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Full text of "Bibliotheca lusitana historica, critica, e cronologica. Na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, e das obras, que compuseraõ desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o tempo prezente"

BIBLIOTHECA 

LUSITANA 



Í5Í' 



í- 



^ 



^ 



Desta edição fe^-se uma tiragem especial de loo exem- 
plares, em papel Kegisto 120, numerados e rubricados 
por Manuel Lopes de Almeida. 



BIBLIOTHECA 

LUSITANA 

Hiftorica, Critica, e Cronológica. 

NA QUAL SE COMPREHENDE A NOTICIA DOS AUTHa 

rcs Pbrtuguczcs , c das Obras , que compuíèrtô dcfde o tempo 

da promulgação da Lcy da Graça até o tempo prezcnte. 

OFFERECIDA 

À AUGUSTA MAGESTADE 

D. JOÀÒ V. 

A^;'r"'' NOSSO SENHOR,-^'" 

DIOGO BARBOSA 

MACHADO 

V^lfipon^t Ahbéde ds Tdrochiéd Jffrejã de Ssnto Aãrixô de Sever , e Acadé- 
mico do Numero dd jécademid BjcmI. 

TOMO I 




LISBOA OCCIDENTAL, 

Na Offidna de ANTÓNIO ISIDORO DA FONSECA 

Anno de M. D. CC. XXXXI 
Com todas as íicenças neceJfarUs. 



BREVE 

AD FAVOREM BIBLIOTHECARUM. 

CLEMENS PAPA XL 

AD FUTURAM RCIMBMORIAAL 



CONSBRVATIONf, & manutentlutíl librorum Ribliuihc 
cinim IXMDorum ReguUrium Fratrum Oi 'Unis SunCii Au- 
guftini Difcalccdicorum nuncupatQrum GongregttioiíU Por* 
tugalHc , quantum cum Domino poíTunius b«nigne con» 
fulcrc i WC DilcAuno íílium moJernum Frocuratorem Ge- 
ocralem in Romana Cúria diâx Cungregaiiotiis fpeclalibat favor ihus« 
& gratíii prufequi vol«ntes » 6C à quiburvis excomidUDicatiunís , luf- 
penficnis , & interdiâi , aliisque Ecclefiaílicls fcncemiii cenluris , 8c 
pceoii à jure « vel ab h'>mine quavíj occafione , vfl caufa lacis i Ç\ qui« 
bus quo:nodolibcc innuJatus exiilic , aJ cXtCtwm pricteutíunf dumu* 
xat cunfequeiiJum « harum ferie ablòlveiites « & abfoiutuno fore ocn- 
ftnces fupplicacionibus ejus nomine Noliís faper hoc humilicer por* 
fedtis ínclinati , ne de cetero qiiifqjatn , five l!«culari$ , fj»c ciijdf- 
vts Ordinis Rtfgularis etiam aut^oritate , oFBcio, & fup^fiurttate fua> 

Sens , Libros i Ouinteriia , Fulia five impreíTa , ftve manufcripia , um 
âdlenus dít5ti$ BÍbliothecis doiuta , comparata , 6c aifignata , suàni 
in pofteruin duiuiida i cumparanda^ Sc affígnanda Uibquovis pracicxtu » 
kigenio , caufa» colore, racione , asii occafione è Dumibus Regula* 
ribus* 6c fxcuWribus « quacu nque auc1orici-.é fungfmibns commo* 
dare , donare , vel alio quovis mudo dldritliere , & alienare , fril 
ut eitrahanturt & afportentur , aut conimodentur , dunentur , difira* 
hantur « Sc aliencntur permittere , aiic coiifeiuirc auJcat , (eu prsc« 
fumac fub excommunicationis f ac priratiuníj vocii adtívx , S: paffive 
pisnls per concrafaciences eo ípfo incurrendis Ai^ondica audorirace 
tenore prcfentium interdicímus , & probibemds. Perruiitentcs tameii 
Superioribus diAarum Domorum Rcgulariurrt pro Cempore exiftrnii* 
baSf uc de licentia Definlitírii Gencralis, vel annualis prxdi»ílar Cott* 
fregacionis aliquoU tx libris praedi^is Fratribus ejuíJeni Congrega tio* 
nis, etiam in aliis Domibas tomniorantíbus , cumcautelis t;<men ne* 
cenàriís , ac Inventario i PriftTibus , & Difcretis fuarum refpeAivè 
Domorum fubfcríbcfndís ad tempus dctcrminaium commadarí pofiintv 
^uo elapfo ad fuás quafque Domos rcponari , fuiíqoe Biblioihcds ref- 
tituí fub eiídem poínis debeant : Noii obftantibus Cou(liiationibus# 
& Ordinationibus ApoítoliciSf ac Domorum , Sc Ordinum priedic^o* 
rum , etiam juramento conãrmatione Apoftolica , vel quavisfirmita- 
te anàs roboratis flatutis , & confuetudínibus , ceterísiiue contrarii* 
qiiibufcumquc. Volumus autem > quod piKfentis prohfbitionis copia 

m 



fn valvis rujuslibet didlarum Biblluthecavum , tcI alio confpícao loco , 
quo ab omnibus cerni poflli continuo aíiixa remaneat ; quodquepiaE- 
lentium tranfumptis ciiani impreills manu aiicujus Notarii publiciíub* 
fciiptís» ta fi^WUi aiicujus pcfíonae in dignítate Ecckr>aflica conAitu* 
ta: , te) Procuratoris Genetalis Cungregaiionis hujufmcdi munitisea* 
dcm fides ubíque adhibeatur, qux ipíis prxfentibys habcretur « fi fo* 
rcnc cxhibitx , vcl vReníx. Oatum Konise apud S. Mariam Maiorero 
íub AnnuloPifcatorlsdieXXin. Januarii M. DCC.XXl. FoniiÍ€»Uls 
Noilri anno vige fimo-pr imo. — F. Caid. 01iv«iius. — 




Concordai caai fuo originali. 
J«annn VominUus Mamttfft PubUcusNot.Apo(l« 
Ff.UmmãmttlãS.EUfahetht PrKurator Generalh» 




SENHOR 




OM myjierioja dijpojiçaõ da Providencia ejperou a Bibliotheca 
hufitana ideada hà mais de hum Século pelo laboriojo dijvelo de varoens eruditos o jeliv^ 
Rejnado de V. Magejlade para Jahir ao theatro do Mundo como prevendo, que nofaujiij- 



fimo tempo em que no trono de Portugal Je admirajje a uniaõ da S ciência com a Soberania, 
mais difícil, que a do Amor com a Mageftade, alcançariaõ os Sábios que fecundamente 
produi(io efla Monarchia na larga diuturnidade de tantos Séculos a merecida remuneração 
às fuás doutas, e incanfaveis vigílias. Vara fer V, Mageflade o mais fabio Príncipe 
entre os f eus Soberanos Predecejjores fe empenhou a Graça em competência da Naturev^a 
a illujlrarlhe com luv^es taõ antecipadas o entendimento, que jà na idade pueril fe admirou 
adulta a comprehençaõ para o efiudo das Artes dignas do feu alto nacimento, donde 
emanou a innatapropençaõ, com que fe declarou benéfico Protector dos "Eruditos; afublime 
idea com que erigio na Academia Keal hum famofo Capitólio no qual f obre os defpojos 
da ignorância fe celebraffem os triunfos da Sabedoria; e a generofa profufaõ com que 
convertendo o feu Palácio em domicilio de todas as f ciências formou a mais numerofa, 
e magnifica Bibliotheca compofla dos majores Oráculos da Kepublica litteraria vanglo- 
riofos de ferem frequentemente confultados pelo perfpica!ifuit(p de V, Mageflade. Debaixo 
dos benévolos aufpicios de hum Príncipe taõ amante das I^etras, e Fautor dos fabios 
pertende fer admitida a Bibliotheca l^ufitana por comprehender a fublimidade de tantos 
efpiritos, que emulos das Intelligencias Angélicas ennobreceraõ a Pátria com os nomes, 
dilatarão afama com aspennas. Que agradável efpectaculo fera para os olhos de V. Magef- 
tade obfervar nefie Theatro "Litt erário as majores figuras, que venerou a fer ar chia Eccle- 
fiaftica, e Secular, e que com igual decoro illufiraraõ o Sacerdócio, e o Império, como 
foraõ hum Damafo fabricando dos fete montes de Koma degraos para fubir ao Parnafo 
onde foj laureado fobre a Tiara Pontificia com as victoriofas inftgnias de infigne Poeta; 
hum Joaõ XXI. que antes de empunhar as chaves de Pedro lhe foraõ patentes os pro- 
fundos arcanos da Dialéctica, e Medecina; muitos Princepes Purpurados do Vaticano 
mais eminentes pela Sabedoria, que pela dignidade; grande numero de Prelados taõ vigi- 
lantes no paflo das Ovelhas, como na cultura das f ciências; e innumeraveis Kegulares 
aliftados de baixo dos Sagrados EJiendartes de diverfos Infiitutos fahindo dos Clauflros 
como de Praças fortificadas contra a ignorância armados de f o lida doutrina para inflruc- 
çaõ dos Catholicos, e total ruina dos Hereges. Naõ feraõ menos dignos da atenção de 
V. Mageftade os fublimes voos com que nas a^as das fuás pennas fe remontarão à esfera 
da eternidade feus gloriofos Predecejjores dominando igualmente os Aftros como Sábios, 
e os Bftados como Princepes, e dividindo com judiciofa diftribuiçaõ os feus vigilantes 
cuidados, entre Palias armada, e Minerva Pacifica. Hum Affonfo Fundador defta 
Monarchia que tendo alcançado heroicamente a Coroa mural na celebre expugnaçaõ de San- 
tarém, para dignamente narrar as façanhas que nellafe obrarão a tinta com que as efcreveo 
foj o balfamo que as immortalifou : hum Dini:^ depondo o Cetro para tocar a Ljra 
de cuja acorde confonancia atrahidas as Mufas deixarão as aguas de Hipocrene pelas 
preciofas correntes do Tejo : hum Sebaftiaõ que depois de fulminar como animado rajo 
aos Sequa!(es de Mafoma na primeira expedição Africana para que naõ caducajje acçaõ 
taõ heróica napofteridade lhe firmou o privilegio de immortal com apenna: hum joaõ IV. 



9m o Nome, e primeiro na S ciência da Arte Mufica cujos armonicos preceitos Jahiamente 
praãicou, e acerrimamente defendeu. Competindo com efies Monarchas na profijfaõ 
das letras verá V. Magejlade a muitos Princepes, e Infantes Portugueses como foraõ os 
Pedros, Henrique!(j Lui^es, e Theodofios fervindo a huns de contemplação deleitavel o 
diáfano volume das esferas, e a outros de innocente occupaçaõ o familiar comercio das 
Mufas. Verá a muitos Heróes militares concebendo entre os furores de Marte, e incêndios 
de Bellona ardentes efpiritos para profundas, e elegantes compoftçoens, e a muitos Minif- 
tros de Eflado revelarem nas fuás obras as ideas politicas que meditarão em beneficio 
defla Coroa. Verá reduzido a hum Sucinto Mappa a elegante facúndia dos Oradores, 
a fuave afluência dos Poetas, a armonia fem dijjonancia dos Muficos, e a explicação das 
fabulas nos Mythologicos ; aos Interpretes Sagrados correndo o veo ao Sanãuario das 
Efcrituras; aos Theologos decifrando os myfierios dos divinos Attributos; aos furif- 
confultos penetrando as dificuldades dos Cânones Ecclefiafiicos, e das Lejs Imperiaes; 
aos Hifloriadores referindo os Sucefjos das idades pajjadas; aos Chronologos computando 
o tempo por huflros, e Olympiadas, aos Aflronomos compajjando o movimento dos 
Ceos, e obfervando os afpeãos dos Planetas; aos Anatómicos examinando a organia^açaò 
dos corpos, e os Médicos defcubrindo faudaveis remédios para confervaçaõ da vida. Com 
toda efia immenfa copia de eflrellas fe orna, e ef malta efle literário Firmamento ambi- 
ciofas de que V. Mageflade as illufire com a fua benéfica fombra. Ao excelfo trono do 
Salamaõ Portugue^ igual na magnificência, e fuperior na Keligiaõ ao da Palefiina, fe 
pojlra reverente, e obfequiofa qual outra Rainha Sabà a Bibliotheca Eufitana feguramente 
confiada na augufia protecção de hum Monarcha cuja coroada Sabedoria hade benevola- 
mente amparar aos cultores de todas as Artes, e Faculdades, os quaes como Portuguei^es 
faõ vajjalos da fua Coroa, como Sábios pregoeiros da fua gloria. Renaçaõ a nova vida 
animados pelo fublime efpirito de V, Mageflade no feculo mais gloriofo, que computou 
a Monarchia Portuguev^a por nelle fe admirar dominando a Sabedoria com enveja dos 
Auguftos, Vefpafianos, e Conflantinos dos quaes taõ foberbamente fe vangloriou Roma 
Gentilica, e Catholica. A natural benevolência com que V. Mageflade protege aos Eflu- 
diofos me animou a offerecer-lhe efia Encyclopedia compofla de todas as f ciências culti- 
vadas pelos engenhos Portugueses mais eflimavel pela matéria que pela forma que lhe 
deu a grojjaria do meu eflilo, e adijfonancia das minhas vo^es. Naõ afpira a mayor 
premio o incanjavel difvelo que appliquei para taõ alta emprega do que fer patente á 
alta comprehenfaõ de V. Mageflade que tudo fe dedicou em obfequio defla Monarchia, 
Jempre ref peitada pelas Armas, e agora mais gloriof a pelas letras, da qualfeja V. Magef- 
tade Soberano Arbitro por tantos annos quantos faõ os Vajjalos, que lhe obedecem nas 
quatro partes do Mundo medindo-fe a duração do feu Reynado pela fuavidade do feu 
dominio. 

Diogo Barbofa Machado. 



PROLOGO 

A' BIBLIOTHECA 

LUSITANA 



1 V K todas as producçoens litterarias, com que os mayores Sábios eter- 
nizarão a fua fama nos Annaes da Poíleridade, nenhuma lhes mereceo 
mais gloriofos elogios, e celebres applaufos que o laboriofo eítudo de huma 
Bibliotheca, onde pelo impulfo das fuás pennas renacem a nova vida os Efcri- 
tores, que a tinhaõ alcançado immortal na Republica das Letras. Saõ as Biblio- 
thecas ou dipoftas por ordem Alphabetica, como obferváraõ huns, ou Chro- 
nologica, como feguiraõ outros, aquelles eruditos Amphitheatros em cuja 
efpaçofa circumferencia apparecem animados os Oráculos de todas as fciencias, 
que para nunca emmudecerem deixarão impreíTa nos fecundos partos dos feus 
engenhos a mais nobre de todas as potencias. Nellas se fazem patentes as Pátrias, 
que illuílràraõ com os feus nacimentos, como os lugares que foraõ Religiofos 
depoíitos das fuás cinzas. Relataõ-fe as acçoens memoráveis das fuás vidas 
para documentos exemplares da vida moral, e politica. Com a luz fempre 
clara da Chronologia fe deíterraõ as fombras dos Anacronifmos, que confun- 
dem a verdadeira Epocha dos Annos. ReíUtuefe ao feu verdadeiro Author 
a obra injuílamente uzurpada pela afectada fciencia dos Plagiários. Defen- 
de-fe com fundamentos folidos o berço em que fe animarão algims de feus 
illuítres filhos contra a opinião mal fundada de outras Naçoens ambiciofas de 
taõ grande gloria. Apparece juílificada a innocencia de outros falfamente 
acufada no Tribunal da maledicência. Declarafe o nome de muitos modeíla, 
ou maliciofamente occulto, e com enigmáticas figuras de anagrammas, e letras 
iniciaes disfarçado. Refufcitaõ das urnas dos Archivos as Obras M. S. a quem 
a Arte Typographica negou o beneficio da luz publica. Ultimamente fe aíTmaõ 
as diverfas impreííoens de cada livro, e qual delias feja a mais correcta, e eíH- 
mavel. Eíla he a univerfal Anatomia de huma Bibliotheca dividida nas partes 
orgânicas, que lhe formaõ o corpo, de cujo eíludo foraõ profeííores em todas 
as idades os primeiros Varoens da Republica Litteraria, efcrevendo huns 
genericamente a noticia dos Authores eminentes em diverfas Faculdades, e i 



naturaes de diferentes PaÍ2C8; outros contrahindo-fc a menor esfera applicáraõ 
as fuás vigílias nos Elogios de huma Sagrada Familia, ou illuílre NaçaÕ querendo 
com efte obfequio eternizar as glorias da Mãy, de que naceraõ efpiritualmente 
para o Ceo, e temporalmente para o mundo. 

Innumeravel foy a multidão de Authores, que feguiraõ a vaíbi idea das 
Bibliothecas Geraes extcndendo os voos das fuás pennas pela dilatada circumfe- 
rencia de todos os Reynos, c Univerfidades do mundo, fendo os principaes 
Jeremias Paduano i. Conrado Gefner 2. addicionado com dous mil efcritores 
por Jofias Simler 3. Joaõ Jacobo Friz 4. e Roberto Gjnftantino 5. Guilherme 
Paftregio 6. Conrado Lycoílhenes 7. Paulo Jovio 8. JoaÕ Jacobo Boiflardo 9. 
Heningio Groflio 10. Júlio Cefar CapaíTi 11. Marchardo Leo 12. Jorge Drau- 
dio 13. Valério André de Defchel 14. Vicente Paravicino 15. Jacobo Filippe 
Opicello 16. Henrique Oreo 17. Thomaz Erpenio 18. Jacobo Filippe Thoma- 
fino 19. Joaõ Imperial 20. Jodoco à Dudinck 21. Jano Nicio Erithreo, aliás 
Joaõ Vitorio de RoíTis 22. Jeronymo Ghilino 23. Jacobo Gaddi 24. Filippe 
Labbe 25. Joaõ André Queftad 26. Joaõ Henrique Hottinger 27. Pedro Lam- 
becio 28. Lourenço CraíTo 29. Theophilo Spizelio 30. Joaõ Henrique Boe- 
clero 51. António Reifero 32. Vicente Placcio 33. Joaõ Hallevordio 34. Joaõ 
Jorge Schialen 



I. De Auãoribus Scientiarum. Venetiis. 1505. 4. 2. Bibliotheca Univerfalis. Tiguri 1545. 
foi. 3. Tiguri 1555. foi. 4. ibi 1585. foi. 5. Nomenclator injignium Scriptorum. Paris. 1555. 4. 6. 
De Scriptis virorum illuftrium. Venetiis. 1547. 8. 7. Elenchus Scriptorum omnium veterum, e^ recen- 
tiorum. Baíileíe. 1551. 4. 8. 'Elogia virorum litteris illufirium. Baíileíe. 1 5 77. foi. 9. ícones virorum 
illufirium doãrina, (& eruditione prajiantium. Francof. 1592. 1593. 1599. 4. Tom. 4. Bibliotheca, Jive 
Thefaurus compleãens illufirium doãrina virorum effigies, & vitas. Francof. 1628. 1651. 4. Tom. 4. 10. 
Elenchus librorum ab an. i')()^.ufque ad 1600. in Komano Império novorum vel auãorum. Lipfije 1604. 
4. II. Illufirium mulierum, eb* illufirium litteris virorum elogia. Neapoli 1608. 4. 12. Ennumeratio 
methodica Scriptorum totius Occidentis Meridiei^ <ò' Orientis Ecclefiarum. Ingolíladii 1610. 13, Biblio- 
theca Exótica Clafica Francof. 1610. 4. 2. Tom. 14. Imagines DD. virorum elogiis illufirata. Antuerp. 
1616. 8. 15. De viris eruditione claris. Baíil. 161 3. 8. 16. Monumenta Bibliotheca Ambrofiana. 
Mediolan. 1618. 17. Nomenclator pracipuorum Scriptorum. Hanoviae 1619. 12. 18. Cathalogus 
librorum Orientalium. Lugd. Bat. 1625. 4. 19. Elogia virorum litteris, €^ Sapientia illufirium 
Patavii. 1630. 4. 20. Mufaum Hifioricum Venet. 1640. 4. 21. Bibliothecariog-aphia. Cólon. 1643. 
4. 22. Pinacotheca Imaginum ilufirium virorum. Coloniae Agrip. 1643. 8. 23. Theatro d' huomini 
letterati. Venet. 1647. 4. 24. De Scriptoribus non Ecclefiafiicis Gracis, (ò* Latinis. Florentias. 1648. 
foi. 25. Specimen nova Bibliotheca. M. S. PariQis 1653. Bibliotheca Bibliothecarum. ibi. 1666. 8. 26. 
De Patriis illufirium doãrina, (& Scriptis virorum. Witembergae. 1645. 4. 27. Promptuarium. five 
Bibliotheca Orientalis. Heldeberg. 1658. 4. Bibliotecarius Quadripartitus. Tiguri 1664. 4. 28. 
Prodromus Hifioria litteraria. Hamburgi 1669. foi. 29. Elogii d* huomini letterati. Venetia. 1666. 
4. 2. Tom. 30. Theatrum Honoris referatum. Aug. Wind. 1673. 4- Bibliographia critica. Lipíix 
171 5. 4. 32. Index M. S. Bibliotheca Augufiana. Aug. Vindel. 1675. 4. 33. Theatrum Anonj- 
morum, et PJeudonjmorum Hamburgi. 1608. foi. 34. Bibliotheca Curioja. Regiomonti 1676. 



35. Ifaac BuUart 36. Pedro Bayle 37. Martinho Lipenio 38. António TeiíTier 39. 
Joaõ le Clerc 40. Henrique Bafnage 41. Jorge Mathias Konig 42. Daniel Jorge 
Morhof 43. Paulo Frehero 44. Thomaz Pope Blount 45. Gafpar Thurmano 46. 
Federico Salburgio 47. Joaõ André Schimidio 48. Belchior Adaõ 49. Marcardo 
Gudio 50. Carlos Ancillon 51. Burchardo Gotofredo 52. Joaõ Bautifta Rollio 53. 
Joachim Mantzel 54. AiFonfo Lazor de Varea 55. Chriftiano Henrique 56. 
Richardo Simon 57. Joaõ Alberto Fabrício 58. Ernefto Cypriano 59. Joaõ 
Henrique Sallengre 60. Joaõ Kalefero 61. Jozeph Simaõ Afleman 62. Joaõ 
Conrado Zeltnero 63. Joaõ Jacobo Mofero 64. Tobias Echard 65. Joaõ Bur- 
chard Mencke 66. António BaldeíTarri 67. Adriaõ Ballet 68. Joaõ Marangoni 
69. Fr. AiFonfo Chacon 70. e D. Bernardo Montfaucon Monge da Congregação 
de Santo Amaro. 



35. Bibliotheca enucleata, feu Aurifodina artium omnium. Viennae 1679. 4. 36. Kcademie des 
Sciences, <& des Arts contenant les viés, (& les Eloges hiftoriques des Hommes llluftres. Amílerd. 1682. 
foi. 37. Nouvelles dela Republique des letres. Amílerd. 1684. até 171 8. 40. Tom. 12. 38. Biblio- 
theca realis Theologica Jurídica Medica &c. Francof. 1685. foi. 5. Tom. 39. Cathalogus AA qui 
librorum Cathalogos Índices Bibliothecas viror. litterat. elogia vitas fcripfis conjignarunt. Genevíe 1 686. 4. 
Eloges des Hommes Scavans. Leiden 171 5. 12. 4. Tom. 40. Bibliotheque univerjelle, e Hijlorique. 
Amft. 1686. 12. 26. Tom. Bibliotheque ancienne, e moderne. Amít. 1714. 12. 29. Tom. 41. Hijloire 
des Ouvrages des Scavans. Amíl. 1687. 12. 25. Tom. 42. Bibliotheca vetus, eb* nova. Altoríij 1678. 
foi. 43. Polyhijior. Lubeccae. 1708. 4. 44. Theatrum virorum eruditione clarorum. Norimbergse 
1688. foi. 45. Cenfura celebriorum Auãorum. Genevas 1694. 4. 46. Bibliotheca Académica. Habe. 

1700. 4. 47. Cathalogus codicum Gracorum M. S. olim Bibliotheca Palatince, nunc Vaticana. Francof. 

1701. 4. 48. Commentationes de Scriptis, &" Bibliothecis Antediluvianis. Helmíl. 1702. 3. Tom. 4. 49. 
Dignorum laude virorum quos Mufa vetat mori immortalitas. Francof. 1706. foi. 2. Tom. 50. Biblio- 
theca omnium Jiudiorum genere inftruãijfima. Hamburgi 1706. 4. 51. Memoires concernant les viés 
e les ouvrages de plujivrs modernes celebres dans le Kepublique des "Lettres. Amílerd. 1709. 12. 52. Biblio- 
theca antiqua Jenze. 1710. 4. 2. Tom. Bibliotheca librorum rariorum ibi 1719. 4. 53. Bibliotheca nobilium 
Theologorum, Philofophorum, Oratorum Poetarum f&c. Roílochij 1709. 8. 2. Tom. 54. De Georgiis 

fama, <& eruditione claris. Guftrovias. 171 2. 4. 55. Univerfus terrarum orbis Scriptorum calamo 
delineatus. Patavii. 171 3. foi. 2. Tom. 56. Vita eruditijfimorum in re litteraria virorum Uratis- 
laviíe. 171 1. 8. 57. Nouvelle Bibliotheque Choijie. Amílerd. 1714. 2. Tom. 12. 58. Bibliographia 
antiquaria. Hamburgi. 1713. 4. 59. Cathalogus codicum M. S. Bibliotheca Gothana. Lipíias. 1714. 
4.60. Memoires de L.itterature. Haye 1715. 8. 3. Tom. 61. Bibliotheca eruditorum pracocium. Ham- 
burgi. 1717. 8. 62. Bibliotheca Orientalis Clementino Vaticana. Romae 1719. foi. 4. Tom. 63. 
Theatrum virorum eruditorum. Norimbergae 1720. 8. 64. Bibliotheca M. S. anedoãorum, eorumque 
hifioricorum. Norimbergíe. 1722. 4. 65. Cathalogus codicum. M. S. Quodlimburgenjium. Quodlim- 
burgi 1723. 4. 66. Bibliotheca Menckeniana. Lipíiae. 1723. 8. 67. Compendio/o PJfireto delle vite 
de perfonagi alcuni illuftri per la Scien^a. Venet. 1724. 8. 68. Jugemens des Scavans fur les principaux 
Ouvrages des Auteurs. Pariz 1725. 4. 7. Tom. 69. Thesaurus Parochorum Jcriptis, aut editis operibus 
illujlrium. Romãs 1730. 4. 70. Bibliotheca libros, & Scriptoresfermh cunãos ah initio mundi adann. 1583. 
ordine alphabetico comple£íens. Pariíiis 1731. foi. 



71. alem de outros Autores que naÕ declararão os feus nomes, como faõ o 
fournal des Scavans, 72. Giomale de Letterati, 73. Aãa truditorum Lipfuí 74. Memoi- 
res pour P Hijloire des Ouvrages des Scavans 75. Hijloire critique dela Kjepublique des 
I .r/res 76. Journal Litterarie 77. Biblioíheque raijonnée des Ouvrages des Scavans 
dei' Tlurope 78. J^ttres Serieujes Jur les Ouvrages des Scavans 79. Nouvelle de la Kipu- 
blica delle lettere 80. 

A mais fublime esfera fc remontarão os Authores das Bibliothecas 
que comprehendem os Interpretes de hum, e outro Teftamento, e a Venerável 
Serie dos Efcritores Ecclefiafticos. Dos Expofitores da Palavra de Deos efcrita 
compuzeraõ Fr. Angelo Rocca 81. Fabiaõ Juftiniano 82. André Scoto 83. 
Pedro Daniel Huet 84. Cláudio Lancelloto 85. Richardo Simon 86. JoaõFederico 
Mayer 87. Carlos Arndio 88. Joaõ Federico Wildes haufen 89. AdaÕ Rechem- 
bergio 90. Jacobo Lelong. 91. Pedro Zornio 92. Nicolào Alardi 93. Paulo Bol- 
duano 94. e D. Agoftinho Calmet Monge Benedictino 95. A efta claíTe perten- 
cem as Bibliothecas Rabbinicas compoftas por Joaõ Buxtorfio 96. Joaõ Plan- 
tavi 97. Joaõ Henrique Ottinger 98. D. Júlio Bartolocci 99. D. Carlos Jozeph 
Imbonati 100. ambos Monges Ciílercienfes, Scabtai Ben Jozeph loi. Joaõ 
Chriítovaõ Wolfio 102. 

Dos Efcritores Eccleíiaílicos o primeiro que intentou efta empreza, e 
gloriofamente a confeguio, foy Eufebio Cefarienfe, cuja idea imitou S. Jeronymo 
efcrevendo daquelles Authores, que floreceraõ depois da morte de Chriílo 
Senhor NoíTo até o anno decimo quarto do Império de Theodoíio o Velho 
feguindo a Bruto no Dialogo dos Oradores, e a Suetonio em os dous livros 



71. Bibliotheca Bibliothecarum M. S. nova. ParÍ2 1759. foi. 2. Tom. 72. Amílerd. 1665. até 1733. 
12. 100. Tom. 73. Roma. 1663. 3. Tom. 4. 74. Lipíix 1682. até 1733. 4. 65. Tom. 75. Trevonx 
1701. 12. 118. Tom. 76. Amfterd. 1712. 12. 15. Tom. 77. Haye. 1713. 8. 30. Tom. 78. Amfterd. 
1728. 8. II. Tom. 79. Haye 1729. 8. 8. Tom. 80. Venetia 1729. 4. 5. Tom. 81. Bibliotheca Theo- 
loffca, Jive Scripturalis Epitome. Romae 1594. 8. 82. Index univerfalis Alphabeticus. Romae 1612. 
foi. 83. Cathalogus Catholicorum Sacra Scriptura interpretum qui Serie librorum veteris, ac novi Tefta- 
menti fcripferunt. Jenae. 16 14. 4. 84. De claris Interpretibus. Pariíiis 1661. 4. 85. Chronoloffa Sacra 
cum Sjnopfi Scriptorum Veteris, ac novi Teftamenti. Pariíiis 1662. foi. 86. Hijloire critique des prin- 
cipaux Commentateurs du N. T. Roterdam 1693. 4. 87. Bibliotheca Biblica. Francof. 1709. 4. 88. 
Bibliotheca Biblica. Rollochij 171 3. 4. 89. Bibliotheca difputationum in vetus, €>• Novum Tefta- 
mentum. Hamburgi 1710. 4. 90. Hiero L^xicon Biblico-Theologicum. Lipíia2 1724. 4. 2. Tom. 91. 
Bibliotheca Sacra. Pariíiis 1723. foi. 2. Tom. 92. Bibliotheca antiquaria, <& exegética in univerjam 
Scripturam Sacram. Francof. 1724. 8. 4. Tom. 93. Bibliotheca Harmonico-Biblica. Hamburgi 1725. 
8. 94. Elenchus Scriptorum qui in Sacros Bíblicos libros veteris ac novi Tefiamenti fcripferunt. Jenae 
16 14. 4. 95 . Bibliotheque facre, ou Cathaloge des meilleurs livres que V on peut lire pour acquerir /' intel- 
ligetice dei' Ecriture. Pariz. 1730. foi. 96. Bibliotheca Rabbinica. Baíileae. 1604. 8. 97. Bibliotheca 
Rabinica. Tolofíc 1644. 4. 98. Bibliotheca Orientalis. Heidelbergae 1658. 4. 99. Bibliotheca magia 
Kabinica. Romãs 1672. foi. 4. Tom. 100. Bibliotheca Latino-Hebraica. Romae 1694. foi. loi. Lábia 
Dormientium. Amftelod. 1680. 4. 102. Bibliotheca Hebraa. Hamburgi 171 5. 4. 



de Grammaticis, <& Khetoricis. Continuarão com louvável emulação efte aíTumpto 
Genadio, Santo Ifidoro, Santo Ildefonfo, Sigisberto, Honório, Henrique de 
Gandavo, o Abbade Joaõ Trihemio 103. criticado de vários defeitos aflim 
na Hiíloria, como na Chronologia por Gafpar Sciopio de Origine domús AuJlriaccB 
a quem addicionou Balthezar Werlino 104. Suíírrido Pedro 105. Fr. Xiílo 
Senenfe 106. cuja obra foy julgada pela fevera critica de Richardo Simon 
Hijioir. Critiq. du Veaux Tejiam, Liv. 3. cap. 17. digna de contribuir muito para 
a intelligencia dos Livros Sagrados. O P. António PoíTevino 107. louvado de 
fummamente erudito por VoíTio Lib. 3. de Hijioricis hatinis. O Cardeal Roberto 
Bellarmino 108. illuftrado pelo P. Filippe Labbe 109. e André de Saufay iio. 
André Riveto iii. que na critica, que fez aos Authores dos primeiros féis 
Séculos cahio em muitos erros hallucinado com a cega paixaõ que profeíTava 
contra os Catholicos. O P. Pedro Halloix 112. Auberto Mireo 113. addicionado 
por Auberto Vandeneede 114. Fr. Luiz Jacobo de Saõ Carlos 115. Jacobo 
Gronovio 116. Gerardo de Quodlimbourg. 117. Pedro Labbe 118. O Cardial 
Joaõ Bona 119. Guilherme Eiíigrein, e Mathias Flack 120. Luiz Elias Dupin 121. 
cuja obra foy doutamente criticada por D. Matheos Pititdidier Monge Bento 122. 
e Richardo Simon 123. arguindoa de defeituofa aíTim na intelligencia de algu- 
mas authoridades, como na fidelidade das allegaçoens. Sahio illuftrada pelo 
Abbade Goujet 124. continuando a noticia dos Efcritores do Século Decimo 
Outavo. Severo Walton 125. D. Nicolào de Nourry 



103. De Scriptoribus Exclejtajlicis. Moguntiae. 1494. 4. 104. Colonise 1545. 4. 105. De illufirihus 
Ecclejiee Scriptoribus. Coloniae. 1580. 8. 106. Bibliotheca Sanãa. Coloniae 1586. foi. 107. Bibliotheca 
Seleãa. Romae 1595. foi. 2. Tom. Apparatus Sacer de Scriptoribus 'Ecclefiafticis. Cólon. 1607. foi. 2. 
Tom. 108. De Scriptoribus Ecclejtajiicis. Coloniae 161 2. 8. 109. De Scriptoribus Ecclejiajiicis Philo- 
logica, (ò" Hijiorica Dijfertatio. Pariíiis 1660. 8. 2. Tom. iio. TuUi Leucorum 1665. 4. iii. 
Criticus Sacer, five Specimen de Scriptis Patrum. Dordrefti 1619. 8. 112. De illufiribus Ecclejia 
Orientalis Scriptoribus. Duaci. 1633. foi. 2. Tom. 113. Bibliotheca Ecclejiajlica. Antuerp. 1639. 
foi. 114. Antuerp. 1649. foi. 115. Bibliotheca Vontificia, feu de omnibus Komanis Pontificibus, qui 
Scriptis claruerunt. Lugduni 1643. 4. 116. Objervationes in Scriptores 'Exclefiafticos. Daventriae 1652. 
12. 2. Tom. 117. Patrologus,five de Primitiva Ecclejia Chrisjliana Doãorum vita. Jenae. 1653. 8. 118. 
Bibliotheca Chronologica SanHorum Patrum Theologorum, Scriptorumque Ecclejiajlicorum ab orbe condito 
ad ann. Chrijiiana MrcB 1500. Pariíiis 1659. 24. 119. Divina PJalmodia. Romãs 1663. onde traz 
hum Cathalogo dos Autores Litúrgicos 120. Cathalogus Teftium Veritatis ab anno 1563. adan. 1666. 
Moguntiae. 1666. 4. 121. Nouvelle Bibliotheque des Autheurs Ecclejiajliques. Pariz 1686. 8. Biblio- 
theque des Autheurs Ecclejiajiiques du if. Siecle. Pariz 1708. 8. 3. Tom. Biblioth. des Autheurs 'Ecclef. 
du 18. Siecle. ibi. 171 8. 8. Table univerfel des Autheurs Ecclef. difpofes par Ordre Chronologique. 
Pariz 1704. 8. 5. Tom. Bibliotheque des Autheurs Ecclef. Separes dela comunion deV Eglife ibi 171 8. 
8. 4. Tom. 122. Remarques fur V Biblioth. des Autheurs de Mr. Dupin Pariz 1691. 8. 3. Tom. 123. 
Critique dela Bibliotheque des Autheurs Ecclef. publies per Mr. Elias Dupin. Pariz. 1730. 8. 4. Tom. 
124. Bibliotheque des Autheurs Ecclef. du Dix-huitieme Siecle. Pariz 1736. 8. 3. Tom. 125. Propy- 
hum Hijloria Chriftiana Jijiens ennarrationem Scriptorum veterum, atque recentiorum. Lipíiae. 1696. 4. 



126, Guilherme Cave 127. Joaõ Gotofredo Olearío 128. Thoma2lttígio 129. JoaÕ 
Alberto Fabrício 130. Jorge Jozcph Egss 131. Fr. Natal Alexandre 132. Gtfi- 
miro Oudin 133. obra certamente douta fe a naõ manchara com alguns vitu- 
périos contra os Santos Padres procedidos da duplicada apoílafia que fez das 
Religioens Catholica, c Premonílratenfe em que era profeflb. D. Edmundo 
Martene, e Urfmo Durand Monges da Congregação de Santo Amaro 134. 
Fr. Ignacio Jacinto Amat de Graveflbn 135. D. Rcmigio Ceilliers 136. e a Nova 
Bibliotheca, Jive Notitia Scriptorum Eccleftajlicorum veterum, ac recentiorum moder- 
namente publicada 137. em hum grande volume de folha que unicamente 
contem a letr. A. 

Entre cila famofa Clafle das Bibliothecas dos Efcritores EccleílaíUcos 
brilhaõ como Aftros da primeira grandeza as das Famílias Rcligiofas, cujos 
Qauítros foraõ em todos os Séculos as Efcolas da mais pura, e folida doutrina. 
Eternizarão as Obras dos Authores da augufta,e monaftica Religião de S. Bento 
o Abbade Joaõ Trithemio 138. Pedro Ricordato 139. Arnoldo Wion 140. 

I Martinho Martier 141. Pedro Diácono 142. Gabriel Bucelino 143. Matheos 
Weiss 144. Bernardo Pez 145. Felippe le Cerf 146. Mariano Armellino 147. e 
Erafmo Gattula 148. Da Familia Ciílercienfe frondofo ramo de taõ fecunda 

I arvore efcreveraõ Gafpar Jongellino 149. Chrifoftomo Henriques 150. Ber- 
tando TiíTier 151. Carlos Vifch. 



126. Apparatus ad Bihliothecam maximam Patrum Veterum, <& Scriptorum Ecclejiajlicorum. Lug- 
duni. 1703. foi. z. Tom. 127. Scriptores Ecclef. Hiftoria litteraria a Chrifto nato u/que ad Sacu- 
lum XIV. Genevas 1705. foi. 128. Bibliotheca Scriptorum Ecclejiajlicorum Jenae. 171 1. 4. 2. Tom. 129. 
De Scriptoribus, <à>' Scriptis Ecclejiajlicis. Lipíiae. 1709. 4. 130. Sjllabus Scriptorum de veritate 
Keliffonis Chrifiiana. Hamburgi 1725. 4. Bibliotheca Ecclejiajlica, Jive Nomenclatores de Scriptorib. 
EccleJ. colleãi, (Ò' notis illujirati. ibi 1718. foi. 131. Vontificium doãum. Coloniae 171 8. foi. Purpura 
doãa, Jive vitce S. R. Ê. Cardinalium eruditione, (Ò" fcriptis clarorum. Aug. Vind. 1714. foi. 4. 
Tom. 132. Hijloria Ecclejiajl. Veteris, atque Novi Tejlamenti PaúGls 171 9. foi. 8. Tom. 133. Commen- 
tarii de Scriptoribus Ecclejia antiquis. Lipíiae 1722. foi. 3. Tom. 134. Veterum Scriptorum monumenta 
hijlorica. Pariz. 1724. foi. 9. Tom. 135. Hijloria Ecclef. variis colloquijs digejla Auguíbe. Vind. 
1727. foi. 136. Hijloire general des Autheurs Sacrés Ecclejiajliques. Pariz. 1729. 4. 5. Tom. 137. 
Coloniae. 1734. foi. 138. De viris illujlrib. Ord. S. Bened. Colonix 1575. 4. 139. Hijloria Monajlica. 
Roma 1575. 4. 140. Lignum vita in quo viri dignitate doãrina Sanãitate, ac principatu clari ex Ordine 
Benediãino defcribuntur. Venetiis. 1595. 4. 141. Bibliotheca Cluniacenjis. Pariíiis. 1614. foi. 142. De 
viris illujlribus Cajfmenjib. Romãs. 1655. 8. 143. Aquila Imperii Benediãina cujus ordinatijfima 
pennarum ferie Monachorum Ord. S. Bened. de Império univerfo amplijfima, <& immortalia merita 
adumhrantur. Venetiis 165 1. 4. Monologium Benediãinum. Veldkirchii. 1655. foi. 144. Eyceum 
Benedi£íinum. Pariíiis 1661. 8. 145. Bibliotheca Benedião-Mauriana. Aug. Vind. 1716. 8. 146. Biblio- 
theque hiforique, & Critique des Autheurs dela Congregation de S. Maur. Haye 1726. 8. 147. Biblio- 
theca Benediãino-Cajftnenjis. Aíifíii 173 1. foi. 148. Hiftoria Abbati a Cajfmenfs per faculorum 
feriem difributa.Yencúis 1733. foi. 149. Eloffa Cijlercienjium Monachorum. Coloniae 1640. foi. 150. 
Phcsnix revivijcens, feu Scriptores Ord. Ciflerc. Bruxellae. 1626. 4. 151. Bibliotheca PP. Cijlercien- 
jium. Bonofonte 1660. 3. Tom. 



152. Cláudio Chalmot 153. Angelo Manrique 154. D. Carlos Jozeph Morot. 155. 
e D. Agoftinho Sartorio 156. Da Congregação Camaldufenfe, Archangelo 
Haílivillo 157. da de Valumbrofa; Venantio Simio 158. e dos Celeílinos hum 
author Anonymo 159. Dos Cartuxos Pedro Dorlando 160. Theodoro Pétreo 161. 
e Carlos Morot 162. 

Da Religião Canónica Auguítiniana D. Gabriel Pennoto 163. e D. Ceifo 
Roíino 164. efcreveraõ os Cathalogos dos feus Authores. Illuftraraõ os nomes 
dos Sábios filhos da Ordem Dominicana de que fempre foy fecunda Mãy 
Fr. António de Senna 165. Leandro Alberti 166. Ambrofio Gozzeo 167. AiFonfo 
Fernandes 168. António Mallet 169. Ambrofio Almatura 170. e Jacobo Quetif 
com Jacobo Echard 171. cuja obra he digna da mayor eítimaçaõ pelo immenfo 
trabalho, e judiciofa critica com que eftà compoíiia. Da immenfa Familia Será- 
fica manifeílaraõ os Scientificos Thezouros Henrique Willot 172. Henrique 
Sedulio 173. Lucas Wadingo 174. Angelo de S. Francifco 175. e modernamente 
Fr. Joaõ de Santo António 176. como também Fr. Dionifio de Génova da 
auftera Reforma dos Capuchinos 177. e dos Conventuaes Fr. Joaõ Franchini 
de Modena 178. Das Obras dos Eremitas de Santo Agoílinho foraõ Panegy- 
riftas Fr. Thomaz Gratiano 179. Nicolào Crufen 180. Cornelio Curtio 181. 
Filippe Elfio 



152. Bibliofheca Scriptorum Sacri Ord. Cifterc. Coloniae 1656. 4. 153. Series vir. illuftr. Ord. Cifterc. 
Pariíiis 1666. 4. 154. Annaks Cifiercienjes. Lugd. 1642. foi. 4. Tom. 155. Ciftercii reflorefcentis 
Chronologtca Hijioria. Auguílse Taurinorum 1690. foi. 156. Cifiertium Bis-Tertium, feu Hijloria 
elogialis Ord. Cijlerc. Pragas 1700. foi. 157. Komualdina, feu Eremitica Camaldujenfis Ord. Hijloria 
Parifiis 163 1. 12. 158. Cathalogus vir. illuftr. Congreg. Vallis umbrofa. Romãs 1695. 4. 159. 
Cakftinorum Congregationis vir. illuftr. elogia hiftorica. Pariz 1719. foi. i6o.Chronicon Carthufienfe. 
Cólon. 1608. 8. 161. Bibliotheca Carthufiana. Cólon. 1609. 8. 162. Theatrum Chro- 
nolog. Ord. CarthuJ. Taurini. 1681. foi. 163. Generalis totius Sacri Ordinis Clericorum Canonicorum 
Hiftoria Tripartita Romae 1624. foi. 164. 'Lyceum L,ateranenfe illuftrium Scriptorum Sacri Apofto- 
lici Ordinis Clericorum Can. ^eg. Caefenae. 1652. foi. 2. Tom.., 165. Bibliotheca viror. infignium 
Ord. Fratr. Prad. Pariiíis 1585. 8. 166. De viris illuftribus Ordinis Dominicani. Bononise 
15 17. foi. 167. Cathalogus virorum ex familia Pradicatorum in litteris infignium. Venetiis 
1605. 8. 168. Concertatio Pradicatoria cum notitia Scriptorum ejujdem Sacra Familia Salman- 
ticae 1615. foi. 169. Hiftoria virorum illuftrium Conventus S. Jacobi Parifienfis Ord. Prad. Pariíiis. 
1634. 4. 170. Bibliotheca Dominicana. Romae 1677. foi. 171. Scriptores Ord. Prad. recen- 
fiti. Pariíiis 1719. foi. 2. Tom. 172. Athena Orthodoxorum Sodalitii Francijcani. Leodii. 
1598. 8. 173. Hiftoria Seraphica Antuerpias 161 3. foi. 174. Scriptores Ordinis Minorum. 
Romãs 1650. foi. 175. Cathalogus Scriptorum Illuftrium Seraphici Ordinis Yi\x2xi\(>^<). 4. 176. 
Bibliotheca univerfa Francifcana. Madriti. 1732. foi. 3. Tom. 157. Bibliotheca Scripto- 
rum Ord. Min. S. Francijci Capuccinorum. Genuae. 1691. foi. 178. Bibliofofia, e Memorie 
L^tterarie de Scrittori Francijcani Conventuali. Modena 1693. 4. 179. Anaftafis Auguftiniana 
in qua Scriptores Ord. Bremit. S. Aug. prifci ftmul, €>* Neoterici in feriem digefti funt. Antuerp. 
161 3. 8. 180. Monafticum Auguftinianum. Monachii 1623. foi. 181. Virorum illuftrium ' 
exOrdine Eremitarum D. Auguftini Elogia. Antuerpiae 1636. 4. cum íig. | 



i82. Thomaz Hcrrcra 183. AgoíUnho Maria Arpe 184. c Domingos António 
(iundolfi 185. 

Formarão os Cathalogos dos Authorcs da Religião Girmelitana Joaõ 
Irithemio 186. Fr. Pedro Lúcio 187. Fr. Joaõ Maria Penfa x88. Marco António 
\1 1 de Cafanate 189. Fr. Daniel da Virgem Maria 190. Fr. André de Saõ 
\i( < 1.10 191. Joaõ Groflb 192. e do Carmelo reformado modernamente Fr. Mar- 
çal de Saõ Joaõ Bautifta 193. Dos Premonílratenfes Pedro de Vuachenare 194. 
Dionizio Mudzaert 195. e Joaõ Chrifoftomo Vander Steerre 196. Dos Míni- 
mos Francifco Lanoy 197. Com eílilo elegante, e difcreto relatou o P. D. Jozé 
Silos 198. os Efcritores da Congregação dos Clérigos Regulares Theatinos, 
cuja emprcza profeguio D. Caetano Maria Cottono 199. fendo o ultimo ornato 
dcfte numerofo efquadraõ de homens Sábios a Companhia de JESUS, cujas 
pennas acrecentàraõ as azas da fama para efpalhar por todo o mundo a pro- 
funda Sabedoria dos fcus alumnos de que foraõ interpretes os Padres Pedro da 
Ribadancira 200. Filippe Alegambe 201. e Nathanael Sottuel 202. nas fuás 
doutas Bibliothecas. 

A efta numerofa ClaíTc de Bibliothecas, em que fe comprehendem os 
Varoens fabios, que floreceraò em diverfas fciencias, fc feguem aquellas que parti- 
cularmente tratarão dos ProfeíTores de cada Faculdade, como foraõ dos Theolo- 
gos Joaõ Engerdo 203. Joaõ Zanachio 204. Paulo Bolduano 205. Belchior Adaõ 



182. Ejicomiafticon Auguftinianum in quo perfona Ord. Eremit. S. Auguft. Sanãitate, Pralatura, 
Legaríombíií, Scriptis prajiantes ennarrantur. Bruxellis 1654. foi. 183. A.lphahetum A.ugufii- 
niantim, Matriti 1654. foi. 184. Pantheon Augufiinianum Jive Elogia virorum llluftrium Ord. 
Eremit. S. P. Augufiini ara chronologica, (ò" criji illujtrata. Genuae 1709. 4, 185. Differtatio 
hijtorica de ducentis Auguftinianis Scriptorihus. Romze. 1704. 4. 186. Cathalogus Scriptorum 
Ordinis de Monte Carmelo. Antuerpise 1570. 8. 187. Carmelitana Bibliotheca, Jive illuftrium 
aliquot CarmelitancB Keligionis Scriptorum, (ò* eorum operum Cathalogus. Florentias 1593. 4. 188. 
Theatro degli huomini piu illuftri dela Familia Carmelitana. Mantova 1628. 4. 189. Paradifus 
Carmelitici Decoris. In eo virorum illuftrium elogia, <&" nonnullorum Carmelitarum , qui resgeftas 
fui Ordinis fcripfere, anacephalcBotica colleãio. Lugduni 1659. foi. 190. Speculum Carme- 
litanum, feu Hiftoria Eliani Ordinis Fratrum B. M. V. de Monte Carmelo. Antuerpiíe 1680. foi. 
4. Tom. 191. Catalogue des tous les Ouvrages des religieux de Jon Ordre. Befançon. 1701. 
4. 192. De viris illufirihus Ord. Carmelitarum. Venetiis 1507. foi. 193. Bibliotheca Scrip- 
torum utriujque Congregationis, (& fexus Carmelitarum Excalceatorum. Burdigalx 1730. 4. 194. 
Vita S. Norberti, <à>' aliorum. Duaci 1637. 8. 195. Hiftoria Ecclefiaftica Bélgica. Antuerpias 
1624. foi. 2. Tom. 196. Hagiologium PrcBmonJlratenfe. Antuerp. 1627. 8. 197. Chro- 
nicon generale Ord. Minimorum in quo recenfentur illuflres ex eo Ordine Scriptores. Pariíiis. 1635. 
foi. 198. Cathalogus Scriptorum Congregationis ClericorumKegularium. Panormi 1666. foi. 199. 
De Scriptorihus Venerabilis domús Divi fo^ephi Clericorum Kegularium urbis Panormi ibi 1733. foi. 
200. llluflrium Scriptorum Keligionis Societatis JESU Cathalogus. Antuerpias 1608. 8. 201. 
Bibliotheca Scriptorum Societatis JESU. Antuerpiae 1643. foi. 202. Bibliotheca Scriptorum Societ. 
JESU. Romae 1676. foi. 203. De Theologia ProfeJJoribus in Acad. Ingoljladienji. Ingolftadii 1581. 
4. 204. Bibliotheca Theologica. Serveíte 1606. 4. 205. Bibliotheca Theologica. Jenae 1614. 4. 



2o6. Pedro Labbe 207. Martinho Kempio 208. Henrique Witen 209. Chriílovaõ 
Chriíliano Sande 210. Martinho Lipenio 211. Gotofredo Arnoldo 212. Henrique 
Peping 213. Egidio Strauchio 214. Henrique Rollio 215. Pedro Poiret 216. 
Jorge Henrique Goetzio 217. Joaõ Chriílovaõ Blumio 218. Joaõ Gafpar Zeu- 
mero 219. Bibliotheca Hijiorico Philologico Theologica 220. Bibliotheque Janfe- 
niílique 221. Bernardo Pez Monge Benedictino 222. Guílavo Jozeph Zeltnero 
223. Jacobo Verheiden 224. Joaõ Tillemano Schenck 225. D. Joaõ de Sianda 
226. Joaõ Molano 227. Belchior Fifchlin 228. Joaõ António Strubberg. 229. 
Dos ProfeíTores da Jurifprudencia Pontifícia, e Cefarea efcreveraõ Joaõ 
Fichardo 230. Bernardino Gafnero 231. Joaõ Lorichio 232. Marcos Mantua 
233. António Morné 234. Belchior Adaõ 235. Chriíliano Gottel 236. Theodoro 
Eberto 237. David Doringo 238. Guido Pancirolo 239. M. H. Winten 240. 
Diniz Simaõ 241. Brocardo Gotofredo Struvio 242. Bibliotheca Júris Imperan- 
tium 243. e António OuíTelio 



206. VitcB Germanorum V feudo Theologorum. Heidelbergse 1620. 8. 207. Bibliotheca 
Anti-Janfeniana, Jive Cathalogus pioriim, eruditonmque Scriptorum qui Cornelii Janfenii harefes, 
errores f ineptiafque oppugnarunt. Pariíiis 1654. 4. 208. Bibliotheca A.nglorum Theologica. 
Regiomonti 1667. 4. 209. Memoria Theologorum noftri faculi clarijfimorum renovata. Fran- 
cof. 1674. 8. 2. Tom. 210. Bibliotheca A.nti-Trinitariorum. Freiftad. 1684. 8. 211. Biblio- 
theca Kealis Theologica. Francof. 1685. foi. 212. De Scriptoribus Mjjlicis, (& Afceticis. 
Francof. 1702. 8. 213. Sacer Decadum Septenarius memoriam Theologorum exhibens. Lipíias 
1705. 8. 214. Bibliotheca Scriptorum Theologia Moralis confcientiaria. Lipíiae 1705. 8. 
215. Bibliotheca nobilium Theologorum. Lipíiíe 1708. 8. 216. Bibliotheca Mjjticorum 
Seleãa. Amftelod. 1708. 8. 217. elogia Germanorum quorum dam Theologorum. Lubec- 
cae 1709. 4. 218. Jubilaum Theologorum emeritorum. Lypíias 1710. 8. 219. Vi ta pro- 
fefforum Theologia Jenenjium. Jenas 1711. 8. 220. Bremae. 1719. 8. 10. Tom. 221. 
ou Cathalogue alphabetique des principaux livres ]anjeniftes, ou Jujpeãs de Janfenifme. 1722. 12. 
222. Bibliotheca Afcetica antiquo-nova Ratisbonas. 1723. 8. 9. Tom. 223. Vita Theolo- 
gorum Altorphinorum. Norimbergae. 1722. 4. 224. Imagines, <& elogia praftantium Theolo- 
gorum. Hagae Comdt. 1725. foi. 225. Vita Profejforum Theologia qui in Academia Marpurgenfi 
docuerunt Msit^utgi i-} Z-] . 4. 226. Bibliotheca Polemica. Romae. 1733. foi. 2. Tom. 227. 
Bibliotheca Materiarum Theologica. Coloniae. 1618. 4. 228. Memoria Theologorum Witem- 
bergenjium. Ulmae. 1710. 8. 229. Index Theologorum Evangelico-L,utheranorum Chronologicus. 
Longon. 1727. 8. 230. Periocha vitarum Jurifconfultorum. Baíileae 1539. ^' ^3^* Nomen- 
clatura D D. in utroque jure Aug. Vind. 1543. 4. 232. Cathalogus Jurifconfultorum Veterum 
quotquot aut vità, aut fcriptis celebres funt. Baíileae. 1545. 4. 233. Epitome virorum illujlrium 
qui vel fcripferunt, vel jurifprudentiam docuerunt. Patavii 1556. 4. 234. Elogia illujirium Toga- 
torum Gallia. Pariíiis 1619. 8. 235. Vita Germanorum Jurifconfultorum. Heidelbergae. 
1620. 8. 236. Vita clarijfimorum Jure confultorum. Jenas. 1622. 8. 237. Elogia Jurif- 
confultorum. Lipíias 1628. 12. 238. Bibliotheca Jurifconfultorum. Francof. 1629. foi. 239. 
De claris legum interpretibus. Venetiis 1637. 4. & Francof. 1721. 4. 240. Memoria Jurif- 
confultorum. Francof. 1674. 8. 241. Bibliotheque des Autheurs du Droit. ParÍ2. 1692. 2. 
Tom. 12. 242. Bibliotheca Júris Seleãa. Jenae 1709. 8. 243. Commentarius de Scriptoribus 
Jurium quibus fummi Imperantes utuntur. Norimbergae 1727. 4. 



244* Dos íilofofos Joaõ Jacobo Frifio. 245. Ifracl Spachio 246. Belchior AdaÒ 
247. Paulo Bolduano 248. Joaõ Jonfio 249. Jacobo de Rochebourg. 250. c 
Joaõ BautiAa CapaíTi 251. Dos Médicos AfíonTo Lupeo 252. Remalchio Fuf- 
chio 253. Pafchoal Gallo 254. Ifracl Spachio 255. JoaÕ Jorge Schenchio 256. 
Pedro Caftellano 257. Belchior AdaÕ 258. Renato Moreau 259. Joaõ EftevaÕ 
Stobelbergero 260. Joaõ António Vander-Linden 261. addicionado por Jorge 
Abrahaõ MercKlino 262. Pedro Borcl 263. Bartholameu G>rte 264. Profpero 
Mandofio 265. Cornelio a Beughen 266, Dos Mathcmaticos Joaõ Blancano 267. 
Hugo Sempilio 268. Jozé Hebreo 269. André Gíllario 270. Gjrnelio Beughen 
271. Dos Hiftoriadores Nicolào Vigier 272. Paulo Bolduano 273. Gerardo 
Joaõ VoíTio 274. Cornelio Beughen 275. Burchardo Gulholfo Struvio. 276. 
Chriftiano Gryphio 277. Dos Grammaticos, e Poetas Pedro Crinito 278. 
Joaõ Pedro Lotichio 279. Pedro Angelo Spera 280. Honório Domingos Cara- 
mella 281. Joaõ Alberto Fabrício 282. Mr. Gibert. 283. Da Pintura, e Efta- 
tuaria Francifco Junio. 



244. De advocatís fuprema curta Parijienjis. Pariz. 1654. 4. 245. Bibliotheca Chronologica 
Pbilofopborum. Tiguri 1592. 4. 246. Nomenclator Scriptorum Philofophorum. Argentina: 
1598, 8. 247. Vita Germanorum Philofophorum. Heidelbergse 161 5. 8. 248. Bibliotheca 
Pbilofophica. Janae 161 6. 4. 249. De Scriptoribus Hijloria Philofophica. Francof. 1659. 
4. 250. Ultima verba Philofophorum virorum,ac faminarum illuftrium. Aniílelod. 1721. foi. 2. 
Tom. 251. Hifloria Philofophia Sjnopjis, five de origine, (ò" progreffu Philofophia. Neapoli. 
1728. 4. 252. Cathalogus Auãorum qui pofl Galem avum Hipocrati, (òf Galeno contradixerunt. 
Valentias Edetanorum 1589. 12. 253. Cathalogus Neotericorum Medicorum. ParÍ2 1541. 8. 
254. Bibliotheca Medica. Baílleje 1590. 8. 255. Nomenclator Scriptorum Medicorum. Francof. 
1591. 8. 256. Bibliotheca Medica Maãa, continuata, confummata <ò'c. Francof. 1609. 8. 257. 
Vitee illuflrium Medicorum. Antuérpia: 1618. 8. 258. Vitce Germanorum Medicorum. Heidel- 
berg. 1620. 8. 259. Pariíiis 1622. 8. 260. Norimberga: 1626. 4. 261. De Scriptis 
Medicis. Amílelod. 1637. 8. 262. Lindenius renovatus. Norimbergíe 1686. 4. 263. Biblio- 
theca Chj mica. Pariz 1654. 12. 264. Noticie Ifioriche intorno a Mediei Scrittori Milaneji. Milano 
1718. 4. 265. OEATPON in qua Chrijiiani Orbis Pontificum Archiatros &c. Romac 1696. 
4. 266. Bibliographica Medica, (Ò' Phjjica. Amílelod. 1681. 12. 267. Clarorum Mathema- 
ticorum Chronologia. Bononiíe 161 5. 4. 268. De difciplinis Mathematicis. Antuérpia: 1635. 
4. 269. Bibliotheca Mathematica. Francof. 1635. 4. 270. Cathalogus variorum Mathemati- 
corum ab initio mundi ad nojira têmpora. Amílelod. 1661. 271. Biblioff^aphia Mathematica. 
Amílelod. 1688. 12. 272. Bibliotheque Hifioriale. Pariz 1600. foi. 3. Tom. 273. Biblio- 
:beca HiJIorica. Lipíias 1620. 4. 274. De Hijloricis Gracis. Lugd. Batav. 1624. 4. De 
Hijloricis Latinis. ibi 1627. 4. 275. Biblio^aphia Hiflorica, Chronologica, ó" Geographica. 
Amílelod. 1685. 12. 276. Seleãa Bibliotheca Hiflorica. Jena: 1705. 8. 277. Differtatio 
Ifagogica de Scriptoribus Hijioriarum ScbcuU XVII. Lipíiae 171 o. 8. 278. De Poetis Latinis. 
Pariíiis 1513. 4. 279. Bibliotheca Poética. Francof. 1625. 280. De nobilitate Profefforum 
GrammaticcB. Neapoli 1641. 4. 281. hítifceum illuflrium Poetarum. Venetiis 1651. 12. 282. 
Bibliotheca Latina five notitia Authorum Veterum Latinorum. Londini 1703. 4. Bibliotheca 
Graça, five notitia Scriptorum Gracorum &c. Hamburgi 1707. 8. 283. Jugemens des Scavaíis 
fur les Autheurs qui ont traité dela Rhetorique. Pariz 171 3. 3. Tom. 12. 



284. Das Moedas antigas Filippe Labbe 285. e D. Anfelmo Bandurio 286. 
Da Milícia Gabriel Naudé 287. Da Náutica, e Geografia António de Leaõ 
Pinello 288. e modernamente addicionada 289. 

Eílimuladas da ambição da gloria as mais celebres Naçoens do mundo 
querendo extender a fua fama com as pennas aíTim como a tinhaõ dilatado 
com as efpadas perpetuarão nos monumentos litterarios das Bibliothecas os 
admiráveis progreíTos que fizeraõ em todas as Faculdades. Principiando pelo 
ameniíTimo Jardim da Europa, Itália, depois de efcrever geralmente delia Antó- 
nio Francifco Doni 290. Fr. Angélico Aprofio de Ventimiglia 291. e Jacinto 
Gimma 292. publicarão com particular narração os Authores que produzio a 
Cabeça do mundo Profpero Mandofio 293. De Kavena Serafino Pafolini 294. 
Jeronymo Fabri 295. e Thomaz Tomai 296. De Umbria, EJpoleto, e Perugia 
Cefar Crifpolti 297. Luiz Jacobilli 298. e Agoftinho Oldoino 299. De Ferrara 
Fr. Agoílinho Superbo 300. Jeronymo BaruíFaldo 301. e o Abbade António 
Libanori 302. De Bolonha Bartholameu Galleoti 303. Joaõ Nicolào Pafchoal 
Alidofi 304. Joaõ António Bumaldo 305. António Paulo Mafini 306. e Pere- 
grino António Orlandi 307. De Florença Miguel Poccianti 308. Jacobo Rillio 
309. e Júlio Negri 310. De Veneza Fr. Jacobo Alberico 311. Nicolào CraíTo 
312. Fr. Agoílinho Superbo 313. Jacobo Filippe Thomafino 314. e Francifco 
Sanfovino 315. De Brejcia Octávio RoíTi. 



284. De Piãura Veterum libri três. Accedit Cathalogus Architeãorum , Piãorum, Statuariorum <&c. 
(ò' operum, qu(B fecerunt Jecundum feriem litterarum digejlus. Roterodami. 1694. foi. 285. Biblio- 
theca Nummaria. Pariíiis 1664. 8. 286. Bibliotheca Niimmaria, jive Auãorum, qui de re num- 
maria fcripferunt. Hamburgi 1719. 4. 287. Bibliographia militaris. Jenae 1683. 12. 288. 
'Epitome dela Bibliotheca Oriental 'Náutica, j Geográfica. Madrid. 1629. 4. 289. Madrid. 1737. 
e 1738. foi. 3. Tom. 290. Bibliotheca Itálica. Venetia 1550. 8. 291. A.thenas Itálica. 
1647. 292. Idea delia Storia deir Itália letter ata. Neapoli 1723. 4. 2. Tom. 293. Biblio- 
theca Komana. Romje 1682. 4, 2. Tom. 294. Huomini illujiri di Kavena. Bologna 1703. 
foi. 295. Sacre memorie di Kavenna antiqua. Venetia. 1664. 4. 296. Hifioria di Ravena. Pefaro 
1574. 4. 297. Perugia augufia defcrita. Perugia 1648. 4. 298. Bibliotheca Umbria. Fulgineas 1658. 
4. 299. De Scriptoribus Verufinis. Peruíiae 1678. 8. 300. De viris illujiribus Ferrarienfibus. Ferrariae 
1620. 4. 301. De Poetis Ferrarienfibus. Ferrarias 1698. 4. 302. Flogij di piu famofi e illuftri Scrittori 
di Ferrara. Ferrara 1674. foi. 303. Trattato de gli huomini illufiri di Bologna. Ferrara 1590. 4. 
304. De doãoribus Bononienfibus in Theologia, Philojophia, Medicina, (& artibus liberalibus. Bononias 
1620. 4. 305. Minervalia Bononienfium Civium Anademata, five Bibliotheca Bononienfis. Bononiae 
1641. 24. 306. Bologna perlufir ata. Bologna 1666. 4. 3. Tom. 307. Notit^ie degli Scrittori Bolo- 
gnefi. Bologna. 1714. 4. 308. Cathalogus Scriptorum Florentinorum. Florentias 1589. 4. 309. 
Noti:(ie letterarie di huomini illufiri deW Academia Florentina. Firenza. 1700. 4. 310. Ifioria degli 
Scrittori Fiorentini. Fiorenza 1722. foi. 311. Catalogo breve degli illufiri e famofi Scrittori Vene- 
tiani. Bologna 1605. 4. 312. F.logia Patriciorum Venetorum. Venet. 1612. 4. 313. Trionf o glo- 
rio/o d'Heroi illufiri, e eminenti di Venetia. ibi 1629. 4. 314. Bibliotheca Veneta Aí. S. Utini. 1650. 
4. 315. Venetia defcritta. Venet. 1663. 4. 



51 6. De Triejle P. Irinco da Cruz 517. De Ber^mo Donato Gd vi 318. de BaJJano 
Lourenço Marucini 319. De Pádua Bernardino Scardeonio 320. António 
Ricoboni 321. Angelo Portenarc 322. Jacobo Filippe Thomafino 323. Jacobo 
Zabarclla 324. Carlos Patino 325. Nicolào Comneno Papadopoli 326. De Verona 
Torcllo Sarayna 327. Francifco Tinto 328. Andrò Chioco 329. Onofre Panvino 
330. c Júlio dei P0220 331. De Nápoles Nicolào Toppi 332. addicionado por 
Leonardo Nicodcmo 333. Cefar Eugénio Caracciolo 334. Fr. Theodoro Vallc 
de Pipcrno 335. e o Dele^us Scriptorum Neapolitanorum 336. De Salertw Domin- 
gos de Angclis 337. e António Mazza 338. De Calábria JoaÕ Fiorc 339. De 
KoJJano Jacinto Gimma 340. Dos Marjos Pedro António G)rfignani 341. De 
Chiete Jcronymo Nicolini. 342. De Sannio Joaõ Vicente Giarlanti 343. De 
Milaô Ericio Putcano 344. Joaõ Bautiíla Selvático 345. Salvador Vital 346. 
c Filippe Piccinelli 337. De Pavia António Gatti 348. De Cremona Francifco 
Arifio 349. Do Piemonte André Rofletti 350. e Francifco Agoftinho dela Chiefa 
551. De Génova Jacobo Bracelli 352. Uberto Foglieta 353. Rafael Soprani 354. 
c Miguel JuíUniano 355. De Sicília Joaõ Renda-rapufa. 



316. 'E.logii hiftorici di Brefciani illuftri. Brefcia 1620. 4, 317. Hijloria antica, e moderna Sacra, e pro- 
fana di Triejie. Venet. 1698. foi. 318. Scena letteraria degli Scrittori Bergomafchi. Bergamo 1666. 
4. 319. BaJJanum, Jive differtatio de urhis antiquitate , (ò' de viris ejujdem illuflrihus. Venet. 1577. 
4. 320. De Antiquitate nrbis Patavii, <& claris civibus Patavinis. Baíileae 1 560. foi. 321. De Gymnafio 
Patavino. Patav. 1598. 4. 322. Felicita di Pádua. Padou. 1623. foi. 323. Bibliothecce Patavina 
M. S. publica, <& privata. Patavii 1639. 4. Gymnafium Patavinum. Utini 1654. 4. 324. EJogia 
iUufiriuf» Patavinorum. Patavii 1670. 4. 325. Lyceum Patavinum. Patavii 1682. 4. 326. Hijloria 
Gymnajii Patavini Venetiis 1726. foi. 327. De Civitatis Verona origine, (ò' viris illujlribus. Vero- 
nae. 1540. foi. 328. Veronx 1590. 4. 329. De Collegii Veronenjis illujlribus Medicis, ^ Philofophis. 
Veronas 1623. 4. 330. De viris doãrina, & bellica virtute illujlribus. Veronae 1648. foi. 351. Col- 
hei Veronenjis Judicuw, advocatorum doãrina, natalibus, honoribufque illujlrium elogia. Veronse. 
1659. ^o^- 33^- Bibliotheca Neapolitana. Neapoli 1678. foi. 333. Neapol, 1683. foi. 334. Napoli 
Sacra. Napol. 1623. 4. 335. Breve compendio de gli piu illujlri Padri nela vita, dignità, ujicii, e lettere 
. // há prodoto la Prov. dei Regno di Napoli ibi 165 1. 4. 336. Neapoli. 1735. foi. 337. Vite di lette- 
rati Salentini. Neapoli 1713. 4. 338. De rebus Salernitatis. Neapoli 1671. 4. 339. Calábria illuf- 
trata. Neapoli 1691. foi. 340. B-logit Academia dela Società degli Spenjierati diKoJfano. NeapoL 
1703. 4. 2. Tom, 341. De viris illujlribus Marforum. Romãs 171 2. 4. 342. Hijloria delia Città 
di Chieti. ibi 1657. 4. 343. Iferna 1644. foi. 344. De PJ)etoribus,<Ò' Scholis MeSolanenJium. Mediei. 
1603. 8. Idem de Bibliotheca Ambrojiana ibi 1606. 8. 345. Collegij Mediolanenjium Medicorum 
origo, antiquitas (&c. (& viri illujlres. Mediol. 1607. 4. 346. Theatrum triumphale Mediolanenjis 
urbis. Mediol. 1644. foi. 347. Ateneo dei 'Letterati Milaneji. Milano 1670. 4. 548. Hijloria Gymnajii 
Ticinenjis. Mediol. 1706. 4. 349. Cremona litterata. Parmae 1702. foi. 2. Tom. 350. Syllagus 
Scriptorum Pedemontii. Montis Regai. 1667. 4. 351. Catalogo di tutti li Scrittori Piemontefi, e 
Nit(ardi. Carmagnola 1660. 4. 352. De Claris Genuenjibus. Pariliis 1520. 4. 553. Clarorum Ugu- 
rum Elogia. Romãs 1574. 4. 354. L/ Scrittori dela 'Ligttria. Génova 1667. 4. 355. Gli Scrittori 
Uguri Roma 1667. 4. 



356. António Mongitore 357. e Joaõ Bautiíla Caruíio 358. De Siracuja Jacobo 
Bonani 359. De Carthago Agoílinho Inveges 360. De Motuca Plácido Carafa 
361. e de Galatina Alexandre Thomaz Arcudi 362. 

A florcntiíTima Monarchia de França fempre fecunda de Varoens inílgnes 
eternizou as fuás memorias litterarias pelas pennas de Francifco Grude Senhor 
dela Croix du Mayne 363. António Verdier 364. Scevola de Saincte Marthe 365. 
André Duchefne addicionado por Fr. Jacobo Luiz de S. Carlos. 366. André 
de SauíTay Bifpo de Toul 367. Paulo Colomies 368. Carlos Sorel 369. Jacobo 
Lelong. 370. Bibliotheque Francoije 371. e ultimamente o P. D. Rivet Monge 
da Congregação de Santo Amaro, cuja obra de que até o prezente tem publi- 
cado 5. Tomos, he completa neíle género pela judiciofa critica, e vafta erudição 
com que he compoíla 372. De Pari:(^ Clemente Hemero 373. Joaõ de Lau- 
noy. 374. e Cefar EgaíTe du Boulay 375. Dos Authores do Delfinado Guido 
AUard 376. De Guiena, e Gajconha Gabriel de Lurbe 377. de Provença Joaõ de 
Notre Dame 378. de Chalon Fr. Luiz Jacob de S. Carlos 379. de Artois Ferri 
•de Locre 380. De Chartres D. Joaõ Liron Monge de S. Bento 381. e de hiaõ 
o P. Domingos Colónia Jefuita 382. Dos Poetas Francezes modernamente 
Titon de Tillet 383. 

Publicarão os Litterarios partos dos engenhos fempre penetrantes, e 
profundos da Monarchia de Efpanha AfFonfo Garcia Matamoros 384. Valério 
André Taxandro 3 8 5 . o P. André Scoto Jefuita 



356. Sicília Bibliotheca vetus continens elogia Veterum Siculorufn qui litterarum fama claruerunt. Romae 
1700. 4. 357. Bibliotheca Sicula. Panormi. 1707. foi. 2. Tom. 358. Bibliotheca Hijlorica Kegni 
SicilicB Panormi 1723. foi. 2. Tom. 359. Antica Siracuja illujlrata. MeíTma 1684. 4. 360. la Car- 
thagine Siciliana Hijloria. Palermo 165 1. 4. 361. Motuca defcriptio. Panormi 1653. 4. 362. Gala- 
iina letterata. Génova 1709. 8. 363. Cathalogue general de toutes fortes de A.uteurs qui on écrit en 
François. Pariz 1584. foi. 364. Bibliotheque contenant le catalogue de tous ceux qui on écrit, ou traduit 
m François. Lion. 1585. foi. 365. Gallorum doãrinà illuflrium, qui noflra, Patrumque memoria 
jloruerunt. Lutetiae 1616. 8. 366. Bibliotheque des A.utheurs, qui ont écrit la Hijioire, e Topographie 
dela France. Pariz 1627. 12. 367. De Myjiicis Gallia Scriptoribus. Pariíiis 1639. 4. 368. Gallia 
Orientalis, Jive Gallorum, qui linguam Hebraicam, vel alias Orientales excoluerunt. Hag. Comit. 1665. 
4. 369. Bibliotheque Françoife Paris. 1667. 12. 370. Bibliotheque Hijlorique dela France. Paris. 1719. 
foi. 371. ou Hijloria litteraria dela France. Amílerd. 1723. 18. Tom. in 8. 372. Hijioria litteraria 
■de la France. Paris. 1733. 4. 4. tom. 373. De Academia Parijienji. Lutetix. 1639. 4. 374. KegiJ 
Gjmnajij Navarra Parijienjis Hijioria. Paris. 1677. 4. 2. Tom. Idem. Academia Parifenjis illujlrata. 
Paris 1682. 2. tom. 4. 375. Hijioria Univerjitatis Parijienjis. Pariíiis. 1665. foi. 6. Tom. 376. 
Grenoble 1680. 12. 377. De illujiribus Aquitania viris. Burdigalas. 1591. 8. 378. De vitis Poe- 
tarum Provincialium. Lugduni 8. 379. De claris Scriptoribus Cabilonenjibus. PariGis 1652. 4. 
380. Aquitania 1616. 4. 381. Bibliotheque des Autheurs Chartrains. Pariz 1719. 4. 382. Hijioire 
litterarie delia Ville de 'Lion. ibi 1728. 4. 2. Tom. 383 Le ParnaJJe François. Pariz 1732. foi. 384. 
de Academiis, <ò^ claris Hifpania Scriptoribus. Francof. 1603. foi. 385. Cathalogus clarorum Hif- 
pania Scriptorum. Moguntise 1607. 4. 



386. cm cuja obra naõ declarou o fcu nome, mas no fim da Dedicatória efcrevcu 
as letras iniciacs A. S. a quem ajuntou Peregrwus pTLto, fignificar que por fer natural 
de Anveres era Eílrangeiro no Paiz da Naçaõ de que compuzera a Bibliotheca. 
Nicoláo António Cavalleiro da Ordem de Saõ-Tiago, e Cónego de Sevilha 387. 
cm quatro Tomos que faõ tantas colunas em que eftabeleceu o Templo da fua fama 
cm toda a pofteridade. Efta grande obra fe efpera ver brevemente continuada pelo 
infatigável eftudo do Doutor André Gonzalvcs de Barzia G)nfclheiro dclRey 
Catholico, e Sobrinho daquelle Varaõ Apoftolico o llluílriíTimo Bifpo de Cadiz 
D. Jozeph de Barzia, e Zambrana conhecido na Republica das letras pela exccl- 
Icnte obra afcetica que intitulou Dejpertador Chriftiano vertida nas principaes 
línguas da Europa. Gerhardo Erncfto de FrancKenau 388. e Paulo Colo- 
miès 389. 

Imitou efte illuftre argumento Alemanha genérica, e efpecificamentc 
pelas pennas do Abbade Trithemio 390. Henrique Pantaliaõ 391. Egidio 
Periandro 392. Cornelio Loos Callidio 393. Gafpar Sagittario 394. Bibliotheque 
Gtrmaniqtie 395. e Jorge Lizclio 396. Efcreveraõ dos Authores de Suevia, e 
Vittemherga Joaõ Ulrico Pregizero 397. de Brandebttrg Chriílovaõ Hendreich 
598. de Staden Joaõ Henrique von Seelen 399. de Lubec Joaõ Henrique 400. 
c Jacobo Melle 401. de ]ena Adriaõ Beiero 402. B. C. Richardo 403. e Joaò 
Gafpar Zeumero 404. de Francofort Joaõ Chriílovaõ Becmanno 405. de Koftock 
hum Anónimo 406. de Altorf Guílavo Jorge Zeltnero 407. de Brunjuic Goto- 
firedo Guilherme de Leibnitz 408. de Hamburgo Joaõ Alberto Fabrício. 



j86. Hifpania Bibliotheca. Francof. 1608. 4. 387. Bibliotheca Hifpana Vetus, five Hijpanorum 
fm ufquam, unquámve Jcripto aliquid confignaverunt , notitia. Compleãens Scriptores omnes qui ah 
Oãaviani Augujii império ufque ad annum M. florueverunt ; (Ò' ab anno M. u/que ad M D. Romjc 
1696. foi. 2. Tom. Idem Bibliotheca Hifpana, Jive Hijpanorum qui Latine, vel populari lingua Scripto 
aliquid confignarunt. Romãs 1672. foi. 2. Tom. 388. Bibliotheca Hifpanica Hijiorico-Genealogica 
Heráldica. Lipíiae 1724. 4- 389. Hifpania Orientalis. Hamburgi 1730. 4. 390. De luminaribus 
Germânia^ five Cathalogus illufirium virorum fuis ingeniis, (ò* lucubrationibus omnifariam exoman- 
Hum. Moguntiae 1495. foi. 391. Profopographia Heroum, atque illufirium virorum totius Germânia. 
Bafileas. 1565. foi. 392. Germânia, in qua doãijfimorum virorum elogia, <& judicia continentur.ltiTiíicoL 
1567. 8. 393. Illufirium Germânia Scriptorum Cathalogus. Moguntise 15 81. 8. ^^4. de pra- 
cipuís Scriptoribus Hifioria Germânica. Jenas. 1675. 4. 395. ou Hifioire litterarie de Alemagne. Amf- 
terd. 1720. 12. 26. Tom. 396. Hifioria Poetarum Gracorum Germânia. Francof. 1730. 8. 397. 
Suevia, (ò" Wittembergia Sacra. Tubingíe 171 7. 4. 398. Pandeãa Brandenburgica. Berolini 1699. 
foi. 399. Sfada litterata. Stadas 171 1. 4. 400. A.thena Lubeccenfes. Lubeccas 1719. 8. 2. Tom. 401. 
Notitia Lubecenfium clarorum virorum. Lipíias. 1707. 4. 402. Nomenclator Reãorum, (ò" profejforum^ 
Jenenfium. Jenas 1658. 12. 403. í/í? vita, (& Scriptis. Profejforum Academia Jenenfis. Jenas 1710. 8. 404. 
Vita Profejforum Theologia, Júris, Med. €>* Philojoph. Acad. Jenenfis unà cum Scriptis á quolibet 
editis. Jenae 171 1. 8. 405. Memoranda Francojurtana. Francof. 1676. 4. 406. Kofiochium JLittera- 
tum. Roílochii 1708. 8. 407. Vita Theologorum Altorphinorum unà cum Scriptorum recenjione. Norim- 
berga; 1722. 4. 408. Hannoveras 1707. foi. 



409. de Strashurgo Ferreolo Locrio 410. de Khecia Fortunato Sprechero 411. 
de Zurich Joaõ Henrique Ottingero 412. de Silefia Joaõ Henrique Cunrado 413. 
€ Martinho Hanchio 414. De Viandes Auberto Mireo 415. Guilherme Gazzeto 
416. António Sandero 417. Francifco Suvert 418. Valério André Dexel 419. 
Joaõ Francifco Foppens 420. a Bibliotheque Belgique 421. De Henaut Filippe 
BraíTeur 422. De O landa, Zelanda, e Utrech Pancracio de Caftricome 423. De 
Frif(ia Suffrido Pedro 424. de Daventria Jacobo Revio 425. De Gante, e Bruges 
António Sandero 426. de Lejden André Clouveq. 427. Joaõ Meurfio 428. e o 
Cathalogus lihrorum tam imprejjorum, quàm M. S. Bibliotheca publica Univerjitatis. 
ILugduno Batavce 425. De Polónia Simaõ Starovolfcio 430. e Samuel Joachim 
Hoppio 431. de Dant^ic Ephraim Pretório 432. e André Charitio 433. de Hun- 
gria David Czuittingero 434. de Suécia Joaõ ScheíFero 435. e Memoria virorum 
in Suécia eruditorum rediviva 436. de 'Efiolchome Holmia litterata 437. de Dinamarca 
Nicoláo Pedro Sibbern 438. Alberto Bartolino 439. Joaõ Mullero 440. e Alberto 
Thura 441. Ultimamente de Inglaterra Joaõ Bale 442. Thomaz James 443. 
Joaõ Pits 444. Hoorologia Anglica 445. António à Wood. 






409. Memoria Hamhurgenjes. Hamburgi 1710, 8. 6. Tom. 410. De Scriptis Atrehatenjis Civitatis. 
Atrebati 1616. 4. 411. Palias Khatica armata, <& Togata. Baíileas 1617. 4. 412. Schola Tigurinorum. 
Tiguri 1664. 4. 413. Silefia Togata, five Silefiorum doãrina, <& virtutihus clariffimorum elogia. Lignicii 
1706. 4. 414. De Silefiis indigenis eniditis poft litterarum culturam cum Chriftinianijmi fitidiis anno 
965. fujceptam ah anno 1165. ujque ad 1550. Lipíias 1707. 4. 415. 'Elogia Bélgica, five illufirium 
Gallice Scriptorum. Antuerp. 1609. 4. 416. Bibliotheque Sacreé des Pajs Bas. Strasbourg. 1610. 
4. 417. Bibliotheca Bélgica. Infulis 1641. 4. 2. Tom. Idem de Scriptorihm Flandria. Antuerp. 
1624. 4. 418. Athena Bélgica, five nomenclator inferioris Germânia Scriptorum. Antuerp. 1638. 
foi. 419. Bibliotheca Bélgica. Lovanii 1643. 4. 420. Bibliotheca Bélgica. Bruxellis 1738. 4. 2. Tom. 421. 
Leiden. 1731. 12. 2. Tom. 422. Sidera illufirium Hannonia Scriptorum. Montibus Hanonias 1637 
8. 423. Nomenclator Scriptorum Hollandia, Zelândia, (ò° Ultrajeíii. Lugd. Batav. 1601. 424. Di 
Scriptoribus Frifia decades XVI. Cólon. 1593. 8. 425. Daventria illufirata. Lugdun. Batav. 1650 
4. 426. de Gandevenfibus, (0° Brugenfibus eruditionis fama claris. Antuerp. 1624. 4. 427. A-cademi 
I^ugduno Balava, id efi virorum clariffimorum ícones, elogia, (& vita qui eam fcriptis fuis illufirarunt. 
Lugd. Batav. 161 3. 4. 428. Athena Balava. Lugd. Bat. 1625. 4. 429. Lugd. Bat. 171 6. foi. 43 
Gentum illufirium Polónia Scriptorum elogia, e>° vita. Francof. 1625. 4. 431. de Scriptoribus Hifioriá 
Polonica Schediafma litterarium. Dantifci 1707. 4. 432. Athena Gedanenjes. Lipíiae 171 3. 8. 435 
De viris eruditis Gedani ortis. Witemberg. 171 5. 4. 434. Specimen Hungaria litterata. Francof. 171 1 
4. 435. Suécia litterata. Hamburgi 1698. 8. 436. Roílochii. 1730. 8. 437. Holmias 1701. 4. 438 
Bibliotheca Hifiorica Dano-Noruegica. Hamburg. 1716. 8. 439. De Scriptis Danorum. Hafnias 1666 
12. 440. Hamburgi 1699. 8. 441. Idea Hifioriá litteraria Danorum. Hamburg. 1723. 8. 442. Di 
Scriptoribus illufiribus majoris Britania. Pariz. 16 19. 4. 443. Écloga Oxonio-Cantabrigenfis, five Catha- 
logus M. S. in utraque Academia. Londini. 1600. 4. 444. de illufiribus Anglia Scriptoribus. Pariíiis 161 9 
4. 445. Arnhemii 1620. foi. 446. Hifioriá, & antiquitates Univerfitatis Oxonienfis. Oxonii 1674 
foi. 2. Tom. 






44^. Joaõ Ic Lande 447. c Miguel dela Rothc 448. De Efcocia Thomaz Dcmp- 
ílcro 449. c Jorge Machenzie 450. e de Hibemia Jacobo Vare 451. 

447. Commeníarii de Scriptoribus BrUanicis. Oxonii 1709. 8. 2. Tom. 448. BMothequt An^ife. 
Amfterd. 1717. 12. 15. Tom. O meímo Mtmoires litttraires dela grandt Bretaffu. Haye 1620. 12. 16. 
Tom. 449. Scotúrum Scriptorum Nomenclatura. Bononix 1619. 4. 4J0. Edimbourg. 1708. 2. 
Tom. 45 1. Dt Scriptoribus iiibernia. Dublini 1639. 4* 

Entre todos os Rcynos, c Cidades da Europa que com gloriofa emulação 
compuzeraÕ Bibliothecas para perpetuar na Republica das letras os nomes 
de feus Naturaes, unicamente Portugal fe naÕ jactava de femelhante Brazaõ 
merecendo os fcus infignes filhos, que o mundo conhecefle pelos mudos carac- 
teres da Impreflaõ os frutos da Sabedoria, que em todo o tempo com porten- 
tofa fecundidade tinhaõ produzido; pois fendo pelo feu belicofo génio, e efpi- 
ritos marciaes refpeitados como famofos Heróes no exercício das Armas, de 
que faõ eternos padroens as quatro partes do Mundo, onde fobre defpojos 
de feus habitadores taõ vários nos ritos, como diverfos nas linguas arvorarão 
os tremolantes Eftandartes das Sagradas Quinas, naõ faõ menos dignos de 
veneração pela cultura das letras, e eftudo das Sciencias aflim fagradas como 
profanas. Em toda a vaíla extençaõ de Efpanha foraõ os mais celebres profef- 
fores das Artes confervando para teílemunho da fua fciencia vários volumes 
da venerável Antiguidade como efcreveu Eftrabo de/"/// Orhis liv. 3. H/ inter 
Híjpama populos (falia dos Turdetanos antigos povos da Lufitania) Japientia 
putantur excellere, (â^ litterarnm Jludiis titwítur, <& memorandce vetujiatis volumina 
habent, Naõ foy poderofa a arrebatada inundação dos Árabes para arrancar 
dos Campos de Portugal a arvore da fciencia fempre vigilantemente cultivada, 
nem a numerofa invafaõ de tantas Naçoens barbaras confpiradas para a fua 
conquifta puderaõ interromper com os horrorofos eftrondos de Marte, e Bellona 
o erudito comercio eílabelecido com Apollo, e Minerva. Em todas as idades 
foraõ os feus montes deliciofa habitação das Mufas, e as fuás Academias os 
exemplares dos Liceos de Ariftoteles, e das Stoas de Zenon. 

Com o progreíío dos annos fe foy augmentando nos Portuguezes o 
amor às Sciencias, até que chegarão ao Apogeo da mayor gloria no feliz Rey- 
nado do grande Monarcha D. Diniz fazendo com a erecção da Univeríidade 
de Coimbra, a primeira, que teve Efpanha, numeraíTe tantos alumnos a Sabe- 
doria, como VaíTallos a fua Coroa. Eíta illuílre, e famofa Paleftra foy o ventu- 
rofo berço donde fe educarão os mayores Gigantes de todas as Faculdades, 
para cuja defmedida grandeza fendo pequena esfera a Pátria, fahiraõ como 
animados rayos illuftrar com as luzes da fua doutrina por diverfos emifferios 
as mais celebres Univerfidades do mundo onde as Naçoens mais polidas foraõ 



difcipulas do feu Magiílerio. Ainda na Univerfidade de Pari:(^ eílaõ foando 
as vozes do EminentiíTimo D. Joaõ Froes, D. Pedro Sardinha, e Fr. Joaõ da 
Cruz Agoftinho, Lentes de Theologia. Na de Tolo!(a explicarão com univerfal 
applaufo as Leys Imperiaes António de Gouvea celebre propugnador da 
Filofofia Peripatetica; e os aforifmos de Hipócrates Pedro Vaz Caiiello, e Fran- 
cifco Sanches quando contava a florente idade de vinte, e quatro annos. Na de 
Mompilher foraõ interpretes da faculdade Medica Fernaõ Mendes, e h^Z2ito 
Ribeiro. Em Salamanca occupàraõ a primeira Cadeira de Theologia Fr. Diogo 
Fernandes da Ordem Seráfica; de Cânones Fernando Árias de Meza, e D. Joaõ 
Altamirano: de Leys Ayres Barbofa, António Gomes, Amador Rodriguez, 
e fuceíTivamente aquelle celebre Triumuirato da Jurifprudencia Cefarea Manoel 
da Coíla, Ayres Pinhel, e Heytor Rodriguez; da lingua Latina, Rhetorica, 
e Letras humanas Rafael Nogueira da Silva, Francifco Homem de Abreu, 
Manoel de Azevedo; de Medicina foy Lente de Vefpera Ambrofio Nunes, 
e de Filofofia natural Joaõ Soares de Brito, e Sebaíliaõ Gomes de Figueiredo. 
Em a Univerfidade de Alcalà dictou Theologia na Cadeira de Prima Fr. Joaõ 
de Santo Thomaz grande credito da Ordem dos Pregadores, Fr. Thimoteo 
Ciabra Carmelita, e Paulo Corrêa. Em a de Valhadolid foy Cathedratico de 
Prima da Efcritura Fr. Gafpar de Mello Agoílinho, e de Theologia Fr. Nicolào 
Coelho do Amaral Trinitario; de Direito Canónico Fr. Serafino de Freitas 
Mercenário. Em Sevilha leu Anatomia Dionifio Velho, em Gandia explicou 
os fentidos da Sagrada Biblia o P. Manoel de Sà Jefuita. Em OJJuna foy Cathe- 
dratico de Efcritura Fr. Alberto de Faria Carmelita, de Theologia Fr. Pedro 
de Abreu, e de Medicina regentou a primeira Cadeira AfFonfo Nunes de Caftro. 
Em Saragojja enfinou Theologia como primeiro Mefire Fr. Pedro de Alverca 
Trino, em Barcelona exercitou o mefmo miniílerio Fr. Thomaz Toílado Car- 
melita, e em I^erida Fr. Agoítinho Oforio Eremita Auguítiniano. 

Na Sapiência de Roma foraõ Meílres de Theologia os Padres Francifco 
da Coíla, e Diogo Secco Jefuitas, e Fr. Gregório Coronel, Agoílinho; de Di- 
reito Pontificio Jorge Calhandro, do Cefareo Paulo Calhandro, e Gabriel 
Falcaõ: da Hiítoria Ecclefiafiica, e Controverfia Fr. Francifco de Santo Agof- 
tinho Macedo, Varaõ verdadeiramente Encyclopedico ; de Rhetorica, e Lógica 
Joaõ Vaz da Motta, Achilles Eftaço, e Manoel Conftantino. Na Univerfidade 
de Bolonha foraõ Lentes dos Cânones Pontificios D. Fr. Álvaro Paes, e Manoel 
Rodrigues Navarro; de Theologia Moral Fr. Luiz de Beja Perefirello, Agof- 
tinho, e de Rhetorica Thomé Corrêa, que no Collegio Romano com enveja 
de António Muretto feu CoUega tinha exercitado o mefmo magiílerio. Em 
Fija interpretarão as Ethicas de Ariíloteles Martinho de Mefquita, Filippe 
Montalto, e Gabriel da Fonfeca; e os Aforifmos de Hippocrates Jorge Moraes, 



c Rodrigo da Fonfcca. Em Ferrara foraõ Lentes de Direito Gvil Luiz Tei- 
xeira, c de Medicina Joaõ Rodriguez de GUlelIo-branco, mais conhecido com 
o nome de Amato Lufítano. Em Vadua foraÕ Cathedraticos de Prima da Cadeira 
de Hippocrates Rodrigo da Fonfeca, c Duarte Madeira. Em Lovanha revelarão 
os myfterios da Theologia Efcholaftica Fr. Luiz de Sotto-mayor, Fr. António 
de Scnna Dominicos, e Fr. Agoftinho da Graça Eremita Auguftiniano; da 
Polemica D. Fr. Diogo Soares de Santa Maria, c de Medicina Filippc Mon- 
talto. Em Delinga leu a Cadeira de Prima da primeira faculdade de todas, qual 
he a Theologia, o Padre Manoel da Veyga da Companhia de Jefus; e na de 
Oxonia foy Lente defta fagrada Scicncia Fr. Joaõ Sobrinho naõ pequeno efplen 
dor da Ordem Carmelitana. 

Neftes celebres Empórios da Sabedoria, e primeiros Moueis das 
mayores Faculdades foraõ Intelligencias motoras os engenhos Portuguezes 
manifeftando como eterno credito da fua fama os fcientificos erários, que alta- 
mente eftavaõ depofitados em feus peitos, merecendo pelo indcfeflb eíludo com 
que cultivaõ as Mufas amenas, e feveras a primazia entre os mais excellentes 
Efcritores de Efpanha, como elegantemente o teftemunhou Juílo Lipíio a 
Manoel Corrêa na Epijlol. 96. da Centur. ad ItaL <& Hijpams. Gentem illam vej- 
tram dico, id eji Ljufitanos jàm o Hm ar mis, &" li t ter is inclytos, quas primus Sertorius 
intuUty (& Gracis iis, hatinisque (Vlutarchus auãor) imhuit vefiram juventutem. 
Crede mihi, Corrêa, Jemina ejus inftituti etiam num jruãificant: (& ardet in animis 
vefiris Jemel accenjus honefiior ille ignis. Audimus certe non in alio Hijpania traãu 
magis V éteres artes coli: <& exempla, acj cripta junt, qtm adnos quoque manant, & tej- 
tantur, Iguaes, ou mayores elogios lhes confagraraõ os Varoens mais doutos 
venerando-os profundamente verfados em todo o género de Sciencias. Nas 
Humanidades, e eloquência os aclama iníignes o P. Joaõ Mariana de reh, Hijp. 
lib. 10. cap. 14. Gens dedita pietati, Japienticeque Jiudiis, <& omnis humanitatis, <& ele- 
gantia. Na Poética, e na Muíica o Padre André Scoto HiJp. Biblioth. pag. 346. 
hufitani in Poética ut <& in Mujica regnare Jeruntur mira animi propenjione velut 
Enthujiajmo rapti; e na pag. 472. Efl Eujitanica genti pene proprium, ut Mujicis 
fere omnes artibus dediti fint: humaniores, cultiorejque poeticam etiam adjungant. Na 
Theologia, e ambos os Direitos D. António Diana Kejolut, Moral Tom. 4. de Hor. 
Canon. Refolut. 27. § I. Lujitania Jemper ferax fuit doãorum bominum tam in Legali 
quám in Theologica profejjione. Na Medicina D. Nicoláo António Bib, HiJp, Tom. 2. 
pag. 251. no Elogio de Thomaz Rodriguez da Veyga. Medicus Doãor, inter Luji- 
tanos, qui veluti arcem hujus ftudii tenent; e em a Náutica o P. Boflio de Sign. EccleJ, 
Tom. 3. liv. 8. cap. L Excellentes Junt in Arte Navali, cuja arte facilitarão com o 
Aftrolabio, celebre invento da fua profunda efpeculaçaõ pelo qual lhe eftà 
acredora toda a Europa como efcreveo Auberto Mireo in Chonic. ad ann. 1481. 



Sendo a Naçaõ Portugueza taõ refpeitada em todo o Orbe litteratio 
pela profundidade com que he inílruida em todas as fciencias, fomente lhe 
faltava para ultimo complemento da fua gloria publicar a Bibliotheca dos 
Authores, de que foy fecundiíTima Mãy, e fer notório aos outros Reynos lhes 
naõ era inferior Portugal, aflim em o numero, como na qualidade dos Efcri- 
tores. Naõ faltarão doutiíTimos Portuguezes que com grande difvelo empren- 
deraõ eíle grande aflumpto, de que logo darey huma breve relação, mas como 
as laboriofas vigílias, que dedicarão a efte eíludo, naõ lograrão o beneficio da 
luz publica, naõ fe comunicou a fua utilidade à Republica Litteraria. O pri- 
meiro que fe applicou à compofiçaõ da Bibliotheca Portugueza foy o Licen- 
ciado Francifco Galvaõ de Mendanha Beneficiado da Igreja de S. Pedro de 
Évora onde morreu a 5. de Novembro de 1627. compondo hum Cathalogo 
de féis centos, e fetenta, e fete Authores por cuja obra, de que fe lembra Fr. Fer- 
nando da Soledade Hift. Seraf, Part. 4. liv. 5. cap. 9. §. 529. lhe chama o infigne 
Antiquário Manoel Severim de Faria Chantre de Évora em as Notic. de Portuga 
Difc. 8. pag. 285. grande benemérito dos Hjcritores Vortugue^^es. O original fe con- 
ferva na SelectiíTima Livraria do Conde de Vimieiro, donde fe me participou 
no anno de 1722. Naõ eftà difpofta por ordem alphabetica, porém delia fe colhe 
a grande curiofidade com que juntou as memorias para o intento, que medi- 
tava. Naõ permitio o famofo Hiíloriador Manoel de Faria, e Soufa que efti- 
veíTe ociofa a fua penna neíle aíTumpto em que era taõ intereílada a gloria da 
fua Naçaõ efcrevendo Cathalogo delos EJcritores Portugueses em 4. cujo original 
efcrito todo da fua própria maõ tive em meu poder, e nelle fe comprehende 
a noticia de outocentos, e vinte, e três Authores muito mais diffufa, e copiofa 
aíTim no caracter, como em o numero das PeíToas que o Cathalogo impreílo 
na 4. Part. cap. 18. do Epitome delas Hiji. Portug. que unicamente coníla de 
duzentos, e féis Efcritores. 

Profeguio com grande applicaçaõ eíta empreza o Doutor Joaõ Soares 
de Brito Abbade de S. Pedro de Rebordaens, e depois de Saõ-Tiago Dantas 
igualmente verfado na lingua Latina, como na liçaõ da Hiíloria compondo 
no anno de 1635. Theatrum l^ufitanicB L.itterarium , five Bibliotheca Scriptorum 
omnium hujitanorum onde feguindo o methodo, como elle aíFirma, do Cardeal 
Bellarmino de Scriptoribus Ecclejiajiicis relata as memorias de outocentos, e 
fetenta e féis Authores. O original deíla obra foy mandado no anno de 1655. 
a Pariz para fe imprimir, e naõ fe executando fe conferva na Bibliotheca delRey 
CbriítianiíTimo, de que extrahio huma Copia o ExcellentiíTimo Vifconde de 
Villa nova de Cerveira Thomaz Tellez da Sylva no tempo que afliiHo naquella 
Corte, o qual benignamente me communicou. Eíla obra he muitas vezes 
allegada na Bibliotheca dos Dominicos compoíla por Fr. Jacobo Quetif, e 



Fr. Jacobo Echard imprcfla cm Pariz no anno de 17 19. D. Francifco Manoel 
de Mello Commendador de Santa Maria da Aííumpçaõ do lugar de Efpinhel, 
c Oyam, bem conhecido pela copia das fuás obras, em que deixou eftampado 
o feu ef pi rito femprc heróico aíTim na paleftra de Marte, como de Minerva, 
efcreveo huma fuccinta noticia dos principaes Authores, que floreceraÕ cm 
Portugal diílribuidos pelas faculdades, e a mandou em eílilo epiílolar ao Doutor 
Manoel da Fonfeca Thcmudo Vigário Geral do Arcebifpado de Lisboa, que 
hc a I. da 4. Cent. das fuás Cartas Familiares onde antes de fazer a narração 
dos Efcritorcs, diz. Levado dejle penj amento procurei por mi mejmo, e depois perjuadi 
ú algumas pejjoas doutas publica fje mos huma Wihliotbeca hufttana dos Authores modernos, 
novamente eftimulado da falta, que padecemos nefla parte, com a qual Je de] culpa o Author 
dos Commentarios da Republica l?ortuguev^a imprejja em Leiden anno 1641. Efte 
mefmo pcnfamcnto declarou com mais diftincta expreíTaõ na Carta 25. da Cent. 5. 

1 cfcrita aos Varoens doutos de Portugal onde diz : Hà poucos annos que na Cidade 
\MgdunenJe de Ba t avia na Offlcina El!(everiana Je imprimio a Republica de Portugal 
lotide havendo de tratar ] eu Author dos EJcritores Portuguei^es antigos, e modernos, 
põem taõ poucos, e com taõ Jalja informação que alli mais fe vê Portugal o ff endido, que 
i^abado, Efie agravo feito ã noffa Naçaõ, e aos fugeitos que nelle floreceraõ a que Je 
imitarão algumas outras confideraçoens me fervio de motivo para me difpor a ajudar 
que fe efcreveffe hum Ca t ha logo de todos os Efcritores defle Rejno em qualquer f ciência, 
arte, faculdade, e difciplina, e porque obra tamanha requere muito fundados alicerfes 
pois fe fabrica para toda a pofler idade, peço a v. m. affeãuofamente da parte do beneficio 
publico, e da minha me queira fa^^er mercê de tomar o trabalho de me mandar informau 
dos Sugeitos que conhecer filhos de ff a Cidade que hajaõ ejcrito, ou ejcrevaõ: quer publi- 
caffem Juas obras, quer naõ, nejle Reyno ou Jora delle, particularÍ!(ando de cada hum 
tudo quanto houver alcançado ajfi da obra como do Author, como do anno, lugar em que 
ejcreveo, a quem dedicou; que calidades havia no tal sogeito, em que idioma compo^ e 
fe em mais matérias, que applaufo teve, e finalmente tudo o que v.m. Julgar he conve- 
niente à Jua noticia, e elogio. Donde fe conhece claramente o dezejo que tinha 
de fe occupar para gloria da Naçaõ Portugueza em o Cathalogo dos feus Efcri- 
tores procurando com tanta individuação as noticias pertencentes a eíle argu- 
mento. 

Perfuadido das inftancias do Chantre de Évora Manoel Severim de 
Faria Varaõ doutiíTimo nas Antiguidades Portuguezas emprendeo efte aíTumpto 
Joaõ Franco Barreto Beneficiado na Igreja Matriz da Villa de Redondo, onde 
lançou os primeiros fundamentos à Bibliotheca Portugueza, como elle efcreve 
no Elogio de Achilles Eílaço, e eftando já approvada para a impreíTaõ, naõ 
logrou efte beneficio, merecendo em obfequio do fummo trabalho que para 

' efta obra applicou os elogios do P. António de Macedo in Prcejat. ad 'Leã, 



L.ujit. Vurpur, e Jorge Cardofo Agiol. 'Lufit. Tom. 3. no Comment. de 4. de 
Mayo letr. J. Delia vi huma copia extrahida do Original, que fe conferva na 
Livraria do EminentiíTimo Cardial de Soufa a qual forma hum livro de folha 
grande, onde fe comprehende vaílamente a noticia dos Authores Portuguezesj 
poílo que muitas vezes fe dilata em narraçoens impróprias deíle aíTumpto. 
Naõ fatisfeito o incanfavel eíludo do Licenciado Jorge Cardofo de eternizar! 
nos feus Agiologios os Varoens Portuguezes iníignes em virtude, fe applicoa 
a efcrever as memorias dos que foraõ celebres na Sciencia juntando com grande 
cuidado noticias para a compoíiçaõ da Bibliotheca Vortugue:(a da qual repetidas 
vezes fe lembra principalmente no I. Tom. do Agiologio l^ufitano pag. 24. na 
Coment. de 3. de Janeiro letr. A. e pag. 214. no Coment. de 21. de Janeiro 
letr. J. e no Tom. 3. pag. 74. no Coment. de 4. de Mayo letr. J. cuja obra quí 
nunca pude alcançar, teílemunha Nicolao António Bih. Vet. Hijp. Ub. 9. cap. 4, 
n. 201. que a vira. Ultimamente quem com mayor empenho intentou concluii 
taõ gloriofa empreza, foy o P. Francifco da Cruz Jefuita, Meílre, e Confeííoi 
do noíTo SereniíTimo Monarcha D. Joaõ o V. o qual depois de ter collegid( 
todas as noticias difperfas pelas obras dos que lhe precederão neíle aílumpto, 
adquirio outras muito copiofas na Cúria Romana, quando nella aíTiílio pel( 
efpaço de fete annos com o lugar de Revifor dos livros da Companhia de JESUS^j 
Naõ chegou a concluir elta obra, porque a morte envejofa do applaufo, qu( 
delia lhe havia refultar, o privou da vida na Cafa profefla de S. Roque a 29. d( 
Janeiro de 1706. O ardente dezejo de que eíla obra fe continuaíTe, impelli( 
ao ExcellentiíTimo Conde da Ericeira D. Francifco Xavier de Menezes digniíTimc 
Cenfor da Academia Real, cujo nome fera fempre memorável nos Faítos dí 
erudição Sagrada, e profana para pedir inUantemente aos Padres Jefuitas lh( 
quizeílem dar os M. S, do P. Francifco da Cruz, que benignamente concederac 
por retribuição ao íingular affecto, de que a Companhia era devedora a eíl( 
Cavalhero, de cuja generofa dadiva fazem illuftre memoria os Padres Antoni( 
Franco, e Francifco da Fonfeca; o primeiro na Imag. do Nome. de Coimhé 
Tom. 2. pag. 681. e o fegundo na 'Évora Gloriofa pag. 408. §. 719. Pela natural 
benevolência deíle iníigne Mecenas dos Eítudiofos me foraõ comunicadoí 
eítes M. S. que fe comprehendem em quatro Volumes efcritos da própria maõ^ 
do Author, onde confufamente eílaõ lançadas as noticias, e muitas vezes em 
diverfos lugares repetidas. Em hum delles fe lém quinhentos elogios Latinos 
dos Authores que principiaõ pela letra A. que ficou incompleta, onde fe admira 
igualmente a pureza, e elegância do eílilo, como a vaUa liçaõ, e profundo 
exame com que efcrevia eíta obra digna do ultimo complemento. 

Eíles foraõ os Varoens infignes que gloriofamente trabalharão em hum 
argumento taõ nobre como era a noticia dos Efcritores do noíTo Reyno, mas 



naõ alcançarão o merecido premio das fuás laboriofas applicaçoens por fe naõ 
fazerem patentes ao mundo pelas vozes da ImpreflaÕ. Chegou o Século decimo 
outavo, c como fe foflc o termo decrctorio para fe manifeftar ao mundo a 
Hiíloria Litteraria da Naçaõ Portugueza, começarão a fahir alguns Cathalogos, 
ainda que fuccintos, dos noflbs Efcritores, que foraÕ Prelúdios da Bibliotheca 
Portugueza, que agora publicamos. Dos Religiofos Menores da Província 
de Portugal fez huma breve narração o P. Fr. Fernando da Soledade Chroniíla 
da fua Religião, e Académico Supranumerário da Academia Real, que fahio 
impreíTa no anno de 1705. na 3. Part. da Ilijl. Seraf. liv. i. cap. 21. e 22. Dos 
Efcritores Jcfuitas que foraõ filhos pela profiflaõ dos Noviciados de Évora, 
Lisboa, e Coimbra, compoz os Cathalogos o P. António Franco, e sahiraõ 
impreíTos no fim dos três volumes dos mefmos Noviciados em os annos de 
1714. 1717. c 1719. Na obra intitulada Annales S. J. in 'Lufitania Auguft. Vind. 
1726. compoíla pelo dito Padre traz no fim Index Materiarum de quihus traãa- 
rmt hujitania Vrovincice S captores ah initio Societatis ad annum 1J24. Semelhante 
idea feguio o P. Francifco da Fonfeca na Évora Glorioja impreíTa em Roma 
1728. onde à pag. 409. efcreveo o Cathalogo dos Authores Eborenjes, e pag. 425. 
a Bibliotheca Eborenje Académico-] ejuitica. Com exame critico, e fummo difvelo 
*f digno de fer imitado por todas as Famílias Religiofas publicou o P. Fr. Manoel 
de Sá Académico Supranumerário da Academia Real, e Chronifta Geral da 
fua Ordem as Memorias hiftoricas dos Efcritores Portuguef^es da Ordem de NoJJa 
Senhora do Carmo da Vrovincia de Portugal redui^idas a Cathalogo Alphabetico im- 
preíTas em Lisboa anno de 1724. Semelhante no argumento, mas diíFerente 
no exame imprimio no anno de 1734. com o titulo de Clauflro Dominicano o 
P. Fr. Pedro Monteiro da Ordem dos Pregadores Académico da Academia 
Real o Cathalogo alfabético dos Efcritores da Provincia de Portugal para o 
qual contribuimos com algumas noticias pedidas pelo Author que mais appli- 
cado aos eíludos da Theologia, que da Hiítoría, cahio em alguns erros indif- 
culpaveis que facilmente pudera evitar. Efte Cathalogo mais abbreviado tinha 
íaliido no anno de 1733. no fim da 4. Parte da Hiftor, de S. Domingos da Vrovin- 
cia de Portugal compofta pelo P. Fr. Lucas de Santa Catherina Chroniíta Geral 
da fua Religião, e Académico do numero da Academia Real. Das Obras Métri- 
cas dos noílos Poetas formou hum largo Cathalogo na Epiítola Dedicatória 
:i ElRey N. Senhor, que ferve de prefação aos feus agudos Epigrammas no 
anno de 1728. o P. António dos Reys da Congregação do Oratório Chronifta 
Latino deíle Reyno, Académico, e Cenfor da Academia Real, que intempeíH- 
vamente nos roubou a morte em 19. de Mayo de 1738. o P. D. António Caetano 
de Soufa Clérigo Regular, e Académico do numero da Academia Real impri- 
niio no anno de 1735. huma Bibliotheca dos Authores Genealógicos Portu- 



guezes que ferve de Prologo á fua grande obra da Hijloría Genealógica da Caja 
Keal Portuguesa, e ultimamente o P. Fr. Manoel de Figueiredo Eremita de Santo 
Agoftinho, e Chronifta da fua Religião, a cuja generofa benevolência devemos 
a noticia dos Authores que ella nefte Reyno produzio, publicou no anno de 
1737. a 4. Part. do Fios Sanãorum Augujlmano, onde folhas 127. eftá o Cathalogo 
dos Lentes públicos, 'e Doutores da Univerjidade de Coimbra que floreceraõ no Jeu Col- 
legio da mejma Cidade, no qual fe lém as Obras de muitos affim impreíTas, 
como MS. 

Seguindo os veítigios de taõ grandes Varoens me animey em obfequio 
da Pátria efcrever a Bibliotheca Univerfal de todos os noílos Efcritores abrindo ' 
os aliceíTes de taõ fublime edifício no fauftiíTimo dia de 31. de Mayo de 171 6. 
dedicado a amorofa vinda do Efpirito Santo fobre o Collegio Apoftolico, e 
poílo que para fuílentar taõ immenfa machina eraõ pouco robuftos os meusj 
hombros, enfmado de que Deos com altiíTima providencia fe ferve de inílru-l 
mentos humildes para emprezas heróicas, permitio que illuílrada a minha j 
ignorância com a continua applicaçaõ a eíle género de eíludo, gloriofamente 
concluiíTe liuma obra, que fora laboriofo empenho de iníignes talentos defta. 
Monarchia. Depois de examinados com efcrupulofa obfervaçaõ naõ fomentei 
os noíTos livros hiítoricos, mas grande parte dos eftranhos, e extrahidas dellesl 
as noticias pertencentes a eíla Bibliotheca, as procurey com difvelo em varias 
livrarias que eraõ depoíitos de muitos Efcritores Portuguezes, cujas obras 
naõ lograrão o beneficio da luz publica, onde colhi copiofo fruto, como tam- 
bém de pefToas eruditas, que zelozas da immortal fama da Naçaõ Portugueza. 
fe intereíTaraõ em taõ illuílre empreza. Seria juftamente accufado do feyal 
crime de ingrato, fe naõ confeíTaíIe publicamente quanto eHa obra he devedora! 
às incanfaveis deligencias dos Reverendos Padres Fr. Marcelliano da Afcenfaõ] 
Monge Benedictino ; Fr. Manoel dos Santos Monge Ciftercienfe, Chronifta deftc 
Reyno, e Académico Supranumerário da Academia Real, Fr. Jacinto de S. Migue| 
da Ordem de Saõ Jerónimo, Fr. Gonçalo RouíTado da Ordem dos Pregadores, 
feu irmaõ Fr. António RouíTado Eremita Auguíliniano, Fr. Manoel de Saõ Damafc 
da Ordem dos Menores da Província de Portugal, e Académico Supranume- 
rário da Academia Real, Fr. Joaõ de NoíTa Senhora da Província de Xabregas, 
e feu Chroniíla, Fr. Francifco da Conceição da Ordem Terceira da Penitencia; 
Fr. Simaõ de Brito da Ordem da SantiíTima Trindade, o P. André de Barros 
da Companhia de JESUS, e Académico da Academia Real, Fr. António das 
Chagas Carmelita Defcalço, e Fr. Francifco de Santa Maria Chroniíla deita 
exemplariíTima Reforma, os quaes atendendo igualmente pela gloria da Pátria, 
e da fua Religião fe empenharão com louvável emulação a communicarme 
benevolamente as noticias dos Religiofos, que nos feus Clauílros foraõ vigi- 



Í Jantes cultores das fcicncias, cujo erudito efquadraõ pelo numero, e quali- 
idade fcrvio de mageílozo ornato a cila Bibllothcca. Determinado eílava a 
cfcrcvclla na língua Latina, na qual naÕ pequena parte tinha compofto, mas 
arrcpcndimc da rcfoluçaõ, confiderando que feria iníructuofo efte meu trabalho 
para muitos Portuguezcs, que ignoraõ aqucllc idioma, o qual poíTuindo indu- 
bitavelmente entre todos o principado, lhe preferem com indifcreta eleição 
o eftudo de outras línguas, que ainda que polidas, lhe faõ fummamente infe- 
riores, aíTim na magcftadc da Origem, como na energia da locução. Efta foy 
a caufa que me moveo a que mudando de eíUlo, e de língua antepuzeíTe a ma- 
terna à Latina, para que a utilidade, que fe pôde colher da líçaõ deíla obra, 
foíTe a todos patente. Entre muitas que tem logrado da luz publica mereceo 
a diílincçam de fer allegada, antes de imprcfla, por celebres Efcritores, como 
Ibraõ o P. António dos Reys in lltithuftajm, Poettc, n. 202. o Excellen- 
tiflimo Conde da Ericeira Cenfor da Real Academia cm a Notic, da Conjerenc, 
ia Acad. Real de 27. de Julho de 1724. e na Biblioth, Souv^ana pag. 79. e 80. Fr. 
Pedro Monteiro Académico da Academia Real Claujl. Domin, Tom. 3. pag. 317. 
e 322. e o Beneficiado Francifco Leytaõ Ferreira Académico Real em as Notic, 
Cronolog. da Univ. de Coimh, pag. 551. §. 1178. fendo taõ honorificas memorias 
nobres eftimulos para que fatisfizeíTe aos feus dezejos rompendo todos os obíla- 
Culos, que fatalmente fe confpiravaõ contra efte fim. Para naõ fer tediofa a 
fua liçaõ me abftive de diíTertaçoens, que ainda que breves, fempre faõ impor- 
tunas, principalmente fobre matérias, em que por eftarem nervofamente con- 
trovertidas por doutiíTimas pennas, era fuperfluo tranfcrever o que jà eílava 
I folidamente difcutido. Entre a numerofa multidão de Authores julguey que 
deviaõ fer admitidos aquelles, que efcreveraõ obras pequenas por ferem partos 
de homens grandes das quaes fe publicarão no feculo paíTado, e no prezente 
muitas Collecçoens para eternizar a fua memoria, como faõ a Bibliotheca Vatrum, 
as hiçoetts antiguas de Henrique Canifio, o Specilegio de D. Joaõ Lucas D' Achery, 
o The^oí4ro dos Anecdotos de D. Edmundo Martene ambos Monges Benedictinos, 
a Vallade Bambina de Carlos Cartari, e a Bibliotheca Volante de Joaõ Cinelli. Bem 
conheço que pudera fahir eíla Bibliotheca ornada de mayor copia de Efcritores, 
cujos nomes, e compofiçoens eílaõ occultos à minha noticia, porém como efte 
género de eftudo pela fua vaftidaõ he inexhaurivel, e fempre eftá admitindo 
novos fuplementos, deixo aos fublimes efpiritos, que continuarem taõ illuftre 
empreza, a gloria de a augmentarem defcubrindo como os Aftronomos novas 
eftrellas para ornato defte Firmamento literário. Os defeitos de que poíTo fer 
arguido pela feveridade dos Ariftarchos, faõ mais dignos de clemência, que 
cenfura, por fe originarem de tantas informaçoens alheyas, que fatalmente 
conduzem a inevitáveis erros, dos quaes fe naõ pode livrar o Author mais 






perfpicàz Quam oh rem (acabo com a íincera proteilaçaõ do inílgne Efcritor da 
Bibliotheca Sancta Fr. Xiílo Senenfe tn Frafat.) hortor pios l^eãores, in quorum 
fatiam hunc qualemcumque laborem multis vigiliis, judorihus, (& honarum horarum 
dijpendiis Jujcepimus, ut fi qua in Scriptis méis invenerint, qucs aã utilitatem legentium 
iudicent pertinere, grafias agant optimis Ecclejia authorihus, ex quorum immortalihus 
monumentis mutuati Jumus quidquid huc honi contulimus : fi quid autem minus reãè diãum, 
aut imprudenter aherratum deprehenderint : (nam <& homines Jumus, (& in multis, 
ut tnquit Apofiolus, offendimus omnes) iterum eos ohjecro, atque ohteftor, ne id aut 
arrogantice, aut malitice, aut aliis privatis affeãibus tribuant, Jed imbecillitati potius, 
ac tenuitati mece ascribant, modefie corrigentes, (& fincere emendantes quacumque ipfis 
caftigatione digna videbuntur. 



I 



LICENÇAS 

> 

DO SANTO OFFICIO. 



CENSURA DO M, R. P. M, Fr, ANTÓNIO DO SACRAMENTO 

da Ordem dos Pregadores, Doutor em a Sagrada Theologia pela Univer- 

Jidade de Coimbra, Qualificador do Santo Officio, Exprovincial 

da Jua Religião, 



eminentíssimo senhor. 



JA* agora manifefta, e demonftra a experiência a grande fortuna, e felici- 
dade, que trouxe a Portugal a bemaventurada Idea, em que fe concebeu, 
e formou a fempre Regia, e auguíla Academia Portugueza, quero dizer, 
aquelle luftrofo, e literário Olympo, Olympus ideji totus fulgens, em que fe 
vem defprezadas as fombras, e eílimadas as luzes, preteridas as nuvens, e adian- 
I adas as eílrellas, nubes excedit Olympus, próprio timbre, e brazaõ da Academia 
Portugueza em que tudo fe reílitue à fua natural armonia, deixado o menti- 
rofo, e o falfo, e fomente pertendido o ferio, o fagrado, e o verdadeiro, Refiituet 
omnia. Prezidia naquelle Olympo, ou firmamento Júpiter, apadrinhando com 
as fuás influencias a hum congreíío de Divindades: Venit Olympum, ubi 
fedes deorum dicitur ejje; Júpiter, ideft, Vater juvans, e com fuperior, Chriílaõ, e 
fagrado impulfo apadrinha, e ampara aos feus Académicos a Mageílade Sere- 
niíTima do noílo magnifico Monarcha fazendo-os conduzir até o interior dos 
feus Palácios, naõ para que como Divindades fe adorem, mas fim como a orá- 
culos, que em Portugal fe ouçaõ, e em todo o Mundo fe refpeitem. 

Sobe agora à prezença de V. Eminência firmando eftes refpeitos, e eílas 
fortunas, naõ fó em Portugal, mas em todo o Mundo com as fuás letras, com as 
fuás applicaçoens, e trabalhos, o Reverendo Padre Diogo Barbofa Machado, 
Abbade da Parochial de Santo Adriaõ de Sever, digniífimo Académico do 
numero, expondo a V. Eminência para as licenças da eílampa, naõ hum livro, 
que fe conclue em huma fó particular matéria, fim o primeiro Tomo de huma 
Bibliotheca univerfal, em que fe haõde comprehender os nomes, e as matérias 
literárias, em que fe aflinalaraõ os Varoens, e os Heróes Portuguezes. Bem fe 
entende que menos bailava para fe dar a conhecer em Portugal, naõ fó a fortuna 
da Academia, mas taõbem o grande, e o fuperior talento do Author da Biblio- 
theca; pois qualquer obra, que foíTe do Author, na luz, e doutrina, que commu- 
riica, leva o Clarim, que a pregoa, e a declama; defafiado porém do zelo, e amor 
da Pátria rompe neíte grande parto do feu talento, e juizo, para que naõ cedeUe 
3m menor reputação da Academia o naõ acudir athequi às expectaçoens do 



Mundo, que todo fufpirava por efta obra taõ útil, e neceflaria : e em que fe vem 
fepultadas aquellas juílas Criticas, com que feriaõ os eftranhos aos Portuguezes, 
que até o tempo prezente tem dado a conhecer os feus Heróes em muito dif- 
perfas, e pouco atendiveis Imagens, ou em Copias, que naõ tinhaõ aquellas 
femelhanças, com que deviaõ correfponder aos feus Originaes. 

Tudo fe acha jà, e f e verá reílituido neíta grande obra, e correrá com 
tanta fortuna o Mundo todo, que voluntariamente lhe fará aquella Confiílaõ, 
que faziaõ os Aftros ao Sol, quando Apelles o retratou no meyo do firmamento 
com efta Epygraphe. 

Nihil Jine te lucet. 

De todas eílas atençoens, e refpeitos fe faz digno hum congreíTo, que 
mereceu à fortuna, naõ Gentilica, mas Catholica, a protecção de hum Monarcha, 
que pellas Operaçoens do trono tem ennobrecidas as Antonomazias de Magni- 
fico, e que conta no numero dos feus Académicos o Author defta grande Obra, 
cuja capacidade, e talento deixa menos preciofos os mais elevados panegiricos, 
que fó podem dignamente formarlhe ou as difcretas- lingoas das fuás mayores 
capacidades, ou os eloquentiíTimos clamores dos feus fingulariffimos mereci- 
mentos. 

E porque nefta grande obra naõ encontrey couza, que fe opponha ou 
à noíTa Fé, ou bons coftumes, he digno o Supplicante da licença, que pertende. 
AíTim me parece. V. Eminência mandara o que for fervido. S. Domingos de 
Lisboa em 6. de Setembro de 1739. 



O Doutor Fr. António do Sacramento. 



I 



CENSURA DO M. R. P. D. CAETANO DE GOUVEA, 
Clérigo Regular, Qualificador do S, Officio, Examinador das 
Ordens Militares, e Académico do numero da 
Hijloria Real, 



eminentíssimo senhor. 



LI*, c examinei, como V. Eminência foy fervido ordenarme, o pri- 
meiro Tomo da Bibliotheca Portugueza, que com incanfavel 
indagação, c em clegantiffimo eftilo compoz o Abbade de Sever 
Diogo Barbofa Machado meu CoUega na Academia Real; e para 
expor o juizo que pude formar, digo a V. Eminência, que jà o primeiro, 
c fegundo Tomo das Memorias para a Hiíloria delRey D. Sebaíliaõ, 
que eílc Sábio Author efcreveu, e que a Academia Real approvou, e 
mandou imprimir, tem feito taõ recomendável o feu nome na Republica 
das letras, que fe athequi o antigo, e illuftre Appellido de Barbofa occupava 
o primeiro lugar no Cathalogo dos Jurifconfultos, também agora o 
occupa no dos Hiftoriadores. Porém ainda que aquella excellente obra 
pela mageftoza elegância da narração, e pela ordem, e variedade das no- 
ticias, de que algumas faõ totalmente anedoctas, faz taõ benemérito 
a feu Author da veneração publica, eíla, que agora pertende imprimir, 
o faz digniíTimo da veneração, e do publico agradecimento, porque 
nella dá a conhecer ao mundo huma das mayores glorias de Portugal, 
moftrando que o noflb Reyno naõ he menos fecundo de Sábios, que de 
Heróes. Todas as fciencias, e todas as artes devem huma grande parte 
da perfeição, a que hoje eílaõ reduzidas, aos Authores Portuguezes, 
porque em todas tem efcrito com grande propriedade, acerto, e erudi- 
ção, mas da gloria com que as illuftraraõ, ainda naõ haviaõ recebido 
hum digno premio. No Templo da Sabedoria fe viaõ gravados os feus 
nomes com Caracteres de indelével, e gloriofa duração, mas ainda no 
mefmo Templo fe naõ admiravaõ collocadas as Imagens de todos, 
e das que formarão Artífices Eftrangeiros, poílo que eraõ peritos, como 
naõ conheciaõ os originaes, pela mayor parte fahiraõ imperfeitas. Três 
Portuguezes applicaraõ a fabia maõ a efta grande Obra, mas tiveraõ 
a infelicidade ou de a naõ concluir, ou de naõ fe fazer publico o feu tra- 
balho. Eíiava refervada eíla gloria para huma penna igualmente dif- 
creta, e erudita, e jà refpeitada pela perfeição de outras obras. E fe como 
obfervou a difcriçaõ de Plinio, não he mayor a gloria de merecer huma Lib. i. Epijt. 17. 
Eílatua, que a de erigila, erigindo o Abbade de Sever neJfta Bibliotheca 
a cada hum dos Sábios Portuguezes huma Eílatua em que taõ nota- 
velmente fe reprefentaõ, devo dizer com a authoridade do mefmo 
Plinio, que he taõ grande a fua gloria, que iguala a de todos. 



Porém, Senhor EminentiíTimo, com a compoziçaõ deíla excel- 
lente obra naõ fó fe engrandece, e eterniza a gloria de feu Author, pela 
que dá a tantos Sábios, que tem florecido nefte Reyno, e nas fuás dila- 
tadas Conquiílas, mas pela grande utilidade, que receberão todos, os 
que por meyo das fuás fadigas litterarias afpirarém à mefma gloria, 
fem hum exacto conhecimento dos Authores, das obras que compu- 
zeraõ, do génio, e applicaçaõ com que trabalharão; e muitas vezes do 
tempo em que efcreveraõ, nenhuma fciencia fe pôde faber com per- 
feição, porque naõ baila fó eíludar, he neceíTario fazer juizo do que fe 
eíluda, e diítinguir o bom do que he máo, o verdadeiro do que he falfo ; 
o que facilmente fe confegue pelo eíludo das Hiftorias litterarias, ainda 
que com mayor facilidade por meyo daquellas que faõ juntamente 
Criticas, e em que com a noticia dos Authores, obras, e ediçoens, fe 
faz hum judiciofo, e exacto exame deíTas mefmas obras; e bem poflb 
affirmar a V. Eminência que he taõ vaíla a erudição do Abbade de Sever 
que naõ lhe feria difFicil compor deita forte a fua Bibliotheca, moílrando 
que em todos os Artigos, era Hijioria, e Critica, como o he em alguns; 
mas fendo efte beneficio o mayor, que podia fazer ao publico, muitos 
dos que o recebeílem, o teriaõ por injuria; porque eílimando todos 
que lhes louvem os acertos, poucos goílaõ, que lhe reprehendaõ os erros. 

Sabe o Abbade de Sever taõ perfeitamente a lingua Latina, 
como a Portugueza; em huma, e outra he o feu eílilo do feculo dos 
Auguítos, naquella do de Roma, e neíla do de Portugal, em que temos 
a fortuna de viver, mas preferio a Portugueza à da antiga Roma, para 
moílrar que a noíTa naõ cede à latina, nem na elegância, nem na mageftade, 
confagrando defta forte à fua gloria, e à da Pátria o mais illuftre monu- 
mento, e para que de todos feja admirado, deve V. Eminência dar licença, 
que fe exponha ao publico, porque também nelle julgo eternizada a 
gloria da fé, e dos bons coílumes. Lisboa Occidental neíla Cafa de N. 
Senhora da Divina Providencia de Clérigos Regulares. 25. de Setembro 
de 1739. 



D. Caetano de Gouvea C. R. 



DO ORDINÁRIO. 



CENSURA DO MUITO R. P. M. Fr. AGOSTINHO DE 

S, Boaventura, Rtligiojo de Saõ Paulo primeiro Ermitão, 

Lente Jubilado em a Sagrada Theologia, t Geral 

duas ve:(es da Jua Keligiaõ, 



EXCELLENTISSIMO, E REVERENDÍSSIMO SENHOR. 



ORdena-me V. Excellencia que veja efte primeiro Tomo daBiblio- 
theca Lufitana, Hiílorica, Critica, e Chronologica efcrita pelo feu 
dignifílmo Author Diogo Barbofa Machado Abbade da Paro- 
chial Igreja de Santo Adriaõ de Sever, e Académico do numero 
da Academia Real; e mandar-me que veja aquillo mefmo, que por 
conta da utilidade publica anciofamcnte dezejava, he beneficio taõ 
artificiofo, que fabe introduzir o merecimento da obediência até no 
gofto da vontade própria. Naõ fe me podia cometer mais deleitavel 
occupaçaõ, do que verem os meus olhos huma obra taõ grande como 
fufpirada, taõ neccíTaria como polida, e taõ proveitofa, que o mefmo 
xame que nella fe faz fuperfluo para o rigor da cenfura, fica fendo liçaõ 
preciza para o eítudo das noticias. A vaftiíTima erudição do Author 
tranfcendente por toda a hiíloria aífim domeftica, como eftranha, foy 
a que correndo pelas muitas, e numerofas Bibliothecas, que os Reynos, 
as Republicas, as Religioens, e as Univerfidades mais florentes de toda 
11 Europa tem dado ao prelo para eternizarem a fama dos feus efcritores 
nacionaes, lhe excitou naõ fó a reflexão fobre a falta (certamente nafcida 
da fua mefma abundância) que de femelhante bem merecida memoria 
tem havido no noíTo de Portugal; mas também o ardentiífimo dezejo 
de livrar a fua pátria de huma fofpeita taõ injuriofa, como feria prezu- 
mirem as outras naçoens, que na nofla, ou naõ havia efcritores, que a 
efte aííumpto podeíTem fervir de gloriofa matéria, ou naõ havia engenhos, 
que o foubeíTem animar com a viveza, e vitalidade de huma elegante 
forma. Mas fendo efta empreza taõ árdua, que fomente a fua idea hà 
mais de hum Século intentada, baftou para engrandecer aquellas pennas, 
que principiarão a lançar-lhe as primeiras breves, e confuzas linhas, o 
Author a dezempenha agora felizmente, e com todo aquelle incompa- 
rável exceílo, com que os Gigantes fe adiantaõ no paíTo a todos os outros 
homens, e as águias fe elevaõ no voo fobre todas as outras aves. 

Porque aquella mefma mifteriofa Ordem da Providencia, que 
rezervou efta admirável producçaõ (como elle mefmo judiciofamente 
pondera) para o feliciíTimo Reinado de hum Monarcha taõ fabio, como 



poderofo, que no Paraizo de Portugal tem feito cultivar, florecer, e 
frutificar mais que nunca a arvore da fciencia; deílinou também para 
a mefma dourada idade o agudiíTimo engenho, e os infatigáveis eíludos 
de hum efcritor taõ applicado, taõ comprehenfivo, e taõ fecundo, que 
dá logo por fruto naõ menos, que huma inteira livraria, e taõ confumada, 
que em cada huma das fuás numerofas folhas fe eílá logo conhecendo, 
que todas faõ da arvore da fciencia : a qual naõ he delineada para outro 
fim, mais, que para hum nobre, e immortal domicilio, em que vivaõ 
novamente todos os Authores Portuguezes izentos já das pençoens da 
mortalidade para hum eterno, e fideliíTimo depofito dos feus nomes, 
dos feus naf cimentos, das fuás pátrias, das fuás acçoens, das fuás vidas, 
e até das fuás fepulturas ; e finalmente para hum rico, e univerfal thezouro 
dos eíludos, das obras, dos manufcriptos, e athe das efpeculaçoens de 
todos os engenhos, que na pátria tem florecido defde o primeiro Século 
da Igreja, e ílorecem ainda agora; e por iíTo verdadeiramente thezouro 
athequi ef condido, mas já patente, e defcuberto, em que fe manifeíla 
tudo quanto na republica das letras tem havido, e há preciofo aíTim novo, 
como antigo; fendo efta excellente obra como huma flamante tocha, 
que dà grande luz aos eítudiofos em todas as artes, em todas as faculdades, 
em todas as fciencias para faberem quaes saõ os primeiros Oráculos, 
que devem confultar entre os feus mais infignes, e mais famigerados 
profeílores. 

Inaííequivel parecia eíle empenho à vida, às forças, e à applica- 
çaõ de hum único, inda que fingularifQmo efcritor; mas nem eíle argu- 
mento podia achar mayor Atlante para fuílentar, e para revolver a immenfa 
gravidade do feu pezo; nem eíle efcritor podia achar matéria mais ade- 
ciaudian lib. 3. de quada à a6lividade taõ fina, como forte do feu engenho, fe naõ fó 
na de hum argumento que parecia inaíTequivel, e por iílo a fua vigilante, 
incanfavel, e exadliíTima averiguação o confegue taõ acertadamente, que 
poíTo dizer, que nas obras deíle género, naõ fó efcurece aos antigos, 
mas também eíleriliza aos vindouros; como já diíTe Claudiano a outro 
intento. 

Ohjcurat veteres, ohjcurabitque futuros, 

O que faz com eflilo taõ admirável, que hé breve com clareza, 
claro com profundidade, profundo com elevação; he eloquente fem re- 
dundância, fubílanciofo fem eílerilidade, difcreto fem affeélaçaõ, e final- 
mente taõ copiofo, que fendo as matérias, de que trata, taõ femelhan- 
tes, e omogeneas, como faõ nafcimentos, pátrias, eíludos, compofi- 
çoens, óbitos, e jazigos de tantos Varoens infignes, elle as defcreve 
com differentes, naturaes, e fempre novas expreíToens; como peritif- 
fimo artífice, que do mefmo ouro, e dos mefmos diamantes fabe formar 
muitas, e diverfiffimas joyas, que primorofamente lavradas na OíFi- 
cina deíla grande Bibliotheca ferviraõ de novo, e luzidifimo ornamento 



laud. Stílic. 



là Coroa Pottugueasa; porque a noíTa Lufitania fcmpre temida por Palias 
hcllicofa nas campanhas, fe verá igualmente reverenciada por Minerva 
l:il)ia nas cfcolas; devendo-lhe affim a pátria neíla obra aquella primazia, 
que a antiguidade deu jà às letras na competência das armas, quando 
póz a coroa naõ nas MaÕs bellicofas de Palias, mas na Qbcça fabia de 
Minerva. 

E fe os Romanos collocaraÕ as fuás primeiras Bibliothecas ou nos vitift- Lêxu. m. 
templos, como a de Augufto no de Apolo, ou nos palácios como a 'j^^'^!^'„^ 
Tiberiana no de Tibério, reconhecendo, que a eíles illuílres depoíltos 
da Sabedoria naõ fe lhe devia menor cuftodia, que ou a tutela dos Deofes, 
ou a protecção dos Príncipes: a efta, que fendo o primeiro, e gloriofo 
monumento de todos os engenhos da pátria, nada contem oppofto à 
pureza da nofla fé, aos dogmas da Igreja, ou aos coftumes Christaõs, 
uites muitos, e admiráveis exemplares, que igualmente enfmaõ as letras, 
IS virtudes, claro eftá, que melhor do que ás outras lhe hé devida jufta- 
incntc huma, c outra foberana protecção: a do Príncipe, para que entre 
.1 collecçaõ dos feleftiffimos livros, que fe gloreaõ de terem por domi- 
cilio ao feu auguíto palácio, fe digne de admittir, e de ennobrecer a 
huma obra, que também he collecçaõ de Sábios feus VaíTallos; os quaes 
afpiraõ á honra de huma taõ alta cuílodia, porque à Real protecção de 
huma Mageílade Portugueza tem mais direito huma Bibliotheca, que 
toda he Lufitana. A de Deos, porque como elle mefmo affirma que hé Ego fum Aipba, 
Alfa, e Omega, principio, e fim de tudo, precizo he implorar a fua pode- '^ ^'"'i"» P""^ 
roza maõ, para que a hum Author, que neíle primeiro Tomo lhe dà jidt dominus 
principio pela primeira letra do alfabeto, fe digne de confervar a fua -d?/». 
importante vida, até que na ultima lhe chegue a pór o fim; para que ^' • ^- ^' 
affim como efte hade fer a melhor coroa de toda a obra, feja também 
I toda efta utiliíTima, e excellentiíTima obra a melhor coroa de feu Author. 
Lisboa Occidental Convento do Santiffimo Sacramento da Ordem de 
S. Paulo primeiro Eremita 12. de Novembro de 1739. 



Fr. Agojlinho de S, Boaventura, 



DO PAGO 

> 

CENSURA DO VISCONDE DA ASSECA, DO CONSELHO DE 
Sua Magejlade, e Académico do numero da Academia Real, 



SENHOR. 



ABibliotheca Luíitana, que compoz, e pretende imprimir o Abbade Dio- 
go Barbofa Machado, me parece naõ fomente dignifíima de que V. Ma- 
geílade lhe conceda a licença que pede, mas que paíTando da honra da 
permiíTaõ para a foberania do preceito lhe ordene por credito, e por be- 
neficio do Reyno que a fua incanfavel applicaçaõ taõ nobremente reveítida de 
decoro, e elegância, de vozes, de propriedade, e pureza de termos, de profun- 
didade, e elevação de conceitos fe empregue na cuidadofa continuação deíla obra, 
e os Efcritores, a quem elle livrou da efcandalofa injuria do efquecimento 
para o immortal applaufo da memoria, animados na gloriofa fadiga dos feus 
eíludos, e na eloquente armonia da fua difcriçaõ feraõ ecos da fama, que merece, 
ou fallando por todos fera o Author o elogio de íi mefmo. V. Mageílade man- 
dará o que for fervido. Lisboa Occidental 7. de Dezembro de 1739. 



Vijconde de Ajjeca. 



CARTA 

DO 
ILLUSTRISSIMO, E EXCELLENTISSIMO SENHOR 

CONDE DO VIMIOSO. 



PAra iu me animar a fa!(er hum breve elogio à infigne Bibliotheca que v. m, 
compõem de Autores Portugtiei^es me vejo cercado de tantas obrigaçoens, como 
difficuldades. 

As obrigaçoens nacem da grandev^a da matéria, do primor da obra, e do mere- 
cimento do Autor; a matéria copiov^a, e uttl, a obra difere ta, e eloquente, o Autor amigo, 
9 Mejlre : logo naõ pode haver mayores obrigaçoens que pertender Jer juflo, e agradecido. 

As difficuldades vem a Jer louvar a vajlidaõ das noticias quem naõ tem Jciencia, 
a magejlade do efiilo quem naõ tem elegância, a agudeja dos penf amentos quem naÕ tem 
dijcriçaõ; louvar a pejjoa a quem Je profejja amifade, e de quem Je recebeo a doutrina 
hm animo parcial, e jui:(p apaixonado : logo naõ pode haver mayores difficuldades que 
procurar acertos fem meyos, e vencer paixoens com dejculpa. 

Porém como as obrigaçoens ainda pe^aõ mais que as difficuldades, venço ejlas, 
e digo que v, m. emprendeo huma obra que inclue todos os ejiados, que abraça todas as 
Jerarquias, que comprehende todas as profijfoens, e por ijjo todas as virtudes que nellas 
Je praticaõ, 

V, Aí. ejcreve de Príncipes, e nelles, da jujiiça, da clemência, da liberalidade; 
ejcreve de Generaes, e nelles, do valor, da prudência, da dijciplina : ejcreve de Magijlra- 
dos, e nelles, da politica, da reãidaõ, da incorruptibilidade : ejcreve de Prelados, e nelles, 
da vigilância, da caridade, do :(elo; ejcreve de Keligiojos, e nelles, da pobreza, da obediên- 
cia, da modejlia, ejcreve de homens illujires, e nelles, daquelles dotes que os Ji:^eraõ mais 
egrégios: ejcreve de homens humildes, e nelles, daquellas acçoens que os Jouberaõ Ja;(er 
illujires. 

Naõ Jô fica devedora à penna de v. m. a republica das virtudes, também lhe fica 
obrigada a das f ciências, os myflerios da Theologia, as demojiraçoens da Mathematica, 
os fijiemas da Filofofia, as regras da Jurif prudência, os aforijmos da Medicina, as figuras 
da Oratória, as flores da Poefia, as leys da Hijloria, e todas as mais artes em que v, m, 
dijcorre dos Autores que rejere. 

V. m. une em Ji Jeli^^mente aquellas circunjlancias, que a muitos Eícritores 
acreditarão divididas, porque v. m. he claro, e a clare:^a Jet(^ que muitas ve:(es Je goílajje 
do que era humilde; he Jutil, e a Jubtile^^a Je^ que muitas ve^es Je perdoajfe o que era 
ejcuro; he elegante, e a elegância Je^ que muitas ve^es Je ejiimafje o que era vulgar: he 
ameno, e a amenidade /<?^ que muitas ve^es Je approvafje o que era Jutil. 

V. m. naõ Je contentou com o louvor de ejcolher matéria illudre, de ufar de expli- 
cação nobre, de conceber conceitos elevados, qui:^ o Jingular merecimento de Jer o primeiro 



que em Portugal fi:(ejje compojiçaõ dejle género, O bom ejlilo imitaje; a dijcriçaõ pulida 
igualaje; a Jciencia profunda communicaje; jó da gloria da prmai(ia Je naõ pôde parti- 
cipar', Jó ella não Jofre imitação, naõ admite igualdade, naõ conjente companhia, e efta 
he a gloria que v, m, conjegue apejar da modejlia própria, e da enveja alheya. 

Outra ventagem, ou privilegio tem v. m, Jobre os outros EJcritores, que he haver 
de Jav^er Jem vaidade, antes por obrigação, panegíricos àjua me] ma familia : pois quando 
V, m, chegar a letra I, do/eu doutijjimo Alfabeto, hade louvar precijamente os admiráveis 
ejcritos de Jeus irmãos o Senhor D, ]o!(é Barbo/a, e o Senhor Doutor Ignacio Barboja 
taõ capat(es ambos de autorijar, como eraõ de compor a mejma Bibliotheca. 

V, m, a ejcreve no idioma Vortuguer^j fendo igualmente infigne, e podendo ficar 
mais conhecido, e celebrado no idioma hatino. Iflo he fer amante, e :(elofo da Pátria, 
ceder em obfequio delia até da própria fama, eftimar mais a lingoa particular do feu 
paif^, que a univerfal do mundo; preferir as poucas acclamaçoens dos f eus naturaes às 
muitas dos eflrangeiros , antepor a utilidade da fua Naçaõ à de todas as gentes. 

Mas porque he tempo de cumprir a promejja que fi^ logo de fer breve, concluo 
div^endo que v. m, por meyo defla incomparável obra fa^ beneficios á Pátria de quem 
todos os recebem; que he generofo com os mefmos Soberanos de quem todos dependem; 
que louva os paffados fem ter amit^ade, nem ef per ar premio, que honra os prefentes fem 
dever obrigação, nem fat^er lifonja, que ferve aos futuros fem ter conhecimento, nem temer 
inveja, e que merecia ter por panegiriflas do feu engenho quantos tem por ajjumpto do 
feu trabalho. Guarde Deos a v. m , muitos annos 2. de Abril de 1741. 



Difcipulo, e mayor Servidor, e venerador de v. m. 

Conde de Vimiozo. 
Senhor Abbade Diogo Barbofa Machado. 



II 



IN LAU D EM 

DOCTISSIMI VIRI 

DIDACI BARBOSA MACHADO 

EPIGRAMMA. 



O 



MNIA noftrorum Scriptorum fcripta fimulquc 
Illorum laudes fcriptor et ipfe refcrs. 

Sic decus accipics quod das, doctufque docebis 
Scriberc eum de te qui tua fcripta leget. 

Comes Vtmiojenfts, 
AO SENHOR 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

Abbade de Sever ejcrevendo a Bibliotheca dos Autores Vortugm^^es. 

SONETO. 

0« tu que já dos nacionaes Autores 
Hum corpo illuftre aos fabios offereces; 
E que dos mefmos fabios naõ mereces 
Menos nobres invejas, que louvores. 

O' tu que atributos tens mayores 
Do que eíTes Varoens doutos, que engrandeces; 
E que chamarte devem reconheces 
Sem lifonja Efcritor dos Efcritores. 

Efcreve no Alfabeto, que admiramos, 
O teu nome, fe naõ, fica imperfeito, 
Faltando-lhe hum Autor, que celebramos. 

Naõ ceda ao mais modeílo o mais perfeito; 
Nem confintas já mais que em ti vejamos 
Ser caufa huma virtude de hum defeito. 

Do Conde do Vimiojo, 



ELOGIO 

DA 

BIBLIOTHECA LUSITANA, 

E DO SEU AUTOR 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

Académico da Academia Real, 



SONETO. 



DO ILLUSTRIS. E EXCELLENTIS. SENHOR. 

D. FRANCISCO XAVIER DE MENEZES CONDE 

Da Ericeira Conjelheiro de Guerra, Mejire de Campo General, e Cenjor 

da Academia KeaL 



DE ti fe queixaõ Delio os Efcritores 
De que hoje immortalizas as memorias; 
Porque as folhas lhe roubas das victorias 
Dos livros, e dos Louros vencedores. 

Ainda que em Elogios fuperiores 
Deixas as claras obras mais notórias. 
Nas que efcreveíle, lhe eclipfaíle as glorias 
Dos claros, e AppoUineos refplendores. 

Receaõ que fundando nas ruinas 
O edifício, em que agora os ennobreces 
Sò a Ti próprio a fama te deítinas ; 

Com enganofo aplauzo os defvaneces 
Pois no que efcreves, hoje os illuminas. 
Porém no que efcreveíle, os efcureces. 



AO M. R. SENHOR 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

SAHINDO A* LUZ COM A EXCELLENTE 

BIBLIOTHECA 

Dos Efcritores Portugueses 
OFFERECE 

FRANCISCO DE PINA, E DE MELLO 

ESTE 



J 



SONETO. 



A* rompe o tenebrofo monumento. 
Da Lufa Encyclopedia o ardor Sagrado; 
E a naõ fer do efplendor taõ amparado. 
Perdera no defcuido o feu alento : 



Mas eíle renacido luzimento 
Vos eftava (oh Barbofa) deílinado ; 
Pois o tem voíTo engenho refgatado 
Da torpe fervidaõ do efquecimento. 

Sobe com tanto impulfo a grande chama. 
Na Portugueza gloria, à luz ferena, ' 

Que por todo o Univerfo fe derrama : 

E talvez no louvor, que fe lhe ordena. 
Menos deva ao clarim da eterna fama. 
Que ao eílrondo immortal da voUa penna. 



A* SINGULAR, E ERUDITA 

BIBLIOTHECA 

Dos Authores Vortugue^^es, que compo:^ o Reverendo Senhor 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

Abbade de Sever, e Académico da Academia Real. 
ROMANCE HENDECASYLABO. 

DAR huma Livraria inteira ao Prelo 
Excede a Esfera do talento, e da arte, 
Sò voíTa immenfa erudição fizera 
Ser taõ árduo impoíTivel praticável. 

A os Nacionaes Autores concedeftes 
O honrofo indulto de fó nella entrarem. 
Cuja prerogativa lhes imprime 
Para a veneração mayor Caracter. 

Naõ fe emprega em menos nobre aflumpto 
A illuílre penna de Efcritor taõ grande. 
Sem que a gloria da Pátria foíTe o objecto. 
Que a attençaõ dos eítudos lhe levaíTe. 

A's outras Bibliothecas authorizam 
Os livros, que em íi incluem, íingulares, 
Sò única efta fabia Bibliotheca 
A os Livros lhes concede authoridades. 

Se houve já dilatadas Livrarias, 
Que tomos agregando innumeraveis. 
Na extenfaõ defmedida da grandefa 
Fundaram o motivo da vaidade : 

Oh como inclue em fi hum fó volume 
Infigne Bibliotheca mais notável! 
Pois para a jufta eíHmaçaõ do preço 
Pode mais, que a extenfaõ, a qualidade. 

Inclufos em hum tomo tantos livros. 
Mais grandeza confeguem do que dantes. 
Pois eílendem a fama, e no conceito. 
Que delles fe formava, já naõ cabem. 



Duplicado cfplcndor moftram as Obras 
Ncfta fcgunda luz, a que hoje fahem; 
Que a douta penna, quando as manifcíla. 
Lhes faz mais decorofa a Mageíbule. 

Inda aqucllcs Authores, cujas obras 
Naõ lograrão, que a Fama as approvaíTc, 
Com a vofla memoria ennobrecidos, 
Seu nome fc fará mais refpcitavel. 

Alguns, que fepultava o cfquccimento, 
Devem à indagação do voflb exame 
Que de efcuras noticias, quafi extintas, 
Renaçaõ para fama perdurável. 

Se a quem patentes faz as Livrarias, 
Deve o publico grande utilidade, 
Quanto deverá mais a quem zelofo 
Naõ fó as faz patentes, mas portáveis? 

Em periodos doutos repartiftes 
Aos fabios livros commodos lugares. 
Quem já vio Livraria, onde fe admiraõ 
Mais difcretas, que os livros, as Eftantes? 

Com alto aíTombro agora os livros ficaõ 
Na formal ordem com que os collocaftes. 
Se às injurias do Tempo refpectivos. 
Aos aíTaltos da Enveja infuperaveis. 

Vendo o excelfo lugar em que eílaõ poftos, 
A mais foberba Critica fe abate; 
Pois precifando reverentes cultos 
Lograõ mais que refpeito immunidades. 

Quando eternos fazeis tantos Authores, 
Voflb nome confegue eternizar-fe. 
Que com pródiga ufura generofa 
Fica com toda a fama, que reparte. 



De Joaõ Manoel de Mello. 



PR^STANTISSIMO VIRO, 

DIDACO BARBOSA MACHADO, 

Domino fuo maxime colendo, 

BIBLIOTHECAM 

L ufi tanam 
ÁUREO CALAMO SCRIBENTI 



ODE 



QUOS diu mutam chelyn entheato 
Carminum fuadus rapis igne in orfus 
Phaebe, & oblitum fidium immorari 
Plauíibus unguem? 
Quovocas? Sacri licet amnis undae 
Effluant, nullus mihi fe bivertex 
Collis indulget, properatve docta 
Turba Sororum. 
Anne Barbofam, decus omne gentis 
Lyíiae, quanvis Helicon pateret 
Se mihi totum, mentis canendo 

Laudibus ornem? 
Remige ignotum pelagum volatu 
Trano, plumanti peto vel natatu 
Doedalus Coeli novus, atque Ariont 

^quoris audax. 
Ille quod tandem retulit fepulchro 
Nunc viros doctos, pariterque in aevum 
Tradidit longum, memorique fculpíit, 

Nomina Coelo: 
Quos diu tempus, velut unda labens, 
Obruit, diris reparat ruinis, 
Donat et vita meliore, numquam 

Quam teret aetas ; 
Sive quod tantum pátrias decorem 
Auget, et nullos cadet hic per annos, 
Hinc feges magni celebranda plectrum 

Opprimet Orphei, 



Tollit Heroas, Superis rcmifcct, 
Erigit quotquot ílmulachra Lufis, 
Tot fibi mirum ílatuit pcrcnni 

JErc columnas. 
Hunc Dcum poflcnt homincs fatcri, 
More íi Majá gcniti, repoftos 
Morte facundus rcvocat, bcatis 

Collocat aílris. 
Quippc non folum ftudct acmulari 
Tullium, ornata fupcrat loquclla: 
Principem pofthac potiore quifquis 

Jure vocabit. 
Par fibi conftat, fimilifque femper 
Difpares quamquam ferat ore fenfus, 
Nectaris pollens, Charitumquae totâ 

Fertilis Hyblâ. 
Ergo felici Satã Marte, lauro 
Nexa crinales obeunte Cirrhos, 
I triumphali, trabeata palmis 
Gloria Curru. 
Tuque dum procedis, Jo Triumphe 
Dic precor, dic rurfus, Jo Triumphe, 
Sicque Barbofae fatis apta claris 
Plaude triumphis. 
Illius nomen, íimul atque laudes 
Fama per latas fpatiata terras 
Evehat, quá foi Oriens, Cadenfque 
Frsena retorquet. 
Quaque non notos populos, & urbes 
Damnat asternis Hélice pruinis, 
Quaque ferventes cúmulos arenae 

Diífipat Auíler. 
Ante fed crebro pede denatata 
Unda natalem fcatebram revifet, 
Ipfa, Barbofa, ore quam loquaci 

Cuncta pererret. 
Hsec tamen Centum famulata linguis 
Det tibi plaufum modo docta, Mufa 
Noílra dum certe nequit altiores 
Promere Cantus. 



Thomas Cajetanus de Bem C. R. 



AUCTORIS 

MIRAM ELOQUENTIM VIM LAUDARE CONATUR 

HOC EPIGRAMMATE. 



T 



U nunc Romani Majeftas prima Senatus, 

Cu jus & eloquii fulmen ab ore tonat: 
Tu, licet invitus, Barbofae cede diferto ; 

Vinceris ingenio, vinceris arte íimul. 
Ergo file, & poílhac te muta íilentia volvant; 

Aut mirare tacens quaeque legenda dedit. 
Aíl non; rumpe, precor vocem; namque alter ab illo 

Cum íis, tu folum dicere digna potes. 



Thomas Cajetanus de Bem C. R. 



eruditíssimo viro 

DIDACO BARBOSA MACHADO 

Bihliotheca Lufitana 
PRIMUM VOLUMEN JÚRIS PUBLIQ FAOENTI. 

ELOGI U M. 



Siftc Lector. 

Authori plaude, 

Qui omnia literarum gcncra 

Una comprehendit Bibliothccâ. 

Auctori plaude, 

Qui calamo, 

Veluti Mercurii Virga, 

Luíitanos Scriptores 

Compellit furgere 

Fatali Oblivionis è tumulo. 

Auctori plaude. 

Opus à multis tentatum 

lUe unus 

Ad umbilicum deduxit. 

Félix Luíitania 

Tali prole, 

Tam grata fibi, quam omnibus. 

Auctori plaude, 

Optatam attigit metam, 

Ut illum ducem fequantur, 

Qui fequentur, 

Cúm facile íit inventis addere. 



O. S, M. D. D. P. 



AO SENHOR 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

Abbade de Sever , efcrevendo 

A 

BIBLIOTHECA LUSITANA, 

ROMANCE. 



L 



I. 



USITANO Plutarco, que eternizas 
De tanto Efcritor Luzo altas memorias. 
Na tinta, com que efcreves, lhe preparas 
O balfamo mais puro para as obras. 



11. 



Já com elle da Parca os duros golpes 

Naõ fentiraõ; pois vejo que os informa 
Novo alento immortal, que eíles prodígios 
Naceraõ deíTas vozes poderofas. 

III. 

Nos conceitos, que formas elevados. 

Que a Intelligencia te fublimas provas ; 
Mas nas vidas, que infundes eloquente. 
Parece que a Deidade te remontas. 

IV. 

Da Lybitina injuílos os triunfos 

No vafto mar do teu engenho aíFogas : 
Naõ fulminara os golpes, fe entendera. 
Que tu lhe havias de eclipfar as glorias. 

V. 

Sabia, e gloriofamente caíHgadas 

Deixas de Cloto as barbaras afrontas ; 

Porém na qualidade do caíHgo 

Lá defcobre razoens para a vangloria. 



VERSIO LATINA 



L 



I. 

USIADUAI Plutarche, vagtim qui doãaper Orbem 
Mtemas monumenta virum, queis hj/ta florei, 
Yacundum calamo quem reddit clara nigredo 
Baljama componis Lufts meliora lihellis, 

11. 



Inflixit qucB Parca trucí commota jurore 

Vulnera contemnent, illos nam Jpiritus aura 
Immortalis agit: novajunt miracula vocum, 
Ilumina nam pojjunt rurjus producere vita. 

m. 

Subtili dum mente volas, ut 'Lifia laudes 
S cripta, probas eivem clari te viver e cceli: 
Attamen altijono cum reddis flumine vitam, 
Eveheris, credo, dotes ad Numinis altas, 

IV. 

Barbara quot fixit pracox hibitina trophaa 
Eloquio Jubmerja tuo petiere projundum : 
Non iãus geminarei atrox , fi lumina nojjet 
ímpia te denjis obducere pojje tenébris, 

V. 

Gloria quanta tibi, páriter Japientia quanta 
Cum pr obra caftigas Cloto crude lia dirá I 
Dum tamen expendit panam, quâplexa recedit, 
Non dolet, ajl ipjo tormento elatajuperbit. 



VI. 

Vé que he nobre, porque he do teu difcurfo. 
Daqui para a jaâancia aflumpto toma: 
Que íingular juizo, pois ainda 
Quando caftiga, o feu aggravo he honra! 

VIL 

Mas fe afíim honras, quando a Lyíia vingas. 
Que mais hafde fazer quando perdoas? 
Raro poder do teu entendimento 
Que até as próprias paixoens faz meritórias ! 

VIIL 

Na juftiça da guerra, que lhe fazes. 
Antes de combater já te coroas : 
E fó de acçaõ taõ grande os penfamentos 
Baftavaõ para annuncio das vidorias. 

IX. 

Ambos vibrais as armas neíla empreza. 
Porém tu generofo, ella envejoza, 
Ella arraftrada da paixaõ infame. 
Tu perfuadido da virtude Heróica. 

X. 

A ti a gloria da Naçaõ te obriga, 
A ella o empenho de a abater provoca : 
Ella efgrime a robuíla fouce horrenda. 
Tu a penna fublime, illuftre, douta. 

XI. 

Ella a força põem toda nos feus braços. 
Tu poens no teu juizo toda a força; 
Faltaõ-lhe caufas para o eílrago a eUa, 
A ti para o caftigo, e triunfo fobraõ. 

XIL 

Vio a Parca de Tullios, e de Homeros 
Luíitania taõ fértil productora. 
Que temeo, que por elles efqueceíTe 
A Deidade de Delfos, e Dodona. 



VI. 

Bffe tua cognojcit opus, quia nobile, mentis, 
Arripit hinc anjamfajlus ut turgeat aftu: 
Quijnam erit, ingenium qui non adftdera tollat, 
Cum vel cafiigas, honor eji injuria clarus, 

vn. 

Sedft tantus honos quando te vindice gaudet 

Lyfta, quid fácies ctm panam, irajque remi t tas? 
Vis quanta ingenii; menti ftat quanta poteftas 
Qua motus animi grata mercede Jecundat ! 

vni. 

Jujiitiâ, quâ hella moves, quâfervidus ardes 

Nondum aciespugnant,jam te tua J ama coronat, 
Aude igitur, nam animo quagrandia concipis auja, 
Sufficiunt ut lata tibi viãoria plaudat . 

IX. 

Fralia tentatis, pugnasqtta cietis uterque, 

Tetamen urget honos, livore at roditur illa; 
Ília animo trahitur, maculat quem dedecus atrox, 
Tujolum heroajuajus virtutis amore, 

X. 

Te L^yjia cogit Jublimis gloria gentis, 

Perderejed hufos Jlimulat furor impius illam: 

Illius horrendam verfatfera dexteraf alcem, 

Tu calamum egregium, doãum, pariterque peritum, 

XI. 

Viribus illa fuis fperat fuperare, triumphi 
Tufpem mente tua meliorijure reponis: 
Olli caufa deefi ut firage fuperbiat , aquam 
Ut fumas panam, et vincas, tibi major abundat. 

XII. 

ímpia mors vidit Cicerones, vidit Homeros 
Fertilitate Solum mira producere Lufum; 
Excidere afl animis timuit flupefaãa dolore 
Numina, Dodonâ, Delpbis qua orada tenebant. 



XIII. 

Cega logo, tirana, e inexorável 

Dos Campos de Minerva os Cedros corta : 
Que efperaõ da eloquência as outras plantas. 
Se os Cedros em Cipreíles fe transformaõ? 

XIV. 

Já no coro das Mufas Luíitanas 

Melpomene Cançoens triíles entoa; 
Pois a que era de Apollo Monarchia, 
He da morte funeílo império agora. 

XV. 

Murchoufe o Pindo ; as Fontes correm turvas. 
Ou naõ correm: Cadencias já naõ formão 
As aves; tudo he horror; fó geme ao longe 
O paíTaro nocturno em vozes roucas. 

XVI. 

O golpe fente a Luíitania, e a falta 

Do caíligo a eíle infulto o mal lhe dobra : 
Vingarfe quer; naõ quer lhe leya o mundo 
Exemplos de fraqueza nas Hiílorias. 

XVII. 

Quer que a vingança, porque a Fama viva. 
Se veja executada fem demora: 
Que quem da Fama dorme nos aggravos. 
Pôde o brio achar morto quando acorda. 

XVIII. 

Para punirlhe a injuria a Providencia 
Refervou tua penna gloriofa : 
Mas penna, que de Apollo, e de Mercúrio 
Ser me parece, no que brilha, e obra. 

XIX. 

Só do poder do teu profundo engenho 
Fiou a Esfera acçaõ taõ prodigioza; 
Que de taõ grande Alcides fó emprezas. 
Com que o Ceo naõ concorre, faõ impróprias. 



XIII. 

Barbara, ccsca, furem, non exorabilis ergo 

Excin^it Cedros, jrondentia dona, Minerva, 

Arboribus doílis quidnam Jperare Ucebit, 

Si qua Cedrus erat,jam nunc ejl atra CupreJJus? 

XIV. 

Cajlalidum hyftce reticet vox illajuavis, 

Melpomene trijlisjam trifiia carmina cantat; 
Namfuerat quondam qua dulcis Apollinis Aula, 
Nunc eji immitis caligans Kegiafati, 

XV. 

Langui t en Vindus, fontes Jua flumina turbant, 
Vel laticesfiagnant, avium chorus ille canorus í 
Mthera non mulcet, tenet omnia frigidus horror, 
Et fonitu rauco folum gemit atra volucris, 

XVI. 

Vulneris impatiens queritur gens Lufa cruenti, 
Ultiojufta deefi; geminatque hinc illa dolorem, 
Sumere vult panam, non vult quod perlegat Orbis 
Hifloriis tranfmiffa fuis exempla timoris, 

XVII. 

Optat vindiciam, pojjit quâ vivere fama, 

Sed cupit extempló sceleris quod pana fequatur : 
Offenfus fama nam qui dat membra quieti, 
Defunãum, inveniet quando evigilabit, honorem. 

XVIII. 

Provida cura tamen calos, terrafque gubernans 
Ília tuum calamum pompa fervavit ovanti, 
Oui calamus ! Vel Mercurii, vel Apollinis efje 
Crediderim; tanto fplendet fie illa nitorel 

XIX. 

Ingenio vis illa tuo conter mina calo 

Credidit immenfum tantum modo ferre laborem : 
Nam que aliena tibi tantum f as credere gefla 
Clara Jovis Soboles, queis non arridet Olympus. 



XX. 

Mas oh pafmo ! Que mar de refplandores 
Da Lufitania o campo innunda, e doura? 
Naõ fey fe he terra, ou Ceo? Sey que o azul Globo 
Quando quer brilhar mais, luzes lhe rouba. 

XXI. 

Producçaõ rara da tua penna infigne 
EíTa brilhante innundaçaõ fe moilra : 
E até as lingoas de fogo com que applaude 
A teus triunfos me parecem tochas. 

XXII. 

Para o jullo pregaõ dos teus acertos 

Eraõ do veloz Monftro as vozes poucas : 

A ajudar obfequiofa eíla armonia 

Naõ quiz faltar a terra : abrio-fe em bocas. 

XXIII. 

Oh que Metamorfofe foberana 

Teus acentos fizeraõ neíTas Covas I 
Já faõ vivas os ays, e em elogios 
Os Epitáfios fúnebres fe trocaõ. ' 

XXIV. 

Palmas as cinzas faõ, louro os Cipreíles, 
Aras as pedras, refplandor as fombras. 
As mortalhas trofeos. Templos as urnas. 
Imagens vivas, as que eílavaõ mortas. 

XXV. 

Reílaura-fe de Apollo o antigo Império, 
Cantaõ flores, riem Aves, brilhaõ ondas, 
Refplandece, triunfa, reyna, vive 
O jubilo, a eloquência, a uniaõ, concórdia 

XXVI. 

Vive tudo ; e fó morre efla que piza 

Taõ foberba os Palácios, como as choças; 
Mata-a a inveja, que aprenderão ambas 
Inftrucçoês de matar na mefma efcoUa. 



XX. 

Atftuporl JEtberei Jplendoris copia quanta 
Luftadum expatiatur agros, circunda t et aurol 
Terra eft, an Calum? No/co quod carulus axis 
Lumina/ubducit majori ut luce corufcet. 

XXI. 

Hacpraclara tui calami produãio fulget 

Alluvies radians, umbras quafiernit opacas; 
Etplaudens et iam vivax tibijlamma, triumphos 
Ut celebret fejliva tuos,funalia credo, 

XXII. 

Ut meritis condigna tuispraconia dicat 
Indiget et verbis monjlrum velocius Euro : 
Objequium prajlare volens, etfundere cantus 
Deficit haud tellus; muitos patefecit hiatus, 

XXIII. 

Oh ! quam magnarum certé miracula rerum 

Verba tua effojfis jàm Junt operata cavernis! 
Omfuerant quondam Jujpiria triftia, pcBan 
Nuncjunt; ó' laudes, fignatum carmine Jaxum, 

XXIV. 

Palma Junt cineres, laurusfit majla CupreJJus, 
Ara Junt lapides, ardent Julgoribus umbra, 
Sunt delubra urna, Junt lintea, clara trophaa. 
Mor tua qua Juerat , Jpirans modo vivit imago, 

XXV. 

Antiquum novat imperium Jacundus Apollo, 

Fios modulatur, aves rident, undaque rejulgent, 
Collucet, regnat, vincit, meliujque triumphat 
Gaudium, (& eloquium, dulcis concórdia, Jadus, 

XXVI. 

Omnia deducunt vitam, tantum occidit illa, 
Ouajajloja cajas, <& celjapalatia calcat, 
Invidia pugione cadit, namque utraque dirás 
Occidendi artes una didicere palejlra. 



XXVII. 

Defpedaça-fe, grita, brama, efcuma 
Implacável, cruel, e venenoza; 
E fe guerra fez grande à Lufitania, 
Agora a tem mayor configo própria. 

XXVIII. 

Por boca, por ouvidos, e por olhos 
Mongibellos refpira, Etnas arroja: 
E dos olhos, da boca, e dos ouvidos 
Parece todo o inferno indigna Copia. 

XXIX. 

Aonde eílá, 0'Morte, o teu triunfo? 

Naõ fabes de affrontada onde te efcondas : 
Oh que felice foras, fe puderas 
Reduzir a cadáver a vergonha? 

XXX. 

Movefte contra as Arvores da fciencia 
As tuas fatáes Armas (acçaõ louca !) 
De que fervio o eílrago, fe o reítaura 
Quem arvores da vida as deixa todas? 

XXXI. 

Naõ fabes, que eílas plantas daõ as flores. 
Com que a filha de Juppiter fe touca? 
E que nas fuás folhas por mais ricas 
Enthezourava as pérolas a Aurora? 

XXXII. 

Bailava eíta rezaõ para o refpeito; 

Porem tu quando foíle obfequiofa? 
Se o infulto, o efcandalo, e a defordem 
Saõ as Imagens, que o teu templo adornaõ. 

XXXIII. 

Horrendo Sacrilégio, o arruinares 

Do Sacro monte a gala mais viíloza! 
Taõ feyo foy, que inda a CaítaUa, dizem. 
Murmura deUa acçaõ com lingoa folta. 



I 



xxvn. 

Se lacerai, dat vocês, fpumat, & infremit ore, 
Implacatajurit, lethalia toxica f pirai : 
llt ft Lujiadas contra fera hella paravit , 
Nunc atrox majora parat certaminajecum, 

xxvin. 

Osjadum, arreãaqm aures, et lumina torva, 

Evomit ardentes flammas, & projicit áithnas: 
Si tamen os videas, videas fi lumina, <& aures 
Carceris umbrarum metuenda videtur imago, 

XXIX. 

Nunc immitis ubi tua mors viãoria? Ne/cis 
Opprobriis affeãa locum, quo te abdere pojfis. 
Oh nimiiimjelix, pojjes ft Java pudorem 
Reddere, quo premeris,fadum Libitina cadáver? 

XXX. 

Tu bellum arboribus, queis clara Jcientia fulget 
Effera movijii fatale { piacula Jiulta ! ) 
ímpia quidftrages tibiprofuit? Innovat omne, 
Ver ter e qui nojcit ligna in vitalia plantas, 

XXXI. 

Ignoras illas redolentes promere flores, 

Queis caput exornat doãum Jovis inclyta gnata? 
In joliijque Juis pretii majoris Eoas 
Tithoni conjux gemmas rubicunda recludit? 

XXXII. 

Hacjatis una, reor,fuerat tibi cauja decori; 

Objequium at quando Jolita es prajiare Juperba? 
Si furor, (ò' rabies, audácia, fcandala trifie 
Templum fada tuum qua funt fimulacra coronant? 

XXXIII. 

Horrendum facinus Sacri cum evertere montis 
Invidia fiimulis aãa ornament a parafli; 
Tam deforme fuit, quod adhuc Parnafia lympha 
Hoc fcelus infandum fluido fermone refellit. 



XXXIV. 

Queres viva a ignorância? Oh que fe feguem 
ConTequencias daqui perniciozas ; 
Quem naõ hà de fer nefcio, fe fe obferva 
Que da morte izençoens o nefcio logra? 

XXXV. 

Fatalidade grande, que comtigo 

Menos as luzes, do que as fombras poílaõl 
Porem fe afíim naõ fora, como havia 
Brilhar hoje a eloquência vitoriofa? 

XXXVI. 

Mas oh ! que a venda, que te cobre os olhos. 
Do mais nobre attributo te defpoja: 
Naõ diítíngues as ruinas, que fe as viras. 
Tal vez te arrependeiles do que profiras. 

XXXVII. 

Quebra a fouce : naõ tenhas deíle eílrago. 

Que he mais penna, huma Eftatua vergonhoza: 
Faze o mefmo ao Relógio, naõ conferves 
Defpertador de infâmias taõ notórias. 

XXXVIII. 

Olha, que te converte deshumano 
Em feculos de dor as breves horas : 
Defpedaça-lhe as rodas, fe naõ queres 
Que fejaõ para ti de Ixion rodas. 

XXXIX. 

AíiíHda te vejo da ignorância. 

Que inconfolavel a fua afronta chora; 
Mas na difcreta cauza do feu pranto 
Parece que do que he, defmente a nota. 

XL. 

Que bárbaro furor! Mas naõ me animo 
Vendo a excefíiva dor, que vos fuffoca, 
A fazervos preguntas, que naõ quero 
Proveis fegundo eílrago nas repoílas. 



I 



XXXIV. 

Vijne rudem injcitiam vitam protendere : Quanta 
Hinc ( opus efi videas ) jatalia damna jequantur : 
Qtiis erit, iguarus qui non velií ejje I Notaíur 
Si moríi ignaros veãigal Joluere nullum» 

XXXV. 

Fatale eventum: ecquis erit qui credere pojftt 

Plus um br as tecum, quam lumitia clara valer e? 
Atjialiter res totajoret, vexilla Jublime 
FJoquium baud poteraí Julgent ia ferre per Orbem, 

XXXVI. 

Attamen oh? Trijlis quaf afeia lumina velat, 
Tefpoliat miferam titulo meliore, ruinas 
ímpia pracipitis nefcis diflinguere , forte 
Illasfi afpiceres, marenti corde doleres, 

XXXVII. 

F alcem frange trucem ; flragis fervare recufa 

( Nam dolor efi major ) fimulacrum turpe cruenta, 
"Ex trem um velox patiatur Clepfidra dam num 
Nefít qui memore t monumenta infâmia culpce, 

XXXVIII. 

Afpice, nam que expers tenercB pietatis, amara 
Fjxiguas horas cerumnce in fécula vertit: 
Pernices confringe rotas, ne Ixionis inflar 
Sit rotajunãa rota mafliffima caufa malorum. 

XXXIX. 

Affociata tibi fedet ignorantia, fletu 

Qua damnis affeãa fuis rigat ora profufo : 
At fi difertam luãús volo quarere caufam 
Faãa videhuntur propriis pugnantia faãis, 

XL. 

Dirus qui furor efl? Animusfed denegat ultra 
Peãora cum video duro cruciata dolore 
Quafitis lacerare méis; refponfa timerem 
Ne fierent flragis vobis nova caufa fecunda. 



XLI. 

E tu Heróe, gloriofo, que efte nome 

Com jufto, e immortal credito fe arroga 
Quem piedozo a Naçaõ reftaura illuftre 
Da fogeiçaõ da Parca rigoroza : 

XLII. 

Triunfa, que na morte que venceíles 

Em hum Triunfo três Triunfos contas : 
Pois quando efta deílròes, a ignorância, 
O voraz Tempo, e a inveja vil derrotas. 

XLIII. 

Sejaõ os quatro Monítros debellados 
Os que te movaõ a triunfal Carroça 
Se Febo naõ tivera o Plauftro ardente; 
Efta o feu Carro fcintillante fora. 

XLIV. 

Oh que en vejas faz hoje o Tejo ao Tybre? 
Competências co mar ufano apofta : 
Gafta o metal flutuante de que abundas 
Nas Eítatuas, que a teus Triunfos forma. 

XLV. 

Já me parece vejo tresladadas 

Para os Circos e praças de Lisboa 
As Agulhas, Pyramides, Coloflbs 
Milagres do cinzel, que adora Roma. 

XLVI. 

Defle Régio Atheneo, de que es Alumno, 
Defcreva teus Trofeos a Oratória : 
Pois a Africa empenhada em aplaudirte 
Até da área adufta Palmas brota. 

XLVII. 

Do Capitólio já da Eternidade 

Alegre a Luíitania te abre as portas : 

E agradeíida a Cròa te prepara 

Muito mais que a de Ariadna brilhadora. 



XLI. 

Tugeneroje heros, quem gloria doãa corona t, 
Cui mérito nomen tanti debetur honoris, 
Nam gentem illujlrem pie ta te injignis avara, 
Mortis ab exitio redimis, Joluis que vetujto, 

Lxn. 

Vive ergo : S poli is, qua victâ morte reportas 
Eft tibifas um triplex numerare trophaum, 
Illam nam quando viãor pede proteris aquo 
Injcitiam, invidiam juperas , et mobile tempus, 

XLIII. 

Hac quatuor deviâa tuâ deformia dextra 

Monjlra trahant currum, veheris quo celjus ad afira . 
Ardens fi plaufirum rutilans non Phabus haberet, 
Igneus hocjolo toti Jplendejceret Orbi. 

XLIV. 

Oh quantitm invidia Tiberi Tagus excitat! Audax 
Occeano conferre parat certamina vafio; 
Prodigit undivagum, quoprofluit, ille metallum, 
Ut fimulacra tuos reddant praclara triumphos, 

XLV. 

TranJmiJJas video ( mea ni Sententia fallit ) 
Urbis ad Molidis Circos et compita magna 
Vyradimes ceifas et regia monftra ColoJJos, 
Qmjcalpro efformata colit miracula Koma, 

XLVL 

Et Schola Kegalis, que tejejaãat alumno, 
Commendet tuajaãa aui Jermone perito : 
Africa nam que tua fama devota perenni 
Germinai ardenti viãrices littore palmas, 

XLVII. 

Illius ergo avi, quod têmpora nefcit, et annos, 
Áurea Luufiadum plaufus tibi limina pandit 
Splendentem que tibi molitur grata coronam, 
Que fuperet fulgore vagum Minoidis afirum. 



XLVIII. 

Cante a Fama o Epinicio, e efpectadores 
Sejaõ defta Luzida immortal Pompa: 
Quanto banha de Luz o Deos radiante 
Da concha Occidental à Oriental concha. 

IL. 

Bafta Muza pois, já da minha Hra 

Deftemperadas pulfa o plectro as cordas : 
Se melhor cantar queres, segue os eccos 
DeíTa armonia, que no Templo foa. 



De Manoel Pereira da Cofia, 



XLvni. 

Fama canat ciar um wayori você triumphum, 
Accurrat mérito pompa immortalis amort 
Quidquidin Orbe nitet radiantis Numinis iffte 
Littore ab Occiduo rutilas Orientis adundas, 

IL. 

Mujajatis: Cythara rapidus jam deficit tile 
Spiritus etfidibus non ejl concórdia lapfis: 
Si melius cantare cupis , Jludiofius audi 
Concentus hilaris, quo Templum perfonat, echo. 



D. J. B. C. R. 



AO SENHOR. 



DIOGO BARBOSA MACHADO; 

Ahhade de Sever, efcrevendo a 

BIBLIOTHECA LUSlTANAl 

ROMANCE. 



E 



Mprefa heróica, idea peregrina 
Capaz da erudição profunda, e vaíla. 
Com que te conflitues dignamente 
Novo Protheo de formas litterarias. 



AíTunto íingular, negado a todos, 
Te refervou a Providencia facra : 
Porque o pefo da Esfera fó fe fia 
A quem as forças tem proporcionadas. 

Quem te infpirou, Barbofa fem fegundo, 
A immenfa execução de emprefa tanta? 
Donde fahio a nunca vifta idea. 
Que horroriza, fomente imaginada? 

Acafo pode a margem do infinito 
Permitirfe tocar da força humana? 
Ou tem da immenfidade os privilégios 
A potencia do engenho limitada? 

Tu Sò : porque fó tu, fem luz de exemplo. 
Com penna heroicamente temerária 
Solicitaíte os termos do infinito, 
E foubeíle pifar do immenfo a raya. 

Affim o dizem rafgos eloquentes 

Dos caraâieres mudos deíTa eftampa; 

Cuja immenfa matéria facilita 

Os créditos, que nella te confagraõ. 



Dos Lufos efcritores a noticia 

No caos do efquccimcnto fepultada 
Aos impulfos da pcnna, que os dcfcòbre. 
Alentos reproduz, honras rcAaura. 

Mais, que delles, de ti nos dás a copia 
Sendo a penna pincel, tinta a elegância; 
E uíurpando de todos os matizes 
Com as mais vivas cores te retratas. 

Foy neceflario o efpirito de tantos 
A darnos huma idea da tua alma: 
E ainda affim forma queixas o refpeito 
De que na fombra alhea a luz recatas. 

O* quanto entre as Nações, que a defconhecem, 
A teu fabio difvelo deve a Pátria! 
Pois, porque voe à Esfera de erudita. 
De tantas pennas lhe teceíle as azas. 

Mas com tal differença de fortunas 

Entre a Fama de todos, e a tua fama, 
Que à de todos lhe baila huma fó penna, 
E as de todos à tua ainda naõ baítaõ. 

O' Pátria fecundiíTima de engenhos. 
Se como os geras, naõ os defprefaras. 
Quantos teriaõ nome nas Hiílorias, 
Quantos teriaõ vulto nas Eílatuas ! 

Emenda o ócio inútil de efquecida, 
Nêgate ao feyo titulo de ingrata, 
E eterniza nos mármores a hum Filho 
Cifra de todos, que fo elle exalta. 



De D, ]oachim de Santa Ama Cónego Regular de Santo 
Agojlinho 



AOSENHOR 

DIOGO BARBOSA MACHADO 

Ahhade de Sever efcrevendo a 

BIBLIOTHECA 

Lufitana 

ROMANCE. 



V 



ARAM Sábio, que impulfo vos anima 
Ser decorofo eílrago às Sepulturas? 
Porém no univerfal juizo voíTo 
Que mérito haverá que infeliz durma! 



Refucitar fomente à natureza 

Divino Império pela obra inculca. 
Quanto que a natureza hé mais a Fama 
Tanto a acçaõ para o exceíío fe reputa? 

Ou mortos ou confuzos nas memorias 
Jaziaõ como efcandalo da incúria 
Milhares de Efcritores Lufitanos ; 
Da los a conhecer novos apura. 

Oh naõ fe diga naõ, que para os Sábios 
Taõ cega como avara hé a Fortuna, 
Porque naõ falta ao premio, mede o tempo 
Satisfaz ao trabalho, naõ o adula. 

Talues foíle notada Luíitania 

De preclaros ingenhos infecunda. 
Quem a Pátria deffende da ignominia 
Dilata-lhe a extenfaõ pelo que a illuílra. 

Deffendida naõ fó, mas venerada 
A deixa voíTa penna, que triumfa 
Da Criíi mais fevera pois efcolhe 
E naõ para efcrever fomente ajunta. 



Eílatuas vos eríja agradecida 

Mas cfta voíTa obra aquclla fruílra, 
Que onde tem o primor que remontar-fc 
Depois da perfeição fer abfoluta? 

Mais que em mudos Padrocns, em vozes vivas 
Se conllrue a erudita archi£letura, 
NaÕ concilia o acerto authoridade 
Por mais que crcça, fe fe naÕ divulga. 

E como novamente organizados 

Tantos fabios herócs a morte infultaõl 
Grande mizeria hé para a ignorância 
Ser pego, e naô depozito nas urnas. 

Só hc filho da Pátria, que a engrandece. 

Depois de morto honralla hé gloria fumma. 

Quem a elles, e a cila immortaliza 

De fer Pay fem cuidado achou a induílria. 

Parece deftinou a Providencia 

Aos Barbofas Athlantes da cultura 
Defla de Juppiter producçaõ fublime. 
Donde melhor defcanfa, fe confulta. 

Triumvirato douto fe diftinguem. 

Mais que o fangue, a Sciencia hè que os vincula. 
Qual o primeiro feja inda fe ignora: 
Também hà confuzam, que naõ perturba. 

Do filho de Clymene a arte excedem. 
Deixando confervar na ruina aduíla 
Diffimulado o fogo fem que poíía 
Paííàr de Purgatório a fer injuria. 

Bem fe vé neíTas cinzas já naõ cinzas 
Para fempre animadas, e incorruptas, 
O calor naõ perdiaõ nas memorias. 
Texto ficou, o que era conjeâura. 

Sábio inveíligador da antiguidade. 
Erudição como eíTa taõ fecunda. 
Só podia de hum parto do juizo 
Sahir à luz com tantas creaturas. 



Naõ podendo creallas, as formaíles 

De novo, e agora izentas de caducas, 
Nunca efcrever foubeíles fem decoro. 
Vivendo vós, a morte naõ aíTuíla. 

Que vergoens naõ fazia o efquecimento 
No roílo da idade porque muda? 
Tira-lhes tanta nódoa a volTa tinta, 
Hé Luíitania do Orbe formofura. 

Baila, naõ de elogio ao voíTo nome. 

Sim de grato defpenho à minha Mufa, 
Que naõ pode huma penna taõ raíleira 
Servir no voflb Templo de Colunna. 

Suilentay vós fomente como Alcides 
Do orbe literário a cafa auguíla. 
Pois pondo nella a voíTa Bibliotheca, 
Temo nafça a miferia da fartura. 

Só à Pátria fervir hè liberdade. 

Quem a naõ ferve, he vil, que o ócio educa, 

Neííe barrete honra da milicia 

Se veja premio o Mantelete, ou Murça. 



Bra;(^ Jo^é Rebel/o LeiU, 



I 



eruditíssimo viro 
DIDACO BARBOSA MACHADO, 

Abbati S. Adriani in Sever ^ Regalis Academicv Sócio, 

BIBLIOTHECAM 

LUSITANAM SCRIBENTI. 



Vir Egregie 

Unius te Doftorem libri non efle, 

Apertum facis, 

Cum vel hoc in uno Bibliothecam verfas. 

En Authori fuo congruum Opus ; 

Alii alios libros fcribant, 

Te non nifi integra decet Bibliotheca; 

Quam, 

Nifi totam mente clauderes, non proferres. 

Imó curtam nimis 

Eruditionis tuas copiam facis, 

Relatis unius tantúm gentis Scriptoribus, 

Fadurus integram, fi retulifles omnium. 

At dandum id prae reliquis Patriae fuit, 

Quam oportuit fe ipfam nofcere; 

Iníimul, & vindicari 

Ab impoUuris exterorum, 

Quibus folemne eít 

Verbo, fcriptis (quando nequeunt fadis) 

Luíitanos deterere 

Non modo gládios, fed & calamos. 

Dandum id civibus fuit tuis, 

Apud quos Scriptor 
Qui pluma reliquos elevet fua. 
Rara eít avis : 
Ni tuis ipfe aufpiciis 
Omnium utilitati profpiceres, 
A nullo forfan alio auderent, 
Sibi tale quid aufpicari. 
Dandum id quoque fuit Confanguineis tuis. 



De re litteraria optimè meritis : 

Arbori florentifílmae 

Familiae, gentifque tuas 

Liber hic debebatur, 

Debebantur haec folia, 

Quibus multiplex defcriptum nomen 

Probaret 

Fieri è quolibet ejus Ligno Mercurium. 

Utcumque tamen fuerit. 

Uno hoc fado 

Obaeratos tibi reddidiíli 

Omnes Luíitaniae Scriptores : 

Quas alii exaraverant, 

Monumenta perenniora aere 

Magna ex parte rubigo exederat. 

Tu novo xre incidis, 

Ut denuò perítrigant óculos intuentium. 

Aliorum clarifíima nomina, 

Quae vel modeília texerat, vel vemílas abraferat. 

Tu follicitudine tua 

Quaíi lumine detegis fuperfufo: 

Atque tenax juJftitias 

Etiam inter obfequia 

Unumquodque opus domino, 

Dominum operi reponis fuo, 

Reliquos, eofque bene muitos, 

Omnium adhuc manibus tritos, 

Nequa fimilis tempeílas abfumat, 

Tabulis tuis expoíitos 

Securos reddis perennitatis. 

Ex hoc 

Omnes Luíitanos Scriptores 

Renatos quifque meritò dicet, 

Cum, 

Gtra Pithagoricum delirium, 

Denuò viderit in lucem éditos, 

Imò, & in unum migraíTe Corpus 

Tuae Bibliothecas. 

Quod ut fieret, 

Hauriendum non fuit oblivionis flumen, 

fed fuperandum. 

Plaude tibi, 

Ferax ingeniorum Luíitania, 

Exueris Hcèt fera Barbariem, 



Brevi rcparaíli damna plurium Saeculorum. 
Viccras facpius ílrcnuiffimas gentes, 

Aperto Marte; 

£x quo patuit in te aditus Palladi, 

Stylo quas viceras férreo, 

Viciítí et áureo. 

Plaude, iterum plaude Lusitânia: 

Tot fere ditata libris, 

Quot libcris, 

Ceu te muitiplicitatis tacderet, 

Unum modo profcrs, 

Qui, 

Ceu foret inílar omnium, 

Refcrt omnes. 

Utilis ille quidem non minus íingulis, 

Quia omnibus, 
Ab aliis propulfat injuriam temporum, 

Aliis prsecavet; 
Non minus proptereà aeternitate dignus, 
Quod aeternitati reliquos commendaverit. 



Stacius de Almeyda Congregationis Oratorii UlyJJipo-Occidentalis 



DO SANTO OFFICIO 

VIÍlo eílar conforme com o feu original pode correr. Lisboa 5. de Dezem- 
bro de 1741. 

Fr. R. de 'Lancajiro. Teixeira. Sylva. Soares. Abreu. Amaral, 

DO ORDINÁRIO. 

VIÍlo eílar conforme com o original pode correr. Lisboa 5. de Dezembro 
de 1741. 

D. V. Arcehijpo de l^acedemonia. 



DO PAÇO. 

TAxaõ efte Livro em três mil e duzentos reis para que poíTa correr. Lisboa 6. 
de Dezembro de 1741. 

Pereira. Teixeira. Va^ de Carvalho. 



ERRATAS EMENDADAS. 



Pag. 23. col. 
pag. 5 5- col. 
pag. 145. col. 
pag. 16}. col. 
pag. 166. col. 
pag. 177. col. 
pag. 179. col. 
pag. 216. col. 
pag. 216. col. 
pag. 217. col. 
pag. 220. col. 
pag. 286. col. 
pag. 288. col. 
pag. 291. col. 
pag. 318. col. 
pag. 319. col. 
pag. 327. col. 
pag. 343. col. 
pag. 376. col. 
pag. 390. col. 
pag. 416. col. 
pag. 462. col. 
pag. 480. col. 
pag. 482. col. 
pag. 491. col. 
pag. 495. col. 
pag. 524. col. 
pag. 572. col. 
pag. 599. col. 
pag. 628. col. 
pag. 648. col. 
pag. 692. col. 
pag. 705. col. 
pag. 710. col. 
pag. 735. col. 
pag. 761. col. 



2. reg. 38. 
1. rcg. 12. 
1. rcg. J3. 
I. rcg. 42. 
1. rcg. 42. 
1. rcg. 51. 
I. rcg. j. 
I. rcg. 31. 
I. rcg. 34. 

1. reg. 22. 

2. reg. 20. 
2. reg. 22. 
2. reg. 38. 
2. reg. 49. 
2. reg. 25. 
2. reg. 9. 
2. reg. 39. 
2. reg. 42. 
I. reg. 23. 
I. reg. 18. 
I. reg. 2. 
I. reg. 45. 

1. reg. 52. 

2. reg. 48. 
I. reg. 43. 
I. reg. 38. 

1. reg. 47. 

2. reg. 44. 

1. reg. 22. 

2. reg. 43. 
I. reg. 49. 
I. reg. 50. 
I. reg. 32. 
I. reg. 32. 

1. reg. 33. 

2. reg. 28. 



faria 


foTja. 


no 


na 


affírma 


ajfima. 


Subjiecemt 


Subjecerunt. 


adnotationis 


adnotatiombta. 


afte 


efle 


campleta 


completa 


vivam 


max 


Myronis 


Maronis 


Geueral 


General 


marca 


murça 


Carcame 


Carcome 


tenftemunho 


tejlemtmho 


deferanda 


de ferenda 


porque tinha 


tinha, porque 


Mifericadia 


Mifericordia 


forentes 


forenfes. 


ANLONIO 


ANTÓNIO 


peritis iníignia 


peritia injifftis 


filhalha 


filha 


fegaintes 


Jeguintes. 


compoz 


compojlo 


Romnna 


Komana 


Collaçoent 


Collaçoens. 


Repetito 


Repefítío 


precito 


preceito 


com 


como 


Calori 


Caroli 


iníignas 


infignes 


Monarcia 


Monarchia 


goverzaraõ 


governarão 


porá 


para 


alterou 


altercou 


largas 


largar 


naçaõ 


naceu 


Poílohuma 


Vofihuma. 



II 



II 




^o VLyssuypnerif' 
imcudõ Santo^drui 
Real: 




«o/. 



L 



BIBLIOTHECA 

U S I T A N A 



A 




BRAHAM COEN 
PIMENTEL natural 
de Lisboa, donde paf- 
fando a Amfterdaõ, 
publicou no anno 
de 1699. 
Quefioens EJcolaJiicas. 



ABRAHAM FER- 
RAR natural da Cidade do Porto, e Medico 
de profiffaõ. Por fer acérrimo Sequaz do 
Hebraifmo, receando experimentar o merecido 
caíligo da fua apoftaíia fe retirou furtivamente 
para Amílerdaõ, onde foy pelos feus naturaes 
benignamente recebido, e exceíTivamente eíli- 
mado; de tal forte, que o elegerão Preíidente 
da Sinagoga no anno de 1652. em o qual 
lhe dedicou Manaíle Ben Ifrael huma Oraçaõ 
compoíla em applaufo do Príncipe de Orange, 
e Henriqueta Maria Rainha de Inglaterra 
na occaíiaõ em que eftes Príncipes foraõ ver 



a mefma Sinagoga. Efcreveo, e imprimio 
na lingua materna em Amílerdaõ. 

Declaração das 613. Ejtcomendanças da no ff a 
Santa Ley. Anno da creaçaõ 5387. e de Chrijlo 
1627. em 4. 

Deíla obra, como do feu author, faz 
memoria o mefmo ManaíTe in lih. de Kefur- 
reàt. mort. e no de Fragilitate hiiman. part. 
2. § 10. Guílavo Peringer. pag. 26. onde por 
engano lhe chama David. Jul. Bartoloc. in 
Bib. Rabbin. Part. i. n. 108. NicoL Ant. 
in Bib. Hifpan. Tom. 2. in append. 2. pag. 
313. Joan. Chriftoph. Wolíius in Bibiliotb. 
Hebraa. pag. 98. n. 137. Jacob. Le Long. 
Bib. Sacra. pag. mihi 593. col. 2. 

ABRAHAM FERREYRA cujo apeUido 
mudou em Irira, quando deixando Portugal 
paflbu a Amílerdaõ, onde profeílou a obfer- 
vancia dos Ritos Judaicos. Foy igualmète 
perito em os myiierios da Cabbala que nas 



BIBLIO THE CA 



efpeculaçoens da Filofofia Platónica, e Ariílo- 
telica, de que deixou claros argumentos nas 
obras feguintes. 

CaJa de D ws ex Gen. XXVII . 17. Cõ/ta 
de fete partes, e outros tantos capítulos. 
Foy traduzida efta obra na lingua Hebraica 
pelo Rabbino Ifaac Abuhab Prefidente da 
Sinagoga dos Judeos de Efpanha em Amf- 
terdaõ, imprefla naquella Cidade anno da 
criação 5415. e de Chriílo 1655. 4. 

Porta dei Cielo. Foy tradufida em Hebraico 
pelo mefmo Rabino, e impreíTa no anno 
aíTima declarado, e depois fe verteo na 
lingua Latina em eílylo mais compendio fo, 
e fahio no Tom. i. Part. 3. CahhalcB denudata. 
Solisbaci 1678. O principal argumento deíla 
obra coníifte em hum parallelo das doutrinas 
Cabbalifticas de Enfoph, e Adaõ Kadmon 
com a Filofofia Platónica. 

Epitome y compendio dela Ilógica, ò Dia- 
letica, en que fe expone,j declara breve, j facil- 
mente fu ejfencia, partes, y propriedades, preceptos, 
regias, y ujos, dijiribuido en 7. liuros. 8. fem 
lugar, nem anno da Impreflaõ. 

Fazem memoria de Abrahaõ Irira Baf- 
nage Table de A.utheurs dela Hijioire, et la 
Keligion des Juifs Tom. i. onde o intitula 
Portuguez, e Joaõ Chriílovaõ Wolfio in 
Biblioth. Hebraa pag. 66. § .101. 

ABRAHAM DA FONSECA cuja pátria 
fe ignora. Foy muito verfado na liçaõ da 
Sagrada Efcritura, e na intelligencia das 
fuás mayores difficuldades, por cujas partes 
mereceo que em Amburgo foíTe o pri- 
meiro Rabino da Sinagoga dos Efpanhoes, 
^nde viveo muitos annos com geral opinião 
de infigne Meílre. Morreo a 17. de Julho 
de 1671. compoz. 

Oculi Abraha, five Index verjuum Bibliorum, 
qui explicantur in libro Kabot, <& Mattanoth 
Kehunna. Amfterdaõ apud Danielem da Fon- 
feca anno creationis 5387. ChriíH 1627. 4. 

Naõ faltou quem affirmaííe que efte 
livro fora impreíTo primeiramente em Amf- 
terdaõ no anno da creaçaõ 5327. e de Chrifto 
1567. cuja aíleveraçaõ, fe convence fer falfa, 
porque fendo publicada nefte anno, naõ 
podia fer compofta efta obra por Abrahaõ 
da Fonfeca, como taõbem porque nefte 



tempo, como doutamente advirtio Wolfio 
in Bib. Hebraa pag. 36. n. 133. naõ afiiíliaõ 
os Judeos em Amfterdaõ, nem tinhaõ impref- 
faõ para publicar as obras, que efcreviaõ. 
No Cathalogo da Biblioteca de Joaõ Vander 
Wayen fe lé efta obra imprefla no anno de 
1632 in 4. Do author faz memoria Jacob le 
Long. in Bib. Sacr. pag. mihi. 593. col. 2. 

^ ABRAHAM FRISIO, o qual affirma 
fer Portuguez, Jorge Draudio na Biblioth. 
ClaíTica no titulo dos Chronologos. Foy 
igualmente douto no eftudo da Chronolo- 
gia, que na liçaõ da Biblia, efcrevendo 

Chronologia fecundum normam Sacra Scrip- 
turcB conformandcB, ac corrigenda Delineatio bre- 
vijfima. Gorlicii apud Joannem Khamba. 1614. 4. 

ABRAHAM GADELHA grande Medico, 
e infigne Aftrologo. Por fer muito douto 
nefta Sciencia lhe mandou o Infante D. Pedro 
Tio DelRey D. AfFonfo V. que obfervafle 
o afpeéto dos Planetas para delles conjeéhirar 
a felicidade do governo daquelle Príncipe na 
hora, em que para Monarca defl^ Coroa foy 
aclamado em Thomar a 10. de Setembro de 
1438. Em premio defta obfervaçaõ deu o 
mefmo Príncipe a húa filha de Abrahaõ Gade- 
lha huma Tença, o qual em agradecimento 
defta género fa dadiva compoz hum largo, e 
erudito Difcurfo acerca da obfervaçaõ que 
tinha feito, e o dedicou ao mefmo Príncipe, 
onde lhe augurava muitas felicidades. 

ABRAHAM GOMES SYLVEIRA aHas 
Diogo Gomes Sylveira. Ainda contava poucos 
annos de idade, quando deixando a pátria, 
difcorreo pellas mais celebres Cidades de 
França, e Flandes, atè que em Amfterdaõ 
fez o feu domicilio. Applicoufe ao efl^do 
das Sagradas letras em que naõ fez pequeno 
progreflb. Era naturalmente inclinado à 
Poefia jocofa, da qual publicou diíFerentes 
obras, principalmente hum Vexame à imitação 
de Jerónimo Câncer, que fe imprimio, como 
taõbem alguns Sermoens em Amfterdaõ no 
anno da Creaçaõ 5438. e de Chrifto 1676. 

ABRAHAM NEHEMLAS infigne Medico, 
que floreceo no Século XVI. de cuja facul- 
dade deo hum erudito teftemunho nas obras 
feguintes. 



L USITANÁ, 



Meíhodi medendi miverfalis ptr Janguinis 
emijjiottem, & puriiflt tonem libri duo; in quibus 
agit de pHTgfmdi tempore, <& medendi ordine. 
A efta obra juntou a fcguintc. 

De Tempore aqua frigida in fehribus arden- 
tibus ad Jatietatem exhihendue. Vcnctiis apud 
Bcrnardum BaíTam 1591. in 4. c naõ cm 1691. 
como erradamente cfcreve Bartolocio in Bib. 
Kabbin. Tom. i. n. 100. flc apud Socictatem 
Venctam 1604. in 4. & ibi apud Joan. Baptiíl. 
Qottum 1604. in 4. Compoz mais 

Quajliones, & Kefponjiones. 

A qual obra fc naõ imprimio, e delia 
fe lembra Wolfio in Bib. Heb. pag. 92. n. 1 24. 
c do Author, Joaõ Anton. Vander Linden 
lia Bib. Medica. Jorge Abrah. Mercklin. 
in Script. Med. e Nicol. Ant. in Bib. Hifp. 
Tom. 2. pag. 313. in Append. 

ABRAHAM PEREYRA, ainda que 
nacido em Madrid, filho de Pays Portu- 
gnezes que eraõ naturaes de Villaflor. O feu 
nome próprio era Thomaz Rodrigues Pereira, 
que confervou, em quanto afTiítio em Hef- 
panha, onde mereceo a eftimaçaõ das pri- 
meiras PeíToas daquella Monarchia pella agu- 
deza do talento, e docilidade do génio. PaíTou 
a Amílerdaõ, onde com a mudança da religião, 
mudou o nome. Morreo naquella Cidade no 
•inno de 1699. Compoz 

La certev^a dei Camino. Amfterd. 4. 

E/pejo de la vartidad dei mundo. Amflerd. 
ano de la Creacion dei mundo 5431. de 
Chrifto 1683. in 4. 

Delle faz mençaõ Joaõ Chriftof. Wolfio in 
Bib. Hebraa. pag. 99. n. 141. 

ABRAHAM PIMENTEL. Floreceo 
conforme Wolfio in Biblioth. Hebraa pag. 97. 
n. 134. no meyo do Século decimo fetimo. 
Foy naõ fomente obfervante profeíTor das 
cerimonias, e ritos judaicos, mas profunda- 
mente douto na intelligencia dos feus myíle- 
rios, como manifeftaõ as obras feguintes. 

Oblatio Sacerdotis ex L,evit. cap. 6. v. 16. 
coníla efta obra de três livros. 

Occafus Solis ex Deutor. cap. 11. v. 30. 
onde trata dos ritos que devem obfervar 
os Judeos defde o nacimento da Aurora 
atè o Occafo do Sol. 



Ubif Sponfionum. Nefte Livro allude ao 
Uhf. 2. VdBg. cap. 14. V. 14. em que trata das 
couzas lícitas, e illicitas. 

Obfervatio Sabba/i. Coníla das ceremo- 
nias, que fe praticaõ em os Sabbados. Amí- 
tclod. an. Creat. 5428. Chrifti 1668. 4. 

ABRAHAM SABBAA natural de Lu- 
boa, e hum dos mais famofos Rabinos do 
fcu tempo. No anno de 1497. em que por 
ordem do Sercniííimo Rey D. Manoel foraò 
exterminados os Judeos de Portugal por naõ 
quererem abjurar os delírios da Tua crença, 
lhe fez companhia, quando já era muito velho, 
e bufcando para feu domicilio a Cidade de 
Fez, nella amargamente lamentou a auzencia 
da fua pátria expreíTando as moleílias, e 
aflicçoens, que lhe caufava o defterro naquellas 
palavras do Levitico cap. 26. Si inpraceptis 
méis ambulaveritis &c. Igualmente opprimido 
da anguftia do animo, que do numero 
dos annos, acabou a vida em Fez no anno 
de 1509. Efcreveo na lingua hebraica hum 
Commentario ao Pentateucho com eíle titulo : 

T;(eròr hammór; hoc ejl, Fafciculus Myr- 
rha ex Cant. i. n. 13. 

Cuja expofiçaõ poílo, que feja conforme 
ao fentido litteral da Efcritura, muitas vezes 
inclina para o Cabbaliílico, o qual he muito 
eítímado dos Hebreos, como efcrevé Wolfio 
in Bib. Hebr. pag. 93. n. 127. e Bartoloc. 
in Bib. Kabbinic. Tom. i. pag. 48. n. 102. 
Sahio primeiramente Venetiis apud Danielem 
Bambergam 1523. in foi. e fegunda vez 
ibi apud Marcum Antonium Juílinianum 
1546. foi. & ibi apud Georgium de Caballis. 
1567. in foi. Foy traduzido em Latim por 
Conrado Pelicano como teftifica Buxtorfio 
in Biblioth. Rabbin. pag. 296. da ultima ediçaõ, 
e fahio impreíTo Cracoviae 1599. Joaõ André 
Ei íTenmengero no feu Livro intitulado Judaif- 
mus deteãus aífirma que defte Commentario 
da ediçaõ de Veneza de 1 5 67. fe tinhaõ tirado 
algumas injurias, que o author como acérrimo 
fequaz da Sinagoga tinha proferido em vitu- 
pério dos Chriftãos. Contra eJfta obra efcreveo 
huma douta cenfura Diogo Humada, a qual 
fe conferva M.S. no Collegio dos Neófitos de 
Roma, como diz Carlos Jozeph Imbonato in 
Bib. Latino Heb. pag. 32. n. 120. compoz mais: 



/ 



^ 



4 BIBLIO 

/ Tt(éror hacchêfeph, id ejl, Fafciculiis argen- 
teus tirado do Genes. cap. 42. v. 35. que he 
hum comento dos Cantares de Salamaõ, 
Adverte Bartoloccio in Bib. Rabh. Part. 
I. pag. 49. n. 202. que eíle appelido Savaà 
por fe achar efcrito em alguns exemplares 
com accentuaçoens, foy caufa para que muitos 
cre íTem fer abbreviatura da pátria, e appellido 
do Rabbino Abrahaõ Aben Efra, e como a 
tal lhe atribuirão falfamente eftas obras, 
quando delias he verdadeiro author Abrahaõ 
Sabaá, a quem, como entre os Rabbinos o 
mais douto, celebraõ alem de Buxtorfio, e 
Bartoloccio, Plantavit. in Biblioth. Rabb. n. 605. 
Hottinger. in Bib. Orient. cap. i. Claf. 2. pag. 4. 
Nicol. Ant. in Hifpan. Tom. 2. pag. 313. in 
append. Georg. Draud. in Clajfic. claf. lib. Theo- 
log. Tit. Hebraic. Geneb. in Chronol. lib. 4. ad 
an. 1484. & in Not. ad eamd. Chronol. feft. 13. 
pag. 156. Spond. ad ann. 1492. Jacob. Gualt. 
in Tab. Chronolog. Sascul. 15. Wolfio in Bib. 
HebrcBã. pag. 93. n. 127. e Jacob Le Long. in 
Bib. Sacr. pag. mihi 595. col. i. 

d ABRAHAM USQUE naceo em Por- 

tugal, onde educado com os preceitos do 
Talmud por feus Pays, fahio hum dos mayo- 
res profeíTores dos erros da Sinagoga. O feu 
mayor difvelo foy penetrar o fentido Litte- 
ral da Biblia, e para que a fizeíTe mais intel- 
ligivel aos Judeos, que aííííliaõ em Hefpanha, 
e Olanda, a traduzio do texto Hebraico na 
Ungua Efpanhola, e a dedicou a Hercules 
de Efte Duque de Ferrara, e fahio imprefla 
em carafter gothico com eíle titulo: 
7^ Biblia en lengua Efpafíola traduzida palavra 

por palavra de la verdad Hebraica por mtiy excel- 
lentes Iletrados, vifia j examinada por el Officio de 
la Inquijicion. in foi. Ferraras. Sumptibus Yom 
Tob Atias anno mundi 5313. Chriíli. 1553. 
Eíla tradução he palavra por palavra do 
Original, e naõ deixa de fer efcura de fe per- 
ceber por uzar de huma linguagem Hef- 
panhola, que fomente fe falia nas Sina- 
gogas. Foy fegunda vez impreíTa em Fer- 
rara, e no fim tem eftas palavras. Con induftria 
de Duarte Pinei Portugue^ fiampata a cofia, 
j defpef(a de Geronimo de Vargas Efpanol en 
I. de Março de 1553. Nefta ediçaõ fahio com 
algumas palavras mudadas para fer mais 



THE CA 

intelligivel, porém a primeira he muito mais 
eftimavel, como efcreve o Padre Richardo 
Simon in Hifi. Crit. V et. Tefiam. liv. 5 . cap. 
19. Sahio terceira vez imprefla por dili- 
gencia de Manafle Ben Ifrael em Amílerdaõ 
decimo quinto Sabbati 5390. que correfponde 
ao anno de Chrifto 1630. Bartoloccio na 
Bib. Rabbin. Part. i. pag. 49. n. 103. & Part. 3. 
p. 785. n. 706. efcreve que Abrahaõ Ufque 
fizera eíla traducçaõ juntamente com feu 
companheiro Yom Tob Atias, porém Wol- 
fio na Bib. Hebraa pag. 31. n. 49. fe oppoem < 
a efta opinião affirmando que fora feita por ^ 
outros Judeos, fendo imprefla por diligen- 
cia de Abrahaõ Ufque, como fe colhe da 
ediçaõ de Ferrara, que no fim tem eftas pa- ^ 
lavras. ^ gloria, y loor de nuejtro Senor fe : 
acabo la prefente Biblia en lengua EJpanola 
traduzida de la verdadera origen Hebraica por 
muj excelentes Iletrados con induftria, y dili- 
gencia de Abrahan Ufque Portuguet<^ ef tampai a 
en 'Ferrara a cofia, y defpet^a de Yom Tob 
Atias hijo de L^vi Atias Efpanol en 14 de 
Adar de 5313. Porém fempre reconhece 
Wolfio, que naõ pôde Abrahaõ Ufque fer 
privado da gloria de trabalhar muito neíla 
traducçaõ, como afirma Richard. Simon in 
T>ifq. Crit. de var. Bib. edition. cap. 14. dizen- 
do : Verifimile efi Abrahamum Ufque fudaum e 
'Lufitania in adornanda hac translatione Hifpana 
fibi prcBvios habuijje Dolores, qui ante illius têm- 
pora Biblia in Sinagogis hebraicè,<ó^ hifpanice perle- 
gerant, adeò ut píer af que illorum vocês ufurpaverit. 
Compoz mais 

Orden de los Kitos de la Fiefia dei Ano 
Nuevo, y Expiacion. Ferrara 1554. 4. 

Além de Wolfio, Bartolocio, e Simon , 
fe lembraõ de Abrahaõ Ufque, Le Long. in t 
Bib. Sacr. Part. 2. pag. 124. Morery Dic- 
cionair. Hifiorique, Magna Biblioth. Ecclef. 
pag. 32. col. I. 



ACHILLES ESTACO, cuja memoria fera 
eternamente venerada no Templo da Virtude, 
e da Sabedoria, nafceo em a illuftre Villa 
da Vidigueira da Provincia Tranílagana a 15. 
de Junho de 1 5 24. como elle teftifica em huma 
carta efcrita a Paulo Melliflb. Foy filho 
de Paulo Nunes Eiiaço (a quem cham^ 
Simaõ por engano Nicolao António na Bib^ 



L USITAN A. 



Ilifp. Tom. I. pag. 2.) Cavallciro profcíTo 
1.1 Ordem de Chisfto, c Governador do 
CaftcUo de Outaõ na barra de Setuval, naõ 
menos celebre peia nobreza de feus mayores, 
c]ue pelas proezas militares obradas no Oriente, 
como cfcreve Joaõ de Barros Dee. 5. /iv. 9. 
,,//>. 12. c muito mais pelas virtudes Chriílãas, 
4UC rcligiofamente praticava, pois por morte 

|de Tua mulher defprezando as delicias mun- 
danas fc rccolhco no Morteiro da Serra de 
OíTa, onde em habito fecular exaébmente 

lobfcrvou os fagrados exercidos dos habita- 
dores daquella folidaõ, até que com facul- 
dade do Cardeal D. Henrique paffou o reftantc 
da fua vida entre os Monges de Alcobaça. 
Como o íeu génio era bellicofo, defejava 
iiuc o filho foíTc unicamente herdeiro de feus 
inarciacs cfpiritos, c com cftc intento lhe 
impoz o nome de Achillcs, para que a memo- 
ria dcfte infignc Capitão lhe ferviíTc de per- 

, pctuo cftimulo para obrar acçoens heróicas, 
das quaes lhe deftinou por theatro a índia 
Oriental, para onde o levou em fua compa- 

I ohia efpcrando, que aprendendo em idade 
taõ tenra os preceitos da arte militar, pelo 

! progreíTo do tempo fahiria taõ difciplinado, 
que foíTe o terror dos inimigos do Eftado. 

j, Mas como a natureza fuavemente o incli- 

! nava para as letras, e foíTe pouco robuílo 
para as armas^ alcançou faculdade do pay 

j para que deixando a efcola de Marte, fre- 
quentaíTe a de Minerva. Para confeguir efta 
refoluçaõ voltou a Portugal, e na Cidade de 
Évora aprendeo do infigne Varaõ André de 
Refende as letras humanas, e a língua Latina, 
e como a madureza do juizo fe anticipava à 
verdura da idade, fez em breve tempo taõ agi- 
gantados progreflbs, que era admirado do Mef- 
tre, e envejado dos difcipulos. Ambiciofo de 
fe inílruir com mayores fciencias deixando a 
fua Pátria paíTou a Flandes, onde em Lovayna 
teve por Meílre a Pedro Nanio, eloquentiíTimo 
Orador daquella idade ; e depois eíhidou Theo- 
logia, da qual penetrou profundamente os feus 
mayores myfterios. Porém como as armas Fran- 
cezas, que fortemente infeftavaõ aquelles Pai- 
zes, lhe alteraííem o focego neceíTario para o 
elludo, partio para Pariz, em cuja Univeríidade 
brilhou exceíTivamente o feu talento, publi- 
cando em o anno de 1549. como primícias da 



fua capacidade, huma Sylva de vados Poe- 
mas, que dedicou ao íeu Mecenas o In£uite 
D. Luiz, a cuja generofidade própria de taò 
grande Príncipe fe confeíTou devedor conoo 
feu pay, expreííando o agradecimento de am- 
bos neílas métricas vozes: 
A/ fibi me, PaulumqM Pairem dehere fatemur 

Ipjt quod inj^enio, Marte qmd ille potejl. 
Qttippe Pater bello dux olim afjmtiu €>• armis 

Sape tibi viílor gratus ab hofle redit. 

Neíla obra poética moílrou quanto era 
obfervante dos feus preceitos, fem profanar 
o culto das Mufas com algum termo indeco- 
rofo à fua pureza. No anno de 1555. quan- 
do contava trinta, e hum de idade, voltou 
fegunda vez a Flandes (como elle confeíTa 
na Explanação de Cícero de óptimo genere 
Oratorum) e fendo defde a puerícia applíca- 
do às letras humanas, para aliviar o animo 
da feveridade dos eftudos mayores, occupava 
algumas horas em interpretar aos feus domef- 
ticos, e amigos as obras dos Authores anti- 
gos, illuílrando a huns com doutiíHmas 
reflexoens, e obfervando em outros vários 
primores de elegância, e erudição ; e fe nelles 
achava algum termo menos perceptível à com- 
mua íntelligencía, o confultava com Varoens 
eruditos, como muitas vezes o praticou com 
Paulo Manutio, Marco António Mureto, e 
Francífco Rebortelo, aos quaes profeflava hu- 
ma eílreíta amizade, e communícaçaõ. Soube 
com perfeição as línguas Grega, e Hebraica, as 
quaes fallou com tanta expedição, e pureza co- 
mo a Latina, em que foy eminente, e naõ me- 
nos Poeta fuavííTímo, e eloquentíffimo Orador, 
de cujas elegantes vozes ainda hoje foaõ os 
eccos na cabeça do Mundo, onde por diverfas 
vezes foy ouvido com aplaufo, e admira- 
ção, principalmente quando na prezença dos 
Summos Pontífices Pio IV. S. Pio V. e 
Gregório XIII. elegantemente orou; duas 
vezes em nome do noíío Serenifllmo Prín- 
cipe D. SebaíHaõ; e huma em nome de Fr. 
Joaõ de la Vallete Graõ Meílre de Malta 
com tanta pureza na fraze, e efpíríto na re- 
prefentaçaõ, que fepultou em eterno efque- 
cimento a todos os Oradores, de que tinha 
fido Pátria, e theatro aquella grande Cor- 
te. Nella como Empório das Sciencias me- 
receo fer elevado a huma Cadeira na Uníver- 



BIB LIO THE CA 



fidade da Sapiência, onde refplandeceo com tan- 
ta intenfaõ o feu talento, que para dignamente 
fer premiado, competiaõ entre fi os mayores 
Príncipes. Defta verdade feja claro teílemunho 
o Cardeal Sforcia, quando o fez Bibliothecario 
da fua numero fa Livraria cõpofta de rariflimos 
M. S. com que enriquiceo de novas noticias a 
fua vaíla comprehenfaõ. Atendendo a Santi- 
dade de Pio IV. ao feu talento o nomeou Se- 
cretario do Concilio Tridentino, e ainda que 
modeftamente fe efcusou defte miniílerio, naõ 
pode deixar de o exercitar, quando S. Pio V. o 
elegeo Secretario das Cartas Latinas, que os 
Pontífices efcrevem aos Príncipes, confiando 
da elegância das fuás palavras, que dignamente 
exprimi íTe, e reprefenta íle a fuprema autho- 
ridade do Sólio do Vaticano. Naõ menor 
eíHmaçaõ recebeo de Gregório XIIL pois 
querendo augmentar o efplendor da Cafa 
Pontifícia o admitio em o numero dos feus 
Pamiliares, dando-lhe tudo quanto naõ fó 
•era neceílario, mas fuperabundante. Porem 
como extremofamente fentiíTe a morte de 
S. Pio V. de quem recebera naõ vulgares 
demonftraçoens de affecto, deixando as bem 
fundadas efperanças, que lhe prometiaõ os 
feus grandes merecimentos, fe retirou a viver 
para fi, e para as Mufas; e julgando-fe por fua 
natural humildade indigno do Eftado Sacerdo- 
tal, paíTou o reftante da vida com fumma mo- 
deração, e parcimonia, regeitando muitos, e 
rendofos benefícios, que efpontaneamente lhe 
offereciaõ, e alguns lugares honorifícos, como 
foraõ o de Chronifta Latino de Portugal, Guar- 
da Mòr do Archivo Real para os quaes o convi- 
dou El Rey D. Sebaíríaõ, e de fer Secretario do 
Cardial D. Henrique quando no anno 1 5 78. ves- 
tio a Purpura Real fobre a Cardinalícia. Nos 
feus últimos annos gaílava o tempo de menhãa 
«m vifitar com devota piedade os Templos, e 
fepulturas, em que defcanfaõ as Cinzas de mui- 
tos Martyres, de que Roma he venerável depo- 
iito, e para que nem ainda neíle piedofo exercí- 
cio eftiveíle totalmente divertido o feu génio do 
eíludo, examinava com douta curiofídade mui- 
tas infcripçoens gravadas em diverfos mármo- 
res; de tarde fe comunicava aos feus amigos, 
aprendendo eftes da fua pratica os documen- 
tos folidos, aíTim para o progreíTo das fcien- 
cias, como para a reforma das vidas; e aos que 



eftavaõ auzentes, como eraõ Jofeph Caílel- 
leoni celebre Jurifconfulto de Ancona, Paulo 
MelIiíTo Poeta Germânico, e Fulvio Uríi- 
no, fabio, e illuftre Romano, que venera- 
vaõ a fua profunda erudição, fe fazia prc- 
zente por cartas Latinas efcritas com tanta 
elegância, que teftemunhou o Cicero Portu- 
guez D. Jerónimo Oforio, fora infígne neíle 
género de efcrítura. Foy fempre inimigo ju- 
rado do ócio, de tal forte que quando já o 
pezo dos annos, e a debilidade das forças o 
efcufavaõ da applicaçaõ ao eftudo, confu- 
mia grande parte do tempo extrahindo das 
Bibliothecas com incanfavel trabalho as 
Obras de muitos Santos Padres Gregos, tra- 
duzindo-as na Lingua Latina, como foraõ as 
Oraçoens de S. Joaõ Chryfoílomo, e alguns 
Tratados de S. Cyrillo, Santo Anaftafio, S. Gre- 
gório NiíTeno, Amphiloquio, e os Hymnos de 
Calimacho, vendo fe neftas traducçoens o pro- 
fundo conhecimento, que tinha da lingua Gre- 
ga na qual compoz também admiráveis verfos. 
A fua vida, que pelos exercidos de tantas vir- 
tudes era digna de fer eterna, pagou o tributo 
de mortal em Roma a 28. de Setembro de 1 5 81. 
quando contava 57. annos, e trez mezes de ida- 
de. Mandou no feu Teftamento que veftido no 
habito de S. Domingos foíTe enterrado na Igre- 
ja dos Padres da Congregação do Oratório de 
Roma, onde honorifícamente foy collocado em 
huma Capella dedicada à May de Deos, que he a 
primeyra, que ao entrar pelo Templo eílá ao la- 
do efquerdo. Para eterno teftemunho de como 
affeduofamente venerava aquelles exemplaríf- 
fímos Padres lhes deixou por eíHmavel legado 
a fua numero fa Livraria, de cuja Liçaõ extrahio 
varias noticias com que illuftrou os Faílos da 
Igreja o feu Purpurado Annaliíla Cefar Baro- 
nio. Eíla infígne Bibliotheca fe vé collocada em 
huma fumptuofa cafa, onde na fachada da por- 
ta eílá pintado o retrato de Achilles Eftaço, e 
na parte inferior gravada eíla breve infcripçaõ 
Bibliotheca Statiana. Naõ foy poderofa a morte 
para extinguir na eílimaçaõ dos mayores Prín- 
cipes a memoria de taõ grande Varaõ, pois,, 
querendo XiHo V. perpetuar o feu mered-* 
mento, conferio hum rendo fo benefício a 
hum feu parente, dizendo, que era juflo 
que ainda depois da morte fe premiaíTe a vir- 
tude. O Cardeal Farnefe naõ duvidou affír- 



i 



L USITANA. 



liar, que morceta o mayor homem que fahira 
Je Portugal. Os mais celebres Efcritores 
he confagraraõ grandes elogios ao feu nome, 
ulgando ferem limitado premio para taõ alto 
nerecimento, como foraõ Jufto Lipfío lib. i. 
Variar. Le£í. cap. 2. chamando-lhe maffti 
'njumij, & multa hítionis virum . Martim 
\ rpilc. Nav. in oper. de Keddit. Ecclef. Portu- 
Ília honor. O Cardial Baronio naõ fatis- 
ito de fazer delle honorifica memoria repe- 
las vezes, como fe vè in Annalih. ad ann. 
hrift. S99. n. 9. & in Not. ad Martyrol. 
\\om. 21. April. tratando de Anaftacio Synaita, 
cm 14. de Mayo regul. Monach. principal- 
ncntc a II. de Jan. in dcpofit. S. Bafil. diz 
,dlas palavras. "Legimus in Veteri M. S. Códice 
>mtra Biblioiheca, quam pojfidemus liheralitate 
■if memoria optimi, eS^ eruditijftmi Achillis 
atij LMjitani; e em 12. de Novembro efcre- 
vendo de S. Martinho Papa, e Martyr; Unde 
feiu precamur bona memoria Achillis Statij, 
\mà hgata nobis Jua Bibliotheca tam infignia reli- 
Un/ vetuftatis monumenta. Latin. Latinin Epiíl. 
[ad Ant. Auguíl. lhe chama L,ibrorum venator, 
je^* hellm. Ant. Poílev. in Appar. Sacr. tom. i. 
jNo/?r/ avi eruditiim virum. André Scoto in 
pih. Hijp. claf 2. tom. 3. pag. 489. Poeta 
fimul, <& Philologus inter aquales praftans. 
n. Nicol. Ant. na P>ib. Hifp. Tom. i. pag. 2. 
Vir piíis, eximiaque in litteris five proja, Jtve 
verfa oratione fcriberet, five iilufiraret prifcos 
\ripíores, five tandem è Latino in Gracum verte- 
\ret, fama. Fr. Miguel Pacheco na Vida da Inf 
\D. Mar. Liv. 2. cap. 4. p. 99. homhre doãijfimo en 
Hetras divinas, j humanas; e no cap. 18. pág. 135. 
Sugeto de los aplaudidos de aquel figlo en todas las 
\buenas Letras, Jorge Cardo f. Agiol. Lufit. 
'Tom. 3. no Commentario de 3. de Mayo letr. 
A lhe chama famofo. Joan. Suar. de Brito in 
Theat. Lufit. Litterat. lit A. Virfuit multa erudi- 
iionis tam graça, quam latina. Lud. Carrio. 
lib. I. Antiq. cap. 2. Virum fummum, atque 
ut ejus amplitudo, <& praclara omnium fcien- 
tiàrum conditio meretur, non nifi cum honore 
nominãdum. Jeron. Ghilino in Theatr. d'Huom. 
Letter. Tom. 2. p. 5. Eccellentiffimo Litte- 
rato, Poeta, Profatore, e Traduttore fini la fua 
vita in Koma con grandijfimo difpiacere dè fuoi 
amici, e di tuti iprofejfori di belle Lettere, trà 
quali apparve como un chiariffimo fole frà k 



Stelle. QjQvcí íemelhantes elogios o celebra6 
Joaõ Sambuco in Emblem. pag. 177. Pctr. 
Ang. Sper. de nobil. Profef. Grammat. €>* 
Human. lib. 3. foi. 120. e 129. Tobias Magir. 
in Eponymol. Crit. p. 7. Franckenau in Bib. 
Hifp. Hift. Gen. Herald, pag. i. Thuan. 
Hifl. lib. 39. ad an. 1566. Joan. Hallcvord. 
in Bib. Curió f. pag. 2. Jacob. Pontan. in 
Attic. Bellar. pag. 43. n. 21. Taxand. in 
Cathal. Cia. Hifp. Script. CapaíTi Hift. Phi- 
lofof. pag. 453. Padilla Hift. Úcclef. de Efpan. 
Gínt. 4. cap. 52. onde por erro o faz Italiano» 
Gafpar Eftaço Antig. de Portug. cap. 44. 
§. 6. e no Trat. da linhag. dos Eftaços. pag. 45. 
Fonfec. Évora gloriofa pag. 406. o Padre 
D. Ant. Caet. de Souf. na Prefação á Hift. 
Gen. da Caf Real de Portug. Tom. i. pag. 43. 
n. 21. He numerado entre os Poetas iníignes 
por Pedro Sanchez na celebre Carta que em 
louvor dos Poetas Portuguezes efcreveo a 
Ignacio de Moraes dizendo: 

Incolat, <& quamvis diverfas transfuga terras 
Non tamen oblitus pátria fera pralia cãtef 
Qua Kex Alphonfus cui calo mifja fereno 
Lufitanorum funt clara infignia Kegum. 
Illum autem digito quem monfirat Martia 
Koma? 
Orbis Koma caput; quo pratereunte feneftris 
De fummis pueri clamant, juvenefque, fenes que 
Ille, ille eft certe ille eft Lufitanus Achil- 

les: 
Lufitana fuis tellus geftavit in Ulnis 
Nutrivit, docuitque honas noviffe Camoe- 
nas. 

Ultimamente coroa todos eíles elogios 
dedicados à memoria de Achilles Eftaço o 
Padre António dos Reys com o que lhe tece 
das suas próprias Sylvas no Enthuíiafmo 
Poético, n. 15 que dedicou à AuguíHflima 
Mageftade delRey D. Joaõ V. N. Senhor 
impreíTo no principio dos feus agudiíTimos 
epigramas dizendo com Lacónica, e elegante 
energia: 

Tu quòque non unà tantum redimitus Achilles^ 

Fronde fedes; fiquidem própria dant plurima 

Sjlva 

Sertã tibi. 

O Cathalogo das fuás obras que fe achaã 

efpalhadas em huma, e outra Bibliotheca 

Hifpana, e Bibliotheca Clajftca de Draudio, 



8 



BIBLIOTHE CA 



na Curiofa de Hallevordio pag. z. e na Pon- 
tificia de Fr. Luiz Jacob de S. Carlos pag. 
238. e no Cathalogo Ciar. Hifp. Script. de 
Taxandro, he o feguinte. 

Obras impreíTas em profa. 

Commentarij in Lib. j. M. Tulij Cice- 
ronis de Óptimo genere Oratorum. Pariíiis apud 
Vafcofanum 15 51. in 4. & Lovanij apud 
Servatium SaíTenium. 1552. 

Commentarij in lih. M. Tulij Ciceronis de fato. 
Lovanij apud Servatium SaíTenium. 15 51. 8. 

Cajligationes, (& explorationes in Top. 
M. Tulij Ciceronis. Ibidem apud eumdem 
Typog. 1552. 8. Eíle Livro foy dedicado a 
Joaõ de Barros. 

De óptimo genere Oratorum, in Topicam, de Fato, 
.atque obfervationes aliarum rerum. Sahiraõ jun- 
tos Antuerpias apud Martinum Nutium 1555.8. 

In Horatij A.rtetn Poeticam Commenta- 
rium. Antuerp. 1553. 4. Deíla obra faz 
illuílre memoria Daniel Georg. Morhorf. 
in Polyhijlor. lib. 7. cap. i. n. 4. 

Ohjervationum in vários luatinorum fcriptorum 
Jibros. Lovanij apud SaíTenium 15 52. e 1604. 8. 
Sahiraõ depois /// The^aur. Crit. Joan. Gruther. 

Commentarij in Suetonium de Claris Gram- 
maticis, <& Khetoribus illujlribus libri duo. 
Antuerp. apud Chriílophorum Planti- 
num 1574. 8. Eíles Commentarios, que 
injultamente fe atribuiaõ a Joaõ Baptifta 
Egnatio, fahiraõ nefta impreíTaõ reílituidos 
ao feu verdadeiro author, qual era Achilles 
Eftaço, que os dedicou ao Infante Cardial 
D. Henrique, onde entre outras coufas lhe 
■diz. Multa tua conjlant in patrem meum bene- 
ficia, multa in fratres, multa in me ipfum deni- 
que. Deinde, qu(B ex Itália, atque Urbe Koma 
litteris amantijfimis aceito tam multa liberaliter, 
^ prolixe polliceris, perinde mihi grata funt, 
acji jam etiam acceperim. Eíla obra louva 
Dioniíio Lambino com huma carta efcrita 
a Eftaço, dizendo fahira, tua acérrima lima 
^ajiigatum , tuaque eruditijfima commenta- 
tione locupletatum , atque exornatum. Sahio Pari- 
íiis apud Federicum Morellum 1567. in 8. 
-Sc ibi apud Adrianum Beys 1610. in foi. 

Commentarij in Catullum. ibi apud eum 
dem Typog. 1566. 8. 

Commentarij in Tibullum. Venetiis apud 
Aldum Manutium. 1567. 8. 



Eftes dous Commentos fahiraõ impreíTos 
juntamente Venetiis apud Aldum, & Pariíiis 
in foi. dos quaes diz André Scoto aíTima 
allegado, Muretum in Catullo, (& Tibullo 
venujiis poetis explanandis amulari non dubitavit 
Statius; certe in Tibullo difertior Mureto, & 
copiojior. 

Orationes dua; altera in Tópica Ciceronis, 
altera quodlibetica de animarum immortalitate. 
Pariíiis 1547. 8. 

Oratio ad Pium IV. Pontificem Maximum 
Sebajtiani primi Portugallia* (& A.lgarbiorum 
Regis nomine obedientiam praf tante Imu- 
rentio Pires de Távora XIII. Kalend. JuniJ 
1560. Romãs, eodem anno 4. e nas minhas 
memorias delRej D. Sebaftiaõ Parte i. Liv. 2. 
cap. I. §. 7. Lisboa por Jozeph António da 
Sylva ImpreíTor da Acad. 1736. 4. 

Oratio Sebajliani Regis Luftania nomine 
ad Gregorium XIII. habita anno 1574. Romãs 
apud hasredes Antonij Bladij. 1574. 4. 

Oratio ad Pium V. nomine Joannis Valleta 
magni Magijlri Ordinis Melitenjis obedientiam 
prajlante D. Petro de Monte Capua. Romãs 
apud Bolanum de Accoltis 4. 

Commentarium, Jive Epijiola ad Navarrum 
de Redditibus Ecclejiajlicis. Romae apud hasre- 
des Bladij 1552. 8. No fim eftà a repoíla de 
Navarro, que começa defte modo. Epijlolam 
tuam, & Commentarium de pecunia Ecclejiajlica 
ratione, charitate, religione, prudentia, modefiia, 
(& elegantia plenam jucunde Jufcepi, avideque 
perlegi, (ò" cum tuo nomine, injignique fama 
dignam reperi, Jimul in animum induxi tua 
authoritatis validis fundamentis innixa accejfwne 
nojlra Jententice multum roboris addi pojfet. 
Efta mefma epiftola mais polida, e nova- 
mente augmentada com o Commentario do 
mefmo Eftaço de Penjione fahio com efte 
titulo. 

De redditibus Rcclejiajiicis, <& Penjione com- 
mentarioli duo. Romae apud hasredes Anto- 
nij Bladii 1574. 8. e 1581. e 1611. e ulti- 
mamente Hamburgi apud Michaelem Hering. 
1614. 8. 

Illujirium Virorum ut extant in Urbe exprejft 
vultus ab Statio colleãi, opera Fulvij Orjini 
publici júris faãi. Romae apud Antonium 
Lafrerium. 1569. in foi. 

Taboa Geográfica do Rejno de Portugal im- 



L USITAN A. 



preíTa em Roma 1560. a qual Abrahaõ Ortello 
collocou no Teu Theatro do mundo, e por a 
ter dedicada Achilles Eftaço ao Cardial 
Guído Sforcia julgarão alguns erradamente 
íer obra fua, fendo ella compoíla por Femaõ 
Alvres Seco Infígne Coímografo, de que 
faremos mençaõ em feu lugar. 

Obras Poéticas impreíTas. 

Syha aliqmt má cum duobus hymnis Calli- 
machi eodem carminis genere ab Statio reddiíis. 
Paris, apud Thomam Richardum. 1549. 4. 
& ibi. com outras diverfas 1555. 

Monomachia Navis Lfijt/ania, ^ "Rjgum 
Ijijitanorum infignia. Romx apud Jofephum 
de Angelis i j 74. 

De ekãione, profeStione, <& coronatione Sere- 
niffimi Henrid Polónia Regis. Romx apud 
hxrcdes Bladij. i$74. 

Deo Forti Me/i/a /ibera/a Epinicium. Sahio 
impreíTo eftc Poema com a Oraçaõ que fez 
cm Roma em nome do Graõ Meílre de Malta, 
de que affima fe fez mençaõ. 

Ad Cognominem Jibi Achillem Statium Pella 
Epifcopum Cármen. Sahio impreíTa efta obra 
na Bibliotheca Hifpan. de André Scoto 
pag. 488. 

Poema Latino em louvor da SerenííTi- 
ma Infanta D. Maria filha delRey D. Manoel, 
o qual começa. 

Jam pridem Jludijs aliis addiãior avi. O 
qual eftá impreíTo na Vida da me/ma Prin- 
^e^a compoíla por Fr. Miguel Pacheco lib. 
2. cap. 18. pag. 135. V. onde com igual ele- 
gância fe vé traduzido em Caftelhano por 
D. Manoel de Salinas y Lezana Cónego da 
Cathedral de Huefca. 

Epigramma Graco Eatinum in Tranflatione 
S. Gregorij Nat^ian-i^eni, o qual traz Baronio 
in Not. ad Martyrol. Roman. 3. Idus Junij. 

Obras traduzidas do Grego em Latim, 
das quaes a mayor parte eílá inferta in Bi- 
blioth. Patr. 

S. Joannis Chryfojlomi Orationes quinque. 
I. Dominica Orationis explana fio. 2. in Natalem 
Domini. 3. In Sanãa Theophania. 4. De David 
Propheta. 5. de Seraphim. Efta fahio fepara- 
damente Romae apud hasredes Antonij Bladij. 
1380. 8. Petro Donato Cardinali Caeíio nun- 
cupata. 

S. Gregorij Nyjfeni de Ahrahã <& IJac. 



S. Athanafij in Mag. Parefcevtn. Amphi- 
locbij in Sabbati Sanai diem. Gregorij Antio- 
cheni Epifcopi in Sepulturam, & Kejurreãiontm 
Domini. 

Sophronij in Exaltationem S. Crms. 

Cyrilli in Parabolam Vinea. 

Anajlajij Sinai/a de in/urijs remitíendit. 

EÍU obra íahio feparadamente RonuB 
1579. como diz Baronio no Tom. 8. dos 
Annaes. 

Martiani Beethlemita fragmentum. Nili 
Abbatis epiftola três. Algunus deftas obras 
fahiraõ à luz publica com eftc titulo. 

Orationes nonnullorum Gracia Patrum Chrj/' 
joftomi, Athanafij €>• c. latine reddita Achilk 
Statio interprete. Romx apud Francifc. Zannc- 
tum. 1578. 8. 

In Arati Phanomena, ^ proffiojlica. Flo- 
rentix apud Jun£bs 1568. in foi. Efta obra 
traz Draudio in Bib. Clajfic. Tit. Phanomena. 
Typi Epijlolici, (& epijíolarum figura authore 
incerto: eadem de re qttadàm ex magno Bafilio 
cum Ubanij Sophifta commentariolo ; quadam 
ex Tatiano, Demétrio Phalareo, Cicerone, Philipo 
Beroaldo, Sulpicio, Verulano. Lovanij apud 
Bartholomxum Gravium 15 51. 8. 

Obras Latinas, que por fua induftria 
fahiraõ à luz publica. 

Eiber de Trinitate, <& Fide compofto 
por Gregório Bifpo de Granada, ou como 
outros querem, pelo Bifpo Fauftino. Romx 
in xdibus Populi Romani. 1575. Efte tra- 
tado anda impreíTo no fim do 2, Tom. da 
Biblioth. Patr. da impreíTaõ de Pariz do anno 
de 1575. 

Sanai Ferrandi Carthaginenfis Ecclefia Dia- 
coni Opuf cuia pia. Romae 1578. 8. Dedicados 
ao Cardial Luiz Madrucio. 

Sanai Pachomij Canobiorum per Mg^ptum 

Fundatoris regula Mgyptiace /cripta, à Sanão 

Hieronymo Latine converja, ab Statio expur- 

gata, (ò" prijlina fidei reddita; item S er mo 

S. Anfelmi de vita aterna. Romx apud hsere- 

des Bladij. 1575. 8. Efta obra anda taõbem 

no appendix das obras de CaíTiano illuftradas 

com as Notas de Pedro Chacaõ. Romx. 1 5 80. 

Obras naõ impreíTas. 

Diverfos Poemas ajfim heróicos, como Eyricos. 

Muitos Pfalmos de David tradujidos em ver/os 

elegantijjimos. 



IO 



BIBLIOTHE CA 



Commentarij tn Arijioíelis Voeticam. Defta 
obra faz elle mefmo memoria no fim dos 
Commentos à Poética de Horácio. 

Commentarij in Horatij carmina. Annotatio- 
nes, (& Scholia in omnia Puh. Virgilij Mar. opera. 

De rehus gejiis Patris fui. Faz mençaõ 
deíla obra Gafpar Eílaço nas Antig. de Port. 
cap. 44. §. 6. 

Muitas cartas efcritas a varias PeíToas, 
e as que lhe efcreveraõ. 

A mayor parte deílas obras fe confervaõ na 
Livraria, que elle deixou aos Padres da Congre- 
gação do Oratório de Roma; outra grande par- 
te, e ainda muitos opufculos deíle grande Va- 
rão fe guardaõ M. S. em quatro Tomos na 
Bibliotheca Romana dos Padres Agoítinhos, 
como coníla do feu mefmo Index, digniíTimos 
certamente de que lograíTem o beneficio da luz 
publica, como ardetemente defejava Joaõ Bau- 
tista Cardona Bifpo de Torto fa. Prelado muito 
erudito, o qual fazia taõ grande eílimaçaõ das 
obras de Achilles Eílaço, que as julgava mere- 
cedoras de ferem procuradas com toda a deli- 
gencia, e extrahidas dos lugares em que injuf- 
tamente jaziaõ fepultadas para ennobrecerem 
a Bibliotheca Regia do Efcurial, e ferem col- 
locadas entre as famofas dos Efcritores mais 
celebres de Efpanha, como elegantemente o 
deixou efcrito no Confelho que deo para fe 
augmentar a mefma Biblioth. do Efcurial, 
o qual se pode ler na Biblioth. Hifpan. de 
André Scoto Tom. i. cap. 3.pag. 71. 

Fr. ACCURSIO DE S. PEDRO natural 
da Villa de Serpa da Província do Alentejo. 
Recebeo o habito dos Frades Menores na Pro- 
víncia dos Algarves, onde depois de eJftudar 
as Sciencias mayores, as diâou aos feus do- 
meílicos, até que chegou a jubilar na Cadeira 
de Prima de Theologia. Depois de fer Guar- 
dião do Convento de Évora, foy eleito com 
uniformidade de votos Provincial em o anno 
de 1653. em cujo lugar exercitou com os feus 
fubditos a aíFabilidade, e prudência, de que 
era fummamente dotado. Imprimio. 

Sermão do Aão da Fè que fe celebrou na 
Cidade de "Évora a 11. de Agojlo de 1644. Lis- 
boa por Domingos Lopes Rofa. 1644. 4. 

Dúbia Kegularia, cujas opinioens eílavaõ 
aíTinadas pelos Doutores da Univerfidade 



de Coimbra, a qual obra defappareceo com 
a fua morte, que fuccedeo no Convento 
de S. Francisco de Xabregas Cabeça da Pro- 
víncia dos Algarves. 

Fr. ADEODATO DO POMBAL 
cujo appellido indica a pátria onde naceo, 
que he da Diocefe de Coimbra na Província 
da Extremadura. Foy Monge de Cifter no 
Real Convento de Alcobaça. Compoz 

Compilatio definitionis Capituli Generalis editi 
anno 13 18. 

Eíla obra fe con ferva M. S. na Biblio- 
theca de Alcobaça. 

F. ADEODATO DA TRINDADE 
Naceo na Cidade de Goa cabeça do Império 
Afiatico Portuguez, e foraõ feus Pays Manoel 
Fernandes, e Mariana de Mello. Profeííou 
o habito de Eremita Auguíliniano no Con- 
vento de Lisboa em 31. de Mayo de 1565. 
Todo o tempo que lhe reílava da applicaçaò 
dos eíludos mayores, o occupava em efcre- 
ver os livros do Coro com fumma perfeição 
por ser hum dos mais infignes Efcrivaens 
do feu tempo. Por ordem de Felipe IL 
emmendou, e reformou a fexta Década 
da índia compoíla por Diogo do Couto, 
que era cazado com fua Irmaã Luiza de 
Mello. Naõ fomente reformou a Década 6. 
mas aífiílio à impreíTaõ das que lhe prece- 
derão, para que fahiíTem correâas, como 
efcreve o Chantre de Évora Manoel Seve- 
rim de Faria nos Difcurf. Var. Polit. pag. 150. 
v.o Morreo no Convento de Lisboa no anno 
de 1605. 

D. ADRIANA FAGUNDES taõ nobre 
pelo nacimento como infigne pelo talento 
de que liberalmente a ornou a natureza. 
Fallou com expedição, e propriedade diverfas 
linguas, fendo de taõ feliz comprehenfaõ 
que decorou os livros do Genefis, Êxodo, 
e de todo o Teftamento novo, que fielmente 
repetia, quando fe offerecia occafiaõ. Mor- 
reo no anno de 173 1. deixando para teíle- 
munhas do feu difcreto, e profundo juifo. 

Poefias varias a diverfos ajjumptos. M. S. 
Delia faz memoria o Theatro Heroino das mulhe- 
res Illuflres em f ciências. Tom. i. pag. 114. 



L USITANA. 



II 



P. ADRI^M PEDRO natural de Lif- 
boa, e ílDi" 'oftinho Pedro, e Cathe- 

rina de Vadre. Sendo de defouto annos en- 
trou na Companhia de JESUS a 5. de Junho 
de 1649. em o Noviciado da fua Pátria. 
Depois de aprender as letras humanas, e as 
fciencias mayores, leo com geral applaufo 
hum Curso de Filofofia na fua Pátria. A 
natural benevolência, de que era dotado, 
o fez digno de exercitar diverfos miniílerios 
na Religião com grande fatisfaçaò delia, e 
mayor credito da fua peííoa, como foraõ 
fer Procurador do Malabar, e do Japaõ, 
Reytor do CoUcgio de Coimbra, e depois 
do de Santo Antaõ cm Lisboa, onde morreo 
a 17. de Março de 171 3. com 79. annos de 
idade, e 62 de Religião. Efcreveo. 

Vida do IrmaÕ António Homem CoadJNtor 
temporal, e do IrmaÕ Bernardo de Mello EJlu- 
dante, ambos jefuitas, cujos originaes fc guar- 
daõ no Cartório do CoUegio de Coimbra. 

Excellencias de Lisboa. Aí. S. Delle faz me- 
moria o Padre António Franco na Imag. da Vir- 
tiid. em o Nou. da Comp. de Jef. em Lisboa pag. 96 3 . 
c no Synopf. Annal. Soe. Jef. in Lufit. pag. 445. 
dizendo delle : Voftremos annos conjtwipsit Jcri- 
bendo de excellentijs UlyJJiponis Pátria fua. 

D. AFFONSO I. entre os Monarchas 
Portuguezes, e único entre os Heroes mili- 
tares, que venerou a Antiguidade, teve por 
oriente a nobre Villa de Guimaraens, onde 
fahio à luz do mundo em 25. de Julho de 
1109. e por Pays ao Conde D. Henrique, 
quarto filho de Henrique Duque de Bor- 
gonha; Terceiro Neto de Hugo Capeto, 
tronco da Real Cafa de França, e a Rainha 
D. Tereza filha de Affonfo VI. Rey de Leaõ, 
e Caftella, e da Rainha D. Ximena Nunez 
de Gufmaõ, concorrendo para exaltação de 
taõ grande Príncipe a coroada afcendencia de 
tantas Purpuras, que na longa diuturnidade de 
muitos Séculos tinhaõ illuílrado os Tronos de 
Saxonia, França, Inglaterra, Borgonha, Nor- 
mandia, Lorena, e Efpanha. Mas para que a 
Graça lhe infundiíle mayor efplendor, do que 
recebera da natureza, foy regenerado nas aguas 
do bautifmo por S. Giraldo Arcebifpo de Braga, 
onde lhe foy impofto o faufto nome de AíFonfo 
em obfequio de feu Avo materno. Ainda 



naõ excedia a idade de quatro annos, quando 
feu Pay mais carregado de palmas, que de 
annos, pa ííou em Aftorga a coroarfe no Capi- 
tólio da Eternidade, e vendo fua Mãy quanto 
neceíTaría era a boa educação para formar 
hum Príncipe perfeito, tanto que começou 
a articular as primeiras palavras, o entregou 
á tutela de Egas Moniz, taõ illuftre no fangtie, 
como nos coílumes, para que o inílrniíTe 
naquellas artes, que foííem dignas de hum 
Soberano; e como era dotado de hum engenho 
perfpicaz, e hum coração intrépido para 
emprender acçoens heróicas, o foy doutri- 
nando com máximas Chriílãas, e politicas, 
de que era capaz a fua tenra idade, naõ alte- 
rando a feveridade de Ayo o refpeito que lhe 
devia como VaíTallo, antes como o amava excef- 
fivamente, era igual ao affeéto o fentimento, que 
lhe opprimia o coração, vendo que ao mefmo 
paíTo que crecia, fe lhe defcubria mais clara- 
mente hum defeito, que trouxera do ventre ma- 
terno, o qual naõ fomente afeava a proporcio- 
nada fymetria de todo o corpo, mas o fazia 
inhabil para o exercido das armas. Para emen- 
dar efte erro da natureza depois de tentados 
inutilmente os focorros da Medicina, recorreo 
a fidelidade de Egas Moniz aos fobrenaturaes, 
implorando com fervorofas fupplicas a divina 
Mageftade, e a fua SantiíTima Mãy quizeíTem 
compadecer fe daquelle Príncipe, de cujo braço 
eftavaõ pendentes as efperanças de todo o 
Reyno, e o que era mais, por eftar deftinado 
para glorio fo inílrumento de tantos triumfos, 
que em obfequio do feu nome, e mina de 
feus inimigos havia heroicamente alcançar. A 
taõ ardentes votos condefcendeo benignamente 
o Ceo, e infpirado fuperiormente Egas Mo- 
niz a que levaíTe o Infante aonde eílava collo- 
cada huma infigne Imagem de Maria SantiíTima, 
tendo-o oíFerecido a efta Soberana Princeza, re- 
cebeo repentinamente faude, cuja noticia en- 
cheo de univerfal alegria a todo o Reyno, e 
para eterno padraõ de taõ fingular beneficio fe 
erigio hum Templo à Senhora no lugar de Car- 
quere pouco diílante da Gdade de Lamego. 
ReíHtuido milagrofamente à faude D. Affonfo, 
e contando quatorze annos de idade fe armou 
Cavalleiro na Cathedral de Zamora com 
aquellas ceremonias militares, que naquel- 
les tempos fe obfervavaõ iufundindo-lhe 



12 



B l B LIO THE C A 



as armas, que veftira, taõ briofos efpiritos, que 
parece que todo o furor de Marte fe lhe accen- 
dera no peito para derrotar os inimigos da Cruz, 
e dilatar mais vaílamente o Império de Chriílo. 
Sejaõ irrefragraveis teílemunhas deíla verdade 
a continuada ferie de vidorias, que por vezes 
repetidas alcançou o feu invi£to braço, contan- 
do-fe os triumfos pellas batalhas, os defpojos 
pellos aíTaltos, e as conquiftas pellos afledios. 
ConfeíTe-o Albucazen Rey de Badajoz deftro- 
çado nos Campos de Trancoso. Teílemunhe-o 
ElRey Eu j uni levantando ignominiofamente o 
fitio que tinha poílo a Coimbra com trinta mil 
combatentes. Publique-o Albaruque Rey de 
Sevilha, quando junto de Santarém foy total- 
mente roto, e desbaratado, concorrendo para 
a gloria defte triumfo o patrocínio do General 
dos Exércitos de Deos o Archanjo S. Miguel, 
fazendo viíivel a fua angélica protecção, como 
já em tempos mais antigos o tinha feito em 
obfequio de outro Heroe igual a AfFonfo no 
valor, e na Santidade. Aclame-o Lisboa naõ so- 
mente de Portugal mas de todo o mundo cele- 
brado Empório, a qual gemendo efcrava a que 
havia fer Princeza do Império Luíitano, foy 
refgatada do bárbaro poder, que a dominava, 
querendo fer participantes de taõ memorável 
acçaõ muitos heroes de nações diverfas, que 
por mar, e terra confpiráraõ para a fua liber- 
dade, ficando para monumento da viétoria, e do 
eftrago, duzentos mil bárbaros mortos. Mayo- 
res, e mais celebres foraõ as palmas, que colheo 
nos Campos de Ourique, e Santarém. Neíla 
famofa Villa fe coroou viâoriofo em hum 
conflicto, que fendo pella ordem do tempo o 
ultimo mereceo a primazia pelas circunílancias 
do fucceíTo, pois jà quando parecia que a 
idade provedta lhe tiveíTe remitido parte 
do ardor militar, entaõ fuperior à mefma 
natureza fe moílrou mais que nunca vigo- 
rofo, derrotando inteiramente a Aben Jacob 
Miramolim de Marrocos, que acompanhado 
de treze Reys lhe vieraõ authorizar mais a 
viftoria, pagando aquelle bárbaro Príncipe 
com a fua vida o atrevido infulto de ter 
aílediado ao Infante D. Sancho dentro dos 
muros daquella Praça. O Campo de Ourique 
foy o folar gloriofo do feu Principado rece- 
bendo nelle a fua inveílidura do Suprmoe 
Arbitro dos Impérios, o qual apparecendo-lhe 



pendente da Cruz, e cercado de luminofa 
inundação de rayos, que diíTipáraõ as trevas, 
que entaõ dominavaõ os Orizontes, lhe 
illuílrou menos os olhos do corpo, que da 
alma, fegurando-lhe com benigno afpefto a 
viftoria de feus inimigos, a diuturnidade do feu 
Império, a dilatação das fuás conquiílas, e a 
perpetuidade da fua defcendencia; e para 
mayor argumento do feu amor, e infallibilidade 
da fua palavra lhe deu para brazaõ as cinco 
Chagas, que confervou indeléveis no feu glo- 
riofo Corpo. Animado com taõ foberana pro- 
tecção naõ teme o inuadir a immenfa multidão 
de bárbaros, que excediaõ o numero de duzen- 
tos mil, divididos em cinco corpos, de que eraõ 
formidáveis cabeças cinco poderofos Príncipes, 
fendo taõ horrorofo o eftrago, que padecerão, 
que do fangue derramado por cento, e cin- 
coenta mil, naõ fomente os rios Cobres, e Ter- 
ges mudarão a cor, mas engro íTaraõ a corrente. 
Igual foy a fortuna alliada com o feu valor con- 
quiílando, que combatendo, pois o numero das 
conquiílas naõ fe diíFerençou do das batalhas. 
Com incrível velocidade libertou do dominio 
dos Mouros Lisboa, Santarém, Mafra, Cintra,. 
Leyria, Cezimbra, Torres Vedras, Óbidos, 
Alenquer, Palmella, Alcácer do Sal, Évora,. 
Beja, Elvas, Moura, Serpa, e outros muitos 
Lugares, purificando por efte modo com catho- 
lico zelo ao feu Reyno das infames relíquias do 
Mahometifmo, que como peftifero contagio 
o podiaõ inficionar. De taõ admiráveis 
fucceíTos, e de outros ainda mais prodi- 
giofos era credora a fua piedade, pois antes,, 
que emprendeíle acçaõ alguma, follicitava 
com devotas fupplicas, axifteros jejuns, e arden- 
tes rogos o feliz fucceílo das emprezas, que 
intentava, invocando para feus tutelares a 
Maria SantiíTima, a quem cordialmente vene- 
rava, e a outros Santos, de cuja interceílaõ 
confiava alcançar o que pertendia. A remu- 
neração era igual ao beneficio, pois alem de 
fazer tributaria a fua Coroa com penfoens 
annuaes à Sé Apoílolica, e ao Convento de 
Santa Maria de Claraval, Cabeça de toda a 
família Ciftercienfe, naõ fomente teílemunhou 
em cento, e cincoenta Templos, que nova- 
mente erigio, e fumptuofamente reedificou, 
a fua Religião, e a fua magnificência, mas 
também eternizou o feu agradecimento, e: 



L USITANA. 



i3 



yeoeraçaõ, fendo entre todos os mais celebres 
flquelles dous Principados Ecdefiaílicos, que 
fundou em Coimbra, e Alcobaça: hum para 
os filhos de AgoíUnho, e outro para os de Ber- 
nardo. No primeyro naõ fatisfeita a fua piedofa 
gencroíidade com ter edificado o rumptuofo 
Convento de S. Vicente de Lisboa, levantou 
outro em Coimbra de tanta mageftade, que 
foíTe capa2 depofíto das fuás auguílas, e vene- 
ráveis Gn2as, aonde introduzio o IníUtuto 
Canónico Auguíliniano com aquella mefma 
obfervancia, que cm Africa o tinha rcAaurado 
o grande Agoílinho. No fcgundo confi- 
derando quanto era credor o Reyno, que 
poíTuia, às oraçoens de S. Bernardo, o 
qual como Moyfés da Ley da Graça quando 
orava, fazia que cftc Principc, como outro 
Jofuc dcbclaíTc na Campanha os inimigos 
do Povo de Deos, edificou cm Alcobaça 
para dcfcmpenho do feu Real animo hum 
Moftciro, fobcrbo na fabrica, augufto nos 
privilégios, e opulento nas rendas para habi- 
tação de mil Monges, que exaftamente obfer- 
vaíTem os didames, que em Claraval tinhaõ 
aprendido do feu mellifluo Prelado. A mefma 
religiofa profufaõ exercitou na erecção das Ca- 
thedraes de Lisboa, Évora, Vifeu, e Lamego; 
c das CoUegiadas de Santarém, e Guimaraens, 
aífinando para fuftentaçaõ, e efplendor dos feus 
Prelados, e Miniílros copiofas rendas. Seme- 
melhante beneficência experimentarão os Ca- 
valleiros da Ordem do Templo, de S. Joaõ de 
Jeru falem, e do Patraõ das Efpanhas S. Tiago. 
Para dignamente premiar os bellicozos efpiri- 
tos dos feus Soldados, que foraõ gloriofos inf- 
trumentos, e infeparaveis companheiros de tan- 
tas viâorias, fundou duas illuftrilTimas Ordens 
Militares, chamada a primeira da A/a no anno 
de 1 167. e a fegunda de Aviz no anno de 1 179. 
em as quaes deixou gravado hum eterno memo- 
rial da fualiberalidade, e do valor, que mereceo 
premio taõ honorifico. Foy cazado com D. Ma- 
falda, filha de Amadeo IIL Conde de Saboya, 
Moriana, e Piamonte, de quem teve o In- 
fante D. Henrique, o Infante D. Sancho 
igualmente herdeiro do Scetro, que das fuás 
heróicas façanhas, o Infante D. Joaõ, a 
Infanta D. Urraca, que cafou com D. Fer- 
nando II. Rey de Leaõ, a Infanta D. Mafalda, 
e a Infanta D. Terefa chamada pelos Eftran- 



geiros Matilde, que foy prímeyramente def- 
pofada com Felipe I. Conde de Flaodes, e 
por morte defte Príncipe contrahio fegundas 
vodas com Kudo IIL Duque de Borgonha, e a 
Infanta D. Sancha. Ultimamente coroado de 
triumfaes Louros, e virtuofas obras, pellai 
quaes fe fez merecedor da immortalidade, aca- 
bou a vida, mas naò a fama, em Coimbra a 6. de 
Dezembro de 118). com 75. annos de idade, e 
no magnifico Convento de Santa Cruz foy se- 
pultado o feu Real Cadáver concorrendo a vene- 
rallo infinita multidão de povo atrahido das 
vozes dos prodígios, com que Deos quiz tefte- 
munhar a fua Santidade. Foy depois tranfferido 
a hum foberbo Maufoleo de preciofos nurmo- 
res, que lhe mandou erigir a magnifica piedade 
dclRey D. Manoel, fobrc o qual mandou cfcul- 
pir a imagem deíle Monarca, para que a arte 
fielmente reprefcntaflc depois de morto afigura, 
que nellc vivo delineara a natureza. Teve o 
corpo agigantado, mas ainda pequeno para a 
grandeza do efpirito, cabello caílanho, boca 
groíTa, o roílo, e nariz compridos, olhos claros, 
e grandes. A gentileza do roílo junta com a 
feveridade do afpeélo o fazia igualmente amado, 
e temido. Sobre os diademas de dous Empera- 
dores, e as Coroas de vinte Reys vencidos em 
cinco memoráveis batalhas arvorou os trofeos 
de invencivel, fervindolhe tantas purpuras de 
degráos para subir à eminência do trono, ao 
qual para durar eternamente lhe abrio os aUcef- 
fes com a própria efpada. Nunca cometeo em- 
preza, que naõ foíTe árdua de confeguir; nunca 
deu batalha, em que naõ foíle taõ incerta a viâo- 
ria, como manifefto o perigo, julgando por inju- 
riofos aquelles triumfos, nos quaes tiveíle mayor 
parte a fortuna, do que o valor. Sendo como o 
primeyro Cefar fundador do Império de Por- 
tugal, como aquelle o fora de Roma, e taõ 
inclinado ao exercicio das armas, como das 
letras, o excedeo naõ fomente efcrevendo 
com pureza, e elegância na lingua Latina 
a Hiílorfa da celebre ConqvúHa de Santarém, 
mas ordenando ao feu Capellaõ Joaõ Ca- 
mello, que individualmente relata íTe as mili- 
tares proezas obradas pelos feus VaíTallos na 
fua companhia, e as famílias donde defcen- 
diaõ taõ famozos heroes, para que ferviífem 
de exemplares do valor a toda a pofteridade. 
A Hiíloria da Conquifla de Santarém efcrita 



14 



B IB LIO THE CA 



por eíle Príncipe, em que defcreveo a fitua- 
çaõ daquella Villa, fe conserva M. S. no 
Archivo do Real Convento de Alcobaça 
no fim de hum Livro de S. Fulgencio, 
como efcrevem Fr. Bernardo de Brito na 
Chronic. de Cijler, liv. 3. cap. 18. e Fr. Antó- 
nio Brandão Mon. 'Lujit. Part. 3. liv. 8. cap. 6. 
e liv. 10. cap. 22. Com mayor individua- 
ção o deixou efcrito o infigne Hiíloriador 
D. Jerónimo Oforio Bifpo de Sylves lib. 6. 
de Kegis Infiit. p. 180. da ediçaõ de Coló- 
nia de 1588. Ríx Alphonjus primus hujus regni 
conditor, cujiis divina virtus cum admirabili fapien- 
tia conjunãa tneritò efi in omni aternitate cele- 
hranda. Is igitur cum Scalahim Urhem, ó" Jitu, 
<& arte mmitijfimam, (0° militum multitudine , 
(Ò' vigilum diligentiá defenjam centum viginti 
tantàm hominibus fortijfimis fiipatus mãe una 
cepijfef, ó' urhis fitum, (& regionis fertilitatem , 
(Ò" expugnationem illam non incommodê latinis lit- 
teris complexus efi, ita tamen, ut apparet, illum 
ex Sanais litteris non vivendi tantúm dijci- 
plinam, Jed dicendi etiam fiylum, <& rationem 
percepiffe. Semelhantes, ou mayores Elogios 
lhe dedicarão os noíTos Hiíloriadores, como 
foraõ Duarte Galvaõ na Chronica defie Prín- 
cipe; Brand. Mon. hufif. Part. 3. liv. 9. até o 11. 
Brito Chronica de Cifier, 1. 3. c. i. e nos B.log. 
dos 'Keys de Port. p. i. Vafconc. Anaceph. 
Keg. hufit. pag. 13. Mariz Dialog. de Var. 
Hifi. Dial. 2. Manoel de Far. e Souf. Europ. 
Porf. Tom. 2. Part. i. cap. 3. e no Epif. 
das Hifi. Port. Part. 3. cap. 2. Duart. Nun. 
Chron, defie Princip. pag. 29. e na Geneal. dos 
Kejs de Portug. p. 3. v.o. Barbud. Empre^. 
Milit. de Eufit. pag. i. v.o. D. Nicol. de Santa 
Mar. Chron. dos Coneg. Keg. Liv. 9. cap. 9. 
Maced. in Propug. Eufit. Gal. Part. i. Con- 
fut. 20. ad Art. 10. Fonfec. Etior. Gloriof. 
pag. 39. Manoel de Souza Moreira Theat. 
Gen. da Caja dos Sou^as pag. 153. Anton. 
Maced. Divi Tutel. pag. 240. Mend. in Viri- 
dar. lib. 6. Orat. 3. Cunha Catai, dos Bifp. 
do Port. Part. 2. cap. 3. Menezes Portug. 
Kefiaurad. Tom. i. pag. 5. Card. Agiol. Eufit. 
Tom. I. p. 467. no Comment. de 18. de Feve- 
reiro. Jozeph Pint. Pereir. in Apparat. Hifi. 
Keligiof. Princ. Alphonfi Henrici per tot. o 
Padre D. Anton. Caet. de Souf. Hifi. Gen. 
da CaJa Keal de Port. Tom. i. liv. i. cap. 2. 



O noflb Virgiho Portuguez lu Eufiad. Cant. 3. 
Eftan. 45. 

A matutina lu^ ferena, efria 
As efirellas do Polo já apartava, 
Quando na Cru^i o Filho de Maria 
Amofirando-Je a Affonjo o animava. 
Elle adorando a quem lhe apparecia 
Na Fèe todo inflamado ajjim gritava, 
Aos infiéis. Senhor, aos infiéis, 
E naõ a mim, que creyo o que podeis. 
E na Eílanc. 84. 

Os altos Promontórios o chorarão, 

E dos Rios as aguas faudofas 

Os femeados campos alagarão 

Com lagrimas correndo piedofas. 

Mas tanto pelo mundo fe alargarão 

Com fama fuás obras valerofas, 

Que fempre no feu Rejno chamarão 

Affonfo, Affonfo os ecos; mas em vaõ. 

Dos ellranhos feja o primeiro, o que 

taõbem o foy na dignidade, o Pontífice Inno- 

cêcio III. em huma carta efcrita a D. Aflfon- 

fo 11. que traz Baronio in Annalib. Ecclef. 

ad an. 11 79. Manifefiis probatum efi argu- 

mentis quod inclyta recordationis Alphonfus Avus 

tuus per fudores bellicos, <& certamina militaria 

inimicorum Chrifiiani nominis intrepidus extirpator, 

<& propugnator fidei orthodoxa, ficut devotusfilius, 

<& Princeps Catholicus multimode obfequia impendif 

SacrofanãcB Romana Ecclefia Matri fua dignum 

nomen, (& exemplum imitabile pofieris derelinquens. 

Hypol. Marrac. in Reg. Marian. p. 17. Viroperi- 

bus bellicis clarus, <ò' Chrifiiana pietate fervens. 

Nat. Alex. Hifi. Ecclef. Sascul. 11. €>* 12. cap. 11. 

art. 3. RexfortiJJimus, <& piijftmus Eufitani Regni 

conditor multorum Monafieriorum , <ò' Templorum 

fundator mirificus. Jacob. Gou. toulas Hifi. 

Univ. Part. 3. ad Ssecul. 12. Non minus belli, 

quam pacis artibus clarus Rempublicam illufirare, 

bonifique omnibus augere, ac fplendide ornare non 

defiitit. Marian. de reb. Hifp. Lib. 10. cap. 13. 

17. e 19. <& lib. II. cap. 15. (Ò' 16. Principem 

omni virtute confpicuum, fidei Chrifiiance :^elan- 

tijjimum, pace, belloque gloriofum. Manrique 

in Annal. Cifierc. Tom. 3. ad an. Chriíl. 11 85. 

cap. 5. n. 10. Ingentis laudis Princeps, e^* qui 

non minori apud Deum gratià, quám apud homi- 

nes gloria floruit quandiu vixit, credendus efi. 

Paflarel. de bel. Lufit. lib. i. Ob mauros in 

pralio infigni cade profiratos militari fiudio, atque 



LUSITANA. 



i5 



plaujii in illo ardore vUloria Kía* proclamatus 
OMguftum hoc ftbi partum virtiite nomen, alijs 
pojl dotihiis autlnni, atque exinde retenlum ad 
pofttros tranjlulit. Bonucci Iftor. di D. Alffon. 
Ettriq. liv. 3. cap. i. Ké natofrà h ar mi, nodrito, 
$ crtfcwío fra gli eferciTJ di Mar/e, por/a/o 
éhlla divina Prmdenza fra cento battaglie Jh 
i Jcudi, fii gli elmi, Jh i fafci di palme trionfali 
4ik Jublimità de m trono reale. Garibay Comp. 
Hijl. de líjpan. liv. 38. cap. 14. ij. c 16. 
Giuft. liiji. Chronol. dei* Ord Aíilit. Part. i. 
cap. 25. c 28. Caram. Theol. Kegiil. P. 9. Epift. 
j. n. 2365. Carrillo Annal. dei Mitnd. liv. 4. 
pe^g. 329. v.o Chryfog. in Mimd. Marian. Difc. 
18. n. 34. Sccvol. et I.ovis de Sainô. Marth. 
Hift. Gen. dela Aíaif. de Franc. Tom. 2. liv. 
41. cap. 2. Matta Traíí. de Sanííor. Canonizai. 
Part. 3. cap. 2, n. 10. Del Rio Difqtíijif. Mag. 
Qweíl. 26. feél. 5. pag. 283. BoíTius de Sig^i. 
Eitclef. lib. 17. cap. 7. Aubert. Mirxus in 
Orig. Ord. Equeji. cap. 14. Quarefm. ác Quinq. 
Vuln. Chrijl. Tom. 5. lib. 3. cap. 7. 

AFFONSO IV. do nome, e VII. Rey 
de Portugal, que ou pela afpereza da condição, 
ou pelo valor do animo foy intitulado anto- 
nomaílicamente o Bravo, nafceo na Cidade 
<ie Coimbra a 8. de Fevereiro de 1291. fendo 
fcus Auguílos Progenitores, ElRey D. Diniz, 
•e a Rainha D. Ifabel, que por fuás fmgulares 
virtudes mereceo, que das veneraçoens do 
[ Trono fo íTe com religiofos cultos adorada 
I; nos Altares. Logo nos primeiros annos lhe 
nomeou feu Pay por Meftre a D. Martinho 
! cie Oliveira, taõ venerável pela dignidade, 
como pela virtude, para formar na fua Pef- 
foa huma perfeita imagem da Soberania, 
c em taò tenra idade deu finaes evidentes, 
de que a natureza o tinha dotado de huma 
Índole capaz de obrar acçoens dignas do feu 
nacimento; porém com o progreíTo dos an- 
nos deixando fe arrebatar da violenta paixaõ 
do governo, determinou com temerária ou- 
fadia cingir a Coroa na vida de feu Pay, 
fendo huma das principaes caufas, porque 
fe refolveo a executar eíla abominável ac- 
ção, o particular affedo, com que aquelle 
Príncipe amava a feu Irmaõ Affonfo San- 
ches, a quem perfeguio com taõ declarado 
ódio, que além de o defpojar da fazenda. 



o privou da honra. Na Varonil idade de 
trinu e quatro annos fubío ao Trono, e de- 
vendo totalmente applicarfe ao governo do 
Reyno, a que anheUra, fe efqueceo taõ tor- 
pemente delle, que todo o tempo confumia 
no exercício da caça, de cujo exceíTo, que 
fatalmente arruinava a Monarchia, fendo fiel- 
mente advirtido pelos feus VaHalos, ainda que 
recebeo com femblante irado a advertência, de 
tal forte moderou a inclinação, que toda a con- 
verteo em benefício do Rcyno. Aggravado de 
varias offenfas que recebera de Affonfo XI. de 
Caftella, com quem defpofára fua filha a Infanta 
D. Maria, lhe declarou huma horrível guerra, 
de que fe feguiraõ funeftas confequencias a 
ambas as Monarchias, alternando a fortuna fuc- 
ceíTos profperos, e advcrfos aíTim na terra, 
como no mar. Para pacificar os dífcordes âni- 
mos deíles dous Príncipes mandou a Santidade 
de Benediélo XII. ao Bífpo de Rhodes por feu 
Legado, c ainda que de alguma forte reprímio 
efte incêndio, totalmente o naõ extinguio. Aug- 
mentavafe mais o furor do noíTo Príncipe con- 
tra ElRey de Caftella por lhe ferem notórias as 
ignominias, com que tratava a fua filha a Infanta 
D. Maria, preferindolhe no amor, e na eftima- 
çaõ a D. Leonor Nunes de Gusmaõ, a cuja 
fermofura tinha lafcívamente facríficado o 
coração. Porém huma fatal calamidade que 
ameaçava a ultima mina a toda Efpanha, obri- 
gou a que fe reconciliaíTem os ânimos deftes 
Príncipes. Refolveufe Alboacen Rey de Mar- 
rocos colligado com o de Granada invadir Ef- 
panha, e capitaneando hum Exercito, que fe 
faíia formidável pela fua exceífiva multidão, 
pois conftava (como afíirmaõ os Authores da- 
quelle tempo) de quatrocentos mil Infantes, e 
feííenta mil Cavallos, cercou Tarifa confiando 
que com o rendimento de taõ forte Praça fe faria 
fenhor abfoluto de toda Efpanha. Fatal foy a 
confternaçaõ, que concebeo com efl^ infaufta 
noticia o animo de Affonfo XI. conhecendo 
que naõ podia reíiftir a poder taõ fuperior, e 
para que naõ foíle defpojo das Armas de 
Alboacen, fupplicou ao noífo Monarcha 
quizeíle fer feu auxiliar em taõ perigofa 
empreza. Para que efta suppUca foíTe prom- 
ptamente attendida mandou por interprete 
delia a fua própria Efpofa a Infanta D. Ma- 
ria, que chegando em Évora à prezença 



ló 



B IB LIOTHE CA 



delRey feu Pay foy inexplicável o jubilo com 
que a recebeu, mayor a ternura com que a abra- 
çou. Efquecido dos aggravos do genro fe de- 
liberou em obfequio de taõ foberana intercef- 
fora paíTar em peíToa a Caílella com hum Exerci- 
to mais formidável pelo valor, que pelo numero 
dos combatentes. Foy recebido em Sevilha com 
magnifica pompa por ElRey, e toda a Corte Caf- 
telhana, a quem em prefagio da viftoria lhe can- 
tarão os meninos com innocentes vozes as pala- 
vras, com que Chriílo entrou triunfante em 
Jerufalem Benedi£ius qui venit in nomine Domini. 
Para fe evitar alguma confufaõ, que foíTe preju- 
dicial ao feliz fucceíTo defta empreza refolveraõ 
os dous Monarchas, que o Portuguez invadiíTe 
o Exercito delRey de Granada, e o Caílelhano o 
dei Rey de Marrocos. Fortalecidos os noflbs 
Soldados com o efpiritual alimento do Paõ dos 
Anjos mandou o noíTo Príncipe ao Alferes mòr, 
que arvoraíTe por Eftandarte o Sacro fanélo Le- 
nho da Cruz, e fendo profundamente adorado 
por todo o Exercito inveíliraõ os Soldados como 
furiofos Leoens contra as efquadras inimigas, 
que animofamente rebaterão taõ violento im- 
pulfo. Por largo tempo eiieve indecifa a vito- 
ria, até que inclinando-fe para a noíla parte, foy 
tal o pavor, que occupou os ânimos dos Mou- 
ros, que fugindo ignominiofamente, deixarão 
o campo femeado de Cadáveres. A felicidade 
deJfte fucceíTo animou a ElRey de Caílella 
de tal modo, que naõ querendo ficar infe- 
rior na gloria do triumfo ao noíTo Príncipe, 
inveílio com tanto Ímpeto aos inimigos go- 
vernados por ElRey de Marrocos, que os 
obrigou a defamparar os arrayaes, degoUan- 
do a huns, cativando a outros, e recolhen- 
do os mais preciofos defpojos. Efta foy aquel- 
la famofa, e celebre batalha alcançada em 
30. de Outubro de 1340. junto às correntes 
do Rio Salado, donde tomou o nome, em que 
morrerão duzentos mil bárbaros, cujo excef- 
íivo numero obrigou à Fama, que a divul- 
gaíle por única, e que a Igreja a celebraíTe 
por milagrofa, cauzando inexplicável jubilo 
á Chriftandade, eterna fegurança, e precio- 
fos defpojos a Efpanha, immortal gloria aos 
dous Monarchas. De taõ faufta noticia íize- 
raõ logo participante ao Supremo Paílor da 
Igreja, mandando-lhe para final do triumfo 
trinta, e quatro bandeiras ganhadas aos Mou- 



ros, e foy tal o alvoroço, que concebeo o cora- 
ção do Pontífice, que entrando na Cathedral de 
Avinhaõ para render as graças ao AltiíTimo por 
taõ infigne viftoria, ordenou, que levaíTem 
diante os Eílandartes dos Mouros arraílrados, 
e tremolãtes os dos dous Monarchas, rompenda 
o feu devoto agradecimento com as palavras 
do Hymno Vexilla Kegis prodeunt, que conti- 
nuou acordemente todo o Collegio Apoftolico. 
Conhecendo Affonfo XI. que o mais gloriofo 
inftrumento defta viftoria fora a efpada do 
noíTo Príncipe, lhe pedio efcolheíTe dos defpo- 
jos, que delia fe tinhaõ colhido, os que foíTem 
mais agradáveis ao feu gofto. Porém o no íTo 
Monarcha com animo verdadeiramente Real, 
triunfante da mefma viâ:oria, efcolheo aquel- 
les, em que tinha mayor parte a honra, que 
o intereíTe, como foraõ o Infante Abohamo 
íilho de Albohall, que cativou com a fua própria 
maõ, algumas efpadas primorofamente fabrica- 
das, huma trombeta, com que depois fe coroou 
o feu Maufoleo, e cinco eftandartes, que pendu- 
rou por trofeos da viâoria na Cathedral de Lis- 
boa. Antes de cingir a coroa, fe defpofou em 
Lisboa a 12. de Setembro de 1309. com a In- 
fanta D. Brites filha delRey de Caftella D. San- 
cho IV. o Bravo, e da Rainha D. Maria íilha 
do Infante D. Affonfo Senhor de Molina, da 
qual teve a Infanta D. Maria, que foy ef- 
pofa de Affonfo XI. de Caftella; os Infan- 
tes D. Aífonfo, e D. Diniz, que morrerão de 
tenra idade; o Infante D. Pedro, que herdou a 
Coroa; a Infanta D. Izabel, e o Infante D. Joaõ, 
que brevemente foraõ transferidos para melhor 
vida, e ultimamente a Infanta D. Leonor, que 
cafou com ElRey de Aragaõ D. Pedro IV. cha- 
mado o Ceremoniojo. Conhecendo que era che- 
gado o termo da fua vida fe preparou com as 
armas dos Sacramentos para efta ultima bata- 
lha, e entre os fufpiros de hum coração verda- 
deiramente arrependido exhalou o efpirito em 
Lisboa a 28. de Mayo de 1357. em idade 
de 66. annos, três mezes, e vinte dias, dos 
quaes reynou trinta, e dous annos, quatro 
mezes, e vinte e hum dias. Jaz fepultado na 
Cathedral de Lisboa em hum foberbo Maufoleo 
defronte da Capella, onde fe venera o corpo do 
Ínclito Martyr S. Vicente, tendo por epitáfio 
eftas breves palavras. Alphonjus nomine Quartus 
Ordine Jeptimus Portugallia Kex, 



LUSITANA. 



'7 



Sobre o Maufoleo eílá huma figura, que 
fuílenta a trombeta, que foy gloriofo dcf- 
pojo da batalha do Salado, a qual, ainda 
que muda, Te explica por eftas métricas vozes. 
Hac tNha^ quam Maitris Alphonjiu no mine 

QitartHS 

AbftiiHt, ut Jamã pritNus in orbt foret; 
Dum refonat Regem, partiimqtie à Ktge trium- 

phum, 

Attamen Alphonjitm Jurgere você jubet. 

Foy de eílatura mediana, aípeâo agra- 
dável, e de perfeita fimetria. Teve a teíla 
larga com algumas rugas; nariz grande al- 
gum tanto curvado, boca grande, a barba 
copio fa, e partida pelo mcyo, cabcUo caf- 
tanho, e crcfpo. Foy para Dcos fumma- 
mente Religiofo; para os homens cxtrcmo- 
íamente compaíTivo. Obfervou cxaílamcntc 
a continência conjugal, cm cuja virtude 
excedeo a todos os Principes feus Antecef- 
Ibrcs. Amou a verdade, affim como abor- 
rccco a mentira. Nos infortúnios foy conf- 
iante, nas felicidades moderado. Adminif- 
trou a juftiça com reâddaõ, exercitou a cle- 
mência fem exceíTo. Tomou por empre- 
za huma Águia collocada fobre huma penha 
levantando o voo até as esferas com eíla 
letra Altiora peto em cuja enigmática figura 
fimbolizava o heróico impulfo de feu Coração 
para emprender acçoens mayores, que fuás 
forças, e iguaes a feus dezejos. Mais glorio fa 
fora na pofteridade a fua fama, fe a naõ 
manchara com a injuíla morte da innocente 
fermofura de D. Inez de Caílro, de cuja 
lamentável tragedia foy crueliíTimo complice. 
Fez utiliffimas Leys para o governo politico, 
nas quaes fe admira unido o zelo do bem 
publico com a fciencia civil, e fe incorporarão 
com as Ordenaçoens do Reyno. Delias 
íizeraõ hum Catalogo Duarte Nimes de Leaõ 
no fim da Chronica deíle Príncipe, e Fr. 
Rafael de JESUS Chronifta mòr do Reyno na 
Mon. Lufit. Part. 7. liv. 10. cap. 23. onde 
efcreveo diffufamente a vida deíle Monarcha. 
Como era naturalmente affedo à Poezia 
compoz vários Verfos, que naõ deixavaõ 
de fer elegantes em idade taõ inculta para 
as Mufas, dos quaes tinha feito huma col- 
lecçaõ Fr. Bernardo de Brito Chronifta mòr 
do Reyno para fe imprimirem, como teíli- 



fica o infigne Antiquário Manoel Severim 
de Faria. F^azcm illuílre mençaõ defte Mo- 
narcha, Fernaô Lopes, Ruy de Pina, Duarte 
Galvaò, Duarte Nunes de Leaõ nas íuas 
Chronicas, Fr. Bernardo de Brito nos Ebg. 
dos Rtyf de Portugfll, Ivlog. 8. Vafc. Anacepb. 
Keg. Lufit. pag. 115. Faria Estrop. Port. Tom. 
z. Part. 2. cap. 3. e no Rpit. das Hifi. Por/ug. 
Part. ). cap. 8. Ciordon. in Chronol. Bleda 
Chron. de los Morifc. lib. 4. cap. 56. Marían. 
de reb. Hijpan. lib. i). cap. 16. & lib. 16. 
cap. 7. ôc lib. 17. cap. i. Ferrer. Hifi. de Efpan. 
Tom. 7. ad an. 1557. Fonfcc. Uuora Glorio/. 
pag. 56. Caramuel Philip. Prud. pag. 45. Sou- 
za Hifi. Ceneal. da Caf. Real Portug. Tom. i. 
liv. 2. cap. 3. Leytaõ Mem. Chronol. da Univ. 
de Coimb. pag. 131. até 147. 

AFFONSO V. do nome, e XIII. Rcy de 
Portugal chamado Africano pelas militares fa- 
çanhas, que obrou em toda Africa. Sahio à luz 
do mundo na deliciofa Villa de Cintra a 15. de 
Janeiro de 1452. com exceíTivo jubilo de feus 
Auguftos Pays D. Duarte, e D. Leonor, e de 
toda a Monarchia Portugueza. Ainda naõ con- 
tava completos fete annos quando herdou a 
Coroa, e como para fuftentar o feu pezo, tinha 
pouco robuílos os hombros, foy eleyto por 
geral confentimento feu Tio, e ao depois 
fogro, o Infante D. Pedro Duque de Coim- 
bra para que na fua menoridade regeíTe 
a Monarchia, o que executou com pru- 
dente vigilância por efpaço de outo annos, 
até que chegando ElRey a idade compe- 
tente lhe entregou com o Scetro o governo. 
Naõ foy baílante o zelo, e defintereíTe com 
que o Infante adminiílrou a Monarchia para 
que naõ fe confpiraíle contra a fua innocen- 
cia o ódio dos feus emulos, perfuadindo a 
ElRey que pertendia ambiciofamente pri- 
vallo do trono. Refolveofe o Infante juíli- 
ficar a fua fidelidade na prefença de ElRey, 
mas como eíle eílava preoccuppado de fi- 
niftras informaçoens, fulminou contra elle 
tudo quanto lhe didava o feu furor man- 
chando com acçaõ taõ execranda o prologo 
do feu Reynado, até fer caufa de que aca- 
baííe infelizmente a vida, merecedora de 
mais gloriofo fim nos campos de Alfarrobei- 
ra. Eílimulado com o ardente dezejo de 



i8 



BIB LIOTH E CA 



ganhar fama, que o Ç^zcí^t immortal na pof- 
teridade efcreveo no anno de 1457. ^0 Pon- 
tífice Calixto III. para que colligaíTe todos os 
Príncipes Catholicos contra o Turco, offere- 
cendo para eíla empreza a fua PeíToa com todas 
as forças militares do feu Reyno. Admiroufe 
o Pontífice de taõ generofa oferta, pois toda 
cedia em obfequio da Religião, porém os Prín- 
cipes com mayor politica, que Chriílandade naõ 
quizeraõ intereíTarfe em guerra taõ juíla, fo- 
mente o noíTo Monarcha naõ defiftindo do 
Catholico intento de domar o orgulho dos Se- 
quazes de Mafoma, mandou voltar as proas da 
formidável armada, que tinha apreftado con- 
tra Alcácer Seguer, a qual conílava de duzen- 
tas, e vinte vellas, e de vinte mil Soldados, 
e depois de huma forte refiílencia a rendeo 
ao feu dominio no memorável dia de 17. 
de Outubro de 1458. Acompanhado de feu 
irmaõ D. Fernando Duque de Vifeu entrou na 
Mefquita, e depois de purificada, a confagrou 
à Immaculada Conceição da Senhora, e para 
que não pudeííe fer invadida pelos bárbaros 
huma Praça, que fora expugnada com tanta 
gloria, a deixou entregue à vigilância do infigne 
Capitão D. Duarte de Menezes, que brevemente 
moftrou aos inimigos o valor da fua efpada. 
Efta famofa conquifta, que foy o preludio das 
militares proezas do no íTo Príncipe o eftimulou 
a que no anno de 1463. fahiíTe com outra 
armada contra Tangere, mas naõ experimen- 
tando a fortuna taõ favorável às fuás armas, 
como na expedição de Alcácer, voltou ao Rey- 
no a prepararfe para outra Conquifta em que 
reftauraíle a gloria que perdera. Para efte fim 
apreftou huma armada de trezentos, e vinte Na- 
vios guarnecidos de vinte, e quatro mil Solda- 
dos, em a qual fahio acompanhado de feu filho 
o Príncipe D. Joaõ a 15. de Agofto de 1471. e 
navegando profperamente aviftou a Praça de 
Arzilla, contra a qual mandou aíTeftar toda a 
artilharia, para que logo fe rende ííe à fua obe- 
diência. Os bárbaros, que a prefidiavaõ, fe 
defendiaõ taõ obftinadamente, que por alguns 
dias fizeraõ impoffivel a expugnaçaõ, até que 
naõ podendo refiftir à fulminante efpada do 
noffo Príncipe fe renderão, fendo feliz con- 
fequencia de taõ grande conquifta o ren- 
dimento da Praça de Tangere, que guarne- 
ce© com numerofo prefidio. Depois de ter 



colhido innumeraveis palmas nos Campos Afri- 
canos converteo as armas para Efpanha com 
taõ infaufto fucceíTo, que foraõ vencidas na cele- 
bre batalha de Toro. Para recuperar efta perda, 
que julgava por ignominio fa ao feu nome, 
paíTou a França lizonjeado das promeíTas de 
Luiz XI. mas experimentando, que a dilação, 
que interpunha, era final evidente de as naõ 
cumprir, fe refolveo acabar a vida em Jerufa- 
lem no lugar, onde o Redemptor do mundo deu 
a fua pela liberdade dos homens, porém atra- 
hido do amor dos feus VaíTallos fe reftituhio 
ao Reyno, onde compoftas as difcordias, que 
havia entre a Coroa Portugueza, e Caftelhana fe 
fentio fortemente acometido de algumas mo- 
leflias, que atormentandolhe o corpo lhe pene- 
travaõ mais o espirito, de que fe feguio cahir 
gravemente enfermo, e conhecendo fer chegada 
a ultima hora, recebidos com grande piedade os 
Sacramentos efpirou em Cintra na mefma Cafa 
onde nacera a 28. de Agofto de 1481. quando 
contava 49. annos 7. mezes, e 13. dias de idade, 
dos quaes reynou 42. annos, onze mezes, e 19. 
dias. Cafou com a Infanta D. Izabel filha 
de feu Tio, o Infante D. Pedro Duque de 
Coimbra, e da Infanta D. Izabel filha de 
D. Jayme II. Conde de Urgel, de quem 
teve três filhos aos quaes pela grande devo- 
ção, que a Rainha fua Mãy tinha ao Apoftolo 
S. Joaõ lhes impoz a todos o nome defte 
amado Evangelifta; fendo o primeyro o 
Príncipe D. Joaõ; o fegundo a Infanta D. 
Joanna, que defprezando o thalamo de tresj 
Monarchas fe defpofou com Chrifto noj 
Religiofo Convento das Dominicas dei 
Aveyro, a qual pelas fuás virtudes, e mila- 
gres fe venera Beatificada nos altares; e oj 
terceiro o Príncipe D. Joaõ, que herdou 
Coroa. Por morte da Rainha D. Izabel fuc-j 
cedida a 2. de Dezembro de 1455. paíTou aJ 
fegundas vodas no anno de 1475. com a] 
Princeza D. Joanna fua fobrinha filha dej 
Henrique IV. e herdeira da Coroa de Caftel 
fendo por efta caufa aclamado o noílo Prin-| 
cipe por Monarcha daquelle Trono. Teve oj 
corpo grande, e robufto; a prefença mageftosa,] 
e agradável; o rofto redondo, cabello caftanho, 
e o da barba comprído, que fempre trazia muito] 
compofto. Foy dotado de memoria admirável, 
e engenho agudo. FaUou a lingua materna com 



LUSITANA. 



«9 



tanta pureza, e elegância, que pareciaõ as Tuas 
palavras eíludadas antes de proferidas. Teve 
natural inclinação ás letras, e com particular 

IafFeâo cílimava aos homens eruditos, com 
Oi quaes tinha familiar comercio. Foy o 
primeiro dos no/Tos Príncipes, que juntou 
Livraria, c que ordenou fe efcreverfem na 
lingua latina as Hiílorias do Reyno, para 
cujo effeito mandou vir de Itália a Fr. Juílo 
Btldino Religiofo Dominico, a quem fez 
Bifpo de Ceuta. Igualmente foy perito na 
i Mathematica, que na Mufica, de cuja fua- 
vidade fummamcntc fc deleitava. Foy 
acérrimo dcfcnfor da Fé Catholica, infígne 
vcncrador do culto divino; de animo com- 
l^iíTivo para com os pobres, de coração 
i^cncrofo para os Fidalgos cnnobrcccndo o 
Kcyno com muitos Titulos, com que pre- 
miou os merecimentos de fcus antcpafla- 
dos. Jaz fepultado no Real Convento da 
Batalha. Como tinha paflado a mayor parte 
do feu Reynado na Campanha, efcreveo 

Tratado da Milícia conforme o cojlume de 
batalhar dos antigos ^ortuguev^es. Para moftrar 
quanto era fcientc na Mathematica efcreveo: 

Difcítrfo em que fe moflra, que a conf- 
tellaçaõ chamada CaÕ celefle confiava de vinte, 
e nove eftrellas, e a menor de duas. De cuja obra 
fe lembra com grandes elogios Zacuto Luíit. 
in Princip. Mend. Hiflor. lib. 4. hift. 11. 

Carta efcrita da própria maõ a Gome^ 
Anes de Zurara feu Chronifia mor, e Guar- 
da mor da Torre do Tombo, quando affiflia em 
Alcácer com o Conde D. Duarte de Meneses, 
para efcrever os feitos daquella Villa. M. S. 
Acaba. O meu vulto pintado o non tenho para 
volo agora lá poder enviar: mas o próprio prat^erá 
a Deos, que o vereis lá em algum tempo, com que 
vos lá mais deve prav^er. 

Carta efcrita da própria maõ a ^. de Agoflo 
de 1461. a Diogo Lopes Lobo, Senhor de 
Aluito fatisfazendo-o de alguns agravos, 
^ue lhe fizera. M. S. 

Defte Principe trataõ Manoel de Faria, 
e Souf. Europ. Portug. Tom. 2. Part. 3. cap. 3. 
e no Epit. das Hiji. Port. Part. 3. cap. 13. 
Marian. de reb. Hifpan. lib. 14. à cap. 6. ufque 
ad 21. Brito Elog. dos Rejs de Port. pag. 13. 
Maris Dial. de Var. Hifl. Dialog. 4. cap. 7. 
Oliveir. Grand. de Eisb. Trat. 3. Tit. 13. 



Fonf. Evor. gforiof. pag. 84. Souíâ Hifl. Gemai, 
da Cafa Real Por/ug. Tom. 5. liv. 4. cap. i. Vaf- 
conccl. Anaceph. Keg. Lufit. pag. 199. Orleaos 
Hifl. desKiPolut. d*Efpafful!om. 5. pag. 187. Fr. 
Femand. da Solcd. Hifl. Seraf. da Prov. de Por- 
tiig, Part. 5. liv. 16. cap. i. da íiegunda impreílâõ. 

D. AFFONSO filho fexto dos Serenir* 
fimos Monarchas D. Manoel, e D. Maria 
fua fegunda mulher, filha dos Reys Catho- 
licos Fernando, e Izabel, naceo na Cidade 
de Évora Capital da Provinda TranAagana 
em 25. de Abril de 1509, em cuja Cáthe- 
dral reccbco a primeira graça no primeyro 
de Mayo do mefmo anno. Logo na infân- 
cia deo claros indícios da agudeza do juizo, 
de que prodigamente o dotara a natureza. 
Aprendeo as letras humanas com Ayres Bar- 
bofa, e André de Refende, Oráculos da 
lingua Grega, e Romana, e com a difciplina 
de taõ iníignes Meílres fez taõ admiráveis 
progreflbs, que já enfinava quando aprendia. 
Ainda naõ excedia a idade de dez annos, 
quando Leaõ X. no i. de Julho de 15 18. 
o ornou com a Purpura Vaticana do titulo 
de Santa Luzia in Septemfolifs (que depois 
foy mudado por Clemente Vil. para o de 
S. Braz no anno de 1524. e ultimamente 
para o de S. Joaõ, e S. Paulo por Paulo UI. 
no anno de 1536.) querendo premiar com tanta 
anticipaçaõ em idade taõ tenra as virtudes, 
que havia praticar na adulta, de cuja digni- 
dade recebeo a poíTe a 28. de Mayo de 1526. 
das mãos de D. Fernando de Vafconcellos, 
e Menezes Capellaõ mòr, e Bifpo de Lamego. 
Das fuás virtuofas acçoens foraõ gloriofos 
theatros as Diocefes da Guarda, Vifeu, e 
Évora, nas quaes governou como vigilante 
Pastor numero fas ovelhas; fervindo-lhe eflas 
três Mitras de degráos para fubir à dignidade 
Archiepifcopal de Lifboa no anno de 1523, 
onde dezempenhou as obrigaçoens do officio 
Epifcopal adminiftrando os Sacramentos aos 
enfermos, explicando o Cathedfmo aos ru- 
des, e favorecendo com charitativa profu- 
fão aos pobres. Ornou os Altares com pre- 
ciofos paramentos; venerou com exceíliva ter- 
nura a Maria SantifTima, e com o mais profundo 
refpeito a Chriílo occulto debaixo das efpe- 
cies Sacramentaes . Foy exaâ» obfervador das 



20 



BIBLIO THEC A 



Cerimonias Ecclefiafticas ordenando, que na Ca- 
thedral, e Arcebifpado de Lisboa fe naõ uzafle 
do officio Salisburgenfe introduzido defde o 
tempo delRey D. Affonfo Henriquez, e fo- 
mente fe obfervafle como mais perfeito o Ro- 
mano. Como era muito douto nas linguas Grega, 
e Romana, e verfado nas letras fagradas, e pro- 
fanas, eftimava aos homês fabios, com quê tinha 
familiar comercio ; e a alguns que floreciaõ com 
grande opinião em outros Reynos, os atrahia 
com generofos donativos para a fua companhia, 
na qual eraõ benevolamente tratados. Conti- 
nuamente tinha patentes as portas a todo o gé- 
nero de pe íToas, que bufcavaõ na fua benévola 
comiferaçaõ refugio às fuás nece íTidades, naõ 
permitindo, que fe apartaíTem da fua prefença 
queixofas, e defconfoladas, antes era natural- 
mente taõ liberal, que o dia, em que naõ fazia 
mercês, e repartia dadivas, o julgava, como do 
Emperador Tito fe efcreve, por perdido. No 
tempo que Portugal gofava de hum Príncipe 
Ecclefiaflico, cujas virtudes eraõ veneradas por 
todas as fuás Jerarchias, foy acometido de huma 
grave doença, e conhecendo o perigo, que o 
ameaçava, fez que o levaíTem à Capella morda 
fua Cathedral, onde com terniíTimos aíFeâos, 
e devotas lagrimas recebeo o Sagrado Via- 
tico, e recolhido ao Palácio entregou o efpi- 
rito ao feu Creador na florente idade de 
31. annos com geral fentimento deíla Monar- 
chia, e do Mundo Catholico em 21. de Abril, 
e naõ de Agoílo, como erradamente efcreveo 
Megefero no Diar. Auftriac. p. 40. e 41. do 
anno de 1540. e naõ de 1537. como diíleraõ 
Panvino, Ciaconio, os dous Irmãos Luiz, e Sce- 
vola Santas Marthas. O feu corpo foy levado ao 
Real Convento de Belém, onde em hum foberbo 
Maufoleo efpera a refurreiçaõ univerfal, tendo 
gravado no mármore o feguinte epitáfio. 
iieu quod in Alphonjo viduanfur honore Tiara 

Plorat UlyJJipOf Koma, ruhenfque toga. 
Vifenfes pueri, quos ipfe fide erudiehat 

Solaque congaudent Sydera Cive fuo. 
Compoz. 

Vita Alphonji l^ufitanorum Kegum primi, 
que dedicou à Santidade de Leaõ X. como 
diz D. Nic. de Santa Maria, na Chronica dos 
Coneg. Keg. liv. 9. cap. 32. n. 6. 

Das suas obras latinas aflim em profa, 
como em verfo, fez huma collecçaõ o cele- 



bre Antiquário André de Refende, e impref- 
fas as dedicou a ElRey D. Joaõ III. como 
affirma o Padre António de Macedo in L.ufit. 
Inful. ^ Purpur. p. zi^. 

Conjlitmçoens para o Bi/pado de Évora, 
que foraõ as primeiras, que teve, e re- 
duzio a melhor methodo as do Bifpado de 
Vifeu. 

Vários faõ os elogios, com que diver- 
fos Authores celebraõ efte grande Príncipe. 
Ayres Barbofa feu Meftre na Antimoria foi. 
39 o congratulou com eíle celebre diílico, 
quando foy eleyto Cardial. 
'Koma tihi donat Princeps Alphonfe galerum. 

Dat tihi Koma decus, me minus illa capit. 
Palat. in Faftis Cardinal. Tom. 2. pag. 719. 
Alphonjus Princeps religiofijfimus , litterarum, 
Utteratorumque omnium maxime fautor, et Mace- 
nas, qui magnanimitate , clementia, magnificentia 
certavit cum omnihus Terra Principihus. Ah eo 
trijiis nemo umquàm dijcejfit. Auãoritatem 
augens famulitij nobilitate, cultu domus, mijeri- 
cordia in pauperes, vere Kex hominum, Pha- 
hique Sacerdos, inter Epifcopos Optimus, inter 
Keges clarijfimus, quafwit follicitus Keligionis 
augmentum, (0° ohjervantiam fine firepitu, abfque 
gladio. Joio verbo, <& exemplo. Ciacon. de 
Vitis Pontif. Tom. 3. pag. 414. Princeps 
munificentijfimus, (ò" magnanimus, ac tanta infuper 
manfuetudine, (ò" clementia, ut nemo unquàm 
ah eo triftis dijcefferit, quanta autem fuerit 
morum Juavitate, (& comitate, obitu illius intel- 
leãum eft; non enim alio affeãu eum univerja 
luxit Eufitania, quám fi communis omnium 
parens interiijjet. Ofor. de reb. Emman. lib. 6. 
Jingulare fpecimen religionis, (& probitatis, é^ 
magnificentia. Góes na Chron. delKej D. Manoel. 
Part. 2. cap. 42. Foy affás douto na lingua 
latina. Cardo f. Agiolog. L.ufit. Tom. 2. pag. 659. 
Mecenas fingular dos doutos, e beneméritos, favo- 
recendo-os, e honrando-os em toda a occa^iàõ. 
Maris Dialog. 4. de varia Hifior. cap. 20. 
Douto na lingua latina, e efiudiofijfimo de letras, 
e /ciências. Pedro Sanches no Poema Lauda- 
torio dos Poetas Portuguezes 

At Te Kege Sate Heros Emmanuele potente 
Qui Tjrium Syrma ornafii, Jacrumque Ga- 
lerum 

Ipfe canat Phabus: nos Te, (& tua funera 
quondam 



L USITANA. 



21 






Flevimus Alphonfe, & gtmitu, lacrymifque 
profujis 

Ad tuMultim mafla ter você vocavimus umbram, 
Maffie tuam, extremumque vale ter dixi- 

mus. VJjeul 
Quantum prafidij doÚi amifire Potia 
Morte tual quanta decoris P ama fia lut/trus, 
Nã tihi síper erant cordi doííijftme Princeps 
Vates: mtmeribus vates, vultuque fovebas: 
Temporis, €>• fi qmd tibi forte vacabat ab ai mi 
Prajulis officio, qmd verbo, ÇÍT rebus obibas 
Donafii id totum Mitfis, placidaque Poefi. 
Jorge Q>elho Secretario do Girdial D. 

Henrique nas fuás obras poéticas impreítas 

«A Lisboa no anno de 1 540. traz huma larga 

£legia à morte dcílc Principe, que começa. 
Deflebam Alphonfi fatii quem fimere acerbo 
Tam jiwenem nobis abftulit atra dies. 
Garibay Comp. Hijl. de Efpan. liv. 3J. 

«.ap. 50. c 51. Maffeo HiJl. rer. Ind. lib. 10. 

|(ingelin. in P/trp. D. Bernard. pag. 49. 

c\: 50. Cunha Hijl. Ecclef. de Lisb. Part. 2. 

c.ip. 2. n. 5 Souf. de Maced. Flor. de Efpan. 
p. 23. excel. 3. Vafc. Anaceph. Keg. Lu- 

ftf. pag. 272. Bfov. Annal. Ecclef. Tom. 19. 

ul ann. 1509. e 15 16. Spondan. tom. 2. 

id an. 15 12. n. 5. Padre D. Manoel Caetan. 

de Souf. Catai. Hijl. dos Sum. Pontif. e Card. 

Portug. pag. 21. Manoel Pereir. da Sylv. 

Leal Catai, dos Bifp. da Guard. §.29. Fonfeca 

Ejvor. Gloriof pag. 294. Manrique Annal. Cif- 

terc. Tom. 2. in ferie Abbat. Alcohat. pag. 11. 

in fine. D. António Caet. de Souza Hifl. Geneal. 

da Caf. Real Portug. Tom. 3. liv. 4. cap 10. 

D. AFFONSO, primeiro Marquez de 
Valença afíim no Titulo, como na digni- 
dade, que houve em Portugal, nafceo em 
Lisboa, e foy filho primogénito de Dom 
Affonfo, nono Conde de Barcellos, e pri- 
meiro Duque de Bragança, e de D. Brites 
Pereira de Alvim, filha do famofo Heroe 
D. Nuno Alvares Pereira, Condeflavel de 
Portugal, cujos Auguftos defpoforios fe cele- 
brarão em 8. de Novembro de 1401. Ao 
clplendor do nafcimento correfpondeo a perf- 
picacia do juizo, admirando-fe jà na tenra 
idade o talento, com que fe fez venerado na 
adulta. Depois de cultivar aquelles eíludos 
próprios da fua alta qualidade, fe fez mais 



infigne no exetddo das virtudes motaes, 
e politicas, pelas quaes meteceo a eflimaçaò 
dos Prindpes do (eu tempo. Refoluto íeu 
Tio ElRey D. Duarte em mandar hum Emba- 
xador ao Concilio de Bafilea, que fe tinha 
congregado para paciHcar as largas difcordías 
entre a Igreja Grega, e Latina, que depois 
foy transferido por Eugénio IV. para Ferrara, 
o nomeou a elle, confiando da fua profunda 
capacidade, que feli2mente defempenharía 
as obrigações do feu miniílerío. Acompa- 
nhado de D. Antaõ Martins, Bifpo do Porto, 
dos Doutores Vafco Fernandes de Lucena, 
Diogo Affonfo Manga ancha, de Fr. Joaõ 
Thomé, Eremita de S. Agoftinho, e Fr. Joaõ 
Gil, da Religião Seráfica, partio de Lisboa 
a 21. de Janeiro de 1435. e chegando a Bolo- 
nha a 24. de Julho do mefmo anno, foy rece- 
bido pelo Papa com inexplicáveis fignifica- 
çoês de paternal benevolência. Recitou a 
Oraçaõ obediencial o Doutor Vafco Fernan- 
des de Lucena na prefença do Summo Paftor, 
e do CoUegio Cardinalício, fendo univeríal- 
mente applaudida pelas elegantes expreíTocns, 
com que declarava a profunda fubmiíTaõ do 
noflb Principe ao verdadeiro Suceflbr de S. 
Pedro, cuja Barca fluéhiava naquelle tempo 
com hum abominável Scifma. Concluido 
o Concilio partio de Florença D. Affonfo, 
e movido da fumma piedade, de que era 
ornado, foy vifitar os Lugares da Paleítína, 
que o Redemptor do mundo fantificara com 
o feu Sangue, donde fe reftituhio ao Reyno. 
Segunda vez o deixou para acompanhar fua 
Prima a Infanta D. Leonor, quando fe foy 
defpofar com a Mageftade Cefarea de Fede- 
rico IIL partindo de Lisboa em 20. de Outu- 
bro de 145 1. por General da Armada, que a 
conduzio a Liorne. Defta Cidade caminhou 
até Sena, onde arrebatou as attençoès de 
todos a numerofa, e magnifica comitiva, com 
que hia cortejando a Infanta, a qual che- 
gando a Roma foy coroada juntamente com 
feu efpofo pelo Pontifice Nicolao V. Aca- 
bada eíla folemne ceremonia o Empera- 
dor para manifefto argumento da eftimaçaõ, 
que fizera de D. Affonfo Conduétor de fua 
Augufta Efpofa, o armou Cavalleiro, de 
cuja honra para fer mais eítimavel fez com- 
panheiro a feu Irmaõ Alberto, Archiduque 



22 



BIBLIO THECA 



de Auftria. Para eterno teílemunho da fua 
piedade para com Deos, fundou no anno 
de 1445. a iníigne Collegiada de Ourem, 
coníignando - lhe copiofas rendas para fuf- 
tentaçaõ das Dignidades, e Cónegos, de que 
fe compõem. Cheyo mais de merecimentos, 
que de annos, morreo na Villa de Thomar 
a 29. de Agoílo de 1460. donde foy traf- 
ladado no anno de 1487. para a Col- 
legiada de Ourem, e na Capella de baxo 
do Coro jaz fepultado em hum foberbo 
Maufoleo, no qual eílá gravado o feguinte 
epitáfio. 

Aqui jav^ o lllufire 'Príncipe D. Affonjo, 
Marquev^ de Valença, Conde de Ourem, primo- 
génito de D. Affonjo, Duque de Bragança, e Conde 
de Barcellos, e neto de/Rej D. Joaõ de gloriofa 
memoria, e do virtuofo, e de grandes virtudes D. 
Nuno Alvares Pereira, Condefiavel de Portugal. 
Faleceo em vida de Jeu Paj, antes de lhe dar a 
dita herança, de que era herdeiro, o qual foy fun- 
dador defla Igreja, em que Ja^i, cuja fama, e feitos 
hoje efle dia florecem. Finoufe a 29. de Agojlo 
do anno do Naf cimento de N. Senhor Jefu Chrijio 
de 1460. annos. I 

Celebraõ a fua memoria Brandão Mon. 
'L.ufit. Part. 3. livr. 10. cap. 15. Leaõ Chron. 
delKej D. Duarte cap. 4. e 5. Faria, e Soufa 
Europ. Port. Tom. 2. Part. 3. cap. 2. num. 8. 
Cunha Catai, dos Bifp. do Port. Part. 2. cap. 28. 
Sylva Cathal. Real de Efpanha foi. 91. Coelho 
Chron. da Ord. do Carm. liv. i. cap. 20. cha- 
mando-lhe Pejfoa de muita prudência. Moreir. 
Theat. Hiji. e Gen. da Caf. de Souf. pag. 533. 
Guerreir. Coroa de esforçad. Cavai. Part. i. cap. 
8. Efperanç. Hiflor. Seraf. da Provinc. de Port. 
Part. 2. liv. 12. cap. 4. n. 3. Carvalh. Corog. 
Portug. Tom. 3. Trat. 5. cap. i. Maced. Eufit. 
Infulat. p. 159. Neufuil. Hifl. de Portug. tom. i. 
pag. 400. Lima Geog. Hifl. de Port. Tom. 2. 
pag. 202. Leitaõ Trat. Analyt. Apolog. pag. 955. 
Franc. Leit. Not. Chronol. da Univ. de Coimbr. 
pag. 351. Soufa Hifl. Gen. da Caf. Real Port. 
Tom. 2. liv. 3. cap. 9. 
Compoz. 

Itenerario ao Concilio de Bafilea no anno 
de 1435. o qual fe conferva na Sereniffima 
Cafa de Bragança, como affirma Jorge Cardof. 
Agiol. hufit. Tom. I. pag. 491. col. i. no 
Coment. de 21. de Fevereir. Letr. A. 



D. AFFONSO DE ALBUQUERQUE 

antonomafticamente o Grande pellas heróicas 
façanhas, com que encheo de admiração a Eu- 
ropa, de pafmo, e terror a Afia, nafceo em o 
anno de 1453. "^ quinta chamada pela ameni- 
dade do fitio o Paraifo da Villa da Alhandra 
diílante féis legoas de Lisboa. Sendo filho fe- 
gundo de Gonçalo de Albuquerque, Senhor de 
Villaverde, e de D. Leonor de Menezes filha de 
D. Álvaro Gonçalves de Attaide Conde da 
Atouguia, e de fua mulher D. Guiomar de Caf- 
tro, emmendou eíla injuftiça da natureza alcan- 
çando a primazia de todas as virtudes affim 
moraes, como politicas. Foy educado no 
Palácio delRey D. Affonfo V. em cuja paleftra 
anhelando unicamente fer emulo defte Marte 
Africano, partio na efquadra mandada por 
efte Príncipe no anno de 1480. em focorro 
delRey D. Fernando de Nápoles para repri- 
mir o furor dos Turcos, que tinhaõ occupado 
Otranto, moftrando neíla occaziaõ, que o 
valor para fer heróico, naõ dependia da dila- 
ção do tempo, menos da liberalidade da for- 
tuna. Naõ foy inferior a gloria, que confeguio 
o feu braço na expedição intentada no anno 
de 1489. para defender a fortaleza da Graciofa 
fituada na Ilha, que o Rio Luco forma junto 
da Cidade de Larache debaixo dos felices 
aufpicios delRey D. Joaõ II. de quem foy 
Eftribeiro mòr, fendo eítas duas famofas 
emprefas fuccedida huma na Europa, e outra 
na Africa o fauítíffimo preludio das viftorias, 
de que havia fer theatro a Afia, para onde 
navegou em 6. de Abril de 1503. e depois 
de obrar acçoens fuperiores a outro coração, 
que naõ fora o feu, fe relHtuhio a Portugal 
mais cheyo de gloria, que defpojos, em que 
tem mayor parte a cobiça, que o valor. Tendo 
fegunda vez furcado os mares como Capitão 
em huma efquadra de quinze vellas em compa- 
nhia de Triftaõ da Cunha para continuar os 
triumfos, de que era arbitra a fua efpada, o 
elegeo ElRey D. Manoel Governador da 
índia, de que tomou pofie em 4. de Novembro 
de 1509. confiando a prudência deíle Monar- 
cha, que fobre hombros taõ robuílos poderia 
permanecer incontraftavel à violenta invafaò 
de todos os Potentados da Afia. Parece difficil 
à creduUdade a continuada torrente de vi£lo- 
rias alcançadas pelo braço deíle invencível He- 



L USITANA. 



23 



róe, que qual rayo fulminado da Esfera, que o 
íeu Soberano tomara por empreía naõ houve 
parte cm todo o Oriente, que naõ experi- 
mentaíTe o impulfo arrebatado dos feus ef- 
ttagos reduzindo a cinzas as Gdades de 
Brama, Orfaçaõ, Calicut, Pangim, e as nu- 
fneroías armadas de Meca, Adem, e Or- 
muz. Duas vezes fe coroou viâoríoío com 
ft funofa expugnaçaõ de Goa, humilhando 
na fegunda conquiíla de tal forte a fo- 
berba do Hidalcaõ, que por largo tempo 
lamentou a fatal mina padecida fobre os muros 
de huma Praça, que fe deílinava para cabeça do 
Impcrio Aziatico Portugucz. Que frondofas 
palmas, e louros colheu o feu invcncivcl braço 
no rendimento de Malaca, cuja heróica façanha 
divulgou admirada a fama por três mil bocas 
de bronze gloriofos dcfpojos de taõ celebre 
expugnaçaõ? Rcndeo menos à violência do 
ferro, que ao refpeito do feu nome as Cidades 
de Lamo, Mafcate, Benaílarim, Calayate, e as 
Ilhas de Gamaram, Queixome, e Homeliaõ com 
a morte de dous fobrinhos delRey de Larec. 
lUJPara vingar as hoílilidades caufadas pelas for- 
l^kiidaveis armadas delRey de Ormuz, e do 
I^DIidalcaõ fez eílipendiarios dous elementos, 
^Hibrazando, e fumergindo a humas no cabo de 
T^Tlofalgate, e a outras nos portos de Adem, e 
Calicut. O brado das efpantofas acçoens, com 
que tinha aíTombrado a todo o Oriente, obri- 
gou ao Rey das Ilhas de Maldiva, Vengapor, e 
o Hidalcaõ, que rendidos, e obfequiofos o buf- 
caíTem para Tutelar dos feus Eílados, e em 
demoníbraçaõ da fua obediência fe fizeraõ tri- 
butários da noíTa Coroa. Recebeo diverfas Em- 
baxadas dos Principes da Períia, e da Arábia, 
e dos Reys de Pegú, Bengala, Pedir, Siaõ, e 
Pacem felicitando a fua amifade com genero- 
fos donativos, que benignamète agradeceo, e 
generofamente regeitou. Para cõfervar o Ef- 
tado impenetrável à invasão dos feus inimigos 
edificou com igual difpendio, que magnificência 
as Fortalezas de Malaca, Ormuz, Calicut, Co- 
chim, e Cananor, em cujas pedras gravou para 
a poíleridade a gloriofa denominação de Fun- 
dador do Império Oriental Portugucz. Cele- 
bradas as pazes com os Reynos de Cambaya, 
Dabul, Onor, Baticalà até o cabo de Camorim, 
e com os Principes da China, Jaoa, e Maluco 
fe fentio eílando em Ormus acometido da 



ultima imfermidade, e querendo que Goa 
foíTe o Occafo fendo tantas vezes o Oriente 
de feus heróicos trabalhos, partio taõ ate- 
nuado de forças, que quatro léguas diftante 
do feu porto entregou aqucllc invencivel efpi- 
lito ao feu Criador com evidentes Hnaes de 
predeílinado a 16. de Dezembro de 15 15. 
quando contava 65. annos de idade, e 10. 
de governo. Foy amortalhado no manto da 
Ordem militar de Saõ-Tíago, de que era 
Commendador, e tanto que o cadáver chegou 
ao caiz de Goa, fe levantou tal alarido fúnebre 
em todo o povo, que até os Sacerdotes inter- 
romperão o canto Ecclefiaílico com lagrimas, 
e fufpiros. Os gentios admirados de o ver 
com a barba taõ extenfa, e com os olhos quaíí 
abertos, affírmavaõ com fuperíliciofa credu- 
lidade, que certamente naõ morrera, mas que 
Deos o chamara para General dos feus Exér- 
citos. Levado debaixo do pallio aos hombros 
das principaes peflbas de Goa o fepultaraõ na 
Igreja de NoíTa Senhora da Serra, que elle 
edificou em agradecimento do feliz fuccíTo 
da conquiíla de Malaca. A efte depoíito 
das fuás triunfantes cinzas concorria a gen- 
tilidade obfequiofa com vários donativos ef- 
perando, que às fuás fupplicas fofle propicio. 
PaíTados cincoenta e hum annos foy trefladado, 
como difpufera no feu Teílamento, ao Con- 
vento de NoíTa Senhora da Graça dos Religio- 
fos Eremitas de Santo Agoítínho deíla Corte, 
para onde foy condufido a 19. de Mayo de 
1 5 66. com pompa digna de taõ grande Heróe. 
Teve a eílatura mediana, o rofto comprido, 
e corado, o nariz aquilino, o afpefto agra- 
dável, que fe fazia refpeitado pela cândida 
barba, que fe dilatava até a cintura. Soube 
com perfeição a língua Latina, fendo igual- 
mente difcreto quando fallava, como quando 
efcrevia. Foy amado, e temido, fem que a 
benevolência degeneraíTe em frouxidão, nem 
em rigor o caíligo. Obfervou religiofamente 
a verdade, aborreceo naturalmente a mentira, 
e executou promptamente a juítiça. Em tantas 
batalhas terreílres, e navaes fahio muitas vezes 
ferido teílemunhando com o feu langue, que 
fempre bufcara o lugar onde era mais certo o 
perigo. Foy profufamente generofo, dando 
aos Capitaens os defpojos alcançados em 
tantas viélorias, dos quaes nunca refervou 



24 



BIBLIO THECA 



para fi a menor parte por fer fua cobiça mais 
de gloria, que de fazenda. Prafticou fumma 
fidelidade com os inimigos domeílicos, e 
fomente com os eftranhos ufou de fagacidade 
politica. Determinou executar duas acçoens 
fugeridas pela magnanimidade do feu coração 
fobejando para que folTem eternamente glo- 
riofas o ferem fomente meditadas; era huma 
divertir a corrente do Nilo para o mar Roxo 
naõ correndo ao Egypto, e deíla forte efteri- 
lizar as terras do Graõ Turco; a fegunda 
extrahir de Meca os oíTos do abominável 
Mafoma, para que reduíidos publicamente a 
cinzas fe confundiíTem os profeflbres de taõ 
torpe Seita. Será o feu nome eternamente 
applaudido pellas vozes da Fama, como foy 
no conceito dos mayores Monarchas, e nas 
pennas de iníignes Efcritores, aclamando-o 
por iníigne Capitão D. Fernando Rey de Caf- 
tella a Pedro Corrêa Embaxador delRey D. 
Manoel, e o Graõ Turco a D. Álvaro de 
Sande Capitão do Emperador Carlos V. 
Dos authores feja o primeiro Maffeo Hisf. 
Ind. liv. 5. in fine. Prorfús inviãi ad la- 
borem, ac patienfiam aqm corporis animique 
vir, (& cum quolibet fua atatis Ducum, vel 
navalis fcientia, vel expediti conjilij magnitudine 
comparandus. Faria Afia Portug. Tom. i. 
Part. 2. cap. 10. n. 8. Aquella e/pada con 
cíiya punta fe avia labrado el f cetro, que JB/- 
Ikey D. Manoel Unia nó con menor intere:;^ de 
fus renfas, que reputacion de fus armas. Caíla- 
nhed. Hifioria do Defcub . da Ind. liv . 3 . 
cap. 155. Esforçado, e famofo Capitão . . . Em 
fumma nenhuma virtude lhe faleceo para fer 
taõ fingular Capitão como ho foraõ os fingula- 
res, que ouve entre bárbaros. Gregos, e Eatinos. 
F. Ant. de S. Rom. Hifi. Gen. dela Ind. 
Orient. liv. 2. cap. 9. Dexo el Império dela 
índia mui quieto en la devocion, j fidelidad 
delRej D. Manoel y el exercido delas armas 
quedo en fu punto con fu indufiria y las cofas 
dela Keligion en mucho augmento. Brentan. Epit. 
Chronolog. Mund. ad an. 15 15. Chriftianiffimus 
Heros. Mariz Dial. de var. Hifi. dial. 5 . Faleceo 
com taõ claro nome de perfeito Governador, que 
naõ era fácil a quefiaõ que em feu louvor fe movia, 
fe refplandecia mais em fuás excellencias o esforço 
de Alexandre, ou a fabedoria de Nefior; porque 
adminifirava a guerra como fummo Emperador, 



e governava a republica como perfeitiffimo Magif- 
trado. Sampayo in cap. 2. Vit. B. Petri Ebo- 
renf Infignis ille et immortali laude dignus, 
atque Heroum antiquorum numero meritiffimo 
referri potefi. Barbud. Empref. milit. de Eufit. 
foi. 156. v.o adqueriendo triunfos a fu Pátria, 
y ganando coronas a fu Key. Lafitau Hifi. 
des Decouert Conq. des Port. Tom. i. pag. 
mihi 520. Dans la guerre il fut veritablement 
grand par la noblejje de fes projets, la pru- 
dence auec la quelle il les conduifoit, e la 
Vigueur auec la quelle il les executa. Dans 
le confeil, e dans Vaãion il paroijjfoit en lui 
deux hommes tous differens. Oforius de rebus 
Emman. lib. 10. Tanta namque erat humanitate 
praditus ut utrum magis multi illius virtutem 
metuerent, an bonitatem amarent, ejjet explicatu 
difficillimum. Imprimis autem jus csqualibe co- 
lebat, (0° fidem violatam acerrime puniebat, 
neminique injuriam fieri patiebatur... Non erat 
alienus à litteris: (ò" cum otium erat, leãione 
facrarum prcBcipue litterarum obleãabatur. The- 
vet Viés des Homm. Illufi. pag. mihi 422. 
Fondateur dela domination des Portugalois en 
Inde. Franc. de Santa Mar. Ceo abert. na 
Terra liv. 3. cap. 67. 'Na liberalidade, e 
magnificência foy infigne, na confiancia admirá- 
vel, na religião excellente, e em tudo Heroe da 
primeira grandefa, gloriofo ajfumpto das trom- 
betas da Fama. Neufuille Hifi. Gen. dp Portug. 
Tom. 2. liv. 8. pag. 466. Ce grand homme, 
cet Albuquerque le Grand auffi heurevx, et re- 
doutable pendant la guerre que craint, et reverè 
pendant la paix fut regreté de plufieurs Prin- 
ces qui avoient connu fa valeur, e de toutes 
les nations qui avoient éprouvé fa clemence. 
Tellez Hifi. da Ethiop. Alt. liv. i. cap. 7. 
e liv. 2. cap. I. Fr. Agoftinh. de Santa 
Maria Sana. Marian. Tom. 8. liv. i. cap. 55. 
Barros Decad. 2. da Hifi. da Ind. per tot. 
Damiaõ de Góes Chron. delKey D. Manoel 3. 
Part. cap. 80. Martin. Compend. delas Hifi. dela 
Ind. Orient. pag. 174. até 194. Gab. Per. UlyJJea 
Cant. 7. Eftanc. 100. 

Eogo o famofo Affonfo o mar cobrindo 

De nãos, os Malabares afugenta. 

Do graõ Neptuno as ondas oprimindo 

Que de feu grave pe^o já rebenta. 

Macedo Ulyffipo Cant. 12. Eíl. 56. 

Se quereis vér o Capitão mais claro 



L USITAN A. 



25 



J2w (I f(ifff(J conheceo, que vio a terra; 
Vede a Albuquerque mfiyiie are Imo raro 
Que a difciplina militar encerra, 
Quantas ve^es o vejo, mais reparo 
Nf//í ff^ande varaõ rayo da guerra; 
Notay-o de vagar que bafla vello 
Para ficardes do valor modetlo. 
Os Commcntarios das heróicas acçoens obra- 
das no Oriente pelo grande Albuquerque efcri- 
los por feu filho fe compuferaõ das noticias, 
ipic a l"lRcv O. Manoel mandou o mefmo Al- 
buquerque, como na Dedicatória da dita obra 
i ElRey D. Sebaíliaò confeíTa feu author por 
c lias palavras. Offereci efies Commentarios aV . A. 
rUi^t dos próprios Orijijnaes que ojirande Affonfo 
iquerque no meyo de f eus acontecimentos efcrevia 
EJRey D. Manoel vojfo Vi/avó. Donde procede© 
inapinarcm alguns lífcritores, e entre ellcs o 
JoutilTimo Joaò Solorzano Pereira, de Jure 
hid. Tom. 1. liv. I. cap. 3. n. 48. fer obra do 
rande Albuquerque. Além das noticias, que 
icrcveo cfte Heróc, que ferviraõ para formar 
s Commcntarios das fuás acçoens, eftaõ 
nclles impreíTas eftas fuás obras. 

Duas repojlas, que mandou a ditas Cartas de 
C.ogeatar. Part. i. cap. 62. 

Kepojla a huma Carta de l^ota^enço de Brito, 
Capitão de Cananor. Part. 2. cap. 3. 

Injlrucçaô mandada por Fr. Ljuí^ da Ordem 
Seráfica a ElRej de Narjinga, em que dava noticia, 
do que Ihefuccedera na conquifta de Calicut. Part. 2. 
cap. 17. 

Carta ejcrita ao Xeque Ifmael. Part. 2. cap. 23. 
Injlrucçaô dada a Ruj Gomes para o Xeque 
Jfmael. ibi. 

Carta a ElRej de Ormus. ibi. 
Carta a Gopicaiça Agua^il mor delRey 
de Cambaja. Part. 2. cap. 46. 

Carta ejcrita a Timoja Aguav^tl mór, e 
Capitão da Gente de Goa, e Senhor das ferras de 
Cintacora. Part. 2. cap. 49. 

Carta ao Hidalcaõ quando conquijlou Goa 
Part. 3. cap. 4. 

Inftrucçaõ, que deu a António de Miranda 
de Azevedo, com hum premente para ElRey de 
SiaÕ Part. 3. cap. 36. 

Carta a ElRey D. Manoel, em que lhe relata 
a conquijla de Goa Part. 3. cap. 56. 

Carta ejcrita ao mejmo Monarcha em 12. de 
Dev^embro de 1 5 1 5 . ejlando próximo à morte em 



que lhe recomenda o dejpaebo d» Jeu filho. Part. 5. 
c. 4). e na Decad. 2. de Barros L. 10. cap. 8. 
vertida em latim por Oíorio dt reb. Emman. 
lib. 10. em Caftclhano por S. Ronrun. Hijl. 
dela índ. liv. 2. cap. 9. e em Prancez por I^fítau. 
Hijl. des Conq. de Por/ug. Tom. i. pag. mihi 5x6. 

AFFONSO DE ALBUQUERQUE, 
filho do celebre Heróe de que fe íe2 a prece- 
dente memoria, foy naõ fomente herdeiro das 
fuás virtudes, e acçoens heróicas, mas ainda do 
feu mefmo nome. Naceo na quinta, que foy 
berço de feu grande Pay junto à Villa de Alhan- 
dra fituada nas margens do Tejo no anno de 
i)oo. O nome de Braz, que no bautifmo lhe 
fora importo, o mudou no de Affonfo por infi- 
nuaçaõ delRey D. Manoel, querendo eíle Prín- 
cipe igualmente eternizar na fua PeíToa a memo- 
ria de feu illuftre Progenitor, como continuar 
nelle a remuneração de taõ altos merecimentos, 
de que foraò manifeftos argumentos o nomeallo 
Capitão de hum Navio da Armada, que condu- 
zi© a Infanta D. Beatriz, quando fe foy defjxjzar 
com o Duque de Saboya, e fer inftnimento de 
que cazaíTe com huma Dama das mais illuftres, 
que venerava Portugal, qual era D. Maria de 
Noronha filha de D. António de Noronha pri- 
meiro Conde de Linhares, e Efcrivaõ da Puri- 
dade delRey D. Manoel, e de D. Joanna da 
Sylva filha de D. Diogo da Sylva primeiro Con- 
de de Portalegre, e lhe fez mercê de hum juro 
de trezentos mil reis. Naõ fó os merecimen- 
tos herdados, mas os próprios o conílituiraõ 
digno de mayores prémios. Foy dotado de 
infigne prudência alcançada com a liçaõ dos 
Livros, e continua adminiílraçaõ de negó- 
cios, pela qual o nomeou ElRey D. Joaõ o 
IIL Vedor da fua Fazenda, onde foy taõ 
vigilante no obfequio do feu Príncipe, como 
defintereíTado no augmento próprio. Grande 
providencia manifeftou a fua capacidade 
quando no anno de 1569. fendo Prefidente 
do Senado de Lisboa, applicou todos os 
meyos para evitar os calamitofos damnos, 
que em toda a Qdade caufava a peíle, que 
com horrorofa voracidade tinha cõfumido a 
muitos milhares de homens, devendofe à fua 
compaffiva vigilância o total extermínio de 
taõ medonho flagelo. Para alivio dos minif- 
terios, que exercitava, edificou no lugar de 



BIB LIO THE CA 



Azeitão huma fumptuofa quinta povoada de 
frondofas arvores, e regada de caudelofas 
fontes, de cuja antigua grandeza ainda hoje 
fe confervaõ alguns veíligios. Cheyo de annos, 
e acçoens virtuofas morreo em Lisboa no 
armo de 1580. e foy fepultado na Parochial 
Igreja de S. Simaõ íituada na Viila de Azeitão, 
onde inftituhio duas Capellas cõ obrigação 
de que cada Capellaõ diga cada fomana quatro 
MiíTas pela fua alma, de feus Pays, mulher, 
amigos, e inimigos, e das que eftaõ penando 
no Purgatório. Deixou huma filha única 
chamada D. Joanna de Albuquerque que cafou 
com D. Fernando de Caílro. Compoz. 

Commentarios de Afonjo Dalbuquerque Capi- 
tão geral, e governador da índia collegidos por feu 
filho A-fonJo Dalbuquerque das próprias cartas 
que elle ejcrevia ao mujto poderofo Key Dom 
Manuel o primeiro defie nome em cujo tempo gover- 
nou a Índia. Vam repartidas em quatro partes 
fegundo os tempos dos feus trabalhos. Tem no 
fim as feguintes palavras. 

Foraô imprejfos ejles Commentarios Dafonfo 
Dalbuquerque Capitão geral, e Governador da 
índia, na Cidade de Lisboa, por Joaô de Barreira 
imprejfor delRej Nojfo Senhor. Acabaram-fe 
de imprimir Vefpera de S. Sebastião, dejanove 
dias do me^ de Janeiro de mil, e quinhentos, e 
Jincoenta, e fete annos, em cujo dia o Príncipe dom 
Bajliam nojfo Senhor a quem ejla obra vay offe- 
recida fa^ tre^ annos. foi. Sahiraõ fegunda 
vez imprelTos em Lisboa pelo dito Impref- 
for 1576. foi. Traduzidos na lingua Fran- 
ceza. Pariz por Joaõ Marnef. 1579. 

No Cancioneiro, de que foy Colleélor 
Garcia de Refende, ellaõ alguns Verfos de 
Affonfo de Albuquerque a foi. 169. 170. e 
176. dos quaes fe manifefta, que taõ ver- 
fado foy na Poefia, como na Hiftoria. 

Tratado da Antiguidade, nobret^a, e defcen- 
dencia da familia dos Albuquerques. M. S. 

Deíla obra faz elle mençaõ nos Com- 
ment. Part. 4. cap. 50. e o Padre D. António 
Caet. de Soufa no Apparat. à Hijl. Gen. da 
Caf. Real Portug. pag. 38. §. 17. 

Louvaõ ao author, e a obra dos Com- 
mentarios com os merecidos encómios Barros 
Decad. 2. da índia liv. 10. cap. 8. Maffeo rer. 
Ind. Hiji. lib. 5. in fine. Góes Chron. delRey 
D. Man. Part. 3. cap. 80. Ant. de Leon, Bib. 



Orient. Tit. 3. Nic. Ant. Bib. Hifp. Tom. i. 
pag. 6. D. Luiz Salaz. de Caft. Hifi. da Caf. dos 
Sjlv. Part. 2. L. 6. c. 13. §. 3. n. 14. Far. Epi/. 
das HiJl. Portug. Part. 4. cap. 18. Joan. Soar. 
de Brit. in Theatr. Lufit. hitter. lit. A. n. 8. 
Ant. Ferreir. nos Põem. Lufit. Eleg. 6. e o 
P. Lafitau Hifl. des Defcov. e^ Conquet. des Por/. 
Tom. I. p. mihi 521. II y paroit un grand amour 
de la verité, une grande moderation beaucoup de mena- 
gem ent pour la perfonne des ennemis defon Pere, et \ 
tant de modeflie dans le detail des aãions de ce Heros, * 
qu on peut dire que le portrait qu il enfait, bien loin 
d^etre outre, efl beaucoup au dejjous de fon original. 1 

AFFONSO DE ALBUQUERQUE, 

natural de Lisboa, ProfeíTor de Direito Civil, 
e Patrono de Caufas Forenfes. No tempo 
em que fe ventilava a celebre queílaõ de 
quem havia fuceder na Coroa defla Monarchia 
por morte do Sereniffimo Cardial Rey D. Hen- 
rique, mais affefto às injuílas pertençoens de 
Caílella, do que defenfor da indubitável Juíliça 
da fua Pátria, imprimio no anno de 1 5 79. 

Jus Philippi ad regiam Lufit. Coronam. 

De cuja obra faz mençaõ Caramuel Phil. 
Prud. pag. 177. 

AFFONSO DE ALCALA, E HERRER.\ 
oriundo de Caílella, mas nacido em Lisboa 
a 12. de Setembro de 1599. de Pays nobres ' 
naturaes de Toledo, quaes foraõ Joseph de 
Alcalá, e Herrera, e D. Ignez de Robles. 
Foy fciente nas linguas Latina, Caílelhana, 
Italiana, e Portugueza. Defde a primeira 
idade fe applicou á liçaõ das letras humanas, 
e da Poefia, cujo eftudo cultivou atè a velhice. 
Ainda que a mayor parte da vida paíTou 
recolhido em cafa revolvendo os Livros, em 
que unicamente achava divertimento, era 
fummamente agradável, e urbano para todos 
aquelles, que familiarmente o tratavaõ. Foy 
dotado de grande engenho, de fumma piedade 
para com Deos, e de cordial devaçaõ a Maria 
Santiffima, como teftemimhaõ muitas das fuás 
compofiçoens. As virtudes Chriílaãs, que exer- 
citou toda a vida, e confervou no eílado do Celi- 
bato, em que viveo, o difpuzeraõ para acabar 
com morte plácida em Lisboa a 21. de Noveraa 
bro de 1682. com mais de 83. annos de idade|> 
Foy sepultado na Igreja de N. Senhora dos Remi 



L USITAN A. 



27 



dios dos Carmelitas Defcalfos, no jazigo dos 
£bus Mayores, que tem efte epitáfio. 

Sepultura de Affonfo d» Kobles, e feia htr- 
deiros. 
Compoz 

Vários effeítos de amor en cinco novellas 
sernphres, y mevo artificio para efcrivir profa, y 
■rrfo Jin una de las letras vocales excluyendo Vocal 
diferente en cada novela. Lisboa por Manoel 
(la Sylva. 1641. 8. e ibi. por Franc. Villela. 
1671. 8. 

jardim anagramatico de divinas flores "Lufi- 
tcmas, Efpanholas, e Latinas, em o qual fe 
contaõ 685 Anagramas, e féis Hymnos Chro- 
nologicos. Lisboa na Ofíicin. Cracsbeck. 
1654. 4. 

.lo infiffte, e V. P. Fr. António da Con- 
ceiçuõ da Ordem da Santijfima Trindade féis 
Aiui^amas, três na lingua hatina, e três na Ijtfi- 
tana. Sahiraõ imprcflbs na Vama Poflhum. 
defle V. P. compofta por Frey António Corrêa. 
Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 
1658. 4. 

Pfalterium Quadríiplex Anagrammaticum , 
Angelicum, Imwaculatum, Marianum Deipans 
dicatum fexcenta luitina Anagrammata comple- 
tem. Ulyffip. apud Ant. Craesbeck de Mello 
Ser. Inf. Typ. 1664. 12. 

Corona, y Kamillete de flores falutiferas, 
antídoto dei alma, confuelo de afligidos, y def engano 
dei mundo, devotiffimas gloffas, Poefia Sacra, 
y divinas meditaciones de la Pafjion, y Muerte de 
Chriflo, Soledad de la Virgen, y poflremerias dei 
hombre por las horas Canónicas. Lisboa por Do- 
mingos Carneiro. 1677. 8. 

A Sagrada Imagem da Virgem do Pilar 
May Santiffima Madre de Deos, Salve Raynòa 
gloffada. Lisboa pelo mefmo ImpreíTor. 
1678. 4. 

Meditaçoens de Santa Brijida traduzidas de 
Latim em Portugue^. Lisboa por Joaõ Galraõ. 
1678. 24. 

Novo modo curiofo, tratado, e artificio de 
efcrever, afjim ao divino, como ao humano com huma 
vogal fomente, excluindo as quatro vogaes. 1. e z. 
Part. Lisb. por Francifco Villela. 1679. 8. 

Tinha prompto para a impreflaõ hum 
livro intitulado: 

Color de Colores 
do qual affirma o P. Francifco da Cruz da 



Companhia de Jeíus nas Tuas Memoc. para 
a Bib. Portuguesa, que era das mais ioTi- 
gnes obras, que efcrevera. Compoz muitas 
Poesias, de que algumas fe imprimirão 
fendo huma em lingua Caílclhana, que efiá 
iníerta no livro: Avifos para la muerít, Lisboa 
por Domingos Carneiro. 16) o. 24. 

Na Bibliothcca do Emineotiffímo Car- 
dial de Souía fe conferva hum volume de 
folha M. S. que contem as obras feguintes 
traduzidas de Italiano em Caílclhano: 

Las cien dudas amorofas de Jeronymo Vida. 
La famofifftma Compania de la Lefina. Aflucias 
de bertoldo, y fimplicidades de Bertoldino compoíla 
por Júlio Ccfar Cruz. 1666. 

Na mefma Bibliotheca eílava a feguinte 
obra deíle Author: 

Templo de amor,y mineral riquiffimo de varias, 
y efcogidas Poesias, elegantes profas, fentencias,, 
y curiofidades. Dous Tom. em 4. Parte defta 
obra era fua, c parte tranfcripta de outros 
Authores. 

Hypolit. Marrac. in append. Biblioth. Ma- 
rian. lhe chama vir pietate, atque doíirina claruSy 
e Joaõ Soar. de Brit. in Theat. Lufit. Litter. 
vir ingenio, fludioque non omninb vulgari; o Reve- 
rendiflimo P. António dos Reys in Enthu- 
fiafm. Poet. impreíTo no princip. dos feus 
Epigram, n. 183. faz delle memoria entre os 
Poetas Portuguezes, e a Magn. Bib. Ecclefiafl. 
pag. 232. col. I. 

Fr. AFFONSO DE ALFAMA nafceo ^ 
na Cidade de Lisboa para o mimdo, e na Villa 
de Moura para Deos, onde recebeo, e profef- 
fou o habito da Ordem Carmelitana. Foy 
Doutor na Sagrada Theologia, e hum dos 
mais famofos Letrados do feu tempo, e 
obfervantiíTimo das ConíUtuiçoens da Or- 
dem, por cujos merecimentos fe fez digno- 
de prefidir como Vigário Geral ao Capi- 
tulo, que fe celebrou em Lisboa em 6. de 
Julho de 1423. por ordem do Geral Fr. Joaã 
Groz, no qual foy eleito Provincial com 
geral acclamaçaõ, fendo o primeiro, que teve 
a Província de Portugal. Pelas fuás grandes 
letras, que fe faziaõ mais veneráveis pelas 
virtudes, mereceo a eftimaçaõ dos Prínci- 
pes daquella idade. Teve a incomparável 
gloria de lançar o habito Carmelitano em 



28 



B IB LIO THE CA 



y 



15. de Agoílo de 1423. àquelle invencível 
Heroe o Condeftavel D. Nuno Alvares Pe- 
reira, que depois de obrar as mais herói- 
cas acçoens na campanha, fe retirou a con- 
quiílar o Ceo no Ciauftro. No tempo do 
feu governo fe fez proteftor do Convento 
de Lisboa o Sereniffimo Rey D. Duarte, 
concedendo-lhe com generofa maõ as mayores 
immunidades. Cheyo de annos, e mereci- 
mentos morreo em Lisboa no anno de 1435. 
ainda quando governava a Província, e foy 
fepultado no Cruzeiro do magnifico Templo 
do Carmo. Compoz: 

Doãrinale Patrum. 
cuja obra foy feita fobre as Collaçoens de 
CaíTiano. 

Do progrejfo da Ordem Carmelitana. 2. Tom. 
nos quaes fe comprehendem onze livros, como 
<liz Joaõ Franco Barreto na Bih. 'Lufit. M. S. 

O P. Fr. Manoel de Sá, Académico Supra- 
numerário da Academia Real da Hiftoria 
Portugueza nas Mem. Hijior. dos Efcrii. Port. 
Ja Ordem do Carmo, que fahiraõ impreíTas no 
anno de 1724. efcreve a pag. 6. que fendo 
occultas á noticia de Fr. Marcos António 
Alegre de Cafanate, como elle confeíla, as 
obras de Fr. Aífonfo de Alfama, alem das refe- 
ridas, as manifeílára a invelligaçaõ do Doutor 
Joaõ de Ferreras no Index dos Efcritores do 
feculo decimo quinto da Part. II. da Hijl. 
Je Efpan. as quaes eraõ o Fiel Confelheiro. O 
Bom governo da jujliça. Tratado da Mifericordia. 
Defte engano em que innocentemente cahio 
o P. Fr. Manoel de Sá foy caufa o Doutor 
Ferreras, que igualmente fe enganou, attri- 
buindo com manifeíla equivocaçaõ a Fr. 
AfFonfo de Alfama eíles tratados, que foraõ 
compoftos pelo SereniíTimo Rey D. Duarte, 
como em feu lugar fe verá, fendo indifcul- 
pavel em hum Author de tanta critica, como 
he o Doutor Ferreras, hum erro, que facil- 
mente poderá evitar, fe lera com mayor 
attençaõ a Nicolao António na Bib. Vet. Tom. 2. 
lib. 10. cap. 5. n. 286. donde extrahio confu- 
famente efta noticia equivocando hum com 
outro por eftarem juntos na dita Bibliotheca. 
Faz memoria de Fr. AfFonfo de Alfama, além 
<le Nicolao António, e Frey Manoel de Sá 
nos lugares citados, a Magn. Bib. Ecclejiaflic. 
pag. 313. col. 2. 



AFFONSO DE ALMEIDA, a quem naõ 
declara Portuguez, ou Caftelhano Nicol. Ant. 
in Bib. Hifpan. Tom. i. p. 7. deve fer numerado 
entre noíTos Efcritores por fer o feu Appellido 
muito trivial em a noíTa Naçaõ, e totalmente 
eftranho em a Caftelhana. PaíTou às índias 
Occidentaes, e na Cidade de Lima imprimio 
no anno de 1644. 

Pertendiente de la tierra, y carta para los que 
navegan el golfo de la Corte. 

I AFFONSO ALVARES, foy hum dos I 
mais eftimados criados, que teve em a fua 
numerofa familia o IlluftriiTimo Bifpo de 
Évora D. AfFonfo de Portugal, de quem em 
feu lugar faremos illuílre memoria. Foy do- 
tado de hum génio fácil para a Poezia, prin- 
cipalmente na compoíiçaõ de Autos na lingua 
Portugueza, que varias vezes fe reprefen- 
taraõ no Theatro com geral acclamaçaõ dos 
efpeftadores, dos quaes muitos fahiraõ à luz 
publica, como foraõ. 

A-Uto de Santo António feito a pedimento dos 
muy honrados, e virtuofos Cónegos de SaÕ Vicente: 
muy contemplativo, em partes muy graciofo, tirado 
da fua mefma vida. Lisboa por Vicente Alva- 
res. 161 3. 4. & ibi por António Alvres 1639. 4. 
Évora por Franc. Simoens 161 5. 4. e Lisboa 
por Doming. Carn. 1659. 4- 

Auto de S. Tiago Apoflolo. Lisboa por 
António Alvres 1639. 4. 

Auto de Santa Barbara Virg. e Mart. Lis- 
boa por Vicente Alvres. 161 3. 4. e Évora 
por Franc. Simoens. 161 5. 4. 

Auto de S. Vicente Martyr. Prohibido 
pelo Expurgatorio dos livros feito por ordem 
do Inquiíidor Geral Fernaõ Martins Mafca- 
renhas Part. 3. letr. A. 

Kefpofla feita a huma petição, que fe^ António 
Ribeiro Chiado ao Comiffario Geral de S. Fran- 
cifco. Lisboa por António Alvres. 1602. 4. 

AFFONSO ALVERES GUERREYRO, 
natural da ViUa de Almodouvar no Campo 
de Ourique, taõ illuílre por nacimento, 
como celebre pela faculdade de Direito 
Civil, e Canónico, em que recebeo o 
gráo do Doutor. Parecendo - lhe pequena 
esfera para o feu profundo talento a pá- 
tria, paíTou a Itália, onde mereceo as ac- 



L USITAN A. 



29 



rlamaçoens dos mayores ProfeíTores da Ju- 
lifprudencia chegando a fer Prefidentc 
(la Chancellaria de Nápoles, cujo miniíle- 
rio exercitou com fumma equidade, e pru- 
Icncia. Attendendo a Mageílade de Fe- 
lipe II. à fun grande inteireza, e fabedoria, 
o nomeou Bifpo de Monopoli no mefmo 
Kcyno cm 2. de Junho de 1572. querendo, 
ijue illuflraíTc o Sacerdócio, aíTim como tinha 
onnohrccido o Senado. Dcfcmpenhou em 
hcnclicio das fuás ovelhas todas as obriga- 
çoens de Paílor vigilante, até que no anno 
de 1577. as deixou eternamente faudofas paf- 
'"tndo a melhor vida. As fuás letras, c vir- 
ulcs naò deixarão em injuriofo filencio va- 
\uthores, como faõ Agoft. Barboza de 
jure Liccief. cap. 11. n. 79. Nicol. Ant. in 
Nb. Hi/p. Tom. i. pag. 7. Manoel de Faria, 
Soufa no Caf. dos E/cri/. Porf. impreíTo no 
lípif. das Hijl. Portug. Part. 5. cap. 15. Pof- 
fevin. in Apparat. Sacr. tom. i. pag. 45. e Fr. 
[•'crnando Ughcllo in Ital. Sac. Tom. i. de 
Epifcop. Monopolitenfihus. pag. 974. da ediçaõ 
de Veneza por Sebaftiaõ Coleti. 171 7. foi. 
! Compoz 

Tbefaitrus Chriftiana Keligioms, & Jpeciilum 
"^icrorítm Summorum Pontificum, Imperaíorum, 

Reguw, eb* Sanãijfimorum Epifcoporum. Ve- 

.ctiis apud Cominum de Vritono 1559. foi. 

Colónia: 1581. 8. 1586. apud Petrum Hooíl. & 

Florentiíc apud filios Laurentij Torrentini, 

1563. foi. 

De modo, (Ò' ordine Generalis Concilij cele- 
hrandí, (ò" de Ecclejia Dei in priorem faciem 
revocanda. Neapoli apud Ambrofium de Man- 
çaneda. 1545. 4. 

De adminiftratione Jujlitia. Defta obra faz 
mençaõ in The^aur. Chrijlian. Re/igionis. Cap. 
36. n. 7. 

De Bellojujlo, (& injufto Traãatus. Neapoli 
apud Ambr. de Mançaneda. 1543. 4. e fe 
conferva Aí. S. na Bib. Vatic. Cod. 5200. 

y Fr. AFFONSO DE SANTO ANTÓNIO, 

natural da Villa de Aviz fituada na Província do 
Alentejo irmaõ no fangue, e Religião dos Trini- 
tarios Defcalços na Provinda de Caftella, de 
Fr. Luiz da Conceição, de quem fe fará mençaõ. 
Foy varaõ de grande authoridade, e benemé- 
rito da fua Sagrada, e Religiofa Família, da qual 



fendo Procurador Geral fe empenhou com 
argumentos concludentes a modrar naõ fo- 
mente os privilégios, c exempçoens, que 
tinha, mas a primazia, e antiguidade, com 
que no exercício de refgatar os Cati- 
vos do poder dos bárbaros lograva con- 
tra a preferencia pertendida neHa matéria 
pela illuAre, e militar Ordem dos Mer- 
cenários. Em premio do zelo, com que 
atendia pelo efplendor da fua Religião foy 
eleito Definidor, e Miniílro do Convento de 
Madrid, e certamente occuparia as mayores^ 
dignidades, fe a morte em o anno de 1668. 
lhas naõ impedira. Compoz. 

Glorio/os titulos Originários, e privativos dela H 
Sagrada Keligion de Defcalços dela Santiffima 
Trinidad redempcion de Cautivos por los qtuiles Je 
les deve por todos los Reynos dela Corona de Ef- 
paiia la primaria, y antigmdadde Religion 
aprovada redemptora de Cautivos refpeto dela 
ilujlre Orden de N. Senora dela Merced. Madrid 
por Maria de Quííiónes. 1661. em folha. 
Foy fegunda vez impreflb como affirma Fr. 
Rafael de S. Joaõ no feu Livro intitulado 
Redempcion de Cautivos. 

Dela Concepcion dela Virgen Maria. 

Defta obra faz mençaõ feu Irmaõ Fr. 
Luiz da Conceição no fim do Tom. i. Exam. 
Verit. Moral. Theolog. in Corollar. pro Con- 
cept. onde diz. Difcurfum igitur hunc (c>' 
non naturalis me movet fraternitas) Sanctorum^ 
Doãoriim ornatum tefiimoniis eleganter Jatis vul- 
gari nofiro idiomate P. Fr. Alphonjus à Sanão 
António affert. Tom. M. S. 

Arbol Eucharifiico dela vida natural, efpi- 
ritual, e eterna reprejentada en los três arboler 
de que fe hat^e memoria en los lihros Sagrados 
Gene^s, Provérbios, y Apocalipfe. Em folha. 
M. S. Conferva-fe eíla obra no Convento 
de Madrid, como efcreve Fr. Belchior do 
Efpírito Santo na vida do V. P. Fr. Joaõ 
Bautiíla da Conceição Fundad. dos Trin. 
Defcalços, imprefla em Madrid. 171 3. 4. -J 

Fr. AFFONSO DA ATOUGUIA 
nacido no lugar do feu ApeUido, que 
he do Arcebifpado de Lisboa, Monge 
Ciílercienfe do Real Convento de Alcobaça, 
varaõ como teílemunhaõ os feus efcritos, 
muito pio, fendo hum daquelles antiquiflimos 



JO 



B I B LIO THE CA 



Monges, que precederão à Reforma da fua 
Congregação neíle Reyno, o qual igualmente 
paíTava o tempo em defcrever as vidas dos 
Santos, que imitar as fuás virtudes. 
-Compoz. 

Vidas de muitos Santos. 

Cujo original fe conferva M. S. em folha 
tia Biblioth. do Convento de Alcobaça. 

AFFONSO DE BARROS, de quem Ni- 
colao António affirma, fer natural de Segó- 
via, o faz indubitavelmente Portuguez Joaõ 
Franco Barreto na Biblioth. 'Lufitana M. S. 
cuja aíTeveraçaõ he conforme à judiciofa cri- 
tica do iníigne antiquário Manoel Severim de 
Faria. Nós fomente amantes da verdade, 
pofto que conheçamos, que a familia de Bar- 
ros feja Portugueza, como neíla Bibliotheca 
fe veraõ muitos Efcritores Portuguezes com 
«Jlie appellido, e fe naõ ache efte entre as fa- 
mílias Caílelhanas das quaes difufamente efcre- 
veraõ nos feus Nobiliários Gonçalo Argote 
de Molina, e outros Genealógicos, aíTim como 
naõ queremos defraudar a Caílella deíle efcri- 
tor, aflim naõ receamos atribuillo a Portu- 
gal. Neíla incerteza da fua verdadeira Pátria, 
o que naõ padece a menor duvida he que foy 
Aífonfo de Barros filho de Pays honrados, 
ornado de vivo engenho, fufficientemente 
inílruido nas letras humanas, de grande ta- 
lento, affim na Corte, como na Campanha, 
fendo Quartel Meftre dos Reys de Caftella 
Felipe II. e III. até o fim da fua vida, que foy 
em Madrid no anno de 1604. Foy fepultado 
na Igreja de N. Senhora do Loreto da mefma 
Corte. Efcreveo. 

Filofofia cortef^ana moralizada. Madrid por 
Pedro de Madrigal. 1587. 12. 

Perla de Provérbios morales. Madrid 1601. 
cujo livro illuílrou, e augmentou com o 
titulo de Provérbios concordados Bartholameu 
Ximenes Paton. 161 5. 4. e depois em Lisboa 
por Pedro Crasbeeck 161 7. 4. 

Memorial fobre el reparo dela Milicia, que 
naõ fahio à luz, como outras obras que affirma 
Mattheos Aleman no elogio que lhe faz aos 
Provérbios concordados, manifeílaõ claramente a 
grandeza de feu author, de quem faz memoria 
o P. António dos Reys no Enthufiajm. Poet. im- 
preíTo no principio dos feus epigramas n. 174. 



AFFONSO CAMEYRO o qual fempre 
nas fuás obras fe intitulava Meftre, antes do 
feu nome, ou porque era Profeííor da Sagrada 
Theologia, ou Direito Canónico. Foy hum 
dos varoens celebres, e doutos, que flore- 
ceraõ no Reynado do SereniíTimo D. Manoel. 
Deixou efcrito na lingua materna hum grande 
volume de Queftoens curiofas, em que fe 
admira a vafta noticia da Sagrada Efcritura, 
e da Hiftoria Ecclefiaftica, fendo as principaes 
as feguintes. 

Porque no fello dos Diplomas Pontifícios ejleja 
S. Paulo à maÕ direita, e S. Pedro à ej- 
querda? 

Porque das arrecadas, e manilhas das Hebreas, 
que Araõ lançou no fogo, fahio a figura do beferro, 
e naõ de outro qualquer animal! 

Porque naõ ofendendo os Leoens, e outras 
cruéis feras aos Santos Aíartyres, lhe naõ guardajfem 
ejie ref peito as ef padas? 

Efte volume fe confervava na Bibliotheca 
do celebre Antiquário Manoel Severim de 
Faria. 

/ D. AFFONSO DE CASTELLO BRAN- 
CO igualmente famofo pelo efplendor do 
nacimento, como pela profundidade da Scien- 
cia, teve por Pátria a Lisboa, por Pay a D. 
António de Caílellobranco, e por Avós a 
D. Martinho de Caftellobranco, e D. Mecia 
de Noronha primeiros Condes de Villanova. 
Depois de eftudar as letras humanas fe appli- 
cou em Coimbra às Sciencias mayores, nas 
quaes fez taõ grandes progreíTos, que ainda 
fendo difcipulo, era refpeitado como Meftre 
de Theologia pellos mayores ProfeíTores da 
Univerfidade, e recebendo nefla. faculdade 
a borla doutoral foy hum dos primeiros 
CoUegas do Real Collegio de S. Paulo nova- 
mente fundado no anno de 1563. como diz 
Cabed. de Patronaf. cap. 48. Pelo voto de 
todos os Académicos feria elevado a illuftxar 
como Meftre as mayores Cadeiras da Athenas 
Portugueza, fe o Cardial D. Henrique nefte 
tempo Arcebifpo de Évora, que lhe era 
muito affeâo, o naõ nomeaíTe Arcediago 
de Penella, e do Bago nefta Diocefe, e 
depois feu Efmoler mór, e CapeUaõ mór. 
Tendo exercitado com reâddaõ os lugares de 
Deputado da Mefa da Conciencia, e Ordens, 



L USITAN A. 



3i 



(Ic Commiffario da Bulia da Cruzada foy pro« 

Douido á Epifcopal Cadeira do Algarve no 
no de 1581. fuccedendo neíla Prelafíaao ín- 
nc varaõ D. Jerónimo Oforio. Deíle Bifpado 
iilumpto ao de Coimbra, de que tomou 
:1c cm 25. de Agofto de 1585. Conhecendo 
iipc fegundo a grande capacidade, c pru- 

kncia de que era ornado, o nomeou Vicerey 

Portugal, cujo governo principiou a 22. de 

,oílo de 1605. e o dlmitio a 26. de Dezem- 

>) de 1604. dizendo com apoftolica liberdade, 

lue govemaííe ElRey de Caílella os íeus 

1^, que elle queria apafcentar as íuas 

IS. Entre taõ grandes, e authorizadas 

•niciades fcmprc brilharão com exceíTo as 

lis virtudes, de que foraõ manifcftos argu- 

H-ntos a eloquente energia, com que pre- 
ndo rcprehcndco os vicios; a pcrfpicaz 
Mlancia, com que dcfcndco o feu Rebanho; 
incanfavel trabalho, com que frequentemente 

;lltou a fua Diocefe; a imperturbável conf- 
icia, com que defendeo a Jurisdicçaõ 
clcfiaftica; a profufa liberalidade, com que 
-orreo a pobreza; a clemência unida com a 
^ cridade, com que emendou as culpas ; a 
ticrofa magnificência, e o copiofo difpendio, 
ni que ornou os Templos. Na Cidade de 
10 erigio o Palácio Epifcopal, e a Cafa 
Mifericordia. Em Coimbra reedificou o 

.ilacio para digna habitação da fua PeíToa, 
de feus fucceíTores. Nefta Cidade levantou 
ide os fundamentos o Convento de Santa 

Vnna de Religiofas Agoílinhas naõ inferior 

Architeftura, e na grandefa aos mais cele- 

cs, e o dotou de copiofas rendas. Nova- 

Kínte reparou o Coro, e grande parte do 
nvento de Cellas de Religiofas Ciílercienfes. 
"^mou a fua Cathedral com edifícios nobres, 
-ciofas armaçoens, e diverfos ornamentos 
primorofamente tecidos de ouro, prata, e feda. 
Naõ fatisfeito de ter difpendido com larga mu- 
nificência para a fabrica do Cofre de prata, em 
|ue jáz o corpo da Rainha Santa Ifabel trium- 
.ante da jurisdicçaõ do tempo, deixou no feu 
Jeftamento o legado, taõ pio, como generofo, 
|ie trinta mil cruzados para fe gaitarem nos 
ippkufos da fua Canonifaçaõ, além de vinte 
nil para reparo das eílradas, que de féis le- 
?oas em circuito vinhaõ terminar em Coim- 
bra. Ao Hofpital, e Cafa da Mifericordia 



defta Cidade íocorreo com magnificas eímo- 
las no tempo, que fe padeciaõ mais urgen- 
tes neceíTidades. A muitos varoens infignes, 
que em utilidade da Republica litteraria la- 
borioíamente fe appUcavaõ em doutas com- 
poíiçoens, ofíereceo numeroías quantias de 
dinheiro, para que as impnmiíTem, fendo 
os principaes D. Diogo Soares de Santa 
Maria Bifpo Sagienfe em França, a Lippo- 
mano em Itália, e ao Cardial Cefar Baronio, 
a quem mandou vinte mil cruzados para a 
ediçaõ dos Annaes Eccleíiaíticos, os quaes 
o EminentiíTimo Annaliíla affeôuofamente 
agradeceo, e modeílamente naõ admitio. 
Ultimamente aíTim como naõ houve virtude 
alguma, em que naõ foíTe infigne efte Prelado, 
aíTim naõ houve género algum de Peflba, 
a quem naõ fe extendeííe a fua chari- 
tativa, e generofa beneficência, merecendo 
por ella fer em toda a Diocefe Conimbricenfe 
intitulado antonomafticamente Bifpo Efmoler. 
Tendo governado efte Bifpado trinta annos, 
quando contava 95. de idade com eterna 
faudade das fuás ovelhas, com as quaes 
difpendera quinhentos mil cruzados, deixou 
a vida temporal pella eterna em 12. de Mayo 
de 161 5. Jáz fepultado ao lado efquerdo 
da Capella mòr do Convento de Santa Anna, 
que elle fundara, em cujo Maufoleo fe lé 
gravado efte epitáfio, que faz mayor rela- 
ção das fuás dignidades, que das fuás vir- 
tudes. 

Sepultura de D. Affonjo de Cajlellohranco de 
boa memoria, que foy Collegial do Keal Collegio, 
Bifpo do Algarve, e de Coimbra, Conde de Ar- 
ganil, Efmoler mór do Cardeal D. Henrique, 
Vifo-Kej de Portugal, o qual entre muitas obras 
illujires com que honrou efia Cidade, fundou, e 
dotou com magnificência efie Convento infigne. 
Fe:i-fe efla obra em iz de Junho de 1655. fendo 
Priore^a a Madre Maria de Meneses fua fobrinha, 
Compoz. 

Sermão do Auto da Fé em Coimbra; o qual 
verteo em Latim Francifco Fernandes Gal- 
vão, e o dedicou ao Pontífice Xifto V. fahio 
Romãs apud Titum, & Paulum de Dianis. 
1589. 4. e tem efte titulo. 

Celebris condo in publico fanãa Inquifitionis 
Aãu Conimbrica habita ab llluftriffimo Domino 
D. Alphonfo de Cafkl-branco ejufdem Civitatis 



32 



BIBLIOTHECA 



'Epifcopo Keverendijfimo, Arganili Comité. 

Sermaõ na Collocaçaõ das Relíquias que 
foraõ levadas da Seé de Coimbra a o Real MoJ- 
teiro de Santa Crui^ de Coimbra, e fahio im- 
preflb na mefma Cidade por António de 
Mariz 1596. 8. em a Relação do folemne 
recebimento das mefmas Reliquias, e eílá 
à pag. 57. v.o até pag. 76. 

Conjlituiçoens de Coimbra. Coimbra por 
António Mariz 1591. foi. 

Rejolucion dei Senor D. Alonfo de Cajielo- 
b lanço Obifpo de Coimbra y Conde de Arganil 
<Ò'c. j dei D. Francifco Suares I^ector de Prima 
dela Univerjidad de Coimbra fobre el cafo, que fe 
moviò en Toledo cerca dela profefjion de los her- 
manos Terceros Seglares. Saragofa por Lucas 
Sanches. 16 10. foi. 

Carta Pajloral efcrita em 9 de Fevereiro de 
1607. na qual dá aos Pregadores admiráveis do- 
cumentos. Confervafe na Livraria do conde 
Vimieiro. 

Sermoens M. S. que fe confervaõ no Car- 
tório do CoUegio da Companhia de Jefus 
de Coimbra fendo o primeiro de S. Francifco, 
o fegundo do Domingo primeiro de Ouarefma, 
terceiro do Nacimento de N. Senhora, quarto, 
quinto, e fexto da Purificação de N. Senhora 
pregados os dous primeiros no anno de 1602. 
e o ultimo em 1603. e delle confta, que era o 
nono, que tinha pregado na mefma Feíli- 
vidade em a fua Cathedral. 

Sermaõ no Auto da Fé de Coimbra. Do- 
mingo defanove de May o de 1591 M. S. o qual 
he differente do que aíTima fe faz men- 
ção, e delle confervo huma copia em meu 
poder. 

Diverfas foraõ as pennas, que elogiarão 
a fabedoria, piedade, e merecimento delle 
grande Prelado, como foraõ Joaõ de Al- 
meida Soares na fua vida, que eftava prompta 
para a impreífaõ. Brand. Mon. L.ujit. Part. 4. 
liv. 12. cap. 36. e Part. 5. liv. 17. cap. 9. Men- 
doça in Viridar. lib. 6. orat. 11. n. 142. 
Tuam ego eloquentiam, Praful Illujirifjime, <& 
Amplifjime, quem Jingularem novit L.ujitania, vidit 
Conimbrica, Societas noftra experta eji, (& PaJ- 
torem, <& Prcedicatorem, tuam inquam, eloquen- 
tiam augujiam verbis, virtutibus augujiiorem de- 
Jidero. & in Orat. 14. n. 170. D. Nicol. de 
S. Mar. Chron. dos Coneg. Reg. liv. 7. cap. 20. 



n. 10. Pregoeiro divino, Pontífice Catholico, 
Conde llluftrijfimo, taÕ t(eloJo da virtude, como 
Jabio nas divinas letras, e liv. 10. cap. 15. n. 8. 
Cardofo Agiol. "Lufit. Tom. 3. pag. 689. na 
Comment. de 14. de Junho letr. A. onde lhe 
chama de inclyta memoria. Fr. Franc. de 
Maced. Tom. i. Collat. D. Thom. et Scot. 
Collat. 12. differ. i. pag. 524. intitulando-o 
Illujlrijfimum, et doctiffimum virum in Sanais 
Patribus, ac imprimis Augujlino verJaíiJfimuM. 
Maíleus in vit. P. Franc. Soar. cap. 16. doãij- 
fimum Fr. Fernand. da Soled. Hifi. Seraf. 
Part. 4. cap. 8. n. 63. dizendo. A fua 
grandeza, e liberalidade naÕ neceffita da nojja 
memoria para fer plaufivel, pois anda taÕ vul- 
garmente celebre nos clamores da fama. Telles 
Chron. da Companhia de JESUS na Prov. 
de Port. Part. 2. liv. 4. cap. 55. n. i. 
Prelado taÕ celebrado nefte Reyno. António Fcr- 
reir. nos Poemas L^uJit. liv. i. das Odes. 
Ode 5. Fr. Man. da Efper. Hijl. Seraf. da 
Prov. de Portug. Part. i. liv. 2. cap. 32. n. 4. 
e 6. e Part. 2. liv. 12. cap. 6. n. 15. 
Franc. Leit. Ferr. no Cathal. dos Bifp. de 
Coimb. §. 71. Em femelhantes elogios da 
fua Peííoa fe difundirão D. Diogo Soares de 
Santa Maria, e Fr. António Feyo da Ordem 
dos Pregadores nas Dedicatórias, que lhe 
confagráraõ, aquelle no Uvro intitulado Coih 
cion. pro Solemnit. Corp. Chrijl. e efte nos Ser- 
moens Quadragefimaes , na i . Part. do Santoral, 
onde diz, que naõ aceitara o Arcebifpado 
de Évora offerecido por FeUpe IIL fazendo- 
Ihes exceíTo na pompa das palavras, e copia 
de louvores o inllgne Jurifconfulto Gabriel 
Pereira de Caílro na Dedicatória, que lhe fez 
da 3. Parte de Jure Emphyt. compoíla por feu 
Pay Francifco Caldas Pereira onde lhe forma 
eíle elegantifíimo elogio. Te nofira colit 
L.ufitania pátria parentem amantiffimum : Hifpani 
fufpiciunt: mirantur Itali, quos tua eloquentia, 
(& Sanãimonia divulgata opinio circunfirepit. Et 
quis non mirabitur tam reconditam divini Pafioris 
doãrinam; tam abfolutam religionem, tam per- 
fe£íam, veréque Chrifliãnam pietatem cum vera 
modeflia confunãam fub tam fereno vultu delitef- 
centem ? Tuam raram prudentiam, maturum tam 
in publicis, quàm in privatis aãionibus confiUum, 
regiamque magnificentiam, qua reliquos Antijlites 
antecejfores tuos ita longo intervallo pracellis, ut 



I 



LUSITANA. 



òò 



fi de ijs pro di^gnifaíe quis velit dijferere, omnis 
hitn/dtta diccndi ratio, alqne facultas, omnifque 
oraíionis ubertas obruattir neceffe eft. Vt Ínte- 
rim illiiftrem Janfiftinis tui fpUndortm, ac fiobi- 
HtaletH pratermittam, qiiantumqiie bonartim ar- 
tiuM prafidiis, Sacraqm Vheolo^ia, cui te to- 
tum in D. Panli Collegio addixifli, Civilijque 
(tiam difciplina opibtis ad hac belli, pacifque 
têmpora fie abunde infiruílus, ut regere Con- 
filiis Urbes, Jundare legibus, ó' emendare judicio 
pojfis, C^ paleas. Deterrent plane mortalium 
'udicia tot inexhaufta liberalitatis tua, num- 
,li4àmque audita exempla: tot in bane Civitatem 
poftquàm ad hanc Pontificalem dignitatem feli- 
cibus aufpiciis eveÚus es: fingularia beneficia om- 
nium ânimos in admirationem rapiunt; tot infi- 
fftia opera, qua molitus es; tot ingentes fump- 
tus, quos in exomanda, e^ amplificanda tui almi 
Templi fede confumpsifii, (& in extruendis Divo- 
rum Sacrariis, ac dclubris, €>* Sacrarum Virginum 
Deo militantium adibus à primo lapide extruãis, 
tot opes, totque ff^andes expenfa magnitudine 
íua cogitationes humanas opprimunt. Jam vero 
quanta tibi in concionando eloquentia, qmnta 
^avitas, quantum Orationis flumen, quanta copia, 
iiuantus lepos in dicendo I Hac fane majora funt 
litàm qua calamo, ne dicam, cogitatione pojfint 
concipi. Non immeritò igitur Te omnis nobilitas 
intuetur; omnis 'Lufitania laude, €>* celebratione 
pradicat incolumitatis publica defenforem maxi- 
mum: prodiens in publicum populi gratulantis 
audis femper latas acclamationes , (& vulgi iu- 
cunda vocês faufia tibi ominantis aures tuas cir~ 
cumfonant. &c. Ultimamente coroa todos 
eftes elogios meu Irmaõ D. Jozé Barbofa 
Chronifta da Serenifíima Cafa de Bragança, 
e Académico da Academia Real nas Memor. 
do Colleg. de S. Paul. pag. 79. e no Archia- 
than. hufit. pag. 13. onde com poética ele- 
gância defcreve compendiofamente as acçoens 
deite Prelado. 

Bn Alfonfus adefi clara de ftirpe creatus, 
Vrafulum (àf omatus, decus immortale, corona, 
Infula facra comas cinget Colimbria, pafior 
Largus opum, folifufq pios diffundere nimbos. 
Tempore devião famam fervabit in eevum. 
Quis ga^as numerare potefi, quas dextera fun- 
dei} 
Poderá ve argenti tabulis mandata fupremis? 



Romano dicet cinííus Baroniiu oflro 
EJifabethque choris dicet focianda beatii, 
EJ faxis reparanda novis convulfa viarum. 
Machina, qua longp compleãitur árdua circU^ 
Veflalis qua pura focos fervabit, €>* ignem 
Offeret intaílo divino f adere fponf o, 
Alphonfus referet, quantúm fit prodiffu arU. 
Aíunere Proregis l^yfia dominabitur alto, 
Crandior aft annis, tardufque atate fenili 
Duííus amore gregis vanos cõtemnet honores 
Ut vacuus curis rutilam confcendat in arei. 

Fr. AFFONSO DE CASTILHO Re- ^ 
ligiofo da Ordem dos Menores, cujo habito 
rcccbco na Província de CaAella da Imma- 
culada Conceição da Senhora, varaõ igual- 
mente pio, e erudito, efcreveo. 

Compendio de platicas amorofas con que el 
alma pide afu Dios perdon,y mifericordia. Valla- 
dolid por Juan de la Rueda 1616. 16. 
Nicol. Ant. na Ptib. Hifpan. Tom. i. pag. 11. 
naõ declara fer Portuguez eíle author, cuja no- 
ticia devemos ao incanfavel eftudo do Licen- 
ciado Jorge Cardozo, que afílm o affirma nas 
Memorias, que juntava para a Bibliotheca Por- 
tugueza, naõ faltando que diga que na obra 
allegada declare o author fer Portuguez. Delle 
faz memoria Fr. Joaõ de Santo António in Bib. 
Franc. Tom. i . pag. 40. col. i . fendo preterido 
por Fr. Lucas Wading. in Script. Ord. Min. 

P. AFFONSO DE CASTRO. Naceo 

em Lisboa, e logo na primeira idade deo íinaes 
evidentes das virtudes, que havia de exercitar 
na adulta, fendo todo o feu difvelo a contem- 
plação das delicias celeftiaes, e o defprezo 
das glorias mimdanas. Dezejofo de derramar 
o fangue em obfequio de Chriílo intentou 
profeíTar na Companhia de JESUS, e para 
que alcançafle a fua pertençaõ fe embarcou 
para a índia com o Padre Frãcifco Vieyra 
feu ConfeíTor, fem que participaíTe a feus Pays 
eíla heróica refoluçaõ. Chegando a Goa, 
depois de examinado o feu efpirito pelo 
Apoílolico Magiílerio de S. Francifco Xavier 
o julgou digno de que entraíTe na Companhia 
de Jefus, e lhe deftinou para theatro dos feus 
apoftolicos trabalhos as Ilhas Molucas. Nellas 
brilhou a fua ardente Charidade empenhandofe 
com a voz, e com o exemplo radicar nos 



IL. 



34 



BIB LIOTH E CA 



coraçoens daquelles bárbaros a Fé Catholica, 
dos quaes conduzio huma innumeravel mul- 
tidão ao rebanho de Chriílo. Envejozo o 
demónio do fruto efpiritual que eíle Sagrado 
Varaõ colhera pelo efpaço de nove annos 
na cultura delia vinha iníligou a ElRey de 
Ternate para que o privaíTe da vida. Foy 
executor deíla barbara ordem o Príncipe Babú, 
o qual acompanhado de alguns bárbaros 
aleivofamente o prenderão na Ilhota de Irez, 
que defronta com Ternate, e defpindo-o com 
grande violência lhe puferaõ ao pefcofo hum 
tronco de defmarcada grandefa, e neíle eílado 
o deixarão expofto fobre a terra trinta dias 
aos ardores do foi, e às inclemências do tempo. 
Ultimamente foy levado por dous robuílos 
negros ao lugar do fupplicio onde proftrado 
de joelhos inclinando a cabeça fobre hum 
tronco recebeo com plácido animo três feridas, 
que foraõ as portas por onde fahio o feu efpi- 
rito a coroar-fe na eternidade em o primeiro de 
Janeiro de 1558. O Ceo fe empenhou a tef- 
temunhar com admiráveis demonílraçoens 
a fantidade defte Varaõ Apoftolico ; pois fendo 
lançado o feu venerável corpo em hum 
canal de corrente taõ arrebatada, que no ef- 
paço de hum dia o podia levar diftante mais 
de vinte, e cinco legoas, paíTados três foy 
achado boyando fobre as aguas com as feri- 
das frefcas, e refplandecentes, e neíla pro- 
digiofa forma fe confervou por muitos dias. 
As acçoens defte Evangélico Operário com 
mayor individuação efcritas fe podem ler em 
Orland. Hijl. Societ. Part. i. lib. 8. n. 128. 
lib. 9. n. 166. liv. 12. n. 132. liv. 13 n. 82. 
Sachin. Hift. Societ. Part. 2. lib. i. n. 19. e 
156. lib. 2. n. 175. Ribad. Vida dei P. Lajn. 
liv. 2 cap. I. Jarric. Thet^aur. rer. Indic. Tom. i. 
lib. 2. cap. 28. Vafconc. in Difcript. Kegn. 
Porf. pag. 498. Gufman Hiji. delas MiJJion. 
dela Compan. Part. i. liv. 2. cap. 50. Alegamb. 
in mortih. Illujl. ad an. 1558. Nadafi in Ann. 
Dier. Mem. S. J. pag. 1 2. Tanner Soe. Jef. u/que ad 
Jang. (& vit. profujion. milit. pag. 227. 228. e 229. 
Bartol. Hift. deV Afia liv. 6. pag. 385. Bonart. in 
Amphit. hon. cap. 4. Benfon. de lubil lih. i. cap. 
9. Boíius de Sigfí. Eccl. lib. ^fign. 21. Elias à D. 
Teref. I^g. Ecclaf. Triumf. Lib. 2. cap. 31. n. 56. 
Cardof. Agiol. 'Lufit. Tom. i. pag. 2. e 8. Soufa 
Orient. Conq. Tom. i. Conq. 3. Divif. 3. §. 18. 



Carta efcrita a Santo Jgnacio, e ao Padre 
SimaÕ Rodrigues das Molucas em 7. de Fevereiro 
de 1553. 

Carta efcrita em Ternate a iS. de Janeiro 
de I JJ4. ao Rejtor do Collegio de Goa. 

Carta efcrita de Amhoino em i). de Mayo 
1555. ao mefmo Rejtor. 

Eftas três Cartas fe confervaõ no Archivo 
da Cafa ProfeíTa de S. Roque de Lisboa, 
e as duas ultimas sahiraõ traduíldas em Italiano. 
Veneza por Miguel Tramezzino 1559. 8. 
têdo já fahido a fegunda abbreviada. Roma 
por António Bladio. 1556. 8. 

^ D. Fr. AFFONSO CAVALLEIRO natu- 
ral de Évora, e defcendente da Illuftre familia 
dos Cavalleiros de Monte Mór o Novo, 
que fe transferio para Barcellos. No Con- 
vento da fua Pátria de Religiofos Francifcanos 
Clauftraes recebeo o habito, e tanto creceo em 
letras, e virtudes, que os feus Prelados o ele- 
gerão para inftruir aos feus domefticos com 
as Sciencias mayores. PaíTou a Itália, e na 
Univeríidade de Pádua fe graduou Doutor 
em Theologia, onde a leo com applaufo de 
Meftres, e difcipulos, e depois foy Guardião 
do Convento de Safim em Africa. Foy dotado 
de grade talento para o Piilpito, donde era 
ouvido com geral admiração, muito fciente 
nas difciplinas mathematicas, e profundamente 
verfado na Theologia Moral. Todos eftes 
grandes dotes attrahiraõ ao Illuftrifíimo Bifpo 
de Évora D. Affonfo de Portugal para o 
eleger no anno de 1495. feu Coadjutor no 
Bifpado, cujo lugar exercitou com o titulo 
de Bifpado Sardicenfe, ou Sardenfe, huma 
das fette Cidades, a cujos Bifpos fe efcreveraõ 
as fette Cartas, que eftaõ no Apocalypfe. 
A mefma eftimaçaõ mereceo com o Cardial 
Infante D. Affonfo Adminiftrador do Bifpado 
de Évora, fendo taõbem feu Coadjutor, até que 
na mefma Cidade acabou a vida em 9. de Mayo 
de 1528. Foy fepultado no Convento de San- 
ta Clara de Évora junto à Capella mòr da parte 
do Evangelho, donde depois o tresladaraõ para 
o Convento de S. Francifco da mefma Cidade. 
Fallaõ delle honorificamente Daça Chron. Seraf. 
Part. 4. liv. 3. cap. 11. Fonfec. Évora Gloriofa^. 
314. Cardofo Agiol. Eufit. Tom. 3 . no Comment. 
de 9. de Mayo lit. D. Franco Bib. Portug. M. S>^ 




L USITANA. 



35 



• O P. D. Manoel Caetano de Soufa no Caíbal. 
HiJI. dos Pontif. Card. Are. e Bi/p. Por/, p. 105. 
Compoz. 

Sermoens hum Tom. 

De Paniteti/ia in foi. 

Hílas obras fe confervavaõ Aí. S. na Dib. 
de Manoel Sever, de Far. como affirnu Fr. 
Fcrnand. da Soled. liijior. Seraf. da Prov. de 
Por/. Tom. 4. liv. 5. cap. 9. n. 529. 

AFFONSO CERVEIRA, foy hum dos 
primeyros Argonautas dignos de immortal 
memoria, que debaixo dos felices aufpicios 
do Sereniffimo Principe D. Henrique, author 
das noíías navegaçoens, fe atreveo a furcar 
aqucllcs mares nunca cortados de outras 
quilhas, e difcorrcr pclla mayor parte das 
coílas Africanas. Domados com a violência 
das armas alguns povos de Africa, e celebra- 
das com outros pazes, fez a fua afílftencia 
na Cidade de Beni Capital do Reyno de Guiné 
110 tempo, que governava a Coroa Portugueza 
D. Affonfo V. onde por muitos annos com 
igual vigilância, que defintereíTe foy Feytor 
lie Fazenda Real em cujo miniílerio naõ 
fomente attendeo pelas mercadorias, que entra- 
vaõ, e fahiaõ daquelles portos, mas indivi- 
dualmente defcreveo a fua íituaçaõ, e as proe- 
fas militares, que nelles tinhaõ obrado os 
Portuguezes, fendo o titulo defta obra, o 
feguinte. 

Hijloria da Conquifia dos Portuguet^es pella 
Cofia de Africa M. S. 

A mayor parte defta hiftoria por fer muito 
fidedigna a tranfcreveo na fua Chronica de 
Africa Gomez Eannes de Zurara, como elle 
confeíTa, e também o affirma o Grande Joaõ 
de Barros Dec. i. da Afia liv. 2. cap. i. Da 
obra, e do Author faz memoria Nicol. Antó- 
nio. P>ih. Hifpan. Tom. i. p. 13. e António 
de Leon Bib. Ind. Tit. 30. 

AFFONSO CORRÊA. Doutor, como 
fe intitula no frontifpicio da obra, que efcre- 
veo. Naõ fabemos certamente fe era graduado 
em Theologia, ou Direito Canónico, ou Civil, 
conftando infallivelmente que era Conigo 
na Cathedral da Guarda, e verfado em letras 
Sagradas, e profanas, e que publicara. 

Profodia. Lisboa. 1635. 4. 



P. AFFONSO DA COSTA natural da 
Qdade de Faro no Reyno do Algarve filho de 
Marcos Fernandes, e Maria Pires abraçou o 
Inílítuto da Companhia de JESUS 00 Collcgio 
de Coimbra a 15. de Março de 1700 donde 
pa/Tou à índia com o fagrado defejo de con- 
verter almas ao rebanho de Chriílo. Naô 
menos douto, que pio publicou a feguinte 
obra que dedicou a Joaò Saldanha da Gama 
VlceRey do F.ftado da índia. 

Me /bodo de bem viver; 1/inerario ChriflaÕ, 
Lisboa por Jofeph Lopes Ferreira 1716. 8. 

Fr. AFFONSO DA CRUZ natural do 
lugar do Fundaõ do território da Villa da Co- 
vilhaà na Província da Beyra, profeflbu no 
Real Convento de Alcobaça o illuftre habi- 
to da Ordem de Cifter no anno de 1 5 74. onde 
pela integridade de feus coíhimes, e pela reli- 
giofa obfervancia dos inftitutos foy eleyto 
Meftre dos Noviços, miniílerio, que exercitou 
em diverfos Conventos da fua Congregação, 
atè que no anno de 1600. foy aíTumpto ao 
Generalato, cujo lugar aceitou conílrangido, 
e adminiftrou vigilante. Morreo piamente em 
Alcobaça no anno de 1626, e foy fepultado na 
cafa Capitular. O feu Retrato fe vê pintado no 
Antecoro do Real Convento de Alcobaça 
entre os Varoens illuftres da Ordem. No 
tempo, que tinha vago das occupaçoens domef- 
ticas fe applicava para proveito dos próxi- 
mos na compoíiçaõ de algumas obras afce- 
ticas, de que faõ claros argumentos as fe- 
guintes. 

Efpelho de perfeição colhido da doutrina de 
alguns Santos Padres antigos, e outros Varoens 
contemplativos, em o qual fe contem quatro Trata- 
dos: o I. da vida aãiva: o z. da vida contempla- 
tiva, o qual fe divide em quatro partes, a i. trata 
da oração, meditação, e contemplação ; a z. os 
mejos por onde fe alcança a graça na comtemplaçàò : 
a 3. Deí(efos delia; a 4. dos impedimentos, o 3. 
Tratado confia da uniaÕ da alma com Deos: 
o 4. das três vias. Purgativa, Illuminativa, 
e Unitiva. Lisboa, por Pedro Craesbeeck 
1615. 8. 

Efpelho de reli^o^ios em o qual vendofe, e 
compondofe as pejfoas religiofas poderão com o favor 
divino chegar com facilidade à perfeição: Lisboa 
pelo mefmo ImpreíTor 1621. 4. 



36 



BIB LIO THE CA 



AFFONSO ESTEVES, ou por nacimento, 
ou por habitação natural da nobre Villa de 
Santarém. Foy ferrador delRey D. Joaõ I. 
de gloriofa memoria, e infigne Alveitar, de 
cuja fciencia efcrevia huma Arte, a qual efcrita 
com letras Gothicas em pergaminho fe con- 
fervava na Bibliotheca Severiana, e no fim tinha 
eftas palavras. 

'Bfte livro fet^ Affonfo Esteves morador em 
Santarém Ferrador del-Key, o qual ejcreveo Joaõ 
de A-veiro morador na Certaà criado que foy do 
Prior D. Fr. Álvaro camello, que Deos perdoe, efoy 
acabado no anno de N. Senhor Je:^us Chrijlo 1425. 

AFFONSO DE FRANÇA. Foy hum dos 
principaes Portugue2es que para reílituir ao 
Emperador Cláudio o Império dos Abexins 
confumido com huma diuturna, e inteílina 
guerra movida por ElRey de Zeyla, partio 
da índia no anno de 1541. em companhia 
do infigne Capitão, e invencível Martyr D. 
Chriílovaõ da Gama. Pacificadas as altera- 
çoens daquelle Império affiílio nelle por toda 
a vida recebendo fempre particulares favores, 
e eíUmaçoens do Emperador, naõ havendo 
negocio importante em que o naõ conful- 
taíTe. No anno de 1555. foy mandado 
Diogo Dias em companhia do Padre Gon- 
çalo Rodrigues Jefuita por Embaxador a 
efte Príncipe para faber fe eílava prompto a 
receber o noílo Patriarcha, e ouvindo a pro- 
pofta do Embaxador de tal forte fe perturbou, 
que naõ deu repofia congruente por eftar 
objftinadamente affeâo aos fcifmaticos erros 
da Igreja de Alexandria. Para o convencer 
defta cegueira efcreveo o Padre Gonçalo 
Rodriguez hum douto tratado em que mof- 
trava a verdade da Igreja Romana, e a falfi- 
dade da Alexandrina, o qual para fer lido pelo 
Emperador o traduzio da lingua Portuguefa 
na Chaldaica Affonfo de França por fer nella 
muito perito. 

Alem defta traducçaõ efcreveo huma carta 
ao Padre Gonçalo Rodriguez acerca da dif- 
puta, que teve com o Emperador fobre a ma- 
téria da Religião, a qual carta, e o que efcre- 
vemos de Affonfo de França, relataõ Nicolao 
Godinh. de rehus Ahyjfin. lib. 2. cap. 19. Fernaõ. 
Guer. na addic. à Kelaçaõ da Etiópia de 1607. 
e 1608. cap. 3. e o Padre Francifc. de Souf. 



Orient. Conq. Part. i. Conq. 5. Divif. 2. §. 19. 
e 20. 

AFFONSO FRANCO veja-fe Padre Fran- 
cifco da Fonfeca. 

D. AFFONSO FURTADO DE MEN- 
DOÇA. Naceo em a Cidade de Lisboa como 
querem huns, ou em Monte mór o novo na 
Província do Alentejo, como efcrevem outros 
no anno de 1561. fendo feus Pays Jorge Fur- 
tado de Mendoça Commendador das Entradas, 
Padroens, e Repreza da Ordem de S. Tiago, 
e D. Mecia Henriques filha de D. Pedro de 
Souza Alcaide mòr de Beja, Senhor de Berin- 
gel, e do Prado, e de D. Violante Henriques 
filha de Simaõ Freyre de Andrada Senhor de 
Bobadella. Principiou os primeiros eíludos 
em Lisboa, e os confumou em Coimbra 
com geral admiração dos Meílres, e difcipu- 
los, pois como foíle dotado de fubtil engenho, 
e fácil memoria affim para perceber, como para 
confervar, o que eíludava, fe adiantava a todos 
com admiráveis progreíTos. Graduado pella 
Univerfidade de Coimbra Doutor na faculdade 
dos Sagrados Cânones, foy admitido por Colle- 
gial do Collegio de S. Pedro, a 10. de Mayo de 
1592. donde paíTou a Reytor da mefma Uni- 
verfidade, em cujo lugar procedèdo com 
fumma inteireza, fomente fe declarou par- 
cial dos mais eíludiofos. Attendendo Filipe 11. 
aos feus merecimentos o nomeou Confelheiro 
de Eílado no Confelho de Portugal moftrando 
neJla occupaçaõ tanto zelo do ferviço do 
Príncipe, como feveridade na obfervancia da 
Juíliça. Eftas mefmas virtudes praticou no 
Tribunal das Ordens Militares, quando no 
anno de 1608. foy eleito feu Prefidente. Todas 
eftas incumbências o foraõ habilitando para 
que em 13. de Fevereiro de 1610. fubiíTe à 
Cadeira Epifcopal da Guarda, onde como feli- 
cito Paftor arrancou as perniciofas raízes de 
muitos abufos, e introdufio as fagradas deter- 
minações do Concilio de Trento. Defta Cathe- 
dral foy promovido por Bulia de Paiilo V. 
paliada a 5. de Dezembro de 161 5. para a de 
Coimbra, que vagara por morte do infigne 
Prelado D. Affonfo de Caftellobranco, cujos 
veftigios defejando ardentemente feguir, e 
pontualmente obfervar, encheo todas as par- 
tes conftitutivas de hum verdadeiro Pre- 



L USITAN A. 



37 



Udo. Como na fua PeíToa creciaõ os mere- 
cimentos, fe augmentavaõ também as digni- 
dades, pois vagando a Mitra Primacial de 
Braga por morte do celebre varaõ D. Fr. 
\lcixo de Mene2es, foy nomeado por Teu 
iiiccrfor no anno de 1618. onde obrou acçoens 
tau heróicas em benefício do feu rebanho, 
(|ue veneravaõ nelle o feu anteceíTor renacido. 
xrfií^io nas Cortes, que lURcy Filipe II. cele- 
brou no anno de 161 9. nas quaes com intré- 
pido valor defendeo os privilégios da fua 
Igreja contra impugnadores aífím domeílicos 
como cftranhos da fua primacial dignidade. 
Ultimamente foy eleito, e confírmado por 
Urbano VIU. a 3. de Dezembro de 1626. Arcc- 
hifpo de Lisboa, e hum dos Governadores 
lio Rcyno, cujos minifterios affim Sagrados, 
lomo politicos defempenhou com ardente 
cio, e manifefto defmtereífe. Eftas continuas 
< )CCupaçoens lhe foraõ de tal modo attenuando 
as forças, que rendidas à violência dos acha- 
ques o privarão da vida digna de mayor dura- 
ção em 2. de Julho de 1630. quando contava 
69. annos de idade ; dos quaes foy cinco Bifpo 
lia Guarda, dous Bifpo de Coimbra, fette 
Arcebifpo de Braga, e quatro de Lisboa, 
cm cuja Catedral na Capella mór foy fepultado 
o feu cadáver. De taõ infigne Prelado faz 
cfte elogio o grande Agoftinho Barboza de 
Po/ep. Epifcop. Part. i. Tit. 3. cap. 8. n. 84. 
11 nus to fins "LufitamcB nobilita tis inflar illuflrijfi- 
moril Primatm excellentijfimus Princeps, llluf- 
trijfimus Primas, qui ob admirabikm utriujque 
]uris Scientiam, <& rertim gerendarum peritiam, 
r/iosque infignes animi dotes intra brevem temporis 
■trftim Conimbrica Academia Keãor, inde ad 
JHpremum regij Senatus concilium adfcitum. Naõ 
laõ menores os louvores, que delle efcrevem 
D. Franc. Man. nas Epanaphor. p. 185. Va- 
rão de ^ande peito, onde mal podia cobrir com 
o roquete pacifico o ardor do animo bellicofo. 
Fr. Man. da Efp. Hifl. Seraf. da Prov. 
de Port. Part. i, lib. 2. cap. 23. n. 4. 
e liv. 4. cap. 17. n. 2. famofo por muitos 
íitulos, Fr. Fernando da Soled. Hifl. Seraf. 
Part. 4. liv. 3. cap. 19. n. 586. Hum dos 
Prelados infignes, que a Igreja logrou no Sé- 
culo paffado. Telles Chron. da Comp. de Jef. 
da Prov. de Port. Part. 2. liv. 4. cap. 53. 
n. 4. Hum dos mais perfeitos, e cabaes fogeitos, 



qui deo o nojfo Keyno de Portugal. D. Nic. de 
Santa Maria Chron. dos Coneg. Keffd. Part. 2. 
liv. 10. cap. 19. n. 8. Joaô Salgado de Araújo 
na Ley Keg. de Port. Part. i. foi. 58. v.»- 
n. 108. Franc. Leyt. Ferr. e o D. Man. 
Per. da Syl. Leal Acad. da Acad. Real» 
o I. no Cathal. dos hifp. de Coimbra §. 72. 
e o 2. no Cathal. dos bifp. da Guard. %. 5). 
Compoz. 

Conflituiçoens do Wtfpado da Guarda redufí- 
das a melhor mcthodo, que lhe tinha dado feu 
AnteceíTor D. Jorge de Mello. 

Em cujo trabalho confumio cinco annos 
affiflindo fempre a ellas com engenho, cabedal de 
letras, e experiência, como diz o lUuftriffimo 
D. Rodrigo da Cunha na Hiflor. Eccl. de Brag. 
Part. 2. cap. 102. n. 14. cfcrevendo a fua vida. 
Para que fahiflem a publico com toda a per- 
feição, as mandou examinar pelo Doutor 
Eximio o Padre Francifco Soares Granatcnfc, 
e depois de approvadas por taõ infignc Le- 
trado, convocou Synodo a 29. de Junho de 
16 14. em que foraõ com fummo applaufo 
recebidas. Por fer aífumpto ao Bifpado de 
Coimbra as naõ pode imprimir, o que execu- 
tou D. Francifco de Caílro feu fucceíTor no^ 
Bifpado da Guarda. 

Sendo Arcebifpo Primaz fez hum Tra- 
tado no anno de 1625. que remeteo ao Summo 
Pontífice Urbano VIII. o qual intitulou. 

Ad L,imina Apoflolorum. 

Nelle tratava dos Santos do Arcebifpado 
de Braga, e de outras matérias Ecclefiaílicas 
pertencentes a eíla Diocefe, da qual obra fe 
lembra com naõ pequeno louvor Jorge Car- 
dofo no Agiol. L.ufit. tom. i. pag. 124. col. i. 
no Coment. de 12. de Janeiro letra B. 

AFFONSO GIRALDES. Naõ teve 
menor efpirito para as armas, que para a 
Poefia. Foy hum dos valerofos foldados, que 
acompanharão ao noílo Príncipe D. Affonfo 
IV. quando foy focorrer a feu genro Affonfo 
XI. de Caftella contra os Mouros, que com 
hum formidável Exercito tínhaõ cercado 
Tarifa, alcançando delles a celebre vitoria, 
que fe deo junto às margens do rio Salado 
no anno de 1340. Voltando para a Pátria 
mais cheyo de gloria, que de defpojos 
defcreveo como teílemunha occular todas 



38 



BIBLIO THEC A 



as circunftancias de taõ memorável batalha 
com efte titulo. 

'Poema em que Je dejcreve o Jitcejfo da batalha 
Ao Salado. 

Cuja obra confervavaõ em feu poder 
Fr. António Brandão, como efcreve na Mo- 
narchia "Lufit. Part. 3. liv. 10. cap. 45. e Fr. 
Francifco Brand. Mon. L.ujit. Part. 5. liv. 16. 
cap. 1 3 . Delia fazem mençaõ Manoel de Faria, 
c Soufa Epit. das Hijl. Part. Part. 5 . cap. 1 5 . e 
no Elench. das obras M. S. que eftá no principio 
■do Tom. I. da Afia Portug. n, 82 Joan. Soar. de 
Brito in Theat. I^ujtt. 'Litter. Lit. A. n. 1 1 . e o P. 
António dos Reys in 'Enthufiajm. Poet. impreíTo 
no princip. dos feus agudos epigramas n. 192. 

AFFONSO GIL DA FONSECA, veja-fe 
Francifco de Soufa, e Almada. 

AFFONSO GUERREIRO natural de Al- 
modouvar na Província do Alentejo primo 
com irmaõ dos Padres Bartholameu Guer- 
reiro, e Fernaõ Guerreiro lefuitas, dos quaes 
■em feu lugar faremos mençaõ. Foy formado 
na faculdade da Sagrada Theologia, fendo 
pela fua fciencia, que fe fazia mais eftimavel 
pella innocencia dos coílumes, eleito Prior 
da Parochial Igreja de S. Chriftovaõ na Cidade 
■de Lisboa, em cuja occupaçaõ naõ menos fe 
appUcava ao pafto das ovelhas, que à liçaõ 
dos livros. Para receber algum alivio dos 
contínuos trabalhos aíTim litterarios, como 
paftoraes fe retirava a huma Quinta junto 
-de Lisboa, onde fendo acometido no íilencio 
da noite por alguns homens Ímpios com 
intento de o roubarem, o privarão violen- 
tamente da vida no anno de 15 81. Compoz. 

Das Fejias, que fe fit^eraõ na Cidade de L,is- 
hoa na entrada delKej D. Philippe primeiro de 
Portugal. Lisboa por Francifco Corrêa 1 5 8 1. 4. 
Deixou M. S. e imperfeita. 

Chronica del-Kej D. Sebajiiaõ. 

Como também. 

Chronica da KeligiaÕ da Sãtifjima Trindade 
Ja Provinda de Portugal, 

Cujos fragmentos vieraõ ao poder de 
Fr. Marcos de Moura Chroniíla deíla Reli- 
gião, de cuja obra, e feu Author faz memoria 
Fr. Bernardino de Santo António no Epit. 
Kedempf. lib. 2. cap. 11. §. 4. foi. 123. & cap. 



vlt. §. 31. e Cardozo Agiol. Eujitan. Tom. 3. 
p. 383. no Comment. de 13. de Mayo letr. C. 
Por haver compoílo efta Chronica Affonfo 
Guerreiro fe enganou Nicolao António in 
Bib. Hifpan. Tom. 2. p. 315, efcrevendo que 
fora Religiofo Trino, quando elle nunca 
profeíTou tal inílituto, e fomente foy muito 
afFe£to a eíla Religião. 

Fr. AFFONSO DA ILHA cujo appel- 
lido tomou por fer natural da Madeira, Reli- 
giofo da Ordem Seráfica, onde pela obfervancia 
dos preceitos da fua regra fe fez venerado dos 
feus domeílicos. Por afliftir muitos annos 
na Província de CaíieUa efcreveo neíla lingua 
a feguinte obra. 

The/oro de Virtudes. Medina dei Campo 
por Alonfo de Caftro 1543. 4. 

Defta obra, e naõ do Author fe lembra 
Wading. in Script. Ord. Min. por occultar 
nella o feu nome a primeira vez que fahio à 
luz, o qual manifeílou Joaõ Maria Brancalopo 
de Monte falco quando a traduzio na lingua 
Italiana no anno de 1574. in 8. acrecentan- 
dolhe o martírio do V. P. Fr. André de 
Spoleto efcrito por Fr. António Olano, de 
quem em feu lugar faremos mençaõ. De 
Fr. Aífonfo da Ilha a fazem Nicolao Anton. 
in Bib. Hifpan. Tom. i. p. 24. e Fr. Joa. a 
D. António na Francifc. Tom. i. pag. 46, 
col. 2. 

AFFONSO LEAM DE BARBUDA foy 

muito eítimavel aíTim pela inteireza dos cof- 
tumes, como pela fciencia, e capacidade de 
que era fummamente ornada, cujas partes 
naõ fó o coníUtuhiraõ perfeito Ecclefiaítico, 
mas foraõ eítimulos para que o iníigne Vice- 
rey D. Luiz de Attayde quando governava 
o Império Oriental o fizeíTe feu Secretario 
communicandolhe os mayores negócios do 
Eílado, e feguindo as fuás prudentes direc- 
çoens. Sendo informado eíle Heróe, que nas 
terras de Monomotapa fituadas na Ethiopia 
Oriental fe tinhaõ novamente defcuberto 
minas de prata, para fe certificar deíla noti- 
cia mandou como explorador a Afíonfo de 
Leaõ, cuja empreza, ainda que difficil, e pe- 
rigofa naõ fomente com fumma induílria 
executou, mas com particular exame obfervou 



f 



L USITANA. 



39 




O que era mais digno de fe notar naquellas 
Rcgioens, efcrevendo. 

Diário das eotn^as miáveis, qm vio no Im- 
pério de Monomotapa. 

Voltando para Portugal no anno de 1627. 
extrahio deíle Diário, e communicou ao Padre 
l-rancifco de Gouvea Provincial da G)mpa- 
nhin de JESUS por lho pedir, tudo quanto 
linha inquirido, e obfervado acerca do corpo 
famente confervado do Ínclito Martyr 
Venerável P. Gonçalo da Sylveira, cuja rela- 
,õ imprimio o Padre Baltezar Telles na 
Chron. da Prov. de Por/. Part. 2. liv. 4. cap. 58. 
n. 3. e alguma parte delia o Padre António 
1 'ranço na Ima^. do Novic. do Colleg. de Coim- 
bra. Tom. 2. Liv. I. cap. 18. Fazem memoria 
>lc AfTonfo Leaõ de Barbuda Tanner Societas 
]ej. ujque adjang. <& vita profus. milit. pag. 163. 
Gafp. Ruthard. in Cojmolog. Sacr. Theor. 6. 
n. 7. e 9. Cardof. Agiol. Lm/. Tom. 2. pag. 197 

Comment. de 16. de Março. Letra. D. Ale- 

b. in mortihus. llluftr. p. 560 onde lhe 
ia rebus geflis, €>* Jacerdotio venerabilis, e 
Nadaf. Ann. dier. mem. S. J. p. 142. 



n. 7. ( 



/ 



AFFONSO LOPES DA COSTA na- 
ceo na Villa de Torres nove do Arcebifpado 
de Lisboa, e logo defde a infância fe dedicou 
ao ferviço da Igreja fendo moço da Capella 
Real. Acompanhou a elRey. D. Sebaíliaõ 
na infeliz jornada de Africa onde defbaratado 
totalmente o exercito Portuguez, ficou cativo 
no poder dos bárbaros, do qual fendo ref- 
gatado por três mil cruzados, por premio 
dos feus fervdços, e merecimentos foy eleyto 
Thezoureiro mór da mefma Capella Real. 
Era muito inclinado à Poeíia principalmente 
jocofa, da qual fez varias obras para fe repre- 
zentarem no Theatro com que exceíTivamente 
alegrava aos efpeftadores, publicando, e emen- 
dando os Autos compoftos por António Preftes, 
e o Grande Luiz de Camoens com eíle titulo. 

Primeira Parte dos Autos, e Comedias Por- 
tuguesas. Lisboa por André Lobato, 1587. 4. 

Fr. AFFONSO DO LOURIÇAL, cujo 
appellido declara a fua Pátria, que he hum 
lugar da Diecefe de Coimbra. Deixando o 
Mundo fe dedicou a Deos no Mofteiro de 
Santa Maria de Ceiça da Ordem de Ciíler 
que fora fundado por ElRey D. Aífonfo Hen- 



ríquez. Foy eminente em todo o género de 
virtudes imitando os fagrados veítígíos da- 
quelles primitivos Varoens, que (eu Padre 
S. Bernardo tinha mandado a Portugal Para 
evitar o ocío, fcmprc nodvo à íantidade, fe 
applicava à liçaõ dos livros, e o que cauTa, 
mayor admiração, he que naõ fidtando ás 
continuas obrigaçoens do Eftado reUgíoío^ 
gaílaíTe o reftante do tempo na cultura das 
letras humanas de que faò claro augmento 
três volumes efcritos no anno de ChriAo 
de 1200 com admirável letra, fendo muitas 
delias primorofamente illuminadas com di- 
verfas cores, e ouro, os quaes fe confervaõ 
na Bibliotheca do Real Convento de Alco- 
baça. A matéria dos volumes he a feguinte. 

Yocahularium Papia adauílum infol. 3. Tom. 

No fim do terceiro Tom. tranfcreveo o 
Author o Livro das Interpretações Hebrai- 
cas de S. Jerónimo. 

AFFONSO DE LUCENA, natural da 
Villa de Trancofo na Provincia da Beira. 
Teve por Pays à Manoel de Lucena Ouvi- 
dor de Barcellos, e Criado dos Serenifllmos 
Duques de Bragança D. Theodofio primeiro, 
e D. Joaõ o primeiro, e a Ifabel Nogueira 
Sarayva, de igual nobreza à de feu conforte. 
Applicoufe na Univerfidade de Coimbra à 
faculdade de Direito Cefareo, em que rece- 
bendo o gráo de Licenciado mereceo pellas 
fuás letras particulares eftimaçoens. Foy 
Cavalleiro da Ordem militar de Chrifto, 
Commendador de Saõ-Tiago de Coelhofo, 
e Alcaide mòr de Portel, e Évora Monte. 
Inílituhio em 10. de Janeiro de 161 1. o Mor- 
gado da Quinta dos Pechinhos íituada no 
Termo de Villaviçofa com a condição, que 
extinâa a fua defcendencia de ambos os 
fexos fe uniria ao Morgado da Cruz que pof- 
fue a Sereniflima Cafa de Bragança, para. 
fe repartir o feu rendimento pelos criados po- 
bres da dita Cafa, o qual Morgado poíTue hoje 
feu terceiro Neto D. António Bernardo de Lu- 
cena, por fentença alcançada no anno de 1720. 
Cafou em Villaviçofa com D. Ifabel de Almeyda 
filha de André Mendes Bandeira, e de D. Leo- 
nor de Almeyda, onde morreo, e eítá fepul- 
tado no Convento das Religiofas da Efperança 
da mefma Villa. Para teílemunhar a fideli- 



40 



BIB LIO THE C A 



•dade do feu obfequio para com a Senhora 
D. Catherina Duqueza de Bragança, de quem 
fora Procurador, e Secretario, compoz junta- 
mente com o Dezembargador Félix Teixeira, 
e fe imprimio com outras. 

Allegaçaõ de direito offerecida ao muito alto, 
•e muito poderofo Kej D. Henrique Nojfo Senhor, 
na cauja da Juccejjàõ dejies Rejnos, por parte da 
Senhora D. Catherina fua fobrinha filha do In- 
fante D. Duarte feu IrmaÕ a zi. de Outubro de 
1379. Almeirim por António Corrêa, e 
Francifco Corrêa aos 27. de Fevereiro de 
1580. 

Foy traduzida eíla obra em Latim pelo 
iníigne Fr. Francifco de Santo Agoftinho 
Macedo, e fahio com eíle Titulo. 

Jus Juccedendi in luuJitanicB regnum Domines 
Catharina Kegis Emmanuelis ex Eduardo filio 
neptis Doãorum Juh Henrico Lujitania Rege 
ultimo Conimbricenjium fententiis confirmatum. 
Pariíiis apud Sebailian. Cramoyíi. 1641. foi. 

Memoria de algumas coujas pertencentes aos 
Duques de Bragança, ejcrita à Senhora D. Cathe- 
rina Duquesa de Bragança M. S. foi. 

Faz delle repetida memoria Caramuel 
Philip. Prud. pag. 171. 271. e 273. 

Fr. AFFONSO DA MADRE DE DEOS 
GUERREYRO, chamado no feculo Affonfo 
Guerreyro de Brito, naceo na Cidade de 
Évora, e na Fregueíia de Santo Antaõ re- 
cebeo a graça bautifmal a 12. de Setembro 
de 1676. Foraõ feus Pays o Doutor Bartho- 
lameu Gomez de Brito, e Efcholaftica de 
Souza Rolaõ. Depois de aprender Gramá- 
tica em a Univeríidade da fua pátria paíTou 
a Lisboa em o anno de 1692. onde preferindo 
o exercício das armas ao das letras aílentou 
praça de Soldado, e embarcando-fe em a 
Náo de Guerra, de que era Capitão Gafpar 
da Coíla de Attaide, comboyou as Frotas, 
que da America vinhaõ para a Cidade do 
Porto. Afpirando o feu natural valor a mais 
gloriofas emprezas fe refolveo paílar à índia, 
e fendo defpachado com o habito de Chriílo 
a 23. de Março de 1698. partio com o poílo 
de Alferes de Infantaria da Companhia de 
Luiz Ferreira de Noronha em a Náo S. Pedro 
Gonçalves a 26. de Março de 1698. Chegando 
a Goa a 14. de Setembro deíle anno o no- 



meou Capitão de huma Manchua o Vicerey 
do Eílado Luiz Gonçalves da Camará Cou- 
tinho. Embarcoufe na armada, que nave- 
gou ao Norte, de que era General Fran- 
cifco Pereira da Sylva, e difcorrendo pelas 
Praças de Chàul, Baçaim, e Dámaõ par- 
tio por ordem do Secretario de Eftado para 
a Perfia, donde reílituido a Goa foy eleito 
Capitão da Náo de foccorro, que pedia o Ge- 
neral de Timor, e Solor António Coelho 
Guerreiro, cuja expedição fe defvaneceo por 
chegar o novo Vicerey Caetano de Mello, 
e Caílro, que o proveo em Capitão em a Praça 
de Baçaim, que naõ aceitou por ter refoluto 
aliftarfe em outra mais illuftre milicia, qual 
foy a reformada Província da Madre de Deos, 
recebendo o Seráfico habito a 19. de Dezem- 
bro de 1703. das maõs do Ven. Padre Fr. 
António de JESUS. Feita a profiíTaõ fo- 
lemne fe applicou aos eíludos da Filofofia, 
e Theologia em o Convento de NoíTa Senhora 
do Cabo, e depois de completa efta laboriofa 
carreira recebeo a patente de Pregador, 
Conhecendo os Prelados o grande zelo, e 
aftividade, com que fervia a fua Religião, 
o nomearão Procurador Geral, e CorniíTario 
em Portugal, para cujo fim partio de Goa a 
21. de Janeiro de 171 1. e chegando a Lisboa 
a 4. de Outubro do dito anno foy o primeiro, 
que alcançou faculdade Regia para mandar 
Religiofos para a fua Província, merecendo 
por eílas fagradas expediçoens executadas 
nos annos de 1714. 1716. 1721. 1726. e 1735. 
multiplicados elogios do Reverend. Geral 
da Ordem Seráfica Fr, Affonfo de Biefma, 
e dos Provinciaes, e Definitorio da fua refor- 
mada Provinda. Em remuneração dos pre- 
ciofos Manufcriptos, e veneráveis documentos, 
que a fua incanfavel diligencia inveíligou 
para a Academia Real, o elegeo feu Collega 
fupranumerario fendo o feu mayor empenho, 
comunicar a todos os eruditos as grandes, 
e recônditas noticias, que eílaõ depofitadas 
na fua felecta Livraria, a cuja liberal benefi- 
cência me confeffo fummamente agradecido. 
Efcreveo para ufo de feu Irmaõ, o Reverendo 
Manoel Guerreiro de Brito, Doutor na Sagra- 
da Theologia, e Cónego na Cathedral de Évora. 
Injlrucçaõ, e modo pratico para fe faf^erem os 
exercidos ejpirituaes por tempo de outo dias re- 



L USITANA. 



41 



vpartido em 4. partes. Na primeira; tratafe da 
utilidade dos exercidos ejpirituaes, e modo com 
que fe devem fav^er. Na feffmda; da nalurt^a, 
wcefjiddde, e modo com que fe deve fa:^er a Ora^aÕ 
ental. Na terceira, da necejjidade, e modo com 
fe deve fa:^er a ConfiJfaÕ geral: e na quarta, 
\s meditafoens mais proporcionadas para auto 
ias, diflribuidas para todo o eflado de Peffoas 4. 
S. 

Fazem honorifica mençaô da fua Peííoa, 
rancifco Lcitaõ Ferreira, Notic. Chronol. da 
^mverfid. de Coimbr. pag. 390. §. 847. O Padre 
'. Msuioel detan. de Souf. Catbal. Hifl. dos 
Pontific. Card. e Bifpos Portug. pag. 148. 231. 
257. 249. Fr. Manoel de Sáa, Alem. Hijlor. 
dos Efcrit. de Carm. pag. 10. n. 11. e meu 
Irmaõ D. Jofcph Barbofa no Prolog, do Ca- 
thalog, das Rainb. de Portugal todos Acadé- 
micos da Academia Real. 

D. AFFONSO MANOEL DE MENE- 
ZES. Naceo na Freguezia de Santa Marinha 
da Avança em a Comarca da Feyra do Bif- 
pado do Porto, onde foy bautizado a 2. de 
Outubro de 1672. Foy filho de D. Joaõ Ma- 
noel de Menezes Procurador nas Cortes, 
que celebrou o Príncipe D. Pedro Regente 
defta Monarchia em o anno de 1679. Neto 
de D. Affonfo de Menezes Meftre Sala de 
lilRey D. Joaõ o IV. Commendador da 
Ifeda na Ordem de Chrifto, Capitão mór 
de Monçaõ, Senhor da Villa da Ponte da 
Barca, e da Torre, e Confelho de Nóbrega, 
e Sobrinho do Arcebifpo Primaz de Braga 
D. Jozé de Menezes, que com as fuás pro- 
fundas letras illuftrou o Sacerdócio, e o Im- 
pério. De taõ illuftres Afcendentes herdou 
a viveza do engenho, e a capacidade do talento, 
com que em a Univerfidade de Coimbra 
penetrou as difficuldades do Direito Ponti- 
hcio, em que recebeo o gráo de Licenciado 
a 21. de Julho de 1694. com grande applaufo 
de todos os Académicos. Foy moço Fidalgo, 
Cavalleiro da Ordem de Chrifto, cujo habito 
profeíTou nas mãos do D. Prior Fr. Mar- 
tinho Pereira Lente de Vefpera da Univer- 
íidade de Coimbra a 16. de Novembro de 1698. 
Sendo Beneficiado na Collegiada de FrejTio de 
Efpada na cinta paíTou a Arcediago do Bago da 
Igreja Primacial de Braga, que he a terceira Ca- 



deira deíb Cathedral, em que foy provido por 
feu Tio D. Jofeph de Menezes em 19. de Setem- 
bro de 1695 . Conferíolhe as Ordês de Presbyte- 
ro o Bífpo Conde D. Joaõ de Mello a 25. de 
Março de 1697. A fua vaíla fciencia acompa- 
nhada de fumma integridade o elevou a enno- 
brecer os Tribunaes Ecclefiaílícos, e Seculaces 
fendo Deputado da Inquifiçaõ de Coimbra, de 
que tomou poíTe a 30. de Janeiro de 1 697. donde 
paííou com o mefmo minifterio para Lisboa 
a 6. de Dezembro de 1704. e a Dezembar- 
gador da Relação do Porto a 29. de Agoílo 
de 1703. donde fe transferio para a Cafa da 
Supplicaçaõ a 27. de Novembro de 1704. e 
ultimamente a Dezembargador dos Agravos 
a j. de Julho de 1710. A continua applica- 
çaõ ao eftudo da Jurifprudencia o naõ privou 
do da Hiftoria, e Genealogia, em que he erudi- 
tamente verfado, como publicaõ os muitos 
livros de Familias defte Reyno efcritos por 
feu grande Tio D. Francifco de Menezes 
infigne Genealogifta, aos quaes tem addi- 
cionado até o tempo prezente, de que faz 
memoria o Padre D. António Caetano de 
Souza. Apparat. à Hifl. da Caf Real Portug. 
p. 120. n. 130. Tem mais compofto. 

Commentaria ad Ordinationem Ljifitanam 
Tom. I. 

Nelle faz das palavras iniciaes da mefma 
Ordenação huma efpecie de Tratado intitu- 
lado Anteloquio, a que fe fegue huma expofi- 
çaõ ao Prologo da mefma Ordenação, e acaba 
com o Commento ao Liv. i. Tit. i. e Tit. 2. 

Tom. 2. Principia pelo mefmo Liv. i. 
Tit. 3. onde leva annexo o Regimento do 
Dezembargo do Paço, e também indue 
o Tit. 4. 

Tom. 3. Começa no Liv. i. Tit. 5. e 
acaba no Tit. 18. 

Tom. 4. Começa no Liv. i. Tit. 19. e 
acaba no Tit. 57. 

Tom. 5. Começa no Liv. i. Tit. 58. e 
chega ao Tit. 62. §. 14. o qual ainda naõ 
eftá acabado. 

Todos eftes Tomos, excepto o ultimo, eftaõ 
com feus índices capazes de fe imprimirem. 

D. AFFONSO MENDES Naceo no lu- 
gar de Santo Aleixo Termo da Villa de 
Moura da Diocefe de Évora a 20 de Agofto 



42 



B IB LIO THE CA 



de 1 5 79, naõ fomente para illuftrar com os rayos 
da fua doutrina os habitadores da Etiópia, mas 
também para fer hum dos mais famofos alum- 
nos da Companhia de JESUS. Foy filho de 
Lourenço Alvres, e Branca Mendes, e tanto 
que chegou a idade de nove annos foy cha- 
mado por feu Tio Manoel Mendes de Moura 
Cónego Doutoral da Seé de Coimbra, para que 
no celebre Athenéo deíla Cidade lançaíTe os pri- 
meiros fundamentos dos feus eíludos, os quaes 
continuou com taõ felices progreflbs, que ainda 
naõ contando 16. annos fabia perfeitamente a 
lingua Latina, e Rhetorica moílrando em idade 
taõ verde tal madureza, que fe fez digno de fer 
aceito em 2. de Fevereiro de 1593. na Com- 
panhia de JESUS, onde eftudada Filofofia, e 
Theologia paíTou de difcipulo a Meílre dic- 
tando letras humanas, e Rhetorica por ef- 
paço de fete annos admirando-fe nelle largo 
tempo a energia eloquente das Oraçoens, a 
fuave affluencia dos Verfos, e a vafta liçaõ de 
Poetas, e Oradores, em que era eminente o feu 
talento. Depois de Profeílo do quarto voto 
em 26. de Fevereiro de 1610 fe applicou com 
todo o difvello à intelligencia da Sagrada 
Efcritura, e Santos Padres, e fahio taõ pro- 
fundamente inílruido neíles eftudos, que por 
uniforme voto dos Superiores, depois de 
os diftar com grande applaufo por cinco 
annos em Coimbra aos feus domeílicos, foy 
mandado a Évora para que recebendo a 
borla de Doutor na faculdade da Theologia 
os enfinaíle nefta Univerfidade. A fama das 
fuás letras que fe faziaõ mais veneradas 
pela integridade dos coílumes fe dilatou até 
Madrid, donde Filippe IV. que naquelle 
tempo governava efte Reyno, querendo pre- 
miar taõ grandes merecimentos o nomeou 
no anno de 1621. Patriafbha de Etiópia. Naõ 
pode reíiílir ao preceito delRey, que fe fez 
mais forte com o do Pontifice, e fendo Sa- 
grado pelo Bifpo do Algarve D. Fernaõ 
Martins Mafcarenhas, na Cafa ProfeíTa de 
Lisboa em 12. de Março de 1623. partio 
acompanhado do Bifpo de Nicea D. Diogo 
Seco, nomeado feu fuceíTor com defefete 
Religiofos para a índia em huma armada de 
que era Capitão António Tello de Menezes. 
Depois de experimentar huma perigofa na- 
vegação chegou a Moçambique, e ultima- 



mente a Goa em 28. de May o de 1624, onde 
achando occaíiaõ opportuna navegou atè o 
mar Vermelho, e tendo chegado ao porto 
de Baylur, vencidas infuperaveis difficul- 
dades entrou no Reyno de Dancali, donde 
paíTou a Fremona Corte do Império Etiópico 
em 12. de Junho de 1625. Naõ he fácil de 
explicar a paciência com que em taõ prolon- 
gado caminho tolerou os ardores do Sol, 
e os rigores do frio, que fe faziaõ mais pe- 
nofos com a fome, e fede padecida por tantos 
dias; a conftancia, com que facrificou a vida 
continuamente expoíla à violência dos ladroens, 
que vagavaõ por aquelles dezertos, e a anciã 
com que fuspirava de chegar ao termo das fuás 
apoílolicas fadigas para reduzir ao rebanho de 
Chrifto innumeraveis almas. Chegado em 11. 
de Fevereiro de 1626. à Corte do Emperador 
Sultaõ Segued, o mandou receber entre feftivas 
aclamaçoens por quinze mil Soldados veftidos 
pompofamente, e muitos delles montados em 
foberbos cavallos com preciofos jaezes, fazen- 
do-fe mais plaufivel eíla recepção com as 
vozes acordes de vários inílrumentos. Foraõ 
exceíTivos os argumentos de aífefto, e bene- 
volência, com que o Emperador recebeo ao 
Patriarcha, o qual atrahido de taõ venerável 
prefença abjurou nas fuás maõs juntamente 
com o Principe feu Irmaõ Raz Cela Chriílós 
os fcifmaticos erros de Alexandria, e abraçou 
os Sagrados dogmas da Igreja Romana, 
prometendo a mais rendida obediência ao 
Summo Pontifice, e mandando com pubUcos 
edidos aos feus Vaílalos, que aífim o obfer- 
vaílem, e aos Miniílros Evangélicos, que pro- 
mulgaílem por todo o feu Império as Ver- 
dades Catholicas. Admiráveis foraõ os pro- 
greíTos, que fe feguiraõ a efta permiííaõ do 
Emperador, pois a todos os Operários Apoílo- 
licos fe avantajava o Patriarcha, difcorrendo 
continuamente de huma para outra parte 
em beneficio das fuás ovelhas, bautizando 
humas, crifmando a outras, erigindo Tem- 
plos, e ornando Altares; pregando com effi- 
cacia para inflamar os ânimos dos ouvintes; 
difputando, e efcrevendo nervofamente para 
extirpar as raizes de perniciofas doutrinas, e ra- 
dicar nos coraçoens dos Etíopes a femente do 
Evangelho. Mas que inefcrutaveis faõ os jui- 
fos da Dina Providencia ! Morto o Emperador 



LUSITANA. 



43 




lio anno de 1632. fe transformou toda cila 
fercnidade em huma furiofa tormenta mo- 
vida por Fadkda acérrimo feélario dos 
rrros Alexandrinos, e íucceíTor da G>roa 
Imperial, contra os profeííores de Chriílo, 
por ordem fua muitos delles dcfpo- 
das fazendas, e outros cruelmente das 
; o Patriarcha exterminado da Etiópia, 

entregue aos Turcos para fer viâima da 
tyrana impiedade, o qual fendo levado a 
uico Gdade marítima no anno de 1634. 

chegando a Suaquen, foy reclufo em hum 
icnebrofo cárcere, onde atados os pés a hum 
tcpo, e opprimido o pefcofo com huma 
jKzada corrente de ferro, além de toleradas 
com inviâa conílancia muitas fomes, fedes, 
c injurias fc conftituhio pelo largo cfpaço de 
hum anno cm taõ cruel exame fortifTimo 
\thlcta da paciência Chriílaã. Porém fendo 
libertado pela piedade Portugueza de taõ 
<.luro cativeiro, alcançada faculdade de partir 
para a índia, chegou brevemente a Goa no 
.mno de 1635. Recolhido ao domicilio dos 
l'adres Jefuitas deíla Cidade naõ lhe fervindo 
de obftaculo a proveâia idade quebrantada 
com tantos trabalhos, e o efplendor da digni- 
dade Patriarchal fe occupava nos mais aba- 
tidos miniílerios da Comunidade, e julgan- 
ilofe como outro Chrifoftomo expulfo da fua 
Igreja de Conftantinopla fe exercitava em 
todo o género de virtudes, principalmente 
no cuidado das fuás ovelhas inílruindo-as 
com os feus efcritos, e mandando-lhes occulta- 
mente Miniílros Evangélicos para que fe 
confervaíTem na Fé da Igreja Romana, deze- 
jando fempre alcançar occaíiaõ, que as pudeííe 
ver, e nunca de voltar a Portugal, ainda que 
perfuadido de muitas PeíToas, cujos altos 
merecimentos querendo premiar a Magellade 
delRey D. Joaõ o IV. o nomeou Arcebifpo 
de Goa, e Primaz do Oriente a tempo, que na 
mefma Cidade acabou a carreira dos feus apof- 
tolicos trabalhos a 29. de Junho de 1656. 
contando 77. annos de idade, 63. de Com- 
panhia. Deíle varaõ trataõ Telles Híjí. da Etió- 
pia liv. 4. cap. 32. e liv. 5. cap. i. e 2. liv. 6. 
cap. 3. e no Append. i. defta Hiftoria §. 1 1. e 12. 
Andrad. Hijl. delos Var. Ilujl. dela Comp. 
Tom. 6. Alegamb. JB/^. Societ. p. 36. col. i. 
dizendo: virfuit morihus integerrimis, (ò" ah omni 



prorftis amhitione alienus, corporalium rtrum 
conttmptor, Jpiritmlium aflimator. Nicol. Ant. 
na Hijp. p. 28. Paria Afia Portug. Tom. 5. 
Part. 2. cap. 23. n. 11. e Part. 4. cap. 2. 
n. 3. e cap. 9. Nadaíi Amt. dUr. mtm. S. J. 
ad diem 29. Junij Fr. Filip. i Santif. Trinit. 
in I/iner. Orient. liv. 5. cap. x. vir doãiffi- 
mus qui multum in JEthiopia pro animarum 
faluíe laborans multa paffus tandem expulfus 
fuit Fr. Franc. à S. Aug. Maced. in Propug. 
Lufit. Gallic. pag. 108. Omnis li t terá t ura Vi- 
rum. Joan. Soar. de Brit. in Tbeat. Lufit. 
Litter. lit. A. n. 13. D. Francifc. Man. 
no Ecco polit. foi. 4j. No fuè menos glorio/a 
fatiga la dei nuevo Patriarcha dela Etiópia D. 
Alffonfo Mendes, cuya virtud, letras, y religion 
arrebataron tantas almas de/de el pelico ala fal- 
vacion incorporada otra ve^ aquella Iglefia en la 
verdadera fede Apoftolica. O Bifpo de Targa 
D. Thom. de Faria na Decad. i. rer. Ljifitan. 
liv. 8. cap. I. Hominem, cui Deus, & natura 
omnia donarunt, negarunt nihil. Florebat fcientiã, 
e>* virtute apud Patres Societatis ingenij, €>• 
eorum, qua ad Poefim, KJjetoricam, Hifioriam, 
€> litteras profanas pertinet, apprime peritiffi 
mus, rerum vero divinarum ita deditus contempla- 
tioni, ut et Sacram Scripturam totam memori- 
ter recitare, et Sanãorum Patrum authoritates 
referre, e^* Sacra Theologia difficultates fpe- 
culari magno Viro pareret voluptatem, neque 
in iis alicui erat fecundus: concionandi múnus 
cum auditorum commodo, et latitia exequitur. P. 
Anton. Franc. in Ann. Glor. Societ. Jefu in 
Eufit. pag. 363. e na Imagem da virtud. no 
Colleg. de Coimb. Tom. i. liv. 2. cap. 22. 
até 41. 
Efcreveo. 

Carta do Patriarcha da Etiópia D. Affonfo 
Mendes efcrita da fua própria maõ ao muito R. P. 
Mudo Vitelefchi Propofito Geral da Companhia 
de JESUS, na qual fe contem o que S. llluftrif. 
Senhoria com os demais Padres da Companhia, 
que andaõ naquelle grande Império, fi^eraõ de 
fervilho de Deos, e bem das almas o anno de 1629. 
Lisboa por Matthias Rodriguez 163 1. 4. 

Carta ao Provincial, e mais Keligiofos da 
Companhia de Jefus da Provinda de Portugal 
em que lhes relata da fua navegação de Goa 
até o mar Vermelho, e trabalhofa jorna- 
da de Baylur até à Etiópia. Efcrita em 



44 



BIBLIO THECA 



Fremona a 9. de Julho de iGz). A qual traz o 
Padre Balthazar Telles na Hiji. da Etiópia 
liv. 4. defde cap. 36. até o cap. 39. 

Re/açaõ ejcrita ao Geral da Companhia de 
JESUS da Jua entrada na Etiópia, e o que nella 
obrou até 5. de Julho de 1626. Sahio traduzida 
em Italiano com as Cartas Annuaes da Etiópia. 
Roma pelos herdeiros de Zannetti. 1628. 8. e em 
Francez Pariz chez Sebaftien Cramoyfi. 1629. 8. 

Carta ejcrita a ElRej Catholico, em que trata 
de como elle, e feus companheiros foraõ dejierrados 
da Etiópia, e do Ejiado, em que fe achava aquelle 
Império defde o me^ de Novembro de 1632. até 
May o de 1633. Conferva-fe M. S. no Archivo 
Real da Torre do Tombo, e eftá impreíTa 
na HiJi. da Etiop. do Padre Tellez liv. 6. cap. 4. 
e 7. 

Carta ejcrita de Goa em o i. de Dezembro 
de 1639. para o Padre Provincial de Portugal, 
em que relata o Martjrio do illujlre Bifpo D. Apol- 
linario de Almeyda; a qual fahio traduzida em 
Caftelhano. Manilla por Raymundo Magifa. 
1641, 

Carta ejcrita em 3,. de Outubro de 1639, para 
o Padre JoaÕ de Mattos AJjiJlente na Guria 
Romana. Defta carta, e da que eftá afíima, fe 
lembra Cardofo Agiolog. Eujit. Tom. 3. pag. 
614. no Comment. de 9. de Junho letr. F. 

Outras Cartas muito doutas, e cheyas 
de particulares noticias tranfcreveo o Padre 
Balthazar Tellez na Hiíloria da Etiópia fendo 
as principaes. Huma muito extenfa efcrita 
ao mefmo Padre Telles impreíla no apparato 
da HiJl. da Etiópia. Outra que he huma Pre- 
fação às Cartas do Padre Bernardo Nogueira 
Vigário Geral, que Jqy da Etiópia ejcrita de Goa 
a 16. de Outubro de 1652. impreíTa no liv. 6. 
cap. 40. Outra para o Emperador Sultaõ Segued; 
no liv. 5. cap. 29. Yivai% para Jeu filho Vacilada 
no liv. 6. cap. 3. e cap. 15. que he muito 
diffufa. Três efcritas de Goa no anno de 1639. 
a Fr. Roberto dos Reys Monge de S. Bento 
Irmaõ do Padre Francifco Marques Mifíio- 
nario na Etiópia, no append. i. à HiJi. da Etió- 
pia §. 6. das quaes imprimio huma o Padre 
António Franco na Imag. da Virtud. do Novi- 
ciado de Lisb. liv. 3. cap. 12. 

Tragicomedia intitulada Paulinus Nola EpiJ- 
copus compoíta em verfo heróico, a qual fe 
conferva no Archivo do Collegio de Coimbra, 



da qual faz mençaõ o Padre Franco na Jmag. 
do Nov. de Coimb. Tom. i. liv. 2. cap. 22. 
n. 4. 

Oratio habita Philippo III. Hijpaniarum 
Regi, Lujítania II. in Academia EborenJi. Sahio 
impreíTa no fim dos Anacephal. Reg. Eujit. 
authore P . António de Vafconc . S . J . 
Antuerp. apud Petrum, & Joan. Belleros. 
1621. 4. 

Commentaria in Jonam Prophetam. Defta 
obra faz memoria D. Franc. Man. na Carta 
efcrita ao D. Manoel Themudo da Fonfeca 
Vigário Geral do Arcebifpado de Lisboa, 
que he a primeira da Centúria 4. das Juas 
Cartas. Roma por Filipe Maria Mancini 
1669. 4. e Nicol. Anton. in Bib. Hijp. 
Tom. I. pag. 28. 

Branhaymanot, id ejl, Eux Fidei in Epi- 
thalamium /EtiopiJJa, Jive in nuptias Verbi, <& 
EccleJicB JEtiopicB libri 12. Catecheticis com- 
prehenji. Cólon. Agripinas fumptibus Balth^^ 
faris Egmond, & fociorum, 1692. foi. ^VJI 

No principio defta obra eftá hum Epi- 
tome da Vida do Patriarcha efcrito na lingua 
Latina. Foy traduzida a obra na lingua 
Etiópica por Olda Chriftós nobre Senador 
daquelle Império, e iníigne Catholico, como 
efcreve Telles na HiJloria da Etiópia Hv. 5. 
cap. 4. 

Expeditionis JEtiopicce Patriarcha Alphonji 
Mendes. Tom. duo in quattuor libros diviji. 

Efta obra foy mandada no anno de 165 1. 
ao Padre Geral Francifco Picolomini como 
diz Alegambe in Bib. Societ. pag. 36. col. 2. 
da qual afíirma o Padre TeUes na Hifi. da 
Etiop. Apend. i. §. 12. Para mim foj o Farol 
mais lucente por onde me governey nefla minha 
navegação. Ejlá hoje ejia obra em Roma para fe 
dar à lu^ do Prelo, merecendo fer ejiampada com 
Tjpos de ejlrellas do Ceo; e quem lé a copiofa ele- 
gância, e notável propriedade de fuás palavras, 
a gravidade das fentenças, e uniformidade do 
methodo, o muy laãeo, e mellijluo ejlilo, o julga 
por hum novo Livio Lujitano, e que fe o Pa- 
tavino lhe pode tirar a prerogativa de fer 
primeiro, naõ lhe pode tirar a gloria de fer 
milhor. Igual elogio dedica a efta obra o 
grande Fr. Francifco de Santo Agoftinho Ma- 
cedo in 3. Part. Collat. CoUat. 9. Differ. 2. 
cap. 4. pag. 622. qua dere (falia dos Qeri- 



LUSITANA. 



45 



()S Regulares, que nunca fe viraò na Etiópia) 
ter/ó ceríiiis conftaret fi qua eruditljfiwe, cJ^ latinij- 
fwie Alphonftis Menàefms Jefuiíarum ad Aitiopts 
'f/illiLí Paíriarcha fcripsit, Incem vidiffent. Nwí 
imimbrica virum omitis litteratura genere txeel- 
lentem, ac doleo tanttwi opus Aí. S. jacere in íene- 
hris tineis, (ò" hlaí/is obnoxittm, cum fit luce, ^ 
•>imortalitate digmjftmum. 

Dcíla obra confervava hum Hxtrafbo 

Ni.iri.lfr.lrr Thrvcnot cm a fua Livraria, 

iii.i (1) ( .ithalogo delia foi. 244. 

o refere a hib. Orient. de António de Leon, 

lovamcnte acrecentada. Tom. 1. Tit. 12. 

ol. 391. onde faz memoria de outras obras 

ilcílc Author. Deixou Aí. S. para fe imprimir 

í "tda do Padre Jorge Rijo da Companhia de 

]I-.\US\ Dcíla obra faz mcnçaõ o Padre 

I r.mco Imag. do Noviciad. do Colleg. de Coimb. 

om. I. liv. 3. cap. 16. 

Tomo de Sermoens pregados na "Etiópia 
Tomo dos Cone i lios Ecuménicos até o 6. Con- 
cilio Geral, em que refutava nervofamente os 
erros dos Abexins acerca da Encarnação do 
Divino Verbo. 

Alguns tratados em defenfa da Companhia 
mtra os f eus maldit^entes. 
Tratado de Magia. 

Varias expojiçoens fobre a Efcritnra que 
diãara em os Collegios de Coimbra, e Évora, 
tinha augmentado em Goa. 

De todas eftas obras fazem memoria Ale- 
;.imbe in Bib. Societ. pag. 36. col. 2. e Jacobo 
le Long in Biblioth. Sacra pag. 858. col. i. 

AFFONSO MENDES, ou MENEZES 
pois com hum, e outro apellido o acho 
'(.Imitido ao Cathalogo dos Authores Portu- 
,;ue2es por Joaõ Franco Barreto na Bib. 
Utjit. M. S. Joaõ Soar. de Brit. in Theatr. 
\Mfit. l^itterat. lit. A. n. 14. e pelo Author 
<lo Opufculo intitulado Por fuga ília impreíTo 
cm Leyden 1641. pag. 366. Por muitos 
•mnos exercitou o officio de Correyo nos 
Reynos de Efpanha, difcorrendo por toda 
ella, e grande parte de Itália, donde alcançou 
huma individual noticia dos caminhos, e 
lugares de taõ dilatadas Províncias. Que- 
rendo eníinar aos Efpanhoes o conhecimento 
de tantos, e taõ vários caminhos, que experi- 
mentalmente tinha aprendido, efcreveo. 



Compendio, y memorial, o Abecedarh de 
todos los mas principales caminos de Efpaãa 
con el camino de Madrid a Roma. 

No fim deíle opufculo cíU inferto. 

Reportório delas cuentas redufidot los ef- 
cudos a como S. Magejlad manda valgan. To- 
ledo por Juan de Ayala 1568. 16. Alcali 
por Andres SaAs 16 14. 8. et ibi por Sebaftían. 
Martines 1576. 8. Valladolid por la viuda de 
Franc. de Córdova 1622. 24. Murcía 1628. 24. 

Do author fe lembra Nic. Ant. in Bib. Hifp. 
Tom. I. pag. 28. com o appellído de Mene!(es. 

AFFONSO DE MIRANDA, Contador 
do Reyno, e Cafa Real como foíTc muito douto 
na faculdade da Medicina querendo emmen- 
dar muitos erros, que na applicaçaõ dos 
remédios commetiaõ os profeflbres daquella 
arte com grande prejuízo dos enfermos, Ct 
empenhou a formar hum Medico perfeito 
com a inftrucçaõ, que para efte fim compoz; 
porem receando que contra elle fe conju- 
raflem os Médicos, que floreciaõ no feu 
tempo, teve occulto o livro em quanto viveo 
deixando recommendado a feu filho Jerónimo 
de Miranda Medico da Camará de ElRey 
D. Sebaíliaõ, que depois da fua morte o im- 
primiíTe, o qual obedecendo ao preceito 
de feu Pay o dedicou àquelle Príncipe, que 
entaõ governava, com efte titulo. 

Dialogo da perfeição, e partes, que faõ necej- 
Jarias ao bom Medico. Lisboa por Joaõ Alvres 
ImpreíTor de ElRey 1562. 4. Nicolao Ant. 
fallando defta obra na Bib. Hifp. diz que efte 
Tratado parece naõ fer de AíFonfo de Miranda, 
mas de outrem, fendo tradufido de Latim 
em vulgar, cuja opinião além de naõ ter 
fundamento folido, confta claramente de 
hum foneto efcrito em applaufo defta obra 
fer feu verdadeiro Author Afíonfo de Miranda, 
e nunca fe defcubrir o exemplar Latino 
donde fe traduzira. 
Por dar el Cielo aqui conocimiento 

Que todo lo que quiere eflà enfu mano 

Efí el Doãor Miranda Eiijitano 

Quiere poner el bienfuera de cuento. 
De Gracia, de valor, de enfendimiento 

De letras, j de ingenio fobre humano: 

De eflilo tan capaf(^,y cor texano 

Qiie no teràfegundo a lo que fiento. 



4Ó 



BIBLIO THE CA 



Fr. AFFONSO DE MONROY natu- 
ral de Lisboa, e filho de Pedro Vaz de Se- 
queira, e Monroy fidalgo Cavalleiro da Cafa 
Real, e de D. Catharina da Torre augmentou 
a nobreza do nafcimento profeíTando o reli- 
giofo habito da illuftre Ordem da Santif- 
fima Trindade; onde pelo talento, que mani- 
feílou nos Púlpitos, foy eleyto Pregador 
Geral da Ordem, e pela prudência, de que 
era ornado, Procurador Geral, e Difinidor 
da fua Província. Applicoufe com fumma 
curiofidade ao eíludo das Ceremonias Eccle- 
fiaílicas, em que fahio taõ doutamente inf- 
truido, que era confultado nas mayores 
duvidas pertencentes à celebração dos Offi- 
cios Divinos. Morreo no Convento de Lis- 
boa a 24. de Abril de 1701. onde por fer nelle 
muitos annos Sancriftaõ mór. Compoz. 

Ceremonial Eucharijiico. Lisboa por Va- 
lentim da Cofta Deslandes 1706. 8. 

Fr. AFFONSO DE MORAES, natural 
da Cidade de Beja da Província do Alentejo. 
Defenganado do mundo recebeo em idade 
adulta o habito Carmelitano no Convento 
de Lisboa em 9. de Abril de 1548. Foy in- 
figne Poeta, e grande Theologo, efcrevendo 
de huma, e outra faculdade muitas obras, 
das quaes affirma Fr. Marcos António Ale- 
gre de Cafanate in Parad. Carmel. Dec. Stat. 4. 
^Eílas 17. cap. 453. imprimira poucas, lou- 
vando entre ellas com grandes elogios hum 
elegante Poema compoílo em applaufo de 
Santo Ildefonfo Arcebifpo de Toledo, e do 
livro, que eíle Santo efcrevera em obfequio 
da perpetua Virgindade da Senhora. Trataõ 
deíle Author o Cathalogo dos Efcritores do Carm. 
p. dd. e Fr. Manoel de Saá nas Memor. Hift. 
dos Efcritores Portug. da Ordem do Carm. pag. 6. 

AFFONSO NUNES. Ainda que fe naõ 
fabe o que efcreveo por fer occulto à noticia 
de Manoel de Faria, e Soufa no Ept. das 
Hifl. Portug. Part. 4. cap. 18. e de Joaõ 
Soar. de Brito in Theat. Eufit. Eitter. lit. 
A. n. 15. como he numerado entre os Autho- 
res Portuguezes, naõ fera juílo, que fique 
fem o feu nome eíla Bibliotheca, pofto que 
fe naõ relatem as fuás obras, que parece 
foraõ Poéticas. 



Fr. AFFONSO DE PALMA. Nafceo 
em Portugal, e illuftrou a Caílella com as 
raras virtudes em que era eminente, pellas 
quaes mereceo, que feu companheiro o Vene- 
rável Fr. Vafco Martins da Cunha primeiro 
reftaurador da Ordem de Saõ Jerónimo 
nefte Reyno o levafle a fer bafe fundamental 
do Convento de Vai Paraizo em Córdova. 
AíTim como a natureza o fez no corpo agi- 
gantado, o era no efpirito, fendo incanfavel 
na adminiílraçaõ daquella Communidade, que 
governou com o titulo de Vigário por efpaço 
de trinta annos. Naquellas horas, que lhe 
reftavaõ da continua aíTiftencia do Coro fe occu- 
pava para evitar o ócio em exercidos humil- 
des, como eraõ cavar a terra, plantar arvores, e 
ainda em obras mecânicas, pois para tudo tinha 
natural habilidade, de cujos miniílerios fe pô- 
de claramente infírir a profunda humildade de 
feu animo, o heróico defprefo da gloria huma- 
na, além dos auíleros jejuns, afperas difciplinas, 
e vigílias nofturnas, perpetua contemplação 
das delicias celeíliaes, angélica pureza, e ardente 
charidade para com os próximos com que fe fez 
merecedor de receber o premio na gloria a 29. 
de Abril de 1450. Delle faz memoria Fr. Jozé 
Siguença Hijl. da Ordem de S. Jeron. Part. 2. liv. 4. 
cap. 19. Cardofo Agiolog. Eujit. Tom. 2. p. 75 5. 
e no Comment, de 29 de Abril let. E, e o Illuílrif- 
fimo Cunha Hiji. Ecclef. de Eisb. Part. 2. cap. 86. 
onde por erro do impreííor lhe chama Diogo, e 
que fora Prior do Convento de Valparaifo, fen- 
do Vigário, como efcreve Siguença. Compoz. 
Conjejfionario , ou methodo da ConfiJJaÕ dij- 
trihuido em boa ordem. 

Para ufo do Coro efcreveo muitos volu- 
mes em elegante carafter com a Solfa do 
canto chaõ, como foraõ: 

Dominical. 

Santoral. 

Officio de Nojfa Senhora. 

Commum dos Santos. 

Officio dos defuntos. 
Traduzio de latim em Caftelhano hum 
Fios Sanftorum, o qual efcreveo em bel- 
la letra para fe ler no Refeitório, como ef- 
creve Siguença já allegado. 

AFFONSO PERES PACHECO, natu- 
ral de Évora, em cuja Univerfidade depois 



I 



L USITANA. 



47 



^ inAruido com as letras humanas, recebco o 
'^o de Mcftre em Artes. Paflbu a Coimbra, 

lulc depois de eíludar Direito Ginonico,e G- 

il fahio taô eminente neílas duas faculdades, 
>Hic por voto uniforme dos Meftres da Univer- 
lui.ulc foy julgado merecedor de que as enfi- 
iiaíTc. Por algum tempo exercitou o officio de 
futrono de Caufas na fua Pátria; depois de or- 
' 1 lio de Presbytero partio para Roma com 
: mça de alcançar algum benefício rendofo. 
NclU Corte fe fez taõ eílimado aíTim pellas le- 
tras, como pellas virtudes, que mcrccco efpe- 
ciaes favores do Emincntinimo Cardeal Sacheti, 

quem, como a feu grande Mecenas, dedicou 
iliMinias das fuás obras. Por morte dcfte Prin- 
1 ipc clcfprcfando, como caducas as cftimaçoens 
.io mundo, fc recolhco na Congregação do Ora- 
iDrio de S. Felipe Neri fituada na Cidade de 
i^ano do Ducado de Urbino, onde piamente 
acabou a vida no anno de i66o. Compoz. 
Apoleíta utriujque júris per Alphabeticum 

•dinem. Ronciolone apud Jacobum Mene- 
Jíclhum 1657. in 4. 

D. Fr. AFFONSO PIRES, ou PEDRO, 
pois com hum, e outro appelido he nomeado 
pellos efcritores antigos. Naceo na Cidade de 
I vora fendo ramo do fecundo tronco da pre- 
clariíTima Cafa dos Tavoras, a cujo efpiendor 
uitepondo a humildade religiofa abraçou o inf- 
tituto da illuílre Ordem da SantiíTima Trin- 
ai ade no Convento de Santarém, onde as fuás 
grandes virtudes, e iníignes letras o elevarão no 
anno de 1 3 20. ao lugar de Provincial, fendo o 
primeiro, que teve eíla Provinda quando fe 
feparou da de Caftella. Huma das mayores 
acçoens, que obrou no feu governo, foy o ref- 
i^ate de outenta, e dous cativos na Cidade de 
Marrocos, para cuja liberdade retardandofe o 
dinheiro, de que ficara em reféns o Venerável 
F. Joaõ de Jefus foy impiamente morto pello 
turor dos bárbaros. A madurefa do juizo, 
c a docilidade do génio, que exercitou neiie 
miniílerio, o habilitou para outro mayor, 
qual foy o Bifpado de Évora, fendo hum 
dos mais zelofos Prelados, que governarão 
taõ vafta Diocefe, onde com eterna faudade 
das fuás ovelhas acabou a vida a 8. de Feve- 
reiro de 1339. fafendo da fua peííoa hono- 
rifica memoria Fr. Bernard. de S. António 



na Chronic. da Ori. da Sant. Trind. M. S. liv. i. 
cap. 7. §. 5. e cap. 1 1. §. 4. Altun. Còron. Gen. da 
Ord. liv. 4. cap. 4. foi. 619. Fr. Anton. á Purif. 
Chronol. Monaft. pag. 58. e o Padre Francifco da 
Fonfeca BÂfor. Glorio/, pag. 282. Compoz. 

De Admirabili Ordinis Santiiíjima Trini- 
tatis Injlitutione. liíla obra foy mandada ao 
Geral, para que fe imprimiíTe em França, e 
miferavelmente fe perdeo como tem fucce- 
dido a muitos livros deíla Província. 

D. AFFONSO DE PORTUGAL, filho 
illegitimo delRey D. AfTonfo Henriquez, e 
legitimo herdeiro de feus marciaes efpiritos. 
O natural impulfo para as armas, de que 
foy gloriofo preludio a celebre conquiíbi 
de Santarém, o arrebatou heroicamente para 
a Paleílina, onde na Conqulíla da Terra íanta 
fez proezas dignas do feu alto nacimento, 
pellas quaes mereceo, que por morte de Go- 
dofredo de Duiííon foííe eleito no anno 
de 1 1 94. XI. Meftre da Ordem Militar de íaõ 
Joaõ de Rhodes. Elevado a efta grande digni- 
dade querendo que exaftamente fe obfer- 
vaíle a difciplina regular, e militar, que eílava 
pella introducçaõ de muitos abufos rela- 
xada, convocou Capitulo Geral na Cidade 
de Margato onde a Ordem depois da perda 
de Jerufalem refidia. Nefta militar AJTem- 
blea depois de confirmar os Eílatutos feitos 
em o anno de 1181. pelo Meftre Rogério 
de Moulins, eftabeleceo novamente algumas 
leys dirigidas à confervaçaõ, e augmento 
da Ordem. Porem como o feu ardente zelo 
degeneraíTe em fumma feveridade, que fe 
fazia mais intolerável pelo lugar do minifte- 
rio, e foberania do nacimento, veyo a expe- 
rimentar huma remiíTa obediência nos fubdi- 
tos, e paílando a mayor exceíTo fe rebellaraõ 
contra a fua PeíToa reduzindofe a Ordem a 
huma efpecie de Anarchia. Para evitar as 
funeftas confequencias de taõ precipitados 
infultos renunciou o Meftrado, e fe reftituhio 
a Portugal, onde acabou a carreira da fua 
vida em o i. de Março de 1207. Jàz fepul- 
tado na Igreja de S. Joaõ da Villa de San- 
tarém em hum maufoleo, que eftá ao lado 
efquerdo da Capella Mór, com efte epitáfio. 

In ara MCCXXXXV. Kalendis Martij obiit 
Fr. Alphonfus Magijier Hoípitalis Hierufalem 



48 



BIBLIO THEC A 



Qjújquis aâes, qui morte cadis perlege, piora, 
Sum quod eris, fueram, quod es, pro me precor 

ora. 
Compoz. 

EJiatutos novos para confervaçaõ, e augmento 
da Ordem militar de S. JoaÕ de Khodes. 

Defta obra faz mençaõ António du Ver- 
dier in Bibliothec. Gallic. impreíTa em Leaõ 
1585. in foi. dizendo Alphonfe de Portugal 
Gran Maejlre des Chevaliers de S. ]ean de llieru- 
Jalem, e Khodes voyes Jes Confiituicions, y efiahlij- 
Jement au livre dei Ordre des dits Chevaliers 
tranjlate en Francois Van 1444. infol. Igualmente 
faz a mefma memoria Baudoin Hifi. des 
Cheval. dei Ord de S. Jean de Hierus. Tom. i. 
cap. 3. pag. 29. 

Diverfos elogios dedicaõ ao feu nome 
Funes ChroN. da Rei. de Malta. liv. i. cap. 16. 
Fr. António Brandão Mon. Lus. Part. 3. liv. 10. 
cap. 20. onde o equivocou com feu Tio D. 
Pedro Affonfo, Bernard. Giuftin. Hijl. Chro- 
nol. dei origin. deWordini Milit. Part. i. cap. 21. 
pag. 219. Vertot. Hijl. des Cheval. Hofpital. 
de S. Jean de Hier. Tom. i. liv. 3. pag. 
mihi 255. Vafc. Anaceph. Keg. I^ujit. pag. 
25. n. 22. chamandolhe. Excel/o virum animo, 
<& arduis rebus agendis promptum. Card. Agiol. 
luujit. Tom. 2. pag. 6. e no comment. 
de 10. de Març. let. E. famofo Heroe, de 
grande coração, e magnanimidade nas militares 
emprefas, de preclaros cojltimes, e religiofas acçoens. 
Saind. Marth. Hift. Gen. dela Mais. de 
Franc. Tom. 2. liv. 41. cap. 2. pag. 796. 
Homme courageux comme il temoigna en pluf- 
Jeurs intreprifes. Francifco de Santa Maria 
no Diário Portug. pag. 275. Fe^i leys utilif- 
fimas ao bom governo da Jua Keligiaõ. Soufa. 
Hijlor. Gen. da Gafa Real de Portug. liv. i. 
cap. 2. pag. 61. O Padre Fr. Lucas de Santa 
Catherina nas Memor. da Ord. militar de S. 
JoaÕ de Malta no capit. dos Gram Meílres 
pag. 22. 

D. AFFONSO DE PORTUGAL, Tronco 
da preclariffima Cafa do Vimiofo, naceo na 
Cidade de Évora, e foy filho de D. Affonfo 
Conde de Ourem primeiro Marquez de 
Valença, e o primeiro que houve em Portu- 
gal, filho primogénito de D. Affonfo pri- 
meiro Duque de Bragança; e de D. Beatriz 



de Soufa filha de Martim Affonfo de Soufa fe- 
gundo defte nome, Senhor de Mortágua, com 
quem (como muitos efcritores afleveraõ) clan- 
deftinamente fe cafara o Marquez feu Pay. As 
acçoens, que obrou em todo o difcurfo da fua 
vida claramente publicarão, que eraõ dirigidas 
pelos Reaes efpiritos, que lhe animavaõ o peito ; 
pois teve heróico animo para intentar empreza^ 
árduas ; liberalidade profufa para remediar todo 
o género de neceffidade; condição benigna, e 
affavel para a gente popular, fevera, e altiva 
para a Nobreza reconhecendo unicamente por 
fuperiores à fua PeíToa os Reys feus Confangui- 
neos; juizo prompto, e agudo para comprehen- 
der, e difcurfar; memoria fácil, e tenaz para 
confervar, e repetir os frutos, que a fua labo- , 
riofa applicaçaõ colhera na Univerfidade de ^J 
Salamanca, onde eíludara as fciencias efcolafti- 
cas com aíTombro dos feus mais infignes , 
Cathedraticos. Morto o Marquez feu Pay ; 
intentou fucceder na Cafa de Bragança, mas 
o Duque, que naõ approvava a legitimidade 
do feu nacimento, a transferio a D. Fernando , 
Marquez de Villaviçofa feu fegundo filho, i, 
por cuja morte novamente pertendeo D. 
Affonfo fer herdeiro da Sereniffima Cafa de 
Bragança. Defhe intento o fez ceder a autho- 
ridade delRey D. Joaõ o II. a quem obedeceo 
conftrangido, eternifando na infcripção, que 
eílá gravada na fua fepultura, a politica vio- , 
lencia com que fora obrigado a defiílir do 
direito hereditário de Cafa taõ Soberana. 
Por difpofiçaõ do mefmo Príncipe feguio 
a vida Ecclefiaftica, e depois de fer Commen- 
datario do Mofteiro de Souto da Ordem dos 
Cónegos Regulares, o nomeou Bifpo de 
Évora, de cuja dignidade lhe paíTou as Bulias 
Innocencio VIII. no anno de 1485. Logo 
que fubio à Cadeira Epifcopal fe empenhou ; 
no fumptuofo ornato da fua Efpofa conhe- 
cendo-fe as fuás magnificas fabricas menos í 
pelo brazaõ das fuás Armas, que pella magef- 
tade dos feus efpiritos. No feliz tempo do feu ; 
governo foraõ fundados em Évora debaixo" 
dos feus benéficos aufpicios quatro Conven- 
tos; fendo o primeiro o dos Cónegos Secu- 
lares de S. Joaõ Evangeliíla no anno de 148J., 
o fegundo o de Santa Catherina de Religiofas j 
Dominicas em 1490. o terceiro o do Paraizo 
do mefmo Inftituto em 1499. e o quarto das 



LUSITANA. 



49 



Maltezas em i j 1 7. alem do grande dífpendio, 
< |uc fez na reediíícaçau do Convento dos Ere- 
mitas de Santo Agoílinho, entre os quaes 
.|ui/. que dcrcançaíTcm as fuás cinzas. Como 
icmpre fora Mecenas dos Eíludiofos, deter- 
minou edificar cm Kvora hum Collegio, onde 
ic* iiiUruifíe nas fcicncias a mocidade Traníla- 

ana, mas a morte lhe impedio a execução de 
1.10 nobre idca. Para fe celebrar com mayor 
pcrlciçaõ o incruento Sacrifício do Altar 
ordenou a Fernando, e Luiz Martins Cone- 

'os de Évora, que reformaíTem o MifTal, 
ilc que ufava aqucUa Igreja, c o mandou 
imprimir à fua cufta em Salamanca no anno 

Ic 1501. Por fer fummamente fevero, c ini- 
iniiM) jurado da adulação incorreo na indigna- 

.10 licIRey D. Joaõ o II. que o mandou 

Idlcnailo para a Villa de Monte-mòr, donde 
loy brevemente reftituido à graça defte Prin- 
cipc conhecendo que antes merecia premio, 
que caíligo hum animo fuperior a todas as 
uivcrfidades. Recebeo innumeraveis eftima- 
çoens delRey D. Manoel a quem acompanhou 
com pompa digna de Príncipe na occafiaõ, 
•-luc partio para Caílella a fer jurado Príncipe 
daquella Monarchía. Mayor foy o efplendor 
quando com feu Sobrinho o Duque de Bra- 
gança, conduzio da raya defte Reyno a SerC' 
niffima D. Maria filha dos Reys Catholicos para 
fe defpozar com o mefmo Monarcha, a cuja 
morte affiíHo com affeílo de parente, e fideli- 
dade de Vaílalo. Ainda era fecular, quando teve 
de D. Filipa de Macedo a D. Francifco de Por- 
tugal primeiro Conde do Vimiofo, que foy or- 
nado de todas as virtudes moraes, e politicas, de 
quem faremos iUuílre memoria em feu lugar; a 
D. Martinho de Portugal Bifpo do Funchal, e 
do Algarve, e a D. Beatriz, que morreo na flor 
da idade. Purificou a Hcenciofa vida, que exer- 
citara na adolefcencia, com taõ virtuofas obras, 
que fez no largo efpaço do feu governo em 
beneficio das ovelhas, que ainda com perpetua 
laudade do feu nome he conhecido, e acla- 
mado antonomaílicamente por Bifpo de Évora. 
Cumulado de heróicos merecimentos foy 
receber na Gloria o premio immortal em 24. 
de Abril de 1522. Jaz o feu Cadáver em hum 
iumptuofo maufoleo de alabaílro fabricado 
com primorofa, e elegante architedura ao 
lado direito da Capella mòr do Convento dos 



Eremitas Auguíliniinos, de que he Padroeira 
a Excellentiffima Cafa do Vimiofo, com eíle 
epitáfio 

Aqui Jaz o V^verentUJfimo, e muito illuftn 
Sttthor D. Affonjo dt Portufjal filho do Marque^ 
de Valença Neto delKey D. JoaÕ o I. de boa 
memoria, e herdeiro da Cafa de Bragança. Foy 
Bifpo defta Cidade; porque alem da fua devofaÕ 
quiz tlRej D. JoaÕ o II. que f o ff e Clerigp. Palle- 
ceo aos 24. dias de Abril da lira de 1522. 
Efcreveo. 

Tra£iatus perutilis de Indulgentiis à Ktveren- 
diffimo Domino Alphonfo Eborenfi Epifcopo editus. 

No fim deíle tratado tem a feguinte obra 

Traâatus de Numifmate ad llluflriffimum 
Emmanuelem hujitania Regem. Ulyíipone apud 
Monafterium Sanítí Vincentii. Naõ tem anno 
da impreíTaõ. 

Defte illufixiíTimo Prelado fazem memoria 
Damiaõ de Góes Chron. delRej D. Manoel. 
Part. I. cap. 26. e 46. Part, 4. cap. 83. Fr. Ant. 
da Purific. Chron. da "Provinda de S. Agof tinha 
de Part. Part. 2. liv. 7. Tit. 6. §. 5. Rodrigo 
Mendes Sylva. Cathalog. Keal de Efpanh. foi. 
91. Fonfec. Ejvor. gloriof. pag. 293. Francifc. 
de Santa Mar. Diar. Port. pag. 507. dizendo 
compo^, e imprimia alguns Tratados cheyos de 
excellente doutrina, e de vafia erudição. 

AFFONSO DE PORTUGAL, como 
indica o appeHdo de geração illuftre, e por 
inílituto Eremita Augufliniano, foy Lente 
de Theologia na Univerfidade de Lisboa, 
antes que foíTe transferida para Coimbra 
conforme diz Fr. António da Natividade 
nos Montes de Cor. Mont. 3. Cor. unic. n. 32. 
§. I. Viveo até o anno de 1345. 
Compoz 

Commentaria in Magiflrum Sententiarum. foi. 
M. S. 

Delle fe lembraõ Nicol. António in Bib. 
Hifp. Vet. lib. 9. cap. 6. §. 270. Thom. 
Herrer. in Alphab. Auguflin. e a Magn. Biblio- 
thec. Ecckfiafl. pag. 319. col. 2. 

Fr. AFFONSO DOS PRAZERES, cha- 
mado no feculo Affonfo Furtado de Men- 
doça naceo na Villa de Penamacor da 
Provinda da Beira a 28. de Novembro de 
1690. e foy bautizado pelo Illuíbrifíimo Bifpo 



5o 



B IB LIO THE CA 



da Guarda, D. Fr. Luiz da Sylva, que depois 
foy Arcebifpo de Évora. Foraõ feus Proge- 
nitores Jorge Furtado de Mendoça fegudo 
Vifconde de Barbacena, Alcaide mòr da Covi- 
Ihãa, Comendador na Ordem de Chrifto, 
General da Artilharia, e Governador das 
Armas da Beira, e Anna Luiza de Hohenloe 
filha de Luiz Guílavo Conde de Hohenloe 
Senhor de Lagenburg Gentilhomem da Camará 
do Emperador Leopoldo, do feu Confelho 
de Guerra, e de Anna Barbara de Scomborn 
irmaã do Eleitor de Moguncia o Arcebifpo 
Joaõ Filipe de Scombron. Eftimulado do 
génio militar, que herdara de feus Mayores, 
aíTentou praça de Soldado, e taes proezas 
obrou em diverfas Campanhas, até chegar 
ao pofto de Sargento mór de batalha, que 
podia servir de exemplar aos Heróes da fua 
familia, que em obfequio da pátria derrama- 
rão animofamente o fangue, e offereceraõ 
as vidas. Movido de fuperior impulfo refol- 
veo aliftarfe em outra mais nobre milicia para 
conquiftar hum Reyno, em que todos os 
Vaífalos faõ Príncipes, e defprezando para 
efte fim o efplendor do nacimento, e a primo- 
genitura da Cafa, fuaves encantos com que o 
mundo o lizongeava, fe recolheo na Religião 
do Príncipe dos Patriarchas S. Bento, cuja 
monalHca coguUa veílio no Convento de 
Tibaens a 13. de Mayo de 171 3. Em o Novi- 
ciado praticou as virtudes de hum Religiofo 
Veterano profeguindo no Clauflro as que exer- 
citara no Século fem que foífe neceífaria direc- 
ção para fe adiantar no caminho da perfeição 
Evangélica. No Púlpito, e Confeffionario 
era continuo devendofe à madureza dos feus 
confelhos admiráveis transformaçoens em pef- 
foas de diverfos eftados. Ambiciofo de pro- 
feííar IníHtuto mais auftero, e parecendolhe, 
que o de Monge confiília mais na vida con- 
templativa, que na aétiva, à qual fe queria 
com mayor difvelo dedicar em beneficio dos 
próximos depois de afOÍHr com exemplar 
procedimento na Religião de S. Bento qua- 
torze annos, paílou com beneplácito dos Pre- 
lados para o Seminário de Varatojo, onde 
profeíTou o habito Seráfico em 13. de Março 
de 1727. Na companhia deíles Varoens 
Apoftolicos fe inflamou com tanta vehemen- 
cia o feu efpirito, que promptamente exerci- 



tou os minifterios daquelle evangélico iníli- 
tuto difcorrendo grande parte do Reino a pée 
em continuas MiíToens, a cujos brados def- 
pertaraõ muitos peccadores fumergidos no 
letargo da culpa, e fendo o feu principal in- 
tento colher copiofos frutos com a palavra 
Divina. Sempre a Corte o vio hofpede jul- 
gando fer o feu terreno para efta fementeira 
infruftuofo. Nas horas vagas deíles evan- 
gélicos minifterios naõ fatisfeito de inftruir 
aos próximos com as vozes no Púlpito, e 
Confeffionario, os doutrina com doutos tra- 
tados afceticos, dos quaes fomente fahio à 
luz o feguinte. 

Máximas E/piriUtaes, e direãivas para inftruc- 
çaõ myftica dos virtuojos, e defenfa Apoftolica da 
virtude fabricadas à lu^ da rafaõ natural, ejlabale- 
cidas na verdade da Sagrada Efcritura, e confir- 
madas com as doutrinas dos Santos Padres. Tom. i. 
Lisboa por Miguel Rodriguez 1737. 8. 

Tom. 2. Lisboa pelo mefmo impreíTor, 
e no mefmo anno 8. e mais acrecentados 
Lisboa por António Ifidoro da Fonfeca 
1740. 4. 2. Tom. 

AFFONSO REBELLO, natural de 
Lisboa, nobre por geração, e muito mais 
pelas heróicas façanhas obradas pelo feu 
braço na índia Oriental. Foy ornado de 
hum génio fácil para compor de repente 
verfos jocofos, os quaes fempre foraõ ouvi- 
dos com applaufo, e celebrados com admira- 
ção. Para explicar o jubilo com que em Goa 
fora recebido o infigne Heróe D. Luiz de 
Attayde Conde de Attouguia quando no 
anno de 1577. entrou fegunda vez a gover- 
nar o Império Afiatico Portuguez, relatou 
em verfo as Juftas, que com igual pompa, que 
deftreza fizeraõ os Portuguezes em applaufo 
do mefmo Vicerey, cuja obra intitulou. 

Tomejos do Vicerej D. Lui^ de Attayde. M. S. 

Morreo em Goa, onde deixou varias 
obras poéticas defte género. 

AFFONSO RIBEYRO PEGADO. Logo 
defde a puerícia cultivou com tal inclinação 
a Poefia, que na idade adulta foy venerado 
pelos Corifeos defta divina Arte, como Orá- 
culo, fendo Lisboa, e Madrid os famofos 
theatros onde mereceo a fua ISIufa os mayores 



L USITANA. 



5i 



prémios conícííando os feus competidores a 
juniça com que de todos triunfava. No anno 
<lc 1622. em que foraõ Canonizados Santo 
l)Mi:icio, S. Frandfco Xavier, e Santo Ifidro 
I rrador fendo provocado pelos mayores 
n/iihos de Madrid, onde entaõ affiília, 
compoz algumas Poefias, que eílaõ infertas 
lU) livro intitulado Kelacion delas fiejias que 
hi:^o Madrid ala Canoniv^acion de Santo Ifidro 
Ccrtam. 6. foi. 146. e Cert. 10. e no liv. '^lac. 
delas fiejlas, que hiv^o el Colégio Imperial de Madrid 
■' : ( (tnoniv^acion de Santo Ignacio y S. Vrancijco 
... -r a foi. 90. Taõbcm cílá hum Soneto feu 
no Certame Poético em lottvor do Conde de Unha- 
res Lisboa por Giraldo da Vinha 4. naõ tem 
anno da edlçaõ Jacinto Cordeiro no Elog. dos 
Poet. Portug. fe lembra dcllc neíla forma. 
Pegado en Helicona planta ajfienta 
Porque esjà con las Mu/as tan humano, 
Que Jiendo en los couce tos peregrino 
Con tanta bumanidad fe ha:(e divino, 

D. AFFONSO SANCHES, que com o 
fcu nacimento illuílrou a Província de Entre 
Oouro, e Minho, foy o primeiro filho, que 
cm o anno de 1286. teve D. DinÍ2 6. Rey de 
Portugal de D. Aldonça Rodrigues de Soufa, 
ou da Telha, como lhe chama feu filho o 
Conde D. Pedro no feu Nobiliário Tit. 36. 
e 57. Pellos fingulares dotes do corpo, e do 

fpirito, com que foy ornado, mereceo os 
mayores affeâos de feu Pay, de que fe ori- 
glnaráõ os tumultos populares contra a fua 
pcíToa, dos quaes foy author o Príncipe D. 
Afifonfo exceffivamente efcandalizado, de que 
fendo fucceíTor da Coroa lhe preferiíle a feu 
Irmaõ natural, em tantas demõílraçoens de 
amor, e eítimaçaõ. Certamente naõ houve 

irgumento algum de finefa, que ElRey com 
clle naõ praticaíTe nomeando-o com exemplo 
até entaõ raramente viílo, feu Mordomo Mòr, 
e Senhor da Villa de Conde, Campo mayor, 
Varazim, Povoa, Touguinha, e outros luga- 
res. Naõ fatisfeito com eílas doaçoens lhe 
deu por conforte, em o anno de 1304. a D. 
Therefa Martins filha de D. Joaõ Affon- 
lo de Menefes Conde de Barcellos, e Se- 
nhor de Albuquerque, e de fua primeira 
mulher D. Therefa Sanches, filha natural 
de D. Sancho IV. de Caftella; pofto que 



D. Luiz Salazar, e Caílro nas Glor. da Cafa For- 
ttts pag. 5 77. naõ admitindo, que ti veííe D. Joaõ 
AffonTo de Meneies fucceflíaõ da primeira mu- 
lher affirma, que foíTe filha de fua fegunda 
mulher D. Maria Cornei filha de D. Pedro Cor> 
ncl Procurador Geral de Aragaõ primeiro Se- 
nhor de Aljafarim, e de fua mulher D. Urraca 
de Artal y Luna. Morto EIRcy feu Pay fucce- 
dendo no Trono D. Affonfo feu Irmaõ rom- 
peo contra elle em furiofos exceíTos diâados 
pelo ódio, que alimentava no peito, man- 
dando fcqucílrarlhe todos os bens, que poííuia, 
e dcclarando-o por editaes públicos inimigo 
da Pátria. Conílrangido de tantas violên- 
cias fulminadas pelo furor de feu Irmaõ 
fe retirou para a Villa de Albuquerque, que 
lhe deixara feu fogro, a qual fe pode jufta- 
mcntc gloriar de que foflc novamente por 
elle edificada, fortificando-a com muros, torres, 
e hum Caílello inexpugnável, cm cuja porta 
eílá gravado o brafaõ das fuás Armas, que 
igualmente publicaõ o nome do Fundador, 
como o dia, e anno da fundação, que foy a 4. 
de Agofto de 13 14. Para de algum modo 
vingar as injurias, que injuílamente recebera de 
feu Irmaõ, entrou armado por Portugal execu- 
tando aquellas hoílilidades, com que podia 
fatisfazer a fua cólera, até que por intervenção 
delRey de Caílella foy reíHtuido à graça de feu 
Irmaõ, e à poíle de todos os bens, que lhe 
tinhaõ fido ufurpados. Foy infigne em todo 
o género de virtudes dignas de hum Prín- 
cipe; liberal para todos, affavel para os 
domeíHcos, e eíbranhos; religiofo para Deos, 
e feus Santos. Exhortado por hum myf- 
teriofo fonho fundou o Convento de Villa 
de Conde, de que era Senhor, para ReHgiofas 
de Santa Clara, o qual alem de o edificar 
defde os fundamentos, o dotou com grande 
profufaõ em 7. de Mayo de 13 18. Pagou o 
tributo de mortal no anno de 1329. conforme 
a melhor conjeftura, e eílá fepultado com fua 
nobiliíTima Efpofa no Convento de Villa de 
Conde com opinião immemorial de Virtuo- 
fos, recorrendo à fua fepultura varias Peííoas 
dos lugares circumvefinhos para implorar re- 
médio às fuás afflicçoens. As Religiofas do Con- 
vento agradecidas ao beneficio, que continua- 
mente recebem da fua protecção, pertenderaõ, 
que fe beatificaílem as fuás virtudes, para cujo 



52 



BIB LIOTHE CA 



fim efcreveo, e imprimio no anno de 1726. o 
Padre Fr. Fernando da Soledade, Chroniíla 
da Religião Seráfica da Provincia de Portugal, 
e Académico da Academia Real hum Memorial 
para conftar na Cúria Romana a fua heróica 
Santidade. O fepulchro, em que jazem os 
feus Corpos, he fabricado de obra, ainda que 
antigua, primorofa, e permanecendo muitos 
annos fora da Igreja, fe abrio depois hum 
Arco da Capella, em que ficou dentro reco- 
lhido, no qual fe lé o feguinte Epitáfio, 

Em efia Capella jat(em o muito ef clareado 
Príncipe D. Affonfo Sanches filho delR.ey D. Dini^ 
de gloríofa memoría Sexto Rey de Portugal com 
a muuto excel lente Madama D. T areja Martins 
netta delRey D. Sancho, fundadores defia Santa 
Cafa, a qual mandou fa^er a muito virtuofa Se- 
nhora D. Ifabel de Caftro primeira Ahhadejfa 
da Ohjervancia defta Santa Cafa em 1526. 

Foy D. Affonfo Sanches fummamente 
inclinado às fciencias, e principalmente à 
Poefia, em que conforme o eílilo daquelles 
tempos foy elegantiíTimo, e como tal nume- 
rado por Manoel de Faria, e Soufa no Epit. 
da Hijl. Portug. Part. 4. cap. 18. e Fr. Fernand. 
da Soled. Hift. Seraf. da Prov. de Portug. nova- 
mente correâ. e addicionad. Part. 3. liv. 13. 
cap. 7. entre os Poetas infignes deixando 
compofto. 

Vários ver/os i. Tom. M. S. 

Delle, e de fuás acçoens fallaõ mais difu- 
famente Brand. Mon. L,ujtt. Part. 17. cap. 2. 
e 49. Brito Elog. dos Kejs de Portug. pag. 53. 
Manoel de Faria, e Souf. Epit. das Hift. Port. 
Part. 3. cap. 7. Albuquerque Comment. Part. 4. 
cap. 50. Cardof. Agiol. Eujit. Tom. i. pag. 8. 
no Comment. do i. de Jan. let. D. F. Leaõ 
de S. Thom. Bened. Lufit. Tom. i. Part. i. 
cap. 9. Fr. Manoel da Efperanç. HiJl. Seraf. 
de Prov. de Portug. Part. 2. liv. 8. cap. i. n. 2. e 
cap. 6. n. 3. Wading. Annal. Ord. Min. ad 
ann. 1318. n. 44, Joan. Soar. de Brit. in Theat. 
Lusit. IJtter. lit. A. n. 16. F. Fernand. da Soled. 
Memorial dos Inf. de Portug. per tot. Souf. 
Hifl. Gen. da Cafa Real de Portug. Tom. i. 
liv. 2. cap. I. pag. 239. 

Fr. AFFONSO SUEYRO, natural da 
Villa de Aviz. Foraõ feus Pays Francifco 
de Azevedo, e Ifabel Soares. Deixando a 



Pátria, e juntamente o Mundo fe dedicou 
a Deos na Religião dos Carmelitas Defcalfos 
da Provincia de Caftella onde doutrinou aos 
feus domefticos como Meftre, que foy de 
Prima de Theologia, e os governou como 
Provincial. Teve grande talento para o Púl- 
pito merecendo fer eleito Pregador delRey 
Catholico. Morreo com opinião de virtude 
depois do anno de 1670. Deixou M. S. 

Confultas Canónicas, e Theologicas, e Moraes 
2. Tom. em folha. 

AFFONSO DE TOAR DA SYL- 
VEYRA, natural da Attouguia da Diocefe 
de Lisboa. Defpois de aprender as letras 
humanas paíTou a Coimbra, onde applican- 
dofe ao eftudo da Theologia Efpeculativa re- 
cebeo pela Univerfidade o gráo de Bacharel 
neíla faculdade. Para divirtir o animo de appli- 
caçoens mais profundas, e laboriofas compoz 
o Dialogo feguinte. 

Dialogo entre três figuras, no qual fe trata • 
dos Lavradores com alguns louvores da vida pafloril. l 
Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1630. 8. 

AFFONSO DE TORRES. Naceo em 
a Cidade de Lisboa de illuftres Progenitores, 
quaes foraõ Joaõ Ruiz de Torres Commen- 
dador de Monte Mór o novo da Ordem de 
Chrifto do Concelho delRey Filippe II. e D. 
Guiomar de Vilhena filha de Ruy Telles de 
Menezes Alcaide mór da Covilhaã, e de D. 
Leonor Manrique. Logo defde a puerícia 
foy injftruido naquellas artes dignas do feu 
nacimento. Chegando à idade adulta começou 
a aborrecer o ócio da pátria, e afpirar à gloria 
immortal, que fe alcança pelas armas, para cujo 
nobre intento concorreo feu Pay mandando-o 
para Flandes, que naquelle tempo era o mais fa- 
mofo theatro de Marte, onde já como Soldado, 
já como Capitão executou fingulares proezas. | 
Reftituido ao Reyno, cafou com D. Catherina 
Mondragon, de quem como da fegunda mu- 
lher D. Magdalena Henriquez filha de D. Gon- 
çalo da Coíla Armeiro mòr naõ teve fucceíTaõ. 
Paífando a terceiras vodas fe defpozou com 
D. Violante Manrique fua Sobrinha filha de 
Ayres de Soufa de Caílro Commendador da Al- 
cáçova em Santarém, da qual teve a D. Leonor 
Manrique, que cafou com feu Tio Francifco 



L USITANA. 



5.5 



<Ic Mello, c Torres, Marquez de Sande, varaò 
Ic lunima prudência, c profunda politica. A 

j *r parte da vida paíTou cm Lisboa taò ini- 

n " de occupaçocns publicas, como amante 
l;i liçaÔ dos livros. Foy verfado na Hlíloria, 

principalmente em huma das mais nobres 
partes delia, qual he a Genealogia efcrevendo 
GtHtalogias àis Vamilias de "Portugal. 8. Tom. 
tolh. 

lííles Livros fe acabarão no anno de 

1630. cujos Originaes fe confervaõ na Livra- 

la do líxccllentirfímo Marquez de Abrantes 

los quaes mandou extrahir huma copia 

xccllcntemcnte efcrita Garcia de Mello, e 

Torres fegundo Conde da Ponte neto do 

\uthor, que fe guarda na fua Cafa. Nefta 

•randc obra fc admira a vaíla noticia da Hif- 

oria, em que era profundamente douto 

\ffonfo de Torres, pois todas as familias, 

lie que efcreve, eílaõ illuftradas com noticias 

I.is noíTas Chronicas, e vários documentos 

strahidos do Archivo Real fazendo-fe mais 

ilimavel pella reda intenfaõ, com que as efcre- 

co fem a menor preoccupaçaõ de alguma pai- 

..lõ dominante, que o impeUiíTe a defcobrir o 

mais leve defeito no efplendor de tantas familias. 

De outra obra diverfa da precedente fe 

lembra Manoel de Galhegos na Prefação 

lio Templo da Memoria, onde fallando do 

^luanto trabalhou para efte Livro affirma 

■sõ tiradas eftas noticias, humas dos Nobiliários, 

dos Annaes de Efpanha, outras de papeis authen- 
icos, e Chronicas dejie Rejno, em particular de 
huma, que ejiá para dar à ejiampa Affonfo de 
Torres, donde fe inclue íudo o que he hiftorico de 
Portugal. Delle fazem memoria D. Franc. 
Manoel na Carta efcrita a Manoel Themudo 
da Fonfeca, que he a primeira da 4. Cent. das 
fuás Cart. D. Luiz Salaz. e Caílr. Uifi. Gen. 
da Cafa de Sjlv. Part. 2. liv. 9. cap. 26. n. 18. 
Joan. Soar. de Brit. in Theatr. 'Lufit. Litter. 
letr. A. n. 17. e o Padre D. Ant. Caet. de Souf. 
no Appar. à Uifi. Gen. da Cafa Real de Portug. 
pag. 71. §. 54. 

AFFONSO DO VALLE, natural dos 
Arcos de Valdevez, no Arcebifpado de Braga, 
e filho de Affonfo Annes, e Catharina Annes 
entrou por Coadjutor temporal da Companhia 
àe Jefus no Collegio de Coimbra a 11. de 

i 



janeiro de 1)89. quando contava 22. amios 
de idade. Foraõ Angulares as virtudes, que 
pra£ticou, affim no eílado de fecular, como 
de Religiofo pelas quaes mereceo alcançar 
feliz morte a 6. de Março de 1648. 

Compoz ( faò palavras do Padre António 
Franco Jmag. da virtud. do Nop. de Coimh. 
Tom. I. cap. 58. efcrevendo a vida defte 

Irnuõ ) três livros efpiriíuaes todos da fua letra 

hum defles livros era de Meditafoens, o qual por 
fua morte defapareceu; o fegundo de exemplos 
donde tirava hiflorias com que era gratifjimo aos 
ouvintes: o terceiro era hum livrinho de fentimentos 
feus. Deftes tranfcreveo o Padre Franco 
grande parte na obra afílma allegada, que íe 
podem ler defde o cap. 55. até 57. nos quaes 
efcreveo feu author todos os fucceflbs da fua 
vida antes de fer Religiofo, e depois, que 
profeflbu o inftituto da Companhia de JESUS. 

AFFONSO DE VALERA, natural de 
Villanova de Portimão no Reyno do Algarve» 
e morador em Lisboa, onde cafou, e morreo. 
Foy muito applicado ao eftudo das letras 
humanas, e principalmente à compoííçaõ 
de verfos na lingua materna, em que naò 
foy infeliz a fua Mufa. Tinha prompto para 
fe imprimir em o anno de 1600. a obra 
feguinte. 

Armonia efpiritual dividida em fette tomos 
fobre os pajfos principaes da Vida de Chrijio^ 
Senhor Nojfo. 

Outro que tratava de Cavallarias. 

D. AFFONSO DE VASCONCELLOS, 
e MENEZES, natural de Lisboa filho 11. 
de D. Joaõ de Menezes e Vafconcellos II. 
Conde de Penella, Vedor da Fazenda, que 
fervio pelo largo efpaço de defefeis annos,. 
e de D. Maria de Attayde filha de D. Joaõ 
de Soufa Capitão dos Ginetes do Infante 
D. Fernando. Foy ornado de partes dignas 
de feu illuílre nacimento pelas quaes mere- 
cendo occupar os lugares, que tiveraõ feus 
Mayores, naõ exercitou outro mais, que 
o de Capitão dos Ginetes de ElRey D. Joaõ 
o III. por Alvará paííado a 5. de Mayo de 
1526. e o foy taõbem delRey D. Sebaftiaõ 
até o anno de 1573. em que morreo, fucce- 
dendolhe Femaõ Martins Mafcarenhas. Ca- 



54 



BIBLIOTHE CA 



fou com D. Guiomar Soares herdeira de Lopo 
Soares de Albergaria Governador da índia, 
■de quem naõ teve defcendencia. Efcreveo. 

Carta a E/Rey D. Joaõ o III. em 8. de No- 
vembro de 1547. Começa. Se a grandet^a, 
virtude, e conciencia de V. A.. &c. 

He huma forte inve6Hva contra efte Prin- 
•cipe arguindo-o de injuílo por naõ ter pre- 
miado os feus merecimentos. 

AFFONSO VAZ DA COSTA Infigne 
Mufico do feu tempo, ou cantando, ou 
compondo, pelas quaes partes mereceo em 
Roma, para onde na flor da fua adolefcencia 
partira, os applaufos dos mayores profef- 
fores delia Arte. A fama, que corria da fua 
grande fciencia obrigou a que fofle convi- 
dado com largos partidos para Meftre de 
algumas Cathedraes, fendo provido primei- 
ramente na de Badajoz, e ao depois na de 
Ávila, onde por largo tempo eníinou Muíica 
aíTim praâica como efpeculativa, fahindo 
da fua efcola taes difcipulos, que depois aííom- 
ibraraõ como Meftres a toda Efpanha. Mor- 
reo em Ávila no principio do Século paíTado. 

As fuás obras Muíicas principalmente 
as fagradas mandou procurar o SereniíTimo 
Rey D. Joaõ IV. iníigne profeííor delia Arte, 
e com ellas ornou a fua Bibliotheca Real 
^da Muíica. 

AFFONSO VILHAFANHE, GIRAL, E 
PACHECO, a quem huns fazem natural do 
Porto, e outros de Almeyda. Foy homem 
mercantil, e hum dos mais peritos Arithme- 
ticos, que houve no feu tempo, como clara- 
mente o manifeíla a obra feguinte. 

Flor de A.rithmetica neceffaria ao ujo dos 
Câmbios, e Quilatador do ouro, e prata, livro 
o mais curiojo, que tem fahido. Lifboa por 
Giraldo da Vinha. 1624. 8. 

AGOSTINHA BARBOSA DA SYL- 
VA igualmente douta na lingua Latina, que 
na Arquitetura, de cujo grande talento, que 
floreceo pelos annos de 1674. como das 
fuás obras, que compoz, fazem merecida 
lembrança Diogo Manoel Ayres de Aze- 
vedo Portug. Illujlrad. pelo Jex. fem. pag. 81. 
'§. 17. e Damiaõ de Froes Perim no Theat. 



Heroin. das mulher. Illujl. Tom. i. pag. 114. 
Deixou compoíio na lingua Latina. 

Vida dos cinco primejros Keys de Portu- 
gal, e na vulgar 

Tratado de Architeãura, e Arithmetica o 
qual fahio em Caílella com o nome de Pedro 
de Albornoz. 

Fr. AGOSTINHO DE AZEVEDO Re- 
ligiofo profeíTo dos Eremitas Auguíiinianos 
da Congregação da índia, e muito verfado em 
as noticias hiíioricas das acçoens, que obrarão 
os Portuguezes em todo o Oriente efcrevendo 

Appontamentos fobre as coui^as da índia, 
e Rejno de Monomotapa, cujo Original ef- 
crito na lingua Portugueza fe conferva M. 
S. em folha na Bibliotheca delRey Catho- 
Uco como affirma o moderno Addicionador 
da Bib. Orient. de António de Leaõ Tom. 
I. Tit. 3. col. 77. 

AGOSTINHO BARBOSA, hum dos 

mais famofos varoens, que produzio Portu- 
gal para credito, e ornato da Republica 
Litteraria. Naceo na celebre Villa de Guima- 
raens a 17. de Setembro de 1590. fendo filho 
do Licenciado Manoel Barbofa, que illuíirou 
as Leys do Reyno com doutos commentarios, 
de quem em feu lugar fe fará diítinéia memo- 
ria, e de fua mulher Ifabel Vaz da Coíla. 
Como a naturefa queria formar nelle hum 
monílro de Sabedoria fe anticipou a ornallo 
de juizo penetrante, memoria tenaciflima, 
comprehensaõ prodigiofa, e engenho admi- 
rável, cujos dotes de tal forte brilharão na 
idade pueril, que feu Pay com exemplo nunca 
viílo lhe enfinou primeiramente fallar a lingua 
Latina, que a materna, percebendo com tal 
velocidade os primores daquelle idioma, 
que com pafmo, e admiração dos feus Vete- 
ranos profeflbres, quando ainda naõ con- 
tava quinze annos, publicou hum Vocabu- 
lário Portuguez, e Latino igualmente douto, 
e fácil para a iníirucçaõ da Gramática Latina. 
Deixada a Pátria paíTou a Coimbra mais para 
enfinar, que para aprender, onde applican- 
do-fe ao Direito Cefareo, e Pontifício pelo 
efpaço de dez annos, graduado neílas Fa- 
culdades para claro argumento de que fem- 
pre fora Meíire, e nunca difcipulo publicou as 



LUSITANA. 



55 



doutinimas Rcmiflbcns ao Concilio de Trento, 
cujft obra foy recebida com tanto applaufo pelo 
Orhc Litterario, que em diverfas partes dellc 
fe vio reproduzida em multiplicadas ediçoens. 
Amlnciofo da communicaçaõ de Varoens Sá- 
bios imitando a Pythagoras, e Plataõ, que 
com largas peregrinaçoens buícaraõ efte eru- 
dito comercio, difcorreo pellas famofas Uni- 
vcrfidadcs de Itália, França, e Alemanha, onde 
teve tantos admiradores do feu profundo ta- 
lento, quantos eraõ os que com elle praélica- 
vaõ, como foraõ Martinho Bonacina, Joaõ 
António MaíTobria, Juliano Viviano, Belchior 
Lottcrio, António Ricciolo, Fclix Contclorio, 
Mário Antonino, Sigifmundo Scacia, e Eílevaõ 
Graciano contrahindo com elle todos eftes ce- 
lebres Varoens a mais cftrcita amifadc, ou foíTe 
j-)clla docilidade do génio, ou pela fympatia da 
fcicncia. Mayores veneraçoens alcançou em 
Roma, que como cabeça do mundo foube 
conhecer com mais viva penetração a profun- 
didade das fuás letras. Declaroufe feu Mecenas 
o Qrdial Joaõ Garcia Mellino, e para de algum 
modo premiar o feu merecimento lhe alcançou 
da Santidade de Urbano VIU. a Thefouraria 
mór da Collegiada de Guimaraens em que foy 
provido tendo largado a Abbadia de Men- 
treftido. Naõ permitio a Cúria, que efti- 
veíTe para feu beneficio ociofa a capacidade 
lie taõ grande homem, e para efte fim fendo 
Prothonotario Apoftolico foy eleyto Cenfor 
lie livros, e Confultor da Sagrada Congre- 
gação do Index. Era taõ clara a fama do feu 
nome, que chegando os feus eccos à noticia 
do Duque de Saboya Carlos Manoel, o cha- 
mou de Roma, offerecendolhe generofos 
donativos para que foíle habitar na fua Corte. 
Semelhante obfequio lhe fez a RepubUca de 
Veneza mandando aos feus Embaixadores 
Frãcifco Cornaro, e Joaõ JuíHniani, que o 
condufiflem em fua companhia no anno de 
1634. para illuftrar como Meílre a fua Uni- 
verfidade. Naõ foraõ poderofas todas eftas 
perfuafoens authorizadas com a efficacia de 
taes Principes para que deixaíle Roma, onde 
preferindo o eíludo à conveniência paílava 
taõ falto dos bens da fortuna, como abim- 
dante dos dotes da natureza. Habitava em 
huma cafa humilde contigua ao Convento 
dos Religiofos Minimos onde comia huma 



fó vez no dia. A fumma pobreza, que o redufia 
a tanta abAinencia, lhe negava com que pudeííe 
comprar livros para adiantar as fuás doutas 
compofíçoens. Para reparo defta falta taõ noci- 
va ao progreíTo dos feus eíhidos, tinha con- 
trahido pela innocencia da fua vida, e affabili- 
dade do feu génio amifade com todos os Livrei- 
ros, em cujas cafas eíhidava defde a menhaã até 
à tarde, donde voltando para a fua, era tal a 
tenacidade da memoria, que naõ fomente levava 
nella fixas as opinioens, e refoluçoens dos Dou- 
tores, que lera, mas ainda o numero das pagi- 
nas, e dos parágrafos dos livros onde eíbivaõ. 
Na diuturna aíTiílencia, que por duas vezes fez 
em Roma, como experimenta/Te a fortuna 
pouco favorável aos feus defignios paííou a 
Madrid para com a mudança da terra melhorar 
de eftado. Nefta Corte aprezentou á Magef- 
tade de Filippe IV. hum douto Memorial, em 
que relatava com grande finceridade os rele- 
vantes ferviços, que tinha feito tanto em obfe- 
quio da Igreja, como da Monarchia, pelos 
quaes efperava adequada remuneração da libe- 
ralidade Real. Atendendo Filipe IV. a taõ altos 
merecimentos o nomeou em 26. de Fevereiro 
de 1648. Bifpo de Ughento no Reyno de Ná- 
poles fuffraganeo do Arcebifpado de Otranto. 
Tanto que recebeo a noticia defta dignidade par- 
tio para Roma, onde na Igreja de N. Senhora 
do Populo foy Sagrado pelo Cardial dela Cueva 
em 5. de Abril do mefmo anno. O cuidado 
das fuás ovelhas o chamou com toda a brevidade 
para que entraííe no Bifpado em 10. de May o 
de 1649. onde defempenhou as obrigaçoens 
de vigilante Paftor, vifitando toda a Dioce- 
fe, e reformando os abufos, que pela inércia 
de outros Prelados fe tinhaõ efcandalofa- 
mente introdufidos. Nas horas vagas do 
miniílerio paíloral continuava fuás compofi- 
ções com indefeíía applicaçaõ para com ellas 
utilizar a republica litteraria. Porém quan- 
do parecia, que era mais neceílaria a fua du- 
ração, foy accommetido de huma leve in- 
fermidade, que degenerando em mortal a 
avifou de fer chegado o termo da fua vida. 
Preparoufe para efta luta com as armas dos 
Sacramentos, e recebidos com fumma pie- 
dade efpirou ás fette horas da noute no feu 
Palácio Epif copal em 19. de Novembro 
de 1649. quando contava 60. annos de idade. 



56 



BIB LIO THE CA 



O feu cadáver foy fepultado na Cathedral 
junto da Capella mór, em cujo maufoleo 
tem gravado o feguinte epitáfio compofto 
por feu Irmaõ Simaõ Vaz Barbofa Cónego 
de Guimaraens. 

D. O. M. 

Augufiino Barbofa J. C. pátria L,uJitano 
€x urbe Uimaramnji; Emmanuelis Barbofa J. C. 
£ekberimi, <ò' in Regm h.ufitania Regis Procura- 
ioris filio. Ingenio, doutrina, eruditione, difcendi 
€upiditate libris etiam in adolefcentia editis admi- 
rabili, qui Roma Pontificij Júris volumina viginti 
duo, de Jure Civili dedit in lucem oão, alia pof- 
thuma reliquit edenda; qui que ab Urbano VIII. 
Vimarenjis Ecclejia Thefaurarius, à Philippo IV. 
Rege Catholico ob eximia merifa, doãrinaque 
famam ad Epifcopatum Ugenfinum; ab Innocentio 
X. magnis cum laudibus approbatus, non fine 
dolore majlifjimorum hominum, omniumque fuorum 
fietu intra cura pajioralis annum extinãus ejl 
annofaluiis humana MDCXLIX. atatisfua LX. 
Se XIX. Novembris.. Vivet in futurum fama 
virtutum, et in fuorum operum aternitate femper 
immortalis. Simon Vajius Barbofa Vimarenjis 
Canonicus germanus frater amantifjimo fratri 
tamquam parenti cum lacrymis pofuif anno Do- 
mini. MDCLI. 

Eíle foy AgoíHnho Barbofa, cuja me- 
moria fera celebre nos faiios da eternidade 
merecendo pela fua fciencia os applaufos dos 
Pontífices, Monarchas, e Varoens mais fa- 
mofos da Republica literária. A Santida- 
de de Urbano VIIL além de o ennobrecer 
com hum Breve paliado em i8. de Agoiio 
de 1626. em que lhe louvava as fuás obras, 
fazia delias taõ particular efbimaçaõ, que 
no primeiro dia, que lhe beijou o pè o 
Marquez de Caílello Rodrigo Embaixador 
de Philipe IV. o levou à Camará onde 
dormia, e nella lhe moílrou as fuás obras 
como a mais preciofa alfaya daquelle apo- 
fento. ElRey Catholico quando o nomeou 
Bifpo, lhe engrandeceo a fua virtude, le- 
tras, e vida exemplar, efperando de taõ 
fublimes dotes, que feria a Igreja perfei- 
tamente regida. Os Bifpos de França, Itá- 
lia, e Catalunha obrigarão com Conftitui- 
çoens Synodaes aos feus Cleros, que para 
fe fazerem dignos Miniftros do Altar, eíhi- 
daíTem fomente pelas fuás obras. Leaõ 



Allatio Apes Urban. pag. 530. lhe chama 
doãiffimum, (& in Canonicis quaflionibus deci- 
dendis, ac rebus Hcclefiaflicis verfatiffimum. Mi- 
guel Joaõ de Vimbodi in Med. Anim. 
Vir raris doãrina ornamentis excultus, cujus 
ingenij candorem affiduumque in fcribendo fludiU 
fapius nos experti, variaq ipjius opera Orbi 
propofita ad pofleritatem non ingrata teftabun- 
tur. Joan. Nic. Erithra^us, alias Joan. Vic- 
torius de RoíTi in Pinacoth. Vir. illujl. Me- 
moria erat fummá, fingulari, incredibili; hac 
erat illi pro Bibliotheca, imo hac omnes omnium 
Bibliothecas fuperabat. Fr. Lud. à Concept. 
in Exam. Verit. Theol. Moral. Trad. 3. 
Part. I. cap. 2. Corollar. i. n. i. Doãor 
Sapientiffimus. Lorenç. Gracian. no Critic. 
Part. I. Crif. 11. Diò fortuna un revés de 
pobreza a un Agujlin Barbofa, y otros hom- 
bres, quando deviera ha^erles mercedes. e Part. 2. i 
Crif. 12. Con ejias penas de Fénix efcrivie- 
ron Baronio, Bellarmino, Barbofa &c. D. Franc. 
Moren. Porcel no Retrat. de Manoel de Fa- j 
ria, e Souf. § 75. Celeberrimo Doãor, e Iluf- 
triffimo Obifpo. D. Joaõ Caftilho Sotom. 
in Tom. 7. de Tertiis cap. 41. n. 179. 
Agnofcimus namque eum fummo labore, <ò^ in- 
genti cura, (ò' deligentia tam in aliarum re* 
rum commentariis, quám in cumulandis omnium 
facultatum authoribus, totiufque júris Canonici 
decijionibus, atque ex illis conclujionibus deduãis 
ad fummam quamdam reducendis, (ò' exornan- 
dis magnum reipublica beneficium, univerfam- 
que omnium utilitatem fe habuijje. Theophilus 
Raynaud. in Breviar. Chriji. Chronolog. Claíle 
Ult. injignis Auguflinus Barbofa. Luiz Mufiòs 
Vid. de Fr. Luiz de Granad. lib. 3. 
cap. 7. conocido por fus muchos y doãos efcritos. 
Julius Vinfodinus in Rep. Can. Cap. fup. 
fpec. de Magiftrat. Part. 2. n. 82. Augufiino 
Barbofa fludiofi omnes, atque univerfa refpublica 
litteraria propter rarum, (& admirabile ejus in- 
genium, fummamque in fcribendo dexteritatem 
plurimum debet, qui non inanis tituli gloria duc- 
tus, fed communi utilitatis commodo inflamatus 
máxima nominis celebritate per plures annos 
ahfque ulla ufque huc honefifjimorum fuorum 
laborum remuneratione in fuis libris edendis plu- 
rimum infudavit, <& utiliter laboravit. UgheUo 
Ital. Sacr. tom. 9. pag. 149. fub tit. Epifcop. 
Uxentin. Scriptis fuis, <& libris editis Chrifliam 



ifiiam jUj 

Á 



LUSITANA. 



Orbi celtherrimus, omnitmique exijlimatione pra- 
flarus. Albcrt. Aldan. in Comp. Can. Dec. 
cap. 3. n. 21. Vir doCliffimus, qiii felici- 
hr in Romana Cúria me ibi time degentt in 
éiverjifqne Itália partihus qmm plurima Juo 
inj^enio dijeni/Jirna tmiverfis idemtidem utilijfima 
ppera indtfejfo Jiudio elahoravit, <& in lucem tdi- 
éit. (lontclor. dt Canonis. Sana. cap. 15. 

tij. eriíditijfimiim o apcllida. Salgad. de 
ttnt. hiillar. Part. 2. cap. 50. n. 45. in 
fms fingidaribus, multi/que commentariis in lu- 
.cm editis, e^ edendis. D. Laurent. Ramir. 
Icl Prad. in AlUnat. de Praced. D. Petri 
,1c Vivanc. e Vil la Gom. in Concil, S. Cruc. 
II. 8. Augujlinus llarbofa nulli in componen- 
dis, Ó* dirigendis JttrifprMdentia rebus Jecun- 
dus; c cm o n. 73. in Glof. Do£íifJimus 
Auguft. Barbo/a indefefji laboris, <âr exanthla- 
ta eruditionis Magijier. Macedo in hujit. In- 
fulat. pag. iio. Magni nominis ]urifconfulíus. 
i'"r. Manoel da Efper. Hift. Seraf. da Pro- 
vinda de Port. Part. 1. Liv. i. cap. 49. 
n. 4. Doutor infigne. Lud. Jacob, a Santo 
C.arol. in Bibliothec. Pontif. iib. i. Lit. G. 
Au£ior percelebris. Joan. Soar. de Brit. in 
Theatr. Lujit. Litter. let. A. n. 138. Vir 
plane fcribendo inexhaufttis, (& indefejfus, (ò" 
bac parte tum etiam Jcriptorum methodo, Sti- 
lique nitore, ac facilitate cum celebrioribus avi 
CHJuJque mérito componendus. Fuit enim hujus 
atatis portenfum, <ò' júris antejignanus, omnique 
laude maior. Lorenço Crajf. Elog. d^Huom. 
IJtterat. Part. 2. pag. 256. Niegar non Ji dee 
ad Agojiino quella gloria, cffè douuta alie fue 
fatiche, ai Juo mérito. Poiche indubifabilmente 
(iffermar Ji puo clfegli tra moderni Canonijli hab- 
bta occupato il primo luogo. O Padre AgoíHnho 
de Caftro da Companhia de JESUS, orando 
nas fuás Exéquias diíTe com eloquente energia. 
Si ai numero de los ef cri tos corr ef ponde el delas 
l»Zes, mas rajos tendrà el roftro dei D. Agujlin 
Barbo/a, que los podemos contar ai Sol. Veinte 
y uno tomos de diferentes, e gràvijjimas matérias 
dexò ejlampadas, do^e acabados para ejiampar 
que Jeran poftumos todos, ha^en treinta, y três, 
que Jiendo fuperiores aios mas en los aciertos lo 
fon en el numero a todos, pues ninguno ejcritor há 
fcnido la Iglefia, que le haya dado tantos. Die^- 
Jiete dexo hà quatro jiglos el Angélico DoHor 
Santo Thoma^; veinte y quatro dos Jiglos bà el 



57 

Abulenft; en efle jigjo mas fértil deftes frutos 
eflampò dela Theolopa Efcolafliea veinte y mo el 
Padre Suares: de eontroverfias contra hereges 
diexyjiete Jacobo Grethfero; dela expojicion de 
toda la Efcritura Sagrada viente y uno Comelio 
Alapide; pêro ni en efle figlo, ni en los paffados há 
havido quien llegue a treinta y três. Nic. Ant. 
in Biblioth. Hifp. tom. i. pag. 155. Plane 
libris fuis Jurifprudentiam, €> Canonum Sacro- 
rum Studiofos mire inflruxit, ut pro integfa 
Bibliotheca PontificiJ faltem Júris unus Barbofa 
defervire pojfe videatur. FranciTco Lcitaõ Fer- 
reira. Not. Chronol. da Univ. de Coimbr. pag. 
121. n. 292. lhe chama celebre, c pag. 570. 
n. 1 207. infiffie. Souza de Maced. ¥lor. de Efpan. 
cap. 2. Excel. i. letr. G. doutiffimo. Manoel 
de Far. e Souf. no Catai, dos Auth. Portug. 
cujo Original tivemos em noflb p>oder, c hc 
muito mais diífufo, e totalmente diíferente 
do que imprimio no Epitom. das Hifl. Por- 
tug. Part. 5. cap. ij. fallando de AgoíHnho 
Barbofa diz: Tiene efcrito muchos volumenes 
en derecho, que fon alivio delos Jurifconful- 
tos. Carvalho Corog. Port. Tom. i. Trat. 
I. cap. 18. NaÕ he necejfario para encarecer 
fuás letras mais, que nomeallo, e fica conhecido, 
naõ fó em Portugal, mas em todos os Reynos 
eflranhos, onde fe eflimaõ os feus livros affim 
no fecular, como no Ecclejiaflico, pela reputa- 
ção da fua doutrina. Capafli Hifl. Philof 
p. 453. Brentan. Epitom. Chronolog. ad an. 
1649. Souza no Cathalog. Hifl. dos Bifp. que 
tiver aS Diecefe fora defle Reyno. pag. 105. 
Simon Biblioth. Hifloriq. des Autheurs du 
Droit. Tom. i. pag. 33. e Fr. Bento Jero- 
nymo Feijoo Theatr. Crit. tom. 4. Difc. 
14. n. II. onde fegue a errada opinião 
de alguns efcritores, de que as primeiras 
obras que produzio Agoílinho Barbofa, naõ 
eraõ fuás, mas de feu Pay Manoel Bar- 
bofa. 

Cathalogo das obras impreíTas. 

Diãionarium Eufltano-Iuitinum. Bracharae 
Auguílíe apud Fruâiuofum Laurentium de 
Bailo. 161 1. foi. Foy dedicado a D. Fr. Pru- 
dencio do Sandoval Bifpo de Tuy. 

Remiffiones Dodtorum in varia loca Concilij 
Tridentini. UlyíTipone apud Petrum Craes- 
beeck. 161 8. 4. Toleti, Brixias 1620. An- 
tuerpise, e Lugduni in 8. & ibi apud 



58 



BIB LIOTHE CA 



Laurent. Durand. 1642. foi. & 1657. foi. & 
ibi apud AniíTon et PoíTuel 1721. foi. Venet. 
per Dominic. Lovifa 1726. et ibi per eum- 
dem 1735. foi. 

Cafiigationes , additamenta, <& Kemifjiones Pa- 
rentis fui in Ordinat. Regias 'Lufitanas. Ulyf- 
fipone apud Petrum Crasbeeck 1620. foi. 
Defta obra confeíTa o Licenciado Manoel 
Barbofa ad lib. 4. Ordinat. Tit. 97. n. 4. que 
grande parte delia compuzera feu filho Agof- 
tinho Barbofa. Nojlras lucuhrationes miro or- 
dine difpofuit, multa addidit, (& quafiionum , 
quas remijjive colligeham, iterum Doãores percur- 
rens dúbia aperuit, (0° ohjcura explanavit. 

Kemifjiones Doãorum de diãionihus, et clau- 
fulis. Romíe per hasredes Bartholamaei Zan- 
neti. 1621. 4. 

De Officio, et potejlate Epifcopi tripartita 
dejcriptio. Romae typis Rev. Camer. Apoftol. 
1623. foi. et. Parif. apud Michael. Sonium 
1625. foi. Venetiis per Guilielm. Facciotum. 
1639. 4. et Lugdun. apud Laurent. Durand. 
1628. foi. 2. Tom. cum additam. ibi apud 
Philip. Borde, Laurent. Arnaud. et Claud. 
Rigaud. 1650. foi. e pelos mefmos 1656. 
foi. & ibi fumptibus AniíTon, & PoíTuel 
1724. foi. 2. Tom. Venet. apud Dominicum 
Louifa 1726. foi. et ibi per eumdem 1735. 
foi. 

Formularium Epifcopale in quo varia conti- 
nentur formulíB ad Epifcopalem Jurifdiãionem ri te, 
et reãe exercendam maximé utiles, <& necejjarice. 
Cólon. Agripin. 1681. 4. & Lugd. fumptibus 
AniíTon et PoíTuel 1724. foi. 

VaricB Júris traãationes in quihus continentur 
quinque Traãatus legales juxta feriem alphabe- 
ticam miro ordine difpojiti. Prima de axioma- 
tihus Júris, u/u frequentibus. Secunda de Appella- 
tiva verborum jignificatione. 3. de locis communi- 
bus argumentorum Júris. 4. de Claujulis uju fre- 
quentibus. 5. de Diãionibus ufu frequentioribus. 
Lugduni apud Laurent. Durand. 1631. foi. 
& ibi apud Laurent. Arnaud. 1644. foi. & ibi 
fumptibus Proíl. Arnaud. et Rigaud. 1660. 
foi. Argentorati 1652. 4. & Lugduni apud 
AniíTon et PoíTuel. 171 8. foi. Venet. apud 
Dominic. Lovifa 1722. & ibi per eumdem 
1735. foi. 

De Officio, et potejlate Parocbi. Romae apud 
Guilielm. Facciotum. 1632. foi. et ibi apud 



Camerales. 1622. Mais acrecentado Lugd. 
apud Lauren. Durand. 1634. cum additioni- 
bus ibi apud Laur. Arnaud. 1640. et 1665. 
et Venetiis apud Sarzinam. 1641. 4. et 
Lugd. apud haeredes Proíl. Borde et Ar- 
naud. 1648. 1655. Venetiis apud Antonium 
Mora 1720. 4. & ibi fumptibus AniíTon, 
& PoíTuel 1723. foi. Venetiis apud Dominic. 
Lovifa 1726. et ibi penes eumd. 1735. foi. 

De Canonicis et dignitatibus aliis, qucB inje- 
rioribus Benejiciariis Cathedralium , et Collegia- 
tarum Ecclejiarum, eorumque officiis tam in choro, 
quàm in Capitulo. Romãs apud Franc. Corbel- 
letum. 1632. 4. Venetiis apud Thadasum 
Pavonium. 1641. 4. et ibi apud Sarzinam. 
1641. 4. Mais addicionado Lugdun. apud 
Laurent. Durand. 1634. foi. & ibi apud 
Laurent. Arnaud. 1640. & ibi per híeredes 
Proft. Borde, & Arnaud. 1648. & 1658. foi. 
& ibi apud AniíTon, & PoíTuel. 171 8. foi. 
Venet. per Dominic. Lovifa 1726. foi. & 
ibi 1735 foi. 

Traãatus de Jure Exclejiajiico Univerfo in 
quo de perjonis, et locis EccleJiaJiicis plenifjime 
agitur tomi duo Lugd. apud Laurent. Durand. 
1634. foi. et ibi apud Petrum Proít. Philip. 
Bord. et Laur. Arnaud. 1645. et iterum apud. 
eosdem 1650. in foi. & ibi fumptibus AniíTon 
et PoíTuel. 171 8. foi. 2. Tom. Venet. per Dom. 
Louifa. 1726. & ibi 1735. foi. 

Praxis exigendi penjiones contra calumnian- 
tes, (& differentes illas folvere, cui accejjerunt 
vota aliquot decijiva, (ò" conjultiva Canónica. 
Barcinone apud Gabrielem Nogues. 1635. 
foi. et Lugd. apud Laurent. Durand. 1636. 
et 1643. & ibi fumptibus Philip. Bord. Lau- 
rent. Arnaud., & Claud-Riguaud. 1653. foi. 
& ibi fumptibus AniíTon, & PoíTuel 1722. 
foi. Venet. per Domin. Louifa 1726. & ibi 
per eumdem Typ. 1735. foi. 

Colleãanea Bullarij, aliarum ve Jummarum 
Pontificum Cojlitutionum, nec non pracipuarum 
Decijionum, qua ab Apojlolica Sede, ac facris 
Congregationibus S. R. E. Cardinalium Roma 
celebratis ufque ad annum 1633. emanarunt. Lugd. 
apud Laurent. Durand. 1634. 4. & ibi 1637. 
Venetiis apud Jacobum Sarzinam 1636. 4. & 
Lugd. fumptibus AniíTon, et PoíTuel. 1721. 
foi. Venet. apud Dominic. Louifa 1726. & ibi 
1735. foi. Depois com o titulo. 



L USITAN A. 



Stmwa Apojlolicarum Decifionum. Lugdun. 

aputl l^ctrum Philip. Borde, flc Laurcnt. 

Arnaud. 164J. et 16 j 8. Gencv« apud Joan. 

(Ic Tournes 1650. foi. & Lugdun. apud 

XniíTon et PoíTuel. 1722. foi. 

ColleHanta Doítorum, qui in Juis opmhus 
varia loca Concilij 'Irideníini incidcnter íraíia- 
mt. Lugd. apud Laurent. Arnaud. 1634. 
Itcrum mui tis Do£lontm allegationibus , ac ipsim 
íesíft exornata ibi 1641. foi. flc ibi apud h«red. 
l'roft. Borde, & Arnaud. 1645. 6c ibi per 
tosiicm 1657. foi. Vallifoieti apud Hieronym. 
Morillo 1621. 4. 

ColleHama Doíhriim tam venetuni, quàm 
ctntiorum in Jus Pontificit4m IJniverJum in 
uituor Tomos divifa. Romx apud Imprcflbres 
t .imcr. Apoftol. 1626. c 1629. foi. Lugd. 
ipud Laurent. Durand. 1636. foi. 5. Tom. 
& ibi apud hxrcd. Philip. Proft. Borde, 
(S: Arnaud. 1650. c 1656. 6. tom. in foi. 
»Sc ibi fumptibus Aniflbn, & PoíTuel 17 16. 
tol. 6. tom. & Venetiis apud Dominicum 
l.ovifa 1722. foi. & ibi per eumdem 1735. 
tol. 

Seleíia Júris Univerji interpretationes addenda 
Colle£ianeis Doãorum fuper quinque priores De- 
cretalitim libros. Romae apud Francifcum Cor- 
boletum. 1626. foi. Lugd. apud haeredes 
Proft. Bord, & Arnaud. 1648. & per eosdem 
1656. foi. 

Colleãama DoãoruM in Jus Civile Univer- 
fiim in duos tomos divifa. Primus continet Col- 
leãanea in três priores libros Codicis. Secundus 
Colleâanea in quartum, <& quintum ejufdem Codi- 
cis. Lugd. apud Gabrielem BoiíTat 1638. & 
ibi per haeredes Proft. Borde, e Arnaud. 
1648. & ibi per eosdem 1657. & 1660. foi. 
& ibi fumptibus AniíTon, & PoíTuel. 1720. 
foi. 2. tom. & Venet. apud Dominic. Lovifa 
1726. & ibi per eumdem 1735. foi. 

Memorial a la Catholica, y Keal Magejiad 
de Filipe IV. f obre la remuneracion de Jus ejludios 
tambien logrados en utilidad publica con la impref- 
fion de veinte y un tomos en las facultades de Câ- 
nones, y Leys muchas ve:(es facados à lu^ en diverfas 
partes de Europa. Madrid en la Imprenta 
Real. 1640. 4. 

Keperforium Júris Civilis, <& Canonici ex 
rariis Aiígnjlini Barbo/a fcriptis collectum. Lugd. 
fumptibus Joan. Antonii Huguetan, & Guil- 



59 

lieimi Barbicr. 1668. foi. Eíla obra íâhio 
pofthuma por deiigencia de feu Irmaõ Simaõ 
Vaz Barlx)fa. 

Gsmpoz Agoftinho Barboía doutininias 
Aiiegaçoens contra Baithefar Dias da Foafeca, 
que repugnava pagarlhc a penfaõ da Thefou- 
raría mòr de Guimaraens, que neiie tinha 
renunciado, cuja controverfia durou o largo 
efpaço de quatorze annos, fendo as príncí- 
paes as íeguintes, que todas vimos. 

Alligaíio Júris uná cum fummario fcriptu- 
rarum in Sacra Rota produíJarum in própria 
cau/a hracharenjis KegreJJus, Jive ingrejfus ad 
The:(aurariam. Romx apud Franc. Caballum 
1630. foi. 

Por el Doítor Aguftin Barbo/a con Baithefar 
Dias de Afonjeca fobre el valor de los mandatos, 
/entendas, Cenfuras, y fequeftros dei Auditor dela 
Camará Apojlolica, y Sagrada Rota de Roma. 
foi. fem lugar, e anno da impreíTaõ. 

Bracharenjis Regreffus, jive ingrejjus ad The- 
v^aurariam. in foi. fem lugar, nem anno da 
ediçaõ. 

Informaciones en hecho y derecho en la caufa 
dela penjion y regre ff o que el Doítor Agujlin Bar- 
bo/a tiene canonizado ala Theforaria mayor dela 
Colegial de Guimaraens contra Baithefar Dias 
da Fonfeca intrujo. Madrid en la Imprenta 
Real. foi. 

Verdadera informacion en la caufa dei Doãor 
Agujlin Barboja con Balthe:(ar Dias da Fonjeca 
intrujo Jobre la Theforaria dela Colegial de Gui- 
maraens con el derecho en que Je Junda la jujiicia 
de Ju pertencion, y con las rav^ones, conveniências, y 
particulares rejpetos, que obligan precijamente a 
que remita ejta Cauja a quien toca, y Je abjlengan 
los Jeglares dei conocimiento delia. Efcrita en 
Madrid a 22. de Setembro de 1638. foi. Naõ 
tem anno da impreíTaõ. 

Por el D. Agujlin Barboja con Balthet(ar 
Dias de Afonjeca Jobre Je hade tener ejeão ai auto 
de Juerça dado en ejla cauJa por el Jues dela Corona 
Keal dei Puerto en que manS remitiria ai Ordi- 
nário, y alçar las cenjuras en la Declaratória 
que pujo el executor delas letras Apojiolicas de 
penjion el dicho Balthejar Dias por no haver pa- 
gado ciertas penjiones decurjas dentro en el termino 
que Je le Jeriàló. Madrid por Andres de Parra. 
1654. foi. 

AJegacion de derecho Jobre la Nulidad dei 



6o 



B IB LIO THE CA 



matrimonio de D. JLorença de Cardenas con 
D. Francifco Orenje Manrique. foi. Naõ tem 
lugar, anno, ou nome de ImpreíTor. 

Obras, que fe naõ imprimirão, das quaes 
já promptas para a impreíTaõ eílá o catha- 
logo no Colleãanea Do£íorum tam veterum, 
quàm recentium in Jus Pontificium. Romãs apud 
Typog. Rev. Camer. Apoílolicas 1626. no 
principio; e no Memorial que fez a Fi- 
lippe IV. pag. 39. v.o e faõ as feguin- 
tes. 

Colleãanea in d. 7. %. 0° 9. lih. Codicis. 
foi. 

Colleãanea in 10. 11. (Ò" 12. pofieriores lihros 
Codicis. foi. 

Colleãanea in Authenticorum feudorum, <& 
Infiitut. lihros. foi. 

Colleãanea in lihros 12. priores Digejii Ve- 
teris. foi. 

Colleãanea in alios lihros 12. pofieriores ejuj- 
dem Digefii Veteris. foi. 

Colleãanea in lihros Jeptem Priores Digef- 
torum Júris Ccefarei Jecundce Partis, quod vulgo 
Infortiatum dicunt. foi. 

Colleãanea in alios Jeptem pofieriores ejuf- 
dem Infortiati lihros. foi. 

Colleãanea in Digefium novum. foi. 

Canonicarum Kepetionum lihri duo, in qui- 
hus difficiliores Júris Pontificij Decretales enuclean- 
tur, interpretanturque. foi. 

Vota Decifiva Canónica Tom. Jecund. foi. 

Commentaria in Ordinationes Kegias I^ufita- 
norum cum concordantiis utriujque Júris, I^egum, 
<& fiatutorum aliarum Provinciarum in quihus 
nova circa Officiorum creationes, judiciorum ordi- 
nem, contractuum, ultimarum voluntatum, (& 
deliãorum matérias plura cumulantur, decidun- 
turque nofiris, <& alienigenis perutilia, (& necejja- 
ria. foi. 

Fr. AGOSTINHO BELLO, Eremita 
AuguJftiniano, e hum dos celebres Meftres 
da Univeríidade de Lisboa transferida de 
Coimbra no Reinado de D. Pedro I. Nella 
foy o primeiro Lente de Filofofia, e depois 
de Theologia com geral applaufo de to- 
dos os Académicos. Os feus merecimen- 
tos o elevarão a fer Reytor da Univeríida- 
de, que com fumma prudência governou, 
como refere Fr. António da Purificação na 



Chron. de Santo Agofiinho da Prov. de Portug. 
Part. 2. liv. 7. titul. I. §, 3. e no Livro da 
Vir. illufir. Prov. hufit. Ord. D. Aug. liv. 2. 
cap. 10. cuja aíTeveraçaõ fique eftabelicida na 
fua feè. Comp02, como affirma eíle Chronifta. 

Volumina quattuor diverjorum argumentorum. 
foi. M. S. 

Fallaõ deíle author Joaõ Franco Barret. 
na P)ih. 'Lufit. M. S. Joan. Soar. de Brito in 
Theat. L,ufit. L,itter. let. A. n. 139. Herrer. 
in Alphah. Augufi. ad ann. 1350. e o Benefi- 
ciado Francifco Leytaõ Ferreira em as Not. 
Chronol. da Univ. de Coimhra pag. 7. n. 1 5 5 . e 
pag. 395. n. 858. 

AGOSTINHO DE BEM FERREYRA. 
Nafceo no lugar de Maçores termo da Torre 
de Moncorvo na Província Tranfmontana 
a 3. de AgoJfto de 1681. e a 11. recebeo a 
graça bautifmal na Parochia de Saõ Marti- 
nho do mefmo lugar. Teve por Pays a Appo- 
Unario Francifco, e Catherina Efteves. Appli- 
coufe ao eíiudo do Direito Pontifício em a 
Univerfidade de Salamanca por alguns annos,. 
donde paíTando para a de Coimbra em o 
anno de 1703. recebeo neUa o gráo de Ba- 
charel a 17. de Junho de 1709. e fez a For- 
matura a 27. de Mayo de 1710. Depois de 
ler no Dezembargo do Paço com grande cre- 
dito da fua fciencia foy eleito no anno de 
171 2. Juiz de fora da Villa de Trancofo,. 
que naõ aceitou, e antepondo o Officio de 
Advogado ao de Miniftro por fer menos 
onerofo à conciencia o patrocínio, que a 
decifaõ das Caufas, o tem exercitado na Corte 
pelo largo efpaço de 26. annos com igual 
applaufo que defintereíTe. Para facilitar o 
eíludo da Jurifprudencia aos feus novos pro- 
feíTores tradufio de Latim em Portuguez a Infti- 
tuta do Emperador JuJftiniano com doutas illuf- 
traçoens de diverfos Doutores com eJie titulo. 

Summa da Infiituta com remijjoens ao Direito ^ 
de que Je deduí^, Ordenaçoens, com que fe conforma, 
e doutrinas praãicas. Tom. i. Lisboa por Antó- 
nio Ifidoro da Fonfeca ImpreíTor do Duque 
Eílribeiro mòr. 1739. 4- 

Tom. 2. Lisboa pelo dito ImpreíTor, e no 
mefmo anno. 

Tom. 3. (? 4. Lisboa pelo mefmo ImpreíTor 
no mefmo anno. 






LUSITANA. 



ói 



'ommen/arío ao Tit. Digtft. dt Kegul. Juris. 
pelo mcfmo ImprcíTor 1740. 4. 

Fr. AGOSTINHO DE SAM BOA- 
VliNTURA, natural da Villa de Alhandra 
< lo ArcebiTpado de Lisboa, onde nafceo a 27. de 
\goílo de 1676. tendo por Pays a Francifco 
Ic Montoya, e Araújo, e a Luiza de Souza. 
\'» idade de 20. annos atrahido da efpiritual 
I runquilidade, que lograõ as almas Religiofas, 
higio do tumulto do feculo para a Congrcga- 

lõ de S. Paulo primeiro Eremita, onde pro- 

lelTou no Convento da Serra de Ofla a 3. de 

Mayo de 1696. A viveza do engenho, com 

<|ue liberalmente o dotou a natureza, lhe fez 

patentes os fcgrcdos da Filofofia, e Thcologia, 

<iue revelou como Mcftrc aos fcus domcfticos 

rom grande credito do fcu talento. Mayor 

iplaufo confcguio no púlpito, aonde a fua 

natural eloquência, e difcriçaõ o conftituhiraõ 

hum dos mayores Oradores Evangélicos. 

V profunda applicaçaõ à intelligencia das 

Efcrituras o naõ privou, de que algumas vezes 

cultivaíTe os bofques do ParnaíTo onde teve 

linnocente comercio com as Mufas. Por eftes 

ngulares dotes foy duas vezes eleito Geral da 
iiia Eremitica Congregação, a primeira no 
(.apitulo celebrado em Lifboa a 20. de Mayo 
Ue 1725. e a fegunda no Capitulo na Serra de 
OíTa a 15. de Junho de 1734. em cujo governo 
aioílrou a prudente capacidade do feu talento, 
que fe fez mais amável pela affabilidade do 
.génio. Como Chroniíla Geral da fua Ordem 
cfpera a Republica Litteraria, que brevemente 
'comunique à luz publica os Annaes da fua 
lleligiaõ em Portugal. De muitos, e admi- 
laveis Sermoens, que tem pregado, fomente 
ic imprimio o feguinte. 

Sermão na Canoniv^açaÕ de Santo EJlanislao 
Kofcha, e de S. L/d^ Gonzaga da Companhia 
-de Jefus pregado no Solemne Outavario com que os 
^plojidio a Cafa profejfa de S. Roque. Lisboa por 
Manoel Fernandes da Coíla 1728. 4. 

D. Fr. AGOSTINHO DE CASTRO- 
Naceo na Cidade de Lisboa em 16. de Outu- 
bro de 1537. e foraõ feus Pays D. Fernando 
'c Caftro Governador da Cafa do Civel de 
Usboa, e D. Maria de Ayala filha do Conde 



de Monfanto. Em idade muito tenra foy 
eíludar a Coimbra, onde com a doutrina de 
António Mendes, que depois fubio á Cadeica 
Epifcopal de Elvas fendo o feu primeiro Pre- 
lado, sahio confumadamente perfeito tanto 
no eíludo da Gramática, como na praâica da 
virtude. Defprezadas heroicamente as efpe- 
ranças, que o mundo lhe prometia fundadas na 
nobreza do nacimento, e authoridade de feu 
Pay, pedio o penitente habito de S. Francifco 
no Convento de Coimbra da Provinda de Pie- 
dade, porem os Religiofos atendendo para a 
debilidade da fua compleição como incapaz 
de tolerar os rigores da Ordem, lhe negarão 
o fer a ella admitido. Com eíla repulfa naõ 
mudou de intento, antes mais conftante neile 
bufcou a Religião dos Eremitas de Santo Agof- 
tinho onde quando contava defefete annos re- 
ccbeo o habito das mãos do Venerável Varaõ 
Fr. Luiz de Montoya mudando-lhc o nome que 
tinha de Pedro cm Agoftinho, como feliz prcíã- 
gio de que havia fer fiel imitador deíla grande 
luz da Igreja, cujo inftituto profeflbu cm 7. de 
Abril de 1555. Foy incrivel o progreíTo, que 
fez nos eftudos Theologicos, e muito mais no 
exercicio das virtudes fendo as azas com que 
na florente idade de vinte, e fete annos ve- 
lozmente voou aos primeiros lugares da Or- 
dem até chegar ao governo de toda a Pro- 
vincia em que defempenhou com vigilância, 
e prudência todas as obrigaçoens de hum 
perfeito Prelado. Paflbu a Roma com o lugar 
de Definidor para o Capitulo geral, e tal foy o 
conceito, que formarão todos os Capitulares 
do feu talento illuftrado com todo o género 
de fciencias, que foy uniformemente eleito 
para reformar as Conílituiçoens pelas quaes 
fe governa univerfalmente a familia Ere- 
mitica. Neíle tempo conílando à Santidade 
de Gregório XIII. os graviffimos danos, que 
na Alemanha Superior tinhaõ facrilegamente 
obrado os hereges contra os Conventos dos 
Regulares, e como eftes eftavaõ nimiamente 
relaxados, o nomeou Vigário Geral de Ale- 
manha para que vizitaííe, e reduziíTe aqueUas 
Communidades à sua primitiva obfervancia, 
cuja empreza executou com tanta prudên- 
cia, que por ella mereceo as eftimaçoens 
do Emperador Rodolpho II. e da Empe- 
ratriz D. Maria Irmaã de Filippe Prudente 



02 



BIB LIO THE CA 



elegendo-o por feu Pregador. Efte Príncipe 
confiando da fua madura capacidade o mandou 
pacificar as difcordias que havia entre os Eremi- 
tas da Provincia de Aragaõ dividindoa em duas 
para fe confervar inteira a obfervancia regular. 
Os merecimentos taõ notórios da fua peíToa 
obrigarão ao mefmo Monarcha para que os 
premiaíTe com huma digna remuneração 
nomeando-o Arcebifpo de Braga em cuja 
dignidade Primacial foy fagrado em o Mof- 
teiro de N. Senhora da Graça pelo Arcebifpo 
de Lisboa D. Miguel de Caílro em 3. de Janeiro 
de 1589. Tanto que entrou na fua Diocefe 
todo o cuidado applicou ao paílo das fuás ove- 
lhas excedendo neíla vigilância a muitos dos 
feus PredeceíTores. Evitou muitos efcandalos 
mais com a brandura, e diíTimulaçaõ, que com 
a feveridade, e o caíligo. Por duas vezes 
congregou Synodo, em que fez Conílitui- 
çoens para o bom governo do Arcebifpado 
emendando nellas muitos abufos que fe tinhaõ 
introduzido no Santuário de Chriílo. Foy 
exceíTivamente compaíTivo para os pobres 
aíTmando rendas certas para os enfermos fe 
curarem nos Hofpitaes, dotando em cada anno 
grande numero de donzellas, e difpendendo 
largas efmolas para fuftento das Religiofas. 
Fundou em Braga hum Convento da fua 
Ordem no qual lançou a primeira pedra em 
3. de Julho de 1596. e o dotou com féis centos 
mil reis de renda. Mandou pintar em quadros 
a todos os feus PredeceíTores, e com elles ornou 
huma Sala do Palácio Arcebifpal para que 
aquellas mudas copias defpertaílem nos feus 
fuceílores as virtudes, que religiofamente 
obfervaraõ os Originaes. Foy perito nas Cere- 
monias Eccleíiaílicas, e deftrifíimo na Cantoria 
do Choro emendando muitas vezes algum erro, 
que ou por defcuido, ou ignorância fe cometia. 
Com plaufivel pompa fagrou em 28. de Julho 
de 1592. a fua Cathedral collocando no altar 
preciofas reliquias, das quaes o cathalogo eílá 
gravado em huma pedra no frontifpicio deile 
Templo. Venerou com íingular affeéto o 
divinifíimo Sacramento deixando para eterno 
teílemunho da fua devoção renda capaz para 
fuílentar quatro luzes que perpetuamente 
ardeííem em obfequio de taõ amorofo Myf- 
terio. Zelou com tanto ardor a pureza da 
Fé, que acompanhado de D. Theotonio de 



Bragança Arcebifpo de Évora, e D. Miguel 
de Caílro Arcebifpo de Lisboa paíTou a 
Madrid para impedir o perdaõ geral que 
pertendiaõ os Sequazes da Sinagoga. Fo. 
ornado de coração taõ benévolo, que femprc 
correfpondeo a aggravos com benefícios. 
Chegado o termo da fua exemplar vida 
recebeo os Sacramentos com piedade catho- 
lica, e repetindo os fuaviffímos nomes de 
JESUS, e MARIA, efpirou placidamente 
a 25. de Novembro de 1609. quando contava 
72. annos de idade, e 21. de Arcebifpo. 
Foy fepultado no Convento antigo dos Ere- 
mitas, até que paíTados defenove annos fe 
trasladou para o novo, onde o agradecido 
animo do Senado Bracharenfe lhe mandou 
gravar no Maufoleo eíle Epitáfio. 

lllujlrijjimo Domino D. Augujlino de Caflro 
Augujlinenfi, Archieptjcopo, ac Domino Bracha- 
renji, Hijpaniarum Primati, olim in Superiori 
Germânia juffu Cafaris Kodolphi II. Eremiíica 
fami/ia reformatori, hujus Monajierij Fundatori, 
Viro pietate, (& prudentia infigni, Magifiratus 
Brachara A.uguJt(B Vafiori Juo clementijjimo oh 
innumera beneficia lihenti animo fieri curavit anno 
D o mini 1628. Illujlrijfimo, <& Keverendijfimo 
Domino D. Koderico de Acunha Archiprajuk. 
Ohiit BracharcB 25. Novemb. 1609. annos natus 72. 
Compoz 

Epitome rerum ad Statum Ecclejia Bra- 
charenjis pertinentium quas ad Sanãijfimum Do- 
minum dementem VIU. referendas cenjuit D. 
Augujiinus de Cajlro, ubi late de Vera Primatum 
Bracharenfium Juccejfione. foi. M. S. Confervafe 
na Bib. que foy do Cardial de Souza. Defta 
Obra affirma ter huma copia o Licenciado 
Jorge Cardofo Agiol. L.ujtt. tom. i. pag. 119. 
no Commentario de 25. de Fevereiro, e no 
tom. 3. pag. 519. no Commentar. de 3. de 
Junho. let. A. 

Antiguidades da Ordem dos Eremitas, as | 
quaes levou do Convento de Braga para 
Caftella Fr. Agoftinho de S. Nicoláo para 
fe compor a Chronica da Ordem, como ef- 
creve Fr. António da Purificação na Chroti. 
da Provinc. de Portug. Part. i. cap. 8. foi. 
20. 4. 

Na Livraria do Convento da Graça de 
Lisboa Cabeça da Provincia dos Eremitas 
em Portugal fe conferva hum grande volume 



L USITAN A. 



6i 



intitulado Ktffjlro da Provinda onde compilou 

memorias pertencentes a cfta Província, 

ijo trabalho defcobrio a fua incaníavel 

liiicncia em Roma revolvendo os Regiílros 

( K ' M s da Ordem, e copiando os inílrumentos 

jnais antigos da mefma Provinda. Poderá 

fêf que efte livro fcja o mcfmo, que as Anti- 

lidíuhs da Ordem dos Ertmiías, das quaes 

> ima fizemos mençaõ. 

ConflitNiçoens do Arcebifpado de Braj^a as 

(|uaes impedido pela morte naõ imprimio, 

as confervava em Teu poder o lUuílriíTimo 

I ). Rodrigo da Cunha como affírma na Hijí. 

Ixclef. de Braga. Part. 2. cap. 93. n. 6. 

Cathalogo dos Arcebifpos de Braga, onde 
\/iõÍ0M a vida qtie tiveraô ( faõ palavras do lUuf- 
«díTimo Cunha Hifl. Eccl. de Brag. Part. 2. 
la^. 94. n. ^.) os annos, que governarão, e o dia em 
ifm morrerão, de que nòs grandemente nos apro- 
vtUamos por todo o difcurfo dejla Hijloria. 

Noticia dos Progrejfos que fen^ na vifita das 
Provindas de Alemanha in 4. Confervafe efcrito 
ida fua própria maõ no Convento da Graça 
de Lisboa. 

Como foy muito perito na arte da Mu- 
:úca compoz hum livro de MiíTas para fe 
imprimir, e outras excellentes obras delia 
profiíTaõ. 

Efcreveo a vida defte IlluílriíTimo Pre- 
llado feu digniíTimo fucceíTor na dignidade 
Primacial D. Rodrigo da Cunha na Hijlo- 
ria aflima allegada defde o cap. 93. até 95. 
|Fr. Bernard. de Brito. Mon. Lsifit. Part. 2. 
liv. 5. cap. 7. dizendo grande ^elador da honra 
de Deos, e de fua Igreja, e que em apurar as anti- 
ffádades delia tem feito muitas defpe:(as, e deli- 
[gmdas exquijítas. D. Mauro Caftel. Ferrer. 
Hiji. de S. Tiago liv. i. cap. 16. tan religiofo, 
Jabio, y curiofo, como nohle, e no prolog. da 
dita Hift. o intitula injigne: Joaõ Soar. de 
Brito in Theatr. 'Lujit. Litter. let. A. n. 141. 
Nulli ex tot injignibus heroibus pietate, vigi- 
JoHtia, vel magnificentia poji habendus. Crufen. 
jin Monafl. Augufiin. Part. 3. cap. 47. Prce- 
(ktrum illud 'Lujitania ILumen in Metropi- 
Jitana Bracharenjis Ecclefia candelabro elevatum. 
O D. Fr. Leaõ de Santo Thom. Bened. 
iMJit. Part. 2. Trat. 2. cap. 20. pag. 367. 
iiifigne Arcebifpo, e pag. 368. grande Arcebifpo. 
Fr. LuÍ2 dos Anjos Jardim de Portug. cap. 3. 



Jnjigfie Prelado, 9 meritijftmo Arcebifpo de Braga. 
Fr. Ant. à Purif. de Vir. illuflrib. Prov. LuJit. 
Erem. D. Augufl. lib. i. cap. 24. Herrcr. 
in Alphab. Augufl. ad an. 1609. Fr. Manoel 
de S. DanuT. Vtrd. EJucid. defde pag. 277. 
até 300. 

Fr. AGOSTINHO DA CONCEIÇAM. 
Naceo na Cidade de Lamego donde paliando 
como foldado ao Brafii naufragou a Náo, 
que o conduzia, e efcapando milagroíamente 
de taõ fatal perigo, em que pereceo a mayor 
parte de feus companheiros, deixada a milicia 
humana pela celefte fe aliílou debaixo do 
fagrado Inftituto da Religião Seráfica na Pro- 
víncia da Immaculada Conceição do Rio de 
Janeiro. Todo o feu talento occupou em 
beneficio dos feus domefticos enfinando-os 
como Meftre, e governando-os como Provin- 
cial. Fundou o Convento de N. Senhora dos 
Anjos na Cidade de Cabo Frio, onde morreo 
no anno de 1695. com grande edificação de 
todos os Religiofos. Foy Pregador de nome, 
e dos muitos Sermoens, que com applaufo 
recitou em diverfos púlpitos, fomente goza- 
rão da luz publica os feguintes. 

Ser maõ do gloriofo Ljijitano Santo António pre- 
gado no mefmo dia, e Convento em a Cidade do Rio 
de Janeiro a 1^. de Junho de 1674. Lisboa por 
António Rodrigues de Abreu. 1675. 4. 

Sermão do gloriofo Santo António pregado 
em o feu Convento da Cidade do Rio de Janeiro 
em 13. de Junho de 1683. occorrendo a Dominga 
da Trindade. Lisboa por Miguel ManefcaL 
1688. 4. 

Sermão da Prodigiofa imprejfaõ das Chagas do 
Príncipe dos pobres Evangélicos pregado no Con- 
vento de Santo António do Rio de Janeiro. Lisboa 
por Manoel Lopes Ferreira. 1681. 4. 

DeUe fazem memoria Fr. Joan. à D. 
Ant. in Bib. Franc. Tom. i. pag. 146. e Fr. 
Appolin. da Conceiç. na Prima^. Seraf. na 
Região da America, cap. 9. pag. 91. 

Fr. AGOSTINHO DA COSTA, natu- 
ral da Villa de MeUo da Provinda da 
Beyra filho de Francifco da Cofta Froes, e 
Guiomar Botelho. ProfeíTou o habito de 
Eremita de Santo Agoílinho no Convento 
de Évora a 15. de Agoflo de 1642. Foy Len- 



64 



BIBLIOTHECA 



te jubilado em Theologia, infigne Moraliíla, 
e exemplar religiofo. Morreo no Convento 
de Lisboa em 25. de Abril de 1691. Compoz 

David penitente. Difcurfos Moraes pregados 
nos Sabbados da Qtiarejma, que fe celebrarão em 
N. Senhora da Graça em 'Li/boa no anno de 1682. 
com Jete Sermoens da Semana Santa. Lisboa por 
Domingos Carneiro. 1685. 4. 

Sermão nafejla da Virgem Maria N. Senhora 
do Monte. Sahio na JLaurea Portuguet^a. Lisboa 
por Miguel Deslandes. 1687. 4. 

Parai/o Virginal M. S. 4. 

Conferva-fe na Livraria do Convento 
de Lisboa. Coníla de Panegyricos da Virgem 
SantiíTima. 

Informação da Imagem da Senhora de Car- 
quere junto de I^amego, remetida a Fr. Agof- 
tinho de Santa Maria, a qual imprimio no 
Sanãuario Mariano. Tom. 3. liv. 2. Titul. 2. 
pag. 150. 

Fr. AGOSTINHO DA CRUZ, cha- 
mado no feculo Agoílinho Bernardes. Na- 
ceo na Villa da Ponte da Barca do Arce- 
bifpado de Braga em o anno de 1540. a qual 
fendo pequena em feu âmbito adquirio a 
mayor grandeza com a producçaõ de taõ 
grande filho. Teve por Irmaõ a Diogo 
Bernardes comtemporaneo do famofo Luiz 
de Camoens, o qual nas fuás obras poéti- 
cas deixou hum eterno teílemunho do feu 
grande engenho. Confiderando feu Pay Dio- 
go Bernardes Pimenta a capacidade do ta- 
lento, de que logo nos primeiros annos deu 
finaes evidentes, o acommodou na Cafa do 
Sereniflimo Infante D. Duarte filho dos In- 
fantes D. Duarte, e D. Ifabel, onde naõ 
fomente mereceo as eílimações deíles Prín- 
cipes, mas com a fua natural affabilidade con- 
ciliou os affeftos de todos, que frequentavaõ 
taõ foberana Cafa. Illuftrado de fuperior 
impulfo determinou largar o mundo, e 
as fuás apparentes felicidades, e para con- 
feguir efta heróica refoluçaõ pedio com af- 
feóhiozas lagrimas o auftero habito de Saõ 
Francifco da Província da Arrábida ao Pro- 
vincial Fr. Jacome Peregrino, o qual lho 
mandou lançar no Convento de Santa Cruz 
fituado na Serra de Cintra em o anno de 
15 61. donde tomou o appelido. Notável 



foy a admiração, que geralmente caufou eftc 
feu retiro do feculo para a Religião, com a 
qual ficou taõ intimamente penetrado feu ir- 
maõ Diogo Bernardes, que explicou o feu 
fentimento neílas expreíToens fallando na carta 
6. do feu Lima a D. Francifco de Moura. 

A.^ Irmaõ da minha alma, como ejlou 

Errado em te chorar ! Tu para o Ceo, 

E eu trijle naÕ fej para onde voul 

Nunca mais para mim amanheceo, 

Depois que me deixajie, hum claro dia; 

Sempre o Eima depois turvo correo. 
E na Carta 8. efcrita ao mefmo feu Irmar> 

Em que te mereci ò Agojlinho, 

Que nefia e/cura Selva me deixajfes 

Tomando para ti melhor caminho ? 
Retirado a huma Cella, que parecia fepul- 
tura começou a praâicar taõ afperas peniten- 
cias, que ferviaõ de confufaõ aos feus Compa 
nheiros, fendo já em o Noviciado veterano 
na aufteridade da vida, e obfervancia da Regra. 
Ambiciofo de mayor perfeição alcançou dos 
Prelados licença para habitar toda a vida no 
deferto da Arrábida, e ainda que por algum 
tempo lha difficultáraõ, veyo a confeguilla em 
19. de Março de 1565. Nefta horrorofa The- 
baida por efpaço de quatorze annos moveo taõ 
cruel guerra contra o feu corpo, que certamen- 
te fe renderia attenuado pella abftinenda, e 
idade, fe o naõ focorrera o vigor do feu efpi- 
rito. Rara foy a parcimonia, que ufava comen- 
do as ervas, que produzia aquella folidaõ; 
a dura terra lhe fervia de cama, e hum tron- 
co afpero de cabeceira. Todas ellas afpere- 
zas fe fuavifavaõ com o intimo comercio, que 
tinha com Deos na Oraçaõ, em que muita 
vezes foy vifto abforto, e elevado, como que 
rendo a alma voar para o centro das fua- 
amorofas anciãs. As aves, e animaes fylvef- 
tres reconhecendo a fua innocencia lhe vinha-' 
obedientes bufcar das fuás mãos o fuílento. 
Chegado o tempo de ferem premiados os me- 
recimentos da fua penitente vida, fentindo-fe 
acometido de huma ardente febre foy condu- 
zido à Enfermaria da Villa de Setúbal, onde 
recebendo com grande ternura, e copio- 
fas lagrimas os Sacramentos efpirou placida- 
mente em 14. de Março de 1619. com 79. 
annos de idade, e cincoenta, e outo de Reli- 
gião. Divulgada a noticia da fua morte con- 



LUSITANA. 



65 



orreo todo o povo a venerar o Cadáver, no 
.|ual fe eílava vendo a felicidade que lograva 
o fcu efpirito, e com devota violência foy 
(Icfpojado do habito, que tinha vcílido. Entre 
ilc piedofo tumulto fe diftinguiraõ nos obíe- 
.jiiios para cfte Varaõ Venerável o Duque 
k Aveiro D. Álvaro de Lancaílro feu parti- 
ulnr amigo com feu filho D. Jorge de I^n- 
iftro Marquez de Torres novas difpondo 
.|uc foíTc transferido para a Arrábida, o que 
ic executou com grande pompa, e magnifi- 
> cncia. Foy naturalmente inclinado á Poefia 
lendo irmaò do infigne Poeta Diogo Bernar- 
des naò fomente por natureza, mas ainda 
por efta Arte. Naqucllas horas vagas dos exer- 
( icios efpirituacs compunha Vcrfos a vários 
lílumptos Sagrados, cm que fe dcfcubria a 
.1 fluência da fua veya, dos quaes imprimio 
ilguns o Chroniíla moderno da Provincia da 
Arrábida Fr. António da Piedade Part. i . liv. 5 . 
cap. 20. levando entre todos a precedência a 
Elegia feita à Serra de Arrábida que começa. 

A/fa Serra deferia donde vejo 

As agidas do Occeano de huma banda, 

jE ã' outra Jalgadas as do Tejo. 

Compoz outros Verfos devotos, que efcri- 
tos da fua própria maõ fe conservaõ no Con- 
vento da Verderena da Provincia da Arrábida 
com efte titulo. 

Diverfas Poejias ao divino 
Efta Collecçaõ poética fez à petição da Du- 
queza de Aveyro, e a dedicou à mefma Senhora, 
1.1a qual exiftia hum treslado na Bibliotheca do 
Cardial de Souza. Conílava de 21. Eglogas affim 
paftoris, como pifcatorias, Cartas, Odes, Ende- 
chas, Redondilhas, e Vilhancicos. Entre os Poe- 
mas, que compoz, he celebre o de Santa Cathe- 
rina Virgem, e Martyr em 8. Rima que começa. 

Penas, tormento, dor, e fortaler^a 

Cantar quero de Santa Catherina 

"Dotada de /ciência, e de pureza 

De amor celejiial graça divina. 

Cujo favor invoco nejia emprega 

Doutra mais branda vo:^, mais doce digna 

Porque danar naõ pojfa o uerjo rudo 

De rodas de navalhas verfo agudo. 
Acaba. 

De feu fermofo corpo degollado 

Aquella alma ditofa defpidida 

Nos braços repoufou do feu amado. 



"Em cujo amor fe tinha derretida; 
O Corpo foy dos Anjos fepuUado 
Por Virgem, e por Martyr, e por Sabia 
No monte de Sinay monte da Arábia. 
Delle fe lembraõ com elogios Ordofo 
Agiol. Ijifit. Tom. 2. pag. 146. e no Comment. 
de 12 de Março let. F. Joan. Soar. de Brít. 
Theat. Lufit. Litter. let. A. in addit. n. i. Inge- 
nium ad l^ifitanas mufas promptiffimum , unde 
facile verfus condebat. V. Pedro Calv. nas Laffim. 
dos ]ufl. lib. I. cap. 11. Joan. á D. Ant. Bib. 
Franc. Tom. i. pag. X46. F. Ant. da Pied. 
Chron. da Prov. da Arrab. Part. i. liv. j. do 
cap. 18. até 20. e o P. António dos Reys no 
Enthufiafm. Poet. que ferve de apparato aos 
feus agudos epigramas tendo fallado de feu 
Irmaõ Diogo Bernardes, diz com fuave ele- 
gância. 

Contigua in Cathedrà Phabo flatuente Camana 
Illius infignem virtute, et carmine Fratrem 
Conflituère : la tus circunda t fpartea reflis, 
Pro túnica cento efl lacerus; viridantis oliva 
Texuit è ramo facunda Minerva coronam, 
Impofuitque fuper vatis caput, utpote ponti 
Qui toties rabidi franabit cantibus iras. 

D. AGOSTINHO DA CRUZ, na- 
tural de Braga, Cónego Regular da Con- 
gregação de Santa Cruz de Coimbra, cujo 
habito recebeo nefte Real Convento a 12. 
de Setembro de 1609. Foy peritiíTimo na 
Mufica, e iníigne tangedor de rabeca, e 
orgaõ, de cuja deílreza, e fcienda deu ma- 
nifeílos argumentos naõ fomente quando 
exercitou o lugar de Meílre do Coro do Real 
Convento de S. Vicente de fora, mas nas 
muitas obras, que compoz, as quaes mere- 
cerão as eftimaçoens dos mayores ProfeíTores 
daquella arte, fendo as principaes. 

Prado Mufical para OrgaÕ. Dedicado à 
Sereniffima Mageftade delRey D. Joaõ 

o rv. 

Duas Artes, huma de Cantochaõ por eflylo 
novo, outra de OrgaÕ com figuras muito curiofas 
compoflas no anno de 1632. e as dedicou ao 
mefmo Príncipe, que como taõ perito nefta 
arte as ellimou muito. 

I^ira de Arco, ou arte de tanger Rabeca. 
Dedicada a D. Joaõ Mafcarenhas Conde 
de Santa Cruz. 



66 



BIBLIO THE CA 



AGOSTINHO DA CUNHA VILLAS- 
BOAS, naceo na Villa de Ourem no anno 
de 1667. fendo filho do Doutor Gonçalo da 
Cunha Villasboas, Cavalleiro profeíTo da Or- 
dem de Chriílo, Dezembargador da Cafa da 
Supplicaçaõ, Corregedor da Corte, e Fifcal da 
Junta dos três Eílados. Inílruido na Gramá- 
tica, e Rhetorica paíTou eftudar em a Univerfi- 
dade de Coimbra Direito Pontifício, em que fe 
formou Bacharel. Acabados os eftudos efco- 
lafticos como foíTe muito verfado nas letras 
humanas, e Sagradas alcançou grande applaufo 
aíTim nos púlpitos, como nas Academias. 
A exemplar vida que exercitava o habilitou 
para fer ConfeíTor das Religiofas Capuchas Def- 
calças do Convento do Santo Crucifixo de Lis- 
boa, para as quaes compoz a obra feguinte. 

Outavario contemplativo propofto em hum exer- 
cido devotijftmo dividido em outo reverentes cultos 
por obfequio à Sagrada Imagem do Santo Cru- 
cifixo fita no Keal Convento das Capuchinhas 
Def calças chamadas vulgarmente por fua funda- 
ção as Francefinhas. Lisboa por António Pedro- 
fo Galraõ. 171 8. em 16. No fim eftà hum refu- 
mo métrico de toda a obra compofto em 
hum largo Romance pelo mefmo author, 
em cuja arte he baílantemente perito. Tem 
prompto para a impressão. 

Eflrada do Ceo, pelo caminho do Inferno; 
caminho do Inferno pela efirada do Ceo. 

Theologia Sacra foi. 

AGOSTINHO FERREYRA Prefbitero 
do habito de S. Pedro, naceo na Cidade 
do Porto a 28. de Agoílo de 1709. fendo 
filho de Manoel Joaõ, e Francifca Ferreira. 
Inflamado com o zelo dos ProgreíTos da 
virtude publicou. 

Direãor de Direãores para o governo das 
almas, no qual fe contem os avisos, e documentos 
para o governo das almas, que vaõ por caminho 
extraordinário. Lisboa na Officin. da Congre- 
gaç. do Oratório 1738. 4. 

AGOSTINHO GAVI DE MEN- 
DONÇA, natural de Mafagaõ celebre Co- 
lónia dos Portuguezes em Africa. Sendo 
efta Praça acommettida no anno de 1562. 
por hum formidável Exercito de cento, 
e cincoenta mil bárbaros capitaneados por 



Muley Hamet, e defendida pelo infigne Capi- 
tão Álvaro de Carvalho, como teftemunha 
ocular de todas as acçoens, que fe obrarão 
nefte fitio, as defcreveo para eternizar naõ 
fomente o valor dos feus Naturaes, mas a 
gloria de todos os Portuguezes publicando. 

Hifioria do famofo Cerco, que o Xarife po:(^ 
à Fortale!(a de Mafagaõ defendida pelo valerofo 
Capitão mor delia Álvaro de Carvalho. Lisboa 
por Vicente Alvres 1607. 4. 

Chronica dos Keys D. SebafiiaÕ, e D. Henri- 
que, que fe naõ imprimio. 

Deíle author fez dous Nicol. Anton. 
Bib. Hifpan. Tom. i. pag. 157. nomeando-o 
primeiramente AgoíHnho Gavi, e depois 
Agoftinho de Mendoça. 

AGOSTINHO GOMES GUIMA- 
RAENS. Naceo em Lisboa, e foraõ feus 
Pays Ignacio Gomes Guimaraens, e Maria 
Magdalena. Depois de perfeitamente inf- 
truido na Gramática Latina, e letras humanas, 
eftudou as fciencias mayores, as quaes compre- 
hendeo com tanta agudeza, e profundidade, 
que por voto dos Doutores da Univerfidade 
de Coimbra, recebeo as infignias do Meftre 
em Artes, e de Doutor na Sagrada Theologia. , 
Com igual applaufo foy ouvido nos púlpi- 
tos, que nas Academias lendo em a Portu- 
gueza iníUtuida em o anno de 1717. no Palácio 
do Excellentinimo Conde de Ericeyra D. 
Francifco Xavier de Menezes, eruditos dif- 
curfos fobre os Oráculos da Gentilidade, 
e na dos Anonymos compondo agudos epi- 
gramas a diverfos aíTumptos. A integridade 
dos coftumes própria do Eaftdo Ecclefiaftico 
junta com a capacidade do talento o fizeraõ 
digno de fer eleyto a 7. de Março de 1723. 
Deputado da Inquifiçaõ de Lisboa, donde 
paíTando a Promotor fubio ao lugar de In- 
quifidor ApoftoUco, cujo minifterio exerci- 
tou com grande zelo. Sendo Académico 
fupernumerario da Academia Real da Hif- 
toria Portugueza, foy eleito em 25. de Mayo 
de 1730. Académico do numero por morte 
do Padre Jerónimo de Caftilho da Compa- 
nhia de JESUS, para efcrever as Memorias 
hiíloricas dos Bifpados de Coimbra, e Guar- 
da na lingua Latina, na qual compoz, e re- 
citou na Academia Real algumas vidas dos 



L USITAN A. 



fcus Bifpos (Mtn elegante, e puro eíUlo. 
l'oy iiílunipKj ,n> lugar de Prelado da Santa 
Igreja Patriarchal a i6. de Mayo de 1759. 
l)c todas as fuás litterarías producçoens fó- 
iiicnrc fe íízeraõ publicas pelo benefício da 
linprcíTaõ as feguintes 

Praíiica com q$i« con^-atulou a Academia 
^tal por (Jlar eleito /eu Collega. Sahio imprcíTa 
no Tom. 10. da Collec. dos Documentos, e 
\UtMor. da mtfma Academia. Lisboa por 
Jozcph António da Sylva. 1730. foi. 

Outo epigramas Latinos a vários AíTum- 
ptos, que fe deraõ na Academia dos Anony- 
mos. Sahiraõ impreflbs nos Progreffos Aca- 
imncos dos Anonymos de Lisboa i . Parte Lisboa 
pOf Jofcph Lopes Ferreira 171 8. 4. 

Quatro 'Epigramas Latinos, em louvor 
do Padre Fr. Simaõ António de Santa Cathc- 
dna da Ordem de S. Jerónimo orando na 
Academia dos Anonymos, e na Academia 
EfcolaíUca. Sahiraõ na i. Part. das Oraçoens 
Académicas do dito Padre Fr. Simaõ. Lisboa 
na Of fiei na da Mufica 1725. 8. 

Fr. AGOSTINHO DA GRAÇA, natural 

da Villa de Thomar, e Monge profeíTo da 

Otdem de S. Bento, cujo habito recebeo 

no Convento de Tibaens a 12, de Dezembro 

de 1599. Foy muito inftruido nas letras 

humanas, e Poesia. Morreo em Travanca a 

1 4. de Agofto de 1 644. Efcreveo em Dialogo 

Tardes de entre Douro, e Minho. M. S. in foi. 

I Endechas em louvor da Vida de Santa 

Inez, compofta por Fr. Álvaro de Carva- 

jales, fahiraõ impreíTas ao principio defta 

obra, como hum Soneto em applaufo de Fr. 

I Gregório Bautiíla, ambos Monges Bentos 

[!no principio do livro que compoz intitulado 

Completas da Vida de Chrijlo. 

P. AGOSTINHO LOURENÇO, natural 
(da Villa de Terena do Arcebifpado de Évora, 
|c filho de Joaõ Lourenço, e Inez Gonçalves. 
Nefta Cidade recebeo a Roupeta da Compa- 
nhia de JESUS em 18. de Janeiro de 1653. 
I quando contava defenove annos de idade, 
e nella aprendeo as letras humanas, que 
enfinou no Collegio da Ilha da Madeira. 
ijFoy Meílre de Theologia Moral no Collegio 
de Faro donde paíTou a ler Filofofia no de 



67 

Santo Antaõ. Antes de acabar os três annos, 
foy mandado por ordem dos Superiores 
com o Padre Bento de Icemos aíTiíUr em Ingla- 
terra i Sereni/Tima Rainha D. Catherina 
filha delRey D. Joaõ o IV. que o fez feu 
Pregador, exercitando eíle miniAcrio por 
espaço de treze annos. No tempo que aíTiíUo 
em Ix)ndres, fempre viveo com fumma 
modeftia, e para fugir à ocíofidade fe occu- 
pou em compor hum Curfo Filofofico, c 
efcrever varias matérias Theologicas con- 
feííando, que o feu total intento era neftas 
compoíiçoens o fer antes reputado por prefu- 
mido ignorante, que por fabio ociofo. Juntou 
com grande curiofidade huma copiofa Livra- 
ria, que deixou ao Collegio de Beja. Voltando 
para o Reyno no anno de 1689, aíTiíUo muitos 
annos no Collegio de Évora, donde foy 
mandado para Reytor do Collegio de San- 
tarém, em cujo governo fem offenía da 
obfervancia foy fummamente benévolo para 
os fubditos, que lamentarão a fua morte 
fuccedida a 25. de Março de 1695. 
Compoz. 

Curjus Philofophicus de triplici Ente. tom. 
I. De Ente Lógico. Leodij per Guilielmum 
Henricum Streel. 1687, foi. 

Tom. 2. de Ente Phjjico. ibi per eum- 
dem Typog. eodem anno, & forma. 

Tomus 3. de Ente Methaphyjico. ibi per 
eumdem Typog. 1688. foi. 

Sjntagmata Theologica in Prim. Part. D. 
Thoma. Tom. i. ibi per eumdem Typ. 1680. foi. 

Tom. z. in Jecund. Part. D. Thom. ibi 
per eumdem Typog. 1682. foi. 

O Padre Francifco da Fonfeca na Eifora 
glorio/, pag. 425. lhe chama VaraÕ Keligo- 
Jijfimo, e o P. António Franco na Imagem 
da Virtud. em o Novic. de Évora liv. 4. cap. 1 1 . 
efcreve delle, como largamente no Synopf. 
Annal. S. J. in Lujitan. pag. 397. n. 13. e no 
Ann. glorio/. S. J. in Lu/it. pag. 172. dizendo 
Moribus nituit integerrimis, (ò* con/cientia /celeris 
purijfima. Franc. de Santa Maria no Diar. 
Port. pag. 387. Floreceu em nojos dias com 
merecida /ama de excellente E/cri tor. 

AGOSTINHO LOPES. Medico de 
profiíTaõ, cuja Faculdade diâou no anno de 
1564. na Univeríidade de Salamãca, fahindo 



68 



BIBLIO THECA 



grandes difcipulos da fua doutrina, entre os 
quaes merece diftinta memoria o noflb Portu- 
guez Garcia Lopes, de quem fallaremos em 
feu lugar, o qual no feu Tratado de Varia rei 
medica le£íione lhe chama Senem Venerandum. 
Compoz, e imprimio hum Tomo de Medicina, 
cujo titulo, lugar, e anno da ImpreíTaõ ainda 
naõ chegou à nofla noticia. 

D. AGOSTINHO MANOEL DE 
VASCONCELLOS, chamado antigamente 
Agoílinho de Mello. Naceo na Cidade de 
Évora no anno de 1584. de pays illuilres, 
quaes foraõ Ruy Mendes de Vafconcellos, e 
D. Anna de Noronha. Na primeira idade 
manifeílou os dotes do grande engenho, com 
que a natureza liberalmente o ornara, os quaes 
fe foraõ augmentando com tal exceíTo, que era 
admirado pelos mais doutos homens do feu 
tempo. Depois de eJiudar Direito Civil em 
Salamanca preferio a efte eíludo, em que tem 
mais parte a memoria, que o entendimento, a 
liçaõ da hiíloria, em a qual produzio fazona- 
dos frutos o feu agudo talento, efcrevendo 
com pura fraze, juizo prudente, e difcreta ele- 
gância. Naõ foy menos a fua capacidade 
para a Hiftoria que para a Poeíia, fendo hum 
dos mais iníignes cultores defta divina Arte, 
como o manifeftaõ varias obras a diverfos 
aíTumptos, em que fe unio a pompa das vozes 
com a fineza dos conceitos. Foy Cavalleiro 
profeíTo da Ordem militar de Chrifto. Arre- 
batado de huma paixaõ indecorofa ao feu naci- 
mento fe conjurou com o Marquez de Villa 
Real, Duque de Caminha, e Conde de Arma- 
mar contra a SereniíTima Cafa de Bragança 
novamente exaltada ao trono, da qual antes 
tinha fido grande venerador, e fendo conven- 
cido de taõ feyo crime, foy degoUado no Rocio 
de Lisboa a 29. de Agoiio de 1641. quando 
contava 57. annos de idade. Efcreveo. 

Vida de D. Duarte de Menet^es terceiro 
Conde de Viana, e Jucceffos nofables de Portugal 
en fu tiempo. Lisboa por Pedro Crasbeeck 
1627. 4. Cuja obra (diz Rodrigo Mend. Sylv. 
no Cathal. Keal de Efpan. na Vida delRey 
D. Duarte pag. 99.) es tan efiimada como fe 
muejlra en el applaufo con que todos la veneran 
y Jolemni^an. Anton. de Souza de Macedo 
¥lor. de Efpan. cap. 12. Excel. 7. injtgne Chro- 



nijla de D. Duarte de Mene;(es. Nicol. Anton. 
na Bib. Hi/p. Tom. i. pag. 136. diz que efcre- 
vera eíla vida diferte, <& cum judicio, e Gerald. 
Ernefto de Francken. in Bib. Hifp. Hijl. Gen. 
pag. 50. a intitula Elegans opus. 

Sticejfion dei Senor Key D. Filippe elfegundo en 
la Corona de Portugal. Madrid por Pedro Taíío 
1639. 8. 

Vida, y acciones delKej D. Juan el Jegundo 
decimo tercero Rçy de Portugal. Madrid, por 
Maria de Quinònes. 1639. 4* Sahio vertida 
em Francez. Pariz 1641. 8. Defta obra diz 
D. Francifco Manoel na Carta efcrita a Ma- 
noel Themudo da Fonfeca, em que trata dos 
Authores Portuguezes, que fora taõ feliv^ ella, 
como infeli^ feu author; e Lourenço Gracian 
Criticon Part. 3. Crif. 2. introduzindo o Mé- 
rito diz. Será eterna la vida de D. Juan fe- 
gundo de Portugal efcrita por D. Agufiin Manoel 
digno de mejor fortuna. Delia faz mençaõ a Bib. 
Orient. de António de Leaõ, modernamente 
acrefcentada Tom. i. Titul. 3. col. 63. 

Compoz fem o feu nome hum Manifejlo 
na A-clamaçaõ delRey D. JoaÕ o IV. que com- 
prehende duas folhas de papel impreíTo em 
Lisboa por Manoel da Sylva 1641. foi. 
Começa No ay entre los mortales. Eílá elegan- 
temente efcrito. 

Na Vida de D. Duarte de Menezes liv. 
I. n. 18. promete hum Livro intitulado 

Africa conquiflada pelos Portuguef^es. 

Difcurfo fobre a Cafa de Bragança na occat^iaõ 
da vinda da Princefa Margarida a Portugal. 
Nelle faz hum elogio ao Duque D. Theodofio; 
defcreve a varia fortuna que eíla Cafa experi- 
mentou com os Reys moílrando que ElRey 
D. Joaõ o III. lhe tirara o Eftado de Guima- 
raens, e ElRey D. Sebaíliaõ lhe fora pouco 
affeâo por lhe envejar a Tapada de Villa- 
viçofa; que os Infantes eraõ inimigos dos 
Duques porque os excediaõ na riqueza, e £ 
competiaõ na qualidade, e outras particulari- 
dades, que obfervou o Excellentiflimo Conde \ 
de Ericeira Cenfor da Academia Real, quando Ç 
por ordem delia examinou os M. S. da feleda 
Livraria do Conde de Vimieiro, onde eftá 
efte Difcurfo, do qual dá individual noticia 
em a Collecçaõ dos Documentos, e Memo- 
rias da Academia Real do anno de 1724. 
impreíla no mefmo anno. 



IL 



L USITANA. 



69 



. Cancion a los túmulos régios dei Monaflerio 
^hn. Aí. S. Coníerva-íe na meíma Livraria. 
Ic cfcrita com cxccllentc cftilo. 

Memorial da Genealogia, e Privilégios da 
<ifa de íiraganfa. Dcfta obra dá noticia o 
adrc D. António Caetano de Souza no 
\pfhjr. à lUJl. Cen. da Cafa Real de Portug. 
»«. 81. §. 67. dizendo que fe conferva na 
I ivraria do Conde de Vimieyro, e crcyo 
iuc hc o Difeurfo de que fizemos mençaò. 
Manoel de Galhegos no Templo da Me- 
.or. liv. 4. Hílanc. 195. lhe canta cm feu 
l^ppUufo. 
Sabe cantar com tanta melodia 
D. AgoJIinho Manoel de Mello 
Que efquecerme feu cântico feria 
Fat(er aggravo ao Helicon, e ao D elo; 
E pois dos Verfos tanto império alcança 
Ouça f eus doces números Bragança. 
Joan. Soar. de Brit. in Theatr. Ijijit. Utter. 
iletr. A. n. 141. Eruditione, Ó^ eloquentia pluri- 
mum valuit. Franckcnau in Bib. Hifp. Hijl. 
( ien. pag. 50. n. 93. Eques fago, togaque inclytus. 
jNicol. Ant. in Bib. Vet. liv. 10. cap. 12. n. 698. 
\Vir difertus, atque infe liei fato ad pofleros clarus. 
fFonfec. Ejeor. Gloriof. pag. 409. Dotado de 
■{í^lar engenho, e agudo Jui^o. Van Efpen de 
Jure Canon. Traél. de Promulgai. "Leg. Ecclef. 
iPart. 2. cap. i. 

Fr. AGOSTINHO DE SANTA MARIA. 

.Naceo na Villa de Eílremoz da Provinda 
do Alentejo a 28. de Agofto de 1642. fendo 
fcus Pays António Pereyra, e Catherina 
Gomes. Deixando o mundo, e com elle 
o nome de Manoel Gomes Freyre, com 
que era conhecido no feculo fe recolheo 
na Religião dos Agoftinhos Defcalços, onde 
iccebeo o habito em 18. de Dezembro de 1665. 
na Igreja das Religiofas do mefmo Inílituto 

I fitoada no lugar do Grillo fuburbio de Lisboa, 
authorizando eíle afto com a fua prezença 
a Sereniílima Raynha D. Luiza Francifca 
de Gufmaõ infigne Proteâora deJfta Reforma, 
e foy o primeiro Noviço, que teve nefte 
Reyno. No Convento de Évora aprendeo 

\ as fciencias mayores, e fazendo nellas grandes 
progreíTos, mayores foraõ os que fez nas 
virtudes, principalmente na exa£h. obfer- 
vancia dos feus Eílatutos merecendo digna- 



nwnte occupar os mayores lugares da Reli- 
gião, como foraô Chroniíbi da Ordem, Prior 
do Convento de Évora, Secretario da Pro- 
vinda, Definidor três vezes, e ultimamente 
Vigário Geral de toda a Tua Congregação. 
PaíTou o largo efpaço da fua vida continua- 
mente applicado á liçaò dos livros, de que 
nunca fe abfteve ainda quando já o difpenfava 
a fua idade decrépita gravemente attenuada 
pelo rigor dos jejuns, e difciplinas, e o que 
caufa mayor admiração foy, que fem focorrcv 
de Amanuenfe efcreveíTe perfeitamente pela. 
fua maò, fem ufar de óculos, os muitos livros 
hiíloricos, e afceticos, com que illuílrou 
a Republica Litteraria. Foy cordial devota 
de Maria SantiíTima, em cujo obfequio lhe 
dedicou a mayor parte dos feus trabalhos, e 
vigílias eftudiofas querendo por eíle moda 
infpirar em os coraçoens dos Catholicos hum 
ardente affefto para taõ augufta Princeza. 
Quando contava a proveâa idade de 86. annos 
eílava taõ robuílo o feu efpirito, que jejuou a 
paõ, e agua a Semana Santa próxima à fua 
morte, que fuccedeo na fefta feira 2. de Abril 
de 1728. depois de Dominga de Pafcoa tendo 
celebrado MiíTa em dia taõ grande, e feftivo. 
Foy fepultado o feu Cadáver no Sabbado in 
Albis no Convento de N. Senhora da Boa 
Hora de Lisboa. Com grandes elogios cele- 
braõ a fua memoria o Padre D. Manoel Cae- 
tano de Souza in Exped. Hifpan. Apoflol. S. 
Jacob. Major. tom. i. pag. 735. n. i-jo^. Quibus 
omnibus ( falia dos feus livros ) Vir religiojijfi- 
mus eruditionem, (ò" pietatem fpirat ; e no Tom. 2. 
pag. 972. n. 2302. Vir fuit omnibus virtutibus 
ornatus, <ò' illibatum femper fervavit virginitatir 
florem, utpote qui fuit Beatijfima Regina Vir^- 
num deditijfimus. O Benefic. Franc. Leyt. 
Ferreir. Not. HiJl. da Univ. de Coimb. pag. 457. 
n. 977. Benemérito das letras, e já decrépito 
nos annos depois de ter dado à lu^ em muitos 
livros compojlos piamente os fa^rmdos frutos 
da fua ejiudiofa erudição foy go^ar dos da 
eterna vida aos 3. de Abril, devendo 
dizer 2. D. Pedro Hieron. Femand. 
Cathedratico de Leys na Univeríidade de 
Huefca in Opufc. Hifl. Lat. Marian. Ja- 
cob, pag. 64. e iio. lhe chama Celebris feri- 
ptor. 

Cathalogo das obras impreífas. 



70 



BIBLIOTHE CA 



Hijloria da Keal fundação do Convento 
Âe Santa Mónica da Cidade de Goa Corte 
Jo EJiado da Índia, e do Império L.uJitano 
do Oriente. Lisboa por António Pedrozo 
Galraõ 1699. 4. 

Hijloria da vida admirável, e acçoens prodi- 
.giojas da Venerável Madre Sor Brit^ida de 
Santo António. Lisboa pelo mefmo ImpreíTor 
1701. 4. 

Exemplo rarijftmo da paciência, e vida 
prodigioja, e fingular da Santa, e admirável 
Virgem Santa Eiduvina efcrita em latim por 
Fr. JoaÕ Bn/gmano da Ordem dos Menores 
de Viandes Jeu Confejfor, recopilada por Fr. 
JLoi/renço Surio Cartuxo, novamente tradu- 
.^ida, e dijpofta em forma de Hiftoria, em a 
Jingua Vortuguefa. Lisboa peio mefmo Im- 
preíTor 1703. 4. 

Adeodato contemplativo, e univerfidade 
■de Oração, dividida em três claffes pelas tret^ 
vias Purgativa, llluminativa, e Unitiva. Lisboa 
pelo mefmo Impreííor 171 3. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Ima- 
gens milagrofas de N. Senhora, e das milagro- 
Jamente aparecidas, que fe veneraõ na Corte, 
e Cidade de L,isboa. Tom. i. Lisboa pelo 
mefmo Impreííor. 1707. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das imagens 
niilagrojas, que fe veneraõ no Arcehifpado de 
L,isboa. Tom. 2. Lisboa pelo mefmo Impref- 
for, e anno, 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Imagens 
<&c. que fe veneraõ em os Bifpados da Guarda, 
Eamego, Lejria, e Portalegre fuffraganeos do 
Arcehifpado de Lisboa, Priorado do Crato, e 
Prelazia de Thomar. Tom. 3. Lisboa pelo 
mefmo Impreííor 171 1. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Imagens 
<&c. que Je veneraõ em o Arcebijpado Prima^ 
de Braga, e Jeus fuffraganeos. Tom. 4. Lisboa 
pelo mefmo Impreííor 171 2. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Imagens 
<&c. que fe veneraõ nos Bifpados do Porto, Vifeu, 
e Miranda. Tom. 5. Lisboa pelo mefmo Im- 
preííor 171 6. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Ima- 
gens <&c. que fe veneraõ no Arcehifpado 
de Évora, e Bifpado do Algarve, e Elvas. 
Tom. 6. Lisboa pelo mefmo Impreffor 
1716. 4. 



Sanãuario Mariano, e Hijloria das Imagens, 
que nos ficáraõ por referir nos féis tomos antece- 
dentes por falta de inteira noticia. Tom. 7, Lisboa 
pelo mefmo Impreííor 1721. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Imagens 
<&c. que fe veneraõ em a índia Oriental, e mais 
conquiflas de Portugal, AJia, Insular, AJrica, 
e Ilhas Filipinas. Tom. 8. Lisboa pelo mefmo 
Impreííor. 1720. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Ima- 
gens <ó^c. que Je veneraõ em o Arcehijpado da 
Bahia, e mais Bijpados de Pernambuco, Pa- 
raíba, Rio grande, Maranhão, e GraÕ Pará. 
Tomo. 9. Lisboa pelo mefmo Impreííor 
1722. 4. 

Sanãuario Mariano, e Hijloria das Ima- 
gens (&c. que Je veneraõ em todo o Bijpado do 
Rio de Janeiro, e Minas, e em todas as Ilhas 
do Occeano Tom. 10. Lisboa pelo mefmo 
Impreííor 1723. 4. 

Rojas do Japaõ colhidas na Igreja do 
Japaõ I. Part. Lisboa pelo mefmo Impreííor 
1709. 4. 

Rofas do Japaõ (à^c. 2. Parte Lisboa por 
Pedro Ferreira 1724. 4. 

Triumvirato efpiritual, e hiflorico nas prc- 
digiofas vidas de três injignes Varoens, o Venera- < 
vel Padre Diogo Ortis, o Venerável D. Fr. 
Agojlinho da Corunha Bijpo de Popayan, e do 
Ven. IrmaÕ Bartholameu Lourenço Portugue^ 
da Companhia de Jejus. Lisboa por António 
Pedrofo Galraõ 1722. 4. 

Hijloria tripartita comprehendida em três 
tratados. No 1. Je dejcrevem as vidas dos 
Santos Martjres Verijfimo, Máxima, e Julia 
Irmãos, Padroeiros de Lisboa, e do Real \ 
Mojleiro de Santos. No z. fe dà noticia da 
vinda, pregação do Apoflolo SaÕ-Tiago às . 
Efpanhas, e origem da fua ef clareada Ordem, ' 
e de feus nobilijftmos Mejlres Portuguet^es. 
No 3. fe defcrevem os princípios do Real 
Convento de Santos, e a noticia das fuás 
illuflres Commendadeiras defde o anno i» \ 
121 2 até os nojfos tempos. Lisboa pelo mefmo 
Impreííor. 1724. 4. 

Celefle, e devota Filotea, e thefouro de 
efpirituaes rique:(as de fantos exercidos com 
que as almas devotas podem crecer muito nas 
virtudes, e no amor, e devoção de Jefus, e 
de Maria. Lisboa pelo dito Impreííor 1727. 



L USITAN A. 



7» 



Novena de Noffa Senhora da Nat(areth vent- 

ula no Jitio da Villa da Pederneira com a relafaõ 

i fuá futfl de Na:(areth para o hgipto onde 

Mjiio fete annos, e da pmgrina^aò da fua San- 

iifima Imagem de Na!(aretb à Cidade de Belém. 

isboa por Jofeph Manefcal ImpreíTor da 

rcniíTima (^fa de Bragança 1721. 24. 

Exame de conf ciência particular, e geral Lisboa 

or António Pcdrofo Galraõ 1704. 12. 

Compendio das ff^aças, e indulgências, e mais 
JtHS tjpirituaes de que goi^aÕ, e participai os 
\rmios da Confratemidade de N. Senhora 
Ir Copacavana fita na Igreja do Keal Convento 
Je N. Senhora da Conceição do Monte Olivete 
ir Religio/os Agoftinhos De/calços extramuros 
ia Cidade de Lisboa. Lisboa Por António 
Pcdrofo Galraõ 17 14. 12. 

Cathalogo das obras traduzidas. 
Da língua latina do Padre Jacob Me- 
Iroftio na Portuguefa 

O caminhante chri/taõ que dirige a fua 
Jornada à pátria efpiriíual Lisboa por An- 
tónio Pcdrofo Galraõ 1721. 12. 

De Italiano do Padre Paulo Segneri da 
iLompanhia de Jefus as duas feguintes obras. 
O Inferno aberto para que o ache fecha- 
ChrifiaÕ difpofto em varias confidera- 
Lisboa pelo dito ImpreíTor 1724. 12. 
O Confeffor inftruido Lisboa pello dito 
ImpreíTor 1725. 16. 

De Italiano do Padre San£U Chicarelli 
(Geral da Religião dos Padres Miniftros dos 
íEnfermos. 

hreve difpofiçaõ efpiritual, que deve fa^er 
itodo o ChrifiaÕ para efiar fempre aparelhado 
Ipara a morte. Lisboa por Jozé Lopes Ferreira 
ImpreíTor da Rainha noíTa Senhora 171 6. 
1*4. 

De Caílelhano do Padre Francifco de 
Salazar Jefuita. 

Affeãos, e confideraçoens devotas fobre 
iOS quatro Novijfwjos acrefcentados aos exer- 
icicios da primeira f emana de Santo Ignacio 

Ide Layola. Lisboa pelo mefmo ImpreíTor 
1716. 12. De Caílelhano. 

Medifaçoens, e fufpiros do gloriofo Doutor 
da Igreja Santo Agofiinho. Lisboa pelo 
meímo Impref. 1727. 12. 

Obras que eftavaõ promptas para a im- 
preíTaõ. 



Chronologfa Sacra, t profana dividida em- 
2. Tomos: o primeiro defde os principias do 
Mtmdo a ti a vinda de N. Senhor Jefus Cbrifio; 
o fegundo defde a vinda dê Chrifio ati os nojfor 
tempos. Aí. S. 

Vida da Madre Sor. Maria da AJfum- 
pçaõ Agofiinha Defcalça do Keal Convento dar 
Defcalças de Santo Agofiinho de Lisboa. 

Chronica das Religiofas Agofiinhas Defcalfar 
de Lisboa. Aí. S. 

Vida, e virtudes da Ven. Sor Mariana de S. 
SimeaÕ Keligiofa Defcalça de Santo Agofiinho, e 
Yundadora dos Conventos de Almança, e Corpur 
Chrifii de Murcia em Efpanha. Aí. S. 

Exercido celefie, e the^ouro de efpirituaer 
rique:(as, e graças fobre as devoções particulares- 
de N. Senhora. Aí. S. 

Jerarchia efpiritual com as Vidas dos Santor 
Varoens illufires da Ordem de Santo Agofiinho. 
Aí. S. 

Meditaçoens, Solilóquios, e Manual de Santo 
Agofiinho traduv^idos em Portugue:^. Aí. S. 

Hifioria dos Santuários de Chrifio Cruci- 
ficado, que fe veneraõ nefie Reyno. Para cila 
obra tinha junto muitas noticias, mas naõ- 
a pode concluir por lhe roubarem o que já 
delia tinha compoílo, como o mefmo Author 
nos certificou. 

Fr. AGOSTINHO DE SANTA MARIA, 
filho de Manoel Pereira TravaíTos, c D. Ignez 
Maria de Azevedo, natural de Lisboa onde 
eftudou a lingua Latina, e letras humanas,, 
e depois Filofofia com admiração dos feus con- 
difcipulos. Recebeo o habito da Ordem de 
SantiíTima Trindade em o Convento de San- 
tarém em 5. de Agofto de 1704. e profeíTou 
a 14. do dito mez do anno de 1705. em cuja 
Religião exercitou o Officio de Pregador com. 
geral applaufo. Foy Leitor nomeado de 
Theologia no anno de 171 9. fendo já Pro- 
thonotario Apoílolico. Naturalmente era. 
inclinado à Poeíia Latina fazendo verfos 
extemporâneos com tanta elegância, e fua- 
vidade, como fe foraõ compoílos com grande 
exame, e coníideraçaõ. Falleceo no Convento 
de Lisboa a 22. de Janeiro de 1736. De 
muitas obras aíTim poéticas, como condo- 
natorias, que tinha compoílo, fomente publi- 
cou as feguintes. 



72 



BIB LIO THE CA 



Sermão de N. Senhora da Quietação na 
Parochial Igreja de S. Nicolao Segunda Oitava 
■da Pafchoa a ^. de Abril de 17 14. Lisboa por 
António Pedrofo Galraõ. 1714. 4. 

Sermão em acçaõ de graças pelo Capitulo Pro- 
mncial, que Je celebrou no Convento da SantiJJima 
Trindade de Lisboa em o Sábado 9. de Março 
de 171 6. pregado no Convento da Vi lia de Cintra. 
Lisboa por Jozé Lopes Ferreira Impreflbr 
"da SereniíTima Rainha 171 6. 4. 

Panegyrico fúnebre às faudofas memorias da 
ExcellentiJJima Senhora D. Elvira Maria de 
Vilhena Condeffa de Pontevel. Lisboa por 
António Pedrozo Galraõ 171 9. 4. 

Grinalda de varias flores com que Je orna 
■a muy augtifla Thiara do noffo Santijflmo Padre, 
e Senhor Benedião XIII. formada em gratulatorio 
aplaufo da fua faujiijjima exaltação ao Summo 
Pontificado Lisboa na Officina Ferreiriana 
1725. 4. 

Commentaria in Canticum Nunc dimittis 
Servum tuum Domine. M. S. que fe conferva 
no Convento de Lisboa. 

AGOSTINHO DE MEDEIROS natural 
-de Villa de Perdizes termo da ViUa de Monte 
alegre Comarca da Villa de Chaves na Provín- 
cia Tranfmontana. Foy filho de António 
de Medeiros, e Catherina de Alvar. Recebeo o 
Habito militar da Ordem de Saõ Tiago no 
E.eal Convento de PalmeUa a 27. de Dezem- 
bro de 167 1 das mãos do lUuílriíTimo Prior mór 
D. Antaõ de Faria. Teve hum Beneficio 
iimplez na Igreja de S. Sebaftiaõ de Setúbal. 
Foy muito douto na Theologia Moral como 
o moílrou na obra feguinte. 

Doãrina da ConfiffaÕ facramental muy útil, 
e necejfaria para qualquer penitente fe faber con- 
Jeffar tirada dos Authores de Theologia moral, 
e de alguns tratados efpirituaes 4. M. S. Co- 
meça. 

A penitencia, que como dif^ meu Padre 
Santo Agofiinho, he ter pena dos bens, que fe 
deixarão de fa^er. Acaba. E os tementes a 
Deos tiveraõ por melhor a affirmativa na qual 
Jaõ eflas circunfiancias da necejftdade da ConfiffaÕ. 
No fim de tudo tem a proteftaçaõ da letra 
do Author. Eíla obra fe conferva na Livra- 
ria dos PP. Theatinos deíla Corte, onde a 
vimos. 



Fr. AGOSTINHO DO MONTE AL- 
VERNE natural da Cidade de Ponta Delgada 
Capital da Ilha de S. Miguel, e Religiofo pro- 
feíTo da Seráfica Província de S. Joaõ Evange- 
lifta nas Ilhas dos Açores. Querendo moílrar-fe 
agradecido à pátria, que lhe dera o berço, 
efcreveo com eílilo claro, e fincero. 

Noticias Hijloricas das Ilhas dos Açores 
fojeitas ao dominio de Portugal. M. S. 

Confervafe eíla obra entre os feus Reli- 
giofos. Do author faz mençaõ Fr. Appolli- 
nario da Conceição Claujlro Francifc. Lane. 2. 
cap. 19. pag. 80. 

AGOSTINHO DE MOURA PEÇA- 
NHA natural da Cidade de Évora filho de 
António de Moura, e Neto de Duarte de 
Moura Provedor da agua da prata fendo 
Jurifta de profiíTaõ, exercitou o lugar, que 
teve feu Avô. Compoz. 

Tratado do Aqueduão Real da Fonte da 
agua da prata dedicado ao Senado da Cidade 
de Évora, em cujo Cartório fe guarda. 

Fr. AGOSTINHO OSÓRIO Eremita de 
Santo Agoílinho, e celebre Lente de Theolo- 
gia na Univerfidade de Lerida no Principado 
de Catalunha, onde no anno de 16 10. diélava 
aquella faculdade, com univerfal aclamação. 
Foy Provincial das Províncias de Aragaõ, e 
Catalunha, em cujo onerofo minifterio dezem- 
penhou as obrigaçoens de hum Superior 
perfeito. Pela fublevaçaõ, que houve neftas 
Provindas contra os Hefpanhoes, que as domi- 
navaõ, paífou a França, e tanto fe diílinguio 
o feu talento em o Púlpito, que o nomeou 
feu Pregador em o anno de 1642. a Magef- 
tade ChriftianiíTima de Luiz XIII. Falleceo 
a 15. de Novembro de 1646. na proveda 
idade de 92. annos. Delle fe lembraõ Marrac. 
in Biblioteca Marian. Tom. i. pag. 167. Fr. 
Petr. de Alva, e Aítorg. in Milit. Concept. 
Herrerin. Alphab. Auguji. p. 52. ad ann. 1642. 
& pag. 65. ad ann. 1646. Fr. Anton. da 
Nativid. Montes de Cor. n. 136. Cor 8. §. 2. 
Figueired. Fios Sana. Augujiinian. Tom. 4. 
pag. 152. Jordan Chron. de Valenc. Tom. i. 
p. 178. e Nicol. Anton. in Bib. Hifp. tom. i. 
p. 138. col. 2. Compoz. 






LUSITANA. 



TraÚalus de Conctptione Deipam Virgitiis 
Immacuhta. Vcnctiis 1648. 4. 

Sermon dela Immaculada Comepcion d$ 
Nitejlra Seiiora. Barcclon. 1618. 4. 

KVida dei Wtenaventurado San ]iian de 
Higim. 16 14. 4. 
Ff. AGOSTINHO DOS REIS profcíTou 
Goa o habito dos Eremitas de Santo Agoí- 
tinho, e pellas íuas virtuofas acçoens acompa- 
nhadas de fcicncia naõ vulgar exercitou por 
muitos annos o miniílerio de Q>nfeíTor das 
Kcligiofas do Convento de Santa Mónica de 
( íoa. Efcrcvco como tcftifica Fr. Agoftinho de 
Santa Maria na Hifioria da Inundação do dito Con- 
vento liv. 3 . cap. 1 6. n. 1 89. e liv. 4. cap. 5 5 . n. j 40. 
Hijloria da fmdaçaõ do Convento de Santa 
Mónica de Goa Aí. S. 



iK 



Fr. AGOSTINHO RIBEIRO Eremita 
uguftiniano; e igualmente douto na Sagrada 
fcritura, como verfado na liçaõ dos Santos 
Padres, e Sagrados Interpretes Efcreveo. 
Doãrina moralis Sacra Scriptma auctoritati- 
hus comprobata, Vatrum fententits, ac Philo- 
fophorum dtííis ampliata, nec non fimilitudinihus 
illujlrata, (Ò' Evangeliis acommodata, alphabeto 
àigejla, Concionatorihtis valde pertitilis. foi. M. S. 
Conferva-fe efte volume, que he de juíla 
grandefa, na Livraria do Convento da Graça 
de Lisboa. 

D. AGOSTINHO DO ROSÁRIO Cónego 
Regular da Congregação de Santa Cruz de 
Coimbra, cujo Habito recebeo nefte Real 
Convento a 29. de Outubro de 1621. Foy 
muito applicado ao eíludo das Antiguidades da 
fua Ordem Canónica efcrevendo com grande 
exame. 

Crónica da Congregação de Santa Cru^ de 
Coimbra; cuja obra allega Jorge Cardofo no 
Agtol. 'Lufit. Tom. 2. p. 308. c. i. e no Com- 
mentario de 25. de Março letra C. e no Com- 
ment. de 27. do dito mez let. H. Morreo a 19. 
de Março de 1676. 



73 

fc/Tou cm ij. de Dezembro de 1549. A pro- 
fundidade das Tuas letras, porque era venerado 
ainda fora dos Clauílros da Religião, o fez 
digno de que na Uníveríidade de Coimbra fe 
lhe confcrifíem as infignias doutoraes a 6. de 
Julho de 1)73. na qual foy Lente da Cadeira 
de Durando, em que foy provido no aono 
de 1)72. donde fubio á de Efcoto no anno 
de 1575. e a regentou por efpaço de dnco 
annos, fendo tal a fua fubtíleza, que com- 
petia com a do Meftre, que explicava. Para 
eterno teílemunho da fua profunda littera- 
tura lhe fírva de padraõ o Elogio, com 
que o exaltou o infígne Padre LuÍ2 de Mo- 
Ilna claro efplendor da Companhia de Jefus, 
pois argumentando-lhe em humas Conclu- 
foens Capitulares no Convento de Évora, 
c admirado da promptidaõ, c fubtileza, com 
que rebatia o argumento, que lhe propóz, 
rompeo neftas palavras. Rgo argumentari au- 
Jus fum, quia homo hominem Augujlini Sfci- 
puliim alloqui credebam, fed ex fubtilijfimis ref- 
ponfis deprehendo vel tu ò do£iiJfime Prafes in 
perfona es Sanãus Auguftinus, vel Angelus in 
habitu Augufiiniano. Mihi igitur jam non am- 
plius tecum difputandi, fed Jolum mirabunde Te 
audiendi fuper eft facultas. Naõ fomente foy 
a Univeríidade de Coimbra o Theatro da 
fua fabedoria, porque também lograrão efta 
fortuna as Univerfidades de Bordéus, e To- 
lofa, fendo neíla Lente de Vefpera, e Rey- 
tor. Vários foraõ os trabalhos, que com 
animo imperturbável tolerou, já na infeliz 
jornada de Africa do anno de 1578. ficando 
priíioneiro dos bárbaros; jà fegiiindo as partes 
do Senhor D. António, quando pertendeo a 
herança deiia Coroa ufurpada pela violenta 
ambição de Fillippe Prudente, padecendo 
por efta caufa incríveis oppreíToens, as quaes 
relata o mefmo D. António na carta efcríta na 
lingua Francefa a Gregório XIII, no anno de 
1583. Li doãeur Maifire Augufiin dei Ordre, 
<ò' infiitution de faina Augufiin profejfeur public 
dela Theologie fcholajlique de cette Chaire, qui efl 



dedié pour enfeigner la doãrine dei Efcot; le quel 
Fr. AGOSTINHO DA TRINDADE foy lie de chaines de fer entre les latrons, et mis és 
natural de Jurumenha na Provincia do Alen- navires efpagnoles, finalement ataque de tempefles 
tejo, filho de Martim Quarefma, e Brites dela mer, <ò' pris en un navire efpa^ol parles in- 
Rodrigues. Abraçou o Inftituto dos Eremitas curfions des Turcs, il efl aufour d^huy captif foubs 
Auguftinianos no Convento de Lisboa, e pro- levr puiffance. Do cativeiro, que padeceo em 



74 



BIBLIO THECA 



Africa efcreve D. Fr. Thome de Faria Dec. i. 
lib. 2. cap. 8. dizendo. Sed quid de captivis'? 
Inter omnes Jolum ejferam P. Augujiinum Ord. 
S. Augujl. qui in florentijjima Academia Conim- 
hricenfi Theologia Scholajlka fuerat profejjor. 
D. Joaõ de Caftro no Difc. da vid. delReji 
D. Sebajl. cap. 14. o muito Reverendo P. M. 
Fr. Agojlinho da Trindade VaraÕ injigne em 
letras, virtudes, e Religião, e hum raro exemplo 
de amor da Pátria, o qual padeceo por ella gales 
de inimigos, e cativeiro de Turcos fem mais o po- 
derem render trabalhos, promejfas, nem grande 
velhice emferma Morreo em Tolofa no i. de 
Fevereiro de 1595. Na via Sacra do Collegio 
de Coimbra dos Eremitas de S. Agoft. tem 
eíla infcripçaõ. 

Fr. Auguftinus à Trinitate Doãor Theolo- 
gus in hac Univerjitate, Scoti Jnterpres JuhtiliJ- 
fimus, Japientia vel Augujlinus, vel Angelus cre- 
ditus, deinde ToIoJíb vejperarius, ac Reãor obfer- 
vantijfimus. Obiit 1. Februarii. 1595. 

Compoz. 

Traãaãus pro Immaculatcs Virginis Concep- 
tione. Eíla obra allega Fr. Joaõ de Santa 
Maria in Libello fuplici ad Innocentium X. Pont. 
Max. pro Concept. Deip. Tolof. 1645. pag. 331. 

Commentaria in Magiftrum Sententiarum, (& 
D. Thom. 3. Tom. 

Defta obra, e do Author fazem mençaõ 
Fr. António da Purif. de Vir. Illujl. Prov. 
l^ufit. Ord. Fsemit. D. Aug. lib. 2. cap. 10. 
e na Chron. da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 7. 
Tit. I. §. 3. Elflio Encom. Augujl. ad ann. 
1598. Herrer. in Alph. Augujl. pag. 60. Fr. 
Ant. da Nativid. Mont. de Cor. Cor. 8. §. 2. 
n. 39. Fr. Manoel de Figueiredo Fios Sana. 
Augujl. Tom. 4. pag. 130. Nicol. Ant. Bib. 
Hijp. Tom. I. pag. 139. col. 2. e Tom. 2. 
pag. 284. col. I. 

Commentaria in Prim. Part. D. Thom. à 
Quajt. I. ujque ad 14. Confervafe na livra- 
ria do Convento da Graça de Lisboa. 

AGOSTINHO DA TRINDADE. Na- 
ceo na Cidade do Porto no anno de 15 18. 
donde feus Pays o mandarão eíludar a Lis- 
boa, mas eUe preferindo a fciencia dos San- 
tos às faculdades para que tinha compre- 
henfaõ, e admirável engenho, recebeo o 
habito de Cónego Secular da Congregação 



do Evangelifta no Convento do Santo Eloy 
no anno de 1545. quando contava vinte e fete 
annos de idade. Naõ ouve género algum de 
virtude em que fe naõ exercitaíTe fendo 
exaftiíTimo na obfervancia das Conftituiçoens 
da Ordem, regulando a fua obediência pelo 
ardor do feu efpirito, e redufindo as poten- 
cias, e fentidos a huma continua mortificação 
acompanhada de afperos cilícios, e frequentes 
difciplinas. Por eíles aélos heróicos mereceo 
particulares veneraçoens delRey D. Joaõ 
o III. D. Sebaíliaõ, da Rainha D. Catherina, 
e a Princeza D. Joanna de Auftria, bufcando 
no feu Concelho a ferenidade das fuás conf- 
ciencias. Baile para claro argumento da fua 
fantidade o fer direftor efpiritual pelo efpaço 
de trinta annos do Venerável Padre António 
da Conceição, de cuja efcola fahio confumado 
na virtude eíle varaõ infigne. Quando con- 
tava 85. annos de idade, e 58. de Religião foy 
chamado por Deos para lhe remunerar os feus 
merecimentos, e recomendando aos domeíli- 
cos o amor reciproco, cheyo de hum notável 
jubilo efpirou com tanta ferenidade do fem- 
blante, como quem fe entregava a hum plá- 
cido fono a 25. de Mayo de 1603. no Convento 
de S. Bento de Xabregas. Ao feu enterro 
concorreo grande copia de povo procurando 
com devota anciã alguma parte do feu Jiabito, 
que fervio de remédio prompto a muitos 
enfermos. Efcrevem delle Tomas. Annal. 
Ord. Can. Secul. pag. 172. Mertol. Vid. do 
Ven. P. Ant. da Cone. cap. 12. Cardofo Agio- 
logio Eujit. Tom. 3. pag. 402. no Commentario 
de 25. de Mayo let. F. os Padres Miguel da 
Cruz, e Belchior da Graça Con. Secul. nas 
fuás Relaçoens, e ultimamente Franc. de S. 
Mar. Chron. dos Coneg. Secul. liv. 4. cap. 28. 
O IlluftriíTimo Arceb. Primaz D. Sebaíliaõ 
de Mattos, e Noronha no Catai, dos Var. Illujl. 
em virtud. dejle Rejno com eílas palavras O P. 
Agojlinho da Trindade Religiojo de S. JoaÕ Evan- 
gelijla de Janta Vida, e Milagres. Por fer muito 
applicado aos Ritos Ecclefiaílicos. Compoz. 
Ritual das Ceremonias Ecclejiajlicas. O qual 
(faõ palavras de Jorge Cardofo no Comen- 
tário de 25. de Mayo let. F.) pojio que Je naõ 
ejlampou, objervouje muitos annos na Ordem em 
cujos Cartórios Je conjerva ate hoje M. S. Appli- 
couje (efcreve Franc. de S. Maria no lugar 



L USITANA. 



75 



aíTima allcgado pag. 116.) com Jinfíttlar cuidado 
o faber os Saffados RJ/os da Igreja, e delles com- 
poi(^ hum livro, que tntrt nós fe guarda efcriío da 
Jua mad. 

Fr. AGOSTINHO DA TRINDADE 
SEIXAS, natural da Província de S. Mar- 
tinho de Cambres de Rio bom no Bifpado 
de Lamego, filho de António Fernandes 
Borges, e Ifabel de Seixas da Fonfeca. Eílan- 
do já inílruido com a Gramática Latina, e 
ictnis humanas, paíTou ao Rio de Janeiro 
para aíliftir na companhia de fcu Irmaò Fran- 
cifco de Seixas da Fonfeca Pay do Illuftrif- 
íimo Hifpo de Areopoli D. Joaõ de Seixas 
Monge Bcncdiélino, e continuando naquella 
Cidade os eftudos deixou o feculo, e recebeo 
o Habito Seráfico em o Convento Capitular 
da Província da Immaculada Conceição. Nella 
foy duas ve2cs Guardião, e Definidor eleito 
no anno de 1719. Teve admirável génio 
para a Poefia aíTim vulgar, como Latina, 
de que faõ manifeftos argumentos. 

Duas Elegias Latinas, hum Epigrama, e 
íious Romances Porfugue/es em louvor de Fr. 
Icrnando de Santo António Procurador, e 
Definidor Geral da Ordem Seráfica, cujas 
obras conferva em feu poder com outras a 
cfte mefmo aíTumpto Fr. ApoUinario da 
Conceição Religiofo da mefma Província. 

Fr. AGOSTINHO VELLOSO, natural 
de Lisboa, filho de António Rodriguez Frey- 
re, e Ifabel de Barros. Recebeo o habito de 
Eremita de Santo Agoftinho no Convento 
da fua pátria a 14. de Fevereiro de 1681. 
Foy bom Pregador, e deftriffimo Organiíla. 
Morreo no Convento de Torres Vedras em 
o anno de 1696. Imprimio. 

SermaÔ de N. Senhora da Encarnação em 
dia de Vafcoa com Laujperenne de Chrijio Sacra- 
mentado no feu Collegio de Santo Agojtinho da 
Cidade de Lisboa, Lisboa por Joaõ Galraõ 
1691. 4. 

Fr. AGOSTINHO DA VICTORIA, na- 
tural de Montemor o novo na Província do 
Alentejo. Profeífou o fagrado Inftituto do 
infigne Patriarcha da Hofpitalidade S. Joaõ 



de Deos querendo Ter feu filho pelo habito 
já que era por nacimento feu patrício. Neíbi 
Ordem exercitou com tal exacçaõ a regra, 
que niereceo depois de ordenado Sacer- 
dote fer Secretario delia, e Meftre dos Novi- 
ços. Naò fomente a íUuílrou com virtudes, 
mas com letras, efcrevendo diverfas obras, 
como foraõ. 

'Vranslaâon dei Cuerpo de S. Juan de Dios 
nueftro glorio/o Patriarcha Fundador dei Orden 
dela llojpitalidad; hi^ofe dei Convento de N. Se- 
fiora dela ViSloria dela /agrada Keligion dehs 
Padres Minimos ai Convento, y Hofpital dei 
mi/mo Santo dela Ciudad de Granada. Madríd 
por Melchior Alegre 1667. 4. Sahio 2. vez 
com a Vida do mefmo Santo efcrita por D. 
F. António de Gouvea Bifpo de Cyrcnc. 
Madrid por Roque Rico de Miranda 1674. 4. 
cuja obra, e Author louva Fr. Joaõ dos San- 
tos na Chronolog. Hofpital. y Kefum. Hifl. da 
Saff-ad. Relig. de S. Juan de Dios Part. 1. liv. j. 
cap. 17. pag. 598. 

Injlruccion de Novicios dela Ordem dela Hof- 
pitalidad. Madrid 1668. 8. fem nome de 
ImpreíTor. 

Adicion à Vida de Fr. JoaÕ Peccador Reli- 
giofo da mefma Ordem. Começou a Chromca 
da Religião, a que naõ pode ver o defejado fim. 

P. AYRES DE ALMEYDA, natural 
de Santarém filho de António Alvres, e Ca- 
therina de Almeyda. Na idade de vinte 
annos entrou na Companhia de Jefus a 24. de 
Março de 1649. em o Noviciado de Lifboa. 
Aprendidas as letras humanas fe applicou às 
fciencias mayores, em que fahio taõ eminente, 
que foy deftinado para Meílre, lugar, que exer- 
citou com efplendor do feu nome, e credito 
da Religião até chegar a fer Lente de Prima 
de Theologia em Coimbra, onde morreo a 
7. de Março de 1704. Foy Qualificador do 
Santo Officio, e entre as virtudes, em que foy 
infigne, a mayor, que nelle fe admirou, era 
a tolerância de varias moleftias, que igual- 
mente lhe atormentarão o efpirito, e o corpo. 
Delle fez breve memoria o Padre António 
Franc. na Imag. da Virtud. em o Noviciad. 
de Lisboa, pag. 964. Imprimio 

Sermão do Auto da Fé, qm fe celebrou 
em Coimbra no Terreiro de S. Miguel em 



BIBLIOTHECA 



76 

17. de Outubro de 1694. Coimbra por Jo^è 
Ferreira ImpreíTor da Univerfidade 1697. 4. 

AYRES BARBOSA, infigne Gramma- 
tico, Rhetorico, e Poeta naceo na marítima 
Villa de Aveyro íituada entre os Rios Douro, 
e Mondego da Provinda da Beira, e foy 
filho de Fernaõ Barbofa, e Catherina de Fi- 
gueiredo, cujos nomes, e pátria deixou eter- 
nizados neíle elegante Epigramma efcrito 
no fim da fua Profodia. 
Scire volet patriamque meam, nomenque paternum 

Has quifque nugas gaudet habere meãs. 
Nec dives multitm, nec paupertate notandus 

jT nobis quondam, Jed tamen ortus avis. 
Fernandus Barbofa pater, Catharinaq mater 

A* notis etiam, qua Figueretta venit 
Me genuere, furit vajiis quà fluãibus ingens 

Ultimus Occidui littoris Occeanus. 
Quaque habet Aveiro portu pradives amano 

Quidquid habet tellus, <& maré quidquid habet. 
Logo nos primeyros annos fentio hum na- 
tural impulfo para as letras dezejando ancio- 
famente inílruirfe com ellas, e como naquelle 
tempo foíTe a Univerfidade de Salamanca 
o Empório de todas as fciencias, alcançada 
faculdade de feus Pays partio para efta Ci- 
dade, onde o ardor da idade juvenil refiftia à 
rigorofa inclemência do feu Clima, como 
elle confeíTa fallando cõ a mefma Cidade. 
Dum fiabant Jolida puerili in tempore vires 

Et validis juveni dum mihi Janguis erat. 
Non ego ladebar gelidis Salmantica ventis 

Nofi nive, non glacie, non aquilone tuo. 
Naõ fatisfeito o feu animo com a doutrina 
de tantos Meílres paílou a Florença em cuja 
Univerfidade teve a gloria de ouvir por MeJlre 
a Angelo Policiano, oráculo das letras fa- 
gradas, e profanas, e a fortuna de fer feu con- 
difcipulo Joaõ de Medicis, que depois na idade 
de 37. aimos fubio ao Pontificado com o nome 
de Leaõ X. como o mefmo Barbofa efcreve. 
Me Condijcipulum Decimi dum dico Leonis, 

Et Condijcipulum Politiane tuum. 
Inftruido completamente na intelligencia, e 
myílerios das linguas Latina, e Grega, voltou 
à Pátria, da qual partio fegunda vez para Sa- 
lamanca a 4. de Julho de 1495. que admirando 
a profundidade da fua fciencia o elegeo Meftre 
de Rethorica, e depois o foy juntamente de 



duas Cadeiras da lingua Latina, e Grega, fendo 
deíla feu difcipulo o infigne André de Refende. 
Nefta lingua excedia ao doutiíTimo Varaõ An- 
tónio de Nebriíía, que na mefma Univerfi- 
dade era Lente de humanidades, com quem 
teve eftreita familiaridade. Jazia neíle tempo 
em Efpanha muda a eloquência; eílavaõ fe- 
paradas do comercio dos Sábios as Mufas, e 
fe tinha introduzido huma tal ignorância das 
linguas, e letras humanas, que fomente do- 
minava a barbaridade, contra a qual fe armou 
Ayres Barbofa como outro Hercules degol- 
lando aquella Hydra mais perniciofa, que a 
de Lerna, com as doutas inílrucçoens do feu 
Magiílerio exercitado pelo largo efpaço de 
vinte annos com fingular credito do feu ta- 
lento, e naõ pequena gloria, e fruto dos feus 
difcipulos. Ao tempo que tinha jubilado em 
Salamanca, foy chamado pela Magefl:ade de 
D. Joaõ o III, para Meílre de feus Irmãos 1 
os Cardiaes D. AíFonfo, e D. Henrique. Obe- 
deceo promptamente à infinuaçaõ do feu 
Príncipe, como fe fora preceito, e chegando a 
Lisboa lhe agradeceo a eleyçaõ, que delle fi- 
zera para lugar taõ honorifico, que exercitou 
fete annos, em os quaes fahiraõ taõ perfeita- 
mente doutrinados nas letras humanas eíles 
dous Infantes, que foraõ a ultima coroa do 
feu profundo Magiílerio. Retirado à fua Pátria 
fe preparou com a£los heróicos para a morte, 
onde igualmente atenuado dos eíludos, que 
dos annos, pois excediaõ de fetenta, acabou a 
vida em o anno de 1530. Foy cafado com Ifa- 
bel de Figueiredo, de quem teve muitos filhos, 
fendo o mais velho Fernaõ Barbofa, Moço fidal- 
go delRey D. Joaõ o III. que eílimou muito a 
feu Pay Ayres Barbofa, como D. Affonfo da 
Fonfeca Arcebifpo de Compoílella. No território 
da Igreja de Santo André da Villa da Efgueira 
que he Vigairaria, e CoUegiada do Arcediago 
de Vouga Bifpado de Coimbra fundou huma 
Capella da invocação de N. Senhora do Deílerro 
na qual eílá fepultado com eíle breve epitáfio. 

Aqui ja^l o Corpo de Ayres Barbofa Mefre 
Grego. Era de 1540. 

Neíle anno foraõ tresladados os feus oíTos 
para eíla fepultura havendo dez annos, que 
tinha falecido. Imprimio 

Epometria, feu de metiendi carmina ratione. 
Salmanticíe. 15 15. 4. Habuit ille (falia defta 



1 



L USITANA. 



77 



bra António Iloncala in Gramat. Proptego.) 

SalwtmtUa magnificam, doííam, uhertmque in 
ijim milha qiiejliis tjl, qiiod mn modo Miifica tem- 
l>orum vitio indijiriam paffa tjl jatluram diiorum 
•: mm linar montei, €>* Chrom aliei, cum tem- 
, ( nojlra vis diatónico cantetiir, fed etiam, 
ijiiod ptritre vocnm, fyllabariimqiu tum poética, 
Jum commimrs pronim/iationes. Dcda obra faz 
'illuílrc memoria Daniel Gcorg. Morhorâo 
/// Polyhijl. lib. 7. cap. 1. n. 14. 

De Ortboff^aphia. Salmanticx. 1J17. 
Commentarij dm in duos Aratoris Cardina- 
lis libros de llijloria Apoflolica. Salmantica: 
.ipud Joanncm Porras. 1516. foi. Hm cuja 
obra (tliz Andrc Scoto in llih. Ili/p. pag. 
472.) non PhHolojitim modo, fed ^ Philofophiim 
Iféffif ac Tbeologiim ejus Aiithorem jures. 

Antimoria. G3nimbricx apud Genobium 
^inóte Crucis. 1536. 8. Efta obra hc dcdi- 
ida ao Girdial Infante D. Affonfo, e foy com- 
poíla contra a Moria de Erafmo Rhotcradamo, 
cm que louvou a ignorância, e neíle fc exalta 
.1 fabedoria Chriílaà. No fim tem impreíTos 
'Epigrammata Varia. 
Ib ^'^^"^^> ^^ ^^^^ ^^2 mençaõ em hum 
íro>igramma efcrito a Jorge de Miranda no 
' fim do Antimoria foi. 34. 
Rhe/orica, en ego cum Jcripfijfem exordia centum 
Ni/ dedit aii£fori lingua diferia meo. 
No Compendio da Phyfica do Doutor 
l^edro Margalho Cathedratico de Prima de 
Theologia na Univeríidade de Lisboa im- 
i preflb em Salamanca em 1520. eílão impreíTas 
I' as obras feguintes de Ayres Barbofa. 
Epiff^amma in lande m Pe/ri Margalli 
'Epiflola "Latina em repofta de outra ef- 
crita pelo mefmo Author, e no fim delia hu- 
ina larga Elegia com eíle titulo 

Ad Jtwenes fliidiofos bonarum Artium Cár- 
men. 

Todas eftas obras impreíTas no Compen- 
dio da Phyfica do Doutor Pedro Margalho 
por fer muito raro as tranfcreveo o Bene- 
ti ciado Francifco Leytaõ Ferr, Académico 
da Academia Real na eruditas Notic. Chronol. 
'-! Univ. de Coimb. à pag. 484. até 488. aonde 
ic poderão ler. 

Qiiafiiones qiiodlibetica de qmlibet re. Defta 
obra faz memoria Valério André in Cathalog. 
Moguníino. 



G>m grandes elogios celebrarão a Ayres 
Barbofa os mais celebres Varoens da Au 
idade. António de Nebri/ía na prefação das 
fuás introducçoens Gregas diz. Ejfp vero cum 
in méis introdséâionihus muitos locos ex Graco 
inchatos reliquiffem, communicata re prius cum 
Ario Ljifitano, à quo uno, fi quid ufquam Graca- 
rum IJiterarum apud nos efi, emanavit, aufus 
fum f acere, quod ille harum rerum peritior f acere 
debuiffet. O mefmo NebriíTa in fuis Quinquanar. 
ad Franc. Ximenes. Craca lingua excitata efl, 
atque jam pridem per Hifpaniam divulgata ab 
Ario Ljifttano Viro Crace, eí^ latine per- 
quam erudito. Refend. in Kefponf. ad Quebed. 
foi. 29. v.o. Arius iMfttanus quadraginta, <& eo 
plus annos Salmantica tum Latinas Ut terás, Cra- 
cas magna cum laude profeffus efl, e no Encom. 
Erafmi. 
Hifpanique facer meritis honor orbis Arius 
Magnis cui debet, quantum nunc Paliais 
iilic 

Cultior ufus habet; docuit nam primus Iberos 
Hyprocraneo Crajas componere vocês 
Ore; etenim quidquid f rugis nunc ítala regna 
Cracia quondam habuit, quidquid patriaque, 
fuifque 

Importavit, €>* ã Cal li Stribligine tan- 
dem 
Ajferuit, fierique dedit Sermone Quirites. 
Pedro Sanches in Epiflol. ad I^atium 
de Moraes 

Nec fonat illepide pravam, qui damnat Arius 
Stultitiam, quam quidem olim laudavit ine- 
pte. 

Martinho de Figueiredo na Dedicatória 
a ElRey D, Joaõ o III. do feu Commento à 
Hifloria natural de Plinio. A! Salmantica totius 
Hifpania celeberrimo Cymnacio venire fecifli doc- 
tiffimum, ac prafiantijfimum Arium Barbofam 
magnis pramiis, ac pollicitationibus pofl conceffam 
fiudiis quietem. Lilio Gregor. Girald. de po- 
tioribus fui Sacul. Poet. Fuit Arius Barbofa 
Poeta Lufitanus qui in Itália fub Politiano poli- 
tiores litteras in Hifpaniam invexit, <ò^ Salman- 
tica per viginti annos bonas litteras profeffus efl; 
huic moriens Antonius Nebrifenfis opera fua 
cafliganda teflamento reliquit. Scoto in Bib. 
Hifp. pag. 474. Erat in pangendis carminibus 
felix. Joan. Soar. de Brit. in Theaf. Lufit. 
Litter. let. A. n. 134. Vir certe fuit elo- 



78 



BIBLIO THE C A 



quens, €>* eruditus, (Ò' tum profa, <& tum ligala 
oratione inter earum artium celebriores mérito nume- 
randus. Fr. Miguel Salinas lih. Apolog. em que de- 
fiende la huena y do£ía pronmciacion pag. 15. v.o 
Do£iiftmo en Griego,j latin. Petr. Angel. Spera 
de ProfeJJor. Gramat. lib. 4. pag. 440. Lourenço 
CraíTo Hiji. di Poet. Grec. pag. 63. Huomo di 
moita doãrina, e di molte lingue intendente, e poeta 
injigne. Cofiui fu il primo che porto le lettere 
Greche in Spagna: vijje en compagnia di António 
Nebricenfe ma con maggior fama dei detto Nebri- 
cenfe delia lengue Greca, e Poejta. Nic. Ant. 
in Bib. Hifp. tom. i. pag. 132. c. i. In poética 
facultate, Gracanicaque doãrina Nebrijlfenji melior. 
Baillet Jugem. des Scavans tom. 4. pag. mihi 
331. Jut un des principaux rejtaurateurs des belles 
lettres en EJpagne. Ultimamente o Padre An- 
tónio dos Reys in Enthujtafm. Poet. impreíTo 
no principio dos feus epigrammas. n. 24. 
Barbo/a tui non ultima verfus 
Promeruere tibi bifidi fubfellia montis 
Non procul à Marco, nitidique à fede Catulli. 

P. AYRES BRANDAM, cuja pátria 
fe ignora, foy admitido em Goa no anno 
de 1552. à Companhia de Jefus, quando tinha 
vinte, e três annos de idade, O ardente 
zelo, com que fe inflamava na converfaõ 
da Gentilidade, o conftituhio hum dos pri- 
meiros operários das vaítiíTimas Regioens 
Orientaes fendo em taõ laboriofo minifte- 
rio fucceííor do Apoftolico efpirito do V. 
Padre Gafpar Barzeo, de quem fora infepa- 
ravel companheiro. No anno de 1570. con- 
verteo na Cidade de Ormuz ao rebanho de 
Chriílo a cincoenta Mouros, e no feguinte 
purificou em Dámaõ com as falutiferas 
aguas do bautifmo a outenta, merecendo por 
eftes evangélicos trabalhos fer chamado pelo 
author da Bibliotheca da Companhia Venator 
infignis animarum. Efcreveo 

Carta de Goa, efcrita em 23. de Dezem- 
bro de 1554. aos Irmãos da Companhia de 
JESUS, em que narra a morte de S. Fran- 
cifco Xavier, e como o feu Corpo fora rece- 
bido em Goa. Évora com outras que man- 
dou imprimir o Arcebifpo D. Theotonio 
de Bragança; por Manoel de Lira. 1598. 
em folh. Part. i. a pag. 28. Coimbra por 
António de Maris. 1570. 4. à pag. 70. tra- 



duzida em Caílelhano com outras. Alcali 
por Juan Iniguez de Lequerica. 1575- 4* i 
pag. 58. e no mefmo idioma pelo Padre Ci- 
priano Soares. Coimb. por Joaõ Alvres, e 
Joaõ de Barreira 1565. 4. a pag. 82. Em Ita- 
liano Roma preíTo António Bladio. 1556. 8. 
Venetia com outras por Tramezino. 1559. 8. 
Mais abbreviada em Latim pelo Padre Manoel 
da Cofta da Companhia de Jefus liv. i. Epijlol. 
de rebus Japon. Coloniae apud Gervinum Cale- 
nium 1574. à p. 191. atè 198. & Delingac apud 
Sebaldum Mayer 1571. à pag. 89. atè 94. & 
Lovanij apud Rutgerum Velpium 1566. 8. 
& ibid. apud eumdem Typog. 1570. in Epijl. 
Indic. et Japanic. a pag. 129. atè 134. 

Carta efcrita dos Religiofos de Coimbra 
em 23. de De:(embro de 1554. na qual relata o 
fruto efpiritual, que colhido nas regioens Orientae 
os Keligiofos da Companhia com huma defcripçao 
da Cidade de Ormus. Sahio traduzida em Latim, 
com outras Lovanij apud Rutgerum Velpium 
1566. 8. a pag. 482. até 489, & ibi apud 
eumdem Typog. 1570. 8. in Epifi. Ind. & 
Japanic. a pag. 129. até 134. 

Carta efcrita de Goa no anno de 1556. 
aos Padres da Companhia de JESUS de 
Portugal. Conferva-fe na Cafa profeíTa de 
S. Roque, e coníla de 10. paginas. 

Deíle Padre fazem mençaõ Sachin. HiJl. 
Societ. Part. 2. liv. 4. n. 280. Alegamb. Bib. 
Societ. pag. 89. col. 2. e Nicolao Trigault in 
Vita Gafparis Barbai liv. 3. cap. 2. Ant. 
de Leaõ Bib. Orient. Tit. 6. 

Fr. AYRES CORRÊA. Natural de 
Lisboa, filho de Balthezar Corrêa, e Ifabel 
de Siqueira Religiofo profeíTo da Ordem 
dos Pregadores, Meílre na Sagrada Theo- 
logia. Qualificador do Santo Officio, Prior 
do Convento de Aveiro no anno de 1 5 8 1 . e de- 
pois do de Lisboa. Foy hum dos mais doutos 
interpretes da Sagrada Efcritura, que teve a fua 
idade, como o declaraõ as expofiçoens, que 
fez cm alguns livros delia, fendo os principaes. 

CommentariJ in feptem priora Capitula 
libri primi Kegum. foi M. S. 

CommentariJ in Prophetam Aggaum. & 
in Epiplas D. Pauli ad Titum, <& Phile- 
monem. foi. M. S. 

Fazem memoria muito breve deUe Author 



LUSITANA. 



79 



Ir. Pedro Monteiro C/omJí. Dom. tom. 5. 
iir. 134. c Fr. Lucas de Sanu Cather. na Hijl. 
da Prov. de S. Dominj^. de Por/ug. Part. 4. 
pag. 924- 

AYRES DA COSTA Cónego da Pri- 

■ icial Igreja de Braga, e Arciprefte de Bar- 

. lios igualmente douta nas refoluçoens do 

iDiteito Pontifício, como nos Ritos, e Cere- 

monias Hcclcfiaílicas, de que foy mani- 

icfto argumento a obra, que dedicou ao lUuf- 

irillmio Arcebifpo de Braga D. Manoel de 

lufa, com cfte titulo. 

Cere montai da Mijfa, e modo de admtniftrar bem 

Sacramitos da EMchariJlia, Ó* Matrimonio com 
ijAT Cânones Penitenciaes, e outras coufas. Lisboa 
Ipor Germaõ Galhard 1548. 4. 
í 

AYRES FALCAM PEREIRA natural 
ide Évora, donde paíTou a Coimbra a eftudar 
Direito Civil, cm cuja faculdade fez tantos 

EtíTos a fua viva comprehenfaõ, que 
eo fer laureado com a borla de Doutor 
fciencia. Por fer muito verfado em a 

iHiftoria Sagrada, e profana foy nomeado 
JGuarda mór da Torre do Tombo, minifterio, 
jem que fuccedeo ao Doutor António Car- 
^ralho de Parada, que morreo a 12. de De- 
Jzcmbro de 1655. de quem faremos em feu 
lugar mençaõ. Efcreveo huma obra Juridica, 
cujo titulo naõ chegou à noíTa noticia. 

AYRES PINHEL naceo em Coimbra, que 
igualmente ennobreceo com o nacimento, 
|como com o magiílerio. A viveza do engenho, 
a madureza do juizo, e a felicidade da memoria, 
que na fua adolefcencia fe admirarão, foraõ 
certos prognofticos do que havia fer na idade 
mais adulta. Levado do grande génio, que 
pnha para as letras paíTou a Salamanca, onde 
lOuvio por Meftres da Jurifprudencia Canónica, 
e Gvil aquelles dous grandes Oráculos hum 
rortuguez, e outro Caílelhano, António 
omes, e Martim Afpilcueta Navarro, e com 
a difciplina deftes infignes Cathedraticos já 
ipodia fer Meílre, quando era difcipulo. Nefta 
Tniveríidade recebido o grào de Bacharel 
paíTou à de Coimbra, onde fe graduou Doutor 
na faculdade de Direito Cefareo, o qual expli- 
cou com geral applaufo na Cadeira do Código 



defde o anno de 1544. até 1)48. Para fazer 
alguma paufa nas eípeculaçoens defta Facul- 
dade paííou a Lisboa a exercitar com a meínu 
profundidade a fua praâica no officio de 
Advogado, porem conhecendo ElRey D. 
Joaõ o III. que fe diminuya a mayor parte 
do efplendor da Univcrfídade com a aufencia 
deíle grande homem, o nundou com o titulo de 
Desembargador da Cafa da Suplicação ler a 
Cadeira de Vefpera de que tomou poíTe em 
24. de Fevereiro de i}j6. No tempo, que 
diâava neíla Cadeira eraò innumeraveis ot 
ouvintes, que anciofamentc frcquentavaõ a 
Aula, onde era venerada a fua fciencia como de 
hum oráculo, fahindo delia Varoens inúgoes, 
que acreditarão o Eílado Ecclefiaílico, e Secu- 
lar. Sabendo que eílava vaga a Cadeira de 
Prima cm a Univcrfídade de Salamanca paííou 
no anno de 1559. a opp>or-fe a ella, onde teve 
por competidor ao grande Jurifconfulto Ma- 
noel da Cofta noíTo Portuguez, e poílo, que lhe 
levou a palma, confiderando judiciofamente os 
Cathedraticos os merecimentos de Ayres 
Pinhel, lhe confignaraõ o mefmo ordenado, 
que recebia Manoel da Cofta, até que por morte 
defte lhe fuccedeu na Cadeira em que bailava 
para eterno credito do feu magifterio ter f>or 
difcipulo aquelle Corifeo da Jurifprudencia 
Francifco Caldas Pereira, o qual, em diverías 
partes das fuás obras, faz de tal Meftre agra- 
decida memoria. Nefta Univcrfídade onde 
tinha com univerfal applaufo dos feus alumnos 
paíTado grande parte da fua vida foy lamentada 
a fua morte, que fe originou da leve ferida 
de huma faca na maõ efquerda eftando aíif- 
tindo a hum banquete, a cujo funefto acafo 
lhe fez Joaõ Merula Jurisconfulto o feguinte 
Epicedio. 
Hic jacet ille Jolus Pinus fine frondis honore 

Altior, et multo pulchrior ante alias. 
Non potuit Boreas tantam fubvertere molem 

Quamvis Jjluam una perdere noãe folet. 
Nec fuit igniferi profirata è fulminis ira; 

Afi iãu exiguo {heu}) lafit iniqua manus. 
lãu uno ille jacet plácido fub tegmine cujus, 

Pierides feffo difcubuére Jono, 
Dulcifonamque lyram doãus pulfavit Apollo 

Quam nunc audito conterit interitu. 
Sic vi/um eft Superis melior tamen cethera fupra 

Translata exuJtat pars fruiturque Deo. 



8o 



BIBLIO THE C A 



Qua terrena erat trmcus manet, atque Cam<Bnc8 

Contendmt lacrymis, pullulat tila fuis. 
O feu nome exaltarão com diverfos louvores 
Joaõ Bautifta Geminian. de Ufur. Comment. i . 
ad L. Curabit. Inter recentiores nemtni ]urij- 
-Conjultorum Jecundus. Brito de I^ocat. et Cond. 
Part. 2. §. 2. n. 8. Egregitis ]uris Civilis Interpres. 
Bened. Pinell. Seleã. Jur. Interp. lib. i. cap. 8. 
n. I . mature, ac nervo/e, ut folet, tuetur patro- 
nus meus Árias Pinellus. Mend. à Caftr. in L. 
cum oportet in Decif. oper. de hon. liheror. Inter 
illius temporis Jurifconfultos eximius vir litteris, 
et ingenio prajlantijjimus miro ac eleganti ftylo 
de honis maternis traãatum edidit, ac eleganter 
confcripjit. Solorz. de Parricidij crimin. liv. 2. 
cap. 17. magni nominis virum. Joaõ Pinto 
Ribeiro 'Lufi. ao Dei^. do Paço cap. 3. n. 98. 
Denis Simon Nouvel. Biblioth. Hijioriq. et 
Chronolog. Tom. i. pag. 243. 'Nous avons 
de lui deux Traitès tres-folides. Caldas 
Pereira Part. 3. Oper. Emphiteut. cap. 14. 
n. 36. Sed parcant mihi manes doãijftmi Pi- 
nelli prcBceptoris olim mei in florentijfima 
Salmanticenfi Academia, niji me Jujcepti 
operis officium necejfitajque compulerit, non 
auderem certe tanti viri traditionem carpe- 
re. Et Part. 4. cap. 15. in L. íi Curat. 
Verb. Lasíis. n. 125. e em outras partes 
lhe chama doãiffimus. Manoel Soar. Ribeira 
feu difcipulo nas ohfervac. ao Direito Civil 
cap. 22. Arius Pinelus homo mehercle miri- 
fice et ad traãandum, <& ad docendum jus 
natus, e em outro lugar, vir júris intelli- 
gentia, ingenij acumine, (0° judicij maturitate 
ipjis Jurifconfultis prijcis non inferior. An- 
ton. Quezad. in Q,ucbJí. Júris: Egregius 
ille fenex Arius Pinelus. Baez. de Decim. 
Tut. cap. 14. n. 4. vir Optimus, virtutis ama- 
tor injignis ab exaãa deligentia, multaque, 
et accurata leãione, et gravitate judicij om- 
nia attentius excutientis laude dignus. D. 
Nicol. Ant. Bib. Hifp. Tom. i. pag. 132. 
Jurifconfultus egregius. Manoel de Faria, e 
Soufa nos Comment. das Rim. de Cam. 
Tom. I. pag. 330. o reconhece por bom 
Poeta. Joaõ Fernandes na Oraçaõ, que fez 
na Univeríidade de Coimbra quando a foy 
viíitar o Infante D. Luiz, impreíTa no anno 
de 1548. diz. Sed jam tandem júris perito- 
rum clajfem, imo vero totam jurijprudentiam 



abfolvit Pinellus, non folum júris, fed ]uJliti(B 
etiam conjultus. Quantus hic in jure Civili 
fit, mox audies Princeps Serenijfime, qui hujus 
amplijftmi Ordinis decreto apud te de jure dif- 
putabit ea eruditione, et prudentia, qua jam 
non femel ex hoc fuggejio propojitis fupra mille 
thejibus nominis fui gloria universam Hifpa- 
niam implevit. 
Compoz. 

Ad Rubricam, <& h.. 11. Cod. de refcindenda 
venditione Commentarij. Conimbricx apud 
Anton. Mariz 1558. foi. & Salmanticse apud 
Joan. Bautiílam à Terranova 1568. foi. com 
Annotationib. Emmanuel. Soar. da Ribeira. 
Venetijs apud Damianum Zenerum 1580. 4. 
Cólon. Agrippinas apud Theodorum Bau- 
mium 1573. 8. et Antuerpiae apud Joan. 
Keerberg. 161 8. foi. Francof. 1696. 8. com 
Index feito por feu difcipulo Innocencio j 
Sueyro; & ibi ex Officina Egenolphi Emmelij 
16 14. 8. RinteU. 1667. 4. 

De bonis maternis Commentaria, quibus ma- 
téria fuccejjionis jura feliciter explicantur. Conim- 
bricíe apud Antonium Maris. 1557. foi. 
Venetiis apud Jacobum Cornetum 1586. 8. 
Francof. apud Nicolaum BaíTeum 1587. & ibi 
apud Egenolphum Emmelium. 1614. 4. An- 
tuerp. apud Joan. Keerbergium. 1628. foi. 

Eílas duas obras fahiraõ juntas Salman- 
ticíe apud Mathiam Gaft. 1573. foi. & An- 1 
tuerpiae 1621. foi. 

Allegatio pro D. Federico de Portugal. 
Salmanticíe 1562. foi. 

Allegatio pro D. Saneio Cardona Ara- 
gonicB. Salmant. eod. an. foi. 

AYRES SANCHES, natural de Lif- 
boa donde partio até o Japaõ levado da am- 
bição de augmentar as riquezas, que pof- 
fuhia, porem vendo os frutos efpirituaes, que j 
colhiaõ os Padres Jefuitas naquelle Império, [ 
lhes pedio com fervorofas inílancias que o \ 
admitiíTem à fua Companhia para fer partid- [ 
pante de outros lucros mais preciofos por naõ | 
eílarem fogeitos à inconftancia da fortuna. \ 
Deíle heróico dezejo tomou a poíle no anno 
de 1561. quando contava trinta, e dous; 
annos de idade. Com incrível trabalho, e I 
ardente zelo fe applicou pello dilatado ef- 
paço de dezoito annos à cultura daquella 



Ji 



1 



L USITAN A. 



8i 



vaila vinha, donde colheo copiofos frutos 
atrahindo ao fuave jugo do Evangelho as 

pil IMloi. .!<) japaò, e convencendo 

I .^,1 jut;ii 1(1,1 (los Bonfos. Morreo em 
( )mura no anno 1590. com 62. de idade. 
I fcrcveo. 

Carta e/cri ta tm tíimgp aos IrmaÕs da Com- 

fuinhiii de Portugal a ii, de Outubro de 1562. 

ihio com outras. Évora por Manoel de 

Lyra 1598. foi. Part. i. pag. 10. v.o Coimbra 

por Anton. de Maris, 1570. 4. pag. 267. 

I raduziíla em Caftclhano pelo Padre Cypriano 

Kiris. Coimbra por Joaõ Alvres, c Joaò 

Jc barreira 1565. 4. pag. 527. e Alcalá por 

Juftn Inigues de Lequerica i $75. 4. a pag. 121. 

i cm Latim por Maffco lib. 2. lipiji. Ind. 

Jt-lorcntisc apud Philippum Jundlam 1588. 

foi. e pelo P. Manoel da Cofta lib. 3. Epift. de 

rebus Japonic. Cólon, apud Gcrvinum Calanium 

IJ74. 8. a pag. 511. & Moguntia: apud Scbal- 

dum Mayer. 1571. 8. a pag. 176. v.o 

Carta efcrita de Xiqui a 31. de Outubro 
à 1567. 

Carta efcrita de Virando a S. de Seítembro 
de 1576. Huma, e outra foraõ impreíTas 
com outras. Évora por Manoel de Lira 1598. 
Prat. I. in foi. a primeira a pag. 247. v.o e a 
fcgunda a pag. 373. 

Fazem delle mençaõ Sachino Hijl. Societ. 

iPlut. 2. lib. 2. n. 129. e Part. 3. n. 129. e Part. 4. 

n. 250. Alegamb. Bib. Societ. pag. 89. col. 2. 

António de Leon. Biblioth. Oriental Tit. 8. 

p. 34. 

AYRES DA SYLVA. Naceo em Lisboa, 

e foy filho fegundo de Ruy Pereira da Sylva 

j Guarda mór do Principe D. Joaõ Pay delRey 

D. Sebaíliaõ, Senhor do Morgado de Monchi- 

I que, e de Izabel da Sylva filha de Joaõ Fernan- 

) des da Sylva. Admiráveis foraõ os progreíTos, 

1 que em Coimbra fez nos eíhidos Filofoficos, e 

' Theologicos recebendo com univerfal applaufo 

o gráo de Meftre em Artes, e de Doutor em 

S Theologia em 27. de Julho de 1 5 67. Atendendo 

I ElRey D. Sebaíliaõ ao feu grande talento, que 

|i fe fazia mais eftimavel pela integridade dos cof- 

tumes, o elegeo para huma das bafes fundamen- 

taes do Collegio Real de S. Paulo de Coimbra 

|de que tomou a beca em 2. de Mayo de 1563. 

iDe Reytor defte Collegio paliou a fer da 

II 



Univerfidade, em cujo lugar foy provido em 
19. de Novembro de 1)64. e o exercitou por 
efpaço de cinco annos com fumma prudência, 
e affabilidade. Por fua direcção inílituhio 
na Univerfídade ElRey D. Sebaíliaõ em o 
anno de 1568. trinta partidos de vinte mil reis 
cada hum para trinta Eíhidantes eíludarem 
Medicina. Defgoílofo do governo Acadé- 
mico fupplicou ao Cardeal D. Henrique, que 
governava o Reyno na menoridade de feu 
Sobrinho, que lhe deflc fucceíTor, e atten- 
dendo a taò juílifícada fupplica o proveo na 
Igreja de Villaflor, da qual foy promovido 
para a Epifcopal da Cidade do Porto, onde 
entrou em 19. de Mayo de 1 573. com exceíTivo 
jubilo das fuás ovelhas. Neíle anno veyo a 
Coimbra a reformar a Univerfídade, que tinha 
governado com tanta madureza, fendo rece- 
bido à porta da Sala, onde tomou o juramento 
em 14. de Novembro, pelo Reytor D. Jero- 
nymo de Menezes acompanhado dos quatro 
Lentes de Prima. O grande conceito, que fa- 
zia da fua peíToa ElRey D. Sebaíliaõ o obrigou 
para que o acompanhaíTe na infeliz expedição 
de Africa, onde exercitando naõ fomente as 
obrigaçoens de folicito Paílor, mas de valerofo 
foldado, querendo recuperar a artilharia Por- 
tugueza ganhada pelos Mouros, acabou glo- 
riofamente a vida na prefença do feu Principe 
em 4. de Agoílo de 1578. e foy fepultado com 
os outros Heróes, que infelizmente acabarão 
nefte dia eternamente fatal à Naçaõ Portu- 
gueza, onde a fua memoria lhe ferve de hono- 
rifico epitáfio. Compoz. 

Difcurfo fobre o Cometa, que appare- 
ceo em Usboa a -j. de Novembro de 1577. 
até 12. de Janeiro de 1578. 

Deíle Prelado efcrevem Jeronymo de 
Mendoça na Jornada de Africa lib. i. cap. 6, 
Manoel de Soufa Moreira Theat. Geneal. 
da Cafa de Souf pag. 738. dizendo D. Manoel 
de Meneses Obifpo de Coimbra, Ayres da Sylva 
Obifpo dei Porto, que en aquel cruento Sacrifício 
quii^ieron fer antes Viãimas, que Sacerdotes. 
O IlluítriíTimo D. Rodrigo da Cimha Cathal. 
dos Bifpos do Porto Part. 2. cap. 37. D. Luiz 
Salazar y Caíl. Hijl. dela Cafa de Sylva liv. 8. 
cap. 19. lj)gró la primera ejlimacion entre todos 
los doãos.... en la dulçura de fu goviemo, 
integridad de fus coflumbres experimentaron 



82 



BIBLIO THE CA 



Jus Juhditos un henignijfimo Pajlor. Cabrer. 

Hijl. de Filip. 2. liv. 12. cap. 8. pag. 997. 

D. Nicol. de S. Maria Chron. dos Coneg. 

^eg. Part. 2. liv. 10. c. 15. n. 7. Coneílagio 

Union de Portug. a Caftil. liv. 2. foi. 37. Mou- 

íinh. de Quevedo Affonf. Afric. Cant. 11. 

Fermofo Sjlva, que em Jeu fungue ahjorto 

De purpura o Roxeie, Elmo a Tiara, 

Fe:^ de Jifacrificio, e lá no Porto 

A Deos por quem morreo, facrificara. 

D. Jozé Barbofa nas Mem. do Colleg. 

Keal de S. Paul. pag. 77. e no Archiathan. 

L,ujitan. pag. 120. 
Arius antiqua gentis fplendore corujcans 
Sylvia ah augufio qua ducit nomen Julo. 
Tanta efi egrégio virtus in peãore Pauli 
Ut fimul, (& CcBtus, celehris que Academia 

legum 
Audiat à Sylva veneranda Oracula magno. 
Infpice quanta virum jam prcemia digna fequantur. 
Praful erit veteris Durius quam concitus Urbis 
Fluãifonis fcBcudat aquis, <& vitihus ornat. 
Dum tamen implerit Pafioris munia jufti, 
Sollicitujque gregem documentis paverit aquis 
Mquora Julcahit juvenis Jinuofa Sebajius 
Quem rapit incerti fublimis gloria Martis. 
Arius occumhet Jocius qui à Rege vocatus 
Pro pátria pugnans faãa excequabit avoru. 
Mucroni baculus, galece Jacra infula cedet, 
Bellica dumq vigil recipi tormenta laborat, 
Occumbit morti Lybicis tumulandus arenis. 

AYRES TELLES DE MENEZES, 
filho fegundo de Fernaõ Telles de Mene- 
zes quarto Senhor de Unhaõ, Commenda- 
dor de Ourique em a Ordem de Saõ Tiago, 
Mordomo mòr da Rainha D. Leonor mu- 
lher delRey D. Joaõ o II. e de D. Maria 
de Vilhena filha de Martim Affonfo de Mel- 
lo Alcayde mòr de Olivença, Guarda mor 
dos Reys D. Duarte, e D. Affonfo V. Foy 
ornado de admiráveis dotes, que fe illuftra- 
vaõ com o efplendor do feu nacimento, fendo 
taõ perito na Poefia, como deftro na 
Luta, muito ufada naquella idade pelas Pef- 
foas da fua Jerarchia, para cujo exercício o 
dotou a natureza de forças extraordinárias. 
Acompanhou a ElRey D. Joaõ o II. quando 
para remédio da infermidade, que padecia, 
foy bufcar as Caldas do Algarve, e em 



Monchique fe divertio eftc Príncipe vendo 
lutar a Ayres Telles fahindo gloriofamente 
vencedor de todos os Contendores. Com 
grande affefto, e naõ menor fentimento 
aíTiftio em Alvor à morte daquelle Monarcha 
no anno de 1495. Defenganado das glorias 
mundanas fe recolheo à Religião do Patriar- 
cha Seráfico, onde acabou piamente a vida. 
Fazem memoria do feu nome Refende Chron. 
delRej D. JoaÕ o II. cap. 208. e 218. D. Luiz 
Salazar, e Caíl. HiJl. Geneal. da Ca/a de Sjlv. 
Part. 2. liv. 9. cap. i. pag. 328. 

Algumas das fuás Poefias imprimio no 
feu Cancioneiro Garcia de Refende impreíTo 
em Lisboa por Herman de Campos. 15 16. 
foi. e eftaõ a foi. 80. v.^ 149. v.o 145. 150. 
152. 154. 176. v.o 177. 178. v.o 179. v.o 181. 
v.o 198. e 199. 

AYRES VARELLA, natural da Cidade 
de Elvas na Provinda do Alentejo. Na Uni- 
verfidade de Coimbra depois de eftudar 
Direito Pontificio recebeo o gráo de Doutor 
neíla faculdade. Sendo Cónego Doutoral 
na Sé da fua pátria, e Comiííario da Bulia da 
Cruzada, o elegeo por Vigário Geral D. Manoel 
da Cunha Bifpo da mefma Diecefe, em cujo 
lugar exercitou a juftiça, que era própria de 
hum Miniítro Ecclefiaílico. Foy muito verfado 
na Hiíloria, aífim fagrada, como profana. 
Morreo na fua pátria no anno de 1665. Para 
teftemunhar o leal affefto, com que eílimava 
os triumfos alcançados pelas noíTas armas 
contra as Caftelhanas no tempo, que fe accla- 
mou o Sererdífimo Rey D. Joaõ o IV. ef- 
creveo. 

Succejfos, que houve nas fronteiras de Elvas, 
Olivença, Campo major, e Ouguella o primeiro 
anno da recuperação de Portugal, que começou 
no primeiro de Dezembro de 1 640, e fe^ fim em 
o ultimo de Novembro de 1641. Lisboa por 
Domingos Lopes Rofa 1642. 4. 

Succejfos, que houve nas fronteiras de 
Elvas, Olivença, Campo Major, e Ouguella- 
o fegundo anno da recuperação de Portugal, 
que começou em o primeiro de Dezembro 
de 1641. e fez fif» em o ultimo de Novem-, 
bro de 1642. Lisboa pelo mefmo ImpreíTor' 
1643. 4. 
Deixou M. S. 



f 



■|^Kftftf/r0 dat AMiigfàdades de Elvas com a 
Hftoria da ttiejma Cidade, e defcripçaÕ das terras 
da Jm Comarca cm folha. G^nílava de féis 

'livros. 1. defdt os Celtas feus fundadores até a 
f)ojfuirem os Mouros, x. delKey D. AJfonJo 
Uenrtifuez até D. Fernando. 5. de E/Rej D. 
loaõ I. até D, Affonfo V. 4. de/de L/Rej D. 
joaõ o 11, até D. Manoel, j . de/de hlRey D. Joaõ 
n III. até Filippe IV. 6. de/de ElRey D. Joaõ 
I) IV. até o cerco do Tarracufa. Por carta do 
luthor cfcrita cm Elvas a 9. de Janeiro de 
1 647. a Jorge Cardofo lhe diz, cílar acabando 
eâa obra, da qual efcreve D. Francifco Manoel 

'de Mello na i. Part. das Cartas Familiares 

tnlitr. 5. Carta 62. Quem muito quiv^er Jaher 

(las fuás memorias ( da Cidade de Elvas ) e 

mtigualhas fatisfará feu dev^ejo vendo o douto, 

diligente Livro, que da fua hifloria tem compoflo 

o Doutor Ayres Varella filho benemérito daquella 

I Cidade, Governador do feu Bifpado, e Vi- 

Igjtrio Geral delle, e na Carta. i. da Centur. 
|. muito di^o de eflimaçaõ em todos feus ef- 
ritos fejaÕ relaçoens, ou antiguidades. 

Vita D. Sebafliani de Mattos de Noro- 

I nba Epifcopi Elvenjis. Cujo original fe con- 
Icrva na Livraria do Conde de Vimieiro como 

í tcftemunha o Excellentifnmo Conde da Eri- 

[ ccira no Cathalogo, que fez dos Aí. S. da- 
quella Livraria, e fahio parte delle impreíTo 

1 DA Colleçaõ dos Documentos da Academia Real 
fio anno de 1724. 

Genealogia de todas as familias do Bifpado 
de Elvas, a qual fe confervava em poder de 

i Diogo Gomes de Figueiredo, que foy muito 

r douto neíle género de eíludo. 



D. ALBERTO DA ASSUMPÇAM 

FRIQUE, filho de Joaõ Frique, e D. 

Qara Piper naceo em Lisboa a 16. de Ju- 

I nho de 1691. Recebeo o habito de Cónego 

I Regrante de Santo Agoílinho no Convento 

da Serra da Cidade do Porto a 6. de 

Mayo de 1706. Depois de efhidar Filofofia, 

\ e Theologia no Collegio de Coimbra com 

I grande credito do feu talento fahio a fer 

Reytor da Igreja de Saõ Salvador de Pena- 

joya no Bifpado de Lamego, de que tomou 

pofle em 29. de Julho de 1725. cujo minif- 

terio exercita com zelo de vigilante Paiior, 

naõ fendo inferior a efte o que manifeíla no 



LUSITANA. 



83 



púlpito com grande applauío dos ouvintes. 
Imprimio. 

Orafod fufubre prè^ula na Santa Sé dê La- 
megí nas Exeqtdas do Excellentifftmo D. Nuno 
Alvares Pereira de Mello, primeiro Duque do 
Cadaval, quarto Marque:(^ de Ferreira, quinto 
Conde de Tentúgal e^r. mandadas celebrar por 
feu filho o lllujlrijfimo, e Reverendijftmo D. Nuno 
Alvares Pereira de Mello Bifpo de Lamego em 19. 
de Fevereiro de 1727. Coimbra por Manoel 
Carvalho 1727. 4. 

OrafaÕ fúnebre pregada no Convento de Jefus 
Alaria Jofeph das Religiofas de Santa Clara de 
Barro, nas Exéquias de D. Nuno Alvares Pe- 
reira de Mello primeiro Duque do Cadaval em 
28. de Março de 1727. Coimbra por Bento 
Ferreira Seco 1727. 4. 

D. ALBERTO CAETANO DE H- 
GUEYREDO. Naceo na Villa de Santarém 
a 24. de Mayo de 1699. e teve por Pays a 
Manoel de Figueiredo Vaz, e Mariana da 
Cofta. Na idade da adolefcencia foy admittido 
à Religião dos Clérigos Regulares, e na Caía 
de N. Senhora da Divina Providencia defta 
Corte recebeo a Roupeta a 8. de Abril de 1720. 
donde a 13. do dito mez partio para a índia, e 
na Cafa de Goa, fez a profiíTaõ folemne a 22. 
de Setembro de 1721. Pelo efpaço de quator- 
ze armos exercitou com igual zelo, que fruto 
dos ouvintes o apoftolico miniílerio de Mif- 
fionario, atè que voltando para o Reyno me- 
receo naõ fomente pela fua aíFabilidade fer 
elevado ao lugar de Prepofito, que aéhial- 
mente exercita, mas a eftimaçaõ pelo talento, 
que tem para o púlpito, de que he teftemimha 
a feguinte obra. 

Panegyrico Fúnebre nas Exéquias de JoaÕ de 
Soífí(a Mexia Cavalleiro profejfo da Ordem de 
Cbriflo, Secretario da Junta da Serenijfima Cafa 
de Bragança, e do Infantado, e Efcrivaõ da Fa- 
^enda da mefma Cafa celebradas pela Mefa do 
Santijfimo Sacramento da Fregue;(ia das Mercês 
a 24. de Julho de 1738. Lisboa na Officina Syl- 
viana da Academia Real. 1738. 4. 

Fr. ALBERTO DE FARIA, e naõ de 
Farias, como lhe chama Nicoláo António in 
Bib. Hifp. Tom. i. pag. 5. col. i. e preterido 
por Fr. Manoel de Sá nas fuás Memor. Hijor. 



84 



BIBLIOTHE CA 



dos Efcrit. Poríug. do Carmo, cujo habito re- 
cebeo na Província de Portugal, onde apren- 
deo Filofofia, e Theologia, e fahio taõ douto 
neílas faculdades, que o julgou digno Fr. Joaõ 
Bautiíla Rubeo Geral da Ordem quando no 
anno de 1556. andava vifitando as Províncias 
de Efpanha, de o levar em fua companhia 
para que as diftaíTe em Andaluíia, fendo o 
primeiro Meílre, que neíla Província leo Theo- 
logia, como affirma Manoel de Faria, e Souza 
na Europ. Portug. Tom. 3. Part. 4. cap. 8. 
n. 102. o qual miniílerio exercitou com geral 
acclamaçaõ, ou foíTe enfinando, ou arguindo. 
A grande opinião que corria da profundidade 
das fuás letras moveo a D. Pedro Giron Du- 
que de Oííuna para o nomear Lente de Ef- 
critura na Univeríidade de OíTuna. Occupou 
os mayores lugares da fua Ordem, fendo duas 
vezes Provincial; a primeira no anno de 1571. 
e a fegunda no anno de 1596. Depois de tole- 
rar com paciência huma dilatada infermidade 
cheyo de merecimentos com mais de 80. annos 
morreo em Valladolid. Delle fe lembraõ 
Marco António Alegre in Parad. Carm. Dec. 
Imbonat. in Bíb. Laf. Hebraic. pag. 300. n. 914. 
Jacobo Lelong. in Biblioth. Sacra pag. 721. 
col. I. Deixou M. S. 

Kerum Theologicarum duo Volumina. foi. 

Dialogorum Volumen in quibus SanãcB Scrip- 
tur<2 Hebraifmi, <& GrcBciJmi Jatis Jubtiliter eno- 
dantur. foi. 

D. ALBERTO DE S. GONÇALO, ve- 
ja-fe D. ALBERTO DA SYLVA. 

Fr. ALBERTO DE S. JOSEPH na- 
tural do Lugar de Porto de Mòs, do Bifpado 
de Leyria. No Real Convento de Alcobaça 
veílio a Cogulla Ciílercienfe em 24. de Feve- 
reiro de 1668. Pela grande capacidade de 
que era dotado para tratar os negócios per- 
tencentes à fua Congregação foy eleyto Pro- 
curador Geral, cujo lugar adminiílrou por 
muitos annos com fummo zelo, e cuidado. 
Naõ foy menor o difvello que praticou no 
minifterio de Carturario revolvendo com in- 
canfavel trabalho as Efcrituras, e documentos 
do Archivo de Alcobaça para delles extrahir 
as obras feguintes, que M. S. nelle fe con- 
fervaõ. 



Eivro das Sentenças, e outros papeis necef- 
farios. foi. 

Regimento para o Reverendo D. Abbade Ge- 
ral dejle Mojleiro de Alcobaça fav^er as eleiçoens 
das Jujliças, Capitaens das Companhias, e outros 
Officiaes da Milicia. foi. 

Fr. ALBERTO DA NATIVIDADE. 
Naceo na Cidade de Évora, e profeíTou o 
Inftituto de Carmelita Calçado, do qual naõ faz 
mençaõ Fr. Manoel Sá nas fuás Mem. hijl. dos 
Efcritores defia Provinda. Foy Meftre de Theo- 
logia na Univeríidade de Coimbra, e Reitor 
do CoUegio do Carmo da mefma Cidade, onde 
diâou aos feus domefticos as fciencias Efcolaf- 
ticas com grande credito do feu nome. Com- 
poz. 

De Jujlitia Dei, cuja obra naõ fahio à luz 
publica por lho impedir a morte. 

D. ALBERTO DA SYLVA. Naceo na 
Villa de Amarante em o anno de 1635. e teve 
por Pays a Francifco da Sylva de Vafcon- 
ceUos, e a D. Maria da Pinha Pinto defcen- 
dentes das mais nobres Famílias da Provinda 
de Entre Douro, e Minho. Na tenra idade 
de quinze annos recebeo o Canónico habito 
de S. Agoílinho em o Real Convento de Saõ 
Salvador de Grijò a 16. de Março de 1650. 
onde em obfequio de Saõ Gonçalo feu iníigne 
patrício tomou por apeUido o nome defte 
Thaumaturgo Portuguez, que depois mudou 
em o da fua familia, quando foy aílumpto a ' 
Arcebifpo de Goa. Foy dotado de huma vi- ■ 
vefa extraordinária para comprehender as 
difficuldades aíTim da Filofofia, como da 
Theologia, de tal forte, que todo o tempo que 
frequentou as Efcolas ou como difcipulo, ou 
como Meílre mereceo univerfaes applaufos. 
Tendo exercitado o lugar de Procurador \ 
Geral da fua illuítre Congregação, de Prior » 
do Real Convento de Saõ Vicente duas vezes, 
e de iníigne Pregador nos mais authorizados 
Púlpitos deíla Corte o nomeou, em atenção 
aos feus grandes merecimentos, a Mageftade 
delRey D. Pedro II. Arcebifpo Primaz do 
Oriente, cuja dignidade naõ permitio a morte, 
que a adminiUraíTe mais que pello breve ef- 
paço de hum anno, como confta do Epitáfio, 
que fe vé gravado na fua fepultura, que efta 



L USITANA. 



85 



IO Presbitério da Capella Mór da Cathedral 
l(- Goa neílas palavras. 

Sepnltnra de D. Alberto Ha Sylva Conejip Ke- 
rante de Santo Ajipjlinho, Arcebifpo Primas da 
ndia. C.hefipu do Keyno a tjlt Eflado aos 21. di 
vtttítmbro de 1687. Valleceo aos 8. dt Abril 
\k 1688. Depois do Jeit óbito fahio para Cover- 
mànr de/te lijlado. 

Publicou com o nome de D. Alberto de 
.10 (ionçalo. 

SermaS pregado no Convento de SaÒ Domingos 

WjU Cidade na fejía, que fe fe:(^ da Beatificação do 

rjnde Summo Pontifice Pio V. em 9. de Outubro 

1^1-2. Lisboa por Francifco Villela. 1673.4. 

ALEIXO DE ABREU. Naceo no lugar 
lias Alcáçovas da Província do Alentejo. 
jSendo de nove annos paíTou à Univerfidade 
\it Évora, onde aprendeo a lingua Latina, 
IRhetorica, e Filofoíía, cm cuja faculdade rc- 
ibebeo o grào de Meílre. Mais obediente à incli- 
nação do génio, que à vontade de feu Pay 
irtío para Coimbra a eftudar Medicina donde 
atisfeito com o eftipendio Real, que fe cof- 
biina dar aos Eíludantes pobres, ouvio aos 
Ibaayores profeíTores daquella arte, fendo o 
principal Balthezar de Azeredo, que era o 
jHipocrates daquella idade, e fez nella taes 
progreíTos, que com univerfal aclamação re- 
bebeo o gráo de Licenciado. Com igual for- 
tuna, que fciencia começou a exercitar eíla 
|Arte na Província do Alentejo, como na Corte 
tíc Lisboa, merecendo, que o elegeíTe para feu 
Medico AiFonfo Furtado de Mendoça, quando 
foy governar o Reyno de Angola. Nefte clima 
ítaõ nocivo à confervaçaõ da faude obrou curas 
•jptodigiofas naõ fendo menos capaz para curar 
"OS corpos, de que para manejar as Armas, pois 
quando fe offerecia alguma occafiaõ militar 
fearercitava as obrigaçoens de valerofo Soldado, 
íc prudente Capitão, como em feu applaufo can- 
tou D. Francifco Manoel 

Alas em tanto conjidero 

Qual más deve a tu valor 

Por Soldado, y por Doãor 

Si la pluma, Ji el a^^ero. 

Pues, que unoj otro eftado 

Cabe en un fujeto Joio 

Talve^fiendo armado Apolo; 

Talve^ Marte graduado. 



PaíTados nove annos fe reílituhio a Lisboa, 
em 1606. onde curando com fumma felicidade 
muitos achaques rebeldes, e inueterados, foy 
eleyto Medico da Gamara delRey Felipe IIL 
Padecendo huma perigofa infermidade no 
anno de 161 4. fendo defamparado pelloa 
Médicos por incurável, elle mefmo fe 
curou, e perfeitamente convaleceo manifeí- 
tando os males, que padecera no titulo defta 
obra. 

Tratado delas fie te enfermedades de la inflam a- 

cion univerfal dei higado, firbo, Pilderon,y rinones, 

y dela obflrucion dela fitiarit(i, y febre maligna, y 

pajfion bypocondriaca. Lisboa por Pedro Cras- 

beeck. 1622. 4. 

No fim defte livro traz hum tratado do mal 
de Loanda fendo o primeiro Portuguez que 
delle efcreveo. Morreo em Lisboa no anno- 
de 1650. com 62. de idade. Eílá fepultado no 
Clauftro do Convento de Lisboa dos Religio- 
fos Capuchos de Santo António com eftc 
epitáfio. 

Sepultura do 'Licenciado Aleixo de Abreu, 
e feus herdeiros. Medico de fua Mageftade, e defte 
Convento. 

He numerado entre os infignes Médicos 
por D. Francifco Manoel na Carta efcrita a 
Manoel da Fonfeca Themudo. 

Fr. ALEIXO DE SANTO ANTÓNIO 

natural da Villa de Punhete do Arcebifpado 
de Lisboa. Depois de alcançar o gráo de Ba- 
charel na faculdade dos Sagrados Cânones em 
a Univerfidade de Coimbra recebeo o Habito 
da Ordem Regular, e Militar de Chriílo no 
Real Convento de Thomar a 6. de Janeiro de 
1583. Por fer verfado em todo o género de 
virtudes foy eleyto Meílre dos Noviços, cujo 
miniílerio exercitou pelo largo efpaço de trinta 
annos com grande credito da fua Peííoa. Foy 
Reytor do Collegio de Coimbra, e Definidor 
da Ordem. Quando as fuás graves occupa- 
çoens lhe permitiaõ algum defcanfo, fe ocupa- 
va na liçaõ dos livros, em que achava o feu 
único alivio. Morreo no Convento de Tho- 
mar na proveda idade de noventa annos a 7. 
de Dezembro de 1648. Compoz. 

Commentarios fobre os Evangelhos, que fe 
coftumaÕ cantar na Igreja Romana nos Domingos 
do Advento, e da Septuagefima até a Dominga 



86 



BIB LIO THE CA 



Ae Vajchoa; como também em algumas Ferias, e 
Feftividades de Santos. Coimbra por Diogo 
Gomes Loureiro 1610, 4. 

Filofofia moral colhida dos Provérbios. Coim- 
bra pelo mefmo ImpreíTor 1640. 4. Delle 
faz memoria António Carvalho da Coíla 
Corograf. Port/ig. Tom. 3. Trat. 4. cap. i. 
pag. 162. 

Fr. ALEIXO COTRIM Religiofo da 
Militar Ordem de Chriílo no Real Convento 
de Thomar taõ infigne na Theologia, como 
na intelligencia da Sagrada Efcritura, de 
que faõ teftemunhas as obras feguintes, de 
que faz mençaõ António Carvalho da Coíla na 
Corog. Vort. Tom. 3. Trat. 4. cap. i. pag. 162. 

Commentaria in Uvangelia. Foi. M. S. 
Discurfos fobre as Domingas da Qtiarejma. 
M. S. 

D. ALEIXO DE MENESES foy filho 
de D. Pedro de Menefes primeiro Conde de 
Cantanhede, e de fua fegunda mulher D. Bea- 
triz de Mello filha do Chanceller mór Ruy 
Gonçalves de Alvarenga. Ainda que naõ 
fora taõ fecunda a illuílre, e antigua arvore 
dos Menezes bailava eíla única producçaõ 
para fervir de Coroa à portentofa fertilidade 
de feus frutos. Querendo a naturefa formar 
na fua peíToa huma perfeita imagem da heroy- 
cidade difpoz, que fahiíTe à luz do mundo em 
terceiro lugar, fervindo-lhe a formação de dous 
Jrmaõs, que lhe precederão, de enfayo para 
acertar em huma obra, que lhe cuflava tanto 
difvelo. Naõ foy menor o engenho com que 
a Graça, em emulação da natureza, ornou o 
feu efpirito, communicando-lhe todo o gé- 
nero de virtudes, que religiofamente pra- 
ticou defde a infância até a ultima idade, 
pellas quaes fe fez digno da veneração dos 
Príncipes, e do refpeito dos Grandes. Ainda 
contava poucos annos, quando colheo glo- 
riofas palmas na celebre Conquilla de Azamór 
confeguida no anno 15 13. em cuja expedição, 
que foy o preludio das fuás militares proefas, 
naõ fomente fe oílentou companheiro, mas 
emulo do valor de feu grande Tio D. Joaõ 
de Menezes. Depois de ter aíTombrado a 
Africa com acçoens dignas do feu nacimento 
bufcou mayor theatro para exercitar os 



marciaes efpiritos, que lhe animavaõ o peito, 
paíTando à índia com o Governador Lopo 
Soares de Albergaria, onde occupando o 
poílo de Capitão de huma efquadra de outo 
navios, em que difcorreo pela Coíla da Ará- 
bia, e fer Almirante da armada, que no mar 
roxo foy bufcar ao Soldaõ da Babilónia, 
fe coroou com multiplicados triumphos, já 
na Conquiíla de Zeila na Coíla da Etiópia, já 
obrigando a ElRey de Bintaõ a levantar o 
cerco de Malaca tomando-lhe para teíle- 
munha da viíloria o Forte de Muar guarne- 
cido com fetenta peças, já no Socorro de 
Coulaõ reduzido ao ultimo perigo. Carre- 
gado de tantos trofeos fe reílituhio ao Reyno, 
onde conhecendo ElRey D. Joaõ o III. que 
era igual a capacidade do feu juizo à valentia 
do feu braço, o mandou paíTar fegunda vez 
a Africa para reformar, e prover os prefidios 
de Arzilla, Azamór, e Tanger, de que eraõ 
Capitaens D. Joaõ Coutinho Conde do Re- 
dondo, o Conde do Prado, e D. Álvaro de 
Abranches, cuja commilTaõ executou com 
fumma prudência. A fama das proefas, que 
obrara no Oriente, o habilitou para fer eleito 
Governador de taõ grande Eílado, cujoa u- 
thorizado lugar naõ exercitou por querer | 
D. Joaõ o III. fervir-fe do feu talento em 
outros miniílerios, de que refultava mayor 
gloria à Coroa, como foraõ fer Embaxador 
à Mageílade Cefarea de Carlos V. e concluir 
no anno de 1542. os auguílos defpozorios 
da Princeza D. Maria com o Príncipe de Caf- 
tella D. Filipe fendo Conduâor deíla Senhora 
com o lugar de feu Mordomo mór. Naõ 
he fácil de explicar a grande eílimaçaõ, que 
o Cefar Auílriaco, e FiUpe II. fizeraõ da fua 
PeíToa chegando a tal exceíTo, que por nomea- 
ção deíles dous Monarchas foy eleyto Padri- 
nho do Príncipe D. Carlos, o qual para nunca 
fe efquecer da veneração de que era digno o 
mandava vifitar todos os annos. Naõ houve 
lugar honorífico para que o naõ achaíTe capaz r 
a eleyçaõ delRey D. Joaõ o III. nomeando-o 
Ayo de feu filho o Príncipe D. Joaõ, que 
eUe modeílamente recufou lembrado do agudo 
fentimento, que ainda confervava pela intem- 
peíliva morte da Princeza D. Maria. O mefmo 
Monarcha o creou Mordomo mór de fua 
Efpofa a Raynha D. Catherina, cujo offido 



L USITANA. 



87 



Iminiftrou com Aimnift gtAvidade. Ultitna- 
I icntc deixou o mcfmo Prindpe por legado po- 
ttico no feu Teftamento, que foíTe Ayo de feu 
^eto o Príncipe D. Sebaftiaõ querendo ainda 
lepois de morto eternizar o nobre conceito, que 
l/era quando vivo dos merecimentos de taõ 
t ande Va/Talo. Neíla incumbência defcobrio 
f)t mayorcs dotes de que fe ornou o feu cfpi- 
rito intentando formar naquellc Príncipe entre- 
is ao feu vigilante cuidado huma perfeita Ima- 
( m da Magcftade infinuandolhc com afTeéhiofa 
iidelidade, e grave madureza os díélames necef- 
fifios para abraçar as virtudes, e abominar os 
vidos, de que coílumaò fer fautores os Palacia- 
nos. Muitas vezes fe valia da feveridade para re- 
pdffiir os violentos impulfos daqueile Príncipe, 
que já em idade taõ tenra degeneravaõ em ex- 
oeflbs; em outras uzava de benevolência atrahín- 
dolhe fuavemcntc a vontade quando repugnava 
ceder da fua obftínaçaõ. Como fempre atendeo 
mais pella gloria do Reyno, que pella própria 
convcnicncía, nunca aceitou mercê alguma 
affirmando, que em quanto foíTe Ayo delRey 
D. Sebaftiaõ, naõ pediria, nem aceitaria algum 
premio por naõ fe atribuir menos ao feu mere- 
tímcnto, que à liberalidade Real. Defte heróico 
defintereíTe fera eterno teftemunho a fingular 
modeftía com que recufou o Condado de Villa 
de Rey dizendo, que era pobre para taõ autho- 
rizado titulo poíTuindo unicamente a Alcay daria 
mdt de Arronches, que fe lhe deu em fatis- 
façaõ de huma Comenda, que fe tirara a feu 
falho. Foy valerofo Capitão, prudente Emba- 

Iczador, confummado Politico, e em taõ di- 
vetfos minifterios preferio a honra ao inte- 
refle, a benevolência à feveridade, e a verdade 
«a lizonja. Feliz feria o reynado delRey D. Se- 
baftiaõ fe por mais tempo fora difcipulo da 
[fua efcola, mas como eftava determinada 
por mais alta providencia a ruina daqueile 
Príncipe, permitio, que lhe faltaíle taõ grande 
Vaffido, que cheyo de virtudes, e de annos 
^acabou a vida traníitoria para começar a 
1^ eterna em 7. de Fevereiro de 1569. Foy ca- 
jfado duas vezes, a primeira com D. Joanna 
de Menezes fua Sobrinha filha de D. Henrique 
, de Noronha, de cujo defpozorio teve a D. Lui- 
[za de Menezes, que cafou com D. Pedro de 
■ Menezes outavo Senhor de Cantanhede, a qual 
morreo de parto fem filhos. Dezejãdo ElRey 



D. Joaõ o m. que fe etemizaíTe a memoria 
de D. Aleixo na poftcridade, ficando reprodu- 
zido na fua defcendencia, lhe ordenou que 
paíTaíTe ft fegundas vodas, quando contava 
7j. annos de idade. Obedeceo ao Real pre- 
ceito cazando com D. Luiza de Noronha 
filha de D. Álvaro de Noronha, de quem 
teve numcrofa fuceíTaõ fendo o primogénito 
D. Luiz de Menezes, que na florente idade de 
vinte, e trez annos acabou infelizmente na 
batalha de Alcácer: o fegundo foy D. Álvaro 
de Menezes pagem da Campainha delRey 
D. Sebaftiaõ, que cafou com D. Violante de 
Távora filha de D. Vafco da Gama Conde da 
Vidigueira; terceiro D. Pedro de Menezes, 
que dcfprezando o mundo fe recolheo na 
Religião dos Eremitas de Santo Agoftinho, 
do qual logo faremos larga mençaõ. A eftes 
três filhos feguíraõ duas filhas, que foraò 
D. Beatriz, que morreo na infância, c D. Meda, 
que cafou com D. Luiz Coutinho quarta 
Conde do Redondo. 

Notáveis foraõ os pareceres políticos, que 
em diverfas occafioens compoz D. Aleixo 
de Menezes, em que fe defcobrio fempre a 
re£lidaõ do feu juifo, e a fidelidade do feu 
zelo, aífim para a boa educação delRey 
D. Sebaflúaõ, como para augmento, e confcr- 
vaçaõ defta Monarchia, dos quaes unicamente 
chegarão à noíTa noticia os feguintes. 

Vofo acerca da qualidade da Pejfoa, que devia 
fer eleita para Meftre delKey D. SebaJliaÕ Impreílo 
na Chron. dejle Príncipe, que fahio em nome de 
D. Manoel de Menezes cap. 25. Lisboa na 
Officina Ferreiriana. 1730. foi. e nas minhas 
Memor. Hijl. delRej D. Sebajl. Part. i. liv. i. 
cap. 15. n. 131. que fahiraõ em Lisboa por 
Jozé António da Sylva. 1736. 4. 

Difcurfo acerca de ter fido eleito por Cõ- 
fejfor delRey D. Sebafiiaõ o P. Lmíz Gon- 
Jalves da Camera, que era feu Mefire. Im- 
preíTo na Chron. já allegada. cap. 113. e nas 
minhas Memor. Hifi. liv. 2. cap. 22. n. 166. 
defde pag. 620. até 628. 

Praãica feita a ElRej D. Sebafiiaõ no 
dia antecedente ã fua Coroação. Sahio im- 
preíTa na Chron. allegada cap. 126. e na Hif- 
toria Sebafiic. liv. i. cap. 16. compofta pelo 
Reverendiflimo Padre Fr. Manoel dos San- 
tos Monge Ciftercienfe Chronifta de Sua 



88 



BIBIIO THE CA 



Mageílade, e Académico Real, impreíTa 
Lisboa por António Pedrofo Galraõ 1735. 
foi. o qual efcreve no liv. i. cap. 2. da dita 
Hiíloria. D. Aleixo de Menev^es de idade madura, 
e eapa^ da importante confiança, que fit(eraõ do 
Jeu juiv^o os dous Príncipes ( D. Joaõ o III. e 
Carlos V. ) porque fqy de grande valor nas armas, 
difcreto, e prudente nas acçoens politicas. Fran- 
cifco de Santa Maria no Anno Hijioric, e Diar. 
Portug. pag. 170. e 171. Foj de grande 
modejiia, e temperança, como bem mofirou 
naõ querendo aceitar o titulo de Conde de 
Villa de Rej; e fallando da Praftica que 
fizera a ElRey D. Sebaftiaõ diz que corria 
rom fingular ejiimaçaõ nas mãos dos curiofos. 

D. Fr. ALEIXO DE MENEZES, ou de 
JESUS, foy hum dos Aftros, que illuftraraõ 
a famofa Cidade de Lisboa, onde naceo em 25. 
de Janeiro de 1559. Foraõ feus illuftres Pays 
D. Aleixo de Menezes Ayo de ElRey D. Sebaf- 
tiaõ, de quem aíTima fizemos larga, ainda que 
diminuta memoria, e D. Luiza de Noronha 
iilha de D. Álvaro de Noronha Capitão de 
Azamor. A primeira efcola, que frequentou, 
foy o Palácio, onde pela innocencia dos cof- 
tumes, e affabilidade do génio lhe era fumma- 
mente affeéto ElRey D. Sebaftiaõ, mas con- 
fiderando, que daquella paleftra andavaõ 
fugitivas as virtudes, fe deliberou a defprezar 
todas as efperanças fundadas no efplendor do 
feu nacimento, e na inclinação do feu Príncipe, 
bufcando para taõ heróica refoluçaõ, fomente 
configo confultada, a illuftre Religião dos 
Eremitas de Santo Agoftinho, onde no Con- 
vento de N. Senhora da Graça de Lisboa 
recebeo o habito em 24. de Fevereiro de 1 5 74. 
das mãos de D. Fr. Agoftinho de Caftro, a 
■quem fuccedeo na dignidade Primacial de 
Braga. Notável foy a confternaçaõ, que caufou 
nos feus parentes efta deliberação de D. Aleixo, 
chegando a taes exceílos, que o queriaõ def- 
pojar violentamente do habito, porem toda 
efta tormenta fe ferenou coníiderando com 
mayor reflexão, que naõ tinhaõ dominio nas 
acçoens de hum filho, que já eftava adoptado 
por outro mais illuftre Pay. Em o Novi- 
ciado fe moftrou taõ exaâo obfervador 
dos Eftatutos, que fervia de eftimulo, e de 
confuzaõ aos feus companheiros. Depois de 



profeíTo, quando contava dezoito annos, 
paíTou a Coimbra para fer inftruido nas facul- 
dades de Filofofia, e Theologia, onde crecia 
igualmente no eftudo das letras, que no exer- t 
cicio das virtudes, preferindo fempre a fciencia ' 
dos Santos a todas aquellas, que tem a fua raiz 
na gloria mundana. O talento do juizo acom- 
panhado da innocencia da vida o fizeraõ 
fubir a diverfos lugares da Ordem, como foraõ 
Prior dos Conventos de Torres Vedras, Santa- 
rém, e Lisboa, e ultimamente a Difinidor. Co- 
nhecendo Filippe Prudente as qualidades herói- 
cas, que fe veneravaõ na fua peííoa, o nomeou 
Arcebifpo de Goa para com as luzes da fua 
fabedoria allumiar o berço do Sol. Repugnou 
por algum tempo aceitar efta dignidade, até que 
obrigado do preceito Real foy fagrado a 26. de 
Março de 1 595. no Convento de N. Senhora da 
Graça, e recebeo o Pallio das maõs do Arce- 
bifpo de Lisboa o Illuftriffimo D. Miguel de 
Caftro. Sem dilação partio para a índia, e che- 
gando profperamente a Goa em Settembro de 
1595, começou a exercitar as obrigaçoens Paf- 
toraes pregando com elegante efficacia, confef- 
fando com ardente charidade ainda àquelles, 
que eftavaõ prezos, ou que remavaõ nas galés, 
e celebrando Synodo Provincial, com que 
fe reformarão muitos abufos, que a Uberdade 
militar inficionada com a comunicação dos 
Gentios tinha introduzido no Oriente. Levan- 
tou dous recolhimentos para nelles fe confervar 
inviolável a honeflidade das donzeUas. Fundou 
o Convento de Santa Mónica de Goa, para 
cujas Religiofas compoz as Conftituiçoens, 
nas quaes eftá refpirando o ardor do feu pruden- 
tiffimo efpirito. Naõ fe Umitou o feu apofto- 
hco zelo ao Continente de Goa, antes parecen- 
do-lhe pequena esfera para o fagrado fogo, que 
lhe ardia no coração, fe dilatou pelo immenfo 
efpaço das Regioens Orientaes. Aos mora- 
dores de Socotorá, em o nome Chriftaõs, 
e na profiíTaõ Gentios, mandou dous Minif- 
tros Evangélicos para os inftruir na Fé do 
Crucificado, e deftinou outros dous para 
illuftrar a cegueira dos Scismaticos chama- 
dos de S. Joaõ fituados nos confins da Ará- 
bia Deferta, os quaes com o feu Patriarcha 
abjurarão os delírios da fua crença. Suften- 
tou na Fê Romana aos Abexins defcenden- 
tes dos Chriftaõs, que acompanharão ao 



y 



L USITAN A. 



89 



infigne Capitão D. Qiriftovad da Gama quando 
loraõ focorrer ao Emperador daquelle Eíhulo. 
Coin as faudavcís aguas do Bautiímo purificou 
as manchas de quatro Príncipes Orícntaes. 
Ivntrc taõ illuílres acçoens, que obrou o feu 
y^clo padoral, certamente a mayor foy, a que 
IH-iloalmcnte emprendeo, e felizmente confc- 
^uio reduzindo na Serra do Malabar ao grémio 
(la Igreja Romana os Chríílaõs de S. Thome 
.líTtm chamados por ferem defcendcntes da- 
(]uclles, que ouvirão a pregação deílc grande 
Apoftolo. Viviaò eftes obedientes ao Patriar- 
cha de Babilónia profeííando os rcifmaticos 
erros de Ncílorio, e Eutiches, e negando a 
obediência ao Pontífice Romano. Efta diffi- 
cultofa cmpreza inutilmente intentada pelos 
Mifpos de Cochim, e os MiíTionarios da 
Religião Seráfica, Dominicana, e Jcfuitica, glo- 
riofamcntc a concluyo triumfando de todas as 
ilifficuldadcs, que fe oppunhaõ a taõ fagrado 
intento, pois armado de invida paciência, 
ulmiravel conftancia, incanfavel difvelo, e 
ardente charidade naõ fem patente aíTiftencia 
do divino auxilio, rendeo ao Sólio do Vaticano 
u) Patriarcha da Arménia com féis Bifpos 
Icifmaticos, fendo congratulado por acçaõ 
taõ Religiofa com agradecidas expreíToens 
pela Santidade de Clemente VIII. em hum 
Breve expedido em o i. de Abril de 1599. 
Depois de reduzidas tantas ovelhas ao rebanho 
do divino Paílor celebrou Synodo em Diamper, 
cm que eílabeleceo determinaçoens neceíTa- 
rias para a adminiftraçaõ dos Sacramentos, 
c reforma dos coílumes. Naõ foraõ inferiores 
as acçoens, que obrou no governo temporal, 
como no efpiritual, promovendo com igual 
vigilância os augmentos da Religião, que os 
do Eftado. Por efpaço de quatro annos o 
governou com fummo difvelo, de que foraõ 
felices confequencias livrar a Malaca, e Mo- 
çambique da ultima oppreíTaõ a que eílavaõ 
reduzidas pelos Olandezes, e fer a principal 
caufa de que foíle totalmente derrotado o 
Cunhale obftinado inimigo do nome Portu- 
guez. Tendo illuftrado o Oriente com os rayos 
das fuás virtudes paíTou a brilhar com a mefma 
intenfaõ no Occidente admirando-fe em dous 
Poios diametralmente oppoftos a benéfica 
efficacia dos feus influxos. Sentado na Ca- 
deira Primacial de Braga de que tomou 



poííe em 8. de Agofto de 161 1. exercitou 
taes virtudes, que pareciaõ exceder as praâi- 
cadas pelos Prelados da primitiva Igreja. 
Movido da oppre/íaô, que padeciaô as fuás 
ovelhas, partio a Madrid, onde foy benevola- 
mente recebido por ElRey, que o nomeou 
Vicerey de Portugal, cujo lugar aceitou com 
beneplácito de Paulo V. O meímo Príncipe 
o fez Prefídente do Confelho de Portugal, 
Capellaò mór, e Governador do Priorado de 
Guimaraens, cujas dignidades naÕ logrou 
por muito tempo. Jufto era, que correfpon- 
deíTe huma feliz morte a vida taõ fanâiíicada, 
e aífím conhecendo fer chegado o feu termo 
depois de tolerar com grande paciência as 
molecias da infermidadc, pedio o Viatico, c 
Extrema unçaõ, e recebidos cíles Sacramentos 
com devota ternura proferindo o cântico Nmc 
dimittis fervum tuum Domine entregou o efpiríto 
nas mãos do feu Crcador em 3. de Mayo 
de 161 7. quando contava 58. annos, trez 
mezes, e onze dias de idade. Foy depofitado 
o corpo na Sancriftia do Convento de S. 
Fillippe de Madrid donde fendo achado incor- 
rupto foy transferido paíTados quatro annos 
para o Convento do Populo da Cidade de 
Braga, em cuja Capella mór ao lado da Epiftola 
tem gravado no tumulo efte epitáfio. 

llUtftrijftmo, €>• Keverendijftmo Domino D. 
Fr. Alexio de Meneses Augtíjlinienji, Archie- 
pifcopo, ac domino Bracharenji, Indiarum olim, 
pojlea Hijpaniarum Primati, Orientis Guber- 
natori, 'Lujitanice Proregi, Supremi Concilij Pra- 
Jidi, Catholica Majejlatis ArchiCapellano, Chrif- 
tianorum D. Tòoma apud Malavaricos ad Komanig 
Hcclejia obedientiam reduãori, viro religione, ac 
fidei :(elo illuftri grati clientes memoriam 
pofuére anno D o mini 1628. lllufirijfimo ac 
Keverendijftmo Domino D. Roderico de Acunha 
Archiprajule. Ohiit Matriti 3. Maij 161 7. 
annum agens 58. 

As acçoens defte infigne Prelado efcreve- 
raõ o IlluílriíTimo Cunha Hijl. Ecclef. de 
Braga Part. 2. cap. 96. até loi. D. Fr. 
António de Gouvea afiim na Jomad. do 
Malabar, como na Dedicaf. das Kelac. da 
Perf. Fr. Agoft. de Santa Mar. na Prefac. 
à Hiji. da Fundac. do Conv. de Santa Mon. 
de Goa defde pag. 4. até 61. Fr. Franc. 
Camarg, in Chronol. Sacr. ann. 1590. cias. 



ÇO 



BIBLIO THE CA 



i6. pag. 318. 319. e 520. Torres Comp. 
de Var. illuft. de Santo Agojl. Cent. 6. 
cap. 48. Herrer. in Alpab. Auguft. Fr. 
Pedro Calvo Def. das Lagrimas dos Juji. 
Part. 2. cap. 12. Fr. Antonius à Purif. 
de Viris Illujl. Ord. D. Aug. Lib. i. cap. 
25. Humilitate, (ò" commijeratione, ac lihe- 
ralitate in pauperes admirahilis, ac proinde 
Janãitatis odore notijfimus. Gil Gonçale2 de 
Ávila no Theat. de Madrid liv. 2. cap. 2. 
p. 243. ¥ue Virey en la Índia, y efiando 
ala vifta de tan immenjas riquer^as no traxo à 
E/pana de todas ellas quando ElRej Felipe III. 
le dia el Arçobifpado de Braga mas, que dos 
relaciones, una de averlas vifio, y otra para 
el mas glorio/a, que contenia la multitud de 
almas, que dexô alifiadas por verdaderas hijas 
dela Iglejia. Thomas Gracian in Anajias. 
Auguji. lit. A. p. 15. Vir omni laude major, 
aterna memoria dignus, <& cujus paucos pares 
hahuit Ordo Augufiinianus ; doãrina, prudentia, 
guhernandi peritia, vitcB Sanãitate Jpeãabilis, 
ratione agendi cum infidelihus Jcismaticis har- 
baris ad miraculum prudens. IlluftriíTimus 
Cunha in Oper. de Primatu Ecclef. Brac. 
in Catai. Arch. Brach. virgenere, & vir- 
tute clarijfimus. Auguft. Barbos, de Potejl. 
Epifcop. Part. i. cap. 8. n. 87. Omnibus 
ingenii, virtutisque dotibus ornafijfimus, qui Orien- 
talium Indiarum infidelibus adChrifii Domini fidem 
convertendis, (ò" improborum moribus corrigendis ita 
diligens ea vitce Sanãitate fempre extitit, uf apud 
óptimos, et bene de republica Chrifiiana fentientes 
Jumme in religione fuerit habitus, qui dum divina- 
rum, humanarum qucB rerum Jcientia, ac Sanãi- 
tate Je admirabilem omnibus prabuijjet (à^c. 
Fr. Maurit. à Matre Dei in Sacra Eremo 
Augujiinian. Congreg. Galliar. lib. 1. cap. 2. 
§. I. ut de illo jure mérito dictum fuerit 
quod à D. Thoma Apojioli temporibus nullus 
ibi uberiorem fruãum in animarum Jalute 
promovenda produxerit. Curtius Elog. Vir. 
Illujlr. D. Aug. p. 181. Non modo Pon- 
tificis egregiam perfonam gejjit, fed expref- 
fit etiam perfeãum Apojiolum. Fr. AuguJfl;. 
Maria Arpe in Panth. Auguji. pag. 343. 

Salve Alexi, 
Eremi Decus, Mitra ornamentum, Perjarum 
Sol. 

Salve Heros inclyte 



Hefperia Eucifer, lux Malabaria. 
Cum Te Oriens aliquando difcujferit noãem 

Et veritatis aspexerit diem. 
Novo in Te ordine tantum coierunt honorum 
dona 

Et de viãoria cunãa contenderant 

Hifpania Primas, Indiarum moderator 
Brachara Antijles 

Illujlrajii temporum fajlus. 
Et fajlu fuperior 
Meritis infulas, principatu vicijii virtutibus. 

Manoel de Faria, e Souza Ajia Portug. 
Tom. 3. Part. 2. cap. 8. Varon grande enla Igle- 
jia. Joan. Soar. de Brit. in Theat. Eujit. Eitter. 
lit, A. In íotius Orientalis índia primatum eveãus 
talem Je geJJit qualis olim in primavo illo nascentis 
Ecclejia flore Epifcopi confuevere. Barros Decad. 4. 
da AJia liv. 3. cap. 2. Como mojlrou na redução 
dos antigos Chrijlãos de S. Thome à Fè Catholica, 
a obediência de Santa Igreja Komana, da qual avia 
mais de mil annos que ejlavaõ apartados, em que 
ejle Illujlrijfimo Arcebifpo com perigos continuas, 
e incanfaveis trabalhos imitou os Prelados da primi- 
tiva Igreja. Joan. Bapt. Ricciol. in Chronol. 
reformat. Tom. 2. ad ann. 1599. Beyerlinck 
in Oper. Chronol. ad ann. 1598. e 1599, Fr. Lud 
Genvenf. in Pomp. Sacr. Auguji. pag. 24. Fr 
António da Nativid. Montes, de Cor. Mont. 3 
Cor. unic. §. i. n. 24. Fr. Manoel de Lacerd 
m.Qmft. Quodlib. quasíl. 9. art. i. Joan. Hayus 
de rebus Japon. Petr. Jarric. in Thef^. rer. Indic 
lib. 3. à cap. 8. ad 13. Telles Chron. da Comp 
da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 6. cap 
38. n. 5. e na Hijl. da Etiop. Alt. liv. 3 
cap. II. Nicol. Ant. in Bib. Hifpan. Tom 
I. p. 5. col. 2. & tom. 2. pag. 277. col. i 
Rho Var. Virt. hijlor. lib. i. cap. 12. n. 9 
Compoz. 

Hijloria da Provinda de Portugal da 
Ordem dos Eremitas de Santo Agujlinho 
até o anno de 1400. M. S. 

Da Antiguidade da Ordem de Santo 
Agojlinho. M. S. Quem librum (faõ pala- 
vras de Fr. António de Purificação de Viris 
UluJftribus lib. i. cap. 25. {paucis additis, 
<& in Hijpanum idioma converfum Magifter 
Joannes Marques pojl ejus mortem próprio 
nomine edidit. O qual fahio com efte titulo 
Origen delos frayles Ermitanos dela Orden 
de S. Augujtin, y Ju verdadera injlitucion 



LUSITANA. 



9' 



an/es dei gran Concilio Laíeranenfe. Salamanca 
por Antónia Ramires Viuda 1618. foi. e depois 
traduzido cm Italiano Turim. 1620. foi. 
Mais expreíTamente declara Fr. António da 
Pu ri fie. na I. Part. da ChroH. de Prov. de 
PortNíi,. no Prol. foi. 20. fcr cftc livro quafi 
todo compoílo da obra que deixara imper- 
feita D. Fr. Aleixo de Menezes. Hum tratado 
qm fet(^ da Antiffiidade da no ff a Ordem, e também 
effe tratado fe naõ imprimia pelas muitas, e jijrandes 
núiipa^oens de fen Author. Com tudo naÕ deixou 
de todo de fe lograr taõ preciofo trabalho, porque 
pendo-fe depois o Arcebifpo em Madrid com a 
Prefidencia do Confelho Real dejle Keyno mais 
impofftbilitado para lhe por as ultimas mãos, o 
entregou ao Padre Mejlre Fr. Joaõ Marques 
Cathedratico de Salamanca, do qual elle tirou 
a mayor parte, do que di^ no/eu doutifftmo livro da 
igem da noffa Keliffaõ, como se vé conferindo 
ím elle hum treslado, ou Original, que tenho em 
feu poder da letra do mefmo Arcebifpo. Efte 
livro parece fcr o Defenforio da Ordem, que 
affirma o IlluílriíTimo Cunha na Hijl. Eccl. 
de Brag. Part. 2. cap. loi. n. 10. compu- 
fcra D. Fr. Aleixo de Menezes, mas que fe 
naõ imprimira. 

Vidas dos Religiofos modernos que na Religião 
de Santo AgoJHnho da Provinda de Portugal flore- 
cerad em virtudes, e vida religiofa M. S. Defta 
obra fe lembraõ Cunha no lugar aíTima alle- 
gado, e Cardos, no Agiol. L.ujtt. Tom. i. 
p. 508. no Comment. de 31. de Jan. let. I. 
c o Padre Filippe Labbe in Biblioth. Biblio- 
ihecar. pag. 4. 

Vida do Venerável Fr. Thomé de Jefus 
impreíTa no principio da obra Trabalhos de 
Jefus. Saragoça por Juan de Lanaya 1624. 4. 
e em Italiano Roma por Luduvico Grignani 
1644. 4. e na língua latina por Fr. Maurício 
da Madre de Deos AgoiHnho Defcalço no 
princípio do feu livro Sacra Eremus Auguf- 
tiniana Cong. Galliar. 

Vida da Venerável Beatris Va^ de Oliveira 
Religiofa Agojlinha M. S. o qual vio na Livraria 
do Eminentinimo Cardial de Souza o Padre 
Francifco da Cruz, como affirma nas fuás 
Memor. M. S. para a Bib. Portug. 

Sjnodo Diocefano da Igreja, e Bifpado 
de Angamak dos antigos ChriJiaÕs de S. Thome 
das Serras do Malavar das partes da índia 



Oriental. Coimbra por Diogo Gomes Lou- 
reiro 1606. foi. e naõ, em Lisboa, como efcreve 
o P. Tachard da Comp. de JESUS ao P. 
Trevou em huma carta de 18. de Janeiro 
de 171 1. a qual eílá no Tom. 12. de Lêttns 
FÀifumtes pag. )84. Fila obra de que faz 
mençaò honorifica a hib. Orient. de Anton. 
de Leon modernamente acrecentada Tom. i. 
Tit. 16. col. 461. compoz fem auxilio de 
peíToa alguma. No fim do Synodo eílá. 

Mi ff a de que ufaõ os antigos ChriflaÒs d» Saõ 
Thome do Bifpado de Angamale das Serras do 
Malavar da índia Oriental purgada dos erros, 
e blasfémias Nejlorianas de que eflava cheya pello 
Illuftrifftmo, e R^everen^ffimo Senhor D. Fr. 
Aleixo de Meneses Arcebifpo de Goa Prima^, 
da índia, quando foy a redu!(ir efla Chrijlandade 
à obediência da Santa Igreja Romana, foi. Eíla 
obra fahio vertida em Francez por Fr. Joaõ 
Bautifta de Glen Religiofo Agoftinho, e 
fahio em Anvers por Jeronymo VerduíTen 
1609. 8. com eíle titulo. 

Hijloire Orientale des Grans Progres 
der Eglife Catholique Apofl. et Romen la 
reduãion des anciens Chrijliens dits de S. 
Thomat^, de plujieurs autres fchifmatiques, e Here- 
tiques ai' union dela vraye Eglife, converfion encor 
des Mahometains Mores, e Pajens. 

A Hiftoria do Synodo da Igreja de An- 
gamale, de que já falíamos, foy traduzida 
com algumas notas por Moníiur Geddes 
Cancellario da Igreja de Salisburi, em a li- 
gua Ingleza, contra o qual Synodo fez hu- 
ma larga inveíHva Moníiur de la Croze 
Biblíothecarío delRey de PrulTia na Hifloi- 
re du Chriflianifme des Indes impreíTa ala 
Haye ches les Freres Vaíllant, e Prevoft. 
1724. 8. querendo como fequaz das here- 
gias de Luthero infamar a memoria do 
virtuofo Prelado D. Fr. Aleixo de Menezes 
por ter extirpado a venenofa zizania dos 
erros, em que víviaõ aquelles povos, que 
faõ femelhantes aos que defendem os Lu- 
theranos, quaes faõ negar a Tranfubftanda- 
çaõ no Sacramento do Altar, excluir do 
numero dos Sacramentos a Confirmação, 
Extrema Unçaõ, e Matrimonio, naõ co- 
nhecer ao Pontífice por fuprema cabeça 
do Corpo Myítíco da Igreja &c. 

Cafhecifmo para inflruçaõ dos Chriflaõs de 



92^ 



B IB LIO THE CA 



Saõ Thome (o qual) diz Fr. António de Gou- 
vea na Dedicatória a D. Fr. Aleixo do livro 
Re/açaÕ da Perjia compo:^ de memoria como hia 
falto de livros, dignijfimo, que a Igreja toda o 
receba. 

Conjlituiçoens para as Keligiofas do Convento 
de Santa Mónica de Goa, comfirmadas por 
Paulo V. por hum Breve expedido em 27. de 
Novembro de 161 3. que começa Ut ea qua 
pro Keligione. 

Carta ejcrita de Goa a 24. de De:^emhro de 
1609. aos Keligiofos do Convento da Graça de 
Lisboa quando lhes mandou a Cru:i, e cofre pre- 
ciofos que fe confervaõ no mefmo Convento. Sahio 
impreíTa no Santuar. Marian. Tom. 8. pag. 165. 
Lisboa por António Pedrofo Galraõ 1720. 4. 

Fr. ALEIXO DE MIRANDA HEN- 
RIQUES filho de Henrique Henriques de 
Miranda, e D. Maria Landroby naceo em 
Lisboa, e na idade da adolefcencia profef- 
fou o Sagrado inftituto da Ordem dos Pre- 
gadores, em o Real Convento de Saõ Domin- 
gos de Bemfica a 9. de Junho de 1710. Inf- 
truido nas fciencias efcolafticas paíTou a Goa, 
onde as expUcou aos feus domeílicos com 
grande opinião do feu talento. Prezentado 
na Faculdade de Theologia voltou a Portu- 
gal, e no Real Collegio de N. Senhora da 
Efcada deíla Corte leo a Cadeira de Moral. 
No anno de 1728. foy eleito Prior do Con- 
vento de Bemfica donde acabado o triennio 
do feu governo paíTou a fer Vigário das Reli- 
giofas do Convento de S. Joaõ de Setú- 
bal. He Confultor da Bulia da Cruzada, e 
grande Pregador, como o declaraõ as obras 
feguintes. 

Sermão da Canonif^açaõ de S. 'Peregrino L,a~ 
:^ofi da Sagrada Ordem dos Servitas pregado no 
folemnijfimo Outavario com que Sua Magejlade, 
que Deos guarde, ordenou fe fejiejaffe a Canonit^açàõ 
do mefmo Santo no Keal Collegio de Santo Antaõ 
dejla Corte. Lisboa na Patriarchal Officina 
da Mufica 1728. 4. 

Sermão da Canonifaçaõ de Santa Ignes de 
Monte Policiano da Sagrada Ordem dos Pre- 
gadores pregado no folemnijfimo Outavario com 
que os keligiofos de S. Domingos dejla Cor- 
te fefejaraõ a Canonização da mefma Santa 
ibi na dita Officina 1733. 4. Do Au- 



thor faz memoria Fr. Pedro Monteiro no i 
Clauflro Dominico Tom. 3. pag. 134. 

ALEIXO DA MOTA, hum dos mais pe- 
ritos Pilotos da navegação da índia Oriental, 
que pelo largo efpaço de vinte e cinco annos 
continuou em féis viagens entre as quaes 
fendo Piloto da Náo S. Martinho em o anno 
de 1598. como era taõ experimentado na- 
quella arte para inílrucçaõ daquelles, que qui- 
zeííem perfeitamente fabella, efcreveo. 

Roteiro da Navegação da índia M. S, 

No qual defcreve com grande individuação 
as monçoens. mais opportunas para navegar 
obfervando judiciofamente os Ventos, tem- 
peílades, calmarias, baixos, promontórios. 
Abras, e Portos, que encontrão os navegantes 
de Lisboa até Goa, de Goa a Cochim, Malaca,. 
China, e Japaõ, naõ fomente relatando o 
que vira, mas ainda o que colhera dos mais 
celebres Pilotos Portuguezes. Sahio eíle Ro- 
teiro vertido em Francez em o Tom. 2. de 
diverfas Navegaçoens. Pariz chez Jacquez 
Langlois 1664. in foi. Huma parte delle tranf- 
creveo Manoel Pimentel na fua Arte Pratica 
da Navegação. Lisboa por Bernardo da Coíla 
de Carvalho 1699. foi. a pag. 327. Delia obra, 
e do Author faz mençaõ o moderno Addicio- 
nador da Bib. Náutica de António de Leaõ 
Tom. 2. Tit. 3. coluna 1106. ' 

ALEIXO SALGADO CORRÊA, foy 
taõ douto no Direito Civil, como redo na 
obfervancia da JuíHça, que fendo Jxiiz admi- 
niílrou por muitos annos em diverfas Cidades. 
Da larga experiência, que tinha no officio 
de julgar, e da continua applicaçaõ aos livros 
com que nefta matéria eliava inJftruido que- 
rendo formar hum prefeito Miniílro com- 
poz na lingua Caftelhana efta obra. 

Regimiento de Jue^es. Sevilla por Mar- 
tin de Montesdoca. 1556. 4. 

Do livro e do Author fe lembra Nicol. 
Ant. Bib. Hifp. Tom. i. pag. 6. col. i. 

ALEIXO DE SIQUEIRA, natural do 
lugar de Panoyas na Provinda do Alentejo 
muito perito no eiludo das letras huma- 
nas. Para que a mocidade Portugueza per- 
cebeíle claramente as moralidades, que ef- 
taõ occultas nas Odes de Horácio Flacco- 



L USITAN A. 



irincípe dos Poetas Lyricos, as traduno na 
iiigua materna, e as dedicou ao IlluílrííTimo 
D. VcrííTimo de Lancaílro depois Cardial da 
fareja Romana com eíle titulo. 

Odes de Horácio em Porhiffiit(^para Mi(p dos Ef- 
Untes, Évora por Manoel Carvalho 1633. 8. 

I ALEXANDRE DE AGUIAR, natural 
lio Porto chamado antonomaílicamcntc Orfeo, 

> fomente pelo fublime génio com que poe- 
iii2ava, mas pela fingular dcílre?!a com que 
'^ngia viola de fete cordas, e a natural graça, 

melodia com que cantava, por cujos dotes 
Itoy admitido primeiramente pelo Cardial 
'd. Henrique, c depois por Filippc II. entre 
08 Muficos da fua Camcra, dos quacs Prín- 
cipes rcccbco naõ vulgares cílimaçocns cer- 
tamente merecidas pelo talento, pois raramente 
fc achariaõ em hum fó homem juntas as 
partes, que nelle fe admiravaõ. Compu- 
nha em folfa os verfos, que fazia; depois 
com igual deftreza, e fuavidade os cantava 
acompanhados à viola, que fmgularmente to- 
iva, fendo ao mefmo tempo Poeta, Mufico, 
p Tangedor infigne. AíTiílindo em Madrid no 
anno de 1605. e voltando defta Corte para a de 
[Lisboa em hum coche, morreo infelizmente 
em 12. de Dezembro naufragante em huma 
torrente, que corre entre Telavervella, e Lo- 
bon juntamente com Francifco Corrêa da 
Sylva filho fegundo de Martim Corrêa da 
iSylva Embaixador a Carlos V. Deixou mul- 
itas obras aíTim poéticas, como Muíicas, das 
Pquaes faõ celebres as 'Lamentaçoens de Jeremias, 

e Je cantão na Semana Santa compoílas com 
grande fciencia. 

ALEXANDRE ANTÓNIO DE LIMA. 

\aceo em Lisboa a 21. de Janeiro de 1699. e 

K-ve por Pays a Francifco Mendes Barbofa, 

o Lima, e a D, Jozepha Thereza de Moura. 

Depois de inílruido na lingua latina, e Huma- 
jpxidades levado do génio, que tinha para a 
IjPoeíia a cultivou com grande applaufo do 
Ifeu talento principalmente a Cómica, de cuja 

irte tem publicado as obras feguintes. 
ISlovos encantos de A.mor repret^entaçaÕ cómica, 

qtte fe repret^entou na Caja da Mouraria. Lisboa 

por Pedro Gargareje 1737. 8. 



93 

O Xflofo, $ o Avaro pella inãuflria caf- 
tigados Reprefentaçaô cómica. 

Três Sonetos, e huma decima à intempeftiva 
morte da Serenijfima Senhora Infanta D. iran- 
cifca. Sahio em a obra intitulada Vo^es da petia, 
e clamores da Sastãade, compoíla a efte fúnebre 
aíTumpto Lisboa fem anno, nem nome do 
Imprcflbr. 4. 

Kafgps Métricos. Tom.i. M. S, He huma col- 
lecçaô de todas as fuás obras Poéticas, que ji 
cAá prompta com todas as licenças paia fe 
immír. 

ALEXANDRE BRANDAM pofto que 
nacido em Roma de Mãy Italiana, teve por 
Pay a Manoel da Coíla Brandão natural de 
Lisboa, homem nobre, c crcado naquclla 
Cúria de idade pueril, o qual mandando inf- 
truir ao filho nas letras humanas, como era 
dotado de agudo engenho, c grande comprc- 
henfaõ, fahio ncllas egrcgiamentc confum- 
mado. Pelo natural amor, que profcííava à 
Naçaõ Portugueza donde era oriundo fc appli- 
cou com fummo difvelo a efcrever as militares 
proefas, que obrara no tempo, que foy elevado 
ao Trono o SereniíTimo Rey D. Joaõ o IV. e para 
que fe fizeíTem mais patentes em toda Itália as 
compoz nefta lingua com o titulo feguinte. 

Hifloria delia Guerre di Portugallo fuccedute per 
Voccafione delafeparatione diquel Regno delia Corona 
Catholica. Venetiaprejfo 'PzuloBa.gUom. 16894. 

Eíla obra continuou feu Sobrinho Francifco 
Brandão, em dous Tomos, que sahiraõ impref- 
fos em Roma por Martiis ala Pace. 1716. in 4. 

ALEXANDRE DO COUTO natural de 
Lisboa, e Capellaõ mór no exercito de Pernam- 
buco, que triumfou nos Montes Gararapes por 
duas vezes da violenta oppreíTaõ dos Olande- 
zes. Foy muito douto nos eftudos Mathema- 
ticos, e naõ menos verfado na Theologia Ef- 
colaílica, e Myftica, como na Poeíia. Deixou 
com grande perda da Republica litteraria fem 
o beneficio da impreíTaõ muitas obras, que fe 
confervavaõ em poder da ExcellentiíTima Con- 
deíTa de Penaguião, que eraõ as feguintes. 

Obfervaçoens mathematicas , e reduções af- 
tronomicas illufiradas de humanas, e divinas 
letras fohre o máximo Cometa, que appareceo 
no Meridiano de Usboa aos 21. de De:(em- 



94 



BIBLIOTHE CA 



bro de 1680. Kefutaõ-fe os erros de Acadé- 
micos, Peripate ticos, e Vtolemaiticos fobre as 
duas Kegioens Etherea, e Elementar efcrito no 
anno de 1681. 4. Dedicado ao CapellaÔ Mòr 
D. JLuiz de Sou/a. 

Triumfos da noite aos Anacaphaleofes de Bo~ 
carro com algumas advertências à Jua liçaõ, que 
cautamente conjlrue Alexandre do Couto anno 
1687. 8. 

Theologia Myftica conforme a doutrina dos 
Santos Padres , e Mejlres da Vida EJpiritual 
efcrito no anno de 1692. 4. 

Brado do encoberto da vinda, e Vida delKey 
D. Sebafliaõ, efcrito em o anno de 1693. 4. 

Varias Obras poéticas em diverfo metro Por- 
tuguev^. 4. 

Fr. ALEXANDRE DA CRUZ, naceo em 
a Cidade de Braga donde paíTando na idade 
de 17. annos a Lisboa profeíTou o inftituto de 
Carmelita Defcalço no Convento de N. Se- 
nhora dos Remédios a 25. de Março de 1634. 
Foy grande Theologo, e naõ menos iníigne 
Pregador deixando para teftemunho do ta- 
lento que tinha para o púlpito. 

Sermaõ da Canonização de Santa Maria Mag- 
dalena de Pa:(j(i pregado no Convento de Corpus 
Chrijii dos Carmelitas Defcalços. Sahio impreíTo 
no livro intitulado Forajieiro admirado a pag. 
160. Part. 2. Lifboa por António Rodrigues 
de Abreu. 1672. foi. 

ALEXANDRE FERREIRA, filho de 
Ignacio Ferreira, e Maria Ferreira. Naceo na 
Cidade do Porto a 4. de Outubro de 16Ó4. 
Depois de ter aprendido na pátria as letras hu- 
manas paliou a Coimbra, e applicando-fe ao 
eftudo do Direito Cefareo, fahio nelle taõ pe- 
rito que mereceo laurearfe com a borla de 
Doutor na mefma faculdade. Foy admitido 
ao Collegio Real de S. Paulo em 30. de No- 
vembro de 1694. donde paflados féis annos 
fubio a Lente de Inftituta em cujo Magifterio 
defcobrio os thefouros da fciencia legal pelos 
quaes chegou a occupar os lugares de Dezem- 
bargador do Porto, e Cafa da Supplicaçaõ, de 
que tomou poíTe a 13. de Março de 1708. e da 
Meza dos aggravos a 7. de Novembro de 171 3. 
Deputado do Tribunal da Bulia, da Meza da 
Confciencia, e Ordens, do Confelho da Rainha, 



e da SereniíTima Cafa de Bragança. Foy no- 
meado em 29. de Abril de 1726. Secretario 
da Embaxada extraordinária, com que foy à 
Corte de Madrid o Excellentiífimo Marquez 
de Abrantes D. Rodrigo Annes de Sá Almeyda, 
e Menezes, para onde partio em 24. de Feve- 
reiro de 1727. Reílituido a eíla Corte foy eleito 
em 12. de Abril de 1731. Académico do nu- 
mero de Academia Real da Hiftoria Portu- 
gueza para efcrever as Memorias das Ordens 
Militares defte Reyno, a cujo eftudo inde- 
feílamente fe applicava nas horas vagas 
que lhe permitia a continua aíTiftencia dos 
Tribunaes. Morreo em Lisboa a 9. de Dezem- 
bro de 1737. com 73. annos de idade, e foy 
fepultado na Parochial Igreja do Sacramento. 
Compoz. 

Allegacion jurídica, en que por las verdades 
mas folidas dela Jurif prudência fe muejlra el infa- 
lible derecho com que los Rejnos, y Senorios de 
Efpana pertenecen por muerte delKey Catholico 
Carlos II. ai SereniJJimo Senor Archiduque de 
Aufria Carlos III. verdadero, y legitimo Rf)' 
delas Efpanas. Lisboa en la imprenta de Va- 
lentin da Cofta Deslandes ImpreíTor dela 
Cafa Real. 1704. foi. 

Oraçaõ com que gratulou a Academia Keal de 
fer admitido ao numero dos f eus Collegas. Impref- 
fa na CollecçaÕ dos Documentos, e Memor. da 
Academia Keal da Hijlor. Portug. do anno de 
1731. Lisboa por Jozé António da Sylva. 
1731. foi. 

Memorias, e Noticias da celebre Ordem dos 
Templários para a Hifloria da admirável Or- 
dem de Nojfo Senhor Jefu Chrifio. Part. i. 
Tom. I. Lisboa por Jozé António da Sylva 

1735- 4- 

Part. I. Tom. 2. Lisboa pelo mefmo Im- 
preííor, e no mefmo anno. 

Delle fazem mençaõ o Padre D. Manoel 
Caet. de Souza in Exped. Hifpan. S. Jacobi . 
Apoft. tom. 2. pag. 1405. n. 273. Vir eruã- • 
tione clarijftmus, cujus f cripta typos non femtl 
decorarunt. E meu Irmaõ D. Jozé Barbofa 
Chronifta da SereniíTima Cafa de Bragança, 
e Académico Real nas Memor. do Colleg. 
de S. Paulo pag. 234. dizendo que era natu- 
ralmente elegante, e bom Poeta Latino, e no Archia- 
thaneo Eufit. pag. 61. 

Magnus Alexander regnum defendet Auitum 



f! 



LUSITANA. 



95 



Auftriaduni, at vario mutantiir têmpora atrJuX 
\SrafiHa Vrinceps thalamo Jibi jimgere natam 
Cuni vulet Aii}iiifli lUJpatiiim qni temperai 

orhem, 
Vadera firmablt Tiihiucum Marchio praf- 

tatií 

LegatHS Jjyfia, quo non itliiftrior alter. 
Ibit Alexander Jecreto fidtis, & arte 
Pa //adis inflrníím: quantns fit, nojcet Ibera 
Cens, Lsifa €>* nofcet dttbio gens grata tri- 

umpho. 

AT.EXANDRR FERREIRA DE AI^ 

MEYDA, natural do Lugar de Arcas termo 
idt Villa de Mondim, e Sever, Comarca de 

Lamego, Pagador geral da gente de Guerra 

lia Provinda da Beira, e partido de Ribacoa. 
fCom eftilo claro, e efpirito muito diverfo 

\x profiíTaõ do feu eftado efcreveo, e dedicou 
^no anno de 1659. à ExccUcntiíTima Con- 

dcfla de Penaguião D. Luiza Maria de Faro. 

De/engano dos enganos da Vida, e /ouvores 

yiã morte. foi. M. S. confta de 126. foi. cujo 

original, como vimos, fe conferva na Livraria 
|dos Religiofos Capuchos da Provincia de 

^.into António dcíla Corte. 

ALEXANDRE DE HGUEIROA Ulyf- 
íiponenfe, filhp de Duarte de Figueiroa, e 
D. Maria de Sampayo foy taõ illuftre por na- 
cimento, como pelo fublime engenho. Defde 
X puerícia fe applicou às letras humanas, as 
tquaes cultivou por toda a vida com tanto 
difvelo, que excedeo a todos os feus contem- 
[poraneos neíle género de eíludo. Sendo 
vaftamente verfado na liçaõ da Hiftoria, ainda 
o era mais em as obras dos Poetas, e Orado- 
res, os quaes naõ fomente confervava na 
memoria, mas explicava os feus lugares mais 
I difficultofos como muitas vezes o mani- 
|feftou na Academia dos Singulares, de que 
foy celebre alumno. Morreo na fua pátria 
no anno de 1676. com grande faudade dos 
ffeus CoUegas. Foy Secretario da Rainha 
D. Luiza Francifca de Gufmaõ, e cazado 
l'com D. Maria Pacheco de Lima de que 
|he feu defcendente o Morgado da Torre 
|do Lumiar. Compoz muitos Verfos Lati- 
''nos com elegância imitando o eftillo de 
l.ftacio, como em feu aplaufo cantou a 



Muía de Manoel de Galhegos no Temp/o da 
Me mor. liv. 4. Eílanc. 191. 
Divino Figueiroa mais divino 

Que o que ceiebra por divino Efpanba, 

Virgílio Portugiêtn^ Pbebo Latino 

Única erudifaÕ, facúndia eflran/ja 

Naque//e eftilo Juperior de liftacio 

Bragança encomenday ao Coro Lado. 
António Figueira Duraò in I^ur. Pam. Ram. z. 
Per Styga Tartareum quod perjuravit Apollo 

A potu jujjus neãaris abftinuit. 
Ille tamen legeretfitmc tua carmina Paule 

Vel canit, altiloqm, qua Figueiroa metro. 
Armonicum Sylva torrentem fe aure bibiffet 

Neãare juraret non caruiffe fuo. 
Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Portug. 
0£bv. 67. 

Entre a la gloria de fu mar contrario 

Viendo la playa iluftre de Lisboa 

Pedro de Acofta infegne Secretario 

Luego Alexandra entro de Figueiroa. 
Teve huma altercada controverfia com 
o celebre Fr. Francifco de Santo Agoftinho 
Macedo fe o nome Orpheus fe achava fempre 
trifyllabo, ou fempre difyllabo em os Authorcs 
da primeira ClaíTe. Nas Memorias Fúnebres 
de D. Maria de Attayde, Lisboa na Officina 
Crasbeckiana 1650. 4, eftaõ dous Epigramas 
Latinos feus a efte aflumpto. pag. 86. 

P. ALEXANDRE DE GUSMAM, Na- 
ceo em a Cidade de Lisboa a 14. de Agollo 
de 1629. Na tenra idade de dez annos paíTou 
com feus Pays ao Braíil onde inftruido com 
as primeiras letras abraçou o inílituto da 
Companhia de JESUS, quando contava de- 
fefete annos, em o Collegio da Bahia a 28. de 
Outubro de 1646. Aprendidas com grande 
credito da fua applicaçaõ as fciencias efco- 
laílicas, e tendo eníinado humanidades no 
Collegio do Rio de Janeiro, onde foy Prefeito 
dos Eíludos, como tiveííe particular génio 
para o governo, o promoverão os Superiores 
a todos os lugares da Religião fendo JMiniftro 
do Collegio da Bahia, Reytor dos Collegios 
de Santos, Capitania do Efpirito Santo, e Bahia, 
companheiro do Provincial, e ultimamente por 
duas vezes Provincial, deixando fempre faudo- 
fos os fubditos da fua natural benevolência mais 
própria da ternura de Pay, que da feveridade 



96 

de Prelado. Pelo largo efpaço de outo 
annos exercitou aíTim no Collegio do Rio 
de Janeiro, como da Bahia, o Officio de 
Meílre dos Noviços devendo-fe à fua vigi- 
lante cultura frutificarem em beneficio da Re- 
ligião as tenras plantas que eraõ cometidas 
ao feu cuidado. Para amparo, e boa educação 
da puerícia fundou em a Villa de NoíTa Se- 
nhora do Rofario do Lugar da Cachoeira dif- 
tante 14. legoas da Cidade da Bahia, hum Se- 
minário, que intitulou de Belém pelo cordeal 
afFedlo, com que venerava ao Menino Deos 
nacido no Prefepio, ao qual edificio fe lançou 
a primeira pedra em 13. de Abril de 1687. e 
delle foy duas ve2es Reytor, de cuja faudavel 
doutrina inílruidos os Seminariílas fahitaõ 
muitos a illuílrar diverfas Religioens. Foy 
ornado de infignes virtudes, fendo exaétiíTimo 
na obfervancia religiofa, e pobreza evangélica; 
conílante nas adverfidades, e incanfavel em 
conduzir almas para o Ceo, uzando para eíle 
effeito de tanta brandura, que muitos pecca- 
dores dos Certoens mais remotos movidos da 
fua fama vinhaõ aos feus pés deteílar culpas 
inveteradas. Como tinha firmemente collo- 
cada a fua confiança em Deos, experimentou 
prompto, e favorável o feu auxilio em os mayo- 
res perigos efcapando huma vez da infolencia 
dos piratas, e outra da fúria das ondas. Cumu- 
lado de tantos merecimentos, e cheyo de annos 
pois contava 95. de idade e 78. de Religião 
prognofticada a fua morte paííou à eterna vida 
em 15. de Março de 1724. Foy innumeravel o 
concurfo do povo, que concorreo a venerar o 
feu Cadáver, do qual levarão grande parte dos 
veftidos como relíquias de Varaõ Santo, e 
para fe evitar o tumulto foy occultamente fe- 
pultado. O feu Retrato ao natural fe abrio em 
huma grande lamina em Alemanha com eftas 
palavras que brevemente indicaõ as fuás vir- 
tudes. 

Vera effigies Servi Dei P. Alexandride Gujmaõ 
S. J. authoris Seminarii Bethlehemici in Brajilia, 
<& bis ejusdem Provinda Provincialis, notis, acpra- 
claris virtutihus Jingulariter inftruãi, (ò' Infantuli 
JESU in Prcejepio jacentis cultoris fiudiojijjimi, in 
dcBmones mirifice formidahilis , prodigiis ante, (0° 
poft ohitum injignis, tnirijque apparitionibus celebris. 
Obiit in Seminário Bethlehemico eadem, qua pree- 
dixerat, die 15. Martii anno 1724. cetatis Juce 95. 



BIB LIOTHE CA 



vi ta Religiofa 78. cujus Jepulchrum magno omnium 
concurfu, ac devotione frequentatur . Defte vir- 
tuofo Varaõ fe lembra Sebaftiaõ da Rocha 
Pitta na Hijlor. da Americ. Portug. pag. 444. 
dizendo fer hum dos majores talentos da Jua 
Provinda do Brajil infigne Mejlre de ejpirito, cuja 
virtude, e doutrina faõ veneradas como de varão 
Santo. Compoz. 

E/cola de Belém, Jefus nacido no Pre- 
fepio Évora na Officina da Academia 1678. 
4. et ibi. 1735. 4. 

Menino Chrijlaõ Lisboa por Miguei 
Def landes ImpreíTor delRey 1695. 8. 

Sermão na Cathedral da Bahia de todos òs 
Santos nas exéquias do Illujlrijfimo Senhor D. 
Fr. Joaõ da Madre de Deos primeiro Arcebifpo 
da Bahia, que falleceo do mal commum, que nella 
houve nejle anno de 1686. Lisboa por Miguel 
Manefcal ImpreíTor do S. Officio 1686. 4 
Defte Sermaõ falia com grande louvor Fr. 
Appollinario da Conceição na Primas. Seraf. 
na Keg. da Amer. cap. 17. pag. 215. 

Hijloria do Predejlinado Peregrino, e feu 
Irmaõ Precito, em a qual debaixo de huma 
myfieriofa parábola fe defcreve o fucejfo feli:^ 
do que fe hade f alvar, e infelit^ forte do que fe 
hade condenar Lisboa por Miguel Defland. 
1682. 8. e Évora na Offíc. da Acad. 1685. 8. 
e Lisboa por Filippe de Souza Villa 1724. 8. 
Sahio vertida em Caftelhano. Barcelona por 
Rafael Figueiró. 1696. 4. 

Arte de criar bem os filhos Lisboa por 
Miguel Defland. 1685. 8. 

Meditaçoens para todos os dias da fe- 
mana pelo exercido das potencias da alma 
conforme enfina Santo Ignacio Fundador da 
Companhia de JESUS. Lisboa pelo mefmo 
Impreílor. 1689. 8. 

Maria Kofa de Naf(aret nas montanhas dt 
Hebron, a Virgem N. Senhora na Companhia dg 
JESUS Lisboa na Officina Real Deflandefiana 
171 5. 4. Confta dos benefícios, que a Senhora 
tem feito à Companhia. 

Eleyçaõ entre o bem, e o mal eterno Lisboa 
na Officina da Mufica. 1720. 8. 

O Corvo, e a Pomba da Arca de Noé nofentido 
Allegorico, e moral luhho2L por Bernardo da Coíla 
ImpreíTor da Religião de Malta 1734. 8. 

Arvore da Vida Jefus Crucificado. Lisboa 
pello dito ImpreíTor 1734. 4. 



L USITAN A. 



97 



Compendio perfeito Aí. S. 
Nopifo Inftrnido. M. S. 



ALEXANDRE DE GUSMAM Caval- 
[leiro proíeíío da Ordem de Chriílo, e Fidalgo 
da GÍTa de Sua Mageílade naceo na Villa de 
Santos da Capitania de S. Paulo da America 
Portuguefa. O agudo engenho, e penetrante 
comprehensa(5, de que a natureza profufa- 
'mente o dotou, lhe facilitarão a noticia das 
lletras humanas, e da Poefia, em que fahio 
letninente. Deixada a pátria paííou a Portugal 
undc quando contava poucos annos foy uni- 
verfalmcntc venerado o fcu talento, de tal 
Itofte, que o elegeo por Teu Secretario o Conde 
da Ribeira D. Luiz da Camará quando no 
inno de 171 j. foy Embaxador à Magcftade 
thriílianifnma de Luiz XIV. Para fc inftruir 
jem a faculdade do Direito Cefarco frequentou 
*x Univerfidade de Pariz onde recebco o gráo 
de Doutor, c voltando a eíle Reyno fe incor- 
()0COu em a Univeríidade de Coimbra no 
Mino de 171 9. A grande intelligencia, que 
■tinha dos intercíTes políticos dos Soberanos, o 
|fles capaz de fer Agente dos negócios deíla 
Coroa nas Cortes de Pariz, e Roma pra£H- 
bando com tanto difvelo, e fidelidade eftes 
íbainifterios, que mereceo as eftimaçoès dos 

bs eruditos da Europa naõ fomente pella 
iciofa induftria, com que concluya os nego- 
bios mais difficeis, mas pela fciencia das lin- 
|g;aas mais polidas da Europa, vafta noticia 
iflim da hiftoria Sagrada, e profana, como das 
difciplinas Mathematicas, e experiências phy- 
|(icas, em que era fummamente verfado. Em 
fcontemplaçaõ de tantos dotes fcientificos o 
slegeo em 28. de Fevereiro de 1752. a Acade- 
mia Real da Hiíloria Portugueza por feu 
collega para efcrever na lingua Latina, de cuja 
pureza he obfervantiíTimo cultor, a Hiftoria 
ultramarina defte Reyno, o qual aíTumpto 
dezempenharâ com grande credito da fua 
e. Compoz. 
KelaçaÕ da Entrada publica, que fe^ em Varit^ 
10S 18. de Agofto de 171 5. o ExcellentíJJimo 
^^enhor D. Lui^ da Camará Conde da Ribeira 
' X^rande do Conjelho delKej de Portugal Commen- 
'iúãor de S. Pedro de Torrados, Alcayde mor 
■ia Villa da Amiejra, Meftre de Campo General, 
Central da Artilharia nos exércitos de Portugal, 



9 feu Embaxador txtraordinario à Corte de França 
rtynando nejta Monarchia Imí^ 14. fm <li*f Je 
achaÕ varias noticias concernentes ao Ctremonial 
dejla Embaixada ParÍ2 por Pedro Emeri. 
171J. 4. 

OrafaÕ com que congratulou a Academia Keal 
tm ly de Março de 1 752. por fer eleito feu collega. 
Sahío no Tom. 11. da Collec. dos Docu- 
mentos, e Mem. da mefma Academia. Lisboa 
por Jozé António da Sylva 1752. foL 

Conta dos feus ejludos Académicos a 14. de 
Julho de 1752. No Tom. 11. da CoUecçaõ 
dos Documentos da mefma Academia. 

Panegírico à Magejlade delRey D. JoaÕ o 
V. N. S. recitado no Paço a zi. de Outubro 
de 1759. ^^' '^ V^ cumpria os feus annos. 

ALEXANDRE DE MOURA apitaõ 
mór de Pernambuco efcreveo. 

Roteiro da Jornada, que fei^ com o Piloto 
Manoel Gonçalves defde Pernambuco até o 
Maranhão, cujo Aí. S. em folha fe conferva 
na Bibliotheca delRey Catholico como affir- 
ma o moderno addicionador da Bib. Occid. 
de António de Leaõ Tom. 2. Titul. 15. 
col. 690. 

Fr. ALEXANDRE DA PAIXAM 
Naceo na villa de Amarante na Província 
de Entre Douro, e Minho a 7. de Julho de 
165 1, e foraõ feus Pays Joaõ Clemente, 
e Maria Carvalho. Recebeo o Habito Mo- 
nachal do Príncipe dos Patriarchas S. Bento 
no Convento de Tibaens a 15. de Abril 
de 1645. Depois de eftudar as fciendas efco- 
lafticas, em que fahio fufficientemente inf- 
truido, exercitou o minifterio de Pregador 
com fatisfaçaõ dos ouvintes, e foy Geral 
da fua Religião, e Abbade dos Conventos 
de BofteUo, e Travanca, onde finalizou a 
vida no anno de 1700. Compoz, e naõ im- 
primio. 

Hijloria particular do Convento de Tra- 
vanca. 

Diário defde o anno de 1662. até 1680. 4. 

Faflos geniaes tirados da tumba de Merlim 
obra igualmente Jocosa, e fatyrica. 

ALEXANDRE PEREIRA DA SYLVA. 
Natural da Villa de Santarém onde fahio 



98 



BIDLIO THE C A 



à luz do mundo em 3. de Settembro de 
1684. tendo por Pays a Francifco Lopes da 
Sylva, e Helena Jozefa. He muito verfado 
na liçaõ dos Poetas, de cujo eftudo ajudado 
do génio para eíla divina Arte, tem com- 
pofto. 

Poejtas varias 4. M. S. e as conferva em 
feu poder. 

ALEXANDRE DA SILVA. Naceo 
na augufta Cidade de Braga, e foy bauti- 
zado em a Freguezia de S. Joaõ do Souto 
a 20. de Agofto de 1614. Foraõ feus Pays 
Pedro Lopes da Silva, e Maria Sarayva de 
igual nobreza, e piedade. Aprendidas as 
primeiras letras paíTou à Univerfidade de 
Coimbra, onde fahio eminente na fciencia 
de Direito Pontifício. Reftituido à pátria foy 
nella Cónego, e Dezembargador da Rela- 
ção Ecclefíaílica. As fuás grandes letras o 
fizeraõ digno de fer Promotor na Inqui- 
íiçaõ de Lisboa em 11. de Janeiro de 1648. 
donde paíTou a Deputado, e Inquifídor da 
Inquifíçaõ de Coimbra a 26. de Fevereiro 
de 1654. e ultimamente a Deputado do 
Confelho Geral de que tomou poíle em 1 1 . de 
Mayo de 1668. Atendendo o Príncipe Regente 
D. Pedro à integridade dos feus coílumes, 
que fe fazia mais eítimavel pela grande 
capacidade do feu talento o nomeou Bifpo 
de Elvas fendo o outavo, que teve eiia Dio- 
cefe, a qual governou com vigilância de 
perfeito Paftor, até que falleceo em Elvas 
a 2. de Fevereiro de 1682. e eftá fepultado 
na Capella mór da fua Cathedral. O Cabido 
da Primacial Igreja de Braga agradecido 
à memoria de taõ benemérito Capitular lhe 
dedicou hum anniverfario perpetuo no dia 
do feu óbito. Deixou féis Miífas quotidia- 
nas, duas no Altar Privilegiado de S. Pedro 
de Rates, e quatro na Cafa da Mizericordia 
de Braga pela fua alma. Compoz. 

Difcurfus pro Jure Vrimatialis Ecdejia, 
que fahio impreílo na Decif. 138. do Doutor 
Manoel da Fonfeca Themudo, o qual dif- 
curfo, diz Joaõ Soares de Brito in addit. 
Theat. 'Lufit. 'L.iter. lit. A. n. 3. que he 
doãus, (0° accuratus, <& quamquàm Jupprejjo 
nomine notijfimam fui A.uthoris in Jcrihendo 
diligentiam, (ò" Juhtilitatem fatis defnonfirat. 



Commentarij ad Inquifitorum Regimen 
ordinarium. M. S. 

Varias allegaçoens Juridicas, que fe naò 
imprimirão, e as vio Joaõ Soares de Brito 
como affirma no lugar aíTima allegado dizendo 
delias qua magnum Aucíoris nomen egregiejujlinent. 

ALEXANDRE DE SOUSA DE CAS- 
TELOBRANCO natural de Lisboa taõ illuf- 
tre por nacimento, como iníigne na fciencia da 
Hiftoria, e Poeíia de que deo repetidos argu- 
mentos nas mais celebres Academias, de que 
na fua pátria foy alumno. No anno de 1697. 
partio para a índia onde efcreveo com eftilo 
elegante. 

Trágica narração do Juceffo do fitio de Mom- 
baça rejumida em duas partes foi. M. S. cujo 
Original conferva entre os M. S. da fua 
Livraria o Reverendo Padre Fr. Affonfo 
da Madre de Deos Guerreiro Académico 
Real, a quem devemos eíla noticia. 

Defcreve o Author a Ilha de Mombaça, 
os motivos, que houve para fe romper a 
Guerra; acçoens heróicas, que fe obrarão 
no íitio até fe recolher a noíía Armada a Goa 
em 25. de Setembro de 1698. 

ALEXANDRE DE SOUSA FREIRE 

Cavalleiro profeílo da Ordem de Chriiio naceo 
em Lisboa fendo filho de Bernardino de 
Távora, e Souza Comiífario da Cavallaria do 
Alentejo, Governador de Mazagaõ, e Angola, 
e de D. Maria Magdalena Jozepha de Souza 
filha de Alexandre de Souza Freyre Governa- 
dor de Mazagaõ, e Confelheiro de Guerra, 
e de fua mulher D. Joanna de Távora filha 
de Álvaro Pirez de Távora Senhor do Morgado 
de Caparica, e D. Maria de Lima. Depois de 
eftudar letras humanas, e Filofofia, tomando 
o gráo de Meílre em Artes fe applicou ao t 
Eíhido da Sagrada Theologia em cuja facul- * 
dade recebeo as infignias doutoraes. Foy Colle- 
gial do Collegio Real de S. Paulo de Coimba r 
onde entrou a 28. de Janeiro de 1697. Prefe- í 
rindo o exercido militar ao Utterario paíTou à ^ 
Bahia onde fendo Coronel de Infantaria cafou 
com D. Leonor Maria de Caílro íilha herdeira 
de André de Britto de Caílro Provedor da 
Alfandega da Bahia, e de D. Maria Francifca 
Leyte de quem teve numerofa defcendencia. 
Foy Governador, e Capitão General do Eílado 



L USITANA. 



99 



<i() Maranhão. Delle fazem memoria Antó- 
nio Carvalho da Coíla Corog. Portug. Tom. 2. 
iiv. I. cap. 18. e D. Jozé Barboza nas Mem. 
do (^ollcgiu Real de S. Paulo pag. 235. e no 
\rchiathflen. Lufit. pag. 62. dizendo. 
Cernis Alexandrum quem prima Sacra jiwenta 
Ijaiirea condecorai i Qms Maranhonius amnis 
Irrigat, ipfe reget Mavoríia Caflra fe- 

qiuttns. 
Com o nome de Francifco Xavier de 
Salazar publicou. 

Afftdos do Kofario meditado offerecidos 
\etít devotos da Virgem Maria. Lisboa por 
António de Souza da Sylva 1756. 4. 

Neíla obra fe moílra o Autor muito 
iwfado na liçaõ da Sagrada Efcritura, c 
>antos Padres. 

D. ÁLVARO DE ABRANCHES, 
E NORONHA naceo na Cidade de Lis- 
boa cm 7. de Junho de 1661, e teve por 
Pays a D. Miguel Luiz de Menezes primei- 
ro Conde de Valladares, e D. Magdalena 
de Lancaílro, e Abranches, filha de D. Ál- 
varo de Abranches Confelheiro de Eftado, 
D. Maria de Lancaílro. Foy admitido 
Porcioniíla no Real Collegio de S. Paulo 
de Coimbra em 26. de Outubro de 1677. 
onde fe applicou ao eftudo do Direito Pon- 
tificio, em que fahio infigne Letrado. De- 
pois de obter hum Canonicato na Sé de Lis- 
boa, e fer Deputado do Santo Officio da 
Inquifiçaõ de Lisboa, de que tomou pofle 
em 18. de Julho de 1686. foy Sumilher da 
Cortina delRey D. Pedro IL que o elegeo 
Bifpo de Leyria, em cuja Cathedral entrou 
a 5. de Outubro de 1694. onde com paílo- 
ral vigilância vizitou as fuás ovelhas 
|l reformando muitos abufos, e introduzindo 
.1 obfervancia dos divinos preceitos pellas 
I vozes evangélicas de MiíTionarios, que 
L mandou chamar para taõ fanta empreza. 
IjPor efpaço de quatro annos foy Regedor 
j.das Juftiças, de que tomou pofle a 17. de 
I Abril de 171 1. em cujo minifterio fe admi- 
[rou a reítidaõ fem degenerar em feveridade. 
V auguíla Mageftade delRey D. Joaõ 
^ o V. noflb Senhor o nomeou Arcebifpo de 
Évora, que elle modeílamente recufou. 
Sempre foy inimigo do fauHo, como alheo 



do eftado Ecdefíaftico, fendo as Tuas acçoens 
huma norma viva das virtudes EpiTcopaes» 
pellas quaes he benemeiito das mayores 
dignidades da Igreja. Publicou. 

Conjenfus Conftitutioni Unigenitus praftitus 
Ulyfip. apud Jozeph. Lopes Ferreira Seren. 
Regin. Typ. 17 19. 4. começa Epifcopale muniu. 
Defte illuftre Prelado fe lembraõ com 
os merecidos louvores o P. D. António Cae- 
tano de Souza. Hifl. Gen. da Caf. Keal de 
Portug. Tom. 2. Iiv. 3. cap. 8. pag. 522. e 
D. jozé Barbofa nas Mem. do Colleg. Kial 
de S. Paul. pag. 360. n. 55. e no Archia- 
than. "Lufit. pag. 106. nefta forma. 

Alvarus enveniet ceifa de ftirpe Noronha, 
Gaudeat illa Vetus Collipo PraJuU quanta 
Mores cerne gregis facratos infpice mores 
Keligio, quos clara pij revocabit Abranches. 
Ebora Pontificum magnorum cogtita fedes, 
Offeret antiquas ornet queis tipora Vittas, 
Sed renuet confians oblati pondus honoris. 
Servantem videas Themidis decreta fevere, 
Sic reget ille ff^egem, pleUet fie faãa reo- 

rum: 
Júris amor librare folet lance omnibus aqua. 

ÁLVARO AFFONSO DE ALMADA 
cuja pátria he taõ incógnita, como o eftado 
da vida, que profeflava, e idade em que flo- 
receo. Foy Cavalleiro da Ordem de Chrifto, e 
inclinado à Poefia. Compoz em outava Rima. 

Panegírico a S. Joaõ Ejfangelifia cuja 
obra fe conferva na Bibliotheca do Con- 
vento de Santo Eloy de Lisboa dos Cóne- 
gos Seculares. 

ÁLVARO DE ANDRADE natural 
de Lisboa Profeflbr celebre do Direito Pon- 
tifício na Univerfidade de Coimbra fendo 
neUa Lente de huma Cathedrilha de Câ- 
nones, em que foy provido a 18. de Abril 
de 1573. Para demonftraçaõ da fidelidade, 
com que defendia o direito defta Coroa 
contra as pertençoens de Caftella efcreveo 
taõ douta como elegantemente. 

AllegaçaÕ de Direito a favor da Senhora 
D. Catherina Duquesa de Bragança. M. S. 

ÁLVARO BARRETO foy celebre 
Poeta do feu tempo, e como tal venerado 
pellos mayores profeflbres defta divina Arte. 



lOO 



BIB LIOTHE CA 



Deixou muitas obras, das quaes fomente logra- 
rão a luz publica as que eílaõ a folhas 11.22. v.o. 
35. até 37. e 49. do Cancioneiro de Garcia de 
Refende impreíTo em Lisboa por Herman de 
Campos IJ16. foi. 

ÁLVARO DE BRITO PESTANA, filho 
de Affonfo Rodrigues Alardo, e de Mecia de 
Brito Peílana, que foy Ama delRey D. Affonfo 
V. naõ teve menos inclinação às armas, de que 
deo gloriofos teílemunhos na batalha da Alfar- 
roubeira, do que às letras, fendo iníigne na 
metrificação de todo o género de verfos, 
em que fe admirava huma natural affluencia 
unida a huma fublime elegância: os que 
fahiraõ a publico foraõ os seguintes. 

Carta ejcrita a L»/^ Fogaça Vereador de Lis- 
boa dandolhe regras para os ares da dita Cidade 
ferem faudaveis. 
Glofa ao Mote 

Cuidados deixajme agora. 
A.0S V^eys Catholicos Fernando, e If^abel. 
A. morte do Príncipe D. Affonfo. 
Duas Cançoens a Nojfa Senhora 
Glofa ao Motte. 

Terribles cuitas defeo 

Todas eílas Poefias eftaõ impreílas no 
Cancioneiro de Garcia de Refende aíTima 
allegad. a foi. 10. v.** 49. v.o e foi. 24. atè 32. 

Fr. ÁLVARO DE CASTELLO 
BRANCO natural da Villa de Arronches na 
Província do Alentejo, e filho de Francifco de 
Siqueira Peílana, e D. Leonor de Caftellobranco 
ambos defcendentes deiUuftres famílias. Na flo- 
rente idade de vinte, e hum annos recebeo o Ha- 
bito da Ordem de Santo Agoílinho no Convento 
de Lisboa em 3. de Mayo de 1640. Aprendeo 
com tanta applicaçaõ as fciencias da Filofofia, e 
Theologia, que as enfinou com igual credito no 
Collegio de Santo Agoftinho de Lisboa. Foy 
dos grandes Pregadores do feu tempo, e como 
tal o nomeou ElRey por hum dos da fua Ca- 
pella, na qual fazendo hum Sermaõ, nelle como 
deliro politico infinuou o modo, com que fe 
concluyo a paz, que fe celebrou no anno de 
1668. Em premio das fuás profundas letras o 
nomeou o Príncipe D. Pedro Regente da Mo- 
narchia. Arcebifpo de Goa, e depois Bifpo 
de Portalegre, e confiantemente refoluto naõ 



aceitou eílas dignidades preferindo a quieta- 
ção de Religiofo à vigilância de Prelado. Mor- 
reo no CoUegio de Santo Agoílinho de Lisboa 
a 28. de Fevereiro de 1668. Compoz. 
Curfus Theologicus. foi. 

De Vradeflinatione, Sacramentis in genere, 
<& in fpecie. foi. 

Synopfis in Univerfam Theologiam fpeculati- 
vam, <ò' mor alem foi. 

Eíles volumes fe confervam M. S. na Livra- 
ria do Convento da Graça de Lisboa, e nos 
primeiros dous eílaõ defefeis conclufoens im- 
preílas, que defendeo, 8. de Filofofia, e 8 de 
Theologia. 

Fr. ÁLVARO CA VIDE. Naceo no termo 
da Cidade de Évora, e fendo de dez annos de 
idade recebeo o habito da Santilfima Trindade 
no Convento de Lisboa a 15. de Setembro de 
1 543. das mãos do Provincial, a tempo que hia 
exercitar o mefmo lugar em Caílella, o qual 
attrahido da fua Índole, e viveza o levou em 
fua companhia, e no Convento de Burgos 
naõ fomente profeííou, mas eíludou as primei- 
ras letras. PaíTou a Salamanca, em cuja Uni- 
verfidade aprêdidas as fciencias efcholaílicas fe 
graduou Doutor em Theologia no anno 1560. 
Exercitou o miniílerio de Pregador em toda 
Efpanha com grande applaufo. Voltando para 
Ciudad Rodrigo, onde habitava, antes que 
a ella chegaíTe, morreo no caminho fuffo- 
cado de huma grande innundaçaõ de neve no 
mez de Janeiro de 1606. quando contava 73. 
de idade. Compoz na lingua Caílelhana, e o 
dedicou a feu sobrinho Fernaõ de Lemos. 

Arte para conocermos a nos otros mifmos, 
y a Dios por fenales exteriores. 

Deixou imperfeito hum tratado contra os 
Judeos do noíTo tempo. 

D. ÁLVARO DA CONCEYÇAM natural 
de Villa de Monte mòr o Novo da Província 
Tranílagana, e parente muito chegado dos Con- 
des das Galveas. Recebeo o canónico habito de 
Santo Agoílinho no Real Convento de Santa 
Cruz de Coimbra a 22. de Janeiro de 1666. 
Pela grande prudência de que foy dotado exer- 
citou os lugares de Diíinidor, Collega, Vizi- 
tador, e Reytor do Collegio novo de S. Agof- 
tinho na Univerfidade de Coimbra onde falle- 



L USITAN A. 



lOI 



h » eco a 9. tlc Dezembro de lyzS. Impri- 
mio. 

StrtHúò de N. Senhora da Piire^a. Li f boa 
por Domingos Carneiro 1686. 4. 



Fr. ÁLVARO COSMR, Eremita de Santo 
^goftinho, infignc Theologo, dcfcnfor accr- 
jcimo da Religião Catholica cm Inglaterra, c 
Q)nfenbr do Hminentinimo Cardial D. Tho- 
ina2 Ubrit do Titulo de Santa Cruz de Jerufa- 
km, c primeiro Fundador da Univerfídade de 
Cantuaria. Baile para elogio dcíle Varaõ o que 
delle efcreveo Fr. Ricardo Wandalic in Chron. 
Trinit. M. S. que fc conferva na Bibliotheca 
do Efcurial, lib. i. cap. 20. In temporis occafione 
(que era no anno de 1257.) qindatn peffwii, €>* 
infolentes haretici erant, qui aperte corportim 
refnrre£líonem abnej^aban/, in qiios Venerahilis 
Archiepifcopus Cardinalis magnam pojuit vigi- 
lantiam, Ó* adjiitorem adhihuit Keverendiffimiim, 
digniJfuMnmqne Alvariim Co/me 'Lufitanum divi 
Augufiini Eremitam, qui litteris,Jcientia, ér dexte- 
ritate ingenij quinqtie conjcripfit argumenta, ut eos 
ab erroribus vindicarei <â>'c. his efficacijfimis 
remediis tota harejis relegata ejl, ó^ Civitas Can- 
tuarienjis ab execrandis criminibus manfit liberata. 
Semelhante elogio lhe faz Fr. António da 
Purificação na Chron. da Prov. de Port. Part. 2. 
liv. 6. Tit. 5. §. 4. & de Vir. lllujl. Ord D. 
Augujl. liv. 2. cap. 3. Joaõ Soar. de Brit. in 
Theatr. Lup. Litter, let. A. n. 18. 

ÁLVARO DO COUTO D.E VAS- 
CONCELLOS Teve por Pays a Joaõ Gon- 
çalvez do Couto, e D. Brites Barbosa de 
Vafconcellos, dos quaes com a nobreza 
do fangue herdou o génio para o eftudo 
de todas as fciencias, e Artes liberaes fendo 
a fua mayor applicaçaõ à Hiftoria profa- 
na, de que deo claro argumento, em 
obfequio de fua pátria no trabalho com que 
reduzio a melhor forma, e acabou em o i. 
de Setembro de 1541. 

Chronica do Serenijftmo Key de Portugal 
D. Joaõ o I. em 3. Tom. que tinha compoíla 
o Chroniíla Femaõ Lopes, de cuja obra 
fe conferva huma Copia na Bibliotheca do 
Convento de S. Francifco de Lisboa da Pro- 
vincia de Portugal, que vimos. 



ÁLVARO DIAS. Depois de fc applicar 
na Univerfídade de Coimbra ao eftudo de 
Theologia, ou dos Sagrados Cânones rccebeo 
o gtAo de Licenciado em huma deftat Êicolda- 
des. No tempo, que poííuia hum Beneficia 
rendofo na Cathedral de Cabo Verde huma das. 
noíTas Ilhas Ilefpcridas, e excrcítaíTe com 
rcélidaò, e prudência o lugar de Vigário Gexal 
naquclla Diocefe por morte do fcu Bifpo o 
lUuílrinfimo D. Fr. Sebaftiaò da Afcenf^O' 
meritiíTimo filho da Religião Dominicana, que 
fucccdeo a 12. de Março de 16 14. compoz,. 
como teftifíca Jorge Cardofo no Affol. Lujit, 
Tom. 2. pag. iji. no Commentario de 12. de 
Março letra \\. e Fr. Pedro Monteiro Clauft. 
Dominic. Tom. i. pag. 52. 

Vida do llluflrifimo Bifpo de Cabo Verde D- 
Vr. Sebaftiaò da AfcençaÕ, a qual fc naõ impri- 
mio, de cuja obra como do Author faz mençac> 
o moderno addicionador da tíib. Occident. de 
António de I^aõ Tom. 2. Tit. 23. col. 859. 

Vida do Venerável Padre Fr. JoaÕ da Efpe- 
rança Keligiofo da 3. Ordem de S. Francifco efcrita 
em 20. de Aíarço de 1 6 5 o. Como affirma o mefmo 
Cardofo no Agiol. L/íftt. Tom. 5. pag. 610. no 
Commentario de 9. de Junho let. E. 

ÁLVARO ESCOBAR ROUBAM Naceo- 

em Coimbra a 5. de Abril de 161 5. fenda 
feus Pays Manoel de Efcobar Roubaõ, e ^Mar- 
garida Rouboa de Anhaya. Naõ foy predso^ 
fahir da fua pátria para fe inftruir em as letras 
humanas, Rhetorica, e lingua latina, antes 
fez nellas taes progreíTos, que paífando a 
penetrar os Segredos da Filofofia, e as Deci- 
foens dos Sagrados Cânones mereceo com 
uniforme approvaçaõ da Univeríidade receber 
o grào de Bacharel neíla faculdade. Os feus 
merecimentos lhe alcançarão o Priorado dá 
Igreja de Águeda, e o lugar de Prothonotario- 
Apoílolico. Teve para o púlpito grande génio 
fendo eftimado por grande Orador Evangé- 
lico pela eloquência, e vivefa, com que 
recitava os feus Sermoens. Ao tempo, que 
com grande difvelo exercitava o offido paf- 
toral foy impiamente morto por hum aíTaíIi- 
no em o anno de 1670. Os Sermoens, que 
fe imprimirão faõ os feguintes. 

Sermaõ na TresladaçaÕ dos ojfos de S. Bento 
com o Santijfimo Sacramento expofto pregado- 



I02 



BIB LIO THECA 



no Convento das Keligiofas do Porto Coimbra 
por Diogo Gomes Loureiro 1646. 4, & ibi. 
pela Viuva de Manoel de Carvalho 1670. 4. 

Sermão da Purificação da V. N. Senhora 
•com o titulo da Luí^. Coimbra por Manoel 
Carvalho. 1667. 4. 

Sermão da Beatificação de Santa Kofa de 
Santa Maria no ultimo dia do Outavario, que 
celebrarão os Keligiofos do Mojleiro de S. Domin- 
gos, e Keligiofas do Convento de Aveiro. Lisboa 
por António Crasbeeck de Mello 1670. 4. 
Sahio traduzido efte Sermaõ em Caílelhano 
por D. Eílevaõ de Aguilar, e Zuniga em o 
Tom. 2. da 'Laurea Portug. Madrid por André 
Garcia dela Iglefia 1679. 4. 

Seis Sermoens pregados de tarde a Chrifio 
Crucificado da Freguesia de Santa Jujla de Coim- 
bra nos Sabbados de Ouarefma. Obra pofiuma 
Lisboa por Joaõ da Coíla. 1671. 4. 

Na Dedicatória do Sermaõ da Purifica- 
rão faz memoria de huma obra intitulada 
Theatro de Príncipes que eftava brevemente 
para a imprimir, mas naõ o executou. 

ÁLVARO FERNANDES, muito fciente, 
e experimentado em a navegação da 
índia Oriental, e Guardião da Náo S. 
Joaõ que padeceo hum dos mais horroro- 
fos, e lamentáveis naufrágios de que fe lem- 
braõ os homens, cuja fatalidade fuccedeo 
nos baixos da terra do Natal a 24. de Junho 
de 1552. perecendo nella o Capitão Manoel 
de Souza de Sepúlveda com fua mulher, 
e filhos, cuja laílimofa tragedia fera eterna- 
mente infeliz aíTumpto da defgraça. Como 
aíTiftio a eíle horrível naufrágio compoz 
delle huma exaâa Relação conforme efcreve 
Fr. António de S. Roman Hijl. dela Ind. 
Orient. liv. 4. cap. 23. e lhe poz o titulo 
feguinte. 

Hijloria da muy notável perda do galeaõ 
grande S. JoaÕ em que fe rçcontaõ os cafos 
defvairados, que acontecerão ao Capitão Manoel 
de Soufa de Sepúlveda, e o lamentável fim, 
que elle, fua mulher, e filhos, e toda a mais 
_gente tiveraõ. Lisboa por Joaõ Barreira. 
1554. 4. et ibi na Officina da Congregação 
do Oratório 1735. 4. na Collecçaõ dos nau- 
frágios feita pela curiofa induílria de Bernardo 
Gomes de Britto. 



ÁLVARO FERREYRA DE VERA. 
Naceo em Lisboa, de Pays illuílres, e no Col- 
legio de Santo Antaõ dos Padres Jefuitas 
aprendeo as letras humanas, e as difciplinas 
Mathematicas, das quaes teve por Meftre 
o Padre Chriftovaõ Borro infigne profeíTor 
nefta faculdade. Depois de fe inílruir na liçaõ 
da Hiíloria profana fe applicou com o mayor 
difvelo por todo o tempo da fua vida a alcançar 
a noticia das Famílias illuílres deíle Reyno 
revolvendo para efte fim todos os Cartórios, e 
Archivos da Corte, e principalmente o Real, 
onde continuamente aífiília por ter contrahido 
eftreita amizade com o Guarda mór delia. 
Naõ fatisfeito das noticias, que a fua incan- 
favel deligencia tinha colhido em Portugal paf- 
fou a Madrid, onde viveo até o anno de 1645. 
occupado no ecudo Genealógico das Famílias 
de Efpanha, pelo qual mereceo os elogios, que 
lhe fizeraõ Nicolao Ant. in Bib. Hifp. Tom. i. 
pag. 46. D. Francifco Manoel na carta efcrita ao 
Doutor Manoel da Fonf. Themudo. Rodrigo 
Mend. Sylv. no Cathal. Keal. Manoel de Faria, 
e Soufa na Dedicatória da i. Parte da Fonte 
de Aganip. ao Marquez de Montebello, di- 
zendo: como lo enfenan los antigos ^Nobiliários, y 
modernamente con fus arboles el penetrante invef- 
tigador delos Venerables Monumentos Álvaro 
Ferreira de Vera; e nas advertências à Egloga 
12. da P. 4. da Font. de Aganip. Álvaro Ferreira 
de Vera nueflro amigo es diligente efcritor 
dela Hifioria Genealógica Portuguesa y que 
ya divulgo un libro dela Noblef^a j otros dif- 
curfos con claro ejiylo, y acierto; e no prin- 
cipio da mefma Egloga dedicada ao feu 
nome lhe confagra efte Soneto. 
devolve ò graõ Ferreira em cins^as frias 

Da apagada nobreza os lumes claros; 

E do F.ufo idioma os termos raros 

Com que a pátria ennobreces, e glorias. 
De f eus altos ejiudos as porfias 

Sendo delia os firmijfimos reparos 

Da fama annos futuros nada avaros 

Te feraÕ, quando o fejaÕ noffos dias. 
Bem podes revolver bem prefumido 

Fm quanto banha o Tejo, banha o Douro 

Hum, e outro efplendor efclarecido. 
Que a mim me eflá dizendo Febo Lj)uro 

Oue fe a nobre fortuna o appellido 

Te deo de ferro, deu-te o efiylo de ouro. 



LUSITANA. 



io5 



ll. Luiz Salazar, c Caft. nas Advtrt. Hifl. 
Ibl. 552. n. 269. Álvaro Verreira de Vera noble 
tjlfitano ejcrevio unas notas ai Nobiliário dei 
C^ide D. Pedro de Portugal con jijran utilidad 
it aquel volumen. D. Ant. Soar. de Alarc. nas 
fi^lac, Geneal. dti Caja de Vroeif. foi. 85. col. 1. 
^otieiofo Author delas famílias de Portugal. 
Gandar. Nobil. de Calicia lib. 5. cap. 16. 
Morery Dié^ion. Iliftoriq. vcrb. Verreira 
it Vera lhe chama geneologijle três Jur Q>mpoz. 

Origem da Nobret^a politica, blav^ns de 
grmas, apellidos, Cargos, e Ti talos nobres Lisboa 
por Mathias Rodrigues. 1651. 4. 

Orthographia, ou modo para efcrever certo 
na língua Portuguev^a com hum Tratado da Memo- 
ria artificial; outro da muita femilhança que tem 
a lingua Portuguet^a com a luitina. Lisboa 
pelo mcfmo Imprcf. anno c forma. 

Notas ao Nobiliário do Conde D. Pedro 
por Eftcvaò Paulinio 1640. foi. Lisboa por 
Joaõ da Cofta 1645. e Madrid por Alonfo 
de Paredes 1646. foi. Roma 

Vidas abbreviadas dei Conde don Enri- 
que de Borgona, delKey D. Afonfo Enriques 
d L de Portugal, de D. Sancho el I. de 
D. Alonfo el II. de D. Sancho el II. de 
D. Alonfo III. delKey D. Dioni^ único 
en Portugal 6. en numero; de D. Alonfo IV. 
y D. Pedro I. Çaragoça 1645. foi. 

Informacion fobre el Titulo de Gijon. 
Madrid 1645. foi. 

Unhas Reaes dos Condes de Penaguião foi. Aí. S. 

Líneas Reales delos Aíarque^es de Tor de 
Laguna, foi. Aí. S. Eftes dous M. S. fe con- 
fervaõ na Livraria do ExcellentiíTimo Marquez 
de Abrantes. 

Informacion dela Origen delos Vafcon- 
celos. Madrid. 1646. foi. 

Genealogia dela Cafa de Contreras. Defta 
obra fe lembraõ Franckenau in P>ib. Hifp. 
Híji. Geneal. Herald, pag. 19. e o Padre D. 
António Caetan. de Souf. no apparat. 
à Hifl. Gen. da Cafa Real de Portug. pag. 74. 
n. 57. intitulando-o, muito douto na Mathe- 
matica, VaraÕ erudito, e com muito efttido 
de Genealogia. Tinha compoílo como diz 
Nicol. Ant. in Bib. Hifpan. Tom. i. pag. 46. 
col. 2. 

Compendio de Vocabulários, ou Lexícon 
Lufitano Latino. 



Cortesão perfeito. 
Porem nau fe imprimirão eílas duas obras. 

Fr. ÁLVARO DA FONSECA, nacca 
no lugar de Ercarrigo termo da Villa de 
Caílelio Rodrigo do Bifpado de I^mego, e 
foraò feus Pays Franciíco da FonTeca Oforío» 
e Catherina Domingucz. Rcccbco o habito 
Girmelitano no Q>nvento de Lisboa a 27. 
de Novembro de 1610. e profeíTou a 28. do 
dito mez do anno feguinte. Por fer grande 
humaniza, e muito fciente na lingua Latina 
a enfmou aos feus domeílicos no G>nvento 
de livora. Foy Subprior dos Conventos 
de Setúbal, e Vidigueira, e Meftre dos Novi- 
ços em Moura, e Lisboa. Applicoufe aa 
eíludo da Genealogia em que foy muito perito. 
Morreo em Rvora a 2. de Mayo de 1664. 
Compoz hum Nobiliário com efte Titulo. 

Relação da nobre, e antigua família dt 
Fonfeca no Reyno de Portugal, e da Ori- 
gem da dos Coutinhos, que fahío da dos Fon- 
fecas. Começa. 

Efla geração, e nobre família de Fon- 
feca he huma das mais antigas defle Reyno. 

Efte livro dedicou o author no anno de 
1645. ^ ^' VeriíTimo de Lancaftro depois 
Inquifidor Geral, e Cardial da Igreja Ro- 
mana, do qual há diverfas copias. O Padre 
Fr. Manoel de Sá nas fuás Memor. Hifl. dos 
Efcrít. Portug. da Prov. do Carm. defte Reyno^ 
pag. 10. n. II. diz que o Original fe conferva. 
na Livraria dos ExcellentiíTimos Marquezes 
de Alegrete. Foy o dito Nobiliário acrecen- 
tado por Fr. Miguel de Saõ Braz Carmelita 
Defcalço irmaõ de Luiz da Fonfeca Coutinho 
Fidalgo da Cafa Real, e Avô do Dezem- 
bargador Manoel Guerreiro Camacho, como 
affirma o Padre D. António Caetano de 
Souza no Apparat. à Híjl. Gen. da Cafa Reat 
de Portug. pag. 86. n. 77. 
Efcreveo mais 

Genealogia da Cafa Real de Bragança com 
eflilo muito fucinto como diz o Padre D. 
António Caetano no lugar affima allegado. 

Genealogia dos Reys de Portugal. Ao 
Senhor D. Veríjftmo de Lancaftro quart» 
Neto delRey D. JoaÕ o II. The^oureiro mor 
da Sé da Cidade de Évora, e digniffimo In- 
quí:^ídor da dita Cidade. Dedicado em o 



I04 



BIBLIO THECA 



atino de 1653. 4. M. S. Confervafe na Livraria 
<lo Conde do Redondo. 

ÁLVARO GOMES, natural de Évora, 
£lho de Gil Fernandes Sardinha, e Lourença 
Fernandes filha de Pêro Lourenço, que tinha 
foro de VaíTallo delRey, e irmaõ inteiro de D. 
Pedro Fernandes Sardinha primeiro Bifpo da 
Bahia, e hum dos mais iníignes Theologos, 
-que venerou a Univerfidade de Pariz, onde 
depois de receber nella as iníignias Doutoraes 
na faculdade Theologica, como agradecido a 
taõ illuílre paleftra em que colhera os abundan- 
tes frutos da Sabedoria por muitos annos com 
_grande efplendor, e naõ menos aclamação 
•dos feus ouvintes exercitou o magiílerio na 
mefma faculdade. Envejofas as Univeríi- 
dades de Salamanca, e Coimbra, de que a de 
Pariz poíTuifle no feu grémio a hum taõ con- 
fumado Meílre, o chamarão para illuílrar com 
•os rayos da fua doutrina aos Hefpanhoes, e 
Portuguezes, cuja incumbência executou pelo 
largo efpaço de vinte annos, principalmente 
«m Coimbra, onde foy Lente de Theologia no 
anno de 1545. Por ordem delRey D. Joaõ IIL 
paíTou do publico exercício de Meílre ao par- 
ticular de inílruir em a Theologia a feu Irmaõ 
o SereniíTimo Infante D. Affonfo Arcebifpo 
<de Lisboa, e Cardial da Igreja Romana, e de 
tal forte ellimava o mefmo Monarcha a fua 
peíToa, que o elegeo feu Confeflbr, e Prior da 
Igreja de S. Nicoláo de Lisboa, a qual até a 
morte adminiftrou com difvelo de paftor ze- 
lofo, e felicito. De todas as fuás obras fahio 
k luz publica. 

De Conjugio Regis Anglia cum relicta fra- 
iris fui. UlyíTipone apud Germanum Galhar- 
dum. 15 51. 4. 

Em cuja Dedicatória a Pompeo Zam- 
bicari Bifpo Vaven. e Sulmon. Núncio 
Apoftolico neíle Reyno faz relação de ou- 
tras obras neíla forma. Serenijfimo Regi 
Joanni Hijloriam Alphonfi Primi 'Lujitania 
Regis, D. Sancij ejujdem filij, <& D. Joan- 
nis hujus nominis Jecundi latine à tne primo dona- 
tam ex annalihíis I^uJifanicB o Hm confecravi: 
<ò' Vrincipi Henrico Commentarios in Vrim. JLib. 
Vacultatis Theologica Varijienfis in matéria fidei, 
<ò' morum adverjus omnes nojlra tempefiatis 
hcerejes dicavi ( Eftes Commentarios fe confer- 



vaõ Aí. S. na Biblioth. do Colleg. de Évora da 
Companhia de JESUS ) D. Eduardo infi- 
gnem de immortalitate anima libellum, et alii 
Macenates mei, (& primates Eufitania non 
nulla opera qualia cumque ex me acceperunt. 
A memoria defte author celebrarão NicoL 
Sand. in Scifmat. Anglic. lib. i. Odoric. 
Raynaud. AnnaL Ecclef. Tom. 20. ad an. 
1531. n. 86. Hermic. Cayad. in uno Suor. 
Epigram. Nicol. Anton. in Bib. Hifp. Tom. 1. 
pag. 46. col. 2. o Padre Francifco da Fonfeca 
Evor. glor. pag. 409. D. Pedro Fernand. 
Sard. na Epiftol. impreífa no fim do livro 
de conjugio Regis &c. Tametji ante hos viginti 
annos tum Theologi, tum ]uris confulti Doãores 
eruditijfime confcripferint, nulliis tamen {quantum 
mihi videtur) rem ipfam acutius, ac profundius 
attigit, quam nofier Gomejim Parijtenjis Theolo- 
gus, ut qui multis annis Euthejia, Salmantica, 
(& Conimbrica Theologiam edocuerit. Jeronymo 
Cardofo nas fuás Epiílol. Latinas o louva 
de igualmente fer douto nas fciencias fagra- 
das, como nas letras profanas dizendo-lhe 
na Epiílola 15. Duplicem ?nihi videris lauream 
ajjecutus, qui non contentus modo magis in litteris 
promovijfe, quàm umquam quijquam antehác, 
verum etiam quod magis admiror, in humanitatis 
Jludijs fie excellis, ut univerfos tua profejfwnis 
homines non Jolum anteeas, fed eos ipfos etiam, qui 
in eifdem fiudijs nati educatique Junt. Neftas 
Epiftolas eftá huma elegantinima, que he a 
17. efcrita por Álvaro Gomes a Jeronymo 
Cardofo. O Padre Joaõ de Mariana in Tra- 
ã. pro editione vulgata Sacr. Script. cap. 8. 
pag. 56. da impreíTaõ de Colónia do anno 
de 1609. traz huma fua epiílola efcrita a 
Nicolao Sandero em que lhe diz Difputa- 
tionem tuam pro Hebraicorum codicum veri- 
tate, quam Alvarus Gomefius de litteris, 
ac de me benemeritus tuis verbis cognofcendam 
mifit, cupidijftme legi. 

ÁLVARO GOMES DE SANTA 
MARIA, Confelheiro delRey D. Aifonfo 
V. e naõ menos obfervante das Virtudes 
moraes, que perito nas elegâncias poéticas 
compondo em Outava Rima Portugueza. 

Das Virtudes, e dos Vicios. M. S. 

Cuja obra fe conferva na Biblioth. 
Real. 



L USITANA. 



io5 



ÁLVARO GONÇALVES. Celebre Poeto, 
que floreceo no Soculo decimo fctimo infígne 
imitodor do Princepe da Poefu o grande 
Luiz de Camoens. Pofto que naõ fez publica 
alguma das fuás obras naõ devemos paíTar 
em íUencio a illuílre memoria, que faz dcUc 
entre os Poetos Portuguezes, Jacinto Cordeiro 
no elogio dellcs. 
Uepe A/varo Confales el cuidado 

La gala, la diilfitra quando intenta 

Applaufos confu ingenio delicado 

Si enamora las Mn/as, qne frequenta. 

Tanto en Ju blandara enamorado 

Vivos affeÚos dulce reprejenta 

Que cilas la fanff^e en el han conocido 

Que tiene de Camoens fuhjlituido. 

ÁLVARO GONÇALVES DE CÁCE- 
RES. Foy Chronifta mór delRcy D. Affonfo V. 
c fucccflbr ncftc lugar de Gomes Eannes de 
Zurara. O mefmo Monarcha o armou Caval- 
Iciro na cxpugnaçaõ de Alcácer, e lhe deo por 
Armas hum efcudo em cujo campo de ouro 
cllava huma palma com frutos coroada de 
huma eftrella vermelha. Naõ efcreveo Hifto- 
ria defte Princepe, mas dous Tratados dedica- 
dos a D. Affonfo L Duque de Bragança, 
fendo o primeiro. 

Da dignidade do Duque, Jtia origem, excellencias, 
€ obrigaçoens do/eu officio. Confervafe na Livraria 
do Marquez de Gouvea, como teílifica o P. D. 
António Caetano de Souf. no Apparat. à Hift. 
Gen. da Caja Keal Portug. pag. 26. n. 7. O fe- 
gundo efcrito em Caftelhano tem efte titulo. 

Que cofa fea hidalgtáa, quando conviene, e a 
quien fe deve. Fazem lembrança defte Author 
Fr. Francifco Brandão Chronifta mór do 
Reyno no liv. 4. dos Myfticos, e Joaõ Franco 
Barreto na Bib. Lufit. M. S. 

Fr. ÁLVARO DE JESUS natural da Villa 
de Alegrete da Provincia do Alentejo profeffou 
o Habito de Eremita de Santo Agoftinho no 
Convento de Lisboa a 19. de Março de 1595. 
Naõ foy menos iníigne na fciencia da Theolo- 
gia, que em a noticia das antiguidades da fua 
Ordem zelando como verdadeiro filho os privi- 
légios de taõ grande, e illuftre Mãy, e como tal 
foy a Roma por Procurador Geral eleyto pela 
Provincia para defender a controverfia da pre- 



cedência com os Dominícos, onde alcançou 
fmgulares gtaças da liberalidade Pontifícia 
para cfta Província Portugueza aíTiftindo na 
Cúria defde o anno 1595. até o de i6oz. em 
que morreo. Offcrecco á Santidade de de- 
mente VIII. logo que chegou a Roma. 

Difmforio da Ordem dos Eremitas de Santo 
Agoftinho, cuja Copia fe conferva na Livraria 
do Convento de N. Senhora da Graça de 
Lisboa. Além defta obra, em que fumma- 
mente trabalhou. Compoz. 

Officios próprios da Ordem dos Eremitas 
fcparados do Breviário no anno de 1596. 
e alcançou, que fe rezaííem, em toda a Ordem. 

Fr. ÁLVARO LEITAM natural de Lisboa, 
e filho de Manoel de Figuciroa Caftclobranco, 
c Cathcrina Jorge rcccbco o Habito da Illuftre 
Ordem dos Pregadores no Real Convento da 
fua pátria a 26. de Junho de 1628. Foy Mcftrc 
na Sagrada Theologia, Qualificador do Santo 
Officio, Pregador das Magcftadcs dclRcy 
D. Affonfo VI. e D. Pedro II. merecendo 
univerfal eftimaçaõ pela exccllencia das Letras, 
e integridade dos coftumes. No púlpito 
fempre ouvido com aplaufo; nas duvidas da 
confciencia fempre confultado com veneração. 
Como era mais ambiciofo de obedecer, que de 
mandar nunca pertendeo lugar algum hono- 
rifico na Religião, antes sendo eleito por votos 
uniformes Prior de Évora, renunciou a Pre- 
lazia com mayor anciã de que outros a perten- 
deriaõ. Morreo cheyo de annos, e mereci- 
mentos na pátria a 2. de Janeiro de 1676. 
De muitos Sermoens, que podia publicar 
fomente fahiraõ à luz os feguintes. 

Sermoens das Tardes das Domingas da Qua- 
refma, e de toda a Semana Santa Lisboa por 
Joaõ da Cofta. 1670. 4. 

Sermão nas 'Exéquias do Sereniffimo Príncipe 
D. Theodojio nojjo Senhor, que Deos tem, feitas 
pelo Keverendo Cabido da Santa Seé de Lisboa 
no Real Convento de Belém aos 26. de Jmho 
de 1653. Lisboa por Paulo Crasbeeck. 
1654. 4. 

Sermão em acçaõ de gradas pela faude, 
e Vida da Raynha N. Senhora no Mofleiro 
da Encarnação de Lisboa ibi. por Henrique 
Valente de Oliveira 1660. 4. 

Sermão do aão da Fé celebrado em Lisboa 



o6 



BIB LIO THE CA 



na 4. Dom. da Quarejma a 4. de Abril de 1666. 
Lisboa por Joaõ da Coíla. 1666. 4. 

Sermaõ na Fejla da Canoni:(açaÕ de S. 
Pedro de Alcântara. Lisboa por Domin- 
gos Carneiro 1671. 4. 

Sermaõ às Keligiofas do Mojleiro do Salvador 
na Segunda 6. feira da Quarejma à grade do 
Coro patente o Senhor, que havia hir na Pro- 
cijjaõ de Pajjos. Lisboa por Joaõ da Coíla 
1675.4. 

Epitome da vida, e morte da glorio/a, e admirá- 
vel "Virgem Kofa de Santa Maria Keligiofa Ter- 
ceira da Ordem dos Pregadores dividida em dous 
Sermoens, hum que Je pregou na Kofa, outro no Bom 
Succejfo Lisboa por Joaõ da Coíla 1669. 12. 

Delle fazem memoria o Padre Fr. Lucas 
de Santa Catherina na Hifl. da Ordem de S. 
Domingos da Prov. de Portug. Part. 4. liv. i. 
cap. 5. e Fr. Pedro Monteiro no Claufi. Domi- 
nic. Tom. 3. pag. 134. e no Tom. i. pag. 145. 

P. ÁLVARO LOBO. Naceo em Villa 
Real da Provincia Tranfmontana, e das mais 
qualificadas familias daquella Villa de que 
defcendiaõ feus Pays António Lobo, e Bea- 
triz de Contreiras. Aos 15. annos de idade 
paíTou a Coimbra, e no CoUegio dos Padres 
Jefuitas foy admitido a feu Collega em 28. de 
Fevereiro de 1566. Neíla Efcola fahio taõ 
perfeitamente inilruido nas Humanidades, 
que por alguns annos as enlinou aos feus 
domeílicos com grande fama de iníigne Poeta, 
e confumado Orador. Semelhante nome 
alcançou, quando em Évora eníinou Filofofia 
por efpaço de quatro annos. Mais illuftre 
fe fazia a fua fciencia pelas virtudes, em que 
florecia, como eraõ a contemplação dos bens 
eternos, o defprezo dos caducos, a humildade 
profunda, e o dominio fobre todas as paixoens. 
Foy Regente dos Eftudos de Braga, e de 
Lisboa, Reytor do Collegio do Porto. Ainda 
que era de faude pouco robuíla fe applicou 
com difvelo a compor a Hiíloria da Com- 
panhia deíla Provincia, à qual naõ lhe poz 
o dezejado fim interrompido pela morte, que 
o trefladou à melhor vida em Coimbra a 23. 
de Abril de 1608. com 57. annos de idade, 
e 42. de Religião. Traduzio em Portuguez. 

Martjrologio Romano. Coimbra por António 
de Mariz 1 5 9 1 . 8 . No fim lhe acrecentou . 



Martjrologio dos Santos de Portugal, 
e feflas geraes do Rejno recolhido de alguns Autho- 
res, e informaçoens por alguns Padres da Com- 
panhia de Jefus. Coimbra por António de 
Mariz. 1591. 8. 

O Martjrologio Romano fahio muito augmen- 
tado Lisboa por Miguel Def landes 1681. 4. 

Hifloria da Companhia da Provincia, de 
Portugal dividida em 12. l^ivros, dos quaes 
deixou acabados 10. em que comprehendia 
dezefete annos defde a fua Fundação, da 
qual fe aproveitou muito para a Chronica 
da mefma Companhia o Padre Balthezar 
Telles, como elle o confeíla ingenuamente 
no Prologo da i. Parte. 

Tratado da Familia dos Almejdas o qual fez 
à inílancia de D. Pedro de Almeyda L Pre- 
fidente da Camará, do Confelho de Eftado, 
Alcayde mór de Torres Vedras, Irmaõ de 
D. Jorge de Almeyda Arcebifpo de Lisboa, 
cujo tratado devia ficar em poder de feu filho 
D. Pedro de Almeyda Commendador de 
Loures na Ordem de Chriílo, Alcayde môr 
de Alcobaça, e Prefidente da Camará. Defta 
obra faz mençaõ, e do Author o Padre D. 
António Caetano de Soufa no Apparat. à 
Hifl. Gen. da Caf. Real. Portug. pag. 56. n. 33. 

Tratado da Entrada das Religioens nefle 
Rejno allegado muitas vezes por Jorge Car- 
dofo no Agiol. Eujit. principalmente, em o 
Tom. I. p. 252. no Commentario de 25, de 
Janeiro letr. D. e no Tom. 3. pag. 519. no 
Commentario de 3. de Junho let. A. 
Tinha quafi acabada. 

Vida do Serenijfimo Rej, e Cardial D, 
Henrique, como teílifica o Padre Francifco 
da Cruz nas Mem. para a Bib. Portug. 
M. S. Com merecidos elogios o celebraõ Ni- 
col. Ant. in Bib. Hifp. Tom. i. pag. 48. col. 2. 
Orator eximius. Poeta excellens. Alegamb. 
in Bib. Societ. pag. 44. injignia habuit vir- 
tutum ornamenta, ex quibus animi tranquil- 
litas, manfuetudo, lenitas, maxime commen- 
dabant. Fonfec. Evor. Gloriof. pag. 425. 
Ornado de muitas letras, e Virtudes. Joan. 
Suares de Brito in Theatr. Eufit. Eitterat. 
let. A. n. 20. Orator fuit eximius, €>" egre- 
gius Poeta. Telles no Prol. da i. Part. 
da Chron. da Companh. de Prov. de Por- 
tugal. Homem douto, e muito erudito, de muita 



LUSITANA. 



107 



i 



ptrdadi, e Jinceridade. Franco Synopf. Anual. S. I. 
in hup. pag. 19). n. 9. et in Ann. Clor. S. I. 
pag. 2a). e na Imaffm do Nopíc. do Colitj^. 
de Coimb. Tom. 2. pag. 6x0. Cunha, hiifl. 
Vxchf. dê Bra^ Part. 2. cap. 17. n. ult. 

ÁLVARO LOPES natural de Villa viçofa 
na Província do Alentejo onde no anno 
de 161 8. exercitava a Arte de Cirurgia, em 
que foy infigne. Efcreveo. 

De morho ^íallico, ejufque partihiis. M. S. 
De cuja obra, e author faz mcnçaò Fran- 
cifco de Moraes Sardinha no Parnaf. de 
Villav. liv. 2. cap. 60. 

ÁLVARO MARTINS. Cozinheiro mór 
em Caftclla da SercniíTima Princefa D. Joanna 
de Auftria Mày, que foy delRey D. Sebaftiaõ, 
c depois dclRey Filippe III. merecendo eíli- 
maçaõ pela arte de que fez hum livro no 
anno de 1615. cujo original confervava na 
fua felcéfai Livraria o Chantre de Évora 
Manoel Severim de Faria. 

ÁLVARO DE MATTOS natural da 
Cidade de Elvas. Sendo Livreiro teve par- 
ticular génio para a Poefia cómica compondo 
muitas Comedias das quaes fomente chegou 
à minha noticia a feguinte impreíTa. 

Caf^ado venturofo, e P aflora per tendida Lisboa 
por António Alvares 1656. 4. 

Entre os Poetas Portuguezes he numerado 
pelo P. António dos Reys no Unthujiasmo poético 
impreflb no principio dos feus Epigramas n. 249. 

ÁLVARO DE MORAES. Natural de Villa 
viçofa filho do Doutor Fernando de Moraes, e 
irmaõ mais velho do Doutor Gomez de Moraes 
Lente de Prima de Cânones na Univerfidade de 
Coimbra, em cuja faculdade também recebeo o 
gráo de Doutor. Prometendo-lhe a fua grande 
litteratura a adminiílraçaõ dos mayores lugares 
preferio a tranquillidade do campo ao tumulto 
da Corte fervindo unicamente o lugar de Juiz 
de fora da villa de Pinhel. Retirado a huma 
Quinta fe applicou à cultura da terra efcre- 
vendo. 

Uvro de Agricultura no qual fe trata do 
modo de enxertar, e plantar Arvores. 

Querendo imprimir eíla obra a remeteo 



ao exame de feu Irmaõ o qual julgando ítt 
o feu argumento indigno de hum Varaô capax 
de efcrever matéria mais alta a fupprimio, 
naõ fabendo, que a cultura dos campos, 
e da.s Arvores como taô neceííaria á confer- 
vaçaò do género humano tinha (ido louvá- 
vel exercício de muitos Príncipes. 

ÁLVARO NUNES, natural de Villa 
de Santarém Pay naõ menos pela fcíenda 
que natureza de Luiz Nunes de quem em 
feu lugar fe fará mençaõ. A opinião que 
corria da fua profunda capacidade o fez fer 
venerado por hum dos mayores profeflbres 
da Medicina, de tal forte, que quando o 
SereniíTimo Alberto Archiduque de Auílria 
entrou em Lisboa para governar efta Monar- 
chia em nome de Filippe II. naõ fomente o 
elegeo por Medico da fua Camará, mas lhe 
perfuadio com largos partidos que o acom- 
panhalTe a Flandes com o titulo de feu Phyíico 
mòr na occaziaõ que hia governar aquelles 
Eftados. Obedeceo promptamente à inúnua- 
çaõ defte Príncipe, e entrando em Anveres 
Corte dos Príncipes de Flandes naõ he fácil 
de explicar a univerfal eílimaçaõ, que mereceo 
aíTim da Nobreza, como do povo pelo admi- 
rável methodo, e íingular arte, com que curava 
as infermidades mais perígozas, e rebeldes, 
por cuja caufa o refpeitavaõ os ProfeíTores 
da fua Arte por hum novo Hypocrates, ou 
Galeno, Toda eíla acclamaçaõ conciliava 
a fuavidade do feu génio, e urbanidade da fua 
peíToa fempre inimiga da vangloria, e unica- 
mente amante da moderação. Além deíles 
amáveis dotes refplandecia nelle fobre a 
profunda fciencia da Medicina a perfeita 
noticia da lingua Romana, e Grega, e a vafta 
comprehenfaõ da Filofofia, Cirurgia, Mathe- 
matica, e Hiíloria por cujas partes lhe dedicou 
ao feu merecimento efte Elogio o iníigne 
Varaõ Lourenço Beyerlinck in Oper Crono/. 
ad ann. ChriíU 1602. Venio ad Alvarum Nonium 
Medicorum fui faculi, <& Joli lúmen, qui grace, (Ò" 
luitine eruditus ingentes opes fubtilis ingenii ab 
ineunte atate ad illufiranda Medicina abdi- 
ta conjervaverat. Ouo faãum, ut nihil in- 
ter Graça primorum Medicina antiftitum 
volumina occurreret, quod non otiits enoda- 
ret interpretando. Memoria vero adeo tenaci, 



io8 



BIBLIO THE CA 



ac vegeta prater alias natura, <& fortuna dotes, 
praditus erat, ut non niji eum Jumma voluptate 
audires de rehus Jummis qttaque proxime hominem 
contingehant differentem, (ò" arcana quavis veterum, 
(& Jcriptis certa fide de promentem. Quare tnagno 
in pratio apud magnos femper ejl habitus, eb* Prin- 
cipum nojlrorum Archiater ajfiduus fuit. Biblio- 
thecam habuit divite librorum Jupelkãile infirnãam, 
quam 'L.ndovuo Nónio filio reliquit. Morreo em 
Anveres, e foy fepultado na Igreja de Saõ 
Tiago, em cuja Sepultura lhe gravarão fua 
mulher, e filhos eíle honorifico epitáfio. 
Álvaro Nónio Lud. Fil. 

Nato an. 6o. denato 5. Idus. Decembris 1605. 
Philofopho, <ò' Archiatro 
Doãrina. <& virtute claro: 
Principibus charo. 

Prolixa in omnes comitate 
Cui in vi ta nil charius quam aliis eam dare; 
Nil in morte jucundius, quam ad meliorem 
tranfire. 

Uxor marito, liberi parenti. 
MM. PP. 

Das obras de taõ grande Author unica- 
mente chegou à noíTa noticia a feguinte. 

Annotationes ad libros duos Francifci 
Arcai de reãa curandorufn vulnerum ratio- 
ne cum eifdem excufa. Antuerp. apud Chriiio- 
phorum Plantinum 1574. 8. et Amftelod. 
apud Petrum Vande Berghe. 1658. 12. 

Defta obra, e do Author fe lembraõ 
Vander de Linden, & Georg. Abrah. Merck 
lino in Script. Medic. Nicol. Anton. in Ptib. 
Hif. Tom. I. pag. 48. c. 2. Zacut. in prasfat. 
de Med. Princip. Hijl. Caldeira Variar. Leãion. 
lib. 2. cap. 5. Franc. Suvertius in Athen. 
Belgic. & Vai. Andr. DeíTel. in Bib. Belgic. 
fallando de feu filho Luiz Nunes. 

D. Fr. ÁLVARO PAES brilhante Luz 
da Igreja Catholica, e da Religião Seráfica 
naceo na celebre Villa de Santarém baf- 
tando-lhe efte único filho para eterno brazaõ 
da fua Nobreza. Dezejofo de fe inílruir com 
os documentos da doutrina mais folida 
paíTou a Bolonha onde na fua florentiíTima 
Univerfidade fe applicou ao eíhido da Jurif- 
prudencia Civil, e Canónica, fazendo neftas 
duas faculdades taes progreílos, que rece- 
bendo nellas o gráo de Doutor as explicou. 



com elle mefmo affirma na obra de Planãu 
Ecclejia lib. 2. cap. 23. com geral applaufo 
de todos os Cathedraticos. Julgando por 
caduca a gloria, que lhe refultava deftas 
acclamaçoens Académicas, para fegurar a 
eterna recebeo no anno de 1304. o habito 
dos Menores na Cidade de AíTiz, onde eílava 
celebrando Capitulo geral efta penitente fami- 
lia bufcando para teílemunhas da fua heróica, 
refoluçaõ o immenfo numero de tantos Capi- 
tulares admirados de que quizeíTe profeflar 
o humilde eílado Religiofo hum homem, 
que era famofo entre os mayores Corifeos da 
Jurifprudencia. Voltando a Portugal aíTiítío 
algum tempo no Convento de Lisboa, onde 
foy exemplar da vida regular, como tinha fido 
aíTombro das fciencias Canónica, e Civil. 
Para fe inílruir nas faculdades próprias do 
eílado, que novamente profelTára, paíTou a 
Pariz onde teve por Meílre ao Doutor Joaõ 
Duns Scoto, que naquelle tempo illuílrava a 
Univerfidade de Pariz com a fublimidade da 
fua doutrina, e era tal a comprehensaõ do 
difcipulo, que difputava com a fubtileza do 
Meílre. Cheyo com os fcientificos thefouros 
da Jurifprudencia, e Theologia, partio para 
Avinhaõ onde refidia o Summo Pontífice 
Joaõ XXII. que admirando a fua grande 
fabedoria acompanhada de huma profunda 
humildade de tal modo lhe arrebatou os 
affe£los, que o fez no anno de 1328. feu 
Penitenciário; em 16. de Junho de 1332. 
Bifpo de Coron na Achaya; e no de 1335. de 
Sylves em o Reyno do Algarve, por morte de 
D. Pedro o I. deíle nome ; e ultimamente deter- 
minava coroarlhe os feus grandes merecimen- 
tos com a Purpura Vaticana o que deo occafiaõ 
para que Gonzaga Part. i. de Origin. Serapb. 
Kelig. Daza Part. 4. liv. i. cap. 12. n. 55. 
Marian. Florent. in Fafe. Chron. Ord. Min. 
liv. 4. cap. 3. Joaõ Perez Lopes na vida de Sco- 
to Inflant. 10. e outros Authores Francif canos 
erradamente efcreveílem, que elle fora admi- 
tido ao CoUegio Apoílolico, fendo eíla fuprema 
dignidade juílamente devida às heróicas acço- 
ens, que em obfequio da Igreja tinha exerci- 
tado. Defendeo com valor Apoílolico ao Pon- 
tífice Joaõ XXII. contra o Antipapa Pedro 
Corbario protegido pela Cefarea MageUade de 
Luiz Bavaro, e contra as calumnias de Gui- 



L USITANA. 



109 



I 



Ihermc Ockam Author da Eícola dos Nomi- 
fiaes. Naõ manifeílou menor eflfiaicia o feu 
ardente zelo, quando fe oppós aos violadores 
da immunidade da fua Igreja de Sylves com 
manifeílo perigo da vida chegando a taõ exe- 
crando atrevimento, que o acometerão para 
ícr vióUma do feu facrilego furor a tempo, que 
«ílava ofTerecendo no Altar o incruento holo- 

fiufto do divino Cordeiro. Obíervante do 
receito de Chriílo defemparou a Cidade de 
Sylves, à qual como ingrata eípofa amaldiçoou, 
e paliando a Sevilha viveo com os fcus Religio- 
fos entre os quaes exercitava com mayor 
cxceíTo as virtudes heróicas, que fcmprc praéli- 
cára, até que chegou a hora, que deixando de 
ícr mortal foy coroado na eternidade em o anno 
tlc 1 5 5 3. O feu cadáver foy fcpultado em hum 
maufolco elegantemente fabricado, que eftá no 
<loro das Rchgiofas de Santa Clara de Sevilha 
onde fe faz taõ venerável a fua memoria pellos 
prodígios que obra, que entre os Sevilhanos he 

I intitulado com a honorifica antonomafia de 
Santo. O dia da fua morte coUoca Artur in 
Mártir. Fratic. pag. 289. em 5. de Julho, e 
Jorge Cardofo no Affol. Ijifit. Tom. i. pag. 
244. a 25. de Janeiro. Celebrarão o nome defte 
Prelado S. Antonin. Hift. Part. 3. Tit. 24. 
cap. 8. §. 2. ToíTinian Hiji. Serapb. pag. 185. 
Wading. Anual, Ord. Min. ad ann. 1234. 
§. 32. ad ann. 1293. §. 9. ad. ann. 1232. §. 7. 
ad ann. 1340 §. 11. Miraeus de Script. Ecclef. 
cap. 416. Vener. Enchirid. de los Tiemp. ann. 
1320. pag. 234. Dermic. Thad. in Nittel. 
Franc. cap. 6. art. 5. PoíTev. Appar. Sacr. 
Tom. I. pag. 49. Willot. Athen. Franc. Pifan. 
in lib. Conformit. fru£t. 8. part. 2. Fr. Marcos 
■de Lisboa Chron. dos Men. Part. 2. lib. 8. 
cap. 42. Joan Suar. de Brito in Theat. Ljijit. 
Utter. let. A. n. 21. Fr. Manoel de S. Damaf. 
Verd. Elucid. pag. 154. n. 293. Monfort. 
Chron. da Prov. da Pied. liv. 2. cap. 24. n. 2. 
Fonfec. Evor. Glorio/, pag. 290. Navar. de 
reddit Ecclef . Quzeft. i. Monit. 10. doãrina Jolida 
virtim Nic. Anton. in Bib. Hifp. Vet. lib. 9. 
cap. 4. n. 220. Splendidijfima fax dijfipanda 
horum temporum caligini, qua excacatus omnis fere 
fíatíis hominum vitia palam virtutnm loco am- 
pleãabatiir doãrina fuit Alvari Pelagii. Fr. 
Manoel da Efper. Hifl. Seraf. da Prov. de 
Port. part. 2. liv. 10. cap. i. n. 2. Brand. 



Mon. Líijit. Part. ). liv. x6. cap. 61. Hum dos 
mais aiilhorin^ados, t doutos Prelados da Cbrif- 
tandade. o Padre D. Manoel Caet. de Souía 
CathoL Hifl. dos Pontif. Card. e Bifpos Portug, 
p. 85. VaraÒ infiffu. Fr. joan à D. Anton. in 
Bibliothec. Franc. Tom. i. pag, J3. Fervidiffi- 
mus perfeúionis reliffofa :^lator. O Illuílri/Iímo 
Cornejo Chronic. Seraf. Part. 3. liv. 5. cxç. 11. 
Nen conocido, y celebrado por fus efcritos. Gra- 
veíTon Hifl. Ecclef. lib. 5. pag. mihi 115. 
Konig. Biblitb. Vet. ^ nov pag. 616. Keliqmt 
infigne opus cui titulum indidit De Planií. Ecclef. 
Dupin Hifl. des controu. e Mat. Ecclefiafl. 
dans le 14. Siecle pag. mihi 216. Oudin. de 
Script. Ecclef. Antiq. Tom. 3. pag. 902. Cultus 
ab omnibns ob conjunClam pietati infigni erudi- 
tionem. Plurima Ínterim eximia virtutis, raraque 
leãionis opera orbi litterario obtulit, qua ordini 
Fratrum Minorum perpetuo ornamento futura 
funt. Fleury Hift. Ecclef. Tom. 19. pag. 
mihi 496. ann. 1332. Un de plus ^elés defen- 
feurs du Pape Jean XXII. Plati de hofto 
ftat Relig. lib. 2. cap. 32. Alvarus Pela- 
gius utriufque Júris peritijfimus, fimulque 
divinarum litterarum cujus praftans doãrina 
magno in pretio fuit apud omnes, ac praci- 
piie apud Pontificem Joannem XXII. Brafchio 
de libert. Ecclef. Tom. i. cap. 41. n. 12. 
Virnm doãijjimum, e fallando das fuás 
obras, diz funt fimul doãrina, (& pietate 
atque í^elo uberrime redundantia. Seja a ul- 
tima coroa dos feus elogios a que lhe teceo 
efte Pontifice em hum Breve expedido em 
23. de Março do nono armo do feu Pontifi- 
cado dizendo-lhe. Prudenter in ea, qua nof- 
trum, et Ecclefea Komana honorem, <& fidei 
veritatem concemunt catholica per pradica- 
tiones, <& veras doãrinas devotis operibus 
Te impendis: inde tuam prudentiam pluri- 
mum in Domino commendantes eam atten- 
tius exhortamur quatenus in his fie conftan- 
ter et laudabiliter perfeveres, quod divinam, 
ac noftram Apoftolica Sedis fatiam merearis. 
Compoz. 

De Planãu Ecclefia. Dedicado a D. Pedro 
Gomes Barrofo Cardial da Igreja Romana 
do Titulo de S. Praxedes. Contem dous 
livros nos quaes relata o poder da jurifdic- 
çaõ Pontifícia, e com fevera liberdade re- 
prehende os defeitos dos Ecclefiaílicos defde 



lio 



BIBLIO THE CA 



a primeira Jerarchia até a ultima, e de toda a 
Republica Chriílãa, confirmando as fuás refo- 
luçoens com textos do direito Canónico, e 
da Sagrada Efcritura. Odoric. Raynaud. 
tom. 15. Ama/. Ecclef. ad an. 1332. n. 30. 
julga que o noíTo D. Álvaro fe oppuzera 
à Mageílade, e pompa exterior da Igreja 
para exaltar mais a religiofa pobreza do feu 
Inftituto Seráfico. Sahio primeiramente efta 
obra Ulmíe ex Oííicina Joannis Zeneir 1474. 
Depois fe publicou em Leaõ de França com 
eílas palavras no fim. Impreffum eft autem 
denuò praclarum hoc opus in Jamatijfimo 'L.ugdu- 
nenfi empório apud Virum integerrimum Joan- 
nem Eleyn Bibliopolam, (ò" indujirium, <& de 
honts litteris optime meritum. Anno pojl Chriftiim 
natum Jejquimillejfimo Jupra decimum Jeptimo 
ad Calendas Atigufias. foi. 

Plurima qui latuit vix nlli facula notus 

Exerit è tenebris Alvarus ecce caput. 
Terceira vez fe imprimio Venetiis apud 
Francifcum Sanfovinum & focios 1560. foi. 
cuja ediçaõ preparou Nicoláo Tinto, e a 
dedicou a D. Luiz de Toledo, filho de D. 
Pedro de Toledo Vicerey de Nápoles dizendo 
do author. Vir Sumfnus (0° ad expellendas 
errorum tenehras, refiituendamque veritatis Incem 
natus, qui in hoc opere quacumque homines pie, 
ac fincere de Chrijiiana religione Jentientes deli- 
genter qucerere conjueverunt , omnia ita Juhtiliter, 
erudite, dijerteque profecutus eft, itt quantum 
heroihus illis, quorum virtus exitiofa monffra, 
id eft vitia, extinguehat, antiquitas dehuit, tantum 
nos hujus ingenio, induftria, pietati debere videamur. 

Conferva-fe eíla obra M. S. em diverfas 
Bibliothecas, principalmente em a Vaticana 
entre os livros, que foraõ do Duque de 
Urbino n. 953. e 954. e Nicoláo Anton. no 
lugar aíTima citado diz, que a vira na mefma 
Bibliotheca num. 4280. à qual precedia eíle 
opufculo. Francifci de Toledo in Theologia Ma- 
giftri Archidiaconi de Artiga divifio, ordinatio, 
continuatio, qucs eft Jumma quadam per rubricas 
in 'L.ibrum Alvari, <& poftremò repertorium per 
alphabetum, ad KeverendiJJimum Cardinalem Fir- 
manum. E nas Bibliothecas Real de Pariz 
Cod. 884. como efcreve Montfaucon in Bib. 
Bibliofhec. M. S. nova tom. 2. pag. 937. 
e na de Saõ Gaciano da Cidade de Tours 
n. 184. 



Collyrium fidei contra harefes. Exifte 
M. S. na Bibliotheca Colbertina Codic. 
2071. e na Patavina S. Joannis in Virida- 
rio como teftifica Tomafm. pag. 31. Nicol. 
Ant. no lugar allegado affirma ter vifto na 
Bibliotheca Vatican. Codic. 11 29. hum 
exemplar deíla obra efcrito parte em papel, 
parte em pergaminho com caraéter muito 
antigo, no fim do qual eílaõ efcritas eílas pa- 
lavras. Prafens opus compofitum a Fr. Ál- 
varo de Ordine Minorum Epifcopo Sylvienfi 
vocatur Collyrium, quod ficut collyrium eft 
quadam unãio faãa ad faces oculorum ter- 
gendas, (ò' vi/um illuminandum, fie prajenr 
liber utilis (Ò" necejfarius eft ad fidem illumi- 
nandam. Collyrium dividitur in fex partes. 
Começa o livro. In Nomine Domini <&c. 
Fr. Alvarus profejjor Minorita natione Hif- 
panus Decretorií doãor, in Sacra Theologia 
Scholafticus gratia vobis pax, (ò" Mifericordia 
a Domino noftro JESU Chrifto <&c. 

Summa Theologia Ulmae 1474. in foi. Def- 
te livro faz mençaõ Wading. de Script. Ord. 
Min. p. 15. o qual fe conferva M. S. na Bi- 
blioth. do Convento Francifcano de S. 
Juan delos Reys de Toledo. 

Apologia pro Joanne XXII. contra Marfi- 
lium Patavinum, (0° Guilielmum Ockamum. Con- 
fervafe M. S. e he louvada com grandes 
elogios por Trithemio, Fr. Marcos de Lis- 
boa, e Fr. Luiz Jacob, de S. Carlos na Bib. 
Pontif. 

Speculum Kegum. Principia. In nomine 
Domini noftri JESU Chrifti Aí. S. 

In quattuor libros Jententiarum. 

Sermo Fr. Alvari Hifpani Decretorum 
Doãoris Epifcopi Coronenfis, €>* Panitentarii 
Domini Papa facfus in die Jovis Cana Do- 
mini in prafentia Domini Papa Joannis XXIL 
Nefte difcurfo fegue a opinião deíle Pon- 
tifice, que affirmava naõ lograrem as almas 
da vifaõ beatifica antes do dia do Juizo, 
cuja aíTeveraçaõ defendida como Doutor 
particular fe retratou delia Joaõ XXII . 
como Papa. Confervafe Aí. S. no Convento 
de Toledo da Ordem dos Menores 

ÁLVARO PEREIRA DE CASTRO. 

Foy muito perito na liçaõ da Hiíloria 
profana, e naõ menos inclinado à proâífaò 



LUSITANA. 



1 1 1 







<1a Pocliu. Para fiel teílemunho da alegtia 
publica pelo nacimento do Primogénito dos 
noííos Monarchas reinantes convocou a fua 
Mufa as quatro partes do mundo para a 
celebridade deíle Natalício, imprimindo. 

Oh/tquio/a demonflraçaô com qm as quatro 
'parks do niimdo feflejaraÔ o ftli:^ Nacimento 
íio ScmiiJJimo Príncipe D. Pedro aiijijtjlo filho dos 
niny altos, e mity poderofos Keys D. JoaÕ o V. 
e O. Marianna de Attjlria Lisboa por Miguel 
Manefcal ImprcíTor do Santo Ofificio 171 5. 4. 
Ooníla de vario género de verfos. 

AT.VARO PIMENTA natural de San- 
tarém, c exccllente Poeta latino da fua 
idade, principalmente na compofiçaõ das 
lUegias, em que foy exaílo imitador da fua- 
vidade de Ovidio, como o manifeftou na 
que compoz cm forma de Carta efcrita a 
Trança da parte de Portugal onde lhe rela- 

Ita o jubilo exceíTivo com que efta Coroa 
acclamou por feu Principe ao SereniíTimo 
Senhor D. Joaõ o IV. cujo titulo era. 
l^ufitania Ubera. 
Principia. 
\Qt4em legis inde venit trajmijfo littera ponto, 

Unde tibi nuper fcribere crimen erat. 
Sahio imprefla Ulyfipone apud Laurentium 
de Anvers. 1641. 4. 
I O Padre Lourenço le Brun da Compa- 

nhia de Jefus na fua EJoqnenfia Poética Parifiis 
apud Sebaílian. Cramoyfi 1655. 4- tranfcreveo 
efta Elegia como obra nefte género perfei- 
tilTuna em o 2. Tom. pag. 698. Do author 
como Poeta iníigne faz memoria o P. António 
dos Reys no Enthnjiafm. Poef. impreílo no 
principio dos feus epigramas n. 221. 

ÁLVARO PIRES DE TÁVORA naceo 
em Lisboa, ou no lugar de Caparica, e foy 
filho de Ruy Lourenço de Távora Capitão Ge- 
neral de Tangera, e do Algar\^e, Vice-Rey da 
índia, Confelheiro de Eftado, e de fua mulher 
D. Maria Coutinho filha de D. Lourenço de 
Lima, e D. Luiza de Távora dos Vifcondes de 
Villa nova de Cerveira ; Primogénito, e herdei- 
ro do Morgado de Caparica, Commenda- 
dor, e Alcayde mór das Villas das Entra- 
das, e Padroens da Ordem de Saõ Tiago, 
e Commendador das Pias, Sexas, e Lanho- 



las da Ordem de ChriAo. Naõ íendo em 
os dotes do eípiríto inferior aos feus Mayocet 
o foy no exercido dos lugares públicos, 
pois merecendo pela fua fíngular prudência» 
pcrfpicis juizo, e moderação de animo cm 
as felicidades, e infortúnios, fer preferido em 
qualquer miniílcrio a todos, nunca fentio como 
injuriofa à fua PcíToa cila deíatençaõ da for- 
tuna. PaíTou a mayor parte da vida retirado 
do Paço, e do comercio da Nobreza, porém 
como tinha talento grande, fempre era conful- 
tado nas matérias nuis graves pertencentes à 
confervaçaõ, e gloria da Monarchia, o que naõ 
fomente executava com a penna, mas também 
com a efpada, como fc vio na occafiaõ, em 
que fc embarcou na Armada, que partio no 
anno de 1624. para lançar fora os Olandezes 
da Bahia, em cuja empreza obrou proezas 
dignas do feu claro nacimento. Para que 
totalmente naõ eftivesse entregue a hum 
culpável ócio fc appUcou cm ler, e ordenar as 
Acçoens heróicas, que na paz, e na guerra 
tinhaò obrado os feus Afcendentes formando 
huma Hiftoria, que por induftria de feu filho 
Ruy Lourenço de Távora fahio a publico 
com efte Titulo. 

Hijloria dos Varoens illuftres do appellido 
Távora continuada em os Senhores da Caja, e Mor- 
gado de Caparica com a relação de todos os Suceffos 
políticos dejle Reyno, e fuás conquiftas de/de o 
tempo do S. Key D. JoaÕ o III. a efia parte. Noticia 
de Ca/amentos, Guerras, Pa!(es, Ugas, Nego- 
ciaçoens, e Embaxadas dos Senhores Keys 
de Portugal, e outros de Europa, Africa, 
e Afia, em que entrevieraõ aquelles de quem 
fe efcreve. Pariz por Sebaftiaõ, e Gabriel 
Cramoyfi. 1648. foi. 

Morreo em Lisboa a 7. de Julho de 1640. 
e eftá fepultado no Convento dos Religiofos 
Arrabidos de Caparica do qual era Padroeiro. 
Delle, e da obra fe lembraõ Franckenau in Bib. 
Hifp. Hijl. Gen. Herald, pag. 20. dizendo por 
engano, que fe naõ imprimira; e o P. D. 
António Caetano de Souf. no Appar. da Hifl. 
Gen. da Caf. Keal Portug. pag. 59. n. 39. 

D. ÁLVARO DE PORTUGAL, filho 
de D. Fernando fegundo Duque de Bra- 
gança, e da Duqueza D. Joanna de Caftro 
fendo o quarto na ordem do nacimento 



112 



BIBLIO THE CA 



mereceo fer o primeiro pelos fingulares 
dotes de que foy ornado. Antes de chegar à 
idade varonil fe admirou nelle taõ adulta a 
prudência, que mereceo exercitar os lugares de 
Regedor das Juíliças, e Chanceler mòr do 
Reyno com igual credito do feu talento, que 
geral utilidade defta Monarchia. Para de 
algum modo diminuir, ou diffimular o alto 
fentimento, com que vivia penetrado pela 
infauíla morte de feu Irmaõ o Duque D. Fer- 
nando executada na Praça de Évora a 20. de 
Junho de 1483. fe retirou do Reyno com facul- 
dade delRey D. Joaõ o II. tomando por pre- 
texto defta auzencia a devota peregrinação aos 
lugares Santos de Jerufalem. Na Corte de 
Caftella foy recebido com particulares diftin- 
çoens pelos Reys Catholicos D. Fernando, e 
D. Izabel fua Prima, que atendendo ao efplen- 
dor do feu nacimento, e muito mais à capaci- 
dade do feu juizo o nomearão Preíidente do 
Confelho Real Contador mór, Alcayde mór 
de Sevilha, e Andujar com o Eftado de Gelves. 
Por morte delRey D. Joaõ o II. cuja feveridade 
foy fempre fatal à fua grande Cafa voltou ao 
Reyno onde pela generofa magnificência 
delRey D. Manoel naõ fomente foy reftituido 
aos Eftados, e lugares, que poíTuia, mas o 
nomeou Embaxador a Caftella para concluir 
os feus defpozorios com a Princefa D. Izabel 
filha dos Reys Catholicos, minifterio, que 
dezempenhou com prudente madureza, e 
naõ menor actividade. Os mefmos Príncipes 
Caftelhanos querendo exceder nas honras, que 
recebera delRey D. Manoel na ocasião em que 
com efte Monarcha defpozaraõ fua fegunda 
filha D. Maria, mandarão a D. Álvaro a 
procuração, para que em feu nome celebraíTe 
na Corte de Lisboa efte augufto conforcio. 
Cazou com D. Filippa de Mello filha herdeira 
de D. Rodrigo de Mello Conde, e Alcayde 
mór de Olivença, Guarda mór delRey D. 
Aífonfo V. e fegundo Governador de Tangere, 
e de D. Izabel de Menezes de quem teve a D. 
Rodrigo de Mello primeiro Conde de Tentú- 
gal, D. Jorge de Portugal Conde de Gelvez, 
D. Izabel de Caftro Condeíía de BelalcaíTar, 
D. Beatriz de Vilhena Duqueza de Coimbra, D. 
Joanna de Vilhena CondeíTa do Vimiofo, e D. 
Maria Manoel de Vilhena CondeíTa de Por- 
talegre. Morreo na Cidade de Toledo a 4. 



de Março de 1504. donde foy trefladado peUo» 
Reverendos Cónegos Seculares do Evange- 
lifta Amado para o Convento de Évora, que 
elle com feu fogro fundara no anno de 1485. 
Sobre a fua fepultura, e de fua Efpofa fe vem 
abertas as fuás figuras fem epitáfio. Fazem delle 
illuftre memoria Refende Chronica de D. Joaõ 
o II. cap. 43. Sampayo vid. de D. Juan 2. pag. 27. 
v.o Vafconcelos Vid. de D. Juan. e/ II. pag. 135. 
e 143. Telles de Reb. gejl. Joan. II. pag. 82. 100. 
168. Imhof. Stem. Keg. l^ujit. pag. 26. Franc. 
de Santa Maria Ceo abert. na Terr. liv. 2. 
cap. 32. e 33. e no Anno Hijloric, e Diar, 
Portug. pag. 291. Efcreveo. 

Carta a E/Rey D. JoaÕ o II. efcrita de 
Caftella onde eftava retirado pelo cafo do 
Duque feu Irmaõ. Começa. 

Folgara bem de ejcujar efcrever a V. S. Acaba 
Principalmente aos Duques, e a feus IrmaÕs, que 
fobre ejle cafo tinhaõ mais fortes privilégios. 

He muito larga, e cheya de juftificadas 
queixas contra ElRey D. Joaõ o II. por 
ter privado a fua Cafa dos foros, privilégios, 
e domínios, dos quaes grande parte fora 
concedida pela liberalidade de feu Pay D> 
Affonfo V. 

ÁLVARO REBELLO. Foy hum dos 

famofos Soldados, que com animo intrépi- 
do fuftentou a barbara invafaõ dos Africa- 
nos quando em o anno de 1562. acomete- 
rão a Fortaleza de Mazagaõ, fendo com 
eterna injuria do feu nome, e gloriofa fama 
das noíTas armas derrotado o formidável poder 
do feu exercito. Para que taõ grande façanha 
fe naõ deveíTe fomente à fua efpada, a eter- 
nizou com a penna efcrevendo. 

Sucejfo do famofo cerco, que ElRej Muley 
Ahdalá Xarife univerfal Senhor de toda a Africa 
pofi a Mazagaõ defendido por os Portugueses na 
tempo, que governava efles Kegnos a muito alta, e 
muito poderofa Rajnha D. Catherina Nojfa 
Senhora, mulher que foy do SereniJJimo, e invencivet 
Rey D. JoaÕ o III. dejle nome &c. M. S. confta de 
147. capítulos, dos quaes começa o I. Depois- 
que o Xarife Aíuley Hameti. Acaba o ultimo 
Capitulo da triunfante Vitoria. Conferva-fe 
na Bibliotheca do Marquez de Gouvea 
Mordomo mór, e he dedicado à Raynha 
D. Catherina. Eu o ly todo, e delle extrahi 



LUSITANA. 



ii3 



w 

■fffSA] 



limitas, e partícuUures notícias para as Mtmo- 
fias Hiftor. delKey D. SehaftiaÒ por íer eíle cerco 
hum dos mayores fucceíTos, que houve 
00 íeu Reynado. 

Sendo de profilTaÒ Soldado naô deixava de 
fer Poeta tendo igual furor para a campanha, 
que para a Poefía. Muitos dos íeus verfos 
cAaõ no Romanceiro dos Poetas Portugueses 
eollegido pelo Padre Pedro Ribeiro, que fe 
oonferva na Biblioth. do Card. de Sou2a, 
e hoje do Duque de Alafoens, dos quaes eraõ 
huma Egloga, de que faõ interlocutores 
Apricio, e Cofmaco, c principia. 

Excel/o monte, f acro, e dekitojo 
Duas Elegias a i. 

Em quanto aquelU barco brandamente 
A fegunda. 

Ltf Pajlora ver fera 

Huma carta, cujo principio hc. 
Aqnelle fraterno amor, que a alma inflama. 



ÁLVARO SABINO DO ESPIRITO 
SANTO vejafe o Padre ANASTASIO 
DUARTE. 

ÁLVARO SEMEDO. Naceo na Villa 
de Nifa, que no efpiritual obedece ao Priorado 
do Crato da Ordem de Malta, e naõ a Porta- 
legre, como efcreveo o Author da Bibliotheca 
da Companhia, onde teve por Pays a Fernaõ 
Gomes, e Leonor Vaz. Na florente idade de 
17. annos fe aliílou na Religião dos Jefuitas 
no Collegio de Évora em 30. de Abril de 1602. 
e ainda eftudava Filofofia quando penetrado 
do zelo da converfaõ da gentilidade do Oriente 
pedio aos Superiores com grandes inílancias 
acompanhadas de copiofas lagrimas, que o 
íôzeflem participante defte ardente dezejo. 
Alcançada faculdade partio para Goa, e aca- 
bando nella os eíludos, que principiara em 
Évora, anhelando anciofamente à miíTaõ da 
China, e introduzido nella, foraõ tantos os 
filhos, que gerou para Chriílo, como immenfos 
os trabalhos, que padeceo neíla empreza. 
Levantada huma terrível perfeguiçaõ no anno 
de 161 7. na Cidade de Nanquin contra os ope- 
rários Evangélicos, o lançarão fora, quando 
eftava gravemente enfermo com outros com- 
panheiros em hum cárcere tenebrofo, e fechado 
em huma gayola de ferro, donde naõ podia 



eílender o corpo, e foy conduzido por hunoa 
efquadra de Soldados até Cantaõ, e daqui a 
Macáo, fendo vexado em taò larga jornada, 
que durou trinta dias, com todo o género de 
tormentos, e afrontas. Naõ afrouxou o feu 
apoílolico efpirito com eAas graves moleílias» 
antes mais animofo mudando o nome, e o veíU- 
do penetrou ao lugar donde fora expulfo com 
mayor perigo da fua vida, e naô menor zelo da 
propagação da Fé. Neíle tempo foy eleito Pro- 
curador a Roma, por cuja caufa paííou a Por- 
tugal, e concluindo felizmente na Cúria os 
negócios, a que fora mandado, voltou promp- 
tamente para a China, onde foy eleito Provin- 
cial, e Vifitador daquellas MiíToens, nas quaes 
depois de exerci tar-fe por alguns annos, atte- 
nuado de trabalhos, e cheyo de merecimentos 
acabou a carreira mortal em Cantaõ a 6. de 
Mayo de 1658. tendo de idade 75. annos, e de 
MiíTionario 46. Foy varaõ ornado de ílngula- 
res virtudes, pois alem de fer iníigne no amor 
de Deos, e do próximo, obfervancia religioía, 
paciência fumma, tinha tal fuavidade de génio, 
que atrahia os ânimos dos Gentios, e Hereges, 
cõ os quaes por diverfas vezes navegou. Os 
feus apoftolicos trabalhos, e efcritos louvaõ 
Manoel de Faria, e Souza Afia Port. Part. 3. 
cap. 1 2. n. 29. e cap. 14. n. 1 3. P. Ant. de Gou- 
vea in Afia Entrem. Ub. 6. a cap. 3. Alegamb. 
Bib. Societ. pag. 44. col. i. Nicol. Ant. in Hifp' 
Tom. 2. pag. 316. Franco na Imag. do Noviciad. 
de Evor. pag. 8 5 1 . e no Atin. Glor. S. I. in Eufi- 
tan. pag. 256. Fonfeca Évora gloriof. pag. 425. 
Joan. Suar. de Brito in Tbeatr. Eufit. Eitter. 
let. A. n. 23. dizendo Statura homini quadrata 
infra mediocritatem , color candidus, fades plena, 
oculi cafianei, e a Bib. Orient. de António 
de Leaõ modernamente acrecentada Tom. 
I. Tit. 7. col. 104. O infigne, e douto. Anti- 
quário Manoel Severim de Faria Chantre 
da Cathedral de Évora querendo perpe- 
tuar a memoria do P. Álvaro Semedo, de 
quem era grande amigo, lhe fez eíla infcrip- 
çaõ, e a collocou na fua feleétiflima BibUo- 
theca, com que igualmente a ornou, como 
illuílrou o nome de taõ grande MiíTionario. 
P. Álvaro Semedo 
è Societate fESU 
Viro religiofifflmo, & Apojiolico 
Calefiis doãrina apud Sinas Paranimpho: 



13 



1 14 



BIBLIO THE CA 



Qui à Sotis ortu u/que ad Occajiim 
Tottim pene orhem 'Evangélica pradicatiònis 
caujá 

Quafi univerfa luftrans Jpiritu 
Non Jemel peragravit , 
Qui hoc maré magnH, eb* fpatiojum manihus 
Tamquam navis injlitoris gentibus de longe 
Portans panem navigavit: 
Amico Jm óptimo, (ò" fuavifjimo 
Emmanuel Severinus de Varia 
Hoc munujculum amoris Mnemojynon 
L D C Q 
\Jt hujus Mu/ai prototypo 
Gens Sinica litteris deditijfima 
Bibliothecas injiruere, uti <Ò' curare utilius valeant 
Ebora in Eujitania III. Kal. Maij 
Anno Salutis MDCXLIIIL 
Compoz 

Cartas Annuas efcritas de Nanquim em 23. de 
Junho de 1622. em que fe relataõ os fuccejfos da 
Mijfaõ da China. Sahiraõ impreíTas com outras 
em Italiano defde pag. 249. até 310. Roma 
por Francifco Corbelletti. 1627. 8. 

A fua hiíloria da China verteo de Por- 
tuguez em Caftelhano Manoel de Faria, e 
Souza, com eíle titulo. 

Império dela China, j cultura Evangé- 
lica en el por los Keligiofos dela Compania de 
JESUS facado delas noticias dei Padre Álvaro 
Semedo dela própria Compania. Madrid 
por Juan Sanches. 1643. 4. e Lisboa na Ofíi- 
cina Herreriana 1731. foi. Traduzido 
em Italiano Roma por Hermano Scheus. 
1643. 4. em Francez pelo Padre Luiz Cou- 
lon. Pariz por Sebaíliaõ, e Gabriel Cramoi- 
fy. 1655. 4. e Leaõ de França 1667. 4. e 
em Inglez por English by a Perfon, que a illuf- 
trou com muitos Mappas, e o retrato do 
Author, de que tenho hum exemplar. Londres 
por E Tyler for John Crook, 1655. foi. 
Nefta ediçaõ fahio também traduzido no 
fim o Bellum Tartaricum do Padre Martim 
Martinio. 

Tinha quafi completos dous Dicciona- 
rios, que naõ acabou impedido pela morte, 
que eraõ 

Diccionario Sinico = Eujitano 
Diccionario Eujttano = Sinico. 
Deíla obra faz mençaõ a Bib. Oriental 
aífima allegada. 



ÁLVARO DA SILVEYRA, natural 
de Évora, e filho de Fernando da Silveira Cla- 
veiro da Ordem de Chriílo, e Commendador 
de Montalvão, e de D. Joanna de Vafconcellos, 
filha de Álvaro Mendes de Vafconcellos Senhor 
do Morgado do Efporaõ, e de fua fegunda 
mulher D. Guiomar de Mello; terceiro Neto 
daquelle grande Varaõ naõ menos na fortuna, 
que na capacidade, Joaõ Fernandes da Sylveira 
primeiro Baraõ de Alvito, Efcrivaõ da Puri- 
dade delRey D. Joaõ o II. Chanceler mòr, 
e Vedor da Fazenda. Succedeo D. Álvaro a feu 
Pay igualmente nos bens do morgado, como 
no Officio de Claveiro da Ordem militar de 
Chriílo. Cazou duas vezes; a primeira com D. 
Branca Deça filha de Francifco de Miranda 
Alcayde mòr de Alter Pedrofo, e de D. Ignez 
Henriques; a II. com D. Anna de Caftro filha 
de Fernaõ Telles de Menezes fetimo Senhor 
de Unhaõ, e de D, Maria de Caftro filha de D. 
Jeronymo de Noronha. No tempo que tinha 
vago das ocupaçoens militares, e politicas, 
como fe deleitava na liçaõ de Hiftorias fabu- 
lofas compoz huma, que intitulou. 

Aventuras do Gigante Dominiscaldo. 

De cuja obra fazem memoria com grandes 
louvores Francifco Galvaõ na fua Bib. Por- 
tug. M. S. e Joaõ Franco Barreto na Bib. 
Portug. dizendo que depois da morte do 
Author, que fuccedeo no fim de Junho de 1623. 
viera efta obra ao poder de fua filha D. Helena 
de Caftro CondeíTa de Villa pouca. Foy 
fepultado o feu cadáver em huma Capella, 
que he jazigo da fua familia fituada em o 
Convento de N. Senhora do Efpinheiro 
de Religiofos de S. Jeronymo. 

ÁLVARO THOMAZ, natural de Lisboa, 
donde paíTou a Pariz, e depois de inftruido per- 
feitamente nas letras humanas, e na lingua 
latina, ouvio Filofofia de Pedro Aliaco, que foy 
Cardeal da Igreja Romana, hum dos mayores 
Meftres, que naquelle tempo venerava Sorbona, 
e fez taes progreíTos com a doutrina de taõ infi- 
gne Letrado, que mereceo a admiração de 
todos os feus condifcipulos. Iguaes foraõ as 
acclamaçoens, que alcançou o feu talento pela 
profundidade, com que penetrou os myfte- 
rios da Theologia, as Decifoens de hum, 
e outro Direito, e as obfervaçoens de Mathe- 



L USITANA. 



ii5 



matica fendo eminente em qualquer deftas 
grandes faculdades, pellas quaes lhe confagrou 
à fua memoria eíle elogio Jorge Bruneau 
Vindocinenfe na Epiílola, que íahio impreíTa 
no Hm da obra abaixo efcríta, fi di Jacris 
Ulteris dijferiare quidquid caperis Tbeoloffa, tum 
Tbtorica, tum PraCíica omnem operam, totojque 
diis impendijfe jiidicavtre. Si inter utriufque 
Júris peritos con^-ediaris Gafareis, Pontificiifqite 
étmtaxat libris vacajje conjlantijftme autuniaberis. 
Taceo quam familiaris tibi fit moralis, e^ naturalis 
Pbilojophia, aut in tanta Philofophantium corona 
Pbiiofopbi tibi nonien peciiliariter vindicaveris , 
§t^ Praceptorem tuum Petrum d» Aliaco 
mttr Philofophia projeffores dum viveret, doúijfi- 
mum, aut aquaveris, aut ( quod potius reor ) Jupe- 
n»eris. Quid vero Qttadrinij certijftmam peri- 
tkm referre opus eji? Si vel mini mo cuique 
bu tuus de Triplici motu liher monftrat apertius. 
Foy Reytor de hum dos celebres Collcgios, 
que ornaõ a Corte de Pariz, e nelle exercitou 
o officio de Meftre, titulo, com que fe nomea 
na obra feguinte. 

De triplici motu cum proportionibus an- 
nexis Philojophicas Suifeth calculationes ex 
parte declarans. Parifijs apud Guilielmum 
Anabat. 1509. foi. 

Dividefe eíla obra em quatro Tratados. Em 
o I. difputa da proporção, e a fua dimensão. 
Em os outros trata de diverfas efpecies de mo- 
vimentos aífim de velocidade, como da tar- 
dança; do movimento da rarefacção, conden- 
façaõ, augmentaçaõ, alteração, e intenfaõ. 

Fr. ÁLVARO DA TORRE da Ordem 
dos Pregadores taõ infigne na Theolo- 
gia, em que foy Meftre, como na Oratória 
Eccleíiaftica, pela qual mereceo fer Prega- 
dor do noílo Rey D. Joaõ o II. Compoz, 
ou tradufio. 

Tratado da Criação do mundo. Aí. S. 
Verteo da lingua Latina em a Portugueza. 

Carta de Jeronymo Montano Doutor Ale- 
mão ejcrita em 14. de Julho de 1495. a 
ElKey D. JoaÕ o II. Nella tratava do 
novo defcobrimento do Graõ Cathayo, e fe 
imprimio juntamente com o Tratado da 
criação do mundo. Fazem memoria defías 
obras como de feu Author Fr. Pedro Mon- 
teiro no Claujt. Dom. pag. 136. e Fr. Lucas 



de Santa Catherína na 4. Part. da Hifi. de 
S. Domingos da Provinc. de Portug. pag. 
924. ambos Académicos da Academia Real, 
e o moderno addidonador da Hib. Orient. 
de Ant. de Leaõ Tom. ). col. 1725. 

Fr. ÁLVARO DE TORRES natural da 
Villa de Torres Vedras do Arcebifpado de 
Lisboa. ProfeíTou o habito da Religião de S. 
Jeronymo no Real G>nvento de Belém a 14. 
de Mayo de 1 5 54. e foy taô iníigne em os dotes 
da natureza, como fcíente em todas as artes 
liberaes. Formava com a penru taô perfeitos 
caradleres, que |>areciaõ fahir da mais primoro- 
fa impre/Taò. Paliava expeditamente as linguas 
Grega, Hebraica, e Latina. Pregava com tal 
energia, e elegância, que fufpendia a atenção 
dos ouvintes. Foy dos primeiros Religiofos, 
que ouvirão Theologia no Convento da G)fta 
junto a Guimaraens, em que fahio eminente, 
tendo nefta efcola por condifdpulo ao Senhor 
Dom Duarte filho delRey D. Joaõ o III. 
dos quaes foy muito eftimado. Por fer muito 
douto na Efcritura Sagrada foy eleyto por efte 
Monarcha para que a leíTe aos Religiofos da 
Ordem Militar de Chrifto do Convento de 
Thomar, efcrevendo ao feu D. Suprior Fr. 
Salvador de Mello huma carta em 1 1. de Junho 
de 1 5 52. na qual lhe dizia E porque fey a necejft' 
dade, que nejfa cafa há de quem leya a efcritura 
Sagrada, e quanto ijlo convém aos que ejlaÕ no Efco- 
lajlico approveitados, mando lã para iffo ao Padre 
Fr. Álvaro de Torres, da Ordem de S. Jeronymo 
pela boa informação, que delle, e de fuás letras, e 
fufficiencia tenho (ò'c. Foy Prior do GDnvento de 
S. Marcos defde o anno de 1545 até 1550. 
Quando eftava na idade mais robufla paflando 
em hum barco de Lisboa para o feu Q)nvento 
de Belém, levantandofe huma furiofa tem- 
peftade o fumergio no Tejo, digno certamente 
de fim mais gloriofo. O feu grande talento 
prometia copiofos frutos de erudição Sagrada, 
e profana, mas a brevidade da fua vida naõ 
permitio, que produíiííe mais, que as obras 
feguintes. 

Dialogo, ou Colloquio ef piri tua Ido modo de achar 
a Deos, interlocutores hum Keligiofo, e hum Pere- 
grino. Foy mandado imprimir por D. Gafpar de 
Leaõ primeiro Arcebifpo de Goa, por cuja caufa 
algims imaginarão, que era obra defte Prelado. 



i6 



BIB LIO THE CA 



Muitos dos feus Religiofos fofpeitáraõ, que 
taõbem compuzera parte dos Diálogos, que 
depois da fua morte publicou Fr. Heytor 
Pinto, grande credito defta Religiofa Familia. 

Por ordem do Capitulo geral congregado 
em o anno de 1555. publicou vertida de 
Latim em Portuguez para fer obfervada 
pelos feus Religiofos. 

Regra de Santo Agoftinho. 

Traduzio de Latim em Portuguez, por 
iníinuaçaõ da Sereniffima Infanta D. Maria 
filha delRey D. Manoel. 

Direãorio de Confejfores, e penitentes 
polo Padre Joaõ Polanco da Companhia de 
JESUS. Lisboa por Joaõ Blavio 1556. e 
por Marcos Borges. 1556. 

ÁLVARO VAHIA natural de ViUaviçofa 
filho de Joaõ Vahia, e Ignez Alvarez filha de 
Álvaro Pires Leite. Foy hum dos criados 
mais illuftres dos SereniíTimos Duques de Bra- 
gança D. Joaõ, D. Jayme, e D. Theodofio, dos 
quaes mereceo particulares eílimaçoens aífim 
pela fciencia das linguas, que puramente fal- 
lava, como pelo génio prompto, e fublime, que 
tinha para a Poefia, e Oratória, fazendo exceíío 
a todos os profeíTores deitas duas Artes, que 
venerava aquella idade. Compoz muitas Come- 
dias, e Tragedias, de que fe podia fazer hum 
juíto volume, as quaes fe reprezentaraõ no the- 
atro na prefença dos Sereniflimos Duques com 
geral applaufo dos efpe£tadores, logrando 
huma fó o beneficio da luz publica. Fran- 
cifco de Moraes Sardinha no liv. 3. do feu 
Parnafo Villaviçofano traz duas Cançoens 
fuás, huma à Degollaçaõ do Bautiila, que 
começa. 

Baptifta Precurfor do verbo Eterno: outra 
à Virgem Santiflima vifitando a fua Prima 
S. Izabel, cujo principio era. 

Depois, que a antigua Mãj de AdaÕ conforte. 

E hum Soneto, que diz 
Jà torna a cantar Progne, e Filomena. 

Outavas ao Duque de Brag. D. Theodof. 
Começaõ. 
Profapia Jingular alta, efuprema 

Do Condejiable invião celebrada. 

Que o L.uJitano f cetro, e diadema. 

Ganhou com a fulminea, e forte Efpada. 

O peílifero contagio, que confumio grande 



parte defte Reyno em o anno de 1598. o 
privou da vida na fua pátria, efperando a 
immortalidade no Convento dos Religiofos 
Capuchos da Província da Piedade. Delle 
faz memoria o P. António dos Reys no 
Enthujiafmo Poético, n. 202. 

ÁLVARO VAZ, OU VALASCO Naceo 
na Cidade de Évora no anno de 1526. de Pays 
honrados, e opulentos. Aprendeo na pátria 
os primeiros rudimentos da Grammatica, 
donde paíTando a Coimbra depois de fe inílruir 
nas lingua Latina, e Grega, e de fe exercitar 
nos preceitos da Poefia, e Rhetorica, em que 
foy confumado, fe applicou com todo o difvelo 
a penetrar os myílerios fcientificos do Direito 
Civil, e de tal forte interpretava, e refolvia 
as fuás mayores difficuldades, que por geral 
aclamação de todos os Cathedraticos foy orna- 
do com as infignias Doutoraes defta faculdade. 
Naõ era jufto, que eftiveífe por muito tempo 
ociofo o feu grande talento em prejuízo do ef- 
plendor da Univerfidade, por cuja caufa foy 
eleito Lente da Inftituta em 22. de Março de 
1556. quando contava 30. annos de idade, 
donde fendo transferido no anno feguinte à 
Cadeira de Código, regentou em 5. de Agofto 
de 1559. ^ Cadeira dos Três livros do Código. 
Oppondofe à Cadeira do Digefto Velho com 
o infigne Pedro Barboza em 20. de Fevereiro 
de 1 5 60. depois de huma diuturna, e acérrima 
contenda, de que foy efpeâadora toda a 
Univerfidade, fe julgou o triunfo a Pedro Bar- 
bofa, por cujo motivo deixando Coimbra, 
paílou a Lisboa, onde eleito Advogado da 
Cafa da Supplicaçaõ começou a manifeftar a 
profundidade do juifo, e a agudeza do engenho 
no patrocínio das Caufas forenfes, em cujo exa- 
me obfervava taõ religiofamente a juftiça, que 
fempre os Miniftros julgavaõ por mais prová- 
vel, e fegura a opinião, que elle defendia. Ao 
tempo, que lograva os mayores applaufos 
como Advogado, naõ os alcançou inferiores, 
quando foy conftituido Juiz pela Mageftade 
delRey D. Sebaftiaõ nomeando-o Dezembarga- 
dor dos Aggravos, de que tomou poííe a 30. de 
Setembro de 1577. em cujo minifterio fempre 
teve por direâora das fuás acçoens a equi- 
dade nunca contraftada pelos impulfos do 
refpeito, ou do intereíTe. O mefmo Monarcha 



LUSITANA. 



117 



(|ucrcncio novamente illuftrar a Univerfídade 
com a iloutrina de taò grande Varaô o nomeou 
cm 22. de Dezembro de 1577. Lente de Prima 
(ic/cmpenhando as obrigaçoens de lugar taõ 
honorifico com igual credito da fua Peííoa, e 
admiração de todos os Académicos expondo 
o difficultofo Titulo ff. de í^gatis 2. e o con- 
tinuou com fubtilirTimas interpretaçoens até 
A L. fi quis Titio 17. Attenuado com a conti- 
nua applicaçaõ dos eíludos fe fentio taõ falto 
de forças, como chcyo de molcftias, por 
cujas caufas foy obrigado deixar a Univerfí- 
dade, que excerfivamente fentio a fua auzencia, 
c a rcOituirfe a I Jsboa, onde continuando no 
miniílcrio de Dezembargador determinou 
publicar as fuás obras, que lhe tinhaõ cuílado 
tantas vigílias, das quaes fahio no anno de 
1588. quando tinha 62. annos de idade, o 
primeiro tomo das Decifoens, que foy recebido 
com geral applaufo dos eruditos. Ao tempo 
cjuc cílava preparando o fegundo Tom. de 
Decifoens, c o terceiro das Partilhas, a morte 
envejofa da gloriofa fama do feu nome lhe 
interrompe© o defignio, que para utilidade da 
Republica litteraria meditava, privando-o da 
vida em 17. de Abril de 1593. com 67. annos 
de idade. Teve de fua mulher D. Brites ao 
Doutor Francifco Valafco de Gouvea Lente 
de Vcfpera na faculdade de Cânones em a 
Univerfídade de Coimbra, digno filho de tal 
Pay, e huma filha chamada Leonor, que foy 
cazada. No Clauílro do Convento de S. 
Domingos de Lisboa em o lanço da parte 
que tem porta para a Igreja, e Sancriítía, entre 
a cafa da Aula, e a porta, que vay para a 
efcada, que fobe para os Dormitórios, eftá 
huma Capellinha com grades de ferro fe- 
chada, em fima da qual pela parte de fora fe 
lé em huma pedra branca, que a toma toda 
ao comprido à maneira de fimalha, huma 
infcripçaõ de letras Romanas, que diz aflim. 
EJla Capella de N. Senhora da Humil- 
dade he do Doutor Álvaro Va^ Lente de 
Prima de Lejs na Univerfidade de Coimbra, 
Desembargador dos Agff-avos da Cafa da 
Suplicação, a qual depois de fua morte man- 
dou fav^er fua mulher D. Brites para ambos, 
e feus herdeiros, inflituhio nella o vinculo 
do morgado com obrigação de três Miffas 
cada Semana. FalleceraÕ a 17. de Abril 



de 595. e a ly de junho de 610. feu filho o Doutor 
Francifco Valafco de Gouvea Lente jubilado de 
Cânones na mefma Univerfidade, e Desembarga- 
dor da Cafa da Suplicação, Arcediago de Cerveira 
na Si de Bragfl a dotou mais com duas Miffas quoti- 
dianas buma dita pelos Padres defie Convento 
com hum Officio de defuntos de que fe^ com eller 
contrato; outra por hum CapellaÕ Clérigo Secular. 
Falleceo. Neíla ultima palavra acaba a dita. 
infcripçaõ, donde fe infere que ainda vivia o 
mefmo Doutor Francifco Valafco de Gouvea 
quando naquelle lugar fe poz eíla pedia. 
Compoz. 

Confultationum, ac rerum jiuUcatarum in 
Regno Luftania Tom. i. Ulyffip. apud 
Emmanuelem de Lyra 1588. foi. & ibi 
apud Antonium Alvares 1593. foi. Spirac 

1597. 4. 

Decifionum Tom. 2. UlyíTipone apud Geor- 
gium Rodrigues 1601. foi. Sahio cftc tomo 
por deligencia de feu filho o Doutor Fran- 
cifco Valafco de Gouvea, no qual eftá imprcflb 
o retrato do Author animado com eílcs verfos. 
Subtrahet hac mor ti famam piâura: vetuflas 

Non oberit, primas nam tibi jura dabunt. 
Jure tibi cedent infignes jure, fed unum, 

Qui tibi fit fimilis, vix habet orbis adhuc. 

Eftes dous tomos de Decifoens fahiraã 
Francof. in Collegio Mufar. Palthen. 1608. 
foi. outra vez ibi. 1636. foi. Venetiis apud 
Bernardum Junékm, & focios. 1599. foi. 
Antuerp. apud Joannem Keerbegium 1621. 
4. & Conimbricas apud Emmanuelem Ro- 
driguez de Almeyda 1686. foi. & apud Lu- 
dovicum Seco Ferreira 1730. foi. 

Praxis Partitionum et collationum inter 
haredes fecundum jus Kegium Lufitania^ (& 
juxta jus commune admodtim neceffaria, et 
utilis tam fcholaflicis , quam in foro verfan- 
tibus. Conimbricas apud Didacum Gomes 
Loureiro 1605. foi. Francof. in Colleg. 
Palthenio 1607. foi, Venetiis apud Junâam 
1609. foi. Antuerp. apud Keerbegium 161 2. 
4. & Conimbricae apud Ludovicum Sec. Fer- 
reira 1730. foi. jimtamente com as Confulías. 

Quaflionum júris Emphyfeutici liber Primus, 
five Prima Pars. UlyíTipone apud Bal- 
thafarem Ribeiro 1591. foi. et ibi. apud 
Petrum Crasbeeck 161 1. foi. Francof. in, 
Colleg. Palthen. 1599. foi. et ibi. ad Mxnum 



ii8 



BIBLIOTHE CA 



1618. 8. Cremonas apud Baptiftam Pellizarium 
1591. foi. et Conimbricas apud Emman. Ro- 
drig. de Almeyda 1628. foi. 

Todas eílas obras fahiraõ em três tomos 
Francof. apud Wolfangum Encleterium. 1650. 
foi. Conimbric2e apud Emmian. Rodericum 
de Almeyda 1684. & ibi. apud Ludovicum 
Ferreira Seco 1730. et 1731. em 2. Tomos 
fem o Tratado de Emphyíeuji; ultimamente 
Coloniae Allogrobum fumptibus Marci Mi- 
chaelis Boufquet 1735. foi. 4. Tom. 

Outras muitas obras dignas de fe impri- 
mirem compoz Álvaro Vaz no tempo, que 
occupou as Cadeiras da Univerfidade, as 
quaes fe confervaõ com grande eftimaçaõ 
em poder dos profeíTores da Jurifprudencia, 
fendo as principaes. 

Commentaria ad Tit. Cod. de inoffictos. 
Donation. Ad Tit. Cod. de Jure Hmphiteut. 
A.d Tit. Cod. de Edendo. Ad Tit. Cod. de 
Jure Fifci. Ad Tit. Cod. de Liher. prater 
in Authent. ex cauja. Ad Tit. Cod. de Pac- 
tis. Ad Tit. Cod. Jiquis aliquem tejiari pro- 
hihuerit, vel coegerit. Ad Tit. Cod. ad S. 
C. Tertullian. in Authentic. defunã. Ad 
Tit. Cod. de crimine agi opporteat in Au- 
thent. qua in Provinc. Ad Tit. Cod. de con- 
veniend. Fifci debitorib. lih. 10. Ad Text. 
in L. quoties 98. e^ ad Text. in L,. Qui in 
jus. 177. jf. de re judicat. Ad Tit. jf. de Le~ 
gat. z. à principio usque ad Text. in L. Jiquis 
Tit. 17. Ad Text. in T,. z^. ff. eodem Tit. 

Entre muitas, e doutas Allegaçoens de 
Direito, que fez quando exercitava o officio 
de Patrono de Caufas, he celebre a que compoz 
em Caílelhano fobre a fucceílaõ da Cafa de 
Aveiro com elle titulo. 

Por la ExcelentiJJima Senora D. Juliana 
de AlencaJlro Duquesa de Avero. foi. Naõ tem 
anno, nem lugar da ImpreíTaõ, e coníla de 8. 
foi. como vimos. Defta allegaçaõ faz memoria 
o Doutor Francifco Valafco de Gouvea 
filho do Author na que imprimio em Lisboa 
no anno de 1637. a favor do Duque de Torres 
novas D. Ray mundo contra o Marquez 
de Porto feguro, feu Tio fobre a fucceílaõ 
do Effcado, e Cafa de Aveiro. 

Compoz também doutiíTimas notas à Orde- 
nação do Reyno, das quaes fe lembra o Addici- 
onador de Reynofo obfervat. 28. ad num. 7. 



A memoria defte infigne Jurifconfulto 
illuftráraõ com vários elogios diverfos Autho- 
res, como faõ Gama T>eciJ. 2. n. 6. DeciJ. 8. 
n. 2. & 4. DeciJ. 75, n. 3. DeciJ. 222. n. 4, 
chamando-lhe doãijfimus, <ò' JuriJconJultiJfimus. 
Cabed. i. Parte DeciJ. 14. num. 8. & 2. Part. in 
Prolog, doãijfimus. Pheb. Tom. i. DeciJ. i. 
n. 8. infignem praceptorem , (& DeciJ. 3. n. i, 
doãijfimum, e Dec. 99. n. 7. Tom. 2. DeciJ. 108. 
n. 13. doãijfimum, <& DeciJ. 113. n. 15. e DeciJ. 
161. n. I. & DeciJ. 170. n. 33. Mend. à Caftro 
ad Tit. Cod. de bonis que liber. 2. Parte n. 106, 
Sapientijfimus, <& eximius Eujitanus. Thom. 
Vaz Allegat. 17. n, 4. Tam in júris Theorica, 
quàm Pratica prajlantijjimus , (Ò" inter nojlros 
E.ujitanosjumma authoritatis vir. Mello de Induciis 
Quíeft. 33. n. 3. Injignis Jurijconjultus. Bened. 
^gidius in L. ex hoc jure 4. Part. i. cap. 14. 
n. 17. íf. de juílit. & jure; Gundifalv. Mend. 
de Vafconc. Div. Jur. Argum. Vir eruditio- 
ne clarus (& fenatoria dignitate conjpicuus. 
Gab. Pereir. de Caftr. DeciJ. 55. n. 15. & 
Dec. 83. n. 5. doãijfimus (ò' DeciJ. 65. n. 4. 
JuriJconJultiJJimus . Pinei. Seleã. Jur. In- 
ter p. lib. I. cap. 3. ) n. 23. Injignis regius 
Jenator, (& Júris Civilis ac eximius prima- 
rius projeffor, & lib. i. cap. 5. n. 20. & 
22. injignis L,ujitanus & ibi n. 47. prudentijjimus 
& cap. 8.n. \. Jurijconjultus cordatijfimus. Carva- 
lho in cap. Kaynaldus 2. part. n. 380. diligentij- 
Jimus Franc. Maria Prat. in addition. ad Pafchal. 
de virib. Pátria Potejlat. Part. 4. cap. 6. Injignis 
Jurijconjultus. Maced. in Eujit. Liber. lib. i. 
cap. 9. n. 22. e 29. doãiffimus vir, e nas Flor. de 
EJpan. cap. 8. Exceli. 11. D. Nicol. Ant. 
in Bib. Hijp. tom. i. pag. 49. col. i. injignia 
Jui monumenta reliquit pojleris. Manoel Se- 
ver, de Far. Notic. de Portug. Difc. 5. §. 
3. Manoel Rod. Leyt. Trat. Analyt. pag. 
7. Not. 24. Fonfec. Évora GlorioJ. pag. 
409. celeberrimo Jurijconjulto. Garcia de 
ExpenJ. cap. i. n. 9. pag. 6. Varia erudi- 
tione, (Ò" non vulgari eloquentia praditus. 
Manoel de Faria, e Souf. no Cathal. dos 
Author. Portugueses, cujo Original tivemos 
em noíTo poder, e fe naõ imprimio, lhe cha- 
ma injigne Jurijia. Francifco Caldas Perei- 
ra Oper. Emphyteut. Part. 2. Quseft. i. Kem 
quidem Emphyteuticam nojiro ScbcuIo prcsj- 
tantis, €>* excellentis ingenij Jurijconjultus 



1 



L USITANA. 



119 



.ravijjimtis Alvarus Vala/cus vir toffttM addito 
uno elegantifimo Jttris lin/pf)yteutici libro {ubi 
renova t tom s 7 ratlatum poUicetur ) feliciter, ac 
dextro omine aiifpicatus eji. Qmd quidem omnium 
qmtquot haílenus fcripferimt Jeliciits praflitiffet, 
nlfi Nemefis Jludiofis omnihus infefta Vniverfa 
Keiptihlica litteraria, ipfique jurifprudentia uti- 
litdtem invidijfet. Cum tnim ad rtnovati- 
nnis traílatiim fe fe vtliit Stemuus miles 
.iccinft^ereí , adverifa corporis vale tudo, e^ 
myntentis indies aii^itudinis molejlia ex affi- 
dítis jlndiorum vi^iliis contraâa ad reliquorntu 
lihrorum edi/ionem, ad commune publica uti- 
litíitis commodum fejlinantem quafi de médio 
infiituti fui curfu interpellarunt. Quam obrem 
cum prima veluti fatura librum quinqua- 
s^nfa, €>* amplins quajliones continentem fummo 
.///// Jludioforum applaufu edidiffet, robuj- 
íioresque adhuc partes fuper ejfent, tum iniqua 
adverfi fati acerbitas ampUjfimam illam Jpem 
cofftationum, <Ò^ Confiliorum fuorum, tum graves 
eorum temporum cajus doâijftmi hominis fidem, c^ 
íponjionem fefellerunt. Accejftt etiam repetitus 
ftudiorum labor, redditufque in Academiam, qui 
pojl intermijfa, ac refrigerata diuturna quiete, 
& otio ftudia, e^ urbana militia gloriojam 
advocationem Jumma cum laude perfunâam 
defejfi corporis vires penitus exhauferunt, 
ac labefa£iarunt. Non inficiabor tamen opus illud 
de Jure Emphyteutico à doãijftmo Valafco elabo- 
ra tum nec omninò abfolutum maiorem fortajje apud 
viros doãos admirationem , gloriamque habiturum: 
illud enim perquam rarum, ac memoria dignum 
ejl, etiam Jupre ma opera eximiorum artificum im- 
perfeãasque tabulas, Jicut Irin Aryftidis, 
Tyndaridas Nicomachi, <& Venerem Apel- 
lis in majori pretio, <& admiratione fúiffe, 
quam perfeãa &c. Jeronymo Cardofo in- 
figne ProfeíTor de letras humanas feu con- 
temporâneo, na Dedicatória das fuás Elegias 
que lhe confagrou ao feu nome, lhe diz ele- 
gantemente entre outros elogios. Ex erti- 
ditis quibufdam adolejcentibus intelhxi, qui 
Te olim Conimbrica magna cum celebritate, 
€b* omnium admiratione Jus Civile perlegen- 
tem audierunt. Te magnopere humanioribus 
litteris deleãari, quibus fie imbutus es, ut 
inter latinos Ciceronem quempiam, inter 
Jurifconjultos Scavolam alterum Te omnes 
mérito arbitrentur; neque enim ad utriuf- 



qm Júris faftiffum evolare tam faciU poffet, nifi 
prius, ey latinis, €> gracis litteris Te ipfum exco- 
lerts, v£y expolires. Unde fit, ut tam mmc fórum 
reffum, regiufqm Senatus tuam in caufis agendis 
facundiam, foleríiamque obftupefcant, quam olim 
Conimbricenfis Academia Te Júris nodos, e^ 
legum anigmata dijfolventem ( ut cum Saíyrico 
loqtuir) admirata fit. O mermo Cardofo ia 
lih. 2. EJegiar. Hleg. i. o louva com eíbs 
elegantininias cxprcíTocns poéticas. 
O' Confultorum Júris clarijftme, cujus 

Enitet in totó lingua diferta foro. 
Qui doãos inter doCtiJftmus unus haberis 

Optimus, atque inter crederis ejje bonos. 
At cum patronos poft terga reliqueris omnes. 

Et fit regali par tibi nemo foro. 
Muneribus tibi plena domus. Te confulit omnis 

Turba, Senator, Eques, advena, civis, inops. 
Kefponfis efi fumma fides; foliumque putatur 

Cumana Vatis quidquid ab ore jluit. 
Quicumque ergo fua cupiet cognofcere caufa 

Eventum, & certum difcere confilium. 
Te petat, atq adeat. Te confulat, atq fequatur 

Inveniet fi quid certius ejfe nihil. 
Non dolus hic ullus, non fraus innexa clienti, 

Sed probitas, verum, candor, dr alba fides. 

B. AMADEO, chamado no feculo Joaõ de 
Menezes da Sylva illuftrou com o efplendor do 
feu fangue, e os rayos da fua virtude a Cidade 
de Ceuta famofa Colónia dos Portuguezes em 
Africa no anno de 143 1. Foy quinto filho de 
Ruy Gomez da Sylva Alcayde mòr de Campo 
Mayor, e de D. Ifabel de Menezes filha de 
Dom Pedro de Menezes Conde de Viana pri- 
meiro Capitão General de Ceuta, e Alferes mòr 
de Portugal: Irmaõ de D. Diogo da Sylva de 
Menezes primeiro Conde de Portalegre Ayo 
delRey D. Manoel, e Mordomo mór da Cafa 
Real, e da Venerável D. Beatriz da Sylva, que 
de Dama da Raynha D. Izabel de Caftella foy 
fundadora da Ordem da PuriíTima Conceição. 
Inílruido com aquellas artes dignas do feu 
nacimento frequentou na adolefcencia o Palá- 
cio delRey D. Dxiarte, onde (como efcrevem 
alguns Authores ) arrebatado cegamente da 
rara fermofura da Infanta D. Leonor filha da- 
quelle Monarcha, lhe dedicou o coração fem 
violar o decoro, que era devido à fua fobera- 
nia, porém conhecendo, que era impofllvel 



I20 



BIB LIO THE CA 



o intento, a que afpirava, occultou taõ vio- 
lenta paixaõ debaixo da fymbolica figura de 
hum Altar com a letra Ignoto Deo gravada 
«m huma medalha moftrando enfaticamente, 
que fe naõ podia declarar a Divindade, 
■que o feu amor idolatrava. Porém vendo, 
que fe auzentava a Princefa para fe defpozar 
com o Emperador Federico III. penetrado de 
luz fuperior começou a deteftar a cega incli- 
nação dos feus affeâos, e melhorando de 
objeéto os oíFereceo por ardente holocaufto a 
Deos. Para argumento infallivel defta heróica 
refoluçaõ mudou o nome de Joaõ pelo de 
Amadeo, e deixando a pátria, parentes, e o 
inundo veílido em hum tofco Sayal partio 
para Caílella, e no Convento de N. Senhora 
<le Guadalupe da Religião de S. Jeronymo 
■exercitava taõ afperas penitencias, que caufa- 
vaõ efpanto aos habitadores de taõ auílera Cafa, 
as quaes continuou com igual rigor no Con- 
vento de Cremona da mefma Ordem pelo 
-efpaço de dez annos, atè que apparecendolhe a 
Raynha dos Anjos acompanhada daquelles 
•dous Serafins humanos S. Francifco, e Santo 
António lhe ordenarão, que deixada a vida 
Eremitica, que exercitava, partiíle logo a Afliz 
para fe aliftar na Ordem dos Menores. Obede- 
ceo promptamente a eíle preceito, e depois 
de experimentar varias repulfas, em que deo 
claros argumentos da fua grande fantidade, foy 
admitido a o humilde eftado de Leygo pelo 
Geral Fr. Jacobo de Moçanica no anno de 
1454. Depois de profeíTar o inftituto Será- 
fico começou com tal exceíTo a dilatar-fe naõ 
fomente por Affiz, mas pellas terras circum- 
vezinhas a prodigiofa efficacia da fua virtude, 
que concorria innumeravel multidão de enfer- 
mos a bufcar na fua protecção o único remédio. 
Como era fummamente amante da humildade, 
para fugir do aplaufo popular, que lhe reful- 
tava das fuás prodigiofas acçoens, pedio com 
grande inftancia aos Prelados, que o mandaíTem 
para outro Convento, e partindo para o de 
Milaõ, foy venerado pelos Duques daquel- 
le Eílado Francifco Esforcia, e D. Branca 
por Oráculo da virtude, padecendo mais nas 
honras, que delles recebia, que nas duras 
penitencias, com que fe macerava. A'effi- 
cacia das fuás fupplicas deverão efles Prínci- 
pes a fucceílaõ, que taõ anciofamente deze- 



I 



javaõ, e patrocinando com o Pontífice a Sa- 
grada empreza, que intentou de reduzir os 
Religiofos Clauílraes à primitiva Obfervancia, 
e fevera difciplina da regra de feu Seráfico 
Patriarcha. Para dar feliz principio a huma taõ 
grande obra fe ordenou de Sacerdote por pre- 
ceito dos Prelados fendo o Convento da Paz 
fundado em Milaõ o primeiro, que teve a 
Obfervantiflima Congregação dos Amadeos, 
a qual brevemente fe vio dilatada em 28. Cafas 
por toda Lombardia, onde fe recolherão 
grande numero de Clauílraes, e feculares para 
reformarem a relaxação das fuás vidas. Deíla 
Congregação delineada pelo feu efpirito alcan- 
çou confirmação de Paulo II. no anno de 1469. 
a qual ainda, que conílrangido governou todo 
o tempo, que viveo. Mandado a Roma pela 
Duqueza de Milaõ a tratar hum negocio grave 
recebeo taes eftimaçoens de Xifto IV. que naõ 
fomente o elegeo por feu ConfeíTor, e Confe- 
Iheiro em as matérias mais importantes à utili- 
dade da Igreja, mas lhe aíTinou por domicilio 
a Igreja de S. Pedro do Montorio fanítificada 
com o fangue defte grande Apoílolo, onde com 
os largos, e generofos donativos delRey de 
França Luiz XI. e dos Reys Catholicos Fer- 
nando, e Izabel fundou hum Mofteiro habitado 
hoje por Varoens infignes, fieis imitadores da 
virtude do feu Reformador. Aufentãdo-fe de 
Roma depois de lhe conceder o Pontífice com 
profufa liberalidade ampliíTimos privilégios 
para a fua Congregação, fe fentio mortalmente 
enfermo, e fendo levado ao Convento da Paz 
depois de recebidos os Sacramentos, e exhorta- 
dos os feus Religiofos à perfeverança, e uniaõ, 
poftos os olhos no Ceo voou o feu Efpirito 
para nelle fer coroado, em 10. de Agofto de 
1482. A venerar o feu Santo cadáver concorre© 
a populofa Cidade de Milaõ recebendo muitos 
dos feus moradores fomente com o contafto 
dos veílidos faude em enfermidades muito 
rebeldes. Foy fepultado no meyo do pavimento 
da Capella mór do Convento da Paz, onde fe 
venera a fua imagem de pedra coroada de ref- 
plendor. Outra femelhante a eíla fe vé pin- 
tada na Igreja de S. Pedro de Montorio. Com o 
titulo de Beato o intitulaõ Artur in Martyrol. 
Franc. p. 359. Gonzag. de Origin. Ordin. 
Seraph. in Cathal. Beat. Ordin. pag. 92. Sa- 
lazar Chron. de la Prov. de Cajiil. liv. 8. cap. i. 



L USITAN A. 



121 



Torres Chron. Straf. Tom. 7. liv. 2. cap. 18. 
et feqq. Fr. Fernando da Soled. Hifl. Straf. da 
Prov. de Portug. Part. 5. liv. 4. cap. 6. c na 
íegunda ediçaõ Part. 5. liv. 16. cap. 6. n. 996. 
Duarte Nun. de I^eaõ Defcripc. de Portiig. 
cap. 44. Vafconcel. in Defcript. Keffti Portugal. 
pag. 525. n. II. Fonfec. Évora glorio/, pag. 236. 
A fua vida mais difíuíamente efcreveraõ D. 
Jeronymo Mafcarenhas Bifpo de Segóvia, 
Fr. Horácio Sala, Fr. Marcos de Lisboa 
Chron. da Ord. Seraf. Part. 3. liv. 6. cap. 4. 
Torres Conjolac. aios devot. dei Myjlerio dela Con- 
cep. liv. I. cap. 5. Wading. Annal. Ord. 
Min. Tom. 6. et 7. ad ann. 1464. 1467. 
1468. 1472. 1482. et in Script. Ord. Min. 
p. 15. Petr. Rodulph. ToíTiniancns. Hijlor. 
Seraph. Keligion. lib. 2. pag. ij6. entre os 
Varoens infignes em Santidade o traz retra- 
tado tendo debaixo do braço direito hum 
l^ivro fechado, c em hum lado delle efcri- 
tas eftas palavras Aperietur in tempore allu- 
dindo ao das fuás Revelaçoens, na parte in- 
ferior do Retrato efte dyílicho. 
Multa revê lar i hic meruit fihi, quo duce muitos 

Francifci accendit Keligionis amor. 
Manriq. Annal Cijlerc. ad ann. 11 5 8. cap. 5. 
§. 8. Luiz Salaz, e Caftr. Hijl. Geneal. dela Cafa 
de Sylv. Part. 2. liv. 6. cap. 4. Aubert. Mireo 
ad ann. 1460. Fr. Ant. à Purif. Chronol. Monajl. 
pag. 81. Marrac. in Bibliothec. Marian. Part. i. 
pag. 59. Kegio fanguine clarus, fed vita aujleritate, 
ac Jummis virtutibus clarijftmus. Michoviens. in 
Utan. LMuret. Difc. 58. §. 7. Vir fuit Sanãita- 
te, miraculis, et prophetia illujlris. Joan. Soar. 
de Brito in Theatr. iMJit. L.itter. let. A. n. 25. 
Vir fuit in Aula urbanitate celeberrimus, e>:tra 
vero illuftrifftma virtutis, et miris à Deo reve- 
lationibus illuminatus. Nicol. Ant. in 'Rib. 
Hifp. Vet. lib. 10. cap. 13. n. 725. Sanãi- 
tate vir clariffwms, et L.ujitania magnus 
honos. D. Jeronymo Mafcarenhas remata 
a fua vida com eftas elegantes palavras. 
Por todo es fin duda uno delos maravillofos 
Heroes dela Iglefia, honra de Su Keligion, 
credito de EfpaHa, gloria de Portugal, único 
refplendor dela iluflrijfima familia delos Sylvas, 
j de fn infigne pátria Ceuta. 

Compoz hum livro de Vaticinios acerca 
do eftado futuro da Igreja, que lhe foraõ por 
Deos revelados, cujo titulo era. 



ftfus Maria filius Salvator hominum Apo- 
calypfis nova fenfum habens apertum, (ò' ea, qua 
in antiqua Apocalypfi erant iníus, hic ponuntur 
foris. Hoc eft, qua erant abfcondita, funt bíc 
aperta, Ó* manifeflata. 

Contra eíla obra adulterada com dívetfos 
erros compoz o EminentiíTimo Cardial Bellar- 
mino cincoenta, e fete Cenfuras, as quaes con- 
fervava M. S. na fua Bibliotheca Fr. Jacinto 
Libello Arcebifpo de Avinhaõ, que fora Meftre 
do Sacro Palácio, e as comunicou a D. Júlio 
Bartolocci, das quaes faz larga mençaõ na fua 
Bibliotheca Kabinic. Tom. i. pag. 241. e aíTmi 
deve fer lida com grande cautela, como pruden- 
temente advirtiraõ os mais inílgnes ChrooiAas 
da Ordem Seráfica, devendo fer julgada naõ 
como producçaõ do illurrúnado cfpirito do B. 
Amadeo, mas aborto de alguma fantazia fe- 
cunda de ficçoens, como efcreveraõ G)melio 
Alapide in Apocalipf. cap. i. pag. 19. editionis 
Antuerpienfis dizendo de cujus Sanãitate, cb* 
revelationibus multa habent Chronica Ordinis Sanai 
Francifci Part. 3. lib. 6. cap. 30. ubi tamen addunt, 
monent que extare puras, fed iis varia à variis ejfe 
addita. Ego eas Koma diligenter quafivi, inveni, 
perlegi, itaque ejje comperi. Theofilo Raynaud. 
in Joan. Ejvangel. Seft. 2. Punft. 2. Dolendum efl 
fluenta Spiritits quibus B. Amadai hortus rigatus 
efl pura ad nos non manajfe. Donde claramente 
fe colhe o indifcreto arrojo, com que o Cardial 
Caetano in D. Thom. i. 2. quxft. 174. art. 6. 
ad 3. e Bzovio in Annalibus ad ann. 1471. 
quizeraõ manchar a opinião do B. Amadeo 
affirmando fer fua efta obra contaminada 
com opinioens erróneas, e falfos vaticinios. 
Leaõ-fe Briceno, Part. i. Controu. in i. 
Sent. Scot. pag. 147. Wadingo, Alva, e 
Samaniego, que com doutiíTimas Apolo- 
gias defendem a fanítificada fama do B. 
Amadeo, e convencem evidentemente aos 
dous adverfarios da cega precipitação com 
que cenfuráraõ a hum Varaõ celebre em 
vida pelas virtudes, e depois da morte com 
culto immemorial pelos milagres. O origi- 
nal defta obra fe conferva na Bibliotheca do 
Real Convento do Efcurial, donde extra- 
hio huma copia D. Pedro de Caftro Arce- 
bifpo de Granada, e Sevilha, e a collocou 
na Bibliotheca do facro Monte de Granada. 
Outra fe guarda na Bib. Vaticana n. 567. como 



122 



BIBLIO THE C A 



di2 -D. Bernard. Montfaucon in Bib. Biblio- 
íhecar. M. S. nova Tom. i. pag. 27. col. 1. 
com eíle titulo. Amadai Hifpani Ord. S. Franc. 
Obfervantia Propheiia. Duas copias deíla obra 
exiílem, huma no Convento de N. Senhora 
da Salceda de Religiofos Francifcanos, e outra 
no Convento Romano dos Agoílinhos Defcal- 
ços. Se alguma exiíle, que naõ feja adulterada, 
he a que fe conferva em Barcelona no Archivo 
do Collegio de S. Boaventura, no fim da qual 
eftá hum teílimunho de fer a legitima, efcrito 
pela própria maõ de S. Pedro de Alcântara em 
21. de Fevereiro de 1 545. como relata Fr. Joan. 
à D. António in Bib. Francifc. Tom. i . pag. 5 5 . 
Da obra, e do Author faz memoria Jacob 
Lelong. in Bib. Sacra pag. 607. col. i . Thomaf- 
fin. in Bib. Patavin. pag. 106. e PoíTevin. in 
Apparat. Sacr. Tom. 1. pag. 49. 

Conjlituiçoens approvadas pela Seé Apof- 
tolica pellas quaes fe governava a Congregação 
dos Amadeos antes de dar obediência ao Geral 
dos Obfervantes. 

Homilia de B. V. Maria, eíla obra, que 
allega Pedro Caniíio no feu Mar ia l, e Joaõ 
Benediâo na fua Summa como producçaõ do 
B. Amadeo, naõ he fua, mas de Amadeo Lau- 
fanenfe Bifpo, e Religiofo da Ordem de 
Ciíler, cujo engano feguio Henrique Willot in 
Athen. Franc. levado da femelhança dos 
nomes quando entre hum, e outro mediou 
o dilatado efpaço de trezentos annos. 

Sonetos Sagrados Author o B. Amadeo 
4. Eíle livro fe conferva na Bibliotheca do Col- 
legio de Coimbra da Companhia de JESUS. 

Fr. AMADOR DE SANTA ANNA 
Religiofo da Ordem dos Menores da 
Provinda do Apoílolo Saõ Thomé da ín- 
dia Oriental. A mayor parte da vida dedi- 
cou à converfaõ da gentilidade conduzindo 
ao grémio da Igreja innumeraveis bárbaros, 
e para que ainda auzente naõ ceíTaíIe de taõ 
apoftolico exercicio, efcreveo na lingua Ca- 
narina para inílrucçaõ dos já convertidos 
affiílindo em Goa no anno de 1607. 

Hijloria da vida dos Santos, da qual 
exiílem muitos exemplares naquella regiaõ 
donde foy mandado hum no anno de 161 2. 
a Filippe II. de Caílella, que o mandou 
collocar na Bibliotheca do Efcurial como 



affirma Fr. Joan. à D. Anton. in Bib. Franc, 
tom. I. pag. 57. e outro fe conferva na Biblio- 
thec. Real de Pariz n. 161 5. como diz D. Ber- 
nard. Montfaucon in Bib. Bibliothecar. M. S. 
nova tom. 2. pag. 725. Lembraõ-fe do Author 
Fr. Paulo da Trindade Chron. da Prov. de S. 
Thomé liv. i. cap. 69. e Fr. Jacint. de Deos 
Vergel de Plant. e Flor. cap. i, pag, 9. e o 
moderno Addicionador da Bib. Orient. de 
António de Leaõ Tom. i. Tit. 16. col. 518. 

D. Fr. AMADOR ARRAES filho de 
Simaõ Arraes. Naceo na Cidade de Beja da 
Província do Alentejo, e naõ em Coimbra, 
como feguindo a Marco António Alegre de 
Cafanate efcreveo Hyppolyto Marracio in 
Bib. Marian. Part. i. pag. 61. Para fugir dos 
enganos, com que o mundo coíluna lizongear a 
adolefcencia fe recolheo na ReHgiaõ Carmeli- 
tana em o Convento de Lisboa a 24. de Janeiro 
de 1545. fendo o primeiro que profeíTou efte 
fagrado inílituto no CoUegio de Coimbra a 5 1 . 
de Janeiro do anno feguinte. Igual foy o pro- 
greíTo que fez nos eíludos da Filofofia, e Theo- 
logia como o applaufo que confeguio quando 
as diâou, naõ fomente aos feus domeílicos, 
mas aos Cónegos Regulares de Santo Agofti- 
nho de Santa Cruz de Coimbra, que naquelle 
tempo convidava© para eíle miniílerio a hum 
Varaõ eminente em letras fagradas, e profanas. 
Recebido o gráo de Doutor pella Univerfidade 
na faculdade da Theologia começou a efpalhar 
a femente do Evangelho com tanto fruto dos 
ouvintes, e acclamaçaõ dos eruditos, que che- 
gando a fama da fua peífoa à Mageílade delRey 
D. Sebaíliaõ, naõ fomente quiz ouvillo, mas 
em final do quanto lhe agradou o nomeou feu 
Pregador recebendo deíle Príncipe particulares 
eílimaçoens, naõ fendo inferiores as que lhe 
fez o Cardial D. Henrique, pois conhecendo 
a fua prudência acompanhada de virtuozas 
acçoens o elegeo quando era Arcebifpo de 
Évora, feu Coadjutor, cuja eleição foy con- 
firmada por Gregório XIII. ( e naõ S. Pio V. 
como efcreve Fr. Manoel de Sá nas Mem. 
Hiji. dos Efcrit. do Carm. pag. 12. n. 13.) 
em 23. de Julho de 1578. com o Titula 
de Bifpo Adrumentino, que depois fe 
mudou no de Tripoli, e parecendo-lhe fer 
eíle lugar pequeno premio ao feu merecimento 



L USITANA. 



123 



o fez fcu lífmolcr mòr. Promovido da Dio- 
ccfc de Portalegre para a de Placencia D. Andrc 
de Nrironha, o nomeou naquelle Bifpado 
I'ilippc II. cm 50. de Outubro de 1581. em 
cujo fagrado miniftcrio cnchco as obrigaçoens 
de folicito Paftor, vifitando pcíToalmente a fua 
Diocefc, convocando duas vezes Synodo para 
reforma dos coílumes, mo(lrando-fc benigno 
Pay para os bons, fevero Juiz para os máos, e 
profufo difpenfeiro para os pobres, donzellas, 
viuvas, c cativos. Refgatou com graves 
fomas de dinheiro todos os foldados da fua 
Diocefe que tinhaõ fido cativos na infeliz 
batalha de Alcaçar. Socorrco ainda com 
perigo da mcfma vida aos inficionados com a 
pefte. Ornou a Cathcdral com pavimento de 
pedra muito polida, c lhe fez a Capella mòr 
com toda a magnificência. lilra no veftir 
taõ parco, c modcfto, c taõ moderada a familia, 
que compunha a fua cafa, que mais parecia de 
hum auftero religiofo, que de hum Príncipe 
Ixclefiaftico. Lembrado do filencio, e quieta- 
ção da fua Cella renunciou o Bifpado no anno 
de 1596. e fe recolheo ao CoUegio de Coimbra 
bufcando para morrer o lugar onde tinha 
nacido para a Religião, o qual ampliou com 
rendas, e edifícios. Ultimamente conhecendo 
fer chegada a ultima hora precedendo huma 
molefta infermidade, fe preparou com os Sacra- 
mentos partindo para a eternidade em o i. de 
Agofto de 1600. Foy fepultado no meyo da 
Capella mòr do Collegio de Coimbra em Sepul- 
tura raza, onde eílá gravado efte epitáfio. 

Sepultura de D. Fr. Amador Arraes 
Bifpo de Portalegre feitura delRej Dom 
Henrique, feu Efmoler mor; foy o primeiro 
Keli^ofo, que profeffou nefie Collegio. Fa- 
leceo no \. de Agoflo de 1600. 

Deíle Prelado efcrevem Pedr. de Alva y 
Aftorg. in Milit. Concept. Diogo Gouvea 
de Barrad. Antiguid. de Beja. liv. 3. cap. 38 
Fr. Dan. à V. Mar. Specul. Carmel. Part. 2 
Tom. 2. pag. 5. liv. 3. pag. 968. num 
3402. e pag. 908. n. 3157. Carvalh. Corog 
Portug. tom. 3. liv. 2. Trat. 8. cap. 47. p 
624. Cunha Catai, dos Bifp. dos Port. Part 
2. cap. 39. pag. 337. e cap. 40. pag. 344 
e cap. 42. pag. 364. Card. Affol. l^fit 
Tom. 3. pag. 248. no Commentario de 5 
de Mayo chamando-lhe Infigne Prelado 



Nicol. Ant. hib. Hifpan. tom. i. pag. 49. acte- 
centando-lhe o appeilído de Mendoça que naõ 
teve. Manoel de Far. e SouT. Europ. Por/ug. 
tom. j. Part. 4. cap. 6. pag. 3J4. e no Ca/a/, 
dos Auíhor. Portug^. Original que tivemos em 
noíío poder, o intitula Obifpo de Portakgfe 
eletio por fu virtud. António Coelho Gafco 
Antig. de Lisboa Part. i. cap. 14. Marrac. in Bib. 
Marían. Part. 1. pag. 61. Doâriná, €>• pie- 
iate eximius, a/que omni virtutis gmere 
cumprimis fui faculi heroibus comparandus. 
D. Fr. Thom. de Faria Decad. i. lib. 9. 
cap. 9. ha vixit ut nullum omnino faftum 
apparenter exhiberet, fed veluti vir monaflicus 
vitam eremiticam, ç£t à frtquenti hominum 
confortio feparatam degeret: affuetus pauperum, 
e^ inopum inedia omnes fere redditus in eos 
conferebat, tandem longo fenio confefíus ad 
fuam regreditur religionem ubi plenus dierum ex 
hac vita feliciter decefftt. Fonfec. Fjvor. Gloriof. 
pag. 314. Eminente em letras, e virtudes. Ma- 
rangoni in Ther^^aur. Paroch. Tom. 2. lib. 3. 
cap. 1. n. 66. onde o faz Capcllaõ mòr do 
Cardial D. Henrique, fendo Efmollcr mòr. 
O Padre D. Manoel Caet. de Souf. no Catai. 
Hifl. dos Pontif. Card. e Bifp. Portug. f>ag. 108. 
& in Expedit. Hifpan. S. Jaeobi tom. 2. pag. 
1302. Fr. Manoel de Sá Mem. Hiflor. dos 
Efcrit. do Carm. da Prov. de Portug. cap. 5. 
Compoz 

Diálogos dos quaes o i. he das queixas dos 
enfermos, e curas dos Médicos: 2. do alivio dos 
afligidos: 3. da Gente Judaica: 4. da gloria, e 
triumfo dos Eufitanos. 5 . das condiçoens, e partes 
do bom Príncipe. 6. das vias porque D eos nefle 
tempo nos chama. 7. da Fortaleza, e paciência 
Chriflaã. 8. ^ Teflamento ChríJlaÕ. 9. áa Confo- 
laçaÕ para a hora da morte. 10. da invocação de 
Nojfa Senhora Coimbra por António de Mariz 
1589. 4. Correftos, e acrecentados pelo 
author fe imprimirão poílhumos na mefma 
Cidade por Diogo Gomes Loureiro. 1604. 
foi. Paliando deíla obra o Padre Francifco 
da Fonfeca no lugar affima allegado a inti- 
tula Diálogos das acçoens dos Keys de ■ Por- 
tugal, e fe enganou equivocando-o com os 
Diálogos de Pedro de Mariz. 

Trabalhou com grande difvello nas Confti- 
tuiçoens, por onde fe governou muitos annos 
o Bifpado de Portalegre, como affirma 



124 



BIBLIOTHE CA 



r 



Fr. Manoel de Sá nas Memor. Hiflor. de que 
já fizemos aíTima mençaõ. 

Fr. AMADOR DA CONCEIÇAM natural 
do Porto, e Religiofo da Ordem dos Menores 
da Provinda de Portugal, Leitor jubilado na 
Sagrada Theologia, e pregador grande, de 
quem fazem memoria honorifica Fr. Fernando 
da Soledade na Hiji. Seraf. da Prov. de Portug. 
Part. 3. liv. I. cap. 21. n. 134. e Part. 5. liv. 5. 
cap. 50. n. 1726. e Fr. Joan. à D. Ant. in Biblio- 
th. Vrancifc. tom. i. pag. 57. Foy Guardião 
dos Conventos de Santa Citta, de S. Francifco 
da Covilhaã, de Leiria, e ConfeíTor dos Moílei- 
ros de Santa Clara de Figueiró, da Efperança 
de Abrantes, de N. Senhora dos Poderes de 
Via-Longa, e de Santa Iria de Thomar, e no 
Convento de S. Francifco deíla Villa falleceo 
no anno de 1709. Dos muitos Sermoens, que 
pregou, fomente fe imprimirão os feguintes 

Sermão do glorio/o Martyr Saõ Sebaf- 
tiaõ pregado na Capella Keal. Aos 20. de 
Janeiro do anno de 1670. em a folemnidade 
da Confraria da Corte, que injiituhio E/- 
R^ D. Joaõ o III. Lisboa por Domin- 
gos Carneiro ImpreíTor das Três Ordens 
Militares. 1670. 4. e Coimbra por Manuel 
Rodrigues de Almeida 1684. 4. 

Sermaõ pregado no Convento de Santa Iria, e 
das Keligiofas de Santa Clara da Villa de Thomar 
em acçaõ de graças, que todos os annos fe celebra no 
próprio dia, que Deos fe:<^ mercê às Keligiofas de as 
livrar do formidável rajo que cahio no Mofieiro, e 
fe defvaneceo no lago, onde Santa Iria padeceo 
o feu martyrio, em o anno de 1687. Lisboa 
por Miguel Manefcal. 1688. 4. 

Sermaõ das Almas no Convento de Saõ 
Francifco de Thomar nos fuffragios annuaes, 
que fav^em os Irmãos da Terceira Ordem por 
feus Irmãos defuntos em o anno de 1686. Co- 
imbra por Manuel de Almeyda 1688. 4. 

Sermaõ na Quarta feira de Cin^a na 
Misericórdia da Villa de Thomar. Lisboa 
por Miguel Manefcal. 1688. 4. 

Sermaõ da Quinta Dominga da Quaref- 
ma em acçaõ de graças pelo Capitulo que fe 
celebrou em Alenquer no Convento de S. 
Francifco da Provinda de Portugal em 20. 
de Março de 1706. Lisboa por Manoel, e 
Jofeph Lopes Ferreira 1706. 4. 



AMADOR CORRÊA, Irmaõ da Com- 
panhia de JESUS, o qual aíTiftia pelo anno 
de 1556. no CoUegio de S. Paulo de Goa. 
Para dar noticia dos progreíTos das MiíToens 
Apoftolicas nas Regioens Orientaes efcreveo 
aos feus Padres que afliíUaõ na Europa três 
Cartas de Cochim a i. em 8. de Fevereiro 
de 1564. a 2. em 20. de Janeiro de 1565. e a 
3. em Novembro de 1566. 

AMADOR DA COSTA, igualmente ir- 
maõ na profiílaõ, e inílituto que o precedente. 
Eftando para partir para o Japaõ, mandou. 

Carta efcrita aos PP. Jefuitas da Provinda 
de Portugal em 3. de Novembro de 1577. a qual 
fahio impreíTa com outras. Évora por Manoel 
de Lira. 1598. eílá a pag. 400. 

AMADOR LEAL DE CARVALHO 
naceo em Lisboa no anno de 1608. e foy filho 
de Lucas Leal de Carvalho fidalgo da Cafa 
Real, e de Maria Cordeira. Fazia com grande 
elegância, e affluencia todo o género de ver- 
fos, naõ fendo menos applicado ao eftudo da 
Hiíloria profana, e noticia das linguas mais 
polidas. Nas lagrimas Panegyricas à morte de 
Joaõ Pere^ de Montalvão, eílá hum Soneto feu, 
que começa. 

Suf pende ò Mufa eljàfeflivo canto 
Traduzio de CaíleUiano em Portuguez o 
3. e 4. Uvro das Epijlolas de D. António de 
Guevara Bifpo de Mondonhedo, e as levou para 
Caftella, quando no anno de 1640. partio com 
o Marquez de Portofeguro. 

P. AMADOR REBELLO natural da 
Villa de Mezamfrio da Diocefe do Porto, e 
teve por Pays a Lançarote Gonçalves, e Bea- 
triz Rodrigues. Na idade de vinte annos 
abraçou o inílituto da Companhia de JESUS,^ 
em Coimbra a 26 de Julho de 1559. e naõ 
de 1552. como efcreve o author da Biblio- 
theca da Companhia. Poílo que foíTe admit- 
tido para o numero dos Coadjutores efpiri- 
tuaes, eníinou humanidades, e Theologia Mo- 
ral. Como era infigne em efcrever foy eleito 
Meílre delRey D. Sebaíliaõ para o eníinar 
a fazer os caraóleres com perfeição, em cujo^ 
miniílerio conciUou o aíFe£lo deíle Príncipe, e 
de todos os Palacianos pela candura do animo,. 



L USITAN A, 



125 



« modeítift do afpeâo. A fua mayor aíTif- 
tenda foy no G^llegio de Santo Antaõ de 
Lisboa, onde pelo efpaço de fete annos foy 
Heytor com igual credito da íua prudência, 
que fatisíaçaõ dos fubditos, que governava. 
Nunca íe ouvio murmurar do próximo, antes 
-pela fuavidade do génio a todos atrahia, prin- 
cipalmente aos Penitentes no tribunal da Con- 
fiíTaõ, em cujo lugar, como efpiritual medico 
lhes receitava faudaveis remédios contra as 
enfermidades da alma. De evidentes perigos 
armados contra a fua innoccntc vida foy por 
varias vezes livre com particular aíTiílcncia 
<la protecção divina. Fortalecido com os Sa- 
cramentos, morreo cm Lisboa a 7. de Mayo de 
1622. Entre os Varocns infigncs cm virtudes 
o numera Jorge Cardofo Agiol. hujit. Tom. 3. 
pag. 111. e no GDmmcntar. de 7. de Mayo 
letr. I. D. Nic. Ant. Bib. Hifp. Tom. i. pag. 49. 
c Tom. 2. pag. 279. Telles Chronic. da Com- 
panh. da Prov. de Porttig. Part. 2. liv. 6. cap. 48. 
e jo. Franc. Imag. da Vir/ud. em o Novic. de 
Coimb. Tom. i. liv. i. cap. 19. e Tom. 2. pag. 
6ii. e no Anno glorioj. S. J. in Ljíjit. pag. 257. 
& in Synopf. Annal. S. J. in haifit. pag. 234. 
n. 100. Compoz 

Alguns Capítulos tirados das Cartas, que 
vieraÕ ejle anno de 1588. dos Padres da Compa- 
nhia de JESUS, que andaõ nas partes da índia. 
China, JapaÕ, e Angola. Lisboa por António 
Ribeiro 1588. 8. Deíla obra, e do author faz 
mençaõ a Bib. Orient. novamente acrecentada 
Tom. I. Tit. 5. col. 94. 

Compendio de algumas Cartas que ejle anno 
Âe 1597. vieraÕ dos Padres da Companhia de 
JESUS, que rejidem na índia, e Corte do graõ 
Mogor, e Rejnos da China, e Japaõ, e no Brajil 
em que fe contem varias coufas. Lisboa por Ale- 
xandre de Siqueira. 1598. 8. 

Relação da Vida delRej D. SebaJliaÕ, na 
qual fe trata do feu nacimento, creaçaõ, governo, 
das hidas, que fe^ a Africa, da batalha que 
deu a Muley Maluco, e do fim, e do fuccejjo 
delia. M. S. Deíla obra tenho huma Co- 
pia, na qual fuccintamente fe efcrevem as 
acçoens deíle Principe. Jorge Cardofo no lu- 
gar alTima allegado, diz que fora compofta 
no anno de 161 3. e delia faz memoria 
Francifco Soares Tofcano Parallel. de Var. 
llluftres. 



Tratado dos ditos delKey D. SebaJHaÕ efcrito 
por ordem dos f tus Superiores. Conferva-fe Aí. S. 
na Livraria da Gafa profeíTa de Lisboa, como 
affirma Joaõ Franco Barreto na hiblioth. 
Portug, Aí. S. 

AMADOR RODRIGUES. Hum dos ce- 

lebres Jurifconfultos, que produzio Portugal, 
donde pafíando a Salanunca depois de exer- 
citar neíla Cidade o Ofiicio de Advogado, 
como também na Corte de Madrid no anno 
de 161 6. foy Lente de Direito Civil naquella 
florentiíTima Univerfídade, e feu Syndico, fen- 
do refpeitada a fua fciencia legal pelos mayo- 
res ProfeíTores de Jurifprudencia, como o mani- 
feílaõ as fuás obras, com as quaes fervio de 
farol para guiar aos Advogados no intrincado 
labirinto das controverfias forenfes, efcrevendo 

Traííatus de modo, ^ forma videndi, e^ exami- 
nandi proceffum in caufis Civilibus via ordinária 
prima injlantia intentatis. Matriti apud Alphon- 
fum Martinum. 1609. 4. Defte Livro publicou 
o author huma Summa em Caftelhano, que foy 
impreíTa no mefmo lugar, e anno que a prece- 
dente. Sahio em latim fegimda vez Francof. 
ex Officin. Zachario = Paltheniana 161 5. 8. 

Traãatus de executione fententia, <& eorum 
qua paratam habent executionem. Matriti apud 
Alphonfum Martinum 161 3. foi. 

Traãatus de concurfu, ^ privilegiis credito- 
rum in bonis debitoris, <& de pralationibus eorum, 
atque de ordine, eb* gradu, quo folutio jieri debet. 
Madriti apud Ludovicum Sanches 1616. foi. 
Venetiis. 1644. Francof. apud Joannem Beyre 
1645. 8. Genevae apud Samuel. Chovet. 1664. 
& Lugduni 1665. Poílo que Nicoláo Antó- 
nio in Bib. Hifp. tom. i. pag. 49. faça natural 
de Salamanca a Amador Rodrigues, talvez 
perfuadido que o fofle pela diuturna aíTiftencia 
que fez neíla Cidade, certamente he Portuguez, 
naõ fomente porque o apellido affim o mani- 
fefta, o qual he raro entre os Caftelhanos, 
como porque no Catalogo dos noíTos Portu- 
guezes, que floreceraõ na Univeríidade de 
Salamanca, compofto com toda a exacçaõ, e 
eíhido pelo iníigne efcritor D. Thomaz Ta- 
mayo de Vargas, e remetido a Diogo Lopes 
de Souza Conde de Miranda Pay do Eminen- 
tiíTimo Cardial de Souza, em cuja Livraria 
fe conferva, fe affirma nelle fer Portuguez 



120 



BIB LIOTHE C A 



Amador Rodrigue2. Confirma-fe mais efta ver- 
dade com o teílemunho do Padre Francifco 
da Cruz nas fuás Memorias M. S. para a Bib. 
Poríugue;^a; o qual relata que eftando em Roma 
no anno de 1674. lhe fegurára o Doutor Tho- 
maz Ribeira natural de Beja, homem de fumma 
verdade, que Amador Rodrigues, com quem 
vivera muitos annos em Caftella, e tivera par- 
ticular amizade, lhe certificara fer Portuguez, 
porém naõ queria que foíTe conhecido por 
tal, cuja caufa ignoramos. 

AMADOR VIEYRA, natural da Villa 
de Monforte na Provinda do Alentejo, Licen- 
ciado nos fagrados Cânones, e Prior da Paro- 
chial Igreja de Saõ-Tiago de Travanca da 
Diocefe de Coimbra. Foy grande amigo do 
infigne Pregador Francifco Fernandes Galvaõ, 
o qual deixando-lhe no feu Teftamento os 
Sermoens, que tinha pregado, para cumprir 
como fiel amigo a obrigação defte legado, 
addicionou muitos delles, verteo outros de 
linguas eftranhas na materna, e ultimamente 
os ornou com a vida do Author impreíTa no i . 
tomo, de que faz memoria Joaõ Soares de 
Brito in Theatr. L,ujtt. LiUer. let. A. n. 28. e os 
ampliou com dedicatórias, e prólogos appli- 
cando grande difvelo para que polidos, e di- 
geílos fahiíTem à luz publica com eíle titulo 

Sermoens de Quarejma, Lisboa por Pedro 
Crasbeeck. 161 1. 4. 

Sermoens das fejias dos Santos. Lisboa pelo 
mefmo Impreílor. 161 3. 4. 

Sermoens das Fejias de Chrijlo nojjo Senhor. 
Lisboa pelo mefmo Impref. 161 6. 4. 

AMARO DOS ANJOS, natural da Ci- 
dade de Leiria, e Cónego Secular da Congre- 
gação do Evangeliíla, cujo habito recebeo no 
Convento de Villar de Frades a 28. de Março 
de 1685. onde foy Definidor, Reytor de Évora, 
e Pregador geral. Por fer muito verfado nos 
ritos, e ceremonias Ecclefiafticas exercitou 
muitos annos eíle miniílerio no Convento de 
S. Bento de Xabregas cabeça da fua Canónica 
Congregação, e para que naõ ficaíTem occultas 
as grandes noticias, que tinha adquirido na 
continua applicaçaõ deíle eftudo querendo 
inílruir nelle a outros para que com fumma 
perfeição as executaflem, efcreveo 



Direãorio Ceremonial. Lisboa por Filippc 
de Souza Villela. 1717. 4. Morreo em o Con- 
vento de S. Bento de Enxobregas a 25. de 
Janeiro de 1729. Deixou M. S. trcs volumes 
de 4. com eíle titulo. 

Suor alheo dejiillado pelo lambique da paciência. 
Coníla de vários conceitos predicáveis que 
tinha colhido com indefeíTo trabalho de vários 
Authores. Confervaõ-fe na Livraria do Con- 
vento de S. Bento de Enxobregas. 

Fr. AMARO DE AREGAS, cujo apel- 
lido indica a pátria, onde naceo, a qual eftá 
cinco legoas para o Norte da Villa de Tho- 
mar. Foy Monge Ciílercienfe no Real Con- 
vento de Alcobaça, e grande Theologo. 
Compoz 

De Matrimonio foi. M. S. Cujo Original 
fe conferva no Archivo do dito Convento. 

AMARO DA FONSECA, UlyíTiponenfe, 
e dos celebres Cirurgioens do feu tempo, 
como certifica D. Francifco Manoel de Mello 
na Carta dos Authores Portuguezes efcrita 
ao Doutor Manoel Themudo da Fonfeca Vi- 
gário Geral de Lisboa. Efcreveo 

Tratado da Gonorrea, e outras coufas. Sahio 
impreíTo na quinta ediçaõ da Cirurgia de Antó- 
nio da Cruz. Lisboa por Manoel Gomes de 
Carvalho. 1649. 4. 

AMARO MOREYRA CAMELLO, Q- 
valleiro profeíío da Ordem militar de Chriílo, 
muito verfado na Liçaõ da Hiftoria, e prin- 
cipalmente em huma das fuás mais nobres 
partes a Genealogia. Pelo largo efpaço de 
vinte annos, que afliíUo em Portugal, Caílella, 
e índia, poílo que embaraçado com diverfos 
negócios, nunca deixou de cultivar o eíhido 
Genealógico tomando por empreza do feu 
trabalho litterario a grande Familia dos Maf- 
carenhas, a qual illuílrou como elle confeíTa 
no Prologo por outro eftillo que tinhaõ fe- 
guido os grandes Genealogiílas Fernaõ Pa- 
checo, D. António de Lima, e o IlluílriíTimo 
Arcebifpo de Lisboa D. Rodrigo da Cunha, 
cuja obra intitulou deíle modo 

Memorias illuftres da Familia de Majcare- 
nhas fecunda Progenitora de ajfmalados Va- 
roens, e genero^^os Heroes. Dividida em quatro 



L USITAN A. 



\i-j 



livros o primeiro dedicado a D. Vranc. Mafcartnbaj 
4o Conjelho de LJlado de Sua Majejtflade. G^nfta 
de 57. Capítulos efcrito em Lisboa no anno 
<le 1650. foi. Aí. S. 

O feffmdo Livro dedicado a D. JoaÕ Ma/ca- 
tenhas terceiro Còde de Santa Cru^. Conda de 
19. Capítulos efcrito em Lísb. em 16) i. 

O terceiro IJvro dedicado a D. JoaÕ Mafca- 
rtnbas feffmdo Conde de Palma. Confta de 16. 
Capítulos efcrito em Goa, no anno de 1654. 

O quarto IJvro dedicado a D. Jorj^e Ma/ca- 
renòas feffmdo Conde de Serem. Confta de 20 
Capítulos efcrito em Goa no anno de 16)5. 

Do Author, e da Obra fazem mcnçaõ 
JoaÕ Franco Barreto na hib. l^ifit. Aí. S. e 
o Padre D. António Cact. de Souf. Aparat. 
À HiJI. Gen. da Caf Keal Portug. pag. 103. 
■§. 106. cujo Original vimos. 

Fr. AMARO DE PENICHE. Natural 
dcfta marítima Villa do Arcebifpado de Lis- 
boa, de que tomou o appelido, c Monge 
Ciftcrcienfc no Real Convento de Alcobaça 
■cm cujo archivo fe confervaò efcritos da fua 
própria maõ. 

Sermones Dominicarum. 

AMARO DE ROBOREDO, natural da 
Villa de Algozo na Província Tranfmontana, 
c muito douto na Grammatica Latina, e Por- 
tugueza em cuja eftudiofa applicaçaò con- 
fumio a mayor parte da fua vida merecendo 
pela grande fciencia que tinha alcançado em 
tantos annos as eftimaçoens das peíToas aflim 
da Jerarchia Ecclefiaílica, como Secular. O 
Arcebifpo de Évora D. Diogo de Soufa, a 
cuja dignidade fora aíTumpto no anno de 
1610. o fez feu Secretario. Depois fendo 
Beneficiado na Igreja de N. Senhora da Sal- 
vação da Villa da Arruda, foy Meftre dos 
filhos de D. Balthezar de Tejrve fidalgo Cafte- 
Ihano morador em Lisboa, cujo minifterio 
exercitou com grande credito da fua peíToa 
inftruindo a D. Duarte de Caftello-branco pri- 
mogénito de D. Francifco de Caftello-branco 
Conde do Sabugal, e Meirinho mór do Reyno. 
Compoz. 

Verdadeira Grammatica latina para fe bem 
Jaber em breve tempo, efcrita na lingíia Portu- 



ffie^a com txemphs na Latina. Lisboa por 
Pedro Crasbeeck. 1615. 8. 

Grammatica Latina mais breve, e fácil cpee as 
publicadas atè ajipra, na qual precedem os exemplos 
dsreffras. Lisboa por António Alveres. 162). 8. 

Methodo Grammatical para todas as linffias. 
Confta de três partes. Primeira, Grammatica 
exemplificada na Portuff4e!(a, e Latina. Sefftnda, 
Copia de palavras exemplificada nas latinas, 
artificio experimentado para entender latim em 
poucos me^es. Terceira, h'rafe explicada na latina, 
em que fe exercitaõ as Syntaxes ordinárias, e collo- 
cafad rhetorica como moftra a terceira, e quarta folha. 
Lisboa pelo mefmo Impreffor. 1619. 4. 

Keffras da Ortographia PortUffiet(a em huma 
folha. Lisboa pelo dito impref. 161 j. fie ibi 
na Officína Joaquiníana. 1758. 8. 

Raives da lingua Latina moftradas em hum 
Tratado, e Diccionario, ifto he, hum Compendio 
de Calepino com a compojt^aô, e derivarão das 
palavras, com a Orthoffafia, quantidade, e fra^e 
delias. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1621. 4. 

Kàdices Sermonis Latini demoftrata in traãa- 
tulo, çíy dicionário, hoc eft, Calepini Compendium 
cum diãionum compofitione , vÍT derivatione, Ortho- 
ff^aphia, quantitate, <Ò' ipfarum phrafe. UlyíTip. 
apud Petrum Crasbeeck, 1621. 4. 

Efta obra he compofta na língua Portu- 
gueza, e Latina as quaes eftaõ cm duas co- 
lunas em cada pagina. 

Traduzio de Francez em Latim, e copio- 
famente acrecentou dedicando-o ao feu difd- 
pulo D. JoaÕ de Caftello-branco primogénito 
de D. Francifco de Caftello-branco Conde de 
Sabugal. 

Janua linguarum, five modus maxime accoma- 
datus ad eas intelligendas primiim in lucem editus 
cum verjione hifpana, *& Lujitana interpofitis nsh 
meris quibus harum linguarum iffiarus eas fine ma- 
gijiro pojfit addifcere. Ulyflip. apud Petrum 
Crasbeeck. 1622. 4. 

Traduzio do Latim do Cardeal Bellar- 
mino em Portuguez eftes dous Tratados. 

Declaração do Sjmbolo para u:(o dos Curas. 
Lisboa por Pedro Crasbeeck. 16 14. 8. 

Doutrina Chrijlaã. Lisboa pelo dito Im- 
preíTor. 1620. 8. 

Socorro das Almas do Purgatório para fe 
faberem tirar com indulgências as almas nomea- 
das, e applicarlhe bem a fatisfaçaõ das obras 



128 



BIB LIO THE CA 



penaes, e pias. Ajunta/e hum modo fácil, e 
artificio/o de re^ar bem o Kofario, e Ceroa da 
Virgem Nojfa Senhora. Lisboa por Pedro 
Crasbeeck. 1627. 12. et ibi por António 
Alvares 1645. 24. 

Do Author fe lembraõ D. Francifco Ma- 
noel na Carta dos Authores T^ortuguet^es efcrita 
ao Vigário Geral de Lisboa Manoel da Fon- 
feca Themudo, Francifco de Araos in lib. 
de bene dijponend. Bibliothec. Prad. Joan. Soar. 
de Brit. in Theatr. 'Lufit. 'Litter. let. M. 
n. 21. onde lhe chama Grammaticus non con- 
temnendus, e Nicol. Ant. in Bib. Hifpan. tom. 2. 
pag. 95. 

AMARO DA ROCHA, Cavalleiro pro- 
feíTo da Ordem de Chriílo, Secretario de Eílado 
da índia. Sendo muito verfado nos fucceflbs 
militares, e políticos daquelle Eílado, e igual- 
mente curiofo inveJftigador da natureza, e 
qualidade das plantas, que em taõ vaílo terreno 
fe produzem, compoz, e dedicou à Mageftade 
Catholica de Filippe II. de Portugal o feguinte 
volume repartido em cinco livros com as 
plantas, e veilidos das Naçoens Orientaes 
primorofamente illuminadas, cujo titulo era 
o feguinte. Cafareo minime cedat labor amphi- 
theatro 

Ijlud prcB cunãis fama loquatur opus. 

Amphiteatro Oriental onde fe mofiraõ todos 
os Vice-Kejs, e Governadores que ouve na índia 
depois, que o braço Português a encorporou na Coroa 
de Efpanha, e todos feus fucceffos conpendiofamente 
epilogados, e hum vivo modelo, e natural retrato de 
todas as fortalezas fronteiras com feus deflriãos, e 
alturas: e todas as armadas, que os Kejs Portu- 
guet^es de gloriofa memoria a ella inviaraõ depois que 
o Almirante Vafco da Gama com os nojfos pri- 
meiros Argonautas {fa^endo-fe Antípodas de Ji 
mefmo) no anno de MCCCCXCVII. a def cobri- 
rão; e as monfiruofas viagens que fif^eraõ,e hum co- 
mo Mappa de todas as naçoens da Aurora com fuás 
peculiares divifas, diverfa variedade de cores, varia 
diverfidade de trajos, abominação de ritos, e befliali- 
dade de coflumes, recolhidos em compendio, e final- 
mente todas as plantas mais notáveis, e medecinaes 
com fuás hieroglyphicas figuras, propriedades, e 
virtudes, que a natural filofophia refuf citou defen- 
terrando-as do fepulchro do efquecimento ; e muitas 
delias examinadas com rigorofa experiência em 
prefença do Vice-Rej Mathias de Albuquerque 



por ordem da Mageflade Catholica delKey D. Fi- 
lippe o I. de Portugal de efclarecida memoria, 
Conferva-fe efte Livro na Bibliotheca d'ElRey 
NoíTo Senhor, e delia faz mençaõ a Bibltoth. 
Orient. de António de Leaõ novamente 
acrecentada Tom. i. pag. 542. v.o. 

AMARO TELLES NAHUT. Veja-fe 
P. MANOEL TAVARES da Congregação 
do Oratório. 

AMATO LUSITANO chamado antiga- 
mente Joaõ Rodriguez de Caílello branco, 
cujo apellido tomou deíla iníigne Villa da 
Diecefe da Guarda, onde naceo. Ainda con- 
tava poucos annos, quando em Salamanca fe 
applicou a eíhidar Medicina, e como era 
dotado de hum engenho prefpicaz, e grande 
comprehenfaõ, de tal forte fe adiantou a todos 
os feus condifcipulos, entre os quaes era o 
celebre André de Laguna, que naõ excedendo 
a idade de dezoito annos foy julgado por 
capaz de exercitar a arte de Cirurgião em os 
dous Hofpitaes daquella Cidade, donde vol- 
tando à pátria exercitou com geral aclamação 
o officio de Medico. Movido do dezejo de 
dilatar a fama do feu nome em as naçoens 
eftranhas, ou receofo de fer punido pela culpa 
de Judaifmo com que eílava inficionado, fe 
auzentou de Portugal, e difcorrendo pelas 
mais famofas Cidades de Flandes, e Itália,, 
em algumas fez aíTiftencia, como foraõ Anve- 
res, Roma, Ferrara, Veneza, e Ancona, onde 
pelo methodo felizmente exercitado em bene- 
ficio dos enfermos conciliou a amizade, e 
eftimaçaõ de Varoens infignes, fendo os prin- 
cipaes Luiz Vives, Joaõ Baptiíla Canano, que 
efcreveo de Mufculis, e António Mufa Braza- 
volo infigne Medico em Ferrara, onde foy 
MeJftre publico de Medicina, e Diogo de 
Mendoça Embaxador de Caftella, em Ve- 
neza. Sendo convidado com largo eílipendio 
pelo Senado de Ragufa, e com mayores 
conveniências por ElRey de Polónia naõ 
aceitou taõ opulentas ofFertas. Em Ancona 
como folTe accufado por defertor da verda- 
deira Religião deixando todas as alfayas do 
feu uzo, fugio ocultamente para a Cidade 
de Pefaro onde efperava viver feguramente 
protegido com a authoridade do Duque 



I 



JI 



L USITAN A. 



129 



Ue Urhino Guido Ubaldino, porem vcndo-fc 

fruílriulo da fua efperança fc refugiou em The- 

i.ilonica Cidaile de Macedónia íogeita ao Im- 

iperio Ottomano, em cuja Synagoga, abjurada 

a Fé clc Chriílí), profcíTou publicamente o Ju- 

daifmo onde quaíi de fcírcnia annos infeliz- 

icntc morrco de pcíle em 21. de Janeiro 

Ic- 1 568. a cuja memoria lhe fez Flávio Jacobo 

I borcnfe feu comtcmporaneo o feguinte epi- 

ilto. 

>/// /ofies JutjentetN animam fiflebat in agro 

Cor por e, iMhais aiit revocabat aquis. 
( ,ratiis oh id populis, ZP' magnis regihtis aque, 
Hic jactt; bane moriens prejftt Ama tus hu- 
mtim. 
\ iifilana domas: Macedsim telhtre Jepidchrn 
Qiiam prociã à pátrio condi titr iile Joio \ 
\t ciim Jtimma dies, faíalis €>• appetit hora 
Ad Jljga, <Ò' ad Manes undiq prona via ejl. 
D. Fr. Thomc de Faria nas fuás Décadas, 
c Vicente da Cofta no Difcurfo contra a perfídia 
herética foi. 64. \P. efcrcvem que Amato fora 
em Conílantinopla Phyfico mòr do Graõ 
Turco, cuja noticia como naõ he relatada por 
cfcritor eftranho, naò me atrevo a affirmalla 
por certa; fendo infallivel, que fe Amato naõ 
feguira os delírios da Synagoga, feria nume- 
pÁo entre os mayores profeíTores da arte 
Ikíedica, como o numeraò Jufto in Chronol. 
Med. Petr. Caílellan. in Vit. llltiftr. Medic. 
pag. 245. Zacut. Lufit. in Hijl. Princip. Med. 
lib. 2. hift. 85. quícíl. 46. Joan. Ant. Vander 
Linden in Script. Med. Georg. Abraham. Mer- 
cklin. in l^ind. Renov. Taxand. in Cathal. Ciar. 
m/p. Script. Draudius Biblioth. in Claf. Med. 
Partolocci Bib. Rabin. Part. i. pag. 368. n. 268. 
Nicol. Ant. in Bib. Hifp. tom. i. pag. 50. 
Joan. Klefekerus in Biblioth. Erudit. Pracoc. 
pag. 5. Wolfio in Bib. Hebrac. pag. 200. & 
pag. 1015. lhe chzmz fcriptis inclifus. Bafnag. 
HiJl. es Juifs tom. 5 . cap. 34. un des plus habiles 
^»mmes de Jon feecle Joan. Soar. de Brito in 
Theatr. 'Lufit. Litterat. let. A. n. 29. Medicus 
fmt infignis, <& in morbis prajertim depelèdis 
maxime Jortimatus, e Franc. de Sant. Mar. 
Amo Hifior. e Diar. Portug. pag. loi. Morery 
Diccion. Hifloriqne letr. A. Compoz. 

Index Diofcoridis, five hiftoriaks Campi, 
txagemataqiie fimplicium, atque eorumdem colla- 
Hones ctim iis, qua in Officinis habenttir, ne dum 



Medias, et Myropoliorum Seplafiariis, fed hona- 
rum artiitm fiiidiofijjwiis perqnam nectffarium opus. 
Antuerpíx apud Víduam Martini Gefarís 
1)56. in foi. Efta obra foy publicada com o 
nome de Joaò Rodriguez de Caílellobranco, 
as feguintes com o de Amato. Neíle livro 
explica os nomes de todos os fimples em varias 
linguas, como faò Portugueza» GUlelhana, 
Germânica, I'ranceza, e Italiana, fazendo 
juifo em cada capitulo das taes plantas, e 
Hmples. 

In Diofcoridis Anav^arhai de Medica matéria 
librum quinque ennarrationes eruditijfíma. Ve- 
netiis apud Gualterum Scotum 155). 4. & 
ibi apud Jordanum Zilettum 1577. 4. Argen- 
torati apud Wendelinum Rihelium 1554. 
et 156). 4. Lugduni apud Víduam Baltha- 
zaris Arnolettí 1558. 8. et apud Mathxum 
Bonhome 1558. 8. cum annotationihus Koherti 
Conftantini, et fimplicium piãuris ex Fufchio, et 
Dalechampio. 

Curationum medicinalium centúria feptem va- 
ria, multiplicique rerum cognitione referta quihus 
pramiffa efi commentatio de introitu mediei ad 
agro t ant em, de crifi, (& diebus decretoriis. Sahíraõ 
todas juntas Burdígalae apud Gílbertum Ver- 
noy 1620. 4. Geneva; apud Jacobum Petrum 
Chovet. 1621. 4. Barcinone 1628. foi. Fran- 
cof. 1646. foi. Venetiis fumptíbus Francifcí 
Stortí. 1654. 12. Pariíiís 161 7. 3. Tom. 

Deílas Centúrias fahiraõ feparadamente a 
I . com o tratado de introitu Mediei (&c. Flo- 
rentiae apud Torrentinum. 1551. 8. e a 2. na 
qual fe defcreve mais largamente o methodo 
como deve fer preparado o páo da China 
para fe beber. Venetiis apud Valgriíium. 
1552. Deíla obra faz mençaõ o novo Addi- 
cionador da Bib. Occid. de António de Leaõ. 
Tom. 2. col, 889. Eílas duas Centúrias fahiraõ 
também feparadamente Lugduni apud Rovi- 
lium. 1680. 12. et Pariiiis apud Francifcum 
Bartholam. 1554. 12. A Centúria 3. e 4. Lugd. 
apud Rovilium. 1580. 12. et Lugd. apud Joan. 
Franc. de Gabiano. 1556. 12. As primeiras 
quatro Centvirias Baíilese. 1556. 8. A Cen- 
túria 5. e 6. na ultima das quaes fe con- 
tem colloquium de curandis capitis vulnerihus. 
Venetiis. 1566. et Lugduni apud Rovilium. 
1580. 8. 

A 7. Centúria, a qual como efcreve Júlio 



M 



i3o 



BIB LIO THECA 



Bartolocci foy acabada em Theflalonica no 
anno do mundo 5319. e no de Chrifto 1559. 
foy primeiramente impreíTa Venetiis apud 
Valgriíium. 1566. depois Lugduni apud Ro- 
vilium. 1570. 12. 

Perdeo quando fugio de Ancona como elle 
mefmo relata na Dedicatória da Centúria ultima 
Curation. 12. 29. e 79. 

Commentaria in Quartum Fen. lib. i. Avi- 
ceruB. 

Aos quaes fervia de prefação o texto do 
mefmo Avicena fielmente tradufido por Jacobo 
Mantino, e naõ fomente reviílo por Amato, 
mas vertido por elle em Latim mais puro. 

Traduzio na lingua Caftelhana, e dedicou 
a Jacobo Naffinio Judeo, como efcreve Nicol. 
Ant. in Bib. Hifp. 

La Hijioria de EMfropio. 

Fr. AMBRÓSIO DOS ANJOS ReHgiofo 
Eremita de Santo Agoílinho, e celebre ope- 
rário Evangélico no Reyno de Gorgiftaõ 
habitado de innumeravel multidão de fcif- 
maticos, para cuja reducçaõ por fer muito 
erudito na lingua Perfiana, e Turquefca, foy 
mandado pelo Arcebifpo de Goa, efcreveo 
o fucceíTo defta expedição em huma. 

Carta ejcrita de Gorgiftaõ em 29. de Junho 
de 1628. ao Vigário 'Provincial dos Eremitas 
de Santo Agoftinho Sahio impreíía na Breve 
Kelac. das Chrijlandades, que os Keligiofos de 
Santo A.goJiinho tem à fua conta nas partes do 
Oriente Lisboa por António Alvares. 1630. 8. 
desde folhas 57. até 77. 

Carta em que relata a Mijfaõ, que os Reli- 
gio/os Agojiinhos fi^eraõ no anno de 16 16. em o 
Rejno de Gorgijlaõ. M. S. foi. guardafe na Bib. 
delRey Catholico, como refere a Bib. Orient. 
de António de Leon novamente acrecentada 
tom. I. tit. 4. col. 82. 

Breve Relação do martyrio da Rainha Ga- 
tivanda executado em 25. de Setembro de 1624. 
M. S. Confervafe na Livraria do Convento 
de N. Senhora da Graça de Lifboa, da qual 
grande parte eftá impreíTa na Relação das 
Chriftandades, de que aíTima fe fez men- 
ção. 

Ainda que o Xá Abbas Rey da Perfia 
mandou matar a efla Rainha, por naõ que- 
rer abraçar a ley de Mafoma, como naõ 



coníla evidentemente, que abjuraíTe o fcif- 
ma, que profeíTava, poílo que deo grandes 
íinaes de obediência à Igreja Romana, naõ 
fe pôde verdadeiramente chamar martyr por 
Chrifto. 

Fr. AMBRÓSIO BAPTISTA filho da 
preclariíTima Ordem Premõftratenfe, nume- 
rado entre os Authores Portuguezes pelo dili- 
gentiíTimo inveíligador das noticias perten- 
centes a efte Reyno, Jorge Cardofo, a cuja 
afleveraçaõ naõ repugna o filencio de Ni- 
colao António na Bib. Hifp. Tom. i. 
p. 50. acerca da fua pátria, e fomente de- 
clarando a obra feguinte, que compoz cm 
Caftelhano. 

Difcurfo delas miferias dela vida y calami- 
dades dela Religion Catholica. Madrid en la 
Officina Real. 1635. 4. 

AMBRÓSIO CARDOSO DE ABREU. 

Natural da Villa de Callello Branco, no Bif- 
pado da Guarda, filho do Licêciado Leo- 
nardo Nunez Cardofo, e de fua mulher Ifabel 
Francofa de Siqueira. Foy Doutor nos Sa- 
grados Cânones pela Univerfidade de Coim- 
bra, Protonotario Apoílolico, Prior da Paro- 
chial Igreja de Santo André, da fua pátria. 
Cónego eleito de Ley ria, cuja infigne doutrina, 
fevero juifo, e piedade Catholica teílemunhou 
em huma elegante carta a elle efcrita em Lisboa 
a 15. de Mayo de 1622. inferta na obra, de 
que logo fe fará memoria, o IlluílriíTmio Vi- 
cente Landinello Bifpo Albenganenfe, e Col- 
leitor com poderes de Núncio Apoílolico 
neítes Reynos, onde lhe exalta o heróico zelo, 
com que acerrimamente defendia a immu- 
nidade Ecclefiaítica. Por deligencia de feu 
Irmaõ Fr. Agoílinho Cardofo Religiofo Tri- 
nitario, e Meílre em Theologia, e Procurador 
Geral da fua Ordem em Roma, fahio. 

Allegatio júris pro interdigo Ecclejiajlico, 
cui Juppojita fuerat Ulyjftpo cum additamentis 
pro tributis perfonis Ecclejiajiicis non imponen- 
dis. Romãs apud Jacobum Mafcardum 1623. 
4. grande, et UlyíTipone 1627. 4. 

Eíla obra agradou tanto à Santidade de 
Paulo V. a cujo nome fora dedicada, que 
mandou guardar hum exemplar na Biblio- 
theca do Vaticano, onde exiíle n. 5919. como 



LUSITANA. 



i3i 



:iffirma Montfaucon in Bib. BibJiotbecar. Aí. 
V. mva Tom. i. pag. 141. col. i. c cx- 
prcllar ao Author a cílimaçau, que delle 
iizera por feu fobrinho o Cardial Burgheíi 
(oiHccIcndolhc para eterno teftemunho da 
l)( ii> v(jlcncia cõ que a aceitara, a graça perpe- 
iii.i ^c hum altar privilegiado na Parochia de 
mu ) Aiidrc-, da qual era Prior. Naõ foy menor 
.i cninia(;a(>, c|uc fez da fua peíToa o Gurdial 
Branclino louvaiulolhc cm huma carta, que lhe 
cfcrcvco, as luas r.ramks letras, e eíludos em- 
pregados cm ubícquio da Igreja. Q>mpoz mais. 
Kt:(pens feitas na cauja da impofi^aò dos w- 
tibos. Madrid 1620. 4. 

Fr. AMBRÓSIO DA CONCEIÇAM. 
Nacco no lugar de Villarinho fituado no 
termo da Villa de Efgucira do Bifpado de 
Coimbra, onde teve por Pays a Joaõ Rodri- 
gues Graçaõ, e a Pafchoa Luiz Pacheco. 
Kccebco o habito Seráfico da reformada Pro- 
víncia de Santo António no Convento da 
Caílanheira, e profeíTou folemnemente a 8. de 
Dezembro de 171 2. Por diverfas vezes foy 
eleito Guardião, cujo miniílerio dezempenhou 
com grande fatisfaçaõ dos feus fubditos, 
naõ fendo menor o credito, que tem alcan- 
I fado o feu talento no exercido do Púlpito, 
de que deo por primícias ao publico. 

Sermão em acçaõ de Graças a Noffa Senhora 
ios Poderes pela exaltação do Senhor D. Jo^^é ao 
Trono da Sé de Braga Lisboa por Miguel Rodri- 
gues ImpreíTor do Emmínent. Card. Patriar- 
cha 1739. 4. 

Fr. AMBRÓSIO DE JESUS. Naceo 
na Cidade de Coimbra fendo filho de António 
da Sylva Soares Secretario da Univeríidade 
da fua pátria. O nome que fe lhe impoz no 
Bautifmo, foy certo prognoílico da fuavi- 
dade do génio, innocencia da vida, e pro- 
fundidade de talento, com que a graça, e 
a natureza abundantemente o dotáraõ, de 
cujos íingulares dotes foy theatro a Seráfica 
Província de Portugal profeíTando o feu fa- 
grado, e auftero iníUtuto, onde depois de fer 
Guardião do Convento de Lisboa, naõ fo- 
mente foy elevado a Provincial a 27. de Junho 
de 1 610. fendo huma das mais notáveis acçoens 
do feu governo a trafladaçaõ, que fez no 



Convento de Alaoquer das veneráveis relí- 
quias do Santo Fr. Zacharias feu Fundador, 
mas exercitar em o anno de 161 5. o lugar de 
Cominario geral nefte Reyno, e Tuas Conquíílas. 
Chegando á noticia de Felippe II. de Portu- 
gal a £una das fuás letras, de que dera illuAres 
argumentos no Capitulo Geral celebrado em 
Roma no anno de 161 2. o nomeou Bifpo 
de Saõ Thomé, de cuja dignidade humilde- 
mente fe efcufou, e para que fe naõ imagi- 
naíTe, que eíla repulfa era caufada pelo temor 
do mar, ou amor da pátria, fe embarcou para 
a Ilha da Madeira, e no Convento de S. Ber- 
nardino livre, e defembaraçado de governos 
gaílava todo o tempo na contemplação da 
eternidade. Paífados alguns annos voltou 
para o Convento de Lisboa, onde exerci- 
tando com grande exacçaõ as virtudes, que 
prafticara por toda a vida, paíTou à eterna 
em o anno de 1627. Fazem memoria das fuás 
acçoens Fr. Fernand. da Soledad. Hiftor. 
Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. liv. 2. cap. 29. 
n. 456. e Fr. Joan. à Sanéto António in Bib. 
Francifc. Tom. i. pag. 58. Publicou os Ser- 
moens feguintes. 

Sermão pregado no Capitulo geral dedicado a D. 
Femaõ Martins Mafcarenhas Bifpo do Algarve, e In- 
quifídor Geral lAsho2i por Pedro Crasbeeck 1608. 
4. e em Roma antes da impreííaõ de Lisboa. 

Sermão feito no Auto da Fé de Coimbra no 
Domingo do Jui^o em 28. de Novembro de 1621. 
Lisboa por Pedro Crasbeek. 1621. 4. 

AMBRÓSIO MACílADO DE ABREU 
Vejafe D. JOZE BARBOSA. 

D. AMBRÓSIO DE MELLO, a quem 
D. Gabriel Pennoto in Hiflor. T ripar t. Ord. 
Can. Keg. Ub. 2. cap. 61. por engano lhe chama 
D. Anfelmo. Naceo em Lisboa, e recebeo o 
habito de Cónego Regular de S. Agoftinho no 
Real Convento de Santa Cruz de Coimbra. 
Foy taõ douto no Direito Canónico, como 
obfervante da difciplina regular, merecendo 
por eílas partes fer eleito no Capitulo cele- 
brado no anno de 1554. Vicereytor do Colle- 
gio de S. Agoitínho, que nefte tempo eHava 
entre os Clauílros do Convento de Santa 
Cruz. Pelo devoto affeâo, que tinha a Saõ 
Theotonio, fe fez digno de que lhe revelafle 



l32 



B IB LIO THE CA 



o dia da fua morte, que foy a 24. de Julho 
de 1557. Compoz 

Conftituiçoens da Congregação de Santa Crui^ 
de Coimbra depois da reformação de/Rey D. Joaõ 
o III. apontando pellas margens todos os lu- 
gares, e textos de Direito Canónico, como diz 
D. Nicol. de Santa Maria na Chron. dos Coneg. 
Keg. Part. 2. liv. 10. cap. 12. n. 10. Compoz 
mais obrigado do preceito dos Prelados. 

Conftituiçoens para o Collegio de Santo AgoJ- 
tinho. 

AMBRÓSIO NUNES natural de Lisboa, 
filho de Leonardo Nunes Phyfico mór. Fi- 
dalgo da Cafa Real, Cavalleiro profeíTo da 
Ordem de Chriílo, que recebeo a 19. de Fe- 
vereiro de 1546. e de D. Leonor Coronel 
Irmaõ de Fr. Gregório Nunes Coronel infigne 
Theologo, e Secretario das Controveríias, 
que houve entre os Dominicos, e Jefuitas 
fobre a matéria de Auxiliis no de 1602. de 
quem em feu lugar fe fará diftinta memoria. 
Foy Cavalleiro da Ordem militar de Chriílo, 
cujo engenho fendo na idade juvenil conhecido 
por ElRey D. Joaõ o IIL o mandou eíludar 
Medicina à Univerfidade de Coimbra, e o 
fuftentou com largo eftipendio, até que recebeo 
a borla Doutoral neíla faculdade, onde leo a 
Cadeira de Vacaçoens no anno de 1535. 
Quando efperava a Univeríidade colher mayor 
fruto da fua profunda fciencia fe retirou para 
Salamanca, onde primeiramente chegou a fa- 
ma do feu nome, que a fua PeíToa, e logo foy 
provido em huma Cadeira de Medicina, da 
qual foy fubindo pelo efpaço de vinte, e féis 
annos até à de Prima com igual credito do feu 
talento, como univerfal acclamaçaõ dos feus 
ouvintes. A nunca interrupta continuação 
defte litterario exercício o fez contrahir algu- 
mas moleílias, que fe faziaõ mais graves pelo 
numero dos annos, por cuja caufa deixou as 
Cadeiras, e importunado dos rogos dos mora- 
dores de Madrid, Sevilha, e outras terras 
circumvizinhas, fe occupou em curar os enfer- 
mos com taõ feliz fucceíTo, que naõ havia 
doença por mais perigofa, e inveterada, que 
foíle, que naõ cedeíTe à efficacia dos feus remé- 
dios. Dezejozo de limar, e imprimir as Dou- 
trinas, que tinha diftado, fe refolveo voltar 
para a pátria, onde foy nomeado por ElRey 



Medico da fua Camará, e Cirurgião mór, em 
cujos miniílerios obrou taes curas, que pare- 
ciaõ fuperiores às forças da natureza. Morreo 
em Lisboa a 1 1 . de Abril de 1 6 1 1 . com outenta, 
e cinco annos de idade. lintre os mais infignes 
profeíTores da Medicina he louvado por Joaõ 
António VanderLindem in Script. Medic. 
Jorge Abrah. Mercklin. in Lind. Renovai. 
Draudius in Bibliothec. ClaJJic. Nicol. Ant. in 
Hifpan. Tom. i. pag. 54. D. Franc. Manoel 
na Cart. dos Autor. Portug. que he a i. da 4. 
Centúria das fuás cartas. Franc. de Santa Ma- 
ria Ann. Hijior. e Diário Portug. pag. 462. 
Zacut. lib. 3. Hiji. 24. Quseft. 35. et in 
Prax. Medic. lib. 3. Obferv. 117. chamando- 
Ihe doãijfimum. Garcia Lopes in Comment. 
Var. Rei Med. Left. cap. 26. Veneran- 
dus, et omni laude quidem dignus D. Doãor 
Ambrofms Nonius, quem audio jam ad vejper- 
tina kãionis Medicina múnus eveãum ejje, ad 
quod meritijfimum pramium, licet jure óptimo 
omnium bonorum Juffragiis vocatus effet, plurimum 
ipfe latatus fum quod plurimum illum amave- 
rim propter innumeras ejus animi dotes, pracla- 
ras etiam virtutes, quibus non folum meritó a 
me colendus, (& ampleãendus effe debuit, qui- 
bus non adjungerem etiam incredibilem, et ra- 
ram in litterarum Jiudiis eruditionem ob quam 
pluris, quam alii à me faciendus ejl. Com- 
poz. 

Tratado repartido em cinco partes princi- 
pales, que declaran el mal, que Jignifica efie nom- 
bre Pefte, con todas Jus caujas, j fenales, prognof- 
ticos, y indicativos dei mal con la prejervacion, 
y cura, que en general, y en particular fe deve 
ha^er. Coimbra por Diogo Gomes de Lou- 
reiro 1601. 4. e Madrid 1648. 4. 

Ennarrationes in priores três libros Apho- 
rifmorum Hypocratis cum paraphrafi ad commen- 
tar. Galeni. Conimbricae apud Didacum 
Gomes Loureiro 1603. foi. No privilegio 
Real, que eílá impreíTo neíla obra, fe 
concedia licença para imprimir os Commen- 
tos aos fete livros dos Aforifmos, donde 
fe colhe que os quatro livros que fe naõ 
imprimirão, eftavaõ promptos para fahirem 
à luz publica. Também tinha prompto, 
como affirma na Prefação do Tratado da 
Pefte. 

Antidotarium. 



r I 



LUSITANA. 



i33 



É cm outra parte prometia hum Tratado. 
^. Dt Ptilfibiis. 

\\ AMBRÓSIO PIRUS Jefuita. Partio 
(Ic Lisboa com o Padre Luiz da Graá em 8. 
(Ic Mayo de ij jj. c a 15. de Junho do mcfmo 
Kino chegou á Bahia, donde foy mandado 
pclio apoÃolico efpirito do Padre Manoel da 
Nóbrega iníignc MiíTionario da America á 
«ultura clpiritual do Porto íeguro. Nefta 
inha fe empregou com incrivel trabalho 
pacificando ânimos difcordes, e reduzindo 
conçoens obílinados. De tudo quanto tinha 
obrado neíla MiíTaõ fez huma 

Carta ao Padre Geral efcrita da Bahia em 
1 5 . </f Jimbo de 1555. a qual fahio com outras 
na lingua Italiana. Vcnctia por Miguel Tra- 
mczino 1559. 8' 

DcUc falia muito brevemente o Padre 
Simaõ de Vafconcellos Chron. da Comp. de 
jefus no EJiado do Brafil liv. i. n. 134. e 140. 



ij^ P. ANASTASIO DUARTE. Naceo em 
I^Kísboa, e teve por Pays a Luiz Duarte, e 
^■Francifca do Efpirito Santo. Entrou na Con- 
I^BMaçaõ do Oratório de S. Filippe Neri 
■Tafua pátria ao i. de Novembro de 171 6. 

Com o fupofto nome de Álvaro Sabino do 

iXpirito Santo publicou. 

Novena da Senhora da Oliveira. Lisboa 

por António Pedrozo Galraõ 1721. 16. 
Vida de S. Francifco de Sales 4. M. S. que 
III brevemente fahirá a luz. 

P. ANASTASIO GOMES filho de Ma- 
thias Gonçalvez, e Natália Gomez feme- 
Ihante ao precedente aíTim na pátria, que 
lhe deo a natureza, como no inílituto de 
Congregado, que devotamente abraçou na 
Congregação da Villa de Eftremoz a 14. de 
Fevereiro de 171 3. Depois de acabar os Eíhi- 
dos efcholaíUcos em que deu claros argumentos 
da viveza do feu engenho, naõ foraõ infe- 
riores os da piedade, e ternura do feu coração 
em a obra, que imprimio com o aíFeótado 
nome do Padre Simaõ Góes da Santa, cujo 
titulo he o feguinte. 

Monte de Mjrrha . ou amarguras do Calvário 
ponderadas em nove principaes tormentos dos que pa- 
deceo JESUS Chrijio Crucificado Lisboa 1738. 12. 



Ff. ANASTASIO DE LINHARES 
cujo appclído tomou da Vilia, onde na- 
ceo fituada na Província da Beira. Rcce- 
beo o Habito Monacal no Convento de 
Aguiar da Congregação Cífterdenfe. Flo- 
receo pelos annos de 1400. Foy muito douto 
na liçaò da Efcritura, como o teílcmunha 
a obra, que íe conferva Aí. S. no Real 
Convento de Alcobaça, cujo titulo he o fe- 
guinte. 

íixpofitio moralis in Jex alas Seraphim 
l/aia. 

ANDRÉ DE ALBUQUERQUE RIBA- 
FRIA, Alcayde mòr de Cintra, e Commen- 
dador de Saõ Mamede de Sortes na Ordem 
de Chrifto naceo na Villa de Cintra a 21. de 
Mayo de 1621. fendo feus illuftres Pays 
Gafpar de Albuquerque, e D. Angela de No- 
ronha filha de D. Pedro Lobo, e D. Brites 
da Sylveira. Foy VaraÒ de extraordinários dotes 
do corpo, e do efpirito, galhardo na prejença, 
fuave na converfaçaõ, affavel no trato, difcreto 
Jem malicia, valente Jem ruido, virtuojo fem in- 
venção, de religiofa obfervancia nas leys milita- 
res, de profunda inteireza na jujliça, de fingular 
confiancia no bem, e no mal, fas^ia-fe amar, 
Ja^ia-Je temer; mas nem para grangear a ajeiçaõ 
unhava de afagos, nem para Jegurar o temor fe 
valia dos cafligos. Dif punha com fuavidaãe, obrava 
fem efirondo, executava com acerto. Foj nelle o 
valor mais naturet^a, que qualidade, fendo fem- 
pre taÕ Senhor do animo nos majores perigos, 
que parecia infenfibilidade, o que era confiancia. 
Teve o ferviço do feu R^ por vida, e por re- 
galo, e em de^^anove annos contínuos fó duas vev^es 
o vio a Corte hofpede. Foy Soldado, foy Capitão, 
foy Mejlre de Campo, foy General da artilharia. 
General da Cavallaria, e Mejlre de Campo Ge- 
neral, fendo fempre taõ fubdito, como Cabo; 
ninguém foube melhor obedecer, ninguém foube 
melhor mandar. A eíle elegante Elogio, que 
lhe confagrou a difcreta pena do Doutor 
António Barbofa Bacelar, pelo qual fe co- 
nhece claramente o carafter da fua PeíToa, 
correfponde outro naõ inferior na elegância, 
que lhe dedicou à fua memoria o Padre Ma- 
noel Luiz in Vit. Princip. Theodojii lib. 2. 
cap. II. n. 130. Andreas A.lbuquercius Cintret 
areis prafeãtis militari virtute, çif peritiá in paucir 



i34 



BIBLIO THEC A 



<;larus: is à prima pojl regiam acclamatio- 
nem die ad arma conclamatum eji ex pulvere 
Vlyjfiponenji Htterario ad helHcum raptim pro- 
Jiliens ea Elviis jecit glorio/a militics fundamenta, 
qucB nemo ad id tempiis aut plurihus auxií incre- 
mentis, aut illujlribus rerum praclare gejiarum 
monumentis ad fummum bellica gloria apicem 
/iltiits evexit. Idem manu promptus, conjilio vali- 
dus, animo non minas tranquillo, quam audaci, 
planeque generofo in oppidorum, <& arcium expugna- 
tione nulli Jecundus in aciem procedere inter pofire- 
mos, <Ò' pralio excedere. Ita denique in omnibus 
Jlrenue fe gerere, ut frequentibus de illo encomiis 
iMJitanaJape Aula {quodaulicis rarum) perfonaret. 
Sendo efte infigne Heróe taõ grande na vida, 
o naõ foy menor em a morte infauftamente 
fuccedida em 14. de Janeiro de 1659. cujo dia 
fera igualmente gloriofo, e lamentável nos 
faftos de Portugal. A o tempo, que furiofa- 
mente na Campanha de Elvas fe eftava com- 
batendo o exercito Portuguez com o Cafte- 
Ihano fuperior àquelle naõ fomente em o nu- 
mero, mas ainda na fttuaçaõ, advertio como 
vigilante General que hum Regimento come- 
çava a retroceder, e para que fe naõ deixaíle 
poíluir de huma paixaõ taõ indecorofa à fua 
Teputaçaõ fe meteo intrepidamente pelo meyo 
■delle, quando querendo a fortuna vender a 
Portugal por taõ cuftofo preço a vitoria, ou 
fendo chegado o tempo de fe remunerarem 
os feus heróicos merecimentos com huma 
coroa immortal, foy atraveíTado pelo peito 
com huma bala, ficando por algum efpaço 
immovel aquelle generofo efpirito naõ que- 
rendo feparar-fe do corpo, até que naõ viííe 
completamente alcançada a vitoria, a cuja 
memorável acçaõ lhe cantou os epinicios a 
Mufa elegante do Padre Jerónimo Petrucci 
Meftre de Rhetorica no Collegio Romano 
neíle agudo epigrama. 
L,ujiadum hinc acies, illinc Mavortis Iberi 

Agmina contukrant Janguinoknta manus. 
Anceps pugna diu prior Alhuquerqus Iberos, 

Valladis armatos fulmine fudit equos. 
Illius adfulmen viãoria plena fecuta efl: 

Hofles prcBcipitem corripuére fugam. 
Infequitur prófugos Machabaus ut alter: <& hoflem 

Dum premit, opreffo viãor ab hofie cadit. 
Nec priUs ille cadit, quam Numine plena ca- 
dentis 



Ora triumphales infonuére modos. 
Vicimus, et cadimus. Fugientem vidimus hof- 

tem 
Nos cadimus, cadimus quam benel Pátria 

flat. 
"Libera morte mea, mea Lufitania vives 
Morte mea vivis, pátria: non morior. 

Os elogios que à immortal fama deftc. 
Marte Portuguez dedicarão vários engenhos, 
fe podem ler em o feu Panegyriíla Joaõ de 
Medeiros Corrêa, que delles fez huma colleçaõ, 
a qual fahio impreífa em Lisboa por Domin- 
gos Carneiro 1661. 4. Semelhantes louvores 
efcreveraõ em obfequio da fua memoria 
o Conde da Ericeira D. LuÍ2 de Menezes 
Portug. Kefiaur. Part. 2. liv. 4. pag. 213. o 
Senhor de Cochon Truel, alias Duarte Ribeiro 
de Macedo, nas Advert. às Addicoens ao Padre 
Marian. pag. 195. Varon de altas prendas 
que caminava a igualar-fe con los majores Heroes, 
que celebra la Fama heróica, j que hit^o a los Portu- 
gueses cojlofo el vencimiento. Franc. de Santa 
Mar. Ann. Hiflor. Diar. Portug. pag. 76. Será 
immortal nos Annaes Portugueses a gloria do 
feu nome. Franc. Brandan. Ifior. delia Guer. de 
Portugal. Part. 2. pag. 216. O P. D. Ant. Caeta- 
no de Souf. Hifi. Gen. da Caf. Real de Portug. 
Tom. I. pag. 250. Hum dos mais valerofos, e 
f cientes Generaes do feu tempo. Certamente fora 
igual a Cefar André de Albuquerque, fe como 
elle efcrevera as fuás heróicas façanhas das 
quaes publicou a menor parte mandando ao 
SereniíTimo Rey D. Joaõ o IV. 

Relação hiflorica da viãoria alcançada entre 
Arronches, e Affumar em %. de Novembro 
de 1653. Lisboa na Officina Crasbeekiana 
1653 4. 

D. ANDRÉ DE ALMADA natural de 
Lisboa, ou do lugar do Pombalinho fituado 
entre Condeixa, e o Pombal. Foy filho de 
D. Antaõ Soares de Almada fegundo deJle 
nome, e D. Vicencia de Caftro. A natureza 
o ornou de génio feílival, e urbano ; de engenho 
agudo, e perfpicaz; de juizo profundo, e dif- 
creto, de animo generofo, e capaz de emprezas 
grandes. Admiráveis foraõ os progreíTos, 
que fez a fua grande comprehenfaõ nas letras 
humanas, Filofofia, Geografia, e Mathema- 
tica, fendo ainda mayores os que manifeítou 



L USITANA. 



i35 



O. feu talento na faculdade dfl Theologia, na 
qpl com applauTo de todos os Académicos 
Qmimbriceaíes recebeo as infignias doutotaes 
i^dbindo por uniforme voto de todos no anno 
de x6o8. a ler a Cadeira de Gabriel, donde 
|Éflbu em 1615. à de Efcoto, e ultimamente 
em 1615. à de Vefpera, na qual duas vezes 
jubiluu; a primeira no anno de 1628. e a z. no 

Iafuio de 1641. naõ chegando à de Prima por 
it nefte tempo proprietária delia a Ordem 
íê Pregadores. Era taõ venerada a fua fcien- 
^ que nunca teve oppofítor ás Cadeiras, 
que rcgcntou, por naõ haver quem ncílcs com- 
bates litterarios lhe dirputaííe a vitoria, fendo 
taõ prompto para arguir, como para refponder 
às mayores dificuldades. Foy perpetuo De- 
cano da Univcrfidadc, a qual governou com 
poderes de Reformador dcfde o anno de 
1638. até 1640. A mayor parte da fua vida 
M iuibitou no Real Collegio de S. Paulo, de que 
' Toy Porcionifta deixandolhe em final de affedlo, 
ii;radecido a taõ erudita Sociedade, a fua copio- 

IAí, e feleâa Livraria. Entre os infignes Cathe- 
■taticos, que ornavaõ a Univcrfidadc, foy 
"Beyto para efcrever ao Summo Paílor fupli- 
indo-Ihe em nome de taõ illuftre Academia 
a definição do immaculado Myfterio da Con- 
ceição da Senhora. Reformou juntamente 
com D. Álvaro da Cofta, que foy Reytor da 
Univcrfidadc o Collegio de S. Pedro. Mere- 
ceo as eílimaçoens dos Príncipes, e dos mayores 
Letrados daquella idade, fendo entre elles o 
principal o Doutor Eximio o Padre Francifco 
Suares Granatenfe, antigamente feu Meílre, 
, I e depois companheiro no magiílerio da Uni- 

1^ verfidade. A fama da fua fabedoria era taõ 
I grande, que fahindo dos limites do Reyno, 
fe dilatou por toda a Europa dedicandofe-lhe 
ao feu nome em Flandes vários Mappas. 
Cheyo de annos, e muito mais de merecimen- 
, tos, morreo no Real Collegio de S. Paulo de 
1 Coimbra a 29. de Novembro de 1642. a cujo 
nome ainda faudofa, e reverente a mocidade 
cftudiofa da Univerfidade o intitula o Senhor 
D. André de Almada, como elegantemente 
cfcreveo o lUuílrifiimo Bifpo do Porto D. Fer- 
nando Corrêa de Lacerda na H//?. da Vida de 
Santa I:(abel Kajnha de Portugal, pag. 357. 
D. André de Almada L^nte de Vejpera de Theo- 
loffa na Univerfidade, bem conhecido em EMropa 



por fuás excellenies virtudes, eminentes letras, e 
fin^lar di/criçaõ, a quem o efiuMofo ref peito ainda 
nomea por Senhor em veneração do feu mereci- 
mento. Dcllc fazem honorifica mençaõ Jozé 
Maííeo in vi ta Magfti Soarij Granai, cap. 2). 
Seraphin. de Freitas in addit. ad Traã. de Con- 
fef. Sollicit. ad Quacft. 17. n. 15. Ob doãrirut 
eminentiam vir ad maiora natus. Fr. Fraoc à 
D. Aug. Maced. in 2. Sent. di/Ter. 5. collat. 9. 
Se£l. 4. §. 2. illuflrijftmus pariter et doãijjimus. 
Franc. Valafc. de Gouvea Allegac. pelo Duque 
de Aveiro n. 5j6. cujas letras, e eminência pela 
qualidade delias, e de feu illufire fangue fdõ conhe- 
cidas em toda a lluropa. D. Rodrigo da Cunha 
de Confeffar. Sollic. quxft. 4. n. 10. Quem illufire 
genus, Theologia fpeculatio illufirem fecit. c na 
Hifi. Ecclef. de Brag. Part. 2. cap. 106. cha- 
mando-lhe Credito de toda Efpanha. E no Catai, 
dos Bifp. do Porto 2. Part. cap. 42. Loç da Theo- 
logia. Joan. Suar. de Brito in Theatr. Ljdfit, 
Litter. Lit. A. n. 32. Vir fplendore natalium, ef 
doãrina claritate infignis fiatura fuit fupra medio- 
crem hahitudinem media, oculis cafiis, ore pleno,, 
rotundoque, colore cândido. D. Nicol. de Santa 
Mar. Cron. dos Coneg. Keg. Part. 2. fiv. 10. 
cap. 29. n. 23. Grande Mefire. Miguel Pinta 
de Soufa: Mufa in Theodofium lib. 2. pag. 95. v.®. 
Andréas quem Palladio Conimhrica dorfo 
Doãorem eximium veneratur. 
Fr. Leaõ de Santo Thom. Bened. hufit. 
Tom. 2. Trat. 2. part. ult. pag. 439. Pejfoa 
muito illufire, e digna de celebre memoria nefias 
Efcolas. Jacob. Philip. Thomas. Annal Can. 
fecul pag. 175 Doãor celeberrimus. Fr. Fernand. 
da Soledad. Hifi. Seraf. da Prov. de Portug. 
Part. 5. liv. 4. cap. 33. n. 11 64. Famofo. e na 
Part. 4. liv. 3. c. 13. n. 552. Coluna da Theologia, 
e meu Irmaõ D. Jozé Barbofa Chron. de 
Sereniflima Cafa de Bragança, e Académico 
Real nas Memorias hifioric. do Colleg. Real de 
S. Paul. p, 265. e no Archiathan. Lufit, 

pag. 77- 

Arte etiam quandoque facrá miracula florent, 
Unum erit egregius totó, c5>* mirandus in Orbe 
Andraas Almada vetus cognomen habebit. 
Cõfpiciet Cathedras Academia doãa regètê, 
Audebit que viro nemo fe opponere tanto. 
Qua loca íerrarum Cali fpeculatur et afira 
Andraam reddet celebrata fcienfia nofum: 
Credere non dubites, dicet gens Bélgica, àicet. 



t36 



BIB LIO THE CA 



Integritas Almada Pefri Venerabile coget 
Conventum mores tterum Jervare vetuftos. 
Ergo cum vita fuerit defunãus, amatiim 
Ditabit ccetum lihrorum copia, Jumptu 
^QueBJita eximio, magnoque parata labore. 
Compo2. 

De Incarnatione . Deíle tratado eílavaõ já 
impreíTas 450. paginas in foi. do qual vimos 
hum exemplar, que fe conferva na grande 
Bibliotheca do ExcellentiíTimo Conde da Eri- 
ceira, e outro fe guarda no Collegio de Coim- 
bra dos Religiofos Trinos. Naõ fe acabou 
a impreíTaõ deíle livro por fe acabar a vida ao 
feu Author, de cuja obra faz diílinéla memo- 
ria a Magna Bibliothec. Ecclejiajl. pag. 337. col. 2. 

De Triplici Scientia anima Chriji. M. S. 
in foi. 

ANDRÉ AFFONSO PEYXOTO natu- 
ral da Villa de Guimaraens, na Provincia de 
Entre Douro, e Minho filho de Gregório 
Rebello, e Ifabel Peixoto, e herdeiro igual- 
mente da riqueza da fua Cafa, como da antigua 
nobreza da fua geração. Todo o feu difvelo 
naõ foy augmentar as rendas, que poífuia, 
mas examinar os mais occultos monumentos 
■das antiguidades Portuguezas. Para efte fim 
naõ perdoou a género algum de trabalho, 
ou difpendio, pois ou aíTiílindo em cafa, ou 
peregrinando pelo Reyno, fe applicou na invef- 
tigaçaõ das infcripçoens gravadas nos bronzes, 
ou aberta nos mármores, e no exame dos Car- 
tórios das Igrejas, e Archivos dos Conventos 
reduzindo tudo quanto defcobria a fua in- 
canfavel inveítigaçaõ, que era conducente ao 
intento do feu eíludo, a diverfos livros, que 
por fua própria maõ efcrevia. Deíle litterario 
trabalho naceo o illuílrar muitas Famílias 
deíle Reyno, que tinhaõ fido principiadas 
por D. Pedro Conde de Barcellos, ajuntando 
outras de que fez vários volumes, que eílavaõ 
promptos para a impreííaõ. Algumas deftas 
obras fe confervaõ nos Archivos do Convento 
de Pombeiro de Monges de S. Bento, e do 
Convento da Serra junto da Cidade do Porto, 
que he de Cónegos Regulares de Santo Agof- 
tinho. Compoz mais. 

Memorias hijloricas, e Antiguidades de Gui- 
maraens. Cuja obra louva muito D. Nicol. de 
Santa Maria Chron. dos Coneg. Kegtil. Hv. 5. 



cap. 10, n. 6. chamando ao feu Author Grande 
Antiquário. Morreo na fua pátria a 15. de 
Abril de 1642. e eílà fepultado na Igreja dos 
Francifcanos junto à Capella dedicada às 
Chagas de Chriílo. 

ANDRÉ ALVARES DE ALMADA. 
Naceo em a Cidade de Saõ-Tiago em Cabo 
Verde, onde foy morador, e Capitão. Impel- 
lido da curiofidade penetrou com alguns 
foldados o Continente da fua pátria, e grande 
parte do Reyno de Angola, obfervando com 
deligente inveíligaçaõ a fituaçaõ das terras, 
os ritos, e coílumes dos feus habitadores. 
De todas eílas obfervaçoens alcançadas pelo 
feu difvelo fez huma exafta defcripçaõ, que 
no anno de 1594. dedicou aos Governadores 
do Reyno, a qual mandarão foíTe examinada 
por D. Fr. Pedro Brandão Bifpo de Cabo- 
verde como teílemunha ocular do que nella 
fe relatava, o qual teílemunhou por huma 
carta fer digniífima da luz pubUca, que 
até agora naõ logrou, e delia conferva 
huma copia, que parece fer original, entre 
os livros da fua feleéla livraria da Hiíloria 
deíle Reyno, e fuás Conquiílas, meu Irmaõ 
D, Jozé Barboza, Clérigo Regular Chroniíla 
da Sereniffima Cafa de Bragança com efte 
titulo. 

Tratado breve dos Rejnos de Guiné, e 
Cabo Verde: M. S. 4. Começa Qtnti efcrever 
algumas coufas do Rejno de Guiné, e Cabo 
verde. Acaba Dou fim a efte Tratado por- 
que fe naõ pode dit^er tudo. Coníla de 10. Ca- 
pítulos. 

Eíla obra fahio modernamente impreíTa 
totalmente diverfa do eftilo, e ordem, que 
lhe deu feu author, e até o Patronímico de 
Alvares lhe converteo o Author defta mudança 
em Gonçalves com eíle titulo. 

KelaçaÕ, e Defcripçaõ de Guine na qual fe 
trata das Varias Naçoens de Negros que a povoaõ, 
dos feus Coftumes, leys, ritos, Ceremonias, Guer- 
ras, Armas, Trajos, da qualidade dos portos, e do 
comercio, que delles fe fat^. Lisboa na Officina 
de Miguel Rodriguez 1733 4. 

Da obra, e do Author delia André Alvares 
de Almada faz memoria o moderno addicio- 
nador da Bib. Geograf. de Anton. de Leaõ 
Tom. 3. col. 171 6. 



L USITAN A. 



ANDRÉ ANTÓNIO DE CASTRO na- 
tural de Villaviçofa, igualmente por herança, 
que cíludo infignc Medico por fer filho de 
Diogo de Caílro, c neto de Andrc de Caílro 
Lente de Vefpera na Univerfídade de Coim- 
bra, e ambos Phyfícos mores dos SereniíTimos 
Duques de Bragança. Seguindo os vcíligios 
tic leu Pay, e Avô, foy admitido na idade juve- 
nil por criado dos mefmos Duques no anno 
de 1586. e ainda que repugnava o fcu gcnio 
cíludar Medicina fe applicou a cila por iníi- 
nuaçaò do Duque D. Theodofio II. na qual 
lahio taõ eminente, que por toda a vida a 
exercitou ncfta grande Gafa, fendo taõ cftimado 
pela fua fciencia Medica, que o SereniíTimo 
Duque D. Joaõ, que depois foy elevado ao 
trono de Portugal, naõ fomente o fez fcu 
Phyíko mór, mas lhe dco a Alcaidaria mór da 
Villa de Ourem, e a Commenda de Monte 
Alegre na Ordem de Chrifto. A cftc Príncipe 
já aclamado acompanhou até Lisboa, onde 
livrando da morte a muitas peíToas pela efficacia 
dos feus medicamentos, naõ pode evitar que 
foflc defpojo da fua crueldade no anno de 
1642. ErnditiftMo he chamado por Zacuto 
in Hijl. Príncip. Medic. lib. 4. Hift. 25. quaeft. 26. 
Joan. Soar. de Brit. in Tbeatr. l^ufit. L,iter. lit. 
A. n. 34. in facultate Medica perdoãus. D, Fran- 
cifc. Manoel na Carta dos Authores Portug. 
Francifco de Moraes Sardinha Parnaffo de Vil- 
Javiçofa liv. 2.cap.54.e 60. Das obras, que com- 
poz fazem mençaõ com grandes louvores Joan. 
Ant. Vanderlind, Georg. Abrah. Mercklin in 
Und. Renova/, e Nicol. Anton. in Bib. Hif- 
pan. Tom. i. pag. 5 5. as quaes faõ as feguintes. 

De Jehrium curatione lib. 3. 
De fimplicium medicamentoru facultate lib. z. 
De qualitatibus alimentorum , qucB humani corpo- 
ris nutri tioni funt apta Traã. 10. Villa vi- 
çofae typis Emmanuelis Carvalho. 1636. foi. 
No fim da prefação deite ultimo volume affir- 
ma ter promptos, e acabados três Tratados 
de varias matérias de Medicina, que a morte 
impedio naõ lograíTem da luz publica. 

ANDRÉ DO AVELLAR Naceo em Lis- 
boa no anno de 1546. iníigne Mathematico, 
e celebre profeflbr deíla grande faculdade 
na Univeríidade de Coimbra, onde leo huma 
Cadeira, de que tomou poíle em 4. de Janeiro 



.37 

de 1592. quando tinha 34. annos de idade» 
e nella jubilou em 28. de Setembro de 161 2. 
Foy Guarda do Cartono da Univerfídade, e 
Meftre em Artes. Depois de fer viuvo fe orde- 
nou de Presbytero, e foy Tercenario na Cathe- 
dral de Coimbra. Vivia pelos annos de 1621. 
e 1622. lie louvado por Nicol. Ant. in l^b. 
m/p. Tom. I. pag. 5). António Pimenta na 
Sciographia pag. 62. e joaõ Soar. de Brito in 
Tbeatr. ÍJéfit. ÍJí. Ict. A. n. 35. chamando-lhe 
Mathematicaruf» difciplinarum projtffor efftffus, 
Compoz. 

Repertório dos tempos o mais copio/o, que a/è 
ajipra fahio à lu^ conforme a nova reformarão do 
Santo Padre Gregório XIII. no anno de IJ82. 
Lisboa por Manoel de Lyra. 1)85. 4. mais 
acrecentado Coimb. por Joaõ Barreira Imprcf- 
for da Univeríidade 1)90. 4. e Lisboa por 
Jorge Rodriguez 1602. 4. 

Da Effera, e feu u:(p. Coimbra por Joaõ de 
Barreira 1593. 8. De ambas eílas obras faz 
mençaõ o novo addicionador da Bib. Nau- 
tic. de António Leaõ Tom. 2. tit. i. coL 
1050. 

Arvore Genealógica da Serenijfima Gafa de 
Bragança. Naõ fey fe fe imprimio. 

ANDRÉ BAYAM Naceo de Pays Por- 
tuguezes na Cidade de Goa Cabeça do Império 
Lufitano na Afia, onde inílruido na lingua 
latina, Filofofia, e mais artes liberaes dezejofo 
de adquirir novos thezouros de fabedoria 
paíTou a Coimbra, em cuja famofa Univerfi- 
dade eftudando a Sagrada Theologia recebeo 
nella o gráo de Bacharel. Naõ fatisfeito o 
feu animo com as fciencias, que já podia en- 
finar, ainda anhelava aprender outras, e levado 
defte appetite, e juntamente da pobreza, em 
que vivia, paíTou a Roma, onde foy venerado 
por hum dos grandes Gramáticos daquella 
idade, e como tal eleito pelos Regentes 
do Seminário dos Órfãos para os inflxuir 
com os preceitos grãmaticaes aífinandolhe em 
remuneração defte trabalho largo partido. 
Exercitou efte minifterio com tanto fruto 
dos feus difcipulos, que mereceo occupar 
mayores Cadeiras fendo Meftre de Rhetorica 
no Collegio dos Gregos, em cuja lingua 
fe fez muito perito. A fua fciencia, que 
fe fazia mais eftimavel pela innocencia dos 



i38 



BIB LIO THE CA 



coíhimes, lhe conciliou a amÍ2ade do Emi- 
nentiíTimo Cardial Francifco Joyofa Bifpo 
Sabinenfe, o qual lhe pedio com toda a 
efficacia foíTe Regente do Seminário Man- 
lianenfe, e depois do de Veletri, cuja iníi- 
nuaçaõ recebeo como preceito por naõ fer 
ingrato ao aíFeâo deíle Príncipe. Para que 
com mayor focego fe applicafle à cultura das 
virtudes, e das fciencias, voltou para Roma, 
e recolhido na Cafa de S. Pantaleaõ dos Pa- 
dres Clérigos Regulares das Obras Pias paf- 
fou o reílante da fua vida com grande exemplo 
de toda aquella Religiofa Communidade, a 
qual deixou por herdeira de todas as fuás 
eruditas compoíiçoens ordenando no Teíla- 
mento, que foíTe fepultado no feu Templo, 
e que na pedra fepulchral lhe gravaíTem efte 
Epitáfio por elle compoílo no qual fe acrecen- 
tou o dia, mez, e anno da fua morte. 
D. O. M. 
AndrcBas Bayanus 
Sacerdos l^ufitanus Orientalis 
Hic jitus, unde nafus. 
Vixit annos 73. 
Obiit 2. Junij ann. Domini. 1639. 
Tetrallichon. 
Quám bene novit humo compaãa hac memhra 

reverti 
Faãus homo in paucam quà jacet author hu- 

mum. 
Non títulis nomen vita Jihi crejcere funão 
Optavit: fatis ejl: hic Jitus, unde fatus. 
Mereceo efte iníigne varaõ pela integri- 
dade da vida, fciencia naõ vulgar da lingua 
Latina, e Grega, facilidade fumma ainda extem- 
poraneamente em compor verfos de todo o 
género, as eftimaçoens das PeíToas mais prin- 
cipaes, e eruditas de Roma diftinguindo-fe 
entre elles os Cardiaes Joyofa, e Borromeo, 
o qual efcrevendo-lhe de Milaõ no i. de Agofto 
de 161 2. lhe agradece a Poefia, que compufera 
em louvor de S. Carlos credito immortal da 
fua illuítre Familia dizendolhe deíla forte. 
Magis ne deheam ingenii acumen, an pietatem 
mirari in tua S. Caroli Cardiographia incertus 
harerem, niji alterum ex altero Jequi, é^ pietatem 
ejfe prajiantijfimarum rerum parentem, (ò' altri- 
cem cognitum mihi ejjet penitus, <& exploratum, 
<ò'c. André Victorello no Cathalog. dos Varoens 
injignes, que viverão em Roma no anno de 1623. 



Bayanus in adolefcentia Theologicos degujlavit liquo- 
res multis annis, majora Jludia coluit. Soluta, et 
vinãa oratione multa Jcripfit; Horatianas Odes, 
et quadam Ovidii opufcula cultis carminihus ad 
pietatem revocavit; Virgilium gracis, Epicum 
poema I^ujitanum latinis verjihus exprejjit. Mar- 
rac. in Bib. Marian. Part. i. pag. 79. Gracis 
non jejune, neque latinis vulgariter eruditus; qui 
etiam non objcuri nominis orator, et Poeta, 
ut ejus pradicant, (& tefiantur opera . . . 
multa pietate, et eruditione fpeãabilis. Janus Ni- 
cius Erithraeus in Pinacothec. Imag. vir. illujir. 
Part. I. pag. 144. poílo que com a fua 
natural maledicência manchafle a pureza do 
nome de André Bayaõ, com tudo o numera 
entre os Varoens mais illuftres na fcien- 
cia. Verum quidquid dici de Bajani virtutibus 
poteji hâc una laude, qua magna ejl, conclu- 
demus, et perorabimus, nimirum ita Mujis eum 
ufum fuijje amicis, ut admirabili animi motu, 
celeritateque ingenii magnum numerum verjuum 
de quacumque revellet, effunderet. Joaõ Bau- 
tifta Lauro Epiji. Cent. i. Epift. 56. Fr. 
Lud. Jacob à D. Carol. Bib. Pontif. pag. 
249. Nicol. Anton. Bib. Hifp. tom. i. 
pag. 55. Allatius in Apib. Urbanis pag. 32. 
Baillet. Jugem. des Scavans. tom. 5. pag. mihi 
141. Lorens. CraíTo de Poeti Grec. pag. 
34. Joaõ Soar. de Brito in Theatr. Lu- 
jit. Eitter. let. A. n. 36. o P. António 
dos Reys no Enthuf. Poetic. impreíTo no 
principio dos feus agudiíTimos Epigrammas 
n. 106. 

Bayane fedes Juccinãus, et ipfe 
Fronde triumphalis lauri, quam Koma canèti 
Doãa tibi meritis pro tantis reddidit. Urbe 
Applaudente Goa; qua Te fub Euminis auras 
Edidit, auãurum quondam Collegia vatum. 
Catalogo das Obras impreíTas. 

Idyllium Seminarii Manlianenjis in Sabinis 
nomine diãum; Écloga interlocutoribus Batto, 
(& Philereno, qua Cardinali Epifcopo Sabinenji 
Francifco joyofa gratulatur Komam é Galliis 
adventum. Koma apud Jacobum Mafcardum 
1592. 4. 

Oratio habita in ereãione Seminarii Veletrenjis 
ibid. apud. eumd. Tjrpog. 161 2. 

Oratio in celebritate S. joannis Evangelijia 
habita coram Santijjimo Paulo V. in Sacello 
Pontifício. Romse apud Mafcardum. 1610. 4. 



L USITAN A. 



Domina Cbrijliana brevis a Koberío Bellar- 
mino S. R, E. Cardinali vulgari fermone compo- 
fita, nmc ah Andrea Baiano Afiatico Lufitano 
in e/rj>os latinos íradiUta. Ronruc apud MaTcar- 
dum i6x2. in X2. EÍU traducçaõ he louvada 
por André Vi£lorcllo in Oj^cio Curati, c por 
BaiUet Jugem. des Scavans Tom. j. pag. 141. 

Potma ad Paulum V. Pontif. Maximum. 
Ira Acroílicho no principio, meyo, e fim, 
com tal artifício, que eílavaõ entre os verfos 
entretecidos eíles três. 

Crefctri cum neqmas titulis Sanííijfime Prajul 
Annorum crejcas numeris, et Sacula vivas; 
Vivas attmum, tandem viHurus Olympo. 

Poema ad Scipionem Cardinalem Burghe- 
fium. Ncllc fe contem com acroílichos o 
nome, appcllido, c dignidade do mcfmo 
Cardial, no fim, e principio de cada verfo. 
Kíles dous Poemas fahiraõ impreíTos Roma 
por Mafcardo 1610. in foi. os quacs tanto 
eílimava o eruditiíTimo Fr. Angelo Rocca 
Bifpo de Tagafte, e Sancrifta do Papa, que 
os marginou da fua própria maõ, c os con- 
fcrvava entre as obras de mayor artificio, 
como affirma Leaõ Allatio in Apib. Urban. 
pag. 34. 

Poema in obitum SereniJJima Margaritha 
Hifpaniarum Ke^na no qual por acroílicho 
os primeiros, e últimos charaéleres formavaõ 
eftas palavras Margarita mortem cum vita, 
re^um calejle cum terreno commutavit. Sahio 
impreíTo no livro intitulado Poefias diverfas 
compueftas en diferentes lenguas enlas honras que 
hi!(p en Koma la Nacion E/panola a la Magejiad 
CathoHca dela Keyna D. Margarita de Aufiria. 
Roma por Jacobo Mafcardo 161 2. 4. 

Cardio^aphia Poema fabricado em forma 
de coração feito em louvor de S, Carlos tref- 
ladado a Roma. Coníla de Exametros, e 
Pentametros miíhirados, e tecidos com 12. 
Acroílichos, que pelos meyos, e extremos 
formavaõ eílas palavras. Cor mundum creavit in 
Carolo Deus, et Spiritum re£ium innovavit in 
vifceribus ejus. Romx apud Jacobum Laurum 
1624. 4. 

Panegyricus in laudem Joannis Zamofcii ma- 
gni Polónia Cancellarii, et copiarum Imperato- 
ris perpetui ejus Filio Thoma Zamofcio dica- 
tum. Romae apud Bartholomseum Zanettum. 
1617. 4. 



i39 

EJogium in Coronatiom Urbani VJII. Ro- 
mx apud hxredes Zanned 1625. Oq>oif 
fahio nas Collêãatuas de Agoílinho Barbofa. 

PamgyrUus 5. Pbilippi Ntni. Romx apud 
Rinaldum Paulum. 1629. 4. Foy recitado na 
Bafilica de Civitá Vechia, o qual mereceo a 
admiração de todos os eruditos pois com 
artificio novo eíU compofto Tem verbo 
algum. 

Epiflola ad Joannem Baptiflam luiurum He 
a J7. na Centúria das Hpiftolas deíle Author, 
que fahiraõ Peruíiac typis auguíUs 161 8. 

De Natalibus Homeri. Tradu2Ío em latim 
mais de mil verfos Elegíacos, que em Grego 
tinha compoílo a eíle aíTumpto Leaõ Allatio. 
Lugduni apud Laurentium Durand 1640. 8. 

Epigrammata in laudem D. Caroli Bomh 
meei. Sahiraõ na collecçaõ, que fez de outros 
Epigramas Patrício Fattorio. Romae s^ud 
Jacobum Laurum 16 14. 

Epigrammata duo in Columnam, et Sacel- 
lum Paulinum. Eílaõ impreíTos in Pontif. 
Romano B:(pvii cap." 50. 

Elogia, Epigrammata, et Emblemata. Ro- 
mae apud Francifcum Caballum 1641. 8. 

Elogia, et Epigrammata in Dominicas totius 
Anni in 8. Naõ tem anno, nem nome do Im- 
preííor, mas pelo caraóler parece fer impreíTo 
em Itália. Deíle livro confervo hum exemplar 
em meu poder, no qual a cada Dominga 
tem hum Elogio da parte efquerda impreíTo, 
e de fronte hum Epigrama. 

Elogia, Epi^ammata, et Emblemata in Fe- 
rias Quadragefimales, ejufque Dominicas. Sahio 
impreíTo por deligencia dos Padres das Ef- 
colas Pias. 

Cathalogo das obras naõ impreíTas. 
Eufiados libri decem. 
Principiava. 
Siquá ego jaãabam Zephyris; quá furda move- 

bam 
Eittora, quá Sjlvas patriis dare queflubus auras 
Ingenio, fludioque v aléns: nunc quanta latino 
Ore queam repetes lon^qui ardentia Martis 
Arma, virofque cano Eufos, qui folis ab oris 
Occidíds per inaccejfas maris omnibus undas 
Trapobanem venere fuper difcrimina rerum 
Plufquám homines ag^ejfi in Eoo littore 

reffium 
Nobile perpetuis auãum pofuère triumphis. 



140 



BIB LIO THE CA 



Neíla traducçaõ (cujo original fe conferva 
na Biblíotheca Romana n. 25. no Archivo dos 
M. S. da Bazilica de S. Pedro, como diz Mont- 
faucon in Bib. Bibiiothec. M. S. nova Tom. i. 
pag. 179.) trabalhou muitos annos para repre- 
fentar vivamente as expreíToens do Poeta, e 
fe naõ diminuiíTe a energia, com que fallára 
na lingua materna com a verfaõ latina. Para 
fahir à luz publica com eíla obra o incitarão 
com cartas os IlluílriíTimos Arcebifpos de 
Braga, e Lisboa efcrevendo-lhe o primeiro 
em 21. de Janeiro de 1628. e o 2. em 17. de 
Mayo de 1607. efperando que delia refultaria 
igual credito ao Author, como à Naçaõ Portu- 
gueza. Deíla traducçaõ faz illuílre memoria 
Manoel de Faria, e Soufa na Vida de Camoens 
impreíTa no principio dos Commentos das L.u- 
Jiadas dizendo El doãor Andres Bayam Corte- 
:(ano, honrado, y Sacerdote, que com grandes ven- 
tajas tiene pajfado ejie Poema a la elegância la- 
tina, e modernamente o Addicionador da 
Bib. Orient. de António de Leaõ Tom. 2. 
Tit. 2. col. 25. 

Tradução da Eneida de Virgilio em ver/os 
Gregos. Delia obra faz mençaõ Baillet lugemens 
des Scavans Tom. 5. pag. 141. Como delias 
duas feguintes. 

Iter L,auretanum lib. 3. ver/u elegíaco. 
Galatheum ver/u elegíaco cum notis, et anti- 
qua conjuetudine diz AUatio in Apib. Urban. 
pag. 36. 

In Aphtonium de Elementis RhetoriccB 
Ariftoteles Chrifiianus íive Eogica 
Vhyfica, et Metaphyjica per Dialoga 2. tom. 
De opificio epijlolari. 2. Tom. 
Orationes Eatince. 2. Tom. 

Elogia ver/u et profá 2. Tom. 
Epijiolarum i. Tom. 
Diverforum Voematum Tom. 2. 

Hortus Simplicium puerorum Martyrum, 
et Confejforum cum naniis, Elogiis, et hijlo- 
riolis. 

Theatrum Sanãorum per XII. menjes ita, 
et totidem per Jcenas dijpojitum, et expojitum. 
"Novum (diz Allatio já allegado) inventum cum 
iconibus, odis, et hijioriolis, qua omnia idem Author 
fcripjit, pinxit, et panxit. 

P. ANDRÉ DE BARROS. Naceo em 
Lisboa, e teve por Pays a Luiz Alvrez de 



Barros, e Izabel da Cruz. Antes de contar 
dezefeis annos de idade recebeo a Roupeta 
da Companhia de JESUS em o Noviciado 
de Lisboa a 5. de Outubro de 1691. Depois 
de eíludar Filofofia, e Theologia em o Col- 
legio de Coimbra, eníinou nelle as letras 
humanas, e no CoUegio de S. Antaõ de Lisboa. 
Sendo deílinado pelos Superiores a fer Lente 
de Theologia Moral em o Collegio de Faro, 
como tiveíTe grande talento para o Púlpito, 
deixou a Cadeira, e nas Cidades de Évora, e 
Lisboa exercitou com naõ pequeno applauzo 
o miniílerio de Orador Evangélico. Foy 
Reytor, e Meftre dos Noviços em a Cafa do 
Noviciado de Lisboa, e Prepozito da Cafa 
profeíTa de S. Roque, lugares que adminiílrou 
com igual prudência, que affabilidade. Entre 
os primeiros cincoenta Académicos da Acade- 
mia Real da Hiíloria Portugueza foy eleito 
para efcrever as Memorias Eccleíiafticas do 
Bifpado do Algarve, de cuja incumbência 
tem manifeílado na Academia a grande appli- 
caçaõ, com que felizmente defempenhará 
eíle aíTumpto nas contas feguintes. 

Conta dos feus Efiudos Académicos dada no 
Vaco a 7. de Setembro de 1723. Sahio no 
Tom. 3. da CollecçaÕ dos Documentos da Aca- 
demia Keal Lisboa por Pafchoal da Sylva 
1723. foi. 

Conta dos feus Efiudos Académicos na Aca- 
demia a 23. de Mayo de 1727. Sahio no 
Tom. 7. da Collec. dos Docum. da Academia 
Keal. Lisboa por Jozé Anton. da Sylva 

1727. foi. 
Conta dos Efiudos Académicos em o Paço 

a 22. de Outubro de i~iz~i. Nella defcreve 
as vidas dos Bifpos do Algarve. Sahio no 
Tom. 7. da Collec. dos Documentos aíTima alle- 
gado. 

Conta dos Efiudos na Academia a 28. de 
Mayo de 1728. Sahio no Tom. 8. da Collec. 
dos Docum. da Acad. Lisboa pelo dito Impref. 

1728. foi. 

Conta dos Efiudos na Academia a 19. de 
Janeiro de 1732. fahio no Tom. 11. da Collec. 
dos Docum. (&c. Lisboa pelo dito Impref. f l 
1732. foi. 

Pela fua deligencia publicou com huma 
noticia previa, e diverfas prefaçoens, que 
compoz. 



! 



L USITANA. 



141 



Vo!(^es faudofas da Eloquência, do ejpirito, e 
iminente fahedoria do V. Aníonio Vieyra da 
CoMptinhia de jliSVS Prigador de fiia Maj^eflade, 
i Príncipe dos Oradores Evanfflieos acompanhadas 
COM hntn fideliJfiMo licco, qne fonoramen/e rejulta 
do interior da obra Clavis Prophctarum. Lis- 
boa por Miguel Rodrigues ImpreíTor do Se- 
nhor Patriarcha. 17)6. 4. 

I^fl~ em Koma, hcco em Usboa na Canoni- 
^ijfíiõ de S. JoaÔ hranc. Regis da Sagrada Com- 
panhia de JHSUS, /o/emnidade com ijne o feftejon 
a Cúja profeffa da mefma Companhia. Lisboa 
na OHicina da Mufica, c Sagrada Religião 
de Malta. 1759. 4- 

Vida do P. António Vieyra da Companhia 
de JESVS Pregador de S. Mageftade Aí. .V. da 
<.|ual faz mençaò de brevemente fahir à luz 
cm a Noticia previa das Vo^fs Sandofas. 

I\ ANDRÉ BERNARDES AYRES Na- 
(tural de Belinde junto do lugar de Figueiró 
do Campo de Coimbra, filho de Pedro Ayres, 
< Maria Simaò. Inftruido na lingua latina, e 
letras humanas paíTou à Univerfidade de 
Coimbra aprender Direito Pontifício, e como 
para cfte género de eftudo tiveííe génio, e 
applicaíTe o mayor difvelo, fahio nefta facul- 
dade taõ eminente, que recebendo nella o 
gráo de Doutor foy admitido por Collegial 
do Collegio Pontifício de S. Pedro em 11. 
de Junho de 1666. Antes de entrar neíla 
erudita Sociedade era tanta a excellencia 

ÍL das fuás letras, que já occupava de propriedade 
f a Cadeira de Clementinas de que tomara poíTe 
cm 18. de Fevereiro de 1666. Deíla fubio à 
de Sexto em 23. de Janeiro de 1675. de De- 
creto em 5. de Dezembro do mefmo anno, 
e de Vefpera em 17. de Outubro de 1681. 
e ultimamente de Prima em 16. de Dezembro 
de 1684. onde jubilou em 1692. Foy Cónego 
Doutoral das Cathedraes de Lamego provido 
em 24. de Setembro de 1669. do Porto em 
20. de Fevereiro de 1671. e de Évora em 29. 
de May o de 1679. Deputado da Inquifíçaõ 
de Coimbra em 17. de Julho de 1671. Naõ 
aceitou os lugares honorifícos de Dezem- 
bargador do Paço, e Deputado do Confelho 
Geral do Santo Officio por fe naò auzentar 
de Coimbra, onde em idade muito provefta 
morreo a 11. de Abril de 1705. Jaz fepultado 



na Igreja do Collegio dos Capuchos de Santo 
António da Pedreira junto ao Altar defte 
Santo, a cujos Religiofos fez huma doaçaõ 
de cem mil reys in perpetuam para trigo cada 
anno, o qual legado fatisÊaz a Cafa da Miíeri- 
cordia de Coimbra. Entre as poítillas, que 
douta, e profundamente compoz, a mais 
celebre, e digna da luz publica por confífTaõ 
dos mayores profcííores da jurifprudencia, 
foy a que começou a diélar no anno de 
1668. e a continuou até que jubilou, a 
qual hc. 

Ad Text. in Reguf. contrai. 8. de Reff/Ui 
Jtms. 

P. ANDRÉ CARDOSO natural de Coim- 
bra, c filho de André Cardofo, e Maria Bau- 
tiíla. Na juvenil idade de 14. annos fe aliílou 
na Companhia de JESUS em 4. de Outubro 
de 1644. e nella fez a folemnc profiflaõ dos 
quatro votos em 15. de Agofto de 1665. 
Defde a infância foy inclinado à Poefia, e de 
tal forte cultivou toda a vida efta divina 
Arte, que ainda na idade caduca compunha 
verfos latinos com incrível prefteza, c afflucn- 
cia. Por muitos annos exercitou o officio de 
Orador Evangélico; alguns enfínou Rheto- 
rica, e três Philofofia. A mayor parte da fua 
idade confumio no laboríofo miniílerío das 
Cadeiras de Theologia na Univerfidade de 
Évora onde foy Doutor, e Cancellario. Pro- 
vada a fua tolerância com huma grave infer- 
midade, e recebidos os Sacramentos com 
catholica ternura, morreo em Évora a 18. 
de Julho de 1696. Delle diz o P. António 
Franco in Annalib. S. J. in l^fit. pag. 400. 
Singulari vir ingenio prceclarus fuljit. O P. Fran- 
cifco da Fonfeca Ejvor. Gloríof. pag. 425. 
Foy dotado de vivijfimo engenho, e ornado de todas 
as /ciências. 

Dos feus elegantes poemas fomente fa- 
hio à luz no livro intitulado Fama pofthuma 
do V. P. Fr. António da Conceição, Trinitario 
impreflb em Lisboa por Heruique Valente 
de Oliveira. 1658. 4. o feguinte, que começa. 
Qtàs novus ajlrorum livor, qua forma beatis 
l^uminibus extinãa micat? <&c. 

Hum Epigrama em louvor da Chronica 
da Etiópia Alta compofta pelo P. Balthazar 
Telles. Coimbra por Manoel Diaz. 1660. foL 



142 



BIB LIO THEC A 



De todos os Sermoêns, que com grande 
applaufo pregou, unicamente fe fez publico 
o feguinte por ordem do IlluílriíTimo D. Fr. 
Domingos de Gufmaõ Arcebifpo de Évora. 

Sermão em acçaõ de Graças pelos Defpo:(prios 
da Serenijfima Princet(a de Portugal, e do Auguf- 
tijjimo D. Viãorio Amadeu Manoel Duque de 
Saboya, Príncipe do Piamonte em 8. de Outubro 
de 1679. Évora na Ofíicina da Academia 
1688.4. 

P. ANDRÉ DE CARVALHO pelo IníU- 
tuto filho da Companhia de Jefus, e pela 
natureza de Pedro Alvares de Carvalho, 
Senhor de Canas de Senhorim, e Capitão 
de Alcacere em Africa, e de D. Maria de Soufa 
filha de D. Martinho de Távora, Capitão de 
Alcácer Seguer, e Commendador de S. Pedro 
de Vai de Ladroens, e D. Ifabel Pereira de 
Sampayo, e Irmaõ de Álvaro de Carvalho 
Governador de Mazagaõ, que no anno de 
1562. defendeo heroicamente efta Praça da 
invazão, com que foy accometida pelo formi- 
dável Exercito de cento, e cincoenta mil bár- 
baros. Voltando defta Praça o P. André 
de Carvalho para o Reyno, foy cativo pelos 
Mouros, os quaes fechando os ouvidos às 
vozes com que lhe increpava a fua cegueira, o 
fizeraõ em vários pedaços fatisfazendo com eíla 
barbara, e tyrana acçaõ o ódio que conce- 
berão contra eíle Evangélico pregoeiro. Co- 
mo teílemunha ocular que tinha fido dos fuc- 
ceíTos do fitio de Mazagaõ efcreveo. 

Kelaçaõ do Cerco de Mav^agaõ M. S. Confer- 
vafe no Collegio de Coimbra dos Padres 
Jefuitas. 

Fr. ANDRÉ DE CERQUEIRA filho 
de Francifco Lopes, e Anna Pereira naceo 
em Coimbra, onde eíludou as primeiras letras, 
e paíTando a Lisboa, recebeo o habito Carme- 
litano a 8. de Mayo de 1679. Eíhidada Filo- 
fofia, e Theologia em que fahio grande Letra- 
do as enfinou em os Collegios de Coimbra, 
e Évora com grande fruto dos feus ouvintes. 
Neíta Univerfidade recebeo em 20. de Ja- 
neiro de 1704. o gráo de Doutor na faculdade 
Theologica, fendo neíle Litterario aâ:o feu 
Padrinho Jozé Pereira de Lacerda, entaõ 
Inquifidor da Inquifiçaõ de Évora, e depois 



Cardial da Igreja Romana. Foy votar no Ca- 
pitulo Geral, que fe celebrava em Roma no 
anno de 1704. e nelle com applaufo, e admi- 
ração de todos os Capitulares defendeo as 
Conclufoens, que conílavaõ deílas únicas 
palavras. In Univerfa Theologia tam naturali, 
quam Jupernaturali; Scholajlica, Pojitiva, Morali^ 
et Myjiica, quidquid Doãor Refolutus Joannes 
Bacconius Carmelitanus docuit, et fcripsit, bene 
Jcripsit, et docuit. Reftituido a Portugal foy 
eleito ConfeíTor das Religiofas do Convento 
de Lagos, donde fubio ao lugar de Provin- 
cial em 14. de Julho de 171 4. fendo Deputado 
da Junta das MiíToens. Morreo no Convento 
de Lisboa a 22. de Fevereiro de 171 8. Foy 
ornado de vaíla erudição em todo o género 
de fciencias, afiim fagradas, como profanas, 
pois naõ fomente tinha noticia dos Sagrados 
Cânones, mas era douto nas faculdades da 
Mathematica, e Medicina, e hum dos infignes 
Oradores Evangélicos do feu tempo, cujos 
Sermoêns para que naõ ficaíTem fepultados, 
os fez públicos a deligente actividade do P. 
Fr. Eftevaõ de Santo Angelo, Prior do Con- 
vento do Carmo de Lisboa, fahindo com hum 
tomo, cujo titulo he. 

Sermoêns vários. Lisboa por Miguel Ro- 
drigues. 1727. 4. Faz honorifica mençaõ do 
feu nome o P. D. Manoel Caetano de Soufa 
/;/ Exped. Hifpan. D. Jacob. Tom. 2. pag. 1303. 
e Fr. Manoel de Saã Mem. Hijl. dos Efcritores 
da Provinc. do Carm. de Portug. pag. 19. 

Fr. ANDRÉ DE CHRISTO natural da 
Villa de Santarém do Arcebifpado de Lisboa, 
chamado antes, que largaíle o feculo, André 
Froes de Macedo, foy filho de Duarte Lopes 
natural da Villa de Benavente, bom Poeta, 
e de Maria Froes de Macedo. Na infância 
começou de tal modo a inclinarfe à Poefia, 
que parece o embalarão no berço as Mufas 
fendo as fuás delicias em idade taõ tenra 
os livros poéticos aífim Latinos, como Por- 
tuguezes, e Caftelhanos, de cuja propenfaõ 
fe feguio com exemplo nunca vifto, e digno 
de todo o aílombro, que quando contava 
quatorze annos publicaíTe hum livro de verfos 
intitulado. 

Amores Divinos, e humanos. Lisboa por 
Pedro Crasbeeck. 1631. 12. cuja obra dedicou 






LUSITANA. 



143 






a D. Maria de Vafconcellos CondeíTa da Ca- 
lheta. Deixada a pátria paíTou a Caftella onde 
profcíTando o habito da Ordem Militar, e 
Rcligiofa de N. Senhora da Mercê depois de 
aprender as fciencias mayores as enfinou com 
igual aclamação aos domeíUcos, principal- 
mente Theologia Moral nos CoUegios de 
Ronda, e Cadiz, fendo depois Regente do 
Coilegio de Huelgas, de que eraõ padroeiros 
os Duques de Medina Sidónia. Como em 
o anno de 1660. fe acendcíTc furiofamcntc a 
guerra entre a Coroa Portugueza, e CaAclhana, 
alcançada faculdade dos feus Prelados voltou 
a efta Corte, onde era ouvido com applaufo 
nos Púlpitos, e Academias, principalmente 
cm a dos Generofos, na qual como Lente expli- 
cou a Poética de Ariftoteles com fubtiliíTimas 
rcflcxocns. Foy Mcftrc de Filofofia do Conde 
de CaftcUomelhor Luiz de Vafconcellos, 

Souza, Efcrivaõ da Puridade delRey D. 
Affonfo VI. e feu Primeiro Miniílro, e com o 
nome de taõ illuftrc difcipulo alcançou mayor 
applaufo a fua fabedoria. Dezejofo de acabar 
|a vida entre os feus Religiofos fe embarcou 
ara o Maranhão, onde paíTado pouco tempo 
'•querendo o Ceo fazello participante de taõ 
ardente dezejo efpirou entre os braços dos 
feus Mercenários no anno de 1689. D. Fran- 
cifco Manoel nas Obras Métricas. Viola de 
Thalia pag. 1 5 6. o louva pelo magiílerio, que 
exercitou na Academia dos Generofos, expli- 
cando a Poética de Ariftoteles. com eftas vozes. 

Ignorais de hum André tantas louvadas 

letras naõ fô profanas, mas /agradas. 
E pag. 158. 

Mejhe Jempre fera taÕ Jinalado 

Que apenas na Cadeira ejiá fentado 

Quando em lhe dando hum geito 

Já lhe falia Arijioteles no peito. 

Por fabias Catracrejis 

Por cultas Metalejis 

Números, Omijliquios, e Sit(uras 

Por dof^e tropos, e por mil figuras. 
E na Oraçaõ que recitou nefta mefma Aca- 
demia pag. 260. Aqui achareis as fempre caflas 
efmeraldas em cafla Poética de Ariftoteles, de 
cujos arcanos vay defenfranhando em fuás liçoens 
feus Mijierios noffo E.. "Lente o P. Mejire Fr. 
André de Chrifio. 

Além da Obra aíHma efcrita compoz. 



]mi(p Poitíco. 

Confta de 70 paginas, e fahio impreíTo 
no fim do Poema Virffnidos compoílo por 
Manoel Mendes de Barbuda, e Vafconcel- 
los. Lisboa por Diogo Soares de Bulhoens 
1667. 4. 

Muitas Poefías fuás fe podem ver na Fama 
poflhuma de Lope da Vigfl Carpio. na i. Part. 
da Academia dos Sinffélares de Lisboa. Not 
aplaufos da Vitoria do Ameixial. AmUerdaõ 
por Jacobo Vanvelfen 1675. 4. No livro do 
Rofario do Santijfimo Sacramento Author F. 
Francifco Falconio Lisboa 1662 e no Pane' 
girico da Vida, e acçoens do Excellentijfimo Mar- 
ques^ de Távora Luiz alvares de Távora dous 
Sonetos dedicados á memoria deíle Heróe 
Caftelhanos a pag. 87. e 88. Lisboa por Antó- 
nio Rodriguez 1672. 4. Tinha promptos para 
a impreííaõ quando partio para o Mara- 
nhão. 

Panegyricos de Vários Santos. Aí. S. 

Academia do Sacro Amor M. S. 
Delle faz mençaõ entre os Poetas Portuguezcs 
o P. António dos Reys Enth. Poético n. 117. 

ANDRÉ COELHO Capitão na índia 
Oriental pelos annos de 161 8. e 1619. Igual- 
mente fe moftrou intrépido contra os inimigos 
do Eftado, como zelofo da fua confervaçaõ 
efcrevendo. 

Advertências a Gafpar de Mello, e Samp<^o, 
e a FemaÕ de Albuquerque quadragejfimo quarto 
Governador da Índia acerca dos damnos, que fa^jaS 
nella os EJlrangeiros, e o remédio, que fe devia 
applicar para naõ continuarem, foi. M. S. 

Do author, e da obra faz mençaõ o mo- 
derno Addicionador da Bib. Orient. de António 
de Leaõ Tom. i. Tit. 16. col. 467. 

ANDRÉ CORDEYRO Cónego da Ca- 
thedral de Congo, Provifor, e Vigário Geral 
defta Diocefe aíTim pela fciencia, que profef- 
fava dos Sagrados Cânones, como pela inte- 
gridade dos feus cofl:umes. Efcreveo , e man- 
dou a efte Reyno. 

Kelaçaõ do alevantamento de D. Affonfo 
Irmaõ delRejf de Congo D. Álvaro fegundo; e 
outra da morte do mefmo Key, e eleyçaõ, que fe fe^ 
de D. Pedro Duque de Bamba o que tudo fucedeo 
em Janeiro de 1622. M. S. 



144 



BIB LIOTH E C A 



Eftas duas Relaçoens fe confervavaõ na 
Bibliotheca do infigne antiquário Manoel 
Severim de Faria Chantre de Évora. 

Fr. ANDRÉ DA COSTA natural de Lis- 
boa filho de Filippe da Cruz, e Catherina 
Corrêa, e Religiofo da Ordem da SantiíTima 
Trindade, cujo Habito recebeo no Convento 
pátrio a 3. de Agoílo de 1650. Foy taõ infigne 
em compor Mufica, como em tocar Arpa; 
cuja occupaçaõ exercitou na Capella Real dos 
SereniíTimos Monarcas D. AfFonfo VI. e D. 
Pedro II. com tanta eftimaçaõ deíles Príncipes, 
como enveja dos profeíTores daquella Arte. 
Quando eílava na idade mais robuíla o privou 
a morte repentinamente da vida a 6. de Julho 
de 1685. Pofto, que naõ imprimio obra alguma 
da fua armonica profiíTaõ, muitas fe confervaõ 
com grande eílimaçaõ na Bibliotheca Real da 
Mufica, e em outras partes, as quaes faõ. 

MiJJas de vários Coros. 

Confitebor Tibi a 12. vot(es 

l^audate pueri Dominum a 4. 

Beati omnes a 4. 

Completas a 8. vozes 

'Ladainha de N. Senhora a 8, vozes 

Kefponforios da 4. ^. e 6. feira da Semana 
Santa a 8. vozes. 

O Texto da Paixaõ da Dominga de Pal- 
mas, e de 6. feira major a 4. 

Yilhancicos da Conceição, Natal; e Kejs 
2L 4. 6. 8. e 12. vozes. 

ANDRÉ COTRIM contemporâneo do 
infigne profeíTor de letras humanas Jero- 
nymo Cardofo, o qual louva por fingular 
entre os cultores da Poefia Latina dedican- 
do-lhe a 27. das fuás Cartas, e a 22. das fuás 
Elegias, onde lhe exalta a affluencia poética, 
com que compuzera hum Poema em louvor 
da Fonte da Prata, que corre na Cidade de 
Évora, cujo aqueduâo fe affirma fer obra do 
grande Sertório, dizendo-lhe deíla forte. 
Única nunc operi Sertori gloria demum 

Surgit, quá major cr ef cere nulla potejl: 
Quandoquidem tanti meruit prcBconia vatis 

Quantum crede mihi, facula nulla dabunt. 
Viveo nos reynados delRey D. Manoel, e 
D. Joaõ o III. Das muitas obras poéticas, 
que fez, fomente exifte. 



Epicedium Serenijfimi Principis Eduardi Ke- 
gis Emmanuelis filii. 

D. ANDRÉ DA CRUZ natural da Villa 
de Alegrete na Província do Alentejo, filho 
de Pedro de Cáceres, e Anna Ribeira, e Cónego 
Regular da Congregação de Santa Cruz de 
Coimbra, naõ menos eílimavel pela obfer- 
vancia do feu inílituto, que pela erudição Sa- 
grada, e profana. Por efpaço de muitos annos. 
leo Theologia efpeculativa no CoUegio de 
Coimbra, e Moral no Real Convento de S. 
Vicente de Lisboa, onde era ouvido naõ fo- 
mente pelos domefticos, mas ainda pelos eftra- 
nhos, que concorriaõ atrahidos da fama da 
fua fabedoria. Foy eftimado pelo Illuftriírimo 
Arcebifpo de Lisboa D. Miguel de Caílro,. 
que affirmava fer o mayor Theologo Mora- 
liíla de Portugal, e tanto confiava da fua pru- 
dente capacidade, que o confultava nas ma- 
térias mais graves da fua conciencia elegendo-o 
feu Penitenciário, Efmoler, e Examinador 
Synodal, cujos lugares exercitou naõ fomente 
no tempo deíle Prelado, mas do feu fucceífor 
D. Affonfo Furtado de Mendonça. Quarenta 
annos gaílou na liçaõ dos Santos Padres, e 
Theologos fempre affiílido de faude robufta, 
atè que fendo contra fua vontade eleito Prior 
do Convento de Grijò começou a enfermar 
gravemente, de que refultou morrer em 20. 
de Julho de 1632. como elle tinha vaticinado. 
Delle faz memoria D. Nicol. de Santa Maria 
na Chron. dos Coneg. Kegrant. Part. 2. liv. 10. 
cap. 29. n. 19. onde affirma que efcrevera. 

Commentos aos lugares mais ef euros de Tertul- 
liano. 

D. Fr. ANDRÉ DIAS natural de Lis- 
boa, onde fe aggregou à Ordem dos Prega- 
dores para fer ornato de huma taõ douta 
Familia. Naõ foy fomente infigne Letrado, 
mas cordial devoto do Santiífimo Nome de 
JESUS, de cujo ardente afFeâo ainda fe con- 
ferva no Convento de Lisboa hum indelével 
teftemunho na illuílre Confraria deíle fuavif- 
fimo Nome, a qual foy pela fua pia deligencia 
novamente inílituida, ou amplificada infla- 
mando aos feus Confrades com exhortaçoens, 
e livros para a veneração profunda de taõ 
auguílo Nome. Paííou a Roma, onde fendo 



L USITAN A. 



«45 



llt 



conhecido pelas fuás letras, foy eílimado por 
todo o género de PcíToas, principalmente 
is mayores, diílinguindoíe entre todas aíTim 
Mil dignidade, como no aíTeâo o Summo 
Pallor, cjue o nomeou Penitenciário da Igreja 
Romana, e Bifpo titular de Megára antigua 
Gdade da Provinda da Achaya na Grécia 
fendo fagrado no anno de 14)2. Atrahido 
(io amor da pátria renunciou a dignidade 
Ivpifcopal, c chegando a Lisboa, o nomeou 
I IKcy D. Joaõ o I. G^mmendatario do Moí- 
iciK ) de S. Joaõ da Alpendorada. Delle fa2em 
illullre memoria Souía HiJI. dt S, Domingos 
da Prov. de Por/. Part. i. liv. 3. cap. 23. c 24. 
Fr. Pedro Monteiro Clauft, Dom. tom. 3. pag. 
142. o Padre D. Manoel Caet. de Souf. Cathal. 
Mift. dos Summ. Pontif. Card. e Bi/p. Portug. 
pag. 110. Joaõ Franco Barrct. na Bib. Portug. 
Aí. S. Compoz, como affirma Fr. Luiz de 
Soufa no lugar allegado. 

Uvro de Oraçoens, em profa, e ver/o vul- 
de Ljoíwores, e excellencias do Nome de 
JESUS. 

Methodo breve, e útil para fa^er bem a Con- 
fijfaõ. Lisboa por Germaõ Gallard 1529. 
8. No Prologo defte livro o impreíTor fez ao 
Author Benediítino, fendo Dominicano. Efta 
obra fe vé inferta entre as que compoz o 
Ven. Meílre Fr. Luiz de Granada. 

ANDRÉ DUARTE DE VASCONCEL- 
LOS Cavalleiro profeíTo da Ordem militar 
de S. Tiago. Naceo em Lisboa e recebeo a 
graça bautifmal na Parrochia de S. Pedro a 6. 
de Dezembro de 1620. Foy filho de Paulo 
Duarte da Sylva, e de Izabel Mendes de Vaf- 
concellos. Depois de fahir baftantemente 
inílruido na lingua Latina, levado do génio, 
que tinha para as armas, aíTentou praça de 
Soldado, em cuja efcola defempenhou as 
obrigaçoens do feu honrado nacimento, prin- 
cipalmente fendo Capitão de Infantaria na 
celebre Reílauraçaõ de Évora em o anno de 
1663. e quando governou em auzencia do 
Governador a Capitania de Angola, com o 
pofto de Meílre de Campo. Defpozou-fe 
a 7. de Julho de 1655. com D. Antónia de 
Andrade Gouvea, e Miranda de quem deixou 
larga defcendencia. Cheyo mais de mereci- 
mentos, que de annos falleceo em Santa- 



rém a 21. de Setembro de 1690. e jaz fepul- 
tado na Igreja dos Eremitas de Santo Agoí- 
tinho da dita Villa. Efcreveo. 
Exerci fios Militares. 4. 
Cuja obra dedicou á Mageílade delRey 
D. Pedro II, que lho mandou compor por 
ter viílo muitas vezes na Tua Real pre- 
fença a fciencia, e promptídaõ, com que 
os mandava executar. He huma completa 
inílruçaõ para hum Sargento mór, cujo Ori- 
ginal efcrito da própria maô do Author 
conferva feu Neto pela parte materna Ro- 
drigo Xavier Pereira de Faria natural da 
illuílre Villa de Santarém onde aíTifte, o qual 
com a fua grande erudição, e natural aHa- 
bilidade me communicou eíla, e outras mui- 
tas noticias para ornato, e augmento deíla 
Bibliotheca. 

ANDRÉ EBORENSE, ou RODRIGUES, 

cujo primeiro apellido indica a Cidade, onde 
fahio à luz do mundo, e o fegundo da família 
donde procedeo, Irmaõ por fangue, e fabc- 
doria do infigne Fiíico mór Thomaz Rodri- 
guez da Veyga. Sendo fummamente verfado 
no eíludo das letras profanas, o foy igualmente 
nas Sagradas revolvendo com incanfavel dif- 
velo os litterarios monumentos dos Authores 
Catholicos, e Gentílicos, de cujo immenfo 
trabalho, e do grande louvor, que delle lhe 
havia refultar, o congratula feu Irmaõ em 
huma carta, que eílá ao principio de huma 
das fuás obras, de que abaixo fe fará mençaõ, 
dizendolhe defte modo. Horum veftigia non 
eft longe fecutus cum in eo loco verfaretur ubi 
orbis in urbe eft (Ulyjfiponé) negotiorum fluãibus 
obrutus, magnatum importunitafibus, €>* obfequiis 
exagitatus, à pluribus etiam molefte expetifus, 
quos confilio, opera, et favore juvabat, ampla 
rei familiaris providentia impeditus tale nobis 
cuderet opus, quale fperandum fore ut plurimis invi- 
diam, paucijftmis calumniam excitaturum fit. 
Mayor foy o elogio, que deo ao Author 
defta obra o grande Varaõ Fr. Luiz de Gra- 
nada, immortal credito da Religião Domini- 
cana, perfuadindolhe, que a publicaUe, a 
qual mereceo taõ grande eftimaçaõ dos eru- 
ditos, que em breve tempo foy imprefla 
em diverfas partes fendo o titulo. 

IjOcí communes Jententiarum , & exem- 



15 



146 



B IB LIO THE CA 



plorum memorahilium ex prohatijftmis fcrip- 
toribus deprompti, Jive exempla memorahilia e 
prohatijftmis quijque Au£torihus deprompta 2. 
Tom. I. Conimb. 1554. 4. o 2. ibi. 1567. 4. 
ambos mais correâos, e addicionados Conimb. 
apud Joan. Barrerium 1569. 8. ainda vivendo 
o Author. Depois Pariíiis apud Guilielmum 
Julianum 1580. e 1588. 8. & ibi apud Francif- 
cum Suffier. 1635. 8. Lugduni apud Theo- 
baldum Paganum 1557. 8. Coloniae apud Ar- 
naldum Millium. 1593. e 1600. e 1601. apud 
Herman. Milium. Venetiis 1572. 1579. e 1585. 
12. Lembraõ-fe da obra, e do Author Draud. 
in Bih. Clajjic. Tit. Memorab. <& Grammat. 
Valer. And. Taxand. in Cathal. Clarór. Hifp. 
Script. Nicol. Ant. in 'E>ih. Hifp. Tom. i. 
pag. 57. Joan. Soar. de Brit. in Theatr. 
L.ujtf. Lit lit. A. n. 37. D. Emman. Caiet. 
de Souza in Expedit. Hifpan. S. Jacobi Tom. 2. 
pag. 1303. Franc. da Fonfec. Evor. Glorio/. 
pag. 405 . Petr. de Alv. y Aftorg. in Milit. Imma- 
cul. Concept. D. Mar. onde por engano efcre- 
veo fer o Author Religiofo da Ordem dos Pre- 
gadores. Mayol. Dier. Canicul. Part. i. coUoq. 3. 
pag. mihi 53. col. 2. chamando-lhe injignis exem- 
plorum compilator. Anton. PoíTevin. in Appa- 
rat. Sacr. tom. i . pag. 74. Quod pleraque pe- 
tat ex hijloria vel Sacra, vel Ecclejtajiica, quodque 
non Jolúm ad humanas quafdam, verú etiam ad 
Chrijiianas virtutes Jiimulos addat, onde duvida 
efta obra tenha íido acrecentada por algum 
herege principalmente nos Titulos A.ã. Pontif. 
Rom. PatienticBy Odii, et Gloria Cupiditatis, 
fendo certo, que fe em alguma impreíTaõ 
fe achaõ alguns termos contrários à piedade 
catholica, naõ devem fer atribuídos a André 
Eborenfe por fer efcritor piiíTimo, como clara- 
mente fe vé na primeira impreíTaõ de Coimbra. 

ANDRÉ DE ESCOVAR. Na idade 
da Adolefcencia navegou para a índia, 
onde conciliou a atenção das principaes 
peíToas daquelle Eftado admiradas da fua- 
vidade, e deílreza, com que tocava o inf- 
trumento da charamelinha nunca até aquel- 
le tempo ouvido em taes partes, em que 
deixou muitos difcipulos da fua fciencia mu- 
íica. Voltando ao Reyno foy admitido 
com largo eftipendio à Cathedral de Évora 
pelo feu Prelado o SereniíTimo Cardial D. 



Henrique, para que com o inílrumento em 
que era peritiífimo, fe augmentaíTe a armé- 
nia em obfequio do culto Divino, cujo mi- 
nifterio também exercitou na Cathedral de 
Coimbra, para onde o chamou o Bifpo D. 
Manoel de Menezes. Deixou compofta. 
Arte mufica para tanger o inflrumento 
da Charamelinha M. S. 

ANDRÉ FALCAM DE RESENDE 
natural de Évora filho de Jorge de Refende, e 
Sobrinho do Chroniíla Garcia de Refende. Na 
Univerfidade de Coimbra depois de eftudar 
Direito Civil, exercitou o lugar de Juiz de 
Torres Vedras, de outras Villas, e Cidades do 
Reyno. Ultimamente foy Auditor da Cafa de 
Aveiro. Teve notável génio para a Poefia aíTim 
Portugueza, como Caftelhana, em que compoz , 
admiráveis verfos. Morreo em idade proveâa ( 
em Lisboa no anno de 1598. ferido do con- 
tagio, que devorou grande parte da Cidade. 
Publicou em Madrid em verfo Caftelhano. 

Theochriflo. 
outro livro em femelhante lingua. 

Mundo Pequeno 
o qual dedicou a D. Duarte Duque de Gui- 
maraens, e Condeílavel de Portugal. j 

Verteo em 8. Rima as Homilias do Cardial 
D. Henrique, que começaõ. 
Kemirte ò homem quií^ Deos fempiterno 
Com refgate de amor maravilho/o. 

Muitas das fuás poeíias fe imprimirão na 
Kelaçaõ do Jolemne Recebimento, que fe fe^i 
em Lisboa às Santas Relíquias que fe levarão 
à Igreja de S. Roque da Companhia de JESUS 
impreíTa em Lisboa por António Ribeiro 
1588. 8. as quaes fe lem a foi. 122. 132. 136. 
142. v.o e 166. v.o Na Chronica delRey D. 
Joaô o II. efcrita por feu Tio Garcia de 
Refende impreíTa em Évora por André 
de Burgos. 1554. foi. lhe faz o Sonetto 
feguinte. 
Heróicos feitos, e faber profundo 

Virtudes, condição, primor, cufiume 

Vida, e morte declara efie volume 

Do Eufitano Rey D. JoaÕ fegundo. 
Segundo em nome, e a ninguém fegundo 

Em fama taõ fubida em alto cume 

Que a pe^ar do tempo, que confume 

Toda a coufa, fera clara no mundo. 



L USITAN A. 



»47 



NaÕ conjetitlo perder-fe tal memoria 

Coreia de Kefende em feu polido 

li doce ejijlo, e verdadeira hijloria. 
Mas a feu Key, e à fua pátria agradecido 

Dandolhes dijí/ta fama, « immortal gloria 

A Ji a deu, e fev^^feu nome ef clareado 
Dcllc íe lembra entre os Poetes Por- 
tugueses o P. António dos Reys no £«- 
thufiafmo Poet. n. 190. 

I-r. ANDRÉ DE FARO cujo appellido 
declara a fua Pátria, que he a Cidade Capital do 
Rcyno do Algarve. Logo que recebeo o Habi- 
to Francifcano na Provincia dos Religiofos 
Capuchos da Piedade naõ fomente fervio de 
exemplar aos feus domcílicos, mas fupplicou 
com fervorofas anciãs aos Prelados, que o 
mandaíTcm à MiíTaõ Evangélica de Guiné. 
Alcançada faculdade fe embarcou com onze 
companheiros em 7. de Mayo de 1662. e no 
breve cfpaço de quin2e dias chegou à Ilha de S. 
Tiago Capital de Cabo verde. Nefta Cidade por 
caufa de huma grave infermidade foy preciso 
demorar-fe, mas ainda mal convalecido, e falto 
de forças, que fe animavaõ com o fervor do feu 
cfpirito, penetrou pelos vastiíTimos certoens 
de Guiné, para annunciar as luzes do Evange- 
lho àquelles povos fepultados nas fombras 
da fua cegueira. Os Reynos por onde difcor- 
reo, os perigos de vida de que efcapou, os Ído- 
los, que desfez, e os Templos, que ao verda- 
deiro Deos erigio, narrou com toda a indivi- 
duação em a 

Relação hiflorica da MiffaÕ do Rejno de Guiné. 

A qual fe conferva M. S. no Convento 
de Villaviçofa, que he o primeiro da fua 
reformada Provincia, e delia extrahio Fr. 
Manoel de Monforte tudo quanto efcre- 
veo deíla fagrada expedição na Chronica da 
Provincia da Piedade liv. 5. cap. 27. até 30. 
Reítítuido a Portugal depois de governar 
alguns Conventos com louvável prudência, 
acabou a vida em Beja no anno de 1678. 

P. ANDRÉ FERNANDES. Foy admiti- 
do em Ormus pelo V. Padre Gafpar Barzeo à 
Companhia de JESUS, e de tal forte manifellou 
a capacidade do feu talento, e madureza de 
juizo, que o mandou S. Francifco Xavier a 
Portugal, e a Roma para tratar com Santo 
Ignacio, e ElRey D. Joaõ o III. graves negó- 



cios, que cediaõ em obrequio, e augmento da 
ptégaçiô do Evangelho. Obedeceo prompta- 
mente ao preceito, e pad e cendo huma larga, 
e perigoía navegação, chegou a Lisboa, e 
depois a Roma, e concluídas felÍ2mente as 
dependências da fua apoíloiica embalada em 
ambas eftas duas famoíâs Coites, voltou para 
Goa a tempo, que o infigne Operário Evange* 
lico o V. Padre Gonçalo da Sylvcira meditava 
a Mi/Taõ de Cafraria. Depois de dcfcanfar dos 
trabalhos da jornada anhelando padecer outros 
mayores pela Fé Catholica partio por compa- 
nheiro defte Venerável Padre para Monomo- 
tapa, em cuja vinha quantas moleílias padeceo 
largamente as defcrevem Nicol. Godinh. ia 
Vit. P. Gundijfalvi Sylv. lib. 2. cap. 7. e Mano- 
el da Coíla in Hifl. rer. à Societ. in Orient. geft. 
Atenuado com trabalhos, e infermidades, que 
o reduzirão a taõ deplorável eílado, que mais 
parecia cadáver do que homem, e fentindo naõ 
poder com liberdade pregar o Evangelho 
àquelles bárbaros, voltou a Goa onde reílituido 
à faude por manifeíla efficacia da Divina Onmi- 
potencia intentou fegunda vez lucrar almas 
para Chrifto em Monomotapa, mas defengana- 
do de fer aquella terra ingrata à femente do 
Evangelho, paífou a Comorim onde fendo buf- 
cado varias vezes pelos Mouros para o pri- 
varem da vida, fempre triunfou das fuás aleivo- 
fas aíhicias, até que efpirou entre eftes apyoftoli- 
cos miniílerios no anno de 1568. Além dos 
Authores allegados efcrevem delle Organtin. 
in Annuis Goan. 1568. Hifi. Societ. part. i. 
lib. 12. n. 85. Part. 2. lib. 3. n. 148. lib. 4. n. 215. 
e 216. lib. 6. n. 159. e 160. Soufa Oriente Con- 
quifi. Part. i. Conq. i. Divif. i. §. 70. No 
archivo da Cafa profeíía de Lisboa fe confervaõ 
nove cartas fuás muito extenfas; em que fe 
relataõ os trabalhos, e perigos das fuás jorna- 
das, e MiíToens. Além delias. 

Carta efcrita em Chaul aos Padres da 
Provincia de Goa a 1. de Janeiro de 1560. 
Outra efcrita em Tangue ao Provincial de 
Goa em 24. de Junho do dito anno. Outra 
aos Padres de Goa no mefmo mev^ e anno 
as quaes fahiraõ abreviadas com outras, 
em Italiano Venetia por Tramezzino 1562. 

P. ANDRÉ FERNANDES. Teve 
por Pays a Domingos Coelho, e Maria das Ne- 



148 



BIBLIOTHE CA 



ves, por pátria a Villa de Viana da Provincia 
do Alentejo. Foy admitido à Companhia de 
Jefus a 2. de Abril de 1622. A natureza o 
dotou de engenho agudo, prudência rara, e 
juifo maduro, as Artes cultivadas pella appli- 
caçaõ o conílituiraõ iníigne Rhetorico, grande 
Filofofo, e profundo Theologo, em cuja 
faculdade recebeo o gráo de Doutor na Uni- 
verfidade de Évora a 26. de Abril de 1654. 
Atendendo a Mageílade delRey D. Joaõ IV. 
a feu egrégio talento, o nomeou Bifpo do 
Japaõ, e efcufandofe deíla dignidade, o mefmo 
Príncipe o elegeo ConfeíTor de feu filho D. 
Theodofiio, que o tratou com as mais finas 
demonftraçoens de afFeâo por venerar na 
fua PeíToa unida a virtude com a prudência. 
Por morte defte Príncipe refolveo D. Joaõ 
o IV. que foíTe feu Confeííor, em cujo minif- 
terio obfervou fempre tal moderação, que 
nunca fe intereílou por negocio, que refpei- 
taíTe aos feus parentes, antes regeitou heroica- 
mente varias ofertas, que para augmento 
delles fe lhe fizeraõ. A mefma inteireza prati- 
cou no tempo, que a SereniíTima Rainha D. 
Luiza Francifca de Gufmaõ governou efta 
Monarchia aconfelhandolhe fempre o que 
refultava em gloria do Reyno, e dilatação 
do Evangelho nas partes mais remotas da 
Afia, e America. Accometido de huma fu- 
preíTaõ, de cuja infirmidade falecera ElRey 
D. Joaõ o IV. fe preparou com os Sacramentos 
para a ultima hora, e entre devotos coUoquios 
a Chrifto Crucificado morreo no Seminário 
dos Irlandezes a 27. de Outubro de 1660. 
donde fendo transferido à Cafa de S. Roque 
lhe cantarão o Officio com grande pompa os 
Religiofos Trinos, fempre em todas as idades 
obfequiofos aos Padres Jefuitas. As acçoens 
mais individuaes da fua vida fe podem 
ler in Vit. Prmc. Theod. lib. i. §. 218. 
até 237. et lib. 3. §. 105. até iio. Franc. 
Imag. da Virt. em o Novic. de Lisboa lib. 3. 
cap. 42. 45. e 44. et in A.nnalib. S. J. in 
L,ujit. pag. 326, et in Ann. Glor. S. J. in 
Lufit. pag. 635. 

Sendo Meftre de Rhetorica em Évora, 
no anno de 1635. querendo celebrar a Uni- 
verfidade a chegada, que a ella fizera o Sere- 
ninimo Duque de Bragança D. Joaõ, depois 
Rey de Portugal, compoz huma Tragico- 



media, que fe lhe reprezentou com pompoza 
magnificência, cujo argumento era. 
S. Ejdjlachius Maríyr. 
De todas as fuás obras poéticas fomente 
fe imprimio huma Elegia, que eílá na Vida do 
Príncipe D. Theodojio compoíla pelo Padre 
Manoel Luiz lib. i. §. 221. a qual levou o 
primeiro premio no Certame celebrado em 
Coimbra. Foy aíTumpto, que fendo levado o 
cadáver da Princeza Santa Joanna para a fe- 
pultura, ao paífar pelo Jardim do Convento, 
fe murcharão as flores, e arvores, de que eílava 
ornado, publicando com efta repentina mu- 
dança o fentimento de lhes faltar quem as ani- 
mava. O principio da Elegia he o feguinte. 
Claujerat extremo moríentia lumina fato 
Joanna: heu ! numquam lumina digna mori. 

ANDRÉ FRANCO. Naceo em Lis- 
boa, fendo filho de Manoel Franco, e Cathe- 
rina de Oliveira. Na idade da adolecencia 
recebeo o habito da Ordem Militar de S. Tiago, 
no Real Convento de Palmella a 3. de Setem- 
bro de 1600. donde paíTando a Coimbra fe 
applicou ao eftudo do Direito Pontificio, em 
que fe formou Bacharel. As fuás grandes 
letras o elevarão a fer Prior de Çamora Corrêa, 
Juiz Geral das Ordens, Dezembargador dos 
Aggravos na Cafa da Supplicaçaõ de que 
tomou poíTe a 7. de Novembro de 1642. 
Deputado da Mefa da Conciencia, e ultima- 
mente Secretario da SereniíTima Rainha D. 
Luiza Francifca de Gufmaõ mulher delRey 
D. Joaõ o IV. Podendo deixar grandes argu- 
mentos da fua fciencia legal fomente fe acha 
impreíTo hum feu voto muito douto no i. 
Tom, das Decifoens do Doutor Manoel da Fon- 
feca Themudo Decif. 112. da qual faz mençaõ 
Joaõ Soar. de Brito in Theatr. Lufit. lit. A. 
n. 38. 

ANDRÉ FREYRE DE CARVALHO 

natural de Lisboa, Fidalgo da Cafa de fua 
Mageftade, Cavalleiro profeíTo da Ordem de 
Chrifto, Commendador de Santa Maria Mag- 
dalena de Parada da mefma Ordem, Dezem- 
bargador da Cafa da Supplicaçaõ, de que to- 
mou poíTe a 24. de Abril de 1698. e Confer- 
vador da Cafa da Moeda. Teve por Pays a 
Manoel Botelho de Carvalho Copeiro pe- 



L USITANA. 



149 



qucno da Caía Real, e Fidalgo delia, e a D. 
Mariana de Sande filha de Manoel da Syl- 
vcira de Sande Gjmmendador de S. Vicente 
de Quadramil, e Hftriljciro menor da Rai- 
nha D. Luiza Francifca de Guímaõ, e de 
1). Ignez de Mattos filha de Pedro Mendes 
de Mattos Commendador de Santa Maria de 
Gemonde da Ordem de Qiriílo. Sendo o 
Vereador mais antigo do Senado de Lisboa, 
congratulou aos noíTos SereniíTimos Reynã- 
tcs cm nome deíla famofa Cidade, quando 
foraò à fua Githedral render as graças ao 
Altidlmo pelos feus auguílos defpoforios, re- 
citando. 

OraçaÔ na prefença de fuás Magejlades El- 
Key D. Joaõ o V. e a Rainha D. Mariana 
de A /{/iria Nojfos Senhores quando foraò em 
acçaõ de ^aças à Sé de Lisboa em 22. de De- 
n^embro de 1708. Lisboa por Valentim da 
Cofta Dcslandcs Imprcflbr de Sua Magcílade 
1709. 4. 

Foy cafado com D. Catherina de Mat- 
tos, de quem naõ teve filhos. Morreo em 
Lisboa a 6. de Abril de 171 2. Eílá fepul- 
tado na Igreja do Convento dos Religiofos 
Trinos. 

P. ANDRÉ GOMES, filho de António 
Vaz, e Maria Gomes naceo em Coimbra, e 
naõ tendo completos quinze annos fe confa- 
grou a Deos na Companhia de Jefus a 6. de 
Julho de 1589. Aprendeo as letras humanas, 
Filofofia, e Theologia na fua pátria onde as 
diftou aos feus domefticos com grande opinião 
da fua erudição fendo depois fubtiliíTimo in- 
terprete da fagrada Efcritura. Das Cadeiras 
paflbu aos púlpitos, nos quaes foy ouvido 
com geral admiração por fer ornado de todas 
as partes conílitutivas de hum Orador Evan- 
gélico, tendo a voz clara, e fuave; a figura 
agradável, e mageftofa; as acçoens reguladas 
menos pela arte, que pela natureza; a eloquên- 
cia folida, e perfuafiva com que fazia as vir- 
tudes amadas, e os vicios aborrecidos. Por 
eíles dotes o elegeo ElRey D. Joaõ o IV. por 
feu Pregador confeguindo no tempo, que exer- 
citou eíle fagrado miniJfterio o fer venerado 
entre os Principes da Oratória Ecclefiaftica. 
Morreo em Lisboa a 24. de Outubro (e naõ 14. 
como fe diz na Biblioth. da Companhia) de 1649. 



O Padre Manoel Luiz in Vit. Princip. Theod. 
lib. 2. §. 141. lhe chama Infigfiis Concionator 
acerrimi ingenii, promptique ad fubita judkij. 
Joan. Suar. de Brit. in Theat. Lufit. Litter. Ut. 
A. n. 59. Injifftis Ecclejiajles, populari que eUgfln- 
tia eelebratijfimiu. Franc. in Annalib. Soe. ]ef. 
in Ijifit. pag. 298. Liximius Concionator, e na 
Imaj^. da Virtude em o Noviáad. de Coimb. 
Tom. 2. pag. 611. Grande Prígftdor, e exercitou 
efte miniflerio com muito fruto. Dot muitos 
Sermoens, que pregou, fomente fe imprimirão 
os feguintes. 

SermaÕ do Auto da Fé, que fe celebrou em 
Lisboa em 28. de Novembro primeiro Dominga 
do Advento de 1621. Lisboa por Pedro Cras- 
bcek 1621. 4. deíla obra fe lembra Imbo- 
nat. in Bib/ioth. Laf. Hebraic. pag. 506. n. 
942. 

SermaÕ pregado nas fumptuofas Exéquias,, 
que ao Excellentifimo Senhor D. Theodojio IL 
Duque de Bragança /<?:ç o Prior mòr da Ordem 
de S. Tiago D. Diogo Lobo no Convento Real da 
mefma Ordem em Palmela aos 11. do me^ de 
Dev^embro de 1630. Lisboa por António 
Alvares 1631. 4. 

Relação das feflas, que a Provinda de Portu- 
gal /íí^ nas CanonÍ!^açoens de Santo Ignacio de 
Loyola, e S. Francifco Xavier. Lisboa por An- 
tónio Alvares 1623. 8. Defta obra faz mençaõ 
a Bibliotheca Oriental novamente acrecentada 
Tom. I. til. 8. col. 158. 



ANDRÉ GONÇALVES DE AL- 
MADA. Vejafe ANDRÉ ALVARES DE 
ALMADA. 



ANDRÉ GONÇALVES TEYXEIRA 
natural de Santarém, Presbitero de exemplar 
vida, e verfado fcientificamente nas letras 
humanas, que enfinou por muitos annos na 
fua pátria, e naõ menos douto na Theologia 
Moral, e Ceremonias Ecclefiaílicas fendo con- 
fultado por diverfas peíToas fobre duvidas 
Grãmaticaes, e Theologicas, de que deixou 
grande numero de cartas deffce erudito com- 
mercio. Morreo na pátria no anno de 1700. 
Compoz varias obras, que naõ lograrão o bene- 
ficio da luz publica por fer taõ falto de cabedaes, 
como abundante de noticias para as imp rimir . 



i5o 



BIB LIO THE CA 



cruel fado que fempre acompanhou aos Va- 

roens Sábios podendo queixarfe com Al- 

ciato. 

Ingenio poteram Juperas volitare per auras, 

Me niji pauperies invida deprtmeret. 
Deixou para teílemunho da fua vaíla erudi- 
■çaõ as feguintes obras. 

An pueri, qui cum Joio Originali decederunt, 
fint aliquando ajcenjuri Juper terram hahitaturi 
ad illud Job. 7. Qui dejcendit ad injeros non ajcen- 
det. foi. M. S. 

Viridarium, Jive horfus apertus vários Theo- 
logice moralis flor um Jajciculos continens: opus 
novum M. S. 

Suada Templum, id ejl, de Arte dicendi M. S. 
in 4. 

Modo Jacil para Jaher Ja^er verjos latinos de 
ioda a cajla, em que com toda a erudição enjina a 
evitar todos os vicios, que na Poejia Je achaõ pela 
varia revolução dos tempos 4. M. S. 

ANDRÉ DE GOUVEA natural da Ci- 
•dade de Beja na Provinda do Alentejo filho 
•de AíFonfo Lopes de Ayala Fidalgo Caílelhano, 
e de Ignez de Gouvea filha de Antaõ de Gou- 
vea Cavalleiro profeíTo da Ordem de Chrifto, 
irmaõ do infigne Jurifconfulto António de 
Gouvea, de quem em feu lugar fe fará larga 
mençaõ. Sendo chamado por feu Tio Diogo 
de Gouvea Regente do CoUegio de Santa Bar- 
bara de Pariz para fe inílruir nas fciencias 
Sagradas, e profanas, como era dotado de 
agudo engenho, fahio brevemente confum- 
mado aíTim na Oratória, como na Poética. 
Com a mefma promptidaõ penetrou os fe- 
gredos da Filofofia, e os myfterios da Theo- 
logia fervindo de aílombro aos Meílres, e 
enveja aos Condifcipulos, merecendo fer eleito 
por voto de todos Lente de taõ fublimes 
faculdades para com ellas inílruir aos eíiudio- 
fos, que de toda Europa concorriaõ ao Col- 
legio Barbarano, ao qual naõ fomente illuílrou 
com a doutrina, mas governou com prudência 
fubíHtuindo a feu Tio no lugar de Regente 
pelo efpaço de alguns annos. A opinião, que 
corria da fua profunda Sabedoria moveo a 
Univerfidade de Bordeux para o convidar 
com generofos partidos a fer feu Meftre, o 
que executou no anno de 1534. fendo Reytor 
do Collegio de Guienne. Tendo ennobrecido 



duas taõ famofas Univerfidades, era juílo, que 
vieíTe illuílrar a de Q)imbra, para cujo efeito \ 
meditando ElRey D. Joaõ o IIL novamente 
reílaurar efta Univerfidade, e fendo informado j 
do feu grande talento lhe cometeo à fua \ 
eleyçaõ os Meílres, que haviaõ enfinar nella 
as linguas Latina, Grega, e Hebraica; e as facul- 
dades de Rhetorica, e Filofofia. Obedeceo 
promptamente à ordem do feu Soberano, e 
chegando a Portugal no anno de 1547. foy 
taõ acertada a eleyçaõ dos Meílres, que fez 
de varias naçoens para a nova Univerfidade, 
que brevemente competio com as mais cele- 
bres da Europa, fendo venerado depois da 
Mageílade delRey D. Joaõ o IIL como fegundo 
reílaurador defte Atheneo da Lufitania, onde 
com geral fentimento de todos os feus alum- 
nos morreo em 9. de Junho do anno ( naõ 
de 1558. como efcreve André Scoto in Bib. 
Hijpan.) mas de 1548. como diz Bayle Dic- 
cion. Critiq. Tom. 2. pag. mihi 579. e o aífirma 
como teíiemunha ocular Belchior Belliago 
hum dos famofos Meílres, que conduzio de 
França, dizendo na Oraçaõ, que recitou 
em a Univerfidade de Coimbra no i. de 
Outubro de 1548. De Dijciplinarum omnium 
Jludiis ad Univerjam Acad. Conimb. eílas pala- 
vras JuJJu regis volens juventutem injlitui, elegit 
viros qui reãijjime eamdem Juventutem optimis 
diJcipUnis imbuerent, quorum duãu nojlri 
homines curjum omnium dijciplinarum confi- 
cerent: hunc nobis trijiia, <& importuna Jata 
hac ultima ajiate eripuerunt, (& illius morte 
magnum litterarum ornamentum abjlulerunt. Eílá 
fepultado no Real Convento de Santa Cruz 
de Coimbra, em cujo tumulo tem gravado 
eíle Epitáfio. 

Júlia pax genuit: rapuit Conimbrica corpus: 

Excoluit mentem Gallia: Olympus habet. 

O feu nome exaltaõ Bufin in Prajat. ad j 

Epijiol. Gélida. Petr. Angel. Sper. de Pro- 

JeJ. Gramat. lib. 4. foi. 352. e 458. Elias Vi- 

net. in Epijl. ad And. Scotum. Kepublic. Portug. í 

foi. 364. Joan. Soar. de Brito in Theatr. 

'Lujit. 'Litterat. lit. A. n. 40. Mariz Dial. 

de Var. Hiji. Dial 5. cap. 3. Jacob. Menet. 

Vafconc. in Vit. Sua. onde lhe chama 

Virum Gravijjimu. Scot. in Bib. HiJ. Tom. 3. 

ClaíT. 2. pag. 475. Theologicum Juijfe Pras- 

bjterum concionatorem tam liberakm, quam 



LUSITANA. 



i5i 



dotlorum honímum faktorim. et GaíTe 5. 
pag. ^)i9. in hlog. Gelid. Virum de imiverfa 
Aqt4ÍíaNÍ(t, & Htteris, ut fiquis alitts, oplime 
meritum, pium, doílum, et ad regendam jnventu- 
tttN omninó totitm. Q>mpoz. 

Orationes habita in Colle^o Barbarano M. S. 

As quaes eraõ efcritas com a pureza, 
e mageftade do eílilo de Cícero, e muitas 
delias fe coníervaõ com grande eílimaçaò 
110 poder dos Eruditos. 

Fr. ANDRÉ DE GUIMARAENS 

Naceo na illuílre Villadofeu appeliido fituada 
cm a Provinda do Minho fendo filho de 
Gomes Eíleves, e da Irmaã de D. Gomes 
AfFonfo trigeíTimo nono Prior da Real Colle- 
giada de Nofla Senhora da Oliveira, e o 
fegundo Inquifidor que teve o Tribunal da 
Inquifiçaõ de Coimbra. Em idade compe- 
tente foy admitido à Ordem Seráfica, cujo 
inftituto profeíTou no Convento de Alenquer, 
feliz folar de Varoens infignes em Santidade, 
onde defcubrindo igual génio para as virtudes, 
que para as letras, as aprendeo, e enfinou 
com grande fruto, e admiração dos feus 
Rcligiofos chegando a ter para credito do 
feu Magiílerio por difcipulo ao IlluílriíTimo 
D. Fr. Bernardino de Sena, que depois de fer 
Geral de todo o Orbe Seráfico, foy digniíTimo 
Bifpo de Vifeu. No Púlpito encheo as obriga- 
çoens de Declamador Evangélico, aíTim em 
Portugal, como Caílella fendo os feus difcur- 
fos formados mais para a extincçaõ dos pecca- 
dos, que pêra lizonja dos ouvidos, em cujo 
apoílolico trabalho colheo copiofos frutos 
nas populofas Gdades de Sevilha, e Valha- 
dolid. Foy eleito Provincial em o Capitu- 
lo celebrado em Lisboa a 22. de Fevereiro 
de 1614. e depois CommiíTario Geral da Pro- 
vinda de Portugal, cujos miniílerios exerci- 
tou com fumma prudenda, e univerfal applau- 
fo de domeílicos, e eílranhos. No anno 
de 1628. foy Prefidente da Congregação, 
que celebrarão em Villaviçofa os Rcligio- 
fos Capuchos da Província da Piedade. Para 
evitar as graves controverjQas, que em 
matérias de jurifdicçaõ intrepidamente de- 
fende© contra o Colleytor do Papa neíle 
Reyno, fe retirou para Caftella donde depois 
de afliílir quafi dous annos fe reílituyo 



ao feu anudo domidlio do Convento de Lis* 
boa, no qual cheyo de virtuofas obras termiiu>u 
a vida a 3. de Dezembro de 1652. enaõdei65). 
como eíli no Epitáfio, e foy fepultado como 
tinha pedido no Címiterío commum, cuja 
fepultura ornou com buma Campa Fr. Fer- 
nando do Efpiríto Santo, que fora feu Secre- 
tario, no tempo que exerdtou o lugar de 
CommiíTario Geral, e fobre ella fe gravou efte 
epitáfio. 

Aqui ja^ o P. Fr. André de Gmmaraens 
iMtor Jubilado, Guardião, que foy defle Comento, 
Minijiro Provincial, e ComiJJario Geral dos Reyno f 
de Portugal em todas as Provindas de N. P. S. 
trancifco. Celebre nas Letras, Púlpito, prudência, 
e governo, que com grande aceitarão, e credito 
ajftm dos Keligiofos, como dos Seculares exercitou, 
todos feus officios. Faleceo em três de Dezembro 
de iGiy De todos os feus Sermoens unica- 
mente publicou. 

Sermão nas Exéquias, que a Cidade fe^ na 
Cafa de S. António ã Rajnba Catholica D. Mar- 
garida de Aufiria. Lisboa 161 1. 4. 

Sermão do Mandato. Conferva-fe M. S. na 
Livraria do Convento de S. Frandfco de Lis- 
boa como affirma o Padre Fr. Manoel de S. 
Damafo nas Noticias da Prov. de Portug. § 19. 
n. 367. mandadas a Academia Real. Do Author 
fe lembraõ Fr. Manoel de Monfort. Chron. da 
Prov. da Pied. liv. 4. cap. 57. §. i. Fr. Femand. 
da Soled. Hifl. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. 
liv. 2. cap. 31. n. 469. e Fr. Joan. a D. An- 
ton. in Bib. Francifc. Tom. i. pag. 65. 

Fr. ANDRÉ DA INSUA. Naceo 
em Lisboa no anno de 1506. e no Orató- 
rio de N. Senhora da Infua plãtado no meyo 
da Barra do Rio Minho fe aliílou em 11. 
de Junho de 15 21. na Religião Seráfica 
quando contava dezefeis annos de idade 
confervando o titulo deíle domicilio por 
appeliido para eterno teftemimho da fua 
aífeéhiofa devoção. Depois de aprender Fi- 
lofofia no Convento de Serpa, e Theolo- 
gia paíTou a França, onde pelo efpaço de outo 
annos continuou os eíhidos com taes 
progreííos, que era univerfalmente refpd- 
tado por Oráculo das fdencias EfcolaíHcas. 
A prudenda de que era ornado o habilitou 
para que ElRey D. Joaõ o m. o mandaíTe 



l52 



BIB LIOTH E CA 



a Flandes tratar negócios importantes aos 
intereíTes deíla Monarchia os quaes adminiílrou 
com louvável fatisfaçaõ. Em Anveres pregan- 
do à naçaõ Caílelhana conciliou a geral venera- 
■çaõ de toda aquella grande Cidade; pois aos 
brados da fua vóz fe convertiaõ os coraçoens 
mais duros, e as vontades mais rebeldes. 
Depois de occupar os lugares de Commiflario 
de Flandes, e Alemanha, e fer Provincial da 
Província dos Algarves, foy eleito quando con- 
tava quarenta, e hum anno de idade, e vinte, e 
féis da Religião, Geral de toda a Ordem Será- 
fica no Capitulo celebrado em AíTiz no anno 
■de 1547. Tanto, que eíleve conílituido em 
lugar taõ honorifico, naõ perdoou a fua vigilân- 
cia à algum género de difvelo para promover a 
reforma do infiituto Seráfico. PaíTou a Hefpa- 
nha dividindo em duas Províncias a de Sam 
Tiago, e erigindo novamente a de S. Miguel. 
Celebrou em Lisboa os Capítulos das Provín- 
cias de Portugal, Algarves, e Piedade. Partio a 
Flandes, onde recebeo particulares favores do 
Emperador Carlos V. e naõ menores figni- 
ficaçoens de benevolência da Santidade de 
Júlio III. quando em Roma lhe beijou o pé a 
tempo, que fora aíTumpto à Cadeira de S. 
Pedro. Difcorreo por Nápoles, Florença, 
Brexa, Milaõ, e Génova, donde voltou a Sala- 
manca para celebrar o Capitulo Geral congre- 
gado neíla Cidade, que fe formava de mil, e du- 
zentos Capitulares, em cuja douta, e venerável 
prefença orava todos os dias na lingua latina 
com aíTombro de taõ eruditos ouvintes. Naõ 
confentiraõ os Vogaes, que ficaíTe o feu grande 
talento ociofo para beneficio da Ordem Será- 
fica, e ainda que fortemente refilHo, foy eleito 
CommiíTario Geral da Familia Cifmontana. 
Informado ElRey D. Sebaftiaõ da prudente 
fidelidade com que tinha tratado varias de- 
pendências politicas defte Reyno por com- 
miíTaõ de feu auguílo Avo D. Joaõ o III. 
querendo feguirlhe os veíligios lhe cometeo 
que paíTaíTe a Caílella a tratar alguns ne- 
gócios graves, de que pendia a conferva- 
çaõ de ambas as Monarchias. Obedeceo 
promptamente, e entrando em Madrid no 
anno de 1563. concluyo felizmente as nego- 
* ciaçoens, que foraõ cometidas à fua gran- 
de capacidade. Exercitado o miniílerio de 
CommiíTario Geral, e o que lhe fora encar- 



regado pelo Príncipe D. Sebaíliaõ fe recolheo 
ao feu amado domicilio da Infua, onde com 
mayor fervor fe applicava à comtemplaçaõ dos 
bens celeftiaes, porem fendo acometido de 
varias moleftias mudou de clima, fazendo a fua 
aíTiílencia no Convento de S. Francifco de Lis- 
boa até o anno de 1570. donde por causa de 
huma controverfia, que fe agitou entre elle, e o 
Cardial D. Henrique fobre a eleição de hum 
ComiíTario Nacional fe retirou para Caftella 
bufcando o amparo do Bifpo de Ofma, que 
tinha fido feu Secretario, em cuja companhia 
viveo taõ pouco tempo, que naõ excedeo a 
duração do anno feguinte de 1571. deixando 
aos Religiofos huma faudofa memoria da 
fua vida, e aos Prelados huma norma pru- 
dente do feu governo. Entre os Varoens 
mais celebres da Religião Seráfica he nomeado 
pelo Illuftriífimo Cunha Hijl. Ecclef. de Brag. 
Part. 2. cap. 51. onde lhe chama VaraÕ por 
muitos títulos eminente. D. Nicol. de Santa 
Maria Cbron. dos Coneg. Keg. liv. 4. cap. 9. 
n. 9. Cardof. Agiol. 'Lujitan. Tom. i. pag. 215. 
no Commentario de 21. de Janeiro let. I. 
Grande :^elador da regular obfervancia, e dotado de 
Jumma prudência ordenando faluberrimos Es- 
tatutos para univerfal beneficio de toda a Ke- 
ligiaõ com que deixou prudentes acçoens, que 
imitar a feus fucejfores, pelo que os Pontífi- 
ces, e Kejs de toda a Chrifiandade fi^eraõ 
delle grande eftima, e ajfim acabou o generalato 
com muito louvor naõ menos feu, e do nome 
Portugue^i, que reputação da Ordem. Efpe- 
ranç. Hift. Seraf. da Prov. de Portug. Part. i 
Uv. 2. cap. 10. n. 6. e Part, 2. liv. 10. cap. 39 
n. 2. Soled. Hifi. Seraf. Part. 4, liv. 4. cap. 29 
e Fr. Anton. da Piedade Cbron. da Prov 
Arrábida. Part. i. liv. 2. cap. i. e 2. e liv. 4 
cap. 35. Jozé Soar. da Sylv. Memor. Hiflor. 
delRej D. Joaõ o I. liv. i. cap. 8. §. 81 
82. e 83. Efcreveo. 

Relação da fua vida acabada de efcre- 
ver em 3. de Agoflo de 1552. Cujo original 
fe conferva no archivo do Convento da Infua 
onde a efcreveo, continuada por feu 
Companheiro Fr. Manoel Favacho como 
teftifica Fr. Fernando da Soledade Hifl. 
Seraf da Prov. de Portug. Part. 4. liv.4. cap. 29. 
n. 988. e 993. 

Carta efcrita de Madrid à Rainha D. 



LUSITANA. 



i53 



Catherin. em y de Agofto de 1564. cujo original 
vimos na Torre do Tombo, c fe guarda no 
Armar. 15. MaíTo 44. a qual eftá impreíTa 
iKi Part. 2. das minhas Mtmor. Polit. e Milit. 
ílelRey D. SebaJliaÕ liv. i. cap. 2). n. 185. 

ANDRÉ LEYTAM DE FARIA 
Cavalleiro profeíTo da Ordem de Qirifto, Moço 
la Camará de S. Mageílade, Oífícial mayor, 
I fcrivaõ do AíTentamento, c Chancellaria do 
cnndo deíU Corte, nacco em Lisboa a 51. de 
M iiS(> de 1658. fendo filho de Joaõ Leitaõ 
<tc l'aria Moço da Camará do ScrcniíTimo 
Rcy D. Joaõ o IV. e de Maria Gomes Mon- 
tcira. Aprendeo a iingua Latina no Collegio 
de S. Antaõ dos Padres Jefuitas, onde teve 
por Mcílre ao Padre Diogo Lobo, cujo nome 
lerá fcmpre memorável pela fua natural dif- 
criçaõ, e ouvio Filofofia, e Theologia Moral 
do grande, e famofo Letrado Fr. Domingos 
de Santo Thomaz, eterno credito da Familia 
Dominicana, merecendo em huma, c outra 
Aula o applauzo de todos os feus Condif- 
cipulos, que admiravaõ a viveza do feu en- 
genho. Cultivou com felicidade a Poefia 
Latina, Caílelhana, e Portugueza, unindo à 
elegância do metro a profundidade do con- 
ceito. Efcreveo com tanta perfeição, que as 
letras mais pareciaõ abertas ao buril, que for- 
madas com a pena, de tal forte, que ordenan- 
do-lhe ElRey D. Pedro o II. quando deter- 
minava nomear Meftre de efcrever a feus Sere- 
niíTunos filhos, que aprezentaíTe a fua letra, 
o executou em três traslados, admirando-fe 
cm cada hum delles três géneros de letras diífe- 
rentes cercados de diverfas flores feitas humas 
de rifco, outras de penadas, que pareciaõ 
impreíTas, e fendo eleito para efte honori- 
fico minifterio, fe efcufou impedido dos an- 
nos, e achaques. Naõ foy menos infigne na 
Arte da Pintura, ou foíTe de óleo, ou de 
iUuminaçaõ, em que era único, da qual ainda 
fe confervaõ algumas obras em poder dos 
cftimadores de taõ primorofa curiofidade. 
Abrio varias eílampas em cobre fendo entre 
ellas a mais perfeita o retrato do Excel- 
lentiíTimo Marquez de Távora Luiz Al- 
varez de Távora, que fahio no frontifpicio 
do livro, que a efte Heróe dedicarão por 
obfequio fúnebre as Mufas Portuguezas. 



Foy ornado de fununa ai&bilidade, taõ 
amante da verdade como inimigo do engano. 
Nunca pertendeo mayotes honras do que 
aquellas, com que naceo, dizendo íem jaâan- 
cia, que naõ queria fubír para fe precipitar. 
Confervou caftidade conjugal, como á hora 
da fua morte declarou o feu Direâor eípiri- 
tual. Todos os dias rezava indifpeníavelmente 
o Officio de N. Senhora, e o feu Roíario, naõ 
lhe servindo para taõ (antos exercidos de 
impedimento as fuás continuas occupaçoens. 
Conhecendo, que era chegado o termo da fua 
vida, difpoz com grande acordo o feu Tefta- 
mento, ordenando em huma das claufulas, que 
foííe fepultado fem pompa. Recebidos todos 
os Sacramentos falleceo em Lisboa a 8. de 
Março, de 1722. faltando-lhe vinte, e três dias 
para cumprir 84. annos de idade, e na Paro- 
chia do SantiíTimo Sacramento defcaníaõ 
as fuás cinzas. Foy cafado com D. Anna* 
Maria de Figueiredo Calderon filha de Ma- 
noel Pinto de Perarva, e de fua mulher 
D. Anna Calderon ambos naturaes da Im- 
perial Villa de Madrid de quem teve cinco 
filhos, e três filhas. Compoz. 

Domini Ludovki Alvares de Távora 
Marchionis de Távora interitui EJegia. 

Soneto 'Portugue^ ao mefmo AíTumpto. Sahi- 
raõ eftas duas obras no Panegírico da vida, e 
Acçoens defie Heróe Lisboa por António Ro- 
driguez de Abreu 1674. 4. pag. 164. até 166. 
Vários Epigramas, e Elegias "Latinas, Sone- 
tos, Komances, Outavas, Madrigaes, e Decimas 
Portugíiei^as, e Caftelhanas a diverfos Ajfumptos 
com hum poema em Outava Rima, que confta 
de três Cantos, cujo argumento he a Vida de 
N. Senhora com efte titulo. 

Ao prodígio da Graça Maria SantíJJi- 
ma na fua Conceição, Encarnação do Verbo 
até o feu feli^ tranjito. Começa. 

As heróicas virtudes Jingulares 
Maravilhas, e acçoens prodigiofas 
De hiia Virgem mais pura fem deitares 
Oue no mundo fe viraõ portentojas, 
Se pode o meu talento deftes mares 
Sulcar o pélago em maré de rofas 
Com auxilio, e favor do Efpofo Santo 
Da auguJHJJima Fenis hoje canto. 
Todas eftas obras formaõ hum volu- 
me grande de folha, que conferva em feu 



i54 



BIBLIOTHE CA 



poder António Leytaõ de Faria filho do 
Author, Cavalleiro profeflb da Ordem de 
Chrifto, Cavaleiro Fidalgo da Cafa de Sua 
Mageftade, Official mayor do Senado deíla 
Corte, Efcrivaõ do AíTentamento, e Chancella- 
ria, Executor, e Contador dos Contos do mef- 
mo Tribunal, o qual para eternizar a memoria 
de feu Pay brevemente as dará à luz publica. 

ANDRÉ LOPES, muito fciente em 
a Arte Náutica, que como Piloto exerci- 
tou muitos annos efcrevendo para inllruc- 
çaõ dos que fe applicaíTem a ella. 

Roteiro ou Carta de marear de cuja obra fazem 
mençaõ o celebre Piloto Aleixo da Motta no 
Roteiro da navegação da Índia, e o moderno 
addicionador da Bibliothec. Náutica de D. 
Anton. de Leaõ Tom. 2. Tit. 3. col. 1148. 

ANDRÉ LOURENÇO FERREIRA 

Portuguez como elle declara no frontifpicio 
das fuás obras. Foy Cancellario da Univeríi- 
dade de Mompilher, Phiíico mór delRey Chrif- 
tianiíTimo Henrique IV. e do feu Confelho. 
Compoz. 

Scripta Taraceutica ubi de curjibus, de Me- 
lencholia, de Jeneãute, de morbo articulari, de lue 
Venérea (&€. Francofurti apud Guillielmum 
Fizerum 1622. foi. 

Opera omnia Anatómica, et Medica ibi 
apud Gafparem Rotelium 1627. foi. 

P. ANDRÉ LUIZ natural de Évora onde 
em idade florente abraçou o inílituto da Com- 
panhia de JESUS em 10. de Agollo de 1585 e 
naõ de 1590. como fe efcreve na Bibliotheca 
da Companhia. Por efpaço de outo annos 
diftou Rhetorica, por alguns Theologia moral, 
e por cinco foy Regente da Univeríidade de 
Évora. No minifterio do Púlpito, e interpreta- 
ção dos Textos da Efcritura foy eminente, e 
naõ menos iníigne na exafta obfervancia dos 
Eftatutos da Companhia, PaíTou da vida mortal 
para a eterna em 28. de Dezembro de 1639. 
Deixou promptos para a impreflaõ dous 
tomos ornados de varia erudição de que 
fazem memoria a Bibliothec. Societ. pag. 52. 
D. Franc. Manoel na Carta dos Author. 
Portug. que he a i. da 4. Centúria Fonf. 
"Évora Glorio/a pag. 425. Franc. Imagem 



da Virtud. em o Novic. de Evor. pag. 852. e no 
Synops. Annal. S. J. in Lujitan. pag. 277. n. 12. 
e Joan. Soar. de Brito in Theat. h,ufit. l^itterat. 
let. A. n. 33. dizendo delle Statura fuit pra- 
grandi, habitudine crajijfima, oculis ferreis, arugi- 
neo colore. Nicol. Ant. in Bib. Hifpan. Tom. i. 
pag. 62. O argumento deíles dous tomos era. 
Mqyfés Vaftor Aulicus, Orator. 
Breve difcurfo fobre a Junta dos Senho- 
res Prelados em Thomar, feito pelo Padre 
André L,ui:i da Companhia de Jefus. 4. Naõ 
tem anno, nem lugar da impreílaõ, mas he 
certamente impreíío em Lisboa. 

D. Fr. ANDRÉ DE SANTA MARIA 
foy natural da Cidade de Lisboa, fendo feus 
Pays Martim Vaz de Sampayo, e Magdalena 
do Couto. Como tiveííe na pátria felizmente 
occupado o tempo da puerícia, e adolefcencia 
no eíhido da Grammatica Latina, e letras hu- 
manas, ambiciofo de alcançar nome illuftre 
nas Campanhas de Marte, aíTim como o mere- 
cera nas de Minerva, fe embarcou para a índia 
quando contava defoito annos de idade, e neíle 
beUcofo theatro obrou acçoens, que foraã 
envejadas pelos Soldados, e Capitaens. Porém 
querendo conquiílar o Ceo fe aliílou em outra 
mais nobre milicia, qual foy a Religião Será- 
fica recebendo o Habito em o Convento de 
Cochim da Cuílodia de S. Thomé, onde apren- 
dendo as fciencias podia enfinar as virtudes, 
fendo em humas, e outras eminente. Atrahido 
da fevera obfervancia dos Eftatutos Seráficos, 
que fe pra6Hcava em a nova Cuftodia da Madre 
de Deos, alcançou faculdade do Cuftodio 
Fr. Joaõ de Ceita, para que nella foíTe ad- 
mittido, o que promptamente fe lhe conce- 
deo. Todo o feu talento empregou em 
beneficio dos feus domeíUcos enfinando a 
huns a lingua Latina, e a outros a Theolo- 
gia moral. Era muito douto nos Sagrados 
Cânones, e em todo o género de fciencias, 
que coníUtuhem hum perfeito Religiofo, 
por cujos dotes o fez o Tribunal da Inqui- 
fiçaõ, feu Deputado, e Confultor. Na Reli- 
gião occupou os lugares de Guardião do 
Convento da Madre de Deos, donde foy 
aílumpto para Cuílodio da Provinda de Saõ 
Thomè no anno de 1585. O infigne He- 
róe D. Luiz de Ataide, ViceRey do Eftado, 




L USITAN A. 



i55 



l»> 



clegeo por feu G^nfeíTor, e a Mageítade de 

ipe II. o nomeou Bifpo de Cochim, e ainda, 
que fez toda a deligencia poíTivel para naõ acei- 
tar eíla dignidade, foy nclia confirmado pela 
Santidade de Xifto V. em 19. de Fevereiro 
de 1)87. e no íeguinte fagrado neíb grande 
dignidade. Naò fe eximio de algum género 
<lc trabalho no exercício paíloral vi fitando 
todos os annos a fua Diocefe, erigindo Efcolas 
p»ra neilas fe inAruirem os Miniíbros do Altar, 
defendendo intrepidamente a jurifdicçaõ Ecclc- 
fiaílica, levantando templos, e ornando-os 
com generosa magnificência, punindo fevera- 
mcnte os pcccados efcandalofos, e difpendendo 
cfmolas com tal cxceíTo, que femprc cxccdiaô 
as fuás rendas. Mais amante da quietação 
Rcligiofa, que da dignidade Epifcopal fuppli- 
cou com grandes inftancias a ElRey, que lhe 
aceitaíTc a renuncia que naõ foy atendida fc 
naõ depois do largo tempo de 28. annos. 
Recolhido ao Convento da Madre de Deos de 
Goa exercitou com grande difvelo na ultima 
idade as virtudes, que fempre prafticara, até 
uc chegou a hora em que recebeo o pre- 
mio por ellas merecido em 10. de Novem- 
bro de 161 8. e foy fepultado na Capella, 
que elle dedicara ao Apoílolo Santo André 
com efte epitáfio. 

Aquijáf^ Fr. André Bifpo, que foy de Cochim. 

PaíTados cento, e fete annos foy aber- 
ta a fepultura a 8. de Agoílo de 1725. e achan- 
do-fe o cadáver organizado, o tresladaraõ os 
Religiofos para o Capitulo, e fobre a campa 
fe lhe efcreveraõ eílas palavras. 

Hinc refttrget o Venerável Fr. André 
Je Santa Maria IV. Bifpo de Cochim, e 
primeiro dejla Santa Provinda da Madre 
Àe Deos. Foy para aqui tresladado a 10. de 
Novembro de 1725. 

Efcrevem deíle Prelado o Padre Fer- 
não de Queirós na Vid. do Irm. Ped. do 
Bajl. liv. I. cap. 15. até 22. Fr. Paulo da 
Trindade Conquiji. Efpirit. do Oriente liv. 
I. cap. 26. Manoel de Faria, e Souz. AJia 
Portug. Tom. 3. Part. 3. cap. 4. n. 7. Car- 
dofo Agiol. L,ujif. Tom. 3. pag. 420. e no 
Commentario de 27. de Mayo letr. G. Fr. 
Jacinto de Deos Vergel de Plant. cap. i. 
Art. 4. e na Vid. dos Frad. Menor. cap. 21. 
§. 10. Fr. Fernand. da Soled. Hifl. Seraf. 



âa Prop. d$ Portug. Part. 5. liv. 2. cap. 52. 
n. 484. até 489. onde lhe aíTina a morte a 
27. de Mayo de 161 7. e mais diífufamente 
António Martins Porto Carreiro Vigário 
da A2ambu)a na vida defte ínfigne Prelado, 
que fe naõ imprimio. Efcreveo, como teT- 
tifíca Jorge Cardofo no lugar allegado. 

Carta Paftoral com que inflruya nos pontot 
principaes da Religião Catholica aos feus fubditos, 
a qual mandou traduzir na lingua de Ceylaõ 
para que foíTe mais intelligivel. 

ExpofiçaÕ fobre a Kegra de SaÒ Frandfeo, 
da qual diz Fr. Jacinto de Deos no Vergel 
de Plant. e Flor. pag. ^^. que o rigor com que 
a expo:(^ mofhou o r^elo de feu efpirito. 

De Teflamentis foi. M. S. 

A eílas duas obras confumio o tempo, 
como diz o mefmo Chroniíla. 

Informação de hum índio natural de Bengala, 
que viveo quatrocentos annos mandada a Felippe IV. 

De cuja obra fe lembraõ Fr. Jacinto de 
Deos no Vergel de Plant. p. 39. c a Bib. Ori- 
ent. de António de Lcaõ novamente acrcf- 
centada tom. i. tit. 5. col. 57. Sahio traduzida 
em Caftelhano Salamanca por António Ra- 
mires 1609. 4. de que vimos hum exemplar; 
e no fim tem huma ateílaçaõ de Diogo do 
Couto Guarda mór da Torre do Tombo 
da índia, em que aííirma haverlhe manda- 
do o Bifpo D. Fr. André de Santa Maria por 
Fr. António da Porciuncula eíla relação, 
em 2. de Agofto de 1608. 

P. ANDRÉ MARTINS natural de 
Serapicos termo da Villa de Chaves na Pro- 
vincia Trafmontana filho de Joaõ André, 
e Izabel Luiz. Tendo íido Parocho de huma 
Igreja querendo mais tratar da própria alma, 
que das alheyas, fe recolheo na Companhia 
de JESUS no Collegio de Coimbra em 28. 
de Fevereiro de 1591. quando contava qua- 
renta annos de idade. Foy exemplar em 
todo o género de virtudes aos feus domelH- 
cos, entre os quaes morreo com evidentes 
íinaes de PredeíUnado, na Cafa de S. Roque 
no anno de 1632. Efcreveo. 

Vida da Serva de Deos Ljijia dos Anjos 
Terceira de S. Francifco natural de Ponte Del- 
gada, a qual deo Joaõ Franco Barreto como 
affirma na Bih. Portug. M. S. ao Licen- 



i5ó 



BIBLIO THE CA 



ciado Jorge Cardofo para delia extrahir as 
noticias, que efcreveo no Agiol. L.ujit. a 14. 
de Fevereiro, que foy o dia, em que morreo 
a Serva de Deos, e no Commentario do dito 
dia letr. G. confeíTa fer efta vida compofta 
pelo P. André Martins. 

Fr. ANDRÉ DA NATIVIDADE natural 
da Villa de Setuval onde fahio à lu2 do mundo 
em o anno de 1605. ProfeíTou o penitente 
inftituto dos Religiofos Capuchos da Província 
de Santa Maria da Arrábida em o anno de 
1624. quando contava 20. annos de idade. 
Neíla virtuofa Efcola continuamente afligia 
o corpo com difciplinas, cilícios, e todo o 
género de afperas mortificaçoens. Por toda a 
vida fe abíleve de vinho, e andou defcalço. 
Pelo prolongado efpaço de quarenta annos 
continuos habitou a Serra da Arrábida occu- 
pado na meditação das perfeiçoens Divinas, 
recitação das horas Canónicas, e na liçaõ de 
livros efpirituaes, de cuja afcetica doutrina 
fendo difcipulo podia fer excellente Meftre. 
Obrigado pela obediência foy féis mezes Guar- 
dião do Convento de Lisboa, que naquelle 
tempo fe começou a edificar, em cujo governo 
confervou no primitivo rigor a obfervancia 
do inílituto Seráfico. Preparava-fe para o 
incruento Sacrificio do Altar com muitas horas 
de Oraçaõ, e tal era a piedade, e ternura com 
que o celebrava, que a participava aos ouvintes 
principalmente à ExcellentiíTima Duqueza de 
Aveiro D. Anna Manrique de Lara. Tolera- 
das com inviéla paciência acerbiíTimas dores 
caufadas por ter tolhidos os pés, e maõs pelo 
largo tempo de quatro annos, voou o feu efpi- 
rito para o Ceo, no Convento de Alferrara 
junto a Setuval em 50. de Novembro de 
1684. quando contava 80. annos de idade, 
e 60. de Religião. Como era perito nas ce- 
remonias Ecclefiaílicas. Compoz. 

Ceremonial, ou 'Ritual para ujo dos Fra- 
des da fua Provinda. Lisboa por Henrique 
Valente de Oliveira 1659. 4. 

Eíla obra, como ao feu Author louva Lucas 
de Andrade na Illujirac. aos Mamães da Mijfa 
Solemn. Illuílr. 9. n. 3. o P. Vr. André da 'Nativi- 
dade no Ceremonial da Provinda da Arrábida, que 
curiojamente compo^ipara u^o dos Keligiofos daquel- 
la Provinda invejiigando tudo o que nejie particular 



ejlã dijpojto pela Igreja. Semelhante Elogio 
lhe faz Fr. Jozé de Jefus Maria na Chronica 
da Prov. da Arrabid. Part. 2. liv. 3. cap. 24. 
dizendo, que com ella deo hum claro Índice 
da muita perfeição, com que celebrava o Santo 
Sacrificio da Miffa, e cumprir com as cere- 
monias do Coro. Compoz mais. 

l^arios livros devotos, que ( faõ palavras ' 
do fobredito Chronifta no lugar citado ) pela 
noffa pobret(a fe naõ chegarão a dar ao prelo. 

ANDRÉ NUNES natural da Cidade do 
Porto, e Meílre de Grammatica em Villanova, 
que fica fronteira à fua pátria, de cuja paleílra 
fahiraõ infignes difcipulos. Naõ era menos 
douto nas matérias Theologicas, que Gram- 
maticaes efcrevendo em dous tomos. ' 

Theologia Scolajiica. ' 

Os quaes mandou imprimir em Anve- 
res por fua ordem, como diz Joaõ Franco 
Barreto na Bibliotheca Lujit. M. S. 

Fr. ANDRÉ NUNES DE ANDRADE 
natural de Lisboa, irmaõ, ou fobrinho do infi- 
gne Varaõ D. Fr. Diogo Lopes de Andrade 
Bifpo de Otranto no Reyno de Nápoles, de 
quem fe fará mençaõ em feu lugar. Naõ 
fomente profeíTou como elle o inftituto dos 
Eremitas de Santo Agoftinho, que recebeo na 
Província de Andalufia, mas foy feu emulo 
aíTim na eloquência concionatoria, como na 
laboriofa applicaçaõ, com que revolvia as obras 
dos Santos Padres. Intentou reduzir a ordem 
Alfabética os lugares communs da Sagrada Ef- 
critura, e illuftrallos com commentos, mas im- 
pedido pela morte naõ pode acabar mais que 
huma parte, em que fe comprehendiaõ as 
letras A. B. e naõ fomente o A. como efcreve 
Nicolao António na Bib. Hi/pan. Tom. i. 
pag. 63. a cuja obra póz o titulo feguinte. 

l^ergel de la divina Efcritura. Córdova 
por Juan Barreira 1600. foi. Na Cenfura^ 
que por Ordem delRey fez a efta obra o 
Meftre Fr. Diogo de Ávila da Ordem da 
Santiífima Trindade juntamente com ella 
approvou a 2. Part. que chegava até a letra. 
L. como fe pode vér na pag. 3. da i. Part. 

ANDRÉ NUNES DA SYLVA Naceo „ 
em Lisboa a 30. de Novembro de i63o^| 



ji 



LUSITANA. 



Nur 

IL 



KC' 

li 



€ foy bautizado na Real Patochia de S. JuUaõ 
a 8. de Dezembro do mefmo anno. Na pri- 
meira idade paíTou com feus Pays FranciTco 
Nunes da Sylva, e Marianna da Cruz ao Rio 
Janeiro, e no Collegio dos Padres jefui- 
eíhidou naõ fomente as letras humanas, 
penetrou os myAcrios da FUorofia com 
tanto credito da fua applicaçaõ, que mereceo 
rcccl)cr o gráo de Meíire em Artes. Para 
aprender a fciencia dos Sagrados Cânones, 
ic embarcou para Portugal a 12. de Julho 
<ic i6jo. em a frota, que conílava de 22. navios, 
c querendo entrar o porto de Lisboa, o achou 
iriípcdiciu com trinta nàos Inglezas de que era 
<ícncral Alberto Black por caufa de terem 
ticllc achado afylo os Principcs Palatinos 
Roberto, c Mauricio Sobrinhos de Carlos I. 
Rcy de Inglaterra degollado pela infame rcbcl- 
ia de feus VaíTalos. Travado hum fanguino- 
nto combate entre a Armada Inglcza, c Frota 
ortugueza, cm que foy abrazada a nofla 
Almirante, c rendidas fetc nàos mercantis 
licou André Nunes prizioneiro, e alcançando 
liberdade em Cadiz fe reftituhio pelo Algarve 
.1 Lisboa, onde reftaurado das moleftias pade- 
cidas paíTou à Univerfidade de Coimbra eílu- 
dar Direito Pontifício de cuja faculdade rece- 
líeo o grào de Bacharel em 3. de Novembro 
de 1656. com applauzo dos feus Meftres. 
Ordenado de Sacerdote regulou todas as 
acçoens da fua vida pelas obrigaçoens de taõ 
fublime eftado. Foy hum dos mais celebres 
alumnos da Academia dos Singulares, onde ex- 
plicou aquelles dous Oráculos da Politica, e 
Poefía Cornelio Tácito, e Luiz de Camoens. 
Nefte erudito theatro fe admirou repetidas 
vezes a métrica confonancia das fuás vozes, e a 
elegante energia dos feus difcurfos alcançando 
multiplicados Elogios dos feus Collegas. Pene- 
trado de hum heróico defengano defprezou 
todas as conveniências temporaes, e fe reco- 
Iheo a 6. de Julho de 1684. na Religiofa Cafa 
dos Padres Theatinos, em cuja Companhia em 
o largo efpaço de 20. annos obfervou fem 
obrigação de votos huma vida exemplar. 
Foy cordial devoto do immaculado Myfte- 
rio da Conceição da Senhora em cujo reve- 
rente obfequio lhe confagrava annual- 
mente hum Soneto, e concedendo-lhe o 
Cabido da Cathedral de Lisboa huma Capela 



.57 

dedicada a eíla pura invocação fítuada na Fre- 
guezia de N. Senhora das Mercês, para que 
a ornaíTe, eile o executou com funima defpeza, 
e igual decência edificando-lhe hum novo 
Altar, e debabco delle mandou abrir a fua 
fepultura. Ao tempo que contava 74. annos 
de idade foy acometido ác hum accidcnte de 
parlczia a 29. de Abril de 1705. tendo acabado 
de dizer Miíía, e recebendo o Sacramento da 
Lxtrenu Unçaõ com fumma piedade entre 
vários ados de Fé, e refignaçaò na vontade 
Divina placidamente efpirou a 5. de Mayo 
de 1705. O feu cadáver foy conduzido aos 
hombros dos Sacerdotes da Venerável Irman- 
dade de S. Pedro, e S. Paulo, da qual era Irmaõ, 
e fcpultado no lugar, que em vida tinha dif- 
poílo para feu jazigo, que era no pavimento da 
Capella da Senhora da Conceição, onde^infti- 
tuhio huma MiíTa perpetua pela fua Alnu appli- 
cando-lhe hum juro de feflcnta c cinco mil reis. 
O P. D. Manoel Caetano de Soufa, cm memo- 
ria da ílncera amizade, que com elle tivera, 
compoz hum Difcurfo Hiflorico, c Panegyrico 
da fua vida, que ficou imperfeito, lembrando-fc 
na grande obra intitulada Exped. Hifpan. 
S. Jacob. Tom. 2. pag. 141 9. n. 287. da fua 
peííoa com efte breve Elogio Fuit lauda- 
tijfimis morihus, et Sacerdote dignis... magnum 
fui omnibus relinquens defiderium. 
Imprimio. 

Poejias varias f acras, e profanas. Lisboa 
por Domingos Carneiro 1671. 8. 

Hecatombe facra, ou facrificio de cem viãimas, 
em que fe contem as principaes acçoens da vida 
de S. Caetano. Lisboa por Miguel Deflan- 
des i686. 8. Coníla de cem Sonetos. 

Sonetos à Conceição da Virgem Senho- 
ra Nojfa. Lisboa por Manoel Lopes Fer- 
reira 1693. 8. Coníla de 30. Sonetos. Sahi- 
raõ fegunda vez Lisboa por Pafchoal da 
Sylva Impreflbr de fua Mageílade 171 6. 4. 
com dez Sonetos ao mefmo Myfterio, com- 
poílos pelo P. D. Manoel Tojal da Sylva 
Clérigo Regular. Defta obra fe lembra o 
P. António dos Reys no feu Enthuf. Poetic. 
n. 188. 

Oraçaõ recitada na Academia dos Singula- 
res em 17. de Fevereiro de 1664. Sahio na 
I. Part. da Academia dos Singul. pag. 313. 
Lisboa por Manoel Lopes 1692. 4. 



i58 



BIBLIOTHE CA 



Oraçaõ em ver/o em hum Certame, e 
recitada na mejma Academia. ImpreíTa na 
2. Part. da Academia dos Singul. pag. ii8. 
Lisboa pelo dito ImprelTor 1698. 4. 

Oraçaõ recitada na dita Academia em 
19. de Fevereiro de 1665. ImpreíTa na 2. 
Part. da Acad. dos Singul. pag. 380. 

Neílas duas Partes fe achaõ impreflbs 
doze Sonetos feus a diverfos aíTumptos. 

Cançaõ à vistoria do Amexial que le- 
vou o primeiro premio, a qual começa. 
Glorio/o Conde a cuja fama o mundo 
De esfera breve he ponto limitado. 

Sahio com as mais obras a eíle aíTumpto 
Amílerdaõ por Jacobo Van-velfen 1673. 4. 
Obras M. S. 

Arte de Khetorica. 4. 
h.içaõ Académica fobre o Poema de Lui^ de 
Camoens. 

Liçoens Académicas fobre as Hijlorias 
de Cornelio Tácito. 

Lif^arda Novella Caílelhana. 

Hecatombe facra em Sonetos Caftelha- 
nos. Tradução dos Portuguezes já impref- 
fos a qual eílava prompta para a impreíTaõ. 

De:^ Sonetos à Conceição da Senhora, 
que intentava imprimir no anno em que 
morreo juntamente com os trinta já impreflbs. 

Vinte, e Quatro Sonetos Cafielhanos à Conceição 
da Senhora. Traducçaõ dos primeiros vinte, e 
quatro que entre os trinta tinha impreflbs. 
Kimas varias 1 . Tom. 

Poema de Jerufalem L^ibertada de Torquato 
Taffo traduzido em Portuguez pelo Doutor 
A.ndré Rodriguez de Mattos, o qual coníla de 
191 5. Outavas, das quaes tinha emendado An- 
dré Nunez da Sylva 349. fazendo muitas de 
novo, obra que emprendeo ( como diz na 
advertência preliminar ) por credito da lingua 
Portugueza. 

Seis Sermoens o 1. do SantiJJimo Sacramento. 
o z. da Circuncifaõ. ^. de N. Senhora dos Prat^eres 
com profijfaõ. 4. das Cadeas de S. Pedro. 5 . dos 
Apojlolos S. Pedro, e S. Paulo. 6. de Saõ Bernardo. 

Todas eftas obras fe confervaõ na Li- 
vraria dos Padres Theatinos da Divina Pro- 
videncia deíla Corte. 

P. ANDRÉ PALMEIRO. Teve por pá- 
tria a Cidade de Lisboa, e por Pays a António 



Palmeiro, e Salvadora Fernandes. Quando 
contava quinze annos recebeo a Roupeta 
da Companhia de Jefus no Collegio de Coim- 
bra a 14. de Janeiro de 1584. Depois de fer 
Meílre de Humanidades 6. annos, de Filofo- 
fia 4. e de Theologia 12. foy Reytor do Colle- 
gio de Braga. Querendo lucrar almas para 
Chrifto nas vaílas regioens do Oriente partio 
no anno de 161 7. com onze companheiros 
merecendo, que o D. Eximio o P. Francifco 
Soares Granatenfe, em huma Carta latina, 
que efcreveo a hum Padre, que afliftia na 
índia lhe fizefle o feguinte Elogio In In- 
diam profifcifcitur P. Andreas Palmerius magnus 
fane vir, nemini in Lufitania fecundus. A fua 
grande capacidade ornada de fumma prudên- 
cia o conílituhiraõ digno de fer Deputado 
da Inquifiçaõ de Goa provido a 10. de Mayo 
de 1621. Reytor do Collegio de S. Paulo, Viíi- 
tador do Malavar, e da Provinda do Japaõ, e 
Provincial por efpaço de 8. annos das Provín- 
cias de Goa, e Malavar. Difcorreo pela mayor 
parte da China até chegar a Nanquim, e Pequim 
principaes Cortes de taõ vafto Império, em 
cujas jornadas padeceo intoleráveis trabalhos 
para beneficio das Chriílandades, que o feu 
zelo intentou eflabelecer nos Reynos de 
Tunquim, Camboya, e Aynaõ. Foy no mandar 
benigno, no comer parco, e no orar continuo. 
Accometido na ultima infermidade de acer- 
biflimas dores as tolerou com inviâa pacien 
cia, e refignado na Divina vontade acabou 
a vida na Cidade de Macao a 4. de Abril de 
1635. Efcreveo. 

Carta ao Padre Ixinda António Japo- 
ne!^ da Companhia de JESUS em que lhe 
dá os parabéns da fortaleza com que tole- 
rou o cruel tormento das aguas de Ungem. 

A qual fe pôde ler imprefla em a Imag. 
do Nov. do Collegio de Coimbra Tom. 2. 
liv. 4. cap. 36. compofto pelo P. António 
Franco, onde faz memoria de feu Author, 
e no Ann. Glor. S. J. in Luft. pag. 187. 
como também o P. Pedro Francifco Xa- 
vier de Charle voix Hiflor. du Japon. Tom. 2. 
pag. 308. 

Fr. ANDRÉ DE S. PAULO Naceo 
na Villa de Serpa na Província do Alen- 
tejo no anno de 1579. de Pays nobres em 



LUSITANA. 



iSç 



de 



cuja companhia vivendo trinta annos, e conhc- 
cciulo ainda que mancebo com prudência de 
velho a caduca duração das delicias munda- 
nas bufcou refolutamente as eternas na auftera 
reforma da Provinda da Arrábida, onde pro- 
Icllou no anno de 1609. Foy vivo exemplar da 
mais rigorofa penitencia, de fumma parci- 
monia na meza, de perpetua contemplação 
no Coro, de exaâa obfervancia da regra, ini- 
migo jurado do ócio, e fingular amante da 
pobreza. Nunca detrahio da fama do pró- 
ximo, antes aborrecia com tal exceíTo eíle vicio, 
que alguns annos antes, que morreíTe, alcan- 
çou de Deos o fer furdo para que naò ouviíTc 
os murmuradorcs. Todo o tempo que tinha 
vago das obrigaçocns de Religiofo o occu- 
pava na liçaõ dos livros aíTim aíceticos, como 
hiftoricos, donde extrahio noticias com que 
•compoz muitos volumes, que ainda fc con- 
,õ M. S. Foy Mcílrc dos Noviços, Guar- 
de muitos Conventos, e ultimamente 
nidor, naõ lhe fervindo todos eftes lugares 
de impedimento para que deixaíTe de efcrever 
beneficio da republica litteraria tantas 
"obras, cujo progreíTo fufpendeo a morte pri- 
vando-o da vida em 20. de Janeiro de 1669. 
cm o feu Hofpicio de Lisboa em idade de 90. 
annos, e de Religião 60. Deixou efcrito pela 
lua maõ. 

Das Familias Keligiofas, que floreceraÕ em 
Portugal principalmente Carmelitas, Agojlinhos, 
affim Cónegos, como eremitas; Bentos, do tempo 
em que entrarão em Portugal, fuás fundaçoens, e 
pro^effos. Tom. i. dividido em 3. livros foi. 

Das Familias Sagradas, que tem por infii- 
tuto a Hofpitalidade, e de como efta virtude deve 
fer exercitada com os Keligiofos Tom. 2. dividido 
em 5. livros, foi. 

Na prefação defte tomo affirma ter cõpof- 
to outros três, dos quaes os primeiros trataõ. 

Das Sagradas Keligioens Militares, que antiga- 
mente floreceraÕ, e agora florecem. foi. O Terceiro. 

Do principio da Jua Provinda, das fundaçoens 
dos f eus Conventos, e das acçoens, e mortes dos f eus 
Keligiofos foi. Naõ permitio (como efcreve Fr. 
Jozé de Jefus Maria na Chron. da Prov. da 
Arrab. Part. 2. liv. 3. cap. 15. fallando delias 
obras ) a nojfa grande pohre^^a, que fe commu- 
nicaffem ao Mundo por mejo do Prelo. 

Vida do Ven. Fr. Fernando de Santa 



Maria Kiligiofo Arrabido de que faz roençaõ 
Jorge Cardofo Agiol. Lujit. Tom. 2. pag. 
225. no Commentario de 18. de Março iet G. 
Vida de Fr. Francifco dos Keys da Prop. 
da Arrábida, allega o meímo Cardofo 
Tom. 5. pag. 598. no Commentario de 
24. de Mayo iet. O. chamando ao Author 
Ktligiofo antigo, t gravt. 

P. ANDRÉ PINTO RAMIRES. Naceo 
em Lisboa no anno de 1596. e logo na Tua 
infanda pareceo, que fora mais animado pela 
piedade, que pela natureza, pois naõ contando 
féis annos de idade para merecer a protecção 
da Mãy de Deos a quê venerava com aífeâuo- 
fos obfequios lhe fez voto de Caítidade, que 
confervou illefa por todo o difcurfo de Tua 
vida. Ouvio as letras humanas na efcola do 
iníigne P. Francifco de Mendoça, do qual faz 
agradecida memoria no Commento dos Cantares 
lib. 3. cap. I. v.o 13. §. 5 . e com a doutrina de 
taõ grande Meftre fahio perfeitamente iníirui- 
do tanto na Oratória, como na Poética, naõ 
fendo menores os feus progreíTos na Filofofia, 
na qual penetrando os feus mais recônditos 
myfterios recebeo o gráo de Meftre em Artes. 
Ao tempo, que com mayor applicaçaõ eftiidava 
na Univerfidade de Salanunca a Theologia, e 
querendo inftruirfe na perfeição Evangélica 
entrou na Companhia de Jefus, quando tinha 
22. annos, onde fe conftituhio hum perfeito 
exemplar de todas as virtudes Religiofas. 
A mayor parte do tempo, que lhe reftava de 
ouvir peccadores no Confiflionario, e repre- 
hender vicios no Púlpito, o confumia na Liçaõ 
dos Santos Padres donde extrahia copiofos 
thefouros de fagrada erudição. No Colle- 
gio de Villagarda diâiou Humanidades aos 
feus companheiros por muitos annos, e em 
Salamanca explicou a Sagrada Efcritura 
com grande fruto dos feus Ouvintes. Reti- 
rado ao Collegio de Monforte para com 
mayor focego fe dedicar à contemplação 
das delicias celeftiaes deixando iguaes do- 
cumentos da fua fdencia, e virtude paflbu 
defta vida à eterna em 23. de Mayo de 1654. 
Delle fallaò com elogios Biblioth. Societ. 
pag. 5 5 . dizendo vir fuit non eruditione tan- 
tum, fed morum etiam candore, virtutum- 
que Keliffofarum commendationa confpicuus. 



lÓO 



BIB LIO THE CA 



Nicol. Ant. in Bib. Hifp. Tom, i. pag. 65. 
Hipol. Marracius Bib. Marian. Part. i. pag. 91. 
Divini verbi praco eximius, infignique virtute, doc- 
trina, ac Keligione ornatus, e Jacobo Lelong. in 
Bibliothec. Sacr. pag. mihi 907. col. i. Compoz. 

In Cant. Cantic. dramático tenore literali 
allegoria, et tropologicis notis explicatum. Lug- 
duni fumptibus Gabriel BouíTat, & Lau- 
rentij AniíTon. 1642. foi. 

Deipara ab originis peccato prafervata opus 
Cathedris, (ò" fuggejiibus non inutile : ubi pofiquam 
Jcholajlico tenore quadam breviter expendmtur, 
fujíjfime deinde ab Scriptura et Patribus amanio- 
res /emitas exerrat calamus. ibi apud eumd. 
Typog. eod. anno. foi. 

Utriufque Principum politices parallela 
iujia et iniqua ad cap. IJai 14. Lugduni apud 
Petrum Proft. 1648. foi. 

SacrcB Scriptura feleãa, Jive fpecilegium expla- 
nandce littera moribus illufirandis. Lugd. eodem 
anno foi. 

Commentaria in Epijlol. Chrifti Domi- 
ni ad Epifcopos Ajice in A.pocalypfi conten- 
tas, Lugd. per eumd. Typog. 1652. foi. 

Fhilalelia, hoc eft, honeftijfima fabula pro fide 
amicorum reciproca ibi apud eumd. Typog. 1647. 
foi. Nicolao Ant. na Bib. Hifpana. com mani- 
feílo erro lhe atribue a obra de Chrijius Cru- 
cifixus, que certamente he feu Author o P. 
Diogo Pinto da Companhia de Jefus. 

Segunda parte dela maravilloja vida dela 
Venerável Virgen Marina de Efcobar. Madrid 
por la viuda de Francifco Nieto 1673. foi. 
Sahio eíla obra poílhuma. 

Scholia in Statium Papinium de cuja 
obra diz a Bibliotheca da Companhia; eru- 
ditionis plena, fed non omnino perfeãa. 

ANDRÉ DE QUADROS natural de 
Santarém filho de Simaõ de Quadros, e 
Joanna Pereira, Cavalleiro da Ordem de 
Chriílo, e Provedor das Valias, Lizirias, 
e Paus. Foy naõ menos illuítre por geração, 
e proefas militares, que pelo efpirito poético, 
com que fez celebre o feu nome nos Rey- 
nados de D. Joaõ o III. e feu Neto D. Se- 
baíliaõ, a quem acompanhou na infeliz ex- 
pedição de Africa no anno de 1578. onde 
ficou cativo. Ainda, que por incúria dos 
feus Coevos naõ fe fez publica alguma das 



fuás obras poéticas, o génio, e talento, que 
tinha para a cultura da Poefia, eternizou na 
poíleridade o infigne Pedro Sanches na 
Carta efcrita a Ignacio de Moraes em que 
faz hum illuftre Cathalogo dos Portuguezes 
profeíTores daquella divina Arte fendo hum 
dos mayores delles André de Quadros, ou 
Quadrado como lhe chama dizendo. 
Hiic precor, húc óculos Moralis fleãe; videjne 
Infignem juvenem pulchris qui fulget in armis,. 
At que hederá cingi t galeam, lauroque coronaílf 
Ille eft Quadratus generofo fanguine cretus 
Nonne vides faciem ingenuam, et grande inftar in 

ipfo? 
Hic quondam noftras puerili atate Camanas 
Dilexit, quas nunc juvenis veneratur, amat- 

que, 
Exercetque libens nimium dileãus ab illis 
Et Pòabo carus: qui quamuis Mar tia bel la 
Traãet, et armorum crepitu, clangore tu- 

barum 
Gaudeaf, atque alacri hinnitu latetur equorum; 
Non tamen Aonidum fontes, lucofque reli- 

quit, 
Exemploque fuo noftris oftendit aperte, 
Nunquam Mufarum catus, flavamque Mi- 

nervam 
Eneruare animum, aciemque retundere ferri, 

Fr. ANDRÉ DOS REIS Natural de 
Coimbra. Recebeo o Habito dos Carme- 
litas Defcalços no Convento de N. Senhora 
dos Remédios de Lisboa onde profeíTou a 
9. de Janeiro de 1639. e nefta reformada 
Familia fempre fe diiHnguio pela innocen- 
cia da vida, e profundidade da fciencia. 
No CoUegio da fua pátria diftou Filofofia, 
e Theologia aos feus domeíticos com tanto 
credito do feu talento, que ainda que 
oculto nos Clauftros fe manifeílou com tal 
exceíTo, que era fempre confultado nas ma- 
térias mais graves, principalmente perten- 
centes à reâ:a adminiftraçaõ do Tribunal do 
Santo Officio. Foy infigne Pregador, mi- 
niílerio que exercitou nos mais celebres Púl- 
pitos da Corte, aonde era taõ grande o ap- 
plauzo como o concurfo. Com fumma pru- 
dência adminiílrou o lugar de Reytor do 
CoUegio de Coimbra, Provincial, e Difini- 
dor de toda a Congregação de Caílella. Mais 



L USITAN A. 



lói 



licyo de virtudes, que annos morreo no G>I- 
^io (Ic Coimbra no anno de 1697. Impri- 



inio. 



ScrmiÕ dt Santa Maria Maji^dalwa d» 
''''\V P^^jlfl^o na fua CanonÍ!(açad no Con- 
rufo do Carmo de IJsboa ImprcíTo no livro 
intitulado Vorafteiro admirado Part. 2. pag. 
III. Lisboa por António Rodriguez de 
\brcu 1672. foi. 

SermaÕ da admirável AcenfaÕ dt Chrif- 
to pregado em o Mojleiro de Santa Anna de 
Coimbra. 

SermaÕ de Santa Ifabel Rainha de Por- 

ngal pregado de tarde em o Rea/ Convento 

I dt Santa Clara de Coimbra. Sahiraõ juntos 

I eftes dous Sermoens Lisboa: por Henrique 

! Valente de Oliveira. 1659. 4* 

Epitome de pias, e doutas confederações fobre o 
Divino Sacramento Jacrilegamente roubado. Lisboa 
por Domingos Carneiro 1671. 16. fahio fem 
o nome do Author que parte delle compoz, 
c parte compilou de outros Authores. 

Commentaria in Genefem. foi. M. S. Con- 
Icrva-fe no Collegio dos Carmelitas Defcal- 
I|B6 de Coimbra. 

Deixou muitos, e doutos pareceres que 
fez por ordem dos Inquifidores fobre ma- 
térias pertencentes ao Tribunal do Santo Of- 
ficio, e outras matérias de que fe podia for- 
mar hum volume de juíla grandeza, e fo- 
mente fe imprimio o que fez fobre eíla 
queílaõ. 

Utrum liceat immo valide pojftnt fideles 
in hoc Ljífetama regto, <& ejus ditionibus de- 
ites plures Bulias Cruciatas pro fuo libito 
intra ejujdem anni curriculum pro mortuis ac- 
cipere; an Jolumodo duas, alteram anni prin- 
pio, alteram anni médio fecut ipfe vivi pro fe 
accipere valent? Sahio à luz publica in Quaf- 
tionib. Seleã. de Bulia Sanãa Cruciaía Auftore 
D. Laurentio Pires de Carvalho Tom. i. 
^ P^g- 59- 3.té 70. 

O P. D. Manoel Caetano de Souza lhe 
chama pag. 76. do livro allegado das Quefe. 
Seleã. da Bulia: Vir à Theologica eruditione, 
à Sacra eloquentia, <âf à notitia Hifeoria Ecle- 
feafticcB laudatijftmus, e Fr, Martial. a S. Joan. 
Bapt. in Bib. Script. Carmel. Excalc. pag. 17. 
Scientia, (ò* pietate in tota 'Lufitania venera- 
tioni ftdt. 

16 



ANDRÉ DE RESENDE cujo nome Terá 
fempre celebre nos Annaes da Republica 
litteraria, naceo na ílluílrc Cidade de Évora 
no anno de 1498. e foy íUho de Pedro Vaz 
de Resende, e Angela Leonor Vaz de Góes 
ambos defcendentes de nobres I^amilias prin- 
cipalmente a dos Résendes de que elle ainda 
que modeAiffimo fendo provocado íe van- 
gloria efcrevendo a Jorge Coelho Jaãabis 
tu forfan Calios tuos, aut potius Cuniculos: oppo- 
nam ego clarijftmam olim, &" nunc non ohfcuri, nec 
humilis faftigij Refendiorum genttm à Vafco 
Martino Refendio, cui magno cognomen fiHt, atava 
per Gallionem feu mavis Aígidium Vafeum aha- 
vum, Vafeum Martin um minorem proavum, Mar- 
tinum Vafeum avum, Andream Vafeum patrem 
Refendios ad me legitimis nuptiis, (ò^ liberali 
matrimonio derivatum. Ego "Lufetani equitis filius 
fum, qui bello Hifpanienfe fanguinem pro pátria 
non femel fudit. Na pueril idade de dous annos 
ficou Orfaõ de feu Pay, mas fuprio efta fal- 
ta a prudente vigilância da Mày, que conhe- 
cendo o agudo, e perfpicaz engenho, de 
que o dotara liberalmente a natureza, o mandou 
inftruir naquelles rudimentos de que eraõ 
capazes os feus annos, para que fizeíTe mayo- 
res progreíTos nas fciencias de que dava firmes 
efperanças o feu génio. Profeííou na flor da 
adolecencia o inílituto da Sagrada Ordem dos 
Pregadores, cujos Prelados admirando a viva- 
cidade da fua comprehenfaõ o mandarão 
no anno de 15 12. a Alcalá, e depois a Sala- 
manca, onde aprendeo as letras humanas com 
António de NebriíTa, e Ayres Barbofa Orá- 
culos da Lingua Latina, e Grega, e fahio em 
hum, e outro idioma taõ perito, que chegou 
a arrebatar as attençoens deíles dous iníignes 
Meílres, naõ fendo menos verfado na Hebraica, 
em que o inílruhio o celebre Nicolao Clenardo, 
que da mefma Univeríidade de Salamanca o 
trouxe para Meílre da de Coimbra por or- 
dem de ElRey D. Joaõ o HL Com a mefma 
facilidade eíhidou as fciencias mayores rece- 
bendo a borla doutoral na faculdade de 
Theologia. Dezejofo de augmentar os the- 
fouros de erudição fagrada, e profana, que 
já poíTuia, paíTou a Pariz, onde mereceo as 
eílimaçoens dos Varões mais doutos daquel- 
la Univeríidade naõ fendo inferiores as que 
lhe fizeraõ Joaõ Vafeo, Joaõ Campenfe, 



102 



BIB LIO THE CA 



e Rogero Refcio egrégios profeíTores das lín- 
guas Latina, Grega, e Hebraica. Deíle domi- 
cilio fe transferio para Bruxellas obrigado 
da authoridade de D. Pedro Mafcarenhas 
Embaixador delRey D. Joaõ o III. ao Cefar 
Auílriaco, convidando-o para que o inftruifle 
nas letras humanas, a cujo eftudo era muito 
inclinado, e obedecendo promptamente à 
iníinuaçaõ do Embaixador o tratou com parti- 
culares fignificaçoens de afFefto, e o iníinuou 
na graça de Carlos V. que fummamente efti- 
mava a Réfende ufando com elle de tanta bene- 
volência, que muitas vezes fe lembra defte 
Príncipe com agradecidas expreíToens. Rece- 
bendo em Flandes a funeíla noticia da morte 
de fua Mãy a quem terniíTamente amava, 
voltou no anno de 1534. a Évora, onde lhe 
confagrou à fua memoria como indelével 
padraõ do feu aflFefto eíle elegantiíTimo 
epitáfio. 

Memoria, et pietati dicatum. 

Salve mea Mater famtna innocentijftma cui me 
inter emas reliãum pius pater fidei tua non ignarus, 
extrema você comifit moriens: cujujque perpetuo 
caftijfimoque viduvio educatus liheraliter annos tri- 
ginta cão quidquid id atatis Jum , quidquid futurus 
pojiea acceptum fero: audita morte tua adfum 
ah ultimis Germanis parentatum. Conlacrumans 
fncBJliter jufta folvi, & quoniam Te una mea 
mater adempta miferabilem, et orbum tadet 
pátria olim dulcijjima, iterum peregre revertor. 

L. Andrèas Refendius 

Angela l^eonoria Vajia matri pientijjima 

& B. M. D. S. P. 

Taõ altamente lhe penetrou o coração efta 
fatal calamidade, que para naõ ter prefentes 
os eftimulos de huma pena, que julgava fer 
inconfolavel determinou auzentarfe para fem- 
pre da fua pátria; porém como ElRey D. 
Joaõ o III. naõ quizeíTe, que o Reyno ficaíle 
defraudado de hum taõ infigne Varaõ, lhe im- 
pedio a refoluçaõ nomeando-o Meítre de feus 
Irmaõs os Infantes D. Aífonfo, D. Henrique, e 
D. Duarte ( e naõ ElRey D. Manoel, feu Pay 
como com erro manifefto efcreveraõ Mireo, 
e Scoto na Bib. Hifpan. ) e antevendo, que 
a vida Clauílral, que profeíTava, lhe ferviria 
de grande obílaculo para exercitar eíle mi- 
niílerio, alcançou faculdade Pontifícia para 
que mudaíle o Habito Religiofo pelo 



Clerical, o que executou no anno de 1J40. 
e ainda que viveo o largo efpaço de trinta e 
três annos feparado da companhia dos feus 
Religiofos fempre obfervou exaâamente a dif- 
ciplina regular, como fe vivera no Clauftro, 
vendo-fe fomente a mudança no Habito, 
e naõ em os coftumes. Na fua pátria habitava 
em humas Cafas, que tinhaõ hum ameno 
jardim, cujo circuito eftava ornado de antigos 
mármores, em que fe liaõ gravadas varias 
infcripçoens. Pouco diftante delias edificou 
huma Quinta muito deleitavel pela copia 
de arvores, e abundância de agua, que corria 
de huma fumptuofa fonte, na qual eftavaõ 
abertos em hum mármore eftes Verfos. 
Exere Nai caput tenebroja é rupe; la t um que 

Vi/e tibi facrum, pomiferumque nemus; 
Per quod ubi lato difcurris libera fluxu 
Arboribus veniat copia lata tuis. 

Sobre eíta fonte levantou huma Cafa de 
prazer, e no feu frontifpicio eftava efculpida 
huma Cruz, em cujo pé fe liaõ eftes Verfos. 
Fleãe genu; en Jignum, per quod vis viãa tyrani 

Antiqui; atque Erebi concidit Imperium: 
Hoc tu jive pius frontem, Jive peãora Jignes, 

Nec Lemurã injidias, fpeãraq vana time. 

Para efte diliciofo domicilio fe retirava 
alguns dias onde acompanhado dos feus fa- 
miliares paíTava o tempo altercando com 
elles varias queftõens litterarias. Como foíTe 
fempre inimigo do ócio abrio nas fuás 
Cazas, que eftavaõ contíguas ao Palácio Jj^ 
Archiepifcopal, Efcola publica aonde con- "^ 
corriaõ as principaes peíToas da Cidade de 
Évora a ouvir a fua doutrina diftinguindofe 
entre todos o Cardial D. Aífonfo, que o ef- 
timava com tanto exceíTo, que muitas vezes 
lembrado das inftruçoens que delle recebe- 
ra, entrava nella deleitando-fe de fer ou- 
vinte da fua grande erudição. Foy fempre 
ornado de efpiritos generofos, e de hum def- 
prezo taõ heróico de todas as dignidades 
do mundo, que fendo fummamente aceito 
ao Emperador Carlos V. a ElRey D. 
Joaõ o III. e aos Infantes feus Irmaõs, nunca 
teve ambição de algum lugar honorifico, i 
fendo o feu mayor difvello eftar continiia- 
mente revolvendo os livros, e efcrevendo 
em diverfas línguas, que perfeitamente fabia, 
as fuás doutas, e varias compofiçoens. 



L USITAN A. 



IÓ3 



Na indagação dos monumentos da and- 

gnidade Romana foy íingular, chegando oeSbt 

género de eftudo a tal exceíTo, que todas as 

vezes que fazia jornada para alguma parte, 

levava diverfos inílrumentos para com elles 

01 extrahir das entranhas da terra. Naõ 

Applicou menor cuidado no exame das Aâas 

dos Santos examinando para eíle fim os mais 

celebres archivos das Igrejas de Portugal, e 

(Caftella, de cujo immenfo trabalho colheo 

[ copiofo fruto, como efcreveo Galefino na pre- 

I liçaõ do Martyrologio; Lsiflratis Hifpania 

Bajilicis, Catbidralibus, compirti/que aníiquis íabu- 

I Us SanÚorum Hijpanorum Hijloriam diferia ora- 

tione contexvit, e Joaõ Vafco in Chron. Hifp. 

, Part. I. cap. j. Certe Sanílorum hijiorias Hif- 

Ij panorum non alibi meliore fide /criptas reperias; 
\ ^s ille ante annos muitos luftrata fere iota Hif- 
pania tamquam quod futttrum erat prafagiens, et 
f uni mo Jludio perquafuàt, et ex Ecclefarunt libris, 
ubi quam emendatijfimé reperiri poterant accu- 
ratijftme defcripfit. Por efta caufa mere- 
ceo a primazia entre os mais celebres anti- 
ciuarios aflim fagrados como profanos fendo 
confultado como Oráculo pelos mayores 
eruditos da Europa como expreflamente o 
confeflaraõ Vafeo no lugar já allegado cap. 6. 
Si quid mihi fuboriretur fcrupuli ad illum 
fcjmquam ad afylum quodãam femper confugi, 
cnjus exaãijftmum in re li t ter ar ia judicium 
non folum ego femper maxime feci, e Scoto 
in Bib. Hifp. Tom. 3. ClaíTe 2. pag. 481. 
Antiquitatis quoque pátria, prafertim vero f acra 
peritus in paucis fuit; ut omnis avi memoriam 
animo comprehenfam haberet, ferrereturque in 
oculis quafi Oraculum ejfet civitatum. Conful- 
ttts itaque frequenter Hifpanis de rebus, et antiqui- 
tate à doãijftmis hominibus, qui fafces illi fub- 
jecerunt (ò'c. Foy iníigne Poeta imitando fiel- 
mente nas Epiftolas a Horácio, e nos Poe- 
mas a Virgilio. Naõ foy menos feliz na 
Oratória obfervando reUgiofamente os pre- 
ceitos do Príncipe da eloquência Romana 
de que faõ claros argumentos as Oraçoens, 
que recitou, huma em a Univerfidade de 
Lisboa em o i. de Outubro de 1534. 
c outra quando era Lente de Humanidades 
na Univerfidade de Coimbra em 28. de Ju- 
nho de 15 51. conciliando pela expreflaõ 
dos termos, e energia da reprefentaçaõ os 



applauTot de todos os Académicos. O Teu 
eÃiyb era grave, elegante, e diícreto, afeâando 
muitas vezes algumas palavras efcuras em 
obfequio da Venerável antiguidade de que 
foy obíervanti/Timo cultor. Soube com perfei- 
ção a Arte da Mufica, cujos fuaves preceitos 
deftramente exercitava naÕ fomente cantando, 
mas tangendo diverfos loíbumentos. Na 
fciencia Theologica naõ mereceo menor vene- 
ração, que na Rhetorica Ecclcfiaftica com a 
qual cm numerofos Auditórios fez taô ref- 
peitado o fcu nome, que o elegeo por íeu 
Pregador LlRey D. Joaõ o IIL e o foy do 
SereniíTimo Infante Cardial D. Henrique. 
Eíles taô infigncs dotes de que prodigamente 
o ornou a natureza, e a arte, lhe alcançarão 
as eílimaçoens dos Monarchas, e Príncipes 
Portuguczcs; dos Varocns mais famofos do feu 
tempo, como foraõ Jeronymo Oforio, Damiaò 
de Góes, Achilcs Eílaço, Jeronymo Girdofo, 
e Diogo Mendes de Vafconfellos Portugue- 
zes, Erafmo Roterodamo, Qjnrado Goclenio, 
e Joaõ Vafeo Flamengos, Joaõ Phlu, c 
Joaõ Dantifco Polacos, o Cardial António 
Puccio Italiano, e Martim Afpilicueta Navarro, 
GracilaíTo, Ambrofio de Morales, Barthola- 
meu Kabedo Efpanhoes, e por outros Sábios 
com quem teve erudita comunicação. Confi- 
derando, que era mortal mandou laurar a fua 
fepultura na entrada do Capitulo do Convento 
dos Dominicos de Évora querendo confervar 
entre a frialdade das cinzas o ardente affecto, 
com que fempre amara a Religião de que fora 
filho. Na Campa fe gravou efte Epitáfio. 
L. Andraas E^fendius H. S. E. 
Morreo na fua pátria em 9. de Dezem- 
bro de 1573. quando contava 75. annos de 
idade. Foy de eílatura alta, oUios gran- 
des, cabello crefpo, cor morena, de afpeâo 
alegre, e taõ afíavel para os domelHcos, 
como fevero para os difcipulos. O feu 
nome fera fempre memorável na poíle- 
ridade, e nunca baílantemente applaudido 
pelas pennas dos mayores Efcritores pois 
além dos aUegados o celebraõ Andrad. na 
Chron. delKey D. JoaÕ o III. Part. 3. cap. 69. 
chamando-lhe Homem de muitas letras, e 
authoridade. Eftaço Asitig. de Portug. cap. 
2. §. 25. Injigne Theologo, e illuftre anti- 
quário . . . I-Mme notável de varia erudição. 



IÓ4 



BIBLIO THEC A 



e universal Doutrina a quem como a Oráculo 
acudiaõ com fuás perguntas JoaÕ Vafeo, Joaõ de 
Barros, Ga/par Barreiros, Diogo Mendes de 
l^af conceitos, Bartholameu Kebedo Cónego de Toledo, 
Ambrojio Mor ales, e outros, e cap. 44. §. 4. 
Excellente Theologo, Orador, e Poeta, Barreiros 
Corograph. foi. 2. Varam muy douto em todo 
o género de difciplinas, e grande invefiigador 
de coufas antigas. Ofor. in Epijl. Nun- 
cup. de rehus Emman. Vir doãijfimus. Cardof. 
Agiol. hujtt. Tom. I. pag. 269. no Com- 
ment. de 27. de Janeiro let. A. exqui- 
fito, e acertadifimo antiquário. Macedo L,ujit. 
Purp. et Inful. pag. 225. infignis illius 
atatis antiquarius. Sampayo in prolog. 
Vit. B. Petri Eborenjis'. Doãorem infignem 
Damian. de Góes in Dejcript. urhis Ulyjfip. 
Vir doãorum omnium judicio et calculo com- 
probatus. Arnold. Myllio in Epiji. Dedicai. 
das fuás obras a Simaõ Rodrigues. Ille enim 
omni doãrince genere poética, oratoriaque facultate, 
juxta atque Hijloriarum, Ecclefiafiicarumque rerum 
peritia injlruãus... ad pátria antiquitates illuf- 
trandas fie aggrejfus efi, ut qui hominis induj- 
triam mirantur, plurimos, qui vero imitentur, 
paucos invenies. Bivar ad Dextrum 134. n. 6. 
Authorem clajjicum. Lud. a D. Franc. in prae- 
fat. Glob. Canon, diligentijfimum antiqua- 
rium. Nicol. Ant. in Bib. Vet. Hifp. lib. 2. 
cap. 10. n. 450. Criticus, (& poeta celebris 
fama; et lib. 4. cap. 2. n. 23. Vir eximia 
eruditionis, et judicij, et lib. 7. cap. 4. n. 
79. Eumen Portugallia magnum, e na Bib. 
Hifp. recent. Tom. i. pag. 66. col. i. Ope- 
ra ejus fi legeris, omnes indufiria accuratiffima, 
ac recôndita eruditionis números, five in facra, five 
in profana re completos fumma cum Jucunditate 
experiaris. Nicolao Clenardo allegado por 
Vafeo Chron. Hifp. cap. 6. Poeta infignis tanta 
carminis majeftate, tam nervofis inventionibus dona- 
tus ab Apolline, ut fi in ftudio poético perdura- 
ret, tam nobilem vatem haberet Ebora, quam 
olim genuit Corduba. Ambr. Moral, in Epift. 
ad ipfum Kefend. Amo te Refendi doãijffi- 
me, amo te, et unice profeão diligo: vel de 
tua nobilitate, quam mihi ego in bonis fem- 
per fufpiciendam, et colendam exifiimavi: 
vel de tua ifia infigni eruditione, et eximia 
Hifpana antiquitatis cognitione, qua nof- 
trates omnes pracellere, et longo intervallo 



videris anteire: ut carminum tuorum jucun- 
ditatem mihi poetices amantijftmo dulcijfimam ora- 
tionem, gravitatem eloquentia commendabilem Ínte- 
rim taceam, e na Chron. de Efpana liv. 11. 
cap. 3. el Maefiro Andréa Kefendio de quien 
fiempre, que fe habla fe habla de un Varon muy 
doão,y de gran juicio en todo género de antiguidades. 
Cellarius Geograph. Antiq. lib. 2. cap. i. Seft. i. 
§. 5. e 21. doãijfmus poílo que fe equivoca 
chamando-lhe Lourenço em lugar de Lúcio, 
em cujo erro tinha cahido Abrahaõ Buchol- 
cero in Nologic. ad ann. 1 5 77. Anton. Senenf. 
in Bibliotheca. Fratr. Ord. Pradicat. pag. 18. 
Vir doãijfimus in politioribus litteris, linguarum 
notitia clarus, et omnis generis antiquitate mirus 
indagator, et verbi Dei praco prafiantijjimus. 
Barnab. Moren. de Varg. Hifi. de Merid. Uv. i. 
cap. 3. Varon infigne. Manoel de Faria, e Souf. 
Cathal. dos Efcrit. Portug. Original de que ufa- 
mos, famofo en letras humanas, e no Comment. às 
Eufia. de Camoens. Cant. 3. Eftanc. 127. Judi- 
ciofijfimo No Epit. das Hifi. Portug. Part. 5. 
cap. 15. fe enganou fazendo dous Refendes 
diferentes, hum que efcreveo Hiftoria; e outro 
Vidas de Santos fendo o mefmo, cuja opi- 
nião errada feguio Joan. Suar. de Brito in 
Theat. Eufit. Eitterat. lit. A. n. 44. Fonf. Evor. 
gloriof pag. 404. refplandecendo entre tantos afiros 
como Sol entre as Efirellas Marinho Eund. 
de Eisboa liv. i. cap. 7. eruditijfimo, & ibi. 
cap. 10. diligentijfimo Monteiro Clauft. Domin. 
Tom. 3. pag. 136. Echard. Script. Ord. Prad. 
Tom. 2. pag. 221. Leytaõ Memor. da Uni- 
verfidade de Coimb. pag. 539. n. 11 54. Ja- 
cob. Uferius de Britan. Ecclef. primord. cap. 
137. Patr. Angel. Sper. de Profejfor. Gram- 
mat. lib. 4. foi. 401. Ghilin. Theatr. di 
huom litterat. Tom. 2. pag. 17. PoíTevin. 
in Appar. Sacr. Tom. i. pag. 76. Nicol. 
Coelius ad le£t. Virum in omni difciplina- 
rum genere confumatijftmu Philip. Lab. /// 
Mantijfa antiquaria fupeleãilis. Eduard. Non. 
Cenfur in libellum de Regn. Port. Ori- 
gin. foi. 3. Eufitanarum antiquitatum maxi- 
mus indagator. Flavius Jacob. Odor. lib. i. 
ode 4. 

Permefii vada limpidis 
Immifces Durij fontibus et nova 
Cingis fronde comas ó decus ò jubar 
O fplendor pátria gentis, et unicum 






L USITAN A. 



i65 



Vatis prafidiími fui. 

Pctrus Sanches in J'.pift. ad Jffiat. Moral. 
/■// qiioque dum Jumtuis dejcendent tNontihus 

umbra 
hl niare declivi cmrent diitn flimina curjii 
Dotla per ora viriím voliíabis maffie Kefendi. 
\'e querido extinílum gemilit, fparfifqite ca- 

pUlis 
Ihefpiades, Nympfjaque fimul flevére Taj^a- 

mr, 

\tqiie bedtras dijijtis flava dt fronte tfirítes 
\m"!Í\tas Sacra lauro decerpfit ApoUo, 
\'rci^it, et ira tus Cytharas, et ebúrnea plec- 

tra\ 
lleu quot thefauri facundo peíiore in illo 
Rerii antiquarum miracula quanta latebant? 
Non plura edocuit Varro, Carmentave ma- 
ter; 
Verjus aut cecinit Delphis oracula Phabus. 
Jerónimo Cardofo in Epifl. 6. Cujus pra- 
clara eruditio quafi lúmen aliquod exíHnâis jam 
'H-ne litteris elucet. c no liv. 2. Elegiar. 
I^cg. 10. 

m^b cui Palladiam Phyto facunda coronam 
HH Prabuit auratam Phabus, et ipfe lyram. 
u cui pramifit natas audire canentes 

Mnemofyne Aonij fons, et origo chori'. 
O cui conclujit raras in peãore dotes 

Natura haud ulli mitior ante viro. 
Qtàd facis Andraa noftra lux única gentis 

Et generis nimium firma columna tui. 
Et in lib. I. Sylvar. 
Qua te tam faujio, <& claro fub fydere natum 

Sujlulit? Andréa nojlra decus addite genti; 
Cujus in afira volat clarum per facula nomen 

Curribus eveãum fama... 
Ecce venit toti vates Heliconius orbi 

Eampada dimotis nebulis, <á>' clare daturus 
Lumina; nunc hederis nunc lauro cingi te cri- 

nes 

Cajlalides veflras, tantoque occurrere 

vati. 
O P. António dos Reys no Enthufiaf- 
mo Poético, que ferve de prefação aos feus 
Epigrammas. n. 4. 

= Celeber Kefendius, orbis 
Ouâ patet immenfus fama bene notus, avena 
Seu cupiat ceciniffe levi, feu dicere profã: 
Ille fub obfcuris latitantia faxa ruinis 
Qtà prior incubuit, potuitqne evolvere EuJiSy 



Única Romana retegens veflif^a f^Hs. 
Qthalogo das obras impreíTas. 
IJbri qimttuor de Antiquitatibus LmJí- 
tania. Ebonc apud Martinum Burgenfem 
1J95. foi. Acejfit liber quintus dt antiquitate 
Municipij Ehorenfis i Jacobo Mcnctio Vafcon- 
cellío. Roma: apud BaíTam 1)97. 8. Coloflis 
Agrippinx cx Oílicina Brickmanica. 1600. 
8. Colonix apud Gerardum C^revcmburch 
1613. 8. & in Tom. 2. Hifpan. llluflrat. i pag. 
892. ufque ad 895. Trancof. apud Qaudíum 
Marnium 1605. foi. 

Hifloria da Antiguidade da Cidade de 
Euora. Évora por André de Burgos 1555. 
12. e fegunda vez examinado pelo Author 
Évora pelo dito Impreflbr 1576. 12. vertida 
em Latim por André Scoto Cólon. Agrip- 
pina: ex Oífícin. Birckmannica. 1600. 8. in 
Tom. T. Oper. Kefend. à pag. 255. ufque ad 305. 
Pro Sanais Cbrijli Martyribus Vincentio 
Olyjfiponenfi patrono, Vincentio, Sabina, fírCbrifl- 
hetide Ehorenfibus civibus, eV ad quadam alia 
refponfio ad Baríholameum Kebedium Sanãe Tole- 
tana Eclejia Sacerdotem Virum doãifimum. Olyf- 
íip. apud Francifcum Garcionem in Officina 
Joanis Barrerac Typ. Reg. 1 567. 4. et in Tom. 2, 
Hifp. llluflrat. Francof. apud Claudium Mar- 
nium 1603. foi. a pag. 1003. ad 1021. Cólon, 
apud Gerardum Grevemburck. 1613. 8. 
Cólon. Agrip. apud Ofíic. Birckman. 1600. 
8. in Tom. 2. Oper. Kefend. à pag. 151. uf- 
que ad 226. A efta epiíloia chama doutiTfi- 
ma D. Nicol. Ant. in Bib. Hifpan. Tom. i. 
pag. 66. col. 2. 

Ejideca fyllabum ad Sebaflianum Kegem. 

Ad Deum Patrem ob calamitatem feãa- 
rum oden. 

Ad Chrijlum optimum maximum Kefen- 
dij Confejfio carmen. 

Epiflola ad Keverendum in Chriflo Pa- 
trem D. Gafparum Cafalem Epifcopum 
Eeirinenfem. Verfo Heróico. 

Kefponjio Epigrammati Oratoris Regis 
Anglia in Effligiem Sebajiiani Regis. 

Todas eílas obras poéticas fahiraõ Oly- 
íipone apud Francifcum Garcionem in Of- 
ficin. Joan, Barrerae 1567. 4. et Cólon. Agrip. 
ex Officina Birckamannica 1600. 8. 

Epicedion, et ode de rapto Dada Prín- 
cipe. Bononiae apud Joan. BaptiU. Phaellum 



t66 



BIB LIO THE CA 



1533. 4. et Cólon. Agrippin. ex Offic. Birc- 
kmannica 1600. 8, in Tom. 2. Oper. Kefend. 
à pag. 57. ufque ad 60. 

D. 'Emmanuelis P. F. inviãi filia, D. Joan- 
rns III. P. F. invi£íi Sorori Maria Principi 
iruditijfimce Epijlola Heróica. Conimb. apud 
Joan. Barrerium, et Joan. Alvarum Sócios 
Typ. Reg. menfe Júlio 15 51. 4. et Cólon. 
Agrip. ex Officin. Birckmannica. 1600. 8. 
in Tom. 2. Oper. à pag. 78. ad 82. 

Ad Epijiolam D. Amhrofij Moralis viri 
ãoHiJfimi inclyta Academia Complutenfis Ròe- 
íoris, ac regtj hiftoriographi refponjio. Simul. 

Ad Sehafiianum 'Lufitania Kegem Se- 
renijfimum oh regni acceptum regimen Cár- 
men. Eborae apud Andream Burgium Typ. 
Seren. Princip. Cardin. Menfe Mayo 1570. 
4. Eíla Poeíia fahio Colonise Agrip. ex Offic. 
Birckman. 1600. 8. in Tom. 2. Oper. 'Kefend. 
á pag. 84. ad 88. A repoíla a Ambroíio 
de Morales fahio no livro intitulado Delicia 
'L.ujitano-H.ijpanica Cólon, apud Gerardum Gre- 
vemburch. 161 3. 8. et Col. Agrip. ex Offic. 
Birckman. 1600. 8. in Tom. 2. Oper. Kefend. 
à pag. 233. ad 263. et Tom. 2. Hifpan. Illujirat. 
Francof. apud Jacobum Marnium 1603. foi. 
à pag. 1023. ad 103 1. 

Ad Philippum Maximum Hifpaniarum 
Kegem ad maturandam adverfus rebelleis 
Mauros expeditionem cohortatio. Cármen. 
Simul. 

Ad Sehafiianum excèlfum Eujifania re- 
gem epigramma Eborae apud Andreum Bur- 
gium menfe Martio 1570. 4. et Cólon. Agri- 
pin. ex Offic. Birkmannica 1600. 8. in 2. 
Tom. Oper. Kefend. à pag. 99. ad 106. 

Vincentius 'Levita, et Martyr Opus epi- 
■cum in duos lihros divifum. Cum adnotatio- 
nibus Authoris. Eftas notas fez à petição 
de feu amigo Martinho Ferreira para ma- 
yor clareza do Poema as quaes compoz no 
breve efpaço de dez dias. Olyffipone apud 
Ludovicum Rodrigues 1545. 4. & ibi Tjrpis 
Joannis Barreira 4. Cólon. Agrip. ex Offic. 
Birckman. 1600. 8. in Tom. 2. Oper. Ke- 
Jend. à pag. 5. ad 90. 

Ad Fernandum Khotorigium Almadi- 
cum Khotorigii Fernandi Almadici filium 
óptima fpei puerum. Cármen epicum. Có- 
lon. Agrip. ex Officin. Birckman. 1600. 8. 



in Tom. 2. Oper. Kefend. à pag. 36. 
ad 40. 

Epijlola heróica, Jive invectiva in Vitam 
aulicam, et fimul carmen Petrejo Alphani fuo. 
Bononiae apud Joan. Baptift. Phaellum 1533,4, 

In ohitum Joannis Tertii Eufitania Kz- 
gis conquejlio. Ulyffipone apud Joannem 
Blavium. 1567. 4. et Cólon. Agrip. ex 
Offic. Birckman. 1600. 8. in Tom. 2. Oper. 
Kefend. à pag. 72. ad 17. 

Dua epijlola heróica, altera ad Eupum 
Scintillam, altera ad Petrejum Sancium. Ulyílip. 
apud Joan. Blavium 1561. 4. et ColotL 
Agrip. ex Officin. Birckmannica 1600. 8. in 
Tom, 2. Oper. Kefend. à pag, 107. ad 122. 

Oratio pro rofris hahita in Olyjftponenji 
Academia Kalend. Oãoh. an. 1534. Olyffi- 
pone apud Germanum Gallard, 1554. 4. 

Oratio hahita Conimhrica in Gymnajio régio 
anniverfario Dedicationis ejus die IV^. Calend. 
JuliJ. 1 5 5 1 . Conimbricae apud Joan. Barrerium, 
et Joan. Alvarum Typ. Reg. 15 51. 4. et 
Cólon. Agrip. ex Offic. Birckmanica 8, 
Tom, 2. Oper. Kefend. à pag. 266. ad 284, 

Sermão pregado em ho Sjnodo Diocefa- 
no, que em Évora celehrou o Keverendijfimo 
Senhor D. Joaõ de Mello Arcebifpo de Évora 
ho primeiro Domingo do me^i de Fevereiro 
1565. Em Cafa de Francifco Corrêa 
ImpreíTor do Cardial Infante noíTo Senhor 
a hos XVII. dias de Agofto de 1565. 4. Sahio 
vertido em Latim Cólon. Agrip. ex Officin. 
Birckman. 1600. 4. in 2. Tom. Oper. Kefend. 
à pag. 285. ad 304. 

Ha Sanãa vida, e religiofa converfaõ de Fr. 
Pedro Porteiro do Mojieiro de Sana Domingos 
de Évora. Tem no fim, como nella vimos, eftas 
palavras. Fqy vijlo ejle Compendio per hos muitos 
magníficos, e reverendijftmos Senores hos Sefiores 
Meejlre Fr. Manoel da Veiga, e ho Doãor Diogo 
Meendes de Vafconcellos Inquifidores, em 
efe Arcehifpado de Évora por ho Cardeal 
Inffante noffo Senor, e per fua auãoridade 
que aquj vay interpojla, Andree de Burgos 
Cavalleiro da Cafa do dito Senor, e feu Im- 
prejjor ho imprimio em Évora no me^ de Oc- 
tnhro do ano de 1570. 4. Foy efta vida tra- 
duzida na lingua Latina por Fr. Eftevaõ 
de Sampayo Dominico com alguns addi- j 
tamentos, e fahio no Uvro intitulado The- 



> li 



LUSITANA. 



mtfrtis arcantis "Ltifitanis ^efnmis refulgens. Pa- 
'riíiis apud Thomam Pcricr i}86. 8. 

Converfionis miranda D. Aíj^idiJ Doííoris 
Pariftenjis Ord. Prad. libri qmtuor. 

lííla obra prometco Fr. António de Sena 
in hibliolbic. Fraír. Ord. Prad. pag. 34. que 
havia de imprimilla, cujo Original fe conferva 
110 Convento de Santarém, o que executou 
Ir. liftcvaõ de Sampayo no livro aíTima 
1 legado, na qual mudou, e acrecentou algu- 
mas couías: j2/// utinam (como efcreve o eru- 
(litinimo Echard in Script. Ord. Prad. Tom. 1. 
pag. 225.) qualis à Kefendio prodierat, reddidijfet, 
ntisfuis ubi lihuijfet tanttim appojitis: facra tnim 
junt hujiijmodi prcefertim clarorum virorum opera, 
aua temcrare nemini licet. Deíla obra faz men- 
lõ Fr. Francifco Brandão Monarc. iMJit. 
Part. 5. liv. 16. cap. 14. 

Wrevtarium Eborenfe. OlyíTipone apud Lu- 
dovicum Rotcrigium Bibliopolam Typogra- 
phum Regium. Anno a Chriílo nato millef- 
limo quingentefimo quadrageíimo octavo, 
incnfe Aprili. 8. Começa o prologo compoílo 
por Rèfende, com eíle titulo. Ad Leâores. 
c abaixo principia Accipite Chrijli JESU Sacer- 
dotes, ac Sacerdotij candidatiomnes Divinorum 
Officiorum juxta ritum Sanãa Eborenjis Ecclejia 
Breviarium. 

De cujo trabalho, que applicou para efta 
obra faz iiluílre memoria Joaõ Vafeo in Chron. 
Hifp. cap. 5. dizendo. Ita nitori Juo refiituit, 
ut non arbitror aliud reperiri exaãiori judicio 
concinnatum. 

Officium, et Miffa Sanãce 'Elifabetha Regi- 
na Portugal/ia. UlyíTipone. 15 51. 8. 

Officium, et Miffa Sanai Gundifalvi de Amaran- 
tho Deíle Oíficio diz Fr. Luiz de Soufa na Hijior. 
de S. Doming. da Prov. de Poriug. liv. 5. cap. 
II. fora compojio com huns hymnos de taõ fina 
Poejia, que fe fente nella o cheiro da melhor, e mais 
polida dos celebres Poetas antigos. Naõ fomente 
compoz os hymnos, e refponforios deites 
dous Officios quanto à letra, mas a Solfa 
do Cantochaõ, em que era muito perito para 
por ella fe cantarem, como o mefmo Rè- 
fende na Epijlola ad Kebedium já allegado, 
efcreve. Mufici exquifitioris decus non ambivi, 
tantum cum Officia non nulla hujus nojira Ebo- 
renjis Ecclefia à mea Officina prodierint, ex 
eadem tantum adjeci duobus alteri Regina Sanc- 



167 

ta EJifabttb, alteri biác D. Gmdijfalpi; e fal- 
lando do OfHcio de S. Gonçalo diz B. Cm- 
difalvi Officium ã mê compofitum min extollis, 
gaudeo fane, et ita vere adfetíum effe te non folum 
gaudeo, fed exulto. Modulationem tamen cantús 
valde Ímprobas. Quid ni improbes} Qmm tam 
de prava te typis excufafit, ut ego eam nec a4kofcam, 
nec faltem cantare me poffe ullo modo fperem qui 
eam compofueram. 

De Verborum conjugfitione commentarius. 
UlyíTipone apud Ludovicum Rotirigium. 
1540. 4. Cólon. 1610. 8. He huma Arte de 
Granunatica para D. Leonor de Noronha, 
e feu irmaõ o Conde de Alcoutim alhos de 
D. Fernando de Menezes IL Marquez de 
Villa Real. 

Genethliacon Principis Lufttani Reffs Joan- 
nis filij prout in Gallia Bélgica celebratum efl 
à clariffimo Viro Petro Mafcaranio menfe Decem- 
bri 1532. Bononiae apud Joan. Baptiíl. Phael- 
lum 1533. 4. 

Eudovica Sigea tumulus Elegia. Ulyflip. 
apud Hacredes Germani Galiardi 1561. 4. 
Começa. 

Occubuit Sigaa decus telluris Ibera, 
Ac avi, acfexús gloria prima fui. 

Epiflola Joanni Vafao Viro doãiffimo de 
Mra Hifpanorum. Cólon. Agrip. ex Offic. Birck- 
manica 1600. 8. in. 2. Tom. Oper. Refend. i 
pag. 123. ad 127. & Cólon, apud Gerard. 
Gravenburh. 161 3. 8. no livro intitidado De- 
licia Eufitano-Hif pânica, et Tom. 2. Hifpan. 
llluflrat. Francof. apud Jacobum Marnium, 
1603. foi. à pag. 228. ufque ad 832. Defta 
obra fe lembra Covarruvias lib. i. var. Refolut. 
cap. 12. 

Pro Colónia Pacenfi ad Joannem Vafaum vi- 
rum doãiffimum Epifl. Ulyflip. apud Joan. 
Blavium 15 61. 4. et Cólon. Agrip. ex Officin. 
Birckmanica 1600. 8. in Tom. 2. Oper. Rxfend. 
à pag. 128. ufque ad 150. et Cólon, apud 
Gerard. Gravenburch. 161 3. 8. no livro 
intitulado Delicia Eufitano-Hifpan. et in 2. 
Tom. Hifpan. llluflrat. à pag. 997. ad 
1002. 

Urbis Eovanienfis, et Academia Encomium, 
De Conrado Goclenio nobili reãore 
Oda ad Conradum Goclenium. 
Ad Jacobum Menatium Vafconcellum urgen- 
tem antiquitatu Eufitania editionem. 



IÓ8 



BIB LIO THECA 



Ad Julianum Alhium, et Peírum Sanei- 
am: Saturnalibus. 

Dejíderio Era/mo Koierodamo S. 
Dejiderii Era/mi Koíerodami encomium. 
Ad Damianum Gojtim Muficum. 
De Vita aulica ad Damiamim à Góes. 
Ad Nicolatim Clenardum. 
Ad Andraam Quatriniuni. 
Todas eílas obras faõ poéticas, e fahiraõ 
Cólon. Agrippinas ex Officin. Birckmannica. 
1600. in 8. in Tom. 2. Oper Kefendij à pag. 13. 
ufque ad 56. 

Alphonjo S. R. £. Cardinali Etnmanuelis 
Kegis filio Epijiola data Ebora Calend. Oãob. 

1533- 

Bartholomao Fria Albernotio Jiiris conjulto 
doãijfimo Epifiola. 

Eílas duas Cartas fahiraõ impreflas no 
principio Antiquit. Eujitania. 

Ad Damianum Goefium Epifiola. 

Sahio com as obras deíle Author Lovanii 
ex Ofíicina Rutgeri Refcij 1544. 4. He efcrita 
em verfo heróico, e começa. Exemplo Da- 
miane maio qui primus in aulam. 

Ad Hieronymum Cardo fum epifiola He a 5 . en- 
tre as deíle Author, e fahio UlyíTipon. 1555. 8. 

De vita aulica ad Speratum Martianum Fer- 
rarium Eufitanum. Bononiae apud Joan. Baptiíl. 
Phaellum. 1533. 4. 

Epitome rerum gefiarum in índia a Eufitanis 
anno fuperiore juxta exemplum Epifiola quam 
Nonius Cugna dux Índia maximus defignatus 
ad Kegem mifit ex urbe Cananorio IV. Idus Oãob. 
anno MDXXX. Lovanii apud Servatium 
ZaíTenium 15 31. 4. et Cólon. Agrippinas ex 
Offic. Birckman. 1600. 8. et in Tom. 2. 
Hi/pan. Illufirat. à pag. 1372. ufque ad 1378. 
Deíla obra faz mençaõ António de Leon Bib. 
Orient. Titul. 3. Com eíla ImpreíTaõ de Lo- 
vanha fahiraõ. 

Sylvula dua ad Henemannum Kljodium Prapo- 
fitum Kegenfem Oratoremqne ad Gafarem Eivo- 
nienfis Archiepijcopi. Começa a primeira. 

Qtãd non longa dies mutat} 
E a fegunda. 

Stãmonis gelidi exulem. 

Oraçaõ na entrada, que ElRej D. SebafiiaÕ fe^ 
£m Évora em y de Novembro de 1 569. Sahio im- 
preíTa na Hifior. Sebafiic. compoíla pelo P. Fr. 
Manoel dos Santos Monge Ciílercienfe Chron. 



do Reyno de Portugal, e Académico fupranu- 
merario da Academia Real. Lisboa por Antó- 
nio Pedrofo Galraõ 173 5. foi. a qual eílá no liv. 
2. cap. 8. pag. 177. 

Poema Eatino, que confta de 16. Dyíli- 
chos em louvor de Fr. Marcos de Lisboa 
Chroniíla da Religião Seráfica, impreíTo no 
principio do 2. Tomo da Chronica, o qual 
começa. 
Altera Francijci procerum turma exit, adefie 

Quos nova, quos vera no/cere mira juvat. 
Adverfus fiolidos politioris litteratura oblatra- 
tores. Cármen. Francof. apud Fobrenium. 15 51. 

Poema Eatino, que confia de 132. verjos he- 
róicos em applaujo do infigne Vicerey da índia 
D. Euiti de Attayde. Sahio impreíTo no prin- 
cipio da Hiíloria deíle Heróe compoíla por ' 
António Pinto Pereira Coimbra por Nicolao i 
Carvalho. 161 7. foi. 

Cathalogo das obras naõ impreílas 

Ghronic. Eufitan. cuja obra tinha em feu 
poder, e delia ufava Fr. Bernardo de Brito, 
como elle efcreve na Monarc. Eufit. Part. 2. 
liv. 7. cap. 28. 

Síimmario dos Kejs de Portugal allegado por 
Francifco Suares Tofcano nos Parallel. de 
Var. lllufi. cap. 112. e 143. 

Chronica delKej D. Affonjo Henriques; ef- 
crita de fua própria maõ a tinha em feu poder 
o Chantre de Évora Manoel Severim de Faria; 
como teílifica Fr. António Brandão Man. 
Eufit. Part. 3. liv. 11. cap. 35. 

Summario da vida do Infante D. Duarte, 
dedicado a feu filho o Príncipe D. Duarte. 
Começa. ^ 

Entre os filhos que delRej D. Manoel, e 
da Serenijfima, e Santiffima Kajnha D. Ma- 
ria fua mulher ficarão, o mais moço fqy o In- 
fante D. Duarte. Confta de 20. Capítulos, 
cujo Original efcrito, e af finado por feu Au- 
thor vimos, e fe conferva na Livraria do 
eruditiíTimo Jozé Freire Monterroyo Mafca- 
renhas, e he allegado por Francifco de An- 
drade na Ghronic. delRej D. Joaõ o III. Part. 5. 
cap. 69. 

De infiitutione Ordinis Militaris Avifienfis. 
Eíle tratado he allegado pelo lUuUriírimo 
Cunha in Decret. Part. i. ad cap. General. 
diíl. 54. n. 90. Barbofa in Sum. Apof- , 
tol. Decis. Colleélan. 305. e Mendo de 



1 



* m 



L USITAN A. 



169 



Ordinib. Militar. Difqu. i. qtucíl. 10. n. 
190. 

Vala na entrada da Princefa D. Joarina no 
anno dt 1J55. Deíla obra faz Réfende mençaA 
na Epiílola a Vafco de Colónia Pacenji dizcn- 
do-lhc. Mitto ad te Oratitmculani qiia nojlra urbis 
nomine adventid Joanna Caroli Auj^ujli filia Prin- 
cipi nojlro defponfa pnblice Jum fratulatits. Mitto 
tíutem \Mfitane Jcriptam ut ad femi Ijifitanum. 
Sin tu jam omnino Uifpanns fathis es, feito et iam 
I lifpanis adeo placiàffe, ut Jupra viginti exempla 
primores eorum ã me extorferint. 

Concilium OlyJJiponenfe, do qual diz in 
lípiftol. ad Kcbcdium in fine. Abjolvimns cir- 
citer Saturnalia, velpotius Chrijliane loqmr, inftante 
Servatoris noftri natali die fex AíHonibus diftinc- 
iiim. Crevit in jufiiim volumen, ut quod Decreta 
contineat Jupra trecentum. 

Livro de Architeãura, ou tradttcçaõ da Archi- 
teãura de LeaÕ Bautijia. Efcrcveo cftc livro por 
ordem delRey D. Joaõ o III. de que Réfende 
faz mençaõ no Prologo da Hiftoria da Anti- 
l^uidade da Cidade de Évora, e o deixou por le- 
gado a feu filho Barnabe de Réfende, e delle 
fc lembra Eílaço nas Antig. de Portug. cap. 
I44. §. 4. e no Tratado das Linòag. dos EJiaços 
lpag.42. 

Dous livros de Aquedutos. Offerecidos 
[a ElRey D. Joaõ o III. no mez de Ju- 
llho de 1543. na occafiaõ, que efte Prín- 
cipe tinha condufido a Évora a agua da 
fonte da prata pelo antigo aqueduâio de 
Sertório, os quaes livros efcritos da fua 
própria maõ entregou ao Senado de Evo- 
iTa, e delles faz memoria o mefmo Réfen- 
de no cap. 3. da Hi^. da Antiguidad. de 
Évora. 

Apologia pelo Aqueduão de Sertório con- 
\ira D. Miguel da Sjlva Bifpo de Vi/eu, de que 
fe lembra no cap. 3. da Hijlor. de Évora. 
Deíla obra efcreve Diogo Mendes de Vaf- 
concellos in lib. 5. Antiquit. Ebor. nefta for- 
ma. Cui (D. Miguel da Sylva) elegantijfimà 
epiftolá accurate rejpondit, ut in ea recônditos 
antiquitatis , et eruditionis fua thev^auros in pá- 
tria gratiam deprompfijje videatur, cujus ipfe 
fapius mentionem f acere folet; ut qui in ea mérito 
Jibi complaceret, vir alioquin modefiia, (ò" candoris 
amicijfimus. O Padre Francifco da Fon- 
feca na Évora Gloriofa pag. 405. diz: JLendo 



com atenção as hiflorias Romanas, e huns Aí. S. 
que hoje naÕ temos, achou noticia certa do Aque- 
duão dt Sertório, e procurou perfuaàir a El- 
Kty qtu o rmovajfe. Oppo^felhe gfllhardamite 
o noffo D. Miguel da Sylva, que naõ era 
menos erudito, e antiquário, e com hum ele- 
gante livro provou, qu$ eraÕ fonhos, e cbime- 
ras quanto Réfende dir^ia do Aqueduíío de 
Sertório; porém appellando efle da Theorica 
para a Praâica tomou conforme as noticias 
dos livros as fuás medidas taÕ ajufladas, que 
defcubrio as ruinas, e os alicerces do Aqueduto 
Sertoriano. NaÕ pode D. Miguel neg/sr as eviden- 
cias, nem EJRey deixar de fa^fr huma obra que 
havia de fer a fua im mor tal eflatm. Fe^-fe a 
fabrica com deligencia, e introdu^iio-fe em Évora 
a famofa agua da prata em cujos arcos, e fontes 
levantou Réfende hum padraõ immortal da ftui 
fama. 

Apologia, ou repofla, em duas Cartas Latinas 
ef cri tas em Évora em 1534. a Jorge Coelho acerca 
de algumas matérias, que contra elle ar- 
guira. 

Expoflulatio adverfus Gafparem Barrerium 
de que faz memoria na Epiílola ad Kcbc- 
dum. 

Carta efcrita a JoaÕ de Barros na qual eviden- 
temente moflra contra D. Rodrigo Arcebifpo de 
Toledo, que D. Ximena May de D. Terefa mulher 
do Conde D. Henrique naõ fora concubina, mas 
legitima mulher de Affonfo VI. Rey de Leaõ. 
De qua re (diz o mefmo Réfende in lib. 4. 
Antiquit. Eufit. De Orichienfi aff^o) ad Joannem 
Barrerium fcripsi, et quidem prolixe. Defta 
obra fazem illullre memoria Cardofo Affol. 
Eufit. Tom. I. no Comment. de 22. de Feve- 
reiro let. A. Franckenau in Biblioth. Hifp. 
Hijf. Gen. Herald, pag. 27. D. Jozé Barbofa 
no Cathalog. Chronol. das Rainh. de Portug. 
pag. 7. e o Padre D. António Caetano de 
Soufa no Apparat. à Hiji. Gen. da Gafa Real 
de Portug. pag. 38. n. 18. 

Opera SidoniJ Appollinaris emendou de 
muitos erros de que eftavaõ adulteradas co- 
mo elle afíirma in lib. i. Antiquit. Eujit. in 
Tit. de Barbariis. 

Opera Aitrelij Prudentij também as pur- 
gou de todas as imperfeiçoens, que lhe ti- 
nhaõ acrecentado, dizendo defta obra Joaõ 
Vafeo in Chron. Hifp. ad an. Chriltí 351. 



170 



BIB LIO THE CA 



Atque hanc hujus loci reftitutionem Aurelij Pru- 
dentij non mihi debes, candide le£íor, fed L. An- 
dracB Kefendio, qui mihi hunc locum, atque alios 
nonnullos qua eji humanitate, communicavit. Is 
in hoc authore ad amujfim plura rejlituit, quemad- 
modum re ipfa experieris Ji quando, quos Juh lima 
premit, commentarios per occupationes ferias po- 
tuerit evulgare. 

De jure Itálico. Efte tratado diz o mef- 
mo Réfende na Hijl. das Antiguid. de Évora 
cap. 4. Que com ajuda de Deos prejles Jahirá 
a lu;^. 

Monumenta Komanorum in L,ujitams urhibus 
dedicado ao Cardial D. Affonfo, o qual ef- 
crito da própria maõ de Refende o tinha em 
feu poder o IlluílriíTimo D. Rodrigo da Cunha 
como elle confeíTa na Hift. Ecclef. da Igreja de 
Lisboa Part. i. cap. 6. n. 5. 

De Bracharenjis urbis antiquitate, et laudibus 
Poema epicum. Deíla obra faz o feguinte Elo- 
gio o Illuílrinimo Cunha na Hiji. Ecclef. de 
Brag. Part. 2. cap. 71. n. 5. O grande Fr. Angelo 
André de Kefende da Ordem dos Pregadores a 
quem por doutijfimo em todo o género de Anti- 
guidade confultavaõ como Oráculo os majores 
Ee trados do feu tempo... Dentro de def^ dias lhe 
mandou (a o Arcebifpo de Braga D. Diogo 
de Soufa) hum Poema de mais de trezentos 
Verfos da fundação de Braga taÕ polido, e apurado, 
taõ chejo de erudição, e outras elegâncias poéticas, 
qual podia fa^er o melhor poeta dos que hoje vene- 
ramos. 

De fitu, et amplitudine urbis Ulyjfiponen- 
Jis Elegia; a qual allega Fr. Bernardo de Brito 
Mon. Eujit. Part. 2. liv. 7. cap. 22. 

Poema Epicum de Sanais Martjribus Ulyf- 
fiponenfibus, o qual tinha em feu poder Joaõ 
Tamayo Salazar como affirma no 4. Tom. 
do Marfyrol. Hifp. ad diem 10. Julij, pag. 
104. 

Hijloria Sanai Rudejtndi Epifcopi; quã 
etiam (faõ palavras de Rèfende in lib. i. 
Antiq. Eufit. de Monte Corduba) aliquando 
Deo bene juvante ex tenebris in lucem proferen- 
dam curabimus. Deíla obra faz mençaõ Gaf 
par Eílaço nas Antig, de Portug. cap. 2. 

Efcreveo, mas naõ fe fabe fe acabou 
Rèfende eík obra de que elle falia na Epiíl. 
ad Kebedum dizendo. Petierat à me (Jo- 



annes Vafaus) ut quofnam Deos ante Chrijli 
fufceptam gratiam peculiariter Hifpani coluiffent 
ad fe fcribere ne gravarer, et quadam alia: qua 
dum commentarer, ingratus de ejus morte nuntius 
commentationem illam meam haãenus interrupit. 

Eibellus de Pace Júlia ad Francifcum No- 
nium, como o mefmo Réfende teftiíica no 
liv. 4. Antiq. EuJit. de Pace Júlia. 

Vida de S. Domingos de Cuba da Ordem 
dos Pregadores do Convento de Santarém. Prome- 
teo compor eíla obra in Scholiis ad D. Vin- 
centij Poema. pag. 41. 

SermaÕ Eatino pregado a 27. de Mayo de 
1534. no Sjnodo celebrado em Évora pelo feu Ar- 
cebifpo o Cardial D. Affonfo, o qual fe conferva 
com as A£ks do mefmo Synodo no Cartório 
do Cabido de Évora. 

Ad Virginem Aqualupanam Cármen. 

In obitum Beatricis Allobrogum Kegina Cár- 
men. De quo in Scholiis ad D. Vincentij Põem. 
pag. 49. 

AdHenricum Principem humanijfimum Cármen. 

Ad Brittonium Italum Cármen de quo in 
Schol. pag. 40. 

Ad Joannam Vajiam faminam eruditijfimam 
Epifiola. 

Ad Nicolaum Clenardum Epifiola, 

Ad Doãorem Fragofum Badajocenfem. Epif- 
tola data Ebora Idibus Maij. 1556. 

Ad Jacobum Frejre Epifiola data Eovanij 
Kalend. Julij 1529. 

Fr. ANDRÉ DA RESURREIÇAM na- 
tural de Lisboa, e filho de Pedro Nunes, e Ca- 
therina Anes. Entrou na Religião de S. Fran- 
cifco da Provinda de Portugal, que illuílrou 
com a pratica das virtudes, e a inílrucçaõ das 
fciencias, pela qual alcançou fer Meílre jubi- 
lado, Cenfor do Santo Officio creado no anno 
de 161 8. Guardião do Convento de S. Frandfco 
da Ponte, celebre Pregador do feu tempo. Ef- 
creveo hum Volume digno da impreíTaõ, fe a 
morte o naõ impedira, que totalmente ficaíle 
acabado, cujo titulo era. 

Frutos, que refultãraõ ao género huma- 
no da vida de Chrifio NoJJo Salvador: mas 
cahio (faõ palavras de Fr. Fernando da So- 
led. na Hifi. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 
5. liv. 3. cap. 41. n. 885.) em maõ taõ 
ejleril, que delle nem huma fó folha appare- 



L USITANA. 



»7i 



ao, por onde /e infira a «Uganda com que apresen- 
tava às almas a fitavidade, e heller^a daquelles di- 
vinos frutos. 

ANDRi: RODRIGUES DR MATTOS 
IJlyíliponcnfc, c Cavallciro profcíTo da Ordem 
Militar tic Ciirifto. Foraõ fcus Pays Balthezar 
Rodrigues de Mattos IníUtuidor da Capella 
(la Conceição na Parochia de S. Jozé com MiíTa 
quotidiana pela Aia alma, e D. Maria da Fon- 
feca fua fcgunda mulher. Na Univerfidade de 
Coimbra onde eftudou Direito Pontifício rece- 
ito o gráo de Bacharel nella faculdade, e como 
era naturalmente mais inclinado às delicias do 
Pamafo, que às efpeculaçoens da Jurifpruden- 
cia fcmprc cultivou a arte poética revolvendo 
os Poetas mais celebres, que efcrcveraõ nas 
polidas linguas da Europa em que era perita- 
mente verfado, obfcrvando os primores, e 
[artificio de cada hum, dos quaes era fiel imita- 
^^or, principalmente do Príncipe de todos Luiz 
fde Camoens cujo divino Poema de tal forte 
'o tinha decorado, que ofFerecendo-fe occafiaõ 
lo repetia taõ promptamente como fe o eftiveíTe 
llendo. Foy fummamente eíUmado por todos 
os profeíTores da Poética recebendo multipli- 
idos elogios nas Academias dos Generofos, 
Singulares de que foy alumno, onde com- 
)Z diverfas obras, que igualmente deleitavaõ 
íos ouvidos, e atrahiaõ as attençoens. Coíhi- 
I mava retirarfe no tempo do Veraõ para huma 
ffua quinta fituada no Campo Grande fuburbio 
fde Lisb., onde em idade de 6o. annos taõ def- 
contente da vida como defejofo da morte aca- 
bou a carreira da fua peregrinação a 17. de 
Agoílo de 1698. Eílá fepultado na Capella de 
N. Senhora da Conceição da Parochia dos Reys 
no mefmo Campo. Foy cafado com D. Ignez 
Nunes da Gama de quem teve a André Rodri- 
guez de Almeida Fidalgo da Cafa Real, que 
fe defpozou com D. Barbara Eugenia de Tá- 
vora filha de Bernardo da Sylva de Azevedo, 
e de D. Francifca de Noronha da Camará 
de quem naõ teve filhos. Compoz. 

Triumpho das armas Portuguesas deduzido 
de vários Ver/os do infigne Poeta Lmí^ de Ca- 
moens gloffados, e reduzidos ao intento. Lis- 
boa por António Crasbeck de Mello. 1663. 
4. He em 8. Rima. 

Jerufalem libertada compojia por Torquato 



Tajfo traduzida tm Portufféi^' Lisboa por Mi- 
guel Deflandes. 1688. 4. 

Dialogo fúnebre entre o Keyno de Portugpl, 
§ o Rio Tefo gloffando o famofo Soneto Permofo 
Tejo meu quaÕ diferente? Em fentimento do golpe 
mais cruel, em que a Parca, e o Outono, huma cor- 
tou a vida mais florente, e o outro a flor mais ani- 
mada na Serenifftma Senhora D. Isabel Ljái(a 
fo^epha Infanta de Portugal filha primogénita do 
muito alto, e poderofo Key D. Pedro II. noffo 
Senhor. Lisboa por Miguel Deflandes Impref- 
for de Sua Mageílade 1690. 4. 

Orafaõ recitada na Academia dos Singfdares 
em 1. de Setembro de 1663. Sahio com as obras 
deíla Academia i. Part. Lisboa por Manoel 
Lopes Ferreira 1692. 4. 

Orafaõ ao Certame Académico da mefma 
Academia Part. 2. ibi pelo dito Impref. 1698. 
4. Neftas duas Partes eftaõ 3. Sonetos 2. Ro- 
mances 2. Decimas, e huma glofla de André 
Rodrigues de Mattos. Delle faz illuíbre me- 
moria o P. António dos Reys no Enthuf. 
Poet. já allegado n. 122. dizendo. 
= Erat in nitidá Taffum prope fede locatus 
Kodriguius Thufcas, qui compulit ore Camcenas 
L.ufiaco ceciniffe virum quem lata Sionis 
Mania viderunt calcata per agmina ^effu 
Ire triumphali. 

ANDRÉ RIBEIRO COUTINHO na- 
tural da ViUa de Eftremos na Província do 
Alentejo Ajudante de huma Companhia de 
hum dos Terços da Guarnição da Corte. Foy 
inílruido na lingua Latina, Poeta vulgar, 
e verfado na liçaõ da Sagrada Efcritura, e 
Santos Padres. Teve efcola publica na qual 
com faculdade do Senado de Lisboa enfi- 
nava a puerícia para à qual compoz igual- 
mente pio, que douto a feguinte obra em varío 
género de Metros. 

Panegyrico Chrtfiaõ cultivado na advertência 
das Oraçoens, que deve faber todo o ChrifiaÕ'. 
e juntamente a explicação da Miffa, e o que 
nella fe deve comtemplar, quando fe ouve, e hum 
politico A. B. C. para a boa criação dos 
Mininos. Lisboa por Domingos Carneiro 
1675. 8. 

Foy cafado com Cecília de Soufa de quem 
teve a Pafchoal Ribeiro Coutinho do qual fe 
fará memoria em feu lugar. 



172 



BIBLIOTHE CA 



ANDRÉ RIBEYRO COUTINHO na- 
tural de Lisboa, Fidalgo da Cafa de Sua Magef- 
tade, e Alcaide mór de Baçaim, filho de Paf- 
choal Ribeiro Coutinho, e de Maria dos Reys, 
e Neto de André Ribeiro Coutinho, do qual 
proximamente fe fez mençaõ. Depois de 
eftudar as letras humanas, e Filofofia no Col- 
legio de Santo Antaõ dos Padres Jefuitas fe 
applicou ao eíludo militar em que fahio muito 
perito, e para que exercitaíTe na pratica, o que 
tinha alcançado pela efpeculaçaõ, aíTentou 
praça de foldado, e com o lugar de Ajudante 
aíTiftio em varias Campanhas no tempo que 
efta Coroa declarou guerra à de Caílella fobre 
a fua fucceílaõ, à qual fe opuzeraõ o Duque 
de Anjou, e o Archiduque de Auílria. Em o 
anno de 1716. fe embarcou na famofa Armada 
que expedio Portugal para libertar a Ilha de 
Corfu da violenta oppreíTaõ a que a tinhaõ 
reduíido os Turcos, donde paíTando no anno 
feguinte a Ungria, e afliílindo na celebre 
batalha de Belgrado obrou acçoens, que me- 
recerão a enveja dos mais valerofos foldados. 
Reílituido a efte Reyno foy nomeado Sargento 
mór para que na índia enfinaíTe à noíTa gente 
militar a difciplina praticada na Europa, para 
cuja empreza partio de Lisboa em 14. de Abril 
de 1723. Nefte bellicofo theatro fez renacer a 
memoria do Valor Portuguez devendo-fe à 
fua laboriofa a£tívidade o defenho da Forti- 
ficação da Praça de Taná fituada em o Norte 
da índia. Voltando para a pátria foy man- 
dado no anno de 1735. com o poílo de Te- 
nente Coronel para a Nova Colónia do Sacra- 
mento, onde tem obrado acçoens tanto em 
beneficio deíla Coroa, como em credito da 
fua PeíToa. O continuo eílrondo das Armas 
nunca o feparou do comercio das Mufas, e 
da liçaõ da Hiftoria, em que he muito ver- 
fado. Compoz. 

Prototypo confiituido das partes mais ejfen- 
ciaes de hum General perfeito delineado em o per- 
feitijftmo General, e Governador das Armas Por- 
tuguesas, em a Provinda do A.lentejo o Senhor 
Pedro Mafcarenhas. Lisboa por António Pe- 
drozo Galraõ 171 3. 4. 

Kelaçaõ diária da expugnaçaõ, e rendimen- 
to da Praça de Bicholym em z-j. de Mayo 
de 1726. Lisboa por Miguel Rodrigues. 
1728. 4. 



ANDRÉ DE SOUSA DINIZ natu- 
ral de Santarém, fendo feus Progenitores 
Ambrofio Vieyra de Carvalho, e D. Jo- 
anna de Soufa. Foy ornado de fumma agu- 



ANDRE DA SYLVA MASCARENHAS 
natural de hum lugar da Beira entre os limites 
do Bifpado de Lamego, Doutor na faculdade 
de Direito Cefareo. Depois de ter adminif- 
trado alguns lugares com igual prudência, 
que defintereíTe foy Defembargador na Re- 
lação do Porto de que tomou poíTe a 22. de 
Agoílo de 1673. Como folTe naturalmente 
affefto ao eftudo da Poefia occupava em algu- 
ma compofiçaõ métrica as horas, que lhe refta- 
vaõ do laboriofo miniílerio da Jurifprudencia, 
de que he claro argumento o Poema, que pu- 
blicou com eíle titulo. 

A Dejlruiçaõ de Efpanha. Kejlauraçaõ Su- 
maria da me/ma. Lisboa por António Crasbeck 
de Mello 1671. 4. Na prefação delia obra 
affirma ter acabado. 

Hijloria dos milagres de N. Senhora da ILapa 
celebre Sanãuario de Portugal. M. S. O P. An- 
tónio dos Reys no Enthuf. Poetic. impreíTo 
no principio dos feus Epigrammas n. iio. faz 
delle mençaõ neíla forma. 

;=) Te Hifpana Cupreffu 

Natio velahat Jimul, et ParnaJJide luiuro \ | 
O' Mafcarenhas. 

Fr. ANDRÉ SOBRINHO natural de Mon- 
te mór o Novo na Província Tranftagana, filho 
de Diogo Sobrinho, e Sufana Dias ambos de 
illuílres famílias. Profeííou o Habito de Ere- 
mita de Santo Agoílinho no Convento de 
Lisboa a 17. de Outubro de 1593. em cuja 
Religião fendo venerado pela virtude, e fcien- 
cia, nunca quiz aceitar nella algum minifterio 
mais, que o de Meílre dos Noviços por muitos 
annos no Convento de N. Senhora da Graça, 
os quaes com os feus afceticos documentos 
fahiraõ veteranos na perfeição Religiofa. Foy 
pelo efpaço de outo annos ConfeíTor do Du- 
que de Bragança D. Theodofio Pay do Se- 1 
reniíTimo Rey D. Joaõ o IV. Como era 
muito douto na Theologia moral deixou 
compofto hum volume. 

De Cafihus Confcientia: o qual fe con- 
ferva no Convento da Graça deíla Corte. 



ij 



LUSITANA, 



!cza de engenho, que lhe facilitou a compre- 
cnfaõ de todas as Artes liberaes. Exercitou 
vom felicidade a Poefia fendo igualmente pe- 
tito nas letras humanas. Na liçaò de hum, e 
atro Direito era taõ vcrfado, que podia com- 
petir com os mayores Jurifconfultos do feu 
icmpo. Naò foy menos valerofo, que fciente» 
(brando acçoens heróicas na famofa Praça 
tio (riit:i. Todos cftcs admiráveis dotes, de 
í-iuc o ornou liberalmente a natureza, naõ pu- 
<.ieraõ izentallo de muitas adverfidadcs armadas 
cia iniluftria de fcus cmulos, que tolerou com 
iiimo heróico, e confiante. Cafou trcs vezes 
\ I. com D. Joanna de Teyvc Qrdofa. A 
2. com D. Guiomar Sarayva de Vafconcellos, 
•c quem teve a Fr. Feliciano de Soufa Diniz, 
. a Fr. André de Soufa ambos Eremitas de 
>:mto Agoftinho infignes Pregadores em Gif- 
iclla. A 3. com D. Maria do Amaral, c Aguilar, 
de quem teve Fr. Bernardo de Soufa Pacheco 
Vigário Geral em Hefpariha da Ordem de 
S. Bafilio, Fr. Jacinto de Soufa, e Azevedo, 
Ir. Jeronymo de Soufa ambos Religiofos 
1 rancifcanos, e o 2. Meftre jubilado em Theo- 
logia, e Secretario do Geral, e a D. António 
ic Soufa, e Noronha, que no Di/c/ir/. Geneal. 
i.'a Família dos Souf. foi. 17. faz de feu Pay 
cfta illuílre memoria. Vive de edad de 76 aiios 
n ejie de 1642. Hale cabido en Jtierte una no- 
íahle fortuna en huenas partes favorable, mas 
en Jiiceffos adiierja\ Ji bien rara ve:^ acompana- 
ron buenos Jt ice ff os a partes buenas; logra gran 
agudev^a de ingenio; jimtojele el efiudio, porque 
tiene bajlante noticia de todas las artes liberales. 
Exercita con aciertos la Poejia en fu natural 
idioma; es muy vijio en las letras humanas. 
Kefnltó de todo la compojicion de vários libros, 
uno. 

Kimas varias con quatro difcítrfos de fu 
vida. 
y otro. 

Compendio general delas Hifiorias dei mundo 
ajji divinas como humanas defde fu origen, hafia 
los tiempos pref entes. 

Fr. ANDRÉ DE SANTA THERESA 
natural de Lisboa, e defcendente de Pays 
taõ illuftres no fangue, como na piedade. 
Deixando a pátria paflbu a Caftella, e no 
Convento de Córdova dos Carmelitas Def- 



173 

calços recebeo o habito, em cuja paleílra fez 
iguaes progreíTot nas letras, que nas virtudes. 
A grande prudência junta com a natural afiEa- 
bilidade de que era ornado o ict digno, que 
depois de exercitar os Priorados de vários 
Conventos, c fer repetidamente Definidor 
Geral, foíTe com exemplo raramente viAo 
quatro vezes Provincial. Querendo a Mageí- 
tade delRey Catholico Carlos 11. a quem era 
muito aceito, rcmunerarlhe os feus grandes 
merecimentos, o nomeou Bifpo, cuja digni- 
dade, como fuperior ao feu talento, modcAa^ 
mente recufou. Morreo em Málaga no anno 
de 171 5. com 81. annos de idade Clarus 
doctrina, fed clarior virtutibus, como delle ef- 
creve Fr. Marçal de S. Joaõ Bautifta in 
hib. fcript. ulriufque Congreg. et fexus Carmel. 
Excalceat. impreíía Burdigalac 1730. 4. compoz. 

Sermoens vários Málaga 4. 

Epiflola pafloral a fus Keligiofos 

Epiflola pafloral a fus Keligiofos 

Epiflola compuefla fobre algunas palavras 
dei Pfalmo XXVIII. 

Fr. ANDRÉ DE SANTO THOMAZ 
naceo na Província do Alentejo, profeílou 
o habito da Ordem dos Pregadores onde depois 
de fahir eminente nas fciencias mayores as 
eníinou com grande applaufo aos feus do- 
mefticos. Na Univeríidade de Coimbra re- 
cebeo o gráo de Doutor na faculdade de 
Theologia, e a diftou na Cadeira de Prima de 
tomou poíTe em 4. de Abril de 1635. fendo 
fuccefror nefte honorifico lugar de Fr. An- 
tónio da Refurreiçaõ promovido ao Bifpado 
de Angra, merecendo pela profundidade 
das fuás letras a univerfal aclamação de toda 
a Academia. Foy Qualificador do Santo 
Officio cujo Tribimal attendendo à fua grande 
fciencia determinou, que as Conclufoens, 
que fe houveíTem defender no Collegio de 
Santo Thomaz, fendo approvadas por elle 
naõ foíTem reviílas por outro Confultor. Mor- 
reo em Coimbra no anno de 1640. e foy fepul- 
tado na Capella mór do Collegio de Santo 
Thomaz com eíle epitáfio. 

Fr. Andreas ã Santo Thoma Tranflaganus 
Confultor Santi Officij praclarum regularis obfer- 
vantia exemplar. 
Efcreveo. 



^74 



BIBLIO THECA 



Vida, e virtudes da V. Soror Ifabel do Efpi- 
rito Santo (e naõ de Santo Thomat;^ como por 
equivocaçaõ lhe chamou Fr. Pedro Mon- 
teiro Clauji. Dom. Tom. 3. pag. 144.) Keligiofa 
da ^. Ordem de S. Domingos de cuja obra faz 
mençaõ Jorge Cardofo Agiolog. hujttan. Tom. 
I. pag. 501. no Comment. de 22. de Fevereiro 
letr. H. dizendo do Author delia o muito douto, 
e Keligiofo P. Fr. André de Santo Thomat:^ varaõ 
mayor de toda a excepção, que a confeffou muitos 
annos, e com particular cuidado ejcreveo a Jua 
vida. 

Commentaria in Summam Angelici Praceptoris, 
que por caufa da morte do Author fe naõ im- 
primirão. Delle fe lembraõ Fr. Lucas de Santa 
Catherina Chroniíla Geral da Ordem, e Acadé- 
mico do numero da Academia Real na Hiflor. 
de S. Domingos da Prov. de Portug. Part. 4. lib. i. 
cap. 14. e Fr. Pedro Monteiro no Cathalog. 
dos Reved. e Qtíalific. do Santo Offic. n. 7. Nas 
Aâas do Capitulo Geral celebrado em Ro- 
ma no Convento da Minerva no anno de 
1644. fendo Meílre Geral Fr. Thomaz Tur- 
co fe faz mençaõ delle neíla forma. Vene- 
randus P. Magifter Fr. Andreas de San£ío Tho- 
ma primarius Conimhricenjis Academice SacrcB 
Theologice ProfeJJor regularis difciplina exaãif- 
jimus obfervator, vita innocentia, et aufieritate 
injignis, mortis Jua tempus, et modum pradixit, 
et tandem cum communi fanãitatis opinione feli- 
citer quievit in Conventu Conimbricenji. 

Fr. ANDRÉ DA VEYGA natural da 
Villa de S.-Tiago de Cacem do Arcebifpa- 
do de Évora. Sendo muito fciente na lingua 
Latina afpirando a inílruirfe na f ciência dos 
Santos recebeo o habito da Terceira Ordem 
de S. Francifco no Convento de Santarém 
dedicado à Virgem, Mártir, e Doutora 
Santa Catherina. Logo em o Noviciado 
começou a exercitar virtudes taõ heróicas, 
que ferviaõ de admiração, e exemplo aos 
feus domefticos, as quaes continuou com 
mayor exceiTo pelo largo efpaço da fua vi- 
da. Por preceito dos Superiores foy obriga- 
do a eníinar fora do Convento à mocidade 
Portugueza naõ fomente a lingua Latina, 
mas a Rhetorica, e Poeíia, e para eiie eífeito 
abrio efcola em Setúbal, na fua pátria, 
e na Cidade de Portalegre, onde con- 



corriaò os ouvintes apprender com as fciencias 
as virtudes fendo os principaes difcipulos os 
IlluílriíTimos D. Affonfo de Caílellobranco, e 
D. André de Noronha, o primeiro Bifpo de 
Coimbra, e o fegundo de Portalegre os quaes 
fempre fizeraõ agradecida memoria da folida 
doutrina de taõ infigne Meftre. Attenuado 
com o laboriofo exercicio das aulas, e muito 
mais da continua afpereza com que mortificava 
o corpo fe recolheo ao Convento de Santarém, 
onde accumulando mais merecimentos ao fcu 
efpirito pronofticada a hora da morte, e con- 
fortado com os Sacramentos fe transferio da 
terra para o Ceo no i . de Abril de 1 5 84. quan- 
do contava a larga idade de iio. annos. Do 
Cemeterio commum onde fora enterrado o feu 
cadáver com a aíTiiiencia das peíToas mais 
principaes de Sãtarem, foy tresladado em 10. 
de Abril de 161 6. para lugar mais honori- 
fico, qual foy a parede do Cruzeiro à parte da 
Epiftola entre as Capellas de N. Senhora da 
Saúde, e de Santo António, exhalando fuavif- 
fimo cheiro onde fe perpetuou a fama da fua 
fantidade pela copia de milagres, que obrava 
em beneficio daquelles povos circunvifinhos. 
Sobre a campa da fepultura fe lhe gravou efte 
epitáfio. 

Aqtiija^ o P. Fr. André da Veiga. Falleceo 
em dia de Pajchoa de Flores no anno de 1 5 84. Mui- 
tas das fuás obras dedicou a feu difcipulo D. 
André de Noronha das quaes fomente fe 
imprimio a feguinte. 

Acetarium varias rerum matérias continens, 
multiplici carmine Jacro prcsfertim conjians. Ulyf- 
fipone apud Franc. Corrêa Seren. Cardin. 
Infant. Typog. 1571. 4. 

Tinha compoJfto hum Poema cujo argumen- 
to ignoro, o qual conílava de três mil verfos. 

Ainda, que Nicolao António in Bib. Hijp. 
Tom. I. cap. 71.' efcreva que Fr. André da 
Veyga nacera na Veyga de Toledo, cuja opi- 
nião feguio dubiamente Jorge Cardofo A^ol. 
"Lufit. Tom. 2. pag. 383. fe enganou, por conílar 
certamente do Cathalogo das pátrias, e profif- 
foens dos Religiofos da 3. Ordem de S. Fran- 
cifco, que nacera na Villa de Saõ-Tiago de 
Cacem, e profeíTara a 13. de Mayo de 1492. 
cujo aílento affirma o P. Francifco da Cruz nas 
Juas Memorias M. S. para a Bib. Portug- 
!(a o lera efcrito no dito Cathalogo. Ef- 



I 



L USITAN A. 



crcvcm dcftc virtuofo Varaõ Jorge Cardofo 
yís^ío/. ljiji(. Tom. 2. pag. 385. no Commcnt. 
<l() I. de Abril let. F. e pag. joi no Commento 
de 10. de Abril Ict. G. Fr. Manoel da Efper. 
llijl. Seraf. da Prov. di Port. Part. 2. Uv. 11. 
c;ip. 32. n. 7. António Carvalho da G>fta Corog. 
Por/uji. Tom. 5. Part. 8. cap. 33. pag. 500. cha- 
niandolhe Varaõ miàtofabio, e devoto. Fr. Joan. 
a D. Ant. in Bib. Pranc. Tom. i. pag. 72. e o P. 
António dos Reys no Entufiafm. Pott. n. 162. 

Veyga 
Tam bene de fuperis meritus, quàm clarus in arte 
Carmina pangendi: 

ANDRÉ VELHO DA FONSECA Depois 
de cftudar Direito Canónico na Univerfidadc 
de Coimbra, em que tomou o Gráo de Ba- 
charel, foy nomeado Ouvidor de Angola, 
onde obfervando com juifo de Sábio, e in- 
veftigaçaõ de curiofo aquella vafta regiaõ da 
litiopia que obedece ao Império Portuguez, 
cfcrevco hum grande volume que fe conferva- 
va na Bibliotheca do infigne Antiquário Ma- 
loel Severim de Faria Chantre da Cathedral 
le Évora, com o titulo 

Hijloria do Reyno de Angola. 

DONA ANGELA DE AZEVEDO 
latural de Lisboa, filha de Joaõ de Aze- 
redo Pereira Fidalgo da Cafa Real, e de fua 
pcgunda mulher Dona Izabel de Oliveira 
lereceo pela fua natural difcriçaõ, e rara 
irmofura particulares eftimaçoens da Rainha 
>ona Izabel de Borbon primeira mulher 
lelRey de Caílella Filippe IV. e naõ da 
inha Dona Catharina Efpofa de Filippe 
como efcreve o moderno Author do 
^beafro beroino Tom. 2. pag. 493. O qual 
*rincipe fendo cazado quatro vezes nenhu- 
deílas Senhoras teve o nome de Cathari- 
Sendo Criada da SereniíTuna Dona Izabel 
le Borbon fe defpozou em Madrid com con- 
forte digno do feu nacimento de quem teve 
luma filha com a qual depois de Viuva fe 
icolheo no Convento de S. Bento, onde 
>rofeíTaraõ o feu monaíHco inílituto. Cul- 
ivou com fumma felicidade a Arte da Poefia 
ie que deixou por argumentos da fua fecun- 
e difcreta vea as Comedias feguintes 
lue todas fe imprimirão com eíles titulos 



.75 

ÍM Margarita dei Tojo que diò nombre a 
Santarém. 4. 

El muerto difftmulado. 4. 

Dicba, y dejdicha dei jitegp, y devocion ie la 
VkgfH. 4. 

Fr. ANGELO DE S. DOMINGOS natu- 
ral da Cidade de Évora filho de AfTonfo Rodri- 
gues, e de Joanna 1'ernandes. Recebeo o habito 
dos Caraielitas Deícalços no Convento de Noí- 
fa Senhora dos Remédios de Lisboa a 18. de 
Novembro de 1601. eíhidando em Coimbra as 
fciencias que coníliruem douto a hum Religio- 
fo, foy eleyto companheiro de Fr. Miguel de S. 
Jeronymo infigne Meftre de Noviços para os 
inílruir na difciplina regular. O feu fublime 
talento o fez digno de que exercitando fem in- 
terrupção os lugares de Prior dos Conventos 
de Figueiró, Cafcaes, Coimbra, Porto, e Aveiro 
chegaíTe a fer Provincial eleyto no Capitulo 
celebrado em S. Pedro de Paftrana em Caílella 
a 6. de May o de 1634. obfervando em todas 
eílas Prelafias igual prudência que brandura 
para os fubditos. A innocencia da vida o 
fafia amável aos domefticos, e eftranhos. Foy 
muito verfado na Hiftoria, e naõ menos 
na Poefia. Todo o tempo, que lhe reftava 
das precifas obrigaçoens de Superior o ap- 
plicava à liçaõ dos livros. Vivia pelos an- 
nos de 1654. quando contava cincoenta an- 
nos de Religiofo. Compoz diverfas obras, 
que naõ lograrão a luz publica, de que eraõ 
dignas, fendo as principaes. 

Compendium hijloriale Sanãorum Ijufitano- 
rum, vel ad 'Lufitaniam quoquo modo fpeãan- 
tium gejia compleãens. 

Memoriale fundationum fua Província Cano- 
biorum quibus prafuerat. 

Polymita, five diverja Poemata. 

Officium proprium S. Jofephi Beatijfima Vir- 
ginis Sponji; o qual dezejava que foífe appro- 
vado para em toda a Igreja fe rezar. 

Officium Plagarum Chrifti Domini. Pa- 
ra fe rezar em todo o Reyno de Portu- 
gal. Do Author fazem mençaõ o Padre 
Francifco da Fonfeca Euor. glorio/, pag. 
410. Fr. Belchior de Santa Anna Chron. 
dos Carmel. Defcalf. de Portug. Tom. i. 
liv. 3. cap. 14. §. 669. e cap. 26. §. 747. e 
cap. 28. §. 758. E Fr. Joaõ do Sacramen- 



ij6 

to Chron. dos Carmel. Defcalf. Tom. 2. liv. 5. 
cap. 31. §. 597. e liv. 6. cap. i. §. 785. 

Fr. ANGELO DE SANTA MARIA 
chamado no Século Duarte de Figueiredo 
e Gufmaõ naceo no anno de 1 664. na Villa de 
Caftro Marim do Reyno do Algarve, e foy 
filho de Gafpar Lourenço de Gufmaõ, e de 
Dona Maria de Figueiredo peíToas de conhe- 
cida virtude. Aprendeo os primeiros rudi- 
mentos na Cidade de Tavira donde quando 
contava 16. annos de idade paflbu a Salamanca 
eíludar Direito Pontifício, e eílando para gra- 
duar-fe nefta Sagrada Faculdade infpirado 
fuperiormente defprezou os augmentos, que 
lhe prometiaõ as fuás letras recebendo o 
habito dos Carmelitas Defcalços das mãos do 
Reytor do Collegio de Salamanca Fr. Joaõ 
da Annunciaçaõ que depois foy Geral da 
Ordem, e hum dos principaes Authores do 
Curfo Salmanticenfe. Paliado o tempo do 
Noviciado, e feita a Profillaõ folemne no 
Convento de Valladolid foy eíludar Filofofía 
a Ávila, Theologia a Salamanca, e Moral a 
Segóvia, em cujas faculdades fez taes pro- 
greíTos a fua applicaçaõ que por efpaço de três 
annos foy Meftre deíla Sciencia onde tinha fido 
Difcipulo. Dezejofo de voltar à fua Pátria 
pofto que repugnaíTem os Prelados Caílelhanos 
por fer a fua auzencia muito prejudicial à gloria 
da Religião, lha concedeo o Reverendiffimo 
Geral Fr. Pedro de Jefus Maria filho dos Mar- 
quezes de los Bellez. Reftituido ao Rey- 
no pouco tempo affiílio no Convento de 
Évora donde para que naõ eftiveíTe ociofo 
o feu grande talento em beneficio dos do- 
mefticos paflbu a fer Meftre de Theologia 
moral pelo largo efpaço de nove annos em 
o Convento de Viana. Foy Secretario da 
Provinda, Reytor do Collegio de Coim- 
bra, e três vezes Definidor Geral moftran- 
do em todos eftes lugares a fumma madu- 
reza de que he ornado. Todo o tempo 
que lhe reíla das obrigaçoens religiofas o 
occupa continuamente efcrevendo fendo 
manifeftos frutos da fua douta, e incanfa- 
vel applicaçaõ as obras feguintes. 

BreviariJ Moralis Carmelitani juxta doc- 
trinam mirahikm, atque angeluam D. Tho~ 
ma Aquinatís Ecclejice Jolis, nec non Sanãif- 



B IB LIO THE CA 



fimam, valdeqtte perutilem Salmanticenjitm tam 
moralium, quam Jcholajlicoriim paffim tritam, 
totum inojfenjoqm pede diffujam per orbem in 
Fraírum auxilium, eorumque gratiam. Pars i. 
Ulyflipone apud Antonium Pedrozo Galraõ 
1734. foi. 

Pars z. ibi per eumdem Typog. 1734. foi. 

Pars 3. ibi per eumdem Typog. 1735. foi. 

Pars 4. ibi per eumdem Typog. 1735. foi. j 

Pars 5. ibi per eumdem Typog. 1738. foi. 
Tem prompto para a Impreflaõ 

Schola Moralis h.ufitanenjis foi. 7. Tom. 

Conjultationum Moralium Tom. unus foi. 

Sermoens vários 4. 4. Tom. 

ANGELO PACENSE cujo apellido de- 
nota a fua Pátria a Cidade de Beja fituada na 
Província Tranílagana o qual floreceo no j 
fatal Século em que de toda Efpanha oprimida ' 
pelo bárbaro jugo dos Sarracenos eílavaõ 
deílerradas as fciencias. Efcreveo 

Vidas de muitos Santos Portugue^^es. 
Efta obra fe confervava na Livraria do 
Real Convento de Alcobaça como tefti- 
ficaraõ o Licenciado Jeronymo do Souto 
Ouvidor da Comarca, e Correição dos Cou- 
tos deíla Villa, e o Reverendiflimo D. , 
Abbade Geral da Congregação Ciílercien- 
fe Fr. Francifco de Santa Clara, o primei- 
ro em 10. de Setembro de 1595. e o fegun- 
do em 13. de Julho de 1596. cujas attefta- 
çoens eílaõ impreíías na prefação da i . 
part. da Mon. l^ujit. compoíla pelo infig- 
ne Efcritor Fr. Bernardo de Brito. Dizem 
que eíle livro fora roubado da Livraria de j 
Alcobaça onde fe confervara pelo largo 
efpaço de quinhentos annos, e fe levara 
para a Bibliotheca do Efcurial o que nega 
Nicol. Ant. in Bib. Hifp. Vet. Tom. 2. pag. 
257. como também a exiílencia de feu 
Author julgando-o por apócrifo affim co- 
mo no feu conceito faõ Laymundo Orte- 
ga, Pedro Alladio, e o Meílre Menegaldo 
fundando toda a fua duvida em que uni- 
camente Fr. Bernardo de Brito vira, e uza- 
ra deíles Authores. Porém para credi- 
to, e abonaçaõ de taõ infigne Efcritor co- 
mo foy o noflb Brito fahio modernamente 
à luz publica no 4. Tom. dos Anedoílos 
impreíTo Patavii Typis Seminarii 171 3. 4- 



11 



LUSITANA. 



177 



que Luiz António Muratori, Bibliothecario do 
nuc|uc tlc Míulcna cxtrahio da Biblíothcca 
Ainbroziana, a obra do Mcftrc Mcncgaldo, 
a qual confia de huma híOoria geral do mun- 
do, por onde fe moftra evidentemente que 
naò foy I'r. Bernardo de Brito o inventor 
(IcHa obra, mas que realmente exiília, como 
icriaõ os outros Authores antigos, de cujas 
noticias fe valeo para a compofiçaõ da Mo- 
nnrcliia Lufitana. Fallaõ de Angelo Paceníe 
Cardozo y4ff0/. Lufit. no Cõment. do i. de 
1'cvcrciro letr. C. Maced. Tíva, e Ave. Part. 2. 
cap. 28. n. 7. Brito Mon. iMJit. Part. i. liv. i. 
cap. 19. e liv. 2. cap. 6. e cap. 10. e liv. 4. cap. 
;a. c part. 2. lib. 5. cap. 6. Joan. Soar. de Brito 
III Theatr. hjifit. Uterat. lit. A. n. 46. 

D. Fr. ANGELO PEREIRA naceo em 

i illuftrc Viila de Barccllos da Província de 
g^atre Douro, e Minho, c na Cidade de Lisboa 
JBcebeo o habito da Religião Carmelitana da 
Hptigua obfervancia. Em o Collegio de Coim- 
^■a aprendeo no anno de 1567. Filofofia, e 
^Kheologia, cujas íciencias enílnou aos íeus 
jBpmcílicos recebendo em premio da fua 
grande Litteratura a Borla de Doutor na 
feculdade de Theologia conferida pela Aca- 
demia Conimbricenfe. Occupou na Reli- 
gião os lugares de Reytor do Collegio de 
Coimbra, Definidor, e Cuílodio da Provincia, 
c Prior do Convento de Lisboa, onde foy 
eleito Sócio do Geral Fr. Joaõ Eftevaõ Chi- 
zola quando veyo a eíle Reyno, querendo 
que o ajudafle na Reforma que intentava 
fa2er na Provincia de Andaluíia, em cujo 
miniílerio dezempenhou a eleyçaõ, que delle 
fe fizera. Confiderando o grande Bifpo de 
Coimbra D. Affonfo de Caílello-Branco, 
que naõ podia por caufa dos feus annos 
exercitar o miniílerio paíloral como deze- 
java, o nomeou feu Coadjutor, e foy con- 
firmado pelo Papa Clemente VIIL com o 
titulo de Bifpo de Martyria em 14. de 
Mayo de 1600. PeUo efpaço de quatorze 
annos logrou a dignidade Epifcopal atè 
que na Villa de Pereira faleceo, e na fua 
Igreja Matriz foy fepultado, e fe lhe gravou 
efte epitáfio 

Aqui ja^ o Corpo do lllufirijfimo Senhor 
D. Fr. Angelo Pereira Bifpo de Martyria, 



Ktliffofo, que foy da Ordem do Carmo. Faleceo 
aos 20. de ]unho de 16 14. Compoz 

Ad primam fecunda D. Thoma Aí. S. o qual 
fe conferva no Collegio de Coimbra como 
aífjrma Fr. Manoel de Sá nas Mem. HiJIor. 
dos lifcrit. Portug. da Ordem de N. S. do Carmo 
pag. 27. n. 58. 

Vida de Santo Alberto Paíriarcha, e de Santo 
Angelo Mártir. M. S. 

Efcrcvcm de D. Fr. Angelo Pereira, Fr. 
Marcos António de Alegre de Cafanate ín 
Parad. Carmel, Decor. Stat. 5. yfvftas 17. cap. 30. 
pag. 45). Fr. Manoel Rom. LUucid. foi. )X4. 
Fr. Thom. de Faria Decad. i. lib. 5. cap. 9. Fr. 
Daniel à Virg. Mar. in Spec. Carmel. 2. part. 
Tom. 2. lib. 5. pag. 210. n. 5166. et pag. 1085. 
n. 5799. Fr. Diogo de Corea Maldon. Chron. 
dei Carm. lib. 12. cap. 12. e i). Sampayo Noh. 
Portug. cap. 9. pag. no. Coft. Corog. Portug. 
Tom. 5. lib. 2. Traft. 8. cap. 47. pag. 624. e o 
Padre D. Manoel Caet. de Souf. Catb. Hift. 
dos Arceb. e Bifp. Portug. p. 112. 

P. ANGELO DOS REYS naceo em hum 
lugar do Certaõ da Bahia em o aimo de 1664. 
Sendo de 17. annos entrou na Companhia 
de Jefus no Collegio da Bahia a 18. de No- 
vembro de 168 1. onde fez a ProfiíTaõ do quarto 
voto a 15. de Agofto de 1699. ^^Y Meftre de 
humanidades, Filofofia, e Theologia nos 
CoUegios da Bahia, e Rio de Janeiro, e hum 
dos celebres Pregadores do feu tempo, cuja 
arte aprendeo do Oráculo da eloquência 
Ecclefiaílica o infigne Vieyra, de quem foy 
muitos annos Amanuenfe. Obfervou exac- 
tamente a pobreza religiofa, e taõ moderado 
fe moílrou na fortuna profpera, como conf- 
tante na adverfa. Por fer muito verfado na 
Hiftoria Secular, e Ecclefiaílica o elegeo a 
Academia Real por feu Collega Supranu- 
merário. Ao tempo que apoílolicamente 
difcorria pelo certaõ de Cana Brava exer- 
citando o miniílerio de MiíTionario paíTou 
a melhor vida em 21. de Dezembro de 1725. 
com 59. annos de idade, e 42. de Religião. 

Dos muitos Sermoens que em diverfas 
Feílividades pregou com grande applaufo 
fomente fe imprimirão os feguintes. 

Sermão da Keflaura^aõ da Bahia pre- 
gado na Sè da mefma Cidade em Ma dos 



17 



178 

Apojlolos S. Filippe, e S. Tiago Lisboa por 
Miguel Manefcal Impreflbr do Santo Officio 
1706. 4. 

Sermão da Canonização do grande Apoftolo do 
Oriente S. Francifco Xavier pregado no dia da 
mejma Fejia no Collegio do Rio de Janeiro. Lis- 
boa por Valentim da Coíla Deslandes 1709. 4. 

Sermão de N. S. de Be/km pregado no Semi- 
nário do me/mo nome, e na primeira Outava do 
Natal no anno de 171 6. Lisboa por António 
Pedrozo Galraõ 171 8. 4. 

Sermão da Soledade da Mãy de Deos pregado 
na Sè da Bahia no anno de 171 8. Lisboa pelo 
dito Impreflbr 171 9. 4. 

ANNA DA FONSECA naceo na Villa 
de Celorico da Provinda da Beira com igual 
génio para as virtudes, como para as Artes li- 
beraes. Triumfando da fragilidade do fexo, e 
ainda da mefma idade fahio taõ perfeitamente 
inftruida na lingua latina, e em todo o género 
de erudição fagrada, e profana, que era vene- 
rada por huma Sibilla do feu Século. Conhe- 
cendo a inftabilidade das delicias mundanas fe 
auzentou da cafa de feu Pay Fernaõ Gonçal- 
ves Cabral para o Convento de Cellas jun- 
to a Coimbra, onde profeflbu o inílituto 
Ciftercienfe. Nefta Sagrada Efcola prati- 
cou aquellas virtudes dignas de huma Ef- 
pofa de Chrifto com as quaes fervia de 
exemplar a duas Irmãas Religiofas no mef- 
mo Convento para que foflem fuás imita- 
doras. Todo o tempo que lhe fobejava da 
contemplação da pátria celeílial, o dedi- 
cava à Liçaõ dos Santos Padres, e Autho- 
res afceticos, donde extrahia doutrinas para 
compor algumas obras efpirituaes, como foraõ 
Varias Homilias. 

Efcritas elegantemente na lingua latina 
que igualmente refpiravaõ amor da virtu- 
de, e ódio do pecado, das quaes grande parte 
fe confervava em poder de feu Pay em quan- 
to viveo. 

DONA ANNA DE LIMA naceo em 
Lisboa, Irmãa daquelle celebre Heroe D. 
Paulo de Lima, que com as fuás admirá- 
veis façanhas aflbmbrou a todo o Orien- 
te, e filha herdeira de D. António de Lima 
Senhor de Caftro Dairo, e de Dona Ma- 



BIBLIO THE CA 



ria de Vilhena filha de Chriftovaõ de Mello 
herdeiro da Ilha de S. Thomè. Foy cazado 
com D. António de Attaide primeiro Conde 
de Caftro Dairo, e 5. Conde da Caftanheira, 
Alcayde Mòr de CoUares, e Guimaraens, de 
quem teve numerofa defcendencia. Augmen- 
tou as luzes do feu claro nacimento com os 
rayos das fciencias em que foy muito perita 
principalmente na cultura da Poefia, em que 
podia fer venerada por decima Mufa com- 
pondo com affluencia difcriçaõ, e elegância. 
Varias Poejias Portugue:(as 
As quaes louva com grandes elogios 
Manoel de Faria e Soufa no Catalog. dos 
A. A. Vortuguer^es, cujo original, que nun- 
ca fe imprimio, que he muito differente de 
que eflà no Epit. das Hift. Portug. temos 
lido, e examinado. 

ANSELMO CAETANO MUNHOS DL 
ABREU GUSMAM, E CASTELLO-BRAN- 
CO natural da Villa de Soure na Província 
da Beira do Bifpado de Coimbra, e filho do 
Doutor António Munhós de Abreu formado 
na Faculdade dos Sagrados Cânones, e de 
Simoa Godinha da Roza. Inftruido nos ru- 
dimentos da Latinidade paliou à Univer- 
fidade de Coimbra onde fe applicou à Sden- 
cia da Medicina na qual recebeo as infignias 
doutoraes com applaufo de todos os Mef- 
tres. Naõ o mereceo menos quando a exer- 
citou praticamente nefl^ Corte elegendo o 
por feu Medico o ExceUentiflimo Duque 
de Aveiro D. Gabriel Ponce de Leon. He 
ornado de feliz memoria, noticia das linguas 
mais polidas da Europa, e naõ menos verfado 
na Uçaõ dos Santos Padres, fagrada Bí- 
blia, difciplinas Mathematicas, e mifterios 
occultos da Chimica, de que he argumento 
a obra feguinte que pubUcou com efte ti- 
tulo. 

Ejinaa, ou applicaçaõ do entendimento fobre 
a pedra Filofofal provada, e defendida com os 
mejmos argumentos com que os Padres Athanajio 
Kircher no feu Mundo fubterraneo, e Fr. Jero- 
nymo Bento Feijoo no feu Theatro Critico conce- 
dendo a pojfibilidade negaõ, e impugnaõ a exif- 
tencia dejle raro, e grande mijlerio da Arte Magna 
Part. I. Lisboa por Maurício Vicente de 
Almeyda. 1732. 4. 



L USITAN A. 



179 



Varte z. Lisboa pelo dito impreíTor. 

1733- 4- 

Oráculo Propbetico Prologomeno da Terá- 

tohgia, ou Hijioria prodiffofa tm qi4t Jt dâ com- 
eta noticia de todos os Monjlros compoflo para 
ffmfujaõ de Veffoas ignorantes, fatisfaçaõ de ho' 
mtfis fabios, extermínio de Propbecias f alfas, e 
M>licaçaÕ de verdadeiras Propbecias. Lisboa 
pelo dito ImprclTor 1735. 4. 

Vieyra abbreviado, em cem Difcurfos Mo- 
Hts, e Poli ticos dividido em dous Tomos. Tom. 
I, Lisboa pelo dito Imprcflbr. 1753. 8. 

Eíla obra, que fe principiou a imprimir, 
e naõ fe continuou coníla por ordem Alfa- 
bética de todas as máximas moracs, e po- 
Htícas, que eílaõ difperfas pelos Sermoens 
èo P. António Vieyra os quaes tinha o Au- 
thor dcUa taò fixos na memoria, que toda 
a contextura he compoíla das palavras do 
mefmo Vieyra parecendo mais obra delle, 
do que do abbreviador dos feus incompará- 
veis Difcurfos. 

Com o fupoílo nome de Moníieur Roberto 
Wainger publicou. 

Onomatopeia Oannenfe, ou Annedotica do 
hionfiro Amphibio, que na memorável noite de i/[. 
para 1$. de Outubro do prefente anno de 1732. 
ãpareceo no mar Negro, e fahindo em terra f aliou 
âos Turcos de Confiantinopla (ò>'c. Lisboa por 
Mauricio Vicente de Almeyda. 1732. 4. 

Com o nome de Vafco de Mendanha 
Coelho publicou. 

Vida, nacimento, e morte de X. dato 
Famineis. Oferecido ao muito Generofo Se- 
nhor Cartapacio de Géneros. Lisboa por 
Pedro Ferreira ImpreíTor da AuguftiíTmia 
Rainha. 1733. 4. He hum difcurfo Medi- 
co acerca de hum monítro compofto de 
dous Corpos Femininos, que pario em Lis- 
boa em o I. de Outubro de 1732. huma 
Preta. 

Com os nomes de André Paulino, e Mar- 
cos Valentim publicou. 

Efcudo Apologético contrapojio aos gol- 
pes do De/cuido Critico compofio pelos fapi- 
tntijfimos dous Cenfores de X. dato Fami- 
neis Collegiaes do antigo Collegio de Gejlas (ò^c. 
Lisboa por Mauricio Vicente de Almey- 
da 1733. 4. 
Com o nome de Jorge Martins. 



Hifloria Galhga, em que fe dá rela^aõ, t ver- 
dadeira noticia das celebres Peflas de hum Noi- 
vado a que ajftfliraõ Gonçalo d» Pó, $ Gil Noivo 
Lisboa pelo dito ImpreíTor 1754. 4. 

SaÕ humas redondilhas de pé quebrado 
com hum commento em proza. 

Fr. ANSELMO XUQUER. Nacco cm 
Lisboa fendo filho de Joaõ Xuquer Alcmaõ, 
e Luiza Freyre Portugueza. Depois de inT- 
truido nos primeiros rudimentos de que era ca- 
paz a fua idade, foy admitido ao habito Regu- 
lar da Ordem de Chriílo no Real Coavento 
de Thomar a 2. de Fevereiro de 1 599. onde fez 
admiráveis progreíTos na praâica das virtudes, 
e na comprehenfaõ das fciencias principal- 
mente nas letras humanas, e Poefia. No Real 
Convento da Villa de Thomar, Cabeça dcíla 
Militar Ordem leo com geral applaufo naõ 
fó aos domeílicos, mas ainda aos eílranhos 
Grammatica, Rhetorica, Poeíia, c Filofofia. 
A fuavidade do génio, e a inteirefa da vida o 
faziaõ a todos fummamente amável, e ainda 
quando tinha idade muito proveâa nunca 
era faíUdiofa a fua communicaçaõ. Occupou 
na fua Religiofa Familia os lugares de Prior 
no Collegio de Coimbra, de Viíitador Geral, 
e perpetuo Deíinidor. Conhecendo a Magcf- 
tade delRey D. Joaõ o IV. a grande prudência 
de que era ornado, o nomeou Secretario da 
Embaxada, que em feu nome mandava dar 
por Rodrigo Botelho à Rainha de Suécia. 
Depois de difcorrer com o Embaxador grande 
parte de Alemanha entrou em Colónia onde 
aíTiftia por Núncio Apoílolico Fábio Chifio, 
e como eíle Prelado era grande eítímador 
dos homens eruditos contrahio com Fr. An- 
felmo taõ eílreita amizade, que o levou na 
fua companhia a Roma, e de tal forte con- 
fervou com elle efta affefhiofa correfponden- 
cia, que fendo fublimado ao Sólio do Va- 
ticano com o nome de Alexandre VH. lhe 
efcrevia a Portugal com as mayores demõf- 
traçoens de benevolência. Reílituido ao 
Convento de Thomar ainda que opprimido 
de infirmidades, e annos paíTava o tempo 
fempre occupado nas fuás litterarias appli- 
caçoens, que interrompeo a morte em 13. 
de Junho de 1663. quando excedia a idade 
de 90. aimos. Na Livraria do Convento de 



i8o 



BIB LIOTHE CA 



Thomar fe confervaõ M. S. com grande 
fentimento dos eruditos as obras feguintes. 

De Pariu Virginis Deipara libri 12. Com- 
poílos em verfo elegantiíTimo. 

Tragadia S. Catherina Martyris Alexan- 
drina. Em verfos Jambos. 

Diverjorum Poemafum liher. 
Adágios Portuguei^es vertidos em L.atim 

KelaçaÕ da pri^^aõ em Alemanha do SereniJ- 
Jimo Infante D. Duarte irmaõ delRej D. Joaõ o IV. 
e fua morte em Milaõ, e do que ohráraõ os Portu- 
guefes para o rejiituirem ã fua liberdade. 

Griphos, e enigmas explicados. Efte livro 
confervava em feu poder Gafpar de Faria 
Severim Secretario das Mercês. 

Officium S. Jo^ieph B. V. Sponfi. O Author 
o dedicou a Alexandre VIL por lhe ter pedido 
o compuzeíTe. 

Delle faz memoria no feu Enthujiafmo 
Poético n. 169. o P. António dos Reys. 
Nec Te quod multis aliis contingere vidi, 
(Non tamen his l^ufis irafcens) Xuqpiere Phabus 
Ignis ut expertem facri de Monte fugavit, 
Kidendumque dedit Mujis, fed culmen adire 
Mifcerique choris veniens concejftt in avum. 

Fr. ANTAM DE FARIA. Naceo na 
Cidade de Lisboa no anno de 1655. e foy filho 
de Antaõ de Faria da Sylva, e neto de Francifco 
de Faria Alcayde mór de Palmella. Apren- 
didas as letras humanas elegeo entre todas as 
Religioens a do grande Patriarcha faõ Bento 
recebendo o Habito Monachal no Con- 
vento de Tibaens a 27. de Abril de 1675. 
quando contava 20. annos de idade. Nos 
Efhidos Efcholaílicos fahio taõ iníigne, que 
mereceo fer laureado na Univeríidade de 
Coimbra com as iníignias doutoraes em a 
Faculdade de Theologia. Sendo Provizor 
do Bifpado do Porto tomou poífe deíla Mi- 
tra a 17. de Outubro de 1709. em nome do 
ExcellentiíTimo, e ReverendiíTimo Senhor 
D. Thomaz de Almeyda hoje Cardial Patriar- 
cha, para a qual fora promovido da Cathedral 
de Lamego. Os feus merecimentos o fizeraõ 
digno de naõ fomente governar a fua Mo- 
naftica Congregação no anno de 171 o. mas 
fer propoíto para Bifpo do Rio de Janeiro, 
e Coadjutor do Arcebifpo Primaz Ruy de 
Moura Telles. Morreo no Convento de Ti- 



baens a 19. de Junho de 1721. outavo dia da 
Feíla do Corpo de Deos, de cujo amorofo 
Myfterio foy cordial devoto. Compoz. 

Manifejlo das prendas, que para Paji commum 
da Religião Monaflica de S. Bento fe achaõ no 
P. Fr. Vicente dos Santos D. Abbade Geral 
fegunda vev^ por geral aclamarão do Capitulo, 
que fe celebrou em o anno de 1686. no Convento 
de Tibaens. Cujo Original conferva em feu 
poder o P. Pregador Geral Fr. Marcelliano 
da Afcençaõ Monge Beneditino, a quem 
devemos efta noticia, como outras muitas 
da fua Religião, em que he profundamente 
verfado. 

Fr. ANTAM GALVAM naceo na Villa 
de Torraõ da Diocefe de Évora na Província 
do Alentejo. Teve por Pays a Joaõ Aíartins 
Galvaõ Alcaide mòr da Villa do Torraõ, e a 
Izabel Pires Soares de igual nobreza à de feu 
conforte. ProfeíTou o habito de Eremita de 
Santo Agoílinho no Convento de Évora a 2 de 
Janeiro de 1583. Foy ornado de hum engenho 
admirável com que brevemente naõ fó compre- 
hendeo a lingua Latina, mas a Grega, e He- 
braica. Naõ teve menor intelligencia pa- 
ra penetrar as fciencias mayores recebendo 
na Univeríidade de Coimbra o Grào de Dou- 
tor em Theologia em 16. de Junho de 1596. 
na qual foy Lente de Efcritura por oppoíiçaõ, 
e fentença do Confelho delia em 17. de No- 
vembro de 1601. Nefte minifterio encheo as 
obrigaçoens de iníigne Cathedratico concor- 
rendo a ouvillo naõ fó os profeílores deíla fa- 
culdade, mas ainda do Direito Pontifício, e 
Cefario, de tal forte, que fendo muito ampla a 
Aula, era limitada para o concurfo dos ouvin- 
tes dezejando todos ferem difcipulos da fua 
doutrina, entre os quaes fe pôde nomear o 
IlluftriíTimo D. AíFonfo Furtado de Mendoça 
entaõ Reytor da Univeríidade, e depois Ar- 
cebifpo de Braga, e Lisboa, a quem particu- 
larmente explicou, por aíTim lho pedir efte 
Prelado, os Pfalmos de David com igual 
efpirito que fciencia. Morreo em Santarém 
a 20. de Setembro de 1609. com grande fen- 
timento da Univeríidade por perder humi 
Varaõ, como dizem Fr. António da Nativi"^ 
dade nos Mont. de Cor. Mont. 3. Cor. unic.'^ 
n. 303. muito major, que a fama, que juf 



à 



L USITANA. 



i8i 



tametile alcançara, e Fr. Thomaz de Faria 
/////. Dec. I. lib. 9. cap. 8. Quem Deus, et na- 
tura oMnihus, qua ad animi illujlralionem fpeííant, 
doíihus cumulaverat. Semelhantes elogios lhe 
fazem Joan. Suar. de Brito in Tbeat. Ldéfit. 
IJtíerat. lit. A. n. 8j. Purificac. Cbron. da 
Vrovinc. d» Port. dos Eremit. de Santo Agoft. 
Part. 2. liv. 7. Tit. I. §. 4. et de Viris Uluflrib. 
Ord. Eremit. lib. 2. cap. 17. aíTinandolhe nef- 
tas duas obras diferente dia» e anno da morte, 
e ultimamente o P. Fr. Manoel de Figuei- 
redo no Fios Sana. Augujl. Tom. 4. pag. 135. 
Deixou M. S. 

Commentaria in Prophetas Minores 
Sermoens vários 1. Tom. 

Na Via Sacra do Collcgio dos Eremi- 
tas de Coimbra tem efte elogio. 

Fr. Antonius Gahanus Doííor T/jeo/o^us latina, 
Graça, et Hebraica lingua peritifjimus in Conim- 
bricenji Academia Vefperariam Sacra Pagina 
catbedram feptenio rexit. Ohiit Quinquagenarius 
20. Sept. anno Domini 1609. 

Fr. ANTAM DE GUIMARAENS cujo 
appellido denota a pátria onde naceo como 
he coílume obfervado dos Religiofos Meno- 
res da reformada Província da Piedade, 
onde profeíTou efte inftituto florecendo en- 
tre os feus domefticos na obfervancia da 
difciplina regular, pela qual mereceo quando 
era Cuftodio, que o Geral de toda a Ordem 
Seráfica Fr. Bernardino de Sena, que depois 
foy Bifpo de Vifeu, o elegeíTe Vifitador 
da Provinda de Santo António, cujo minif- 
terio executou com admirável prudência. 
Naõ foy menor a que exercitou quando 
em 50. de Janeiro de 1639. ^oy eleito Provin- 
cial com univerfal aclamação de domefticos, 
e eftranhos. Vivia pelos annos de 1645. 
conforme efcreve Fr. Manoel de Monfor- 
te na Chron. da Provinc. da Piedad. liv. 4. 
cap. 57. §. I. e liv. 5. cap. 10. §. i. Como era 
muito perito nas Ceremonias Eccleíiafticas 
compoz por preceito dos Superiores. 

Ceremonial da Provinda da Piedade com huma 
explicação das Rtéricas do Miffal Romano. Bra- 
ga por Gonçalo do Bafto. 1637. 4. 

Fr. ANTAM DE JESUS ReUgiofo 
profeíTo da Sagrada Ordem dos Eremitas de 



Santo Agoílínho da Congregação da índia 
Oriental. Por Ter muito verfado no eíhido 
da filAoria Ecclefiaílica, e principalmente 
dos progreflbs, que os feus companheiros 
tinhaô obrado no Oriente em beneficio da 
Chriftandade. ETcteveo. 

Tratado de algumas coufas memoráveis até 
a fundação do Convento de GorgiftaÕ. Deíla obra 
ainda permanecem alguns Cadernos truncados- 
no Convento de Goa. 

Fr. ANTAM DE LISBOA natural da 
Cidade do feu appellido. Recebeo a Cogulla 
Ciílercienfe do Melliíluo Doutor S. Bernardo 
no Real Convento de Alcobaça em cuja paleftra. 
aprendeo as virtudes em que foy eminente, e as 
letras em que fahio confumado, principal- 
mente nas Sagradas, do que he teftemunho 
hum grande volume, que compoz dividido 
em duas partes, que fe conferva na Livraria 
do mefmo Convento, onde profeflbu, fendo» 
a primeira efcrita em latim, e confta. 

De captivitate, ac difperjione Judaorum Aí. 
S. A. z em Portuguez tratando. 

Da vida, e acçoens dos antigos Profetas. Aí. S. 

ANTAM DE MESQUITA Natural de 
Lisboa filho de Joaõ de Figueiroa, e D. Helena 
de Payva. Depois de eflar inftruido nas letras 
humanas paftbu à Univerfidade de Coimbra 
onde fez tantos progreftbs na faculdade do 
Direito Pontificio, que recebendo as infignias 
doutoraes, foy admitido ao Collegio de S. Pe- 
dro a 21. de Fevereiro de 1 592. A grande pru- 
dência, e adividade, que tinha para os negócios 
mais árduos o fizeraõ digno de fer mandado 
por Secretario do Eftado da índia Oriental^ 
onde naõ fomente exercitou efte lugar, e o 
de Juiz dos Feitos da Coroa, e Fifco Re- 
al, mas com exemplo poucas vezes pradi- 
cado fendo fecular foy eleito Deputado da 
Inquifiçaõ de Goa, de que tomou pofle a 
26. de Janeiro de 1605. Adminiftxadas taõ 
diverfas incumbências com grande inteireza 
voltando ao Reyno fendo Dezembargador 
da Cafa da Supplicaçaõ a 22. de Agofto de 
1630. e Ouvidor do Crime a 20. de Julho de 
1633. e nunca Dezembargador dos Aggra- 
vos, como efcreve o Doutor Manoel da 



l82 



BIB LIO THE CA 



Sylva Pereira Leal no Cathal. Cronol. dos Col- 
Jeg. do Colleg. de S. Ped. §.31. Deftes lugares 
exercitou outros mayores, como foraõ Chan- 
celler das Ordens, Deputado da Meza da 
Confciencia, e Ordens, e ultimamente Dezem- 
bargador do Paço, atè que falleceo na fua 
Pátria em o anno de 1639. Ordenou no Teíia- 
mento com que falleceo, a feu filho, Joaõ de 
Mefquita <ie Figueiroa Dezembargador da 
Cafa da Supplicaçaõ Fidalgo da Cafa Real 
Commendador de Guntiaens, e Vallada na 
Ordem de Chriílo, e Alcayde môr de Almeyda, 
que imprimiíTe as obras, que tinha compofto, 
mas a intempeíliva morte do filho privou 
igualmente defta gloria ao Pay, como a toda 
a Republica litteraria; fendo ellas. 

Hijloria militar de Chrijlo volume grande 
M. S. 

Difcurfo fobre a melhor expedição das Nãos da 
índia, e da carga da Pimenta. M. S. 

Eftes dous Tomos confervava na fua Se- 
ledHíTima Livraria o Chantre de Évora Manoel 
Severim de Faria, de que fazia grande eíli- 
maçaõ. 

P. ANTAM DE PROENÇA, naceo em 
o lugar de Remela do Bifpado da Guarda de 
Pays Nobres chamados Pedro Oforio, e Luiza 
Oforio da Fonfeca. Ainda tinha pouca idade 
quando foy eíludar ao Collegio da Madre de 
Deos fituado em Évora fundado por feus Pro- 
genitores, e fez na Filofofia taes progrellos, 
que recebeo o Grào de Bacharel nefta Facul- 
dade. Quando contava 19. annos fe aliílou 
na Companhia de Jefus em o Collegio Ebo- 
xenfe a 13. de Julho de 1643. Dezejofo de 
pregar o Evangelho nas remotas Regioens 
do Oriente partio no anno de 1647. para 
taõ fagrada empreza, a qual dezempenhou 
como do feu apoílolico zelo fe efperava 
fendo o theatro das fuás fadigas o Reyno de 
Madure, onde na Província de Paleaõ, e 
na refidencia de TricherapaUi bautizou mil 
trezentos e cincoenta e fete Gentios. Com 
inviâa conílancia tolerou as afrontas machi- 
nadas pelo ódio dos Jogues Meftres da fa- 
crilega crença daquelles bárbaros fervindo 
todas ellas perfeguiçoès de purificar mais as 
fuás folidas virtudes. Atenuado com o conti- 
nuo trabalho da inftrucçaõ dos Cathecume- 



nos, e ainda naõ convalecido de huma grave 
infermidade recahio em outra, que o pri- 
vou da vida na Refidencia de Totiaõ, em o 
Reyno de Madure a 14. de Dezembro de 
1666. As fuás exéquias foraõ folemniza- 
das com muitas lagrimas dos Chriílãos que 
tresladando o feu Cadáver depois de fepul- 
tado vinte e fete dias, foy achado incor- 
rupto, e taõ flexível, como fe eftiveíTe vivo. 
Efcreveo. 

Cinco Kelaçoens dos fucejfos da Miffaõ de 
Madure dos quaes, e de feu Author faz larga 
mençaõ o Padre António Franco Imag. do 
Coll. de Evor. lib. 4. cap. i. 2. et 3. e no Ann. 
Glor. S. J. in L,ujit. p. 738. 

ANTAM ZURITA cuja pátria, e género de 
vida ignoramos, verteo da Hngua Franceza de 
Honorato Boget Provençal Doutor em Direito 
Canónico, na lingua Portugueza no anno de 
1441. 

Arvore de Batalhas dedicado a ElRey de 
França. Huma copia defta traducçaõ efcrita em 
letra gótica fe conferva M. S. na Bib. do Excel- , 
lentiíTimo Conde da Ericeira, dedicada a D. Ini- 
go Lopes de Mendoça Marquez de Cantillana. , 

SOR ANTÓNIA BAUTISTA ReUgiofa 
profeíla no Seráfico Convento da Efperança 
de Villa-Viçoza da Provinda dos Algarves. ji 
Foy taõ obfervante do feu inftituto, como 
applicada à Uçaõ da íiiftoria, e Arte da Poefia 
produzindo o feu grande talento fazonados 
frutos em hum, e outro eftudo. Para eternizar 
a memoria do Convento de que era filha, e as 
virtudes das Religiofas fuás Irmãas, compoz 
com eftilo claro, e fincero. 

Fundação do Mofieiro de N. S. da Efperança 
de Villa-Viço:(a, cuja obra appr ovada no anno 
de 1657. pelo Vigário Provincial Fr. Joaõ Pe- 
reira, e revifta pelos Meftres Fr. Manoel da 
Madre de Deos, e Fr. Roque da Trindade eíla- 
va prompta para a ImpreíTaõ. Divide-fe em 
3. partes; a i. trata da fundação do Convento 
em 16. capítulos: a 2. intitulada Flores da Efpe- 
rança de Villa-Viçof^a relata as virtudes de 
muitas Religiofas Veneráveis daquella Cafa, e 
confta de 26. capítulos. A 3. efcreve a 
Vida, Revelações, e Milagres da V. M. 
Maria das Chagas em 17. capítulos. He 



L USITANA. 



i83 



ledlcada a obtl à Virgem SandíTima, e 
< )níla a Dedicatória de 6. Outavas, das quaes 

I ninfcrevercmos a primeira par» fe ver a 

luav idade métrica da Authora. 

A H Madre de Grada, y Virgen Pura 
Ab initio creada dei que quifo 
formar una tan bella creatura 
Corno puerta dei mi/mo Parai/o: 
Tu que librafle de prijion tan dura 
Al hombre, poríj en ti Dios hombre fe hizo, 
Dante tu auxilio oy porque fe arguya 
Que amparas efla obra como titya, 

D. ANTÓNIA DE S. CAETANO naceo 
em Lisboa, c foy filha do Doutor Francifco 
Qbraõ Medico da Camará dclRcy D. Affonfo 
VI. Cavíillciro profcíTo da Ordem de Chrifto, 
c de D. Ignacia de Freitas. Na primavera dos 
annos fc dedicou ao Divino Efpofo no Con- 
vento de Chellas diftante huma legoa de Lis- 
boa onde profeíTou o inílituto de Conega 
Regrante de Santo Agoílinho a 17. de Outu- 
bro de 1659. Foy ornada de entendimento 
perfpicaz, e de memoria taõ admirável que 
em obfequio do Evangeliíla Amado de quem 
era cordial devota decorou todo o Evangelho, 
e Apocalypfe defte grande Apoftolo repetindo 

' fem interrupção do meyo para o fim, e do fim 
para o principio. Teve particular génio para 
.1 Poefia em que fez varias obras de diferentes 

: metros que moílravaõ a elevação da fua Mufa. 

■ Em todos os lugares da Religião que aceitou 
conílrangida, adminiftrou cuidadofa, fervio 
de exemplar às fuás companheiras que com 
lagrimas copiofas lamentarão a fua intem- 
peíliva morte fuccedida a 18. de Dezembro de 

' 1705. Fazem delia honorifica memoria Diogo 
Manoel Ayres de Azevedo Portug. Illujir. pelo 
Sex. Femin. pag. 89. n. 29. e o Theatr. 
Heroin. das mulheres Illujir. Tom. i. pag. 88. 
e o P. António dos Reys no Enthuf. Poet. 
n. 280. neftas vozes. 

' = jEv humili translata Antónia Valle 

\ Quee dedit, ut referunt, olim penetralia Vejla. 
Nunc Adriane tibi cajla cum cônjuge fedem 
Dat placidam doai Montis tenet árdua, 

Daphne 
Virgine cinãa caput. 

Algumas obras poéticas fe lem impref- 
fas no livro intitulado Ko^ario do Santiffimo 



Sacramento Lisboa por Domingos Gameiro 
1662. 12. 

Decima em louvor da OrafaÕ que na Academia 
dos Singulares recitou o Doutor Jos^è dê Paria 
Manoel a ly de Janeiro de 1664. Sahio 00 i. 
tomo da Academia dos Singulares. Lisboa 
por Henrique Valente de Oliveira 1665. 4. 

Cathalogo dos Authores que efcreveraõ da 
Hifloria de Portugal. Aí. S. de cuja obra £az 
mençaõ Diogo Manoel no livro aíTima ci- 
tado. 

Obras diverfas em pro:(a, e verfo, cujos 
originaes entregou Maria Jozeía de Santa 
Thereza Irmãa da Authora a Affonfo Lei- 
tão de Soufa como fe efcrcve no Tbeatro He- 
roino pag. 88. 

ANTÓNIA DE S. DOMINGOS Re- 

ligiofa profeíTa no obfervante Convento de 
Aveiro da Ordem dos Pregadores onde foy 
exemplar de perfeição a fuás companhei- 
ras. Todo o tempo dedicava à contempla- 
ção dos divinos atributos, e de tal forte fe 
inflamava no amor de feu divino Efpofo, 
que para refrigerar efte divino incêndio def- 
tillava copiofas lagrimas. Conílrangida pela 
obediência aceitou o lugar de Prioreza dou- 
trinando mais como Meílra, que governando 
como Prelada as fuás fubditas. Padecea 
intoleráveis dores com grande conformidade,^ 
e paciência, até, que foy na gloria receber o 
premio das fuás virtudes. Efcreveo. 

Vida da Venerável Madre IjHí^a do 
Rofario Religiofa no Convento de Aveyro de 
quem fora difcipula no efpirito, a qual fi- 
cou M. S. como afíirma Jorge Cardofo no 
Agiol. LmJíí. Tom. 3. pag. 709. no Commen- 
tario de 16. de Junho letr. H. Da Authora 
deíla vida fazem memoria Fr. Pedro Mon- 
teiro Clauji. Dom. Tom. 3. p. 163. e Fr. Lucas 
de Santa Catharina Hijl. de S. Domingos da 
Prov. de Port. Part. 4. lib. 2. cap. 15. 

D. ANTÓNIA DE ROXAS, cuja 
pátria he taõ occulta, poílo que em huma 
das fuás obras confeíTe fer nacida em Por- 
tugal, como clara, e manifeíla a fua gran- 
de erudição. A fortuna lhe deo illiiíbres 
progenitores, e a natureza prodigamente, 
a ornou de engenho agudo, e penetrante 



i84 



BIB LIOTHECA 



<le tal modo que fendo Difcipula de íi mef- 
ma foube profundamente inveftigar os mif- 
terios da Poefia, e os Primores da Oratória 
efcrevendo com tanta elegância em huma, 
€ outra arte, que arrebatava as atençoens dos 
feus mayores profeíTores merecendo fer equi- 
parada as Segeas, Horteníias, Bernardas, 
-e Violantes, que foraõ do Parnafo Luílta- 
no celebradas Mufas. No eiiado de caza- 
da, e viuva nunca interrompeo a continua 
.applicaçaõ ao eftudo das letras humanas 
com que ornava as fuás eruditas compoíi- 
■çoens pelas quaes lhe fez o feguinte elogio 
lium famofo Poeta. 

Farey que entre as fabias celebradas 
Sejais hum Sol fer mofo ao meyo dia 
Efcurecendo a todas as paffadas 
Que e terminar a fama per tendia; 
E que do voffo canto namoradas 
As Nimphas bellas, que o Tejo cria, 
Triumfos foberanos vos ofreçaõ 
Que vivaõ, e para fempre permaneçaõ. 
Vojfo raro faber tem admirado 
O Louro Apollo com turbada vijla, 
E no meyo do curfo eflà parado, 
Entendendo haver quem lhe refifla. 
Eo que foy em Touro transformado 
Determina bufcar nova conquijla 
Por ver que o peito voffo em hum injiante 
Quer penetrar feu globo rutilante. 
Das muitas, e íingulares obras que compoz 
fomente vio o Tomo nono o P. Francifco da 
Cruz Jefuita, como efcreve nas Memorias para 
a Bibliotheca Portugueza, o qual continha 
o feguinte. 

Alivio de Trifles. Obra fabulofa dividida 
«m quatro partes em forma de Dialogo ornado 
de todo o género de figuras rethoricas, agu- 
deza de penfamentos, e variedade de fentenças, 
■entre as quaes eílaõ muitos verfos Portuguezes, 
€ Calielhanos de di verfos metros. 

Egloga Pajloril compojla de vários verfos. 
Tragedia lamentável dividida em féis lamen- 
taçoens em profa, e verfo Portuguez, e Caíle- 
Ihano, com as quaes chora a morte de feu filho 
Pedro de Vafconcellos, que acabou a vida pele- 
jando gloriofamente no Oriente contra as 
Mouros. 

Diverfas Cançoens, eglojfas Sagradas, e profanas. 
Origem da Sagrada Imagem da Virgem 



de Monferrate cm proík, c verfo. De todas 
eílas obras faz memoria como da fua Authora 
o Theatr. Heroin. de Molher. Illujl. Tom, i . pag. 
117. Floreceo eíla Heroina pouco depois da 
fatal calamidade da Batalha de Alcácer. 

SANTO ANTÓNIO immortal gloria, 
e illuftre brazaõ do Reyno de Portugal, e 
particularmente da famofa Lisboa, que foy 
o venturofo berço de taõ infigne Thauma- 
turgo dilatando mais vaJftamente a fama do 
feu nome com a producçaõ deíle grande filho, 
do que o tinha alcançado pela fundação do 
Capitão UlyíTes. No fauíllífimo dia de 15. de 
Agoílo confagrado à triunfante AíTumpçaõ 
de Maria SantiíTima do anno de 1195. fahio à 
luz do mundo eile brilhante Aílro para com os 
rayos da fua doutrina difipar as fombras em 
que jazia fepultado. Empenhoufe a natureza 
em que os Pays, que o geraíTem foííem iguaes 
à pátria em que nacera, concorrendo para enno- 
brecer a fua peíToa a mais qualificada nobreza 
de Portugal, França, e Efpanha, fendo elles 
Martim de Bulhoens, e D. Thereza Taveira 
nobiliflimos pela efclarecida afcendencia de feus 
Mayores, pois o Pay defcendia daquelle infigne 
Heróe Gotfredo de Bulhaõ Duque de Lorena, 
e Rey de Jerufalem, e a Mãy era da illuílre 
familia, dos Taveiras, que os noílos Genealo- 
giílas deduzem delRey D. Fruela das Aíhirias 
Pay delRey D. Aifonfo o Caílo. Na Igreja 
Mayor elegeo por fua proteâiora a Rainha 
dos Anjos Tutelar daquelle Templo onde re- 
cebera a primeira graça, e occupado nos 
devotos miniílerios do Altar, e Coro fe 
admirarão os progreíTos dos feus eíhidos 
ao mefmo tempo, que fe acendiaõ no 
culto Divino os feus affedios. Chegado à 
idade de quinze annos já inílruido com as 
primeiras letras defprezou heroicamente as 
delicias da cafa paterna, e fe dedicou total- 
mente a Deos recebendo o habito Canó- 
nico de Santo AgoíUnho no Real Convento 
de S. Vicente fituado fora de Lisboa, ce- m 
lebre pela fevera obfervancia dos Varoens, 1 
que o habitavaõ. Neíla fantificada efcola 
exercitou com tal exceíTo todas as virtudes, 
que era venerado como Meílre ao tempo, que 
principiava a fer difcipulo obfervando exa- 
âamente a difciplina regular com aíTombro '^ 



LUSITANA. 



i85 



c cnvcja dos mais rigidos cultores da vida Re- 
ligiofa. l'cita a profUTaõ folemne em que para 
mais velozmente proíeguir o caminho da per- 
feição Evangélica fe atou voluntariamente 
tom a triplicada prizaõ dos votos, como lhe 
{lerturbaTsS a quietação, que appetecia o feu 
li pi rito, as frequentes viíitas de parentes, e 
imigos, Te retirou para o G>nvento de Santa 
(Iruz de Q>imbra, Real fundação da generofa 
jMedade do primeiro Affonfo de Portugal, on- 
de fcparado do comercio humano voava com 
acelerados impulfos à mais fublime esfera da 
lantidade. Nefte tempo chegarão por difpo- 
liçaò Divina a cftc celebre Convento as reli- 
ijuias daqucUcs heróicos Toldados, que tinhaõ 
derramado valerofamente o fangue em obfc- 
<.]uio de Chriílo nas barbaras campanhas de 
Marrocos, e como craõ as primicias dos fcra- 
licos ardores do Athlantc da Igreja Francifco, 
Ic lhe acendco no Coração hum ardente dczejo 
c facrificar a vida nas aras do martyrio fervin- 
[olhe de generofo eílimulo aquelles cinco He- 
s, cujas cinzas produfiaõ o a£tívo incêndio, 
que felizmente fe abrazava o feu amorofo 
ito. Para confeguir taõ illuftre intento de- 
rminou receber o penitente habito de Frade 
!enor, e alcançada faculdade de D. Joaõ Cefar 
Prior daquelle Real Convento mudando o 
lome de Fernando em António, e a Murça de 
goftinho pelo Sayal de Francifco fe confti- 
tuhio hum perfeito exemplar da vida Evangéli- 
ca. Aliílado o heróico foldado neíla nova mi- 
licia fe lhe excitou mais fortemente o dezejo de 
padecer martyrio, e conhecendo os Prelados as 
affe£hiofas anciãs do feu coração lhe concede- 
rão licença para que em Marrocos confirmaíTe 
com o feu fangue as verdades da Religião, e os 
triumfos da Fè. Deixada Coimbra chegou a 
Lisboa aonde fuperior a todos os afíeâios hu- 
manos, e como hofpede do mundo naõ quiz 
vèr a feus Pays, e partindo para Africa atra- 
veíTou com feliz fuceíTo aquella porçaõ do mar 
Occeano chamado Athlantico, e chegou breve- 
mente ao apetecido termo das fuás anciãs. Nef- 
ta adufla regiaõ concebeo mais a£Hvo fogo o 
feu coração, porém huma grave infermidade 
o privou das forças do corpo, e jimtamente 
das efperanças de padecer o martyrio fendo 
obrigado a voltar a Portugal, mas impedido 
novamente de huma furiofa tempeílade con- 



tra a qual inutilmente fe cançava o inrrííante 
trabalho dos mariantes, naô podendo tomar 
o rumo, que bufcava, aportou em Sicília onde 
recebendo noticia de que fe convocava Ca- 
pitulo Geral em A íTiz no anno de 1 22 1 . fe reíol- 
veo aíMir nelle para que os Prelados diípu- 
zeflcm da fua obediência. Ncfte Venerável con- 
greíTo de toda a Familia Seráfica vio a feu gran- 
de Patriarcha S. Francifco, que com a fua pre- 
fença animava taõ immenfo corpo. De AíTiz 
paíTou a Bolonha, e retirado ao Ermo de S. 
Paulo pouco diílante do Convento de Emilia, 
paíTava o tempo na contemplação da eternida- 
de. Ncfta amável folidaõ experimentava a fua 
alma celeíliaes favores, e recebia eífícazes auxí- 
lios para triunfar das aíhicias do demónio, que 
envcjofo de vér naquella Thebaida reproduzido 
o cfpirito do primeiro António bufcava vigi- 
lante novas invcnçocns, e maquinas para der- 
rubar aquelle edifício da Santidade. O mayor 
empenho da humildadede António era occultar 
os thefouros de fabedoria, que tinha dcpoíi- 
tado no feu peito affeâando huma apparente 
ignorância para fer reputado por idiota, atè 
que obrigado da authoridade do Bifpo de For- 
libio manifeftou a profunda fciencia, e ccleílial 
intelligencia das efcrituras em que era pcritif- 
fimo cauzando taõ grande admiração aos cir- 
cunftantes, que foraõ a origè de que todas as 
Provindas de Itália, e França inílaíTem a S. 
Francifco para que com as influencias da fua 
doutrina fertilizaíTe o campo da Religião Se- 
ráfica naquelle tempo menos fecundo de letras 
por pouco cultivado. Condefcendeo o Será- 
fico Patriarcha a taõ juíla petição, e o nomeou 
Meftre de Theologia fendo o primeiro, que teve 
a Ordem Francifcana merecendo a altinima fa- 
bedoria defte Heróe, que foíTe o Sol de que ía- 
hiraõ os rayos, e a fonte de que brotarão as 
correntes, com que illuftraraõ as mayores Uni- 
veríidades os Mayroens, Efcotos, e Ga- 
brieis Oráculos da Efcola Seráfica fendo dif- 
cipulos da fua doutrina os que foraõ Meftres 
de todo o mundo. A laboriofa applicaçaõ 
das Cadeiras o naõ privava do minifterio 
do púlpito para o qual concorreo em com- 
petência da graça liberal a natureza dotan- 
do-o de voz clara, e fonora, eílilo grave, 
e eloquente, acçoens reguladas pelo efpi- 
rito, e naõ pela arte concorrendo tanta 



i86 



BIBLIO THE CA 



multidão de povo a fer ouvinte das fuás evan- 
gélicas declamaçoens, que muitas vezes por 
exceder o numero de trinta mil peflbas bufcava 
para theatro a liberdade do campo, por ferem 
os Templos pequena efféra para taõ numerofo 
auditório. Ao brado das fuás vozes defperta- 
vaõ os peccadores fumergidos no lethargo da 
culpa, e dotado de celeílial facúndia naõ arti- 
culava palavra, que naõ foíTe animada de apof- 
tolico zelo, de que eraõ infalliveis confequen- 
cias liquidarfe em lagrimas penitentes a obfti- 
naçaõ mais inflexível, reformarem-fe as vidas 
efcandalofas, comporem-fe difcordias inve- 
teradas, e reílituirem-fe famas, e fazendas injuf- 
tamente uzurpadas. De Itália paílou a França 
com o lugar de Cuílodio de Limoges onde 
para confutar em Tolofa a pérfida contumácia 
de Guialdo herege dogmatizante, que negava 
a Real exiftencia de Chrifto na Euchariília fez 
com inaudito portento, que defprezando hum 
animal faminto de três dias o fuftento adoraíTe 
profundamente ao feu Creador occulto debaixo 
das efpecies Sacramentaes fendo a mayor glo- 
ria deíle triunfo, que a irracionalidade de hum 
bruto convenceíTe a obftinaçaõ de hum racio- 
nal. Igual vitoria confeguio em Rimini illullre 
Cidade de Romania confutando a protervia 
dos Hereges de que era infame cabeça Boni- 
villo, que cegos à luz da verdade, e fardos às 
vozes do defengano defprezavaõ ouvir a pala- 
vra Divina. Para convencer a eíles filhos das 
trevas chegou à margem do rio, e chamando 
com voz imperiofa aos feus mudos habitado- 
res, taõ promptos obedecerão, como atentos 
ouvirão as palavras, que proferia a fua efficaz 
eloquência. A taõ novo efpedaculo eílava 
atónita a admiração daquelles Seâarios, 
que accufados da fua cegueira pelo filencio 
reverente daquelles brutos, abjurarão os 
erros, e feguiraõ contritos o caminho da 
verdadeira Religião. Como acérrimo de- 
fenfor do Myfterio da Euchariftia lhe com- 
municou a divina Omnipotência a multipli- 
cação das prezenças, reproduzindo-fe mira- 
culofamente em diverfos lugares, aflillin- 
do ao mefmo tempo em Limoges, e can- 
tando no Coro em MompiUier; pregando 
a hum grande auditório em Pádua, e li- 
vrando em Lisboa por duas ocafioens a in- 
nocencia injuílamente condenada de feu 



Pay fendo em huma redemptor da fua honra, 
e em outra da fua vida pagandolhe com nobre 
ufura a que delle recebera. Para juílificaçaõ 
evidente de que feu Pay naõ era reo do crime 
pelo qual já caminhava para o patíbulo ani- 
mou as cinzas frias de hum Cadáver, e do fi- 
lencio da fepultura fahio a vóz, que com aíTom- 
bro dos circunílantes declarou, que naõ fora 
elle o Author do homicídio. A fua refpiraçaõ 
foy remora para que hum Noviço naõ deixaíTe 
o habito religiofo, e a fua túnica veftida por 
hum Monge perfeguido da incontinência 
fez por contagiofa virtude, que a rebeldia da 
carne obedeceíTe às leys do efpirito. Animado 
de heróico valor fe oppoz contra as horrorofas 
tyranias de Excelino, de naçaõ Romano, de 
condição bárbaro. General do Scifmatico 
Emperador Frederico II. o qual entre as me- 
donhas atrocidades de que tinha fido fatal 
inílrumento, era a mayor a morte de onze mil 
peíToas, que em Pádua, e Verona foraõ viâd- 
mas da fua ferocidade : com a formidável efíica- 
cia da voz humilhou a feus pès a efte moníbro 
animado teftemunhando com lagrimas copio- 
fas o arrependimento dos feus infultos. Seme- 
lhante foy a valentia com que refiílio ao 
indifcreto zelo do Geral Fr. Elias pertendendo 
introdufir alguns abuzos contra a obfervancia 
da regra Seráfica, e como era infallivel a mina 
defte corpo eílando viciada a cabeça o conven- 
ceo intrepidamente na prezença de Gregório 
IX. da efcandalofa temeridade com que queria 
relaxar o inílituto, que profeíTava, fendo pri- 
vado do lugar pelo mefmo Pontífice, e foy 
António o fagrado Athlante, que fuftentou a 
machina do Orbe Seráfico, que já vacilava da 
fua primitiva inítítuiçaõ, caufa porque mereceo 
o titulo de primeiro reftaurador, e fegundo 
Fundador de taõ immenfa Família. Pregando 
em Roma ao Pontífice Gregório IX. e a todo 
o Sagrado Collegio tanta foy a energia com 
que explicou os Textos mais dificultofos da 
Efcritura, que admirando o Papa a fupe- 
rior illuílraçaõ, e profunda intelligencia com 
que revelava myfterios taõ occultos o ca- 
nonizou por Arca do Teílamento, e depo- 
fito das doutrinas mais celeftiaes. Com 
inaudita fingularidade confervou de memo- 
ria toda a Bíblia, e a pudera inteiramente ref- 
taurar como outro Efdras, fe acafo fe per- 



i 



L USITAN A. 



«Ida, (Ic ((iK hr evidente prova a copíolá con- 
KMiii I I I < (Ic que eílaõ cheyas as Tuas 



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y . <..í Í...I nunic (.jucrcnJo dedicar-fc 

ioiii iii.iyor fervor á contemplação, fe retirou 
para % foiitaria habitação do monte Alvernc 

' rontinuamente orando, e efcrevendo 

1 c umo outro Eiizeo o efpirito do Elias 
(hl Ley da Graça S. Francifco que tinha fanfU- 
iicaclo aquelle lugar com as chamas dos feus 
Icrafícos ardores. O rigor das penitencias, e o 
dlívclo dos eíludos, que praéticou neíla folidaõ 
lhe foraõ abreviando a vida, e aviíado fuperior- 
mcnte de ter chegado o feu termo fc recolheo 
no Oratório de Ara Gcli pouco diílante de 
Pádua onde foy acometido da ultima infermi- 
tladc, e entoando o Hymno O' Gloriofa Domina 
cfpirou como celcftial Gfnc entre a fuavidade 
lia Mufica a 15. de Junho de 1251. quando 
contava a florente idade de 36. annos dos quaes 
viveo 1 5 . em cafa de feus Pays, onze na Reli- 
gião Canónica Auguíliniana, e pouco mais de 

Í2 na Seráfica. Em taõ poucos annos de vida 
^rou tantos feculos de virtude, que a glo- 
>fa memoria das fuás acçoens fera eterna 
cupaçaõ da pofteridade confeíTando, que à 
cacia do feu ardente zelo fe converteu a 
ílinaçaõ dos peccadores, fe convenceo a 
perfídia dos hereges, e fe humilhou a foberba 
dos Tyranos. Ao império da fua voz foraõ tri- 
butários os Elementos ferenando tempeftades, 
extinguindo incêndios, fecundando campos, e 
domeílicando feras. Superior à jurisdição do 
tempo obrou, em hum inílante, o que fe naõ 
podia executar em muitos dias. Difcorreo 
como o Sol com incanfavel giro para benefício 
dos homens duas vezes França, Roma, Sicilia, 
e huma Milaõ, Arimino, Bolonha, Florença 
Pádua, e Veneza. Como depofítario da 
Divina Omnipotência ufou taõ difpotica- 
mente dos feus poderes, que teve fogeita 
ao feu dominio a natureza fendo o principal 
empenho da fua beneficência reftituir olhos 
aos cegos, ouvidos aos furdos, lingua aos 
mudos, juizo aos loucos, liberdade aos ca- 
tivos, e vida aos mortos. Foy Apoílolo no 
Officio, Martyr no dezejo. Doutor na fci- 
encia, e Virgem por privilegio. Vaticinou 
o futuro, revelou o encuberto, illuftrou Lis- 



187 

boa com o nadmento, e honrou a Pádua com 
a íepultura. Divulgada a fua morte fe juntarão 
os meninos por ruperíor impulío, e divididos 
peias Praças, e ruas de Pádua clamavaõ com 
innocentes vozes, que era morto o Santo, 
fendo eíla a primeira Canonização com que o 
Ceo anticipadamente declarou os altos mere- 
cimentos da fua heróica Santidade, que fazen- 
dofe mais patente com a innumeravel multidão 
de milagres mereceo com fingular privilegio 
fer collocado no Cathalogo dos Santos por 
Gregório IX. em 50. de Mayo de 1252. onze 
mezes depois do feu glorioío tranílto. Os 
applaufos, e feílivas acdamaçoens, que em taõ 
alegre dia fe confagraraõ em Efpoleto á Santi- 
dade de António fízeraõ fonoro ecco na famoía 
Lisboa, publicando com linguas de bronze taõ 
plaufivel noticia os finos, que fe tocarão fcm 
humano impulfo. O feu Cadáver depois de 
muitas, e fortes controverfias altercadas pelos 
Paduanos foy fepultado no Convento de Santa 
Maria da Religião Seráfica, porém em 29. de 
Abril de 1265. trinta e dous annos paflados de- 
pois da fua morte fe tresladou com mageílofa 
pompa pêra o magnifico Templo, que lhe ere- 
giraõ os Cidadoens de Pádua onde competio a 
arte com a natureza para formar aquelle mila- 
gre da Architedhira, que havia fer depofito de 
taõ ineílimavel thefouro. Aberto o cofre na 
prezença de Guido Cardeal Legado, e de S. 
Boaventura, que entaõ era Geral da Ordem fe 
achou o corpo refoluto em área, e a lingua con- 
tra o império da morte, e do tempo viva, e in- 
corrupta, e depois de lhe fazer o Seráfico 
Doutor com devota ternura hum breve elogio, 
a collocou em hum cofre de Criftal. Ainda naõ 
fatisfeita a piedofa magnificência dos Paduanos 
com os obfequios, que tinhaõ feito ao feu 
Patrono lhe eregiraõ na Praça publica huma 
Eílatua de bronze para que na duração do 
metal eternizaílem a memoria do feu aíFeâo. 
A Univerfidade decretou por commum con- 
fentimento de todos os Académicos foíTe 
no dia outavo da fua Solemnidade em pro- 
ciíTaõ com as infignias das fuás faculdades 
acompanhados dos Religiofos Menores ce- 
lebrar todos os annos os plauíiveis cultos def- 
te infígne Thaumaturgo. A Cafa em que em 
Lisboa fahio à luz do mundo eíle milagre da 
Graça fituada junto à Igreja Cathedral fe 



i88 



BIBLIOTHE CA 



converteo com religiofa magnificência em hum 
fumptuofo Templo confagrado ao feu Nome 
fobre o qual para mayor eílabilidade da Repu- 
blica aíTiíle o Tribunal do Senado, que trata 
do governo Económico delia. A porta, que 
dava fahida a eíle edifício ainda fe conferva 
triunfante das injurias do tempo, e taõ vene- 
rada da devaçaõ dos fieis, que para remédio das 
fuás oppreííoens lhe arrancavaõ tanta copia de 
pedaços, que foy neceíTario para fe confervar 
fabricarfe outra, que ferviíTe de reparo a eftas 
piadofas violências, a qual fe abre no dia do 
Santo à veneração univerfal do povo de Lis- 
boa. A ereçaõ deíle Templo foy gloriofo em- 
penho da devota profufaõ dos Sereniflimos 
Reys D. Joaõ o II. e D. Manoel como mani- 
fefta o rotulo, que ferve de Coroa ao arco da 
porta principal feito com engenhofo artificio 
de diverfos troncos, e animaes abertos fubtil- 
mente na dureza da pedra. A Capella mór 
onde fe venera a imagem do Santo era fabri- 
cada de excellentes mármores, atè que no anno 
de 171 9. fendo Provedor da Meza o Excellen- 
tiflimo Conde da Ribeira D. Jozé Rodrigo da 
Camará Prefidente do Senado de Lisboa, Efcri- 
vaõ o Doutor António Fauftino da Sylva, The- 
zoureiro Pedro Vicente da Sylva, e Procura- 
dor Luiz Joachim da Fonfeca Botelho moço 
da Camará de Sua Mageílade novamente fe 
reedificou eíle Templo levantandolhe outra 
CapeUa mais fumptuofa ornada de preciofos 
porfidos, e Alabaílros, e reveílido o teâo, e pa- 
redes de finos mármores diverfos nas cores, e 
debuxos onde a arte emula da natureza apu- 
rou a elegância dos feus primores, entre os 
quaes fe admiraõ alguns quadros de excellente 
pincel, que mudamente apregoaõ acçoens 
mais celebres deite Thaumaturgo Portuguez. 
Todo o difpendio deíla obra, que foy 
exceflivo procedeo das efmolas, com que 
todo o Reyno cada anno concorre libe- 
ral, e devoto em obfequio deíla Cafa 
por fer o feliz Oriente em que rayou taõ 
brilhante Aftro da Santidade. He innume- 
ravel a copia de prata, e ouro, que tem ef- 
te Templo para ornato dos Altares, e de to- 
do eUe naõ fendo inferior o numero de pre- 
ciofos ornamentos com que eftá enreque- 
cido, e ornado. Nos Presbitérios da Capel- 
la mór, que exiftia antes defla reedificaçaõ 



eílavaõ abertos na pedra dous elegantiíTimos 
Epigramas, os quaes era fama ferem com- 
poílos pelo infigne André de Rezende, e 
por muitas vezes os U, e admirey, porém 
com laílima dos eruditos veneradores da 
antiguidade fe puzeraõ em feu lugar humas 
pedras variamente debuxadas, e para que 
totalmente naõ acabaíTem eftes verfos dignos 
de eterna duração os ofFereço tranfcriptos aos 
olhos da curiofidade. Dizia o primeiro. 
Humano generi per te hlanditur Olympus; 

Hac tibi natalis funt monumenta tui. 
Hac praclara tuis Jonvit vagitibus csdes; 

Yidit reptantes, fujlinuitque manus. 
Hac fuit aula patris; na ti micat ara; fit orbis 

Annulus urbi; urbis gemma fit ipfa domus. 
Im mor tale decus pátria; fpes magna tuoru; 

Mor tale egifti, quid nifi Dive mori} 
ítala gens obitum, gens Lyfia fufcipit ortum; 

Occajus Pádua efi; ut domus hac oriens 
Hefperia Antoni radijs micat u traque; claudt 

Uno non poterat gloria tanta loco. 
Dizia o Segundo. 
Ca li delicias felices orbis amores 

Qua peperi orba mei calitis ara gemo, 
Unum quaro (Jonêt cã tot miracula mundo) 

Perdita, qui reddis, te mihi rejlituas. 
Perdita Jum fine te, fed ero mihi reddita tecum 

Te revoca, reddes, me mihi, teque tuis. 
Urbi Antenoria fi das facra offa, refervas 

Antoni pátria qualia dona tua"? 
Ipfe; fuper patriam tot um cor ad athera fundam 

Nefcio, quid majus pátria dulcis habet. 
Corporis exuvias Patavi mors claufit in uma; 

In pátria dulcis me tumulavit amor. 

A vida defte grande Heróe da Santidade 
efcreveraõ na lingua Latina Jacobo Convier, 
Joaõ de La Haye, e Fr. Rafael Mafeo; na Ita- 
liana Fr. Elias de Cortona, Agapito Pei de 
Amélia, Lucas AíTarino, o Cavalleiro Pona, e o 
Padre António Maria Bonucci; na Polaca Joaõ 
Franco Rodrafen; na Caftelhana Matheos Ale- 
man, Fr. Chriílovaõ Moreno, Fr. Miguel Pa- 
checo, e Fr. Miguel Meftre; e na Portugueza 
Braz Luiz de Abreu; em verfo Luiz de Tovar,. 
e Francifco Lopes, e em Efpanhol Fr. An- 
tónio de Santa Maria. Seguirão eíla em-l 
preza os Chroniftas Francifcanos Fr. Mar- 
cos de Lisboa Chron. de S. Franc. Part. i. 
Hv. 5. Reboled. part. i. liv. 4. Gonzag. de:, 



L USITÁN À. 



189 



Ori^. Straph. Re/ig. x. Part. et Part. 2. in 

/Vw. .V. yín/. et part. 5. in Prop. 'Vtiron. G>nu. 

I. Wadingo Annal. Ord. Min. ad an. IZ15. 

. 42. an. 1217. §. 22. e 24. an. 1220. §. 52. 

»,. et íeq. ann. 1221. §. 12. ann. 1222. §. 50. 
iiin. 1231. §. I. lUuílriíTimo Damian. Cor- 
iicjo /////. Seraf. Part. 2. liv. 5. cap. 9. até 49. 
iEfperança Hijl, Straf. de Portugal Part. 1. 
Jiv. 5. Dos eílranhos Raynaud. Annal. Ecclef. 
Tom. 13. ad an. i2$i. §. 35. et ann. 1232. 

.33. Bzou. in Annal. Tom. 13. ad ann. 1251. 
\lalvend. in Ann. Ord. Prad. Tom. i. pag. 
488. Bofius de fignis Ecclef. Tom. 2. liv. 7. 
cap. I. Pcnnot. Hift. Can. Keg. liv. 2. cap. 6. 
11. I. Genebrard. Chron. lib. 4. ad ann. 
1 241. Bclovaccns. Specul. Hiftor. lib. 31. à cap. 
lU. ufquc ad 138. Oudin. Comment. de 

Mpt. Ecclef. Antiq. Tom. 3. col. 40. Caftill. 
(hron. de S. Doming. Part. i. liv. 2. cap. 5. 
Scoto in i3/7>. Hifp. foi. 107. Nicol. Ant. 
Ill hib. Hifp. Vet. Tom. 2. lib. 8. n. 10. et 
icq. PoíTevin Appar. Sacr. Tom. i. pag. 105. 
Marineo de rebns Hifp. liv. 5. Garib. Comp. 
//(/?. de hfp. lib. 12. cap. 47. Brand. Mon. 
\jiftt. 4. Part. liv. 14. cap. 13. Vafconc. in 
Defcript. ILufit. pag. 522. n. i. Cunha Hifl. 
^.cclef de Usb. Part. 2. cap. 35. Maris. Dial. 

í Var. Hifl. Dial. 2. cap. 11. Duarte Nunes 
Defcripc. de Portiig. cap. 41. Fr. Ant. à Purificat. 
Chronol. Monafl. pag. 67. Cardofo Agiol. 'Liífit. 
Tom. 3. pag. 658. e no Commentario de 
15. de Junho let. A. D. Nic. de Santa Mar. 
Chron. dos Coneg. Keg. liv. i. cap. 10. Magn. 
hiblioíheca Ecclef pag. 503. col. 2. Ainda, 
que foraõ grandes os elogios, que lhe dedi- 
carão graviflimos Efcritores fempre faõ infe- 
riores ao feu grande merecimento. S. Boavent. 
in Ser mon z. diz Habuit in fe fcientiam omnium 
antiquorum. Santo Antonino de Florença Hiflor. 
Part. 3. Tit. 24. c. 3. Plenus Sanãitate, et 
prceclarus doãrina, et miractilis. Jacob. Ber- 
gomenf. Stiplem. Chronic. lib. 15. ad an. 1231. 
infinitis clartis miractdis. Baron. in Martyrolog. 
ad 13. JmiJ Vita, <& miractdis, et pradicatione 
illidjlris. Bellarm. de Script. Ecclef ad ann. 
1220. Miraculis plnrimos convertit, vel ab harefi 
ad reãam fidem, vel ab improbis moribm ad pa- 
ritentiam agendam Joan. Molan. in Mar- 

\rol. Vivard. ad 13. Junij Celeberrimns ex- 
titit vita, miraculis, et doãrina. Trithem. 



in Catbal. Script. EccUfiaft. Vir in divinis 
Scripiitris eruditifftmus. PoíTevin. ín appar. 
Sacr. SanÚitate, miraculis, et doãrina cla- 
rus. O noíío infigne Poeta o Padre Manoel 
Pimenta no i. Tom. dos feus Poemas en- 
tre outros Epigrammas, que a fua devota 
Mufa coníagrou a cíle Thaumaturgo lhe fiez 
o feguinte á prodigioía incorrupçaõ da 
fua lingua, que por Ter taò elegante, e díT- 
creto o julguey digno de que foíTe a Coroa 
de todos os Elogios defte grande Portuguez. 
Heróe extinão dum mors inimica triumphat; 

Corporis, eb* facrum depopulatur opus. 
Peííora percurrit percurrit livida frontem, 

Marmoreafque manus, fydereafque genas. 
Ventum erat ad Hnguam flupefaãa quiefcit, 
& infit; 

Abflineo à lingua, contineoque manus. 
Semina, qua tetigit vivi immortalia Verhi, 

Ingenium Verbi non morientis habet. 
Haud tangenda mihi efl vitam qua praflitit, et Mors 

Si male tentaffem tangere, viva forem. 
As obras; que o Santo compoz cheyas 
de Sagrada Doutrina, e fentido Myftico 
faõ as feguintes. 

Sermones de Sanais. Venetiis 1574. 8. 
Sermones Quadragefimales, et Dominicales fuper 
Evangelia totius anni correâius auãi, <& marginibus 
ornati a Fr. Kaphaele Maffao Minorita. Venetiis 
apud Joannem Antonium Bertanum 1575. 8. 
Sermoens Quadragefimales, et de Tempore. 
Pariíiis apud Badium Afceníium. 1521. 8. 
Concordantia morales facra fcriptura pradi- 
catoribus ad virtutes commendandas, et vitia 
condemnanda utiliffimee. Romx apud Alphon- 
fum Ciaconium 1624. et Pariíiis 1641 apud 
Carolum, Rovillard, et Colónias 1647. Poy 
efta obra publicada pela deligencia de Fr. 
Lucas Wadingo, que a extrahio de hum M. S. 
antiquiíTimo que fe guardava no Convento 
de Ara Caeli de Roma, e a dedicou à Sãtidade 
de Urbano VIII. da qual diz o mefmo Wadingo 
in Script. Ord. Min. pag. 34. Opus fane ingenio- 
fum hominis verfatifftmi in Sacris Bibliis, quem 
proinde Gregorius IX. appellavit Arcam 
Tefiamenti. Foy o primeiro Author deite 
genro de compoíiçaõ como dizem Buxtor- 
fio in Prafat. Concordant. Hebraicar. e Ja- 
cobo le Long. in Bibliotbeca Sacra. pag. mihi 
456. col. 2. et pag. 458. col. 2. 



IÇO 



BIBLIOTHE CA 



Todas eftas obras compilou com grande 
difvelo, e igual trabalho Fr. Joaõ de La Haye 
Pariíienfe, Pregador delRey diriílianiíTimo, 
e celebre Author da Biblia Máxima, Procu- 
rador Geral da Ordem Seráfica no Reyno 
de França, e novamente lhe acrecentou a 
obra feguinte que nunca tinha fido impreíTa. 

Interpretatio mjjiica in Sacram Scriptu- 
ram 

A qual vifitando como Vifitador Geral 
o Convento Mercurienfe fituado no Ducado 
de Lorena, e examinando com toda a curio- 
fidade a Bibliotheca do mefmo Convento, 
que he muito numerofa, entre os M. S. que 
eftavaõ fechados em huma arca a defcubrio 
entre elles, e depois a publicou com as mais 
obras em huma elegante Imprefiaõ que fahio. 
Parifiis apud Carolum Rouillard. 1641. foi. 
e depois Lugduni apud Petrum Rigaud. 
1653. foi. et Pedeponti prope Ratisbonam 
fumptibus Joannis Gaft. 1739. foi. Também 
fahiraõ com hum fuplemento que o Doutif- 
fimo António Pagi Francifcano Conven- 
tual Author da Critica aos Annaes de Ba- 
ronio, tirou de hum M. S. que fe confer- 
vava na Bibliotheca dos Frades Menores 
de Florença, e fahio Avenione apud Petrum 
Oí&ay 1684. 8. 

D. ANTÓNIO naceo na Cidade de 
Lisboa no anno de 15 31. e foy filho do Se- 
reniíTimo Infante D. Luiz, e Neto do Au- 
gulHífimo Monarcha D. Manoel. Naõ fa- 
tisfeita a natureza de lhe dar taõ alto naci- 
mento o ornou de mageftofa prezença, gé- 
nio afável, juizo perfpicaz, e engenho fu- 
blime para comprehender as mayores difi- 
culdades por cujos dotes o julgou digno 
feu ]?ay que foííe inftruido com os primei- 
ros rudimentos no Convento da Cofta fi- 
tuado junto da Villa de Guimaraens don- 
de paíTou no anno de 1548. a Coimbra para 
continuar o eíhido das humanidades, e Fi- 
lofofia no Real Convento de Santa Cruz de 
Coimbra em cuja paleíbra teve por Condif- 
cipulos, e emulos do feu grande talento a 
D. Fulgencio, e D. Theotonio Filhos do 
Duque de Bragança D. Jayme. Sahio taõ 
perito na pureza da lingua Latina, e noti- 
cia das letras humanas, que mereceo os ap- 



plaufos de Poeta infigne, e Orador confumado 
compondo Verfos com fumma afluência, 
e recitando Oraçoens com elegante energia. 
Não fez menores progreflbs na penetração 
das fubtilezas da Lógica, e Metafifica rece- 
bendo em 5. de Mayo de 15 51. com univer- 
fal applaufo da Academia Conimbricenfe 
o grào de Meílre em Artes. Inílruido nas 
sciencias humanas o mandou feu Pay aprender 
as divinas para cujo effeito paííou a Évora, 
onde ouvio revelados os miílerios da Theo- 
logia pelo infigne Varaõ Fr. Bartholameu 
dos Martyres que depois ennobreceo a Mitra 
Primacial de Braga de cuja doutrina fahio 
igualmente illuftrado no entendimento, como 
no efpirito. Em obfequio da vontade de feu 
Pay recebeo Ordens Sacras que lhe conferio 
feu Tio o Cardial D. Henrique, e profeílou a 
Ordem Militar de Malta fendo Prior do Crato, 
porém como a natural inclinação herdada de 
feus auguílos progenitores o arrebatafie para 
as armas naõ quiz receber as Ordens de Pres- 
bítero moftrando neíla repugnância que mais 
por eleição alhea do que própria abraçara 
o Eftado EcclefiaíHco. Eílimulado de algu- 
mas defatençoens que lhe fizera o Cardial feu 
Tio, que naõ foube difiimular o feu ardente 
génio, fe auzentou para Caftella, onde rece- 
beo de feu Primo Filippe II. particulares 
fignificações de aífedo. Reílituido ao Reyno 
paliou duas vezes a Tangere, e na fegunda 
que foy no anno de 1574. governou aquella 
Praça fendo o vigefiimo nono Governador 
delia onde deo illuílres provas da fua prudên- 
cia, e valor. Acompanhou a ElRey D. Sebaf- 
tiaõ nas duas expediçoens que fez a Africa, e 
na fegunda em que fatalmente agonizou a glo- 
ria Portugueza ficou cativo, fendo eíla lamen- 
tável tragedia o principio das fuás calamida- 
des. Refgatado por copiofa fomma de dinheiro 
entrou em Lisboa merecendo fer recebido pelos 
feus moradores com inexplicáveis demonf- 
trações de jubilo devidas à fua natural bene- 
volência. Extinâa a linha dos Monarchas 
Portuguezes com a morte do Cardial D. Hen- 
rique fuccedida no anno de 1580. pertendeo 
fuceder na Coroa de feus Avós para cujo 
effeito fe empenhou a provar a fua legitimi- 
dade, e poílo que lhe faltava o direito achou 
taõ benévola a fidelidade do povo que o 



L USITANA. 



191 



acciamou pot Teu Monatcha na Villa de 
Santarém a 24. de Junho de i)8o. diílin- 
t^uindo-fe entre os Aclamadores D. Franciíco 
<ic Portugal III. Conde do Vimiofo que dos 
trágicos fucccíTos de D. António foy infepara- 
vel G>mpanheiro, imitando nefte heróico 
iHíc£lo para a Pátria ainda que com difíerente 
fortuna a íiel conílancia de feu predariíTimo 
ifccndente o CondeíUvel Nuno Alvares 
i^creira. Com iguaes argumentos de amor foy 
icclamado em Setúbal onde bateo moeda atò 
t|uc chegou a Lisboa, e fendo recebido pelo 
vulj^o com as veneraçocns de Rcy repartio no 
l'a(;() muitos Officios, jurou obfervar os pri- 
vilégios dos VaíTallos, e efcreveo cartas circu- 
lares a todas as Cidades, e Villas do Rcyno 
jxira que o rcconhcceíTem por fcu Soberano, 
(lontra cílcs dcfignios fe armou a ambição 
<lc Filippc prudente hum dos mais acceri- 
mos pertcndentcs da Coroa Portugueza expe- 
dindo hum exercito de vinte mil homens 
ipitaneados pelo Duque de Alva, e no 
impo de Alcântara junto a Lisboa acommeteo 
quatro mil Soldados, que tumultuariamente 
)ndu2Íra D. António para lhe fazer oppo- 
içaõ, onde foy totalmente desbaratado como 
podia efperar de numero taõ fuperior às 
ias forças. Acompanhado de algumas peíToas, 
ija fidelidade lhe era notória, fe auzentou 
:cultamente do Reyno, e difcorrendo por 
iverfas Provindas de Europa chegou a 
França onde fendo benevolamente recebido 
pela Rainha Catherina de Medids lhe fuppli- 
cou efficafmente quizeíTe dar-lhe focorro com 
que pudeíTe coroar-fe no trono de feus Avós. 
Atendeo a Rainha à efficada da fua perfuaçaõ, 
e mandou apreftar huma armada de cincoenta 
Navios com fete mil homens de guarnição 
cometida à direcção de Filippe Strozzi. 
Defronte da Ilha de S. Miguel pelejou a 26. de 
Julho de 1582. eíla armada contra a de Caftella 
que confiava de 50. Galeoens, e 12. galés de 
que era General D. Álvaro Bafan Marquez 
de Santa Cruz, e depois de hum porfiado com- 
bate que durou o efpaço de cinco horas ren- 
dida a Almirante, e Capitania Francezas, e 
lançados a fundo dous Galeoens fe recolheo 
viftoriofa a armada Caílelhana. Ainda naõ 
defenganado com tantos infortúnios voltou 
a Inglaterra, e conciliando o affedo de alguns 



Fidalgos alcançou da Rainha D. Izabel outto 
focorro para experimentar fortuna mais favo- 
rável aos feus intentos. Sahio embarcado de 
Plemuth em huma armada taõ soberba, e 
poderofa que fe compunha a fua guarnição 
de vinte e dous mil homens levando por 
General do Mar a Francifco Draque, e da 
terra a Joaõ de Norris. Na Praça de Peniche 
lançou doze mil Infantes que fem rcfiílencia 
foy ganhada, e entrando pela Barra de Lisboa 
a 24. de junho de 1589. como naõ achaíTe 
os ânimos promptos para ajudar a fua facçaõ 
fe recolheo a Plemuth com igual perda de 
homens, e embarcaçoens. AfHiâo com tantas 
infelicidades fe refugiou a Pariz onde foy 
recebido por Henrique IV. naõ defiíUndo de 
implorar o focorro das mefmas Potencias que 
infruéhiofamcnte tinhaõ fomentado a fua per- 
tençau, atè que defenganado das efperanças 
em que fundava os feus dcfignios fe conver- 
teu totalmente a Deos chorando amarga- 
mente os delidos que cometera contra a 
obfervancia dos feus preceitos, defprezando 
as glorias caducas, e anhelando unicamente 
às eternas fazendo-fe com eílas virtuoCas 
acçoens merecedor de huma Coroa mayor, 
e mais perdurável que aquella que fatalmente 
lhe negou a fortuna, a qual foy poíTuir em 
26. de Agoílo de 1595. quando contava 
64. annos de idade. O feu corpo depois de 
embalfamado fe fepultou no Convento grande 
dos Francifcanos de Pariz, e o feu Coração 
foy depositado no Convento de Santa Clara 
chamado da Ave Maria a hum lado do Altar 
Mor com efle largo epitáfio, mudo pregoeiro 
dos feus infortúnios. 

Hoc angufto in loco conditur auguftijfimum cor 
Serenijfimi Kegis Portugallia D. Antonij hujus 
nominis primi, qui paterno jure, ac populi eleãione 
regno Juccedens ah eo per vim expuljus ejl; quare 
in denjijjimis, ac numerofis Jylvis diu latens, tandem 
ah hofiihus animam ejus Jollicite quarentibus mi- 
rabiliter evajit, et in Galliam, €>* Angli- 
am ad fuppetias petendas tranfmeavit, in 
qua peregrinatione incredihiles Jupra modum 
paffus eji calamitates; in quibus adeo conf- 
tantem, (& invincihilem animum femper exbi- 
buit, ut nec laboribus fatigari, nec periculis 
deterreri, nec rationibus fuaderi, nec opulen- 
tis poUicitationibus, me longa expeãatione 



192 



BIB LIO THE CA 



fajlidiri, nec denique deficientibm pm fenio viri- 
btts deficere unquam potuerit, ut júri Juo caderet; 
Jed omnihus Jpretis lihertatem regni fui ac Juorum 
cunãis, et honis fruendis, et malis perferendis 
validijfime antepofuit; illud quoque non parvum 
regia magnanimitatis argumentum eji, quod 
feão poft mortem corpore, omnia ejus vi/cera 
tahida, ac corrupta inventa funt prceter cor, quod 
quia in manu Dei erat, ah eo incorruptum, et 
ilh/um femper Jervatum fuit. Obiit Parijiis 
plenus pietate, <& in Jumma paupertate anno 
cBtatis fua fexagejjímo quarto, Dominica vero 
Incarnationis millejimo quingentijfimo nonagejjimo 
quinto dievicefimajexta Augujii. Kequiefcat inpace. 
De diverfas mulheres teve na fua ado- 
lefcencia dez filhos. D. Manoel de Portu- 
gal cafado a primeira vez com Emilia de 
NaíTau de quem teve numerofa defcendencia; 
e a 2. com D. Luiza Oforio Dama da Archi- 
duqueza D. Izabel Clara Eugenia. D. Chrif- 
tovaõ de Portugal, de quem faremos memoria 
em feu lugar. D. Pedro, e D. Diniz Religiofo 
hum de S. Francifco e outro Monge de S. 
Bernardo; D. AíFonfo infigne nas Armas, e 
D. Joaõ, que morreo na puerícia: D. Filippa 
Religiofa Ciftercienfe no Convento de Lor- 
vão; D. Luiza Religiofa de S. Francifco 
em Tordefillas, e outras duas, cujos nomes 
fe ignoraõ recolhidas no Convento de las 
Huelgas de Toledo. O fummario da fua vida, 
e morte fahio efcrito na lingua Franceza 
por feu filho D. Chriftovaõ de Portugal. 
Paris ches Gervais Alliot 1629. 8. A agu- 
deza do feu engenho, e o vafto conhecimento 
das artes liberaes exaltaõ Cadabal Grav. in 
Orat. Encom. Philip. Spener. Oper. Herald. 
Part. I. lib. I. cap. 22. pag. 287. e Joan. Soar. 
de Brit. in Theatr. L,ujit. Eitterar. lit. A. n. 
48. A fua politica, e elegância no efcrever 
Caram. Philip. Prud. lib. 5. n. 2. pap. 175, 
A fuavidade do génio, e profufaõ do animo 
Góes Chron. delRey D. Manoel. Part. i. 
cap. loi. Andrad. Chron. delRej D. Joaõ 
o III. Part. 4. cap. 215. Ferdinand. Paez 
in Dedicat. operis in Cap. Mijfas. Das fuás 
acçoens, fucceíTos profperos, e adverfos 
Manoel de Faria, e Soufa Europ. Portug. 
Tom. 3. part. i. cap. 4. Luiz Torres de Li- 
ma Sucef. de Portug. cap. 31. Bavia Hiji. 
Pontif, Part. 3. cap. 49. 50. 51. 63. 64. e 65, 



Cordeir. HiJl. Infulan. liv. 6. cap. 25. 26. 
e 27. Miraius in Chron. ad 1595. Rodulph. 
Boter. in Comment. de reb. in gallia gefi. lib. 2. 
pag. 195. ad ann. 1595. Germain Brice. NovueL 
Defcrip. delia Ville de Paris Tom. 2. pag. 327. 
e Tom. 3. pag. 233. Imhoí Stem. Keg. iMfitan. 
pag. 19. Fr. Anfelm. de la Vierg. Mar. Hifi. 
Geneal. et Chronol. dela Mais. Kojal de Franc. 
Tom. I. pag. mihi 610. Souf. HiJl. Genealog. 
da Caf. Real Portug. Tom. 3. liv. 4. cap. 8. 
Thuan. HiJl. lib. 69. 70. et lib. 113. Sainâ. 
Marth. Hi^. Geneal. dela Mais. de Franc. 
Tom. 2. liv. 43. cap. 11. Dupleix Annal. 
ad. an. 1580. Beyerlinck. Opus Chronol. ad 
ann. 1595. Ferrer. HiJl. de EJpan. Tom. 15. 
pag. 274. n. II. pag. 278. n. 4, pag. 285. n. 6. 
e pag. 327. n. i. Herrer. HiJi. de Portug. liv. 2. 
3. 4. e 5. Hofman. Lexic. Univerf. pag. mihi 
249. Larrey HiJl. de Anglaterr. Tom. 3. pag. 
488. Fr. Jozé Emman. Minian. in Contin. 
hijlor. de rebus Hijp. Joan. de Marian. lib. 8. 
cap. 6. 9. 10. et lib. 10. cap. 7. e o lUuílrini- 
mo, e ExcellentifTimo Conde do Vimiofo 
D. Jozé Miguel Joaõ de Portugal na ele- 
gante, e difcreta Vida do Infante D. Lui^ 
pag. 151. Compoz. 

Panegyris Alphonji primi Eujitanorum 
Regis. Conimbricae apud Joannem Alvares 
1550. 4. Eíle Panegírico recitou na prefen- 
ça dos SereniíTimos Reys D. Joaõ o III. 
e D. Catherina quando foraõ vifitar no anno 
de 1550. a Univerfidade de Coimbra. 

Pfalmi Confejfíonales Parifiis apud Federi- 
cum Borellum 1592. 12. Nefta obra de que fe 
conferva o Original na Bib. Ambrofiana de 
Milaõ como diz Montfaucon in Bib. Bibliothe- 
car. M. S. nova Tom. i. pag. 508. foy achada 
em hum efcritorio do SereniíTimo D. António 
onde igualmente fe admira a fervorofa contri- 
ção de hum peccador arrependido, como a 
vaíla liçaõ da Sagrada Efcritura, fendo rara a 
palavra de que fe compõem, que naõ foíTe delia 
extrahida, como nas obras do D. Mellifluo S. 
Bernardo tem obfervado os eruditos. Confta 
de fete Pfalmos femelhantes aos Penitenciaes 
de David, no fim dos quaes tem duas Ora- 
çoens a I. fe intitula Gratiarum aãio con- 
triti peccatoris veniam a Deo impetrantis. 
a. 2. Ad Deum Summum orbis moderatore/ft 
deprecatio. Nefta impreíTaõ eftá aberto o re- 



i 



LUSITANA. 



193 



I rato do ScrcniíTimo D. António, c por baixo 

um cílc difticho. 

Pana tibi vitam rapnit, diadema Philippus, 

Lit Jimid Occafus, ac Orientis opes. 
Vins tibi reftitmt pie tas tua, qinppe cadiuis 
Pro Jceptris Domimis caliça rtffta dedií. 

Varias tem fido as cdiçí)cn8 dcftc livro 

«londe fe argumenu a íua excellencia, e pie- 

>l;idc, pois na língua Franccfa fahio por Pedro 

In Rier Pariz ches Jean Regnoul 1609. 8. 

na mefma Cidade por Bertrando Martin. 

1634. 8. outra vez 1656. 12. e 1666. 24. e em 

Tolofa 1671. 16. por António Jozé Mege 

Monge Bcncdidino da (x)ngrcg. de Santo 

Vtnaro, e pelo Abbade Bellegarde Pariz 

171 8. 8. Hagíccomitum 1665. 12. Na lingua 

íngleza Londres 1659. 8. Na Caftclhana 

[lor Fr. Joaõ Caramucl com efte titulo. 

Pfalterio, en que m ff^an Príncipe hjifitano 
itjcuhrio foberanias de Efpiríf. Bruxellas por 
Lucas de Meerbeque 1635. 12. De Latim em 
vcrfo Portuguez por D. líidoro da Cruz. 
Praga apud Gregorium Schiparz; e em profa 
Portugueza pelo Doutor Fr. Jorge de Carvalho 
Monge de S. Bento que fahio com efte titulo. 

Solilóquios, em que hum peccador arre- 
pendido falia com Deos, difpojiçoens para 
bem fe confejfar, e induflrias para bem mor- 
rer. Acharaõ-fe em hum efcritorio do Sere- 
nijftmo D. António Príncipe Portugue^ na 
fua própria letra na l^ingua Latina com tra- 
ducçaõ, que era obra do feu g-ande jui^^o, e 
confijjoens feitas pelo feu grande arrependimento. 
Lisboa por Paulo Crasbeeck. 1635. 8. 

luettre ecrite au três Sainã Pere le Pape 
Gregoire XIII. De Rueil en l'annee 1583. 
Sahio impreíla no Livro intitulado Brie- 
fue, et Sommaire defcription dela vie, et mort 
de D. Antoine premier du nom, et dixhuic- 
tiefme Koy de Portugal. Pariz ches Ger- 
I vais Alliot. 1629. 8. defde pag. 133. 
até 261. e no Livro intitulado. Excel- 
lent, et libre difcours du droit dela Suceffion 
Rojale au Rojaume de Portugal, et dela 
legitime fucejfton du Rqy D. Anthoine. Pa- 
riz chez Jean Micard 12. defde pag. 117. até 
239. Foy traduzida na Lingua Latina por 
Oâavio Sylvio Cavalleiro Romano in 8. 
fem lugar, e anno da impreíTaõ da qual con- 
fervamos hum exemplar. Nefta Carta expõem 



largamente ao Summo Pontiíice o direito, 
que lhe aíTiftia, para cingir a Coroa de Por- 
tugal relatando individualmente os Letra- 
dos mais infígnes, que efte Reyno naqucUe 
tempo tinha, aíTim Theologos, como juríftas, 
que defendíaò, e approvavaõ a fua perten- 
çaõ i Coroa. 

Let/re ecrite a Sainãe Pere le Pape 
Sixte V. dela Kochelle le jour de devant les 
Nofies de Aoufl l'an. de notre Seiffuur mil 
cinq cens quatre vingt cinque. Sahio impref- 
fa em ambos os livros aíTima allegados. 

Ijetre ecrite a Sainíle Pere Pape Sixte 
V. de l^ndres 26. de Januier l'an. de graee 
1586. Paris chez Cervais Alliot. 1629. 8. 

Ijetre ecrite à Sainííe Pere Pape Sixte 
V. de Londres le 27. de Juillet ran. de noftre 
Seigneur. ij86. Pariz f>elo dito Impreííor. 

Letre ecrite au Pape Clement VIU. de 
Londres i. de Atml de 1592. Pariz pelo dito 
ImpreíTor. 

Letre ecríte au Pape Clement VIII. de 
Londres 24. de Januier 1595. Pariz chez Jean 
Micard. 1607. 12. et ibi ches Gervais Alliot. 
1629. 8. 

Cartas efcritas de Pari^ a iz. de Agojlo 
de 1595. às Magejlades delRej Chríflianijftmo 
Henrique IV. Rainha de Inglaterra, Eflados 
Geraes, Conde Maurício, Príncefa de Orange, 
e Conde de LJfex. Pariz ches Jean Micard 
1607. 12. Sahiraõ impreílas em Francez, 
e Portuguez. Neflas Cartas eflando próximo 
à morte encomenda a eftes Principez os feus 
filhos, e as peíToas, que fempre lhe aífifli- 
raõ, e o acompanharão. 

Sahio em feu nome, e fe cré fer com- 
pofto por elle, hum Manifefto, com efte ti- 
tulo. 

Lxplanatio verí, ac legitimi jurís quo 
SereniJJimus Lujitania Rex Antonius ejus 
nominis primus nititur ab bellum Philippo 
Regi Caflella pro reffii recuperatione infe- 
rendum una cum hiflorica quadam ennar- 
ratione rerum eo nomine gejiarum ufque ad 
annum 1583. Lugd. Batav. apud Chrifto- 
phorum Plantinum. 1585. 4. et Cólon. 1613. 
8. Sahio traduzido em Francez com efte 
titulo. 

luflification du Serenijfime D. Antoine Rot 
de Portugal premier de ce nom, toucbant la 



18 



194 



BIB LIO THECA 



guerre, qu'il faia à Philippe Roí de Cafiille, 
fes Juhjects, et adherens pour ejlre remis en fon 
Kojaume. Leyde em rimprimerie de Chriílo 
phle Plantin. 1585. 4. 

Semelhante a Cefar foy Chronifta das 
fuás acçoens efcrevendo em três tomos a 
fua vida, cujo Original fendo dado por feu 
filho D. Manoel de Portugal a Fr. Joaõ Ca- 
ramuel o confervava com grande eílimaçaõ 
em feu poder, como afíirma no Philip. Prud. 
pag. 175. fendo o titulo defta obra. 
Hijioria do Kej D. António. 

No I. livro trata de feu Pay o Infante D. 
Luiz filho delRey D. Manoel, e como fora cafa- 
do com D. Violante Gomes fua Mãy fendo por 
eíla caufa filho legitimo, e naõ natural daquelle 
Príncipe. Defcreve a expedição de Africa, e 
todas as circunílancias aíTim do feu cativeiro, 
como reftituiçaõ ao Reyno. No 2. livro reco- 
pila o que mais largamente efcrevera no i. 
Intenta cingir a Coroa de feus Avós. Expõem 
ao Cardial D. Henrique as injuftiças, que lhe 
tinha feito, das quaes fe queixa com grande 
fentimento ao Summo Pontífice. No 3. livro 
fe contem todas as Cartas Originaes, que efcre- 
vera fobre a fua pertenfaõ ao Reyno de Portu- 
gal, a diverfos Príncipes Catholicos, Hereges, 
e Mouros. Hum memorial muito extenfo 
em forma de Supplica ao Pontífice. Todas 
as negociaçoens pertencêtes às expediçoens 
que fez Portugal fendo entre ellas as princi- 
paes como fora eleito Draque General da 
Armada Ingleza pela Rainha Izabel, As condi- 
çoens propoftas por Draque, e Norris, e como 
foraõ por elle admitidas. A inftrucçaõ do Em- 
baxador que mandou aos Eílados de Olanda, e 
Zelanda. Conclue Caramuel de quem extrahi- 
mos eíla noticia, que além defta obra con- 
fervava em feu poder outras muitas de D. 
António, que naõ tratavaõ defta pertenfaõ 
à Coroa Portugueza, fendo o feu Author 
felix calamo, politica fcientia doãijfimus. 

M. ANTÓNIO infigne Medico cuja facul- 
dade exercitou na Praça de Arzllla íituada na 
Regiaõ Africana, quando eftava fogeita ao do- 
mínio de Portugal. Naõ menos applicado 
à faude dos Soldados, do que à fama, e nome 
dos que valerofamente combatiaõ naquelle 
theatro do valor Portuguez. Efcreveo. 



Cavalgais, e boas entradas, que fe^ D. Pedro 
de Mene^ies Almocadem de Ar:(illa. 

Efte M. S. veyo ao poder de D. Joaõ Cou- 
tinho Conde de Redondo, como afíirma 
Bernardo Rodriguez filho do Author de quem 
faremos memoria, em feu lugar na Hijioria 
de Ar:(ila, que fe confervava na Bibliotheca 
do Chantre de Évora Manoel Severim de 
Faria, da qual conferva huma copia meu 
Irmaõ D. Jozé Barboza Clérigo Regular na 
fua feleâa Livraria da Hiftoria de Portugal. 

M. ANTÓNIO natural da Villa de 
Guimaraens, e Medico da Camará do Se- 
reniíTimo Rey de Portugal D. Joaõ o II. a 
cujo Príncipe fobreviveo, pois conforme 
efcreve Gafpar Eftaço nas Antiguidades 
de Portug. cap. 56. n. 4. prolongou a vida 
até o anno de 1533. Efcreveo. 

Tratado fobre a Provinda de Entre Douro, e 
Minho, e fuás avondanças copilado por Meflre 
António Fijtco, e Surgido morador na Villa de 
Guimaraens, e natural delia. Começa Como 
quer que toda a peffoa Acaba, a muy nobre, e 
fempre leal Villa de Guimaraens. Confervafe 
huma copia, que eu vi, na Livraria do Marquez 
Mordomo mor, e confta de outo paginas 
de folha, cuja obra como diz o Author foy 
efcrita no anno de 1 5 1 2. e deUa fazem memoria 
Gafpar Eftaço Antiguidades de Portug. cap. 56. 
n. 6. Jorge Cardofo nas Advertenc. ao i. 
tom. do Agiol. L.ujit. §. 2. e no Commentarío 
de 2. de Janeiro letr. B. pag. 17. e no Commen- 
tarío de 22. de Abril pag. 681. e a Bib. Geo- 
graf. de António de Leon novamente acre- 
centada Tom. 3. Tit. unic. col. 161 7. Efcre- 
veo mais. 

Chronica delKey D. JoaÕ o II. da qual 
fe confervava huma Copia na Bibliotheca do 
ExcellentiíTimo Marquez de Abrantes, e delia 
fazem memoria Cardof. Agiol. Lujit. Tom. 3. 
no Cõmentarío de 18. de Junho let. F. p. 733. 
e Francifco de Santa Maria Hi^. da Congreg. 
dos Coneg. Secul. de S. Joaõ Evang. lib. i. cap. 42. 
pag. 358. o qual no livr. 3. cap. 72. pag. 871. 
faz mençaõ de outra obra do Meftre Antó- 
nio, que fe conferva M. S. na Livraria do 
Convento de Santo Eloy de Lisboa, cujtf 
titulo he 

Memorias do feu tempo. 



L USITANA. 



195 



ANTÓNIO Eremita da afpera folidaõ da 
Scrr.1 de OíTa íituada no território de Évora, 
c hum dos mais rigidos profeíTores da auílera 
regra de S. Paulo primeiro Habitador da 
Thebaida, querendo viver para Deos, e junta- 
mente para o próximo, efcreveo. 

Declaração Johrt os fete Pfalmos da Peni- 
(tícia em Hngfiagem Portuguev^ dedicada a feu 
IrmaÒ em Cbrijlo o vir/mfo, e devoto pobre TriflaÕ 
Provincial de todas as Provindas da Serra Doffa, 
e vida eremifica de S. Paulo primeiro Lrmitaõ. 
Lisboa por Germaõ Gallarde e ImpreíTor 
(IclRey 1J44. 

ANTÓNIO DE ABREU chamado por 
:inthonomaíia o Engenho/o pela exccllcncia do 
talento, prompta agudeza nas repoílas ferias, e 
jocofas, c fumma facilidade em compor verfos 
ilc vários metros. Teve particular amizade 
i(im o Príncipe dos Poetas de Efpanha o 
(Jrandc Luiz de Camoens aíTim cm Portugal 
10 na índia onde viveo com elle muitos 
los, de quem foy fempre fiel imitador, 
teftemunhaõ as peíícas mais eruditas 
juelle Século, e o poderiaõ teftificar as do 
ite, fe feu Irmaõ Fr. Bartholameu de 
AgoíBnho antes de morrer publicaíTe 
ia grande colleçaõ que tinha feito dos feus 
Verfos Jagrados, e profanos. 

P. ANTÓNIO DE ABREU natural de Lis- 
)a, onde teve por Pays a António de Abreu, 
c Anna Barradas, recebeo a Roupeta da Com- 
panhia de Jefus em o CoUegio de Coimbra a 
17. de Mayo de 1577. Depois de inftruido 
fuficientemente nas letras fagradas, e profanas 
diílou Rhetorica, e Filofofia em Coimbra 
tendo por Difcipulo ao Senhor D. Alexandre 
filho dos Sereniffimos Duques de Bragança D. 
Joaõ o I. e D. Catharina, que depois foy dignif- 
fimo Arcebifpo de Évora. Na mefma Univer- 
fidade foy Lente de Sagrada Efcritura. Teve 
grande talento para o Púlpito, e naõ inferior 
para o governo, como manifeílou nos Rey- 
torados dos Collegios de Lisboa, Évora, e 
Coimbra, na Prepofitura da Cafa profeíTa 
de S. Roque, e ultimamente no Provincia- 
lado, cujo lugar antes de o acabar, acabou 
de viver em 10. de Junho de 1629. Teve 
hum génio muito brando, e fuave para os 




íubditos, de tal modo que íendo notado da 
fumma indulgência, que com elles uzava, 
refpondia com S. Joaò Chryfoílomo que mais 
queria dar conu ao Supremo Juiz de íer 
nimiamente compaíTivo, de que exceíTi vã- 
mente rigorofo. Recitou varias Oraçoens lati- 
nas com grande eloquência, feodo as prin- 
cipaes, três da Rainha Santa Izabel em a Uni- 
verfidade de Coimbra, e no mefmo idioma 
compoz muitas obras poéticas das quae» 
fomente fe imprimio in 8. como aíHrnoa o P. 
Francifco da Cruz nas fuás Memorias para a Nb. 
Porttig. fem declarar lugar, e anno da edição. 
Tragfidia S. Joannis Baptijla. Ao Author 
louva o P. António Franco in Ann. Clor, 
S. J. in Lup. pag. 331. et in Synopf. Annal. 
S. J. in 'Líifit. pag. 254. e o P. António do& 
Reys in Enthuftafm. Poet. n. 209. 

Fr. ANTÓNIO DE ABREU natural 
da Cidade do Porto, e filho de António 
Pereira, e Maria de Abreu. ProfeíTou o 
Habito da Ordem dos Pregadores no Real 
Convento da Batalha a 20. de Março de 
1644. onde depois de eíludar as fciencias 
efcolafticas, fe applicou com mayor difvelo 
ao exercício do Púlpito, pelo qual mereceo o 
lugar de Pregador Geral na fua Religião. De 
muitos Sermoens que pregou com grande 
aceitação, fomente imprimio o feguinte. 

Sermão na Fejla da Miraculofa Imagem de S. 
Domingos traída do Ceo, e dada pelas Mãos 
da fempre Virgem Maria aos Keligiofos do Con- 
vento de Soriano pregado no Convento de Lis- 
boa em 15. de Setembro. Lisboa por António 
Crasbeeck de Mello. 1661. 4. e Coimbra 
por Thomè Carvalho ImpreíTor da Univer- 
fidade 1672. 4. Delle faz breve memoria Fr. 
Pedro Monteiro no Claujlro Domin. Tom. 3. 
pag. 144. 

Fr. ANTÓNIO DE SANTO AGOS- 
TINHO natural de Lisboa, e Religiofo 
profeíTo na Ordem dos Menores da Provín- 
cia de Portugal com baílante capacidade 
para o Púlpito, e para o governo, como fe 
vio quando foy Prefidente do Convento de 
N. S. da Porta do Ceo. Por duas vezes af- 
fiíUo em nome da fua Provinda ao Capitulo 
Geral celebrado em Roma. Exercitou com 



içó 



BIBLIO THE C A 



grande zelo, e vigilância o lugar de Procura- 
dor, e ComiíTario Geral dos Lugares Santos 
de Jerufalèm atè que morreo no Convento de 
Lisboa a 12. de Fevereiro de 1700. impri- 
mio 

Breve Summario dos Conventos, Igrejas, Capei- 
las, e lugares Santos que a Sagrada Keligiaõ 
dos Frades Menores da Obfervancia tem a feu 
cargo em a Cidade de Jerufalèm, e Terra Santa, e 
o direito com que os poffue, e habita; e dos grandes, 
e excejfivos trabalhos, que padecem os Keligiofos, 
que alli ejlaõ, e dos tributos que pagaõ por que 
os deixem morar alli os Turcos, e por ter 
com a devida decência, e reverencia aquelles Santos 
ILugares. Lisboa por António Crafbeek de 
Mello 1665. 4. e pelo mefmo Impref. 1686. 
et ibi por Joaõ da Coíla 1670. 4. 

Kelaçaõ verdadeira do celeberrimo tri- 
íimpho, e viãoria, que conjeguio a Keligiaõ 
Francifcana recuperando os Santos ILugares 
de Jerufalèm ufurpados pela Naçaõ Grega 
Scifmatica em virtude de hum mandado Impe- 
rial, que deu o Sultão Solimaõ a 20. de Abril 
de 1690. Lisboa por Miguel Deslandes 
Impreflbr de Sua Mageftade 1691. 4. 

Fr. ANTÓNIO DE ALMADA naceo 
em Lisboa, e foy filho de Joaõ de Balheíle- 
ros, e D. Joanna de Almada. Deixado o 
mundo fe recolheo na Religião dos Ere- 
mitas de Santo Agoílinho, cujo habito pro- 
feíTou no Convento da fua pátria em 18. de 
Setembro de 1665. Aprendidas com grande 
difvelo Filofofia, e Theologia as enfinou com 
mayor applaufo no Collegio de Santo Agof- 
tinho de Lisboa no anno de 1676. e depois 
de ter diétado a Theologia fe graduou MeJlire 
nefta faculdade. Foy infigne Pregador, e 
naõ menos douto na Theologia Pofitiva, e 
Myftica com a qual em Évora onde aíTiíHo 
muitos annos, inftruio a muitas almas de hum, 
e outro fexo para o caminho da perfeição. 
Cheyo de virtuofas obras morreo em Lisboa 
a 24. de Março de 171 5. Compoz. 

Defpo^orios do Efpirito celebrados entre o 
Divino Amante, e fua Amada Bfpofa a Ven. 
Madre Soror Mariana do Koí^ario Keligiofa 
de Veo branco no Convento do Salvador da Cidade 
de Évora. Lisboa por Manoel Lopes Fer- 
reira 1694. 4. 



Vida de Ii^abel de Jefus Mantellata da Or- 
dem de Santo Agoflinho M. S. 

Sentimentos da alma pelos Myflerios da PaixaÕ 
de Chriflo M. S. 

Alfabetos de Conceitos Predicáveis M. S. 

Todas eílas obras M. S. com o feu Curfo 
Filofofco, e Conclufoens que defendeo fe guardaõ 
na Livraria do Convento da Graça de Lisboa. 

P. ANTÓNIO DE ALMEYDA Naceo 
na Villa de Trancofo do Bifpado de Vifeu, e 
foraõ feus Pays Fernaõ de Siqueira, e Anna de 
Andrade. Quando contava 1 8 annos de idade 
recebeo no Collegio de Coimbra a Roupeta da 
Companhia de JESUS a 4. de Janeiro de 1575. 
e logo em o Noviciado começou com arden- 
tes votos a fufpirar pela Miílaõ do Oriente. 
Alcançada faculdade dos Superiores partio 
de Lisboa para Goa onde chegou no anno 
de 1585. Convalecido da moleftia de taõ 
prolongada navegação fupplicou com grandes 
rogos ao Viíitador Geral Alexandre Vali- 
gnani que o mandaíle promulgar o Evangelho 
na China o qual admirado do feu apoftolico 
zelo lhe deo por Companheiro ao P. Duarte de 
Sande para cultivar taõ dilatada vinha. Par- 
tio para Macao, e bufcando modo para fe 
introduzir naquelle vaílo império, fe lhe abrio 
quando menos o imaginava, achando ao P. 
Miguel Rogério que nelle havia muitos annos 
aíTiftia com faculdade de fundar huma Cafa em 
Cantaõ, e com grande fatisfaçaõ o tomou por 
feu focio. Porém naõ tendo effeito eíla empre- 
za naõ defiílio dos feus fervorofos dezejos, 
antes procurando com mayor anciã o fim que 
intentava, paíTou com o P. Matheus Ricio a 
Xauceo no anno de 1 5 89. Acometido de huma 
grave infermidade que para convalecer delia 
foy precifo voltar a Macao, tanto que fe fentio 
capaz de caminhar, voltou para a China 
ultima meta dos feus dezejos atè que fe- 
gunda infermidade contrahida da afpereza 
do caminho o privou da vida em Xauceo a 
17. de Outubro de 1591. O feu Cadáver 
amortalhado ao coílume dos Chinas foy 
transferido no anno de 1594. para Macao, 
em cuja praya fe juntou grande multidão de 
povo que com fumma veneração o acompa- 
nhou até a Igreja onde lhe fez huma Ora- 
ção fúnebre o P. Duarte de Sande Reytor 



I 



I 



L USITAN A. 



197 



(laquelle Collegio na qual louvou as virtu- 
des em que foy eminente, fendo as princi- 
paes o apoílollco zelo para lucrar almas a 
( hriílo; o intrépido animo para emprender em 
leu obfequio as mais árduas empiezas, o nimio 
cxceíTo com que rigorofamente tratava o corpo, 
a profunda veneração com que adorava a 
( hrifto Sacramentado, a fervorofa ternura com 
que dedicava os feus affeâos a Maria Santif- 
' lima. Mais copiofo elogio fazem das fuás 
acçocns Nicol. Trigault in Exped. Chriji. 
tiptid Chin. lib. 5. cap. j. Alegamb. in hib. 
Societ. p. 63. Gouvea in AJia Extrem, Part. 1. 
lib. 2. cap. 15. Franc. na Imag. da Vir/, em o 
Nov. de Coimh. Tom. 2. lib. 3. cap. 30. et in 
Anti. Glor. S. J. in Ijtjit. pag. 602. Jarric. Tbe- 
jitr. Jnd. Part. 2. lib. 2. cap. 26. c 27. Lcon 
Hib. Orient, Tit. 8. Joan. Soar. de Brit. in 

Í^beatr. Ijfjit. IJ/er. lit. A. n. 49. In Synenjt 
pv impiger, indefeJfnfqNe divini feminis opera- 
[kt. Efcrcvco 
^ Carta ao P. Duarte de Sande em que trata 
MS coufas da China efcrita de Xauceo em 10. 
r Fevereiro de 1586. 
' Carta ao me/mo Padre de "Xauceo 8. de 
eíembro de 1586. 

Sahiraõ eílas duas cartas com outras na 
língua Italiana Roma por Francifco Zanne- 
ti. 1588. 12. e vertidas em Caftelhano por 
Buxeda de Leyva na Hijior. dojapaõ. C,aragoça. 
1591. 12. 

Cartas ejcritas ao P. Duarte de Sande Key- 
tor de Macao. Xauceo 8. de Setembro de 1588. 
fahiraõ abreviadas Roma por LuÍ2 Zanneti. 
1591. 12. 

Cartas ef cri tas em 22. de Novembro de 
1585. nas quaes defcreve a f tia jornada de Cantão 
atl Nafl Hiu fe podem ler na Afia extrema 
do P. Gouvea Part. i. lib. 2. cap. 8. 

ANTÓNIO DE ALMEIDA Efcrivaõ 
do Supremo Concelho de Portugal em Gif- 
tella. Foy hum dos mais devotos amantes 
da Immaculada Conceição da Senhora de cuja 
Congregação eftabelecida no Imperial Col- 
legio de Madrid da Companhia de Jefus naõ 
fomente foy irmaõ, mas publicou. 

Compendio de las regias, j exercidos 
de la Congregacion de la Immaculada Con~ 
cepcion de N. S. fita por authoridad apoftoli- 



ca dt/dê el aão 1603. en el Cole ff o Imperial de 
la CompaHia de jejiu de Madrid. Madrid 
por Diogo Dias de la Carrera. 1693. 12. 

Certamente naõ poífo aífirmar íê foy 
eíle o mefmo Author, ou outro do mefmo 
nome, c apellido, que compoz duas Come- 
dias, cujos títulos íaô 

La defffracia màs Jelice. Lisboa por 
Paulo Crasbeeck. 1645. 4. 

£/ hermano fingido. Lisboa por Manoel 
da Syiva. 1645. 4. 

Dclle fe lembra o P. António dos Reys 
in Enthuf. Poet. n. 259. 

ANTÓNIO DE ALMEIDA natural do 
Porto, c Meílrc da Muíica na Cathedral da fua 
Pátria, naõ fomente perito naquella fuaviíTima 
Arte, como muito vcrfado na Poctíca, cm que 
compoz varias obras fendo particularmente 
infigne em a Cómica de que dco claro tcílc- 
munho na obra feguinte. 

La humana carça abra:^ada el Gran Martyr S. 
Laurencio. Coimbra por Thomè Carvalho 
ImpreíTor da Univerfidade 1656. 4. 

Fr. ANTÓNIO DE ALMEIDA nacco 
na Cidade do Porto fendo filho de António 
Joaõ, e de Francifca Moreira. Foy admitido 
à Ordem dos Pregadores no Convento de 
Aveiro a 13. de Janeiro de 1663. cujo inílituto 
profeíTou a 14. de Janeiro de 1664. Foy 
Meftre na Sagrada Theologia, e Qualificador 
do Santo Officio. Pela fua prudência de que 
foy muito ornado o elegeo a Religião Vigário 
das Religiofas do Convento do Paraizo de 
Évora cujo minifterio exercitou louvavelmente 
depois nos Conventos de Corpus Chrifti 
junto ao Porto, e de S. Joaõ na Villa de 
Setúbal. Morreo no Convento de Lisboa a 4. 
de Julho de 1723. com fetenta e fete annos 
de idade. Dos Sermoens que tinha pregado 
formou hum anno concionatorio, e o publi- 
cou com efte titulo. 

Sermoens Panegyricos dos primeiros féis 
me^es do anno i. Part. Lisboa por António 
Pedrozo Galraõ 171 8. 4. 

Sermoens Panegyricos dos fegundos féis 
me^es do anno 2. Part. Lisboa pelo dito Im- 
preíTor 1721. 4. 

Do Author faz memoria Fr. Pedro Mon- 



198 

teiro no Clauft. Domin. Tom. 3. pag. 145. e 
no Cathal. dos QttaliJ. do Sant. Offic. pag. 1 3 . 

D. ANTÓNIO DE ALMEYDA COU- 
TINHO taõ illuftre por geração, como iníi- 
gne na Poefia alcançando os mayores applaufos 
na Corte de Madrid, onde aíTiílio a mayor 
parte da fua vida, dos mais celebres profeíTores 
daquella Arte, pelos verfos, que produzio a fua 
Mufa taõ elegante, como difcreta, dos quaes fe 
podia formar hum grande volume, e unica- 
mente lograrão o beneficio da luz publica. 

Outavas en loor de Sor. Joanna Ignes dela 
Cru^ Monja nel Convento de México decima 
Mufa. Sahiraõ no 2. Tom. das fuás Poe- 
iias Valladolid por Thomaz Lopes de Haro 
1692. 4. 

ANTÓNIO ALVARES Foy muito 
perito na Medicina, da qual exercitou o magif- 
terio nas famofas Univerfidades, de Alcalá, 
e Valhadolid com grande credito do feu 
nome. A fama, que corria por toda Efpa- 
nha da fua fciencia obrigou a D. Pedro Giron 
Duque de OíTuna a que o elegeíle por feu 
Medico, quando foy fer ViceRey de Nápoles 
experimentando por muitas vezes o admi- 
rável methodo, e profunda fciencia com 
que triumfava das infermidades mais rebel- 
des. Em gratificação dos favores, que rece- 
bia do feu Mecenas lhe dedicou. 

Epijiolarum, et Conciliorum Medicinalium pri- 
ma pars omnibus non medicis modo, fed Vhilojo- 
phicB Jiudiojis utilijjima. Neapoli apud Hora- 
tium Sauvianum 1585. 4. no fim fe juntou. 

Defenjiones pro Joanne uAltimaro in Salvi- 
Silani A.pologiam. 

Defta obra, e do Author fe lembra Van- 
derlind. in Script. Med. Nicol. Ant. in Bib. 
Hifp. Tom. I. pag. 75. Lippen. in Bib. Ke- 
ali Med. 

Fr. ANTÓNIO ALVARES Naceo 
na Villa de Benavente fituada nas margens 
do Tejo, como uniformemente affirmaõ 
Joaõ Franco Barreto na Bib. Vortug. M. S. 
Manoel de Faria, e Soufa, Jorge Cardo- 
fo, e Manoel Severim de Faria, pofto que 
os Caftelhanos efcrevaõ fora fua pátria Be- 
navente em Caftela Velha. Recebeo o ha- 



BIBLIO THECA 



bito de Frade Menor na Provincia de Sam- 
Tiago, onde depois de acabada a carreira dos 
eftudos efcolafticos fe applicou com todo o 
difvelo a pregar nas mayores Cidades de Efpa- 
nha, principalmente em Salamanca com taõ 
fervorofo efpirito, que eraõ innumeraveis 
as almas que à efficacia das fuás vozes defper- 
tavaõ do lethargo da culpa, e as reduzia 
ao caminho da penitencia. Para que naõ 
fomente inflamaíTe os coraçoens dos que o 
ouviaõ, mas ainda dos que o leíTem, publicou. 

Sjlva ejpiritual que contiene conjideraciones 
fobre los Evangelios de/de la primera Dominga de 
Avento hasta la Quarejma i. Parte. Salamãca, 
e Çaragoça 1590. Valença 1591. Lisboa por 
Simaõ Lopes 1594. 4. 

Sjlva ejpiritual, que contiene las Do- 
mingas, y fiejlas de Quarejma hajla el man- 
dato 2. Vart. Valência por Felippe Mcy 
1590. Salamanca 1594. Lisboa por Simaõ 
Lopes 1594. 4. 

Sylva ejpiritual, contiene conjideraciones para los 
Evangelios de las Ferias quartas, j Jextas de la 
Quarejma, j la Dominica de la Kejurrecion 3. 
Farte. Salamanca por Juan, y Andres Renaut. 
1594. Lisboa por Simaõ Lopes 1595. Bar- 
celona por Gabriel de Lloberas 1595. Valença 
por Felippe Mey 1596. 4. Sahiraõ todas as 
três Partes juntas Madrid. 1597. e em outras 
partes 1605. e 1615. 4. 

Sermones de Santos Salamanca por Artur 
Tabernier 1607. 8. 

Publicou outra obra mais eílimavel, que 
a Sylva Efpiritual, intitulada Pertinales, na 
qual diz Joaõ Franco Barreto na Bibliotheca 
Porfug. declara fer Portuguez. 

ANTÓNIO ALVARES DE CARVALHO 
natural da Villa de Barcellos da Diocefe 
Bracharenfe Presbítero do habito de S. 
Pedro igualmente pio, e devoto. Para tefle* 
munhar o grande affefto que tinha à infigae 
Martyr Portugueza Santa Quitéria. Co: 
poz. 

Vida da glorioja Injanta Santa Quitéria 
Virgem, e Martjr prodigio da graça, naturd 
da augujia, e nobilijfima Cidade de Braga Primou^ 
das EJpanhas. Lisboa na Officina Real Def- 
landefiana 171 2. em 24. 

Novena da Glorioja Injanta Santa Quitéria 






I 



LUSITANA. 



«99 



I 



VJV- 

rcr _, 



VirjijsM, e Martyr. Coimbra por Jozè An- 
tunes da Sylva Impref. da Univerfid. 1719. 
in 24. 

D. ANTÓNIO ALVARES DA CUNHA 

(Ircimo quinto Senhor de Taboa, c da» Villas, 
r lugares de Ouguella, Alvarellos, Fundo de 
Villa, S. SimaÕ, Barrofo, S. Joaò de Boa 

fíb, Quintellas, Oliveira, Babaõ, Serragudo, 
Lameiras; Trinchante mór dos ScrcniíTimos 
Reys D. Joaò IV. D. Affonfo VL c D. Pedro H. 
Cavallciro profeíío da Ordem militar de 
("hrifto, e Commendador de Santa Maria de 
(Marreco, e de S. Miguel de Nogueira da 
mefma Ordem, Deputado da Junta dos três 
l!ílados, e Coronel de hum dos Regimentos 
lias Ordenanças da Corte. Naceo na Cidade de 
Goa Cabeça do Império Oriental Portuguez 
I. de Mayo de 1626. Foy filho de D. Lou- 
renço da Cunha Capitão mòr do mar do Norte 
Índia onde exercitou o mefmo pofto em 
e Malaca; e hum dos três Governado- 
res daquelle Eílado, c de D. Izabel de Aragaõ 
filha de Fradique Carneiro de Aragaõ Capi- 
tão mór das Armadas da índia, e da Ilha do 
Príncipe: Sobrinho daquelle infigne Prelado 
D. Rodrigo da Cunha, que com as fuás gran- 
des letras, e exemplares virtudes illuílrou as 
Mitras do Porto, Braga, e Lisboa. Quando 
contava onze annos paíTou da fua pátria a Lis- 
boa para herdar a Cafa de feus Avós na qual 
lucedeo a feu tio D. Manoel da Cunha, que 
fempre fe confervou no Celibato ornado de 
todos aquelles dotes, que conftituem hum per- 
feito Cavalhero, e com as direcçoens de taõ 
infigne Varaõ fahio egregiamente inllruido na 
lingua Latina, Italiana, e Francefa; no eftudo 
da Poefia, Hiftoria, Mathematica, e Genealo- 
gia, em cujas fciencias fez admiráveis progref- 
fos a fua grande comprehenfaõ, e feliz memo- 
ria. Do filêcio das Mufas o arrebatou o tumul- 
to das Armas para defender a Pátria invadida 
pelos Caílelhanos, onde depois de encher 
as obrigaçoens de valerofo Soldado, e pru- 
dente Capitão, os cuidados domeílicos, e a 
talta de faude o obrigarão a reílituirfe à Cor- 
te, e para que naõ paíTaíTe o tempo entre- 
gue a hum torpe ócio inítítuhio em fua Ca- 
fa huma Academia intitulada dos Genero- 
Jos, da qual era Secretario. NeJfta erudita 



paleftra fe juntavaõ ot engenhos mais floren- 
tes da Nobreza do Reyno em cujas conferen- 
cias fe explicavaõ os lugares dificultofos dos 
Authores antigos, e fe prefcreviaõ regras para 
a perfeição do eftilo oratório, e poético. O na- 
tural génio, que tinha para inveAigar os pontos 
mais difíceis da I liAoria Genealógica o moveo 
para que aceita/Te o lugar de Guarda mòr da. 
Torre do Tombo defcubrindo a fua íncanfavel 
curiofidadc neílc Real Archivo muitos docu- 
mentos com que illuílrava as fuás doutas com- 
pofiçocns. Teve grande inclinação para a Poe- 
fia compondo repentinamente muitos vcrfo» 
com tanta afflucncia, c fuavidadc como fe 
foraõ por muito tempo meditados. Foy fum- 
mamente eílimado dos Varoens nuis eruditos 
do feu tempo, fendo o mayor D. Francifco 
Manoel de Mello como fe pode ver nas fuás 
Obras Métricas na Tuba de Calliope Sonct. 13. 
32. 34. e 70. e na Sanfotiha de Euterpe Epiíl. 12. 
Cafou com D. Maria Manoel de Vilhena filha, 
de D. Chriftovaõ Manoel de Vilhena Senhor 
do Morgado de Alcarapinha, e Commendador 
de Maçans na Ordem de Chriílo, irmaã do 
infigne Heróe D. Sancho Manoel Conde de 
Villa flor de quem teve numerofa defcenden- 
cia. Com igual perda da Republica litteraria, 
que faudade de toda a Corte morreo em Lis- 
boa a 26. de Mayo de 1690. com 64. annos de 
idade. O feu corpo foy fepultado em himia 
fepultura raza da Parochia de Santa Cathe- 
rina, como ordenara em feu Teftamenta 
fervindo-lhe de honorifico epitáfio as feguin- 
tes obras com que eternizou a fua fama. 

Campanha de Portugal pela Província 
do Alemtejo na primavera do anno de 1663. 
governando as Armas daquella Provinda 
D. Sancho Manoel Conde de Villaflor. Lis- 
boa por Henrique Valente de Oliveira Im- 
preíTor delRey 1663. 4. e Amfterdam por 
Jacob Van-velfen 1673. 4. grande com o 
titulo de Applaujos Académicos dos quaes 
foy coUeâor D. António Alvares da Cxmha. 
como Secretario da Academia dos Gene- 
rofos confiando eíla collecçaõ de muitos 
poemas, e verfos de vários metros Lati- 
nos, Portuguezes, e Caílelhanos feita em 
Applaufo da celebre viftoria do Amexial 
entre os quaes eftaõ muitos feus. Na cenfu- 
ra, que por ordem delRey fez a ella obra 



200 



BIB LIO THE CA 



o infigne Varaõ Fr. Jerónimo Vahia Mon- 
ge de S. Bento diz com a fua natural ele- 
gância, e difcriçaõ. Os Jui:(ps que fat;^ dos Ju- 
€6 ff os, e as fentenças com que adorna os períodos, 
huns faõ taõ pondero/os, e outras taõ graves que 
Je o livro affim como he ^ortugue^, fora 'Latino, 
Je equivocariaõ os juit(ps com os de Tácito, e as 
fentenças com as de Séneca, que ainda, que feus 
efcritos tem mayor corpo, naõ fallaõ com mais 
alma. 

Certame epithalamico publicado na Acade- 
mia dos Generofos de Lisboa ao feliciffimo Ca:(a- 
mento do fempre augufto, e invião Monarcha D. 
Affonfo VI. &c. Lisboa por Joaõ da Cofta 
1666. 4. 

Obelijco Portugue^ Chronologico, Genealógico, 
e Vanegyrico ao mais faujio dia, que em muitos fé- 
culas via Lisboa no Baptifmo da Sereniffima In- 
fanta D. I:(abel Luii^a Jot^epha Lisboa por 
António Crasbeeck de Mello 1669. 4. 

Carta a Joaõ Nunes da Cunha Conde de S. 
Vicente da Beira, e do Concelho do Eflado del- 
Kej de Portugal quando foy elejto ViceRej da 
índia. Lisboa por António Crasbeeck de 
Mello. 4. fem anno da ediçaõ. Sahio 2. vez 
na Fenis renacida, ou obras poéticas dos melhores 
engenhos Portugueses. Tom. 2. defde pag. 263. 
atè 289. Lisboa por Jozè Lopes Ferreira 
Impreflbr da SereniíTima Rainha 171 7. 8. 
Confta de Tercetos, que começaõ. 
]á que haveis de furcar as Chriflalinas 

Aguas da Fo!^ do Tejo àquellas prayas. 

Que o mundo vio ao tremolar das Quinas. 
Em quanto as voffas voadoras fajas 

As a^as deffraldando levaõ ao vento 

Seguindo as fuás prateadas rayas. 
KebelliaÕ de Ceylaõ. Lisboa por António 
Crasbeeck de Mello 1689. 4. 

Ff cola de Verdades aberta aos Príncipes na 
Jingua Italiana pelo Padre Lui^ Juglaris da Com- 
panhia de Jefus, e patente a todos na Portuguei^a 
pelo traduãor. Lisboa por António Crasbeec. 
de Mello. 1671 4. 

Dous Sonetos, hum Portugue^, e outro Cafie- 
Ihano, e hum Madrigal Italiano ao Nacimento 
Jo Sereniffimo Infante D. Pedro Manoel que 
fahiraõ impreíTos com outras obras Poéti- 
cas a efte aíTumpto. Lisboa por Paulo Cras- 
beeck. 1648. 4. 

Pira fúnebre que confirue o Académico Am- 



biciofo, e Secretario da Academia dos Ge- 
nerofos de Lisboa às faudofas memorias do 
Fxcellentiffimo Senhor Lui^ Alvares de Tá- 
vora Conde de Saõ Joaõ da Pef queira, e Mar- 
quev^ de Távora He huma Elegia larga. Sahio 
impreíTa no Compendio Panegírico do mefmo 
Marquez Lisboa por António Rodrigues 
de Abreu 1674. 4. à pag. 78. até 85. 

Familia dos Cunhas hijloriada M. S. foi. 

Athlas Lufitano em que fe defcreve hif- 
torica, e geograficamente o noffo Kejno, e a 
defcendencia de feus Monarchas foi. M. S. 

Deíla obra faz mençaõ a Bib. Geograf. 
de António de Leaõ modernamente acrecen- 
tada Tom. 3. col. 1729. 

Famílias illuflres de Portugal hifloriadas foi. 7. 
Tom. M. S. 

Arvores de Cofiados M. S. 

Origem da Cafa de Sylva dedut(ida ate 
r>. Guterre Alderete M. S. Deíla obra diz 
D. Luiz Salazar, e Caftro na Hijl. Ge- 
neal. da Cafa de Sjlv. liv. i. cap. 8. pag. 43. 
Fntre otras plumas mui doãas le afiança una 
de tan acreditada erudicion como es la ^ D. 
António Alvares de Acuna Senor de Taboa 
Comendador de S. Miguel de Nogueras en 
la Orden de Chrifio Trinchante mayor de 
la Cafa de Portugal, j uno de los Caval- 
leros más do^os, y verfados en la lecion de la 
hifloria. 

As Fortalecias da índia expojlas em Map- 
pas M. S. 

Todos eftes livros Aí. S. fe confervaõ 
na grande Livraria do Convento de S. Do- 
mingos de Lisboa. Ao feu nome exaltaõ 
com elogios Franckenau in Bib. Hifp. Hif- 
tor. Gen. Herald, pag. 28. Vir in fiudio im- 
primis Genealógico cui fedulo incãbit verita- 
tis, exa£lique judicii laude non defraudandus. 
D. Luiz Salazar, e Caftro na Introd. à 
Hifl. da Cafa de Sylv. digno delos mayores 
elogios por fu erudicion, como por fu fangre; 
e no liv. 6. cap. 7. n. 15. da dita Hif- 
toria, debemos a fus grandes noticias mucha 
parte delas que contiene efla Hijioria Antó- 
nio Carvalho da Cofta Corog. Portug. Tom. 
2. Traâ. 5. cap. 26. Fidalgo de grande 
entendimento, e eflimaçaõ o P. D. Antó- 
nio Caetano de Soufa no Apparat da 
Hifi. Geneal. da Cafa Real de Portug. pag. 



L USITAN A. 



201 



1^7. §. 160. Foy difcreto, cortezaõ, gakn- 

, e hum dos Fidalgos da mayor eíUinaçaô 

( < )rtc. O P. António dos Rcys no Enibu- 

jiujM. Poet. impreíTo no principio dos feus 

agudos Epigranimas. n. 144. 

zn Cunha 

\<l caput unduntis prarupto é vertia foníis 
\it CeneroJorNM magna comi t ante caterva ^ 
t rigat Aonio fitientia corda liqnort 

Ipfe, f laque ftmiil. 

P. ANTÓNIO ALVARES FERREI- 
RA. Naceo na Villa de Chaves na Provinda 
IraTmontana. Hftudando Filofoíia em Sa- 
i.inmnca abraçou o IníUtuto da Q)mpanhia 
cie JESUS no anno de 1612. quando contava 
ilcfcnovc annos de idade. Teve fclÍ2 enge- 
mIio, c fublimc juizo para aprender as fcien- 
uís, como continua applicaçaõ, e indefeíTo 
r Iludo para as comprehender. A mayor 
parte da vida paflbu diólando Theologia 
moral, aíTim publica, como particularmente, 
ou pregando em numerofos auditórios fendo 
difícil de fe julgar em qual deíles dous mi- 
nifterios foy mais infigne, naõ o fendo infe- 
rior na praftica das virtudes Religiofas. Amou 
>)m devoção cordial a Virgem SantiíTima, 
c na vefpera do feu Nacimento, como fempre 
dezejara, e inílantemente lhe pedira paflbu, 
.1 melhor vida em Medina dei Campo no anno 
«.Ic 1652. Efcreveo. 

De haudibtis Deipara como teíUíica o 
Author da Bih. da Compan. pag. 64. cuja obra 
ticou occulta entre os feus domefticos, e 
também ficara a feguinte fe D. Gafpar de Ef- 
calada, y CaíUUo Cónego da Cathedral de 
Medina querendo eternizar o nome de feu 
Meftre a naõ publicara com eíle titulo. 

Advertências Nuevas a la letra, y moralidad 
delos EjDangelios de Quarejma, Miercoles, Viemes, 
Domingos. Tom. i. Madrid por Maria de Qui- 
àones. 1675. foi. Fr. Diogo Nifleno celebre 
Pregador do Século paflado, e grande credito 
da Religião de Saõ Bafilio faz na Cenfura defte 
livro o feguinte elogio au Author. Hr un difvelo, 
y tarea merecedora de toda alabança,y digna dei in- 
genio de fu Author, que con doãos,y luzidos afanes 
hà dilatado el orbe de la predicacion, a cuja caufafe 
há conquijiado tan ejclarecido nombre,y fama inclyta 
en todos los ângulos dei mundo como erudito, y efludio- 



fo Cólon, que hã defcubierto tan nuevot rumhot de 
peregrinos conceptos, y que delas ricas minas delos 
Sacros Doílores, y .Santos Padres dela Iglejia há 
enfqyado pia ta de tan ricas locuciones,y labrado oro 
de tan futiles penfamientos. 

Neíla obra fe nomea o Author fonoente 
com o appclido de Ferreira quando elle oa 
Companhia uzava mais do appclido de Al- 
vares» por cuja caufa naò fe julgue fer diverfo 
quando na Bibliotheca da Companhia eftá 
com ambos os appclidos. 

ANTÓNIO ALVARES SOARES Ulyf- 
fiponenfe ornado de todo o género de eru- 
dição; inílruido nas iinguas mais polidas da 
Europa, e naturalmente inclinado à Poeúa de 
que por toda a vida deo claros argumentos 
ou foflc em metros feftivos, ou fúnebres, fendo 
principalmente mais iníigne nos verfos Lyri- 
cos. Por eftes fingulares dotes foy summamente 
venerado pelos mayores poetas Italianos, e Ef- 
panhoes, com os quaes tinha continua commu- 
nicaçaõ. Sempre fahio viéloriofo em todos os 
Certames poéticos alcançando a palma naquel- 
le celebre, que fe dedicou em Lisboa ao Con- 
de de Linhares D. Miguel de Noronha Capitão 
mòr de Tangere, em que os Juizes com incor- 
rupta deliberação lhe julgarão o premio, e fahio 
impreflb em Lisboa por Giraldo da Vinha, o 
qual em beneficio dos Leytores tranfcrevemos. 

OJlentafe fero:!^, e envefle oufado 
O Rey das Feras generofa Fera, 
Teu heróico brio feu furor efpera 
Em braço forte, em animo esforçado. 

Vences ò invião Conde, e dilatado 
Teu valor chega à luminofa esfera, 
Donde tal horror forma, que fe altera 
O celejle L^aõ de amedrentado. 

Morre o terror do monte agradecido 
Tanto de fer às tuas maõs, que gloria 
Te minijira no fangue, e no bramido; 

Sendo o bramido applaufo da viãoria 
Sendo tinta o purpúreo humor vertido 
Com que te ejlampem em immortal memoria. 

Laureado por Apolo paflbu no anno de 
1630. a Flandes para receber outra Coroa de 
Marte na Campanha, onde obrou acçoens 
heróicas como Soldado, até que terminou 
a vida naquelles Eftados imprimindo nelles 
antes que fofle feu habitador. 



202 



BIBLIO THE CA 



"Elogio fúnebre, e real cancion en loor de la 
vida, hav^anas, y muerte de D. Ambrojio Spínola 
Marques de los Balba^es 1629. 4. 

Kithmos diverfos Lisboa por Matheus Pi- 
nheiro. 1628. 8. 

Delle fe lembraõ Nicol. Ant. in Bib. Hifp. 
Tom. I. pag. 75. Joan. Soar. de Brito in 
Theatr. L.ujit. Literat. lit. A. n. 50. Jacinto 
Cordeiro no Elog. dos Poet. Portug. Eftanc. 32. 
Merece António Alvres la efiima 
Con los prémios ganados de Poeta 
Aun que a tantos por el la embidia imprima 
La emulacion, de que nacio fugeta, (&c. 
Com mayor elegância, e em melhor lín- 
gua o P. António dos Reys no Enthujiafm. 
Poet. n. 133. 

^ Tagidum que Soari 
Turba fuo manihus texebant gnava coronam 
Lavia mijcentes foliis conchyllia curvo 
Dum maré contraheret fiuãus in litore, leãa. 

Fr. ANTÓNIO DE SANTO AMBRÓ- 
SIO. Naceo no lugar de Matozinhos Su- 
búrbio da Cidade do Porto fendo feus Pays 
o Capitão Damiaõ Luiz, e Adriana Freire. 
Recebeo o Habito dos Menores no Con- 
vento do Porto da Provinda de Portugal a 
3. de Abril de 1704. Depois de fe applicar 
aos eftudos efcolafticos fe inclinou aos Con- 
cionatorios de que tem colhido aclamaçoens 
em diverfas partes de iníigne Orador Evan- 
gélico tendo fomente impreíTo 

Sermão gratulatorio pregado em o Solemne 
Triduo, que fit^eraõ em o feu Collegio da Nobi- 
lijjima Villa de Santarém os Preclarijftmos Pa- 
dres da Companhia de Jefus quando celebrarão 
Canoni;(ados os feus dous lllufirijfimos Santos 
Luifi Gon:(aga, e Stanislao Kojika. Lisboa 
por Jozé António da Sylva 1728. 4. Deíla 
obra faz memoria F. Joan. a D. Ant. in Bib. 
Franc. Tom. i. pag. 90. 

P. ANTÓNIO DE ANDRADE na- 
ceo na Villa de Oleiros do Priorado do Cra- 
to, e naõ em Pedrógão (como mal infor- 
mado efcreveo Miguel Leitaõ de Andrade 
no Dialogo 5. da fua Mifcelanea.) Foraõ 
feus Pays Bartholameu Gonçalves, e Mar- 
garida de Andrade. Recebeo em Coimbra a 
Roupeta de Jefuita a 15. de Dezembro de 



1596. e logo nellc fe defcobriraõ viveza de 
engenho, e madureza de juizo affim para o go- 
verno, como para o magifterio. Inílruido nas 
faculdades de Filofofia, e Theologia, em que 
foy baftantemente douto, e ornado de todas 
as virtudes Religiofas fe deixou penetrar tanto 
do zelo, e converfaõ da gentilidade, que com 
beneplácito dos feus Superiores paíTou ao 
Oriente no anno de 1600. Tanto que chegou 
a Goa foy nomeado Superior de Refidencia do 
Mogor onde tendo noticia que no Reyno do 
Tibet, e Graõ Catayo havia veíligios da Crif- 
tandade intentou eíla dificultofa empreza de 
muitos apetecida, e inutilmente procurada, 
para cujo effeito fe veílio de trage de Mogor 
fendo incríveis os trabalhos, e intoleráveis as 
moleílias cauzadas pela imtemperança do cli- 
ma q conílantemente foportou, pois era tal a 
vehemencia do frio que lhe fez cahir congela- 
dos alguns dedos dos pès naõ fendo poderofa 
tanta copia de neve para entibiar os ardores do 
feu apoílolico zelo. Chegado eíle Evangélico 
explorador à terra da PromiíTaõ que para elle 
era Caparanga Corte do Tibet foy benevola- 
mente recebido pelo feu Príncipe, que lhe per- 
mitio promulgaíTe o Evangelho de que colheo 
copiofos frutos edificando hum Templo à Vir- 
gem SantiíTima para cuja fabrica conduziaò 
aos hombros as principaes PeíToas da Corte os 
materiaes. Voltando para Mogor juntou no- 
vos operários para continuar eíla cultura, e fe- 
gunda vez foy tratado pelo Príncipe com fin- 
gulares fignificaçoens de affefto. Neíle tempo 
fendo eleito Provincial de Goa fe reílituhio a 
eíla Cidade, onde foy nomeado Deputado do 
Santo Officio de cujo minifterio tomou poíTe 
em 20. de Agoílo de 1633., e como zelaííe a 
Religião Catholica contra a pravidade heré- 
tica, hum dos Sequazes do Hebraifmo lhe 
deu veneno de taõ a£tiva qualidade que no 
mefmo dia o privou da vida, que foy a 19. de 
Março de 1634. Sobre o feu Cadáver de- 
pois de fepultado fe poz huma grande cam- 
pa na qual fe imprimio a fua figura, e ima- 
ginando-fe que eíle fucceíTo fora natural- 
mente caufado pela violência exhalada do 
veneno, fe conheceo fer fobrenatural por 
eílar naõ fomente imprefla, mas penetrada 
na pedra. A eíle prodígio fe feguiraõ outros 
muitos, quaes foraõ a repentina faude, que 



I 



L USITANA. 



2o3 



varias peíToas invocado o Teu nome experi- 
nicntaraõ. O fcu retrato fe abrio em hunu 
cftampa com efta infcripçaõ. P. Antonius 
He Andrade Soe. ]ef. Provinda Coana XVH. 
Provinciuiis, Mijfionis 'Pibitenjis primiis exph- 
rator, et fimdator. Obiit anno Domini i6j4. 
14. Kalend. Aprilis atatis fua jj. As íuas 
virtuofas acçoens, apoftolicos fuores, celef- 
tiacs favores, e fingulares prodígios fe podem 
ler em Nierembcrg. Hift, dos Var. lllujl. da 
Cofup. Tom. 2. p. 41 1. Rho Hifl. Vir/, et Vi/. 
lib. 2. cap. z. Tanncr Soe. Jef. u/q. ad San^. 
et vita profitf. mili/ans pag. 571. Nadafí Ann. 
Dier. Memorab. S. J. Part. i. pag. 153. Girdofo 
A^iolog. Liéji/. Tom. 2. pag. 252. e no Gjm- 
mcntario de 19. de Marc. letr. J. Franc. in 
Ann. Glor. S. J. in Lufit. p. 160. Joan. Soar. 
de Brito in Thea/r. J^tjit. Liter. lit. A. n. 51. 

Ílallcvord in Bib. C/trio/, p. ij. Aicgamb. 
1 Mortib. Illnjirib. Cefpedes Hijl. de Filip- 
e IV. Part. i. liv. 5. cap. 21. e 22. Veiga 
letae. da Etiop. do anno de 1624. 1625. e 
626. Kircher in Sina Illujlra/. cap. 2. Faria 
ÍJia Por/ug. Tom. 3. Part. 3. cap. 23. n. 15. 
Hihlio/h. Sacie/, pag. 64. Nicol. Ant. in Bib. 
Hifpan. Tom. i. pag. 75. Camarg. Chronolog. 
Sacra a ano. 1624. Efcreveo 

Noí'0 defcubrimen/o do graõ Ca/ayo, ou 
dos Rejnos de Tibe/. Lisboa por Matheus 
Pinheiro 1626. 4. cuja relação inteiramente 
tranfcreveo o P. António Franco na Ima- 
gem da Vir/íide em o Noviciado de Lisboa defde 
pag. 376. atè pag. 400. Sahio traduzida em 
Caftelhano. Madrid por Luiz Sanches 1626. 
4. em Italiano. Roma por Francifco Cor- 
belleti 1627. 8. e em Nápoles, por Egidio 
Longo no mefmo anno: em Polaco. Cracóvia 
por Federico Szembeck 1628. e em Fla- 
mengo. Gante por Jacobo Dyckio. 163 1 
Car/a em que relata como voltou a Ti- 
be t a 15. de Agofto de 1625. Eftà impref- 
fa na Imagem da Virt. em o Noviciad. de 
Lisboa do P. António Franco defde pag. 
400. atè 402. Delia faz mençaõ a Bib. 
Orient. de António de Leaõ novamente 
acrecentada. Tom. i. Tit. 7. col. 115. Sa- 
hio traduzida em Italiano Roma por Fran- 
cifco Corbelleti 1628. 8. e em Francez com 
efte titulo. 

HiJIoire de ce qui s' efi paffe au Kojaume 



du Tihet en /' annet de 1626. PatÍ2 ches Se- 
baílien Cramoify 1629. 8. 

Carta em qtu narra aos Padres da Companhia 
dê Goa os fucceffos, que lhe acontecerão defde a 
Cidade de Sarinegpr atè Bardinara quando foy 
para o dejcuhrimento do Tihet em 16. de Mayo 
de 1624. a qual com outras fahio em Italiano 
Roma por Fraociíco G^rbelleti 1627. e em 
Francez pelo P. Joaõ Dried. Pariz ches Se- 
baílien Carmoify 1628. 8. 

Deíla relação do novo defcubrimento do Ti- 
bet compoíla pelo P. António de Andrade ex- 
trahio a mayor parte de noticias Theodoro Rhay 
com que ampliou a Hiíloria Latina que efcreveo 
da Defcripçad daquelle Reino a qual fahio impreíía 
Paderbonx apud Henricum Pantanum 1658. 4. 

ANTÓNIO DE ANDRADE REGO. 
Naceo em Lisboa fendo feus Pays o Dezem- 
bargador Ignacio do Rego de Andrade, Ve- 
reador do Senado da Camará, Deputado da 
Junta, e Eftado da SereniíTima Cafa de Bra- 
gança, e do Infantado, Procurador da Fazenda, 
e Ouvidor das Terras da Raynha D. Maria 
Francifca Izabel de Saboya, e D. Maria Sofia 
Izabel de Neoburg. e D. Magdalena Maria de 
Lamirante filha de Pedro Lamirante, e D. 
Joanna do Rego. Inílruido profundamente 
nas letras humanas, e lingua latina, fe applicou 
a penetrar as fubtilezas da Filofofia, e depois 
as refoluçoens do Direito Pontifício, e fez em 
huma, e outra faculdade tantos progreíTos que 
recebeo com applaufo da Univerfidade Co- 
nimbricenfe o grào de Meftre em Artes, e 
o de Doutor nos Sagrados Cânones. Foy 
admitido ao Collegio Real de S. Paulo em 
19. de Dezembro de 1705. e logo def- 
pachado com huma conduéta até que fubio 
no anno de 171 6. à Cadeira de Sexto, onde 
no de 1720, paílou à de Decreto, em que 
jubilou. No tempo, que regentou eílas Ca- 
deiras diftou as Poílillas ao cap. 2. de Tré- 
gua, et Pace. ao cap. i. de Kefcript. in d. e ao 
cap. I. de Kejlitut. in integrum in 6. nas quaes 
depofitou os thefouros da fciencia Legal, 
e Canónica adquirida com indefeíTo eftudo. 
Foy Dezembargador da Relação do Porto, 
da Cafa da Suplicação, e Titular dos Ag- 
gravos de que tomou poíTe a 5. de Dezem- 
bro de 1716. He ao prezente Cónego Dou- 



204 



BIB LIO THE CA 



toral do Algarve, Académico da Academia 
Real da Hiíloria Portugueza, Confelheiro da 
Fazenda eleito no anno de 1735. e Deputado 
da SereniíTima Cafa de Bragança. Igualmente 
fe admira a fua grande erudição fagrada, e 
profana aíTim nas Cadeiras, como nos Púlpi- 
tos, naõ fendo inferior a vaíla liçaõ dos Poe- 
tas, e Hiíloriadores Antigos, e Modernos com 
que elegantemente exorna os feus difcurfos 
de que foy por vezes repetido theatro a Uni- 
veríidade de Coimbra, como com poética 
eloquência o defcreve meu Irmaõ o P. D. Jozé 
Barboza in Archiathen. L.ujit. p. 63. n. 165. 
Ille Andrada Kego"? Celebrem facúndia reddet. 
Orantem audierit doãus cum Ccetus odoris 
Floribus eloquii contexet ferta corollce 
Vértice qua digno fulgehmfí Áurea júris 
Ore fluenta cadent; rejono fimul ore tonahit 
Numinis alta pius tradat cum dogmata jufii. 
Imprimio 

Sermaõ da Kainha Santa I:(abel fexta de 
Portugal pregado em o Real Convento de Santa 
Clara de Coimbra ajjijlindo em prejiito a Uni- 
verjidade em 4. de Julho de i~iz~l. Coimbra na 
OíBcina do Collegio das Artes 1727. 4. 

Sermaõ da Conceição da Virgem Maria Se- 
nhora Nojfa na Capella do Paço do Duque de 
Bragança em 15. de Dezembro de 1734. fefie- 
iando a Academia Real efie Purijftmo Mijlerio. 
Lisboa por Jozé António da Sylva ImpreíTor 
da Academia Real. 1735. 4. 

Oraçaõ com que congratulou os Académi- 
cos da Academia Real quando foy eleito feu Col- 
lega no anno de 1734. e fahio impreíía no Tom. 
14. da Collecçaõ dos documentos, e Mem. 
da Academia Real. Lisboa por Jozé António 
da Sylva 1734. foi. 

Fr. ANTÓNIO DE SANTO AN- 
GELO. Naceo na Cidade do Porto, e te- 
ve por Pays a Domingos de Menezes, e 
Catherina Barboza, que o educarão com 
taõ fantos documentos que para os exerci- 
tar com mayor perfeição bufcou a Sagrada 
Reforma do Carmelo, e no Convento de N.