atacando a propriedade das 
vossas casas e dos vossos campos I 

Em 1848, deciarei-me contra Proudhon 
pela manuten^ào da propriedade; acei- 
tei a fic9ào, socialmente necessaria no 
meu entender, de que a propriedade de- 
ve ser respeitada comò o trabalho, comò 
salario, — porque representa o trabalho 
e salario accumulados. É for9oso, po- 
rém, reconhecer-se que està these se 
presta à discussào, e indicar imparcial- 



mente os lados vulneraveis para depois 
demonstrar, que a propriedade litterarìa 
nào tem esses lados fracos — e que, por 
cousequencia, sob pena de revelar com- 
pleta falta de senso commum, nào póde 
contestar-se osta sem negar aquelia. 

Compraes — ou mandaes edificar urna 
casa ; — està casa é edificada n^um ter- 
reno ; pagaes a casa e o terreno com o 
producto do vesso trabalho, ou do traba- 
lho anterior de vosso pai ou de vossos 
antcpassados. 

Attendei a que córto por largo, nào 
cxceptuando o caso de terdes adquirido 
OS vossos haveres corno Judas obteve os 
trinta dinheiros, — quero dizer, trahìndo 
urna causa ou um amigo, — ou vendendo 
generos adulterados e roubados no peso — 
ou jogando na bolsa o dinheiro alheio, 
— ou por um casamento indecoroso, des- 
proporcionado, — melos estes que eu, por 
agora, considerarci corno trabalho. 

Mas a quem oomprastes este terreno? 
A alguem que o tinha tambem compra- 
do, — : e esse comprdra-o igualmente a ou- 
trem. 

Subindo sempre na escala ascendente, 
chegaremos ao primeiro quo disse : « Es- 
te terreno pertence-me » . 

Admitto que esse homem conquistasse 
terreno, 'culti vando-o. 

Nào bavera, porém, exemplos de di- 
versa origem da propriedade? 

Nào teem algumas terras sido conquis- 
tadas pelas armas, isto é, esmagando a 
cabe^a dos que as tinham cultiyado e 
enterrando-os n'ellas para servirem de 
adubo à sementeira do conquistador ? 

Prescindamos d'està circumstaneia, — 
apesar de ser a mais trivial nas origens 
da propriedade, — e supponhamos que te- 
da a propriedade teve por origem o tra- 
balho, — primeiro labor, a primeira se- 
menteira. 

Mas o homem que nasce na època 
actual, e cncontra a terra j4 dividida, 
nào terà razào para observar : « Venho 
ao mundo com direitos iguaes aos vossos, 
quero cultivar a terra e conquistar pelo 
trabalho a parte que me toca ; dai-me lu- 
gar » f 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



161 



A casa que edifieaes n*esse terreno é 
construìda com pedras, madeira e cai, 
compradas por vós; porém a pedreira 
d*onde tirastes a pedra de alvcnaria, a 
floresta onde cortastea as traves, estào 
nas mesmas condi^oes do terreno \ procu- 
rando a origem da propriedade, chegareis 
ao resultado que ainda agora encontra- 
mos com re]a9ào ao sólo. 

E, todavia, na minha opinilo, é de 
j Ustica que se mantenha e respeite a pro- 
priedade material, e que os recem-chega- 
dos se resignem a adquirir a parte, que 
Ihes pertence à custa de um traballio 
maior, mais demorado, mais rude e, so- 
bretudo, mais incerto, do que aquelle pe- 
lo qual se tornarara proprietarios os que 
vieram primeiro. 

Examinemos a propriedade intelle- 
ctual . 

Se Virgilio nao tivesse nascido, nao 
existiria a Eneida; se Victor Hugo mor- 
resse aos vinte annos, nao se imprimi- 
riam as Folhas do Outono; se Lamarti- 
ne quizesse viver na opulencia e na ocio- 
sidade, onde estariam as Meditacdes e O3 
Girondinosf Se Sauvage nao tivesse a 
forQa e a pertinacia de realisar a sua 
idèa, arrostando com a miseria e a pri- 
sào, nao se descobriria helice. 

A que terreno, a que propriedade com- 
mum foram Virgilio, Hugo, Lamartine, 
Sauvage, buscar o material para as suas 
obras? As proprias veias, aos nervos, ao 
cora^ào, — ao genio que Deus Ihes con- 
cedeu. 

Portante, a propriedade intellectual 
nao tem os pontos fracos, por onde póde 
atacar-se a propriedade material ; em vez 
de ser urna propriedade contestada, de- 
ve, pelo contrario, ser o prototypo da 
propriedade. 

Parece-me, pois, nao haver objec^ào 
possivel a uma lei concebida nos seguin- 
tes termos : 

« E considerada comò propriedade : 

(cPbimeiro. Em primeiro lugar,B. crea- 
93.0 tìrada da propria essencìa, aquella 
que mais se assemelha ao modo de crear 
do Ente Supremo : « Fez do nada céo e 
CL terra » . 

« Sbgundo. a quasi crea^ào pelo traba- 
Iho ou a transfer ma^ào d*um sólo bravio 
em fertil, — a conversào em casas das 
pedras arrancadas à terra. 

« Tbrceiro, a compra por dinheiro, isto 
é, a troca do producto d'um determinado 
traballio pelo producto d'outro trabalho 
differente » . 

E sào OS mais exaltados partidarios da 
propriedade material os que se levantam 



contra a propriedade intellectual, sem re- 
pararem que os seus proprios argumen- 
tos, insignificantes contra esta^ sào mul- 
to aceitaveis e tal vez optimos contra 
aquella. 

Sào elles que se vangloriam de, n'esta 
guerra, terem por alliado M. Proudhon, 
e nao comprehendem que M. Proudhon, 
se nao é sempre justo e sensato, é quasi 
sempre logico, e, quando admitte qual- 
quer principio, aceita-o até às ultìmas 
deduc^oes. 

Exactamente por M. Proudhon enten- 
der que a propriedade intellectual é uma 
propriedade comò outra qualquer, é que 
nào a reconhece. 

Se a admittisse, ver-se-hia na necessi- 
dade de admittir a propriedade em gè- 
ral ; por isso, nao é elle que se allia com- 
vosco, sois yós que vos associaes a elle, 
sois vós OS partidarios da communidade 
de bens — com a differenza de dizerdes : 

« 710880 é fiosso ; vosso pertence- 
nos » . 

Como assìmi meus senhores, os vossos 
casacos sào uma propriedade, os vossos 
oculos sào uma propriedade, a vessa ca- 
belleira é uma propriedade, e nào sào 
uma propriedade as tolices que borbu- 
Iham debaixo da vossa cabelleira? 

Examinemos agora alguns d'esses ad- 
miraveis argumentos que triumpharam 
do direito da propriedade litteraria : 
. «^.s obras do espirito sào corno a lux 
do sol ; carece d'ellas a humanidade ; logo, 
pertencem-lhe. Seria vergonha sujeital'as 
ao vii mercantilismo » . 

Tambem o pào é necessario à humani- 
dade, e comtudo os padeiros exigem di- 
nheiro por elle à humanidade ; as casas 
sào tambem necessarias à humanidade — 
.especialmente em tempo de chuva e frio 
— e a humanidade, se nào pagar o alu- 
guer, tem de dormir ao ar livre. 

Ha so um argumento contra a proprie- 
dade litteraria : — é que os homens de 
genio e de talento sào uma pequenissima 
minoria e estào à mercé dos outros. 

Com a actual legisla^ào sobre proprie- 
dade litteraria, as obras do homem de 
talento nào pertencem a seus descenden- 
tes, nào constituem uma propriedade; 
emquanto que os cartuchos, feitos pelo 
mercieiro com as folhas d'um dos livros 
do homem de talento, sào uma proprie- 
dade que pertencerà, de gera^ào em ge- 
ra^ào, aos descendentes do mercieiro até 
à consummazào dos seoulos. 

Mais ainda : apesar da lei, apesar dos 



162 



BIBLIOGRAPHIÀ PORTUGUEZA E ESTRANGEIRÀ 



argumentos que addozem, n&o é verdade 
que as obras d'um escriptor seijam, du- 
rante a sua vida, urna propriedade ; se 
quizer, por esemplo, alienal-as, difficil- 
mente poderà fazel-o cm condÌ9oes tao 
yantajosas, corno se Ihe fosse permittido 
afìauQar ao comprador a posse perpetua 
das suas obras ; — por consequenoia, até 
emqaanto yivo, urna tacha, um prego da 
loja do mercieìro é urna propriedade mais 
segura e mais positiva do que o Cidf o 
Misanthropo, As Meditagdes, Nossa Se- 
nhora de Paria, etc. 

Algumas pessoas, n'um congresso re- 
unido ultimamente em Bruxellas para 
tratar da propriedade litteraria e artis- 
tica, e tambem na imprensa franceza, 
alistaram-se debaixo da bandeira que eu 
arvorei, ha vinte annos, com o seguinte 
lemma simples e claro, centra o qual so 
se tem proferido banalidades e absurdos : 

A PROPRIEDADE DiTEllECTOAL t BMA PROPRIEDADE 



Limitar-ine-hei por agora a responder 
a duas das objec^oes que oppoem à pro- 
priedade litteraria. 

E a primeira — o interesse que a socie-' 
dade tem em evitar que um herdeiro mau, 
fanatico ou insensato aniquUe a obra do 
seu antepassado. 

N'este caso, corno nào é possivel ani- 
quilar clandestinamente um livro e fì- 
cam existindo sempre os exemplares das 



bibliothecas, as leis eobre propriedade 
material indicam, para remediar o mal, 
um melo simplicissimo : — a expropria^ 
gào por utilidade publica» 

A segunda objec9ào é a seguinte : 

A execu^o d'este projecto apresentaria 
grandes difficuldades. 

Nào o creio : todavia parece-me que as 
leis sobre propriedade material as teem 
apresentado ; teem-se escrìpto e escre- 
vem-se ainda centenares de volumes so- 
bre o asBumpto ; e, apesar de todos esses 
volumes, enxames de advogados de toda 
a qualidade e de toda a especie, — desde 
grande Berryer de Paris até ao peque- 
no Trabaud de Niza, — vivem d'estas dif- 
ficuldades tao frequentemente resolvidas 
e sempre renascentes. 

Nào basta, para deixar de fazer justì- 
Qa a quem a merece, dizer-lhe que a sua 
causa é ardua e, por emquanto, bastante 
embrulhada. 

Depois da resolu^ào do congresso de 
Bruxellas, a qual de modo algum posso 
aceitar, pe^o — provìsoriamente — o se- 
guinte corollario que julgo indispensa vel : 
« Seja qualquer que fór a època em que 
passem ao dominio publico as obras de 
um escriptor, seus nlhos ou descenden- 
tes,*8eus nerdeiros de ahi em diante sem 
heran9a, passarlo igual mente ao dito do- 
minio publico e serào alimentados pelo 
Estado » . 

e 

E de toda a justi^a que os herdeiros 
sigam a herauQa. 

F. Ferbaz. 



COLLECgiO FEDRO CORREA 



200 REIS CADA VOLUME 

EMILIO GABORIAU—O» volixntax-iog} eie 0«. 1 volume. 
MÉRY — Heva. 1 volume. 

PIERRE ZACCONE — O» Pjrcizex*es ciò Rei. 1 volume. 
X. DE MONTEPIN — O» clx-amas eia vicla. 1 volume. 



ANTONIO MARIA 



FOLHA HUMORISTICA 

ILLUSTRADA POR BORDALLO PINHEIRO 



6 numeros 

Avulso, cada numero 



300 rei3 
60 « 



IMEatto^ IMEoreira <& O.* — editore» 



ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



163 



BIBLIOTHECA iOELOS DE ELOQU 




PUBLIOADA POR 



J. M. PRADO DE AZEVEDO 

LIVRARIA INTERNACIONAL DE ERNESTO CHARDRON. PORTO — 2 VOL. IN-8.® 



N&o é vulgar apégarem em Portugal 
as pnblìcaQoes d 'aquelle genero. Aqui o 
que mais fructifica é a bibliotheca de 
eordel, que principia a ser supplantada 
pela bibliotheca, alias interessantissima, 
do repertorio litterario. Ceci tuera cela, 
comò diria Victor Hugo. Ha repertorios 
de todas as castas e de todos os tama- 
nhos, comò n'outros tempoa havia testa- 
mentos de todos os bichos. D'estes specì- 
mens de litteratura barata, o que mais 
consumo tinba era o Testamento do por^ 
co; indigena iia-o e reiia-o com a so- 
freguidào com que comia depois os lom- 
bos do testador, e no fim da ieitura ad- 
mirava-se de nào ter sido contemplado ! 
Era pasmosamente ingenuo o indigena 
d'aquellas eras, mas e em compensa^ào 
tinha a grande virtude de nào sor 'socia- 
lista nem philosopho. O indigena de hoje 
em dia é menos tolo e mais perigoso. 
Tem o juizo bastante para nào dar ouvi- 
dos às jeremiadas do cova do condemna- 
do à pena ultima, mas saboreia com de- 
licia as empadas demagogìcas que Ba^am 
e OS seus consoeios de obra feita Ihe for- 
necem annualmente em almanachs, de 
que a communa sahiria triumphante, se 
a grammatica, de parceria com o bom 
senso, consentisse que a maratona cons- 
truisse o seu throno de lama sobre os 
destro^os da syntaxe e da razào. Que pa- 
ra mim é de todo em todo indifferente o 
destino da humanidade. Nào cuidem me- 
ticulosos que estou fazendo profissào de 
fé politica. Nào, senhores. Eu, comò o 
outro que diz, deixo zoar a carvalbeira, 
e com o que menos me importo é com a 
evolucào e quejandos phenomenos sociaes. 

Do que eu curo é dos meus achaques 
que sào muitos ; nào tenho tempo para a 
interpreta^ào de philosophias grotescas 
nem dos enfados da doen^a me sobeja pa- 
ciencia para tao oomplicado lavor. Nos 
raros ìntervallos de socego que as tisa- 
nas me concedem, contemplo. Nào digo 
bem. A contempla^ào é apana gio exclu- 
sivo das almas inundadas da luz da gra- 
^a ; eu nào contemplo, <51ho ; ólho para o 
céo que se veste d'azul e ouro, para a 



terra que se cobre de flòres e fmctos, pa- 
ra 08 meus ossos que se esboròam, pulye- 
risando-se, e. . • chóro ; que o riso em mim 
é tao artificial comò as lagrimas oom que 
vossas esposas vos atrai^am e infamam. 
Pouco leio ou nada ; nào quo os livros 
sejaìn um mal, mas porque me seria 
maior instruc^ào um inferno. Nào sejas 
sabio a teus proprios olhos, diz Salomào 
nos Proverbios ; eu nem aos olhos dos ou- 
tros quero ser ; Deus me livre de que 
se illumine mais o meu espirito ; se à luz 
mortica da candéa que me alumia nào 
ha ahi miseria humana que os meus olhos 
nào descubram, que enchentes de nojo e 
asco nào me ìnvadiriam a alma, se eu 
visse mundo e os homens ao clarào ele- 
ctrico d'um globo Jablockoff ' ! 

D'estas amargas verdades e nào menos 
amargas resolu9Òe8 hào-de rir os espiri- 
tos frivolos, que m'as impugnarào per- 
guntando-me se a critica moderna dis- 
pensa a Ieitura dos livros que louva ou 
condemna, e se o melhor molo de se im- 
pòr o critico à credulidade alheia é con- 
fessar d'antemào que vai fallar do que 
nào eonhecé ! Gracioso e ao mesmo tem- 
po irrespondivel argumento seria aquel- 
le, se me propuzesse tratar d'um livro 
novo ; mas as duvidas dissipar-se-hào e 
restabelecer-se-ha a coherencia, sabendo- 
se que os dous livros em questào me sào, 
desde multo, familìares. Lidos e medita- 
dos em melhores épocas, nada importa 
relel-08 hoje; o corajoso editor quando 
m'os offercceu jà sabia que de maravilha 



1 Sem embargo, li ha ponoo Fialho n^um 
jomal de Lisboa e quasi que o lia reprodazido 
n^nm cartaz de Penafiel. Operou a maravilha 
o prestigio do appellido : Fialho é bom, t&o bom 
corno Fagundes, melhor ainda que Rabilhas. Hei- 
de dar-lhe fóros de appellativo, e enfileiral-o na 
lista dos neologismos, ontre dous dos mais pa- 
tuscos. Ha-de ficar entro os araujos e os fojar- 
dos, se ndo preferir ficar entro dous jaymes. 

Por informaQÒos particulares, sei que Fialho 
6 boticario, nlém de critico ; melhor ; applaudo a 
dupla aptidSo de Fialho o prometto aproveital-a ; 
eu n&o pade^ so do corpo ; de quando em quan- 
do a alma tambem carece d^um purgante, e na- 
da mais purgativo que o decocto critico de Fia- 
lho & C* 



164 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



releio um livro ; o seu offerecimento bì- 

fnificou ftpenas am testemunho de amiza- 
e ; o snr. Frado d€ Azevedo nào me farìa 
a ÌQJasti^a de suppòr que tendo e a tido 
a paciencia de lér a epopèa de Martina 
Bua, nào houresse tido a curiosidade de 
compulsar os discursos de Fernandes 
Thomaz e Castellar. 

E sSlo j ustamente de Castellar, Fer- 
nandes Thomaz, Borges Carneiro etc.,08 
discursos que o snr. Prado de Azevedo, 
espirito amestrado nas lides da ìmprensa 
periodica, reuniu n*estes deus primeiros 
tomos da sua Bihliotheca prestimosa. To- 
dos conhecemos Castellar comò escriptor 
e philosopho, comò orador e artista. Nào 
o encarecamos, portante ; em taes casos 
é redundancia insupportavel o louvor. 
Leiam-o os que nào logram ouvil-o ; si- 
gam-lhe o vòo audacioso através das ge- 
ra^oes que passaram ou sobre as civili- 
sa^oes de hoje em dia ; vejam que discer- 
nir, que profundidade de vistas, que in- 
tuisse maravilhosa, e, sobre tudo, quo 
linguagem, que colorido, que torneio de 
periodo n^aquelles sete admiraveis dis- 
cursos, que tantossào osque o snr. Pra- 
do de Azevedo recolheu, correctamente 
traduzidos por s. *s.a em vernaculo, no 
1.0 volume da sua prestante publica^ào! 
Ahi vai, ao acaso, um exemplo : 
«A sciencia é uma idèa abstracta, e, 
«sem embargo, a sciencia é uma idèa 
«real, uma idèa mais real que todos os 
«cfactos. Pois que! quando Raphael en- 
«t controu a nova fórma na arte ; quando 
«Luthero encontrou a nova consciencia 
« na religiào ; quando Colombo encontrou 
« a nova terra no mundo, aquelles tres 
ftgrandes factos nào trouxeram grandes 
« transforma9oes politìcas ? Pois que ! no 
« seculo XVII, que era o seculo da philo- 
«sophia, Descartes, o philosopho do es- 
« pirite, Locke, o philosopho da experien- 
«cia. Spinosa, o philosopho do ser, Lei- 
« bnitz, o philosopho da synthesis, nào fo- 
« ram acaso derr amando idèas pelo mun- 
« do, e, ao scintillar d'aquellas idèas, nào 
«se ajustou a paz de Westphalia, que 
« transtornou o direito internacional an- 
« tigo, e estabeleceu o direito intemacio- 
«nal moderno, devendo-se talvez ao es- 
«rtampido d*aquellas idèas que cahisse a 
« cabcQa de Carlos i e com a cabota de 
« CarlosnL a sua coróa, com o que- come- 
«90U na Europa o principio da grande 
« revolu9ào centra todos os thronos ? Pois 
« que, snr. Mata, no seculo xviii, quem 
« fez a revolucào ? Quem ? Por ventura 
«OS factos? Nào, snr. Mata, fizeram-na 
«as idèas, que um professor da Univer- 



« sidade nào devia desconhecer d'essa ma- 
« neira. 

«Veio Voltaire, e rectificou o senso 
« commum da humanidade. Veio Montes- 
« quieu e trouxe de Inglaterra a idèa da 
« liberdade. Veio Rousseau, e trouxe da 
« Suissa a idèa da igualdade. Vieram de- 
« pois com eltes os que formaram a grai> 
«de democracia, os que iniciaram a re- 
«voluQào franceza: Condorcet, o homem 
«da idèa. Mirabeau, o homem da pala- 
«vra; Danton, homem d^ac^ào: e, em 
«quanto os eneyclopedistas mettiam a 
«sacp as velhas cren^as, os revolucio- 
«narios entra vam vencedores na Basti- 
«Iha e nas Tulherias. Aquella explosào 
« de idèas e de sentimentos assombrou o 
«mundo, que viu attonito magestoso 
« desenvolvimento d'uma revolusào, des- 
« tinada a derretcr a argola no pè dos es- 
« cravos e a coróa de euro na fronte dos 
« reis 1 » . 

Ouvi-o agora sobre a liberdade de con- 
sciencia : 

« Grande è Deus no Sinay ; o trovào 
<fprecede-o, raio acompanha-o, a luz 
« envolve-o, a terra treme, os montes fen- 
« dem-se ; mas ha um Deus maior, maior 
« ainda, que nào è o magestoso Deus do 
« Sinaj, senào o humilde Deus do Calva- 
« rio, cravado em uma cruz, ferido, hir- 
«to, coroado de espinhos, com o fel nos 
«labios, e todavia, dìzendo: «Meù pai, 
«perdóa-lhes, perdóa aos meus algozes, 
«perdòa aos meus perseguidores, porque 
«nào sabem que fazem! » Grande è a 
« religiào do poder, mas è maior a reli- 
ft giào do amor; grande è a religiào da 
«justi§a implacavel, mas é maior a reli- 
ft giào do perdào misericordioso; e eu, 
«em nome d'essa religiào, em nome do 
ftEvangelho, venho aqui pedir-vos que 
« escrevaes à frente do vesso codigo fun- 
ft damental a liberdade religiosa, quer di- 
«zer, liberdade, fraternidade, igualdade 
«entro todos os homens ^», 

Outro exemplo? Mas n'este andar, eu 
teria de transcrever livro inteiro, que 
em Castellar nào ha pagina que em cada 
periodo nos nào o£^re9a iguaes ou supe- 
riores excerptos. 

Prosigamos. 

Com alguns discursos de Borges Car- 
neiro, Fernandes Thomaz, Pereira do 
Carme e Agostinho Freire organisou 
meu amigo o 2." volume, posto à venda 



1 Discurso contra o projocto da Gonstitui- 
9E0, pronunciado no dia 7 de marfo de 1869. 

2 Discarso proniinciado no dia 12 de abril 
de 1869. 



ERNESTO eSHARDRON. fIDITOR 



165 



ha poacoB dias. Or^a por 40 o numero dos 
^scursos reoolhidoB. S&o perolas de ines- 
timayel yalor aquellas paginas escriptatt 
ao caler do mais acrisolado amor da pa- 
tria^ n*um tempo em que aquellas paìa- 
vras ainda tinham sentido serio. Ao amor 
da patria de entào chama^se agora em 
Portueal — ^atriotismo. Patriotismo e 
amor da patria dizem os diccionarios c[ue 
é a mesma cousa. Nào é assim. antigo 
amor da patria era um fìdalgo e alevan- 
tado sentimento que se expandia em via- 
gens e conquistas, que nos enchiam de 
glorias e dinheiro ; o patriotismo de hoje 
em dia é um leicen^o ou, comò quer que 
aeja, um entumecimento intestinal que 
se resolye em luminarias e foguetes de 
tres respostas. 

Bem avisado andou, pertanto, o sur. 
Prado de Azevedo, humiihando os mano- 
quins do presente com o confronto dos gi- 
gantes de outr'ora. É jà de si recommen- 
da vel o livro pelos nomes d^aquelles pa- 
triotas illustres, mas o meu amigo dupli- 
cou-lhe valor, precedendo os mscursos 
que insere do bosquejo biograpbico de 
cada um dos oradores, pagando assim 
uma divida de gratidào nacional à me- 
moria d^aquelles homens verdadeiramen- 
te superiores, que deram a vida e a fa- 
zenda pela liberdade, que desfrutamos e 
conspurcamos a todo o instante. 

Nào se accommoda dentro dos limites 
diurna desambìciosa noticia a historia da 
època memoravel ^ em que se pronuncia- 
ram taes discursos; mas o que os lér e 
meditar vera o muito quo entào se fez, e 
o muito mais que pudera ter-se feito se 
OS elementos de que se compunham 
aquellas camaras fossem completamen- 
te homogeneoB» 

AUi perdeu-se muito tempo e multa vi- 
da em combina^oes estereis '. Entraram 
no campo das transigenoias, e em politi- 
ca e n^aqucUas épocas a intransigencia é 
tudo. Porque se infamou a revolu^&o 
frauceza ? 

Voltando ao livro, o que mais me es- 
panta é a brevidade com que Borges Gar- 
neiro, Fernandes Tbomaz e os seus col- 
legas trataram as mais momentosas ques- 
toes do tempo. Os seus discursos sào cur- 
tos e concisos. Nada de rhetoricas baio- 
fas ; nada de redundancias inuteis ; tudo 
darò, util, preciso e rapido. E ainda 



i 1821. 

S « Dis-8e : fiqué iato para aa cSrtes que veem; 
é o qne en aoho ama indignidado ». Estas pala- 
▼ras de F. Tbomaz jostlficam o que se afàrma 
no testo. 



assim perderam tempol Confrontem^pe 
aquelles discursos com as estopadas de 
boje em dia. Borges Carneiro pedo a abo- 
IÌ9&0 da inquisÌ9&o em seis palayras ; is- 
te em 1821 ; em 1879, o parlamento por- 
tuguez gasta tres semanas em cUscutir a 
reles elei^&o da Carrazeda ! É e predi- 
cado que mais recommenda a leitura dos 
celeberrimos discursos : a brevidade. Se 
e leitor imagina que elles teem o com- 
prìmento e a rbetorica d'um serm&o ya^ 
ratcjane, engana-.se: aquiUo lé-se sem fa- 
diga e som custo; nfto v&o os ingenuos 
supp6r que jà n'aquelle tempo havia Ar- 
robas. N&e havia ; isso velo mais tarde 
com e pbylloxera e com a communa. Em 
1821, aquelles trastes s6 se encontraviam 
nos armazens dos negooiantes de grosso 
trato ; no parlamento ninguem os viu s^ 
nào depois que systema metrico os ex- 
pulsou das tendas. 

E afóra a brevidade, com que admira- 
vel coragem n&o se fallava n'aquelle au- 
gusto congresso ? Alli dizia-se a verdade 
sem rebu^o, n&o se empregavam reticen- 
cias, e ninguem se espantava de que os 
menos ousados constituintes passassem 
come passavam a cada passo, mploma de 
parvo ao sur. D. Joào vi, amea^ando-o 
com a deposÌ9&o. Hoje levanta-se um cla- 
mor de ensurdecer, se um mo^ inodoro 
e incolor, e snr. Bodrigues de Freitas, 
por exemplo, mette, a mede, uma farpa 
no cachamo do snr. D. Luiz, ou commen- 
ta menos palacianamente os heroismos da 
real consorte, que diriam Baracho e 
mais Earrilbos se actualmcnte se fallas- 
se assim no parlamento : 

«r Nós somos necessariamente mandata- 
le rios da na^ào ; somos representantes da 
«na^ào ; e se iste n&o é assim, digam-n*o 
«e OS illustres jpreopinantes e escolnam um 
«termo proprio para o exprimir. 

«r Insisto em que va n*esto artìgo a pa- 
«lavra legalmente eleitos, porque estou 
«muito convencido de que os represen- 
«tantes, ou mandatarios da na9ào (que 
« para mim sào STnonjmos) sào todos elei- 
« tos pela na^ào que os nomeia mediata 
« ou immediatamente. 

«Quando ella declarou no dia 24 de 
« agosto e consecutivamente até ao dia 15 
«de setembro que e governo que ia a es- 
« tabelecer-se era conservando a dvnastìa 
« de Bragan^a, elegeu a casa de Éragan- 
« ^a para succeder no throno portuguez e 
« governar os portuguezes ; e iste quer di- 
« zer, que quando està dynastia n&o cnm- 
« prir com as condÌ9oes debaixo das quaes 
«e eleita para governar, ent&o a na9&o, 
« reassumindo os seus imprescriptiveis di- 

11 A 



IM 



BIBUOORAPHU PORTUOUKZA E B8TRÀN6EIRA 



^ idl i w , tam aothorldade de a tirar do 
«mfvrao e pdr & tetta d*elle quem bem 
«uè par ee e r, Eetes sfto oe nossos prìnci- 

• pioa e foram oe dee noMOB maiores ; e 

• por eMa ratio é qae eu quero que vfto 
•/mi deelarados ^ »• 

ll^eatas tingelat palavras ha siooerida- 
4« e energia a qae os noesoe reis nfto an- 
Jaram nnito afeìtos desde Saneho ii e 
IT. Mais « felis » qae os doas ye- 
■onarcbas affontinos, o senbor rei 
P* Mo TI nio te afadigoa, corno o se- 
gmdo, em eampanhas em prò da patria 
e da familia, nem chorou, corno o prìmei- 
Mf Bo esilio, ofl erros e ae cobardias do 
wem reinado. O demente desfraotoa em 
paa e toeego o fea tbrono e o seu simon- 
te, ^ eaittoa pachorreatamente os seas 
(, e se nio logroa herdar-nos 
limpo e borioso, deu-nos pelo 
om t^po qae ficou eterno nos do- 
■ioios da saodiee inoffensiva. 

Kio condntrei sem lembrar ao snr. 
Prado de Axeredo a convenieDcia de pre- 
foir sempre o qae é de casa ao qae é do 
fon. Nio loaTO ter o mea iliastre amigo 
df di eado todo o l.o volarne a Castellar 
eompnjvàzo dos nossos oradores bene- 
*MitO0, Caatellar é om prodigio, nio ha 
dvfìda ; mas a soa dedioa^io para com- 

* F. Tbonuz. 



DItcurto aoU-t o art. S6 da 



nosco nio vai além da dediea^io qae os 
redaotores da Epoca teem pelos porto^ 
gaeces fazilados em Granada. Dé-se ao 
talento o lagar a qae tem jós, mas nada 
de eztromos de cortesia para qaem os 
nio agradece nem é capaz de 00 retrì- 
bair. 

Campre-me por igaal aoonselhal-o a 
dar maior amplitode 4 lista dos oradores 
nacionaes, com eigos disearsos tencioDa 
enriqaecer a sea thesoaro de eloquencia 
aniyersal. Nio vcjo a par de José Este- 
vio, Rodrigo da Fonseca, Passos, Ferra- 
ra Borges, etc., os nomee de Rebello da 
Silva, o Vergoiaad da tribana parlamen- 
tar portagaeza, nem de Vieira de Castro, 
o assombroso athteta, tio admiravel nos 
impetos do verbo inspirado, corno na ex« 
craciante desaffironta da sua honra man- 
chada, comò no heroismo da expìa^, 
corno no transe affliotivo da morte, qae 
Ihe dea com o repooso ambicionado a 
consagra^io dos martjres e a venera^io 
dos vindoaroB. 

Concino, com a certeza de qae a Bi" 
Uiotheca Moddos de Eloquencia ha-de 
conquistar o lagar que compete às obras 
sérias e às empresas de atiiidade '. 

Alfredo Cabvalhabs. 

1 Este artigo, pabllcado ha dias no BolUim 
eritieo do Porto, foi agora revifito e eonsideravel- 
mento angmentado pelo author. 



BRINDE A JUVENTUDE GATHOLIGA 

1 volarne 120 reis 



UM HEROE DE QUINZE ANNOS 

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Pre^ 1^100 reis 

Encademado 1^400 i 

Na liTTarlia die Smetto CtaLai^cUron — Porto 



L 



ERNESTO CHABDRON,' EDITOR 



f67 



PUBLICAQOES RECENTES 



r- •" 



Viagens em Marrocoa, por Ruy da Ca- 
mara, com illustra^oes por Manoel Ma- 
cedo, C. Alberto e Paatbr. Livrarìa In- 
temaoional de Emesto Chardron. Porto, 
1879. 8.0 — 301 pag., edi^ào nitida. 

A apreeia^Slo judiciosa e eloquente que 
o snr. vÌBconde de Benalcanfòr fez d'es* 
te livro no Commercio do Porto dispen- 
sa^nos de encarecìmentos que se nào 
aohem nos periodos do ìnsigae critico. 
Transcrevemoi-a, corno modéio de lin- 
guagem e de justi^ : 

« Sentimos sempre yerdadeira alegria 
em, annunciar ao^ nossos leitores a appa- 
rÌQ&o de urna obra litteraria nova, prin- 
cipalmente quando essa obra significa as 
primicias do talento de um escriptor. 

« Estào n^este caso as Viagens em Mar' 
rocoa, pelo snr. Ruy da Camara, que nas 
trezentas paginas do seu formoso livro 
evidenciou com multa felicidade e nota- 
vel luzimento as quaiidades distinctas 
do seu talento. Ha grande natur alidade 
no seu estylo, fina oDserya9§Lo nas suas 
descripcòes, Conhece de porto, quanto é 
possivel ao viajante, as terras, os costu- 
mes e as ra^as d'essa regiào, que, come- 
9ando a tres ou quatro noras da Hespa- 
nha, além do estreito de Gibraltar, pro- 
longando-se pelas costas do Mediterra- 
neo n'uma extens&o de mais de cem le- 
guas do litoral, e que se dilata por mais 
de duzentas leguas sobre o oceano, é 
ainda hqje mais inaccessivel em toda a 
sua extens&o ao viajante do que qualquer 
outra do antigo e do novo mondo. tra- 
90 mais caracteristico do genio dos po- 
vos que habitam os Estados de Marro- 
rocos, e, no dizer unanime dos viajantes, 
a sua attitude de le&o irritado e amea- 
^ador no seu antro, d^onde rugo contra 
todas e quaesquer tentatiyas de reforma 
e de progresso, que as descortine là ao 
longe a inyadirem-o pelas cordilheiras 
do Atlas, quer a surprehendel-o pelas 
planuras abrasadas do deserto. 

«Beduinos, berbéres, mouros e ara- 
bes do Bif, sua origem, filia9S.o e diffe-* 
ren^as, judeus e abids, harens, santos e 
renegados, todas as particplaridades 
etnographicas sem fìm, todas as minu- 
cias da vida marroquina e do estado so- 
cial d'aquelles povos por tantos seculos 



sequestrados do influxo da civilisa^ào 
europèa, apparecem resumidos no inte« 
ressante livro do snr. Ruy da Camara, 
sem se prcgudicarem nem atropellarem, 
com toda a dareza e individua^So. 

< A parte anecdotica nfto é um dos me» 
nores encantos d'este livro, em que a 
despretensS.0 singola, com que està es- 
cripta, abona o gosto delicado do seu au- 
thor, o qual — sinceramente lh*o dìze- 
mos— te ve a boa fortuna de fazer a sua 
estreia por um livro facìl, ameno, attra* 
beute. Acabamos deo lér, e n&o nosdes- 
pedimos de relér, o que nfto succede 
com demasiada frequencia pelos tempos 
que correm». 



Aa missdea vltramarinaa. — Discursos 
pronunciados na camara dos senhores de- 
putados nas sessoes de 14, 15 e 16 de 
maio de 1879 por Miguel Augusto de 
Scusa Pires de Lima, deputado pelo cir- 
culo 42 (Feira). Livrarìa Internacional 
de Emesto Cbardron. 1879, 8.0 — 78 pag. 

No primeiro discurso advoga-se cle- 
ro parochial na mesquinharìa da sua grap 
tifica9§Lo. illustre patrono descreve-o 
sobrecarregado de trabalhos pouco me- 
nos de alheios da sua missào, e sovina- 
mente romunerados, com um menospre- 
90 que data de quarenta annos, menos- 
pre90 que os diversos ministerìos teom 
recebido corno legado e traspassado aos 
successores corno enoargo de nenbuma 
pondera9Slo. É justissimo, se esses lavo- 
res nào sào um pouco pbantasistas. Nào 
podemos dar comò exemplo justifìcativo 
do trabalho mal recompensado o clero 
parocbial do Minho. Aqui, as occupa9oes 
dos pastores de almas sào tSlo moderadas 
que Ihes concedem tempo para os seus 
negocios de compra e venda de gado, 
para a sua agrìcultura em que muitos se 
nào estremam dos jornaleiros senào pela 
coròa. Ha d'elles que aiada teem lunas so- 
brasdo tempo para a suajogatina d*azar 
nas feìras, ou em guritas de botiquins, 
onde, por via de regra, raros se absteem 
de tentar a fortuna com um ou dous mi- 
cos, Ninguem aqui dirà que os parochos 
teem que faser, tirante o ministerìo da 



168 



BIBU06RÀPHIÀ P0RTU6UEZÀ E ESTRANGEIRÀ 



missa e o dos sacramentos, maxime o 
da penitencia na quaresma, porqae en- 
t&o OS oamponios vfto ao tribnnal da 
oonfissfto com o firn Ipuyavel de logra- 
rem o diabo, com quem andaram de 
boas aven^aB durante um anno. Nin- 
quem dirà tambem que a lei de 6 de 
maio de 1878 exclno os padres da acti- 
vidade politica. Os do Minho esfervilham 
tanto n^esBO lama^al que mais pareoem 
uns agentes estipendiados das faocoes. 
N&o qner, todavia, o snr. Pires de Lima 
quo ao padre sega cassado o direito de 
cidadSU). Raciocina bem e com gra^a 
quando diz : < Eu sei que ha muitos que 
dizem e affirmam que o padre tendo uma 
miss&o especial a cumprìr no mundo, de- 
ve ser completamente estranho às cousas 
publicas. Trote dcu cousas de seu miniS' 
terio, mas nào trote do^ cousas da terra. 
Aoho bom o principio ; mas o que pe^o é 
que se applique a todos o com todo o ri- 
gor logico. Quem ti ver uma occupa^SU) es- 
pecial n'este mundo, abstenha-se de po- 
litica. medico que trate so dos seus en- 
fermos, o advogado dos seus dientes, o 
engenheiro das suas estradas, o lavrador 
dos sena campos, o industriai das «uas 
fabrìcas ; e a politica vira assim a ser a 
occupa^Sio dos que nSlo teem occupa^&o, 
a occupac8.o dos vadios,que o oodigo pe- 
nai manda para a cadeia, e que por es- 
tà singular tbeoria deve mandar para os 
oargos mais eminentes da republica » . A. 
camara riu e apoiou. De te fabula nar- 
ratur, poderia dizer o orador ao que 
ria. 

Sobre o desleixo e penuria a que des- 
ceram as possessoes da Asia portugueza 
e as a&ìcanas, sem clero, sem semina- 
rios, sem pastores, sem educaQ&o religio- 
sa, discorre o snr. Pires de Lima com ir- 
lespondiveis argumentos e provas. Como 
OS assumptos d^esta natureza raro teem 
occupado as camaras desde 1834, on mul- 
to pela rama teem sido aventados, o 
energico parlamentar, que os conbece e 
discute com sciencia e consciencia, dà- 
nos novidades que seriam vergonbosas, 
se n&o fossem a cachexia de um paiz que 
se espbacela, por que nSlo ha moral sem 
religiSlo, nem sociedade sem moral. 

S&o excellentes e benemeritos de me- 
ditada applica^&o os discursos do snr. Pi- 
res de Lima, um dos sacerdotes mais 
celebrados entro os poucos que nobili- 
tam paiz. As colouias portuguezas 
actuaes nSlo podem ser comprebendidas 
sem subsidio d'està dolorosa exposi^ào. 
mallogrado orador de certo damou no 
deserto ; mas lavrou um protesto que no 



dia funesto da desmembra^fto ba de ser 
lembrado. 



BoleHm critico do Porto. — Sabiu o pri- 
meiro numero. É redigido pelos snrs. Sil- 
va Pinto e Alfredo Carvalhaes, É pe- 
na que o snr. Carvalbaes seja influen- 
ciado por uns excentricos preconceitos 
da Vida que o exorbitam da esphera em 
que a gente se osciila e morde, se abrada 
e se descadeira. Anda comò perdido e 
suspense nos inter-mundos, no nervosis- 
mo, nas allucina^oes do opio, por altu- 
ras em que a respira^Slo é difficil ; e até 
das ddres nevral^cas tira comò Heine 
umas ironias que o n§U> dispensam de se 
ungir com oleó de meimendro. Rapare o 
escriptor vivamente colorista que é pre- 
ciso confiarmos a alma doente à clinica 
trìvial da sociedade, assim comò entre- 
gamos OS ossos à botica. Entre no mun- 
do com cbapéo na m&o, reconbe^a-o 
comò cousa bem feita, porte-se cortez- 
mente, faQa sonetos aos annos das senbo- 
ras can^adas de os fazer e desfazer, tome 
rapè, e vera que longo estadio de felici- 
dade separa Pangloss do infeliz Jocelin, 
e o seu dilecto sir John Falstaff de Ti- 
mSlo d'Athenas. seu eoUega da redac- 
9&0, snr. Silva Pinto, é uma intelligen- 
cia cultivada à moderna, com poderosas 
energias de fórma. Diz-se que tem mui- 
tos inimigos fraternaes na sociedade mei- 
ga dos seus irmàos em letras. Os mais 
implacaveis nSlo Ibe podem negar enge- 
nho, sem lavrarem a si proprìos al vara 
de mentecaptos ou facciosos. snr. Sil- 
va Pinto, ba ciuco annos, sabia pouco e 
era man, da maldade do meio. ELoje nUo 
me parece que tenba multo melhor ge- 
nio ; mas sabe incompara velmente mais. 
Parece-me todavia que lucta com o co- 
losso da sociedade: vem a quebrar os 
bra^os. Que se constraiija, que se amol- 
de, veja se toma rapè, e monte uns ocu- 
los que Ihe ponham a conspicuidade plas- 
tica à altura da intelligencia. Aconse- 
Iho o rapè aos deus nervosos redactores 
de Boletim, porque Ihe devo a elle — ao 
reserva do mestre (nào confundir com o 
vinagririho) a bondade angelical com que 
me deixo mortificar. rapè, emfìm, é 
um vesicatorio dos cerebros plethoricos, 
e um titulo stgo, mas serio, que dà direi- 
to à considera^&o das gentes. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



169 



Impressdes. — Poesias, com umacarta- 
apcecia^ào do snr, Autonio Augusto Tei- 
xeira de Vasconcollos, por L. A. Gon^àl- 
ves de FreitaB. Coimbra, imp. da Univ. 
1878, 8.0 A carta do saudoso e notabilis- 
simo eacriptor Teixeira de Vaseoncellos 
encerra justos louvores da obra e refle- 
xoes que sòam corno conselhos de intelli- 



gente e experimentado. snr. Gou9alves 
de Freitas osti na mèdia entre as duas 
cscólas de poesia que se digladiam, é que 
promettem «ahir extenuadas simultanea- 
mente. A poesia està por um fio, e aca- 
barà com a gera^ào actual. 

Camillo Castello Branco. 



ALMAMGH DAS SENHORAS 



PARA P0RTU6AL, BRAZIL E HESPANHA 

PUBLICADO SOB A PROTECglo 

DE S. M. A RAINHA 

« 

Contendo uma copiosa serie de artigos litterarios e instructivos, e um esbo^o bio 
graphìco de Maria Carpenter ; augmentado com um grande nudiero de tabellas e no 
tieias de interesse publico e uma variada sec^ào d'annuncios — IO,® anno. 

Por Guiomar TorrezSo 

Este almanach tira duas edÌ9oes, uma para Portugal, outra para o Brazil. 
PrcQo dos annuncios: ùma lauda l^bOO reis, mela dita li^OOO reis; paga adian- 



tada. 

Recebem-se annuncios e pedidos de almanacbs, d^este e dos mais annos (que 
teem o devido abatimento para reveuder), na redac^ao do Almanach das Senho- 
ras, rua de S. Bento n.® 218, Lisboa — tendo o cuidado de remetter a importancia. 

Vende-se o A.lma,iia,eli da.» Senhoras para ISSO, em todas 
as livrarias de Lisboa e Porto, e nas provincias e ilhas. encarregado da venda no 
Brazil é o snr. Bellarmino Carneiro^ residente em Fernambuco. 

RATTAZZI E SUA EPOCA 

Acaba de publicar-se està obra notayel, illustrada com os retratosde Victor Ma- 
noel, Carlos Alberto e Rattazzi, devida à penna da princeza Rattazzi, e traduzida 
do manusoripto inedito por D. Guiomar Tobrezao. 

Um volume de 328 paglnas 600 reis 

Vende-se no escrip torio da Emprbsa littebabia, editerà, rua Nova do Almada 
n.o 36, 1.0 andar, Lisboa; e nas principaes livrarias de Lisboa e Porto. 

Drama em um acto, traduzido para o francez 
e prefaciado pela princeza Eattazzi 

A' venda em Lisboa nas livrarias da vi uva Campos Junior, Ferin e Silva, e no 
Porto na livraria de M. Malheiro. 

Pre^o ^ 200 reis 



170 



BIBUOORAPHU. PORTUGUBZÀ E BSTRANOEnU. 



OPINIiO DA MPRENSA 



A RESPEITO 



DE VARIAS PUBLICAQSES DA LIVRARIA INTERNACIONAL 



DB 



ERNESTO CHARDRON 



Oancioneliro A.leg'ire 

COMMENTADO 



POR 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 
1 volume, 1^200 reis 

Emquanto no theatro o qlesastre do 
Hemani traduz urna tentativa generosa 
e nobre, Camillo Castello Branco, Tei- 
xeira de Queiroz, Bento Moreno, Guerra 
Jnnqueiro, Oliveira Martins, affirmam no 
livro as suas poderosas qualidades de ar- 
tistas, de poetas, de pensadores e de cri- 
tìcos. 

N*esta resenha rapida das novas publi- 
ca^oes, cabe por muitos motivos, o lugar 
de honra a Camillo Castello Branco ; o 
grande romancista, o mais nacional e o 
mais originai dos esorìptores portugue- 
zes. 

N3.0 podemos acrescentar infelìzmen" 
te que entre os livros de Camillo seja o 
ultimo, — intitulado o Cancioneiro Ale- 
gre — dos mais sympathicos para nós. 

Um homem comò Camillo Castello 
Branco nào se julga, todavia, por um dos 
seus livros. 

Tem de partir de mais alto, tem de pe- 
netrar mais fundo a critica que houver 
de aquilatar o creador poderoso de tan- 
tos typos que fìcaram immortalisados por 
um sópro de genio. 

. Camillo pertence à familia rara de es- 
criptores que sabem fazer vibrar com in- 
dizivel mestria as duas cordas predomi- 
nantes do organismo humano. A corda 
do riso e a corda das lagrimas. 

Como Dickens, com o qual o romancis- 
ta portuguez tem mais de um ponto de 
contacto, Camillo sabe fazer chorar e fa- 
^er rir. 





E este o seu triumpho, é està a qaa« 
lidade principal do seu talento, da qual 
derivam naturalmente todas as suas cu- 
tras qualidades de estylo e de execu- 
9ào. 

Camillo Castello Branco tem na voz 
todas as notas que v3.o da ineffavel me- 
laneolia das esperan^as frustradas, ou 
das desoladoras saudades, até ao S0IU90 
ardente do desespero, e todos os risos, 
desde o bora riso jovial que os espectacu- 
los burlescos nos desafìam, até a garga- 
Ihada sardonica em quo se fundem todas 
as ironias, todas as reprova9oes e todos 
09 castigos sociaes. 

Està serie de grada^oes, estes contras- 
tes violentos dào à sua linguagem casti- 
gada vernacula, à sua opulenta lingua- 
gem portugueza, um cunho individuai e 
tao ffederoso que em mais nenhum escri- 
ptor do nesso paiz se encontra. 

Os seus livros tem um relevo, um ca- 
ler, um pitoresco que é so d'elles. 

Sabe desencantar palavras que ras- 
gam as carnes comò punhaes acerados, 
que azorragam comò chicotes de fogo, 
que produzem um effeito hìlariante corno 
um frasco de protoxydo de azote subita- 
mente destapado. 

Ha n*elle a communicativa alegria de 
Rabelais, a ironia pungente e mordaz de 
Voltaire, e ao mesmo tempo urna triste- 
za tao funda, tao chela de lagrimas, tao 
sem esperan^a, urna comò que saudade 
intraduzivel de um paraiso que para sem- 
pre perdeu, o paraiso da sua fé, da sua 
mocidade, da sua alegria, do seu amori 

Sente e faz sentir ! Deus deu-lhe urna 
alma capaz de todos os ardores, de todas 
as coleras, de todos os odios, de todas as 
paixoes devoradoras, e ao mesmo tempo 
de todas as dóces tristezas, de todos os 
infinitos cambiantes do soffrimento ! É 
um instrumento que resumé urna orohes- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



171 



tra, e que elle faz vibrar corno grande 
artista qne é. 

Essa alma que a vida tem uloerado, 
que na solidS^ e na doeD9a se tem obum- 
brado de nuvens espessas, teve ha dias 
urna especie de desafogo, no livro cba- 
mado Cancioneiro Alegre. 

Camillo respigoa aqui e alli, na enor- 
me seàra dos poetas nacionaes, algum 
verso que mais de molde Ibe parecea pa- 
ra o fim a que visava, colleccionou estas 
produc^oes de engenhos diversissimos, e 
commentou-as com a sua prosa admira- 
vel, que é so por si urna maravilha ar- 
tistica* 

Sendo tristissima a Musa que inspira 
habitualmente os nossos vates, elles nun- 
ca fazem versos alegres senào por desfas- 
tio, um desfastio que os torna mais do 
que mediocres. D'aqui prò velo o nào se- 
rem bons OS versos alegres que Camillo 
coUeccionou, e poderem ser alegrUsimos 
OS commentarios que os acompanham. 

A alegria, porém, d'esses commenta- 
rios, a verve que os illumina, a malicia 
excepcional que n^elles scintilla, o comi- 
co chiste com que estào torneados nào os 
salva de serem muitas vezes injustos. 

Da parte do nervoso e apaixonado es- 
criptor, a quem instinctivamente repugna 
a fei^ào impessoal da litteratura moder- 
na, nào deve isto parecer estranbo. 

É um producto naturai da sua indole 
litteraria e da sua organisa9ào pbysica. 

Sentimos, porém, corno admiradora sin- 
cera que somos do grande humoriata por- 
tuguez, que elle se deixasse levar^ào ir- 
resistivelmente pelo declive escorregadio 
das suas antipathias e sympathias pes- 
soaes. 

Nào especialisamos porque nos falta o 
espa^ e o tempo. 

Lembramos sómente que Camillo Cas- 
tello Branco foi sempre soberanamente 
bondoso e parcial para os bomens da sua 
gera9S.o, e so excepcionalmente é que foi 
justo ou benevolo para os poetas da gè- 
ra^ào moderna. 

Trata por esemplo com a mais gracio- 
sa amabilidade a Francisco Falba, e no 
entanto, quem nào sabe que Francisco 
Falba corrompeu, com a consciencia do 
que fazia, o gesto do nesso publico em 
cousas do tbeatro, e t^ouxe para a vida 
social do nesso paiz mais um elemento de 
desmoralisa^ào e de desordem ? 

A musa offenbacbiana, decotada e se- 
mi-nua, foi elle quem a naturalisou por- 
tugueza. 

vinba importada là de fora, dir-me- 
bào, e nem por isso là fora se é mais im- 



moral do que por cà se està sendo e se 
tem sido. 

Mas OS que apresentam estes sopbis- 
mas nunca pensam que là fora ha bom e 
mau, e so do mau é que nós temos a cu- 
riosidade e a admiraQào. Là fora ha ali- 
mento para todos os paladares, os corru- 
ptos vào naturalmente para a corrup9§U>, 
OS bonestos vào para a honestidade e pa- 
ra o bem. 

Em quanto que nós, um publico de «c- 
nhoraa viainhaa e de imitadores ser vis, 
acolhemos tudo sem criterio, e somos 
unanimes em aceitar para todos a mes- 
ma inspiracào e a mesma lei. 

Se a moda levar para um genero per- 
nicioso, funesto, avariado o nesso gesto, 
para là vamos todos comò um rebanho 
estupido e insconsciente, atraz do pastor, 
quer elle seja mau quer elle seja bom. 

Fara nós, Francisco Falba, pertence 
ao numero dos primeiros, e Camillo Cas- 
tello Branco, que tinha authorìdade pa- 
ra Ih'o dizer, nao Ib'o disse, obedecendo 
à sua amizade e calando a voz da sua 
consciencia. 

Que nos perdóe o illustre romancista 
estas obser va9oes que respeitosamente Ihe 
fazemos. 

Ninguem mais do que nós o considera 
e o respeita, ninguem presta mais since- 
ra bomenagem ao seu talento em tanta 
maneira singular I 

M. Amalia Vaz db Cabvalho. 
(Do Jomal do Commercio, do Rio de Janeiro). 



!E<ii»el>io BdEacairio 

1 velame, 800 reis 

Deve ser publicado por estes dias o 
jà celebre ]E!!ixis»el>io !M!a,ea^lo, 

primeiro romance da longa collec9ào fa- 
ceta que, sob o titulo geral de Senti- 
mentalismo e Ustoiria^ o nes- 
so grande litterato Camillo Castello Bran- 
co se propoe dar à estampa em curto 
prazo. 

Nào duvidamos da realisa9ào de um 
tal commettimento que, pesadissimo pa- 
ra hombros menos pigantes que os de Ca- 
millo, de modo algum surprebende quan- 
do firmado nos talentos do illustre ro- 
mancista. 

Jà estamos d^aqui antevendo os des- 
tro908 que vào resultar nas pcquonas fi- 
leiras realistas, que entro nós militam no 
campo do romance sob o commando su- 
perior do respectivo quartel-general fri^n« 



172 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



ce«, — que vSo resultar, dizemos, da ex- 
plosS.0 da formidayel bateria ^entl- 
mentAlismo e liistox-ia^ que 

Bea author està carregando com um de- 
nodo um arregauho marciaes à altura 
da situa^ào. 

Ou muito nos enganamos, cu està no- 
va serie de publica^oes vai ser para cer- 
tos romances realistas portuguezes (rea- 
iistas excepto no que toca à syntaxe e à 
grammatica, em summa), espeoialmente 
para a fórma, o que foi o !>• Qui- 
xote para os estultos cartapacìos da 
ca vallarla andante. Como se sabe, a obra 
prima de Cervantes varreu completamen- 
te a feira, nào havendo mais quem se 
atrevesse a manejar a penna em celebra- 
9ào d'aquelles grandes figuroes estafados 
e decrepìtos. 

Ficamos aguardando com ancìedade o 
apparecimento do risonho !E2iisel>io. 

(Do Primeiro de Janeiro). 



Noticia. »ol>re alg'ixns iu- 
seetos ixteis ^ ag^rieul- 
tixi-a,. 

Pre90, 100 reis 

m * 

£ um folheto de éO paginas em que o 
snr. A. M. Lopes de Carvalho, depois de 
nos dar algumas noQoes geraes a respei- 
to dos insectos, faz f and amen tada selec- 
9^0 dos que sào reputados uteis à agri- 
cultura, secundando pela guerra declara- 
da a outros insectos ou por qualquer en- 
tra fórma o traballio do homem, snr. 
Lopes de Carvalho presta n'este livrinho 
um grande auxilìo aos nossos lavradores, 
muitos dos quaes sào atreitos em perse- 
guir animaes, que tao proveitosos Ihes 
podem ser. 

p (Do Pen<nfidtlen8e). 



A.g} missoe» ixlti-a,iii.a.]:*iiia» 

1 volarne, 200 rois 

S&o tres formosos e eloquentcs discur- 
803 proferìdos nas camaras dos deputados 
na ultima sessào legislativa, pelo escla- 
recìdo deputado pela Feira, o reverendo 
dr. Manoel Augusto de Sousa Pires de 
Lima, OS quaes o snr. Ernesto Chardron 
compondiou em folheto de 78 paginas. 
Encontra alli li^ào variada e abundante 
sobre a importancia das missoes nas nos- 
sas possessoes ultramarinas o leitor, pa- 



ra quem o prestigio do nome portuguez, 
nas nossas antigas conquistas, seja obje- 
cto d'alguma venera^ào. Encarecer os 
meritos da obra é superfluo, quando o 
author se chama Pires de Lima. 

(Idem). 



Oixx^so eie ling'iia, ita,lia.iia. 

1 volume, 500 reis 

Methodo de Ahn, adequado ao uso dos 
portuguezes, pelo professor H, Brun- 
swich. — O author d'este livro, que se 
tem applicado com especial dedica9ào a 
facilitar o estudo das linguas estrangei- 
ras, tem logrado o seu intento por meio 
do methodo Ahn, que consiste em apren- 
der uma lingua estrangeira do mesmo 
modo por que se tem aprendido a pro- 
pria, e as suas obras tem sido bem aco- 
ihidas pelos seus excel lentes resultados 
prati COS. Crémos que igual acolhida terà 
Curso da lingua italiana, por meio do 
qual tao facil se torna o estudo da melo- 
diosa e euphonica lingua de Dante e Pe- 
trarcha. 

{Idem), 



Viag'eus em Miarrocos 

1 volume, 141000 reis 

E um interessantissimo volume em 8,o 
de 300 paginas, em que seu author, o 
snr. Ruy da Camara, nos conta com vi- 
vacidade e graQa as impressoes das suas 
viagens com mìl episodios, incidentes 
descrip(joes e minudencias, que nos pro- 
porcionam uma lei tura deveras agrada- 
vel em estylo ameno e simples. É illus- 
trado com primorosas gravuras, o papel 
superior e a edÌ9ào nitida. 

{Idem). 



Oai"ta(S a um seeptieo 
em matei*ia eie irelig'iao 

1 volume, 600 reis 

Traduc9&o do hespanhol por A. A. 
Leal — 2. a edÌ9ào. E' sobej amente co- 
nhecido o eminente philosopho do visi- 
nho reino, ha poucos annos ainda rouba- 
do ao mundo, D. Jay me Balmes. N'elle 
teve sempre a divina religiào do crucifi- 
cado um fervoroso apostolo, e a philoso- 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



173 



pbìa um cultoi ìLlustradissìmo. Quem sen- 
tir a sua fé esmorecer ante as conclusoes 
da sciencìa, encontra n^este livro com que 
a reaccender e roborar. É de Balmes o 
Livro, tanto basta. A traduc^ào é esme- 
rada. 

{Idem). 



Oodig^o oiidtl poirtufifueaB 

1 volume, 1^600 reis 

É annotado, com referencias, em se- 
guida a cada artigo, aos artigosdo mes- 
mo codigo, aos do codigo de processo ci- 



vii, aos da lei hypothecaria de 1 de ju- 
Iho de 1863, e aos publicados na Bevù' 
ta de legislctgào e jurisprttdencia^ de Coim- 
bra e Diretto, de Lisboa, com um ap- 
pendice contendo a legisla^ào vìgente e 
correlativa, o regulamento do regìsto pre- 
dìal e legisla^ào respectiva, a lei da ex- 
tinc^ào dos juizes eleitos e creaQào dos 
ordinarios, a lei e regulamento da caixa 
geral dos depositos com os respeotivos mo- 
delos, e um minucioso repor torio alpha- 
betico. — Pelo que fica mencionado, se 
avalla o grande merecimento do trabalho 
do snr. G-aspar Loureiro d'Almeida Car- 
doso Paul. 

(Idem). 



Manascripto em folio com 581 paginas, além de 32 nu- 
meradas separadamente, tendo o frontispicio colori- 
do, com brazào, figuras, etc, e o titulo Beguinte : 



«Apparato genearchico em que se 
expoem as ARMAS DE TODOS 
OS REINOS E POTENTADOS DA 
EUROPA E DOS IMPERIOS DA 
ASIA E AFRICA, e ultimamente 
OS brazoes das familias portu- 
guezas e de muitas de Hespa- 
nha, offerecido a Joào Antonio 
Pereira e Castro Gomes e Abreu 
Quesado, fìdalgo da casa real, 
por ManoelPinto do Rogo, da 
villa de Vianna, 1747». 



Està obra està dividida em duas par- 
tes e estas dividem-se em capitulos, tra- 
tando da materia segundo a ordem que 
o titulo ìndica. Traz o retrato colorido 
do author, dìversas poesias dedicadas ao 
mesmo, varios indices das materias, uma 
carta de Antonio Alexandre Pereira Ba- 



cellar e resposta do author, depois se- 
gue- se o texto, onde véemr intercaladas 
para cima de 2:000 pìnturas, represen- 
tando coròas, cruzes, bandeiras, brazoes 
e outros emblemas de heraldica, e entro 
OS quaes se contam mais 1:200 escudos 
de armas de reinos, provincìas, cidades 
e familias, contendo além d'isso as vistas 
de Vianna e dos Arcos de Val-de-Vez, 
cercadas dos escudos de armas e appelli- 
dos dos seus principaes povoadores, ter- 
minando finalmente por cento e tantas 
paginas de arvores genealogicas. 

Tem encaderna^ào antiga e està bcm 
conservada menos nas duas ultimas fo- 
Ihas que estào manchadas. 

Todos OS trabalhoB sào feìtos à penna 
e com perfei^ào, estando bem conserva- 
das as còres das tinta^ em quasi todas as 

pinturas. 

♦ 

Esclarecimentos na livraria 
Chardron. 



CONSELHEIRO ANTONIO JOSÉ TEIXEIRA 



GONSELHO CtERAL DAS ALFANDEGAS 

RELATOMO DOS TRABALHOS DESEHPENHADOS NOS ANNOS DE 1877 E 1S79 



1 GROS. ¥01.. con «UHEROSOS HAPPAS ESTATISTICOS 



174 



BIBUOGBÀPHU PORTUaUEZA E E3TRANGEIRA. 



CODIGO CIVIL PORTUGUEZ 

.A^inTOTAJDO 

Oom referenoias a oada artigo, aos artigos do mesiìio oodigo, aos do oodlgo de pro- 
cesso oivil, aos da lei liypotheoarla de 1 de jalho de 186S e aos publi.oados na Bevu- 
ta de legialagSo e jurisprudencia e no DireitOj por GASPAR LOUREIRO D'ALMEIDA GAR- 
DOSO PAUL. 

1 gvofsmo T'oliime de 'T'OO pag^inas, l|^000 i*ei^ 

ERNESTO OHARDBON, EDITOR 



Tendo jà 12 annoa de ezistencia no paiz 
eodigo ci vii, representando diffioilima 
compìla^ào de tantas leis desde as roma- 
nas até às ecclesiasticas e barbaras e des- 
de a idade mèdia até às successivas orde" 
nagdes d^este reino, além de muitas outras 
leis, é um verdadeiro monumento, e1 eva- 
do à sciencia jnridica no extremo occiden- 
te, um padrao de gloria de um povo, que 
se affirma. 

nesso eodigo civil n&o é uma obra 
abstracta, por que é verdadeiramente na- 
cional sem deixar de representar o movi- 
mento do seculo até os mais remotos ho- 
risontes. 

Merece pois ser examinado em traba- 
Ihos, comò OS de que so honram os fran- 
cezes, cujo eodigo civil tem sido e conti- 
nua a ser explorado em analyses e com- 
mentarìos de alta sciencia. 

No melo da desordem judicial do nesso 
paiz, pois ainda nào foi a organisaQ§,o ju- 
diciaria verdadeiramente desafogada das 
praticas e atmosphera do antigo regimen, 
é grato ao menos termos este movimento 
em face da Europa, mostrando que Portu- 
gal sabe conceber o direito e amoldal-o 
aos multiplices misteres da vida pratica. 

É pelo lado mais pratico que o eodigo 
civil foi encarado pelo snr. Cardoso Paul, 
que escreveu por fórma tal, que n§.o deve 
haver mesa de advogado e de juiz, em 
que nSo esteja o seu precioso volume. 

As referencias do eodigo aos sens pro- 
prios artigos, trabalho embara^oso para 
quem estuda e altamente util, trabalho in- 
dispensavel para quem lida na pratica da 
lei, estào bem aprescntadas, e facilìtam ' 
por extremo a boa intelligencia do eodigo 
portuguez. 



snr. Cardoso Paul foi porém mais lon- 
ge, porque além de todas as mais referen- 
cias a outras leis, exhibe as referencias 
aos deus jornaes juridicos de mais autho- 
ridade, o Direito e a Revista de legista- 
gào e jurisprudencia. Por este modo e com 
rela^ào a cada uma das questoes de pra- 
tica e interpretati vas, este livro abre um 
exoellente caminho e mostra lego ao ho- 
mem pratico os primeiros materiaes e ele- 
mentos para o estudo. 

Nào sondo faoil, senào com o uso do li- 
vro, o vèr se todas as referencias estào 
devidamente coordenadas, nSlo podemos 
afìan^ar, que nào haja incorrecQoes ou 
faltas : o que porém asseguramos é a enor- 
me coUec^Slo de referencias apropriadas 
proxima ou remotamente, de modo que 
este livro é um excellente guia para o es- 
tudo pratico e para o uso diario de todas 
as ^pessoas do fóro. 

É pois multo digno de louvor o snr. Car- 
doso Paul pelo seu laborioso livro, que, 
sem duvida, nào carece de recommenda- 
Qoes de favor, pois é patente a sua gran- 
de utilidade. 

Agradecemos por tanto ao snr. Char- 
dron, illustrado editor de tantas obras, o 
exemplar com que nos brindou e junta- 
mente o do ManuaL do recorrente nas cau" 
sas civeis (todos os recursos legaes) do 
mesmo snr. Cardoso Paul, livro de menos 
pulso, feito sobre o nesso Codigo de prò» 
cesso civil, onde expoe coiq multa cla- 
reza os objectos de que se occupa e que 
nào deixa de ser tambem um livro multo 
util. 

J. M. DA CUNHA. SeiXAS, 
advogado. 
(Do Commercio de Liahoà). 



BIBLIOTHEGA JOVIAL 

Htetona do !Mat]:*iiiio]iio, grande collecQ§,o de quadros vivos matri- 
moniaes, pintados por varios solteiros mallogrados na fl6r da sua innocencia e des- 
criptos por Antonio Flores. — 1 volume 320 reis. 

Sete semana» em ìyrJLxrjro» historia alegrissima por Domingos de 
Sandovai. — 1 volume 400 reis. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



175 



NOVAS PUBLICACÓES 



AJbn. Curso de lingua italiana. Metho- 
do de Ahn, adequado ao uso dos por- 
tuguezes pelo professor H. Bruns- 
wieh. 1 voi 500 

ILiopes de Oair^a^Uio. Noticia 
Bobre alguns insectos uteìs à agricul- 
tura. Opusculo illustrado com gravu- 
ras. 1 voi 100 

T>. Antonio da. Oosta.. Historìa 
do marechal Saldanha. 1 voi. 1 1^200 

Oamillo Oa^tello Biranca. 
Sentimentalismo e historìa. 1 volu- 
me . . 800 

— Cancioneiro alegre. 1 voi. . . . ljj!200 

CÌeL&±iro r'rejSre. Novo diccionario 
francez-portttguez. 1 grosso voi. com 
encaderna^ào de Paris 4j^00 

01ia.tea,iil>]:*ia,iid. Atala. 1 voi. 

broch UbOO 

Com uma rìca cartonagem vinda de Pa- 
ris 2s?000 

Gra^spajr Pani. Manual do recor- 
rente. 1 voi 600 

— Codigo ci vii annotado. 1 voi. . . li^GOO 

GtJLGiTjrsL «XiinqueiiTO. A musa 
em ferias. 1 voi 600 

XXe]:*eiila,iio. Opusoulos. 4.o volu- 
me 600 

•Tixlio ILioiireiiQO Muto. Mar- 
garida. 1 voi liWO 

XaTLÌx Gra.i*iri<lo. Estudos de histo- 
rìa e do litteratura. 1 voi 600 

«Tulio Vei'ne. Viagens maravilho- 
sas aos mundos conhecidos e desconhe- 
cidos. Volumes publicados e em bro- 
chura : 

Da terra à lua 900 

À roda da lua 900 

A volta do mundo em 80 dias. li^OOO 

Os inglezes no polo norte lijKlOO 

deserto de gelo IìÌKIOO 

Cince semanas em balào lijSlOO 

Aventuras de tres russos e tres ingle- 
zes 900 

Viagem ao centro da terra . . . li^iOOO 

America do sul 1^100 

Australia meridional 1^100 

Oceano Pacifico Is^lOO 

homem das aguas lì^O 

fundo do mar Is^lOO 

Os naufragos do ar li^lOO 

abandonado Ij^lOO 

segredo da ilha li^lOO 

correlo do czar liiBOOO 

A invasào WOO 

eclipse de 1860 1^000 

A ilha errante 



• •■■•• 



A cidade fluctuaute. .... 

As Indias negras 

cataclysmq cosmico . . . 
Os habitantes do cometa 

doutor Ox 

A viagem fatai 

Na Africa 

A galera Chancellor 

A descoberta da terra (1.* parte | 
A descoberta da terra (2.aparte) 



liWOO 
li^OO 
li^lOO 
li^lOO 
li^lOO 
900 

imoo 

UlOO 
UlOO 
UlOO- 



Oada volume tem numerosas gravuras e Gus- 
ta mais 300 rels encadernado em percalina don- 
rada. 

Mianua,! do ^alliiilieli*o. In« 

dica^òes indispensaveis aos que se de- 
dicam à gallinìcultura. 1 voi. 150 
O -A-gricultor do Norte de 
Pox*tii^a.l. Jornal illustrado de 
apicultura pratica dedicado às pro- 
vincias do Norte e publicado sob a di- 
recQào e auspicios do conselho d 'agri- 
cultura do distrìcto do Porto. 2.o an- 
no 311000 

Publicon-se o ii.<* 9 do 2.° anno. 

reixoto amarai. Selecta classi- 
ca de prosadores portuguezes, elabora- 
da segundo o programma ofBcial, para 
as cadeiras de portuguez dos lyceus, 
conforme a portarla de 5 d'outubro de 
1872 e augmentada com mais trechos 
classicos, e notas. 1 voi.'. .... 600 

Mree de X^ima. As missoes ultra- 
marinas. Discursos pronunciadosna ca- 
mara dos scnhores deputados nas ses- 
soes de 14, 15 e 16 de maio de 1879. 
1 voi 200 

Ruy da> Oamara,. Viagens em 
Marrocos, com illustra^oes por Ma- 
noel Macedo, C. Alberto e Pastor. 1 
voi 1|J8K)00 

O Antonio iMaria. Foiba humo- 
ristica illustrada por Bordallo Pinhei- 

ro. 6 numeros 300 

Avulso, cada numero 60 

Mattos Moreira & G.^ — editores. 

Sea>l>ira,. A Fior dos prégadores ou 
coUec^ào selecta de sermoes dos mais 
celebres oradores contemporaneos para 
todas as domingas e prìncipaes festas 

do anno. 7.° voi 800 

Volumesla7 5s^600 

Teixeira de Queir ose (Bento 
Moreno). Os noivos. 1 voi. . . . liWO 

'Xlieopliilo Sra^a.. Historìa 
Universal. 1 voi Ij^K) 

— Philosophia positiva. 1 voi. . . 700 



176 



BXBLIOGRAPHIA PORTUGUKZA E ESTRANGEIRA 



PUBLIOATIONS PRANgAISES DB 1879 



./%4Sisolla,iLt. Le vieux juge. 600 
Salii. La science de Teducation. 1 

voi. cart U200 

Bx-éclifl Demosthène. 1 voL ItJ^OO 
Broglile. Le libre échange et Timpot. 

1 voi. ìn-S,^ Ii^i500 

B* SaJLiit«Hilaive. Métaphysi- 

quo d*ArÌBtote. 3 voi. iii-4.o... 6i»)00 

Busoli* Le comte de Bismarck et sa 

suite pendant la guerre de Franco 

1870-71. 1 voi 700 

•"Oadol. La grand vie. 1 voi. . . 700 

Oariel. Descartes. 1 voi 700 

Olia vette. Nous marions Virginio. 

1 voi 600 

01el>se]i. Le^ons sur la geometrie. 
Tome 1^^. Seotions coniqucs et formes 

algébriques 2i^400 

Oompayi^é. Histoire critique des 

doctrìnes de Téducation en Franco de- 

puis le 16e siede. 2 v. in-8o. 3W0 

I>a.ii'tieir. Les femmes dans la société 

chrétienne. 2 gres volumes illustrés et 

reliés 13W0 

I>aui*iae. Des notions de matière et 

de force. 1 voi li^OOO 

I>o^ Algebre. 1 voi 1^000 

l>iil>oi^. Cours de navìgation. 1 gr. 

voi 311000 

r>iiiiias. L*ineonsolée. 1 voi. 700 
Figuier. ConnaÌ3-toi toi méme, no- 
tions de physiologie à l'usage de la 
jeunesse et des gens du monde. 1 voi. 

illustre 2^000 

Relié SmO 

Fleuriot (M''"*). Raoul Daubry, chef 

de famille. 1 voi. illustre... WOO 

Follin. Pathologie exteme. Tome 6«, 

fase, ler 800 

Grai*iiie]:*. Le mariage dans ses de- 
voirs, ses rapports et ses effets coi^u- 

gaux. l voi 700 

Grii-airdlii. Petits contes alsaciens.. 

1 voi. broc 300 

Cart 500 

Gi;iiyaii. La morale anglaise contem- 

poraine. 1 voi. in-S® li^500 

Hall sison ville. L'enfance à Paris. 

1 voi 1^500 

JEIoiiel. Catalogue des pièces du Mu- 
sèo Dupuytren. Tome iv et atlas. 3s^000 
JHonmmcLyG* Des destinées de Tàme. 

1 voi 1^200 

«James. Toilette d'une romaine au 

temps d'Auguste. 1 voi 700 

«Xoly. L'homme avant les métaux. 1 

voi. cart If^OO 

X^amai-tine. Saul — tragèdie. 800 
luanfire* Histoire da maténalisme. 2 | 



gres voi. cart 4if000 

Lefèvre. La philosophje (bibliothè- 
que des sciences contemporaìnes). 1 
voi. in-12 liWK) 

I^ey^raiKl. Le mariage et les moeurs 
en Franco. 1 voi 1^200 

]Liiviii|2pistoiie. Vojages d*explora- 
tion. 1 voi. cart 500 

]Liiil>1>ook. Insectes et fleurs sauva- 
ges. 1 voi. illustre cart 800 

ILiiiiig'e et IVaville. Fabrication 
de la sonde. Tome 1®'. Acide sulfuri- 
quc. 1 voi. cart. . , 4i^K)00 

Miadame et Miouisieiur Oajr* 
dinal. 1 voi. . . ., 700 

M!ai*tiiiea.ii. Traité clinique des 
affections de Tutérus et de ses anne- 
xes. 2« partie. Pathologie speciale. 1 
voi. in-8o.. 1,^600 

Miaiidsle^^. Physiologie de l'esprit . 
1 voi. cart 2|>200 

]!d[a3E±me du Oamp. Les con- 
vulsions de Paria. 1 voi Ij^OO 

Mionniei'. Scènes populaires dessi- 
nées à la piume. 2 gros volumes il- 
lustrés 4jW)0 

M[oii»a;l>i-é. Exposition da dogme 
catholique. 1 voi 800 

N^laton. Pathologie chirurgicale. 
Tome 4e. 2® partie li?400 

raqiiier. Histoire de l'unite politi- 
que et territoriale de la Franco, l^r 
voi 1^00 

neliot. Complément de geometrie 
deacriptive. 1 voi 400 

Qiiielieirat. Mélanges de philolo- 
gie. 1 voi li^200 

— Kodrigue de Villandrando. 1 volume 
in-8o 1)^500 

R>it>ot. La psychologie allemande 
contemporaine. 1 voi. in-8o. . . lj^500 

Rotliaii. La politique fran^aise en 
1866. 1 voi. in-8o WoOÙ 

Selilieiidaiiii. Mjcènes, recherches 
et découvertes. 1 voi. illustre 1$000 

Sieliel. Ophthalmologie. Tome 1®'—. 
Maladie du globe oculaire. 1 voi. il- ^ 
lustre 3i^00 

Spencer. Essais scientifiques. 1 voi. 
in-8o 1|!500 

— De réducation intellectuelle, morale 
et physique. 1 voi. 2« èdition. imO 

UVallon. Histoire de Tesclavage. 1 
voi : li?500 

Vaintoéry. Voyages dans l'Asie Cen- 
trale. 1 voi. cart 500 

Va^ttemare. Arminius Vambéry. 
1 voi. cart 600 

Vint^our. Formules; 1 v. 1*200 



BIBLIOGRÀPHIA PORTUGUEZA E ESTRÀNGEIRA 



EDUCAglO E BNSINO 



IH* do IVaflelmento' e 
IVobrega 

SCethodo da lingaa franoeia. 1 
voi IjjOOO 

AIlB 

Bf efhodo de franeez. 1 voi. . . 600 

^Aethodo dMnglez. 1 voi 800 

Methodo de italiano. 1 voi.. 600 

KapiMM» Betel Ilo 

Gteographia geral. 1 voi 600 

Arithmetiea pratica. 1 voi. oarto* 

nado , • 600 

Tbeoremas. 1 voi 240 

Chorograpbia portugaeza. 1 volu- 
me 200 

Com mappas 820 

100 problemas com as reso* 
la^óes. 1 voi 200 

Silva DlM 

Arithmetiea e systema metrico, pa- 
ra liso das escólas 200 

Quadro colorido dos pesoa e medi- 
das 400 

Ijnvemlzado e com paus. . . . 1^200 

Salgey 

921 problemas resolvidos. 1 y. 600 



Ma, de Soiua Goine* 

Enunciados de 1:600 problemas. 1 
voi .* 800 

Bapoflo e Bla* 

Desenho linear geometrico. Pri- 

meira parte 600 

Segmidaparte 900 

Blogo I¥ane« 

Tbeoremas e problemas. 1 v. 400 

Trigonometria rectilinea. 1 vola- 

me.... 800 

Soào BlnlB 

Historia de Portogal. 1 voi. 240 

Pelxofo Amarai 

Selecta classica. 1 voi 600 

▼llhena Barbosa 

Virtades ci vicas. 1 voi 400 

Bensabat 

Methodo de leitnra sem soletra^&o. 

1 voi 80 

Methodo de l'oitura e tradoc^fto in- 

gleza. 1 voi. ca^t 600 



M. S, P. 

Pontos para a corso de portngues. 
1 voi 240 

A, Tlelra liopeo 

OonversafSo portngueza-italiana. 
1 voi. cart *. 600 

« « 4ft 

No^s d^agricoltora. 1 voi. . 250 

Projecto para a refòrma do ensi- 

no. 1 voi 400 

m. Bernardefl Braneo 

Diccionario portngnez e latino. 1 
voi. encademado 2^500 

Tito de Moronlia 

Gartas escolhidas do padre Yieira. 
1 voi 400 

Cliarbonneaa 

Gorso de pedagogia. 1 vd. . . 1^^000 
liamé Flenry 

Historia antiga. 1 voi 400 

Adolpho Coelko 

Quest&o do ensino. 1 voi. ... 200 



LIVROS RELIGIOSOS E PHILOSOPHICOS 



Franelseo Hettlnger 

Apologia do Christianismo. Obra 
completa. 6 voi 6^000 

Padre Blvaux 

Tratado de historia ecclesiastica. 
3 voi 8^600 

Padre Seboappe 

Curso abreviado de religiSo. 1 gr. 
voi 1^^200 

Padre Maeh 

Thesooro do jacerdote. 2vol. 2,^400 

Vin eatbolleo brasllelro 

Ensaio de pn^amma para o parti- 
do cathoÀico no Brazil. 1 v. 300 

Franelfleo Luis de Seabra 

A Fldr dos Prégadores. 7 v. 6^600 

Boser 

firn da Vida. 1 gr. voi. . * . 1^000 

Padre Gantrelet 

A firanc-ma^onaria e a revolnc&o. 
3 voi 1^500 

flenrlch Beiuieh 

A Biblia e a natnreza. 2 voi. 2^^000 



Bebreyne 

Estndos do theologia moral. 1 vo- 
lume 800 

Abbade Martin 

Theologia moral em qnadros. 2 voi. 
in-8.<* gr 3^000 

Abbade Gnlilols 

Explica^&o litteral e moral das 
Epistolas e Evangelhos. 2 vo- 
lumes...* 1^500 

Explica^lo historica, dogmatica, 
moral, liturgica e canonica do 
Oatecismo. 4 voi 4^000 

B. #ofto M. P d'Amarai e 
Plmentel 

A sciencia da civillsa^&o. 1 grosso 
voi 1^000 

Blflpo d'Orleans 

Estudo icerca da franc-ma^naria. 
1 voi 400 

Abbade TonnlMonx 

Os diffamadores do clero catholico. 
1 voi 200 

I«nlB Moreira Maya da 
Silva 

SermSes escolhidos. 2 voi. . . 2^^000 



Abbade Bnbois 

padre santiflcado. 1 gr. v. 1^^000 

Fr. F. de S, Maria 
Sarmento 

Escriptura Sagrada. 42 voi. 12^000 

Tractatns de Censurls 

Juxta Gury. 1 voi 800 

Blspo do ParA 

Direito centra o direito. 1 v. 800 

Br. Luis M. da Silva 
Bamos 

Ora$&o gratnlatoria 120 

Serm&o da Immaculada Goncei- 

9&0 200 

Serm&o sobre a divindade de Kosso 

Senhor Jesus Ohristo ..... 200 
A liberdade de consciencia.. 200 

Pio IX, ora(&o funebre 200 

A soberania social de Jesus Ghrls- 

to ^.. 200 

Plres de Lima 

MissSes ultramarinas 200 

A Clvlllsa^o Cathollea 

Publica(&o mensal. Pre^ por an- 
no. ..«..•*••«•«••••«••••• l^QOQ 



BIBLIOOBAPHU PORTUOUEZA E ESTBANOEIRA 



LIVEOS RELIGIOSOS E PHILOSGPHICOS 



Conego Borse* 

Dlsearto e sermSo 200 

lioiifleiihor Benrret 

Befposta is impnta^s que se t&- 
zem i Igreja. 1 voi 120 

Boberlo CSallherme 
KFoodhoniie 

A seieneii^ hodiema e o dogma 

ohri0t&o. 1 voi 200 

O natnralismo. 1 voi 200 

Cardeal l¥lseiiiaii 

Fabiola oa a igreja das eataeam- 

bas. 1 voi. com gravnras. 1^500 

Com urna riea cartonagem. . 2^000 

P. Paulo Perny 

Dous mezes de prisSo sob a com- 
mima. 1 voi 400 

Padre Chrlsplm C. F. 
Tavares 

Bevlflta cathollca 600 

Padre Senna FreKaii 

A tenda de mostre Lneas, romance 
religioso. 1 voi 400 

No Presbyterio e no tempio. 2 vo- 
lumes 1^200 

Pio IX. 1 voi.. é 200 

H. Ferreira Marnoeo e 
Sonsa ^ 

Ck>mo se lia*de fazer nma boa eon> 
fiBs^ 60 

Abbade Marqny 

Oerteza prozima do fim do mim- 
do 200 

R. P. Blot 

No oéo nos reconheceremos. 200 

Baceolta Romana 

COII0O9SO de ora^Sea e obras pias. 
1 voi 600 

Some Blum 

Vida do Santo Padre Papa Pio ix. 
1 voi. iUnstrado. Cart 1^000 



Padre Felix 

Conférendas sobre o Socialismo. 1 
voi 600 

B. P. Maeh 

Ancora de ealva^So. 1 grosso voi. 
oartonado 600 

Mani do sacerdote. 1 grosso voi. 
oartonado 600 

Catecismo exempliflcado. 1 volu- 
me br 800 

Oartonado 1^100 

Monsenbor CSanme 

A agua benta no seculo xix. 1 

voi 400 

O cemiterio no seculo xix. 1 volu- 
me 400 

A Vida é depois da morte. 1 vo- 
lume 400 

O signal da cmz no seculo xix. 

1 voi..* 400 

O Angelus no seculo xix. 1 v. 400 
A Europa em 1848. 1 voi. . . . 200 
Para que serve o Papa? 1 v. 100 
Onde estamos ? 1 voi 500 

Sesnr 

concilio lijo 

Oonselhos praticos sobre a ora- 

9&0 80 

A desobriga 40 

O descan^o do dbmingo lOO 

Os franc-ma^ons, o que sSo. . 80 

O Papa é infalli vel»,...».». 40 

Póde-se ser catholico liberal? 120 
Oonversas sobre o protestantismo. 

1 voi 200 

Antonio Fernandes 
Cardoso 

Sentido dos ritos e ceremonias da 
missa. 1 voi 600 

Padre l^nadmpanl 

Direct para soeegar as almas. 

2.^ edi^So 100 

Direc9Eo para viver christ&mente. 

2.*edi9&o..... 100 

Thomas Tllale 

O pontificado romano 100 

Paulo Fé¥al 

Jesnitas ! tradue^So e notas do pa- 
dre Senna Freitas. 2 voi.. 1^000 



Henri Conoelenee 

Heroes eatholicos. 2 voi. . . • l^JK)Oe 

Inferno e Paralao 

Resposta ao snr. Oamillo Castello 
Branco. 1 voi 500 

B. Jaymes Balmea 

Oartas a nm sceptico em malteria 

de religiSo. 1 voi 600 

O Criterio, philosopUa pratica. 1 

voi.. 600 

Miscellanea. 2 voi 1^200 

Philosophia fundamentaj. 4 volu- 

mes 8^0 

O Protestantismo comparado com 

Oatholicismo. 4 voi. ...... 2^^400 

Ourso de philosophia elementar. 8 

voi 1^200 

Voaes prophellcas 

Ou appari93es e predic9oe8. 1 vo- 
lume , 250 

Padre Martlnho 

SevmSes selectos. S voi..... 8fi60Q 

Vlsconde d'AsoTedo 

Oontra-resposta dada ao velho li- 
beral. 1 voi 800 

Monsenhor liandrlot 

A mulher forte. 1 voi 600 

Condessa de fiiégur 

A Hospedaria do Anjo da Guarda. 
1 voi 500 

Padre Marchal 

A mulher corno doverla sel-o, 2.* 
edifSo. 1 voi 400 

Padre Cros 

Confessor da infància e da mo- 
cidade. 1 voi .,, 600 

B. M. do P. Slnnés de 
Marco 

A Lei de Deus. Oollec^ào de len- 
das. 2.* edi^So. 1 voi 500 



Pouchel 

So Deus é grande 



50 



O JLILTOIOISI J±IJ_£òO -A-LEO-I^EI 



DB 



POETAS PORmiZES E BRAZIIEIROS 

COMMANTADO 

I»or Oamillo Oastello Bianco 

Um volume de 560 paginas. — Pre^o. t 1^00 reis 

Porto: 1879 — Typographia do A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 62 



i.® Anno 



1879 



Numero 10 



BIBLIOGRAPHIA 



V 



PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



pOZE jVlUMEROS, 5OO ReIS 



A venda na li viaria Chardron 



CAMILLO CASTELLO BRANCO* 



EUSEBIO MACARIO 

D. ANTONIO, Prior DO Grato 



SUMMABIO 

Os criticos do Oajjucioiieiro alegpre, por Camil- 
lo Castello Branco — Os eoiii:i*af*a,e'tox*es no Sira.* 
zìi — Sil>liog'X"a,pliia.9 por Guiomar Torrezào — Xta,« 
lia>9 do couego Alvea Mendes, pelo padre Senna Freitatf — 
!EIiiset>io &[a.ea,]7Ìo : crìtrcas lìtterariaa — Opinia^ 
da, impx'^i^S^ àcorca das ultimas pubiicaQoes di lìvrarìa 
de Ernesto Ch^^rdron, etc. etc. 



Sljriies'to Olxardron, Editor 



ERNESTO CHARDRON-EDITOR 



PORTO E BRAGA 



LIYRQS UTBIS E INSTRUCTIVOS 



G««|p|ir Paul 

Godigro Giyil annotado. 1 voi. ljS600 

Encademado 2^000 

Manaal do reeorrente. 1 voi . GOO 

■^mnelseo Antonio Volga 

O direito ao alcanee de todos, ou o 

advogado de si mesino. 1 v. 2^000 

Oodigo de processo civil. 1 v. 700 

Dr. Conslanlln CSnIllnamo 

O medico de casa. 2 voi. . . . 1^000 
Hello IMoroe^ 

Diceionario de medicina homoeo- 
patliica. 1 voi 2^500 

Luis Flgnlcr 

Ab grandes inven^Ses. 1 voi. 3^000 

Gartonado .^ 8i|S600 

Depois da morte. 1 voi...* ìjooo 

Fret Domlnsos Vlelro 

Grande diceionario portngtiez. 5 

▼oi 25,5000 

Encademado'. , 80^000 

Camillo Castel lo Branco 

Diceionario de educa^&o e ensino. 
Svol 6^000 

Vllhona Barliosa 

Estudofl historicos e archoologicos. 
2 voi 1^200 

Pinbeiro Chagas 

Historia de Portugal. 8 voi. 8^000 
Diccitmario popolar. 5 voi. 15^000 

Asosllnho da miìrm Pietra 

Thesooro inesgotavel. 1 voi. l^jkKK) 

Charbonneau 
Gurso de pedagogia. 1 voi. . 1^000 



Smequìmei 

Quadros do mundo physico. 1 v. 600 

Degrange 

EscripturafSo. 1 voi 1^500 

Aimcida Ouleiro 

Escriptora^&o. 1 voi 1^200 

Raposo e DIas 

Arithmetica commercial.lv. 1^500 

Forjas 

Annota foes ao Godigo do commer- 
cio, ivol 6^000 

GlIbarC 

Tratado pratico doa bancos. 4 
vele. 6^000 

J. J. l'irato Coelho 

Os Bancos em Portugal. 1 v. 800 

Agrlcullor do Norie 

Jornal d'agricoltura pratica — l.^* 
e 2.<* annos. 6^000 

A. de Sousa Flg;aelrcdo 

Manualdearboricultura. Iv. 3^000 

Lopes do Carvaiho 
Insectos uteis 100 

« « * 

Manoal do galllnheiro 150 

Dr. Moreira d'Asewedo 

O Bio de Janeiro — historia — mo- 
nomeatos — homens notaveis — 
U808 e costumes. 2 voi. . .. 4^500 

Pereira da Silva 

Historia da fondaco do Imperio 
BrazUeiro. 3 voi *. 4^500 



SonCbey 

Historia do Brazil. 6 voi.. lO^^lOOO 

Adolpho Coelho 

Questoes da lingua portugueza. 1 
voi 2^500 

FerClauU 

Feliddade na familia. 1 voU 500 
J. M. F. do Masalhftf^s 

Arte do descobrir aguas. 1 v. 120 
Debay 

Physiologia do matrimonio. 1 volu- 
me 1^000 

Arte de conservar a belleza. 1 
voi 600 

Flamniarlon 

Os mundos imaginarios. 1 v. 1^000 
Pluralidade dos mundos habitados. 

2 voi 1^200 

Deus na natureza. 2 voi. . . 1^200 

IHaeé 

Historia d'um booadinho de p&o. 1 
voi 600 

Os servidores do estomago. 1 volu- 
me Ij^OOO 

Duruy 

Historia uni versai. 1 voi... 1^000 

« « « 

Eneyclopedia do povo e das escólas. 
1 voi 2^000 

Browu 

A conquista do ar. 1 voi. . . . 1^000 

Viagem no dorso d'uma balea. 1 

voi 600 

Daniel 

Historia uni versai. 4 voi... 2f$l000 



U ANNO 



1879 



N.' 10 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



OS CEITICOS 



DO 



ojL]sroioisrEii?.o .ajljE<3-k.ei 



VI 



Artliixr Sainrelro» * 



Bete sujeìto escreve-mc qne tem urna 
excellente bengala do Petiopolìs com a 
qual mo baterà, se cu fòr ao Brazil admirar 
OS cerebros de tapioca. mulato estava 
a brincar ; elles teem a debìLidade escan- 
galhada do sangue espurio, escorrido das 
podrìdoes das velhas coloni as que de là 
trouxeram à Europa a gafaria corrosiva ; 
às vezes excitam-se bastantemente com 
cerveja ordinaria, teoment&oimpetosim- 
moderados, d&o guìnchos, fazem caretas, 
co^am as barrigas, exigem banana, ca- 
briolam se Ibes atiram ananaz, e n§.o fa- 
zem mal à gente branca. 

£u là vou brevemente, resolvido a dar- 
Ihe nozes e ca9al-o no cabalo. Se me sa- 
hir um mono vulgar, pacifico, o simia sa* 
tyrua de Cuvier, com o focinbo proemi- 
nente, sem nadegas, sem unhas nos poi- 
legarcs dos pés, tenciono trazel-o commi- 
go para mo desforrar das despezas da 
viagem. Ha de chamar-se Sim&o Arthur, 
seu pandego ! Hei de mostral-o na feira 
de Belem a pataco ; para soldados e crian- 
Qas vinte rais. Se me sahir feroz, de bo- 
chechas papudas, focinho longo e crista 

t Candoneiro àlegr* de 0. Cantello Branco. 
Rio de Janeiro. 1879. Carta — 8 pag. 



nas sobrancelhas, emfim, um oynocepha- 
lo, ontào fa^o-o rebentar com tres ponta- 
pés d'um ptgante carroceiro do Minho, 
e maudo-o empalhar ao Justino de Jesus 
Caxias, da rua dos Invalidos. Ouvirei 
a opiniào dos doutores Pereira Neves e 
Scusa Lemos, medicos da policia. Se el- 
les me disserem qua o macaco, apesar 
de empalhado, fede em viagem, limitar- 
me-hei a esfolal-o e trago a pelle. Se o 
snr. Paiva Raposo, que faz coUec^fto de 
foUes de quadrumanos mamaes, n&o tiver 
a especie, dou-lh*a. Elle tem o macaco 
longimano (o simia lar) ; tem o cinzento 
(simia cinera) ; tem o chimpanzé {simia 
troglodytes) ; tem o saltala do Para, o 
mioo, o mariquinha do Maranhào, tem os 
variados monos patazes de nadegas callo- 
sas e cabota ohata ; possue com grande 
estipoa o papi&o, o mandril, o bugio pon- 
go, 03 diversos macacoes guaribas de ru- 
gido medonho e tambor osseo na guela: 
falta-lhe o gorilha-Arthur, o «tmta-ast- 
nu8 de Buffon. 



Eu, antes de conheccr este mesti9o, era 
da opini&o de de Candolle, de Flourens, 

. 12 



178 



BIBUOORAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



de Blainvitle, de Milnc Edwards a rea- 
peìto da immatabilidado de cada especie 
e da unidade objectiya. Nào podia admìt- 
tir Lamarck resuscìtado em Darwin, 
netn a theoria das gera^ocs espontaneas 
do americano Hudson Tuttle^jio Arcana 
of nature or the hietory and lama o/crea- 
tion. Figurava-se-me um paradozo scien- 
tifico aue homem fosse um macaco aper- 
feì^oado.'Parecia-me isso tao absardo co- 
mò podor sahir o boi da rSL, e a aguia dos 
Alpes d^um badejo que se transformou 
em ave por se * ver embaraQado nos ar- 
bostos da praia. Hoje abundo nas theo- 
rias que refuguoi ; creio que o homem é 
o macaco aperfei^oado, excopto quando 
é a imperfei^ào do macaco. Està segun- 
da hypotbese verifica-se quando Arthur 
faz esgares de bugio com bengala de Pe- 
tropolis através do Atlantico; porque 
u^esse caso a sua impérfci^ào de mono 
està na tolice; ecmacaco — sejamosjus- 
tos — póde fazer ac^oes dcshonestas, las- 
civas; mas n^ é tolo. Arthur comò ma- 
caco é imperfeito : està no penultimo ava- 
tar : ainda Ihe falta uma ou duas trans- 
forma^oes que o limpem. Como homem 
sclvagem, Arthur, à parte o nome roman- 
tico que Ihe deram na pia, devendo cha- 
mar-se TujUcane ou Jararàca, é um ta- 
puia caàpora degenerado. Elle jà sente 
as màos a fazer cm-se-lhe pés, e os polle- 
gares a separarem-se ; o focinho vai gra- 



dualmente retrahindo-se, e o oarào faz- 
se-lhe mais vertical ; os sorrisos ainda 
nào sào caretas bem aocentuadas ; custa- 
Ih^ a tor-so verticalmente ; faz dyspe- 
psias de mandioca, sente impetos de tre- 
par aos cajueiros, e faz tregeitos de que- 
rer enrosoar o rabo em bengalas de Pe- 
tropolis. Tal é elle. 

Se o fulo mulato ainda tem al^umaa 
tradi^es glossologas dos velhos guinchos 
articulados dos seus antepassados, deve 
perceber a lingua tapuia. Eu preciso de 
the dizer duas cousas em resposta à sua 
carta; mas corre-me o dover de Ih^as 
communicar em lingaagem pouco sabida 
na Europa. Veja se entende: — Inde gpé 
saravaia tapiràf turttsu maranhave busa" 
pu, Taiassé, nhamim nhapunguarà xenon 
xatupè, Assim se exprimia o seu deci- 
mo avo, o botocudo, pintado com rajas 
de urucù e genipapo, e tinha botoque 
de pau no bei^o e nas orelhas, e comia o 
tnpy e os primos, nas pessoas dos maca- 
cos, mettido, com sua decima avo, nas 
folhudas choupanas da patioba. 

Traduza, e espere-me là com a benga- 
la de Petropolis, seu capoeira! Entao o 
senhor realmente faz uso do pau ? Tsto, no 
Arthur, é chala^a: elle e os seus patri- 
eios usam do pau, mas é em farinha. Nào 
batem com elle : comem-no. Farinha de 
pau é que ellos teem no cerebro e nos 
ossos. 



VII 



A sur.» M:ai*iaiia (Ti*i) Pina i 



Pina safa-se ganindo. 

Eu tinha dito a este pobre homem de 
letras — afironta dos littorati^os de outi- 
liqué, uns que em Lisboa fazem folhe- 
tins por meias solas — tinha-lhe dito que 
nào se escreve oorreetamente : « Tenho 
multo dóde 8i». E, no requinte da mìnha 
indulgencia com os inimigos miseraveis, 
chameì-lhe simplesmente alar ve, e acres- 
centoi com ingenua commiseraQào : « é iii- 
crivel que um pequeno que aos dez annos 
lia romances no collo das tias, sahisse tao 
adulta e descompassada besta» . Pina, re- 
plicando, empraza-me para que Ihe prove 

i Diario do Commercio, n.® 1:308. 



que errou escre vendo: «Tenho muito dò 
de 8i » . D'està pertinacia infere-se que o 
velho adagio: Nào dar jà por si, nera 
pela albarda, fez hyposthase n'este litte- 
rato. Andam pelo ar, durante seculos, 
umas idéas abstrusas, uns proverbio^ dis- 
paratados, à espera da personali&a9ào. 
Apparece um dia um homem e o adagio 
incarna-se niello : a providencia dos ane- 
xins faz um Pina para justificar a asnei- 
ra. E elle. Nào dà por ai nem pela ai- 
barda. 

E quer que eu Ihe prove a ignorancia 
dos pronomes I Se eu aìnda dava o escan- 
dalo de tomar a serio este gavroohe com 
quom me divirto por necessidade das con- 



ERNESTO CHARDROX, EDITOR 



179 



diQocs ruraes cm qua vivo e onde todo 
me preoccupo em eatrumes e n'elle e noa 
seus homogeneos da Critica do Cancionei- 
ro alegre ! Parece ou fiagem quo me nào 
perceberam aiuda. Eu brinco com elles co- 
rno Hoffmanu com as figuras cartonadas 
dos seus persouagens moio burlescos melo 
tragicos ; com uma differenza capitai, que 
o author dos Contoa bebia uma garrafa 
de Johannisberg para dar vida aos bone- 
cos, embebedava-se ; e eu aceitoos bone- 
008 que a natoreza, o realismo, jà meen- 
via bebados. 

Pina, o titanico sandeu, esfarrapado 
nas idéas e nas locu^oes, a cheirar ao Tor- 
res do CoUete-enoarnado, e ao pat-chouli 
dos boudoirs da Salgadeira, esperaria 
que eu o tornasse a serio ? É a maìor in- 
juria que elle poderia desfechar ao peito 
magnanimo com que me curvei sobre o 
barrii dos impressos para o sacudir na 
penta da badine. É uma indiscri^SLo me- 
xer no que fede, bem sei; mas o que 
me tem valido foi encontrar um publico 
afeito a uma litteratura sulphydrica, ex- 
haiazoes d'uns cerebros que, postos em 
compara^ào, deram às sargétas o con- 
ceito de perfumarias. 

Propuz-me o vestir a cabeca de Pina 
com um resplendor de ridiculo; passar- 
Ihe uma brocha de tinta immortai pela 
cara, enearvoi^al-o para longo tempo, 
mas de modo que se riam commigo os lei- 
tores; senào, quem me perdoaria a des- 
honra e a immundicie de sacudir estes 
sigeitos latrìnarìos ? 



Laugh when I laugh, I Helc nò oiher fam; 
. . . And serWbl^rg ar9 my game 



dizia um genio oljmpico descendo a es- 
corchar os Pinas de Inglaterra e Esco- 
cia. 

Insiste pela prova do erro do pronome 
8i. Que va à cscóla do visinho mestre de 
instruc^ào primaria, e pergunte-lhe se 
um pronome possoal da terceira pessoa 
póde empregar-se comò pronome da se- 
gunda. mestre, naturalmente, respon- 
de-lhe cavalgando-o •, e, debaixo da in- 
fluencìa do velbo Lobato e do acicate, le- 
va-o à porta dos 6:500 assignantes do 
Diario do Commercio, e obriga-o a ornear 
uma satisfa^ào pelas asneiras impressas 
e miasmaticas que Ihes tem mettido em 



casa pelo cane do folhetim ; e dépois 
obriga-o outrosim a declinar os prono- 
mes pessoaes a compasso de patas-toadas. 
(Nào se póde àìzer palmos'ioadcu oom re- 
ferencia a Pina). £ elle resbunando rcs- 
bunarà : 



N. SINOULAR 




H. PLUHÀL 


eu 
me 
mim 
raigo 




BOB 

no8 

QQ800 


H. SINQULAR 




M. PLUSAL 


tu 
te 
tigo 




VÓ8 
VO0 
VOSCO 


N. SIMOULAR 




H. PLUBAL 


elle, ella, 
Ihe 




elies, ellas, 
Ihes. 


N. SINOULAR B PLUBAL 




se 

si 

sigo 





Feito iste, duas esporadas, e fazel-o 
lér em voz alta no Martinho e na Casa 
Havaneza, o seguinte trecho do seu fo- 
lhetim : 

« No seu tempo, os romances tinham 
nos capitulos inserì p^des comò a que se- 
gue : Onde o mestre sapateiro Joào Bo' 
driguea Cambado apparece a conversar 
com sua muLher Jacintha Rosa e do mais 
que a seu respeito se disser* Ora, actual- 
mente j4 n&o servem estes epìtaphios ». 
Como Pina chama às epigraphes epita* 
phios, ameace sepultal-ó com ejjiigraphe 
de vilipendio eterno que diga : Elle nào 
sahia os pronomes, A terra Ihe seja leve 
corno OS miolos. Se Pina, ainda assim 
nào atirar aos quatro ventos do azul o 
seu ullular de vergonha, oonvenQa-so o 
mestre-escóla que Desiderio Erasmo ti- 
nha razào quando escreveu no Elogio da 
loucura: «Nào ha burro que se entriste- 
9a pelo facto de ignorar a grammatica b . 

Depoìs disto, desalbarde-o ; e, inspi- 
rado do seu Tolentino, mande-o 

Postar longa» eompifUM Iivr«menle. 



180 



BIBUOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTBANGEIRA 

Vili 

O SUI*. Tlioiiia^ Fillio ^ 



Thomas Filhot Cometa logo por men- 
tir no appellido. FUho! Quer-me pare- 
cer quo elle n&o tem pai. £, se o teve 
anonjmo e hjpothetico. Gii Vicente, An- 
tonio Preste^ e Jorge Ferreira 8ÌU> quem 
a miade Ihe dizem o nomQ da m&i. Este 
brazUeiro, em nome dos esoriptores bra- 
zileiros qne'ea n&o ofiPondi, cheio de Fa- 
g^ndes e de cdleras de bebado turbulen- 
to, envia-me as suas melhores ìnjarias, 
eflcreve immoriaes infamias, chasqnean- 
do com a inexoravel enfermidade que me 
acompanha desde a juventude, e vai às 
gafarias doe hospitaes buscar termos de- 
monstrativos da mìnha incapaoidade lit- 
teraria. £is a critica de Thomaz Fìlho. 
Diz, com tal qual razào, que eu nào 
tenho eatjlo, porque n&o sou creador; 
ousa affirmar que eu n&o inventei a lin- 
gua portugueza ; manda-me estudar. Diz 
que trato. a todos de burro8, e evade-se 
sagazmente àquelle tratamento univer- 
sa!, atirando-me couces às parelhas. De- 
pois, para me ensìnar a escrever, ezhi- 
be uns peda^os de estylo com idéas bran- 
cas em locuQoes de preto escorridas de 
assucar e mamona. Pergunta-me se nun- 
ca acordei cedo, e depois diz: Pois eu 
tenho por costume lavar^mc (pareoe que 
n&o é vulgar nos indìgenas o lavarem- 
se), vestir^me para comprimentar o sol, 
e si por essas horas V. aqui nos Bra-- 
8Ìs subisse a montanha e olhasse para o 
Oriente sorprenderla a natureza na lu^ 
tsta epica daluz.,. a cor avermelhada do 
amanhecer accentua-^e n*uma linha hori- 
sontal e sobe, alarga^se corno si na mare 
crescente urna onda de roseo-daro com o 
movimento do rolar calmo viesse invadine 
do a %ona pallida do luar, 

Isto pareceria obscuro aCalixto Eloy; 
mas elle, o doutor Liborio carioca, explì- 
ca no periodo immediato: 

A natureza estala n'umafertUidade san 
e communicativa ; percebe^se que a luz do 
sol vence e alarga^se n'uma obesidade ru- 
bra e satisfeita; que aquella symphonia 
monotona tem os claros e agudos de um 
darim locando a rebaie no paleo de um 
qUartd ; a lua muita branca corno um pe- 
dalo (d'asno, digo) de pano crivado comò 
que para ou dissolvesse, e o sol rindo con' 
templa-as com um olhar protector e amigo. 
Perceberam-no ? Isto é darò comò um 
mulato. 

1 O CtMcicmtiiro àlegré de Camillo Castello 
Branco. Bio de Janeiro, 1879. 8 pag. in-4.<* 



Ó snr. Thomaz, vossemecé sabe comò 
se ehama em Portugal urna fótada de 
farinha delgada, esponjosa, fdfa, feita 
com azeite e uns fios de mei ? É uma fi-' 
IkS, sen estylo é farinha de mandioca 
frita em filhó; e vossemecé em vez de 
chamar-se Thomaz Filho, deve chamar- 
se Thomaz Filhó ; e assim crismado, j& 
nìnguem Ihe pergunta se tem pai, nem 
acrescenta ao appellido o genitivo da 
qualidade materna. 

Pergunta-me elle o que tenho creado, 
que descobri com os meus livros. 

Com o Cancioneiro alegre descobri-o a 
elle. Pedro Alvares Cabrai encontrou o 
Brazil ; eu estou descobrindo os tolos de 
là. Elle aohou o selvagem nd, estreme, 
sinceramente bo^al; eu descubro o ca- 
boclo Thomaz besuntado de litteratices 
francezas que Ihe n&o modificam plastica- 
mente a proeminencia dos ossos tempo- 
raes, a estreiteza da testa, os angulos fa- 
ciaes, o canto externo do olho convergin- 
do para o nariz chato, a amplid&o das 
ventas, a espessura carnuda dos beì^os, 
a fìnurtf das pantorrilhas, a lucidez da 
pelle cobreada que esvurma catinga, uns 
longes de carapinha, e a indigencia da 
barba. A litteratura n^este tupinambà 
abriu-lhe valvulas por onde golfa a ve- 
Iha selvageria em ejacula^òes de quar- 
tel, cujos olarins Ihe servem para des- 
crever o apontar da aurora, e cujo cal&o 
Ihe opulenta a lingua. Pedro Alvares 
Cabrai, quando encontrou o avo de Tho- 
maz Fiiho, n&o passou pelo dissabor de 
ihe ouvir a descripQ&o da luz do sol em 
obesidade mòra e salisfeita, botocudo 
seu predecessor appareceu na oabìlda 
com um cocar de pcnnas amarellas, o 
acanguape, e urna tanga na cintura de 
plumagens de ema, e cascaveis nos arte- 
Ihos. Tinha no pescoso o celiar dos den- 
tea arrancados aos inimigos, o borrendo 
ayucarà, Thomaz Filho falla-me com ar- 
dores cambaes dos meus dentes de por- 
célana, É o sangue tapuìa a estuar-lhe 
nas arterias, a pedìr dentes. scelerado 
qucr OS meus dentes para um collar. N&o, 
facinora, eu Ihe juro pela carapinha da 
mocamba sua avo, que n&o possuirà os 
meus dentes. 

Depois d*isto, Thomaz Filho deputa e 
delega na bengala de Arthur a sua des- 
forra. É dar para baixo, seus màrméla- 
das ! Avanza, minhàs géntes ! 

Camillo Castello Branco. 



ERNESTO GHARORON, EDITOR 



181 



OS GONTRAFAGTORES 



DA8 



A guerra que come^aram de fazer al- 
guns escrìptores portuguezos contra os 
contrafactores de livros, tem encontrado 
aqui mesmo no Brazil sympathicos echos 
na consciencia de muitos homens de le- 
tras. 

Com effeito é para censurar o nenhum 
escrupulo com que lan^a-se mào do pro- 
ducto mental aliieio, mandando -o impri- 
mir n'um livro e se poe à venda comò 
se fosse proprìedade propria. 

A crìminalidade, que resalta d'este 
acto, augmenta de gravìdade, quando o 
resultado da alheia ìntellìgencia jà corre 
todas as vias da publìcidade na fórma de 
livro, com o consentimento do autbor, 
porquanto o acto redunda em dous pre- 
juizos : um contra o author do livro ; o 
outro contj'a a pessoa que o edit©u. 

Para prevenir este crime pensaraos que 
deve ha ver um accordo entre todas as 
na^oes, do qual resuite uma lei que pu- 
na o contrafactor. 

Os produetos litterarios e scientificos 
para nós constituem uma proprìedade 
tao respeitavel comò os produetos da in- 
dustria, da agricultura, do commercio, 

etc. 

A industria, a agri cultura, o commer- 
cio formam profissoes reconhecidas pelo 
estado porque no seu exercicio encon- 
tram os homens os recursos de subsì sten- 
da, 08 melos de vida, os elementos de 
riqueza. 

Pois bem : pela litteratura e pela scien- 
cia igualmente se mantém muitos ho- 
mens, a parte, por ventura, mais illus- 
trada de todos os paìzes. 

Somos de opini ào que o pensamento 
deve ser imiversal, que a idèa que nos 
irrompe do cerebro, se é uma idèa de 
progresso, deve irradiar sobre todas as 
frontes, incutir-se em todas as almas... 

Mas para que a idèa percorra o vasto 
dominio da publicidade sào necessarios 
OS melos materiaes, sem os quaes nào è 
possi vel fazer o livro. 

De pois que resta ao author de um 

livro ? 

A gloria?... 08 applausos ?. . . as ho- 
menagens?. .. Essas so nào bastam, por- 
que o homem nào é unicamente enti- 



dade moral. É tambem entidade physi- 
ca, tem necessidades materiaes que b6 se 
satisfazem com recursos materiaes. 

Ora, na concep^ào de uma obra lìtte- 
raria ou scientifica o homem empregìA 
tempo, paciencia, estudo, medita^&o, tra- 
ballo emfim. 

É justo, portanto, que obtenha o re- 
sultado do seu trabaiho. 

Nào se remunera o artista? o opera- 
rio? o commerciante? o agrieultor? 

Porque pois o homem do pensamento 
nào ha-de ter direito & remunera^ào ? 

Parece-nos que è mais difficii compdr 
um livro do que architectar um edificio ; 
que mais util do que um palacio è a idèa 
à humanidade!... 

Estes raciocinìos sobem de valla quan- 
do lembramo-nos que o contrafactor nào 
lan^a mào do alheio trabaiho litterario 
ou scientifico para dal-o gratuitamente a 
quem deseja lél-o. 

Reimprime o livro para vendel-o, sa- 
ciar a sua ambi^ào de ganho, aloan9ar 
proventos. . . 

Desde, por consequencia, que sua mi- 
ra està no lucro, è de equidade que o 
lucro corra a favor de quem concebeu a 
idèa e corporificou-a na palavra e de 
aquelle a quem o author encarregou de 
propagar a idèa na fórma do livro. 

Suggeriu-nos estas observaQÒes um 
magnifico artigo de C. Castello Branco 
inserto em um dos numeros da esplendi- 
da Btbliographia portugueza e estran- 
geira de Ernesto Chardron, o Uvreiro de 
Portagal mais conhecido no Brazil pela 
modicidade, pela nitidez e pela elogan- 
cia das importantes obras.com que abas- 
tece o mereado portuguez e brazileiro. 

N'este artigo ha, porém, um ponto que 
nos merece reparo. 

É preciso que em nome da verdade e 
da justi^a o romancista portuguez mais 
popular no Brazil diga nas mesmas pa- 
ginas, em que verberou as contrafac9oes 
de livros portaguezes, e bem alto o pro- 
elame, que OS authores de tao criminosas 
contrafac^oes nào sào brazileiros, sào 
infelizmente alguns compatriotas nos- 
sos. 

Nào devemos, por consequencia, levar 



182 



BIBLIOGHÀPHIÀ POATUGUEZA E BSTBANGEIRA 



À conta do innocente aqaillo que o ver- 
dadeiro criminoso pratioon. 

Ainda mais o fecundo romancista por- 
tnguez póde-se convencer de que até 
mesmo na compra do livro os brazileiros 
preferem as impressoes portuguezas por 
mais perfeitas e bem acabadas. 



£Ì8 o que é de jnBtÌ9a ; eis a veidade 
que, estamos certo, n&o deixarà do ser 
rectificada pelo escriptor de nossa patria 
que na America portugueza conta maior 
numero de enthusiastas. 

(Da Na^ Portugueza, do Rio de Janeiro). 



EXPLIGAGÀO HISTORIGA 

DOGMATICA, MORAL 
LITURGICA E CANONICA 

DO OATEGISMO 



GOM A BESPOSTA 



ÀS OBJECgÒES EXTRAHIDAS DAS SCIENCIAS 

CONTEA A RELIGIÀO 



PELO 



/ BBADE AMBROSIO GUILLOIS 

OBR.V HONRADA COM UM BBEVK DK SUA SANIIDADE PIO IX K APPUOVADA 

POH VAUIOS CABDEAES, ABCRB1SP08 E BiSPOS 



TRADUZTOA DA 12.* EDigÀO 



K 



DBDICADA AO EXCELLENTI88IM0 E REVERENDISSIMO 8ENH0R 

0. MANOELCflRR[H[ BASIC8 PINA 

BI8PO DE COIMBRA, CONOE DE ARQANIL, PAR DO REINO, ETC, ETC. 



POK 



FRANCISCO LUIZ DE SE AERA 

PAROGHO DE GAGIA 



2.* EDigÀO PORTUGUEZA 
^ volumes -4:1^000 . reis 



ERNESTO GHARDRONf, EDITOR 



J83 



GONSELHO GERAL DAS ALPANDE6AS 

RELATORIO DOS TRABALHOS DESEMPENHADOS NOS AOOS DE 1876-1877 
Lisboa. Imprensa Nacional. 1879. 1 volume in-4.® de 218 paginas 



Com este modcstisaimo titulo acaba de 
sahir da imprensa nacional um lìvro de 
grande merito. Seu author, o snr. conse- 
Iheiro Antonio José Teixeira, ornamen- 
to da universidade, onde por muitos an- 
nos regeu, com a mais notavel dìstinc- 
Qslo, urna das difficeis cadeiras da facul- 
dade de mathematica, fez com este tra- 
balho um importante servilo à adminis- 
tra^&o pablica e à litteratura portugue- 
za, cuja linguagem enriqueceu cm nm 
ponto onde ella, em virtude do nosso de- 
ploravel atrazo scientifico, é vcrgonhosa- 
mente pobre. 

A larga e justa aprccia^ào da obra a 
que nos referimos, corno ella merece, e 
com a qual por certo folgaria o author, 
que conscio da sua superiorìdade, uào se 
lisopjeia, seguramente, com elogios ba- 
naes, assim corno se nào irrita com cen- 
suras parvoas, nào póde caber nos estrei- 
tos limites d'urna simples noticia biblio- 
graphica. Deixando aos criticos essa em- 
presa, tSLo util corno ardua, pela varieda- 
do das materias a que teria de applicar- 
se o exame, restringir-nos-hemos a hu- 
milde tarefa de informar os leitores d'es- 
te Boletim do prestimo do livro, poden- 
do elles inferir d'ahi o seu valor. 

Sabe toda a gente que as alfandegas 
nos paizes, corno o nosso, em que além 
de serem um meio fiscal, sào tambem 
uma instituì^ào economica, ofierecem 
graves difficuldades na applica^ào do 
imposto, em virtude da multa variedade 
e grande differenza das tazas, e o conti- 
nuo e assombroso progresso das ìndus- 
trias, n&o so pela crea^ào de novos pro- 
ductos, corno pelas transforma^oes pro- 
venientes da introduc^ào de novos instru- 
mentos de trabalho, novos processos de 
fabrico e novas materias primas. au- 
thor do relatorio, condensando em poucas 
paginas multa doutrina, com sobriedade 
de palavras e lucidez de exposi^ào, habi- 
Utou 03 verificadoreSf pelos preciosos es- 
clarecimentos que Ihe forneceu, a evita- 
rem muitos erros de classifica^ao, dos 
quaes sempre resulta prejuizo, às vezes 
consideravel, para os intcrcsses do the- 
souro ou do commercio^ 



Referindo os negocios de que o conse- 
Iho tomou conhecimento no decurso de 
dous annos, e dividindo-os em differentes 
grupos, segundo a natureza do assumpto 
a que diziam respeito, o relator aprovei- 
tou o ensego, em beneficio do commercio, 
que é o mais directamente interessado 
n'este ponto, de precisar as attribui^oes 
d'este tribunal de excep^ào em conten- 
cioso final, e de definir o caracter das 
suas decisoes. 

Na exposi^ào dos motivos de muitas 
das suas resolu^oes (a parte mais impor- 
tante do livro, e a que j4 nos referimos), 
tratando do valioso subsidio que elle offc- 
rece aos verificadoreSf teve o relator de 
explicar os processos de fabrico de varios 
productos industriaes; nSU) perdcu essa 
occasiào de prestar um bom sorviQO à 
nossa lingua, imprimindo o cunho portu- 
guez a muitos termos, «que so em livros 
estrangeiros apparecem, pois que nào ha 
escripto em linguagem nossa um unico 
tratado technologico-industrial, resultan- 
do d'essa falta, filha do nosso immenso 
atrazo, introduzir-se abundantemente na 
circula^Sb litteraria a moeda falsa dos 
barbarismos. 

Vé-se do que fica dito que o livro de 
que nos occupamos nsU> é, corno o seu 
titulo faz suppdr, um simples relatorio, 
mas verdadeìramente uma obra didacti- 
ca, a qual, pela multìplicidade de mate- 
rias que abran^e, n&o poderia ser cabal- 
mente desempenhada, corno é, sen£U) por 
qucm reunisse um conjunto feliz de cir- 
curostancias, que raro se dà. Além de 
um talento vigoroso e provadissimo, pó- 
de author do livro adquirir vasta e so- 
lida ìnstruc^ào comò cathedratico, por 
longo tempo, no primeiro estabelocimen- 
to litterario do paiz ; no exercicio de dif- 
ferentes cargos administrativos, j4 em 
corpora^Slo, jà corno magistrado supe- 
rior ; e no corpo legislativo, a que ha 
muitos annos pertence, e era cujos arehi- 
vos tem memoraveis trabalhos, relativos 
à organisa^ào da instruc^ào superior, a 
construc9§.o de caminhos de ferro e a 
leis tributarias. 

Concluiremos està breve noticia affir- 



Ì84 



BIBLIOGRÀPUIÀ P0RTU6UEZA E ESTRÀNGEIRA 



mando aos leitores, que supposto a ari- 
dez do assampto de que irata oli vro nao 
permitta arabescoe e galas de eetylo, 
tem comtudo as qualidades que o podem 
reoommendar corno obra litteraria : taes 



8&0, pureza de linguagem, propriedade 
de ternios e a mais oorrecta e portugae- 
la construo9ào dos periodos. 



NOVAS PUBLICACOES 



METHODO DE PROLONGAR A VIDA 

SIMPLES OBSERVACdeS 

SOBRE HYGIENE PRATICA 
Um volume 200 reis 



ALBERTO PIMENTEL 



VIA6ENS A RODA DO C0DI60 ADllSTRATIVO 

XJm volume, SOO ireis 



JOiO AUGUSTO ORNELLAS 



ft VICTIMA D'UM LAZARISTA 

Um volume ■ ■ ■ 500 reis 



J. M. YELHO DA SILVA 



.A. :b Fc I e: 

BOMAMCB BBAZILEIBO 

"LTm volume, OOO reis 



JULIO ROBERTO DUNLOP 



ESTUDOS PARA A SOLUCSO DAS QUESTOES DO CAMBIO 



a 



DO PAPEL M0ED4 NO BRAZIL 

Folheto 500 reis 



^^MM 



m 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



185 



BIBLIOGRAPHIA 



I>a. linpoirta.li eia. da liis- 
*toi*ia unl^eirsial pliiloso- 
pliiea na esplieira dos eo- 
nlieeimentos liumanos. — 

Foi-noB offerecida, assim corno todas as 
obras que mencionamos n'esta sec^ào, a 
disseTta9ào para o concurso da primeira 
cadeìra (Historia uniyersal e patria) do 
carso Buperìor de letras, apresentada 
pelo candidato Alberto Pimentel e pu- 
blìcada em volume de 72 pagìnas. Le- 
var-nos-hia longe e requereria meditado 
e detido estudo a analyse de urna these 
de tal ordem. Furtando-nos a encargo, 
por ventura superior Aa nossas for^aa, 
regìstrareraos no entanto as boas ìmpres- 
soes que tiràmos da leitura. A disserta- 
<jào do snr. Alberto Pimentel, que tem 
por base a applica^ào das sciencias pò- 
sitivas, inspira-se na philnsophia da bis- 
toria e subordina-se à theoria de Joào 
Baptista Vico, que o distincto candidato 
reputa o primeiro de todos os pbiloso- 
phos. As notas que a cada passo cha- 
mam a atten^ào do leitor, demonstram 
cabalmente a larga e variada applica^ào 
que snr. Alberto Pimentel, ospivito sè- 
rio e reflezivo, dà Ab suas faculdades 
mentaes. Sào cnriosos e reveladores de 
nho vulgar erudi^ào os periodos que se 
referem à critica philologica comparada 
e d ethnologia. Citando o gran de desen- 
volvimento das sciencias biologicas o 
candidato chama a terreiro, corno é de 
rigor, a doutrina da mutabilidade e da 
evolu^ào morphologica, de que Darwin 
é. em nossos dias, principal ìnicìador. 
Alberto Pimentel, relatando, de passa- 
gem, as formulas scientificas e os prò- 
cessos analyticos de Muller, Darwin, 
Comte, Lefevre, Hovelacque e outros, 
abstem-se de extrahir o corollario resul- 
tante da, critica subjectiva. Como que 
procura o seu pensamento a cada instan- 
te estranbas inflnencias, quando é cert-o 
que podia voar livremente. A fórma lit- 
teraria d^este novo trabalbo do snr. Al- 
berto Pimentel tem a sobria correoQào 
que assumpto demanda e confìrma pie- 
namente OS creditosdo distincto escriptor 
portuense. 



Bil>lio£:irapliia poirtu^pie- 
za e eieitiraj»fi^eiz*a* — snr. Er«- 
nesto Chardron, conhecido e infatigavei 
editor portuense, encetou ha pouco urna 
publica^ào mensal destinada a faser a 
analyse critica, em especial das edi^des 
da sua casa e em geral de qualquer obra 
de superior alcauce. Subscreve a maioria 
dos artigos bibliographicos o nome bri- 
Ihante de Camillo Castello Branco, e tan- 
to basta para que a Bibliographia, que 
nos traz rebates de vita nuova, litteraria 
e scientifica, al canoe de golpe o lugar 
culminante de mostre e juiz na al^ada 
em que Ibe é dado sentenciar. Entro os 
mais notaveis artigos destaca o que ex- 
punge, em breves dez ou doze paginas, 
frequentes lapsos de uma obra, pacien- 
temente e sabiamente architectada no 
longo periodo de dez annos, o Portiigal 
e 08 Eatrangeiros do snr. Manoel Bernar- 
des Branco. Impoe-se tambem ao apre^o 
de todos que lidam na santa cruzada da 
instruc^ào a critica do Curso theorico e 
pratico de Pedagogia de Charbonncau. 
N'outro lugar d'està ligeira re vista tr ans- 
erò vemos a aprecia^ào da notavel obra 
de Paulo Fé^aì ^ Jesuitas ! queigualmen- 
te illustra a Bibliographia portugueza e 
estrangeira, Ernesto Chardron, assim 
comò se pratica nos paizes mais cultos e 
adiantados, remette & imprensa e a al- 
guns escriptores, juntamente com os fas- 
cicules da Bibliographia, ama carta- cir- 
cular em que pedo a transcrip^ào de mui- 
tos dos artigos de mais immediata impor- 
tancia. Como tal, figura na primeira pla- 
na o brado eloquente, Os contrafactorea 
do Brasil (n.® 7, pag. 125), que pirotesta, 
por meio da ironia, um dos mais podero- 
sos argumentos, centra o roubo descaroa- 
vel, centra o dòlo impune e impenitente, 
mediante o qual o mercado brazileiio 
latgamente se locupleta & custa do nesso 
cabedal litterario ! Em boa bora vibrasse 
até onde doverla encontrar ecbo a voz 
con vieta e authorisada de Camillo, que, 
com o seu inimitavel estylo e admiravel 
bom senso, eonceituosamente termina 
assim : «t A mim me quer parecer que in- 
cumbe ao governo attender a uma ne- 

12 A 



186 



BIBLIOGRAPHIA. PORTUGUSZA E ESTHANGBIRA 



oessidade que nfto oareoe de sor discutì- 
da e formolada cm asaembléas. Alexan- 
dre Herealano alvitra ane sega o estado 
qaem dò os meio0 de saoBiatencia aos ea- 
oriptores prejudicados ou nfto prcjudica- 
do8 pelas oontrafac95e8. Se o governo 
portogues nAo qaer ou nfto póde celebrar 
oom o gofemo bradleiro urna lei que 
oancione ce mena direitos à remaneraQ&o 
do trabalho, e os direitos sagrados dos 
editores a qaem vendo os meus livros, 
diffa-me a que reparti^fto hei-de ir men- 
salmente reeeber a penafto indemnisado- 
ra do roubo irremediavel. Em geral, 
n*e8te paiz, ba um so esoriptor qne sem 
prejuizo sensivel na algibeira póde ser 
reproduddo no Brazil : — Camillo Castel- 
lo Branco allude ao Hamlet de Shaks- 
'peare, vertido para portuguez por S. M. 
o snr. D. Luiz, que so nas altas regioes 
desvelou o bioco, que raros escriptores 
portuguezes avistaram, e que no entanto 
foi impudentemente contrafeito no Rio e 
apregoado, em grande celeuma, pelos 
gavroches fluminenseB : Tradud^o do 
Hamdeto, feUa por D, Luiz, rei dos 
Uhéo» (I ! !) — é o snr. D. Luiz i. Felicito 
o augusto litterato; e pe^o-lhe curvada- 
mente que influa no seu governo senti- 
mentos benignos a favor dos seus colle- 
gas pobres e subditos humildes • . 

Infelìzmente, n&o me consente o espa- 
QO satisfazer o meu e o empenho do ^i- 
tor trasladando para aqui este e outros 
artigos, reveladores de assombrosa eru- 
di^S^ e de um talento cada vez mais opu- 
lento e flezivel. Encerramos està succin- 
ta noticia indicando o pre^o da assìgna- 
tura da Bihliographia portugueza e es- 
trangeira, que é resumidissimo : — 12 fas- 
ciculos, que formam 1 volume, custam 
apenas 500 reis! 

Oaneioneiiro a.leg'ire. — Ha 

gloriolas ephemeras e escriptores de in- 
vejavei fama, que, à semelhan^a do ar- 
busto exotico, n&o resisti riam à trans- 
plantaQào para outro mcio. nome de 
Camiftlo Castello Branco, pelo contrario, 
farla a gloria de qualquer na^ào. Os prò- 
cessos litterarios, eminentemente moder- 
nos, a que subordina o thesouro inesgo- 
tavel da sua erudi^ào, as opulencias igno- 
radas que elle arranca ao idioma portu- 



guez, sempre renovado no laboratorio do 
seu robusto e fecundo engenho, a poesan- 
te vitalidade, a serpentma elegancia do 
seu incomparavel estvlo, illuminam um 
cjdo lìtterario e impoem-se à venera^&o 
dos posteros. Como o Anteo da fabula, 
o espirito de Camillo parece emplomar 
de novo sempre que pousa na terra. Às 
vezes, no sou olhar de aguia aocende-se 
fulgor metallico da ironia, colbe as 
azas, e com o riso de Heine e de Bjron 
na bocca satyrica, mostra as garras . . . 
Ent&o. . . eauve qui peut ! D'esse hìla- 
riante periodo, d'essa irrup^fto de mor- 
dentes epigrammas, nasceu a obra nota- 
vel que se intitula Candoneiro alegre, 
que, salvo raras excep^oes, applica cau- 
terios violentos, embora matìzados com 
fina grangeia de uma verve scintillante ! 
O empenho de dar ao livro a ridente vi- 
bra^fto do bom humor fez com que o il- 
lustre commentador negasse entrada a 
muitos poetas melanco)icos notaveis, e 
abrisse pra^a a outros, far^antes, funam- 
bulescos e desenxabidos comò uma ostra 
crua ! valor, porém, o raro e transcen- 
dente valor do Candoneiro, reside n*es- 
tes deliciosos commentarios, adjectivados 
com desusado brilhantismo, penetrados 
de ironia, que escalpellisam com buido 
estylete ou atiram oraQadas de flòres, 
sana rancune e sem apotheoses fetichis- 
tas. A edi^fto do Candoneiro alegre é de 
Ernesto Cnardron, o laborioso editor que 
tem jà um credito insoluvel para com as 
letras portuguez as. 

Tirea^as l>io£:]ra.pliieos de 
Outstodio «José Vieira^ — O 

conhecido editor Ernesto Chardron, pu- 
blicou em folheto de 32 paginas os prin- 
cipaes artigos que se escreveram na im- 
prensa por oecasiào do fallecimento d'es- 
se homem eminente, que se chamou Cus- 
todio José Vieira. primeiro, tanto na 
ordem numerica comò no valor litterario, 
é devido à penna fluente e conceituosa de 
Luiz Augusto Palmeirim, poeta de gran- 
des creditos e prosador vernaculo dos 
mais festejados. 

GniOMAB TOBBBZAO. 
(Do Almanaeh da» Stnhorat)» 



IPAjyiEtEl JBOXJOA.tJI> 



HlSTORli Di BEili MEfiARII)! Milli 

Um volnme de 544 paginas. . . 1^000 reis 



ERKESTO GHABDKON, EDITOR 



187 



EUSEBIO MACARIO 



É sempre com ìntimo j ubilo que nota- 
xnos a progressiva animaQ&o da nossa 
Vida litteraria, que innegavelmente «n- 
troa n'am perìodo de renova^fto e aoti- 
vìdade. 

Porto, essa cidade em tanta manei- 
ra notavel, concorro poderosamente para 
que cada yez mais se desatem em copio- 
80S fructos OS nossos preios e se opulen- 
tem as nossas estantes. 

Entro OS trabalhadores de maior fole- 
go e de mais fecunda e larga concep^ào, 
qne a todos sobreleva nào so pelos do- 
naìres do estylo, eminentemente moder- 
no a par de lustrado nas puras e desse- 
dentadoras fontes da lingua portugueza, 
comò pela rara erudÌQ&o, destaca o nome 
de Camillo Castello Branco. 

Ainda nào se extinguira de todo o ar- 
ruìdo levantado em toda a linha pelo 
Ccmcioneiro, e jà do Porto nos communi- 
<ia seu editor, esse prodigioso Chardron 
que nào conhece nenhuma das pechas, 
fadiga, receio, desalento, falta de esti- 
mnlo, etc., etc, que entibiam os outros 
editores, e, par caitse, os litteratos, jà 
elle nos affirma com a authoridade de 
quem nSLo sabe faltar às suas promessas, 
que no proximo dia 5 de .agosto deverà 
ser exposto à venda o novo livro de Ca-» 
millo, Sentimentalismo e Hiatoria. 

Camillo^ comò que propondo um repto 
a si proprio e corno se precisasse exem- 
plificar-nos em novas provas que o seu 
potente e flexivel talento nào conhece 
difficuldades e que docilmente se dobra 
a todas as fórmas, refleetinde os mais 
oppostos cambiantes, Camillo traz a pu- 
blico pela vez primeira no seu novo livro 
um romance realista, escripto d'accordo 
com a technologia da escóla nova e con- 
soante os processos modernos. 

É o Roberto Macario, cujos primeiros 
capitulos, que temos sobre a nossa banca 
de trabalho, nos deixam entrever a opu- 
lencia e variedade de tintas em que o 
author vai embeber o pincel descriptivo e 
a adjèctiva^ào brilhante e originalissima 
com que Camillo sahe de ponto em branco 
à estacada. 

Sentimentalismo e Historia, que se 
nos afigura destinado a um grande e ex- 
plosivo exito, é dedicado a uma das nos- 
sas individualidades litterarias, que re- 
salta do estalfto vulgar pela sèna e util 



applica^&o das suas faculdades excepeio- 
naes e pelo conceituoso da sua prosa, 
sempre inspirada por uma idèa elevada 
e didactica. E Fernandes Costa, que com 
justi^a deve orgulhar-se da dedicatoria 
que elle em tanta maneira merece. 

Alèm d'està dedicatoria, ba ainda urna 
outra, que nào resistimos ao desego de 
trasladar para o nosso jomal. Eii-a: 

cr Minha querida amiga, 

« Perguntaste-me se um velho escrì- 
ptor de antigas novellas poderìa escre- 
ver, segundo os processos novos, um ro- 
mance com todos OS tics do estylo realis- 
ta. Kespondi temerariamente que sim, e 
tu apostaste que nào. Yenho depositar 
no teu regalo o romance, e na tua mào 
o beijo da aposta que perdi». 

(Do Diario nimirado). 



Sob titulo generico de Historia e 
Sentimentalismo, come^ou o editor Char- 
dron, do Porto, a publicar uma nova se- 
rie de escriptos do infatigavel Camillo 
Castello Branco. 

Dizem que elle està can^ado, que jà 
està ìnteir amente gasto, e todos os dias 
a remoQar este verdadeiro Protheu da lit- 
teratura portugueza ! 

Do volume que temos presente, o prin- 
cipal attractivo, a extraordinarìa surpre- 
za è romance Eusebio Macario, 

A inten^ào de Camillo, n'esta obra, 
foì de certo laudar o ridiculo sobre os 
chamados processos da escóla realista. 
Por vezes, a inten^ào clareia por tal fór- 
ma que a gente solta a gargalhada da 
ironia sobre -a phraseologia e sobre os 
processos do romancismo à Zola. 

No entanto, o espirito potente de Ca- 
millo inoarnou-se por tal fórma na ma^ 
neira, que elle quer ridicularìsar, deu- 
Ihe tal pujan9a, que se dina que o Eu- 
sebio Macario nào è um adversario, mas 
um ardente corypheu que se vem alistar 
triumphante ao lado do Primo Basilio e 
dos Noivos, 

Os defensores da idèa nova esfregam 
as màos de contentes, dizendo que o Eit- 
sebio MacAiHo è um trìumpho para os 
seus processos, que, mancjados por Ca- 
millo, deram um magnifico romance rea- 



188 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZÀ E ESTRANGEIRÀ 



lista, prova de quo esses prooessos sfto 
verdadeiros e dignos de sor aoeites por 
todos. 

É ama consola^&o que nSo tentaremos 
amargurar. 

quo 86 ve no Eusebio Macario é a 
grande scintillammo do talento de Camil- 
lo, 08 8eu8 podero808 recureos d'estylo, o 
seu conhecmiento profundo da lingua- 

fem, o seu estudo constante da socieda- 
e minhota, aonde o elemento brazileiro 
predomina com urna fei^ào t&o grotesca. 

Todos OS typos do F/asébio Macario 
s&o desenhados ao naturai e por mào de 
mestre. Sente-ae-lhes a realidade da vi- 
da. N&o sào estatuas n*uma galeria, nào 
s&o manequins tregeiteando, s&o entida- 
des physiologicas e psychologicas, com 
mais carnes do que espirito. O espirito 
està na observa^ào do romancista. 

A par do desenho acabado dos typos, 
ha descrip^oes d'urna perfei^ào admira- 
vel . A morte do lobo pelo egresso, n'uma 
noite gelada de novembre, a festiva toi- 
lette à camponeza de Custodia, o jantar 
em casa do abbade, sào trochoa admira- 
veis. No nesso numero de domingo, apre- 
sentaremos aos nossos leitores algumas 
d'essas invejaveis paginas. 

Esperava-se, esperavam alguns, que 
Camillo cahisse n'esta que elles chama- 
vara desgra^ada tentativa, mas, se Ca- 
millo cahiu, foi para esmagar os que jà 
se estavam regos^ando com a sua phan- 
tasiada queda. 

(Do Chmmereio dt lAsboa). 



Chegou-me hontem às màos o novo li- 
vro do snr. Camillo, Historia e Sentimen- 
talismo • 

Da primeira parte, a Historia, os tres 
capitulos mais notaveis teem por e pigra- 
phe OS nomes dos principaes partidarios 
do prior do Crato; o 4» capitulo refe- 
re-se & lenda de Ma^chin, supposta ori- 
gem do nome Machico, na ilha da Ma- 
deira. 

snr. Camillo com a competencìa in- 
vestigadora das verdades historicas, que 
o torna o flagello dos hìstorìographos da 
escóla ìmprovisadora k A. Dumas, des- 
cobre quanto ha de genuino nos topicos 
do grande episodio, que constitue a vida 
de JD. Antonio, fìlho de Violante Gomes, 
por antonomasia a Pelicanaf que fora 
recolhida no mosteiro de Vairào e pro- 
fessa em Almoster, inquinada de judais- 
mo e mancebia. 

Ao esorupubso historiograi)ho nào es- 
"nam OS pontos tenebrosos da vida de 



Philippe li, Catharina de Medicis, du- 
ques de BraganQa e outras notabilidades 
contemporaneas do pretensor à corda de 
Portugal. 

Conoluindo a parte Historia, diz o 
grande escriptor, qùe, depois de 50 an- 
nos de trabalhos, para a expurga^fto das 
entranhas da historia, dos Laimundos, 
dos Ortegas, e dos Pedros Alfardes, ha 
que refugar dos estudos serios o histo- 
riador Valentim Fernandos e mais o hì»- 
toriador Francisco Alcoforado. 

£ é assim ; a verdade na historia, co- 
mò em tudo, n&o póde ser senào uma, ou 
temos que lér a verdadeira ou nenhuma. 

A segunda parte, Sentimentalvimo, Et^ 
sebio Macario, é um romance de costu- 
mes, da esoóla vltra-realista em que o 
author esbandalha a pontapés uma socie- 
dade aldeà e chela de torpezas, que eram 
velhas em 1815, e que o Progresso nào 
tem logrado extirpar ; — e sào — a bo^a- 
lidade do boticario da aldéa, a devassi- 
dào do abbade, o cynismq da respectiva 
amasia, a villania do brazileiro enrique- 
cido com o suor e o sangue dos escravos, 
etc. etc. £ é para admirar o vigor, a 
fluencia, a exuberancia da phrase deseri- 
ptiva que o author cada vez mais accen- 
tua nas suas produc9oes, corno se estive- 
rà no comedo da carreira lìtteraria. 

Do pouco tempo que tivo. para lér al- 
guns capitulos, sào estas impressoes as 
que recebi. 

(Das NoìrìdadM). 



Appareceu à venda no dia 14 em Lis- 
boa o novo livro de Camillo Castello 
Branco, Eusebio Macario, primeiro da 
serie que este notavel romancista se pro- 
poe publicar com o titulo goral Historia 
e Sentimentalismo. 

Eusebio Macario é um romance realis- 
ta, isto é, uma imita^ào admiravel, uma 
charge à actual manetVa do romance 
portuguez, fìliado na escola de Flau- 
bert e Zola. 

novo romance de Camillo, engra^a- 
dissimo na fórma, e multo conce! tuoso 
na idèa epigrammatica que levou o au- 
thor a escrevel-o, é um dos melho- 
res livros do creador das Novellas do 
MinhOf e prova a malleabilidade prodi- 
giosa d^aquelle talento. 

Acompanha o Eusebio Macario um en- 
tro estudo intitulado D. Antonio, prior 
do Croio, e a edÌ9ào é elegante e nitida. 

(Do Diario Poptaar), 



ERNESTO GHAHDRON, EDITOR 



189 



Um volarne de 302 paginas, nitida- 
mente impresso e Baboȓinado ao titulo 
Hiatoria e Sentimentalismo, É firmado 
por Camillo Castello Branco. 
^ A parte historioa refere-se à yida ac- 
cidentada e aventurosa de D. Antonio, 
prior do Crato ; a patte sentimental res- 
peita à historia de urna familìa no tem- 
po dos Cabraes, em que o illustre roman- 
cista mette incessantemente a ridiculo, 
com aquella opulencia tao peculiar do 
seu magico estylo, a moderna escóla rea- 
lista ou naturalista. - 

(Do Jomal do Porto). 



Tem tido extraordinaria procura e tem 
causado grande sensa9ào o novo livro 
de Camillo Castello Branco, Historia e 
Sentimentalismo . 

A parte do livro que era anciosamen- 
te esperada e que tem sido lida com avi- 
dez, é o romance Eusebio Macario, 

Camillo teve indubitavelmente a in- 
tenQ&o de ridicularisar a nova escóla ro- 
mantica chamada realista, mas n&o sei 
se conseguiu cabalmente o seu intento. 

Camillo poe sem duvida em relevo o 
que ha de ridiculo nos taes chamados 
processos, mas apossou-so d^elles de tal 
maneira, deu-lhes tanto relevo, bateu- 



Ihes tanto em cheio com a luz do seu ta- 
lento, que escreveu um dos seus melho- 
res romances. 

Etùsebio Macario demonstra a mallea- 
bilidade litteraria de Camillo, a sua pu- 
jan^a inextinguivel. Elle n&o terà venci- 
do OS segdidores da escóla de Zola, mas 
sahiu-se vencedor de si mesmo. seu es- 
for^o nao foi ama queda, comò prognos- 
ticavam por ahi os que n&o podem admi- 
rar senào os talentos liliputianos. 

Todos 08 personagens est&o admira- 
velmente estampados. S&o além d'isso 
figuras portuguezas, n&o recortadas nos 
figurinos de Paris. 

Por mais que Camillo quizesse repro- 
duzir estylo petulante dos fazedores à 
Zola, a sua linguagem exuberante oobre 
de esplendores essas phrases arrebicadas 
e sacudidas. 

A familia Macario dà tres^ typos es- 
plendidos. A Felicia, o brazileiro e o ab- 
bade completam essa sociedade t&o chela 
de originalidade, t&o verdadeirameuté 
minhota. 

romance n&o tem paixoes violentas, 
mas tem paixoes succulentamente car^ 
naes, paixoes que n&o foram alimenta- 
das com marmelada d'Odivellas, mas 
com bello pao de milho, que faz as de- 
Uciàs dos haoitantes do norte. 

(Do Commercio Poriugutà), 



NOVAS PUBLICACOES 



Manoel Ignacio da SUveira Borges 

Diseuirso recitado na abertura 
solemne das aulas do seminario diocesa- 
no do Porto, no dia 6 d'outubro de 1878, 
e sermao, recitado na sé cathedral da 
mesma cìdade na quinta-feira santa de 
1879, pelo conego da mesma sé, profes- 
sor e vice-reitor do seminario. 

Pre^o 200rcis 



Sìmao José da Luz Soriano 

Kistorla. éLcL g-uei-x-a. et vii 

e do estabelecimento do governo parla- 
mentar em Portugal, comprehendendo a 
historia diplomatica, militar e politica 
d'este reino desde 1777 até 1834. Primei- 
ra època. 

Tomo m 1JÌ500 reis 



Francisoo de Azeredo Teizeira 
d'Aguilar 

Oonde de Saxnod&es 

A.» tires x*oBa.s dos oseo« 
llildlos por Monsenhor Ségur. Traduc- 
9ao da seguuda edi^ao franceza. 

1 volume 200 reis 

Henrique Peres Escrich 

O nckSLrtyr' do GS-olg^otlia» 

Tradi^Ses do Oriente. Obra ìUustrada. 

2 volumes lijS200 reis 

D. Antonio da Costa 

Kistox-ia dio max-eolicil 
Saldajxli.a,« Està publicado o primoi- 
ro volume. 

Pre^o * . . . 111200 reis 



190 



BIBUOGRAPHU PORTUOUEZA E E^iTRANGEIIlA 



A 




A 




A 



PELO mm ALVBS lENDBS 



ROMA, NAPOLES, LORETO, ASSIS, FLOREN^A, PIZA, PADUA, VENBZA, 

MILAO, GENOVA, TURIM 

XJm. -volume Ijj^^OO irois 

LIVBARIA CHAllDRON 



É um lìvTO es^lendido. 

author dehnia mal, chamando-lhe 
um Elucidarlo ; a verd^de da critica p6- 
de vir fazer urna errata à modestia, que 
é a verdade da virtude ; e chamar antes 
a esse livro nma Luz. Dupla luz, porque 
demonstrou mais ama vcz que ainspira- 
c3.o do idealismo é infinitamente superior 
a do realismo desolador, e porque é uma 
formosissima irradialo que parte das fi- 
loiras do clero portuguez, falsamente ti- 
do por um eunucho da litteratura, por 
um ilota das letras e das artes, por um 
inhabil que nào sabe manejar uma pen- 
na, e por um ente gotbico para quèm o 
saber resumé na escolastica de Aristo te- 
les, galvanisada por 8. 1?bomaz . . . 

N&o é a primeira luz qùe entro nós 
jorra do aitar n^estes ultimos tempos, 
nem a primeira que se accende & alam- 
pada do incomparayel ideal cbristào, 
mas funde-se com as que a precederam 
n*um fagueiro pronuncio de novos e flam- 
mantes claroes, que partirlo d^ora ovan- 
te do nosso clero, o qual mais e mais se 
rebabilita, e decupla o borisonte dos seus 
conbecimentos, para provar ao seculo 
que, se elle é sol, tambem o padre sabe 
ser raio, mas raio que vivifica... 

Era a reflezào que faziamos ao percor- 
rer as douradas paginas da Italia, Sem 
conta s&o as obras que sobre aquelle su- 
blunar firmamento do bello se tem escri- 
pto, ainda simplesmente desde Dupaty 
até Castelar e Theopbilo Gautier: nào 
obstante, a Italia do snr. conego Alves 
Mendes, nSlo as repete, tem uma entida- 
de propria, um colorido, uma fórma, um 
reverbero que a faz resaltar da plana 
dos livros que o assumpto e o estylo con- 
fundem sob a mesma superficie uniforme, 
e a eleva ao glorioso isolamento dos la- 
vores distinctìssimos. 

^ A indole intellectual do autbor da Ita- 
lia é profundamonte esthetìea, innega- 



velmente plastica ; um astro comò a pa- 
tria de Rapbael, e Leonardo de Vinci, 
refractando-se através d'aquelle prisma 
t&o para elle adequado, nào podia deixar 
de nos scduzir com o completo espcctro 
solar de uma luz suavissima, variegada, 
e primorosamente esbatida. 

A opulenta erudi^&o ethnograpbica e 
bistorica, o fino senso critico, e as lou^a- 
nias do estylo, este verbo da Unguagem 
humana, sào comò outros tantos bombros 
vìgorosos que se adunam para conduzir 
mais uma vez ao repositorio da apotbeo- 
se essa unica Italia, em cujo céo os pin- 
ceis se impregnam de luz, em cujo sólo 
OS cinzeis se tornam de curo, e ao sopro 
inspirador da qual a penna do escrìptor 
vda aos arrobos do sublime. 

autbor estadeia-nos à vista a Italia 
que nào passa e a que nào passou ainda ; 
a que Deus fez, e a que o tempo tem por 
ora deixado de pé ; quando, porém, é ne- 
cessario fazer reviver a de outr^ora, evo- 
ca-a do pò das ruinas, e do ossuario da 
historia. 

Nào trepida ante o ardimento do sea 
plano ; interroga as lapides e respondem- 
ihe ; entranba-se pelo nypogeo dos povos 
sotopostos na morte, e fal-os reappare- 
cer, revestidos a caracter, no acto, e na 
scena precisa do grande drama social; 
fere o marmore dos monumentos meio 
derrocados, com a vara de intelligente 
arcbeologo, e dos monumentos irrompe 
caudal a luz reveladora do seu genesis e 
da sua significa^ào na arte e na bìstoria. 

As descrjp9oes topograpbicas sào em 
geral ezactissimas, comò o posso affirmar 
por experiencia, mas o paizagista soube 
dar-lbes um relevo encantador, e a Ita- 
lia com as suas alfombras, com os seus 
lagos de esmeralda, com os seus panora- 
mas desbalisados e soberbos, com as suas 
serpentes de limpidissima agua, com as 
suas planieies bojadas de espessos tu- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



191 



fos de arvoredo, com o seu lequo sempre 
aberto e desenhado de myriadas de flò- 
res, com as suas montanhas, e abjsmos, 
e golfos, e crateras, e aspecto, e vi^o, 
e vida, e amor, foi para o author do Eltt^ 
cidario um immenso teclado que accor- 
dou, sob seus dedos de artista, em brì- 
Ibante rhytbmo repassado d'aquellas mys- 
teriosas melodias quo nos segredam as 
immortaes phrases musicaes de Beetho- 
ven ou Meyerbeer. 

Poucos dos sumptuosos monumentos da 
Italia escapam à sua penna ; a technolo- 
già architectonica é sempre rigorosa, a 
observa^Slo minudente é geralmente ver- 
dadeira, por tal arte que eu que vi o 
Vaticano, S. Fedro, Santo Ambrosio de 
Milào, o palacio dos Doges, Santo Anto- 
nio de Padua, o museu Pitti, S. Janua- 
rio de Napoles, etc, revendo agora, atra- 
vés do cosmorama graphico dS Elucida' 
riOf essa Italia de marmore e de genio, 
posso dìzer com a cousciencia de Miguel 
Angelo, e com mais ousadìa que Aives 
Mendes : — Ecco-la, eil-a alli està. 

E outrosim o livro um livro de estylo. 
O estylo està às ordens do author ; nào 
ha negal-o. Quando uma das glorias na- 
turaes ou artisticas da Italia fere a scen- 
teiha do seu pensamento, desco està em 
toda a 0ua incandescencia ao talisman 
da penna, inundando de luz o que jaz 
na penumbra para a observa^ào do to- 
rista vulgar. Uma vez el evada a mente 
a uma idèa esthetica, a fórma ou o esty- 
lo tradul-a com o alto relevo dos arte- 
sues medievaes, soletra-a por assim di- 
zer letra por letra, desdobra-a, prolon- 
ga-a, malléa-a, encara-a sob todas as fa- 
ces, destaca-lhe todos os cambiantes^ il- 



luminala com todo iris das multiplas 
bellezas (jue ella re veste, rompe-lhe to- 
dos OS seios, e o leitor encontra enle- 
voa onde o viajadte muitas vezes so en- 
contra vacuo, que o seu olhar vidrado 
para o bello povóa de uma admira^&o 
convencional. 
Leia o leitor esse livro, e diga-me de- 

Eois se ha aqui o minimo vislumbre de 
yperbole, e se nas paginas da Italia, 
escriptas com um raio de sol, se nos n&o 
deparam magnificencias que lembram a 
Ellora indiana, e mimos que entremos- 
tram dentiformes rendilhados de Alham- 
bra. Mas ha mais e multo mais do que 
isso : ha o ideal ; o sentimento christ&o a 
rcQumar por toda a parte, e a rasar, por 
que assim o diga, até à borda cada uma 
das paginas do livro. 

A Malia é bella, porque 6 bello o 
christianismo ; bella, porque quando se 
tem infinito na alma, e no cora^&o o 
vaso mysterioso dos perfumes e das har- 
monias ohristàs, n&o é muito difilcil ser- 
se bello, sobretudo quando na intelligen- 
cia arde o fogo sagrado do talento. 

Eis que ou sei esc re ver com a con- 
vic^ao, alhcio aos ignobeis impulsos da 
lìsonja. 

meu presupposto é um unico : affir- 
mar o merito de um bom livro e contras- 
tar oste elogio mentissimo à grasnada 
restrugidora de apostados e nescios en- 
comios que uma critica realista prostitue 
a uma litteratura tao realista comò ella. 



Padre Senna Fbbitas. 



(Do Commercio do Minho), 



NOVAS PUBLICACOES 



José Antonio dos Santos 

]M[oiiiiiiieiitos das ordens mili- 
tares do Tempio e de Christo cm Thomar. 
Memoria historico-descriptiva, seguida de 
nma noticia sobre alguns artistas das res- 
pectivHS obras. 

1 volume 400 reis 



A. M. da Cunha e Sa 

O ultimo cn^alleiiro, roman- 
ce historico originai. Edi^ào illustrada. 

1 volume . 600 reis 



M. M. Ramos Ghaves 
Gr-i*a,mma.tiea. in^leza, 

1 volume 400 reis 

Candido José Ajres de Madureira 

Abbade de Arcozello 

O Antimo da, infaneia.. No- 

Qoes dementar es de doutrina christà, de* 
veres do homem em geral, physiologia, 
hygiene, chorographia, historia, grammar 
tica e economìa domestica. 

1 volume .r . • . 800 rei» 



in 



BIBUOORAPHU PORTOOUBZA E ESTRANOEIRA 



OPINIiO DA IMPRENSA 



A RESPEITO 



DE VARIA8 PUBLICAQOES DA LIVRARIA INTERNACIONAL 



DB 



ESNESTO CHARDRON 



Viag^ens» em !IM[an*oeofii 

1 volume, 1^000 reia 

E titulo d*um volume escripto pelo 
Bnr. Ruy da Camara, touriate que um 
bello dia se deu ao prazer de visitar a 
Barbarla, levando assim a cabo um com- 
mettimento que me persuado nào ter si- 
do praticado por nenhum portuguez de- 
pois d'Alcacer-Kibir. 

Os que se or^ulham com os feitos na- 
cionaes devem Ter este livro, da mesma 
fórma que o devem lér os que ainda al- 
mejam pela desforra d 'aquelle memoran- 
do desastre. Nas suas Viagena o snr. Ruy 
da Camara descreve-nos Marrocos tal co- 
rno existe hqje, triste, vivendo em piena 
selvageria, tvrannisado pelos sultoes e 
n*um estado nnaneeiro ainda mais lasti- 
moso do que o nosso I 

EstamoB vingados da Mauritania ! 

É certo que com um bocado de pacien- 
cia, e alguns adjectivos apropriados se 
compoe, a respeito de Marrocos ou de 
qualquer paiz, o capitulo mais interes- 
santemente mentiroso de quo é susccpti- 
vel o engenbo bumano. 

Este livro, porém, n&o é assim. Vé-se 
bem que é escripto por quem, para prò- 
porcionar estas trezentas pagìnas ao in- 
fati^avel editor o snr. Chardron, n&o 
trepidou em arrìscar o sou pescoso aos 
golpes da cimitarra musulmana ! 

(Do OeeidetUt), 



Nào me lembra agora bem se foi Vi- 
ctor Hugo que disse que viajar era viver 
e morrer ao mesmo tempo, porque se 
vUra pela primwra ves ooasas em que 



talvez nunca mais se tornasse a por os 
olbos ; para o nosso caso, porém, n&o im- 
porta muito precisar a paternidade d'es- 
sa asseveratilo que se nos afìgura razoa- 
vel. 

Para nós, viajar tem toda a seduc^&o 
que a revela^ào do desconbecido inspira ; 
e foi sob imperioso dominio d'este pru- 
rido intellectual que nós lémos sofrega- 
mente um formoso livro que entrou n'es- 
ta redac^ào — Vùtgena em Marrocos, por 
Ruy da Camara, editado por Ernesto 
Cbardron. 

Intemando-se por aquellas paragens 
romanticas, onde dèmos e levamos a nnal 
tanta bordoada de mouro, gra9as aos im- 
petos indomitos dosnossosantepassados, 
o elegante tourtste conta fluentemente, 
n'uma liuguagem despreteneiosa de bom 
cavaqueador, e, a nosso vèr, sem se soc- 
correr ao recbeio de patranbas a que 
muìtos viajantes e ezploradores mesmo 
illustres nio teem podido resistir, 

Buy da Camara relata simplesmente 
as impressoes que Ihe causaram os nsos 
e costumes dos beduinos que parecem 
mesmo umas trouxas de roupa siga, quan- 
do estào sentados ; e d&-nos a conbecer 
a vida d*essa ra^a cor de azeitona, cujo 
espirito guerreiro e avassallador d'ou- 
tr'ora ficou para sempre gravado no 
bronzo da nossa historia e na de toda a 
peninsula ; ra^a que inspirou a Alexan- 
dre Herculano o seu assombroso poema 
Eurico ; que nos deu que f azer em Tarifa 
ou Salado, em Navas de Tolosa e em 
AlcaQar-Quebir ; que produziu entro nós 
tantos beroes e em Hespanba o Cid cam- 
peador ; ra^a que deixou na patria das 
castanbolas os soberbos productos archi- 
tecturaes de Sevilba, de Granada e de 
Toledo ; e que, oom o crozamento do seu 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



193 



sangue vivo e ardente, deixoa tambem 
aquelles olhos profundos e cabellos ne- 
gro8 que fazem o orgulho da Andaluasia, 
nas BuaB admiraveis mulheres que poB- 
suem o temperameuto e tem toda a fina 
elegancia d'um cavallo arabe, fogoso 
e... caro, espeoialmente para nós os 
portuguezes, pobres diabos lympathicos 
que no8 deixamos prender pelo bei^o, 
com as allucìnaQÒes d'eeses demonios de 
saiaa. 
Salerò! 

Aa Viageria tm Marrocoa, livro nitida- 
mente composto e impresso em precioso 
papel, com gravuras de Pastor e Alber- 
to, é singularmente interessante e tem o 
encanto de todos os livros de viagens, 
hoje preferìdos aos romanoes terralhes- 
oos e que taes frandulagens que derran- 
cam OS sentimentoB e n&o divertem, an- 
tes pervertem. 

Diz a seguidilha hespanbola : 



Sali cU S^aiia 

Con rumba à Africa 

JBn un ea$earon éU ntMS. .. 



NÓS, querendo boje conbecer esse paiz 
adusto, nào necessìtamos- de nos arris- 
carmos ao mar n'uma casquita de noz ; 
ficamos pienamente inteirados, lendo as 
Viagena em Marrocos do snr. Ruy da Ca- 
mara a quem enviamos um ahake-'Jiand, 
por fazer tilo brilhantemente n*este vo- 
lume as suas primeiras armas littera- 
rias. 

(Do 8orv9te). 



Olirlo <lci liufi^ua. italiana. 

1 Tolnrney 800 reis 

eminente pbilologo Abn, com o seu 
inspirado metnodo, vem varrer da f ei- 
ra todo grammatico caturra e rotinei- 
ro que com os seus pesados calbama- 
<^ grammaticaes entenebrecia a me- 
moria da crian^a que queria aprender, 
nfto j& urna lingua estranba, mas o pro- 
prir> idioma patrio. 

Acerca de qualquer parte da gramma- 
tica escreveram-se volumes da grossura 
de missaes romanos ; os trabalbos do Ma- 
dareira, a prosodia do Pereira, a gram- 
matica do Giraldes derreiam carros e pu- 
zeram obtusa multa intelligencia limpi- 
da. 

Por esses monumentQS d'urna pacien- 
cia benediotina se entrava no oonbeei- 
mCnto das linguas, vivas ó mortas. 



mestre-esoóla era ent&o um sabiOf 
um oraculo, 

^ 8Ì8udo grammatielo 

Que, com a pltada bo« à&doB 
E o Madureira na m&o, 
Rovelava altoe segredoa 
Do adverbio e eo^jimo^ t 

comò retratou un^ poeta satjiico e pe« 
dincba. 

Os nossos paes andavam longos annos 
nas aulas de rbetorica para comprehen- 
derem todos os artificios do gerundio, to- 
das as cavilla^oes do supino. Encalve- 
cia-se. 

Isso, felizmente, passou. 

Abn reduziu, amenisou, venceu. 

Aprendei urna lingua estrangeira do 
meamo modo por que tendea aprendido a 
vossa — tal foi o principio em que elle 
fundou o seu novo metbodo de aprender 
OS idiomas : e o certo é que essa revolu- 
9&0 està boje applicada às linguas mais 
cultas. 

sur. Brunswich que jà adequàra o 
curso da lingua franceza do mesmo me-v 
tbodo, ao uso dos portuguezes, aoaba de 
prestar mais um servÌ90 ao ensino, tras- 
ladando o curso da lingua italiana. 
metbodo é racional e pratico* 






IVotieia so'bire al^uns in- 
see*tos uteis & agprleul- 
*tui"a* 

Pre^y 100 reia 

Sào sempre de estimar estes livrinbos 
de propaganda scientifica. 

Animamos o reductor a que prpsiga. 
Tem muitos e valìosos expositores cspe- 
cialistas, ciyas investìga^oes póde reve- 
lar aos nossos lavradores, espancando- 
Ibes a treva da ignorancia em que vlvem, 
e d'um modo ameno. 

Como, pelo presente opusculo, mostra 
que sabe fazel-o, deve dizer n*um outro 
quaes os passaros uocivos e uteis d agri- 
cultura, bem comò os servi^os prestados 
por muitos animaes que sào victimas da 
malvadez e da estupidez dos babitantes 
ruraes. 

(Idem), 

Nunca serfto de mais as obras publica- 
das sobre a agricultura pratica, pela be- 
nefica influencia que podem e devem ter 
sobre o futuro do nosso paiz, cigas priii» 
cipaes esperan^as de prosperidade se de- 
vem esteiar no aproyeitamento bem or- 



194 



BIBLIOGJEUPHIA PORTUeUBZÀ B BSTAANGEIRÀ 



denado da feraoidade do nosso sólo, uni- 
ca quasi e verdadeira e inaiteravel fonte 
de nossa rìqueza. 

Por isso é que oom todas as veras ap- 
plaudimos a publicaQào que a Livraria 
Interoacionai do snr. Ernesto Chardron 
acaba de fazer da Noticia aóbre alguna 
inaectos iUeÌ8 à agricuUura, esoripta pelo 
snr. A. M. Lopes d« Carvalho. É um 
pequeno folheto de 40 paginas, mas ciga 
utilidade se n&o deve nem póde medir 
por seu cireumscripto tomo, pois que 
n*eUe se contém proveitosa e larga IÌ9&0 
aos nosBOs agrìcultores, em quasi sua to- 
talidade guiados no amanho e aproveita- 
mento das terras, so pela velha, incon- 
sciente e por yezes, além de retrograda e 
remissa, prejudicial retina, que Ines en- 
sina elle a distinguir entro os innuraeros 
insectos que nosso sólo e clima produ- 
zem, OS que s&o uteis e proveitosos à 
agricultura, e cuja ra^a e propaga^ào, 
por tanto, o layrador em seu proprio in- 
teresse deve proteger em vez de destruir. 

Numerosas vinhetas intercaladas no 
texto illustram oste, reproduzindo os mes- 
mos insectos. 

RoDBioo Velloso. 
(Da Aurora do Cavtido). 



O A^rleultoir do Nort© 
die Poirtug^a.! 

Pre^o por anno, 8^000 reis 

Desde que annunoiàmos o primeiro nu- 
mero d*esta publica^ào agricola, incità- 
mo9 OS nossos lavradores a assignal-a, 
por serem multo uteis as iuforma9oes e 
OS conselhos que ella dà aos cultivado- 
res. Temos sempre apontado aqui um 
grande erro, que parece fatidicamente 
arraigado no espirito dos agricultores 
portuguezes — a falta de leitura de li- 
vros proprios da sua profiss&o, e ne- 
nhum, ou quasi nenhum cuidado que 
empregam em estar informados dos no- 
taveis progressos que n'outros paizes faz 
a arte de cultivar bem e bem recolher. 

As cousequencias s&o viaiveis, mas 
nem ellas podem combater demonio da 
pregui^a ou o diabolico habito da infru- 
ctifera retina. Os outros paizes avanta- 
jam-se-nos e tanto, que multo diffidi nos 
sera hoje acompanhal-os. 

N&o temos pào para as nossas neces- 
sidades. Nào temos?! É multo peor: 
falta-nos urna tal porQ&o d*esse genero, 
que a importa9ào dos outros paizes leva- 
nos centos e centos de oontos de reis. 

E, comtndo, se quisessemos aprender 



a cultivar e dessemos ao arroteamento 
de novos terrenos — de tantos que temos 
improductivos — mais algum cuidado, 
mudariamos de poaiQào quanto -& balan- 
9a do commercio: de importadores paft- 
sariamos a ezportadores. 

Prégaremos em vào? 

Embora, fa^amos o nosso dever, aecu- 
sando a inercia nacional, e louvando os 
editores, que, comò o snr. Chardron, for* 
necem à agricultura nacional bons eie» 
mentos para seu progresso. 

(Do JonuU de Vheu). 



Cada volume, 800 reis 

Sob o titulo de Bibliotheca do dero il- 
luatrado, emprehendeu o snr. Ernesto 
Chardron, comò editor, a publica9ào das 
melhores obras vindas a lume em Fran- 
ca, em Hespanba^ e na AUemanha e de 
muitas de escriptores nacionaes sobre as- 
sumptos religiosos, e larga é jà a coUec- 
9ào assim formada, fazendo d'ella parte 
livros de tao subido merecimento, corno 
o sào a Apologia do Ckristianismo, do 
Hettinger, o Tratado de historia ecclc' 
elastica do padre Rivaux, e as obras de 
Jayme Balmes, alguns eacriptos do 
rev.**** Senna Freitas, o eminente pole- 
mico e estylista, do dr. Pires de Lima, 
D. Fr. Vital, etc. 

Tambem d'essa Bibliotheca faz parte 
a aelecta dos sermdes dos mais celebres 
oradores contemporaneos para todas as 
domingas e principaes festas do anno, 
coUeccionada pelo rev.**" Francisco Luiz 
de Scabra, illuatrado parocho de Càcia, 
de que acaba vir a lume o7.o tomo, con- 
tando 41 sermoes, todos escolhidos, e co- 
Ihidos dos mais eminentes prégadores da 
Franca e da Hespanba (a mais contri- 
buida do todas), e aiuda do grande ora- 
dor brazileiro, admiravei Mont'Al- 
verne. 

(Da Aurora do Cavado). 



Seleeta, elastica, do» 
piroisadloires poi:*tii.^uezes 

Um volume, 600 reis 

Um apreciavel servilo acaba de pres- 
tar & causa da instruc^ào sur. Antonio 
Peizoto do Amarai, professor de ensino 
livre e escriv&o interpreto da Esta9ào de 
Saude do Porto, elaborando, segundo 
programma officiai para as cadeiras de 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



1S5 



poT^gu«z dos lyoeus, em eonformidade 
cova a portarla de 5 de outubro de 1872, 
urna Seleata classica de prosadores por^ 
tuguezea, É um volarne de 349 paginas 
eompactas, iin presso em exeellente papel 
e bona typo, na Imprensa Commercial da 
rua dos Lavadouros, e editado pela Li- 
braria Intemacionai do snr. Ernesto 
Chardron. 

Além dos trechos recommeudados na 
eitada portarìa traz o volume algans 
outros escolhidos e respigados, com todo 
o cuidado, pelò ooileocionador da Selecta 
nos escrìptores olassieos. 

(Idem), 



A. OÌT'llisa.^a.o Oa,tlioliea, 

Pre^o por anno, 1^600 reis 

Sahiu a lume o n.o 10 correspondente 
a julho, d'està publica^ào religiosa, men- 
sal, redigida pelo snr. dr. Luiz Maria 
da Silva Ramos, e editada pelo snr. Er- 
nesto Chardron. Em cousa alguma é A 
CivUiaa^o CathoUca inferior aos primei- 
ros periodicos reiigiosos do estrangeiro. 
As mais levantadas questoes religiosas e 
sociaes sào niella tratadas em toda a sua 
altura e com a maior proficiencìa. Ap- 
plaudindo, pois, tao notavel periodico, 
fazemos votos para que larga Ihe seja a 
existencia, e para que assim seja, certos 
do zelo e solicitude christàos do snr. dr. 
Silva Ramos, mais nào sera preciso do 
que a protec^ào do clero a quem mais 
que a ninguem incumbe o sus tentar na 
lÌQa paladino tao formidavel do catholi- 
cìsmo. 

custo da assignatora é de 1$^600 rs. 
por anno. Sahe mensalmente em fascicu- 
los de 32 paginas em 4.o grande. 

{Idtm). 



A.» missoes iilti:*a.iiia,iriii.a.s 

Um volume, 200 reis 

Nas sessoes de 14, 15 e 16 de maio 
ultimo, pronunciou na camara dos depu- 
tados, o exc.°*o snr. Manoel Aug^usto de 
Scusa Pires de Lima, doutor em theolo- 
gia, de que regeu urna cadeira na Uni- 
versidade, conego da Sé de Evora, go- 
vernador do bìspado d'Aveiro, e deputa- 
do pelo drculo da Feira, tres magnifìcos 
discursos sobre as Miasdea vltramarinas, 
e o estado da igreja n'estas, que se po- 
dem e devem haver corno modélos de 



eloquencia no seu genero, e corno taes 
desde lojgo os consagrou a camara coni 
seus applausos e a opinìào publiea com 
mais extraordinario acolhimento. 

Com profundo conhecimento da mate- 
ria, bebida nas melhores fontes, com 
urna deduc^ào logica notavel, com urna 
eleva^S-o de phrase sempre sustentada e 
fluente, com uma ìsen^ào de oaracter, 
que nem sempre e antes mai raro se ma- 
nifesta nos discursos parlamentares, prò- 
nunciados e influenciados mais ou menoé 
pelas paixoes politicas e j^rtidarias, de- 
senhou o snr. dr. Pires de Lima em am- 
pia tela o desgraQado e lastimoso qua- 
dro das nossas parochias e missòes ul- 
tramarinas, quadro de todo o ponto ver- 
dadeiro, e que é um testemunho elo- 
quente, irrefutavel e accusador do des- 
ieixo e incuria com que os diversos mi- 
nisterios que se hào succedìdò no gover- 
no do nesso paiz tem oibado para as nos- 
sas colonias, expoliando-as do melo mais 
seguro e mai$ facil e mais apropriado 
(corno o testemunham os seculos passa- 
dos) de inioiar a civilisa^Ho entro os po- 
vos selvagens ou barbaros. 

Quando no parlamento sào tratadas, 
corno assim o foi pelo snr. dr. Pires de 
Lima a das Missdes ultramarinas, ques- 
toes que interessam ao futuro do paiz e 
de que principalmente este depende, ele- 
va-se a representa^ào nacional à sua 
verdadeira altura, e compenetra-se dos 
deveres que Ihe impoe a missào que Ihe 
é destinada no jogo do systema represen- 
tativo. 

(Idem), 



^iagrens eiu UMLairirooos 

Um volume, 1^000 reis 

Entre as muitas publica^oes que dia- 
riamente a Livraria Intemacionai do snr. 
Ernesto Chardron està laudando no mer- 
cado litterario é uma das ulti mas na or- 
dem chronologica, mas uma das primei- 
ras na excel! oncia as Viagens em MarrO' 
C08 do snr. Ruj da Camara. 

Constituem ellas um volume em 8.o 
francez de 301 paginas nitidamente im- 
pressas em exceliente papel, illustradas 
com tres gravuras, desenho do snr. Ma- 
noel Macedo. 

Jà desde muito que se nos nSlo depa- 
rou livro de viagens quo tanto nos pren- 
desse e capti vasse a atten^&o, deixando- 
nos o espirito illustrado e contente. 

Pois nfto sào poucas as obras que n'ea- 



196 



BIBLIOGRAPHIA P0RTU6UBZA E ESTRANG&XRÀ 



se genero hftvemos lido e sobre o norfce 
da Africa conheoemos, entre outros es- 
criptoB, 08 de Jolio de Gerard, general 
E. Daumis, Felix Mornand, Da Coaret, 
Quiyiéres, Henri Bécbade, Hugoanet e 
o Marroco» do italiano Edmnndo de Ami- 
CÌ8, que està sahindo, com excellentes 
illostxa^es, no EU mundo illustrado de 
Barcelona, em tradac^&o de D. Gaetano 
Yidal de Valenciano. 

É que para nós valem muito, e n&o 
tem pre^o em obras da indole da de que 
nos occupano^, a singeleza e a naturali- 
dade alliadaa à verdade da narrativa, e 
temos estas qualidades em maìor apre^o 
do que as inven^es e pbantasias do es- 
criptor, embora e-stas armem mais ao 
e£Peito e melbor prendam e captivem de 
momento o leitor. 

E dizemos de momento porque passa- 
do o prazer da primeira impressào, yol- 
tado espirito a si da commo^ao ou sur- 
preiza que o abalou, conhece-se o vacuo 
e inanidade d'ella, e quasi que sauda- 
des vém do tempo perdido, sem a mini- 
ma utilidade, e antes com falseamento 
das idéas, na leitura que fìzemos. 

Acresce no caso presente que de ata- 
vios n&o precisa a verdade para que ca- 
ptive o leitor, pois que tudo é novo para 
elle n'uma Viagem em Marrocos e tudo 



n*esta lUe doperta o interesse, pois que, 
comò Edmundo de Amicis diz no comeQo 
da obra que docile jà oitamos : f Difficìi* 
mente poderfto encontrar-se dous paizes 
mais distinctos entre os que um simples 
estreito separa, do que os ezistentea de 
uma e entra parte do de Gibraltav* £ 
essa differenza multo mais saliente se 
torna quando o yiajante que se destina a 
Tanger, toma por ponto de partida a ci- 
dado ingleza« N'esta sente-se a vida agi- 
tada, buii^osa e esplendida das cidadea 
da Europa... tres noras depois tudo se 
acha transformado . . . No breve ospa^ 
de tres boras verificou-se, em quanto 
nos rodeia, urna das mais surprebenden- 
tes transforma^oes que a mente humana 
póde conceber». 

É um formoso livro as Vtagens em 
Marrocos do sur. Buy da Camara, e ao- 
bre isso um livro patriotico tambem qua 
n*elle condignamente se commemoram as 
nossas passadas glorias no nortè da Afri- 
ca, e o lamentoso desastre de que Alca- 
cerquibir foi theatro. 

Com saudades largamos mSlo d'està 
obra, obrigados pela necessidade de nos 
oocuparmos d'outras. 



RoDBioo Vblloso. 



(rdem). 



OBR^S NO FRELO 



VILHENA BARBOSA 

EÌEHPIOS DE Umm ClìlCiS E ÌOMESÌICAS 

COLHIDOS NA HISTORIA DE PORTUGAL 

OBBA APPROVADA PELO GOVERNO PARA UBO DAS ESOÓLAS E ADOPXADA NOS PRINCIPABS 

LYCBUS E COLLEOIOS 

S.» edipcLO correcta 

UH VOLUME, 400 REIS 

Estarà & venda no firn de setembro 



A FLOR DOS PREGADORES 

On coUecQào selecta de sermoes dos mais oelebres oradores contemporaneos 
para todas as domingas e prinoipaes festas do anno 



POR 



FRANCISCO LUIZ DE SEABRA 



Parocho de Cada 



TOMO Vm, 800 rs. 
distarà d venda no mez de outubro 



ERNESTO CHARDBON, EDITOR 



LIVEOS EBLIGIOSOS E PHILOSOPHICOS 



AblNide Toiiii1mi«iis 

Os diffamadores do elero cathoHeo. 
1 voi 200 

I^nlB Morelra Maya da 
filllTa 

Serm5es escolhidos. 2 voi. . . 3^000 

Fr. F. de J. Maria 
Sarmenlo 

Esoriptnra Saerrada. 48 voi. 12^000 
Tractains de Censnrls 

Juxta Gury. 1 voi 800 

BlMpo do ParÀ 

Direito contra o diretto. 1 v. 800 

Dr. LnlK M. da Silva 
Bamoa 

Ora^&o gratalatorla 120 

Sermfto da Immaculada Òoneel- 

-,9^- 200 

Sermao sobre a divindade de Xosso 

Senhor Jesus Christo 200 

A liberdade de consciencia.. 200 

Pio IX, ora9fto funebre 200 

A soberania social de Jeans Ohris- 

*o 200 

Plreii de Lima 

MiasSes nltramarinas 200 

A ClvIllaacSo CaChollea 

Publloa^&o mensal. Prego por an- 
no.... ijjeoo 

Caaeso Bor^ea 

Discarso e serm&o 200 

Monaenhor Boarrel 

Resposta às imputagoes que se fa- 
aem & Igreja. 1 voi 120 

Roberto Gullberme 
H^oodhoaiie 

A sciencia hodiema o o dogma 

christ&o. 1 voi 200 

O naturalismo. 1 voi 200 

Cardeal ìi¥lseiiian 

Fabiola ou a igreja das catacum- 

bas. 1 voi. com gravuras. 1,1500 

Com urna rica cartonagem. . aJoOO 

P. Paulo Perny 

Deus mezes de prlsSosob a com- 
mona. 1 voi 400 

Padre Cbrlsplm C. F. 
TaTMres 

Re vista catholica 600 

n* p. Bio( 

No céo nos reconheceremos. 200 



Padre Senna Frellas 

A tenda de mostre LueaS) romance 
religioso. Ivol 400 

Ko Presbyterio e no tempio. 2 vo- 
lumes 1^200 

Pio IX. 1 vqI. . * . . ; 200 

M. Ferrelra Marnoeo e 

SOIUMI 

Oomo se ha-de fazer ama boa con- 
fiss&o « 60 

Abbade Marqay 

Oerteza proxima do fim do man- 
do 200 

Raccolla Romana 

CoUecg&o de oragSes e obras pias. 
1 voi 600 

«looé Blam 

Vida do Santo Padre o Papa Pio ix. 
1 voi. illustrado. Oart.... 1^000 

Padre Fellii 

Confereuclas sobre o Socialismo. 1 
voi 600 

R. P. Macb 

Ancora de salvagSo. 1 grosso voi. 
cartonado 600 

Mani do sacerdote. 1 grosso voi. 
cartonado 600 

Oatecismo exemplificado. 1 volu- 
me br 800 

Cartonado 1^100 

Monsenbor Gaame 

A agua beuta no seculo xix. 1 

voi 400 

O cemiterio no seculo xix. 1 volu- 
me... 400 

A Vida é dopois da morte. 1 vo- 
larne 400 

O slgnal da cruz no secalo xix. 

1 voi 400 

O Angelus no seculo xix. 1 v. 400 
A Europa em 1848. 1 voi. . . . 200 
Para que serve o Papa? 1 v. 100 
Onde estamos ? 1 voi 500 

Seisur 

O concilio 150 

Oonselhos praticos sobre a ora- 

9&0 80 

Adesobriga 40 

O desoango do domingo 100 

Os franc-magons, o que sSo. . 80 

O Papa é infallivel 40 

Póde-se ser catholico liberal? 120 
Gunversas sobre o protestantismo. 

1 voi 200 

Antonio Fernaudeo 
Cardoso 

Sentldo dos ritos e ceremonias da 
missa. 1 voi 600 



Padre #nadmpanl 

I>iree^ para sooegar as almas 
2.*edÌ9&o 100 

Direc9&o para viver chriatbnente. 
2.*edÌ9So , 100 

Thomas Vitale 

O pontificado romano 100 

Paulo Féval 

Jesuitas ! traducg&o e notas do pa- 
dre Senna Freitas. 2 voi.. 1^000 

Henri Conselenee 

Ueroes catholicos. 2 voi.... 1^000 

Inferno e Paraloo 

Resposta ao sur. Camillo Castello 
Branco. 1 voi 500 

D. Jaymea Balmeo 

Cartas a um sceptico em materia 

de religISo. 1 voi 600 

O Criterio, philosophia pratica. 1 

voi 600 

Miscellanea. 2 voi 1^200 

Philosophia fundamental. 4 volu- 

mes ..................... 2u400 

O Protestantismo comparado com o 

Catholicismo. 4 voi 2,^400 

Curso de philosophia elementr. 2 

▼ol 1^200 

¥oKes prophetlcas 

Ou apparifSes e predicgSes. 1 vo- 
lume 250 

Padre Martinho 

SermSes selectos. 3 voi 8^600 

¥lsconde d'Aaevedo 

Contra-resposta dada ao velho li- 
beral. Ivol 300 

Monsenbor Landriot 

A mulher forte. 1 voi 600 

Condessa de Sé^nr 

A Hospedaria do Anjo da Guarda. 
1 voi 500 

Padre Marcbai 

A mulher corno doverla sel-o, 2.* 
edÌ9&o. 1 voi 400 

Padre Crea 

O Confessor da infancia e da mo- 
cidade. 1 voi 600 

D. M. do P. Slnuéa de 
Maree 

A Lei de Deus. Collec^&o de len- 
das. 2.* edl^&o. 1 voi 500 

Pouchet 

So Deus é grande..,,.,,.., QQ 



ERNESTO OH ARDRON, Editor 
Camillo Castello Branco 







12 volumes, 2$400 reis 



Suiiimcu:*io dio n.*^ 1 

Proemio — Consolacao a Santos Nazareth 
— As ostras — Kehabilita^ao do snr. 
yisconde de Margaride — A rivai de 
Brites de Almeida — Egas Moniz — 
Dous poetas ineditos do Porto — D. 
Joào 3.0, o principe perfeito — Subsì- 
dio para a bistorta de um futuro san- 
to — iivro 5A da Ordena^&o, titulo 
22 — Problema hìstorico a premio — 
Desastre do santo officio no Porto — 
Rancho do Carqueja. 



Aquella casa triste... (romance) — So- 
lu^ào do problema historico — Dous 
preconceitos — Lisboa — Ferreira Ban- 
gel -^ As joias de um ministro de D. 
Joào 6.0 no prego — -O oraculo do mar- 
quez de Pombal — Ave rara — Ver- 
gonhad nacionaes- 

r>o 11.0 3 

Feiti^os da gaitarra — Em que veias gi- 
ra o aangue de Camoes? — Voltaa do 
muado — Nova solu^ào do problema 
historico — Flores para a sepultura de 
Ferreira Rangel — Mysterio da Cas- 
tanha — Bem vindo ! — Os salpes, pe- 
lo exc.™<^ snr, visconde de Ouguella — 
Subsidios para a historia da serenissi- 
ma casa de Bragan9a. 

I>o n.o -4r 

cofre do capitao-mór — O jogador — 
Inedito do poeta fr. Bernardo de Bri- 
to — A exc.°^* madrasta d'el-rei D. 
Luiz 1.0 calumniada — decepado — 
Garidade barata e elegante — Profun- 
da reforma nos costumes da vìa-fer- 
rea portugueza — Formosa e infeliz — 
Antonio Serrào de Castro — Lisboa — 
Litteratura brazileira. 

I>0 11.0 S 

Petronilla, Gamarra, Zamperini — En- 
trada para os saloes — Santos Silva — 
Doudo illustre — A catastrophe — Re- 
nan — CorrecQoes — Mau exemplo de 
poetas casados — A casa de Bragan^a 



« ab ovo » — Um inquisidor portuguez 
e o princ^>e de Galles. 



JSunnmajrio do n.o O 

Manoelinho d^Evora — A morte de D. 
Joào — Poetas e prosadores 'brazìleiros 
— Carta ao snr. conselheiro Viale. 



11.0 »y 

Urna viscondessa qùe nào era — Bìblio- 
graphia — Para a historia de D. Joào 
4,0 — Inedito de Manoel Severim de 
Faria — Manoelinho poeta — Um 
baile dado a Junot, em Lisboa — Que 
fiaudade ! — Carta a respeito. . . d'aquel- 
ia couda — Nil admirari. 

r>o 11.0 s 

paQo real da Ribeira — %^ cruas entra- 
nhas de D. Maria 1.», a Piedosa — 
Maria Caraca Bonaparte — Lixo — Po- 
breza aoademica. 

r>o n.o O 

Coudemna^ào de corpo e alma — O dou- 
tor Botija — palco portuguez em 
1815 — Bibliographia (Senna Freitas, 
Cunha Vianna, Monsenhor Joaquim 
Finto de Campos) — Que segredos sào 
estes ? 

I>0 11.0 IO 

Beatriz de Villalva — Se o poeta Bernar- 
dim Ribeiro foi commendador — Res- 
posta do José Anastacio — Prefacio ao 
sonho do aroebispo — ultimo carras- 
co — Curiosidades artistieas — Canta- 
da e carpida. 

I>o n.o 11 

desastroso fim de Damiào de Goes — 
A menina perdida — heroe da ilha 
Terceira — nariz — Joào Baptista 
Gomes -^ Auto da fé . . . a rir. 

I>0 11.0.1^ 

que eram frades — Quem deste^rou Jo- 
sé de Scabra da Silva? — D. Joào 4.o 
e as regateiras — Fielding — Mania e 
hypocondria — Aos diplomatas deseon- 
tentes — horror da demencia — Hea- 
taura^ào de um documento historico 
yalioso — A dan^ — Fim, 



1.** Anno 



1879 



Numero li 



Kì 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 



OS eros i CAICIEIRO ALEGi 

Um volume, 200 reis 

VIRTUDES CIVICAS 

QUINTA EDigÀO 
Uin volume, 400 reis 



IVO 



PINHEIRO CHAGAS 



jl PROPRIEDADE LITTERARIA 

Carta ao Imperador do Brazil 



THOMAZ RIBEIEO 



VESPERAS 



VERSOS INEDITOS 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 



XlOX^wA.XTO £3 



ZjIST 



t^ 



Reparos ao livro HISTORIA E SENTIMENTALISMO, por CamiUo 
Castello Branco — A proposito dos criticos do OANCIONEIRO 
ALEGRE, por Silva Campoa — Ao Snr. Margarida, por Camillo 
Castello Branco — EUSEBIO iMACARIO : orltioas — Pablicagòes 
firancezas e portugniezas, ete. etc. 



£2i*iie@to Oliarciroii — E<iitoir 



ERNESTO CHARDRON-EDITOR 



PORTO E BRAGA 



LITTBEATUEA: EOMANCES, POBSIAS, VIAGBNS, ETC. 



Ponson da Termll 

A seguada mocidade do rei Hen* 

riqae. 2 voi 900 

Os dramas da aldéa. 3 voi. 900 
Um crime da mocidade. 1 volu- 
me 500 

Os mascaras vermelbas. 3 v. 1^500 
O rei dos bohemios. 2 voi. . 1^000 
A j ostica dos bohemios. 2 vola- 

mes 1^000 

Memorias d'ama vinva. 2 vola- 

mes 1^000 

A vingan^a da baroneza. 1 volu- 
me 500 

O armeiro de Milao. 1 voi. 500 
O terror prussiano. 1 voi... 500 
Os bastidores do mundo. 2 volu- 

mes 1^140 

A ramilhetoira do Tivoli. 1 volu- 
me 600 

A mulher immortai . 2 voi. 1(^000 
O forreiro da abbadia da Córte 

de D3U8. 2 voi 1^000 

Os amores d'Aurora. 2 voi. 1^000 
A corda do enforcado. 2 v. iJoOO 

Rocambole. 05 voi 9J500 

O Sem- Ventura. 2 voi.... 1^200 

•^ iioropKa 

/ Poesias e prosas inéditas. 1 volu- 
/ ' me 500 

^ ~ * * * 

Mata-a ou ella te matarà. Ou ho- 
mcm -mulher ou mulher-homem. 
1 folheto 200 

Jullo RoqucfCe 

Os dramas dà mocidade pobre. 1 
voi 320 

J. da Boya 

A condessa de Monte-Christo. 2 
voi 960 

Eagcnio Dellgny 

O talisman de Roberto Nels. 1 
voi 400 

A. Seholl 

Os novos mysterios de Paris. 1 
voi 600 



Erne»(o l.egouvé 

Historia moral das mnlheres. 1 
voi 800 

Gallilo iioaveiitre 

O rei do mundo. 2 voi... 1^000 

Toarpin de liaasay 

Os canalhas de Paris. 1 voi. 440 

.4. barella 

Um episodio do reinado de D. 
JoSo V. 1 voi 500 

jr. IVobcrlo iSoasa e Silva 

Historia da conjura^o mineira. 
Estudos sobre as primeiras ten- 
tativas para a independencia 
nacional. 1 voi 2^000 

A. Villas-Boas 

Os Papas dos tcmpos modernos, 
grandeza e docadencia do pa- 
pado uos tres ullimos seculos. 
1 voi 600 

Vrcderico BasCiaC 

Sophismas economicos. 1 v. 600 

Laurlado Babcllo 

Obras poeticas. 1 voi 600 

Ai¥aresi de Azevedo 

Obraa. 3 voi 2^000 

Enqalrosi 

Historia dos martyres da liberda- 
de. 2 voi 3^000 

Mery 

degredado. 1 voi 500 

Gobriei Ferry 

O mateiro ou os bandoirantes. 3 
voi 1,^800 

Rmlllo Gaborlaa • 

Desmoronamento. 5 voi.... 3/^600 
O processo Lorouge. 2 voi. 800 | 



Padre Breiielaul 

Olderico ou o zuavo pontificio. 2 
vo! 5O0 

Dr. Henrlqae Leal 

Pantheon maranhen<:e. 4 v. 6^000 

Camllle Bla» 

Os dramas da inquisi^Eo. 2 volu- 
mes 1^000 

Juile de FertlauU 

A felicidade na familia. Cartas 
d'uma m&i a sua filha. 1 volu- 
me 500 

Joaqulot de ¥aiie.omeellos 

Os musicos portuguezes. 2 volu- 
mes 2^400 

O consummado germanista (vul- 
go o sur. José Gomcs Monte irò). 
1 voi 500 

Duque de l^aldan Ita 

A voz da natureza. 2 voi. 1^200 

PaaMtiao de IVovaes 

Poesias. 2 voi 2^000 

D. FranelMeo llanoei 

Oarta de guia de casados. 1 vo- 
lume 360 

Frederico Soullé 

Memorias do Diabo. 1 voi. 500 
SoarOA Booieo JTaalor 

ReeordafSes litterarias. 1 v. 500 

jr. Mauoel de llaeedo 

A baroneza de Amor. 2 v. 1^600 
O mo(o louro. 2 voi 1^200 

Theophllo Gaatler 

O rei Candaule. Fortunio. 1 vo- 
lume , 600 

Mademoiselle de Maupin. 1 volu- 
me - 600 



- "^ 



1.» ANNO 



1879 



N.o 11 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



EBPAROS AO LIVRO 



HISTORIA E SENTIMENTALISMO 



No Districto de Aveiro n,^ 784, publi- 
ca o sor. Marques Gomes um folhetìm 
allusivo a iim periodo da parte historica 
do livro Historia e Sentimentalismo. 
Emenda umas datas mal verificadas, da- 
tas que eu copiar a do seu liyro intitala- 
do Memoriaa de Aveiro, caìdando que o 
estudioso escriptor, tendo à mào os docu- 
mentoB, n§.o Ihes errarla as datas porin- 
sufficiencia do atten^ào. 

Dissera o snr. Marques Gomes : D. 
Filippa I por provisào passada em 
Thomar a 15 de agosto de 1582 conce' 
deu d villa de Aveiro o titulo de nohre. 
Corrigio anno, pondo 1581; mas de- 
via tambem, segundo escreve osnr. Mar- 
ques Gomes, corrigir o mez e odia. Trans- 
creve agora o documento existente no ar- 
chivo municipal ; mas a data do documen- 
to é treze dias do anno do nascimento de 
Nosso Senhor Jesus Christo de 1581. Pa- 
rece, pois, que a provisào é de 13 de Ja- 
neiro e nào de maio, comò reconsidera o 
snr. Gomes •, mas isto nào póde ser por- 
que as cortes se abriram em 20 de abril. 

Escreve o snr. Gomes : D. FUippe tam- 
bem nào restabeleceu em 1585 nenhuns 
privUegios concedidos a Aveiro por D. 
Manoel, corno diz o snr, Camillo Castello 
Branco, Ora, o snr. Gomes, nas suas Mc- 
morias, tinha escripto : mesmo D, Fi- 
lippe, por carta passada em Lisboa a 22 
de dezembro de 1585, confirmou todos os 
privUegios que tinham sido concedidos a 
Aveiro pdos reispassados. Tal qual o que 
eu dissera atido à supposi^ào de que 



o curioso investigador, éscrevendo em 
Aveiro, ti vesso presentes os documentos 
originaes que, pelos modos, so consultou 
um pouco tardiamente, depois de ter pu- 
blicado seu interessante livro. Notei, 
na Historia e Sentimentalismo, alguns 
lapsos de datas; mas eu nào podia 
imaginar que todas estivessem crradas : 
aceitei as que julguei immedi ita còpia do 
archi vo municipal. Agrade^o entretanto 
ao snr. Marques Gomes a modestia rara 
de se corrigir para que eu, alguma vez, 
aproveite na reimpressào do meu livro as 
correc^oes que s. exc* fez ao seu. 

Escrevi que os Alpoins influiram em 
Aveiro para que as portas da villa re- 
belde se abrissem a D. Antonio. E a os- 
te respeito diz o snr. Marques Gomes : 

« Os Alpoins, esses podiam ter bastan- 
te influencia em Aveiro, onde é mais que 
provavel que tivessem parentes proxi- 
mos, nào obstante o padre Carvalho e 
Costa nào f azer a minima referencia à fa- 
miliad'este appellido quando trata da no- 
breza do Aveiro, nem se encontrarem ho- 
je aqui vestigios d'ella, comò epitaphios 
tumulares ou brazoes d'armas. No entan- 
to Fedro d'Alpoim, um dos mais dedica- 
dos partidarios de D. Antonio, em prol 
de cuja causa perdeu a vida, era segun- 
do noto de Affonso Domingues d' Aveiro, 
e administrador da capella de Santo II- 
defonso, na igreja de S. Thiago de Coim- 
bra, que o mesmo insti tuira. 

« Por mais diligcncias que fizessemos, 
nào nos foi possi vel encontrar, pelo me- 

13 



198 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



nos agora, no archi vo municipal qualquer 
documento que nos padesse elucidar so- 
bre o ponto cm questào». 

O padre Carvalho da Costa nào encon- 
trou em Aveiro a f amilia Alpoim ; podia 
jà n&o existìr ahi desoendencia no secu- 
lo zviit; nem t&o pouco o snr. Marques 
Gomes aohou epitaphios ou brazoes 
de Alpoins. A razào é obyia. Os Al- 
poins, conhecidoB desde o seculo xiii, 
nunca tiveram casa em Aveiro ; mas sim, 
meia legna distante, em Esgueira, cigos 
senbores foram. Tiveram o seu jazigo na 
capella-mór do mosteiro de S. Jorge, por- 
to de Coimbra. primeiro da famìlìa alli 
sepultado foi Dinìz d 'Alpoim, senbordas 
terras de Esgueira e embaixador d'Ara- 
gSLo 1. Tambem tiveram jazigo na capel- 
la de Santo Ildefonso eim S. Tbiago de 
Coimbra, mandado construir pelo avo de 
Fedro d'Alpoim, que morreu degolado 
por ordem de Filippo ii de Castella. Em 
tempo d'el-rei D. Diniz tinba sido assas- 
sinado em Coimbra um valente cavali ei- 
ro d'està familia, Manfredo de Alpoim, 
que alguns genealogicos dizem ser neto 
de Martim de Freitas. 

Os Alpoins de Esgueira ligaram-se a 
familias de Aveiro pelo casamento do ju- 
risconsulto Fero de Alpoim com a fiiha 
de Affonso Domingues, de Aveiro, que 
viveu na primeira metade do seculo xv. 
Este Affonso Domingues tem uma bis- 
toria lendaria que prende com o con- 
vento de S. Domingos, fundado pelo 
infante D, Fedro, filbo do D. Joào i, em 
1423 e coneluido em 1464. A lenda que es- 
tà recbeada de milagreslé-se no Agiologia 
Libsitano, por Jorge Cardoso, tom, i, pag. 
199, e no Santuario Marianna, tom. iv, 
pag. 383 e seg. Affonso Domingues pas- 
sou ao jazigo dos Alpoins em 8. Tbiago 



1 D. Nieolau de Santa Maria, Chvùnica dos 
eonegos regranteSf tom. n, pag. 156. 

Os estrangeiroa no Lima, tom. zi, pag. 211. 



de Coimbra, se é que nSlo acompanhou a 
filba quando a casou com o celebrado 
doutor e cavalleiro de quem o autbor da 
Malaca conquistada cantou epicamente : 

Alpoim, que ncu margeru do Mondego, 
Desde a primeira idade às letras dado 
Tamhem nos artes fez illustre emprego 
Jà de Ulustres avós valor herdado. 
Segue Alhuquerque pélo falso pego 
Hora juriseonsulto, liora soldcido, 
Que das armas prudente se adomava, 
Como da» justaa leis forte se armava. 

Oant. I, est. ci. 

O padre Carvalho e frei Agostinho de 
Santa Maria para ungirem a lenda com 
maravilboso bem tìrado pela fieira di- 
zem que Affonso Domingues era um po- 
bre entr evado a quem a Frinceza dos An- 
jos fez embaixador ao filbo de D. Joào i 
para a funda^ào do mosteiro. Jorge Car- 
doso, mais fiel d tradi^ào, dà-o corno 
doente de paralysia ; mas n§U) o empobre- 
ce. As genealogias que eu consultei con- 
sideram-o abastado, muito bom cbristào, 
e casado fidalgamente com uma dama de 
appellido Caldeira. 

seu bisneto Fedro de Alpoim, que 
floreceu em letras e funestas exagera- 
9oes d'amor patrio por 1580, devia ser o 
admioistrador dos haveres de seus avoen- 
gos em Esgueira e Aveiro, assim corno o 
era dos vinculos e eapellanias dos Al- 
poins em Coimbra. D'ani se deriva natu- 
ralmente a influencia que elle empregou 
para que a villa do memoravel Affonso 
Domingues, embaixador de Nossa Senho- 
ra, se prestasse a receber D. Antonio, 
prior do Crato com um affecto igual ao 
das monjas do convento de Jesus. 

Como quer que fosse, aproveito o en- 
sejo de louvar os trabalbos pacientemen- 
te investigadores do snr. Marques Go- 
mes. 

CAMILLO CARTELLO BRANCO. 



OS CEITICOS 



DO 



0-A.lsrOI02srEIIK.O j!LXjEC3-I?,E 



POR 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 
1 volume SOO i^ete 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



199 



^O SIsTi^ò. 'lijlJLJEtO'JLRJnDJ^ 



O snr. Manoel de Almeida Coelho 
Margarida, poeta lusitano, residente no 
Rio de Janeiro, disparon-me urna poesia 
bem arraiijada, no Cruzeiro, (Parece-me 
qua fiz quasi verso. contagio I) 

Elle antepoe ao poema a prosa so- 
guinte 2 

«e 'I?]:*a,<liiepa,o <lo Hamleto 

«A vista de um artigo transeripto na 
Gazeta de Noticias, de 6 do corrente, tra- 
tando da fórma por que foi aqui vendido 
o Hamleto, traduc^ào de Sua Magestade 
D. Luiz I. 

«Eis artigo: 

«Apregoavam os gaiatos subai ternos 
a tradiicgào do Hamleto, fcita por D, Luiz, 
rei dos Uheus, E aquellas gentes varìega- 
das, de bei^os grossos e rubros, olhares 
morti^os do quebranto langoroso da mu- 
lataria, davam casquinadas de riso, 
oompravam o livro com a bo^al presum- 
P9S0 de perceberem, e associa vam-se 
em al egri as biltres à proterva satisfa^ào 
do contrafactor. Vai n'isto tudo uma por- 
caria infame, o cachet de um paiz de 
mercantilagem pelintra » • 

extracto que inspirou snr. Mar- 
garida é do artigo que escrevì a respeito 
da Contrafacgào litteraria. Depois, o poe- 
méto reza assim : 

Illustre e senhor Camillo 
PeQO a Yossa excellencia, 
Que ao meu grosseiro estylo 
Dispense benevolencia. 

Artigo tao offensor 
Centra povo brazileiro, 
Nào é proprio do author 
Do — Alegre Cancioneiro. 

0^ Hamleto, traduc^ào 
Do nesso rei D. Luiz, 
N&o foi apregoado, nào, 
Com esse epitheto que diz. 

Ou algum calumniador 
Deu-lbe essa falsa noticia, 
Ou, em tal caso, o esoriptor 
Mostra total impericia. 



Quem censura està ezpress&o : 
« D. Luiz, rei dos ilheus ? I ... » 
Se tantas ilhas estào 
Sob OS dominios seus ? ! . . . 

Sou portuguez, alde&o. 
Rustico homem do povo ; 
Aqui adoptivo irmào 
Dos filhos do — mundo novo. 

Por isso, ninguem (eu o sei!) 
Por tal fórma apregoou, 
O livro com que o rei 
As letras mimoseou. 

Parece mesmo impossi vel, 
Que o illustre romancista, 
FaQa idèa tao horrivel 
D'um povo que nao avista. 

Como fez S. Thomé, 
Veja primeiro para crér ; 
Como tudo inverso é. 
Do que pensa, venha vèr. 

Ha-do ser bem recebido 
Como sào escrìptos seus ; 
Das mfdatinhas querido 
E adorado, comò nm Deus ! 

Déste, pois, um golpe fundo 
No pessoal brazileiro, 
Qu'é n'este sólo fecundo, 
Em extremo hospitaleiro. 

Como o povo fluminense 
Recebe aqui o estrangeiro, 
Agora dizer pertence 
Ao Luciano Cordeiro. 

N'osta córte é protegida 
A illustrada commissào, 
Que OS brazileiros convida 
A virem è. exposi^ào. 

Fez nascer Moysés, no monte, 
Com* a vara virtuosa, 
Agua crystallina, em fonte. 
Para a gente sequiosa ; 

E quiz Deus n'ella mostrar 
A Clara e lympba — sciencia, 
Onde bebeu a fartar, 
Com outros, vessa excellencia. 



200 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



Mas vossa excollenoia bebeu 
Em tamanha profusào 
Que, orgulhoso, entendeu 
Insultar urna na^ào. 

Rio de Janeiro, 20 do julho de 1879. 

MANOEL DE ALUEIDA COELHO MARGARIDA. 

N'esta poesia, rutilante corno um là- 
tego de estrellas,ha bastantes imita^oes 
dos lambea de Barbier e dos Chatiments 
de Victor Hugo ; mas os pensamentos in- 
flammados acham-se tao bem traduzidos 
que se devem aceitar corno nacionalisa- 
9^0. É assim que as litteraturas se con- 
substanciam, e as fronteiras das ra^as e 
das indoles se derrubam de modo que 
para o talento sejam abolidas as pautas 
das alfandègas internacionaes. A ulti- 
ma copia do snr. Margarida tcm mali- 
cias de Byron e de Musset : 

Mas vossa excellencia beheu 
Em tamanha profusào, 
Que vrgidhoso entendeu 
Insultar urna nagao. 

Que eu bebi com tamanha profusào, 
diz maganào d minha excellencia. 
Quando me dizem chala^as saturadas de 
sai attico, de modo que pare^am de 
Swift ou Rabelais, respeito o genio. Tal 
é està do snr. Margarida; e multo me 
ufano de que ella seja portugueza, de um 
patri ciò, que està no mundo novo. Real- 
mente o seu espìrito nào cabla no mun- 
do velho. Deixe-se ahi estar, porque o 
seu paiz é pequeno. Està sua chala^a da 
bebida profusa, escripta em Portugal, 
creava-lne os inimigos invejosos que 
Aristopbanes grangeou em Athenas e o 
José Daniel em Lisboa. Aqui, snr. Mar- 
garida, quem sente nas arterias da fron- 
te as ferroadas do sangue peninsular, 
depura-o com a salsaparrilha das semsa- 
borias nacionaes, que as temos, comò os 
senhores là tem a caroba para defecar 
o morbus do systema sanguineo. 

Eu, se nào offendo o poeta, desejaya 
defender-me da ipjusta, embora eloquen- 
tissima arguÌ9§,o d'està quadra amarga: 

Pareoe mesmo impossivel, 
Que o illustre romancista, 
Fa^a idèa tao horrivel 
D'um povo que nào a vista. 

N&o posso effectivamente avistar esse 
povo quanto o meu cora^ào anbela ; mas, 
à mingoa de vista, nSo formo d'elle a 
idèa horrivel que o snr. Margarida ima- 
ginou com as suas explosoes de liberda- 
de de poeta em braza, que estoura em 



versos de dynamite. NSLo, senhor. Eu for- 
mo d'esse povo uma idèa boa, quanto è 
possi vel, sem o avistar; e, se achei bur- 
lesco chamarem là ao meu soberano rei 
dos Uheus, foi por me nào occorrer que 

. . . tantas ilhas estào 
sob os dominios seus, 

corno o snr. Margarida èpica e geogra- 
phicamente explica d'um jacto até dous. 
Diz-me que va vèr, 

corno fez o S, TJiomé, 

Pois nào foste ! N'essa è que eu nào 
càio, excellentissimo senhor, a menos que 
meu patricio me nào prometta adorme- 
cer com a sua lyra de David esses selva- 
gens, o Barreiros, o Filho, e o Phasio 
Junior 1, aos quaes o meu amigo se di- 
gnarà mandar pentear macacos (é um 
servilo feito em familìa, entre parentes). 
Se, porèm, me garantir das marradas 
dos capoeiras, irei explicar aos braziloi- 
ros sensatos que eu nào Ihes offendo a 
sua phil ancia lìtteraria em quanto nào 
detrahir escriptores comò os Fran- 
Klins, Carlos Montoro, Gon 
^alTes Dia», Macedo, IVorber' 
to, Velho da Silwa, Maclia- 
do de Asili»* Felitpaeiras, Pio- 
to de Cam POS, And rade, flen- 
riqaes I^eal, Pereira da Éiil- 
Ta, «ianqaeira Freire, Alira- 
res d*AzeTedo e tautissimos outros 
iniciadores de uma litteratura que seria 
Hercules no ber^o, se nào fosse jà enve- 
Ihecida de Portugal. 

Mas em quanto o snr. Margarida me 
nào cauciona a inviolabilidade dos meus 
dentes n'essa terra onde ha romances e 
tragedias de «Tira-Dentes», sirva-se o 
arrojado poeta por em verso realista es- 
tas minhas idèas, e communical-as a es- 
ses borrachoes. 

De resto, lamento que o snr. Margarida 
seja sexo feminino sómente no appellido. 
Se o fosse em teda a sua pessoa, eu pe- 
dina ao diabo que me rejuvenecesse pa- 
ra ter o gaudio de ser o Fausto de uma 
Margarida tao poeticamente organisada. 

CAMILLO CASTELLO BRANCO, 



1 Este Phasio é um tal Lulz Antonio da Silva 
Nevca que se espoja no folhetim do Progreasùta, n.° 
55, exn um longo aranzel garoto que trescala a 
gaiato de baixissima ralé brazileira. Todo o folhe- 
tim é um borbotào de asneiras na aprecia^So hostil 
do Hamlet, versSo do Snr. D. Luiz i ; os chascos sSo 
perfeitamente marujos. O imperio, em letras de 
condisse reles, é um alfobre de tunantes a pedirom 
a vergasta que Ihes retalhava as espàdoas ^jos avós. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



201 



A PROPOSITO 



DOS 



J 



RITICOS DO CANCIONEIRO ALE&RE 



Publicamos hoje em folhetìm dous ex- 
cerptos do lO.^ fasciculo da Bibliographia 
portu(^ueza e estrangeira, publìca^ào men- 
sal do benemerito editor portuense Er- 
nesto Chardron. 

Subscreve esses excerptos o nome lau- 
reado do nosso primoroso escriptoro snr. 
Camillo Castello Branco, e é multo para 
ver a resposta formidavel que n'elles se 
encerra e que vai bater em cheio na pe- 
danteria de dous escripores brazileiros 
que ninguem conhece^mas que se julgam 
com for^as para atacar o vulto gigantes- 
co do illustre litterato que ahi nos estd 
assembrando todos os dìas com a pigan- 
^a de seu esplendido talento. 

Nào nos admiram os lampejos do justa 
indignaQào que, a espa^os, rosai tam da 
brilnante resposta do sor. Camillo. 

Ha provoca^oes a que se nào resiste. 
Quando um homem quo se ennobrece com 
tao valiosos titulos, um trabalhador infa- 
tigavel, que occupa uma posicjào proemi- 
nente na litteratura do seu paiz, alcan- 
^ada à custa do estudo mais perseveran- 
te, da ininterrupta applica^ào de largos 
annos, e d'um talento sempre malleavel 
e prodigioso, quando um eseri ptor assim 
se ve atacado poi* uma nuvem de littera- 
ti^os preteaciosos, póde rir-se por muito 
tempo do vozear asnatico da matula, mas 
sente por fim o impeto irresi s ti vel de Ihes 
estatelar a vaidade no lameiro, de os er- 
guer comò titeres grotescos, apontando-os 
às gargalhadas inextinguiveis de todas as 
pessoas de bom senso. 

E o que o nosso grande romancista es- 
tà fazendo. 

Ri-se com elles a principio, criva-os 
de epigrammas scintillantes, fal-os dan- 
nar na corda bamba comò cynocephalos 
amestrados, enterra-lhes até às orelhas 
a cabelleira multicor dos histrioes, obri- 
ga-os a deitarem a lingua de fora e a sa- 
patearem ridiculamente no tablado, mas 



a paciencia esgota-se a breve trecbo, e 
um repellào applicado por mào de' mos- 
tre vem derrubar para sempre a turba 
multa funambulesca na valla do perpe- 
tuo esquecimento. 

Um d'esses criticos brazileiros a quem 
Camillo inutìlisa com uma charge admi- 
ravel, responde-lhe, entro um som nume- 
ro de enormes parvoi^adas, que o ha-de 
deslombar com uma boa bengala de Pe- 
tropolis ! 

É a ìncuravel mania dostaessujeitos. 
Jà em tempo o mesmo critico, ou outro 
qualquer da sua estofa, entendeu que de- 
via replicar a um artigo das Farpas, 
amea9audo Kamalho Ortigào com uma 
grande sova de cipó ! 

Felizmente que a farinha de mandioca 
nào dà alentos a estes scderados para 
realisarem os seus propositos ruins, alias 
teriamos hoje todos os nossos prìmeiros 
homens de letraa descadeirados com pan- 
cada. 

Outro critico diz a Camillo que tem 
pena d'elle porque està velho e està ca- 
chetico, comò se isto, a ser verdade, nào 
redundasse em maior gloria do grande 
mostre, que, apesar de senil e enfermo, 
comò elles o acham, tem ainda o vigor 
preciso para ir espostejando a cada ins- 
tante quanto malandrim enfatuado Iho 
vai sahindo, atrevidamente, ao seu ca- 
minho. 

Provoquem-n'o e aguardem de pois a 
justa pena. Apesar dos sous grandes tra- 
balhos,dos seus prodìgios deimaginagào 
e de estylo, Camillo Castello Branco dis- 
poe ainda de alguns curtissimos instan- 
tes para afogar à nascen^a a vaidade es- 
tulta dos seus desafdrtunados adversa- 



rios. 



SILVA CAM POS. 



(Da Aurora do Lima). 



202 



LiBUOORAPHIA PORTUQUEZA E BSTRÀNOEIRA 



EUSEBIO MACARIO 



E affirmam os valentes adeptos da 
Idèa Nova, que o velho romanoista està 
gasto, que a època nào corre de fei^ào 
para o talento^robuBto, que ha-de morrer, 
legando aos seus concidadàos fructos de 
saeonado e pacieDtissimo estudo, e modé- 
los do admiravel realismo e soberba e 
tersa lìn^uagem! Se o desventurado 
nunca soube o que eram suspiros brancos, 
amardlos e azues! 

Um dia sahiu a lume o Crime do Pa- 
dre Amaro, e poueo depois surgiu tam- 
bem o Primo Bazilio, — um sigeìto cheio 
de escrofulas e de vicios. A Idèa Nova 
bateu as palmas, os admìradores de Zola 
soltaram gritos de enthusiasmo, pois que 
na phraseolo^a e nos processos de E^a 
de Queiroz viam a incarnaQ^o vivida e 
palpitante do pipante escriptor francez. 

Escrever o Primo BazUio com seme- 
Ihante adjectiva^ao, em lìnguagem tao 
pitoresca, tao recamada de extravagan- 
tes imagens ; dar ao dialogo e ao descri- 
ptivo aquelles tics deshonestos e crus, 
era, na opiniào de um publìco afeito a lei- 
turas sulphydricas, tocar com o dcdo nas 
fimbrias do ideal da arte moderna; era 
vencer difficuldades espantosas; era fi- 
nalmente operar verdadeiros prodigios, 
que o author das Novellai do Minho nem 
sequer poderia conceber. 

Camillo ouviu o disparate e sorriu. A 
sombra dos castanheiros de S. Miguel 
de Seide, onde medita a enfermidade que 
o atormenta, resolveu Camillo provar aos 
rapazes que, a rir e a brincar, era mul- 
to capaz do impingir-lhes romance à E^a, 
de um realismo cru, com a vantagem de 
ser escripto em linguagem mais vernacu- 
la, mais portugueza. Em poucos dias es- 
creveu SluBebio M;a,ea,i*io ; e de 
tal modo se houve no colorido das ima- 
gens, na construc9ào dos periodos, no 
bombastico dos adjectìvos, na exposicào 
do dialogo, que o leitor illustrado cne- 
gou a suppòr que tinha ante si uma nova 
produc^ào do E^a de Queiroz ; mais cor- 
recta, porém, mais brilhante e mais sen- 
sata. 

E necessario ter-se muitissimo talen- 
to, poderosissimos recursos de cstylo, se- 
rio e profundo conhecimento da lingua 
para se escrever aquillo. Caracteres es- 



plendida e perfeitamente desenhados, 
descrip^oes cbeias de luz, de relevo, de 
Vida, de verdade, eis £2iisel3Ìo MCa- 
cario — o guante feito de gargalhadas 
e ironìas que o velbo romanci sta arremes- 
sou aos pés dos adversarios. 

E, todavia, cumpre confessal-o, nào 
nos surprehendeu o lEluseliio. O rea- 
lismo, que taes pa^nas irradiam, é jà 
multo nosso conbecido, O viver minboto 
e o elemento brazileiro tao nitida e gro- 
tescamente pbotograpbados no [Eluse- 
l3Ìo, encontra-os o leitor desenbadoa com 
a mesma perfei^ào em muitos rdmances 
de Camillo e mormente em diversas pa- 
ginas das Novellas do Minho, È que Ca- 
millo foi sempre — e a posteridade farà 
essa justi^a, quando lér o mestre — um 
dos nossos, primeiros o mais poderosos 
realistas. A sua faculdade observadora 
nada passa despercebido. que ve, o que 
ouve, offerece-nol-o elle depois escripto 
com tanta verdade, com tanta arte, que 
nào sabemos de pintor de pulso que me- 
Ihor o reproduza. 

Quiz Camillo ridicularisar a nova es- 
cóla portugueza, que foi beber os seus pro- 
cessos scientificos à fonte dos dous gran- 
des atbletaa — Zola e Flaubert, e con- 
seguiu-o, com uma differenza apenas : os 
rapazes dào-nos linguagem bunda ou cou- 
sa pouco melhor; Camillo offerece-nos 
portuguez do lei e tjpos verdadeiramen- 
te nossos, nào recortadoa nos fìgurinos 
parisienses. Os outros dào-nos estylo ar- 
rebicado e petulante : ao de Camillo, quei- 
ra embora trabir a idèa estimulante do. 
author, reveste-o linguagem opulenta e 
exuberante. Os ultra-realittas collocar am 
entro os seus adjectìvos calouros o busto 
do pedantismo — d'entro as paginas 
admiravcis do Eluse'bio ri perdida- 
mente o genio do Cervantes. 

M090 ainda saudamos o mestre, e pe- 
diremos a Deus que nol-o conserve por 
muitos e longos annos para flagello dos 
Filhos e dos Barreiros, que medram a 
sua beatilidade charra e cas murra à som- 
bra dos cajueiros, mastigando arazàs e be- 
bendo copos de cacha^a. 



CUNHA VIANNA. 



(Do Amigo do Povo). 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



203 



O £2usel>io Mla.ea.vi09 histo- 
ria naturai e social diurna familia no tem^ 
pò do8 CabraeSf veio apregoado corno um 
golpe do misericordia uà cscóla realista, 
Eavendo cora^oes romanticos que passa- 
ram a Camillo Castello Branco diploma 
de Cervantes para o effeito dos golpes 
quixotescos que elle houvesso por bem 
de vibrar em cima dos iconoclastas dos 
velhos deuses do 1830. Ora Camillo Cas- 
tello Branco é urna natureza impressiona- 
vel e apaixonada de mais para usar pa- 
cientemento dos processos criticos do quo 
se costumam servir os demolidores. E as- 
sira, vémol-o, do quando em quando, no 
!E2usel>io !M!aea.i*io, apaixonar-so 
pela nova maneira litteraria, identificar- 
se com ella, assimilal-a nas suas podero- 
sissimas qualidades de esty lista e concor- 
rer, Sem pensar em tal, le vado na cor- 
rente impetuosa da sua phautasia arre- 
batada, «para o triumpho ridente da nova 
cavallaria litteraria. 

mesmo que aconteceria a Cervan- 
tes, se elle nao tivesse o cuidado de con- 
servar cavalleiro de la Mancha n'aquel- 
le justo meio moral que fica tao distante 
de Sancho comò de Cìd. 

E certo que, uma voz por outra, Ca- 
millo Castello Branco pratica consciente- 
mente o realismo, de fito feito e caso mui 
pensado, assignalando-se distincta'mente 
as passagens em que é movido por seme- 
Ihante preoccupa^ào. Mas d'ahi a pouco 
esquece-se do papel que se propunha re- 
presentar, e é manifestamente trabido 
por aquella linguagem viril e sòlida em 
que palpitam e vivem todos os elementos 
que oito seculos de labora^ào litteraria 
podem assimilar na palavra d'um povo. 
Tem pitoresco nacional e exclusi- 
vo, e nào o pitoresco cosmopolita e ca- 
nalba que se adquìre pelo commercio des- 
bragado com tudb quanto o mundo pro- 
duz de mau e de bom, e que é certamen- 
te a primeira phase da evolu^ào em vir- 
tude da qual um dia — d'aqui a doze ou 
quinze seculos — se ba-de constituir a lin- 
guagem em que hào-de ser escriptas to- 
das as portarias e lavrados todos os ro- 
mances. 

En tre tanto, comò obra de bom hu- 
mour e de gra^a, nada mais completo! 
f^uselbio Macai'io chega a ser 
uma obra de desesperol Com prebende-se 
perfeitamente comò qualquer dos ama- 
veis inimigos de Camillo Castello Bran- 
co póde pegar no 3Eii«ol>io IMEa- 
cai*io9 possuido de raiva, lendo, livi- 
do de colera, a dedicatoria ao sur. Fer- 
naudes Costa, e espumaute, contorcendo- 



se em ancias do possesso, morrer A& gar- 
galbadas sobre o discurso que Eusebio, 
cavalleiro de Cbristo, pronuncia no jan- 
tar dos noivos ! 

Na arte, por fim de contas, a questào 
nào é tanto d'escóla comò de talento. Ha 
um ponto culminante em que os artistas 
podcrosos so encontram, ba vendo por 
esemplo multo menos differenza entro 
Dumas e Zola, que partem de extremos 
oppostos, do que entro Cbatcaubriand e 
a sur. a Canuto que pertenccm ambos a 
mesma escóla mystica. 

Podemos, uma vez por outra, contes- 
tar as opinioes criticas de Camillo Cas- 
tello Branco. Deixar de admirar as suas 
poderosas faculdades, so é dado fazel-o 
em duas circumstancias — quando se é 
teitnoso ou quando se ó tolo. 



QUILHEBME D AZEVEDO. 



(Do Occidente). 



Subdivide-se o livro que temos pre- 
sente, uma das multiplices manifesta^oes 
de tao peregrino talento , em duas partes 
distinctas, comò do seu titulo se depre- 
hende. Na H!ife$toi*ia. desenbam-se em 
breve escorio, com temperanza de phra- 
se, as biograpbias dos principaes vultos 
que ajudaram a perder a causa de D. 
Antonio, prior do Crato, o pretensor à 
corda do reino que mais a disputou à cu- 
bica de Filippo li, por morte do cardeal- 
rei. É que, se à volta do noto de D. Ma- 
noel houve coraQoes devéras devotados, a 
bistoria nao nos deixa acreditar, na phra- 
se do biographo, que estivesse alli um 
homem sensato. 

D. Francisco de Portugal, descenden- 
te do condestavel Nuno Alvares, um dos 
personagens que figuram mais distincta- 
mente na resistencia ao estrangeiro, era, 
segundo define Camillo Castello Bran- 
co, «um vapaz cbeio de quimeras, levian- 
dades, altos conceitos da sua pessoa, e 
valentia, umas vezes prudente comò em 
Alca^ar e Alcantara, e a final cega e de- 
cisiva, comò na batalba naval dos A90- 
res » . 

Outros tempos, outras idéas. Os deus 
condesta veis, oste e avo, com o prior do 
Crato e o mostre d'Aviz, symbolisavam 
duas épocas. la longe a fé intemerata do 
de Aljubarrota, revendo-sc no seu mon- 
tante com a iuteu^ào que Ihe attribue 
Ciunòes : 



204 



BIBLIOGEIAPHIA PORTUGUKZA E ESTRANGEIRA 



£u só com meuB yassallos e com està 
(E dìzendo iato arranca meia espada) 
befenderei da for^a dura e infesta 
A terra nunca d'outrem subjugada. 

«Póde ser que D. Francisco — com- 
menta o primoroso escriptor — b,o por a 
mào na espada, se lembrasse do santo 
condesta vel, segando Camoes. Os herois- 
mos do secalo xvii eram d'um postico ro- 
mano e imitativo que nào se sustenta- 
ya nos lances apertados. As duras e as- 
peras originalidados da idade mèdia só 
tinham d'arte e polidez a que os aifage- 
mes davam ao a^o das boas laminas de 
Toledo » . 

livro, n'esta parte, nào tem pre- 
tensoes a modélo de processo historico. 
É um comò assentar de mào para o livro 
que o author intenta escrever àcerca do 
filho do infante D. Luiz e seus descen- 
dentes. 

A outra parte do livro, a sentimen- 
tal, subordinada ao sub-tìtulo de 'Etjl- 
^el^io ^Macario, opina o proprio 
author que póde ser ama enorme impos- 
tura. E em verdade por mais que a gen- 
te prema bem premidas as glandulas la- 
crimaes, o que rebenta, e com frequen- 
cia, é a franca hilaridade. 

Camillo Castello Branco, a vesso a 
modernices injustificadas, tomou à sua 
conta ser o D. Quixote d'està Dulci- 
nèa do realismo, que se apresenta sem 
ceremonia a mais das vezes na socieda- 
de, em habitos menores e fazendo gala 
de pouco limpa. Deu com o seu homem. 
A extrema flexibilidade de que é susce- 
ptivel este grande artista da palavra, 
apanhou os tics da escóla em paginas 
inexcediveis de galhofa trocista. E con- 
tinuou. 

Importa comtudo fazer aqui uma re- 
salva. Està HiBtona iia.i:itx*a.l 
e ^oeial de urna flamilia no 
tempo <ios Oalbi'aeSj apesar 
de cotada e fresca, nào se arrogala a 
ponto de fazer córar de pejo um porta- 
machado, comò seria de rigor n'uma 
compo8Ì9ào estreme do genero. A narra- 
9ào, descrip^ào e o dialogo, absteom-se, 
ou por amor à moral publica, ou por di- 
gnidade de quem escreve e de quem le, 
de dar a sensa^ào morua e palpitante dos 
factos, que ainda toem a precau^ào de 
esconder-se. 

So o insigne escriptor perdeu ou ga- 
nhou a aposta que diz, nào somos cha- 
mados a julgal-o. Parece-nos entretanto 
que o seu 3Eii»el>io HMCacai'io é 
d'um realismo sufficientemente lingua 



de trapos. Que nào seria, se dissesse 
tado ! 

(Do PHmdro dt Janeiro). 



snr. Ernesto Chardron, do Porto, 
é por certo o editor mais activo de Por- 
tugal. É rara a semana que a sua casa 
nào annuncia novos livros por ella edita- 
dos, presidìndo boa escolha às obras que 
aceita e imprìmindo-as com esmero. Além 
d'isso publica umas cadernetas cheias de 
interesse a respeito de bibliographia por- 
tugueza e estrangeira, redigidas pelo in- 
signe romancista o snr. Camillo Castello 
Branco. 

É d'este notabilissimo escriptor um 
dos ultimos livros sahidos das officinas 
typographicas do snr. Ernesto Chardron, 
o qual se intitula XUstoiria e Sen- 
timentalismo. Tem o elegante 
volume 300 paginas, em 8.o, comtypo ex- 
celiente. Divide-se em duas partes, con- 
forme o titulo : a primeira occupa-se das 
biographias de algumas notabilidades 
historicas da parcialidade do famoso 
D. Antonio, prior do Crato, e de refu- 
tar a lenda de Roberto Machin ; a so- 
gunda é a demonstra^ào evidente de co- 
mò o snr. Camillo Castello Branco tam- 
bem é capaz, e multo, de escrever ro- 
mances no tom realista, de que, talvez, 
haja excesso de abuso em certa escóla 
mbdema. 

espirituoso author apostou comsigo 
em corno havia de desbancar o realismo 
portuguez jà conhecido. Ganhou a apos- 
ta, e o caso é que nos fez rir a bandei- 
ras despregadas com o seu Senti- 
mentalismo. 

Na parte historica, apoiado em autho- 
ridades incontestaveis, restabelece a ver- 
dade, adulterada por varìos historiado- 
res, e tira mais de urna illusào a ufana- 
dos com a sua antiquissima pureza de 
sangue ; na parte romantica photographa 
o melhor da escóla realista. 

Um boticario d'aldéa, Eusebio Ma- 
cario e seus filhos, um abbade, a ama 
d'este, um irmào da ama enriquecìdo 
em Vassouras, commendador primeira- 
mente e depois barào do Itaba9al, varios 
amigos do ennobrecido e respectivas es- 
posas, consti tuem uma santa sociedade, 
conservando cada um o seu caracter, 
perfeitamente sustentado de principio a 
firn, e dando occasiào a episodios cheios 
de verdade, relatados sem excesso de 
escrupulos de linguagem, a realista mo- 
derna. 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



205 



O Sentimentalismo do snr. 
Camillo Castello Branco era esperado, 
com anciedade, por todos os amadores 
das boas letras, e principalmente pelos 
admiradores do fino espirito critico do 
author. Ligado o Sentimentalis- 
mo À X]lstoi:*ia., e vindo depois 
duella, parece-nos podermos assegurar, 
Bem perìgo de erro, que toda a gente ha- 
verà oomeQado a leitura do volume a 
paginas 157. Com raz&o. Nós assim o fi- 
zemos. 

Felicitamos o snr. Camillo Castello 
Branco por mais està prova do sou ele- 
yado talento e da sua boa critica, e o 
editor pelo grande exito que tem tido a 
obra. 

(Da CorreapoTidmcia de Portugal), 



cundo escriptor nS.o te ve necessidade de 
nos pintar scenas de bordel. 

Ainda bem — por amor da morali- 
dade! 



Fez exame do primeìro anno da es- 
cala realista, o snr. Camillo Castello 
Branco, ficando pienamente approvado. 

Sluseliio M!a.ea,i:*io foi o pon- 
to tirado à sorte pelo inimitavel roman- 
cista d'entro a grande variedade de 
pontos que a modernissima escóla Ihe of- 
ferecia. 

Nào podia ser mais brilhante o exa- 
me! 

£2iisel>io M!a.ea,irio é um ro- 
mance portuguez, comò portuguez é tam- 
bem, dos pés até à cabega, o personagem 
cujo nome serve de titulo ao livro. 

Estylo, entrecho, e analyse dos ty- 
pos — é tudo realista — tudo. 

Lér o £2usel>io IIMCa,ea,i*io é 
vèr reflectirem-se no a^o polido de um 
espelho riquissimo algumas d*essas fi- 
guras grotescas que às vezes nos sur- 
prehendem e nos divertem em meio da 
boa sociedade portugueza. 

Nào Ibe escapou nada! Apanhou-as 
em todos os seus gestos, em todos os 
seus movimentos, nas suas mais insi- 
gnificantes manifesta^oes com urna rigo- 
rosa exactidào, com uma fidelìdade pas- 
mosa. 

brazileiro, José Fistula e o abbade, 
sào typos completos, acabados. Camillo 
Castello Branco desereve por um pro- 
cesso novo OS seus typos velhos, porquo 
de ha multo que em Portugal se uào co- 
tthcoe escriptor mais escrupuloso de ver- 
dade, mais fino de observa^ào nas suas 
novellas. 

Ha aìnda uma particularidade a no- 
tar: 

Para fazer um romance realista o fe- 



si d'albbroabia. 



(Do Sorvete). 



Consoante o indica o titulo, consta 
oste livro de duas partes perfeitamente 
distinctas, cada uma das quaes pode- 
ria e deveria talvez constituir um volu- 
me separadamente da outra. 

« A parte historica, diz o author, re- 
lativa a personagens da parcialidade de 
D. Antonio, prior do Crato, é apenas 
um bosquejo de biographias estudadas 
com o fìm de me ir familiarisando com 
OS individuos mais notaveis do partido 
do pretensor, a quem faltava legitimida- 
de e dignidade para rei em època tao 
pei'igosa e mingoada de amor patrio, de 
for^a e de virtudes. As outras pe^as bis- 
toricas incluidas no volume sào ainda 
menos pretenciosas e nào visam a formar 
nem a firmar opìniào alguma sobre cou- 
sas nem peasoas. que o author preten- 
de é que se leiam sem ambi^oes do 
aprender, nem tregeitos de enfado. Des- 
vanecimentos de ensinar sào direitos ad- 
quiridos ao fastio». 

Isto o que o author diz com rara mo- 
destia ; certo é que n'estes estudos se 
contém grande còpia de indaga^oes e af- 
firma^oes filhas de arduos e aturados la- 
bores em assumptos que o primoroso ta- 
lento de Camillo Castello Branco con- 
segue tornar de aridos em amenos e 
apraziveis ainda aos mais refractarios a 
leituras alias de tamauho tomo e cir- 
cumspec9ào. 

As minuciosas e abundantes noticias 
dcerca'de Duarte de Castro, de Manoel 
da Silva Coutioho e de D. Francisco de 
Portugal, todos tresde tragico firn, deno- 
tam um acrisolado estudo d'aquelle in- 
fausto periodo da nossa historia e o mili- 
to que ha a esperar do futuro — D. An- 
tonio, prior do Crato e seus descenden- 
tes, que o grande escriptor tenciona dar 
mais tarde à estampa. 

A parte historica contém ainda A ten- 
da do Machin — controversia suscitada 
entro o illustre romaucista e o snr. Pi- 
nheiro Chagas — a proposito da versào 
da monographia The life of prince Hen- 
ry of Po^rtugcdj etc. É interessantissima 
comò trabaiho de averigua^ào e um ver- 



206 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



dadeiro modélo de polemica leal e cor- 
tez, cousa jà agora rara n*estes tempos 
em que um hoinem nào pódo pegar na 
penna sem grande risco de ter de largar 
a penna para empanhar um marmeleiro. 

Todavia nlU) e a està parte que o fe- 
cundo esoriptor tem do attribuir o ex- 
traordinario exito d'oste livro cuja ap- 
pari^&o, esperada com ancìedade foi aco- 
Ihida com sobresalto entro Guelfos e Gi- 
belinos. 

Victor Hugo apostou aoa quinzo an- 
nos que seria capaz de escrever um ro- 
mance em quinze dias ; escreveu o Burg 
Jargal. 

Camillo Castello Branco annuncia- 
nos, cmbora em annos avan^ados, um mi- 
lagre nào somenos, e realisa-o. 

milagre tem por titulo : — Eu- 
»el>io Miacarto — !Histoi:*ia. 
iia,tu.i*al e tsoeia,! d'urna, fla- 
milia. no tempo dois Oa- 
l>]:*aes. 

« Nota preambular. 

«Pede-se à critica de escada abaixo 
o favor de n&o decidir jà que o autbor 
plagiou Emilio Zola. 3BiiBel>io !M!a- 
oai*io nào é Rougon Macqimrt ; nem 
Urna fVunilia no tempo <ios 
Oal>iraes é une famille sous le second 
empire, Sim, elles, os Cabraes, nào sao 
perfeitamente o eegundo imperio, 

« DEDICATORIA 

« Minha querida amiga, 

« Perguntaste-me se um velho escri- 
ptor de antigas novollas poderia escre- 
ver, segundo os proeessos novos, um ro- 
mance com todos OS tics do estylo realis- 
ta. Bespondi temerariamente que sim, e 
tu apostaste que nào. Venho depositar no 
te II rega90 o romance, e na tua mào o 
beijo da aposta que perdi » . 

Nào perdeu. 

Haja vista a advertencia que nào po- 
demos resistir ao desejo do antepór às 
nossas considera^òes. 

« A. liistoi:*ia naturai e 
soeial <l*uma fUmilia no 
tempo <lo<s Oal>i:"ae» dà folego 
para dezesete volumes compactos, bons, 
de uma profunda comprehensào da so- 
ciedade decadente. Os capitulos inclusos 
n'este volume sào preludios, uma sym- 
pbonia offenbachiaua, a gaita e birimbau, 
da abcrtura de um grande charivarl de 
trompoes fortes bramindo pelas suas 
guelas concavas, metallicas. Os proees- 
sos do author sao, jà se ve, os scientifi- 



cos, estudo do8 melos, a orienta^ào das 
idéas pela fatalidade geographica, as in- 
coerciveis leis pbysiologicas e climateri- 
cas do temperamento e da temperatura, 
o despotismo do sangue, a tyranuia dos 
nervos, a questào das ra^as, a etholo- 
già, a hereditariedade inconsciente dos 
ale\joes de familia, tudo, o diabo ! 

«0 author trabalha desde antes de 
hontem no encadeamento logico e ideolo- 
gico dos dezesete tomos da sua obra de 
recon3truc9ào, e jà tem promptos dez vo- 
lumes para a publicidade. Mas é necessa- 
rio a qucm reedifica a sociedade saber 
primeiro se ella quer sor desabada a pon- 
tapés de estylo para depoi^ sor reedifi- 
cada com adjectivos pomposos e adver- 
bios rutilantes. Para isso o primeiro 
avan9o é pòl-a nua, escrutar-lhe as le- 
pras, esvurmar as bostellas que cicatriza- 
ram em falso, excorial-as, multo cauterio 
de phrases em braza. É o que sé faz nas 
folhas preliminares d^esta obra violenta, 
do combate, destinada a entrar pelos co- 
ra^oes dentro e a sahir pelas mercearias 
fora » . 

Nem uma nem outra cousa. 

romancista portuguez nào des- 
prezou nenhum dos proeessos dos sequa- 
zes de Zola, e, apesar de neophyto, é 
formoso confessar que deìtou a barra 
adiante dos escriptores que entro nós tem 
seguido a piugada do author da Thereza 
Raquin e da Curie, de que por ahi corre 
com o nesso nome uma versào mas- 
cava. 

Nào morremos de amores pela moder- 
na scita realista de E. Zola e ainda me- 
nos pelos seus imitadores em Portugal, 
no numero dos quaes se contam robustos 
talentos, mas cujos proeessos se nos afi- 
guram tao falsos comò os dos rhetoricos 
e romanticos que esses senhores acrimo- 
niosamente invectivam, 

Nào coraprebendemos bem o exclusi- 
vismo litterario, nem podemos admittir 
de boa sombra a supremacia de uma escó- 
la que a subitas pretende arvorar-se em 
dictadura restriugindo a concep9ào à re- 
produc9ào dos quadros e das paixoes mais 
aviltantes, descompondo a Unguagem em 
esgares e cabriolas truanescas, torcendo 
a logica e naturai deriva^ào ao discurso, 
alardeando estrangeirismos, procurando 
surprehender com imagens e figuras nào 
raro incongruentcs e disparatadas, en- 
chendo o melhor das suas paginas com 
descrip^oes fastidiosas, e compactas e 
massudas comò annuncios de leiloes de 
bric à brac ou menus de banquetes à fran- 
ceza, exclusivamente preoccupada com as 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



207 



torpezas mais hediondas, nS.o nos deixan- 
do vèr urna so nesga de céo azul nos 
pàramos escuros a que nos arrasta, corno 
80 a sociedade so fosse composta de de- 
vassos corno o padre Mouret e o padre 
Amaro, corno Arìstides Saccard e o pri- 
mo Bazilio. 

A inanidade de tudo isso, a relativa 
facilidade com que se obtem o realismo, 
nào realismo de Balzac, mas este a que 
especialmente nos referimos, — provou-a 
que farte o nosso querido mastre e ami- 
go : — Persooagens, uma càfila de pu- 
Ihas, de mulherea de saias engomadas que 
rugem, esfervUham, de penteados altos, 
untados, com muita caspa e fitas azuea, ar^ 
Tastando chinelos de ligasy com os calca' 
nhares de fora a esbei^arem, com davi- 
culas esqueleticas mordidas das herpes e 
dos vampiros das noites vinolentas, cheias 
de delirios devassos e indigestòes de iscas 
de cebolada ; 

Filhos prodigos e libertinos que voU 
tam para os paes com grande humildade 
famtnta, de lazaros mcUtrapUhos, com as 
camisas roidas de immuridicie e a cara 
chupada de deboches e bebedeiras ; 

Um abbade, patusco, com chalaga, 
egresso dominico, multo gasto e poido dos 
attritos sensuaeSy comido de vicios, com os 
fluidos nervosos degenerados e as articu' 
lagdespèrras de rheumatismo e outros aia- 
qvss contingentes de sangue depauperado. 
— Este, às vezeSf iTtflammavam-sC'lhe os 
olhos, tinha purgagdes purulentas, susten- 
tadas pelo uso da genebra e humores vi- 
ciados de velhas contaminaqòes. 

«Tratava-o uma criada. Mas a criada 
era uma sóstra, nào sabia fazer caldo de 
franga, deitava-lhe azeite, ecomia meta- 
de, lavando pouco as tripas da ave. Elle 
atirava-lhe com a malga cheia d'aquella 
agua gordurosa, chamando-lhe borracho- 
na, porca e estUpor maligno. Ninguem 
querìa servir » . 

Et ccetera. 

Mas a par d'estes tics demasiadamcn- 
te realistas, que esplendidas e magestosas 
descripQoes, que primores de fina lin- 
guagem portugueza nS.o deabaratou o nos- 



so dileoto escriptor pelas paginas d^esta 
obra deleteria ? 

Ora vejam : 

« arrebol da tarde frapjava de pur- 
pura as agulbas da montanha ; espinha- 
908 dos ultimos horisontes de serra re* 
cortavam-se comò sentinellas nocturnas 
de um baluarte de cyclopes; espigoes 
enormes pareciam bra^os nirtos dos le- 
gendarios titans a escalarem o olympo ; 
fìlas cerradas de pinbeiros là em cima 
nas cumiadas lembravam esquadrues de 
gigantes, pasmados, a olharem para nós, 
burlescos pygmeus, que andamos c& em 
baixo a esiervilhar comò bichinhos revol- 
tos nas enormes podridoes do pianeta. 
Elle olbava para tudo aquillo com cara 
d^asno, nào percebia mythos, nem ideaes, 
e pensava na céa. Raparigas desciam das 
encostas bervecidas com rebanhos a des- 
sedentarem-se nos ribeiros ; cabritos al- 
candoravam-se em rocbedos com balidos 
crebros e gymnasticas elegantes *, bois 
escornavam-se com pancadas sonoras de 
uma dureza cava. E Justino, o estud an- 
te, saltava dos vallados sombrios à laia 
de satyro, comò tigre f aminto do pàlmar, 
e enviava-se fremente às pastoras, dan- 
do-lbes abra^os bestìaes, berculeos, e 
ferradellas cupidineas, dissolventes, nos 
cachaQos sensuaes pennugentos. 

« Elias casquinavam risadas innocen- 
tes, fugiam, deixavam-se agarrar, bota- 
vam-se a elle, às tres e às qaatro, deita- 
vam-no ao ch&o, cabiam de embrulbo, e 
espojavam-se todos, qual por baixo qual 
por cima, escouceando-se, com uma can- 
dura bucolica digna de Bodrigues Xiobo 
e de muito chicote». 

Sào estas e outras nào poucas paginas 
de igual jacz que justificam o grande 
exito do livro em que o nosso querido 
mostre e amigo affirmou mais uma vez as 
soberbias do seu talento e o raro poder 
de assimilar com incontestavel vantagem 
senào a concep^ào pelo menos a fórma 
do realismo moderno. 



FEDRO DOS BKIS. 



(Do Diario Ulustrado). 



JOSÉ MXGTJEL I>'A.BREXJ 



COIVIPENDIO DE DESENHO LINEAR ELEMENTAR 

1 volume y 600 rels 



208 



BIBLIOGRAPfllA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



M- PmHEIRO CHAGAS 



HISTORIA 




PORTUGAL 



NOS SBCULOS XVIII E XIX 



1707 a 1853 

Reinados de D. Joao V, 

D. José I, D. Maria I, D. Joao VI, 

D. Fedro IV e D. Maria II 



Extracto dJalguns factos narrados ridesta ohra 



A córte de D. Joao v. A familia. Os mi- 
nistros. Caracter e vida intima do so- 
berano. 

Actos de fanatica e pueril devo9ào d'el- 
rei D. Joao v. Edifica^òes sagradas e 
profanas. Letras, scìencias e artes. 

Liberalidades de D. Joao v. Luxo e 
pompa da sua córte, Os rendimentos 
das minas. Estado da fazenda pablica. 
Sitaa^ào economica do reino durante 
o seu governo. Agricultura, commer- 
cio, industria e legisla^ào. 

Reinado de D. José. Entrada no poder 
de Sebastiào José de Carvaiho e Mel- 
lo. Incendio do hospital de Todos os 
Santos. Principio da omnipotencia do 
novo ministro. Exporta^ào da moeda. 
Liberdade dos indios. Companhia do 
Grào-Parà e Maranhào. Monopolio do 
commercio da India e China. 

Terramoto de Lisboa. 

Reconstruc^ào da cidade. 

Governo despotico de Sebastiào José de 
Carvaiho. Demissào e deporta9ào de 
Diogo de Mondon^a Córte-Real. 

Conspira^ào dos Tavoras. duque 
d'Aveiro. Attcntado centra a vida 
d'el-rei D. José. Longa dìssimula9ào 
de Sebastiào de Carvaiho. Prìsào e pro- 
cesso dos accusados. Execu^ào dos fi- 
dai gos e dos seus campii ces. 

Expulsào dos jesuitas. A Companhia de 
Jesus em Portugal. As missoes e a 
guerra do Paraguay. Negocia^oes do 



conde d'Oeiras com a córte de Roma. 
Breve de Benedicto xiv. Confisco dos 
bens dos jesuitas. Sào postos fora do 
reino e das suas possessoes todos os 
membros d'està Ordem. 

Reinado de D. Maria i. Reac^ào centra 
as medidas do antecedente governo. 
Sahida dos presos. Demissào e desterro 
do marquez de Pombal. Os novos mi- 
nistros. Persegui^ào aos parentes do 
grande marquez. Ingratidào de muitos 
dos seus antigos protegidos. Partida 
do marquez para a sua quinta de Pom- 
bal. Insultos do povo. 

Reac^ào e tentativas dos jesuitas para 
recuperarem o poder. Ceremonia da 
acclama^ào de L>. Maria i. Processo 
do marquez de Pombal. Longos e crucis 
interrogatorios. Desapontamento dos 
seus accusadores. Morte do grande es- 
tadista. 

Decadencia immediata que se segue à 
queda do marquez de Pombal. Obser- 
va9oes de um estrangeiro àcerca de al- 
guns homens influentes da córte portu- 
gueza. 

Caso da sentenza revisoria da condemna- 
9ào dos marquezes de Tavora. Difficul- 
dades do processo. Pronuncia-se mas 
nào se publica, a rehabilita^ào dos con- 
demnados. Tentati va dos jesuitas pa- 
ra regressarem a Portugal. 

Resumé da historia portugueza desde a 
revolu^ào de 1820 até à actualidade. 



2 volumes, 25^000 reis 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 209 







A. Osorio de Vasoonoellos, officiai de engenheria e depatado &8 cdrtes 

— Alfredo de Sarmento, escriptor publico — A. M. Oonha Belem, bacharel em medicina 

e eimrgi&o militar — A. de Sousa Lobo, bacharel em direitu, 

lente do Gnrso Snperior de Lotras e depatado is cortes — O. E. Oorréa da Silva, 

officiai da armada e ex-alumno das escólas Polytechniea e Naval — F. Franco de Oastro, 

bacharel em direito o advogado — Hugo de Laoerda, officiai de ca vallarla 

e ox-alumno das escólas Polytechniea e do Exereito — J. M. d'Andrade Ferreira, 

socio da Academia Real das Sciencias — José Maria Dantas Pimenta, agronomo pelo Institnto 

de Lisboa — M. Pinheiro Ohagas, 
socio da Academia Real das Sciencias e depatado às cdrtes 



Indice das materias contidas n'este livro 

Historia Sagrada — Historia Profana — Chronologia — Arithmetica — Systema me- 
trico decimai — Algebra — Geometria — Topographia — Astronomia e geographia 
mathematica — Geographia physica e politica e chorograpbia de Portugal — Phy- 
flica — Theorìa dynamica do caler — Chimica — Historia naturai — Sciencias me- 
dicas — Hygiene — Philosophia — L(,egisla9ào — Mythologia — Grammatica — Me- 
teorologia — Mechanica — Archeologia — Civìlidade — Economia politica — Escri- 
ptura^ao commercial — Religiào — Religioes dìyersas — Theologia — Sciencias 
occultas — Concilios — Espectaculos, regosijos publioos e festas da antiguidade — 
Theatro antigo e moderno — Bellas-Artes — Musica — Photographia — Gymnastica 

— Historia de Portugal — Litteratura geral — Agricultura — Historia da marinha 

— Os chronistas portuguezes — Bhetorica e eloquencia. 

Um grosso volume j 2<^000 reis 



JORNAL DE VIAGENS E AVENTURAS DE TERRA E MAR 

Prego da asslgnatara por anno 

Lisboa e outras localidades do reino 2i^800 

AQores SmO 

Madeira 3^100 

Brazil 12mO 



GOLLECgAO FEDRO CORREA 

A 300 RBIS O VOLUME 

IS/Léiry — Heva 

Pierre Zaccone — Os prazeres do rei 

X. Mlont^pin — Os dramas da vida 

Oliarle» «Joliet — As mulheres infemaes 

E. Sliiaiilt A Tu* «TiKlicis — homem da moia noite 

X. <ie M^ont^pin — A morta-viva, 2.o voi \ 



voi. 

» 
» 



» 



À venda na Uvraria Chardron 



210 



BIBLI06RÀPHIÀ PORTUGUEZÀ E ESTRÀNGEIRA 



ULTIMAS PUBLICAOdES 



Camillo C. Branco 

Oanoloneiro alegre. 1 voi 1^200 

Eusebio Macario. 1 voi 800 

Of oritieoa do Caneloneiro alegre. 1 voi.... 200 

Palmelrlm 

Galeria de figurai portngnezas. 1 voi 800 

P. Chagaa e J. Cesar Machado 

Fora da terra. 1 voi 500 

•etavlo FeullleC 

Os amores de Filippo. 1 voi 500 

Kea de Queiros 

O Primo Baailio, episodio domestico. 2.* edi^fto. 

1 voi : IjJCOO 

V. j Gonsales 

O Rei do pnnhal. 5 voi. illustrados 3^000 

Jofto Dlnls 
Thesouro do trovador. 1 voi 600 



May da Camara 

Viagens em Marroeos, com illostra^Ses por M. 
de Haeedo, Alberto e Pastor. 1 voi.... 1^^000 



Pere* Eserleh 

Os anjos da terra. 5 voi , 

Panstlno de IVOTae* 



2^500 



Poesias. 1 voi ; l^^OOO 

Poesias posthumas. 1 voi l^OOO 

Romcu Junior 

D. JoSo n. 1 voi 300 

Alberto Plmentel 

O Porto por fora e por dentro. 1 voi 500 

Jiillo liCrmlna 
Os Lobos de Paris. 3 voi 1^500 

GerToslo Inoliato 

Comedia de Lisboa. Gom um prologo por Pi- 
nhoiro Ghagas. 1 voi 600 



£2i*iieisto 01i.a.i*droii, editoi:- 



BIBLIOTHÈQUE DE PHILOSOPHIE GONTEMPOMINE 



I^ivot (Th.) — La psychologie allemande contemporaine. 1 voi. in-S®. . . 11^500 

— La psychologie anglaise contemporaine. 1 voi. in-8o Is^SOO 

Gruyau (M.) — La morale anglaise contemporaine. 1 voi. in-8o li^500 

Xuiajrd (Louis) — La science positive et la métaphysique. 1 voi. in-S®. . . . 1^500 

Stuart ]MDU1 (J.) — La philosophie de Hamilton. 1 voi. in-8o 2i?K)00 

— Mes mémoires — Histoire de ma vie et de mes idées. 1 voi. in-8o 1^000 

— Essais sur la religion. 1 voi. in-8o li^OOO 

j\^eL»m%x (L.) — De Tespèce et de la classificatìon en zoologie. 1 v. in-8o li^»000 

X::«ipiiias (Alfred) — Socìétés animales. 1 voi. in-8o IWO 

Taongel (Auguste) — Les problèmes. 1 voi. iu-8<> l^iòOO 

^algey (Émile) — Les sciences au xviii® siècle. 1 voi. in-S® li^500 

Spencer (Herbert) — Essais scientifiques. 1 voi. in-S» l^bOO 

— Principes de biologie. 2 voi. in-8o éi^OOO 

— Principes de sociologie. 2 voi. in-8o 4«8000 

A.iig^iii9te Oonite — Cours de philosophie positive. 6 gr. voi. in-8o. . 9i!8600 

«Taeques, Simon et Salsset — Manuel de philosophie. 1 v. in-8o 1;^600 

I^anieiiiiato (F.) — Esquisse d'une philosophie. 2 voi. in-8o lj^400 

Véra (A.) — Philosophie de la religion. 2 voi. in-8o 2i^000 

SopUe Grermiai]]. — (Euvres philosophiques. 1 voi. in-12 800 

I-Xuet (F.) — La science de Tesprit. 2 voi. in-8o 2i«)00 

]^£me Roger — Origines de Thomme et des sociétés. 1 voi. in-8o li^OO 

]M[aug^ras (J. B.) — Cours de philosophie. 1 gr. voi. in-8o , 2ii8000 

'Xl'bergliieu. •— Logique — La science de la connaissance. 2 voi. in «80 dj^>000 






ERNESTO CHARDRONy^ EDITOR 



211 



I. EDUARD VOlSr HAFE 



GRAMMATICA INGLEZA 



E 



Este livro, que sahirà brevemen- 
te, destina-se a facilitar o estudo 
d'urna lingua importantissima, pos- 
to que menos cultivada do que mere- 
ce. Em Portugal o inglez é prepara- 
torio obrigado para os estudantes de 
medicina, e ainda mais necessario se 
torna para o commercio que tantas 
relapoes entretem com a Inglaterra. 
Comtudo encontram-se aqui poucos 
conhecedores d'està lingua; e o es- 
tudo da sua riquissima litteratura, 
que tao ampiamente recompensa os 
trabalhos dos cultivadores, é quasi 
descurado. Uma das causas d'este 
abandono immerecido achamol-a na 
difflculdade que se attribue a pronun- 
cia ingleza, difflculdade que muitos 
julgam insuperavel; e effectivamen- 
te nos exames publicos bem pou- 
cos se apresentam que pronunciem 
bem. É pois manifesta a conveniencia 



de um livro comò aquelle que agora 
se ofTerece aos estudantes da lingua 
ingleza. novo livro desenvolve na 
primeira parte dos seus exercicios 
methodicos, d'um modo rapido e se- 
guro, a pronuncia correcta e legiti- 
mamente ingleza, facilita a escriptura 
d'este idioma e prepara para a pales- 
tra. resto dos exercicios acompa- 
nha a grammatica. 

Està, que é multo compendiosa, 
contém todavia toda a materia que 
se deve procurar n'um livro desti- 
nado aos estudantes dos lyceus, e 
achar-se-hào n'ella bastantes factos 
importantes, que pelas grammati- 
cas geralmente usadas ou sao igno- 
rados ou tratados com menos profl- 
cuidade. 

editor espera, pois, que o no- 
vo livro encontre ama recepp ao bene- 
vola da parte do publico interessado. 



!Elriieis-to OLLaj:'droii, editoi* 



R. P. VICTOR MARCHAL 

MISSIONARIO APOSTOLICO 



A MULHER COMO DEVERIA SEL-0 



VERStO DA 12." EDIQlO FRANCEZA 

PELO 

PADRE MESQUITA PIMENTEL 



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Um. volume. . . . 4LOO reta 



212 BIBUOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



HISTOEIA iraVEESAL 

DESDE A CREÀCiO DO HUNDO ATE 1862 
Continuada até 1876 por D. NEHESIO FERNANDEZ QUESTA 

E ATÉ 1879 COM k NOTICIA DOS FACTOS MAIS HOTAYEIS 
RBUTIYOS A PORTUGAL E BRAZIL 

Por MANOEL BERNARDES BRANCO 

SKGUNDA EDIfìO ILLFSTRADA COI 84 6RAVURAS 

Obra completa em broohara 20A000 reis 

Enoaderaada 27^^000 » 



EMPRESA EDITORA 

DB 

FRANCISCO ARTHUR DA SILVA 

72, Hua. dos DouradloreB, 7 2 



Aos Snrs. assignantes da HISTORIA UNIVERSAL 

Tendo concluido a impressào do 13. ^ volume d*esta obra, brinde offerecido aos 
snrs. assignantes, a empresa roga àquelles que nUo estào em dia com o pagamento 
dos fasciculos ou volumes, queiram mandar satisfazer os seus debìtos, segando as 
condiQÒes da assignatura, na certeza de que nenhum asùgnante terà direito ao brin- 
do, sem que tenha pago o 12.® volume. 

Lisboa 1 de setembro de 1879. 

A Empresa. 



SimSo <iosé da Luz Sorlano 



HISTORIA DA GUERRA CIVIL 



DO ESTABEIECIMENTO DO GOVERNO PARLAMENTAR EM PORTUGAL 

Comprehendendo a historia diplomatioai militar e politica d'oste reind desde 1777 até 1884 

1.» època — Tomos l.<> e 2.o 4i2i500 

» —Tomo 3.0 li^SOO 

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Os my«teriog de Londres. 6 vo« 
lumea « 2(^400 

Anthero de Qucntal 

Odes modemas. 1 voi -^400 

J. Garibaldi 

Os mil de Garibaldi. Narra^io 
historiea, politica e romantica 
da expedÌ9Eo à Cicilia em 1860. 

1 voi 500 

Almelda Braga 

O prestigio das palavras. 1 volu- 
me 500 

J. de Alencar 

Os jesaitas. Drama em quatro 
actos. 1 voi 600 

Diva. Porfil de mulher. 1 volu- 
me 600 

O sertanejo. Pomance brazileiro. 

2 voi 1^200 

Ubirajarà. Lenda tupy. 1 volu- 
me 600 

As minas de prata. 3 voi. 3^000 

Cunha ¥ianna 

Relampagos. 1 voi 400 

A. CioncaUes DIas 

Poesias. 3 voi 2(91000 

Ediiiundo Franck 

^Aiarìpoeas. 2 voi 1^200 

Bernardo Giilniar&e« 

Novas poosias. 1 voi 600 

Mauricio ou os paulistas em S. 
Jo&o d'Bl-Rei. 2 voi lf9200 

¥lelra de Castro 

Disenrsos parlamcntares de 1865 
a 1866. Com o retrato. 1 volu- 
me l^S^OOO 

Ramalho Ortigào 

Em Piarla. 1 voi 500 

Urbano E.Qiirelro 

Os hjpocritas. A infamia de frei 
Quintino. Bomance d^uma fami- 
lia. Com urna carta prcfacio 
pelo abbade Sant^Anna. 1 vo- 
lume 500 

Tito de Moronha 

Ditos da freira. 1 voi.... 400 
Passeios e digressoes. 1 voi. 400 

Machado d'AsunIa 

Helena. 1 voi 600 

Amerieanas. 1 voi 600 



llasalhftea ft.lnia 

A senhora viscondessa. 1 v. 600 
Candido de Vlgnelredo 

Os companheiros de Vasco da 
Gama. 1 voi 600 

Guloniar Torresào 

A familia Albergarla. 1 v. 500 

J. C. Sfachado e 1*. 
Chasas 

Fora da terra. Caldas da Rainha, 
Festas da Nazareth, Le irla e 
Marinha Grande, Gintra, Bus- 
saco, Bom Successo, Pa^o d'Ar- 
cus, Espinho. 1 voi 500 

<ioaé %ngui»to Vlelra 

Phototypias do Minho. 1 v. 500 
M. Pereira I^obaCo 

A queda d'um gigante. 1 volu- 
me 500 

O estandarte real. 1 voi... 500 

A baroneza de la Pucbla. 1 vo- 
lume 500 

Os fidalgos do Corafao de Ouro. 4 
voi 800 

n. J. O. de .Hagalhàes 

Urania. 1 voi 900 

Factos do espirito humano. 1 vo- 
lume 900 

Opusculos historìcos e litterarios. 
1 voi 900 

Tragedias, Antonio José, Olgiato, 
e Othello. 1 voi 900 

Oanticos funebres. 1 voi... 900 

A confedera^&o dos tamoyos. 1 
voi 900 

Poesias avulsas. 1 voi 900 

Jnllo de Castliho 

D. Ignez de Castro, drama em 
5 actos em verso. 1 voi. 600 

Vlaconde de Castliho 

Sonho d^uma noite de S. JoSo. 
1 voi 600 

Augusto Luso da lillva 

Impressdes da natureza. 1 volu- 
me 500 

Gomea d'itmorliii 

Cantos matutinos. 1 voi... 800 

BaTld de Castro 

Vislumbres. 1 voi 500 

Henri Consclence 

O andarilho das praias. 1 volu- 
me 600 I 



Tavarea Bastos 

O valle do Amazonas. Estudo so- 
bre a livre navega^lU) do Ama- 
zonas, estatistiea, produe95es, 
commercio, questSes fiseaes do 
valle do Amazonas. 1 voi. 1^500 

Odorlco Mende a 

Virgilio brazileiro. 1 voi. 3^000 

Iliada de Homoro em verso por- 

tuguez. 1 voi 1^000 

Dr. Gaspar Fructuoso 

As saudados da terra. Historla 
das ilhas do Porto-Santo, Ma- 
deira, Descrtas e Selvagens. 
Manuscripto do seculo xvi an- 
notado por Alvaro Rodrigues 
d^ Azevedo. 1 voi 4^500 

Julio Rocha 

A vingan^a de Raul. Romance 
originai. 2 voi 900 

Teixeira de l'asconcelloa 

Liffto ao mestre. Romance ori- 
ginai. 2 voi 1^200 

Rels Oamaso 

O anjo da caridade. Scenas da 
Vida provinciana, romance ori- 
ginai. 1 voi 500 

Carlos rinfo d'Almelda 

Seis annos na India. 1 voi. 500 

Gonief»- Percheiro 

QuestSes do Pari, f voi... 500 

iMascarenhas 

Episodio da guerra civil. A Ma- 
ria da Fonte. 1 voi 60U 

Cberbullea 

FeitÌ9os da mulher feia. 1 volu- 
me 500 

O noivo da menina Saint-Ma ur. 
1 voi 600 

Clemence Robert 

O tribunal secreto. 8 voi. 1^000 
Os mendigos de Paris. 1 v. 800 
A fónte maldita. 1 voi.... 6C0 

Ernesto Capendn 

Dolores. Scenas da guerra car- 
lista. 1 voi 800 

Alberto Pliuentel 

Da importancia da hi'itorla uni- 
versa! philosophiea na esphera 
dos conhecimoutos humanos. 1 
voi 800 

Nervosos, lymphatieos e sangui» 
neos. 1 voi SOO 



ERNESTO CHABDRON, EDITOR 



LITTEEATURA : ROMANCBS, POESIAS, VUGENS, ETC. 



Jnllo CaoTaln 

O Qflnrpador d^ama oorda oa os 
fenianos no mcuIo tu» rornan- 
ee historico. 2 voi 1(9000 

renlmare Cooper 

O corsario vennelho. 1 voi. 600 

A. Rclol e J. Daulln 

MemorHs d^um caixeiro ou am 
dramu da vida commercial. 1 
voi 600 

Adolpho BeloC 

Dna! mulheros. O habito e a re- 
corda^. 1 Tol 500 

A malber de fogo. 2 voi... 600 

O matricida. 2 voi 600 

Dacolarde Liri>in. 2 voi... 600 

Slmoc^ m«s 

As peninsnlares. 2 voi.... 1^000 
Ab mSes. 1 voi 500 

Emilio Cautelar 

Discorsos parlamentares. — Dis- 
eursos parlamentares dos prin- 
cipaeB oradores pwtug^iezes das 
eonstituintes de 1821. 2 voln- 
mes 1^200 

A formala do progresso. 1 volu- 
me.' 600 

Benjamin Con«lanC 

Aprender na desgra^a alheia. 1 
voi 400 

AysualM d'Iseo 

Maria hespanhola ou a victima 
d*am frade. Com importantes 
revela^es relativas à sooiedade 
do Anjo Exterminador. 2 volu- 
mec 1^000 

Marqneza de Bella-flòr ou o me- 
nino engeitado. Oom importan- 
te! revelacSes relativas à socie- 
dado do Anjo Exterminador. 2 
voi 1^000 

llaTier de Monlepin 

O amante do Alice. 2 voi. 600 
A eondessa de Nanoey. 2 v. 600 
O marido de Margarida. 2 voln- 

mes 600 

O bigamo. 4 voi 1(^200 

Paulo de Kock 

Friqnete. 1 voi... 300 

Iftsmorias de Paulo de Kock. 2 

voi 600 

Gasa Perdaillon & C 2 volu- 

mes 600 



Fernandea y Gonsalea 

O rei do punhal. 5 voi. com gra- 
vuras 8^000 

O celiar do Diabo. 6 voi. SjOOO 

Os filhos perdldos. 5 voi. illus- 
trados 2^500 

Lucrecia Borgia. Memorias de Sa- 
tanas. 2 voi 1^280 

D. Ramiro 1.^ d'Arag&o, roman- 
ce historico. 2 voi 800 

Cnatodlo ITelloao 

Brados d^alma. 1 voi 600 

Octavlo Penti lei 

Casamentos fidalgos. 1 voi. 500 

Os amores de Filip];>e. 1 v. 500 

A mesma obra. 1 voi 600 

Julia de Trécoeur. 1 voi... 300 

Iraconde de Benaleanfó'' 

Phantasias e escriptores contem- 
poraneos. 1 voi 500 

Manoel Maria Rodrlgnea 

O que faz a ambi^&o, romance 
origrinal. 1 voi 500 

Estudantes e costureiras. 1 volu- 
me.» 400 

Dr. jr. e. P. Plnhelro 

Resumé da historia lltteraria. 2 

voi 4^.500 

Estudos historicos. 2 voi... lj^800 

Augnalo Caliel 

O Inferno. Trasladado para por- 
tuguez e precedido d*uma ad- 
vertencia por Camillo Castello 
Branco. 1 voi 500 

Gasneur 

O calvario das mulheres. 4 volu- 
mes 1^600 

Paulo de Kock Junior 

Oontos jocosos. 1 voi 300 

O pandego. 1 voi 300 

bom do snr. Leit&o. 1 v. 300 

Panalo 

Um casamento de tirar o chapéo. 
1 voi 300 

TJm provinciano ladino. 1 volu- 
me 300 

Scenas da vida republicana. 1 
voi. 300 

Deus dias de felicidade no cam- 
po* 1 voi $00 

A ca^a d*um baronato. 1 volu- 
me 300 



Henry Mnrser 

Scenas da vida de bohemia. 1 
voi , 6W 

Heelor Malol 

A estalagem do mundo. O coro* 
nel Chamberlain. 1 v<d. * 400 

Alfredo Muaael 

Novellas. 1 voi l^OOO 

O segredo de Jovotte. 1 v. SCO 

Barfto General AmbeH 

O heroismo de sotaina. B&aeado 
sobre a campanha franco-pras- 
siana do 1870. 1 voi.... 600 

Samuel Slmile* 

O caracter. 1 voi l^pOOO 

T. Gauller 



Novellas. 1 voi. 
Avatar. 1 voi.. 



600 
300 



IH.'"* liafarse 

Memorias. 2 voi 1^000 

¥le(or Hugo 

Noventa e tres. A guerra ci vii. 
1 voi IfiiOQ 

l.ord Byron 

Os àmores de D. Jod^. 1 volu- 
me t 400 

Krneslo Plnlo d'Almelda 

Olympia. 1 voi 400 

irictorla Colonna 

As manhSs da avo. Leitura para 
a infancia. 1 voi 600 

A. de GondreeonrI 

Oslnvejosos. 2 voi 1^800 

Max ITalroy 

Martha. 3 voi 900 

Arsene HouMaye 

Lucia. Hiatoria d'urna mulher per- 
dida. 2 voi 600 

Edmond Aboul 

O nariz d'um tabelliào. 1 volu- 
me 300 

Jorge Yelho 

Folhas silvestros. 1 voi.... 300 



Porto: 1879 — Typ. de A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 62 



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!-• A-InTN-O 



187© 



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PINHEIRO CHAGAS 



A PROPRIEDADE LITTERARIA 



Carta ao Imperador do Brazil 

200 reis 



THOMAZ RIBEIRO 



VESPERAS 



OI£ SI.A. S 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 



EUSEBIO MACARIO 

SEGUNDA EDigiO 

stjm:m:ar,io 

EUSEBIO MACARIO : oritioas Utterarias. — PUBLIOAQdES RE- 
OENTES, por Camillo Ccutello Branco — PnbllcaQdes IVanoezas e por- 



Com este fasciculo (n.** 12) termina a 1.* serie da 
BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA. 0$ 
snrs. assignantes que desejem continuar a reeeber ou- 
tra serie de doze numeros enviarao 500 REIS em es- 
tampilhas ao editor 



I>ORTO 



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^RNESTO pHARDRON, ^DITOR 



^^^^^^^^^^'^^^^^^^^^^^^ 



Poirto e 'Bn^ngCL 



LITTERATURA: ROMANCES, POBSIAS, VIAGBNS, ETC. 



Jullo Yerne 

Vinte mil leguas snbmsrinas. 2 

voi 1^200 

AventoraB de tres msios e tres 
inglezea na Africa austral. 1 

voi 600 

Viagem ao centro da terra. 1 

voi 600 

Viagem ao redor do mundo em 

oitenta dias. 1 voi 600 

Heitor Servadac. Viagens e aven- 
turas através do mnndo solar. 2 

voi 16200 

A terra dna pelles. 2 voi.. 1(^200 

O Chaneellor. 1 voi 600 

A ilha mysleriosa. O abandonado. 

1 voi 600 

Urna oidade flactaanto. 1 vola- 
rne 600 

Mig^ifìl Strogoff oa o correlo do 
czar. Um drama no Mexico. 2 

voi 1^200 

Gineo semanas em balio. 1 vo- 
larne 600 

Os filhos do capitSo Grant. Ame- 
rica do Sai- 1 7ol 600 

Australia meridional. 1 voi. 600 

O Oceano Pacifico. 1 voi... 600 

O descobrimento prodigioso e suas 

incalculaveis consequencias para 

o futuro da humanidade. 1 vo- 

me 600 

.Viagens e aventuras do capit&o 
Hatteras. Os inglezes no polo 
do norte. O deserto de gelo. 1 

voi li^OOO 

Da terra à lua. 1 voi 600 

O segredo da ilha. 1 voi.. 600 
Ao rcdor da lua. 1 voi... 600 
Os nauflragos do ar. 1 voi. 600 
As Indias Negras. 1 voi... 600 

O abandonado. 1 voi 600 

America do Sul. 1 voi 600 

Descoberta da terra. Grandes via- 
gens e grandes viajantes. 1 vo- 
lume 600 

O doutor Ox. Mestre Zacharias. 
Uma invemada no gelo. Um 
drama nos are». 1 voi.. 600 

Alenrar 

As azas d^am a^jo, oomedia em 
am prologo, 4 actos e am epi- 
logo. 1 voi 500 

Iracema, lenda do Oeari. 1 vo- 
lume 600 

Ginco minutos. A vlavinha. 1 
voi 600 



Or. Maeedo 

LifSes de bistorta do Brazil para 
uso das escólai de inatruccfto 
primaria. 1 voi 1(^000 

Moreninha. 1 voi 600 

Baphacl Maehado 

Diecionario musicali contendo : 1.® 
todoB OS vocabulos e phrases de 
eseriptura^io musical; 2.** todos 
OS termos technicos da musica 
desde a sua maior antiguidade ; 
8.® uma tÀboa eom todas as 
abreviatnras usadas na escriptu- 
ra^io musical, suas palavras e 
correspondentes; 4.® a etymolo- 
gia dos termos menos vi^garea 
e 08 sjnonymos em goral. 1 vo- 
lume 1|^0 

Bernardo Gulmarftefl 

A ilha maldita. O p&o d^ouro. 1 
voi 600 

Caalmlro d'Abreu 

Obras oompletas, colligidas, anno- 
tadas, e preeedidas d^um juizo 
critico dos escriptores nacionaes 
e estrangeiros, e d'uma notioia 
sobre o anthor e seus cscriptos, 
por J. Norberto Sousa e Silva. 
1 voi 600 

Dr. Americo Brasi llense 

LifSes de historia patria. 1 vo- 
lume Ij$l400 

Dr. Ciama LoIm» 

Direitoe e deveres dos estrangel- 
ros no Brazil. 1 voi.... 1(^200 

Indice alphabetico das leis, decre- 
tos e avisos relativos a in- 
compatibilidade na accumula^So 
dos cargos e empregos publicos. 
1 voi 600 

Affonao DandeC 

O Nababo, romance de eoatumes 
parìsienses. 1 voi 600 

Damaa Fllho 

O Homem-mnlher. Livro espeoial- 
mento escrlpto para os homens 
e que as mulheres n&o devem 
16r. 8 voi 600 



D. Junior 

A lei do reorutamento de 26 de 
■etembro de 1874, annotada con 
decretos, avisoi e circuì ares que 
Ihe dizem respeito, segoida dos 
regulamentos que baixaram eom 
08 decretos n.<* 5881 de 27 de 
feveroiro de 1875 e n.® 591 do 
1.® dò maio do mesmo anno, 
e d^um indice alphabetico para 
facilitar a consulta. 1 voi. 1^600 

Ao Imperador 

Gartas politicas de Erasmo. 1 
voi 800 

Br. Horelra de 84 

O xaavo da liberdade. 1 voi. 1^200 

Conaoilda^fto 

Das leis ci vis, publica^o autho- 
risada pelo governo. 1 grosso 
voi 6j?000 

Prlsea 

Narra^&o historica do relnado de 
Claudio, primeiro seoulo da era 
ehri9t&. 1 voi 800 

ConslUnl^fto polUlc* 

Do imperio do Brazil, segoida do 
Acto addicionaU 1 voi... SCO 

Dr. Fernandea Plnhelro 

Grammatica da infancia, dedicada 
ao8 snrs. professores de instruc- 
9&0 primaria. 1 voi 800 

Grammatica theorica e pràtica 
da lingua portugueza. 1 volu- 
me 400 

Pereira da Silva 

Bseriptos politlcos e diseursos par* 
lamentares. 1 voi 1^500 

Tlberghlen 

Diecionario do marinha portuguez- 
francez-inglez e vico-versa, dan- 
do alphabeticamente e nas tres 
linguas 08 termos technicos das 
marinhas de vela e a vapor. 
Obra composta eom a collabora- 
9&0 de distinctos officiaes da 
armada. 1 vd..., 2^000 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



NOVO RESUMO 

USTORIA MODERNA DE PORTU&AL 

Illustrado com 31 retratos e conforme o programma officiai 

joÀo miSTiz 



Este compendio, baseado nos trabalhos de Herculano, Rebello da Silva, 
Piobeiro Chagas, etc., além das Nocòes preambulares publlca, no principic 
de cada dynastia, urna synopse dos reis e seus appellidos, com as datas do 
seu nascimenlo, acclamacào e falledmento. Os fectos principaes de cada go- 
vernapào estào expostos na sua rigorosa ordem chronologica, sem ostentapao- 
de datas para nào sobrecairegar a memoria do aliunno, que deve aprender 
auavemente, sem grande esforpo. intellectual. 

A imprensa, noticiando eslé compendio, toceu-lbe alevanlados elogios. 

PREGO 240 RS. - NA LIVRARIA DE E, CHARDRON, EDITOR 

14 



214 



BIBLIOGBÀPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



PUBLICAQOES RECENTES 



A PROPRIEDADE LITTERARTA. 
Carta a sua magestade o imperador do 
BrazU^ por M. Pinhbiro Chaqas. Li- 
vraria Interuacional de Ernesto Char- 
dron, 1879. In-8.o— 70 pag. 

Brilhantemeute ! Nào sabemos do quo 
preste a rhetorica, e o grande cadoz das 
phranes arranjadas para mover os affé- 
ctos, quando Pinheiro Chagas, n'uma 
linguflgeui sobria, fluente, senhoril, sem 
atavios milito pintalga4o3, demonstra 
que doutissimo A. Hercalano, em as- 
sampto de propriedade litteraria, d^ixou 
do ser justo quando foi rhetorico. 

illustre publicista dirige-se episto- 
larmente a sua magestade imperiai o 
snr. D. Pedro ii. Tendo de gritar con- 
tra ladroes, acbou que era mais moderno 
e litterario escrever ao imperante corno 
quem brada aqui d'imperadorl visto 
que, n'um imperio, seria impropriedade 
gritar aqui d'el-rei ! 

A carta é urna rija corrente de fusis 
de bronzo, inflexiveis comò a velha logi- 
ca dqs dialecticos que nào deixavam res- 
pirar o adversario. As consequencias tra- 
vam-se rìgorosameute com as premis- 
Bas. paradoxo do grande historiador 
— eclipse passageiro da sua rectissima 
razào — desfez-se apertado entro os ar- 
gumentos de P. Chagas. Nunca se es- 
creveu tao luminosamente àcerca de pro- 
priedade litteraria, e tao discretamente 
acerca d*uns salteadores que abriram as 
suas bem trastejadas e luxuosas cavernas 
no Rio de Janeiro. 

Temos vist^ muito repetido A. Karr 
n'este pleito da propriedade do escriptor. 
Tambem P. Chagas Ihe invoca o teste- 
munho ; mas para A. Herculano aquelle 
humorista francez tao judicioso em seus 
simulados paradoxos pertencia a urna cev' 
ta escóla litteraria, vulgar sobre ludo em 
Franca, que se nào faz grande consumo 
de idéas, vive sempre com grande opiden- 
eia de phrases. E, notando a phrase ap- 
plaudida de Karr ; — «é evidente que a 
propriedade litteraria é urna proprieda^ 
de» — acrescenta : Erii consciencia, a 
agudeza nao tinha jus a grandes admira- 
gdes, Nas aulas de logica a urna agudeza 
d'estas chamam os rapazes «pctì^ào de 
principio n 5 entre os homens feitos chama" 



se4he puerilidade *. Ora, se no animo su- 
perciiioso do eminente sabio era pueril a 
affirma9àode A. Karr, nào nos parece que 
OS circumspectos argumentos de A. Gar- 
rett e P. Chagas o demovessem da sua 
isen^ào byroniana a respeito dos dinhei- 
ros grangeados pela lavra do pensamen- 
to nas paginas do livro. Chama-se-lhe 
isengào byroniana porque o lord immor- 
tai tambem assim pensava quando re- 
jeitou OS primeiros ciuco centos de li- 
bras que Ihe offereceram pela 2.* edì^ào 
da Satyra contra os bardos inglezes e cs- 
cocezci. Deu gratuitos os dous primei- 
ros cantos de C/iUd-Harold quando Ihe 
enviaram 1:000 libras st. por cada um, 
e mais confessa que Ihe nao sobrava o 
dinheiro, o idolo universal, dizelle. Pre- 
cisava assim sustentur na pratica a de- 
sabrida arguÌ9ào de iuteresseiro que fi- 
zera, na Safyra, a Walter Scott. Depois, 
melhor avisado, recebeu de seu editor, 
por vezes, proximamente setenta còntos. 

Man ter em Portuga^ um desinteresse 
analogo ao do mallogrado restaurador da 
Grecia seria um pouco menos heroico em 
quanto os nossos editores, meu caro P. 
Chagas, nos nào offerecerem umas insi- 
gnificantes 1:000 libras por cada volume. 
Porém, quando os editores chegarem a 
esse acto de ju8tÌ9a, sou de parecer que 
rejeitemos o curo de Xerxes, e nos aii- 
mentemos de um succulento menu de glo- 
ria, e nos vistamos de louros e de 
trepadeiras, nào por causa do pudor, 
mas por nccessidade das condi^oes cli- 
matericas. Se, todavia, sua magestade o 
imperador resistir obcecadameute à iuz 
da carta primorosa de P. Chagas, é qua- 
si seguro que morreremos plethoricos de 
gloria, cmquanto os contrafactores resi- 
dentes no Rio hào de morrer mirrados, 
chupadinhos de remorsos e de peniten- 
cias austeras" de ladroes contritos. 

Sua magestade imperiai, se se compe- 
netrar das eloquentes instancias do gran- 
de prosador que Ihe esere ve, póde obstar, 
àquem e aiém-mar, a estes dous tragi- 
cos acabamentos de vida. Mas, se nada 
se conseguir, a litteratura portugucza 
ganharà a carta esplendida de Piuheiro 
Chagas. 

Ernesto Chardron dedica ao conselhei- 
ro Mendes Leal a Carta, Os escriptores 

1 Opuscuio», tom. II, pag. 124. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



215 



portuguozes é qae devoriam tributar a 
Sraesto Chardron um voto de gratidào 
pelos Bous eafor^os, embora improducti- 



vos. 



Il 



OBSERVACÒESÀ «CITANIA» dosnr. 
doutor Emtlio Hubnbb, por Fbancisco 
Martins Sarmento. Porto, 1879. In-S.® 

Explica sor. Francisco Martins Sar- 
mento a motivaQ&o do seu opusculo, at- 
tribuindo parte dos erros do dr. Hilbner 
às desleixadaB incorrec^oes dos poriodi- 
cos penìnsulares que trataram, pela ra- 
ma, as cousas da Citania com urna des- 
curiosidade essencialmente portagueza e 
hespanhola. Transcrevemos alguns pe- 
riodos do explorador das celebres ruinas : 

« Sendo obrìgado a fallar do escripto 
do snr. dr. Emilio Htibnor, deaejdra tao 
flómeute ter de agradecer as palavras de 
benevolencia e incitamento que me ende- 
re9a o douto archeologo de Berlim ; mas 
as inexactidoes àcerca das cousas da Ci- 
tania sào taes e tantas no seu trabalho, 
que julgo do meu dover apontal-as e 
emendal-as. Para um sabio consciencioso, 
e que tanto se empenha no esclarecimen- 
to das antiguidades da peninsula iberica, 
nào é oste, por firn, o peior modo de ex- 
primir-lhe o meu reconhecimento. 

« Escusado advertir que o snr. dr. Htl- 
bner nào é responsavel pelas inexacti- 
does de que fallo. As suas noticias foram 
todas colhidas em jornaes portuguezes, e 
no jornal madrileno, a Academia; e, a 
instaurar-se processo centra os verdadei- 
ros culpados, nào faltaria quem me po- 
zesse uà cabeceira do rei, comò quem, 
estando mais no caso de corrigir os erros, 
OS deixou correr e medrar. 

« A minha desculpa é està : Quasi todas 
as noticias, respectivas à Citania, appa- 
rcceram dispersas por jornaes politicos. 
De algumas nem tive conhecimento. 
Quando os seus authores se dignavam 
enviar-me o numero dos jornaes, em que 
escreviam, a'pressava-me a agradecer a 
finoza e a indicar as faltas em que cahi- 
ram. Corria, parece, aos vulgarisadores 
do erro a obriga^ào de vulgarisar a erra- 
ta. Nunca vi erratas, corno tambem me 
nào lèmbra — diga-se de passngem — 
que ninguem me pedisse esclarecimeu- 
tos. 

« Entendiam certamente estes cavalhei- 



ros que nào valla a pena gastar tempo 
com a emenda de noticias, que esque-* 
ciam, mal se pensava a foiba, em que vi« 
nham, e que pouco importava ao com- 
mum dos leitores que, por exemplo, a 
tt pedra formosa » tivesse seis metros de 
comprido, comò se dizia n'um jornal do 
Porto, ou apenas menos de metade. 

cr Acabei por me convencer de que tam- 
bem perdia o tempo com os meus repa- 
ros, e voltei-me para occupaQoes menos 
infrtyctiferas. 

« As pessoas, a quem mandei coUec^oes 
pbotogiaphicas, entendendo que as de- 
vi am examinar com interesse, mandei 
igualmente explica9oe8 e medidas exactas 
dos objectos que as necessita vam, para 
sercm melhor comprcbendidos. Assim 
succedeu com a coUec^ào enviada ao snr. 
D. Francisco Tubino, director da Acade- 
mia^ quo, em vista das inexactidoes que 
publicou, entendeu mal o meu autogra- 
pho. 

« Ao director da Renascengaj o snr. Joa- 
quim d'Araujo, oflFereci algumas photo- 
graphius escoi hidas, som explica9oes ne- 
nhumas, declarando-lhe ser-me impossi- 
vel dar-lh'as, quando mais tarde m'as 
pediu, por nào ter deixado nota da nu- 
mera^ào dos cartoes. # 

« Pelo que fica dito, se ve que nào dci- 
xei correr o erro tanto à revelia, comò 
parece; fiz o que pude por sustel-o na 
carreira. 

« Agora que o snr. dr. Hiibner, em vir- 
tude dos falsos materiacs de que dispoz, 
condensou nas vinte e ciuco paginas do 
seu opusculo quantas inexactidoes foram 
scmeadas pelas publica^oes que se occu- 
param da Citania, vou le vantar estelon- 
go erralum — o que jà haveria feito, ha 
mais tempo, se se me deparasse tao boa 
occasiào, comò està, e — diga-se tudo — 
se nào fosse o receio de ter de fallar ao 
echo » . 

Seguem-se os unicos esclarecimentos 
topographicos que possuimos authcnticos 
da Citania, e explanados por quem co- 
nhece a technologia peculiar d*este ramo 
de sciencias. As estampas, corrigindo as 
incurias das lithographias divulgadas, 
prestam-se ao cstudo das pessoas prati- 
cas em interrogar os vestigios delidos do 
passado ; mas sera bom que os interpre- 
tes nào se empenhem em decifrar os eni- 
gmas que o sur. Francisco Martins Sar- 
mento nào houver lido. Este versadissi- 
mo archeologo é tao moderado em ex por 
opiniòes suas que nunca corra as portas 
às hypotheses alheias; e tem-as ouvido 
curiosissimas com o seu sorriso ceremo- 



216 



BIBUOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRÀNGEIRA 



DÌ080. Um ou outro antiquario, d'um re- 
lance d'olhos e por palpile, Ihe tem que- 
rido elucidar obscuridades quo elle, en- 
tre inoertezas, estuda ha dez annoB com 
a in9poc9&o immediata e o estudo compa- 
rativo procurado no que mais selecto ihe 
tem vindo do estrangeiro. Sobro archeo- 
logia é prudencia confessar que em Por- 
tugal iiuu :3U semelhante sciencia chegou a 
ser adulta e emancipada das verduras e 
balbucia^oes dos Estaoios e Rezendes. A 
epigraphia teve uns cultores ex-officio 
que nào chegaram a doapir as faixas da 
arte infantil. Hoje come^am os lavores 
reflectidos, à luz dos modélos peregrinos, 
mas t&o desijudadoB sequer de leitores 
curiosos que apenas os trabalhadores in- 
dependentes e um tanto apaixonados co- 
mò Francisco Martins Sarmento poderào 
exeroital-os. 



Ili 



VIAGENS A RODA DO CODIGO 
ADMINISTRATIVO, por Alberto 
PiMEMTEL. Empreaa lUteraria de Lds» 
boa, 1879. In-12. 

I 

Gra^a, humour, ironia cortez, rara 
correcQào, noticias chorographicas e his- 
toricas, lendas romantisadas, escava^es 
archeologicas, factos, scenas da comedia 
adminìstrativa — que vai descahiado em 
far^a politica de cordel — phenomenos 
sociologicos tambem a pedirem entremez, 
e varias outras cousas grandes, dignas de 
epithetos coloridos, tudo se tra va de mào 
n'este livro espirituoso de Alberto Pimen- 
tel. Em alguns relan^os das Viagens re- 
saltam uns gracegos desfechados à escóla 
realista — uma cousa em que se falla 
multo a vèr se se desperta o gosto da es- 
cóla de primeiras letras. Todavia, a evo- 
luQ&o, comò anda no ar, està-se operan- 
do fatalmente no escriptor. Alberto Pi- 
mentel, que possue os thesouros da lin- 
guagem, d'aqui a pouco sera um dos prò- 
pugoadores da nova escóla — porque é 
novo, e sabe vèr. Nào se demore ; porque 
d^aqui a meia duzia de annos, o natura- 
lismo terà cedido o passo ao ultra-natu- 
ralismo ; e depois passaremos todos a pra- 
ticar ac^oes, a escrever palavras e a fa- 
zer obras segundo a natureza ; e apenas 
yestiremos as idéas e os corpos com fo- 
Ihas de parreira. Por em quanto vamos 
indo com a nova escóla que, para se fin- 
gir nova em Portugal, tinge as càs que 
trooxe de Franca onde se gastou na cou- 



yivencia de Balzao e Champfleurj. P<5de 
sor que gejamos mau propheta, quanto à 
conversào do illustre anthor das Fùc- 
gem, mas n&o receamos asseverar que 
Alberto Pimentel, em qualquer escóla, 
sera sempre optimo escriptor» 



IV 



NOITES DO PORTO, oor Si d'Alber- 
GABiA. Porto, 1879. In-12 

Este livro é a engraQadissima conver- 
saQào de uma noite de inverno entre qua- 
tro rapazes à volta de uma mesa de café 
bem servida de poncho fiammante, kir- 
sch, carvajales, e sobretudo do espirito 
alegre e sadio dos annos juvenis. sar. 
S4 de Albergarla nao esmerilha as face- 
tas diamantinas das suas phrases ; a jo- 
vialìdado resalta espontanea, sem gran- 
des enfeites de aclìectivos respigados na 
vinha abandonada de Gii Vicente ; nao é 
realista, segundo a arto nova; masé na- 
turalissimo, segundo a arte velha — a 
dos nunca envelhecidos conversadores 
dos saraus de Charles Nodier e Prospor 
Merimée. Relembram as Noitea do Por" 
to as horas que na mocidade nos aligei- 
ravam as alegrias do amavel Paul de 
Rock, homem triste que tao chela de 
s&s ridadas tinha a phantasia. N&o tem 
side multo cultivado aquelle genero na 
nossa terra. Nós, os portuguezes, pelo 
ordinario, temos uma gra^a que em vez 
de cocegas ao sorriso faz arranhaduras 
no amor-proprio dos visinhos — porque vi- 
vemos todos em vislnhan^a. Nào é d'asta 
esptecie o livro do sur. Albergarla. Quem 
comprar póde ter a certeza de que 
nào comprou o seu retrato — é o do vi- 
sinho. 



RAINHAS DE PORTUGAL, eatudo his- 
torico, com muitos documentos, por 
Fbancisco da Fonseca Benevides, da 
Academia real dcta acienciaa. Retratos 
e numerosas Ulustragdes no texto 8obre 
cobre, a^o e madeira. Desenhos e gra^ 
vuras, etc. Lisboa, 1878-1879, 2 tom. 
in-8.0 gr. 

D'està notabilissima obra n&o se póde 
aventurar de afogadilho uma opiniào per- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



217 



functoria. Seria indecoroso tratal-a com 
as phraaes feìtas e consagradas A. critica 
boDigna de livros quo nào tem direito a 
grandes estudos. Avaliar esoripto de ta- 
inanho trabalho em termos convencionaes 
de favor, deve ser urna desagradavel be- 
nevolencia para o escriptoi* operosissimo 
que, em tempos tao avéssos a lavores 
hìstoricoB, executou um dos mais serios 
estudos da historia portugueza, desde 
que Alexandre Herculano inicìou osta 
Bciencia, em desaccordo dos maus habitos 
dos nossos historiadorcs. Faz-se preciso 
vagar, tempo, férias de espirito fatigado 
em miserias pequenas, para conversar 
gerenamente com o passado, por interven- 
9ào de um interprete que de là nos veio 
com deus opfcìmos voiumes noticiosos e 
escriptos entro a riquezados documentos 
meaos conhecidos. Estamos ha dias empe- 
nhados n*este estudo ; brevemente dare- 
mos nesso parecer que torà em lisura 
o que Ihe faltar em credito e authori- 
dado. 



VI 
TAM-TAM, folha burlesca 

Sào diversoB em pseudonymos de guer- 
ra OS coUaboradores ; mas Bdiaario é o 
que vibra o tagante de pita embreada. 
Como o verso està a esticar, faz poesia 
disfar^ada em prosa, com o fìm prova- 
veimente de manter as antigas libcrda-* 
des das musas. Chama-se talvez Belisa' 
rio o poeta, nào porque seja cego corno 
o infeìiz general do baixo-imperio ; mas 
porque dà bordoada de cego. É o que o 
outro devia ter feito no imperador Ju^^ti- 
niano, o ingrato, e em sua mulher Anto- 
nina, a bebeda. Belisario do Tamtam 
nào tem predilec^òes especiaes para ba- 
tei: ; distribue bolachas por « burloes de- 
putados, insulsos legistas, famosos cam- 
bistas, dez vezes quebrados, porém sem- 
pre inteiros; bojudos banqueiros de ru- 
bros narìzcs e grossos tamaocos, marotos, 
brejeiros » , etc. Tem que fazer, mas nào 
remediar à nada, nem conseguirà que o 
leiam os felizòes. EUes nào obedecem a 
instrumento chinez. Escreva o ChoccUko, 
quo é instrumento nacìonal. 

CAMILLO CASTELLO BBANCO. 



LIVEOS UTEIS E INSTRUCTIVOS 



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pel 



CTS 

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C/O 

CD 



tiamptkr Pani 

Codigo Ci vii annotado. 1 voi. 1^600 

Vraneìmeo Antonio Vefsa 

O direito ao alcance de todos» ou o 
advogado de si mesmo. 1 v. 2^000 

Or. ConstanCln Gnlllannie 

O medipo de casa. 2 voi 1^000 

Lnis Flguler 

As grandes inven95es. 1 voi. 3^000 

AgrlcoKor éo Norfe 

Jomal d*agri*ica1ti}ra pratica — 1.*^ 
e 2,^ annos 6^000 

/kgoatìnho da Silva TIeIra 

Thesonro inesgotavel. 1 yol. 1^000 

Charbonnean 

Cnrso do pedagogia. 1 voi... 1^000 

Oegrange 

£scriptara(&o. 1 voi 1^500 



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Wllhena Darbosa 

Estudos historicos e archeologicos. 

2 voi ljJ200 

Virtudes civicas. 1 voi 400 

Alnielda Outelra 

Escriptura^o. 1 voi 1^200 

Rapotio e Dlas 

Arithmetica commercial. 1 v. 1(^500 

A. de Honsa Flgnelredo 

Manual de arboricultura. Iv. 2^000 

liopea de Carvaiho 
Insectos ateis 100 

* * * 

Manual do gallinheiro 150 

Fertlanll 
Felicidade na familla. 1 voi. 500 

J. M. F. de Masalhftefi 
Arte de descobrir as aguas. 1 v. 120 



co 



tra 



cr:» 



co 



218 



BIBLIOGRÀPHIA PORTUOUEZA E ESTRANGKIRA 



EUSEBIO MACARIO 



facto mais notavel do nosso movi- 
mento litterarìo nos ultimos mozes de- 
corridos, foi, sem duvida, a publicaQào 
d*este novo livro de Camillo Castello 
Branco, editado pela importante e acre- 
ditada casa de Ernesto Chardron. 

E elle o primeiro de urna serie que o 
author tenciona publicar sob o titulo go- 
ral de Historia e Sentimentalismo. 

Na parte historica d'este primeiro vo- 
lume contéem-se tres estudos biographi- 
cos de tres dos principaes caudilhos e 
apaniguados d'aquelle desafortunado e 
inepto iilbo da Pdicana, os quaes estu- 
dos, no dizer do proprio anthor, foram 
intentados com o fim de so familiarisar 
com OS individuos mais notaveis do par- 
tido do pretensor ci^'a monograpbia ten- 
ciona dar à estampa. Simples estudos, ou 
bosquejo de biographias, comò Ihes elle 
cbama, encontra-so n*elles larga copia 
de noticias historìcas muito ioteressantes 
e ignoradas, que consti tuem um precioso 
peculio de subsidios muito valiosos para 
estudo da època e fa^anhaa do preclaro 
filho do infante D. Luiz e de Violante 
Gomes. 

A vulgar acidi a para os trabalbos 
d*esta ordem entro nós, faz com que se 
tornem de subido apreQO e valor os raros 
que apparecem, sobretudo quando um 
nome illustre comò o de Camillo os au- 
thorisa. É mister n'estes trabalbos de 
investigammo muito rebuscar e discernir, 
muito esmerilhar de documentos, muito 
apurar da realidade, joeirando seculares 
mentiras a que os annos deram fóros de 
verdades, e que o vulgo se compraz em 
aceitar e venerar corno taes. 

E improba a tarefa, e por isso poucos 
se sentem com alentos para a affirontar. 
pò dos archivos nào seduz, e o bafio 
que trescala dos papeis velhos e boloren- 
tos nào tem para o olfacto as delicias 
dos aromas delicados dos camarins ele- 
gantes, nem as glorias que alli se con- 
quistam sào tao apregoadas e tao gratas 
à vaidade comò as que aqui se obteem, 
e as chronicas das salas e dos botiquins 
galardoam. 

Segue-se às tres biographias de Duar- 
te de Castro, Manoel da Silva Coutinho 
e D. Francisco de Portugal, a polemica 



em tempo travada entro Camillo Castel- 
lo Branco e Manoel Pioheiro Chagas, a 
proposito da lenda do Machin, polemica 
agora acroscentada com novas e impor- 
tantes noticias que o author adduz em 
favor da sua opiniào, e centra a de Ma- 
jor. , 

E na scgunda parte do livro, intitu- 
lada — Sentimentalismo — que vamos en- 
contrar Eusebio Macario, 

Todos sabem com que ancia é sem- 
pre aguardada a publicam^o de um novo 
livro de Camillo, e corno os primeiros 
exemplares vòam das màos dos livreìros, 
phenomeno que é um verdadeiro milagre 
n'osta terra aben^oada onde a instruc^ào 
primaria falta, e os homens de letras 
abundam. Esse phenomeno ou milagre 
que aò no extraordinario talento do nota- 
vel escriptor encontra explica^ào, attin- 
giu d'e&ta vez enormes propormoes. Os 
jornaes haviam annunciado que o illus- 
tre romancista seguiria no Eusebio Ma- 
cario a escóla e processos de Zola, e por 
isso, emquanto uns se preparavam para 
rìr às gargalhadas com a engramada cri- 
tica de Camillo, celebravacp outros a con- 
versào do compositor de velhos noveltaa 
sentimentaes às modernas doutrinas de 
um realismo nauseati vo e asqueroso. Ou- 
tros havia ainda, àvidos de torpezas, que 
jà pensavam regalar-se com a lei tura de 
scenas sensuaes e dcsbragadas comò as 
do Crime do Padre Amaro, e do Primo 
Baziìio. 

Appareceu, finalmente, o livro, e os 
da conversào, assim comò os do Bazilio, 
fìcaram corridos e houveram-se por ludi- 
briados. É que o Eusebio Macario é um 
sarcasmo vehemente mas delicadamente 
atirado a esse realismo ignobil que por 
ahi nos querem impingir corno espelho 
da sociedade, comò se todos vivessemos 
atolados no loda^al infecto, aonde esses 
neo-realistas vào buscar o sudario de 
chagas e miserias nojentas de que os 
seus livros s&o estendal. Ficaram ludi- 
briados e corridos, dissemos, e é verda- 
de. Ninguem Ihes déra ainda tao severa 
lÌ9ào. 

Entendem elles que so nos h^pitaes, 
nos lupanares, e nos esgotos, existe o 
verdadeiro realismo, e por isso se nào 



ERNESTO GHAKDRON, EDITOR 



219 



fartam de remexer e chafurdar em to 
das essas podriddea verdes. E là que v&o 
copiar 08 seus qaadros, é de là que tra- 
zem OS igQobois personagens quo n*elles 
figuram. A arte, o engenho, a esthetica, 
sào para elles palavras yazias de senti- 
do. A materia é tudo: os temperamentos 
tudo explicam e tudo determinam. Entre 
o homem e a besta, a differenza, segun-» 
do elles, é unioamente de fórma. Nào é 
na Vida dos campos, das aldéas, ou das 
cidades que vào estudar o seu realismo, 
comò JulioDiniz, Camillo Castello Bran- 
co e outros que nunca se subordinarara 
à sandice de uns processos disparatados, 
que o senso commum condemna, e os 
verdadeiros engenhos rejeitam. Nào é 
là que vào copiar os seus quadros, corno 
nào é na grammatica que estudam a ar- 
te de fallar e eserever correctamente, 
porquo a grammatica para elles é a mais 
supina e incomprehensivel de todas as 
tolices. 

Apesar de tudo, porém, era jà atroa- 
dora a grita com que nos seus arraiaes 
elles mesmos se exaltavam e glorifica- 
v^m pelos altos servi^os que com as suas 
algaravias presta vam às letras pa^rias, 
que sem o seu concurso Salvador morre- 
riam de inani^ào e decrcpitude. Foi en- 
tào que Camillo Ihes arremessou Eusebio 
Macario que é o apodo, a mofa, a apu- 
pada faceta, a gargalhada zombetcira 
mais estrondosa e opportuna que ihes 
tem estourado aos ouvidos. 

Bem haja elle. 



A. DB SCUSA E VASCONCELLOS. 



(Da Arie). 



volume escripto sob este titulo pelo 
snr. Camillo Castello Branco, e editado 
por Ernesto Chardron, sahido ha pouco 
à luz, póde dizer-se e ter-se por um ver- 
dadeiro acontecimento litterario, e mais 
uma prova e testemunho indubitavel, 
aonde elles jà sobravam, tornando-se es« 
cusado mais um, das poderosas faculda- 
dea intellectuaes do grande romancista, 
por certo o primeiro da penìnsula iberi- 
ca, e um dos seus mais brilhantcs e es- 
clarecidos eseriptores e criticos. 

Divide-se este livro em duas partes: 
uma historica, é a que se intitula D. Ari" 
ionio f prior do Grato ; outra romantica, 
Eusebio Macario, 

]^ primcira congrega o illustre au- 
thor, que incumbido fora, segundo ouvi- 
mos, pelo ministerio transacto, de esere- 



ver a historia de D. Antonio, prior do 
Orato, elementos valiosos para està que, 
na prefazào com quo abre o livro, de-> 
darà ser intento seu dar completa, e re-> 
une diversos escriptos seus, do snr. Pi- 
nheiro Chagas e de Mr. Richard Henry 
Major, relativos à polemica litteraria 
levantada a respeito da Lenda do Ma^ 
chin, a apanaphora amorosa de D. Fran« 
cisco Manoel de Mello, a proposito da 
roproduc^ào d'ella e sua de^za na Vida 
do Infante D. Henrique esoripta pelo 
mesmo Mr. Richard Henry Major e ver- 
tida do inglez pelo snr. José Antonio 
Ferreira Brandào. 

Na segunda, intitulada Eusebio Mo/M" 
rio dà completa notici a a formosa dedi- 
catoria com que o snr. Camillo Castello 
Branco a precede. 

Como romance realista é um trabalho 
acabado, e està justi^a a fazem ao emi- 
nente escriptor OS proprios corypheus do 
realismo, Assim nào perdeu elle a apos- 
ta que fìzera com a sua querida amiga, 
que o vencimento d'ella Ihe é consagradp 
por voto unanime de todos oa entendi- 
dos. 

Sondo, porém, comò a ninguem é es- 
curo, o snr. Camillo Castello Branco um 
dos inimigos mais declarados e decididos 
e poderosos da escóla realista, pelas de- 
, masias em que as mais das vezes cahe, 
bem de vèr é que no Eusebio Macario 
nào levou elle em vista um simples tour 
de force f para mostrar a seus adversa- 
rios mais uma vcz a pujante malleabili- 
dade de seu vigoroso talento, e que a este 
nào eram estranhos nem difficeis, quan- 
to mais impossi veis comò alguns o di- 
ziam, OS processos praticos do realismo, 
mas que mirou mais alto e mais longe, 
e por certo a fazer a critica severa d'es- 
te, frisando e levando ao extremo limite 
esses processos, e tornando assim bem 
patentes e irrecusaveis os seus defeitos. 
Conseguiu-o o snr. Camillo Castello Bran- 
co, se tal seu intento? 

Entendemos que nào, e por duas ra- 
zoes. A primeira fornece-nol-a o snr. Gui- 
Iherme d'Azevedo, um alevantado talen- 
to, na chronica occidental do n,^ 41 do 
Occidente, onde a proposito do Eusebio 
Macario escreve : « Veio (este) apregoado 
comò um golpe de misericordia na escóla 
realista. . . Ora Camillo Castello Branco 
é uma natureza impressiona vel e apaixo- 
nada de mais para usar pacientemente 
dos processos criticos de que se costu- 
mam servir os demolidores. E assim, ve- 
ni ol-o, de quando em quando, no EusC' 
bio Macario, apaixonar-se pela nova ma' 



220 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



neira litteraria, identificar-se oom ella, 
asBÌmilal-a nas suas poderosissimas qua- 
lidadcs de esfylista e concorrer, seni pen- 
sar em tal, le vado na corrente impetuo- 
sa da sua pbantasia arrebatada, para o 
triumpho rìdente da nova oavallaria lit- 
teraria. . . É certo que, urna vez por uu- 
tra, Camillo Castello Branco pratica 
conscientemente o realismo, de fito feito 
e caso mui pensado, assignalando-so dis- 
tinctamente as passagens em que é mo- 
vido por semelhante preoccupaQào. Mas 
d'ahi a pouoo esquece-se do papel que 
se propunha representar ^ e é manifesta- 
mente trahido por aquella linguagem vi- 
ril e sòlida em que palpìtam e vivem to- 
dos OS elementos quo cito seculos de la- 
bora^sU) litteraria podem assimilar uà 
palavra d*um povo » . A segunda razào 
deu-nol-a Guerra Junqueìro, fallando do 
Ei^ehio Macario : « E uma loucura em 
Camillo Castello Branco pretender com 
o Eusebio Macario contrariar a corrente 
litteraria da època. Apesar de seu multo 
talento ba-de ser vencido, que nào ba 
luctador, por mais valente, que possa fa- 
zer recuar ou parar um movimento tal... » 
Seja, porém , o que fór, Eusebio Maca* 
rio ficarà e durarà por qualquer lado 
que se encare, comò uma obra de subi- 
dos quilates e grande valor. 

(Da Aurora do Cavado). 



Recebemos este elegante volume, a que 
nos lan^amos avidamente com o afògo da 
curiosidade. Contém a primeira parte 
uns trecbos bistoricos de muita valla, 
pois que o eminente escriptor nào se 
prende a copiar dos livros impressos o que 
a pouca sìsuda crìtica dos nossos autigos 
historiadores compendiaram ou roman- 
cearam. Revolve os manuscriptos, que 
afugentam os que folgam de vencer tra- 
fealbo com pouca dìligencia, e d'elles tem 
desentranbado muita nota preciosa, multo 
ensinamento proficuo, diluido por uma 
critica sempre sagaz, e quasi sempre se- 
gura. No bosquejo de biograpbias dos 
parciaes de D. Antonio, prior do Crato, 
abundam os factos, as dilucida^oes, as 
aprecia^oes elevadas, cruas um pouco às 
vezes, e lardeadas d'aquelles tons leve- 
mente sarcasticos que tao galantemente 
devolve a sua penna. Duarte de Castro, 
Manoel da Silva, conde de Torres-Vcdras, 
e D. Francisco de Portugal sào os tres 
persona^ons que o sur. Camillo retrata, 
embora incidentemente desfira por alguns 
outros. Parece-nos que o desejo de reba- 



bìtitar a memoria do conde de Torres-Ve- 
dras Ibe velou um tanto oa seus grandes 
defeitos e erros, ao passo que o levou a 
exagerar um pouco os do conde de Vimìo- 
so, ciga figura cavalleirosa nos pareco 
por demais apoucada. 

Na lenda do Machin, reflexoes à vìda 
do infante D. Henrique, de Major, com- 
bato snr. Camillo, o romance, que nào 
devia ter sido mencionado na grande obra 
do escriptor inglez, apesar dos motivos 
que para isso invoca. Os snrs. Pinbeiro 
Cbagas e Rodrìgues d'Azevedo baviam 
jà tocado o ponto, o segundo com melbor 
forca de argumentos, mas ainda assìm o 
problema ficou insoluvel por emquanto, 
sondo porém multo possivel que, quando 
menos se juigue, se acbe a origem do no- 
me de Macbico, que apesar da muita con- 
sidera9ào pelo illustre romancista, nào 
podemos aceitar comò a elle en tende. 
Major tem sido um tanto pertinaz em 
manter as suas opinioes. Com relà^&o à 
posÌ9ào da villa do Infante, sustentou 
centra Varnbagen, uma polemica, quan- 
to a nós multo lastimavel, nào so em vista 
do documento e razoes que o illustre bra- 
zìleiro apresentou, mas em vista de ou- 
tros documentos que refor^am a sua jus- 
tÌBsima opiniào. N'esta questào de Ma- 
cbico, voltou a quebrar lanQas pela len- 
da de Machin, nào obstante dcsde os 
descobrimentos se cbamar aquelle sitio 
Macbico e nào Macbin, comò succederla 
se do supposto inglez se derivasse o 
nome. 

Aproveitando o enscjo diremos que na 
parte a que o snr. Camillo se refere està 
a traducQào da obra do Major, regular, 
mas pontos ba ondo transtorna o sentido 
do originai, fazendo commetter erros a 
Major, que elle nào disse, e outras vezes 
omitte cousas que là estào ; por tanto é 
sempre mais seguro vèr o originai, cujos 
descuidos ou equìvocos puderam ter sido 
rosai vados n'uma'traduc9ào mais cuida- 
dosamente trabalbada. 

Sabemos que algaem prepara *umas 
annota^oc» à obra de Major, elucidando 
a Vida do Infante, e factos relati vos com 
uma grande quantidade de documentos, 
a maior parte inedìtos, e esperamos que 
muitos pontos controvertidos sejam entào 
deslindados. 

Da segunda parte do lìvro do snr. Ca- 
millo — JSusel>io M]a.ea.rio — 
romance segundo os novos processos da 
escóla realista, e com todos os — tics — 
do seu estylo, ou antes critica às dema- 
sias d'ella e d'elle, jà na cbronica do nes- 
so ultimo numero disse o seu redactor o 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



221 



bastaute, que seria pleonasmo repetir 
aqui. Mas fica-nos o de ver do agrade- 
cermos o valioso regalo. 

(Do Occidente). 





E ultimo livro do graiide romancista 
Camillo Castello Branco, que acaba de 
ser editado pelo snr. Ernesto Chardron, 
do Porto. 

Camillo Castello Branco, é sempre 
grande, sempre o mesmo. Sempre eleva- 
Qào de lingnagem, sempre primor do es- 
tylo. 

Camillo é d^esses escriptores que se 
léem som que nos fatiguemos, tendo-nos 
preso da sua primeira até à ultima linha, 
desde a scena mais interessante, d mais 
insignificante. E dovéras notavel o modo 



trìumpbante corno elle responde no Bo- 
letim de Bibliographia portugueza, às 
criticas feitas ao seu Cancioneiro alegre. 
Cada phrase quo oserò ve, cada golpe pro- 
fundo que descarrega nos seus adversa- 
rios. Sempre a mesma agudeza de phra- 
se desde o principio a té ao fim do ar- 
tigo. 

É por que Camillo é um talento de pri- 
meira ordom, e todos os talentos se ma- 
nifostam. 

Fundado na escóla realista, Eusebio 
Macario, segunda parte d'este livro, tem 
as bellezas dos romances de Zola e dos 
primeìros realistas francezes. 

Esto livro ó mais uma coròa de louros 
para juntar às muitas que tem adquirido 
na sua bril haute carreira litteraria. 

Ao author as nossas felicita^oes, ào 
editor o nosso profundo reconhecimento* 



ULTIMAS PUBLICAgÒES 

lEIlei^oes lil>ex-i*iiiias fi un.tig'a. poirtiig'ueza,. Fafe e um gover- 
no progressista em 1879. Manifesto eleìtoral ao circulo 15.o o cartas politicas ao 
presidente do conselho de ministros, Anselmo José Braamcamp, pelo Visconde de 
Moreira de Bey, 1 voi 200 

IS.eg'X'as da. equita^sLo» pelo methodo Baucher, colligidas por José Go^ 
dinho de Meìidonga. 1 voi li^200 

£listox*ia Tini versai, esbo90 de sociologia d escripti va, por TheophUo Bra^ 
ga. No^ào positiva de historia e civìlisa9oe3 fundadas sobre o empirismo das artes 
industriaes : Egypto, Chaldéa, Baby Ionia e Assyria. 1 voi li^OOO 

Osserva ^oe» di Oitanla do snr. dr. Emilio Httbner, por F. Martins 
Sarmento. 1 voi 200 

IMCanual da eontalbilidade iii.iiii.ieipal ou coordena^ào da legis- 
la^ào vigente com respeito a or^amentos e contas municipaes, por Joaquim de Al" 
meida e Cunha, 1 voi Is^OOO 

£^stiido pax* a a solucao das questoes do cambio e do papel-moeda no 
Brazil, por Julio Roberto Dunlop, 1 voi 500 

IMCorte ao clex'icalisnio ou resurrei^ao do sacrificio humano, por monse- 
nhor Gaume, traduzido da edi^ào franceza, por José Gongalvea de Aguiar. 1 volu- 
me 400 

S^stuclos de liistoiria e de litteratixra, por Luiz Qarrido. 1 vo- 
lume 600 

IS.at'tazzi e sua època* I. Victor Manoel e Carlos Alberto, pela prince- 
za Rattazzi, traduc9ào de Guiomar Torrezào. 1 voi 600 

JL pinosa da g'ioz'ia, por Henrique Peres Eacrich. 1 voi 500 

Pliototypias do !M[ixilio, por José Augusto Vieira, 1 voi 500 

O iilt:ixxi.o cavalleix-o, romance historico originai, por A. M. da Cunha 
Sa. 1 voi 600 

IMCaii'g'ax'ida* Scenas da vida contemporanea, por Julio Lourengo Finto. 1 vo- 
lume li^tOOO 

Principio» de clironologia approvados pela junta consultiva de ins- 
truccào publica para uso dos lyceus, por Francisco Augusto Xavier de Almeida. 1 
voi 500 

A. musa em f^éx-ias — idyllios e satyras — por Guerra Junqueiro. 1 vo- 
lume 600 

Os xxoi V0S5 por Teixeira Queiroz. 1 voi 1^00 



222 



BIBLIOGRAPHIÀ PORTUOUEZA E ESTRANGEmA 







DB 



ANTONIO DINIZ DA CRUZ E SILVA 

Edi^ào critica, disposta e annotada por 
«José KAmos Ooellio, com um prologo por este àcerca do author 

e seus escriptos, 

acompanhada de variantes e illustrada com desenkos de 

IMCanoel M!ace<io e gravuras de 

AJ.l>ei*to, Hlldl>]:«aii.d, X*o<lroso e Poverini 

Um volume, 4:^500 reis 

LISBOA 



A empreza do Archivo Pitoresco, a 
cuja testa se acha o sur. Castro Irmào, 
proprietario d'urna das meihores typo- 
graphias do paiz e cnjas obras pela sua 
nitidez e espleudor facilmente nào en- 
contrario rivaes, acaba de lan9ar no 
mercado litterario urna formosa edi^ào 
do Hyssope, a 8.» d'este immortai poema 
de Antonio Diniz da Cruz e Silva. 

Póde bem dizer-se um verdadeiro mo- 
numento litterario levantado ao nosso 
prìmeiro poema comico e a seu illustra- 
lo author, està edi^ào em que pleiteiam 
preferencias e prima zias eotre si o acu- 
rado cuidado que bouve em tornal-a uma 
edi^ào princeps, nào so pela magnifica 
introduccào que Ihe escreveu o snr. Ra- 
mos Coelho sobro a vida e escriptos de 



Diniz, corno pelas innomeras variantes 
e copiosas notas com que fecha, e o es- 
mero e primores t^pographicos com que é 
impressa em exceilente papel, com mui- 
tas estampas representando as principaes 
scenas do poema, exceilente inven^ào do 
lapis engenhoso e facil de Manoel Mace- 
do, e nào menos exceliente gravura de 
Alberto, Hildbrand, Pedroso e Severini, 

Constitue o poema um tomo de 461 pa- 
ginas em 4.o grande, e o seu custo é de 
4i^500 reis, em verdade modico para o 
trabalho e despezas que demandou t&o 
magnìfica edi^ào. 

Recommendando-a aos nossos leitores 
apenas fazemos acto de pura justÌ9a, 
sem minimo favor. 

(Da Aurora do CavaAo). 



IHOVAli PUBLICACOfili 

IVoites <io l'orto — Historias e lérias, por Sa d^Albergariaf com o retrato e 

uma noticìa biograpbica do author, escripta por elle mesmo. 1 voi 500 

IVo Brazil — Notas de viagem, por Silva Finto. 1 voi 500 

]M[a.iiua.l do g;'a.lliiiliei]ro. 1 voi. 150 

AJ.ina,iia.elx das seiilioi*a.6 para 1880, publicado sob a protecQào de 
B. M. a Rainha a Snr.& D. Maria Pia, contendo 206 artigos e o esboQo biographi- 
co de Miss Maria Carpenter, enriquecido com differentes tabellas e noticias de in- 
teresse publico e uma sec9ào de annuncìos, por Guiomar Torrezào. 1 voi . . . 240 
Oeuso de 18*7^8 — Éela^ào das frcguezias do continente e ilhas. — Popula- 
^ào, sexos, fogos, circumscripQào administrativa e ecclesiastica, judiciaria, politi- 
ca, militar, maritima, postai, tolegraphica e aduaneira, por Joào da Costa Bran- 

dao e Alhuquerque. 1 voi 800 

Ainda ha alguns exemplares do Oeuso de ISO'^t* 1 voi 500 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 

OUVRAGES ILLUSTRÉS 



223 



LITTERATURE, ROMANS, POÉSIBS, VOYAGBS, ETC. 



AJ.I311111. de la galene de Rubens, dito 
du Luxembourg, compose des vingt 
cinq tableaux du muaée du Louvre, 
gravés sur acier par les premiers ar- 
ti stes, avec un beau por tr alt de Ru- 
bens, dessi né et grave par Ledere, 
accompagno de l'expKcation allégori- 
quo de chaque sujet et d'un résumé de 
la vie de Rubens. 1 volume in-folio 
relié 7^000 

Ampere (J. J.) — Promenade en 
Amérique, précédée d'uno étude sur 
J. J. Ampère par C. A. Sainto-Beu- 
ve. l voi. in-80 relié 2^800 

j4.ii<le]rseii. — Nouveaux coutes da- 
nois. 1 voi. in-80 relié 2i^400 

Ajrioste — Roland furieux, poSme 
heroVque, traduit par A. J. du Pays. 
1 voi. in-fol. relié 30^000 

— Roland furieux, traduction nouvelle 
et en prose, par M. N. Philippou de 
la Madelaine, précédée d'une introdu- 
ction par M. Jules Janin. 1 volume 
in-80 relié 3)^000 

^i*meiig;a;U<l (M. J. G. D.) — Les 
galeries publiques de l'Europe: Rome 

— Génes — Turin — Milan — Parme 

— Mantoue — Veni se — Bologne — 

— Pise — Florence — Naples — Pom- 
pei*. 3 voi. in-fol. relié 24i^000 

Bea.uin£i]:*eliai6 — CEuvres com- 
plètes, précédées d'une notice biogra- 
phique par M. Lou\^ Moland. 1 voi. 
in-80 relié 4i^000 

Be<lolUèi*e (Emilie de la)— -Lon- 
dres et les anglaises. 1 volume in-80 re- 
lié 2i^250 

Sex*qiiiii. — Sandford et Merton, sui- 
vi de — Le petit grandisson — Le re- 
tour de Croisière — Les soeurs de lait 

— Les joueurs — Le page — L'honné- 
te fermier. l voi. in-80 relié. . 3i^200 

Bertall — La vie hors de chez soi 
(comédie de notre temps) L'hiver — 
Le printemps -^ L'été — L'automne, 
études au orayon et à la piume, l voi . 
in-80 relié 5^500 

— - Comédie do notre temps — La crivili- 
té — Les l^abitu^efii — l4es moeurs — 



Les cnstumes — Les manières et les 
manies de notre epoque, études au 
crayon et a la piume — 1 volume in- 
40 relié 5^500 

Biax*<l (F.) — Deux années au Bré- 
sil. 1 voi. in-80 relié U^ìOO 

Bla.iicli^x*e (H. de la) — La péche 
aux bains de mer. 1 volume in-80 re- 
lié li^500 

Boccaco — Contes, traduction s de 
Sabatier de Castres. 1 volume in-80 re- 
lié ; omo 

Boileau (N.) — (Euvres complètes, 
précédées de la vie de l'auteurd'après 
documeuts nouveaux et inédits par 
Edouard Fournier. 1 volume in-80 re- 
lié 5i^00 

Boiteau - IDespi^éaux — CEu- 
vres complètes — conforme au tcxte 
donne par Berriat- Saint Prix, avec les 
notes de tous les commentateurs, pn- 
bliées par M. Paul Chéron, précédées 
d'une notice sur la vie et les ouvrages 
de Boileau, par C. A. Sainte-Beuve. 1 
voi. in 80 relié -WOO 

Bossuet — Discours sur l'histoire 
univorselle, pour expliqucr la suite de 
la réligion et les changements des em- 
pires. 1 voi. in-80 i-elié 5|^00 

Bz-elini. (A. E.) — La vie des ani- 
maux, illustrée, description populaire 
du règne animai, édition fran^aise, re- 
vue par Z. Gebre. 2 volume in-80 xe- 
lié 7(^200 

Br-iim, Hamilton. <fe !Heii- 
maun. — Le vocabulaire illustre 
des mots usueis fran^ais, anglais, al- 
lemanda. 1 voi. in-80 relié.... 2s|J400 

Oaliier (P. Ch.) — Nouveaux mélan- 
ges d'archeologie, d'histoire et de la 
littérature sur la moyen-àge — curio- 
sités mysterieuses. 1 volume in-folio 
relié 12;^500 

Oalioiii*s <fe B>ielie — Chimie deq 
demoiaelles, lecons professées a la Sori 
benne. 1 voi. in^8o relié 2i^20a 

Oal^un (Leon) — Les aventures d\\ 
capitaine Magon ou une exploratioi^ 
phénicicnne n^ille ans avant l'ère cl^r^i 



224 



BIBLIOGRAJ>HIA PORTUGUKZA E ESTRANGEIRA 



tienile. 1 voi. in-S® relié 4^^200 

Oairrey (Émile). — Lea aventures de 
Robin Jouet — G-ayane franQaise. 1 
voi. in-8o relié 3^600 

Ooirvantes — Don Quìchotte de la 
jeunesse. 1 voi. in-S® relié. . . . '6^200 

Oliasles (Émile) ^— Nouveaux con- 
tea de tous paya. 1 volume in-S® re- 
lié 3|i200 

Olmu (Leon) — La bannière bleue, 
avenbires d'un muaulman, d'un chré- 
tien et d'un paYen à l'epoque dea croi- 
aadea et da la conquéte mongole. 1 
voi. in.8o relié 3^200 

Olément (Felix) — Hiatoire abré- 
gée dea beaux-arta chez toua lea peu- 
plea et à toutea lea époquea. 1 voi. 
in-8o relié 4i^500 

Oorneille — {(Euvrea de Pierre et 
Thomaa) précédéea de la vie de Pier- 
re Comeille par Fontenelle. 1 volume 
in-8o relié 4^000 

Oortaml^ei't (Richard) — Moeura 
et cara etèrea dea peuplea (Europe — 
Afrique), morceaux extraita de divera 
auteura. 1 voi. in-8o relié li^GOO 

Oiieii<lia.s <fe Féiiéa.1 — L'Eapa- 
gne pittoreaque, artiatique et monu- 
mentalo, moeura, usagea et coatumea. 
1 voi. in-8o relié 4s^500 

Dantie]:* (Alphonae) — Lea femmea 
dana la aociété chrétienne. 2 volumea 
in-8o relié ISmO 

IDela vigne (Caaimir) — (Euvrea 
complètea — Théàtre — Meaaéniennea 
— Poéaiea populairea et diveraea — 
Derniera chanta — Po6mea et balladea 
aur l'Italie. 1 v. in.8o relié.. . 4i^000 

I>elvaxi (Alfred) — Lea murali lea ré- 
volutionnairea de 1848, collectiona dea 
decreta, bulletina de la république, 
adhéaiona, affichea, fac-aimile de si- 
gnaturea, profeaaiona de foi, etc. 2 v. 
em 1 in-4o relié 4i^000 

I>esiioyex's (Louia) — Aven turca 
de Robert-Robert et de son fidèle com- 
pagnon Touaaaint Lavenette. 1 voi. 
in-80 relié 2i^800 

X>ixoii (Hepworth) — La conquéte 
bianche, voyage aux Étata-Unia d'Ame- 
rique. 1 voi. in-8o relié 3i^000 

Dupanloup (Mgr.) — Hiatoire de 
Notre-Seigneur Jéaua-Chriat. 1 volume 
in-80 relié 5)^00 

I>iix*Ti.y (Victor) — Hiatoire dea ro- 
maina depuia lea tempa lea plua recu- 
léa juaqu'à l'invaaion dea barbarea. 1 
voi. in-80 relié 1^000 

"EifieLJMlt (Louia) — Dana lea boia, l 
voi. in-80 relié li^500 

rarine (M. Charlea) — A travera la 



Kabylie, omé de 45 compoaitiona dea- 
ainéea d'aprèa nature. 1 volume in- 
80 relié 2i^500 

Fatli (Georgea) — Perdua au milieu 
de Parìa, hiatoire do trois orphelina. 1 
voi. in-80 relié 2^^500 

Faiire (Amédée le) — Hiatoire de la 
guerre franco-allemande 1870-71. 1 
voi. in-80 relié 5i^000 

— Procèa du marechal Bazaine, rap- 
porta, audiencea du premier conaeil de 
guerre, compie rendu redige avec 
radjonction de notea explicativea. 1 
voi. in-80 relié 4i^000 

Fénélon — Aventurea de Téléma- 
que, auiviea dea Aventurea d'Ariato- 
notta. 1 voi. iu-80 relié 7i^200 

Fig-Tieiredo (Antonio Pereira de) 
— A Biblia Sagrada, traduzida em 
portuguez aegundo a vulgata latina, 
aeguida de notaa pelo reverendo cone- 
go Delaunay e d'um diccionario expli- 
cativo doa nomea hebraicoa, chaldai- 
coa, ayriacoa e gregoa, e d'um diccio- 
nario geographico-hiatorico, e appro- 
vada por mandamento de s. exc* 
rev.™* o arcebiapo da Bahia. 2 voi. 
in-8.0 encadernadoa. 13^500 

Foirrnier (M. Édouard) — CEu- 
vrea complètea de Regnard, nouvel- 
le édition augmentée de deux piècea 
inédites, précédée d'une introduction 
d'aprèa dea documenta entièrement 
nouveaux. 1 voi. in-80 relié.. òj^OO 

Fiientes (Manuel A.) — Chine, ea- 
quiaaea hiatoriquea-atatiatiquea, admi- 
nistrativea, commercialea et morales. 
1 voi. in-80 relié 5i^00 

Gal>oiird (Amédée) — Hiatoire de 
Louia XIV. 1 voi. in-80 relié. . 1)^200 

— Galeriea hiatoriquea du palaia de Ver- 
aaillea. 1 voi. in-fol. relié.. . . 12i^00 

Gralland — Lea mille et une nuita, 
contea arabea, traduita par Gallando 
précédéa d'une introduction par M. 
Julea Janin. 1 voi. in-80 relié 4s^00 

— ^ Lea mille et une nuita, contea ara- 
bea, traduita par Galland, revua et 
corrigéa aur l'édition de 1714, angmen- 
téa d'une diaaertationa aur Lea mille 
et une nuita, par M. le baron Sylvea- 
tre de Sacy. 1 voi. in-80 relié 4i^00 

GaTitler, Saint "Victor, Ajt- 
sène Houssaye — Lea dieux 
et Ica demi-dieux de la peinture. 1 
voi. in-iBo relié 4i^200 

Gautiei* (Théophile) — Voyage en 
Eapagne — Traa loa Montea. 1 volume 
in-80 relié 5^000 

Gavarni — (Euvrea choiaiea, re- 
vuea, corrigées et nouvellement claa- 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



225 



sées par Tauteur ; étudea de moBurs 
contemporaines — Le carnaval à Pa- 
ris — raris le matin — Lea étudiants 
de Paris — La vie de jeune homme — 
Les débardours. 2 v. in-8o rei. 4^00 

— CEuvres choisies, revues, corrigées et 
nouvellement classées par l'auteur — 
études contemporaines. 1 volume in- 
8o relié 6iW0 

Gro^iefji'oy (Prédérique) — Le livre 
d'or fran9ais — La mission de Jeanne 
d'Are. 1 voi. in-80 relié 13|;500 

Groiifi^s (Jules) — Le livre de pa- 
tisserie. 1 voi. in-8o relié 5;^500 

Grold^mltli — Le vicaire de Wake- 
field. 1 voi. jn-8o reliè 2,^400 

Groii]:*a.ii<l (Meiio Julie) — Cousine 
Marie. 1 voi. in-8o relié li^800 

GrOTirnerie (Eugène de la) — His- 
toire de Paris et des ses monuments. 
1 voi. in-8o relié 3|;600 

Grrandville — Les métamorphoses 
du jour, précédées d'une notice sur 
Grandville, par M. Charles Blanc. 1 
voi. in-80 relié 4^^800 

Grx-a^si (R. P. Pascal) — Litanies 
de la Très-Sainte-Vierge, expliquées et 
commentées. 1 voi. in 8® relié 2i^500 

Grii^rangeir — Sainte Cécile et la 
société romaine aux deux premiers siè- 
cles. 1 voi. in-8o relié 8^000 

Griiizot (M.) — L'histoire d' Angle- 
terre depuis les temps les plus recu- 
lés jusqu'à l'avénement de la reine 
Victoria, racontée a mes petits-en- 
fants, et recuillie par M"»e Witt, née 
Guizot. 2 voi. in-80 relié 12W0 

Hayes (Dr. J. J.) — La mer libre 
du póle, voyage de découvertes dans 
les mers arctiques, exécuté en 1860- 
1861. 1 voi. in-8o relié 3|;000 

— La terre de désolation, excuraion d'cté 
au Groénland. l v. in-8o relié 31.200 

Xléricault (Charles d') — La reine 

sauvage. l voi. in-8o relié... 3iWK) 
Hoeflfei* (Ferdinand) — Le monde 

des bois — plantes et animaux . 1 voi. 

in-80 relié 6i^500 

XloiSVnuxiii — Contes fantastiques, 

précédés de souveuirs intimes sur la 

vie de l'auteur par P. Chrispin. 1 v. 

in-8o relié 3:^200 

Xloiissaye (M. Arsene) — Les fem- 

mes du temps passe. 1 v. iu-8o 5iW0 

— Les légendes de la jeunesse. 1 voi. 
in-8o relié 4^^800 

Hussenot (Ernest) — Album des 
deux sièges de Paris 1870-1871. 1 voi. 
in.8o relié 3^^500 

«JacolUot (Louis) — L'Afrique mys- 
terieuse — L'homme des déserts — La 



cote d'Ébéne —La còte d'Ivoire — La 
cité des sables. 1 v. in-8o. rei. 2^1800 

•Tacquet (l'abbé) — Vie des saints 
les plus populaires et les plus intéres- 
sants, recuilliea et précédées d'une in- 
troduction. 1 v©l. in-8o relié. 3)^200 

«Jaeqiieinairt (Albert) — Histoire 
du mobilier, recherches et notes sur 
les objects d'art qui peuvent composer 
l'ameublement et les collectiona de 
l'homme du monde et du curieux. 1 
voi. in.8o relié 7^600 

«Jeziei^slci (Louis) -^ Combats et ba- 
tailles du siège de Parìa. Septembre 
1870 à janvier 1871. 1 volume in- 
80 relié 2;^000 

ILiaex-oix (Paul) — XVIlImo siede, 
lettres, sciences et arts en Franco, 
1700-1789. 1 voi. in.8o relié. . 8i^000 

— Les arts au moyen-àge et à l'epoque 
de la renaissance. 1 volume in-80 re- 
lié 8i^000 

— Moeurs, usages et costumes au moyen- 
tgQ et à répoque de la renaissance. 1 
voi. in-80 relié 9|!000 

— Sciences et lettres au moyen-àge et à 
l'epoque de la renaissance. 1 volume 
in-80 relié 8^000 

— Vie militaire et religieuse au moyen- 
àge et à l'epoque de la renaissance. 1 
voi. in-80 relié 8i^000 

ILiafoxKl (Capitaine G.o^) — Voyages 
autour du monde et naufrages célè- 
bres. La Polynésie orientale, le Chili, 
Ayacucho, fin de la guerre de l'Inde- 
pendence, suite de la Chine, la Mala- 
sie, Singapore, les Moluques, le Tri- 
pan, les nids d'oiseau, l'Afrique orien- 
tai, les boers. 3 voi. in-So relié 61.000 

XuSL iFontaine — Fables, précédées 
d'uno notice sur sa vie et son oeuvre, 
par A. Morel. 1 voi. in-80 rei. 3ii8600 

ILiax*ou@se (M. P.) — Fleurs histo- 
riques des dames et des gens du mon- 
de, clef des allusions aux faits et aux 
mota célèbres que l'on rencontre fré- 
quemment dans les ouvrages des écri- 
vains fran^ais. 1 voi. in-80 rei. 2j^400 

— Fleurs latines des dames et dea gens 
du monde ou clef des citations latines 
que l'on rencontre fréquemment dans 
les ouvrages des écrivains francala, 
avec une préface de M. Jules Janin. 1 
voi. in-80 relié 2s^400 

X^as^ez-x-e (Henri) — Notre-Dame de 
Lourdes, ouvrage honoré d'un href spe- 
cial adressé à l'auteur par sa sainte- 
té le pape Pie jx. 1 volume in-80 re- 
lié 3|!000 

ILiaiii:ii]:*e (le comte d'Escayrac de) — 
La Chine et les chinois, histoire, reli- 



226 



BIBUOGRAPHIA PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



gioD, gouvernement, costume. 1 volu« 
me in.8o relié 61WOO 

Xuenoir (rabbé) — L'Évangile pour 
la jeunesse. 1 voi. in-80 relié.. 5|t000 

Xuiil>l>oeli: (Sir John) — Lea origi- 
ncs de la civilisatìon, état primitif de 
rhomme et moeurs dcs sauvages mo- 
dernes. 1 voi. in-S^ relié 3,^800 

]M[a.lot (Hector) — Homain Kalbris. 
1 voi. in-80 reiié 2i^000 

l^Ang^in. (Arthur) — L'homme et la 
bète. 1 voi. iu-80 relié. ...... 2^^500 

— N08 ennemis et no9 alliés, étude^ 
zoologi qucs. 1 voi. in-80 relié WOO 

— Voyages et déeouvertes outre-mer au 
XIX siede. 1 voi. in-80 relié. . . 3i^200 

IMCautz (Paul) -T Les chefs-d'oeuvre 
de la pinture italienne. 1 volume in- 
foi, relié 20^000 

IMCar'tig'ii.y (M. Tabbé) — Diction-» 
naire dea antiquités chrétionnes conte- 
nant le résumé de tout ce qu'il est es- 
sentiel de connaitre sur les origines 
chrétiennes jusqu'au moyen-àge ex- 
clusivement. l voi. in-80 relié b^OOO 

oMCaujrice, Bast, etc. — Le livre 
rouge, histoire de l'échafaud en Fran- 
co. 1 voi. in-folio relié 4^000 

Mlayne-I^ey^i — Aventures de 
terre et de mer — Les deux filles du 
Squatter. l voi. in-80 relié. . . 2s^500 

UMUlton. et Olieadle — Voyage de 
r Atlantique au Pacific à travers le Ca- 
nada, les montagnes rochcuses et la 
Colombie auglaise. 1 volume in-So re- 
lié 3^000 

]M[olièx*e — (Euvres complètcs im- 
prìmées sur cellesde 1679 et 1882 avec 
des notes explicativcs sur les mots 
qui on vieilli, ornées de portraits en 
pied, coloriés, réprésentant les princi- 
paux personnages de chaque pièce. 1 
voi. in-80 relié 5^0 

Poitoii (M. Eugène) — Un hiver en 
Égypte. 1 voi. in-80 relié 311600 

Xt^aoine (J.) — (Euvres compi ètes, 
précédés d'une essai sur sa vie et ses 
ouvrages par Louis Racine. 1 voi. in- 
80 relié 4;^000 

Xt^aciue (Louis) — (Euvres de Jean 
Racine, précédées des mémoìres sur 
sa vie par Louis Racine. 1 voi. in- 
80 relié 4i^600 

I^^eudii (Victor) — Les animaux de 
la France, 1 voi. in-80 relié. 3;^200 

Rousseau (J. J.) — Julie ou la 
nouvelle Héloise. 1 volume in-80 re- 
lié 4s^500 

Rousseilet (Louis) — Le char- 
meur de serpente. 1 volume in-80 re- 
lié WOO 



SaaT'e<lra (Miguel de Cervantes) — 
L'ingénieux hidalgo Don Quichotto de 
la Mancha. 1 voi. in-80 relié. 4i2800 

®acy (Lemaistre de) — La Sainte Bi- 
ble, traduite en fran^ais, acompagnée 
du texte latine de la vulgate. Nouvelle 
édition, revue par M. Tabbé Jacquet. 
6 voi. in-80 relié 28|!000 

— Les Saints Évangiles, revus d'après 
lesmeilleurstextes, par M.l'abbé Jac- 
quet. 1 voi. iu-80 relié 5;?000 

lue Sag-e — Histoire de Gii Blas de 
Santillane, précédée d'une introdu- 
ction par M. Jules Janin, 1 volume 
in-80 relié , Sj^OOO 

Saiute-SeiiT^e (M. ) — Galerie de 
femmes célèbres, tirée des Causeries 
du lundi. 1 voi. in-80 relié. . . 61(000 

— Les moralistes fran9ais, pensées de 
Pascal, maximes et réflexions de la 
Rochefoucald, caractèrcs de la Bruyè- 
re, oeuvres de Vauvenargues, textes 
soigneusement révisés, complètcs et 
annotés à l'aide des travaux les plus 
récents de l'érudition et de la criti- 
que, précédés d'une notice sur cha- 
cun des ces écrivains. 1 volume in- 
80 relié. 4,^000 

Saintiiie (X. B.) — Le chemin des 
écoliers, promenade de Paris a Marly- 
le-Roy en suivant les bords du Rhin, 
avec 450 vignettes de G. Dorè, Fos- 
ter, etc. 1 voi. in-80 relié. . . . 6|;000 

Saii<l (Maurice) — Masques et bouf- 
fons (comédie italienne), preface par 
George Sand. 2 voi. in-80 rei. 12;^00 

Savarin. (Brillat) — Phyaiologìe du 
goùt, précédée d'une notice biogra- 
phique par Alphonse Karr. 1 voi. in- 
80 relié 2^400 

Sclimi<l — Contes. 1 volume in-80 in_ 
80 relié 3^200 

— Contes, traduction de A. Cerfbew de 
Médelsheim. 2 voi. iu-80 relié 5i^000 

Sévig-n^ (Mme de) — Lettres choi- 
sies précédées d'une notice par Grou- 
velle, d'observations litteraires par 
Suards, acompagnées de notes expli- 
cativcs sur les faits et sur les person- 
nages du temps, ornées d'une galerie 
de portraits historiques. 1 volume in- 
80 relié 6s^000 

Shake spea]:*e -7- (Euvres complè- 
tcs, traduites par Émile Montegut. 3 
voi in-80 relié 7^800 

Stael (M»»e la baronne de) — Corine 
ou l'Italie. 1 voi. in-80 relié. . 4i^00 

ITasso (Torquato) — La Gerusalem- 
me liberata, colla vita dell'autore e 
note storiche ad ogni canto per Giu- 
seppe Bertinatti. 1 volume in-80 re- 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



227 



lié 3^000 

— La Jérusalem délivrée, traduqtiou 
nou velie et en proso par M. V. Phili- 
pon de la Madelaine, précédéo d'une 
introduction par M. Jules Janin. 1 v. 
in-So relié 3|;000 

nra.stu (M"»® Amable) — Voyago en 
Trance. 1 voi. in-8o relié.... 3i^-20a 

Gnionnson (C. Wy ville) — Lea abì- 
mes de la mer, recita dcs expéditions 
de draguagedes vaisaeaux de S. M. le 
Porenpines et le Lighlming pendant 
les étéa de 1868, 1869 et 1870. 1 voi. 
ìn-8o relié 41500 

Todtóre (M. ) — La Fronde et Maza- 
rin.^ 1 voi. in-8o relié 1^200 

— Philippe- Auguste. 1 volume in-8o re- 
lié li^200 

Tòpflfei* (R.) — Nouvellos genevoi- 
ses. 1 voi. in-80 relié. 3i^400 

Valentiin (F.) —Les ducs de Bour- 
gogue, histoire de xiv e xv siècles. 1 
voi. in-8o relié li^200 

"Veiiillot: (Louis) — Jesus-Christ, 
avec une étude sur l'art chrétìenne 
par E. Cartier. 1 v. in-8o rei. 8i^00 

"Vie (la) de N. S. Jésus-Chrìst, écrite 
par les quatre évangélistes, coordon- 
née, expliquée et devoloppée par les 
saìnts pères, les docteurs et les ora- 
teurs les plus célèbres et les hommes 



les plus éminents qui aient paru dans 
l'église depuis les temps apostoliques 
jusqu'à nos jours. 2 volumes in-fol. re- 
lié 12,^000 

"Voltaire — Lettres choisies, précé- 
dées d'une notice et accompagnées de 
notes ezplicatives sur Ics faits et sur 
les personnages du temps, par Louis 
Moland. 1 voi. in-8o relié... 6iW00 

— Théàtre complet, précède d'une in- 
troduction par M. Edourd Fournier. 1 
voi. in-80 relié 6,^000 

IVliymper (Frederick) — Voyages 
et aventures dans l'Alaska (ancienne 
Amérique russe). 1 volume in-8o re- 
lié 3|;000 

^Wiss — Le Robinson suisse, traduit 
do l'allemand por M™® Elise Voiart, 
précédée d'une introduction par Char- 
les Nodier. Ivol. in-8o relié. 3ig200 

VTitt (M»ne de) — Scènes historiques, 
Odetto la suivante, l'enfance de Pas- 
cal, Vaux et Piguerol, derrièro les 
haies, guerre de la Vendée. 1 voi. in- 
80 relié ls^500 

Yriu,ri:e (Charles) — Les bords de 
l'Adriatique et le Montenegro, Veni- 
se, ristrie, le Quarnero, la Dalmatie, 
le Montenegro, et la rive italienne. 1 
voi. in-folio relié 14^000 



AGRICULTUEE, HORTICULTUEE, PLANTES 



Sa.irillett (J.) — Les Pensées, his- 
toire, culture, multìplìcation, emploi. 
1 voi. in-40 relié 12|;500 

BeirtlioiKl (S. Henry) — Lo mondo 
des iusectes. 1 voi. in-80 relié 3|;i00 

Blanclière (H. de la) — Les oi- 
seaux gibi; r, chasse, moeurs, acclìma- 
tion. 1 voi. in-fol relié 13i|;500 

Boulai^t (Raoul A.) — Ornithologie 
du salon, synonymie, moeurs, descrì- 
ption, nourriture dcs oiseaux de vo- 
lière curopéens et exotiques. 1 voi. 
in-80 relié 7^500 

Oliampfleui*^^ — Les oiseaux 
chanteurs dcs boia et des plaines. 1 
voi. in-80 relié 15^600 

Ohenii (Dor J. e.) — Ornithologie 
du chasseur, histoire naturelle, moeurs, 
habitudes, chasse des oiseaux de plai- 
ne, de bois et de marais. 1 voi. in- 
80 relié 7|;500 

Oorcliei* (P. S.) — Les champignons, 
histoire, descrìption, culture, usages 



des espèces comestibles, vénénouses, 
suspectes employées dans les arts, 
l'industrie, l'economie doraestique, la 
médecine. 1 voi. in-80 relié.. 7i^500 

Ooiii:aiice (A.) — L'oli vier, histoi- 
re, botanique, régìons, culture, pro- 
dui ts, usages, commerce, industrie, 
etc. 1 voi. in-80 relié 7i^500 

DeTiterg-lieiii (Oswald deKercho- 
ve) — Les palmières, histoire icono- 
graphique, géographie, paleontologie, 
botanique, description, culture, em- 
ploy, etc, avec indice general des 
noms et synonymes des espèces con- 
nues. 1 voi. in-80 relié 7s^500 

«Jauin A iForney — Les roses, 
histoire, culture, description, préface 
par Ch. Naudìn. 1 volume in-80 re- 
lié 7i^00 

ILieslbazeilles» (E.) — Tableaux et 
scènes de la vie dcs animaux. 1 v. 
in-40 velie imo 

!Naii<liii (Charles) — Les plantea à 



228 



BIBLIOGRAPHIA P0RTU6UEZA E ESTRANGEIRA 



fenillago colore, histoire, description, 
culture, emploi dea espèccs lea plus 
remarquablea pour la decora tiou dea 
parca, jardins , serres, et appartementa, 
précède d*une introduotìon. 2 yolumea 

ia-8o relié 151000 

Revi^ire, JLn.éLv^ A Rose — 
Lea fougèrea, clioìz dea espècea lea 
plua remarquablea pour la décora- 
tion dea serres, parca, jardins, et sa- 
lona, précède de leur hìstoire botani- 
que et horticole. 2 v, ia-S» relié 15iW)0 



Sapoi*ta, (Comte) — Le monde dea 
plantea avant Tapparìtion de Phomme. 
1 voi. ia-80 relié 4^500 

Smee (Alfred) — Mon jardin, geolo- 
gie, botanique, hiatoire naturelle, cul- 
ture. 1 voi. in-8o relié -MSOO 

Verlot (B.) — Lea plantea alpinea, 
choix dea plua bellea eapèccs, descri- 
ption, station, excursions, culture, em- 
ploi. 1 voi. in-8o relié 7i^00 

T'ia.un.e (Ed.) — Prairiea et plantes 
fourragèrea. 1 voi. in-8o relié 2i^800 



SCIENCE POPULAIRE 



I 



I>es<loitits (M.) — Lenona élémen- 
tairea d'aatronomie. 1 volume in-S® 
relié 1^-200 

X>iil>oi6 et Beni.a;i*<l — La cui- 
sine claasique, études pratiquea, rai- 
aonnées et démoustrativea do l'école 
fran^aise appliquée au aervice à la 
rusae. Ouvrage illlustré de 64 plan- 
cboa reformant près 350 desaina. 2 v. 
in-4o relié IWOO 

Er^ie uii<l 'Weltg'el>au.de — 
Hand Atlas. 1 voi. ia-fol. rei. 20^0 

Fig-uier — Connaia- toi-toi-mérae, 
notiona de phyaiologie à l'uaage de 
la jeunease et dea gena du monde. 1 
voi. in-8o relié 3i?000 

— La terre avant le déluge. 1 volume 
in-80 relié ^ 3i^000 

— La vie et lea moeurs dea animaux, 
zoophytea et molluaquea. 1 volume in- 
80 relié 3|;000 

— Le aavant du foyer ou notious acienti- 
fiquea sur Ics objecta uauela de la vie. 
1 voi. in-80 relié .' 3i^000 

— Lea animaux, articuléa lea poiaaons et 
lea reptilea. 1 voi. in-80 relié. 3W^} 

— Lea grandea inventiona modernea 
dana lea scieucea, Tindustrie et lea 
arts. 1 voi. in-80 relié SmO 

— Lea inaectea. 1 voi. in-80 rei. SiWXK) 

— Lea merveilles de l'industrie ou dca- 
cription des principalea iadustriea mo- 
meraea. 2 voi. in-80 relié.... 6;^00 

— Lea merveilles de la science ou des- 
cription populaire des inventions mo- 
dernes. i voi. in-4o gr, rei. ... 12|I000 

— Vie dea aa vanta illustrea depuia l'an- 
tiquité jusqu'au dix-neuvièmo siècle, 
avec l'appréciation sommaire de leurs 
travaux : 

Savants de l'antiqui té. 1 volume re- 
lié 3^000 

Savants du moyen-àge. 1 volume re- 



lié 3^000 

Savanta de la rcnaiaaance. l volume 

relié 3i^000 

Savanta du xvii siècle. 1 volume re- 
lié 3i;ooo 

Fla.iiiiii.a.i*ioii (Camille) — L'at- 
mospbère, dcscription dea graudes 
pbénomènea de la nature, ouvrago 
contenant 15 planchea cbromolitho- 
graphiques et 228 gravurea sur boia. 
1 voi. in-40 relié 5;^000 

— Histoire du ciel. 1 volume in-80 yq. 
lié 4i^00 

Orégroire (L.) — Géograpbie gene- 
rale, pbysique, politique et èconomi- 
que. 1 voi. in-80 relié 10)00 

Gruillemiu (Amédée) — Le ciel, no- 
tions élémentaires d'astronomie pbysi- 
que. 1 voi. in-80 relié 8,^000 

— Lea comètes. 1 voi. iu-80 relié 3^500 

— Les pbénomènes de la pbysique. 1 
voi. in-80 relié 611000 

ILiials (Emm.) — L'espace celeste et 
la nature tropicale, description pbysi- 
que de l'univers d'après dea observa- 
tìona peraonnelles faites dans les deux 
hemispbères, preface de M. Babinet, 
1 voi. in-80 relié 6^000 

'M.CLifigin. (Artbur) — Les mystères de 
l'océan. 1 voi. in.8o relié. . . . 3,^00 

Poir^ (Pauiy — La Franco industriel- 
le ou description des Industries fran- 
Qaiaea. 1 voi. in-80 relié 3^^200 

ICeclus (Élisée) — La terre, descri- 
ption des pbénomènes de la vie du» 
globe. 2 voi. in-80 relié 9i^000 

— Non velie géograpbie univeraelle. La 
terre et lea bommes. 4 volumea in-80 
relié 32)^000 

IfVitli (Emile) — L'écorce terrestre, 
les minéraux, leur bistoire et leurs 
usages dans les arta et métiera. 1 voi. 
in-80 relié 4s^000 



ERNESTO CHARDBON, EDITOR 



LITTERATUEA: ROMANCBS, POESIAS, VIAGEIfS, BTC. 



Ao Povo 

Gartas politicas de Erasmo. 1 
voi 800 

Dr. Liberato Barroso 

A letra de cambio segundo o 
direito patrio. Doutrina do ti- 
tolo XVI do Godigo Gommerclal. 
1 voi 600 

Gontractos e obriga^Ses mercan- 
tis. Parte 1.*, titulos v a xiv 
do Godigo Gommercial. 1 volu- 
me 600 

Dr. Rodrlgues de Mattos 

Interesses portngnezes. Refiita^&o 
dos artigos sobre a emigra^&o 
do conselheiro Mendes Leal no 
periodico lisbonense A America. 
1 voi 600 

Victor Renauil 

Methodo facil para aprender a 
lér em 15 li^s 200 

Camillo Triuocq 

Gnrso elementar de algebra. 1 
voi 300 

Conego Schmid 

Contoa. 1 voi 200 

Saldanha da Clama 

Gonfignraf&o e estndo botanico 
dos vegetaes seculares da pro- 
vincia do Rio de Janeiro 6 de 
ontras partes do Brazil. 2.* par- 
te e 1.^ cadérne do Atlas. 2^000 

Saldanha da Gama Vllho 

Gonfigura^&o e descrip^io de to- 
dos 08 org&os fandamentaes das 
principaes madeiras de cerne e 
brancas da i»rovincia do Rio de 
Janeiro, e snas applica^Ses na 
engenharia, industria, medicina 
e artes. 1 voi 600 

Dr. Gaes e Sequeira Fllho 

Brostitui9&o na cidade do Rio de 
Janeiro, necessldade de medidas 
e regulamcntos centra a propa- 
ga^&o da syphilis. Gollec^&o de 
artigos publicados no Globo. 1 
voi 600 

Dr. Ferrari 

Doutrina móral. 1 voi.... 3^000 



Mei lo .Moraes l'ilho 

Gurso de litteratura brazUeira ou 
escolha de varios trechos em 
prosa e verso de auttaores na- 
cionaes antigos e modemos. 1 
voi 1^000 

Paulo JFaneC 

Philoeophia da felicidade. 1 vo- 
lume 600 

Montéplii 

A feiticeira loura. 2 voi.... 800 
A familia Yaubaron. 8 voi. illus- 

trados com 6 gravurns... 1^500 
A cigana. 4 voi. illustrados com 

8 gravuras 2|90CO 

PoDSOii da Terrall 

Os mascaras vermelhas. 3 voi. il- 
lustrados 1^500 

Os cavalleiros da noite, 2.^ edi- 
^o. 8 voi. illustrados... 1^500 

Amores de Luiz xv. 2 voi. illus- 
trados 800 

Miserias de Londres. 5 voi. illus- 
trados com 10 gravuras. 2^400 

FernandeB y GouzaleB 

D. Ramiro 1.° de AragEo. 2 vo- 
lumes 800 

O Bei maldito. 5 volumes illustra- 
dos 8^400 

Os desherdadoo. 5 volumes illus- 
trados 2^500 

Os sete moro«gos. 1 volume illus- 
trado 600 

A princeza dos Urslnos. 4 voi. 
illustrados 2^700 

Os filhos perdidos. 5 volumes il- 

'lustrados.. 2^500 

Alniard 

Ab guerrilhas de Juarez. 1 volu- 
me *oo 

Francis Trolopp 

Os myaterios de Londres. 6 vo- 
lumes » 2^400 

jr. Garibaldi 

Os mil de Garibaldi. Narra^&o 
historica, politica e romantica 
da expedic&o à Sicilia em 1860. 
1 voi..... 600 

Clemence Roberl 

O tribunal secreto. 2 voi. Illustra- 
dos eom 4 gravuras 2ji000 



Gaborlau 

Vida infemal. 3 volumes Illustra- 
dos 1^500 

Os escravos de Paris. 4 voi. il- 
lustrados 2jSl000 

Eugenio Sue 

Os filhos familias. 3 voi... 1^400 

Cunha e Sa 

Da parte de el-rei. 1 voi... 400 
Da parte da rainha. 1 voi.. 400 

Paulo FéTal 

A duqueza de Nemours. 2 v. 800 

Fenlmore Cooper 

O corsario vermelho. 1 voi, com 
gravuras 600 

Delflm d'Almelda 

Os impostos em Portugal. 1 volu- 
me 1^200 

■.a bandelle 

A velhice de Gam5es. 2 voi. 600 
Tarrago y Mateos 

Giumes de uma rainha. 4 voi. il- 
lustrados 2^400 

Odio de Bourbons. 3 voi. illustra- 
dos 2^200 

O dedo de Deus. 3 voi. illustra- 
dos 1^800 

Alberto Blanqnet 

O rei de Italia. 2 voi. illustra- 
dos li^OOO 

Fernandez y Gonsales 

O pasteleiro de Madrigal. 4 voi. 
illustrados 2^000 

Eugenio Sue 

Bertha de Ploermel, romance his- 
torico. 2 voi 720 

Èlle Berthet 

As catacumbas de Paris. 2 voi. 
illustrados l^^OOO 

D Fiorendo Parreìio 

A inquiBÌ9&o, o rei e o Novo Mun- 
dio. 3 voi. illustrados.... 1^700 



ERNESTO CBABDBON, EDITOR 



LITTERATUKA: ROMANCBS, POESIAS, VIAGBNS, ETC. 



Plnhelro Chagas 

A proprìedade littorarìa. 0*rt« 
ao imperador do Braiil. .. 800 

TennelhoB, brancos e asaet. 1 
>ol 600 

Q terremoto de Lisboa. 1 v. 500 

Ithronieaa hratUeiras: 

1.* A virgem Guaraoiaba. 1 to- 
lame 500 

2.' A conspira^o de Pemambu- 
co. 1 voi 'bOO 

Astuoias de namorada. 1 y. 4d^' 

A, ¥«rella 

Se a mocidade soubesso ! 1 1 1 vo- 
lume é 500 

jr. e. R. Wlanaa 

Reeorda^Ses hlstorioo-maritimas. 
. 1 voi 800 

Frederleo Galhardo 

A esperan^a no eéo. 1 voi. 600 

Octavlo Feulllct 

A condessinha. 1 voi 400 

Pedro Alarefto 

O ehapéo de tres bieos. 1 voi. 
illustrado 600 



jrullo €. Maehado 

Passeios e phantawlaa. 1 voi. 600 

Os theatros de Lisboa. 1 voi. il- 

lustrado 600 

jr. de Carvalbo 

A Boaa da Montanha. 1 voi. 600 

M, A. ¥aB de Carvallio 

Yozes do ormo. 1 voi 500 

Belol e Dautln 

O aasastino. 1 voi 800 

€. €. Branco 

Qnatro horas innoeentet. 1 v. 500 

Cora(&0| cabe^a e estomago. 1 

voi 600 

Cactllho 

Amor e melancolia ou a novis- 
sima Heloi/>a. Nova edl^&o oor- 
recta e acrescentada com a 
Ghave do enigma. 1 voi. 800 

Eva risto Leoni 

GamSes e os Lusiadas, ensaio his- 
torico-critieo-litterario. 1 volu- 
me 1^000 



Gagneur 

O calvario das mnlberts. 4 y. l^^SOO» 

E. Pinco d'Almeld» 

Estrellas cadentes. — Odes, can- 
f5ea e phantasias. 1 voi. 700- 

Rebello da Silva 

Fastos da Igreja. Historia da Vi- 
da dos santos , omamentos do 
christianismo. 2 voi 960 

Carlos Ferreira 

Quia de mechanica pratica, pre- 
cedida de no^Ses de aWthme- 
tioa, algebra e geometria, in-' 
dispensaveis para facilitar a 
re6ola9So dos diversos proble- 
mas de medianica. 1 voi. 1^600 

#ofto Bonan^ 

Da reorganisa^o social. Aos tra- 
balhadores e proprietarios. 1 
voi 600 

BrlCo Aranha 

Memorias historico-estatlsticas de 
algumas villas e povoa^Ses de 
Portngal. 1 voi 700 



Miielxel 01ia^l>oiiiieai]. 



CURSO THEORICO E PRATICO -DE PEDAGOGIA 



TRADUZIDO DA 3.» EDICAO 



POR 



JOSÉ NICOLAU RAPOSO BOTELHO 



Officiai do ezorcito 



B* e»te o livro mais utU, mais aeHOf lAais genero- 
so que dot préloe francexei tem vindo collaborar na 
educa^^ da juventude. Mr. Miehél Charbonneau et- 
ereveu o CURSO THEORICO B PRATICO DE 
PEDAGOGIA; o snr. Joeé Nicolau Bapoeo Botelho 
traduziu-o da 8.^ edi^f e o anr. JS. Chardron àeu 
o moia diffidi e indiepensavei impulso à divulgando 
da oira benemerita. Pelo que respeUa ao traslado a 
portuguei, nSo me limito ao elogio da vemaculidadtj 



que jà em si nSo i poueo nem vulgar; a esse leu- 
vavel empenho satùfeito habUmente, ajuntou o snr. 
Baposo Botelho as aliera^^ judidosas que se requ9- 
riam na ohra applicada ao eurso de pedagogia naeio- 
noi, modificando o rnethodo rudimentar {da aprendi- 
zagem do idioma portuguez, e indicando os comptn- 
dios adoptados no subsequente ensino. £* um traba- 
llio de consdencia e de itttelUgencia. 

CAMIIiLO OASTBLliO BBAROO. 



1 volnme in-8.<> l|^000 rdis 

Porto: 1879 — Tn>OflTApl^ift de Antonio José da Silva Teixeira, Cancella Velhai 62 



•R^ 




J 



2.° Anno 



1880 



N." 1 




HXJ]yi:]yij%.R,io 






^ 



^^ 




ERNESTO CHARDRON 



BDITOR 



^tlooiiciaé oivHootaoSicoó , oot C. C Statico. 
Jìmodììlca^Seò w> ■ Ctu/ue Do sSddte JiHMato u . 
auwUcacòeò da (w%aìia De o. (3D<ttdt«Ht. ^^''^ rvC\ ^ 
"Gioùdac^Seó do faJKecvòo %oào ^\)*eita. ^r^ \y^ 

Ovtcu cioóóico^ e 0VU16 De /tuiDo. ^-/^ "O^^ 
Jb coiomòofòo Da Jbftica, ^-/^^ V'^^^V 

.$.*«fi«K5" Ji»"*»*- y^^\J^ Francisco /Iai^ia J^oi^dallo 

1.^ volxiiii.^5 ^OO ireis 



OwAé «M pteu»^ 




D- 



AIA PifilIEZA E 





THOMAZ RIBEIRO 





volume 



i|^000 



EIROZ 



RDITt>a 




NOVA £DigÀO 



•^i-.-.*.»^ ./i 



ERNESTO . GHABDRON, EDITOR 



BLO: 



CAMILLO CASTELLO BRANCO 



&ONCALINHO DE CARUDE 



ROMANCE REALISTA 



NARCISO DE LACERDA 



OANTICOS DA AUEOEA 

UM NITIDO VOLUME 



EQA DE QUEIROZ 

CRIME DO PADRE AMARO 

NOVA EDigiO 

Um volume de 700 paginas 



A. L. SOAEES DUAETB 



DESCOBERTAS E MARAVILHAS 



BA8 SClENCliS INDUSTKIAES I DOIESTICAS 



Ol-ULZrLG ill-u.8tz*6id. 



2.» ANNO 



1880 



N.o I 



BlBLIOGRAPHIA 



PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



I 
J 



da eiviligia^ao 
ibei'iea, por J. P. Oliveira. Mar- 
TiHS. Lisboa, 1879. 

£Q€itox*ia, .de Pox*tu|2^al, por 

J. P. Oliveira Martina. Lisboa, 1879. 
2 tomos in-12. 

A Hiatoria da civUiaagào iberica é um 
notabilissimo liyro. Condensa profundo 
estudo, é a convergencia de variada li- 
9&0 para esclarecer pontos obscuros etb- 
nologicos de origens e ra9a8. Assenta 
lucidamente, fundamentado em Leibnitz, 
Niebuhr, Van Eys e Vinzon, que os ibe- 
rod prìmìtivos derivam da Africa septen- 
trìonal. Demonstra a affiaidade de ra^as 
entre hespanhoes e afrìcanos, manifesta- 
da na repugaanda com que os celtiberos 
se submettem ao jugo romano e na es- 
pontaneidade com que aceitam os caudi- 
Ibos carthaginezes. Historiando a orga- 
nÌ8a9ào da Hespanba romana, até à sua 
dÌ8Solu9ào, e entrando na constituÌQ&o da 
monarchia visigoda, refuta a absoluta 
influencia germanica nas instituÌ9oes da 
Hespanha. Os invasores submettem-se & 
cìviUsa^ào romana que encontram : acei- 
tam as leis, a iustitui^ào e a lingua, re- 
servando so para si o uso da authoridade 
soberana e o gozo das riquezas adquiri- 
das ; mas ainda assim — ajunta o author 
— nào se presuma que a monarchia visi- 
> gothica é urna simples substitui^ào de 
authoridades. « Seria paradoxal affirmar 
que OS vencedores, apossando-se diurna 
i ter^a parte das terras e tornando a si o 
t dominio soberano, nào trouxessem para 
' o scio da sociedade, onde se achavam 
estabelecidos, nenhuns dos seus usos, das 
suas institulQoes, das suas ideasi. Està 
concessào protege o snr. Oliveira Mar- 
tins da metralha germanista que Ihe es- i 
tava imminente. Felicitamol-o. { 

2.0 Azno. 



Estuda lucidamente as institui^oes dos 
visìgodos, quando a assimilaQào de godos 
e romano-hispanos se completa no mea* 
do do seculo vu. Cruzam-se as ra^as e 
communicam-se as leis. No codigo visi- 
ffothico fundem-se as caracteristicas do 
Breviario de Alarico. À superficie da so- 
ciedade apparecem o clero erudito que 
promulga a lei e os baroes que a execu- 
tam. clero dà a sagra^ao da soberania 
aos monarchas, filiando-os à Igreja pela 
un9ào. D*ahi provém à Hespanha visi- 
gothica uma superioridade social na Eu- 
ropa ; assenta na base da unidade, iden- 
tifica a authoridade religiosa com a ci- 
yil. Entào cometa a persegui^ào contra 
OS arianos e Israeli tas. Estava-se forman- 
do a ra9a intolerante que n&o desmentiu 
a origem no decorrer dos seculos, e ain- 
da hoje, de vez em quando, se convulsio- 
na nos phrenesis das graiMles sangrias. 
snr. 0. Martins dà-nos a nitida impor- 
tancia da cleresia, a omnipotencia dos 
concilios. Os monarchas mantém parte 
das suas regalias i custa de abjec9oes. 
povo n&o tem representa^ào alguma 
n*essas assembléas coneiliares. Os tra^os 
principaes da governaQào visigothica sào 
romanos. Existem os escravos, com a dcr 
nomina9ào de colonos ; colonos ou escra- 
vos, a maior parte da popula^Slo é serva. 
colono, se nào està preso ao dono, està 
captiyo da terra que lavra. A ae9ào li- 
bertadora do cbristianismo nào fora com- 
prehendida senào no sentido da liberda- 
de das almas : nào se estendia até aos 
pulsos. Era a velha organisa9ào romana, 
com diversas nomenclaturas, quanto aos 
escravos. A invasào germanica nào deu 
o rebate da independencia pessoal ; quan- 
do muito darla à classe mèdia hispano- 
romana o impulso restaurador das insti* 
tuÌ9oes municipaes. Estes relan90s aqui 
postos em fugitiva synopse sào tratados 
pelo snr. Oliveira Martios com uma cla- 
reza methodica e erudita. A Occupagào 

1 



BIBLI06RAPHIA PORTDOUICZA E ESTRANGEIKA 



arabe e Os moaarabea silo partes essen- 
ciaes do livro, que copdazom 4 Forma" 
^0 da nacionalidade, E o estudo do len- 
to prooosso da reconstrao^&o das na^oes, 
e da emanoipa^ào do homem — o grande 
pensamento que parece presidir à elabo- 
ra9ào do historìador. « Os cavaUeiroa-vU" 
lào8 sào j& na idado-médìa — escreve o 
snr. Oliveira Martina — o esbo^o d'essas 
burguezias que mais tarde, orgulhosas 
do seu ouro, e invejosas do lustre e dia- 
tinc^ào da nobreza, a copiam noa seus 
habitos e nos seua vicios, sem poderem 
copial-a na tradi^ào nem na linhagem : 
por maia que reneguom a sua origem 
plebèa, a fatilidade dacondi^ào^impon- 
do-se-lhes, torna-as ridiculas, e, pur isso, 
além do resto, mas » . Isto é yerdade e 
tristo. hiatoidador sahe com està con- 
clu9&o da idade-média, e parece que a 
està tiri^ndo da vida do seculo zix. 

Na parte do livro intitulada A Mo- 
narchia catholica, entra o historiador na 
contestura da htstoria de Portugal^ e 
com a formula razào de estado, explica 
a perfeigào do homicida Jo§U> ii, com ad- 
mirayel senaatez, apcsar da ironia da 
fórma. Obaerva as institui^oes e aa clas- 
ses até ao momento opportuno em que 
deslìsa para a aprecia^ào dos caracteres, 
e tece oa fios da biatorìa pelos dados das 
biographias. Parece que dà demasiada 
trìnceridade às cren9aa relìgiosaa do se- 
culo XV e XVI. Confunde talvez a hypocri- 
sia com a religtào. Portugal e Castella 
impunbam ao papa a inquisi^ào ; os pa- 
paa reluctaram em concedel-a : da parte 
d*elles é que estava a piedade — nS.o nos 
importa aaber o pre^o — e do lado dos 
reis bavia a sincera estupidez, e dos au- 
Hcos a refinada hypocri^ia. A D. Joào 
III faz anr. Oliveira Martina singular 
ju8tÌ9a em termos que nào yiramos ain- 
da tao aasignalados pelo cunho da ver- 
dade. Perfeita justi9a ao rei e aos ju- 
deus: «D. Jo&o ni seria inepto e fanati- 
co ; mas era sincero na sua cren^a ; Ro- 
ma seria corrompida e vii ; mas a cor- 
rup^ào e a villeza serviam n'este momen- 
to a humanidade ; oa judeus, porém, ef- 
fectivamente martyriaadoa, nào merecem 
o lyrico applauso d^uma philanthropia 
acanhada, porque o amor doa bomens é 
Bobretudo, o amor da dignidade humana; 
e eases martyrea nào a conheciam, na 
abjec^ào com que tudo confìavam ao dì- 
nbeiro corruptor, e na iudignidade com, 
que se submettiam a praticar os actos de 
uma religìào que aborrcciam » . Sào ad- 
miraveia estas paginaa. Se aa queremoa 
comparar, no rigor deductivo e na inde- 



pendencia, àa bistoriaa feitaa, lembra- 
nos Gribbon na Hisioria da decadencia e 
queda do imperio romano, Algamas ve- 
zes, na correnteza d'urna primeira lei- 
tura, nos quiz parecer que havia inter- 
preta^oea violentas na opinilo das au- 
tboridades em que se esteia ; mas, a 
meu vèr, sào as meamaa apparenciaa de 
faltaa que jjdilman explicava em Gib- 
bon : Many of his seeming errore are al' 
most inevitable from the dose condensa- 
tion of his matter. 

Na Hiatoria de Portugal eacreve o 
sur. Oliveira Marti ns para demonstrar a 
concatenaQslo d'este livro com a His- 
torta da civilisagào iberica: «o conj an- 
eto doa noBSOs pensamentos mora e s, o 
caracter doa movimentos que co npoe o 
systema do desenvolvimento das insii- 
tuÌ9oe8 e das condÌ95('S das classea, e 
meamo aa linbaa geraea da noaaa vida 
politica, a&o apenaa um aspecto do sys- 
tema geral da historia da peninsuia ibe- 
rica » . Iato mostra a correla9ào dos doua 
livroa, que mutuamente se completam. 
Fallemos do segundo: a Historia de 
Portugal, 

snr. Olive' rn Martins nfto sacrifi- 
ca aos documentos inveterados em cor- 
po bistorico OS factos sociaes. Nào se 
entcnda, por isso, quo elle deixa de con- 
ferir una com outros. E certo que a de- 
masiada submisa&o a um plano syatema- 
tico, organico, pódo motivar deavioa da 
boa critica. systema precoucebido pó- 
de subordinar a categorias logicas os 
factos que se produziram desordenada- 
mente ; porque a logica dos aconteci- 
mentos nào e a nosaa, diz Jouffroy. Nào 
me pareocu, todavia, incurso em preoceu- 
paQoes de escóla o snr. Oliveira Martins. 
Denota somenos familiaridade com as 
cbronicas ; mas d'esse desapègo resulta 
que a sua historia tem vida, tem nervoa, 
dà a sonaa^ào, ao paaao que a hiatoria re- 
digida em fronte dos velhos exemplares é 
a exhuma9ào da osaada d'um aepulchro 
velho para um aepulchro novo. Os gran- 
des homena do morriào e do montante ap- 
parecem-nos corno panoplias em sala de 
armas ; mas nào se Ihe sentem os estos 
do sangue, o pulsar da vida. Em vez de 
pedestaes novos às estatuas cyclicas da 
historia portugueza, o snr. Oliveira Mar- 
tina dà-noa reaurrei^oea. Se oa nosaos 
aentimentoa divergem na aprccia^ào de 
alguns factos, a luz a que elle oa offere- 
ce tem aa excellenciaa d'uma convic^ào 
guiada por um grande talento. Por 
exemplo: a questào dos jesuitas, a quem 
historiador consagra um sincero des- 



SUNBStO CRABDR(»^, fiDITOR 



amor. Pareee qae abosa um tanto dat 
espàdoas d'elle» sobrepondo-lhes grande 
carga das fatalidades do reino desde o 
reinado de D. Jo&o iii. A eduoa^ào je- 
ftuitica, segando nos parece — influiu pou- 
qnissimo no eepìrito ignorante da nobre- 
za, qne, em materia de relìgiào, sente- 
80 menos da inflaencia dos padres qne 
da eorrupQào paga qae desco do pa^o da 
Ribeira, através dos pomposos palacios 
do Roeio, e chega às alfuijas dos petìn- 
taes de Alfama. O jesaita n&o eduoou 
na direc^&o das batalhas o noto de D. 
Joào III ; é mais de crér que orientasse 
na direc^ào do céo ; mas é sabido qae o 
galhardo misantbropo nào obedecia a pa- 
dres nem a fidalgos. A sua indole estoa- 
vadamente bellicosa nào lb*a inflamma- 
ram ob Exercioios espirituaes do josuita 
Rodrlgaes; seriam antes as odes eneo- 
miastieas e sanguinarias dos poetas, e 
nomeadamente de Camoes, qae Ihe dizia 
fallando de settas: 

Crvndo "bem qtkt a» 91M vòt despedirei» 
No sangue sarraeeno as tingireis. 

E, asseverando-lhe o favor divino, va* 
ticina-lhe : 

Deus, . . 

Vos farà vingador dos seus reveis 

B OS premios vos darà que mereeeis. 

D. Sebastiào lerìa estas propheeias 
cruentas do valente poeta, quando nào 
fazia a sua corte a D. Juliana, fìlba do 
duque d*Aveiro. 

Os jesuitas nào teem que vèr éom a 
oorrap^ào da India. Aocusaram-na para 
o reino em termos desabridos (Oriente 
conquistado, pelo pidre Francisco de 
Scusa; Vida do padre Fedro de Basto, 
por Fernào de Queiroz). Se os jesuitas 
i^ooperaram na perdi^ào dos interesses da 
Asia — a questào do oravo e da pimen- 
ta — isso loi u^elles urna virtude da sua 
missào. Quizeram introduzir o rito lati- 
no nas igrejas nestorìanas, e d'aqai o 
desfalque das mercadorìas, porqne os 
ebristàos syriacos malabares com modo 
dos portuguezos jà nào desciam a Cochim 
a negociar. Parece que se devem lou-var 
OS missionarios que nào transigiram com 
o eiTo para conservar aberta a rica ve- 
niaga da pimenta. (Viagem do arcebispo 
£>. Aleixo de Menet^a, e The Hùtory of 
Christianity in India^ by James Hough). 

N'outra passagem da Historia, eneon- 
tro o padre Malagrida victima espiato- 
ria dos homicidios doviinteano». Nem a 
logica nem a Providencia oonsentiriam. 



Jesuitas e dominioos nunoa estiveram de 

boas aven9as ; nem os prìmeiros fruiraiii 
absolnto imperio que o historiador in- 
culca. Os dominioanos metteram no oar* 
ocre o potentado jesuita Antonio Vieira* 
A Companhia nào pòde anteparal-o, ape- 
sar da sua omnipoteneia. Se os jesuitaé 
eram, a alma dos ne^oeios, e a vontadu 
dos reis e a dos ministros, oomo foi 
Vieira sopeado pelos filhos de S. DoBihi«* 
gos? 

Entro Domingos e Ignaoio hayia rìxa 
velha. Um celebre historiador de Hespa- 
nha, o jesuita Mariana, amaldi^oou a 
inqalsi^ào execrando decreto barbare 
que violentava OS hebreus aobaptismo — 
Insolens Deoretum à legibut et instituiis 
Chriatiania abhorrena maxima, E aetes- 
eenta : Violentar homena a aceitarem a 
reliffiào chriatà, é rouòar a liberdadé, a 
dadiva do céo, àquellea que Detta /ce H* 
vreal Crime horriveò, i^uol ao de arrén* 
car oa filhoa aoa bragoa doa paea ! Oa por- 
tugwtzea delinquiram n^eatea doua pontoa, 
arrébatando aa eriangaa para bapHamo 
contra vontade doa paea; obrigando com 
matM trcUoa e convicioa o» maia velhoa a 
chriatianiaarem-aef e aobre tudo rou&aiiJo- 
Ihea fraudolentamente oa recurao» para 
a aahida, que à forga Ihea impuzeram ! 
( JoANNis Marianìb, Hìatoria de rehua ma' 
panicSf Moguntica, T. n, L. xxvi, e. 13). 
Tao longe està jà de nós facto dos je- 
suitas, e é raro, a respeito d'elles, esore- 
ver-se sem os recentUfua odiia que Tacito 
desejava dolir da credibilidade historica. 
As iras de Pombal, postas na corrente 
da tradi^ào, conservam aìnda o caler 
quo ama critica em demasia transigente 
pretende sustentar na admira^ào pelo 
fìgadal inimigo da Companhia do Jesus. 
Nào pretendo irrogar censura ao snr, 
Oliveira Martins, nem impugno. !N*e»- 
te ponto de divorgencia inconciliavel, 
admiro a habilidade, mas nào convenho 
na equidade da accusa^ào. Todos temps, 
nos nossos panoramas mstoricoa, illusSes 
de perspeotiva. 

Pelo que respeita à educa9ào qa« 
a Companhia ministrava, urna aprecìa- 
9ào do snr. Oliveira Martins salva-a de 
obscurantista e ardi Iosa no seu metbodo : 
«r . . . Todos concorda vam, até no seio da 
Allemanha protestante, que a mocidade 
aprendia mais e melhor com os jesuitas. 
As lÌDguas antigas eram, na Reuasoen- 
9a, alicerce da eduoa^ classica, e 
ninguem excedia no conheei mento d*el- 
las OS professores dos coUegtoe, quo a 
Oompanbia espalhava por toda a parte 1 
sempre que erigiam um tempio funda- 



BIBLIOGRAPHIA PORTQGUEZA E ESTRANGEIRA 



yam urna escóla». (Hiatoria de PortU' 
gal, toiB« II, pag. 69). 

A Viagem da India é um quadro per- 
feito, tecido com muita habilidade, um 
elenco das grandes victorias e dos crimes 
que fìcaram immortalisados sobre as rui- 
nas das fortalezas que là ergueram os 
portuguezes na sua viagem de mcnos de 
cincoenta annos. A memoria das iniquì- 
dades é o que remanesce comò nodoa de 
sangue indelevel no marmore da hìsto- 
ria. Aqui nos apparece Vasco da Grama, 
corsario de vidas e de pimenta. sur. 
Oliveira Martins, grande admirador de 
Camoes, n&o Ihe admira ìgual mente o 
horoe. £u tambem, na epopèa do grào 
cantor, apenas encontro raros trechos 
dignos da sinceridade do panegyrista e 
das aspira^oes chatins do cantado. É 
quando o epico nos relata que a fazenda 
esteve multo tempo na cidade aern se ven- 
der, e que era pimenta ardente, 

A noZ| e o negro cravo, que faz darà 
A nova ilha Maluco, c'o a canella 
Oom que GeilSo é rica, illastre e bolla. 

Depois, Affonso de Albuquerque inten- 
ta formar na India um imperio remode- 
lado pela antiga Roma conquistadora. 
Queria resurgir os Scìpioes, e mandava 
cortar narizes aos indios. 

A leitura d'este magnifico capitulo en- 
talha no espirito no9oes nitidas e prof a n- 
das da vida portugueza no Oriente. Nào 
se fórma tao claro conceito d'essa trage- 
dia ignobil de meio seculo, relendo Bar- 
ros, e OS commentar ios de Affonso d' Al- 
buquerque, com correctivo de Graapar 
Correa, de Diego de Conto, do jesuita 
Francisco de Scusa e de Bodrigues da Sil- 
veira. Està parte da historia é elaborada 
por um processo inteiramente novo. Aqui 
entra o caracter de D. Joào de Castro, 
sob aspectos nào usados pelos panegyris- 
tas, com as suas preoccupa^oos romanas, 
distincto de quantos governaram a India 
pela illustra^ào, alias inutil na correc9ào 
de aleijoes de nascen^a. A viagem é re- 
ferida com os encantos litterarios d'uma 
allegoria. desastre goral symbolisa-se 
na catastrophe de D. Paulo de Lima, o 
opulento capit&o que regressava à patria 
oom 140:000 pardaos — uma agonia acer- 
ba, referida por Diogo de Conto. Depois 
d*este funebre desfecho do heroe de Jor, 
o snr. Oliveira Martins poderia contar a 
comica dramatisa^ào que se continua na 
ilha de Inhaca, pelo casamento da viuva 
de D. Paulo, a gentil Beatriz de Montar- 
royo, com o seu criado Henrique Homem 
Oarneiro, que devia de ser o seu amante, 



o vingadord*aquellemarido indigena que 
D. Paulo deshonràra em Gda — o man- 
do d'aquella adultera que se arrojàra das 
ameias do pa^o de Pangim. (Livro em 
que se contém tudo o que toca à origem, 
etc, da Ordem da Penitencia do N. Sera- 
phico P, S. Francisco, pelo M, B, P, fr. 
Luiz de S, Francisco, Lisboa 1684). Veja 
snr. Oliveira Martins onie eu estudo 
OS escandalos I E licito duvidar que D. 
Brifces levasse às costas do segundo ma- 
ndo OS ossos do primeiro. 

Um critico notabilissimo, no Diario lU 
lustrado, impugna com razào que o Mes- 
tre d'Aviz recebesse o annel de D. Leo- 
nor Telles. Ainda que o recebesse, a sua 
memoria nào ficaria mais denegrida. Elle 
tem manchas que farte na sua historia, 
as quaes bem aproveitadas de Fernào Lo- 
pes, e repassadas na joeira da critica, 
nos dào um baixo caracter, nem melhor 
nem peor que o dos famigerados heroes 
do seu tempo. Nada mais facil de de- 
monstrar com o testemunho dos seus pro- 
prios panegyristas que o exal^aram pelo 
civismo sobre o pedestal de gloria em que 
o puzeram as manhas, as cavilla9oes po- 
liticas, e a sorte prospera d'urna batalha, 
onde nào so a bravura, mas tambem a 
perfidia dos portuguezes bandeados em 
Castella explicam o exito. Com uma 
grande critica escreve o snr. Oliveira 
Martins: «0 prior do Orato nào valla 
mais nem menos que o Mestre d'Aviz; 
acaso mesmo valesse pcssoalmente mais» . 

D. Joào I, ardente e arrojado nos amo- 
res comò seu pai (que adulteràra inces- 
tuosamente com a comadre Ignez, e ainda 
ella, no primeiro semestre de morta se dis- 
sol via, e jà elle andava no Alto Minho fa- 
zendo um filbo— -o futuro rei — em The- 
reza Gii Louren9o de And rade), D. Joào t 
viveu de mancebia quatro annos com Fi- 
lippa de Lencastre. É uma historia longa, 
mas diz-se em poucas linhas. Elle nào po- 
dia ser marido legitimo sem dispensa dos 
votos de frade de Cister, e o papa so Ihe 
concedeu essa dispensa quatro annos de- 
pois do concubinato. rei casàra-se na 
Sé do Porto sacramentalmente, sacrilega- 
mente (Deus Ihe perdòel), mas ficou son- 
do o Mestre da Ordem d'Aviz aligado à 
Igreja em quanto o papa o nào desvin- 
culou dos votos. caso devia entào im- 
pressionar e ferir os canones comò hoje 
impressionarla e ferirla a Moral o casa- 
mento, sem previa apostasia, do snr. 
prior da Lapa roubado aos bra90S da 
Igreja catholica e às caricias da politica 
progressista — o que os céos nào permit- 
tam. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



Concluindo: N'esta Historia de Por- 
' tugal ha a largura dos grandes aspoctos 
sociaes dados a factos que pareciam pe- 
quenos e escurecidos em meìo de oiitros 
mais oaracteristicos. Oliveira Martina 
generalisa luminosamente com urna gran- 
de harmonia de plano organisador ; agra- 
pa OS factos descounexos talvez com a 
chronologia, mas moral e politicamente 
harmonicos. £m poucos tra903 essenciaes 
resumé um periodo de historia. Uma anec- 
dota, um caso despercebido e sem o 
sello de notavel importancia sociologica, 
tratado por Oliveira Nfartins, consoante 
o modo famiiiar de Taine, abre-nos a 
porta da vida intima d'urna època, re- 
laciona-nos com os grupos que eucontra- 
mos nas ante-camaras ; e, se a alcova 
està franca, nào entra ; ou, se entra, em 
vcz de sahir com uma pagina de Bocca- 
cio ou da rainha de Navarra, traz-nos 
um sorriso de La Bruyère djsfarQado 
n*uma observa9&o ironicamente realista. 
A velhaca e lorda pessoa de D. Joào vi 
é pintada com uma verdade cheia de na- 
turalismo, chistes, 8troke3 of wit. 

Um critico disse d'està Historia no 
OccrDBNTR, com o bom proposito de a 
elogiar, que se Ha aprazivelmente comò 
um romance. Isto, se assim fosse, seria 
a meu vèr um demerito. A historia do 
snr. Oliveira Martins lé-se de vagar, at- 
tentamente, porque a cada pagina se en- 
contram induc^oes, panoramas, lances de 
vista que obrigam areflexào. È mister às 
vezes agrupar os personagens subenten- 
didos nas illa^oes para que elles operem 
e affirmem os snccessos de que derivam 
as opinioes historicas do author. A obra 
do snr. Oliveira Martins deve ser me- 
Ihormente entendida e apreciada por 
aquelles que houverem colhido uma im- 
perfeita, senào falsa, comprehensào da 
vida portugueza no estudo das chroni- 
cas. 

Nas Notaa sohre a historiographia em 
Portugal, ha uns lapsos de influencia 
nulla na contoxtura da obra. Os iivros 
citados menos poutualmente, corno sub- 
sidios, nào elucidariam o snr. Oliveira 
Martins ainda que os consultasse com 
um grande e mallogrado escrupulo. ' 



II 



M[eiii.oi*ia. sol>i*e a. liistoiria. 
e a.clminis'tira.^a.o do mu- 
nieipio eie Se'tu'ba,!, por Al- 
berto PiiiBMTEL, da Academia real das 



sciencias de Lisboa e do Instituto de 
Coimbra (publicadas a ezpensas da 
municipalidade de Setubal). Lisboa 
1879. In-4.0 

Entre as yarias topographias de cida- 
des portuguèzas, é està a mais methodi- 
ca e bem organisada, com a vantagem 
de bem escripta. Estào grangeando esti- 
ma e voga OS trabalhos d'està natureza. 
No discurso dos ultimos dez annos, es- 
criptores de merito sahiram digoamente 
com copiosas noticias de Coimbra, Avei- 
ro, Lamego, Vianna, Caminha, Barcel- 
los, Famalicào, eto. Nada ha, porém, 
modernamente escripto a respeito de Bra- 
ga e Porto. A fallar verdude, bom é que 
o nào intente algum curioso sem os do- 
tes investigadores do snr. Alberto Pi- 
mentel. que ha do Porto sào algumas 
paginas dos primordios da cidade, escrì- 
ptas pelo snr. Simào Rodrigues Ferreira, 
que nào destda da boa critica em quan- 
to se aparta de fr. Bernardo de Brito 
e do fabuloso Laimundo; mas desanda 
para as velhas preoccupaQoes quando nos 
dà a igreja de Cedofeita edificada no se- 
culo VI. Porto e Braga, opulentissimas 
de historia, estào à espera do explora- 
dor. As riquezas da vetusta cidade dos 
arcebispos, no padrào de antiguidades, 
sobreleva muito k do ber^o do infante 
D. Henrique, relativamente nova, e mais 
de molde para a historia politica e com- 
mercial. Honve aqui um obscuro e jà es- 
quecido trabalhador que ajunton subsidios 
para uma Historia do Porto, Era Joào 
Nogueira Gandra, bibliothecario e litte- 
rato mediocre a quem Balbi, na melhor 
boa fé e ignorancia da lingua portugueza, 
chamàra poete parfoia heuretix, Nunca se 
atreveu, por mingoa de lecursos, à ma- 
gnitudo despendiosa da empresa. Chegou 
a fazer lithographar estampas com que 
tencionava illustrar o livro. Nào sabe- 
mos onde param. Viu-as o fallecido e no- 
tabilissimo escriptor Arnaldo Gama, que, 
nos ultimos annos da vida, colhera no 
archivo da camara elementos para uma 
projectada historia da cidade heroioa. 

Està Memoria de Setubal, obra de pro- 
va e de ezecu9ào primorosa, devia ser 
estimalo para que o municipio portuense 
èncariegasse Alberto Pimentel de taiefa 
analoga a respeito do Porto. Faz pena 
que a soberba rivai de Lisboa nào tenha 
um livro em que se estude a cadéa de 
successos que a trouxeram desde o «ecu- 
lo XI à sua opulencia actual. Lisboa 
tambem o nào tem privativo, de lavra 
moderna; mas sào vastissimos os docu- 



6 



BIBLIOGRAPHIA PORTUOUfilZÀ E BBTRÀNGEIRÀ 



rnenlot diipersot que Ihe disem lespeito 
&M chronioas, nat ohorographiaS| nos ro 
manoes hittorioos, nas viaj^ens de estran- 
geiroa, e em livros especiaes oonoo o de 
Christovam Rodrigues, de fr. Nìcolau 
d'Oliveira, de Mendes de Vasconcellos, 
de Marinho d*Àzevedo, e do medico Saa- 
toi Crai, e tantos outroa quo so compie*- 
tara oom as descrip^òes dos eatrangeiros 
por ^a de regra mais attentos aos cos- 
tumes qae aos edificios e & nomenclatu- 
ra das mas. 

Porto apenas tem do secalo passado 
a magra e sécca deaeri p9&« de Rebello da 
Costa, e ultimamente as oitadas AntiguU 
dadte do snr. Ferreira. Que magnifica 
obra para um panho robusto quando hou- 
ver ama camara que entro as lucubra* 
o5es transcendentes de abrir ama rua e 
deatruir ama antigualha corno o arco da 
Vandoma ou o de Sant'Anna ou a Por- 
ta Nobre, se preoccupo de mandar colli- 
gir a hìstoria doa seculos que esaes mo- 
numentos derruidos viram passar! Era 
bom saber-se comò se creou e engrossou 
até à actual pujanga plethorioa a Idèa 
utilitaria — a americomania, està forno 
de Ugolinos bancarios que seriam capa- 
ses de comer os fìlhos, se nào preferissem 
antes corner os accionistas* Ah! que os 
bacalhoeiros nào impugnem iraoundos 
um lavor* d'està especie em razào d'elle 
ter um lado litterario e scientifico. Pro- 
metta-8e*lhea contar pelo miude comò 
fot que o bacalhau e o polve se insiuua- 
ram na rica circulaQ&o, nos espoqjosoa 
àdipoa da cidade invicta; e sobretudo 
contO'-se-lhes que a camara municìpal de 
Se tubai encarregou o snr. Alberf^o Pi- 
mentel, escriptor disti noto, de perpetuar- 
Ihe a historia da sua formosa terra n'um 
liyro cheio de notici as que se léem comò 
reereio e eomo estudo. 



Ili 



Qua^lirois da» Ustoria» poir- 
'tVLfgiok&meL9 por J. F« Silyeiba da. 
Motta, socio effectivo da Academia 
feal das sdencias. Quarta edi^&o, oor- 
reeta « malto augmentada. Lisboa. 
EiMtor, Antonio Maria Pereira. 187d. 
Itt^.« 

Os creditM d^este liyro nfto se ftinda* 
mmitam perfeitamente na Appr^va^o do 
c^Melho superior de iitstfae^o pablica 
que introdoiio nas eso^las pela mes^ 



ma porta franqaeada ii euttòa tivros que 
nfto pareoiam sérios. A este bom livro 
faltou a gloria de ser reprovado. snr. 
Silveira da Motta, quando escreveu os 
seas QiAadros, contrahiu com o publico a 
obriga^ào de escrever historia de mais 
porte e volume, menos eacolar. aeu es- 
tylo amoidado pelas fórmaa graves, cor- 
rcctas e pomposas dos livroa de A. Her- 
eulano, pareoia destinado a proseguiir a 
grande obra do mostre, interrompida pe- 
la fadiga ou pelo melindre. Nào so na 
linguagem, mas ainda no processo se 
identificou. snr. Silveira da Motta 
deriva a historia do estudo daa insti tui- 
9oes mai a quo dos costumes e da physio** 
nomia moral, syntheticameute ; esse é, 
com effeito, o mais comprehensivel me- 
thodo para quem estuda; o outro, in- 
ductivo dos factos, o moderno, comò a 
Historia de Portugcd por Oliveira Mar- 
tina, é bom corno eatudo complementar 
da sciencia historica. Raro se encontra 
exposi^ào mais luminosa ; e, gra^as à con- 
cisào rigorosa da linguagem, tamanha 
habiiidade no condensar grandes qua- 
dros em poucas paginas. 



IV 



f^lei^oes lil>ei*i*iiiias ^ an- 
-ti^a por-tug^ueza. Faft e um 
governo progressista em 1819. Manifes- 
to eleitoral ao circvlo 15, e cartas poli* 
ticas ao presidente do, conselhode minis" 
tros Anselmo José Braamcampy pelo 

VfSCONDB DB MOBEIRA DB RbT. PortO, 

1879. In.8.0 

A retardada noticia d'este opusculo 
nSlo é extemporanea. yiaconde de Mo- 
reira de Rey eacreveu 35 paginas elo- 
quentes, severas que, mudadoa os uomes 
dos personagens e a numera^ào do cir- 
culo, podem servir para esplicar o pro- 
cesso da ultima degringolade eleitoral. 
vìsconde define o seu notabilissimo ca- 
racter na lucta em que a sua honra ficou 
victorioSa. £lle n&o faz grande alardo 
da sua honestidade politica: relata os 
successos que precederam a batalha, e 
deu OS documentos que presagiavam a 
derrota. governo progressista de 1879 
fez retroceder a liberdade do suffragio a 
1845, oora a differenza que antepoz à 
violenoia da paulada o suDomo das cen- 
seiencias cotn mais saàves pressdes, exee- 
ptaados os dorsos que as sentiram duras. 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



N'isto é que assenta a progressiva per- 
fectibìlidade do systema representativo, e 
um visivel symptoma de melhorìa nospro- 
cessos. que està, porém, a pedir refor- 
roa é a localìdade do fabrico de deputa- 
dos. Ha opìnìoes de que o christianìsmo 
sincero desappareceu da face do Portugal 
fidelisaimo desde que as ìgrejas se fran- 
quearam, segundo a lei eleitoral, para 
que entrassem os vendìlhoes que Jesus 
de Nazareth varréra do tempio. A urna 
na igreja recebe as listas e é ao mesmo 
tempo cinerario do decoro religioso. A 
mystìfìca^ào do suffragio a nào se poder, 
por motivos de decencia, fabricar nos re- 
ciiitos municipaes, seria honesto que se 
fìzesse em casas ciandestinas, corno um 
acto vergonhoso cujo desbragamento ein 
publìco a policia nào permitte. Eu, na 
minha boa fé catholica romana, crcio que 
OS templos onde ha ge^tacào de deputa- 
dos com indigostoes de vinaos baratos, fì- 
cam interdictos, embora os antagonismos 
de murroa sejam ìncruentos, a sécco ; po- 
rém, as paiavradas, os coavicios, as re- 
talia^òes injuriosas devem ser de maior 



affronta e sacrilegio para a Divindade do 
que umas gottas de sangue que n&o tem 
particulas de impiedade, nem perfumes 
de taberna, chimicamente ezaminado. 
Como objecto de asoo, o sangue é menos 
nauseabundo que a expectora^ào purulen- 
ta dos eleitores no pavimento das igre- 
jas. Mudem-se estas opera^es para onde 
o ambiente nào sega empestado, on pian- 
tem eucalyptos desinfeotantes nas naves 
dos templos. Um alvitre: arrai\jem-se 
OS eleitos do povo nas fabricas de cor«* 
tumes onde nem a impureza atmosphe- 
rica nem as córes das epidermes surra* 
das tem que perder. Estas considera* 
9oes de politica transcendente fizeram-se 
quando acaso ouvimos uns cantares de 
igreja que nos disseram ser um Te Deum, 
urna ac^ào de gra^as ao Altissimo, por- 
que sua divina Magestade permittia que 
fosse eleito o deputado progressista. Uma 
pandega ao divino. Se nào fossem hypo* 
crìtas, seriam blasphemos, sacrilegos, o 
diabo 1 

Camillo Castello Bbabtoo. 



PUBLIGAgOES DIVERSAS 



Fira^neisco da. Fonseea. Benevides — Raìnhas de Portugal. Es- 
tudo historico com muitos documentos, retratos e numerosas illustra^oes sobre co- 

bre, 890 e madeira. 2 voi. em brochura 12iKX)0 

Eneadernados 13j?500 

O Hyissope — Poema heroecomico de Antonio Diniz da Cruz e Silva. Edi^ào 
critica com um prologo e notas por José Ramos Coelho e illustrada com desenhos 
de Manoel Macedo, e gravuras de Alberto, Hildibrand, Pedroso e Se verini. 1 gros- 
so vcl. in.4 4|{S00 

Ol3i*a,s oompletas de Nioolau IToleii'tiiio — Com um estudp 
biographico por José de Torres. 1 voi. illustrado por Nogueira da Silva. . . 1^200 

HLenrique Peirez JQseirioli — Os comicos ambulantes. 1 volume illus- 
trado 500 

«José ^ugrus-to d'Oirnellas — A victima d*um lazarista. 1 voi. 500 

Sx-anco Roclirig^iies — Hygiene das crian^as. 1 voi 200 

DEìmìlio Richeboiurg^ — filho dos operarios. 2 voi. illustrados. . . IjjSOOO 

M;ìss M!. £1. Biraddon. — Um crime mysterioso. Illustra^oes de Manoel 
Macedo. 2 voi * 1^000 

O mc^jox* Fjcaus — Traduc9ào do francez por A. de Castro Neve0. 1 vo- 
lume 500 

Al.. AltilojmI^ e IN". FouindLer* — filho do czar, Alezis Petrowitch. 
1 volume » > 400 

^jLtné IMCajr-tin — Educa^ào das màes de familia oa a civilisa9ào do genero 
humano pelas mulheres. 3. ^ edÌ9ào. 2 voi 1^200 

!M!. HMC. P. — avarento ou as martyres de Saumur, romance recreativo e de 
moraiidade. Traduc^ào. 2 voi ........».*.• 600 

^iig>iii8to £^|SipluEii&io da. Sil^a I>ias — Grammatica latina de J. 
N. Madwìg. Reduzida a epitome. 1 voi. cart 600 



8 



BIBLIOORAPHU PORT0OOKZA K BSTRANOBIRA. 



^ 0l(rra8a?Sff da africa 



Felixmente para a nossa fatata gran- 
dexa naoional, tem-se desenvolvido por 
ultimo, em Portagal, ama cruzada a fa* 
yor da oolonisa^ào para as nossas pos- 
8688508 na Africa. 

A testa d*e88a crazada caminham 08 
org&08 maÌ8 iilustrados do no880 jomalÌ8« 
mo, firme8 e convictos, tendo por unica 
inspira^&o o grande amor da patria. 

Ainda bem, porque, quando a impren- 
8a conceituada cobre eom 08 broqaeis da 
logica, do saber e da verdade urna idèa 
qualquer, póde-se proclamar bem alto 

Sue e88a idèa està na vespera gloriosa 
a sua Victoria. 

E, com elTeito, se ha urna inspira^SU) 
digna de ser sustentada pelo jornalismo 
e compartilhada pelo povo portuguez, è 
incontestavelmente essa de dar incre- 
mento às nossas importantes colonias no 
vasto e uberrimo continente africano. 

Zonas fecundas, quer sob o ponto de 
vista mineralogico, quer sob o ponto de 
vista da flora, quer sob o ponto de vista 
da fauna, sensiveis eztraordinariamente 
& cultura agricola pela prolificuidade do 
sólo e pelos magnìficos elementos hydro» 
grapbicos que encerram, certamente que, 
exploradas com tenacidade e intelligen- 
cia, concorrer&o para facilitar as condi- 
^oes materiaes de nossa patria, abaste- 
eendo os nossos mercados de consumo 
e fartando o nesso erario dos recursos 
de quo precisamos para cobrir a receita 
intema e amortisar a divida eztema que 
vexa a na^ào. 

Para demonstrar a verdade que resul* 
ta de todo esto periodo nào carecemos de 
subir a provas especiaes, basta-nos re- 
cordar contingente com que aquellas 
colonias quasi desprezadas, entram an- 
nualmente para o thesouro publico. 

Atravès dos peqnenos resultados que 
d*ellas se tom colhido, p<5de-se entrevér 
as grandes vantagens que ellas podem 
dar de futuro, se o governo de sua ma- 
gestade fidelissima curar seriamente de 
as desenvolver por melo de leis sàbias 
que protcgam a lavoura, o commercio e 
a industria que proouram aquellas re- 
gioes e por melo mesmo da propria ini- 
ciativa applicada comò exemplo & inioia- 
tiva particular. 



Convèm que, o aotual gabinete, que 
dirige 08 deatinos de noaaa patria, se 
lembre de que aquellas zonas sfio um 
prolongamento de Portugal e que, por 
consequencia, urge cultival-as devotada- 
mente, sobretudo quando a nossa popu- 
la^ào Continental europèa j& està em sen- 
sivel despropor^&o com a capaddade do 
terreno que possuimos na peninaula ibe- 
rica. 

Cumpre attentar para este facto, facto 
importante porque tem levàdo grande 
cifra dos nossos compatriotas a emigrar 
para os Estados-Unidos da America em 
ciga massa social se perdem comò ato- 
mos homogeneos e para outros estadoa^ 
onde figuram comò particulas heteroge- 
neas, com grande pr^uizo para Portugal 
que, em ambos os casos, so tem a lasti- 
mar a perda de tantas actividades e qui- 
9à de profundas dedìoa^oes. 

Dirigir o ezeedente da nossa popula- 
9SU) europèa para os nossos dominios na 
Africa, importa obter duas vantagens, 
urna a favor do emigrante, a outra a fa- 
vor da patria. 

A favor do emigrante, porque elle n&o 
perde os direitos civis e politicos de ci- 
dad&o portuguez. 

A favor da patria, por que sondo os di- 
reitos civis e politicos um estimulo para 
homem moderno, os nossos compatrio- 
tas empenhar&o mais devotadamente 
proprio esfor9o, a actividade,o trabaiho e 
OS fructos que d*ahi resultam amadnreoe- 
rào para a patria. 

Demais, atravessamos na bistoria um 
periodo em que bem insignificante è 
papel que corre às pequenas na^òes re- 
presentar no proscenio univorsal. 

Reina a tendencia para as grandes con- 
federacoes. 

Avulta no mappa geographico contem- 
poraneo a moderna Germania comò de- 
monstra^&o cabal d*este enunciado. Uon- 
tem, quando se cbamava apenas Prussia, 
qual era seu valor? Hoje, que se domi- 
na Allemanha, pesa na balan^a da poli- 
tica europèa corno a espada do 0*Brem 
das Gallias. 

Além do que, os cboques, que resul- 
tam do encontro de duas grandes poten- 
cias, abalam sempre as pequenas na^Ses, 



mm 



ERNESTO GHABDRON^ BIUTOR 



quando nlo m daetroem oomo a moltM 
tem suoeedido. 

A Inglatenm^ por oompenetrada d^este 
fketo, por mai3 a*ama vei affirmado na 
lùstoria, oomo n&o podia dilatar-ae ao 
ponto do inTadir a Europa, fùndou um 
imperio na India, E é d^ease vasto impe* 
rio quo ella tira oa meios de Bubaìsten-* 
ola, extrabe as riquesaa oom que dea» 
lumbra o universo e di a experimentar 
o vigor do seu bra^ pv^ante e formi- 
davel oom as suas poderosas esquadras, 

Sigamos, pertanto, o exemplo da In- 
glaterra. 

Os bons exemplos devem sor imitados 
e priueipalmente quando d^elles se ori- 
gina a grandeia d*ama na^&o* 

Nós podemoa attingir essa grandesa 
trabaìbando. 



Melbor esphera e mais fseonda se noe 
ofibreee na ÀfHoa. 

Poisbem; à Africa!... à Àfrica!.. • 
deve sor o grito sacprado d'essa eraiada 
a qne o nesso jonuuismo aetualmente se 
oonsagra. 

A^ Africa! brademos nós tambem: d 
AfrkaL.. em bonra iquelles valorosoa 
eapit&es que a oonquistaram para engaa- 
tal^ na eoròa dos nossos rels oomo pe- 
dra ainda bruta e que nós bqje devemos 
lamdar para que brdbe eom mais fulgor* 

fissa lapìdaQ&o é a oivìlisa^io^ que 
so oonseguiremos eolonisando^ e desen- 
volvendo4be a lavoura, o oommeroio e a 
industria, prinoipaea fbntes da riquesa 
naoional. 

(Da Hà^U Fmrtit§nm99 do Rio do Juiotro), 



ULTIMAS PUBLICAgOES 



A. oiviliM^fto» Ci eduoac&o e a plitli^^ttloa» eonférendas féitas 
em Instituto de Coimbra, por Augusto ISlippe Simoc** 1 voi 200 

Ais meninaci oxomplcuro»9 pela oondessa de Segur, traduaido do firan- 
ees, por Antonio Lui» Teùcnra Machado. 1 voi 600 

IMCoiàiimeià'tos «las ox*doxi« mtlitaires <lo T^emplo e <io 
Oluris'to» em Thomar, por José Antonio dos Santos. 1 voi • 400 

O novo por'to <io ]>oiiih> ou a solu^fto da questfto do melboramento da 
barra do rio — duplo prqjeeto, apresentado nor C Afontoy. 1 voi 200 

A. OAi*i<lAdo — ensaio romantioo, por Eduardo da CoHa Macedo. 1 voK 300 

Ojra^fto fVtiàet>ire de Marcus Antonius, extrabida da tragedia de William 
Sbakspeare — Jouo CssAa — ,vertida do ingles por Antonio PttroniUo Camarào. 1 
volume 200 

CTliarlAtfteM eontemporameofiu I. Antonio Caro — poema beroe-eomi- 
00, por Sousa Portugal e Mauricio d€ Athaydé, 1 voi • 100 

Vian^xusi À iroàA <lo oo^lifl^ A<imiiiisti:*Ativo9 por Alberto Pi- 
mentel. 1 voi 500 

AJmaxncioli prooriroflMBO para 1880, eontendo um desenvolvido calendario, 
tabellas de oaminbo de ferro, de reductio de moedas, de cambio, outras de inte- 
resse publioo e um mappa da nova divisào dos ciroulos eloitoraes. 1 voi. . « 100 

AJmaxnAoliL <ici prate <iA FI|C'u^^'*<^ ^c^ Fos para 1879-1880 — 
guia do banbista — illustrado eom tres magnifioas gravuras e com o retrato de Ma- 
noel Femandes Tbomas, por il. d^Amorim Pessoa. 1 voi 500 

AJmanaoliL <los tKeatros para 1880, por Mcndon^ CoHa. 1 voK 120 

O amox* <la pcitx^iAf romance originai maritimo, por Francisco Gomea de 
Amorìm. 1 voi • • ••.••••• 600 



FRANCISCO MARIA BORDALLO 



ROMANCES MARITIMOS 

I « I A nau de Yìagem. 
* ( galeSo Enxobregas. 

1 volume. • • • .,••••• • . • . 500 reis 



10 



BIBUOOBAPHIA PORTOQUliZA B BSTRANGEIRA 



OPINIAO DA IMPRENSA 



A KESPEITO 



DE VARIA8 PUBLICA9OE8 DA UVRARIA INTERNACIONAL 



DB 



ERNESTO CHARDRON 



BCotlioclo de prolonn^^ur 
a ^ida 

Uin volarne, 800 relf 

N&o 86 limita a pasmoaa actividade 
e litorial do snr. Ernesto Chardron, pro- 
prietario da Livraria Internaci onal, à 
publica9ào de certa e determinada espe- 
cie de livros, mas abrange em si todo 
genero d*obras, por mais encontrada que 
Bcja sua indole. Assim, ao passo que edi- 
ta livros religiosos, de que ji tem nume- 
rosa ooUec^ào publicada, edita-os de 
agricultura, d'instruc^ào, de poesia, de 
litteratura romantica, de escriptura^ào 
mercantil, de medicina, e — que sei eu ? 
— de tudo e sobre tudo quanto abrange 
o largo dominio da intelligencia hu«. 
mana. 

Um dos ultimos volumes publicados é 
o de que damos o titulo em epigraphe — 
J^Iethodo de prolongar a vida, Hmplea ab- 
^Grvagdett sobre hygiene. D'elle é author 
o snr. Branco Rodrigues que nas 101 pa- 
ginas que constituem o pequeno tomo 
lornece dadoa e esciar eoi mentos os mais 
preciosos e uteis sobre ar que respira- 
"^08, as bebidaa e alimentoa de que vive- 
^08, o uso dos condimentos e dos banhoa, 
^ ^estuario com que devemos cobrir-nos, 
^? habitagdes em que moraremos e exer- 
^cio quQ devemos fazer, e dos ensiua o 
r^do de utilisarmos com proveito nesso, 
fun 5^ e regular exereicio de todas as 
vìd ^^^^ vitaes e com a prolonga^ào da 
Vf^ì^'J^^^ ®^^^* elementos indispensa- 

É .°®®^* existencia. 
vel ^^^* ^® ^^^ ^ ponto recommenda- 
leitk ^ ®^°^^ **1 apresentamos a nossos 
ac^hJ^^ ®®*^ precioso opuscolo, a que so 

namos um pequeno senào e é o da lin- 
^"«gem ser um pouco descurada. 

(Da Aurora do Cavado). 



Jl mulliei* corno deiroiria 

S^l-O 

Um volume, 400 reta 

Acaba de sahir d luz, em 2.^ edi^Slo 
portugueza da Livraria Internacional, 
vertida da 12.* edit^ào franceza e re vis- 
ta e correeta sobre a 14.», pelo rev.'*° pa- 
dre Manoel Joaquim de M^squita Pimen- 
tel, a obra cujo titulo acima demos comò 
epigraphe a oste artigo. 

E* um livro admiravel, consagrado pe- 
lo favor do publico e recebìdo por este 
com maximos e sempre crescentes ap- 
plausos no tao grande numero de edÌ9560 
que d'elle tem vindo a lume. 

Todos OS doze capitulos em que se di- 
vide acham-se escriptos com a maior 
abundanoia de coia^ào e por modo que 
captiva e cala fondamente no animo do 
Icitor, mas d'entre elles sobresahe e é 
joia do mais subido quilate o capiiinlo v 
— A mài e fillio. 

ildem), 

Sil>liog;i*apliia 
poirtug'iJLeza e estirang'eiira. 

18 numeroi, 500 reis 

n.o 10 d'està publiea^ilo mensal, edi- 
tada pelo sur. Ernesto Ohardron, occu- 
pa-se de varios assumptos. 

Que opulenta prosa nào é a de Camil- 
lo Castello Branco, e com que peri eia 
nào escalpella e disseca elle os criticos 
do seu Caìicioneiro, poudo-lhes a nù to- 
dos OS ossos do seu enfezado e cariado 
areàbou9o I . . . E além d'isto com que 

fra^a e com que humour sào aoompauha- 
as essas opera^oes, movendo todos os 
risos centra as pobres e lastimaveis vi- 
ctimas do ferro seguro e nunca fatigado 
do solente operador ? 1 

Cada doze numeros da Bibliographia, 
formando um anno da collec^ào, consti- 
tuem um elegante tomo. 

(Idem). 



SRNBSTO GHARDRON, EDITOR 



11 



00 oritieo» do Oanoioiteir o 



1 volume, 800 reU 

É para nós sempre de festa dia em 
que nos surgom aìgumas novas pagiuas 
d'està nossa tao distincta individualida- 
de litteraria. Apujan^a d'esto admiravel 
talento oiga malleabilidade cada vez mais 
nos espanta, vai luctando constantemen- 
te contea a fraquoza do corpo, que pena 
é o nào podt^r conacrvar-se sempre valen- 
te e robusto, para bem servir aqueiie 
peregrino espirito. E bem peregrino, e 
bem cstranhol snr Camillo Castello 
Branco ao conhecìmento prufundo que 
tem da nossa lingua com a qual brinoa, 
ainda nas suas mais sérìas difficuldados, 
allia um finissimo estudo psychologico, em 
virtude do qual le claramente toda a evo- 
luQào das nossas paixoes e sentimentos. 
Olha-nos e com uma penetra9ào e forga 
de vèr incomparaveis, conhece desde le- 
go todos OS tona e todas as rmancea de 
que é capaz o nesso espirito. D'ahi a for- 
9a que elle tem de nos arrancar com a 
maxima facilidade uma gargalhada es- 
pontanea e fresca, ou de nos fazer estre- 
mecer do commo^ào, levando-nos às la- 
grimas que nào é vergonhoso verter. 
N'iste que é muitissimo e no ecu modo 
de dizer fluente e cheie de viveza que 
nàe é meiios, assentamos nós a sincera 
yenera^ào que devoramos ao seu talento 
de estylista e à sua inventiva tao fecun- 
da e tao variante. 

Os Criticoa do Cancioneiro alegre — 
nmas poucas de paginas bi-ilhantes e sec- 
cas come laminas d'acce bem polidas, re- 
presoHtam um belle quarto d'hora que e 
seu author destinou ao duplo firn de trin- 
car um ponce, e dar uma salutar li^&o 
aos que, tentando deprecial-o, vào apren- 
dendo com elle. 

Para nós, repetimos, que vivemes cà 
ao lenge e arredado dos centros da nossa 
litteratura, que tudo ignoramos dos pro- 
cessos da arte e do que a seu respeito 
tem dite Proudhon, Taine e eutros, e que 
simplesmente avaliames as cousas guia- 
dos pela nossa critica comezinha e mo- 
desta, para nós é sempre bem vinda teda 
a produc^ào d'este nesso notavel escri- 
pter que apenas tem e pequeno defoito 
de nào poder entre nós ser imitade. 

Ae snr. Chardron, editor dos Criticoa 
do Cancioaeiro alegre, agradecemos a sua 
distincta amabilidade. 

(Pa Qaxfia do Dowro), 



O Oon^alinlio de Oamde 

É titulo do segundo volume da tn- 
terminavel serie do romances de snr. Ca- 
millo Castello Branco, baptisados oom 
titulo goral de Sentimentaliamò. 

Este morgado, que a opulenta imap.i- 
na^ào do nesso grande litterato acaba de 
precrear, vai entrar no prole. Esperainoa 
com as melhores disposi^òes a vìsita d os- 
te morganatico realista de novissima es- 
pecie, que està com pondo a toilette na 
ìmprensa do snr. Teixeira, & Cancella 
Velha, para fazer a sua entrada trium- 
phal na republica das letras. 

(Do Prineiro de JanHro), 



IVoiro i"osuxiio da. Histo* 
ria modema do I^ortu- 
ffal. 

(ILLUSTBADO) 

Um volume, 240 reta 

snr. Ernesto Cbardron é editor d'es- 
te bem elaberade epitome que tao justi- 
fìcada e boa aceita^ào obteve da impren- 
sa em geral, e em particular d'algumas 
peunas ezperimentadas e d'uma alta cem- 
petencia em tao melindròse assumpto. 

N'esta ultima categorìa avulta e jui- 
zo do nosse litterato e snr. Camillo Cas- 
tello Branco, juizo que nào iu vidou adju- 
dicar ao trabalho de sur Joào Diniz aì- 
gumas phrases de tede e ponto honrosas 
para e compendio supra. 

Nào é tao facil come se póde afigurar 
a alguns espiritos superfìciaes um livro 
d'està ordem, feite nas condÌ9oes em que 
vingou fazel-e snr. Joào Diniz, e nào 
poucos direitos cabem por isso ao illus- 
trade oavalheiro para e belle acolhimen- 
to que a principio inaugurou e continua 
soli citando a sua ebra. 

É necessario talento, criterio, multo ea- 
pirito de analyse, multo espirito de syn- 
these para e bem ezito, perante a criti- 
ca, d'uma tal empresa ; importa saber 
comparar, saber discernir com entendi- 
mento imparcial e dare ; sopesar as di- 
versas opinioes e factos na balan^a de 
uma observa^ào escrupulesa e tramar de- 
pois, com pulso firme, por entre e em- 
maranhado sarQal de inepcias, contra- 
dic^oes e parcialidades, a sinuosa traje- 
ctoria que tem de ser imperturba velmen- 
te seguida. 



i 



12 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA fi BSTRANGBIRA 



Ora, trabalho do snr. Jo&o Dinis sa* 
tisfaz cabalmento a estes predicados, sob 
o ponto de vista da educa^&o da infan- 
cia, alvo que o author visou, e nfto hesi- 
tamos em cnfileiral-o entro aquelles que 
mais e melhor correspondem às exigen- 
(nas do momento. 

Que OS snrs. preceptores averigucm o 
que deizamos registrado e persuadìr-se- 
hào da vei'dade que vai envolta n^este 
DOSSO asserto. 

(Do Primtiro de Janeiro), 



Escripto no estylo ameno e facil, ade- 
quado as intelligencias juvenis, a quem 
é destinado, o trabalho do, snr. Joào Di- 
niz, firmado no de historiadores conspi- 
ouos, representa um cabedal valioso de 
intelligencia applicada e de sòlido dis- 
cernimento, sem cabedellas de «rudi^ào 
palavrosa, nem desprezo das leìs gram- 
maticaes, privilegio de trapalhoes erudi- 
tos. A proposito do trabalho em questào, 
di2 Camillo Castello Branco, resalvan- 
do-o, e alludindo à maioria dos cultores 
do genero : 

«Os criticos inadvertidamente costu- 
mam dar pouca importancia aos escriptos 
d'està natureza. Um livrinho de hìstoria 
patria afei^oado ao entendì mento de 
alumnos de instrucQào primaria parece- 
Ihes objecto somenos da sua atten^ào. 
D'este desdem se aproveitaram pessoas 
insufficientes, publicando compendios, 
que favorecidos pela indulgencia, se nào 
pela ìgnorancia, dos qualifìcadores da 
instruc^ào publica, ahi correm muito ufa- 
nos e lucrati vos das suas dezenas de edi- 
^òes* Nào se póde dizer que uns sào peo- 
res que os outros; porqUe reciprocamen- 
te se copiam com homogenea fidelidade 
as mesmas futilidades, os mesmos pre- 
conceitos, uns hauridos no La Clhde, ou- 
tros na Historia de Portugod, composta 
em inglez por uma sociedade de littera- 
tos, e muitos em Ferdinand Denis. Resu- 
moa escriptos jà depois que Shoeffer, Her- 
oulano e Bebello da Silva dilucidaram as 



obsouridades e corrigiram os desacertos, 
continuam gafados dos antigos vìcios. Os 
fabricantes d'estes livros de mercantilis- 
mo desculpam-se com a evasiva de que a 
historia escripta para rapazes os dispen- 
sa a ellcs, historiadores, de a estuda- 
remj». 

trabalho do snr. Joào Diniz cons- 
titue ezcep^ào honrosa. Becommenda- 
mol-o. 

(Da Vot do Povo). 



Jl pi*opi:*ie<la<le littex-ai-ia 

Carta a S. Magestade. o Imperador 
do Brazil por Manoél Pinheiro 
Ohagas. 

1 volume, 200 reis 

As qualidades elevadas do polemista, 
que nós temos admirado no Diario da 
Manhà, estào aqui evidentes, e em prol 
d'uma causa justissima — a proprìedade 
litteraria. E uma pugna por um direito 
que so nào póde reconhecer quem esti- 
ver preoccupado por opinioes de authori- 
dade ou por metaphysicas d*uma com- 
prehensào obscura e absurda. 

Herculano està pienamente refutado. 
Elle errou uma vez e acertou mil. Quem 
falla muito na contingencia humana nào 
devia ezigir mais. 

A parte mais brilhante d*este escripto, 
que nào so é justo mas é bello, é aquel- 
la em que o snr. Pinheiro Chagas poe 
nitidamente a questào nos seguintes ter- 
mos : — Nada tem com o tratado littera' 
rio entre Portìigal e BrazU aa doutrinaa 
de propriedade litteraria, 

A affirma^ào é desenvolvida com pro- 
funda lucidez. 

E uma questào de facto, e n*estas con- 
di^oes, mesmo quando a propriedade lit- 
teraria nào devesae ser considerada uma 
verdadeira propriedade, devia existir o 
tratado de propriedade litteraria entre 
Portugal e o Brazil, 



CANDIDO DOS SANTOS E SILVA 



RUDIMENTOS ELEMENTARES DE LEITURA FRANCEZA 



I»IiB<?0, 150 HEIS 



NA LIYBABIA DE ERNESTO CHAÌRDBON, EDITOR 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 



TRADUCgOES DE JOAO VIEIRA 



AcBba de fallecer em Fanzeres, terra 
da Bua naturalidade, o dosso preiado 
amìgo e dìatinoto oollega Jo&o Vieira. 

que elle valia corno litterato aa- 
bem-no todos aquelles para qaem n&o é 
desconhecìda a Bua bella traduccio em 
prosa do poema D. Joio de lord Byron, 
e bem asBim a do» trabalhoa philoBOpbi- 
COB do circumspeoto Balmee. 

Pasaamos ein darò muitas outras pa- 
bliea^ea, comò, por eiemplo, graode 
numero de artigoa inaeridoB em differea- 
tes periodicoB d'eata cidade. E comtudo, 
— apeaar dOB seus notaveia rooursoa, da 
sua larga eradÌQào, doa aeus oonhecì- 
mentos da liugaa e do eeu elevado cri- 
terio justo, — nào constava muito a sua 
eiistencìa, corno bomem de letraa, fora 
d'um limìtado eirculo de rapaEes, pelo 
geral seuB aDtigoa oondÌBeipuios, qae ti- 
nbam na devida conta as suaa altaa fa- 
ouldadea. Era causa d'iato a profunda 
modestia do bom do JoSo Vìeira, e urna 
certa misaotbropia, contrahìda, em par- 
te, na li^fto da sua amarga ezpetiencia 
de espiri to obseivador e aenaato. 



JoKo Vieìra, lobretado, era urna gran- 
de alma generosa e benevola, com un^ 
forte ideal de jnatiga e um oaracter di— 
gno, recto, iufleiivol ; — um d'eateB oo- 
ra^óei Binceroa, aimplea e valenteB que 
atravessam, com urna incorruptibilidade 
heroioa, aa eneontradas vieÌBsitadei da 

Sumiu-ae tudo na Toragem I D'easas 
nobrea qualidadeB, hoje tanto maie inea- 
tìroaveia quanto ellaa rareiam n'eata ga- 
raf&o decrepita, egoista e cyiiica, ad 
reata a memoria, a tua aaota memoria 
entre oa amigos leaea que te eatimaram 
em Vida e quo boie veitem umas tagri- 
maa sileaoiosaa no isolamento que nos 
doiiaata abundonando-noa. 

Dorme em pai, amigot de8can9a pre- 
maturamente na morte, em quanto oa 
teua Seia ìrinftoa, prematuramente can- 
Qados e vaiioa de eaperan^a, vamostro- 
pe^ando, combalidos, n'eata eapinboaa 
via de amarguras, Bte que em&m repou- 
semos, eomo tu repouaas, no immenso 
leito ìgualitario onde noa deità a morto ! 

(Do frfiHtrD A Jonil»]. 



TRADUZIU AS SEGUINTES OBRAS : 

De BALMES 

O Pz*oteetantl8nio oompai-Eulo oom o Oatholioismo em 
suas relacòes oom Et civiliisac&o eux-opeia. 4 volomea in- 

19 2M0C 

FhiloeopliiEL fundamental. 4 voi. in-lìi 2|40C 

]!dCiSGeIIi«nea, reli^osa, pliiloBopbloa e 11'ttor^.rÌH. 2 voi. 

ìn-12 lem. 

O Crltoi-Io, philoaopbia pratica. 2.» edi;&o. 1 voi. in-12 6(K 

De LEGOimÉ (da Academia franceza) 

Htstorla mox*al Aom mulb^res. 1 rol. in-12 80( 

De BTEON 



H 



BlBLIOaaAPHU PORTUOUBZA B SBTRANQBIRà 



EDICOES DE ERNESTO CHARDIN 



J 



PUBLIGAgOES DE 1879 

Oamillo Oastello' 81*0.11100 — Eusebio Macario. D. Antonio, prìor do 
Grato. 2.» cdi^ào, rovista pelo author. 1 voi 800 

AJ.fV*e<lo A^lleni (visconde de VUfar d^ Alien) — Phylloxera. Noticiario dos tra- 
tamentos e ezperiencias em 1878-1879 na quinta do Noval (Alto Douro). Extrahi- 
do do Agricultor do Norte. 1 voi 100 

<Ja.eol> Beiisal)^^: — Novo xnethodo de leitura e traduc9ào ingleza. 3.* adi- 
9ào. 1 voi , 500 

«J. JE4<liia,i:*cl iron XXaJ^e — Grammatica ingleza cxorcicios methodicos para 
uso das escólas. 1 voi 500 

IMCanoel ^u^usto de Soiissa. Piresi de luima, — Ab missoes 
ultramariuas. Discursos prouunciados na camara dos senhores deputados nas ses- 
goea de 14, 15 e Hi de maio de 1879. 1 voi 200 

I^aclre I^atricio — Brindo à juventude catholica no dia da prìmeira oommu- 
nhào. 1 voi , 120 

«Toa.o I>iiiiz — Novo resumo da historia moderna de Fortugal, recopilado em 
conformidade com programma officiai, para uso dos que pretendem habilitar-^e 
para o esame de admissào nos lyoeus do reino. 1 voi. ìllustrado com os retratos 
dos reis de Portugal 240 

3£a.iiua.l do g;a,lliii1ieii:*o — Indìca9oes ìndispensaveis aos que se dcdicam 
à gallinicultura. Folheto 150 

.AJm — Carso da lingua italiana. Methodo d'Ahn, adequado ao uso dos portugue- 
zes, pelo professor H. Bi-unswìch. 1 voi ' 500 

.AJui — Carso da lingua franceza. Methodo d^Ahn, adequado ao uso dos portugue- 
zes, polo professor H. Brunswich. 1 voi 500 

Oamillo Oastello Bjranoo — Os critioos do Cancioneiro Alegre. l vo- 
lume 200 

A-nlsoiiio I^eixoto do amarai — Selecta classica de prosadores por- 
tuguezes. Elaborada segundo o programma officiai para as cadeìras de portuguez 
dos lyceus, conforme a portarla de 5 d'outubro de 1872, e augmentada com mnis 
trechos classicos e notas. 1 voi , 600 

Bfanoel I^hilippe OoelHo — Ref ata^ào das principaes obj«c9oe3 d'al- 
guns protestantes contra a Instrac9ào pastoral do Em,™o Cardeal-Bispo do Porto 
sobre o protestantismo. 1 voi 200 

I>. [Mig^uel !M!ai:*ti]iez y Sanz — Instruc9ào para jcanbar jubileu, 
concedido por S. S. Leào xm em 15 defcvereiro d'este anno (1879). Traduzida em 
portuguez por Francisco Luiz de Scabra, com licen9a de S. Em.» o Cardeal-Bispo 
do Porto. Folheto 100 

Bjraneo R>odx*ig^ues — Methodo de prolongar a vida, simples observa9oes 
sobre hygiene pratica. 1 voi 200 

iPadre Sou^aud (vigario gercd de Orleans) — Historia da beata Margarida 
Maria ou origem da devc9ào ao Cora9ào de Jesus. Traduc9&o de José Joaquim 
Nunes, re vista pelo padre Senna Freitas. 1 voi IsWO 

'M.gv* Ség-ar — Conversas sobre o protestantismo. Traduc9ào do padre Senna 
Freitas. 1 voi 200 

Xgnacio de Villiena Sai:*l30sa — Exemplos de virtudes civicas e do- 
mesticas, colhidos na historia de Portugal. 5.^ edÌ9ào correcta. 1 voi. . . . 400 

3£aaoel Ig^aaoio da Sil^eii*a Boirgr^^ — Discurso recitado na 
abertura solemne das aulas do seminario diocesano do Porto, no dia 6 d*outubro 
de 1878, e sermào recitado na sé cathedral da mesma cidade na quinta-feira santa 
de 1879. Folheto ^ 200 



1^ 



ERNESTO GHAKimQN, HDITQH t5 

V <la Oa,i]fia,]?a. — Viagens cm Marrooos. Cotn lUustra^Ses de Manoel Ma- 

\ C. Alberto e Pastor. 1 voi IJWOO 

de. X^opes de Oa,i:*^a,llio — Noticia sobre alguns insectos uteis d 

cultura. Opudculo illustrado com gravuras. Folhcto 100 

làillo Oastello Sr^^tnoo — Cancioneìro ai egre de poetas portuguezea 

razileiros, commentado. 1 voi. de 560 paginas lj^200 

iSE .^^ug'iisto Pa.lm.eix'iiii. — Tra^os biographicos do ezc.i^o snr. Cas- 

ilo José Vieira, com o retrato do biographado. Folheto 100 

^dC. do. Ounlia, SeLxa.s — Galeria de sciencias contemporaneas. 1 

>S80 volume li^500 

^m X^uiz 'M.citrleL da ìò^il^a. Ramos — A soberania social de Jesus 

Iq ftristo, conferencia religiosa. Folheto 200 

IQ I*«i,d.r*e IFelix (da Companhia de Jesus) — Conferencias sobre o socialismo, 

ecitadas na igreja de Nossa Senhora de Grenoble durante a quaresma de 1870. 
fraduzidas em portuguez por Francisco Luiz de Scabra, parocho de Caeia. 1 vo- 

.urae 500 

^£i.noiseo A.ntoiilo "Veig-a {juiz de direito de i.» imtancia) — 

A direito ao alcance de todos ou o^advogado de si mesmo. Dìccionario de direito 

usuai, contendo: As noQoes praticas do direito e modélos e formulas de alguns 

r. actos sobre materia ci vii, commercial, administratìva, criminal, ecclesiastica e do 

processo. 1 grosso voi » » 2(^000 

lu\M.%x Aju.^\x^±i> P^meiiriiii. — Galeria de figuras portuguezas. A poesia 

popolar nos campos. 1 voi 800 

Pa.i:ilo JPé^al — Jesuitas ! Obra traduzida livremente do francez e annotada 
pelo padre Senna Freitas, precedida do retrato e d*uma carta do author e entra do 

traductor. 2 voi 1,^0 

jB^a.ix.iS'tiiio Xavier de Novaos — Poesias, publicadas por Antonio 

Moutinho de Sousa. 1 voi Ì0^ 

O .A.g'iriciiltoi* do Norte de Poir-tug^al. Jornal illustrado d'agri- 

• cultura pratica, dedicado às provincias do norte e publicado sob a direc^ào e 

ausptcios do conselho d'agricultura do districto do Porto, com a coUabora^ào dos 

priacipaes agronomos e lavradores do paiz l.o e 2.° annos 6^^000 

-A. Oi^v'ilisa^ào Oatholica — Publica^ào mensal, redigida pelo dr. Luiz 
Maria da Silva Ramos, Lente catbedratico da faculdade de theologia na universi- 

dade dc- Coimbra 1.» anno li^OO 

* T^r*ed.erico Sa^'tia't — Sopbismas economicos. 1 voi 600 

T^i^an-cisco ILtuìx de Seal>ra — A flór dos prégadores ou coUccqSo se- 
lecta de sermoes dos mais celebres oradores contemporaneos, para todas as domin- 

gas e principaes festas do anno. Estào publicados 8 volumes 6^1400 

A. X^£i.ceolta ou coUec^àodeora^oeseobraspias, àsquaes os summos pontificcs 
tem concedido indulgenoias. Publicada por ordem de Sua Santidade Pio ix. Tra- 
duzida em portuguez por Francisco Luiz de Scabra, parocho de Cacia. Com licen- 

<ja de S. Em.a o Cardoal-Bispo do Porto. 1 voi 600 

.An'toiiio FeirnandeiS Oardoso — Sentido litteral, moral e historico 

"* dos ritos e ccremonias da missa. Vertido e resumido do latim. 1 voi 600 

Padre Oros — confessor da infancia e da mocidade. Traduc^ào do padro 

Manoel Ferreira M arnoco e Scusa. 1 voi 600 

K». I^adre IMCarelial [missionario apostolico) — A mulher cook) deveria 
sél-o. Versào da 12.» edÌ9ào franceza, pelo padre Mesquita Pimentel. 2.» edieào 

portugueza. 1 voi «00 

«José Slum — Vida do Santo Padre Pio ix. Vertida da terceira edÌ9ao allemà, 
e annotada e additada por Francisco d'Azeredo Teixeira d^Aguilar, conde de Sa- 
modàes. Um magnfico volume, illustrado com primorosas gravuras e nitidamente 

impresso em papel vellino 800 

Grappai* I^oureiro d'A.lmeida Oardoso Palìl — Manual do 
recorrente em causas civeis ou deduc9ào systematica das disposÌ9oe3 do eodigo do 
processo ci vii, attinentes aos embargos, às senten^as e accordàos, às appella^oes, 
aos aggravos, às cartas testemunhaveis, às revistas e aos recursos da coròa. Para 
utilidade e uso dos que frequentam o fóro. Com um appendice, contendo a tabella 
dos emolumentos e salarios judiciaes nos processos civeis e orphanologicos, appro- 
vado por lei de 12 d'abrii de 1877. 1 voi 600 



16 



BIBUOGRAPHIA POETUGUEZA E ESTBXN6EIRA 



iL'b'bade^ Ajnl>x*osio Ouillols — EzplicaQ&o historioa, dogmatica, ino- 
rai, litargioa e oanónica do Cateoismo, com a respostii &8 objec^s eztrahidaa das 
toienoias oontra a religi&o. Obra honrada com um breve de Sua Santidade Pio ix 
e approvada por yarìos cardeaes, aroebispos e bispos. Traduzida da 12.* edi^fto 
de Parb e dedicada ao exc.°^ e rev.>°o snr. D. Manoel Correa de Bastos Pina, 
Bbpo-Conde de Coimbra, por Francisco Luiz de Scabra. 2.* edÌ9&o. 4 voi. 4^000 

Oa4Bpa,i* I^our^iiro d'^UImeida. Oajrdoso !Pa.Àl — Codigo civìl 
annotado. Codigo civil portuguez, approvado por carta de lei de 1 de julho de 
1867, annotado com referencias em seguìda a cada artigo, aos artigos do mesmo 
codigo, aos do codigo de processo civu, aos da lei hypothecaria de 1 de jalho de 
1863 e aos publicados na Re vista de legisla^ào e jurisprudencia e no Direito, cooi 
um appendice ao mesmo codigo, contendo : a legisla^&o vigente e correlativa, o re- 
gularaento do registro predial e legisla^ào respectiva, a lei da extinc^ào dos juizes 
eleitos e erea9&o dos juizes ordinarios, a lei e regulamento da caiza goral dos de- 
positos, com OS respectivoB modélos, etc., e um minucioso reportorio alphabetico 
coordenado pelo annotador. 1 grosso voi ìi^OO 

'ViseoiiLde do Mioireiira. de XS.e:^ — filei^es liberrimas à antiga por- 
tugueza. Fafo e um governo progressista em 1879. Manifesto eleitoral ao circulo 
15.0 e cartas politicas ao presidente do conselho de ministros Anselmo José 
Braamoamp. 1 voi • 200 



ì 



NO PRELO : 



Oamillo Oastello Biraneo — O Gon^alinho de Carude, romance rea- 
lista. 1 volume. 
IN'al'eiso- de Iua.eei*da. — Canticos da aurora. 1 volume. 
A» ILà» Soaire» I>uArte — Descobertas e maravìlhas. 1 volume. 
Pinlieiiro iJÈkeLgens — Brazileiros illustres. 1 volume. 
lEì^a. de Queiroz — crime do padre Amaro, nova edi^ào. 1 volume. 
A.l>l>Ade Gruillois — Ezplica^ào do Catecismo, tom. m. 



I 

t 



VIAGENS MARAYILHOSAS AOS MIDOS CONHECIDOS E DESCONHECIDOS 

VOLUMES PUBLICADOS E EM BROOHURA 



^a terra à lua • 900 

roda dalua 900 

volta do mundo em 80 dias. . . IjjSOOO 

Os inglezes no polo norte lijSlUO 

deserto de gelo 1^100 

Cince semanas em bal&o 1^100 

Aventuras de tres russos e tres 

inglezes 900 

Viagem ao centro da terra 1^000 

America do sul 1^100 

Australia meridional 1^1 00 

Oceano Pacifico IjjSlOO 

bomem das aguas. Ij^OOO 

fundo do mar liJSlOO 

Os naufragos do ar IjjSOOO 

abandonado UlOO 



segredo da ilha IjlOO 

correlo do czar. li^lOOO 

A invasào imO 

eclipse de 1860 li^OOO 

A ilha errante 1^000 

A cidade fluctuante liXìOO 

As Indias negras li^OOO 

cataclysmo cosmico. liSilOO 

Os habìtantes do cometa 1|>100 

doutor Oz li^lOO 

A viagem fatai 900 

Na Africa 1*)00 

A galera Chancellor li^lOO 

A descoberta da terra {1.^ parte) lii^lOO 

A descoberta da terra (2.» parte) 1^100 



Cada volume lem numerosas gravuras e custa mais 300 rais 

encadernado em percalina dourada 



EBNESTO GHABDRON, EDITOB 



17 



EUSEBIO MACARIO 



Pelo sea assombroso talento e faculda- 
des assimiladoraB em alto grau depura- 
das, pelo seu modo de ser litterario, pe- 
los estudos especìaes e aturados a que 
86 entrega, e pela pratica extensa de re- 
digìr , dialogar ou deserò ver, Camillo Cas- 
tello Branco é um grande romancisfa e 
um ìncomparavel escriptor. Em Franca 
e educado na pequenina córte elegantis- 
sima de Sophia Gay ou de madame de 
Girardin, na intimìdade dos artistas e 
dos poetas, dos sabios e dos estroinas do 
grande tom, no convivio quotidiano e vas- 
to d'uma grande capital, este grande psy- 
chologo, este profundo anatomista, este 
homem de genio, seguramente teria da- 
do um romaneista t&o feoundo e prodi- 
gioso corno Balzac. No estreito meio de 
urna sociedade idiota, composta de bra- 
zileiros enriquecidos e hvdropicos, de 
morgados imbecis, de bellas morgadas 
roii^as e levianas, de vis traficantes, de 
roubadores de heran^as, de assassinos, 
de ^elhos legitimistas intransigentes, Ca- 
millo sem restringir a esphera da sua 
aptidào artistica, deu-nos comtudo, tem- 
nos dado, uma galeria menos vasti» que 
a galeria do grande Honoré, mas as suas 
crea^oes valem bem muitas das fìguras 
balzaquianas, s&o t&o nìtidas e comple- 
tas corno estas. 

Ninguem pintou ainda entro nós comò 
Camillo, o braziieiro do Minho, commo- 
dista, ligeiramente sceptico, avaro, sa- 
bendo o que a vida cuata, aspirando às 
honrarias, ao pariate, à nobreza, aos lu- 
gares em que se faz figura, 

Ninguem deu ainda fìguras comò as 
de certos fidalgos de provincia, de seus 
romances enthronisados n*um orgulho 
brutesco e feroz, comò um curilo na sua 
coura^a de picos, procurando para as fi- 
Ihas OS casamentos de conveniencia, vio- 
lentando o amor e as suas inclina9oes 
fataes, armando ciladas aos amantes 
oom criados facinoras, pelas estradas 16- 
bregas, por noìtes tragicas e invernen- 
tas. E em algumas linhas de dialogo, 
em tres ou quatro observa^oes sarcasti- 
oas, profundas, d^uma verdade que re- 
salta, e punge dolorosamente, Camillo 

2«0 AKSO* 



desenha às vezes com uma precisSo e uma 
verdade notaveis, tjpos immortaes, gro- 
tescamente enfatuados, perfis prudhom- 
mescos, que flagella a seu modo com ver- 
gastadas a que nenhum espinha^o resiste, 
sem golpes, sem listroes de sangue, e 
Sem gritos de ddr. Disseram os senhores 
crìticos que o romance £2usel>io 
M:a,cajrio Aliava Camillo na escóla 
realista (e por signal — juntaram — o fi- 
liava desastrosamente) e aproveitando a 
occasi&o escreveram sobre as escólas do 
romance e sobre a individualidade Ca- 
millo, umas arengas t&o amarellas quan- 
to drasticosas. 

A verdade é que o nosso grande ho- 
mem tem side ha trinta annos, entro nós, 
tanto ou mais realista do que E^a o foi as- 
similando Zola, oom o seu notabilissimo 
talento, e Bento Moreno seguindo um 
pouco menos à risca a linguagem do 
Ventre Paris nos seus romances, o ulti- 
mo dos quaes multo bom. 

Para comprovarmos o que dissemos 
basta abrir as NoveUas do Minho e os 
livros quasi^ todos de Camillo, especiai- 
mente os ultimos. 

Quanto a nós, Camillo, imitando o 
processo Zola e servindo-se (elle, o pu- 
rista insilane, o lapidador Ìncomparavel!) 
de locu^oes illegitimas, de gallicismos 
alambicados, de pequenas phrases ama- 
neiradas corno as que resultam traduzin» 
do à risca os Rogon Macquart ou os Con» 
tos a Ninon, nào teve em vista reprodu- 
zir a maneira artistica do realista fran- 
cez e do snr. Queiroz (E^a) unicamente 
comò prova da sua maravilhosa faculda- 
de assimiladora, ou por simples vaidade 
da BVLA pessoa litteraria. Seguindo ainda 
o processo de observa^fto microscopica, 
paciente, complicadissima e nem sempre 
boa dos realistas portuguezes, photogra- 

?hos obedientes do chefe da escóla de 
^aris, Camillo n&o mirou alardear de 
talento maneavel, 

Adquirindo a linguagem viciada que 
mencionamos, o solitario do Alto Minho 
flagellou com a sua ironia terrivel os que 
tendo ao seu dispdr uma lingua opulen- 
ta, 08 que podendo escrever em estjlo 

2 



18 



BIBLIOGRAPHU POKTUGUBZA E ESTRANGBIRA 



largo, sonoro, saudavel e correctissimo 
08 sena romanoes oa contos, lan^am m&o, 
para darem area de innovadoreB e de ar- 
tistas sablimes, d*uma aravia pedantes- 
ca, e fazem a vers&o portugaeza, palavra 
Sor palavra e phrase por phrase, segun- 
as leia grammatìcaes e a construotu- 
ra adoptada na lingua franceza, fazendo 
. sentir com requintada pujan^a, certos 
vicios de linguagem e oertas irregulari- 
dades de dio9&o. Quando, por exemplo, 
08 nossos realiatafi (sublinho a palavra 
refenda aos Zolas, edì^ào de poche, ulti- 
mamente surgidos para o booejo nacional 
oom o seu cacar cjar de gallinhas chooas, 
imitadores de mau gesto do snr. £9a de 
Queiroz, urna individualidade notavel 
na litteratura do paiz, e perfeitameute 
fora das nossas referencìas ironicas); 
quando, por exemplo, os nossos realistas 
escrevem imitando passagens do BazUio 
ou do Padre Amaro : gente ia passando 
— taipaea pnnham-se — brancuras de 
saias fuziam — e outras cousas analogas, 
de duaa urna : ou elles s&o rigorosamente 
ans fedelhos reprovados em portuguez 
pelo snr. padre Amado e ìgnoram a cou- 
sa mais elementar que um personagem 
de bu^o deve saber — a grammatica da 
sua lingua e as tradÌ9oes da sua littera- 
tura; ou ent&o levam o seu genio até à 
pelintrice sem meias de vestirem as ba- 
nalidades que desenvolvem em scenas 
mais ou menos acanhadas, n*uma fórma 
que nem inventaram, nem reflectiram, 
nem pelo menos comprehenderam. £m 
qualquer dos casos, na impossibilidade 
qe mettermos esses grulhas n^um collegio 
infantil para estudarem ^nme^ro^^e^ra^, 
ou na Correcgào para nào roubarem e 
bolirem no que véem pelas vitrinea dos 
livreiros; em qualquer dos casos (dize- 
mos) OS senhores litteratos, de que faze- 
mos men9ao, merecem algans puxoes de 
orelhas e acerbas tro^as. Pois bem, Ca- 
millo com o seu romance chacotéa dos 
peqtLeno8, Nào acreditam? Comecem a 
lér as primeiras paginas do £jUisel>io 
e verào. 

S<5 lendo a descrip^Slo do campo onde 
pecegos pennujavam, so lendo o trecho 
sobre o boticario e o fìlho, onde estea 
dous typos apparecem, um tomando hy- 



A FLOR DOS PRÉGADORES 

Oa ooUeogao seleota de sermoes dos mais celebres oradores contemporaneos 
para todas as domlngas e principaes feetas do anno 



Par FRANCISCO LUIZ D£ 8EABRA 

8.0 volume 

PréQo dos 8 volomes publioadós ...« 



800 rels 
6i^0 rels 



drarg;^rio por causa de antigas contas no 
cartono, e outro fomentando lobulos ro- 
xos e de contacto dolorido, ag'arrados de 
nma £5rma imprevista àquelia pequena 
abertura onde nma cousa cometa e outra 
oousa acaba; so lendo esses fra^mentos 
do livro ficar&o convencidos. Porque ha 
multo romancista adepto do realismo que | 
n&o escreve, nem observa corno Zola. I 
Ser realista para os senhores frang&os ^ 
litterarios da cidade, é escrever corno es- 
creve entro nós o consul de New-Castle. 
E mais nada. 

Se E^a de Queiroz n&o desenhasse, co- 
rno desenha, nos seus liyros typos yigo- 
rentissimos, acabados, esculpidos com 
profunda sciencia e amarga verdade, pa- 
ra que diabo ser via o estylo d'elle ? O 
seu estylo é j ustamente o seu esoolho. 
Nos bons dias da bohemia coimbrà de 
Jo&o Penha, j& o poeta do Vtnko efel 
reprovava asperamente ao seu amigo 
Queiroz o seu estylo de contrafac^ào, di- 
zendo a este que nào esorevia portuguez. 
Flaubert é um realista, Droz è um rea- 
lista. E que realistas ! — lède JBovarp, 
lède Babdain, 

E nào se parecem. Mencionadameute 
Droz segue um processo perfeitameute 
diverso do processo Zola, sem o estreìto 
cinto de minudencias que é o tic d*este 
ultimo. E todavia encontram-se ambos 
n'um ponto, na admiragào que ao publi- 
co merece o talento excepcional de dous 
cerebros excepcionaes tambem. 

Para homens de cunho, para roman- 
cistas illustrcs o processo nào é nada. 
Camillo nào precisa processo, corno Bal- 
zac o nào precisou, corno Dande t o nào 
possue. Construindo DE2usel3Ìo lAfci,-» 
ca,x*io, Camillo Castello Branco cal9ou 
luva branca para arremessar um sarcas- 
mo finissimo aos realistas de Portugal, 
sufficientemente intelligentes e edncados 
para comprehenderem a inten9ào elegan- 
te do livro, e cal9ou luva branca n'essa 
mesma mào com que ha pouco tempo, na 
Bibliographia poHugueza e estrangeira, 
esbofeteava desapiedada e minhotamen- 
te uns va-nii-pieda que o queriam ape- 
drejar no oaminho. 

(Das Novidadea). 



1 *• 



ERNESTO GHABDRON, EDITOR 



19 



MODIFICACOES IMPORTANTES 



INTRODUZIDiS Ni NOVA IDiglO 



D& 



CRIME DO PADRE AMARO 



POH 



EgA DE QUEIROZ 



Este livro é realmente, sob o an- 
tigo titulo, um romance inteira- 
meoAe novo. Basta, para o pro- 
var, facto de que o CRIME DO PA- 
DRE AMARO se compunha d'um vo- 
lume de 360 paginas, e qne se apre- 
senta agora em um Toiume de 
mais de 900 pagina». Nao 
tendo sido alargado o periodo d'acpào, 
estas 4^00 pagina» a mais de- 
vem necessariamente center novos 
incidentes, novos episodios, novos 
personagens, um drama novo. 

É este, cremos, um facto unico nos 
annaes litterarios. Até aqui tinha-se 
visto um author corrigir, melhorar 
as successivas edipoes do seu livro, 
procurando dar-lhe a maxima somma 
de perfeifào possivel ; mas é està a 
primeira vez que se ve um author 
recollocar sobre a banca de trabalho 
um romance que escrevera ha seis 
annos, e cqnservando-lhe o mesmo 
titulo, a mesma these, a mesma in- 
tenpao, refazel-o, reesere- 
▼ei-o da primeira à ulti- 
ma iinlia. Póde-se questionar tal- 
vez a utilidade d'um tal emprehen- 
dimento: o romance estava escripto; 
fora approvado por uns, condemnado 
por outros; per tenda a classe dos fa- 
ctos consumniados sobre os quaes, 



comò dizem os francezes, il n'y a 
plus à y revenir. Para que ir gastar 
uma quantidade enorme de trabalho, 
d'estudo, d'esforpos para o escrever 
de novo? Isto, porém, é uma ques- 
tao entro o author e a sua conscien- 
cia d'artista. que interessa ao pu- 
blico é saber se o novo romance Ihe 
offerecerà mais interesse, maiores 
sensapoes, maior distracpao, maiores 
commofoes que o antigo romance. 
Pois bem, n'este ponto podemos 
afianpar que o publico sera ricamen- 
te recompensado da sua espectativa. 
Tudo que constitue as attracpoes 
do moderno romanee realista 
foi aqui largamente prodigalisado : 
typos curiosos, incidentes èomicos e 
dramaticos, um estudo aprofundado 
das miserias e das torpezas huma- 
nas, observapao rigorosa dos tempe- 
ramentos, tudo, mesmo aquellas sce- 
nas que ordinariamente se chamam 
immoraes, mas que sao, a nesso 
vèr, a transcrippao exacta dos moti- 
vos secretos e baixos que influen- 
ceiam a nossa pobre natureza. 

É curioso n'este trabalho seguir as 
influencias que levaram o author a 
refazer o seu livro : nos deus ou tres 
primeiros capitulos vé-se que a sua 
intenpao é simplesmente corrigir e 



20 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUBZA E ESTRANGEmA 



aperfeipoar o estylo e estudar mais 
profundamente os caracteres: nos 
dous capitulos seguintes comepam a 
apparecer as scenas, os ìncidentes 
novos, mas o fundo ainda permane- 
ce mesmo ; é no sexto capitulo que 
vemos entrar o primeiro personagem 
novo; e d'ahi por diante, entào, o 
author pondo de parte inteiramente 
romance antigo, arrastado pela lo- 
gica do seu assumpto, attrahido pe- 
los horisontes novos que elle Ihe of- 
ferece, deeide-se a esereTer 
tudo de DOTO, corno se tratas- 
se d'mn livro novo. Nào contaremos, 
para nao defiorar o interesse, as al- 
terapoes do enredo. Em quanto aos 
novos personagens, os melhores pa- 
recem-nos o boticario e a sua fami- 
lia, administrador do concelho, o 



operario socialista, o typo singular 
do padre Silverio, o abbade Ferrao, 
e sobretudo a odiosa personalidade 
da Tótó. As scenas novas abundam : 
recommendamos a que se passa em 
casa do doutor Gouvéa, na sala das 
consultas, a da tabema do compadre 
Osorio, a da noite de pezames, e, so- 
bretudo, a scena da administrapào 
do concelho, a melhor, a nesso ver, 
que tem sahido da penna do author. 
Este no¥o livro parece todavia 
afastar-se dos processos do resdismo, 
e author comò que procura crear 
uma escóla nova, individuai, e sem 
ligapoes com as que existem. 

O volume erniari tìt 
venda no fini, eie dezem.- 










REOITADAS 

NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DE GRENOBLE DURANTE A QDARESMA DE 1870 



1 volume 



DA OOUPANHXA DB JESUS 

TBADUZIDAS EM POBTUGUEZ 

POR 

FRANCISCO LUIZ DE SEABRA 

PABOCHO DB OACIA 



500 rais 



BIBLIOTHEGA DO CURA DE ALDÈA 

BUA DO ALMADA, 209 — PORTO 

OS -AuFOSTOLOS 

Est&o publicados o l.o e 2.o volumes d'este notavel romance historico, continoa- 
c&o do Martyr do Golgotka, 3.o e ultimo volume estarà à venda no principio de 
aezembro proximo. Os tres volumes s&o omados de 12 bellissimas gravuras, as quaes 
representam : Deacida do Espirito Santo aos Apostolos — martyrio de Santo Estevào 
— Apparigào de Jesus a S. Paulo — Degolagào de S. Thiago — Os desterrados — 
Morte de Herodes Agrippa — 8, Fedro entrando em Roma — S, Paulo pregando em 
Athencu •—' Nero presenctando o incendio de Boma — Os christàos langados àsferas — 
Morte de S. Fedro — Morte de S, Fatilo, 

A obra completa costarà l^^SOO réis. 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR ìl 



LIVEARIA DE ERNESTO GHARDRON 



OBRAS DB FUNDO 



Ck>lleoQSo das obras olassioas portaguezas, quo se aoham jet reimpressaa 

e oompletas 

JEìlueicUurio clas palavira» e pluraseSs <lQe antigamente se usaram 
em Portugal, e que hoje regolarmente se ignoram, por Fr. Joaquim de Suita Rosa 
de Viterbo. 2 voi. in-fol 4i^000 

XUstoiria eie S* I>oiiiiii£^o»9 particular do reino e conquistas, por Fr. Luiz 
de Sousa. 6 grossos voL em 4.® 7ijl200 

GDralt^allios eie «Jesus, por Fr. Thomé de Jesus. 2 voi. em 4.o I|i800 

Oluronioa eia Oonipanliia eie «Jesus do estado do Brazil. 2 voi. em 
4.0... 1»00 

Xlistoiria lusulaua das ilhas adjacentes a Portagal sajeitas, pelo padre An- 
tonio Cordeiro. 2 voi. em 4.o 2|K)00 

]M[appa <le JPo]:"tu^al antigo e moderno, pelo padre Jo&o Baptista de Cas- 
tro, ampliado com am supplemento por Manoel Bernardes Branco. 4 voi. em 
4.0 8*600 

IMEeiiioirial eia seg^uuda Tavola Recloucla» por Jorge Ferreira de 
Vasconcellos. 1 voi. em 4.o li^OOO 

Ol>]:"as oompletas eie Miauoel JMLeLrio, eie Bairl>osa clu Bo- 
oagr^9 dispostas e annotadas por Innocencio Francisco da Silva, com um estudo 
biographioo e critico àcerca do poeta, por Luiz Augusto Bebello da Silva, 6 voi. 
em 8.0 gr 4^20 

Reflexoes sol>]:"e a lingpaa poirtu^ueza, por Francisco José Frei- 
re (Candido Lusitano). 3 voi. em 8.o gr 720 

Oiris'oiii. « o]rtliog^]:"apliia eia liug^ua po]rtug;xi.eza9 por Duarte 
Nunes de Le&o. 1 voi. em 8.o 500 



LUZ E CALOR 

OBRA ESPIRITUAL 

Para 9» qae traiam do exerelelo de vlrtnde* e eamlnho da perfelf fte^ 

dlvldldo em daiui perles, ele.^ eie. 
AiiHier • padre ManeeI llernarde*^ da Coiisrega^e do Oratorio de Lliilioa 

Està edÌ9&o é feita sobre a primeira originai de 1696, sem altera^&o alguma no 
texto. ~ JE^e^o l^^OOO ireis* 



^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ 



Fastos <la J^rcja, historia da vida dos santos, omamentos do Christianismo, 
com censura e authorisa^&o do patriarchado, por Luiz Augusto Rebello da Silva, 

2.» edi^So. 2 voi 960 

!Pauo]:"aiiia9 coUec^&o completa. 18 volumes encademados 36i^i000 

niustira^&o X^uso-Brazileira. 3 volumes em folio, brochados . . . 4)0)500 
Encademados.. . . » * WOO 



22 



BIBUOGRAPHIA. PORTUQDBZÀ E EXTBAN6BIBA 



OBRAS DE PUNDO 



Bajnreto Feio 

Eneida de Virgilio, traduo9&o oom 

texto latino. 3 voi. 2j»80 

Falmeiriiii 

Potaiaa, 4.» edi^&o correcta. 1 voi. 600 
Dona casamentos de convetiienciaf 

comedia om 3 actos 360 

Como se sóbe ao poder, comedi a 

em 3 actos 400 

sapateiro d'escada, comedia em 

1 acto 160 

A domadora de feraSf comedia em 

1 acto 160 

£jirax*JUsto X^eoni 

Genio da lingua portugueza, 2 voi. 1|^800 
Poesiaa, 1 voi • 240 

Bel>ello da. Silura 

A mocidade de D. Joào V, come- 
dia-drama em 5 actos 480 

Othdlo ou o mouro de Veneza, dra- 
ma em 5 actos, imita^ào. 1 voi. 
em 8.0 300 

Miendes I^eal «Junioir 

Os homens de marmoref drama 

em 5 actos 36G 

Homem d'ouro, drama em 3 actos 300 
A heranga do chanodler, comedia 

em 3 actos 400 

Fedro, drama em 5 actos. 2.^ edi- 

^ao, 1 voi 400 

A pobreza ehvergonhada, drama 

em 5 actos 480 

Alva eatrella, drama em 5 actos. . 300 
Cantieoa. 1 voi. em 8.o 720 

AJLineida. e Aj:"ai\]o 

Chronica da rairiha D, Maria 11 
(completa), 3 voi. in-fol 3iX)00 

1640 ou a restauralo de Portugal, 
facto historìco em 4 actos e 7 
quadros 300 

Minhas lembrangaSf poesias 500 

X^opes eie Mienclon^a. 

Memoriaa de litteratura contem- 
poranea 720 

Ligdes para maridoa, comedia em 
3 actos 400 

Noticia historica àcerca do duque 
de Palmella. 1 voi. em 4.o . . . . 500 



Villtena Baj:*1>osa 

Cidadea e villaa da monarchia por- 
tugneza que tém brazào d'ar- 
mas. 3 voi. com 126 estampas 
lithographadas 3^000 

Soai*es Fi*ai].eo 

Sermdea, 6 voi. em 8.o, contendo 

74 sermoes 2iJ880 

Memoriaa da mocidade. — I. Ro- 
sas e espinhos do amor. Chro- 
nicas de Coimbra. Dever ou cri- 
me. — II. As duas costureiras. 
Um casamento à Congrève. 2 
voi 1^»00 

Folhaa da vida^ poesias. 1 voi. . . 600 

A-iitonio eie Se]:*pa. 

Casamento e deapacho, comedia 
em 3 actos 320 

Titilla ILieitao 

Natureza daa couaaa^ poema de 
Tito Lucrecio Caro, traduzido 
do originai latino para vers&o 
portugueza. 2 voi. em 8.® 800 

Medicina legai, por Sédiiiot. 2.* 
edi^ào, augmentada de notas. 
2 voi. em 8.0 1|J200 

Oesai:" eie ILiacei:*<la 

Um riaco, comedia em 2 actos . . . 160 
Scenaa de famUia, comedia em 2 

actos 320 

A duplice exiatenda, comedia em 

4 actos 240 

A prohidade, comedia em 2 actos 

e um prologo 300 

Oa filhoa doa trabalhoa, drama em 

4 actos i 360 

Uma Ugào deflorete, comedia-dra- 

ma em 3 actos 180 

Traòalho e konra, comedia em 3 

actos.... 300 

A ariatocrada e o dinheiro, come- 
dia em 3 actos 300 

Cora^ào de ferro, drama phantas- 

tico em 5 actos 300 

cTiale de oachemira, comedia em 

lacto 120 

É perigoao aer rico, comedia em 1 

acto 160 

Aa joiaa de familia, oomedia-dra- 

ma em 3 aotos 300 



ERNESTO' CHARORON, EDITOR 



33 



OBRAS DE PUNDO 



Memoria» do coragào, romance. . . 240 
Duae mulheres da època, romance. 240 
A irmà da caridade, comedia em 2 

actos 160 

marido no prego, comedia em 1 

acto '. 160 

Jà nào ha toloa! oomecUa em 1 

acto 80 

Nào de»preze$ sem taber, comedia 

emlacto.... 120 

colono, comediandrama em 3 

actos 100 

Segredoa do corono,, comedia-dra- 

ma em 3 actos 260 

juizo do mundo, comedia-drama 

em 3 actos 240 

A pelle do leào, comedia-drama 

em 3 actos 200 

A roda da fortuna, comedia dra- 

ma em 3 actos 160 

Nem indo que luz è ouro, comedia* 

drama em 3 actos 200 

dia I.o de dezembro de 1640, 

comedia heroica em 3 actos . . . 200 
vltimo dia doa jesuitas em Por" 

tugal, drama originai historico 

portuguez, em 3 actos, 8 qoa- 

dros, e 1 epilogo 200 

PHatoa no Credo, comedia em 1 

acto 80 

Anjo, mvlher e demonio, comedia- 
drama em 2 actos . 200 

Amor e amizade, comedia em 1 

acto 80 

Amor virgem n*uma peccadora^ co« 

media em 1 acto 160 

A Cruz, drama em'Ò actos 320 

29 ou honra e gloria, comedia de 

costumes militares em 3 actos.. 360 
A converaào d'um agiota, comedia 

em 2 actos 160 

Miencles I^eal (A-ntonio) 

Poeaiaa. 1 voi.., 500 

Abel e Cairn, comedia em 3 actos. 240 

Uma vidima, drama em 3 actos. . 160 
Ddr e amor, comedia-drama em 3 

actos 200 

Santo» 

aegredo d'uma familia, comedia 

em 5 actos 240 

Ojxi»jpro(2i^o, comedia em 3 actos 200 
homem doa cautelaa, oolùedia 
em 2 actos.. «.,.... ^ 200 



A harpa de Detta, opera mastica 

em 4 actos e 8 quadros 300 

Oe»cu* IMCacliado e IXosraii. 

A Vida em Liaboa, comedia-drama 

em 4 actos 300 

Primeiro o dever ! comedia-drama 
em 3 actos. • •.... 160 

«J* cl'A.1>oiiii 

A tarde entre a murta, comedia èm 
3 actos 240 

O recommendado de Liaboa, come- 
dia em 1 acto 80 

O homem pde, e Deua diapde, co- 
media em 2 actos 120 

Cada louco com atta mania, come- 
dia em 1 acto 100 

Biesteir 

Um quadro da vida, drama em 5 
actos 480 

A redempgào, comedia-drama em 3 
actos 360 

Duaa épocaa da vida, eomedia em 
2acto8; 240 

Uma viagem pela iitteratura con- 
temporanea 200 

Aa obraa de Horacio, imita 9&0, 
comedia em 1 acto. 120 

Um homem de conacienda, comedia 
em 2 actos. ~. 160 

maeatro Favilla, drama em 3 
actos 160 

Camdea do Bodo, comedia em 3 

actos 300 

A torre do Corvo, drama em 4 

actos 400 

Carica ou a familia d'um avaren- 

to, comedia em 4 actos 240 

Fedro Cem, comedia em 5 actos. . 300 
Bemeando, guerrilheiro, drama 

em 3 actos 300 

AJfireclo XXog^an. 

Ai braxileiraa, comedia-drama em 
a actos 300 

Ninguem julguepelaa apparenciaa, 
comedia-drama em 3 actos .... 360 

Oa diaaipadorea, comedia em 4 
actos 400 

È mdhor nào experimentarf come- 
dia em 1 acto , 200 



S6 



BraUOORiPHU PORTUaUEZA B ESTRANaESU. 



A CIVILISACiO CATHOLICA 

PUBLICAQÀO MENSAL 

REDIGIDA PELO DOUTOR LUIZ MARIA DA SILVA RAMOS 

L«nU euthedratieo da faculdadé de ihtologia na UnivrMadt de Ooimbra 



Seghimelo anno eie pn1>lioa.^a.o 



Ao passo qae a imprensa impia pros- 
pera e se desenyolve com a oriminosa 
coopera^&o dos catholicos, a imprensa 
religiosa defiiiha de dia a dia por falta 
de meios. 

Com milito sacrificio se sustentou a 
CivUieoQào Catholica durante o curto pe- 
riodo de sua existencia, e terà de sus- 
pender a sua publica^ào se os cathoiicos 
portuguezes a nào auxiliarem. Pedimos 

Sois aos bons cathoiicos, nào em nome 
e interesses mesquinhos, mas em nome 
dos interesses da religiào e da patria gra- 
vemente compromettidos pelas doutrinas 
da imprensa impia, que nos auxiliem 
n*esta empresa eminentemente social, a 



firn de qae a CivUisacào CcUholica n&o se 
veja na dura necessidade de suspender a 
sua publica^&o. 

Este jomal é de immensa vantagem 
especialmente para o clero. Responde a 
consultas sobre pontos dogmaticos, mo- 
raes, liturgicos e canonicos. Publica-se 
uma vez cada mez, em bom papel e ni- 
tida impressào, de 32 paginas em 4.0 
grande. 

Temos a satisfatelo de dizer que a nos- 
sa pobre revista tem sido muito bem re- 
cebìda na Franca, Belgica, Italia e Hes- 
panha. Sera olhada com indififeren^a em 
Portugal ? N3.0 o esperamos. 



L. u. 



Summario dos principaes artigos publicados no primeiro anno 

da Civllisagào Catholica 



O BOSSO programma. 

A cosmc^onia genesiaea perante a philosopliia e a 

seiencla. . 

A Igreja e aa sciencias. 
Limitos da infallibilidade pontificia. 
Os designios de liO&o xui. 
Ethnographia. Sels legendas amerieanas, identifi- 

cadas com a historia de Moysés e do poyo hebren. 
Triampbos do catboiiclsmo. 
A historia do Gaiilea. 
Movimento catholico ao mnndo. 
Problemas sociaes. 
A incinera9&o dos cadavereS| sob o ponto de vista 

moral. 



Q padre Secchi. 

Berlim e o Vaticano. 

A ultima eneyeliea de LeSo xm. 

O principio vital. 

O Dr. Newman. 

Descrip^&o da abertora do Ho Anione, e da joma- 

da ao Monte Snblaco. 
A hypothese do desenvolvimento progressivo em 

Christo. 
Liberdade repnblicana. 
Ohronica contemporanea. 
Carta de sna santidade Le&o xni. 
Jnrisprudeneia canonica. 



Os ne^groeiois eie x*e<la<3^a.o peirteneem ao doutor 
ILiuiz IMCairia eia Sil^^a XSamos, Ootm1>i*a; os de admi- 
ntsrtira^ao a £2mesto 01ia]:"dx*on, editoi:*) Foirto» aonde 
se x*eoel>en[i ammi^i^eLtnjuxB* 



PRBCO POR ANNO, 1,5(600 REIS 



ERNESTO CHARDRON, BDItOR 



?7 



PDBLIGATIONS FRANGAISES 



ANATOMIE, PHYSIOIOGIE, CHIRURGIE, PHTSIQUB, ITC. ITC. 



Aigre (Dr. Douglas) — Étude cli- 
nique sur la metallothérapie ex- 
terne dans Tanesthésie. 1 voi. 
in-S^ 500 

Anthropologie — Atlas de vingt 
planches d'anatomie. •• • 2^000 

Beaunis (H.) — Nouveaux éléments 
de physiologie hamaine compre- 
nant les princìpes de la physio- 
logie comparée et de la physio- 
logie generale. 1 yoh in- 8® 
cart 2j51800 

Bernard (M. Claude) — Lefons sur 
les propriétés des tissus vivants. 
1 voi. inSo IjjeOO 

Bourgeois (Dr. L. X.) — Les pas- 
sions dans leurs rappórts avec 
la sante et les maladies. 1 voi. 
in.l2.. 400 

Bouchut — Atlas d'ophthalmosco- 
pie medicale et de cérébrosco- 
pie, montrant chez Thomme et 
chez les animaux 7^000 

Burggrave (Dr.) — A la mer cu 
conseìls pour la sante. 1 voi. in- 
12 400 

— La longévité humaine, moyens 
naturels d'y arriver. 1 voi. in- 
12 400 

Cadiot (L. O.) — Traité d'anato- 
mie generale appliquée a la mé- 
decine. — Embryogénie, élé- 
ments anatomiques, tissus et sys- 
tèmes. 1 voi. in•8^... 2j51600 

Campbell (Dr. Charles James) — 
Considerations . nouvelles sur 
l'anesthésie obstétricale. 1^^ 
partieìn-S^ 800 

Candolle (Alphonse et Casimir) — 
Monographise phanerogamarum 
prodromi nunc continualo, nane 
revisìo. 1.® Yoììxme : Linilacece, 



restiacece, meliaceoe^ cum tabu- 
lisix. In-8o 6^000 

Charcot (J. M.) — Le9ons sur les 
maladies du foie, des voies bilìain 
res et des reins, faites a la fa- 
oulté de medecine de Paris. ì 
voi. in-8« 2^000 

Chargé (Dr. A.) — Traitement ho- 
moeopathique des maladies . des 
organes de la respiration, cavi- 
tés nasales, larynx, trachèe, 
bronches, poumons, pleures, touz 
et crachats. 1 voi. in-12. lf$200 

Chomet (Dr. H.) — Effets et in- 
fluence de la tnusique sur la 
sante et sur la maladie. 1 voi. 
in-8« 600 

Delefowe (Dr.) — Pratique de la 
chirurgie des voies urinaires. 1 
voi. in.l2 1,J200 

Descuret (J. B. P.) — Les merveil- 
les du corps humain, précis me- 
thodique d'anatomie, de physio- 
logie et d'hygiène dans leurs 
rappórts avec la morale et la 
religion. 1 voi. in-8*>.. 1j51200 

Duboué (Dr.) — De la physiologie 
pathologique et du traitement 
rationnel de la rage, suite d'étu- 
des de pathogénie. 1 voi. in- 
8« 1^000 

Duclos (Firmin) — La vie, qu'es-tu? 
D'où viens-tu? Où vas-tu? 1 
voi. in-12 400 

,Du Pré (Dr. Gaston) — La chirur- 
gie et le pansement antisepti- 
que en Allemagne, et en Angle- 
terre, lettres adréssées a M. le 
professeur van den Corput. 1 
voi. in.8o 1^000 

Durand Fardel, etc. — Dietion- 
naire general des eaux minerà* 



28 



BIBUOORAPHIA PORTUOUBZA B ESTRANOEIRA 



les et d'hydrologie medicale, 
comprenant la geographie et 
les stations thermales, la patho* 
logie therapeatiqae, la chimie 
analytiquei Thistoire natarelle, 
raménagement dea Boorces, 
l'administratioii thermale, etc. 

2 voi. in-ff^. 4^000 

Fort (Leon le) — Ia chirargie mi- 
litaire et les sodtétés de seccours 
en France et A rétranger. 1 

voi. in-8^ 2^000 

Fort (Dr. J. A.) — Manuel de pa- 
thologie interne aveo figures in- 
teroalées dans le texte, précède 
de la manière d'examiner le ma- 
lade et de faire les autopsies. 1 

voi. in-12 1^200 

— Résumé de pathologie et clini- 
[ue chirurgicales. 1 volume in- 

6 1^200 

Foy (Dr. F.) — Manuel d'hygiène 
ou histoire des ìnojenB propres a 
conserver la sante, et a perfe- 
ctionner le physique et le moral 
de rhomme. 1 voi. in.l2. 800 
Gosselin (L.) — LcQons sur les 
hernies abdominales faites a la 
faculté de médecine de Paris. 

1 voi. in-8^ 1^400 

Herzen (Dr. A.) — Lezioni sulla 
digestione fatta airistituto supe- 
riore di Firenze. 1 volume in- 
12 600 



ji 



Hestrés (Dr. F.)— ^feiade sor le 
coup de ohaleuri maladie des 
pays chaads. 1 voi. in-8^ 500 
Jamain (A.) — Nouveau traité élé- 
mentaire d'anatomie descriptive 
et de préparations anato miquea. 

1 voi. in-12 2^00 

Jamain et Ferrier — Manuel de pa- 
thologie chirurgicale. 1^ voi. 

in.l2 1^600 

Labarthe (Paul) — Nos médécins 
contemporains. 1 volume in- 
12 950 

Lapierre (A.) — Sur le diabète 
maigre dans ses rapports avec 
les alterations du pancreas. 1 
voi. in-8*. ....•...•••. 500 

Laplagne (Ch. G. Saint-Martin) — 
Exposé théorique et pratique des 
maladies vénériennes, nouvelle 
doctrine proscrivant les inje- 
ctions et le mercure. 1 voi. in- 
12 1^000 

Letoumean (Ch.) — Physiologìe 
des passioneu 1 voi. in-12. 900 

Leven (M.) — Traité des maladies 
de Testomac. 1 voi. in-8® 1^400 

levy (Michel) — Traité d'hygiène 
publique et pri?ée. 2 volumes 
in-8« 4^000 

Licrébois (P.) — Autopsie de Tàme, 
identité du materialismo et du 
vrai spiritualismo. 1 voi. in- 
12 500 



PUBLIGAgOES DIVERSAS 



Baiiialli.o Oirtifi^ao — Theophilo Braga : esbo90 biograpbico 60 

Alitiaiiaoli irepul>lieajio para 1880 — 6.o auno. 1 voi 120 

IXeiurique Fei*ez lEIseirieli — Historia d'uin beìjo. 1 voi 500 

A^» ikimoulcl e N. IFouriiier — herdeiro do throno. 1 voi. . . . 400 
Ol>]:"a completa — Cesar Canta. Historia aniyersal desde a crea9fto do 
mundo até 1862, oontiiiaada até 1876 por D. Nemesio Femandea Cuesta, e até 
1879 oom a noticia dos faotos mais notaveis relatìyos a Portagal e Brazil por Ma- 
nosi Bernardes Branco. 2.* edi^&o, illustrada com 18 gravaras : 

^Im brochura 20*)00 

'ncademada 27»00 



ERNESTO GHARDRON, EDITOR 



PUNnEEXRO 0»L4.0^ìIlS 



Bl\AZILEIi\^OS TlLUSTI^ES 



UM VOLUME 



EXPLIGAGAO DO GATECISMO 



TOMO ni 



THOMAZ RIBEIRO 



"VIÉJSFEI^-A-S 



UM VOLUME, liJOOO BEIS 



PADRE MARTINHO 



PMTICAS DO&MATICAS E MORAES 



UM VOLUME, IfJOOO REIS 



ROMANCES MARITIMOS 



. o t A NAD DE VIA6EM. 
' ' GALEiO ENXOBBEGAS. 

PREgO, 500 REIS 



ERNESTO CHARDRON, EDITOR 




AGRIGULTOR 

DO NORIE DE PORTUGAL 

jorNàl de agricoltura pratica dedicado às provincus do nortb 

e publicado sor a direcgào e adspicios 
do conselho de agricultóra do districto do porto 

COM A. COLLABORàCÀO 

• DOS PRINCIPAES AGRONOMOS E LAMADORES DO PAIZ 





AKTIGOS PRINCIPAES 



Afblbamentos. 

lAquecimcnto àf>B vlnhos. 

Óonserva^&o dog yinhos verdes. 

Cultiira alterna. 

Oidtiira da beterraba para astnear. 

Coltora e eonserva^&o dos eereaes. 

Onltvra da lozema. 

Onltora do sanfeao. 

CSnHnra do trevo^ ' 

Oultura dos topinambos. 

CoUora da vinha. 

B«oBomÌa 4|>]ne8tiea. 

Ensaio da yinba baixa no )finbo. 

Gado ; seu emprego.na agrienltora. 

Xiayras. 



Madoiras novas ; sna pianta^. 

Peculio do agrionltor. 

Fbylloxera; sua ertine^. 

Plantas bortenses. 

Fodas diversas. 

Prados naturaes. 

Ra^as bovinas; sua eseolba. 

Ra^as sninas inglezas. 

Respostas a varlas concultas, 

Semeador mecbanieo. 

Teosinto ; nova pianta forraginosa. 

Tonpeiras e passaros. 

Urtiga branca ; ensaio de cultura. 

Veterinaria para lavradores. 

Yiniflea^So. 



A venda o 1."' e 2." ànnos. Preco, 6^000 reis 

POR .4JVJN^O, 3|^000 ItEÒLS 

Assigna-se nas livrarias de ERNESTO CHARDRON, editor 

Porto : 1880 ~ Typ. de A. J. da Silya Teixeira, Cancella Veiha, 88 



:~- -^am 



m^*^ 



J^ 



2n Anno 



18 8 



]S[UMERO i 




D 




GiZA E ESTRAIEIM 



I30ZIC jvum:b:ros, soo ridxs 



A V De JNTXDl JL : 



THOMAZ RIBEIRO 



F. ]MC. Bordallo 



V 



POESIAS DISPERSAS 
1 volume, 1^000 reis 

J. DA €UNHA CAKDOSO 



MOMENTOS D'OCIO 

1 volume, 500 reis 



BOMANCBS 

MARITIMOS 

I 

A NAU DE VUGEH 

GALEAO ENXOBREGAS 
1.0 volume, 500 reis 







SUMMARIO 

]E^l>lica.^oe6i ^l'Sirnesto Olia^rdiroii? por Camillo Castello Branco 
— A.O siu*« Sea.1>]:"a. cl'A11^u^{ue]:"que9 pelo mesmo — A j^ptto^ 
px*iecla.cle li'tte]:"aj:*ia — 'EéLX'Qoe» poirtug^ueza^s e l3x*azi- 
leirajsi, etc. etc. 



^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ 



ERNESTO CHARDKON, KDITOK 



ERNESTO. CHARDRON, EDITOR 



LIVKARIA BE ERNESTO CHARDRON 



OBRAS DE FUNDO 



CoUec9So das oDras olaesloaa portngnezas, ^oe se aoham J& reimpressaa 
e oompletas 



£Ilu.c&dafio daa palaviaa 6 
phrases, quB antigamente ae usa- 
ram em Portugal, e que hoje re- 

Sularmeate se igaoram, por Fr. 
oaqaim de Santa Bosa de Viter- 
bo. 2 voi. in-fol Ì0m 

Hlstoi-ia, de S. Doinin- 
SCOtHf partìcular do reìno e con- 
quistas, por ii'r. Luiz de Soiao. 6 
groBBOB voi. em 4.» 7^200 

l^tibctllios de Jesu^i por 
Fr, Thomé de Jesus. 2 voi. em 
4." ISSOO 

Clu-onlca da Cotopanhia de Je- 
ans do eBtado do Brazil. 2 voi. em 
4.0 1*500 

Xllstoi-ia InsultMia, dae 
ithas adjacentes a Portugal Boiei' 
tas, pelo padre Antonio Cordeiro. 
2 voi. em 4.» a^OOO 

BIai>x>a tic Poi^ug'al au- 
tigo e moderno, pelo padre Joào 
Baptista de Castro. 4 voi. 3^600 

memoi-iaJ da iS^eT'*''^^'^ 
'X'avola Bodonda, por 
Jorge Ferreira de Vasconoellos. 1 
voi. em4.o 1*000 

Obi-as completa» de Ma- 
noel Maria de Barbosa du Booage, 
dispoBtas e annotadaa por lunoceu- 



cio Fianciaco da Silvi 



B.ogt.. 
XtoflesrSes aobre a lingua poi- 

tugueza, por Frandsoo José Frei- 
re (Candido Luaitauo). 3 voi. em 



Oi-igem e oi*tliogi*aplila 
da llngfiia poi*tuE;ucxa, 

por Duarte Nunea de Leào. 1 voi. 
500 



I>iiz e oaloi-. Obra espiritual 
para os quu tratam do eieroiciode 
virtudeH e caminho da perfei^ào, 
pelo padre Manosi Bernardes. 1 vo- 
lume 1*000 



Eati adi^ é fella 






Tafio alguiDB 



Fastos. da I^i-eJ« 



toB do Cbristianiamo, por Luiz Au- 
gusto Eebello da Silva. 2.^ edicào. 
2 voi 960 

Panorama, collecfào comple- 
ta. 18 voi. eucaderoadoB. 36W0 

Illiistfa^ào XjUso-Bi-a- 
zileii-a> 3 volumes em folio 

bi'ocbadoB 4*500 

Enoadernadoa 5iB700 



BaiT^to Felo 

Eneida de Virgilio, traduo5ao com 
o texto latino. 3 voi 2 

FaJinetrim 

Poetiaa. 4.» edicào correcta. 1 voi. 
Doua caeamentoa de convaiiencia, 

comedia om 3 actos 

Como « »obt ao poder, ciomedia 

em 3 ootoB 

sapateiro d 'escaio, ..comedia em 

A domadora de fera», comedia om 



.A^meida e A.i-ai^o 

Dhrùnica da rainka D. Maria II 
(completai. 3 voi. in-foi 3*000 

1640 ou o restaurag^o de Portugal, 
facto bìatorico em 4 actos e T 
quadro» 300 

Minhas lembran^as, pocaiaa 500 

IjOpes do Itf endonpa 

Memoria» de litteratura contem- 
poranea ISO 

IA0e8 para marido», comedia em 
3 actoa 400 

KoHcia Ai«tortaa &cerca do duque 
de Palmella. 1 voi. em 4.". , . . 500 



2.» ANNO 



1880 



N.» t 



BlBLIOGRAPHIA 

PORTUGUEZA E ESTRANGEIRA 



PDBLICACOES DE ERNESTO CHARDRON 



FRANaSCO MARIA BORDALLO 



A NAD DE VIAGEM - GALEÀO ENXOBREGAS 

1.0 volume, 600 reis 



majTitiinLOS 
P^au eie ^vlag^eiti — O 
leSiO £2iis:ol>i*eg^as* Por Fsam- 

018C0 Mabia, Borballo. Liyraria Inter- 
nacional. Porto, 1880, 12. —288 pag. 

Renasce no mercado dos bons livros o 
saudoso nome de Francisco Maria Bor- 
dallo. Volta o escriptor querìdo dos mo- 
90S de ha trinta annos. Sào protestos que 
yem à hora pontual em que se deturpa à 
gera^&o quasi extincta dos discipulos do 
Garrett o seu grande capituio na histo- 
ria da litteratura portugueza. 

A Nau de viagem, romance escripto 
com amavel dosleixo, é bem assìgnalado 
por scenas alegres d'um realismo antìgo 
aquererbalbaciar moderno — intermit- 
tencias febris muito romanticas de per- 
meio com descrip^òes naturalistas em que 
superabunda sabor salgado da cor lo- 
cai. Seriam descabidas scenas insòssas 
em pieno oceano. E, se algumas morde- 
ram de mais no paladar de ha vinte an- 
nos, hoje em dia esses quadros um pouco 
espertos talvez que o author, vivendo, OB 
apimentasse mais. 

Lembram-se os velhos da grande voga 
Que teve o Eugenio, romance marìtìmo, 
de Bordallo? Ém 1848, ha trinta annos, 
lia-se esse livro com um ferver poucas 

2.0 ANNO. 



vezes repetido com livros nadonaes, se ex- 
ceptuarmos estes ultimos da nossa rege- 
nera^&o litteraria — os documentos da 
humanidade, segundo author de Nana. 
Eugenio era ama reminiscencia da SalOf 
mandra, de Eugenio Sue, Zola d'aquel- 
les tumpos, um nome que està quasi de- 
lido da memoria da gente — em menos 
d*um quarto de seculo! D*hoje a vinte e 
cince annos que dir&o de Zola os nossos 
fìlhos? 

A Nau de viagem é bastante d*aquella 
escóla, mas oom melhor recheìo de humo- 
risme, com os tons philosophicos d'um 
sceptioo e d'uma intelligencia progressi- 
va que principia a rìr-se da sua mesma 
familia litteraria. Bordallo foi um escri» 
ptor do pulso, fino observador, com um 
lance de olhos perspicaz ; e, por uma con- 
tradic^&o quasi consentanea e goral dos 
talentos imaginativos, era em cousas de 
amor um lamartinista, cantando sempre 
comò as aves, 

a cantar todcu d'amores, 

eomo disse Sa de Miranda. 

Qaleào Enxóbregaa é uma narrativa 
urdida de lances tragicos, batalhas na- 
vaes, incendios, amores infames. Tiran- 
te elemento dos amores adulterìnos, 
merece ajuntar-se às soberbas descrip^es 
da Historia tragico^maritima. É um qua- 

8 



30 



BIBLIOGRAPHIA PORTUGUEZA £ ESTRANGEIRA 



dro atroimente genuino qae Bordallo 
transferiu d'um manusorìpto do seoulo 
xvii para a sna prosa elegantissima. Nào 
ha qae admirar a acertada profusào te- 
ohnologica do descriptivo : Bordallo era 
tenente de marìnha-— é o author do Pas^ 
seio de sete mil leguas, que Almeida Gar- 
rett moribundo se comprazia de ouyir lér 
a Oomes de Amorim. Sete mil legnasi 
Andou multo corno qnem tinha de viver 
pouco. Quando os seus coUegas nas letras 
espregui^avam a sua inercìa nos Marra- 
res, elle regressava emaciado no roste, 
com a alvorada da morte nos palm5es, das 
Buas yiagens à America, à Africa orientai 
e à India. Depois, escrevia cstes formo- 
808 livros maritimos que nunca devem 
esquecer a uma na^ào que sahiu opulen- 
ta do oceano e là se afundou debaixo dos 
seus galeoes abarrotados de canella e pi- 
menta. 
romancista, depois de contar o des- 



tino mais on menos piccaresco das perso- 
nagens da Nau de viagem, concine : «Pe- 
90, pois, ao leitor, que reze um Padre- 
nosso e ama Ave-Maria pelas almas d'es- 
tes nossos irmàos e por todos os que an- 
dam sobre as aguas do mar». Eete gra- 
cejo faz tristeza. Tambem elle, Francis- 
co Maria Bordallo, na flòr dos annos, se 
desfez corno a esperan^a sacudida pelo 
repellào d'uma imprevista desgra^a. Tao 
alegre, tao abstrahido da morte o vi, pou- 
cos mezes antcs de encostar a face fria 
ao seio d*um amigo ! Vinha elle de bra- 
90 dado com Bulhào Pato, um grande es- 
pirito utopista que veste as cousas tri- 
viaes de cdres prismaticas e as commani- 
ca com um ìmpeto de vehemencia pouco 
vul^ar na indole portugueza. EUes eram 
tao intimos quanto se deprehende da sau- 
dade que Bulhào Pato Ihe consagrou em 
quatorze paginas do seu melancolico li- 
vro Sob 08 cyprestes. 



NO PB£IX^O, do metsitio autlioir 



J3." "VOZ^-OIMB 



Episodios d'ama viagem — Scenas 
da esoravatura — Vlageus aos pòlos 
— Quadros maritimos — Dous an- 
nos de viagem — Ignoto deo. 



a.» "voXjXtiwCb 



Eugenio— Samsào na vinganga. 



THOMAZ RIBEIRO 



\( jB o jc^ db Jc>f i>cK# o 

POESIA8 DISPERSAS 

1 voi liiOOO reis 



II 



Poeeias disperscts. Por 
Thomaz Ribeibo. Livraria Internacio- 
nal de Emesto Chardron. Porto, 1880, 
303 pag. — 8.0 gr. 

. . Pois que a poesia sentimental se està 
evòlando comò pei^fume d*uma fldr que 
vai fenecendo no peitilho esba^azado da 
musa cocodette vinda de Paris, terà a 
critica de retroceder aos antìgos usos aca- 
demieos de avallar os poetas meramente 
^ela vemacalidade da elocu9&o, pela prò* 



priedade do epitheto e pela elegancia 
da metaphora. Voltamòs aos dias de Mi- 

fuel do Conto Guerreiro. Assim usavam 
feves Pereira e Francisco Dias Gomes, 
com Camoes, Sa de Miranda, Antonio 
Ferreira, Caminha e Diego Bernardes. Se 
nos restringirem a essa tarefa um tanto 
caturra, dar-nos-hào, ainda assim, ense- 
jo a sobrepdr Thomaz Ribeiro no coronai 
dos poetas contemporaneos, hombro a 
hombro de Gastilho. A sua prosodia é ri- 
quissima, a expressfto omnimoda, e de 
ama soberba honrada que nunca mendi- 
ga termo estrangeirado, nem emprega lo- 



ERNESTO GHABBRON, EDITOR 



31 



cncfto qae n&o esteja bem aforada noe 
Telhos que eanharam a moeda de melho- 
res quilates da lingua. 

Véapercu, poeto dÌ2 o que é o seu li- 



"vro: 



Vdhos cantarti »do; gravaram-aé um em lapide 
que vào gastando o» pés dos eretUet, n^algum tempio ; 
outrot ra$ga'0» a mào que o» eecondia trèmula / 
(jpotiaa, se me ouvitf aprovtUai do exemplo !) 
wUgune dtu-m'oe a patria e o immeneo amor do$ metM. 
Andei pelo Oriente o etemo a vir e o ephemerof 
eanteif ehorei talve» I luto era completo /. . • 
Vamoe lir baixinho o» vespertino» eantieo», 
(ynde "ha de novo eó, — de novo ou de oheoleto, — 
que a patria canto e o amor, e que ainda ereio «m Deu», 



amor e a patria ; mas principalmen- 
te a patria é a mais vivida inspirac^&o 
d^estes cantares. Desde o imperecedoaro 
poema D, Jayme, a caracteristica de Tho- 
maz Bibeiro é um fogoso e intransigente 
affecto à sua terra, um donoso aférro de 
beir&o a està cousa convencionalmente 
santa que nos faz odiosa a annexa^Slo à 
Hespanha* Nào nos importo saber se a 
aniào nos farla o bra^o direito e validis- 
simo d'uma na^ào gigante; o que nós 
queremos é ser este corpo de pygmeu ane- 
mico, com o nesso rei e o nesso Tejo, e 
HLais as nossas inserip^oes e os nossos 
brazileiros. As nosscia inscrip^oes! — is- 
te é rhetorioa : entendamo-nos. Mas isto 
tudo em familia é bom e bonito. Se là de 
longe, para nos enxergarem no mappa, 
carecem de violentar a geographia, e 
ainda assim obsequiosamente nos cba- 
mam Heapanha para nos n&o adscreve- 
rem no grupo nebuloso das regioes des- 
conhecidas — isso nào importa. A gente 
o4 vai atamancando a sua autonomia, e 
oontomos com a Inglaterra e com a Fran- 
ca a que nos encostamos, assim comò o 
veterano invalido se encosto &s muletas 
para contar com grande ufania casos de 
Aljubarrota, de Montes Claros, e outros 

. Ca$ot que Adamattor eontou futwrot, 

Dà-nos Thomaz Bibeiro poesia do Orien- 
te ; mas sua, de sua lavra. A India por- 
tugneza, se algum dia desabotoou fldr 
de poesia indigena, devastou-lh^a, sumiu- 
Ibe OS minimos vestigios o sirdco que 
Ihe ventou de cà. As nossas espadas de 
Toledo, as nossas cruzes de pau santo e 
OS nossos pelouros de bronze afugentaram 
a alegria, a juvenilidade e a seguran^a 
que desatom o espirito dos interesses bai- 
zos e o ezal^am as errantes balbucia^oes 
do amor — origem de teda a poesia, co- 
rno a ezprimem os Mag^ars, os escandi- 



nayoB e as inyen^Ses, fraudnlentas embo- 
ra, de Macpberson. 

A India portuguexa nfto deu nada a 
Camòes e Bocage. Compoz Thomaz Bi- 
beiro intuitivamente com as notas que 
Ihe arpejou o céo e a yegeto^&o d*aqael- 
le paiz silente corno um cemiterio,