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Full text of "Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de Historia Natural e Ethnographia"

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BOLETIM 



DO 



MUSEU GOELDI 

(MUSEU PARAENSE) 

DE 

HISTORIA lATURAL E ETHKOGEAPHIA 



BOLETIM 



DO 



MUSEU GCELDI 

(MUSEU PARAENSE) 

DE 

HISTORIA NATURAL E ETHNOGRAPHIA 



TOMO V 



fascículos 1 e 2 



1907—1908 



r^EW YORK 
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PARÁ— Brazil 



ESTABELECIMENTO GRAPHICO DE C. WIEGANDT 
1909 



X8 



índice 



TOMO y 



PARTE ADMINISTRATIVA 



PARTE SCIENTIFICA : 



A) ZOOLOGIA 



PAGS. 



I ) Relatório apre.-^entado ao Exmo. Sr. Dr. Secretario do Es- 
tado da Justiça, Interior e Instrucção Publica referente 
ao anno de 1903, pelo Director do Museu Prof. Dr. 

Emilio A. Goeldi 1 — 22 

II) Relatório apresentado ao Exrao. Sr. Dr. Secretario do 
Estado da Justiça, Interior e Instrucção Publica pelo 
Director interino do Museu, Jacques Huber, relativo 
ao anno de 1904 2.3—42 



I) Sobre unia collecção de Aves do Rio Punis, pela Dra. 

E. Snethlage. com um niappa 43 — 76 

II ) Oalbalcyrhynchus purusianus e Pipra caelesti-pileata, 
pelo Prof. Dr. Emilio A. Goeldi ( em portuguez e 
ingiez) 77—91 

III ) Microtrogon, novo nome genérico proposto para Trogon 
ramonianus Des Murs. pelo Prof. Dr. Emilio A Goeldi 
(em portugez e ingiez), com 3 figuras no texto . . 92 — 9.") 

IV ) Novas contribuições para o conhecimento das vespas 
( Vespidae soeiales) da região neotropical, por Adol- 

pho Ducke, com 3 estampas 102 — 199 

V) A origem das colónias de Saúba ( Atta sexdens ), pelo 

Dr. Jiicqnes Huber 223-241 

VI ) Novas espécies de Aves amazonicas das collecções do 

Museu Goeldi, pela Dra. Erailia Snethlage 437 —IIS 

VII ) Novas espécies de Peixes amazonicos das coilecções do 
Mu.seu Goeldi. (Segundo os trabalhos do Conselheiro 
Dr. Steindachiier ), pela Dra. Emília Snethlage. . . 449 — lõ.õ 

B) BOTÂNICA 

I ) Os campos de Maiajó e a sua flora, considerados 
sob o ponto de vista postoril, por Vicente Chermont 
de Miranda 9()— IHl 

II) As espécies amazonicas do género Vitex, pelo Dr. J. 

Huber, com 4 estamiias. . 209—22? 



Índice 



III ) A Hevea Bpnrhamiana Múll Arg. como fornecedora 

de borracha ao X. do Amazonas, pelo Dr. ,1. Huber. 212 — 248 

IV ) Sobre uma nuva espécie de Seringueira, Hevea collina 

Hiib. e as suas affinidades no género, pelo Dr. J. 

Huber 249-252 

V ) Melastomacées et Cucurbitacées nouvelles do la vallée 

de TAmazone, par Alfred Cogniaux 253 — 257 

VI ) Liehenes amazonici. Materialien zu einer Flechten- 

flora Brasiliens, von Dr. Alexander Zahlhruckner . . 2,58-261 

VII ) Uredinaceae paracn.*:es, pelo Prof. Dr. Paul Dietel 

(Zwickan) 262—267 

VIII ) Fungi paraenses III, auctore P. Heniiings 268-293 

IX ) Materiaes para a Flora amazonica VII. Plantae Du- 
ckeanae austro-guyanenses. Enumeração das plantas si- 
phonogmas colleccionadns de 19U2 a 1907 na Guyana 
braziieira pelo Sr. Adolpho Ducke e determinados 
pelo Dr. J. Huber. (Com um mappa organizado por 
A. Ducke) 1." parte 294—436 

C) (;eo(;rafhia 

I ) Aspectos da natureza do Brazil, peio Prol. Dr. Emí- 
lio A. Goeldi 200—208 

BIBLIOORAPHIA- 

Andcrsen n. 16.— André n. 60. — Bebdard ns. 42, 43.— Beriepsch ns. 
24, 25, 26, 27. — Borradaile, n. 55. — Brottierus, n. 85. — Buysson, n. 61.— 
Caiman, n. .54.— Dammer, n. 79. — Ducke. ns. 8, 62, 63. Eiiiot, n. 17.— 
Engler, ns. 80, 81.— Forei, n. 64.— Frie.se, n. 65.— Fritscii, n. 82.— Goeldi, 
ns. 18, 28, 47.— Gounelle n. .58 — Hagmann ns. 19, 29, .30, 44.— Hartert, 
n. 31.— Hellmayr, ns. 27, 32, 33, 34, 35, .38.-Huber, ns. 72, 73. -Huebner 
G., n. 10.— Huebner J., n. 69 —v. Ihering, ns. 11, ,36, 53, 66, 71, 88.— 
Koch-Griinberg, ns. 10, 12, 13, 14, 15.— Kolbe, n. 59.— Konow, n. 67. - 
Lecointe, ns. 4, 5, 6, 7. — Magalhães, n. 57.— Meade Waldo e Nicoll, n. 46. 
— Menegaux, ns. 37, ,38.— Milier, n. 20.— Miranda Ribeiro, ns. 51, 52.— 
Nieuwenhuis, n. 75.— Oates and Reid, n. 39. — Payer, n. 9. — Pocock, n. 21. 
— Pycraft, n 40.— Radlkofer, n. 83.-Renner, n. 76.— Ridgway, n. 41.— 
Rothschild and .Tordan, n. 69.— Rowntrce, n. 50.— Schulz, n. 68.-Seitz, 
n. 70.— Siebeiiiock, ns. 45, 45 a.— Stephani, n. 84.— Tate Regan, ns. 48, 49. 
— Thomas, ns. 22, 23.— Ule, ns. 74, 77, 78, 86.— Usteri, ii, 87. — Wyts- 
man, n. .56. 



N.° 1 



FEVEREIRO — 1908 



VOL. V 



BOLETIM 



DO 



MUSEU GÍELDI 



(MUSEU PARAENSE) 



DE 



HISTOEIA lATUHAL E ETHNOGRAPHIA 

I Jl 



SUMMARIO 

PARTE ADMINISTRATIVA 
I Relatório referente ao anno de 1903, pelo 

Director do museu. 
II Relatório referente ao anno de 1904, pelo 
Director interino. 

PARTE SCIBNTIFICA 

I Sobre uma collecção de Aves do Rio Puriís, 

pela Dra. E. Snethlage (com um mappa). 

II Galbalcyrhynchus purusianus e Pipra caeles- 

ti-pileata, pelo Prof. De. Emílio A. Goeldi. 

III Microtrogon, novo nome genérico proposto 

para Trogon ramonianus Des Murs, pelo 
Prof, Dr. Emílio A. Goeldi. 

IV Os campos de Marajó e a sua flora, por Vi- 

cente Ch. de Miranda. 
V Novas contribuições para o conhecimento das 
Vespas (Vespidae sociales) da região neo- 
tropical, por Adolpho Ducke. ( Com 3 es- 
tampas). 
VI Aspectos da natureza do Brasil, pelo Prof. 

Dr, Emílio A, Goeldi. 
VII As espécies amazonicas do género Vitex, 

pelo Dr. Jacques Huber. 
VIII A origem das colónias de Saúba (Atta sex- 
dens), pelo Dr. Jacques Huber. 



PARA — Brazil 

ESTABELECIMENTO GRAPHICO DE C. WIEGANDT 
1907-1908 



BOLETIM 



DO 



MUSEU GOELDI 

(MUSEU PARAENSE) 

DE 
HISTORIA NATURAL E ETHNOGRAPHIA 



VOL. V. Fasc. 1. 



PARTE ADMINISTRATIVA 



I 
RELATÓRIO 

«apresentado ao E;Xnio. Snr, "Dr. 

Secretario do Estado da Justiça, Interior 

E INSTRUCÇÃO PUBLICA 

referente ao anno de 

1903 

pelo DIRECTOR DO MUSEU 



Ex."^" Sr. Secretario da Justiça, Interior e Instriicçao 
Publica 

Em cumprimento ao vosso oííicio n. 4-001 de ló do 
csí corrente, transmitto-vos com o presente o Relatório da mar- 
'-' cha deste Museu durante o anno de 1Ç)03. 

Saúde e Fraternidade. 

O Director : 
DR. EMÍLIO A. GCELDI. 

1— Boletim do Museu Goeldi. 



RELATÓRIO DE IQOS 



Terrenos 

Com grande satisfação podemos reg-istrar nos annaes 
do Museu o facto de ter continuado, durante o exercido 
findo a campanha do augmento da área do estabelecimento, 
assignalando-se o anno de IQOS pela acquisição dos terrenos, 
cuja posse era a condição essencial e primordial para se 
poder cogitar em erigir o novo edifício para o ]\luseu. 

O sr. Governador, dr. Augusto ]\Iontenegro. sempre 
solicito e resolvido a dotar o estabelecimento com os melho- 
ramentos internos e externos que, como necessários e dese- 
jáveis, se manifestaram no correr dos annos, comprou a áiea 
sita á rua \'inte-e-dois de Junho e á avenida Independência, 
contendo a antiga rocinha n. (?) pertencente ao sr. commen- 
dador Coimbra e equivalente a 0.8210 hectares. 

Addicionando essa área á do anno de 1Q02, C|uc era 
de 0,2860 hectares, perfaz 1,10/0 hectares. Assim a super- 
fície total hoje occupada pelo Museu importa já em 3.4522 
hectares. Medindo o quarteirão inteiro 5,89 hectares, fícam, 
portanto, ainda 1,94 hectares para desapropriar no futuro. 

Infelizmente houve quem considerasse bom objecto de 
lucrativa especulação uma parcella de terreno — até aqui um 
capinzal- — encravada entre a rocinha acima referida e a pro- 
priedade do sr. dr. Pernambuco, medindo approximadamente 
0.914 hectares. \'imos, durante os últimos mezes, surgir ali 
uma edifícação que é a completa negação da esthetica. 

E' obvio cjue além do despraser que dahi provem, 
toda essa especulação vae acarretar no futuro novas difficul- 
dades, estorvos e despesas para o programma governamen- 
tal da desapropriação necessária de todo o quarteirão. 

Edifícios 

Novos edifícios não houve a registrar durante o exer- 
cicio de 1903. 

Acham-se, entretanto, promptos e, nos seus contornos 
geraes, approvados pelo sr. dr. Governador do Estado, os 
planos para o novo edifício do Museu, elaborado por um de 



RELATÓRIO DE IQOS 



nós, com o concurso e a coadjuvação de todo o corpo scien- 
tifíco, na intenção de que nada de essencial ficasse esquecido 
ou negligenciado d'aquellas múltiplas disposições e arranjos 
internos que constituem o cabedal de desiderata de um 
moderno Museu, bem architectado e montado. 

O que se tem em mira é um edifício de área aprovei- 
tável para exposição cinco vezes maior que a da actual 
installação. 

E' um conjuncto de torres polygonaes e salas rectan- 
gulares, formando um grande quadrilátero com pateo inte- 
rior destinado a um aquário em proporções algum tanto 
desenvolvidas. Será construído de tijolos, com a superstru- 
ctura de ferro, tratando-se de evitar o mais possivel o em- 
prego da madeira até nos armários, portas e janellas, que 
serão de ferro e vidro, podendo vir de fora promptos. 

Entrar nos pormenores da construcção projectada so- 
mente teria cabimento si pudéssemos dar simultaneamente a 
reproducção dos nossos planos. Isso constituirá, talvez, um 
Iractanditm do nosso relatório vindouro. 



Jardim zoológico 



Conservando-se nas suas feições essenciaes e generaes 
o inventario de animaes vivos do Jardim Zoológico, houve, 
todavia, também, durante o findo exercicio, accrescimos e 
novidades dignos de nota. - 

Menção nominal merece, sobretudo, um casal de onças 
pintadas adquirido em Manáos pelo nosso corpo expedicio- 
nário quando, em maio de IQOS, se dirigia ao alto Purús. 

No dia 3l de dezembro de IQOS existiam, conforme 
inventario detalhado, em animaes vivos 989 indivíduos, re- 
presentando 155 espécies diversas, sendo: 

Mammiferos 119 indivíduos 

Aves 704 » 

Reptis 117 » 

Amphíbíos 40 » 

Peixes 9 * 



RELATÓRIO DE IQOS 



Horto Botânico 

Aceixa dos acontecimentos mais notáveis deste espe- 
rançoso annexo, informa o Dr. Jacques Huber, chefe da 
secção botânica, nestes termos : 

A desapropriaçcão do novo teneno ao lado do Museu en- 
volveu alguns trabalhos de limpesa ; desbravou-se o pomar no 
fundo da casa, cortando-se algumas arvores velhas e cançadas. 

Não obstante i-eservar-se a maior parte da nova área 
para o futuro edifício do Museu, resolveu-sc, pelos fins do 
anno, transformar piovisoriamente uma parte delia em suc- 
cursal de horta, afim de facilitar a desoccupação completa 
do jardim de experiências, cuja metade tinha sido aprovei- 
tada para horta. No jardim de experiências que assim fica 
completamente restituido ao seu fim primitivo, culti^'am-se 
actualmente, ao lado de diversas arvores fructiferas, da zona 
temperada, 5 variedades de algodão, 1 variedade de urucú, 
diversas variedades de milho (dos indios do Purús) e de 
mandioca ( do Piauhy ), alem de um certo numero de arvo- 
res fructiferas tropicaes e arbustos de ornamentação. P^nce- 
tou-se uma serie de experiências sobre a cultura do teosinte 
( Eiichlaena mexicana) como planta forrageira, e também so- 
bre uma forma hybrida, muito interessante entre o milho e 
o teosinte, obtida casualmente pelo sr. Pedro Afarinho, em 
Jambuassú, e gentilmente offerecida ao J\fuseu. 

O Horto botânico propriamente dito, embora ainda 
muito acanhado nas suas dimensões actuaes. permittiu entre- 
tanto um certo desenvolvimento pela substituição de arvores 
antigas e principalmente pelo aproveitamento do espaço en- 
tre e debaixo das arvores existentes. 

Sob este ponto de vista resta ainda muito que fazer e 
abre-se um campo inteiessante de experiências, relati^'amente 
á acclimatação de certos arbustos e pec|uenas arvores das 
nossas mattas que, ate aqui, se mostraram refractárias á 
domesticação ou á cultura em maior escala, como por exem- 
plo, o manacá, o nianipà, a niuirapnaina, etc. Fez-se esfor- 
ços nesse sentido, durante o anno decorrido, mas emquanto 
que certas espécies, como o manacá, se mostraram de fácil 
cultura e propagação, a acclimatação de outras, como a 



RELATÓRIO DE IQOS 



muirapuama, ainda não se conseguiu, apesar da cooperação 
activa e desinteressada de um fiel amigo do Museu, o snr. 
Manoel Baena, que por diversas vezes nos mandou exem- 
plares desta planta medicinal para experimentarmos a sua 
cultura. Por intermédio do mesmo cavalheiro recebemos di- 
versos presentes de vegetaes raros ou interessantes do inte- 
rior do Pará. como o puchiiry, (Nectandra Piichury), o tiiiibò- 
açú, o assahy branco, o uiiiiry da mata, etc. 

Na sua volta do Rio de Janeiro o snr. dr. E. A. Goeldi 
trouxe diversas plantas interessantes da serra dos Órgãos e 
do Rio e uma coUecção importante de plantas ornamentaes 
e úteis fornecida pelo conhecido estabelecimento hortícola do 
snr. Fonseca, da capital federal, e c[ue, em parte, foram of- 
ferecidas como pi-esente ao nosso Horto botânico. Esta col- 
lecção veio enriquecer o nosso jardim com um grande nu- 
mero de plantas ornamentaes, arvores fiuctiferas, cultivadas 
no Rio de Janeiro, alem de muitas palmeiras exóticas ou 
indígenas no Sul do Brazil. 

O maior incremento do Horto botânico neste anno nos 
veio, porém, da excursão do inspector do horto ao rio Purús. 
Ainda não é possível julgar definitivamente do numero de 
espécies cuja acclimatação no nosso horto será possivel, en- 
tretanto é provável que principalmente nas famílias das 
Palmeiras, Araceas, Scitainineas e Moraceas, teremos que re- 
gistrar muitas novidades, quer de interesse puramente scien- 
tifico, quer também de valor ornamental ou technico. Como 
plantas interessantes sob o ponto de vista alimenticio ou 
medicinal, convém citar diversas variedades de milho culti- 
vadas pelos Índios do Purús, o caria, duas espécies de co- 
pahyba, a salsaparrilha, etc. 

No fim do anno recebemos da casa Godefroy-Lebeuf, 
de Paris, uma caixa de plantas coloniaes para experiências 
de acclimatação. São as seguintes espécies : 



Coffca caiiephora 
Chon cm orpha Grijfithii 
Landolphia Klainii 
Camellia Savaiiqiia . 
Marsdciiia vcrriicosa . 



100 exemplares 
12 » 

2/ » 

jo » 

1} » 



RELATÓRIO DE IQOS 



Infelizmente estas plantas nos chegaram em máo es- 
tado, devido ao bárbaro tratamento que tiveram de soffrer 
no desembarque e na alfandega, de modo que apenas será 
possivel salvar uma pequena parte dos exemplares. 

As numerosas adquisições novas tornaram urgente a 
extensão do viveiro para plantas em latas. Escolheu-se a 
área em frente á casa do inspector para a construcção de 
bancos sólidos que, em parte sombreados pelas seringueiras, 
em parte descobertos, se prestam bem para a coUocação 
das latas. 

Durante o anno decorrido, o Horto distribuiu com li- 
beralidade um grande numero de sementes e mudas de que 
podia dispor sem prejuizo. 

Conforme o desejo expresso j^elo sr. dr. Governador, 
foi ajardinado pelo pessoal do Horto botânico o quintal nos 
fundos do palácio do Governo ( repartição de hygiene ) e 
começada a plantação de um bosque em frente ao hospital 
Domingos Freire, trabalhos estes que também se podem 
considerar como uma prova de utihdade deste annexo do 
Museu ». 

Colleccões scientificas 



Augmento e crescimento houve em toda a linha, não 
ficando secção alguma sem progredir numérica e material- 
mente. 

Na secção xpologica pode-se registrar entradas de certa 
avultada importância, sobresahindo, naturalmente, a bella 
colheita dos nossos emissários, no rio Purús, bem satisfacto- 
ria sobretudo no ramo ornithologico. 

A collecção ichthyologica progrediu também, e bem 
assim a entomologica. Dados numéricos serão expressos no 
próximo relatório. 

Quanto a secção botânica orientam as seguintes indica- 
ções redigidas pelo respectivo chefe : 

« O accrescimo do herbario attingiu neste anno a cifra 
de 1076 números, quasi todos reunidos pelo pessoal do !Mu- 
seu nas suas excursões maiores e menores. 



RELATÓRIO DE IÇOS 



Temos entretanto, mais uma vez, o prazer especial de 
reg^istrar a doação de uma coUecção de plantas seccas, pro- 
venientes de Marajó, que foi offerecida ao ]\íuseu pelo snr. 
dr. Vicente Chermont de Miranda, no principio do anno. 
Embora não muito grande, esta coUecção comprehendia um 
certo numero de espécies que faltavam ainda no nosso Her- 
bario Amazonico. 

Uma pequena parte das plantas coUeccionadas neste 
anno ( no Rio e no Maranhão ), provem de fora da região 
amazonica, e foi, por conseguinte, encorporada ao Herbario 
geral. 

Os 1076 números se repartem da maneira seguinte: 

/ Plantas de Marajó, coUeccionadas pelo dr. Vicente 

C. de Miranda é() 

II Excursão do preparador Rodolpho Siqueira Rodri- 
gues d colónia do Prata 71 

/// Excursão do sr. Adoípho Duche ao baixo Amazo- 
nas (Almeirim, Prainha) 2)0 

IV Excursão do mesmo a Óbidos, Faro e Alem quer. 8^ 

V Excursão com a com missão austríaca a Cametà, 

Prata, (I. das Onças) So 

VI Excursão do sr. André Goeldi a Maiiàos e ao rio 

Punis • . . i)j 

VII Excursão do preparador a Ourém /^ 

VIII » do sr. J. Bach ao Xingu ^6 

IX Plantas coUeccionadas nos arredores de Belém . . 12) 

Sonima para o Herbario Amazonico .... ^)j 
e para o Herbario Geral : 
I Plantas coUeccionadas pelo dr. E. A. Goeldi, na 

Serra dos Órgãos 6 n.°^ 

Em muitos exemplares. 

// Plantas coUeccionadas pelo sr. Duche, no Ma- 
ranhão I)} 

Somma i)^J n."^ 

Todas estas plantas, com excepção apenas da remessa 



RELATÓRIO DE IQOS 



do sr. Bach (VIII), fcram devidamente catalogadas e clas- 
sificadas logo que deram entrada no Museu. 

Para poder extender o herbario, mandou-se fazer, no 
Instituto Lauro Sodré, mais 20 latas de folha que actual- 
mente estão já quasi todas occu padas. Também foi necessá- 
ria a construcção de mais uma estante para o herbario. 
Este movei foi feito no JMuseu e, devido á falta de espaço 
na sala de botânica, foi collocado na sala de geologia, con- 
tigua ás coUecções botânicas. Em pouco tempo será preciso 
construir outra estante semelhante para permittir agasalhar 
as coUecções que contamos reunir em 19(J4- 

Como no herbario, temos de registrar também um accres- 
cimo regular comprehendendo principalmente Iructos. se- 
mentes, etc. trazidos pelo inspector do horto da sua excur- 
são ao rio Purús. A nossa coUecção carpoiogica já tem um 
grande interesse e mais teria ainda si, por falta de espaço, 
não tivéssemos tido de renunciar, quasi inteiramente, a uma 
collecção de fructos conservados em álcool. O facto de es- 
tarmos restringidos a coUeccionar quasi unicamente fructos 
seccos e sementes tem por consequência que a nossa collec- 
ção respectiva apresenta ainda algumas lacunas sensíveis. 
Entretanto podemos constatar que, em comparação com o 
material existente no fim de 1900, já se fez um grande 
progresso, tendo o numero das espécies e dos espécimens 
quasi triplicado. 

A collecção de madeiras ficou também bastante aug- 
mentada, sendo actualmente representadas nella cerca de 
250 espécies ao lado de 153 no fim de IQOO. Outras coUec- 
ções parciaes receberam pouco augmento, o que deve ser 
unicamente levado á conta da falta de espaço ». 



Publicações 



Afastamos solemnemente de nós a responsabilidade de 
ter sabido, do Boletim do Museu, volume IV, o fascículo 1.°, 
somente em principio de 1904- Os nossos manuscriptos e 



RELATÓRIO DE IQOS 



originaes estavam promptos de ha muito, e certamente não 
será a estes que pôde ser attribuida a desproporcional de- 
mora havida entre o apparecimento do ultimo numero do 
volume 111 e o primeiro do IV. 

Evaporaram-se cedo certas esperanças a que alludimos 
em nosso relatório anterior. Cançado deveras de esperar 
pela vinda de um periodo cm que essas eternas questões 
typographicas fossem sanadas e entrassem as cousas nos seus 
eixos, recorri ao meio de trancar a impressão com o fim 
do primeiro trabalho scientifico ( catahjgo dos Mammiferos 
do iMuseu do Pará) dando ao fasciculo somente 122 paginas. 

E lá sahiu outra vez o Museu com a impressão do 
seu Boletim das officinas onde a nossa vã utopia nos tinha 
revelado a fata morgana de uma certa estabilidade, pelo 
menos por alguns annos. Qual Ashavero," calçou os pés das 
alpercatas e com o báculo de peregrino na mão, e pela 
terceira ve~ sahiu a procurar quem, no Pará, quizesse dar- 
Ihe agasalho. 

Ficará onde tentou agora ? Certo é que o Boletim do 
Museu não dará por finda tal peregrinação antes de ter en- 
contrado um estabelecimento typographico que cumpra á 
risca a nossa orienta Çxão e procure trabalhar a contento da 
redacção em todos os sentidos. 

Em fins de Dezembro de IQOS foram entregues os ori- 
ginaes para um numero duplo (fascículos 2 e 3) do Vo- 
lume IV, existindo tantos materiaes ainda em carteira que, 
visivelmente, não só darão amplamente para todo este 4-° 
volume, como para parte do seguinte. 

Quanto ás outras publicações do Museu só parcialmente 
se realisaram as perspectivas entrevistas em nosso anterior 
relatório. Todavia já estão promptas as estampas para a 
« Memoria IF» e em adeantada phase se acha igualmente a 
impressão das estampas para a «Memoria T». Ambas são 
de theor archeologico e ethnographico. 

Sahiu, durante o exercício de IQOS, o fasciculo 2.° 
do Álbum das Aves Amaionicas (estampas l3 e 24) con- 
forme a previsão, trabalhando-se activamente nos originaes 
do 3.° e ultimo fasciculo desta obra que, tudo correndo bem, 
poderá estar prompta e impressa em melados de IQOÕ- Este 



10 RELATÓRIO DE IQOS 



segundo caderno teve outra vez bellissima recepção na im- 
prensa scientifica em toda a parte. 

E' de esperar que também o Arhoretiim ama:(onicum 
venha a ser dotado proximamente com as estampas origi- 
naes que faltam ainda para completar as décadas III e IV, 
para estas poderem entrar no prelo. 

O Boletim, volume IV, fascículo I, contem como única, 
porem extensa contribuição scientifica o Prodroino de um 
Catalogo critico, conunentado, dos Mammiferos do Museu do 
Pará, iS^4 — i^o^, paginas 38 — 122, com 6 estampas. E' 
mais um passo no sentido de preencher um dos postulados 
supremos da lei básica do nosso estabelecimento, que recom- 
menda a organisação e elaboração successiva de catálogos 
scientificos das collecções de cada uma das secções. 

Podemos dizer que este trabalho foi lisongciramente 
recebido nos círculos scientificos, como se vê pela Natiire 
de Londres (abril 1904, pag. 541) e como o prova, sobre- 
tudo, a apreciação de uma das auctoridades mais afamadas 
na especialidade, o sr. dr. Oldfield Thomas, chefe da secção 
dos mammiferos do British Musenui de Londres, que fechou 
a sua carta a nós dirigida em 24 de março de 1904 com 
estes termos : « Com reiteradas congratulações por esla admi- 
rável peça de trabalho V."^ S."^ possuem evidentemente ahi 

uma bella collecção tanto de mammiferos mortos como vivos, 
e as vossas conclusões são. por conseguinte, de subida valia, 
baseando-se em óptima base ». 

Viagens e excursões 

Alem das costumadas excursões menores nos arredores 
da cidade de Belém que frequentemente se faz durante a 
estação de verão houve algumas viagens maiores : 

1. ) — Do Inspector do Horto Botânico, Andreas 
Goeldi^ preparador de zoologia José Schõn- 
mann e desenhista lithographo Ernesto Lohse 
ao alto Purús, ate a boca do Acre (de maio 
a outubro de IQOS). 

2.) — Do Director do Museu, — acompanhado do 



RELATÓRIO DE IQOS H 



conselheiro dr. Franz Steindachner ; dr. G. 
Hagmann, auxiliar de zoologia, Rodolpho Si- 
queira Rodrigues, preparador de botânica^ e 
um servente — a Cametá, (setembro de IQOS ). 
3. ) — Idem idem, com o dr. Jacques Huber, chefe 
da secção botânica, á colónia Santo António 
do Prata ( rio Maracanan ), setembro de igo3. 

4- ) — Dos mesmos, á fazenda Itacuan na foz do rio 

Guamá, a convite do dr. Francisco Miranda, 
director geral da Inspectoria de Hygiene, 
( setembro de IÇOS ). 

5- ) — Idem, á fazenda do sr. Moraes no furo das 

Larangeiras, ilha das Onças, em setembro de 
IQOS. 

6. ) — Do dr. Hagmann, auxiliar da secção de zoolo- 
gia com Rodolpho Siqueira, preparador de bo- 
tânica e João Sá, ajudante de preparador de 
zoologia, a Ourém e Irituia, no Guamá ( de- 
zembro de iÇiOS ). 

7- ) — Do preparador de entomologia, sr. Adolpho 
Ducke a Almeirim, Arrayolos, Espozende e 
Prainha (em maio de IÇOS). 

8. ) — Do mesmo a Alemquer, Óbidos, Oriximiná e 
Faro, (agosto de IQOS). 

Q. ) — Do mesmo ao Estado do j\Iaranhão ( outubro 

de igoS). 
10. ) — Do mesmo a Alemquer e Óbidos em dezem- 
bro de 1903. 

Em uma dessas viagens foi o sr. Ducke acompanhado 
por um servente da secção botânica afim de auxilial-o na 
colheita de productos para esta secção. 

Na excursão do inspector do horto, com o preparador 
e desenhista, ao rio Purús^ o principal objectivo foi menos 
augmentar o herbario que colleccionar o maior numero pos- 
sível de plantas vivas^ sementes, fructos, etc. 



12 



RELATÓRIO DE IQOS 



Frequência publica 

Foi sempre muito satisfactoria, podendo galhardamente 
supportar um confronto com a frequência de estabelecimen- 
tos conoeneres, mesmo não exceptuando o Rio de Janeiro. 
Continua provando bem a novel instituição do « dia de famí- 
lias » ( terça-feira ). 

Eis a synopse conscienciosa da frequência publica du- 
rante o anno, extrahida dos assentamentos no livro de en- 
trada do guajda-portão. 



janeiro 6.007 

fevereiro .... 3.659 

março 7.120 

abril 6.461 

maio 7.607 

junho 6.203 

1.° semestre . 37.057 



julho . . 

agosto . 

setembro 

outubro 

no\'embro 

dezembro 

2.0 semestre 



Total — So. 189 visitantes 



Bibliotheca 



6.795 
8.Ó76 
Ó.56Ó 
6.247 
8.046 
6.802 
43.132 



Um incremento em primeiía linha digno de nota signi- 
fica a acquisição da obra completa de Humboldt e Bonpland 
— Voyages aiix régions éqiiinoctialcs — obra cuja falta sempre 
tivemos que lamentar até agora, principalmente para as 
secções de botânica e ethnographia. 

Obtivemos por preço bem razoável um bello exem- 
plar bem encadernado, por intermédio da conhecida casa 
de livraria K. W. Hiersemann, em Leipzig. 

A nossa bibliotheca cresceu outrosim na litteratura 
zoológica, botânica e ethnographica, tendo vindo avultado 
numero de obras indispensáveis para um serviço scientifico 
em regra. Continuam as assignaturas das principaes revis- 
tas scientificas em cada uma das especialidades cultivadas 
pelo Museu. 



RELATÓRIO DE IQOS l3 



Fausto symptoma da sympathia, que o nosso estabele- 
cimento vai conquistando entre os círculos scientificos so- 
bre o orbe inteiro, constitue a corrente sempre crescente de 
offerecimentos para permutas litteraiias por parte de acade- 
mias, universidades, corporações doutas, profissionaes e es- 
pecialistas. 

Como nos annos anteriores, salienta-se certas instituições 
noite-americanas por sua liberalidade captivante. O United 
Slales Geological Siirvey e o United States Department of 
Agriciãtiire surprehendem-nos frequentemente com foi"tes re- 
messas de variadas e, na sua maior parte, ricamente illus- 
tradas publicações. • 



Serviço meteorológico 



Quando, em agosto de 19o4> tivermos mais quatro an- 
nos de observações — o trabalho anterior referia-se ao periodo 
de agosto de 1895 a agosto de IQOl — cópias das tabeliãs 
serão remettidas outra vez ao professor dr. Julius Hann, em 
Vienna, de cuja mão inquestionavelmente sahirá a mais com- 
petente elaboração. 

Teremos então um periodo de observações abrangendo 
um decennio inteiro — material de observação como nãc tão 
facilmente constará de qualquer ponto do globo situado de- 
baixo do equador. 



Regimento interno 



Por decreto n.° 1272, do dia 26 de janeiro de 1904, 
ficou approvado o novo regimento interno do Museu, ficando 
dest'arte completa a reorganisação do estabelecimento ini- 
ciada pelo decreto n.o 11 14 de 2õ de janeiro de 1902, que 
deu Regulamento ao Museu. 

Será publicado na parte administrativa de um dos pro- 
xiriíos números do Boletim. 



14 RELATÓRIO DE IQOS 



Relações com o exterior 

Já em relatórios anteriores tivemos occasião de dizer 
que o Museu c frcquentem.ente consultado por naturalistas 
de fora sobre questões scientiíicas attinentes á Historia Na- 
tural, á Plthnographia e á Geographia da região amazonica 
e não raros são os pedidos de conselhos sobre programmas 
de viagens e itinerários de expedições. 

Esteve aqui o sr. dr. Theodor Koch. do Museu Ethno- 
graphico de Berlim que já possue merecida reputação de ex- 
plorador experimentado como participante na expedição H. 
Meyer ao rio Xingu. Pudemos ser-lhe útil e por cartas suas 
nos consta que elle se deu bem com os nossos conselhos, 
recommendando-lhe especialmente o rio Negro e o rio Uau- 
pés como merecedores de sua attenção para estudos ethno- 
graphicos, linguisticos e anthropologicos. 

Fausto acontecimento foi, para nós, a vinda da com- 
missão scientifica austríaca, realisando-se assim a promettida 
visita do conselheiro dr. Franz von Steindachner, Intendente 
do Imperial e Real ]\Iuseu de Historia Natural de Vienna, 
e dos seus dig;nos companheiros, entre elles o afamado co- 
nhecedor da ornis balkanica, o dr. Othmar Reiser, Custos do 
Museu Nacional de Sarajevo ( Bósnia ). 

Entrando, em março de IQOS, pelo sertão da Bahia, 
atravessando o Piauh}^ para tornar a ganhar o litoral, em 
fins de agosto, na foz do rio Itapicurú, no ]\Iaranhão, em 
vez de embarcar directamente para a Europa, em São Luiz, 
capital d'aquelle Pastado, resolveram continuar a viagem até 
ao Pará. Estiveram entre nós desde o dia 3 de setembro 
até 7 de outubro, sendo hospedados em uma das dependên- 
cias do ]\Iuseu, por especial desejo de s. exc. o sr. dr. Au- 
gusto Montenegro e com grande satisfação nossa. 

O principal motivo desta visita foi o desejo do sr. con- 
selheiro Steindachner de combinar comnosco as bases para 
uma obra sobre ichthyologia do rio Amazonas, encarregan- 
do-se elle da parte systematica, e ficando a parte biológica 
a nosso cargo. Facilmente se comprehende que semelhante 
convite, partindo de uma das primeiras auctoridades em 
ichthyologia, e sobretudo insigne conhecedor dos peixes sul- 



RELATÓRIO DE IQOS 15 



americanos — Steindachner tem, atraz de si, meio século de 
trabalho e de estudo nesse assumpto — constitue não pequena 
honra e um franco reconhecimento de competência profissio- 
nal. Vai nisso um eloquente voto de confiança e um applauso 
aos nossos serviços e á nossa maneira de trabalhar. 

Instructivo e fructifero foi para todos este inolvidável 
periodo de convivência com tão illustres coUegas, cujo bem 
estar pessoal foi assumpto de preoccupação e assidua atten- 
ção por parte do sr. dr. Governador do Estado. O Governo 
secundou-nos efíicazmente no nosso empenho de mostrar aos 
nossos hospedes o mais possível da nossa natureza e facili- 
tou extraordinariamente as excursões e viagens, mais ou me- 
nos extensas, e que já nominalmente enumeramos acima, no 
capitulo competente. 

Temos ainda, em esjDecial, de agradecer ao sr. dr. 
Francisco Miranda, Director do Serviço Sanitário do Estado, 
pela cavalheirosa organisação da interessante excursão á fa- 
zenda Itacuan, importante propriedade industrial e agrícola 
do sr. major Guerreiro, sita á margem esquerda da foz do 
Guamá. e ao sr. tenente-coronel Aureliano Guedes, pelo dr. 
Governador cedido e posto á nossa disposição — companheiro 
de viagem cujas excellentes qualidades e habilidade pratica 
novamente pudemos experimentar ; também ao sr. dr. Her- 
mann Schindler, Director da Estrada de Ferro de Bragança. 
No interior captivaram a nossa calorosa gratidão, pela hos- 
pitaleira recepção que nos dispensaram, frei Daniel de Sama- 
rate, digno Director da colónia de Índios Tembé de Santo 
António do Prata, no rio Maracanan, e os seus irmãos, e o 
sr. Coronel Heitor ]\Iendonça, Intendente de Cametá. 

O sr. conselheiro Steindachner teve a bondade de inau- 
gurar o nosso novo livro de visitas, deixando gravadas as 
suas impressões em extenso parecer, redigido em lingua 
allemã, ■ sobre o Museu do Pará, parecer cuja versão litteral 
é a seguinte : 

« Poucos são os pontos do globo terrestre que parecem 
predestinados pela própria natureza a se tornarem um cen- 
tro de investigações de Historia Natural: --um desses pontos 
favorecidos é o Pará, sito na foz do maior dos rios de todos 



l6 RELATÓRIO DE IQOS 



OS continentes cujo dominio vae de um oceano a outro, 
abrangendo uma área ({uc se estende do equador ate ao 20° 
gráo de latitude, c mesmo alem. P7 a porta de entrada, o 
limiar para a região milagrosa do mundo tropical brazilico 
— mundo encantado e de um cunho todo siii gcncris. Cornu- 
copia inexgotavel dos mais preciosos dons a natureza os 
derramou a mãos cheias sobre a região amazonica, pondo o 
seu usufructo á disposição do género humano. Dahi deriva 
uma quasi que obrigação moral do Estado do Pará de eri- 
gir a essa natureza um templo em que esses extraordinários 
dotes sejam exhibidos ao discernimento intellectual da popu- 
lação que delles é usufructuaria e postas perante a sua ní- 
tida comprehensão. 

« Attenta a enorme extensão territorial e apesar das 
numerosas viagens e explorações do século passado, o que 
ate agora da região amazonica chegou a ser conhecido 
tanto em relação á historia natural como á ethnographia 
deve apenas ser taxado como um muito modesto fragmento ; 
não são outra coisa mais c[ue diminutas pedras de construc- 
ção, de mais ou menos valor, para um importante edifício 
fiuc somente no próprio logar, e, para bem dizer, unica- 
mente no Pará, poderá ser levado a cabo, a um todo har- 
mónico e uniforme, depois de investigações, observações e 
estudos prolongados por longa serie de annos e encaminha- 
dos com plena consciência dos methodos scientificos usuaes. 

« Um [)rincipio brilhante, muito promettedor, tem sido 
já feito no Museu (j{x?ldi, cuja fundação constitue para o 
Estado do Pará um padrão da mais alta honra e legitimo 
orgulho. A creação deste instituto, realmente único no seu 
género no meio de um jardim zoológico e botânico, bem 
significa um postulado necessário ao mundo scientifíco todo, 
e o Estado do Pará foi bastante feliz de ter encontrado para 
a realisação de tão palpitante e elevado problema a pessoa 
a mais idónea no sr. professor Goeldi, que, como nenhum 
outro sábio do nosso conhecimento, reúne um saber univer- 
sal com raro dom de observação e indefessa actividade de 
collcccionador. De um sábio como Goeldi, c|ue mantém as 
mais intensas relações litterarias com os seus collegas por 
ahi fora, era lambem de esperar c[ue soubesse fazer acertada 



RELATÓRIO DE 1Ç03 17 



escolha na chamada e attracção de outros sábios e auxilia- 
res paia as diversas secções do Museu, elementos que, em- 
bebendo-se nas suas idcas e animados pelo mesmo enthu- 
siasmo para as sciencias naturaes levarão o amor e o inter- 
esse por este mais sublime ramo do saber aos mais largos 
círculos em todas as camadas do povo. Assim c que, depois 
de atravessado um dcccnnio, o JMuseu Goeldi tornou-se o insti- 
tuto scientifico mais popular da metade septcntrional do 
Brazil. Elle deve ser qualificado como um centro de instruc- 
ção de primeira ordem para toda a gente, moços e velhos, 
das inferiores como das elevadas classes, que ti\'er um vis- 
lumbre de inteiesse latente para os thezouros naturaes da 
sua pátria e de algum modo se empenhe por conhecel-os. 

« O que o ]\íuseu Goeldi já fez e conseguiu é simples- 
mente digno de admiração. Abstracção feita da actividade 
eminentemente scientifica do estabelecimento, com o qual 
lucra o orbe inteiro, elle traz para o próprio paiz enorme 
proveito pratico, chamando a attenção sobre a utilidade e 
nocividade deste ou daquelle membro da fauna e da flora 
indígenas, tendo já por diversas vezes corrido em auxilio 
de certos representantes gravemente perseguidos e ameaça- 
dos de extermínio e, por outro lado. apontando os meios de 
livrar-se de transmissores de moléstias pertencentes ao mundo 
dos insectos, estudando-lhes o modo de vida e desenvolvi- 
mento com inexcedivel cuidado. 

« Resta, assim, desejar que os altos poderes do Estado 
do Pará, que até agora tem secundado de maneira tão libe- 
ral os esforços e tendências do Museu e auxiliado, sobre- 
tudo, a sua actividade litteraria, concedam também, no fu- 
turo, ao museu, si possível for, em escala ainda mais larga, 
os meios necessários para o seu desenvolvimento ulterior, 
provando d'est'arte que o Estado do Pará, marchando á 
frente do movimento intellectual no Norte do Brazil, cada 
vez mais se empenha em levantar o nivel geral da instruc- 
ção publica. 

« Oxalá seja dada ao sr. professor Goeldi dirigir ainda 
por muitos e muitos annos o Museu com egual energia e 
vigor mental como até agora, e encontrar o auxilio material 
e moral que tanto e em tão alto grão merece esta genial 

2— Boletim do Museu Goeldi. 



RELATÓRIO DE IQOS 



creação quanto ella dclle carece para o seu desenvolvimento. 
« Finalmente não quero deixar de mencionar que a 
obra magistral, quasi completa, do dr. Goeldi, AJbum das 
Aves amãT^onicas, esse supplemento illustrativo ao seu livro 
anteriormente publicado sobre as Aves do Bra:^il, bem como 
o Arboretum do dr. Huber, pertencem ao numero das obras 
litterarias mais salientes e notáveis da actualidade, e que 
foram, mesmo fora do Brazil, recebidas com unanime ap- 
plauso. E ainda muitos outros trabalhos, tratando dos mais 
variados assumptos attinentes aos thezouros da natureza 
brazileira, á ethnographia e á prehistoria aguardam, como 
manuscriptos quasi promptos, na carteira do dr. Goeldi, a 
sua publicação que, com anciedade, é esperada nos circulos 
scientificos ». 

5 de dezembro de 1003. 

Dr. Franz Steindachner. 

Intendente do Imperial e Real Museu de Historia Natural 
em Vienna, Áustria 



Ha alguns annos, a Sociedade Helvética de Sciencias 
Naturaes começou a enviar naturalistas, sobretudo botânicos, 
para pontos favoravelmente situados na zona tropical a fim 
de dar-lhes occasião de levarem a bom fim certos estudos 
e pesquizas c[ue não podem ser realisadas senão in loco. 

O ponto predilecto até agora era o Jardim Botânico 
de Buitenzorg na ilha de Java. Ora, temos noticia de que 
se cogita em tomar em vista também a foz do Amazonas, 
pedindo para os seus emissários ao nosso Museu a mesma 
hospitalidade scientifica de que elles costumam gosar no 
mencionado estabelecimento sondaico. E'-nos permittido ver 
nisso uma significativa prova de ajoreço em que é tido o 
nosso instituto nos circulos scientificos de alem-mar : si elle 
não prestasse, semelhante projecto não se poderia organisar. 

Finalmente, com legitima satisfação, registramos os re- 
petidos e insistentes pedidos de participação que, quer offi- 
cial quer particular e pessoalmente, são dirigidos ao nosso 
Museu por parte dos principaes organisadores dos grandes 



RELATÓRIO DE IQOS IQ 



certamens scientificos que em próximo futuro se devem rea- 
lisar na Europa. Durante os dias 14 e 19 de agosto de 
1904 reune-se em Berna, na Suissa^ o Congresso internacio- 
nal de zoologia, sendo presidente o nosso particular amigo o 
professor dr. Theophil Studer, em Stuttgart, no Wiirttemberg, o 
Congresso Internacional dos Americanistas, fazendo parte do 
comité dos organisadores o professor dr. Cari von den Stei- 
nen e o dr. Paul Ehrenreich, nomes assas conhecidos na 
historia da geographia do paiz por suas memoráveis expe- 
dições no Xingu e Brazil-Central. 

O theor dessas missivas é redigido em termos taes que 
delles se verifica inquestionavelmente um grande empenho 
em assegurar-se o concurso do Museu do Pará como repre- 
sentante da parte norte do Brazil. Julgamos dever levar 
essa matéria directamente ao conhecimento do dr. Governa- 
dor do Estado, pedindo instrucções pára nossa norma de 
conducta. Em todo o caso, vae ahi mais um eloquente sym- 
ptoma de que o Museu do Pará, nos centros scientificos, não 
constitue uma quaniité négligeable. 

Donativos 

Como sempre, foi grande o numero de presentes que 
recebeu o Museu, durante o anno de 1903, da parte do pu- 
blico paraense e com prazer damos aqui a lista, por ordem 
chronologica, dos doadores : 

1 sr. Manoel Francisco de Pinho 

2 commandante Macedo Rocha 

3 senador António José de Lemos 

4 srs. Pombo & Irmãos 

5 dr. Augusto Montenegro 

6 dr. Azevedo Costa 

7 srs. José C. Brazil Montenegro ( 2 vezes ) 

8 sr. Teixeira da Costa 

9 sr. Pedro Gomes do Nascimento 

10 dr. Gurjão 

11 visconde de S. Domingos 



20 RELATÓRIO DE IQOS 



12 sr. IMariano Valle 

13 sr. Clementino Araújo (Mazagão) 

14 d. Evangelina Rodrigues Pardal 

15 sr. Paulo Lecointe (Óbidos) 2 vezes 

16 coronel António Joaquim Rodrigues dos Santos 

17 commendador Hilário Alvarez (3 vezes) 

18 dr. Victor Maria da Silva 

19 tenente-coronel Aureliano (lucdes (2 vezes) 

20 sr. Alfredo H. Serra Aranha 

21 sr. Raul Engelhard 

22 sr. Alberto Engelhard 

23 sr. Pedro Alexandrino de Moraes 

24 barão von Paumgartten 

25 sr. Angelo Marinha da Conceição 

26 d. Felippa Bentes 

27 dr. Thomaz de Paula Ribeiro 

28 sr. Manoel Baena ( 4 vezes ) 

29 coronel Novaes 

30 sr. Armando Leão César ( 2 vezes ) 

31 dr. Vicente Chcrmont de ^Miranda (2 vezes) 

32 srs. Freire Castro & Comp. 

33 pharmaceutico Lobão 

34 barão de Tapajóz ( Santarém ) 

35 dr. O' de Almeida 

36 sr. Kanthack 

37 dr. Lyra Castro 

38 sr. António da Silva Fernandes 
3Ç) dr. Joaquim Lalòr (2 vezes) 

40 coronel Francisco Feliciano Barbosa 

41 sr. O. Moura 

42 sr. João A. Luiz Coelho 

43 frei Daniel de Samarate 

44 commandante Aurélio Teixeira 

45 madame Berthe 

4Ó sr. Primo João Lopes INIendes 

47 dr. João Coelho 

48 sr. J. Bach 

49 cap. Firmino António de Souza 

50 sr. Taveira Lobato 



RELATÓRIO DE IQOS 21 



51 commandante João G. da Cunha Cardoso 

52 sr. João Baptista Beckmam 

53 sr. Thomaz João Tavares 

54 pharmaceutico Cascaes e Durando 

55 sr. Raymundo Diacon Brochado 

56 sr. Lourenço de Mattos Borges 

57 dr. Francisco Oliveira, do Museu Nacional 

58 d. Jovina Leite 

59 sr. Lima 

60 sr. Joaquim José Motta 

61 sr. António F. de Souza 

62 coronel Adolpho Lisboa 

Ó3 sr. Francisco Bezerra de Moraes Rocha 



Pessoal 

Poucas foram as alterações occorridas no pessoal do 
estabelecimento durante o exercício de IQOS, e essas mes- 
mas se deram somente no pessoal subalterno : 

Em 15 de Junho foi dispensado o servente do Horto 
Botânico, Jesus Gonçalves, sendo nomeado para o substituir 
Jayme de Souza. 

Na mesma data foi dispensado o servente do Museu, 
Ignacio Ferreira de Souza e para a sua vaga nomeado Eme- 
lino António de Mello. 

Em 22 de novembro foi dispensado o servente do Jar- 
dim Zoológico João Baptista do Carmo, sendo em seu logar 
nomeado Francisco Pereira da Silva, o qual entrou em 
exercício a 1 de dezembro. 

Desse modo era o quadro do pessoal do Museu, em 
3l de dezembro de 1903, constituído da maneira seguinte: 

Director — Prof. Dr. phil. Emílio A. Goeldi 
Pessoal scientifico : 

Chefe da secção -oologica — o Director 



22 RELATÓRIO DE IQOS 



Auxiliar de yOologia e hihlioíhecario — Dr. phil. Gottfried 
Hagmann 

Chefe da secção botânica — Dr. phil. Jacques Huber 

Chefe da secção geológica — Vago 

Chefe da secção ethnographica — o Director ( provisoria- 
mente). 

Pessoal technico: 

I." preparador de ~oologia ( taxidermia c meteorologista — 
Joseph Schõnmann 

2° dito (entomologia) — Adolpho Ducke 

Ajudante de preparador de :(^oologia — João Baptista de Sá 

/í/í'/;/, idem — ^Gregório A. Joaquim Cerqueira 

Preparador de botânica — Rodolpho de Siqueira Rod]-i- 
gues 

Inspector do horto botânico — André Goeldi 

Desenhisla-lithographo — Ernesto Lohse. 

Pessoal administrativo: 

Official — José L. Pessanha 
Porteiro — Balbino Anesio de Araújo 
Continuo — José António Bezerra 
Guarda-portão — Joaquim Francisco de Oliveira 
Servente — António José da Costa 

» ■ — António Pinheiro da Costa 

» — ^Emelino António de jNIello. 

Jardim zoológico: 

Guarda do jardim — Francisco Baptista do Carmo 
Servente — Miguel Soares de Araújo 
» — Francisco Pereira da Silva. 

Horto botânico: 

Jardineiro — ^Joaquim Lopes de Araújo 
Servente — Pedro Árias 
» — ^Jayme de Souza. 



RELATÓRIO DE I9O4 23 

II 

RELATÓRIO 

apresentado ao E?(mo. Snr. Dr. 

Secretario do Estado da Justiça, Interior 

E INSTRUCÇÃO PUBLICA 

pelo 

DIRECTOR INTERINO DO MUSEU GOELDI 

Dr. JACQUES HUBER 

relativo ao anno de 

1904 



Ex."^" Sr. Dr. Secretario da Justiça, Interior e Instrucção 
Publica 

Em ausência do Director eífectivo, tenho a honra de 
apresentar-vos o Relatório dos trabalhos e movimento deste 
Museu durante o anno de 1904, conforme o ordenastes em 
vosso aviso-circular de 25 de Maio ultimo. 

Saúde e Fraternidade. 
O Director interino: 

(Sig. ) DR. JACQUES HUBER. 



24 RELATÓRIO DE 1904 



Pessoal 

Em fins de março clicguu aqui o novo chefe da secção 
geológica, dr. phil. Max Kaech que logo começou a se fa- 
miliarisar com a sua nova tarefa. 

Infelizmente, porém, dois mezes depois da sua chegada, 
foi elle atacado pela febre amarella, á qual succumbiu no 
dia 22 de maio. apezar dos esforços do seu medico assis- 
tente, dr. Luciano de Castro e da dedicação das irmãs de 
caridade que por ordem do Exmo. Sr. Dr. Governador se 
occuparam do tratamento do doente. Assim foi, mais uma 
vez, frustrada a tentativa da Directoria de preencher essa 
vaga tão sensível no quadro do pessoal scientifico. 

Annuindo á solicitação da Directoria do Museu, o Con- 
selho ]\lunicipal, em resolução de 28 de dezembro, auctori- 
sou o Intendente a conceder gratuitamente a perpetuidade 
da sepultura n.» 3.042 no cemitério de Santa Izabel, onde 
repousam os restos mortaes do dr. Max Kaech. 

Em junho demittiu-se do seu cargo o dr. Gottfried 
Hagmann, que durante dois annos e meio prestara os seus 
serviços ao Museu como auxiliar scientifico de zoologia e 
ultimamente também como bibliothecario. Quanto ao pri- 
meiro cargo, permaneceu vago durante o 2. o seme^^tre; o se- 
gundo foi, pelo Director, confiado ao chefe da secção bo- 
tânica. 

Em resposta a um appello honroso, o Director do Mu- 
seu foi incumbido pelo Governo Estadoal de represental-o 
nos Congressos internacionaes de Zoologia, em Berna, e dos 
Americanistas, em Stuttgart. Em ambos esses Congressos o 
Prof. Goeldi tomou parte activa, já por meio de communi- 
cações scientificas, já como Vice-Presidente na direcção das 
sessões. Durante a sua curta ausência de julho a outubro, o 
chefe da secção botânica foi designado para dirigir interina- 
mente o Museu, conforme dispõe o Regulamento em vigor. 

No pessoal technico não se deu modificação este anno, 
porem foi bastante movimentado o quadro do pessoal admi- 
nistrativo. Em 1 de fevereiro foi exonerado do cargo de aju- 
dante de preparador o sr. António Joaquim Cerqueira, sendo 
nomeado para o seu logar o então servente António José da 



RELATÓRIO DE I9O4 25 

Costa, em cuja vaga foi nomeado Adalermo jMalheiros. Des- 
pedido o servente do Horto Botânico Jayme de Souza foi 
substituido por Zeferino Caibo Mendes. Retirou-se para a 
Europa o jardineiro do Museu Joaquim Lopes de Ai-aujo 
que servia desde 1899 e no seu logar foi nomeado Pedro 
Árias, até então servente do jardim. Essa vaga foi preen- 
chida por Francisco Rodrigues Fernandes. 

Assim o quadro do pessoal effectivo do Museu em fim 
do mez de Dezembro de IQ04, achava-se constituido da ma- 
neira seguinte : 

Director — Prof. Dr. phil. Emilio Augusto Goeldi. 
Pessoal seientifleo : 

Chefe da secção ^oologica — o Director. 

Auxiliar de :(oologia — Vago. 

Chefe da secção botânica (com fiincções de hibliothecario) 
— Dr. phiL JacqUes Huber. 

Chefe da secção geológica — Vago. 

Chefe da secção elhnographica — o Director (provisoria- 
mente). 

Pessoal teehnieo : 

Preparador de ^ooJogia (taxidermia), com funcções de 
meteorologista — ^Joseph Schõnmann. 

Preparador de ^oologia (entomologia) — Adolpho Ducke. 
Ajudantes — ^João Baptista de Sá e António José da Costa. 
Preparador de botânica — Rodolpho de Siqueira Rodri- 



gues. 

Inspector do horto botânico — André Goeldi. 
Desenhista-lithographo — Ernesto Lohse. 

Pessoal administrativo : 

Ojficial — ^José L. Pessanha. 
Porteiro — Balbino Anesio de Araújo. 
Continuo — ^José António Bezerra. 

Serventes — Adalermo Malheiros, António Pinheiro da 
Costa e Joaquim Camará. 

Guarda-portão — Joaquim Francisco de Oliveira. 



26 RELATÓRIO DE I9O4 

ANNEXOS 
Jardim zoológico: 

Guarda do jardim — Francisco Baptista do Carmo. 
Serventes — ]\íig"uel Soares de Araújo e Francisco Pereira 
da Silva. 

Horto botânico: 

Jardineiro — Pedro Árias. 

Serventes — Zeferino Caibo Mendes e Fiancisco Rodri- 
gues Fernandes. 

Expedições e viagens 

Alem de diversas excursões menores nas visinhanças 
da capital, foram effectuadas, durante o anno, as seguintes 
viagens maiores : 

1.)- — Do preparador de entomologia ao baixo Ama- 
zonas (de dezembro de IQOS a janeiro de 

igo4). 

2. ) — Do chefe da secção botânica, acompanhado do 
inspector do Horto Botânico, do servente da 
secção e de um ajudante de preparador de 
zoologia, ao alto rio Purús e baixo Acre ( An- 
timary, Porto- Alegre, J\íonte-Verde, Bom Logar) 
de março a maio de IÇ104. 

3. ) — Do preparador de entomologia ao rio Oyapock 
e ao Amapá (de maio a julho). 

4. ) — Do mesmo, ao rio Solimões, Teffé, baixo Ja- 
purá, Tabatinga ( de setembro a outubro ). 

5-) — Do mesmo, ao baixo Amazonas (Faro e Óbi- 
dos ) em dezembro. 

Todas essas excursões, effectuadas pelo pessoal do Mu- 
seu, correram bem e tiveram excellente resultado, enrique- 
cendo sensivelmente as coUecções do estabelecimento. 

A conveniência que havia de explorar methodicamente 
as jazidas de ossos fosseis existentes no alto Juruá, determi- 



RELATÓRIO DE 1Q04 2? 



nou a Directoria a confiar uma expedição áquelle rio ao 
Dr. José Bach que, tendo voltado de sua viag-em ao baixo 
Xingu, solicitara nova commissão e que, havendo deserhpe- 
nhado commissões semelhantes por conta do Museu de La 
Plata, parecia pessoa idónea para aquella incumbência. 

O Dr. Bach partiu no mez de fevereiro completamente 
municiado para uma expedição de 8 a 12 mezes e provido 
de instrucções detalhadas. Infelizmente essa empresa só acar- 
retou decepções e desgostos para a Directoria, sendo o Dr. 
Bach, em consequência dos conflictos internacionaes então 
existentes n'aquella região, preso, no mez de Junho, pelas 
auctoridades peruanas do alto Juruá e transportado para 
Iquitos, de onde informou á Directoria do maliogro da ex- 
pedição. 



Terrenos e edifícios 



No anno a que se refere o presente Relatório não 
houve nova acquisição de terrenos nem construcção de edi- 
fícios novos. 

Entretanto foi alargada uma das azas do rancho novo 
com a construcção de despensa e cosinha para servir de 
moradia ao inspector do Horto Botânico com sua familia. 
Alem disto, diversos concertos no edifício principal e nas 
dependências foram eftectuadas aii fiir et à mesure cjue se ia 
isso tornado necessário. 



Jardim zoológico 



Este annexo continua a ser não só o principal centro 
de attracção para o gi-ande publico aos domingos e quintas- 
feiras, mas também um logar predilecto de estudo para 
quantos querem observar de perto as feições e costumes dos 
representantes da nossa fauna e não em ultimo logar para 
todos os viajantes que vindos de perto ou de longe passam 



28 RELATÓRIO DE I904 



por esta porta de entrada da Amazónia em visita rápida 
ou demorada. 

Além de uma epidemia de peste entre os porquinhos 
da índia e outros pequenos roedores, que motivou o fecha- 
mento do Museu por algum tempo, não tivemos de lastimar 
perdas muito sensíveis. Entre os animaes morreram uma 
anta, um caitetú e um veado, mas essas perdas foram lar- 
gamente compensadas, quer pela reproducção expontânea 
(veados, porcos do mato, cutias e diversos pássaros), quer 
por compra e por presentes. Felizmente ainda não diminuiu 
o interesse que o publico, desde as mais altas auctoridades 
do Estado e da communa, até os mais modesto.^ cidadões, 
tem de ha muito manifestado para com esta dependência 
do Museu, como se vè pela lista dos doadores. 

Sob o ponto de vista scicntiíico, o mais valioso pre- 
sente desse anno foi, sem duvida, o de dois exemplares 
( fêmea adulta, com filho ) do raríssimo roedor Dinomys 
Branickii, conhecido até aqui, na litteratura, por um só 
exemplar colleccionado no Peru oriental ( * ). Este animal, 
chamado Pacarana ou Paca de rabo, proveniente do rio 
Pauhiny, foi offerecido ao Museu pelo sr. José Eernandes 
Antunes. 

Horto Botânico 

De trabalhos maiores effectuados neste annexo pode- 
mos citar a conclusão das obras da avenida transver.sal, do 
portão da travessa Nove de Janeiro até á avenida central. 
Esta avenida, que mais tarde será continuada até a tiavessa 
22 de Junho, serve no seu trecho já acabado, para o sei viço 
de carroças, sendo para esse fim solidamente macadamisada 
e provida de passeios lateraes. 

O viveiro para plantas em latas foi ainda, este anno, 
consideravelmente augmentado. principalmente em virtude 
das abundantes colheitas de plantas vivas que se fizeram. Mui- 
tas foram, de facto, as plantas vivas que conseguimos tra- 



(*) Veja E. A. GoelJi: On the rare rodent Diiioiiixs Branickii Peters. 
( ProceedinLjs of the Zool. Society of London; oct. 1904). 



RELATÓRIO DE I9O4 29 



zer da nossa excursão ao alto Purús e, com as introdu- 
zidas no anno de IÇjOo, o numero das espécies que possui- 
mos, provenientes d'aquelle lio, c já, no Hoi'to Botânico, 
superior a duzentos. 

Entre as adquii-idas na ultima campanha, podemos 
destacar como particulaimente interessantes : diversas pal- 
meiras ( Pbytehphas macrocarpa, Iriartea ventricosa, Euterpe 
precatória, Astrucaryiiiii inacrocarpaiii n. sp., Attalea IVal- 
lisii n. sp., Cocos piiritsana n. sp., etc. ), a tab(3ca yigante 
( Guacliia siípcrba Hub. ), o caucho (Castilloa Ulei Warb. ) 
diversas espécies de Hevea, Sapiuin, Tbeobroiua, etc. 

Como o área do Horto Botânico não foi esse anno 
augmentada, muitas destas plantas devem conservar-se em 
latas, esperando logar apropriado para a sua collocação de- 
finitiva. 

Principalmente pelos esforços e pelo intermédio do 
nosso infatigável amigo sr. J\Ianoel Baena, recebemos de di- 
versas pessoas valiosos presentes de plantas vivas como 
mangabeira, carajurú, marachimbé, assahy branco, timbó 
assú, abutua, etc. 

Ainda neste anno recebemos, no mez de novembro, da 
casa Godefroy-Lebeuf ( Paris ), em troca de sementes de se- 
ringueira, uma remessa de plantas coloniaes para experiên- 
cias de aclimatação. Infelizmente pereceu grande parte des- 
sas plantas durante a viagem e principalmente durante a 
excessiva demora na Alfandega. De i8 espécies salvaram-se 
apenas as seguintes, que estão sendo cultivadas no Horto 
Botânico : 

Ficus elástica, Bochmeria tenacissima, Brownea rósea, 
Camphora officinalis, Copaifera officinalis. Musa sp., Piper 
betle, Toluifera balsamum, Cryptostegia grandiflora, Coffea 
Laurentii. 

Jardim do Palácio. — Este pequeno jardim foi regu- 
larmente tratado pelo jardineiro do Museu, porem com as 
construcções em andamento ali, soffreram muito as plantas 
e especialmente a grama. 

Hospital Doming-os Freire. — Os trabalhos para o 
bosque deste estabelecimento, que pelo Exmo. Sr. Governa- 
dor foram confiados ao chefe da secção botânica do Museu, 



3o RELATÓRIO I^E 1904 



ficaram necessariamente interrompidos durante a ausência 
deste e do inspector do Horto Botânico. Entretanto conse- 
guiu-se, durante a segunda metade do anno, concluir o nive- 
lamento do terreno, traçar e preparar (a macadam) quasi 
todos os caminhos. Durante todo esse tempo tivemos de des- 
tacar o jardineiro do Horto Botânico para a fiscalisação dos 
trabalhos e não pequena foi a somma de tempo e de traba- 
lho que o chefe da secção e, principalmente o inspector do 
Horto gastaram para dirigir aquellas obras. 



CoUecções scientifiças 



Secção zoológica. 

Esta collecção ganhou um accre-cimo importante pela 
colheita da expedição au rio Purús, principalmente em aves 
e mammiferos menores: mais de 3oo pelles, muitas das 
quaes já foram armadas. 

A collecção de insectos foi consideravelmente augmen- 
tada com o resultado das excursões do activo preparador 
de entomologia. Alem disso adquiriu-se por compra duas 
importantes coUecções de insectos da região de Óbidos, uma 
do sr. Kiebler. contendo principalmente uma explendida se- 
]ie de borboletas da espécie Morpho Hecuba, rarissima nas 
coUecções, a outra do engenheiro civil sr. Paulo Le Cointe, 
rica principalmente em Hymenopteros, Coleopteros e Or- 
thopteros. 

O catalogo detalhado da collecção de mammiferos do 
Museu foi publicado no 1.° fascículo do volume IV do Bo- 
letim, acompanhado de 6 estampas e de dois estudos mono- 
graphicos dos especialistas Dr. Oldfield Thomas e Prof. 
Theophil Studer ( Berna ). 

Secção botânica. 

O Herbario Amazonico recebeu os seguintes aug- 
mentos : 



RELATOJIIO DE I9O4 3l 



Plantas da excursão ao Purús 5Ó0 espécies. 

Idem, idem do sr. Adolpho Ducke ao Oya- 

póck e .\mapá Il3 » 

Idem, idem do mesmo a Óbidos e Alemquer. II8 » 

Herbario comprado ao sr. E. Ule 1/44 » 

Da excursão do sr. Ducke a Teffé. Taba- 

tinga, etc 150 » 

Idem. idem do mesmo a Faro e Óbidos . . ÓO » 

Plantas colligidas nos arredores de Belém . 51 » 

Total 2796 » 

Todas estas plantas já foram arrumadas e classificadas 
no Herbario Amazonico do jNIuseu. Nesse anno como nos 
anteriores o sr. Adolpho Ducke trouxe-nos, das suas excur- 
sões entomologicas, boa colheita de plantas seccas bem pre- 
paradas, contribuindo assim poderosamente para o cresci- 
mento do Herbario Amazonico. 

A collecção adquirida do sr. Ernesto Ule fora reunida 
por elle nos annos de 1900 a 1903 em diversas viagens 
pelo alto i\mazonas e contem muitas novidades de grande 
valor. Como a determinação desta collecção está confiada 
aos sábios especialistas do Museu Real de Berlim, c de es- 
perar que nos seja ella de grande auxilio no futuro. Com- 
prou-se também ao sr. Ule a sua collecção de ^lusgos bra- 
zileiros, c|ue contem um certo numero de espécies amazo- 
nicas. 

Para acondicionar o grande acervo destas novas acqui- 
sições, foi necessário mandar fazer mais uma estante igual 
ás duas já existentes. Esta, como a segunda, foi collocada 
na sala de geologia. 

Pela nossa excursão ao Purús foi ainda bastante aug- 
mentada a collecção carpologica, sendo já de urgência a 
construcção de um novo movei para receber o excesso do 
material accumulado no antigo. D"acj[uella viagem trouxemos 
também algumas amostras da taboca gigante (Gnadna sii- 
perha Hub. ) que constituem um dos ornamentos da collecção 
botânica. 



32 RELATÓRIO DE I9O4 



Secção geológica. 

Infelizmente esta secção não chegou a apioveitar da 
vinda do seu cliele. tendo este, antes de cahir doente, ape- 
nas o tempo de se oiieiítar no campo da sua futura activi- 
dade. Por isso também as coilecções não fíuam augmentadas 
senão poi" alguns ])resentes, entre os (piaes convém destacar 
o de diveisos ossos petiificados provenientes do alto Acre 
e remcttidos ao Museu pelo sr. A. X. Franco. 

Secção ethnographica. 

Alem de diversas acquisiçÕL^s menores, foi comprada 
nesse anno uma importante coUecção de objectos de Índios 
Pianocotós reunida pelo sr. Marques de Carvalho no rio Pa- 
ru. Também chegaiam as primeiras remessas de uma coUec- 
ção ethnographica que o Dr. Theodor Koch, do Museu eth- 
nographico de Berlim, reuniu, a pedido da Directoria, para 
este Museu durante as suas viagens aos affluentes do rio Negro. 

Bibliotheca 

Foram construidos neste anno dois armários, um para 
grandes obras in-folio, outro, que foi provisoriamente collo- 
cado na secretaria, para deposito dos fasciculos do « Bole- 
tim», restantes depois da distribuição. 

Devido ao grande acciescimo da Bibliotheca, esta 'se- 
gunda estante ficou, ainda assim, occupada parcialmente por 
outros livros. 

Entre as numerosas acquisições por compra, avulta 
um exemplar completo das obras clássicas de Humboldt c 
Bonpland referentes á sua celebre viagem ás regiões equa- 
toriaes, assim como a grande obra de Barboza Rodrigues 
« Sertum palmarum brasiliensium ». iVlém disso continuamos 
a receber o seguimento de diversas obias de subscripção e 
muitos periódicos scientificos. 

O serviço de troca de nosso « Boletim » com outi'as 
publicações congéneres já tomou muito incremento e os cons- 
tantes pedidos de permuta dirigidos á Directoria, demons- 



RELATÓRIO DE 1Ç>04 33 

tram sufficientcmente a grande estima que as publicações 
do Museu Goeldi gosam no interior e no cxtrangeiro. 

A lista infra, das publicações scientiíicas recebidas em 
troca do nosso « Boletim » mostra approximadamente a ex- 
tensão das nossas relações com estabelecimentos congéneres 
e com sociedades scientiíicas. 

Publicações recebidas em permuta com as do Museu : 
AMERICA 

Argentina ( Republica ) : 

Anales dei Museo Nacional de Buenos Aires 

Anales de la Sociedad Científica Argentina 

Boletin de la xA.cadcmia Nacional de Ciências (Córdoba) 

Boletin dei Instituto Geográfico Argentino 

Boletin dei Ministério de Agricultura 

Dirección General de Estadística (Boletin mensal) 

Revista dei Centro Universitário de La Plata 

Revista de la Sociedad ]\Iédica Argentina. 

Bolivia : 

Boletin de la Oficina Nacional de Immigración, Estadística 

y Propaganda Geográfica 
Boletin de la Sociedad Geográfica de La Paz 
Censo de la población de Bolivia. 

Brazil : 

A Lavoura (boletim da Sociedade Nacional de Agricultura) 

Annaes da Escola de Minas de Ouro Preto 

xVrchivos do ]Museu Nacional 

Boletim de Agricultura ( S. Paulo ) 

Boletim mensal do Observatório do Rio de Janeiro 

Boletim da Commissão Geogr. e Geológica ( S. Paulo) 

» » » » » » (Minas) 

Imprensa Medica ( S. Paulo ) 

3 — Boletim do Museu Goeldi. 



34 RELATÓRIO DE I9O4 



Revista Agrícola e Industrial Mineira 

» » da Soe. Sergipana de Agricultura 

» » ( S. Paulo ) 

» da Academia Cearense 

» do Centro de Sciencias, Lettras e Artes (Campinas) 

» » Instituto Histórico do Ceará 

» » » » e Geogr. de S. Paulo 

» » » Archeologico e Geogr. de Pernambuco 

» » » Histórico e Geographico da Bahia 

» da Faculdade de Direito de S. Paulo 

» do Museu Paulista 

» Commcrcial e Financeira 

Secretaria da Agricultura, Viação, Industria e Obras Publi- 
cas da Bahia ( Boletim ) 

Secretaria da Agricultura, Commercio e Obras Publicas do 
Estado de S. Paulo (Boletim de Agricultura), 

Chile: 

Revista Chilena de Historia Natural 

Verhandlungen des deutschen wissenschaftlichen Vereins zu 
Santiago de Chile. 

Costa Rica: 

Boletin dei Instituto físico-geográfico y órgano de la Socie- 
dad Nacional de Agricultura de Costa Rica. 

Páginas Ilustradas, Revista semanal de Ciências, Artes y lite- 
ratura. 

Cuba: 

Anales de la Academia de Ciências ]\Iédicas, Físicas y Na- 
turales de la Habana ( Memoria Anual ) 

Instituto de Segunda Ensefianza de la Habana (Memoria 
Anual ) 

Estación Central Agronómica ( Circulares ). 

Estados Unidos: 

American Geographical Society BuUetin 



RELATÓRIO DE ig04 35 

Annals of the New York Academy of Sciences 

» » » Carnegie Museum 
Bulletin from the Laboratories of Natural History of the State 

University of lowa 
Bulletin of the Chicago Academy of Sciences 

» » » Illinois State Laboratory of Nat. Hist. 

» » » New York Botanical Garden 

» » » University of Kansas 

Contributions from the U. S. National Herbarium 
Missouri Botanical Garden Report 
Proceeding-s of the Academy of N. Scienc. of Philadelphia 

» » » American Philosophical Society 

» » » Biological Soe. of Washington 

» » » Washington Academy of Sciences 

Smithsonian Institution (U. S. National Museum) 
The American Museum Journal 
» » .. » of Nat. History N. Y. (Bulletin 

& Reports) 
The Journal of Cincinnaty Soe. of Nat. History 
Transactions of the Wisconsin Academy 
University of Colorado Studies 
U. S. Department of Agriculture (Bulletin, Annual Reports, 

Professional Papers, Watter Supply and Irrigation ) 
Occasional Papers of P. B. Museum of Polynesian Ethn. & 

Nat. Hist. Honolulu. 

Guyanas : 

Inspectie van den Landbouwe in Westindie (Bulletin). 

Jamaica: 
Bulletin of the Botanical Department. 

México : 

Boletin de la Comisión de Parasitologia Agrícola (Secreta- 
ria dei Fomento) 
Boletin dei Instituto Geológico dei Mcjico 



36 RELATÓRIO DE I9O4 

Memorias y Revista de la Socicdad Científica (António 

Alzatc ) 
Parergones dei Instituto (^colóí^ico de Méjico. 

Paraguay : 

Anales de la Universidad Nacional. 

Perií: 

Bòletin de la Sociedad Geográfica de Lima 

» dei Cuerpo de Ingenieros de ]\Iinas dei Peru. 

» de Minas 

» dei Ministério dei Fomento. 

Trindade: 

Builctin of Miscellaneous Informations ( Bot. Depart). 

Uruguay : 
Anales dei ]\íuseu Nacional de Montevideo. 

Venezuela : 
Anales de la Universidad Central de Venezuela. 

EUROPA 

Âllemanha: 

Abhandlungen der Natur-hist. Gesellschaft in Nlirnberg- 
Berichte der Oberhessischen Gesellschaft fiir Natur- und 

Heilkunde, Giessen 
Berlincr Entomologische Zeitschrift 
Helios. Frankfurt ^O 
Mitteilungen aus dem Naturhist. Museum in Liibeck 

.» der Geograph. Gesellschaft u. des naturhist. Mu- 

seums in Liibeck 
Mitteilungen aus dem Osterlande 

» der geogr. Gesellschaft ( fiir Thiiringcn ) zu lena 



RELATÓRIO DE I9O4 37 



Nova Acta Academiae Caesareac Leopoldino-Carolinac Ger- 

manicae Naturae Curiosorum, Halle. 
Verhandlungen des Vereins fíir naturwissenscliaftliche Unter- 

haltung- zii Hamburg 
Verhandlungen des Naturwiss. Vereins in Karlsruhe 

» der ornithologischen Gcsellschaft in Baycrn 

Zeitschrift fiir Ethnologie. Berlin. 

Áustria : 

Academie des Sciences de Prague ( Buli. international ) 
Annalen des K. K. Naturhist. Hofmuseums 
Arbeiten aus dem zoologischen Instituí zu Graz 
Berichte des naturwiss. -mediz. Vereins in Innsbruck 
Bulletin international de TAcad. des Scienc. de Cracovie 
Chronik der Ukranischen Sevcenko-Gesellschaft der Wis- 

senschaften in Lemberg 
Katalog Literatury Naukowej Polskiej 
Mitteilungen der Erdbebenkommission (Wien) 
Sitzungsberichte der Kaiserl. Akademie der Wissenschaften 

Math. natur. Klasse. (Wien) 
Verhandlungen der K. K. Zoologisch-botanischen Gcsell- 
schaft in Wien 
Wiener entomologische Zeitung. 

Bélgica : 

Bulletin de la Société d'Etudes Coloniales 
Academie Royale de Belgique (Bulletin) 
Annales de la Société entomologique de Belgique 
Société Royale Belge de Géographie ( Bulletin ) 

França: 

Bulletin du Museum d'Histoire Naturelle. Paris 
» » Musée océanographique de Mónaco 

» de la Société Entomologique de France 
» » » » Linnéenne de Normandie 

» » » » Zoologique de France 

Résultats des campagnes scientifiques du Prince de jMonaco 
Travaux scientifiques de TUniversité de Rennes. 



38 RELATÓRIO DE I9O4 

Hespanha: 

Boletin de la Real Sociedad Espanola de Historia Natural 

» » » Sociedad Aragonesa de Ciências naturales 

BuUeti de la Institució Catalana d'Historia Natural 
Memorias de la Real Acad. de Ciências y Artes (Barcelona) 

Hollanda: 

Bulletin van het Kolonial Museum te Haarlem 
Natuurkundig- Tijdschrift voor Nederlandsch-Indie 
Tijdschrift voor Entomologie 

Inglaterra : 

The Journal of the Manchester Geographical Society 

Itália: 

Annali dei Museo Civico de Storia Naturale (Génova) 
Annuario dei Museo zoológico delia R. Univ. di Napoli 
Atti delia Società italiana de Scienzie Naturali e dei Museo 

Civico di Storia Naturale di Milano 
Atti delia Pontifícia Accademia Romana dei Nuovi Lincei 

» dei Istituto Botânico derUniversità di Pavia 
Bollettino delia Soe. Romana per gli Studi zoologici 

» dei Musei di Zoologia ed Anatomia comparata 

delia R. Università di Génova 
BoUetino delia Società geológica Italiana 

» » » entomologia » 

Redia, Giornale di Entomologia 
Società Geográfica Italiana (Bollettino e Memorie). 

Noruega : 

Nyt magazin for Naturvidenskaberne 

Portugal : 

Annaes das Sciencias Naturaes, publ. por Augusto Nobre. 



RELATÓRIO DE I9O4 SQ 



Archivo bibliographico da Bibliotheca da Universidade de 
Coimbra 

Communicações da Commissão do Serviço geológico de Por- 
tugal. 

Rússia : 

Horae Societatis Entomologicae Rossicae 

Bulletin de l'Académie impériale des Sciences de St. Pe- 

tersbourg 
Sitzungsberichte der Naturforschenden Gesellschaft bei der 

Universitát Jurjew. 

Suécia : 

Antiquarisch Tidskrift for Sverige 

Bergens Museums Aarbog 

Entomologisk Tidskrift 

Kongl. Vitterhets Historie och Antiqvitets Akademiens Ma- 

nadsblad 
Nova Acta Regiae Societatis Scienciarum Upsaliensium 
Upsala Universitets Arsskrift. 

Suissa : 

Bulletin de la Société Entomologique Suisse 

» » » » Vaudoise des Sciences Naturelles (Lau- 

sanne ) 
Bulletin de la Société. Botanique de Genève 
Mitteilungen der Naturforschenden Gesellschaft in Bern. 

> » Physikalischen Gesellschaft in Ziirich 

Naturwissensch. Gesellschaft in St. Gallen (Berichte) 
Société Neuchâteloise des Sciences Naturelles (Bulletin) 
» de Physique et d'Histoire Naturelle de Genève ( Com- 

ptes-rendus et Mémoires) 
Verhandlungen der Naturforsch. Gesellschaft in Basel 
Vierteljahrsschrift der Naturf. Gesellschaft in Ziirich. 

Africa : 

Annals of the South African Museum 

Berichte iiber Land und Forstwirtschaft in Deutsch-Ostafrika 



4Q RELATÓRIO DE 1^04 



Bolletino Agricola c commcrciale delia colónia Eritrca 
Buli. de Ia Société Kliédiviale de Gcographie (le Caire) 

Ásia : 

x\nnotationes zoologicae japonenses 

Circulares and agiic. journal of the R. Bot. (jardens, Ceylon 

Annals of the Royal Bot. (Jardens. 

Austrália: 

Proceedings of tlie Linncan Society of New South Wales 

Records of the Australian ^Nluseum 

Tiansactions of the Royal Society of South Austrália. 

Serviço meteorológico 

Este serviço continua a ser regularmente feito pelo 1.° 
preparador de zoologia, ajudado pelo sr. Ernesto Lohse que 
se tem encarregado espontaneamente da superintendência dos 
apparelhos registradores. 

Com especial satisfação registramos aqui o facto da 
installação de um posto de obser\'ações meteorológicas na 
colónia indigena de Santo António do Prata, posto do qual, 
a pedido da Directoria do IMuseu, se encarregaram os dignos 
frades agostinhos que dirigem actualmente aquelle estabele- 
cimento. A realisação deste desideratum, devida principal- 
mente á iniciativa e cooperação intelligente do Rev. frei 
Daniel Samarate, director da colónia, nos faz esperar que 
com o tempo será possivel crear uma rede de estações me- 
teorológicas em todo o Estado. A instrumentagem do posto 
em Santo António do Prata se compõe actualmente de ther- 
mometros normal, maximai e minimal, e registrador e um 
pluviometro. 

Frequência publica 

Como nos anteriores, foi bastante satisfactoria a afQuen- 
cia de visitantes durante o anno passado. Maior teria sido 
ainda se não se houvesse dado uma interrupção, de 4 até 23 



RELATÓRIO DE 1Q04 



41 



de abril, em que esteve o Museu com os seus annexos fe- 
chado ao publico por causa de alguns casos de peste verifi- 
cados entre os roedores do jardim zoológico. Após repetidos 
expurgos e desinfecções completas no edifício e dependências, 
não se manifestando novos casos suspeitos, foi o estabeleci- 
mento novamente franqueado a 24 de abril. 

Segundo os apontamentos do guarda-portão a frequên- 
cia foi a seguinte : 



janen'0 . 
fevereiro 
março 
abril . . 
maio . . 
junho 



7.797 


julho .... 


. . 11.173 


Ó.811 


agosto . . . 


. . 7.596 


9.548 


setembro . . 


. . 7.589 


3.992 


outubro . . 


. . 7.083 


9.888 


novembro . . 


. . 6.915 


7.561 


dezembro . . 


. . Ó.Ó84 


Total— 


-92.Ó37 




Donativos 





Como se vc na lista abaixo, foram também nesse anno 
numerosas as pessoas que mostraram o seu interesse pelo 
Museu com o offerecimento de presentes maiores ou me- 
nores. 

NOMES DOS DOADORES 



1 sr. J. Brown Stowell 

2 sr. Motta e Pereira 

3 dr. Thomaz Ribeiro 

4 major Gomes (Óbidos) 

5 frei Daniel de Samarate 

6 dr. Vicente Chermont de Miranda ( 11 vezes ) 

7 dr. Pernambuco ( 3 vezes ) 

8 sr. J. Progana ( Manáos ) 

9 sr. Manoel Lopes Martins ( 4 vezes ) 

10 sr. José Fernandes Antunes ( 2 vezes ) 

11 d. Luiza Maria do Nascimento 

12 sr. António Pinheiro de Souza Bastos 

13 sr. José C. Brazil Montenegro 

14 sr. A. V. Franco 

lõ dr. Barjona de Miranda 

16 barão de Tapajoz ( 3 vezes ) 

17 sr. Horácio Gomes 

18 sr. Manoel Baeiía ( 9 vezes ) 

19 dr. Francisco Miranda 



42 RELATÓRIO DE 1^04 



2U major Elieser Moysés Levy 

21 sr. Aureliano António Eirado 

22 sr. João Pereira Leite 

23 sr. Plácido Felippe Ribeiro (3 vezes) 

24 dr. Augusto Montenegro (2 vezes) 

25 coronel José Baena (4 vezes) 

26 major Sebastião Araújo ( 2 vezes ) 

27 sr. Sebastião Pacheco 

28 sr. António Ferreira 

29 sr. Joaquim Meirelles de Oliveira 

30 coronel Vinagre 

31 dr. Luciano C. da Silva Castro 

32 senador António José de Lemos ( 3 vezes ) 

33 commandante Raymundo Joaquim de Moraes 

34 capitão João de Souza Torres (Prainha) 
3.5 sr. João do Carmo 

36 sr. Annibal Pereira Guimarães 

37 engenheiro Paulo LeCointe ( 3 vezes ) 

38 sr. Pedro Marinho 

39 dr. Bento Miranda 

40 sr. Jayme Abreu 

41 dr. João Coelho 

42 sr. Frauciseo Siqueira Rodrigues 

43 engenheiro Francisco Bolonha 

44 sr. Amelio de Figueiredo 
4.Õ sr. Licinio Silva 

46 barão Sigismund von Pauragartten 

47 dr. Lobão júnior 

48 sr. Joaquim Antunes Monteiro ( 3 vezes ) 

49 sr. Scholz (Manáos) 

50 sr. José Maciel Guerreiro 

51 dr. Joaquim Lalôr 

52 coronel Raymundo José de Miranda 

53 sr. Scholz ( Manáos ) 

54 sr. José Militão de Carvalho Menescal 

55 sr. Pedro Lalôr 

56 sr. Rodolpho Paul 

57 deputado José Ayres Watrin 

58 sr, Manoel 

59 Carlos Uchôa Horácio Silva 

60 commandante Macedo 

61 alferes Apprigio Ribeiro da Silva 

62 dr. Brito Pontes 

63 capitão Anastácio Lima ( Rio Mojú ) 

64 sr. Victoriíio Rodrigues dos Santos Almeida 

65 sr. Henriíjue La-Rocque 

66 sr, José Procopio de Figueiredo 



O Director interino, 
( Sig. ) Dr. Jacqucs Huber. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 43 

PARTE SCIENTIFICA 



I 

Sobre uma collecção de Aves 

do Rio Purús 

pela Dra. E. Snethiage 

Auxiliar da secção de zoologia do Museu 



Nos annos içj03-1904 o nosso ]\fuseu mandou 2 expe- 
dições ao Rio Purús, cujos resultados ornitholog"icos vou pu- 
blicar nas seguintes paginas. As coUecções foram reunidas 
pelo pessoal do Museu nos mezes de Junho a Setembro de 
IQOS e de Fevereiro a Maio de 1904- Elias contêm 565 pelles 
em 193 espécies diversas (incl. ca. 15 pelles coUeccionadas 
em Fevereiro de 190Ó). 

O sr. conde Berlepsch, da Allemanha, teve a bondade 
de determinar a maior parte das pelles coUeccionadas, sendo 
tarefa fácil depois identificar o resto : o mesmo exímio espe- 
cialista também poz á nossa disposição as notas por elle feitas 
sobre a collecção, isto é a parte mais preciosa do trabalho 
seguinte. Encarregada da publicação dos resultados venho 
desempenhar o agradável dever moral de externar os calo- 
rosos agradecimentos do nosso Museu e os meus próprios 
ao eminente conhecedor da avifauna sul-americana. 

A região freque-ntada pelos colleccionadores, conforme 
as informações que me foram administradas pelo Sr. Dr. Hu- 
ber, chefe da secção botânica do Museu, que tomou parte 
n'uma das expedições, é coberta de mattas enormes só inter- 
rompidas por algumas roças perto das habitações humanas. 
Os lugares mais importantes onde se coUeccionou são : Ca- 
choeira, Bom Lugar. Monte Verde. Ponto Alegre no meio 
e alto Rio Purús e Antimary no baixo xlcrC;, localidades, 
cujas situações exactas são visiveis no mappa annexo. 



44 SOBRK UMA COI.LECÇÃO DE AVES DU RiO PuRÚS 

Foram colkccionados : 

Tupdidae : 

1. Tiiniiis igiioHlis dcbilis Hellm. 1 9- r^o""" í-ug-ar. 7. 

III 1904. 

2. Tiirdiís hanxiuclli Lawr. 2 cfcf- 1 9- Cachoeira, 

Ponto Aleo-rc. 6. VI. igo3— R'. 1904. 

« O Sr. Hellmayr comparou estes pássaros com aves 
« no British Muscum provenientes de Santa Cruz ( Ama- 
« zonas peruano ). íquitos e Pebas e os achou perfeita- 
« mente idênticos cum estas. » (Conde Berlepsch ). 

Timeliidae : 

3. Heleodyfes hyposticíus ( Gould. ) 4 cfcf- 3 9Ç, Monte 

Verde. Antimary. Rio Acre. Ponto Alegre. 21. II. — 
IV. 1904. 

4. Thriúpbiliis albipcctiis nijivcntris ( Scl. ) 2 cfcf, Pom 

Lugar, Monte \'crde." l. VIII. igoS.— 22. II. 1904. 

« Estes pássaros são os mesmos C[ue os do Rio Ju- 
« ruá. Diffei"em um pouco dos typicos no tom da cor, 
« todavia tão pouco, que uma separação não c bem 
«viável.» (Conde Berlepsch). 

5. Cypboriíiiis modiilator (D."Orb. ) cf, Cachoeira, 17. M. 

19o3. 

6. Microcerciiliis bicolor ( IV^s Murs) cf. Cachoeira. 23. VI. 

igo3. 

Emcjuanto temos os pássaros mencionados ate agora 
somente na nossa collecção da alta Amazónia, possuimos 
do ]\I. bicolor 3 pelles dos arredores do Pará. Elles são 
bastante differentes um do outro, mas um é quasi idên- 
tico com o pássaro do Purús. 

7. Donacobios atricapiUus ( L. ) 1 Ç. 2 iuv. ( no^'os ) 

]\lonte \'erde, Bom Lugar, 22. II. 1904. 

Os pássaros do Purús não se distinguem em nada 
d'estes da baixa Amazónia, (ronde temos 14 pelles na 
collecção do Museu. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 45 



Laniidae : 

8. Cyclarhis guianensis ( Gml. ) 1 ç^^ l 9. l gen. inc, 

Bom Lugar, Monte Verde, 25. VIL igo3— IV. 1904! 
Não se vé differença alguma entre elles e 9 pelles 
da nossa região. 

Hirundinidae : 

9. Progne chalybea (Gml.) 9. Cachoeira. 15. VI. 1903. 

10. Progne tapera (L. ') 1 cf, 2 99, Cachoeira. 29. VI. 

—6. VIL 1903. 

As duas espécies de andorinhas maiores do Rio 
Purús não se distinguem de espécimens das respectivas 
espécies provenientes do baixo Amazonas. 

11. Tachycineta albiventer (Bodd.) 2 cfcf: 2 99. Ca- 

choeira, Monte Verde, 6. VIL 1903 — 24. II. 1904. 
Idênticos com as pelles do baixo Amazonas. 

12. Atticora fasciata (Gml.) cf, Bom Lugar, 16. \\l. 1903. 

A collecção tem mais 2 d 'estes pássaros do Rio 
Capim e do Cunanv. 

Coerebidae : 

13. Dacnis angélica (De Fii. ) 2 çf (f , Antimary (Acre). 

3o. III. 1904. 

Em 3 machos da nossa collecção provenientes dos 
arredores de Belém, a cor azul da cabeça e do corpo 
é mais intensiva do c|ue nos pássaros do Purús. N'estes 
últimos o azul do alto da cabeça prolonga-se mais con- 
tra a nuca. 

14. Dacnis flavivent ris (Lafr. et D"Orb. ) 1 cT, 1 9 i^v.. 

Bom Lugar, Ponto Alegre, 3o. VIL 1903 — W . 19O-I. 

Este pássaro encontra-se também no Rio Tapajoz. 
Achei-o ha pouco tempo nas ilhas d'este rio sitas abaixo 
das cachoeiras, como por exemplo em Goj-ana, onde 
era muito commum. 



46 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 

Tanagridae : 

15. Euphouiú oíivaccn ( Desm. ) l cf- I^><>m Lugar. \'. 1904. 

16. Eiipho}!Ía iiicliniiira ( Scl. ) 1 cf. Monte \'crclc. I\'. 1904. 

17- Tana^rella Cíillophrys ( Cab. ) 1 9- Ponto Alco^rc. 6. 
IV. igo4. 

18. Calospi:^a chilcnsis ( Vig. ) 4 cfd^. 2 Ç9> Cachoeira, 
Bom Lugar. g. VL 1Q03— VII. 1Q03. 

ig. Calospi:^a boliviana ( Bp. ) 1 Ç. Bom Lugar. IV. 1904. 

Pássaro frccjuente no baixo .\mazonas. ao sul do 

rio, emquanto que ao norte se acha Cal. flaviventris 

( Vieill. ). que tem o lado inferio-r d'um amarello muito 

mais claio. 

20. Calospiíã schraiiki ( Spix ) 1 (f iuv.. Ponto Alegre, 

ly. igo4. 

O alto da cabeça d "este pássaro ainda novo é d 'um 
verde doui-ado com manchas pretas. Possuimos um ou- 
tro espécimen ( macho adulto do alto Rio Acre ) que 
só se distingue pela cór d'ouro do vértice. 

21. Calospi:(^a xaníbogastra (Scl.) 1 gcn. inc, Antimary 
(Acre), 2. \\. 1904. 

22. Tanagra coekstis (Spix) 2 cfcf- 2 9 9- Cachoeira. 

Bom Lugar. igo3 e igoó. 

23. Tanagra palmanim melaiioplera (Scl.) 1 (f . Cachoeira, 

2. Vil igo3. 

24. Khaiiipbocoeliís nigrogiilaris (Spix) 4 cfcT- 8 9 9' 

Bom Lugar, Monte \'erde. Ponto Alegre, 20. VII. 

1903 — II. 190Ó. 

Esta espécie se acha também no baixo Amazonas: 
temos algumas pelles provenientes de Monte Alegre, 
onde eu mesmo tive occasião de observal-a. 

25. Ramphocoeliis jacapa conucctens ( Berl. e Stolzm. ). 4 

dçf. 1 9- Pom Lugar. VII. igo3— V. igoó. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 47 



Os machos de Rh. jacapa, de Belém e dos arredo- 
res d'esta cidade distinguem-se dos pássaros do Purús 
principalmente pelo lusti-o purpúreo das costas. Todavia 
um macho da ilha de Maraji'^ é quasi irlentico com es- 
tes últimos. 

2Ó. Phoeilicothranpis rubra peruviana ( Tacz. ) 2 cf cf , 1 9' 

Cachoeira, 17. VI— 21. VI. IQOS. 

« Os pássaros do Rio Purús são idênticos com os 
« pássaros de Yurimaguas. d'onde provem pernanns 
« Tacz ». ( Conde Berlepsch ). 

27. Tachyphoniis ínctnosus ( Latr. et d'Orb. ) 4 cTc/'- 1 cf 

iuv.. 2 9 9, Bom Lugar. Monte Verde. 18. II. 
1903.— IA'. l(iO-1. 

A nos-a colIccçãM tairil)cii'i contem 2 pelles da baixa 
AmazíMiia. pi (A-enientcs de S. Miguel no (iuamá. 

28. Nemosia pileata (Bodd. ) l cf . 2 QQ. 2 iuv.. Monte 

Verde. Bom Lugar. 20.-24. II. 1^04 e lí. 190Ó. 

Alem d 'estes pássaros, a collecção do Museu ainda 
possue 17 pelles da baixa Amazónia, provenientes do 
lado esquerdo ( margem do norte ) do rio e das grandes 
ilhas de ^Marajó e .Mexiana. Mas parece que o pássaro 
não mora propriamente nos arredores da cidade. 

29. Cissopis leveriana ( Gml. ) 1 c^. 2 9 9- Cachoeira. 
Monte Verde. Bom Lugar, 5- VI. 1908— V. 1904. 

30. Saítator niaxiiuis ( Múll. ) 1 9. Bom Lugar. 10. MIL 

1903. 

Pássaro frequente na baixa Amazónia. 

31. Saítator a^arae ( D'Orb. ) 1 gen. inc. 1904. 

Muito frequente nas ilhas de Marajó e ]\Iexiana. 
Pelles d'este pássaro acham-se também na collecção dos 
arredores de Belém e do Rio Mojú. 

32. Pityliis grossas ( L. ) 1 9. Bom Lugar. II. 1904- 

Encontra-se também na baixa Amazónia. 

33. Pityltis hiimeralis (Lwr.) 1 cT, Bom Lugar, 17. ^■1I• 

1903. 



48 SoRRIÍ UMA COr.I.ECÇÃO DE AVES DO RiO PURÚS 



Fring-illidae : 

34. Sporophila casianeiventris (Cab.) 4 cfcT, 1 9- ^^orn 

I.ugar, 2. III. 1904 e II. igoó. 

O coii(') do Rio Tapajoz pertence á mesma espécie. 

35. Sporophila oceUaia ( Lit. et Salv. ) l cT, l 9 iuv. 

Bom Ru.uar. 21. III. ig05— IV. ig04. 

36. Paroaria o^itlúrh ( L. ) 3 cfcf. - 9 9- ^^m lAig-ar. 3. 

\m. 1M)3— 13. III. 1904. 

Pássaro tVcquenle na ilha de Marajó, em jMonte 
.\lcgre, no Rio Tapajoz. etc. 

37. Myospi:^ã aitrifrons ( Spix ) 1 cf- l 9- 1 ben. inc. 

'Cachoeira, Bom Lugar, 8. VI. igo3, II. IQOÓ. 

Encontrei este pássaro em todos os lugares no sul 
do Amazonas onde estive. Xo Xorte do Rio Sinil, ilha 
de Marajó, encontra-se um pássaro semelhante, entre- 
tanto de espécie differente. o M. manimbe ( Sicht. ). 

Icteridae : 

38. Gyiiinosliiiops \iiracariiiiii ( Ca.s. ) 1 çf . 1003. 

3u. Xanthorniis deciniiaiins ( Pa!l. ) l c/". 1 9- Cachoeira. 
30. VI. igo3— 5. VII. K;u3. 
Bastante frequente na l^aixa .\mazf)nia. 

40. Ictcnis croconoliis (Wagl.) l 9- f^*""'"' Rugar, 1904. 

Achei este j)assaro também em Monte Alegre. E' 
um dos melhoies cantadores c|ue conhece;, merece ver- 
dadeiramenti> o seu nome usual paraense de « rouxf/iol ». 

41. Lainpropsar tanaf^riíms (Spix) 3 cfcf. 5 9 9' Ca- 

choeiía. Bom Rugar. Ponto Alegre. Q. \'I. 1903 — 
lY. 1904. 

42. Molothnis honarieusis ( Gml. ) 1 9- Monte Verde. IV. 

1904. 

Passaio tVcfiuente na ilha de Marajó. Possuimo.s 
também uma pelle de Amapá, 



SOHRE UMA COLLECÇÃO DE AVES DO RiO PURÚS 4Q 



Typannidae : 

43. Copunis coloniis ( Yieill. ) 2 cfcf, 3 9 9' ^^om Lugar, 

Monte Verde, 28. VIL 1903—23. II. 1904. 

44. Pyrocephahis ruhineus (Bodd.) 11 cf cf' , 5 9 9' Ca- 

choeira, Bom Lugar, Monte Verde. 21. VI. 1903 — 
V. 1904. 

Uma outra pelle da nossa collecção vem de Monte 
Alegre. 

45. Myiohius harhatns (Gm.) 2 9 9' Bom Lugar. 5- 10. 

VIII. 1903. 

Temos outras pclles de Ourém, Guamá e do Rio 
Tapajoz. 

4Ó. Ochthoniis Httoralis (Pel/,. ) 1 cT- 1 gen. inc.. Bom 
Lugar. II. 1904. n. 190Ó. 

47. Todirostmm chrysocrotaphiim Strickl. ? 1 cf iuv.. Monte 
• ^>rde, 24. II. 1904. 

« Filhote que não se pode determinar com segu- 
« rança». (Conde Berlepsch). 

48. Todirostrum maculatum signatiim ( Scl. et Salv. ) 1 cf 

iuv., Monte Verde, 22, II. 1904. 

49. EuscartJmms poster ops ( Pelz. ) 1 cf' Monte Verde, 20. 

II. 1904. 

« An subsp. ? Distingue-se dos pássaros collecciona- 
« dos por Natterer ( * ) peia barriga mais vivamente 
« amarella. E' preciso comparar mais exemplares da 
«mesma localidade» (Conde Berlepsch). 

50. Suhlegaius fasciatus (Thunb.) l 9^ Bom Lugar, IV. 

1904. 

Outra pclle da collecção vem da ilha de Mexiana. 



(*) Confere Boi. do Museu Paraense, vol. I. pa^-. 189 e 
» » » « í IV. pas". 264. 



50 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



51. Legalits alhirollis (\"ieill.) 1 (f . Monte Verde. ig. 11. 

1904. 

Pássaro frequente na cidade de Belém e arredores. 

52. Myio:{etetes siniilis ( Spix ) 2 9 9- Cachoeira. Monte 

Verde. 6. VI. iCjoS. 27. II. 1904. 

53. Mvio:(^etetes ^raiiadensis ( Lawr. ) 1 cf. Bom Lugar, VII. 

1903. 

54. Rhynchocycins viridiceps ( Scl. e Salv. ) 1 9- Monte 

\'erde. 25. VL 1904. 

55. Sirystes alhocUierens ( Scl. e Salv. ) 1 9 • ^^^^"^ Lugar. 

22. VII. 1903. 

«Idêntico com pássaros de Bogotá». (Conde Ber- 
lepsch ). 

5Ó. Megarhynchiis pita)i^iia ( L. ) l cf, l 9- ^^^om Lugar. 
17. VII. 1903. A'. 1904. 

P^xiste na collecção mais um espécimen d"este pás- 
saro de Cussary. baixo Amazonas. 

57. Cuipodcctes snhhntnnetis Niiiior {Sc[.) l çf . 19. VI. 1903. 

Pipridae : 

58. Pipra fasciicauda (Hellm.) 11 cfrf- -' cTcf iuv.. 2 

99. Bom Lugar. P(jnt(» .\legre. Monte Verde. 20. 
III.- \'. 1904. 

59. Pipra rubricapiíla (Temm.) l cf. 1 9- Cachoeira, ló. 

- 24. W. 1903 

« Pei feitamente idêntico C(jm espécimens da Bahia ». 
( Ctinde IUm Icpsch ). 

ó(J. Pipra coelesli-pileata ( Goeldi ) (*) 2 cf (f . 1 9- Cachoei- 
la. 19.— 24. W. 1903. 

61. Cirrhopipra filicaiida (Spix) 5 cfcT- Cachoeira, 8. VI. 
—2. VII. ic^)3. 



(*) Confere o trabalho seguinte n'este mesmo Boletim, 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 51 



Ó2. Scoiothorus tiirdinns ama^onus ( Scl. ) 1 9 ' I^om Lu- 
gar. IV. ig04. 

63. Schijfornis maior (Bp. ) I çf , Rom Lugar. 1. III. 1904. 

Coting"idae : 

64. Tityra cayana ( L. ) 1 cf. ig04. 

Frequente na baixa Amazónia. 

65. Tityra seiíiifasciata (Spix) 1 9- Caciíoeira. 10. \'l. 

igo3. 

Temos mais 4 pelles d"este pássaro de Marajó e 
Maracá. 

66. Hadrostomus minor ( Less. ) 3 9 9- <"achoeira. Bom 

Lugar, Ponto Alegre. 3. Yll. igo3— IV. ig04. 
Acha-se também em Belém e arredores. 

67. Pachyrhamphus niger (Spix) 2 cTcT, Monte Verde, Bom 

Lugar, 28. VIL igo3— 26. II. ig04. 
Frequente no baixo Amazonas. 

68. Lathria cinerea (Vieill. ) l cf- 2 99. Bom Lugar, 

Monte Verde, 20. VI. 1908— 18. II. ig04. 
O cricrió é um dos pássaros mais frequentes nas 
nossas matas virgens. 

6g. Aitila holivianus (Lafr. ) 1 cf, Cachoeira. 3. VII 
igo3. 

«Não se distingue dos pássaros de jNIatto Grosso». 
( Conde Berlepsch ). 

70. Cotinga maynana (L.) 3 cfcT, 1 9' Bom Lugar. 25. 

VIL 1903— ig04. 

71. Oíierula purpurata (P. L. S. Mull.) 1 cT- l Ç ■ Cà- 

choeira. 8. VI. igo3. 
Frequente na baixa Amazónia. 

72. Gymnoderus foetidus (L. ) 1 cf- Monte Verde. 25. 11. 

1904. 



52 Sobre uma collecçAo de aves do Rio Purús 



3 |X'1.1l's (la collccção provém de Delem mesmo c 
da ilha .Mexiana. 

73. Cephaloplcnis oníatiis ( Geoffr. ) 

í/ma cabeça : presente de Índios. 

Dendpoeolaptidae : 

74 Fiiniariíis spec. 2 cTcf. 3 9 9.1 gen. inc. Cachoeira. 

Bom Lugar. 8. VI 1903 — V. 1904. 

« E' preciso comparar estes pássaros com uma serie 
« grande do Este da Bolivia. F. torridiis do alto Ama- 
« zonas e geralmente d'um colorido mais escuro. Toda- 
« via Hellmayr diz que entre os pássaros escuros do 
« alto Amazonas também acham-se alguns perfeitamente 
- « idênticos com os do Purús. Devem-se fazer investi- 
« gações mais exactas». (Conde Berlepsch ). 

Uma pelle que ficou aqui também differe dos outros 
pássaros do Purús pela cor mais escura, especialmente 
do lado inferior. 

75- Synaííaxis gitiamnsis ( (ím. ) 2 cfcf- 1 9' Monte Ver- 
de, Bom Lugar, 19. II. — 22. III. 1904. 
« Os indivíduos do alto Amazonas e do Rio Purús 
« têm o lad(.) inferior um pouco mais tirando ao ver- 
« melho que os pássaros da Guyana ». (Conde Berlep- 
sch ). 

As pelles do Purús são idênticas com algumas das 
nossas da baixa Amazónia. Outras tem o lado inferior 
um pouco mais claro. 

70. SynaUaxis Ditisíclina ( Pclz. ) 1 cT. Monte \'erde. 2. II. 
' IQ04. 
Temos na collecção um outio espécimen de Monte 
Alegre. 



/ /• 



Siploniis vulpina alopecias ( Pelz. ) 2 (f çf' . 1 9- ^ 
iuv.. Cachoeira. Bom Lugar. Monte Verde. 2. VII. 
1903.— R'. 1904. 

78. Siptornis hypQSticta (Pclz.) l 9 i"^'-- Cachoeira, 1. 

VII. 1903. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



79. Automolus ochrolaemus tnrdinus (Pelz. ) 1 cf' iuv.. Ca- 

choeira, 9. VI. 1903. 

80. Philydor rufipileatus (Pelz.) l 9» "^om Lugar, 19. III. 

1904. 

81. Philydor erythrocercus (Pelz.) 1 9 ^ 20. VI. 1908. 

Frequente no Pará. 

82 Xenops genibarbis {lllig.) 1 9- Cachoeira, 12. VI. 1903. 
Frequente no Pará. 

83. Sittasomus aina^^oniis (Lafr. ) 1 cf, 1 9-1 ê^^n. inc 

Monte Verde, Ponto Alegre, 23. II.— IV. 19O-I. 
Encontrei este pássaro também nas margens do 
Tapajoz. 

84. Dendrornis rostripalhns ( Des Murs ) 3 cf cf , l 9 ' - 

gen. inc, Cachoeira, Bom Lugar, Ponto Alegre, 
Monte Verde, 7. VI. 1903. IV. 1904. 

85. Dendrornis ocellata (Spix) 1 9? ^om Lugar, 17- IH- 

1904. 

86. Dendroplex picas wieneri (Des Murs), 1 9i Monte 

Verde. 27. II. 1904. 

« O pássaro do Rio Purús tem o bico mais com- 
« prido e mais forte, o peito e barriga um pouco mais 
« brunaceo (menos olivaceo), costas, azas e cauda 
« mais escuras que os pássaros da Guyana : por isto 
« é preciso separal-o sob o nome acima mencionado ». 
(Conde Berlepsch). 

Também nossa serie de 37 pelles baixo-amazonicas 
distingue-se pelo sua cor do pássaro alto-amazonico 
segundo a descripção do Conde Berlepsch. Mas o com- 
primento do bico varia muito nos primeiros. Tem en- 
tre elles alguns indivíduos com bico tão comprido e 
pelo menos tão forte como o do espécimen de D. wie- 
neri do Purús. 

87. Dendrexetastes devillei (Lafr.) 2 99. Bom Lugar. 

Ponto Alegre. 7- VIII. 1903— IV. 1904. 



54 Soure uma collecçAo de aves do Rio Purús 



88. XiphocoJaptcs proiiicropirhvndvis subsp. nov, 1 cf. Ca- 

choei ia. 17. yi- 1Q03. 

« l)istinL;uc'--e de todos os nicinbríjs do s^rupo pro- 
« ineropirbynchiis pela falta quasi completa das fachas 
« de manchas pretas no meio da barriga, pelas estrias 
« brancas das hastes das pcnnas muito mais largas no 
« alto da cabeça e na nuca. c pelas margens cinnamo- 
« meãs das ]K'nnas da bai"riga. que não e.\i4cm nas 
« outras espécies do grupo proiiicroptrbyncbiis (existem 
« porem nas do grupo X. maior ). Distinguem-se ainda 
«pelo bico mais claro ( branco ) e muito mais comprido 
« que nas espécies promeropirhynchus ( mas não tão 
« comprido que no X. orenocensis B. et Hart. ) ». ( Conde 
Berlepsch V 

Nada tenho a acci"escentar a esta desci-ipção. Como 
o Sr. Conde ISerlepsch U:\c a bondade de me ceder a 
escolha rio nome para a espécie nova. eu proponho 
chamal-a : 

Xiphocolaptes promeropirhynchus berlepschi 

em linnra do illu-^tic Dinithologista. 

89. Nasica loií^iroslris (\'ieill. ) 1 cT. Ponto Alegre, IV. 

1904. 

A coUccção contém mais 5 pelles d'estc pássaro 
singular da l)aixa Amazónia. 

(■jO. Dcndrocincla pbacochroa ( Berl. et Hart.) 1 cf. Ca- 
choeira. 18. \l. \Cjo3. 

gi. Dendrocolaptes ccrtbia juniaiuis ( Ihering ), 1 cf, 1 9» 
Cachoeira. Hom Lugar. 1. VII. IQOS. — V. 1904. 
« Subespécie que se distingue muito pouco de D. 
« certhia. Os pássaros do Purús são idênticos com os do 
«Rio Juruá ». (Conde Berlepsch). 

Comparando as 2 pelles alto-amazonicas com 6 es- 
pécimens de D. certhia do baixo .Vmazonas, aclio que 
3 dos últimos ( do Rio (iuamá c de Belém ) tem fra- 
cas estrias transversacs nas costas, mas que certamente 



Sopre uma collecção de aves do Rio Purús 



00 



não são tão distinctas como nos pássaros do Purús. 3 
pelles do Rio Tapajoz tem as costas olivaceas sem 
indicação nenhuma de estrias. 

Formicariidae : 

92. Tbaiunophihis iiidan/inis ( Gld. ) 5 cTc/. 1 Ç, Cachoeira. 
Bom Lugar, Monte Verde, 10. VI. igo3 — 27. II. 
1904. 

q3. Tbaiiviophilns radiatiis siibradiaíns ( Berl. ) 3 cfcf- 5 
9 Ç;- Cachoeira, Bom Lugar, Monte Verde, Ponto 
Alegre, 6. VII. igo3— V. 1904 e II. 1906. 

94. Thamnophiliis nifcollis (Spix) 1 cf iuv., Bom Lugar, 
2. III. 1904. 
Pássaro muito frequente nas matas do Pará. 

95- Thawnophilus jiinianus ( Ihering ) 1 cT, 1 Q, Monte 
Verde, 20. II. — IV. 1904. 

« Idêntico com os pássaros typicos do Juruá». (Conde 
Berlepsch ). 

96. Py^otila stellaris (Spix) 4 cf çf . l Ç. Bom Lugar. 

Ponto Alegre, 1. VIII. 1903.— IV. 1904. 
Frequente na baixa Amazónia. 

97. Dysifbainnus schistaceiís ( D'Orb. ) 1 cf, 1 cf iuv., 1 

9: Ponto Alegre, IV. 1904. 

« Não differe dos pássaros t3qDÍcos da Bolívia ». 
( Conde Berlepsch ). 

98. Thmnnoinanes gíaucus ( Cab; ) 1 cf, 1 9i Ponto Alegre, 

5.— ó. IV. 1904. 

99. Myrrnotheritla pyginaca ( Gml. ) 2 cTcf, 1 9- ' \)Vi\\.. 

Bom Lugar, 3l. VII. 1903.— 20 III. 1904. 

100. Mynnotheriila giittiiralis leiícophthãliiia ( Pelz. ) ? l çf^ 

Bom Lugar, 18. VIL 1903. 

Relativamente a este pássaro e a um outro da ilha 
de Marajó o Conde Berlepsch escreve : 

« Estes pássaros distinguem-se de M. gnftiiralis Sol. 
« et Salv., de Cayenne e da Guyana ingleza pelas co- 



56 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



« berteiras exteriores das azas brunaceo-ennegrccidas 
« em logar de olivaceo-brunaceas com as manchas das 
« pontas ferrugineo-amarellas e maiores. Alem d'isso 
« elles são alliados a M. sororia Herl. et Stnlzm. ( typ. 
« ex Rio Tigre ): porem elles se distinguem d"esta es- 
« pecie pelas manchas brancas nas pontas das pennas 
« maiores do pescoço ( tah'ez diffcrença individual ) e 
« pela cauda l)runacea avermelhada e não brunaceo- 
« ennegrecida. K' provável que elles pertençam á cs- 
« pecie M. hiicophlhaíina (Pelz. ). descripta como For- 
« micivora hucophthalma ( Ç do Salto de Girão. Rio 
«Madeira). O pássaro da ilha de ]\Iarajó se distingue 
«do pássaro do Purús pelo lado superior tirando mais 
«ao bruno-avcrmelhado (não bruno-cinzento ). a cor 
« cinzenta do peito inferior mais extensa, e a cor da 
« barriga mais pallida. Na còr do lado superior o pas- 
« saro assemelha-se mais ao t^^po de M. sororia do Rio 
« Tigre. Não posso assegurar com o parco material 
« existente até agora^ se estas diíferenças da côr são 
« constantes ». 

O Conde accrescenta que seria interessante compa- 
rar machos adultos do Rio Madeira. 

101. Myriíiotberulã hneniatoiíota ( Scl. ) 1 cf. 1 9- Cachoei- 

ra, i3.— 16. VI. igo3. 

Encontrei este pássaro tamisem no Rio Tapajoz. 

102. Myrilloíberiila haiixwcJH {^ Scl. ) 1 9 • ^^^^n Lugar. 3. 

Vlll. 1903. 

Distingue-se de M. bclhiiayri Sn. do baixo Amazo- 
nas pela mancha branca nas costas, pelo pescoço es- 
branquiçado e pelo colorido geralmente mais pallido 
do lado inferior. 

103. Myrmolhenila axiííaris (Vieill.) 2 cfcT. Cachoeira, 23. 

VI. 1903—1 go4. 

A espécie mais frequente de Myrniotbernla na nossa 
região. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 57 



104. Myrtiiofhenila iiiiiior (Salvad.) 1 cf, Bom Lugar, 10. 

II. 1904. 

105. Mynnothenda menetricsi ( D"Orb. ) 2 çf çj" , 2 9 9- ^(^'[^ 

Lugar. Monte A'eide, Ponto Alegre, 10. VIII. igoS 
—5- IV. 1904. 

lOÓ. Foniiicivora consohrhia (Sol.) 1 c/", 1 Ç, Bom Lugar, 
5. VIII. 1903. 
Se acha também no Rio Tapajoz. 

107. Myrmdastes hyperythnis (Gld.) 6 cf çf . 1 (f iuv., l 9' 

Bom Lugar, Monte Verde, Ponto Alegre, 5. VIII. 
1903— IV. 1904. 

108. Myrmelasfcs sp. nov. 1 cf, 1 9' I^o^n Lugar. Ponto 

Alegre. 21. VIL 1903 — IA" 1904. 

« Esta espécie nova c alliada ao M. iiielanoccps 
«(Spix). mas o macho differe do macho d'aquella es- 
« pecie por uma grande mancha branca nas costas, 
« que falta totalmente na ultima, pelas azas mais com- 
« pridas, cauda mais comprida, cujas pennas mostram 
« um encurtamento gradual mais accentuado do centro 
« para os lados, e finalmente pela cor preta do corpo 
« mais apagada. 

« A fêmea differe totalmente da de M. íuelanoceps : 
« lado superior vermelho ferrugineo claro, grande man- 
« cha branca nas costas meio escondida, alto da cabeça 
« ferrugineo-brunaceo, fronte, loro (região entre o olho 
« e o bico ) e lados da cabeça cor de ardósia ennegre- 
« cida ; pescoço branco ; peito e barriga bruno amarel- 
« lado, esbranquiçado no meio». (Conde Berlepsch). 

A cor geral do macho é um preto sem brilho, to- 
das as pennas têm largas bases cinzentas ; mancha 
branca nas costas; parte das pennas das coberteiras 
exteriores pequenas e das pennas do encontro brancas, 
íris: encarnada. Comprimento total 200 mm. ( cf ). 
195 mm. (9 ) : azas : 92 mm. ( çf ). 89 mm. ( 9 ) : cauda : 
83 mm. {(f ), 74 mm. ( 9 ): bico: l3 mm. ( cf)- H mm. 
( 9 ) : tarso : 33 mm. 



58 SOCRE UMA COLLECÇÃO DE AVES DO Rló PURÚS 



Dedico esta espécie nova ao illustre sábio que mais 
que nenhum outro contribuio a tornar conhecida a avi- 
fauna amazonica. e chamo-a: 

Myrmelastes goeldii. 

lOQ. Ccrconiacra caerulescens sclateri (Hellm.) l cf. l 9» 
Bom Lugar. 1.— 21. VII. igo3. 

A coUccção contem mais duas pelles dos rios Gua- 
má e Capim. 

110. Cercomacra approximans ( Pclz. ) 2 9 9- ^íonte Verde, 

25. II.— IV. IQ04. 

111. Sclateria arf^cnlata ( Dc^ Murs ) 1 cf- Ponto Aleg-re. 

IV. igo4. 

112. Hxpociieiiiis caiitator pcruvianiis ( Tacz. ) 2 cfcT, Bom 

Lugar. 3. Mil. igo3— 1904. 

Algumas pelles do Rio Tapajoz só diiíercm pela 
estria no meio da cabeça um pouco mais larga. 

113. Hxpocnciuis nuiciilicnuda ( Pelz. ) 1 cf. 1 cf iuv.. Ca- 

choeira, Ponto Alegre. 1. MI. 1903 — IV. 1904. 
O pássaro mora também por aqui (Rio Capim). 
Encontrei-o frequentemente nas ilhas do Rio Tapajoz. 

114. Hypocncuiis iiiyolherina melanolacDia ( Scl. ) 1 cT, Ca- 

choeira. 24. VII. igo3. 

115. Hypociwinis Iciicophrys (Tsch. ) 8 cfcf- 2 (f çf iuv., 3 

9 9' Cachoeira, Bom Lugar, Monte Verde. 6. M. 
igo3. — 26. II. 1904. 

Alem d 'estes tem na collecção pelles de Cunany e 
do Rio Tapajoz. 

116. Dichro:(0}ia cincta (Pelz.) 1 9' Cachoeira. 17. M. 

1903. 

117. Gymuúpilhys spec. nov.? ( an — nielanostitta ( Scl. et Salv. 

ad.) 2 cfcf- Cachoeira. 19. — 23. VI. 1903. 
« Hellmayr conipaiou um dos pássaros do Purús 
«com o typ(j de G. iiiclaiiosticla (Scl. et Salv.). EUe 



Sobre u.via collecção de aves du Riu Pl'rús õg 



« é de opinião, que este pássaro representa a pluma- 
« gem dos adultos de G. melanoshcta ( Sol. et Salv. ). 
« Mas o typo tem estiias pretas na paiie media das 
« costas, nas coberteiías exteriores e nas ultimas remiges 
« dos braços, emquanto que estas estrias faltam total- 
« mente nos pássaros do Purús. E' possivel que Hell- 
« mayr tenha razão : mas pode se justificar o procedi- 
« mento de descrever o pássaro do Purús provisoria- 
« mente como espécie nova, como elle differe bastante 
« no colorido de G. nielanosticta. » ( Conde Berlepsch ). 

A cór geral do pássaro é olivaceo-brunacea tirando 
ao vermelho especialmente nas costas. Azas brunaceo- 
vermelhas, as remiges com pontas escuras ; coberteiras 
exteriores das azas e pennas do interscapulio com es- 
trias escuras mais ou menos distinctas nas hastes. Parte 
basal do lado inferior das remiges cinnamomeo claro, 
coberteiras interiores das azas olivaceas. Cauda bruna- 
ceo-cnnegrccida ; mento, lados da cabeça e uma estria 
sobre o olho pretos: alto da cabeça olivaceo-cinzento 
claro. Pés escuros : maxilla escura, mandíbula mais 
clara. «íris bruna; pelle nua ao redor dos olhos azul». 

Comprimento geral: 103-105 mm. Azas: 78-82 mm. 
Cauda: 55-57 mm. Bico: 19-21 mm. Tarso: 25-28 mm. 

Caso que seja verificada a novidade d'esta espécie, 
proponho para ella o nome : 

Gymnopithys purusianus 

118. Fonuicariíis analis ( Lafr. et d'Orb. ) 2 çf (f ■ l 9- 
Bom I.ugar. 20. YII. igo3— 13. II. ig04. 

IIQ. Forimcariíis colma nionfrons (Gld.) 19^9 ^^^'■■ 
Bom Lugar, Ponto Alegre, 25. VIL 1903— R'. 1904. 

120. Grallaria berlepschi (Hellm.) 1 cf. IcT iuv. líom Lu- 
gar, 16.— 17. Ill- 1904- 

« O Sr. Hellmayr mesmo reconheceu estes pássaros 
« como pertencentes á sua espécie G. hcrJepschi.» (Conde 
Berlepsch ). 



6o S(-)I!RI'; UMA CíiLLECCÃO DF, AVES DO R[0 PuRÚS 



Conopophag-idae : 

121. Coiiopopbãf^a peniviaiia ( Des j\lurs) 2 cf çf , Bom Lu- 

gar, Ponto Alegre, 3l. III.— IV. 1904. 

« Comparando estes espécimens com um macho adulto 
« do Este do Equador, notei algumas differenças. Mas 
« o Sr. Hellmayr me escreve que os pássaros do Purús 
« são perfeitamente idênticos com espécimens topotypi- 
« cos do Amazonas peruviano ». (Conde Bcrlepsch ). 

Trochili : 

122. PhaèlODiis filippii (Bourc. ) 1 gen. inc, Cachoeira, VI. 

igo3. 

A pelle foi conservada em formol ; mas ella é fácil 
a reconhecer pelo bico direito e a C(jr fcrruginea do 
lado inferior. 

Caprimulg-idae : 

123. Hyiíropsalis cliuiacucerciis ( Tsch. ) 1 cf, 1 Ç, Monte 

Verde, 23. II. — IV. 1904. 

« O macho tem a cauda muito mais comprida que os 
« meus pássaros do Peru c da Bolivia. O lado supe- 
« rior parece mais claro, puxando mais pelo ferrugineo. 
« Especialmente o vértice é o mais claro, marcado com 
« manchinhas pretas. As azas são um pouco mais com- 
« pridas ». ( Conde Berlepscii ). 

124. Chordeiles nipestris ( Spix ) 3 cfcf. ó ÇÇ, l gen. 

inc. C"achoeira, Bom Lugar, 4. — 2S. VII. lÇj03. 

125. Anírostomus párvulas ( Gld. ) 1 cf iuv., 1904. 

Acha-se também na ilha de Maiajó. 

Picidae : 

126. Meíanerpes cnienfatns ( Bodd. ) 7 cTcf. 4 ÇÇ, Bom 

Lugar, Monte Verde, Antimary ( Acre ), 20. VII. 

1903.— V. 1904. 

A estria amarella da nuca é muito distincta em to- 
dos estes pássaros, emquanto que ella parece apenas 
indicada em alguns espécimens da baixa Amazónia. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 6i 



127. Veniliornis ruficeps haeinaiosHgma ( Mnlh. ~) 1 cT. 1 cf 

iuv., Bum Lugar, 18. VIL IQOS. 

O coloiido c geralmente um pouco mais pallido que 
em F. ruficeps ( Spix ) do baixo Amazonas. 

128. Veniliornis a^ilis (Cab. et Heine) 2 cfcf, Ponto Ale- 

gre, Bom Lugar, IV. 1904. 

129. CrocoDiorphiís flaviis ( Miill. ) 1 cf, 2 Ç 9 ? Pt^i^itc •^■^^e- 

gre, Bom Lugar, IV. 1904- 

« subsp. Os pássaros do alto Amazonas se distinguem 
« do C. flavus typico pelos remiges do braço, as barbas 
« exteriores dos remiges da mão e as pennas maiores 
« das coberteiras exteriores das azas cor de fumaça 
« misturado com um pouco de cinnamomeo unicolor ». 
' (Conde Berlepsch ). 

No C. flavus do baixo Amazonas o colorido cinna- 
momeo das azas desapparece ainda mais que nos pás- 
saros do Purús. Em alguns espécimens não tem mais 
vestigio d'elle. 

130. Celeus grammicus (xMalh. ) l cf , Bom Lugar, 18. VII. 1903. 

l3í. Campephilus melanoleiíciís { Gm. ) 2 9 9- Cachoeira, 
1. VIL— 2. IX. 1903. 

Na collecção tem espécimens da baixa Amazónia 
( margem do norte do rio e Marajó ) e de j\íaranhão. 

132. Campephilus rubricoílis ( Gm. ) 1 cf. Bom Lugar, 29. 

VII. 1903. 

Comparando o pássaro com ló pelles de C. trache- 
lopyrus Malh. do baixo Amazonas não acho differença 
alguma. 

133. Pícumnus rufiventer ( Bp. ) 1 iuv.. Ponto Alegre, IV. 

1904. 

Alcedinidae: 

\3A.Ceryh inda ( L. ) 1 cT, Bom Lugar. 22. VII. 1903. 

Muito frequente na baixa Amazónia como também 
a espécie seguinte. 



Ó2 SnliRE UMA CdLLECÇÃO DE AVES Y)() Ri') PuRÚS 



135. Cat\Ic aiiicricíVin ((hn.) 1 c/, 1 9- ^í<jnte \"crdc. 

líum Luoar. I\'. lc/)4. 

Momotidae : 

136. Mouiúl/is iiKirlii (Spix) l Ç, Oco do mundu, 27. VIII. 

igo3. 

Collcccionci mais 2 espécimens d 'este bonito pássaro 
no mcz de Janeiro em \ illa Braga, Rio Tapajoz. 

137. Moiiioliis iiioiiiola ( L. ) 3 cTcf. 2 9 9- Cachoeira. 

Ponto Alegre, Bom Lugar, 1. VII. 1903 — V. ig04. 

« Os pássaros são essencialmente idênticos com um 
« individuo da (uiyana ingieza e com um outro da Barra 
«do Rio Negro ( coll. Xatt.): só a mancha castanha 
« da nuca é menor e não tão bem pronunciada, e as 
« azas são um pouco mais curtas. M. moDiola paraense 
« do Pará tem a mancha da nuca castanha escura e 
«muito bem destacada». (Conde Berlepsch ). 

Nos nossos 18 espécimens do baixo Amazonas (to- 
dos provenientes dos arredores de Belém ) a mancha 
castanha da nuca não é igualmente bem pronunciada 
em todos os indivíduos. Alguns d'elles a têm mesmo 
mais pallida do que um dos espécimens do Purús. Km 
2 outras pelles de Alonte Alegre ella falta totalmente. 

Trog-onidae : 

138. Troc^oti airirollis ( \'iei[l. ) 1 çf . 17. M. 1903. 

Possuimos também 2 pelles baixo-amaz(jnicas. 

l3(j. Trtn^oii violarciis ( Cím. ) 1 9- í^'^""' Lugar, l VII. 1çxd3. 

Em nada differe d'uma fêmea de Microtrogon ranio- 

niaiuts ( DeA'. et Des Murs ) na collecção do Museu. 

140. Tragou viridis ( L. ) 1 9' 20 \l. igo3. 

Surucuá miuto frequente na baixa Amazónia. 

141. Trocou Diclaniirns ( Sws. ) 1 cf, 2 9 9' Cachoeira, 7- 

— 3o VI. igo3. 

Frequente nf) baixo Amazonas. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 63 



Capitonidae : 

142. Capito am agoniais (IJes ^Níurs ) 2 cTcT, 2 ^ Q ,Vo\-\{o 

Alegre. IV. 1904. 

143. Capito aurantiicoílis (Scl. ) 3 cfcf, 1 cT inv.. 3 9 9. 

Cachoeira, Ponto Alegre. Bom Lugar. Canacurv. 3. 
VII. 1903 — IV. 1904. 

Rhamphastidae : 

144. Rhaniphastos cuvieri (Wagl. ) 2 cfcT, 1 9' Bom Lu- 

gar, l3. VIII. 1903—19. IV. 1904. 

A fêmea tem o bico muito menor que os machos, 
apenas maior que o bico de Rh. cnlviinatiis ( íjid. ) 
Alas elle pode bem distinguir-se do ultimo ( que tem o 
colorido quasi idêntico ) pela fossa concava aos lados 
da cumieira do bico. 

145. Pteroglossus castanotis ( Guuld ) 2 cfcf. 1 9- l gen. 

inc. Cachoeira. Oco du Mundo, Bom Lugar, 7- VI. 
1903. — 13. II. 1904. 

14Ó. Pteroglossus fi avir o stris ( Fras. ) 2 c^cT, Ponto Alegre, 
IV. 1904- 

147. Pteroglossus beaiiharnaisi (Wagl.) l gen. inc, 1903. 

Galbulidae : 

148. Galbula tombacea cyanescens (Dev.) 7 cTcf, 4 9 9- 

Bom Lugar, Monte Verde, Ponto Alegre, II. — IV. 
1904- 

149. Galbula cyaneicollis ( Cass.) 1 cf. Cachoeira, 17- VI. 

1903. 

O Conde Berlepsch chama a minha attenção para 
o facto que o pássaro do Purús tem o lado inferior 
muito mais escuro que uma fêmea ( proveniente do 
Pará) da sua collecção, que elle tem também menos 
colorido azul nos lados da cabeça e o bico mais com- 
prido e mais escuro. Todavia estas differenças não pa- 



64 SOBRF. U.MA a^LLECÇÃO DE AVES DO RiO PuRÚS 



recém de grande valor, visto que as fêmeas de G. 
cyaneicollis sempre tèm o lado inferior muito mais pal- 
lido que os machos, que o colorido azul mostra grande 
variação, e que o comprimento e a cor do bico diffe- 
rem muito também nos espécimens da mesma região. 
Um macho de ]\Ionte Alegre na nossa collecção tem o 
bico todo amarello. O pássaro do Purús não tem ca- 
racter nenhum que não se ache também num ou outro 
dos l3 pássaros do baixo Amazonas com os quaes o 
comparei. 

150. Brachygaíba albigiiJaris (Spix) 1 cf . l 9- Monte Verde, 

18. II. 1904. 

151. Gallmicyrhvnchus piinisianiis ( Goeldi ). (*) 4 cfcf- 5 

9 9-4 .yen. inc. Bom Lugar. Monte Verde, Ponto 
Alegre. l-S. VII. igo3.— IV. 1904. 

152. Jacamerops áurea (P. L. S. Miill.) 2 cfcf- l 9- ^'-'"i 

Lugar, l3.— 15. MIL igoS. 

Acha-se também na baixa Amazónia. 

Bucconidae: 

153. Biicco dysoiii hyperrhynchiis ( Bp. ) l 9-20. VI. 1903. 

Idêntico com algumas das nossas pcUes baixo-ama- 

Z( micas. 

154. Biicco inacrodactxlns (Spi.\), 2 çf cf . l 9- ^Monte Verde, 

Bom Lugar 22. II. — 12. III. 1904. 

155. Malacoptila rufa (Spix) l 9- Cachoeira. 19. M. 1903. 

Acha-se tamisem no baixo Amazonas. 

156. Monosa flaviroslris ( Strickl. ) 2 cfcf- Bom Lugar, 

]\íonte Verde. l3. II.— IV. 1904. 

157- Monosa peruana (Scl.) 1 cf, 2 9 9- Cachoeira. 17. 
— 20. \'I. 1903. 



( * ) Conf. o trabalho seiíuinte neste Boletim. 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 65 



158. Monosa nigrifrons ( Spix) 4 cTcT. 5 9 9, Bom Lu- 
gar. Cachoeira, g VI. IQOS. l3. 11. 1904. 
« O colorido dos pássaros do Purús é geralmente 
« um pouco mais claro do que o dos pássaros do Ama- 
« zonas peruano». (Conde Berlepsch). 

Não posso achar differença entre os pássaros do Pu- 
rús e 5 pelles do baixo Amazonas na nossa collecção. 

159- Chelidoptera tenebrosa (Pall.) 5 çfçf, 3 99, Bom 
Lugar, 10. VIL igoS. 2 II. 1904. 
Muito frecjuente na baixa Amazónia. 

Cueulidae : 

160. Piaya cayana siibsp. nova? 2 9 9-1 gen. inc, Bom 

Lugar, Monte Verde, 5. VIII. igo3. 17 — II. 1904. 

« Differe de Piaya cayana pelo lado superior muito 
« mais brunaceo escuro, menos castanho e as cobertei- 
« ras da cauda inferiores ennegrecidas em vez de cin- 
« zento claras. EUe se distingue de P. nigricrissa pelas 
i- tibias cinzentas em vez de pretas e o orisso ennegre- 
« eido em vez de preto, assim como o lado inferior da 
« cauda todo preto ». 

Algumas das nossas pelles da baixa Amazónia — 
geialmente mais claras — tem o colorido muito appro- 
ximado das do alto Amazonas. Só as coberteiras infe- 
riores da cauda sempre são mais escuras nas ultimas. 

A subespécie nova poder-se-hia denominar 

Piaya cayana obscura 

e ella não for idêntica com P. cayana cabanisi (Allen) 
que segundo a «Revista do Museu Paulista», vol. VI, 
pag. 448 o Sr. Grave trouxe do Rio Juruá. 

161. Piaya rutila (III.) 2 cfcf. 1 9- Cachoeira, Bom Lu- 
gar. Ponto Alegre. 7- VI. 1903 — IV. 1904. 

Pelles do baixo Amazonas têm um lustro de cobre 
no lado superior que falta aos pássaros do Purús. O 
mento e o pescoço também são um pouco mais escu- 
ros n'estes primeiros. 



66 Sobre uma colleccão de aves bo Rio Purús 



Psittaeidae : 

162. Conurus leitcopbthalmits ( Miill. ) l çf . 299. Ponto 
Alegre, ô. l\. igo4. 
M(^i"a também na ilha (k- Marajó. 

1Ó3. Conurus lueddelli ( Dev. ) 7 9 9- ^ cf^ r^om Lugar. 
Monte \'erde. Ponto Alegre. VII. igo3, l\ . ig04 e 
II. igo6. 

IÓ4. Psittaciila iiiodesia ( Cab. ) l Q , Bom Lugar. ó. III. 
1904. 

Possuímos na colleccão mais 2 pelles dos arredores 
de Belém. 

165. Brotogerys -devillei (Salvad.) g cTcf- ^ 9 9' l S^^- 

inc, Oco do Mundo. Bom Lugar, Ponto Alegre, 29. 
VIII. 1903.-6. IV. 1904 e II. 1906. 

166. Amazona farinosa (Bodd.) l 9- l'"""" Lugar. 17. VII. 

1903. 

Acha-se também no Pará. 

IÓ7. Pioniis menstrnns ( L. ) 6 cf cf , 2 9 9- Cachoeira. Bom 
Lugar. Ponto Alegre. 21. VI. 1903.— IV. 1904 e 
II. 1906. 
Mais 4 pelles provem da baixa Amazónia. 

1Ó8. PiúuopsittacHS barrabaiidi (Kuhl), 7 cfcf, Bom Lugar, 
14. VIU. 1903 — V. 1904. 

Bubonidae : 

IÓ9. Pulsatrix J)erspicillatum (Lath.) 1 cf. Monte Verde, 
IV. 1904. 
Frequente na baixa Amazónia. 

Falconidae : 

170. Ihycier ater ( \'iellí. ) \ çj" , l çf inv.. Bom Lugar, Monte 
Verde. 15. ^'1II. 1903.— 20. II. 1904. 
Temos na colleccão outros espécimens de Monte 
Alegre. 



Sobre uma colleccão de aves do Rio Purús 6? 



171. Riipornis magnirostris (Gm.) 2 cfcf. Cachoeira. Bom 

Lugar, 21. VI. 1903—21. 11. 1904. 

« R. magnirostris dicto affinis. differt pectore rufo- 
« brunneo lavato nec puré griseo, fasciis abdomini.s 
« etiam rufescentioribus. 

«Subespécie pouco differente do R. magnirostris )k 
(Conde Berlepsch ). 

Na nossa serie de 24 pelles de R. magnirostris do 
baixo Amazonas se acham algumas idênticas com as 
do Purús, outras que têm o peito cinzento e as estrias 
da ban-iga mais pallidas. Temos pássaros de colorido 
d'este modo differente do mesmo lugar. p. ex. da ilha 
de Marajó. E' minha opinião que estas differenças da 
cor só são variações individuaes. 

172. Uriíhitinga iiriihitinga (Gm.) l cf. Cachoeira, 15. \l. 

1903. 

Gavião frequente na baixa Amazónia, especialmente 
nas grandes ilhas da bocca do x\mazonas. 

173. Herpetotberes cachinnans (L.) 2 QÇ, Bom Lugar. III. 

— IV. 1904. 

Também frequente nas ilhas de Marajó e Mexiana. 

174. Elanoides furcatus (Vieill.) l (f , 2 9 9- ^<^^ Lugar, 

15.— ló. \\l. 1903. 

175. Gaiiipsonyx swainsoni ( Yig. ) 2 cfcT- 7 9 9- Cachoeira. 

Bom Lugar. 7. VI. 1903— V. 1904. 

Este pássaro acha-se também em Monte Alegre. 

176. Harpagns bidentatits ( Lath. ) l 9- ^^"^ Lugar. 17. VII. 

1903. 

Frequente no Pará. 

177. Ictinia plúmbea (Gm. ) 1 cf. Bom Lugar. 14- VIII. 

1903. 

Acha-se também aqui. 

178. Hypotriorchis mfigiilaris (Daud.) 2 9 9- Canacury, 

Bom Lugar, 4. LX. 1903—4- III. 1904- 
Frequente no Pará. 



68 Sobre lwia collecção de aves do Rio Purús 



Columbidae : 

179- Col II Iliba plniiibea siihsp. nov. l cf. Bom Lugar. 21. 

VIL 1903. 

« O macho tem o corpo muito mais claro, especial- 
« mente o lado inferior é mais cinzento avermelhado 
« que mesmo nos pássaros do Pará. Não tem manchas 
« na nuca. 

« C. C. plnniheae ex Brasilia affinis, differt capite 
« supra corporeque inferiore multo pallidioribus, pallide 
« griseo-vinaceis. a C. C. phimben bogotensis ctiam dif- 
« feri his regionibus multo pallidioribus et griscsccn- 
« tioribus, pileo anteriore imprimis grisescentiore ( nec 
« obscure vinaceo ). » ( Conde Berlepsch ). 

Proponho o nome 

Columba pitmtbea pallescens 
Peristeridae : 

180. Geotrygon montana ( L. ) 1 9 Monte Verde. l8. II. 1904. 

Acha-se também aqui. 

Phasianidae : 

181. Odontophorns stellatiis (dld.) 1 cf, l 9 • ^^by, Caclioeira. 

14.— 17. \'\. igo3. 

Cracidae : 

182. Orinlis gnttata ( Spix ) 1 cT, l 9, Bom Lugar. Cana- 

cury, 14. VIII.— 3. IX. 1903. 

Rallidae : 

183. Crecisciis hanxweUi ( Scl. et Salv. ) l 9- ^ 9 'uv., 

Bom Lugar, V. 1904. 

Charadriidae : 

184. Hoploxyplerus cayanus (Lath.) 2 9 9' I^<-*'i'' Lugar. 

14. vm. 1903. 

Frequente na baixa Amazónia. 



Sobre uma colleccão de aves do Rio Purús- 69 



185. Acgialitis coUaris rVieill. ) 5 cfcf, 5 9 9' Cachoeira, 
28. VI.— 4. VII." igo3. 
Commum nas ilhas de ]\larajó e Mexiana. 

iSó. Actodronias maciilatiis ( Vieill. ) 1 cf> Bom Lugar, 15- 

VIII. 1903. 

Ibididae : 

187. Harpiprion cayanensis (Gm.) 1 9 i^v., Bom Lugar. 21. 

V. 1904. 

Não raro na baixa Amazónia. 

Ardeidae : 

188. Aganua aganii ( Gm. ) 1 cf. l 9- I^^m Lugar. 20.-- 

23. III. 1904 

Tem na coUecção mais 5 pelles da baixa Amazónia. 

Laridae : 

189. Sterna superciharis (Vieill.) 2 cfcf, 1 gen. inc, Ca- 

choeira, Tapajoz, Monte Verde, 29. VI. 1903— IV. 

1904. 

Tinamidae : 

190. Tinamus ruficeps ( Scl. et Salv. ) 1 cT, 2 99, Bom 

Lugar. 2. II. — 20. III. 1904- Subspecies nova? 

« Os pássaros do Purús differem d 'um individuo de 
« Sarayacu, Equador ( coll. Bushley ) na minha coUec- 
« ção só pela côr das costas mais pallida, mais oliva- 
« cea esverdeada, pelo vértice dum vermelho mais 
« claro, as remiges do braço mais brunaceas ( não cas- 
« lanhas) e pelo lado inferior tirando mais ao ferrugi- 
« neo amarello. Estas differenças são talvez só indivi- 
« duaes. 

« Parece que o T. maior de Matogrosso se distingue 
« por uma verdadeira crista na parte posterior da ca- 
« beça ». ( Conde Berlepsch ). 

191. Tinamus guttaius (Pelz. ) 1 9, Cachoeira, 17. VI. 

1903. 



70 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



Tem na cdllccção outrosim 5 pcllcs l)aixo-amazo- 
nicas. 

192. CrypUirus brevirostris ( Pclz. ). o^- iuv.. Cachoeira, 3 
\T. igo3. 

igS. Crxptnnis riiiercus ( dm. ) 1 cf- Cachoeira. 15- VI. 
1903. 
Não raro no Pará. 



O Conde I>erlepsch diz finalmente: 

« N'esta collecção de pássaros do Purús são indicadas 
« pela primeira vez comio pertencentes a avifauna do Brazil, 
« as espécies seguintes : 

« 1. Hclcodytcs hypostictus ((JhL). 

( Isto não parece ser de tn:lo exacto, visto que o 
jDassaro ja é assignalaclo do Jurua' pelo Dr. v. Iherinij, 
na Revista do Museu Paulista \'u\. VI. pag. 430, que 
provavelmente não era ainda publicada quando o Conde 
escreveu as presentes notas ). Sn. 

« 2. Tiiiun^rella callophrys (Cab.) Rio Xc-oro (Mus. Scl. ) 

« 3. Calospiía xaiithogaslnt (Scl.) Rio Xegro (Yen-eaux ) 

'< 4. Todirostniíií chrysocrolaphiíiii ( Sti-ickl. ) ? 

« .j. TocHrosIruiu iiiaciilaluiii signatiiui (Scl. et Salv. ) 

« 6. Myio::^etctcs graíiadeiisis ( Lawr. ) 

« 7. Rhynchocycliis viridiceps ( Scl. et Salv. ) 

.< 8. Syristes albocinereus ( ScL et Salv. ) 

« 9. Fitniariíis tricolor ((íiel)er) ( an F. lorridiis Scl. 

et Salv. ? Snethl. ) 
« 10. Dendrexetastes devillei ( Lafr. ) 
«11. Xiphocolaptcs spec. nov. (berlepschi Sn.) 
« 12. Foniiicivora consohrina (Scl.) 
« l3. Myrmelastes spec. nov. {goddii Sn.) 
« 14. Cercomacra scíateri (Hellm.) 
«15 Gyniriopithys spec. nov. (purusianiis Sn.) 
« 16. Conopophaoa peruviana ( Des Murs) 
«17. Veniíioniis agilis ( Cab. et Heine ) 



Sobre uma collecção de aves do Rio Pltrús 



« 18. Monasa flavirostris ( Strickl. ) ? 
« IÇ). Rnponiis viaonirostris subsp. no\'. 

( Não creio que os pássaros do Purús possam ser 
.separados de R. magnirostns ( Gm. ) Snethl. ) 

« 20. Coliiiiiba plúmbea subsp. nov. {paUescens Sn. ) 
«21. Crecisciis hauxzuelli ( Scl. et Salv. ) » 



Parcce-me ser de interesse sufficiente concluir com uma 
comparação curta das collecções de pássaros feitas pelo 
nosso Museu no Rio Purús com os resultados ornithologicos 
da excursão do Sr. Garbe, naturalista viajante do Museu 
Paulista, no Rio Juruá (Novembro de 1901 até Novembro 
de 1902). Para conhecer estes últimos faço uso da rela- 
ção do Dr. von Ihering, Revista do Museu Paulista, Vol. VI. 
1904. pp. 43o — 452. A região visitada pelo Sr. Garbe é, 
como se vé no mappa annexo, muito próxima da parte do 
Rio Purús explorada pelas nossas expedições, e a sua su- 
perfície e vegetação parecem possuir um caracter muito se- 
melhante, se for permittido julgar por descripções. 

A collecção do Dr. Garbe comprehende 189 espécies 
diversas (o artigo do Dr. von Ihering enumera somente 
188 espécies, mas parece-me que o Pbilydor erytbrocercns 
( Pelz. ) que figura na lista sem numero, deve-se contar tam- 
bém), isto é quasi a mesma cousa que a nossa collecção 
de 193 espécies diversas. 

D'este numero 84 espécies só — nem sequer a metade — 
são idênticas, a saber : 

1. Til rd lis baii.xiuelli ( Lawr, ) 

2. Heleodyles bypostictns ( Gld. ) 

3. Tbryopbiliis albipectiis rnfiventris ( Scl. ) 

4. CyphorbiniiS modiilator ( D'Orb. ) 

* 5. Donacobins airicapUlns (L. ) 

6. Dacnis flaviventris (Lafr. et D'Orb. ) 

7. Calospi::^a cbilensis ( Vig. ) 

* 8. » boliviana ( Bp. ) 
9. Tanagra coclestis (Spix) 

10. Rhaiiipbococíiis iacapn coiuicctcns ( Berl. et Stolzm. ) 



72 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



11. Phciiicolhranpis rubra peruviana ( Tacz. ) 

12. Saltator a::^ãrae ( D'Orb. ) 

13. Sporophila castanciveiitris { Cab. ) 

14. Paroaria c^uJaris ( L. ) 

15. Myospií^a aiirifroiis ( Spix ). 

16. Gyinnoslniops \uracariniu ( Cass. ') 
17- Pyrocephãliis rnhineus (Bodd.) 

18. Todirostniiii niacidatiiui signafiiiii ( Scl. et Salv. ) 

19. Pipra riibricapilía ( Temm. ) 

20. Cirrhopipra fiHcauda ( Spix ) 

21. Schijforms maior ( Bp. ) 

22. Tilyra cayana ( L. ) 

23. Lathria cinerea (Vieill.) 

24. Gymnoderus foeiidiis ( L. ) 

25. Sipíoruis hyposticfa ( Pelz. ) 

26. Philydor cryll.voccrciis ( Pelz. ) 

27. Xenops i^cuibarbis ( lllio-. ) 

28. Deiidrornis rostripallcns ( Dcs ^íurs. ) 

29. » occliata ( Spix ) 

30. Nasica lon^irostris ( Vieill. ) 

31. Dciidrocincía phacochroa ( l)ei-l. vi Ilart. ) 

32. Dcudrocoíaptcs ccrlhia juniaiius (Ihering-) 

33. Tljainnophilns liwiaii/inis ((íkl.) 

34. » radiatiis siibradiatiis ( Berl. ) 

35. » jnriiaiuts (Ihering) 

36. Pyf^oplila slcííaris (Spix) 

37. Dysitljãiíiniis schistacciís ( P)'Orb. ) 

38. Myniiofheriila axiUaris (Vieill.) 

39. Myrniclaslcs hyperyihrus ((ild.) 

40. Hypocuciiiis cantator perHvianns (Tacz.) 

41. » tnaciiJicaiida (Pelz.) 

42. » Iciicopljrys (Tsch.) 

43. Foniiicariíis aiialis ( Lafr. et T)'Orb. ) 

44. Hydropsaíis cliinacocerciís ( Tsch. ) 

45. Chordeiles rnpestris ( Spix ) 
4Ó. Melanerpes cnicntafiis ( Bodd. ) 

47. Veniliornis ritficeps haeDiatosligiiia (Malh.) 

48. Crocoiiiorpijiis flavas ( Miill. ) 

49. Celciis oraiiiDiicns { Aíalh. ) 



Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 73 



"* 50. Cavipephihis ineJanoleucus (Gm.) 

■* 51. Moinoíiis martii ( Spix) 

"* 52. Trogon alricollis (Vicill.) 

^53. » viridis ( L. ) 

"* 54. » inelanuriis ( Sws. ) 

55. Capilo aurantiicoUis ( Scl. ) 

5Ó. Rbanipbastos ciivieri ( Wagl. ) 

57. » ciihninatiis (Gould.) 

.58. Pleroglossiis fíavirosiris ( Fras. ) 

59. » beaiiharnaisi ( Wagi. ) 

60. Gaíbiiía touibacea cyanescens (Dev. ) 

* ól. Galhida cyaneicollis ( Cass. ) 

Ó2. Galbalcyrhynchns pnriisianns ( Goeldi ) [G. íeucoiis 
innotatiis (Ihering". )7 

* 63. Jãcanwrops aiiren (P. L. S. Miill. ) 
Ó4. Biicco uiacrodaciyliis (Spix) 

* 65. Mal acoplila rufa (Spix) 

* 66. Cbclidoptcra tenebrosa ( Pall. ) 

* 67. Moiiasa nigrifrons (Spix) 
68. Piaya cayana (L. ) 

* 69. Piaya rutila ( 111. ) 

* 70. Psittacula modesta ( Cab. ) 
71. Brotogerys devillei ( Salvad. ) 

* 72. Pionus meiístruus ( L. ) 

73. Pionopsittacus barrabandi ( Kuhl. ) 

* 74. Pulsalrix perspicillatum (Lath. ) 

* 75. Hypotriorchis rufigularis ( Daud. ) 

76. Odontophorus siellatus ( Gld. ) 

77. Orialis guttata (Spix) 

* 78. Agamia agami ((jm.) 

■* 79. Hoploxypterus cayanus (Lath.) 

* 80. Aegialitis collaris ( Vieill. ) 

82. Sterna superciliaris (Vieill.) 

83. Tinamus ruficeps ( Scl. et Salv. ) 

* 84. » guttatus ( Pelz. ) 

A estes pode-se provavelmente juntar : 

* 85. Cainpephilus trachelopyrus ( Malh. ) 

Indiquei com asteristisco as 40— 41 espécies que se 
acham também na nossa collecção de aves baixo-amazonicas. 



74 Sobre uma collecção de aves do Rio Purús 



Das aves que só se acham na collecção do Juruá. a 

collecção do Museu possue (provenientes da baixa Amazó- 
nia ) as seguintes : 

1. Fireo chi vi ( Vioiil. ) 

2. Eitphoíiia chlorotica ( L. ) 

3. Osíinops viridis (JMiill.) 

4. Cassícns albirostris ( L. ) 

5. Cassix ory:(ivora (Gm.) 

ó. Af^elaeus icterocephaíiis ( L. ) 

7. Ictenis caxaiioisis ( T.. ) 

8. Todiroslriiiii inaculatiiiii ( Vicill. ) 

Q. Perissotriccits ecaudatus ( Lafr. et D"Orb. ) 

10. Mionectes oUagineus ( I-icht. ) 

11. Tyrannus mel anchoHcns (\ieill.) 

12. Miiscivora tyrannus ( I-. ) 

13. Pipra leiícocilla ( L. ) 

14. PachyrhaiHphiis cinereiís ( Bodd. ) 

15. Laniocesca hvpopyrrha ( ^'ieiIl. ) 
ló. Cotijii^ii cayaiiii ( L. ) 

17- Philydor pyrrhodes ( Cab. ) 

1>S. Glyphorhviichiís cuneatiis ( Licht. ) 

19. Thaninoniaiies caesins ( Licht. ) 

20. Myrniothentía surínmnensis (Gm.) 

21. » cinerciventris ( Scl. et Salv. ) 

22. » loiígipcnnis ( Pelz. ) 

23. Phiogopsis nigronmcidata ho-iumani ( Ridgw. ) 

24. Nyctidroniiís aJbicoUis (Gm.) 

25. Chloronerpcs jinvigiila ( Bodd. ) 
2ó. Celeiís jiiniana ( Spix ) 

27. Bucco laiiiãtiã ( Gm. ) 

28. Monasa inorpheus (Hahn. et Riisth. ) 
2Q. Crotophãga ani ( L. ) 

30. » iitaior ( Gm. ) 

31. Ara macao (L. ) 

32. Ara ararauna (L. ) 

33. Ara severa ( L. ) 

34. Pyrrhura luciani (Dev. ) 

35. Brotogerys iiii ( Gm. ) 

36. Ama:(ona festiva ( L. ) 



Sobre uma colleccão de aves do Rio Purús 75 



37. Graydidascalíis hrachynrns (Tem. cl Ruhl ) 

38. Gy pagas papa ( L. ) 

39. Catharista urubu (Vieiil.) 

40. Ibycter americanus (Bodd.) 

41. Micrastur gilvicollis ( VieilO 

42. Leucopternis schistacea ( Sundev. ) 

43. Ardea çocoi ( L. ) 

44- Cancroma cochharia (L. ) 

45- Tantalus locndator (L. ) 

46. Mitua iiiitu (L. ) 

47. Cumana cumanensis (Jacquin) 

48. Opisthoconnis crisíatus ( Gm. ) 

49. Heliornis fulica (Bodd.) 

50. Eurypyga helias ( Pall. ) 

51. Psophia leucoptcra ( Spix. ) 

52. Phaethusa luagnirostris (Licht. ) 

Pode-se suppôr que estas espécies se acham também 
nos lugares apropriados do Rio Purús. 

A falta apparente no mesmo rio de mais 54 espécies 
(*) moradoras no Rio Juruá e a circumstancia que 108 es- 
pécies ( das quaes 46 também baixo-amazonicas ) colleccio- 
nadas no Purús não se acham entre os pássaros dp Sr. Garbe. 
parece explicável para a maior parte das espécies pelo es- 
tado incompleto das duas collecções. 



( * ) A saber : 

1. Thryothorus geuiharhis iuruamts (Iherina;) 

2. Microcerciãiis cinctiis { Pelz. ) 

3. Pachysilvia fe^-rugineifrons ( Scl. ) 

4. Eucometis albicoUis ( Lafr. et D'Orb. ) 

5. Ostiiiops augustifrons (Spix) 

6. Cvanocorax violaceus { Du Bus ) 

7. Stigmatura biidytoides ( Lafr. et D'Urb. ) 

8. Ornithion pusillum jiiriianum ( Iherin.L;- ) 

9. Myiopagis sithplacens ( Scl. ) 

10. Empiàonax pileatus ( Múll. ) 

11. Pipra cyaneocapilla ( Hahn' et Kristh. | 

12. Xipholena pompaclora ( L. ) 

13. SyuaUaxis allnlora (Pelz.) 

14. n propinqua ( Pelz. ) 

15. Aliei st rops sírigillatus' (Sphí) 



76 Sobre ltma collecção de aves do Rio Purús 



Resumindo os resultados pode-se assegurar todavia, que 
as margens medias e superiores destes dois rios entram agora 
no numero das regiões da Amazónia mais conhecidas sob o 
ponto de vista ornithologico. 

Belém, Fevereiro de IQO?- 



16. Sclernrus hrunneus ( Scl. ) 

17. Dencirocolapies radiolatus (Scl. et Salv. ) 

18. ThaninophUiis miirinus ( Pelz. ) 

19. » radiatus { Vieill. ) 

20. Dysithatiimts ardesiacus saturtiinns ( Pelz. ) 

21. Myrmothernla pyrrhonota ama^onica { Iherino; ) 

22. » hrevicauda junuiua ( Iherinjí ) 

23. n garbei ( Iheririíj; ) 

24. FoDiiicivora Incolor ( Pelz. ) 

25. Percnostola fortis { Scl. et .Salv. ) 

26. Sclateria leiícostigma ( Pelz. ) 

27. Drymophila jxtruana ( Iherini^- ) 

28. Hvporuetiiis theresae ( Des Murs ) 

29. Pithvs salvini ( Rerl, ) 

30. Grallaria hrevicauda ( Bodd. ) 

31. Pbaethornis hoiircieri ( Less. ) 
3^. Cbloronerpes capistratiis ( Bp. ) 
a. Chrysoptihis giittatiis ( Spix ) 

34. Cerchneipicus occideiitalis ( Hargitt ] 

35. Pharomacrtis pavonuius (Spix ) 

36. Trogon collaris ( Vieill. ) 

37. Biicco capensis (L.) 

38. Micromonacha hinceolata { Dev. ) 

39. Nonnula ruficapilla ( Tsch. ) 

40. Capito aiiroviretis { Cuv. ) 

41. Pteroglossus humholdti ( Wao^l. ) 

42. Selenidera langsdorffi ( Wagl. ) 

43. Piaya melaiiogastra ( Vieill. ) 

44. Ainaioiía inornata ( Salvad. ) 

45. Pionites xanthomerius ( Gray ) 

46. Pisorhina usta ( Scl. ) 

47. Ibycter fasciatus ( Spix ) 

48. Morpbnus guianensis ( Daud. ) 

49. Leptodon uncinahis ( Temm. ) 

50. Penélope jacuassu ( Spix ) 

51. Cryptiirns hahtoni ( Bartl. ) 

52. Rhyiicliops nigra cinerascens (Spix) 




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GaLBALCYRHYNCHUS PURUSIANUS E PiPRA C^F.LESTl-PILEATA 77 

II 

Galbalcyrhynchus purusianus 



Pipra cselesti-pileata 



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Uma questão de prioridade pouco a meu gosto 

Pelo Prof. Dr. EMÍLIO A. GCELDI 

DIRECTOR DO MUSEU DO PARÁ 

Durante os annos IQOS e 1904 foram enviarias pelo 
nosso Museu successivamenle duas expedições scientiíicas ao 
Alto Rio Purús para fazer collccções de espécimens scienli- 
ficos. O centro de operações foi um ponto chamado « Bom 
Lugar», seringai situado a uma distancia de somente quatro 
horas de navegação da confluência do Rio Acre (Aquiry), 
explorado pela primeira vez em 18ÓI pelo geographo inglez 



( * ) Em Agosto de 1905 eu tinha redÍL;-ido, em ]inç,aia ini^leza, o 
trabalho presente que era destinado paia a revista ornithoIoij;ica iní^leza 
« Ibis » em Londres. Porém só em Dezembro de 1905 eu chei^uei de facto 
a envial-o. Em Junho de 190Ó. quando estive em Berna ( Suissa ), recebi, 
com um intervallo de 5 mezes, o original do meu trabalho de volta, ac- 
companhado de uma carta da redacção d'aquella apreciável revista, pedin- 
do-me que restringisse o meu manuscripto « á uma curta exposição de da- 
tas e razões » ( dates and 'reasons ), visto o pouco espaço disponível nos 
fasciculos restantes do anno corrente. Confesso, que ainda hoje não posso 
encarar o meu manuscripto como outra cousa diversa senão como qua- 
drando exactamente em forma e conteúdo com a recommendação londrina, 
como confesso por outro lado a minha completa incapacidade de achar uma 
redacção mais condensada e compacta — sem prejuízo e detrimento da força 
e do peso dos próprios argumentos. 

Ora visto que eu não posso perder o meu tempo ( o qual embora 
para mim não seja « dinheiro », no dizer do dictado anglo-americano, sem- 
pre constitue para mim também a cousa a mais preciosa ), em tempo lem- 
brei-me de recorrer a hospitalidade do nosso próprio órgão mensal paraense 
de publicação, cozendo por esta vez, até com duplo fio, isto é. imprimindo 
tanto o meu primitivo original inglez, como a versão para o portuguez. 

Dr. E. a. G. 

Pará, Janeiro, 1907. 



78 Galbalcyriiynchus turusianus e Pipra c^lesti-pileata 



Chandless e recentemente particularmente posto em evi- 
dencia devido ás questões de limites com Bolívia e Peru. 
Entre as collecções, que foram inteiramente satisfactorias 
sob todos os pontos de vista, veio uma representação ap- 
proximadamente completa da avifauna dessa região. 

Como resultado d'um primeiro exame geral dos espé- 
cimens de aves do Alto Rio Purús, immediatamente notei 
duas formas inteiramente novas para mim e das quaes eu 
não me lembrava de ter visto descripção ou allusão alguma 
na litteratura scientifica. Uma era uma espécie bem caracte- 
risada de Galbulides ( Cavadeiras ) e a outra um membro 
não menos distinctamente marcado da familia das Pipridae. 
A primeira era representada por uma bonita serie de indiví- 
duos de ambos os sexos e de idades differentes, ao numero de 
quatorze pelo menos: a ultima, .a Pipra, por três indivíduos, 
dos quaes dous eram machos e um fêmea. 

Em 1845 Des Murs descreveu na « Revue Zoologique » 
uma espécie de Galbula, vinda do Alto Amazonas e do 
Este do Ecuador, sob o novo nome genérico de Galbalcy- 
rhyncbns e o novo nome especifico de Jeiícoiis, a qual se 
destaca em alto relevo da familia inteira por causa da sua 
intensa côr de ferrugem. Tinha ficado monotypico até esta 
data. Quando o pássaro do Rio Purús nos chegou ás mãos, 
o parentesco era tão notável á primeira vista, que a suppo- 
sição de identidade era mais que provável. Porem, a falta 
constante da mancha branca logo atraz da orelha, indicada 
por todos os autores como característico especial no G. Icu- 
cotis do macho adulto, em pouco tempo levou-me á aban- 
donar esta hypothese e a reconhecel-o como pertencente a 
uma segunda espécie nova d'este género aberrante Galbal- 
cyrhynchus. 

A existência de pelo menos oito indivíduos machos, 
adultos sem duvida, foi decisiva para mim nesta questão. 
Eu marquei todos os espécimens d'esta ave com o novo 
nome de Galbalcyrhynchus purusianus nov. spcc. Gochii 
(1904). 

Quanto ao segundo pássaro, a Pipra, a questão foi 
mais fácil a resolver. Três espécies somente de Pipra verde 
tendo sido descriptas ate esta data, conforme o respectivo 



Galbalcyrhynchus purusianus e Pipra c.elesti-pileata 79 



volume do « Catalogo das Aves do Museu Britânico » e a 
litleratura ornithologica á minha disposição, era evidente 
que eu tinha deantc de mim uma nova forma desta inte- 
ressante minoridade, um grupo composto de algumas das 
aves mais brilhantemente coloridas da época actual. O colo- 
rido do macho é verde escuro nas partes superiores e no 
peito, um verde já quasi preto no papo: o centro do ven- 
tre é cor de limão, passando a verde para os lados. O ponto 
saliente no colorido porém, já em si mesmo sufficiente para 
evidenciar a novidade da espécie, consiste na brilhante 
mancha no alto da cabeça (coroa), d'um vivo azul celeste 
quando reflectindo directamente a luz e approximando-se do 
Índigo em luz diffusa. Marquei todos os espécimens d'esta ave 
Purusiana verdadeiramente notável Pipra caelesti-pileata 
nov. spec. GoeJdi (1^04). 

No principio de 1904 dei passos para a publicação 
das duas espécies novas de aves vindas do Alto Rio Purús. 
Em 1899, encarregado de commissão official na Suissa pelo 
governo Estadoal, organizei uma lista impressa de novos 
animaes e novas plantas descobertas por nos no Brazil du- 
rante os annos de 1884 — 1899, (*) uma lista que eu sempre 
me esforço de completar e manter em dia por meio de fre- 
quentes supplementos occasionaes, supplementos que eu tenho 
o habito de mandar aos meus correspondentes scientificos e 
amigos. O sétimo destes supplementos foi datado e publicado 
em Fevereiro de 1904, como pode ser verificado referindo-se 
á linha debaixo do titulo. Pelo espécimen da respectiva bro- 
chura, incluindo todos os supplementos ate esta data, que 
eu remetto aos editores com esta communicação como evi- 
dencia documentaria, será fácil verificar o facto em questão 
referindo-se aos números 323 e 324, onde os dous pássaros 



( * ) (( Veridchniss der bisher luissenschaftlich heschrieheiíeu Tbier-iiiid 
Pllaiiieiiforiiien, luelche luãhrend der Jahre i8S4—i8c)ç in BrasUien (Slaatcn 
Rio de Janeiro, Minas Geraes, São Paião, Espirito Santo, Bahia und Pará) 
gesammelt und entdeckl luorden sind von Dr. phil. Einil Jnoiíst Goeldi— 
Bem, Buchdruckerei Jeiít iSçç) ». Ate fim de 1905 com 9 supplementos: 1."' 
Supp. Herbst 1899.— 2.'" Suppl. Friihjahr 1900.— 3.'" Suppl. Jaiiuar 19OI. 
—4."== Suppl. October 1901.— 5-'" Suppl. Juli 1902.— 6."=» Suppl. Sept. 1902. 
—7.'" Suppl. Februar içoi.—S.''' Suppl. Jum 1905.— 9-'°' Suppl. Dezember 
190S. 



8o Galbalcyriiynciius purusianus e Pipra cvelesti-pileata 



dos quaes se trata são mencionados c brevemente descriptos 
nas suas feições mais salientes, mas incontestavelmente de 
modo sufficiente para excluir qualquer duvida quanto á sua 
identidade. 

Outra vez, no verão de lÇj04, quando eu estava na 
Europa como deleg-ado ao sexto Congresso Zoológico Inter- 
nacional reunido em Berna (Suissa), de 14 a iç de agosto, 
um dos meus trabalhos lidos perante o Coiigresso tratou de 
« Nova zoológica, especialmente novas formas de Verte- 
brados da Região Amazonica ». Neste trabalho, g§ 25 e 2ó 
eu não somente descrevi minuciosamente as duas aves Gal- 
balcyrhynchus e Pipra, mas também mostrei ao selecto au- 
ditório os próprios originaes, consistindo em pelles ( das quaes 
uni par de Galbalcyrhynchus purusianus foi na mesma occa-, 
sião offerecido ao Museu de Historia Natural de Berna, sendo 
immcdiatamente montados e marcados com o novo nome) 
bem como mappas mostrando em cores todos os pormenores 
desejáveis relativos á distribuição geographica das varias 
espécies das familias neotropicas Galbulidcs e Pipridae. 

O Congresso i)ublicou um boletim diário official com 
o fito especial de dar a conhecer, sob forma resum.ida, os 
tractandos de suas sessões e dando curtos extractos dos dis- 
cursos e trabalhos apresentados. No N.o 4 desses Boletins, 
publicado quarta-feira, I7 de Agosto de 1904, um summario 
completo c dado, paginas 9 e 10, de meu trabalho lido no 
dia antes, e acjui existem mais uma vez as provas innega- 
veis do completo reconhecimento scientifico e classificação e 
a completa denominação das duas aves áquella época. Ob- 
servarei ainda que meu manuscripto estava prompto para a 
imprensa e foi entregue á commissão editorial na mesma 
occasião, á fim de aproveitar da minha curta demora na 
Europa para corrigir a prova impressa. Conservo um du- 
plicado dessa prova, carimbado pela officina impressora de 
Kiindig cV Fils, Genève, com a data de 3 de Setembro de 
1904. A circumstancia de não ter sido o volume completo 
dos tractandos do Congresso Zoológico Internacional publi- 
cado senão em 1905 (e os meus separata do trabalho men- 
cionado são datados como tendo sabido da imprensa em 25 
de Maio de 1905) não influe em nada o principal ponto da 



GaLBALCYRHYNCHUS PURUSIANUS E PiPRA C^r.LESTI-PILEATA 8l 



questão em vista das provas inderoccaveis de publicidade 
anterior. Outrosim mencionarei ainda que antes da data do 
Congresso eu já tinha mandado pintar as duas aves numa 
estampa para o terceiro e ultimo fascículo da minha obra 
iconographica « Álbum de Aves Amazonicas » em via de 
publicação. ( Em quanto ao grau de progresso na publica- 
ção desta obra, as estampas originaes, em numero de 27 
formando um caderno duplo, estão já completas e podem 
ser esperadas da imprensa em Abril ou maio de IQOÔ). 

Quando, em Julho de 1905 eu era novamente delegado 
no quarto Congresso Oi-nithologico Internacional reunido em 
Londres, levei outra vez commigo os espécimens originaes 
das aves acima mencionadas, suppondo que assim eu pudesse 
fazer prazer aos oinithologistas presentes especialmente aos 
interessados na Avifauna Neotropica. Tal foi o caso com a 
grande miaioria. Tive o prazer de ver claramente que um 
numero dos especialistas mais autoritativos eram da minha 
opinião e reconheciam a justiça de minhas pretensões em 
quanto á novidade do achado. Não obstante na mesma oc- 
casião se me impoz a desagradável observação que dous 
ornithologistas ultra-modernos dum Museu na Inglaterra ne- 
garam a priori a prioridade da descoberta mostrando-se sur- 
dos á todas as tentativas de provas por evidencia documen- 
taria. Elles traziam o seu veredictnm já formado, de maneira 
que eu julguei prudente não prolongar uma inútil disputa. 
A desgraçada Rosinante posta no campo de batalha foi a 
circumstancia de ter sido um Galbalcyrhynchus idêntico do 
Rio Juruá recentemente descripto pelo Dr. von Ihering do 
Museu de São Paulo, e também de ter alguém colleccionado 
em algum logar no interior do Brazil e descripto em alguma 
parte á uma época qualquer uma Pipra idêntica, evitando 
porém ijiformações cabacs que pudessem contribuir para 
desvendar o mysterio. (*) 



(*) No entretanto eu descobri no ultimo numero do « Ibis > ( Vol. 
VI N." 21, Janeiro de IQQÓ ) uma descripção com uma estampa colorida 
da nova Pipra com o nome de Pipra exqiiisila^ dizendo que a primeira des- 
cripção tinha sido publicada em Março de içO) ( pas^. 35 sey. ) Ilinc illae 
lacrymae ! 

(Fevereiro de içoó). ^'. 



82 GaLBALCYRIIYAXHUS PURUSIANUS E PiPRA CvELESTI-PILEATA 



Examinemos ag-ora rapidamente a historia do proble- 
mático Gaíhalcyrhynchiis. O Rio Juruá, publicado no VI vo- 
lume da <' Revista do }»íuscu Paulista ». dando a lista de 
aves coUcccionadas pelo collcccionador Garbe. pag-. 445 c 
N.o 118. menciona um Galbalcyrhynchiis íeiícohs iunoiaíns 
subspecies nova, accompanhado das observações que eu aqui 
transcrevo: «Acredito por este motivo que a forma do Rio 
Juruá representa uma variedade caracterisada pelo desappa- 
rccimento da mancha branca da zona auricular no macho. 
Designo a esta subspccie G. leucotis innotata subspecies 
nova. Differe a G. leucotis macula alba auricularc obsoleta 
vel absente. » Eram 1 9 c 3 cfc/", nias destes só um era 
adulto. O capitulo não tem data separada. O volume VI 
da « Revista do Museu Paulista » traz a data de lÇi04- mas 
em que toca á nossa instituição e a mim mesmo, eu posso 
affirmar que recebi nossas copias deste volume em fins de 
1905 e por todo o que cu sei por informações de meus 
correspondentes, parece ao menos que a data de distribuição 
c verdadeira publicidade não foi anterior a 1905. 

O exemplo presente é mais uma clara demonstração 
da necessidade da data exacta da distribuição junto com a 
datação honesta de cada artigo separado, especialmente 
quando se trata, como no caso presente, d'uma publicação 
complexa, cuja impressão necessita d'um espaço de tempo 
abrangendo alguns annos. O nó da questão é o seguinte : 
Eu posso provar e tenho provado que jà em Fevereiro de i()04 
eu publiquei e distribui unia descripção suuunaria com os nomes 
das duas novas aves do Rio Punis, uma das quaes è o Gal- 
balcyrbynchus sem a mancha branca auricular; e desde este 
tempo eu continuei meus esforços para dar-lhe inteira publi- 
cidade pelos differentes meios que me pareciam os mais 
efficazes para este cffeito, tal como a exposição e a des- 
cripção do pássaro deante do Congresso Zoológico Interna- 
cional ( 1904) o donativo de espécimens montados e marca- 
dos a differentes Museus e a entrada da figura colorida 
numa das estampas do mru « .Mbum de Aves Amazonicas » 
em via de publicação. Do outro lado não existe prova leal 
e positiva da publicidade da ave rival do Rio Jiiruà antes de 
i^oj, embora que ella navr^^ue debaixo das cores de 1^04. 



Galbalcyrhynchus purusianus e Pipra c^lesti-pileata 83 



Quanto ao segundo, a Pipra, a falta total do menor 
argumento razoável para despertar duvidas da legitima 
prioridade em meu favor, me dispensa da necessidade de 
estender mais longe uma discussão escripta e me leva a 
não perder mais palavras acerca do assumpto. 

Por fim eu tenho a satisfacção de poder citar como 
francamente do meu lado nesta questão as opiniões de orni- 
thologistas não menos auctoritativos do que o Conde de 
Berlepsch, Prof. Reichenow, Dr. Sclater, Prof. Studer, Dr. 
Reiser. E não existe razão nenhuma pela qual eu tivesse 
que guardar o silencio sobre o facto que c principalmente 
devido á recommendação do primeiro dos amigos acima 
mencionados que eu resolvi ventilar a questão com todos os 
factos históricos no « Ibis » para fixar a questão em quanto 
os pormenores ainda estiverem recentes na minha memoria. 
Fazendo isto eu simplesmente obedeço á advertência contida 
no antigo provérbio « Oui tacet consentire videtur ! » 

Em conclusão eu accrescento uma descripção detalhada 
das duas aves, formulada de accordo com as minhas instruc- 
ções e sob minha inspecção por Dr. phil. Emilie Sncthlage, 
assistente na secção zoológica do nosso Museu. 

Pará, Agosto — Dezembro 1905. 

Galbalcyrhynchus puriisianus Goeldi (1^)04) 

Macho : Lados de cima e de baixo castanhos ; cober- 
teiras medianas e maiores com o centro das pennas preto. 
Vértice, mento e freio pretos ; cauda preta ; remiges pretas 
sombreadas de castanho ; remiges das mãos com margens 
castanhas; remiges e cauda levemente tingidas de verde 
metallico. Dorso e bico branqueados, vermelho claro na ave 
viva ; iris purpúrea. 

Fêmea : igual ao macho. 

Comprimento total 21 cm., aza Q cm., cauda 7 cm., 
bico 6 cm. 

Galhahyrhynchiis piinisianns Goeldi c muito parecido 
com G. leucotis Des Murs, especialmente a fêmea, mas o 
macho nunca mostra Índice algum da mancha branca auricu- 



GaLBALCYRIIYNCIIUS PURUSIAXUS E PiPRA CyííLESTI-riLEATA 



lar. Como o Museu Goeldi possue 17 espécimens dos quaes 
ó são machos adultos, não resta duvida nenhuma de ser G. 
purusianus uma espécie nova bem definida. 

Pipra caelesti-pileata Goeldi (1^04) 

Macho : Alto da cabeça azul ; lado de cima verde es- 
curo tornando-se mais claro perto do uropygio : antecauda 
verde; cauda còr de café fortemente misturada com verde: 
coberteiras exteriores verdes : remiges cór de café negro 
marginadas de verde na metade exterior, as margens verdes 
sendo mais largas nas remiges do braço ; beira da aza ama- 
rellada ; fronte, mento e freio verde muito escuro quasi preto : 
garganta verde escuro tornando-se mais claro no papo, a 
côr passando a verde amarellado no meio do peito ; barriga 
amarella ; lados do peito e lados verdes ; coberteiras inferio- 
res da cauda amarellas levemente tingidas de verde ; cober- 
teiras inferiores da aza \'erdes. Todas as pennas tem a base 
prela, o que dá ás partes verdes do corpo uma apparencia 
mais ou menos sombria. 

]\Iaxilla cór de chifre escuro, mandibula muito mais 
clara, esbranquiçada ; pernas cór de café, iris avermelhada. 

Fêmea : Todo o lado de cima verde, muito mais claro 
do que no macho, frente e lados da cabeça verde amarel- 
lado; mento e garganta amarellos, peito verde passando a 
amarello, barriga e coberteiras inferiores da cauda amarel- 
las; lados verdes; coberteiras inferiores amarellas; o resto 
como no macho. 

Comprimento total 10 cm., aza ó cm., cauda 3,5 cm. 

A quarta espécie conhecida do grupo pecjueno de Pi- 
pras verdes. 



GaLBALCYRHYNCIIUS rURUSIANUS AND PlPRA CJÍLESTI-riLEATA 85 

II a 

Galbalcyrhynchus purusianus 

and 

Pipra caelesti-pileata 



A question of priority little to my taste 

By Prof. Dr. Emil A. Goeldi, H. M. B. O. U. . 

Director oí' the Pará-Museum 

During the years IQOS and igo4 thcrc were sent by 
our Museum two successive scientific expcditions to the 
upper River Purtís to make collections of natural history 
specimens. The centre of operation was a point called « Bom 
Lugar», a rubber trading station, only a four hours sail 
from the confluence of the Rio Acre (Aquiry), first explo- 
red in l8ól by the English geographer Chandless and re- 
cently much in evidence on acount of boundary questions 
with Bolivia and Peru. Among the collections, which were 
entirely satisfactory from ali points of view there came an 
approximately complete representation of the local avifauna 
of the region. 

As a result of a first general examination of the spe- 
cimens of birds from the upper Rio Purús, I immediately 
noticed two forms, that were quite new to me and of which 
I did not recollect any description or allusion in scientific 
literature. One was a well characterized species of the fa- 
mily of Jacamars ( GalbuUdae ) and the other a no less 
distinctly marked member of the family of Pipridae. The 
former was represented by a nice seiues of individuais o 
both sexes and different ages at least 14 in number, the 
latter, the Pipra, by 3 individuais, two of which were ma- 
les and one female. 

In 1845 Des Murs described in the « Revue zoologi- 



86 GaLR ALCYRH YNCHUS PURUSIANUS AND PiPRA C^LESTI-PILE ATA 



que » a species of Galbula, coming' from the Upper Ama- 
zon and Eastern Ecuador, with the ncw generic name of 
Galbalcxrbyuchns and the ncw specific name of Icucotis, which 
stands out in full relief among- the vvhole family on account 
of its general intense rust colour. It had remained monotype 
untill this time. When the bird of the River Purús carne 
to hand, the relationship seemed at íirst sight so striking 
that the supposition of identity was more than probable. 
Howewcr the constant absencc of the white patcli just behind 
the ear indicated by ali authors as especially characteristic 
in G. leucotis for the adult male, soon led me to abandon 
this hypothesis and to recognize it as belonging to a second 
ncw species of this aberrant genus Galbalcyrhynchus. The 
existence of at least 8 male individuais, without doubt adults, 
was for me decisive in the matter. I labelled ali the speci- 
mcns of this bird with the ncw name Galbalcyrbyncbiis piini- 
siaiiiis nov. spcc. Goeídi ( i()0^). 

As regards the second bird, the Pipra, the question 
was easier to settle. Only three species of green Pipra ha- 
ving been described up to the date according to the res- 
pectivc volume of the Catalogue of the Birds of the Pritish 
Museum and the ornithological literature at my disposal, it 
was evident that I had before me a new form of this most 
interesting minority, a group consisting of some of the most 
brilliant coloured birds of the present age. The colouring of 
the male is a dark green on the upper parts and on the 
chest, a green already approximating black on the throat; 
the centre of the belly is lemon yellow, shading to green 
towards the sides. The salient point however in the colou- 
ring in itself suííicicnt to evidence the novelty of the spe- 
cies, consists of the brilliant crown-patch. a glittering sky- 
blue when directly retlecting the light and approaching Ín- 
digo in diffused light. I labelled ali the specimens of this 
rcally remarkable Purús-bird Pipra cacJcsH- pile ata nov. spcc. 
Goeídi (1^04). 

Eaily in 1904 I took steps towards the publication of 
the two new species of birds coming from the upper Rio 
Purús. In iSQQ, when in Switzerland officially commissioncd 
by the State-Govcrnment, I organized a printed list of new 



Galbalcyrhynchus purusianus and Pipra c^xeí^ti-pileata 87 



animais and plants discovered by us in Brazil during 1S84 
— 1899 (*), a list thate Istrive to complete and keep up to 
date by mcans of frequcnt occasional printed supplcments, 
which supplcments 1 am in the habit of sending to m}^ 
scientific correspondents and fricnds. The scvcnth of thcsc 
supplcments was dated and publishcd in Fehruary 1^04, as 
may be verified by referring to thc linc bcneath the titlc. 
By thc copy of thc pamphlcts. including ali the supplcments 
up to this date, which I remit to thc editors with this com- 
munication as documcntary cvidence, it will bc easy to ve- 
rify thc fact in thc case by turning to numbers 323 and 
324, wherc the tvvo birds in qucstion are namcd and bric- 
fly describcd as to their most saHent features, but unquestio- 
nably sufficient to excludc any doubt about their idcntity. 

Again in thc summcr of 1904, when I was in Europe 
as a delcgate to the sixth International Zoological Congress, 
held in Berne ( Switzcrland ), from 14"' to 19'L^ August, one 
of my papers rcad before thc Congress treated of « Nova 
zoológica, cspccially new Vertebratc forms of thc Amazo- 
nian Region ». In this paper, §§ 25 and 2ó I not only des- 
cribcd minutely the two new birds, Galbalcyrhynchus and 
Pipra, but I also exhibitcd to the audience the very origi- 
nais coniíisting of skins ( of which one pair of Galbalcyrh3'n- 
chus purusianus was on thc same occasion presented to thc 
Berne Muscum of Natujal History, being immcdiatch' after- 
wards mounted and labellcd with the new name ) as wcU 
as maps showing in colours ali dcsirable details concerning 
thc gcographical distribution of the various species of the 
neotropical familics Galbulidac and Pipridae. 

Thc Congres publishcd a daily official BuUetin cspc- 
cially for the purpose of making known the proceedings of 



( * ) « Verieichniss der Insher wissenschafilich heschrieheiíen nenen Thicr- 
und Pjlan:(enformen, luelche luãhrend der Jahre 1SS4 — iSçç in Brasilien 
( Staaten Rio de Janeiro, Minas Geraes, São Paulo, Espirito Santo, Bahia uud 
Pará) gesanimelt iind entdecht luorden sind von Dr. p]]il. Eniil Angusl Goeldi, 
— Bern ( Buchdruckerei Jent & C.'° 1S99 ) »— Bis Ende 1905 mit 9 Supp- 
lementen : l."" Siippl. Herbst liS99— 2."' Suppl. Fruhjahr 1900— 3."' Suppl. 
Januar 1901. 4.*"''' Suppl. October 1901—5."" Suppl. Juli 1902 — ó.'*'' Suppl. 
Sept. 1902—7.'"" Suppl. Februar IÇ04—8J'"^ Suppl. Juni 1905— 9.""" vSuppI. 
Dezember 1905. 



88 GaLIíALCYRHYKCHUS PURUSIAXUS AXD PiPRA C.-ELESTI-riLEATA 



its sessions and giving- bricf extracts from thc adresses and 
papers prescntcd. Now in N.» 4 of this Bulletin publishcd 
ÂVedncsday 17"' Augast 1904, a fuU summary is givcn, pa- 
gcs 9 and 10, of my paper rcad on thc previons day. and 
hcrc once more cxist the undeniable proofs of the fuU scien- 
tiíic recognition and classification and the complete naming 
of thc two birds at that date. Further I would statc that 
my manuscript was rcady for thc press and handed to thc 
editorial comittcc on thc same occasion, in ordcr to avail 
myself of my short stay in Europc to corrcct thc printcr's 
proof. I kcep duplicatc of this proof stampcd by the prin- 
ting officc ( W. Kiindig & fils, — Gencve ) with thc date of 
3Í Septcmber 1904. The circumstance that thc complete vo- 
lume of thc procecdings of thc International Zoological 
Congress was not publishcd until 1905 (and my separata 
of thc aforesaid paper are dated as coming from the press 
25"] May 1905), does not in thc least affcct the principal 
point of the question in vicw of thc invinciblc proofs of 
previous publicity. In passing I would also mcntion thc fur- 
tlicr fact that bcforc the date of the Congress I had alrcady 
had thc two ncw birds picturcd on a platc for thc next 
and last part of my iconographic work « Álbum de ^\.^'cs 
Amazonicas », in coursc of publication. ( As to thc stage oí 
progress in the publication of this work, the original platcs, 
24 in numbcr, forming c double part, are alrcady complete 
and may be expected from tlic press about .\pril or May 
of 1906). 

Whcn in July 1905 I was a Dclegatc to the iourth 
International Ornithological Congress, held in London. I 
again had with me thc original spccimcns of the two above 
mcntioned birds, supposing that thereby I might give plca- 
surc tho those Ornithologists present espccially interested in 
Neotropical A^•ifauna. Such was thc case with thc great 
majority. I had the plcasure of seeing clcarly that a num- 
bcr of thc most authoritative specialists sharcd my opinion 
and aknowlcdgcd the justeness of my claim concerning the 
novelty of tlic íind. Notwithstanding on thc same occasion 
the painfuU obscrvation was forced upon me that two ul- 
tramodcrn ornithologists from a Muscum in England denicd 



Galbalcyriiynchus purusianus axd Pipra c.elesti-pileata SQ 



a priori thc priority of the discovery showing themselves 
deaf to ali attempts at proof by documentar}^ evidence. Thc}^ 
brought their veredict alieady formed, so that I dcemcd it 
prudent not to continue the uselcss dispute. Thc lucklcss Ro- 
sinante brought forward to lead the chargc was thc circum- 
stance that an idcntical Galbalcyrhynchus, from the Ri ver 
Juruá, had recently becn described by Dr. von Ihcring. of 
the São Paulo ]\Iuscum and that also an idcntical Pipra had 
becn collected somcwhere in the interior of. Brazil and des- 
cribed somewherc by somebody at some time, avoiding howc- 
ver the clearing up of the mystery. (*) 

Let us now rapidly examine the history of the pro- 
blematic Galbalcyrhynchus. It is true that v. Ihering in a 
chapter entitled «O Rio Juruá», published in the VP!.' vo- 
lume of the « Revista do Aíuseu Paulista », giving thc list 
of birds gathered by the collector Garbe, pag. 445 and X.1' 
118 mention a Galbalc5a-hynchus leucotis innotatus subspe- 
cies nova, accompanied by the observation which I translate: 
« I believe for this rcason that thc form from the ri\'er Ju- 
ruá represents a variety distinguished by the desappearance 
of the white patch from the auricular region in the male. 
I designate this subspecies as G. leucotis innotata subspec. 
nova. Differt a G. leucote macula alba auriculare obsoleta 
vel absente ». Therc were l 9 ^^'^^ ^ cfcT, but of these 
only one was an adult. The chapter has no separate date. 
The volume VI of thc «Revista do Aluseu Paulista», bears 
the date 1904, but as far as concerns our institution and 
myself I can affirm that I received our copies of this vo- 
lume late in ig05 and for ali I know by inquiry among 
correspondents it seems at least that the real date of dis- 
tribution and true publicity was nof carlier than 1905. 

The present examplc is one more clcar dcmonstration 
of the necessity of the exact date of distribution bcsidcs the 
honest dating of each separate article, cspccially when, as 



(*) Meanwhile in the last mimber of the « Ibis » (Vol. VT, N.'" 21, 
January 1906), I have come across a description, with a coloured plate, 
of the new Pipra, with the name Pipra cxquisila, statiriií the first description 
had been published in March iÇO) ! (pag. 35 seji'. ). Hinc illae lacrymae ! 

February igoó. G. 



QO GaLBALCYRIIYNCHUS rURUSIAKUS AND PlPRA C^LESTI-PILEATA 



in thc prcscnt case, trcating of a complcx misccllancous pu- 
blication tlie printing of which rcquires a space of lime em- 
bracing several ycais. 

The turning- point of the question is therefore as foi- 
luws : / can prove atui have proveu, ihat as early as Febrnary 
i()04 I puhlished aiid distrihiited a sinitiiiary description loilh 
thc iianiing of iwo iiciu River Pnrús-hirds, one of which the 
Gaíbaícyrhyncbits ivithout thc ■wbitc auricular patcb and from 
that time on I continucd my efforts to gúve it fuil publicity 
by the different means which seemed to me thc most efíi- 
cacious for the purpose, such as exhibition and description 
of the bird before the International Zoological Congress 
( ig04 ), the presentation of mounted and labelled specimens 
to different Museums, and the cntry of the coloured figure 
in a plate of my « iVlbum de Aves Amazonicas » in course 
of publication. Ou {bc otbcr haud ihcre is no fair aud sqiiare 
proof of d)c publicity of the rival Rivcr-Jurnà-bird, earlicr 
llnui i()0) , althouoh it sails under colours of 1^04. 

Regarding the second, the Pipra. the complete lack of 
thc slightest sober arguments to awaken doubts as to the 
legitimate priority in my favour, relievcs me entirely of the 
necessity of any further spinning out of a written discussion 
and leads me not to waste more words on the subject. 

In fine I have the pleasure to be able to quote as 
frankly on my side of this question the judgement of no 
less authoritative ornithologists than Count Berlepsch, Pro- 
fessor Reichenow, Dr. Sclater, Professor Studer, Dr. Reiser. 
And there is no reason for keeping silence concerning thc 
fact, that it is principally duc to the recommendation of the 
first of the above named friends that I resolved to ventilatc 
the question with fuU historical particulars in thc « Ibis », 
to settle the matter while the details are still fresh in me- 
mory. By so doing I simply obey the warning containcd in 
thc ancient proverb : « Qui tacet, consentire videtur! » 

In conclusion I add fuU description of the two birds 
formulated according to my directions and under my super- 
vision by Dr. phil. Emifie Snethlage, assistant in the zoolo- 
gical department of our Museum. 



Galbalcyrhynchus purusianus anoPipracelesti-pileata 91 



Galbalcyrhynchus purusianus Goeldi (1^04). 

Male : Above and bcncath chestnut ; middlc and grea- 
ter wing" coverts with black centres to the feathers. Crown, 
chjn and fore part of cheeks black; tail black: quills black 
with a brownish shade ; inner secondarics with chestnut 
margins : quills and tail slightly glossed with mctallic green. 
Legs and bill whitish, light-red in the living bird ; iris purple. 
Female like the male. 

Total length: 21 cm. ; wing: 9 cm. ; tail: 7 cm. ; bill : ó cm. 
Galbalcyrhynchus purusianus Goeldi very much resem- 
bles G. leucotis, Des Murs, especially the íemale; but the 
male never shows any trace of the white earspot. As the 
Museu Goeldi possessos 17 specimens, 6 of which are adult 
males, there is scarcely any doubt left about G. purusianus 
being a well defined new species. 

Pipra caelesti-pileata Goeldi ( 1(^04). 

Male: Cap blue: upper surface dark green, gctting 
brighter towards the rump: upper tail-coverts green: tail 
brown strongly washed with green: upper wing coverts 
green; quills blackish brown lined with green on the outer 
half, the green linings getting broader on the inner seconda- 
rics; edge of wing yellowish; front, chin and sides of face 
very dark green, almost black; throat dark green getting 
brighter on the lower throat, the colour shading into yel- 
lowish green on the middle of the breast: abdómen yellow; 
sides of breast and flanks green: under tail-coverts yellòw 
with a slight greenish tinge; under wing-coverts green. Ali 
the feathers have blackish bases which gives the green parts of 
the body — except the rump— a more or less dusky ap pearance. 

Female : Whole upper surface green. much brighter 
than in the male ; front and sides of hcad yellowish green : 
chin and throat yellow; breast green shading into yellow; 
abdómen and under tail-coverts yellow; flanks green: under 
wing-coverts yellow ; the rest like the male. 

Total length: 10 cm.; wing: 6 cm.: tail: 3, 5 cm. 

2 Çfcf, 1 9. 
The fourth known species of the small group of green Pipras. 



92 AIlCROTROGOX XOVO XOME GENÉRICO 

III 

MICROTROGON 

novo nome genérico proposto para 

Trogon ramonianus Des Murs 



Pelo Prof. Dr. EMÍLIO A. GOELDI 

DIRECTOR DO MUSEU DO PARA' 



Na região Amazonica existe um Trogon descríplo pela 
primeira vez por Des Murs na grande obra que trata dos 
resultados de historia natural da expedição Sul-Americana 
do Conde de Castelnau, ({uc me parece digno de mais at- 
tenção do que tem obtido na principal litteratura ornitholo- 
gica ao meu alcance, ^)e^'ido á circumstancia até agora des- 
conhecida á sciencia de ser esta ave, originalmente coUec- 
cionada no Peru cisandino, também encontrada nos arrabal- 
des de Paiá, eu tive occasião de fazer conhecimento pessoal 
com ella. 

i\Iinha primeira e immediata impressão ao reconhecer 
a identidade dos meus espécimens paraenses com a ave pe- 
ruana descripta por Des ]\Iurs foi que em obediência aos 
principios de nossa moderna pratica systematica o estabele- 
cimento dum novo género era desejável, a ave occupando 
uma posição isolada ao lado de todas as outras espécies do 
género Trogon que eu conheço. 

Ha duas particularidades notáveis que mesmo á pri- 
meira vista despertam o sentimento da necessidade de mu- 
dai-a do lugar onde fora originalmente alistada. A primeira 
c o seu tamanho diminutivo, as aves adultas de ambos os 
sexos não sendo maiores talvez do que um espécimen meio 
adulto da maior parte das espécies neo-tropicas que me são 
pessoalmente conhecidas. A segunda consiste no facto que 
uma secção transversal do topo do bico perto de sua base 



MiCROTROGON NOVO NOME GENÉRICO QS 



é fortemente angular, (*) levantanclo-sc cm forma de 
cumieira, e não em arco de circulo como é o caso geral- 
mente em todos os outros Trogonides do Novo Mundo. Ao 
resto o descriptor original, Des Murs, já chamou a attenção 
á esta feição verdadeiramente saliente. 






Tr. ramonianus Tr. atricollis Tr. melanurus 

Dlagramma i-epresentando a secção transversal na base do bico (parte 
snpe]'ior) em Trogon ramonianus, comparada com as secções respectivas 
de bicos de indivíduos machos de duas outras espécies de Ti-ogon do Norte 
do Brazil. ( AiTgmentada ). 

Eu proponho promover o Trogon ramonianus Des 
Murs ao grau dum género novo a ser chamado Microtrogon, 
um termo que me parece muito acceitavel como sendo bas- 
tante significativo duma das feições notáveis. (**) 

Junho — Novembro 1905. 



( * ) E' verdade que a tendência á formar uma cumieira é percep- 
tivel também em alguns individues de certas espécies, ao que parece espe- 
cialmente de sexo masculino; por exemplo num joven macho de Trogon 
atricollis e num macho de Trogon viridis da nossa collecção. Mas ella 
nunca se manifesta tão nitidamente como no Trogon ramonianus onde ella 
torna-se regra. 

( ** ) Cabanis e Heine procederam no seu tempo ( 18Ó2-1863 ) no 
« Museu Heineanum » a uma subdivisão bastante detalhada do primitivo gé- 
nero Trogon de Linneo. Enumerou o T. ramonianus no seu novo género 
Aganus (ãyavóç — amável, agradável) ( Pars IV, pag-. 184), contendo nada 
menos de 12 das suas espécies. Entretanto o género Aganus é baseado so- 
bre caracteres de colorido e não coincide absolutamente com a noção e ex- 
tensão do nosso novo género Microtrogon, no qual entrarão talvez mais umas 
2 espécies de paizes ao Norte da Amazónia, por exemplo Tr. caligatus ?, 
cousa que somente se poderá apurar e liquidar nos grandes museus, com 
rico material e grandes series. 

Pará, Fev. 1907. 

G. 



94 MiCROTROGOX XEW OEXERIC XAME 

III a 

MICROTROGON 

new g-eneric name 

proposed for Trogon ramonianus Des Murs 



By Prof. Dr. EMIL A. GOELDI, 
Director of the Pará-Museum 



In thc Amazonian region therc cxists a Trogon descri- 
bed for the first time by Des Murs in the large work trea- 
ting of the natural history results of the Count de Castelnau 
South-American expedition, which scems to me worthy of 
more systematic attention than it has obtained in the prin- 
cipal ornithological literature within my reach Due to the 
circumstance hitherto unknown to science that the bird ori- 
ginally coUected in the Cisandean Peru is also found around 
Pará, I have been enabled to make a personal acquaintance 
with it. 

My first and immediate impression on recognising the 
identity of my Pará-spccimens with the Peruvian bird des- 
cribed by Des Murs was that in obediance to the princi- 
pies of our up-to-date systematic praxis the establishment of 
a new genus was desirable. thc bird claiming an isolated 
position from ali the other species of the genus Trogon 
with which I am acquainted. 

There are two striking peculiarities which even at first 
sight create the feeling of a nccessity for its removal from 
the original quarters in which it has been billeted. The for- 
mer is its diminutive size, the adult birds of either sex being 
no larger perhaps than a halfgrown specimen of the most 
neotropical species of Trogon personally known to me. The 
second consists in the fact, that a transverse section of the 



MiCROTROGON NEW GENERIC NAME 95 



beak, near its base, is strong-ly angular. (*) rising into a 
ridge, and not the arch of a circle, as generally in ali other 
New-world Trogonidae. Moreover the original describer Des 
Murs has already called attention to this really salient fea- 
ture. 

I propose to raise the Trogon ramonianus Des Murs 
to the degree of a new genus, to be called Microtrogon, 
a term which appears to me very acceptable as being very 
significant of one of the striking features. 

June — November 1905. 



( * ) It is true that a tendency to the formation of a median ridije 
is perceptible also in some individuais of certain other species, as it seenis 
especially of male sex, for example in a young male of Trogon atricollis 
and in a male of T. viridis of our collection. But it never manifests itself 
so sharply pronoiínced as in the T. ramonianus, where it becomes a rule. 



96 Os CAMros de Marajó e a sua flora 

IV 

OS CAMPOS DE MARAJÓ' 
e a sua flora 

CONSIDERADOS SOB O PONTO DE VISTA PASTORIL 
por Vicente Chermont de Miranda t 



Tres capítulos extrahidos cl'uma obra posthuma do mesmo autor, 
publicados e annotados pelo Dr. J. Huber 

Os leitores assíduos do « Boletim do Museu Goeldi » não desconhe- 
cem o nome do autor do trabalho que aqui publicamos. Amigo dos mais 
dedicados do Museu, o Dr. Vicente Chermont de Miranda não só tem en- 
riquecido as collecções d'este estabelecimento cora muitos exemplares inte- 
ressantes (lembro só o facto de eile tei' o primeiro descoberto o Lcpidosi- 
ren puradoxa na ilha de Marajó; vide Boletim voi. I, pag. 440). api)are- 
cendo o seu nome em todas as listas de doadores desde a i-eorgauisação do 
Museu, mas elle também tem coilaborado directamente no Boletim (vide 
vol. IV, pag. 438 ) e teria com certeza ainda fornecido muitos trabalhos 
interessantes, se a morte não o tivesse roubado aos seus estudos. O pre- 
sente trabalho de collaboração, qiie segundo o pensamento do seu autor 
principal devia fazer parte d'uraa obra de conjuncto sobre a criação de 
gado na illia de Marajó, já foi concebido em 1896, por occasião d'uma ex- 
cursão do pessoal scientifico do Museu ao Cabo Magoary e á Contracosta 
de Marajó, onde nós fomos recebidos pelo Dr. Miranda na sua fazenda 
Dimas com a fidalga hospitalidade que elle sempre nos dispensou quando 
fomos seus hospedes. Como em outras occasiões, o nosso amigo tomou muito 
interesse nas nossas investigações, reconhecendo logo a utilidade que uma 
collaborai.-ão nos terrenos da sciencia e da pratica podia ter para o conhe- 
cimento aprofundado dos campos e como base segura para futuros melho- 
ramentos. A lista das plantas colleccionadas n aquella occasião foi publicada 
no Boletim vol. II, pp. 288-321, como primeira parte dos « Materiaes para 
a Flora Amazonica », foimando uma base para as investigações ulteriores 
que pouco a ])ouco foram feitas no sentido de estabelecer uma nomencla- 
tura certa das plantas marajoaras. Um passo importante n'esta direcção foi 
dado em junho e julho de 1902. quando passei 8 dias na fazenda Jutuba, 
no rio Camará, em companhia do Dr. Miranda, estudando a flora dos cam- 
pos altos da parte S. E. de Marajó, que ó assaz differente da dos campos 
do cabo de Magoaiy e da região central do rio Ararj-. As itlantas col- 
leccionadas n'esta occasião e uma pequena coUecção reunida dejjois pelo 
Dr. Miranda e offerecida ao Musbu, permittiam-me de fazer ainda muitas 
identificações necessai'i;is, e de dar a este trabalho até um certo ponto o 
necessário complemento scientifico. Com ef feito foi pouco depois que o Dr. 
Miranda entregou-me o seu raauuscripto, prompto quanto á parte que de- 
pendia d'elle, auctorisando-me a completal-o pela determinação das plantas 
cujo reconhecimento scientifico ainda não era feito e de publical-o em se- 
guida no Boletim do Museu. Infelizmente esta publicação ficou bastante 
letardiída, não tanto pela falta de algmnas identificações como principal- 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 97 



mente pela difficuldade que eiiconti-amos de fazer imiiriniii- rapidamente os 
trabalhos do propiio pessoal do Museu Assim o Dr. Miranda não viu mais 
sahir á luz o seu trabalho, e a única satisfacvão que nos resta n'esta emer- 
gência ó a convicção que não acharíamos um melhor meio para honrar a 
memoria do extincto amigo do que a publicação cuidadosa do seu conscien- 
cioso estudo, que com certeza será de grande utilidade para os fazendeiros 
de Marajó. 

Pai'a bem fixar a responsabilidade que cabe á minha pessoa no pre- 
sente trabalho, declaro ainda que as classificações botani(;as foi'am feitas 
por mim e que as observações impressas em pequenas lettras também são 
de mim. Quanto ao texto recebido do Dr. Miranda, publico-o integralmente 
e sem nenhuma modificação. 

Pai'a mais commodidade do leitor, juntei ainda uma lista contendo era 
ordem alphabetica todos os nomes vulgares cuja identificação botânica me 
foi possível estabelecer. 

Belém, Setembro de 1907. . J. Huber. 



I. As pastagens 

O criador de gado deve conhecer as plantas mais vul- 
gares da Ilha, e sua qualidade sob o ponto de vista forra- 
ginoso. Se experiente e pratico, dizendo-se-lhe qual a vege- 
tação predominante de qualquer pastagem, fará logo elle 
um juizo seguro a respeito. Poderá muito approximadamente 
saber se são altas ou baixas, se cobertas ou lavradas, se de 
aterroadas ou chapadas, se atolentas ou consistentes. 

Este e os dous seguintes capitulos tratam da flora dos 
campos, sob o ponto de vista pastoril, assumpto geralmente 
ausente dos tratados sobre criação de gado. N'elles, como 
no prefacio declaramos, devemos ao eximio botânico Dr. 
J. Huber, o ter podido dar os nomes scicntiíicos de quasi 
todas as plantas. 

Forçosamente esta parte do nosso trabalho, alem de 
pouco desenvolvida, é muito imperfeita. E' bem provável 
que sejam alterados os conceitos sobre algumas plantas, 
quando forem mais bem conhecidas ; mas o que vae escripto 
dará uma ideia approximada dos pastos e de sua qualidade, 
auxiliando alguns dos nossos coliegas fazendeiros para os 
c^uaes é matéria inteiramente nova. 

Das plantas nesopolitas o maior numero ainda não 
tinha nome vulgar, para nós mais uma difíiculdade a ven- 
cer ; a essas com o Dr. J. Huber demos-lhes os que levam. 



98 O? CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



Para que o leitor avalie quão pouco conhecida era a 
flora da Ilha. vão as por nós baplisadas precedidas d'um 
aslcristico. 

Os campos insulanos podem ser divididos cm quatro 
cathegorias : 

1.0 Os campos altos e os tesos: 

2. o Os campos medianamente alagados : 

3. o As baixas profundas: 

4.0 Os mondongos. 

1.0 Campos altos. — A ilha de ]\Iarajó é toda allu- 
vial : n'uma parte as alluviões são antigas n'outra os sedi- 
mentos mostram uma origem relativamente mais moderna. 
N'aquelles o campo alto predomina com o seu solo ora um 
pouco arenoso, ora de barro assaz consistente. Ahi as baixas 
pouco ou nada atolam, os regos mesmo, em grande parte 
do seu curso superior offerecem fácil passagem. 

Grande parte dos campos de Muaná, banhados pelo 
Atua, os marginaes do Camará e dó Igarapé Grande entram 
n'esta cathegoria. N'elles a flora c mais rica e variada do 
que nos outros. Possuem grande numero de leguminosas 
forrageiras e inforrageiras, bem como de gramíneas das mais 
preciosas. Muitos d'esses campos são cobertos por arvores 
na sua maioria baixas e achaparradas entre as quaes as mais 
conhecidas são : 

A carobeira — Teconia caraiba Mart. ( Bignoniaceas) 
o caimbc — CnrakJla americana L. ( Dilleniaceas ) 
a pichuna — Eugenia aff. glomerata Spring. ( Myrtaceas ) 
o caju manso — Anacardium occideniale L. (Anacard.) 
o taruman tuira — Vilex flavens Kunth. ( Verbenaceas) 
a sucuuba — Pluniiera aff. fallax IMull, Arg. (Apocyn. ) 
o páo de candeia — Pithecolohiiini spec. ( Leg. Mimos. ) 
o genipapo Genipa americana L. (Rubiaceas) 
a mangaba Hancornia spcciosa Gom. ( Apocynaceas) 
o araçá do campo — Psidiíim ar aça Raddi (Myrtaecas) 
a imbauba — Cecropia aff. obtusa Trcc. (Moraceas) 
o mucajá — Acrocomia schrocarpa ]\Iart. (Palmeiras) 
o tucuman — Astrocaryum viilgare Mart. (Palmeiras) 
a geniparana — Gustavia augusta L. ( Lecythidaceas ), etc. 



Os CAMPOS DE ]\IaRAJÓ E A SUA FLORA QQ 



As cabeceiras dos seus regos são as mais das vezes 
densamente sombreadas por extensos cordões de matto, onde 
a copuda e o caraná predominam. Os pastos altos excellen- 
tes para o inverno, ficam esturrados de Outubro a Dezem- 
bro ; falhando então o pasto o gado emmagrece. Alem deste 
grave inconveniente, o carrapato, a varejeira, a cascavel, o 
morcego difficultam ahi a criação dos gados, mas c sobre- 
tudo a perniciosa mosca que maior obstáculo offerece á 
prosperidade das fazendas. 

D'entre as plantas forraginosas que vivem nos cam- 
pos altos destacam-se as seguintes : 

Nos tesos: Arroz do campo, alvarado, barbadinho, barba 
de velho, cafuz, capim esti-clla. capim gigante, capim serra, 
capim de um só botão, capim de botão, capim agreste, capim 
foice, calandrini, cazumba. canapicho, forquilha, flabelio, 
canna brava, florena, jukiry carrasco, lentilha de campo, 
maria moUe. maniva do campo, merukiá, massapé, malva 
( 3 qualidades ), pampa, phaseolo, péua. pé de gallinha, 
panapaná tauá, panapaná piranga, quadrifolio. rabo de mu- 
cura, rabo de rato, ruivo, trifolio commum, trifolio hirsuto, 
zaranza, zacateca, sentinella. 

Nas baixas : Arenaria, capim roxo, capim ^'illoso, capim 
cortante, canarana fina, canarana de folha miúda, canarana 
roxa. junco manso, junco ananica, pancuan. 

Das não forrageiras são peculiares a esses solos : 

Nos iesos: Aninga-para, albina, batatão. crista de gallo, 
cravina do campo, canária, douradinha, ipecaconha, lingua de 
vacca, miloca, mata pasto, margarita, mandinga, penacho, rabo 
de arara, rinchão, salva, salonia. timbó, uacima, vassourinha, 
visgo, jukiry carrasco. 

Nas baixas: Agrogano, cássia, fanfan. mendobi, patakera, 
purpurina, puchy, pepalantho. tiririca rasteira, tinteira. botão 
de ouro, pigafeta, candelabro. 

2.0 Campos pouco alagados. — E nestes cam- 
pos sempre centraes, lavi-ados, que se acham as melhores 
fazendas. Os estabelecimentos pastoris que possuem a sua 
maior superficie de campos pouco submersos, são os mais 
criadores porque a par da excellencia das pastagens pouca 
immundicia os flaoella. 



100 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



N'esscs campos são conspícuos as seguintes forragens : 

Nos tesos: Capim-assú, malva, capim de botão, capim 
rasteiro. 

Nas baixas: Andrekicc, apcrana, canarana rasteira, ca- 
narana de folha estreita, junco manso, jukiry rasteiro, junco 
agreste. 

E as seguintes plantas não forraginosas : 

Nos tesos: Amor de vac^ueiro, aningapara, capim de 
bolota. 

Nas baixas : Algodão bravo, alcatifa, aninga, carqueja, 
corticeira do campo, espadana, fedegoso, capim de marreca, 
patakêra. 

As fazendas nacionaes de Arary pertencem a esta 
classe. 

3.0 Campos baixos. — As pastagens das baixas 
profundas com seu solo mais ou menos atolento são cober- 
tos pelas seguintes plantas : 

Andrekicc, b.irba de bode, capim cortante, canarana 
fluvial, canarana de folha miúda, canarana rasteira, alcatifa, 
junco bravo, junco pococa, junco de três equinas, carqueja, 
majuba, arumarana, arumarana-miry, piry, aninga, partasana, 
mururé page, mururé orelha de veado, mururc de canudo, 
mururé redondinho, mururé panacarica, mururc carrapatinho, 
apé, aperana, tinteira, corticeira do campo, jukiry manso, 
fedegoso, jupindá. 

N'esses solos mais tempo submersos do que seccos a 
vegetação c desordenadamente vigorosa, os campos cerram 
tão fortemente que antes de serem queimados é impossível 
proceder-se aos trabalhos do campo. A vegetação alta e 
emmaranhada cobre quasi o cavallo, impedindo-o de correr 
ao encalço de qualquer rez. São comtudo pastagens admirá- 
veis onde os animaes encontram farta e boa alimentação. 

4.0 MondongOS.~Os campos baixos atolentos, bas- 
tante submersos durante o inverno, onde os tesos mostram-se 
raros, pequenos, cortados por extensos cordões de aningas, 
dos Cjuaes alguns de poucos decametros, outros porem de 
alguns hectomctros de largura, pelo nome de mondongos 
são conhecidos. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora loi 



A sua vegetação, a não ser essas longas linhas de anin- 
gaes, leitos de antigos regos, mui levemente differencia-sc da 
das baixas profundas. O que se pode notar é ser ahi a 
aninga mais vigorosa, a canarana fluvial mais abetumada, o 
jupindá mais crescido, o piry mais cerrado e alto do que 
nas baixas criadoras. Nos mondongos o jacaré-assú exerce 
cruéis estragos no gado, a praga no começo da secca é 
terrivilissimamentc numerosa e de tal modo flagella os ani- 
maes, que o gado miúdo algumas vezes não resiste ás sugações, 
acompanhadas de noite de martyrisada insomnia. Alguns 
mondongos só endurecem no fim de Dezembro nos verões 
prolongados. Então os bovinos os invadem á procura do 
pasto ausente nas suas querencias. 

PraiãS, — O gado nas fazendas da Contra-costa. pró- 
ximas das margens do Amazonas, procura, no fim do in- 
verno, as extensas praias, de onde o vento rechaça a praga 
e a mutuca. Ahi encontra elle algumas plantas que apro- 
veita. 

A typica vegetação littoral consta de : Paraturá, capim 
da praia, junco da praia, canarana fluvial, jukiry fruticoso, 
capim de colónia, capim de botão, canafrecha, orelha de 
veado da praia, capim serra. 

- Tesos. — A vegetação dos tesos é mais arvorea do 
que graminosa, sendo esta mais ou menos idêntica á dos 
campos altos. Quanto ao arvoredo as espécies differcm se- 
gundo a natureza do solo. Assim nos arenosos tesos de ]\Ia- 
goary encontra-se : 

O tucuman — Astrocãryuin viilgare ]\Iart. ( Palmeiras ) 

o marajá — Bactris major Jacq. (Palmeiras) 

a jacitára — Desmoncus spec. ( Palmeiras ) 

o urucury — Attalea excelsa Mart. ( Palmeiras ) 

a sumahumeira — Ceiba peniandra Gârtn. ( Bombaceas ) 

a jutahyrana — Cnidya parivoa DC. (I-eg. Caesalp. ) 

a uchirana — Couepia spec. ( Chrysobalanaccas ) 

a cuiarana — Terminalia tanibouca Smith (Combretac.) 

a morcegueira — Andira inermis H. B. K. (Leg. Dalberg. ) 

a canella de velha — Cassipourea sp. (Rhizophoraceas) 

o cauassú — CoccoJoba íatifolia Lam. (Polygonaceas) 



102 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



o caju manso — Anacardinni occidcntaíc L. (Anacard.) 
o purui — Aíihertia ediíJis A. Rich. ( Rubiaceas ) 
o papaterra — Biisaiiacaiitba spinosa Sclium. ( Rubiac. ) 
o muruchy — Byrso)iiiiia laiicifolia Juss. (Malpighiaccas) 
a envircira — Giiã::^itnia iiliiiifolia Lain. ( Sterculiaceas ) 
o parapará — Cárdia teirandra Aubl. ( Borraginaccas ) 
Nos tesos dos campos altos vc-se : 

A hOiCcíhdi— Ocnocarpiis disiichus Mart. (Palmeiras) 
o jará — Cocos inajai Trail (Palmeiras) 
o inajá- — Maxiuiiliana regia Mart. (Palmeiras) 
o mucajá — Acrocoiiiia schrocarpa Mart. (Palmeiras) 
o taruman-tuira — Vitex flavens Kunth ( Verbenaceas ) 
o páo d"arco — Tccoiiia aff. coiispiciia P. DC. (Bignon. ) 
a sororoca — Ravenala giiyaiiciisis Benth. ( Musaccas ) 
o gonçalo-alves Salvcrtia coiivallariodora St. Hil. ( Vo- 
chysiaceas), etc. 

Queima ãnnual. — E' uso qucimarem-se os campos 
quando seccos. 

Nos tesos arenosos a queima empobrece o solo, porque 
incinerado o capim e folhagem, os saes solúveis das cinzas 
dissolvidas com as primeiras fortes chuvas do inverno des- 
cem ao subsolo, fora do alcance, o mais das vezes, das rai- 
zes superíiciaes das gramíneas e cyperaceas que os atapetam. 
Ahi deve-se deixar o pasto secco que com as chuvas apo- 
drece transformando-se em ténue camada de fertilisante húmus. 
Nos terrenos argilosos, nas baixas sobretudo, de vege- 
tação densa e alta é a queimação uma necessidade. 

Ha proveito em largar fogo o mais cedo possivel nos 
pastos altos, afim de, as pequenas e espaçadas chuvas do 
fim do inverno, de Junho a Agosto, fazerem brotar novo 
capim. O capim velho, demais maduro, só é comido pelo 
gado em falta de outro, espicaçado pela fome. Essa forra- 
gem já tomou uma contextura lenhosa, tornando-se difíicil 
de ser ruminada, c pouco nutritiva : quasi não contem azoto. 
Ao contrario o capim novo c relativamente rico em maté- 
rias azotadas, possue mais sapidez, offerece ao trabalho 
masticatorio menos resistência. O gado que, dente siiperbo, 
apara somente as pontas da herva demais madura, atira-se 
com avidez á que nasce nas queimadas, fariscando-a de longe. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora io3 



Os piryzaes, os balcedos, os mondongos são mais pro- 
íicuamente queimados nos últimos dias do verão, porque 
então bem seccos, queimam até a raiz : a intensidade do 
fogo aquece a terra resequida matando as partes subterrâ- 
neas das plantas, e n'esse caso os aningacs íicam extinctos, 
os piryzaes desapparecem. 

O piry queimado mesmo no rigor do verão, brota ver- 
dejante, cresce pouco, proporcionando uma alimentação bem 
regular aos gados, nos tempos justamente em que ella escas- 
seia. E' uma qualidade preciosa entre os seus diversos defeitos. 

Como já dissemos, a queima dos campos altos é pro- 
veitosa o mais cedo possível. Em algumas fazendas nos an- 
nos de curto inverno pode-se começar a queimar em Junho. 

O fogo mata grande quantidade de animaes malfazejos : 
cauas, cobras, jacarés, praga, varejeiras, formigas, inutilisa 
muitos ninhos de jacarés-assús, mas também queima grande 
copia de mussuans destruindo egualmente centenas de ninhos 
de marrecas e de jurutys. 

Quando uma epizootia mortífera devastou uma fazenda, 
convém queimar os campos contaminados o mais tarde pos- 
sível, já estando todo o capim perfeitamente secco, de modo 
a ficarem por completo incinerados. E' o meio mais fácil de 
saneal-os. A queima antes de achar-se o capim bem secco, 
deixa o pasto em muitos logares apenas saberecado, em 
risco de, de novo, apparecerem casos de moléstia. 

Nos mondongos e abetumados andrekicezaes a queima 
deixa uma camada de cinzas de O.lOm a 0.25m de espessura 
que produz uma poeira suffocante ao serem a cavallo per- 
corridos. 

Quando o rijo geral em vez de soprar com uniformi- 
dade varre o solo gyratoriamente, levanta curiosos redemoinhos 
que se elevam aos ares a grande altura, justamente como 
as trombas que no estuário do rio Pará apparecem durante 
o inverno. Os redemoinhos de cinza de que falíamos ascen- 
dem a 200 ou 300 metros de altura sempre gyrando. cami- 
nham rapidamente até espalhar-se por grande arca e desappa- 
recer. Seu movimento rotatório rápido nas camadas infeiio- 
rcs da atmosphera, diminue elevando-se até toinar-sc quasi 
insensível. 



104 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



Rega dos campos.— ^m diversas fazendas as aguas 
vivas de Outubro a Janeiro subindo pelos igarapés, passam 
destes aos regos de onde invadem os campos marginaes 
baixos. Com essa irrigação natural o solo molhado e fertili- 
sado dá uma vegetação abundante, muito a propósito bem 
vinda na epocha em que as pastagens acham-se resequidas 
e o capim requeimado. Nas Dunas com essas aguas vivas 
nota-se um curioso e inexplicado phenomcno : o serem as 
maresias de Setembro menores que as de Dezembro e de 
Janeiro. Estas e mesmo a segunda de Novembro entram 
mui longe pelos campos dentro, onde as do equinoxio não 
alcançam. 

A entrada das aguas amazonicas nos campos 'c apro- 
veitada para, por meio de tapagens e represadas desalentar 
o gado. 

Pastos artificiaes. (*)— A criação do gado vac- 
cum nos pastos artiíiciaes na Amazónia c difficil e dispen- 
diosa. As derrubadas custam caro e o terreno florestal uma 
vez abatidas as arvores e queimado, tende a ser de novo 
invadido pela vegetação arbórea. 

Geralmente feito o roçado é elle aproveitado para 
qualquer cultura, canna, milho, arroz nas várzeas ; maniva 
na terra firme. Antes de poder-se effectuar a colheita carece 
de uma ou duas capinações. Aproveitada a colheita o capim 
nasce, mas são sobretudo os arbustos, ou plantas arbusti- 
vas que brotam vigorosas : o rinchão, a murta^ o juá, a 
juúna, a jurubeba, o jukiry, a pajamarioba, etc, que cres- 
cendo quasi unidos sombreiam o solo e matam o capim. 
Esta primeira vegetação a seu turno desapparece quando o 
lacre, a imbauba, os cipós fazem a sua apparição. 

Roçando-se annualmente consegue-se ver algumas plan- 
tas forrageiras, sobretudo cyperaceas, mas o rabo de ra- 
posa, o mata-pasto, o jukiry, o hortelão bravo mais rústi- 
cos, assoberbam o terreno asphyxiando as plantas forraginosas. 



( * ) ( ) auctor fala aqui só dos pastos produzidos expontaneamente 
nos roçados da rei^ião das maltas. Pastos artiíiciaes propriamente ditos, 
isto c, plantados com hervas forrafieiras determinadas, ainda são quasi des- 
conhecidas na .\mazonia. (11.) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 105 



Nos solos florestaes auxilia a criação do bovino o plan- 
tio do genipapeiro, da arvore de fructa-pão, quer de massa 
quer de caroço, cujas fructas e folhas caducas são comidas 
pelo gado. Também os gados gostam e sustcntam-se do tu- 
cuman e da manga. 

A criação da cabra n'estes pastos é proveitosa porque, 
n'elles criam-se bem e porque limpa o terreno de diversas 
plantas que os outros animaes domésticos engeitam. 

Os pastos artificiaes exiguos tem osincon\'cnicntes dos pas- 
tos cobertos: muita varejeira, muito moi"ceg(;, muita mutuca. 

Conscgue-se a limpeza d'estes pastos economicamente 
criando-se n'elles alem do bovino, o caprino e o bubalino. 
O buífalo e a cabra destolham diversos arbustos e plantas 
não aproveitadas pelo boi, trazendo essas campinas menos 
cerradas por vegetaes inforrageiros. 



II. Plantas forrageiras 

Andrekicé 

Lecrsia hexajidra Sw. (Graminese) 

Gramínea que cobre grandes superfícies de campo sem 
outra planta de permeio. Com justiça considerada como o 
melhor pasto da Ilha, para o grosso gado cornigero bem 
como para os solipedes. Cresce erecta a um metro de al- 
tura, em seguida seu peso fal-o deitar-se, apresentando en- 
tão uma camada junto ao solo de capim fanado, e a parte 
superior da planta verdejante. Escolhe os terrenos mediana- 
mente baixos, pouco atolentos, férteis. Nos mondongos ve-se 
com frequência compridos escalvados, onde só o andrekicé 
viçoso e basto se ostenta, rodeiado de profundas baixas la- 
marosas de piry ou de canarana. E' tido como a mais nu- 
tritiva graminea indigena. 

No baixo Amazonas, este capim se chama Peripoiíioiiga ( H. ) 

Apé 

NyHiphaea Ritdgeana G. F. W. Meyer ( Xymphacaceíe ) 
Cobre os regos, lagos e baixas profundas. Durante o 



106 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



inverno o gado vaccum aproveita-o francamente. Cosida e 
adubada com um pouco de sal c bem aceita pelo porco. 
Sua ílòr de aroma forte mas agradável desabrocha de noite 
somente. 

Apé-rana 

Limnaulheniiiiii HiDuhoJdíianiiin Griscb. ( Gcntianacea? ) 

Gencianacea cuja folha c igual, posto que menor, á fo- 
lha do apé. Costa de regos c terrenos baixos. A flor branca, 
pequena, cotonosa, que lembra o edcíiuciss alpino, brota da 
axilla das folhas. Utilisada como o apé pelo gado. 

Arumarana 

Tbalia gciiiciilafa L. var : pnbcscens Kcke. (Marantacese) 

Marantacea unanimemente considerada como boa forra- 
gem. Cresce a 2.50m e a 3.00m de altura. Procura os solos 
argilosos baixos e atolentos e as beiras dos regos. Suas se- 
mentes são alimento mui quisto das aves palmipedes e pa- 
lumbidíe. Em certos terrenos apropriados cerra consideravel- 
mente, porem no verão scccando, o vento fal-a tombar rente 
ao solo, não impedindo assim os trabalhos do campo ; van- 
tagem que não tem o piry. 

o Prof. K. Schumann, na monographia mais recente da família das 
Marantaceas ( in Engler Pílanzenreich IV, 4cS p. 173), não admitte a va- 
riedade puhescens^ considerando-a apenas como variação individual. Quem 
entretanto vê esta planta no estado vivo, não pode deixar de consideral-a 
antes como espécie bem distincta do que como simples variedade da espé- 
cie seguinte. ( H. ) 

Arumarana-miry 

Tbalia goiicnlata L. ( Alarantacere) 

Differe esta da precedente pelas menores dimensões e 
pela listra escura longitudinal na face superior da folha, a 
qual também é mais estreita do que a da var. puhcsceus. 
Cresce nos mesmos terrenos que a outra e pela margem dos 
regos dos campos altos, mas aqui em raros pés isolados 
uns dos outros. Como forrageira é igual á precedente. O 
cávallo procura-a bem. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 107 



Arroz do campo 

Trachypogon poJyuwrphiis Hack. var. píiiniosiis Hack. ((ira- 
mincíe ) 

Capim dos campos altos meio arenosos. Pode crescer 
em toucas cerradas até um metro de altura. E' graminca 
coriacea somente aproveitada pelos gados quando recente 
ou em falta de pastio melhor. O cavallo parece pastal-o 
mais francamente do que o boi. Occupa grandes áreas nos 
campos das fazendas entre o Camará e o Igaiapé grande e 
também entre o Camará e o Arary. Floreia de Junho a 
Setembro. Entremeio vivem o cafuz, a ipecaconha, a barba 
de velho, o pampa, o ruivo e diversas outras gramineas 
e cypeiaceas. E' vulgar nas sa\anas da Venezuela e nos 
campos centraes do Brazil. 

Arroz bravo 

Ory^a saliva L. ( Gram.ineíe ) 

Prospera nos baixos atolentos. Altura r.20m a l.óOm. 
Boa forragem, não inferior ao andrekicé, emquanto não 
fructifica. N'esse ponto o gado evita-o por causa das praga- 
nas encarnadas picantes das espigas. Não invade o campo 
em cerradas phalanges ; vive esparso entre outras plantas, 
no verde dos quaes as avermelhadas espigas produzem um 
effeito decorativo agradável. 

Nos campos baixos de Aíonte Alegre encontrei o Arro:{ bravo po- 
voando grandes espaços na beira das lagunas. ( FI. ) 

* Arenaria 

Calyptrocarya spec. nov. ? ( Cypcracece ) 

Capim rasteiro dos sombreados arenosos baixos. Não 
ultrapassa 0.20m. Pasto mediocre. 

* Alvarado 

Scleria hirtei la Sw., Sclcria tendia Vahl. (Cyperacese) 

Capim de pouco crescimento dos campos arenosos 
onde vigora o arroz do campo. Má forragem. 



108 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



As duas espécies de Alvarado são muito semelhantes entre si, a se- 
gunda distiní;uindo-se da primeira pelo crescimento mais denso, pelos espi- 
ouetes iílabros e pelos fructos ( caryopses ) não lisos, mas opacos e ru- 
gosos. ( H. ) 

Barba de bode 

Eragrostis rcptans Nccs (Gramincse) 

Gramínea relvosa cuja altura não vac alem de 0.22m 
quando cresce erecta ; rastejando pode medir 0.35m.. Própria 
dos campos baixos, já pelo gado cultivados. Com o começo 
do verão, logo que o solo das baixas emerge, esta planta 
rasteira desponta, e sem demora floreia e fructifica. Coberta 
pelas aguas das chuvas no principio da estação pluviosa 
morre, ficando o terreno por elle occupado, sob a agua. 
sem verdura alguma, a não ser já em Abril diversos ]\Iuru- 
rés. Algumas vezes, os terrenos, onde de verão a barba de 
bode vegeta^ são invadidos na estação invernal pela aruma- 
rana. Acontece, quando o pirysal fica ralo, entre as suas 
toucas crescer a barba de bode que, assim abrigada do 
vento, conserva-se verde, appctitosa, até ao fim dos grandes 
verões. Seu solo de predilecção é o barro puro, atolento, 
encharcado, fendido e resequido. ¥J para os solipedes a me- 
lhor pastagem da Ilha : macio, saboroso, substancial. Certas 
plantas essencialmente estivaes como a barba de bode, o ca- 
pim de marreca, a alcatifa, resistem vigorosamente aos mais 
longos verões : as outras plantas em torno mostram-se com- 
pletamente seccas emquanto as primeiras fazem excepção 
verdejando, não obstante o solo argiloso, onde vivem, achar- 
se perfeitamente secco. E' provável que essa resistência seja 
devida a ficar húmido durante a noite o ar athmospherico, 
80 graus de humidade, e ser essa humidade absorvida pela 
argila, cuja supeificic em contacto com o ar ainda é aug- 
mentada por innumeras fendas. A pequena quantidade de 
húmus contida n'esses solos augmenta a sua capacidade de 
imbibição. Algumas raras noites, quando o vento acalma, a 
humidade athmospherica condensa-se sobre essas plantas ras- 
teiras e esse orvalho, dando-lhes a humidade em maior quan- 
tidade deve auxilial-as contra a murchidão. De outro modo 
não se explica o aguentarem sempre verdes dois mezes sem 
um pingo d'agua. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 109 



Riáslcr, nas suas Rechercbes siir Vévaporation dn sol, tra- 
tando da tenacidade com que os solos argilosos conservam 
um resto de humidade, diz : « N 'estes últimos — solos argilo- 
sos, — uma parte da agua escapa á absorpção das raizes; ella 
ahi é conservada com uma energia, que estas" ultimas não 
podem superar, e é provável que quanto a este facto as 
raizes de todas as plantas não são iguaes : umas podem apo- 
derar-se em um mesmo terreno de c|uantidades d'agua que 
são inaccessiveis a outras. » 

Em quanto ás múltiplas espécies de Gramineas e Cyperaceas, que 
receberam o nome de « barba de bode », vide Boi. do Mus. Par. vol. II. 
p. 293 no 8. (H. ) 

* Barbadinho 

Desiiiodinin barbatum Benth. (Legum. Pap. Hedysareee) 

Leguminosa annual de 0. 70 a O.80 de altura. Apraz-se 
nos solos meio arenosos altos e consistentes. Floreia em Ju- 
nho e Julho, seccando logo que o verão aperta. Forragem 
regular para o cavallo. 

Esta espécie é também ás vezes chamada carrapichiiiho. ( H. ) 

Batatarana 

Vigila liiíeola Benth. ( Lcg. Pap. Phaseoleíe) 

Leguminosa sarmentosa própria dos campos argilosos 
húmidos, onde cobre as outras plantas. Bóa forragem mui 
procurada pelo equino. 

* Barba de velho. 

Andropogoii virginicns L. ( Gramincce ) 

Graminea de 0.65m de altura, cujas inflorescencias lus- 
trosamente cotanilhosas apparecem de Agosto a Outubro. £' 
commum nos tesos arenosos e campos altos. Forragem soffri- 
vel. Abundante em Santa Rita onde no verão a flor desta- 
ca-se de longe. 

* Cafuz. 

Scirpiis juiiciforniis Poir. (Cyperacea?) 
Cyperacea dos terrenos altos arenosos. Altura sem o 



110 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

pendão 0.30m c com este Im. Forragem ordinária. Cresce 
esparsa nos capinaes de arroz do campo. 

* Capim roxo. 

Paiiiciim parvifoíiiiin Lam. (Gramincse) 

Gramínea dos solos antigos compactos. Cresce nas baixas 
e cabeceiras dos regos onde a copuda e o caraná parcial- 
mente o sombreiam. Roa forragem. Floreia de Julho a Setembro. 

* Capim estrella. 

Dichroiiicna ciliata \a\ú. (Cyperace£e) 

Cyperacca rasteira dos campos altos argilo-arenosos ou 

argilosos. Pouco appetece aos gados. 

Até aqui colleccionei em Marajó só a D. ciliala; é porem mais que 
provável que ali se ache também a vuljrar D. puhera Vahl, espécie um 
pouco menor e menos apparente. (11.) 

* Capim gig-ante. 

TripsaciiJii dactyloidcs T.. ((iramineee) 

Graminea de agigantado porte, de folhas largas. Attin- 
ge em volumosas toucas a altura de 3 metros com o pen- 
dão. Excellente pasto, mui procurado pelo cavalio e pelo 
boi. Rarissima no .Marajó : só a temos encontrado no teso 
do Araçateua. junto ao matto em logar arenoso mas fresco. 
Conviria ensaiar a sua propagação nos terrenos favoráveis. 
Existe em Goyaz. 

Capim serra. 

Cyperus íiguJaris L. (Cyperaceee) 

Folhas ásperas, lateralmente dentadas e cortantes. Al- 
tura com a haste floral O./Om. Pasto ordinário. Vive nos 
tesos e dunas baixos. Prefere o terreno solto ao compacto. 

Esta espécie c também chamada Capim de botão f^randc. ( II. ) 

Capim de um só botão. 

Kyllinga piimila Michaux (Cyperacese) 
Pequena cyperacea de 0.20m a 0.24m de altura dos 



Os' CAMPOS DE Marajó E a sua flora 111 



campos altos argilosos e argilo- arenosos. Forragem ordi- 
nária. 

Capim de botão. 

Cypenis LiiT^nlae Retz. (Cyperaccae) 

j\íui commum nos campos altos e tesos onde attinge 
0.40m. Sua inflorescencia em cinco ou seis botões não ag^ra- 
da ao gado que o evita quando já maduro. Não pode ser 
considerado como boa forragem. 

Capim -assú. 

Panicnm niegiston Schulth. (?) (Graminese) 

Assaz semelhante ao capim de Guiné, porem mais du- 
ro. Mostra-se em grandes toucas de 0.70m a 1.1 Om de altu- 
ra. E' planta dos tesos e escalvados. Habita indiffcrente os 
solos argilosos e os arenosos. Não obstante ser forragem 
grosseira, agreste, é considerada como uma das boas pasta- 
gens por ser resistente e de vida tenaz ; re-nteado, espesinha- 
do pelo gado não desapparece como o mofino capim de co- 
lónia. 

A identificação d'esta espécie ainda não é estabelecida com todo o 
rigor desejável. Seí^undo a des-:ripção acima, poderia se tratar do P. niegis- 
ton, cujos exemplares recebi porem com a indicação de Caniiarana, com 
ponto de interrogação. O Paspaliun densum Poir., que me foi apontado 
como sendo o Capim- assú, não se assemelha ao Capim de Guiné. ( H. ) 

Capim de marreca. 

Paspaliim conjiigaliim Berg. var. y. piihescens (Graminese) 

Como a barba de bode é pastagem exclusivamente es- 
tival, relvosa também como ella. Consideram -n'a os vaquei- 
ros como pouco nutritiva. Vive nas baixas argilosas onde no 
verão cobre grandes superfícies. Seu crescimento não exce- 
de 0.v30m. Immergida nos primeiros mezes do inverno apo- 
drece, ficando dentro d 'agua suas sementes vivas até que, no 
começo do verão, em Julho e Agosto, as aguas evaporan- 
do-se, essas sementes germinam cobrindo de novo o capim 
de marreca o solo de um lindo tapete de verdura. Accusam 
as suas sementes de agglomerar-se em bolas, na bocca dos 



112 Os CAMros DE Marajó e a sua flora 



equinos, produzindo feridas e inappetencia. Só temos visto 
este capim nos campos já cultivados pelo gado vaccum em 
terrenos de extinctos piryzaes. 

O P. conjtiyaUiin typico, que por causa da sua semelhan(,a com o 
pancuaii é muitas vezes confundido com elle, existe também em Marajó, mas 
elle parece ser vivaz, emquanto que a variedade pithescens c annual e repre- 
senta p'Ovavelmente uma raça especial adaptada a' vida ephemera nas bai- 
xas alagadas durante o inverno. (11.) 

Capim de teso. 

Paspahijii scopariíiiii Fliiggc (Graminese) 

Relva de exiguo crescimento, própria dos tesos de areia 
quasi pura. Boa pastagem. 

* Capim ag-reste. 

Cy perus diffnsus Vahl (Cyperaccíc) 

Capim dos tesos e pastos altos cobertos. Altura 0.50m. 
Ruim foriagem. 

Capim de Colónia. 

Paiiiciiiii iiiíiiiiííiãiimn Lam. ( Graminete ) 

Conhecido no Sul pelo nome de capiíii de planta; pe- 
los europeus como capim do Pará, Pará c^rass, herhe de Para. 
E' raro nos campos de Marajó. Pizado pelo gado não tarda 
a desapparecer de onde exista. E' encontrado em ralas toucas 
perto dos regos, quando defendido pela fronde espinhosa 
dos aturiás. Plantado em cercado para o corte, é excellente 
e rendoso. Ha duvida em ser o capim de colónia oriundo 
do Pará. O Sr. Dr. Huber diz: «A questão da sua prove- 
niência ainda não me parece bem elucidada. Parece portan- 
to que o nome capim de colónia empregado geralmente no 
Pará pugna em favor da hypothese de uma importação da 
Africa. » 

E' provável que, antes da introducção do gado vac- 
cum na Ilha fo.sse elle mais abundante. Seu solo de predi- 
lecção é o terreno argiloso alagado e os baixos arenosos on- 
de grande parte do anno estagna a agua pluvial. Appetece 
a toda a espécie de gado, mostrando-se nutritivo. Podemol-o 



Os CAMPOS DE M7VRAJÓ E A SUA FLORA ll3 



considerar como uma das melhores forragens, mui rendosa 
se ceicada para o corte, mas, por ser morrcdiço, mediocre 
no pastio em liberdade. 

* Capim villoso. 

Rhynchospora hirsiUa Vahl, R. barbata K. (?) (Cyperaccíe) 

Cyperacea dos campos altos húmidos ou mui pouco 
alagados. Crecimento máximo 0.40m. Forragem soffrivel. 
Commum no Jutuba, desconhecido no Maguary. 

Capim d'Ang'ola. 

Paiiicum inaximiuii Jacq. (Gramincae) 

Também conhecido por capim de Guiné. Uma das me- 
lhores e mais rendosas plantas forraginosas dos climas equa- 
toriaes. Diz-se que um kilometro quadrado plantado d'esta 
graminea sustenta trezentas rezes. Nas Antilhas é o capim 
que plantam e com o qual criam muito gado em áreas re- 
lativamente pequenas, sendo o gado maior e mais nutrido 
do que o nosso. Como o capim-assú, com o c[ual muito se 
parece, cresce em toucas compactas. Planta-se mais vantajo- 
samente dos filhos do que das sementes. Um pé plantado 
filha rapidamente dando toucas de 20 a 50 indivíduos. Ser- 
ve não só para o corte como para o pastio livre. Da- se mal 
nos terrenos argilosos ou alagados, prefere os solos meio are- 
nosos e humosos. Nos terrenos de sua predilecção cresce a 
1.50m de altura. Tanto o equino como o bovino o comem 
com prazer. 

Capim cortante. 

Cypems radiatus Vahl ( C^^peracese ) 

Capim dos alagados e atoleiros. Cresce nos baixos me- 
dianamente submergidos onde convive com a arumarana, 
com o coquinho, com a canarana. E' pastagem mediocre. 
Altura máxima 0.80m. 



114 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

* Capim foice. 

Paspãliíiii spcc. (Gramincíe) 

Gramínea de 0.3o e 0.40m de altura. Suas espigas ar- 
quejadas, falciformes a tornam reconhecível. Forragem bem 
conceituada. Escolhe o barro húmido, mas não demais en- 
charcado, dos solos compactos. 

Canafreeha. 

GyneriíiDi sagitíatiiin Beau\'. (Graminese) 

Gramínea longamente radiculada dos terrenos altos are- 
nosos e das dunas. Forragem soffrivel. Altura com a ele- 
gante haste floral cinco metros. E'- d'essa haste que os índios 
fazem suas frechas. Entraria mais na alimentação dos gados 
se não crescesse tanto. 

Canajuba. 

Vive pelas margens dos igarapés e rios. Altura 3 me- 
tros. Forragem pouco commum mas regular. 

* Canabrava. 

Paspãliun saccharoides Nees (Gramincíe) 

Pouco forraginosa esta gramínea coriacea e de caule 
duro. Altura 1.30m. Habita os solos arenosos altos. 

Canarana fluvial. 

Panicuiii speciahih Nees (Graminefe) 

Vulgarissíma pela beira dos rios, regos e lagos. Cons- 
titue quasi exclusivamente os famosos barrancos ou pirian- 
tans, ilhas fluctuantes que, durante o inverno, deslisam pelos 
rios da Ilha e pelo Amazonas. Excellente pastagem para o 
bovino, medíocre para o equino que a abandona por qual- 
quer capim macio e rasteiro. Tomando a largura toda dos 
regos e rios despidos de matto marginal causa -lhes o entu- 
pimento, represa as aguas, contribuindo bastante para as de- 
moradas e prejudiciaes inundações. A orelha de veado tam- 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 115 



bem espande-se pelos regos paralysando-lhes o seu escoa- 
mento. 

Suas sementes são muito procuradas pelas marrecas. 

Canarana de folha miúda. 

Paniciun amphxicanle Rudge (Gramineíe) 

E' a canarana que nas baixas sobj-enada no inverno" 
Bom pasto. Esta e a precedente crescem, alastram comi ra- 
pidez cobrindo grandes superfícies. 

A"o baixo Amazonas (Monte Alesrre) chamann a este capim de Rabo 
de raposa. (H. ) 

Canarana rasteira. 

Paspaíiim repens Berg (Gj"aminese) 

Graminea de folhas finas e e:>treitas de altura meã. 
Forragem das melhores tanto para o gado vaccum como 
para o cavallar. Vive nas baixas ubertosas. Todas estas ca- 
naranas procuram o barro um pouco atolento. 

Chamado Pirimemhéca no Baixo Amazonas. Este capim contribua 
muito á formação das ilhas fluctuantes. Vide Boi. Mus. Goeldi Vol. IV 
p. 480. (H.) 

Canarana fina. 

Panicinn appressiun Lam. vel P. íaxiiiii Sw. ? (Gramine^e) 

Graminea de pequena altura dos solos argilosos consis- 
tentes alagados. Bem acceita pelos gados. 

Canarana roxa. 

Paniciun :(i:{^anioides H. B. K. (Gramincfe) 

Se crescesse direita poderia chegar a l.50m, que só 
acontece, quando se acha sustentada por outra planta que 
lhe serve de amparo. Margem dos rios e baixas pouco ala- 
gadas. O seu colmo é roxo. Boa forragem. 

* Calandrini. 

Dactylocteniiim aegyptiacuni Willd. (Gramineae) 
Graminea relvosa encontrada nos solos um pouco are- 



lló Os CAMros DE Marajó e a sua flora 



nosos altos batidos pelo gado, nos curraes velhos e em tor- 
no das habitações. Algumas vezes cresce em rosáceas ras- 
teiras. Agrada ao cavallo. Dá espigas de 2, 3 ou 4 espigue- 
tes curtos, grossos, partindo todos do mesmo ponto da haste. 

E' esta espécie que nos jardins da Capital é conhecida sob o nome 
de « Grama ». (H. ) 

* Cazumbra. 

PaspaluDi spec. ( Gramineíe) 

Um pouco semelhante ao pancuan, rastejante e amante 
dos sombreados ralos. E' forragem regular. 

Capim rasteiro. 

Spcnnodon selaceiís Bcauv. [Rhynchospora sclacca Bckl. ] (Cype- 
raceee ) 

Relvoso; não cresce a mais de 0.25m. Suas espigas pro- 
duzem um bello effeito ornamental. Bem acceito pelos gados. 
E' capim dos tesos e pastos altos. 

Sob o nome de Capim rasteiro corre também a Rhxncljospora hirsuta 
Vahl, citada mais acima sob o nome de Capim villoso. (II.) 

Capim da praia. 

Panicmn íitlorale Rich. ? (Graminese) 

Graminea de 0.35m de altura, de caule algum tanto duro. 
Habita as praias onde a preamar media malmente chega. 
Pasto mediocre. 

Carrapicho. 

Ceiíchnis viridis Spreng. (Gramineíe) 

Graminea dos campos arenosos altos. Emquanto não 
fructiíica c forragem regular, porem logo que apparecem as 
espigas, o gado recusa -o por causa dos picos das sementes 
que ferem a bocca do animal. Quando os carrapichos se 
agarram em grande numero ás crinas da cauda produzem 
massarocos. Incommoda o vaqueiro segurando-se na roupa e 
picando-o atravez. Também vive no Sul, na Guiana e nas 
Antilhas. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 117 



O nome de Carrapicho é usado pelo povo para designar em geral 
as plantas cujos fructos ou sementes adherem á pelle dos animaes. sendo 
assim disseminadas. (H.) 

* Flabello. 

Pãspãliiiii chrysodaclyJon DõU (Gramincíe) 

Alá forragem própria dos terrenos altos arenosos. Des- 
taca-se das outras gramíneas pela sua forma de leque. 

* Florena. 

■ Riencouriia aff. glomeraia Cass. (Compositse) 

Esta planta que se cobre de flores em Agosto e Se- 
tembro é forrageira para o cavailo. Cresce basta a 1.30m. 
Vive nos monticulos ou largos aterroados dos terrenos altos. 

* Forquilha. 

Paspãliini papillositni Spreng. (Gramincse) 

Graminea de O.25 a O.Sõm de altura dos terrenos al- 
tos. Medra tanto no solo argiloso como no arenoso. Boa for- 
ragem sobretudo para o solipede. 

Grama. 

Cynodon dactylon Pers. (Graminese) 

Capim relvoso, não indigena no jMarajó; plantado cm 
torno das habitações cobre limitados espaços. ]\íultiplica-se 
pelas sementes e pelas raizes que dos stolones brotam. Gos- 
ta da terra solta. E' boa forragem especialmente para o 
equino que muito a aprecia. 

O Cynodon dactylon é um capim commum a quasi todos os paizes quen- 
tes. Conhecido na França meridional sob o nome de « Chiendent » e geralmente 
considerado como uma das peores hervas damninhas, elie é pelo contrario 
cultivado e bastante estimado como forragem nos terrenos áridos da índia 
oriental e principalmente nas índias occidentaes e no Sul dos Estados Unidos, 
onde elle é chamado «Bermuda grass». Elle tem a vantagem de prosperar e 
de fornecer uma forragem macia mesmo na época mais secca do anno e em 
terreno de areia quasi pura. O seu plantio não se recommenda em Jogares 
onde se fazem outras culturas porque elle invade estas e é difficil a exter- 
minar-se, mas não duvido que a sua cultura seria vantajosa nos tesos de 
Marajó, onde as suas propriedades de grande resistência a' extirpação e a 
secca só podem ser bem vindas. (H. ) 



Il8 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

Grama-assú. 

Hemiarthria fasciciiíatú Kunth (Gramincse) 

Gramínea pouco commum dos tcncnos ai<i"ilosos fur- 
teis. Cresce a um metro de altura. Pouco commum. 

Junco manso. 

Heleocharis iiuitaia R. Br. (Cypcraccíe) 

Cypeiacea dos altos e escahados. Não medra nos ala- 
gados atolentos. Forragem soffrivel. E" deste junco que se 
fazem as esteiras para as sellas. 

o que diz respeito as diversas qualidades de junco, a identificavão c 
muito difficil por causa das variações na nomenclatura indi|^ena. Assim a 
H. iiiiitiila R. Br. me foi apontada como sendo o verdadeiro Junco manso, 
principal matéria prima para esteiras, emquanto que por outras pessoas a 
mesma espécie botânica me foi desii^nada sob o nome de junco popoca. (II.) 

Junco bravo. 

Cybenis arúciílaiiis L. (Cyperacese) 

Cyperacea coriacea só aproveitada pelo bovino quando 
acossado pela fome. Vive nos solos atolentos e baixos onde 
attinge 2 metros de altura. Posto que mais duro do que o 
junco manso serve para as esteiras de inverno porque são 
mais duiativas. 

* Junco ananica. 

Heleocharis capitaia R. Br. (Cyperaccse) 

Da mesma familia que os precedentes mas mui pequeno. 
Forragem má. Cresce nos sombreiados de areia encharcada. 

Junco popóca. 

Heleocharis geniculata R. Br. ou H. mulata R. Br. ? (Cypera- 
cese) 

Vive nos mesmos terrenos que o junco bravo e como 
elle é ruim pasto. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 119 

Junco de três quinas. 

Rhynchospora polycephaJa Kunth (?) (Cyperacese) 

Ouasi não forrageiro. ]\Iesnio.s terrenos preferidos j^elo 
junco popóca, i\ltura l.20m. 

* Junco agreste. 

Heleocharis ochreaia Nees ( Cyperaccse ) 

Encontrado nos baixos consistentes meio arenosos pouco 
alagados. Altura de 0.22 e 0.32m de altura. Ordinário. 

Junco da praia. 

Cyperus schcenonwrphus Steud. (Cyperacese) 

Cresce nos logares das praias onde existe barro duro. 
Não se aventura tão longe como o paraturá, mas sempre a 
qualquer maré é banhado pela preamar. Altura O.SOm. Pés- 
sima forragem. 

Jukiry arbustivo. 

Mimosa asperafa L. (Legum. Mimosoidese) 

Altura 2.50m. Devido aos seus espinhos somente a cabra 
o desfolha. E' encontrado não só nos terrenos argilosos en- 
charcados como nos arenosos húmidos e nas praias. E' tam- 
bém assaz commum nas dunas. 

Jukiry manso. 

Neptiinia oleracea Lour. (Legum. ]\íimosuidese) 

Mururé que durante o inverno é natante e durante o 
verão cria raizes que se introduzem no solo. Pouca folhagem 
possue. Como a tinteira, a majuba e outras plantas dos baixos 
tem o seu tronco coberto de espesso tecido aerenchimoso 
durante a phase aquática de sua vida: quando vive no sccco 
esse tecido desapparece, afina-se o caule endurecendo. Mui 
rasteiro. De pouca importância como forragem posto que o 
boi o coma com prazer. 



120 Os CAMros DE ]\Iarajó e a sua flora 

* Lentilha do campo. 

Aeschyuonicne brasiliana DC. Legum. Pap. (Hcdysarcae) 

Leguminosa meã de pequenas folhas folioladas. Pasto 

soffrivel dos campos altos. 

Junto com a A. brasiliana cresce um outra espécie muito semelhante, 
a Aesch\'novieue hvstrix Poir., de foliolos mais miúdos e mais numerosos. (H.) 

Maria molle. 

Commeliua virginica L. (Commelinaccse) 

Planta raiissima nos campos, dos terrenos frescos som- 
breados altos. Requer um solo húmido. 

Emquanto que a C. virginica tem um caule mais ou menos erecto e 
flores d'um azul claro, a outra espécie muito mais commum na terra firme, 
C. uudijiora L., tem caules rasteiras e flores d'um azul mais escuro. Ainda 
não encontrei esta setjunda espécie na ilha de Marajó, mas é mais que pro- 
vável que ella se ache ali também representada, (H.) 

Maniva do campo. 

Manihot niarajoara Hub. n. spec. (Euphorbiaccse) 

Euphorbiacca dos terrenos altos onde prefere as eleva- 
ções de cupim ou largos aterroados. Altura máxima 2.20m, mas 
geralmente não ultrapassa 1.20m. Os bovinos a approveitam. 

Esta espécie approxima-se do M. vielaiiohasis Mull. Arg., dos campos 
da Guyana ingleza, pelo facto da persistência das bases engrossadas das 
estipulas que são bi- ou trifidas quasi ate a sua inserção no caule. O M. 
marajoara distingue-se porem pela forma dos lóbulos foliares que são aqui 
inteiras e não lobuladas como no M. nwhinohasis. { H. ) 

* Merukiá. 

Eragrostis Vahlii Xees (Graminese) 

Gramínea dos pastos altos argilo-arcnosos. Gosta dos 
solos batidos pelo gado. Altura 0.25 a 0.30m. Dá-se bem 
nos tesos pouco sombreados. Boa forragem. 

Massapé. 

Iiiiperala brasiliensis Trin. (?) (Gramineoe) 
Graminea dos tesos e campos altos: é mui abundante 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 121 



em certas zonas da Ilha. Pouco procurado pelos gados; pode 
ser considerado como mais ordinária ainda do que o arroz 
bravo. Floreia no começo do inverno. 

A Imperata brasiliensis é geralmente chamada Sapé no Sul do Brazil. 
Recebi exemplares d'esta espécie de Marajó, mas sem indicação do nome 
vulgar, de maneira que a identificação com o massapé de Marajó carece ainda 
de confirmação. (H, ) 

Malva de pendão. 

Wissadida spicata Presl (Malvacese) 

' Habita os tesos sombreados. Malquista dos lierbivoros 
domésticos. 

Malva. 

Sida rhúiuhifoUal^. var. ft. siirinaniensisK. Schum. (Malvace£e) 

O boi come-a regularmente quando nova. O carneiro 
preferc-a a qualquer outra planta. Cresce nos logares forte- 
mente estrumados altos. 

Malva. 

Sida rhombijoíia L. var. « typica Schum. (Malvaceee) 

Egual em tudo á precedente. 

Esta variedade distingue-se da precedente principalmente pelas flores 
longamente pedicelladas. 

As variedades da Sida rhoinhifolia chamam-se também « vassourinha, » 
como a Scoparia diílcis. ( H. ) 

Mupuré. 

Termo genérico que abrange todas as plantas natantes. 
A maior parte dos mururés não são forrageiros, como o mu- 
ruré page, o carrapatinho, o rendado, o panacarica, o rcdon- 
dinho. Entre os de que o gado se alimenta durante o inverno 
citam-se a orelha de veado, o mururé de canudo, o jukiry 
manso, a violeta d'agua. 

■ O « Mururé canudo » é a Eirhhoriiia crassipes Solms. (H.) 



122 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

Orelha de veado. 

Eichíjornin a::^iirea Kunth (Pontedcriacese) 

O maior e mais forraginoso mururé da Ilha. Suas folhas 
carnudas constituem boa alimentação para os gados. Nos ter- 
renos atolentos dos regos cresce a 0.80m acima d'agua, com 
folhas de 0.22m de comprimento e quasi outro tanto de lar- 
gura. Obstrue os regos onde vive ora de permeio com a 
canarana ora em taboleiros extensos. Habita os regos e baixas 
profundas. Sua inflorecencia de um bello azul produz um lindo 
effeito entre o verde escuro da folhagem. 

Orelha de veado da praia. 

Poníederia cordala L. (Pontederiacece) 

Cresce enraizada nas praias da contra-costa cm pés 
isolados ou em exiguas toucas. 

* Pampa. 

Andropogon spec. (Graminece) 

Forragem regular cmquanto não tem o pendão. Cresce 
esparso por entre o arroz do campo. Sem a inflorescencia 
mede 0.25m e com ella 1 metro. 

Paneuan. 

Paspaliiiii fiircaíiini Fluegge (Gramincíe) 

Esta gramínea, ausente dos campos lavrados, invade e 
cobre totalmente sob uma camada basta de O./O a O.QOm de 
espessura as várzeas derrubadas e queimadas. E' o capim 
que nos canaviaes prejudica o crescimento e viço da canna. 
Propaga-se rapidamente pelas sementes e pelas raizes adven- 
ticias dos nós. E' bastante commum nas ruas dos subúrbios 
do Pai á que atravessam terrenos avarzeados. Procura o barro 
encharcado ou húmido mas periclita nos alagados. Boa for- 
ragem para o bovino e para o bubalino. Seu caule achatado 
cresce mais rastejante do que erecto. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 123 

* Phaseolo. 

Phaseolus semierecius 'L. (Legum. Pap. Phaseole^e) 

Leguminosa dos terrenos argilosos húmidos. Flores roxo- 
avermelhadas em racemos de 10 a 14 flores. ]\íá forragem. 

* Péua. 

Ãndropogon hrevifolins Sw. (Graminese) 

Graminea dos campos altos e tesos. Entra bem na ali- 
mentação dos gados. Mede de O.80 a l.óOm, mas, por causa 
do seu caule mui fino achatado, não podendo conservar-se 
direito, cresce recumbente sobre o solo ou sobre outras plantas. 

Pé de g"allinha. 

Eleiísine. indica L. (Gramineíe) 

Commum nos pastos altos e nos tesos onde se eleva a 
O.óOm de altura. Todos os herbívoros a pascem bem. E' mui 
vulgar nas ruas da capital do Estado, entre os parallelepi- 
pedos. Vive em todos os terrenos menos na areia solta, mas 
prefere o solo argilo-arenoso. 

* Panapaná tauá. 

Phaseolus lasiocarpiis Mart. (Legum. Pap. Phaseolese) 

Leguminosa sarmentosa de flor amarella dos campos 
argilosos altos cobertos. Rara e por isso pouco importante. 
Bom pasto. 

* Panapaná pirang-a. 

Phaseolus longepeduncuJatus Mart. ( Legum. Pap. Phaseoleae ) 

Os terrenos altos cobertos são os procurados por esta 
leguminosa forrageira. 

Existem ainda duas papilionaceas com este nome. uma 
das quaes também conhecida por Fifi de flor cor de rosa. 
Ambas sarmentosas. Suas flores em Agosto e Setembro en- 
feitam os campos altos. 

Aqui podem-se citar ainda o Phaseolus linearis H. B. Iv„ com gran- 
des flores d'um azul escuro e o Ph, peJiinciiIaris H. B. K. com flores còr de 
rosa. Ambos crescem nos campos altos (Jutuba). (H. j 



124 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

Piry. 

Cy perus (^ifinnteiís Vahl (Cypcraccse) 

O piry é uma cypcracea de cujas folhas tcrminaes 
quando novas, o ^ado vaccum e o cavallar se alimentam com 
prazer. 

O terreno occupado por esta planta é sempre atolento, 
no cmtanto se ella desapparece fica o solo então mais con- 
sistente. 

Queimado em qualquer epocha do verão brota com 
rapidez, cresce e floreia sem ultrapassar 1 a 1.20m de altura. 
Por esse motivo consideramol-a forragem preciosa para o 
periodo estival, quando após a queima annual as outras 
plantas aguardam as primeiras chuvas para brotar. 

Nos mondongos e mais terrenos de formação recente, 
alto, grosso, cerrado não é rompido nem mesmo pelos mais 
alentados bois de sella. Ahi com 3 a 3^2 metros de altura 
um cavalleiro em pé sobre a sella não descortina o horizonte. 
Do piry assim vigoroso alguns indivíduos seccos pendem 
produzindo um entrelaçamento difficil de transpor-se. Cresce 
em toucas de dezenas de pés que rebentam das raizes como 
a bananeira. 

O fogo annualmente e também o constante perpassar 
do gado, extingue o pirizal; vae elle ficando gradualmente 
em reboladas que progressivamente diminuem de vigor e de 
altura. O gado aparando as extremidades d"esse piry já fraco 
e baixo fal-o mais depressa desapparecer. Morto o piryzal 
o terreno algumas vezes por três, quatro ou cinco annos fica 
nú de verão e coberto d'agua apenas no inverno, com algum 
mururé ou apérana. Outras vezes entremeio do piryzal já 
ralo pelo cultivo do gado cresce a substancial barba de bode 
(Eragrostis replans) e a inútil alcatifa. Somente depois de alguns 
annos é que surge a canarana, o andrekicé, a arumarana, ou 
o capim de marreca, 

O piryzal quando cejrado impede qualquer outra ve- 
getação. 

A marreca não frequenta os piryzaes nem de inverno 
nem de verão. O piry quando queimado dá uma fumaça negra 
bem differente da das outras plantas. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 125 



Este cypero afofa o solo, suas toucas queimadas com- 
pletamente deixam pequenas elevações imitando a aterroadas, 
nos logares das raizes. Essas protuberâncias extincto o piryzal 
desapparecem ficando nivelado o solo. 

Nas praias de lama e nas beiras dos rios e ig-arapés 
largos, o piry mostra-se em toucas bem fornidas porem nunca 
adquire as proporções e a pujança que ostenta no lamarosos 
piryzaes da Ilha. 

O piryzal humedecido é sempre atolento. Xas fazendas 
Arraial, Boavista e Ribanceira existiam enormes pirvzaes que 
com rapidez tem desapparecido. Na primeira d'essas fazendas 
em dez annos, de 1892 a 1902, esse desapparecimento tem 
sido de cerca de 250 hectares por anno. Fora da Ilha conhe- 
cem-n'o pelo nome de tábua, sendo utilisado para a fabricação 
de grosseiras esteiras. Convém notar que o termo portuguez 
ultramarino de tábua designa uma espeeie de partasana Typha 
minor, com a qual em Portugual fazem esteiras. 

O cavallo pastando não se atreve a entrar no piryzal, 
mas o boi rompe-o percorrendo-o e n'clle abrindo veredas; 
no piryzal demais cerrado comtudo nenhum animal domestico 
entra a não ser o buffalo. 

* Rabo de mueura. 

Pmniseium sètosnm L. C. Rich. (Gramine£e) 

Graminea de 1.30m de altura dos campos bastante altos 
arenosos. Forragem raia e ruim. 

* Rabo de rato. 

Panicnm vilfoides Trin. (Graminea?) 

Graminea de talhe médio, entre 0.3o e O.óõm. Pouco 
vulgar. Boa forragem dos campos altos e tesos. 

* Ruivo. 

Aristida capillacea Lam. (Gramineee) 

Capim de pontas arruivadas e curtas. Não mede mais 
de 0.25m. Encontrado nos campos bem altos arenosos. Pouco 
attrahe os gados. E' raro. 



12Ó Os CAMPOS DE AÍARAJÓ E A SUA FLORA 



* Sentinella. 

Paspa/iiin parvifloniiii Rhode ( Gramincíc) 

Rasteira, sua altura não excede 0.2õm. Bem acceita 
pelos herbívoros domésticos. 

Taboca. 

Guadiia marroslíichxii Rupr. ( (íramine^e) 

.\ taboca, como o seu congénere o baml^ú. pode ser 
considerada como uma boa forragem, apioveitada pelo ccjuino 
e por todos os ruminantes. Possue acerados espinhos que 
difficultam o seu aproveitamento pelos animaes. mas como 
os ramos da parte superior da planta não os têm, derrubada 
ella. o gado pasce-a. 

Esta gramínea cresce vigorosa em enormes toucas pelas 
margens dos igarapés e rios da costa norte do Marajó, cer- 
radas, impenetráveis; também em alguns tesos centraes é 
encontrada em reboladas, mas ahi é ella mais fina e de caule 
mais rijo. A taboca nas alluviões recentes da costa norte 
adquire proporções consideráveis, hombrcando em altura com 
as arvores que ahi vivem. 

A taboca madura, no enchuto, respeitada pelo cupim, 
dura dezenas de annos. E' usada para enripar e para enjus- 
sarar, substitue mesmo a madeira para encaibrar as casas de 
telha de pequenos lances ou as barjacas. Suas raizes prote- 
gem o solo inconsistente das praias e beiradas contra a erosão 
da correntesa. 

Dão os tabocaes guarida segura ás feras. Egualmente 
n'elles é a praga de inverno colossalmente numerosa. 

Aberto um estreito vaquejador de c|uatro a seis metros 
num tabocal, as tabocas marginaes dirigem da parte inferior 
do tronco até dois metros de altura e perpendicularmente ao 
vaquejador galhos de dois a três metros de comprimento, 
vigorosos, armados de formidáveis puas. os quaes em j^ouco 
tempo entrelaçando-se fecham o vaquejador. 

Na minha lista «Materiaes para a Flora amazonica» I n.° lo classifi- 
quei a taboca de Marajó como Gtiadiia aiigitstifoUa Kunth. Reconheci entretanto, 
que ella se distingue d'esta espécie por diversos caracteres, quadrando melhor 
com a descripção de G. macrostachya^ espécie conhecida do baixo Amazonas 
e da Guyana franceza. (H.) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 12? 



* Trifolio commum. 

Slylosaulhcs angiislifoHiis \"og"., S. giiyamnsis Sw. (Lcg. Pap. Hc- 
dysarcíe ) 

Leguminosa papilionacea dos campos muito altos e tesos 
de solo argilo-arenoso com preponderância de areia. Planta 
nutritiva mui quista do ca\'allo. Altura 1 a 1.20m. 

Do 5. giiyanensis typico temos só exemplares provenientes de Mexiana, 
emquanto que a variedade o^raciiis é commum nos campos mais altos de Ma- 
rajó. O 5. angustifoliíis é também conhecido sob o nome de iinijericão do campo, 
(Pacoval, Dunas). (H. ) 

* Trifolio hirsuto. 

Eriosenia crinitiiui ]\Iey. (Leg. Pap. Phaseoleíe) 

Semelhante á precedente mas com as folhas e o caule 
pennujoso. Forragem regular. 

* Udimg-a. 

Erãgrostis internipla Lam. (Graminese) 

Gramínea C[ue vi\'e nos tesos e sombreados: nos tabocaes 
ralos ella medra perfeitamente. Cresce a 1 metro. 

* Violeta d'ag-ua- 

Eichhoniia natans Solms var. pauciflora (Pontcderiacca?) 

Mururé de folhas natantes semelhantes ás do apc mas 
mui pequenas e outras longas e finas submersas. Durante o 
inverno o bo^'ino aproveita-o perfeitamente. 

* Zacateca. 

Graminea de caule achatado, de folhas pcnnujosas. fla- 
belladas, macias. Altura 1 metro. Cresce nos tesos arenosos. 
Boa forragem. 

Sendo os exemplares recebidos em estado estéril, não me foi possível 
determinar esta espécie. (H.) 



128 Os CAMPOS DE ]\IaRAJÓ E A SUA FLORA 

* Zaranza. 

Leplúcoryphiiiiii lanatiun Xccs ( (iiaminca') 

Pertence esta graminea aos campos seccos onde convive 
com o arroz do campo. Floreia depois da queima cm Setem- 
bio e Outubro. Pouco ciesce. o que mais sobresahe é o pendão. 
Forragem soffrivel. 



III Plantas não forrageiras. 

* Ag-rogáno. 

PoIypODipIjolyx laciniata Benj. (Lentibulariacea?) 

Mimosa planta de 0. 15 a 0.25m de altura de flor amarella. 
Terrenos altos encharcados. Floreia em Julho e Agosto. 

* Albina. 

Tiirnera uhnifolia L. ^•ar. siiriímiiiciisis Urb. (Turneracece) 

Planta assaz commum em Santa Rita. Altura media 
0.40m. Apraz-se nos campeis altos húmidos. Flores brancas 
de Julho a Setembro. 

* Alcatifa. 

Trichospira inenthoides H. B. K. (Compositse) 

Planta rasteira que cresce habitualmente em fartas rosá- 
ceas. Atapeta os solos argilosos atolentos sobretudo de extinctos 
ou ralos pir3'zaes. Desapparece com a cheia. Seu sabor leve- 
mente amargo e picante a tornam inforraginosa, mas o boi 
faminto a pasce parcamente. Abundante no Magoary onde 
floreia com as primeiras chuvas. 

Algodão. 

Gossypium barhadense L. (Malvaceee) 

Da-se perfeitamente nos tesos, dunas e margens dos 
Igarapés no Marajó. O clima da Ilha presta-se maravilhosa- 
mente á cultura d'esta planta têxtil, porque floreiando no 
verão, fructifica sem chuva que damnifique os capuchos. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 129 

Cortando o tronco cerce, no começo do inverno, novos e 
vigorosos rebentos brotam, que dão no anno seguinte, se- 
gunda colheita mais abundante do que a primeira, e nos 
outros annos o mesmo processo proporcionará boas secas e 
resecas. Tanto o equino como o bovino gostam das suas fo- 
lhas. 

Alg-odão bravo. 

Iponioea fistiílosa Alart. ( Convolvulaceae) 

Convolvulacea dos terrenos alagados argilosos. Uma 
das plantas-pragas da Ilha. Quando invade um campo, cerra 
matando geralmente as plantas comestíveis. Cresce a i.20m 
de altura. Não murcha com o rigor da secca. Na Revista 
dos Estudos Paraenses F. II, F. III e F. IV escrevemos um 
artigo a respeito. 

Nas fazendas do Cabo Maguary ouvi dar o nome de Algodão bravo 
também ao Hihiscus furcellatus Desr.,Malvacea assaz semelhante ao Fanfan.{íl.) 

* Amor de vaqueiro. 

Desmodium asperum Desv. (Legum. Hed3'sare£e) 

Orna os tesos onde cresce até 1.68m. A face superior 
da folha applicada sobre a roupa a ella adhere. 

Anil. 

Indigofera anil L. (Legum. Hedysarese) 

Leguminosa dos tesos e pastos elevados onde se mos- 
tra em pés isolados uns dos outros. 

Aning-a. 

Monirichardia arhorescens Schott (Aracese) 

Planta arbustiva considerada com razão como uma das 
peiores pragas da Ilha. 

Posto que não se possa classificar a aninga entre as 
plantas forrageiras, comtudo os bovinos a comem com pra- 
zer, não em quantidade de cada vez, mas algumas folhas 
somente. Parece que o seu sabor acre serve de condimento 
ás forragens pouco sápidas das baixas. 



l30 Os CAMPOS DE ]\IaRAJÓ E A SUA FLORA 



Nos verãos longos, com a primeira queima, nos anin- 
gaes de balcedo, o fogo só ataca a camada superficial do 
raizame, fazendo lembrar as aningueiras desfolhadas pelo 
calor do fogo. Esse raizame attinge, em algumas paragens 
dos mondongos. uma espessura acima do solo de três e meio 
palmos. Laborando o vento secco geral, sem obstáculo, esse 
entrelaçamento de raizes aéreas, expostas ao sol, em poucos 
dias secca mais profundamente e uma segunda queima con- 
some quasi todo esse tecido esjDesso e os troncos já seccos. 
Leva o aningal dias seguidos a queimar, sopitando o incên- 
dio com a calma nocturna e rcateando no dia seguinte logo 
c^ue o rijo nordeste recomeça a soprar. 

N'estes aningaes balcevosos a passagem é difficil ás 
cavalgaduras. Aberto por um. vaquejador a terçado, os ani- 
maes podem atravessal-o a custo, enterrando-se algumas ve- 
zes até á barriga no entrelaçamento afofado das raizes. O 
solo por baixo d'esso camada está encharcado e excessiva- 
mente atolento. No verão c nos aningaes que se refugiam os 
jacarés quando scccam os lagos, e onde se acoutam os feli- 
nos de dia. Não c raro esbarrar-se contra algum jacaré que 
sob a folhagem se acha escondido. 

A aninga, nos mondongos adquire proporções arbores- 
centes : quatro metros de altura e 0.15 a O.18 de diâmetro 
na base do tronco. 

Diversos peixes, como o bacú, o bagre, o tambaqui e 
também a tartaruga sustentam-se da fructa da aninga. A flor 
é excellente isca para o bacú. 

Esta arácea invadindo os regos atolentos indica pelos 
chamados cordões de aninga o antigo leito d'esses regos 
obstruidos e quasi nivellados com os terrenos marginaes. 

A aninga é planta dos terrenos atolentos; quanto mais 
lamaroso o solo tanto mais viço e pujança mostra. Nas ter- 
ras encharcadas, consistentes, se ella brota é sempre mui 
espaçada pequena e intanguida. 

Aningapára. 

Dieffcnbachia picla Schott (Arace^e) 
Aracea de sueco cáustico. Como o seu nome indica, 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora l3l 



cresce sempre torta. Tesos e elevações de eupim. Altura 
entre 1 e 1/2 metro. 

Batatão. 

Operciilina pterodes Meissn. ( Convolvulacea) 

Convolvulacea dos tesos, de flor amarella. E' sarmen- 
tosa. Commum em Santa Rita. 

* Borrag-em. 

Helioiropiíun polyphylhim Lehm. ( Borraginacece) 

Borraginacea rasteira dos terrenos de pura areia onde 
atapeta o solo ostentando em superfície o que não poude 
adquirir em altura. E' planta que nas dunas protege a areia 
contra o vento. 

* Botão de ouro. 

Xy ris pai lida Mart., X. laxifolia Mart. (Xyridacese) 

Procura os solos duros encharcados, mas é na argila 
que mais viça. 

Bucha. 

Liijfa cylindrica (L.) Roem., Liiffa operciilaia (L.) Cogn. (Cu- 
curbitacese) 

Das duas espécies, a primeira, de fructos volumosos, é 
própria dos solos argilosos ou meio soltos. A segunda, de 
fructos mais pequenos, habita os terrenos altos arenosos, as 
dunas e tesos. Sabor amargo e ao mesmo tempo acre. Em 
contacto com as mucosas inflamma-as. Medicinal. 

Camará de cheiro. 

Lantana Camará L. ( Verbenacese) 

Arbusto de folhas cheirosas de 1.2o a 2 metros de al- 
tura. Cresce indifferentemente nos terrenos soltos ou com- 
pactos das várzeas, dos tesos e das dunas. 



l32 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

* Campainha branca. 

Ipomoca littoraíis Choisy (Convolvulaccíe) 

Sarmcntosa, flor monopctala branca, folhas longamente 
pecioladas. Terras soltas. 

Outra Convolvulacea de flores brancas bastante commum em Marajó 
(principalmente nos tesos) é a Ipoiíioea cissoides Grh&h. que tem folhas àvj^\' 
tadas. (H.) 

* Campainha vermelha. 

Ipoinoea (Strophiponioea) sctifera Poir. (Convolvulaccje) 

Folhas lanceolada?, sarmcntosa, flor vermelha. Terre- 
nos soltos. 

Canária. 

Crolalaria maypnrensis H. B. K. (Legum. Pap. Genisteec) 

Leguminosa dos tesos e campos altos. Posto que me- 
dre regularmente no solo argiloso, c comtudo nos terrenos 
bastante arenosos que attinge o seu maior desenvolvimento 
com 1.70m de altura. 

* Candelabro. 

Polygala hygrophila H. B. K. (Polygalaccíe) 

Pequena planta dos terrenos altos húmidos argilosos. 
Floreia de Agosto a Outubro. 

Alem d'esta espécie de Polygala existem ainda em Marajó diversas ou- 
tras de menos importância: P. loagicaulis H. B. K., P. subtil is H. B. K., P. 

titiioitlou Aubl., P, paludosa St. Mil. 

Capim de bolota. 

Rhynchospora cephaloks Vahl (Cyperacese) 

As suas espigas em forma de bolota caracterizam-n'o 
perfeitamente. Inforraginosa ? Não afíirmamos que o seja, 
posto que ainda não tivéssemos visto os gados aproveita- 
rem-n'o. E' cyperacea essencialmente dos terrenos elevados 
onde mede 1 metro pouco mais ou menos. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora l33 

Carqueja. 

Hyãroha spinosa L. ( Hydrophyllacece) 

Bella planta de O.60 a 1.30, de lindas flores azul-arro- 
xcadas, de espinhos acerados. Apraz-se nos terrenos barren- 
tos lamarosos, baixos, mas também é encontrado um ou 
outro pé nas baixas pouco alagadas, e consistentes. Floreia 
de Agosto a Novembro conforme as localidades. 

* Cássia. 

Cássia miniosoides L. (Legum. Caesalpinioidese) 

Encontrada nos terrenos medianamente alagados e nos 
altos. Seu crescimento médio é de 1.20 a I.40. 

Co quilho. 

Canna glauca Rose. (Cannacese) 

Seu habitat é o solo alagadiço e atolento. Suas semen- 
tes duras, escuras, encerrades n'uma espécie de sacco mem- 
branoso entram na alimentação dos palmipedes silvestres. O 
pato domestico também a aproveita. Altura 1.50. 

Corticeira do campo. 

Aeschynomene sensitiva Sw., A. filosa Mart. (Legum. Pap. He- 
dysarese) 

Leguminosa dos encharcados e das baixas. Nos solos 
atolentos e baixos toma proporções de arbusto com 3m de 
altura e 0.32 de circumferencia na base do tronco. Em al- 
guns campos baixos tem annos em que esta planta propa- 
ga-se de tal modo que difficulta o transito nos trabalhos do 
campo. Seu tronco é de contextura porosa e mui leve, d'isso 
lhe vem o nome. No verão a rara folhagem cahe natural- 
mente ou devido á queima, ficando erecta a planta : só com 
a tronco e os finos sacahys. Talvez pela demasiada altura 
a que chega o gado pouco ou nada a pasce. 



l34 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

Cravina do campo. 

SchnUhesia stetiophylla ]\Iart. ( Gentianaccce) 

Interessante planta dos campos altos de 0.1 8 a 0.3o 
de altura. 

Crista de g-allo. 

Hcliolropiíini iiidiatin L. (Borraginaccce) 

Pode viver nos terrenos consistentes encharcados, mas 
o seu solo de predilecção é o de barro secco onde mede 
1.20m de altura. Floreia em Agosto e Setembro. 

Douradinha. 

Lindernia diffusa (L.) Wettst., Fandcilia crustácea Benth. (Scro- 
phulariaceíe) 

Somente nos campos altos seccos vive esta venenosa 
planta rasteira de poucos centímetros de altura. E' difficil 
criar carneiros onde ella existe. Pouco conhecida no ^Marajó 
é mui vulgar nos pastos artificiaes do Continente. 

Tenho recebido duas plantas com o nome de Douradinha, ambas 
muito semelhantes entre si, mas uma ( Liiideniia diffusa) com flores bran- 
cas, outra ( VandelJia crustácea) com flores azues. (H. ) 

Espadana. 

Sagittaria aculifoíia L. f. (Alismaccse) 

Vive nos alagados atolentos. Ao cavallo as suas flores 
são mui quistas; sua folhagem tri- ou quadriquinada porem 
é completamente inforrageira. 

Fanfan. 

Hibiscus hifiircatiis Cav. (Malvace^e) 

Planta da beira dos rios nas capoeirinhas, e dos cam- 
pos consistentes alagados perto dos regos. Altura 1 a 2 me- 
tros. Suas folhas levemente azedas podem ser empregadas 
como legume. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora l35 

Fedeg-oso. 

Cássia occidcntaJis L. (Legum. Caesalpiniodece) 

Planta de cheiro desagradável da família das legumi- 
nosas. E' encontrada nos tesos e nas baixas. ]\Iedicinal. 

Herva cidreira. 

Lippia geiíiinata H. B. K. (\'erbenacc£e) 

Verbenacea commum nas dunas e tesos arenosos. Al- 
tura 1 metro. Os ramúsculos se curvam e tocando no solo 
se enraizam. E' medicinal tal qual a herva cidreira euro- 
peia — Melissa officinaJis. 

Herva de chumbo. 

Cassyíha mncricana Nees (Laurace^e) 
Cresce sobre outras plantas. ]Medicinal. Tesos e dunas. 

Herva de São Caetano. 

Moviordica Charantia L. (Cucurbitacese) 

Sarmentosa de cheiro enjoativo que. cobrindo as ou- 
tras plantas, tira-lhes a necessária luz solar. Própria dos 
tesos e terras arenosas mas dá-se bem igualmente nos solos 
compactos. 

Hortelão bravo. 

Hypfis atronibeiis Poit. (Labiatse) 

Planta rasteira que nos prados artiíiciacs no íim de 
alguns annos acaba por substituir as gramineas e cypera- 
ceas. Vive nos tesos. 

Ipecaconha. 

Riiellia geminiflora H. B. K. (x\canthace£e) 

Campos altos arenosos de permeio com o arroz do 
campo. Quando o campo é queimado, a ipecaconha brota 



l36 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



de novo, e com 0.6 ou 0.7 de altura as roxas flores desa- 
brocham. 

Em terrenos semelhantes como a RiicUia, mas principalmente nos tesos, 
eucontra-se a Ipecaconha de flor branca, Jonicliiim ipecacuanha Vent., que 
pertence á família das Violáceas. (H. ) 

Juá. 

Solannm loxicariínii Lam. (Solanaceae) 

Pequena planta espinhosa de fructos vermelhos comes- 
tíveis, dos tesos e roçados. 

Jukiry. 

Mimosa pudica L. (Legum. Mimosoideae) 

Nas baixas cresce usualmente rasteiro, isto é esgalhando 
muito sem attingir altura maior de O.50, mas pode em cer- 
tos terrenos altos medir um metro. Seus espinhos quasi o 
tornam inforraginoso. Cobre as baixas de barro puro, pouco 
fértil ou os campos cansados bem como os que possuem 
muito gado. 

Jupindá. 

Cleoine psorahaefolia DC. (Capparidacese) 

Escolhe as baixas especialmente á sombra dos anin- 
gaes. Seus espinhos ganchosos, seu cheiro desagradável e 
sabor fazem-n'a regeitar pelo gado. Altura media l.3o. Fruc- 
tifica no verão. 

Juúna. 

Solanum Jiiripeba L. C. Rich. (Solanacese) 

E' pequeno arbusto de folhas e tronco espinhoso. Sua 
fructa sempre verde e amarga é medicinal. Vive nos tesos 
e roçados, 

Ling-ua de vacca. 

Elephanlopus scaher L. var. tomeutosits Schultz Bip. (Compositae) 
Planta de exiguo crescimento, cujo pendão cresce a 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora i37 

Im. Somente a cabra a pasta. Floreia de Julho em deante. 
Evita os terrenos encharcados. 

Jukiry carrasco. 

Schrankia lepiocarpa DC. (Legum. Mimosoidese) 

Muito espinhoso. Altura 1.50. Cresce emmaranhado 
com entrelaçamento que o torna como uma barreira. Pró- 
prio dos terrenos elevados. Suas favas finas, cylindricas são 
bem differentes das da Mimosa pudica e da Mimosa aspe- 
rala. 

* Majuba 

Sphenocha ^eyJanica Gaertn. (Campanulacese) 

Mostra-se nas baixas argilosas atolentas com uma al- 
tura de l.óo. Em falta de melhor pasto o bovino come a 
folhagem desta planta de tronco aerenchymeo. Florescência 
de Maio a Julho. 

* Mandinga. 

Rhynchospora aff. hirsuta Vahl, sed glumis albis ! (Cyperaceae) 

Não ultrapassa 0. 28 esta planta pouco vulgar. Floreia 
em Setembro. 

Mão de onça. 

Marania aff. noctiflora (Marantacese) 
Marantacea de exiguo porte dos terrenos húmidos. 

* Marg-arita. 

Tibouchina áspera Aubl. (jNIelastomacese) 

Pertence aos campos argilosos altos. N'estes procura 
ainda os monticulos de capim. Não vae alem de O.80. Suas 
bellas flores encarnadas ornam os campos de Santa Rita 
de Julho a Setembro. 



l38 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 

Matapasto. 

Cássia alata L. (Legum. Cacsalpinioideze) 

Arbusto de 2 metros dos terrenos meio altos mas hú- 
midos e dos encharcados. E' bi ou triennal. 

Matapasto. 

Cássia Tora L. (Legum. Caesalpinioidese) 

P^ste matapasto menor do que o antecedente mede 
1.20, e procura os tesos. 

Matapasto. 

Tcmol-o visto nos tesos arenosos. Seu porte c menos 
esgalhado do que o do antecedente; cresce mui pouco mais. 

Mendobi ou mendobirana. 

Cássia diphyíía L. (Legum. Caesalpinioidese) 

Leguminosa annual que nos terrenos onde se apraz 
cresce a 1.70 de altura com uma copa de o.8o. Em Setem- 
bro depois de bagear seccam e cahem as folhas, ficando 
apenas os pec[uenos ramúsculos. Onde medra bem invade 
completamente algumas hectares tomando ella só conta de 
todo o terreno, cerrando então bastante. E' uma das plantas 
próprias da Ilha. Prefere os tesos e campos altos de solo 
solto ou compacto, mas também j^ode viver nos terrenos 
meio encharcados. 

* Miloca. 

Melochia parvifolia H. B. K. ( Sterculiacece) 

Sterculiacea semelhante á malva branca (JJ\iJlhcria 
americana L. ). Cresce nos tesos e monticulos de capim. 
Evita o solo arenoso. 

* Mimosa. 

Cássia flexiiosa L. (Legum. Caesalpinioideae) 
Leguminosa dos terrenos de pura areia e das dunas. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora iSq 



Semelha ao jukiry rasteiro no miúdo da folhagem e na pe- 
quena sensibilidade das folhas. Sua maior altura é de I.50. Pelo 
pouco que o bovino a apara consideramol-a inforrageira. 

Mururé. 

Diversos mururés não são forrageiros ; entre os quaes 
citam-se os seguintes: page ( Pistia slratiotes L. ), panacarica, 
carrapatinhú ( Salvinia aiiriculala Aubl. ), redondinho (Ca- 
bomba aquática Aubl., C. piauhiensis Gardn. ), rendado (Abolia 
caroliniana Willd. ). 

Não sei qual é a espécie botânica que se chama Miiriiré panacarica., mas 
encontrei em Marajó ainda os seguintes mururés^ não citados na lista acima: 
Ulricíilaria foliosa L., Jitssiaea nalans H. B. K., Ceratopteris thaJictroides 
Brogn,, Althernanthera Hassleriana Chodat. (H.) 

Mucura-eahá. 

Petiveria alliacea L. (Phytolaccacefe) 

Seu cheiro penetrante e desagradável a fazem rcgeitar 
pelo gado. 

Numbú. 

Procura os tesos e roçados na terra firme. Seu cresci- 
mento não é superior a O.80. 

Pião 

Jatropha curcas L. (Euphorbiacese) 

O pião é um bello arbusto de 3.50 a 41T1 de altura 
com uma sombra de 4 a 5 metros de diâmetro. Dá-se bem 
nos terrenos soltos e nas dunas onde vive 12 e 18 annos e 
onde uma vez plantado torna-se espontâneo. Suas sementes 
são purgativas e sua seiva substitue o cumaten na transfor- 
mação da cuia pitinga em cuia pintada. 

Paeova eating-a. 

Heliconia psitlacoriiin L. f. (Musacese) 

Musacea dos tesos, monticulos de capim e terrenos al- 
tos. Altura 1 metro. E' mui commum não só na Ilha como 
no Continente. 



140 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flura 

Partasana. 

Typba douiingensis Pers. (Typhacc£e) 

Tvphacea abundante nas baixas atolentas. Em certos 
terrenos lamarosos mas férteis, pode crescer até 2 metros. 
Algumas vezes é encontrada em seara, mas mais commum- 
mente esparsa. A sua inílorescencia fusiforme é bem carac- 
terística. 

Paraturá. 

Spartina hrasiliensis Raddi (Gramine?e) 

Gramínea que só se encontra nas praias de areia, e 
que com meia maré ou menos fica immersa. As folhas termina- 
das por uma ponta dura e picante não podem ser aprovei- 
tadas pelos gados. Cobre as praias algumas vezes até junto 
á baixa mar, ficando parte de tempo embutidas pelas ondas. 
Cresce ralo. 

Patakêra. 

Conohea scopnríoides Benth., Conobea aquática Aubl. (Scrophu- 
lariacese) 

Escrophulariacea de cheiro penetrante própria dos en- 
charcados argilosos não atolentos. Attinge O.óOm. 

Patcholi. 

Andropogon sqiiarrosus L. (Graminece) 

Cresce em bastas toucas de 1 a 1/2 metros de altura. 
Suas raizes odoríferas servem para perfumar a roupa. Exó- 
tico, é originário da índia. Empregado nas dunas para reter 
a areia por não ser forrageiro e prosperar na areia. Indus- 
trialmente é conhecido pelo nome de vetiver. As donzellas 
Marajoáras usam-n'o na basta coma .seguro com o pente. 
Os terrenos humosos soltos dos tesos arenosos são lhe os 
mais propícios. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 141 

* Purpurina. 

Rhyiichãiifhera sr.rrulafa Naud. (Mclastomacea?) 

Algo semelhante á tinteira do campo porem menos alia. 
Suas flores de um vermelho intenso ornam os campos em Agosto 
c Setembro. Procura os terrenos encharcados consistentes. 

Puehy. 

Gramínea dos solos consistentes húmidos ou encharca- 
dos. Cresce cerrado até O.60 de altura. Classificamol-o entre 
as inforrageiías por não termos nunca ainda visto o gado 
pascel-o. E' visto em seara. 

* Pepalantho. 

Paepalanthíis, Syngonanthiis spec. div. (Eriocaulacese) 

Graciosa planta de exiguissimo talhe, que só chama a 
attenção quando floreia. As suas folhas em duas espécies 
apenas crescem a 2 ou 3 centímetros acima do solo e o pe- 
dúnculo da flor a O.15 ou 0.20m. Terrenos consistentes enchar- 
cados. Existem 3 espécies. 

Pennaeho. 

Paniciim cayennense Lam. (Graminese) 

Gramínea dos montículos nos campos dos mais altos. 
Altura 1.30m. O farto pendão apparece em Agosto e Setem- 
bro. A pennugem picante do caule e das folhas a tornam 
inforrageira. 

* Pig-afêta. 

Soemmeringia semperflorens ]\Iart. (Legum. Papílionatse) 

Formosa planta pouco vulgar, encontrada nos terrenos 
argilosos húmidos dos campos altos. Cresce a 0.50m de altura. 

Rabo de arara. 

Taligaha cainpesiris Aubl. (Verbenacccc) 

Vive nos montículos de capim e aterroadas. As folhas 
do pendão são vermelhas e as flores amarellas. 



142 Os CAMPOS DE MaRAJÓ E A SUA FLORA 

Rabo de raposa. 

Audropúgon bicorne L. (Graminea?) 

Capim facilmente reconhecivel pelo seu pendão duro. 
pardo-arroxeado. depois de perder a pennugem. E' uma das 
peiores gramineas dos campos altos argilosos. Xas pastagens 
artiíiciaes de várzea é assaz commum. Altura 1 metro. 

Rinchão. 

StacJjytarphclíi cayciincnsis (Rich.) Vahl (Verbenacese) 

Inça os tesos e terrenos altos. Mui commum nos pastos 
artiíiciaes e nas roças. Forrageira somente para o carneiro. 

Salva. 

Hyptis aff. crenatã Polil (Labiatíe) 

Requer um solo bem alto e arenoso. Commum nos ter- 
renos onde prospera o arroz do campo, o pampa o flabello. 
Floreia de Julho a Setembro. Medicinal. 

Salvina. 

Hyptis recurvata Poit. (Labiatse) 

Procura nos campos altos de joreferencia os montículos. 
Flores de Julho a Setembro. 

Samambaia. 

Lycopodinin cernmiin L. (Lycopodiaccce) 

Terrenos húmidos ou encharcados, consistentes e som- 
breados. 

Sopopoca ou Pacova soporoca. 

Ravcnala giiiancusis Benth. (Musacea?) 

Musacea dos tesos e várzeas. Acossado por grande fome 
o bovino aproveita-a. 

Sopopoea-mipy. 

Heliconia pendida AVawra (?^fusacese) 

Outra musacea que habita os terrenos encharcados argi- 
losos e também a areia. 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 143 

IV Lista alphabetica 

dos nomes vulgares das plantas mais conhecidas da Ilha 

de Marajó, com a sua classificação botânica 

pelo Dr. J, HUBER 



As espécies marcadas com asterisco são as citadas como ton-d^eima 

110 ti'abalho precedente. 



Açucena d'ag"ua — Crhmín enihescens Soland. (Amaryllid.) 
» » — Pancratinm ^uy anense Ker. (Amaryllid.) 

AgTogano — Polypompholyx laciniata Benj. ( Lentibular. ) 
Albina — Turnera ulmifolia L. var. surinamensis Urb. (Turncr. ) 
Alcatifa — Trichospira iiientboides H. B. K. (Compôs.) 
Algodão— GossypiuiJi barhadense L. (Malv. ) 
Algodão bravo — Ipomoea fistnlosa Mart. (Convolvul.) 
» » — Hibisciis fiircellatns Desr. ( ÒNIalv. ) 

* Alvarado — Scleria hirtei la S\v. S. verticillata Willd. ( Cyper. ) 
Amor de vaqueiro — Desniodhim asperiim Desv. (Leg. Hedys.) 

* Andrequicé — Leersia hexandra S\v. ( Gram. ) 
Anil — Indioofera anil L. (Leg. Galeg. ) 

Aninga — Montrichardia arborescens Schott (i\rac. ) 

* Apé — Nymphaea Rudgeana G. F. W. Meyer ( Xymphaeac. ) 

* Apérana — Liinnantheimim Huiiiboldtianiuji Griseb. (Gcntian. ) 
Apui — Ficiis spec. div. ( ]\Iorac. ) 

Araçá do campo — Psidiíim araça Raddi ( Myrt. ) 
ArSipaLiy— Macrolobiiim acaciaefolium Benth. (Leg. Cães.) 

* Arenaria — Calypírocarya spec. ? (Cvper. ) 
Areticú — Anona palustris L. ( Anon. ) 

* Arroz bravo — Ori^a sativa L. (Gram.) 

* Arroz do campo — Trachypogon polyniorphiis Hack. var. /)//í- 

inosiis Hack. (Gram.) 

* Arumarana — Thalia geniculata L. var. pnbesceiís (Marant.) 

* Arumarana miry Thalia genicidata L. ( Marant. ) 
Assahy — Enterpe oleracea Mart. ( Palm. ) 

Aturiá — Drepanocarpus lunatus Mey. ( Leg, Dalb. ) 



144 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



Bacaba — Oenocarpiis disíichiis Mart. (Palm;) 
Bacury — PI atonia insi^nis Mart. ( Guttif ) 

* Haiba de hoÚQ—Eragrostis reptans Nees (Gram.) 

* Barba de velho — Andropo^on virginicus L. (Gram.) 

* Barbadinho — Dí'5W0í/?////í barhatnm Benth. ( Leg. Hedys. ) 
Batatão (amarello) — Operculina pterodes Meissn. ( Convolv. ) 
Batatão (roxo) — Ipoiííoea penlapbylla Jacq. (Convolv.) 

* Batata rana — Vigna lateola Benth. ( Lcg. Phas. ) 
Borragem — Heliotropium polyphyUam Lehm. ( Borrag. ) 
Botão de ouro — Xyris pai lida Mart., 

» » » — X. laxifolia Mart. etc. (Xyrid.) 
Breu branco — Proiium heptaphyllnm March. ( Burser. ) 
Bucha — Lnjfa cyJindrica Roem., L. operciilata Cogn. (Cucurbit.) 



* Cafuz- Scirpus juncifonnis Poir. (Cyper.) 
Caimbc — Curatelía americana L. (IJillen.) 

Cajuçára — StigniatophyUimi aff. fnlgcns Juss. (Malpigh.) 
Cajueiro — Anacardinm occidentale L. (Anacard.) 

* Calandrini — Daciyloctenium aegyptiacuvi Willd. (Gram.) 
Camará de cheiro — Lantana Camará L. (Verben.) 
Campainha branca.^ Iponioe a littoralis Choisy (Convolv.) 

» vermelha — Ipomoca setifera Poir. (Convolv.) 

Canária — Croialaria maypiirensis H. B. K. (Leg. Genist. ) 
Candelabro — Polygala hygrophila H. B. K. (Polygal.) 
Canella de velho — Cassipourea spec. (Rhizophor.) 

* Cannabrava — Paspahim saccharoides Nees (Gram.) 

* Canna frecha — Gynerimn sagittalmn Beauv. (Gram.) 

* Canarana fina — Paniciun laxuin Sw. vel P. appressntn 'Lam. 

* » fluvial — Panicnni spectabile Nees (Gram.) 

* » folha miúda — Panicuni ampUxicaule Rudge (Gram.) 

* » rasteira — Paspalum repens Berg. (Gram.) 

* » roxa — Panicuni ^i:ianioides H. B. K. (Gram.) 
Capim de bolota — Rhynchospora cephalotes Vahl (Cyp.) 

* » de Angola — Panicuni niaxiinuin. Jacq. (Gram.) 

* » agreste — Cyperus díffusus Vahl. (Cyp.) 

* » assú — Panicuni megiston Schulth. (?) (Gram.) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 145 



* Capim de botão — Cyperus ln::^iãae Retz. (Cyp.) 

* » » » grande — Cyperus ligiilaris L. (Cyp.) 

* » d'um só botão — Kyllinga piuigcns Link, K. piiniila 

Michaux (Cyp.) 

* » de colónia— Panicnni numidianum Lam. (Gram.) 

* » cortante — Cyperus radiatus Vaiil (Cyp.) 

* » estrella- — Dichfomena ciliata Vahl (Cyp.) 

* » foice — PaspaJum spec. (Gram.) 

* » gigante — Tripsacuin dactyloides L. (Gram.) 

* » de Guiné — Panicuiii maximuni Jacq. (Gram.) 

» manso — Paepalantbus LamarcJdi K. (Eriocaulac.) 

* » de marreca — Paspalnuicoiijugatuin Berg. vàr. pubescens 

(Gram.) 

* » da praia — Panicum littorale Rich. (?) (Gram.) 

* » rasteiro — Rhynchospora setacea Bckl., R. hirsuta WbHú. 

(Cyp.) 
'^ » de rosa — Cyperus surinainensis Rottb. ( Cyp. ) 

* » roxo — Panicum parvifolium Lam. (Grani.) 

* » serra — Cyperus ligularis L. ( Cyp. ) 

* » de teso — Paspalum scopariícm Fliigge (Gram.) 

* » villoso— Rhynchospora hirsuíaYíxhl, R. barbatals^. 
Ca.raná—Mauritia arniata Mart. ( Palm. ) 
Carobeira — Tecoma caraíba Mart. ( Bignon. ) 
Carqueja — Hydrolea spinosa L. ( Hydrophyll. ) 
Carrapicho — Cenchrus viridis Spreng. ( Gram. ) 
Cássia — Cássia mimosoides L. ( Leg. Caesalp. ) 
Cauassú — Coccoloba latifolia Lam. ( Polygon. ) 

* Cazumbra — Paspalum spec. (Gram.) 
Cebola brava.— Clusia sp. ( Guttif. ) 

Cipó de bamburral — Cy dista aequinoctialis Mik. ( Bignon. ) 
» da beira-mar — Entada polystachya DC. (Leg. Mimos. ) 
» de fogo — Cissus erosalL. C. Rich. (Vitae.) 
» de poita — Adenocalymma foveolatum Bur. ( Bignon. ) 

Ciriuba — Avicennia nitida Jacq. ( Verben. ) 

Copuda — Couepia spec. ( Chrysobalan. ) 

Copuda miúda — Couepia br acteos a Benih. (?) (Chrysobalan.) 

Coquilho — Canna glauca Rose. (Cannac.) 

Corticeira do campo — Aeschynomene sensitiva Sw., A. filosa 

Mart. (Leg. Hedys. ) 



14Õ Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



Cravina do campo (amaiella) — Schiihhcsia stcaophylla 'SI. (Gent.) 

» » » (cor de roí-a) — Schnílhcsia brachxpicra Cham. 
Crista de gaUo Hcliotropiíiin iiidiciun L. ( Borrag. ) 
Cuaxinguba — Ficiis aff. giiianensis Desv. ( Morac. ) 
CuiaYa.na.— Tenninalia tanibouca Smith (Combret.) 
Curupita--5í7/)z/í/;/ ciinipita Hub. n. sp. ( Euphorb. ) 

D 

Donva-áinhoi— Lindernia crustácea F. v. Miili. (Scrophul.) 
« — Lindernia difusa AVeltst. (Scrophular. ) 

E 

Envira — Hihiscus tiliaccns St. Hil. (Malvac.) 

« — Gna:{iinia iilniifolia Lam. (Stcrculiac.) 
Espadana — Sagitlaria aciiiifolia L. f. (Alismac.) 



Fanfan — Hibisciis bifiircatns Cav. (Malv.) 
Fedegoso — Cássia occidentalis L. (Leg. Cacsalp. ) 

* Flabello — Paspaliiiii chrysodactylon Doll ( Gram.) 

* Florena — Riencoartia aff. glomerata Cass. (Compôs.) 
Folha áovLraiádi--AnJ oníyrcia cuprea Berg. (Myrtac.) 

* Forquilha — Paspalnin papillosniii Spreng. (Gram.) 



Genipapo — Genipa americana L. (Rubiac.) 

Geniparana — Gnstavia augnsia L. var. gnianoisis Berg. 

(Lecyth.) 
Gonçalo Alves — Salverlia convallariodora St. Hil. (Vochys. ) 
* Grama — Cynodon dactylon Pers. (Gram.) 
*Gra.mai-a.Si,ú—Hemiarthriafasciculata Kunth (Gram.) 

H 

Herva cidreira — Lippia gcminata H. B. K. (Verben.) 

» « brava — Lippia betiilaefolia H. B. K. (Verben.) 

Herva de chumbo — Cassytha americana Nees (Laurac.) 
« « S. Caetano — Moniordica charantia L. (Cucurbit.) 
« « passarinho — Psittacanlhns /'z/í';7m///5Blume(Loranth.) 

Hortelão bravo — Hypiis atrorubens Poit. (Labiat.) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 147 



Imbauba — Cecropia aff. obtusa Trcc. (Morac.) 
Inajá — Maxiiniliana regia Mart. (Palm.) 
Ingá de íogo— Ingá velutina Willd. ( Leg. ]\íimos. ) 
Ipecaconha ( flor roxa) — Ruellia gemiiiiflora H.B.K. (Acanth.) 
» (flor branca) — Jonidium ipecacuanha Yeni.' {Yioi.) 



Jacareuba — CalophyUiim hrasiliense Camb. ( Guttif. ) 

Jará — Cocos inajai Trail (Palm.) 

Jassitara — Desnioncus aff. hórridas Splitg. et Mart. ( Palm. ) 

Juá — Solanum toxicariam Lam. ( Solan. ) 
Junco agreste — Heleocharis ochreata Nees ( Cyper. ) 
y> ananica — Heleocharis capitata R. Br. ( Cyper. ) 
» bravo — Cyperus articiilatus L. (Cyper.) 

* » manso — Heleocharis niutata R. Br. ( Cyper. ) 
popóca -Heleocharis genicidata R. Bj-. ( ? ) ( Cyper. ) 
três quinas — Rhynchospora cyperoides Mart. ( Cyper. ) 
de praia — Cyperus schoenomorphus Steud. ( Cj^per. ) 

Jupindá — Cleome psoraleaefolia DC. ( Capparid. ) 
*Juquiri arbustivo — Mimosa asperata L. (Leg. Mimos.) 

» carrasco — Schrankia leptocarpa DC. (Leg. Mimos.) 

* » manso — Nepiunia oleracea Lour. (Leg. ]\Iimos. ) 
» rasteiro — Mimosa pudica L. ( Leg. Mimos. ) 

Jurubéba — Solanum torvum Sw. ( ? ) ( Solan. ) 
Jutahy — Hymenaea courharil L. ( Leg. Caesalp. ) 
Jutahyrana— Cfwfi^ya parivoa DC. ( Leg. Caesalp. ) 
Juúna — Solanum Juripeb a L. C. Rich. (Solan.) 



Lacre — Vismia guyanensis Choisy ( Guttif. ) 
Laranja do matto — Salada spec. (Hippocrat.) 
* Lentilha do campo- — Aeschynoinene brasiliana DC. 

» » hystrix Poir. ( Leg. Hed. ) 

Lingua da vacca — Elephantopus scaber L. ( Compôs. ) 

M 

Macaco cipó — Marsdenia spec. (Apocyn. ) 



148 Os CAMPOS DE ]\ÍARAJÓ E A SUA FLORA 



Majuba — Sphcnocíca ::^cylaiiica Gacrtn. (Campan.) 

* Malva — Sida rhomhifolia L. var, « typica et var. /í" stiri- 

nanioisis Schum. (Alalvac.) 
Malva hra.ncOi — Wal ibéria americana L. (Stercul.) 

* Malva de pendão — WissadiiJa spicata Prcsl ( Malvac. ) 
Mamorana — Pachira aquática Aubl. (Bombac.) 

Mangue — Rhi::^opbora iiiaiiglel^. var. raceiíiosa Mey. (Rhizophor.) 
Mangaba — Haiiconiia speciosa (jom. (Apocyn.) 

* Maniva do campo — Manibot iiiarajoara Hub. (Euphorb. ) 
Mandinga — Rbyncbospora aff. birsuta Vahl. (Cyper. ) 

Mão de onça — Maraiila aff. noclifiora (Marant.) 
]\Iargarida- — Tiboticbina áspera Aubl. (Melastom.) 
Marajá — Bactris maior Jacq.. B. Marajá Mart. (Palm.) 

* Maria moUe— Com mel iiia vir^iiiica h.^ C. niuiiflora L. (Com- 

melin.) 
]\Iaracujá — Passifíorã foetida^L. e div, outras espec. (Passiflor.) 

* Massapé— h)iper ai a brasilieiísis Trin. (Gram.) 
]\Iatapasto- — Cássia alaía L. (Leg. Cacsalp. ) 

» --Cássia tora L, (Leg. Caesalp. ) 
Mendobirana — Cássia dipbylla L. (Leg. Caesalp.) 
*Merukiá — Eragrostis Fablii Nees (Gram.) 
Miloca — Melocbia parvifoíia H. B. K, (Stercul.) 
Mimosa — Cássia flexaosa L. (Leg. Caesalp.) 
Mirity — Maurilia flexaosa L. f. (Palm.) 
Morcegueira — Andira inermis H. B. K. (Leg. Dalberg.) 
Mucajá — Acrocomia sclerocarpa Mart. ( Palm. ) 
Mucunã — Dioclea lasiocarpa Mart. (Leg. Phas. ) 
Mucuracaá — Petiveria alliacea L. (Phytolacc.) 
Munguba — Bomhax Miingaba JMart. (Bombac.) 
Murta — Mouriria gnianensis Aubl. (Melastom.) 

» — Eugenia spec. ( Myrtaceee ) 
Murucy do campo — Byrsonima crassifolia Kunth (Malpigh.) 
» de fructa miúda — Byrsonima lancifolia jnss. {Malpigh.) 
» rasteiro — Byrsonima verhascifolia Rich. (Malpigh.) 

* Mururé de canudo — Eicbborni a crassipes Solms (Ponteder. ) 

» ca.n-a.pa.únho—Salvinia auriculata Aubl. (Salvin. ) 

* » orelha de veado — Eicbbornia a:(iirea Kunih (Ponted.) 
» page — Pistia stratiotes L. (Arac.) 

» redondinho — Cabomba aquática Aubl. (Nympheseae) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 149 



Mururé rendado — A:^olla caroliniana Willd. (Salvin.) 
Mutamba — Gua:(jtma uJinifoUa Lam. (Stercul.) 
Mututy — Pterocarpus Rohrii Vahi (Leg-. Dalberg.) 



Olho de boi — Muciina nrens DC. (Leg. Phascol.) 
Orelha de veado — Eichljornia a^iirea Kunth (Pontedcr. ) 
» » » da praia — Pontederia cordata L. (Ponteder.) 



Pacova catinga.- -Hei iconi a psitlaconini L. f. (]\Iusac. ) 
» sororoca — Raveiiala guyanensis Benth. (]\Iusac.) 

* Pampa — Andropogon spec. ( Gram. ) 

* Panapaná tauá — Phaseoliis lasiocarpits Mart. (Leg. Phas.) 

* » ]ò\vanga — Phaseolus longepediinciilatus ^lart. (Leg. 

Phas. ) 

* Panapaná roxo — Phaseohis linearis H. B. K. (Leg. Phas.) 

* Pancuan — Paspaliiiu fnrcatiiin Fluegge (Gram.) 
Páo abarco -TecoDia aíf. conspicua DC. (Bignon.) 
Páo de candeia — Pithecolobium spec. ? (Leg. ]\Iimos. ) 
Páo de serra — Ouratea casianeaefoHa Engl. (Ochnac.) 
Papa-terra — Basanacantha spinosa Schum. (Rubiac.) 

» — Chonieha anisomeris Miill. Arg. (Rubiac.) 
» — Randia formosa Schum. (Rubiac.) 
Parreira-brava — Cissampdos pareira L. (]\Ienisperm) 
Parapará — Cordia tetrandra Aubl. (Borragin.) 
Paraturá — Spartina brasiliensis Raddi (Gram.) 
Partasana — Typha domingensis Pers. (Typhac.) 
Patakcra — Conohea scoparioides Benth. (Scrophular."» 
Patcholi — Andropogon sqiiarrosus L. f. (Gram.) 

* Pé de ga\[\r\ha — El ensine indica L. (Gram.) 
Pepalantho — Paepalanthus et Syngonaníbus spec. div. (Eriocaul.) 
Pennacho — Panicnm cayennense Lam. (Gram.) 

Perpetua do campo — Telanihera dentata Miq. (Amarant.) 
» » » — Borreria scabiosoides Cham. et Schlccht. 

(Rubiac.) 
Perpetua do campo — Rolandra argcniea Rottb. (Compôs.) 

* Peua — Andropogon brevifoi tus Sw. (Gram.) 



150 Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 



*Phaseolo — Phaseolus semierecUis L. (Leg. Phas.) 
Pião — latropha curcas L, (PZuphorb.) 

» roxo — latropha gossypiifolia L. (Euphorb.) 
Vic\\Vin3i— Eugenia gloiuerata Spring. (?) (Myrtac.) 
Pigafeta — Soemmeringia scDiperflorois Mart. (Leg. Hedys. 
* Piry — Cyperus giganteus Vahl (Cyper.) 
Pitomba — Siinaba guyaneusis Engl. (Simarub.) 
Purui — Aíibcriia edulis A. Rich. (Rubiac.) 
Purpurina — Rbyncbaiiíhera scrnilata Naud. (Melastom.) 



Quadrifolio — Zornia iiiarajoara Hub. n. spec. (Leg. Hedys. ) 



Rabo de arara — Taligalea caiupestris Aubl. (Verben. ) 

* » » mucura — Pcnnisclinii sclosuui L. C. Rich. (Gram.) 
» » raposa — Ajicíropogon bicorne L. ( Gram. ) 

* » » rato — Paiiiciiiii vilfoidcs Trin. (Gram.) 
Rinchão — Stachytarphcta cayenncusis Vahl (Verben.) 

* Ruivo — Arislida capiUacca Lam. (Gram.) 



Salva — Hyptis aff. crenata Pohl ( Labiat. ) 
Salvina — H)píis recnrvata Poit. (Labiat.) 
Samambaia — LjíTO^Oí/mm cerniinni L. ( Lycopod. ) 
Samauma — Ceiba peniandra L. ( Bombac. ) 
* Sentinella — Paspaliim parviflomni Rhode ( Gram. ) 
Sororoca — Ravenala guyaneusis Benth. ( Musac. ) 
Sororoca miry — Helicouia pêndula Wawra ( Musac. ) 
Sucuuba — Plumiera aff. fallax Miili. Arg. (Apocyn.) 



* Taboca — Guadua macrostachya Rupr. (Gram.) 

Taperebá — Spoudias lutea L. (Anacard.) 

Taruman frondoso — Vitex orinocensis Kth. var. ania:;^ouica 

Hub. (Verben.) 
Taruman tuira— Fitex flavens Kth. (Verben.) 



Os CAMPOS DE Marajó e a sua flora 151 



Timbó do caimpo—Tephrosia hrevipes Bcnth. (Leg. Galeg.) 

Tinteira do cãmpo— Jiissiaea lithospeniii foi ia ^licheli (Ocnoth.) 

» da costa — Laouucnlaria raceniosa Gãerin. (Combrct.) 

Tiririca de folha larga — Sc/ena paludosa Kunth (Cyperac.) 

» » » estreita — Scleria pterota Vvesl, Sckria iiiicro- 

carpa Nees ( Cyper. ) 

» rasteira— 5r/mrt bracteata Cav. (Cyper.) 

*Trifolio commum—Stylosanthcs angiisUfolius Vog. 

» » » giiyanensis Sw. (Leg. Hedys. ) 

* » hirsuto — Eriosema crinitnm E. Mey. (Leg. Phas. ) 
TMcnmi—Asirocaryam viilgare Mart. (Pahn.) 

U 

Uacimá — Urena lobafa L. (Malv. ) 

Uacimá da praia— Hibiscus tíliaceus St. Hil. (Malv.) 

\]si]vLrvL—Chrysobalaniis Icaco L. ( Chrysobalan. ) 

Uapé — apé. 

Uchirana— ^/ií/fra retusa H. B. K. (Leg. Dalberg.) 

* Udunga — Era^rostís interrupta Lam. (Gram.) 

Urtiga — latrophã urens L. var. )' gmuina Miill. Arg. ( Euphorb.) 
\Jruhvi-cd^â— Ari st alo chi a irilõbata L. (Aristoloch.) 
Urucú — Bíxa orellana L. (Bixac.) 
Vrucury—Attalea excelsa Mart. (Palm.) 

V 

Vassourinha— Sro^flT/íi dulcis L. (Scrophul.) 
Yeror\icsi— Dal bergia monetária L. f. (Leg. Dalberg.) 

* Violeta á'sLg\iSL—Eicbhornia natans var. paiiciflora (Ponted.) 
Nisgo— Cássia hispidula Vahl (Leg. Caesalp.) 



* Zaranzsi—Lcptocoryphiaiii lanatum Nees (Gram.) 



152 Vespas da região neotropical 

V 

Novas contribuições para o conliecimento das vespas 
(Vespidae sociaies) da rogião neotropical 

por ADOLPHO DUCKE 

(COM TRÊS ESTAMPAS) 



Ainda não ha dois annos completos escrevi o primeiro 
supplemento ao meu artigo sobre as vespas sociaes do Pará, 
e já tenho reunido tanto material novo a respeito desta 
familia de insectos, que me parece opportuno publicar outro 
trabalho sobre este assumpto, e isso tanto mais, porque as 
nossas coUecções foram enriquecidas — alem do material col- 
leccionado nas minhas recentes viagens na Amazónia — por 
muitas espécies não pertencentes á fauna amazonica, as quaes 
em parte foram-nos mandadas pela gentileza dos Snrs R. dii 
Buysson, do Museu de Paris, e R. vou Ihering, do Museu 
Paulista, em parte foram por mim colleccionadas em excur- 
sões nos arredores do Rio de Janeiro e de Barbacena (Mi- 
nas Geraes). Esta abundância de material de outras partes 
da America do Sul permitte-me agora uma melhor delimita- 
ção das varias formas, muitas das quaes deverão ser consi- 
deradas apenas como variações locaes e não como espécies 
verdadeiras. 

Litteratura sobre as vespas sulamericanas 

Continuam a apparecer sobre estes insectos numerosas 
publicações, das quaes infelizmente algumas só servem para 
augmentar a confusão na systematica. Como trabalhos de 
alto valor scientifico saliento as excellentes monographias de 
R. du Buysson, ao passo que muitas outras publicações só 
servem para enriquecer a synonymia ou a lista das espécies 
duvidosas. São as seguintes as recentes publicações, utiliza- 
das para o meu presente trabalho : 



Vespas da região neotropical 



153 



Brelhes, ]. — 

Buysson, R. du — 

Buysson, R- du — 

Cameron P. 

Cameron P. — 
Canicron P. — 

Diiáe A. - 

Schuli, W. A. - 
Schuli, W. A. - 



Schuli, W. A. 
Zavattari, E. 



Zavatiari, E. 



Véspidos y Euménidos sudamerica- 
nos, nuevo suplemento. Anales dei 
Museu nacional de Buenos Aires, 
1906. 

— Monographie du genre Nectarina. 
Annales de la societé entomologi- 
que de France, 1905. 

— Monographie des genres Apoica et 
Synoeca. Annales de la société en- 
tomologique de France, 1906. 

— Vespidae em: Invertebrata pacifica. 
Santiago de las Vegas (Cuba), 
1904— 190Ó. 

— On some neotropical Vespidae. The 
Entomologist, Londres, 1906. 

— Descriptions of New Species of Neo- 
tropical Vespidae. Zeitschrift fiir 
Hymenopterologie und Dipterolo- 
gie, Teschendorf (AUemanha) 190Ó. 

— Contribution à la connaissance de la 
faune hyménoptérologique du Brésil 
central et meridional. Revue d'En- 
tomologie, 1906. 

— Alte Hymenopteren. Berliner Ento- 
mologische Zeitschrift, 1907- 

— Hymenopteren Amazoniens (segunda 
parte), 1905. 

— Spolia hymenopterologica. 1906. 

-- Viaggio dei dr. Enrico Festa nel 
Darien, neirEcuador e regioni vi- 
cine, Diploptera. BoUetino dei Mu- 
sei di zoologia ed anatomia com- 
parata delia R. Università di To- 
rino, 190Ó. 

— Descrizione di due nuove spccic di 

Vespidi deirAmcrica meridionale. 
Bollettino, etc, Torino, 1906. 



154 Vespas da região neotropical 



A minha nova classificação dos géneros foi approvada 
pelos mais insignes especialistas da actualidade, os Snrs. 
R. dii Buysson (Paris) e Dr. A. von Schidthess (Zurich), e 
nada mais tenho de lhe acrescentar. Na classificação das 
vespas conforme a nidificação faltava ainda Synoecoides, cujo 
nmho foi descoberto recentemente: este género deve ser in- 
cluído no ponto 5 da tabeliã dichotomica : ninhos phragmo- 
cyttaros perfeitos. Os pontos 7 e 8 da mencionada tabeliã 
não são bem claros e prefiro corrigil-os da maneira seguinte: 

7. O invólucro existe, o furo de sahida é lateral. 

Os favos, quando são em numero de mais de 
um, são juxtapostos. Género Leipoiíieles e o 
primeiro grupo de Paracbartergits. 

— . O invólucro existe, porem o furo de sahida é cen- 
tral e os favos são sobrepostos. Espécies até 
agora conhecidas : Polybia infcnialis e Parachar- 
íergíis íucitiosus. 

— . O invólucro falta ; ninho sempre na cavidade de 

objectos ocos 8. 

8. Um só favo existe e é fixado, por pedúnculos 

existentes nas superfícies, inferior e superior, 
no oco de uma folha enrolada. Género Psciiâo- 
chartergiis. 
— . Vários favos sobrepostos ou irregularmente distri- 
buídos na cavidade de objectos ocos. Até agora 
são conhecidas as espécies : Polybia vuJgaris. 
paííidipes, ligiiicola, mcridionalis e vicina. 



Para facilitar a determinação scientifica das espécies, 
elaborei tabeliãs dichotomicas, que abrangem todas as espé- 
cies representadas na nossa collccção ; os nomes das espé- 
cies existentes nos Estados do Pará e Amazonas são im- 
pressos em lettras gordas. 

A.: Te«jiff« jio/i/í/reJMff« (as sociedades contém 
um numero variável de fêmeas fecundas, c as novas coló- 
nias são fundadas por meio de enxames). 



Vespas da região neotropical 155 



Género 1, Nectarhiii Shuek. 

1. Segmento mediano completamente arredondado. 

Thorax sem desenhos amarellos. ó — 8mm. rt~- 
teca Sauss. — Alexico. 
— . Segmento mediano aos lados ou prolongado cm 
angulo dentiforme, ou compresso em forma de 
lamina 2. 

2. Desenhos amarellos do thorax insignificantes, ou 

muito escassos 3. 

— . Desenhos amarellos do thorax abundantes ... 4. 

3. Superfície horizontal do scitfelJum pouco mais de 

duas vezes mais laiga que comprida. Thorax 
mais ou menos sedoso. 8 — lOmm. lecheguana 
Latr. — México até Buenos Aires. 
— . Superfície horizontal do scutelluui pelo menos 
quatro vezes mais larga que comprida. Corpo 
quasi sempubescencia.6 — 7 mm. «íf^/ís// Sauss. 
— Darien até o Rio Grande do Sul. 

4. Segmento mediano lateralmente sem ângulos. Scu- 

tellum. e postsciitellum (*) inteiramente amarel- 
los, fora d'isso o thorax é preto, ó— 6 V2 
mm. scutellaris Fabr. — Colômbia e Guyana 
até o Rio de Janeiro. 
— . Ângulos lateraes do segmento mediano distin- 

ctos. Coloração do thorax differente 5. 

5. Fertex e thorax com abundantes desenhos bem 

amarellos; pubescencia abundante, comprida. 
6 — ó V2 ^^'^- bilineolata Spin. — Colômbia e 
Guyana até o Rio de Janeiro. 
— . Vertex e thorax com desenhos pallidos, pontua- 
ção do corpo muito mais grossa, porem me- 
nos cerrada. 7 — 8mm. buyssoni Ducke. - Ta- 
batinga (Alto Amazonas). 



(*) Nos trabalhos anteriores empreguei o termo <i iiiflaiioliiiii \ o 
qual, sendo por muitos autores usado para designar o segmento mediano, 
causava frequentes confusões. 



lõõ Vespas da região neotropical 



Observações sobre o g-enero Nectarina 

A còr fundamental de todas as espécies é preta ou em 
parte avermelhada. 

N. scutellaris Fabr. — Dou aqui (estampa 3, fig-. ó) 
a photographia do ninho, o qual aliás já foi descripto e fi- 
gurado por Modnus, com o nome de Charlcrgus scutellaris 
Fabr. Colleccionada também em Iquitos ( Peru amazonico ) 
e São Luiz do Maranlião. 

N. bilineolata Spin. — Em sua excellente monographia 
o Snr. R. dii Bnysson separa ainda a A" sinithi da espécie 
presente, poi-em eu. pelo muito material ultimamente exa- 
minado, pude verificar que não se trata senão de uma 
variação, embora assas constante. A extensão da C(jr ama- 
rella no thorax é excessivamente variável, e também ha 
exemplares com todos os caracteres da bilineolata, porem 
com a facha amarella no 2.° segmento dorsal, propiia da 
smithi. Antes ainda a var. moehiana poderia constituir uma 
espécie independente, por possuir certos caracteres plásticos 
próprios d'ella. Distinguir-sè-ão assim as três raças princi- 
paes da A^. bilineolata : 

a) Azas amarellas, thorax bastante sedoso, mesonoto 

com duas linhas amarellas. bilineolata s. str. 
— Colômbia e Guyana ate Mattogrosso. 

b) Como a precedente, porem o thorax mais lustroso 

e o mesonoto sem linhas longitudinaes. Var. 
moehiana Sauss. — Guyana, Amazónia, Rio de 
Janeiro. 

c) Azas fumadas, thorax não sedoso, com pello bas- 

tante comprido. Var. smithi Sauss. — Guyana, 
Amazónia. Piauhy. 

A N. bilineolata s. str. encontra-se na Amazónia ex- 
clusivamente em regiões, onde ha campos: alem das locali- 
dades já citadas colleccionei-a nos campos do Ariramba 
(Trombetas). Em Belém do Pará esta forma não existe, a 
que d'ahi citei c a var. moebiana. 

A var. moebiana Sauss. foi por mim colleccionada nos 
arredores de Belém do Pará e de Iquitos (Peru amazonico). 
por conseguinte em regiões de matta grande. 



Vespas da região neotropical 157 



A var. smilbi Sauss. foi collcccionada alem das locali- 
dades já citadas, ainda cm Iquitos, Santo António de Içá, 
(Estado do Amazonas) e Parnahyba (Estado do Piauhy ). 

O ninho me c conhecido da forma g-cnuina e da var. 
siiiilhi. a construcção c idcntica cm ambas, porem os ninhos 
da segunda parecem ser, em regra geral, menores c|ue os 
da primeira. 

N. lecheguana Latr. — A Caba boreííii Zavattari, Boll. 
INIus. Zodl. Univer. Torino XXI. IQOÓ, de Salta, (R. Argen- 
tina) não é outra coisa senão um exemplar muito escuro da 
presente espécie. Uma raça verdadeira é a var. velutina 
Spin., com pello dourado no thorax, conhecida do México 
ate o Maranhão e a única forma existente na Amazónia, 
onde pude coUeccional-a. alem dos logares já citados, no 
Rio Içá, aífluente do alto Amazonas. A lecheguana s. str. 
parece faltar na região equatorial, existe porem ao Norte c 
ao Sul, sendo no Sul a única. 

N, attgusti Sauss. — No meu ultimo trabalho citei esta 
espécie erroneamente do, México : tinha recebido um exem- 
plar com a etiqueta « vallée du Nariqual », localidade que 
julguei acharse naquella Republica, quando na realidade se 
trata de Venezuela. 

Género 2, Parímhtirtergus R. Ih. 

1. O quarto articulo dos palpos labiaes é rudimen- 

tar, ou falta. Mesopleuras sem separação, alem 
do sulco subalar sem linha.s impressas (1.° 

grupo de espécies ) 2. 

— . O quarto articulo dos palpos labiaes é muito 

distincto 6. 

2. Occipnt sem orla elevada. Clypeus mais largo que 

alto, sua margem apical fortemente tricúspide. 
Parte basal horizontal do posiscuiellum estreita. 
Primeiro segmento abdominal pequeno, pou- 
quissimo convexo. Preto com escassos dese- 
nhos amarellos; lado anterior da cabeça fer- 
rugineo. 8—8 ^j ^ mm. fron falis FsLbr. — Vene- 
zuela e Guyana até Matto-Grosso. 



158 Vespas da região neotropical 



Occipiil e têmpora em toda a sua extensão com 
orla elevada. Clypeiis quasi em pentágono re- 
gular. Zona basal horizontal do postsciitelluin 
bastante larga. Primeiro segmento abdominal 
grande, convexo ... 3. 

3. Azas quasi pretas, com ápice esbranquiçado ou 

pelo menos mais claro. Corpo robusto. 10 — 12 
mm. apicalis Fabr. — México até São Paulo. 
— . Somente a margem costal das azas anteriores 

escura. Espécies menores 4. 

4. Corpo robusto, segmento mediano largo. Pontua- 

ção do thorax muito grossa. 7 ^'2 — ^ ^/o mm. 5. 
— . Corpo delgado: segmento mediano estreito. Pon- 
tuação do thoiax menos grossa, 7 ^4 — 9 V2 
mm. fulgidipennis Sauss.- — Amazónia. 

5. Preto, só as orbitas e os lempora em parte ama- 

rellados. tvagneri Ruyss. — Rio de Janeiro. 
— -. Ferrugineo : pretos são em geral o vértice e o 
mesonoto. colobopterus Web.— Colômbia c 
Guyana até Matto-Grosso. 

6. Mcsopleuras divididas por um sulco leve, porem 

bem visivel, que vai do sulco subalar ao an- 
gulo inferior do lado do pronoto. Cor funda- 
mental ferruginea ou castanha ( 3.° grupo ) . . 7. 
— . Mcsopleuras sem separação, alem do sulco sub- 
alar sem linhas impressas 8. 

7. Pronoto um pouco anguloso, segmento mediano 

pouco abrupto, primeiro segmento abdominal 
pela metade mais comprido que largo. l3mm. 
difficilis Ducke. — Oyapoc: Peixeboi (Estrada 
de ferro de Bragança ). 
— . Pronoto perfeitamente redondo, segmento mediano 
fortemente abrupto, segmento abdominal pri- 
meiro quasi mais largo que comprido. 12 ^j.^ 
— 14mm. vespiceps Sauss. — Guyana até Mi- 
nas Geraes. 

8. Primeiro segmento abdominal pequeno, porem 

ao ápice não muito menos largo que o se- 
gundo. Preto com ou sem desenhos amarellos. 



Vespas da região neotropical 159 



11 V2 — 12mm. (2.° grupo de espécies). Itic- 
tuosus Sm. — R. do Equador; Venezuela; Ama- 
zónia. 
— . Primeiro segmento abdominal muito estreito, 
muito menos largo que o segundo. Preto com 
.. desenhos amarellos. 5 V2 — 6mm. (4.0 grupo). 
pusillus Ducke. — Oyapoc; Belém do Pará. 

Observações sobre alg-umas espécies de Parachertergus 

P, fulgidipennis Sauss. (griseus Fox, hmtolmmoi 
R. Ih., fasciipennis Ducke). — Esta espécie é uma das mais 
variáveis, a cor das azas e a pelosidade do corpo são dif- 
ferentes em cada individuo. D'ahi a confusão na synonymia, 
á qual consegui agora pôr termo, por possuir material mais 
abundante para a comparação das diversas formas desta 
espécie. Só duas destas parecem mostrar um.a certa cons- 
tância, merecendo assim um nome especial : 

aj Corpo preto, com a cabeça anteriormente mais ou 
menos ferruginea. fulgidipennis s. str. — Ama- 
zónia. 
bj Ferrugineo, com poucos desenhos escuros, var. 
amasonensis Ducke.- — Alto Amazonas. 

A' var. ama^onensis Ducke refere-se sem duvida o 
Chartergus flavof asei atas Cameron, Zeitschr. Hym. Dipt. M, 
1906, pag. 3oi, nome que, por conseguinte, tem de desap- 
parecer. 

P. apicalis Fabr. divide-se, como já foi mencionado 
nos meus anteriores trabalhos, em três raças bastante dis- 
tinctas. 

a) Ponta das azas branca, pello preto do corpo bas- 
tante desenvolvido, apicalis s. str. — México ate 
São Paulo; 
h) Ponta das azas branca, pello do corpo muito 
curto e escasso, thorax, fora o fomento, quasi 
nú ; var. fraternus Grib.- Guyana, Amazónia, 
Maranhão ; 
c) Ponta das azas apenas descorada ; quanto ao resto 



l6o Vespas da região NEOTRoncAL 



como a var. fralermis : var. concolor Grib. — 
]\ícrida (Venezuela); Óbidos. 

A fói ma ocnuina tem extensa distribuição geographica, 
sendo porem rara no região amazonica, onde ate agora pude 
constalal-a com certeza só em Barcellos. 

P. frontalis Fabr. (ater Sauss. )• — A descripção da 
Vespa frontalis Fabr. corresponde muito bem ao P. ater 
Sauss., e o ninho de Chartergiis frontalis figurado por Moc- 
hins c indubitavelmente o de um Paracharlergns. CoUeccio- 
nei esta espécie também em Teiíc e Iquitos; o exemplar cap- 
turado nesta ultima localidade tem estreitas fachas amarellas 
na margem posterior dos segmentos dorsaes l.o, 2.0 e 3.o. 

P. wagneri Buyss. — E' morphologicamente igual ao P. 
colobopterus, porem não ha ainda observações a respeito de 
transições entre ambos. 

P. vespiceps Sauss. — A forma typica descripta e figu- 
rada por Saussiire, tem a cor fundamental de um castanho 
ferruginoso escuro e é-me conhecida de Barbacena (Minas 
Geraes; na região equatorial ella é representada pela var. 
testacea Ducke, n. var., cuja cór fundamental é um ferru- 
gineo amarellado claro. Esta variação c conhecida das Gu- 
yanas (vi no JMuseu Paulista exemplares de Cayenne e de 
Suriname), da Amazónia (Belém do Pará, Macapá, Óbidos, 
Teffé), e de São Luiz do ]\Iaranhão. 

P. difficilis Ducke. — Esta espécie era conhecida so- 
mente n'um único exemplar, do Oyapoc, porem ultimamente 
recebi diversos exemplares, QcT, da estação de Peixe-boi 
(Estrada de ferro de Bragança), coUeccionados pelo Snr. 
André Goeldi. Este Snr. viu também o ninho, que tem in- 
vólucro e que, segundo o Snr. Goeldi affirma, é parecido 
com o ninho de P. luciíiosus.—O cT do Par. difficilis differe 
da Ç unicamente pelo corpo mais delgado (o l.o segmento 
abdominal mais estreito ), alem dos caracteres que distin- 
guem os machos de todas as Vespidae, como os 7 segmentos 
abdominaes, etc. 

Género 3, Chartergtis Lep. 

As duas espécies (ou raças) conhecidas são pretas 



Vespas da região neotropical i6i 



com desenhos amarellos e se distinguem da maneira se- 
guinte : 

1. Pronoto inteiramente preto. PoslsciUelliun com um tu- 
bérculo muito i^equeno. 7 V2 — 9 rnn^- globiventris 
Sauss. — Amazónia até JNIinas Geraes. 
— . Pronoto com desenhos amarellos (ás vezes muito 
reduzidos). Tubérculo do postscutellum grande. 
9V2-1I rnm. chartarms 01. — Guyana ate o 
Estado de São Paulo. 

Observações sobre as espécies de Chartergtis. 

Ch. chartarius 01. — Ch. iuherciãatiis Cam. c um exem- 
plar desta espécie, com o tubérculo do postscnlellain menos 
desenvolvido. 

Género 4, Pseudoc1i€ti'ter(fus Dueke 

Duas espécies^ de 7^/2 a 8V2 ni^i. de comprimento e de 
cor fundamental preta. 

1. Occiput e têmpora com orla elevada. Abdómen e 
muitas vezes também o thorax com abundantes 
desenhos amarellos. Margem costal das azas 
apenas um pouco fumada, chartergoides Grib. 
— Guyana até Mattogrosso. 
— . Metade inferior dos têmpora sem orla elevada. 
Thorax e abdómen pretos. Margem costal das 
azas preta, ftiscatus Fox — Belém do Pará; 
Santarém. 

Observações sobre as espécies de Pseudochartergus 

P. chartergoides Grib. ( cinctellus Fox^— O facto des- 
tas duas espécies serem idênticas, foi-me confirmado pelo snr. 
Du Buysson. O thorax é ás vezes totalmente preto, ás vezes 
tem o scutelliim e o postscutellum amarellos, alem d'isso po- 
dem existir duas linhas amarellas no mesonoto. — x\lem das 
localidades já citadas encontrei esta espécie nas seguintes: Rio 
Javary, Iquitos, São Luiz do Maranhão. 



1Ó2 Vespas da região xeotropical 



Género 5, Chaftert/inus Fox 

Duas espécies, de / a 8 mm. de comprimento. 
1. Corpo ferrugineo amarellado, com poucos dese- 
nhos pretos, fulvus Fox— Amazónia. 
— . Corpo preto, com os segmentos abdominaes, do 
3.0 em deante, ferrugincos. Segmento mediano 
mais largo que na espécie precedente, huheri 
Ducke— Oyapoc : La Mana (Guyana franceza). 

Observações sobre as espécies de Charterginus. 

Ch- ftihnis Fox — Observado também em Iquitos. 

O Hypocharkrgus carinalns Zavattari, Boll. Mus. Uni- 
vers. Torino XXI, igoó, descripto da Colômbia, pertencerá 
talvez ao género Charterginus. 

Género 6, Clypearia Sauss. 

As duas espécies são pretas com desenhos amarellos. 
1. Corpo bastante alongado e estreito; thorax visto 
de cima, quasi três vezes mais comprido que 
largo ; segmento abdominal segundo anterior- 
mente sem ângulos lateraes distinctos. Q ^2 n^i^'i- 
angustior Ducke. — Cedofeita (Minas Geraes). 
— . Corpo largo e robusto ; thorax quasi quadrado : 
segmento abdominal segundo muito largo, com 
os ângulos anticoiateraes fortemente desenvol- 
vidos. Umm. apicipennis Spin. — Baixo Ama- 
zonas (lado Norte ). 

Observações sobre as espécies de Clypearia 

C. apicipennis Spin. — CoUeccionei-a recentemente em 
Oriximiná, no baixo Rio Trombetas. 

Género 7, Synoecoiíles Ducke 

A única espécie é preta, com o segmento mediano 
coberto de tomento prateado, e tem ló a l8mm. de com- 



Vespas da região neotropical i63 



primento. — O ninho tem a mesma architcctura como os de 
Tatua: c phragmocyttaro perfeito com o furo de sabida 
excêntrico. O material é ainda mais friável do que neste 
ultimo género; a cor do ninho é parda. 

5. depressa Ducke. — Colleccionei esta espécie até 
agora somente em Teffé e Santo António do Içá, no alto 
Amazonas. O ninho figurado ( estampa 3, figura 7 ) c ainda 
muito novo. 

Género 8, Tutnii Sauss. 

As duas espécies conhecidas são inteiramente pretas, 
lustrosas, e se distinguem da seguinte forma : 
1. Segmento mediano profundamente excavado. l3 
— l6mm. tatua Cuv. — Venezuela até jNIatto- 
Grosso. 
— . Segmento mediano posteriormente apenas com, 
leve depressão. 12 — l3mm. giierini Sauss. — 
México. 

Observações sobre as espécies de Tatua 

T. tatua Cuv. ( quadrilubercalata Grib. ). — Esta espé- 
cie é muito variável, e em todas as partes da Amazónia 
encontra-se exemplares mais ou menos correspondentes á 
quadriluberciilaia, a qual, por isso, nem merece ser conside- 
rada como raça. Achei a presente espécie, alem das locali- 
dades já citadas, também em Iquitos. — Ninho : estampa 2. 
fig. 5. 

Género 9, Metivpolyhiíi Ducke 

M. pediculata Sauss., a única espécie que conheço, 
tem de 9 a 10 mm. de comprimento e é preta com desenhos 
amarellos, escassos nos exemplares amazonicos, abundantes 
nos mexicanos ; sua distribuição geographica extende-se do 
México até Matto-Grosso. Colleccionei-a ultimamente nos 
Rios Javary e Içá, alem dos legares já citados nos trabalhos 
anteriores. — A suffusa Fox será provavelmente uma insigni- 
ficante variação da presente espécie. 



104 Vespas da região neotropical 



Género 10, Synoeca Sauss. 

Este g-encro comprehendc somente duas espécies verda- 
deiramente distinctas. as quaes correspondem aos dois gru- 
pos do meu ultimo trabalho, a saber : 
1. Corpo quasi sem esculptura. imtciramente preto 
azulado, inclusive as azas; quando existem al- 
gumas manchas de cor avermelhada, são sem- 
pre muito limitadas. 20'-2J[ rum. stninama L. 
— México até o Rio Grande do Sul, 
— . Corpo ao menos em baixo de cór fundamental 
ferruginea; azas amarellas. Esculptura, pelo me- 
nos no segmento mediano, forte. 17 — 21 mm. 
trina Spin. — Colômbia, Guyana, Amazónia, 
Piauhy. 

Observações sobre as espécies de Synoeea 

S. surinama L. — A 5. cyanea Fabr. c apenas variação 
desta espécie, e não das mais constantes; o único distinctivo 
delia c o clypeo mais ou menos vermelho. Todos os exem- 
plares amazonicos pertencem á forma genuina, ao passo que 
no Sul do Brazil predomina a var. cyanea. O tamanho da 
cabeça é excessivamente variável nesta espécie, o mesmo su- 
ccede a respeito da cór: temos exemplares de Barbacena, 
pertencentes á var. cyanea, com o thorax e abdómen quasi 
completamente sem brilho azul. 

5. trina Spin. — Desta espécie a 5. chalybea Sauss. c 
apenas uma variação com o lado superior do corpo escuro 
(azul ou verde): ha as transições mais evidentes entre ambas, 
e a nidificação é a mesma. A myrmecophilia desta espécie 
(veja-se o meju ultimo trabalho neste Boletim) é facultativa; 
encontrei no anno passado um ninho da S. irina s. str. e um 
da var. chalybea^ não havendo, em ambos os casos, formigas 
na visinhança. O ninho descripto no vol. IV, pag. Ó72 deste 
Boletim e figurado no presente trabalho ( estampa 1 ) c uma 
anomalia, quanto á construcção interna: os dois ninhos acha- 
dos em IQOÓ não se distinguem dos da surínama, senão pelo 
material mais friável e pelo invólucro não rajado nem ondu- 



Vespas da região neotropical 165 



lado.- — A 5. irina s. sír. c conhecida dos logares acima men- 
cionados, a var. chctíybôa Sauss. somente da Colômbia, da 
Guyana, e do baixo Amazonas (Óbidos, Rio Trombetas, Faro 
e Manáos). 

Género 11, Protopolyhiíi Dueke 

1. Primeiro segmento abdominal sessil ou subsessil 2. 
— . Primeiro segmento abdominal alongado em forma 

de peciolo. 5 — 6 mm 4 

2. Primeiro segmento abdominal subsessil. bastante 

convexo. Corpo preto com desenhos d'um ama- 
rello vivo, no lado superior sem tomento: me- 
sonoto muito lustroso, com pontuação bastante 

escassa 3. 

— . Primeiro segmento abdominal perfeitamente sessil, 
pouco convexo. Corpo também em cima mais 
ou menos tomentoso, mate, preto ou averme- 
lhado com desenhos amarellentos pallidos. ó^, 
— 7V2 iTiiT)- emortualis Sauss. — Guyana, Ama- 
zónia. 

3. Mesonoto menos pontuado e mais lustroso; sciiteí- 

lum só nos ângulos anteriores pintado de ama- 
rello: postscíitell uni na base com facha transversal 
amarella; 2.° segmento abdominal com pontua- 
ção mais fina, a grande mancha amarella do 
centro menos larga porem mais comprida c|uc 
na espécie seguinte. 5V2 — 6 mm. òella R. Ih. 
— Guyana; Alto Amazonas. 
— . Mais robusta ; mesonoto mais pontuado e por isso 
um pouco menos lustroso ; scnteUuni e postscii- 
telluni com excepção da parte inferior deste 
ultimo, amarellos; 2.° segmento abdominal com 
pontuação mais forte, a grande mancha ama- 
rella do centro mais transversal, ó — 6V-2 nim. 
nítida Ducke — Oyapoc; Óbidos. 

4. Corpo sem pontuação notável 5. 

— . Pontuação do corpo bem visível, sobretudo no 

scutcUiini c no 2.° segmento dorsal. Corpo preto. 



l66 Vespas da região neotropical 



com desenhos amarellos. punctulata Ducke, 
n. sp. — Guyana ate São Paulo. 
5. Corpo quasi unicolor amarello, bastante lustroso, 
principalmente no segmento mediano e na base 
do abdómen, holoxantha Ducke — Barcellos 
(Rio Negro); Oyapoc; La Mana (Guyana fran- 
ceza). 

— . Corpo pouco lustroso, inteiramente preto, sem 
desenhos amarellos, somente partes das anten- 
nas, das mandíbulas e das pernas mais ou menos 
ferrugineas. rugulosa Ducke, n. sp. — Teffé. 

— . Corpo quasi totalmente opaco, preto ou ferrugi- 
nco com abundantes desenhos amarellos. s^- 
dula Sauss. — Guyana ate São Paulo. 

Observações sobre as espécies de Protopolyhia 

P. emortualis Sauss. (rufivcntris Ducke). — E' esta 
espécie o Chartergiis emortualis Sauss., descripto segundo 
exemplares de Santarém. A cór vermelha desapparece ás 
vezes por completo, ficando o corpo inteiramente preto, 
com desenhos pallidos (exemplares de Iquitos). Exemplares 
de cor normal encontrei, alem dos logares já citados, no 
Rio Javary e em Santo António do Içá; no Museu Paulista 
vi alguns de Surinam. — Esta espécie é myrmecophila; os 
ninhos figurados (estampa 2, fig. 2) acharam-se, segundo 
communicação do Dr. /. Sampaio, por quem foram collec- 
cionados, numa arvore onde havia muitos ninhos de formigas. 
Eu mesmo observei, em Santo António do Içá, um ninho, 
coUocado numa folha no meio de muitos ninhos de formiga 
( Dolichoderns ?) ; ao cortar o galho estranhou-me o facto 
das formigas se terem mostrado muito aggressivas, ao passo 
que as vespas se refugiaram no interior do ninho, deixando 
a defeza da colónia unicamente ás primeiras. 

P. bella R. Ih. — Colleccionada também no Rio Javary. 
— Vi um exemplar da espécie que R. von Iherin^ descreve 
como piimila, e que é muito chegada á P. hcJla ( talvez só 
variação desta ); porem é muito duvidoso, si se trata real- 
mente da piimiJa Saussure, a descripção desta parecendo-me 



Vespas da região neotropical 167 



antes corresponder á P. piinctiilala. — Tambcm o Chartergus 
ama:{onicus Cameron c deste parentesco, porem a dcscripção 
é péssima : o autor fala cm poslscutclliiiii, metanoio e segvienio 
mediano, quando dois destes termos devem ser forçosamente 
synonymos ! 

P. puncttãata Ducke, n. sp. (minnússhna R. Ih., em 
parte, piimila Sauss. 1 ). — Protopolybiae sedidae affinis, sed 
corpore disfincle pnncfiilato ( sciiteílo sat cr asse piinctaio ) ; iho- 
race laíiore, pronoíi angnJis aniicolaleralibiis sai conspicitis. 
J — éniíii. 9 • 

Se esta forma não for uma verdadeira espécie, será 
pelo menos uma raça bem caracterizada, que deve ter um 
nome ; por ora estou mais inclinado a considcral-a como 
espécie independente. A pontuação c espaçosa e fina, po]-em 
muito bem visivel no vértice, no mesonoto e no segundo 
segmento dorsal, bastante grossa e cerrada no scutellum. O 
corpo todo é um pouco mais largo que na sediila, especial- 
mente o thorax, sendo os ângulos lateraes do pronoto bastante 
desenvolvidos (quasi nuUos na sedulal). Emfim os desenhos 
amarellos não attingem. geralmente tal abundância como na 
sedula, sendo pelo menos as fachas e linhas mais estreitas; ha 
também exemplares com os desenhos muito reduzidos, por 
exemplo sem as linhas do mesonoto. 

Colleccionei esta espécie em Iquitos (Pcrú amazonico) 
e Barbacena (Minas Geraes); o Snr. Da Baysson mandou- 
me exemplares de La Mana ( Guyana franceza ) e eu vi a 
espécie no Museu Paulista, de diversas localidades do Estado 
de São Paulo. Quanto á nidificação, estou ainda incerto; 
talvez os ninhos grandes da minatissinia, que existem no 
Museu Paulista (veja-se a obra citada de R. von Ihering) se- 
jam os da espécie presente? 

P. sedula Sauss. — O corpo desta espécie é mate e 
sem esculptura visivel, e o thorax é anteriormente mais es- 
treito que na pauctalafa. 

P. rtigidosa Ducke, n. sp. — Protopolybiae sediilae nf- 
finissima, sed scuiello et abdominis basi siibtilissinie rugiilosis, 
corpore snbniiido, 7iigro aiiicolore, sohiiii aiiíennis. mandibnJis 
pedibusque pallide variegatis. J — 6 mm. Ç 

Esta espécie tem o thorax estreito como sedula, da 



l68 Vespas da região neotropical 



qual differe pela esculptura c pela côr. A nidificação ( um 
ninho é figurado no meu ultimo trabalho neste Boletim, vo- 
lume IV, 1905, estampa 3. fig. 10, debaixo do nome de 
viiniitissima) é a mesma como a de sediila. 

P. rugiiíosa é conhecida somente de Teffc. E' possí- 
vel que esta espécie seja a verdadeira miniitissima da mo- 
nographia de Saussiire, porem a descripção dada por este 
autor é demasiado insufficicnte para reconhcccl-a com cer- 
teza. 

P. holoxantha Ducke. — O Museu Paulista possue um 
exemplar de La JMana ( Guyana franccza ). 

Género 12, Leiítoineles Moeb. 

A única espécie conhecida, de 5 V2 — 7 ri"""!, de com- 
primento, é : 

L. lamellaria Moeb. — E' provável, que a Polyhia 
nana Sauss. seja esta espécie. — A cor desta vespa c muito 
variável, ha exemplares quasi totahiiente amareilos, ao passo 
que outros são quasi brancos cm baixo e de um pardo es- 
curo no lado superior. 

Género, 13, Polyhia Lep. 

1. Mesopleuras, alem do sulco abaixo das azas, que 

se observa na maior parte das espécies de 

vespas, sem linhas impressas 2. 

— . Mesopleuras divididas por uma linha bem visi- 
sivel, que vai do sulco subalar ao angulo in- 
ferior do lado do j^ronoto 29. 

2. Côr fundamental do corpo preta ou vermelha es- 

cura 3. 

— . Côr fundamental amarclla ou ferruginea clara . . 23. 

3. Pelo menos o thorax com desenhos amareilos bpm 

consideráveis 14. 

— . Os desenhos do corpo, quando existem, são pou- 
cas linhas de um amarello incerto 4. 

4. Thorax, sobretudo o mesonoto, muito lustroso, 

com pontos ralos porem grossos. Corpo coberto 



Vespas da região neotropical 169 



de pello russo comprido ; preto com o abdómen 
vermelho e as azas hyalinas. 18 — 20 mm. diini- 
diaia Oliv. — Guyana até o Estado de São Paulo. 
— , Thorax quasi completamente mate; corpo com 
tomento curto, porem com poucos pellos com- 
pridos. Espécies menores. 5. 

5. Pronoto com ângulos lateraes bastante desenvol- 

vidos e com a margem anterior bastante ele- 
vada. Corpo' no lado superior sem esculptura 
visível, preto com poucos desenhos amarellen- 
tos pallidos ; o abdómen é muitas vezes em 
parte avermelhado; as azas são ligeiramente 
amarelladas, com uma mancha escura na cel- 
lula radial. 12 — 13 mm. r ejecta Fabr. — Mé- 
xico até Minas Geraes. 
— . O pronoto é anteriormente redondo, e por conse- 
guinte não forma ângulos lateraes distinctos . 6. 

6. Thorax em cima vermelho, aos lados coberto de 

tomento dourado. Segmento \P do abdómen 
em parte vermelho. iVzas muito escuras, com 
brilho azulado Genae grandes, maiores que em 
todas as espécies visinhas. 15 — 17 mm. sericea 
01. — Guatemala até Rio Grande do Sul. 
— . Thorax apenas ás vezes em parte pardacento, 

nunca vermelho 7 

7. Thorax em cima com espessa pennugem dourada, 

brilhante. Abdómen castanho. Azas ferrugincas, 
principalmente na margem costal. Chq^co mais 
alto que em todas as espécies visinhas. 15 — 17 
mm. chrysothorax Web. — Guyana até Matto- 
Grosso. 
— . Thorax sem esta Dennugem dourada brilhante. . 8 

8. Thorax todo ( exceptuado o mesonoto ) e o \P 

segmento abdominal com pontuação forte c 
bastante cerrada. Tomento do corpo pardo. 
Azas quasi pretas, as anteriores ao ápice mais 

ou menos esbranquiçadas . . 9. 

— . A pontuação é muito fina ou falta; a cor das 

azas é outra 10. 



170 Vespas da região neotropical 



9. O primeiro segmento abdominal é mais curto e 
começa a dilatar-se pouco depois da base. O 
clypeo é mais largo que na espécie seguinte. 
12 — 13 mm. rtifitarsis Ducke. — Gu^^ana, baixo 
e alto Amazonas. 
— . O primeiro segmento abdominal é mais comprido 
e c dilatado somente na metade posterior. 
Clypeo mais alto que na espécie precedente. 
l3 — 13 V2 rnni' tinctipennis Fox. — Baixo e 
alto Amazonas até São Paulo. 

10. Azas anteriores e posteriores até mais ou menos 

dois terços quasi pretas, no ultimo terço hya- 
linas. l3 V2 — 15 mm. nigra Sauss. — Baixo 
Amazonas até a Republica Argentina. 
— . Azas amarellas, ferrugineas ou hyalinas 11. 

11. Espécies de 15 a 18 mm. de comprimento. Cly- 

peo liso, só na extremidade pontuado. Tho- 
rax bastante pontuado. Corpo inteiramente 
preto ou em parte avermelhado-pardacento. 
Azas pelo menos na costa ferrugineas .... 12. 

— . Espécie de 11 ^/^ a 12 V2 mm. Clypeo mais alto 
que largo, em toda a sua extensão pontuado 
e rugoso. Thorax bastante pontuado, aos lados 
com algum tomento. Corpo preto ; um ponto 
na base das mandíbulas e as orlas dos seg- 
mentos ventraes são amarellos; as azas (prin- 
cipalmente na margem costal) e as pernas 
quasi todas são ferrugineas claras: as orlas 
dos segmentos dorsaes são de um ferrugineo 
escuro, minaniiii Ducke. — Barbacena (Minas 
Geraes ). 

— . Espécies de 8 a 11 mm. Azas hyalinas, com man- 
cha escura na cellula radial 13. 

12. Abdómen opaco, sedoso, em sua parte basal pardo 

avermelhado com furta-còr purpúrea. Lados 
do thorax fortemente tomentosos. Azas com 
leve tinta ferruginea, que na margem costal 
se torna bastante intensa. 15 — lô mm. aitri- 
cbalcea Sauss. — Barbacena (]\Iinas-Geraes ). 



Vespas da região neotropical 171 



— . Abdómen preto ou em parte pardacento, mate, 
muito sedoso. Cabeça e thorax em parte j^ar- 
dos. Lados do thorax com tomcnto espesso. 
Azas intensamente amarellas, ferrugineas es- 
curas na costa. 17 — iQmm. velutina Ducke, 
n. sp.-— Alto Amazonas, 

— . Corpo bem preto, pouco tomentoso (mesmo aos 
lados do thorax), abdómen bastante lustroso. 
Azas quasi hyalinas, com a margem costal 
ferruginea. ló — 18 mm. lugtihris Sauss. — Rio 
de Janeiro; Guyana? 

13. Clypeo na metade apical lustroso e distinctamente 

pontuado, Mesonoto com pontuação coriacea, 
mesopleuras finamente pontuadas. Primeiro 
segmento abdominal mais curto e largo que 
na espécie seguinte. Corpo fortemente tomen- 
toso, preto com fracos desenhos esbranquiça- 
dos. 1 1 mm. theresiana Schulz ? — Colômbia: 
Amazónia. 
— . Corpo sem esculptura visivel. Primeiro segmento 
abdominal mais comprido e mais estreito que 
na espécie precedente; corpo menos tomentoso. 
8 — 10 mm. occidentalis 01. — Alexico até a 
Republica Argentina. 

14. Ocellos entre si muito distantes. Clypeo muito 

mais largo do que alto. Corpo robusto, preto 
com abundantíssimos desenhos amarellos. 8 — 10 
mm. sylveirae Sauss. — Minas Geraes, Rio de 
Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul. 
— . Ocellos em distancia normal. Clypeo nunca tão 

larg^o 15. 

15. Segmento mediano com fortes rugas transversaes. 

Clypeo sem ângulos lateraes distinctos, ao apicc 
inferior bastante arredondado. Vértice e têm- 
pora muito largos. Sulco do segmento mediano 
largo e fundo em sua parte superior. Cabeça 
ou abdómen em parte avermelhados. 12 V2 — 
l3 V2 "''"''• sulcata Sauss. — Baixo e alto Ama- 
zonas. 



172 Vespas da região neotropical 



— . Segmento mediano raras vezes com vestígios de 

rugas ou estrias transversaes 16. 

16. Segmento mediano no centro com sulco longitu- 

dinal, o qual é sempre muito mais comprido 

que largo . 19. 

Segmento mediano com uma excavação mais ou 
menos redonda, igual em comprimento e lar- 
gura. Primeiro segmento abdominal curto. 
Azas anteriores com mancha escura na cellula 
radial 17. 

17. Thorax em cima bastante lustroso. Corpo preto, 

só o postsciitcJíiiin e quasi sempre também o 
sciiteUíim de um amarello saturado . . . . 18. 
— . Thorax mate. Corpo preto ou cm parte verme- 
lho, com maior ou menor numero de dese- 
nhos amarellos, porem nunca o scuielhtm e o 
posiscutelhim completamente amarellos. 8 V2 — 
10 mm. bifasciata Sauss.^ — Guyana, Amazónia. 

18. Cabeça estreita atraz dos olhos; pontuação da 

cabeça e do thorax apenas visivel : zona mar- 
ginal fumada das azas anteriores estreita, so- 
mente na cellula cubital mais larga. 8 mm. 
decorafa Ducke. — Alto Amazonas. 
— . Cabeça muito mais larga atraz dos olhos; pon- 
tuação da cabeça e do thorax mais forte, 
zona marginal fumada das azas anteriores 
mais larga. \2—\4rí\vi\. jurinei Sauss. — Gu- 
yana ate o Rio de Janeiro ; Porto Rico ? 

19. Espécies robustas de 14 a 16 mm. de compri- 

mento. Corpo preto; thorax com ricos desenhos 
amarellos. abdómen com as orlas extremas 

dos segmentos amarellas 20. 

— . Espécies pequenas de 8 a 11 mm. de comprimento; 
no caso da coloração ser semelhante á das 
duas espécies precedentes, a cabeça possue 
sempre desenhos amarellos 21. 

20. A parte apical dilatada do l.» segmento abdomi- 

nal cstrcita-se gradualmente em direcção á 
parte basal. Desenhos do thorax quasi cór de 



Vespas da região neotropical 173 



laranja, sycophanta Grib. — Guyana. Amazó- 
nia, Maranhão. 
— . A parte apical dilatada do l.o segmento abdomi- 
nal estreita-se bruscamente em direcção á parte 
basal, apparecendo assim este segmento, visto 
pelo lado, bastante anguloso. Desenhos do 
thorax geralmente sulphureos. liliacea Fabr. • 
— Panamá até ]\íatto Grosso. 

21. Partes lateraes do pronoto bastante largas, por 

isso o thorax na frente quasi truncado. !Me- 
sonoto curto, bastante lustroso e, como a maior 
parte do thorax, finamente pontuado. Cabeça 
e thorax de cor fundamental preta ou parda 
escura com abundantíssimos desenhos pallidos. 
porem o mesonoto sempre preto. Abdómen 
pardacento ferruginoso, com as orlas posterio- 
res dos segmentos pallidas. 8--9 mm. fuma- 
ria R. Ih. — Santarém; Teffé. 
— . Pronoto estreito, mesonoto comprido. Thorax sem 

pontuação visivel, mate 22. 

22. Azas com forte tinta ferruginea; nervos ferrugi- 

neos. Pernas quasi inteiramente ferrugineas. 
Desenhos do corpo de um amarello parda- 
cento. 9 — 11 mm. fasiidiosnsciila Sauss. — Pa- 
raná, São Paulo, jMinas Geracs, Goyaz, ]\íatto 
Grosso. Bolivia. 
— . Azas mais ou menos hyalinas com as veias quasi 
pretas : a região da cellula radial tem sempre 
uma mancha escura. Os desenhos do corpo são 
de um amarello vivo ou pallido. porem nunca 
pardacento. 8—11 mm. occidentalis Oliv. — 
México até a Republica Argentina. 

23. Corpo com fortíssimo fomento amarcllado pallido, 

especialmente na fronte, nas mesopleuras e no 
segmento mediano, onde este fomento é ligei- 
ramente dourado. Vértice e thorax com pon- 
tuação fraca, a qual só no scutãlum se torna 
mais forte. 14 — 18 mm. micans Ducke. — Gu- 
yana, Amazónia. 



174 Vespas da região neotropical 



— . Corpo no melhor caso um pouco tomentoso, po- 
rem este tomenlo não chega nunca a ser dou- 
rado 24. 

24. Cabeça e thorax bastante lustrosos, com pon- 

tuação espaçosa, porem bem accentuada. Cor- 
po robusto; segmento abdominal 1.° curto e 
campanulado. 11 — 12 ^j., mm. gorytoides 
Fox,- — Guyana; Marajó, baixo e alto Ama- 
zonas. 
— . Fronte, vértice e mesonoto sem esculptura visivel. 25. 

25. Clypeo muito mais largo que alto. O pronoto tem 

a forma de uma facha semicircular. Compri- 
mento do mesonoto não superior á largura. 
Azas hyalinas. 10 — 11 mm. caementaria Du- 
cke — Guyana até Minas Geraes. 
— . Clypeo quasi mais alto que largo. Pronoto não 
semicircular, mesonoto muito mais comprido 
que largo 26. 

26. Geiíac bastante desenvolvidas. Sciílclliiin muito sa- 

liente: postscHteííum bastante abrupto. Dorso do 
thorax geralmente em toda sua extensão com 
uma linha central preta. Corpo muito alongado, 
azas muito grandes, levemente ferruginadas, 
ao ápice fumadas. 11 — 13 mm. emaciata Lu- 
cas — Baixo e alto xVmazonas; Rio de Janeiro? 
— . Gcnae não desenvolvidas. ScuteíJiim e poslscutcllum 
normaes. Thorax com desenhos muito variáveis, 
porem nunca com uma linha central preta con- 
tinua. Azas de tamanho normal 27. 

27. Margem anterior do pronoto elevada, tina porem 

bastante visivel 28. 

— . Margem anterior do pronoto não elevada. Azas 
quasi hyalinas, com as veias escuras e uma 
mancha fumada na região da cellula radial. 
8 — 11 mm. occidentalis 01. — México até a 
Republica Argentina. 

28. Azas bastante ferrugineas, com veias da mesma 

cor. Corpo ferrugineo amarellado com abun- 
dantes desenhos sulphureos, semelhante á P. 



Vespas da região neotropical 175 



caementaria. 10— 11 mm. septentrionalis R. 

Ih. — Alto Amazonas; Venezuela. 

— . Azas quasi como na P. occidenialis. Corpo ferru- 
gineo pardacento com desenhos castanhos, se- 
melhantes á P. infernalis. Q — 11 mm. incerta 
Ducke, n, sp. — Teffé. 

— . Azas com forte tinta ferruginea e nervos ferru- 
gineos. Corpo amarello claro com abundantes 
desenhos pretos. 9 — 11 mm. fastidiosnscida 
Sauss. — Paraná, São Paulo, Minas Geraes, Goyaz, 
Matto Grosso, Bolívia. 

29. Pronoto com a margem anterior elevada, mais ou 

menos anguloso aos lados 30. 

— . Pronoto sem margem anterior distincta, comple- 
tamente arredondado aos lados • . 37. 

30. Os ângulos lateraes do pronoto formam dentes 

salientes 31. 

— . Ângulos do pronoto obtusos, não dentiformes. . 34. 

31. Primeiro segmento abdominal bastante curto e 

grosso, pouco mais comprido que o segmento 

mediano 32. 

— . Primeiro segmento abdominal estreito, mais com- 
prido do que o segmento mediano junto com 
o posiscuidliini. Còr fundamental do corpo de 
um amarello muito pallido, com abundantes 
desenhos pretos. Azas principalmente na mar- 
gem costal amarelladas, pernas amarelladas 
pallidas. ló — 17 mm. construcirix Sauss.— 
Cayenna; Rio Trombetas; Óbidos. 

32. Espécie pequena (9 — 11 mm.), parda com fracos 

desenhos amarellados; azas quasi hyahnas. 
vicina Sauss. — Espirito Santo é ]\íinas Ge- 
raes até o Rio Grande do Sul. 
— . Espécies grandes ( 17 — 20 mm. ) : metade apical 

do abdómen muito lustrosa 33. 

33. Corpo cór de laranja, com desenhos pretos. Jla- 

vicans Fabr. Guyana, Amazónia. 
— . Corpo preto, ás vezes com desenhos amarellos. 



l/ó Vespas da região NEOTRoncAL 



angulata Fabr. — Venezuela ate o Estado de 
Sãõ Paulo. 

34. Corpo cm baixo de còr fundamental amarellada, 

cm cima 'unicolor preto, Síjmcntc a base do 
2. o segmento dorsal ferruginea. 14 — 15 mm. 
xanthopiis Sauss. — México. 
— . Còr fundamental do corpo amarella, mesonoto 

sempj-e com três fachas longitudinaes pretas . 35. 

35. Primeiro segmento abdominal absolutamente não 

campanulado, visto de cima em fúrma de 
triangulo alongado. Ângulos do pronoto mais 
fracos que na P. vuJgaris. 11 V2 — 13 mm. 
pallidipes Oliv.— (iuyana até São Paulo e 
Paiaguay. 

— . Primeiro segmento abdominal quasi campanulado. 
por ser a parte basal bastante estreitada; 
segmento 2.° fortemente alargado. Ângulos do 
pronoto bem accentuados. Corpo robusto. l3 
— 14 mm. vulgaris Ducke. — Guyana, Ama- 
zónia. 

— . Primeiro segmento abdominal quasi campanulado, 
porem na base não tão repentinamente estrei- 
tado como na vulgaris. ^Vngulos do pronoto 
ainda mais fracos do que na pallidipes. Azas 
grandes. Corpo delgado. 11 V2 — 13 mm . . . 36. 

36. Còr fundamental dos segmentos dorsaes ferrugi- 

nea clara; antcnnas còr de laranja; azas inten- 
samente amarelladas, no ápice quasi esbran- 
quiçadas, flavipennis Ducke. —Alto Ama- 
zonas. 
Còr fundamental dos segmentos dorsaes parda 
escura; antennas em cima pretas, em baixo 
ferrugineas pardacentas; azas fumadas, somente 
na margem costal amarelladas. meridionalis R. 
Ih. — iMinas geraes; São Paulo. 

37. Espécies de não menos de 15 mm. de comprimento. 

Abdómen mate. tomentoso, ao ápice forte- 
mente pilloso 38. 

— . Espécies não superiores a 1 1 mm. de comprimento. 



Vespas da região neotropical 177 



Abdómen quasi nú. Corpo amarello parda- 
cento com poucos desenhos escuros 40. 

38. Mesonoto sem linhas amarellas, quasi preto. Ciy- 

peo bastante lustroso, escassa porem forte- 
mente pontuado. Cor fundamental do corpo 
parda escura, flagello das antennas de um vivo 
vermelho ferruginoso, ló — IQ mm. ruficornis 
Ducke.T-Alto Amazonas. 
— . Mesonoto com linhas longitudinaes pallidas . . . 39. 

39. Corpo ferrugineo, na cabeça e principalmente no 

dorso do thorax com desenhos escuros; seg- 
mentos dorsaes 1 a 4 ferrugineos pardacentos, 
posteriormente com fachas amarelladas, os seg- 
mentos restantes inteiramente ferrugineos claros. 
Clypeo bastante lustroso e fortemente pontuado. 
17 — 20 mm. par aensis Spin. — Amazónia. 
— . Corpo em baixo pallido amarellado, em cima — 
exceptuados os desenhos pallidos — quasi preto; 
no abdómen somente os três primeiros segmen- 
tos com fachas amarelladas. Clypeo mate, se- 
doso, finamente pontuado. 15 — 17 mm. obi- 
densis Ducke — Guyana: Rio Trombetas; Óbidos. 

40. Cabeça atraz dos olhos quasi tão larga como 

nas espécies pallidipes e caevientaria. Abdómen 
da fêmea agudo, como na maioria das espé- 
cies. Cellula cubital 2.^ bastante larga (como 
na caementaria), 3.^ muito mais alta que larga. 
Mesonoto com 4 fachas amarellas. 10 — 11 mm. 
lignicola Ducke — Amazónia. 
— . Cabeça atraz dos olhos estreita. Abdómen ao ápice 
bastante obtuso. Cellula cubital 2.^ estreita, 3.^ 
pouco mais alta que larga. Mesonoto sem fa- 
chas amarellas distinctas. 10— 10V2 mm. in 
fernalis Sauss. — Venezuela, Guyana, Amazó- 
nia Maranhão. 

Observações solbre alg-umas espécies de Polyhiti 
P. occidentalis 01. (pygmaca Fabr. j — Esta espécie c 



178 Vespas da região neotropical 



a mais variável das vespas brazileiras ; veja-se o que eu já 
disse sobre este assurr.pto, no meu ultimo trabalho. Impossi- 
vel é fazer aqui uma distincção nitida entre espécies e sim- 
ples raças: destas ultimas conheço as seguintes: 

a ) Corpo preto, geralmente com desenhos amarellos, 
porem nunca só com uma mancha grande ama- 
rella no scuiellum e postsciitelliiiii. occidentalis s. 
str. — México até a Republica Argentina. 

bj Corpo intensamente preto, somente o scutelliim e o 
postsciitellum de um amarello saturado, var. scii- 
tcUaris White — Rio de Janeiro e j\Iinas Geraes 
até á Republica Argentina. 

c) Corpo preto: peciolo do abdómen mais delgado do 

que na forma genuina. var. diguetana Bnyss.— 
México. 

d) Corpo preto com abundantíssimos desenhos ama- 

rellos, o 2. o segmento dorsal com facha muito 
larga. var. jtiruana R. Ih. — Alto Amazonas. 

e) Corpo ferrugineo com desenhos amarellos. var, 

oecodoma Sauss. — Amazónia até o Rio Grande 
do Sul. 

f) Corpo preto com desenhos amarellos, cabeça fer- 

ruginea. var. ruficcps Schrottk}^ — Paraguay, Matto 

Grosso. 
A primeira e a penúltima destas raças são ainda muito 
variáveis na cór, nos desenhos etc. — A var. diguetana existe 
só no México; a forma preta unicolor que se encontra na 
Amazónia, não é esta, como erradamente disse no meu ulti- 
mo trabalho. — A var. scutellaris era até agora considerada 
como espécie, porem não constitue senão uma raça, que se 
differcncia também biologicalmente, pela nidificação: o mes- 
mo facto da-se em algumas espécies europeias, extremamente 
variáveis, de Bombas. Entre a occidentalis s. str. e a var. scu- 
tellaris conhecemos já todas as transições graduaes, quer na 
coloração, quer na nidificação, e por conseguinte podemos 
affirmar com absoluta certeza, tratar-se somente de raças e 
não de duas espécies differentes. Também as observações do 
collega R. vou Ihcring confirmam este facto, falando n'uma 
forma intermediaria pela cor e pela nidificação, entre occ/- 



Vespas da região xeotropical 179 



dentaJis c sciUellaris (As vespas sociaes do Brazil. Revista do 
Museu Paulista VI, 1904, pag. 255—257.) 

A P. mexicana Sauss. é um Mc^acaiithopiis, o que é 
fácil verificar pela figura dada por este autor. A mexicana 
R. Ih. deve ser a P. occidenlalis var. oecodoma Sauss, a 
descri pção do ninho prova que se trata de uma das formas 
de occidentalis. Ao contrario a P. oecodoma R. Ih. c um Me- 
gacanlhopus: vi os exemplares da coUecção do j\Iuseu Pau- 
lista. 

No meu ultimo trabalho (Boletim do ]Museu Goeldi 
IV, pag. 677, estampa 3, fig. 15) descrevi e figurei uma 
forma muito interessante de ninhos de P. occidentalis, obser- 
vada no Rio Japurá. No anno passado encontrei alguns ni- 
nhos desta forma em Teffé e Iquitos : os seus habitantes 
pertenciam em um dos casos á occidentalis s. str., nos outros 
a uma forma que parece ser intermediaria entre esta e a 
var. oecodoma. Desta vez não notei, que na visinhança exis- 
tissem ninhos de cupim ( Termitidae), parecidos com os ni- 
nhos das vespas; segue-se d'ahi, que eu tinha errado, sup- 
pondo que as vespas tivessem imitado as construcções do 
cupim. 

P. theresiana Schulz (?) e septentrionalis R. Ih. 
são formas, das quaes ainda não sei se devo consideral-as 
como raças da occidentalis. — Colleccionei a primeira ainda 
em Óbidos, a segunda em Santo António do Içá. 

P. incerta Ducke, n. sp. — 9- Ferruginea, fnsco varie- 
gata, sine pictnris sulphiireis, alis parnm fnmatis, cclhila radiali 
obscuriore. Pronotum margine aniico sat distincte elevato ; seg- 
nienlum medianum sat nitidum. Segmentam abdominale primam 
sat robustam. 10 —11 mm. 

Muito semelhante, nos caracteres morphologicos, a um 
robusto exemplar da P. occidentalis, tendo porem a colora- 
ção da P. infernal is. Corpo ferrugineo claro, flagcllo das 
antennas e vértice quasi pretos, mesonoto com três larguís- 
simas fachas pardas^ abdómen, da extremidade do 2.° seg- 
mento em deante, pardo, com as orlas terminaes dos seg- 
mentos 2.0 a 5.0 claras. 

Teffé ( Estado do Amazonas ). Será talvez somente uma 
raça da P. occidentalis. 



iSo . Vespas da região neotropical 



P. fãstidiosusculã Sauss. — Também esta espécie, que é 
própria do Sul e Centro do Brazil e paizes limitrophes 
(Zavattari cita-a também da Republica do Equador, o que 
me parece duvidoso!) será talvez uma das variações mais 
afastadas da occidenialis. Conheço três raças, de còr diffe- 
rcnte, a saber : 

a) Predomina a C(3r amarella. faslidiosiiscula s. str. — 
Minas, S. Paulo, Goyaz, ]Matto Grosso, Bolivia: 

hj Corpo preto com muitos desenhos amarellos par- 
dacentos, var. sanipãioi Ducke. — S. Paulo, Cu- 
rityba : 

cj Corpo preto com pouquíssimos desenhos amarella- 
dos, var. bnyssoni R. Ih. — Minas Gcraes: São 
Paulo. 

A var. saiiipaioi existe no Museu Paulista com o nome 
P. fraterna Sauss. in lilteris. 

P. minaram Ducke c no parentesco de occidenialis a 
única forma, que com certeza pôde ser considerada como 
espécie independente. Infelizmente não se conhece ainda o 
ninho. 

P. rufitarsis Ducke. — P. si mil lima Sm., de Panamá, 
poderia ser a pi"esente espécie: a descripção é insufficiente. 

P. lugiibris Sauss.— A espécie citada com este nome no 
meu ultimo trabalho, é velutina n. sp. A verdadeira lugu- 
hris foi por mim colleccionada no Rio de Janeiro, onde vi 
também um ninho, o qual não se distingue essencialmente 
dos das espécies visinhas. 

P. velutina Ducke, n. sp. (Ingubris Ducke IQOõ, não 
Sauss.) — Polybiae liigiibri Sauss. sat similis et affinis, sed ab- 
domine opaco dense tomeiítoso, alisque fortiter ferrngineo-tinctis 
faciliter distinguenda. Long. corp. 17 — iç mm. 9cf- Teffc, 
Rio Japurá, Tabatinga, Iquitos. 

O thorax e a cabeça desta espécie são mais pardos 
do que pretos, em parte ate avermelhados ; o primeiro tem, 
principalmente aos lados e no segmento mediano, espesso 
tomento pallido. O abdómen é inteiramente avelludado, mate, 
quando na Ingubris elle é lustroso e quasi nú. 

A P. flavitincta Fox poderia referir-se á presente espé- 
cie, j)orem o comprimento do corpo seria somente de 14 mm. 



Vespas da região neotropical l8l 



e as pernas seriam em grande parte ferrugineas; alem d'isso 
a flavitincta foi descripla de Santarém, ao passo que veluHna 
só parece existir no Amazonas superior. 

P. micans Duckc — Também de Iquitos. 

P. aurichalcea Sauss.— E' uma espécie meridional, que 
eu colleccionei em Barbacena ( Minas Geraes ). A espécie ci- 
tada com este nome por R. von Ihering é outra. 

P. chrysothorax Web. distingue-se das 4 precedentes 
e da seguinte espécie também morphologicamente, pelo clypeo 
mais alto. Colleccionada ainda no Estado do Maranhão, em 
S. Luiz e Caxias. 

P. sericea 01. distingue-se das 5 espécies precedentes, 
pelas genae muito maiores. 

P. rejecta Fabr, — Iquitos. 

P. dimidiata Sauss. — Iquitos. 

P. liliacea Fabr. — Iquitos. 

P. sulcata Sauss. — Também de Santo António do Içá, 
e do Rio Javary. 

P. jurinei Sauss. — Iquitos e Santo António do Içá. 

P. decorata Ducke — Iquitos e Santo António do Içá. 
A P. heydeniana Sauss. poderia ser variação desta espécie: 
a descripção é insuficiente. Alguns exemplares da decorata 
têm somente o postscitteUum amarello. 

P. gorytoides Fox ( sculpturata Ducke J — Variável em 
cor, porem sem constituir raças mais ou menos constantes. 
Também de Iquitos. 

P. sylveirae Sauss. (enxuy Sm.j — Colleccionei em Barba- 
cena exemplares, cuja coloração corresponde exactamente á 
descripção da enxuy Sm. 

P, emaciata Lucas— Também do Estado do Amazo- 
nas: Santo António do Içá. 

P. caementaria Ducke- Iquitos. 

P. angiilata Fabr. — Divide-se em três raças tão bem 
caracterizadas, que por muito tempo as tive como verdadei- 
ras espécies; porem ultimamente pude observar exemplares, 
que constituem transições entre ellas. 

a) Corpo, inclusive as pernas, unicolor preto, angu- 
lata s. str — Venezuela ate São Paulo. 

h) Corpo preto, tibias e tarsos sulphureos. var. an- 



l82 Vespas da região neotropical 



gulicollis Spin. — Amazónia, Rep. do Equador. 

c) Corpo preto, thorax com desenhos de um amarcllo 
intenso, pernas cm parte amarellas. var. ornata 
Ducke — Teffc: Bolivia. 

A var. ornata existe no Museu Paulista em alguns ex- 
emplares de Yungas de La Paz, na parte oriental da Bolivia. 

P. flamcans Fabr. — Iquitos 

P. constructrix Sauss. — Rio Trombetas. 

P. zuilgaris Ducke — Iquitos. 

P. pallidipes 01. (liilea Ducke, niyrtiiccoplnla Ducke j 
— A P. Diyriíiecophila não é outra coisa que uma forma mais 
pallida desta espécie. O exemplo da Synoeca irina basta para 
provar, que a cohabitação de certas vespas com formigas 
(veja-se a estampa l) c apenas facultativa, do mesmo modo 
como a de ceitas abelhas com cupins ( iennitidae): Trioona 
kobli Friesc encontra-se em ninhos de cupim ou simples- 
mente no óco de avores. — P. pallidipes é muito variável em 
cor, sem que haja raças constantes: o abdómen varia de 
quasi todo preto até ferrugineo pallido unicolor, com todas 
as transições imagináveis. — Collecionada também cm Iquitos. 

P.flavipennis Ducke — Também de Santo António do Içá. 

P. lignicola Ducke — Um ninho desta espécie, que de- 
vemos á bondade do Rev. P. Augusto Cabrolic, director 
das missões de Teffc, consiste em dois favos, que estavam 
coUocados dentro de um tubo de ferro. A architectura c a 
me^ma como em viãgaris e pallidipes, somente as cellulas 
são mais estreitas. — Collecionada também no Rio Javary, em 
Santo António do Içá (ninho no tronco d'uma palmeira) e 
no Rio Trombetas (ninho n'um galho oco). 

P. infernalis Sauss. — Iquitos, 

P. ruficornis Ducke. — Santo António do Içá; Iquitos. 
— E' possivel, que se trate apenas d'uma raça da paraeusis. 

P. pbidensis Ducke (P. paraensis var. liicluosa Schulz 
( * ). — Não creio, que esta forma seja variação de paraensis : 



( ' ) O meu primeiro trabalho sobre as vespas do Pará foi posto 
em circiilavão em novembro de 1904, tendo sido mandados os primeiros exem- 
plares aos mais insignes especialistas, como Du Buysson (Paris), Schulthess 
(Zurich) e outros. Contrariamente do que pensa o snr. -Schulz (Berliner En- 
tomoloi^ische Zeitschrift 1907 p. 328), não c somente a chegada de uma 
publicaijão em Berlim, o que determina a sua apparição no mundo scientifico. 



Vespas da região neotropical i83 



nunca encontrei o mais leve indicio de transições. — Frequente 
nas mattas do Trombetas ; vi, no Museu Paulista, exem- 
piares de Suriname. 

Género 14, Apoica Lep. 

Como o Snr. Dit Bnysson provou em sua recente mo- 
nographia, as formas até agora conhecidas constituem uma 
só espécie, A. pallida 01., de 17 a 25 mm. de compri- 
mento, corpo delgado e azas muito grandes, cujas princi- 
paes raças são : 

a : cor fundamental do corpo pallida amarellada. Pa- 
llida s. str. — México e Antilhas até Santa Ca- 
tharina ; 
b : corpo castanho, ápice do abdómen pallido, vm-. 

virgínea Fabr. —México até Paraná, 
c : thorax preto, azas muito escuras, var. thoracica 

Buyss. — Guyana ; Óbidos : Espirito Santo. 
O nosso único exemplar da var. thoracica é de Óbidos. 

B : Vesiiiis monogimins ( as novas colónias são 
fundadas por uma fêmea fecundada só ). 

Género 15, Monticíuithocneniis Ducke 

As duas espécies actualmente conhecidas são : 
1. Thorax muito curto, com pontuação muito gros- 
sa ; segmento mediano com sulco estreito ; pri- 
meiro segmento abdominal do comprimento do 
thorax. Preto, em parte pardo, com abundan- 
tes desenhos amarellos. 11 — 12 mm. filiformis 
Sauss. — Belém do Pará. 
— . Thorax bastante alongado, com esculptura fina ; 
segmento mediano ao centro com um sulco 
muito largo e fundo. Segmento \P do abdó- 
men mais curto que o thorax. Pardo quasi 
preto, com poucos desenhos amarellados e fer- 
rugineos. 10 V2 — 12 mm. hnyssoni Ducke. — 
Rio de Janeiro. 
M. hnyssoni Ducke — Ninho com pediccUo excêntrico ( es- 
tampa 3, fig. 8 ). 



l84 Vespas da regi^vo neotropical 



Género 16, Mischoeyttiwuè Sauss. 

As duas espécies conhecidas são : 
1. Peciolo do abdómen mais comprido que o tho- 
rax. Corpo muito variável em c(3r, pardo aver- 
melhado ate quasi preto, porem nunca de duas 
cores mais ou menos bem separadas, como é 
regra na espécie seguinte. iS — 24 mm. lahia- 
ttis Fabr. — México ate São Paulo. 
— . Peciolo do abdómen apenas do comprimento do », 
thorax. O \P segmento abdominal e as per- 
nas são sempre ferrugincos avermelhados, o 
resto do corpo c quasi preto, formando as 
duas cores um contraste bastante notável. 16 
■ — 19 mm. drewseni Sauss. — Guyana ate a 
Republica Argentina. 

Observações sobre as espécies de MiscJiocyttarus. 

M. labiatus Fabr. — E' frequente também em Iquitos. 
Esta espécie é excessivamente variável em tamanho e cor, 
sem que se possa falar de raças mais ou menos constantes. 
As azas variam de um ferrugineo claro até pardo escuro com 
reflexos azulados ; neste ultimo caso a cor do corpo costuma 
ser muito escura. Creio, que o M. smithi Sauss. será esta 
forma. — Ninho: est. 2, íig. 3. 

Género 17, Meyacatifltojnis Ducke 

1. Pronoto anteriormente circular, sem ângulos. Ocel- 

los em triangulo equilato. Mesopleuras dividi- 
das por uma linha bem visivel, que vai do 
sulco debaixo das azas ao angulo inferior do 
lado do pronoto. Corpo ferrugineo amarellado, 
com desenhos pretos. Antennas dos machos 

enroladas 2. 

— . Pronoto anteriormente truncado, com ângulos la- 

teraes bem pronunciados 3. 

2. Margem anterior do pronoto fortemente elevada, 

em forma de crista. No macho o ultimo arti- 



Vespas da região neotropical 185 



culo das antennas é preto, fortemente com- 
presso e um pouco dilatado. l3 — 14 mm. col- 
laris Ducke — Gu3^ana, Amazónia. 
— Margem anterior do pronoto não em forma de 
crista, apenas formando uma linha finíssima. 
No macho o ultimo articulo das antennas é ama- 
rellado como os precedentes, simplesmente 
acuminado e estreitado. 11 — 12 mm. lecointei 
' Ducke — Guyana, Amazónia. 

3. Primeiro segmento abdominal mais comprido que 

o segundo. Azas hyalinas ou ferrugineas. . . 4. 

— . Primeiro segmento abdominal do comprimento do 
2.0, ou ainda mais curto. Corpo preto; azas 
escuras, no ápice esbranquiçadas. Mesopleu- 
ras com a hnha de separação muito apagada. 
Ocellos em triangulo baixo. Antennas do ma- 
cho ao ápice somente um pouco arcuadas, o 
ultimo articulo estreitado. 12 — 16 mm. ater 
01. — Venezuela e Gu^^ana até o Rio Grande 
do Sul. 

4. Thorax mate ou mui pouco lustroso, em parte 

alguma com pontos grossos . ...... 5. 

— . ScitleUiini. postscutelliiin e parte do segmento medi- 
ano lustrosos, com pontos bastante raros porem 
grossos. Ocellos em triangulo equilato. Margem 
do occiput e principalmente a margem anterior 
do pronoto muito elevadas. Mesopleuras sem 
a linha de separação acima mencionada. Pe- 
ciolo do abdómen quasi do comprimento do 
thorax. Corpo delgado, preto, em parte ferru- 
gineo, com ricos desenhos amarellos. cf desco- 
nhecido. 11 — 13 mm. punctatu& Ducke- -Rio 
Trombetas; Maranhão. 

5. Metade apical do abdómen muito lustrosa. Com- 

primento do corpo 17 a 19 mm. Ocellos em 
triangulo equilato. Divisão das mesopleuras 
- muito distincta. Antennas dos cf cT "ão enro- 
ladas, só o ultimo articulo um pouco estrei- 
tado e curvo 6. 



l86 Vespas da região neotropical 



— . Abdómen mate ou com pouco brilho. Espécies 

menores 7. 

6. Preto, com poucos desenhos pardacentos. Asseme- 

Iha-se á Polybia angiiíata. carbonarius Sauss. 
— Óbidos : Serra de Parintins : Rio de Janeiro ? 
— . Fcrrugineo alaranjado, com desenhos pretos. As- 
semelha-se á Polybia fiavicans. goeldii Ducke. 
— Alto Amazonas. 

7. Cor fundamental do corpo ferruginea clara, ama- 

rellada. Ocellos em triangulo equilato. Linha 
divisória das mesopleuras bastante forte ... 8. 

— . Cor fundamental da cabeça e do thorax preta, 
a do abdómen ferruginea avermelhada ; todas 
estas partes com desenhos amarellos. Nos ca- 
racteres mòrphologicos esta espécie approxi- 
ma-se do M. alfkeni, tendo porem o pronoto 
muito mais largo c a linha divisória das me- 
sopleuras muito fraca, pouco visivel. 1 1 V2 rn^ri- 
cf ainda não conhecido, mexicaniis Sauss. — 
México. 

— . Cór fundamental do corpo, preta 10. 

8. Corpo muito fino c delgado. 1.° segmento abdo- 

minal quasi do comprimento do thorax, ao 
centro distinctamente bituberculado. Antennas 
do cT fortemente enroladas. 10—12 mm. su- 
rinainensis Sauss. — Guyana e Amazónia até 
o Rio de Janeiro e Paraguay. 
— . Corpo mais robusto; 1.° segmento abdominal de- 
cididamente mais curto que o thorax, sem tu- 
bérculos distinctos. 12 — 13 mm 9. 

9. Antennas do cf ao ápice fortemente enroladas e 

estreitadas.- «w</#/a/ws Ducke. — Oyapoc; Alto 
Amazonas. 

— . Antennas do cf simples, somente o ultimo articulo 
um pouco estreitado, alfkeni Ducke. — Baixo 
e alto Amazonas. 

10. Corpo preto, com distinctissimos desenhos sulphu- 
reos ou amarellos vivos. Azas hyalinas ou fu- 
madas. cfcT ainda não conhecidos 11. 



Vespas da região neotropical 



— . Corpo preto, em parte castanho ou avermelhado, 
com poucas linhas de um amarello pouco vivo. 
Azas ferrugineas. Antcnnas dos cf cT ao ápice 
enroladas 14. 

11. Mesonoto muito mais comprido que largo, com 

duas linhas sulphureas posteriormente conver- 
gentes; desta cor são também a margem pos- 
terior do pronoto, o scutelluni, o posisaitelliim, 
duas fitas do segmento mediano, as orlas dos 
segmentos dorsaes, e alguns pontos nas per- 
nas. Ocellos em triangulo equilato. 15 ^2 — 
ló V2 mm. x\ssemelha-se á Polyhia liliacea. 
Psettdomimeticus Schulz. — Alto Amazonas. 
^. Mesonoto mais curto do que na espécie prece- 
dente, sem linhas amarellas. Estatura menor . 12. 

12. Thorax com uma grande mancha amarella satu- 

rada, que se extende sobre o postscutellmii^ 
a base do segmento mediano, e muitas vezes 
também ao scuiellum ; fora disso os desenhos 
amarellos são poucos. Ocellos em triangulo 
baixo. 12 — 15 mm. Assemelha-se á Polybia 
jíirinei : metathoracicus Sauss. — Colômbia e 
Guyana até o Rio de Janeiro e Matto Grosso. 
— . Thorax sem a grande mancha amarella da espé- 
cie precedente; os desenhos são sulphureos. . 13. 

13. Ocellos em triangulo equilato. Vértice e genae lar- 

gos. 1.° segmento abdominal muito mais com- 
prido que o segmento mediano. Cabeça com 
poucas linhas amarellas ; desta cor são também 
as margens do pronoto, as orlas anteriores do 
scutelluni e do postscutellum, duas fitas do seg- 
mento mediano, as orlas posteriores do seg- 
mentos abdominaes, e manchas nas pernas. 
14 — 15 mm. riifidens Sauss. — México; Ca3^enne. 
Bolivia. Matto Grosso ? 
— . Ocellos em triangulo baixo. Vértice e genne es- 
treitos. Peciolo do abdómen pouco mais com- 
prido que o segmento mediano, Clypeo, fronte 
e mandibulas de cor ferruoinea amarellada : 



Vespas da região neotropical 



as orlas do pronoto, o posisciiíeUiim, as orlas 
dos segmentos dorsaes ( pelo menos a do pri- 
meiro ) e aloumas manchas das pernas são sul- 
phurcas. 11 — 12 mm. frontalis Fox. — Trom- 
betas; Teffc: Matto Grosso. 

14. Ocellos em triangulo baixo. Mesonoto com pon- 
tuação cerrada, fina mas bem visivel. Pronoto, 
postscuteUiiin e segmento mediano com alguns 
desenhos amarellados : abdómen em parte, 
pardo avermelhado. Azas fcrrugineas com 
mancha escura na cellula radial. Pernas par- 
das um pouco avermelhadas. 10 — 14 mm. As- 
semelha-se á Polybia rejecta. injuctindus Sauss. 
— Guyana, Amazónia, Maranhão. 

— . Ocellos em triangulo equilato. Mesonoto sem es- 
culptura visivel. Margens terminaes dos seg- 
mentos ventraes com largas fachas amarella- 
das, que nos segmentos 2 e 3 se extendem ás 
vezes aos segmentos dorsaes. Azas principal- 
mente na margem costal ferrugineas. Pernas 
em grande parta, principalmente no lado infe- 
rior, amarellas ferruginadas. 12 — 13 mm. As- 
semelha-se ás espécies Polybia vicina e P. fas- 
iidiosuscuía vnr. buyssoui: cassuniíiiga R. Ih. 
— Espirito Santo, j\Iinas Geraes. Rio de Janeiro, 
S. Paulo. 

Observações sobre alg^umas espécies de Meyíicíin- 

fh ojtus. 

M. alfkeni Ducke. — Também de Iquitos. — Esta es- 
pécie encontra-se muitas vezes nas casas ; o ninho, que cos- 
tuma ser maior e mais povoado do que nas espécies visi- 
nhas, tem o pedicello muitas vezes quasi central, nunca 
completamente excêntrico. — Não consegui ainda distinguir 
as fêmeas desta espécie e do iindulatns ; os caracteres addu- 
zidos no meu ultimo trabalho não são constantes. 

M. mcxicamis Sauss. — Recebemos um exemplar authcn- 
tico, pelo Snr. Du Biiyssoii. Esta espécie existe só no Me- 



Vespas da região neotropical 189 



xico : a que o Snr. R. von Ihering descreveu como Polybia 
mexicana, deve ser a P. occidentalis var. oecodoma. 

M. surinamensis Sauss. — Iquitos. — O ninho tem o 
pedicello rigorosamente excêntrico. 

M. lecointei Ducke. — Belém do Pará. — O pedicello 
do ninho é, pelo menos nos exemplares grandes, excêntrico. 

M. collaris Ducke — Vi ninhos ainda muito mais alon- 
gados do que o figurado no Boletim do Museu Goeldi, IV. 
Esta forma do ninho é absolutamente característica para a 
espécie. 

M. punctatus Ducke — Esta espécie, que era conhecida 
só de Alcântara, Estado do Maranhão, foi por mim coUecci- 
onada no Rio Cuminá-mirim, subaffluente do Trombetas. O 
ninho (estampa 3, fíg. 9) achava-se suspenso num fio de pa- 
lha, debaixo do tecto de uma barraca, e era habitado por 5 
fêmeas (ou obreiras) da vespa; este ninho exaggera ainda 
a forma comprida dos de Meg. collaris e Polistes goeldii, imi- 
tando perfeitamente um galho secco, e disíingue-se destes e to- 
dos os outros ninhos até agora conhecidos pela circiimstancia 
singular das novas cellulas serem fixadas à margem inferior 
das cellulas mais velhas ! 

M. injuctindus Sauss. — Iquitos; São Luiz do Maranhão. 

M. ntetathoracicus Sauss. — Iquitos, com o ninho. Este 
c parecido com o da espécie precedente: o pedicello c cen- 
tral, e o ninho tem a tendência de crescer em duas direcções 
oppostas, o que na figura do de injucundus (Boletim IV) não 
é bem visivel. 

M. cassununga R. Ih. — Esta espécie meridional fixa o 
ninho com uma certa preferencia ao lado inferior das folhas 
de Fourcroya; o pedicello deste ninho é excêntrico, havendo 
porem sempre algumas cellulas ao redor delle. 

M. rufidens Sauss. — Os exemplares, que possuimos, são 
do México; os devemos ao snr. Du Buysson. E' extranho o 
facto de eu nunca ter observado na Amazónia esta espécie, 
que os autores citam de Cayenna, da Bolivia e do Matto Grosso. 

M. frontalis Fox — CoUecionei esta espécie no Estado 
do Pará, nas mattas do Cuminá-mirim, subaffluente do Trom- 
betas, e no Estado do Amazonas, em Teffé. Ninho desconhe- 
cido. 



IÇO Vespas da região neotropical 



M. ater 01. ( iinitator D\icke ) — Dos synonimos citados 
no meu ultimo trabalho deve ser eliminado o Polistes apicalis 
Sauss., que c realmente um Poíisles.—VcáxccWo do ninho ás 
vezes quasi central, nunca i"igorosamente excêntrico. 

M. pseuíiomimeticus Schulz— Teffé; Iquitos. Achei um 
ninho ainda pequeno, que tem o pedicello quasi central. 

71/ carbonarius Sauss. — Um cf , da Serra de Parintins, 
tem as tibias e os tarsos d'um amarello pailido, exactamente 
como a Polybia ancrulata var. angitlicoUis. 

M. goeldii Duckc — Teffé; Santo António do Içá. E' mor- 
phologicamente is^ual ao Mco. carbonarius, do mesmo modo 
como a Polyhla flavicans á P. an^^iilata. Ninho (estampa 2, fi- 
gura 4) com pedicello i-igorosamente excêntrico. 

Ao género Me^acaníhopus devem ainda pertencer as se- 
guintes espécies, dcscriptas comíj pertencentes ao género Po- 
lybia: cubcnsis Sauss., indctcrminabilis Sauss., cbapadae Fox, 
lapiiya Schulz, e pruvavelmente também flaviíarsis Sauss. 

Género 18, Polisten Fabr. 

1. Parte inferior das mesopleuras sem a linha im- 

pressa caracteristica ; a linha superior ( entre 
o sulco subalar e o angulo inferior dos lados 

do pronoto ) é sempre distinctissima 2. 

— . Parte inferior das mesopleuras com uma linha bem 

distincta entre o centro e o sternuni 5. 

2. Corpo preto 3. 

— . Corpo ferrugineo ou castanho. Parte inferior dos 

têmpora sem orla elevada 4. 

3. Corpo preto azulado, inclusi^'e as azas. Occipiit 

e têmpora em toda a sua extensão com a orla 
posterior distinctamente elevada. 2o — 24 mm. 
Assemelha-se á Synocca siirinama. goeldii 
Ducke. — Amazónia. 
— . Corpo preto: azas escuras, ao ápice esbranquiça- 
das. Orla posterior dos têmpora, cm sua parte 
inferior, bastante apagada. 18 V2 nim. apicalis 
Sauss. — Guyana; México. 

4. Margem anterior do clypco cm triangulo muito 



Vespas da região neotropical IQI 



ag-udo. Abdómen muito pouco compresso. Corpo 
de còr fundamental ferruginea amarellada clara 
com desenhos mais escuros ; azas ferrugineas 
amarelladas. 24 — 27 mm. carnifex Fabr. — 
México e Antilhas até a Republica Argen- 
tina. 

— . ]\íargem anterior do clypeo em triangulo menos 
agudo do que na espécie precedente. Abdó- 
men, em sua parte posterior, distinctamente 
compresso. Cór fundamental ferruginea ou par- 
dacenta, sempre com desenhos amarelios e ge- 
ralmente também com desenhos pretos. Azas 
mais ou menos ferrugineas. 14 — 20 mm. ver- 
sicolor Oliv. — Colômbia e Guyana até a Re- 
publica Argentina. 

— . Margem anterior do clypeo em triangulo muito 
menos agudo do que nas duas espécies prece- 
dentes. Abdómen quasi todo, mas principal- 
mente ao ápice, fortemente comprimido. Còr 
fundamental do corpo escura, de um castanho 
avermelhado ou pardo mais ou menos ferrugi- 
noso ; desenhos amarelios apparecem somente 
ás vezes no vértice ou nos tarsos. Azas sem- 
pre muito escuras, pardacentas. 20 — 29 mm. 
canadensis L. — America do Norte até a Re- 
publica Argentina. 

5. Cor fundamental preta, ás vezes vermelha escura . 6. 
— . Còr fundamental ferruginea clara ou amarellada. 

Linha caracteristica superior das mesopleuras 

pelo menos em parte bastante visivel .... 17. 

6. Coloração semelhante á da Polybia sericea: corpo 

mais ou menos preto ; mesonoto, segmento me- 
diano e o 1.0 segmento abdominal, vermelhos: 
mesonoto e segmento mediano com tomento 
dourado ; azas, principalmente na margem an- 
terior, muito escuras. Margem posterior dos 
têmpora fina, porem distincta. Linha superior 
das mesopleuras bastante visivel. Abdómen 
depresso; o 1.° segmento bastante alongado, 



192 Vespas da região neotropical 



16—20 mm. subsericeus Sauss. — Guyana até 
São Paulo e Paraguay. 
— . A coloração é outra 7. 

7. Cabeça e tlioi-ax pretos, com desenhos amarellos 

escassos e pouco notáveis, cobertos de espesso 
tomento plúmbeo. Abdómen vermelho ou cas- 
tanho avermelhado. Azas hyalinas, ou somen- 
te na margem anterior escuras 8. 

— . Corpo preto, grande, sem desenhos notáveis . . 11. 

— . Corpo preto ou cm parte vermelho, sempre com 

desenhos amarellos mais ou menos notáveis. . 13. 

8. Largura do clypeo igual á altura, ou (cf ) maior. 

Cabeça muito grande, vértice e têmpora muito 
largas, estes posteriormente com orla forte mas 
simples, não angulosa. JNIesopleuias sem a li- 
nha superior. Abdómen largo. Azas pelo me- 
nos na margem anterior escuras. 21 — 24 mm. 
bicolor Lep. — Guyana; Amazónia. 
— . Clypeo muito mais alto do cjue largo. Cabeça de 
tamanho normal; têmpora decididamente mais 
estreitos do que os olhos. Abdómen mais es- 
treito. Azas hyalinas 9, 

9. A orla elevada posterior da cabeça dilata-se aos 

lados do occipiit em forma de um angulo muito 
notável. Mesopleuras sem a linha superior. 
Abdómen estreito e alongado, ao ápice forte- 
mente acuminado. 18V2 — 20 mm. occipitalis 
Ducke — Guyana, Belém, Baixo Amazonas, Rio 
Negro. 

— . A orla posterior elevada da cabeça não forma 
absolutamente nenhum angulo. K linha superior 
das mesopleuras é, embora muitas vezes fra- 
quíssima, sempre mais ou menos visível . . 10. 

10. Corpo mais robusto, abdómen bastante curto, o 
1.° segmento apenas um pouco mais comprido 
que largo. Segmento mediano mais curto que 
largo. 15 mm. rufiventris Ducke — Belcm do 
Pará. 

— . Corpo delgado como em P. occipitalis. Segmento 



Vespas da região neotropical igS 



mediano c 1.° segmento abdominal muito mais 
compridos que largos. 17 — IQ mm. erythro- 
gaster Ducke — Alto xVmazonas. 

11. Abdómen lustroso, quasi nú; tomento do thorax 

d'um pardo ferruginoso. Azas amarelladas. 1.° 
segmento abdominal visivelmente mais compri- 
do do que largo, depois da base ligeiramente 
angulado aos lados. Mesopleuras sem vestigios 
da linha superior. 17V2 — -O mm. Assemelha-se 
á Polybia angulala. melanosoma Sauss.--Guy- 
ana; Baixo e alto Amazonas; Espirito Santo: 
S. Paulo, Santa Catharina. 
— . Corpo mate, sedoso, com lustre plúmbeo ou quasi 

prateado 12. 

12. Azas, inteiramente ou principalmente na margem 

anterior, escuras. Mesopleuras sem a linha ca- 
racterística superior. 21 — 24 mm. bicolor Lcp. 
var. aterrimus Saiiss. — Chiriqui ( Republica 
de Panamá ) ; Alto Amazonas. 
— . Azas muito escuras, com a margem posterior 
toda (principalmente nas azas posteriores) 
hyalina. Mesopleuras com a linha superior 
fraca, porem visivel. 18 — 21 mm. niger Bre- 
thes. — Jundiahy (São Paulo); Barbacena (Mi- 
nas Geraes). 

13. Linha característica superior das mesopleuras 

mais ou menos visivel. Antennas cor de 
laranja. Azas mais ou menos ferrugineas, em 
sua parte terminal mais escuras. Corpo preto 
com desenhos amarellos e manchas vermelhas 
mais ou menos notáveis, ló — l8V-2 rnm. ruficor- 
nis Sauss. — Guyana brazileira até Montevideo. 
• — . Mesopleuras sem a linha característica superior. 
Antennas sempre mais ou menos escuras, nunca 
de cor de laranja 14. 

14. Azas anteriores na parte basal intensamente fer- 

rugineas amarelladas ; na cellula radial com 
mancha parda com reflexos azulados. A parte 
apical do clypeo, uma parte das orbitas, a 



194 Vespas da região neotropical 



margem antciior do poslsciitelhiiii, duas fachas 
longitudinaes do segmento mediano, e a mar- 
gem posterior do 1.° segmento dorsal, são 

amarellas . . 15. 

— . Azas sem esta coloração característica 16. 

15. Fachas amarellas do segmento mediano estreitas, 

divergentes em cima. Abdómen castanho aver- 
melhado. l3— I7mm. pacificus Fabr.- Co- 
lômbia, Guyana, Amazónia. Maranhão. 
— . Fachas amarellas do segmento mediano muito lar- 
gas, unidas em cima. Corpo, fora os desenhos 
amarellos, preto. 15 mm. actaeon Halid. — Rio 
de Janeiro. 

16. Aíesonoto quasi nú, com duas fachas longitudi- 

naes amarellas ; a margem posterior do pro- 
noto, o scHtelIuni, o postsciiUllum, duas fachas 
do segmento mediano, e as orlas posteriores 
dos segmentos abdominaes, são amarellos. Cor 
fundamental do corpo, preta. Azas quasi hya- 
linas, somente na margem anterior um pouco 
amarelladas. 14 — 16 mm. Assemelha-se á Po- 
lyhia liliacea: liliaciosus Sauss. — Amazónia. 
■ — . Mesonoto com forte tomento cinzento. Cor funda- 
mental do corpo, preta, ou o thorax e ás ve- 
zes até o abdómen em parte vermelho: somente 
nestas formas claras existem ás vezes linhas 
amarellas no mesonoto. Os desenhos amarellos 
do corpo são muito variáveis ; as azas quasi 
hyalinas ou bastante amarelladas. 12 — ló mm. 
cinerascens Sauss. — Guyana e Amazónia ate 
Uruguay e a Republica Argentina. 

17. Còr fundamental do corpo ferruginea clara, quasi 

alaranjada, com fracos desenhos mais escuros : 
abdómen, do 3.° segmento em deante, jDrcto 
e lustroso. Azas intensamente ferrugineas ama- 
relladas. 18 — 20 mm. Assemelha-sc á Polybia _ 
flavicans : analis Fabr. — Guyana; Amazónia. 
— . Abdómen todo ferrugineo e mate 18. 

18. Corpo de um amarello pardacento claro, com de- 



Vespas DA . REGIÃO neotropical 195 



senhos amarellcntos mais pallidos. Azas quási 
completamente h5'alinas. 17 — 18 mm. Asscmc- 
Iha-se em cór ao Polisies cannfex_: claripen- 
nis Ducke.^ Óbidos. 
— . Corpo de um ferrugineo pardacento bastante 
claro, sem desenhos amarellos. Azas, princi- 
palmente na margem anterior, de um ferrugi- 
neo pardacento, 18 — 19 mm. Assemclha-sc em 
còr , á Synoeca irina: synoecoides Ducke, n. 
sp.- — Alto Amazonas. 

Observações sobre as espécies de Polistes 

Dos três grupos, em que eu, nos meus trabalhos ante- 
riores, tinha dividido este difíicillimo género, só posso agora 
sustentar dois, porque entre o 2.0 e o 3. o ha as transi- 
ções nàais evidentes, e porque espécies de estreito parentesco, 
como por exemplo occipitalis e erythrogaster, teriam de ser 
collocadas cada uma em um grupo differente. — Os dois gru- 
pos naturaes dos Polistes da região neotropical são : 

1.0 grupo: A linha inferior das mesopleuras falta: a 
linha superior c sempre forte. 

P. carnifex Fabr. — Campos do Ariramba (Trombe- 
tas ). O ninho desta espécie tem o pedicello central, quando 
este nos ninhos de todas as outras espécies que conheço, é 
rigorosamente excêntrico. 

P. canadensis L. fferreri Sauss. ).^A forma, que 
predomina em Eelem do Pará. tem o vértice amarcUo : var 
amasonictis Schulz. 

P. goeldii Ducke. — Iquitos. .0 grande ninho figurado 
no IV volume deste Boletim, pag. 373, estampa 1, íig. ó b, 
devia ter tido, na extremidade superior, um curto pedicello, 
por meio do c[ual era fixado ao tronco da arvore. . Schnl-^ 
(Hymenopteren-Studien II, pag. 124 e 125) attribue as 
construcções desta espécie erroneamente á Synoeca snrinama! 

P. apicalis Sauss. — Devemos uma 9 > ^0 México, ao 
Snr. Da Biiysson. Xo meu ultimo trabalho referi a descrip- 
ção desta espécie erroneamente ao Mef^acaiilhopus ater. 

A este grupo referem-se ainda: P. fuscatus Fabr. (i\me- 



IQÓ Vespas da região neotropical 



rica do Norte ), instahilis Sauss. ( México ) e cavapyta Sauss. 
( Rep. Argentina ). 

2.0 grupo: A linha inferior das mesoplcuras existe; a 
linha superior é fraca ou falta. 

P. ruficornis Sauss. — A forma gcnuina é meridional, 
eu a colleccionci em Barbacena (JNIinas Geraes). A var. bi- 
glumoides Ducke, do littoral do Estado do Pará. distingue- 
se d'ella pela exiguidade das manchas vermelhas, e pela 
abundância dos desenhos amarellos. — Esta espécie habita 
os campos. 

P, subsericeus Sauss. -Campos do Ariramba (Trom- 
betas). — Também esta espécie encontra-se exclusivamente 
nos campos. 

P. analis Eabr. — Rio Javary. — Habita as mattas. 

P synoecoides Ducke, n. sp. — Brnnneo-fernigincus, 
alhido-scriccHs; antciuiarnni jiagello siípcrne loto nigrofusco ; 
vértice inter ocellos, et proiioti et mesonoti lateribus pleniiiiqiie 
nigrescentibiis ; segniejiti mediani fasciis duabiis obsoletissimis 
fiavescentibus ; alis ferruginescentibas, costa fusca. Clypeus mar- 
gine antico sat proiracto. Occipnt et têmpora postice jortiter ele- 
vato-marginata. Pronotnni margine antico valde elevaio. Meso- 
plenrae linea characteristica inferiore dislinctissima, línea supe- 
rior e solam in parte sat visibili. Segmoiínm medianuin modice 
obliquum, forliter tonientosuni, sine sculptura conspícua. Abdó- 
men ovale, segmento i.° latitudíne longiore. Q : Clypeus aequa- 
liter altas ac latas, çf : Clypeus latitudíne aliior; antennarum 
fíagellum longíus. — iS-i^ mm. Tejfé; Santo António do Içá; 
Iquitos. 

Esta espécie assemelha-se excessivamente á Synoeca 
írina Spin., com a qual concorda perfeitamente em còr. 
Ella é muito chegada ao Polistes clarípennis, porem não creio, 
que seja variação deste. Alem da còr differente, a orla ele- 
vada dos têmpora é no synoecoides menos alta, e o 1.° seg- 
mento abdominal é mais comprido do que no clarípennis. 

P. niger Brethes (deuteroleucus Ducke) — Brethes des- 
creve esta espécie com um ?, porem ella é certamente bem 
distincta de todas as outras. 

P. erythrogaster Ducke — Iquitos. 

P. bicolor Lep. — Esta espécie encontra-se no Estado 



Vespas da região neotropical 197 



do Pará somente com o abdómen bem vermelho ; em Teffé 
já se observam exemplares mais escuros, e em Iquitos (Peru), 
onde a presente espécie é frequentissima, existem todas as 
transições entre a forma genuina (com abdómen vermelho 
e azas claras) e a var. aterrimus Sauss., que tem o corpo 
inteiramente preto ( só o clypeo é mais ou menos amarello) 
e as azas muito escuras. Esta variação é também conhecida 
de Chiriqui ( Republica de Panamá ) ; Saussure descreveu-a 
do Amazonas, segundo um exemplar com o abdómen forte- 
mente compresso, quando este, na mor parte de indivíduos 
desta espécie, é largo e depresso no meio. embora agudo 
ao ápice. — O ninho de bicolor tem o pcdicello comprido e 
rigorosamente excêntrico. 

P. melanosoma Sauss. (rhodostoma Ducke, deceptor 
Schulz) — SchiÚÂ^ descreveu esta espécie de Suriname e do 
Estado do Espirito Santo e cita-a de Santa Catharina. 

P. aclaeon Haliday será talvez a forma meridional de 
pacificus Fabr. Elle é conhecido com certeza só do Rio de 
Janeiro, onde eu o colleccionei num exemplar exactamente 
parecido com a figura colorida de Saussure, e de onde é 
lambem citado por Fox. Se a variação com o scutellum todo 
amarello, descripta por Saussure, pertencerá realmente a esta 
espécie, parece-me duvidoso.— O ninho, que achei no Rio de 
Janeiro, era fixado a um espinho de palmeira, da mesma 
maneira como costuma fazer o pacificus. 

P. pacificus Fabr. — Também de Iquitos e de São 
Luiz do Maranhão. 

P. cinerascens Sauss. (geminatus Fox). — Espécie ex- 
cessivamente variável; as formas principaes são: 

a ) Corpo preto com abundantes desenhos amarellos, 

Margem anterior das azas ferruginea. cineras- 
cens s. str. — Amazónia até Uruguay e Republica 
Argentina ; 

b ) Corpo preto ; quasi só o thorax com desenhos 

amarellos. Margem anterior das azas preta. var. 
limai R. Ih. — Estado de São Paulo ; Paraguay : 

c ) Pelo menos o thorax em parte vermelho. Dese- 

nhos amarellos abundantes e muito variáveis. 



IQS Vespas da região NEOTRoncAL 



var. liliaceusculus Sauss. — Guyana, Belém, 

Baixo Amazonas. 
O P. geminatiis Fox é uma forma intermediaria entre 
o g-enuino cincracens e e a var. liliaceiíscnlus; porem mais 
chegado áquelle do que a esta; elle tem no l.o segmento 
dorsal muitas vezes as manchas lateraes, tão frequentes na 
var. liliaceuscidns. Os exemplares que citei de Tabatinga 
como variação escura de liliaceusciihis, pertencem á forma 
geniinatus, a qual aliás não merece possuir um nome espe- 
cial. — A var. limai é uma forma meridional ; possuimol-a do 
Estado de São Paulo, pelo coUega R. vou Ihering ; em Bar- 
bacena (Minas Gcracs) colleccionci exemplares de cincrascens. 
que constituem as mais evidentes transições á var. limai. — 
A forma do l.° segmento abdominal é bastante \'ariavel 
nesta espécie. - 

Belcm do Pará, l.*^ de agosto de IçjO/. 



•tj; 



Ninhos de Vespidas amazonicas. 



Estampa 1. 



ti Cl' ? 




1 a 




Ptiotolypia Ditisheim, Basilea. 



Pho!. P. Le Colnte (Obido=) 



Polybia myrmecophila e Synoeca irina 



Ninhos de Vesfia 




2. a 





Phototypia Ditisheim, Basilea. 



Protopolybia rufiventris (Fig. 2 a, 2 b), Mischocyttarus labiatus 



)as amazomcas. 



Estampa 2. 




Phot, Rodolpho Siqueira. 



g. 3), Megacanthopus goeldii (Fig. 4), Tatua tatua (Fig. 5 a, 5 b). 



Vespas da região neotropical IQQ 

Explicação das estampas 



Estampa I, fig". 1. a, b. Ninhos de Polybia pallidipes Oliv. 

{myniiecophila Duckc) e Synoeca irina 

Spin. Veja-se: Boletim do Museu 

Gocldi. vol. IV, pag-s. 672, Ó73, 084- 

Estampa II, flg. 2. a, b. Ninhos de Prolopolybia emortnalis 

Sauss. {rufiventris Ducke). 4/5 do 
tamanho natural. Veja-se: Boletim do 
Museu Goeldi vol. IV, pag. 673, 674- 

» » fig". 3. Ninho de MischocyUams labiatus 

Fabr., tamanho natural. — Barcellos 

('RkT Negro ) 

•» » » 4. Ninho de Megacanihopns goeldii 

Ducke, tamanho natural. — Barcellos. 

» » » 5. a, b. Ninho de Tatua falua Cuv., 2/3 

do tamanho natural.— Barcellos. 

» III, » 6. Ninho de Nectarina scutcUaris 

Fabr., tamanho natural.— Do Rio 
de Janeiro. 

» » » 7. Ninho ainda novo de Synoecoidcs 

depressa Ducke, 2/3 do tamanho 
natural. — Teffc. 

» » » 8. Ninho de Monacaníhocncmis hnys- 

soni Ducke, tam. nat.— Rio de Ja- 
neiro. 

.> » » 9. Ninho de Megacanthopus puncta- 

tus Ducke, 1/2 do tamanho natural. 

— Do Rio Cuminá-mirim (Trombetas). 



200 Aspectos da natureza do Brazil 

VI 

Aspectos da natureza do Brazil 

Pelo Prof. Dr. EMÍLIO A. GOELDI 



(Extrahido do livro do Centenário do Descobrimento do Brazil. Volume 
Rio de Janeiro— 1900, pag. 48-56) 



Da grande pêra sul-americana — situada entre 12o lat. 
N. e 55 lat. S. e que se extcnde mais do que qualquer ou- 
tro continente pela região antárctica, ao mesmo tempo pos- 
suindo a prerogativa physiographica de ser a parte do 
mundo que maior desenvolvimento de superfície ostenta na 
zona trópica e sub-tropica do hemispherio meridional, — o 
Brazil, exteriormente marginado pelo oceano Atlântico, oc- 
cupa cerca de 1/3 em circumferencia e perto de metade em 
superfície. E' a porção maior da Sul-America cisandina. E, 
como lhe cabe a primazia territorial no enorme terraço 
triangular, cuja hypothenusa, na cordilheira dos Andes, em 
sobranceiro peitoril se insurge contra o oceano Pacifíco, 
comprehensivel se torna que a biogeographia moderna creando 
o reino neo-tropico, tinha de reservar assignalado papel a 
esta gigantesca parcella, que a sciencia conhece pelo nome 
de sub-região brasílica. 

Com a sua enorme extensão territorial, tanto no sentido 
da latitude como no da longitude geographica, com a diver- 
sidade orographica (orla baixa da restinga littoranea, serras 
costeiras, planaltos e chapadas do sertão, etc. ); com as dif- 
ferenças climáticas, que necessariamente se devem fazer sen- 
tir quer em relação á elevação vertical e á maior ou me- 



Aspectos da natureza do Brazil 201 



nor proximidade da costa ( clima oceânico e clima conti- 
nental); e finalmente até com a diversidade da origem e 
idade geológica, que com crescente probabilidade devemos 
presumir para differentes partes no Brazil actual,— comprc- 
hendc-se logo também, por outro lado, que esta « sub-região 
brasílica » constitue, nas producções da natureza, um verda- 
deiro Protheu, incomparavelmente mais complexo do que as 
porções restantes do reino neotropico. quer salteadamente, 
cada uma por si, quer no seu conjuncto. 

Hoje, ao despontar do século XX, pode-se dizer que o 
caracter essencial da fauna e da flora da sub-região brasílica 
já se deixa satisfactoriamente delinear, pelo menos nos seus 
contornos gci"acs e extci-iores. A sciencia poderá na maioria 
dos casos informar si esta planta, aquelle animal é andino, 
guayanense, argentino, ou si pertence á nossa sub-região. 
Mas não podemos dizer a mesma cousa quanto ao estado 
dos conhecimentos relativos á exacta distribuição interior. 
Ainda não passa da phase embryonaria todo o nosso saber 
hodierno acerca do problema : Como sub-dividir a nossa 
sub-região ? Eis a tarefa do novo século. 

Três modalidades distinctas offerece o aspecto physio- 
nomico do extensíssimo littoral do Brazil, ao visitante que 
tiver occasião de percorrel-o pelo lado do mar, desde o 
extremo Sul até o longínquo Norte. 

Desde o Rio Grande do Sul até a Bahia mais ou me- 
nos notará que a terra firme se descortina em animado 
quadro de montanhas e morros, de differente altura e varia- 
das formas, embora a do cone mais ou menos estirado seja 
o feitio predilecto. Acha a sua expressão typica sobretudo 
no trecho entre Rio de Janeiro e Espirito Santo, Devido á 
sua côr roxeada, tincta neutra, estes mammillos graníticos 
á distancia de algumas milhas assumem certo ar sombrio, 
grave, quasi oppressor por assim dizer : o navegante, ao 
passar, por exemplo, pelo cabo Frio, não conseguirá facil- 
mente libertar-se d'esta impressão. N'este sentido ha um que 
de parecido com a physionomia de certos grupos de ilhas, 
solteiras, no vasto oceano ( Canafias, Cabo verde ). 

Mas, ao passo que n'estas ultimas, ao approximarem-se. 
com o seu colorido de sépia retincta, tão característica dos 



202 Aspectos da natureza do Brazil 



funis vulcânicos e plutonicos, o sentimento tende a augmen- 
tar, — reconcilia e anima o aspecto das serranias do littoral 
do Brazil meridional vistas de perto. Viçosa e exuberante 
vegetação arbórea envolve com sympathico tapete de um 
verde sadio e benéfico o cimo, bem como aquelles lados do 
manto, que não se precipitam com face por demais escar- 
pada e Íngreme ás profundezas sub-marinas. D'entre as ar- 
vores dicotyledones são diversas Canellas que em certa pre- 
dilecção escolhem certas culminancias, e diversas elegantes 
Palmeiras regularmente porfiam também por um logar nes- 
tes elevados miradouros. Mas mesmo nos paredões quasi 
verticaes o olhar difficilmente percebe ainda fenda, greta, 
saliência, onde não se postasse, com audaz galhardia, pelo 
menos algum ramalhete de Bromelias ou de Orchideas. 
N'isto vae um palpável contraste com o caracter physiono- 
mico das supra-mencionadas ilhas vulcânicas, que com al- 
gumas parcas Gramineas. Cactos. Tamariscos arbustivos, 
etc, em vão luctam para entremear com algum salpico verde 
a monotonia e a nudez de sua roupagem tórrida. 

Da Bahia para o Norte muda o aspecto do littoral. 
Primeiramente alternando ainda, a pequenos trechos, com 
paredões pouco elevados de barro vermelho, mais a mais 
chegam a absoluto e incondicional predomínio as alvas praias 
arenosas, c|ue em interminável orla cingem a costa dos es- 
tados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do 
Norte, não somente até o cabo de S. Roque, como ao longo 
do Ceará e do Maranhão; não perdem este predominio. si- 
não, por assim dizer, no próprio porto da capital do ultimo 
estado.' E' o feudo secular da areia movediça, assumindo 
aqui a forma de praias extensas, planas e rasas, acolá a de 
dunas, com ora mais ora menos elevadas coUinas. Monótona, 
melancholica é a impressão causada por esta paizagem, campo 
de batalha, onde contra o regimen eólico trava uma pobre 
•c opprimida vegetação herbácea e arbustiva bem desigual 
combate de existência. São principalmente algumas Convol- 
vulaceas rasteiras nas praias e alguns Muricys (Byrsonima) 
arbustivos no tope das dunas, que com particular tenacidade 
sustentam a acerba contenda, de succcsso variável conforme 
as locafidades e as estações do anno. Ao lado d'esta vege- 



ASPECTOS-DA NATUREZA DO BraZIL 203 



tacão espontânea nota-se, por intervallos,. efficaz intervenção 
humana, que com palmares, ora mais, ora menos extensos, 
de coqueiros da. India„ veio dar a : esrta parte da, costa, um 
aspecto, que ella não pôde ter. adquirido sinão desde tempos 
históricos ( no restricto sentido- ?,do.:'íermo relativo á historia 
do Brazii \. ,■:?' : 

Do 3\laranhão ao extremo Norte do Brazii occorre â 
terceira modalidade physionfimica. a malta littoranea adap- 
tada á influencia, das mares. O navegador parece estai- pre- 
senceando o espectáculo de uma Fafa Maigana. -quando 
desta costa vê emergindo nf) horizonte umas copas despre- 
gadas; primeiramente, ganhando: successivamente e aos pou- 
cos;' seu: .'tronco^ cada uma.- reunind(..-se finalmente em com- 
pacto e ininterrupto debrum florestal, qUe directamente do 
mar surge e periodicamente é inundado ainda pelas ondas 
salsas. Na composição desta .vegetação entram com indubi- 
tável prepotência o Mangal (formado pela Rhizophora ) e 
o Siriubai ( formado pela Avicennia ) — arvores, que, sem 
serem dotadas de excepcionaes encantos paizagistas ( falta- 
Ihes para isto copa sufficientemente compacta e densa), in- 
comparavelmente agradam mais do que.. a severa monotonia 
das dunas arenosas, cuja alvura nívea acaba por maj-tyrisar 
os olhos^. quando banhadas profusamente .pela intensa luz 
do... sol tropical. Esta matta do littoral baixo, que tanto con- 
trasta .coTii .0: caracter physionomico das duas outras ca- 
tegorias descriptas e sitas mais para o Sul,, permanece typica 
alémj.da .foz^jdo jAm.azonas, por toda a Guayana, até o Oya- 
pock. . ::^ ^ :, . ...,_•• ->:•,- 

Com^ enscenação muito • diversa surprehende-nos. a natu- 
reza, si: a. viagem de exploração for dirigida em outro sen- 
tido, no ' ido littoral para o interior, rumo E— O. Em simi- 
Ihante-^commettimento . submettemo-nos primeiramente- .ao ef- 
feitQ de uma mudança assaz, considerável e abrupta de ele- 
vação vertical; com as- linhas férreas ..^modernas temos occa- 
sião.:?de trocar, em rápida successão de horas somente, a 
baixada quente, o tórrido recôncavo, pela aragem fresca de 
alturas subalpinas, tendo vencido uma differença de nivel 
de 1.000 metros a mais. 

Claro 'é que o aspecto da natureza não será de todo 



204 Aspectos da natureza do Brazil 



o mesmo, se effectuarmos a viagem na altura do Rio de 
Janeiro, ou na da Bahia, ou na do Ceará, mudando e subs- 
tituindo-se os elementos constituintes, conforme a latitude ; 
mas não deixa de ser notável que o effeito total varia rela- 
tivamente pouco. Na bc}.ixada quente, na restinga, lá onde 
ella fôr enxuta, arenosa, dão manifestos signaes de bem-estar 
vegetaes como o Cajueiro, a Goyabeira, a Pitangueira, diver- 
sos Cactus de exquisita forma ; nos brejos dominam os Coc- 
colobâs, o Piry ( Papyrus ), as Heliconias, de aromáticas 
flores alvinitentes, ao lado dos Chrysodium, com o seu pó 
de ouro na pagina inferior das frondes. 

Luxuosa deveras é a vegetação em ambas as fraldas 
da serrania que a variável distancia no interior corre paral- 
lelamente ao contorno maritimo. Pertence ao mais bello que 
a natureza produz no território do Brazil. 

Garridas Embaúbas, de folhas prateadas, muitas Melas- 
tomaceas de variegadas flores, muitas graciosas Palmeiras, 
grandes umas, anãs outras, esbeltos Fetos arbóreos desta- 
cam-se por sua frequência, formas c bcUeza no complicado 
conjuncto vegetal, estuante aqui de um viço e vigor indo- 
mável, o qual no mesmo gráo somente se observa na matta 
marginal dos grandes rios, attingindo o seu pino de intensi- 
dade na Hylaea frondosa do valle amazonico : aqui como lá 
ininterrupta, febril borbota a faina de producção, sobre tudo 
de folhas, perenne bachanal de força creatriz num torrão 
visivelmente previlegiado. 

Menos rico de pittorescos contrastes, de agradáveis 
surprezas e attrahentes pontos de descanso para a vista é 
o aspecto geral da natureza do sertão, do vasto planalto do 
Brazil central : extensas áreas, com a pouca ou nenhuma 
movimentação de nivel, cobertas de Gramíneas rijas e pa- 
Ihentas, aqui baixas e parcamente revestindo a crosta ter- 
restre, lá elcvando-se á altura de embaraçar a orientação 
ao viajante a cavallo, alternando com ilhas de um matto 
ralo, baixo, de vegetaes arbustivos ou de meão tamanho. 
Extranha impressão causam nos cerrados os galhos tortos, 
os troncos oblíquos e curtos, as folhas, por via de regra, 
grandes e coriaceas, alem da roupagem espinhenta ou lanu- 
ginosa das associações das caracteristicas formas vegetaes. 



Aspectos da natureza do Brazil 205 



Sem difficuldade reconheceremos aqui um apparelho protec- 
tor contra as excentricidades do clima continental, acolá 
medida de precaução contra as investidas dos animaes her- 
bívoros, que á procura de abrigo e sombra não podem dei- 
xar de frequentar assiduamente taes capões de matto. 

Esboçados assim, em traço corrido, contornos geraes e 
cor de fundo daquillo que ha de fixo e immutavel na gran- 
diosa teia da natureza brasilea. e alinhavada a moldura ve- 
getal, resta-nos estudar a correlação com as manifestações 
da vida animal. 

Na composição da fauna da cinta littoranea, compre- 
hendida entre beira-mar e o pé das serras costeiras, entram 
diversos contingentes. Tudo que é producto do mar propria- 
mente dito tem o cunho para a qual o qualificativo de « sul- 
atlantico» é talvez o que melf\pr convém, por caracterisar 
com satisfactoria precisão não só a feição geographica. como 
também os laços de parentesco phylogenetico. Basta apontar, 
por exemplo, entre os Invertebrados os MoUuscos. entre os 
Vertebrados para os Peixes (fallando se. bem entendido, só 
das espécies maritimas). 

Outro contingente, assaz nitidamente circumscripto. c 
fornecido pela Ornis littoral. onde entre as Aves aquáticas 
existe pronunciado pan-americanismo. Da família dos Pei- 
naltos, por exemplo, ha grupos inteiros, como o que o povo 
aqui costuma designar, sub o termo, infelizmente por demais 
vago, de Massaricos, que os naturalistas do Canadá, dos 
Estados-Unidos podem citar com egual direito como perten- 
centes á fauna dos respectivos paizes. Diversas Marrecas 
habitam egualmente as Antilhas. Gaivotas, Fragatas, Ando- 
rinhas do mar teem uma distribuição ás vezes incrivelmente 
vasta. No mundo alado dão-se ainda hoje periódicas migra- 
ções entre Norte e Sul do continente americano, quer do 
lado do Pacifico, quer do Atlântico, migrações cuja existên- 
cia, na verdade, só será percebida pelo naturalista profissio- 
nal e cuja origem mysteriosa jáz no passado remoto de 
períodos geológicos anteriores. Este instincto migratório existe 
tanto no pequeno peito do rutilante Beija-flor. como no do 
reforçado Gavião. 

Deduzidos estes dous contingentes, ainda o resto da 



20Ó Aspectos da natureza do Brazil- 



fauna do littoral não constituo conjuncto de todo homogcnco. 
Olhando de mais [)ei-.to. não tardaremos a reconhecer hospedes 
das serras costeiras em villegiatura, por um lado, visitantes 
do sei tão central, e da zona dos campos, por outro. Dimi- 
nuta iclati^^amente é a fauna endémica e autochtone da bai- 
xada littoraneà, e com difíiculdade acharíamos uma única 
forma animal .mais vistosa e geralmente conhecida, que esti- 
vesse plenamente neste caso. 

Quando muito poderiamos citar certo numero de Aves 
e alguns Reptis, sem excepção abaixo de meio tamanho. 

Um facto digno de, nota é que. tanto entre os Verte- 
biados como entre os Invertebrados. ,a natureza produziu 
formas particularmente adaptadas' ao ambiente; ha Aves, 
Crustáceos. In-ectos e Aiachnides. cujo colorido concorda 
de tal iBpdo' com a aic ia, (|ue em p(jsição de repouso- não 
sei á fácil descobiil-os. i 

Sendo c(»m|^o>ta de sel\'icolas. mais ou menos severos 
e obáervantcsv a maioria -vdos i\Iammifcros, Aves e Reptis 
caraetcristicos "do Drazil. :tomprehende-se que na zona das 
matlas. tanto das serras costeiras como das margens fluviaes, 
é onde acharemos conden.-ada a parte mais expressiva do 
conjunto faunistico do paiz. Coincide, portanto, n'uma e 
mesma zona \isiv.elmente o óptimo de condições exteriores 
de existeqcia i\o reino vegetal corn e óptimo animal'. Entre 
osMammiferos são òs Macacos, os Carnivoros, os Roedores 
c bs i>idelphos ( Saruès t aquelles aos quaes a vida no matto 
apraz melhor do que qualquer outra. Das 10 ordens, de 
que se compõe a aviaria brasilica, são nada menos do que 
7 os que devemos qualificar como partidários do mesmo 
modo: de vida. E no mundo dos Invertebrados vemos que 
não se coifnportam de outra maneira os grupos moradores 
de terra firme. JNa solitária vereda da floresta teremos a 
maior probabilidade de : encontrar as Ithomias, delicadas e 
hvalinas, us Heliconios, de, \'ariegados desenhos de. preto, 
amarello e- ■encarnado, os esplendidos JMorpho e Caligo, gi- 
gantescas 'Borboletas diurnas, que em gravibundo rythmo 
ostentam o brilho sedoso das. suas azas celestes. 

Interminável a serie de typos que offerece a passarada 
moradora da matta. Si ao Brazil cabe incontestavelmente a 



Aspectos da. katureza do Brazil. 207 



palma na riqueza o]-nithologica. alojando por si só perto de 
l/ó de todas as espécies de Aves do globo — nenhuma outra 
parte da terra, nenhum outro. paiz apresenta egual algarismo 
— é a zona da matta. sobretudo, que constitue o genuino 
viveiro de similhante thesouro. Com tudo desta incompai"a- 
vel avifauna são talvez sufficientes três typos para determi- 
nar o caracteristico essencial : a senhoril Arara, o giotesco 
Tucano e o mimoso e petulante Beija-flór. 

Nada menos do que 20 famílias de x\ves brasílicas :re-. 
vestem aquella roupagem sumptuosa, que se chama a «grande 
gala tropical». Certa medida avantajada de luz e calor fa- 
vorece a apparição de cores vivas, e assim vemos reservado, 
saliente papel á aviaria indígena na arena, onde todas as 
regiões tropicaes do globo debatem a primazia da belleza e 
opulência para as suas producções Circumstancia digna de 
attenção para o amigo :da natureza c a predilecção com 
que a côr verde reincide dominante em certas famílias de 
Aves : basta apontar, por exemplo, para a dos Papagaios. 

Entretanto não se tardará em reconhecer a vantagem 
auferida por similhante roupagem protectora no meio de um 
mar de coJDas frondosas da mesma cor. 

E eis-nos outra vez na pista do mysterioso nexo causal 
entre o reino vegetal e o reino animal ! A tendência da ve- 
getação para crescimento e desenvolvimento arbóreo não 
podia deixar de imprimir também cunho peculiar á fauna a 
ella ligada por identidade de interesses. E, de facto, só por 
este prisma podemos comprchender o costume de trepadoi%' 
habito tão frequente entre Mammiferos e Aves do Brazil, 
observado até em grupos e famílias, cujos antepassados evi- 
dentemente eram feitos para a vida no chão. 

Significativos exemplos constituem entre os primeiros 
certamente as Preguiças, os dous Tamanduás menores, os 
Sarués e Cuícas. Nenhum dos Simios neotropicos se dicidc 
a abandonar sua arbórea vivenda, sinão por momentos, por 
necessidade e ainda assim pródigo de receio e com amplas 
medidas de precaução. Curioso exemplo entre as Aves for- 
ma, na ordem dos Passeres, a familia dos Eormicaiidcs. da 
qual um ramo considerável se desenvolve em sentido paral- 
lelo com a família dos Picapáos legítimos. 



208 Aspectos da natureza do Brazil 



Mais pallida em colorido c fraca em força numérica é 
a fauna do sertão. Sumptuoso uniforme de gala nos descam- 
pados não seria desejável nem proveitoso. Para os animaes 
sertanejos c de mais vantagem sua roupagem branco-amarel- 
lada e monótona, que no meio do capim se conserva neutra 
entre a còr do solo e o colorido da maccga torrada pelo sol. 

Si por um lado, no littoral. c apparelho útil a aza 
comprida, apropriada ao vóo persistente, e por outro lado 
o pé trppador para o morador da matta, — torna-se precioso 
dote para formas animaes que vivem correndo pelo solo uma 
perna comprida e capaz de corresponder a fortes exigências. 
Ahi estão para attestal-o a Seriema, de alto cothurno, e a 
gigantesca Ema, Avestruz sul-americana. 

O propiio Lobo brasileiro ( Chrysocyon jubatus) mu- 
niu-se, além de umas orelhas g-randes, a modo de Chacal do 
deserto, de longas pernas e feitio de (íalgo. 

Km grandes iNíammiferos terrestres o Brazil actual 
poucos pôde apresentar : a Onça ]:)intada entre os carnívoros, 
a Anta entre os 1'ngulados, o Veado galheiro entre os Ru- 
minantes, a Capivara entre os Roedores, o Tamanduá-ban- 
deira entre os Desdentados. Producto anthochtone do solo 
sul-ameiicano parece unicamente o typo dos Desdentados 
(c talvez ainda o dos Roedores), que em precedentes epo- 
chas geológicas extranho florescimento assumiu. Dos typos 
supeiiores. porém, nenhum tomou aqui a sua origem ; o 
matciial ]3ara os hodiernos representantes provém de diver- 
sas infiltrações, via x\merica do Norte e pontes continentaes 
hoje sobreaguadas. Os mais valiosos animaes domésticos 
como o Boi e o Cavallo. embora achassem condições noto- 
riamente favoráveis em grande parte da Sul-America, não 
datam sinão da invasão européa. A Sul-America durante os 
quatro séculos decorridos contribuiu com um único producto 
seu para o inventario internacional dos animaes domésticos: o 
Pato ( Cairina moschata ) que na sua Índole semi-bravia ainda 
deixa perceber uma domesticação não consumada de todo. 

Concluindo, diremos de passagem que para a sciencia 
não paira hoje mais a menor duvida de que o berço do género 
humano não deve ser procurado em território americano. 



As ESrECIES A.MAZOXIC.AS DO GEXERO VlTEX 209 

As espécies amazonicas do género 

VITEX 

pelo Dr. J, HUBER, director do Museu 

(COM 4 ESTAMPAS) 



O género Fitex, da família das Verbcnaceas, conta 
actualmente mais de 100 espécies, distribuídas principalmente 
pelas regiões tropicaes do mundo inteiro, entiando só pou- 
cas espécies na zona temperada de ambos os hemíspherios. 
Na região amazonica conheciam-se ate aqui só duas espé- 
cies, Vitex triflora Vahl e Fiíex cyniosa Bcrt., indicadas na 
« Flora brasiliensis » a primeira de Belém, jManáos, Teffé e 
Peru cisandino, a segunda de Belém. A estas espécies jun- 
tam-se agora, segundo os materiaes do Herbario Amazomco 
do Museu Goeldi, mais quatro espécies, das quaes duas 
fF. orinocensis H. B. K. e F. flavens H. B. K. ) já estavam, 
embora insufficientemente conhecidas, emquanto que duas 
( F. Dnckei Hub. e F. odorala Hub. ). se mostraram ser no- 
vas para a sciencia. O numero das espécies amazonicas íica 
assim triplicado. 

A denominação vulgar das espécies amazonicas de 
Filex é « taruman » ou « tarumá », sendo as diversas espé- 
cies di.:,tinguidas cm parle por nomes específicos, como « ta- 
ruman tuira » (F. flavens J, « taruman frondoso » fF. orino- 
censis var. ainaionicaj « tarumnn do campo » fF. DuckeiJ, 
podcndo-se dar nomes análogos ás espécies restantes que 
ainda não receberam nomes vulgares que as distingam das 
suas congéneres, como por exemplíj : « taruman silvestic » 
fF. triflora J, « taruman do alagado » f F. cyniosa J e « taru- 
man cheiroso » fF. odorata). 

As espécies amazonicas de Fitex são arbustos ou arvo- 
res pequenas ou medíocre,, excedendo laramente 10 meti"os 
de altura. Só o taruman frondoso fF. orinocensis var. anui- 
::^ica Hub. ) é uma arvore bastante desenvolvida, sobresa- 



210 As ESPÉCIES AMAZOXICAS DO GÉNERO VlTEX 



hindo com a sua copa em forma de cupola larga por cima 
das outras arvores dos tesos na contraçosta da ilha de Ma- 
rajó, única região onde elle até aqui foi encontrado. 

O taruman tuira f F. flavens H. B. K.) é uma espécie 
de porte mais modesto, porem também arborescente, sendo 
uma arvore commum nos tesos e campos altos do Marajó 
central e do baixo Amazonas. As outras espécies são ar- 
bustivas, attingindo geralmente de 2 a 4 metros de altura. 
A mais pecjuena é o taruman do campo ( Vitex Diickci Hub. ) 
dos campos de Faro. que segundo o seu descobridor, Sr. 
Adolpho Ducke, não excede de 1,5 m. de altura. 

As folhas das espécies de Vitex são oppostas e geral- 
mente com.postas de 3 a 5 ( raramente 1 ou 7 ) foliolos mais 
ou menos ellipticos ou obovaes, que no ápice do peciolo 
são sesseis ou brevemente pecioluladas. O numero dos fo- 
liolos não é sempre constante n'uma espécie, mesmo nos ga- 
lhos floridos, encontrando-se por exemplo na V. orinocciísís var. 
aiiia:;^onica folhas de l a 5 foliolos. Estes são geralmente inteiros 
na margem, membranaceos fF. Irijiora var. tcniiifoJia e var. 
aiigustiíoba, F. orinocensis), ou mais ou menos coriaceos 
(F. irijiora var. coriacca. F. Ducl:ei, F. cymosa, F. flavens), 
quasi completamente glabros (F. orinocensis, F. Diickei) ou 
cobertos d'uma pubescencia fraca, só apparente nas folhas 
novas, (F. triflora div. var.), ou mais densa e cinzenta, 
principalmente na face inferior fF. odoraia, F. cymosa). Na 
F. flavens ( taruman tuira ) as folhas quando novas são co- 
bertas d'um velludo espesso de cabellos pardo-amarellados. 

Diversas espécies amazonicas de Fitex costumam per- 
der, em certas épocas do anno. as folhas e ficar desfolhadas 
durante algum tempo. Assim acontece por exemplo com o 
taruman frondoso do nosso horto botânico, que depois de 
perder, no fim do verão (novembro ou dezembro) todas as 
suas folhas, cobre-se logo de nova folhagem d'um verde 
viçoso, apparecendo depois as suas flores d 'um azul claro 
no meio d'esta folhagem. 

Na F. cymosa e na F. flavens as flores apparecem 
mesmo antes das folhas, de forma que os espécimens col- 
leccionados durante a florescência tèm geralmente as folhas 
ainda não completamente desenvolvidas. A F. odoraia parece 



As ESPECIIiS A.MAZOXIC.VS DO GEXERU VlTEX 211 



occupar sob este ponto de vista uma posição inteimediaria 
entre os dois grupos.^ 

As flores das nossas espécies de Fiiex são grupadas 
em cymas axillares pedunculadas, as vezes distinctamente 
corymbiformes fV. odorata) ou compactas e quasi capituli- 
formes (V. flavens), com bractcas geralmente pequenas e 
estreitas e mais ou menos caducas. 

As flores situadas nas bifurcações das cvmas são bre- 
vemente pedicelladas. A forma do cálice c d'uma importân- 
cia bastante grande para a distincção dos gi"upos e das es- 
pécies. Na maioria das espécies o cálice é curto, em forma 
de campainha, com 5 dentinhos diminutos (V. orinocensis, 
V. DnckeiJ ou lóbulos semiorbiculares fF. odorata) ou ovaes 
triangulares fF. cyiiiosa, V. jiavens); só na V. triflora o 
cálice é tubuloso e pi^íjfundamente di\'idido em 5 lóbulos 
geralmente quasi iguaes entre si mas de desenvolvimento 
desigual segundo as variedades e ás vezes mesmo segundo 
os individues. Assim os lóbulos do cálice são largos e mui- 
tas vezes mais ou menos petaloideos nas variedades ieiiiii- 
folia e floribnnda d'aquella espécie, emquanto que nas outras 
variedades elles são mais estreitos e sempre verdes. A forma 
da corolla é pouco variada : o tub'j é geralmente curto, um 
pouco alargado na parte superior, os lóbulos superiores e 
lateraes são ovaes ou obovaes emquanto que o lóbulo infe- 
rior mediano é grande e orbicular, barbado na parte basi- 
lar estreitada. Só na V. triflora o tubo da corolla é muito 
comprido, excedendo em comprimento o lábio inferior. A cór 
da corolla é geralmente de um azul claro ou quasi lilaz, 
raras vezes (V. triflora) mais escuro. 

Os estames, o estylete e o ovário tèm a forma habi- 
tual no género. O fructo é uma pequena drupa globular ou 
obovoide com um caroço quadrilocular e um pericarpio 
succulento mas insípido, coberto d'um epicarpio felpudo e 
amarellado (V. flavens, V. triflora) ou glabro e preto (V. 
orinocensis var. ama^onica, V. cymosa). De F. Diickci c F. 
odorata ainda não se conhecem os fructos. 

Quanto á distribuição geographica, parece que de to- 
das as espécies amazonicas do género Fitex a F. cymosa 
tem a distribuição mais vasta Esta espécie é conhecida do 



212 As ESPÉCIES AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 



Paraguay, do Brasil central e da Bolívia e ella extcndc-se 
por toda a Amazónia e ao N. até Santa Martha na Columbia. 
A V. triflora, cuja dispersão também c grande, cresce por toda 
a planície amazonica e nas Guianas. A F. orinocensis é co- 
nhecida em três variedades, colleccionadas em pontos bas- 
tante afastados entre si, mas pertencendo todos á parte 
septentrional da região amazonico-guyaneza. V. flaveiis eia 
até aqui indicada com duvida, do Peru, mas é provável que 
ella seja limitada á margem septentrional do baixo Amazo- 
nas e á ilha de Marajó. F. Diickã e V. odorata são da 
mesma região, mas a primeira até aqui só é conhecida dos 
campos de Faro, a segunda só de Chaves (Marajó). 

Chave analytica das espécies amazonicas do 
Género Vitex 

I 

Cálice alongado profundamente 5-íido, com divi- 
sões triangulares lanceoladas, tubo da corolla muito 
mais comprido do que o lábio inferior. 

Folhas tiifolioladas mcmbranaceas ou coriaccas 
glabras ou pilosas. V. triflora Vahl. 

II 

Cálice curto, nem 5-íido nem mesmo dividido em 
lóbulos distinctos, apenas brevemente denticulado, tubo 
da corolla mais curto que o lábio inferior. Folhas ge- 
ralmente 3-folioladas, glabras. 

1 ) folhas de 1- a 5-folioladas, foliolos muito- desi- 

guaes, acuminados no apíce; pedúnculos das 
inflorescencias mais compridos que os pecio- 
los. Arvore. V. orinocensis H.B.K. 

2 ) folhas sempre 3-folioladas, foliolos quasi iguaes, 

arredondados ou emarginados no ápice, sub- 
coriaccas, glabras. Pedúnculos das inflores- 
cencias mais curtos que os peciolos. Arbusto 
pequeno de 1 — l,5m. V. Duckei Hub. 



As ESPÉCIES AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 2l3 



III 

Cálice curto, dividido até I/4 ou 1/3 em lóbulos 
semiorbiculares ou ovaes, tubo da coroUa geralmente 
mais curto que o lábio inferior. Folhas geralmente 
5-folioladas pubescentes ou avelludadas. 

A. Foliolos lanceolados (a maior largura no meio), 

attenuados nas duas extremidades e distin- 
ctamente peciolulados. V. cymosa Bert. 

B. Foliolos obovaes ( a maior largura acima do 

meio) cuneiformes na base, sesseis. 

1 ) Tomento pouco desenvolvido cinzento-amarel- 

lado, inflorescencias bastante extensas co- 
rymbiformes. V. odorata Hub. 

2 ) Tomento fortemente desenvolvido amarellado, 

inflorescencias compactas capituliformes. 

V. flavens H.B.K. 



^ Vitex triflora Vahl in Eclogae americanae II p. 49 ( 1798) 
« Taruman silvestre ». 

Ramulis gemmis pedunculis ferrugineo-tomen- 
tosis subhirsutisve, foliis petiolatis trifoliatis, foliolis 
obovato-oblongis ellipticisve in acumen obtusum 
coarctatis vel rotundatis cuspidatisve base cuncata 
vel acuminata subsessilibus integerrimis membra- 
naceis penninerviis glabris vel pubescentibus subtus 
subpallidioribus reti strigilloso-pubescente, cymis 
axillaribus semel bisve terve bifidis pedúnculo pe- 
tiolum vulgo subaequante calyce tubuloso-infun- 
dibuliformi 5-fido laciniis foliaceis lanceolatis paten- 
tibus, coroUa tubo cylindrico calycem subduplo 
excedente. Fructu maturo obovoideo-oblongo (1.8 
cm alto) ochraceo-tomentello. C^) 



(*) Para as espécies já conhecidas, adoptei em geial o theor das 
descripções contidas na monoiíraphia das Verbenaceas por Schauer, no 
« Prodromus » de DeCandoUe ( Vol. XII), limitando-me a's correcções e 
addições estrictamente necessárias. 



214 As EM'ECir-S AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 



Arca gco^T. : Guiana, Amazónia. 

A V. trifiora c uma cspccic que ao primeiro golpe 
de vista se distingue das outras espécies pelo seu cá- 
lice tubular dividido mais ou menos até á metade em 
lóbulos triangulares ou lanceolados. E' por isso que 
ella foi collocada, junto com a V. polygama Cham., 
que também tem os dentes do cálice bastante desen- 
volvidos. n"uma secção especial fPyrostotiiaJ do gé- 
nero. 

E' uma espécie arbustiva das mattas e capueiras, 
ás vezes também dos campos, com folhas geralmente 
trifolioladas quasi glabras. com flores azues arranjadas 
em cymas axillares mais ou menos ricas e com fructos 
cobertos de uma pelle amarellada. 

D'esta espécie temos uma grande serie de espé- 
cimens, provenientes principalmente da região costeira 
e do baixo Amazonas. Vê-se por esta serie, que a 
V. trifiora c bastante polymorpha. ao ponto que em 
possessão de materiaes menos completos, facilmente 
poder-se-ia crer á existência de diversas espécies bem 
distinctas. E isto que se deu commigo, até que pela 
comparação de materiaes sempre mais completos che- 
guei á convicção que se é possivel differenciar diversos 
typos bem caracterisados, muitas vezes c difticil attri- 
buir tal ou qual espécimen a um dos typos já distin- 
guidos. Por isso limita r-me-hei de enumerar as princi- 
paes formas observadas classiíicando-as provisoriamente 
sob a cathegoria de variedades. 
var. lemiifolia : foliis tenuiter membranaceis glabris subtus 

nitentibus inflorescentiis vulgo 3 ad 5-floris. calycc 

breviter infundibuliformi cylindrico saepissime ae- 

qualiter 5-lobo, lobis vulgo tubo íequilongis late 

triangularibus nervosis. 

Esta variedade que melhor corresponde aos espé- 
cimens guianenses, parece ser principalmeiíte represen- 
tado na margem esquerda do Amazonas, donde rece- 
bemos muitos espécimens, todos coUcccionados pelo 
Snr. Adolpho Ducke. 
Campos de Villa-Nova do Anauera-pucú. XI IQOO 



As ESPÉCIES AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 215 



(1890) (*); campos de Montcalegrc VII 1902 (2S72): Alem. 

quer, capueira, VII e XII 1903 (3758, 4927); Óbidos, ca- 

pueira, VIU 1902 ( 2908 a); Rio Cuminá, capueira, XII 

190Ó (7914); Faro, capueira VIII 1907 (838l); Rio Japurá, 

logar Jupará, capueira, IX 1904 (Ó759). Da margem direita 

do Amazonas possuímos esta variedade só de um ponto : 

Itaituba, matta, VIII 1902 leg. Ducke (2950 b). 

var. angusíiloha : foliis membranaceis supra glabris subtus 

ad nervos ferrugineo-puberulis, inflorescentiis 

submultifloris laxiusculis, calycis tubo anguste 

cylindrico plus minus distincte bilabiato, lobis 

tubo brevioribus anguste lanceoiato-triangularibus 

acutissimis. 

Esta variedade, que se distingue principalmente 
pelo calyce bastante delgado dividido em lóbulos muito 
estreitos e pontudos, tem-se achado até aqui só na re- 
gião costeira. 

Belém, matta de Jupatituba, VII 1896 leg. J. Huber 
(254); Belém, Marco da Légua XI 189Ó leg. J. Huber (524): 
Marajó, S. Salvador, matta, XI 1904 leg. Rodolpho Siqueira 
(6886). 

var. floribiinda : foliis subcoriaceis utrinque moUiter pubecenti- 
bus infloresccntia multi- et densiflora, calycis tubo 
campanulato breviore quam in varietate praecedente, 
lobis tubo aequilongis ovato-lanceolatis vel anguste 
triangularibus obtusiusculis vel brevitcr acutatis, 
coroUa speciosa calyce duplo longiore. 
Se approxima da variedade precedente, com a qual 
cresce junto. 

Belém, bosque municipal, matta, VII 1901 leg. M. Gue- 
des (2i33). 

var. coriacea : foliis coriaceis utrinque donsc moUiterque pu- 
bescentibus, inflorescentia contracta, tubo calycino 
elongato cylindrico, lobis acutissimis saepc du^Dlo 
longiore. 
Pelas flores, esta espécie approxima-se principal- 



( * ) Os números em parenthese são os do Herbario amazonico do 
Museu Goeldi. 



2l6 As ESPÉCIES AMAZOXICAS DO GÉNERO VlTEX 



mente da variedade angustUoha, mas ella distinguc-sc 
pelas follias coriaceas c mais avcUudadas. 
Estrada de Belém a Pinheiro, XII IQOO Icg. Ducke 
(1997). 
var. I\raal~ii : foliolis abbreviatis subbullatis subeoiiaceis ru- 

biginosis ad nervos solum subtus pubescentibus. 

infloresccntiis breviter pedunculatis contractis. ca- 

lycis tubo subinfundibuliformi. coroUa calycem 

paulo supcrante. 
Bragança, capueira, XII iSQQ Icg:. Hubcr (l72g): Monte 
Alegre, campos, VII ig02 leg". A. Ducke (2873). 

Vitex orinocensis H B.K. in Xov. gen. et spec. II. p. 200 
( 1817) « Taruman frondoso ». 

Ramulis petiolis cymisquc pubc pulveracea 
tenui subcanescentibus, foliis petiolatis, 5-foliola- 
tis, foliolis obovato-oblongis obtuse acuminalis 
basi angustata petiolulatis integen-imis subcoria- 
ceis rcticulato-vcnosis glabei-iimis nitidis, cymis 
axillaril)us longe i)edunculatis subter dichotomis 
corymbosis ebracteolatis. calyce pedicellato bre\'i 
patellari truncato obsolcte dentato. corolla tubo 
sursum ampliato calycem tri})lo supcrante labiu 
inferiore magno porrecto basi barbato. 
Arca geographica do typo : Venezuela ( confluência do 
Meta e do Orinoco ). 

Após um exame minucioso das plantas respecti- 
vas que tive a occasião de comparar nas collecções 
do Herbier Dclcsscrt, em Genebra, cu considero a Vilex 
iniiltiflora Miquel in Linnaea Vol. 18 (1844) p, 739 
como simples variedade da l ilcx orinocensis Kth., poique 
os caracteres mais salientes que distinguem as duas 
espécies: o numero dos foliolos e o comprimento dos 
pedicellos, não me parecem ser de bastante importância 
ao lado da perfeita harmonia nos outros caracteres. j)aia 
justificar uma separação especifica. 

Ao lado da F. orinocensis typica cu distingo por- 
tanto duas variedades : 



As ESrECIES AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 21? 



var. li. mídiiJJora, foliis vulgo Irifoliolatis, floribus brevissime 

pcdicellatis. 
Arca gcogT. : Surinam. 
var. }'. ama:^onica: foliis 1 — 5-foiiolatis, apicc brevissime acu- 

minatis vel rotundatis, inflorescentiis multifloris 

floribus brevitcr pedicellatis. 
Área geogr. : Cont) acosta de Marajó. 

O facto que na variedade ãiiiayOnka, no nosso 
«Tarúman frondoso», o numero dos foliolos oscilla entre 
1 e 5, c earacteristico e mostra bem que o numero de 
foliolos não c muito constante n'cste grupo. As folhas 
quinquefolioladas da \'ar. aiiiã^oinca são quasi idênticas 
com as folhas de V. orinocensis ( Spruce 3Ó53 ) que 
tive a occasião de examinar no Herbario Delessert em 
Genebra. Também o comprimento dos pedicellos floraes 
parece variar, apresentando os nossos exemplares da 
var. ama:{onica ora os pedicellos compridos do typo, 
ora os pedicellos curtos da var. muUiflora. No mais os 
exemplares que tenho visto concordam perfeitamente: 
folhas quasi glabras com foliolos muito desiguaes, pe- 
dúnculos das inflorescencias muito compridos, bracteas 
diminutas e caducas, cálice largo com dentes muito 
pequenos, flores relativamente pequenas, com tubo curto. 
Talvez se acharão ainda algumas differenças nos fructos. 
Estes são pretos na var. ãiiia:^onica e do tamanho d'uma 
pequena cereja. 

O « Taruman frondoso » c uma arvore bonita dos tesos 
da contracosta de Marajó, onde elle foi colleccionado 
por mim em setembro de l895 (484)- Elle é também 
cultivado no Horto botânico, onde elle floresceu a pri- 
meira vez em novembro de 1902. 

Vitex Duckei Hub. nov. spec. « Taruman do campo ». 

Ramulis petiolis cymisque minutissime pul- 
veraceo-puberulis demum glabrescentibus, foliis 
bievitcr peti(jlat/s 3-foliolati<, /o/fo//5 cUiplicis ápice 
voíiindatis vel levifer retiisis hasi roínudalis vel iii 
petioJuíiim breveni abníple angu si a tis integris cor in- 
ceis spurie reticulato-venosis supra glabris haud 



2l8 As ESPÉCIES AMAZONICAS DO GEiVERO VlTEX 



nitidis infia pallidioribus. junioribus ad nervos mi- 
nutissimc puberulis, adullis glabenimis. C3'mis 
axillaribus brevitcr pedunculatis laxe dichotomis 
paucifloris, bractcolis minutis caducis, pediccllis 
calyce subaequilongis vel paulo longioribus, calyce 
brevi patellari truncato minute dentato, corolla 
calycem triplo superantc tubo extus faucem ver- 
sus scricco-puberulo, lábio infcriore magno porrecto 
basi breviter barbato. 
Hab. in locis campestribus ad flumen Yamundá infe- 
rius prope Faro, IX igog leg. A. Ducke (8441- 8605 ). 

Esta espécie parece ser a mais pequena das 
suas congéneres amazonicas, crescendo só a uma al- 
tura de 1 metro mais ou menos. A casca dos galhos 
é cinzenta clara, quasi branca. De todas as outras 
espécies amazonicas, esta se distingue pelas folhas que 
tem foliolos quasi iguaes entre si e geralmente exacta- 
mente ellipticos, coriaceos, glabros e arredondados ou 
emarginados no ápice e pouco estreitados na base. 
As dimensões dos foliolos variam de 4 sobre 2 cen- 
tímetros ate 7 sobre 3,5 centimetros nos nossos exem- 
plares. As inflorescencias são sempre mais curtas c 
mais pobres em flores (3-7) que na V. orinoccnsis. 
A forma das bracteolas e do calyce é quasi a mesma 
que na V. oriíiocoisis, mas as Ihu-es são maiores, tendo 
o tubo 1 cm. de comprimento e o diâmetro da corolla 
aberta com os lóbulos abertos mais de 1 cm. Os 
fructos ainda não são conhecidos (*). Parece em todo 
o caso, que esta espécie é próximo parente da V. orino- 
ccnsis, sendo porem bastante distincta para representar 
um typo especifico próprio. 

Vitex cymosa I3eitero ex Spreng. Syst. veget. II pag, 757 
(1825) « Taruman do alagado ». 

Indumento communi cano-tomentoso, foliis 



(*) Ultimamente (dez. IQO? ) o Sr. Ducke colleccionou os fructos 
i'esta espécie nas campinas do rio Mapiiera. Elles são pretos ^^labros e 
menores que os da V. oriíioceiísis var. aiiiaioiiica. 



x\S ESPÉCIES AMAZOXICAS DO GÉNERO VlTEX 2lÇ) 



longe petiolatis quinatis ( scptcnaíisvc ), foliolis 
coriaceis inaequalibus oblongis ellipticisve utrinque 
acuminatis brevipetiolulalis conspicuc pcnninerviis, 
adultis supra giabratis nitidis sublus cum peliolo 
canesccnti-pubesccntibus. cymis ebractcolatis bis- 
tcive trifidis cojymbosis ramis patentibus cum 
pedunculis calycibusquc cano-tomcntellis, calyco 
pedicellato patcllacformi dentibus patentibus late 
ovatis, coroUae tubo cylindrico lalão inferiorc in 
ungue barbato, fructu obovoideo (cerca 1,5 cm. 
alto ) nigro. 
Arca geogr. : Brasil central. Amazónia, Bolivia ( Chi- 
quitos), Columbia (Santa ]\Iartha ). 

Fitex cyuiosa é um arbusto de 2 a 3 metros, dos 

igapós e da beira dos lagos amazonicos. A sua época 

de florescência coincide geralmente com as aguas mais 

altas, quando os arbustos não tem folhas. A's vezes 

também certos galhos florescem em outras épocas do 

anno, depois de terem perdido as folhas. Estas são 

geralmente 5-folioladas. com foliolos quasi exactamente 

elliptico-lanceoladas, não obovaes como na maioria 

das outras espécies, mais ou menos avelludadas por 

baixo. As flores são d'um azul celeste bonito e bastante 

numerosas em inflorescencias curtas que ás vezes sahem 

directamente dos galhos já maduros ou da base dos 

galhos novos que no seu ápice produzem folhas. Os 

fructos são pretos: não sei se elles são comestíveis. 

Prainha, beira do Amazonas, V IQOS ieg. A. Ducke 

( 3628 ) ; Óbidos, beira do Amazonas, VII 1Ç03 Ieg. A. Ducke 

(36Q9); Villa Franca, beira do Lago, VII iSQQ Ieg. Huber 

(l63o): Bocca do Teffé, beira do rio, IX 1904 Icg. A. 

Ducke (6734): Rio Acre, igapó de Antimary, IV 1904 

Ieg. Huber (4341 )- 

Vitex odorata Hub. nov. spec. « Taruman cheiroso ». 

Ramulis petiolis cymisque pube brevi ochra- 
cea subtomentosis, foliis longe petiolatis 5-foliola- 
tis, foliolis valde inaequalibus centrali exterioribiis 
pi lis qnam duplo lougiore obovato, lateral ihiis oho- 



22U As ESPÉCIES AMAZOXICAS DO GEXERO VlTEX 



vato-hmccoíalis, oiiinibns apicc hrevitcr ohhiseqiie 
aciiiuinalis hasi íongins cuiientiin coiitractis sessiíibus, 
ad florescentiam mcmbranaceis, supra fuscescenti- 
bus mollitcr pnberulis, infra breviter fulvo-tomen- 
tosis, cymis axillaribus longe pcdunculatis ter 
quaterve dichotomis corymbosis. bracteolis infe- 
rioribus flores in dichotomis sitos excedcntibus 
anguste spathulatis subfoliaceis, calyce breviter 
pcdicellato vcl subsessili patellari lohis hrcvibus 
semiorhicuíarihiis luiniiíe apicitlaíis, corollac tubo 
sursum paulo ampliato calycem subduplo supe- 
rante, lábio infcriorc mediocri porrecto basi bre- 
viter barbato. 
Hab. in campis ad Cha^'cs insulac Marají). 3 XII igol 
leg-. A. Ducke ( 2522 ). 

Esta espécie que, como a picccdente. é arbustiva, 
distingue-se d'aquella pelas folhas maiores e os foliolos 
sesseis, cuja forma approxima-se da de V. flavens, por 
causa da base longamente attcnuada e não pcciolulada. 
As inflorescencias são mais extensas que nas outras 
espécies amazonicas e as flores exhalam. segundo o 
Sr. Ducke. um aroma agradável e forte, que attrahe 
muitos insectos. 

Pelas bracteas mais ou menos persistentes, esta 
espécie approxima-se de F. hypolciica Schauer ( Bahia ) 
e V. l aiiihkri DC. (Rio). 

Vitex flaz^ens H.B.K, in Xov. gen. et spec. II p. ig9( iSl?) 
<•< Taruman tuira ». 

Ramulis petiolis cymisque flavescenti-tomcn- 
tosis, foliis longe petiolatis vulgo 5-foliolatis. foh"olis 
obovato-oblongis breviter acuminatis hasi alte- 
nuata sessilihiis intcgerrimis supra adpresse pubes- 
ccntibus demumque glabjatis infra subter pube 
molli canescentc densc glanduloso-punctatis. cymis 
axillaribus pcdunculatis confertis. calvce grossius- 
culc 5-dentato (Schauer in DC. Prodr XI p. 6S9). 

Affinis V. polxgãiiiã Cham. qua diffeil folio- 
lis basi cuneatis haud petiolulatis. inflorescentiis 



As ESPÉCIES AMAZONICAS DO GÉNERO VlTEX 221 



praccocibus, breviter pedunculatis subcapitatis. 
calyce brevius obtusiusque dentato lobis post an- 
thesin reflexis. drupa flavescente basi calyce au- 
cto indistincte lobato inclusa. 
Área geogr. : Baixo Amazonas ( principalmente Marajó 
c campos da margem esc^uerda ). Kunth indica o Peru como 
habitat da espécie, porem com ponto de interrogação. A 
planta que serviu á descripção oi^iginal fazia parte do Hei- 
bario Willdenow, de forma que é muito bem possivel que 
ella tenha vindo da Amazónia por intermédio do Conde de 
Hoffmannscgg, como tantas outras plantas do baixo Ama- 
zonas. 

A descripção de Schauer, que é feita segundo o 
mesmo exemplar authentico ("infelizmente não tive occa- 
sião de examinal-o), não concorda em todos os pontos 
com a descripção original de Kunth, mas em certos 
pontos ella salienta melhor os caracteres que se encon- 
tram nos nossos espécimens. Assim por exemplo Kunth 
diz na sua descripção : « foliolis breviter petiolatis », 
emquanto que Schauer diz: « basi attenuata sessilibus », 
o que justamente c o caracter que permitte mais facil- 
mente de distinguir os nossos espécimens dos de V. ru- 
fescens Juss. A circumstancia que Kunth approxima 
V. flavens de r. nifescens, que geralmente é conside- 
rada como synonymo de V. polygama Cham. e por 
conseguinte como fazendo parte da secção Pyrostoma, 
emquanto que Schauer coUoca-a ao lado de F. capitala 
Vahl e V. Sellowiana, é também muito caracteristica, 
porque a F. flavens constitue com effeito uma passagem 
entre as duas secções do género. 

O « taruman tuira » é uma ai-vore bastante co- 
puda mas não muito alta ( 10 m ) com galhos direitos 
e grandes folhas que ella perde no fim do verão ou 
durante o inverno. Xo principio e ás vezes no fim da 
estação chuvosa apparecem as flores ao mesmo tempo 
que as folhas novas ou mesmo com alguma antecedên- 
cia sobre estas. As folhas são geralmente quinqucfolio- 
ladas; amarellado-pardas e avelludadas principalmente 
quando novas. As inflorescencias tèm pedúnculos curtos 



As ESPÉCIES A.M.VZOXÍCAS DO GEXERO VlIEX 



e são muito compactas, cobertas do pellos amaiellos 

densos. Asílòres são brevemente pedicelladas. o calyce 

tem 5 lóbulos obtusos mais ou menos recurvados depois 

da florescência. O fructo é uma drupa ellypsoidea ou py- 

riforme de quasi 2 cm. de comprimento, amarellada. 

comcstivel. mas não muito saborosa. 

Marajó. Arary, campo alto, 3o VII 1896 leg. J. Huber 

( 174 ): Marajó. Chaves, campos 3 XII IQOl leg. Ducke 

(2523): Mazayão. campos. 19 X IQOO leg. Ducke (1950): 

Almeirim, campo. 6 XII 1902 leg. Ducke ( 3027 ): Monte 

Alegre, campus, ló \'U igu2 leg. Ducke (2SÓ9). 



Espécies amazonicas do género VITEX 



Est. I 




J. H. dei. 



1_4. Vitex triflora var. coriacea Hub. 
5_8. Vitex triflora var. tenuifolia Huli 



Espécies amazonicas do género VITEX 



Est. II 





J. H. dei 



9—11. Vitex triflora var. floribuuda Hul^ 
12,13. Vitex tritlora vai-. IvTaatzii Hub. 



Espécies amazonicas do género VITEX 



Est. Ill 




14 — 18. Vitex triflora var. angustiloba Hiib. 
19 — 20. Vitex orinocensis var. amazonica Hub. 
21. Vitex triílora var. floribunda. 



Espécies amazonicas do género VITEX 



Est. IV 




H. dei. 



22,23. Vitex odorata Hub. 
24,25. Vitex ('yinosa Beitero. 
26 — 28. Vitex llavens H.B.K. 



A ORIGEM [)AS COLOÍvIAS DE SaÚBA 223 

A origem das colónias de Saúba 

(Atta sexdens) 

pelo Dr. JACQUES HUBER 

DIRECTOR DO MUSEU 



O trabalho que segue foi i)ublicado em allemào no « Biologisches Ceií- 
tralblatt> Bd. XXV (1905) pp. G06-619 e 624-6:-35 sob o titulo «Uberdic 
Koloniengmnduug bei Atta sexdens >■>. Segundo o meu pensamento, a_ edição 
allemã, apezar de aocom|)anhada d'um certo numero de figuras, devia a|)e- 
nas ter o caraoter d'uma coinmunicação preliminar, ficando para mais tai'de 
a elaboração d'uma memoi-ia mais completa e detalhada, acompanhada de 
numerosas estampas. Como iiorém a publicação d'esse trabaliio mais extenso 
ainda demorar-se-a ])or algum tempo, resolvi dar no « Boletim » uma tra- 
ducção da nota preliminar, embora sem figui^as, em vista do grande inter- 
esse que arpii se liga a tudo que diz resi)eito a este animalzinho que já no 
tempo de Mai'cgrav e Piso denominaram, e não sem razão, o Rei do Brazil. 
(Uma traducção ingleza acha-se no « Snúthsonian Report for 1906» pp. 
'ibf)-à72 pi. 1-V ). 

J. HUBBR. 



O estudo das formig-as fungicultoras do género Atta é 
sem duvida um dos mais attrahentes capitules da biologia e 
offerece, tanto ao zoologo quanto ao botânico, numerosos 
problemas interessantes. Desde as observações clássicas de 
MòUer, que confirmavam plenamente as supposições de Bclt, 
não pode mais existir nenhuma duvida de que as espécies 
do género Atta entretém com grande habilidade e intuição 
mycologica culturas puras do mycelio de Ro^ites gongylophora 
e que ellas produzem nelle, por uma influencia aliás inex- 
plicada até agora, a formação de excrescências especiaes 
chamadas « Kohlrabi, » das quaes ellas e as larvas se ali- 
mentam (l). As observações de MõUer, tão geralmente co- 
nhecidas hoje em dia, que não preciso mais evocal-as, tratam 



( 1 ) A alimentação das larvas com Kohlrabi não é mencionada por 
Mõller, mas foi observada cm Atta sexdens diversas vezes pelo Prof, Goeldi 
e por mim. 



224 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



exclusivamente do estado de formi^ias definitivo. pov(jado 
por numerosas trabalhadoras de differentes castas. em(|uanto 
que MòUer não fez observações nenhumas sobre a fundação 
de uma colónia. 

A maneira da (jual se torma uma nova. colónia cf)m o 
seu jardim de cogumello permanecia por emquanto um enigma, 
para a solução do qual appai-eceram diversas contribuições 
importantes, sem, porém, dar um esclarecimento satisfactorio 
sobre todos os problemas. Já em 1894 A. (}. Sampaio de 
Azevedo, um brazileiro desejoso de se instruir, fez al.Ljumas 
observações sobre a fundação de colónias novas de Atta 
scxdois, os cjuaes elle publicou no seu livrinho « Saúva ou 
Manhúuára » (São Paulo. 1894). que. ao lado de boas obser- 
vações encerra, no emlanto. ali;uns erros. Este observador 
desenterrou uma saúba fêmea dez dias depois do voo nup- 
cial e achíju nu seu buraco dous pec[uenos montões brancos. 
Um compunha-se de 50 a ÓO ovos. o outro duma massa fila- 
mentosa, o novo jardim de cogumello. o qual, no emtanto 
não foi reconhecido comcj tal j^or Sampaio. Três mezes e 
meio depois do vòo. o mesmo observador desenterrou um 
ninho cuja sabida já estava aberta. Numerosas trabalhadoias. 
de três tamanhos differentes. poiém todas menores do que 
as das castas correspondentes em colónias definitivas, ja es- 
tavam occupadas em cortar folhas e em edificar o jardim 
de cogumello, do tamanho de 3o em. cúbicos. Sampaio esti- 
mou o numero de trabalhadoras a 15O-170. o das larvas e 
nymi)iias a 150 pouco mais ou menos e o dos ovos a 50. 

Xo anno de 1898 von Ihei'ing trouxe mais uma con- 
tribuição para a solução deste ])roblcina ( Die Anlage neuer 
Kolonien und Pilzg"ãi-ten bei Alta sexdens, Zoolog. Anzei- 
ger. XXI Band. p. 238 — 245 ;. Elle descreve minuciosamente 
o soteriamento da fêmea fecundada ( veja também Sampaio. 
1. c. pag. .57- 58). Um ou dous dias depois von Ihering 
achou a fêmea no ninho sem alteração, e só alguns dias 
depois foi descoberto uma acervo de 20-30 ovos e dcjunto 
uma i)e(iuena accumulação cliata de 1-2 mm. do cogumelo, 
porém sem Kohliabi ainda. Assim ciue o jai"(Hm de cogumello 
alcança um diâmetro de 2 cm., o Kohlrabi apparece e agora 
também veria-sc a formiga comer delle a miúdo. Dos ovos, 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 225 



que estavam collocados sobre o jardim de cogumello e ao 
redor delle, tinham-se desenvolvido laivas; porém com o 
transferimento do jardim de cogumello para um terrario, o 
cogumello e as larvas morreram. Von Ihering suppõe, que o 
desenvolvimento completo ate o apparecimento das primei- 
ras trabalhadoras occupa de 2 a 3 mezes. Elle chega depois á 
seguinte conclusão : « E' provável que a ultima phase deste 
primeiro período de incubação seja muito difhcil, como não 
ha nenhum addicionamento de tolhas podendo servir de 
substrato para o crescimento do jardim de cogumello. Em 
todo caso este incremento do jardim de cogumello ainda 
necessita de esclarecimentos. Segundo as minhas investiga- 
ções, que, como já observei, carecem de verificações sobre 
este ponto, são ovos machucados que fornecem o substrato 
orgânico para o jardim de cogumello, porem c possivel que 
o^ solo rico em húmus também contenha substancias nutri- 
tivas ». 

A observação mais importante de von Ihering consiste 
entretanto em que elle provou ( com material conservado em 
álcool ) « que toda saúba fêmea sabida do ninho traz na 
parte posterior da bocca uma bola fofa. de 0,6 mm. de diâ- 
metro, que se compõe do mycelio de Ro~ites f^ongylophora, e 
contem, junto com e.ste, pedaços de folhas descolorados e 
uma porção de diversos pellos chitinosos ». Por esta cir- 
cumstancia explica-se naturalmente a possibilidade da funda- 
ção de um jardim de cogumello pela fêmea fecundada. 

No anno de igo4 o Prof. Goeldi observou a fundação 
de uma colónia por uma Atta fêmea até ao apparecimento 
das chrysalidas e mesmo até estas se tornarem pardas, tendo 
porém que soffrer a decepção de ver perecer a ninhada 
antes do completo desenvolvimento das imagines. Pode-se 
considerar que ao menos a possibilidade da fundação de uma 
colónia por uma fêmea completamente isolada ficava assim 
demonstrada. Na sua communicação respectiva ao Congresso 
Zoológico de Bern (1904) o Prof. Goeldi tira da apparencia 
singularmente flocosa do jardim de cogumello a conclusão de 
que são ovos machucados que servem como substrato para 
o cogumello. Sc nós resumirmos os resultados obtidos das 
observações precedentes, chegamos a uma exposição dos 



226 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaUBA 



factos tal qual o Pi"of. Furei a resumiu em um arti^^o pu- 
blicado ha pouco (Biologischcs Ceiítralblatt IhI. XXV p. 170 ft). 
E' preciso poi-ém observar : 

1. que até agora nenhum observador succedcu em 
seguir a fundação de uma colónia até o apparccimento das 
trabalhadoras, quanto menos até a formação do jardim de 
cogumello definitivo: 

2. que a estrumação do cogumello com ovos machu- 
cados foi até agora supposta por dous autores, mas ainda 
não provada : 

3. que ainda não existem observações nenhumas sobre 
o modo da alimentação das larvas. 

No dia 20 de janeiro deste anno ( igoõ) o Prof. Gocldi 
começou uma nova serie de observações com diversas fê- 
meas de Atta sexdens que se tinham enterrado nos viveiros 
construídos por elle para este fim. Ao principio consultado 
sobretudo para o exame do cogumello. foi-me depois con- 
íiada a continuação das observações, como o Dr. Goeldi 
estava occupado com outros trabalhos. Durante as minhas 
experiências e observações, continuadas (juasi sem interrup- 
ção durante os mezes de Fevereiro, Março e Abril, recebi 
no emtantfj continuadamente animação e auxilio do Dr. 
Goeldi, sobretudo com a communicação da litteratura rela- 
tiva ao assumpto, pelo que expresso-lhe aqui os meus since- 
ros agradecimentos. 

A' primeira serie de experiências começadas em 20 de 
Janeiro e que comprehendia ao principio 12 fêmeas fecun- 
dadas, foram ajuntadas por occasião de voos ulteriores ( 23 
de Fevereiro e 12 de Março) duas outras series com nu- 
merosos exem])lares. circumstancia esta que permittiu expe- 
rimentar methodos de cultura differentes. Basta mencionar 
aqui que, afora numerosas culturas nos vix^eiros supramen- 
cionados cheios de terra, também foram feitas algumas em 
vidros chatos (para a observação de cima), e também em 
caixas de gesso fechadas por vidraças na frente e atraz 
(para a observação de lado), como também foram marca- 
dos alguns ninhos construídos por fêmeas em liberdade c 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



JJ/ 



desenterrados mais tarde para verificação ( 1 ). Estas expe- 
riências foram coroados de successo, pois conseguiu-se em 
diversos casos observar sem interrupção a fundação de uma 
colónia nova ate o apparecimento das trabalhadoras, como 
também em alguns casos o principio do corte das folhas e 
a construcção do jardim de cogumello definitivo ( 2 ). A repe- 
tida observação attenta da saúba fêmea e de sua proge- 
nitura deu alem disso um numero de resultados interessan- 
tes que eu resumirei aqui bi'evemente, deixando os por- 
menores das investigações, as relações detalhadas sobre as 
diversas series de experiências e também os resultados es- 
pecialmente mycologicos para um artigo mais desenvolvido 
e profusamente illustrado. 



A melhor maneira de observar os princípios da fun- 
dação de uma colónia, c de coUocar as fêmeas em vidros 
chatos (vidros de Petri ) nos quaes se entretém a humidade 
necessária com mata-borrão molhado (3). No dia seguinte 
ao voo nupcial vé-se a bola de mycelio cuspida (4) fora 
pela formiga no fundo do vidro, onde, porem, escapa facil- 
mente á vista, porque não excede a 1/2 mm. de diâmetro, e 
também porque não é sempre dum branco puro, mas ama- 
rellenta ou mesmo ás vezes preta, quando o cogumello des- 



( 1 ) Observo logo aqui que as colónias desenterradas mostravam 
no seu desenvolvimento uma conformidade satisfactoria com as criadas em 
captividade. 

( 2 ) Isto é uma questão de tempo. Tenho agora ( 3 de Alaio ), 
alem das 2 colónias onde já começou o corte das folhas, uma dúzia de 
outras colónias das quaes a maior parte já tem 30 ou mais trabalhadoras. 

( 3 ) Quando se pet^ar as Attas fêmeas, deve-se tomar o cuidado 
de não collocar muitas delias juntas, porque senão ellas se mutilam umas 
ás outras. E' possível, porém, que duas fêmeas se enterrem num viveiro e 
então acontece ás vezes que ellas se estabeleçam na mesma cavidade e vi- 
vam juntas em paz. Em dous casos onde isto foi observado, não se des- 
envolveram, no emtanto, jardins de cogumello, e as formigas morreram afi- 
nal antes de terem produzido larvas. Só em um caso duas formigas mães 
construíram um jardim de cogumello em commum e criaram em commum 
a sua ninhada até o apparecimento das trabalhadoras. 

( 4 ) Pode-se também produzir artificialmente o cuspimento da bola 
de cogumello, agarrando o lábio inferior da Atta viva com uma pinça e 
puxando-a para a frente. 



228 A ORKIEM DAS COLÓNIAS Dli SaÚDA 



apparecc de junto das outras substancias ( l ). Xo terceiro 
dia cu observei em cjuasi todos os casos ali;uns ovos; geral- 
mente a bola de cogumello já mostrava lios delicados que 
cresciam para todos os lados. Xeste ou no seguinte dia a 
formiga desmancha-a em dous ou mais llocos. Dahi em 
diante o numero de ovos vae augmentand(j de 10 por dia 
durante 10 — 12 dias. vaiiando. é verdade, segund(j os indi- 
vidues. Também os tlíjcos de cogumello tornam se niaiores 
e mais numerosos de dia em dia. EUcs teem de 1 a 2 mm. de 
diâmetro e parecem-se com sementes de algodão em minia- 
tura envoltas nos seus tios. Os ovos c os flocos estão sepa- 
rados no principio, poi-ém bre\'emente são juntados, ou uma 
parte dos ovos ao menos é collocada ao lado ou entre os 
flocos do cogumello, s- — lo dias depois os flocos já estão tão 
numerosos que reunidos numa camada simples eiles formam 
um disco redondo ou elliptico de 1 cm. de diâmetro: desde 
este tempo os ovos se acham geralmente em cima delle. Os 
flocos ganham mais C(jherencia com o tempo, de maneira 
que com algum cuidado conscgue-se levantar o jardim de 
cogumello, que tem a forma dum prato e cuja beiía é sem- 
pre mais grossa, sem que os ovos caiam. 

14 — 16 dias mais ou menos depois da Atta fêmea ter-se 



( 1 ) Isto explica o insuccesso, frequente também na natureza, das 
culturas de cof^rumello. < ) exame exacto do hypopharyniíe ( poche in- 
frabuccale se^^nindo Janet ) dum sírande numero de Attas, ainda com azas. 
conservadas no álcool, deu como conteúdo constante, afora os flocos de my- 
celio e os fragmentos de substrato, pellos pardos ( que não provêem das 
larvas como von Iherin^ suppne, mas sim provavelmente da fêmea mesma) 
e uma porgão variável de j.;ráos de areia que tinham entrado no hypopha- 
rin^e provavelmeute na occnsião da loilcttc ( Compare Janet, Aiiatoiíiii' dii 
Gastcr de la Mvniiica rubra, p. 15 ). Em alíjuns casos a porção de lixo 
excedia distinctamente á df) coí>;umello. Me veio então a' ideia que o con- 
teúdo do hypopharyníje seja talvez o resultado duma limpeza executada 
depois do tumulto e da deterioração do jardim de coííumello occasionado 
pelo êxodo dos insectos alados do ninho materno e onde as particulas do 
jardim de co^jumello e a areia presa nas pernas fossem depositadas na ca- 
vidade buccal. Esta hypothese que pareee ser bastante plausível em si mesma 
c um pouco abalada pela circumstancia que nn h3-popharyníre dos machos, 
dos quaes eu examinei alij;uns a este respeito, não encontrei nenhum traço 
de cotTumello, embora que o vòo dos machos tivesse lugar sem duvida ao 
mesmo tempo que o das fêmeas. Este problema só pode ser resolvido defi- 
nitivamente pela observação attenta de uma colónia de Atta immediata- 
mente antes do vôo dos animaes sexuaes. 



A CJRIGEM DAS COLOXIAS DE SaÚBA 22Q 



estabelecido na sua habitação subten-anca, pode-se distinguir 
pela primeira vez algumas larvas que estão deitadas entre 
os ovos, cujo numerf/ durante este tempo cresceu até cem. 
O jardim de cogumello tem a este momento um diâmetro 
de 1.2 — 1.5 cm. O numero de larvas augmenta de dia em 
dia. O rápido crescimento das larvas é notável, algumas 
delias podendo attingir o comprimento de 2 mm. em uma se- 
mana. Um mez pouco mais ou menos depois do começo da 
captividade apparecem as primeÍ!"as chrysalidas. entre as 
quaes pode-se distinguir tamanhos differentes. sendo o das me- 
nores de 1,5 — 2 mm., das maiores de 2.5 — 3 mm., raras ve- 
zes de 4 mm. A este momento o jardim de cogumello. cuja 
beira é agora distinctamente mais grossa, attingiu um diâ- 
metro de 2 cm. Emquanto que nos primeiros estádios do jardim 
de cogumello não existem traços de Kohlrabi. ag-ora estas 
formações apparecem na beira do jardim de cogumello em, 
numero pequeno e com delimitação indistincta. Depois de 
outros oito dias, quando existem 3o chrysalidas mais ou 
menos, as primeiras começam a tornar-se pardas e poucos 
dias depois apparecem as primeiras trabalhadoras que se 
occupam logo das chrysalidas, lambem a rainha e a si reci- 
procamente e comem do Kohlrabi. 

E' preciso, no emtanto, observar que este desenvolvi- 
mento em 40 dias como duração minima de tempo, é o mais 
favorável que eu tenha registrado nas minhas culturas. A' 
esta categoria pertence porém a maior parte das fêmeas do 
ultimo voo (do dia 12 de Março). Algumas das fêmeas que 
voaram ao mesmo tempo ainda estão com as suas ninhadas 
muito atrazadas, e na única ninhada da primeira serie de 
experiências que chegou a produzir trabalhadoras, passaram-se 
2 mezes e 3 dias até a primeira trabalhadora sahir da chrv- 
salida. 

Eis. em seus traços geraes, os phenomenos cjuc podem 
ser observados com um primeiro estudo superficial da fun- 
dação de uma colónia de Alta scxdens. Entretanto ha ainda 
um numero de questões cuja solução é indispensável para o 
biologista, sendo porém só possível com uma observação 
mais intensa. A estas pertencem os problemas da nutrição 
do cogumello. da formiga mãe. e da jovem ninhada. 



23o A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



A primeira pergunta que se apresenta é esta : Ouaes 
são os meios empregados pela Atta fêmea para effectuar e 
entreter o crescimento do cogumello que ella trouxe na ca- 
vidade buccal ? Pois o substrato orgânico original deve-se 
gastar em pouco tempo e a supposição, que uma bola de 
cogumello de 1/2 mm. de diâmetro se transforme, sem outra 
alimentação, em um jardim de cogumello de mais de 2 cm. 
de diâmetro, fica naturalmente fora da questão. 

O exame microscópico do nosso cogumello mostra ao 
principio pequenas partículas de substrato vegetal reconhe- 
cíveis sobretudo por fragmentos de epiderme, pedaços de 
vasos espiraes, grãos de amido carcomidos e crystaes de 
oxalato de cal. Todas estas cousas acham-se em quantidades 
correspondentes na bola de cogumello original e provêem 
pois do jardim de cogumello da colónia mãe ( 1 ). ]\Iais 
tarde acha-se nos flocos que compõem o jardim de cogu- 
mella somente elementos fungosos. E' verdade que em certos 
lugares os filamentos fúngicos são sem conteúdo, despeda- 
çados e embebidos dum liquido amarello. Também vê-se, 
sem o auxilio do microscópio manchas amarellas, e ás vezes 
pingos amarellos ou pardos estão suspendidos nos flocos. 
Estes pingos fornecem a chave do enigma da nutrição do 
novo jardim de cogumello. 

Observando-se attentamente a formiga durante algumas 
horas, consegue-se as vezes constatar que ella tira com as 
mandíbulas um pedaço do jardim de cogumello e o leva 
para o abdómen que se curva para dentro; ao mesmo tempo 
apparece no ano um pingo claro, amarello ou pardo que 
é apanhado por meio do floco. Este ultimo, depois de 
muito apalpado, c outra vez implantado ao jardim de co- 
gumello (quasi sempre em outro lugar do que de onde 
foi tirado) e appresso com as pernas anteriores. O cogu- 
mello chupa o pingo mais ou' menos depressa; muitas vezes 



( 1 ) o emprego das partículas orgânicas contidas na terra, como 
von Ihering o suppõe, não é provável para o primeiro período, antes, tal- 
vez, para o tempo do apparecimento das primeiras trabalhadoras. Em todo 
caso os meus jardins de cogumello contidos em terra amarella estéril não 
estavam atrazados em comparaí^ão com os desenterrados num terreno muito 
rico em húmus. 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 23 1 



vê-se distinctamente diversos destes pingos no jardim do 
cogumello. Segundo as minhas observações este processo 
repete-se uma ou duas vezes por hora, ás vezes mais fre- 
quentemente. Pode-se observal-o quasi infallivelmente algu- 
mas vezes em seguida quando se dá a uma f»jrmiga que 
não tem cogumello, como acontece ás vezes nas culturas, 
um pedaço do jardim de cogumello duma outi'a fêmea ou 
duma colónia mais velha. A formiga que mostra ao apal- 
par o presente uma excitação visivel. começa geralmente 
depois de poucos minutos a desmanchar e a reconstruir o 
jardim de cogumello, levando primeiro cada pedaço ao ano 
e provendo-o com um pingo de estrume da maneira des- 
cripta. 

Não pode restar duvida de que se trata aqui duma 
estrumação do cogumello com os excrementos líquidos ( 1 ) 
da formiga. No mais, a cultura do jardim de cogumello limi- 
ta-se a ser elle frequentemente lambido, o que porém pouco 
adianta o seu crescimento, ao contrario antes o atraza e o 
guia em certa direcção. Além disso isto também é provei- 
toso para formiga, porque o cogumello produz em gottas 
crystallinas um liquido que é provavelmente consumido pela 
formiga. O crescimento do jardim de cogumello pode-se at- 
tribuir unicamente á cxtrumação com excrementos, sua ex- 
tructura flocosa e a augmentação continua do numero de 
flocos expiicam-se pelo processo especial de estrumação. 
Nunca constatei o emprego directo de ovos machucados como 
estrumo, nem por exame microscópico do jardim do cogu- 
mello, nem por observações directas : porém pelas observa- 
ções mencionadas mais adiante poderá-se ver que são os 
ovos que, por caminho indirecto, fornecem as matérias neces- 
sárias para a estrumação. Segundo as minhas experiências. 
a estrumação do cogumello começa poucos dias depois do 
vôo e dura até a construcção do jardim de cogumello defi- 
nitivo. 

Observando-se a conducta de uma x\tta fêmea durante 
algumas horas, pode-se constatar que a sua actividade é 



( 1 ) E' naturalmente difficil decidir-se em que jnedida as secreções 
glandulares entram em consideração aqui. 



232 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



dividida com uma certa regularidade. O exame da cavidade, 
a limpeza e o nivellamento do chcão. occupam relativamente 
pouco tempo depois do primeiro estabelecimento da cxcava- 
ção, mas são conscienciosamente repetidos de vez em quando. 
Em segundo lupar vem o tratamento do jardim de cogu- 
mello, o lamber c cstrumal-o, o que já occupa mais tempo. 
A terceira occupaçcão, e também a mais importante, é a que 
diz respeito á ninhada. Os ovos e as larvas são frequente- 
mente lambidos, reunidos em grupos ou separados: ao prin- 
cipio são coUocados junto com o cogumello ou separados 
delle ; mais tarde são deitados na depressão no mcu) do 
jardim de cogumello sendo de vez em quando alguns delles 
tirados fora. 

A postura dos ovos pode ser observada facilmente 
com a lente nas caixinhas de gesso e nos viveiros empre- 
gados por Goeldi, e pode mesmo ser photographado como 
a estrumação. A formiga levanta-se um |;)ouco nas pernas 
de traz e curva o abdómen para dentro como na estruma- 
ção; o ovo apparece ao mesmo instante e é agarrado pelas 
mandibulas. Só depois de ter sido muito apalpado com as 
antennas o ovo é collocado no jardim de cogumello. 

Isto porém não é sempre o caso. Com uma observação 
attenta, sobretudo de perfil, donde se pode observar distin- 
ctamente o jogo das mandibulas, consegue-se muitas vezes 
constatar que o ovo, que já se suppunha depositado, é outra 
vez apanhado depois de ser muito apalpado e dcsapparcce 
de repente entre as mandibulas. Não succede nenhum movi- 
mento vivo das mandibulas, ao contrario, a formiga fica 
quieta alguns segundos, a cabeça por cima do jardim de 
cogumello, só balançando levemente as antennas como em 
signal de satisfacção. Só depois é que as mandibulas e a 
lingua tomam um movimento mais vivo e as pernas anterio- 
res são passadas pela bocca da maneira habitual. Sem du- 
vida esta interrupção da actividade da formiga corresponde 
ao chupar do ovo apertado na bocca. Raras vezes acontece 
um ovo ser comido logo, sem ser demoradamente apalpado 
e sem hesitação apparentc. Tão raro ou mais raro ainda é 
um ovo já depositado ser outra vez apanhado c comido, ao 
menos em condições normacs, quer dizer quando existe um 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 233 



jardim de cogumello. Quando este falta, parece que isto 
acontece mais frequentemente, pois pode-se constatar muitas 
vezes o desapparecimento de ovos postos anteriormente. Em 
geral a absorção dos ovos pela fêmea é um phenomeno 
muito frequente. Constatei-o seis vezes durante uma obser- 
vação de duas horas, c mesmo quatro vezes durante uma 
hora e em todas as Attas fêmeas que estiveram sob minha 
observação pude veriíical-o. Segundo as experiências feitas 
até agora pode-se suppór que a Atta fêmea põe no primeiro 
periodo da incubação no mínimo 2 ovos por hora, isto é 
50 ovos mais ou menos por dia. Como nós vimos, o numero 
de ovos augmenta só de 10 (l) por dia nos primeiros 10—12 
dias, por conseguinte de 5 ovos 4 devem ter sido comidos. 
Calculando-se o numero de ovos para o tempo do desenvol- 
vimento da ninhada ate o apparecimento das primeiras tra- 
balhadoras— 40 dias pelo menos — nós teriamos 2.000 ovos, 
emquanto que a ninhada inteira (ovos, larvas e chrysali- 
das) não excede nunca a 200 (2) durante este tempo. N'este 
caso temos uma relação de Q ovos comidos para 10 ovos 
postos. 

O facto, de que aqui a relação ainda é mais desfavo- 
vel pode-se imputar á circumstancia que desde o appareci- 
mento das larvas estas também são alimentadas com ovos. 
A alimentação das larvas é mais difhcil de se ver do que a 
estrumação, a postura dos ovos e e absorpção dos ovos pela 
fêmea, porque é raro as larvas estarem tão favoravelmente 
collocadas que se possa obscrval-as bem durante o repasto. 
No entretanto tive diversas 'vezes a felicidade de observar o 
processo com o vidro de augmento desde o principio até o 
fim. Depois da formiga ter posto o ovo ella o apalpa pri- 
meiro durante alguns segundos e se vira então para uma 
larva que ella coça com as antennas até esta começar 
a mover as suas mandíbulas e então o ovo é empurrado 
com bastante força entre as mandibulas que continuam a 
mover-se contra elle. Durante este tempo o ovo destaca-se 
verticalmente do corpo da larva ou ( e este caso é mais 



( 1 ) Mais tarde a augmentação é muito menor. 
(2) Numerações directas deram 120 — 150. 



234 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



frequente ) elle acha-se encostado ao seu abdómen. Neste 
ultimo caso a formiga mãe muitas vezes comprime o ovo 
com o pé, Sc a larva ainda c pequena, o ovo c tirado depois 
de pouco tempo c dado a uma outra larva : mas uma larva 
giande é capaz de chupar um ovo inteiramente no espaço 
de 3—5 minutos até ficar só a pellicula do ovo que a for- 
miga mãe tira depois lambendo-a. Ao menos pude observar 
uma vez distinctamente que uma larva cujas mandíbulas 
mastigavam com movimento vivo uma pellicula de ovo 
vasia foi lambida pela formiga mãe, tendo depois a pellicula 
desapparecido e o movimento das mandíbulas cessado com- 
pletamente. A absorpção rápida do conteúdo do ovo. durante 
a qual a larva incha visivelmente c a rasão pela qual raia- 
mcnte se vè uma larva com um ovo na bocca. Pude porém 
constatar durante todas as observações um pouco prolonga- 
das, que a alimentação das larvas com ovos é muito tre- 
quente. Por exemplo, notei uma manhã, durante uma obser- 
vação de duas horas, quatro posturas com alimentação sub- 
sequente das larvas, e uma tarde, durante uma observação 
de duas horas, quatro posturas com alimentação subsequente 
das larvas, e uma outra tarde, durante uma observação de 
duas horas também, oito posturas seguidas quatro vezes de 
alimentação das larvas (cm verdade provavelmente mais). 

Eu supponho que os ovos. pelo menos até o apareci- 
mento das primeiras trabalhadoras, foi mam a alimentação 
exclusiva da formiga mãe e de sua ninhada. Nunca vi a 
Atta fêmea dar ás larvas o mycelio ou Kohlrabi de Rozites. 

Também, ao contiario das observações de von Ihering, 
nunca vi a formiga mãe comer do Kohlrabi. E' verdade 
que estas formações apparecem no jardim de cogumello as- 
sim que elle tem um mez de existência, mas eu notei que 
a Atta fêmea mostra-se totalmente indifferentc a ellas. Di- 
versas vezes dei, para experiência, um pedaço dum jardim 
de cogumello definitivo e coberto com Kohlrabi a uma Atta 
que tinha perdido o seu cogumello ; ella começou logo a 
cultival-o sem tomar nota dos Kohlrabi. Estes permaneciam 
intactos ainda semanas depois do principio da experiência e 
só desappareceram afinal porque foram suffocados pelo cres- 
cimento do mycelio. TaJve:;^ a melhor prova de que o cogu- 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 235 



meílo não representa um papel indispensável como alimento no 
primeiro período de incubação até o apparecimento das primei- 
ras trabalhadoras é a circnnisiancia que uma Atta fêmea pode 
criar a sua ninhada (bem que em numero redu:;^idoJ sem cogu- 
mello. E' verdade que nunca observei este caso na natureza 
e só uma vez nas culturas artificiaes. Uma Atta que tinha 
voado no dia 12 de março ainda não tinha produzido my- 
celio de sua bola de coo-umello ate o dia 1? de março; a 
bola permanecia preta. No dia iS de março foi-lhe dado 
uma parte do jardim de cogumcUo duma outra fêmea, que 
foi logo cultivado e cresceu tem primeiro, mas morreu nos 
primeiíos dias de abril. Deste tempo em diante ella trabalhou 
sem cogumello. O numero das larvas e chrysalidas era menor 
do que nas outras colónias da mesma idade, porém no dia 
25 de abril existiam já duas trabalhadoras relativamente 
grandes e no dia 30 de abril 7 trabalhadoras. 

Que ás vezes as fêmeas isoladas de formigas, comem 
os seus próprios ovos, isto já foi provado indirectamente pelo 
desapparecimento de ovos já postos, porém não observado 
directamente, que eu saiba ( 1 ). Em que diz respeito á ali- 
mentação da ninhada por formigas fêmeas isoladas, Janet e 
Forel são da opinião, se eu comprehendo bem, que as lar- 
vas são alimentadas com o sueco nutritivo preparado pela 
formiga mãe no seu «estômago social» (jabot). Isto não é 
o caso com a Atta. Os ovos são offerecidos directamente ás 
larvas. Observações comparadas deverão decidir se esta 
maneira de alimentação das larvas também existe em outras 
formigas. E' notável na Saúba que mais tarde as larvas 
também não são alimentadas com o conteúdo do estômago 
das trabalhadoras, mas directamente com Kohlrabi. 



Com o apparecimento das primeiras trabalhadoras co- 
meça uma nova phase para a jovem colónia. Dum lado lhe 
surgem novas exigências, porque as jovens trabalhadoras 



( 1 ) Cf. Janet, Etudes sur les fourmis. 3""" note. Buli. Soe. Zool. de 
France 1893 T. XVIII p. 1Ó9— 170 e Forel Biol. Centralbl. XXV p. 17« 
— 179. 



236 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



trazem sem duvida um bom appctite : do outro lado a for- 
miga mãe ganha uma collaboração que não c para se des- 
prezar, porque as trabalhadoras pioeuram desde os primei- 
ros momentos de sua vida fazer honra ao seu nome. Aliás 
a occupação variada da i\tta fêmea, que exige intelligen- 
cia e habilidade não cessa de repente, porque as traba- 
lhadoras só ai^parecem pouco a pouco. Desde o appareci- 
mento das primeiías trabalhadoras, que pertencem quasi sem- 
pre á casta menor, de 2 mm., o seu numero augmenta de 
3 — 4 por dia. Pouco depois, raras vezes no primeiro dia. 
apparcce uma casta maior, de 3 mm. de comprimento. As 
primeiras trabalhadoras tem naturalmente de serem lambi- 
das, massadas e levantadas pela própria rainha. Assim 
que porém existem algumas trabalhadoras, cilas, encarre- 
gam-se do tratamento das chrysalidas maduras e a rainha 
só raramente toma parte neste processo. O tratamento do 
jardim de cogumello divide-se d'ahi em diante entre a for- 
miga mãe e as jovens trabalhadoras. A primeira continua 
a estrumar o jai-dim de cogumello arrancando os flocos e 
levando-os ao ano. Mas as jovens trabalhadoras também es- 
trumam o jardim de cogumello deixando os seus excremen- 
tos cahir nelle em forma de pequenos pingos amarellos. E' 
engraçado se \'er como ellas apalpam cuidadosamente o lo- 
gar respecti\'o e como ás vezes a formiga mãe chega e toma 
nota, satisfeita do trabalho feito, apalpando também o logar 
e lambendo levemente o cogumello ao redor. Além disto as 
trabalhadoras começam a transportar pequenos flocos de 
mycelio para os lugares estrumados, de maneiras que a beira 
do jardim de cogumello, que vae ficando mais alta. parece 
composta de flocos diminutos. Com esta actividade unida 
da rainha e das ti^abalhadoras, o diâmetro do jardim de co- 
gumello ás ^'ezes augmenta um pouco, porém raras vezes 
excede a 2.5 cm. antes de começar o c(jrte das folhas. As 
larvas, cujo numero augmenta agoia outra vez muito, são 
ainda alimentadas com ovos. Aqui é particularmente interes- 
sante se ver como as trabalhadoras, cujo numero vac sem- 
pre augmentando, se encarregam do trabalho principal çla 
formiga mãe. Muitas vezes ainda acontece (|ue a formiga 
mãe empurra o ovo entre as mandibulas da larva segundo 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 23? 



todas as regras da ai'tc, mas cm alguns casos pode-se obser- 
var (isto também acontece antes) que o ovo não toma o 
logar exacto, ou só é depositado em quaic|uer lugar do ni- 
nho, onde as trabalhadoras o pegam e o offerecem a uma 
larva. Como a formiga mãe. as trabalhadoras incitam a lar^'a 
a mo\xr as mandíbulas coçando-a com as antennas emquanto 
ellas lhe dão o ovo. A maior parte das vezes pude observar 
que um ovo era dado a differentes larvas uma depois da 
outra e que a trabalhadora a expremia devagar com as suas 
mandíbulas. 

O alimento das trabalhadoras se compõe de Kohlrabi 
que já existia ha algum tempo e apparece agora em numero 
maior na beira do jardim de cogumello. Ouasi sempre as 
pequenas trabalhadoras não são capazes de comer uma ca- 
beça inteira de Kohlrabi. As vezes estas são só mordidos 
em certo lugar, e o conteúdo, que sae cm pingos crystalli- 
nos, c lambido : mais vezes ainda ellas são arrancadas e co- 
midas por 2 ou 3 trabalhadoras em commum, ou passadas 
de uma para outra. Não c im]jrovavel que durante a ali- 
mentação das larvas as trabalhadoras também chupem o 
sumo dos ovos. l^ma vez eu pude observar que uma tra- 
balhadora tentou expremer um ovo entre as mandíbulas, 
porém foi interrompida por uma outra trabalhadora ( 1 ). 
Em quanto á alimentação da rainha devo confessar que ainda 
não tenho certeza sobre ella. Porque desde o apparecimento 
das trabalhadoras só pude observar uma vez. e mesmo ahi 
sem segurança, que uma rainha comesse um ovo: todas as 
outras vezes que eu a vi por ovos, estes eram depositados 
ou dados ás larvas. Do Kohlrabi ella come tão pouco como 
dantes. Por contra pude observar muitas vezes que uma tra- 
balhadora se approxímava da rainha, abria as mandíbulas 
e offerecia sua língua á rainha que a lambia durante alguns 
segundos. Ao principio pensei numa alimentação das traba- 
lhadoras pela rainha, porém como as trabalhadoras comem 
Kohlrabi, isto parece pouco provável e a supposição mais 
plausível parece ser que as trabalhadoras offerecem á rainha 



( 1 ) Pude verificar num caso que em talta de Kohlrabi acontece 
também em colónias mais velhas as trabalhadoras comerem ovos. 



238 A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 



dos seus suecos nutritivos. Em todo caso este ponto ainda 
precisa de novas observações c de esclarecimentos defini- 
tivos. 

No principio não se pode distinguir nenhuma divisão 
de trabalho entre as trabalhadoras, que existem, como já ob- 
servei, em dous tamanhos. Durante alguns dias ellas só se 
occupam do jardim de cogumello. é raro uma ou outra se 
afastar delle alguns passos. Só depois de quasi uma semana 
([ue eu vi umas trabalhadoras occupadas em excavações, 
sem que eu ti^'esse distinctamente a impressão de que se 
tiatasse da eonstrucção de uma sabida. Agora também ap- 
pareccm pouco a pouco trabalhadoras de cabeça grande que 
medem 4 — 5 mm. Numa das minhas culturas eu vi, no nono 
dia depois do apparecimento das primeiras trabalhadoras e 
quando existiam 35 delias, as jovens trabalhadoras muito 
occupadas com trabalhos mineiros no qual tomavam parte 
até as menores trabalhadoras. Numa outra colónia observei 
emtim no dia 2 de maio. dez dias depois do apparecimento 
(las ])iimeiras trabalhadoras, a construcção de uma sabida 
cujo buraco estava cercado por uma cratera bastante alta 
de terra. Numa outia colónia que tinha começado como as 
acima mencionadas no dia 12 de Março, os mesmos pheno- 
mcnos se mostraram a 5 de maio. Em ambos os casos as for- 
migas cortaram logo pedaços das folhas de roseira que lhes 
foram apresentadas e carregaram-nos para dentro da formi- 
gueira. Com isto o periodo de transição acaba e a construcção 
do jardim de cogumello definitivo começa. E' verdade que na 
natureza ainda não encontrei sabidas, mas fica demonstrado 
pelas experiências acima expostas que 7 semanas depois da 
fundação da colónia as jovens trabalhadoras já são capazes 
de se pór em communicação com o mundo exterior e de 
Começar a cortar folhas. 



Para poder observar a construcção do jardim de co- 
gumello definitivo, uma folha de roseira foi posta num vidro 
chato no qual se achava uma rainha com o seu jardim de 
cogumello provisório e mais de 3o trabalhadoras. Três horas 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚBA 239 



depois achei a folha cortada em pedaços e os fragmentos já 
amassados em pequenas bolas difformcs inseridos em diver- 
sos lugares na beira do jardim de cogumello. Durante a 
tarde, flocos de mvcelio de outros lugares, sobretudo da 
parte inferior do jardim de cogumello, foram plantados em 
cima das particulas de folhas. Durante os dias seguintes a 
beira do jardim de cogumello tornou-se muito mais alta pela 
accumulação de fragmentos de folhas com plantação sub- 
sequente de mycelio ( 1 ). de maneira que a ninhada estava 
em breve deitada num compartimento distincto que foi quasi 
completamente coberto (4 de Maio), em quanto que ao lado 
já se principiava a construcção de compartimentos periphe- 
ricos dos quaes um servia de deposito para os pedaços de 
folha cortados e amassados. Durante o corte das folhas, no 
qual naturalmente só tomam parte os maiores individues, e 
na construcção do jardim de cogumello definitivo, a estruma- 
ção não parece miais ser praticada, ao menos não a observei 
mais (2). A rainha parece não se acostumar senão dificil- 
mente com o novo modo de cultura do cogumello. EUa fica 
agora muitas vezes immovel e como amuada longe do jardim 
de cogumello e só vem para fiscalisar o trabalho e lamber 
levemente o cogumello e também para por ovos e dal-os ás 
larvas, em que porém ella é prevenida muitas vezes pelas 
trabalhadoras que lhe tiram o ovo das mandíbulas ou mesmo 
do abdómen. 

Agora começa para a rainha um tempo de atrazo que 
finda com a degradação da mãe activíssima e sollicita a 
uma simples machina de pór ovos. A causa deste atrazo 



(1) A plantação do mycelio pelas t' abalhadoras menores. 'pela 
primeira vez observada pelo Dr. Goeldi, é de grande importância para a 
edificação do jardim do cogumello. 

( 2 ) E' poiém provável que mais tarde em certos tempos, sobre- 
tudo quando sobrevem uma pausa mais comprida no corte das folhas, a es- 
trumação do cogumello com os excrementos das trabalhadoras represente 
um papel importante. Apezar de grande attençào empregada para este fim, 
só pude observar em muito poucos casos uma estrumação do cogumello 
definitivo com excrementos. Mas que esta é praticada em grande escala já se 
pode concluir do facto que muitas vezes apparece uma formação extensa de 
Kohlrabi em certas partes de jardins de cogumello antigos que já tinham 
ficado amarellas e onde os fragmentos de folhas já estavam inteiramente 
chupados. 



24o A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚCA 



successivo 6 sobretudo no numero excessivo das trabalhadoras 
que impedem a formiga mãe em todos os seus trabalhos, e no 
rápido crescimento do jardim de cogumello que impossibilita 
um tiatamento e até uma íiscalisação sufticicnte por parte 
da formiya mãe. Provavelmente taml)em o novo methodo de 
cultura do jardim de cogumello não é mais sympathico á 
rainha, de forma que ella cessa de tomar parte nella. Já 
vimos acima que o tratamento das chrysalidas maduras c o 
primeiro trabalho que a rainha abandona inteiramente ás tra- 
balhadoras. O tratamento das larvas limita-se. já dui-ante o 
periodo de transição, a dar-lhcs os ovos, o que. como já vi- 
mos, é cada vez mais abandonado ás ti"abalhadoras. Com o 
crescimento do jardim de cogumello as lar^'as e também os 
ovos são pouco a pouco postos fora do alcance da formiga 
mãe. 

Não é para admirar ciue ao principio a alimentação 
das larvas com ovos continue, porque n'este momento o nu- 
mero de Kohlrabi é ainda limitado e a[)enas sufficiente para 
as trabalhado]-as adultas. Quando começa a alimentação da 
rainha com Kohlrabi. que foi constatada pelo Prof. Goeldi e 
por mim em colónias mais \'elhas, não está ainda certo: pro- 
vavelmente as trabalhadoras se decidem a isto quando exis- 
tem bastante Kohlrabi. Caso que minha supposição sobre a 
alimentação da rainha pelas trabalhadoras durante o pe- 
riodo de transição se confirme, está dado ahi uma transição 
da alimentação original com o\-(js para a alimentação vege- 
tariana com Kohlrabi. 

Embora que pelas experiências acima descriptas tenha 
sido provado cjue a fundação de uma colónia de Afta scx- 
dens por uma fêmea is()lada c um facto e succede muitas 
vezes na natureza, a possibilidade da fundação de uma co- 
lónia por adopção não é excluida. Diversas experiências que 
eu fiz nesta direcção sahiram sempre fa^^oraveis. Assim ob- 
servei uma colónia que resultou da adopção de uma rainha 
por trabalhadoras duma colónia mais velha de Aíta sexdcns. 
A fêmea que já estava em captividade um mez, por conse- 
guinte no meio da criação, foi acceita pelas trabalhadoras c 
carregada para a cavidade subterrânea. Primeiro ella ainda 
tentou de tomar parte no trabalho da ninhada, no que ella foi 



A ORIGEM DAS COLÓNIAS DE SaÚIíA 241 



porém impedida pelas numerosas trabalhadoras, até que cila 
tornou-se pouco a pouco mais apathica e no fim nem rece- 
bia mais os seus pioprios ovos. 

Os resultados mais importantes destas experiências po- 
dem ser resumidas nas seguintes phrases : 

1. A fêmea fecundada de Atta sexdens é capaz de 
fundar uma colónia numa cavidade feita por cila mesmo, 
sósinha e sem auxilio exterior algum,. 

2. O tempo necessário pai^a o descnvoh^imentu da co- 
lónia até o apparecimento das primeiras ti-abalhaduras é de 
40 dias, no caso mais favorável, no Pará : as pi imeiías larvas 
apparecem ao cabo de quinze dias pouco mais ou menos, 
as primeiras chrysalidas em um mez. Depois du appareci- 
mento das primeiras trabalhadoras decorre ainda pelo menos 
uma semana, em liberdade talvez mais (periodo de transi- 
ção), até a communicação com o mundo estabelecei-se de 
novo e o corte das folhas começar. 

3. O cogumello é estrumado com excrementos líquidos 
primeiro pela lormiga mãe, no periodo de transição tam- 
bém pelas jovens trabalhadoras. 

4. A formiga mãe come ao principio seus próprios 
ovos, dos quaes cila só emprega uma fracção pequena 
para a criação. Além disto ella lambe o cogumello. mas 
não come delle. Desde o apparecimento das trabalhadoras a 
formiga mãe é provavelmente alimentada por estas. 

5- As larvas são alimentadas primeiro pela formiga 
mãe, e durante o periodo de transição pelas trabalhadoras, 
com ovos frescos que ellas chupam. 

ó. As jovens trabalhadoras comem Kohlrabi des<ie o 
principio. 

Pará, 4 de Maio, 1905. 



o MUSEU GCELDI 

tem publicado até esta data : 

BOLETIM 

Volume I: Faseieulos 1, 2, 3, 4. 

t Fascículo l reeditado, 3 e 4 oxgotUidos ). 

Volume II: » 1, 2, 3, 4. 

(Faseieulos 2 e 3 exgottadr)s). 

Volume III: » 1, 2, 3-4. 

(Fascículo 1 exgottado). 

Volume IV: » 1, 2-3, 4. 

(Fascículo 1 exgottado'). 

Volume V: » 1, o fascículo 2 tepminapá o 

volume. 

MEMORIAS 

I — Excavações archeologicas em 1895 (reeditado). 
II — Zwischen Ocean und Guamá (rara). 

III — Estudos sobre o desenvolvimento da armação dos 

veados galheiros do Brazil ( raro ). 

IV — Os mosquitos no Pará. 



ÁLBUM DE AVES AMAZONICAS 

A obra completa, composta de 3 faseieulos : Fasciculo 
1 (estampas 1-12) exgottado, fasciculo 2 (estampas l3-24) 
raro, fasciculo 3 (estampas 25-48). 



Relação das publicações 

feitas pelo Museu Goeldi (exgottada). 



ARBORETUM AMAZONICUM 

Décadas: I (e.st. l-io), II (est. 11-20 ), III, (est. 2l-3o) 
IV (est. 31-40). 

Os Boletins e Memorias são de distribuição gratuita e 
para obtel-os regularmente basta pedir directamente á Di- 
rectoria do Museu. 



O "Álbum de Aves" e o " Arboretum ", encon- 
tram-se á venda na Livraria Clássica de Francisco Alves & 
Comp., á nta do Ouvidor n. 134 no Rio de Janeiro. 



N.° 2 (ultimo) 



MARÇO— 1909 



VOL. V 



BOLETIM 

DO 



MUSEU GCELDI 

(MUSEU PARAENSE) 



DE 



HISTORIA lATTJML E ETHNOGEAPHIA 

_í L 



SUMMARIO 

PARTE SCIENTIFICA 

I A Hevea Benthamiana Miill. Arg. como for- 
necedora de borracha ao N. do Amazonas, 
pelo Dr. J. Huber. 
II Sobre uma nova espécie de Seringueira, 
Hevea coUina Hub. e as suas aífinidades 
no género, pelo Dr. J. Huber. 

III Melastomacées et Cucurbitacéès nouvelles 

de la valle'e de TAmazone, par A. Cogxiaux. 

IV Lichenes Amazonici, Materialien zu einer 

Flechtenflora Brasiliens, von Dr. Aj.exan- 

DER ZaHLBRUCKXER. 

V Uredinaceae paraenses, pelo Prof. Dr. Paul 

DlETEL. 

VI Fungi paraenses III, auctore P. HennixNgs. 
VII Materiaes para a Flora amazonica VIL 

Plantae Duckeanae austro-guyanenses. pelo 

Dr. J. Huber (com um mappa). 
VIII Novas espécies de Aves amazonicas das col- 

lecções do Museu Goeldi, pela Dra. .Sxe- 

thlage. 
IX Novas espécies de Peixes amazonicos das 

collecções do Museu Goeldi (segundo os 

trabalhos do conselheiro Dr. Steindachner^, 

pela Dra. .Sxethi.age. 

Bibliographia 1906 — 1907. 



PARA - Brazil 

ESTABELECIMENTO GRAPHICO DE C. WIEGANDT 
1909 



I 



BOLETIM 

MUSEU GOELDI 'Z:!^ 

(MUSEU PARAENSE) '-^«den 

DE 

HISTORIA NATURAL E ETHNOGRAPHIA 



VoL. V. Fasc. 2. 



A Hevea Benthamiana múh. Arg^. 

como fornecedora de borracha ao N. 

do Amazonas 

pelo Dr. J. HUBER 



Ainda estamos longe de poder articular a ultima pala- 
vra acerca da distribuição das arvores de borracha na re- 
gião amazonica. Cada excursão no interior e quasi cada 
collecção de plantas que chega ás nossas mãos, modifica 
em algum ponto a opinião corrente sobre as áreas occupa- 
das pelas diversas espécies de Hevea, influindo também so- 
bre a nossa maneira de encarar a divisão taxonomica d"este 
grupo polymorpho. Assim é só ultimamente que chegámos, 
por uma coincidência feliz, a uma comprehensão mais ade- 
quada do papel que algumas espécies de Hevea occupam na 
producção de borracha ao norte do Amazonas. 

Pelo Sr. Adolpho Ducke foram coUeccionados, no mez 
^^ de Dezembro de IQO?. diversas amostras da espécie de 
Hevea que no alto rio Trombetas (Cachoeira Porteira) e no 
rio Mapuéra fornece a borracha de boa qualidade^ classifi- 
í>, cada no commercio de « fina fraca ». Infelizmente os especi- 
CC3 mens coUeccionados não têm flores ; as folhas e os fructos 



243 Hevba Benthamiana como fornecedora de borracha 



entretanto permittem cie identiTical-a com a Hevea Bentha- 
miana Miill. Ar^.. conhecida até aqui do Uaupés e do alto 
Rio Negro (*). A forma e o aspecto ^eral das folhas lembra 
bastante a H. Spruceana e a. H. discoíor, mas a pubescencia 
da face inferior é diffusa, um pouco mais fina do que na 
H. Spruceana e distinctamente ruiva, como nas folhas da 
H. Benthamiana que possuímos da região do alto Rio Xcgro. 
O que porem distiiigue a nossa espécie ainda com mais í^c- 
gurança d"aquellas espécies, é a forma das capsulas, que 
são muito menores do que as de H. Spruceana e H. discoíor, 
sendo alem d"isto os loculos muito mais destacados, mais 
ainda que na H. brasiJiensis. Em vi^ta da foi ma da capsula, 
as sementes d'esta espécie devem ter a forma quasi exacta- 
mente ellipsoidea e loliça que distingue as sementes da H. 
Benthamiana (cf. a figura de Hemsley cm Hooker's ícones Plan- 
tarum vol. XXVI pi. 2575 íig. 16-17). Por conseguinte não 
me parece duvidoso que a H. Benthamiana seja, n"af|uelia 
região, a fornecedora da borracha de bóa qualidade. E' ver- 
dade que a H. guyanensis também se encontra por ali (te- 
mos espécimens de diversos pontos dos arredores de Faro): 
ella parece entretanto ser pouco explorada e fornecer um 
producto de qualidade inferior. A seringueira barriguda 
(H. Spruceana), frequente na beiía dos lagos do baixo Ama- 
zonas, e que não fornece borracha, parece confinada na 
parte abaixo das cachoeiras. 

Na região do alto Rio Negro e alto Orenoco, onde a 
H. Benthamiana foi descoberta, ella fornece também uma 
borracha de bóa qualidade. Na minha Synopse das Espécies 
do género Hevea (cf. este Boletim vol, IV p. 63o) reproduzi 
as informações que a este respeito recebi do Sr. Alfredo 
Stockmann. 

Para o médio e o baixo Rio Negro porem, é a H. dis- 
coíor que era considerada até agora como fornecedora principal 
da melhor borracha, chamada no commercio «fina fraca». 



(*) Por consefíuinte a indicação de O. Coudreau na sua obra Voyage 
à la Mapuera (pai^. 160-161) e reproduzido na minha Synopse (paij. 641 ), 
que attribue a H. hrasilietisis as seringueiras boas do Mapuera, deve ser 
i^ectificada n"este sentilo. 



Hevea Benthamiana como fornecedora de borracha 244 



Esta opinião foi ainda ha poucos annos confirmada pelo Sr. 
Ernesto Ule que em S. Joaquim, isto é não muito acima da 
bocca do Rio Branco, em frente á emboccadura do rio Pa- 
dauiry, coUeccionou espécimens esteris da espécie explorada 
ali. Estes exemplares foram por elle comparados com espé- 
cimens da H. discolor do Museu real de Berlim e conside- 
rados como pertencentes a esta espécie. Em (i]5posição com 
esta opinião, o Sr. Labroy tem publicado ultimamente um 
artig-o, constatando que a H. discolor dos arredores de Manáos 
absolutamente não fornece borracha (Journ. d'Agric. tropicale 
vol. 7 p. 69- 71)- E' verdade que a supposição que uma es- 
pécie tão próxima parenta da H. Spruceana podesse forne- 
cer borracha b(3a me parecia desde muito tempo estranha, 
porem em vista da affirmação positiva d'um observador cui- 
dadoso como é o Sr. Ule. pensei que talvez tivesse havido 
eng^ano da parte do Sr. Labroy. Como uma das formas de 
H. Spruceana encontra-se até no meio Rio Negro (Barcellos) 
d'onde o nosso collega Sr. Ducke nos trouxe exemplares, 
imaginei que os espécimens considerados como sendo de 
IL discolor, sejam talvez de H. Spruceana, o que teria ex- 
plicado que elles não tenham nenhum valor paia a explo- 
lação da borracha. 

Entretanto ficava sempre a cii cumstancia que a locali- 
dade typica de H. discolor era piecisamcnte nos arredores 
de Manáos, e não no médio Rio Negro on<Je Ule coUeccio- 
nou as suas amostras. 

A descoberta de H. Benthamiana no Rio Mapuera me 
metteu emfim n'uma pista que me conduziu a uma solução 
satisfactoria d'esta questão intrincada. Impressionado com 
a semelhança entre as folhas d'aquella espécie e as da 
H. Spruceana e da H. discolor de diversas pi-oveniencias, 
semelhança que é tanto mais surpiehendente, visto as diffe- 
renças fundamentaes na estructura dos órgãos de reproduc- 
ção, voltei a examinar as folhas que foram classificadas por 
Ule como sendo de H. discolor e convenci-me de que eram 
realmente de H. Benthamiana. 

Como diz o Snr. Ule em diversos escriptos referentes 
a este assumpto, a determinação das Heveas se torna sobre- 
modo difíicil quando temos á nossa disposição apenas as 



245 Hevea Bentuamiana como fornecedora de borracha 



partes vegetativas. Esta circumstancia mesma pode servir 
de desculpa ao nosso collega para o erro em que elle ca- 
hiu identificando as folhas por elle colleccionadas com as de 
H. discolor. Elle aliás não c o primeiro que confundiu a 
H. Benthamiana com a H. discolor; o próprio Spruce, des- 
cobridor e colleccionador dos espécimens que serviram á 
descripção d'esta espécie, tinha rotulado e distribuido estes 
com o nome de Siphoiiia discolor ( Spruce n.o 2568 in H. DC. 
Prodr.! ) Infelizmente não tenho á minha disposição a des- 
cripção original que Bentham deu da sua 5. discolor (Hook. 
Journ. of Bot. l8õ4 pag. 369) mas devo suppôr que este au- 
tor também confundiu as duas espécies. Só Miiller Arg. 
( Linnaea vol. 34 p. 204). separou a H. Benthamiana, ba- 
seando-se nos caractci es da inflorescencia : pubescencia de còr 
ferruginosa e botões íloraes acuminados. Quanto ás folhas, 
a sua forma é semelhante nas duas espécies e parece alem 
disto variar consideravelmente tanto n'uma como na outia. 
de forma que não será possivel servir-se d'ella para distin- 
guil-as. A differença mais constante c na pubescencia da 
face inferior das folhas. Na H. discolor ella é, como na H. 
Sprnceana, de cór esbranquiçada, emquanto que na //. Ben- 
thamiana ella é distinctamentc ruiva ou ferruginea. E' este 
caracter que me permittiu formar-mc uma opinião scguj-a 
sobre as folhas colleccionadas por Ule em S. Joaquim e 
distribuidas sob os números 6021 e 6022 e sob o nome de 
H. discolor. Em ambos os espécimens, as folhas já estão 
quasi completamente despidas dos seus pellos, mas onde es- 
tes ainda estão conservados, elles têm a côr caracteristica 
dos pellos da H. Benthamiana. Um caracter que permitte 
também de distinguir a H. Benthamiana, c o caule menos grosso 
e terminado por poucas escamas, emquanto que na H. Spru- 
ceana e na H. discolor as escamas são muito numerosas. 

Os espécimens distribuidos por Ule sob o numero 
6026 e citados no seu trabalho em Englers Bot. Jahrb. 35 
p. 660 com a denominação « Hevea sp. do Rio Negro com 
as folhas arredondadas», parece também pertencer á H. Ben- 
thamiana, apezar dos seus foliolos arredondados no ápice. 
Todos estes espécimens representam, segundo Ule, producto- 
res de bôa borracha. 



Hevea Benthamiana como fornecedora de borracha 246 



Tenho ainda uma outra prova da importância da 
H. Benihamiana como productora de borracha no curso 
médio do Rio Negro. Em 1905 o Sr. A. Ducke me trouxe 
de Barcellos algumas sementes d'uma espécie de Hevea 
que os indigenas chamavam simplesmente de « Seringueira 
boa». Procurei attribuir estas sementes a uma das espé- 
cies que eu tinha recebido d'aquella localidade, mas não 
consegui marcar-lhes um logar certo. Comparando porem 
estas sementes com as figuras publicadas no trabalho con- 
sciencioso de Hemsley (Hooker's ícones Plantarum 1. c), 
fiquei impressionado pela semelhança d'elles com as semen- 
tes attribuidas alli á H. Benthaniiana (PI. 2575, ló e 17). 
E' verdade que Hemsley não é muito positivo quanto a af- 
firmar a identidade d'essas sementes, mas como a H. Beiítba- 
miana é a principal productora da borracha no alto Ore- 
noco, me parece muito plausível que as sementes figuradas 
sejam realmente d'esta espécie. O que me confirma n'esta 
opinião é o facto, c[ue as sementes da H. Diickei do Rio 
Yapurá, isto é d'uma espécie muito apparentada com H. Ben- 
thamiana pelos seus caracteres vegetativos e piincipalmente 
pelas suas flores, são quasi idênticos com as citadas semen- 
tes de Barcellos e as figuradas por Hemsley. 

Emquanto á H. Dnckei, que talvez seja considerada 
mais tarde como simples variedade da H. Benihamiana. te- 
nho de rectificar uma affirmação inexacta na minha Synopse. 
Ali eu disse ( p. 63 1) que no baixo Yapurá ella é cortada 
e fornece borracha, porem de qualidade inferior. Eu devia 
dizer borracha iini pouco inferior a da H. brasiliensis, porem 
sempre boa (fina fraca). Ainda podia-se accrescentar que os 
moradores do logar chamam esta espécie de seringueira 
branca, como a H. brasiliensis. 

A H. Benthamiana é por conseguinte, com a sua pa- 
renta mais próxima H. Dnckei, a espécie que sem duvida a 
maior importância tem como fornecedora da borracha ao 
Norte do Amazonas. P^Ua occupa uma zona que se estende 
do Rio Trombetas até o alto Rio Negro e Orenoco e com- 
prehende provavelmente os districtos productores de borra- 
cha do baixo Rio Branco. E' muito provável que outras es- 



247 Hevea Benthamiana como fornecedora de borracha 



pecies, como Hevea lutea, H. apiciilata (*) e talvez H. rigi- 
difolia e H. guyanensis sii ^•am também para o mesmo fim, 
mas parece que o seu papel c secundário em comparação 
com a importância da H. Benthamiana. (**) 

Quanto á H. discolor Miill. Arg-. ella em todo caso não 
pode ser mais citada como fornecedora de borracha, uma 
vez que nós sabemos que os e>pecimens que podiam se con- 
siderar como a única prova positiva do seu valor economicc», 
mostram-se como pertencentes á H. Benthamiana. 

Por conseguinte não ha mais razão de não acccitar as 
conclusões de Labroy quanto á esta espécie. A H. discolor 
é pois uma simples « Seringueiía barriguda», sem valor eco- 
nómico, exactamente como a H. Spruceana. 

Que a H. discolor não differe por caracteres essenciaes, 
a não ser pelo tamanho das flores, da H. Spruceana, é um 
facto que se evidencia cada vez mais com o estudo das duas 
espécies. De\'o mesmo confessai- que actualmente me é im- 
possível distinguir, na serie dos nossos espécimens colleccio- 
nados em muitos togares do baixo e do alto Amazonas e 
que comprehende a área das duas espécies, exemplares que 
possam ser attribuidos com certeza á H. discolor, apezar que 
a forma das folhas de muitos dos nossos espécimens con- 
corda muito mais com esta espécie que com a H. Spruceana, 
segundo a descripção de Miill. Arg. Os exemplares da H. 
discolor que eu tive ensejo de examinar nos herbarios euro- 
peus (Poeppig- 2595: Teffé ; Spruce 11 71: foz do Rio Ne- 
gro), tinham as inflorescencias ainda novas. E' verdade que 



(*) Estas espécies são citadas por Spruce como fornecendo borra- 
cha no alto Rio Nej^ro e Cassiquiare ( Hook. Journ. of Botany and Kew 
Gardens Miscellany, 1855 p. 194. ) 

(**) A « serinfTueira torrada», que Jumelle ( Les plantes à Caout- 
chouc 190.3 p. 130-131 ) indica como fornecedora de borracha no Rio Ne- 
gro e no Rio Caurès e que elle classifica com duvida na H. paucijiora^ pa- 
rece em todo caso não ser a H, Bcnlhamiana^ ao menos secundo a figura 
(fig. 19 p. 13r) que elle dá de uma folha proveniente do Rio Jahú. Esta 
folha differe na forma bastante das folhas da H. Beníbaniiana e como Ju- 
melle não falia de pubescencia da face inferior, me parece provável que se 
trate antes da H. lutea, a não ser que a classificação como H. paucijlora 
se confirme, o que eu acho pouco provável. 

Em todo caso tudo isto tende a provar que a H. Benthauiiana não 
é a única espécie fornecedora de bòa borracha no Rio Negro. 



Hevea Benthamiana como fornecedora de borracha 248 



as poucas flores já abertas d'estes exemplares são muito 
menores que as flores completamente desenvolvidas de H. 
Spruceana, mas me parece que isto pode ser devido á circums- 
tancia que ellas ainda não tinham terminado o seu crescimento. 
Nos nossos exemplares do baixo Japurá e do Teffé, que 
pertencem por conseguinte a área da H. discolor, ha uma 
mistura tão curiosa de caracteres de H. discolor, H. similis, 
e H. Spruceana, que ainda não consegui attribuil-os sem 
restricções a uma ou outra d'estas espécies. Em todo caso 
é certo que as sementes de H. discolor da foz do Rio Ne- 
gro (vistas no Herbaiio deCandolle) e as de H. similis do 
baixo Yapuiá são tão semelhantes ás de //. Spruceana de 
Óbidos, que não seria possível distinguil-as se fossem mistu- 
radas. Todas estas formas são chamadas de « Seringueira 
barriguda » e têm caracteres vegetativos proeminentes em 
commum, como p. ex. o facto de não produzirem borracha 
e de terem os galhos grossos e as escamas das innovações 
muito numerosas, pontudas e bastante persistentes. 

Resumindo as conclusões ás quaes chegámos, podemos 
dizer: 

1.0 que a H. Benthamiana é, segundo todos os dados 
positivos que possuímos até aqui. a principal espécie forne- 
cedora da borracha de bôa qualidade ao N. do Amazonas, 
principalmente nas bacias do Rio Trombetas e do Rio Ne- 
gro, sendo conhecido no rio Yapurá uma espécie muito ap- 
parentada (H. DuckeiJ, também fornecedora de borracha bôa; 

2.0 que, como já mostrou o Sr. Labroy, a H. discolor 
deve desapparecer da lista das arvores de borracha e en- 
trar na cathegoria das «seringueiras barrigudas», sem valor 
económico, junto com a H. Spruceana e a. H. similis^ com as 
quaes ella talvez terá de se reunir mais tarde n'um só grupo 
especifico. 



249 Hevea collina e suas affiniuades 

II 

Sobre uma nova espécie de Seringueira 

Hevea collina Hub. 
e as suas affinidades no género 

pelo Dr. J. HUBER 

Devemos ao Sr. Adolpho Ducke a descoberta de mais 
uma nova espécie de Hevea que sob diversos pontos de vi>ta 
é digna de interesse. Segundo as informações recebidas do 
Sr. Ducke, esta espécie, que foi encontrada por elle nas fral- 
das da Serra de Parintins, na parte mais occidental do Es- 
tado do Pará, é uma arvore alta da matta, chamada i)elo 
povo de «Seringueira itauba», ou simplesmente «Itauba». O 
nosso collega encontrou a aivore em flor em meiado do mcz 
de Setembro; as pequenas flores, reunidas em paniculas ex- 
tensas que partem dos galhos embaixo das folhas, têm na 
vida uma cor amarella muito pronunciada. Segundo o Sr. 
Ducke, a arvore dá um leite branco que fornece uma espé- 
cie de borracha fraca, inferior á da Hevea hrasilierisis e da 
H. Benthamiana. 

Eis a diagnose da nova espécie : 

i/ Hevea collina Hub. n. sp. 

Arbor excelsa ramis subgracilibus glabris, novel- 
lis striatis, vetustioribus nodosis cortice rugoso nigres- 
cente obtectis, cicatricibus foliorum delapsorum cordi- 
formibus albicantibus, stipulis subulatis 2 mm. longis 
flavescente-sericeis deciduis. F<jlia ad apicen ramulorum 
congesta longe petiolata, petiolo gracili foliorum inferio- 
rum ad 10 cm longo, petiolulis nigrescentibus gracili- 
bus 6 — 10 mm longis, glandulis ad apicem petioli 2 mi- 
nutis. Foliola petiolo aequilonga vel interdum breviora 
erecta (haud nutantia ), lamina obovato-oblonga (vulgo 
8 — 12X3 — 4 cm ) basi subcuneata vel breviter in petiulu- 
lum angustata, in foliolis lateralibus saepe leviter inae- 
quilatera, apice brevissime laleque acuminata, chartacea, 



Hevea collina e suas affinidades 250 



utrinque opaca reticulato-venosa infra violascente, ner- 
vis secundariis utrinque 10 — 12. Infloi"escentise ad basin 
ramulorum fasciculalce floribundse, ad 20 cm longíe 
divaricato-ramosse. tenuiter subsparse ferrug"ineo-lomen- 
tellae, floribus in vivo luteis. Florum cf cf alahastra sub 
anthesi breviter ( circ. 1 mm ) pedicellata globoso- 
ovoidea (3 mm longa) basi roiundata ápice breviter sed 
aciite acuminata minutissime puberula, perigonio aperto 
usque ad médium 5-fido lobis triangulari r)vatis longius- 
cule acuminatis. Columna staminalis brevis, antheris J 
breviter eJlipticis in verticiUum unicnm dispositis ápice 
columnee t.btusiusculo puberulo paullulum superatis, 
Di-CLis rudimentariíis. Flores 9 Ç i^^ inflorescentiis ter- 
minales singuli ( interdum paucis late]"alibus adjectis) 
pedicello iis paulo longiore vel sequilongo, lobis h'neari- 
ianceolatis tubum vix sequantibus, disco haud evoluto, 
ovário ovoideo stigmatibus subsessilibus, bilobis. Fructus 
incognitus. 

Hab. in declivibus Serra de Parintins: ab indigc- 
nis Seringueira itaiiha nuncupatur. 15 IX IÇ07 leg. 
^ A. Ducke (Herb. Amaz. Mus. Goeldi n. 8728). 
'^Pela disposição do seu androceo, a nossa espécie per- 
tence á secção Euhevea; as suas affinidades com a H. gn- 
yanensis são evidentes, mas também não pode haver duvida 
sobre o caracter especifico das differenças entre as duas 
plantas. A forma das folhas é semelhante nas duas espécies, 
mas nos nossos exemplares de H. guyanensis provenientes da 
região próxima de Faro as glândulas no ápice do peciolo 
são quasi completamente apagadas e os peciolulos attingem 
apenas 5 mm. de comprimento, contra ó a 10 mm. na H. 
collina. As inflorescencias costumam sahir na H. guyanensis 
no ápice dos galhos, nas axillas mesmo das folhas vegetati- 
vas, emquanto que na H. collina ellas são ananjadas na base 
do galho novo em cujo ápice as folhas são agrupadas, A 
pubescencia das inflorescencias é mais densa na H. guyanen- 
sis do que na H. collina. A differença principal é entretanto 
nas flores masculinas, cujos botões são distinctamente acu- 
minados na H. collina, emquanto que elles são obtusos na 
H. guyanensis. Fm compensação a columna estaminai tem 



251 Hevea collina e suas affinidades 



um ápice curto e obtuso na H. collina, emquanto que elle 
é alongado e pontudo na H. guyanejtsis, ao menos nos exem- 
plares de Faro. 

O nome vulgar e a còr violácea da face inferior das 
foliias podeiiam induzir a identificar a nossa espécie com a 
Itauba do rio Juruá e dos outros affluentes meridionaes do 
alto Amazonas. Esta identificação teria por consequência de 
excluir a identidade d"aquella espécie C(>m a H. peruviana 
Lechler, que. segundo as figuras publicadas por Hemslcy 
(Hooker's Icon. plant. XXVI pi. 2574 fig. 19-24) tem os 
botões floraes menos arredondados na base e menos acu- 
minados no ápice e a columna staminal mais comprida com a 
inserção das antheras em altuj-as desiguaes. estabelecendo as- 
sim uma transição á serie Luíea. A Hevea peruviana Lech- 
ler, C(jm a qual identifiquei a minha H. cuneata do Rio Uca- 
yali, é com certeza differente da H. collina, não só por 
causa da sua estructura floral, mas também pelas suas fo- 
lhas. Estas têm uma ponta fina e aguda e os nervos late- 
raes em numeio de lô ao menos na H. cuneaia. emquanto 
que as folhas de H. collina têm a ponta larga e obtusa e os 
nervos lateraes em numero de 10 a 12. Infelizmente não co- 
nhecemos da Itauba ou Seringa vei melha do Purús. Juruá, 
etc. senão as folhas, e estas de exemplares novos, de ma- 
neira que não é possível pronunciar-se definitivamente sobre 
as suas affinidades com a H. cuneata un a H. collina. Talvez 
que mesmo se trate de ambas as espécies ou de uma espécie 
intermediaria. 

Com a FT. collina, a secção Euhevea conta actualmente 
3 espécies, se não considerarmos a H. peruviana Lechl. como 
pertencendo a este grupo. 

A área de H. guyanensis parece ser bastante extensa, 
abrangendo as Guyanas e parte da região costeira do Estado 
do Paiá. talvez mesmo a parte occidental do Maranhão, de 
onde recebemos espécimens esteris que se não são idênticas 
á H. guyanensis, em todo caso devem ser classificados no 
seu pai"entesco estreito. 

Até aqui a H. guyanensis typica ainda não foi C(jllec- 
cionada ao Sul do Amazonas senão na região littoral. Ao 
Norte do Amazonas ella se acha espalhada até a região de 



Hevea collina e suas affinidades 252 



Faro, de onde o Sr. Ducke nos trouxe exemplares em 
flor. 

A extensão exacta da área de H. collina não é conhe- 
cida, mas em todo caso ella se acha intercalada entre a da 
H. guyanensis e a da //. niora descoberta por Ule no alto 
Rio Juruá. Seria entretanto um erro ])ensar que a nossa es- 
pécie seja por seus caiacteres m(<r])h()logicos, em qualquer 
sentido intermediaria entre estas duas espécies. Ainda mais 
affastada, pela sua estructura floral, da Hevea niora do que 
da H. guyanensis, a H. collina mostra ante> certas afinida- 
des do lado da serie Lutea que talvez deve-se considerar 
Como o g'iupo c[ue tem dado origem ás espécies da secção 
Enhevea. E-^tas apresentam entretanto, alem da reducção do 
andioceo, alguns outros caiacteres balientes. como os foliolos 
relativamente curtos e dirigidos com a ponta para cima ( o 
que é em conelação estreita com a reducção da ponta 
( Tráufelspitze ) , a reducção das glândulas no ápice do pe- 
ciolo. a raridade das flores femininas (na H. guyanensis e 
na H. collina geralmente só ha uma flor feminina na extre- 
midade de cada inflorescencia, emquanto que na H. nigra 
ainda não foi possível achar-.^e uma única flor feminina). 

E' provável que o numero das espécies d'este grupo 
ainda fique augmentado com o tempo. Nos herbarios acham-se 
representados, sob o nome de H. guyanensis, duas foimas 
que talvez seja possível mais tarde separar especificamente. 
Na terra firme a TEste do Rio Cuminá o Sr. Ducke coUec- 
cionou alguns espécimens ( com fructos ) d'uma Hevea, que 
por certos caracteres appi-oxima-se da H. nigra, distinguin- 
do-se d'ella pelas folhas ainda mais pequenas e estreitas 
( elias não são muito maiores que as da H. microphylla Ule, 
da qual esta espécie se distingue entretanto pelas capsulas 
totalmente differentes, do typo das capsulas da H. guya- 
nensis). Em todo caso, fica desde logo estabelecido que a 
área da secção Euhevea que pela descoberta inesperada da 
Hevea nigra parecia offerecer um caso de disjuncção typica, 
extende-se antes n'uma zona larga a E., SE. e S. da área 
occupada pelas espécies da serie Lutea, que representam o 
grupo de parentesco mais estreito com a secção Euhevea. 



253 Mélastomacées et Clxurbitacées nouvelles 

III 

Mélastomacées et Cucurbitacées nouvelles 
de la vallée de rAmazone 

par ALFRED COGNIAUX 



Mélastomacées. 

1. Miconia japuraensis Cogn. ( Sect. Tamonea): 

Ramis JLiniuiibus petiolis pedunculis calycibusque 
subtiliter stellato-furfuraceis : foliis elliptico-oblongis. ápi- 
ce obscure apiculalis obtusisque, basi acuti<. margine 
integerrimis, triplinerviis fere trinerviis, supra subtiliter 
denseque punctatis, subtus ad nervos tenuissime fuifu- 
raceis cíeteris glabris: floribus 5-meris. brevissime pedi- 
cellatis, ebracteolatis : calycis limbo leviter dilatato, 
margine undulato-denticulato: petalis retusis, utrinífue 
subtiliter furfuraceis. 

Fiutex ramis gracilibus, obscure tetragonis. Petio- 
lus 1 — 1 V2 cm longus. Folia membranacea. l3 — 14 
cm. longa, 6 — 7 cm lata. Paniculae anguste thyrsoidea?. 
8 — 10 cm longse; pedicelli V2 — 2 mm longi. Calyx ci- 
nereus, 3 — 3 V._, mm longus. Pétala obovato-quadran- 
gula. 2 V2— 3 mm longa. Antliera 4 — 4 V2 "ti'' l*»"" 
gaee. Stylus filiformis. 7 — 9 mm longus. stigmate puncti- 
formi. — Affinis M. aiirecv Naud. 

Hab.: in silvis ripariis fluminis Yapurá inferioris, 
IX 1904 leg. A. Ducke (6794). 

2. Miconia dectirrens Cogn. (Sect. Laceraria): 

Ramis obtuse tetragonis. junioribus petiolis pe- 
dunculis calycibusque tenuiter furfuraceo-puberulis ; fo- 
liis breviter petiolatis, late lanceolatis, longe acumina- 
tis, basi satis attenuatis et in petiolum longiuscule de- 
currentibus, margine levíssima undulato-crenulatis, 5 — 7- 
plinerviis, utrinque glabris; floribus 5-meris, sessilibus, 
minutissime bracteolatis ; calyce primum obovoideo- 



Mhlastomacées et Cucurbitacées XOUVELLE.S 254 



oblongo obtuso, demum irregularitcr lacero, segmentis 
satia caducis; stigmate punctifíirmi. 

Frutex erectus, ramis satis gracilibus. Petiolus 
fere usque ad basin bialatus. 1 — 1 V2 cm longus. Folia 
membranacea, supra intense viridia, subtus canescenti- 
cinerea, 18— 25 cm longa, 5^8 cm lata. Paniculae ter- 
minales et axillares. densiflorse. 5 — B cm longa;, ramis 
erecto-patulis. Càlycis tubus 2 V2 — ^ ^^ longus : lim- 
bus membranaceus, 1 V2 — 2 mm longus. Pétala alba, 
circiter 2 mm longa. — Affinis M. aiireoides Cogn. 

Hab.: Iquitos, in silvis, 12 VIII IQOÓ leg. A. Ducke 
(7603 ). 

f^ 3. Miconia Duçkei Cogn. ( Sect. Laceraria): 

Ramis junioribus petiolis pedunculis foliisque sub- 
tus ad nervos brcviter denseque stcllato-tomcntosis: 
foliis breviuscule petiolatis, elliptico-obovatis. basi api- 
ceque obtusis. margine integerrimis, 5-nerviis. supra 
primum ad nervos stellato-puberulis demum glabris, 
subtus brevissime subsparseque stcllato-pilosis: floribus 
sessilibus. 5-meris, dense congestis: calycis tubo brevius- 
cule denseque hiitello. limbo puberulo, primum clauso 
demum irregularitcr lacero: antheris eglandulosis; stig- 
mate punctiformi. 

Frutex erectus, ramis satis gracilibus, fusco-cine- 
reis. Petiolus gracilis, 2 — 3 V2 cm longus. Folia patula, 
membranacea, supra laete viridia, subtus viridi-cinerea, 
15—17 cm longa, 8 — 10 cm lata. Paniculae anguste 
pyramidatce, 6 cm longse. Calyx sordide cinereus, 
2 — 2 1/2 mm latus. Pétala alba. anguste obovata, 1 V2 
— 2 mm longa . Anthera? 2 mm long^e. Stylus filiformis, 
glaber, 5 mm longus. 

Cette espèce, qui se distingue de toutes celles de la 
section Laceraria par son cálice hérissé, doit se placer après 
le M. striata Cogn., dans une subdivision nouvelle : C. Folia 
J-nervia. 

Hab. : Iquitos, in silvis, 9 VIII 1906 leg. A. Ducke 
(758Ó). 



1/ 



?55 ]\ÍÉLASTOMACÉES ET CuCURBITACÉES NOUVELLES 



4. Miconia lateriflora Cogn. (Scct. Eumiconia i^ Panicu- 

lares): 

Fere gial)eiiima. ramis teretiusculis: foliis ovato- 
dblongis. Ion<2Íu-cule acuminatis. basi rotundatis. mar- 
gine inccnspicuc undulato-crenulalis et in sinubus bie- 
vissime uni>etulosis. trinerviis : paniculis ad ápices ra- 
mulorum lateralium brevissimoium parvis, paucifloris: 
floribus se^^^ilibus. minutis>ime bracteolatis; calycis tubo 
obloncro-t ylindiaceo. dentibus bre\'ibus, triangulaiibus, 
apiculatis. vix furfuraceis. 

Frutex i"amussi>simus, ramis gracilibus. clongatis. 

Petidlus gi"acilis, 1 — 2 cm longus. Fdha patula. mem- 

l)ranacea. supra intense viridia et nitida subtus paUi- 

didia et nitiflula. S — 16 cm longa. 4 — 7 cm lata. Pani- 

culae paulo ramo^ée. 3 — 4 cm longae. ramis patulis. vix 

fuifuracei>. Calycis tubus 3 mm longus. dentes eiecto- 

patuli. 3 — 4 mm long^i. Pétala obovata. ápice cmaigi- 

nata. l V2 "iít^ Innga. Anther* 3 — 3 ^2 m^n longee. 

Stylus capillaris. 6 mm longus, stigmate punctifoi-mi. 

Cette espèce ressemble beaucoup au M. saniieniosa 

Cogn.. mais elle s'en distingue surtout par ses fleurs sessiles 

et les dents du cálice bien distinctes. Elle peut étre classe à 

la suite du Aí. caudi^era DC. 

Hab. in silvis paraensibus, prope capitalem, 15 
V igo8, leg. C. F. Baker ( II6). 

5. Tococa bullifera Mart. et Schr. var. leiocalyx Cogn. 

Calyx glaber laevisque. 

Hab.: Iquitos, in silvis, 12 VIII 1906, leg. A. 
Ducke (7601 ). 

6. Tococa bullifera Mart. et Schi . var. glahrata Cogn. : 

Rami juniores pedunculique glabri vel subtiliter 
puberuli. Petiolus basi paucisetosus caeteris glaber. Fo- 
lia utrinque giabra. Calyx inferne glaber, ápice setis 
paucis elongatis glandulosis patulisque vestitus. 

Hab.: Tabatinga. in silvis. 10 X 1904, leg. A. 
Ducke (6850). 

7. Mouriria Huheri Cogn.: 

Foliis breviter peliolatis, elliptico-oblongis abrupta 



Mélastomacées et Cucurbitacées xouvelles 256 



brevitci"r|ue acuminatis. basi brevilei" attenuati^. nervu- 
lis lateralibus indistinctis : cymis brevibus. pluri-multi- 
íloris; pedicellis ad médium ai-ticulati,s ; alabastro oVjo- 
voideo, apicc minute apiculato: calvcis limbo piimum 
clauso, deinde in l<.bos reíJ;ulares diviso, l(jbis ciassis, 
triang'ularibus, acutis, patulis, tubo aequilongis; ovário 
5-loculari. 

Rami graciles, elftngati, teretes, satis ramulosi. Pc- 
tiolus 3 — 6 mm longus. Folia coriacea, (jpaca. Q — 14 
cm longa. 4—5 V2 cm lata. Cymse 1 — 2 V2 cm long£e; 
pedicelli filiformes, 4 — 8 rnm longi. Calycis tubus cam- 
panulatus, 3 — 4 nim longus: lobi rigidi. demum recur- 

vi, 3—3 V2 n""T^ longi. Pétala Antherse 2 V2 — 3 mm 

longae, connectivo basi bieviuscule obtuseque calcarato. 
Stylus filiformis, 4 — 5 rnm longus. 

Hab, in silvis paraensibus prope capitalem ( Marco 
da Légua ), leg. Huber, VI l8g6 ( l6g) et A. Ducke. 16 
VI 1903 (3650). 

Cette espèce doit être placée prés du M. elliptica Mart., 
avec lequel elle peut former dans le genre une troisième 
^ection, caractérisée comme suit: 

Sect. III. Huberophytum. — Calyx ante anthesin indivis- 
sus, clansus^ ad florescentiam limbo in lobos crassos regulares 
lo7ige persistentes nsque ad médium diviso. 

Cucurbitacées. 

1. Gurania hrevipedunculata Cogn.: 

Foliis longiuscule petiolatis, ambitu late ovatis, 
utrinque glabris et subtiliter punctulatis, basi distincte 
emarginatis, profunde trilobatis, lobis anguste lanccola- 
tis, acuminatis. maigine undulatis et sparsissime minu- 
teque apiculatis; floribus masculis numercísis, subsessi- 
libus, ad apicem pedunculi communis brevis dense ca- 
pitatis; calyce brevissime et densiuscule pilosulo, tubo 
oblongo, lobis triangulari4inearibus, longe acuminatis, 
erectis, tubo duplo longioribus; antheris lineari-oblon- 
gis, rectis, connectivo angusto. ápice in appendicc-m 
brevem non papillosam producto. 



(/ 



257 Mélastomaciíes et Cucurbitacées nuuvelles 



Rami satis o^raciles. clongati. demum excoriati. 
Petiolus gracillimus. «labratus, 4 cm longus. Folia te- 
luiitcr membranacca. cii citei" 10 cm longa et 8 cm lata; 
nervi gracilcs, duo lateiales bifurcati. imum sinum mar- 

ginantes. Ciirhi Pcdunculus communis masculus satis 

gracilis, glabratus. 4 — 5 cm longus. Calyx ruber. tubo 
8 — 10 mm longo, lobis 14 — 20 mm longis. 1 — 1 V2 ^^ 
latis. Pétala lincaiia, acuta, tenuiter papillosa, 4 mm 
longa. Anthcic'e 4 mm longce: appcndix ^4 mm longa. — 
^\ffinis G. siihumbellatce Cogn. 

Hab.: St. António do Içá. in silvis. 7 IX 1906, 
leg. A. Ducke (7648). 

2. Gurania Huberi Cogn,: 

Foliis mediocril)us. bir\'iter petiolatis. trifoliolatis; 
foliolis oblongis. ápice subabruptc l)reviterque acuminatis, 
maigine intcgeiTÍmis \'el \\x undulatis, utrinque glabris, 
inlermcdif) l)asi cuneat(j. lateralibus valde asymmetricis 
scmicordatis: pedúnculo communi másculo foliis breviore, 
ápice capitato-plurifloro: floiibus parvis, subsessilibus; 
ealyce brevissime pubescente. tubo oblongo, lobis triangu- 
lari-lanceolatis, acuminatis. erectis, tubum aequantibus: 
antheris linearibus, basi retro replicatis, conncctivo an- 
gusto, ápice in appendicem brevem glabram producto. 

Rami gracillimi, glabrati. profunde sulcati. Petio- 
lus gracilis. l)]eA'issime puberulus, ciiciter 2 cm longus; 
petioluli 2 — 3 mm longi. Foliola tenuiter membranacea, 
laete viridia, medianum 8 — 11 cm longum et 3 7-2 — 5 
cm latum, lateralia paulo minora. Cirrhi graciles, an- 
gulati, subtiliter pubeiuli. Pedunculus communis mascu- 
lus satis gracilis. tenuiter pubescens^ 5 — 6 cm longus. 
Calyx coccineus. tubo 5 mm longo, lobis obscure multi- 
nervulosis. 5 — 6 mm longis, 1 ^i- 2 mm latis. Pétala 
triangulari-linearia. extus tomentosa, 2 — 2 V2 ^"^ longa. 
Antherae 3 mm longfe; appcndix ^2 r^im longa.- -Affinis 
G. inaqualis Cogn. 

Hab. in silvis paraensibus (St. António do Prata), 
24 IX 1903, leg. J. Huber (38lO). 



LlCHENES AMAZONICI 258 

IV 

Lichenes amazonici 



Materialien zu einer Flechtenflora Brasiliens 

VON 
Dr. ALEXANDER ZAHLBRUCKNER 



L 



TrypeiheJium ehiterice Sprgl. — Pseudopyrenula eluteria AVai- 
nio, Etud. Lich. Brésil, vol. II (iSço) pag. 204. 
Belém, in horto botânico, coiticola [Hiiber n.° g.]. 
Distrib. geographica: in regionibus tropicis late distrib. 

Trypetheliiim mtoinalum Montg,, in Annal. Scienc. Natur. 

Botan., ser. 2. a, vol. XIX (l843) pag. 72 et Sylloge 

Gener. Spec. Cryptog. (185Ó) pag. 372: Xyl.. Exposit. 

Synopt. Pyrenocarp. (1858) pag. 77; Leight. in Transact. 

Linn. Soe. London. vol. XXV (1866) pag. 459: Miill. 

Arg. in Engler, Botan. Jahrbiich., vol. VI (1885) pag. 

39Ó et in Flora, vol. LXVIII (1885) pag. 372. 

Thallus corticatus, cortice cartilagineo, crasso, 
ex hyphis ramosis pachydermaticis et conglutina- 
tis formato, KHO demum sanguineus. Stromata 
extus thallino-vestita, corticata. ad marginem stra- 
tum medullare angustum includentia. Perithecia 
integra, fuliginea, in parte basali angusta. 

Belém, in horto botânico, corticola [Hiiber n.° f. ]. 

Distrib. geographica: America et Ásia trópica. 

Opegrapha Bonpíandi Fée, Essai Cryptog. Ecorc. Offic. 

(1824) pag. 26: Miill. Arg.. Graphid. Féean. in Mé- 

moir. Soe. Ph^^s. et Hist. Natur. Genève. vol. XXIX, 
N.° 8 (1887) pag. 17. 



259 LlCHENES AMAZONICI 



In circuitu urbis Pará. ad corticem Stcnocalycis hrasi- 

liensis [C. F. Baker X." 52]. 
DJstrib. geographica: in rcoionibus tropicis .Vmcricae, 

Asise et Oceani;e. 

var. ahhreviaia Mlill. Arg., 1. s. c. pag. 17. — Opegrnpha 
ahbreviaia Fce, Essai Cryptog. Ecorc. Offic. (1824) 
pag. 25 et Supplém. (l837) Tab. XXXIX, Fig. 2; Nyl., 
Lichgr. Nov.-Granat. Prodrom. in Acta Societ. Scient. 
Fennic, vol. VII (i863) pag. 475 [Sep. pag. 61]. 

Ab hac e descriptione et ex icone haud diffcrt 
Opegrapba Heiij]eriana Mass. in Verhandl, zool.-botan. 
Gesellsch. Wien, vol. X (1860) pag. 681, Tab. VIII, 
Fig. 6 — 10. 
In circuitu urbis Pará, ad corticem DillenicC spccioscc 

[C. F. Baker N.» lo3]. 
Distrib. geographica: America trópica et Oceania (Nova 

Caledónia). 

Graphis (scct. Fiigraphis leiíclla) Ach., Synops. Lich.(l8l4) 
pag. 81 ; Miill. iVrg., Giaphid. Féean. in Mémoires Soe. 
Phys. et Hist. Natur. Genève, vol. XXTX n.° 8 (1887) 
pag. 32. 

Pará, ad corticem Coccoès niicijer<£ [C. F. Baker N.'' l45]. 
Distrib. geographica : in regionibus tropicis late distri- 
buta. 

Graphis (sect. Lciicographis) Af^clii Ach., Synops. Lich.(l8l4) 
pag. 85; Miill. Arg. Graphid. Féean. in Mémoires Soe. 
Phys. et Hist. Natur. Genève, vol. XXIX, N.° 8 (1887) 
pag. 37. 

Belém, in horto botânico, corticola [Hnher n.° i]. 
Distrib. geographica: in regionibus tropicis late dis- 
persa. 

Graphis (sect. Chlorographa) glaucescens Fce, Essai Cryptog. 
Ecorc. Offic. (1824) pag. 3ó, Tab. VIII, Fig. 3; Nyl., 
Synops. Lich. Nov.-Caledon. in Act. Soe. Linn. Nor- 
mandie, ser. 2.^ vol. II (1868) pag. 115; Miill. Arg., 



LlCHENES AMAZONICI 200 



Graphid. Féean. in Mémoires Soe. Phys. et Hist., Natur. 

Genève; vol. XXIX, N.° 8 (1887) pag. 36; Wainio, 

Etud. Lich. Bi-ésil. vol. II (l8go) pag. 125. 

In cireuitu urbis Pará ad ramulos Piperis eujusdam 
fC. F. Baker N.° 3l2] et ad cnrticem Stenocalycis 
brasiliensis [C. F. Baker N.° 53]; Belém, in horto 
botânico, ad truncos Guiíiehnae speciosa [Hiiber 
n,° e]. 

Distrib. geographica ; America troi)ica ( ins. Guadalupa, 
Nova Granata, Brasilia ) et in Oceania (Nova Ca- 
ledónia). 

PhcBOgraphis (sect. Pyrrhographa) hamit atiles Mtill. Arg. in- 
Fiora, vol. LXV (1882) pag. 384 et vol. LXXI (1888) 
pag. 525. - Graphis haniatites Fée. Essai Cryptog. Ecorc. 
Offic. (1824) pag. 45, Tab. XII, Fig. 1; Nyl.,' Lichgr. 
Nov.-Granat. Prodr. in Acta Soe. Scient. Fennic. vol. 
VII (18Ó3) pag. 474 [Sep. pag. 60]; Wainio, Etud. 
Lich. Brésil, vol. II (1890) pag. II8. 

Ustalia flammula Eschw., Syst. Lich. (1824) pag. 25, Frg. 
9 et apud Martius. Flora Brasil., vol. I, pers 1 (l833) 
pag. 107 exclus. syn.; — Ustalia speciosa Eschw, apud 
iMartius, Icon. Select. (1828) pag. l3, Tab. VII, Fig. õ- 
In cireuitu urbis Pará, ad corticem ramulorum Anacar- 

dii occidentalis [C. F. Baker N.° 280]. 
Distrib. geographica: America trópica (Nova Granata, 

Brasilia et Peruvia). 

Coenogonium Leprieurii (Montg.) Nyl.; Wainio, Etud. Lich. 
Brésil, vol. II (1890) pag. 65. 
Cunani, ad ramulos, sterilis fHuber n.° a]. 
Distrib. geographica : in regionibus tropicis. 

Cladonia subcorallifera Wainio. nov. spec. 

« Thallus primarius squamis mediocribus, anguste 
laciniatis, superne stramineo-glaucescentibus, inferne al- 
bis. Podetia brevia, scyphifera, turbinata aut tubse- 
formia, simplicia aut parce prolifera, cortice verrucu- 



201 LlCHENES AMAZONICI 



loso, stramineo-g^laucescente, parce granuloso-sorediata, 
basin versus saepe squamulis pai"vis, angustis instructa. 
Apothecia coccinea». 

« Habitu sicut Cladonia coccifera. sed thallo primá- 
rio et podetiis KHO lutescentibus deindeque fulvescen- 
tibus (partibus decorlicatis podetiorum non reagentibus)». 
Monte Alegre, ad terram [O. Martins n.° m]. 

Cladonia niedusina var. liiteola (Bory) Wainio, Monogr. 

Cladon. Univ., vol. I (1887) pag. 241 et vol. III 
(1897) pag. 232. 

Ilha do Lago, Rio Maracá, ad terram, sterilis fM. Gue- 
des n.o b.|. 

«Accedens ad í. subníednsinain (Mull. Arg. ) Wainio» 

[Wainio in litt.]. 

Distrib. geographica : Africa trópica et America meri- 
dionalis. 

Cladonia finibriata var. borbonica (Del.) Wainio. Monogr. 
Cladon. Univ., vol. II (1894) pag. 340 et vol. III 
(1897) pag. 254. 

Monte Alegre, ad basin truncorum arborum, sterilis 
fO. Martins n." k ). 
Distrib. geographica: in regionibus tropicis. 

Cladonia pityrea f. siibacuta Wainio, Monogr. Cladon. Uni- 
vers., vol. II (1894) pag. 355 et vol. III (1897) pag. 255. 
Ilha do Lago, Rio Maracá, ad basin arborum, frucli- 

fera [M. Guedes]. 
« Atypica, tantum parce sorediosa » / Wainio, in litt. ]. 

Leploginni trenielloides (Linn. f. ) Wainio, Etud. Lich. Biésil, 

vol. I (1890) pag. 224. 

In circuitu urbis Pará. ad corticem Mamniea america- 
na, fructifera [C. F. Baker N.° 345]; Belém, in 
horto botânico, corticola, fructifera [Hiiber n.° d et j ]. 

Distrib. geographica: in regionibus subtropicis et tro- 
picis late distributa. 



Uredinaceae paraenses 262 

V 

Uredinaceae paraenses 

pelo Prof. Dr. PAUL DIETEL (Zwickau) (*) 



Uromyces Eiiphorhia Cke et Ph. 

Sobre Eiiphorbia (Chamaesyce) pilulifera, Hort. 
Botan. do Museu Goeldi; leg. Baker N.° 3o. 

Uromyces Wulffice-stenoglossce Diet. n. sp. 

Waculis flavis indeterminatis vel fuscis vel nul- 
iis. Soris hypophyllis minutis, sparsis, obscure cas- 
taneis vel nigris; uredosporis et teleutosporis inter- 
mixtis; uredosporis ellipsoideis vel subgiobosis 25 — 
28X21 — 25 ,«, brunneis echinulatis; teleutosporis obo- 
vatis, ellipsoideis vel rarius globosis, 2ó — 36X20—20 
f^i, castaneis levibus, ápice 5-8 /< incrassatis et in- 
terdum hyalinis, pedicello hyalino, sporam fere ae- 
quante medíocre íirmitate instructis, facile germinan- 
tibus. 
Sobre folhas de Wiilffia stenoglossa. Belém, Marco da 

Légua, leg. C. F. Baker, I 1908, n. 162. 

Uromyces Lucumce Diet. n. sp. 

Uredosporis giobosis usque 25 ^í latis, epispo- 
rio subcrasso echinulato achroo praeditis. Soris te- 
leutosporiferis hypophyllis mediocribus usque 2 mm 
latis pulvinatis nudis, postea expallescentibus; teleu- 



(*) As espécies citadas no presente artigo foram colleccionadas pelo 
Prof. C. F. Baker, auxiliar scieiítifico da secção botânica do Museu, e sub- 
mettidas ao eximio especialista allemào, que encarregou-se da sua determi- 
nação, publicando as espécies novas n'um artigo intitulado « Einige neue 
Uredineen aus Slidamerika II», no periódico « Annales mycologici Vol. VI 
N.° 2 (pag. 94-98), com as observações que aqui foram vertidas para o 
portuguez. Assim a data da publicação clestas novas espécies é de facto 
anterior de alguns mezes a da nossa traducção. 

(Nota da Red.). 



263 Uredinaceae paraenses 



tosporis oblongo-clavatis, 35—48X14 — 19 /'- epispo- 
rio tenui cequali hyalino vestitis, contentu áureo, pe- 
dicello usque 70 n lon^o fusiformi hyalino. in aqua 
diffluente suffultis, statim germinantibus. 

Sobre as folhas e os fructos de Lucunia caiiuito Ruiz 
et Pav. Horto botânico do ]\luseu Goeldi, leg. J. Huber, 1 
1908. 

Esta é uma das mais singulares de todas as espécies 
de Urornyces. — Não podemos dar uma descripção dos recep- 
táculos de iiredosporos; elles se acham também na face in- 
ferior das folhas, mas elles são, no material presente, cheios 
d'uma infinidade de bactérias e por ellas quasi completa- 
mente destruídos. Estas aggiomerações de bactérias atraves- 
sam a folha ate o lado opposto e sahem por conseguinte 
também do lado superior. Aqui elles contêm ainda menos 
uredosporos. Por isso não é certo se as camadas de nredos- 
poros normaes se formam tamisem na face superior, tanto 
mais que as camadas de iclcntosporos só se encontram na 
face inferior. 

A meml)rana dos pedicellos grossos dos teJeulosporos é 
reforçada por uma camada gelatinosa que sem duvida deve 
ser considerada como um reservatório d'agua destinado de 
proteger os esporos subjacentes. c|ue são munidos apenas 
d"uma membrana ténue e incolor. Os esporos germinam com 
muita energia immediatamente depois da maturação, e na 
superfície dos estromas de iclcntosporos acham-se sempre 
massas espessas de promycelios. 

Piiccinia Emiíiae P. Henn. 

Belém, Horto botânico; leg. C. F. Baker X.° l3. 

Puccinia paraénsis Diet. n. sp. 

S<jris uredosporiferis amphigenis, praescrtim hy- 
pophyllis in tumojubus íirmis hemisphaericis. pagina 
foliorum superiore depressis. ca. 2 mm latis vel ma- 
joribus irregularibus, confertis cinnamomeis: uredos- 
poris obovatis vel subglobosis, 29 — 38X^4 — 3o /<, 
pallide brunneis spinulosis. Soris teleutosporiferis con- 
formibus pallide cinnamomeis vel albidis; teleutos- 



Uredinaceae paraenses 264 



poris ellipsoideis vel cuneatis, utrinque rotundatis vel 
basi in pedicellum angustatis, ad septum paulo con- 
strictis 3o — 44)x(l8 — 24 n, episporio tenui aequali 
hyalino vestitis pedicello mediocri instructis, statim 
germinantibus. 
Sobre as folhas de Gouania pyrifolia. Belém, ]\Iarco da 

Légua, XII 1907, leg. C. F. Baker N." 60. 
Os espinhos da membrana dos uredosporos são mais for- 
tes no ápice e na base dos esporos do que na parede late- 
ral. Uredo Gouaniae EU. et Kels. parece ser semelhante ao 
uredo do nosso fungo, porem segundo as indicações das di- 
mensões dos esporos a identidade de ambas as espécies pa- 
rece excluida. 

Piiccinia Borreriae Syd. 

Sobre folhas de Borreria sp., Belém, Horto botânico; 

leg. C. F. Baker N.° 350. 
Concorda perfeitamente com exemplares provenientes 
do Congo. 

Puccinia Thaliae Diet. 

Só Uredo, sobre Ischnosiphon Jeiícvphaeum. Belém, Hort. 
bot. ; leg. C. F. Baker N.o 107. 

Puccinia Gesneracearum Diet. n. sp. 

Maculis rotundatis magnis, interdum confluen- 
tibus, flavis vel fuscis; soris teleutosporiferis hypo- 
phyllis punctiformibus, numerosissimis in acervulos 
rotundatos usque 1 cm latos congestis, non confluen- 
tibus, nudis pulvinatis obscure castaneis; teleutospo- 
ris biformibus : bilocularibus et numero praevalenti- 
bus unilocularibus (mesosporis); bilocularibus ellip- 
soideis, utrinque rotundatis vel basi cuneatis. haud 
raro obliquis, 22 — 35Xl'/ — ^5 ,", pedicello interdum 
lateraliter inserto; unilocularibus plerumque obovatis 
vel clavatis, magnitudine valde variis. 18 — 27Xl5 — 25 
,", levibus dilute brunneis, ápice obscurioribus et 
modice incrassatis, pedicello firmo mediocri instructis, 
mox germinantibus. 



205 Uredinaceae paraenses 



Sobre as folhas e sepalas d'uma Gesneracea. Belém, 
Hort. bot., XII ig07, leg. C. F. Baker N.° 101. 

Puccinia clavifoniiis Lagerh. 

Sobre Solaiutni sp. Belém, Hort. bot., leg". C. F. Ba- 
ker N." 48. 

Razfenelia Bakeriana Diet. n. sp. 

Soris uiedosporifeiis primariis in maculis fus- 
cis arescentibus, margine flavo-areolatis usque l cm 
vel supra latis, centro interdum depressis et sper- 
mogoniis numerosis tectis, in pagina inferiore tumo- 
res rotundatos velcirculares geneiantibus amphigenis, 
obscure cinnamomeis; secundariis minutis sparsis 
hypophyllis, sub epidermide erumpentibus. folia non 
deformantibus. Uredosporis ellipsoideis vel ovoideis, 
secundariis plerumque quadrangulis 3o — 48X25 — 36 
/í, castaneis, episporio aculeato poros 3 gerente in- 
dutis, paraphysibus ápice cochleatis obscure casta- 
neis, basi hyalinis plerumque ramosis (tripartitis) 
circumdatis. Soris teleutosporiferis hypophyllis, mi- 
nutis, sparsis, obscure castaneis; capitulis teleutospo- 
rarum hemisphaericis, ambitu circularibus vel irre- 
gularibus, 50 — 85 /*, latis e numero vario sporarum 
compositis, obscure castaneis, verrucis brunneolis 
confertis tectis, margine saepc appendicibus cylindra- 
ceis obtusis usque 10 /< longis brunneolis instructis, 
sporis (cellulis) magnis, usque 25 /* latis, angulatis 
non septatis; cellulis cystoideis ovoideis hyalinis, in 
aqua diftluentibus, circulariter compositis; pedicellus 
caducus. 
Sobre Lonchocarpus spec. ; Belém, Hort. bot. XII 1907, 
leg. C. F. Baker. 

O numero das cellulas dos esporos e em consequência 
d'isto o tamanho das cabecinhas é muito variável n'esta es- 
pécie. Muitas vezes existem 3 ou 4 cellulas centraes cir- 
cumdadas por um numero duplo de cellulas marginaes. Ge- 
ralmente porem a estructura das cabecinhas, ao menos das 
maiores, é irregular. As cystas são dispostas em circulo ao 



Uredinaceae paraenses 266 



redor do pedicello, no estado meio delinquescente ellas são 
achatadas pela compressão lateral e então apparecem esti- 
radas na direcção radial. 

Seria para investigar se a estructura das cystas não é 
a mesma também na Ravenelia Lonchocarpi Diet. et Lagerh. 
O material que tenho á mão é escasso demais para uma 
constatação exacta d'estas circumstancias. 

Este cog^umelo offeiece o maior interesse pela sua ge- 
ração Uredo. O uredo primário já foi descripto por P. Hen- 
nings como Uredo margine incrassata (Fung'i paraenses II in 
Hedwig-ia XLI. Beibl. pag. 15 e n'este Boletim vol. IV p. 408). 
Como uma tal denominação não corresponde ás actuaes re- 
gias de nomenclatura, denominamos o fungo novamente. Hen- 
nings cita nem os spermogonios nem as paraphysas. As ul- 
timas entretanto se encontram também no uredo primário. 
Ora existe uma differença entre o uredo primário e o uredo 
secundário não só quanto á apparencia e á localisação, mas 
também quanto á forma mesma dos esporos. Os primários 
são, como Hennings os descreve, geralmente ovaes ou ellip- 
soideos, emquanto que os secundários são quasi sempre de 
contorno quadrangulo com os ângulos arredondados. Com um 
angulo o esporo está fixado ao pedicello, em cada um dos três 
outros ângulos existe um poro de germinação. Porem esta for- 
ma de esporo existe também não raras vezes no uredo prima.- 
rio, alem de formas intermediarias entre os dous extremos. 

De forma não menos singular são as paraphysas. Ellas 
são frequentemente ramificadas e em cada um dos (geral- 
mente 3) ramos ellas são munidas de uma dilatação termi- 
nal em forma de cabeça excavada do lado em forma de 
colher, de cor castanha escura. As paraphysas se acham na 
beira dos estromas esporiferos. O uredo primário forma na 
face superior da folha ao redor do grupo de pycnidios ge- 
ralmente um estroma annular, emquanto que na face inferior 
os estromas esporiferos são principalmente localisados na pe- 
ripheria de tumores arredondados. 

Aecidium Posoquerice Diet. n. sp. 

Maculis in foliis maximis irregularibus fuscis, 
postea arescentibus, spermogoniis numerosis aequali- 



207 Uredinaceae paraenses 



ter tectis, pseudoperidiis secundum nervos dispositis, 
caules late ambientibus et curvantibus, basi immersis, 
cylindraceis albis, margine lacerato vel lobato revo- 
luto praeditis ; aecidiosporis polyedricis oblongis vel 
subglobosis 25 — 38X21 — 28/í, ápice valde (6 — 17 i-i) 
incrassatis, verrucosis. 
Sobre Posoqiieria latifolia. Belém, Marco da Légua XII 
1907, leg. C. F. Baker N.° 80. 



FUNGI PARAENSES (lll) 208 



VI 



Fungi paraenses iii 

Auctore P. HENNINGS (ij 



Uredinaeese. 

AecidiíDii Giiatteriae Di("t. Hedw. i897, p. 34- 

Pará, Marco, in foliis Guatteriae (Spermoi/onia). Jun, '1902 
(Huber N.° 93). 

Aecidiíiin byrsoniniicola P. Henn. Hcdw. lSÇ)5, p. 322. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Byrsonimae (Spermo- 
gonia) Jan. 1908. (C. F. Baker N." 230). 

Uredo cypericola P. Henn. Pilze O. Afrika p. 52. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Cyperus sp. Jan. 1908. 

Aupiculariacese. 

Auriciilaria Auricida Judae (L.) Schrot. Pilze Schles. 1 
pag. 386. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis Caesalpiniae. Jan. 
1908. (C. F. Baker N.° 185). 

Auricidaria tremei losa (Fries) P. Henn. Engl. bot. Jahrb. 
XVIII, p. 24. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in truncis Citri Aurantii. 
Febr. 1908. (Baker N." 273)- 

Thelephoraeese. 

Corticitim Caesaipinice P. Henn. n. sp. 

Cartilagineo-coriaceum, effusum adnatum 

ad marginem liberum ; hymenio pruinoso, 

incarnato ; sporis ellipsoideis guttulatis, hya- 

linis, 8 — 13X7 — 10 II. 

Pard^ Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis Caesalpiniae cearen- 

sis. Jan. 1908 (Baker n. 183). 



(1) Trabalho publicado em allemão na revista « Hedwit^ia » vol. 48 
(1908) e pelo illustre autor gentilmente posto á disposi(,ão da Redacção 
para ser traduzido e publicado n'este Boletim. 



209 FUNGI PARAENSES (lll) 



Peniophora Caesaipinice P. Henn. n. sp. 

Cartilagineo-membranacea, effusa, albida; 
hymenio pallido, velutino; cysticliis subulatis, 
subobtusis. rugulosis, hyalinis. 40 — 100X16 
— 22 |í<; sporis ellipsuideis, 1-guttulatis. hya- 
linis, 8—10X7—8 ^í. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis emortuis Caesalpi- 
niae cearensis. Jan. 1908. (Baker N." 183 a). 

Junto com a espécie precedente. 

Cyphella villosa (Pers.) Karst. Myc. Fenn. III, p. 825. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis siccis OJmediae. Jan. 
1908, (Baker X.° 201 ). 

Cyphella paraênsis P. Henn. n. sp. 

Gregária, sessilis. sicco sphaeroidea stra- 

minea. villosa, ca. 150 — 200 /<, pilis flexuo- 

sis. granulosis. 60 — lOOX^ /': s})oris subglo- 

bosis, hyalinis. 3 — 3 V2 /'• 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi' in vaginis siccis Bactridis nia- 

joris. Jan. 1908. (Baker N.° 202). 

Em companhia de Heliiiiiitlíosporiínii e Flxaloárniia Bakfriana 
em grandes famílias. 

CyPhella Bakeriana P. Henn. n. sp. 

Sparsa. cupulata substipitata. membrana- 
cca albida. farinácea, ca. 1 mm diam. : hy- 
menio fumoso, levi: basidiis clavalis. 10 — 13 
X^ — 3 V2 /'! sporis ellipsoideis, saepe obli- 
quis, hyalino-flavidulis, 3 V2 — 4X-~2 V2 -"• 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi ad corticem Achrae Sapotae. 
Jan. 1908 (Baker N." 209). 

PolyporacesB. 

Poria Bntlneri P. Henn. in Verh. Bot. Ver. Brandenb. 
1888, p. 129. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi ad vaginas Cocoes. Jan. 1908. 
(Baker N." 203). 



FUNGI PARAENSES (lIl) 2/0 



Fomes Auherianus Mont. Cub. t. XVI, f. 1. 

Pará, Hort. bot. Mus. Goeldi ad truncos emortuos. Jan. 1908. 
(Baker N." 210). 

Gíoeoponts conchoides Mont. Cub. p. 385 f- 1- 

Pará, Ilha Mexiana, ad truncum. Octob. 1901 ( Huber N." 86). 

Ag"aricacese. 

Lentiniis Lecomtei Fr. Epicr. p. 368. — Pama rndis Fr. 
Epicr. p. 398. 

Pará, Marco, ad lignum, Jan. 1908 (Baker N." 138). 

Lentinus Schomburoldanus P. Henn. Hedw. 1897, P- 205. 

Aina7;otias, Rio Purús, ad radices. April 1904. (Huber X." 80). 

Schi:(ophyílum alneiun (L.) Schrõt. Pilze Schles. I, p. 553. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi ad truncum Achrae Sapotae. 
Jan. 1908 (Baker N." 171). 

Marasniius sp. 

Pará, Marco, in ramulis siccis. Jan. 1908. (Baker N." ICxd). 

Eurotiaeese. 

PenicilHopsis brasiliensis A. Mõll. Phyc. u. Ascom. p. 
293, t. V, f. 1-2. 

Ama:(onas, Rio Parus, Cachoeira, in seminibus (Huber N." ~i6). 

Neohenningsia brasiliensis P. Henn. n. sp. 

Peritheciis gregariis superficialibus sessi- 
libus, subglobosis, sicco subcorneis rufobrun- 
neis, húmido tenui membranaceis cellulosis, 
flavidulis, ápice poro minuto perforatis. ca. 
140 — 200 /< diam. basi appendicibus stellu- 
latis (8 — 12) radiato-cellulosis trigonis obtu- 
sis 60 — 80X8 — 14 ," vestitis, mycelio ex 
hyphis flavo-fuscidulis. ramosis, septatis, 
2 — 3 V2 /' ' aseis cylindraceo-clavatis vel fu- 
soideis, 8 sporis, 3o — 44X5 — ' -"' sporis obli- 
qua monostichis vel subdistichis, cylindraceis 



271 FUNGI PARAENSES (lll) 



utrinque rotundatis, curvulis, saepe 3 — 4 gut- 
tulatis, coníinuis, hyalinis, 8- — ISX^ V2 — ^ /"• 

Fard, Ilort. botan. Mus. Goeldi in foliis Moiisterae sp. Dec. 

1907 (Baker N." 58). 

Esta espécie que se acha em familias nas folhas seccas, é, nos 
seus caracteres exteriores, semelhante á N. stellulata Koord. de 
Java, distini^uindo-se principalmente pelos esporos que nunca são 
achatados e septados no centro, achando-se sempre em numero de 
8 em cada asco. Como existem muitas vezes de 3 a 4 glóbulos 
nos esporos, é muito possível que elles se dividam mais tarde. 

Hyaloderma Bakeriana P. Hcnn. n. sp. 

Hyphis mycelii flavidulis, septatis, 3 — 4 /' 
C]-assis; perithcciis supcrficialibus sparsis, mi- 
nutis óculo nudo haud conspicuis, flavidis, 
húmido ovoideis, tcnuissime membranaceis 
lH'llucidis, ca. 250 /í contextu subanhysto cx 
hyphis tenuis radiantibus compositis, aseis cla- 
vatis rotundatis, 8-spoiis, QO — lóoXlO — 14 /<; 
sporis linearibus utrinque acutiusculis, flc- 
xuosis, hyabnis, 3 — 7 septatis 40 — óoX^ — 
3 V-2 /'• 
Fura, Ilort. botan. Mus. Goeldi in vaginis siccis Bactridis iiia- 

joris in societate Cvphellae paraciisis in hyphis Helinintbosporii. 

Jan. igoS. iÇ. F. Baker N.° 102 a). 

Perisporiacese. 

Parodiclla grammodes (Kze.) Cooke — P. pcrisponoides 
(B. et C.) Speg. 

Pará, Jutuba, Ins, Marajó in foliis Tephrosiae hrevipcdis (líu- 
ber N." 91 ). 

Meliola Psidii Fries Lin. l83o, p. 549- 

Pará, Ilort. botan. Mus. Goeldi in foliis Psidii Guajavac. Jan. 

1908 (Baker N.° 240). 

Meliola cfr. microspora Pat. et Gaill. BuU. soe. myc. 
Fr. 1888, p. 104. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Tephrosiae loxicariae 
(Huber N." 90 j. 



FUNGI PARAENSES (lll) 272 



Meliola cfr. obducens Gall. Buli. soe. myc. Fr. 1892, 
p. 179. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Hynienacae. Jan. 1908. 
(Baker N." 198) 

Meliola cfr. penicilliformis Gaill. Gen. Mel. p. 57 
t. VI, f. 2. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Sapii. Jan. 1908. 
(Huber N.° 194). 

Meliola jiiruana P. Henn. aff. Hedw. 43. p, 305. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Viils sicyoidis (Hu- 
ber N. 89). 

Zukalia paraensis P. Henn n. sp. 

Maculis mycelii epiphyllis rotundatis oli- 
vaceo-fuscis, hyphis repentibus ramosis, sep- 
tatis, fuscis, 4 — 5 ji crassis; peritheciis grega- 
riis subgiobosis, verruculosis, atris, 80 — 100 // 
diam., aseis clavatis obtusis, 8 sporis, 44 — 
52X10 — 14 i-i; sporis oblique monostichis vel 
subparallelis^ oblonge clavatis, vértice ro- 
.tundatis guttulatis, 3 — 7 septatis, hyalinis, 
20—30X3 V2— 4 /'. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Anacarãik occidenta- 
lis. Jan. 1908. (Baker N." 229). 

In societate Helininthosporii, hypophyllum. 

Capnodiaceoe. 

Capnodium sp. (immaturem). 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Selaginellae. (Huber 
N.° 83). 

Hypocreaceae. 

Nectria Huberiana P. Henn. n. sp. 

Mycelio maculiformi flavo-pallescenti sub- 
cretaceo; peritheciis gregariis subgiobosis, 
rubris, iaevibus ca. 180-240 ^<; aseis cy- 
lindraceo-elavatis, obtuso-rotundatis, 8-spo- 



2/3 FUNGI PARAENSES (lll) 



ris, 50 — 80X8—12 fi: sporis oblique mo- 
nostichis vel subdistichis, oblongo-ellipsoideis, 
utiiiK|uc obtusis, curvulis, granulatis hyali- 
nis, 1-septatis, 16 — 25XÓ— 8 //. 
Pará, Ilort. botan. Mus. Goeldi infructibus Theobroiiiatis grandi- 
flori (Huber N.° 67). 

Sporis majoribus obtusiusculis N. Bainii Mass. et N. cameru- 
nense App. et Str. distincta sed similis et affinis. 

Nectria Cainiionis P. Henn. n. sp. 

Peritheciis caespitose erumpentibus, subglo- 
bosis, cinnalíarinis, granulato-verrucosis, 
180 — 200 II ubtuse papillatis; aseis clavatis, 
obtusis, 8-sporis, 60 — 70X8 — H /': sporis 
monostichis vel subdistichis ovoideis vel sub- 
fusoideis, utrinque obtusis, médio 1-septatis, 
2—4 guttulatis, 10 — 18X4 — 5 /' hyalinis. 
Pavà, Hnrt botan. Mus. Goeldi in corticibus Lucuinae Caini- 
ionis. Febr. 1908 (Baker N." 258). 

Nectria Citri P. Henn. n. sp. 

Maculis mycelii cretaceis vel isabellinis, 
hyphis septatis. ramosis creataceis vel isa- 
bellinis, hyphis septatis, ramosis, 3-5 // cras- 
sis, hyalinis, conidiis falcatis, 40 — 8oX5 — 7 /', 
3 — 7-septatis hyalinis (Fusarium); perithe- 
ciis gregariis, subglobosis, collabentibus coc- 
cineis squamulosis, 170 — 200 //: aseis clava- 
tis obtusis, 8-sporis, 45 — 6oX7 — H /'; sporis 
oblique monostichis vel subdistichis ellipsoi- 
deis, 2-guttulatis, 1-septatis constrictiusculis, 
flavidulis. 11 — 14X5—7/'. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in corticibus Cilri Auranlii. 
Febr. 1908. Baker N." 275 ). 

N. aurantiicolae B. et Br., N. verruculosae (Niesl.) Penz., N. 
coccidopthorae Zim. omnino distincta. 



FUNGl PARAF.XSES (lll) 274 



Nectria calonectricola P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparsis vel gregariis in caespi- 
tulis Calonectriee parasiticis; ovoideis vel 
subgiobosis, cinnabarinis, papillatis. 170 — 200 
f-i diam. aseis cylindraceo-clavatis, obtusis, 
8-sporis. 55 — óoVS — 7 /'^ sporis oblique mo- 
noslichis vel subdistichis, ellipsoideis utrinque 
rotundatis, 1-septatis, hyalinis, 8 — 12X4 — 5 ;i'. 
Fará, Hort. botan. Aíus. Goeldi in Calonecíria ad Hibiscum 
schiiopetaluni. Jan. 1908. (Baker N." 216 a). 

Calonectria hibiscicola P. Henn. n. sp. 

Peritheciis in caespitulis pulvinatis, rotun- 
datis. isabellinis, 1 — 2 mm diam., erumpen- 
tibus, subgiobosis verruculosis, papillatis, 
hyalino-flavidulis, 180 — 200 /< diam.; aseis 
clavatis. obtusis, paraphysatis, 4-sporis, 
60 — 70X9 — 11/'; sporis oblique monostiehis, 
ellipsoideis, saepe eurvulis, obtusis 3-septatis, 
hyalinis, 18—24X5 — 7 /'• 
Pará, Hort. botan. AIus. Goeldi in corticibus Hibisci schi/^ope- 
tali. Jan. 1908. (Baker N.° 21Ó). 

Calonectria leucophaés Rehm, Hedw. 1898, p. 195 t. 
VIII, f. 23. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi, in pagina superiore foliorura 
Cordiae tetraiiãrae, Jan. 1908. (Baker N.° 222). 

In societate Haplariopsis Cordiae P. Henn. et Aschersoniae 
sderotioidis P. Henn. 

Megalonectria polyirichia (Schw.) Speg. Fung. Arg. Pug. 
IV p. 276. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis siccis Caesalpiííiae 
cearensis. Jan. 1908. (Baker N.° 187, 189). 

Hypocrella efr. camerunensis P. Henn. in Engl. bot. Jahrb. 
XXIII, p. 540. 

Pará, Marco, ramulis Visniiae circumdata, Jun. 1902, Jan. 1908. 
(Huber N.° 92, Baker N." 88). 

Stromata effusa ceracea coccinea, omnino immatura. 



275 FUXGI PARAENSES (llf 



Cordiceps Htiheriana P. Henn. n. sp. 

Stromatibus longe stipitati--. clavula cy- 
lindracea, spiciformis obtusa. 8 — Q mm lon- 
ga. 1 mm crassa, flavo-brunneola. stipitibus 
filitormibus teretibus. arcuato-flexuosis, rigidis 
corneis, atris. laevibus ad apicem brunneo- 
lis, ca. 4 cm longis. 4 — 5 mm latis: peri- 
theciis oblongis. omnino immersis: aseis cy- 
lindraceis. ápice rotundatis. 150 — 200)-:^5— ó 
l^r. sporis filiformibus pluriseptatis, 2// crassis. 
Amazonas, in thorace Meí^apoiíerae spec. ( Formica ) 1 Huber 
N." 15). 

C. rliiiomorphac A. MõU. affinis. 

Dothideaceae. 

Phyllachora Huberi P. Henn. in Hedw. igoi. p. 78. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Hcveae hrasilieusis. 
April 1903. (Huber N.° 77). 

Phyllachora dendroidea P. Henn. in Hedw. 1902. p. 17 
(sub Ph. dendritica). 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Fiei spec. Jan. 1908. 
(Baker N." 205 e 241 ). 

Phyllachora Hciiuiiigsii Sacc. et Svd. Sacc. Svll. XIV. 
p. ÓÓ8. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Crotoiíis clnviiaedry- 
folii. Jan. 190S. (Baker N.° 234). 

Phyllachora Bakeriana P. Henn. sp. 

Maculis flavo-fuscidulis indeterminatis; 
stromatibus epiphyllis gregariis rotundato-pul- 
vinatis, planis, atris. punctoideo-ostiolatis, 
0.6—1 mm diam.: peritheciis immersis rufo- 
brunneis globulosis: aseis subclavatis vel fu- 
soideis vértice applanatis, vel obtusis. 8-spo- 
ris, paraphysatis 60— 80X8 — 12 /r sporis 
subdistichis oblonge fusoideis, utrinque acu- 



FUXGI PARAENSES ( III ) 276 



tis velrotundatis snbcurvulis, hyalinis, 14 — 24 
X4-5/'. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Cassiae Hoffmannseg- 
gii. Jan. 1908. (C. F. Baker N.° 243). 

PhylJachora Cassiae P. Henn. omnino distincta. 

Phyllachora paspalicola P. Henn. n. sp. 

Maculis effusis fuscidulis; stromatibus am- 

; phididymis sparsis rotundato-pulvinatis, mi- 

nutis, atris. ca. 300 ,« diam.; peritheciis im- 

mersis globulosis, aseis cylindraceo-subclava- 

tis, obtusis, 8-sporis, paraphysatis, 70 — 90 

XS — IO.íí; sporis monostichis, ellipsoideis 

utrinque rotundatis, hyalinis, 6— 8X4 V2 — ó/ií. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Paspali sp. Jan. I908. 

(Baker N.° 2^2 ). 

Phyllachora graminis Fuck. etc. diversa. 

Amrswaldia Cecropiae P. Henn. in Hedw. XLIII p. 252. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Cecropiae sp, Febr. 
1908. (Baker N." 250). 

Dothidelía Gla:^iovii Allesch. et P. Henn. in Hedw. 
1897, p. 23Ó. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Tecoinae sp. Jan. 1908. 
(Baker N.° 239). 

Triehosphaeriaceae. 

Herpotrichia bambusana P. Henn. n. sp. 

Mycelio effuso repente, atro, hyphis ramo- 
sis, septatis fuscis ; peritheciis gregariis su- 
perficiaiibus, subglobosis collabentibus, atris, 
140 — 180 LI, setulis erectis, rigidulis septatis, 
atris, ápice globuloso-rotundatis, 70— 150X 
4 — 5 /< vestitis; aseis, clavulatis vel subfu- 
soideis, 8 — sporis, paraphysatis, 40— 50X10 
— 13 /<; sporis oblique monostichis vel sub- 
distichis oblonge fusoideis, utrinque subacu- 



277 FUXGI PARAENSES flll) 



tis. 4-outtulatis médio 1-septatis dein 3-sep- 
tatis. hyalinis, 12 — 20X3 V2 — 4 V-2 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in vaginis emortuis Baiiibusae 

viilgaris. Dec. 1907. (Baker X.° 102). H. sahnlicolae P. Fíenn. 

affinis. 

Melanommacese. 

Melanomma Caesalpiniae P. Henn. n. sp. 

Peritheciis in caespitulis rotundato pulvi- 
natis gregariis, superíicialibus. atris, globu- 
losis papillatis. carbonaceis, lóo — 200;» diam.; 
aseis clavatis ápice rotundatis, 8-sporis, 
40 — 60X7 — 10 /í ; paraphysibus tiliformibus, 
1 V2 — 2 1" crassis; sporis subdistichis, oblon- 
gis, obtusis, cinnamomeis. 3-septatis vix con- 
strictis 10 — 15X4—5 /'• 
Fará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis emortuis Caesalpiniae 
cearensis. Jan. igo8. (Baker N." 186). 

Amphisphariacese. 

Amphisphaeria Citri P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sub epidermide sparsis vel sub- 
aggregatis pro parte erumpentibusg lobulusis, 
atro-carbonaceis, minute ostiolatis, ca. 400 (-1 
diam.; aseis clavatis, ápice rotundatis, longe 
stipitatis, 8-sporis, p. spor. 38 — 45X8 — H i*'» 
stipitibus, 40 — Ó0X2 — 3 II hyalinis, paraphy- 
satis; sporis subdistichis, oblique fusoideis, 
obtusis, médio 1-septatis constrictis, atro-cin- 
namomeis, 11 — 15X4 — 5 i"- 
Vara, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis emortuis Citri Li- 

monii in societate TrxhJidieUae riifiilae, Febr. 1908. (Baker X." 

264). 

Amphisphaeria Hesperidiuiii Penz. aseis longe stipitatis etc. dis» 
tincta. 



FUNGI PARAENSES (lll) 278 



Trematosphaeria Ischnosiphonis P. Henn. n. sp. 

Perilheciis innato-erumpentibus, gregariis 
subhemisphaericis, atro-subcarbonaceis, minu- 
te ostiolatis, ca. 0.5 mm. diam.; aseis clava- 
tis ápice rotundatis vix stipitatis, 8-sporis, 
paraphysatis, 100 — 120Xl2— 15 /< : sporis 
oblique monostichis vel subdistichis oblongo- 
fusoideis utrinque acutis, médio 1-septatis, 
constrictis dein 3-septatis, 2 guttulatis, fus- 
cis,30— 40X5 — 7 .". 

Pará, Várzea pr. Rio Guamá in vaginis emortuis Ischnosipho- 
nis sp. Jan. 1908. (Baker N.° 149). 

Pleosporaeeae. 

Physalospora Astrocaryi P. Henn. n. sp. 

Maculis pallidis effusis, peritheciis mem- 
branaceis, globulosis atris, ca. 200 — 220 i-i, 
ostiolis vix prominulis; aseis clavatis, apiee 
rotundatis, 8-sporis, 60— 90X20— 25 ^íí; spo- 
ris subdistichis fusoideis rectis vel curvulis, 
tunicatis obtusis, pluriguttulatis, hyalinis, 
20 — 30X10—1 3 /<. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Astrocaryi rostrati. 
Dec. 1907, Jan. 1908. (Baker N." 22, et 207). 

Leptosphaeria Matisice P. Henn. n. sp. 

Maculis effusis fuscidulis dein pallide exa- 
ridis, peritheciis gregariis vel sparsis subglo- 
bulosis membranaceis, atris, 70 — 80,»; aseis 
clavatis, obtusis, 8-sporis, 3o — 40X5 — 7 /«< ; 
sporis oblongis, 3-septatis haud constrictis, 
fusco-brunneis, 12 — 14X3 V2 — 4 /'. 
Pará, Hort. botan. do Mus. Goeldi in íoliis Matisiae paraensis 
Hub. Dec. 1907 (Baker N.^ 56). 

In societate PljvUosticiae et CoUetotrichi sp. 



279 FUXGI PARAENSES (lll) 



Opliioholus? paraensts P. Henn. n. sp. 

Peritheciis erumpente superficialibus gre- 
gariis ovoideis, atro-subcarbonaceis, fragilibus 
rugulosis, conico-ostiolatis. 200 — 250 /' diam. ; 
aseis longe clavatis, obtusis, ba^i attenuatis, 
8-sporis paraphysatis 140 -180X8 — 13 /< ; 
sporisfiliformibus, pluriguttulatis, ca. (^oy^^ jn, 
hyalinis immaturis. 

Pará, Ilort. botan. Mus. (loeldi in truncis decorticatis Cari- 
cae Papavae et Hcchcriae pcUatae. Feb. 1908 (Baker N." 271 et 
255). 

Ophiochaeta lignicola P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparsis vel gregariis superficia- 
libus subgloboso-conoideis, bi"eve ostiolatis, 
1Ò0--200/Í diam.. atris. setulis rigidis, su- 
bulatis atris, acutis. 3o — 8oX3 — 4 V2 /" "^'es- 
titis: aseis subfusoideo-cylindraceis, ápice 
paulo attenuatis. rotundatis, tunicatis, 8-spo- 
ris, paraphysatis. subacutis. pluriseptatis 

80— goX2 V"2— 3 /'■ 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi ad lii^num emortuum. Febr. 
190S. (Baker N.° 272). ; 

In societate Hehiiinthosporii sp. 

Valsaeeae. 

Etitypa Etiterpes P. Henn. n. sp. 

Stromatibus gi"egariis rotundatis vel strii- 
formibus tectis dein cortice rimoso erumpen- 
tibus atris usque ad 1 cm. longis, 2 mm. 
latis; peritheciis immersis subglobosis, ostio- 
lis elongatis ad apicem incrassatis, rotunda- 
tis sulcatis; ca. 200X40 — 80,//; aseis tusoi- 
deo-clavatis. subsessilibus, 8-sporis, 3o — 40X 
4 — 5 ," ; sporis subdistichis botuliformibus, 
curvulis, hyalino-fuscidulis, 6 — 8X2 — 2 V2 /'• 

Pará, Ilort. botan. Mus. Goeldi in vat;inis emortuis Euterpes 
okraceae. Febr. 1908. (Baker N." 266). 



FUXGI PARAENSES (lll) 280 



Eutypa Giiadiice P. Henn. n. sp. 

Stromatibus sparsis vel gregariis rotunda- 
tis vel striiformibus cortice rimoso erumpen- 
tibus, carbonaceo-atris. 2 — qVi mm- perithc- 
ciis giobulosis, ostiolis conicis; aseis subfu- 
soideis vel clavatis, breve pedicellatis, oblu- 
sis. 8-sporis, 25 — 30/(4 — 5 ." \ sporis botuli- 
formibus,curvulisfuscidulis.7 — lOX^ — 2 1/9,". 
Vara, Hort. botan. Mus. Goeldi in culmis Giiadiiae paUidae. 
Febr. 1908. (Baker X." 268). 

Eutypa liidibnnda Sacc. Mich. 1, p. 15. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi, in ràmis corticatis Citri An- 
rantii. Febr. 1908. (Baker N.° 262). 

Aseis long-e stipitatis. 35 --45X4 — 6 n : 
sporis allantoideis, eurvulis. fuseidulis 7 — 10 
X2— 3 .». 

Valsa Guayavce P. Henn. n. sp. 

Stromatibus gregariis sub epiderme nidu- 
lantibus, peritheciis paueis giobulosis immer- 
sis, 180 — 200 II atris ostiolis eonoideis pro- 
minulis: aseis sessilibus clavatis. obtusis. 
8-sporis, 16— 2oX3 V2 — 4 i" ; sporis subdis- 
tiehis cylindraceis, obtusis, eurvulis hyalinis, 
4—5X0.6—0,8 A'. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in cortice emortuo Psidii Gua= 
yavae, Febr. 1908. (Baker N.° 253). 

EutyPella paraênsis P. Henn. n. sp. 

Stromatibus subcortiee nidulantibus dein 
erumpentibus. pulvinatis, atris, peritheeiis 
immersis. 3 — 10 giobulosis, ostiolis elavatis 
atris sulcatis prominulis; aseis stipitatis, ela- 
vato-fusoideis obtusis, 8-sporis, p. spor. 25 — 
3oX4 — 5 í"; sporis subdistiehis eylindraeeis 
obtusis, eurvulis, fuseidulis, 7 — lOX^ — 2 ^/^ ,«. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramis emortuis. Febr. 1908. 
(Baker N." 270 ). 



28 1 FUXGI PARAENSES (lll) 



Xylariacese. 

Xylaria oraiiiinica Mont. Syll. Crypt. n. 68o. 

Pará, Marco, in radicibus ( Huber N." 69). 

Tbaiiinoiíiyces rostralns Mont. Syll. Crypt. n. 701. 

Ania:(onas, Rio Purús, Alente Verde, in truncis putridis, April 
1904. (Huber N." 79). 

Camilha BaciUum Mont. Syll. Crypt. p. 703, Cent. II, 
t. 10, f. 3. 

Pará, Marco, in ramis putridis, Jan. 1908 (Baker N." 95). 
In societate Nuiiuiinlariae sp. immaturae. 

Microthyriacese. 

Microthyritun Alsodeice P. Henn. n. sp. 

Peritheciis epiphyllis sparse gregariis, di- 
midiato-scutatis atris, 0,8 — 1 mm. diam. ; 
poro pertuso, contextu reticulato celluloso, 
rufofusco, margine subhyalino radiato: aseis 
ovoideis vel subellipsoideis, tunieatis, 8-spo- 
ris, 70 — 80X45 — 60 /í; sporis eonglobatis, 
oblongis, eurvatis, utrinque rotundatis, mé- 
dio 1-septatis. intus granulatis, hyalinis, 
50— Ó0X8— 12 //. 
Pará, Rio Cuminá, in fuliis Ahodeiae sp. Nov. 1907 (A. 
Ducke N.° 9S ). 

Microthyrium Lauracece P. Henn. n. sp. 

Peritheciis epiphyllis gregarie sparsis, di- 
midiato-scutatis atris, ca. 1 mm puro per- 
tuso. contextu reticulato celluloso, margine 
radiato : aseis ovoideis, ápice rotundatis, tu- 
nieatis. 4 — 8-sporis, 40—65X40 — 45 /'; spo- 
ris eonglobatis fusoideis utrinque subacutis 
vel obtusiusculis, curvulis, 1-septatis. con- 
strictis, hyalinis. 25—35X8—10 /'. 
Rio Trombetas in foliis Lauraceae N.° 8869. Nov. 1907 (A. 
DucXe N.° 99). 



FUXGI PARAEXSE? (lIl) 282 



Hysteriaeese. 

Leinbosia Byrsonimae P. Henn. Hedw. XLIII, p. 2Ó5. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Byrsonimae. Jan. 1908 
(Baker X.° 197 ). 

In societate Diiiwrosporii et MeVwJae spec. 

Lembõsia cfr. Dibíoihemii P. Henn. Hedw. 1904, p. 89. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Astrocaryii sp. Jan. 
IQ08 (Baker X.° 206) Peritheciis plerumque immaturis c. HeU 
iiiinthosporio sp. 

Cenang-iaeese. 

Tryhíididia nifiila (Spreng.) Sacc. Syll. II. p. 757. Form. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis Citri aurantii. Jan. 
Febr. 1908 (Baker X." ] 78, 260, 261. 263, 264); in ramulis Cae- 
salpiniae cearensis Jan. 1908 (Baker X.° 188); in trunco emortuo 
Euierpes oJi>raceoe. Febr. 1908 (Baker X"." 267). 

Cenangium paraense P. Henn. n. sp. 

A-comatibus caespitose erumpentibus, sti- 
pitatis. cupulatis. coriaceis, extus isabellinis 
pruinosis marginatis. 1 — 2 mm diam., in 
basin stipitiformem produclis turbinatis, disco 
badio laevi: aseis clavatis ápice subrotunda- 
tis. attenuato-stipitatis. 8-sporis. ca. 50X3 — 
4 /' ; paiaphysibus filiformibus, hyalinis, ca. 
1 \/2 /' crassis: sporis oblique monostichis vel 
>ubdistichis oblong'is subcylindraceis, eurvu- 
lis vel rectis, obtusis continuis, hyalinis 4 — 
õXl V-2-2 u. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in trunco emortuo. Febr. 1908 
(Baker X.° 274). 

C. piilvcruJacco affine. 

Helotiaeese. 

Piíocratcra inchoJoiíia (Mont.) P. Henn. in. Engi. bot. 
Jahrb. Form. 

Pará, Rio Guamá, in ligno pútrido. Jan. 1908 (Baker XV 197). 



283 FUNGI PARAENSES (lll) 

Sphaeropsidacege. 

Phyllosticta ? Lucumae P. Henn. n. sp. 

Maculis gregaiiis epiphyllis. incrassatis mi- 
nutis. fuscidulis vel atris: peritheciis singula- 
ribus, subhemisjíhaericis atris, subnitentibus, 
perforatis. 50 — 70 /', diam.: conidiis ellipsoi- 
deis obtusis. 3 — 4/(2 /'■ hyalinis. 

Fará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Lucumae Rivicoae. 
Maio 1901. ( Huber N. 64). 

Phyllosticta paraênsis P. Henn. n. sp. 

]\Iaculis pallidis exaridis: peritheciis epi- 
phyllis gregariis. hemisphaericis. fuscis, per- 
tusis, 50 — 80 /< : conidiis ellipsoideis, obtusis, 
hyalinis, eguttulatis. hyalinis. 4 — õX^ — 2 V2 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis palmae sp. (Huber 
N.» 88). 

Phyllosticta Dracaenae P. Henn. n. sp. 

]\Iaculis effusis pallidis vel fuscidulis, to- 
tum folium occupantibus: pertheciis sparse 
gregariis, lenticulanbus, atris. pertusis, 40 — 
50 /í : conidiis oblongis, obtusis. eguttulatis, 
3 — 4X1 V2 /' hyalinis. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Dracaenae sp. Jan. 
1908. (Baker N.° 208). 

Phyllosticta Ischnosiphonis P. Henn. n. sp. 

Maculis sparsis. oblongis, pallido-exaridis; 
peritheciis sparsis lenticularibus. pertusis, 
atris, 70—80 /í: conidiis ellipsoidiis. 2-guttu- 
latis. hyalinis, 6 — 7X3—4 ,"■ 

Pará, Marco, in foliis Ischnosiphonis aruniae. Dec. 1907 (Ba- 
ker N." 131 )• 

Phoina Heckeriae P. Henn. n. sp. 

Peiitheciis gregariis. hemisphaericis vel 



FUNGI PARAENSES (l]l) .284 



lenticulaiibus. fusco-atris. perforatis, 50 — 70 
n : conidiis oblongis, fusoideis vel ellipsoideis, 
2-guttulatis, hyalinis, 4 — 5X2 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in caulibus emortuis Heckeriae 
pehatae Dec. 1907 (Baker N.° 54). 

Phoma Murrayae P. Henn. n. sp. 

Peiitheciis sparsis hemisphaericis atris, 

pcrtusis, ÓO — 70 ,tí ; conidiis ellipsoideis vel 

subgiobosis. eguttulatis, hyalinis, 4 — 5X4 /'• 

Pará, Hort botan. Aíus. Goeldi in ramulis siccis Murrayae exo- 

ticae. Jan. 1908. (Baker N.° 215). 

Phoma Anthurii P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparsis suberumpentibus glo- 
bulosis atris. 50 — 60 /< diam.: conidiis sub- 
giobosis vel ellipsoideis, 1 guttulatis, hyalinis, 
4—5X3—4 /'. 
Pará, Hort. bot. Mus. Goeldi in caulibus siccis Anthurii sp. 
Febr. 1908 (Baker N.° 254). 

Cytospora Achrae P. Henn. n. sp. 

Stromatibus subcortice erunnpentibus mul- 
tilocularibus, olivaceo-fuscis: conidiophoris 
bacillaribus, hyalinis, ca. 10X2 /<; conidiis 
allantoideiS;, oblongis. hyalinis, 2 — 2 ^j^yCO- 5". 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in corticibus emortuis Achrae 
Sapotae. Jan. 1908 (Baker N.° 170). 

Coniothyriuin Herranice P. Henn n. sp. 

Maculis sparsis rotundatis pallido exari- 
dis, peritheciis epiphyllis sparse gregariis, 
lenticularibus, atris, pertusis, 70 — QO/r, co- 
nidiis, ovoideis, ellipsoideis obtusis, 3 V2 ~"4 
Xl V2 — 2 ;í< fuscidulis. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Herraniae paraènsis. 
Jan. 190S. (Baker N.° 220). 



285 FUNGI PARAENSES (lll) 



Notbopãtella Lccaiiidiíini Sacc. Syll. XI. p. 51 7. 

Pará. Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis emortuis Citri 
Aiiraniii. Febr. 1908 (Baker N." J59 ). 

Díplodía Astrocaryi P. Henn. n. sp. 

Peritheciis epiphyllis sparsis subepidermide 
erumpentibus, giobulosis: atris, 150 — 170, «; 
conidiis ellipsoideis vel subovoideis. obtusis, 
olivaceo-atris, 1-septatis haud constrictis. 18 — 
22X8—12 fi. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foiiis siccis Astrocarxi sp. 
^ Jan. 190S. (Baker N." 57. 152). 

Diplodia Oenocarpi P. Henn. n. sp. 

Maculis pallescentibus exaridis: peritheciis 
epiphyllis subcutaneis pulvinatis tectis de- 
inde erumpentibus atris. ca. 160 — 200 /í: co- 
nidiis ellipsoideis vel ovoideis vel clavatis, 
utrinque obtusis. intus granulatis, atro-vinosis^ 
médio l-septatis haud constrictis 14 — 22X9 
— 12 /í. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foiiis siccis Oenocarpi sp. 
Jan. 1908 (Baker N,° 192 ). 

In societate LeptothvrelJae Oenocarpi P, Henn. 

Diplodia Cassiae multijugae P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparse gregariis in leguminibus, 
erumpentibus, subglobosis. atris, 160--18O 
f^i: conidiis oblonge ellipsoidiis obtusis, atris 
médio 1-septatis haud constrictis. 20 — 3oX 
10—13 /<. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in lej^uminibus Cassiae multi- 
jugae. Jan. 1908 (Baker N." 208). 

Diplodia Dracaence P. Henn. n. sp. 

Maculis effusis folium totum occupantibus 
pallidis vel fuscis: perthcciis amphigenis in- 



FuNGi PARAE^rt^Es (III) 28Ó 



nato-suberumpentibus. conuideis vel subglo- 
bosis, atris, iSo— 220 /< : conidiis ellipsoideis 
vel subovoideis, diutius hyalinis continuis 
dein atris médio, 1-septatis haud oonstrictis, 
17— 22X8-10 /í. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis emortuis Dracaenae. 
sp. Jan. 1908 (Baker N.° 208). 

Diplodia Citri P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparsis vel laxe gregariis tectis 
dein erumpentibus giobosis. atro-carbonaceis; 
conidiis ellipsoideis vel ovoideis, obtusis, cas- 
taneis. 1-septatis vix vel paulo oonstrictis, 
12— 18XÓ— 9 /'. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis siccis Citri Livroni 
in societate Eiitypae liidibundae Sacc. ? et Trvblidiellae rufulae. 
Febr. 1908 (Baker N." 265). 

D. Aiirantio Catt., D. Hesperidicae Speí^. etc. conidiis mino- 
ribus distincta. 

Diplodia antiqua Pass. Diagn. F. n. IV, p. 110. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in truncis emortuis Eiiphorhiae 
sp. cult. Jan. 1908 (Baker N.° 169). 

Diplodia vincicola Brun. Rev. myc. 188Ó. p. 141. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in caulibus emortuis Viiicae 
roseae Jan. 1908. (Baker N.° 225). 

Conidiis minoribus, 15 — 23X10 — 13 fi. 

Botryodiplodia Dilleniae P. Henn. n. sp. 

Peritheciis gregarie caespitosis subconflu- 
entibus effusis, innato-erumpentibus, atris; 
conidiis ellipsoideis vel ovoideis, obtusis, 1- 
septatis vix constrictis atris, 18 — 23Xll — 

15 /«. 

Pará^ Hort. botan. Mus. Goeldi, in fructibus putridis Dilleni- 
ae speciosae. Febr. 1908 (Baker N." 270). 

Chaetodiplodia Caesalpiniae P. Henn. n. sp. 

Peritheciis gregariis subepidermide erum- 



28/ FUXGI PARAENSES (^111^ 



pentibus. superficialibus. subgiobosis. dein 
collabentibus. carbonaceo-membranaceis, atris, 
100 — iSo fi, setulis rigidis subulatis, atris, 
80 — 200X5—6 !'. vestitis, hyphis mycelii 
fuscis ramosis ciiTumdatis: conidiis ellipsoi- 
deis vel ovoideis. guttulatis primo hyah'nis 
continuis, dein l-septatis, fuscis, 8— llX5 
— 6 /<. 

Paid, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis corticatis siccis 
Caesalpiniae cearensis. Jan. 1908 (Baker N." 182). 

Steganospora Desmonci P. Henn. n. sp. 

Peritheciis amphigenis sparsis vel grega- 
riis subcuteanis dein erumpentibus, lenticu- 
laribus. atris. ca. 140 — lóO /< diam.; conidiis 
oblonge cylindraceis subfusoideis rotundatis, 
3 septatis, hyalinis, 15 — 23X5 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis putridis Desmonci sp. 
Jan. 1908 (Baker N.° 143). 

Rhabdospora solanicola P. Henn. n. sp. 

Peritheciis sparsis vel gregariis subcuti- 
culari-erumpentibus. globulosis vel lenticula- 
ribus atris, pertusis, ca. 80 — 100 /í. diam. 
conidiis sigmoideis filiforme fusoideis, pluri- 

guttulatis 15—25X1 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in caulibus putridis Solani sp. 
Dec. 1907 (Baker N.° 85). 

Peritheciis minoribus Rliahâosporae Solani Sacc. distincta. 

Nectroideacese. 

Aschersonia paracnsis P. Henn. Hedw. 1Ç02 (p. 17). 

Jutiiba, Ilha de Marajó in foliis Psidií Gua\avae. Juni 1902 
(Huber N.° 97). 

Aschersonia turbinata Berk. Fungi St. -Dom. n. 52. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis vivis Chrysophylli Cai- 
iiitoiíis (Huber N." 65). 



FUXGI PARAENSES (lIl) 



Aschersonia scleroiioides P. Henn. Hcfhv. 1Ç)02 p. 146. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Cordiae tetranãrae Jan- 
1908 (Baker N.° 222 b )- 

ín societate Calonectriae hncophaès Rehm. 

Leptostromaeese. 

Leptothyrimn Astrocaryi P. Henn. n. sp. 

Maculis effusis cinereis vel pallidis exares- 
centibus. peritheciis epiphyllis gregariis sae- 
pe confluentibus, dimidiato-scutatis, atris, 
pertusis, radiato-cellulosis. 200 — 300 /<. diam. ; 
conideis ellipsoideis, hyalinis. 4 — SX^ V2 i"- 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis siccis Astrocaryi ros- 
trati Dec. 1907 (Baker N." 22,). 

In societate Pbvsalosporae Astrocaryi P. Henn. 

Leptothyriunt Bactridis P. Henn. n. sp. 

Peritheciis epiphyllis sparsis gregariis su- 
perficialibus, dimidiato-scutatis, perforatis, ra- 
diato-cellulo>is, atrofuscis, 100 — 200 ^<; coni- 
diis subfiliformibus acutis, hyalinis, continuis, 
10— l3Xl — 1 V2 l^- 
Pará, Hort. botan. Aíus. Goeldi in foliis Bactridis. Jan. 1908. 
(Baker N." 44). 

Leptothyrella Oenocarpi P. Henn. n. sp. 

Peritheciis annphigenis superficialibus, gre- 
gariis, dimidiato-scutatis, pertusis radiato 
cellulosis, cinereo-fuscis, 6o-80/<, conidiis 
ovoideis vel oblongis obtusis hyalinis, médio 
1-septatis, 5—7X3 ."■ 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis siccis Oenocarpi sp. 
Jan. 1908 (Baker N." 192.) 

In societate Diplodiae Oenocarpi P. Henn. 

Leptothyrella Chrysobalani P. Henn. n. sp. 

Pei'itheciis amphigcnis. plerumque dense 



289 FUNGI PARAENSES (lll) 



gregariis confluentibusque, dimidiato-scutatis, 
poro pertusis, radiato-cellulosis, 100— 200 /<, 
atris: mycelio effuso, repente hyphis ramo- 
sis atris ; conidiis longe clavatis, ápice ro- 
tundatis, basi l8 — 22)-(4 — 5 /< loculo infe- 
riori 2—3X3 u. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis vivis Cbrvsobalani 
Icaco. Jan. 1908 (Baker N.° 244). 

Melanconiaceae. 

Colletotrichum Staithopeae P. Henn. n. sp. 

]\íaculis fuscis exaridis, acervulis amphi- 
genis sparsis vel gregaiiis subcutaneo-erum- 
pcntibus, orbicularibus, atris, 60— 90 /< diam., 
sctulis subulatis. acutis. rectis vel curvatis, 
atris, 25 — 50X3 V2 " 4 ." ; conidiis oblongis 
vel cylindraceis obtusis, rectis, vel curvulis, 
intus granulosis. hyaiinis, 10 - l6X3 V2 — 4i"- 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis vivis Stanhopeae. Jan. 
1908. (Baker N." 245). 

Pestalo:y~ia palmarum Cooke Grew. t. 86 f. 3. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Astrocaryi. April 1901 
(Huber N." 39, 44). 

Mueedinaceae. 

Haplariopsis P. Henn. n. gen. 

Hyphae fertiles ercctae pluriramosae, pa- 
rasiticae. Conidia hypharum lateribus adhae- 
rentia, sessilia, cylindracea hyalina. 
Haplariae, Botrvtis affine. 

H. Cordiae P. Henn. n. sp. 

Caespitulis hypophyllis sparse gregariis, 
floccoso-lanosis, albis in maculis fuscidulis; 
hyphis fertiiibus erectis, repetito-ramosis 
hyaiinis, septatis, 2 V2 — 3 V2 /' crassis; coni- 



FUNGI PARAENSES (lll) 290 



diis picurogenis sessilibus oblongis, subcy- 
lindraceis continuis subobtusis, hyalinis 5 — 8 

\/o 9 1/ „ 

/\- - 12 r- 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Cordiae tetrandrae 
Jan. 190S. (Baker N." 222 a). 

Dematiaceae. 

ConiosporiuDi Bambus ae (Thíim. e Bolle) Sacc. Mich. II 

p. 124. 

Pará, Hort. botan. Mu?. Goeldi in vaginis emortuis Ariindi- 
nariae fakatae. Jan. 1908. (Baker N.° 228). 

Torula Donacis P. Henn. n. sp. 

Caespitulis effusis velutinis, atris, hyphis 
simplicibus, ca. 3 — 4 ," crassis, catenulis 
subcyiindraceis moniliformibus ; conidiis sub- 
giobosis atris, 4 — 7 /' diam. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in vaginis siccis Arundinis 
Donacis. Febr. 1908. (Baker N.° 269.) 

Scolecotrichum Anacardii P. Henn. n. sp. 

Caespitulis atrofuscis effusis hypophyllis, 
hyphis ramosis repentibus septatis, fuscis, 
3 — 5 1^1 crassis : conidiis ellipsoideis vel ovoi- 
deis, 1 -septatis haud constrictis, cinnamo- 
meis, 22—32X15—18 ^i. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis Anacardii occiden- 
talis. Jan. 1908. (Baker N." 229 a). 

Helininthosporium Bactridis P. Henn. n. sp. 

Caespitulis effusis velutinis atris, hyphis 
septatis usque ad 200X3—4 V2 /'' conidiis 
fusoideis subacutis, 6 — 7-septatis, 20 — 3oX 
6—8 /í. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi, in vai^inis Bactridis sp. Jan. 
1908. (Baker N." 202 b). 



291 FUXGI PARAENSES (lIl) 



Helminthosporiuin microsortiin P. Henn. n. sp. 

Caespituliá supeificialibus grcg^ariis. ro- 
tundato-pulvinatis. atrofuscis. hyphis erectis 
septatis. fuscis 2 ^ o — 3 V., /' crassis : coni- 
diis acrogenis clavatis vel fusoideis. obtusis. 
3— 5-septatis. loculis. l-^uttulatis. 20 — 3oX 

5—7 /'• 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in culmis emortuis Banihiisae 
viilgaris. Jan. 1908. (Baker N.° TQl ). 

Cercospora Arachidis P. Henn. Hedw. XLI (1902). p. 
(18.) 

Pará, Hort, botan. Mus. Goeldi in íoliis Arachidis hxpogeae 
(Huber N." 63 ). 

Cercospora Vataireae P. Henn. n. sp. 

Maculis rotundatis fuscis. zona viridula 
cinctis, hyphis fasciculatis. septatis, 3 — 4 ;<* 
crassis: conidiis cylindraceo-fusoideis. fumo- 
sis, 6 — 9-septatis, obtusiusculis. 60 — 70X 
5—6 /'. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis í^ataireae giiianensis. 
Juni 1908. (Baker N." 204). 

Cercospora Montrichardiae P. Henn. n. sp. 

Maculis rotundatis gregariis. fuscis dein 
pallescentibus exaridis : caespitulis raris 
fuscidulis. hyphis fasciculatis fuscidulis, se- 
ptatis, 2 V2 — 3 /< crassis: conidiis oblonge 
fusoideis, 3-septatis, fuscidulis, 50 — 6oX 
4—6 /í. 

Pará, Ilha das Onças in foliis Montrichardiae arhorescentis. 
Octob. 1903. (Huber N.° 96). 

Fumago vagans Pers. ]\Iyc. eur. L p. 9- 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis emortuis Palmae. 
Dec. 1904. (N." 82). 



FUNGI PARAENSES (lll) 292 



Stilbaeeae. 

Stilhella pesisoidea P. Henn. n. sp. 

Gregariis. subcupulatis. stipitatis, ca. 500 
/< altis: stipite hyalino ex hyphis pallidis 
conflato. ca. 300— 400XS0— go ,«, basi in- 
crassato: cúpula membranaceo-ceracea fla- 
vida; conidiophoris bacillaribus hyalinis, ca. 
8 — 10X2 — 2 V2 i"! conidiis ellipsoideis vel 
subgiobosis hyalinis, 4X2 — 3 i^i. 
Pará, Hort. "botan. Mus. Goeldi in corticibus Caesalpiniae cea- 
rensis. Jan. 1908 (Baker N." 184). 

Arthrobotryuin Ingae P. Henn. n. sp. 

Caespitulis gregariis vel sparsis erumpente- 
superficialibus. alris : stromatibus erectis ri- 
gidis ex hyphis atris compositis. ca. 0,8 — 1 
mmX20 — 50 i"i basi fasciculatis, médio no- 
dulosis ápice clavatis. l8oXl50 .": conidiis 
fusoideis curvulis, acutis, 3 — 6-septatis fuli- 
gineis, ca. óoXlO ,«. 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis siccis Ingae sp. Jan. 
1908. (Baker N." 238). 

Tubereulariaeeae. 

Patellina Citri P. Henn. n. sp. 

Sporodochiis gregarie superficialibus. mem- 
branaceo-ceraceis, glabris, orbiculari-patella- 
ribus, médio afíixis, incarnatis, ca. 0,8 — 1 
mm. diam.: sporophoris subcylindraceis hya- 
linis, 5 — 8X2 /': conidiis acrogenis ellipsoi- 
deis vel fusoideis 1 — 2-guttulatis, hyalinis 

3 V2— 5X2 /'• 
Pará, Hort. hotan. Mus. Goeldi in cortice pútrido Citri Au- 
rantii. Jan. 1908. (Baker N." 180). 



2^3 FUXGI PARAENSES (lll) 



Fusariuin Lticumae P. Henn, n. sp. 

Sporodochiis amphigcnis sparsis, ceraceis, 
compactiusculis vel submembranaceis. san- 
guineis: conidiis falcato-fusoideis, acutis, 4- 
septatis. hyalinis. 50— 6oX3 V2 — 4 ,": coni- 
diophoris septatis incainatis 3X4 ," crassis. 
Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in foliis siccis Lucnmae Ri- 
vicoae. Jan. 1908. (Baker N.° 218). 

Fusariumr cypericola P. Henn. n, sp. 

Sporodochiis in influresccntiis junioribus, 
eas destruentibus efformantibusque,tremelloso- 
oelatinosis effusis. pallidis vel incarnescenti- 
bus : conidiis acicularibus acutis continuis, 
hyalinis. l3— 18X1 /'• 
Pará, in inflorescentiis C\peri exaltali. Octob. 1906. (Huber 
N." 81). 

Parece-me muito duvidoso que este fungo possa ser reunido 
com o (jenero Fusarium, talvez elle deve formar o typo d'um 
novo género das Tuherculariaceas. 

Exosporium Murrayae P. Henn. n. sp. 

Sporodochiis erumpenti-superficialibus 
gregarie substriiformibus, pulvinatis, olivaceo- 
atris, 0,6 — 1 mm diam.. compactiusculis; 
conidiis oblonge fusoideis. 2 — ó-septatis, atro- 
í useis. 30—80X12—14 .". 

Pará, Hort. botan. Mus. Goeldi in ramulis siccis Murrayae 
exoticae. Jan. 1908. (Baker X." 212). 

Rhi:;^omorpha corynecarpos Kze. in AVeigelt Exs. 1827. 
Rh. coryncclados Kze. — Rh. corynephorus in Sacc. 
Syll. XIV. p. 1184. 

Amazonas, Bom Lugar in ramulis arborum. April 1904. 
(Huber N." 83). 

As rhizomorphas dependentes, cuja classificação certa até aqui 
não foi conseguida, são empregados por certos pássaros (japus) 
na construcção dos seus ninhos. 



Materiaes para a Flora amazonica 294 

VII 

Materiaes para a Flora amazonica 

VII. Plantae Duckeanae austro-guyanenses 

Enumeração das plantas siphonogamas 

colleccionadas de 1902 a 1907 na Guyana brasileira 

pelo Sr. Adolpho Ducke e determinadas 

pelo Dr. J. HUBER 

(Com um mappa organisado por A. Ducke) 



De alguns annos para cá, o Sr. A. Ducke, entomologis- 
ta do Museu Goeldi, aproveitou as suas viagens ao interior 
d'este Estado, feitas em commissão d'este estabelecimento, 
para colleccionar, alem dos insectos, um bom numero de plan- 
tas seccas, que constituíram um accrescimo importante 
para o nosso Herbario Amazonico. Entre estas coUecções, 
as reunidas na zona c|ue se estende ao Norte do baixo Ama- 
zonas são particularmente importantes e dignas de menção, 
não só porque ellas contêm um grande numero de novidades 
para a sciencia, como também porque vindo d'uma região 
ainda pouco explorada sob este ponto de vista, ellas podem 
contribuir para resolver certos problemas de geographia 
botânica. Pertencendo politicamente ao Estado do Pará, a 
zona explorada pelo dr. Ducke deve-se considerar, sob o 
ponto de vista da geographia botânica, antes como uma sub- 
divisão da província guyaneza, do que como fazendo parte 
da « Hylaea » propriamente dita. 

Por diversas razões^ que vou expor n'um artigo espe- 
cial, onde pretendo discutir os resultados geobotanicos que 
decorrem do estudo das collecções do Sr. Ducke, deixei de 
incluir n'esta lista as plantas que o nosso collega trouxe do 



295 Materiaes para a Flora amazonica 



Oyapok e de outros pontos da costa da Guyana brasileira, 
assim como da margem do Amazonas a TEste do Rio Jary. 
A presente enumeração comprehende pois a parte do Estado 
do Pará situada entre o rio Jary e o rio Jamundá. N'esta 
zona os pontos visitados pelo Sr. Ducke são numerosos, 
como se pode ver no mappa annexo. Especialmente bem ex- 
plorada foi a bacia do Trombetas, onde o Sr. Ducke teve 
o ensejo de penetrar em duas direcções até uma distancia 
considerável do Amazonas. Para dar aos leitores do Boletim 
uma idéa mais nitida da região em que as coUecções foram 
reunidas, pedi ao Sr. A. Ducke alguns apontamentos sobre 
os pontos visitados por elle. Estes apontamentos que são 
consignados nas jjaginas que seguem, servirão de introducção 
geographico-botanica á nossa enumeração. 



Rio Arrayollos. — Visitei este pequeno affluente do Ama- 
zonas na segunda metade de abril de IQoS. Perto da foz, as 
margens deste rio são igapó, onde a palmeira urucury (Attã- 
lea excelsa Mart.) é frequente; mais para cima a malta vai 
diminuindo de altura, as palmeiras vão desapparecendo, em 
logar delias apparecem numerosas seringueiras barrigudas 
(Hevea Spruceana Miill. Arg. ). A matta reveste ahi somente 
a beira do rio; nella é notável o grande numero de Orchi- 
deas epiphyticas. Logo atraz da orla de matta, chegando 
mesmo ás vezes até á beira, extcndem-se campos de várzea, 
transformados em lagos na estação em que fiz a minha via- 
gem; as pontas de terra firme, em parte collinas bastante altas, 
que chegam n'alguns logares até a beira do rio, são cober- 
tas de matta de mediocre tamanho. 

Os castanhaes, que constituem a única riqueza actual- 
mente explorada da região, ficam todos em considerável dis- 
tancia das beiras do rio. Do ponto central do commercio da 
castanha, Pedreiras, sahe uma estrada para Oeste; ella atra- 
vessa no principio matta bastante baixa, a qual augmcnta 
mais e mais de altura, assumindo depois de uma légua o as- 
pecto da matta virgem. Ao chegar á serra de Almeirim, 
entra-se no verdadeiro castanhal, matta onde os castanheiros 
{Berlholletia excelsa H. B. K.) são muito frequentes. 



Materiaes para a Flora amazonica 296 



De Pedreiras para cima predomina cada vez mais a 
matta. A povoação de Arrayollos está situada á margem 
esquerda do rio, numa coUina alta, donde em meia hora de 
caminho attravessando-se uma matta baixa, se alcança o cam- 
po firme. Neste estava em flor a maior parte das hervas, 
ao passo que as arvores só tinham folhas; entre os arbustos 
e arvores mais frequentes menciono a mang^abeira ( Hancor- 
nia speciosa Gom.) e o muricy (Byrsouiina crassifolia K.), 
entre as hervas duas espécies de Orchideas terrestres {Ha- 
benaria pauciflorã Reichb. f. e Galeandra jimcea Lindl.). 

O solo consiste em grossa areia amarella pardacenta, 
em parte também de pedregulho de grés ; esta pedra consti- 
tue serrotes isolados no meio do campo, achando-se no cume 
delles uma camada de tabatinga branca. Nos logares baixos 
do campo predomina o mirity {Mauritia fhxiiosa L. f. ). Nos 
arredores da povoação de Arrayollos ha na matta muito 
cajú-assú {Anacardiíun giganteuin Hanc.) e cupú-assú (Theo- 
broma grandiflorum Schum.); na capoeira é commum a gra- 
viola ou jaca do Pará {Anona muricata L.). Estas arvores 
fructiferas são sem duvida restos de antigas plantações. 

O igarapé de Espozende desagua no Rio Arrayollos 
pouco acima do logar Pedreiras: em suas margens os cam- 
pos baixos alternam com mattas nas collinas. Nas immedia- 
ções da povoação de Espozende extendem-se bellissimas mattas 
virgens nos terrenos altos, porem os castanhaes ficam ainda 
bastante longe. 

Almeipim e serras a Nordeste desta villa. — Entre a 
foz do Rio Arrayollos e a villa de Almeirim viaja-se num 
«paraná» (braço do Amazonas separado do grande rio por 
uma série de ilhas) cujos diversos trechos tém differentes 
nomes. Na beira deste paraná a matta alagadiça não é muito 
alta ; como em geral nas várzeas da parte oriental do baixo 
Amazonas, o tachyzeiro (Triplaris surinãiiiensis Cham.), o 
páo mulato ( Calycophyllum Sprnceamun Benth.), a imbaúba 
(Cecropia sp.), a monguba (Bonihax nuinguba Mart.) e o ta- 
perebá (Spondias lutea L.) são ahi muito frequentes. Atraz 
desta facha de matta extende-se o campo baixo que vem 
desde o Rio Arrayollos, alternando com mirityzaes, e alem 



297 Materiaes para a Flora amazonica 



do campo, a serra dos castanhaes de Almeirim. Em logares, 
onde a matta da beira foi derrubada, avista-se perfeitamente 
a serra. — ■ No paraná abaixo da villa de Almeirim existe a 
oeirana fSalix Mnrtiana Seyb. ), e será talvez este o ponto 
mais oriental da distribuição geographica deste vegetal. 

A villa de Almeirim está situada em parte na praia, 
em parte na collina que se ergue immediatamente atraz 
desta. A terra firme atraz da villa é coberta de matta bas- 
tante baixa, com muito breu branco fProíiiiiii beptaphylliíiii 
March.) e curuá (Attalea spectahilis Mart.); abunda também 
uma espécie de baunilha (Vanilla Duckei Hub. ). Em mais 
ou menos uma hora atravessa-se esta matta e entra-se no 
campo, que é alagadiço nas baixadas, com mirit3'zaes e cara- 
názaes, e firme nas partes mais altas, com muitas collinas e 
serrotes, cobertos de pedregulho e revestidos de arbustos 
rachiticos. Em dezembro de 1902 encontrei ainda arbustos e 
arvores em flor ou com fructos (entre estas menciono a 
mammeira, Vitex flavens Kunth), porem o solo quasi nú; 
ao contrario em abril e maio de IQOS as arvores só tinham 
folhas e as hervas estavam em flor. Entre estas achavam- 
se varias Orchideas terrestres. — A estrada atravessa o 
campo e penetra ainda talvez uma legoa na matta geral, 
que principia ao pé do Çacaçacá, primeiro contraforte da 
série ininterrompida de taboleiros cobertos de matta alta, re- 
gistrados nos mappas pelo nome de Serra de Almeirim, dos 
quaes cada um é conhecido na região por um nome espe- 
cial. Apezar de não haver, hoje, no Çacaçacá. que poucas 
castanheiras (mais frequente é, nos barrancos húmidos, a 
castanha de macaco (Couroupita guyanensis Aubl.), as quaes 
são abundantíssimas em outras partes da Serra de Almeirim, 
creio que este seja a « montanha de Almeirim », visitada por 
Martius. N'um valle fertilissimo alem do Çacaçacá vi tam- 
bém duas estradas de seringueiras (Hevea brasilieiísis Aílill. 
Arg.?). 

Durante as minhas viagens no município de Almeirim 
tive occasião de verificar, que nos logares centraes, como 
Arrayollos, Espozende e principalmente na Serra de Almei- 
rim, cahe muito mais chuva do que na margem do Ama- 
zonas, sendo ali as trovoadas frequentes e fortes. 



Materiaes para a Flora amazonica 298 



Serras entre Almeirim e Prainha. — Em dezembro de 
1902 tive occasião de subir, em lancha, de Almeirim até o 
Tauerú. Até a foz do Paru viaja-se ainda no Paraná de Al- 
meirim, e os terrenos entre a villa e a foz deste rio são igapó 
inculto; pouco acima do Paru a terrafiime alta. em grande 
parte campo, vem até a beira do Amazonas e avista-se, perto 
do grande rio, a pittoresca serra da Velha Pobre, em parte 
pellada. Visto que esta serra^ uma das mais altas do Estado 
do Pará. ainda não foi visitada por um naturalista, desejei 
muito fazer ahi algumas collecções, porem, ncgando-se o pro- 
prietário do terreno. Raymundo Nonnato Urbano da Fonseca, 
a dar me hospedagem, tive de desistir deste projecto. A Oes- 
te da Velha Pobre seguem-se o Rio Aramun e no centro a 
serra do mesmo nome, coberta de matto, depois as serras do 
Jutahy e do Araguaya, em parte pelladas, em parte cober- 
tas de matta. Os rios Jutahy e Tauerú, que vêm destas serras, 
percorrem, em seu curso inferior, uma região de campos baixos, 
que á época da minha viagem estavam seccos e queimados. 

Acima da foz do Tauerú segue-se o Paraná do Para- 
naquara, cujo principio está pouco abaixo da foz do Jauary, 
no município de Prainha. Para alcançar a mais occidental 
das serras entre Almeirim e Prainha, ao mesmo tempo a 
mais alta de todas (36o m.), a serra de Paranaquara. visitada 
pelo geólogo Hartt em 187 1 (veja-se o artigo neste Boletim, 
vol. II, pag. 352 — 358) desci em maio de IQOS de Prainha, 
entrando primeiro no Paraná de Paranaquara, cujas margens 
achavam-se porem inteiramente alagadas, depois no Rio Ja- 
uary e seu affluente Marapy, de onde Hartt tinha consegui- 
do alcançar a serra. Atravessei cerca de uma légua de matta 
não muito alta e depois o campo firme e entrei depois deste 
na matta que se extende até a serra; nella alternam nume- 
rosas collinas cobertas de matto rachitico porem muito cerra- 
do, com palmeiraes de espécies espinhosas nos valles panta- 
nosos. Insufíicientemente preparado, tive de retroceder, sem 
ter attingido o meu fim. — O Rio Jauary tem seu nome do 
Astrocaryum jauary Mart., frequente em suas margens panta- 
nosas. No Marapy a Hevea Spruceana é frequente. 

Prainha. — Passei nesta pequena villa quasi duas sema- 
nas, em maio de 1903. Vindo de Almeirim notei immediatamente 



299 Materiaes tara a Flora amazonica 



que o clima de Prainha é muito mais secco: será este talvez 
o ponto mais secco da Amazónia! A beiía do Amazonas tem, 
já em terra firme, uma estreita facha de matta de medíocre 
tamanho, depois da qual se segue uma capoeira com muitos 
arbustos da família das Myrtaceas, e alem se extendem os 
campos firmes muito arenosos, com capim pouco abundante, 
que no verão devem ter um aspecto muito deserto. Como em 
todos os campos firmes da parte oriental do baixo Amazonas, 
também nos de Prainha existem espalhados numerosos arbus- 
tos e pequenas arvores: destas só encontrei em flor a OnaJea 
grandijlora ]\íart., que é frequente na regfião. Caminhando-se na 
direcção ao Jauary, passa-se campos baixos, alagadiços; ou- 
tras baixadas formam extensos mirityzaes, cujas beiras são 
cobertas de Melastomaccas com flores roxas ( Rhyiichanthera 
grandiflora DC). Os mirityzaes acham-se. ahi como em todo 
o baixo Amazonas, ás vezes em pouca distancia do grande 
rio. porem nunca á margem d'elle. 

Montealegre. — Nesta pittoresca e saluberrima região, 
aliás já visitada por diversos naturalistas e colleccionadores, 
passei somente poucos dias do mez de julho de 1902, visi- 
tando os campos firmes e capoeiras nas immediações da 
cidade e as beiras do Gurupatuba. Estas tem uma facha de 
matta de medíocre altura; todos os terrenos altos são campos 
firmes ou capoeiras compostas de arbustos. Apezar de ser 
muito secco, o campo de Montealegre tem mais vegetação 
que o de Prainha. — Nas beiras alagadas do Gurupatuba 
notei a frequência da Ipomoea fistiilosa Mart., tão commum 
na ilha de Marajó. 

Alemquer. — Collcccionci nos arredores desta cidade em 
fins de julho e nos últimos dias de dezembro de 1903 e em 
principio de janeiro de 1904- Os terrenos próximos ao Pa- 
raná de Alemquer (braço do Amazonas) são campos baixos; 
atraz da cidade predomina a terra firme, coberta de matta 
não muito alta. a qual cm grande parte mostra signaes de 
incêndios devastadores. Seguindo-se a « Estrada Lauro So- 
dré » na direcção de NE., attinge-se mais ou menos depois 
. do 9.0 kilumetro a florchla alta com muitas castanheiras. Em 
fins de julho encontrei grande jDai'te de arvores da beira do 



Materiaes para a Flora amazonica 3oo 



paraná em flor, o campo baixo estava ainda quasi cheio 
d'agua; em dezembro (já tinham cahido fortes chuvas) este 
campo ostentava uma vegetação herbácea bastante variada, 
especialmente nas proximidades da matta. Os campos firmes 
ficam muito longe de Alemquer. 

Óbidos.— Em julho e principio de ag-osto de ig02. em 
julho e dezembro de 1904, em janeiro, maio e julho de igoõ 
e em novembro de IQO? colleccionei nos arredores desta ci- 
dade, os quaes^ embora cortados por numerosos caminhos, 
não são dos mais favoráveis para se fazer collecções botâ- 
nicas, visto que até muitos kilometros de distancia predomina 
uma matta pouco alta. bastante secca e muito monótona; 
como em Alemquer, também em Óbidos a matta grande fica 
a cerca de 8 a 10 kilometros ao N. da cidade, sendo porém 
os castanhaes ainda muito mais distantes. No Rio Branco, a 
cerca de 40 km. a NE. de Óbidos, ha castanha, caucho 
(Castilloa Ulei Warb.) e seringaes (de Hevea sp., provavel- 
mente não H. brasiliensis). Na matta perto da cidade a 
massaranduba (Mhimsops aina:^omca Hub.), o paricá (diver- 
sas espécies de arvores gi-andes da familia das leguminosas 
mimosaceas), a muirajussára (Aspidospernia Duchi Hub.), 
cuja casca tem a propriedade de produzir comichão na pel- 
le, uma espécie de muiratinga da terra firme fPerebea Leco- 
infei Hub.), parecida com o caucho, a Vochysia obscura 
Warm. e o cutitiribá com fructos não comestiveis (Pouteria 
spec.) são frequentes entre as arvores; vistas de longe, as 
copas floridas da penúltima formam, em julho, grandes 
manchas amarellas, e em dezembro os fructos do ultimo 
apodrecem em quantidade no chão e emanam um cheiro 
nauseabundo. Entre as arvores pequenas («varas») menciono 
o cacáo azul (Thcobroma Spniceanum Bern. ), que é muito 
frequente. Abaixo da cidade as margens do Amazonas são 
alagadas, ha muita oeiíana á beira do rio, e nas mattas de 
várzea predomina entre as arvores ainda o tachyzeiro (Tri- 
píaris surinamensis Cham.); ahi já se encontra também espé- 
cies mais communs no alto Amazonas, como o tachyzeiro 
de flor amarella ( Pterocarpiis ancylocalyx Benth.) e a mou- 
ra tinga verdadeira (01 media spec), uma das arvores mais 



3o 1 Materiaes para a Flora amazonica 



altas da Amazónia. Acima da cidade a beira do rio é for- 
mada por um barranco alto, onde em julho apparcccm nu- 
merosas flores azues do Lysianihiis uíiginosus var. graiuíiflonis 
Griseb., que ainda não pude encontrar em outra parte. 

Não ha campos (*) nos arredores da cidade, porem á 
beira do Lago do Caranazal, abaixo de Óbidos, existe entre 
o igapó e a matta da terra firme uma estreita zona com ar- 
bustos bastante espalhados: ahi apparecem espécies, que de 
preferencia crescem nos campos. O Caranazal, como também 
o lago ao pé da cidade, estão hoje quasi completamente 
obstruídos pelo «aningal» e por arvores de igapó; ao con- 
trario os lagos acima da cidade (Lago de Jcretepaua, do Su- 
curijú, etc.) conservam-se limpos, predominando entre as ar- 
vores da beira o acapú-rana (Cniiipsiaudra laiirifoJia Benth.;, 
uma ingá (Ingá spec.) e a seringueira barriguda (Hevea 
Spruceana Miill. Arg.). 

Oriximiná. — As poucas excursões, realizadas cm julho 
de 1903, dezembro de 190Ó e novembro de IQO?, extende- 
ram-se quasi exclusivamente á matta da terrafirme atraz da 
villa; esta matta é bastante parecida com a de Óbidos (tam- 
bém ahi são frequentes a Pouleria sp. já citada, o Theobroiiia 
Spruceanum, etc, e vc-se, que também ahi o verão é ainda 
fortemente accentuado), porem já mais variada e menos secca. 
Entre o « sous-bois » nota-se pela frequência e pelo seu aspecto 
característico a leguminosa Swart^ia racemulosa Hub.; também 
achei nella algumas raras Meliaceas. Na praia do Trombetas 
existia no mez de dezembro grande numero de Physostenion 
inlerniedium Moric, Capparidacea com flores amarellas, muito 
parecida com uma Crucifera. 

Cuminá, Cuminá-mirim e Campos do Ariramba (**). 

— Acompanhando, em dezembro de IQOó, uma expedição di- 
rigida pelo dr. José Diniz, subi em lancha até o Lago Sal- 



(') Se Derby (veja-se este Boletim, vol. 11, pag. 371) fala de um 
campo arenoso ao N. e E. de Óbidos, trata-se indubitavelmente de um erro; 
também H. Coudreau ( La Franca equinoxiale, PI. III ) dá toda a rej^ião a 
N. W. e E. de Óbidos como « Campo grande ». 

( ** ) Veja-se o meu artiy;o: Voyage aux campos de TAriramba. La Géo- 
graphie XVI, 1907, pag. 19— 2Ó. 



Materiaes para a Flora amazonica 302 



gado, que fica á margem esquerda do Rio Cuminá. braço 
esquerdo do Erepecurú. affluente principal do Trombetas. 
As margens do Cuminá são em parte alagadas, com muitas 
seringueiras barrigudas ( Hevea Spruceana) e piranheiras (Pi- 
ranhea irifoliata Baill.): de quando em quando pontas de 
terrafirma com matta alta e até castanheiras avistam-se do 
rio. O Salgado e todos os outros lagos da região estavam 
na época da minha viagem, no fim do verão, com a super- 
ficie das aguas muito reduzida, o resto era campo, em que 
entre as Gramineas predominava o arroz hr sly o ( Ory:(^a sativa 
L.), o «capim de marreca» (Paspalum conjugatuni Berg. ), a 
«cannarana» e o « taripucú grande»; na zona próxima á agua 
estas Gramineas eram substituidas por espessas camadas de 
uma perpetua (Alternanthera paronychioides var. ama~onica 
Hub.). As numerosas ilhas do lago são revestidas da matta 
baixa caracteristica da várzea. Os grandes castanhaes ficam 
nas terras altas a Leste; a sua vegetação é parecida com a 
dos castanhaes do Lago da Castanha, com os quaes prova- 
velmente communicam pelo centro. 

Do Lago da Castanha, que fica pouco acima do Salga- 
do, fomos por terra para NE, até o «castanhal da massa- 
randuba», cujo porto fica no Rio Cuminá-mirim. Atravessa- 
se um terreno plano, coberto de floresta esplendida, a qual, 
pela maior parte de sua extensão, é muito rica de enormes 
castanheiras, que constituem a quasi totalidade das arvores 
grandes; bastante frequente é uma sapucaya (Lecythis sp. ) e 
o tauary (Couratari sp. ?); de cedro (Cedrela sp.) só vimos 
um exemplar. Entre as arvores pequenas do « sous-bois » pre- 
dominam as Anonaceas, entre as quaes se destaca a Diigue- 
tia jiãgellaris Hub., cujas flores vermelhas- pardacentas escuras, 
com cheiro de fructas podres, apparecem em galhos especi- 
aes com aspecto de raizes, que correm sobre a chão ou são 
até subterrâneos, sahindo as flores da terra, muitas vezes a 
2 metros de distancia do tronco da arvore ; frequente é a 
bombacea Ouararibea Diickei Hub. — As Burseraceas, tão com- 
muns nas mattas dos arredores de Belém, e as Moraceas, 
tão numerosas no alto Amazonas, parecem relativamente 
raras. O Doliocarpns Rolandri Gmel., cipó que fornece ópti- 
ma agua potável, é frequente. Nos logares alagadiços não ha 



3o3 Materiaes para a Flora amazonica 



castanheiras, e diversas palmeiras (por exemplo o murumu- 
rú, Aslrocaryíint muriimiini Mart.) constituem um « sous-bois » 
espesso. A' beira de baixadas pantanosas encontrei exempla- 
res d'uma seringueira da affinidade da Hevea guyanensis Aubl. 

Do porto do «Castanhal da massaranduba» descemos 
o Rio Cuminá-mirim, em geral entre matta de várzea, até o 
logar chamado «Pedras», onde a terraíirme chega á margem 
direita do rio. D'ahi fomos por terra, rumo NE. No princi- 
pio a matta é parecida com a que atravessamos do outro 
lado do rio, porem, já nas primeiras collinas, ella torna-se 
menos frondosa, apezar de existirem ainda muitas castanhei- 
ras. Frequente são ahi as massarandubeiras (Miiiiusops sp.) 
e uma espécie de muiratinga da terraíirme (Olmedia caloneu- 
ra Hub.). Depois de algumas collinas muito altas alcançamos 
um terreno baixo, com matta pouco alta, onde descobri mais 
uma Anonacea com as flores em galhos subterrâneos, a Da- 
guetia cadavérica Hub.; d'esta vez o que me chamou a atten- 
ção, foi o cheiro pestilento de carne podre, que esta flor, roxa 
pardacenta com listras biancas no centro das pétalas, exhala, 
cheiro que attrahe enxames de mo>cas. Neste terreno baixo 
tivemos de atravessar mais de 3 kilometios de «ananahyzal» 
cerradissimo: o solo. que no inverno parece ser alagado, é 
coberto de ananahy, bromeliacea com folhas dentadas, a matta 
é baixa e rachitica. Passado o ananahyzal, alcança-se outra 
série de collinas, com matta grande, porem onde a vegetação 
indica um clima mais secco (verão mais accentuado); appa- 
rece o Theobroiua Spniceanum Bern., o cumaru (Dipteryx odo- 
rata Willd.) é frequente; as castanheiras e o cipó d'agua 
limitam-se a logares um tanto húmidos. As palmeiras curuá 
(Attalea spectahilis Mart.) e outras, constituem a quasi tota- 
lidade do «sous-bois» Encontrámos ahi exemplares de itaúba 
{Silvia ita-uba Pax) e de casca preciosa (Aniha canelilla Mez). 

Alem do Rio Murta, affluente do Ariramba, cntra-se 
na «campina rana»: um campo, onde em logar das gramí- 
neas predominam pequenos arbustos de diversas famílias. Na 
primeira parte da campina rana, que tem o solo cheio de 
buracos e que no inverno deve ser pantanosa, são principal- 
mente frequentes pequenos arbustos da família das Rubiace- 
as, uma forma muito pequena de Humiria floribiinda, o 



Materiaes para a Flora amazonica 304 



Phyllanihus Dini^ii Hub. e a Ternstroemia dehiscens Hub.; a 
Ouãlea aff. acnminaia Spruce é um dos arbustos maiores; uma 
Orchidea terrestre (Epiduidrum caespiiusum Barb. Rodr.), 
alta até l V2 n^-- ^ frequentíssima. Em logares arenosos appa- 
recem duas espécies de Paepalaníhiis. Um lado da campina 
rana é pantanoso, occupado por mirityzal e caranázal. Atra- 
vessa-se d'ora em deante fachas de matto baixo e extensões 
de campina rana cada vez mais secca; os arbustos são ahi 
maiores, porem mais espalhados e apparecem numerosas 
Myrtaceas e espécies de Eryihroxylon. Em logares um tanto 
húmidos encontra-se um «ananahy» com fructo pequeno, 
muito saboroso, e a Sobralia Liliastrwn Lindl., que cresce 
em sociedades, nas rochas. Na descida ao valle do Rio Ja- 
ramacarú, affluente do Ariramba, chamam a attenção os bel- 
lissimos arbustos de Antónia ovata Pohl, que cresce nas la- 
deiras pedregosas. As margens do Jaramacarú são em parte 
campina; em outros logares ha matta bastante alta, na qual 
encontrei em flor a Vochysia vismiaefolia Spruce, que é fre- 
quente, e a Siuart:{ia grandifolia Bong.; á beira deste rio 
achei numerosos arbustos e hervas com flores. Muito com- 
mum é a Calliandra tergemina Benth., bastante frequente a 
Ouratea Duckei Hub. e uma Tahernaemontana. 

Do Jaramacarú aos campos do Ariramba a campina 
rana é cada vez mais secca. Diversos barrancos com riachos 
d'agua crystallina ostentam porem matta bellissima, rica de 
fetos. A beira do campo é marcada por grupos de mirit)^- 
zeiros; neste campo predominavam á época da minha via- 
gem as gramineas chamadas «capim agreste», «barba de 
bode» e «rabo de rapoza»;- na estação das chuvas devem 
naturalmente apparecer muitas outras. Entre os arbustos do 
campo salienta-se pela frequência e belleza a ternstroemiacea 
Bonneiia Dinixji Hub.; o umiry (Humiria floribunda 
Mart. ) é commum á beira das fachas de matta, logar onde 
no chão, em trechos húmidos, apparece o Lycopodiíiui cernu- 
um L. e a Aholboda gracilis Hub.; em logares onde o solo 
é pedregoso e estéril, crescem espécies de Polygala e a bella 
melastomacea Tococa nitens Triana. 

Na volta descemos pelo Cuminá-mirim, de Pedras até 
a bocca, em canoa. Suas margens são geralmente pântano- 



305 Materiaes para a Flora amazonica 



sas; em suas aguas estagnadas fluctuam muitas plantas aquá- 
ticas, cujas agglomcrações («tapagens») interrompem ás 
vezes a navegação. A Victoria re^ia Lindl. é ahi fi-equente. 

Baixo Rio Trombetas e Rio Mapuepa. (*) — Em no- 
vembro de 1907 o dr. Diniz armou uma segunda expedição, 
desta vez para visitar terrenos de sua propriedade, situados 
no alto Rio Mapuera. Como a enchente se tinha manifestado 
excepcionalmente cedo, conseguimos chegar até a Cachoeira 
Porteira em lancha; devido a esta circumstancia |3ude fazer 
collecções somente em poucos logares do baixo Tiombetas. 
Até perto da cachoeira, este rio é acompanhado por uma 
série de lag(js; os terrenos situados entre estes e a margem 
do rio são quasi exclusivamente de várzea e cobertos de 
matta excessivamente monótona, semelhante á da várzea do 
baixo Amazonas, porem inferior em tamanho, cujas arvores 
mais communs são o tachyzeiro (Triplaris siirinmuensis 
Cham.), a sumahuma (Ceiba pcntandra L.) e o taperebá 
(Spoudins íntea L.). Os castanhaes, cujo producto constitue 
a principal e quasi única riqueza desta região, ficam nas 
terras altas alem dos lagos; entre elles é um dos mais cele- 
bres o Castanhal do Jacaré, situado na margem do lago do 
mesmo nome. Pelo que pude obseivar numa rápida visita 
ao lago e ao castanhal, estes me lembraram muito os do 
Cuminá (Lago Salgado, Lago da Castanha). 

Quanto aos seringaes «da melhor qualidade», de que 
fala O. Coudreau em seu livro « Voyage à la Mapuera», 
pag. 161, todos os habitantes do rio são unanimes em afíir- 
mar, que não ha borracha bòa no baixo Trombetas, Eu 
mesmo só vi, de espécies de Hevea, a seringueira barriguda 
(H. Spriiceana), que por exemplo no Lago do Jacaré é 
communissima; é provável que existam, nos terrenos altos, 
espécies do parentesco da H. giiyanensis, porem certamente 
não se encontra a H. hrasiliensis, única espécie até agora 
conhecida como fornecedora de borracha fina. 



(*) Publiquei uma relação desta viai^em na revista « La Géogra- 
phie» XVII, 1908. 



Materiaes para a Flora amazonica 3o6 



A Cachoeira Porteira recebe em seu meio o Rio Ma- 
puera, o maior afQuente da margem direita do Trombetas. 
Os lagedos desta como de todas as cachoeiras do Mapuera, 
são cobertos de pequenas espécies de Podostemaceas, com- 
pletamente seccas á época da nossa passagem ; falta porem 
completamente a grande e bellissima «flor da cachoeira» 
(Moiirera jiuviatilis) , dos affluentes da . foz do Amazonas. 
Nos pedregaes da Porteira e das cachoeiras do Mapuera ve- 
getam arbustos de myrtaceas (Psidium, Eugenia e outros gé- 
neros), Chrysobalanaceas (Licania^ Couepia. etc.) e Euphor- 
biaceas (Croion). — A matta da terra firme, nas collinas 
aos dois lados da Porteira, é pouco alta e não tem casta- 
nheiras. 

Passada esta cachoeira e entrando-se no Mapuera, íica- 
se surprehendido com a completa mudança do aspecto da 
vegetação e da paisagem. 

Na parte por nós percorrida do Rio Mapuera distingue- 
se três regiões bastante bem caracterizadas. Começo pela 
parte inferior, da foz até o pé da série de rápidos e cacho- 
eiras chamados pelos mucambeiros «A Escola». O rio corre 
ahi entre collinas bastante altas, porem raras vezes a teria 
firme chega directamente ao seu leito, em geral ha entre 
ambos uma facha de igapó, inundado durante o inverno. 
Neste igapó faltam completamente as arvores características 
da várzea do Amazonas que chegam até a Cachoeira Por- 
teira; outras espécies as substituem. Alem de vários traves- 
sões de pedra existem nesta parte do rio as cachoeiras do 
Taboleirinho e do Taboleiro grande; morros abruptos che- 
gam nestes togares á beira do rio, formando algumas vezes 
paredões verticaes de pedra, sobretudo no Taboleirinho. Em 
alguns destes morros a matta parece devastada pelo fogo, 
e entre as arvores espalhadas que existem, ha tabocal 
cerrado. 

Com os rápidos da «Escola» principia uma série inin- 
terrupta de travessões e cachoeiras, que termina na Cacho- 
eira do Caraná. Morros bastante altos acompanham ahi o 
rio, dividido quasi sempre em muitos braços. As duas ca- 
choeiras mais importantes deste trecho são a do Paraiso (C. 



307 ]\Iateriaes para a Flora amazonica 



grande segundo mmc. Coudreau) e a da Eg"ua. Nesta ultima 
o rio divide-se n"um labyrintho de canaes com violenta cor- 
renteza d'agua: as ilhotas assim formadas são cobertas de 
matta pouco alta, porem rica de epiphytas, como bromelia- 
ceas, orchidaceas e enormes araceas (por exemplo diversas 
espécies de PbiloiiciiiiroiiJ. Nestas ilhas abunda uma serin- 
gueira (Hevea Bcnthãiniãiia ^luell. Argov. ), a qual me affir- 
maram ser a espécie que fornece a borracha fina fraca do 
INIapuera, igual em valor á borracha do Rio Negro; acha-se 
também ahi uma espécie de Amanoa, da mesma familia das 
euphorbiaceas. 

Acima da Cachoeira do Caraná ergue-se ainda na mar- 
gem esquerda o pequeno outeiro do Castanhal, mas depois 
deste só se vè várzea de um lado e do outro. O rio não 
tem quasi correnteza, salvo nos raros travessões de pedias. 
O ultimo ponto por nós atlingido está acima da Maloquinha, 
por conseguinte segundo O. Coudieau um pouco ao Sul da 
linha do Equador. 

A matta do Rio Mapuera c. mesmo na terrafime, de 
pouca altura. As castanheiras são muito poucas; o único cas- 
tanhal, no morro do mesmo nome, compõe-se de poucos in- 
divíduos. Pelo contrario, ha neste rio muitos seringaes (so- 
bretudo acima da Cachoeira do Caraná), que fornecem a 
borracha fina fraca acima mencionada; as amostras das se- 
ringueiras, (infelizmente sem flores, nem fructos completa- 
mente maduros) que eu de lá trouxe, pertencem á Hevea 
Benthamiana Miill. Arg. Nas terras firmes vê-se arvores bas- 
tante grandes de mimosaceas com a copa em forma de chapéu 
de sói, de jutahy (Hyvienaea spec. ) e de Cumaru (Dipteryx 
odorataWúlá.J; também existe a Copahyba (Copaifera sp.). 
Entre as arvores mais communs e mais notáveis das beiras 
de todo o curso do rio menciono a Paracutaca ( Siuart^ia 
Diickei Hub. ), o Acapú-rana ( Canipsiandra laurifolia), a 
Vúchysia Mapuerae Hub. e V. aff. glaberrima Warm., o Javary 
( AsirocaryuHi jaiiary) e uma arvore bastante alta chamada 
pelos mucambeiros « Pitombeira » (Taíisia sp.), esta ultima 
frequente sobretudo do Caraná para cima. As praias de areia 
amarellenta produzem a «Riteira», Biirdachia prisiiiatocar- 
pa Mart.; varias chrysobalanaceas, myrtaceas e duas espe- 



Materiaes para a Flora amazonica 3o8 



cies de Ouratea encontram-se ahi como também em beiras 
de pedras. Sobretudo em lograres onde matta bastante 
grande chega á margem do rio, apparecem arbustos de He- 
terostenion niiiHosoides Benth., com magnificas flores cor de 
rosa arroxeada. Abaixo da Escola, uma espécie de Maha 
forma em muitos logares das beiras sociedades semelhantes 
ás do Aturiá (Drepanocarpiis hmatiis) nas ilhas do estuário 
amazonico; o Aturiá do baixo Mapuera só cresce isolado. Da 
Escola para cima chamam a attenção a Espadeira (Eperua 
falcata Aubl. ) com flores encarnadas e vagens penduradas em 
galhos muito compridos, e um magnifico tachyzeiro com inflo- 
rescencias muito grossas (Tachioalia macrostachya Hub.); so- 
mente acima doCaraná apparece a Palovea ^uy anensis Auhl., le- 
guminosa com vistosas flores, que faz parte das mattas da vár- 
zea mais alta. Entre os cipós mais communs ou notáveis da 
beira do rio menciono varias espécies de Arrahidaea com 
lindas flores, diversas malpighiaceas de flores amarellas, o 
ituá (Gneiíim nodiflorum Brongn.) e um Strychnos: quanto 
mais se sobe o rio, mais frequente se tornam as espécies 
deste ultimo género, algumas das quaes fornecem o prin- 
cipio efhcaz do curare, empregado por varias tribus de Ín- 
dios para envenenar as flechas. Da Cachoeira da Egoa para 
cima encontra-se o Lophostoma Dini^ii Huber (da familia 
das Thymelaeaceas, pouco representada na Amazónia), cujas 
folhas superiores, de um vermelho ardente, são o mais bello 
ornamento das margens do alto Mapuera. excedendo em 
bellcza da cór as folhas encarnadas da Warscciuic:{ia, ru- 
biacea das capoeiras amazonicas, e mesmo da Poinseltia pul- 
chrrnina, euphorbiacea cultivada nos jardins de todos os 
paizes tropicaes. Uma espécie de viuvinha fPetraea insi^iiis 
Schauer), frequente em todo o rio, merece também menção 
especial pela belleza de suas flores azues arroxeadas. 

Só em dois pontos tive occasião de penetrar um pouco 
mais longe no interior das mattas. A primeira destas excur- 
sões foi feita abaixo da Maloquinha, na margem esquerda do 
alto Mapuera; ahi encontrei só perto da beira uma restinga 
menos exposta ás inundações, para o centro extende-se uma 
enorme baixada, em que no inverno a agua deve attingir 
vários metros de altura. Na mesma occasião um dos nossos 



309 Materiaes para a Flora amazonica 



companheiros caçou na margem direita do rio e encontrou 
depois de al^juns kilometros de várzea a terra firme ^om cas- 
tanheiías e afinal uma campina rana com solo de areia e 
arbustos de umiry. — No baixo Mapuera, na Cachoeira do 
Taboleirinho, subi o morro da maro^em direita do rio e en- 
contrei no cume matta baixa com Rbabdodendron longifolium 
Hub. e outras espécies que raras vezes vão longe do campo. 
Como um dos nossos trabalhadores me falasse da existência 
de campinas á margem esquerda, parti um pouco abaixo 
do Taboleirinho para o centro, rumo N E. Depois de cerca 
de 3 kibmetros de matta da terra firme do medíocre altura, 
com enorme abundância da pequena palmeira caranahy {Le- 
pidocaryum ténue Mart.), que aliás c commum em todo o Ma- 
puera. faltando porem completamente no baixo Trombetas — 
alcancei uma matta baixa e secca já com arbustos do cam- 
po, e logo depois entrei na campina rana. O solo desta é 
de areia branca, sobre a qual vegetam grandes lichens fCla- 
donia sp.J e algumas vezes eriocaulaceas; em logares com um 
pouco de húmus existem muitíssimas orchidaceas, sobretudo 
Sohralia (provavelmente 5. liliastniinj e Epidendriun caespi- 
tosiiin Barb. Rodr. ; as gramíneas e cyperaceas são raras. A 
campina c coberta de arbustos tortuosos, entre os quaes tal- 
vez o mais commum será uma espécie de massaranduba fMi- 
iiinsops reticulata Hub. n. sp.), com fructos pequenos, mas 
muitos saborosos; numerosas são também as myrtaceas. Entre 
outros arbustos frequentes menciono a bellíssima leguminosa 
Diiiiorphandra aff. iiiacrostachya Benth. e a rubíacea Reiinibhyl- 
Ihhi SchombiirgJdi Miill. Arg. Esta campina tem mui pouca se- 
melhança com as da região do Ariramba: a maior parte das 
espécies por mim nelle observadas encontiam-se também nas 
campinas do Lago de Faro: alem da Dimorphandra e do Epi- 
dcndntm acima mencionados cito ainda Viiex D achei Hub., 
Cttphea annulaía Koehne, AniyJocarpus arenarius Barb. Rodr., 
Dipladenia calycina Hub. como plantas notáveis communs 
a ambas. Ha porem algumas differenças consideráveis; o umi- 
ry (IJnnnria jioribunda), tão commum na região de Faro, é 
raro nesta campina, pelo contrario surj^rchende ahi o enor- 
me numero de orchideas. pelo menos quanto aos indivíduos. 
Alem das espécies terrestres já citadas vegetam ahi nos ar- 



Materiaes para a Flora amazonica 3io 



bustos muitas orchideas epiphyticas, entre estas uma, pro- 
vavelmente do género Maxillaria, com as raizes munidas de 
compridos espinhos. Infelizmente, devido á má estação, não 
encontrei nenhuma das espécies epiphyticas com flores. — Xa 
beira da campina ha algumas baixas com mirityzeiros, cujas 
folhas possuem espinhos — ■ provavelmente Maiiritia setigera 
Gris. et Wendl. 

Não pude constatar, se alem da campina rana, cuja ex- 
tensão é grande e cujo fim não pude alcançar, existem cam- 
pos verdadeiros, porem julgo que não, visto o exiguo nume- 
ro de gramíneas e cyperaceas desta campina. Em todo caso, 
a descoberta de campinas na região do Mapuera e de cam- 
pos no Ariramba parece demonstrar, que a matta ao N do 
baixo Amazonas, entre os campos marginaes do grande rio 
e os campos geraes próximos á fronteira das Guyanas^ não 
é tão continua como se suppunha: é de crer, que em muitas 
das terras altas entre os rios que sulcam a região, existam 
campos ou campinas. 

Se as campinas do Mapuera concordam em muitos pon- 
tos com as do baixo Jamundá (Lago de Faro), absoluta- 
mente não se pôde dizer o mesmo a respeito das mattas, que 
não tem a menor semelhança — talvez devido á qualidade 
do terreno. Assim no Mapuera não pude colleccionar sequer 
um exemplar de uma proteacea, quando nas margens do 
Lago de Faro alguns dos arbustos mais frequentes pertencem 
a esta familia. 

Resta-me ainda alludir a algumas plantas citadas por 
mme. Coudreau em seu livro sobre o Mapuera. A Platonia 
insignis não existe na região; se ha fructas chamadas « Ba- 
cury » deve tratar-se de espécies do género Rbeedia. O caju- 
eiro de 25 metros de altura não é o Anacardium occidenta- 
le, mas o A. giganieum, espécie que no ]\Iapuera não é rara. 
Da ausência total da Hevea brasiliensis já tratei. 

FaPO. — Colleccionei nesta interessantíssima região du- 
rante alguns dias em julho de IQOS e dezembro de 1904, e 
durante um mez inteiro em agosto e setembro de IQO?. O 
viajante que vem pelo Rio de Faro, o qual em todos os 
sentidos faz parte da região dos paranás do Rio Amazonas, 



3ll ]\Iateriaes para a Flora amazoxica 



cuja característica vegetação de várzea elle possue, fica sur- 
prehendido pela mudança radical da vegetação, que se lhe 
depara ao entrar no Lago de Faro : as extensas praias de 
areia alvissima e as muitas arvores com flores vistosas e 
folhas duras, pequenas, lustrosas, de verde escuro, lem- 
bram o aspecto das margens do baixo Rio Xegro. Entre e^tas 
arvores é uma das mais notáveis o umiry-rana (Qiialea retusa 
Spruce), frequentíssimo na beira do lago como no interior 
das mattas. Xas praias de areia, que em muitos logares 
constituem verdadeiras dunas de vários metros de altura, 
abundam arbustos e pequenas arvores de riteira {Biirdachia 
prismaiocarpa Mart. ) acapúrana (Campsiandra lanrifoUa 
Benth.), umiry (Hiimiria jlonhiinda Mart.) itaúba-rana ( Siuce- 
tia nitens Benth.), páo roxo (Peltogyne densiflora Spruce ). tucu- 
ribá (Cúiiepia paraensis Benth. V muracutaca (Siuart:(ia acmiii- 
naia Willd.), a Su'art~iã Benthaiuiana ^lk\., o Pilhecolobinm 
aff. caidifiorum ]\íart. e P. Diichei Hub., a Mollia lepidota Spruce, 
diversas proteaceas, etc: nos centros da matta a vegetação 
varia muito, conforme a localidade: assim nas visinhanças da 
Serra do Dedal, onde mesmo no verão as trovoadas são frequen- 
tes, a matta é mais alta do que perto da cidade, onde passam ás 
vezes mezes sem uma gotta de chuva. Duas espécies de Amapá 
fHancomia sp. e Brosimum sp.) e a Sorva grande (Couma 
macrocarpa Barb. Rodr.), frequentes nas mattas da região 
toda, são muito conhecidas por causa do leite, tido como me- 
dicinal nas primeiras^ potável na ultima. As Lauraceas e Ano- 
naceas existem em muitas espécies; frequentes são também 
as Sapotaceas. Os igapós e beiras de igarapés do centro pos- 
suem o ubussú ( Manicaria saccifera var. mediterrânea Trail) 
e uma seringueira ( Hevea guyanensis Aubl.): entre as palmei- 
ras das mattas da terrafirme abunda a piririma ( Cocus 
syagrus Dr.), nos igapós a jará (Leopoldinia piílcbra Mart.) 
e uma espécie bastante grande de ubim (Geonoma). em 
alguns logares (igarapé do Dedal) o patauá (Oenocarpus Ba- 
iana Mart. ). O mirit}' e especialmente o caraná preferem 
a visinhança dos campos. Estes principiam nas cabeceiras do 
igarapé do Tigre, a Leste de Faro, e estendem-se para nas- 
cente, communicando talvez com os campos de Mariapixy e 
do Sapucuá. O aspecto destes campos é muito differente 



Materiaes para a Flora amazonica 312 



dos da parte oriental do baixo Amazonas, achei-lhe mais se- 
melhança com certas partes da « campina-rana» do x\riram- 
ba e sobretudo com as campinas do Mapuera. O solo con- 
siste de areia branca; as gramineas são relativamente poucas, 
no logar delias existem muitos arbustos baixos ou rasteiros, 
alguns dos quaes com flores esplendidas, como a Dipladenia 
calycina Hub. e a Qiphea annulata Koehne. : as eriocau- 
laceas são de tal maneira numerosas em indivíduos e em 
espécies, como em nenhuma outra parte da Amazónia; mui- 
to communs também são as xyridaceas; duas espécies de Erica- 
ceas são as primeiras representantes desta familia na planície 
amazonica. Entre os arbustos grandes será talvez o mais fre- 
quente o umiry. O Epidendriim caespitosum Barb. Rodr. (or- 
chidea terrestre) e uma palmeira muito pequena (Amylocar- 
pus arenarius Barb. Rodr.) são também dignos de menção 
especial. — Nestes campos havia muitas ilhas e fachas de 
matta, que foram, ha alguns annos, em parte derrubadas e 
queimadas para serem transformadas em campo; estes cam- 
pos artificiaes têm por quasi única vegetação o massapé 
(Imperata hrasiliensis Trin. ). 

Entre as serras do Dedal e da Igaçaba, na boca do 
Rio Pratucú, ha pequenas campinas bastante semelhantes 
aos campos agora descriptos, porem com vegetação muito 
menos variada. E' fácil se conhecer, que estas campinas 
numa época não remota eram enseiadas do rio, do qual as 
separou o desenvolvimento de dunas de areia. Predomina 
nestas campinas o umiry, e duas espécies de Ouraiea e o 
Vitex Duckei Hub. (que existem também, embora menos com- 
muns, nos campos a E. de Faro) são ahi frequentes; ha gran- 
des extensões inteiramente cobertas pela herva de chumbo 
(Cassytha americana). 

As serras do Copo, do Dedal e da Igaçaba são tabo- 
leiros de talvez menos de 100 metros de altura, inteiramen- 
te cobertos de matta, a qual não se distingue da matta das 
terras firmes circumvisinhas. Uma das mais frequentes entre 
as arvores pequenas destas mattas é o Rhabdodendron macro- 
phylluni (Spruce) Hub., que chama a attenção por sua forma 
pyramidal e que parece faltar nas mattas próximas a Faro. 

Pará, Junho de 1908. ^_ j^^^^^^ 



3l3 Materiaes para a Flora amazonica 



Como se vê das notas que precedem, as associações 
vegetaes são bastante variadas na zona percorrida pelo Sr. 
Ducke. Tanto nas várzeas do Amazonas e dos seus affluentes, 
como na terra firme que accompanha estes últimos, as mattas 
alternam com campos, campinas e (principalmente na parte 
Occidental) com formações arbustivas (campinaranas), que 
por sua vez mostram certas differenças na sua composição 
floristica. Até na vegetação ribeirinha do curso inferior dos 
rios, de costume tão monótona, mostra-se aqui bastante va- 
riedade, notando-se p. e. um contraste frizante entre os afflu- 
entes orientaes e o rio Jamundá, que por seu lado já offere- 
ce uma analogia estreita com o Rio Negro, sendo como este 
um rio d'agua limpida. Por isso não hesitei de incluir n'esta 
lista também as plantas que em 1905 foram colleccionadas 
pelo Sr. A. Ducke nas visinhanças de Barcellos, no médio 
Rio Negro. Citei também algumas plantas de Monte Alegre 
e arredores, colleccionadas por mim em 1899 e pelo Sr. O. 
]\Iartins em 1907, assim como uma pequena coUecção reuni- 
da pela Dr.* Emilia Snethlage nestas mesmas immediações e 
no rio Maecurú. Todas as plantas porem cujo colleccionador 
não é expressamente indicado, provém das colheitas do Sr. 
Ducke. 

Percorrendo a lista, o leitor iniciado facilmente consta- 
tará que certas familias e mesmo grupos maiores não são 
tão bem representados como era de esperar. Este caso se dá 
principalmente com as Monocotyledoneas, que em geral são 
pouco representadas nas collecções do nosso collega. Natu- 
ralmente não deve-se tirar d'este facto a conclusão que es- 
tas familias sejam mal representadas na região explorada. 
Nas suas notas de viagem, o Sr. Ducke mesmo encarre- 
gou-se de apontar p. e. a frequência de Araceas, Bromeliaceas 
e Orchideas epiphyticas em certos logares. Também os fetos 
parecem ser abundantes em certas localidades e só devido 
a circumstancias espcciaes ( estação pouco favorável, difíicul- 
dades de transporte, ctc.) o nosso collega deixou de colle- 
ccionar maior numero d'estes vegetaes. Entre as Monocoty- 
ledoneas, algumas familias, como p. e. as Eriocaulaceas e as 
Xyridaceas, apezar de representadas na collecção por um 
bom numero de espécies, não figuram com todas ellas na 



L 



NfiW YORiC 
3Í0TANICAÍ, 



Boletim do Museu Goeldi 




Materiaes para a Flora amazonica 3 14 



enumeração seguinte, porque ainda não se conseguio a sua 
determinação, sendo talvez possível preencher esta lacuna 
n'um appendice. O mesmo acontece com algumas familias de 
Dicotyledoneas (Lauraceas, Anonaceas, i\Ialpighiaceas. Mjt- 
taceas) (*). Em geral porem pode-se dizer que para as Dicoty- 
ledoneas a nossa enumeração é bastante completa para dar 
uma idea muito approximada da composição floristica da 
zona em questão. 

Para a organisação d'esta lista segui em geral as mes- 
mas regras como nas listas precedentes. As familias são ar- 
ranjadas segundo o «Syllabus» de Engler, os géneros segun- 
do a obra « Natiirliche Pflanzenfamilien », do mesmo autor. Para 
as espécies representadas na «Flora brasiliensis» não fiz refe- 
rencias bibliographicas nem indiquei synonymos, pelas razões 
já expostas nas listas anteriores. Os números em parenthesis 
indicam, como nas listas precedentes, o numero de ordem 
da planta no Herbario Amazonico do Museu Goeldi. 



Monocotyledoneae 

Alismataeeae 

V Sagittaria amazonica Hub. n. sp. 

Folium petiolo crasso 15 cm longo instructum, 
lamina ova ta (ISX? cm) ápice subacuminata basi in 
petiolum angustata subcoriacea Q— U-nervi, nervorum 
pari intimo solum ex médio nervo centrali exeunte, 
scapo circiter 20 cm longo aut femineo ápice 2-floro 
(flore másculo singulo interdum adjecto), aut másculo 
3 — pluri-verticillato, flore femineo único ad verticillum 
infimum. Bracteae in quoque verticillo 3 ad basin so- 
lum concrescentes, ovato-oblongae, inferiores ad 3 cm, 
superiores 2 cm longae obtusiusculae vel breviter acu- 



(*) Devo á amabilidade do Dr. C. de Candolle, em Genebra, a de- 
terminação das Piperaceas e das Meliaceas. 



3 15 Materiaes para a Flora amazonica 



minatae subscariosae. Florum cfcT pedicelli filiformes 
longissimi, demum ad 7 cm longi flexuosi, sepala erec- 
to-patentia ovata obtusa 1 cm longa membranacea. pé- 
tala sepalis vix duplo longiora, stamina filamentis ba^in 
versus dilatatis glabris. Florum 9 9 pedicelli ad an- 
thesin 1,5 cm, fructiferi ad 4 cm longi incrassati haud 
reflexi, sepala late ovata 1,5 cm longa obtusa vel bre- 
viter acuminata, pétala paulo maiora. ovaria numero- 
sissima compressa oblongo-falcata oblique rostrata ala 
dorsali ventrali latiore. 

Species foliis ovatis, scapo simplice, bracteis am- 
plis, pedicellis masculis longissimis femineis incrassatis 
insignis. 

Hab. in campis giaminosis inundatis apud Aru- 
manduba, ad ripam septentrionalem fl. Amazonum infe- 
rioris; 3 V 1903 leg. A. Ducke (3554)- 

Butomaceae 

Liiimocharis flava (L.) Buchenau 

Cacaoal grande (Monte Alegre), campo alagado, 
10 Vil gg leg. Huber (l62ó). 
Área geogr. : Amer. central e Antilh. — Brasil central. 

Gramineae 

Panicum latifoHum L. 

Matta perto dos campos a E. de Faro, 21 VIII 

07 (8419). 

Área geogr.: Antilhas e Am. mer. trop. 

Panicum cayennense Lam. 

Campos a E. de Faro, 21 VIII 07 (842S). 
Área geogr.: Guiana — Brazil central. 

Panicum nervosa tn Lam. 

Campos de Ariramba, 22 XII 06 (8081). 
Área geogr.: Baixo Amazonas, Guiana. 



Materiaes para a Flora amazonica 3l6 



Panicum ohovatum DõU 

Campos a E. de Faro, 21 VIII 07 (8454)- 
Área geogr. : Rio Negro (S. Gabriel). 

Selaria macrostachya H. B. K. [Panicum macrostachynm Dõll]. 
Monte Alegre, Ereré, 21 VIII 08 leg. E. Snethlage 
(9514). 
Área geogr. : Guiana — Brazil central. 

Pasp aluiu repens Berg. «Perimembeca». 

Monte Alegre, campos alagados do Cacaoal Gran- 
de 5 VII 99 leg. Huber (1615). 
Área geogr. : Amazónia — Columbia. 

Ichnanthus JeptophyUus Dõll 

Campos a E. de Faro, 23 VIII 07 (8479). 
Área geogr.: Tocantins, Santarém. 

Ichnanthus Hojfmannseggii Dõll 

Monte Alegre, Serra de Ereré, 21 VII 08 leg. E. 
Snethlage (9515). 

Área geogr.: Esta espécie foi achada até aqui em San- 
tarém e em outra parte não indicada do Estado 
do Pará fSieber): o nosso exemplar é muito pe- 
queno, tendo 10 cm. de altura apenas. 

Lu^iola Spniceana Benth. 

Rio Cuminá, Lago da Castanha, na agua, 27 XII 
06 (7927). Lago grande de Monte Alegre, 10 VII 99 
leg. J. Huber (1Ó25). 
Área geogr.: Baixo Amazonas. 

Oryia sativa L. «Arroz bravo». 

Monte Alegre, campos alagados, 5 Vil 99 leg. 
Huber (1614). Muito commum á beira dos lagos por 
toda a região (Ducke). 
Área geogr. : Parece indígena na America equatorial. 

Leersia hexandra Sw. « Peripomonga». 

Monte Alegre, campos alagados do Cacaoal Gran- 
de, 6 VII 99 leg. Huber (1621). 
Área geogr. : America e Africa trop. 



3l7 Materiaes para a Flora amazonica 



Gymnopogon foliosiis AVilld. 

Campos a E. de Faro, 2/ VIII O? (S525). 
Área geogr. : Guiana, Pará, Brasil centr. 

Eragrostis Vahíii Nees. 

Campos a E. de Faro, 21 VIII O? (8467). 
Arca geogr.: Amer. merid, trop. Forma paniculae axi- 
bus patentc-pilosis ! (cf. FI. Brás. Gramineae II p. 
155). 

Cyperaceae 

Hypolyinim longifoJiiim Nees 

Óbidos, matta, 25 Vil o3 (2884). 
Área geogr.: Guiana, Pará. 

Rhyuchospora gíohosa Roem. et Schulth. Syst. veg. II p. 89. 
[Cephaloschocnus glohostis Nees]. 

Campos do Ariramba, logares húmidos, 22 XII OÓ 
(8075). 
Área geogr.: Brazil, Guyana, Columbia. 

Na região amazonica esta espécie já foi coUeccionada 
em diversos logares: Teífé, Coari, Yapurá. O Sr. Ducke 
trouxe-a dos campos do Calçoene, e eu mesmo encon- 
trei-a nos campos do Cunany (1895), onde ella é muito 
frequente, sendo chamada vulgarmente «Junco miúdo 
do campo». 

Rhyuchospora denticulata Hub. n. sp. 

Rhizoma bulboso-caespitosum, radice fibrosa fasci- 
culata. CuImi numerosi filiformes stricti rigidi 20 — 40 
cm alti 4 — 5-angulares sulcati basi plurifoliati. Folia ca. 
15 cm longa suberecta plus minus flexuosa anguste li- 
nearia (2 mm lata) sicca canaliculato-complicata gla- 
bcrrima margine laevia apicem versus sensim angustata 
triangularia obtusiuscula angulis scabriuscula, vaginis 
glaherrimis mcmhranaceo-marginatis vinosis. Capitula so- 
litária, 10 — 17 mm diâmetro metientia, spiculis 10 — 15 
oblongo-lanceolatis 7^8 mm longis compressis strami- 



Materiaes para a Flora amazonica 3i8 



neís vel demum brunneis formata, involucri 3— 5-phyl- 
li foliolis patentibus angustis carinato-canaliculatis bási 
parum dilatatis ciliatis, apicem versus scabriusculis, Ín- 
fimo interdum capitulum duplo superante, reliquis eo 
brevioribus saepeque bracteis nonnullis rotundatis mu- 
cronatisque spiculis interpositis. Spiculae squamae om- 
nes muticae, carinulatae membranaceo-marginatae, infe- 
riores 4 breviores late ovatae steriles, quinta exacte 
ovata florem fertilem hermaphroditum includens, reli- 
quae 3 —4 flores masculinos foventes oblongae plus mi- 
nus hyalinae. Floris hermaphroditi seiae 6, ca. 7 mm 
longae hasi dense pilosae, ovarium oblongum in rostrum 
subaequilongum margine denticulatum sensim abeuns, 
stylo gracili ápice obscure bilobo. Caryopsis oblongo- 
obovoidea brunnea dorso convexa laevis facie ventrali 
concava, alis marginalihiis crassis argiile dentalis valde 
incurvatis qiiasi obiecta, in rostrum pallide stramineum 
ea paulo brevius angustata. 

Hac specie affinis R. barbata K. in America me- 
ridionali trópica late dispersa et camporum amazo- 
nicorum Íncola differt culmo trigono, foliis planis pi- 
losis, capitulo densiore polystachyo, invólucro longiore 
deflexo, spiculis et caryopsj minoribus. alis caryopseos 
membranaceis. R. subcapitaia Bcklr. (Minas), secundum 
descriptiones differt foliis brevioribus patentibus margi- 
ne spinulosis, invólucro diphyllo, spiculis paucis (2-S), 
rostro caryopsis fere triplo breviore, caryopsi ut vide- 
tur haud alata. 

Hab. Alto Ariramba, campina rana, 20 XII 06 
leg. A. Ducke (8016). 

Diplasia haratifolia L. C. Rich. 

Lago de Faro, matta. 14 VII o3 (3723). 
Área geogr.: Guiana, Brasil sept., Ind. occ. 

A maior de todas as Cyperaccas amazonicas. se ex- 
ceptuamos as espécies trepadoras. A espécie é frequente 
nas mattas húmidas do baixo Amazonas e dos arredo- 
res de Belém, onde ella chega a ter mais de 2 m de 
altura. 



3 19 Matf.riaes para a Flora amazonica 



Calypirocarya Poeppigiana Kunth 

Rio Arrayollos, Pedreiras, matta. 20 lY 03 (3502). 
Área geogr. : Amazónia, Guyana, Columbia. 

Cryptangiiim Icptocíaditm Bòcklr. 

Alto Ariramba, campina-rana, 20 XII 06 (80l3). 
Área geogr. : Baixo Amazonas (Collares), Surinam. 

Lagenocarpus ireniuíus Xees FI. Eras. 

Campos do Ariramba, 23 XII 06 (8072). 
Área geogr. : Pernambuco, Guyana, Trinidad. Portorico. 
E' a primeira vez que esta espécie originalissima é 
constatada na região amazonica. Eila é caracterisada 
pelo rhizoma grosso envolvido com as bainhas foliares 
resolvidas em fibras grossas pardas. Emquanto ao fru- 
cto acho uma differença com as indicações de Clarke 
(Symbolae Antillanae vol. II p. 154) que diz a este res- 
peito: <'nuce 2 mm longa 1 mm lata anguste ellipsoi- 
dea,» emquanto que nos exemplares dos campos do 
Ariramba o fructo é distinctamente obovoide e maior, 
medindo 1,5 mm de largura e com o rostro 3.5 mm 
de comprimento. As paniculas masculinas que se acham 
na parte inferior da inflorescencia emquanto que as fe- 
mininas são terminaes, me parecem ser um pouco 
menos desenvolvidas do que deverião ser segundo a 
descripção; penso entretanto que isto é devido ao facto 
que o coUeccionador escolheu espécimens pequenos 
para poder melhor preparal-os. 

Palmae. 

Mauriíia setigera Griseb. et. AVendl. (?) «Mirity», 

Rio Mapuera, nas baixas á beira d'uma campina. 
D'esta palmeira, que segundo o Sr. Ducke é muito 
parecida com o mirity vulgar (Mauriia flexuosa') que 
também cresce n'aquella região^ vi apenas um fragmento 
de foliolo, que naturalmente não permitte uma identifi- 
cação segura com a espécie de Grisebach e Wendland, 
apezar de excluir absolutamente a classificação como 



Materiaes para a Flora amazonica 320 



M. flexuosa. A M. setigera era conhecida até aqui só 
de Trinidad, de forma que me parece ainda bastante 
duvidoso, que se trate realmente d'esta espécie. 

Mauriiia aciihata H. B. K. 

Rio Negro, Barcellos, beira d'um paraná, 27 VI 
05 (7176). 
Área geogr. : Amazónia central, Rio Negro. 

Lepidocarynm lenue Alart. « Caranah}' ». 

Rio Mapuera, cachoeira da Egoa, matta, 5 XII 07 
(9045). 
Área geogr.: Amazónia (occidental). 

Manicaria saccifera Gaertn. var. [j mediterrânea Trail «Ubus- 

sú » . 

Matta do Ajuruá, a Oeste de Faro, 3l VIII 07 

(8569, folii fragmentum solum !). 

Área geogr.: Esta variedade até aqui era só conhecida 
com certeza dos aífluentes orientaes do baixo Rio 
Negro e das cachoeiras do Rio Alauhès (Trail). Bar- 
bosa Rodrigues indica a M. saccifera no rio Dacuary, 
sem dizer se se trata da variedade mediterrânea ou 
não (Sertum palmarum í p. XVIII). 

Leopoldinia pidchra Mart. «Jará». 

Lago de Faro, beira, 29 VII 07 (8549). 
Área geogr.: Trombetas-Rio Negro, Guiana ingleza. Pa- 
rintins. 

Leopoldinia maior Wallace «Jará». 

Rio Negro, Barcellos, igapó da beira do rio. l3 

VI 05 (7144). 

Área geogr. : Rio Negro. 

Geonoma palustris Barb. Rodr. Enum. Palm. nov. p. 11. «Ubim». 
Rio Mapuera. acima da cachoeira do Caraná, matta 
de várzea, 7 XII 07 (9067). 

Área geogr.: Jamundá. No nosso espécimen, os segmen- 
tos estreitos entre os dois segmentos largos da follia 
faltam geralmente e só n'uma folha observa-se um 



321 Materiaes para a Flora amazonica 



d'elles, de maneira que resulta uma certa semelhan- 
ça com a G. bijiiga Barb. Rodr. O spadix simplis- 
mente ramoso mostra entretanto logo que se trata da 
G. paíustris e não da G. hijiiga. 

Geononia aff. speciosa Barb. Rodr. Enum. Palm. Nov. p. 9 et 
Scrt. Palm. I p. 26. «Ubim». 

Faro, matta (logar húmido), 3o VIII O? (8551 ). 
Área geogr.: Barb. Rodr. descobriu a G. speciosa nas 
visinhanças de Parintins, na margem direita do Ama- 
zonas. 

Iriarlelía sctigera var. prnriens (Spruce) Barb. Rodr. Sert. 
Palm. I p. 18. «Pachiubinha». 

Seringai do Livramento, centro da Serra do De- 
dal, 4 IX 07 (8626); Rio Mapuera, Taboleirinho, matta 
no centro, 12 XII O? (QlSo). 

Área geogr. : Emquanto que o typo parece principal- 
mente representado no alto Amazonas, do Rio Negro 
a rOeste, a variedade é indicada por Barbosa Ro- 
drigues (1. c.) no baixo Rio Negro e no rio Jatapú. 

Oenocarpiis niinor Mart. var.? « Bacaba-y, Bacabinha». 

Mattas de Ajuruá, a O de Faro, 3 VIII 07 (85ÓO); 

Castanhaes a E. do Lago Salgado, 24 XI o7 (8891). 

Área geogr.; O typo é conhecido do Rio Negro. Os 
nossos espécimens distinguem-se do typo já pelos se- 
gmentos folhares mais estreitos (no N.° 8891 elles têm 
menos de 4 cm e no N.° 8560 elle tem só 2-3 cm 
de largura) de forma que julgo perfeitamente pos- 
sível qne se trate de duas espécies distinctas; en- 
tretanto o nosso material não é suÔiciente para re- 
solver esta questão. Talvez que Barbosa Rodrigues 
refere-se a estas formas distinctas quando no seu 
Sertum palmarum vol. I p. 45 elle diz «Ily a plusi- 
curs variétcs qui se distinguent par le fácies^ ainsi que 
par la longueur des spadices». Com effeito os ramos 
da inflorescencia tem 40 cm no exemplar de Faro 
e quasi 50 cm no do Lago Salgado, emquanto que a 
Flora Brás. indica 25-30 cm para o O. minor. A base 



Materiaes para a Flora amazonica 322 



estéril dos ramos da inflorescencia é muito mais com- 
prida no N.o 8S91, attingindo perto de 10 cm, em- 
quanto que no N." 8560 ella é apenas de 5 cm. 

Cocos Syagrus Drude « Piririma » 

Faro, matta, frequente, 15 VII 07 (8348). 
Arca geogr. : Amazónia central; frequentíssima na terra 
firme ao longo do baixo Amazonas. 

Aniylocarpus arenarius Barb. Rodr. Contr. Jard. bot. Rio de 
Janeiro p. 72. 

Campos a E. de Faro, 10 IX 07 (8695). 
Área geogr.: Jamundá. Existe também no Mapuera (Ducke). 

Araceae. 

Anthurium panduratiim Mart. var. 

Castanhaes do rio Cuminá-mirim, matta, 12 XII 
oó (7936). 

Área geogr.: Amazónia, principalmente o Alto Amazo- 
nas. 

psta espécie, que foi descoberta por Martius no rio 
Japurá, é uma planta muito ornamental com grandes 
folhas divididas em leque. No nosso exemplar os segmen- 
tos são em numero de 9, e têm, com excepção dos mais 
periphericos que são simples, uma base estreita cunei- 
forme, e o limbo munido de 3 lóbulos de cada lado, 
cujo 2 inferiores são sempre bem distinctos e oblon- 
gos, (no segmento mediano elles têm 6 cm de compri- 
mento sobre 4 cm de largura, as inferiores não sendo 
muito menores) emquanto que os dois lóbulos superi- 
ores são mais largos e arredondados, confundindo-se ás 
vezes com o lóbulo terminal acuminado do segmento. As 
descripções do typo da espécie na Flora Brasilicnsis 
(Araceae p. 98) e no Pflan^enreich (Araceae Pothoi- 
deae p. 279) mencionam só 7 divisões da folha e 2 ló- 
bulos de cada lado dos segmentos, emquanto que a va- 
riedade Biirchellianiun EngL, achada por Burchell no 
Pará, teria de 7 a 9 segmentos. E' provável que exis- 
tam ainda outras variedades ou subespécies de A. pan- 



323 Materiaes para a Flora amazonica 



dnratum. Um exemplar, trazido em iSqq do rio Ucayali 
e cultivado no Hí^rto botânico do Museu Goeldi, tem as 
folhas ainda maiores e compostas de 11 segmentos. 

Heleropsis longispaihacta Engl. in Pflanzenreich IV 23 B p. 
53 (1905). 

Óbidos, matta. 22 XII 07 (9184). 
Área geogr. : Esta espécie foi descoberta por Ule no 
baixo rio Juruá: achei-a também no alto rio Purús. 
Nas visinhanças de Belém acha-se uma espécie maior, 
do parentesco de H. Jenniaiini, cujas raizes aéreas 
fornecem o bem conhecido «cipó titica». 

Caladiíim bicolor Vent. var. 

Alemquer, matta. 3 I 04 (4961). 
Área geogr. : Amazónia. Guiana. 

Xyridaceae. 

Abolboda gracilis Hub. n. spec. 

Caespitosa. radice fasciculata, fibris crassiusculis 
spongioso-corticatis. Folia dense rosulata arcuato-paten- 
tia 3-5 cm longa 2 mm lata nervoso-striata, membra- 
naceo-marginata, glabra. apicem versus sensim acuteque 
acuminata saepeque insuper longiuscule mucronata. Sca- 
pus 40 cm vel ultra longus gracilis (diâmetro 1-1,5 mm) 
subteres vel leviter compressus substriatus tortus supra 
médium vaginis duabus 1,5-2 cm longis obtusiuscule mu- 
cronatis late membranaceo-marginatis arcte involutus. Ca- 
piiulum circa 1 cm longum pauciflorum, bractearum parte 
viridi lineari-lanceolata in mucronulum rectum obtusiuscu- 
lum excurrente margine diaphano latissimo haud deniicu- 
lato-lacero. Flores azurei (teste Ducke). Sepala 2 ad 
anthesin praemorsa ovarium paulo superantia navicula- 
ria late hyalino-marginata. Pétala in tubum anguste in- 
fundibuliformem concrescentia, lobis glabris obovatis 
margine crenato-denticulatis, ápice breviter acuíeque bifi- 
dis. Slamina fauci inserta fílamentis antheris late elli- 
pticis subbrevioribus. Ovarium oblongo-obovoideum ápice 



Materiaes para a Flora amazonica 324 



truncatum et leviier emarginatum ; stylus parte mediana 
distincte bialaiiis infra médium appendicibus diiobus bicrii- 
rihus ad viodum A. brasiliensis munilns, appendice iertio 
minuto simplice altius inserto, stigmate máximo infundibu- 
liformi irregulariter niultifido. Capsula obovata ápice 
truncata sepalorum ruderis paulo longior, valvulis ápice 
leviter emarginatis. 

Species A. brasiliensi Kunth (Brasiliae centralis) 
maxime affinis, differt imprimis scapo longiore, bracteis 
margine haud denticulatis, petalis ápice biíidis, stylique 
conformatione. 

Hab. Campos do Ariramba. 22 XII Oó, leg. A. Ducke 
(8074). 

Abolboda grandis Griseb. (?) 

Campos a E. de Faro, beira d'um miritizal, 27 
VIII 07 (853o). Espécie grande com folhas relativa- 
mente largas (até 8 mm) e compridas (mais de 20 cm). 
Não sendo á mão uma descripção suficiente de A. 
grandis, a determinação carece de confirmação. 
Área geogr. : Surinam. 

Commelinaeeae. 

Dichorisandra villosula Mart. 

Óbidos, várzea, 29 VII 02 (2889). 
Área geogr.: Amazónia central (Prainha, Mandos, 
Coary). 

Dichorisandra affinis Mart. 

Almeirim, capueira, 14 IV 03 (3479); Prainha, 
matta, 9 V 03 (3589). 

Área geogr.: Amazónia. Differe da espécie precedente 
pela pubescencia mais fina e curta e pela inflorescen- 
cia menos densa. C. B. Clarke (Suites au Prodrome 
III p. 274) considera esta espécie como variedade de 
D. Aubleíiana Roem. et Schulth. 

Aneilema ovato-oblongum Bcauv. Fl. d'Ovar 2 p. 71 tab. 104 
fig. 1 [A. hracteolatum Mart. in Fl. Brás.] 

Rio ArrayoUos, Pedreiras, matta, 20 IV 03 (3507). 



325 Materiaes para a Flora amazonica 



Área geogr. : Seg-undo Clarke (Suites au Prodrome III 
p. 22Ó, 227) esta planta acha-se espalhada na Africa 
Occidental tropical e na America equatorial sobre 
uma zona que se extende do Pará (Óbidos) e da 
Guiana ingleza até a costa pacifica (Guayaquil). 

Da região littoral (campos de Mexiana) temos a A. 
poaeoides Seub.. espécie notável pelo facto que ella 
no seu porte imita perfeitamente uma gramínea. 

Pontederiaceae. 

Púiilcdcria aff. cordata L. 

Almeirim, campo alagado de Arumanduba, 3 V 

03 (3559). 

Área geogr. : America calidior. A nossa planta appro- 
xima-se da P cordifolia Mart., pela folha caulina que 
é quasi duas vezes mais comprida que a inflorescencia. 

Eichhornia iiatans (Beauv.) Solms var, /i/ paiiciflora Solms. 

Rio Arrayollos, Pedreiras, campo alagado, 1 V o3 
(3539). 
Área geogr.: Brasil sept., Guyana, S. Domingos. 

Liliaeeae. 

Siiiilax Santareniensis A. DC. in Monogr. Phanerog. I II5. 
Alto Ariramba, campina-rana (8040); Óbidos, ca- 
pueira 20 XII 03 (4852); Faro, praia do lago, 15 XII 

04 (6909). 

Área geogr.: Baixo Amazonas. Esta espécie foi desco- 
berta por Spruce, nas visinhanças de Santarém. 

Sinilax campestris Griseb. var. y Spniceana A. DC. in Monogr. 
Phanerog. I p. l33 

Almeirim, campo, 8 IV 03 (3425); Alemquer, ca- 
pueira, 26 XII 03 (4904). 

Área geogr.: Santarém. O typo é do Brasil central e 
meridional, até Buenos Ayres. No N.° 4904 as gavi- 
nhas são insertas na metade inferior do peciolo, de 
forma que talvez se trate de 5. cissoides Griseb. 



Matéria ES para a Flora amazonica 826 



Sniilãx SchofiihurgJnaiia Kunth Enum. 5 p. 187. 

Faro, mattas da Serra do Dedal, 3 IX 0/ (8594). 
Área geogr. : Guiana, Brazil sept. 

Sinilax cordalo-ovata Rich. ? 

Óbidos, capueira, 20 XII 03 (4847). Espécie de 
folhas grandes cordiformes e pontudas. 
Área geogr. : Cayenne. A descripção original não é su- 
fficiente para permittir uma determinação segura. 

Amapyllidaceae. 

Hypoxís scor^onerifoUa Lam. 

Almeirim, campo, Q IV 03 (3442). 
Área geogr.: Antilhas, Guiana, Brás. orient. 

Dioscoreaceae. 

Dioscorea laxijiora Mart. ex Griseb. 

Castanhaes do rio Cuminá-mirim, capoeira, 12 XII 
06 (7952). 
Área geogr.: Brasil oriental (Bahia, Alagoas. Goyaz). 

Níos nossos espécimens as espigas masculinas acham- 
se sempre dispostas ao longo de galhos filiformes, que 
nascem nas axillas das folhas. A forma das folhas cor- 
responde á variedade a auricidata Griseb. Achei em 
1895 uma planta semelhante, porem com folhas ainda 
mais profundamente recortadas na base, á beira do 
lago Tralho to, ao N'. de Cunany. 

Dioscorea piperifolici Willd. 

Óbidos, várzea, 18 I 04 (4893). 
Área geogr.; Brazil — Panamá. 

Dioscorea brasilieiísis Willd. 

Faro, ilha defronte da Serra do Dedal, 4 IX o7 
(8623). 

Área geogr.: Amazónia (Pará, Teffé, Tapauá). Espécie 
com folhas profundamente tri- ou quinquelobadas. 



327 Materiaes para a Flora amazonica 



Iridaceae. 

apura paludosa Aubl. 

Almeirim, campo, 12 IV o3 (3464); Prainha, 
campo alte, 9 V o3 (3588). 
Área geogr. : Brazil central — Columbia. 

Marantaceas. 

Ischnosiphon surinamense (Miq.) Koernicke. 

Mattas ao S. do Ariramba, 20 XII 06 (7998 b). 
Área geogr.: Surinam, Cayenna, Pará. 

Monotagma plurispicaium (Koernicke) K. Schum. 

Mattas ao S. do Ariramba, 20 XII 06 (7998 a). 
Área geogr.: Bahia, Matto-Grosso, Amazoma. 

' Tbalia geniculata L. 

Prainha, Rio Jauary, beira, 14 V 03 (3507). 
Área geogr.: Brazil — Florida. 

Burmanniaceae. 

Burmannia bicolor Mart. 

Campo a E. de Faro, 21 VIII 07 (8439). 
Área geogr.: Surinam — Brasil centr. e orient. Nos cam- 
pos da região costeira (Amapá, Marajó) esta espé- 
cie é substituída pela Burmannia capitala Mart. 

Orchidaceae. 

Habenaria pauciflora Reichb. f. 

Almeirim, campo, 8 IV 03 (3434); ArrayoUos, 
campo geral, 22 IV 1903 (3512). 
Área geogr.: México — Brasil centr. 

Habenaria n. sp.? aff. confusa Cogn. 

Almeirim, campo, 8 IV 03 (3435). 

Vanilla Duckei Hub. n. sp. 

Caulis robustus (5 mm crassus), folia ovato-oblon- 



Materiaes para a Flora amazonica 328 



ga (10 — 15X2—3 cm) basi rotundata in petiolum 
brevissimum latum contracta ápice breviter hamato- 
acuminata crassa striata. Spicae 5 — 7 cm longae 2 — 3 
mm crassae brevissime pedunculatae multiflorae, brac- 
teis ovatis vel ováto-lanceolatis obtusiusculis (5 — 10 
mm longis) rigidiusculis striatis demum patulis vel re- 
flexis. Flores magni flavo-virides ovário teretiusculo 
incurvo ad 3 cm longo 3 mm crasso ápice obscure caly- 
culato. sepalis peialisqtie erecto-patulis spathnlato-Ianceo- 
latis basin versus longe angiistaiis ápice aciilis vel obtu- 
siusculis S cm longis, sepalis ad 12 mm, petalis 6 mm 
latis, labello sepalis petalisque paulo breviore basi co- 
lumnae longe adnato limbo vix trilobato margine revo- 
luto crenulato ápice rotundato retuso médio obscure 
longitudinaliter verruculoso-striato, columna antice bar- 
bata. Fructus cylindricus (vel compressus ?) incurvus, 15 
cm longus 1 cm latus. 

A V. planifolia Andr. proxime affini differt flore 

maiore labello indistincte cristato ovário breviore. 

Hab.: Almeirim, in silvulis secundariis capueiras dictis 

16 XII 02 leg. A. Ducke (3070, specimen florife- 

rum); ibidem 5 V 03 (3489, specimen fructiferum j. 

Spiranthes acaulis Cogn. 

Mazagão, matta á beira de lagos, 18 X IQOO (1954). 
Área geogr.: Columbia — • Brazil central. 

Galeandra Devoniana Schomb. 

Rio Negro, Barcellos, sobre as palmeiras Jará, l3 
VI 05 (7115)- 
Área geogr.: Bahia, Amazónia, Guiana, Venezuela. 

Galeandra juncea Lindl. 

Almeirim, campo, 8 IV o3 (3437); Arrayollos, 
campo geral, 23 IV 03 (3518). 
Área geogr.: Guianas — Matto Grosso. 

Epidendrum caespitosum Barb. Rodr. 

Região do Alto Ariramba, campina-rana, 20 XII 
06 (8004); campos a E de Faro, 21 VIII 07 (845Ó); 



329 Materiaes para a Flora amazonica 



Rio Mapuera. campina-rana a XE do Taboleirinho 

(9116). 

Área geogr. : Baixo Amazonas (Parintins). 

^ Epidendrum Mapuerae Hub. n. sp. 

Rhizoma 7 — 8 mm crassum horizontale radicibus 
firmis paucis flexuosis instructum, pseudobulbi elongati 
(8 cm longi l3 mm crassi ) ovoideo-cylindrici albi. 
ápice diphylli juniores squamis scariosis albidis vestiti 
vetustiores nudi. Folia rigide coriacea triangulari-linea- 
ria (circiter 35 cm longa) basi breviter vaginantia, su- 
pra basin 12 — 16 mm lata usque ad apicem sensim 
angustata apicc acutiuscula. Scapus foliis multo longior 
fusco-rubcscens vaginis paucis circiter 1 cm longis sca- 
riosis albis breviter acutatis vestitus pauci et brevira- 
mosus laxiflorus. Flores breviter f 15 mm) pedicellati 
maiusculi flavescentes sepalis oblongo-lanceolatis (25X 
5 mm) ápice falcato-acuminatis, petalis spathulato-lan- 
ceolatis sepalis paulo brevioribus ápice acutis. Label- 
lum 20 mm longum basi columnae adnatum trilobum 
lobo terminali obovato-rotundato (9X8 mm) margine 
crispulo ápice plus minus truncato breviter obtuseque 
apiculato, lobis lateralibus oblique triangulari-ovatis 
obtusis (7 mm longis) columnam amplectentibus. Co- 
lumna 12 — 13 mm longa ápice anguste obtuseque bi- 
auriculata. 

E. longijolio Barb. Rodr. affinis, differt pseudobulbis 
gracilioribus, foliis angustioribus apicem versus sensim 
angustatis, floribus maioribus, labelli lobo médio lon- 
giore quam latiorc. 

Hab.: Rio Mapuera, campina rana a XE. do Tabolei- 
rinho, 12 XII 07 leg. A. Ducke (9115)- 

Sobralia Liíiasinun Lindl. 

Alto Ariramba, campina-rana, sobre os rochedos, 
20 XII 06 (8028). 
Área geogr. : Bahia, Rio Xegro-Cassiquiare, Roraima. 

Esta magnifica espécie, cujas flores são brancas e de 
grande tamanho, parece ter uma distribuição bastante 



Materiaes para a Flora amazonica 33o 



esporádica. O Herbario Amazonico possue também um 
exemplar proveniente do rio Maracá (leg. M. Guedes 
189Õ). 

Cyriopodium cristaUim Lindl. 

Almeirim, campo, 11 XII 02 (3o35). 
Área geogr. : Roraima, Pirara, Goyaz. Ceará, Trinidad. 



Dicotyledoneae Archichlamydeae 

Piperaceae (det. C. De Candolle). 

Piper Waralmhoiira C. DC. Prodr. XVI, p. 257. 

Rio Cuminá-mirim, matta (A. Ducke n. 7979 in 
h. Mus. Goeldi). 

Piper Bartlingianum C. DC. Prodr. XVI, I. p. 257. 

Oriximina, matta, Decembri (A. Ducke n. 7872 
in h. Mus. Goeldi, h. Cand.) 

Piper nigrtspictim C. DC. n. sp. 

Foliis breviter pretiolatis glabris, oblongo-ovatis 
basi leviter inaequilatera acutis ápice acute acuminatis: 
nervo centrali usque ad -/s longitudinis suae nervos 
adsccndentes utrinque 5 sursumque nervulos subvalidos 
utrinque mittente; petiolo basi ima vaginante; pedúncu- 
lo petiolum totum fere duplo superante glabro; spica 
quam folii limbus pluries breviore ápice obtusa: bra- 
cteae vértice truncato late triangulari margine puberu- 
lo, pedicello aequilato dorso hirtello : bacca glabra: stig- 
matibus rotundatis parvis. 

Ramuli glabri, in sicco fusco-punctulati. collenchy- 
ma haud libriforme in fasciculos discretos dispositum, 
fasciculi intrameduUares 1-seriati, canalis vacuus nullus. 
Limbi in sicco membranacei crebre pellucido-punctulati 
usque ad 12 7-2 cm longi et 57 mm lati. Petioli sub 
limbo et inter limbi latera fere 2 mm. longi. Spica 



33 1 Materiaes para a Flora amazonica 



fere matura 3l mm. longa et 4 rnm. crassa, in sicco 
nigra. Stamina 4. Bacca vértice tetragona vel rotundato- 
tetragona. Stigmata 3 sessilia. 
Região do Alto Ariramba, matta perto do Jaramacarú. 

Decembri ( A. Ducke n. 8059 in h. Mus. Goeldi, h. 

Cand.). 

Piper durilignum C. DC. n. sp. 

Foliis brevissime petiolatis elliptico-oblongis basi 
aequilatera acutis ápice acute acuminatis utrinque gla- 
bris; nervo centrali pauUo supra basin nervos adscen- 
dentes 2 et sursum e tota longitudine nervulos validos 
patulos rectos utrinque mittente; petiolo hirtello basi 
ima vaginante; pedúnculo petiolum su perante puberulo; 
spica quam folii limbus pluries breviore cylindrica ápice 
mucronata; bracteae obovatae latae extus basi et intus 
hirsutae vértice subcucullato; antheris rotundatis parvis; 
ovário inferne rhachi immerso et cum ea concreto; 
bacca glabra, stigmatibus oblongis ápice acutis. 

Frutex parvus. Ramuli in sicco nigrescentes ligno 
duro, spiciferi retrorsum et appresse hirtelli 1 mm. 
crassi, coUenchyma libriforme subcontinuum pauciseria- 
tum; fasciculi intrameduUares 1-seriati, canalis vacuus 
nuUus, Limbi in sicco íirmuli opaci minute pellucido- 
punctulati, usque ad 9 cm. longi et 32 mm. lati. Pe- 
tioli circiter 1 V2 mr" longi. Stipulae glabrae ápice 
acutae. Pedunculi 5 mm longi. Spicae submaturae l3 
mm longae et 4 mm crassae, in sicco nigrae. Stami- 
na 4 rhachi inserta. Stigmata 3 sessilia. Bacca super- 
ne emersa rotundato-tetragona. 

Oriximina, matta, Decembri (A. Ducke n. 78/3 in h. 
Mus. Goeldi, h. Cand.)- 

Piper cyrtopodon C. DC. Prodr. XVI, I, p. 397. 

Oriximina, matta, Decembri (A. Ducke n. 787 1 
in h. Mus. Goeldi, h. Cand,). 

Piper marginatum Jacq. 

Almeirim, capueira, 7 V 03 (3494). 



Materiaes para a Flora amazonica 332 



Piper ohidosanum C. DC. n. sp. 

Óbidos, matta, 20 XII 03 (4846). 

Peperomia japurensis C. DC. Prodr. XVI, 1, p. 407. 

Castanhaes do Rio Cuminá-mirim, matta (A. 
Ducke n. 793? in h. Mus. Goeldi). 

Lacistemaceae. 

'^ Lacistema puhescens Mart. var. glabrescens Hub. n. var. fo- 
liis subtus minute puberulis cito glabrescentibus. 

Alto Ariramba, campina-rana, 23 XII Oó (8070) 
Região de campos a E de Faro, capueira, 9 IX 07 
(8Ó91). 

Área geogr. do t3'po: Rio de Janeiro. Minas, Pará, Rio 
Negro. 

Salieaceae. 

SaJix Mariiana Seyb. « Oeirana » 

Prainha, beira do Amazonas, 11 V 03 (36l3). 
Área geogr. : Amazónia. 

Ulmaeeae. 

Trema micrantha (Swartz) Engl. Nat. Pflanzenf. III l p. 65. 
[Sponia micrantha Decaisn. ). 

Faro, capueira, 15 VIII 07 (8349)- 
Área geogr.: Amer. trop. 

Moraeeae. 

Chlorophora tincioria Gaudich. varietas acuminatissima forma 
glahrescens. 

Alemquer, matta, 2 I 04 (4937)- 
Área geogr. do typo: Amer. trop.. A variedade acu- 
minatissima mihi (differt a typo foliis caudato-acumi- 
natis) se acha também no alto Amazonas (Ucayali), 
porem n'uma forma mais pubescente. 



333 Materiaes para a Flora amazonica 



Sorocea castaneifolia Hub. n. sp. 

Frutex glaber ramis cortice griseo-cinnamomeo lon- 
gitrorsum rimoso obtectis. Folia breviter (5-10 mm.) pe- 
tiolata. petiolo subterete supra canaliculato. lamina 
oblonga vel elliptica (10 — l8X4 — 7 cm) basi breviter 
cuneata vel rotundata ápice longiuscule cuspidata mar- 
gine solemniter spinoso-serrata adulta coriacea supra ni- 
tida subtus pallidiore venis utrinque argute prominenti- 
bus. Racemi masculini axillares singuli vel bini ad 6 
cm longi minutissime puberuli floribus breviter (l — 3 
mm) pedicellatis perigonio ultra médium 4 lobo lobis 
rotundatis imbricatis 2 intcrioribus maioribus. staminibus 
4 brevibus haud exsertis. Racemi feminei axillares singuli 
vel bini ad anthesin 2 cm, demum (fructiferi) ad 6 cm 
longi, pilis brevissimis inspersi, pedicellis 1 — 2 mm lon- 
gis firmis sed haud peculiariter incrassatis, perigonio Ç 
haud imiricnlato, stylo haud superato stigmatibus cJon- 
gatis acuiis. Pedicelli fructiferi demum ad 1 cm longi 
vix 1 mm crassi incurvi, fructus diâmetro 7 mm. 

Hab. in silvis capueiras dictis apud oppidum Óbidos 
11 I 05 (ógói), 20 XI 07 (8845), 19 XII 07 (9ióg) 
leg. A. Ducke, omnia ÇÇ. Alemquer, capueira. 29 
XII 03 (4938, cf ). 

y Sorocea dentata Hub. nov. spec. 

Arbuscula ramulis gracilibus distichophyllis. Folia 
brevissime (2 — 3 mm) petiolata, lamina lanceolata vel 
obovato-lanceolata (10 — 15X^ — 5 cm) basi inaequaliter 
contracta uno latere intcrdum anguste rotundata, ápice 
insigniter candato-acuminata firme membranacea giabra 
margine apicem versus remote sinuato-dentata, dentibus 
patentibus ápice induratis. Inflorescentiae femineae 
singulae vel binae axillares breves (circiter 1,5 cm lon- 
gae), pedicellis fertilibus ovoideo-incrassatis ápice an- 
gustatis demum ad 5 mm longis cylindricis floribus haud 
muriculatis, stigmatibus solum exsertis brevibus obtusis. 

5. iiiiiriciilalae ]\Iiq. (Teffé, Mandos) proxime aftinis videtur, 



^ 



Materiaes para a Flora amazonica 334 



sed differt foliis angustioribus insigniter dentatis, floi-i- 
bus fem. haud muriculatis. 

Hab. in silvis primaevis ad locum «Pedras» di- 
ctum ad fl. Cuminá-mirim, 14 XII OÓ (7Q59); ad fl. 
Trombetas, cachoeira Porteira, in silvis ripariis. 29 'XI 
07 (8957), leg. A. Ducke. 

Sahagunia racemifera Hub. n. sp. 

Arbor minor vel frutex ramosus. ramis strictis cor- 
tice cinnamomeo fuscescente obtectis. Folia breviter pctio- 
lata petiolo 5^7 mm longo gracili bupra canaliculato, sti- 
pulis minutis caducis. lamina lanceolato-oblonga (9 — 14 
X^ — 5 cm) basi acuta vel in petiolum contracta ápice 
longiuscule acuteque cuspidata margine subrecurva et 
valde remote spinoso-dentata subcoriacea, saepe leviter 
buUata, supra nitida subtus pallidiore venulis utrinque 
prominulis reticulatis. Inflorescentiae masculinae in axil- 
lis foliorum inpiimis delapsorum 2 — 5 in pedúnculo 
brevi fasciculatae vel saepins in racemos breves (15 mm) 
congeslae, breviter pedunculatae pedunculis 3 mm longis 
ferrugineo-villosulis, anthesi 10 — 12 mm longae 3 mm 
crassae. Inflorescentiae femininae in axillis foliorum sin- 
gulae vel binae brevissime pedunculatae, fructibus haud 
plane maturis 5 — B ovoideis pressione mutua plus 
minus polyedricis. 

Hab. apud oppidum Óbidos in silvis capueiras 
dictis, 27 VII 02 (2885) o^, et in silvis ad Serra da 
Escama, 23 XII 07 (9190) legit A. Ducke. 

i^ Perebea paraensis Hub. n, sp. 

Differt a proxime affini P. niollis (Poepp. et Endl.) 
Hub. foliis minoribus (lO — 14X4 — 6 cm) basin \-ersus 
angustioribus, receplaculis masculinis (femininae haud 
adsunt) singulis. Reliqua ut in P. nwllis. 
Alemquer, capueira, 26 XII 03 (4905). 

/ Perebea Lecointei Hub. n. sp. « Muiratinga » « Caucho- 
rana ». 

Differt a specie praecedente foliis crassioribus su- 



335 Materiaes para a Flora amazonica 



pra dense pustulato-scabris. Receptacula feminina sub- 
sessilia, bracteis dense imbricatis exterioribus breviori- 
bus late Iriangularibus acuminatis, interioribus e basi 
lata lineari-subulatis (sicut in receptaculis masculinis 
P. mollisj, perigonio ápice 4-lobo, fructibus in receptá- 
culo 8 — 12 subgiobosis basi compressis diâmetro l3 mm 
metientibus pilis duris ferrugineis inspersis, seminibus 
ellipsoideis. 

Óbidos, matta, 26X11 04 (6942). Recebi também 
fructos do Sr. engenheiro civil Paul Lecointe, em cuja 
honra denominei esta espécie. 

Uma espécie semelhante (talvez a mesma), com 
folhas ainda mais grossas (foliis densissime verrucoso- 
bullatis subtus profunde scrobiculatis) foi colleccionada 
pelo Sr. Ducke no rio Negro. 

Estas duas espécies que differem sufíicientemente 
pelas folhas que na primeira são mais finas e mostram 
só uma leve indicação das pústulas caracteristicas na 
face superior, nós são conhecidos uma só pelas inflo- 
rescencias masculinas, que são quasi idênticas ás da 
Olmedia mollis Poepp. et Endl., a outra pelos fructos 
que tem a forma caracteristica do género Perebea § Eu- 
perebea. Ambas ellas mostram tanta semelhança com a 
Ohiiedia mollis que é muito provável que esta também 
tenha de entrar no género Perebea. Isto me parece tanto 
mais plausivel que temos do Rio Purús, de uma arvore 
que também parece senão idêntica com a O. mollis, ao 
menos sua próxima parente, fructos em toda semelhan- 
te ás da Muiratinga de Óbidos. 

O nome de « Muiratinga » é alias usado para di- 
versas arvores das várzeas amazonicas, cujos galhos in- 
feriores cahem á moda dos galhos caducos de Castilloa. 
A mais conhecida de todas estas avores sob o ponto 
de vista da sua distribuição e do seu porte, mas não 
sob o ponto de vista systematico, é uma espécie de Ol- 
media, do parentesco de Olmedia calophylla Poepp. e 
Endl., uma das maiores e mais bellas arvores das vár- 
zeas do médio e do alto Amazonas Provavelmente n'este 
parentesco pertencem também as duas espécies seguintes. 



Materiaes para a Flora amazoxica 336 



•^ Olmedia (?) caloneura Hub. n. sp 

Arbor mediae staturae, ramulis crassiusculis (4 
mm crassis) longitudinaliter rugosis novellis stipulis ex- 
tus petiolisque ferrugineo-tomentellis. Stipulae binae 
axillares amplectentes ovato-triangulares (12 — l3X6 
mm) subulato-acuminatae caducae cicatricem annularem 
relinquentes. Folia ampla (20 — 25X5 — 10 cm) breviter 
(1 cm) valideque petiolala, lamina oblongo-elliptica 
basi obtusiuscula, ápice rotundato abrupte in acumen 
angustum (circiter 2 cm longum 2 mm latum) contra- 
cta, margine undulata. coriacea, glaberrima, interdum 
leviter buUata, nervo mediano valido supra paulo, in- 
fra valde prominente, nervis secundariis utrinque cir- 
citer 15 quasi angulo recto abeuntibus rectiusculis paulo 
ante marginem solemniter arcuato-conjunctis supra im- 
pressis subtus prominentibus saepe lutescentibus vel 
plus minus ferrugineis, venularum rete subtus promi- 
nulo pallido. Receptaculi masculi (feminei desunt) 
in axillis bini vel terni breviter (5 mm) pedunculati 
globosi ante anthesin circiter 5 mm lati. bracteis vulgo 
8 quam flores longioribus orbicularibus 5 mm diâmetro 
metientibus (extimis semiorbicularibus) coriaceis fuscis 
extus minutissime puberulis angustissime pallide margi- 
natis. Flores masculini (haud plane evoluti) perigonio 4- 
phyllo, phyllis angustis ápice incurvis, staminibus 4 
brevibus antheris extrorsis. 

Species foliis amplis glaberrimis pulchre nervosis 
abruptissime acuminatis et capitulorum masculorum 
bracteis paucis orbicularibus insignis, speciminibus fe- 
mineis deficientibus quoad genus incerta. 
Hab. in silvis primaevis prope fl. Cuminá-mirim. No- 
men vulgare « Muiratinga», id est «lignum álbum». 
16 XII 06 leg. A. Ducke (798o). 
Em IÇ07 recebi ainda outros espécimens (cfcT) d'esta 
mesma espécie dos castanhaes a E. do Lago da 
Castanha (ns. 8892 e 9166) que se distinguem pelas 
folhas um pouco mais estreitas e compridas (até 30 
cm). 



337 Materiaes para a Flora amazonica 



Ohnedia obliqua Hub. n. sp. 

Arbor staturae minoris. ramulis longitrorsum ri- 
mosis epidermate demum in pelliculas cinnamomeas se- 
ccdente. Folia disticha breviter petiolata, petiolo 7 — 10 
mm longo fusco supra canaliculato rugoso, lamina 
ov ato- oblonga (lO — l8X4 — 7 cm) hasi rotnndata inae- 
quilatera (saepe oblique truncata), ápice subabrupte 
late obtusecjue acuminata (acumine ad médium 5 mm 
lato), glabcrrima coriacea utrinque lucidula, nervis se- 
cundariis supra haud bene a venulis distinctis subtus 
prominulis. angulo quasi recto exeuntibus usque prope 
marginem rectiusculis ibi demum inflexis sed haud dis- 
lincle arcnato-anastomosantibus, venis utrinque reticulato- 
prominulis. Receptacula feminina (máscula haud adsunt) 
2 — 5 in spicas axillares petiolum vix superantes con- 
gesta, uni vel rarissime 2 — 3-florae bracteis 7 — 8 ova- 
to-triangularibus obtusiusculis fusco-marginatis, maiori- 
bus (interioribus) vix 2 mm longis perigonio turbinato- 
ovoideo 4 nim longo 2 mm crasso cinereo-tomentello 
ápice acutiusculo vix lobato, stigmatibus 2 eum duplo 
superantibus tomentellis. 

Spccies ab O. calophylla afíini (?) differt foliis 
ovatis neque obovatis. Ab O. caloneura mihi bene dif- 
fert foliorum forma nervisque sccundariis margine haud 
arcuatim conjunctis. 

Hab. ad fl. Mapuera in silvis ripariis proximitate loci 
Maloquinha 8 XII 07 leg. A. Ducke (g074). 

BrosUnuni gnyancnse (Aubl.) Hub. [Piralincra guyanensis 
Aubl., B. Anhletii Poepp.]. 

Óbidos, capueira, 23 XII o3 (4871), 22 XII 07 
(918c), Rio Mapuera, abaixo da Maloquinha, matta da 
várzea, 8 XII 07 (9072). 

Conssapoa aff. microcephala Tréc. 

Rio Mapuera, abaixo do Paraiso, beira, 1 1 XII 

07 (gocjó). 

Área geogr. : Guyana ingleza. As folhas dos nossos es- 
pécimens são amarellaceas e não brancas por baixo, 



Materiaes para a Flora amazonica 338 



mas o numero reduzido dos nervos lateraes (6 — 7), 
que é característico da C. iiticrocephala e que se acha 
também na nossa espécie, me parece ter mais im- 
portância. 

Proteaceae. 

Andripetalum nibescens Schott 

Faro, praia do Lago, 14 VII o3 (3735); igapó, 
17 XII 04 (6938); praia, 15 VIII 07 (8396). 
Área geogr. : Goyaz, Pará, Guiana ingleza. 

Rhopala obtusata Klotzsch 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio 15 VI 05 
(7153); lago de Faro, praia, 15 VIII 07 (8329). 
Área geogr.: Até aqui só assignalada no Rio Negro. 

Rhopala obiusata var. ohovata Hub. n. var. foliis obovatis 
4 — 5 cm latis ápice rotundatis. 

Faro, praia do lago, 15 XII 04 (6918) e 15 
VIII 07 (8356). 

Rhopala obtusata var. angustifolia Hub. n. var. foliis oblongo- 
lanceolatis 2 - 3 cm latis, basi longius attenuatis. 

Faro. campina entre as serras do Dedal e da Iga- 
çaba, 4 IX 07 (8614). 

Loranthaeeae. 

Psitiacanthns faleifrons Mart. 

Óbidos, beira do Amazonas, 23 VII 03 (3700). 
Área geogr.: Amazónia. 

Psittacanthus collum-cygni Eichl. 

Óbidos, capueira, 5 VII 03 (3678). Prainha, cam- 
po alto, 11 V o3 (3626). 
Área geogr. : Venezuela, Amazónia — Bahia. 

Psittacanthus cordatus (Hoffmsgg. ) Blume 

Monte Alegre, 16 VII 02 (2874). 
Área geogr.: Guiana ingleza, Amazónia, Cuyabá. 



339 Materiaes para a Flora amazonica 



Psillacatilhns plagiophyllns Eichl. 

Prainha, campo alto. 9 V 03 (3584), 
Área geogr. : Pará (Santarém. Óbidos) Piauhy. 

Fhoradendron Innaeforvic (DC.) Eichl. 

Rio Mapuera. campina-rana a NE do Taboleiri- 
nho, 12 XII 07 (9127). 

Área geogr. : Esta espécie era considerada até agora 
como própria do Brasil oriental e central, e ausente 
da Amazónia. 

Phorãdcndron platycanlon Eichl. 

Lago de Faro. praia, 20 VIII 07 (8411); Rio Ne- 
gro. Barcellos, beira do lio, l3 VI 05 (7128). 
Área geogr. : Amazónia central e Guiana franceza. 

Oryclanthns nificauHs Eichl. 

Lago de Faro, sobre Ingá sp. 20 VIII 07 (8401). 
Área geogr.: Brasil central, Amazónia, Guiana. 

Olacaceae. 

Aplandra Spruceana ^liers 

Óbidos, várzea, 18 I 04 (4892), 22 XI 07 (8857). 
Área geogr.: Óbidos é a localidade typica d'csta espé- 
cie: entretanto ella cresce também na região littoral 
(Mazagão, Furo de Macujubim). 

Ptychopetalum olacoides Benth. «Muirapuama». 

Castanhaes do Lago da Castanha, 25 XI 07 (8898). 
Área geogr.: Esta importante planta medicinal cresce 
nas terras firmes do baixo Amazonas e da Guyana 
franceza. 

Heisieria cauliflora Smith 

Rio Trombetas, Cachoeira Porteira, matta da beira, 

29 XI 07 (8940). 

Área geog. : Espécie guyaneza notável pelas folhas 
muito grandes (comprimento: 20 — 25 cm) e pelas 
flores quasi sesseis; até aqui não constatada no Brazil. 



Materiaes para a Flora amazonica 340 



"^ Heisteria subsessilis Hub. n. sp. 

Frutex glaber. ramulis junioribus ancipitibus. Fo- 
iia mediocria vel maiúscula, petiolo 5 — 7 mm longo 
supra profunde canaliculato, lamina elliptica vel rarius 
oblonga (5—12 (vulgo 7— lO) X^ — 5 cm) ápice ros- 
trata basi breviter in petiolum contracta coriacea mar- 
gine revoluta utrinque nitidula nervo primário secun- 
dariisque supra planis subtus valde prominentibus ve- 
nis supra prominulis subtus reticulato-prominentibus. 
Flores in axillis glomerato-congesti subsessiles, calyce 
1,5 mm longo ultra médium lobato, lobis triangulari- 
ovatis acutis, petalis 2 mm longis subliberis ovatis acu- 
tis intus albo-pilosis, staminibus inaequalibus, epipetalis 
brevioribus, ovário valde depresso ad peripheriam cos- 
tato stylo brevi cónico, stigmate minuto. Calyx fructi- 
fer vix 1 mm longe pedicellatus espansus radio maiore 
ad lo mm minore vix 3 mm. lobis ovatis ápice rotun- 
datis vel acutiusculis, in sinubus aliquid complicatis, 
fructu ovoideo-globoso brevissime apiculato. 

Species foliis coriaceis, floribus subsessilibus, ca- 
lycis fructiferi lobis tubo multo longioribus insignis, H. 
cauliflorae affinis. 

Hab. ad ripas fl. Mapuera infra Taboleiro grande. 2 
XII 07 ieg. A. Ducke (8996). 

^ Heisteria inicrantha Hub. n, sp. 

Frutex valde ramosus glaberrimus, ramulis gra- 
cilibus anguloso-striatis. Folia mediocria, petiolo 5 — 10 
mm longo gracili plus minus torto supra canaliculata. 
lamina lanceolato-elliptica (5 — loX^— 5 cm), ápice ob- 
tusiuscule saepe leviter falcato-acuminata, basi in petio- 
lum breviter contracta, subcoriacea margine undulata 
et subrevoluta utrinque nitidula supra laeviuscula sub- 
tus prominule reticulata et elevato-punctata. Pedicelli 
axillares numerosi floriferi petioli médium vix attingen- 
tes fructiferi petiolum subaecjuantes. Flores minuti ca- 
lyce breviter acuteque dentato, petalis subliberis lan- 
ceolatis intus tomentellis vix ultra 1 mm longis, sta- 



341 Materiaes para a Flora amazonica 



minibus 10 paulo inaequilongis, ovário depresso-globoso 
costato ápice leviter excavato margine dentato médio 
stylo ovoideo instructo. Fructus ovoidens circiter 8 mm 
longus rubescens, calyce accrescente leviter sinuato-lo- 
bato radio maiore 8 mm metiente laxe amplectente. 

Heisteriae cyanocarpae Poepp. et Endl. ( Amazoniac) 
et H. nitidae Engl. (Peruviae orientalis) afíinis, sed dif- 
fcrt ab utraque cal3'ce fructifero haud reflexo floribus 
minoribus. 

Hab. in silvis prope Óbidos, l8 Vil 05 leg. A. Ducke 
(7219). 

Chaiinochitoii lorauihoides Benth. 

Barccilos, beira do Rio Negro, l3 VI 05 (7l3o), 
As flores tèm um ciíeiro muito forte. 
Área geogr.: Rio Negro. 

Balanophoraceae. 

Hdosis c^uyanciisis L. C. Rich. 

Almeirim, matta, 11 IV 03 (34Ó2); Arumanduba, 
castanhal, 4 V 03 (3561): Prainha, matta, 12 V o3 
(3632). 
Área geogr.: Amer. mer. trop. 

Polyg-onaceae. 

Polygoiiiiiii acuDiiiiatiiin H. B. K. 

Almeirim, campo alagado, 3 V o3 (3555). 
Área geogr.: Amer. merid. 

^, Polygonum incanum Hub. [P. speclabilc var. iiicanum 
Meissn. ] 

Monte Alegre, campos alagados, 5 VII QQ leg. J. 

Huber ( 1620). 

Apezar da concordância de alguns caracteres essenciaes 
(ochreas, forma das flores e do fructo) com o P. 
speclabile, não posso admittir que esta forma tão 
bem distincta seja considerada como mera variedade. 



Materiaes para a Flora amazonica 342 



Alem do indumento nivco muito excepcional no am- 
biente habitual d'esta planta é de notar que o seu 
porte é mais delgado e as suas inflorescencias mais 
grossas que no P. spectabile. 

^ Coccoloha Pichuna Hub. n. sp. «Pichuna». 

Frutex elatus ramulis satis gracilibus glabris ju- 
nioribus profunde canaliculatis, ochreis circiter 12 mm 
longis adpressis oblique truncatis. Folia longiuscule pe- 
tiolata, petiolo ad basin ochreae inserto 2 cm longo 
2 mm crasso leviter flexuoso supra paululum excavato 
longitudinaliter valde rugoso-striato, lamina obovato- 
oblonga (lO— 18X5—8 cm) basin versus angustata, 
ipsa basi cuneata vel rotundata subpeltata fere quintu- 
plinervi ápice obtusiuscule vel acute acuminata coria- 
cea utrinque glaberrima margine subrecurva supra laevi 
nervo primário secundariisque paucis (circa 7 utroque 
latere angulo ca. 45° exeuntibus) supra leviter promi- 
nulis subtus valde prominentibus, venulis supra immer- 
sis subtus passim prominulis laxe reticulatis minoribus 
interdum fere foveolato-reticulatis. Inflorescentiae in ra- 
mulis terminales singulae basi ochrea puberula involu- 
tae ad anthesin vix 5 cm, fructiferae ad 10 cm longae, 
axi angulata rubescente minute puberula. nodulis uni- 
floris, bracteis subnullis ochreolis 1 — 1,5 mm longis 
membranaceis pedicellorum divaricatorum médium su- 
perantibus. Flores densiusculi perianthi tubo late obco- 
nico (3/4 mm longo) lobis ovatis anthesi reflexis 1,5 
mm longis. Filamenta subulata lobis paulo longiora 
exserta. Ovarium oblongum stylis 3 brcvibus. Pedicel- 
li fructiferi 2 — 2.5 mm longi patentes vel deflexi, fruc- 
tus fere maturi SX^ mm nigri, lobis perianthi paulo 
accrescentibus (2,5 mm longis) fructus apici accum- 
bentibus. 

Praeter alios characteres praecipue bracteis sub- 
nullis Coccolohae padifonni Meissn. (Caracas) accedere 
videtur, imprimis foliis obovatis ochreolis longioribus 
differt. 



343 Materiaes para a Flora amazonica 



Hab. in silvis inundatis prope Óbidos. Fructus cdules. 
22 XII 03 leg. Ducke (4S66). 

Coccoloba aff. ilheensis Wedd. 

Rio ]\íapuera, campina-rana ao' NE do Taboleiri- 
nho, 12 XII 07 (9114). 

Área geoo;r. : a C. ilheensis c indicada do Pará (Igara- 
pé miry) e de Bahia (Ilheos). 

Coccoloba ovaia Benth. forma inflorescentiis elongatis densi- 
íloris. 

Prainha, Rio Marapy, beira, 17 V 03 (358o). 

Coccoloba ovata Benth. forma ramulis numcrosis distichis di- 
varicatis, foliis minoribus oblanceolatis, inflorescentiis 
folia vix superantibus. 

Lago de Faro, praia, 14 VII 03 (3733). 

Coccoloba ovata Benth. forma foliis oblanceolatis plus minus 
acuminatis haud fuscescentibus. 

Monte Alegre, margem do paraná, 17 ^ H 02 
(2882). 

Área geogr. : A espécie polymorpha sob a qual reuni 
estas três formas a titulo provisório, é distribuída da 
Columbia até o Brazil central. 

Coccoloba racemulosa iMeissn. 

Região do alto Ariramba, campina rana perto da 
beira do Jaramacarú, 21 XII OÓ (804Ó); Rio Mapuera, 
abaixo do Paraiso, 4 XII 07 Í9041). 

Segundo o Sr. Ducke, esta espécie é um cipó ca- 
racterístico das beiras rochosas do Rio ]\Iapuera. muito 
apparente pelas suas folhas esbranquiçadas quando no- 
vas. Os caules compridos achatados e flexuosos dos 
nossos espécimens são guarnecidos de galhinhos alter- 
nantes curtos (2 cm) e divaricados, munidos na sua ex- 
tremidade de 3 a 4 folhas finamente pecioladas, ovaes 
e brevemente pontudas (com ponta obtusa), e de 2 a 3 
inflorescencias racemiformes que são mais curtas que 
as folhas^ tendo geralmente de 3 a 4 cm de compri- 
mento. 



Materiaes para a Flora amazonica 344 



Área geogr. : Guiana franceza, Minas Geraes falto Rio 
S. Francisco). Provavelmente esta espécie, cuja di- 
persão até aqui apparecia muito esporádica, ha de 
achar-se ainda em outros pontos situados entre a 
Guiana e ô Brazil central. 

Symmeria paniculata Benth. 

Óbidos, colónia Curuçabamba, capueira, lo I 05 
(6957). 
Área geogr. : Amazónia, Rio Magdalena. 

Tríplãrís stirinamensis Cham. 

Monte Alegre, Maecurú, 3o VII oS leg. E. Sne- 
thlage (9535). 
Área geogr. : Amazónia, Guiana. - 

Ruprechtia obidensis Hub. n. sp. 

Ramuli graciles masculi imprimis adpresse flavido- 
puberuli. Folia breviter (5 — 7 mm) petiolata lanceola- 
ta vel plus minus obovata (8—12X3 — 5 cm) basi sub- 
cuneata obtusa ápice subfalcato-acuminata. coriacea, 
supra plana, subscrobiculata plus c|uam reticulata sub- 
tus distinclius reticulata praecipue in nervis puberula 
(nervis secundariis supra immersis, subtus prominenti- 
bus). Inflorescentiae masculae 2 — 3 fasciculatae, folia 
saepe plus quam duplo superantes laxiusculae, ochreis 
tomentellis, bracteis ovato-triangularibus, pedicellis ca- 
pillaribus ochreas duplo superantibus. Inflorescentiae 
femininae foliis paulo longiores strictae pedicellis flori- 
bus femineis delapsis ochreas duplo superantibus. Calyx 
fructifer ininittissinie puberulus tubo cylindrico i — ij cm 
longo J mm lalo teniii, lobis exierioribus linearibiis ) cm 
longis vix j mm latis obtusis )-nervibus tenuibiis pnbes- 
cenlibns, interioribus tubo usque ad faucem adnatis parte 
libera linearibus ápice acuto incurvis ad l3 mm longis 
1,5 mm latis uninerviis. Nucula tubum calycis aequans 
lúcida castanea superne acute triquetra angulis inferne 
incrassatis leviter excavatis. 

Species R. laurifoliae jNIey. (Brasiliae orientalis) 



345 Materiaes para a Flora amazonica 



lobis interioribus calycis cum tubo concrcscentibus affi- 
nis, differt autem foliis brevioribus obovatis. calyce 
fructifero maiore. lobis interioribus longioribus acutis. 
Hab. in silvulis capueiras dictis apud oppidum Óbidos, 
3l Vil 02 (9 2899. cT 2901) leg. A. Ducke. 

Ruprechiia inacrocalyx Hub. n. sp. 

Ramuli patenter ramosi stricti graciles. Folia brc- 
vissime (3 — 5 mm) petiolata lamina elliptica (5 — 8X 
3 — 4 cm) breviter latiusculeque cuspidata coriacea le- 
viter bullata. nervis sccundariis subtus valde promi- 
nentibus, utrinque densissime reticulata subtus puberu- 
la. Infloresccntiae masculae singulae vel binae lariter 
ápice ternae paulo breviores et graciliores quam in 
specie praecedentc, infloresccntiae femineae foliis saepe 
breviores. Calyx fructifer j.j cm loiíf^us tubo campanu- 
lato 1,5 cm longo ad 1 cm lato, lobis exierioribiis api- 
ceni versus latioribiis (ad 12 mm) acntiusciilis J — <)-ner- 
viis, interioribus cum tubo tota longitudine concrcscenti- 
bus ápice libero ligulari ca. S mm longo incurvo. Xu- 
cula crassior quam in specie praecedente (ca. ó mm) 
costis inferne valde incrassatis dorso profunde sulcatis. 
Sicut species praecedens R. lanrifoíiae Mcy. affi- 
nis, sed foliis bullatis calyce fructifero máximo insignis. 
Hab. in silvulis capueiras dictis apud Faro, 27 \ll\ 07 
leg. A. Ducke (8540 9, 8539 o"). 

Riiprechtia ajf. amentacea Meissn. 

Rio Negro, Barcellos. beira do rio, 17 VI 05 

(71Ó4 b). 

Área geogr. : ^íanáos (Spruce). Os nossos exemplares 
differem da descripção original de R. amentacea ape- 
nas pela circumstancia que as inflorescencias geial- 
mente não se acham aggregadas em maior mumero. 
As sepalas interiores são estreitamente lanceoladas e 
o fructo c coberto de pellos, principalmente na parte 
superior. 

, Ruprechtia laiifolia Hub. n. sp. 

Ramuli sulcati lenticelloso-verrucosi. Folia brcvi- 



Materiaes para a Flora amazoxica 346 



ter petiolata, petiolo circa 5 mm longo crasso supra 
late canaliculato, lamina ovata (7 — loX4 — 5 cm) basi 
rotundata ápice subacuminata margine plus minus un- 
dulata coriaçea vix nitidula, utrinque dense reticulata 
venis supra interdum subimmersis. Inflorescentiae 9 Ç 
vulgo 2 — 3 aggregatae foliis multo breviores (2— 3 cm 
longae) satis densae, bracteis minutis acutis. Flores 9 9 
subsessiles glabri tubo subnullo sepalis exterioribus tri- 
angulari-ovatis obtusiusculis intus obsolete 3-nerviis, 
interioribus tertio minoribus ovato- vel rhomboideo-lan- 
ceolatis acutis, ovário trilobo sparse piloso. 

Species R. amentaceae j\Ieissn. (Rio Negro) sepalis 
inferioribus lanceolatis, R. hrachystachyae ovário pubes- 
cente affinis, sed foliis late ovatis sepalisque exteriori- 
bus triangulari-o\'atis giaberrimis bene distincta. 
Hab. ad vicum Prainha in littore fl. Amazonum. iS V 
03 leg. A. Ducke (3635). 

Amarantaeeae. 

Alternanfhera paronychioides St. Hil. var. antazonica Hub. n. 
var. caule suberecto vel decumbente superne ramoso 
ad 50 cm alto foliis angustis subtus adpresse albo-pilo- 
sis siccis nigricantibus, capitulis basi lanatis, filamentis 
elongatis basi brevissime concrescentibus, pseudostami- 
nodiis filamentis staminum maiorum quádruplo brevio- 
ribus ápice 3 — 5-dentatis ad anthesin subcucuUato-in- 
flexis. 
Hab. Rio Cuminá, ao redor do Lago Salgado leg. A. 

Ducke 9 XII Oó (7917). 
Área geogr. do typo: Rio de Janeiro. 

Alternaníhera argeniata Moc[. var. [j ama7;onica Seub. 

Óbidos, várzea, 21 XII 03 (4862): Monte Alegre, 
paraná, lago do Jacaré, Q VIII 08 leg. E. Snethlage 
(9553); Paraná de Adauacá, beira. 7 IX 07 (8ÓÓ2). 
Área geogr. do typo: Amer. trop.: da variedade: San- 
tarém. 



347 Materiaes para a Flora amazonica 



Telanthera Martii Moq. 

Monte Alegre, Ereré, 21 VII 08 (95l6) leg. E. 
Snethlage. 

Área geogr. : Até aqui só conhecida da Serra de Tiu- 
ba no Estado da Bahia. 

Telanthera denlala Moq. 

Serra de Ereré, 21 VII 08 leg. E. Snethlage (9510). 
Área geogr. : Guianas, Brazil septentrional. 

Cyathula proslraia Blume 

Rio Mapuera, Maloquinha, capucira, 8 XII 07 
(9078). 
Área geogr. : Cosmop. trop. 

Nyctaginaceae. 

Pisonia ohtusiloha ílub. n. sp. 

Frutex ramulis gracilibus eleganter dichotomis fus- 
cescentibus novellis dense rufo-hirsutis vel pubescentibus 
vel glabrescentibus. Folia opposita^ petiolo brevi (3 — 
5 mm), lamina oblongo-lanceolata 5 — 10 (vulgo circa 
7) cm longa, 2 — 3 cm lata basi acuta ápice vulgo lon- 
giuscule cuspidata vel caudato-acuminata membranacea 
glabra nigricante opaca nervo primário secundariisque 
utrinque prominulis venis spuriis. Inílorescentiae termi- 
nales vel pseudolaterales longe (ad 6 cm) peduncula- 
tae, pedúnculo filiformi, umbellato-corymbosae ramis 
umbellae vulgo 4, ca. 1,5 cm longis filiformibus vel 
subsetaceis laxis ápice 3 — 4-íIoris, floribus ad 5 mm lon- 
ge pedicellatis, vel rarius iterum umbellatis, floribus 
brevius pedicellatis. Flores basi bibracteolati (solum mas- 
culi bene evoluti) anguste infundibuliformi 5 mm longi, 
lohis tubi tertiam partem aeqnantibns late rectangiilarihus 
ápice truncato-dilatatis plicato-undulatis. Stamina 6 — 7 
perigonium duplo superantia antheris brevibus didymo- 
quadratis. Ovarium (rudimetitarium ?) in stylum ei du- 
plo longiorem sed haud exsertum ápice minute peni- 
cillatum saiis abrupte contractum. 



Materiaes para a Flora amazonica 348 



Species inprimis foliis oblonge lanceolatis caudato- 
acuminatis et subaveniis inflorescentiis gracilibus lobis 
perigonii late truncatis insignis. 

Hab. Óbidos, capueira, 8 I 04 (4879), 21 XI 07 (8848), 
20 XII 07 (9178): Castanhaes a E. do Lago Salga- 
do, 24 XI 07 (8884) leg. A. Ducke. 

•^ Pisonia breviflora Hub. n. sp. 

Frutex elatus (teste Ducke) divaricato-ramosus 
giaber. Ramuli graciles subdichotomi ápice foliosi, no- 
velli pallide fuscescentes vel nigricantes vetustiores ci- 
nerei. Folia opposita, petiolo circa 5 mm longo supra 
applanato, lamina late elliptica vel- obovata (6 10X4 
— õ cm) ápice rotundata vel obtusa basi plus minus 
abrupte in petiolum contracta et decurrente subcoriacea 
glaberrima nigricante utrinque lucidula et insigniter re- 
ticulato-nervosa, nervis secundariis angulo ca. 6o° ex- 
euntibus arcuatis, cum venis utraque pagina aequaliter 
prominentibus. Inflorescentiae terminales minute pube- 
rulae breviter (ca. 2 cm, rarius ad 6 cm) pedunculatae 
breviter cymoso-paniculatae (diâmetro 4—5 cm), ramis 
inferioribus paniculae 4 subverticillatis divaricatis et 
iterum divaricato-ramosis. Flores valde fragrantes (Ducke), 
masculi brevissime pedicellati perigonio late breviter- 
que campanulato (2X2 mm) lobis tubi lertiam par- 
tem aequantibus paulo reflexis ovatis ápice glanduloso- 
truncatis, staminibus paucis (vulgo 5) inaequalibus vix 
exsertis pistillo rudimentario minuto. Fructus juniores 
(flores femineae haud adsunt) lobis perigonii patentibus 
ovato-triangularibus coronati, stylo brevi, stigmate pe- 
niciliato, vetustioribus (ut paret haud plane maturis) 
breviter ellipsoideis 4 mm longis 3 mm latis leviter cos- 
tatis, lobis calycinis persistentibus. 

Species foliis ellipticis obtusissimis basi in petio- 
lum contractis utrinque pulchre nervosis et imprimis 
floribus pro gcnere brevibus staminibusque vix exser- 
tis insignis. 

Hab. Rio Mapuera, campina rana a NE. do Taboleiri- 
nho, 12 XII 07 (9112) leg. A. Ducke. 



349 Materiaes para a Flora amazonica 



Pisonia sp. Specimen fructiferum, differt a specie praecedcn- 
te, cui affinis videtur. foliis plus minus distincte cuspi- 
datis, opacis, nervis secundariis fere angulo recto excun- 
tibus, inflorescentia minore. 
Hab. Alto Ariramba, campina rana. 21 XII 06 (So33). 

Pisonia subcapitata Hub. n. sp. 

Frutex ramulis novellis puberulis. Folia opposita, 
petiolo 5 — 10 cm longo vel rarius longiore, lamina elli- 
ptica vel rarius oblonga (5 — 14X3 — / cm) ápice ob- 
tusiuscule cuspidata basi in petiolum angustata membra- 
nacea utrinque opaca glabra. nervo primário secunda- 
riisque supra vix prominulis subtus prominentibus ve- 
nis laxis utrinque spurie reticulatis. Inflorescentiae vix 
1.5 cm longe pedunculatae dense subcapitato-congestae 
(diâmetro circiter 2 cm) obscure fusco-tomentellae. flo- 
ribus sessilibus, masculinis tubuloso-campanulatis ca. ó 
mm longis 3 mm crassis, lobis tubi quartam partem 
aequantibus crassis margine tenuiore plus minus infle- 
xis, staminibus 6 — 8 tubum haud aequantibus antheris 
magnis ovatis basi rotundatis, pistilli rudimento stami- 
nibus breviore stylo ápice breviter penicillato termina- 
to. Flores feminei in specimine nostro 4 mm longi. lobis 
valde inflexis, ovário in stylum ápice penicillatum fau- 
cem vix superantem attenuato. staminibus 1,5 mm lon- 
gis antheris rubris sterilibus instructis. 

Species inprimis inflorescentia compacta stamini- 
busque brevibus inclusis insignis. 

Hab. Almeirim (campo baixo) 14 XII 02 (3052 cT); 
Óbidos, capueira. 20 XII 03 (485?, 9) leg. A. 
y Ducke. 

Pisonia subcapitata var laxiuscula Hub. n. var. foliis usque 
ad 20 cm longis 7,5 cm latis, inflorescentia longius pe- 
dunculata laxiore. staminibus paulo longioribus sed haud 
exsertis antheris oblongis basi subsagittatis. An species 
distincta ? 

Hab. Rio de Faro, Vista Alegre, ó IX 0/ (8g39) leg. 
A. Ducke. 



Materiaes para a Flora amazonica 350 



Pisonia Duckei Hub. n, sp. 

Frutex ramulis gracilibus nodosis novellis pubes- 
centibus. Folia alterna vel opposita, petiolo ad 5 mm 
longo flexuoso vel brevíssimo, lamina oblongo-ovata 
ad 12 cm longa 4 cm lata basi cordata ápice in acii- 
imn longum acuiissimumqtie sensim angustata subcoriacea 
margine subrevoluta utrinque nitidula vel opaca supra 
obscure subtus pallide castanea nervis venisque utrin- 
que argute prominentibus. Inflorescentiae terminales, pe- 
dúnculo 3—4 cm longo filiformi pubescente instructae 
breviter pauciramosae et pauciflorae. Flores 5 mm longi 
2,5 mm crassi perigonio obovoideo crassiusculo ore con- 
tracto breviter convergentc-denticulato, staminibus in- 
clusis 10 — 11, antheris maiusculis didymo-orbiculatis, 
stylo ápice breviter pinnato-lacinulato. 

Foliorum forma, perigoniis crassis staminibusque 
inclusis insignis. 

Hab. Rio Mapuera, cachoeira do Paraiso, ad ripam, 11 
XII 07 (g095) leg. A. Ducke. 

Pisonia stellulata Hub. n. sp. 

Frutex divaricato-ramosus ramulis gracilibus tu- 
berculato-corticatis novellis obscure furfuraceis. Folia 
opposita vel alterna, petiolo circa 5 mm longo gracili. 
lamina obovato-lanceolata (4—7X1-5 — 2.5 cm) utrin- 
que distincte acuminata firme membranacea glaberrima 
utrinque eleganter prominente-venosa. Inflorescentiae 
breviter (l cm) pedunculatae breviter paniculatae fus- 
co-furfuraceae, floribus femineis (?) subsessilibus oblon- 
go-ovoideis (circa 4 mm longis) perigonii lobis acutis 
stellato-patentibus, staminibus inclusis. 

Species provisória, floribus ut paret haud bcne 
evolutis. Primo adpectu P. obtiisilobam refert, sed foliis 
minoribus utrinque valde acuminatis eleganter venosis 
perigonii lobis stellulatis satis diversa. 
Hab. Óbidos, capueira, 20 XII 03 (4855) leg. A. Ducke. 

Na <' Flora Brasiliensis» não se encontra nenhuma 
espécie de Pisonia citada da região amazonica. apczar 



351 Materiaes para a Flora amazonica 



que duas das espécies enumeradas (Pisonia Pacurero H. 
B. K. e P. pubescens H. B. K.) foram primeiro obser- 
vadas ao N. do Amazonas. 

E' para notar que das 5 espécies acima descriptas 
só uma (P. ohtusiloha) tem os estames distinctamente 
e largamente exsertos, emquanto que as outras tem es- 
tames mais ou menos inclusos como nas espécies de 
Neea, distinguindo-se entretanto d'este género pelo es- 
tigma penicillado. 

Neea paraensis Hub. n. sp. 

Frutex (?) ramis dichotomis junioribus pilis bre- 
vibus fusco-hirtulis. Folia opposita vel sub dichotomia 
quaterna verticillata inaequalia, petiolo 5 mm vel ultra 
longo satis gracili pubescente, lamina elliptica vel obo- 
vata basi acuta inaequilatera ápice vulgo breviter cus- 
pidata (5 — 8X2 — 3 cm) membranacea fuscescente su- 
pra opaca glabra subtus pubescente et ad nervum pri- 
marium dense hirsuta, nervis secundariis utrinque spurie 
prominulis venis vix distinctis. Inflorescentiae pedúncu- 
lo ad 1.5 cm longo munitae pauci- et breviramosae, flo- 
ribus (99) sessilibus tubo cylindrico fauce constricto, 
lobis triangularibus convergentibus, staminibus paucis in- 
clusis, stylo ápice acuto. 

Neeae pubescenti Poepp. e Endl. (Teffé) affinis vide- 
tur, sed differt ramulis hirtulis petiolis brevioribus etc. 
Hab. Alemquer, beira do campo de várzea. 1 I 04 
(4948) leg. A. Ducke. 

Boerhavia paniciílata Rich, «Selidonia» 

Faro, roça, IQ VIII 07 (8388). 
Área geogr.: Cosmop. trop. 

Phytolaccaceae. 

Seguiera niacrophylla Bcnth. 

Paraná de Adauacá, matta, 7 IX 07 (8657)- 
Área geogr. : Até agora só conhecida da Guiana ingle- 
za (Essequibo). 



Materiaes para a Flora amazonica 352 



Aizoaceae. 

Mollugo verticillaia L. 

Óbidos, praia, 20 XII 07 (9176). 
Área geogr.: Cosmop. trop. 

Caryophyllaeeae. 

Polycarpaea corymhosa Lam. 

Monte Alegre, Serra de Ererc, 21 VII 08 leg. E. 
Snethlage (9309). 
Área geogr. : Cosmop. trop. 

Nymphaeaceae. 

Vicioria re^ia Lindl. «Forno». 

o 

Cacaoal Grande (lago do Prejuiso) 10 VII 99 
leg. J. Huber (l623). 
Área geogr.: Paraguay — Guiana; nos lagos e igarapés 

da região amazonica toda, com excepção da zona 

costeira. 

Menispermaeeae. 

Ahiiia concolor Poepp. et Endl. 

Oriximiná, matta, 8 XII Oó (7868 cf); região do 
Alto Ariramba, matta da beira do Jaramacarú, 21 XII 
Oó (805Ó 9 ), Almeirim, matta, ló XII 02 (3o6o), capu- 
eira, 10 IV 03 (3454). 
Área geogr.: Brazil central, Amazónia, Guiana. 

Abtita Diickei Diels n. spec. 

Rio Mapuera, Escola, matta da beira, 2 XII 07 
(9012). 

Esta espécie nova vae ser descripta proximamente pelo 
eximio especialista Prof. Dr. L. Diels, da Universi- 
dade de Ãlarburg. 

Abula spec. ? 

Rio Mapuera, morro do Taboleirinho, 1 XII 07 
(8976). 



353 Materiaes para a Flora amazoxica 



Exemplares incompletos com folhas relativamente pe- 
quenas e fructos ainda não maduros. 

Cissaiiipelos fasciciilata Benth. 

Matta ao XE. do rio Cuminá-mirim. ló XII Oó 
(7972. 9 )• Castanhaes a E. du Lago Salgado. 2ó XI 07 
(8907. c^). 
Área geogr. : S. Paulo — Guiana ingieza. 

Disciphania lobata Eichl. 

Óbidos, matta, 22 XII 07 (QlSo). 
Área gcor. : Esta espécie interessante d"um género até 
aqui monotypico foi coUeccionada por Spruce nas 
visinhanças de Manáos. Uma segunda espécie de fo- 
lhas inteiías e giabras foi coUeccionada jjor mim 
no alto Rio Purús, uma terceira pelo Si". Ernesto 
Ule no alto Juruá. 

Anonaeeae. 

Anona sessiliflora Benth. 

Oriximiná. matta. 8 XII 06 (7875). 
Área geogr.: Amazónia (Manáos). 

Anona longifolia Aubl. «Envireira». 

Mattas ao XE. do Rio Cuminá-niirim. iG XII Oó 
(7978). 
Área geogr.: Guyana franceza. 

Anona angustifolia Hub. nov. spec. 

Frutex ramis gracilibus cortice longitudinaliter ri- 
moso tectis, ramulis gracillimis ferrugineo-pubescentibus. 
Folia in ramulis disticha patula. breviter (3 mm) gra- 
ciliterque petiolata valde inaequalia inferiora saepe ro- 
tundata vel breviter ovata (vix 1 cm lata) obtusa vel 
retusa, superiora lineari- oblonga vel lineari-lanceolata 6 — 
12 cm longa saepissime vix 1.2 — /,/ cm lata hasi rotnn- 
data vulgo apicem versus sensini longissimeque acitta- 
ta membranacea densissime minuteque pellucide-puncta- 
ta novella ferrugineo-sericea mox glabrescentia vel vix 



Materiaes para a FloRa amazonica 354 



nervis subtus et margine pubescentia. Flores sob'tarii 
pedicello 1 cm longo gracili fenugineo-pubcscenle. bra- 
cteola minuta infra médium instructo. Sepala latis-^^ime 
triangulari-ovata (2X3 mm) basi breviter obtuse acu- 
minata ferrugineo-puberula. Pétala exteriora rotundato- 
ovata (15X^5 mm) obtusa crassissima concava extus 
minutissime ferrugineo-sericea, intus ochraceo-tomentella, 
pétala interiora interdum lineari-lanceolata acutissima cir- 
citer 8 mm longa adsunt. Stamina numerosissima thoro 
ochroleuco-villoso inserta omnia fertilia, filamentis circi- 
ter 0,5 mm longis applanatis, antheris plane extrorsis li- 
nearibus circiter 1,5 mm longis connectivo intus carinato 
apicem versus incrassato supra antheras in capitulum fla- 
vescentum expanso. Ovaria numerosa fulvosericea stylis 
glabris fuscescentibus stigmatibus albis subglobosis. 

Species foliis superioribus pro genere angustissi- 
mis basi rotundatis longe acutatis insignis, certe A. se- 
riceae Dun. affinis et verosimiliter cum ejus varietate 
(j. angustifolia Mart. (Flor. Brás. Anon. p. 14) idên- 
tica. 

Hab. in silvis primaevis prope Oriximiná ad flum. 
Trombetas, A. Ducke leg. 29 XII 06 (7902). 

Dugnelia quitarensis Benth. 

Beira do rio Cumirá-mirim. l3 XII 06 (7951 ). 
Área geog. : Guiana, Amazónia (Juruá). 

Diigiieiia aff. asterotricha (Diels) Hub. 

Castanhaes do rio Cuminá-mirim, matta (arvore 

pequena), 11 XII 06 (7928). 

Área geogr. : A Aberemoa asieroiricha Diels foi descober- 
ta por Ule nas mattas perto de Manáos. Os exem- 
plares de Ule (5389) têm flores, mas não fructos, 
emquanto que os nossos espécimens são fructiferos, 
de maneira que a identidade não é completamente 
fora de duvida, tanto mais que as folhas são, nos 
nossos exemplares, um pouco mais arredondadas na 
base. Os fructos não parecem ser completamente 
maduros; elles são oblongo-ovoides e cobertos d'um 
fomento ruivo, os carpellos são alongados em bicos 



355 Materiaes para a Flora amazonica 



agudos de 5 nim de comprimento e de 2 mm de 
largura na base. 

Duguetia flagellaris Hub. n. sp. 

Arbuscula 2 — 4 mm alta ramis patulis ramulis 
distichophyllis gracilibus glabris, innovationibus petiolis- 
que junioribus lepidibus ovato-triangularibus vel ovato- 
rotundatis margine lacero-ciliatis plus minus dense ob- 
tectis. Folia breviter (3—5 mm) petiolata petiolo incras- 
sato nigricante supra canaliculato, lamina oblanceolato- 
vel obovato-oblonga (15 — 20X4 — 6 cm) ápice breviter 
vel longiuscule acuminata (acumine vulgo obtuso vel 
obtusiusculo) basi acutissima et in petiolum decurrente, 
firme membranacea, rete venulorum utrinque laxo pro- 
minulo. Inflorescentiae in ramis flagellaribus subterra- 
neis vel a trunco dcpendentibus et sub superfície tcrrae 
longe excurrentibus efoliatis sympodia efformantibus 
pseudolateralcs abbreviatae (sine floiibus 1 — 2 cm lon- 
gae) sympodiales cicatiicibus distichis pedicellorum 
bractearumque dense obsitae rugulosae dense lepidotae. 
Flores breviter pedicellati pedicello (vix 5 mm longo) 
médio vel apicem ^'ersus bracteola rotundata adpresso- 
amplectente munito, sepalis 3 ovatis (lOX? — 8 mm) 
acutiusculis subcoriaceis extus leproso-lepidotis intus 
glandulosis, petalis 6 paulo inaequalibus primum ovatis 
demum ligulatis 20 — 25 mm longis 6 mm latis acutissi- 
mis submembranaceis parce minuteque lepidotis atro- 
purpureis, staminibus omnibus fertilibus in receptá- 
culo cónico sessilibus applanatis antheris angustis dis- 
tincte extrorsis, connectivo lato ápice paulo incrassato 
supra loculos in acumen producto. Carpella circiter 20 
cohaerentia sed haud concrescentia, parte ovulifera gla- 
bra parte media incrassata angulata plus minus com- 
pressa velutina, parte superiore pubescente ápice sae- 
pissime breviter bifida pedem caprinum imitante. 

Species inflorescentiis ílagelliformibus hypogaeis 
staminumque connectivo acuminato distinctissima. 
Hab. in silvis primaevis (castanhaes) prope flum. Cu- 
miná-mirim leg. A. Ducke, 12 XII Oó (7942). 



Materiaes para a Flora amazonica 356 



Duguetia cadavérica Hub. n. sp. 

Arbor minor ramis expansis ramulis gracilibus 
distiche foliosis novellis petiolis inflorescenliis minute 
stellato-lepidolis. Folia brevissima (3 mm) petiolata pe- 
tiolo túmido supra excavato, lamina lanceolato-oblonga 
(16 — 25V~(4 — 6 cm) ápice longissime acuteque acumi- 
nata basi acuta membranacea plana venulis utrinque 
laxe reticulatis. Jnflorescentiae in ramis subterraneis 
flagellaribus (ut in praecedente sed ramis ramosioribus) 
sympodialibus pseudolaterales elongatae flO — 20 cm 
longae) cicatricibus pedicellorum bracteisque iis oppo- 
sitis late ovatis patulis subpersistentibus nodosae, inter- 
nodiis 5 — ^20 mm longis. Flores atropurpurei in vivo 
odorem cadavericum intensissimum exhalantes pedicellis 
ad anthesin circiter 20 mm longis tertio inferiore bra- 
cteola minuta patula munitis apicem versus incrassatis. 
Sepala ovata obtusiuscula post anthesin ad 23 mm longa 
extus minute stellato-lepidota intus giabra gianduloso- 
verrucosa. Pétala ad anthesin ovata accrescentia demum 
ligulata vel ovato-oblonga ad 3 cm longa obtusiuscula 
giabra atropurpurea vitta mediana alba notata. Stamina 
in receptáculo depresso-semigloboso sessilia, antherarum 
loculis tumidis extus et saepe intus contiguis (prorsiis 
indislincte extrorsisj, connecíivo augusto ápice haiid incras- 
sato nec prodiicio. Carpella numerosa laxe disposita parte 
ovulifera giabra mediana crassa pubescente, apicali su- 
bulata giabra leviter incurva. 

Species D. rhi^anthae (Eichl.) YLuh. [Anona rhi- 
^anlha Eichl., Aberemoa (Geanthemum) rhi:(^aniha R. E. 
Fries.] (Rio de Janeiro) affinis videtur. 
Hab. in silvis primaevis humidis inter flumina Cuminá- 
mirim et Ariramba, leg. A. Ducke 18 XII 190Ó 
(7995). 
Até aqui se conhecia só uma Anonacea com flores nas- 
cendo de galhos subterrâneos, a Anona rhi^antha de 
Eichler, descoberta pelo Sr. Gustavo Peckolt nos 
arredores do Rio de Janeiro. Esta espécie parece 



357 Materiaes para a Flora amazonica 



apresentar muita semelhança com a D. cadavérica, 
mas ella não paiecc ter nem a fita branca das pé- 
talas, nem o cheiro muito intenso desta espécie. A 
D. flagellaris distingue-se pelas flores quasi sesseis. 
que têm. segundo o Sr. Ducke, um cheiro de fructas 
em feimcntação. e pela forma exquisita dos estam(,-s. 

Xylopia friitesccns Aubl. 

Rio de Faro. abaixo da Fazenda Paraiso, beira 
da várzea. 12 IX 07 (8716). 
Área geogr. : Guyanas. Bi azil. 

Xxlopia brasilicnsis Spreng. 

Faro. beira da matta. 17 ^'^l 07 (8366). 
Área geogr.: Brazil. 

Xylopia Bciithami Rob. Fries in Kongl. Svenska \'et. Akad. 
Handl. Bd. 34 p. 35 (içoo). 

Faro. matta. 24 VIII 07 (849S): mattas do Ajurú. 
a O. de Faro, 3l VIII 07 (8556). 
Área geogr.: Esta espécie exclusivamente cauliflora era 
até aqui só conhecida do Rio Cassiquiare. Uma es- 
pécie que faz «pendant» a esta, a Xylopia Ulei Diels, 
foi ultimamente descoberta no alto Juruá pelo Sr. 
Ernesto Ule. 

Xylopia grandiflora St. Hil. 

Óbidos, capueira. 20 XII 03 (4848): Faro, capu- 
eira. 17 XII 04 (6936). 
Área geogr.: Columbia. Guyanas, Brazil. 

CyinbopetaUiiu brasiliense Benth. forma latijolia. 

Rio Cuminá-mirim. logar «Pedras», 14 XII 06 
(7955). 
Área geogr.: Brazil oriental — Guianas. 

Anaxagorea phaeocarpa Mart. «Envireira». 

Rio Cuminá-mirim, 16 XII Oó (7978 a). 
Área geogr. : Amazónia. Temos também espécimens pro- 
venientes das mattas da Estrada de Ferro de Bragança. 



Materiaes para a Flora amazonica 358 



Mypistieaeeae. 

Iryanthera Sagoliana (Bth.) Warb. 

Faro, matta, logar húmido, 3o VIII O? (8553)- 
Área geogr. : Guyana franceza. Pará. O Heibario ama- 
zonico possue exemplares cl'esta espécie provenientes 
:.. ,^ do Marco da Légua, perto de Belém (2l0ó, 212Ó). 

^ iryanthera grandiflora Hub. n. sp. / 

Arbor mediocris ramis sulcatis fuscis, innovationi- 
bus solum sparse adpresse pilosis. Folia breviter petiola- 
ta, petiolo 7 — 10 mm longo supra haud anguste sed late 
canaliculato, lamina oblonga vel oblongo-obovata (ca. 
17X5 — ^ cm) basi acuta vel obtusiuscula ápice latius- 
cule acuminata, pergamacea nervo primário supra pio- 
minulo subtus valde prominente. secundariis 10 — 12 su- 
pra impressis.-subtus prominulis ante marginem evanes- 
centibus. Inflorescentiae cTcf vulgo binae 3 — 4 cm longae 
ferrugineo-puberulae, nodulis pauio prominentibus 2 — 4- 
floris, floribus graciliter (ca, 4 mm) pedicellatis bractea 
rotundata ciliata perigonio 2,5 — 3 mm longo subglabro 
lobis rotundatis vel late triangularibus. columna stami- 
nea antheris brevibus ellipticis duplo superata. Inflores- 
centiae Ç 9 e trunco erumpentes ca. 5 cm longae parce 
ramosae, flores umbellati pedicellis ca. 5 rnm longis. 
Fructus maturi 2.5 — 3 cm lati. 1,7 cm crassi. 

Iryantherae jiiniensi AVarb. (alto Rio Juruá) pro- 
xime affinis videtur, differt foliis maioribus, floribus ali- 
quid maioribus et longius pedicellatis. 

Hab. Castanhaes do Lago da Castanha, 25 XI 07 leg. A. 
Ducke (8899); Barcellos, Rio Xegro. 9 II 05 leg. A. 
Ducke (7103). 

Iryanthera paraensis Hub. n. sp. , 

Arbor mediocris ramis gracilibus leviter sulcatis, 
fuscis, novellis solum minute ferruginco-subsericeis. 
Folia breviter petiolata. petiolo 5— 7 mm longo ad 2 
mm cfasso supra fistuloso-canaliculato, lamina (^15 — 25 



359 Materiaes para a Flora amazonica 



X4 — 7 cm) oblonga vel fere lineari-oblonga, latitudine 
máxima saepius supra médium, basi obtusa vel rotun- 
data ápice longiuscule sed obtuse acuminata pergamacea 
vel coriacea castanea, subtus rufescente, nervo primário 
supra planiusculo subtus valde prominente. secundariis 
utrinque circiter 20 ante marginem distincte arcuato-con- 
fluentibus supra impressis subtus prominulis vel saepius 
acute prominentibus, venulis indistinctis. Inflorescentiae 
cf cf' singulae vel binae in axillis foliorum delapsorum. 
dongaiae (interdum ad 15 cm longae) ferrugineo-pube- 
rulae, glomerulis vulgo 5 mm interdum 1 cm dissitis 
saepissime sessilibus vel subsessilibus. Flores cfcT gra- 
ciliter (3 mm) pedicellati, minuti, (1.5 mm diâmetro 
metientes) columna staminali brevi antheris 6 oblongis 
ca. 2/3 columnae obtegentibus. Flores feminei et fructus 
incogniti. 

Species foliis elongatis valde nervosis /. Hostmanni 
(Benth.) Warb. Guianae incolae aliquid similis, differt 
inflorescentiis elongatis, columna staminali brevissima. 
Hab. in silvis prope Faro, 3l VIII 07 leg. A. Ducke 

(85Ó7), etiam in silvis ad capitalem, 23 VII 03 leg. 

Rod. Siqueira Rodrigues (3Ó75)- 

Virola ciispidata (Bth.) AVarb. 

Rio Cuminá. várzea do Lago da Castanha, 10 XII 
06 (7922). 
Área geogr. : Santarém, Rio Negro inf. e superior. 

Monimiaceae. 

Siparuna guyanensis Aubl. 

Óbidos, capueira. 23 XII 03 (4869); Oriximiná, 
capueira alta, 8 XII Oó (7885); Faro, beira da matta. 
17 XII 04 (6936). 2ó VIII 07 (8516, flores ainda não 
bem desenvolvidas). 

Área geogr.: Do Brazil e da Bolivia oriental até Tri- 
nidad e Columbia. O Herbario amazonico possue ex- 
emplares d'esta espécie provenientes de diversos pon- 
tos do baixo e do alto Amazonas, emquanto que a aspe- 



Materiaes para a Flora amazonica 36o 



cie apparentada 5. aina^oiiica (]\Iart.) A. DC. é quasi 
só representada nos arredores de Belém, d'onde pos- 
suímos uma bella serie de espécimens. Só recente- 
mente a S. aniãT^onicu foi também achada por Ule 
nos arredores de j\Ianáos, porém n'uma forma de 
folhas muito largas. 

Sipanina aff. campornm (Tui.) A. DC. 

Almeirim, capueira, 8 IV 03 (343o). 
Área geogT. : Tocantins. O nosso exemplar tem só fru- 
ctos, por isso a determinação é sujeita a cautela. 

Laupaeeae. 

A}iiba Candilla (H. B. K.) Mez [Mespilodaphne prctiosa var. 
angustifolia Nees] «Casca preciosa». 

Entre Cuminá-mirim e Ariramba, matta. exemplar 
estéril, IQ XII 06 (7996). 
Área geogr.: Rio Negro — Orenoco. 

Aniba parviflora Mez «Páo de rosa». 

Mattas do Ajuruá, a W. de Faro, 3l VHI07 (8559)- 
Área geogr.: Esta espécie, que até agora só foi collecci- 
onada em Borba, no rio Madeira (Riedel), distingue- 
se pelas folhas amarelladas por baixo e pelas flores 
diminutas. Os fructos, que ainda não foram observa- 
dos, têm mais ou menos o tamanho e a forma d'uma 
glândula do carvalho da Europa central. A cúpula é 
grossa e mede 1 cm do pedicello até a margem; 
o fructo mesmo é ovóide tendo 28 mm de compri- 
mento e 17 mm de grossura. O «páo de ro?a», cuja 
madeira amarella e muito cheirosa é muito apreci- 
ada para obras de marcenaria, não parece crescer 
muito alto, sendo antes uma arvore do «sous-bois». 
Elle é frequente nas visinhanças de Santarém. Não 
estou certo se o páo de rosa das mattas do estuário 
amazonico e do districto da Estrada de Ferro é a 
mesma espécie. 



36l Materíaes para a Flora amazonica 



Acrodiclidiíiiu brasiliense Xees 

Faro. beira da matta. 27 Mil 07 (8538) capu- 
eira na matta, 5 IX 07 (8Ó37). 
Área geogr. : Pará. ]\Ianáos. 

Silvia Ita-iiba Pax (Acrodiclidium Ita-iiba Meissn.) « Itauba 
verdadeira ». 

Rio Cuminá-mirim, logar Capimtuba. 26 XII 06 
(7986, exemplar estéril). 
Área geogr.: Baixo Amazonas (Santarém). 

Ocoiea opifera ]\Iart. 

Faro. capueira. 12 VII 03 (3712). beira da matta. 
arvore pequena. 26 Wll 07 (8502): Óbidos, capueira. 
24 XII 03 (4874). 10 V 05 (7225). 
Área geogr.: Pará. Rio Xegro. 

Ocotea grandifolia Mez 

Espozende. matta, 27 IV 03 (3543). Esta espécie 
diátingue-se da O. opifera á qual ella se assemelha muito, 
pelos caules distinctamente alados, pelas folhas quasi 
completamente glabras e pelas inflorescencias maiores 
e mais ramificadas. Xos nossos espécimens os peciolos 
attingem apenas 1 cm de comprimento e as folhas pouco 
mais de 8 de largura. 

Área geogr. : A O. grandifolia até agora era só conhe- 
cida de Yurimaguas (Peru oriental) e d'um logar não 
especificado (provavelmente Manáos ) do Brazil 
septentrional. 

Ocotea giiyanensis Aubl. 

Faro, matta. 17 VIII 07 (8372) 
Área geogr.: Amazónia, Guiana. Columbia. 

Ocotea aff. Boissieriana ^lez Laurac. Americ. p. 353 [Oreo- 
daphne Boissieriana Meissn]. 

Óbidos, capueira. l3 I 04 (4888), 10 V 05 (7224); 
Oriximiná, matta, 29 XII 06 (7901). 23 XI 07 (8866); 
Rio Alapuera, Taboleirinho, matta. 12 XII 07 (9l3l). 
Reuno sob este nome um certo numero de exemplares 



Materiaes para a Flora amazonica 362 



que ao primeiro golpe de vista parecem differir bas- 
tante uns dos outros, mas que distinguem-se todos 
por alguns caracteres salientes, como pubescencia 
bastante densa e resistente, de cor parda escura, nos 
galhos^ nas nervuras da face superior e em toda a 
face inferior das folhas, inflorescencias curtas e bas- 
tante densas, e principalmente folhas arredondadas 
ou distinctamente cordiformes na base. No mais, o ta- 
manho e a forma das folhas variam extraordinaria- 
mente, sendo até os caracteres floraes bastante variáveis 
no mesmo exemplar. Em geral porém as formas 
que temos sob a vista parecem gravitar ao redor da 
espécie O. Boissieriana que é conhecida das visinhan- 
ças de Manáos, e que, como a nossa espécie, é des- 
cripta como uma arvore pequena (vara) de galhos 
compridos e fracos, quasi volúveis. Entretanto é de 
observar que sob este ponto de vista os exemplares 
coUeccionados nas capueiras de Óbidos differem um 
pouco, tendo galhos mais fortes e rijos, junto com 
folhas mais largas e mais grossas, o que pode ser 
devido a exposição mais aberta. O que me induz de 
pensar que talvez não se trate da própria O. Boissi- 
eriana, mas de uma espécie apparentada, é o facto 
que nos nossos espécimens os filamentos dos 6 esta- 
mes exteriores são guarnecidos de pellos, emquanto 
que na O. Boissieriana elles seriam glabros. 

Ocotea laxiflora Mez [Mespilodaphne laxiflora Meissn., Oreoda- 
phne paraensis Meissn.]. 

Lago de Faro, igapó, IQ VIII 07 (838Ó); Orixi- 
miná, matta, 23 XI 07 (88Ó9); Rio Cuminá, beira da 
várzea do castanhal do Lago da Castanha 25 XI 07 
(8897); Rio Mapuera, abaixo da Égua, beira, 11 XII 

07 (9086). 

Área geogr. : Pará — Rio Negro, Bolivia, Venezuela 
(Maracaibo). 

Ocotea caudata Mez 

Óbidos, várzea, 8 VIII 02 (2920). 
Área geogr.: Guianas, 



363 Materiaes para a Flora amazonica 



Nectandra amaioiíiiDi Nees «Louro da várzea» 

Monte Alegre, várzea, 1 I 1907 leg. O. Martins 
(8161); Rio Maecurú, 3o VII 1908 leg. E. Snethlage 
(9534): Óbidos, beira do Amazonas, 11 VII 05 (7211). 
Área geogr. : Amazónia — Columbia. 

Nectandra Pichurim Mez (Nectandra ciispidata Nees^. 

Rio Negro, Barcellos, beira do alagado, 9 VI 05 

(7085). 

Área geogr.: México- -Brazil austral. 

Cassytha americana Nees. «Herva de chumbo». 

Alto Ariramba, campina-rana. 20 XII Oó (8019); 
Faro, campina entre as Serras do Dedal e da Igaçaba, 
4 IX 07 (8Ó16). 
Área geogr.: Brás. centr. -México. 

Capparidaeeae 

Physostemon intermedium Moric. 

Oriximiná, praia do rio Trombetas, 29 XII 1906 
(7897); Monte Alegre, serra 1 I 1907 leg. O. Martins 
(8162). 

Área geogr.: Bahia até Columbia. Na Amazónia, esta 
espécie é conhecida do Pará, do Trombetas e de 
Teffé. 

Capparis cynophallophora L. 

Alemqucr, capueira, 2Ó XII 03 (4910); 3 I 04 
(4962). 
Área geogr.: America meridional trop., Antilhas. 

Capparis lineata Domb. 

Alemquer, capueira, 29 XII 03 (4937) e 1 I 04 

(4950); Óbidos, capueira 22, XI 07 (8858). 

Área geogr. : Segundo a Flora Brasiliensis esta espeeie é 

frequente nos arredores do Rio de Janeiro, tendo sido 

coUeccionado por Spruce perto de Óbidos. Temos 

também um exemplar dos arredores de Belém (25Ó8). 



Materiaes para a Flora amazonica 364 



Crataeva Benthamii Eichl. 

Alemquer, beira do campo alagado, l I 04 (4Q5l). 
Área geogr. : Manáos, Santarém. 

Cleoine latifolia Vahl 

Almeirim, praia, 12 IV 03 (3471); Faro, praia, 
15 VII 03 (3741); lago de Faro, praia de lama, 15 
VII 07 (8347). 

Área geogr. : Guiana, Pará. Temos esta planta também 
do rio Capim e do rio Xingu. Os exemplares de 
Almeirim mostram uma pubescencia glandulosa bas- 
tante forte. 

Cleome paludosa Willd. 

Alemquer, campo da várzea, 27 XII 03 (4923). 
Área geogr.: Pará (Siber) 

Podostemaceae 

Rhyncholacis macrocarpa Tui. 

Rio Trombetas, cachoeira Porteira, 29 XI 07 (891 7). 
Área geogr. : Guianas. 

Rosaceae 

Licania ( Eulicania) heteromorpha Benth. 

Faro^ enseada pantanosa do Lago, 26 VIII 07 
(8514); ilha alagadiça defronte da Serra do Dedal. 4 
IX 07 (8Ó10); Lago de Mamoriacá, paraná de Adauacá, 
beira da terra firme, 7 IX 07 (8Ó51); Rio Mapuera, 
abaixo da Cachoeira da Égua, matta da beira 11 XII 
07 (9087). 

Área geogr. : Rio Negro, Guianas. D'esta espécie bas- 
tante polymorpha temos também um exemplar fru- 
ctifero de Barcellos (Rio Negro) (n. 7111) e dois 
espécimens da região costeira, um do Lago do Amapá 
29 VI 04 (4829) e outro (fructifero) do rio Aramá 2 
III 1900 leg. Huber (l877). As inflorescencias são 
ás vezes completamente deformadas, assim no n. 9089 
ellas são em parte conglomeradas em cabeças gio- 



365 Materiaes para a Flora amazonica 



bosas, no n. 865 1 ellas são mais extensas que de 
costume e não tèm flores nas axillas das bracteas. 

Licaniii ( EiiJicania) leptosiachya Benth. 

Rio Mapuéra, Taboleiro grande, 2 XII 07 (QOOÓ): 
Rio Trombetas, Cachoeira Porteira, beira, 29 XI 07 
(8929). 
Área geogr. : Guianas, Minas Geraes. 

Licania (EiiJicania) aff. cymosa Fritsch 

Monte Alegre, campo, 16 VH 02 (2S70). 
Área geogr. : A L. cymosa fcji descripta de exemplares 
colleccionados na Bahia. Os nossos espécimens con- 
cordam com a descripção de Fritsch (.Vnnalen des 
k k. naturh. Hofmuseums Bd. IV Heft 1 ( 1889) p. 47 ) 
com respeito ás folhas coriaceas, largamente ellipticas, 
estipulas pequenas, pedúnculos elongados (3 mm) 
cymosos no ápice etc. mas as folhas são um pouco 
maiores, tendo ás vezes ó — 7 cm do comprimento e 
as flores tèm 3 mm de comprimento. 

Licania (Eníicauia) iiicaiia Aubl. 

Alemquer, capueira. 3l XII o3 (4945). 
Área geogr. : Guyanas, Rio de Janeiro. 

Licania (Eulicania) crassifolia Benth. Hook. Journ. of Bot. II 
(I840) p. 221. Alto Ariramba, campina-rana, 20 
XII oó (8024); Rio Mapuéra, acima do Taboleiro grande, 
2 XII 07 (8997). 
Área geogr.: Pará (Colares), Surinam. 

Licania (Eulicania) laurifolia Hub. n. sp. 

Frutex ramis gracilibus glabris fuscescentibus ri- 
moso-lenticellosis. Folia breviter petiolata mediocria, pe- 
tiolo 5 mm longo fusco longitudinaliter et demum trans- 
versaliter rimoso, stipulis subulatis glabris persistentibus 
petiolo acquilongis, lamina oblonga vel lanceolato-oblon- 
ga (10 — IÓX4— 6 cm) ápice longiuscule obtuseque acu- 
minata basi obtusa vel rarius subrotundata subcoriacea 
utrinque concolore olivacea supra nilida glaberrima. sub- 



Materiaes para a Flora amazonica 3ó6 



tus pilis minutissimis paucis adpersa opaca nervo mé- 
dio et secundariis utrinque 7—8 oblique adscendcntibus 
supra vix infra argute prominentibus. venarum retc infra 
prominulo. Inflorescentiae laterales et terminales sim- 
plices et longiuscule pedunculatae (cum pedúnculo ca. 
5 cm longo 8 cm attingentes ) vel ad médium ramis 
paucis (2 — 3) jvix 3 cm longis erectis vel patentibus 
vel deflexis instructae. fulvo-tomentellae, fasciculis fl(j- 
rum valde approximatis sessilibus bracteis subulatis ad 
2 mm longis persistentibus bracteí lis minoribus acute 
triangularibus. Flores sessiles calyce sicco turbinato- 
campanulato sulcato ad 3 mm longo et lato extus cin- 
namomeo-tomentello intus dcnse piloso haud araneoso, 
lobis late tiiangulari-ovatis staminibus 3 — 5 sparsis bre- 
vibus. ovário hispido-tomentoso stylo glabriusculo. F^ru- 
ctus (haud plane maturus) ovoideo-cylindricus (3—3.5 
Xl cm) costatus, ápice attenuato paulo curvatus to- 
mentellus. 

Species L. politae Spr. (Líaupés) et L. micranthae 
Miq. (Amazónia, Guiana) affinis, differt foliis glabris 
concoloribus oblongo-lanceolatis, inflorescentiis minoribus. 
Hab. in silvis ad fl. Cuminá-mirim ad locum «Pedras» 
dictum, 14 XII oó leg. A. Ducke (7958, specimen 
floriferum) et ad fl. Mapuera supra cataractas «do 
Caraná» dietas, 6 XII 07 leg. A. Ducke (9052, ex- 
emplar fructiferum). 
No exemplar fructifero as folhas e as inflorescencias 
ainda são maiores do que no espécimen florifero. 

Licania (Eulicania) parviflora Benth. 

Faro, beira do Lago, 17 XII 07 (Ó932). 
Área geogr.: Amazónia, Guiana. 

Licania (Eulicania) parviflora Benth. var. paUida Hook. f. 
Óbidos, matta, 3o VII 02 (2898). 
Área geogr.: Amazónia (Solimões). 

Licania (Moquiha) apcíala (E. Meyer) Fritsch in Ann. k. k. 
naturh. Hofmuseums, Wien, Bd. IV, 1889 p. 54- =^ ^^ío- 
quilea floribiinda Hook. f. in Fl. Brás. 



367 Materiaes para a Flora amazonica 



Faro, praia do lago, 15 XII 04 (6905). 
Área geogr. : Manáos, Guiana ingleza e hollandeza. 

Licania (Moqiiilea) pendida Benth. 

Faro, praia do lago, 15 XII 04 (6904). 
Área geogr. : Uaupés, Guiana ingleza. 

Licania (Moquiíea) parvifolia Hub. n. sp. 

Frutex jamulis nigris adpresse pilosis demum gla- 
brescentibus. Stipulae subulatae ténues 4 mm longae 
deciduae. Folia breviter petiolata, petiolo circiter 3 mm 
longo glabro nigrescente ruguloso, lamina lanceolato- 
oblonga pro genere minore (3 — óXl — ~ cm), basi obtusa 
ápice obtusa vel breviter obtuseque protracta subcoriacea 
supra glabra nitidula pallide viridi, subtus lana araneosa 
tenuissima induta demum glabra pallide griseo-viridi, 
utrinque reticulata. Paniculae terminales axillaresque 
graciles puberulae vel plus minus tomentellae. Flores 
saepissime singuli breviter pedicellati, } mm et ultra 
longi estus albido-iomentdli, calycis tubo brevi campa- 
nulato, lobis ovatis, staminibus 10 calycis lobis triplo 
longioribus, ovário oblongo parce adpresse piloso stylo 
stamina aequante usque ad médium patenter piloso. Fru- 
ctus valde juvenilis anguste cylindricus subglaber. 

Species L. apetalae et L. pendiilae affinis (inprimis 
fructu angusto, foliis subtus tenuiter araneosis), differt 
foliis minoribus utrinque reticulatis, floribus vulgo sin- 
gulis satis maioribus. 

Hab. ad fl. Mapuera infra Taboleiro grande, 1 XII 07 
leg. Ducke (8179). 

Apezar dos seus caracteres bem pronunciados, esta 
espécie deixa ver um parentesco estreito com as duas 
precedentes. 

Licania (Moquiíea) Spnicei (Hook. f . ) Fritsch 

Rio Mapuera, Escola, beira, 2 XII 07 (9001 ). 
Área geogr. : Manáos. No habito, esta espécie tem 
alguma semelhança com a L. niyrislicoides Benth. 
da região costeira (2617), mas cila se distingue fa- 
cilmente pelas llôres pedunculadas. 



Materiaes para a Flora amazonica 3ó8 



Licania (Moquiha) schrophylla INIart. var. scahra Hook. (8o37). 
Região do Alto Ariramba; arvore pequena da 

campina-rana. 

Área geogr. : O typo existe no Brazil central, a variedade 
no Pará (Santarém. Ifg. Spruce). A outra variedade 
myristicoides Benth. foi também achada por Spruce 
perto de Santarém ; ella cresce também no valle do 
rio Guamá, de onde recebemos um exemplar, culti- 
vado no nosso Horto botânico ( Heib. amaz. n. 2Ó17). 
N'esta variedade porém as inflorescencias têm galhos 
mais numerosos e mais curtos que na var. scabra, 
cuja inflorescencia tem poucos galhos elongados e 
approximados da base. Infelizmente os nossos espé- 
cimens da variedade scabra têm só fructos, de maneira 
que elles não são directamente comparáveis com os 
exemplares fluridos da variedade myristicoides que se 
acham no nosso herbario, entretanto me parece pro- 
vável que seja mais tarde necessário restabelecer a 
L. scabra e a. L. myrisiicoides de Bentham como espé- 
cies distinctas ao lado da L. schrophylla Mart. 

Licania (Moquilea) utilis (Hook. f. ) Fritsch 

Óbidos, capueira, 22 VII 03 (SÓQO). 
Área geogr.: Guiana franceza — S. Paulo. 

i^ Licania (Moquilea) Hookeri Fritsch (Moquilea pai lida Hook. f.) 
var. obtusa Hub. n. var. foliis ápice brevissime obtuseque 
protractis. 

Faro, matta. 17 VIII 07 (8371). 
Área geogr. : Cassiquiare. Os nossos espécimens têm folhas 
obovaes quasi não acuminadas, mas nós temos das 
capueiras de Santo António do Içá (7Ó23) outros 
espécimens com folhas longamente acuminadas. que 
correspondem melhor á descripção da espécie. N'estes 
últimos exemplares as flores são quasi todas sesseis 
emquanto que nos exemplares de Faro ellas são 
geralmente distinctamente pedunculadas. 

Licania parinarioídes Hub. n. sp. 

Arbor mediocris, ramulis rufo-pilosis demum gla- 



369 Materiaes para a Flora amazonica 



brescentibus. Folia ampla breviter petiolata. petiolo 
10 — 15 mm longo piloso supra aplanato ferrugineo- 
tomentello sub ápice distincte biglanduloso. lamina elliptica 
( 12 — 20X7 — 10 cm) basi apiceque rotundala vel brevis- 
sime acutata subcoriacea supra glabrescente nitida subtus 
cinereo-tomentella. nervis II utrinque 15 — 20 supra canali- 
culato-prominulis subtus valde prominentibus puberulis 
et pilis longis sparsis obsitis venulis supra subimmersis 
subtus eleganter prominentibus. Inflorescentia paniculata 
ampla folia superans ramis paucis divaricatis strictis 
ochroleuco-tomentosis vel subsericeis. floribiis sparsis sub- 
sessilibiis pro genere magnis, calyce in fructo immaturo 6 
mm longo extus ochroleuco-strigoso intus sub insertione 
staminum albo-hispidis lobis 3 mm longis angusto trian- 
gularibus acutis, petalis ( 5 ? ) spathulatis sepalis paulo 
brevioribus. Stamina ca. 20 per phalanges disposita 
elongata calycem vix superantia antheris minutis. Ova- 
rium paulo excentricum uniloculare. Stylus basi villo- 
sus. Fructus valde juvenilis unilocularis. Species florum 
conformatione ad Pariíiariuni tcndcns sed inflorescentiae 
structura et ovário manifeste uniloculari ad Licaniam 
pertinens cujus subgenus novum Pariíiariopsis sisterc 
debet. 

Hab. ad fl. Mapuera ( supra cataractas Patauá dietas 
3o XI 07 leg, A. Ducke (8961). Infelizmente as flores 
d'esta espécie interessante já estão passadas, mas os 
seus restos bem conservados na base dos fructos 
ainda novos permittem de obter-se uma boa idea de 
sua estructura. 

V HirteUa myrmccophila Pilg. var tetrandra Hub. n. var. differt 
a typo foliis ad 20 cm longis. calyce extus sub setis 
puberulo. staminibus 4. An species distincta t 

Matta de Ajuruá a W. de Faro. 3l VIII 09 (8557)- 
Esta forma approxima-se um pouco da H. Giiamiae 
(Spruce) Hook. f. do alto rio Negro, mas os cara- 
cteres da inflorescentia (comprimento, bracteas etc) 
são da H. iiiyniiecopbila. 



Materiaes para a Flora amazonica 370 



HirleUa Spnicei Benth. 

Faro, matta, 17 VIII 07 (8374). 
Área geogr.: Bahia, Alto Rio Negro. 

Hirtella americana Aubl. 

Almeirim, capueira^ 11 IV 03 (346o): Rio Xegro, 
Barcellos. matta, 3o VI 05 (7205); Faro. capucira. 27 
VIII 07 (8531). 
Área geogr. : Brazil trop. — Amer. centr. 

Hirtella americana Aubl. var. cV foliis anguste lanceoiatis ra- 
mulis racemisque patenter hispido-pilosis. 
Oriximiná. matta, 8 XII 06 (7876). 
Área geogr.: Ceará, Teiíé, Guiana, Ind. oco. 

Hiriella oblongifolia DC. 

Faro, matta, 17 VIII e 12 IX 07 (8373 e 8715); 
Rio Trombetas, cachoeira Porteira, beira, 29 XI 07 
(8948). Rio Mapuera, Escola, beiía, 2 XII 07 (9008): 
Rio Mapuera, Maloquinha, matta da beira 8 XII 07 
(9070). 

Hirtella aff. glandiilosa Spreng. 

Campos a E. de Faro, 23 VIII 07 (S490). 
Área geogr. : Brazil central e oriental — Guiana ingleza. 
Os nossos exemplares distinguem-se da dcscripção 
pelas folhas glabras por baixo e pelo numero dos 
estames que é de 6 ou 7, e não de 5. 

Hirtella ciliata ]\Iart. et Zucc. 

Almeirim, capueira, ló XII 02 (3061); campos 
de Ariramba 23 XII 06 (8088). 
Área geogr. : Bahia — Guiana ingleza. 

Hirtella eriandra Benth. 

Óbidos, capueira. 8 I 04 (4881): Oriximiná. ca- 
pueira, 8 XII 06 (7890); Rio Negro, Barcellos. beira 
d'um igarapé 19 VI 05 (7l8l). 

Área geogr.: Baixo Amazonas: Acará (Spruce): Capim 
(Huber); Macapá (Ducke): Guiana ingleza ( Schom- 
burgk). 



371 Materiaes para a Flora amazonica 



Hirtcllã bicornis Mart. et Zucc. 

Óbidos, beira do rio, 5 VIII 02 (2907); Lago de 
Faro, praia 14 VII o3 (8729): Faro, beira do Lago, 
15 XII 04 (6go2); Região do alto Ariramba, campina- 
rana, 21 XII 06 (8084). 
Arca geog. : Santarém, Manáos. 

Coiicpia raceinosa Benth. var. rcliciilata Pilg. 

Campos a E. de Faro, 27 VIII 07 (858Ó b); Cam- 
pina, entre as Serras do Dedal e da Igaçaba, 4 IX 07 
(8Ó01); Rio Mapuera, campina-rana ao NE. do Tabo- 
leirinho, 12 XII 07 (9125). 
Área geogr.: Rio Negro (Manáos). 

Couepia Duckei Hub. n. sp. 

Ramuli glabri nigrescentes. Folia pro genere mi- 
nora (5 — 7X--5 — 3,5 cm) breviter petiolata, petiolo 8 
— 5 mm longo glaberrÍDio ruguloso supra anguste pro- 
fundeque canaliculato, lainina cííiptica, basi rotundala 
vel levitcr cordata ápice breviter acwiiinatã, coriacea mar- 
gine revoluta glaberrima valde discolorc supra nitidula fus- 
cescente subtus dealbata nervis primário secundariisque 
(ca. 10 utrinque) subtus prominulis rubescentibus, ve- 
iiariiiii rete inconspicuo. Inflorescentiae terminales paucae 
axillares breves folia vix siibaequantes nutantes, sub- 
racemosae (ramulis vulgo trifloris) puberulae, bradeis 
caducissimis. Flores ca. l cm longi, calycis tubo elon- 
gato-obconico in pedicellum 2 — 3 mm longum attenua- 
lo, lobis ovatis ápice rotundatis utrinque puberulis pe- 
talis obovato-rotundatis calycis lobis paulo longioribus 
margine villosulis, staminibus numerosis (1 cm longis) 
glabris, ovário hispido, stylo basi villoso. 

Species C. Ulei Pilg. (Juruá sup.) habitu foliorum- 
que forma valde similis, differt inprimis inflorescentiis 
brevioribus haud tomentosis. A C. myrtifolia Benth. 
(Pará, Rio Negro, Guiana gall. ), cui inflorescentia si- 
milis, differt foliis latioribus basi subcordatis breviter 
acuminatis valde discoloribus. 



Materiaes para a Flora amazonica 372 



Hab. in campis ad orientem oppidi Faro, 2? VIII 07 
leg. A. Ducke (8536). 

Conepia eriantha (Spruce mss.) Hook. f. 

Beira do Rio Cuminá. acima do Salgado. 10 XII 

06 (7919); Lago Salgado, beira do castanhal, 24 XI 

07 (8879). 

Área geogr. : Santarém, Rio Negro. 

Couepia paraensis Benth. «Tucuribá». 

Alemquer, várzea. 27 XII o3 (4924); Lago de 
Faro, enseada. 20 VIII 07 (8409): Rio Trombetas, ca- 
choeira Porteira, beira. 29 XI 07 (8928). 
Área geogr.: Pará, Rio Negro, Venezuela. 

Couepia pauciflora Hub. n. sp. 

Rami fusci, ramuli graciles sparse adpresse hir- 
suti stipulis subpersistentibus subulatis 4 mm longis. 
Folia brevissime petiolata, petiolo crassiusculo 3 mm 
longo, adpresse piloso lamina elliptica vel obovata (8 — 
14X4 — 7 cm) basi acutiuscula vel rotundata ápice 
acuminata membranacea supra glaberrima nitidula le- 
viter buliata, subtus opaca ad nervum primarium et 
secundários argute prominentes adpresse pilosa, venis 
saltejn maioribus transversis valde prominentibus. In- 
florescentiae terminales vel axillares brevissimae in spe- 
ciminibus 2 — 4-florae fulvo-tomentosae. Flores subsessiles 
elongati, tubo calycino 2 cm longo 2,5 mm crasso 
flexuoso, lobis ovato-lanceolatis (7X2 — 3 mm) acumi- 
minatis sicut tubus extus fulvo-tomentosis, petalis?; 
staminibus numerosis longissimis aurantiacis, ovário 
styloque ima basi villosis. 

Species inflorescentiis brevissimis paucifloris^ flo- 
. ribus subsessilibus valde elongatis insignis. 
Hab. ad rivulum silvestrem Igarapé do Dedal prope 
Faro, 4 IX 07 leg. A. Ducke (8ó3o). 

Connaraceae. 

Rourea ligiilala Baker 

Rio Trombetas, Cachoeira Porteira, beira. 29 XI 
07 (8919). 



373 Materiaes para a Flora amazonica 



Área geogr.: Minas gcraes, Pará. J. G. Baker na Flora 
Brasiliensis indica esta espécie para os arredores do 
Pará (in silvi'-). onde eu encontrei até aqui só a R. 
olabra H. B. K.. 

Rourca Dtickei Hub. n. sp. 

Folia modice (4 — 5 cm) petiolata, vulgo quinque- 
rarius trifoliolata. foliolis oppositis, paribus 3—5 cm 
distantibus. foliolo terminali magis approximato. Foliola 
breviter (õ mm) petiolulata ovata vel elliptica (7 — 15 
X4 — 7 cm) basi rotundata ápice abrupte vel sensim lon- 
giuscule (l — 2 cm) cuspidata subcoriacea utrinque gla- 
berrima concolora lucidula supra prominule infra argu- 
to-prominente-reticulata. Inílorescentiae ad apiccm 
fulvo-tomentellam ramulorum foliatorum inaxillisbractea- 
rum stipitiformium ciiciter 4 mm longarum congestae 
sessiles 8 cm longae graciles piibcnilae. ramulis laxe 
dispositis subcymosis. Calycis extus puberuli lobi ovato- 
oblongi imbricati tubum multo superantibus (2,5 mm 
longis) ápice obtuso ochroleuco-villosulis, petalis vix 
duplo longioribus obovato-lanceolatis, staminibus inter se 
subaequalibus. Calycis fructiferi lobis patentibus haud 
imbricalis. Capsula 15 mm longa a dorso depressa le- 
viter curvata sub ápice stylo apiculata. 

Species lobis calycinis oblongis. fructiferis haud 
imbricatis R. lignlalain in mentem vocat, at foliolis vul- 
go 5-foliolatis inílorescentiis terminalibus pubcrulis diver- 
sum. 
Hab. ad fl. Mapuera, 3o XI 07 (802, exemplar flori- 

ferum) et 11 XII 07 (9097, exemplar fructiferum) 

legit A. Ducke. 

Rourea amazonica Ilub, n. sp. 

Folia modice (circ. 4 cm) petiolata vulgo trifolia- 
ta, rarius 5-foliolata paribus foliolorum haud exacle 
oppositorum 4 cm distantibus, foliolo terminali magis 
approximato, foliolis lateralibus brevissime petiolulatis 
late ovatis vel late ellipticis (8—14X4—8 cm) basi 
exacte rotundatis ápice abrupte cuspidatis, cúspide 1,5 



Materiaes para a Flora amazonica 374 



cm longo ápice obtuso, lamina firme membranacea 
utrinque lucidula n^rvis venisque supra immersis infra 
prominulis, venis laxiusculis. Inflorescenliae multiílorae 
glabrae pedicellis ca. 5 mm longis, calycis fructiferi lo- 
bis tubo paulo longioribus ovato-lanceolatis obtusiusculis 
striatis valde imbricatis fructu arcte adpressis. Fructus 
haud plane maturi parvi obovoidei levitcr arcuati ca- 
lyce vix duplo longiores. 

Species R. cuspidatae Benth. (Rio Negro) habitu 
et inflorescentiae conformatione certe proxime aiíinis; 
differt autem foliis jinterdum 5-foliolatis, foliolis latio- 
ribus basi exacte rotundatis sepalis fructu arcte adpres- 
sis. A Rourea ^lahra H. B. K. differt foliolis latioribus 
magis cuspidatis membranaceis inflorescentia magis ex- 
pansa pedicellis longioribus. 

Hab. in silvis ripariis, Paraná de Adauacá, apud oppi- 
dum Faro, 7 IX 07 leg. A. Ducke (8059). 

Coiinarus ftciindus Bak. 

Óbidos, capueira, 20 XII o3 (4853. floriferum); 
Faro, praia do lago, 15 XII 04 (6gi2. fructiferum). 
Área geogr. : Rio Negro. Pela forma dos carpellos que 
são quasi sempre sesseis e não estipitados, esta es- 
pécie deveria antes ser collocada no género Rourea. 

1/ Connarus negrensis Hub. n. sp. 

Folia ampla longiuscule (10 cm) petiolata norma- 
liter 3-foliolata vel saepins 2-foliolaía foliolis 2 ter- 
minalibus subaequalibiis, vel mio ad petiolum gracihm 
lateralem reducto iinifoliolata, petiolulis brevibus (5 — 7 
mm) valde transverse rugulosis. lamina (20X7 — 8 cm) 
obovato-lanceolata basi in peiioliuíi contracta ápice longi- 
uscule obtuseque cuspidata, membranacea utrinque 
concolore supra nitidula subtus opaca punctata nervis 
secundariis supra impressis subtus argute prominentibus, 
venarum rete laxo leviter prominulo. Inflorescentiae bre- 
ves a basi ramosae pedicellis fructiferis circiter 4 mm 
longis ápice articulatis. Calycis lobi ligai ali acntiiisciili 
} mm longi haud imbricati demum reflexo-paientcs tubum 



375 Materiaes para a Flora amazonica 



triplo excedentes. Capsula 5 — 7 mm longe stipitata cum 
stipite 2.5 cm longa 1,5 cm lata coriacea parallele 
venoso-striata stylo 2.5 mm longo oblique rostrata. Sémen 
compresse cylindricum 10 mm longum 7 mm latum ni- 
tidum arillo unilaterali quasi ad médium altitudinem 
seminis adscendente. 

Species habitu peculiaris, Connaro rubro affinis 
videtur, sed ab eo foliis saepe unifoliolatis vel bifolio- 
latis foliolisque maioribus basi acutis submembranaceis 
facile distinguitur. 

Hab. in silvis apud Barcellos ad fl. Rio Negro, 1 VII 
05 leg. A. Ducke (7208). 

Connarus ruher Planch. 

Monte Alegre, paraná, lago do Jacaré, Q VIII 08 
leg. E. Snethlage (9546). 
Área geogr. : Amazónia (Teffé, Rio Negro). 

Connarus erianíhus Benth. 

Monte Alegre, campos, l6 VII 02 (2867); serra, 
1 I 07 leg. Oscar Martins (8151); serra, 21 VII 08 
leg. E. Snethlage (9501 ): Faro, região dos campos a E, 
matta perto do campo 11 IX 97 (8071). 

Leguminosae Mimosoideae. 

Ingá heterophylla Willd. 

Almeirim, capueira, 5 V 03 (8488). 
Área geogr. : Amazónia — Columbia e índia occidental. 

Ingá Duckei Hub. n. sp. (§ Diadema). 

Ramuli striati ferrugineo-puberuli demum glabres- 
centes lenticellis albis minutis inspersi. Stipulae ad apicem 
ramulorum comosae, anguste ovato-lanceolatae J min longae 
subpersistentes. Folia 4 — 5-pinnata petiolo rhachique tere- 
tibus gracilibus ferrugineo-puberulis, glandulis inter 
paria foliorum elevato-patellaribus, seta terminali 6 mm 
longa. Foliola brevissime petiolata vel subsessilia ovato- 
lanceolata (ó — loX^ — 3 cmj basi inaequaliter rotundata 



Materiaes para a Flora amazonica 376 



vel suhcordata ápice sensim aciile vel acutissime acumi- 

naia, membranacea ad costam supra et ad apicem 

minute puberula, venis parum conspicuis. Capitula sin- 

gula vel bina axillaria dense subglobosa (diâmetro cum 

staminibus 2 cm), pedúnculo filiformi ferrugineo-sub- 

tomentello 2 — 3 cm longo, bracteis minutis. Flores siib- 

sessihs sub^labri, calyce 2 mm longo, coroUa 6 mm 

longa, staminum tubo vix exserto. 

Species stipulis subpersistentibus foliolis 4 — 5-jugis 

membranaceis basi inaequaliter rotundalis insignis. capi- 

tulis densifloris 1. cinnainomeae Spruce (Manáos) affinis 

videtur. 

Hab. ad ripam fluminis Jauar}', affiuentis septentriona- 

lis fluminis Amazonum inferioris, 17 V 02 leg. A. 

Ducke (3572). 
"V 

Ingá nobilis Willd. 

Rio Mapuera. abaixo do Taboleirinho, beira, l3 

XII 07 (9i36). 

Área geogr. : Brazil septentrional — Columbia. 

Liga alba Willd. « Ingá chichi ». 

Faro, matta, íç VIII 07 (8397). 
Área geogr. ; Pará — Rio Negro, Cayenna. 

Ingá setifera DC. . 

Rio Negro, Barcellos, capueira (ílôr toda bem 
amarella!), 27 VI 05 (7210). 
Área geogr.: Rio Negro (Barcellos). 

Ingá disticha Benth. 

Rio Maecurú, arvore da beira, 3l VII 08, leg. E. 

Snethlage (9541)- 

Área geogr.: Esta espécie até ha pouco só era conhe- 
cida da Guiana ingleza. Achei-a em l897 na beira 
do alto rio Capim, onde ella é muito frequente e 
conhecida sob o nome de «Ingarana». A localidade 
do rio Maecurú é pois intermediaria entre as duas 
áreas conhecidas até aqui. 



377 Materiaes para a Flora amazonica 



Enierolobiiini ScboiítbiirgJdi Benth. 

Óbidos, matta, 22 XII 07 (9l88) (exemplar fru- 
ctiferum ). 
Área geogr. : Rio Negro, Cayenne — Amer. centr. 

Pithecolobium campestre Spruce 

Faro, Serra do Dedal, matta, 3 IX 07 (8593). 
Área geogr. : Esta espécie até agora só era conhecida 
de Santarém (Spruce). Os nossos espécimens tém os 
foliolos um pouco maiores do que o typo, attingindo 
alguns até lO cm de comprimento. Os fructos são muito 
menos curvados que os do P. cocbleaUun Mart. (Bahia). 



Pithecolobium Diickei Hub. n. 



sp. 



Frutex elatus (Ducke) ramis cortice cinereo ob- 
tectis, ramulis gracilibus ferrugineis verruculosis minu- 
te puberulis. Folia breviter petiolata ampla, pinnis 1 — 
2-jugis, foliolis ó— 9-jugis. Petiolus 1, rarius 2 cm lon- 
gus infra jugum glândula magna patellari instructus. 
Rhachis puberula, pinnarum lutescens inter foliola su- 
periora glandulis instructa. stipellis supra basin pinna- 
rum minutis aculeiformibus... Foliola subsessilia ter- 
minalia ad 6 cm longa fere dimidiato-rhombea obtusa, 
inferiora gradatim minora rhombea vel margine pos- 
teriore angulo recto e rhachi abeunte fere rectangula- 
ria ápice subrotundata, nervo primário diagonali nervis 
secundariis venisque supra leviter prominulis subtus dis- 
tincte reticulato-prominentibus, pagina subcoriacea utrin- 
que lacte viridi. 

Capitula ad axillam folii abortivi lateralia vel cum 
folio vegetativo pseudoterminalia vulgo bina, 3,5 cm 
longe pedunculata, bracteis exterioribus ad 2 mm lon- 
gis ovatis. Flores sessiles extus adpresse-puberuli, ca- 
lyce 4 mm longo 5-dentato, corolla 12 mm longa gra- 
cili 5-loba, staminum tubo breviter exserto. Legumen 
haud visum. 

Species foliorum forma P. irape^ifolio Benth. (Ama- 
zónia — Columbia) proxime accedit, pinnis solum 1 — 
2-jugis foliolis multo maioribus, floribus elongatis differt. 



Materiaes para a Flora amazonica 378 



" Hab. Lago de Faro, ad ripam, 15 VIII 07 leg. A. Ducke 
(8333). 

Piíhecolobium auriculatum Benth. 

Região dos campos a E. de Faro, facha de matta, 
23 VIII 07 (8484). 

Área geogr. : Amazónia central (Borba, Manáos). As 
válvulas seccas do legume (que até aqui não era co- 
nhecido n'esta espécie) são entortilhadas ate 4 vezes, 
mostrando a forma característica dos fructos da 
secção Abaremotemon. 

Pithecolobium paniirense Spruce 

Lago de Faro, beira, 22 VIII 07 (8475); Rio Ne- 
gro, Barcellos, igapó, 2 VII 05 (7191). 
Área geogr. : Até aqui, esta espécie era só conhecida 

do Rio Uaupés. 
■ O legume, até aqui desconhecido, corresponde bem a 
secção Samanea serie Sub articulai a. 

Piihecolobium corymbosum Benth. 

Rio de Faro, abaixo da fazenda Paraizo, beira 
. da várzea, 8 IX 03 (86Ó7). 
Área geogr. : Amazónia, Guiana. Uma das arvores 
mais communs das beiras dos rios amazonicos. Temos 
a mesma espécie do Amapá (4832 leg. Ducke). 
do rio Capim (764 leg. J. Huber) e do Purús 
(3931 leg. A. Goeldi). 

Pithecolobium multiflorum Benth, 

Lago de Faro, várzea acima da Serra do Dedal, 
3 IX 07 (8598); Monte Alegre, campos alagados, 5 
VII 99 leg. Huber (1618). 
Área geogr. : America tropical. 

Pithecolobium adiantifoliuni Benth. 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio, l3 VI 05 
(7117). 
Área geogr. : Venezuela, Guiana, Amazónia. 



3/9 Materiaes para a Flora amazonica 



PithecoJohinm gloiiicraliun Benth., forma foliolis 1 V2 jugis, 
ad 14 cm longis et 5 cm latis basi extus rotun- 
datis coriaceis reticulatis. 

Rio Negro, Barcellos. beira dum igarapé, 11 VII 
05 (7136). 

Área geogr. : Amazónia — Columbia. Pelos foliolos gran- 
des e coriaceos esta forma afasta-se bastante da forma 
representada ria região costeira (471. 2085). 

Pithecolohiuni caidijlorinn Mart. 

Monte Alegre, 25 VII 08 leg. A. Snethlage (9560, 
forma typica foliolis brevibus). 
Área geogr. : Bahia — Amazónia. 

Pitbecolohiiini caulifloruni Mart. var. ? 

Lago de Faro. praia. 15 VIII 07 (8342. florife- 
rum); rio Mapuera, Escola, beira. 2 XII 07, fructiferum). 
Ambos os nossos exemplares distinguem-se do lypo 
pelos foliolos muito mais compridos (até 16 cm no 
n. 9017). O n. 8342 tem alem disto os peciolos, os 
foliolos por baixo, os pedúnculos e até os fructos 
novos cobertos d'uma pubescencia curta e ruiva 
(P. lasiopus Benth.?), emquanto que o n. 9017 carece 
d'esta pubescencia e tem ao mesmo tempo os foliolos 
menos numerosos e mais estreitos. Os legumes d'estes 
espécimens tèm 12 mm de largura. 

Piihecolobinni inacquale Benth. 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio (fl. cor de 
rosa), 11 VI 05 (7110). 
Área geogr. : Rio Negro, Guiana, Venezuela. 

Pithecolohiuni ampíuni Spruce 

Rio Trombetas, cachoeira Porteira, matta, 29 XI 

07 (8949). 

Área geogr. : Até aqui só encontrado no igapó perto 
de Manáos. 

Caííiandra Irinervia Benth. var. parvifolia Hub. n. var. 
foliolis terminalibus 5—7 cm longis. 



Materiaes para a Flora amazonica 38o 



Rio Mapuera, acima do Castanhal, arbusto da ca- 
pueira, 7 XII 07 (9064). 

Área geogr. do typo : Rio Negro, Rio Madeira, Mar- 
mellos (Ule 6087!). 

Calliandra aff. ter gemina (L.) Benth. in Hook. Lond. Journ. 
III p 96 (8055). 
Região do alto Ariramba. Arbusto na beira do rio Ja- 
ramacarú (flor cor de rosa). 

Área geogr. : Antilhas, Venezuela, Guianas: até aqui 
não conhecido no Brazil. 

Calliandra tenuiflora Benth. 

Rio Cuminá-mirim. logar « Pedras » , arvore pe- 
quena da capueira, 14 XII Oó (79Ó2). 
Área gecgr. : Esta espécie que se distingue da C. su- 
rinamensis Benth. (Brazil sept., Guianas), que é com- 
mum nas visinhanças de Belém, pelos seus foliolos 
maiores e menos numerosos e pelo tubo staminal 
muito comprido (ca. 2 cm), foi até aqui só achada 
no rio Tapajoz, perto de Santarém (Spruce). 

^ Acácia alemquerensts Hub. n. sp. 

Frutex scandens (?) ramulis glabris nigrescentibus 
striatis parcissime breviterque aculeatis. Folii pinnae 
4-jugae, rhachi pilis minutissimis inspersa, foliolis ó — lO 
jugis lineari-oblongis (10 — 15X3 — 6 mm) leviter falcatis 
satis inaequilateris, basi postice aliquid protractis ápice 
rotundatis glabris. Spicae valde elongatae (in specimine 
umico ad 20 cm longae pedúnculo 3 cm longo) plures 
in racemum brevem dispositae, rhachi floribusque pilis 
minutissimis conspersis vel glabratis. Flores laxiusculi 
sessiles sine staminibus 5 mm longi. Calyx tubuloso- 
campanulatus coroUae médium aequans breviter 5-den- 
tatus, corolla densius puberula lobis brevibus triangulari- 
ovatis, staminibus corolla duplo longioribus. 

Ab Acácia piauhiensi Benth. (Piauhy) proxime 
affini differt pubescentia minutíssima spicis longioribus 
maioribus. 
Hab. in silvis capueiras prope Alemquer. 



38 1 Materiaes para a Flora amazonica 



Mimosa Duckei Hub. n. 5;p. (Glandulifcrae) «Juquiry bravo». 

Frutex scandens ramulis peti(jlisque obscure fur- 
furaceo-puberulis. Ramuli aculeis minimis recurvis ar- 
mati nigrescentes. Folia breviter (1.5 — 2,5 cm) petiolata. 
petiolo prope basin glândula pulvinata instructo. Pinnae 
bijugae, foliolis unijugis ovatis (4-6.5X2,5 — 3 cm) 
basi rotundatis valde inaequilateris trinerviis, ápice obtusis 
vel rotundatis supra nigricantibus nitidulis subtus opaco- 
fuscis densc punctatis nervis basin versus minute barbatis 
Capitula parva in paniculam amplissimum fusco-furfu- 
raceam graciliter ramosam congesta. Diameter capitu- 
lorum ad anthesin 3 mm metiens. Bracteae minimae 
pellucide marginatae. Flores sessiles calyce minutíssimo, 
coroUae vix quartum partem metiente. corolla ad calycis 
apiceni constricta superne late injiindihuliforini iisqiie ad 
mediuDi qnadrifida 1,5 mm longa. Stamina 8 corolla du- 
plo longiora; ovarium ubovoideum. stylus staminibus 
aequilongus. 

Species M. iiiicracaiithae Bcnth. (Amaz. centr. ) 
affinis, differt foliolis unijugis ovatis haud obovatis flo- 
ribus tetrameris late infundibuliformibus haud tubuloso- 
campanulatis. 

Hab. in silvis prope Almeirim. 9 IV 03 leg. A. Ducke 
(344Ó). 

Mimosa nifescens Benth. 

Rio Negro, Barcellos, capueira, 10 VI 05 (7158). 
Área geogr. : Pará, Rio Negro. Esta espécie parece ser 
bastante polymorpha. Nos nossos exemplares as 
pinnas são ^-jii^ae e os foliolos j ad 4-jiiga. A pu- 
■ bescencia ao longo da parte basal dos nervos é bas- 

tante pronunciada n'estes cxpecimens. 

Mimosa Spruceana Benth. 

Lago de Faro, capueira, 14 VII 03 (3725). 
Área geogr. : Esta espécie foi descoberta por Spruce 
nos arredores de Manáos. onde ella ainda ultima- 
mente também foi coUeccionada por Ule (50ÓO). O 
Herb.ario amazonico possue ainda um forma de foli- 



Materiaes para a Flora amazonica 382 



olos um pouco menores, colleccionada pela Dr.^ Sneth- 
lage na região das cachoeiras do Tapajós (8140). 

Mimosa paniciilata Benth. «Rabo de camaleão». 

Rio Mapuera. abaixo do Taboleirinho, arbusto da 

beira, l3 Xll O? (QlSç). 

Área geogr. : Esta espécie era até aqui só conhecida 
da Guiana ingleza (Schomburgk), mas Bentham já 
suppunha que eila se achasse também no Brasil se- 
ptentrional. Os nossos espécimens quadram perfeita- 
mente com a descripção de Bentham, com excepção 
dos foliolos que segundo este auctor seriam aciitius- 
culci emquanto que com relação aos nossos espéci- 
mens pode-se dizer: foliola ápice rotiindaia breviier- 
que aristnlaia. Entretanto esta differença talvez nem 
justifica a creação d'um variedade, como também 
não penso que deva-se attribuir muita importância 
ao facto que as pinnas não são / — y-jugae, mas ge- 
ralmente apenas 4-jugae. 

Piptadmia peregrina Benth. «Paricá». 

Monte Alegre, campo de Ereré, 24 VII 08 leg. 
E. Snethlage (9521). 
Área geogr. : Bi-asil — Columbia. 

Plaihymenia reiiculaia Benth. forma calycibus glabris ! 
Almeirim, campo, 8 XII 02 (3o3o). 
Área geogr.: Brasil central (Bahia, Goyaz, ]\Iinas, S. 
Paulo). O nosso espécimen não tem fructos, mas pelos 
outros caracteres elle concorda bem com a descri- 
pção da P. reticulaía. Os foliolos são um pouco me- 
nores, sendo ainda muito novos. A P. foliolosa Benth., 
da região das Hamadryades (Piauhy, Ceará, Bahi'3., 
Minas) distingue-se pelas folhas e inflorescencias gla- 
bras e pelos foliolos menores e mais numerosos. Am- 
bas as espécies chamam-se no Sul de «Yinhatico do 
campo ». 

Parida pendida Benth. ' 'c 

Óbidos, matta (arvore grande), 22 XII 07 (9187). 
Área geogr. : Baixo Amazonas, Belém. 



383 Materiaes para a Flora amazonica 



Parhia pectinaia Benth. (?) «Paricá». 

Óbidos, matta, 22 XII 07. arvore grande (QlSó). 
Área geogr.: Rio Negro (Uaupés). Como não temos flo- 
res d'esta espécie, a determinação carece de confir- 
mação. Temos dois fructos quasi maduros, dos quaes 
o menor tem 17 cm, o maior 2/ cm de comprimen- 
to, não contando o estipite de 1 cm mais ou menos 
de comprimento. Ambos são chatos e coriaceos e 
tém ca. 3 cm de largura. O menor é um pouco cur- 
vado e coberto d'uma pubescencia avelludada de côr 
parda. As sementes são oblongas (isX^ mm) acha- 
tadas e contidas n'um massa branca bastante dura. 

Leg"uminosae Caesalpinioideae. 

Dimorphandra aff. macrostachya Benth. 

Arbusto grande de folhas semelhantes ás das Par- 
kias, com racemo terminal geralmente único e muito 
comprido (20 cm), flores quasi sessis alaranjadas. Os 
íructos têm uma forma especial que melhor se pode 
comparar com o perfil dum sapato pontudo. 

Rio Mapuera, campina-rana a NE. do Taboleiri- 
nho, 12 XII 07 (9128). 

Área geogr. : A D. macrostachya cresce na Guiana in- 
gleza. 

Dimorphandra spec. 

Faro, campina entre as serras do Dedal e da Iga- 
çaba, 4 IX 07 (8611, fructiferum). 

Distingue-se da espécie precedente pelos foliolos um 
pouco maiores e pelo fructo mais curto e obtuso. 

Cynometra Hostmanniana Tui. 

Rio Trombetas, cachoeira Porteira, matta (arvore 
bastante grande) specimen fruct., 29 XI 07 (8950). 
Área geogr.: Esta espécie era até aqui só conhecida 
das Guianas. 

Cynometra parvifolia Tui. 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio, 17 VI 05 
(71Ó5 b, specimen fructif.). 



Materiaes para a Flora amazonica 384 



Área geogr. : Até aqui só encontrada na Guyana hollan- 
deza. 

Cynometra Spruceana Benth. 

Rio Espozende, matta da beira, 28 IV 03 (8549): 
Lago de Faro, praia, 20 VIII 07 (8412); Rio Mapuera, 
abaixo do Paraizo, 4 XII 07 (go42). 
Área geogr.: Amazónia, 

Cynometra longifolia Hub. n. sp. 

Rami virgati lenticelloso-tuberculati. Foliorum pe- 
tiolus 8 — 10 mm longus teres firmus. Foliola subsessi- 
lia rhomboideo-oblonga (10 — l3X3 cm) vel subdimi- 
diato-ovata basi valde inaequilatera, extus subauriculata 
intus anguste cuneata, costa prope marginem interiorem 
decurrente, ápice anguste acuminata acumine ca. 1 cm 
longo ápice emarginato, subcoriacea margine subrevo- 
luta unilateraiiter 4— 6-plinernia venis supra immersis 
subtus laxe prominulo-reticulatis. Racemi e gemma ovoi- 
dea 17 cm longa 11 mm crassa erumpentes (bracteis 
coriaceis rotundatis striatis adpresse ferrugineo-pubes- 
centibus inter flores interdum subpersistentibus) bre- 
vissime pedunculati 5—7 cm longi, rhachi stricta pe- 
dicellisque (ad 10 mm longis) laxe obscureque ferru- 
gineo-tomentosis. Bracteolae haud visae. Flores albi. Se- 
pala extus sparse pilosa anthesi reflexa 4 mm longa, 
pétala sepalis aequilonga anguste lanceolata acuta. Sta- 
mina glabra, maiora 8 mm longa. Ovarium sparse rufo- 
villosum. 

Species a C. Spruceana Benth. et S. cuneata Tui. 
foliolis elongatis et racemis maioribus densissimis bra- 
cteis squamiformibus differt. An varietas ;' macrophylla 
C. Spruceanae ? Sed certe speciem propriam sistit. T , 
Hab. ad fl. Mapuera (abaixo da Maloquinha), 8 ^Ií,m/ 
leg. A. Ducke (9083). T 

Copaifera Martii Hayne 

Óbidos, capueira 8 V 05 (7222). 
Área geogr. : Cuiabá, Pará, Santarém, Guiana ingie 



385 Materiaes para a Flora amazoxica 



Criidya spicata (Aubl.) Benth. [Apalaioa spicata Aubl.y 

Rio ]\Iapuera, Taboleirinho (arbusto), 12 XII 07 

(9132). 

Are g"eogr. : Esta espécie foi descripta por Aublet. ad 
Guiana franceza. e Bentham considera a sua C. bra- 
cteaía da Guiana ingleza como devendo também entrar 
na synomymia de C. spicata. O nosso espécimen tem 
fructos semelhantes aos das outras espécies, muito 
largas (7 cm de largura sobre l3 de comprimento) 
e chatos e completamente glabros. Mesmo no espé- 
cimen fructifero ainda são visiveis algumas das bra- 
cteas e bracteolas membranaceas e persistentes. 

Hymenaea Cúiirbaril L. « Jutahy. » 

Almeirim, matta. 12 IV 03 (3465). 
Área geogr. : Brazil sept. — Columbia e Antilhas. 

/ Hymenaea parvi folia Hub. n. sp. 

Arbor liumilis (ex Ducke) ramulis subgracilibus 
glabris. Folia graciliter petiolata, petiolo I.5 — 2 cm lon- 
go, foliolis 3 mm longe petiolulatis leviter falcato-oblon- 
gis pro genere minoribus (5 — SX2.5 — 3 cm) ápice bre- 
viter acuminatis basi valde inaequilateris acutiusculis 
coriaceis utrinque lucidulis nervis secundariis venisque 
vix prominulis. Inflorescentiae terminales axillaresque 
breviter paniculatae e racemis demum circa 4 cm lon- 
gis compositae ochraceo-tomentellae. Bracteae bracteo- 
laeque suborbiculares conchoideae (ad 4 mm longae) 
extus tomentellae intus glabrae rubescentes caducissimae. 
Pedicelli ad anthesin 5 — ó mm longi médio articulati. 
Calycis tubus discifer obconicus 3 mm longus, lobi qua- 

- tuor ovati, 6 mm longi, latitudine inaequales, extus 

' > - ochraceo-tomentelli, intus albido-sericei. Pétala 5 angus- 

te oblanceolata (8 mm longa) obtusiuscula extus gla- 

. bra intus pilis rigidis albidis barbata. Stamina l3 mm 
longa filamentis glabris, antheris 3 mm longis alte dor- 

W siíixis. Ov^arium distincte stipitatum oblique ovoideum 

V densissime hirsutum stylo elongato flexuoso stigmate 

p minuto capitato. Fructus haud adest. 



Materiaes para a Flora amazonica 386 



Species foliis pro g-cnere parvis, floribus medio- 
cribus, petalis intus barbatis, ovário dense hirsuto insignis. 
Hab. in silvis prope Óbidos, 22 XII O? (9179) et ad 

ostium Lago de Faro in silvulis capueiras dictis, 8 

IX 07 (8673) leg-. A. Ducke. 

'^ Hymenaea oblongifolia Hub. n. sp. 

Arbor mag-na (teste Ducke) ramulis cortice lon- 
gitudinaliter rimoso obtectis. Folia firme petioiata peti- 
olo 2 — 2,5 cm longo apicem versus sensim incrassato 
foliolis elongato-oblongis (12 — 14X4 — 5 cm) vix falca- 
tis ápice rotundatis vel obtusis vel brevissime acumi- 
natis basi valde inaequilateris in petiolulos extus solum 
ad 2 mm, intus ad 8 mm denudatos obliqua acutatis 
coriaceis utrinque nitidulis, nervis secundariis subtus 
arg-ute prominentibus, venis immersis. Inflorescentiae 
terminales lateralesque ex racemis demum ad 12 cm 
longis flexuosis satis densifloris laxe paniculatae ochra- 
ceo-tomentellae, bracteis bracteolisque suborbicularibus 
5 rnm longis extus sericeo-tomentellis caducissimis. Pe- 
dicelli vix 3 mm longi crassiusculi ápice articulati. 
Calycis tubus discifer 3 mm longus late obconicus, lobi 
late ovati 7 — 8 mm longi utrinque subaequaliter seri- 
ceo-tomentelli, pétala oblanceolata (l2X5 mm) ápice 
obtusiuscula basi subunguiculata glabra. Stamina ad l8 
mm longa filamentis giabris antheris ellipticis vix 2 
mm longis dorsifixis. Ovarium breviter stipitatum com- 
presso-obovoideum a d basin longius apicem versus 
brevissime denseque hirsutum costatum. stylo vix l cm 
longo glabro, stigmate minute capitato. Fructus deest. 
Species foliolis elongato-oblongis ápice obtusis basi 
valde inaequilateris, petalis giabris, ovarii pubescentia 
inaequali insignis. 

Hab. in silvis ripariis fluminis Mapuera. infra locum 
Taboleirinho dictum. Ab indigenis «Jutahy» appel- 
latur, 13 XII 07 leg. A. Ducke (9l37). 

Pellogyne densiflora Sprucc 

Óbidos^ beira do Lago Sucurijú, 23 MI o3 (3Ó97); 



387 Materiaes para a Flora amazonica 



Lago de Faro, praia. 14 VII 03 (373o); Faro. Serra do 
Dedal, beira do lago, 4 IX 07 (8679)- 
Área geogr. : Amazónia, Guiana franceza. 

TachigaUa paniculaia Aubl. 

Faro, ilha alagadiça defronte da Serra do Dedal, 
4 IX 07 (8604): Rio Trombetas, cachoeira Porteira, 
matta da beira, 29 XI 07 (8935); Rio Trombetas, Ar- 
rozal, matta da várzea, 29 XI 07 (8938, forma foliolis 
amplis papyraceis abrupte anguste obtuseque acuminatis); 
Rio Mapuera, cachoeira do Paraiso, beira, 1 1 XII 07 
(9090). 
Área geogr. : Amazónia, Guianas. 

TachigaUa macrostachya Hub. n. sp. 

Arbor humilis (Ducke) ramis crassiusculis. Stipu- 
lae persistentes subaequaliter pinnatae pinnis anguste 
lanceolatis acuminatis. Petiolus subteres saepe fistulosus 
perforatus formicis inhabitatus, rhachis trigona vel su- 
perne triquetra. Foliola 4 — 5-juga breviter (5 mm) cras- 
seque petiolulata ovato-oblonga (10 — 20X5,5 — 6,5 cm) 
hasi corda! a brevissime subquinquenervia, ápice breviter 
obtuseque acuminata coriacea giabra margine revoluta 
leviter bullata nervis secundariis venisque transversalibus 
supra impressa subtus argute prominentibus. Racemi 
panei tenninales demum nJtrapedaíes pedúnculo basi sti- 
pulis pinnatis obsito rhachi crassi.ssima (8 mm) interrupte 
multicostata subglabra fistulosa et formicis inhabitata 
bracteis subulatis ápice comosis ad anthesin persisten- 
tibus, cum pedicellis calycibusque tenuissime ferrugineo- 
tomentellis. Calycis tubus discifer in pedicellum 7 mm 
longum sensim angustatus cum eo ló mm metiens, 
lobis delapsis valde obliquus, lobi 8 — 10 mm longi 
subaequales valde imbricati conchiformes obtusi. Pétala 
scpalis aequilonga rotundato-obovata margine undulata 
intus secundiim medianani pilis aureis barbata. Stamina 
ultra 15 (16 — 19). Ínfima ultra 2 cm longa, superiora 
breviora (12 mm), suprema 4 extus contorta, omnia 
basin versus intus aureo-barbata. Ovarium cum stylo 22 



Materiaes para a Flora amazonica 388 



mm longum rufosericeum. Fructus (unicus exstat) demum 
glaber lanceolatus cum stipite 40 mm longus 12 mm 
latus. 

Species foliolis magnis coriaceis buUatis basi cordatis 
racemis crassis elongatis bracteis persistentibus, staminum 
numero insignis. 

Hab. in ripis insulae Veneza fl. Mapuera, 4 XII 07 leg. 
A. Ducke (903o). 

'-' Tachigalia grandiflora Hub. n. sp. 

Stipulis pinnatis persistentibus florumque dimensi- 
onibus maioribus atque structura a T. paniculata diver- 
sa, et cum T. macrostachya exacte convenit. sed differt ab 
hac specie omnibus partibus gracilioribus (quod fortasse 
absentiae partiali formicarum adscribendum sit) et foli- 
olis ioio coelo diversis: 4 — 6-jugis oblongis (10 — l8X4 
— 6 cm) basi obtusis vel rotundatis vel infimis solum 
leviter cordatis, ápice satis abrupte longe acutissimeque 
cuspidatis subcoriaceis utrinque minutissime puberulis 
densissime elevato-reticulatis. 

Hab. in silvis ripariis ad fl. Mapuera infra cataractas 
«do Patauá», 3o XI 07 leg. A. Ducke (8965). 

Eperua falcaia Aubl. «Espadeira». 

Rio Mapuera. acima da Escola, arbusto grande de 
flores encarnadas suspensas num pedúnculo muito com- 
prido, 3 XII 07 (9022). 

Área geogr. : Guyanas. Temos também espécimens coUe- 
ccionados pelo Dr. Emilio A. Goeldi no alto Rio 
Cunany, onde a arvore é conhecida sob o nome de 
«Apá» ou «Apazeiro». 

Eperua Schomburgkiana Benth. 

Rio Mapuera, cachoeira da Égua, arbusto n'uma 
ilha, 11 XII 07 (9088). 

Área geogr.: Guj^ana ingleza. Os nossos espécimens não 
têm flores completamente desenvolvidas, mas em 
todos os outros caracteres elles concordam peifeita- 
mente com a descripção da espécie na Flora Brasi- 
liensis (p. 226). 



389 Materiaes para a Flora amazonica 



Epcriíii bijn^a (Mart. M^-s.') Rcntli. 

Manaus, várzea, arvore alta, 21 V 03 leg. André 
Goeldi (3862). 

Área geogr.: Até aqui só conhecida da região das ilhas 
na boca do Amazonas. 

Macrolohinm siiaveolciis Spruce var. parznfolium Hub. n, vai-. 

Frutex minoi" foliis 4 — 7 '/-j cm longis. racemo- 

rum pedúnculo basi vulgo dense squamato. Campos a 

E. de Faro, 23 VII 07 leg. A. Ducke (8497). 

Área geogr.: O typo d'esta espécie foi descoberto por 

Spruce nas caatingas do rio Uaupés. 

Macrolohiitm pendiiluin AVilld. 

Lago Salgado, beira do castanhal a E., 24 XI 07 
(8889): Rio Arrayolos, matta da beira, 24 IV o3 (3523). 
Área geogr. : Pará. 

Macrolobinin chrysostachyuni Benth. 

Rio Mapuera, abaixo do Taboleirinho, 1 XII 07 
(8972). 
Área geogr.: Pará, Guianas. 

Macrolobium campestre Hub. n. sp. 

Frutex ramis divaricatis. Folia crasse petiolata, 
foliola 2-jii^a breviter (3 — 5 mm) petiolulata, late 
ovata vel elliptica (5 — loX3 — ó cm), basi aequaliter 
acutata vel rotundata vel subcordata, ápice breviter 
cuspidata, crebre pennivenia, coriacea, supra plus minus 
lucidula subtus albida glabra. Intlorescentiae axillares 
terminalesque crassae densitlorac demum interdum 20 
cm et ultra longae. rhachi pedicellis bracteis bracteo- 
lisque fulvo-hirsuto-tomentella. Bracteae ovato-lanceola- 
tae (8 mm longae) acuminatae ad apicem racemorum 
juniorum comosae, ante anthesin deciduae. Pedicelli 3 
— -4 mm longi, bracteolae late ovatae conchiformes 
(7 mm longae) intus glabrae. Calycis tubus vix 2 mm 
longus globuloso-turbinatus minutissime puberulus, lobis 
• 5 obovato-oblongis obtusis paulo inaequalibus ápice ci- 
liatis. Pctalum 10 mm longum unguiculatum álbum, la- 



Materiaes para a Flora amazonica 3go 



mina orbiculari 6 — 7 mm diâmetro metiente. Stamina 
(interdum 4) 2 cm longa, rubra. Ovarium stipitatum, 
cum stipite 6 mm longum, basi et ad suturam puberu- 
lum, 4-ovulatum stylo staminibus aequilongo giabro, 
stigmate minute capitato. Legumen stipitatum 10 cm 
longum 3 cm latum ápice stylo cuspidatum glabrum 
margine haud incrassatum valvulis sublignosis elastice 
dehiscentibus. 

Species insignis M. guyamnsi Puile foliis bijugis 
similis, sed inflorescentia valde diversa, M. discolori 
Benth. (cujus folia 4-juga) magis affinis videtur. 
Hab. in campis ad Faro (orientem versus), 21 VIII O? 
leg. A. Ducke (8461). 

Macrolobium nmltijugum Benth. 

Lago de Faro, praia, 15 VIII 07 (8339); M VII 
03 (3727). 
Área geogr. : Santarém — Guianas. 

Macrolobium acaciaefolium Benth. « Arapary ». 

Lago de Faro, várzea, 20 VIII 07 (8398); Monte 
Alegre, igarapé de Paituna, 27 VII 08 leg. E. Snethlage 
(95Ó2). 
Área geogr. : Amazónia, Guiana ingleza e hollandeza. 

Palovea guyanensis Aubl. in Hist. pi. Guyane française I p. 
365 (pi. 141). 

Rio Mapuera, acima do Caraná, matta da beira, 
6 XII 07 (9053). 

Área geogr. : Guiana franceza e hollandeza. Nos nossos 
exemplares o petiolo é geralmente um pouco mais 
comprido (5 — 7 mm) que na figura de Aublet. 

Heterosiemon mimosoides Desf. 

Rio Mapuera, acima do Patauá, arbusto da beira, 
fl. roxa; 3o XI 07 (8958). 
Área geogr. : Teffé, Manáos, Rio Negro. 

Bauhinia longicuspis (Spruce mss.) Benth. 

Rio Negro, Barcellos, capueira, 9 VI 05 (7109). 
Área geogr. : Amazónia (Rio Caburé). 



Sqi Materiaes para a Flora amazonica 



Bauhinia macrostachya Benth. 

Monte Alegre, campos baixos, l6 YII 02 (2865); 
Alemquer, capueira, 28 XII 03 (4934): Faro, capueira, 
27 VIII 07 (8528); Monte Alegre, Rio Maecurú, 3l 
VII 08 leg. E. Snethlage (9540). 
Área geogr. : Amazónia — Guiana britannica. 

Bauhinia íongipetala Walp. 

Prainha, beira do Amazonas, 18 V 03 (3637): 
Alemquer, capueira, 2ó XII 03 (4911, lobis foliaribus 
ápice rotundatis). 
Área geogr. : Bolívia, Amazónia — Columbia. 

Bauhinia sphndens H. B. K. 

Faro, capueira, 16 VIII 07 (8358); Rio Negro, 
Barcelios, capueira. 1 VII 05 (7209). 
Área geogr.: Amazónia — Columbia. 

Dialinm divaricatuin Vahl. 

Óbidos, capueira, 21 XII o3 (4858); Alemquer, 
capueira, 26 XII 03 (4906). 
Área geogr.: Bahia, Amazónia, Guiana franceza. 

Cássia leiandra Benth. 

Óbidos, beira do lago Sucurijú, 23 VII 03 (3702); 
Monte Alegre, paraná, 9 VIII 08 leg. E. Snethlage 
(9549). 
Área geogr.: Rio S. Francisco, Amazónia central. 

Cássia fastuosa Willd. 

Almeirim, capueira, 10 XII 02 (3o38). 
Área geogr. : Amazónia. 

Cássia granais L. 

Paraná de Adauacá, matta de várzea, 7 IX 07 
(865Ó). 
Área geogr. : Amazónia — America central. 

Cássia viminea L. forma foliolis obtusis retusisve. 

Serra do Dedal, capueira, 3 IX 07 (8582). 
Área geogr. : Amazónia — Columbia, Antilhas. 



Materiaes para a Flora aívíazonica 392 



Cássia Apoucouita Aubl. 

Rio Arrayolos, matta da beira, 24 IV 03 (8522); 
Óbidos, Serra da Escama, matta 23 XII O? (9192). 
Área geogr. : Brazil oriental (Rio) — Guiana franceza. 

Cássia viscosa H. B. K. 

Monte Alegre, campos, 16 VII 02 (2862), Prai- 
nha campo alto, 1 1 V 03 (36l7). 
Área geogr. ; Brazil oriental — Columbia. 
Temos a mesma espécie dos campos da margem direita 
do Amazonas (Villa Franca). 

Cássia Desvauxii Collad. 

Prainha, miritisal, 10 V 03 (3597). 
Arca geogr. : Brazil oriental — Columbia. Temos a 
mesma espécie de Santarém (2926). 

Cássia curvifolia Vog. 

Campos do Ariramba, 23 XII 06 (8086). 
Área geogr. : Brazil central — Santarém. O Herbario 
Amazonico possue ainda exemplares de Prainha, cam- 
po alto (3627); de Santarém, campos altos (2980) e 
de Villa Franca, campos altos (ló34 leg. J. Huber), 
de Monte x\legre. Serra de Erere (9512 leg. E. Sne- 
thlage); de Faro, campos a E. 21 VIII 07 (8457). 

Cássia aíf. calycioides DC. 

Almeirim, praia, 14 IV 03 (3480). 
Área geogr. : Goyaz, Piauhy, Santarém. 

Sclerolobium paniculatum Vog. 

Região do alto Ariramba, campina-rana, arvore 
pequena, 22 XII 06 (8oó3). 
Área geogr. : Brazil central — Santarém, Tarapoto. 

Sclerolobium hypoleucum Benth. 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio, 17 VI 05 
(7166 b). 
Área geogr. : Rio Negro. 

Campsiandra laiirifolia Benth. « Acapurana ». 

Óbidos, beira do lago Sucurijú, 23 VII 03 (3698); 



393 Materiaes para a Flora amazonica 



Lago de Faro, praia, 15 VIII 0/ (8332): Rio Mapuera, 
abaixo do Taboleirinho, beira. l3 XII 07 (9140): Monte 
Aleore. igarapé de Paituna, 27 VII 08 leg. E. Snethlage 
(9563). 

Área geogr. : Amazónia, principalmente commum no 
baixo Amazonas até o Rio Negro. 

Swart::^ia conferia (Spruce mss.) Benth. 

Rio Xegro, Barcellos. beira do rio. 17 VI 05 
(7167 b). 
Área geogr. : Rio Xegro superior. 

Swartiia triphylla AVilld. 

Oriximiná. matta, 8 XII 190Ó (7881). 
Área geogr. : Rio Xegro, Guiana hoilandeza, Columbia. 

Swartiia grandifolia Benth. 

Região do Alto Ariramba, matta da beira do Ja- 
ramacarú, 21 XII 06 (8048); Castanhaes da E. do Lago 
Salgado. 24 XI 07 (8881): rio Mapuera, morro do Ta- 
boleirinho, matta da beira, 1 XII 07 (8971). 
Área geogr. : Bahia, Rio Erepecurú, Rio Xegro. 

Swartsia Duckei Hub. n. sp. « Paracutáca ». 

Arbor mediocris (teste Ducke) ramis crassiusculis 
pallide ochraceis vel ochroleucis, ramulis, petiolis, foliis 
subtus, inflorescentiis calycibusque tenuissime ochraceo- 
vel plus minus lutescenti- vel ferrugineo-tomentellis. Sti- 
pulae subnullae. Petiolus teres supra anguste canali- 
culatus. Foliola ó breviter (6 — 8 mm) petiolulata oblonga 
(10—14X6 — 7 cm) basi leviter cordata ápice rotundata 
vel breviter acuminata subcoriacea supra glabra pallide 
fuscescentia subtus fulvo-lutescentia. Racemi in ramis 
laterales simplices vel pauciramosi, bracteae brevissi- 
mae late ovatae obtusiusculae, bracteolae sub calyce 2.5 
mm longae triangulari-subulatae. Alabastra globosa 8 
mm diâmetro. Calyx 4 — 5-fidus crassus. Petalum 8 mm 
longe unguiculatum late rotundatum diâmetro ad 3 cm 
metiens. Stamina numerosíssima, 4 longiora filamentis 
glabris, antheris iis breviorum vix duplo longioribus. 



Materiaes para a Flora amazoxica 394 



Ovarium glaberrimum falcatum (6X2 mm), stipite 10 
mm, stylo 12 mm longo. 

Species foliolis amplis oblongis subtus lutescenti- 
bus primo adspectu 5. Ulei Harms (Manáos) in mentem 
vocat, sed ovário glabro styloque longissimo ab ea di- 
versissima, S. grandifoliae et S. pictae Spruce (Rio Ne- 
gro sup.) inter Pteropodas affinis videtur. 
Hab. ad ripas fl. Mapuera (abaixo do Taboleirinho), 
1 XII 07 leg. A. Ducke (8q8i). 

Swart:{ia Benthamiana Aliq. 

Lago de Faro. praia, 15 VIII 07 (S33S). 
Área geogr. : Surinam, Guiana franceza, Rio Xegro 
(Manáos). 

' Swartsia obscura Hub. n. sp. 

Ramulis gracilibus, cum stipulis petiolis foliorum 
nervisque subtus obscure ferrugineo- vel olivaceo-tomen- 
tosis. Stipulae falcato-lanceolatae 7 mm longae. Foliola 
7 — 9 subsessilia, oblanceolata (8 — 15X2— 4 cm) basi 
longius cuneata ápice acuminata firme membranacea 
supra glabra subtus obscure glaucescentia rufo-puberula 
nervis secundariis circa 10 — 15 valde obliquis supra 
impressis subtus valde prominentibus obscure ferrugineo- 
tomentosis^ venis utrinque dense reticulatis. Racemi ex 
ligno vetere circiter 10 cm longi ferrugineo-tomentelli. 
Pedicelli ad 15 mm longi, Alabastra globosa 7 mm 
diam. tenuissime puberula. Calyx 4-fidus, petalum bre- 
vissime (vix 3 mm) unguiculatum rotundatum 15 mm 
diâmetro metiens. Stamina maiora 4 filamentis glabris, 
antheris iis minorum 3-plo longioribus. Ovarium angus- 
tum leviter incurvum stipite longius, cum stylo brevi 
recto 25 mm longum, isabellino-sericeum. Fructus pedalis 
vel brevior, teres, inter semina constrictus ochraceo- 
tomentellus suturis incrassalis. Semina 25 mm longa l3 
mm crassa arillata, ápice vix emarginata funiculo lon- 
gissimo (25 mm) suspensa. 

A 5. cardiospenna (Spruce) Benth (Rio Negro) 
ut paret proxime affini differt inprimis foliolorum forma 
et pubescentia, filamentis glabris. 



395 Materiaes para a Flora amazonica 



Hab. in silvis ad fl. Mapuera ad locum ^laloquinha 
dictum, 8 XII 07 leg. A. Ducke (9071). 

Swart:{ia cuspidata (Spruce mss. ) Ijcnth. var. hrevistyla Ilub. 
nov. var. differt a typo stylo brcvi ( 2.5 mm ) incuivo, 
stanjinibus maioribus 4. An species distincta? 

Rio Mapuera, Escola, matta da beira, 2 XII 07 
(9011). 

Área geogr. do typo : Rio Negro. A nossa planta é notá- 
vel pelos peciolos finíssimos e pela ponta dos foliolos 
que sobre um comprimento de mais de 10 mm con- 
serva a mesma largura de pouco menos de 2 mm. 

Swarl^^ia acuminala Willd. « Muracutáca ». 

Lago de Faro, praia, (arvore com o tronco an- 
fractuoso (como o da « Caiapanauba '^ ), de fl. branca. 20 
VIII 07 (8402). 
Área geogr. : Pará, Rio Xegro. 

Swarliia macrocarpa (Spruce mss.) Bcnth. 

Rio Negro, Barcellos, igapó á beira d'um igarapé, 
íl. amarella, inflorescencia no tronco, l3 VI 05 (7143). 
Área geogr.: Rio Negro, Manáos. 

Swartsia racemulosa Ilub. n. sp. (ser. SlenantheraeJ. 

Ramuli glabri leviter flexuosi pallide viride-flaves- 
centes. Folia ampla unifoliolala et breviier (0,5 — 1,5 cm 
rarius ad 4 cm) petiolala (sensu stricto petiolulata) vel 
2- ad )-foliolala subsessilia foliolo laterali saepissime 
único brevissimc (2 mm) petiolulato et foliolo terminali 
longiuscule petiolato (3 — 7, vulgo 4 cm) muito maiore 
instructa, foliolis ovatis (terminali vulgo l3— 2oX6 — 8 
cm) ápice obtusis vel .sensim lateque acuminatis basi 
plus minus rotundatis leviterque emarginatis, membra- 
naceis prasinis supra laxius infra dense reticulato-venosis. 
Racemi ad ramos defoliatos solitarii vel in nodulis fas- 
ciculati 1 — 2 cm longi ferrugineo-puberuli vel glabrescentes 
bracteis minutis (1,5 mm) ovatis acutis patulis, pedicellis 
nutantibus 2—4 mm longis. Alabastra ovoidca acutagla- 
brescentia pedicellis longiora. Calyx membranaceus usque 



Materiaes para a Flora amazonica. 396 



ad medram m lacinias 2 — 3 revolutas fissus. Petalum 
albom obovattim (7 mm longTira) cuneato-unguiculatum 
apke cucullatum. Stamina 12 — 14 parum inaequalia an- 
àms limaribus Jilamentis subaetiuilongis. Ovarium sub- 
sesiáte oFôide€H>bltini^m glabrum, stylo elon^ato in 
alabastro ^em^cuíato incurvo, demum recto ad 8 mm 
longo filiformi. Legumen maturura pedicello ad 6 mm 
accrescenti et stipiti 3 mm long-o insidens breviter elli- 
psoideum (14X1^^ tnni) paulo compres>um tenuiter crus- 
taceum corrugatum ápice stylo breviter apiculatum 
Sémen non vidi. 

Species a S. alterna Benth. (Santarém, Mandos, 
Gmana auigiica) proxime affini differt foliis uni- ad 3- 
fo/lròktis siibsessitibus racemulis minoribus, staminibus 
paiiicioribitsí. 

Habi. in silvis fluiOMms Trombetas ad vicuni Oriximina. 
8 XII C36 ief. A. Dotcke CjSTO). 

Leg-umin osae Papilionat.ae. 

Smtiâã mlms Benth. « Itanbarana ». 

Faro, praia do lago, lô VIL o3 (3720); lago de 
Faro. igapô. arvore pequena muito frequente, 16 VIII 
Q7 (8363); Rio Mapuera, Taboleiro grande, beira, 2 

XII 07 (9005). 

Área geogr. : Pará, Rio Negro, Guianas. 



mrgihmáis H. B. K. 
Monte Alegre, campos, 16 \"II 02 (2857). 
Área geogr. : VeiaezBela — Brazil meridional. 

Bmsiékbm mtíãa Spruee 

Óbidos matta. 15 V 05 (7217): arvore pequena. 
Área geogr. : Baixo Rio Negro. 
A £- vir^itmáes H. B. K. é conhecida debaixo do 
nome vulgar de Sapupira e considerada como ma- 
deira real. Não sei. se o mesmo nome também é dado 
á B. nítida. 



397 Materiaes para a Flora amazonica 



Diplotropis brasil iensis Benth. 

Campos a E. de Faro, beira cFuma ilha de matto, 
9 IX 07 (8683). 
Área geogr. : Baixo Amazonas, Rio Negro. 

Ormosia nobilis Tui. (?) 

Faro, campina entre as serras do Dedal e da 
Igaçaba, 4 IX 07 (86l3). 
, Área geogr. : Como halitat da O. nobilis a Fl. Eras. 
indica apenas: « in prov. Paraensi». Penso que se 
trate d'esta espécie, mas a determinação não é abso- 
lutamente certa porque os nossos espécimens tém só 
fructos, emquanto que os exemplares que serviram á 
descripção da espécie, tinham só flores. Por alguns 
caracteres, a nossa planta parece approximar-se mais 
da O. macrophylla Benth. que entretanto é só co- 
nhecida do alto Japurá. 

Ormosia dis color Spruce 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio, 17 VI 05 
(7168 b). 

Área geogr. : Rio Negro (]\Ianáos, Pacimoni). Os nossos 
espécimens tém só fructos maduros, que são com- 
pletamente glabros. 

Ormosia aff. dasycarpa Jacks. 

Rio Mapuera, acima de Caraná, beira, 11 XII 07 
(9098). 

Área geogr.: A O. dasycarpa é originaria das índias 
occidentaes, mas uma variedade acha-se no Brazil 
central. Bentham, na Fl. Brás., attribue com duvida 
a esta espécie uns espécimens colleccionados no médio 
Rio Negro por Spruce. Os nossos exemplares con- 
cordam com a descripção pelos peciolos e paniculas 
ferrugineo-tomentosas, pelo vexillo quasi não recor- 
tado na base e pelo fructo tomentoso, mas parece 
que no typo os foliolos são recortados na base e 
quasi glabras por baixo, emquanto que ellas são 
somente arredondadas na base e bastante cabelludas 
por baixo nos nossos espécimens. 



y 



Materiaes para a Flora amazonica SqS 



Ormosia trifoliolata Hub. n. sp. 

Ramulis strictis, foliis subsessilibus trifoliolatis, 
foliolis ellipticis utrinque rotundatis vel emarginatis co- 
riaceis glabris subconcoloribus, lateralibus brevissime 
petiolulatis ad 10 cm longis saepe multo minoribus, ter- 
minali longius (2 cm) petiolulato 8 — 15 cm longo 5 — 
7 cm lato, inflorescentiis terminalibus lateralibusque ad 
15 cm longis, legumine subsessili compresso obovato- 
lanceolato acuminato ca. 2,5 — 3 cm longo monosper- 
mo, semine coccineo uno latere macula elongata nigra 
notato. 

Species foliis subsessilibus trifoliolatis ab aliis satis 
diversa. 
Hab. in campis prope Faro, 10 IX 07 (8697) et in 

campina-rana adJl. Mapuera, 12 XII 07 leg A. Ducke 

(9118). X 

Crotalaria retusa L. 

Óbidos, capueira, 7 VIII 02 (2914). 
Área geogr. : Cosmop. trop. 

Crotalaria maypurensis H. B. K. 

Espozende, beira do campo alagado, 28 IV o3 
(3548); Monte Alegre, Serra de Ereré, 21 VII 08 leg. 
E. Snethlage (9504). 

Tephrosia nitens Benth. 

Prainha, beira do miritizal, 20 V 03 (3640): Óbi- 
dos, capueira. 21 VII 03 (368Ó). 
Área geogr. : Pará, Venezuela, Columbia. 

Amphiodon Hub. nov. gen. (Galegeae). 

Calyx ultra médium 4-íidus, laciniis oblongis oblu- 
sis, summa bidentata. Vexillum orbiculatum basi cuneato- 
unguiculatum exappendiculatum. Alae vexillo paulo 
breviores breviter unguiculatae falcato-obovatae basi 
utrinque dentiformi-auriculatae (unde nomen Amphiodon, 
i. e. utrinque dentatus). Carinae alis subconformes sed 
breviores et uno latere solum subauriculatae dorso bre- 



399 Materiaes para a Flora amazonica 



viter connatae. Stamina distincte diadelpha, Q ad médium 
connatae. vexillari plane libero, antheris basifixis alter- 
natim oblongis et breviter ovatis. Ovarium sessile gla- 
berrimum pluri-ovulatum, stylo glabro levitei incurvo, 
stigmate parvo terminali. Fructus obovoideus paulo 
compressus elastice dehiscens, valvulis lignoso-coriaceis, 
semina 2 transversalia lenticularia costata massa spon- 
giosa alba circumdata. 

A gcnere Poecilanthe Brasiliae centralis et meri- 
dionalis Íncola, cui calycis forma et antheris affinis, differt 
alis biauriculatis, staminibus solemniter diadelphis, legu- 
mine haud lineari sed obovoideo. 

Amphiodon effusus Hub. n. sp. 

Arbnscula 4 m alta praeter ramulos novellos in- 
florescentiasque ochraceo-tomentellas glaberrima. Rami 
cortice cinereo-flavescente tecti. Ramuli stricti internodiis 
valde inaequalibus teretibus vel compressiusculis, foliis 
alternis vel suboppositis. Folia 20 — 3o cm longa ápice 
ramulorum congesta vel internodiis usque ad 10 cm 
longis separata erecta vel patentia vel deflexa, 5 — 7- 
foliolata foliolis ampiis alternis vel suboppositis. Petiolus 
gracilis 3 — Q cm longus, basi in articulum incrassatus, 
stipulis minutis caducissimis: rhachis gracillima, petioluli 
breves (5 mm) vel rarissime elongati (ad 15 mm), 
stipellae plane deficientes. Foliola ovato- vel oblongo- 
lanceolata superiora maiora (5 — 12X3 — 4 cm) basi 
acutiuscula vel rotundata ápice longe obtusiusculeque 
acuminata utrinque viridia vel fuscescentia opaca vel 
nitidula nervis secundariis utrinque 7 — 9 tenuibus subtus 
prominulis arcuatis ante marginem reticulato-anastomo- 
santibas. Racemi in axillis foliorum fasciculati vel in 
paniculas laxas terminales vel laterales congesti elongati 
(10 — 15 cm), axibus filiformibus tenuiter ochraceo- 
tomentellis, floribus irregulariter dissitis vulgo singulis. 
Bracteae minutae ovatae persistentes, pedicelli 2 — 3 mm 
longi, bracteolae bracteis subconformes. Flores rubri. 
Calyx ca. 6 mm longus albido-puberulus ultra mé- 
dium 4-fidus, laciniis oblongis obtusiusculis summo 



Materiaes para a Flora amazonica 400 



ápice obtusissime bidentata. Vexillum orbiculatum ápice 
emarginatum basin versus crassiusculum et cuneato- 
unguiculatum, Q mm longum 7—8 mm latum. Alae 
8 mm longae 4 mm latae demum deflexae, dentibus inae- 
qualibus altero brevi acuto, altero longiore obtusiusculo. 
Carinae 7 mrn longae ápice rotundatae. Stamina longiora 
7 mm longa. Legumen pedicello 5 mm longo insidens, 
3,5 cm longum 2 cm latum, sémen castaneum 18 mm 
longum 9 mm latum dorso applanatum ventre leviter 
carinatum longitudinaliter umdulato-costatum chalaza 
subapicali. 

Hab. Faro, Serra do Dedal, in silvis, 3 IX 07 (8585). 
Esta planta foi primeiro coUeccionada por mim nas 
mattas de terra firme de Approaga, no Rio Capim, 
17 VI 1897 (733), unde me indicaram para ella o 
nome vulgar de « Cumaru. » Considerei ella então como 
espécie um pouco aberrante do género Poecilanthe, 
não tendo ainda uma certeza absoluta sobre a posição 
systematica por causa da ausência de fructos. Em 
1907, a mesma espécie foi coUeccionada pelo prepa- 
rador da secção botânica Sr. Rodolpho Siqueira Ro- 
drigues nas mattas da Estação experimental de Peixe 
Boi (8273, 878Ó) e esta vez não só em exemplares 
floridos mas também com um fructo maduro. Em 
Peixe Boi, a planta é chamada « Cumaru do rato. » 
Submettendo este novo material, ao qual ainda vieram 
juntar-se os exemplares trazidos pelo Sr. Ducke de 
Faro, a um novo exame, convenci-me que convinha 
crear um novo género para a espécie em questão. 
Entretanto não me parece duvidoso que o género 
Ainphiodon pertença no parentesco de Poecilanthe, sub- 
stituindo na Amazónia este género centro brazileiro. 

Aeschynofiiene paniculata Willd. 

ArrayoUos, campo geral, 23 IV 03 (35l3). 
Área geogr. : Brazil central — Amer. central. 

StyJosanihes guyanensis Sw. 

Almeirim, capueira, 8 IV 03 (3420). 
Área geogr.: Amer. trop. 



401 Materiaes para a Flora amazonica 



Desmodium aff. pbysocarpos Vog. 

Monte Alegre, campo de Ereré, 21 VII 08 leg. 

E. Snethlage (9517). 

Área geogr. : O D. pbysocarpos é conhecido do Brazil 
meridional, mas ainda não se sabe de certo se elle 
não deve ser reunido com outras espécies do norte 
da America meridional fD. iortiiosum 130. etc). A de- 
terminação segura da nossa forma só poderá ser feita, 
comparando-a com os typos d'aquellas espécies. Em 
todo caso ella se distingue muito bem das outras 
espécies amazonicas pelos seus legumes torcidos (que 
ainda existem no D. spirale DC), pelas suas folhas 
subcoriaceas e pubescentes e pelas estipulas largas. 

Dalhergia riparia Benth. 

Óbidos, capueira. 21 XII o3 (48Ó1). 
Área geogr.: Amazónia. 

Dalhírgia Spriiceana Benth. «Jacarandá» 

Bocca do Lago de Faro. Fazenda Paraíso, capu- 
eira, 8 IX 07 (8Ó69). 

Área geogr. : Baixo Amazonas. Fornece a madeira real 
chamada Jacarandá do Pará. 

Dalbergia imindata Spruce 

Lago de Faro, praia, 15 VIII (833o). 
Área geogr.: Santarém, Rio Negro. 

Dalbergia monetária L. f. 

Rio Mapuera, Escola, beira do rio, 2 XII 07 

(9015). 

Área geogr.: Amazónia, Guyanas. 

Drepanocarpus lunatiis G. F. W. Aleyer «Aturiá» 

Rio Mapuera, abaixo do Taboleirinho, beira, l3 

XII 07 (9141)- 

Área geogr.: x\mer. e Afr. occ. trop. 

Drepanocarpus aristulatus (Spruce) Benth. 

Óbidos, capueira, 17 VII 05 (723l); Monte Ale- 
gre, 9 VIII 08 leg. E. Snethlage (9558). 



Materiaes para a Flora amazonica 402 



Área geogr. : Esta espécie de «aturiá», caracterisada 
pelos foliolos terminados em espinho, até aqui só 
era conhecida das visinhanças de Santarém. 

Drepanocarpus crista castrensis Mart. 

Rio Cuminá, várzea do Lago Castanho, 10 XII 
Oó (7924); Lago de Mamoriacá, paraná de Adauacá, 
várzea, 7 IX 07 (8652). 
Área geogr.: Pará, Rio N^egro, Guiana ingleza. 

Drepanocarpus inundalus Mart. 

Rio de Faro, Vista Alegre, várzea, 6 IX 07 
(8664, floriferum); Rio Mapuera, acima do Taboleiro 
grande, 2 XII 07 (8999, fructiferum). 
Área geogr.: Amazónia, Guianas. 

'^ Pterocarpus ainazonicus Hub. n. sp. 

Differt a P. Rohrii Vahl, cui primo adspectu si- 
millimus, bracteis alabastra superantibus persistentibus, 
floribus brevissime pedicellatis, bracteolis ápice pedi- 
cellorum insertis tubum calycinum aequantibus, denti- 
bus calycinis subaequalibus, legumine crasse suberoso 
ala unilaterali coriacea marginato (ut in Moiiiouchi su- 
berosa Aubl., quae inflorescentia paniculata laxiore 
differt). 

Esta espécie é a mais commum no baixo Amazo- 
nas e principalmente na região do estuário. Como não 
é provável que uma espécie tão commum não tenha 
sido coUeccionada até aqui, supponho que os espéci- 
mens tenham sido confundidos com o P. Rohrii Vahl. 
com o qual elles têm muita semelhança quando ainda 
não têm fructos. 

Na descripção do P. Rohrii reproduzida na «Flora 
brasiliensis » os caracteres d'estas duas espécies appa- 
recem misturados, como se vê p. e. do trecho seguin- 
te: «Pedicelli 1 vel fere 2 lin. longi. Bracteolae subu- 
latae calyce paulo vel duplo breviores». No verdadeiro 
P. Rohrii, do qual temos espécimens completos, com 
flores e fructos, os pedicellos attingem com effeito até 
4 mm, emquanto que no P. amaionicus elles têm ape- 



403 Materiaes para a Flora amazonica 



nas 2 mm de comprimento, e as bracteolas que são 
insertas pouco acima do meio do pedicello, attingem 
raras vezes a base do calyce, emquanto que no P. 
ama:{oniciis ellas são insertas no ápice do pedicello e 
têm o comprimento do tubo do calyce. 

Hab. Rio Cuminá mirim, beira, 2Ó XII 06 (7990); 
Faro, ilha alagadiça defronte da Serra do Dedal, 4 IX 
07 (86o3); Rio iVIapuera, acima do Taboleiro grande, 
2 XII 07 (9018). 
Área geogr. : Temos esta espécie de muitas localidades 

da região littoral (N.°' 894, 467. 784, 1655, 1765, 

2349, 2472, 3276, 4826). 

PierocarpHS ancyíocalyx Benth. 

Óbidos, várzea, 29 VII 02 (2888). 
Área geogr.: Amazónia central. Me parece que o P. 
Ulei Harms in Verh. des bot. Ver. Prov, Branden- 
burg XLVIII (1906) p. 171 e 172, do Rio Juruá 
miry, não differe do P. ancyíocalyx, quanto posso 
julgar pela descripção d'este ultimo. 

Vatairea guyanensis Aubl. 

Rio Arrayolos, beira, 24 IV 03 (3521). 
Área geogr. : Guyana franceza e Amazónia. 

Lonchocarpus demidatus Benth. 

Almeirim, campo baixo, 14 XII 02 (5053); Alem- 
quer, várzea, 27 XII 03 (4919)- 
Área geogr. : Santarém. 

Lonchocarpus denudatus Benth. var. znllosus Hub. n. var. fo- 
liolis subtus discolori-villosis, vexilli ungue canaliculato 
ápice bicalloso. 

Prainha. Rio Marapy, beira, 17 V o3 (3583); 
^^ Óbidos várzea, 24 XII 03 (4873). 

Lonchocarpus rariflorus Mart. 

Faro. Serra do Dedal, capueira, 3 IX 07 (8592). 
Área geogr. : Baixo e médio Amazonas (Gurupá-Coary). 



Materiaes para a Flora amazonica 404 



Lonchocarpus nitidulus Benth, 

Prainha, Rio Marapy, matta, 16 V o3 (3578); 
Óbidos, capueira, 7 Vil 03 (3Ó80). 
Área geogr. : Rio Negro. 

Lonchocarpus negrensis Benth. 

Óbidos matta, 25 Vil 02 (2883). 
Área geogr. : Rio Negro. 

Derris guyanensis Benth. 

Rio Trombetas, cachoeira Porteira, matta de terra 
firme, 29 XI 07 (8939). 
Área geogr. : Guianas. 

Andira retusa H. B. K. « Andirá-uchy, Uchirana ». 

Faro, matta, 19 VIII 07 (8395); Monte Alegre, 
Lago do Jacaré 9 VII 08 leg. E. Snethlage (9547). 

Abrus tenuiflorus (Spruce) Benth. 

Faro, capueira, 18 VIII 07 (8382). 
Área geogr. : Pará, Rio Negro. 

Clitoria guyanensis Benth. 

Almeirim, campo, 11 XII 02 (3039): ArrayoUos, 
campo geral, 23 IV 03 (35l6). 
Área geogr. : Brazil austr. — Columbia. 

Clitoria ania:(onum Mart. 

Lago de Mamoriacá, paraná de Adauacá, beira. 
7 IX 07 (8Ó50); Rio Trombetas, Tapaginha, beira. 14 
XII 07 (9149). 
Área geogr. : Amazónia. 

Clitoria Hoffmannseggii Benth. 

Almeirim, matta, 11 IV 03 (34ól); Alemquer, 
beira do lago Curumú, 3l VII 03 (37Ó5); Alemquer, 
várzea, 27 XII 03 (4925); Rio de Faro, Villa Alegre, 
arvore isolada no campo da várzea, 6 IX 07 (8Ó45). 
Área geogr. Pará, Rio Madeira. 

Clitoria leptostachya Benth. 

Faro, capueira na matta, 3o VIII 07 (S555). 



405 Materiaes para a Flora amazonica 



Área geog^r. : Guyana ingleza e hollandeza. Nova para 
a flora do Brazil. 

entorta obidensis Hub. n. sp. 

Caulis volubilis subsimplex sublignosus novellus 
patenter pilosus demum glabrescens. Stipulae ovato-lan- 
ceolatae (ca. 8 mm longae) acutissimae, striatae ciliatae. 
Folia trifoliolata petiolo ( 5 cm longo ) petiolulisque 
patenter rufo-hirsutis, stipellis inferioribus stipulis con- 
formibus superioribus lineari-lanceolatis. Foliola elliptica 
(10 — 15X4 — -8), basi rotundata ápice cuspidata mem- 
branacea utrinque scabro-pilosa ad nervum primarium 
patenter hirsuta. Racemi ad nodos denudatos vulgo 
bini breves (rhachi vix ultra 1 cm longa) 3 — 5-flori 
bracteis lanceolatis striatis ad 10 mm longis, pedicellis 
ca. 5 mm longis apicem versus patenter rufo-villosis, 
bracteolis lanceolatis 25 mm longis 7 mm latis acutissime 
acuminatis basi acutis, membranaceis extus sparse pi- 
iosis margine ciliatis. Calyx membranaceus ad 5-5 cm 
longus extus dorso et praccipue ventre rufo-pilosus, 
lobis acutissime acuminatis sparse ciliatis superioribus 
2 altius connatis latissimis (1 cm) lateralibus falcato- 
ovatis (25X8 mm) inferiore angustissimo longíssimo (3 
cm)'. Vexillum ad 8 cm longum 5-5 cm latum ápice ro- 
tundatum glabrum, alae ca. 5-5 cm longae ápice pauUu- 
lum deflexae, carina longissime unguiculata valde incur- 
va, stamina diadelpha glabra antheris ad 3 mm longis; 
Stylus ventre rufo-barbatus. Legumen haud adest. 

Species C. stipulari Benth. (Bahia) afhnis videtur, 
sed floribus et imprimis calycibus maximis valde insignis. 
Hab. in silvis prope Óbidos, 10 V 05 leg. A Ducke 
(7215). 

Ccntrosema Plumieri Benth. 

Almeirim, 10 IV o3 (3451). 
Área geogr. : Amer. trop. 

Periandra mediterrânea (Vell.) Taub. fP. dulcis Mart.]. 

Prainha, campo alto, 11 V o3 (36l9); Monte Ale- 
gre, Serra de Ereré, 21 Vil 08 leg. E. Snethlage (949Q)- 



Materiaes para a Flora amazonica 406 



Área geogr. : Esta espécie bastante polymorpha era 
até aqui só assignalada no Brazil central, onde ella 
é conhecida sob o nome de «alcassuz». Os nossos 
espécimens pertencem a uma forma de folhas arre- 
dondadas e recortadas no ápice. 

Stenolobium coeruleiím Benth. [Calopogoniuni coemhiim Desv.]. 
Óbidos, várzea, 8 VIII 02 (2917). 
Área geogr. : Amer. trop. 

Cyuibosema roseum Benth. 

Monte Alegre, beira do paraná, Q VII oS leg. E. 
Snethlage (9548). 

Área geogr. : Do rio Branco pela Amazónia central até 
o rio Paraguay. No nosso espécimen os foliolos são 
arredondados no ápice. 

Galactia Jussiaeana H, B. K. 

Almeirim, campo, 8 IV 03 (3423); Prainha, cam- 
po alto, 9 V o3 (3592). 
Área geogr. : Brazil sept. — America central. 

(,■ Dioclea densiflora Hub, n. sp. (§ Pachylobium). 

Liana alte scandens ramulis junioribus striatis pilis 
longis patentibus vestitis et insuper breviter ochraceo- 
tomentellis. Siipulae semisagitiatae lobis subaequalibus 
triangulari-lanceolatis ca. 8 mm longis acutis. Petioli 
ad 12 cm longi molliter ochraceo-tomentosi. Stipellae 
subulatae 7 mm longae. Foliola lateralia ovata basi oblique 
truncata, médium late ellipticum (l3 — ISX^ — 9 cm) 
basi latissime subcuneatum, omnia ápice longiuscule 
(1 cm) abrupte acutssimeque cuspidata herbaceo-char- 
tacea supra sparse infra dense pilis brevibus adpressis 
ochraceis vel albescentibus vestita, nervis secundariis 
utroque latere 12 — 15 subrectis infra valde prominen- 
tibus venulis maioribus transversalibus subparallelis. 
Inflorescentiae in ramis adultis singulae validae ascen- 
dentes ad anthesin ca. 20 cm longae densiflorae ápice 
bracteis subulatis ad 1,5 cm longis ciliatis comosae, 
glomeriilos florigeros siibsessiles fere ad basin gerentes, ad 



407 Materiaes para a Flora amazonica 



5 cm crassae angulatae adpresse rubiginoso-tomentosae. 
Flores ad anthesin pedicello 3 mm longo instructi, 
bracteolae orbiculatae 2 mm diâmetro metientes subper- 
sistentes. Caíyx ohlique campannJatiis basi striaiiis extus 
pilhe ãdpressa fiisconitente vestifiis, lóbulo snperiore brevi 
laiissirno (j mm) recurvo glabrcscente late scarioso-mar- 
ginaio ad tertiiim lon^itudinis bilobo, lateralibus paulo 
longioribus late falcatis acutis hinc scarioso-marginatis, 
inferiore longíssimo (ad 1 cm longo) angusto coriaceo 
incurvo. Corolla laete violácea e calyce fusco-nitente pul- 
chre exstat. Vexillum orbiculare ad 2 cm latum breviter 
unguiculatum, callo auriculisque inflexis bene evolutis. 
Alae carinam paulo superantes sicuí carina longius 
quam vexillum (ca. 6 mm) unguiculatae, lamina obli- 
que obovata basi hinc auriculata. Carina inflexo-rostrata. 
Stamina alterna breviora antheris minimis sterilibus. 
Ovarium lineari-lanceolatum dense adpresse pilosum 4- 
ovulatum, stylus superne glaber paulo dilatatus. Le- 
gumen non suppetit. 

Species ex aliinitate Diocleae violaceae Mart. (Brasil 
oriental, Guiana)^ qua diífert indumento densiore, nodis 
floriferis subsessilibus, calyce pube fusconitente vestito, 
lóbulo superiore emarginato, carina alis vix breviore. 
A D. rufescenie Benth. (Brasiliae centralis) non nisi inflo- 
rescentiis bracteis subpersistentibus comosis nodis flori- 
feris omnibus approximatis calyceque haud rufo-villoso 
sed adpresse fusco-piloso differre videtur. 

Dioclea glabra Benth. 

Monte Alegre, campos, 16 VII 02 (2858). Serra 
de Ereré, 21 VII 08 (9507 leg. E. Snethlage); Prainha, 
capueira, 10 V o3 (36o8): Alto Ariramba, campina- 
rana, 22 XII 06 (80Ó5;. 
Área geogr. : Brazil central e oriental — Guiana anglica. 

Em contradicção com a descripção de Bentham 
na Flora Brasiliensis, onde se lê : « pedunculus crassus 
ultrapedalis, jam infra médium floribundus » os nossos 
espécimens mostram todos inflorescentias bastante es- 
guias e floridas só no terço superior. 



Materiaes para a Flora amazqnica 408 



Dioclea bicolor Benth. 

Almeirim, capueira 18 XII 02 (3o68). 
Área geogr. : Amazónia (Pará — Coary). 

Dioclea lasiocarpa ]\Iart. 

Monte Alegre, Rio Maecurú VIII 98 leg, E. Sne- 
thlage (9539); Faro, beira da várzea, 15 VIII O? (8846), 
Monte Alegre, perto do Paraná, 17 VII 02 (2881). 
Área geogr. : Amer. trop. 

Dioclea ntacrantha Hub. n. sp. {§ Eudioclea). 

Caulis volubilis sublignosus ferrugineo-puberulus. 
Folia trifoliolata. Stipulae brevissimae late triangulares 
basi incrassatae, petiolus circiter 5 cm longus (ut pe- 
tioluli nervique foliolorum subtus) densius fulvo-pube- 
rulus vel subtomentosus. Foliola lateralia ovata (7 — 8 
y^/\. — 5 cm) basi leviter inaequalia rotundata vel leviter 
emarginata, termmale obovatum paulo maius, omnia 
ápice breviter obtuseque acuminata et saepe breviter 
aristulata membranacea utrinque minutissime molliter- 
que pubescentia supra obscure subtus laete viridia. 
Racemi axillares singuli vel bini longissimi (40 — 50 
cm) glabrescentes ad 2/3 longitudinis nudi tertio supe- 
riore floribundi minute ferrugineo-puberuli, floribus vulgo 
ternis vel quaternis, pedicellis nodo incurvo vix pedun- 
culato insertis circiter 7 mm longis gracilibus ferrugineo- 
puberulis, hracleolis laie ellipiicis alabastra involventibus 
ápice rotundatis vel brevissime apiculatis ad 15 mm 
longis 8 mm latis membranaceis nervoso-striatis, alabas- 
tris acutis. Calyx membranaceus nervosus rubescens extus 
glaber intus minutissime adpresse puberulus, tubo cur- 
vato ad 15 mm longo, lobis angustis superiore et inferiore 
tubo subaequilongis, lateralibus brevioribus, omnibus 
acutissimis. Vexilli iimbus 45 mm longus 22 mm latus 
ápice leviter emarginatus basin versus cuneatus et minute 
auriculatus, ungne ad 10 mm longo gracili complicato. 
Alae oblongae rectae vexillo subaequilongae vix 1 cm 
latae basi hinc angulo acuto productae, longe graciliter- 
que unguiculatae carinae subconformes sed basi minus 



409 Materiaes para a Flora amazonica 



distincte productae, margine superiore dentatae apicem 
versus sibi invicem adhaerentes. Stamina ultra médium 
monadelpha aequalia. Ovariam substipitatum angustis- 
simum pluri( 15 )-ovulatum praecipue marginibus paulo 
incrassatis adpresse pilosum sensim in styium superne 
glabrum angustatum; stigma minutum teiminale, 

Species bracteolis magnis membranaceis, petaiis 
maximis elongatis rectis insignis. 

Hab. : Almeirim, capueiras, 16 IV 03 leg. A. Ducke 
(3484). 

^ Dioclea fimhriata Hub. n. sp. {^§ Eudioclea), 

Caulis alte volubilis sublignosus ochraceo-tomen- 
tosus. Folia trifoliolata. Stipulae breves (3 mm) ovato- 
triangulares acutae extus striatae glabrae margine ci- 
liatae persistentes. Petiolus 2 — 5 cm longus. ut petioluli 
brevissime denseque ochraceo-tomentosus. Foliola eliip- 
tica (5 — 10X2,5 — 5 cm) lateralia obliqua, terminali in- 
terdum basin versus subcuncato, basi rotundata vel 
subcordata, ápice breviter acuminata vel acuta et bre- 
viter aristulata utrinque velutina supra fuscescenti-viridia 
subtus pallidiora. Racemi axillares demum ad 40 cm 
longi supra médium in nodis breviter pedunculatis in- 
curvis floriferi, adpresse ochraceo-puberuli mcx gla- 
brati. Bracteae orbiculato-ovatae 2,5 mm longae cadu- 
cissimae. Pedicelli graciles haud ultra 7 mm longi. 
Bracteolae ovato-oblongae (SX^ mm) obtusiusculae, 
coloratae, haud distincta venoso-striatae. Calyx mem- 
branaceus haud nervosus extus glaber rubro et albo- 
striolatus intus adpresse-pubescens tubo incurvato vix 
10 mm longo, lobo superiore brevissime bidentato, in- 
feriore acutissimo tubo aequilongo vel paulo longiore, 
laterahbus paulo brevioribus obtusiusculis. Vexillum 
cum ungne vix 5 cm longum vel brevius basi longius 
attenuatum et spurie auriculatum ungue vix 5 mm lon- 
go. Alae carinaque vexillo subaequilongae rectae, alae 
supra unguem altero latere acutius protractae quam 
in specie praecedente altero latere auricula minuta ins- 
tructae, carinae simpliciter in unguem contractae mar- 



Materiaes para a Flora amazonica 410 



g-ine superiore médio solemniter fimbriatae. Stamina 
submonadelpha, filamento vexillari ultra médium con- 
nato, antheris onmibus conformibus fertilibus. Ovarium 
sessile angustissimum pluriovulatum (15) adpresse albo- 
pilosum in stylum superne giabrum sensim attenuatum, 
stigmate minuto terminali. Legumen sessile lineare 10 
cm longum 2 cm latum valde compressum adpresse 
pubescens ápice acuminatum, sutura superiore leviter 
incrassata 3-costata, semina numerosa transversalia 
(haud matura) oblonga hilo lineari semicincta. 

Species praecedente similis, bracteolis angustiori- 
bus crassioribus floribus minoribus (sed tamen pro ge- 
nere maximis), carinis insigniter fimbriatis distincta. Et- 
iam D. sericeae H. B. K, imprimis habitu similis, sed 
foliis subtus haud argenteo-sericeis, calycibus glabris, 
Carina fimbrita differt, 

Hab. in silvis ad fl. Marapy (Prainha), 16 V 03 (3577) 
et ad ripam fl. Jamundá inferioris (Lago de Faro), 
14 VII 03 (3726) leg A. Ducke. 
Estas duas espécies que pelas bracteolas grandes, pelas 
antheras eguaes e pelo ovário multiovulato approxi- 
mem-se da D. lasiocarpa, constituem, pelo tamanho e 
pela forma das pétalas, uma transição ao género Cam- 
ptosema do Brazil central e meridional. 

Dioclea macrocarpa Hub. n. sp. (^ Eudioclea). 

Liana altissime scandens ramulis teretibus striatis 
parce puberulis vel glabrescentibus. Folia longe petio- 
lata trifoliolata foliolo terminali 3 — 5 cm a lateralibus 
distante, stipulae minutae triangulares acutae basi callo- 
sae haud productae. Petiolus 15 cm longus. Foliola breviter 
(5 mm) calloso-petiolulata ampla (14 — l6X9 cm) ovata 
vel elliptica vel leviter obovata. basi late rotundata bre- 
vissimeque in petiolulum contracta ápice satis abrupte 
breviter obtuseque acuminata herbaceo-membranacea í?-/rt- 
hra, nervis secundariis utroque latere 4 — 8 arcuatis subtus 
prominulis venarum rete utrinque prominulo. Inflores- 
centiae ad 3o cm et ultra longae axi 3 mm crassa 
flexuosa (ápice incurva) fusco-tomentella vel giabrescens 



41.1 Materiaes para a Flora amazonica 



usque infra médium florifera, nodis floriferis 5 mm vel 
demum ad 8 mm longe pedicellatis valde incrassatis 
incurvis Pedicelli floriferi graciles 5 mm longi, bracteolis 
minutis orbiculatis (l V2 rnm) extus ferrugineo-tomen- 
tellis valde fugacibus. Flores violacei. Calyx late obliqua 
campanulatus extus minutissime adpresso-puberulus intus 
sericeus lobo superiore ápice rotundato inferiore reli- 
quos paulo superante (8 mm longo) magis coriaceo 
naviculari ápice incurvo. Vexillum orbiculare gracile 
unguiculatum (ungue 5 mm longo) médio ad basin bi- 
calloso auriculis parvis inflexis instructum demum reíle- 
xum. Alae falcato-obovatae hinc auriculatae, carinam 
paulo superantes. Carina geniculata obtusa rostrata. An- 
therae omnes subaequales fertiles. Ovarium sessile lineari- 
oblongum pluviovulatum extus dense fulvo-pilosum stylo 
ca. 8 mm longo supra glabresente lanceolato-dilatato. 
Lcgumen (haud plane maturum) maximum ca. 3o cm 
longum 6 cm latum ápice breviter acutatum crasse co- 
riacaum suturis paulo inciassatum. extus fulvo-hispidu- 
lum partim glabrescens, seminibus 5 orbicularibus 
compressis (cm diâmetro) nigris hilo brevi elliptico. 

Hab. in regione fl. Arirambae superioris ad mar- 
gines silvarum 24 XII 06 leg. A. Ducke (8071). 
Species antheris uniformibus, ovário pluriovulato et aliis 
caracteribus ad sectionem Eudioclea pertinet, sed le- 
gumine máximo seminibus hilo brevi instructis ab 
aliis speciebus differt et sectioni Platylobiiim affinis; 
fortasse adhuc cum D. gíahra confusa. 

Cleohidia Uianiha Benth. 

Óbidos, capueira, 27 VII 02 (2S87); Faro, capu- 
eira, 15 VIII 07 (8351). 

Área geogr. ; Esta espécie, próxima parente da Cho- 
bulia muhijiora Mart. do Brazil central (Minas, Rio 
de Janeiro), foi até aqui só encontrada em Santarém 
(Spruce); a terceira espécie (C. diocleoides Benth.) é 
do Brazil meridional. 

Can avalia aff. picla Mart. 

Monte Alegre, rio Maecurú, 3o VII 08 leg. E. 
Snethlage (953o). 



Materiaes para a Flora amazonica 412 



Área geogr. : A C. picia é indicada na Flora Brasilien- 
sis como crescendo nos Estados de Rio e de Minas. 
O nosso espécimen concorda bem com a descripção, 
com excepção da cor das ílôres que é branca no 
nosso exemplar, emquanto que ella é indicada como 
violácea na C. picta. 

Rhynchosia phaseoloides DC. 

Prainha, capueira, 10 V 03 (3605). 
Área geogr. : Amer. trop. 

Er i o se ma siniplicifoliuiii Walp. 

Almeirim, campo, 16 XII 02 (3o66). 
Área geogr. : Brazil cantral — Columbia. Bastante fre- 
quente nos campos altos de Marajó. 

Eriosema crinitum E. Meycr. 

Arrayollos, campo geral, 23 IV 03 (351 1) 
Área geogr.: Amer. merid. trop. et subtrop. 

Phaseolns pedunciilaris H. B. K. 

Monte Alegre, campo de Ereré, 21 VII 08 leg. 
E. Snethlage (9519)- 
Área geogr. : Brazil sept. — Amer. centr. 

Phaseolns lasiocarpus Mart. 

Rio Negro, Barcellos, beira do rio, l3 VI 05 (7116). 
Área geogr.: Brazil septentr., Guyana. 

Phaseolus semierectus L. (typo). 

Faro, capueira^ 15 VIII 07 (8355). 
Área geogr.; Amer. trop. 

Oxalidaceae. 

í, Oxalis jiiruensis Harms in Verh. Bot. Ver. Prov. Brandenbg. 
XLVIII p. 173 (190Ó) var. emarginata Hub. n. var. 
foliolis ápice rotundatis emarginatisque. 

Almeirim, Arum.anduba, castanhal. 3 V 03 (3551). 
Área geogr. : O typo foi descoberto por Ule no alto 
Juruá. 



41 3 Materiaes para a Flora amazonica 



Linaceae. 

Hebepefalum hiuniriifolinm (Planch.) Benth. (?) 

Região do alto Ariramba, campina-rana, 22 XII 
06 (8044)- 
Área geogr. : Guiana. 

Conhecem-se duas espécies d'este género, que foi creado 
por Bentham (Bentham et Hookcr, Genera Plantarum 
Vol. I p. 244), mas que outros auctores (Reiche in 
Nat. Pjlanienj. III. Teil, IV. Abth. p. 84) confundem 
com o género Roucberia Planch.; estas espécies são: 
Hebepetalum humiriifolium (Planch.) Benth., da Guiana, 
e H. latifolium (Spruce) Benth., da Amazónia. Apezar 
de não ter ás mãos uma dcscripção sufíiciente, penso 
que devo attribuir os nossos espécimens á primeira es- 
pécie, devido á grande semelhança que as suas folhas 
têm com as da Hiimiria floribiinda. Uma espécie que é 
bastante commum nas mattas dos arredores de Belém, 
tem as folhas maiores e as paniculas mais amplas; sup- 
ponho que seja o H. latifolimii. 

Humiriaceae. 

Saccogl oitis gtiyanensis Benth. (emend.) 

Campos a E de Faro, 27 VIII 07 (8524); Lago 
de Faro, matta da beira, ló VIII 07 (8362). 
Área geogr. ; Pará, Guyanas. 

Saccogíottis cuspidata (Benth.) Urb. 

Faro, campina entre as serras do Dedal e da Iga- 
çaba, 4 IX 07 (8628). 
Área geogr. : Rio Negro (Manáos, Uaupés). 

Saccogíottis Duckei Hub. n. sp. 

Ramuli glaberrimi fusco-luciduli lenticellis albis 
lanceolatis inspersi. Folia petiolo 5 — 10 mm longo ins- 
tructa, lamina elliptico- vel rarius ovato-oblonga (12 
— 15X4 — 5 cm) basi brevissimc in petiolum contracta 
ápice sensim acuminata margine undulato-crenata dure 



Materiaes para a Flora amazonica 414 



coriacea supra distincte prominule-reticulata, venulis 
subtus immersis et nervis solum prominulis. Inflorescen- 
tiae pedúnculo 2 cm longo insctructae ter dichotomae 
brevissime hirtellae vel glabrescentes, bracteis rotundatis 
et ovatis eglandulosis, floribus 3o — 40 subsessilibus. Se- 
pala latissime imbricata extus valde rugosa. Pétala co- 
riacea oblongo-ovata. 3 mm longa, glaberrima extus 
nervoso-reticulata decidua. Staiiiina 20. quorum j solum 
ápice trifida, et ea quidem antheris lateralihus sterilibus 
loculis nullis. Squamae cupulae hypogynae 10 distinctae 
(vel per paria subconnatae) lineari-oblongae ápice bi- 
dentatae. Ovarium globosum abrupte in stylum ei aequi- 
longum contractum. 

5. dichotomae Urb. (Surinam) proxime affinis^ differt 
inflorescentiis minoribus, bracteis egiandulosis, petalis 
deciduis et staminum conformatione^ qua inter omnes 
hujus generis species insignis. 

Hab. Rio Negro, Barcellos, ad ripam, 23 VI 03 (7174) 
leg. A. Ducke. 

Saccoglottis spec. 

Região do alto Ariramba, campina-rana, 21 XII 

06 (8042). 

Espécimen incompleto. Fructo (ainda não maduro) 
oblongo e acuminado, como no Saccoglottis oblongifoíia 
(Benth.) Urb. do Rio Negro. 

Humiria fioribiinda Mart. «Umiry». 

Lago de Faro, praia, 15 Vil 03 (3715) e 20 VIII 

07 (8410); Óbidos, beira do lago, 12 VII 05 (72l3); 
região do alto Ariramba, campina-rana. 20 XII Oó (8029); 
campos do Ariramba, 22 XII OÓ (8079): rio Mapuera, 
campina a N E do Taboleirinho, 12 XII 07 (9123). 
Área geogr. : Brazil e Guianas. 

Erythroxylaceae. 

Erythroxylum macrophyUiim Çdi\.{§ Alacrocalyx). 

Rio Mapuera, abaixo da Égua, matta, arbusto. 4 



415 Materiaes para a Flora amazonica 



XII 07 (9035); Rio Negro, Barcellos, beira do alagado 

9 VI 05 (7092). 

Área geogr.: Rio Negro, Guiana. Peru oriental. 

Erylhroxyhim aniplum Benth. (§ Rhabdophyllum). 

Castanhaes a E. do Lago Salgado, arbusto, 26 
XI 07 (8904). 
Área geogr. : Rio Negro, Guiana ingleza e hollandeza. 

^ Erythroxylum filipes Hub. n. sp. (^ Rhabdophyllum). 

Frutex ramulis teretibus laevibus fuscescentibus. 
Folia ampla breviter petiolata, petiolo 6 mm longo, la- 
mina elongato-obovato -oblonga (20X5 — 6 cm) basin ver- 
sus longius subcuneata ipsa basi breviter in petiolum 
contracta ápice brevissime acuminata subcoriacea sicca 
supra fuscescente subtus fulva utrinque inprimis subtus 
laxe prominulo-reticulata. Stipula valida petiolum ae- 
quans vel superaus bicarinata valde striata. Ramenta 
laxe disposita late triangulari-ovata stipulis breviora. 
Flores in axillis ramentorum et foliorum in nodis glo- 
bosis dense fasciculati, prophyllis ovatis acuminatis co- 
riaceis striatis, pedicellis S—^ mm longis gracilibus fili- 
formibus ápice paulo incrassatis. Sepala vix 2 mm longa 
ovato-lanceolata acuminata distincte marginata. Pétala 
4 mm longa. Urceolus stamineus calyce brevior. 

Species E. amplo affinis pedicellis gracillimis insi- 
gnis. 

Hab. ad fl. Trombetas circa vicum Oriximiná in silvis. 
leg. A. Ducke, 8 XII oó (7878). 

Erythroxylum ciirifolium St. Hil. {§ Rhabdophyllum). 

Óbidos, capueira, 5 VIII 02 (2909), 20 XII 07 

(9174 a). 

Área geogr.: México — Brazil meridional. Os nossos 
espécimens tem em parte as folhas arredondadas na 
base e munidas d'um peciolo muito curto, approxi- 
mando-se por isso do E. micrantlmm Bong., espécie 
da Amazónia central; porém, como este caracter não 
é constante, me parece melhor citar as nossas plan- 
tas sob o nome de E. citrifolium. 



Materiaes para a Flora amazonica 416 



Erythroxylum Duckei Hub. n. sp. {§ Rhabdophyllum) 

Frutex ramis gracilibus testaceo-cinereis, ramulis 
fuscescentibus sparse lenticellosis novellis valde com- 
pressis. Folia breviter petiolata, petiolo 3 — 4 mm long:o, 
lamina elliptico- vel rarius obovato-lanceolata (7 — 12X 
3 — 4 V2 cm) basi cuneata ápice longiuscule sed obtuse 
acuminata saepeque insuper minute apiculata chartacea 
sicca utrinque opaca supra griseo-fusca subtus olivacea 
plicis saepe distinctis, nervo médio inprimis subtus pro- 
minente, secundariis angulo quasi recto exeuntibus supra 
vix distinctis infra paulo prominulis. venulis utrinque 
indistinctis. Stipula petiolum aequans tenuiter striata 
ápice breviter 2 — 3-aristata. Ramenta pauca laxa inter- 
dum valde remota basi lata superne saepius valde an- 
gustata apiceque et supra basin breviter aristata, aristis 
caducis. Flores in axillis ramentorum vel foliorum 5—10 
dense glomerati prophyllis ovatis cuspidatis, pedicellis 
brevibus (2 mm). Sepala 1 Vá ^^ longa acuminata. 
Pétala circiter 3 mm longa, ligula duplicata lobo inflexo 
latíssimo. Urceolus stamineus truncatus sepalis duplo 
brevior. Ovariuiii subglobosiim ápice depressum, st3'lis tri- 
bus distinctis stigmatibus depresso-capitatis. 

E. paraensi Peyr. (Manáos) foliorum forma et aliis 
characteribus proxime accedit, sed differt foliis paulo 
maioribus subcoriaceis pedicellis brevioribus floribusque 
minoribus. ( * ) Hoc charactere ad E. micranthum Bon- 
gard (Santarém) tendit, quae species autem foliis basi 
rotundatis supra nitidis et stipula petiolo duplo longiore 
ab E. Duckei facile distinguitur. E. ama:ioniciini Peyr. 



( * ) A foi"ma das estipulas no E. paraense seria segundo a dt^cri- 
pção original de Peyritscii « triangularis acuminata», emquanto que O. E. 
Schulz na sua monographia ( Pf lanzenreich, Eiytliroxylaceae p. 36) fala de 
<■ stipulis obtusissimis », o que realmente concoi'da com os espécimens que 
Ule ( n. 6437 ) colleccionou em Tarapoto. Não creio entretanto que estes es- 
pécimens possam ser classificados na espécie do Peyritsch. Achamo-nos di- 
ante do dilemma de distinguir minuciosamente todas estas espécies que se 
grupam ao redor do E. citrifolinm, ou então de reunir todas ellas n"um só 
grupo especifico. 



41/ Materiaes para a Flora amazoxica 



secundum descriptionem originalem stipula petiolo duplo 
longiore a specie nostra differt. Ab E. ciírifolio St. Hil. 
in America australi trópica late diffuso specimina nostra 
foliis brevius petiolatis supra haud nitidis íloribus mi- 
noribus et urceolo stamineo breviore differunt. 
Hab. ad fl. Cuminá leg. A. Ducke XII igoó (7907). 

y Erythroxylum recurrens Hub. n. sp. [§ Archerythroxylum). 

Frutex ramis ramulisque gracilibus, lenticellis line- 
aribus longitudinaliter rimosis. Folia petiolo gracili ad 
7 mm longo instructa, lamina elliptica (5 — 8X2-5—3,5 
cm ), basi breviter acutiuscula ápice acuta breviterque 
mucronata firme membranacea, supra fuscescente niti- 
dula, subtus palli.diore opaca distincte bilineata nervis 
secundariis venis vix crassioribus e nervo centrali an- 
gulo recto exeuntibus vel saepissime retrorsum inflexis, 
venis utrinque prominulis inprimis supra cum nervis 
secundariis densissime reticulato-anastomosantibus. Sti- 
pulae ramentaque ut in E. coca. Flores in axillis ra- 
mentorum et foliorum pauci, pedicello ad 5 mm longo 
gracili, cahxe profunde diviso lobis circa 1.5 mm lon- 
gis ovatis acutis urceolo stamineo calyce breviore. 
Fructus (unicus adest) sulcato-cylindricus 11 mm lon- 
gus 2,5 mm crassus ápice obtusus. 

Species E. coca Lam. valde affinis, differt petiolis 
longioribus, foliorum nervatione, fructo cylindrico mul- 
to longiore. 

Hab. prope Barcellos ad P^luvium Xigrum (Rio Xegro), 
25 VI 05 (7199) leg. A. Ducke. 

^ Erythroxylum trinerve Hub. n. sp. {§ Archerythroxylum). 

Frutex ramis validis ramulisque curvatis cortice 
cinereo-fuscescente rimoso obtectis. Folia petiolata, pe- 
tiolo 3 — 5 mm longo lamina late elliptica (5 — 10X3 — 
5 cm) basi acuta ápice breviter obtuseque acuminata 
utrinque lucidula superne casfanea subiiis rujescente, adul- 
ta coriacea plicis destituta, nervo médio supra exsculpto 
infra prominulo secundariis angulo subrecto abeuntibus 
arcuatis utrinque prominulis reie venarum utrinque im- 



Materiaes para a Flora amazonica 418 



merso. Stipula petiolo brevior haud striata dorso bica- 
rinata ápice triaristata. Ramenta in quovis latere bra- 
chycladi ' vulgo 6 circa I.5 mm longa crassiuscula 
primum imbricata demum patentia et 2 mm distantia, 
dorso supra aristata, arisla valida partem vaginaleDi 
super ante et suhpersistente ( cf. E. aristigerum Peyr.). 
Pedicelli in axillis ramentorum vulgo singuli. fructiferi 
6 — 7 mm longi validi quinqueangulares, supra paulo 
incrassati, prophylla minuta. Sepala circiter 2 mm lon- 
ga ovata breviter acuminata saepiíis distincte trinervia. 
Urceolus stamineus calyce duplo brevior. Fructus line- 
ari- vel obovoideo-oblongus (l2 — l3X3 — 4 mm). 

Species foliis coriaceis sepalis trinerviis fructuque 
elongato insignis, E. squamato Sw. (Guiana, Antillae) 
et inprimis E, aristioero Peyr. (Santarém) proxime acce- 
dit, sed differt ab illo stipulis longius aristatis haud 
striatis, sepalis maioribus, urceolo stamineo sepalis haud 
longiore sed duplo breviore, drupa longiore, ab hoc 
inprimis foliis brevius petiolatis minoribus crassioribus- 
que. 

Hab. in campis fruticibus repletis (campina-rana dictis) 
ad flumen Ariramba superius leg. A. Ducke, 21 XII 
. oó (8035). 

Erythroxyíiim Spruceaniim Peyr. [§ Archerythroxylum). 

Rio Negro, Barcellos, igapó. 2 VII 05 (TIQO). 
Área geogr. : Uaupés. As folhas dos nossos espécimens 
são um pouco menos obtusas do que as do typo. 

Erythroxyluin cordato-ovatum Hub. n. sp. {§ Archery- 
throxylum). 

Frutex humilis (Ducke) squarroso-ramosus, ramis 
striatis cortice longitudinaliter rimoso et hic inde trans- 
verse fisso obtectis. Ramuli distichi patentes ápice pau- 
cifoliati, novelli compressi substriati pruinosi. Folia ad 
apicem brachycladorum vulgo 2, petiolo 3 — 4 mm longo 
gracili instructa, lamina ovata (3—5X2—2,5 cm) basi 
leviter cordata ápice obtuse producta subcoriacea utrin- 
que prominente reticulata nitidula, supra obscure subtus 



419 Materiaes para a Flora amazonica 



dilute viridi, nervo primário subtus fuscescentc. Stipula 
vix 1,5 mm longa enervis margine scarioso aliquid de- 
currens ápice vix setulifera. Ramenta ad basin innova- 
tionum vulgo pauca crassiuscula inferiora conferta arisla 
bre"\'i ad médium inserta. Flores in axilUs ramentorum 
superiorum vulgo singuli vel bini prophyllis minutis 
late triangularibus brevissime aristulatis, pedicello ad 2 
mm longo ápice valde incrassato, calyce 1 mm longo 
fere ad basin diviso, lobis ovato-triangularibus acutius- 
culis, petalis oblongis (3 mm longis) ápice rotundatis, 
ligulae auriculis lateralibus anticis rotundatis quam posti- 
cae 2-plo longioribus, lóbulo commissurali minuto obtuso. 
Urceolus stamineus (in floribus brachystylis) calycis lobis 
aequilongus vel paulo longior orifício leviter crenatus, 
staminibus aequilongis. ovarium oblongo-obovoidum ur- 
ceolum staminigerum paulo superans, stylis staminum 
médium vix attingentibus. Fructus deest. 

Species ramulis divaricatis foliis cordato-ovatis sti- 
pulis brevissimis insignis. 

Hab. in campis ad orientem oppidi Faro sitis, Q IX 07 
leg. A Ducke (8Ó8Ó). 

^ Erythroxylum alemquerense Hub. n. sp. {§ Archerythro- 
xylum). 

Frutex ramis fuscis lenticellis sparsis albis haud 
elevatis, ramulis erecto-patentibus brevissimis vel elon- 
gatis gracilibus novellis compressis fuscis striatis caete- 
rum laevibus. Folia petiolo gracili circiter 4 mm longo 
instructa, lamina obovato- vel saepius elliptico-lanceolata 
(4 — loX^ — 5 cm) vulgo acuminata acumine curvato 
obtuso minutissimeque apiculato, rarius obtusa retusa- 
que membranacea utrinque nitidula sicca supra castanea 
subtus pallidiore, nervo primário supra applanato subtus 
valde prominente colore rubro-fusco insigni, nervis se- 
cundariis irregularitcr flexuosis venisque dense reticulatis 
utrinque argute prominentibus. Stipula petioli médium 
aequans vel paulo superans triangularis estriata trise- 
tulosa setis lateralibus stipulae médium superantibus 
interdum reflexis. Ramenta in brachycladis plus minus 



Materiaes para a Flora amazonica 420 



dense imbricata in macrocladis remotiora diu persistcntia 
triangularia dorso carinato-canaliculata paulo supra basin 
aristata. Flores in axillis ramentorum superiorum folio- 
rumque vulgo 1 ad 2, rarius 3, pedicellis gracilibus 
4 — 5 mm longis angulatis ápice incrassatis. Prophylla 
late ovata acutissime acuminata. Sepala ad médium 
connata parte parte libera ad 1 mm longa late trian- 
gulari-ovata acute acuminata demum saepe patentia. 
Pétala oblonga 3,5 nim longa ligula duplicata lobis la- 
teralibus anticis concavis margine erosulis lobo commis- 
surali minuto integro dorso concavo, lobis lateralibus 
posticis quam lobi laterales antici duplo brevioribus 
lobo inflexo conjunctis. Urceolus stamineus sepalis paulo 
longior sinuato-quinquedentatus: stamina (in forma lon- 
gistyla solum visa) alterna dentibus superposita et bre- 
viora, alterna sinubus imposita longiora. Ovarium ovoi- 
deo-oblongum, styli 3 distincti. stigmatibus minute ca- 
pitatis. Fructus ovoideo-oblongus 10 mm longus 4 mm 
/■ crassus ápice acutiusculus. 

E. anguifugo Mart. ( Brazil centr., Paraguay) affi- 
nis videtur et foliorum nervatione similis sed forma 
et magnitudine dissimilis. 
Hab. in silvis inundatis ad villam Alemquer, 27 XII 03 

leg. A. Ducke (4915); Óbidos, capueira. 20 XII 07 

(9174 b). 

Erythroxylum lenticellosum Hub. n. sp. {§ Microphyl- 
lum ?). 

Frutex vix metralis ramis cortice rimoso plúmbeo 
munitis, ramulis fuscis lenticellis primum ochroleucis 
demum cinerascentibus densissime obtectis. Folia bre- 
viter (2 — 3 mm) petiolata obverse lanceolata 3 — ó cm 
longa a triente superiore 10 — 16 mm lato basin versus 
longiuscule cuneato-angustata ápice obtusa vel saepius 
in acumen obtusum sensim angustata chartacea plicis 
destituta supra saturate viridia subtus pallidiora. Stipu- 
la petiolum paulo superans haud striata, ápice longiuscu- 
le hi- vel triaristata margine brevíter ciliata. Ramenta vix 



421 Materiaes para a Flora amazonica 



ultra 4 in quoque latere piimum dcnse demum laxiuscu- 
le imbricata dorso sub médio longiuscule aristata. aris- 
ta caduca. Flores singuli axillares, pedicello 5 — 6 mm 
longo gracili. sepalis vix 1 mm longis ovato-triangula- 
ribus acuminatis angustissime marginatis, petalis sepalis 
triplo longioribus, urceolo staminco sepalis paulo bre- 
viore, filamentis stylis discretis duplo longioribus (in 
forma biachystyla). 

Species ramulis eximie lenticcllosis stipulis ciliatis 
foliisque basin versus longius cuneatis insignis, E. aiiici- 
folio (Mart. ) O. E. Schulz, Brasiliae centralis incolae 
aííinis videtur, sed íloribus macroslylis haud pracsenti- 
bus quoad sectionem incerta. 

Hab. in regione íl. Ariramba ad ripas affluentis Jara- 
macarú dicti. leg. A. Ducke, 21 XII 06 (S051). 

Erythroxylum Mapuerae Hub. n. sp. {§ i\íicrophyllum ?). 

Fiutex lamiá clongatis strictis leviter rimosis ramu- 
lis plus minus patentibus leviter inflexis vel deflexis gra- 
cilibus. novellis nigrescentibus lenticellis ílavidis densissi- 
me verrucosis. Folia petiolo 2 — 2 V2 nn"^ longo crassius- 
culo instructa. lamina elliptico- vel obovato-lanceolata (5 
— 9X2 — 3.5 cm), basi breviter cuneata et acuta vel obtu- 
sa, ápice in acumen obtusum sensim protracta, firme 
membranacea utrinque opaca fuscescente subtus palli- 
diore, nervis secundariis praecipue subtus acute promi- 
nulis, venis utrinque prominulo-reticulatis. Stipula mi- 
nuta petiolo brevior vel eum setulis longiusculis aequans 
vel paulo superans estriata haud distincte ciliata. Ra- 
menta laxiuscula vel inferiora pauca densiora stipulis 
saepe maiora laevigata subpersistentia. Flores in axillis 
ramcntorum vel foliorum 2 — 3. breviter (vix 2 mm) 
pedicellati. prophyllis brevissime acuminatis margine 
laceris. Calyx l V2 'ti'^ longus ad - ^ divisus lobis ovato- 
triangularibus acutis. Pétala oblongo-ovata (3 mm lon- 
ga) ápice cucullato angustata obtusa vel acutiuscula. 
Urceolus stamineus calycis lobis distincte brevior, sta- 
mina (in floribus dolichostylis) inaequalia, ovarium glo- 
boso-obovoideum ápice truncatum urceolum stamineum 



Materiaes para a Flora amazonica 422 



paulo superans, styli infra médium irreguiariter connati 
(ínterdum plane liberi). Drupa fusiformi-ellipsoidea 8 
mm longa 3 mm crassa. 

Species praecedenti affinis. differt ramulis paten- 
tibus stipuiis minoribus vix íimbriatis. folíis maioribus 
minus distincte cuneatis, íluribus brevius pedicellatis. 
Hab. in siivis ripariis ad fl. Mapuera, ad cataractas 
« da Escola » nuncupalas, 2 XIÍ 07 leg. A. Ducke 
_ (9007). 

Rutaeeae. 

Fagara caudata Hub. n. sp. 

Arbuscula ramulis graciiibus inermibus ápice fo- 
liúsis, cortice cineieu-fuscíj irregulariter rugoso tubercu- 
latoque. Folia elongata ultra 20 cm longa impari- vel 
abrupte pinnata petiulo gracili terete inermi, foliolis )- 
fugis úppõsiiis longiuscule ( circiter l cm) peúoliilalis 
ovato-lanceolãlis (6X2-5 — 3 cm) Itviler inaeqnilaleris, 
basi breviUr oblique in petiolum decurnntibus ápice cau- 
dato-acuminatis acamine ápice 2 mm lato triincato emar- 
ginatú, margine subrevolutis integerrimis vel interdum 
obscure sparseque crenatis utraque pagina glaberrimis 
membranaceis solemniter gianduloso-punctatis. Panicnlae 
(fructíferae solum visae) paucae axillares brevissimae ra- 
cemiformes (haud ultra 2 cm longae), pedicellis fructi- 
feris vix 1 mm longis, sepalis 5 ovato-trianguiaribus, 
fructu unicocco pyriformi subgloboso ca. 1 cm longo 
6 — 7 mm lato basi in stipitem brevem contracto, ápice 
stylo brevi crasso acuminato densissime gianduloso- 
tuberculato atro, endocarpio haud soluto, semine sub- 
globoso leviter compresso aterrimo nitidulo. 
Hab. Oriximiná, in siivis, 8 XII Oó leg. A. Ducke 

(7879)- 
Apezar de representada apenas por um exemplar frucli- 
fero, esta espécie me parece bastante bem caracte- 
risada para ser differenciada das outras já conhe- 
cidas. 



423 Materiaes para a Flora amazunica 



Gaíipca Irifoliata Aubl. 

Óbidos, capucira. 5 VII 03 (3677). 
Área geogr. : Amazónia. Guiana. 

Ravenia ainazonica Hub. n. sp. 

Frutcx humilis ramis dichotomis gracilibus striatis 
novellis puberulis. Folia opposita leviter inaequalia pe- 
tiolo 1 — 3 cm longo gracili ápice arliculato supra appla- 
nato, lamina lanccolata Vel ovato-lanceolata (8 — 14X3 
— 6 cm) basi breviter cuneata obtusiuscula ápice obtu- 
síssima acuminata subcoriacea glabra supra glaucescen- 
te, sub lente lineolis obscure viridibus irregularibus no- 
tata subtus pallidc viridi elevato-punctata, nervis venisque 
utrinque prominulis. Inflorescentia lateralis valde elongata 
(ad "ò^ cm) tertio superiore solum florifera, axi 2 mm 
crassa striata cum bracteis pedicellisque minutissime 
brunneo-tomentella, floribus breviter (3 mm) pedicella- 
tis secundis, saepe numerosis ( ca. 20). Bracteae 3 mm 
longae lineari-spathulatae obtusae. Calyx pro genere 
parvus sepalis ^alde imbricatis orbicularibus 4 mm 
longis dorso tomentellis paulo inaequalibus atque vix 
accrescentibus. Pétala in coroUam hypocraterimorpham 
concrescentia, tubo 6 mm longo, fauce obliquo intus 
villoso, lobo supeiiore tubo aequilongo lineari-oblongo 
ápice leviter cucullato, lateralibus paulo brevioribus 
ovato-falcatis intlcxis, inferioribus ovatis deflexis. Stami- 
nodia 3 lanceolato-subulata, stamina fertilia 2 iis brevi- 
ora-. Discus cupularis 5-crenatus ovarium includens. Ova- 
rium e carpellis 5 compressis basi solum cohaerentibus 
compositum, ovulis in loculis geminis superpositis, stylo 
faucem attingente stigmate bilobo. Carpella matura 1 — 
5 evoluta 1 cm longa ó mm lata oblique costata ad- 
presse pilosula. Semina nigrofusca, arillo membranaceo 
albo. 

Species inflorescentiis elongatis multifloris, floribus 
pro genere minoribus insignis. 

Hab. ad fl. Trombetas^ apud cataractas Porteira, in sil- 
vis primaevis rara, 29 XI 07 leg. A. Ducke (8916). 



Materiaes para a Flora amazonica 424 



Hortia Duckei Hub. n. sp. 

Arbor humilis (ex Ducke) ramulis crassis (l — 
1 V2 cm ) cortice crasso irreg^ulariter ruguloso obtectis. 
Folia ad apicem ramulorum congesta valde elongato- 
oblanceolata (20- -40^4 — 9 cm) ápice rotiindata vel 
obiuse acuminata, basi usque ad basin petioli decurren- 
tia, coriacea, glaucoviridia, margine subrevoluta nervo 
médio supra paullulum infra valde prominente secunda- 
riis numerosis parallelis subimmersis velevanescentibus. 
Inflorescentia terminalis ampla, pedúnculo brevi (ca. 4 
cm) crasso (1 — 1 V2 cm) longitrorsum valde rimoso ins- 
tructa, depresso-paniculata, in speciminibus suppetenti- 
bus 20 — 35 cm lata 10 — 15 cm alta interdum multo 
maior í teste Ducke), divaricato-ramosissima densíssima 
multiflora, ramis paniculae oompressis valde longitrorsum 
rimosis et interdum insuper transverse rugulosis. Bra- 
cteae infimae ovato-oblongae obtusae coriaceae persisten- 
tes summae brevissime ovatae. Pedicelli ante anthesin ) 
mm aítin^enies, alahaslra ovoidea vel demum oblonga. Ca- 
lyx brevissimus cupularis, lobis brevissiniis rolundatis hatid 
imbricaiis. Pétala roseo-purpurea (teste Ducke) 5 mm 
longa 2 mm lata lóbulo inflexo angusto acuto, basi intus 
secundum nervum médium pilis ferrugineis barbata. 
Stamina disco quinquedentato inserta 5 mm longa. Ova- 
rium ovoideum globosum glaucum in stylum pyramida- 
lem 10-sulcatum ei aequilongum angustatum. Fructus 
(haud maturus) globosus verruculosus stylo apiculatus. 
Species H. longifoliae Spruce (Manáos) similis, dif- 
fert foliis ápice obtusis, pedicellis longioribus, alabas- 
tris ovoideo-oblongis, calycis lobis haud imbricatis. 
Hab. in silvis prope Faro, 17 VIII 07 leg. A. Ducke 
(8379). 

Género Rhabdodendron. Este género foi creado em 1905 
(*) pelos preclaros botânicos E. Gilg e R. Pilger, 
do Real Museu Botânico de Berlim, para uma planta 



(*) Cf. Verhandlungen des BotanLsclieu Vereins der Provinz Brau- 
denburg, XLVII. Jakrgang, p. 152, 



425 Materiaes para a Flora amazonica 



colleccionada perto de ]\íanáos pelo Sr. Ernesto V\e. 
bem conhecido explorador da flora brasileira e espe- 
cialmente da amazonica. Os sábios especialistas de Bei- 
lim coUocaiam o g-enero Rhahdodendron com a sua es- 
pécie R. cohtnmare Gilg ej Pilg-, embora com alguma 
reserva, na familia das Rutaceas, comparando-o aos re- 
presentantes da tribu das Cusparieas, com os quaes elle 
com effeito tem alguma affinidade quanto aos caracte- 
res vegetativas e da inílorescencia. distinguindo-se porém 
radicalmente pela estructura floral e principalmente pela 
constituição do androceo. Este c, na tribu das Cuspa- 
rieas, o cyclo floral que soííreu as reducções mais im- 
portantes, resultando disso uma certa tendência á zygo- 
morphia, emquanto que sob este ponto de vista o género 
Rhahdodeiidnvi occupa justamente o extremo oppusto, pela 
multiplicidade dos estames, que é raríssima na familia 
das Rutaceas, e que lhe dá uma feição primiti\a bem 
notável. Por outro lado o gyneceo reduzido a um car- 
pello só e o fructo drupaceo assignam também ao gcneio 
Rhabdodejidroii uma posição toda especial na familia. 
Isto tudo me conduz a considerar este género C(jmo re- 
presentante d'uma tribu distincta, á qual proponho de dar 
o nome de Rhabdodendreae. Penso que n'isso achar-me- 
hei de pleno accordo com os meus illustres collegas de 
Berlim, que nas suas observações sobre o novo género 
alias já salientaram o facto que apezar de certas ana- 
logias com as Cusparieas elle occupava uma posição 
bastante isolada na familia das Rutaceas. Em IQOS o 
Sr. A. Ducke trouxe de Óbidos uma planta que eu 
reconheci (depois de comparal-a com um exemplar de 
Rhahdodendron columnare da coUecção Ule) como per- 
tencente ao género Rhahdodendron e que descrevi (sem 
publical-a) como R. Duckei n. sp.. Em 1907 recebemos 
outros materiaes pertencentes a outras espécies do mes- 
mo género. N'este tempo descobri que o R. cohunnare 
e uma das minhas espécies novas já tinham sido des- 
criptas por Bentham, sob os nomes respectivos de Le- 
costenion inacrophyUum Spruce e L. crassipes Spruce, na 
familia das Rosáceas (cf. Flora Brasiliensis, Rosaceae 



Materiaes para a Flora amazomica 



426 



P- 55 e 56). Convenci-me entretanto que estas espécies 
nada têm que fazer com o género Lecostemon iMoç. et 
Sess., tal qual elle foi primeiro descripto por A. P. de 
CandoUe (Prodromus vol. II p. óSç) para uma planta 
indigena no México. Conferindo a descripção d'este gé- 
nero com as nossas plantas e com a diagnose do género 
Rhabdodendron, logo se vê que foi um e]"ro collocar 
estas plantas amazonicas n'aquelle género mexicano, e 
que portanto o género Rhabdodendron deve conservar-se 
tanto para as nossas espécies como para a de Ule. 
jN'esta opinião fui confirmado pelo illustre professor Gilg, 
que teve a amabilidade de escrever-me sobre o assum- 
pto e de communicar-me o resultado das suas pesqui- 
zas a este respeito (*). Para bem patentear o disparate 
que existe entre a descripção original do género Lecos- 
temon e as espccies amazonicas attribuidas a elle e que 
devem ser reunidas no género Rhabdodendron, darei uma 
synopse de alguns caracteres nos dois géneros : 



Lecostemon 

Folia ovalia 
Stijuilae 2 subulatae 
Pedunculi 3-fidi 3-flori 
Calycis lobi ovato-lanceolati acuti 
decidui 

Pétala nuUa 
Stamina circiter 20 
Ovarium ovatuni pubescens 5-suI- 
catum, in stylum filifonnera 
acutum desinens. 



Rhabdodendron 

Folia obovato-oblonga vel oblaiieeolata 
Stipiilae nullae 

Flores i)aniculati vel subracemosi 
Calyx truiicatus vel lobis late trian- 

^'ularibus vel semioi-birularibus 

haud decidais 
Pétala lineari-oblonga vel ovata, de- 

cidua. 
Stamina 40-50. 
Ovarium glabrum haud sulcatum, 

stylo basifixo. 



D'esta synopse, o leitor facilmente julgará que. 
como o Prof. Gilg se exprime na sua carta, « nada prova 



(*) Ainda n'estes últimos dias recebi por especial obsequio do Pmf. 
Gilg as copias das figuras originaes de Mocino e Sessc, que fazem pai^tc de 
uma colleeeão de desenhos distribuídos por A. P. do CandoUe aos grandes 
Hei-barios euroi)eus sob o titulo « Mocino et Sessé, Calques des dessins de 
la Flore du Mexique». Estas figuras, contidas nas folhas :-Ul e XVI B, ser- 
viram de base á descripvão do genei'o Lecostemon no Prodomus e mostram 
irrefutavelmente que este género mexicano não tem nada (jue fazer com as 
espécies amazonicas que lhe foi-am attribuidas por Bentham. 



42/ Materiaes para a Flora amazonica 



que os dous géneros tenham qualquer parentesco nem 
qne pertençam á mesma família » . Podemos pois tran- 
quillamente classificar no género Rhabdodendron, as es- 
pécies amazonicas attribuidas por Bentham ao género 
Lecostenion sem nos incommodar com a posição syste- 
matica ainda incerta d'este género, do qual não existe 
material nos herbarios europeus. Deixando também de 
lado o Lecostenion Gardnerianum Benth., de Pernambuco, 
que differe de todas as espécies amazonicas pelas folhas 
pequenas (comprimento 2.5 — 3 cm) podemos apresen- 
tar a seguinte chave analytica para as espécies do gé- 
nero Rhabdodendron : 

I Folia subsessilia nervo margina- 

li distinctissimo instructa . . . 1 ) ^. macrophyllunt 
II Folia petiolata nervo marginali 
destituía 

A. Folia coriacea vel subcoria- 

cea fragilia, nervis secun- 
dariis approximatis, vulgo 
minus quam 5 mm inter 
se distantibus, angulo 
quasi recto abeuntibus. 

1. Pedicelli fructiferi leviter 

incrassati 2) R. amasonicutn 

2. Pedicelli fructiferi valde in- 

crassati 3) R. crassipes 

B. Folia subcoriacea flexibilia, 

nervis secundariís vulgo 

plus quam 5 mm inter se 

distantibus angulo ca. 6o° 

abeuntibus. 
1. Racemi ultra 10 cm longi 

basi compositi 
a) Calycis lobi crasse coria- 

cei margine inflexi, pétala 

subpersistentia, antherae 

3,5 mm longae 4) ^. Duckei 

b.) Calycis lobi membrana- 



Materiaes para a Flora amazonica 428 



ceo-marginati, pétala 

valde decidua antherae 

5 — 6 mm longae 5) R- paniculaium 

2. Racemi 5 — 7 cm longi sim- 

plices, calyx petalaque ut 

in R. paniculaium. 
a) Folia elongata (ad40cm) . . 6) R. longifolium 
b.) Folia breviora (ad 15 cm) . . . 1) R. Arirambae 

Rhahdúdendron macrophyllum (Spruce ex Benth.) Hub. [Le- 
costemon macrophyllum Spruce ex Benth. in Hook. Kew- 
Journal V. p. 296 et in Flora Brasiliensis. Rosaceae p. 
55 — 56; Rhabdodendron columnare Gilg et Pilger in Verh. 
Bot. Ver. Prov. Brandenburg XLVU p. 152 (1905). 

Faro, mattas ao redor da Serra do Dedal, 3 IX 

07 (8595). 

Área geogr. : Até agora só observado nas capueiras 
perto de Manáos. 

Rhabdodendron crassipes (Spruce ex Benth.) Hub. [Lecosteinon 
crassipes Spruce ex Benth. in Hook. Kevv-Journal V p. 
295 et in Flora Brasiliensis, Rosaceae p. 55/- 

Faro, campos a E., arbusto bastante grande na 
beira d'uma facha de matta, 28 VIII 07 (8546). 
Área geogr. : Manáos, matta. 

Rhabdodendron Duckei Hub. n. sp. 

Frutex ad 5 m altus ramosus. ramulis crassiusculis 
subangulatis ápice foliosis glabris, novellis inflorescentia- 
que minutissime ferrugineo-puberulis. Folia longiuscule 
(2 — 3 cm) petiolata, petiolo stricto ad 2 mm crasso tereti- 
usculo longitudinaliter striato basi paulum incrassato, la- 
mina oblongo-obovata (16— 22X4— 7 cm) ápice rotun- 
data vel brevissime acuminata basi angustata et in pe- 
tiolum decurrente, margine integerrima tenuiter coriacea 
supra laevi nervis vix proviinulis opaca, infra nervo 
médio valde prominente percursa. nervis sccundariis 
angulo ca. Ó0° e primário exeuntibus 5— 8 mm inter se 
distantibus venisque laxe reticulatis tenuissime promi- 



429 Materiaes para a Flora amazonica 



nulis nervo iiiargiiiali nuJJo. Inflorescentiae foliorum di- 
midium acquantcs vel superantes (10 — 13 cm longae) 
basin versus distincte paniculatac ramulis inferioribus 
saepissime trifloris ad 1 cm longis, superioribus uniflo- 
ris dimidio brevioribus 2 — 3-bracteolatis, omnibus arcua- 
to-deflexis, bracteis ovato-triangularibus acutissimis 2 mm 
longis, bracteolis paulo minoribus crassiusculis inaequa- 
liter insertis. Receptaculum florum incrassatum fundo 
planiusculo, caíycis lohis J dislinctis in alabastro imbricatis 
late triangularibus obtuse acuminatis basi plus minus 
concrescentibus crasse coriaceis ad el posl aníbesin ápice 
mar^ineque inflexis. Pétala 5 obovata (ÓX3 mm) subco- 
riacea tenuius marginata suhpersistentia. Stamina fiia- 
mentis brevissimis latiusculis e calyce paullulum pro- 
minentibus, antheris elong^ato-linearibus (3.5 mm longis) 
erectis connectivo fusco. Ovarium depressum stylo basi- 
lari crassiusculo stigmate unilaterali ambitu lincari-lance- 
olato. Fructus deest. 

Specics inprimis inflorcsccntiis paniculatis scpalis 
crasse coriaceis peta lis ad anthc.^in subpcrsistentibus 
antheris brevibus insignis. 

Hab. in silvulis capueiras dictis prope Óbidos. 20 XII 
03 leg-. A. Ducke (4856). 

Rhabdodendron paniculatttm Hub. n. sp. 

Frutex elatus (8 m) ramis crassiusculis striatis no- 
vellis fusco- furfuraceis. Folia obovato-oblonga vel oblan- 
ccolata 20 cm et ultra longa ad 1'0 cm lata ápice rotunda- 
to breviter acuminata, basi cuneata et in petiolum ad 4 
cm longum sensim ang^ustata, nervis secundariis vcnisque 
utrinque vix prominulis, illis angulo ca. Ó0° e primário 
exeuntibus 5 — 10 mm inter se distantibus. Inflorescentiae 
distincte paniculatae usque ad l3 cm longae interdum 
subsimplices pedicellis 1 cm et ultra longis bracteolis 
2 — 5 acutis squarrosis instructis. Calyx lobis Iate trian- 
gularibus obtusis ante anthesin patulis brevissime fím- 
briolatis. Alabastrum breviter ellipsoideum vel obovoide- 
um 8 mm longum 6 mm cras.sum. Pétala ovata valde 



Materiaes para a Flora amazo^-ica 480 



decidua. Stamina filamentis brevissimis antheris 5- 6 mm 
longis. 

Differt a R. Diichci inprimis petalis valde deciduis 
antheris longioribus. 

Hab. in silvulis capueiras dictis prope Óbidos, 21 XI 
07 leg. A. Ducke (8854). 

Rhahdodendron longifolitim Hub. n. sp. 

Frutex elatus ramulis crassis. Folia ut in praeco- 
dente, sed usque ad 40 cm long-a petiolo 3 cm long-o. 
Inflorescentiae breves (5 cm) simpliciter racemosae, pe- 
dicellis vix 10 mm l^ng-is erecto-patcntibus, fructiferis 
incrassatis deflcxis. Alabastra globosa. calvcis lobis tri- 
angulari-rotundatis fimbriolatis, stylo 5 mm longo. 

KR. paniciilãto inprimis racemis brevibus sim- 
plicibus differt. Pedicellis fructiferis incrassatis R. cras- 
sipes in mentem vocat. sed foliorum nervatione racemis 
brevibus differt. 

Hab. in cacumine collinis prope Faro, 26 Vlll O? (8504) 
et in cacumine Morro do Taboleirinho ad fl. Mapuera, 
1 XII 07 (8g89) leg. A. Ducke. 

Rhabdodendron Arirambae Hub. n. sp. 

Frutex ca. 2 m altus ramosus. ramulis subangu- 
latis striatis ápice foliosis. Folia breviter (l — 2 cm) 
petiolata, lamina oblongo-obovata minore quam in prae- 
cedentibus (8 — 14X^ — 4 cm) sed aliis caracteribus con- 
gruente. Inflorescentia circiter 7 cm longa subsimplex pseu- 
doracemosa ramulis omnibusunitloris plus minus arcuato- 
deflexis angulatis apicem versus incrassatis basin versus 
minute bracteolatis. Receptaculum leviter excavatum 
margine oblique adscendente. Lohi calycini distincle tri- 
angulares haud incrassati margine membranaceo haiid in- 
fíexo lacero-denticulalo. Pétala sine dúbio caducissima 
in speciminibus nostris desuni. Stamina filamentis bre- 
vibus post anthesin undique dcílexis. antheris elongatis 
(6 mm longisj albis flexuoso-divaricatis. Ovariam stylus- 
que R. Diickei. Fructus calyci accrescenti cl distincle 



43 1 Materiaes para a Flora amazonica 



5-lobato (7 — 8 mm lato) insidens depresso-globosus lu- 
teus nitens. 

Speciebus praecedentibus affinis, sed ab omnibus 
speciebus amazonicis foliis minoribus, a R. Diickei in- 
florescentiis simplicibus, calycis lobis tenuibusantherisque 
longioribus albis divaricatis satis diversa. 
Hab. Alto Ariramba, campina-rana, 20 XII Oó leg. A. 
Ducke (8000). 

Simarubaceae. 

Simaha guyanensis (Aubl.) Engl. 

Rio ArrayoUos, Pedreiras, beira do campo alaga- 
do, 22 IV 03 (3509). 

Área geogr. : Amazónia, Guianas. O Herbario Amazo- 
nico possue ainda exemplares de diversos pontos da 
região littoral, de Cunany (II42, leg. Huber), de 
Marajó (146, leg. Huber). e do rio Capim (QQl, leg. 
Huber). Em Marajó esta arvore é conhecida sob o 
nome de «Pitomba» ou «Pitombeira ». 

Simaha spec. 

Região do alto Ariramba. campina-rana, 20 XII 
OÓ (8*o3l ). Arbusto grande com folhas semelhantes ás 
de 5. giiyanensis, porém um pouco mais coriaceas e 
arredondadas no ápice. As inflorescencias não são bas- 
tante desenvolvidas para permittirem uma determina- 
ção segura. 

Simaha Cedron Planch. « Páo Paratudo». 

Óbidos, capueira, 24 XII 03 (4875): Alemquer, 

capueira, 2ó XII 03 (4908); Rio Cuminá mirim, logar 

Pedras, capueira, 14 XII OÓ (79Ó7). 

Área gcogr.: Pará — America central. O comprimento 

das pétalas é em todos os nossos exemplares não de 

3 a 3 V2 cm, como indica a descripção na Flora 

Brasiliensis, mas sempre inferior a 2 V-i cm. 

Burseraceae. 

Crepidospermum rhoifolinm (Benth.) Triana et Planch. 



Materiaes para a Flora amazonica 432 



Rio Mapuera, Maloquinha, beira do rio, 8 XII 07 
(9080, sub nomine «Breu branco»). 
Área g-eogr. : Manáos — Columbia. 

Protium iinifoliolatuni (Spruce) Engl. var. subserraium Engl. 

Rio Negro, Barcellos, beira d'um igapó, 9 VI 05 

(7091); ibidem, capueira. 9 VI 05 (71o6). Nos nossos 

exemplares ás folhas inferiores são trifolioladas. 

Área geogr. da espécie: Amazónia central — Guyana 

hollandeza; da variedade: Rio Negro. 

Proiium unifoHolaíuni (Spruce) Engl. var. macrophyllum 
Hub. n. var. foliis omnibus unifoliolatis 15 — 20 cm lon- 
gis margine leviter repandis. A varietate praecedente 
distinctissima ! 

Alemquer, capueira, 26 XII 03 (4898). 

Proiium heptaphylliim (Aubl.) March. «Breu branco» (ver- 
dadeiro). 

Almeirim, capueira, 18 XII 02 (8067); Óbidos, 
capueira, 21 XII 03 (48ÓO); Alemquer, capueira, 26 
XIl 03 (4902); mattas ao NE. do Rio Cuminá mirim 
(arvore media), 16 XII Oó (7981); Campos a E. de 
Faro, beira duma ilha de matta, 10 IX 07 (8699); Rio 
Mapuera, cachoeira do Caraná, beira, 6 XII 07 (9058). 
Área geogr. : America tropical. E' frequente nas bei- 
ras dos campos da região littoral. 

Protium Duckei Hub. n. sp. « Breu branco » 

Arbor humilis (teste Ducke), ramulis crassiusculis 
giabris striatis. Folia ampla petiolo communi 20 cm 
longo, petiolulis 1 1 V2 cm longis utrinque incrassatis 
supra canaliculatis, foliolis vulgo 7, oblongis. ad 20 cm 
longis 7 cm latis basi obtusiusculis vel uno latere rotun- 
datis altero abrupte in petiolum contractis ápice late 
obtuseque acuminatis, acumine 1 cm longo, subcoriacois 
glaberrimis utrinque dense prominule reticulatis. nervis 
secundariis supra vix prominulis subtus graciliter pro- 
minentibus patentibus. Intlorescentiae paniculatae saepe 
a basi ramosae 1 dm haud attingentes cum íloribus 



433 Materiaes para a Flora amazonica 



brevissime pcdicellatis minutissimc fcrrugineo-puberulae. 
Flores 3 mm longi, calyce brevissime obtuseque loba- 
to, peialis ovatis acutiusculis 2 V2 ^^ longis, stamini- 
bus petalis brevioribus antheris ovoicleis fia vis supra 
ovarium convergentibus, disco dcpresso-pulvinari latís- 
simo, ovário sparse adpresse puberulo 4-loculari in 
discum semi-immerso, stylo brevíssimo 4-sulcato stígma- 
te 4-lobo coronato. 

Specics P. oiaanteo Englcr (Santarém) affinis víde- 
tur, differt inprimis foliis subcoriaceis valide acuminaíis, 
iníloresccntiís 1 dm haud attingentibus, ovário sparse 
piloso. 

Hab. ín silvís ripariis ad fl. Mapucra (Escola), 2 XII 
07 leg. A. Ducke (goió). 

Protimn cordatttm Hub. n. sp. 

Frutcx ramis longitrorsum rimosis ramulis stríctís 
striatis novellis minutissíme puberulis. Folia vulgo quín- 
quefoliolata, rarius trifolíolata vel unifoliolata, petiolo 
communi gracilí, petiolulis 2-4 mm longis, foliolís ovatis 
vel ovato-oblongis (ó 12X3 — 5 cm) ápice ad 1 cm 
longe obtusiuscule acuminatis basi rotundatis vel saepius 
plus minus distincte cordatis. firme coriaceís utrinque 
nítidulis vel opacis minutissime leviterque foveolato- 
reticulatis, ncrvís secundaríis supra immersis subtus pro- 
minulis. Inflorescentiae brevissime paniculatae subglo- 
meratae 1 cm haud attingentes. Flores subsessiles calyce 
brevíssimo subpatellari lobís víx distinctis repando-4- 
dentato, petalis 4 triangularí-ovatis (3 mm longis) acutis 
in alabastro sese margine leviter obtegentibus extus mi- 
nutissime puberulis, staminibus petalis minoribus, fila- 
mentis subulatis quam antherae angustae flavae duplo 
longioribus, disco late pulvinari glabro, ovário hispido 
partim in discum immerso, stylo brevíssimo. 

Spccíes foliolís coriaceís basi cordatis ínflorescen- 
tíisque brevíssimís ínsignís. 

Hab. in campis prope Faro, orientem versus, 21 VIII 
07 leg. A. Ducke (84Ó3). 



Materiaes para a Flora amazonica 484 



Meliaeeae (det. C. de Candolle). 

Giiarea pubiflora A. Juss. 

Faro, praia do lago. ló VII 03 (3721 ): Faro. matla. 
15 XII 04 (Ó920), 15 Viri 07 (8354): Castanhacs do 
rio Cuminá mirim, matta, 11 XII 06 (7935 b). 
Área geogr. : Amazónia centrai. 

Giiarea costiilaía C. DC. 

Óbidos, capueira 17 I 04 (48QO). 
Área geogr. : Pará. 

Guarea Duckei C. DC. n. sp. 

Foliis glabris longe petiolatis. 6-jugi.s foliolo rudi- 
mentario et deciduo terminatis unde adspcctu abrupto- 
pinnatis; folio lis latei-alibus petiolulatis oppositis al- 
ternisve, oblongo- vel ovato-lanceolatis basi cuneatis 
ápice lineari- acuminatis acumine obtusiusculo; paniculis 
florentibus folia fere acquantibus glabris, spicifoj-mibus 
cymularum umbellulas sessiles sat distantes gerentibus, 
pedunculatis vel fere a basi unbelluli feris; floribus 
longiuscule pedicellatis; cálice cupulari acute 4-dentato ■ 
dentibus exceptis ápice puberulis glabro; petalis 4 
oblongis ápice subattennato-obtusis; tubo staminco cy- 
lindrico glabro margine 8-denticulato denticulis obtusis; 
antheris 8 ellipticis parvis; gynophoro glabro: ovário 
glabro gynophorum aequante, 3-loculari loculis 2-u^'u- 
latis ovulis superpositis. 

Frutex, ramuli glabri, in sicco rubescentes^ elen- 
ticellosi. Folia alterna, circiter 3o cm longa. Foliola in 
sicco firma nitescentia, minutissime pellucido- piyictu- 
lata, usque ad 16 cm longa et ó cm lata; nervi secun- 
darii subrecti utrinque circiter 15- Pelioluli usque ad 
6 mm longi. Rhachis petiolusque circiter 10 cm longus 
teretes. Paniculae cum foliis hornotinae. earum pcdun- 
culi 7 cm longi, internodia usque ad 3 cm longa, cy- 
mulae 1-florae usque ad g in eadem umbellula; pedi- 
celli 2 V2 ntini longi. Alabastra oblonga calix cum 
dentibus 1 V2 n^^n longus. Pétala in aestivatione val- 
vata 6 mm longa 1 '^U nim lata. Tubus omnino liber 5 



435 Materiaes para a Flora amazonica 



mm longus. Antherae cum tubi dcnticulis alternae -^j^ 
mm longae, paullo supra basin affixae, glabrae. Stilus 
glaber, laevis. Stigma carnosum brevissime cylindricum. 
Oriximiná. in silvis, Decembri 190Ó (A. Ducke 
n. 7900 in h. Mus. Goeldi, h. Cand.). 

Guarea bilocularis C. DC. n. sp. 

Foliis glabiis longe petiolatis, 4-jugis foliolo rudi- 
mentario et deciduo termmatis unde adspectu abrupto- 
pinnatis; foliolis lateralibus oppositis subalternisve bre- 
vissime petiolulatis, oblongo- eliipticis basi aequilatera 
acutis ápice breviter acuminalis acumine obtuso; pani- 
culis florentibus folia fere aequantibus, junioribus mi- 
nutissime puberulis dein glabris. spiciformibus pcduncu- 
latis, cymularum umbellulas sessiles inferne sat distantes 
supcrne suljdensas gerentibus; floribus longiuscule 
pedicellatis: cálice subcupulari obtuse 5-dentato utrin- 
que glabro. dentibus rotundatis margine minute ciliolatis; 
petalis 5 elli[)tico-oblongis summo ápice acutis margine 
et ápice extus puberulis caeterum glabris; tubo stami- 
neo ovato glabro margine acute denticulato, antheris 
eliipticis parvis; gynophoro glabro superne tumescente, 
ovário glabro gynophorum fere aequante, 2-loculari 
loculis 2-ovulatis ovulis collateralibus. 

Ramuli glabri, juniores in sicco rubescentes fere 
elenticellosi. Folia alterna circiter 18 cm longa. Foliola 
in sicco firmulo-mcmbranacea supra nitescentia, minu- 
tissime pellucido-punctulata, 9 — 14 cm longa et circiter 
5 cm lata; nervi secundarii arcuati utrinque circiter 12. 
Petioluli circiter 2 mm longi. Rhachis petiolusque 6 
cm longus teretes, farciculo intramedullari muniti. Pani- 
culae cum foliis hornotinae, earum pedunculi 2 cm longi, 
internodia infera usque ad 2 V2 cm longa, cymulae 1- 
florae usques ad 9 in eadem umbellula, pedicelli 2 V2 
mm longi. Alabastra obovato- oblonga. Calix membra- 
naceus cum dentibus ^/^ mm longus. Pétala in aestiva- 
tione quincuncialia, ó mm longa, 2 — 2 Y^ mm lata. 
Tubus 5 mm longus omnino liber. Antherae cum tubi 
denticulis alternae V2 "^ni longae paulo supra basin 



Materiaes para a Flora amazokica 436 



affixae glabrae. Stilus glaber laevis. Stigma orbiculare 
sat ténue. 

Oriximiná, in silvis, Decembri, 190Ó (A. Ducke 
. n. 7869 in h. Mus. Goeldi, h. Cand.). 

Trichilia tenuirantea C. DC. n. sp. 

Foliis sat longe petiolatis, impari-pinnatis, 3 — 4- 
jugis; foliolis petiolulatis fere aequalibus, lanccolatis basi 
aequilatera acutis ápice iongiuscule et acute acumina- 
tis, adultis supra ad nervum centraiem subtus ad nervos 
et densius in eorum axillis interdumque ad paginam 
hirteilis, margine remotiuscule ciliatis, lateralibus oppo- 
sitis; petioiulis rhachique et petiolo hirteilis; paniculis 
in ápice ramulorum confertis; cálice acute 5-dentato 
extus puberulo; capsulis ovatis 3-valvatis, adultis gla- 
bris, monospermis. 

Ramuli 2 mm crassi superne hirsuti. Folia alterna 
circiter 21 cm longa. Foliola in sicco cinerescentia mem- 
branacea, creberrime pellucido-punctata punctis rotunda- 
tis vel oblongis, 7 — 9 cm longa, 3 cm lata; nervi secun- 
darii subrecti utrinque circiter 14. Petioluli usque ad 3 
mm longi. Rhachis petiolusque 5 cm longus tereles. 
Pedicelli fere 1 mm íongi. Capsulae 1 cm longae mi- 
nutissime virescenti-velutinae. Sémen arillo inclusum. 

Castanhaes do Rio Cumina mirim, in silvis, Deccm- 
bri (A. Ducke n. 7944 in h. Mus. Goeldi, h. Cand.). 

Trichilia sincrularis C. DC. (det. J. Huber). 

Monte Alegre, Paraná, Lago do Jacaré. 9 VIII 08 
leg. E. Snethlage (9551, 9555)- 

Área geogr.; Amazónia (Pará, baixo Amazonas). Te- 
mos também exemplares de Peixe Boi, na região 
costeira a E. de Belém. 

A variedade foliis minoribiis que na Flora Brasi- 
liensis é mencionada como crescendo em Ega (Teffc), 
foi colleccionado pelo Sr. Ducke em dois pontos ao 
Sul do Amazonas: Cacaoal imperial (município de Óbi- 
dos) e Itaituba (no Rio Tapajoz) (*). 



(*) A segunda parte d'este trabalho será publicada, no vol. VI do 
: Boletim ». 



43/ Novas espécies de Aves amazonicas 

VIII 

Novas espécies de Aves amazonicas 

das coUecções do Museu Goeldi 

pela Dr.a Emilia Snethiage 



A missão scientifica da qual fui encarregada no anno 
de 1907 teve por objecto principal de terminar os estudos 
preliminares indispensáveis para a publicação do catalago da 
nossa riquíssima collecção de aves amazonicas, reunida em 
numerosas excursões effectuadas pelo pessoal do Museu Goeldi 
durante os 14 últimos annos. 

Dado o estado actual da sciencia systematica que, posto 
que elles se lepitam constantemente nos indivíduos proveni- 
entes da mesma região, toma em conta caracteres quasi in- 
descriptiveis e não perceptiveis nas figuras coloridas, caracte- 
res tão minimaes que escaparam completamente á attenção 
dos antigos autores, só foi possível fazer as determinações 
necessárias depois de comparar as nossas pelles minuciosa- 
mente com as grandes series de pássaros amazonicos dos 
Museus de Londres, Tring (Inglaterra), Berlim, Berlepsch 
(AUemanha), Vienna (Áustria). Ao mesmo tempo considerei 
como minha tarefa especial o estudo dos typos de pássaros 
sulamericanos descriptos por Pelzeln (Vienna coU. de Natte- 
rer), Cabanis, Lichtenstein (Berlim), Sclater, Salvin e outras 
(Londres), Berlepsch (Berlepsch), Hellmayr (Tring), La- 
fresnaye (Paris). Não bastava o tempo para uma visita á col- 
lecção do Museu real de Munich, onde se acham os typos 
muito importantes do naturalista Spix. Felizmente porem, 
offereceu-se uma occasião de remediar a esta falta, visto o 
facto de pouco tempo antes da minha chegada em Tring 
o Sr. Hellmayr, autor da « Revisão dos typos de Spix » e 
um dos conhecedores mais competentes da avifauna do Brazil, 
ter verificado e determinado a grande collecção de pássaros 
sulamericanos conservada no Museu do Hon. W. Rothschild 



Novas espécies de Aves amazonicas 438 



(Tring). No mesmo Museu acham-se as bellas collccçõcs obti- 
das nos últimos annos pelos Srs. Robert c Hoffmanns, os 
quaes forneceram um grande numero de espécies novas da 
nossa região, descriptas pelo Sr. Hellmayr nas «Novitates 
Zoologicae», publicação scientifica do Museu Tring. 

Uma prova da riqueza da nossa avifauna se deduz do 
que apezar d'isto foi possivel descrever ainda não menos 
de 16 espécies novas, representadas nas collccções do Museu 
Goeldi. As diagnoses foram publicadas por mim nos « Orni- 
thologische Monatsberichte » do Prof. Dr. Reichenow, Berlim, 
X. e XII. 1907. Tenho o prazer de communical-as n'este 
lugar ao publico brazileiro. Queria accrescentar n'essa occa- 
sião que o Gyiiinopilhys piirusianus, descripto no meu trabalho 
«Sobre uma coUecção de aves de Rio Purús» (Boi. do Museu 
Goeldi, vol. V p. 59) se achou ser o adulto do Anoplops 
(antes Gyinnopithys) inelanosHcta (Scl. et Salv.), veriíicando- 
se assim a supposição do Sr. Hellmayr. Mas em compensação 
eu podia mostrar que os Eascaribinus poster ops (Pelz. ) e Pi- 
pra fasciala Hellm. mencionadas no mesmo lugar (pp. 49, 
50) foram representantes de espécies ainda não conhecidas 
antes. 

São as seguintes as espécies novas: 

Fam. Tpochilidae. 

Thalurania furcata intermédia Snethl. 

Typo: cf ad., Arumatheua (Rio Tocantins), 2Ó X. 1907. 
Nro. do Cat. 5489. 

Parte superior das costas de um verde brilhante, da 
cabeça verde enegrecida; coUeira da nuca azul (mais es- 
treita que a da Thal. jure. farcaloides e mais esverdeada, 
mas não interrupta como a da Tbal. siinoni. Pescoço verde 
scintillante; peito e barriga azues; cobertas da cauda inferiores 
brancas com algumas manchas pretas (menos que na Thal. 
fure. furcaioides; cauda azul enegrecida; azas enegrecidas. 

íris preta; pé pardo escuro; conteúdo do estômago: 
insectos. 

Este beija-flor bonito representa uma subspecie intermé- 
dia entre Thalurania furcata furcaioides Gould e Thalurania 
furcala simoni Hellm. 



439 Novas espécies de Aves amazonicas 

Fam. Rhamphastidae : 

Pteroglossus reichenowi Sncthl. 

Typo: cT ad. Monte Alegre, 27 VI ig04. No. do Cat. 
3784. 

Parte superior da cabeça preta; costas anteriores en- 
carnado escuro; costas posteriores verde escuro; uropygio 
escarlate; cobertas superiores da cauda verde escuro; lados 
da cabeça castanho escuro; pescoço castanho escuro, contor- 
nado de preto; peito escarlate; barriga e cobertas inferiores 
da cauda amarellas; pernas e caudas verdes, azas pretas, as 
pennas contornadas de verde; ultimas pennas de terceira or- 
dem e cobertas superiores das azas verdes escuras; cobertas 
inferiores das azas amarellas claras com manchas cinzentas. 

Maxilla amarella, a margem preta e branca endcntada, 
mandíbula com base branca (excepto uma estreita estria la- 
teral preta), médio preto e ponta amarellada. A endentação 
preta-branca da maxilla continua distinctamente na mandí- 
bula. 

Comprimento das azas 126 mm, do rabo 150 mm, do 
bico 84 mm, do tarso 3o mm. 

Differe de Pteroglossus hitorquatus Vig. (espécie de ara- 
çary muito frequente no Pará), ao qual é bastante semelhante 
no colorido geral, pela falta do collar amarello entre o pes- 
coço e o peito e a endentação preta e branca n'uma parte 
da margem da mandíbula. 

Este pássaro, já estava conhecido e foi contemplado 
por Gould como variedade do Pt. bitorquatiis: «Faseia flava 
inter guttur et pectus aliquando deest» (S. Gould, Proc. 
Zool. Soe. London, l834 p. 76). Na Monographia dos Rham- 
phastidae, ed. I pi. 16 acham-se figuras representando os 
dois pássaros e no texto Gould diz: .... and a third in 
the Museum at Berlin. The last differed in one point from 
the preceding ones, in wanting the yellow pectoral band, the 
black edging of the chestnut throat bcing succeeded by scar- 
let; whether this slight diííerence ele. 

Sturm na sua traducção da Monographia de Gould diz 
n'uma anotação: «Segundo Wagler (Isis 1829, vol. XXII 



Novas espécies de Aves , amazonicas 440 



p. 508) os espécimens com collar amarello seriam as fême- 
as e o Museu de Berlim teria os dois sexos provenientes da 
provincia do Pará no Brazil sob a denominação de Pleroglos- 
sus ni^ridens.» Gould já mostrou na edição segunda dos 
Rhamphastidae, que a opinião de Wagier era errónea. 

Temos na nossa collecção 4cfcre2 99 ^e Plero- 
glossus bilorqiiaius, todos com o collar amarello perfeita- 
mente distincto. Mas no Museu de Berlim acham-se 2 espé- 
cimens, çf e iuv. provenientes de Cametá ( Rio Tocantins), 
collecção do conde Hoffmannsegg, sem collar amarello e o 
cf distinguindo-se de Pt. hiiorquatus pela endentaçâo preta e 
branca da mandíbula. O juv., menos bem conservado, tem 
infelizmente o bico tão estragado que não se pode mais 
reconhecer a distribuição das cores. 

O museu Tring possue um espécimen colleccionado pelo 
Prof. Steere em Camolins (7, cf^ sem collar amarello e per- 
feitamente idêntico com o nosso typo de Pt. reichenowi. 

Parece certo que temos aqui uma espécie nova até 
agora escapada á attenção dos zoologistas. Tinha o prazer 
de dedical-o ao meu mestre e amigo, o iilustre ornithologis- 
ta Prof. Dr. Reichenovv^ de Berlim. 

Fam. Pieidae: 

Chloronerpes paraensis Snethl. 

Typo: cf fere ad., Murutucú (na visinhança de Belém), 
1 VI 1901. No. do Cat. 1940. 

Alto da cabeça encarnado ; lado superior do corpo oli- 
vaceo-amarellado; pennas da cauda enegrecidas, as do mé- 
dio olivaceo marginadas; lados da cabeça e sobrancelhas 
olivaceas; estria mystacale (estria descendo do angulo do 
bico ao lado do pescoço) olivacea puxando ao encarnado, 
separada das faces por uma estria amarella; pescoço ama- 
rello; restante do lado inferior verde enegrecido pintado de 
esbranquiçado; azas verde olivaceas, as pennas de primeira e 
segunda ordem com pontas pretas; barbas inferiores das mes- 
mas pela maior parte cinnomomeo claro; cobertas da aza 
inferiores cinnamomeo amarellado, pintado de olivaceo escuro. 
Bico e pós escuros. ■ 



441 XOVAS ESPÉCIES DE AVES AMAZONICAS 



Comprimento da aza l37 mm: da cauda 73.5 mm: do 
bico 26 mm; do tarso 16 mm. 

9 ad: colorido como o do cf. mas o alto da cabeça 
é amarello escuro e o pescoço amarellado puxando ao ver- 
melho (côr de ocre). 

Uma 9 juv. parece muito mais escuro que os dois 
outros espécimens: mas ella também já tem o pescoço colo- 
rido como a 9 ^^■ 

Esta espécie de pica-páo differe de Chlororierpcs capis- 
tratns íBp.) pelo pescoço amarello, não pintado, do Chi. 
xanthochlorus Scl. et Salv. pelo lado inferior verde escuro 
pintado de amarello esbranquiçado no logar de amarello 
vivo e pela cabeça encarnada do çf ; de Chi. hrasiliensis 
pela falta da estria mystacale encarnada e pelo pescoço ama- 
rello puro do cf , e pelo alto da cabeço amarello e.-curo, 
não olivaceo da 9- O lado inferior também difft-re da mes- 
ma maneira como no Chi. xanthochlorus. O pássaro é maior 
do que o Chi. brasiliensis da Bahia. 

Fam. Fopmicariidae: 

Thamnophiltis huheri Snethl. 

Typo: cf ad.. Ilha de Goyana. Rio Tapajoz, 3l XII 
igoó. Xo. do Cat. 5140. 9 ad., Ilha de Goyana. 
Rio Tapajóz, 26 XII igo6. Xo. do Cat. 5i3g. 

cf : Alto da cabeça e parte anterior das costas preto 
com excepção de uma malha branca no médio das ultimas: 
parte posterior das costas cinzenta, cobertas superiores e pen- 
nas da cauda pretas marginadas de branco: cobertas superi- 
ores e pennas das azas pretas, marginadas de branco do lado 
exterior; lados da cabeça e barba pretas: pescoço cinzento 
muito escuro; peito e barriga cinzento mais claro: cobertas 
do rabo inferiores e algumas pennas do médio da barriga 
marginadas de branco; cobertas das azas inferiores brancas, 
malhadas de cinzento. 

Bico preto; iris pardo escuro: pés (do pássaro vivo) 
cinzento azulado, cont. do estômago : insectos. 

Compr. das azas 81 mm; da cauda 66 mm; do bico 
21 mm; do tarso 22 mm. 



Novas espécies de Aves amazonicas 442 



9 : Lado superior pardo com malha branca no médio 
das costas; alto da cabeça preto, lado da mesma cinzento 
enegrecido; lado inferior inteiramente vermelho vivo; pennas 
das azas enegrecidas com estrias pardas e com margens ver- 
melhas do lado inferior; cobertas da aza superiores pardas 
com estrias vermelhas; cobertas da aza inferiores vermelhas 
claras; cauda parda enegrecida. 

Compr. da aza 81 mm. do rabo Ó2 mm, do bico 21 
mm, do tarso 25 mm. 

O colorido do cT e quasi intermédio entre o de Th. 
cinereoniger Pelz. e Th. nigrocinerens Scl. O pescoço é d 'um 
cinzento muito mais escuro que o do Th. cinereoniger Pelz., 
mas não é preto como o do Th. nigrocinerens. 

A Q Q muito semelhante á de cinereoniger Pelz., mas 
differe pelo alto da cabeça inteiramente preta. 

Dysithamnus capitalis squamostis Snethl. 

Typo: cf ad. Alcobaça, Rio Tocantins, 5 V IQO?. No. 
do Cat. 5458. 9 ad. Arumatheua, Rio Tocantins, 
22 IV 1907. No. do Cat. 5457- 

cT : Lado superior cinzento escuro; alto da cabeça pre- 
to, as pennas da fronte com largas, as restantes com estrei- 
tas margens cinzentas, de maneira que a cabeça parece 
escamosa; lado inferior cinzento claro, médio da barriga es- 
branquiçado; pennas das azas pretas com as barbas exteriores 
marginadas de cinzento, as interiores de branco. 

Cobertas da aza inferiores brancas; rabo preto, barbas 
exteriores das pennas marginadas com um pouco de cinzento. 

Maxilla preta, mandíbula cinzenta; pés cinzentos; iris 
vermelho claro; cont. do estômago: insectos. 

Compr. das azas 66 mm, do rabo 51 mm, do bico 19 
mm, do tarso 20 mm. 

9 : Lado superior pardo olivaceo: alto da cabeça par- 
do ferrugineo; azas e rabo pardo enegrecido, marginado de 
pardo olivaceo: lados da cabeça e lado inferior olivaceo cin- 
zento, pescoço e freio esbranquiçados. 

Espécie parente de Dys. capital is (Scl.). mas differe 
d'este pelo alto da cabeça misturado de cinzento e o lado 
inferior mais claro. 



443 Novas espécies de Aves amazonicas 



Anoplops herlepschi Snethl. 

Typo: c/' ad. Villa Braga. Rio Tapajós, 5 I 1907. No. 
do Cat. 5191- 

Costas e cobertas da aza superiores menores olivaceo 
puxando ao cinzento; no alto da cabeça acha-se uma crista 
de côr vermelha escura, formada pelas pennas do vértice 
alongadas e apontadas; as pennas do occiput são d'um ver- 
melho mais claro; fronte, lados da cabeça e pescoço pretos; 
peito anterior vermelho cinnamomeo, contornado de cinzento; 
restante do abdómen cinzento azulado, puxando ao pardo 
na parte caudal; cobertas da cauda pardas escuras, margina- 
das indistintamente de preto e ferrugineo; pennas da aza de 
primeira ordem vermelhas escuras com pontas pretas e as 
barbas interiores cinnamomeas claras; as de 11 ordem da mes- 
ma côr, mas puxando ao verde olivaceo do lado interior; 
cobertas da aza inferiores cinnamomeas claras pintadas de 
cinzento; cauda parda olivacea escuia, marginada de ene- 
grecido na extremidade. 

Bico preto; pés cinzentos escuros; iris pardo; pelle nua 
ao redor dos olhos branca esverdeada; cont. do estômago: 
insectos. 

Compr. das azas 80 mm; da cauda 50 mm; do bico 
3q mm; do tarso 47 mm. 

Este pássaro singular parece alliado ao Pilbys crislala, 
Pelz. ao qual elle se assemelha principalmente pelo colorido 
e pela forma da crista, differindo porem pela malha verme- 
lha, bem destacada^ que cobre quasi todo o peito anterior. 

Grallaria macularia herlepschi Snethl. 

Typo: cf ad. Ourem, Rio Guamá, 5 XII IQOS. No. do 
Cat. 3272. 

O conde Berlepsch chamou a minha attenção sobre o facto 
que a Grallaria do Pará differe em alguns pontos dos espé- 
cimens da Guiana conservados no seu Museu. A comparação 
com o material dos Museus de Londres, Tiing e Berlim 
confirmou a differença das duas formas, A nova subspecie 
tem o colorido dos lados do abdómen d'um pardo olivaceo 



Novas espécies de Aves amazoxicas 444 



vivo, não amarello ferrugineo. Ao contrario as margens das 
pennas da aza de primeira ordem são amarellas ferrugineas 
vivas nos pássaros da nossa região, d'uma cor muito mais 
viva que a do pássaro guianense. 

Fam. Dendroeolaptidae: 

Xiphorhyitchus imiltostriatns Snethl. 

Typo: cf ad. Arumatheua, Rio Tocantins, 27 1\' IQ07. 
No. do Cai. 5450. 

Costas anteriores pardo olivaceo, cada penna com uma 
larga estria amarella esbranquiçada no meio, as estrias fi- 
cando mais estreitas e menos distinctas na parte posterior; 
lado superior da cabeça preto com estrias claras: costas pos- 
teriores e cobertas da cauda superiores cinnamomeas: cauda 
vermelha escura; cobertas da aza superiores pardas olivaceas, 
puxando um pouco ao vermelho, com estrias claras, não 
muito distinctas no meio das pennas; azas cinnamomeas. as 
pennas de 1.^ ordem com pontas pretas; pennas do lado da 
cabeça exbranquiçadas, marginadas de preto: pescoço bran- 
co; peito e barriga pardo olivaceo com estrias amarellas es- 
branquiçadas, ficando indistinctas para a cauda; cobertas da 
aza inferiores cinnamomeas claras. 

Bico pardo escuro (quasi preto): iris pardo escuro; 
pés cinzentos esverdeados; cont. do estômago: insectos. 

Com.pr. das azas 95 mm; da cauda 89 mm; do bico 
61 mm; do tarso 18 mm. 

O pássaro tem o bico muito torto, mais torto e mais 
curto que o do Xiphorhynchns prociirvns (Te mm.) ao qual 
elle se assemelha pela cor escura. As estrias esbranquiçadas 
são mais pronunciadas e o tamanho é menor. 

Fam. Tyrannidae: 

Mytobius erythrurtís hellmayri Snethl. 

Typ<': 9 ad., Pará. l3 V 1902, No. do Cat. 2343. 
O espécimen representante do typo assim como um outro 
proveniente "de Sta. i\íaria de S. Miguel da nossa collccção 



445 Novas espécies de Aves amazonicas 



diíferem de todas as coures de M. erythrurus que vi, durante 
os meus estudos, pelo colorido distinctamente cinnamomeo 
das costas, indicado pelo Sr. Hellmayr (Nov. Zool. XIV KjOl 
p. 48)1 a supposição d'cste senhor que o pássaro do Pará 
seja uma espécie nova verificando-sc assim. 

Euscarthmus iohannis Snethl. 

Typo: cf ad. Monte Verde. Rio Purús, 20 II 1904. 
No. do Cat. 3539 

Lado superior verde olivaceo: lados da cabeça ama- 
rellados; pescoço esbranquiçado com estreitas estrias pretas; 
peito d'um vivo ^'erde amarellado: meio da barriga ama- 
rello, lados esverdeados; rabo e azas pardas enegrecidas, 
marginadas de verde amarellado. 

Bico pardo com ponta clara: pés claros. 

Compr. das azas 54 mm: do rabo 44 mm: do bico 12 
mm; do tarso 18 mm. 

O pássaro diffcre de Eusc. siri alicol lis (Lafr.) pela ca- 
beça verde olivacea, não tirando ao pardo, pelo peito verde 
amarellado e pelas estrias do pescoço menos distinctas: de 
Eiisc. orbilaiiis (Wied.) pelo peito verde amarellado não ti- 
rando ao pardo, pelas estrias do pescoço, pelo verdo do 
lado superior mais claio e pelas margens amarelladas das 
pcnnas da aza e do rabo. 

O nome foi dado em honra do Sr. João de Sá, que 
coUeccionou o pássaro no Rio Purús e que já 14 annos pres- 
ta os seus serviços como preparador ao Museu Goeldi. 

Euscarthmus sosferops minor Snethl. 

Typo: cf ad. Arumatheua, Rio Tocantins, 26 IV IQO?. 
No. do Cat. 5401. 

Lado superior verde olivaceo, lado inferior cinzento 
esverdeado lavado de amarello no peito e nos lados 
do abdómen: médio do abdómen esbranquiçado: cobertas 
da cauda inferiores amarelladas; cobertas da aza superiores 
menores da cór das costas, as medias e maiores, as pennas 
das azas e do rabo pardas enegrecidas, marginadas de ver- 
de amarellado; cobertas da aza inferiores amarellas claras. 



Novas espécies de Aves amazonicas 446 



Bico preto, base da mandibula e margens claras; pés 
vermelhos claros (no pássaro vivo); iris branco; cont. do 
estômago: insectos. 

Compr. das azas 47,5 mm, da cauda 41 mm; do bico 
l3 mm; do tarso 14 mm. 

Uma 9 do mesmo lugar tem o lado inferior puxando 
um pouco mais ao amarello. 

De Ensc. :(^osterops Pelz. o pássaro differe só pelo ta- 
manho menor. 

Euscarthmus griseipectus Snethl. 

Typo; cf ad. Alcobaça, Rio Tocantins, 5 V 1907. No. 
do Cat. 5402. 

Lado superior verde olivaceo; lado da cabeça (incl. so- 
brancelha estreita), pescoço e peito cinzentos: barriga branca; 
cobertas da cauda inferiores e pernas verde amarellado cla- 
ro; lados do pescoço e do abdómen lavado de verde; co- 
bertas da aza superiores menores da cor das costas; medias 
e maiores pardo enegrecido com estreitas margens lateraes 
verdes e largas pontas verde amarelladas claras, de maneira 
que se formam dois riscos distinctos atraves-ando a aza; 
pennas da aza e da cauda pardas marginadas de verde ama- 
rellado; cobertas da aza inferiores amarellas claras. 

Bico preto com margens e pontas brancos; pés cinzen- 
tos claros; iris cinzento amarellado claro; cont. do estômago: 
insectos. 

Compr. das azas 55 mm; da cauda 4S mm; do bico 
12,5 mm; do tarso ló mm. 

De Eitsc. nidipcnduliis Wied. á primeira vista distingui- 
vel pelo tamanho maior e pelas duas tiras amarellas nas 
azas. 

Serpophaga pallida Snethl. 

Typo: 9 ad. Alcobaça. Rio Tocantins, 7 V ig07 No. 
do Cat. 5594. 

Lado superior pardo pallido, ficando mais claro para 
a cauda; alto e lados da cabeça cinzentos claros; crista de 
pennas não muito compridas pretas e brancas; pescoço e 



447 Novas espécies de Aves amazonicas 



abdómen brancos puros, lavados com um pouco de cinzento 
nos lados, cauda e azas pardas; cobertas da aza inferiores 
brancas misturadas de cinzento. 

Bico e pés pretos; iris pardo; cont. do estômago: in- 
sectos. 

Compr. das azas 49 mm; da cauda 49 mm; do bico 
95 mm; do tarso 17 mm. 

Differc de Serp. hypohuca Scl. et Salv. pelo colorido 
mais claro e talvez pelo bico um pouco menor. 

Fam. Pipridae: 

Pipra fasciicauda purusiana Sncthl. 

Typo: cf ad. Ponto Alegre, Rio Purús, ?? IV 1904. No. 
do Cat. 3557. 

Lado superior preto; alto da cabeça e nuca escarlates; 
fronte e lados da cabeça encarnados amarellados; meio do 
pescoço amarello quasi puro; peito e lados do pescoço es- 
carlates, a cor ficando pouco a pouco amarello puro no ab- 
dómen; lados da barriga cinzentos enegrecidos; azas pretas 
com uma fita branca nas barbas interiores das pennas; 
cobertas da aza superiores menores encarnadas amarelladas: 
cobertas da aza inferiores amarellas esbranquiçadas; as 2 
pennas medias da cauda inteiramente pretas, as duas seguin- 
tes (de cada lado) com mancha branca na barba interior, 
as restantes com uma fita branca; cobertas da cauda in- 
feriores amarellas com margens pretas. 

Differe da Fipra fasciicauda Hellm. pelas pennas medi- 
as da cauda inteiramente pretas, de maneira que a fita 
branca do rabo parece interrompida; alem d'isto pelo colo- 
rido do pescoço d'um amarello quasi puro. 

Tamanho como o da P. fasciicauda Hellm. 

Fam. Laniidae: 

Pachysylvia muscicapina griseifrons Snethl. 

Typo: Ç ad. Villa Braga, Rio Tapajóz, 10 I 1907. No. 
do Cat. 5021. 



Novas espécies de Aves amazonicas 448 

Lado superior verde olivaceo claro; alto da cabeça 
cinzento claro; sobrancelha, lado da cabeça e pescoço fcr- 
rug-ineos claros; peito e abdómen cinzentos esbranquiçados, um 
pouco lavados de olivaceo nos lados; cobertas da aza infe- 
riores e cobertas da cauda inferiores amarellas; pennas da 
aza pardas enegrecidas marginadas de olivaceo amarellado: 
cobeitas da aza superiores da cor das costas: pennas e co- 
bertas superiores da cauda olivaCeas amarelladas. 

Maxilla parda, mandibula esbranquiçada: pés cinzentos 
claros; iris cinzento; cont. do estômago: insectos. 

Differe de Pach. mnscicapina (Scl. et Salv.) pela falta 
da cor ferruginea na fronte, sendo esta cinzenta clara como 
o resto do alto da cabeça. 

Fam. Fring-illidae: 

Sporophila leucoptera aequatorialis Snethl. 

Typo: cf ad. Sta. Maria, Mexiana, l3 XI 1901. No. 
do Cat. 2151. 

Lado superior cor de ardósia clara; lado inferior bran- 
co, com excepção dos flancos cinzentos; azas e cauda pretas, 
marginadas de cinzento; espelho branco distincto nas pennas 
da aza de 1.^ ordem. 

Bico claro. 

Diífere de Spor. leucoptera (Vieill.) somente pelo peito 
dum branco mais puro e pela cor cinzenta nos ilancos mais 
clara. 



449 Novas espécies de Peixes amazonicos 

IX 

Novas espécies de Peixes amazonicos 

das coUecções do Museu Goeldi 

( Segundo os trabalhos do conselheiro Dr. Steindachner) 

pela Dr.a Emilia Snethiage 



Na occasião da minha viagem para a Euoropa no anno 
passado (1907). levei commigo um certo numero de peixes 
(especialmente uma parte da colheita das ultimas excursões 
do Museu) dos quaes não se podia aqui obter a determina- 
ção exacta por falta de litteratura e de material necessário 
para comparação. O Sr. Dr. Steindachtier, illustre director 
do Museu imperial de Vienna, teve a bondade de occuparse 
do estudo d'este material e da descripção das espécies novas. 
O eminente ichthyologo foi tanto mais pessoa idónea para este 
trabalho, que não somente na sua mocidade elle tinha se 
occupado com uma parte da enorme collecção de peixes 
amazonicos feita no anno 18Ó5 pela « Thayer expedition » do 
celebrado Prof. Agassiz, e que elle desde esse tempo deu o 
seu interesse especial á exploração da ichthyofauna sulame- 
ricana, mas também porque desde a sua visita no Pará no 
anno IQOS, visita que ainda está na memoria dos Paraenses, 
sempre se mostrou um amigo zeloso e leal do Museu Goeldi. 

Nas « Sitzungsberichten » da Academia Imperial e Real 
das Sciencias de Vienna (dos mezes XII IÇ07 até I 190S) o 
Sr. Steindachner publicou os primeiros resultados do seu tra- 
balho, isto é a descripção de um género novo e de 8 espé- 
cies novas. 3 d'estes nos vieram do Rio Xingu (coUecciona- 
dos por conta do Museu pelo Sr. Bach, 1904) e 5 do Rio 
Purús (colleccionados pelo pessoal do Museu nas excursões 
de 1903 e IQ04), em quanto que as coUecções feitas no Rio 
Amazonas mesmo não forneceram mais espécies novas. 



Novas espécies de Peixes amazonicos 450 



Este facto interessante deixa tirar a conclusão que uma 
esploração exacta e systematica da ichtlayofauna do Amazo- 
nas deve ter por objecto principalmente o curso alto e meio 
dos afQuentes. 

Das espécies novas uma pertence á família das Mug-ili- 
dae, cujo representante mais conhecido é a Tainha do Ama- 
zonas (Mugil incilis), 3 são da grande familia sulamericana 
das Characinidae, peixes cobertas de escamas e tendo na 
frente da nadadeira caudal uma segunda nadadeira dorsal 
geralmente pequena e sem raios, chamada por causa da sua 
consistência nadadeira adiposa. Quatro são Siluridae, peixes 
sem escamas, nus ou cobertas de placas ósseas e quasi sem- 
pre fáceis a reconhecer pelas 2 a 4 barbas mais ou menos 
compridas. O novo género também é da familia das Siluridae. 

Do nas paginas seguintes um resumo do trabalho do 
Sr. Steindachner: 

Fam. Mug"ilidae: 

Mugil xinguensis Steind. 

Corpo alongado; comprimento da cabeça contido 4 ve- 
zes no comprimento do corpo (sem nadadeira caudal), maior 
altura do tronco ca. 4 V5 vezes. Lados do focinho abobados. 
Primeira nadadeira dorsal nascendo mais perto do lado an- 
terior da cabeça que da base da nadadeira caudal. Nada- 
deiras pectoraes situadas verticalmente sob o principio da pri- 
meira nad. dorsal. Nad. anal, segunda nad. dorsal e cauda 
densamente cobertas de escamas. Nad. caudal um pouco re- 
cortada. 

Comprimento do espécimen descripto 21, 8 cm. 

Nome vulgar : « Tainha ». 

Proveniência: Providencia, no Rio Xingu. 

Fam. Characinidae: 

Hentiodus goeldii Steind. 

Corpo alongado; Maior altura do tronco contida 3 V2 



451 Novas espécies de Peixes amazonicos 



vezes no comprimento total, comprimento da cabeça 4 Vs» 
comprimento da nadadeiía caudal 3 V? vezes. 8 dentes no 
intermaxillare; 12 cm cada maxilla, estes ficando menores 
do lado posterior. Olho mais perto da extremidade anterior 
da cabeça que da posterior. Comprimento da nadadeira dor- 
sal contida 2 vezes na sua altura. Principio da nad. dorsal no 
meio entre a extiemidade anterior da cabeça e a nad. adi- 
posa. Nad. ventral no meio do corpo Nad. adiposa situada 
verticalmente sobre os últimos raios da nadad. anal. Nad. pe- 
ctoral muito mais curta que nad. ventral. Nad. caudal pro- 
fundamente recortada. D 2/8. A 2/8. P I/15. V. l/io. 

(Esta formula dá o numero dos raios das nadadciras, 
sendo entendido que a cifra antes do traço indica o numero 
dos raios duros, a de dctraz o dos moUes. 

D = nad. dorsal; A = nad. anal: P = nad. pectoral; 
V = nad. ventral. 

Assim D 2/9 significa que a nadadeira dorsal contem 
2 raios duros e 9 raios molles. 

L.l (linha lateral) 42X4- L. tr. (linha transversal) 7 1/2. 
1. 4 V2 (numero das escamas). 

No colorido do tronco este peixe assemelha-se a Heiíiio- 
diis semitaenialus, mas differe pelas escamas maiores. 

Comprimento do espécimen descripto ca. 20,5 cm. 

Proveniência: Rio Xingu (provavelmente). 

Anastomus elongatus Steind. 

Corpo muito alongado. Cabeça muito achatada. Diâme- 
tro do olho contido quasi duas vezes no comprimento do fo- 
cinho. Mandibula quasi não prominente. Maior altura do tron- 
co contida ca. 4 ^/j vezes no comprimento do corpo, compri- 
mento da cabeça ca. 5 vezes. 6 dentes no intermaxillare, o 
mesmo numero na mandibula. O principio da nadadeira dor- 
sal um pouco mais perto da margem anterior da cabeça que 
da nadadeira adiposa, que tem a margem superior arredon- 
dada. Margem inferior da nadadeira anal concava. Nad. ven- 
tial situada verticalmente sob a nad. dorsal, nad. adiposa 
por cima dos últimos raios da nad. anal. D. 11. A. 10. P. 
17. V. 9- L. 1. 48/4. L. tr. 7 V2/1/5 Va- No colorido do cor- 



Novas espécies de Peixes amazonicos 452 



po semelhante a A. taeniatus distingue-se pela forma do cor- 
po mais alongada e as escamas menores. 

Compr. do espécimen descripto 21,5 cm. 

Proveniência: Rio Purús. 

Piabuca purusii Steind. 

Maior altura do tronco contida quasi 4 vezes no com- 
primento do corpo (sem nad. caudal), comprimento da ca- 
beça 5 vezes. Ca. 12 dentes um pouco rendilhadas no inter- 
maxillare, 12 na mandibula. O principio da nad. dorsal no 
meio entre a margem anterior do olho e a base da nad. 
caudal. Principio da nad. anal um pouco mais perto da mar- 
gem posterior da cabeça do que da base da nad. caudal. 
As nad. pectoraes alcançam quasi o principio das ventraes 
(terminando 2 escamas antes). 

D. 12. P. 15. V. 8. A. 37—38. L. 1. 63— 64X4. L. 
tr. 9/1/Ó. 

Comprimento do espécimen descripto 11 cm. 

Proveniência: Rio Purús. 

Fam. Siluridae: 

PUnelodina goeldii Steind. 

Corpo alongado, compresso. O focinho prolonga-se do 
estreito orifício de mais do meio diâmetro do olho. Xa man- 
dibula acha-se uma fita de dentinhos muito finos, que falia 
na maxilla. Comprin\ento da cabeça contido 5 vezes no com- 
primento do corpo, assim como a maior altura do tronco. 
Processo occipital muito comprido e estreito, reunido á pla- 
ca dorsal mais curta, mas também estreita. As barbas da ma- 
xilla alcançam a ponta da nadadeira caudal, as interiores 
da mandibula a parte posterior da nad. pectoral. as exteri- 
ores a parte posterior da nad. ventral. O mais alto dos raios 
da nad. dorsal e duro. muito fino. Distancia da nad. adiposa 
até á nad. dorsal igual ao diâmetro do olho. Altura da nad. 
adiposa contida ca. 6 vezes no comprimento d'ella. A ponta 
da nad. pectoral alcança o principio da nad. ventral. Nada- 
deira anal ca. 8 vezes mais comprida que alta. Nad. caudal 



453 Novas espécies de Peixes amazonico.s 



comprida com lobos estreitos e ponteag^udos como os de P. 
altipiíuiis Steind. 

D. 1/6. P. 1/10. V. 1/5. A. 1/6. 

Compr. do espécimen descripto: l6.5 cm. 

Proveniência: Rio Purús. 

Ageniostis vittatus Sleind. 

Corpo bastante grosso e curto. Comprimento da cabeça 
contido ca. 3 Vs vezes no comprimento do corpo, altura do 
tronco 4 vezes. Os intermaxillare prolonga-se alem da man- 
dibula de maneira que uma parte da fita dental fica desco- 
berta. Processo occipital curto, reunido á placa dorsal que 
tem forma de sella. Espinha dorsal (primeiro raio da nad. 
dorsal) muito fina, espinha pectoral um pouco mais forte. 
A ponta da nadadeiía pectoial não alcança a nad. ventral 
que se acha no meio do corpo. A ponta da nadadeira ven- 
tral alcança a parte anterior da nad. anal. O principio da 
nad. dorsal é 2 vezes mais perto da margem anteiior da 
cabeça do que da base da nad. caudal. Xad. caudal recortada 
em forma de crescente, o lobo snperior um pouco mais com- 
prido que o inferior, não sendo os dois muito agudos. 
Nad. adiposa curta, quasi 2 vezes mais alto que comprida, 
com raios distinctos. Linha lateral arqueada. 

D. 1/6. O. 1/6. P. 1/1/13X14 3Xi4. A. 34- 

Compiimento do espécimen descripto 18.5 cm. 

Proveniência: Rio Purús. 

Duoplatinus goeldii Steind. 

Altura do tronco contido 1 Vk vezes no comprimento 
do corpo, comprimento da cabeça 3 Vs vezes. Cabeça acha- 
tada e diminuindo um pouco de laigura na parte anterior. 
Maxilla prolonga-se um pouco alem da mandíbula. Fita den- 
tal da maxilla apenas da meia largura da de D. marginatus, 
prolonga-se atraz n'uma área comprida e ponteaguda, bifurcan- 
do-se no fim. 2 áreas quadradas de dentes muito approxi- 
madas um do outro no paladar, atraz d'estes mais duas áreas 
oblongas. 

Barbas da maxilla do espécimen descripto (novo) mais 



Novas espécies de Peixes amazonicos 454 



de duas vezes mais compridas que cabeça e tronco juntos. 
As barbas e-xteiiores da mandibula alcançam quasi a ponta 
da nad. pectoral; as interiores, nascendo mais na frente, são 
4 vezes mais curtos. Processo occipital comprido, terminan- 
do em 2 pontas, juntas á placa dorsal em forma de lyra. 
A nad. adiposa, airedondada por cima, começa antes e termi- 
na atraz da nad. anal, que e ponteaguda em baixo. Distancia 
da nad. adiposa até ao ultimo raio da nad. dorsal menor que 
o comprimento d'essa (do diâmetro do olho). A altura da nad. 
adiposa e contida quasi 3 vezes no seu comprimento. Nad. 
caudal profundamente recortada, com lobos estreitos, com- 
pridos e ponteagudos, terminando n'um fio comprido. Xa parte 
anterior da linha lateral acham-se 8 — Q plaquinhas ósseas. 

Comprimento do espécimen de.scripto (sem nad. caud.) 
17,8 cm. 

Proveniência: Rio Purús. 

Gen. Zungaropsis Steind. 

O «habitus» como o das espécies typicas do género 
Pseiidopitiielodits Blkr., bastante curto e grosso, mas o olho 
não é coberto de pelle, tendo a margem livre. Dentes no 
paladar e no vomer, formando uma fita estreita atraz da 
larga fita intermaxillar. Cabeça larga, achatada. Espinha dor- 
sal e pectoral bem desenvolvidas. Nad. caudal recortada. 
Narizes distantes um do outro. Duas barbas maxillares e 4 
mandibulares. 

Zungaropsis multimaculattis Steind. 

Altura do tronco contida um pouco menos de 4 vezes 
no comprimento do corpo, comprimento da cabeça 5 vezes. 
Cabeça muito achatada, coberta de pcUe grossa. Maxilla e 
mandíbula quasi do mesmo comprimento. A largura da fita 
dental nos intermaxillares egual ao diâmetro do olho. a da 
fita mandibular menor de um terço. As duas arcas de den- 
tes oblongas no vomer são separadas umas das outras por 
um interspacio estreito, mas reunidas á área muito mais 
comprida dos dentes palatinos. As barbas maxillares alcan- 
çam a ponta da nad. ventral, as mandibulares exteriores, 



455 Novas espécies de Peixes amazonicos 



muito mais finas, a base do ultimo raio da nad. pectoral. As 
mandibulaies interiores, nascendo mais na frente, são ca. do 
meio comprimento dos exteriores. Processo occipital esbelto 
e coberto de pelle. assim como a placa dorsal estreita e 
comprida; os dois parecem estar contiguas. Pelle do tronco 
muito grossa. Nad. adiposa mais comprida que a nad. anal. 
ca. 3 vezes mais comprida que alta. Nad. anal ca. 2 vezes 
mais alta que comprida, ponteaguda em baixo. 

A distancia da nad. adiposa até a nad. dorsal não é 
muito maior que a base d'esta ultima. O lobo superior da 
cauda, mais comprido que o inferior^ é ponteagudo: o inferior 
é oblongo. Numerosas manchas escuras no lado superior da 
cabeça, do tronco e nas nadadeiras. 

D. 1/6. V. 1/5. A. 8. 

Comprimento do espécimen descripto 28,4 cm. 

Proveniência: Rio Xingu (provavelmente). 



BlELIOGRAPHIA 456 

BIBLIOGRAPHIA 

1906-1907 



REVISTAS 

\. Revistado Museu Paulista, TpnhWc&áfi por Rodolpho i:on Jhering, Director 
interino do Museu Paulista. Vol. VII. São Paulo, 19(J7, .^.'>.") pa- 
ginas e XIII estamija-s. 

Este volume, editado durante a ausência do director effectivo do 
Museu Paulista peio seu filho Eodolpho vou Iherinfr, director interino, 
sahiu á luz em 1908, mas como a maior parte dos trabalhos nelle conti- 
dos já foi publicada en 1007, trataremos d'el!e n'esta Bibliographia. Como 
sempre a publicação do importante estabelecimento irmão traz uma larga 
messe de trabalhos interessantes. Começa com um relatório sobre o Museu 
Paulista nos annos de 1903 a 1905, por Rodolpho von Jhcriwj, e termina 
com uma bibliographia muito completa e a Lista de periódicos recebidos 
em permuta pela bibliotheca do Museu Paulista. Os trabalhos scientifi- 
cos são os seguintes: Os Índios Patos e o nome da Lagoa dos Patos, 
pelo Dr. H. von I/ie/-«2//.— Considerações sobre alguns ossos fosseis de 
reptis do Estado de Eio Grande do Sul, pelo Dr. A. Smith-Wooduard.— 
—Notas sobre una pequena colección de huesos de Mamíferos de las gru- 
tas calcáreas de Yporanga. Estado de S. Paulo, pelo Dr. Florentino 
Amefjhino.—A distribuição de campos e mattas no Brasil, pelo Dr. H. 
von Ihering.—k^ cabeças mumificadas pelos indios Mundurucús, pelo Dr. 
H. von Ihering.—Or^ peixes da agua doce do Brasil, por R. ron Ihcrinji. 
— Historia da fauna marina do Brasil e das regiões visinhas da America 
meridional { traducção do cap. XII da monographia ^^ Les molUisques fos- 
siles du Tertiaire et du Crétacé de 1'Argentine ), pelo Dr. H. von Ihcriwj. 
—A organisação actual e futura dos museus de historia natural, pelo 
Dr. H. von Ihering. 

Como o leitor encontrará a maior parte d'estes trabalhos citada 
n'esta Bibliographia, no logar que lhes compete relativamente ao seu 
conteúdo, posso limitar-nie aqui a tratar só do ultimo artigo, da lavra do 
Dr. H. von Ihering, trabalho que pela actualidade e importância do :vssumpt« 
interessa-nós de bem perto. N'este estudo von Ihering communica as im- 
pressões recebidas durante uma viagem ao velho mundo que elle fez em 
1907, para estudar a organisação dos i)rincipae.s museus de historia na- 
tural da Europa central. O autor nota a situação critica em que se acha 
a maior parte dos museus europeus, quer i)ela falta de orientação segura, 
quer pela desproporção que muitas vezes existe entre os meios disponíveis 
e as aspirações mais ou menos bem definidas dos respectivos institutos. 
Para cada museu, seja elle grande ou pequ.^no, a questão fundamental deve 
ser: Qual é o seu fim? O Dr. von Ihering mostra bem a importância 
d'esta questão, fornecendo uma contribuição valiosa a sua .^oluçao, .píer 



457 BlBLIOGRAPHIA 



pelas reflexões iiuliciosas sobre os museus do velho uiundo, quer pelas 
suggestões para o futuro que elle apresenta. O duplo fim que os museus 
de historia natural devem almejar, servindo de um lado de meio de ins- 
trucção publica e contribuindo do outro lado ao progresso da scieneia, ?6 
pode ser preenchido, quando se distingue bem entre as collecções expos- 
tas ao publico e as collecções de estudo. Principalmente as ultimas nece.s- 
citara de maior sollicitude e d'uma organisação mais methodica. Segundo 
o programma scientifico o autor distingue museus centraes, provinciaes e 
cspecialisados. Estamos completamente de accordo com a opinião do au- 
tor, que só bem poucos museus podem ser museus centraes, abrangendo 
a orbe inteira e todo o conjuncto da historia natural. Só por uma sabia 
restricção do seu programma e pondo-se em harmonia perfeita com o 
seu meio, um museu pôde ser realmente útil á humanidade. 

H. 

2. Arclt/ros do Museu Xacional do Rio de Janeiro, vol. XIII, 1!)05. 

Este volume contem os seguintes trabalhos : P. Dusén, Sur la flore 
de la Serra de Itatiaya; Carlos Moreira: Campanhas de pesca do An- 
nie; Alipio de Miranda Rtbeiro : Genus Mef/alohrycon, seu enumeratio 
systematica hujus generis Characinidarum specierum; Alipio de Miranda 
Eibeiro: Braula coeca Nietsch; Alipio de Miranda Ribeiro: Vertebrados 
do Itatiaya (Peixes, Serpentes, Saurios, Aves e Mammiferos). Resultados 
de excursões- do Sr. Carlos Moreira, assistente da Secção de Zoologia do 
Museu Macional. 

3. Arcltivos do Museu Nacional do Rio do Janeiro, vol. XIV, 1907. 

Além de um trabalho de seu illustre director Dr. J. B. Lacerda, 
sobre a questão muito debatida, mas ainda não completamente elucidada 
do micróbio da febre amarello, este volume contem os seguintes artigos, 
todos da lavra do Sr. Alipio de Miranda Ribeiro, activo Secretario desse 
importante ]\Iuseu : Fauna brasiliensis, t. I e II (Peixes); O ponjuiidio 
da índia e a theoria genealógica; Alguns dipteros interessantes. 

H. 
VIAGENS.— GEOGRAPHIA.— METEOROLOGIA 

4. Paul LeCointc « Le Bas Amaxonc » ( Annalesde Géographie, tome XII, 

pp. 54-6(i, com uru mappa e õ estampas, 1908). 

Por uma lamentável inadvertência este trabalho apezar de publi- 
cado cn 1903, ainda não foi citado na nossa bil)liographia. Entretanto 
elle constitue uma contribuição tão importante para a litteratura geogra- 
phica sobre o Amazonas que seria um descuido inqualificável de passal-o 
sob silencio. O artigo serve em primeiro logar de explicação ao bello 



BlBLIOGRAPHIA 458 



mappa annexo, que abrangendo na esf>ala de 1:500.000 o trecho do Rio 
Mar coniprehendido entre Faro e Aleinqiier, mostra melhor que nenhum 
outro publicado até aqui (com excepção talvez do mappa de Herbert 
Smith (JS70) que representa uma secção do rio um pouco mais oriental) 
o labyrintho de paranás e lagos de ambos os lados do curso princii)al do 
Amazonas. No texto o autor consegue dar uma idéa bem nitida do regi- 
me hydrographico do rio Amazonas e principalmente do papel importante 
dos lagos como reguladores das enchentes. Quanto a estes últimos o Sr. 
LeCointe insiste sobre a difíerença essencial que se nota entre os lagos 
de várzea e os da terra firme. O clima, a distribuição dos campos, a des- 
cripção dos affluentes septentrionaes, os productos naturaes da re,<j-ÍHO es- 
tudada são tratados com proficiência. Diversas vistas photographicas mos- 
tram paisagens características e facilitam a comprehensão do texto. 

H. 

õ. Paul LeCointe « Le climat amazonien et plus sjjécialement le elimat 
tlu bas Arnazone» (Anuales de Géographie, Tome XV, l!)Oí;, pp 
449-462 ). 

Evitando os exageros tão frequentes nestes assumptos, mesmo da 
parte de scientistas illustres, o Sr. LeCointe trata do clima amazonico, 
baseando-se sobre a própria experiência de muitos annos e aproveitando 
ju idosamente os dados até aqui accumulados por outros. Sem duvida 
esta sytiopse do clima amazonico é a mais acertada e a mais completa 
publicada até hoje. Assim o autor mostra que, emquauto que a temperatura 
e a pressão barométrica são de uma uniformidade notável em toda a re- 
gião amazonica, a altui-a e a repartição das chuvas são muito mais va- 
riadas nas diversas subdivisões do valle amazonico (Belém tendo p. e. 
uma media annual de perto de 2,õm, Óbidos e Mandos só cerca e l,5m 
de chuva por anno), e permittem a distincção era diversas zonas climáti- 
cas, como p. e. a zona tocautina, zona do baixo Amazonas, zona do alto 
Amazonas. E' claro que, sendo os postos de observações meteorológicas 
ainda em numero limitadíssimo, estas subdivisões forçosamente só podem 
ser provisórias. As indicações sobre os ventos dominantes, temporaes, re- 
gime das enchentes e vazantes, são também de muito interesse. Como 
conclusão das suas observações sobre o clima propriamente dito, o autor 
diz: «En résumé, pluies frequentes et abondantes, sans être diluvienne.s, 
forte humidité allant presque jusqu'à saturation dans la plus grande par- 
tie des terrains bas, chaleur non excessive, mais con.stante, en partic com- 
pensée par une bonne ventilation, tels sont les traits caractéristiqiu's ilu 
climat amazonien ». 

Quanto á proverbial fertilidade do valle amazonico, o Sr. LeCointe 
faz as restricções necessárias com relação ao baixo Amazonas, onde as 
plantações nas várzeas férteis soffrem muitas vezes sob as inundações ilo 
rio e as terias firmes uma vez roçadas facilmente têm a tendência de 
tornarem-se esteris. O autor trata ainda das moléstias reinantes iia Ama- 
zónia e das possibilidades de colonização europea, chegando a este res- 



459 BlBLIOGRAPIIIA 



peito á conclusão spoiíinte : '< Nous ponvons conclure en tlisant que, pour 
le colou curopcon qui choisiia iutellifíouiiueut reniplacement de sa de- 
meure, et (|ui u'ouhliera pas qu'uu certaiu de<íré de comfort n'est pas 
un luxe inutile, mais hiííu un facteur iniportant de ia santé, le eliinat du 
bas Auiazone será parfaitenient supportahle; il laudra au coutraire, (piMl 
s'entoure des pins f^raudes préeantions s'il est ohli^é de pénétrer u Tinfé- 
rieur des ferres, surtout au uiouient des prenderes pluies et au coinmen- 
cenieut de la baisse des eaux > . 

H. 

(). Paul LeCointe « Ex])loitaíioii et riiUurc i/es arhrrs à cnimh-íit»tc en 
Aniaxonie ^> BuUetiu de ia Société de Géographie coniiuereiale de 
Paris, N." II (1'JOO). 

Sobre a exploração da l>orracha na rej^ião ainazonica temos já um 
certo numero de tratados. Um tios melhores é cou) certeza o presente, 
que é baseado n'uma experiência de muitos ânuos não só no baixo Ama- 
zonas, como também no rio Beui, isto é n'uma das reo;iões mais afasta- 
das onde se produz a gomma da Hevea. O autor recommenda muito a 
plantação da seringueira nas várzeas altas, dentro dos cacauales, e dá 
algumas indicações preciosas sobre o crescimento das arvores de Hevea. 
As tabeliãs estatísticas no fim do artigo são methodicamente dispostas e 
dão uuia idea muito bôa da producção da gomma elástica na região ama- 
zonica. 

H. 

7. I'aul LeCon/tr '^ Noticc .tnr la carte dit enius de V Atiiaxnve et de la 
(Juyane brésilienuc drpuis VOcéan jiisqu^à Mandos ». Annales de 
Géographie, tome XV 1, 1907, pp. 109-174, com um mappa. 

Como o artigo « Le bas Amaztme», este é também destinado em 
primeiro logar a servir de explicação a um maopa, no qual o autor resume 
o estado actual dos conhecimentos geogra])hicos sobre a Guyana brnsileira. 
Sobre o majjpa official do Estado do Pará d(^ Henrique de Santa líosa, 
cuja segunda edição ( 1905 ) foi apenas uma reimpressão, o map|ta do Sr. 
Paul Lecointe marca um progresso sensível, aproveitando divcir.sas fontes 
de informações recentes, entre as quaes figuram em primeira linha as suas 
próprias explorações e as de Mr. e ]\tme. Coudreau. Se é verdade que o 
conjuncto assim obtido ainda não satisfaz a todas as exigências de abso- 
luta exactidão, .que naturalmente só pode ser obtida quando se trata dum 
paiz de população densa, o indiscutível progresso fará sempre prazer aos 
que se interessam pelo conhecimento deste paiz. 

O texto com que o Sr. Lecointe acoin[>anhou o seu mappa é aliás 
mais do que uma simples explicação. Além de dar um histórico resumido 
da cartographia da região o autor entra em considerações sobre a questão 
tão debatida da origem da foz do Amazonas em sua relação com o To- 
cantins e os outros affluiíutes do estuário do l^ará, dando uma explicação 
bastante plausível, illustrada por uma figura no texto. Apezar que nã<í me 



BlBLIOGRAPHIA 46O 



seja possível concordar com meu ami<ío em todos os pontos da sua expo- 
sição, me parece que o seu estudo contribuirá muito á elucidação desta 
questão intricada. Espero tratar eiu tempo opporluno e com mais desen- 
volvimento d'este assumpto de grande interesse scientifico. 

H. 

8. A. Dueke, « Voyagc cmx campos de l' Ariramha. ■■■■ La Géographie, BuUe- 

tin de la Société de Géographie, vol. XVI, 1907, pags. 19-20. 

Noticia resumida, mas repleta de boas informaçijes. principalmente 
botânicas, sobre uma viagem de exploração, feita em companhia do Dr. 
J. P. Diniz, pelo rio Cuminã e lago da Castanha até os campos de Ari- 
ramba, que occupani a região central entre os rios Erepecurií e ('uruá de 
Alemquer, um pouco ao N. do primeiro degráo lat. S. Dos resultados 
botânicos desta viagem o leitor achará ainda uma exposição mais deta- 
lhada n'este Boletim pags. 301-305. 

H. 

9. Richard Paver, « Bcisen iin Jauapery-Oebiet. » Petermanns Geogra- 

phische Mitteilungeu, Bd. 52, 1906. pp. 217-222, com uma f;stampa. 

Relação de duas viagens effcctuadas pelo autor em Dczeml)ro de 
1900 e em Fevereiro de 1901 para a exploração do rio Jauapery, reducto 
dos Índios Jauaperys ou U-ah-miris, tão temidos dos habitantes do baixo 
rio Negro. Na segunda viagem o autor penetrou até uma maloca de Ín- 
dios selvagens e conseguiu fazer algumas observações sobre os seus habi- 
tantes, dos quaes elle adquiriu também alguns objectos ethnograpicos, que 
foram remettidos ao Museu Imperial de Vienna. Em geral porém os re- 
sultados d'esta viagem parecem ter sido pouco satisfactorios, devido á fuga 
precipitada á qual o explorador foi obrigado em vista das ín)portunidades 
dos selvicolas. Um pequeno vocabulário jauapery-allemão e um mappa do 
rio Jauapery acompanham o trabalho do Sr, Payer. Desagradável impressão 
produzem as heresias orthographicas do autor, que se obstina p. e. de es- 
crever Braia em logar de Praia etc, de forma que poderia-se pensar que 
elle fosse inteiramente novato n'estes assumptos, o que entretanto não é 

o caso, ao que me consta. 

H. 



ETHNOGRAPHIA 

10. Geon] Huchuer « Dic Yaimpery » Kritisch hcarbcitrt und mH Eliilritung 
versehen von Dr. Thendor Koídt-Grilnhcrtj. Zeitschrift fiir Kthno- 
logie, Jahrg. 1907 pp. 225-248. 

O núcleo d'esta publicação consiste n'um vocabulário bastante 
completo e n'uma dúzia de photographias de indivíduos pertencentes á 
tribu dos Jauaperys, que em 190(1 foram trazidos presos a Manáos por 
uma expedição militar emprehendida contra estes Índios reputados au- 



4Ó1 BlBLIOGRAPHIA 



thropophagos. Na introducção o Dr. Koch faz o histórico d'esta tribii, 
que, imiito temida dos moradores civilizados do baixo Rio Nef^ro, ainda 
é muito mal conhecida. O autor observa que o vocabulário publicado por 
Barboza Rodrigues como sendo dos índios selvaj^ens do rio Jauapery 
(que elle chama de Krichanás), não concorda com os vocabulários de 
Payer e de Hnebner, o que faz suppôr que elle não represente a lingua 
dos Índios bravos de Jauapery, ou então que os verdadeiros Crichauíís 
tenham só temporariamente apparecido no rio Jauapery. A lingua dos 
actuaes Índios do rio Jauapery, que se subdividem em diversas tribus 
pouco differentes entre si, pertence ao grupo caraiba e approxima-se muito 
da lingua dos Bonarí, do rio Uatumá. O valor scientifico do vocabulário 
é ainda realçado pelas muitas confrontações com outros idiomas caraibas 
e abundantes indicações bibliographicas. 

H. 

]\. H. V. Ihering, « As cttbcçns mumipadas pelos indios Miinduntrús. » 
(Revista do Museu Paulista), vol. VII, pp. 179-2U1, estampas 
IX e X, 1907. 

Trabalho bem documentado tratando das celebres cabeças mumifi- 
cadas dos índios Mundurucús o dos indios Jivaros do Ecuador oriental, 
das quaes duas são figuradas nas estampas annexas. Tratando da prove- 
niência e do niodo de preparação d'estes trophéus, o autor observa, que 
todos os autores que se occuparam do assumpto, com excepção de Bar- 
bosa Rodrigues, que aliás diz ter assistido pessoalmente á respectiva ope- 
ração, concordaiu na affirmação que os indios Mundurucús preparam as 
cabeças sempre com o craneo, emquanto que os respectivos trophéus dos 
índios Jivaros são invariavelmente moqueados depois da extracção dos 
ossos do craneo. Baseando-se em certos indícios encontrados na cerâmica 
dos índios preeolnmbianos, o Dr. v. Ihering suppõe que o costume de 
mumificar as cabeças dos inimigos e mesmo dos próprios membros da 
tribu tenha sido antigamente mais espalhado e que diversas figuras repre- 
sentando cabeças humanas signifiquem cabeças mumificadas ou trophéus. 

H. 

12. Theodor Koeh-driiuhcni, « Kivtix urid quer durch Nord/restbrasilien» 
(ilobus Bd. y9, pp. 16r),::J73,3()9; Bd. 90, pp. 7, 104, 117, 2G1, 325, 
34.0,373, (190(j). 

Em maio de 19(J3, o Dr. Theodor Koch, já conhecid(j pelos seus 
estudos linguisticos sobre os indios da bacia do Rio da Prata, defem- 
barcou no Pará, para emprehender, em com missão do Real Museu de 
Ethnogra])hia de Berlim, uma viagem á região entre o rio Negro e o rio 
Yapurá. afim de estudar ali as tribus indígenas e fazer collecções ethno- 
graphicas. 

A primeira parte da sua exj)edição, com|)rehendenJo as suas impres- 
sões de Belém (o autor pronuncía-se mui íavoravelmeute sobre o Museu 



BlBLIOGRAPHIA 402 



Goeldi) e de Manáos e a sua primeira viag;em ao rio Içana e sou afflii- 
ente Aiary, oude aiuda se acham localisadns diversas triUus de indios 
pouco influenciados pela civilisação, faz o objecto destes artifíos, (|ne 
são accompanhados de numerosas photographias muito bem escolhidas 
e d'um mappa mostrando a distribuição das tribus indijcenas entre o 
Rio Negro e o Yapurá. Como é natural, o interesse principal d'esta 
relação de viagem reside do lado ethnographico. Mc parece que nunca 
ainda escreveu-se paginas tão attrahentes, tão cheios de verve e ao mesm<j 
tempo tão repletos de observações finas e criteriosas sobre o selvicola 
amazonico, como as que t> jovem mas já reputado explorador e sábio nos 
offerece nas suas narrações de viagem. Felizmente css.is paginas tã(j pre- 
ciosas serão em breve enfeixadas e reumdas com o resto da relação de 
viagem num livro, que será ao alcance de todos. 

H. 

13. Theodor Koch-Grunherg -íDie Makã-Iudmner» Anthropos 1906, p. 877. 

Publicação importante sobre esta tribn de indios bravo.s de costu- 
mes nómadas que habitam uma zona muito extensa entre o Rio Negro 
e o Yapurá. 

H. 

14. Theodor Koch-Qriinberg^ « Les indiens Oiiitutos, Etudr Unguistique ^ 

Journal de la Société des Américanistes de Paris. Nouvelle Série, 
Tome III, n°. 2 (1906). 

O Dr. Koch encontrou alguns representantes doeste grupo ethnico 
no baixo Apaporis, affluente do rio Yapurá, e dá uma descripção das suas 
feições physicas e um vocabulário bastante completo d'uma das tribus 
que o compõem, dos Káimes. Sob o nome de Ouitotó, que significa ini- 
migo na lingna caraiba e parece corresponder mais ou menos aos Mirn- 
nhas de Martins, comprehende-se um grupo de tribus anthropo])hagas lo- 
calisadas entre os rios Yapurá e Içá (Putumayo). Segundo Koch. os 
Orejones da margem direita do Içá pertencem provavelmente também a 
este grupo ethnico, cujos idiomas aliás não têm nada de communi com a 
lingua caraiba, como se suppunha até aqui, mas constituem um grupo lin- 
guistico distincto, que o autor chama de grupo Ouitotó. Os indios Coérn- 
nas, cujos restos no tempo de Martins habitavam ainda perto do Miriti- 
paraná, affluente do rio Yapurá, offerecem na sua lingna um parentesco 
tão afastado com a dos Ouitotós-Káimes, que o Dr. Koch só com niuita 
reserva propõe de classifical-os no grupo Ouitotó. 

n. 

lõ. 'iheodor Knch-drunberg : '^ Siklanicríkaniítclic Fclsxeic/ni/ntgni - ( Pe- 
tro-glyphos sulamericanos ). Berlim 1907. 

Os petroglyphos ou desenhos gravados cm rochedos, tpie se acham 
espalhados sobre uma grande parte da America do 8(d. mas são sobre- 
modo frequentes principalmente na região visitada pelo aulor na sua via- 



4Ó3 BlBLIOGRAPHIA 



gem á Amazónia, já onnstituiraiii desde muito tempo um problema diffi- 
cil para os areheolo<i"os e já teem dado ensejo para as su|iposiyões e theo- 
rias mais extravagantes quanto á sua origem e signiticaçào. O Dr. Koch, 
pela sua convivenoia de qiiasi dous annos com os Índios do Alto Rio 
Negro e Yapurá e pelos seus estudos especiaes sobre a arte primitiva 
d'estes selvicolas (Cf. TheoiJor Korli, Anfaenge der Kiinst im Urwald. 
Berlim, 19U(3 ) eia melhor que nenhum outro habilitado para tratar d'este 
assumpto com proveito. Baseando-se em observações feitas por elle durante 
as suas viagens, elle chegou á convicção de que estas « inscripçSes » não 
significam outra consa senão um mero passatempo dos indios, principal- 
mente durante as suas viagens em canoa e expedições de caça e de pesca. 
A circunstancia que talvez mais intrigou os archeologos, isto é que mui- 
tos d'estes desenhos são gravados bem fundo em pedras durissimas, ex- 
plica-se pelo facto que, como o autor teve ocasião de presenciar elle mes- 
mo, os indios que passam pelos referidos logares costumam aprofundar- 
Ihes os traços com pedras pontudas. E claro que este trabalho, continuado 
por muitas gerações, potlia dar os resultados que actualmente provocam 
a admiração dos viajantes. Parece entretanto que o costume dos desenhos 
lapidares se perde rapidamente quando os indios entram em contacto 
com a civilisação, pois quasi senn)re estes atlribuem os desenhos aos seus 
antepassados. As conclusões ás quaes o autor chega são expostas com 
clareza e apoiadas por numerosas figuras quer no texto quer nas 29 es- 
taujpas que junto com nm mappa de orientação acompanham este interes- 
sante livro. 

H. 
ZOOLOGIA 



MAM MALI A ^ Sm-ihlan.. ) 

l(i. K. Andcrsen : « (hi t/ie hats nf fite f/cnt(s Murnnvffcrís and Olvpho- 
nycteris ». ( Sobre os morcegos dos géneros Mifrunxeteris e Gl\- 
phonycteris. Ann. and Mag. of Nat. Hist. Vol. XVIIÍ p. 51 ( 190G). 

O autor reconhece 4 espécies e 1 subespécie do género sulamericano 
Micronyeteris^ ( M. mcgalotis, M. nieg. mexicana, M. microtis, M. minuta, 
M. hirsuta e 3 espécies de Ghphonyctcrís ( (11. I>rl>»i, (11. sylrestris, 01, 
hrarl/Yotis ). Elle também occupa-se da distribuição geographica, que espe- 
cialmente no caso de M. megalotis offeiece pontos de bastante interesse. 

17. D. O. Elíiot : "■ Dcscriptions nf apparmtlv iicu- specíe.i nud suhspceies 
of nuntnuals bcloníjing to tlie faniilies Lcuiuridae, Ce1>idae, Calli- 
trirliidnr, nnd Ccrcopithccidac ». ( De.scripções de espécies e subspecies 
apparentemente novas de mammiferos das famílias Lemuridae. 
Cebidae, Callítrichidae Cercopíthecídae ). Ann. and Mag. of. Nat. 
Hist. Yol. XX p. 18.') (19U7). 



BlBLIOGRAPIIIA 464 



Deseripção de 13 espécies novas das faniilias mencionadas no titulo, 
das quaes 5 ( Aotus boUviensis, Sainiiri macrodon, Cnlliccbus ustofuseus, 
Calilcebiis subrufus, Lagothrix liifjrns ) sulanioricanas. 

18. Dr. E. A. Ooeldi: « On some ncw and insuffieiently hnonn sjifr/fs 

of niarmnset inonkeys from the Arnaxoninn region^. ( Sobre alfíuinas 
espécies novas e pouco conhecidas de saiiuinis ila região aniazonica ). 
Proc. Zool. Soe. 1907 p. 88. 

O autor descreve uma es|)ecie nova, Midas tliniuasl, que elle achou 
na occasião de investifíações sobre sahuinis snlanicricanas no British Mn- 
seum, onde eiia ja estava desde o anno 1857 ! Bates coll. ) mas sob o nome 
erróneo de Midas rufiventer. Da land)eni uma deseripção detalhada do 
espécimen de Midas rufirenter no British Musenm, assim como as dia^r- 
noses exactas das espécies até ajíora desconhecidas ou muito raras Midas 
^jr^seovericxi^(^Q\A\, Midas ivípcrator GoMi, Midas fusciroliis Spix, Midas 
píleatus Is. Geoffr. et Devi lie. 

19. Dr. G. IIagi)/ami : « Ueber das Gebiss von Caelogenys und Dasyproefa 

in seinen rersolncdcnen Stadien dei- Abkaumig ». ( Sobre a dentição 
de Coelogenys e Dasyprocta nos seus differentes estados de gasto 
(Zeitschrift f. Morph. u. Anthrop. B<1. 10, Heft 3 (1907). 

Estudos comparativos sobre os differentes estados de gasto na den- 
tição da paca e da cu tia. 

20. S. Oerrtt Miller : « The faniilies and genera of bats. { As famílias e 

géneros dos morcegos). Smithsonian In>titution, Unit. Stat. Xat. 
Hist. Mus. Bulletin Õ7{1907). 

21. i?. /. Poeock : «T/ie significanee of the pnttern of the ntbs of lions 

(Felis íeo) and of pmnas ( Fclis eoncolor)^. (A significação do 
desenho nos indivíduos novos de leões e das onças vermelhas). Anu. 
and. Mag. of Xat. Hist. Vol. XX p. 43C ( 1907 ) 

O autor, examinando dois couros de onças vermelhas recem-nascidas 
obteve o resultado que o caracter do desenho e a repartição das manchas 
obscuras não mostram relação nenhuma com a dos outros membros grandes 
da família das felides, assemelhando -se mais á de alguns gatos peipienos, 
parentes do gato domestico. 

22. Oldfield Ihomas : '^ Notes on soiith-ameriean rof/r^í/.s' (Xotas sobre al- 

guns roedores sulamericanos « (Anu. and Mag. of Xat. Hist Vul. 
XVIII. p. 442 (190G). 

Ccntem entre outras noticias peíjuenas um ostutlo critico tios gé- 
neros sulamericanos Oryzomys, Thoieasomys, Ilhipidomys e do gem-ro 
novo Oecomys. 



405 BlBLIOGRArHIA 



28. Olãfield Thoiinif^ : On neotropical ')ii<niiiiiah <>f fltr fjenera Cdllifehtis, 
h'ritli)(i<h>ntoiti\s, Cfeiwiiivs, Dnsv/jxs, and Mariiiosa,. ( Sobre alfí uns 
iiiíniiiiiiteros neotropicos dos géneros Ca/íir-eh/is, Hhcifrliodoiifoinys, 
Ctr»oiin:<t, Ikisvjms e Mnrmosa ) Ann. and. Ma", oí Nat. Hist. 
Vol. X'X. p. 101 (1907). 

Contem entre outras uma discussão das diversas raças de Dasv- 
jnis sexcinctns. 

AVES (Snethlnse) 

24. H. Oraf r. Berlepsch : « Def^criptions of neic species and conspecies 

of neotropical birds (Descripções de algumas espécies e subespécies 
novas de pássaros nootropicos) Proc. of the Vtli Internat. Urnith. 
Congr. 190.5 p. 347. 

O autor descreve .30 espécies e subspeeies novas das quaes 2, 
Svcalis (foeldii o Todirostnnv sclmlxi. da nossa região. 

25. H. Uraf t\ Berlepsck : < Stiiãioi ucbcr Tyranniden » ( Estudos sobre. 

Tyrannidae ) ibidem p. 7G3. 

Neste trabalho o autor dá uma classificação nova da lamilia Ty- 
rannidae, augmcntada por notas criticas com relação a vários géneros e 
espécies duvidosas. 

20. //. Oraf r. Berlepí<c]i : < On the gcnus Elaeniu Siindcr.^^. (Sobre o 
género Elaenia Sundev. ) ibidem p. 372. 

O autor reconhece 30 espécies e 19 subspeeies d'este género ditfi- 
cillimo. Trata d'elles muito detalhadamente, dando também noticias sobre 
as aífinidades, a distribuição geographica, os costumes, ninhos e ovos e 
um relatório da liiteratnra sobre o género desde Linné. 

27. //. Oraf V. Berlcpsch u. K. Ilcllmayr : «Studien iichcr iienifi hckanute 

Typcn ncotropiseher Vikjel » ( Estudos sobre typos ])ouco conhecidos 
de aves neotropicas ). Journ. f. Ornith. lan. 1905. 

Os typos aqui tratados acham-se principalmente nos museus de 
Copenhague ( Dinamarca ), Neuchâtel ( Suissa ), Berlim ( AUemanha) e Vien- 
ua (Áustria). Alguns d'elles são indígenas da Amazónia. 

28. Dr. E. A. Oocldi : <■ Alhuii/ de Ares Aniaxonicns » III. Fase. 1906 

Appareceu no anuo 190(5 a terceira e ultima parte d'esta edição de 
luxo do nosso director honorário Prof. Dr. E. A. Gocildi, illustrando em 
24 folhas 203 espécies differentes, quasi todas da Amazónia. 

29. Dr. O. Ha<j)»ann : « Die \'oi/rl/relf der Insel Mexiana Anntxonen- 

stron/ ». (A avifauna da ilha Mexiana, rio Amazonas). Zool. Jahr- 
buecher, -Abt. f. Syst. Bd. 20 (1907). 



BlBLIOGRAPHIA 455 



Notas biológicas e emimcração de todas as espécies observadas e 
coUeccionadas pelo autor durante as suas moradas n'esta ilha. sendo o 
numero total de 123 espécies. 

30. Dr. G. Empnann : •^ Ornitholofjisfihes vun der Insel Mexiana^A^ oííl< 

ornithologicas da ilha Mexiana ). Ornith. Monatsbcricht, Julv-Au- 
gust 1906. 

Notas biológicas e systematicas sobre alguns pássaros observados 
pelo autor na ilha Mexiana. 

31. ^. Hartert : ' Podaryidae. Capriíuulfjidae, Macropter\(j/dap.' ibidf-m 

(1897). 

— « Trochilidae y' Das Tierreich (1900). 

As duas obras precedentes são catálogos completos das familias 
Trochilidae ( beijaflores), Podargidae, Caprimulgidae (Bacuráos) e Macro- 
pterygidae, publicados pela Academia das Sciencias de Berlim, como parte 
da obra collectiva «Das Tierreich» (o reino animal). 

32. C. E. Hellmayr : « JJeher einige Arten des Genus Thryopkibis - ( Sobre 

algumas espécies do género Thryophilns) Ver- 
handl. d. k. k. zool. bot Gesellsch. Wieii ( líIOl ). 

— « Noch einiçje Worte uebcr Thryoplnlus - ( Mais al- 

gumas palavras sobre Thryophilus) ibidem 1902. 

— « Besehreibuny von 2 neuenbrasilinnischcn l^oci/chi". 

( Descripção de 2 uovos pássaros do Bnizil ) ibi- 
dem 1902. 

— « Einiye iveitere Bemerkimgen iieber Polioptila . 

(Mais algumas observações sobre Polioptila) ibi- 
dem 1903. 

— «Note on a rare bittern (Zcbrilus pimillu^) . ( Nota 

sobre um soco raro). OrnisVl 1!)0."). 

Os cinco trabalhos precedentes tratam quasi todos de pa-^saros bra- 
zileiíos, em parte amazonicos. 

33. C E. ílellniaijr : v. Notes on a secou J coUection of birds from tlic dis- 

trict of Pará, Braxil>>. (Notíus sobre uma se- 
gunda collecção de pássaros da região do Pará, 
Bra2il). Nov. Zool. Vol. XIII (1906). 

— « Atiother contribution to fhc orn/f/iolof/y of f/ir Inirrr 

Atnaxons». (Mais uma contribuição á ornithnUi- 
gia do baixo Amazonas) Ibidem Vol. XIV ( 1907 ). 

— « On a eollection of birds froin Tc/fé, Pio Snliinõcs 

Braxil » ( Sobre uma collecção de pássaros ile Toffé, 

Rio Solimões, Brazil ). Ibidem Vol. XIV (1907). 

« On a coUection o f birds i/ntdc by Mr. IT. I{i>/fnianns 



467 BlBLIOGRAPIIIA 



on the Rio Madeira, Braxil >'. ( Sobre uma collec- 
ção de pasisarof! feita pelo Sr. W. Hothnanns no 
Rio Madeira, Brazil ). Ibidem Vol. XV ( 1907 ). 

No8 trabalhos citados o Sr. Hellmayr relata sobre as colleeções 
de pássaros feitas pelo Sr. Hoffinaniis na Colónia St. António do Prata, 
no baixo Tapajóz, em Óbidos, Teffé e no Rio Madeira durante os annos 

l!)<).j-lí)07. 

3-1. C. E. Hellniaijr : « fíevision der Spixsrlien Tvpen». (Revisão dos ty- 
pos de Spix ) Abhandl. der kgl. bavr. Akademie der Wissensch. 
II bl. XXII Bd. III. 

Trabalho eritico e extensivo sobre os pássaros representantes de es- 
pécies novas collercionados e descritos pelo naturalista bavaro Spix. 

35. C. E. Helli/iai/r : «A revtsioii nf thc «jciins Pipra «. (Revisão do ge- 
!iero Pipra), The Ibis lan. ( 1906). 

Enumeração, classificação, descripção e distribuição de todas as espé- 
cies do género Pipra conhecidas até 1907. 

3(). //. R. V. Ihering : « As aves do Braxil. Catalofjos da fauna brasileira 
editados pelo Museu Paulista ■>. S. Paulo ( 1 9( )7 ). 

Catalogo conipletíj de todas as espécies de aves conhecidas do Bra- 
zil até aos últimos annos, assim como catalogo ilas colleeções de pássaros 
do Museu Paulista. 

37. ^1. Mcnegaux : <■- Cíxlalojjue des oiseaux rapportés par Mr. Gcay de la 
Guxane française et du conteste francobrêsilien ». (Catalogo das 
aves col leccionadas pelo Sr. Geay na (luiana franceza e na região 
co:itestada francobrazileira) Buli. du Museu d'Hist. Nat. il!)(>4). 

O Sr. Geay trouxe du Guiana franceza uma eollecção de l.')') es- 
pécies, das quaes uma ainda não era conhecida. 

3<S. ^l. Mcnegaux et C. E. Helliuayr : « Elude des espéces critiques et des 
types du groupe des passereaux traclièophoncs de 
V Aniérique tropicale, appartenant aux collections du 
nmseum ». Buli. du Mus. d'Hist. Nat. 1905; Me- 
moires de la societé d'hist. nat. d'Autun. Tome XIX 
190(5 ; Buli. de la societé philomathique de Paris, 190(5. 

Estudos sobre as espécies criticas e os typos do grupo dos pássaros 
tnicheo])honeos da Anierica tropical, representadas nas colleeções do Museu 
de Historia Natural, Paris. 

39. Gates and Reid : « Catalogue of the collcction of Birds'eggs in the 
British Museu/n ». Vol. IV 1905. 



BlBLIOGRAPHIA 468 



Catalogo da eollecção de ovo.s de pássaros no Rritish Miiseum, Lon- 
dres. O penúltimo volume doesta obra iiiiportantt^, tratando das famílias 
Timeliidae-Certhiidae. 

40. W. P. P(/rrrfft: « Contrihidions to the ostenlogy of birds ■> Parte Vlíl: 

The < tracheo|)hone » Passeres. (Contribui(;õcs á os- 
teologia dos pássaros. Os passeros traeheophoneo> ). 
Proc. Zool. Soe. p. 13.3. 11J06. 
— & Contributions to tlie osteolof/v of birds -. Part. IX. 

Ibidem p. 852, 1907. 

Os dois trabalhos tratam dos caracteres osteologicos das familias 
Pipridae, Formicariidae, Dendrocolaptidae, Synallaxidae, Hylactidae, Pit- 
tidae das subordens Oligomyodi e Diacromyodi, contendo algumas das 
mais importantes grupos de pássaros sulamericanos. 

41. Ridíjway : « The birds of North and Middlc America '. Part. IV. 

Mais um volume da grande obra do Sr. Ridgway sobre os pás- 
saros da America septentrional e central. 

REPTILIA-(Siiethlage) 

42. F. E. Bebdard : « Contributions to the anatoinif of t/tc Ophtdia . 

(Contribuições á anatomia das ophidias). Proc. Zool. Soe. \). 12, 
1906. 

Collecção de cinco trabalhos relativos á anatomia de diversas espé- 
cies de ophidias. A primeira occupa-se do systema vascular da Anaconda 
(vSucurijú ), estudado em dois novos da espécie meridional Eunoctes no- 
taeus, e das differenças entre esta cobra e Eunectes murinus (espécie da 
nossa região), differenças que o autor acha não somente no colorido mas 
também em certos pontos da estructura anatómica (do pancrea.s e baço). 

No terceiro trabalho falia das affinidades de Ilysia seytale (a cobra 
coral não venenosa da nossa região) mostrando as suas relações com a fa- 
mília das Boidae. 

43. F. E. Bebdard: <■. Contributions to the knowlcdfje of the rase alar <nid 

respiratory systems in the ophidia ». (Contribuições ao conhecimento 

dos systemas vascular e respiratório dos ojiliidios) Ibidem p. I!)í(, 

1906. 

Occupa-se entre outros dos géneros sulamericanos Ijoa e Corallu.s. 

44. Dr. Hagmann : « Die Eier von Oonatodes humcralis, Tiipinmnbis 

nigropunetatus und Caiinan sclerops ». ( Os ovos do Gon. humcralis, 
Tup. nigropunctalis e Caimau sclerops). Zool. Jahrbuecher, Abt. 
f. Syst. Bd. 24 (1906). 

Notas sobre os ovos da lagartixa Oonatodes humcralis, do Jacruarú 
e do Jacaré-tinga. 



469 BlBLIOGRAPHlA 



4õ. F. Siehenroch : Die Sfhildhrnetcnfntnilic Ciiiosfernidrr -. (A família 
Cino.sleniidae dos Ctuíloiiios). Sitziino-:b('ii('hte d. Ak. d. Wissensch. 
Wien Bd. CXII, tom. I. ( 19o7). 

Monographia da familia, cujo membro mais conhecido 110 Brazil é 
o Cinosternum scorpioides ( Miissuaii ). 

45 a. F Sichenrock: ■■-■ D/e Brillritl.ainianc ron Brasilien,y> ( Os Jacarés do 
Brazil). Denkschriften der math. natiirvviss. Classe der k. Acad. d. 
VVis.sench. Wien ( 1905). 

O autor reconhece três espécies, isto é Caiman niger ( Jacaré-Assií ), 
Caiman selerops ( Jacaré-tinj^a ) e Caiman latirostris. Da ultima espécie 
o autor diz que ella só se acha no sul até o rio Parahyba, julgando er- 
rónea a noticia do Sr. Strauch que esta espécie vive também na Guiana 
franceza. Mas temos actualmente no nosso jardim zoológico, alem de 
diversos exemplares do Caiman niger e Caiman selerops, 2 espécimens vivo», 
provenientes dos arredores do Pará qu<> d i Iterem á primeira vista das 2 ou- 
tras especie.s pela largura do focinho o não podem ser outra cousa senão 
representantes do Caitnan latirostris. 

46. E. G. B. Meade- Waldo and M. J. Nicnll : « Description <>f an iink- 

noivn mdiiinl secn at aea off the eoast of Brasil. (Descripção de 
um animal desconhecido, visto no mar na altura das costas do 
Brazil). Proc. Zool. Soe. p. 7U) (lOOC)). 

Relatório do encontro com um animal marino perfeitamente des- 
conhecido de dimensões enormes, que foi observado pelos naturalistas in- 
glezes E. G. B. Meade- Waldo F. Z. S. e Michael I. Nicoll F. Z. S. no 
alto mar durante a viagem da Valhalla». 

AM PH! BI A. ( SnetbUigt- ) 

47. Dr. E. A. Gochli : « Description nf Hyla rcsinifictrix Goeldi, a new 

tree-fro(j peculiar for its brceding Imbits». Zool. Soe. p. 155 ( 1907 ). 

Descripção de Hyla rcsinifictrix Goeldi, nova espécie de gia, notável 
pelas suas co.stumes de criação. 

PI SC ES. (Snethlage) 

48. C. Tate Rcf/an: « J. classificntion of thc sclachian fishes^'. 

TTma classificação dos Selachii, subclasse dos peixes. 

49. C. Tate Rcf/an : '■■A reinsion of the Soulhaiiicrican Ciehlid yenera, 

Cichla, Chaetohranchus, Chaetobranchopsis> (Revisão dos géneros 
sulaniericanos, da familia Cichlidae. Cichla, Chartnhranchu.s, Chactn- 
branchopsis) Ann. and Mag. of Nal. Hist. Vol.XVII p. 2;5(l( 19()()). 

Este trabalho é o ultimo d'uma serie tratando da familia Cichlidae, 
tão importante para a America do Sul. Os artigos precedentes acham-se 



BlBLIOGRAPHIA 4/0 



nos Proc. Zool. Soe. 1905 p. 102 (género Crenacnra, Bafrachops. Creniri- 
chla) 8 nos Ann. and Ma<í. of Nat. Hist. Vol. XV p. 329. 1905 ( Amrn, 
Nannacara, Acaropsis e Astronotus), iitidem p. .')57 (Acara snljocularis); 
ibidem Vol. XVI. 190,õ p. (ÍO, 22.0, 31H ( Cir/dasoii/a), ibidem p. 433 Pe- 
tenia, Heríc/it/iys. Parancctroplus, Ncciropliis Hcrotilapia, IJarn, Sym- 
physodon Fterojjhijlluni ; ibidem Vol. XVII p. 49, i90(i ( iMrocidus, 
Geophagus, Heterogrmnma, Biotocciís). 

.50. TF. L. Roícntrce : « On tke chntition of the characinoid genus Pinbiica » 
(Sobre a dentição do género Piabuca da familia Characinidae). 
Ann. and Mag. of Nat. Hist. Vol. XVll p. 240 (1906). 

O autor mostra que nas 2 espécies sulamericanas Piabuca argentina 
e P. spiiiirus 2 dentes addicionaes antes da série praemaxillar e 2 dentes 
maxillares de cada lado formam caracteres de valor genérico. 

.51. A. de Miracula Ribeiro: «^ Genus Megalobryon, Gnthr. seu, ennuicra- 
tio si/sfematica hujus generis Characinidaruni specierum » { Ar- 
chivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, V. XIII, 190.Õ )• 

Synopse systematica do género Megalobrycon da família Characini- 
dae e descripção d'uma espécie nova : Megalobrycon piabagna A. de Mi- 
randa Ribeiro. 

Megalobrycon cephalus Gnthr. também se acha no Amazonas 
( peruano ). 

52. A. de Miranda Ribeiro : v. Fauna bra.iiUense : Peixes >^, Tom. I e II, 

(Archivos do Mus. Nac. do Rio de .Janeiro, Vol. XIV, 1907). 

Inicio d'um trabalho extenso sobre a ichthyofauna do Brazil, tratando 
o operoso autor no primeiro volume da morphologia, physiologia e taxo- 
nomia dos peixes em geral, dando também uma revista da respectiva lit- 
teratura, e occupando-.se no segundo dos Desmobranchios brazileiros (raias, 
tubarões e alliados) em especial. 

53. R. vou Ihering : <- Os peixes da agua doce do Braxil>. (Revista do 

Museu Paulista, Vol. VII. 1907. (p. 2.58). 

Outra contribuição importante ao conhecimento da fauna do Bra- 
zil. A primeira parte contem, alem da introducção, um resumo das ordens 
e famílias dos peixes de agua doce occorrendo no Brazil, alguniivs ob.-^er- 
vaçSes geraes, os Gymnoti e a importante família das Cichlidae. 

CRUSTÁCEA (Snethlage) 

54. TF. T. Calman : « On a frcshirater decapod crusfacran rn/bcfed bij 

W. J. BurcheU et Pará>. (Sobre um crustáceo decapttdo col leccio- 
nado por W. I. Burchell no Pará). Ann. and Míig. of Nat. Hist. 
Vol. XIX, p. 295 (1907). 



4/1 BlBLIOGRAPHIA 



Descripção de uma nova espécie do género FHtyrhijncliHs até agora 
só representado por Euryrhynchus icrxesniowskii, Miers. 

O typo da nova espécie Euryrhynckus burchclli achou-se na Bnr- 
chell-collection, Hope Miiseuni, Oxford, e já foi coileccionado pelo Sr. B. 
no anno de 1829, apparen temente n'um poço. 

õõ. L. A. Borrada ilc : <-0h the classification of the dccapod crustaceans ». 
(Sobre a classificação dos crustáceos decapodas). Ann. and. Mag. 
of Nat. Hist. Vol. XIX p. 4õ7 (1907). 

O autor propõe uma nova classificação dos crustáceos decapoda, 
explicando-a era forma de chave até as famílias e subfamilias, 

INSECTA (Di.ckc) 

Õ6. Wytsman <:■ Oenera insectoruin » (Bruxellas). 

Descripção dos géneros e enumeração das espécies dos insectos do 
globo, iniciada em 19U2 com collaboração dos melhores especialistas. Até 
o fim de 1907 sahiram publicados 63 fascículos. 

57. Magalhães, P. S. « Siir les insectes qui attaquent les livres » ( Buli. 

Soe. Zoolog. de France 1907, p. 95). 

Trata dos insectos, que damnificam os livros no Brazil. 

58. Gounelle, E. « Ceraniliyades nouceaiix ou pcu connus de la réijinn nco- 

tropicale » (Annal. Soe. Entom. de France 1906). 

Descreve coleopteros longicornes, alguns dos quaes pertencentes á 
fauna amazonica. 

59. Kolhe, H. « Ueber die Arten der aincrikanischcn Dynnstidcngattung 

Strateyiis» (Berlin. Entom. Zeitschr. 1906, p. 1-32). 

Contém descripções de espécies amazonicas. 

60. Atidré E. <í Xouvelles espéces de Muiilltdes d'Arnértque» (Zeitschr. sys- 

tera. Hym. Dipt. 1906). 

Mais uma contribuição do distincto especialista para o conhcciniento 
dcs hymenopteros da familia Mutillidae, cujas fêmeas (apteras), conheci- 
das no Brazil pelo nome « oncinhas » são famigeradas pela sua dolorosa 
ferroada. 

61. Buyssun R. du ^ Contrihiitiuns aux Clirysidides du (jlobc (5' série ).y> 

( Revue d'Entom. 1905, p. 253-275). 

— <- Moiioyraphie des Vcspides du genre Nectarina»- 

(Annal. Soe. Entom. France 1905 p. 537-566). 

— « Monograpkie des Vespides appartenant aax gentes 



BlBLIOGRAPHIA 4/2 



Apoica et Synoeca.>' (Annal. Soe. Eiitom. France 
1906, p. 333-:í62) 
— «■ Description d'un Splicrjidc nouveau.» (Aniiul. Soo. 

Entom. France 1907, p. 29-30) 

As duas nionographias, que se occnpam de fíeiíeros de vespas par- 
ticularmente rices em espécies na Amazónia, |)ertencein ao (pie ha de 
melhor em trabalhos sobre insectos. 

62. Diccke, A. « Bioloyische Nntizen iibei- eini(jc sudanicribinisclic llijiue- 

noptera.» (All<íem. Zeitschr. f. Entom. lí)()3, p. 368-372 ; 
190Õ, p. 17Õ-177; 1906, p. 17-21). 

— « Neue Beobachtungen iiber diè Bienen der Aiucuonasldivlcr. » 

(Ibidem 1906, p. 51-60). 
Secondo siqyplemento alia revisione dei Crisididi dcllo Sidto 
brasiliano dei Pará." (Buli. Soe. Entom. Ital. 1 !)()(), p. 
3-19). 

— <í.Les esjjèces de Polistomorpha Westiv.^' (Buli. Soe. Ent. 

France 1906, p. 163-166). 

— <^Zur Synonymie einiger Hymenoptera Amax,onicn!í. - (Zei- 

tsch. syst.Hym. Dipter. 1907, p. 137-141). 

— Beitrag 7Mr Kenntnis der Solitãrbienen Brasiliens. - (Ibi- 

dem 1906-1997). 

— <s. Nouveau genre de Hphkjides. >■- (Annal. Soe. Ent. France 

1907 p. 28-29). 

— « Contribution á la coimaissance des Scoliidcs de /' Aiiicrique 

du Sud.^> (Revue d'Entom. 1907, p. õ-9, 14.J-U8). 

Trabalhos sobre systematica e biologia de hymenopteros, cpui-si todos 
da Amazónia. 

63. Duclce, A. « Contribution à la coimaissance de la fannc hynicnopth-o- 

logique du Brésil eentrol et meridional.» (Revuo d'Entom. Iil07, 
p. 73-96). 

Listas dos hymenopteros coUigidos sobretudo nos Estados de IMinsi-s 
Geraes e Maranhão, com descripções de muitas espécies novas. Não poucits 
das espécies ahi enumerades existem também na região amazonica. 

64. Forel, A. ^Fourmis motropicales nouvellcs ou peu connucs. ^ (Annal. 

Soe. Ent. Belgique 1906, p. 225-249). 

Uma parte do material estudado n'este trabalho foi (■<»llcccionaila 
por nós, em varias partes da Amazónia. 

65. Friese, TL «Neue Schmarotxerbicncn aus der ncofropisr/icii Uqiion.» 

(Zeitschr. syst. Hym. Dipter. 1906, p. 118-121). 

Mais uma contribuição do incansável dr. Frie.se para o conheci- 
mento da systematica das abelhas sulamericanas. 



473 BlBLlOGRAPHIA 



66. Ihering, H. von « Die Ceeropicn und ihre Sdwtxameisen. » ( Englers 

botan. Jahrb. 1907. p. 666-714). 

Impoitanto trabalho, em que o illiistrado director do Miisen Pau- 
lista estuda a questão biológica da poiívivenoia de alg;ninas espeeies de 
formigas do género Azteca com as arvores chamadas v Imbaúba (Ce- 
cropia ,sp. ). 

67. Koiio/v F. JV. ^- Chalasfoíjnstra ■' (Zeitschr. syst. Hymen. Dipter. 

1901-19U8). 

Monographia dos hymenopteros da subordem Chalast(^gastra, infe- 
lizmente nào terminada, devido á morte do autor em maryo de 19()8. 

68. Sehnh W. A. H\iiir)ioplerPu-!Stndirn. ^ (Leipzig 1905). 

— < S/)f)/in hxinenoptprnloffira. ■> ( Paderborn 1906). 

« AHe H\iiiennpteren. » (Berlin. Entoni, Zeitsehr. 1906, 
p. ;J03-;^33 ). 

O primeiro d'estes trabalhos contém um capitulo especial sobre hy- 
menopteros da Amazónia, coiloçoionados en) sua maior parte pelo celebre 
naturalista Bates, que ahi residiu de 1848 a 18Õ9; os outros dois occupam-se 
sobretudo de (juestòes de synonymia. Muita actividade é desenvolvida nas 
polemicas, nas quaes o autor infelizmente ás vezes, se esquece das regras 
da urbanidade. 

69. Huebuer, J. « Lepiãoptera rxotira. -> (Reimpressão editada por P. Wyts- 

man, Bruxellas 1904-1908). 

Importante para esjiecialistas na lepidopterologia. 

Eothschild. W. and Jordan, K. <- A reinsion of the Aiiieriran Papilio?. » 
( Novitates Zoologicae 1906, p. 412-75.3). 

Monographia de alto valor scientifico, indispensável a quem pretende 
estudar as bellissimas borboletas do género Papilio, abundantes nas flo- 
restas da nossa região. 

70. Seitx, A. 1^ Die Grosscliinctterlhiye der Erde. >' (Stuttgart). 

Até o fim do anno Í907 publicaram-se os fascículos que contêm os 
Papilio da nossa fauna. As estampas coloridas representam o maximum 
da perfeição até agora conhecida em semelhantes trabalhos. 

BOTÂNICA 

71. H. V. lUering, <■ A distribuiçào de cnnipos e motins no Braxil. » Re- 

vista do Museu Paulista, vol. VII, p p. 125-178, estampas I-VIII, 
1907. 

Compilação interessante de numerosas informações sobre a distri- 
buição dos campos e das mattas não só do Brazil, como indica o titulo, 



BlBLIOGRAPHIA 474 



mas em toda a America ihi 811I. Semelhante empreliendimento nao era uma 
tarefa taeil, já por cansa das divergências de opiniries s(>l)re o (jue |K>de-.-e 
chamar campo ou matta, já por cansa da exiensa litferatnra .pie era precino 
consultar para obter informaçõfs fidedijíiias. Nào seria |)0.ssivel di>c»tir 
aqui um assumpto tão vasto e tão diftieil como a ipiestuo das orifien.- «ias 
diversas formações vegetae- no emiiinenle sidamericano. Afe seja apenas 
permittido de apresentar arjui algumas ligeiras rectificações com respeito á 
parte septentrional do continente, como ella se acha representada no luappa 
annexo organisado pelo meu illustre collega. A inversão na distrilviiçao 
dos campos e mattas no isthmo de Panamá deve sem duvida ser aítribuida 
a um equivoco. Emquanto que na Columhia a extensão dos campos na 
bacia do rio Magdalena é visivelmente exagerada, é certo qne os I^lanos 
venezuelanos, apezar de interrompidos por fachas de matta ao longo dos 
rios ( Galerienwaelder ) extendem-se muito mais ao 8., até perto do rio 
Guaviare, sem comfciulo passar á margem direita do Orenoco. O Pampa 
dei Sacramento é coberto de mattas. e a TE do rcavali-Uriibamba não 
ha campos. Quanto aos campos da região costeira das (iuiaiias e do Pará, 
a sua extensão é em geral exagerada, com excepção da ilha do ^[araju. 
da qual qnasi a metade é oceupada por campos. Em compensação, os 
campos situados nas cabeceiras do rio Itacayunas e designados no mappa 
cora o numero 70 não existem na realidade. Em todo caso e apezar dos 
seus defeitos, o mappa do Dr. v. Ihering representa um esforço interessante 
que não deixará de produzir bons fructos. As outras estampas qne illus- 
tram este trabalho, representam algumas formações vegetaes lypicas do 
Brazil em bellas reproducções phototypicas. 

72. J. Hiiher <>■ Hemie crifiquc rfe.s esprres dii [ipurc Sujilnni Jiuij. » Bulle- 

tin de 1'Herbier Boissier, 2ième Série, Tome VI tl9t'G) pp. 345- 
452, avec 50 figures dans le texte. 

O género Sapruni, ao qual pertencem as arvores chamada.- Tapurií. 
Murupita, Curupita, Burra leiteira, etc., na região amazonica. tem sido 
considerado durante muito tempo como uma " crux botânica «. O autor 
que de alguns annos para cá está estudando as espécies amazonicas doeste 
género, aproveitou a occasião d'uma commis.são na Europa para examinar 
os typos das numerosas espécies qne se acham representadas nos herbarios 
de Genelira. A « Revue critique ^ é um ensaio de introduzir nas espécies 
extra-amazonicas (as amazonicas serão tratadas opport nuamente I uma nova 
subdivisão mais homogénea do que a empregada até aqui. 

H. 

73. J. Hiiber "La rrfiffation de la rallée do Rio Piini.-< ( Aniaxonc ). * 

BuUetm de THcrbier Boissier 2ième Série, VI ( l^Kití ) p. 249-276, 
avec 6 planches et figures dans le texte. 

Pvesumo das observações physiographicas e phytogeogiaphicas feitas 
pelo autor durante uma viagem aos rios Purús e Acre em 1904. O autor 



475 BlBLIOGRArHIA 



procura dar uma idéa da evolução da matta de várzea desde o primeiro 
appareci mento da veo;etação sobre as praias até a constituição da matta 
virgem cm toda a sua complexidade. A vegetação da terra firme, as pal- 
meiras do Rio Purús, o iiidigenalo do Theobroma Cacao e de algumas 
outras espécies do género Tlieobroma nas aliuviões do Rio Purús, assim 
como as Bambuseas do Rio Purús, são tratadas em capitulos especiaes. As 
estampas mostram paisagens typicas do valle do Purús. 

H, 

74. E. lUe, « Ainrisenpflaiixcn. y ( Plantns mvrmecophilas ) Englor's Bot. 
Jahrb. vol. XXXVII. p p. 33')-3:>2 } IDOG. 

O autor, que em publicações anteriores ja tratou dos <. Jardins de 
Formigas» ( Ameisengaerten ), apresentou aqui o resultado dos seus estu- 
dos sobre as myrmecophylas em geral e especialmente as da região ama- 
zonica. Como diversos autores anteriores ( v. Ihering, Buscalioni e Huber, 
Rettig), elle chega á concliisão que a theoria de adaptação mutua (de 
Schimpcr) não é satisfactoria e que o centro da questão reside na inicia- 
tiva das formigas, que na procura de logares aptf)s para os seus ninhos 
escolhem naturalmente as plantas que ja por si lhes apresentem certas 
vantagens (caules fistulosos etc. ). Da parte d'um observador tão cuidadoso 
deve admirar que cUe ainda negue a influencia poderosa das inundações 
com estimulo evidente da tendência das formigas de ])rocurar abrigo nas 
plantas (vide L. Buscalioni e J. lí/ibcr « Eine neue Theoria der Amei- 
senpflanzen » Bot. Centralbl. Beihefte, Bd. IX, 2, p. 4). Neste sentido 
podemos agora ainda citar o testimunho insuspeito de Richard Spruce, 
que depois de viajar durante muitos annos na região amazonica, em um 
trabalho apresentado ha mais de 50 annos á Linnean Socicty de Londres, 
n)as só agora publicado ( vide li. Spruce « Notes of a Botanist on the 
Amazon & Andes, edited by Alfred Riisscl Wallace, 1908) insiste clara- 
mente sobre o facto que quasi todas as plantas myrmecophilas acham-se 
em logares temporariamente immdadas. 

A segunda parte do trabalho do Sr. Ule contêm uma enumeração 
das (48) plantas myrmecophilas observadas por elle na região amazonica, 
e uma deseripção mais detalhada d'um feto, Polypodiuin bifrons, que até 
um certo ponto também jxkIc ser consid(írado como myrmecophilo. Quanto 
aos «Jardins de Formigas » o autor enumera 14 espécies de plantas cul- 
tivadas pelas formigas. Tendo observado as formigas transportarem as se- 
mentes d'estas plantas nos seus ninhos epiphytas, o autor conclue que se 
trata de uma verdadeira cultura que para elles tem a tripla vantagem da 
consolidação do ninho, da protecção contra o sói e as chuvas torrenciaes 
e finalmente da própria alimentação. 

Das duas estamjjas uma mostra o notável PolyjioãiiDii bifrons Hook. 
com as suas ascidias, a outra o Strcptocalyx angiistifolius Mez, espécie 
mais earacteristica dos jardins de formigas no alto Amazonas. 

H. 



BlBLIOGRAPHIA 47^5 



7.Õ. M. Nieuw(mhuis-imilJxki.lll-Gul(lenhanf1t, * Extra floralo Zuckrrauíf- 
scheidungen und Ameisenschutx. .v> ( Hoorcções saffh:iriiiixs (■xtr:i(l(.- 
raes e protecção pelas formijías). Aiiiialcs dii Jardiíi liotaiiirjiK- de 
Bnitenzorg, 2 e Série, vol. VI, pají. l!iõ-;{28, 1907. 

A Ainazonia é com certeza nnia das re<íiões do globí) onde se en- 
contra com mais freqnencia, nos caules, nas folhas ou nos cálices das 
plantas, aquellas pequenas jílandulas, que os botfinicos, para distiufíuil as 
das glândulas floraes cujo secreto serve de pasto aos insectos int<-rinedia- 
rios da fecundação, chamam de nectarios extrafloraes. Segundo o celebre 
botânico Delpino e outros adeptos da theoria de selecção natural, estes 
nectarios extrafloraes seriam uma adaptação ás formigas, que nutrindo-se 
do néctar, serviriam ao tnesmo tempo a d.efender as plantas em questão 
contra os ataques dos seus inimigos, mormente insectos n()CÍvop. Esta bella 
theoria porém não resisto a um exame critico. Estudando um grande nu- 
mero de plantas providas de glândulas extrafloraes, no celebre jardim bo- 
tânico de Buitonznrg, na ilha de Java, o autor do presente trai)alho chega 
a resultados que depõem muito contra a theoria de Delpino e tendem 
mesmo a provar, que na maioria dos casos as glândulas extrafloraes, longe 
de serem vantajosas para a planta, lhe são pelo contrario prejudiciaes, 
porque ellas attrahem não só as formigas, cuja actividade aliás nen) sempre 
é favorável á planta, mas também outros insectos francamente nocivos, 
que muitas vezes são tolerados pelas formigas. E claro que, caso as con- 
clusões do autor se confirmem para a maioria das plantas providas de 
glândulas extrafloraes, não pode mais ser questão de invocar as glândula- 
extrafloraes em favor da theoria de selecção. 

H. 

7(J. Oito Renncr, « Beitraeçie xur Anatomie und Systaiiatik der Artorar- 
peen und Conoeefhaleen, tnsbcsondere der Oattuny Fietis - (Contri- 
buições para a anatomia c systematica das Aitocarpeas e das Co- 
nocephaleas, mormente de género Fieus). Engler's Bot. Jahrb. vol. 
39, pp. 319-448. 

Alem de acurados estudos anatómicos, este trabalho trixz também 
um certo numero de ob.servações de interesse biológico, principalmente sobre 
as espécies dtí género Cecropia (Iinbaúba). Assim o leitor achará nas 
paginas 341-344 e 442-444 informações bastaiití! detalhadas sobre os '. cor- 
púsculos de Mueller » e a discussão das theorias emittidas a respiíito d'elles. 
De uma certa importância é ainda a constatação, que nos va-sos laticiferos 
de Cecropia ainda não foi encontrado borracha, apczar das affirmações 
em contrario, que de uma maneira incomprehensivel e sem ba.se scientifica 
acham-se repetidas em diversas obras que tratam do assumpto. 

H. 

77. E. Ule, « EpipJtyten des Amnxnnnsçjrhirtcs --■ ICarsten u. Scl>enk, Vege- 
tationsbilder Íl, 1. « Bluinoujnerlc» der Anietscn ft»i Atmi\onetí- 



BlBLIOGRAPHlA 



stroni^, ibidom III, 1. « Ai?ieisenpflanxen des Âvinxminsgebietes^ 
ibidem IV, 1. 

Os trc^ fasciriilo.« em qiie>:tão, cada um composto de (! estampas e 
d'um texto resumido, fazem parte da <>rande obra inlitulada - Vejíelations- 
bilder s que é eoncel)ida mais on menos nos mesmos moldes como o nosso 
' Arboretum Amazonicum -, porém sobre um plano muito mais vaslo e 
abrangendo a vegetação do globf) inteiro. As estampas do primeiro fascí- 
culo representam algumas espécies epiphyticas, principalmente do alto Ama- 
zonas, em bellas reproducções phototypicas. entre as quae» a primeira, que 
mostra a Rromeliacea Xididarhivi eleutlteropetalum, e os números 3 e 4, 
que representam o esplendido feto Plfifi/reriu)» rnidiniiiii. nas vizinhanças 
de Terapoto, são notáveis pela sua perfeição. 

O segundo dos fascículos acima citados trata diis taes - jardins de 
formigas » já descriptas pelo autor em outras publicações. As estampas 
mostram nuiito liem diversas phases de formação destes jardins suspensos 
que são devidos á actividade de diversas espécies de formigas dos géneros 
CcDíipfuotxs e Axtefcí. 

No terceiro fascículo o autor se occupa das plantas mvrmecophilas 
da região amazonica, reproduzindo photographias de duas espécies de Ce- 
crupin ( aqui me seja penuittido de observar, que a Cecropla nreiiaria de 
Warburg segunda minha opinião não é outra cousa senão a C. letiroconia 
3Iiq. ) de THplaris ScliDiuburykidna Bth., Tachignlia forniicarum Harms 
u. sp. e de Tococa (jiuunensis Aubl. 

H. 

7S. E. Vle, " Bcitraeije xur Flora der Hylaea luich den Samndimgen von 
Ule'í< AniaT,onas-Exppditirin ». Veih. des bot. Vereins der Provluz 
Brandenburg. XLVIII. Jahrgang 1906, pp. 117-208, com 2 es- 
tampas. 

Continuação da enumeração e descripção das espécies novas collec- 
clonadas por E. Ule nas suas viagens pela região amazonica ( cf. este 
Boi. vol. IV, p. 8(J0 ). N'esta parte eollaboraram os seguintes autores : 
U. Dammer, ( Cyfadacete, Palma) L. Diels, ( ()xalidarea\ Myrtacece, 
Coadjrefafca' ), G. Hierftnyrnus { Compósita' ), H. Harms ( Leiíuminoso'., 
Passiflnracpff ), K. Krause (Vrticacece, Ebenaecte ) Th. Loesener ( Saxi- 
fratjncerv^ Aiiacardi(icea\ Celastrarpa\ Hipjiocratapefp ), W. Ruhlaiid ( Erio- 
caalarefp ), E. Ule ( Bromeliaccd', horantliacetp, lUf-hapeUduciif, Quiina- 
ceo'^ Bi(ja(inin(i<f, (i. Warburg ( MorafCíf). Alem de numerosas espécies 
novas, encontramos n'este importante tral)alho os géneros novos Acaidhos- 
phaera Warb. ( Morar-erp ), Psafl/i/ran/t/as Ule ( Lora)dliacefe ), Oonypefa- 
him Ule ( Dichapetalarete ), Uleuplnima Hieron. (Composltae Eupatorieae ). 
Os dois primeiros são figurados nas duas estampas que acompanham o 
texto. 

H. 



BlBLIOGRAPIilA 478 



79. U. Dammer « Solanaeece americana' ». Engler's Bot. Jahrbiichor vol. 

XXXVII pp. 1(57-171 (1905). 

N'este trabalho figuram as descrip(;ões de duas espnoiis auiazoui- 
cas novas e iuteressantissinias sob o ponto de vista da geographia botâ- 
nica e da biologia vegetal: Míirr-l,ea forinicnnwi Dauiuier 11. sp. e Eclo- 
zoma Ulei Dauinier n. sp., a primeira do Juruá e do Rio Negro, a se- 
gunda do alto Rio Juruá e das visinhanças do Tarapoto, ambas ('ncoM- 
tradas em ninhos de formigas. 

H. 

80. A. Enijler, « Uleanari Evgl. nor. yen^->. ( mit. 1 Fig. im Text ). En- 

gler's Botan. Jahrbiuher vol. XXXVÍI p. 9.">-9G. ( líJOf) ). 

Desoripção d'um novo íjenero das Araceas. com a espécie Ulcarum 
sayiUntuiH Engl. descoberta por Ule nos confins occidentaes da região 
amazonica, no Pongo do Cainarachi entre Yurimaguas e Tarapoto. 

H. 

81. A. Emjler, -< Beitrnege xur Kenntniss der Aracea X. IS. Aracete nn- 

vre». Englers Bot. Jahrbiicher vol. XXXVII p. 110-143 (1905). 

Contém entre outras descripções as de algumas Araceas descober- 
tas por Ule na Amazónia, como: Monstera falcifolm n. sp., do Jurná- 
miry; Monstera coriacea n. sp. do Juruá-miry; Spat/tipl/ylhwi Huheri 
n. sp'., do Ucayali ( leg. J, Huber); Drarnntium lomjipes n. sp., do 
Juruá-miry; PhUodendron Ernesti n. esp. do Juruá-miry; Philudendron 
Traunii n. sp., de Manáos; Philadendron myrmeropliHwn n. sp., de 
Manáos; Fhilodendron Ulea.nnm n. sp., do Juruá-miry; Philodendron 
Wittianum n. sp., do Rio Negro; Ph. pidchellum n. sp., do Juruá- 
miry; Xanthnsnma tarapotcnse n. sp., do Tarapoto; Syngouium hastifo- 
Hum n. sp., do baixo Juruá; Syngonium Yurimaguense n. sp,, de Yu- 
rimaguas. 

xl. 

82. Karl Fritsch (Graz), «Zweitcr Beitrag nir Kennfmiss der (lesneria- 

ceen-Flora Brasiliens» (Segunda contribuição para o conhecimento 
da flora das Gesneriaceas do Brazil). Engler's Bot. Jahrb. vol. 
XXXVII, pp. 481-592 ( 1906 ). 

N'esta enumeração que, assim como uma contribui(;ão anterior 
(Bot. Jahrb. XXIX. Beiblatt N." (55, líMK») constituo um couiplcmento 
importante á monographia já antiga d'esta familia na Fl(.ra Brasdicnsis, 
encontram-se diversas espécies colleccionadas por Ernesto Ule na região 
amazonica: Beslertn Uleaua Fritsch n. sp., do baixo Juruá, Episcia 
fimhriata Fritsch n. sp., do Juruá-miry, Crantxia pêndula (^^oepp. et 
Endl.í Fritsch, do alto Juruá, Crantxia semicordata (Poepp. et Endl.) 



479 BlBLIOGRAPHIA 



Fritsch, c!o Jnruá-miry, Crnntxin Patrisii (DD.) Fritsoh, do Jurná, Co- 
(Idunuthc forniicfiruni Fritsch n. sp., do Juniá-miry, Codonriutlte Ulemm 
Fritsch n. sp., com a variedade intrgrifolia Fritsoh, do Juniá-rairy, as 
ultimas três formas encontradas por Ule nos «jardins de formigas ». 

H. 

83. L. limllkofer « Snpindncea' nnvfj' e r/encr/hus Serjania et Paitllinia 

( follectoruin U/c, Weberbauer, Smitli et fTOZ/ír»/*,/ ». Engler's Bot. 
Jahrb. vol. XXXVII p. 144-155. 

As espécies amazonicas descriptas n'este trabalho são as seguintes: 
Serjania inscr/jita Radlk. n. sp., do Jnruá-miry; Pauliinia larçfifolia 
Eadik. n. sp., Juruá-miry; Paullinia cxalata Radlk. n. sp., do Juruá- 
miry; Paullinia tarapotensis Radlk. n. sp., de Tarapoto; P. retieulati 
Radlk. n. sp., do baixo Jurná; P. cchinnta Radlk. n. sp, do Jnruá- 
miry e do Dep. de Loreto ; P. medullosa Radik. n. sp. df» Jnruá-miry; 
P. selenoptera Radlk. f. setuligera, do Juruá-miry. A P. eeliinafa Radlk. 
parece ser idêntica com a P. eehinata qno um mez antes da publicação 
do trabalho do Prof. Radlkofer descrevi segundo exemplares collecciona- 
dos no Cerro da Canchahuaya a TE. do Rio Ucayali (cf. Boi. do Mus. 
Goeldi vol. IV p. 582), de forma que o meu nome tem a prioridade. 

H. 

84. F. Stephani, « Hepatieae amaxonieae^. Hedwigia Bd. XLIV pp. 

223-229. 

Enumeração das Hepáticas colleccionadas por E. Ule na região 
amazonica. 

85. V. F. Brotherífs, « Musci amaxonici et subandini ». Hedwigia Bd, 

XLV pp. 260-288, 1906. 

Esta enumeração dos Musgos colleccionados por E. Ule na Ama- 
zónia e no Peru subandino contêm 4() novas espécies uma das qnaes, um 
musgo minúsculo achado perto de Tarap<jto pertence a um género novo 
para a sciencia, Uleobryum, que é illustrado por uma pagina de figuras. 

H. 

86. E. Ule, « Die Pflanxenfonnntinnen des Anmxnfias-Gehietes ^. I e II. 

( As formações vegetaes da região amazonica ). Engler's Bot. Jahrb. 
vol. 40, pp. 114-173, 398-443. Taf. III-VIl, IX-XII, 1907-1908. 

N'este trabalho, o Sr. Ule dá o resumo final bastante completo das 
observações botânicas feitas durante as suas viagens na região amazonica, 
nos annos de 1900 até 1903. Depois de uma relação curta do sen itinerá- 
rio e de algumas ol)servações geraes sobre as feições physicas da Amazó- 
nia, o autor se occupa primeiro dos rios de agua branca e de sua vege- 



BlBLIOGRAPIlIA 480 



tacão, que elle estudou principalmente no rio Juruá, no qual eilo reuniu 
collecçíjes importantissinias, esiudando a vefíetação em diversos pontos do 
curso inferior e superior. Se n'iima estadia de al<íuns mezes o anctor na- 
turalmente não podia obter uma idéa corn|)lcta da com|)osição da matta, 
mormente quanto ás arvores altas, cujas flores difficilmente se consefíueni, 
as suas descripções e enumerações das plantas que compõem as formavòes 
vep;etaes são d'um grande interesse e d'um valor tanto mais elevado que 
elle teve a vantagem de ter ao seu lado, para a classificação das suas co- 
lheitas, os sábios especialistas do Real Museu Botânico de Berlim. Como 
typo dos rios de agua preta, Ule escolhe o Rio Negro, cuja vegelação elle 
estudou nos arredores de Manáos e de São Joaquim. N'um terceiro capi- 
pitulo, o autor trata da parte peruana da planície amazonica e da zona 
de transição á região andina. Algumas considciiições geraes sobre certa.s 
formas especiaes de vegetação, como epiphytas, Thailophytas e Brvophvtas, 
e sobre os liniiies e os traços característicos da região visitada, concluem 
este trai)alho importante de geographia botânica. Se a natureza mesmo do 
trabalho, que é antes de tudo uma fonte abundante e preciosíssima de 
informações positivas, não permitte entrar aqui em detalhes, sob pena de 
perder-.se em minudencias, me seja entretanto licito fazer um ligeiro re|)aro 
a respeito do titulo que o estimado autor e amigo escolheu para o .seu 
trabalho. Me parece que teria sido prudente riscar d'cste titulo a jjrimcira 
palavra. O reparo poderia apparecer mesquinho, u'as creio que nem o Sr. 
Ule apezar de ter viajado muito no alto Amazonas tenha a pretenção de 
ter visto tanto da região amazonica para falar sobre ella em termos tão 
geraes. Quanto ás estampas, que são bem escolhidas e muito nitidas, 
tenho de fazer apenas uma pequena rectificação : que as arvores represen- 
tadas na estampa III, não pertencem ao Bonibax aquriticuni (que aliás 
cre.sce também nas margens do Amazonas), mas sim ao B. Miuiíjiihn .Mart. 
et Zucc. A mesma rectificação deve ser feita no texto (p. 123). 

H. 

87. A. Usteri, « Estudos sobre Cartcn Papnijn L. ». Extracto do Annuario 

da Escola Polytechnica de S. Paulo 1907. 

N'este trabalho, o mamoeiro é estudado sob os pontos de vista da 
anatomia, physiologia e biologia. Principalmente sobre a anatomia o autor 
dá bastante detalhes novos, illustrados por 5 estampas. 

ÍI. 

GEOLOGIA 

88. H. V. Iherinçj : «^ Arekhclcnis und Arcinnotis ■>. Leipzig l!»i>7. ( W. Kn- 

gelmanns Verlag). 

Uma collecção de trabalhos relativos ao passado geológico da .\ine- 
riea do Sul e á distribuição de animaes, que é o seu resultndo. O autor 
suppõe no lugar do continente actual duas áreas separadji^ por um biaço 



48 1 BlBLIOGRAPHIA 



do mar até ao pliocejiio : Arehiplata no sul e Archamazonia no norte. 
Durante o cretáceo e o encenio Arehiplata estava reunida a um grande 
coiilinente antárctico chamado Archinolis pelo autor, emquanto Archama- 
zonia tinha couimunicayão com a Africa por meio de outro continente, 
Archhelenis, que atrave.-sava o oceano atlântico. r)'esta maneira explica-se 
a composições da fauna actual amazonica de um lado e da Argentina 
do outro. 

Sn. 



FIM do volume V 



o MUSEU GCELDI 

tem publicado até esta data ; 

BOLETIM 



Volume I 
Volume II 
Volume III 
Volume IV 
Volume V 



Faseieulos 1, 2, 3, 4. 

( Fascículo 1 reeditado, 3 e 4 exgottadog ). 

» 1) ^9 O) 4« 

( Fascículos 2 u 3 exgottados ). 

1, 2, 3-4. 

( Fascículo 1 exgottado ). 

1, 2-3, 4. 

( Fascículo 1 exgottado ). 

1, 2 (ultimo). 
MEMORIAS 



I — Excavações archeologicas em 1905 (reeditado). 
II -- Zwischen Ocean und Guamá. 

III — Estudos sobre o desenvolvimento da armação dos 

veados galheiros do Brazil (exgottado). 

IV — Os mosquitos no Pará. 



ÁLBUM DE AVES AMAZONICAS 

A obra completa, composta de 3 fascículos : Fascículo 
1 (estampas 1-12) exgottado. fascículo 2 (estampas l3-24) 
raro, fascículo 3 (estampas 25-48). 



Relação das publicações 

feitas pelo Museu Goeldi ( cxgottada ). 



ARBORETUM AMAZONICUM 

Décadas: I (est. i-io), II (est. 11-20), III. (est. 21-3o) 
IV (est. 31-40). 



Os Boletins e Memorias são de distribuição gratuita e 
para obtel-os regularmente basta pedir directamente á Di- 
rectoria do Museu. 



O "Álbum de Aves" e o " Arboretum ", encon- 
tram-se á venda na Livraria Clássica de Francisco Alves & 
Comp., á rua do Ouvidor n. 134, no Rio de Janeiro. 



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